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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PERSPECTIVAS PARA A UTILIZAÇÃO DO VANTAGEPOINT NA ÁREA DE
MEDICINA A PARTIR DA EXPERIÊNCIA VIVIDA EM CAPACITAÇÃO PARA O
USO DO SOFTWARE
Eidi Raquel Franco Abdalla
Maria Fazanelli Crestana
Maria Adelaide Alves Mestriner
Márcia Elisa Garcia De Grandi

RESUMO
Descreve as possibilidades de utilização de ferramentas de análise bibliométrica em uma
biblioteca universitária da área de Medicina. Fundamenta-se nos estudos métricos da
produção científica, tais como a bibliometria e no uso de software de mineração de dados. Os
principais resultados alcançados até o momento são a construção de um repositório
institucional, já com cerca de 5.000 registros e a capacitação de equipe multidisciplinar para o
uso das ferramentas. Conclui-se sobre a importância dos bibliotecários oferecerem novos
serviços dentro do ciclo da comunicação científica, aumentando visibilidade e status
institucionais.
Palavras-Chave:Bibliometria;Análise bibliométrica; Avaliação da produção científica;
Medicina; Software de mineração de dados.

ABSTRACT
This study aimsto describethe possibilities ofuse ofbibliometric analysisin auniversity
libraryin the area ofMedicine.Itis based on themetric studiesof scientific literature, suchas
theuse ofbibliometricsanddata miningsoftware. The main resultsachievedso far arean
institutional repository, now around5,000recordsand training ofmultidisciplinary teamfor
theuse of tools. We concludeon the importanceof librariansoffer newserviceswithin
thescholarly communicationcycle, increasing visibilityand institutionalstatus.
Keywords:Bibliometric; Bibliometrical
Medicine; Data mining software.

analysis;

Evaluation

of scientific literature;

1 INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, desde o surgimento e estabelecimento da internet, vê-se uma
mudança significativa no papel e perfil das bibliotecas universitárias. Numa sociedade onde a

414

�informação está ao alcance de poucas teclas, sem a necessidade de ser um especialista para se
obter resultados colossais ou de se fazer deslocamentos para se ter acesso às fontes de
informação, a pergunta que se coloca é: e agora, qual é o lugar das bibliotecas acadêmicas?
A informação tornou-se um insumo tão consumido e desejado que quase todas as
profissões se aventuraram na área, do informático ao engenheiro, do gestor ao “marketeiro”,
do médico ao artista plástico, quase todos se sentiram à vontade para tomar parte do processo,
restando ao profissional da área um certo desconforto, não por falta de capacitação para
dialogar com outros profissionais mas, por muitas vezes, se encontrar numa posição
hierárquica onde outros atores tomam decisões políticas que impactam o dia a dia das
bibliotecas sem consultarem a área técnica.
A era da informação trouxe um excesso de resultados, recolocando a expertise do
bibliotecário na pauta do dia: mas quem pode assegurar qual é a informação de qualidade?
Quem pode fornecer a informação relevante? Afinal, não há tempo para ler tudo o que se
publica. Nesse cenário, surgem ferramentas de mineração de textos e dados para responder às
perguntas de gestão informacional. Uma nova oportunidade de o bibliotecário protagonizar o
momento reaparece.
O objetivo desse trabalho é descrever as possibilidades de utilização de uma
ferramenta de análise bibliométrica, em específico, da área de Medicina, a partir da
capacitação de um grupo de profissionais em uma biblioteca universitária.2

2 REVISÃO DE LITERATURA
As bibliotecas universitárias, além de serem um catálogo referencial do conhecimento
científico existente, passaram a organizar o conhecimento institucional na forma de trabalhos
de conclusão de curso, dissertações e teses defendidas, revistas editadas pela comunidade,
produção científica gerada na própria instituição, além de objetos educacionais utilizados no
processo de ensino e aprendizagem.
Atualmente as bibliotecas universitárias têm se voltado para a construção de
repositórios da produção intelectual das instituições a que pertencem. Esses repositórios
seguem as políticas e os interesses de suas comunidades acadêmicas e, no caso da área de
Medicina, apenas os trabalhos indexados em bases de dados de alta visibilidade são
considerados, tais como Web o f Science, Scopus e SciELO..
Aliado à coleta da memória institucional, tem-se os estudos métricos relacionados à
avaliação da informação científica e tecnológica. Esses se desenvolveram a partir da
bibliometria (COLE e EALES, 1917; PRITCHARD, 1969), cientometria (DOBROV e

415

�KARENNOI, 1969), webometria (ALMIND e INGWERSEN, 1997) e, mais recentemente, da
patentometria. Esses estudos informétricos envolvem indicadores de produção, citação e
ligação. São estudos quantitativos com análises estatísticas e reflexões analíticas da própria
área em questão mas que têm limitações, pois são probabilísticos.
A recuperação dos dados tem sido feita a partir de bases de dados cientificas.É mister
ressaltar que essas bases não foram desenvolvidas para análise, tornando-se necessária a
reorganização e complementação dos dados.
A mineração de dados foi definida por Fayyad et al. (1996) como “o processo nãotrivial de identificar, em dados, padrões válidos, novos, potencialmente úteis e ultimamente
compreensíveis”.
Normalmente, uma análise de mapeamento bibliográfico ou da ciência tem diferentes
etapas: recuperação dos dados, processamento, extração de redes, normalização, mapeamento,
análises, visualizações e interpretações dos resultados.
Atualmente há diversos softwares para análise bibliométrica, desde softwares
genéricos, como o Cytoscape, Pajek, UCINET,até os específicos, como o Bibexcel,
VosViewer, VantagePoint, CiteSpace, dentre outros.
Cobo et al. (2011) realizaram uma análise e comparação de nove dos softwares mais
utilizados e concluíram que não há um que seja considerado o melhor e que esses devem ser
utilizados conjuntamente, aproveitando seus pontos fortes. No entanto, em uma leitura mais
atenta do trabalho, destacam-se como os mais completos: CiteSpace, In-Spire, NWB Tool,
Sci2 Tool e VantagePoint.
A questão do novo papel do bibliotecário tem surgidoem diversos momentos e
estudos.

Pollock indaga:

responsabilidades

“Librarians

expandidas,

as

or science informationists?”, refletindo “as

habilidades

interdisciplinares

e

o

conhecimento

especializado do profissional”. Astrom e Hansson (2013) e Corrall et al. (2013) também
discorrem sobre as novas tendências no apoio à pesquisa, não só com a criação de repositórios
institucionais, como com a implementação de práticas bibliométricas.3

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foram conduzidos vários estudos com diversas fontes de informação, tais como:
Lattes, Dedalus, PubMed, Web o f Science, Scopus, SciELO e Google Scholar. Com o uso do
software livre DSpace iniciou-se a construção de um repositório institucional. Hoje, esse
repositório compreende cerca de 5 mil documentos cuja distribuição pode ser vista na tabela
1, do item 4.

416

�Também foram feitos treinamentos no uso do software VantagePoint para quatro
bibliotecários e dois técnicos. Esses profissionais foram capacitados de forma heterogênea e
sua assimilação e uso também se deu dessa forma. Os bibliotecários, por possuírem outros
conhecimentos como noções bibliométricas e o conhecimento da área e do uso das fontes de
informação, têm uma visão mais abrangente do processo, já os técnicos possuem uma
facilidade em assimilar novas tecnologias e elaborar gráficos e mapas, dominando o uso das
ferramentas.
O software VantagePoint possui uma biblioteca grande de filtros e thesaurus e uma
flexibilidade para a construção de novos. A partir do uso dos filtros existentes - PubMed,
WoS e Scopus - e dosfiltros criados para o Dedalus e para o DSpace pelo grupo de
especialistas contratados pelo SIBiUSP, a equipe da biblioteca usará um próprio para o
Observatório da Produção Intelectual (OPI).
Como projeto, o Observatório é mais do que o repositório, pois compreende
principalmente a análise dessa produção.
A partir do uso do software VantagePoint serão feitas as seguintes análises:
- Indicadores para a distribuição de recursos de fomento à pesquisa;
-Indicadores de produção por unidades: periódicos, número de documentos por ano,
referências citadas, autores (afiliação) e termos (livres ou estruturados);
- Indicadores de citação: número de citações recebidas por ano e métricas mais
importantes, como fator de impacto e índice h.
-Indicadores de ligação: identificação de redes de colaboração para estudar a estrutura
social de uma área de pesquisa, internacionalização, mapa conceitual da área, co-autoria, cocitação e co-termo.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Até o momento foram atingidos os seguintes resultados parciais:

a) Construção e população de um repositório institucional em DSpace, cujo estado da
arte pode ser notado na tabela abaixo:

417

�Tabela 1 - Total de itens do repositório - 2012-2014
2013
2014
Tipo de documento 2012
1892
1748
205
Artigos
463
340
Eventos
246
102
9
Livros e capítulos
2601
2190
214
Total
Fonte: Dados do Observatório da Produção Intelectual, 2014.

Total
3846
803
361
5008

Nota: Dados inéditos.

b) Consolidação da equipe bibliotecária de trabalho nesse repositório;
c) Acesso e capacitação no uso de software de mapeamento da ciência, mais
especificamente, do VantagePoint e
d) Constituição de equipe multidisciplinar de estudo formada por pesquisadores da
Faculdade de Medicina e do Hospital das Clínicas, bibliotecários, estatísticos e
pessoal de tecnologia da informação e comunicação.
Como continuidade à criação do repositório, está-se elaborando um projeto de
pesquisa para futuras análises dessa produção intelectual.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas universitárias podem ter um papel mais ativo e aumentar sua
visibilidade e status institucionais. O uso de ferramentas de análise bibliométricas não é
exatamente uma novidade no meio informacional e está se popularizando rapidamente na
academia, como um instrumento para a avaliação da pesquisa e distribuição de recursos.
Astrom e Hansson (2012, p. 316) afirmam que “incorporar atividades bibliométricas é uma
forma de redefinir e ampliar o papel das bibliotecas”, oferecendo novos serviços dentro do
ciclo da comunicação científica.
A aproximação com a alta gerência universitária e com os grupos de pesquisa de
excelência é uma estratégia para as bibliotecas universitárias contribuírem com uma melhora
na produção científica institucional, ampliando a visibilidade internacional e, por
consequência, um melhor posicionamento nos rankings.
Nesse cenário, o bibliotecário protagoniza o papel de mediador e analista de
metadados e conteúdos, fornecendo uma informação com valor agregado.

418

�6 REFERÊNCIAS

ALMIND, T.C.; INGWERSEN, P. Informetric analyses on the world wide web:
methodological approaches to “webmetrocs”. Journal of Documentation, v.53, n.4, p.404­
426, 1997.
ASTROM, F.; HANSSON, J. How implementation of bibliometric practice affects the role of
academic libraries. Journalof Librarianship and Information Science, v.45, n.4, p.316­
322, 2013.
COBO, M. J.; LOPEZ-HERRERA, A. G.; HERRERA-VIEDMA, E.; HERRERA, F. Science
mapping software tools: review, analysis and cooperative study among tools. Journal of the
American Society for Information Science and Technology, v.62, n.7, p.1382-1402, 2011.
COLE, F. J.; EALES, N. B. The history of comparative anatomy. Part I: A statistical analysis
of the literature. Science Progress, v.11, n.44, p.578-596, 1917.
CORRALL, S.; KENNAN, M.A.; AFZAL, W. Bibliometrics and research data management
services: emerging trends in library support for research. Library Trends, v.61, n.3, p. 636­
674, 2013.
DOBROV, G. M.; KARENNOI, A.A. The informational basis of scientometrics. In:
MIKHAILOV, A. I. On theoretical problems of informatics. Moscou: VINITI/FID, 1969.
p.165-191.
FAYYAD, U.M.; PIATETSKY-SHAPIRO, G.; SMYTH, P. From data mining to knowledge
discovery:

an

overview.

In:

Advances

in

knowledge

discovery

and

data

mining.Massachusetts: MIT/Cambridge, 1996. p.1-36.
POLLOCK, L. Librarians or science informationists? Nature, v.490, p.343, 2012.
PRITCHARD, A. Statistical bibliography or bibliometrics? Journal of Documentation, v.25,
n.4, p.348-349, 1969.

419

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

EU CURTO: REDE SOCIAL CORPORATIVA COMO FERRAMENTA DE APOIO A
COMUNICAÇÃO INTERNA NA BIBLIOTECA FEAUSP

Giseli Adornato de Aguiar

RESUMO
O objetivo do trabalho é verificar se a utilização da ferramenta de rede social corporativa
Joincube contribuiu para a melhoria da comunicação interna entre os funcionários da
Biblioteca FEAUSP. A pesquisa se caracteriza como um relato de experiência da implantação
e análise da utilização do Joincube, por meio de uma abordagem quantitativa e qualitativa.
Como resultado, pode-se dizer que a ferramenta Joincube atendeu as expectativas da equipe.
Os problemas detectados são culturais e de relacionamento entre as pessoas. Também,
verifica-se que a ferramenta possibilitou a divulgação de informações e recados de forma mais
rápida, centralizada e eficiente, mas houve pouca colaboração e interação. Apesar disso,
acredita-se que a rede social corporativa contribuiu para a melhoria da comunicação e do
acesso às informações pelos funcionários da Biblioteca FEAUSP.
Palavras-Chave: Rede social corporativa. Comunicação interna. Biblioteca universitária.
Joincube.
ABSTRACT
This study aims to attest whether using a enterprise social media platform - Joincube - has
contributed to improving internal communication among employees of the FEAUSP Library.
Taking a qualitative and quantitative approach, this study comprises a report on the
implementation experience as well as an analysis of Joincube’s use. As a result, it can be
confirmed that Joincube has satisfied the team’s expectations. The problems encountered refer
to differences in culture and to the relationships between people. It was also verified that it
enabled the distribution of information and memos in a faster, more centralized, and more
efficient manner; however, there was little collaboration and interaction. Nevertheless, it is
believed that the enterprise social network has contributed to improving communication and
access to information for employees of the FEAUSP Library.
Keywords: Enterprise social network. Internal communication. Academic library. Joincube.

1 Introdução

A comunicação interna funciona como base de sustentação da comunicação externa.
Todas as pessoas da equipe precisam estar conectadas e integradas para que a informação

4251

�correta seja transmitida e para propiciar um melhor atendimento, produtos e serviços aos
usuários.
Dessa forma, a integração da equipe de uma biblioteca é fundamental, “a comunicação
de duas vias, que informa os funcionários deixando claro porque determinadas decisões são
tomadas e, ao mesmo tempo, estimula os colaboradores a participar, [...] faz com que o
público interno sinta-se corresponsável pelo sucesso da organização.” (MATOS, 2009, p.
100).
A Biblioteca da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da
Universidade de São Paulo (USP) passa por um processo de expansão e modernização da sua
estrutura física e instalações internas desde 2010. A Biblioteca contava com 1.500 m2 e
passou a ter 5.000 m2 distribuídos por dois andares.
Com relação ao quadro de recursos humanos, a Biblioteca conta com 26 funcionários.
O horário de funcionamento é das 7h30 às 22h00, de segunda à sexta-feira, e há seis escalas
de horários de trabalho distribuídas entre os integrantes da equipe.
A Chefia Técnica e uma parte da equipe da Seção de Atendimento ao Usuário se
encontram alojadas no piso superior, a outra parte se encontra no piso térreo, juntamente com
a Seção de Processamento Técnico, a Seção de Aquisição e o Setor de Encadernação,
Preservação e Restauro.
Diante dessa nova configuração física, que se caracteriza pela distância entre os
integrantes da equipe, a comunicação interna entre os funcionários foi prejudicada. A troca de
informações diárias e seu acesso, sem distorções, por toda a equipe, tornou-se uma tarefa
difícil e nem sempre realizada com sucesso.
Somente por meio de uma comunicação interna eficiente, é que se efetiva a troca de
informações. Para Melo (2009) a comunicação interna é um instrumento estratégico para a
instituição, pois não basta ter uma equipe de talento e motivada se ela não estiver bem
informada e se seus integrantes não se comunicarem adequadamente.
Nesse cenário, as redes sociais corporativas surgem como uma possibilidade de
aprimorar a comunicação entre os funcionários de uma instituição, além de permitir
compartilhar, centralizar e disseminar rapidamente as informações essenciais para um bom
funcionamento de uma biblioteca universitária.

4252

�Entre as possibilidades de redes sociais corporativas existentes, optou-se pela
ferramenta denominada Joincube 488 depois da análise dos recursos e de testes realizados com
uma parte dos funcionários da Biblioteca.
Dessa forma, a questão posta é em que medida a utilização de uma ferramenta de rede
social corporativa contribuiu para a melhoria da comunicação interna da Biblioteca
FEAUSP?
O trabalho se caracteriza como um relato de experiência da implantação e utilização
da rede social corporativa Joincube. O objetivo é identificar se houve melhora na troca de
informações e da comunicação entre os funcionários e apresentar as principais contribuições e
desafios encontrados com a adoção da ferramenta Joincube pela Biblioteca FEAUSP.
Embora a utilização das ferramentas de redes sociais seja abordada no contexto das
bibliotecas universitárias, percebe-se na literatura nacional uma carência de estudos focados
no uso dessas ferramentas para a melhoria da gestão de informações e comunicação interna.

2 Revisão de Literatura

2.1 Comunicação interna

Basicamente, a comunicação é o processo de troca de significados entre os indivíduos
por meio de um código comum e envolve dois polos, uma fonte e um destinatário, em um
processo que ocorre através de um meio denominado canal.
De acordo com Bordenave (1985, p. 36), a comunicação
serve para que as pessoas se relacionam entre si, transform ando-se
m utuam ente e a realidade que as rodeia. Pela com unicação as pessoas
com partilham experiências, ideais e sentim entos. Ao se relacionarem como
seres interdependentes, influenciam -se m utuam ente e, juntas, m odificam a
realidade onde estão inseridas.

Já a comunicação interna, segundo Curvello (2002, p. 22), é definida como “o
conjunto de ações que a organização coordena com o objetivo de ouvir, informar, mobilizar,
educar e manter coesão interna em torno de valores que precisam ser reconhecidos e
compartilhados por todos e que podem contribuir para a construção de boa imagem pública.”48

488 Disponível em: &lt;http://www.ioincube.com/nt&gt;.

4253

�Para Gregorio e Rothermel (2013), “a comunicação interna é voltada para os
empregados na tentativa de informar e integrar a equipe dos objetivos e interesses
organizacionais.”
Assim, o conceito de comunicação interna está associado às relações existentes entre
funcionários de uma empresa, organização ou instituição. Mas, sempre com o objetivo de
aperfeiçoar os fluxos informacionais e comunicacionais para propiciar um melhor
atendimento, produtos e serviços ao público externo.
“O público interno deve ser considerado o público prioritário de qualquer organização
porque, embora a organização não viva para o público interno, não permanece sem ele.”
(PINA, 2007, p. 24).
Kunsch489 (1997, p. 128 apud SILVA, p. 224-5) acrescenta que a comunicação interna
deve ser pensada como “uma ferramenta estratégica para compatibilizar os interesses dos
colaboradores e da empresa mediante o estimulo ao diálogo, à troca de informações e
experiências e à participação de todos os níveis.”
Nos dias atuais, as ferramentas de redes sociais (Facebook, Twitter, YouTube etc.)
ampliam as possibilidades comunicacionais. Segundo Li (2011, p. 18), por meio da tecnologia
digital há atualmente uma nova dimensão de compartilhamento, mais simples, expansível e
dinâmico.
Dessa forma, o significado de comunicação no contexto digital se mantém, porém as
variáveis que envolvem o processo se alteram: a realidade ou situação na internet torna-se
qualquer lugar em qualquer tempo; para os interlocutores que participam da transmissão da
mensagem há a possibilidade de interação através de três dispositivos comunicacionais (umum, um-todos e todos-todos); ampliam-se os signos empregados para transmitir as
mensagens: texto, som, imagem e vídeo, ao mesmo tempo ou isoladamente, e há novas
ferramentas de comunicação (redes sociais, chats, e-mail etc.).
O atual momento se caracteriza como “a Era das Conexões, em que o principal valor
está associado às pessoas e às empresas que possuem relacionamentos. As tecnologias de
comunicação facilitam estas interações pessoais e as mídias sociais têm papel de destaque
neste novo contexto.” (MERCIO, 2013, p. 71).

489 KUNSCH, M. M. K. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional.
São Paulo: Summus, 1997.

4254

�2.2 Rede Social Corporativa490

A popularização das ferramentas de redes sociais como Facebook, Twitter, Pinterest
etc. e sua rápida aceitação e adoção pelas pessoas de todos segmentos e classes sociais,
estimulou o surgimento de redes sociais aplicadas ao contexto corporativo.
As redes sociais corporativas são “[...] decorrentes do aprimoramento das tecnologias
colaborativas aplicadas tanto na evolução das intranets quanto dos portais corporativos,
associados à percepção de seu ganho cada vez mais tangível e relevante para as
organizações.” (SOUZA, 2012, p. 26).
Para Mercio (2013, p. 70) é preciso destacar que as redes sociais para o público
interno não são apenas um modismo, é uma maneira diferente de interação que surgiu não
apenas com o desenvolvimento das tecnologias, mas com a Geração Y (pessoas nascidas nas
décadas de 1980 e 1990). É a geração conectada, pois nasceu com o acesso facilitado aos
meios eletrônicos. A principal ansiedade dessa geração é a inovação proveniente do
conhecimento compartilhado.
Boyd e Ellison (2007) definem as ferramentas de redes sociais como sendo serviços
baseados na Web que permitem aos indivíduos construir um perfil público ou semi-público
dentro de um sistema, interagir com outros usuários com quem compartilham uma conexão, e
visualizar e percorrer a rede social de cada ator. Para Recuero (2005), uma ferramenta só se
caracteriza como uma rede social na Web quando há interação entre indivíduos ou grupos de
indivíduos (troca de informações, diálogos etc.), e não somente a ligação via software.
Assim, entende-se por rede social da Web as ferramentas que permitem um diálogo de
via múltipla, interação, colaboração e visualização das informações por todos da rede. Nesse
sentido, uma rede social corporativa possui as mesmas características de uma rede social da
Web, porém restrita a um grupo privado.
O que diferencia a rede social corporativa da pública, além da restrição de acesso, são
alguns recursos para o planejamento e a implantação de projetos e/ou tarefas que permitem
que as lideranças das bibliotecas reúnam e coordenem atividades de forma que todos os
participantes tenham acesso às informações e visualizem as contribuições de que cada
integrante ao grupo.

490 Na revisão da literatura foi possível verificar outras terminologias utilizadas e que se apresentam como
sinônimos de “rede social corporativa”, como por exemplo, “rede social interna”, “mídia social interna”, “rede
social privada” e outras.

4255

�De acordo com Radfahrer491 (2012 apud SOUZA, 2012, p. 28), as “redes sociais
privadas” são ferramentas produtivas e menos sujeitas a ruído do que a comunicação por e­
mail ou uma conversa no corredor. Além disso, são ambientes mais seguros do que as redes
sociais públicas para interações entre pessoas de uma mesma empresa.
As redes sociais corporativas permitem uma comunicação mais direta e informal, e a
possibilidade de visualização e da participação de todos os funcionários nos conteúdos
publicados.
A perspectiva de hierarquia acaba por m udar porque o colaborador que está
n a base da hierarquia organizacional passa a ter o m esm o alcance e potencial
para a troca de ideias que o presidente da em presa. A lém disso, o acesso aos
altos executivos da com panhia torna-se possível para todos os colaboradores
apenas com alguns cliques. O relacionam ento torna-se linear podendo ser
utilizado para efetivar um verdadeiro engajam ento dos colaboradores na
estratégia, propósitos e valores da em presa. (M ERCIO, 2013, p. 72).

É importante não perder de vista a razão da utilização de uma rede social corporativa,
além de melhorar a comunicação interna, deve promover um ambiente no qual a disseminação
de informações entre as pessoas contribua para o cumprimento das metas estratégicas, missão
e objetivos da biblioteca.
Há diversas opções de ferramentas de redes sociais corporativas disponíveis no
mercado. Para a escolha da ferramenta que seria utilizada na Biblioteca FEAUSP foi feito
uma

pesquisa

que

identificou

algumas

redes

sociais,

tais

como:

Zyncro

(http://www.zyncro.com/br/ - paga), SuaRede (http://suarede.com.br/ - paga), SocialBase
(http://www.socialbase.com.br/ - paga), Fluig (http://www.fluig.com/ - paga), Elgg
(http://elgg.org/about.php
gratuita),

Jam

- gratuita),

Linkazi

(http://www.linkazi.com/Pages/Oquee

(https://iam4.sapjam.com/site/sign up

-

gratuita)

e

-

Joincube

(http://www.ioincube.com/pt - paga) que foi a ferramenta escolhida.

2.2.1 Joincube

Durante o processo de escolha da rede social corporativa, foram descartadas as opções
pagas (na época o Joincube era gratuito), assim, somente foram testadas as ferramentas
gratuitas. Entre as opções existentes (Elgg, Linkazi, Jam e Joincube), a Joincube se destacou
por causa de seus recursos, aparência e facilidade de manuseio.

491 RADFAHRER, L. Enciclopédia da nuvem: 100 oportunidades e 550 ferramentas on-line para inspirar e
expandir seus negócios. Rio de Janeiro: Campus, Elsevier, 2012.

4256

�O

Joincube (figura 1) é uma rede social corporativa que possibilita que as pessoas de

uma organização se conectem, se comuniquem, acessem e troquem informações, colaborem
entre si e com a organização, planejem tarefas estimulando a produção de conhecimento e a
produtividade. (JOINCUBE, 2012).

Figura 1 - Tela inicial da rede social corporativa Joincube

Fonte: Joincube (2014)

As funcionalidades principis do Joincube são:
1.

Alerta de novas mensagens;

2.

Aplicativos iOS e Android - acesso via celular ao Joincube;

3.

Calendário - para anotações e avisos aos participantes do grupo sobre os principais

eventos, reuniões, informes etc. Pode ser sincronizado com a agenda do Google;
4.

Chat - bate papo online, por meio de conversas privadas;

5.

Compartilhamento de informações - compartilha documentos, vídeos, imagens, links,

apresentações e planilhas, apresenta ainda pastas compartilhadas para armazenar as
informações;
6.

Criação de grupos - criação de grupos de trabalho para projetos ou seções;

7.

Curtir - opção para curtir as mensagens;

8.

Ferramenta de busca - possibilita a pesquisa das informações publicadas;

9.

Ferramenta estatística - para levantamento de dados de uso, conteúdo e produtividade;

10.

Gamificação - distribui pontuação aos integrantes do grupo de acordo com a

participação, colaboração e contribuição à rede social;
11.

Gerenciador de tarefas - permite a criação e o acompanhamento de tarefas,

delimitando a função de cada integrante da equipe;

4257

�12.

Nuvem de tags - apresenta e reúne os termos mais citados;

13.

Videoconferência - comunicação por imagem e voz;

14.

@hashtags492 - são usados como indexadores, facilitando buscas futuras por usuários

ou temas.
Cada integrante do grupo da Biblioteca FEAUSP possui uma página pessoal com o
seu perfil. É possível criar vários grupos.
A ferramenta não permite a customização da tela, mas possibilita que seja
acrescentado o logo da biblioteca, bem como, fotos de seus participantes nos perfis pessoais
(figura 2)

Figura 2 - Tela inicial da rede social corporativa da Biblioteca FEAUSP

Biblioteca FE A U S P

iü Notícias
b

Tarefas

g

Eventos

- Editar grupo

F ilt r a r p o r

Tudo

No que você está trabalhando?

DE ^ EQ

i Û O v* â = 9
Ot

03 Projetos
Sustenta bilidade
■

C o le g a s

S eção de Atendiment. .

«

R o b e rto

- O ntem | 1 grupo

Boa noite O funcionário Jo rge do expediente pediu para avisar
que terá uma reunião no F E A -01 às 11 h s para tratar da Greve na U S P .

$

Ver a todos

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Giseii Adornato de Aguiar curtiu isso

lSr Grupos

Esses são os colegas com os que
você trabalha frequentemente. Só
deve arrastá-los até o novo post.

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P r ó x im o s p a s s o s

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Biblioteca FEAUSP

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T a gs
O miolo da chave está na minha sala. aguardando para ver se ele lo caliza a
chave. S e não ele pagará a multa de R$70.00
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R oberto’•

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8

SINCRONIZAR COM
GOOGLE

Sincronize sua conta de Google e
associe Google Drive a sua conta de
Joincube

Fonte: Joincube (2014)

O suporte técnico da equip do Joincube é rápido e eficiente, o atendimento é em
português e várias funcionalidades foram implantadas a partir de sugestões e problemas
detectados com o uso da ferramenta pelos funcionários da Biblioteca FEAUSP.

3 Materiais e Métodos
O trabalho consiste em um relato de experiência da implantação e utilização da rede
social corporativa Joincube pela Biblioteca da FEAUSP no período de fevereiro de 2014 a
maio de 2014.
492 —Hashtags são compostos pela palavra-chave do assunto antecedida pelo símbolo cerquilha (#).
As hashtags viram hiperlinks dentro da rede, indexáveis pelos mecanismos de busca.” (HASHTAG., 2014).

4258

�O Joincube foi escolhido por ser gratuito e por causa de seus recursos e características.
Os sujeitos envolvidos na análise são os funcionários da Biblioteca FEAUSP,
compostos por 22 participantes da rede social Joincube do total de 26 integrantes da equipe
(incluindo dois estagiários e um monitor).493
Os instrumentos e técnicas utilizadas para a coleta de dados foram: uma ferramenta
estatística disponibilizada pelo próprio Joincube, a aplicação da técnica de pesquisa
denominada observação participante, juntamente com reuniões em que se registravam as
impressões dos participantes da rede social corporativa da Biblioteca FEA.
Segundo Marconi e Lakatos (2008, p. 196), a técnica de pesquisa observação
participante “consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo.” O
observador individual é parte da atividade objeto da pesquisa, ou seja, pertence à mesma
comunidade ou grupo que investiga.
Por meio da observação verificou-se o alcance do conteúdo publicado na rede social,
os tipos de informações e documentos postados, os comentários, as participações etc. Em
paralelo, foram realizadas reuniões periódicas com os funcionários da Seção de Atendimento
ao Usuário para colher impressões e opiniões sobre a ferramenta e identificar as melhorias
possíveis, as dificuldades, os desafios e as vantagens sentidas com o uso do Joincube.
Para atingir os objetivos propostos, adotou-se o método quantitativo (ferramenta
estatística) e qualitativo (observação participante e relatos de experiência dos funcionários).

4 Resultados Parciais

Os dados apresentados se baseiam na ferramenta estatística do Joincube, das
observações realizadas e dos relatos dos funcionários que utilizaram a ferramenta.
O Joincube foi testado, inicialmente, em novembro de 2013, pela equipe da Seção de
Atendimento ao Usuário da Biblioteca da FEAUSP, depois de verificado o potencial da
ferramenta, a partir de janeiro e fevereiro de 2014, os funcionários das outras Seções também
foram cadastrados.
Não foi necessário um treinamento para a utilização do Joincube, somente explicações
básicas, pois os funcionários não tiveram dificuldades no cadastro, preenchimento do perfil e
utilização da ferramenta, credita-se isso a sua interface amigável, intuitiva e parecida com o
Facebook - uma das redes sociais mais populares atualmente.
493 Não participam da rede social corporativa um estagiário, um monitor e dois funcionários que não possuem
familiaridade com as tecnologias em geral.

4259

�As atividades mais realizadas no período de três meses de avaliação foram detectadas
pela ferramenta estatística do Joincube e podem ser verificadas no gráfico 1.

Gráfico 1 - Atividades realizadas pela equipe da Biblioteca FEAUSP
■

Chat

■

Mensagem

■

Comentário

■ Imagem
■

Documento

Fonte: Joincube (2014)

Pela distância física entr os funcionários, o chat se tornou um recurso essencial para a
comunicação rápida, avisos e para manter a aproximação e o relacionamento entre os
funcionários.
Sobre o conteúdo das mensagens, predominaram os recados, principalmente, com
relação à reforma e manutenção do prédio, que ainda se encontra em fase de finalização
(figura 4), e demanda a divulgação de informações constantemente.
Figura 3 - Exemplo de mensagem sobre a reforma e manutenção do prédio da Biblioteca
FEAUSP
A c s s a to - Faz 2 semanas | 1 grupo

Ac

Bom dia,
m anutenção cham ados abertos
1 - verificação do barulho no quadro de iluminação no piso térreo ao lado do
elevador;
2 - registro do banheiro masculino fechado devido ao vazam ento de uma
torneira
Não curtir Comentário
Giseli Adornato de Agui3r, Valéria —

&amp; 2 outras p esso a s curtiram isso

idi

Fonte: Joincube (2014)

4260

�As informações internas sore a reforma da Biblioteca era um problema grave que foi
amenizado com a rede social corporativa. Antes da ferramenta, era difícil que todos tivessem
conhecimento de serviços de manutenção essenciais para o funcionamento da Biblioteca FEA.
Figura 4 - Sugestão de novos procedimentos para um serviço da Biblioteca FEAUSP
V a lé ria

- Fa z 2 m eses | 1 grupo

Acho que precisamos rever o procedimento de reserva na
BibLab Pela segunda vez faço reserva porque esta livre na agenda, mas a sala
já está ocupada
Não curtir Comentário
Sheyla . -zzr^:, Roberto h

&amp; 4 outras pessoas curtiram isso

Mostrar 1 comentários anteriores
Aríete
: Concordo com elas. o agendamento está muito
confuso, este negócio de ter chave no balcão e no andar superior está
gerando problemas no controle das reservas.
Faz 2 meses - Curtir 4 2

Giseli Adornato de Aguiar E importante sempre verificar a agenda antes
de entregar a chave, pois os alunos erram o número da sala e já percebí
que alguns funcionários estão entregando a chave sem verificar a
reserva. Se algum grupo passa do horário, é necessário retirá-los. o
grupo que vem depois não pode ser prejudicado. É necessário avisar
algum funcionário do piso superior, para ir até a sala e informar que o
tempo da reserva finalizou. Com relação a agenda, sempre precisa
atualizar a página da agenda antes de marcar novas reservas, sem
essa atualização não aparecerá as novas reservas feitas por outros
funcionários, daí a coincidência de horários. Não centralizamos tudo no
balcão do térreo, pois há momentos como ontem que vieram 16 grupos
de uma vez e fica inviável para a pessoa do balcão conseguir atender a
todos, por sua vez, não é possível centralizar nas salas do atendimento,
pois nem sempre há pessoas da equipe todo o tempo nas salas,
precisamos ter paciência, com o balcão no piso superior tudo ficará
mais fácil.
Faz 2 meses - Curtir

Roberto h ....... . _ Concentrar no balcão de atendimento irá
sobrecarregar quem estiver lá.
Faz 2 meses - Curtir 4 2

cionar um comentari

Fonte: Joincube (2014)

Foram poucos os conteúdos ublicados que propiciaram a colaboração, a participação e
a troca de opiniões e informações, a função que predominou foi a de uso da ferramenta como
mural de recados. Porém, os poucos casos em que houve temas relacionados aos produtos e
serviços da Biblioteca, a interação, a colaboração e a participação aconteceram como no
exemplo da figura 4.
Além da pouca participação dos funcionários com a criação de tópicos com conteúdos
relacionados a produtos e serviços da Biblioteca, um desafio atual é a diminuição do uso do
Joincube como é possível verificar nos gráficos 2 e 3.

4261

�Gráfico 2 - Índice de produtividade (período de 3 meses)

Gráfico 3 - Histórico de uilização (período de 3 meses)

Fonte: Joincube (2014)

A diminuição do uso do Joicube (gráficos 2 e 3) aconteceu a partir do momento do
cadastro de toda a equipe da Biblioteca na ferramenta. Em razão de problemas de
relacionamentos pessoais, funcionários antes participativos se inibiram diante do acréscimo
dos novos colegas e passaram a publicar menos conteúdos. Além disso, um incidente
relacionado à interpretação de uma mensagem publicada no Joincube criou atrito entre as
Seções da Biblioteca, desestimulando o uso da ferramenta.
Outro desafio detectado é cultural. Foi possível verificar, por meio da estatística de
postagem do Joincube, maior envolvimento e participação dos funcionários da Geração Y.
Dessa forma, é necessário criar uma cultura de uso, os funcionários de todas as gerações
precisam acessar a ferramenta com frequência e mantê-la online durante o expediente, para
que faça parte de sua rotina o novo canal de comunicação.

4262

�Por sua vez, contribuições foram detectadas e se aplicam aos seguintes itens: a
ferramenta proporcionou uma maior visibilidade aos colaboradores mais ativos; estimulou os
menos participativos a se comprometerem mais com os projetos e atividades; ofereceu um
canal de comunicação informal e menos rígido o que possibilitou uma forma mais
descontraída de expressão e isso estimulou a participação dos funcionários (figura 5); a
vantagem de prover um único ponto de contato para todas as fontes de informação; acesso as
informações com menos distorções e maior alcance entre os funcionários.
Figura 5 - Exemplo de mensagem com felicitações para os aniversariantes do mês

Não curtir Comentário
Janaina :

t . Sheyla

b

&amp; 6 outras pesso as curtiram isso

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Fonte: Joincube (2014).

Como resultado da análisefeita até o momento, pode-se dizer que a rede social
corporativa da Biblioteca FEAUSP apresenta pontos positivos e algumas questões que
precisam ser revistas e repensadas, para um melhor aproveitamento da ferramenta.
Devido a pouca literatura na área sobre o tema, recomenda-se a realização de novos
estudos e pesquisas teóricas e aplicadas.

5 Considerações Parciais

O Joincube atendeu as expectativas da equipe, por isso é uma ferramenta indicada para
utilização em bibliotecas e outras instituições.

4263

�As dificuldades detectadas no relato de experiência deste trabalho são relacionadas aos
desafios culturais e de relacionamento entre as pessoas da equipe. As ferramentas são novas,
mas os problemas continuam os mesmos.
O compartilhamento de arquivos e a divulgação de informações e recados são
importantes e válida a adoção da ferramenta pela Biblioteca, pois de fato trouxe um
diferencial positivo para a comunicação interna. Porém, uma rede social corporativa apresenta
mais possibilidades, elas não se caracterizam apenas como espaços de divulgação e de
comunicação, e sim como espaços de participação, colaboração e interação, em que seus
usuários discutem ideias, produzem conteúdos e trocam conhecimentos coletivamente. No
contexto corporativo, ela pode ser útil também para a gestão do conhecimento.
Sobre os desafios culturais, é necessário convencer internamente o valor desse projeto
(os funcionários de todas as gerações). Acrescenta-se a isso, a antiga cultura organizacional da
instituição. A possibilidade de um funcionário ser ouvido e apresentar suas opiniões quando
não teve um ambiente propicio para isso até então, demanda tempo e paciência, não se pode
exigir uma mudança de postura de uma hora para outra. Em paralelo, é preciso desenvolver
uma cultura em que todos os colaboradores se considerem parte do mecanismo de obtenção e
difusão de informações na instituição.
É importante, também, a mudança de postura de alguns integrantes da equipe. É
necessária a colaboração de todos em iniciativas que procurem melhorar a comunicação
interna da Biblioteca. Agir de forma pessimista às mudanças e considerar a falta de empatia
nas relações de trabalho não é uma postura profissional e pode atrapalhar quem está disposto
a colaborar e a inovar por meio da rede social corporativa. É obrigação das gerências e de
toda equipe buscar ferramentas que contribuam para os processos, produtos e serviços da
biblioteca.
Apesar dos desafios, foi valida a adoção da rede social corporativa, se a tecnologia não
pode solucionar todos os problemas envolvidos na questão, pode pelo menos, ser o meio que
estimule o início das mudanças.
Mesmo diante dessas reflexões, constata-se que a rede social corporativa Joincube
contribuiu para a melhoria da comunicação interna e do acesso às informações pelos
funcionários da Biblioteca FEAUSP.

6 Referências
BORDENAVE, J. E. D. O que é comunicação. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985.
106 p.

4264

�BOYD, D. M.; ELLISON, N. Social network sites: definition, history, and scholarship.
Journal of Computer-Mediated Communication, Indiana, v. 13, n. 1, art. 11, 2007.
Disponível em: &lt;http://icmc.indiana.edu/vol13/issue1/bovd.ellison.html&gt;. Acesso em: 12 jun.
2012.
CURVELLO, J. J. A. Comunicação interna e cultura organizacional. São Paulo: Scortecci,
2002. 115 p.
GREGORIO, C. N.; ROTHERMEL, L. A. Comunicação interna: fatores que promovem a
efetividade do trabalho. Revista de Ciências Sociais do Norte de Mato Grosso - Nativa,
Guarantã
do
Norte,
v.
1,
n.1,
2013.
Disponível
em:
&lt;http://www.revistanativa.com.br/index.php/revistanativa/article/view/25/html&gt;. Acesso em:
25 maio 2014.
HASHTAG. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. [S.l.: s.n.], 2014. Disponível em:
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4265

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                <text>O objetivo do trabalho é verificar se a utilização da ferramenta de rede social corporativa Joincube contribuiu para a melhoria da comunicação interna entre os funcionários da Biblioteca FEAUSP. A pesquisa se caracteriza como um relato de experiência da implantação e análise da utilização do Joincube, por meio de uma abordagem quantitativa e qualitativa. Como resultado, pode-se dizer que a ferramenta Joincube atendeu as expectativas da equipe. Os problemas detectados são culturais e de relacionamento entre as pessoas. Também, verifica-se que a ferramenta possibilitou a divulgação de informações e recados de forma mais rápida, centralizada e eficiente, mas houve pouca colaboração e interação. Apesar disso, acredita-se que a rede social corporativa contribuiu para a melhoria da comunicação e do acesso às informações pelos funcionários da Biblioteca FEAUSP.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO A PARTIR DA OBRA “CHOVE NOS
CAMPOS DE CACHOEIRA” DE DALCÍDIO JURANDIR: um estudo etimológico dos
termos culturais.
Fernando Silva Almeida

RESUMO
Aborda as etimologias dos termos culturais da Amazônia Paraense a partir da obra “Chove
nos Campos de Cachoeira”, de Dalcídio Jurandir. O objetivo desta pesquisa é de documentar
as etimologias destes termos culturais para a disseminação da informação no âmbito socio­
cultural e também contribuir para o desenvolvimento da pesquisa realizada pelo projeto
RESNAPAP (A Representação Simbólica das Narrativas Populares da Amazônia Paraense
como Linguagem de Informação). Para tanto, foi realizada análise, identificação e registro dos
étimos que foram observados dentre um corpus de 512 termos culturais, locados na pesquisa
intitulada “Estrutura de Classificação sob o enfoque da cultura amazônica”, sob a autoria de
Anderson Luiz Cardoso Rodrigues. Dentre os 512 termos culturais pesquisados, obteve-se
338 etimologias identificadas (66,02%), sendo provenientes de 14 etimologias diferentes e
174 não definidas (33,98%). Desta forma, a cultura amazônica paraense é disseminada através
dos termos culturais com seus respectivos étimos, os quais por sua vez representam os
diversos aspectos do modo de viver do homem amazônico e da mesma forma sua cultura.
Palavras-Chave: Étimo-cultural. Disseminação da informação. Dalcídio Jurandir.

ABSTRACT
It approaches the etymologies of the cultural terms by Amazonia Paraense from the work
“Chove nos Campos de Cachoeira", by Dalcídio Jurandir. The objective of this research is to
document the etymologies of these cultural terms for information’s dissemination in the
partner-cultural ambit and too contribute for development of the research by the project
RESNAPAP (Representação Simbólica das Narrativas Populares da Amazônia Paraense
como Linguagem de Informação). For this., it was realized some analysis, identification and
registration of ethno, that were observed among a corpus of 512 cultural terms, there were in
the research entitled "Estrutura de Classificação sob o enfoque da Cultura Amazônica" by
Anderson Luiz Cardoso Rodrigues. Among the 512 cultural cultural researched, it was
obtained 338 identified etymologies (66,02%), being coming of 14 different etymologies and
174 not defined (33,98%). This way, the Amazon culture is disseminated through the cultural
terms with your respective ethnos, which represent the several aspects in the way of living the
Amazon’s man and your culture.
Keywords:Etymon-cultural; dissemination of information; Dalcídio Jurandir.

1864

�1 INTRODUÇÃO
A sociedade da informação vive em constantes transformações nos aspectos e
segmentos sociocultural, econômico, tecnológico e educacional. O avanço tecnológico
movimenta o mundo e assim a sociedade da informação sofre contínuas reflexões sobre seu
próprio papel. No entanto, esta sociedade apresenta diversos fatores que compõe sua
responsabilidade. Dentre eles, o de disseminação da informação, a qual contribui na
construção do conhecimento, bem como à formação da cidadania, entre outros.
O objetivo desta pesquisa é documentar as origens etimológicas dos termos culturais
da obra “Chove nos campos de Cachoeira”, de Dalcídio Jurandir, buscando através das
contribuições étnicas à História do Brasil, para a disseminação da informação no âmbito
sócio-cultural e também contribuir para o andamento das pesquisas realizadas pelo projeto
RESNAPAP210.

2 REVISÃO DE LITERATURA

... a força da informação é o elemento fundamental para o avanço do
conhecimento; para conhecer o “outro”, reconhecendo-se o homem como ser
no mundo, e, ao conhecer o próximo, poder estabelecer uma inter-relação de
respeito e de equilíbrio social: de cidadania. Vive-se num mundo conturbado
por graves problemas e a informação disseminada, ... pode gerar alguma
mudança para torná-lo melhor (BARROS, 2003)

Partindo do significado da palavra “disseminar” (AURÉLIO, 2004), define como:
semear ou espalhar por muitas partes; Difundir, divulgar, propagar; espalhar. Para a
Biblioteconomia não é diferente, pois conforme (OLIVEIRA, 2000), a palavra é indicada
como difundir, espalhar, semear. Neste sentido, a disseminação da Informação supõe tornar
público a produção de conhecimento gerados, possibilitando assim a construção de novos
conhecimentos ou saberes.
“A palavra disseminar é entendida em muitos estudos na área da
Biblioteconomia como difundir, espalhar, semear. A informação, por sua
vez, tem vários significados. Como disciplina pode ser compreendida tanto
como ramo de conhecimento como matéria de ensino. Como matéria de
ensino foi incluída no currículo mínimo do curso de Biblioteconomia, no
Brasil em 1982. Isso aconteceu porque na década de 70 muitas instituições
210 A disseminação da informação da referida pesquisa cumprirá seu papel sócio-cultural, além do acadêmico,
pois terá como difusor da pesquisa o Projeto intitulado “A Representação Simbólica das Narrativas Populares da
Amazônia Paraense”- RESNAPAP, sob a coordenação da Prof3. Dr3. Maria Odaisa Espinheiro de Oliveira, do
Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, desta Universidade Federal do Pará. O Projeto RESAPAP visa elaborar
uma linguagem de informação através de um tesauro a partir do universo cultural da Amazônia Paraense.

1865

�de pesquisa e ensino já estavam trabalhando com a DSI - Disseminação
Seletiva da Informação, em áreas especializadas do conhecimento, baseadas
nas experiências da literatura internacional”
A disseminação da informação como área de conhecimento é antiga e
considerada por muitos autores, como ato de levar a informação ao usuário
por meio dos canais de comunicação. (OLIVEIRA,2000, p.120)

Em linhas gerais, a DI deve ser difundida a toda sociedade como direito comum a todo
cidadão, pois, de acordo com os direitos e garantias fundamentais, citado no artigo 5 do inciso
de direitos individuais e coletivos, presentes na Constituição de 1988, é considerado que: “É
assegurado a todos o acesso à informação” (MARTINEZ open cite OLIVEIRA, 2000, p.
124).
“A informação como processo do conhecimento é o ato de conhecer ou de
saber. O conhecimento como fato codificado, supõe que a informação é algo
que se armazena, se processa e se recupera para ser disseminada. Nesse
entendimento, a disseminação da informação, através dos diversos suportes,
seja impresso ou através das tecnologias, onde são armazenados o
conhecimento do indivíduo para a sociedade, serve como alerta e, estudo para
a construção do novo conhecimento (MANUEL,apud OLIVEIRA, 2000. p.
5).

Para Barros (2003), as atribuições competentes aos Bibliotecários tiveram novas
incorporações, pois, as preocupações que haviam com a procura de livros, o fomento à leitura
e a formação do leitor, a filtragem, a seleção de textos, recentemente foram ampliadas à novos
horizontes, tais como: o estudo do usuário e a educação do mesmo para o uso da unidade e
melhor aproveitamento da informação.
Sendo assim, a informação assume uma responsabilidade sócio-cultural, atribuída
concominantemente ao profissional da informação, o qual por sua vez faz o intermédio entre a
informação e usuário através do processo de disseminação.

“Se a informação tem força que lhe atribui, a disseminação da informação
procura se apropriar dessa força para, primeiro, canalizar a informação para o
usuário e, segundo buscar a transformação social, pelo desenvolvimento
cultural, lidando com o passado, o presente e o futuro, nas suas devidas
dimensões” (BARROS, 2003, p. 74)

Em “Chove”, Dalcídio Jurandir utiliza os recursos literários que possibilitam a
exteriorização da vida do homem amazônida, por vários aspectos.

1866

�[...] sua obra se baseia, antes de tudo, numa longa experiência pessoal sem,
no entanto, carregar os seus romances com o pitoresco e o documento
exigido pelo figurino regionalista. Isto é verdade porque Dalcídio Jurandir
não mergulha no seu universo regionalista fazendo saltos ornamentais. Ele
não extrai desse universo qualquer imagem idealizada. As experiências
foram vividas e, por isso permitam-lhe fazer com autenticidade a literatura
do cotidiano, nos campos de Marajá, como nos bairros pobres de Belém.
Não é capaz de exprimir a tradição amena, determinada pelo conformismo;
revela-nos, a sua obra, dimensões inéditas do homem em seu contexto rural
e\ou (sub)urbano [...] Dalcídio Jurandir quis deliberadamente completar um
painel de vivências marajoaras numa espécie de invólucro ficcional. De fato,
o romance é um mergulho profundo no acervo de conhecimento da vida
popular (SALES apud RODRIGUES, 2005, p.21)

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O procedimento metodológico adotado no desenvolvimento desta pesquisa teve dois
momentos complementares: no primeiro, a realizaçãoda revisão bibliográfica e documental; e
no segundo, a pesquisa etimológica dos termos.
Para o desenvolvimento da pesquisa etimológica, seguiram-se os padrões adotados
pelo Projeto RESNAP, o qual realiza o estudo etimológico dos termos culturais, procurando
também representá-los. Para isso, realizou-se a pesquisa em dicionários, glossários,
vocabulários controlados etc., buscando informações que norteiam as origens dos termos
culturais. Para tanto, seguiu-se alguns critérios mais precisos, tais como: seleção da
etimologia do termo cultural, ver sinonímias dos termos e verificar o sentido do terno
conforme o contexto.
O Projeto RESNAPAP observa que no campo da etimologia, busca-se indicar de
modo conciso, o étimo dos vocábulos do português antes da definição da palavra. Os
substantivos latinos e gregos são citados no nominativo, bem como os adjetivos e os verbos
em sua forma infinitiva. Alguns verbetes, por falta de fonte, são designados pelas abreviaturas
“or. obsc” (origem obscura), “or. duv” (origem duvidosa), “or. contrv.” (origem controversa)
ou “or. desc.” (origem desconhecida). Nas palavras compostas, são considerados os étimos
das primeiras palavras; não são mencionadas as origens das expressões populares.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A partir dos seis meses de pesquisa, obteve-se como resultado teórico uma melhor
compreensão da origem etimológica dos termos culturais. Ressalta-se que tal compreensão
deve-se a pesquisa realizada, embasada e fundamentada, principalmente, na historiografia que
comprova e reafirma o resultado com a pesquisa etimológica dos termos.

1867

�Obteve-se como resultado prático, a identificação, a documentação e quantificação das
etimologias dos 512 termos culturais.
A tabela abaixo representa o resultado alcançado da pesquisa dos termos culturais:

Tabelai - Termos Culturais Pesquisados da Obra “Chove nos Campos de Cachoeira”,
de Dalcídio Jurandir.
TOTAL
Termos pesquisados
Etimologias definidas
Etimologias não-definidas
Fonte: ALMEIDA, 2009

PERCENTUAL (%)
100
66,02
33,98

512
338
174

Gráfico 1- Organização das etimologias

174
□ Etimologias definidas
□ Etimologias não-definidas
□ 338

Fonte: ALMEIDA, 2009

Já em relação as origens etimológicas dos termos cultuais, foram identificadas conforme
mostra tabela abaixo:

Tabela 2 - Distribuição Etimológica dos Termos culturais de Chove nos campos de
Cachoeira.
N° de term os culturais

Porcentagem /%

Latim

179

35,0

Tupi

114

22.2

Francês

11

2,1

Espanhol

09

1,7

Italiano

03

0,6

Árabe

05

1,0

Grego

02

0,4

Inglês

01

0,2

Nàuatle

07

1,4

Origem E tim ológica

1868

�Quimb.

03

0,6

Catalão

01

0,2

Polonês

01

0,2

Gótico

01

0,2

Tam.

01

0,2

Or. Duvidosa

06

1,2

Or. Obscura

27

5,3

Or. Contrv.

58

11,3

Expressão Popular

41

8,00

Origem Onomatopaica

03

0,6

Origem não Identificada

39

7,6

512

100

Total:

20

Gráfico 2

Distribuição Etimológica dos Termos culturais de Chove nos
Campos de Cachoeira.

tupi

□ latim

□ frânces

□ espanhol

□ cata lão

□ italiano

árabe

□ grego

□ inglês

□ quim b.

□ polonês

□ nàuatle

g ó tico

□ cata lão

□ tâ m .

□ or. obsc.

□ exp.pop.

□ or.onom .

or. Contrv. □ or. Duv.

□ or.nao id

FONTE: AMEIDA, 2009
Verifica-se que as etimologias dos termos culturais de Chove nos campos de
cachoeira, aqui trabalhadas, foram representadas por étimos provenientes de 14 línguas
diferentes, sendo a maior parte do latim, com 35 % seguida do tupi, com %.22,2.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer deste trabalho pudemos verificar que a História do homem pode nos levar
a diversos questionamentos, reflexões e pesquisas, até mesmo da origem etimológica dos
termos culturais presentes na obra Chove nos campos de cachoeira de Dalcídio Jurandir.

1869

�Com o estudo da origem etimológica dos termos culturais, observou-se que os mesmos
estão contidos num complexo campo linguístico, advindos desde a origem do homem,
ultrapassando épocas e etnias, nos levando a refletir sobre nossa origem linguística e ainda da
quantidade de termos presentes em nosso vocabulário provenientes de tantas outras etnias a
serem estudadas.
A satisfação desta pesquisa se concretiza por cumprir o seu processo de disseminação
da informação, tornando-se de conhecimento público acadêmico e ainda uma contribuição
para o desenvolvimento do projeto RESNAPAP.
A História trata como diria Marc Bloch, dahistória do homem no tempo, e tentar
entender estas ações destes agentes no tempo nos auxilia a pensar a nossa relação com o
outro, sendo conflituosa, harmoniosa, preconceituosa ou que simplesmente não consegue
perceber uma possível contribuição na ordenação de uma sociedade que se pretende
democratizar.
É em função da importância de compreender o outro e a nossa relação com ele e a
natureza que as diversas contribuições dos agentes históricos - branco, negro e índio - que
este trabalho nos leva a perceber que a todo o momento estamos em contato com o legado que
eles nos deixam.

6 REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Fernando Silva de Almeida. A Disseminação da Informação a partir da obra
“Chove nos Campos de Cachoeira” de Dalcídio Jurandir: um estudo etimológico dos
termos culturais. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) Faculdade de Biblioteconomia e Documentação. Universidade Federal do Pará. Belém. 2009.
BARROS, Maria Helena Toledo Costa de. A Disseminação da informação: entre a teoria e
aprática. Marília: Editora Fundep, 2003.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Hiolanda. Aurério século XXI. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1999. 2128p.
OLIVEIRA, Maria Odaisa Espinheiro de. A disseminação da informação na construção do
conhecimento e na formação da cidadania. Revista do Centro Sócio-Econômico da
Universidade Federal do Pará , Belém, v.5, n.1/2, p. 119-128, jan. / dez. 2000.
RODRIGUES, Luiz Cardoso. Estrutura de classificação sob o enfoque da cultura
amazônica. 2005. 125f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) Faculdade de Biblioteconomia e Documentação. Universidade Federal do Pará. Belém. 2005.

1870

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A disseminação da informação a apartir da obra "Chove nos Campos de Cachoeira" de Dalcídio Jurandir: um estudo etimológico dos termos culturais.</text>
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                <text>Aborda as etimologias dos termos culturais da Amazônia Paraense a partir da obra ―Chove nos Campos de Cachoeira‖, de Dalcídio Jurandir. O objetivo desta pesquisa é de documentar as etimologias destes termos culturais para a disseminação da informação no âmbito sóciocultural e também contribuir para o desenvolvimento da pesquisa realizada pelo projeto RESNAPAP (A Representação Simbólica das Narrativas Populares da Amazônia Paraense como Linguagem de Informação). Para tanto, foi realizada análise, identificação e registro dos étimos que foram observados dentre um corpus de 512 termos culturais, locados na pesquisa intitulada ―Estrutura de Classificação sob o enfoque da cultura amazônica‖, sob a autoria de Anderson Luiz Cardoso Rodrigues. Dentre os 512 termos culturais pesquisados, obteve-se 338 etimologias identificadas (66,02%), sendo provenientes de 14 etimologias diferentes e 174 não definidas (33,98%). Desta forma, a cultura amazônica paraense é disseminada através dos termos culturais com seus respectivos étimos, os quais por sua vez representam os diversos aspectos do modo de viver do homem amazônico e da mesma forma sua cultura</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COMO ORGANIZAÇÕES APRENDENTES:
O CASO DA BIBLIOTECA DO IFPB CAMPUS SOUSA
Jobson Louis Santos de Almeida
Jessica Carolina de Medeiros Noberto
Gustavo Henrique de Araujo Freire

RESUMO
Apresenta uma abordagem reflexiva acerca da compreensão das bibliotecas universitárias
como organizações aprendentes. Trata-se de um estudo exploratório inicial realizado para
subsidiar pesquisas vindouras, bem como possibilitar outras reflexões e discussões
contributivas para o debate colocado em questão no contexto da Biblioteconomia e da Ciência
da Informação. Contemplam-se dois temas considerados relevantes para compor a rede
conceitual deste estudo: Gestão da Informação nas Organizações Aprendentes e Bibliotecas
Universitárias como organizações que aprendem. Por meio da pesquisa documental e da
observação participante, buscou-se conhecer a realidade de uma biblioteca inserida no
contexto de um Instituto Federal de Educação que oferta cursos de nível médio, técnico e
superior, propondo-se caminhos para adoção de uma filosofia e prática organizacional
aprendente. As reflexões apresentadas neste artigo contribuem para nortear estudos vindouros
sobre como transformar bibliotecas universitárias em organizações aprendentes, considerando
a interdisciplinaridade existente entre Administração, Ciência da Informação e Educação. Os
resultados e discussões provenientes da reflexão realizada neste estudo nos permite concluir
que: i) é necessário conhecer bem a realidade da biblioteca a ser transformada em organização
aprendente, incluindo o clima organizacional percebido pelos seus colaboradores e usuários;
ii) o longo processo de transformação começa pela atuação da biblioteca no que diz respeito
as competências em informação junto aos seus usuários; e iii) uma biblioteca universitária
introduz a filosofia e prática organizacional aprendente em sua realidade a partir da
incorporação das cinco disciplinas propostas por Peter Senge em seu espaço de atuação aliada
à abordagem das competências em informação.
Palavras-chave:
universitárias.

Gestão

organizacional;

Organizações

aprendentes;

Bibliotecas

ABSTRACT
Presents a reflective approach on the understanding of university libraries as learning
organizations . This is an initial exploratory study to support future research as well as other
possible contributory discussions and reflections to the debate called into question in the
context of Library and Information Science . Come up two topics considered relevant to
compose the conceptual network of this study : Information Management in Organisations
Learners and Academic Libraries as learning organizations. Through documentary research
and participant observation , we sought to know the reality of a library into the context of a
Federal Office for Education that offer secondary courses , technical and higher education ,

829

�proposing ways to adopt a philosophy and practice organizational learner . The ideas
presented in this article contribute to guide upcoming studies on how to transform university
libraries in learning organizations, considering the existing interdisciplinary Administration ,
Information Science and Education . The results and discussions from consideration by this
study allows us to conclude that : i) is necessary to know the reality of the library to be
transformed into a learning organization, including organizational climate perceived by its
employees and users; ii ) the long process of transformation begins by at the library regarding
the information competencies among its customers ; and iii ) a university library introduces
the learner organizational philosophy and practice your reality from the merger of the five
disciplines proposed by Peter Senge in his area of operations the allied approach to
information literacy.
Keywords: Organizational management; Learning organizations; University library.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas dos Institutos Federais de Educação (IFs) no Brasil ainda não possuem
uma classificação consensual de acordo com suas funções e finalidade. Embora elas atendam
aos usuários do Ensino Médio e do Ensino Superior, ainda há os que refutam a ideia de
classificá-las como biblioteca escolar-universitária. Essa dificuldade de classificação
apresentada por alguns é compreensível, pois no contexto dos IFs, as bibliotecas prestam
serviços de informação aos mais variados grupos de usuários, quais sejam, usuários
vinculados aos cursos de pós-graduação (lato e stricto sensu), de Educação de Jovens e
Adultos (EJA), cursos de qualificação profissional como, por exemplo, os cursos ofertados
pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), e também
aos cursos de nível técnico, tanto integrado, quanto subsequente ao Ensino Médio.
Nesse sentido, ainda não existe um consenso entre os bibliotecários sobre qual seria a
denominação mais adequada para traduzir um espaço de informação que atende a múltiplos
grupos de usuário. Alguns defendem as terminologias “biblioteca híbrida” ou “biblioteca
mista”. E mais recentemente há a proposta inédita de adoção da classificação biblioteca
multinível para as bibliotecas dos IFs, idealizada por Moutinho (2014), em que a biblioteca é
percebida como uma organização que atende às necessidades de um público de diferentes
níveis de processos formativos (nível médio, técnico e superior) e, consequentemente,
diferentes níveis de necessidades e competências informacionais. No entanto, apesar da falta
de consenso quanto à classificação dessas bibliotecas segundo funções e finalidade, não se
pode negar que as bibliotecas de IFs que ofertam cursos superiores são bibliotecas
universitárias. A própria sociedade contemporânea, por exemplo, se caracteriza por não ter
fronteiras definidas, principalmente no que se refere às áreas do conhecimento e ao trabalho

830

�com informação. Os usuários da sociedade em rede são múltiplos em seus desejos e
necessidades de informação. As bibliotecas, portanto, como espaços de informação, devem
estar preparadas para atuar nesse novo contexto múltiplo informacional. Partindo desta
premissa, considerar-se-á neste artigo a biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia da Paraíba (IFPB) Campus Sousa como sendo uma biblioteca universitária.
O objetivo do estudo realizado foi identificar as possibilidades de transformação da
biblioteca do IFPB Campus Sousa em uma organização aprendente. Nesta abordagem inicial,
pretendeu-se apontar os caminhos para uma investigação científica que possibilite a adoção
dessa filosofia e prática organizacional nas bibliotecas do IFPB. Para isto, iniciou-se uma
construção conceitual acerca dos seguintes temas: Gestão da Informação nas Organizações
Aprendentes e Bibliotecas Universitárias como organizações que aprendem. Esta rede
conceitual é apresentada na seção 2 do artigo e é oriunda dos estudos desenvolvidos pelos
pesquisadores no âmbito do Mestrado Profissional Gestão em Organizações Aprendentes, da
Universidade Federal da Paraíba. Nas seções seguintes descrevem-se os procedimentos
metodológicos adotados e apresentam-se os resultados e as discussões. Destaca-se que este é
um estudo inicial, mas que pode e deve ser compartilhado com os pares a fim de possibilitar
uma construção do conhecimento coletivo, orientado para a inovação organizacional do
gerenciamento de bibliotecas universitárias na perspectiva das organizações aprendentes. A
própria singularidade, conforme supracitado, das bibliotecas dos IFs por si só já configura
uma inovação para estudos na área.

2 TECENDO UMA REDE CONCEITUAL
As definições de gestão da informação, organizações aprendentes e bibliotecas
universitárias são relevantes para o entendimento da abordagem reflexiva sobre as bibliotecas
universitárias como organizações aprendentes. A seguir, esses conceitos são definidos a partir
da visão de diferentes autores, considerados relevantes na contemporaneidade para a
abordagem da temática investigada.
2.1 Gestão da Informação nas Organizações Aprendentes
O uso da informação tem se mostrado imprescindível para a exequibilidade dos
objetos estabelecidos nos diferentes tipos de organizações, na medida em que possibilita aos
gestores tomarem decisões mais adequadas no que se referem à qualidade dos produtos e/ou
serviços por elas produzidos. Corroborando com Bassetto (2013), a informação é um
elemento natural nas organizações contemporâneas.

831

�A informação, tanto pode ser considerada um insumo produtivo, como também pode
representar o próprio produto final de uma organização. Como exemplos, pode-se citar o caso
de empresas de tecnologia como a Google e Oracle e de consultoria como a Ernst &amp; Young.
Corrobora-se com a maioria dos filósofos que afirmam que a mente humana dá forma
aos dados para criar informação e conhecimento significativos, assim como há várias
percepções conceituais sobre a informação na contemporaneidade (ALMEIDA; COSTA,
2011, p. 228). A informação pode ser conceituada como “conjunto de dados aos quais os seres
humanos deram forma para torná-los significativos e úteis” (LAUDON; LAUDON, 1999, p.
10). No entanto, conforme apregoam Capurro e Hjorland (2007), a informação é um conceito
interdisciplinar e o termo é utilizado em várias disciplinas científicas em seus contextos e
fenômenos específicos. São muitos os conceitos atribuídos ao termo “informação” na
literatura científica clássica e contemporânea. A informação, tanto pode ser relacionada aos
documentos impressos e as bibliotecas, quanto estar presente em diálogos informais, patentes,
fotografias, bases de dados e atualmente com maior destaque na Internet (PINHEIRO, 2004).
Embora informação seja um conceito difícil de traduzir em construtos teóricos, pois, afinal,
não se trata de um fenômeno estático, podemos afirmar que são condições básicas para sua
existência: o ambiente social (contexto), os agentes (produtores, emissores e receptores), e os
canais (circulação da informação). Sendo assim, a informação é um recurso gerenciável.
As contribuições teóricas de Polanyi acerca das noções de tácito e explícito foram
fundamentais para os avanços na Ciência da Informação quanto ao campo da “gestão da
informação e do conhecimento”. Sabemos, atualmente, que para gerenciar a informação e
facilitar a sua transformação em um recurso estratégico, a organização deve possuir
competência para atuar de forma significativa em todo o processo informacional, qual seja
identificar as necessidades e os requisitos de informação, coletar, classificar e armazenar,
tratar e apresentar, desenvolver os produtos e serviços, distribuir e disseminar a informação
(MCGEE; PRUSAK, 1994, p. 108).
Na perspectiva de Dias e Belluzzo (2003), a gestão da informação é um conjunto de
conceitos, princípios, métodos e técnicas utilizadas na prática administrativa e colocadas em
execução pela liderança de um serviço de informação para atingir a missão e os objetivos
fixados. Segundo Choo (2003), a gestão da informação é compreendida como a administração
de uma rede de processos que adquirem, criam, organizam, distribuem e usam a informação.
A Figura 1 representa esquematicamente esta ideia.

832

�Figura 1 -Ciclo dos processos da gestão da informação

Fonte: Choo, 2003

Nas organizações, a informação representa um insumo fundamental para o apoio às
estratégias e aos processos de gestão, sendo um ativo que necessita ser gerenciado da mesma
forma que os outros tipos, como recursos humanos, financeiro e tecnológico (BEUREN,
1998). No contexto das organizações aprendentes, aquelas que estão em sintonia com as
demandas exigidas pela sociedade contemporânea, os processos de aprendizagem ocupam um
lugar central. Essas organizações percebem que a sociedade atual exige delas a necessidade de
aprender continuamente para atender as exigências do mundo moderno.
Nesse sentido, uma organização aprende construindo, testando e reconstruindo sua
teoria de ação. Os indivíduos são frequentemente os agentes de mudança da teoria em uso:
eles agem com base em suas imagens e seus mapas, na expectativa de resultados comuns, que
sua experiência subsequente irá confirmar ou não. Quando o resultado não corresponde à
expectativa (erro), os membros podem reagir modificando suas imagens, mapas e atividades,
de modo a alinhar expectativas e resultados (CHOO, 2003).
As organizações que aprendem são aquelas nas quais as pessoas aprimoram
continuamente suas capacidades para criar o futuro que realmente gostariam de ver surgir. Há
uma relação de competências (disciplinas) que as organizações devem desenvolver a fim de
alterar e aumentar significativamente sua capacidade de aprendizado.
Segundo Senge (1990), são cinco os programas permanentes de estudo e prática que
levam ao aprendizado, os quais são conhecidos como disciplinas do aprendizado. Essas
disciplinas são apontadas por Zaccaro (2002) como uma série de passos, não necessariamente
sequenciais, mas que juntas caracterizam um processo cíclico de aprendizagem que
possibilitaria a transformação de uma organização convencional em organização aprendente,
ou que contribuiria para ganhos em produtividade, qualidade, inovação e ambiente de

833

�trabalho. Tais disciplinas são definidas a seguir e representadas esquematicamente como um
processo cíclico na Figura 2.
S Domínio pessoal: significa aprender a expandir as capacidades pessoais para obter os
resultados desejados e criar um ambiente organizacional que estimule todos os
participantes a alcançar as metas escolhidas;
S Modelos mentais: consiste em refletir, esclarecer continuamente e melhorar a imagem
que cada um tem do mundo, a fim de verificar como moldar os atos e decisões;
S Visão compartilhada: voltada ao engajamento do grupo em relação ao futuro que se
procura criar e elaborar os princípios e as diretrizes que permitirão que esse futuro seja
alcançado;
S Aprendizado em equipe: transformação das aptidões coletivas ligadas a pensamento e
comunicação, de maneira que grupos de pessoas possam desenvolver inteligência e
capacidades maiores do que a soma dos talentos individuais;
S Pensamento sistêmico: criação de forma de analisar e uma linguagem para descrever e
compreender as forças e inter-relações que modelam o comportamento dos sistemas.
Esta disciplina permite mudar os sistemas com maior eficácia e agir de acordo com os
processos do mundo natural e econômico.

Figura 2 - As cinco disciplinas da aprendizagem organizacional

Fonte: Senge, 1990.

Complementar à abordagem de Senge (1990), a respeito das cinco disciplinas da
aprendizagem organizacional, percebe-se como relevante a contribuição de Delors (2001) que

834

�entende que uma pessoa, para ser competente, deve desenvolver quatro habilidades: aprender
a conhecer, aprender a ser, aprender a conviver e aprender a fazer. Essas quatro habilidades,
aliadas às cincos disciplinas organizacionais supracitadas, possibilita que indivíduo e
organização estejam sinergicamente preparados para mudanças, inovações, práticas
colaborativas, convívio com a pluralidade de ideias, crenças e valores, além de capacitados
para adquirirem e desenvolverem competências amplas para enfrentar diversidade de
situações em cenários complexos. Há, neste contexto, uma supervalorização do capital
intelectual para consecução dos objetivos organizacionais com valor agregado pelo domínio
das competências em informação.
Nesse sentido, com o uso intensivo das tecnologias digitais e a valorização do trabalho
executado com o intelecto humano, tem-se a competência em informação como fator-chave
nas relações de trabalho, considerando-se que o colaborador trabalha em rede, em que se
exige dele: cooperação, trabalho em equipe, autonomia e responsabilidade (BASSETTO,
2013). Indivíduos competentes em informação são capazes de acessar e localizar as fontes de
informação, organizar a informação e dela fazer uso inteligente, sabendo discernir as
informações segundo critérios de confiabilidade e relevância. Organizações que aprendem
gerenciam informação e propiciam o desenvolvimento de competências em informação entre
seus colaboradores, sobretudo, quando essas organizações são unidades de informação.

2.2 Bibliotecas Universitárias como organizações que aprendem (learning organization)
Na contemporaneidade as bibliotecas são desafiadas a transformarem-se em agentes de
mudanças no âmbito de sua atuação, não se limitando aos papéis de repositórios de
informações e prestadora de serviços, mas são chamadas a adotarem práticas de inovação
organizacional que as tornem organizações aprendentes.
Para Anzolin e Sermann (2006) a biblioteca universitária pode ser definida como
aquela que atua em instituições de ensino superior, como centros universitários, universidades
e faculdades, e tem por finalidade dar suporte informacional, complementar às atividades
curriculares dos cursos e oferecer recursos para facilitar a pesquisa científica. Sua missão é
prover informação para o ensino, a pesquisa e a extensão de acordo com a política, o projeto
pedagógico e os programas da instituição na qual está inserida. Para Dudziak (2004) a pouca
tradição, a carência de recursos materiais, o despreparo no que tange ao ensino e à pesquisa, a
escassez de recursos humanos qualificados, os orçamentos limitados e desvinculados do
planejamento educacional da instituição, incluindo a ausência do planejamento bibliotecário,
acabam por comprometer o aprimoramento organizacional das bibliotecas universitárias.

835

�Angeloni (2002) afirma que o objetivo de trabalhar a aprendizagem nas organizações é
desenvolver nos integrantes a capacidade de aprender continuamente com vistas ao
estabelecimento da vantagem competitiva organizacional. A biblioteca universitária está
inserida em instituições de ensino superior apoiando os conteúdos ministrados nos currículos
de cursos e oferecendo subsídios para a investigação técnico-científica da comunidade
acadêmica.
Corroborando com o apregoado por Dudziak (2003), fundamentando-se em Senge
(1990), Delors (2001), Bassetto (2013), entre outros supracitados, e considerando a biblioteca
do IFPB Campus Sousa como uma biblioteca universitária, infere-se que a transformação
desta em organização aprendente se inicia a partir da reflexão sobre sua própria cultura e
clima organizacional, os modelos mentais subjacentes, avaliando não somente as dificuldades
de comunicação e interação entre núcleo e linha de frente, a departamentalização e a
hierarquização, mas também investigando as possibilidades de ação para transformação da
realidade com base em fundamentação científica. Ação e pesquisa devem, neste cenário,
avançar lado a lado, em prol da implementação de uma filosofia e prática organizacional
sustentável, economicamente viável e benéfica socialmente.

3 METODOLOGIA
O presente estudo objetiva proporcionar maior familiarização com o problema por
meio de levantamento bibliográfico, pesquisa documental e abordagem reflexiva.
Consiste em um estudo exploratório inicial realizado para subsidiar pesquisas
vindouras sobre como transformar a biblioteca em uma organização aprendente, bem como
possibilitar outras reflexões e discussões contributivas para o debate colocado em questão no
contexto da Biblioteconomia e da Ciência da Informação.
Por meio da pesquisa documental e da observação participante, buscou-se conhecer a
realidade de uma biblioteca inserida no contexto de um Instituto Federal de Educação que
oferta cursos de nível médio, técnico e superior, propondo-se caminhos para investigar a
adoção de uma filosofia e prática organizacional aprendente.
3.1 Universo da Pesquisa
O IFPB está presente em todas as 12 (doze) regiões geoadministrativas do Estado da
Paraíba e desde 2011, a partir da implementação do Plano de Expansão III (2011-2014), está
ampliando o número de campi, que passará de 9 (nove) para 15 (quinze), conforme exibido na
Figura 3. Nesta, os novos campi estão destacados em vermelho e os já existentes destacados
em verde. O IFPB Campus Sousa faz parte da 10a região geoadministrativa, que abrange 15

836

�(quinze) municípios: Sousa, Vieirópolis, Lastro, Santa Cruz, São Francisco, Lagoa, Paulista,
São Domingos de Pombal, Pombal, São Bentinho, Cajazeirinhas, Aparecida, São José da
Lagoa Tapada, Marizópolis e Nazarezinho. Localizado no município de Sousa, que possui
aproximadamente 65.807 habitantes (IBGE, 2010), o IFPB Campus Sousa distribui-se
estrategicamente em três localidades: a Unidade Sede e o Centro Vocacional Tecnológico,
que estão localizados próximos a duas principais entradas da cidade situadas a margem da
Rodovia BR-230, e a Unidade São Gonçalo, ofertante da maioria dos cursos, que fica
localizada no Distrito de São Gonçalo, às margens da Rodovia da Produção.

Figura 3 - Abrangência do IFPB no Estado da Paraíba após o Plano de Expansão III

Fonte: BRASIL, 2012.

O Campus de Sousa do IFPB foi o resultado da fusão do antigo Centro Federal de
Educação Tecnológica (CEFET), obedecendo ao que rege a Lei n° 11.892/2008, com a Escola
Agrotécnica Federal de Sousa (EAFS). Atualmente oferta 14 (quatorze) cursos, sendo 12
(doze) na modalidade presencial e 02 (dois) na modalidade educação à distância (EaD),
conforme especificados na Tabela 1. De acordo com o artigo 2°, da Lei n° 11.892, de 29 de
dezembro de 2008, os Institutos Federais de Educação são definidos como: instituições de
educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializados na
oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base
na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos às suas práticas pedagógicas.
Partindo da supracitada contextualização é possível compreender o perfil e as características

837

�das bibliotecas inseridas neste contexto, e em especial neste estudo, compreender a biblioteca
do IFPB Campus Sousa.

Tabela 1 - Número de cursos ofertados no IFPB Campus Sousa
NÍVEL SUPERIOR
CURSOS

NÍVEL TÉCNICO

Bacharelado Licenciatura Tecnologia Integrado Subsequente

Agroindústria
Agropecuária
Educação Física
Informática
Letras (EaD)
Medicina
01
Veterinária
Meio Ambiente
Química
Segurança
no
Trabalho (EaD)
Tecnologia
em
Agroecologia
Tecnologia
em
Alimentos
01
TOTAL
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

01
01

-

01
01
01
-

01
01
01
-

-

-

-

-

01

-

01
-

-

-

-

-

01

-

01

-

-

-

01

-

-

03

02

04

04

TOTAL
02
02
01
02
01
01
01
01
01
01
01
14

A biblioteca do IFPB Campus Sousa possui um acervo de aproximadamente 10.000
(dez mil) títulos, entre livros, periódicos e audiovisuais, uma equipe de 07 (sete) servidores
técnico-administrativos, sendo 01 bibliotecário-documentalista. Estruturalmente, divide-se em
Biblioteca Central (BC), localizada na Unidade São Gonçalo, e uma Biblioteca Setorial (BS),
localizada na Unidade Sede. Na BC estão concentradas as atividades de processamento
técnico, gerenciamento da biblioteca e todos os demais serviços de informação típicos que
uma biblioteca universitária dispõe (acervo, serviço de referência, acesso ao Portal de
Periódicos da Capes, acesso aos computadores para pesquisa, ambiente de estudo em grupo).
Quanto ao atendimento ao usuário, na BC realiza-se o atendimento aos discentes e docentes
de todos os cursos superiores e técnicos, incluindo os de nível médio. Na BS os serviços de
atendimento são direcionados prioritariamente aos discentes e docentes do curso superior
Licenciatura em Química e do curso Técnico em Informática, que funcionam ambos na
Unidade Sede.

838

�No Centro Vocacional Tecnológico não há biblioteca até o presente momento, embora
nele funcionem os curso técnicos da modalidade EaD e os cursos do Programa de Acesso ao
Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Ressalta-se que a biblioteca presta serviços de
informação não somente aos discentes e docentes, mas também aos técnicos-administrativos
da instituição. Para todo e qualquer visitante da comunidade circunvizinha ao IFPB é
permitido o uso do espaço da biblioteca para consulta local ao acervo e utilização dos espaços
destinados ao estudo individual ou em grupo. Em ambas as bibliotecas, central e setorial, o
acesso à internet pela rede wi-fi é liberado para todos, e nelas encontram-se computadores
disponíveis para uso.
3.2 Percurso metodológico
A pesquisa bibliográfica consistiu na consulta, leitura e apropriação de conteúdos
registrados em livros e artigos de periódicos científicos que versassem sobre os temas “Gestão
da Informação”, “Organizações Aprendentes” e “Bibliotecas Universitárias”, localizados nas
bibliotecas pessoais dos pesquisadores e em bibliotecas de instituições de ensino nas quais os
pesquisadores possuem vínculo e acesso. Com isto foi possível iniciar a construção de uma
rede conceitual, apresentada na seção 2 deste artigo.
Em seguida, para a pesquisa documental, fez-se uso dos buscadores Google e Bing
para localização de documentos que descrevessem a realidade do universo pesquisado. Para
obtenção de um resultado mais preciso foram realizadas buscas com o uso de aspas em parte
dos termos pesquisados, consistindo em uma estratégia de busca mais eficaz e eficiente. Os
termos utilizados na busca foram os seguintes: [campus Sousa “IFPB”], [expansão “IFPB”],
[cursos “IFPB”, biblioteca “IFPB”].
Uma segunda estratégia de busca utilizada no buscador Google foi a pesquisa de dados
exclusivamente no site do IFPB. Para tal, digitava-se o termo de busca desejado e em seguida,
após um único espaço, digitava-se na caixa de busca a especificação do domínio, conforme
mostra o exemplo a seguir: [expansão site:ifpb.edu.br]. Os colchetes visualizados nas
exemplificações acima são apenas representações da caixa de busca do Google, portanto,
considere-se como termos de busca apenas o que neles está contido. Os termos utilizados na
busca foram os mesmos utilizados nas exemplificações supracitadas. Após a busca e
identificação das fontes de interesse para a pesquisa, realizou-se o procedimento de
observação participante.
Partiu-se do pressuposto de que a observação participante possibilita ao pesquisador
relacionar e compreender os fatos e as situações da organização na qual está inserido, e a
partir disto propor soluções para os problemas emergentes em um dado contexto. Abib,

839

�Hoppen e Hayashi Junior (2013) corroboram com Angrosino (2009) ao caracterizar a
observação participante como um processo de aprendizagem pelo envolvimento nas
atividades cotidianas de quem participa da pesquisa. Adler e Adler (1987) apregoam como
vantagem da observação participante a possibilidade de acesso irrestrito ao ambiente
pesquisado com possibilidade de coleta completa de informações e detalhes. DeWalt e
DeWalt (2011) elucidam o ganho de espaço e o potencial desta metodologia, e baseado em
profunda análise de vários estudos internacionais, apontam três aspectos relevantes sobre a
observação participante utilizada em estudos contemporâneos: a) maior grau de detalhamento
dos resultados encontrados; b) observação e participação são processos diferentes; e c) rigor
metodológico na coleta de dados. Os benefícios da observação participante
contemplam aspectos difíceis de se obter de outra forma, qualificando a
observação participante para estudos sobre mudança organizacional,
estruturação de redes, impactos da adoção de TIC nas organizações, análise de
processos decisórios complexos, e facilitando o entendimento dos fatores
intervenientes nos relacionamentos organizacionais e de poder. (ABIB;
HOPPEN; HAYASHI JUNIOR, 2013, p. 608).
No caso desta pesquisa, um dos autores é o Coordenador da Biblioteca, e por ocupar
tal cargo, pressupõe-se que conhece bem a realidade do ambiente organizacional investigado.
Os dados obtidos pela observação participante foram descritos diretamente em suporte digital,
por meio do uso de um tablet (com editor de textos), e posteriormente tabulados. Os critérios
observados na biblioteca foram decididos coletivamente pelos pesquisadores e foram os
seguintes: 1) Estrutura; 2) Pessoal; 3) Serviços; 4) Usuários; e 5) Gerenciamento.
Após a fase de coleta de dados, realizou-se a análise dos dados visando a síntese dos
aspectos observados em sequência lógica. Esses dados obtidos durante a observação
participante, pelo pesquisador que coordena a biblioteca, foram socializados com os demais
pesquisadores condutores deste estudo, a fim de sistematização. Com isto, foi possível
realizar reflexões acerca da filosofia e prática organizacional vigente, possibilitando um
planejamento viável para pesquisas vindouras de investigação sobre o processo de
transformação de bibliotecas universitárias em organizações que aprendem. Os frutos iniciais
desta abordagem reflexiva estão registrados neste artigo, mais especificamente na seção 4,
intitulada Resultados e Discussões.

840

�4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A observação participante possibilitou identificar os componentes de cinco aspectos
necessários ao funcionamento da biblioteca, a saber: estrutura, pessoal, serviços, usuários e
gerenciamento. No Quadro 1 está a descrição dos aspectos observados na Biblioteca Central
do IFPB Campus Sousa, e no Quadro 2 está a descrição dos aspectos observados na
Biblioteca Setorial.

Quadro 1 - Aspectos observados na Biblioteca Central do IFPB Campus Sousa
CRITÉRIOS

COMPONENTES
Possui um único piso (térreo), climatizado, dispondo de acessibilidade
para cadeirantes, com rampas de acesso e portas suficientemente largas;
01 sala de processamento técnico, 01 arquivo permanente e 01 sala do
bibliotecário, destinada às atividades de gestão da biblioteca;
01 grande área compartilhada por acervo geral, acervo multimídia, sala de
estudos em grupo e cabines individuais (sem proteção acústica);
02 banheiros, sendo um feminino e outro masculino.
Estrutura
Dispões de 06 (seis) computadores destinados aos usuários, que permite
leitura de mídias móveis de armazenamento de dados (CD, DVD, pen
drive e cartão de memória);
Há um computador em cada estação de trabalho de cada servidor da
biblioteca;
O sistema antifurto e o sistema de identificação biométrica estão sendo
implementados.
Nela atuam 04 (quatro) servidores, sendo 01 (um) bibliotecário.
Pessoal
- Funciona, ininterruptamente, das 7h às 22h, de segunda à sexta;
- Processamento técnico;
- Referência e Circulação;
- Consulta ao acervo;
Serviços
- Treinamento de usuários;
- Acesso aos computadores para estudo e à internet para pesquisa;
- Acesso ao Portal de Periódicos da Capes;
- Acesso à biblioteca virtual Ebrary.
Principalmente, discentes, docentes, e técnico-administrativos do IFPB.
São usuários com acesso restrito aos serviços, os pertencentes às
comunidades circunvizinhas e os participantes dos Programas de
Usuários
Educação Profissional e de Inclusão Social, vinculados ao IFPB (a
exemplo do PRONATEC e Programa Mulheres Mil).
- O regulamento encontra-se em fase de reelaboração;
Gerenciamento - O sistema de gerenciamento da biblioteca não é informatizado, ou seja,
é manual. Dispõe de controle estatístico manual.
Fonte: Dados da Pesquisa, 2014

841

�Quadro 2 - Aspectos observados na Biblioteca Setorial do IFPB Campus Sousa
CRITÉRIOS

COMPONENTES
Possui um único piso (térreo), dispondo de acessibilidade para
cadeirantes, com rampas de acesso e porta suficientemente larga;
01 grande área compartilhada por sala de estudos em grupo e cabines
individuais com computadores (sem proteção acústica);
Estrutura
01 estação de trabalho para o servidor da biblioteca, com computador e
acesso à internet;
01 área exclusiva para acervo;
Todo o ambiente é climatizado e está em fase de sinalização dos espaços.
Nela atuam 03 (seis) servidores, cada um responsável por um turno.
Pessoal
- Funciona, ininterruptamente, das 7h às 22h, de segunda à sexta;
- Carimbagem, preparo de fichas e colagem de bolsos;
- Referência;
- Circulação;
- Consulta ao acervo;
Serviços
- Treinamento de usuários;
- Acesso aos computadores para estudo e à internet para pesquisa;
- Acesso ao Portal de Periódicos da Capes;
- Acesso à biblioteca virtual Ebrary.
Principalmente discentes, docentes, e técnicos-administrativos, do IFPB.
São usuários com acesso restrito aos serviços, os pertencentes às
comunidades circunvizinhas e os participantes dos Programas de
Usuários
Educação Profissional e de Inclusão Social vinculados ao IFPB (a
exemplo do PRONATEC e Programa Mulheres Mil).
- O regulamento encontra-se em fase de reelaboração;
- O sistema de gerenciamento da biblioteca não é informatizado, ou seja,
Gerenciamento
é manual;
- Dispõe de controle estatístico manual.
Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

A partir dos dados tabulados, oriundos da observação participante, realizaram-se
alguns apontamentos como recomendações iniciais para possibilitar o processo

de

transformação em biblioteca aprendente vindouro.
Primeiramente, quanto à estrutura,

observa-se a necessidade de ampliação e

redefinição dos espaços físicos a fim de

aperfeiçoar a exequibilidade dos serviços

informacionais. Uma biblioteca aprendente

não pode privar-se de um ambiente de

treinamento e educação permanente para usuários e para a equipe de pessoal da biblioteca. O
sistema antifurto e o sistema de identificação biométrica deverão ser instalados também na
Biblioteca Setorial, mas não são componentes que influenciam no processo de transformação
em organização aprendente. Verifica-se que apesar das diferenças estruturais entre Biblioteca
Central e Biblioteca Setorial, a realização dos serviços informacionais a que estão propostas

842

�não é comprometida, e o processo de transformação depende mais de planejamento e
execução de atividades, do que de estrutura física disponível.
Quanto ao pessoal da biblioteca, constata-se que o quantitativo de servidores atual
possibilita que ambas funcionem ininterruptamente das 7h às 22h, aspecto favorável à
satisfação das demandas dos usuários quanto a um ambiente de estudo e convivência, e ao
processo de transformação da biblioteca em organização aprendente.
Os serviços prestados pelas bibliotecas são comuns às bibliotecas universitárias em
todo o território nacional. Entretanto, recomenda-se a realização anual de estudos de usuários
a fim de dirimir possíveis falhas e viabilizar melhorias contínuas. Até o presente momento
nenhum estudo desse tipo foi realizado na biblioteca, e isto é uma prática necessária para a
biblioteca aprendente.
Quanto ao gerenciamento, verifica-se a necessidade de atualização do regulamento da
biblioteca para subsidiar a execução dos serviços e das práticas vigentes. O sistema manual de
gerenciamento da biblioteca possibilita erros no setor de circulação. É, portanto, necessária a
adoção de um software de gerenciamento de bibliotecas a fim de aperfeiçoar as práticas e
dirimir o índice de erros corriqueiros no setor de circulação quanto ao registro de empréstimos
e devoluções. Com a informatização da biblioteca, o controle estatístico (de frequência de
usuários, de empréstimos e de devoluções) também se torna preciso e, consequentemente,
mais confiável. A informatização da biblioteca é imprescindível na Era da Sociedade em
Rede, berço das organizações aprendentes.
Pensadas as questões ditas anteriormente de cunho organizacional, a partir dos cinco
critérios escolhidos para a observação participante, refletiu-se sobre as possibilidades de
transformação da biblioteca do IFPB Campus Sousa em uma organização aprendente.
Considera-se viável tal processo de transformação, devido, primeiramente, o Coordenador da
Biblioteca ser membro do corpo discente do Mestrado Profissional Gestão em Organização
Aprendentes, na Universidade Federal da Paraíba, e por fazer deste processo seu objeto de
estudo. Além de viável, torna-se necessário porque possibilita condições à biblioteca para
reagir às mudanças inerentes ao universo da informação e da aprendizagem em meio às
emergentes redes complexas de conhecimento. O caminho metodológico das investigações
científicas vindouras, portanto, deverá constituir-se em pesquisa-ação, pois esta possibilita a
construção de conhecimentos sobre a prática de forma legítima e com função social,
permitindo que haja melhor apropriação crítica de algumas teorias, contribuindo,
consequentemente, para que haja uma inovação gerencial. Essa forma de pesquisar implica a
concomitância de pesquisa e de ação, de pesquisadores e de práticos, com a finalidade de

843

�transformação da realidade organizacional, reafirmando o propósito social da Ciência, neste
contexto protagonizada pela Ciência da Informação, atuando de forma interdisciplinar com a
Administração e a Educação.
A partir da escolha metodológica supracitada, considera-se que para transformar uma
biblioteca em organização aprendente, se faz necessário que a mesma desenvolva um
programa de desenvolvimento de competências em informação, voltados aos seus usuários,
sejam eles docentes ou discentes. Propõe-se, portanto, a execução de uma investigação
científica voltada a comprovar que uma biblioteca torna-se aprendente, em sua filosofia e
prática organizacional, quando começa a gerir programas ou projetos que contemplem as
competências em informação. Afinal, como bem apregoa Assman (1999), a aprendizagem
mútua é condição fundamental de sobrevivência nas organizações. Bibliotecas aprendentes
são capazes de gerir mudanças por meio da aprendizagem. Um dos muitos caminhos que
tornam isto possível encontra-se, portanto, em sua função social de possibilitar que usuários
da informação desenvolvam competências em informação, frente a um cenário de
complexidade promovido pelas tecnologias intelectuais e digitais emergentes. A realização de
estudos sobre clima organizacional nas bibliotecas universitárias também é imprescindível
para compreender a satisfação e a motivação para o trabalho de informação na sociedade do
aprendizado contínuo, principalmente no contexto laboral das bibliotecas universitárias
aspirantes a se tornarem organizações aprendentes. (BENINE; PINHEIRO, 2010). Torna-se
cada vez mais necessário investigar o papel do bibliotecário como gestor de pessoas,
incluindo-se as questões relativas ao comportamento e a cultura organizacional, assim como a
gestão do conhecimento. “Para a Ciência da Informação e a Biblioteconomia, a atividade
gestora pode marcar o diferencial dos seus serviços, acreditando-se que, na prática, estas áreas
executem de forma indireta a gestão de pessoas em suas unidades” (PINTO; GONZÁLEZ,
2010, p. 104). Complementar a este percurso recomenda-se, para as bibliotecas universitárias
aspirantes a organizações aprendentes, a prática das cinco disciplinas propostas por Senge
(1990), abordadas na seção 2 deste artigo: visão compartilhada, domínio pessoal, pensamento
sistêmico, modelos mentais e aprendizagem em equipe.
A partir da aplicabilidade das supracitadas disciplinas na prática organizacional da
biblioteca, esta poderá propiciar aos seus usuários, bem como a sua equipe de pessoal,
condições para aprimorarem continuamente suas capacidades para criar o futuro que
realmente gostariam de ver surgir, conforme apregoa Senge (2000) com relação às
organizações que aprendem, caracterizando-as como organizações mais flexíveis, adaptáveis e
mais competitivas, na medida em que aprendem com outras organizações. A partir desta

844

�proposta, uma nova filosofia de ação poderá emergir nas bibliotecas universitárias
contemporâneas, mais de acordo com as demandas da Sociedade em Rede.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo exploratório é um momento inicial, portanto, para refletir acerca do papel
da biblioteca nos IFs (uma biblioteca multinível), que apresenta características próprias e que
por isso abrange atividades que vão além das vivenciadas apenas pelas bibliotecas
universitárias ou somente pelas bibliotecas escolares, pois nelas há características de ambas,
que se mesclam.
A partir da reflexão apresentada, abre-se um espaço na literatura científica da Ciência
da Informação e da Biblioteconomia para pensar sobre os caminhos que deverão ser
percorridos para transformar a biblioteca universitária convencional em uma biblioteca
universitária (ou quiçá biblioteca multinível) aprendente, capaz de lidar com as mudanças
exigidas pela sociedade contemporânea. Acreditamos que esse percurso ocorra pela
aprendizagem. Nesta dimensão plural no atendimento aos seus usuários, a biblioteca do IFPB
Campus Sousa, enquanto biblioteca universitária desempenha relevante papel social no
contexto de uma IFs que oferta 06 (seis) cursos superiores. Indissociável dos processos de
ensino, pesquisa e extensão, a biblioteca do IFPB Campus Sousa precisa ser conhecida e
investigada cientificamente. Estamos diante de organizações, o IFPB e sua biblioteca, que
produzem e disseminam conhecimentos em uma região que muito demanda desenvolvimento
social e econômico: o sertão paraibano.
Para iniciar o longo processo de transformação da biblioteca do IFPB Campus Sousa
em organização aprendente, é necessário, portanto, conhecer bem a realidade da mesma. Esse
processo inclui entender o clima organizacional percebido pelos seus colaboradores e
usuários; atuar no que diz respeito às competências em informação junto aos seus usuários,
reconhecendo as particularidades de cada grupo, daí a importância dos estudos de usuários; e
por último, introduzir na biblioteca universitária a filosofia e prática organizacional
aprendente em sua realidade a partir da incorporação das cinco disciplinas propostas por Peter
Senge aliada à abordagem das competências em informação. Vislumbram-se, a partir deste
estudo exploratório inicial, promissoras investigações científicas no campo da Ciência da
Informação e da Biblioteconomia acerca das bibliotecas como organizações aprendentes.

845

�6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABIB, Gustavo; HOPPEN, Norberto; HAYASHI JUNIOR, Paulo. Observação participante
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta uma abordagem reflexiva acerca da compreensão das bibliotecas universitárias como organizações aprendentes. Trata-se de um estudo exploratório inicial realizado para subsidiar pesquisas vindouras, bem como possibilitar outras reflexões e discussões contributivas para o debate colocado em questão no contexto da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Contemplam-se dois temas considerados relevantes para compor a rede conceitual deste estudo: Gestão da Informação nas Organizações Aprendentes e Bibliotecas Universitárias como organizações que aprendem. Por meio da pesquisa documental e da observação participante, buscou-se conhecer a realidade de uma biblioteca inserida no contexto de um Instituto Federal de Educação que oferta cursos de nível médio, técnico e superior, propondo-se caminhos para adoção de uma filosofia e prática organizacional aprendente. As reflexões apresentadas neste artigo contribuem para nortear estudos vindouros sobre como transformar bibliotecas universitárias em organizações aprendentes, considerando a interdisciplinaridade existente entre Administração, Ciência da Informação e Educação. Os resultados e discussões provenientes da reflexão realizada neste estudo nos permite concluir que: i) é necessário conhecer bem a realidade da biblioteca a ser transformada em organização aprendente, incluindo o clima organizacional percebido pelos seus colaboradores e usuários, ii) o longo processo de transformação começa pela atuação da biblioteca no que diz respeito as competências em informação junto aos seus usuários, e iii) uma biblioteca universitária introduz a filosofia e prática organizacional aprendente em sua realidade a partir da incorporação das cinco disciplinas propostas por Peter Senge em seu espaço de atuação aliada à abordagem das competências em informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DE USO DE DESCRITORES NAS DISSERTAÇÕES DE ENFERMAGEM
(1984-2013)

Regina Oliveira De Almeida

RESUMO
Objetivo: investigar e analisar o uso do DeCS como palavras-chave nas dissertações
produzidas no Programa de Pós-Graduação de Enfermagem da Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) - Mestrado. Métodos: foram pesquisadas 1.309 palavraschave de 400 dissertações que fazem parte do acervo da Biblioteca Setorial de Enfermagem e
Nutrição (BSEN). Após a coleta, cada palavra-chave foi comparada à consulta do DeCS para
saber se correspondia a um descritor deste vocabulário. Posteriormente, foram geradas as
análises estatísticas para verificar o objetivo deste estudo. Resultados: o uso de palavraschave que correspondem aos descritores do DeCS aumentou progressivamente, e já nos anos
iniciais desta década diminuiu de forma significativa a desproporção entre palavras-chave que
não são descritores das que são. Conclusão: o DeCS é um vocabulário extenso e dinâmico e
sua utilização deve ser intensificada junto aos autores do Programa de Pós-Graduação de
Enfermagem, pois estes só têm que escolher termos mais adequados para que seus trabalhos
sejam mais facilmente encontrados, recebendo o reconhecimento devido de suas pesquisas.
Palavras-chave: Descritores em Ciências da Saúde. DeCS. Medical Subject Headings.
Competência em informação. Dissertações acadêmicas como assunto.

ABSTRACT
Objective: investigate and analyze the use of DeCS as keywords dissertations produced in the
Graduate Program of Nursing, Federal University of the State of Rio de Janeiro (UNIRIO) Master. Methods: we surveyed 1,309 keywords 400 dissertations that are part of the Sectorial
Library Nursing and Nutrition (BSEN) collection. After collection, each keyword was
compared to the query of DeCS to whether this corresponded to a descriptor vocabulary.
Subsequently, the statistical analysis to verify the objective of this study were generated.
Results: The use of keywords belonging to DeCS progressively increased, and already in the
early years of this decade has dramatically decreased the disproportion between keywords that
are not the descriptors and those that are. Conclusion: DeCS is an extensive and dynamic
vocabulary and its use should be intensified with the authors of the Graduate Program in
Nursing , as they only have to choose the most appropriate terms for their work to be found
more easily, getting due recognition of their research.
Keywords: Medical Subject Headings. Information literacy. Academic dissertations as
subject.

2662

�1 INTRODUÇÃO
A recuperação da informação na área de saúde na sociedade atual, de aprendizagem e
conhecimento fomentados pelo uso intensivo da internet, demanda enorme quantidade de
tempo, pelo desconhecimento de pesquisa em fontes bem selecionadas. Um forte auxílio para
agilizar a busca é acessar a informação organizada de fontes confiáveis, e, para tanto, é
necessário que o pesquisador reconheça a terminologia utilizada pela área de conhecimento
para a indexação dos documentos.
O DeCS (Descritores de Ciências da Saúde) é a terminologia padrão em ciências da
saúde e apresenta descritores nas línguas portuguesa, espanhola e inglesa. Foi criado, em
1982, pelo Centro Latino-americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde BIREME/OPAS/OMS. Sua principal característica é ser um vocabulário dinâmico; por
exemplo, a versão 2013 já está de acordo com as regras da nova ortografia da língua
portuguesa com acréscimo de 302 descritores e 82 sinônimos MESH traduzidos para o
português e espanhol.
Este trabalho teve por finalidade investigar o conhecimento e o uso do vocabulário
DeCS nas palavras-chave utilizadas pelos autores das dissertações produzidas em 30 anos do
Programa de Pós-Graduação de Enfermagem da Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro (UNIRIO). O uso da terminologia adequada à área permite que o documento seja mais
facilmente selecionado pelo pesquisador, já que, de acordo com Castro (2001, p. 51)
“funcionam [...] como mapas que guiam os pesquisadores até a informação”, daí a grande
importância da escolha das palavras-chave.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A importância do uso criterioso do DeCS é a de que outros pesquisadores terão
ampliadas as chances de recuperação de artigos ou outros documentos em suas buscas, pois o
DeCS não restringe o uso dos termos pelos autores, e sim padroniza e controla sinônimos de
termos de mesmo significado. A preocupação com a qualidade e a adequação dos descritores
utilizados em ciências da saúde encontram ressonância em autores como Rosas et al (1999),
Pellizzon (2004), Brandau, Monteiro e Braile (2005), Teixeira e Botelho (2011) quando estes
destacam o risco e o prejuízo gerado quando o artigo não é encontrado e, consequentemente,
também não é citado.

2663

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foram pesquisadas 400 dissertações apresentadas no Mestrado em Enfermagem da
UNIRIO e que fazem parte do acervo da Biblioteca Setorial de Enfermagem e Nutrição
(BSEN). Todas as palavras-chave encontradas no resumo, ou quando não havia neste, na ficha
catalográfica, foram coletadas em um total de 1.309. Após a coleta, cada palavra-chave foi
comparada à consulta do DeCS para saber se correspondia a um descritor deste vocabulário.
Posteriormente, foram geradas as análises estatísticas para verificar o objetivo deste estudo.

4 RESULTADOS FINAIS
A distribuição das dissertações por décadas permitiu perceber o crescimento constante
do programa de pós-graduação da área de enfermagem, e não apenas perceber pontuais picos
apresentados nos anos de 1999 e 2009 (gráfico 1), que podem ter sido causados por fatores
como apresentação acumulada de discentes que solicitaram prorrogação e/ou trancamento de
matrícula.
Tabela 1 - Dissertações por décadas
Década
1980
1990
2000
2010
Fonte: elaboração das autoras.

Quantidade
29
129
167
75

Gráfico 1 - Dissertações de Enfermagem

Fonte: elaboração das autor s.
Até o início da década de 2000 ainda foram encontradas dissertações sem palavrachave e a indexação mínima de três palavras constituía a maior parte das dissertações, mas na
década atual, da qual só temos representação de seus quatro primeiros anos, o uso de quatro
palavras-chave é a frequência dominante, com número significativo de cinco e até mais de
cinco palavras-chave (GRÁFICO 2).

2664

�Gráfico 2 - Número de palavras-chave

Gráfico 3: Proporção entre palavras-chave e descritores

Fonte: elaboração das autor s.

No gráfico 3, percebe-se que o uso de palavras-chave que correspondem aos
descritores do DeCS aumentou progressivamente, e já nos anos iniciais desta década diminuiu
de forma significativa a desproporção, o que nos leva a inferir que possivelmente irão se
equiparar nos próximos anos, conforme indica o gráfico 4 sobre o uso isolado do DeCS.

2665

�Gráfico 4: Uso do DeCS

Ainda assim, é importante destacar que a utilização do descritor “Enfermagem” parece
ter parado seu crescimento, revelando uma indexação mais adequada e consistente aos
assuntos abordados (GRÁFICO 5).

Gráfico 5: Uso do descritor “Enfermagem”

Fonte: elaboração das autors.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O DeCS é um vocabulário extenso e dinâmico e sua utilização deve ser recomendada
junto aos autores do Programa de Pós-Graduação de Enfermagem com a apresentação deste
estudo, pois estes só têm que escolher termos mais adequados para que seus trabalhos sejam
mais facilmente encontrados, recebendo o reconhecimento devido de suas pesquisas.

2666

�6 REFERÊNCIAS
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2667

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Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Estudo de uso de descritores nas dissertações de enfermagem (1984-2013)</text>
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                <text>Objetivo: investigar e analisar o uso do DeCS como palavras-chave nas dissertações produzidas no Programa de Pós-Graduação de Enfermagem da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) – Mestrado. Métodos: foram pesquisadas 1.309 palavraschave de 400 dissertações que fazem parte do acervo da Biblioteca Setorial de Enfermagem e Nutrição (BSEN). Após a coleta, cada palavra-chave foi comparada à consulta do DeCS para saber se correspondia a um descritor deste vocabulário. Posteriormente, foram geradas as análises estatísticas para verificar o objetivo deste estudo. Resultados: o uso de palavraschave que correspondem aos descritores do DeCS aumentou progressivamente, e já nos anos iniciais desta década diminuiu de forma significativa a desproporção entre palavras-chave que não são descritores das que são. Conclusão: o DeCS é um vocabulário extenso e dinâmico e sua utilização deve ser intensificada junto aos autores do Programa de Pós Graduação de Enfermagem, pois estes só têm que escolher termos mais adequados para que seus trabalhos sejam mais facilmente encontrados, recebendo o reconhecimento devido de suas pesquisas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL DOS ÓRGÃOS COORDENADORES DE
SISTEMAS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NAS IFES: CONTEXTO DA
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Valéria Maria Soledade Almeida
Luiz Maia

RESUMO
Este artigo é originário da pesquisa que teve como propósito analisar aspectos do contexto de
gestão nas IFES brasileiras com ênfase nos sistemas de bibliotecas universitárias. A pesquisa
buscou verificar o desenvolvimento institucional do órgão coordenador por meio de
indicadores que possibilitem investigar a estrutura organizacional e o seu desenvolvimento
em atividades gerenciais estratégicas. A metodologia utilizada neste artigo foi a descritiva,
com o objetivo de apresentar um diagnóstico estratégico do ambiente organizacional, a fim de
identificar, nos seus ambientes internos e externos, as forças e debilidades recorrentes. A
coleta de dados foi realizada mediante a aplicação de um questionário, concebido com quatro
categorias de análise: estrutura organizacional, atuação política, atuação pedagógica e
planejamento estratégico. Após as análises dos indicadores propostos neste estudo, concluiuse que os órgãos coordenadores e suas bibliotecas universitárias, apesar de terem alcançado
um modelo de estrutura organizacional por competência técnica, ainda devem trabalhar
politicamente em favor de uma estrutura organizacional adequada.
PALAVRAS-CHAVE: Órgãos coordenadores. Instituições Federais de Ensino Superior
(IFES). Brasil. Gestão de sistemas de bibliotecas universitárias federais. Estrutura
organizacional.

ABSTRACT
This article originates from a research that aimed to analyze aspects of management context in
the Brazilian IFES with emphasis on academic libraries systems. The research aimed to verify
the institutional development of the coordinating body through indicators to investigate the
organizational structure and its development in strategic management activities. The
methodological analysis of this article was descriptive, once it presents a strategic diagnosis
of the organizational environment in order to identify the internal and external environment,
as well as the recurring strengths and weaknesses. Data collection was conducted through a
questionnaire, designed in four categories of analysis: organizational structure, political
practice, strategic planning and pedagogical practice. After the analyses of the indicators
proposed in this study, we concluded that the coordinating bodies and their university
libraries, despite having achieved a model of organizational structure through technical
competence, they should still work politically for an appropriate organizational structure.
KEYWORDS: Coordinating bodies. Federal Institutions of Higher Education (IFES). Brazil.
Systems management of federal university libraries. Organizational structure.

963

�1 INTRODUÇÃO
A sobrevivência e, mais ainda, o desenvolvimento de uma organização, dependem, em
muito, da capacidade de se analisar mudanças e atuação no ambiente em que esta organização
está inserida. Uma análise que deve ser realizada de modo integrado, sistêmico, estratégico e
constante, fazendo a interlocução entre todos os componentes envolvidos, visando identificar
necessidades e compreender as interdependências para definir, ou redefinir, sua função social.
A relação de interdependência entre sujeitos e ambiente também deve ser considerada
para se analisar o desenvolvimento institucional das organizações e sua atuação gerencial no
âmbito de suas estruturas, processos e resultados. Conhecer o ambiente fazendo a interlocução
entre as esferas macro e micro é fundamental para identificar novas necessidades, desenvolver
novos mecanismos e promover mudanças. E, ainda, aumentar sua capacidade de atuação, seu
fortalecimento, garantir sua sobrevivência e um melhor desempenho de acordo com sua
finalidade e o contexto onde está inserida.
É por este motivo que o planejamento estratégico, ao longo dos últimos anos, tornouse uma ferramenta administrativa cada vez mais usada, justamente por se tratar de uma
técnica que vai além de simplesmente estabelecer um plano de ação. Segundo Mintzberg
(1995), trata-se de um processo que apresenta benefícios específicos em contextos
específicos.
Sua metodologia permite a ampliação do conhecimento acerca da organização e é
baseada em um processo contínuo de análise dividido em etapas. Estas permitem à
organização: definir sua direção e função por meio do estabelecimento da sua missão e da sua
visão; definir os valores que orientem o comportamento organizacional; analisar o ambiente
contextual interno e externo, verificando suas inter-relações a fim de se obter um diagnóstico
estratégico; estabelecer metas e ações estratégicas; monitorar, avaliar e reavaliar resultados
frente à complexidade das mudanças sociais e tecnológicas.
Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), um dos
grandes desafios da prática do planejamento estratégico no setor público, mormente nas
universidades federais, é a descontinuidade das ações de uma gestão para a outra, implicando
no comprometimento de recursos e investimentos. A falta de continuidade do processo,
resultante da sua não-institucionalização pela organização, pode ocasionar a perda de
conhecimento, a replicação futura de erros, a não-consolidação de ações e de obtenção dos
resultados esperados (BRASIL, 2005).
Neste contexto específico, as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) no
Brasil estão, também, sujeitas às questões de políticas públicas, motivo pelo qual foram,

964

�durante muitos anos, sucateadas e ameaçadas. E hoje, como consequência, as IFES estão
passando por um período de transformação, impulsionado pelo Programa de Apoio aos Planos
de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), bem como também pelos
avanços tecnológicos decorrentes das significativas mudanças sociais, econômicas e políticas.
Estas mudanças vêm acontecendo com uma frequência jamais experimentada anteriormente e
alteram constantemente o cenário, provocando turbulências e incertezas e, dependendo da
linha de atuação, até a necessidade de reestruturação gerencial de seus setores, produtos e
serviços.
As bibliotecas universitárias (BUs) e seus órgãos coordenadores (OCs), não
diferentemente das instituições nas quais estão inseridas, devem considerar esta realidade e
necessitam: analisar seu contexto continuamente; verificar sua atuação e função; fazer as
relações de interdependência entre sujeitos e ambiente; identificar demandas; superar os
obstáculos; aperfeiçoar serviços e métodos; promover mecanismos de adaptação e de
mudança para ajustá-las às demandas da instituição e da sociedade; e acompanhar as
transformações sociais e tecnológicas que criam novas necessidades, provocam inovações e
novas demandas.
Segundo Gurgel (2010), o planejamento desses centros disseminadores de informação
deve ser pensado de forma estratégica, vislumbrando os objetivos didático-pedagógicos dos
vários cursos, o perfil dos seus usuários, a gestão dos recursos humanos, os custos para
desenvolvimento e a permanente avaliação de coleções e serviços adequados. Tudo isto
levando em consideração as forças políticas, demográficas, sociais e econômicas do macro
ambiente que ensejam impactos nos elementos que compõem sua estrutura organizacional, ou
seja, os gestores de bibliotecas universitárias devem vê-las como unidades pertencentes à
universidade, e a universidade, como instituição social, está sujeita às transformações sociais,
políticas e econômicas.
O artigo foi elaborado a partir de uma pesquisa (ALMEIDA, 2013) realizada entre 2
de agosto e 25 de setembro de 2012, a qual foi baseada em estudo proposto por Gurgel
(2010). A pesquisa teve como propósito explorar, reunir e obter informações estratégicas da
estrutura organizacional dos OCs, mais especificamente sobre a atuação deste em atividades
gerenciais, sua situação hierárquica e integração com o ambiente, a fim de verificar o
desenvolvimento institucional dos mesmos nas IFES ligadas à Associação Nacional dos
Docentes (ANDIFES). E ainda: obter parâmetros, em suas atividades gerenciais, que
possibilitem uma visão estratégica nacional sobre a gestão dos sistemas de bibliotecas

965

�universitárias no contexto das IFES a fim de ampliar o conhecimento e aumentar a capacidade
de avaliação e análise ambiental dos gestores.
É importante ressaltar que, por existir uma grande interdependência institucional entre
vários aspectos relativos à estrutura organizacional no desempenho das atividades, foi
necessário adotar parâmetros. Estes foram adaptados do modelo de avaliação para bibliotecas
universitárias, aprovado em um seminário realizado em 2009 na Universidade Federal da
Bahia (UFBA) (LUBISCO, 2009) e do manual que orienta o arranjo institucional no âmbito
executivo da administração pública federal, oriundo do Programa Nacional de Gestão Pública
e Desburocratização (GESPÚBLICA) (BRASIL, 2008). Foi ainda importante classificar as
atividades gerenciais e, para tanto, considerou-se os contextos de análises nas seguintes
dimensões: Atividade Gerencial Nível Técnico da Biblioteconomia (AGNTB); Atividade
Gerencial Nível Técnico da Administração (AGNTA); Atividade Gerencial Nível das
Estruturas de Poder (AGNEP); Atividade Gerencial Nível Acadêmico Pedagógico (AGNAP).
Este trabalho pretende apresentar o diagnóstico estratégico produzido pela pesquisa
que investigou o ambiente organizacional. Assim, apresentam-se os elementos positivos e
negativos do contexto interno e externo analisado segundo os modelos adotados e do ponto de
vista da estrutura organizacional e das categorias de análises propostas. Pretende-se, com isto,
ampliar os conhecimentos dos gestores, fortalecer a capacidade de análise, inovação e tomada
de decisão e, quiçá, melhorar o desempenho dos mesmos. Bem como melhorar o
planejamento e o estabelecimento de metas estratégicas e ações gerenciais que orientam a
organização e a gestão das BUs.

2 CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Considerando: o impacto das reformas universitárias descrito na literatura e
promovido por políticas públicas; o movimento de reestruturação e centralização das BUs
iniciado em 1968; as problemáticas apresentadas por Miranda (1978); o impacto do Programa
Nacional de Bibliotecas Universitárias (PNBU) na gestão das BUs em 1986; a reforma
universitária de 2007 co seus impactos; e que este é um tema ainda pouco explorado dentro
dos contextos propostos para esta pesquisa. E, ainda: que os OCs têm, como atribuição,
promover institucionalmente os investimentos necessários para garantir uma estrutura
adequada de funcionamento para as bibliotecas, torna-se importante: a) investigar a atuação
dos OCs enquanto instância máxima representativa e de negociação das BUs; b) investigar as
atuais estruturais e o desenvolvimento dos OCs em suas atividades gerenciais estratégicas no

966

�seu ambiente de gestão; c) ampliar o conhecimento e a capacidade de análise dos demais
gestores de OCs em seus ambientes organizacionais.
Os dados obtidos possibilitarão que trabalhos futuros, que pretendam analisar dados
entre épocas, possam comparar se as problemáticas apresentadas por Miranda (1978) no
período pós-reforma universitária ainda persistem. Bem como verificar o alcance de algumas
das diretrizes definidas no PNBU.
Segundo Lubisco (2010), quando se fala de diferentes correntes das teorias da
administração deve-se lembrar que elas não são excludentes entre si; cada qual, ao surgir,
guarda algo da anterior, incorporando aspectos inovadores. De fato, elas formam praticamente
uma cadeia de modelos de gestão que são aplicados, dificilmente em seu estado absoluto, mas
tomando o que de mais adequado cada uma oferece para cada situação, ou, melhor dizendo,
para cada organização.
Lubisco (2010) considera que a Era da Informação, ao dar ênfase à globalização,
produtividade, qualidade, competitividade e ao foco no cliente, deve considerar duas escolas
da era anterior, a Neoclássica: a Teoria dos Sistemas e a Teoria da Contingência. Isto porque,
ao compreender os princípios da Teoria dos Sistemas, e especialmente o que ela propugna
sobre a interdependência entre as partes de um todo, o gestor obtém uma visão de conjunto da
sua organização e da interação dinâmica que ela tem com ambiente, visão esta mais voltada
para o funcionamento organizacional. E, ao compreender a Teoria da Contingência, ele levará
em conta o macroambiente, ou seja, o seu entorno, cujas variáveis compreendem aspectos
sociais, econômicos, tecnológicos, políticos, culturais, legais, ecológicos e demográficos, que
condicionam as características organizacionais.
Lubisco (2010) complementa que a visão e a compreensão dessas teorias levarão o
gestor a entender que não há uma ‘receita’ única e melhor para administrar uma organização,
uma vez que as características organizacionais só podem ser entendidas mediante a análise
das características ambientais com as quais ela se defronta. Portanto, cada organização é sui
generis e requer uma administração também original. Motivo que justifica a importância de se
coletar dados para obter parâmetros sobre o atual desenvolvimento institucional dos OCs de
sistemas de bibliotecas universitárias no ambiente de gestão das IFES visando realizar uma
análise histórica. E também: verificar o desenvolvimento da estrutura organizacional dos OCs
e de seus sistemas de bibliotecas; o desenvolvimento institucional dos OCs em seu contexto
nas atividades gerenciais estratégicas; a existência institucional de ferramentas e instrumentos
que interferem no desenvolvimento e desempenho institucional do OC com a sua comunidade

967

�e no alcance dos indicadores utilizados para os contextos analisados; e identificar, no
ambiente de gestão, as forças e debilidades presentes nos contextos analisados.
A Portaria Ministerial n° 287, de abril de 1986, criou o PNBU e define diretrizes e
ações para as dimensões da biblioteca universitária nos níveis: Planejamento Organizacional,
Planejamento Financeiro, Planejamento de Recursos Humanos e Físicos, Formação e
Desenvolvimento de Coleções, Processamento Técnico dos Documentos, Automação,
Usuários e Serviços de Informação, Atividades Cooperativas.
Dentre os detalhamentos das diretrizes e ações para o nível Planejamento
Organizacional, a portaria definiu estabelecer e/ou fortalecer uma estrutura de sistema de
biblioteca e documentação em cada universidade, com as seguintes ações: a) Instituir, junto
ao Ministério da Educação/SESu, um órgão central; b) Estimular a criação e/ou o
fortalecimento do sistema de bibliotecas e a documentação de cada universidade.
Dessa forma, as bibliotecas foram reorganizadas institucionalmente por competência
técnica e tiveram a definição de um órgão central para as questões relacionadas às BUs,
criando os sistemas de bibliotecas. Assim, os órgãos coordenadores (OCs) foram constituídos
como instância máxima representativa e de negociação das BUs com a alta administração das
universidades e devem compor a estrutura de poder do eixo gerencial nas IFES. Além disso,
necessitam ser componentes do conjunto de titulares de cargo em comissão abaixo da
administração superior, com a principal função de fazer a estratégia chegar à base e a base
chegar à estratégia.
As mudanças ocorridas nacionalmente nos últimos anos geraram, entre outros
aspectos, instabilidades e incertezas nos ambientes de gestão em decorrência das novas
dinâmicas, das rupturas com antigos paradigmas e até mesmo da necessidade de uma
reestruturação administrativa. Mas as mudanças não alteraram a interdependência e a
subordinação nas instituições. Por este motivo, pode-se afirmar que os problemas existentes
nas BUs das IFES não são pontuais e, apesar da existência da diversidade contingencial e
comportamental nas organizações, é possível identificar, por meio de indicadores e atividades
recorrentes, as forças e debilidades comuns que colaboram, influenciam e interferem no
desempenho e no alcance de resultados. Assim, as BUs carecem de uma atenção imediata que
possibilite o estabelecimento de ações estratégicas necessárias para atender as necessidades
advindas do ambiente após a reforma universitária.
A suposição de universidades mais flexíveis, atualizadas e capazes de acompanhar as
mudanças ambientais, na visão de Santos et al (2009), exige dos gestores universitários a
capacidade de: reagir aos problemas e avaliar as consequências para a instituição (atitude

968

�reativa), bem como pesquisar as causas no sentido de agir para suprimi-las; antecipar uma
ação para que problemas não se manifestem por inteiro (atitude proativa), e conduzir a
mudança organizacional ligada à evolução simultânea da instituição e do seu ambiente.
Esta visão se replica ao ambiente de gestão dos OCs, motivo pelo qual se torna
necessário verificar como está o seu desenvolvimento enquanto instância máxima
representativa e de negociação das Bus neste novo ambiente. Para tanto, é preciso considerar
os indicadores definidos no modelo de avaliação, as diretrizes definidas no PNBU e também
verificar se algumas das problemáticas apresentadas por Miranda (1978) - relativas à
estrutura administrativa, ao processamento técnico, ao desenvolvimento de coleções, ao
atendimento ao público e ao quadro de pessoal - ainda subsistem ou se estariam sanadas.
Desta maneira, obter-se-ia um diagnóstico estratégico de suas estruturas e da sua atuação em
suas atividades gerenciais estratégicas em seu ambiente de gestão.
Ainda de acordo com Santos et al (2009), neste contexto, as universidades precisam
possuir habilidade gerencial para estabelecer mudanças rápidas, flexibilidade estrutural,
capacidade para ajustes mediante crises e aproveitamento das oportunidades que porventura
surjam. Isto significa adotar uma gestão estratégica por resultados, a qual visa dotar a IFES da
capacidade de antecipar novas mudanças e de se ajustar às estratégias vigentes com a devida
velocidade e efetividade sempre que for necessário.
Neste cenário de expansão e de mudanças profundas ocasionadas diretamente por uma
nova reforma universitária, e indiretamente pelos desafios contemporâneos advindos das
revoluções tecnológicas, econômicas, sociais e políticas, para que as BUs possam se adequar
aos novos ambientes e fortalecer suas estratégias, precisam pesquisar e conhecer mais
amplamente o atual contexto de gestão dos OCs e de seus sistemas de bibliotecas. Desta
forma, os gestores estarão munidos de informações estratégicas para conduzir a mudança
organizacional na instituição e em seu ambiente de forma simultânea.
Assim sendo, para viabilizar a investigação de um campo bastante complexo e ainda
pouco explorado dentro dos contextos propostos para esta pesquisa, e diante das incertezas no
ambiente de gestão das BUs, foi necessário definir indicadores que serviram como norte para
a pesquisa. Dados disponíveis nas páginas institucionais e nos planejamentos estratégicos
disponibilizados nos sites de algumas BUs também foram analisados, por serem um
instrumento de gestão que tem por função projetar o futuro, minimizar riscos, diminuir
imprevistos e socializar propósitos. Destes, foram analisadas as atribuições dos OCs no
ambiente organizacional em busca de mais indicadores para possibilitar a coleta dos dados
necessários para analisar nacionalmente os contextos pretendidos nesta pesquisa. Vale

969

�ressaltar que, por se tratar de uma temática bastante ampla, este estudo não teve a pretensão
de esgotar a problemática da gestão das bibliotecas universitárias nas IFES.
A pesquisa em questão é originária da necessidade de se obter uma visão mais ampla
sobre o atual contexto gerencial de outros OCs em outras instituições e também de se obter
um diagnóstico estratégico com as atuais forças e debilidades para se produzir um documento
de consulta sobre a gestão dos Sistemas de Bibliotecas em nível nacional. Documento este
que pudesse nortear as atividades de planejamento estratégico, que orientasse sobre a
elaboração de instrumentos normativos, que sanasse dúvidas recorrentes em processos de
tomadas de decisão e oriundas de senso comum, para promover uma reestruturação no arranjo
organizacional do Sistema de Bibliotecas da UFG.
Isto justifica também porque foram levantados dados sobre a atuação e o
desenvolvimento institucional dos OCs e de suas BUs nas suas atividades gerenciais
estratégicas, nos níveis da Biblioteconomia e da área administrativa, os quais possibilitaram
conhecer parcialmente os ambientes institucionais pesquisados. Nesta pesquisa, portanto,
foram considerados o contexto acadêmico, a estrutura organizacional e a de poder nas BUs
pertencentes às instituições federais associadas à ANDIFES. Os resultados possibilitaram
identificar, parcialmente, em quais atividades gerenciais as BUs conseguem maior
desempenho e têm mais dificuldade, considerando aspectos de sua estrutura organizacional e
de sua atuação nas atividades gerenciais técnicas, administrativas, políticas e pedagógicas. Os
dados coletados possibilitaram também identificar as forças e debilidades recorrentes, que
favorecem ou dificultam a capacidade de gestão dos OCs e também das BUs.
Destarte, acredita-se que, com os dados coletados e os resultados encontrados, foi
ampliada a capacidade de análise das entidades representativas no âmbito nacional, pois os
dados obtidos podem servir de parâmetro técnico e de base para estudos futuros. Estes visarão
identificar e analisar elementos estratégicos para auxiliar na reflexão sobre o tema e no
estabelecimento de um conjunto de ações estratégicas necessárias para criar condições de
sanar pontos fracos e/ou promover os pontos fortes. E, ainda, lidará com as ameaças e as
oportunidades, visando o fortalecimento da capacidade institucional das BUs e de seus OCs
frente aos desafios advindos das mudanças em busca de um futuro promissor. Por fim, poderá
subsidiar a formulação de hipóteses e estudos futuros e refletir sobre as temáticas presentes
nas BUs no cenário atual das IFES.
Para avaliar os dados do atual contexto em pontos fortes e fracos, foram adotados
também os conceitos do modelo Lubisco (2009): nível 5 (cinco) - situação ideal; nível 4

970

�(quatro) - situação adequada; nível 3 (três) - situação precária; nível 2 (dois) - situação
insuficiente; nível 1 (um) - situação crítica.

2 METODOLOGIA
A pesquisa está classificada da seguinte forma: quanto aos meios, é bibliográfica e
documental e, quanto aos fins, é descritiva, exploratória/Survey. Quanto aos fins, a pesquisa é
descritiva, pois busca um diagnóstico estratégico do ambiente organizacional, a fim de se
identificar, no ambiente interno e externo, as forças e debilidades recorrentes, fatores que
favorecem ou dificultam o desempenho dos OCs e das BUs nas instituições ligadas à
ANDIFES. A pesquisa descritiva observa, registra, analisa e correlaciona fato ou fenômeno.
Os dados da pesquisa serão referendados através da pesquisa quantitativa, que considera que
tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para
classificá-las e analisá-las.
A pesquisa também apresenta uma análise exploratória para identificar o cenário de
gestão dos OCs e de suas BUs nas IFES.

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Este artigo se propõe apresentar um resultado parcial do que foi produzido pela
pesquisa Almeida (2013) que investigou o desenvolvimento institucional dos OCs no atual
ambiente de gestão das BUs, nas IFES ligadas à ANDIFES, por meio de suas atividades
gerenciais estratégicas, nas seguintes dimensões: estrutura organizacional, estruturas de poder,
contexto acadêmico e planejamento estratégico. Vale ressaltar novamente que, por se tratar de
uma temática bastante ampla e de um cenário institucional complexo e diversificado, não
houve a pretensão de se esgotar todas as variáveis possíveis neste estudo.
O questionário aplicado nesta pesquisa foi estruturado mediante os quatro contextos de
análises pré-determinados e foi desenvolvido em uma plataforma eletrônica, na qual cada
contexto analisado ficou agrupado segundo os indicadores de análise e representado por
critérios em questões específicas. Isto permitiu: a coleta nacional dos dados com a
contribuição dos gestores; que os resultados obtidos pudessem ser apresentados por gráficos
estatísticos; e que, futuramente, possam ser inter-relacionados e confrontados, utilizando-se os
filtros para identificar e verificar a relação entre a presença de alguns indicadores em relação
ao nível de atuação alcançado.
As questões foram elaboradas usando as variáveis e os indicadores estratégicos
coletados dos modelos adotados e conhecidos no ambiente de gestão. A opção ‘Outros’ foi

971

�incluída em algumas questões para possibilitar uma situação não descrita devido à diversidade
existente, sendo que todas as respostas foram incluídas e apresentadas nos resultados.
A população desta pesquisa no País é representada por 57 (cinquenta e sete)
instituições. No entanto, os dados apresentados foram conseguidos por meio da colaboração
de 55 (cinquenta e cinco) gestores dos sistemas de bibliotecas nas instituições ligadas à
ANDIFES, os quais responderam completamente o questionário, representando um percentual
de 96,49%.
A TABELA 1 resume o resultado inicial alcançado em relação ao público
respondente.

TABELA 1 - Participação dos dirigentes de OCs das IFES pesquisadas

Total de respondentes no país

57

Total de instituições de respondentes registrados

57

Total de questionários preenchidos completamente

55

Total de questionários preenchidos incompletos

2

Percentual dos questionários respondidos completamente em relação ao 96,49%
total nacionalmente
Fonte: Elaboração própria.

Considerando que algumas das respostas estão oficialmente disponíveis nos sites das
instituições, estas foram incluídas, a fim de se obter 100% (cem por cento) de resultados em
algumas questões. Isto para que o trabalho pudesse cumprir, dentro do possível, o seu objetivo
geral e os específicos inicialmente definidos. Assim sendo, algumas questões dos dois
questionários das duas instituições que não responderam ficaram incompletas, as quais foram
contabilizadas como ‘Sem resposta’.
Considerando que a estrutura organizacional influencia no alcance dos objetivos
previstos para se obter um esboço do cenário nacional, foram definidas oito questões a partir
dos indicadores selecionados nos modelos e de dados disponíveis nos planejamentos
analisados. Estas questões possibilitaram sistematizar as seguintes informações sobre o
desenvolvimento institucional dos OCs no contexto da estrutura organizacional das IFES no
Brasil:

972

�a)

O quantitativo aproximado de IFES por região;

b) A presença de bibliotecas em diferentes municípios ou geograficamente distantes;
c) A dimensão dos sistemas de bibliotecas pelo quantitativo de bibliotecas
universitárias que os compõem;
d) A existência do modelo de gestão centralizado e a denominação mais utilizada nas
instituições para nomear este órgão ou biblioteca;
e) Como o órgão coordenador (OC ) é considerado na instituição: suplementar,
complementar, administrativo ou outra definição;
f)

A situação hierárquica do OC na estrutura organizacional das IFES ;

g) A existência de regimento interno atualizado e de uma estrutura organizacional
definida e adequada à sua função de OC na instituição;
h) O desenvolvimento do OC nas atividades gerenciais nos níveis administrativos e
técnicos que são assumidas pela instância máxima coordenadora do sistema de
bibliotecas.
Em relação à distribuição geográfica das instituições federais ligadas à ANDIFES,
segundo os dados da questão que identifica a qual região pertence a instituição, a região
Sudeste é a que lidera o ranking. Já a região Centro-Oeste é a que possui menor quantidade de
IFES (TABELA 2).
TABELA 2 - Apresenta a quantidade de IFES participantes desta pesquisa por região
do Brasil
Sumário dos campos para 1.1
Identifique a região da qual faz parte a sua instituição de ensino.
Resposta

Quantitativo

Percentual

NORTE (A1)

9

15,79%

NORDESTE (A2)

15

26,32%

CENTRO-OESTE (A3)

5

8,77%

SUDESTE (A4)

19

33,33%

SUL (A5)

9

15,79%

Sem resposta

0

0,00%

Total

57

100%

Fonte: Elaboração própria.

85 Grupo de indicadores do contexto 4.1 administrativo / 4.1.1 desenvolvimento institucional, item 1 do Modelo
Lubisco(2009).

973

�Quanto à existência de bibliotecas em diferentes municípios, dentro da primeira
categoria de análise, a maioria dos Sistemas de Bibliotecas possui bibliotecas em diferentes
municípios (TABELA 3).

TABELA 3 - Desenvolvimento nacional dos OCs - contexto da estrutura organizacional
- existência de BUs em diferentes municípios ou geograficamente distantes nas IFES Brasil
Sumário dos campos para 1.2
Existem bibliotecas em diferentes municípios ou geograficamente distantes?
Resposta

Quantitativo

Percentual

Sim (Y)

54

94,74%

Não (N)

3

5,26%

Sem resposta

0

0,00%

Fonte: Elaboração própria.

Usando o recurso da filtragem que o sistema possibilita, foi possível identificar que
somente duas instituições sinalizaram que não possuem bibliotecas em diferentes regiões,
sendo uma na região Centro-Oeste e duas na Sudeste.
Para verificar o tamanho aproximado dos OCs e dos seus sistemas de bibliotecas no
cenário nacional, foi necessário reunir o quantitativo de bibliotecas existentes em um quadro
de unidades de medidas, o que possibilitou sua classificação pela dimensão86.
A questão visava verificar a dimensão do sistema de bibliotecas, ou seja, medir o
quantitativo aproximado de bibliotecas universitárias. Os dados coletados mostram que 35%
(trinta e cinco por cento) do total do cenário nacional ainda é de pequeno porte, ou seja,
possuem menos de 5 (cinco) unidades de bibliotecas vinculadas ao OC. Somando as duas
dimensões, obteve-se que a maior parte das bibliotecas pesquisadas se encontra entre o médio
e o grande porte (56%). Somente 9% (nove por cento) são de macroporte (TABELA 4).

86 Este trabalho considerará a quantidade de bibliotecas existentes na seguinte classificação: 1-5 unidades (micro
ou pequeno porte); 6-10 (médio porte); 11-24 (grande porte); 25 ou mais (macroporte). Fonte: Definição própria.

974

�TABELA 4 - Desenvolvimento institucional dos OCs - contexto da estrutura
organizacional - dimensão pelo quantitativo aproximado de bibliotecas que o compõem
nas IFES - Brasil
Sumário dos campos para 1.3
Qual o quantitativo de bibliotecas universitárias existentes na instituição?
Resposta

Quantitativo

Percentual nacional

1-5 unidades (A1)

20

35,09%

6 - 10 unidades (A3)

16

28,07%

11 - 24 unidades (A4)

16

28,07%

25 - ou mais unidades (A5)

5

8,77%

Sem resposta

0

0,00%

Fonte: Elaboração própria.

O recurso de filtro disponível no sistema de coleta adotado possibilitou que os dados
obtidos fossem relacionados por região e, assim, é possível apresentar o tamanho dos sistemas
de bibliotecas por região. Dos dados obtidos nas cinco instituições da região Centro-Oeste,
verifica-se a presença de duas de microporte, duas de médio porte, uma de grande porte e
ausência de macroporte, ou seja, com mais de 25 unidades (TABELA 5).

TABELA 5 - Desenvolvimento institucional dos OCs - contexto da estrutura
organizacional - dimensão pelo quantitativo aproximado de bibliotecas que o compõem
nas IFES - Brasil - Região Centro-Oeste
Sumário dos campos para 1.3
Qual o quantitativo de bibliotecas universitárias existentes na instituição?
Resposta

Quantitativo

Percentual regional

1-5 unidades (A1)

2

40,00%

6 - 10 unidades (A3)

2

40,00%

11 - 24 unidades (A4)

1

20,00%

25 - ou mais unidades (A5)

0

0,00%

Sem resposta

0

0,00%

Fonte: Elaboração própria.

Na região Nordeste verificou-se a presença de seis instituições de microporte, três de
médio e sete de grande porte (TABELA 6).

975

�TABELA 6 - Desenvolvimento institucional dos OCs - contexto da estrutura
organizacional - dimensão pelo quantitativo aproximado de bibliotecas que o compõem
nas IFES - Brasil - Região Nordeste
Sumário dos campos para 1.3
Qual o quantitativo de bibliotecas universitárias existentes na instituição?
Resposta

Quantitativo

Percentual regional

1-5 unidades (A1)

6

37,50%

6 - 10 unidades (A3)

3

18,75%

11 - 24 unidades (A4)

7

43,75%

25 - ou mais unidades (A5)

0

0,00%

Sem resposta

0

0,00%

Fonte: Elaboração própria.

Em nove instituições da região Norte, verificou-se que a maioria dos respondentes se
classificou como microporte, dois de médio porte, um de grande porte e a presença de um
sistema considerado de macroporte para esta pesquisa, ou seja, com mais de 25 unidades.
(TABELA 7).

TABELA 7 - Desenvolvimento institucional dos OCs - contexto da estrutura
organizacional - dimensão pelo quantitativo aproximado de bibliotecas que o compõem
nas IFES - Brasil - Região Norte
Sumário dos campos para 1.3
Qual o quantitativo de bibliotecas universitárias existentes na instituição?
Resposta

Quantitativo

Percentual

1-5 unidades (A1)

5

55,56%

6 - 10 unidades (A3)

2

22,22%

11 - 24 unidades (A4)

1

11,11%

25 - ou mais unidades (A5)

1

11,11%

Sem resposta

0

0,00%

Fonte: Elaboração própria.

976

�Dos dados obtidos nas 19 instituições da região Sudeste, verifica-se que a maioria é da
dimensão microporte. É a região que apresenta a maior quantidade de OCs considerados de
macroporte: existem três nesta classificação (TABELA 8).

TABELA 8 - Desenvolvimento institucional dos OCs - contexto da estrutura
organizacional - dimensão pelo quantitativo aproximado de bibliotecas que o compõem
nas IFES - do Brasil - Região Sudeste
Sumário dos campos para 1.3
Qual o quantitativo de bibliotecas universitárias existentes na instituição?
Resposta
Quantitativo
Percentual regional
8
42,11%
1-5 unidades (A1)
5
26,32%
6 - 10 unidades (A2)
3
15,79%
11 - 24 unidades (A3)
3
15,79%
25 - ou mais unidades (A4)
0
0,00%
Sem resposta
Fonte: Elaboração própria.

Segundo os dados obtidos das nove instituições da Região Sul, não existem mais
sistemas na categoria microporte naquela região. A maioria dos OCS está na categoria médio
(4) e grande porte (4). Há também a presença de um sistema considerado de macroporte, ou
seja, com mais de 25 unidades para esta pesquisa (TABELA 9).

TABELA 9 - Desenvolvimento institucional dos OCs - contexto da estrutura
organizacional - dimensão pelo quantitativo aproximado de bibliotecas que o compõem
nas IFES do Brasil - Região Sul
Sumário dos campos para 1.3
Qual o quantitativo de bibliotecas universitárias existentes na instituição?
Resposta
Quantitativo
Percentual regional
0
0,00%
1-5 unidades (A1)
4
44,44%
6 - 10 unidades (A3)
4
44,44%
11 - 24 unidades (A4)
1
11,11%
25 - ou mais unidades (A5)
0
0,00%
Sem resposta
Fonte: Elaboração própria.

Quanto à denominação mais frequente utilizada para nomear o OC nas IFES do Brasil,
pode-se verificar, no cenário nacional, que a maioria dos sistemas é denominada e coordenada

977

�por uma Biblioteca Central, Biblioteca Coordenadora e/ou Biblioteca Universitária. Foram
identificadas também outras denominações e modelos, os quais podem ser objeto de pesquisas
futuras.
A partir dos dados coletados do cenário nacional, na questão que verifica como os
OCs são considerados nas instituições (órgão suplementar, complementar ou administrativo),
pode-se concluir que a maioria está definida como suplementar.
Porém, 15,79% apontaram que a definição institucional é órgão administrativo e, na
questão aberta foram encontradas duas novas modalidades de órgãos estruturantes e
executivos - dados que merecem uma análise aprofundada posterior para verificar se existe
uma tendência para a definição como órgão administrativo.
Para obter dados precisos sobre o vínculo hierárquico na estrutura organizacional das
IFES, e possibilitar uma posterior comparação dos dados com outros ambientes de gestão,
foram necessárias algumas adaptações nos critérios do modelo de avaliação adotado.
Do grupo que verificou o vínculo hierárquico do OC ou BC na estrutura organizacional
das IFES, pode-se concluir que a maioria das instituições analisadas nesta pesquisa (70,18%)
está diretamente vinculada à Reitoria ou à Vice-Reitoria, conforme seus respectivos
organogramas.
A segunda maioria (26,32%) está vinculada a uma Pró-Reitoria. Com este dado se pode
afirmar que as instituições se encontram na situação ideal e adequada, segundo os modelos
adotados. O que indica um ponto forte no ambiente de gestão em nível nacional.
Para verificar a estrutura organizacional e a situação regimental que orienta a gestão
do OC na instituição, foi preciso fazer uma adaptação no modelo, pois, da forma original, ele
se limitaria à análise do ambiente, por apresentar uma mesma situação em até três níveis de
avaliação (5, 4 e 3) no modelo original.
Nota-se que a maioria das IFES tem problemas com a estrutura formal dos órgãos no
eixo das lideranças. Eixo que orienta a estrutura em unidades administrativas na cadeia
hierárquica de comando da organização, as quais devem ser descritas e previstas nos
regimentos. Este dado sinaliza uma situação precária presente no cenário nacional e pode ser
considerado um ponto fraco. Somente 32% das IFES indicaram situação ideal, mesmo se
considerando os três relatos de instituições que afirmaram que estão trabalhando no regimento
por não terem ainda conseguido uma estrutura organizacional adequada e suficiente para fazer
a gestão do sistema de bibliotecas.
No cenário da estrutura organizacional, pode-se pontuar que a existência de bibliotecas
em diferentes regiões e as dimensões (médio e grande portes) dos sistemas de bibliotecas

978

�universitárias pesquisados é uma realidade. Isto implica uma maior complexidade
administrativa, o que exige mais avaliação, monitoramento e controle dos processos e
procedimentos internos e externos de gestão.
Pode-se verificar, neste cenário nacional, que a maioria dos sistemas utiliza o modelo
centralizado de gestão, e que o OC, na maioria, é denominado e coordenado por uma
Biblioteca Central / Biblioteca Coordenadora e/ou Biblioteca Universitária - denominações
que predominam entre as IFES pesquisadas. Foi ainda possível verificar o surgimento de
outras denominações e estruturas de modelos organizacionais menos conhecidos, como:
Diretoria de Gestão da Informação, Superintendência do Sistema de Bibliotecas,
Superintendência de Documentação, Departamento de Bibliotecas, Coordenadoria de
Informação e Documentação (CID), Núcleo de Bibliotecas, Divisão de Biblioteca, Sistema de
Bibliotecas e Informação, Centro de Difusão do Conhecimento e Coordenação de Bibliotecas.
A maioria dos OCs é considerada como órgão suplementar e todos estão vinculados a
uma Reitoria ou Pró-Reitoria, situação ideal e adequada respectivamente, segundo a
adaptação feita para este estudo do Modelo Lubisco (2009). Desta forma, o objetivo
específico relacionado à estrutura organizacional das bibliotecas universitárias neste contexto
foi atingido.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo permitiu sistematizar os dados e obter parcialmente o estado da arte sobre a
gestão dos OCs e de seus sistemas bibliotecas universitárias.
Espera-se que o diagnóstico estratégico produzido tenha informações relevantes e
necessárias para subsidiar e nortear demais gestores nos processos de análise e tomada de
decisão. Que a pesquisa possa subsidiar dados para uma gestão estratégica das BUs, com
metas, ações, métodos de implementação, monitoramento e avaliação sistemática em busca de
melhorias contínuas na promoção e prestação de um serviço público de excelência. E que os
dados apresentados permitam uma visão nacional dos sistemas de bibliotecas no contexto das
estruturas organizacionais. Pois a presença de bibliotecas em diferentes municípios e
dimensões (médio, grande e macro portes) diversas impõe maior profissionalização
administrativa, pois exige sistemática padronização, monitoramente, controle nos processos e
procedimentos internos e externos de gestão.
Os OCs, enquanto instância máxima representativa e de negociação, devem atuar em
todas as dimensões do universo inserido em busca: de uma estrutura organizacional adequada;
da garantia de investimentos específicos em longo prazo; da melhoria da infraestrutura

979

�espacial, de recursos humanos e suporte tecnológico para as bibliotecas. E, para tanto, devem
analisar, conhecer e eleger pontos cruciais presentes nos ambientes para direcionar, com mais
eficiência, as ações.
Também são ações possíveis a atuação direta nas instâncias governamentais por meio
de classes representativas e a criação de um fórum específico para as bibliotecas das IFES
ligadas à ANDIFES para tratar dos problemas existentes e reincidentes, bem como para
aproveitar e potencializar as oportunidades e ações para as diferentes instituições e regiões.
Espera-se que a análise do desenvolvimento institucional do OC na gestão das
bibliotecas universitárias, nas dimensões aqui apresentadas, no contexto da estrutura
organizacional, possa servir de referência para elencar novos indicadores de avaliação para
estes órgãos dentro da IFES, além das que se propôs neste trabalho.
E ainda, levando-se em conta as mudanças sociais ocorridas, principalmente em
decorrência da revolução tecnológica, e as necessidades verificadas por meio dos dados
obtidos nos contextos analisados e problemas estruturais presentes, espera-se que o
diagnóstico possa ser usado com a perspectiva de se conseguir que haja uma atualização do
PNBU, instituído em 1986. Ou que se tenham diretrizes estratégicas que possam subsidiar as
negociações dos OCs no âmbito de suas estruturas nas IFES.
Entre as contribuições teóricas e práticas da pesquisa, destaca-se a possibilidade de
levantar e reunir dados que possam colaborar com a melhoria da atuação dos OCs em suas
atividades de gestão em nível institucional; servir de parâmetro nas atividades de
planejamento, de definição da estrutura organizacional e na elaboração dos regimentos;
identificar as forças e debilidades recorrentes, que favorecem ou dificultam a capacidade de
gestão dos OCs e das BUs; produzir conhecimento acerca do atual cenário nos aspectos já
destacados, visando possibilitar que a capacidade de análise dos gestores no âmbito
institucional seja ampliada, auxiliando nos processos gerenciais e no estabelecimento de ações
e metas.
E, por fim, que a metodologia de análise dos dados da pesquisa possa ser usada e ou
adaptada e servir de base para que outros contextos públicos ou particulares, em que as
bibliotecas universitárias estejam inseridas, possam ser analisados.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA. Valéria Maria Soledade; Os Órgãos Coordenadores E A Gestão De Sistemas
De Bibliotecas Universitárias Das Instituições Federais De Ensino Superior. Mestrado
Profissional da Faculdade de Estudos Administrativos de Minas Gerais - FEAD, 2013.

980

�BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Superior. Plano Nacional de
Bibliotecas Universitárias: atos de criação. Brasília: MEC, 1986.
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira - INEP. Práticas inovadoras de gestão nas áreas administrativas de
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982

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                <text>Este artigo é originário da pesquisa que teve como propósito analisar aspectos do contexto de gestão nas IFES brasileiras com ênfase nos sistemas de bibliotecas universitárias. A pesquisa buscou verificar o desenvolvimento institucional do órgão coordenador por meio de indicadores que possibilitem investigar a estrutura organizacional e o seu desenvolvimento em atividades gerenciais estratégicas. A metodologia utilizada neste artigo foi a descritiva, com o objetivo de apresentar um diagnóstico estratégico do ambiente organizacional, a fim de identificar, nos seus ambientes internos e externos, as forças e debilidades recorrentes. A coleta de dados foi realizada mediante a aplicação de um questionário, concebido com quatro categorias de análise: estrutura organizacional, atuação política, atuação pedagógica e planejamento estratégico. Após as análises dos indicadores propostos neste estudo, concluiuse que os órgãos coordenadores e suas bibliotecas universitárias, apesar de terem alcançado um modelo de estrutura organizacional por competência técnica, ainda devem trabalhar politicamente em favor de uma estrutura organizacional adequada. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TEMPLATE DE NORMALIZAÇÃO EM LATEX: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA
UFJF
Lívia Ferreira Coutinho Alonso
Larissa Carvalho Pinheiro
José Barbosa Gomes
RESUMO
O trabalho apresenta um relato de experiência que ocorreu na Universidade Federal de Juiz de
Fora, no qual foi desenvolvido um projeto que busca contribuir com o aluno na normalização
de seus trabalhos acadêmicos, assim elaborou-se um template para trabalhos acadêmicos da
UFJF em LaTeX. Este projeto tem como objetivo geral auxiliar os usuários na normalização
de seus trabalhos acadêmicos. Os objetivos específicos são: incentivar e difundir a
normalização de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); atender
usuários que utilizam o editor de texto LaTeX. No desenvolver deste trabalho são
apresentados alguns aspectos teóricos sobre: o serviço de referencia e a normalização
bibliográfica; e apresentação e vantagens do LaTeX. Em seguida, é descrito o relato de
experiência do projeto de construção do modelo de normalização de trabalho acadêmico em
LaTeX da UFJF. Consideramos ao final de nosso projeto que a normalização bibliográfica é
de grande valia nas universidades devido aos benefícios oferecidos pela uniformização e
deve-se buscar atender toda a comunidade acadêmica, pensando nas especificidades de cada
área nos editores de textos.
Palavras-Chave: Normalização; LaTeX; Template.

ABSTRACT
The paper presents an experience report that took place at Universidade Federal de Juiz de
Fora, in which a project was developed in order to seek a student contribution regarding the
normalization of their academic work. To accomplish this task, we prepared a template for
academic papers called UFJF in LaTeX. This project has the objective of assisting users in the
normalization of their academic papers . The specific objectives are: encourage and
disseminate the normalization according to Associação Brasileira de Normas Técnicas (
ABNT ) ; meet users using the LaTeX text editor. In order to develop this study, some
theoretical aspects are presented about the service reference and bibliographic
standardization; and presentation and advantages of LaTeX. This way, it describes the
experience report of the construction project of the standardization of academic work in
LaTeX UFJF model. We consider the end of our project that bibliographic standardization is
of great value in universities because of the benefits offered by standardization and it should
seek to serve the entire academic community , considering the specificities of each area in text
editors .
Keywords: Standardization; LaTeX; Template.

3781

�1 INTRODUÇÃO
Neste trabalho é apresentado um relato de experiência que ocorreu na Universidade
Federal de Juiz de Fora. O Centro de Difusão do Conhecimento (CDC) em parceria com o
professor José Barbosa, do Departamento de Matemática do Instituto de Ciências Exatas,
desenvolveu um template em LaTeX normalizado de acordo com as normas da ABNT para
trabalhos de conclusão de curso, seja monografias, dissertações ou teses.
Este projeto tem como objetivo geral auxiliar os usuários na normalização de seus
trabalhos acadêmicos. Os objetivos específicos são: incentivar e difundir a normalização de
acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); atender usuários que
utilizam o editor de texto LaTeX.
Primeiramente, são apresentados alguns aspectos teóricos sobre: o serviço de
referência e a normalização bibliográfica e apresentação e vantagens do LaTeX. A seguir, é
descrito o relato de experiência do projeto de construção do modelo de normalização de
trabalho acadêmico em LaTeX da UFJF. Por fim, são expressas algumas considerações finais.

2 SERVIÇO DE REFERÊNCIA: NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
O principal papel de uma biblioteca universitária é o de suprir as necessidades
informacionais do ensino, da pesquisa e da extensão. Na busca por fornecer informações a
essa trindade as bibliotecas universitárias desenvolvem o serviço de referência, no qual
oferece informações mais específicas à necessidade do usuário, um atendimento
personalizado. Para Grogan (2001, p.7), o serviço de referência “[...] consiste na assistência
efetivamente prestada ao usuário, procurando fornecer acesso rápido e seguro à informação”.
No serviço de referência uma das atividades realizadas é a orientação sobre a
normalização bibliográfica. No Brasil, a responsável pela normalização técnica é a ABNT,
mais especificamente o comitê ABNT/CB-14 - intitulado Informação e Documentação que
regulamenta as normas sobre a normalização do trabalho acadêmico.
De acordo com o comitê, seu âmbito de atuação é: “Normalização no campo da
informação e documentação compreendendo as práticas relativas a bibliotecas, centro de
documentação e informação, serviços de indexação, resumos, arquivos, ciência da informação
e publicação” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006a)
A ABNT apresenta alguns benefícios quantitativos e qualitativos da normalização,
abaixo estão listados os que são inerentes ao processo de normalização bibliográfica
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006b):

3782

�Qualitativo:
-

A uniformização da produção

-

A possibilidade de registro do conhecimento

Quantitativos:
39.

Fornecimento de procedimentos

40.

Aumento de produtividade

41.

Melhoria da quali dade

42.

Controle de processos

Observa-se assim que o serviço de referência, no que tange a normalização, é a
orientação do usuário na utilização das regras que padronizam suas produções, no caso da
Universidade, os trabalhos científicos. Na comunidade científica é exigida a normalização
para uma melhor apresentação dos conteúdos e identificação de suas fontes.

3 LaTeX
O LaTeX é um sistema de preparação de textos impressos de alta qualidade
tipográfica, especialmente para textos matemáticos. Ele foi desenvolvido por Leslie Lamport
a partir do programa TeX (sistema de processamento de textos desenvolvido em 1977) criado
por Donald Knuth. Algumas de suas vantagens são: escritas de fórmulas matemáticas
complexas usando apenas comandos e obtendo uma apresentação visual agradável; ambos
TeX e LaTeX são programas livres, permitindo que existam versões para praticamente todo o
sistema operacional disponível; mudança da formatação do texto inteiro com apenas mudança
de alguns comandos; facilidade na criação de estruturas complexas como bibliografia, notas
de rodapé, sumário e citações. (SANTOS, 2012).
Atualmente, é utilizado inclusive para produção de textos de livros com fórmulas
matemáticas, devido à qualidade dos textos produzidos e à facilidade de manipulação de
textos maiores como de livros, de dissertações ou teses.

4 RELATO DE EXPERIÊNCIA
O CDC tem interesse em padronizar a normalização dos trabalhos acadêmicos da
UFJF, de acordo com as normas da ABNT, para tanto oferece alguns serviços como:
treinamento para grupos, normalmente oferecido no final de cada curso, próximo a disciplina
de elaboração do trabalho de conclusão de curso ou sob demanda; orientações individuais aos
alunos e ficha catalográfica automatizada disponível na página da biblioteca. Além disso,

3783

�disponibiliza um manual de normalização e a coleção ABNT on-line. Como complementação
a estes serviços foi criado um modelo em LaTeX com a aplicação das normas de forma que
facilite ainda mais sua utilização.
Esse projeto iniciou-se com a demanda dos usuários do Mestrado em Modelagem
Computacional de um modelo de normalização no LaTeX e foi identificado que era uma
demanda de toda a área de exatas, que já trabalhava com o software e carecia de um modelo
respaldado pela instituição. Assim, duas bibliotecárias do sistema de biblioteca se dispuseram
a participar de um curso de LaTeX. O curso ajudou com algumas informações iniciais, como
conceitos e utilização do modelo, mas a necessidade dos usuários da biblioteca ia mais além,
eles queriam que desenvolvesse um modelo da UFJF. “Embora a utilização de estilos prontos
de documento seja fácil, a criação de novos modelos leva muito tempo, sendo que nem
sempre é possível encontrar modelos de documento que estejam em conformidade com o
requerido por muitas instituições.” (FERNANDES, 2010, p.4).
Para isso precisaríamos de uma pessoa que entendesse de programação em LaTeX,
que criasse o modelo da UFJF e o atualizasse quando necessário. Buscamos na Universidade
alguém que pudesse nos auxiliar e encontramos alguns professores que já trabalhavam com o
modelo em LaTeX adaptado e desatualizado, aproveitado de outras instituições. Os docentes
se dispuseram a corrigir o modelo que utilizavam, mas não tinham experiência como
programador para desenvolver um novo e não poderiam se comprometer com futuras
atualizações.
Também interessado no desenvolvimento desse modelo o professor José Barbosa, em
uma feliz coincidência, procurou o sistema de bibliotecas pedindo auxílio para a normalização
do modelo em LaTeX que ele estava produzindo.
O intuito da biblioteca e do professor era o mesmo de conceber o modelo. Assim, foi
realizada uma parceira para sua elaboração, a biblioteca subsidiava com a padronização e a
normalização de um modelo de trabalho acadêmico para a Universidade e o professor
desenvolveria o modelo no LaTeX.
A experiência de trabalhar em conjunto foi muito proveitosa, foram várias etapas
realizadas no processo. Primeiramente foi criado um modelo para a instituição de acordo com
a ABNT com algumas padronizações da UFJF para as opções que a ABNT permite, como por
exemplo, optamos pela fonte Times New Roman. Posteriormente, reunimos com o professor
José Barbosa e apresentamos o modelo: conforme ele desenvolvia no LaTeX fazíamos as
correções para adequar à ABNT.

3784

�Ao final concluímos o projeto com um modelo de trabalho acadêmico da UFJF
normalizado de acordo com as normas da ABNT em Latex, que será disponibilizado na
página da biblioteca.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A normalização bibliográfica é de grande valia nas universidades devido aos
benefícios oferecidos pela uniformização. Assim, terá uma facilidade na propagação dos
trabalhos que irão ter uma padronização de qualidade.
Buscando atender toda a comunidade acadêmica, não devemos pensar somente no
editor Word, pois existem editores que fornecem recursos mais específicos para outras áreas e
assim podemos atender melhor nossos usuários.
Observa-se também a importância do trabalho em conjunto, sem uma parceria não
seria possível a execução desse projeto.

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Introdução

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Disponível

em:

&lt;http://www.mat.ufmg.br/~regi/topicos/intlat.pdf.&gt; Acesso em 24 abr. 2014

3785

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Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O trabalho apresenta um relato de experiência que ocorreu na Universidade Federal de Juiz de Fora, no qual foi desenvolvido um projeto que busca contribuir com o aluno na normalização de seus trabalhos acadêmicos, assim elaborou-se um template para trabalhos acadêmicos da UFJF em LaTeX. Este projeto tem como objetivo geral auxiliar os usuários na normalização de seus trabalhos acadêmicos. Os objetivos específicos são: incentivar e difundir a normalização de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), atender usuários que utilizam o editor de texto LaTeX. No desenvolver deste trabalho são apresentados alguns aspectos teóricos sobre: o serviço de referencia e a normalização bibliográfica, e apresentação e vantagens do LaTeX. Em seguida, é descrito o relato de experiência do projeto de construção do modelo de normalização de trabalho acadêmico em LaTeX da UFJF. Consideramos ao final de nosso projeto que a normalização bibliográfica é de grande valia nas universidades devido aos benefícios oferecidos pela uniformização e deve-se buscar atender toda a comunidade acadêmica, pensando nas especificidades de cada área nos editores de textos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PROCESSO DE AVALIAÇÃO EXTERNA DE CURSOS E A BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA.

Regycleia Botelho Cutrim Alves

RESUMO
O artigo aborda o atual Sistema de Avaliação do Ensino Superior Sinaes - SINAES, e o
processo de avaliação externa de cursos de acordo com os instrumentos de avaliação do
Instituto Nacional de Pesquisas Anísio Teixeira - INEP. O objetivo deste artigo é descrever
os resultados alcançados na qualificação do acervo do curso de engenharia química através
dos da avaliação externa de curso. A fundamentação teórica está alicerçada na evolução dos
sistemas de avaliação usados no país, que busca retratar a avaliação como prática de
qualificação do ensino superior através do normativo proposto pelo INEP. Os resultados
apresentam conceito excelência com referência aos indicadores das bibliografias básica,
complementar e periódicos. Conclusão apresenta a biblioteca como parte integrante do
processo de avaliação culminando com a avaliação de sucesso aos agentes responsáveis pela
qualificação do acervo do curso.

Palavras-Chave: Avaliação de Cursos; Biblioteca universitária; Sistema Nacional de
Avaliação de Ensino Superior.

ABSTRACT
The article discusses the current Evaluation of Higher Education System - SINAES, and
external evaluation process of courses according to the assessment instruments used by Anísio
Teixeira National Research Institute - INEP. The objective of this article is to describe the
outcomes obteined by the collection qualitification process of the chemical engineering
course through the external evaluation of the course. The theoretical framework is based on
the evolution of the evaluation systems used in the country, which seeks to present evaluation
as a qualification practice of higher education through the normative proposed by INEP. The
results show excellent concept regarding to indicators of basic and complementary
bibliographies and journals. Conclusion presents the library as part of the evaluation process
culminating in a successful evaluation for those responsible for course’s collection
qualification.
Keywords: Courses Evaluation; University library; National Evaluation System of Higher
Education.

1457

�1 INTRODUÇÃO
A avaliação assume, há décadas, em diversos sistemas educacionais, o status de
temática privilegiada na agenda da educação superior. O modelo iniciado no Brasil para
educação superior sofreu alterações e ajustes, o que culminou com uma diversidade na
organização acadêmica existente atualmente no país.
A universidade brasileira enquanto instituição social, sempre garantiu a sua qualidade
pela sua própria excelência, sustentada na autonomia que é uma forte tradição de
autoregulação que enfrenta uma crise de legitimidade, pois o próprio corpus universitário
dialoga no sentido de que os instrumentos apresentados ainda encontram-se ineficazes para
atender a necessidade acadêmica brasileira que enfrenta a existência de diversas carências.
A exatamente uma década, o Brasil sai de um longo período de recensão nas
universidades especialmente as federais e também com um desafios de suprir as carência
existentes na oferta de vagas do ensino público, tendo que ao mesmo tempo reorganizar sua
infraestrutura, corpo docente, técnicos administrativos e ainda aumentar sua oferta de vagas.
Todo o cenário que se apresentou a época anunciava que grandes desafios seriam
enfrentados, e um dos maiores pontuo o próprio marco regulatório do ensino superior
delineado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que em 1996 estabeleceu os
critérios para o ensino superior e determinou a avaliação como dever do Estado a todas as
instituições públicas e privadas.
Nesta evolução do ensino superior, sua expansão e a busca da qualidade com os
sistemas de avaliação é oportuno lembrarmos que a UNESCO através da declaração Mundial
sobre Educação Superior no século XXI: visão e ação resgatam a demanda e a grande
diversificação na educação superior no século XX, exalta também a consciência de sua
importância para o desenvolvimento sociocultural e econômico em direção à construção de
um novo futuro, onde as gerações futuras devem estar preparadas para novas habilitações,
conhecimentos ideais e conclama os países em desenvolvimento a ação.
O Brasil a respeito da conclamação da Organização das Nações Unidas para a
educação, a ciência e a cultura (UNESCO) e do fortalecimento da expansão do ensino
superior na busca pela regulação, expansão e avaliação a partir da década de noventa com a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Superior (LDB), abre caminho para toda uma
legislação específica e o aparelhamento do governo para atender as suas exigências. Esse
esforço teve seu coroamento, em 2004, com a Lei que cria o Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Superior (SINAES).

1458

�A Justificativa e relevância esta na avaliação como etapa essencial do planejamento,
que segundo Dias Sobrinho (1997) avaliar significa atribuir valor a alguma coisa, dar a valia
e, por isso, não é uma ação neutra. Segundo Brasil (2004) a não neutralidade interessa na
avaliação o compromisso com o questionamento, com a crítica, com a expressão do
pensamento divergente e a explicitação no plano das teorias, da epistemologia e dos métodos
de investigação. Nesse sentido, a avaliação é concebida como uma atividade complexa, um
processo sistemático de identificação de mérito e valor que envolve diferentes momentos e
diversos agentes.
Notadamente e por serem vinculadas em estrutura e organização administrativa, as
funções básicas da universidade também são as da biblioteca e constituem os principais
componentes avaliativos do SINAES, pois se apresentam como agentes indispensáveis a
oferta de novos cursos e consequentemente a própria existência da universidade. Agrega-se
as funções da universidade a responsabilidade social, o desempenho dos alunos, a gestão da
instituição, o corpo docente e as instalações. O art. 4° da Lei n° 10.861/2004 define que a
avaliação dos cursos de graduação tem por objetivo “ [...] identificar as condições de ensino
oferecidas aos estudantes, em especial as relativas ao perfil do corpo docente, às instalações
físicas e à organização didático-pedagógica” (BRASIL, 2004).
A biblioteca é avaliada como requisito de infraestrutura no aspecto relativo ao acervo
e é a parti deste aspecto que se chama objetivo deste artigo que é descrever os resultados
alcançados na qualificação do acervo do curso de engenharia química através dos da avaliação
externa de curso realizado pelo INEP.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A primeira proposta para avaliação do ensino superior ocorre nas décadas de 80-90,
envolta do crescente aumento das instituições de ensino superior e matrículas. Evidenciavamse a preocupação com o controle e a qualidades das Instituições de Ensino Superior (IES) e a
prestação de contas à sociedade dos investimentos efetuados pelo setor público, surgindo o
programa de Avaliação da Reforma Universitária (PARU), em 1983. (BRASIL, 2009).
A segunda proposta de avaliação surge no MEC oriunda da Comissão de Alto Nível:
Grupo Executivo para a Reforma da Educação Superior (GERES), esta possuía uma
concepção regulatória, os resultados da avaliação das IES influenciariam na distribuição dos
recursos públicos, sendo um contraponto a autonomia das IES elevando as dimensões
individuais do processo, os alunos, cursos e instituição.

1459

�A terceira proposta surge em 1993 com o Programa de Avaliação Institucional das
Universidades Brasileiras (PAIUB), possuía adesão voluntária das universidades. A
autoavaliação institucional concebe-se como etapa inicial de um processo que envolve toda a
instituição completando-se com a avaliação externa.
O enfoque era o ensino de graduação, de pós-graduação e de extensão objetivando a
qualidade acadêmica, tendo sua ênfase na graduação, na gestão universitária e na prestação de
contas a sociedade do desempenho das universidades. Das instituições que aderiram ao
PAIUB, nesta perspectiva de desenvolvimento qualitativo somente as de graduação
alcançaram êxito. (POLIDORI; MARINHO-ARAUJO; BARREYRO, 2006).
O processo de Avaliação no PAIUB atenderia a três exigências básicas, a saber:
processo contínuo de desempenho acadêmico, atuar como processo de gestão universitária e a
um processo sistemático de prestação de contas a sociedade. Sendo o aperfeiçoamento
acadêmico a descoberta dos pontos positivos e negativos envolvendo o tripé universidade
ensino, pesquisa e extensão; Como ferramenta de gestão a avaliação deve produzir resultados
que contribua na superação das dificuldades e na implementação de soluções na busca do bem
institucional e a prestação de contas a sociedade, pois esta é financiadora como também
beneficiária e em contrapartida recebe a prestação de contas e participação. (VERSIEUX,
2004).
Esta experiência legitima a cultura da avaliação universitária, pois embora voluntária
obtivesse grande adesão pelas universidades brasileiras, sua implementação foi afetada pela
interrupção do apoio do Ministério da Educação (MEC), o que se transformou em um
processo avaliativo interno às instituições, perdendo forças principalmente com os novos
marco legal do ensino, como o exame Nacional de Cursos (ENC), colocado em vigor pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e que possuía
outra concepção diferenciada do PAIUB de avaliação.
A partir da Lei 9.131/1995, que cria o Conselho Nacional em Educação e a Lei
9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, culminaram novos mecanismos
de avaliação: Exame Nacional de Cursos (ENC), realizados pelos concluintes de cursos de
graduação.
O “Provão”, assim denominado o ENC pela União Nacional dos Estudantes (UNE) na
tentativa de desqualifica-lo e o MEC utilizo-o positivamente, na prática, foi um regulador não
tradicional, mercadológico, “uma mão invisível”, porque os resultados das provas aplicadas
aos alunos foram utilizados, por deslocamento, como “notas” dos cursos e também como
“notas” das IES, com grande cobertura da mídia (POLIDORI, 2000; BARREYRO, 2003).

1460

�O Exame Nacional teve como função a avaliação anual da IES e dos cursos, avaliando
os conhecimentos e técnicas adquiridos pelos alunos na conclusão da graduação. Sua
implantação ocorreu em 1996, até sua extinção em 2003, após severas críticas decorrentes da
utilização dos resultados dos alunos para conceituar as IES e estes serem apresentados a
sociedade em formato de ranking.
O processo de avaliação educacional superior no Brasil percorre caminhos distintos o
PAIUB como sistema mais participativo e democrático na sua aplicação e operacionalização,
dá autonomia às universidades no processo de autoavaliação, o ENC com função de
regulação, distanciava-se da construção participativa aproximando-se das implicações
mercadológica ditada pelo resultado de qualidade.
As evidencias de ambos os processos de avaliação estavam nas características de
avaliação diferenciadas, pois seus resultados serviam um para os processos emancipatórios o
outro era regulatório. Somou-se ainda a estes fatores inúmeros questionamentos sobre a
sistematização e clareza da execução dos processos realizados pelo órgão responsável pela
operacionalização dos instrumentos de avaliação na aplicação do ENC, desencadeando uma
discussão nas instituições e na própria sociedade, fazendo surgir uma nova proposta de
sistematização do processo de avaliação, o SINAES, em 2004.

2.1 O Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior e a Biblioteca universitária
O SINAES criado pela lei n ° 10.861, de abril de 2004, o Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Superior (SINAES) segue as diretrizes definidas pela Comissão
Nacional de Avaliação Superior (CONAES), com a incumbência da operacionalização do
processo avaliativo por meio da Diretoria de Avaliação da Educação Superior (DAES) o
Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
Como objetivo, o SINAES visa assegurar o processo nacional de avaliação das IES,
dos cursos de graduação e do desempenho acadêmico dos estudantes, visando à melhoria da
qualidade do ensino. Esses resultados serão utilizados para subsidiar os procedimentos
regulatórios e de supervisão que englobam a autorização, reconhecimento e renovação de
reconhecimento dos cursos de graduação e ainda o credenciamento e recredenciamento das
IES (BRASIL, 2004).
Os princípios fundamentais são a responsabilidade social com a qualidade da educação
superior; o reconhecimento da diversidade do sistema; respeito à identidade, à missão e à
história das instituições; globalidade, isto é, compreensão de que a instituição deve ser
avaliada a partir de um conjunto significativo de indicadores de qualidade, vistos em sua

1461

�relação orgânica e não de forma isolada; e a continuidade do processo avaliativo (BRASIL,
2004).
O sistema de avaliação da educação superior está constituído por três componentes
centrais, com o objetivo de conhecer/investigar o processo pedagógico, o educativo e as
instituições. Para isso, a avaliação engloba a avaliação das instituições, dos cursos e do
desempenho dos estudantes. Para complementar os componentes de avaliação das instituições
e de cursos são realizadas a avaliação externa, coordenada pela Comissão Própria de
Avaliação (CPA); e o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), que é
aplicado aos estudantes e subsidia a avaliação das instituições.
A avaliação das instituições é realizada com a perspectiva de identificar o seu perfil e
a qualidade da sua atuação, considerando suas atividades, cursos, programas, projetos e
setores. A avaliação dos cursos de graduação tem o objetivo de verificar as condições de
ensino oferecidas, o perfil do corpo docente e a organização didático-pedagógica. A avaliação
do desempenho dos estudantes dos cursos de graduação, realizada por meio do Exame
Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), a avaliação é feita em relação aos
conteúdos programáticos, suas habilidades e competências.
Em análise aos cursos os objetivos são traduzidos pelos instrumentos de avaliação
utilizados pelo INEP, no qual define 3 dimensões de avaliação que são a dimensão 1 Didático-pedagógica, dimensão 2 - Corpo docente e dimensão 3 - Infra estrutura, a estas
dimensões são atribuídos indicadores específicos para as dimensões e ainda conceitos que
variam de 1 a 5 de acordo com os critérios de analises realizados.
Os indicadores avaliados com referência a biblioteca e seus acervos encontram-se na
dimensão 3 de infraestrutura no qual os indicadores são bibliografia básica, complementar e
periódicos especializados, e seus critérios de avaliação para atribuição dos conceitos estão
assim definidos no instrumento de avaliação:

Indicador a
ser avaliado

Conceitos

Critérios para atribuição de conceitos

1

Quando o acervo referente aos títulos indicados na bibliografia básica
(mínimo de 3 bibliografias) atende aos programas das disciplinas do
curso, na proporção de um exemplar para mais de quinze (15) alunos
para cada turma e/ou não está informatizado, atualizado e tombado
junto ao patrimônio da IES.
Quando o acervo referente aos títulos indicados na bibliografia básica
(mínimo de 3 bibliografias) atende aos programas das disciplinas do
curso, na proporção de um exemplar para até quinze (15) alunos e
não está adequadamente informatizado, atualizado e tombado junto
ao patrimônio da IES.

2

1462

�3

Quando o acervo referente aos títulos indicados na bibliografia básica
(mínimo de 3 bibliografias) atende aos programas das disciplinas do
curso, em quantidade suficiente, na proporção de um exemplar para
até dez (10) alunos para cada turma, e está informatizado, atualizado
e tombado junto ao patrimônio da IES
4
4 Quando o acervo referente aos títulos indicados na bibliografia
básica (mínimo de 3 bibliografias) atende aos programas das
disciplinas do curso, em quantidade suficiente, na proporção de um
exemplar para até oito (8) alunos para cada turma, e está
informatizado, atualizado e tombado junto ao patrimônio da IES.
5
Quando o acervo referente aos títulos indicados na bibliografia básica
(mínimo de 3 bibliografias) atende aos programas das disciplinas do
curso, em quantidade suficiente, na proporção de um exemplar para
até seis (6) alunos para cada turma, e está informatizado, atualizado e
tombado junto ao patrimônio da IES.
Quadro 1 - Adaptação dos indicadores e conceitos de avaliação bibliografia básica.
Fonte: Brasil. Ministério da Educação, (2010).
Bibliografia
Básica

Para a bibliografia complementar os seguintes critérios para a atribuição e conceitos.
Indicador a ser
avaliado

Conceitos

Critérios para atribuição de conceitos

Quando o acervo não atende às indicações bibliográficas
complementares, referidas os programas das disciplinas.________
2
Quando o acervo atende, insuficientemente, às indicações
bibliográficas complementares, referidas os programas das
disciplinas (mínimo de 5 bibliográficas), referidas nos programas
das disciplinas._________________________________________
3
Quando o acervo atende, suficientemente, às indicações
Bibliografia
bibliográficas complementares, referidas os programas das
Complementar
disciplinas (mínimo de 5 bibliográficas), referidas nos programas
das disciplinas._________________________________________
4
Quando o acervo atende, plenamente, às indicações bibliográficas
complementares, referidas os programas das disciplinas (mínimo
de 5 bibliográficas), referidas nos programas das disciplinas._____
5
5 Quando o acervo atende, excelentemente, às indicações
bibliográficas complementares, referidas os programas das
disciplinas (mínimo de 5 bibliográficas), referidas nos programas
das disciplinas__________________________________________
Quadro 2 - Adaptação dos indicadores e conceitos de avaliação da bibliografia
complementar.
Fonte: Brasil. Ministério da Educação, (2010).
1

Os quadros 1 e 2 acima sintetizam os critérios utilizados para a avaliação das
bibliotecas em relação ao acervo, norteando as necessidades quantitativas mínimas para os
títulos que irão compor as bibliografias básicas, complementares e periódicos, que devem ser
desenvolvidas em conjunto aos coordenadores de curso quando da concepção, atualização e
reformulação do projeto político pedagógico do curso, reforçando assim a exata análise das
condições de infraestrutura e organização-didática pedagógica de cada curso ofertado.

1463

�Indicador a ser
avaliado

Conceitos

Critérios para atribuição de conceitos

1

Quando não há assinaturas de periódicos especializados, sob a
forma impressa ou informatizada.
2
Quando as assinaturas de periódicos especializados, sob a forma
impressa ou informatizada atendem, de maneira insatisfatória, às
principais áreas do curso.
3
Quando as assinaturas de periódicos especializados, indexados e
correntes, sob a forma impressa ou informatizada, estão
Periódicos
atualizadas, em sua maioria, nos últimos anos, abrangem as
especializados
principais áreas temáticas e estão distribuídos entre as principais
indexados
e
áreas do curso.
correntes.
4
Quando as assinaturas de periódicos especializados, indexados e
correntes, sob a forma impressa ou informatizada, estão
atualizadas, em sua maioria, nos últimos dois anos, abrangem as
principais áreas temáticas e estão distribuídos entre as principais
áreas do curso.
5
Quando as assinaturas de periódicos especializados, indexados e
correntes, sob a forma impressa ou informatizada, estão
atualizadas, em sua maioria, nos últimos três anos, abrangem as
principais áreas temáticas e estão distribuídos entre as principais
áreas do curso.
Quadro 3 - Adaptação dos indicadores e conceitos de avaliação periódicos
especializados.
Fonte: Brasil. Ministério da Educação, (2010).
Assim a boa avaliação da biblioteca é de fundamental importância para a aprovação ou
reconhecimento do curso, pois de acordo com Baptista, Ruenda e Santos (2008, p. 2) a
biblioteca “se constitui o universo de todos os cursos, onde o aluno, pesquisador e professor
têm acesso à literatura desejada, capaz de produzir conhecimentos e novas perspectivas” .
Segundo Lubisco (2011, p. 9) “avaliar esta no cerne de qualquer gestão responsável de
bibliotecas universitárias” . É através da avaliação que se conhece se as ações planejadas estão
alcançando os objetivos e metas desenvolvidos pelo órgão e pela instituição.
Ao conjunto das ações desenvolvidas no processo de integração entre biblioteca e
curso de graduação, obtém-se o sucesso no processo de avaliação, alcançando conceitos de
excelência no conjunto avaliado, com ênfase a relação de qualificação dos acervos, proposta
pelo curso de acordo com os critérios estabelecidos.
No processo de avaliação proposto pelo Sinaes e o seu desenvolvimento na biblioteca,
o uso do instrumental na avaliação externa ocorre com fundamentação nos documentos
essencial que são o Plano de desenvolvimento Institucional (PDI), o projeto Político do curso
(PPC) e o Plano de expansão do acervo, ou seja, a Politica de desenvolvimento de coleções,
considerada uma politica que auxilia biblioteca a mantém o equilíbrio e a qualidade das

1464

�coleções de acordo com os critérios definidos institucionalmente e ao curso na elaboração,
atualização do PPC.

2.1.1 O Curso de engenharia química
A criação do curso de graduação em Engenharia química esta vinculado ao Centro de
Ciências Exatas e Tecnologia, da Universidade Federal do Maranhão no campus I - capital,
através da resolução 91 do Conselho Superior Universitário de 2006.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino de Graduação em Engenharia
definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de engenheiros,
estabelecidas pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, para
aplicação em âmbito nacional na organização, desenvolvimento e avaliação dos projetos
pedagógicos dos Cursos de Graduação em Engenharia das Instituições do Sistema de Ensino
Superior.
O

Curso

de

Graduação

em

Engenharia

tem

como

perfil

do

formando

egresso/profissional o engenheiro, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva,
capacitado a absorver e desenvolver novas tecnologias, estimulando a sua atuação crítica e
criativa na identificação e resolução de problemas, considerando seus aspectos políticos,
econômicos, sociais, ambientais e culturais, com visão ética e humanística, em atendimento às
demanda da sociedade. (CNE, 2002)
Art. 4° A formação do engenheiro tem por objetivo dotar o profissional dos
conhecimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e
habilidades gerais:
I - aplicar conhecimentos matemáticos, científicos, tecnológicos e
instrumentais à
engenharia;
II - projetar e conduzir experimentos e interpretar resultados;
III - conceber, projetar e analisar sistemas, produtos e processos;
IV - planejar, supervisionar, elaborar e coordenar projetos e serviços de
engenharia;
V - identificar, formular e resolver problemas de engenharia;
VI - desenvolver e/ou utilizar novas ferramentas e técnicas;
VI - supervisionar a operação e a manutenção de sistemas;
VII - avaliar criticamente a operação e a manutenção de sistemas;
VIII - comunicar-se eficientemente nas formas escrita, oral e gráfica;
IX - atuar em equipes multidisciplinares;
X - compreender e aplicar a ética e responsabilidade profissionais;
XI - avaliar o impacto das atividades da engenharia no contexto social e
ambiental;
XII - avaliar a viabilidade econômica de projetos de engenharia;
XIII - assumir a postura de permanente busca de atualização profissional.
(CNE, 2002, p.2)

1465

�A organização curricular do curso está montada em torno de núcleos de conteúdos de
acordo com a Resolução CNE/CES 11/2002 que estabelece as Diretrizes Curriculares para os
cursos de engenharia,

organizados em núcleo básicos,

profissionais,

específicos e

complementares. (CONSUN, 2006).
O curso é presencial, oferece anualmente 40 vagas com entrada única anualmente, no
turno matutino, com duração mínima de 10 semestres e máximos de 15 semestres letivos.
O curso de engenharia química é ministrado por docentes que fazem parte do
Departamento de Tecnologia/ DTQI, sendo composto por 10 (dez) docentes permanentes.
Destes 2 (dois) possuem Pós-Doutorado, 6 (seis) Doutorado, e 2 (dois) mestrados. Outros 13
(treze) docentes possuem graduação e pós-graduação (maioria stricto sensu) em áreas afins e
estão alocados no Departamento de Química. Os demais integrantes, são docentes dos
departamentos de apoio (Física, Matemática, Eng. Elétrica, Desenho, Informática, Letras e
outros) correspondendo um total de 27(vinte e sete) docentes entre especialistas, mestres e
doutores. (INEP, Relatório..., 2010, p.9)

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa realizada é de natureza qualitativa, através do método de estudo de caso.
Segundo Yin (2010) como método de pesquisa o estudo de caso é utilizado em muitas
situações,

para

descrever

o

comportamento

dos

pequenos

grupos,

os

processos

organizacionais e administrativos, etc.
Esta pesquisa se classifica como descritiva, pois se propõe a descrever a ocorrência do
SINAES no processo de avaliação e como estudo de caso, pois descreve a ocorrência da
avaliação externa de curso em uma IFES.
A análise documental e o levantamento bibliográfico são os instrumentos de coleta de
dados utilizados para o desenvolvimento da pesquisa descritiva, buscando conhecer o
universo a partir das práticas utilizadas na IFES. O universo da pesquisa é o curso de
engenharia química, pois na análise documental com recorte temporal nos últimos três anos,
evidenciou o conceito de excelência nos indicadores em geral e nos indicadores específicos ao
acervo, no processo de reconhecimento de curso no campus de São Luís da Universidade
Federal do Maranhão.
A análise dos dados será apresentada utilizando os indicadores de referências
previstos a qualificação do acervo constante no instrumento de avaliação segundo a análise
dos conceitos alcançados pelo curso como é previsto no sistema de avaliação e realizado no
planejamento institucional

1466

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O curso de engenharia química disponibiliza 60 vagas anuais, atendendo as indicações
mínimas da bibliografia básica e complementar. Considerando os critérios utilizados no
instrumento de avaliação do curso observamos que para o alcance dos conceitos satisfatórios
de maior ou igual a 3, a fim de atestar a qualidade do curso, os quantitativos a serem
disponibilizados pela bibliografia básica são de seis títulos por disciplinas.
No indicador da bibliografia básica do curso de engenharia química alcançou o
conceito cinco, pois “atende o curso de modo bem satisfatório” . (INEP, Relatório..., 2010,
p.10), pois:
Quando o acervo referente aos títulos indicados na bibliografia básica
(mínimo de 3 bibliografias) atende aos programas das disciplinas do curso,
em quantidade suficiente, na proporção de um exemplar para até seis (6)
alunos para cada turma, e está informatizado, atualizado e tombado junto ao
patrimônio da IES. (INEP, 2010, p. 14).
A bibliografia complementar alcançou conceito quatro, pois não esta atendida de
modo bem satisfatório. Os avaliadores mesmo entendendo que a bibliografia complementar
esteja em conformidade com o critério de avaliação previsto para “quando o acervo atende,
suficientemente, às indicações bibliográficas complementares, referidas os programas das
disciplinas (mínimo de 5 bibliográficas), referidas nos programas das disciplinas.” (INEP,
2010, p. 14). Foi observado que em algumas unidades curriculares não há a descrição da
bibliografia básica, sendo um possível motivador para a não ter alcançado o conceito máximo.
Os periódicos especializados são de forma inconteste conceito 5, não existindo
nenhuma consideração dos avaliadores para os periódicos especializados.

Ressalta-se a

disponibilização dos periódicos existentes através do Portal de Periódicos Capes pelo NIB
atendendo plenamente o critério quando as assinaturas de periódicos especializados, estão
“indexados e correntes, sob a forma impressa ou informatizada, estão atualizadas, em sua
maioria, nos últimos três anos, abrangem as principais áreas temáticas e estão distribuídos
entre as principais áreas do curso.” (INEP, 2010, p. 14).
A avaliação dos indicadores de bibliografia básica, complementar e periódicos são
considerados de modo a apresentar condições boas, envolvendo todos os aspectos incluindo a
aquisição de novos títulos, sendo mencionado a necessidade de constante atualização do
acervo e a sua implantação.

1467

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O processo de avaliação é o momento institucional em que todos os atores
participantes do processo, recebem o feedback do desenvolvimento de suas ações de
planejamento. É neste momento também que os agentes participantes conhecem os resultados
ou impactos gerados por suas ações, podendo assim iniciar o processo de planejamento para
melhoria ou fortalecimento das ações desenvolvidas anteriormente.
As ações que fortalecem na formação do acervo de um curso na UFMA, tem sido a
relação: coordenador, professor, biblioteca. A compreensão de que a biblioteca é parte
integrante da organização didático pedagógica do curso, desde sua concepção e constantes
atualizações para formação do acervo de qualidade, através da correta articulação e
conhecimento entre Projeto Politico Pedagógico do Curso, Política de Desenvolvimento de
Coleções e Critérios de Avaliação de cursos, tem sido fator preponderante as avaliações de
sucesso.
Deste modo a biblioteca insere-se no processo de avaliação de cursos e institucional,
deixa de ser apenas um instrumento para aquisição de materiais através dos critérios de
desenvolvimento e formação do acervo e inclui-se no processo pedagógico e avaliativo
institucional, atendendo a sua função básica de apoio ao ensino, pesquisa e extensão
universitária.
Assim, o curso de engenharia química através de seus professores, da biblioteca,
desenvolve o processo de avaliação da IFES alcançando conceitos satisfatórios, pois
demonstram que o planejamento para a qualificação do acervo é articulado sistemicamente
em busca de um resultado qualitativo para o curso, para biblioteca, para os estudantes e para a
IFES.

6 REFERÊNCIAS
BAPTISTA, R. ; RUEDA, D. SANTOS, N. B. A Biblioteca universitária no contexto das
avaliações do MEC : uma reflexão. In: Seminário Nacional de Bibliotecas universitárias.
2008. Disponível em: &lt; http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/anais/site/pdfs/3274.pdf&gt;.
Acesso em 16 mar. de 2014.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior. Lei n° 10.861, de 14 de abril de 2004, institui o Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Superior - SINAES e dá outras providências.Disponível em:
http://portal.inep.gov.br/superior-condicoesdeensino-legislacao_normas&gt;. Acesso em: 02
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BRASIL. Lei 9.394. Diretrizes e Bases da Educação (LDB ) . 1996. Disponível em: &lt;
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf&gt;. Acesso em: 16 mar. 2014.

1468

�BRASIL. Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES): da concepção
à regulamentação. 5. ed., revisada e ampliada - Brasília : Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2009.
BARREYRO, G. B. Do Provão ao SINAES: o processo de construção de um novo modelo de
avaliação da educação superior. Avaliação : Revista da Rede de Avaliação Institucional da
Educação Superior - RAIES, Campinas, SP, v. 8, n. 4, p. 37- 49, 2003.
CNE. Resolução CNE/CES 11/2002. Diário Oficial da União, Brasília, 9 de abril de 2002.
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DIAS SOBRINHO, Jose. Avaliação e transformações da educação superior brasileira (1995­
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cimento_bacharelado_licenciatura3.pdf&gt;. Acesso em: 02 fev. 2014.
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POLIDORI, Marlis Morosini; MARINHO-ARAUJO, Claisy M.; BARREYRO, Gladys.
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YIN, Robert K. Estudo de caso : planejamento e método. 4. ed. Porto Alegre: Bookman,
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1469

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O artigo aborda o atual Sistema de Avaliação do Ensino Superior Sinaes – SINAES, e o processo de avaliação externa de cursos de acordo com os instrumentos de avaliação do Instituto Nacional de Pesquisas Anísio Teixeira – INEP. O objetivo deste artigo é descrever os resultados alcançados na qualificação do acervo do curso de engenharia química através dos da avaliação externa de curso. A fundamentação teórica está alicerçada na evolução dos sistemas de avaliação usados no país, que busca retratar a avaliação como prática de qualificação do ensino superior através do normativo proposto pelo INEP. Os resultados apresentam conceito excelência com referência aos indicadores das bibliografias básica, complementar e periódicos. Conclusão apresenta a biblioteca como parte integrante do processo de avaliação culminando com a avaliação de sucesso aos agentes responsáveis pela qualificação do acervo do curso. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NOVAS OPORTUNIDADES EM ESTUDOS DO USO DA INFORMAÇÃO E DA
INTERAÇÃO COM AS TECNOLOGIAS DIGITAIS
Renato Marques Alves
Ricardo Argenton Ramos
RESUMO
O presente trabalho aborda o estudo do uso da informação a partir interação com as
tecnologias digitais na busca da informação científica. O objetivo deste artigo foi examinar na
contemporaneidade às ações de pesquisa que vem estimulando e exigindo que se tornem
efetivas, como é o caso das pesquisas com a temática comportamento informacional e os
sistemas de busca digital. O método de pesquisa utilizado para atingir o objetivo proposto foi
o estudo bibliográfico. Os resultados preliminares indicam que os pesquisadores interagem
com diversas ferramentas eletrônicas e utilizam diferentes estratégias e métodos de pesquisa
para localizar a informação.Aconseqüência dos novos hábitos comportamentais dos
pesquisadores em relação à busca da informação está afetando o uso da biblioteca física, por
extensão, o portal de periódicos Capes.
.Palavras-chave: Estudos do uso da informação. Tecnologias digitais. Comportamento
informacional
ABSTRACT
This paper addresses the issue about the use of information and their interaction with digital
technologies used to found the scientific information. The goal of this study was to examine
and point out the that contemporaneity is stimulating and demanding that become effective, as
is the case for actions to research with thematic information behavior and systems of digital
search. The research method used to achieve the goal was literature survey. Preliminary
results indicated that different researchers interact with electronic tools for to search of
scientific information and use different tools adopting different strategies and research
methods to localize the information. As a consequence of changes in the researchers behavior
it is affecting the physical libraries and the Capes portal.
Keywords: Use of information. Digital technologies.Information behavior.

1. INTRODUÇÃO

As tecnologias digitais têm proporcionado novas possibilidades de ação de pesquisa
nas mais diversas esferas das atividades humanas (Gomes, 2003). No âmbito da Ciência da
Informação, o uso intensivo dos recursos informacionais acessados via ambiente web têm

3041

�levado pesquisadores a verificar como na comunidade acadêmica os cientistas utilizam as
tecnologias digitais para acessar a literatura(ATHUKURALA et al, 2013; GASQUE, 2011,
OLIVEIRA, 2013).
Para Gomes (2003, 2006) as ações de pesquisa científica na universidade surgem em
razão dos diferentes ambientes informacionais que viabilizam o acesso à informação, daí a
autora justificar a necessidade de examinar as potencialidades que a contemporaneidade tende
a estimular ou talvez até exigir que tornem efetivas em relação ao uso da informação. No
campo de estudo sobre o comportamento informacionalalgumaspesquisas identificaram novos
hábitos comportamentais entre os cientistas, em virtude do aumento do uso da informação
cientifica eletrônica. Como a aproximação mais estreita dos cientistas com as ferramentas
eletrônicas de busca e consequentemente, o afastamento da biblioteca física. (HEMMINGER,
et al., 2007).
Tais fatos vêm estimulando e exigindo que novos estudos possam compreender a
interação entre os sistemas de informação digitais e os indivíduos (COSTA; RAMALHO,
2010). Isso porque os sistemas de informação digital são utilizados nas práticas cotidianas dos
sujeitos para as mais diversas atividades como buscar informação, preparar um texto, se
comunicar, ter lazer, etc.
É importante frisar que o espaço virtual em que ocorrem tais práticas está ancorado no
desenvolvimento das tecnologias digitais, que por sua vez, estão inseridas em contexto social
mais amplo que remete ao final do século XX, cujos avanços das tecnologias de informação e
comunicação com a formação das grandes redes mundiais e o tráfego de informação em
tempo real, independente de distância, transformaram praticamente todas as esferas da vida
social (FRÓES BURNHAM, 2005).E impuseram mudanças nas formas de como os cientistas
acessam a literatura na atualmente. Essas mudanças são reflexos da sociedade baseada em
redes.
A partir da sociedade em redes, na era da informação, surge à necessidade imperiosa
de compreender, explicar e conhecer a interação entre os sistemas e os indivíduos sociais,
através dos estudos de uso da informação (COSTA; RAMALHO, 2010).
Para Gonzalez de Gomez (2000 apud Araújo 2010) as possibilidades trazidas pelas
tecnologias digitais e sua conformação nas redes telemáticas surgem como programa de
pesquisa na área da ciência da informação, já em 1990. Cabe mencionar que é a partir dessa
década que se tem, por exemplo, implantação das bibliotecas digitais.E segundo Gomes
(2006, p.41) ao abordar a questão da informatização das bibliotecas com o surgimento da
internet menciona que "as primeiras bibliotecas digitais surgiram no início da década de 1990.

3042

�Deste então, universidades, bibliotecas e outras instituições centradas na recuperação e
difusão do conhecimento tem participado de projetos de bibliotecas digitais". Athukorala e
colaboradores (2013) citam que no início da disseminaçãoeletrônica da informaçãocientífica
as interfaces das homepages das bibliotecas eram as ferramentas usadas para disponibilizar as
informações científicas aos acadêmicos, mas que nos últimos anos, diferentes bases de dados
(multidisciplinar, especializadas dentre outras) surgiram com suas próprias interfaces de
busca. E isso tem provocado nos cientistas um novo comportamento, que é primeiro
consultaras bases de dados ou periódicos de livre acesso na internet quando se engajam no
processo de busca da informação.
Com base nesse cenário, pretende-se aqui neste trabalho apresentar um estudo a partir
da consulta de algumas referenciais nas áreas de estudos de usuários, de comportamento de
busca da informação e interação com sistemas de informação fazer uma reflexão sobre as
possibilidades que a contemporaneidade vem estimulando a ser ação de pesquisa nestas áreas.

2. CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTUDOS DE USUÁRIOS
Gomes (2006) ao investigar os ambientes informacionais integradores de uma nova
prática pedagógica em que o conhecimento não esteja limitado somente ao saber dos docentes
em sala de aula, mas acessível nos vários espaços que integram o ambiente universitário, a
exemplo da biblioteca e dos laboratórios de informática. Faz sua análise a partir do objeto
informação com a intenção de verificar as potencialidades que tende a ser estimulada, ou até
exigida, que tornem efetivas na atualidade em virtude dos avanços das tecnologias de
informação e comunicação. Na pesquisa que realizou sobre os ambientes de informação (aqui
chamamos de sistema de informação tradicional) que trabalham com a informação está a
biblioteca, cuja função é reconhecida pelas sociedades como preservadora do conhecimento
acumulado ao longo dos séculos. Esse registro é importante para marcar que é também nesse
espaço, ou nesse sistema de informação tradicional que surge os primeiros estudos de uso da
informação e dos usuários.
Costa e Ramalho (2010) apontam o surgimento dos estudos de usuários a partir da
década de 40, do sec. XX, durante a Conferência sobre a Informação Cientifica da Royal
Society.As preocupações dos estudos eramcom a análise das necessidades e do uso da
informação [inicialmente, as investigações só focavam os cientistas e os engenheiros]. Para
Figueiredo (1994 apud ARAÚJO, 2010) a tarefa dos estudos eram bem determinada, ou seja,
entender os hábitos de busca e uso da informação, de forma a otimizar os processos, atender
as demandas de maneira mais rápida e eficiente. Pois o contexto no qual foram realizados os

3043

�primeiros estudos tinha como pano de fundo o apoio ao desenvolvimento de pesquisa para o
período da guerra fria.
Nos estudos de usuários é comum encontrar duas distinções em relação às abordagens
teóricas: o paradigma tradicional e o paradigma alternativo. No paradigma tradicional ou
clássico atribui-se como expoente a Nice Figueredo, cujos estudos estavam mais preocupados
com os sistemas de informação; e no paradigma da abordagem alternativa o representante é
Ferreira (2002) cuja ótica é centra-se no usuário em razão do aumento da vasta quantidade de
informação que marca a sociedade através do fenômeno informacional e das necessidades
diversificadas (COSTA; RAMALHO, 2010).
Naárea de estudos de usuários para Araújo (2010, p.22), predomina a visão Positivista,
na qual o referido autorcritica a abordagem clássica dos estudos de usuáriosem que o foco
deinteresse principal erafazer uma pesquisa de aplicação “útil” sobre o ponto de vista do uso
eficiente dos sistemas de informação (bibliotecas) com os levantamentos quantitativos de
empréstimos, de acesso a coleção, etc. para diagnosticar e, a partir disso fazer as intervenções
nos serviços oferecidos. Ou seja, a abordagem era centrada na ótica do sistema, para Araújo
(2010) essa visão vem da teoria do funcionalismo da sociologia em que o “usuário é visto
como feedback de indicadores de eficiência dos sistemas".
Em razão das críticas aos paradigmas do modelo tradicional dos estudos de usuários
surgem às abordagens alternativas através dos programas de pesquisa sobre o comportamento
informacional. Que na visão de Araújo (2010) vem de outra corrente positivista que é a teoria
do Behaviorismo.Contudo, pontua-se que os estudos sobre comportamento informacional têm
recorrido às teorias das ciências cognitivas através dos processos/modelos mentais
(CAVALCANTE, 2010)e da teoria da personalidade (OLIVEIRA, 2013) para explicar o
comportamento informacional dos sujeitos pesquisados por serem mais adequadas do que a
teoria behaviorista

. Porém a critica que o Araújo (2010) tece é muito reveladora no sentido

de provocar mudanças nos encaminhamentos de estudos orientados ao comportamento
informacional para se evitar reducionismo e o engessássemos em tais estudos.
As críticas em relação às pesquisas de comportamento informacional surgem porque,
embora se adotem modelos cognitivos como nova visão teórica e metodológica, no final
acabam não se concretizando na prática devido o foco limitado em:

353Segundo Cavalcante (2010, p.47-48) “As ciências cognitivas surgiram em contraponto aos preceitos do
behaviorismo, corrente que predominou entre as décadas de 1920 a 1940, o qual pregava que os indivíduos, e por
conseguinte, o comportamento destes se baseava em estímulos-respostas, ou seja, os indivíduos refletiam as
forças que o ambiente exercia sobre eles, excluindo qualquer ação mental sobre o comportamento.

3044

�Identificar certas necessidades objetivas, prontas, acabaçada - como se
fossem independentes dos sujeitos concretos e de situações específicas. O
modelo cognitivo destes estudos, ao privilegiar o entendimento da
necessidade de informação a partir de uma lacuna, de uma ausência de
determinado conhecimento para executar determinada atividade, acaba por
engessar uma forma de compreensão dos usuários como seres dotados de
uma necessidade específica, que seria satisfeita por uma fonte de informação
especifica. É como se houvesse uma correspondência unívoca entre as
necessidades de informação e as fontes existentes e disponíveis nos variados
sistemas. Dito de outro modo: é como se existisse a fonte absolutamente
adequada para cada necessidade de informação (ARAUJO, 2010, p.20).

A pesquisa realizada por Gasque (2012) identificou que pesquisadores em formação
(mestrando e doutorando) não pensam em que tipo de informação pode responder as suas
necessidades informacionais no momento da busca. Ou seja,agem de forma não reflexiva nas
buscas informacionais. Isso pode indicar o que Araújo (2010) nos fala sobre a impossibilidade
da existência de uma fonte absoluta e adequada para cada necessidade de informação.
Apresentadas as críticas com relação aos estudos de usuários na perspectiva de que
pesquisas futuras possam evitar tais "armadilhas". Percebe-se que nas novas frentes de
pesquisa focando os estudos do comportamento informacional, estão em alta,as abordagens
em relação à interação com os sistemas de informado baseado em computador, de modo a
entender as relações que se estabelecem, por exemplo, em termo de Interação Homemcomputador ou interação homem-máquina, na medida em que uso do computador cresce e se
consolida no cotidiano seja na realização de atividades profissionais, de lazer, domésticas ou
na recuperação da informação (MÂCEDO; AMARAL, 2003; CARVALHO, 2003). Disso
resulta também, na necessidade de investigara questão da usabilidade de sistema de
informação quanto ao desempenho e a satisfação dos usuários no uso desses sistemas digitais
e seus recursos (Costa; Ramalho, 2010).
Por conta disso, a proposta desse trabalho é verificar as novas oportunidades em estudos do
uso da informação a partir da interação com as tecnologias digitais. Porque existe uma
tendência atual entre os pesquisadores de realizarem a consulta na internet, preferencialmente
em site busca do (Google, Google Scholar).Acredita-se que isso tenha se dado com o
surgimento dos periódicos de acesso aberto na web que apresentam como vantagem a rapidez
e a facilidade de se chegar imediatamente ao conteúdo desejado (GASQUE, 2012).
Essa tendência pode ser confirmada quando se consulta os dados estatísticos coletados
na base de dados GEOCAPES sobre acessos ao Portal de Periódicos, por exemplo, em 01
(uma) Instituição Federal de Ensino Superior, a Universidade Federal do Vale do São
Francisco (UNIVASF), localizada no Vale do São Francisco, na região Nordeste do Brasil,

3045

�que mostra redução na quantidade de acesso ao Portal de Periódicos Capes entre os anos de
2009 a 2012, conforme a Tabela 1.

Tabela 1 - Número de acesso da UNIVASF ao portal de periódicos Capes, 2009 - 2012.
Ano
2009
2010
2011
2012

UNIV ASF
92.560
95.596
124.143
48.631

Fonte: GEOCAPES, 2014. Disponível em: &lt;www.capes.gov.br/estatisticas&gt;.

A redução no número de acesso às fontes de informação científica, disponibilizadas
através do website do portal de periódicos Capes pode estar atrelada ao uso de diferentes
métodos de pesquisa e de ferramentas de busca que os pesquisadores lançam mão para
localizar a informação que necessita. Isso tem impactado nas escolhas de novos canais e
fontes de informação durante as atividades de pesquisa da informação científica. Identificar
em quais situações as ferramentas de busca do portal de periódicos são mais utilizadas pelos
pesquisadores e quais os fatores que dificultam o acesso a informação científica na plataforma
de busca do portal de periódicos Capes indicariam outras possíveis pistas que possam explicar
não só a redução no número de acesso desse importante sistema de informação científica
nacional, mas também analisar outras variáveis com relação ao comportamento dos
pesquisadores em interação outros sistemas de informação digital para a busca da informação
científica que melhor atendem suas necessidades.

3. COMPORTAMENTO INFORMACIONAL
Para Gasque (2011), os estudos de busca e uso da informação estão inseridos no tópico
comportamento informacional, antes denominadode estudo de usuários. Como vimos na
segunda seção deste texto, o estudo do comportamento informacional está relacionado à
abordagem alternativa em relação aos estudos de usuário. Oliveira (2013) citando (DERVIN;
NILAN, 1986) confirma isso ao afirmar que o paradigma voltado aos usuários é denominado
“abordagem alternativa” por se contrapor ao outro modelo que entendia a informação como
algo objetivo, dotado de sentido em si. A abordagem alternativa busca ver a informação sob a
perspectiva do usuário.
Com esses esclarecimentos iniciais podemos verificar as definições em relação ao
comportamento informacional.

3046

�Os estudos de comportamento informacional constituem um campo de
investigação com os objetivos de compreender a conduta do usuário em
relação àinformação, bem como os fatores internos e externos ao usuário
que podem afetar tais atividades; e, pragmaticamente, auxiliar no
desenvolvimento e aprimoramento dos
sistemas de informação
(WILSON,1981; 2000 apud OLIVEIRA, 2013, p.28).

Cavalcante (2010) ao abordar o comportamento informacional nos âmbito das
organizações empresariais investiga se hána cultura organizacional um incentivo a prática do
comportamento voltado à busca e uso da informação para solução de problemas ou tomada de
decisão dentro de tais ambientes. Esta autora cita expoentes do mundo corporativo ao definir
comportamento informacional dizendo que “comportamento informacional está ligado a todas
as atitudes em relação à informação, sua busca, recuperação, filtragem, uso e disseminação”
(DAVENPORT; PRUSAK, 1998; apud CAVALCANTE, 2010, p. 57).
O indivíduo expressa um comportamento de engajamento em relação à informação
quando ele percebe alguma necessidade no estado de seu conhecimento. A este respeito
Gasque (2003) diz que a identificação de alguma necessidade informacional direciona o
indivíduo, provavelmente, a engajar-se em atividades de busca de informação. Vale lembrar
que nesse processo de busca, o indivíduo pode deparar-se com barreiras que dificultam a
atividade de busca. Uma das barreiras ao acesso ao conhecimento pode ocorrer em relação à
interação com o sistema de informação. O indivíduo pode não saber, por exemplo, como a
informação está organizada em uma determinada base de dados, e com isso, não consegue
recuperar a informação desejada.
Oliveira (2013, p. 117), em pesquisa com pós-graduandos da área da engenharia
identificou que na interação com base de dados, 51,8% dos pesquisados responderam
apresentar dificuldades. Diz o autor “cabe ressaltar que o maior número de alunos que
assinalou ter dificuldades na interação com as bases de dados estava no nível do doutorado
(120 alunos), onde é esperado que o aluno tenha uma maior familiaridade com as bases de
dados.
Esse último dado reforça a necessidade de mais pesquisas sobre o comportamento
informacional de pesquisadores em contexto específico, como ambiente acadêmico, em que a
cultura de pesquisadas universidades brasileiras segundo Oliveira (2013) proporciona aos
professores e alunos experiência com a pesquisa e a produção científica. Isso em razão de
uma infraestrutura que existe para o desenvolvimento das pesquisas através de acesso a
periódicos científicos de diversas áreas via Portal da CAPES, bancos de teses e dissertações,
bibliotecas, assinatura de convênio com base de dados,etc. Nesse sentido, vale o registro feito

3047

�por Kuramoto(2007) ao falar a respeito do portal de periódicos Capes. O portal que é mantido
pelo governo federal através de convênio com editores científicos permite acesso a milhares
de documentos. Com isso, os cientistas ao desenvolverem as suas pesquisas aqui no país têm
acesso à informação de qualidade, e consequentemente, produzam novas informações de
qualidade, como num processo de realimentação, e afaste de vez, o fenômeno da exclusão
cognitiva por não ter acesso informação científica.
No ambiente acadêmico onde há uma infraestrutura de informação disponível
(Biblioteca, laboratório de informática, acesso ao portal de periódicos Capes dentro outros
recursos informacionais) se favorecem muito a prática do comportamento informacional entre
a comunidade acadêmica como um todo.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
No atual contexto da sociedade contemporânea os estudos do uso da informação estão
voltados à abordagem alternativa através do estudo do comportamento de busca da
informação, uma vez que os pesquisadores interagem com diferentes sistemas de informação
digital para a busca da informação científica. Percebem-se a partir do texto que os
pesquisadores usam diferentes métodos de pesquisa e ferramentas de busca para localizar a
informação que necessita, e que precisam ser melhores investigados. Para se verificarqual(is)
ferramentas eletrônicas atendem suas necessidades.
A mudança de comportamento na busca dos pesquisadores tem impactado mais
fortemente nos canais e fontes de informações tradicionais, a exemplo da biblioteca. No
entanto, também o portal de periódicos Capes foi afetado, uma vez que as atividades de
pesquisa da informação cientifica pelos pesquisadores em geral ocorrem basicamente via site
de busca, Google e o Google Scholar.

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Disponível:&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/viewFile/744/776&gt;.Ac
esso em: 06 dez 2013.
SARACEVIC, T. Ciência da informação: origem, evolução e relações. Perspec.Ci. Inf., Belo
Horizonte,
v.
1,
n.
1,
p.
41-62,
jan./jun.
1996.
Disponível
em:&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/235&gt;.Acessoem: 20 nov
2013.
WILSON, T.D. Human information Behavior, Informing Science, v.3, n.2, p.49-55,
2000.Disponível em:&lt;http://inform.nu/Articles/Vol3/v3n2p49-56.pdf&gt;. Acesso em: 05 dez
2013.

3050

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente trabalho aborda o estudo do uso da informação a partir interação com as tecnologias digitais na busca da informação científica. O objetivo deste artigo foi examinar na contemporaneidade às ações de pesquisa que vem estimulando e exigindo que se tornem efetivas, como é o caso das pesquisas com a temática comportamento informacional e os sistemas de busca digital. O método de pesquisa utilizado para atingir o objetivo proposto foi o estudo bibliográfico. Os resultados preliminares indicam que os pesquisadores interagem com diversas ferramentas eletrônicas e utilizam diferentes estratégias e métodos de pesquisa para localizar a informação.Aconseqüência dos novos hábitos comportamentais dos pesquisadores em relação à busca da informação está afetando o uso da biblioteca física, por extensão, o portal de periódicos Capes.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS AUXILIARES DE BIBLIOTECA: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA NAS BIBLIOTECAS DO IF SERTÃO-PE

Tatiane Lemos Alves
Fernanda Xavier Guimaraes

RESUMO
O estudo objetivou analisar se os eventos de capacitação oferecidos pelas bibliotecas do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão - PE)
contribuíram para que os auxiliares de biblioteca desenvolvessem competências e habilidades
inerentes às atividades e serviços de biblioteca. A realização da pesquisa foi motivada por
considerar que o cenário atual exige profissionais que tenham uma formação qualificada a
qual englobe conhecimentos gerais e específicos para atender às demandas advindas de uma
sociedade considerada da informação e do conhecimento estimuladas pelas novas tecnologias
da informação e comunicação (TIC). Tratou-se de um estudo de caso, de natureza qualitativa,
com alguns aspectos quantitativos, no qual fez uso de método descritivo e exploratório. Do
universo em estudo, participaram 17 auxiliares de biblioteca dos cinco campi do instituto. O
instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário com questões semi-abertas e
informações constantes em fontes documentais. Para analisar os dados foram criadas
categorias temáticas com o intuito de facilitar a interpretação e as discussões dos resultados.
Os resultados evidenciaram que os eventos de capacitação desenvolvidos pelas bibliotecas do
IF Sertão-PE teve efeitos positivos tanto em relação à formação continuada e troca de
experiências quanto em relação ao desenvolvimento das atividades pelos auxiliares. Diante do
apresentado conclui-se que todos os eventos propostos pelas bibliotecas do IF Sertão- PE
oportunizaram as suas equipes esclarecimentos sobre as atribuições dos bibliotecários e do
auxiliares de biblioteca, assim como o aperfeiçoamento na realização de suas atividades.
Palavras-chave: Formação continuada. Auxiliar de biblioteca. Biblioteca. Instituto Federal
do Sertão Pernambucano.
ABSTRACT
This paper analyzed whether the training events provided by libraries of Federal Institute of
Education, Science and Technology of Sertão Pernambucano (IF Sertão - PE), contributed to
the development of competences and skills of library assistants, inherent to their activities and
tasks into library. This research was motivated for considering that actual scenario demands
professionals who have a qualified formation which encompassing general and specific
knowledge, in order to supply the requests came from a considered society of information and
knowledge, stimulated by the new information and communication technologies. It was made
a qualitative case study, which some quantitative aspects, adopting a descriptive-exploratory
perspective. The population of this study was composed by 17 library assistants from the five
campus of IF Sertão. It was used the questionnaire for collecting the data, with semi-open

577

�questions, which analysis also considered information came from documentary sources. To
analyze the data, it was created thematic categories in order to facilitate the interpretation and
discussion of them. The results showed that the training events provided by libraries of IF
Sertão had positive effects on the continuing formation and experience exchange, as to the
development of assistant’s tasks. In face of these results, it concluded that all events made by
If Sertão could offer to the library’s teams clarifications about the librarian and assistant’s
attributions, as well as improvements in the performance of their activities.
Keywords : Library training. Library assistant.

1 INTRODUÇÃO
A pesquisa aborda a relevância dos eventos de capacitação para os auxiliares de
biblioteca do IF Sertão-PE na perspectiva da qualificação desses profissionais no que tange
ao desenvolvimento de suas atividades. Nesse sentido, buscou-se investigar se os auxiliares de
biblioteca adquiriram por meio dos eventos de capacitação oferecidos pelas bibliotecas do IF
Sertão - PE competências e habilidades necessárias para atuação no ambiente em que estão
inseridos e qual a importância do profissional bibliotecário nesse processo.
De modo geral, a formação dos auxiliares de biblioteca está atrelada aos cursos
técnicos ministrados por bibliotecários, os quais muitas vezes, não exigem grau de
escolaridade mínima para aqueles que têm interesse em atuar nesse mercado de trabalho. No
caso da esfera pública, o ingresso desses profissionais é pelo concurso público o qual se
observa que a escolaridade mínima para concorrer a vaga é o nível fundamental, talvez, essa
seja uma das razões da pouca ou quase nenhuma qualificação para atuar nesse ambiente.
Nesse sentido, percebe-se que em muitos casos os profissionais que vão atuar nas
bibliotecas são limitados ao atendimento ao público e se restringem aos serviços-fim da
biblioteca, ou seja, empréstimo, devolução, renovação e reserva de livros. Portanto, é por
meio das capacitações oferecidas pelos bibliotecários das instituições as quais esses
profissionais estão inseridos que se adquiri as competências necessárias para atuar nos
diferentes serviços e atividades das bibliotecas. Cabe ressaltar que para que isso ocorra, os
bibliotecários precisam propor e realizar eventos de capacitação para qualificá-los a fim de
melhorar o desenvolvimento dos serviços, considerando que esse está inserido em um
contexto social em constante transformação.
Percebe-se que ainda há pouca literatura sobre formação continuada dos auxiliares de
biblioteca, geralmente, na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, os estudos são
voltados para a formação continuada dos bibliotecários.

578

�A execução dessa pesquisa foi motivada, por um lado, pela escassez de literatura sobre
o tema; por outro lado pela necessidade de sanar as lacunas relacionadas à temática em
questão, como também àquelas ainda existentes no cotidiano das bibliotecas do IF Sertão-PE
e por fim para reforçar a necessidade de capacitação desses sujeitos e a importância do
bibliotecário nesse contexto.
Para atender ao objetivo dessa pesquisa foi divido em três etapas: a primeira discorre
sobre os capítulos que fundamentam esse estudo, com a finalidade de oferecer os elementos
conceituais para a análise e interpretação dos dados. A segunda etapa da pesquisa descreve
todo o processo metodológico, tais como as caracterizações da unidade de análise, os
instrumentos de coleta de dados, o universo da pesquisa, as limitações encontradas, assim
como os procedimentos de análise dos dados. A terceira e última etapa, apresenta a análise e
interpretação dos dados, sendo concluída com as impressões obtidas nesse estudo.

2 O INSTITUTO FEDERAL DO SERTÃO PERNAMBUCANO: ALGUMAS
CONSIDERAÇÕES
O Instituto Federal de Educação Tecnológica do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE)
é uma autarquia que busca a excelência do ensino, da pesquisa e extensão nos diversos
níveis

de

ensino profissional

e tecnológico. Pretende se firmar como Instituição de

educação superior, básica e profissional, pluricurricular e multicampi, especializada na oferta
de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino.
Instituída pela Lei n° 11.892 de 29 de dezembro de 2008, a rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica criou-se a partir da transformação dos Centros Federais
de Educação Tecnológica, das Escolas Técnicas e Agrotécnicas, os Institutos Federais
de Educação, Ciência e Tecnologia com o objetivo de oferecer educação profissional e
tecnológica para formação de profissionais e cidadãos capazes de contribuir com o
desenvolvimento local e regional, através da disseminação do conhecimento.
Dentro desse contexto foi criado o Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Sertão Pernambucano que teve como objetivo contribuir com o
desenvolvimento das mesorregiões do São Francisco e do Sertão Pernambucano, regiões
que historicamente apresentam entraves sociais, políticos e econômicos.
Atualmente o IF Sertão-PE é composto por cinco campi, sendo eles: Petrolina,
Petrolina Zona Rural, Floresta, Ouricuri, e Salgueiro, ficando a Reitoria localizada no
município de Petrolina. O IF Sertão-PE tem um total de 7.511 alunos matriculados em seus 5

579

�campi e um total de 33 cursos distribuídos nas modalidades médio integrado, subsequente,
proeja, superior e pós-graduação, incluindo os cursos de Formação inicial e continuada (FIC).
Para atender a esta demanda educacional, o quadro de recursos humanos do IF SertãoPE, atualmente é composto por 335 docentes e 417 técnicos administrativos, conforme
quadros 1, 2 e 3.
Quadro 1 - Docentes por nível de qualificação.
T IT U L A Ç Ã O

TO T A L

72

GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO

127

MESTRADO

134
31

DOUTORADO
TO T A L

364

Fonte: OBSERVATÓRIO INSTITUCIONAL DO IF SERTÃO-PE.

Quadro 2 - Servidores técnicos administrativos por nível de qualificação.
TO T A L

T IT U L A Ç Ã O

5

ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO

12

ENSINO FUNDAMENTAL COMPLETO
ENSINO MÉDIO INCOMPLETO ENSINO MÉDIO COMPLETO

149
30

ENSINO SUPERIOR INCOMPLETO
ENSINO SUPERIOR COMPLETO

100

PÓS-GRADUAÇÃO

111
10

MESTRADO

0

DOUTORADO
TO T A L

417

Fonte: OBSERVATÓRIO INSTITUCIONAL DO IF SERTÃO-PE.

Dentro deste universo contamos com 22 servidores lotados nas Bibliotecas do IF
Sertão-PE, sendo distribuídos da seguinte forma:
Quadro 3 - Servidores das bibliotecas do IF Sertão-PE
A U X IL IA R E S DE
B IB L IO T E C A S

B IB L IO T E C A

B IB L IO T E C Á R IO S

1
1

0

1

4

CAMPUS FLORESTA

1

2

CAMPUS SALGUEIRO

1

2

CAMPUS OURICURI

1

2

TO T A L

6

16

REITORIA
CAMPUS PETROLINA
CAMPUS PETROLINA-ZONA
RURAL

6

Fonte: OBSERVATÓRIO INSTITUCIONAL DO IF SERTÃO-PE.

580

�Desta forma, mostra-se relevante a discussão sobre a capacitação dos servidores tanto
para atender a missão institucional que está pautada na oferta de educação científica e
tecnológica em todos os níveis e modalidades do ensino, além do atendimento da
pesquisa e extensão, quanto pela necessidade de desenvolvimento pessoal e profissional dos
servidores.

3 EDUCAÇÃO CONTINUADA: ALGUMAS REFLEXÕES
A sociedade considerada, da informação e do conhecimento, experimenta inovações
tecnológicas que exige dos profissionais que trabalham com a informação atualização de seus
conhecimentos para melhorar a qualidade e a competitividade dos serviços que prestam aos
seus usuários. As novas formas de organizar o trabalho exigem além das aptidões específicas
de cada um, níveis de educação cada vez mais sofisticados para atender as mudanças da
sociedade atual. Nesse sentido, a educação continuada vem se apresentando como um dos
meios utilizados por aqueles que desejam crescer na carreira e aperfeiçoar suas habilidades.
De modo geral, pode-se dizer que educação continuada é o processo de atualização,
aperfeiçoamento, treinamento, aprimoramento entre outras formas de capacitação dos
profissionais. Cunha (1984, p.150), define a educação continuada como: “qualquer
aprendizagem, formal ou informal, feita a partir da primeira graduação. São de
responsabilidade do bibliotecário o planejamento e a implementação do seu desenvolvimento
profissional ao longo da sua vida”. Para mantê-los motivados as instituições incentivam que
os mesmos busquem a qualificação profissional promovendo cursos de aperfeiçoamento. É
importante destacar que a capacitação dos servidores públicos tem amparo legal no plano de
carreira dos mesmos e tem como um dos objetivos oferecer aos clientes/usuários cada vez
mais serviços de qualidade. Porém, os próprios indivíduos devem conscientizar-se dessa
necessidade e programar os meios de sua atualização e de seu autodesenvolvimento.

3.1 CAPACITAÇÃO DOS AUXILIARES DE BIBLIOTECA: O CASO DO IF SERTÃO-PE
O mundo do trabalho vem, ao longo da história, se incumbindo de desenhar as
necessidades de capacitar e atualizar o conhecimento profissional dos auxiliares de biblioteca.
Neste cenário repleto de novas exigências, a formação continuada é a chave para acompanhar
as novas demandas estimuladas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
Segundo Alves (2004), há vários conceitos que permeiam o assunto capacitação e a maioria
possuem o sentido de preparar-se, habilitar-se, tornar-se apto a realizar atividades necessárias
para o desenvolvimento dos serviços no ambiente de trabalho.

581

�Ressalta-se nesse estudo a importância de conceituar alguns termos relacionados ao
aperfeiçoamento profissional. Dentre eles, destacam-se:
•

Capacitação: processo permanente e deliberado de aprendizagem, com o propósito de
contribuir para o desenvolvimento

de competências institucionais por meio

do

desenvolvimento de competências individuais. (BRASIL, 2006)
•

Eventos de capacitação: cursos presenciais e à distância, aprendizagem em serviço, grupos
formais de estudos, intercâmbio, estágios, seminários e congressos, que contribuam para o
desenvolvimento do servidor e que atendam aos interessantes da administração pública
federal direta, autárquica e fundacional. (BRASIL, 2006)

•

Formação Profissional: Ação voltada para garantir a qualificação no nível técnico
operacional do servidor, facultando-lhe a participação em cursos de média e longa duração,
que contribuam para a aquisição de competências fundamentais e imprescindíveis ao
desempenho profissional. (PETROLINA, 2012)

•

Treinamento: é a educação profissional que adapta a pessoa para um cargo ou função. É o
processo educacional focado no curto prazo e aplicado de maneira sistemática e organizada
através do qual as pessoas aprendem conhecimentos, habilidades e competências em função
de objetivos definidos. (CHIAVENATO, 2009)

Desta forma, ressalta-se que a primeira intervenção aconteceu na Unidade Petrolina
Zona Rural, a partir da ação da bibliotecária responsável, na época, pelas atividades
informacionais desenvolvidas no Campus. Com intuito de capacitar a equipe das bibliotecas
do IF Sertão-PE organizou-se em 2008 e 2009, os I e II cursos de auxiliar de biblioteca,
respectivamente.
O curso surgiu a partir da observação das necessidades informacionais dos agentes
públicos que trabalhavam nas bibliotecas, na qual se percebeu que os serviços eram
desenvolvidos de forma instintiva, o que provocava, em muitos casos, conflito entre os
mesmos e atitudes e comportamentos equivocados perante os usuários.
O curso teve como objetivos:
•

Capacitar os profissionais da biblioteca para articular, mobilizar e colocar em

ações, valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz
de atividades requeridas pelo seu campo de trabalho;

582

�•
trabalho

Habilitar os auxiliares para atuar nos mais diferentes e complexos campos de
que

envolva

conhecimentos

das

atividades

vinculadas

ao técnico

em

biblioteconomia;
•

Proporcionar condições para formar profissionais éticos, que consigam atuar

sob diferentes condições de trabalho, tomar decisões de forma responsável para contornar
problemas e enfrentar situações imprevistas e que possam trabalhar em grupo de forma
respeitosa e solidária.

O I curso foi ministrado em módulos, perfazendo a carga horária de 40 horas e foram
contemplados conteúdos como: As unidades de informação - 8 horas; Auxiliares de biblioteca
- 8 horas; Atividades da biblioteca - 8 horas; Noções de conservação e preservação do
acervo - 8 horas; e Relações interpessoais no ambiente da biblioteca: noções básicas - 8
horas.
Na ocasião do II Curso, optou-se por manter alguns itens apresentados no I curso
devido a renovação no quadro de servidores da biblioteca. Sendo assim foram ministrados
conteúdos, como: Introdução a Biblioteconomia - 8 horas; Auxiliares de biblioteca - 8
horas; Administração de biblioteca - 8 horas;

Sistema Pergamum - 8 horas; e Relações

interpessoais no ambiente da biblioteca: noções básicas - 8 horas
No entanto, com a expansão da Rede Federal de Educação, Ciência e Tecnologia,
consequentemente do IF Sertão-PE, houve a necessidade de ampliação das ações para todas as
Bibliotecas que compõem o Instituto, incluindo-se assim os Campi de Petrolina, Floresta,
Salgueiro, Ouricuri e Reitoria. E foi através do I e II Encontro de bibliotecas do IF Sertão-PE ,
nos anos de 2012 e 2013.
O Encontro de Bibliotecas do IF Sertão-PE, tem caráter itinerante ocorrendo a cada
ano em um campus diferente para dar possibilidade dos colegas conhecerem o campus e
sucessivamente o ambiente de trabalho e cotidiano dos outros.
O I Encontro de Bibliotecários e auxiliares de bibliotecas do IF Sertão-PE aconteceu
na cidade de Petrolina e teve como pretensão unir os atores que trabalham no ambiente da
biblioteca. O evento surgiu da necessidade de maior integração entre Bibliotecários com seus
Auxiliares e deles como os demais campi, além da elucidação sobre o real papel de cada ator,
suas atribuições e o panorama das bibliotecas do IF Sertão-PE dentro do universo
educacional, além da educação continuada de ambos.

583

�Este evento teve como objetivo primordial, discutir as práticas desenvolvidas no
ambiente das Bibliotecas do Instituto Federal do Sertão Pernambucano. Para tanto as
discussões também foram pautadas nos seguintes objetivos:
•

Transmitir os conceitos básicos e as práticas e padrões nacionais e internacionais na

área de Biblioteconomia e Documentação;
•

Expor as atribuições inerentes aos Bibliotecários e Auxiliares;

•

Apresentar o panorama dos serviços e produtos das bibliotecas;

•

Discutir o papel da biblioteca no processo de ensino aprendizagem da comunidade a

que se destina;
•

Consolidar rede para troca de informações e experiências;

Durante o I Encontro foram desenvolvidas algumas atividades como: palestras, mesa
redonda, visitas técnicas e dinâmicas, onde foram tratados temas como: Conhecendo a
Biblioteca: noções básicas;
Sertão Pernambucano;

Atividades da biblioteca; Bibliotecas do Instituto Federal do

Profissional Bibliotecário; Auxiliares de biblioteca;

e Relações

interpessoais no ambiente da biblioteca: noções básicas ; A visão dos auxiliares sobre as
bibliotecas do IF Sertão-PE ; Noções de conservação e preservação do acervo; Sistema
Pergamum; e Atendimento ao usuário.
Vale ressaltar que todas as palestras eram ministradas pelas Bibliotecárias quem
compunham o quadro de recursos humanos na época do evento.
Já o II Encontro teve durante dois dias, no Campus Floresta, as seguintes temáticas sendo
discutidas: o papel das bibliotecas na rede federal de educação tecnológica; conhecendo a
biblioteca; marketing de bibliotecas. Neste evento ainda houve a possibilidade de traçar um
debate cujo tema foi “A biblioteca que queremos”, indicando assim os anseios de cada
participante pelas mudanças necessárias em cada biblioteca que compõe o Instituto.
Deve-se destacar que de forma inovadora, neste evento houve a abertura de um espaço
no qual o auxiliar de biblioteca teve a oportunidade de apresentar trabalhos e experiências
vividas nas suas respectivas bibliotecas. Essa experiência foi muito interessante pela
possibilidade de troca de conhecimentos entre as equipes de biblioteca e pela oportunidade do
auxiliar “ter voz” mostrando sua opinião e indicando sugestões de melhoria para os problemas
enfrentados pelas bibliotecas do Instituto.

584

�4 PERCURSO METODOLÓGICO
Neste capítulo serão apresentados os métodos utilizados para a realização da pesquisa,
na qual pretende explicitar os caminhos que nortearam o presente estudo.
Tratou-se de um estudo de caso, de natureza qualitativa, com alguns aspectos
quantitativos, no qual fez uso de método descritivo e exploratório. A finalidade descritiva
buscou delinear o objeto da pesquisa (BARROS; LEHFELD, 2007).
Como instrumento de coleta de dados foi utilizado o questionário contendo 21
questões semiabertas, distribuídas em dois blocos: I - perfil dos sujeitos e II - eventos de
capacitação. Para aplicação e tabulação dos dados foi utilizada a ferramenta Google Docs.
Esta ferramenta é um editor de documentos, planilhas, enquetes, pesquisas e apresentações do
Google que permitem criar diferentes tipos de documentos on-line, trabalhar neles em tempo
real simultaneamente com outras pessoas e armazená-los on-line no Google Drive.
O critério para a seleção do universo da pesquisa e sua amostra foi determinado
intencionalmente em virtude do conhecimento prévio da realidade do espaço estudado. Assim
sendo, o universo da pesquisa foi composto pelos servidores (auxiliares de biblioteca) que
integram o quadro de recurso humanos das bibliotecas do IF Sertão-PE, atualmente composto
por 16 auxiliares de bibliotecas e/ou assistente em administração que atuam juntamente com 6
bibliotecárias. Desse total, obteve-se 7 questionários respondidos.
Para análise dos dados, foram estabelecidas 2 categorias temáticas centrais: Perfil dos
auxiliares e Eventos de capacitação e educação continuada, as quais foram divididas em
subcategorias a fim de englobar as particularidades inerentes à cada categoria,
proporcionando maior clareza sobre o objeto investigado. O processo de análise ocorreu a
partir da correspondência entre os conteúdos contidos em cada categoria que envolvesse de
forma direta ou indireta os aspectos inerentes à educação continuada e eventos de capacitação
profissional.
É importante destacar as dificuldades de encontrar literatura a respeito da temática em
questão, visto que as informações relacionadas à formação continuada, eventos de capacitação
relacionados à área da Biblioteconomia restringe-se aos bibliotecários, sobre auxiliares ainda
é escassa. Apesar desses percalços acredita-se que a pesquisa conseguiu atingir o seu objetivo.
Assim sendo, seguem abaixo a apresentação e análise dos dados conforme descrito
acima.

585

�5 ANALISE DOS RESULTADOS
Este capítulo apresenta os dados adquiridos por meio das informações coletadas junto
aos auxiliares de biblioteca do IF Sertão - PE, com o intuito de esclarecer sobre a natureza do
objeto investigado.
A análise dos dados objetivou analisar se os eventos de capacitação oferecidos pelas
bibliotecas do IF Sertão-PE contribuíram para que os auxiliares de biblioteca desenvolvessem
competências e habilidades inerentes às atividades e serviços de biblioteca.
A leitura sistemática dos dados obtidos por meio dos questionários aplicados juntos
aos participantes levou à construção de categorias temáticas propiciando assim, o
ordenamento das informações e consequentemente, facilitando o procedimento de análise.
Desse modo, como ressaltado anteriormente, duas foram as categorias centrais
delineadas a partir das questões que envolveram a relação auxiliares de biblioteca e educação
continuada: Perfil dos auxiliares e Eventos de capacitação e educação continuada.
O delineamento da categoria Perfil dos auxiliares de biblioteca decorreu da
compreensão de que o perfil desse profissional contribui para o desenvolvimento de
atividades essenciais à práxis nesse ambiente. Vale salientar que é por meio das experiências
vivenciadas em biblioteca, como também pela relação afetiva com a mesma que os serviços
inerentes a esse espaço são balizadas.
No que tange à faixa etária a maioria dos auxiliares de biblioteca têm em média de 31
a 40 anos, o que corresponde a 45,7% do total de respondentes, nesse sentido verifica-se que é
um perfil de servidores jovens no serviço público. A pesquisa demonstrou ainda que 57,1%
possuem pós-graduação e a inclusão no Instituto ocorreu por meio de concurso público. No
entanto, percebe-se que no tange a escolaridade que mesmo não sendo exigido para atuação
no cargo de auxiliar de biblioteca ou assistente em administração a formação técnica, os
respondentes afirmaram que tem nível superior (incompleto ou completo) e cinco deles tem
pós graduação, como pode ser visto no gráfico 1.
Gráfico 1: Nível de escolaridade dos respondentes

586

�Quase todos os sujeitos indicaram que iniciaram suas atividades no IF Sertão-PE a
pouco mais de três anos, tendo apenas um completado quatro anos de serviço. Tendo 56% da
amostra indicado que já havia trabalhado em outras bibliotecas antes de assumir suas
atividades neste Instituto. Vale ressaltar que entre os respondentes apenas um servidor ficou
afastado do ambiente da biblioteca durante dois anos, exercendo outras atividades.
Em razão disso buscou-se compreender a percepção dos participantes da pesquisa
sobre o assunto. Assim, foi criada a categoria Educação continuada e Eventos de
capacitação, que trata da importância da capacitação e atualização constante dos profissionais
que atuam em bibliotecas. A justificativa para essa categoria decorre do entendimento de que
as mudanças ocorridas no cenário atual podem influir diretamente no desempenho dos
serviços de biblioteca ou centros de informação. Logo, é fundamental que os agentes que
trabalham nesses ambientes estejam preparados para as exigências da sociedade contemporânea.
No que se refere aos eventos de capacitação a pesquisa buscou inquirir apenas os
eventos realizados no IF Sertão-PE , denominados Encontros de Bibliotecas. Desta forma, a
avaliação será pautada nos encontros, em sua programação e nos resultados positivos
refletidos nas atividades desenvolvidas pelos auxiliares após o mesmo.
Os dados demonstraram que os participantes da pesquisa consideraram o I Encontro
de Bibliotecas, sediado em Petrolina uma iniciativa positiva e que trouxe contribuições
consideráveis para a realização de suas atividades, assim como II Encontro de Bibliotecas,
sediada em Floresta, sendo que uma parcela importante dos respondentes (71%). Do total de
pesquisados apenas um deles não participou do I encontro.
Considerando as temáticas abordadas, 100% dos respondentes afirmaram que estas
foram relevantes para a qualidade e o bom desempenho dos serviços de biblioteca. Ressalta-se
que as temáticas apresentadas durante o evento foram escolhidas pelas bibliotecárias dos
campus por considerar pertinente discutir alguns pontos de acordo com as necessidades e
deficiências de cada unidade.
Assim sendo, a programação do primeiro encontro destacaram-se os seguintes
assuntos: Bibliotecas: atividades; Bibliotecas do IF Sertão-PE: panorama e visão dos
auxiliares; Relações interpessoais no ambiente da biblioteca; Conservação e preservação do
acervo; Sistema Pergamum. No segundo encontro foram apresentados os seguintes temas: O
papel das bibliotecas na rede federal de educação tecnológica; Biblioteca: contexto geral;
Marketing de bibliotecas e Qualidade de atendimento.A metodologia adotada nos encontros
foram palestras, mesas redondas, debates, dramatizações, dinâmicas de grupo, relatos de
experiências e visitas técnicas.

587

�Nessa perspectiva, quanto à metodologia do evento, a maioria (86%) sinalizou que
adequada para a proposta do evento. Conforme os pesquisados uns dos pontos mais positivos
dos eventos foram à troca de informações e experiências entre colegas que trabalham no
mesmo ambiente em campi distintos.
Embora, o quadro de recursos humanos das bibliotecas seja diversificado em termo de
formação profissional e tempo de serviço na instituição, o evento proporcionou interação e
troca de experiências entre os participantes sendo evidenciada por 86% dos auxiliares de
biblioteca.
Evidenciou-se ainda que ocorreu algumas mudanças no desenvolvimento do trabalho
dos respondentes após evento, tais como: mais segurança na realização das atividades;
trabalho mais proveitoso; as atividades estão fluindo melhor; maior clareza e aprimoramento
no desenvolvimento das atividades desenvolvidas; e esclarecimento sobre as atribuições do
bibliotecário e do auxiliar de biblioteca. Notou-se que após apontar as melhorias na realização
das atividades diárias, os respondentes apontaram a necessidade de continuidade dos eventos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
As reflexões apresentadas nesse trabalho buscaram desencadear discussões sobre a
relevância dos eventos de capacitação para os auxiliares de biblioteca na perspectiva da
atuação no âmbito da biblioteca dos IF Sertão -PE.
Conclui-se que os eventos propostos pelo IF Sertão- PE oportunizaram as equipes das
bibliotecas esclarecimentos sobre as atribuições dos bibliotecários e dos auxiliares de
biblioteca, assim como o aperfeiçoamento na realização de suas atividades. Verificou-se ainda
a importância de as Instituições de Educação, Ciência e Tecnologia promover eventos de
capacitação para qualificar seus técnicos administrativos, em particular os servidores das
bibliotecas, por considerar que este é um espaço formação e informação. Dito isto, acredita-se
que o evento realizado no instituto conseguiu alcançar o seu objetivo que foi de esclarecer o
que é biblioteca, seus serviços e produtos entre outros.
Espera-se que essa pesquisa possa contribuir e ser exemplo para os bibliotecários e as
bibliotecas do IFs no que tange à promoção de eventos de capacitação para os profissionais
das bibliotecas assim como para a melhoria dos serviços desse ambiente informacional.
Almeja-se que os resultados aqui apresentados sejam um passo a frente para que a
comunidade acadêmica a qual as bibliotecas estão inseridas, assim como os profissionais que

588

�atuam na mesma e ainda a sociedade compreendam esse espaço como uma ferramenta
importante no processo de ensino e aprendizagem no contexto da educação formal.

REFERENCIAS
ALVES, Roberta Caroline Vesú. A gestão de pessoas em unidades de informação: a
importância da capacitação no uso de tecnologias. Rev. de Iniciação cientifica da FFC, v. 4,
n.2, 2004.
BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de
metodologia científica. 3.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 158 p.
BRASIL. Decreto n.5.707, de 23 de fevereiro de 2006. Institui a política e as diretrizes para o
desenvolvimento de pessoal da administração pública federal direta, autárquica e fundacional,
e regulamenta dispositivos da Lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Legislação.Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5707.htm. Acesso
em: 05 jan 2014.
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos: o capital humano das organizações. 9 ed.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
CUNHA, Murilo Bastos da. O desenvolvimento profissional e a educação continuada.
Revista de Biblioteconomia de Brasilia, Brasília, v. 12, n. 2, p. 145-156, jul./dcz. 1984.
INSTITUTO FEDERAL DO SERTÃO PERNAMBUCANO. Plano de desenvolvimento
Institucional: 2009-2013. Petrolina: IF Sertão-PE, 2009.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia
científica. 7.ed. São Paulo: Atlas, 2010. 297 p.
___________. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e
técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação dos dados. 7.ed. São Paulo: Atlas,
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OBSERVATÓRIO INSTITUCIONAL DO IF SERTÃO-PE . Disponível em: &lt;http://
www.ifsertao-pe.edu.br/reitoria/images/observatorio/observatorio/quadro%20geral%20%20observatorio.pdf&gt;. Acesso em: 31 mar. 2014.
PETROLINA. Portaria normativa n.1, de 27 de março de 2012. Regulamenta as normas e
procedimentos para capacitação dos servidores do IF Sertão-PE em eventos de capacitação.
Portarias do IF Sertão-PE. Petrolina, 2012.

589

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O estudo objetivou analisar se os eventos de capacitação oferecidos pelas bibliotecas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão - PE) contribuíram para que os auxiliares de biblioteca desenvolvessem competências e habilidades inerentes às atividades e serviços de biblioteca. A realização da pesquisa foi motivada por considerar que o cenário atual exige profissionais que tenham uma formação qualificada a qual englobe conhecimentos gerais e específicos para atender às demandas advindas de uma sociedade considerada da informação e do conhecimento estimuladas pelas novas tecnologias da informação e comunicação (TIC). Tratou-se de um estudo de caso, de natureza qualitativa, com alguns aspectos quantitativos, no qual fez uso de método descritivo e exploratório. Do universo em estudo, participaram 17 auxiliares de biblioteca dos cinco campi do instituto. O instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário com questões semi-abertas e informações constantes em fontes documentais. Para analisar os dados foram criadas categorias temáticas com o intuito de facilitar a interpretação e as discussões dos resultados. Os resultados evidenciaram que os eventos de capacitação desenvolvidos pelas bibliotecas do IF Sertão-PE teve efeitos positivos tanto em relação à formação continuada e troca de experiências quanto em relação ao desenvolvimento das atividades pelos auxiliares. Diante do apresentado conclui-se que todos os eventos propostos pelas bibliotecas do IF Sertão- PE oportunizaram as suas equipes esclarecimentos sobre as atribuições dos bibliotecários e do auxiliares de biblioteca, assim como o aperfeiçoamento na realização de suas atividades</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍTICA DE AQUISIÇÃO, EXPANSÃO E
ATUALIZAÇÃO DO ACERVO DA BIBLIOTECA SETORIAL DA UNIDADE
ACADÊMICA DE SERRA TALHADA
Williana Carla Silva Alves

RESUMO
Estabelecer diretrizes para definição de uma política de aquisição, expansão e atualização do
acervo da Biblioteca Setorial da UAST é o escopo desse trabalho. As atividades aconteceram
do estudo das necessidades da comunidade, a pesquisa foi realizada a partir das rotinas da
biblioteca, cujo objetivo foi conhecer as necessidades informacionais dos usuários, para então
definir uma política que atenda os reais interesses dessa Unidade de Informação. Diante disso,
foram definidos critérios para um desenvolvimento racional da coleção. Consideraram-se
ainda elementos apontados nas reuniões com a Coordenação Geral de Cursos (COGER),
utilizaram-se ainda relatórios de circulação (títulos mais emprestados e mais reservados), bem
como o Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Por fim, analisaram-se todos os dados
levantados e compilados para então assinalar os critérios necessários para a construção da
política. Apresenta-se uma fundamentação teórica da universidade brasileira e expõe-se a
biblioteca como parte desse universo. Ao ingressar-se na temática da biblioteca, pauta-se na
formação da coleção, expondo-se um relato de experiência da instituição. As conclusões dessa
pesquisa apresentam duas sugestões: primeiro, a implantação de uma Comissão de Aquisição
de Acervo, formada por bibliotecários e Coordenadores de Cursos; segundo a inclusão de um
módulo sobre aquisição no Curso de Atualização Didático Pedagógica dos docentes em
estágio probatório.
Palavras-chave: Desenvolvimento de coleções. Planejamento bibliográfico. Aquisição biblioteca.

ABSTRACT
The scope of this work is to establish guidelines for defining a policy of acquisition,
expansion and updating of UAST’s Sectoral Library archives. This work’s activities took
place in the cotext of the study of community needs, the research being conducted on the
librar’sy day-to-day activities, aiming to better understand users’ information needs, so that a
policy that meets the real interests can be defined. Given these goals, criteria for a rational
collection development were defined. Elements brought up in meetings with the Coordenação
Geral de Cursos (COGER) were also taken into account, as well as reports on most lent and
requested items, and the Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Finally, the data were compiled
and analyzed in order to inform the policy design. We present a theoretical foundation of the
Brazilian university and place the library within this universe. When elaborating on the latter,
particular attention is given to collection development, including an account of the
institution’s experience. The findings of this research point to two suggestions: first, the

911

�establishment of a commission for Archive Acquisition, composed of librarians and course
coordinators; second, to add a module on acquisition to the Curso de Atualização Didático
Pedagógica for teachers on probation period.
Keywords: Collection Development. Bibliographic planning. Acquisition - library.

1 Introdução
O termo desenvolvimento de coleções, de acordo com a literatura é uma expressão
relativamente recente, quando se percebeu não ser racional adquirir exemplares de todos os
títulos produzidos no mercado editorial. As bibliotecas passam, então, a refletirem as
necessidades informacionais específicas das instituições e de seus usuários internos e
externos.
Fica clara então a necessidade de selecionar as fontes de informação antes de
incorporá-las ao acervo. Seja a modalidade de aquisição - compra, doação ou permuta é
necessário haver uma seleção criteriosa. Independente da tipologia da biblioteca esses
critérios são primordiais na hora de incluir um novo item no acervo. No caso da Biblioteca
Setorial da UAST (BS - UAST) por ser uma biblioteca universitária, deve se especializar nas
áreas de conhecimentos dos cursos que atende.
Assim, diante da inquietação pela busca de uma coleção compatível com as
necessidades da comunidade, desenvolveu-se esse trabalho. Enxergamos a obrigação de
construir de uma política de aquisição, expansão e atualização do acervo. Para tanto,
analisamos a Biblioteca enquanto parte da Universidade, consideramos o acervo que temos e
acervo que precisamos. A partir disso, a biblioteca firmou parceria com a Coordenação Geral
de Cursos, para então construir instrumentos que contribuem e facilitam o processo de
construção da política.

2 Biblioteca Universitária - o desafio de desenvolver a coleção com eficiência
Para compreender esse desfio é preciso entender a Universidade, e como a biblioteca
está inserida, enquanto parte desse universo.
Klaes(1991, p.19) nos faz refletir sobre essa relação universidade-biblioteca:
Decorrente de sua condição de organização sem autonomia, vinculada à
universidade, os objetivos da biblioteca universitária emerge de seu propósito amplo
de promover a infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional como
suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade, para suprir as
necessidades de informação de seus usuários. Assim, os objetivos da biblioteca
universitária devem estar vinculados à função da universidade, devendo possuir,
ainda um caráter educativo, informacional, social, econômico, político e
recreacional.

912

�Miranda ([20-?], p. 01) faz uma analise que fundamentam essa relação:
A Universidade Brasileira vive um momento dramático de transição
provocado pela renovação de nossa sociedade, pela busca de novos valores e
de soluções para os grandes problemas nacionais. Informação é matéria
prima indispensável nesse processo de renovação. A Biblioteca Universitária
necessita acompanhar este processo de renovação, capacitando-se para
contribuir decisoriamente nas tarefas de ensino, pesquisa e extensão. Ela
deve constituir-se na base e centro deste grande debate e busca de
informação e idéias ou como ainda acontece em muitos casos, contentar-se
com a tarefa menor de ser apenas um banco de livros de texto ou um salão
de leitura e estudos opcionais.

Diante dessa conjuntura Vergueiro (1993, p.19) define com muita propriedade as
características da coleção de uma biblioteca universitária, segundo o autor esse tipo de
biblioteca:
[...] devem atender aos objetivos da universidade, a saber, o ensino, a
pesquisa e a extensão de serviços à comunidade. Isto vai exigir, quase que
necessariamente, uma coleção com forte tendência ao crescimento, pois
atividades de pesquisa exigem uma variada gama de materiais de informação
que possibilitem ao pesquisador ter acesso a todos os pontos de vista
importantes ou necessários para sua pesquisa.

Sendo assim, a responsabilidade pela aquisição deve ser voltada para pessoas
especializadas (bibliotecários) ou ainda pessoas que tenha experiência na área (técnico ou
pesquisador). Uma aquisição eficiente envolve: contato permanente com o acervo e o
conhecimento das necessidades informacionais dos usuários (ANDRADE; VERGUEIRO,
1996).
“As bibliotecas universitárias possuem a missão de prover a infra-estrutura
bibliográfica, documentária e informacional para apoiar as atividades da Universidade,
centrando seus objetivos nas necessidades de informação do indivíduo, membro da
comunidade universitária”. Tarapanoff, 1981 (apud RUSSO, 2003, p. 1).
Portanto, desenvolver coleções na atualidade requer do responsável pela seleção,
habilidades e conhecimento, para analisar as mudanças dentro da área elegida, sabendo o que
deve ser adquirido e divulgar estas novas aquisições aos seus usuários de forma clara e
objetiva. Pois de nada adianta incorporar novos documentos se estes, não estão dentro das
necessidades da comunidade a ser atendida.
Vergueiro (1989) afirma que cada profissional deverá avaliar com muito cuidado a
objetividade, credibilidade e veracidade das informações veiculadas nas fontes de seleção que

913

�pretende utilizar, de modo a ficar plenamente confiante sobre o benefício que delas poderá
receber.

3 Materiais e Métodos
Considerando-se o critério de classificação de pesquisa, quanto aos fins e quantos aos
meios, tem-se: a) quanto aos fins, a pesquisa é descritiva a partir da coleta de dados na
Biblioteca Setorial da Unidade Acadêmica de Serra Talhada; b) quanto aos meios, a pesquisa
é bibliográfica e um estudo de caso. Bibliográfica, em função das investigações em livros,
artigos científicos, teses e dissertações. Assim, foram apresentados conceitos e características
do desenvolvimento de coleções, no contexto das bibliotecas universitárias. E um estudo de
caso, um método qualitativo, onde se apresenta a experiência vivida tendo em vista a
aproximação da prática e teoria.

4 Resultados Parciais/Finais
O resultado do planejamento da política foi uma parceria da Biblioteca com
Coordenação Geral de Cursos (COGER). Essa parceria surgiu da preocupação com as
avaliações dos Cursos de Graduação pelo Ministério da Educação (MEC). Começamos então
a planejar a visita in loco, os dois setores se reuniram e estabeleceram algumas medidas a fim
de adequar o acervo as exigências das comissões de avaliação especialmente no que diz
respeito ao indicador 5.11 - Biblioteca: plano de atualização do acervo do instrumento de
avaliação institucional externa. Foi a partir desse indicador que tudo começou.
1° passo foi da biblioteca - fazer um levantamento bibliográfico no sistema da
biblioteca em escala local, ou seja, gerou-se um relatório a partir de todas as áreas do
conhecimento contempladas pelo acervo.
2° passo - de posse do relatório geral do acervo, a biblioteca divulgou junto aos
coordenadores de curso, nessa etapa a contribuição da COGER foi imprescindível. Pois foi
nessa etapa que conseguimos dá início ao projeto. Diante desse documento os coordenadores
do curso assumiram o compromisso de juntamente com os docentes do curso e reformulam o
Projeto Pedagógico do Curso (PPC) considerando os itens existentes no acervo.
O PPC apresenta parâmetros para a ação educativa, estabelecendo, ao lado do Projeto
Pedagógico Institucional (PPI), a gestão acadêmica, pedagógica e administrativa de cada
curso. Assim como a política de aquisição o PPC deve está em permanente construção, sendo
elaborado, reelaborado e avaliado.

914

�3° passo - reformulados os PPCs, a COGER encaminhou para a Biblioteca o resultado
dos novos PPCs, de posse desse documento a biblioteca elaborou um 2° documento que
denominou “Ementário dos cursos de graduação”. Esse instrumento serviu para saber quais
os pontos fortes e fracos da coleção. Foi possível analisar as bibliografias básicas e
complementares de cada disciplina dos respectivos cursos.

Estrutura do Ementário
CURSO

Química

PERIODO

1° Periodo

DISCÍPLINA

Matemática

Obrigatória (X)

Optativa ( )

Bibliografia Básica

Tem no acervo?

BOULOS, P.; OLIVEIRA, I. C. G eom etria analítica : um
tratamento vetorial. 3a edição. São Paulo: Pearson
Education do Brasil, 2005.

( ) Não ( x ) Sim ( 7
exemplares

GUIDORIZZI, H. L. Um Curso de C álculo . 5a edição.
Rio de Janeiro: LTC, 2002. v.1

( ) Não ( x ) Sim ( 1 ^ ed. 2001
e 20 ^ ed. 2008 ) quant.
exemplares

REIS, G. L.; SILVA, V. V. G eom etria analítica . 2. ed.
Rio de Janeiro: LTC, 2007.

( ) Não ( x ) Sim (15 ) quant.
exemplares

Bibliografia Com plem entar

Tem no acervo?

ÁVILA, G. Cálculo das funções de um a variável . 7. ed.
Rio de Janeiro: LTC, 2004.

( ) Não ( x ) Sim (
exemplares

LEITHOLD, L. O Cálculo com G eom etria A n alítica . 3.
ed. São Paulo: Harbra, 1994. 1 v.

( ) Não ( x ) Sim ( 36 ) quant.
exemplares

MUNEM, M. A; FOULIS, D. J. C álculo . Rio de Janeiro:
Guanabara Dois: LTC, 1982. 1 v.

( ) Não ( x ) Sim ( 14 ^ ed.
1982 e 5 ^ ed. 1983 ) quant.
exemplares

) quant.

1 1 ) quant.

STEINBRUCH, A.; WINTERLE, P. G eom etria analitica . ( ) Não ( x ) Sim ( 2 ) quant.
exemplares
2.ed. São Paulo, SP: Pearson Education do Brasil, 2006.
STEWART, J. C álculo . São Paulo, SP: Cengage Learning,
2010. 2v.

( ) Não ( x ) Sim ( 28 ) quant.
exemplares

Fonte: Elaborado pelo autor

915

�4° passo - foi a inclusão de mais um critério de seleção. A biblioteca com o ementário
de todos os cursos de graduação concluído. É chegada a hora de avaliar esse instrumento. A
análise foi feita considerando a quantidade de exemplares de cada título. Quantos alunos têm
matriculado em cada disciplina. Aqueles itens em número insuficiente passam a ser prioridade
nas próximas listas de aquisição.

5 Considerações Finais
Ao ser apresentada as considerações finais desse estudo, é importante esclarecer que
não temos a pretensão de esgotar o tema, mas sim apontar o sentido de novos estudos e
questionamentos. Através deste trabalho, a perspectiva foi de apresentar um relato de
experiência. Pensamos que a Política de Desenvolvimento do Acervo deve ser flexível e
atualizada, de forma a facilitar as decisões e justificar a incorporação ou não de determinados
materiais. Deve-se orientar nas decisões de planejamento, orçamento, seleção e aquisição de
materiais informacionais, possibilitando dar à coleção um perfil compatível com a natureza e
abrangência exigida pelas atividades de ensino, pesquisa e, por que não dizer, extensão, além
de expressar a relação do desenvolvimento do acervo com os objetivos da universidade.
Sendo assim, a biblioteca deverá proceder à avaliação do seu acervo sempre que for
necessário, sendo empregados métodos quantitativos e qualitativos a fim de assegurar o
alcance dos objetivos da mesma. Sugerimos que a cada 4 (quatro) anos a política deverá ser
revisada e, se necessário, atualizada com a finalidade de garantir sua adequação à comunidade
acadêmica, aos objetivos da biblioteca e aos da própria instituição; o processo deve ser
dinâmico, sempre que necessário, admitir adequações e alterações.
Contudo, as conclusões desse estudo apresentam-se duas sugestões - a implantação de
uma Comissão de Aquisição de Acervo da biblioteca. Onde seria formada: pelos
bibliotecários da unidade e os Coordenadores de Cursos. Porém antes desse plano há
iniciativas que podem contribuir para o desenvolvimento da coleção. Orientação para
coordenadores e professores quanto à utilização e atualização do acervo é uma iniciativa que
pode aprimorar a aquisição da biblioteca. Outra sugestão é - incluir um módulo sobre
Aquisição no Curso de Atualização Didático Pedagógica. O curso apresenta temáticas sobre a
organização da UFRPE e trâmites administrativos do trabalho docente, essa capacitação de
professores é uma oportunidade de viabilizar a interação e cooperação entre professores e
bibliotecários no sentido de consolidar a política de aquisição.

916

�6 Referências
ANDRADE, Diva; VERGUEIRO, Waldomiro. Aquisição de materiais de informação.
Brasília: Brinquet de Lemos, 1996.
BRASIL. Ministério da Educação. Avaliação institucional externa: subsidia o ato de
credenciamento e recredenciamento institucional e transformação de organização acadêmica
(presencial). Brasília: INEP, 2012. Disponível em:
&lt;http://download.inep.gov.br/download/superior/institucional/2013/
nstrumento Institucional 2013.pdf &gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
MIRANDA, Antonio. Biblioteca universitária no Brasil: reflexões sobre a problemática.
Disponível em:
&lt;http://www.antoniomiranda.com.br/ciencia informacao/BIBLIOTECA UNIVERSITARIA
.pdf&gt;. Acesso em: 05 fev. 2014.
SILVA, Rodrigo. Material bibliográfico como bem permanente ou bem de consumo?. [
2013]. Disponível em: &lt; http://habiblioteconomia.blogspot.com.br/2011/08/materialbibliografico-como-bem.html&gt;. Acesso em: 10 fev. 2014.
TARAPANOFF, K. Perfil do profissional da informação no Brasil. Brasília: IEL, 1997.
VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Desenvolvimento de coleções: uma nova visão
para o planejamento de recursos informacionais. Ciência da Informação, Brasília. v. 22, n.1,
p. 13-21. jan./abr. 1993.
VERGUEIRO, W. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis, 1989.

917

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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>Estabelecer diretrizes para definição de uma política de aquisição, expansão e atualização do acervo da Biblioteca Setorial da UAST é o escopo desse trabalho. As atividades aconteceram do estudo das necessidades da comunidade, a pesquisa foi realizada a partir das rotinas da iblioteca, cujo objetivo foi conhecer as necessidades informacionais dos usuários, para então definir uma política que atenda os reais interesses dessa Unidade de Informação. Diante disso, foram definidos critérios para um desenvolvimento racional da coleção. Consideraram-se ainda elementos apontados nas reuniões com a Coordenação Geral de Cursos (COGER), utilizaram-se ainda relatórios de circulação (títulos mais emprestados e mais reservados), bem como o Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Por fim, analisaram-se todos os dados levantados e compilados para então assinalar os critérios necessários para a construção da política. Apresenta-se uma fundamentação teórica da universidade brasileira e expõe-se a biblioteca como parte desse universo. Ao ingressar-se na temática da biblioteca, pauta-se na formação da coleção, expondo-se um relato de experiência da instituição. As conclusões dessa pesquisa apresentam duas sugestões: primeiro, a implantação de uma Comissão de Aquisição de Acervo, formada por bibliotecários e Coordenadores de Cursos, segundo a inclusão de um módulo sobre aquisição no Curso de Atualização Didático Pedagógica dos docentes em estágio probatório.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NOVAS POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO PARA O BIBLIOTECÁRIO
UNIVERSITÁRIO NO SÉCULO XXI

Cláudia Regina dos Anjos
Ana Paula da Cruz Calixto
Robson Dias Martins,
Elisete de Sousa Melo
RESUMO
O Movimento de Acesso Livre às informações que permite o acesso ao conteúdo de
documentos, principalmente, de pesquisas em formato digital provocou uma mudança no
fluxo das informações em nossa sociedade. Essa transformação possibilitou uma ampliação da
visibilidade da informação científica gerando novas formas, processos e ferramentas
tecnológicas de trabalho. O propósito deste estudo foi apresentar novas formas de atuação
por parte dos bibliotecários oriundas dessa mudança no fluxo. Buscaram-se na literatura
brasileira novas formas de atuação dos profissionais da informação e verificou-se que o EScience, os Repositórios institucionais e Editoração eletrônica de periódicos científicos se
apresentam como tendências mercadológicas. Contudo, observou-se que a literatura nacional
referente ao E-science é muito reduzida e que profissionais de outras áreas, principalmente,
professores tem atuado nesse campo. Por fim, constatou-se que o trabalho multidisciplinar e
colaborativo é fundamental para o cumprimento dessas novas tarefas nas quais a habilidade
de interação e a disponibilidade em obter novos conhecimentos se tornam essenciais para os
profissionais e as inovações tecnológicas colaboram para o enriquecimento profissional.

Palavras-chave: Bibliotecários; Bibliotecários especializados; Inovações tecnológicas;
Repositórios Institucionais (RI); Editoração eletrônica.
ABSTRACT
The information it provides access to the contents of documents, especially research in digital
format Open Access Movement caused a change in the flow o f information in our society.
This transformation has enabled an expansion of the visibility of the scientific information
generating new forms, processes and technology tools work. The purpose of this study was to
present new ways of acting on the part of librarians arising from this change in the flow.
Brazilian literature nicer new ways of acting information professionals and found that the EScience, institutional repositories and electronic publishing of scientific journals present
themselves as market trends. However, we observed that the national literature on E-science
is very limited and professionals in other fields, mainly teachers has acted in this field.
Finally, we found that the multidisciplinary and collaborative work is essential to meet these
new tasks where the ability to interact and availability to obtain new knowledge becomes
important for practitioners and technological innovations collaborate for the advancement of
the profession.
Keywords: Librarians; Specialized librarians; Technological innovations; Institutional
Repositories (IR); Desktop publishing..

403

�INTRODUÇÃO
A evolução das bibliotecas mostra que, ao longo da história da humanidade, sempre
houve transformações nos suporte de registro do conhecimento e que em sua trajetória elas
sempre contribuíram para o desenvolvimento do conhecimento e para o progresso humano.
Milanesi (1993) relata que, das placas de argila da Antiguidade passando pelos rolos de
pergaminho da Idade Média, até os livros em papel e eletrônicos da atualidade, houve várias
mudanças na forma de pensar sobre o uso da biblioteca.
Martins (1996) relembra que, na Idade Média, a biblioteca era basicamente secreta,
acessível a uma pequena minoria religiosa conhecida como "verdadeiros tesouros", "locais
sagrados", depósitos de coleção de livros.
Martins (1996, p. 323) mostra que o advento da tipografia, na Renascença, começou a
levar o conhecimento a público. O aparecimento do livro começou a ter um sentido social e
perpetuou a biblioteca na sociedade.

[...] a biblioteca passa a gozar, nos tempos modernos, do estatuto de
instituição leiga e civil, pública e aberta, tendo o seu fim em si mesma e
respondendo necessidades inteiramente novas [...]
Mas, hoje quais seriam as necessidades da biblioteca? Atualmente a biblioteca não deve
ser vista como uma coleção de livros e outros documentos devidamente classificados e
catalogados, pois a ideia de biblioteca como depósito ou coleção de livros já está ultrapassada
(PRADO, 1992).

O momento é de transição tanto para a biblioteca quanto para o profissional
bibliotecário, o ambiente tradicional cede espaço para um local prazeroso para o usuário, onde
ele possa encontrar informação, conhecimento, integração e acessibilidade. A biblioteca de
hoje não tem fronteiras. Quanto ao profissional, este deve estar aberto às novas formas de
trabalhar junto aos usuários internos da sua instituição , oferecendo produtos e serviços à
comunidade externa da sua organização.
Deste modo, as bibliotecas vêm se adaptando ao processo de transformação imposto
pelas novas tecnologias, afastando a ideia de depósito estático como na Idade Média onde
poucos tinham acesso, permitindo que o usuário acesse catálogos de bibliotecas virtuais,
através da Internet, bases de dados online etc.

404

�[...] As bibliotecas por sua vez, deverão estar preparadas para mudanças,
redimensionando seus espaços, trabalhos, serviços e produtos,
acompanhando a evolução tecnológica disponível, principalmente voltada
para um usuário (cliente) cada vez mais conhecedor de tecnologias de
comunicação de dados (VICENTINI, 1997 apud SANTOS; PASSOS, 2000,
p. 16).
No contexto universitário, a biblioteca assume papel de destaque no suporte à pesquisa.
Pois, além de atuar como espaço de inter-relacionamento da comunidade acadêmica em todos
os níveis - dos alunos e professores aos técnicos e dirigentes das diversas unidades - também
estabelece relações que vão do apoio ao ensino à disseminação da produção científica.
unha (2010) alerta que as bibliotecas estão deixando de ser a principal fonte de busca
dentro do mundo acadêmico. Para ele, o impacto da Internet fez com que as bibliotecas
perdessem a supremacia na realização deste papel fundamental.
Se por um lado, a Internet fez com que as bibliotecas perdessem sua supremacia no que
tange a ser o único repositório de informações para os pesquisadores, já que o livro e o
periódico físico deixaram de ser os principais suportes para transportar ideias, por outro lado,
graças a ela outras oportunidades de trabalho se abrem no mundo acadêmico para os
bibliotecários.

[...] Leite (2009, p. 99) afirma que “bibliotecários tomam-se
imprescindíveis mediadores entre informação científica e seus leitores,
atendendo as expectativas de quem a produz e de que a utiliza” [...]
(VIEIRA; SILVA, 2012, p. 89).
Para Targino (2010) a biblioteca do século XXI é caracterizada por disponibilizar
informações de qualquer parte do mundo por meio das redes eletrônicas de informação, com
ênfase na Internet.
Os cientistas e pesquisadores ao longo dos anos sempre registraram e partilharam com a
sociedade suas descobertas através da comunicação científica. No entanto, o advento da
Internet tem modificado o modo de fazer, de registrar e de difundir a ciência.
Um ícone da forma de pensar e comunicar a ciência do século XXI é o Open Access
Movement (Movimento do Acesso Aberto), movimento que defende o acesso aberto a artigos
de pesquisas principalmente através de meios digitais. Esse acesso deve ser feito sem
restrições, online, livre de qualquer cobrança de taxa ou necessidade de assinatura ou
pagamento de licenças. Permitindo que qualquer um possa: pesquisar, consultar, imprimir,
copiar e disseminar texto integral de artigos e outras fontes de informação científica. Esse
movimento teve início com a Declaração de Budapeste, um dos primeiros manifestos de apoio

405

�ao Open Archives, foi uma iniciativa a nível mundial nomeada Budapeste, porque o Open
Society Institute (OSI) está sediado lá.
Leite (2009, p.17) diz que “A Budapest Open Acess Initiative, em 2001, recomendou
duas estratégias complementares para que de fato a literatura científica esteja disponível e
acessível” que são o uso das vias dourada e verde. O autor completa que as duas formas
principais de publicação de artigos acadêmicos: a Via Verde - que trata da criação de
Repositórios Institucionais (RI) para a organização e disseminação da produção científica das
instituições de pesquisa, compreende o auto-arquivamento de manuscritos em repositórios
institucionais em acesso aberto e a Via Dourada - que diz respeito à produção e ampla
disseminação de periódicos eletrônicos de acesso aberto na rede. Kuramoto (2009) informa
que Stevan Harnad, foi o criador da terminologia das duas vias. Na concepção de seu mentor,
a via verde é o local onde estão localizados os Repositórios Institucionais que possibilitam
que as “instituições de pesquisa pensem na importância do estabelecimento de políticas de
informação institucionais que trazem benefícios à gerência da produção científica” isso
provoca maior acesso à informação científica (KURAMOTO, 2009). Já, na via dourada, há
uma potencialização da comunicação científica quando da publicação dos artigos de pesquisa
em periódicos de acesso aberto. Afinal, essa ampliação possibilita um aumento do diálogo
com seus pares. Além disso, as barreiras econômicas desaparecem, existindo uma fluxo direto
de comunicação que representa avanços científicos.
Albagli, Appel e Maciel (2013, p. 15) informam que os seguidores da ciência aberta
defendem que a ampla disseminação das informações e conhecimentos estimula o aumento
dos depósitos de conhecimento, garante as taxas de retornos sociais dos investimentos em
ciência e tecnologia, como também a ampliação dos índices gerais de produtividade científica
e de inovação.
Ambos os movimentos acreditam na premissa que publicar torna-se uma opção cada vez
mais real e traz inúmeras vantagens para o mundo da pesquisa científica, visam ao acesso sem
barreiras à informação científica e proporcionam visibilidade à pesquisa científica do Século
XXI.
O Movimento do Acesso Aberto vem ocasionando um dilúvio informacional que está
provocando mudanças no comportamento profissional do bibliotecário, fazendo com que ele
atue como coprodutor do conhecimento científico. Aqui será abordada a participação do
bibliotecário em 3 (três) novas práticas essenciais para o fortalecimento da ciência aberta: escience, repositórios e editoração de periódicos científicos.

406

�E-Science
Albagli, Appel e Maciel (2013) contam que o termo e-Science foi introduzido por John
Taylor em 2001 e é usado para designar a ciência desenvolvida por meio de colaborações
globalmente distribuídas viabilizadas pela Internet.
A e-Science ou Cyberscience, no Brasil, é também chamada de e-Ciência, e-Pesquisa,
refere-se à coleção de ferramentas e tecnologias necessárias para apoiar a pesquisa científica
do século atual.
Podemos dizer que a e-Science baseia-se na perspectiva de compartilhar dados entre
pesquisadores/cientistas distribuídos por todo o mundo, permitindo que estes possam acessar
manipular, extrair e reusar dados científicos utilizando o acesso remoto e promovendo
cooperação, colaboração e interdisciplinaridade.
Para Cunha (2010), a e-Science poderia ser chamada de repositório de dados

científicos, já Costa (2013) esclarece que esses dados podem ser coletados por: telescópios,
satélites, sensores especializados entre outros.
Bell (2011, p. 11) observa que existe uma necessidade de tratar dessa nova informação

científica e tecnológica, que culminou com o surgimento da e-Science.
Cunha (2010) alerta que esses dados devem ser considerados como informação
científica e, portanto, precisam ser tratados de forma a viabilizar sua organização, recuperação
e difusão para auxiliar no desenvolvimento de pesquisas futuras.
O autor adverte que a tarefa da biblioteca universitária de incorporar essa nova área não
será rápida nem tranqüila e frisa e também necessitará de treinamento de recursos humanos
para assumirem as novas funções inerentes à gestão desses dados. A biblioteca universitária
terá que fazer investimentos em: segurança, preservação, acesso e controle de dados e
metadados.
Bell (2011) crê que o problema da qualidade da informação armazenada na Web pode
preservar o papel da biblioteca universitária. Segundo ele, os bibliotecários devem assegurar a
relevância e o valor dos serviços que eles e suas instituições fornecem e prevê que, mesmo
que seja alterada a natureza da biblioteca universitária e do trabalho do bibliotecário, este
profissional continuará a desempenhar um papel essencial na prestação desses serviços.

Repositórios
“Os repositórios digitais provedores de dados destinados ao gerenciamento de
informação científica” (LEITE, 2009, p.

19-20) são caracterizados por permitir o

armazenamento, a recuperação e a disseminação de documentos acadêmicos, administrativos

407

�e científicos de uma instituição, além de divulgar a informação técnico-científica. Eles podem
ser institucionais; temáticos ou disciplinares e de teses e dissertações. Podem ser cumulativos
e permanentes, abertos e interoperáveis, devem possuir texto completo em formato digital e
ter como foco a comunidade.
Segundo Leite (2009, p. 21), o repositório institucional é um “serviço de informação
científica dedicado ao gerenciamento da produção intelectual de uma instituição” . Ele busca
reunir, armazenar, organizar, preservar, recuperar e ampliar a disseminação da informação
científica produzida pela instituição.
Para a criação de Repositórios Institucionais são necessárias as seguintes de etapas:
• planejamento - definição das políticas e da estrutura do repositório;
• implantação - metadados, controle de autoridade e definição da URL do repositório;
• funcionamento -

povoamento; diretórios internacionais, métodos de estatística;

modelo de avaliação e estratégias de marketing do repositório.
O repositório do Portal do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT), na seção Repositórios Digitais, divide os repositórios em dois tipos: Repositórios
Institucionais e Repositórios Temáticos. Para o IBICT, os Repositórios Institucionais lidam
com a produção científica de uma determinada instituição, já os Repositórios Temáticos lidam
com a produção científica de uma determinada área, sem limites institucionais. O mesmo site
apresenta uma lista dos repositórios brasileiros, de acesso aberto (INSTITUTO BRASILEIRO
DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2014).
O Site Repositórios Digitais esclarece que um repositório é constituído por documentos
primários digitais nascidos originalmente em disquetes, CD-ROM, DVD, Internet, etc. ou por
documentos que foram digitalizados:

[...] possível também integrar vários suportes de registro de informação
diferentes (texto, som, imagem, etc.). Os Repositórios possibilitam o acesso
livre à informação, por exemplo, permitem ao utilizador consultar, copiar,
fazer download, distribuir, imprimir, pesquisar ou fazer referência a textos
dos documentos [...] (REPOSITÓRIOS, 2014).
O mesmo site fala que é possível encontrar, em suporte digital, produtos e serviços das
organizações nos repositórios digitais

que

possibilitam o acesso remoto através de

computadores ligados em rede e, ao mesmo tempo, permitem também a utilização simultânea
por diversos usuários.

408

�Leite (2009, p. 37) aponta que, na maioria dos países, a criação de repositórios
institucionais tem sido uma iniciativa que é realizada, em parte,

nas bibliotecas das

instituições de ensino e pesquisa e explica que isso se dá porque os processos envolvidos nas
rotinas de um repositório institucional possuem natureza muito próxima e similar aos
trabalhos desenvolvidos em ambientes digitais por bibliotecas e bibliotecários.
Vieira e Silva (2012, p. 89) observam que:

[...] “bibliotecários tomam-se imprescindíveis mediadores entre informação
científica e seus leitores, atendendo as expectativas de quem a produz e de
que a utiliza”. Ainda segundo o mesmo autor, em vários países a criação de
RIs tem sido uma iniciativa que surge nas bibliotecas das instituições de
ensino e pesquisa. Isso ocorre, porque os processos envolvidos nas rotinas
de um RI possuem natureza muito próxima e semelhante aos trabalhos
desenvolvidos em ambientes digitais por bibliotecas e bibliotecários [...]
E acrescentam que:

[...] O bibliotecário foi o grande responsável pela implementação do
repositório do CETEC. Por isso, ele planejou e executou uma série de
tarefas, desde a montagem da equipe até as questões de processamento
técnico do material disponibilizado [...] (VIEIRA; SILVA, 2012, p. 92).
Resumidamente, os repositórios institucionais permitem que os bibliotecários atuem
como mediador entre a informação científica e os pesquisadores, pois são eles que
proporcionam condições adequadas à gestão da informação científica, organizando a
informação para a recuperação

conforme os moldes dos

sistemas

de informação

convencionais.

Editoração de Periódicos Científicos
De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), uma publicação
periódica científica é:

Um dos tipos de publicações seriadas, que se apresenta sob a forma de
revista, boletim, anuário etc., editada em fascículos com designação
numérica e/ou cronológica, em intervalos pré-fixados (periodicidade), por
tempo indeterminado, com a colaboração, em geral, de diversas pessoas,
tratando de assuntos diversos, dentro de uma política editorial definida,
e que é objeto de Número Internacional Normalizado (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003, p. 2).

409

�Maimone e Tálamo (2008) sinaliza que há um aumento da participação do bibliotecário
no processo editorial das revistas científicas.

[...] Autores, editores e bibliotecários precisam desenvolver determinadas
competências que garantam a manutenção desses pilares como caminho
para alcançar os princípios defendidos pelo movimento do acesso aberto
[...] (GRANTS; BEM; ALVES, 2014, p.2).
Segundo as autoras,

as publicações eletrônicas decorrem

do desenvolvimento

de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s), que alcançaram grande avanço nas
últimas décadas, possibilitando, através de recursos eletrônicos, a disponibilização dessas
publicações.
Elas lembram que, sob o prisma da atividade editorial, tanto em termos das publicações
tradicionais, quanto das eletrônicas percebe-se o empenho em tornar as informações cada vez
mais acessíveis e “assimiláveis” (sentidas) pelos diversos públicos.
Neste

contexto, aparecem

os

profissionais

ligados

à

produção

(realização)

desses empreendimentos que percorrem um caminho extenso:

Na sua origem, a participação do bibliotecário no mercado de trabalho
acontece de forma empírica. Dizemos empírica, pois seu “posto de trabalho”
sempre estava atrelado às atividades tidas como de cunho “técnico”. Essa
percepção simplista do campo de trabalho deste profissional vem se
modificando a cada dia à medida que se incorporam atributos intelectuais às
atividades realizadas através do tratamento analítico de informações e também
pela crescente introdução de novas tecnologias no cenário informacional,
tornando necessária sua constante atualização. Assim, parece plausível que
o bibliotecário realize, ao mesmo tempo, atividades consideradas tradicionais
e atividades emergentes (MAIMONE; TÁLAMO, 2008, p. 309).
Araújo (2012) considera a biblioteca universitária um importante componente no
sistema de comunicação científica. Ela informa que o papel do bibliotecário no processo de
editoração de periódicos vai além de fazer a divulgação do portal e, por conseguinte, dos
periódicos e dar suporte aos editores e outros usuários. Ele pode ocupar também os cargos: de
gestor do portal de periódicos, de avaliador técnico das revistas, de capacitado de editores,
etc.

410

�CO NSID ERA ÇÕ ES FINAIS
Neste trabalho, foi observado que o papel do bibliotecário é fundamental no processo
de comunicação científica, principalmente na biblioteca universitária, pois um expressivo
percentual da produção científica encontra-se nas universidades.
Assim, existe espaço para o profissional bibliotecário criar serviços e produtos,
demonstrando que a sua atuação é essencial na produção científica. Ele é um canal de
disseminação da informação e, como tal, deve assegurar seu papel como coprodutor de
conhecimento científico na sociedade da informação, já que gerencia a informação e melhora
a comunicação.

R EFER ÊN C IA S

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413

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Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Anjos, Cláudia Regina dos, Calixto, Ana Paula da Cruz, Martins, Robson Dias, Melo, Elisete de Sousa</text>
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                <text>O Movimento de Acesso Livre às informações que permite o acesso ao conteúdo de documentos, principalmente, de pesquisas em formato digital provocou uma mudança no fluxo das informações em nossa sociedade. Essa transformação possibilitou uma ampliação da visibilidade da informação científica gerando novas formas, processos e ferramentas tecnológicas de trabalho. O propósito deste estudo foi apresentar novas formas de atuação por parte dos bibliotecários oriundas dessa mudança no fluxo. Buscaram-se na literatura brasileira novas formas de atuação dos profissionais da informação e verificou-se que o EScience, os Repositórios institucionais e Editoração eletrônica de periódicos científicos se apresentam como tendências mercadológicas. Contudo, observou-se que a literatura nacional referente ao E-science é muito reduzida e que profissionais de outras áreas, principalmente, professores tem atuado nesse campo. Por fim, constatou-se que o trabalho multidisciplinar e colaborativo é fundamental para o cumprimento dessas novas tarefas nas quais a habilidade de interação e a disponibilidade em obter novos conhecimentos se tornam essenciais para os profissionais e as inovações tecnológicas colaboram para o enriquecimento profissional. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REVISITANDO AS ORIGENS DA BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL:
história, ensino e perfil do profissional da informação.

Cláudia Regina dos Anjos
Cássia Rosania Nogueira dos Santos
Jorge Sebastião Gentil Junior
Leandro Pacheco de Melo
Maria Ione Caser da Costa
Márcia Saraiva Carvalho

RESUMO
Este trabalho apresenta uma abordagem histórica do curso de Biblioteconomia no Brasil e seu
processo de ensino, aponta as mudanças sofridas na atividade profissional do bibliotecário
brasileiro e demonstra as transformações sofridas no currículo de biblioteconomia ao longo do
tempo. Para isso, foram levantados os acontecimentos ocorridos no ambiente
biblioteconômico desde os seus primórdios no Brasil até os dias atuais.

Palavras-Chave: Biblioteconomia; História da Biblioteconomia; Ensino de Biblioteconomia;
Bibliotecário.
ABSTRACT
This historic abordagem trabalho do apresenta uma Librarianship course no Brasil e seu
processo ensino, as Mudanças sofridas aponta profissional do brasileiro na atividade
bibliotecário and as expected Show Transformações librarianship curriculum sofridas not ao
longo do tempo. To isso, foram os raised acontecimentos ocorridos librarianship from os seus
no environment no Brasil até os primórdios Atuais days.

Keywords: Librarianship; History of the Librarianship; School of Librarianship; Librarian.

1 INTRODUÇÃO
As transformações tecnológicas do século XXI têm transformado radicalmente o
ambiente biblioteconômico. As Escolas de biblioteconomia em todo país estão preocupadas
com o rumo da biblioteconomia no Brasil e com o desempenho do profissional bibliotecário.
Estamos num momento de reflexão sobre o fazer biblioteconômico.

3649

�O

presente artigo é fruto desse momento, pois foi gerado em uma disciplina do curso de

mestrado profissional em biblioteconomia com objetivo de contribuir para o debate. Da gama

de possibilidades de conduzir essa reflexão, optou-se por escolher três segmentos para serem
mencionados nesse estudo: história, ensino e perfil do profissional da informação. Uma
diretriz cronológica foi adotada para evidenciar toda revisão de literatura realizada sobre o
assunto.
2 PR ELÚ D IO DA B IB LIO T EC O N O M IA NO BRASIL
Souza (1990), Nastri (1992), Castro (2000), Almeida (2012) e Oliveira, Carvalho, Souza
(2009) sintetizam a cronologia

a seguir como ápice dos acontecimentos relevantes da

biblioteconomia brasileira, iniciada em 1582, data de aparição da primeira biblioteca
monástica no Brasil, localizada em um colégio dos jesuítas, cuja maior era a do Colégio dos
Jesuítas da Bahia, que contava com alguns milhares de livros, em sua maioria, manuscritos,
numa época em que a imprensa no Brasil era proibida até o ano de 2001, data em que foram
estabelecidas as diretrizes curriculares e as Escolas de biblioteconomia brasileiras adquiriram
mais flexibilidade e autonomia para estabelecer seus projetos pedagógicos:
1582

As primeiras bibliotecas foram organizadas pelos padres Jesuítas em seus colégios,
sendo a primeira, na Bahia, onde também surgiu a primeira biblioteca monástica,
com a fundação em 1582, de um mosteiro beneditino elevado a categoria de abadia
em 1584.

1810

A realeza portuguesa, sentindo-se ameaçada, com a invasão das tropas francesas a
Portugal, buscou refúgio na sua colônia brasileira, trazendo consigo, uma numerosa
coleção de livros, que deu origem à Biblioteca Real que mais tarde passaria a
chamar-se Biblioteca Nacional (BN).

1811

Inaugura-se a Biblioteca Pública da Bahia, três anos antes da abertura ao público da
Biblioteca Real, criada em 1810. A Biblioteca da Bahia tem ainda outra vantagem
sobre a Real Biblioteca, porque esta resultou de uma circunstância histórica - a
vinda da família real portuguesa para o Brasil - enquanto aquela surgiu de acordo
com um plano muito bem concebido, inspirado em bibliotecas públicas que
apareceram no séc. XVIII nos Estados Unidos e na Europa.

1814

A biblioteca só abriu suas portas, para o público. Acomodada no hospital da Ordem
Terceira do Carmo, foi transferida para o antigo cemitério da mesma ordem. Ficou
até 1858, quando se mudou para a Rua do Passeio, onde hoje funciona a Escola
Nacional de Música. A transferência foi promovida pelo monge beneditino Camilo
de Monserrate (1818-1870).

1821

1903

D. Pedro regulamentou a liberdade de impressão e abriu caminho para o aumento
da produção de livros no Brasil.

Criação do primeiro curso da América Latina pelo Conselho de Mulheres da
Argentina, em Buenos Aires.

3650

�1911

Criação do curso de biblioteconomia da Biblioteca Nacional, segundo América
Latina, terceiro do mundo (funcionava nos porões da BN). Antecedido apenas pelos
cursos da École de Chartes na França e pelo curso do Columbia College, em Nova
York nos Estados Unidos respectivamente.

1915

O curso da Biblioteca Nacional tornou efetivo e funcionou na biblioteca por mais
de 5 (cinco) décadas.

1920

O ensino da biblioteconomia passaria ao nível superior nos Estados Unidos.

1922

Extinção do curso da Biblioteca Nacional.

1929

Estrutura-se o segundo curso do país, no Instituto Mackenzie em São Paulo, com as
seguintes matérias básicas: Catalogação, Classificação, Referência e Organização.

1931

Restabelecido com novas bases o curso da Biblioteca Nacional pelo Decreto 20.673
em 17/11/1931, agora com a duração de dois anos.

1935

Deixa de existir o curso oferecido pelo Instituto Mackenzie.

1938

Foi fundada a Associação Paulista de Bibliotecários - a mais antiga do Brasil.

1940

1942

1944

1945

Extinção do curso do Instituto Mackenzie e ressurge como Escola de
Biblioteconomia, hoje Fundação Escola de Sociologia e Política (FESP). O curso
visava dar sustentação à rede de bibliotecas públicas da capital paulista. Com o
estímulo da difusão da visão americana em São Paulo, houve a difusão das
bibliotecas públicas na cidade de São Paulo e a criação da Escola de
Biblioteconomia. Com o fim da guerra, o domínio no campo da ciência,
especialmente na produção de energia nuclear, era entendido como questão de
soberania.
Implantado o curso da Escola de Biblioteconomia da Bahia - Salvador, BA
(integrada à Universidade da Bahia em 1958).
Implantado o Curso de Biblioteconomia da Faculdade de Filosofia "Sedes
Sapientae”, São Paulo - SP, cujas atividades foram encerradas em 1960.
Implantado o curso de Biblioteconomia da Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras da Universidade de São Paulo, SP. Esse curso era conhecido como "Curso
do Sr. Aquiles Raspantin". As atividades do curso foram encerradas e não existe
uma data referencial para tal fato na documentação encontrada.
Implantado o curso da Faculdade de Biblioteconomia da Universidade Católica de
Campinas - Campinas, SP.

1947

Implantado o curso da Escola de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul- Porto Alegre, RS.

1948

Implantado o Curso de Biblioteconomia Nossa Senhora de Sion - São Paulo, SP,

3651

�cujas atividades foram encerradas em 1949. Neste mesmo ano, foi implantado o
Curso de Biblioteconomia da Prefeitura Municipal do Recife - Recife, PE, cujas
atividades foram encerradas em 1950. Posteriormente vinculado à Universidade
Federal de Pernambuco. Nesse mesmo período, pesquisadores brasileiros criam a
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

1949/
1951

Realizados estudos para a criação de um órgão para conduzir as pesquisas
científicas no Brasil, que se concretizou com a criação do CNPq e a Conferência
sobre o Desenvolvimento dos Serviços de Bibliotecas Públicas na América Latina
na Biblioteca Municipal de São Paulo.

DÉCADA DE 50 - OS PROFISSIONAIS DA ÁREA INICIARAM SUA LUTA PARA SE
FIRMAREM COMO CLASSE PROFISSIONAL DE NÍVEL SUPERIOR.

1950

1951

Implantado o Curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal
de Pernambuco - Recife, PE. Implantado o curso da Escola de Biblioteconomia de
Minas Gerais - Belo Horizonte, MG (incorporada à Universidade de Minas Gerais
em 1963).
Implantado o Curso de Biblioteconomia do Instituto Caetano de Campos - São
Paulo, SP (Atividades encerradas em 1972 ou 1953; divergência na documentação
consultada).

1952

Implantado o Curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal
do Paraná - Curitiba, PR.

1953

Primeiro Congresso de Bibliotecas do Distrito Federal, em Brasília.

1954

Primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia (e Documentação) - em Recife o CBBD, sob os auspícios do Departamento de Documentação e Cultura da
Prefeitura da Cidade. A partir do segundo, realizado em Salvador, eles se dizem de
Biblioteconomia e Documentação. [Em 2002, o nome mudou para Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação]. Criação
do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), com o apoio da
UNESCO.

1955

O Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) lança o primeiro
curso de pós-graduação (especialização) na área, o Curso Documentação Científica
(CDC). Implantado o Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Pública do
Amazonas - Manaus, AM. As atividades foram encerradas e não existe referência à
data na documentação consultada.

1957

Implantado o curso da Escola de Biblioteconomia e Documentação da Associação
da Companhia de Santa Úrsula - Rio de Janeiro, RJ.

1958

A Portaria no. 162 do Ministério do trabalho, de 07.10.1958, reconhecia a
Biblioteconomia como profissão liberal.

3652

�DÉCADA DE 60 - A PROFISSÃO PASSOU A SER CONSIDERADA DE NÍVEL
SUPERIOR, REGULAMENTADA PELA LEI N. 4.0874/62.
1960 /
1980

1962

1965

1967

1969

1974

1975

1976

Houve padronização dos currículos mínimos.

Decreto n. 550, de 1 de fevereiro de 1962, alterou o Regulamento dos cursos da
Biblioteca Nacional e estabeleceu as disciplinas dos mesmos. O curso passou de 2
para 3 anos de duração elevando-o a Nível Superior. A Lei n. 4.084, de 30/06/1962,
regulamentada pelo Decreto no. 56.725, de 16/08/1965, passou a dispor sobre as
atividades profissionais dos bibliotecários em todo o Brasil, e consagra a expressão
Bacharel em Biblioteconomia e Doutor em Biblioteconomia.
Regulamentação da profissão através do Decreto n. 56.725, de 16 de agosto de
1965. Eleição do primeiro Conselho Federal de Biblioteconomia.
Fundada, em Belo Horizonte, a Associação Brasileira de Escolas de
Biblioteconomia e Documentação (ABEBD), hoje Associação Brasileira de
Educação em Ciência da Informação (ABECIN).
O Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional passou a pertencer a
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
Implantado o Curso de Biblioteconomia da Fundação Universidade do Rio Grande
do Sul, Rio Grande, RS, data imprecisa na bibliografia, porém registrada conforme
histórico do curso no site da instituição.
Implantado o curso da Faculdade de Biblioteconomia e Documentação Tereza
D'Avila de Lorena,SP.
Implantado o curso da Faculdade de Biblioteconomia das Faculdades Integradas
Teresa D'Avila Santo André, SP (divergências: 1974 ou 1976). Também nesse ano,
implantado o Curso de Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal Minas
Gerais.

1977

Implantado o Curso de Faculdade de Biblioteconomia da Pontifícia Universidade
Católica de Campinas. Implantado o Curso de Biblioteconomia da Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de Catanduva, SP (divergências: 1976 ou 1977).
Implantado, também nesse ano, o Curso de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Marília, SP.

1978

Implantado o Departamento de Biblioteconomia da Universidade de Brasília - DF.
Também implantado o Departamento de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal da Paraíba.

1980

Implantado o Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás Goiânia, GO. Houve 2 (dois) Encontros Nacionais de Ensino em Biblioteconomia e
Documentação, 5 (cinco) Encontros do CBBD e 8 (oito) Encontros Nacionais de
Estudantes de Biblioteconomia e Documentação (ENEBD). Fundação da
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação e
Biblioteconomia (ANCIB), que também viria a ser uma forte propulsora da
produção de conhecimentos em Biblioteconomia e CI no Brasil. Nesse mesmo ano,
houve a criação de duas revistas: a Transinformação da PUCCAMP e a Revista de
Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS.

3653

�1981

Implantado o Curso da Faculdade de Biblioteconomia Teresa Martin do Instituto
Educacional Teresa Martin - São Paulo, SP.

1984

Implantado o Curso de Biblioteconomia das Faculdades Integradas Tiradentes Aracajú, SE.

1985

Implantado o Curso da Faculdade de Biblioteconomia e Botucatu da Associação de
Ensino de Botucatu - Botucatu, SP (Atividades interrompidas em 1986).
Foram estabelecidas as diretrizes curriculares e as escolas de Biblioteconomia
brasileiras adquiriram mais flexibilidade e autonomia para estabelecer seus projetos
pedagógicos

2001

Fonte: Nastri (1992); Castro (2000); Souza (1990); Almeida (2012) e Oliveira, Carvalho;
Souza (2009).
3 O ENSINO DA BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
O curso de Biblioteconomia no Brasil surgiu primeiramente nos estados do Rio de
Janeiro e São Paulo. No Rio de Janeiro iniciou no ano de 1911, na Biblioteca Nacional, com
predominância humanística, e formava o “erudito-guardião” . No estado de São Paulo, o curso
surgiu no ano de 1929, no Mackenzie College, voltado para uma visão técnica relacionada ao
processo de organização de serviços de informações.
A polêmica entre Rio e São Paulo, quantos aos aspectos técnicos, foi marcante. Para ele,
um exemplo ilustrativo dessa rivalidade:
[...] deu-se com relação à permanência ou não das reticências nas fichas
catalográficas, quando na folha de rosto de um livro não houvesse
informações relativas à autoria. Enquanto os bibliotecários paulistas
consideravam as reticências desnecessárias, os bibliotecários cariocas os
julgavam imprescindíveis. (CASTRO 2000 apud ALMEIDA, 2012, p.103).
O autor acredita que a história do ensino da biblioteconomia no Brasil pode ser dividida
em 6 (seis) fases:
FASE I

FASE II

FASE III

FASE IV

1879-1928
1929-1939
1940-1961
1962-1969
Movimento
Predomínio Consolidação Uniformização
fundador da do modelo e expansão do dos conteúdos
Bibliotecono
pragmático modelo
pedagógicos e
mia no Brasil, americano
pragmático
regulamentação
da profissão.
de influência em relação americano
humanística
ao modelo
francesa, sob a humanista
liderança da francês
anterior.
Biblioteca
Nacional.
Fonte: (CASTRO, 2000, p. 26-29) e (ALMEIDA, 2012, p.7).

FASE V

FASE VI

1970-1995
Crescimento
quantitativo
dos cursos e
novas
metodologias
e abordagens
emprestados
de
outros
campos do
saber.

2001
Estabeleciment
o das diretrizes
curriculares
nacionais para
os cursos de
graduação em
Biblioteconomi
a e implantação
de novos cursos
no país.

3654

�4 OS PIONEIROS DA BIBLIOTECONOMIA BRASILEIRA
Muitos bibliotecários deram sua contribuição social e cultural para o Brasil, muitos
comungaram o mesmo objetivo de disseminar informação e conhecimento e promover o
desenvolvimento cultural e social do nosso país.

Destacam-se como os primeiros

bibliotecários brasileiros:

Antonio da Costa (1647-1722), francês, irmão da Companhia de Jesus, conhecia quase
todos os ofícios ligados ao livro, tais como: tipógrafo, impressor, encadernador e
bibliotecário. Foi diretor da biblioteca do Colégio da Bahia, organizando seu catálogo
(primeiro instrumento biblioteconômico produzido no Brasil, um catálogo sistemático com o
respectivo índice temático e onomástico). Também classificou toda a biblioteca por assuntos,
com índice com os nomes dos autores.

Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco que imprimiu, pela Tipographia de Manuel
Antônio da Silva, o segundo texto biblioteconômico, o Plano para o estabelecimento de huma

bibliotheca publica na cidade de S. Salvador Bahia de Todos os Santos. Tendo sido
reproduzido integralmente no jornal editado por Hipólito da Costa em Londres.

Antonio Ferrão Muniz Aragão (bisneto de Pedro) também dirigiu a Biblioteca Pública
da Bahia, escrevendo um ensaio sobre a classificação das ciências, impresso em 1878, nele a
palavra cibernética foi pela primeira vez usada, em língua portuguesa.

Benjamim Franklin Ramiz Galvão - Barão (1846-1938), médico e humanista,
professor de Grego no colégio Pedro II, gaucho, efetuou a primeira grande reforma da
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, consubstanciada no Decreto n° 6.141, de 04 de março
de 1876, quando a dirigiu, de 1870 a 1882. Realizou em 01 de julho de 1879 o primeiro
concurso público para preenchimento de uma vaga de “oficial de biblioteca”, concurso através
do qual ingressou no quadro de funcionários o historiador Capistrano de Abreu. Iniciou a
publicação dos Anais da Biblioteca Nacional em 1876, e a ele deve-se também a Exposição
Histórica do Brasil. Também organizou o Catálogo do Real Gabinete Português de Leitura.

Manuel Cícero Peregrino da Silva (1866-1956), educador e jurista pernambucano,
também dirigiu a Biblioteca Nacional (1900-1924), promovendo a inauguração do atual
edifício em 29 de outubro de 1910. Uma reforma consubstanciada no regimento aprovado

3655

�pelo Decreto n° 8.835 de 11 de julho de 1911. Criou o Curso de Biblioteconomia (primeiro
da América latina e terceiro do mundo. O curso foi efetivamente iniciado em 1915, e dava
ênfase especial ao aspecto cultural e informativo, e se preocupava menos com o enfoque
técnico. Passou por várias reformas, estando presentemente integrado na Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Rubem Borba de Moraes (1899-1986), historiador e bibliógrafo paulista organizador
da Biblioteca Pública Municipal de São Paulo, hoje Biblioteca Mário de Andrade, e, em 1936,
após regressar dos Estados Unidos, enviado pelo Departamento de Cultura para estudar a
organização e funcionamento das bibliotecas, inicia a reorganização da Biblioteca Municipal
e cria o segundo curso de biblioteconomia, tendo sido este, posteriormente absorvido pela
Escola de Sociologia e Política. Foi o promotor da terceira grande reforma da Biblioteca
Nacional, que dirigiu de 1945 a 1957, editou o Manual bibliográfico de estudos brasileiros
(1949) e autor da Bibliographia brasiliana (1958 e segunda edição de 1983).

Alfredo do Vale Cabral, em 1880, publicou a 'Bibliografia da língua Tupi ou Guarani
também chamada de língua geral do Brasil.

João de Saldanha da Gama em 1884, publicou o 'Plano do catálogo sistemático da
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro';

5 O CURRÍCULO DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
A história mostra que o ensino de Biblioteconomia começou pelas questões
humanísticas e seguiu por questões técnicas obtendo grande evolução até atingir os níveis de
graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado).
O Projeto Político Pedagógico do Curso de Bacharelado em Biblioteconomia da
UNIRIO (2010) observa que no começo o ensino de Biblioteconomia ficava a cargo dos
diretores de seção da Biblioteca Nacional e eram formados pelas seguintes disciplinas básicas:
•

Bibliografia;

•

Paleografia e Diplomática;

•

Iconografia e Numismática.

3656

�No Rio de Janeiro na década de 40 o curso da Biblioteca Nacional foi reformado. Passa
a promover uma formação básica profissional, em princípio, útil a qualquer tipo de biblioteca.
Os cursos ficaram, então, constituídos:

•

C urso F undam ental de Biblioteconomia (1° ANO) - destinado a preparar candidatos

aos serviços auxiliares de biblioteca, com as seguintes disciplinas:
a) Organização de Bibliotecas; b) Catalogação e Classificação;
c) Bibliografia e Referência; d) História do Livro e das Bibliotecas.

•

C urso Superior de Biblioteconomia (2° ANO) - destinado a preparar os candidatos

aos serviços especializados e de direção de bibliotecas, com as seguintes disciplinas:
Organização e Administração de Bibliotecas;
1

Catalogação e Classificação;

2

História da Literatura (aplicada à Bibliografia);

3

Disciplina Optativa - Noções de Paleografia e Catalogação de Manuscritos e de Livros
Raros e Preciosos; Iconografia; Bibliotecas de Música; Bibliotecas Infantis e
Escolares; Bibliotecas Especializadas

e Bibliotecas Universitárias; Bibliotecas

Públicas ou qualquer disciplina ou grupos de disciplinas cursadas na Faculdade
Nacional de Filosofia, ou instituto congênere, sobre assuntos de interesse para a
cultura do bibliotecário.

•

Cursos Avulsos - Conservação e Restauração de Livros, Estampas e Documentos;

Bibliografia

de Balzac;

Iconografia;

Paleografia;

Documentação;

Literatura

Latino-

Americana, dentre outros, destinados a atualizar os conhecimentos dos bibliotecários já
formados.
Em 1962, o Decreto n°. 550, reformula o Curso de Biblioteconomia da Biblioteca
Nacional, passando de 2 para 3 anos de duração, elevando-o a Nível Superior. É fixado o
Currículo do Curso da seguinte forma:

3657

�1° ANO
Técnica do Serviço de Referência
•
•
•
•

2° ANO
3° ANO Catalogação
Organização e Técnica de Especializada
Documentação
Bibliografia Geral;
• Bibliografia Especializada;
• Classificação
Especializada;
Introdução À Catalogação e • Catalogação e Classificação;
Classificação;
• Literatura
e
Bibliografia • Produção
de
Literária;
Documentos;
Organização e Administração de
Bibliotecas;
• Introdução à Cultura Histórica • Paleografia;
e Sociológica.
Introdução à Cultura
História do Livro e das
Filosófica e Artística.
Bibliotecas

NOTA: Além destas quinze disciplinas obrigatórias, o aluno para diplomar-se, ficava
obrigado a prestar exame em um curso avulso, dentre os vários oferecidos pela Biblioteca
Nacional.

O primeiro currículo mínimo estabelecido por meio do Parecer n° 326, datado de

16/11/1962 e homologado pela Portaria Ministerial de 04/12/1962, compreendia as
seguintes matérias:
•

História do Livro e das Bibliotecas;

•

História da Literatura;

•

História da Arte;

•

Introdução aos Estudos Históricos e Sociais;

•

Evolução do Pensamento Filosófico e Científico;

•

Organização e Administração de Bibliotecas;

•

Catalogação e Classificação;

•

Bibliografia e Referência;

•

Documentação;

•

Paleografia.

O currículo mínimo do Curso de Biblioteconomia, segundo a Resolução CFE n° 8

de 29/10/1982, passou então a constituir-se de três grupos de matérias:

a) Matérias de Fundamentação Geral:
•

Comunicação

•

Aspectos Sociais, Políticos e Econômicos do Brasil Contemporâneo

•

História da Cultura

3658

�b) Matérias Instrumentais:
•

Lógica

•

Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa

•

Língua Estrangeira Moderna

•

Métodos e Técnicas de Pesquisa

c) Matérias de Formação Profissional:
•

Informação Aplicada à Biblioteconomia

•

Produção dos Registros do Conhecimento

•

Formação e Desenvolvimento de Coleções

•

Controle Bibliográfico dos Registros do Conhecimento

•

Disseminação da Informação

•

Administração de Bibliotecas

Desde 1996, deixou de existir os currículos mínimo e plenos e passam a vigorar áreas
curriculares assim estabelecidas:
•

Fundamentos Teóricos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação

•

Organização e Tratamento da Informação

•

Recursos e Serviços de Informação

•

Gestão de Unidades de Informação

•

Tecnologia da Informação

•

Pesquisa

Considerou-se conveniente trabalhar o ensino das tecnologias da informação e a
pesquisa. A opção foi, assim, manter quatro grandes áreas:

•

Fundamentos Teóricos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação

•

Organização e Recuperação da Informação

•

Recursos e Serviços de Informação

•

Gestão da Informação e de Unidades de Informação

Em 2001, foram aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de
Biblioteconomia, que determinam as seguintes competências e habilidades aos graduados:

3659

�Competências gerais:
• Gerar produtos a partir dos conhecimentos adquiridos e divulgá-los;
• Formular e executar políticas institucionais;
• Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos;
• Utilizar racionalmente os recursos disponíveis;
• Desenvolver e utilizar novas tecnologias;
• Traduzir as necessidades de indivíduos, grupos e comunidades nas respectivas áreas de
atuação;
• Desenvolver atividades profissionais autônomas, de modo a orientar, dirigir, assessorar,
prestar consultoria, realizar perícias e emitir laudos técnicos e pareceres;
• Responder a demandas sociais de informação produzidas pelas transformações tecnológicas
que caracterizam o mundo contemporâneo.

Competências específicas:
• Interagir e agregar valor nos processos de geração, transferência e uso da informação, em
todo e qualquer ambiente;
• Criticar, investigar, propor, planejar, executar e avaliar recursos e produtos de informação;
• Trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza;
• Processar a informação registrada em diferentes tipos de suporte, mediante a aplicação de
conhecimentos teóricos e práticos de coleta, processamento, armazenamento e difusão da
informação;
• Realizar pesquisas relativas a produtos, processamento, transferência e uso da informação.

6 O ENSINO DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL SEGUNDO ALGUNS AUTORES

FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA, 1991.
[...] o ensino de Biblioteconomia no Brasil vive um viés e que esse fato tem
contribuído para que a construção escolar do bibliotecário brasileiro seja
fortemente concentrada nos aspectos da organização documental. Isso tem
sido resultado de uma cultura profissional bibliotecária voltada para a
estocagem de informação. Essa cultura, conforme se viu, atende a interesses
internacionais e bitola a capacidade de criação dos nossos profissionais, na
medida em que a escola de Biblioteconomia a aceita e desenvolve seu
ensino nessa direção.
Naturalmente, ficaram apontados os motivos porque a construção escolar do
bibliotecário brasileiro, hoje, não é diferente. Na verdade, a escola continua
a trabalhar na mesma perspectiva do passado e, inclusive, não parece ser

3660

�capaz de fazer uma leitura do mercado e a análise de novas exigências.
Mas, de tudo isso, o que fica como preocupação é como será a construção
do bibliotecário brasileiro de amanhã. Em razão disso, é que se deve
perscrutar de forma muito realista as tendências do mercado bibliotecário
brasileiro, pois estas é que determinarão os rumos da profissão, caso se
considere que a profissão e seu profissional devem responder a exigências
de mercado. E por falar em mercado, é preciso que a escola de
Biblioteconomia insira, de forma concreta, entre as suas prioridades de
ensino, com a densidade necessária, os aspectos que levem o profissional
bibliotecário brasileiro a dar a devida importância ao objeto de trabalho
usuário. Mas não uma visão estereotipada de usuário, e sim o indivíduo,
com as suas peculiaridades, em função de sua participação na realidade de
nossa sociedade. Só assim, será possível a sobrevivência dessa profissão,
embora com perfil provavelmente diferente deste de hoje (SOUZA, 1991, p.
187).
[...] No Brasil mesmo, durante todo o século XIX, ocorreram várias
atividades significativas para a prática bibliotecária, seja representada pela
vinda do núcleo do acervo da futura biblioteca nacional brasileira, seja pelas
inovações tecnológicas introduzidas no catálogo do Gabinete Português de
Leitura do Rio de Janeiro ou ainda por iniciativas de intelectuais brasileiros,
no sentido de dotar o país de uma estrutura na Biblioteca Nacional,
compatível com bibliotecas similares de países desenvolvidos. Todavia
deve ser ressaltado que tais iniciativas fogem, na realidade, à influência
portuguesa e tomam como fontes ora os Estados Unidos, ora a Bélgica, ora
a Inglaterra (SOUZA, 1990, p. 20).
[...] Foi necessário que a Biblioteca Nacional fosse comandada por um
outro reformador cuja direção iniciou em 1900. Esse reformador, o
pernambucano Manuel Cícero Peregrino da Silva que além de conseguir
edificar um prédio novo, criou algumas outras atividades como um
programa de conferências, um prêmio para estímulo à pesquisa
bibliográfica e também o curso de biblioteconomia que, segundo Edson
Nery da Fonseca, foi o primeiro da América Latina e o terceiro do mundo.
Criado ern1911 como parte do decreto n. 8.835 que estabelecia o
Regulamento da Biblioteca NacionaI. O Curso adotou como parâmetro da
École de Chartes, de Paris. Apesar de todo o esforço empreendido o mesmo
não iniciou antes de 1915. Sua duração era de 1 (um) ano e para freqüentálo os candidatos deveriam ter concluído um Curso de Humanidades e
submeterem-se a um exame de admissão (SOUZA, 1990, p. 33).
[...] Curso de Biblioteconomia criado no País, dentro de um contexto sóciopolítico-econômico resultante de mudanças profundas, veio a se
caracterizar como um momento marcante por significar uma mudança de
trajetória da Biblioteconomia no País, deixando patente ainda uma vez
mais a sua vinculação à classe dominante. Desde a idéia até os alunos, o
Curso, salvo raras particularidades, é um projeto da elite como toda a
Biblioteconomia brasileira dos anos 40 e 50 próximos [...] (SOUZA, 1990,
p. 45).
[...] O curso tinha quatro disciplinas: Bibliografia, Diplomática,
Iconografia e Numismática. E de acordo com; Edson Nery da Fonseca os
conteúdos técnicos de catalogação, classificação, organização e
administração de bibliotecas eram ministrados na disciplina Bibliografia
[...] (SOUZA, 1990, p. 33).

3661

�MARLENE OLIVEIRA; GABRIELLE FRANCINNE CARVALHO; GUSTAVO TANUS
SOUZA, 2009.
[...] de um modo geral o ensino da Biblioteconomia e percebe uma: a)
Predominância do ensino prático (e, muitas vezes, exageradamente
tecnicista) em detrimento do estudo dos aspectos teóricos e fundamentais
dos problemas biblioteconômicos; b) ausência de uma abordagem integrada
das atividades e serviços da Biblioteconomia/Documentação que faça uso
das técnicas de analise de sistemas e encare as diversas disciplinas como um
todo orgânico e não como partes isoladas e estanques; c) fidelidade
dogmática a códigos de catalogação, normas de documentação e sistemas de
classificação, muitas vezes idolatrados com cegueira que não vislumbram
os fins que devem servir e ignorância do processo de entropia a que estão
sujeitos em face da dinâmica da informação documental, do avanço da
tecnologia da informação e da psicologia dos usuários (OLIVEIRA;
CARVALHO; SOUZA, 2009, p. 19).
[...] O primeiro curso de mestrado iniciou-se em 1970, no antigo Instituto
Brasileiro de Bibliografia e Documentação - IBBD, que a partir de 1976,
passou a ser chamado de Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia - IBCIT. A partir de então a Biblioteconomia passa a estreitar
seus laços com a recente Ciência da Informação. Percebe-se, então, que
tanto os cursos de graduação em Biblioteconomia quanto os PPGCI
atuantes têm sua maioria na região Sudeste com 16 (dezesseis) cursos de
Biblioteconomia, seguido do Nordeste com 8 (oito), o Sul com 6 (seis),
Centro-Oeste com 4 (quatro), e somente 2 (dois) no Norte. Os PPGCI
também estão, em maioria, na região Sudeste com 5 (cinco): USP, UNESP,
IBICT/UFRJ, UFF, UFMG, o Nordeste com 3 (três), UFPB, UFBA, UFPE,
o Sul com 2(dois), na UFSC e na UEL, com mestrado profissional, e o
Centro-oeste com 1(um) na UNB. A região Norte não conta com nenhum
PPGCI. Percebe-se que todos os PPGCI estão ligados a centros, escolas ou
departamentos que oferecem também graduação em Biblioteconomia com
exceção do IBICT/UFRJ que não se não tem vínculos acadêmicos e/ou
administrativos com o curso de graduação de Biblioteconomia da UFRJ [...]
a prática bibliotecária brasileira não pode ser a mesma que ocorre em outros
países e, realmente, não o é dadas as nossas condições sóciohistóricas. Por
essa circunstância, as técnicas e procedimentos operacionais utilizados,
também não poderiam ser as mesmas adotadas em outros países. A
aceitação do transplante só poderia ser inquestionável se fossemos igual
aquela sociedade, como não somos, nem haveríamos de ser, pois o povo
brasileiro no que tange as questões sociais, culturais e éticas apresentam um
miríade de interpretações. Assim, “talvez por esta diferença de visões é que
a Biblioteconomia praticada e ensinada no Brasil pareça ainda muito
estranha para a maior parte da sociedade do país. (SOUZA, 1997, p. 9-10
apud OLIVEIRA; CARVALHO; SOUZA, 2009, p. 19).
[...] No Brasil, desde a criação do primeiro curso em 1911 pela Biblioteca
Nacional do Rio de Janeiro até 2009, dois anos antes do seu centenário,
totaliza-se 36 cursos regulares em funcionamento para seu ensino, muitos
destes cursos tiveram sua criação ao longo da história aqui retratada,
podendo perceber a criação mais recente somente de um, no estado de São
Paulo, o qual remonta ao ano de 2009 (OLIVEIRA; CARVALHO;
SOUZA, 2009, p. 21).

3662

�ANTÔNIO AGENOR BRIQUET DE LEMOS, 1973.
[...] A partir de 1915, data em que começou a funcionar o primeiro curso, o
ensino da Biblioteconomia evoluiu bastante, existindo atualmente 19 cursos
de graduação, 1 de pós-graduação em nível de mestrado e 1 de
especialização, em 14 unidades da Federação. Os cursos de graduação
apresentam conteúdo relativamente homogêneo, havendo diferenças quanto
à duração das disciplinas que os compõem e, mais recentemente, na
abordagem dos tópicos relativos à Mecanização e Automação. A causa
principal dessa homogeneidade é o currículo mínimo que todos os cursos
são obrigados a seguir. A evolução dos estudos teóricos no campo da
organização de sistemas de recuperação de informações tem apresentado
resultados importantes e revelado princípios fundamentais que deveriam ser
incorporados organicamente ao ensino da Biblioteconomia (LEMOS, 1973,
p.1).

CRISTINA DOTTA ORTEGA, 2004.
[...] Na década de 50, Margaret Egan e Jesse Shera, membros da Escola de
Biblioteconomia de Chicago, avaliam que a atenção dos bibliotecários
durante os anos anteriores esteve voltada para a revolução da comunicação
de massa e seu provável efeito sobre os serviços de biblioteca para o leitor
em geral, enquanto poucos se preocuparam com a revolução da organização
e serviços de biblioteca, a qual foi tratada por outro campo, nomeado
"comunicação da informação especializada" e desenvolvido por
documentalistas e especialistas de informação. Shera apontou a própria
Escola como uma das principais responsáveis pela repulsa dos
bibliotecários por habilidades técnicas (ORTEGA, 2004).
J. H. SHERA,1977.
[...] O objetivo da biblioteconomia seja qual for o nível intelectual em que
deve operar é aumentar a utilidade social dos registros gráficos, seja para
atender à criança analfabeta absorta em seu primeiro livro de gravuras, ou
um erudito absorvido em alguma indagação esotérica. Portanto, se a
biblioteconomia deve servir à sociedade em toda extensão de suas
potencialidades, deve ser muito mais do que um monte de truques para
encontrar um determinado livro numa estante particular, para um consulente
particular. Certamente é isso também, mas fundamentalmente
biblioteconomia é a gerência do conhecimento. Por isso, estes novos
mecanismos projetadas para manipular conhecimentos a fim de que o
homem possa alcançar melhor compreensão do universo no qual se
encontra, são de especial interesse para o bibliotecário. Pois o bibliotecário
fará mal sua tarefa se não compreender todo o papel do conhecimento na
sociedade que ele serve e a parte que as máquinas podem realizar no
processo da"ligação do tempo". O bibliotecário é o supremo "ligador do
tempo", e a sua disciplina é a mais interdisciplinar de todas, pois é a
ordenação, relação e estruturação do conhecimento e dos conceitos.
(SHERA, 1977, p. 11).

3663

�KIRA TARAPANOFF, 1990.
[...] Coube à Universidade de Brasília, em 1964, o pioneirismo de realizar a
primeira experiência de um curso de mestrado em Biblioteconomia e
Documentação no País [...] Por razões as mais diversas, em 1965 o curso foi
suspenso [...] (TARAPANOFF, 1985 apud SOUZA, 1990, p. 105).

7 MUDANÇAS SOFRIDAS NA ATIVIDADE PROFISSIONAL DO PROFISSIONAL
DA INFORMAÇÃO

Lojkine (1995 apud ANJOS, 2008) afirma que a era da informação mudou o perfil de
várias áreas profissionais e isso não foi diferente com a biblioteconomia. Assim, os
bibliotecários tiveram que acompanhar essas mudanças para exercer, com plenitude, suas
atividades profissionais. As transformações sofridas por este personagem ao longo do último
século são evidenciadas no quadro a seguir:

PERFIL DO PROFISSIONAL
INÍCIO
Possuía uma visão humanista, ligado a cultura e as artes sob forte influência
DO SÉCULO XX francesa, devido a origem do curso de biblioteconomia estar ligada a École
ATÉ A DÉCADA DE Nationale des Chartes, em Paris.
30
Passa a receber uma formação mais técnica sob influência norte americana,
DÉCADA DE 30
devido a criação dos primeiros cursos paulistas em biblioteconomia
direcionados ao ensino técnico, originados da School of Library Economy,
fundada por Melvil Dewey na cidade de Columbia, em Nova York.
Acontece o primeiro congresso, Congresso Brasileiro de Biblioteconomia em
DÉCADA DE 50
1954 no Recife, originando uma maior participação dos profissionais e uma
educação continuada dos mesmos.
A profissão passa a ser reconhecida oficialmente em nível superior, sendo
DÉCADA DE 60
estabelecida uma legislação profissional e sendo criados os primeiros órgãos
de classe.
São criados os primeiros cursos de pós-graduação, desenvolvendo assim, a
DÉCADA DE 70
pesquisa e o surgimento dos primeiros periódicos nacionais voltados para
biblioteconomia e ciência da informação, aumentando a disseminação da
informação dentro da área.
Passa a ter um perfil de agente cultural e da informação. Sendo direcionado à
DÉCADA DE 80
entidades educacionais e, muitas vezes, atuando como educador.
Com o crescimento editorial e com o avanço das novas tecnologias de
INÍCIO
informação ele passa a ser um profissional da informação e, nesse momento,
DA
torna-se o “Moderno profissional da informação” e passa a ser considerado
DÉCADA DE 90
um “Moderno gerente informational”.
Panorama do perfil do bibliotecário e da educação continuada no Século XX:

Fonte: Anjos (2008, p. 3).

3664

�8 A FORMAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO BRASILEIRO
A formação do bibliotecário no país é resultado de dois modelos distintos de ensino: o
modelo francês e o modelo norte-americano. Hoje o Brasil conta com 39 escolas de
biblioteconomia espalhadas por todas regiões do país conforme o quadro:

CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA EXISTENTES POR REGIÃO
QUANTIDADE DE CURSOS
REGIÕES

TOTAL

FEDERAIS/ ESTADUAIS

PARTICULARES

NORTE

2

0

2

NORDESTE

8

0

8

CENTRO-OESTE

3

2

5

SUDESTE

7

10

17

SUL

6

1

7

TOTAL

26

13

39

Cursos de biblioteconomia existentes por região

Fonte: Site do Conselho Regional de Biblioteconomia 6° Região MG/ES. Acesso em:
6/5/2014

As instituições que ministram o curso de biblioteconomia no Brasil são:
INSTITUIÇÕES QUE MINISTRAM O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
(Segundo INEP)
INSTITUIÇÃO

CIDADE/UF

SUDESTE
Universidade Santa Ursula - USU

RIO DE JANEIRO-RJ

Universidade Federal Fluminense - UFF

NITEROI-RJ

Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

RIO DE JANEIRO-RJ

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO

RIO DE JANEIRO-RJ

Universidade Federal do Espírito Santo - UFES

VITORIA-ES

Escola Superior de Ensino Anísio Teixeira - CESAT

SERRA-ES

Centro Universitário Assunção - UniFAI

SAO PAULO-SP

Instituto Manchester Paulista de Ensino Superior - IMAPES

SOROCABA-SP

Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação - FaBCI

SAO PAULO-SP

Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR

SAO CARLOS-SP

Universidade de São Paulo - USP

SAO PAULO-SP

3665

�Faculdades Integradas Coração de Jesus - FAINC

SANTO ANDRE-SP

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesauita Filho - UNESP

MARILIA-SP

Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC-Campinas

CAMPINAS-SP

Faculdade de Ciências da Informação de Caratinga - FCIC

CARATINGA-MG

Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

BELO HORIZONTE-MG

Centro Universitário de Formiga - UNIFORMG

FORMIGA-MG

SUL
Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR

CURITIBA-PR

Universidade Estadual de Londrina - UEL

LONDRINA-PR

Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

FLORIANOPOLIS-SC

Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

FLORIANOPOLIS-SC

Fundação Universidade Federal do Rio Grande - FURG

RIO GRANDE-RS

Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

PORTO ALEGRE-RS

CENTRO-OESTE
Universidade Federal de Goiás - UFG

GOIANIA-GO

Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT

RONDONOPOLIS-MT

Instituto de Ensino Superior da Funlec - IESF

CAMPO GRANDE-MS

NORDESTE
Universidade Federal da Paraíba - UFPB

JOAO PESSOA-PB

Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

NATAL-RN

Universidade Federal do Maranhão - UFMA

SAO LUIS-MA

Universidade Federal da Bahia - UFBA

SALVADOR-BA

Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

RECIFE-PE

Universidade Federal do Ceará - UFC

FORTALEZA-CE

Universidade Estadual do Piauí - UESPI

TERESINA-PI

Universidade Federal do Ceará - UFC

JUAZEIRO DO NORTECE

NORTE
Universidade Federal do Pará - UFPA

BELEM-PA

Universidade Federal do Amazonas - UFAM

MANAUS-AM

Instituições que ministram o curso de biblioteconomia no Brasil (Segundo INEP).

Fonte: Site do Conselho Regional de Biblioteconomia 6° Região MG/ES. Acesso em:
6/5/2014

3666

�9 PUBLICAÇÕES DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
Como retrato e resultado do ensino de Biblioteconomia, a produção científica e
publicações da área se fazem iminentes de ser divulgadas e disseminadas. Desta forma, as
publicações periódicas passam a ser necessariamente implementadas. Seguem, então, algumas
publicações:
PUBLICAÇÕES
PERIÓDICAS
PRIMÁRIAS:

PUBLICAÇÃO
PERIÓDICA
SECUNDÁRIA:

PUBLICAÇÕES
FORMATOS
ELETRÔNICOS:

EM

Ciência
da
informação
(semestral, IBICT, 1972)
- Revista da Escola de
biblioteconomia
da
UFMG
(semestral 1972)
Revista
brasileira
de
biblioteconomia e documentação
(trimestral, Federação Brasileira
de Associações de Bibliotecários
- FEBAB, 1973)
- Revista de biblioteconomia de
Brasília (semestral, Departamento
de
Biblioteconomia
da
Universidade de Brasília e
Associação dos Bibliotecários do
Distrito Federal, 1973)

- Bibliografia brasileira de
ciência
da
informação,
iniciada em 1960 como
Bibliografia brasileira de
documentação, adotou o atual
título
a
partir
do
vol.6(1980/1983).

DataGramaZero,
Encontros
bibli, Intexto, Informação &amp;
informação, Revista digital de
biblioteconomia e ciência da
informação, Informação &amp;
sociedade
:
estudos,
Perspectivas em ciência da
informação (que substituiu a
Revista
da
Escola
de
Biblioteconomia da UFMG) e
Transinformação.

10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observou-se com este trabalho um panorama geral do ensino de biblioteconomia no
Brasil e as diversas mudanças de conteúdos com o passar dos anos. Essa trajetória de
transformações sofridas no processo educacional é decorrência das necessidades sociais.
Nesse contexto, é imprescindível que as Escolas de biblioteconomia estejam sempre atentas a
necessidade de evolução dos Currículos. Constatou-se também a visão de alguns autores
renomados sobre o perfil do profissional bibliotecário brasileiro.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Neilia Barros Ferreira de. Biblioteconomia no Brasil: análise dos fatos
históricos da criação e do desenvolvimento do ensino. Dissertação (mestrado) - Universidade
de Brasília, Faculdade de Ciência da Informação, Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação,

2012.

Disponível

em:

&lt;

3667

�http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/11170/1/2012_NeiliaBarrosFerreiradeAlmeida.pdf&gt;.
Acesso em: 30 mar. 2014.
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SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 14., 2008, São Paulo,
SP.

Anais .

São

Paulo,

SP,

2008.

Disponível

em:

&lt;

http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/anais/site/pdfs/1851.pdf&gt;. Acesso em: 30 mar. 2014.
CASTRO, César Augusto. História da biblioteconomia brasileira . Brasília: Thesaurus
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FONSECA, Edson Nery da. Introdução à biblioteconomia. 2. ed. Brasília: Briquet de
Lemos Livros, 2007.
GUIMARÃES, José Augusto Chaves. Moderno profissional da informação: elementos para
sua formação no Brasil. In: SEMINARIO DE ESTUDOS DE INFORMAÇÃO, 1., 1996,
Niterói. Anais. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 1996.
LEMOS, Antônio Agenor Briquet de. Estado atual do ensino da Biblioteconomia no Brasil e a
questão da Ciência da Informação. Revista Biblioteconomia, Brasília, n.1, jan./jun.1973.
Disponível

em:&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php? dd0=0000001954&amp;dd1=d6335&gt;.

Acesso em: 30 mar. 2014.
LOJKINE, Jean. A revolução informacional. São Paulo: Cortez, 1995.
NASTRI, Rosemeire Marino. Formação Profissional do Bibliotecário no Brasil: sob
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ORTEGA, Cristina Dotta. Relações históricas entre Biblioteconomia, Documentação e
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Informação, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 9-12, 1977. Tradução de Maria Esther de Araújo
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3668

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UNIVERSIDADE
Biblioteconomia.

Biblioteconomia.

FEDERAL

Projeto
Rio

DO

ESTADO

político
de

DO

pedagógico

Janeiro:

RIO

DE

do

curso

UNIRIO,

2010.

JANEIRO.

de

Escola

bacharelado

Disponível

em:

de

em
&lt;

http://www2.unirio.br/unirio/cchs/eb/copy_of_Projeto&gt;. Acesso em: 30 mar. 2014.

3669

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Revisitando as origens da Bibliteconomia no Brasil: história, ensino e perfil do profissional da informação</text>
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                <text>Este trabalho apresenta uma abordagem histórica do curso de Biblioteconomia no Brasil e seu processo de ensino, aponta as mudanças sofridas na atividade profissional do bibliotecário brasileiro e demonstra as transformações sofridas no currículo de biblioteconomia ao longo do tempo. Para isso, foram levantados os acontecimentos ocorridos no ambiente biblioteconômico desde os seus primórdios no Brasil até os dias atuais.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES NO SISTEMA DE BIBLIOTECA DA UFES:
COMPARATIVO ENTRE OS MODELOS TEÓRICOS DE EVANS E BAUGHMAN E
PROPOSTA DE ADEQUAÇÃO AO MODELO DE EVANS
Jorge Santa Anna

RESUMO
As Bibliotecas Universitárias (BUs) constituem unidades de informação, cujo objetivo
principal é fornecer materiais informacionais aos diversificados atores que compõem o espaço
universitário. No entanto, formar e desenvolver coleções nessas unidades de informação pode
representar uma missão instigante e desafiadora. Isso porque, as coleções que formam os
acervos das BUs não são estáticas, devendo estar em constante crescimento no intento de
atender as propostas pedagógicas da universidade, viabilizando o trabalho de ensino, pesquisa
e extensão. Considerando as complexidades existentes no processo de formação e
desenvolvimento de coleções, este estudo objetiva comparar as atividades realizadas em prol
da formação e desenvolvimento de coleções do SIB/UFES, de acordo com os modelos
teóricos de Evans e Baughman, propondo alternativas de melhoria conforme a proposta dos
modelos, com vistas a garantir a adequação das coleções às exigências e necessidades dos
usuários da coleção. Para tanto, através de pesquisa bibliográfica, documental e diagnóstico,
propõe-se uma reflexão teórica acerca do desenvolvimento de coleções e sua relação com o
SIB/UFES. Apresenta as características centrais dos modelos teóricos de Evans e Baughman.
Compara as características desses modelos com a realidade do SIB/UFES. Por fim, os
resultados confirmaram haver necessidade de adequação ao modelo holístico, consolidando
uma gestão sistêmica, bem como a construção de uma política de desenvolvimento de
coleções, objetivando fundamentar e nortear todas as ações em prol da constante adequação
da coleção às necessidades demandadas pela comunidade universitária.
PALAVRAS-CHAVE: Bibliotecas universitárias. Formação e desenvolvimento de coleções.
Modelos teóricos. Gestão sistêmica. Modelo holístico.
ABSTRACT
Universities Libraries (BUs) are the information units, whose main goal is to provide
informational materials to diverse actors in the university area. However, training and
developing collections of information in these units may represent an exciting and challenging
mission. This is because the collections that form the collections of the BUs are not static, but
should be steady growth in an attempt to meet the educational proposals of the university,
enabling the work of teaching, research and extension. Considering the complexities existing
in the training and development of collections process, this study aims to compare the
activities in favor of training and development of collections of SIB/UFES, according to the
theoretical models of Evans and Baughman, proposing alternatives to improve as the
proposed models, in order to ensure the adequacy of the collections to the demands and needs
of users of the collection. To do so, through literature, documentary and diagnostic research,

2501

�we propose a theoretical reflection on the development of collections and their relationship
with the SIB/UFES. Presents the main features of the theoretical models of Evans and
Baughman. Compares the characteristics of these models with the reality of the SIB/UFES.
Finally, the results need to be confirmed suitability for the holistic model, consolidating a
systemic management as well as building a collection development policy, aiming to support
and guide all actions for the collection of constantly adapting to the needs demanded by the
community college.
KEYWORDS: University libraries. Training and development of collections. Theoretical
models. Systemic management. holistic Model.

1 INTRODUÇÃO
Fornecer informações a diferentes usuários sempre constituiu uma das principais
propostas das unidades de informação. Contudo, para que esse objetivo de disseminar
informação seja alcançado, é necessário realizar, a priori., inúmeras atividades que favoreçam
a constituição e o desenvolvimento das coleções formadoras dos acervos.
Para que o fornecimento de informações seja satisfatório, faz-se imprescindível uma
gestão efetiva do acervo, com vistas a propiciar condições para que ele cresça em
concordância com as necessidades dos usuários da informação, atendendo a critérios préestabelecidos de gerenciamento. Assim, as diversas atividades arroladas ao processo de
desenvolvimento de coleções, como: seleção, aquisição, desbaste e descarte podem ser
realizadas com mais legitimidade.
Embora o processo de desenvolvimento de coleções sempre fez parte dos fazeres
bibliotecários, o interesse em estudá-lo com maior cientificidade se deu a partir da explosão
bibliográfica, cujo crescimento exagerado da literatura, em meados do século XX,
desencadeou dificuldades de seleção, bem como os problemas oriundos a partir da falta de
espaço físico requerido pelas unidades de informação.
A partir dos problemas acarretados pela explosão da informação, o desenvolvimento
de coleções tornou-se objeto de pesquisa no campo da Biblioteconomia, despertando interesse
de estudiosos na formulação de diferentes modelos teóricos, objetivando operacionalizar e
administrar com efetividade as atividades voltadas para a gestão da coleção (VERGUEIRO,
1993).
Os estudos científicos em torno das atividades do desenvolvimento de coleções, além
de estabelecer propostas de como a coleção pode ser gerenciada, também evidenciam a
necessidade de utilizar modelos específicos para cada modalidade de biblioteca,

2502

�considerando-se vários fatores como o público servido e o contexto da instituição
mantenedora da unidade (VERGUEIRO, 1993).
A partir desses estudos, o desenvolvimento de coleções vem adquirindo mais
reconhecimento de sua importante função no gerenciamento da informação, controlando o
ciclo informational e os fluxos de informação. Vergueiro (1993) vai além e considera esse
processo tão imprescindível não apenas na gestão da informação e dos itens informacionais,
mas também de todos os processos de trabalho desenvolvidos na biblioteca. Profetiza esse
autor que ao formar e desenvolver a coleção, viabiliza-se uma visão geral da unidade, de
modo a contribuir no planejamento de recursos informacionais.
No

contexto

das Bibliotecas Universitárias

(BUs),

de modo

especial,

o

desenvolvimento de coleções se torna ainda mais complexo, uma vez que elas oferecem
diferenciados suportes a um público diversificado, atendendo as atividades de ensino,
pesquisa e extensão da universidade. Desse modo, as coleções das BUs devem acompanhar o
crescimento das universidades, bem como as áreas de atuação dessas instituições educacionais
(PINHEIRO, 2013). Segundo Vergueiro (1993) nessas modalidades de bibliotecas o
desenvolvimento de coleções vem sendo tratado com mais intensidade se tornando objeto de
constantes preocupações e estudos.
A explosão bibliográfica e a escassez de espaço para abrigar as coleções condicionam
às BUs adotarem mecanismos que reduzem o número de itens incorporados no acervo,
adentrando-se à qualidade do que à quantidade. No entanto, devido às exigências dos diversos
usuários das BUs, faz-se necessário o estabelecimento de critérios a ponto de facilitar a
seleção das fontes,

sem desconsiderar as necessidades dos usuários.

Assim,

o

desenvolvimento de coleções tornou-se “[...] recurso fundamental para se administrarem as
coleções de acordo com os interesses e o perfil daqueles que necessitam de informações
específicas [...]” (WEITZEL, 2002, p. 3). Pondera a mesma autora que, a seleção das fontes
objetiva “[...] filtrar o conhecimento registrado, separando o joio do trigo para consumo
adequado”.
A fim de diminuírem os diversos obstáculos existentes no processo de formação e
desenvolvimento de coleções, surgiram alguns modelos teóricos apresentando formas
específicas e estratégicas a fim de atingir a excelência quanto ao desenvolvimento de
coleções. De acordo com os estudos de Vergueiro (1993) vários modelos foram publicados na
literatura internacional pelos autores: Hendrik Edelman, John Ryland, Rose Mary Magrill e
Doralyn J. Hickey.

2503

�Todavia, esses modelos não se adéquam à realidade das BUs, uma vez que são
estruturados de forma hierárquica, individualizando cada etapa do processo. Já os modelos
dos teóricos Balhgman e Evans, ao contrário daqueles, são estruturalista e holístico,
respectivamente, o que pressupõe a integração de todas as etapas do processo, por
conseguinte, envolve a unidade de informação como um todo, o que os tornam mais
adequados ao desenvolvimento de coleções realizados em BUs.
A partir dessa importância que o desenvolvimento de coleções apresenta quanto à
satisfação das necessidades dos usuários, espera-se que as dificuldades enfrentadas pelos
bibliotecários de BUs sejam reduzidas, no sentido de selecionar criteriosamente as fontes e
gerenciar com integridade toda a coleção. Assim, este estudo objetiva comparar as atividades
realizadas em prol da formação e desenvolvimento de coleções do Sistema Integrado de
Bibliotecas da Universidade Federal do Espírito Santo (SIB/UFES), de acordo com os
modelos teóricos de Evans e Baughman, propondo alternativas de melhoria conforme a
proposta desses modelos, com vistas a garantir a adequação das coleções às exigências e
necessidades dos usuários da coleção.
Como objetivos específicos, o estudo propôs uma reflexão teórica acerca do
desenvolvimento de coleções e sua relação com as BUs. Apresenta as características centrais
dos modelos teóricos de Evans e Baughman. Compara as características desses modelos com
a realidade de uma BU, o SIB/UFES, propondo alternativas de melhoria ao referido sistema
investigado, enfatizando qual desses modelos se adéquam mais precisamente ao contexto das
BUs da atualidade.
Como metodologia de pesquisa, utilizaram-se três modalidades: a pesquisa
bibliográfica, documental e o diagnóstico. A primeira foi construída com base em estudos
publicados em livros e artigos científicos sobre desenvolvimento de coleções em BUs e a
relação com os modelos teóricos. A segunda se pautou pela análise ao regulamento interno da
BU investigada contendo as normas e procedimentos a serem seguidas pela unidade ao gerir
sua coleção. Também utilizou-se como documento, relatório de estágio supervisionado
realizado na referida unidade. Por fim, quanto ao diagnóstico, este se fez com base em
observação nas atividades realizadas na prática pelo SIB/UFES.

2 DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
UM PROCESSO DINÂMICO
Conforme consta na própria nomenclatura, a expressão “desenvolvimento de
coleções” denota o conjunto de ações realizadas em prol da formação de uma determinada

2504

�coleção. No bojo das bibliotecas, esse processo condiz ao ato de formar a coleção e viabilizar
o seu preciso crescimento.
Esse processo pressupõe a aplicação de técnicas administrativas no intento de adquirir
os itens informacionais que comporão os acervos, assim como, seu remanejo ou seu descarte.
De forma clássica, Vergueiro (1989, p. 15, grifo nosso) menciona que o desenvolvimento de
coleções constitui a “[...] administração sistemática, eficiente e econômica dos recursos da
biblioteca”. Vê-se que tal processo não se limita apenas à aquisição de material informacional,
mas a todos os recursos necessários para que as atividades e objetivos da unidade sejam
alcançados.
Essa administração sistemática pressupõe o estabelecimento de condições a fim de
justificar a seleção e aquisição dos recursos, desencadeando um processo criterioso realizado
com amplo planejamento, sofrendo interferências de agentes externos. Sendo assim, o
desenvolvimento de coleções refere-se a “[...] um processo que ao mesmo tempo, afeta e é
afetado por muitos fatores externos a ele" (VERGUEIRO, 1989, p. 15), fato esse que
condiciona o estabelecimento de uma política que fomente as práticas realizadas. Desse
modo, ao ser sustentado pelo planejamento, o processo de desenvolvimento de coleções “[...]
deve ter um plano detalhado, pré-estabelecido, a fim de garantir um mínimo de continuidade
ao processo e correções de rota, quando necessárias [...]”.
A política de desenvolvimento de coleções é um documento de cunho administrativo
imprescindível ao estabelecer garantia, segurança e legitimidade às ações desenvolvidas junto
à coleção. Corresponde a um documento onde se detalhará quem será atendido pela coleção,
quais os parâmetros gerais da mesma e com que critérios esta se desenvolverá (VERGUEIRO,
1989).
No âmbito das BUs, o processo de desenvolvimento da coleção é amplo/complexo
devendo abarcar a comunidade universitária, a avaliação da coleção, a elaboração de políticas
e atividades como a seleção, aquisição e desbaste da coleção. Trata-se de um processo
constante devendo estar de acordo com as propostas universitárias (PINHEIRO, 2013).
Nesse contexto sistêmico em que se submetem as BUs, a fim de tornar os processos de
trabalho controlados, faz-se necessário o estabelecimento da política de desenvolvimento de
coleções, que deverá ser construída conjuntamente, de modo a prescrever o detalhamento dos
processos a serem seguidos por todos os envolvidos com a universidade. Assim, o
desenvolvimento da coleção das bibliotecas universitárias deve ser feito

2505

�[...] seguindo algumas diretrizes preestabelecidas, que possa garantir a
continuação da formação do acervo, estabelecendo diretrizes de seleção, de
aquisição, e de desbastamento dos materiais, pois nenhuma biblioteca é capaz
de armazenar tudo que é produzido nas diversas áreas, com isso a política de
seleção define quais os critérios que [irão] compor o acervo (EDUVIRGES,
[2014?], p. 5).
Conforme proclamado pelo mesmo autor, essa política realizada em parceria com
outros setores da universidade deve registrar os objetivos, a curto e longo prazo da unidade de
informação para suas coleções. As diretrizes da política de seleção devem analisar cada
material que inclui no acervo, utilizando critérios e objetivos discutidos com o bibliotecário,
usuários, assessores e professores.
O processo de desenvolvimento em BUs se torna tão amplo que, conforme defendido
por Vergueiro (1993) irá incluir inúmeras outras etapas, abarcando a avaliação das
necessidades dos usuários, a avaliação da coleção atual, a determinação da política de seleção,
a coordenação da seleção de itens, o desbastamento e armazenagem das partes da coleção e o
planejamento para compartilhamento de recursos. Para que essas atividades sejam
consolidadas com efetividade, faz-se imprescindível o estabelecimento de planejamento e a
tomada de decisões.
A esse respeito, é importante destacar que o processo de desenvolvimento de coleções
constitui-se de forma contínua, regular e permanente (VERGUEIRO, 1989), o que requer a
interação entre vários setores da unidade informacional e da universidade, bem como a
interação com a comunidade usuária e demais instituições participantes de redes de
informação/conhecimento. Essa integração exige um trabalho conjunto, sustentado por
atividades recíprocas. Nas palavras de Nascimento e Santos (2012, p. 2, grifo nosso),
constata-se que
Gerenciar coleções é um trabalho que requer um conjunto de parcerias,
principalmente nas bibliotecas universitárias, que passa pela administração da
instituição, pelo usuário que irá utilizar aquela bibliografia até chegar ao seu
objetivo, que é disponibilizar a informação, evitando assim que haja um
abarrotamento no acervo [...].
Também

constituem

parceiros

essenciais

ao

desenvolvimento

de

coleções

especificamente em BUs os usuários da informação podendo participar dos processos de
seleção das fontes, do estabelecimento das políticas, além de demonstrar sua opinião por meio
da participação em estudos de comunidade (AMBONI, 2013).

2506

�No entendimento de Miranda (2007, p. 3), atribuir critérios no decorrer das etapas do
desenvolvimento da coleção garante maior confiabilidade ao se tomar as decisões. Assim,
esses processos provocam “[...] a filtragem adequada das informações obedecendo a padrões
estabelecidos de seleção que garantam a disponibilidade de obras confiáveis nos diversos
suportes informacionais”. Profere a referida autora que é imprescindível conhecer as
necessidades da comunidade a fim de permitir um planejamento com qualidade e eficácia no
desenvolvimento e formação das coleções.
Assim, o estudo da comunidade constitui um dos pontos centrais em que se apoiará e
sustentará todas as demais etapas do processo de desenvolvimento da coleção. Para
Pasquarelli (1996, p.32), o usuário tem um papel preponderante na gestão de coleções, pois
ele [...] é a principal razão da existência das atividades de formação e manutenção do acervo
[...]”, seja através da aquisição por compra, doação, permuta do material bibliográfico e
multimeios, e também deve ser o centro das atenções das atividades de preparo técnico do
acervo [...]”, atividades diluídas em meio à representação descritiva e temática dos
documentos e de atendimento ao público.

3 O DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES À LUZ DOS MODELOS TEÓRICOS DE
EVANS E BAUGHMAN
Segundo Vergueiro (1993), o desenvolvimento de coleções, da forma como o
concebemos na atualidade (aspecto científico/administrativo), apresenta-se como uma área
relativamente nova, tendo sua gênese configurada a partir da explosão informacional, o que o
consolidou como disciplina a ser oferecida nos currículos dos cursos de Biblioteconomia do
Brasil.
Os estudos voltados para o gerenciamento das coleções de bibliotecas são pautados em
modelos teóricos, organizados e defendidos por diferentes autores internacionais. Alguns
modelos foram estruturados tendo em vista a hierarquização entre as diversas fases dos
processos de desenvolvimento de coleção (Figura 1). Outros modelos já foram idealizados
com vistas a integrar de forma conjunta diferentes etapas do processo (VERGUEIRO, 1993).

2507

�Figura 1 - Exemplo de modelo teórico hierarquizado
Aquisição

Seleção

Planejamento da coleção

Fonte: o autor (com base em Vergueiro, 1993).

Os modelos pautados em hierarquias são mais adaptados a pequenas unidades de
informações, em contextos isolados. Ao contrário, o modelo estruturalista de Baughman preza
pela interação dessas partes. Semelhantemente, o modelo de Evans adota a estrutura
sistêmica. Nesses dois últimos modelos, infere-se que eles se desenvolvem em meio à gestão
compartilhada.
Conforme consta no estudo de Vergueiro (1993, p. 3), no modelo estruturalista de
Baughman (1979), o desenvolvimento está vinculado às relações firmadas entre as etapas,
estando “[...] forcado sob um ponto de vista estruturalista, configurando-se um padrão de
relacionamento entre todas as partes envolvidas [...]”. O modelo está composto por três
elementos centrais: o uso (oriundo dos usuários), o conhecimento (oriundo das disciplinas) e a
biblioteconomia (fruto das relações na literatura). Essas partes estão interceptadas entre si de
forma integrada, constituindo um conjunto de elementos que somente funcionarão se houver
ações de planejamento, desenvolvimento e implantação (Figura 2).

Figura 2 - O modelo estruturalista de Baughman

Fonte: Vergueiro (1993, comadaptações do autor).

2508

�O modelo proposto por Baughman rompe a hierarquia e estabelece uma gestão
integrada, firmando relacionamentos entre as partes, o que facilita a troca de informações e o
auxílio recíproco evidenciado pelas redes de informação da atualidade. Segundo reflexão de
Vergueiro (1993, p. 4), nesse modelo, o desenvolvimento de coleções é fruto “[...] do
entrecruzamento, do planejamento, implementação e da avaliação de coleções [...]”.
Essa interseção alimenta um sistema contínuo, que se retroalimenta de acordo com
novas informações que passam a inserir-se no ciclo, não possuindo necessariamente um início
ou fim, mas sim, constituindo, dessa forma, um sistema cíclico e autoaperfeiçoável
(VERGUEIRO, 1993). Segundo o referido autor, o modelo proposto por Baughman considera
o desenvolvimento de coleções a partir do somatório firmado entre as três etapas, podendo ser
representada da seguinte forma: PLANEJAMENTO + IMPLEMENTAÇÃO + AVALIAÇÃO
= DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES.
De modo geral, entende-se que as BUs, devido à amplitude de serviços e produtos que
oferecem, condizentes com as diferenciadas exigências da comunidade universitária, visando
gerenciar com efetividade suas coleções devem adotar modelos integrados, facilitando a
comunicação, a interação e o compartilhamento entre todos os atores envolvidos nos
processos, especialmente destacando a participação do usuário. Além do modelo de Baghman,
outro modelo pautado na comunhão é o modelo definido pelo teórico Evans. Ao contrário do
modelo anterior apresentado, esse modelo requer, além da integração, uma gestão sistêmica,
constituindo um “[...] processo de identificação dos pontos fortes e fracos de uma coleção de
materiais de biblioteca em termos de necessidades dos usuários e recursos da comunidade e
tentando corrigir as fraquezas existentes, quando constatadas” (EVANS, 1979 apud
VERGUEIRO, 1993, p.16).
Nesse

contexto,

adentrando-se

ao

modelo

de Evans,

constata-se

que

o

desenvolvimento de coleções nas bibliotecas universitárias está sempre em constante processo
de atualização com vista ao atendimento das atividades de Ensino, Pesquisa, Extensão e
Administração, com acesso aberto tanto à comunidade universitária, quanto à comunidade
externa. Essas necessidades referem-se a
[...] necessidades informacionais da comunidade acadêmica (corpo docente,
discente, pesquisadores e técnico-administrativo), direcionando sua coleção
aos conteúdos programáticos ou em projetos acadêmicos dos cursos
ministrados pela universidade na qual se encontra inserida (MIRANDA, 2007,
p. 4).

2509

�Desse modo, a participação de usuários na gestão de coleções, por tratar-se de uma
atividade com ciclo ininterrupto, regular e permanente, como descrito no modelo de Evans
(1979), "[...] deve estar em sintonia com os propósitos institucionais, pois as coleções
precisam evoluir de forma harmônica em todas as áreas do acervo, evitando que o mesmo
cresça desordenadamente, sem metas ou objetivos definidos" (MIRANDA, 2007, p.5), tendo
em vista o atendimento das necessidades apresentadas pelo público a que serve (comunidade
universitária, a priori).
O modelo de Evans parte desses pressupostos ao enfatizar a presença do bibliotecário
no centro do círculo e a comunidade à volta de todo o sistema, caracterizando um contexto
holístico (visão de todo) (Figura 3).

Figura 3 - O modelo sistêmico de Evans

Conforme representado na Fiura 3, as etapas do modelo de Evans funcionam de forma
ininterrupta, uma imediatamente em sequência da outra, todas no mesmo nível de igualdade, o
que requer de seus integrantes, participação e sincronia (VERGUEIRO, 1993).
O modelo teórico proposto parte do princípio de que, a coleção é formada com base no
entorno da instituição bibliotecária, iniciando-se com as necessidades da comunidade.
Considerado como um modelo processual, apresenta caráter cíclico o que favorece que,
nenhuma etapa chegue a distinguir-se ou sobrepor-se às demais, propiciando a continuidade
do processo. Este modelo é formado por seis etapas, sendo a implementação da política, o
documento base para sustentação das demais etapas (COUTINHO, 2013).

2510

�As seis etapas desenvolvem-se atreladamente, podendo ser comparada figurativamente
à estrutura de um guarda-chuva, o que depreende a interdependência dessas etapas. Com isso,
profere-se que a coleção somente se desenvolve com eficiência se houver avaliação e seleção,
sendo todos os estágios constituintes do processo, justificados por meio de políticas
previamente construídas, sendo o estabelecimento desta política, um dos estágios essenciais
na continuação do processo (WEITZEL, 2006).
Esse modelo teórico recebe interferências da comunidade usuária, ou seja, recebe
pressões dos agentes que estão ao entorno da unidade de informação, intervindo nas várias
etapas constituintes do processo. Daí, constata-se que tal modelo é holístico. O bibliotecário
apoia-se no centro do modelo, representando o filtro que seleciona as fontes com base em
critérios previamente estabelecidos, atentando-se às exigências e às condições contextuais.

3.1 ANÁLISE DOS MODELOS EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Após análise do processo de desenvolvimento de coleções no âmbito das BUs e das
discussões a respeito dos modelos teóricos integrado e sistêmico, parte-se para a aplicação
desses modelos em um contexto real, constatando qual deles é mais adequado à unidade
estudada, e quais melhorias o modelo escolhido pode apresentar à unidade de informação em
questão.
Assim, analisa-se a realidade do Sistema Integrado de bibliotecas da Universidade
Federal do Espírito Santo (SIB/UFES), um sistema centralizado, cujas atividades de aquisição
e preparo técnico e mecânico dos itens são realizadas pela Biblioteca Central da Ufes
(BC/UFES).
Situada no município de Vitória (capital), a BC/UFES é conhecida pela comunidade
acadêmica da referida universidade como Biblioteca Central (BC) incluindo-se na categoria
de biblioteca universitária e localiza-se no Campus de Goiabeiras.
A Biblioteca Central é órgão suplementar vinculado diretamente à Reitoria, e coordena
todos os procedimentos técnicos do sistema. Administrativamente, as setoriais estão
vinculadas aos seus centros de ensino. O SIB/UFES se mantém em constante processo de
atualização para que sejam providas informações atualizadas e adequadas às necessidades das
atividades de Ensino, Pesquisa, Extensão e Administração da UFES. O acesso ao acervo do
SIB é permitido tanto à comunidade universitária quanto à externa (UFES, 2012, não
paginado).

2511

�Seguindo o modelo centralizado, orientado pelo SIB/UFES, a BC coordena
tecnicamente outras seis unidades assim denominadas: Biblioteca Setorial Tecnológica,
Biblioteca Setorial Ciências da Saúde, Biblioteca Setorial Centro Universitário Norte do
Espírito Santo (Ceunes), Biblioteca Setorial Ciências Agrárias, Biblioteca de Educação e
Biblioteca Setorial do Núcleo de Estudos e de Difusão de Tecnologia em Floresta, Recursos
Hídricos e Agricultura Sustentável (Nedtec).
No que se refere ao processo de formação e desenvolvimento de coleções, o
SIB/UFES adota uma gestão participativa, em que todas as bibliotecas setoriais, seus
colaboradores e todos os usuários de diferentes localidades, podem participar do crescimento
das coleções, indicando itens informacionais a serem incorporados ao acervo.
O estudo de Coutinho (2013) identificou que dentre os vários modelos de gestão
existentes na literatura o que melhor se aplica e representa o conjunto de interesses de uma
biblioteca universitária no contexto atual, é o modelo de gestão participativa, pois se
fundamenta na defesa da participação e comprometimento de todos os envolvidos no
processo.
Assim sendo, logo de antemão, constata-se que o modelo de Evans se torna mais
íntegro, considerando-se a forma de gestão adotada pelo SIB/UFES. É importante destacar
que, isso não quer dizer que o modelo de Baughman seja inadequado, porém, ao considerar o
processo sistêmico, constituído por várias etapas interligadas e influenciadas pelos usuários da
coleção (a comunidade universitária), o modelo de Evans torna-se mais adaptável ao contexto.
Infere-se que, o modelo de Baughman possa ser mais adaptável a unidades descentralizadas, o
que não é o caso das bibliotecas vinculadas ao SIB/UFES.
Voltando ao estudo de Coutinho (2013), destaca-se que para gerir de forma
participativa é preciso construir um ambiente democrático, em que todos podem participar
indiretamente do processo decisório, da formulação dos objetivos e das políticas
organizacionais. Santos, Lopes e Graça (2002 apud COUTINHO, 2013, p. 26-27) defendem a
gestão participativa como um conjunto de princípios e processos que favorecem "[...] o
envolvimento regular e significativo dos trabalhadores na definição de metas e objetivos, na
resolução de problemas, no processo de tomada de decisão, no acesso à informação e no
controle da execução".
No contexto da gestão participativa, “A participação coletiva não permite a tomada de
decisão e o controle gerencial por parte de todos os participantes. Ao contrário, o domínio da
organização continua sob a responsabilidade de uma equipe especializada [...]” (COUTINHO,
2013, p. 27), por isso, os bibliotecários se encontram no centro do processo, conforme modelo

2512

�proposto por Evans, mediando as etapas e as sugestões propostas e tomando decisões de
seleção, conforme inúmeros critérios formulados na política de seleção.

3.2 ANÁLISE DO MODELO DE EVANS AO CONTEXTO DO SIB/UFES
Metodologicamente, a coleta de informações a respeito da realidade do SIB/UFES foi
oriunda de pesquisa documental, realizada em relatórios de estágio produzidos por alunos de
Biblioteconomia da Ufes, como também na análise do Regimento Interno do referido sistema,
além do diagnóstico da realidade local.
Com base nessas três técnicas de pesquisa e analisando o modelo de Evans, constatouse que o SIB/UFES não contempla todas as etapas propostas pelo modelo, o que confirma a
afirmação de que o SIB/UFES utiliza o referido modelo de forma parcial. São utilizadas
apenas as etapas de estudo da comunidade, seleção, aquisição e avaliação. As etapas voltadas
ao estabelecimento da política e a etapa de desbastamento não são aplicadas ao contexto
analisado.
Embora as etapas de seleção e aquisição estejam presentes, o relatório de Santa Anna
(2012) destaca que essas duas etapas estão inseridas em um único setor da BC (a seção de
Aquisição). O referido relatório menciona que, devido à falta de profissional capacitado à
seleção, todos os itens sugeridos pelos usuários são automaticamente adquiridos. Logo,
confirma-se a ausência da etapa de seleção.
Analisando o Regimento Interno do SIB/UFES, percebe-se que o estudo da
comunidade é uma etapa imprescindível, devendo ser realizado pela Divisão de Assistência ao
Usuário (DAU) efetuando periodicamente levantamento de dados, com o fim de identificar o
nível de satisfação dos usuários da comunidade universitária, com vistas a construir um
instrumento de avaliação permanente para a manutenção do padrão de qualidade dos serviços
e produtos de informação (REGIMENTO INTERNO, SIB/UFES, 2002, não paginado).
Seguindo as etapas do modelo de Evans, tem-se a elaboração da política de
desenvolvimento de coleção. Conforme consta no Regimento Interno do SIB/UFES (2002,
não paginado, grifo nosso), é delegada à BC, a responsabilidade de gerir os recursos
orçamentários “[...] destinados ao desenvolvimento das coleções, com base na dotação que
lhe é atribuída, a partir de uma política de desenvolvimento de acervo que venha a
atender as demandas dos diversos conjuntos de usuários [...]”. Todavia, mesmo sendo uma
exigência do regimento interno, Coutinho (2013) constatou a inexistência de uma política
oficializada.

2513

�É importante a oficialização da política, pois conforme discutido na literatura da área,
esse documento estabelece os critérios necessários a considerar “[...] as necessidades, a
pertinência, a atualidade, a qualidade, tipo, suporte, idioma [...] dos itens a serem
incorporados no acervo, com vistas a considerar uma série de fatores, sobretudo a satisfação
das demandas informacionais dos usuários (LUBISCO, 2011, p. 37).
No que se refere à etapa de seleção, conforme já dito anteriormente, ela não se
concretiza no SIB/UFES, estando atrelada diretamente à etapa de aquisição. Essa etapa iniciase no momento que se abre espaço para os usuários sugerirem a aquisição de itens a serem
incorporados ao acervo. Essas sugestões podem ser feitas por meio do preenchimento de
formulário eletrônico ou manual, podendo participar tanto a comunidade universitária quanto
externa. Contudo, segundo Coutinho (2013), a participação do discente é feita de forma
passiva, tendo apenas os professores total liberdade em sugerir os pedidos de aquisição.
Conforme entrevista realizada junto à diretoria do SIB/UFES, instrumento de pesquisa
utilizado por Coutinho (2013), constatou-se a utilização de outras metodologias para ampliar
as possibilidades de sugestões. Assim, as solicitações e coleta de sugestões podem ser
realizadas por: email, gloogle doc, faceebock e planilhas anexadas ao email.
Analisando as informações constantes no regimento, e tendo em vista a participação
do usuário na gestão das coleções, infere-se que, o discente está representado de forma
passiva e não com atribuições que lhe conferem representatividade, pois todas as ações são de
iniciativa da instituição (biblioteca).
A distribuição de valores para aquisição dos itens é consolidada com base em um
modelo de rateio utilizado pela BC levando em consideração as seguintes variáveis: secretaria
geral: 25,00%, colegiados Pós-graduação: 25,00%, colegiados Graduação: 25,00%,
departamento gerador do recurso: 12,50%, todos os departamentos: 12,50%, totalizando
100% de consumo da verba disponibilizada (COUTINHO, 2013). Segundo o mesmo autor, os
valores distribuídos são facultados para cada centro, com base nas indicações de área,
conforme o quantitativo de aluno matriculado na graduação, pós-graduação (Mestrado e
Doutorado) e Residência Médica.
No que se refere à etapa de desbastamento, é importante, antes de qualquer análise,
estabelecer as relações entre desbaste, descarte e remanejo. Tendo como base, as pesquisas de
Figueiredo (1993), desbaste compreende uma ação interventiva (ampla) no sentido de extrair
itens da coleção. Esse processo pode ser realizado de duas maneiras: remanejo ou descarte. O
primeiro consiste em retirar do acervo, alocando para espaços específicos (normalmente fora
do acervo) itens não utilizáveis, o que determina a consultas eventuais a esse acervo

2514

�remanejado. Já o segundo tipo de desbaste, o descarte, consiste na retirada definitiva do
material, podendo destruir os materiais ou realizar intercâmbio/doação com outras
instituições.
O modelo de Evans contempla o processo de desbaste, podendo ele compreender o
remanejo ou descarte. Com base no relatório de Santa Anna (2012), bem como a técnica de
diagnóstico, constatou-se que o SIB/UFES realiza parcialmente o processo de desbaste, isso
porque apenas o remanejo é realizado de forma gloriosa.
A fim de consolidar a prática do remanejo, a unidade possui uma extensa área em
anexo ao prédio da BC, à qual destina a armazenar itens pouco procurados. Os itens somente
são deslocados fisicamente, porém no catálogo eletrônico ele continua ativo, com o status de
“baixa demanda”. Ao ser solicitado pelo usuário, eles são realocados ao acervo geral. É
interessante destacar que, figurativamente, esses espaços foram denominados por Vergueiro
(1989) de “purgatório”, devido à espera em que os itens se encontram, na tentativa de
retornarem à vida ativa (ao acervo).
No entanto, no que se refere aos procedimentos de descarte, o SIB/UFES não possui
um plano de descarte; logo, qualquer tentativa de descarte constitui um ato proibido. Infere-se
que, pelo fato da BU estar inserida em um constante dinamismo e com a obsolescência
ocasionada com a explosão bibliográfica, assim como a falta de espaço, recomenda-se a
elaboração de um política a fim de fomentar a prática do descarte nessas instituições. Além
disso, faz-se necessário a concretização do processo de descarte, pois esse processo é
mencionado no Regimento Interno do SIB/UFES (2002, não paginado, grifo nosso), ao dispor
que os profissionais devem
[...] possibilitar o acesso do usuário à informação e à documentação contidas
no acervo ou acessíveis em bases de dados, nacionais e estrangeiras, orientar
os usuários na utilização dos recursos e serviços disponíveis e coordenar
atividades de conservação, avaliação e descarte da coleção.
Quanto à última etapa do modelo de Evans e uma das essenciais, a avaliação, essa
corresponde a “um divisor de águas” no processo de desenvolvimento de coleções, tornandose um mecanismo necessário no desenvolvimento efetivo das coleções, com vistas a satisfazer
continuamente os anseios e desejos dos usuários. Essa funcionalidade está prevista no artigo
30 do regimento interno do SIB/UFES (2002, não paginado, grifo nosso), descrevendo que,
cabe aos gestores da coleção realizarem

2515

�[...] periodicamente levantamento de dados, com o fim de identificar o nível
de satisfação dos usuários da comunidade universitária, com vistas a construir
um instrumento de avaliação permanente para a manutenção do padrão de
qualidade dos serviços e produtos de informação.
As atividades realizadas em prol da avaliação da coleção são efetivadas com
prestatividade por parte do SIB/UFES. A unidade informacional estabelece vários
procedimentos para que a coleção seja avaliada constantemente, visando atingir altos índices
de qualidade e excelência (SANTA ANNA, 2012).
A pesquisa de Coutinho (2013) identifica vários critérios a serem considerados no
processo avaliativo da coleção. A priori., percebe-se como algo engrandecedor desse processo,
a oportunidade dos usuários poderem opinar/sugerir a incorporação de novos itens. Além
disso, é importante frisar também, a avaliação da condição de atendimento à demanda
potencial considerando os seguintes indicadores: total de exemplares disponíveis, número de
alunos matriculados e total de exemplares segundo prescrição do padrão de avaliação dos
cursos de graduação (1 livro para cada 8 alunos/turma), conforme recomendação do
Ministério da Educação.

3.2 PROPOSIÇÕES DE MELHORIA E ADEQUAÇÃO DO SIB/UFES AO MODELO DE
EVANS
Em suma, tendo em vista as análises do contexto situacional do SIB/UFES, advindo
das técnicas de diagnóstico, pesquisa bibliográfica e documental, é possível constatar algumas
lacunas não contempladas na realidade da BU analisada no comparativo com um modelo mais
adequado à gestão da coleção, o modelo de Evans.
Em linhas gerais, as etapas que merecem especial atenção, uma vez que não são
praticadas pelo sistema são: política de desenvolvimento da coleção, seleção e descarte
(imbuído na etapa de desbastamento). Convém mencionar que, a unidade deve elaborar ações,
com vistas a consolidar essas etapas, uma vez que todas elas estão contempladas no
documento de controle legal da unidade, o Regimento Interno.
Em primeiro lugar, como atividade mais importante na melhoria dos trabalhos a serem
desenvolvidos, é obrigatória a elaboração da política de desenvolvimento de coleções
(ANDRADE; VERGUEIRO, 1996). Essa política, segundo Vergueiro (2010), pode ser um
documento único, como também pode ser realizada para cada etapa do processo
individualmente, devendo levar em consideração o perfil dos usuários e o contexto onde a
biblioteca esteja inserida.

2516

�Convém destacar que, a elaboração da política bem como sua manutenção contínua
deve ser conduzida por uma equipe diversificada, contendo todos os atores que compõem a
universidade, abrindo espaço para participação de bibliotecários, docentes e discentes
(PINHEIRO, 2013).
A etapa de seleção deve ser separada da aquisição. Vergueiro (2010) assinala que a
aquisição é consequência da seleção, ou melhor, a aquisição constitui a concretização das
medidas tomadas na primeira etapa (a seleção), sendo útil a fim de evitar que materiais já
existentes no acervo sejam novamente adquiridos. Recomenda-se a contratação de um
bibliotecário especializado, acompanhado de uma equipe técnica a fim de separar os itens
sugeridos pelos participantes no processo de sugestão de itens.
O processo de aquisição, embora esteja de acordo com o modelo apresentado no que
diz respeito à delimitação das formas de aquisição, pode ser melhorado. Na visão de
Vergueiro (2010), a esse processo também se funde os materiais advindos de outras formas de
aquisição, como doação e intercâmbio. Diferentemente do recomendado pelo autor, o
SIB/UFES prioriza a compra. No entanto, tendo em vista a economia de recursos financeiros,
bem como o que dispõe o Regimento Interno (2002), é preciso que a unidade mantenha
contato com outras unidades de informação, nacionais ou internacionais, objetivando o
estabelecimento de permuta e/ou doação.
A etapa de aquisição também se complementa com o intercâmbio de materiais
(ANDRADE; VERGUEIRO, 1996). Desse modo, recomenda-se que os profissionais de
aquisição mantenham intercâmbio com redes e sistemas de bibliotecas e serviços de
documentação e informação, nacionais e estrangeiros, participando dos programas de
cooperação bibliotecária (REGIMENTO INTERNO, SIBI/UFES, 2002). Com base no
diagnóstico realizado e conforme registrou Santa Anna (2012), o SIB/UFES realiza com
efetividade esse processo, firmando parcerias com outras unidades de informação, trabalho
realizado pela seção de Periódicos e pela Seção de Comutação Bibliográfica (setor COMUT).
A etapa de desbastamento é parcialmente realizada pelo SIB/UFES, pois o descarte
não é realizado pelo sistema. De modo geral, para que se possa realizar o processo de
descarte, podendo destruir os itens ou doá-los/intercambiá-los é preciso estabelecer a política
com diretrizes voltadas ao descarte (VERGUEIRO, 1989; FIGUEIREDO, 1993; ANDRADE;
VERGUEIRO, 1996; VERGUEIRO, 2010; WETZEL, 2006). Logo, é preciso que o
SIB/UFES reúna uma comissão, contendo diferentes participantes, tanto os gestores do
Regimento Interno, quanto bibliotecários especializados na gestão de coleções, como também
cada representante de uma categoria de usuário da BU (discente, docente, pesquisador e

2517

�colaborador), no intento de elaborar um documento que estabeleça os critérios a serem
considerados no descarte, garantindo a tomada de decisão e proporcionando segurança e
legitimidade ao processo.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nas análises realizadas, conclui-se que o desenvolvimento de coleções no
âmbito das BUs se apresenta como um processo complexo, uma vez que visa abranger várias
necessidades, oriundas de diferentes contextos existentes no bojo da universidade.
O estudo demonstrou através da análise dos modelos teóricos, que a realidade da BU
não condiz com as propostas dos modelos hierárquicos, aproximando com mais intensidade
das características elencadas pelo modelo estruturalista de Baughman e modelo holístico de
Evans.
De acordo com o contexto analisado nesta pesquisa, permeado pelo SIB/UFES,
confirma-se que, no intento de oferecer informações e serviços em concomitância com as
exigências e necessidade dos usuários desse sistema, em conformidade com as duas diferentes
propostas visíveis no modelo de Baughman e Evans, o modelo de Evans se torna mais
adequado à realidade estudada.
O modelo de Baughman pode ser aplicado em BUs, porém, apresenta limitações,
especificamente no que se refere às intervenções da comunidade usuária, apresentando-se
como um modelo integrado e ao mesmo tempo engessado, direcionado com mais
exclusividade aos problemas internos, o que ocasiona a falta de flexibilidade e inovações. Já o
modelo de Evans considera a comunidade como um sistema pressionador que interfere no
desencadeamento das ações, refletindo na continuidade dos processos de forma conjunta,
tendo o bibliotecário como centro gerenciador e adaptando o sistema às reais necessidades.
De modo geral, os resultados confirmaram haver necessidade de adequação aos
modelos propostos, especificamente às ideias de Evans, consolidando uma gestão sistêmica.
Quanto à ambiência do SIB/UFES, o modelo se apresenta como metodologia mais apropriada,
no entanto, o sistema omite três fases do modelo, condicionando a utilização do modelo de
forma imparcial, não sendo utilizada pelo sistema, as etapas de estabelecimento das políticas,
seleção e a etapa de desbastamento (apenas o descarte). Com isso, verificou-se a necessidade
da construção de uma política de desenvolvimento de coleções, objetivando fundamentar e
nortear todas as ações em prol da constante adequação da coleção às necessidades
demandadas pela comunidade universitária.

2518

�Por fim, a partir desses resultados alcançados, infere-se que o modelo de Evans é uma
metodologia essencial proposta a ser discutida e adaptada ao contexto do SIB/UFES,
garantindo, a partir de sua íntegra utilização, o gerenciamento efetivo de todas as coleções
disponibilizadas à comunidade universitária, desprendendo o uso satisfatório de todo o
acervo.
Esse trabalho fomenta a realização de futuras pesquisas, abrindo lacunas à proposta de
elaboração e implantação de uma política de desenvolvimento de coleções para o sistema
analisado, levando em consideração, ao propor os procedimentos da política, todos os
pormenores delineados pelo modelo holístico de Evans.

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2520

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>As Bibliotecas Universitárias (BUs) constituem unidades de informação, cujo objetivo principal é fornecer materiais informacionais aos diversificados atores que compõem o espaço universitário. No entanto, formar e desenvolver coleções nessas unidades de informação pode representar uma missão instigante e desafiadora. Isso porque, as coleções que formam os acervos das BUs não são estáticas, devendo estar em constante crescimento no intento de atender as propostas pedagógicas da universidade, viabilizando o trabalho de ensino, pesquisa e extensão. Considerando as complexidades existentes no processo de formação e desenvolvimento de coleções, este estudo objetiva comparar as atividades realizadas em prol da formação e desenvolvimento de coleções do SIB/UFES, de acordo com os modelos teóricos de Evans e Baughman, propondo alternativas de melhoria conforme a proposta dos modelos, com vistas a garantir a adequação das coleções às exigências e necessidades dos usuários da coleção. Para tanto, através de pesquisa bibliográfica, documental e diagnóstico, propõe-se uma reflexão teórica acerca do desenvolvimento de coleções e sua relação com o SIB/UFES. Apresenta as características centrais dos modelos teóricos de Evans e Baughman. Compara as características desses modelos com a realidade do SIB/UFES. Por fim, os resultados confirmaram haver necessidade de adequação ao modelo holístico, consolidando uma gestão sistêmica, bem como a construção de uma política de desenvolvimento de coleções, objetivando fundamentar e nortear todas as ações em prol da constante adequação da coleção às necessidades demandadas pela comunidade universitária.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE DA SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE
DE SÃO PAULO COMO UMA FERRAMENTA PARA A GESTÃO DO
CONHECIMENTO

Marine Fumiyo Otake Arakaki
Mônica da Silva Peres

RESUMO
Este trabalho tem por objetivo descrever o processo de trabalho adotado para a implantação
da Biblioteca Virtual em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (BVS SMS
São Paulo). A BVS SMS São Paulo surgiu da necessidade em constituir um sistema de
gestão de informação e do conhecimento capaz de promover a acessibilidade, a disseminação,
o compartilhamento e principalmente o estabelecimento de um trabalho em rede utilizando-se
de tecnologia e metodologia comum, que possibilitasse a convergência da informação e do
conhecimento produzido por profissionais que atuam nas diferentes áreas técnicas da
Secretaria Municipal da Saúde.
Palavras-Chave: Bibliotecas Virtuais; Gestão do Conhecimento; Gestão da Informação.

ABSTRACT
This paper has the objective describe the work process used to implant the Biblioteca Virtul
em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (BVS SMS São Paulo). The BVS
SMS São Paulo came from the need to build a information and knowledge management
system capable that was capable to promote access, spread, share and above all establish an
network using the usual technology and methodology, giving the possibility the information
and the knowledge that was produced by the professional who works in different technical
areas of the Secretária Municipal da Saúde to converge.
Keywords: Virtual Libraries; Knowledge Management; Information Management.

1 Introdução
Este trabalho tem por objetivo descrever o processo de trabalho adotado para a
implantação da Biblioteca Virtual em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo
(BVS SMS São Paulo).

3959

�A BVS foi idealizada em 2008 pela Escola Municipal de Saúde (EMS) da
Coordenação de Gestão de Pessoas (CGP) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para ser a
Biblioteca Virtual em Saúde do Centro de Formação dos Trabalhadores da Saúde (CEFOR),
atual Escola Municipal de Saúde.
Em agosto de 2010 quando foi estabelecido o convênio de cooperação técnica com o
Centro Latino Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME) para o
desenvolvimento da BVS o projeto foi reformulado para que a Biblioteca Virtual em Saúde
fosse da Secretaria Municipal da Saúde.
A reformulação do projeto foi necessária e motivada pela necessidade de implantar
uma ferramenta disponível por meio eletrônico, que possibilitasse a reunião, organização,
sistematização, promoção, ampliação e principalmente o acesso a informação e ao
conhecimento gerado no âmbito da Secretaria Municipal da Saúde, que se encontravam
espalhados em diversos espaços.
A disponibilização de uma plataforma de comunicação colaborativa em rede com
diferentes atores, em um trabalho cooperativo, descentralizado e convergente possibilitou
melhor interação entre as áreas para atualizar, formar e capacitar pessoas, e acima de tudo,
garantir o provimento e o compartilhamento da informação e do conhecimento produzido
pelos profissionais que atuam na SMS.

2 Revisão de Literatura
A proposta da Biblioteca Virtual em Saúde, como espaço virtual de convergência na
Internet do trabalho cooperativo em informação científica e técnica em saúde, foi aprovada
em março de 1998, na 5a Reunião do Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação
em Ciências da Saúde, realizada em São José, Costa Rica, que contou com a participação de
representantes do sistema nacionais de informação científica e técnica em saúde de todos os
países da América Latina e da grande maioria das ilhas do Caribe. Em conjunto, acordaram
registrar o lançamento da BVS na Declaração de São José Rumo à Biblioteca Virtual em
Saúde, comprometendo-se com sua construção coletiva (BIREME, 1998).
A BVS é produto da evolução de três décadas do programa de cooperação técnica em
informação científica na América Latina e Caribe. Sob a liderança da OPAS/OMS, o
programa é coordenado e implantado pela BIREME, seu centro especializado, desde a sua
criação em 1967. Na sua evolução, o programa adotou sucessivos paradigmas de gestão e
operação de produtos e serviços na estrutura da comunicação científica, sempre funcionando
em rede e buscando atender às necessidades de informação do sistema nacionais de pesquisa,

3960

�ensino e atenção à saúde. O programa iniciou-se com a rede de bibliotecas especializadas,
enriquecida anos mais tarde com a função de centros de informação e indexação, a seguir
como sistema de sistemas nacionais de informação e, a partir de 1998, com a biblioteca
virtual

operando na Internet.

Seu portal

operado pela BIREME está no sítio

&lt;www.bvsaúde.org&gt;.
Como princípios, a BVS busca a equidade no acesso à informação em saúde; a
promoção de alianças e consórcios para maximizar o uso compartilhado de recursos; a
promoção do trabalho cooperativo e do intercâmbio de experiências; seu desenvolvimento e
operação descentralizados em todos os níveis; o desenvolvimento baseado nas condições
locais; e o estabelecimento e aplicação de mecanismos integrados de avaliação e controle de
qualidade.

3 Materiais e Métodos
A Coordenação de Gestão de Pessoas da Secretaria Municipal da Saúde, por meio da
Escola Municipal de Saúde, propôs o convênio com o Centro Latino-Americano e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde, para a implantação da BVS SMS São Paulo.
A proposta idealizada estabelecia um novo padrão de relação e interação entre as áreas
técnicas e seus profissionais, por meio da organização do trabalho em rede, de modo
cooperativo e descentralizado, aliado ao uso de tecnologia avançada e de uma metodologia
reconhecida e consolidada pela BIREME.
A rede BVS SMS São Paulo é formada pelas 19 áreas técnicas da Secretaria Municipal
da Saúde:
o
Assessoria Técnica da Informação (ATTI)
o
Autarquia Hospitalar Municipal (AHM)
o
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)
o
Coordenação da Atenção Básica
o
Coordenação de Apoio e Desenvolvimento a Gerencia Hospitalar
(COGERH)
o
Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEInfo)
o
Coordenação de Gestão de Pessoas (CGP)
o
Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA)
o
Coordenação do Sistema Municipal de Regulação, Controle, Avaliação
e Auditoria (CSMRCAA)
o
Coordenadoria Regional de Saúde Centro-Oeste
o
Coordenadoria Regional de Saúde Leste
o
Coordenadoria Regional de Saúde Norte
o
Coordenadoria Regional de Saúde Sudeste

3961

�Coordenadoria Regional de Saúde Sul
Escola Municipal de Saúde
Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM)
Núcleo de Planejamento
Programa Municipal de DST/Aids
Rede Proteção a Mãe Paulistana

o
o
o
o
o
o

Com as áreas técnicas da SMS definidas, a BIREME realizou capacitações no uso de
diversas ferramentas para a gestão da informação da BVS. Foram constituídas as instâncias do
Comitê Consultivo; Comitê Executivo e Secretaria Executiva, que são as instâncias que fazem
o gerenciamento das ações da BVS, cada qual desenvolvendo o seu papel.
Para promover a participação descentralizada no uso das novas tecnologias para
operação, manutenção e fortalecimento da BVS, foram realizadas também reuniões e visitas
técnicas monitoradas para a sensibilização e apresentação do projeto.

4 Resultados
A partir de um trabalho em rede e com uma equipe engajada, foi possível construir de
maneira compartilhada a 1a Biblioteca Virtual em Saúde de uma instância municipal
brasileira. A BVS SMS Paulo foi lançada em 23 de agosto de 2011, apresenta um recente
histórico de desenvolvimento e fortalecimento como uma ferramenta estratégica na gestão do
conhecimento.
Com acesso livre, gratuito e equitativo, a BVS SMS São Paulo colabora para a
redução de deslocamentos na cidade de São Paulo, por meio do uso da tecnologia, diminuindo
custos operacionais e permitindo que os profissionais conheçam as melhores práticas e, dessa
forma, as tomadas de decisões e a formulação de políticas de saúde sejam baseadas em
informações atualizadas.
Conquistou-se, em tempo recorde, uma BVS conformada e disponível com
resultado potencializado, pelo permanente trabalho coletivo, integrado e descentralizado,
entre técnicos, gestores e usuários. Tais profissionais cooperam para a manutenção,
fortalecimento e ampliação do fluxo de informação. Prova disto é que, atualmente, contamos
com mais 8.000 documentos inseridos em sua base, podendo ser visualizados em texto
completo; e com mais de 70.000 acessos no portal.
Em 2012,

após um ano da implantação da BVS

BIREME/OPAS/OMS

concedeu a certificação,

SMS

São Paulo,

a

como reconhecimento do trabalho

desenvolvido, que envolveu não apenas uma área, mas a Secretaria Municipal da Saúde, que

3962

�incentivou a participação de seus trabalhadores, valorizou seus saberes, fomentou e
reconheceu o trabalho colaborativo.
5 Considerações finais
A implantação da BVS SMS São Paulo possibilitou uma de mudança de cultura,
quebrando paradigma na busca a equidade no acesso à informação em saúde; a promoção de
alianças para maximizar o uso compartilhado de recursos; a promoção do trabalho
cooperativo e do intercâmbio de experiências;

seu desenvolvimento e operação

descentralizados em todos os níveis.
A Secretaria Municipal da Saúde do município de São Paulo se constitui como vitrine
de suas ações relacionadas a saúde coletiva e pública aos demais municípios brasileiros em
uma posição de vanguarda.
Entre outras ações, a BVS SMS São Paulo traduz uma das inovações e surgiu da
necessidade de implantar novas ferramentas eletrônicas que possibilitassem o estabelecimento
de um novo padrão de relação e interação entre as diversas áreas técnicas e seus profissionais,
por meio da organização do trabalho cooperativo e descentralizado, aliada ao uso de
tecnologia avançada e de uma metodologia reconhecida e consolidada pela BIREME.
O modelo previu a captação da produção técnica, científica, informativa e de ensino,
que é o resultado do trabalho das pessoas que são depositárias do patrimônio intelectual da
instituição, favorecendo a construção de conhecimento estratégico e com isso, a agilidade nas
respostas às demandas de saúde.
Desse modo o acesso ao conhecimento e a informação gerada pelos profissionais na
rede de serviços, colabora com a socialização e com a gestão do conhecimento e
conseqüentemente, com a melhoria da saúde pública.

6 Referências
1. ARAKAKI, M.F.O. et al. Biblioteca Virtual em Saúde da cidade de São Paulo: uma
construção coletiva. São Paulo: Escola Municipal de Saúde, 2011. 11p.
2.BIREME/OPAS/OMS.

Guia

da BVS

2011:

consulta pública.

Disponível

em:

http://guiabvs2011.bvsalud.org/. Acesso em: 9 jan. 2014.
3. BIREME/OPAS/OMS. O papel da rede brasileira de informação em ciências da saúde
na

construção

da

Biblioteca

Virtual

em

Saúde.

Disponível

em

&lt;http://www.bireme.br/bvs/P/snbu_doc.htm. &gt; Acesso em: 9 ja. 2014.
4. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Gestão do conhecimento. Porto Alegre: Bookman
Companhia, 2008. 319p.

3963

�5.SÃO PAULO (Cidade). Secretaria da Saúde. Documento de apoio ao processo de
planejamento estratégico da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. São Paulo:
SMS, set. 2013. 133p.
6.SÃO PAULO(Cidade). Secretaria da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Estatísticas de
acesso.

São

Paulo,

2014.

Disponível

em:

&lt;http://logs.bireme.br/cgi-

bin/awstats.pl?config=sms-sp-bvs-br&gt;. Acesso em: 04 de abr. 2014.

3964

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A biblioteca virtual em saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo como uma ferramenta para a Gestão do Conhecimento </text>
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                <text>Arakaki, Marine Fumiyo Otake, Peres, Mônica da Silva</text>
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                <text>Este trabalho tem por objetivo descrever o processo de trabalho adotado para a implantação da Biblioteca Virtual em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (BVS SMS São Paulo). A BVS SMS São Paulo surgiu da necessidade em constituir um sistema de gestão de informação e do conhecimento capaz de promover a acessibilidade, a disseminação, o compartilhamento e principalmente o estabelecimento de um trabalho em rede utilizando-se de tecnologia e metodologia comum, que possibilitasse a convergência da informação e do conhecimento produzido por profissionais que atuam nas diferentes áreas técnicas da Secretaria Municipal da Saúde.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MEMORIAL DENIS BERNARDES PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Ana Cláudia Gouveia Araújo
Susimery Vila Nova
Maurício Rocha de Carvalho
Marcos Galindo
RESUMO
O Memorial Denis Bernardes (MDB) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é uma
das ações estratégicas do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB), da Secretaria de Gestão da
Informação e Comunicação (SeGIC) e do Laboratório de Tecnologia da Informação (Líber)
em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP).
O presente artigo tem como objetivo descrever as ações do MDB como organização que visa
cumprir a função social de resgate, preservação e disseminação da memória produzida na
universidade. A partir de pesquisa de natureza descritiva, o presente relato de experiência
apresenta como estão sendo aplicadas as técnicas da Arquivística, Biblioteconomia e Ciência
da Informação no MDB. Segue etapas de levantamento bibliográfico sobre os temas Memória
na Ciência da Informação, Arquivologia, Metadados descritivos, bem como observação das
técnicas e procedimentos já desenvolvidos no IEB para a implantação de um centro de
pesquisa. O acervo do Memorial foi formado por produções acadêmicas e documentos
administrativos da Instituição, o que resultou em onze fundos documentais em fase de
inventário, descrição e organização.
Palavras-Chave: Memorial Denis Bernardes; Memória; Universidade Federal de
Pernambuco; Preservação; Conservação.
ABSTRACT
The Memorial Denis Bernardes (MDB) of the Federal University of Pernambuco (UFPE) is
one of the strategic actions of the Integrated Library System (SIB), the Department of
Information Management and Communication (SeGIC) and Information Technology
Laboratory (Liber) in partnership with the Institute for Brazilian Studies, University of São
Paulo (IEB / USP). This article aims to describe the actions of the MDB as an organization
which seeks to meet the social function rescue, preservation and dissemination of memory
produced at the university. From descriptive research, this experience report shows how
techniques of Archival, Library and Information Science in MDB are being applied. Follow
steps a literature on memory in Information Science, Archival, descriptive metadata issues, as
well as observation techniques and procedures already developed in IEB for the
implementation of a research center. The Memorial collection was formed of academic
productions and administrative documents of the institution, which resulted in eleven
documentary funds in the inventory phase, description and organization.
Keywords: Denis Bernardes Memorial; Federal University of Pernambuco; Memory;
Preservation; Conservation.

2952

�1 INTRODUÇÃO
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)345, cuja Instituição nascera com a
Faculdade de Direito, em 1827, e obteve reconhecimento da Federação em 1946, reuniu no
decorrer dos seus 67 anos de existência, conjuntos de documentos indispensáveis à
reconstituição de sua própria história, bem como forte apoio à produção de pesquisa científica
por seus quadros de pesquisadores.
Chegamos ao início do século XXI sem que a UFPE dispusesse de um espaço que
permitisse, não só a construção, mas principalmente a preservação do conhecimento
científico, tecnológico e cultural e que promovesse o acesso e a ampla disseminação da
informação em seus diversos suportes em apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão.
Neste sentido, o Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB)346, atendendo a sua missão e
em parceria com a Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação da UFPE (SeGIC)34748,3
propuseram a implementação do Memorial Denis Bernardes (MDB) na Biblioteca Central.
Busca-se, com este espaço, disponibilizar ao público acervos históricos e raros da
universidade, reunindo em um só lugar dotado de toda infraestrutura necessária a partir de
obras raras e coleções de intelectuais e pesquisadores, criando um espaço responsável pela
assimilação, higienização, tratamento e restauração de todos os acervos institucionais ou
pessoais de interesse, contribuindo assim para a guarda e acesso da história e da cultura de
nossa universidade, bem como do nosso Estado.
O MDB da UFPE está destinado ao restauro, conservação, preservação e disseminação
da informação científica de caráter histórico produzida na Instituição. Seu objetivo é viabilizar
o acesso aos conjuntos de documentos indispensáveis à reconstituição da memória
institucional e da cultura local, visando otimizar o emprego dos recursos tecnológicos
necessários para o acesso ao seu conteúdo informacional e à conservação e disponibilização
desses documentos. Destarte, o Laboratório de Tecnologia da Informação (Líber) do
Departamento de Ciência da Informação, a SeGIC e o SIB/UFPE formulou o projeto de
criação do Memorial em parceria com Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São
Paulo

(IEB/USP), centro multidisciplinar de pesquisa e documentação sobre a história e

culturas do Brasil, de reconhecimento internacional.

345 A história da Universidade Federal de Pernambuco inicia-se em 11 de agosto de 1946, data de fundação da
Universidade do Recife (UR), criada por meio do Decreto-Lei da Presidência da República n° 9.388, de 20 de
junho de 1946.
346 http://www.ufbe.br/sib/
347 httb://www.ufbe.br/segic/
348 http://www.ieb.usp.br/

2953

�O acervo do MDB, apesar de já estar acondicionado em estantes deslizantes
apropriadas para armazenar as tipologias documentais, necessita ambiente de restauro,
higienização; identificação, arranjo e tratamento da informação (arranjo/classificação,
catalogação, indexação); e digitalização para, assim, ser disponibilizado para o público no
repositório institucional (RI) que também está em fase de instalação pela SeGIC e SIB.
2 REVISÃO DE LITERATURA
Em 2006, para marcar a efeméride da fundação, a UFPE instituiu uma comissão de
notáveis pesquisadores reunida para resgatar sua memória institucional. Para abrigar o acervo
recolhido, a comissão gestora das comemorações deveria recuperar, através de depoimentos,
fotografias, livros, jornais e objetos significativos, a história da universidade desde o início de
sua fundação. O projeto da comissão previa criar uma unidade de custódia e pesquisa para
gerenciar o material recolhido e deixá-lo disponível para consulta da comunidade, porém,
infelizmente esta unidade não pode ser criada na ocasião das comemorações.
Um dos membros mais ativos desta comissão foi o professor Denis Bernardes que
dedicou sua vida acadêmica à UFPE onde iniciou a sua formação de historiador e foi
professor desde 1975. Foi editor da Revista Estudos Universitários da UFPE, cargo que
ocupou até seu falecimento em 1° de setembro de 2012. Denis lecionou e pesquisou nos
departamentos de Economia, posteriormente no Departamento de Serviço Social e, mais
recentemente, no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, em que dedicou
suas mais recentes pesquisas à relação entre memória, informação e sociedade.
O ex-professor era defensor da preservação da memória científica e cultural e realizou
pesquisas relevantes sobre o tema. Concordamos com ele quando afirma
A memória é ao mesmo tempo o último refúgio da vida humana, aquilo que
fica quando tudo já não mais existe e, ao mesmo tempo é algo extremamente
frágil, que pode se apagar inteiramente e não apenas pela passagem do
tempo. [...] O reconhecimento ao direito à memória inscreveu-se
recentemente entre os novos direitos humanos. A recente aprovação da
Comissão da Verdade é, de fato, o reconhecimento do direito à memória.
Para poder estabelecer a verdade é preciso saber o que se passou, como se
passou e quem foram os agentes do acontecido. Portanto, é preciso fazer
emergir ou reemergir uma memória. Seja aquela que ficou retida em algum
documento, seja a que existe naqueles que participaram no que se passou ou
que dele souberam de alguma maneira (BERNARDES, 2012, p.18).
O autor complementa que, nos últimos anos do século XX, a memória adquiriu maior
relevância, tornando-se tema em várias publicações do mundo e mais presente nos ambientes
sócio-acadêmico-culturais em função das novas possibilidades de sua preservação e
disseminação através do uso da informática (BERNARDES, 2012).

2954

�Halbwachs (2006, p. 101) diz que “o único meio de preservar as lembranças é fixá-las
por escrito em uma narrativa, pois os escritos permanecem, enquanto as palavras e os
pensamentos morrem”.

O autor transcende conceitos de memória interna com uma

abordagem que salienta a preservação dessa memória em registros escritos, cujo sentido se
amplia para uma memória coletiva, social.
Em consonância com as afirmações dos autores supracitados, o MDB se propõe a
desenvolver técnicas de preservação, conservação e disseminação da memória científica
produzida pela UFPE e da memória de Pernambuco a fim de cumprir sua função social de
divulgar a memória registrada que é representação da memória coletiva, atuando como
estímulo à produção de novos conhecimentos.
Estudos como os de Pavezi (2010), Nunes (199-) e Galindo (2010) discutem a
premência em se preservar a memória coletiva, tendo em vista que os estados de conservação
de acervos documentais (textuais, imagéticos e audiovisuais) de instituições públicas e
privadas, tais como museus, bibliotecas e arquivos, essenciais para a memória sócio-cultural
do Estado de Pernambuco, não estejam preservados a contento. “A memória, onde cresce a
história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro.
Devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para libertação e não para a
servidão dos homens” (LE GOFF, 1994, p. 477).
Associada à ausência de preservação adequada, há pouca adoção de políticas e
critérios voltados à organização da informação e disseminação em ambiente digital dos
estoques informacionais. O paradigma de guarda ainda é presença marcante, em detrimento
de esforços no sentido da preservação e acesso, ou ainda, acesso e inovação, pois acessar o
conhecimento registrado pode trazer possibilidades de construção de novos conhecimentos e
beneficiar o crescimento econômico e social do Estado e do país. O paradigma custodial,
citado por Malheiro; Ribeiro (2011) ainda predomina nas bibliotecas, museus, arquivos, aqui
denominados instituições de memória349 públicas ou privadas.
Além desses locais, podemos considerar também como elementos representativos para
a memória coletiva acervos criados/desenvolvidos ao longo do tempo de funcionamento dos
serviços de uma instituição pública administrativa, como é o caso da Faculdade de Medicina e
Escola de Belas Artes da Universidade do Recife, que funcionaram antes da existência do
campus universitário.

349 Lugares reservados para custodiar a produção intelectual de um grupo, de uma nação, ou seja, um lugar para a
memória (MALHEIRO, 2006).

2955

�A documentação custodiada no MDB envolve vários fundos documentais com
tipologias variadas de documentos, cada um com sua peculiaridade. Alguns já se encontram
digitalizados, entretanto, ainda indisponíveis em ambiente digital. Para tratar a informação e
viabilizar o acesso a tais acervos no repositório institucional sabemos que é necessário seguir
parâmetros, regras, conceitos desenvolvidos na Ciência da Informação (CI), bem como outras
ciências interdisciplinares, principalmente a Ciência da Computação.
A Arquivística nos diz que devemos respeitar o Princípio da Proveniência, segundo o
qual deve ser mantida a individualidade dos arquivos que provêm de uma entidade e de
acervos pessoais que são doados ou ficam sob custódia em um local, não sendo misturados
aos de origens diversas. Ampliando este conceito para o documentos digitais, Malheiro et al.
(2009, p. 165-166) afirmam
A redescoberta do significado e do valor da proveniência surgiu, em grande
medida, devido a uma necessidade de preservar a identidade da informação
arquivística no mundo dos documentos eletrônicos. Estes novos documentos
que, numa primeira fase pareciam vir pôr em causa os tradicionais princípios
da Arquivística, acabaram por contribuir para a sua consolidação e para uma
fundamentação teórica mais consistente.
De acordo com o ciclo vital dos documentos, que são divididos em arquivos correntes,
intermediários e permanentes, os acervos administrativos constantes no MDB constituem
documentação permanente. Nos processos de organização da informação de materiais
bibliográficos, audiovisuais e arquivísticos, os metadados têm sido bastante utilizados para
descrição física para viabilizar melhor recuperação da informação em ambiente digital.

2.1 Metadados
Metadados são informações descritivas de um documento impresso ou digital, tais
como: autor, título, data, editora, local, etc. Entretanto, o mais importante a se destacar aqui é
a utilidade desta ferramenta e quais seus benefícios no ambiente digital.
A definição de metadados da International Federation of Library Associations (IFLA)
trazida por Breitman (2005) diz que “Metadados são dados sobre dados. O termo se refere a
qualquer informação utilizada para a identificação, descrição e localização de recursos.”
A origem do termo metadado, prefixo grego meta e origem latina datam/s,
por Jack E. Myers com a intenção inicialmente sem significado algum, de
utilização de um termo para designar sua empresa Metadata Information
Partners. Esta marca METADATA® foi registrada em 1986 na Oficina de
Patentes e Marcas dos Estados Unidos. Com o passar dos anos e com o
desenvolvimento da teoria de metadados, o seu uso convencional ficou
vinculado à descrição de recursos na internet (BORBA, 2009, p. 88).

2956

�De acordo com Baracho, Cendon e Alvarenga (2010, p. 3)
Na ciência da informação, considera-se metadado o atributo utilizado para
caracterizar uma entidade. Por exemplo, a entidade livro possui atributos tais
como autor, título, número de páginas. Os atributos são inerentes à entidade
enquanto os metadados são escolhidos entre os atributos de acordo com a
necessidade do usuário de um sistema de recuperação da informação.
Nesta perspectiva, os metadados têm sido considerados como elementos essenciais
para a melhoria do processo de recuperação de informações na web. São utilizados para
descrição, descoberta, localização e avaliação de recursos na Rede, onde o conceito de recurso
está relacionado a um objeto da web, identificado por uma Uniform Resource Locator (URL).
Segundo Kenney; Rieger; Entlich (200?), existem três tipos de metadados na área de
preservação e digitalização de imagens: os metadados descritivos, que descrevem o conteúdo
dos recursos informacionais; os metadados estruturais, que fornecem insumos sobre a
estrutura de armazenamento das fontes de dados e os metadados administrativos, que
controlam o acesso a cada um dos recursos informacionais identificados.
Gilliland-Swetland (2000) apresenta os tipos de metadados quanto a sua função,
conforme podemos observar no quadro 1:
TIPO

D E FIN IÇ Ã O

E X E M PL O S

Metadados utilizados na gerência e na
administração de recursos de
A dm inistrativo informação

D escritivo

P reservação

T écnico

D e Uso

Aquisição de informação
Registro de direitos e reprodução
Documentação dos requisitos legais de acesso
Informação de localização
Critérios de seleção para a digitalização
Controle de versão
Metadados utilizados para descrever e Registros de catalogação
identificar recursos de informação
Auxílio para a procura de informação
Indexes especializados
Utilização de hiperlinks entre recursos
Anotações
Metadados relacionados ao
Documentação sobre a condição física dos
gerenciamento dos recursos de
recursos
Documentação sobre as ações tomadas de
informação
modo a preservar as versões físicas e digitais
dos recursos, e.g., atualização e migração
Metadados relacionados a
Documentação sobre hardware e software
funcionalidades do sistema e como seus Informação relativa à digitação, e.g., formatos,
metadados se comportam
compressão, rotinas de escalonamento Registro
do tempo de resposta do sistema Autenticação
de dados, e.g., senhas e criptografia
Metadados relacionados ao nível e ao Registro de exibição
tipo de utilização dos recursos
Registro do uso e dos usuários dos recursos
Reutilização do conteúdo e informação relativa
a multiversionamento

Quadro 1- Tipos de metadados quanto a sua função
Fonte: Gilliland-Swetland (2000).

2957

�Inicialmente, identificamos os metadados descritivos como os mais adequados para o
estudo proposto, tendo em vista estar relacionado à elaboração de proposta de representação
da informação para fins de recuperação. Entretanto, tal opção não exclui outros tipos, mais
precisamente, os metadados de preservação.
Um dos padrões de metadados mais conhecido é o Dublin Core (DC)350. Borba
(2009, p. 59) diz que “O Dublin Core é um padrão de metadados mantido pela Dublin Core
Metadata Initiative (DCMI) e suas especificações são autorizadas pelos padrões ISO 15836­
2003 e NISO Z39.85- 2001, que autorizam a descrição documental com qualidade.” Ele
apresenta os seguintes elementos de descrição, de acordo com o quadro 2:

um título dado ao recurso
uma entidade principal responsável pela elaboração do conteúdo do
recurso
assunto referente ao conteúdo do recurso
Assunto
uma descrição sobre o conteúdo do recurso
Descrição
Editor
a instituição responsável pela difusão do recurso
uma entidade responsável pela contribuição ao conteúdo do recurso
Contribuinte
data associada com um evento no ciclo de vida do recurso
Data
a natureza ou gênero do conteúdo do recurso
Tipo
manifestação física ou digital do recurso
Formato
identificação não ambígua do recurso dentro de um dado contexto
Identificação
uma referência para um outro recurso o qual o presente recurso é
Fonte
derivado
idioma do conteúdo intelectual do recurso
Idioma
uma referência a um outro recurso que se relaciona com o recurso
Relação
a extensão ou cobertura espaço-temporal do conteúdo do recurso
Cobertura
informações sobre os direitos do recurso e seu uso
Direitos
Quadro 2 - Elementos de descrição do Dublin Core
Fonte: Borba (2009).
Título
Criador

Os campos supracitados já foram utilizados no Memorial Denis Bernardes para
descrever os acervos de discos de vinil do Núcleo de TV e Rádio Universitária, o acervo de
recortes de jornais do fundo documental Marcos Freire, fundo documental Escola de Belas
Artes, Ruy Antunes e João Alfredo.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A partir de pesquisa de naturezas descritiva, o presente relato de experiência apresenta
como estão sendo aplicadas as técnicas da Arquivística, Biblioteconomia e Ciência da
Informação no MDB e seguiu as etapas de levantamento bibliográfico sobre os temas
350 http://www.dublincore.org/

2958

�Memória na Ciência da Informação, Arquivologia, Metadados descritivos, bem como
observação das técnicas e procedimentos já desenvolvidos no IEB para a implantação de um
centro de pesquisa.
O acervo do MDB, inicialmente, foi constituído por documentos referentes à presença
do Conselheiro João Alfredo em Pernambuco, que no início dos anos setenta do século XX,
por iniciativa do historiador Flávio Guerra e do Reitor Joaquim Amazonas, a Biblioteca
Central da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) recebeu, por doação, toda
documentação privada do Conselheiro João Alfredo de Oliveira. Posteriormente, outros
fundos documentais foram resgatados de locais totalmente inapropriados para a preservação e
conservação da documentação analógica.
A ação inicial de resgate de acervos se deu/dá com a visita da coordenação científica
do MDB aos locais e identificação da importância dos acervos, bem como contatos com
familiares interessados a doar ou manter sob custódia material bibliográfico e audiovisual de
ente da família que teve algum vínculo com a UFPE em vida.
Posteriormente, um termo de doação ou custódia é assinado entre as partes e os
objetos informacionais são encaixotados e transferidos ao Memorial, onde são guardados nas
estantes deslizantes. A partir daí é que se começa a identificação e organização física, o que se
sabe que não é o mais apropriado, pois deveria ser realizada uma higienização anteriormente à
guarda.
Após serem identificados, alguns materiais seguem para o Liber para serem
digitalizados e armazenados em um servidor (storage). A digitalização segue parâmetros
definidos pela Declaração da UNESCO/UBC Vancouver.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A criação do Memorial Denis Bernardes se deu, oficialmente, com a reabertura da
Biblioteca Central em junho de 2013, ano em que a predominância das atividades do setor foi
resgate e guarda de objetos informacionais que se referem à memória institucional e de
Pernambuco. Atualmente, o Memorial é composto por 11 (onze) fundos documentais. Estes
estão sendo inventariados, no corrente ano, a serem definidos: quantitativo, conteúdo e
características físicas de cada conjunto documental. Os fundos documentais são descritos a
seguir.
4.1 Fundo documental João Alfredo
O conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira (1835 -1919) realizou, em Olinda, seus
estudos de Direito. Foi Deputado Provincial, Deputado Geral, Senador do Império,

2959

�Conselheiro de Estado, Presidente das Províncias do Pará e de São Paulo e Presidente do
Conselho de Ministros, havendo contribuído com ações em todas as áreas para o
desenvolvimento do Brasil. Seus documentos privados constituem, assim, testemunho de um
período crucial da história do país, quando o modelo monárquico se ‘desmantelava’ dando
lugar à ordem republicana. Estimado em aproximadamente 9.337 documentos, a maioria
constitui-se das correspondências, porém, o acervo também compreende 588 documentos de
outras tipologias, entre eles encontram-se jornais, papéis referentes ao Banco do Brasil,
ofícios, fotografias, estudos, projetos de lei, mapas, plantas entre outros.

4.2 Fundo documental Padre Daniel Lima
Sacerdote secular católico, poeta e ex-professor de Filosofia da UFPE, o acervo
pessoal do Pe. Daniel dos Santos Lima (1916 - 2012) é de base filosófica e literária e se
compõe, em sua maioria, de textos datilografados; destes, 13 cadernos compõem-se de
conjuntos de poemas e 14 de escritos filosóficos. Além dos datilografados, existem em sua
coleção manuscritos avulsos acondicionados em pastas e agendas. A publicação de apenas um
conjunto destes seus trabalhos, a obra “Poemas” (pela Companhia Editora de Pernambuco),
organizada às escondidas pela professora Luzilá Gonçalves e publicada quase sem a sua
aprovação, ganhou o prêmio Alphonsus de Guimaraens da Fundação Biblioteca Nacional
2011 - Categoria: Poesia, divulgando o seu nome nacionalmente e colocando-o no hall dos
grandes escritores brasileiros do momento.

4.3 Fundo documental Methodio Maranhão
Methodio Romano Albuquerque Maranhão (1864 - 1951), jurista, político, professor
catedrático, historiador. Ingressou em 1916 na Faculdade de Direito do Recife obtendo o grau
de Bacharel. Teve uma ativa vida intelectual participando de diversos movimentos culturais
da cidade do Recife. Dedicou-se também à pesquisa histórica, atividade que desenvolvia no
Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, onde ingressou como sócio
em 1907, chegando a ocupar, em 1942, o cargo de presidente. Exerceu mandato de Prefeito
Municipal de Goiana no período de 1907 a 1910 (UNIVERSIDADE..., 2011). O acervo é
composto por parte da biblioteca pessoal do ex-professor com aproximadamente 10 mil
títulos.
4.4 Fundo documental Ruy Antunes
Ex-professor da Faculdade de Direito do Recife, Ruy da Costa Antunes foi eleito
deputado estadual pelo Partido Comunista, porém teve seu mandato cassado em 1948, pouco

2960

�depois de o partido ter sido declarado ilegal. Depois desse breve período atuando na política,
o professor passou a advogar na área penal e a dar aulas na Faculdade de Direito,
aproximando-se ainda mais dos livros. Sua biblioteca pessoal foi transferida para o Memorial
em 2013 e é composta por cerca de 10 mil títulos.

4.5 Fundo documental Joaquim Cardozo
Joaquim Maria Moreira Cardozo (Recife, 26 agosto 1897 - Olinda, 04 novembro
1978), apesar de ser bastante conhecido como engenheiro, foi também poeta, contista,
desenhista e editor de revistas especializadas em arte e arquitetura. Iniciou estudos em
Engenharia em 1915 e, na década de 1940, é convidado por Oscar Niemeyer para fazer os
cálculos estruturais do conjunto Pampulha. Cardozo publicou 11 livros, destacando-se a obra
Poemas, que tem prefácio de Carlos Drummond de Andrade. Até o momento, foram
identificados aproximadamente 200 títulos de sua biblioteca pessoal no Memorial Denis
Bernardes.

4.6 Fundo documental Marcos Freire
Nasceu em Recife em 5 de setembro de 1931 e, influenciado pelo pai, ingressou na
Faculdade de Direito do Recife no ano de 1950, onde participou ativamente da política
estudantil. No decurso de quase meio século, o ex-senador Marcos de Barros Freire, atuou no
meio político nacional, militando contra os detratores da democracia e estimulando uma
geração de políticos que findaram por promover a abertura e a consequente redemocratização
do país. Exerceu carreira acadêmica na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade,
lecionando também na Escola de Administração, Faculdade de Direito do Recife. O acervo
custodiado no MDB é composto por recortes de jornais (acervo de clipping) reunidos por
Marcos Freire no período de 1952 a 1985. São 204 livros com recortes colados, ordenados
cronologicamente, das quais não constam as de número 169 e 179.

4.7 Assessoria de Comunicação da UFPE (ASCOM)
A Assessoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco
(ASCOM), em parceria com o NTI (Núcleo de Tecnologia da Informação), é responsável pela
coordenação da política de comunicação da UFPE isto é, a mediação nos contatos entre a
comunidade

acadêmica

e

a

imprensa.

Cobriu

jornalisticamente

e

documentou

fotograficamente toda a vida acadêmica institucional. Este fundo documental é composto por

2961

�cerca de 15 mil fotografias, que já se encontram digitalizadas pelo Laboratório de Tecnologia
do Conhecimento (LIBER).

4.8 Núcleo de Rádio e TV Universitária (NRTVU/UFPE)
Com a missão de Promover a comunicação pública de maneira democrática e
participativa, estimulando a formação crítica e a construção do conhecimento, o Núcleo de
Televisão e Rádios Universitárias (NRTVU), nasceu de um processo realizado pelos próprios
profissionais da televisão e das rádios com apoio da Universidade Federal de Pernambuco.
Em 2013, foram resgatados cerca de 11 mil discos de vinil da Rádio Universitária e
aproximadamente 200 fitas U-Matic com programações da TV Universitária. Com a
obsolescência das mídias, a partir da modernização do equipamento do sistema de rádios da
UFPE com a introdução da banda larga e a reestruturação dos estúdios para tecnologias
digitais, tais suportes estavam guardados em péssimas condições de armazenamento, mas
atualmente se encontram em estantes deslizantes apropriadas no MDB, apesar de não estar
ainda em situações ideais de conservação e preservação. Além disso, as mídias carecem de
identificação e tratamento informacional.

4.9 Escola de Medicina
O Acervo da Antiga Escola de Medicina guardado MDB reúne os registros das
atividades acadêmicas realizadas antes da formação da UFPE, principalmente a atuação
política e pedagógica do médico Otávio de Freitas, profissional que ratificou a Ata inaugural
da escola após 1909. Constituído por parte dos documentos administrativos produzidos ao
longo dos anos de sua existência, o acervo apresenta várias tipologias documentais como:
atas, relatórios, ofícios, pareceres, documentos de diplomados, dentre outros, que ainda estão
sendo identificados no inventário.

4.10 Escola de Belas Artes
Em 1932, foi idealizada uma Escola de Belas Artes, para o Recife, seguindo os
parâmetros da Escola Nacional de Belas Artes. Para que se mantivesse a continuidade no
processo de oficialização foi criado um grupo que se chamou de “Comitê Pró-Escola de Belas
Artes de Pernambuco”. Ainda no mesmo ano, foi alugada a casa conhecida como “Solar dos
Amorim” na Rua Benfica, 150, bairro da Madalena. A Escola de Belas Artes do Recife
começou a funcionar, no dia 15 de julho daquele mesmo ano, a partir de boa vontade e
doações, incluindo o empréstimo dos bustos de gesso da “Loja Maçônica Conciliação”. Os

2962

�documentos se referem às transformações ocorridas na escola até a transferência dos cursos
para o campus universitário na década de 1970.

4.11 Produção Intelectual da Universidade (PIU)
O acervo PIU é composto por publicações escritas por servidores ou ex-servidores da
UFPE ou pós-graduados (Mestrado e Doutorado) que são editadas pela Editora Universitária.
Além disso, este fundo documental também é constituído pelas teses e dissertações da UFPE.
Estão inseridos no Sistema Pergamum, tratados sob os Sistemas de Classificação Decimal de
Dewey (CDD). Os títulos que ainda estão classificados com a Classificação Decimal
Universal (CDU) serão alterados para CDD.
Diante do exposto, podemos exemplificar (Quadro 3) como está organizado o acervo
até o momento, baseado nas normas de classificação e catalogação da Biblioteconomia e nas
normas de padrão de descrição para arquivos, a Norma Internacional de Registro de
Autoridade Arquivística para Entidades Coletivas, Pessoas e Famílias (ISAAR(CPF)) e
International Standard Archival Description (general) - Norma Geral Internacional de
Descrição Arquivística (ISAD(G)).

Fundo
documental/Sigla
João Alfredo (JA)

Série

Subsérie(s)

Digitalizados

Correspondência

Sim

Daniel Lima (DL)

Manuscritos

Recebida
Enviada
Poesia
Soneto
Agendas pessoais
Livro/Folheto

Methodio
Maranhão Material Bibliográfico
(MM)
Ruy Antunes (RA)
Material Bibliográfico

Joaquim Cardozo (JC)
Marcos Freire (MF)
ASCOM
NRTVU

Documentos Pessoais
Artefatos
Tridimensionais
Material Bibliográfico
Material Bibliográfico
Iconografia
Audiovisual

Escola de Medicina (EM)
Escola de Belas Artes A definir
(EBA)
PIU
Material Bibliográfico

Sim
Sim
Não

Livro/Folheto
Periódico

Não
Não
Não
Não

Livro/Folheto
Recortes de Jornais
Fotografias
Áudio
Vídeo

Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Não

A identificar

Livro/Folheto
Não
Teses/Dissertações
Quadro 3 - Fundos documentais, Séries e Subséries do Memorial Denis Bernardes

Fonte: O autor

2963

�A partir do inventário, pretende-se identificar quantidades e estado de conservação das
tipologias documentais, a fim de que as informações coletadas também sirvam para
elaboração do planejamento de ações a serem realizadas em cada fundo documental. No
entanto, o tratamento informacional já se encontra parcialmente realizado, através de
descrição baseada no padrão de metadados Dublin Core para posterior inserção no repositório
institucional (RI) da UFPE. A descrição está sendo realizada por preenchimento de planilha
no Excel com informações como: identificador, autor, título, edição, contribuidor, local,
editor, data, extensão, resumo, relação, fonte, descrição, detentor de direitos, proveniência,
formato, formato original, idioma, disponibilidade, sequência, data_inclusão, data_chegada.
Destarte, os tópicos apontados de 4.1 a 4.9 descrevem quantidades e tipologias
parciais, visto que a identificação dos objetos informacionais definitiva só será possível após
o término do inventário, previsto para final de 2014. Ao final deste, saberemos com precisão a
quantidade de documentos bibliográficos e multimídia que se encontram custodiados no
Memorial Denis Bernardes.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
No Brasil, a preservação da memória científica ainda é incipiente, bem como a falta de
vontade política e sensibilização nas instituições para que problemas essenciais sejam
solucionados. Urge a sensibilização da comunidade científica em relação à guarda do
patrimônio intelectual e ao estabelecimento de políticas de preservação. No entanto o desafio
atual está em se fazer entender o porquê de preservar, o porquê da criação dos documentos e a
sua importância para pesquisas futuras. São poucas as instituições que asseguram ter
competência para garantir o acesso em longo prazo do conteúdo dos seus repositórios. Esta
circunstância infere-se pela ausência de políticas institucionais de preservação digital, bem
como pelo pouco incentivo do tema no ambiente organizacional, fatores preocupantes que
devem ser solucionados urgentemente.
Neste

contexto,

ao apresentarmos

o Memorial

Denis

Bernardes,

estamos

proporcionando subsídios à instituição em demonstrar seu compromisso com as questões aqui
abordadas, que visa proporcionar o tratamento do acervo salvaguardado na UFPE. Esta
universidade é ciente de seu papel social como instituição pública que poderá passar a
recolher conjuntos documentais de pessoas e instituições que representem a cultura local.
Além disso, poderá se tornar um polo de desenvolvimento científico nas áreas da Ciência da
Informação, desenvolvendo atividades a partir do seu próprio acervo, de modo a colaborar na

2964

�capacitação de profissionais da área, tanto de instituições irmãs, bem como contribuir na
formação de novos profissionais.
É fato que, para atingir uma situação ideal de conservação, preservação (física e
digital), organização e acondicionamento, o Memorial carece de mais equipamentos, materiais
e infra-estrutura adequados. Neste sentido, há o projeto de criação de ambiente de restauro e
higienização de acervos, como também a disponibilização destes em meio digital no
repositório institucional a ser lançado. O MDB continua, portanto, a receber objetos
informacionais que constituirão novos fundos documentais.

6 REFERÊNCIAS
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ISAD(G): International Standard Archival Description (general). Norma Geral Internacional
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BREITMAN, Karin Koogan. Web semântica: a internet do futuro. Rio de Janeiro: LTC,
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2965

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SILVA, Armando Malheiro da et al. Arquivística: teoria e prática de uma Ciência da
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2012.

6p.

Disponível

em:

&lt;http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/images/mow/unesco ubc
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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Instituto de Estudos Brasileiros. Proposta de Criação
do Centro de Memória da Universidade Federal de Pernambuco: parceria IEB/USP e
Líber UFPE. Recife, 2012.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. FACULDADE DE DIREITO DO
RECIFE. Obras raras e valiosas da Biblioteca da Faculdade de Direito do
Recife: repertório bibliográfico dos séculos XVII ao XX. Recife: Ed. Universitária da UFPE,
2011. 243 p.

2966

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O Memorial Denis Bernardes (MDB) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é uma das ações estratégicas do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB), da Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação (SeGIC) e do Laboratório de Tecnologia da Informação (Líber) em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP). O presente artigo tem como objetivo descrever as ações do MDB como organização que visa cumprir a função social de resgate, preservação e disseminação da memória produzida na universidade. A partir de pesquisa de natureza descritiva, o presente relato de experiência apresenta como estão sendo aplicadas as técnicas da Arquivística, Biblioteconomia e Ciência da Informação no MDB. Segue etapas de levantamento bibliográfico sobre os temas Memória na Ciência da Informação, Arquivologia, Metadados descritivos, bem como observação das técnicas e procedimentos já desenvolvidos no IEB para a implantação de um centro de pesquisa. O acervo do Memorial foi formado por produções acadêmicas e documentos administrativos da Instituição, o que resultou em onze fundos documentais em fase de inventário, descrição e organização. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DIAGNÓSTICO DE PRESERVAÇÃO DA BIBLIOTECA DE OBRAS RARAS DA
ESCOLA DE BELAS ARTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE
JANEIRO (EBAOR/UFRJ): UM ESTUDO BASEADO NOS 5 AGENTES DE
DETERIORAÇÃO
Andre Vieira de Freitas Araujo
Alessandro de Oliveira Ossola Ribeiro

RESUMO
A Biblioteca de Obras Raras da Escola de Belas Artes (EBAOR) da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ) possui um acervo referencial no campo da raridade bibliográfica.
Embora tenha sofrido com as ações do tempo e condições de guarda, tal coleção constitui um
verdadeiro patrimônio documental na UFRJ. Pretende-se discutir a preservação de obras
raras, tendo como base investigativa a coleção da EBAOR. Para tanto, foi realizada revisão de
literatura sobre o tema e desenvolvido um diagnóstico de preservação fundamentado em 5 dos
10 agentes de deterioração, a saber: forças físicas, criminosos, fogo, água e pragas. Conclui-se
que a EBAOR se preocupa com os procedimentos para a preservação de seu acervo, porém
encontra dificuldades para implementar medidas mais completas. Tal panorama aponta para a
necessidade de implementações do ponto de vista técnico, administrativo e político
institucional.
Palavras-Chave: Agentes de deterioração. Biblioteca de Obras Raras da Escola de Belas
Artes (EBAOR/UFRJ). Biblioteconomia de Livros Raros. Diagnóstico de Preservação.
Preservação.
ABSTRACT
The Rare Books Library of the School of Fine Arts (EBAOR) at the Federal University of Rio
de Janeiro (UFRJ) has a reference collection in the field of bibliographical rarity. Although it
has suffered from the actions of weather and conditions of custody, this collection is a true
documentary heritage at UFRJ. We intend to discuss the preservation of rare books, from the
collection of EBAOR. To this end, a literature review on the topic was performed and
developed a preservation diagnosis based on 5 of the 10 agents of deterioration, namely:
physical forces, criminals, fire, water and pests. We conclude that the EBAOR cares about the
procedures for the preservation of its collection, but finds difficulties to implement more
comprehensive measures. This panorama points to the need for implementations in technical,
administrative and institutional policies.
Keywords: Agents of deterioration. Rare Books Library of the School of Fine Arts
(EBAOR/UFRJ). Rare Book Librarianship. Diagnosis of Preservation. Preservation.

2527

�1 INTRODUÇÃO
A preservação é uma ação necessária à salvaguarda de acervos, principalmente quando
este é raro e constitui um patrimônio documental de uma sociedade. Ações preservacionistas
possibilitam a longevidade documental, ai a sua importância no contexto da gestão de
coleções raras.
Este trabalho irá abordar a temática da preservação de obras raras a partir da
Biblioteca de Obras Raras da Escola de Belas Artes (EBAOR) da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ), tendo como referência a análise de 5 dos 10 agentes de deterioração
abordados por Spinelli e Pedersoli Jr. (2010) em Biblioteca Nacional: plano de
gerenciamento de riscos: salvaguarda e emergência.
A EBAOR é uma biblioteca de caráter universitário e exerce de forma comprometida
ações voltadas ao ensino, pesquisa e extensão. A preservação de seu acervo acontece
mediante a preocupação de seus responsáveis em aplicar medidas que evitem a deterioração.
No entanto, tal fato não significa que a referida esteja plenamente segura, protegida e
preservada.
Tal constatação nos coloca as seguintes questões: a EBAOR aplica medidas de
preservação em seu acervo? Quais? Podemos considerá-las satisfatórias?
A justificativa para a realização deste estudo esta na possibilidade de proporcionar um
panorama sobre as condições de preservação do acervo de obras raras da EBAOR, de modo a
apontar para possíveis melhorias e implementações.
Os objetivos deste trabalho são: 1) discutir a preservação de obras raras, tendo como
base investigativa a coleção da EBAOR; 2) desenvolver o diagnóstico de preservação da
referida instituição.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Livros Raros e Preservação
Livros raros caracterizam-se por possuir alguma raridade, valor e por si só “[...] são
considerados patrimônio” (GAUZ, 2008). Como dito no Decreto-Lei n° 25 de 1937:
Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos
bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de
interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da
história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou
etnográfico, bibliográfico ou artístico (BRASIL, 1937, p.1).

2528

�Entende-se por patrimônio cultural, segundo Ribeiro (2009), algo formado não apenas
pelos grandes monumentos ou edifícios, mas por tudo que representa a identidade, a cultura, a
memória de um povo. Ainda salientado pelo autor, o patrimônio cultural deve ser preservado
para o desenvolvimento e enriquecimento cultural da nação, pois seus bens culturais contêm
informações, significados, mensagens, registros da história humana.
Os documentos também constituem patrimônios culturais e, junto com eles, as
próprias instituições de salvaguarda ou de memória.
“Instituições como arquivo, biblioteca, museu, centros de memória e documentação,
fundações, institutos etc., possuem características de ‘lugares da memória’ por suas funções
de dar acesso e preservar acervos culturais, no âmbito público ou privado” (GUIMARÃES,
2012, p. 75). Deste modo, segunda a mesma autora, a responsabilidade pela preservação não
está restrita apenas às instituições nos três níveis de administração pública (Municipal,
Estadual e Federal), que devem promover a proteção, a manutenção e a conservação dos bens
culturais.
Sendo uma área do conhecimento ampla, a Preservação requer a delimitação de um
objeto e independentemente do enfoque este constitui símbolos e tem potencial de
comunicação, com significados sociais ou sentimentais (PINHEIRO; GRANATO, 2012).
O objeto de preservação tratado neste trabalho é o documento como patrimônio
cultural, “[...] bens que se destacam dos demais por um processo de significação”
(PINHEIRO; GRANATO, 2012, p. 24), assumindo assim um papel de memória das
instituições.
É de grande importância que se invista na preservação pois, como diz Moreno (2009),
é neste investimento que diminui a necessidade de restauração, que é uma atividade demorada
e custosa. Isto é, preservação é exercer procedimentos e medidas a fim de contribuir “[...]
direta ou indiretamente para a preservação da integridade dos materiais” (CASSARES, 2000,
p.12). Para se preservar o patrimônio cultural é necessário conhecê-lo e protegê-lo:
Conhecê-lo, através dos mecanismos de identificação e avaliação como,
inventários, diagnósticos, cadastros e pesquisas realizadas pelos órgãos de
preservação, em conjunto com os profissionais e a comunidade; e protegêlo , utilizando-se de atos como, o registro, o tombamento e o estabelecimento
de normas adequadas de acesso, uso, guarda e preservação. No entanto, estas
ações não podem ser consideradas isoladamente, mas dentro de uma política
de preservação a ser implantada em termos nacionais. (GUIMARAES, 2012,
p. 75, grifo do autor).

2529

�Somente a partir do conhecimento teórico da área de Preservação é que possível
iniciar ações aplicadas no âmbito institucional e voltadas a diferentes tipos de documentos,
considerando as obras raras.

2.2 Agentes de deterioração
Para preservar o patrimônio cultural é necessário avaliar os riscos. Ressaltado por
Spinelli e Pedersoli Jr. (2010), os riscos para os patrimônios culturais não incluem apenas
desastres e eventos catastróficos, também incluem processos de deterioração e eventos
esporádicos de impacto variável.
Com o objeto de melhor avaliar os riscos à salvaguarda, Spinelli e Pedersoli Jr (2010)
propõem a ferramenta conceitual dos 10 agentes de deterioração que, de forma sistemática e
abrangente, possibilitam de forma prática a identificação dos riscos afim de que nenhum seja
esquecido. Para os autores, os riscos são: Forças físicas; Criminosos [sic]; Fogo; Água;
Pragas; Poluentes; Luz e Radiação UV e IR; Temperatura Incorreta; Umidade Relativa
Incorreta; e Dissociação. Cada agente detém suas medidas para: evitar; bloquear; detectar;
responder e recuperar.
Conceituadas por Spinelli e Pedersoli Jr. (2010), forças físicas são eventos que
danificam o patrimônio cultural por meio de choque, vibração, tensão, compressão e fricção,
causando colapso, quebra, rasgos, deformações dentre outros. Esses agentes costumam
resultar do armazenamento, transporte e manuseio inadequados, falhas estruturais no edifício,
dentre outros desastres.
Furto, roubo ou vandalismo (Crime) são ações que podem vir tanto de indivíduos
externos, como os internos à instituição. Segundo Spinelli e Pedersoli Jr. (2010) é um evento
esporádico e de impacto moderado, isso para obras que não sejam consideradas patrimônio
cultural.
Um acontecimento desse tipo para obras raras tem um impacto significativo,
acarretando prejuízos imensuráveis para uma instituição ou sociedade. Atualmente, temos
muitos exemplos de furtos de obras raras, mas as iniciativas com relação à segurança de
acervos raros não começaram de agora.
No Brasil, em 1994, a BN disponibilizou um folheto, organizado por Valeria Gauz, em
que a bibliotecária de livros raros alertava e dava considerações a respeito da questão,
mostrando casos

de roubos nos Estados Unidos

e no Brasil

(GAUZ,

1994).

Internacionalmente, temos iniciativas bem anteriores às do Brasil, como exemplo da The

2530

�Society o f America Archivists (SAA) que, em 1979, patrocinou uma conferência sobre
segurança de acervos em Detroit.
Os princípios de incêndio são rotineiros em bibliotecas, causado em sua maioria por
falhas humanas. O mais eficiente é evitar que tenham início. A prevenção é de
responsabilidade da instituição, cabendo à ela prover equipamentos e mecanismos de combate
a incêndio. A mesma deve designar um profissional responsável para exercer as funções de
proteção contra incêndios.
Assim como o fogo, a água é um dos grandes inimigos das obras como salientado por
Raisson (2012): livros danificados por água podem ser preservados e restaurados com maior
dificuldade. Esse acontecimento “[...] pode causar, dependendo da composição dos mesmos,
desintegração, deformação, dissolução, manchas, mofo, enfraquecimento, eflorescência e
corrosão” (SPINELLI; PERDERSOLI JR., 2010, p. 26). Ainda para os autores, o risco por
água é um evento esporádico e, muitas vezes, ocasionado por infiltração, enchentes,
vazamentos, dentre outros fatores. “Na época de chuva e de temporal, muitas vezes há
vazamentos no interior do prédio. Para prevenir este tipo de incidente, que é o mais frequente,
é necessário limpar as calhas e as goteiras [sic] do prédio, no mínimo a cada três meses”
(RAISSON, 2012, p.191). Assim como a água, as pragas e os gases também afetam a
integridade física e intelectual do documento, causando seu enfraquecimento.
Segundo Spinelli e Pedersoli Jr. (2010), a ocorrência de pragas é um evento
esporádico de impacto moderado a significativo - caso não seja a uma obra rara, pois qualquer
ameaça para uma obra dessas já tem um impacto deveras relevante - cuja ação varia de danos
isolados a manifestações em larga escala, podendo ter como consequências: perfurações,
perdas de partes, enfraquecimento estrutural, sujidades e manchas.
Já os poluentes, como exemplificado por Spinelli e Pedersoli Jr. (2010), podem ser
gases, aerossóis, líquidos ou sólidos, de origem natural ou antropogênica, que afetam as
coleções, podendo causar corrosão, enfraquecimento, alterações estéticas dentre outros.
A luz, segundo Spinelli e Pedersoli Jr. (2010), provoca o esmaecimento de cores a
partir de reações fotoquímicas. Independentemente de ser natural ou artificial, “[...] qualquer
exposição à luz, mesmo que por pouco tempo, é nociva e o dano é cumulativo e irreversível”
(CASSARES, 2000, p. 15).
Já a Radiação UV provoca o amarelecimento, formação de resíduos pulverulentos em
superfícies,

enfraquecimento

e desintegração

de materiais,

enquanto

a

Radiação

Infravermelha (IR) provoca aquecimento dos materiais, resultando em deformações,

2531

�ressecamento, fraturas dentre outros. A intensidade da luz pode ser medida pelo luxímetro ou
fotômetro.
Silva (2012) afirma que tanto os indivíduos quanto os acervos reagem às condições
ambientais a sua volta, dado que os indivíduos são sensíveis à temperatura, e o acervo
sensível à umidade. Por este motivo, Silva (2012) defende a ideia de um zoneamento
ambiental institucional para manter o equilíbrio ambiental entre o acervo e os trabalhadores.
No contexto das bibliotecas, o risco mais importante resultante de uma temperatura
incorreta é a degradação química das coleções: “Os principais problemas relacionados à
umidade relativa incorreta no contexto das bibliotecas em climas úmidos são, possivelmente,
o desenvolvimento de microrganismos e o aumento da velocidade da reação de hidrólise do
papel” (SPINELLI; PEDERSOLI JR., 2010, p.29). Para os autores citados, o clima local,
instalações hidráulicas do edifício, equipamentos de ar condicionado, aquecedores dentre
outros são fontes de umidade relativa incorreta.
Para a construção de uma estratégia para o controle do ambiente, Silva (2012) aponta
que deve se fazer o monitoramento diário da umidade relativa, temperatura e iluminação,
sendo de 18 a 22°C a temperatura ideal para biblioteca e arquivos, e de 22 a 24°C a
temperatura confortável para trabalhadores e usuários.
Em relação à umidade relativa, Cassares (2000) alerta que o mais recomendável seja
de 45 a 50%, porém Silva (2012) diverge de Cassares alegando que uma temperatura ideal
varia entre 50 a 55%. A umidade e a temperatura são medidas simultaneamente medidas pelo
termo-higrômetro.
O último agente de deterioração é a dissociação, descrito por Spinelli e Pedersoli Jr.
(2010) como sendo a tendência natural da desorganização dos sistemas causado, por exemplo,
por falhas de informações no registro, perda de dados e informações que recuperem o livro,
perdas do próprio livro, obsolescência de hardware dentre outros, resultando em perdas de
itens da coleção ou outros elementos patrimoniais.

2.3 Biblioteca de Obras Raras da Escola de Belas Artes (EBAOR/UFRJ)
A Missão da EBAOR é “[...] prover infraestrutura bibliográfica, documental e
informacional para apoiar as atividades acadêmicas do corpo docente e discente, assim como
todos os interessados na compreensão do ensino de artes no Brasil” (GODOY; SODRE;
OLIVEIRA, 2013, p. 245).
Localizada no sétimo andar do prédio da Reitoria da UFRJ, na Ilha do Fundão-RJ,
dispõe de uma área de aproximadamente 70 m2. Seu público inclui docentes e discentes da

2532

�UFRJ, e diversos pesquisadores do Brasil e do mundo com interesse, sobretudo, na história do
ensino das Artes.
O início da construção do acervo da EBAOR originou-se com a vinda da Missão
Artística Francesa para o Brasil em 1816, que contou com grandes artistas que contribuíram
para a formação da mesma, destacando: Augusto Taunay, Jean Batiste Drebet, Nicolau
Taunay, Simon Pradier e Grandjean de Montigny. A vinda de D. João também contribuiu para
a formação da coleção da Biblioteca, além de doações de artistas e de ministros que já
residiam no Brasil. A cargo de direção da Escola, Félix-Emile Taunay também adquiriu
alguns livros com verba da mesma. Em 20 de março de 1834 deu-se a abertura da Biblioteca
com objetivo de facilitar a organização, guarda e estudo dos livros reunidos.
Em 1909, a Escola foi denominada Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), agora
sediada no prédio da Avenida Central-RJ, anteriormente sediada na Travessa das Belas Artes
em um prédio projeto por Montigny. Foi incorporada em 1937 à Universidade do Brasil (atual
Universidade Federal do Rio de Janeiro) e transferida para o prédio em que se encontra
atualmente em 1975; parte de seu acervo permaneceu no Museu Nacional de Belas Artes.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2004, dá início
ao processo de tombamento das obras consideradas valiosas para a história do ensino de artes
no Brasil. No mesmo ano, a Biblioteca fez projetos de higienização das obras, a separação de
obras danificadas por brocas e desinfestação preventiva do mobiliário. Com o Projeto de
Reformulação do Museu Dom João VI, patrocinado pela Petrobrás em 2005, a Biblioteca foi
desmembrada, o setor de obras raras que ficava em sala separada permaneceu no sétimo
andar, agora, juntamente, com o Museu D. João. Já a Biblioteca Alfredo Galvão, com o
acervo corrente, foi transferida para o segundo andar do mesmo prédio.
Em 2006, o IPHAN fez uma nova visita à Biblioteca, constatando a necessidade de
medidas emergenciais de restauração, conservação, proteção e salvaguarda do acervo. Por
este motivo, em 2007, foi designada uma bibliotecária para atender as exigências do Instituto.
Em 2009, foi designado um servidor para a higienização diária do acervo e
acondicionamento em papéis neutros para os livros mais fragilizados. Entre 2009 e 2010
cumpriu-se outras exigências: foram retirados móveis desnecessários, além do início do
controle de ventilação e umidade. Neste momento também foram instalados quatro
desumidificadores e um termo-higrômetro, além da contratação de uma bibliotecária
responsável pelo acervo. Esses acontecimentos apontam para ações e tentativas da EBAOR
manter, sempre que possível, o seu acervo preservado.

2533

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Inicialmente, realizou-se uma pesquisa bibliográfica sobre o tema obras raras e
preservação, permitindo um embasamento teórico inicial para elaboração do diagnóstico de
preservação. Além da pesquisa bibliográfica, se propôs outros tipos de métodos de coleta de
dados, como a observação do local e entrevistas com funcionários da EBAOR.
Procurou-se fazer o Diagnóstico de Preservação da EBAOR a partir dos 5 dos 10
agentes de deterioração abordados por Spinelli e Pedersoli Jr. (2010) em Biblioteca Nacional:
plano de gerenciamento de riscos: salvaguarda e emergência e já apresentados na revisão de
literatura. Para o presente estudo, os seguintes agentes foram considerados: forças físicas,
crime, fogo, água e pragas.
Também para este trabalho foram escolhidas as medidas para evitar e detectar (das 5
também já apresentados), pois são medidas mais rotineiras à biblioteca em questão. As
medidas publicadas podem ser utilizadas por toda e qualquer biblioteca, mas buscou-se trazêlas à realidade de uma biblioteca de obras raras.

3.1 Análise dos dados
A seguir serão apresentados estruturalmente os dados coletados em visita à EBAOR,
durante o mês de abril de 2014. A coleta de dados obedeceu a mesma ordem em que são
apresentadas por Spinelli e Pedersoli Jr. (2010).
As medidas utilizadas neste trabalho se encontram resumidas abaixo e traduzem os
aspectos e fenômenos presentes e observados na EBAOR:

a) Forças Físicas
EVITAR (medidas para evitar presença de forças físicas):
•

Armazenagem adequada dos livros;

•

Estantes devidamente fixadas;

•

Procedimento adequado de retirada e reposição de livros;

•

Procedimento adequado de transporte dos livros;

•

Manuseio correto dos livros;

•

Instrução de manuseio correto aos usuários;

•

Limitar a circulação dos usuários no acervo;

•

Capacitação de funcionários;

•

Manutenção do sistema elétrico e alarme de incêndio.

2534

�DETECTAR (medidas para detectar presença de forças físicas):
•

Monitorar possíveis erros no armazenamento de livros;

•

Monitorar a retirada e a guarda dos livros;

•

Monitorar os usuários durante a consulta;

•

Monitorar o transporte e o manuseio dos livros.

A EBAOR cumpre com sete das nove medidas de “evitar” descritas acima. As duas
medidas que a Biblioteca não cumpre ainda são a armazenagem adequada e a manutenção do
sistema elétrico e alarme de incêndio; esta última sendo de responsabilidade da UFRJ. A
Biblioteca cumpre todas as medidas de “detectar”.
A Biblioteca fica em um espaço relativamente pequeno para a acomodação de todo o
acervo, principalmente quando se fala nos in-folios, devido ao seu tamanho (grandes
formatos). Estes necessitam de estantes específicas para que possam estar armazenados
corretamente. Cassares (2000) diz que são amplamente encontrados em arquivos e bibliotecas
móveis impróprios para o armazenamento. Tal realidade esta presente na EBAOR, o que faz
com que parte dos livros fiquem alocados em estantes não apropriadas.

b) Crimes
EVITAR (medidas para evitar presença de crimes):
•

Realizar vigilância das áreas da biblioteca;

•

Informar aos usuários que sua presença é monitorada e registrada;

•

Solicitar identificação dos usuários;

•

Impedir a entrada de usuários com objetos que facilite a ocultação dos livros;

•

Proibir a entrada com armas e objetos cortantes;

•

Proibir a entrada de usuários portando dispositivos de captura de imagem;

•

Evitar o acesso de usuários nas áreas de guarda do acervo;

•

Limitar o acesso de funcionários nas áreas de guarda do acervo;

•

Assegurar que itens permaneçam nas áreas de conservação e restauração com tempo
mínimo necessário e menor quantidade possível;

•

Considerar substituir obras em exposição por fac-símiles;

•

Evitar a exposição de itens de alto valor em áreas de acesso ao público;

•

Realizar vigilância ostensiva 24 horas;

2535

�•

Evitar a criação de esconderijo para ladrões e vândalos;

•

Evitar a divulgação desnecessária no mercado de obras raras;

•

Fazer cópias de itens do acervo quando estiverem emprestados;

•

Verificar o serviço de segurança;

•

Informar aos funcionários todas as medidas de prevenção de furto;

•

Realizar manutenção preventiva das instalações elétricas do prédio;

•

Executar o aterramento integral do sistema de instalação elétrica do prédio;

•

Promover a atualização e modernização do sistema de detecção e alarme de incêndio;

DETECTAR (medidas para detectar presença de crimes):
•

Realizar o monitoramento dos usuários;

•

Assegurar a presença de funcionários durante todo o atendimento;

•

Assegurar que o número e a localização das câmeras sejam adequados;

•

Capacitar funcionários da recepção;

•

Realizar o monitoramento por videovigilância;

•

Registrar, rigorosamente, os itens em tratamento de conservação e restauração;

•

Manter o registro de acesso de funcionários às áreas de guarda;

•

Monitorar todas as vias de acesso ao interior do prédio;

•

Armazenar os registros da videovigilância gravados;

•

Rondas periódicas diurnas e noturnas;

•

Manutenção da iluminação de segurança;

•

Instalar e assegurar o funcionamento do sistema de sensores e alarmes;

•

Instalação de um sistema automático de sinalização junto à policia;

•

Instalação de sistema antifurto baseado em etiquetas;

•

Instalação de detector de metais;

•

Assegurar o funcionamento dos sistemas em caso de queda de energia;

•

Sensibilizar os funcionários para auxiliar na detecção de situações anômalas;

•

Monitorar a segurança do acervo digital.

A EBAOR cumpre com doze das vinte medidas de “evitar” descritas acima. Por
medidas de segurança à Biblioteca, procurou-se neste agente de risco não evidenciar neste
trabalho quais medidas a mesma não cumpre.

2536

�De acordo com as medidas que não são cumpridas ainda, parte não é atribuição
específica da EBAOR. O roubo de uma obra é uma preocupação muito grande que a EBAOR
tem, por isso considera sempre fazer o melhor para proteger este acervo. Câmaras estão
alocadas em pontos estratégicos dentro da mesma, bem como cuidados especiais quando há
visitantes e pesquisadores.

c) Fogo
EVITAR (medidas para evitar presença de fogo):
•

Não fumar e não cozinhar na biblioteca;

•

Evitar atividades envolvendo chamas ou altas temperaturas;

•

Evitar a estocagem de líquidos inflamáveis;

•

Evitar o armazenamento de filmes de nitrato de celulose;

•

Proibir a entrada de usuários portando fósforos, cigarros, charutos dentre outros;

•

Realizar sistematicamente a manutenção das instalações elétricas;

•

Realizar sistematicamente a manutenção de instalações de gás;

•

Manutenção preventiva de gasodutos próximos ao prédio;

•

Manutenção preventiva da casa de máquinas;

•

Manutenção preventiva do sistema de para raios;

•

Evitar sobrecarga elétrica;

•

Evitar uso de equipamentos elétricos obsoletos;

•

Evitar danos às tomadas elétricas;

•

Desligar todos os equipamentos elétricos ao final do expediente;

•

Evitar acúmulo de poeira nos equipamentos;

•

Retirar do prédio materiais combustíveis desnecessários;

•

Estabelecer um perímetro de segurança sem vegetação ao redor do prédio;

•

Considerar um perímetro de segurança onde não seja permitido o estacionamento de
veículos;

•

Manter cópias de segurança do acervo digital fora do prédio;

•

Informar devidamente todos os funcionários sobre as medidas de prevenção de
incêndio;

DETECTAR (medidas para detectar presença de fogo):
•

Manutenção periódica dos detectores de fumaça e do sistema de alarme de incêndio;

2537

�•

Instalar um ou mais painéis indicadores para pronta visualização dos detectores de
fumaça;

•

Considerar a instalação de detectores de fumaça adicionais;

•

Considerar instalar um sistema automático de comunicação com o corpo de
bombeiros;

•

Fazer a manutenção preventiva e testes periódicos do sistema automático de alarme;

•

Considerar a possibilidade de instalar detectores e alarmes de vazamento de gás;

•

Realizar inspeções para detectar incorreções as medidas de evitar;

•

Estar atento a possibilidade de princípios de incêndio;
A EBAOR cumpre com onze das vinte medidas de “evitar” apresentadas acima. As

nove medidas que a Biblioteca não cumpre ainda são: realizar sistematicamente a manutenção
das instalações elétricas; realizar sistematicamente a manutenção de instalações de gás;
manutenção preventiva de gasodutos próximos ao prédio; manutenção preventiva da casa de
máquinas; manutenção preventiva do sistema de para raios; retirar do prédio materiais
combustíveis desnecessários; estabelecer um perímetro de segurança sem vegetação ao redor
do prédio; considerar um perímetro de segurança onde não seja permitido o estacionamento
de veículos; manter cópias de segurança do acervo digital fora do prédio.
A medida “Manter cópias de segurança do acervo digital fora do prédio” já está sendo
analisada pela Biblioteca de forma a cumprir com mesma e segue as recomendações do ponto
de vista da preservação digital.
A EBAOR cumpre com cinco das oito medidas de “detectar” apresentadas. As três que
a Biblioteca ainda não cumpre são: manutenção periódica dos detectores de fumaça e do
sistema de alarme de incêndio; instalar um ou mais painéis indicadores para pronta
visualização dos detectores de fumaça; fazer a manutenção preventiva e testes periódicos do
sistema automático de alarme. Estas medidas que não são de responsabilidade específica da
Biblioteca, mas sim da Direção da Escola de Belas Artes junto à UFRJ.
d) Água
EVITAR (medidas para evitar presença de água):
•

Realizar manutenção preventiva das instalações hidráulicas;

•

Realizar a manutenção preventiva das instalações do sistema de ar condicionado;

•

Solicitar a realização sistemática da manutenção preventiva da rede publica de água e
esgoto;

•

Realizar a manutenção preventiva e a limpeza de drenos e calhas;

2538

�•

Evitar uso de pias, torneiras, bebedouros dentre outros;

•

Evitar a abertura de janelas durante períodos de chuva;

•

Evitar a instalação de objetos que acumulem água;

•

Evitar a presença de canteiros de vegetação muito próximos;

•

Evitar armazenar, expor ou consultar itens próximos a fontes de água;

•

Evitar procedimentos que envolvam água;

•

Proibir o consumo de água nos locais de consulta e armazenagem;

•

Retirar a água do recipiente coletor dos desumidificadores;

•

Evitar uso de tapetes ou carpetes;

•

Considerar com o corpo de bombeiros a possibilidade de evitar o uso excessivo de
água num eventual combate à incêndio;

•

Manter cópias de segurança do acervo digital fora do prédio;

DETECTAR (medidas para detectar presença de água):
•

Monitorar os boletins meteorológicos de previsão do tempo;

•

Monitorar o nível de água no exterior do edifício em caso de chuvas fortes;

•

Instruir os funcionários para se manterem alertas a vazamentos, infiltrações dentre
outros;

•

Instruir funcionários para se manterem alertas diante de indícios de problemas com
água;

•

Realizar inspeções para detectar incorreções as medidas de evitar;

•

Considerar a instalação de sensores e alarmes para indicar presença de água;

•

Monitorar a umidade relativa;

A EBAOR cumpre com onze das quinze medidas de “evitar” apresentadas. A quatro
que ela não cumpre ainda são: realizar a manutenção preventiva das instalações do sistema de
ar condicionado; realizar a manutenção preventiva e a limpeza de drenos e calhas; retirar a
água do recipiente coletor dos desumidificadores; manter cópias de segurança do acervo
digital fora do prédio. A EBAOR cumpre com todas as medidas de “detectar”.
As medidas “Realizar a manutenção preventiva das instalações do sistema de ar
condicionado” e “Realizar a manutenção preventiva e a limpeza de drenos e calhas” não são
de responsabilidade da Biblioteca, mas da Direção da Escola de Belas Artes (EBA) e da

2539

�UFRJ, respectivamente. A medida “Manter cópias de segurança do acervo digital fora do
prédio” já está sendo analisada pela Biblioteca para cumprimento, como já vimos.
A medida “Retirar a água do recipiente coletor dos desumidificadores” ainda não se
cumpre devido aos desumidificadores presentes na Biblioteca estarem desligados, em função
da falta de tomadas e problemas com as instalações elétricas do prédio.
A EBAOR já sofreu com a água

. Por já ter tido este incidente, a EBAOR procura ao

máximo evitar problemas com esse agente de degradação. Uma das iniciativas foi a retirada
da pia que constava no local e a reparação da infiltração que havia entre os anos de 2009 e
2010 (GODOY; SODRÉ; OLIVEIRA, 2013).
e) Pragas
EVITAR (medidas para evitar presença de pragas):
•

Não consumir alimentos na biblioteca;

•

Evitar acúmulo de poeiras;

•

Evitar acúmulo de lixo desnecessário;

•

Eliminar fontes de água e umidade;

•

Evitar a presença de plantas no interior do prédio;

•

Evitar a presença de vegetação externa;

•

Evitar alimentar animais;

•

Evitar a introdução de pragas através de doações;

•

Realizar tratamentos de desratização, descupinização e dedetização;

•

Considerar a possibilidade de mudança na iluminação;

•

Informar os funcionários sobre as medidas de prevenção de pragas;

DETECTAR (medidas para detectar presença de pragas):
•

Capacitar funcionários para identificação de pragas;

•

Monitorar visualmente o acervo;

•

Realizar inspeção para detectar presença de pragas;

•

Considerar uso de armadilhas;

•

Contratar serviços especializados de pragas;

•

Realizar inspeções para detectar incorreções nas medidas de evitar;

•

Documentar os resultados de todas as inspeções;

313 Em dezembro de 2003, a sala de obras raras da Biblioteca Alfredo Galvão sofreu as consequências das chuvas
que provocaram infiltrações. Foram tomadas medidas emergenciais, dentre elas a secagem folha a folha (com
mata-borrão), a fim de recuperação do acervo. Fonte: Godoy; Sodré; Oliveira (2013, p. 248).

2540

�A EBAOR cumpre com todas as medidas de “evitar” e cumpre com seis das sete
medidas de “detectar”. A medida que a Biblioteca não cumpre é “considerar o uso de
armadilhas”. A Biblioteca desconsidera a utilização de armadilhas na sala onde está
estabelecida pelo fato de utilizar outros meios para detecção e proteção contra pragas. Essa
medida pode ser relevante para o prédio da Reitoria, porém não é de responsabilidade da
EBAOR.
No agente “Pragas”, a EBAOR obteve o melhor desempenho, visto que, na medida do
possível, sempre tenta proteger seu acervo desses agentes, evitando deixar resquícios de
alimentos, acúmulo de poeira, acúmulo desnecessário de lixo dentre outros. Em conversa com
a bibliotecária responsável Rosani Godoy, já houve projetos para a dedetização do ambiente
em que se encontra o acervo.

4

RESULTADOS

/

RECOMENDAÇÕES

TÉCNICAS,

POLÍTICAS

E

ADMINISTRATIVAS
Essa pesquisa constatou que a EBAOR, mesmo conseguindo realizar a maioria das
medidas apresentadas, ainda necessita implantar algumas medidas para alcançar a totalidade
na preservação de seu acervo.
Seguem algumas sugestões à Biblioteca, a partir do que foi detectado, além de outras
consideradas a partir das observações feitas:
•

Procurar armazenar adequadamente todos os livros, evitando a superlotação das
estantes;

•

Providenciar estantes específicas para os in-folios;

•

Junto à UFRJ, observar a manutenção do sistema elétrico e alarme de incêndio do
prédio da Reitoria;

•

Procurar junto à EBA e à UFRJ cumprir com as medidas não realizadas do agente
“crimes”, que competem a eles;

•

Procurar junto à Direção da EBA e à UFRJ cumprir com as medidas não realizadas do
agente “fogo”, que competem a eles;

•

Desenvolver um plano de emergência contra incêndio;

•

Incorporar procedimentos de vistoria dos extintores de incêndio;

•

Providenciar uma inspeção do corpo de bombeiros, a fim de detectar futuros pontos de
incêndio;

2541

�•

Procurar manter cópias de segurança do acervo digital fora do prédio ou considerar a
possibilidade de colocá-lo em nuvem;

•

Procurar junto à Direção da EBA e à UFRJ cumprir com as medidas não realizadas do
agente “água”, que competem a eles;

•

Procurar junto à UFRJ a verificação da parte elétrica do prédio da reitoria, com
instalação de novas tomadas para ligar os desumidificadores;

•

Procurar retirar a água do recipiente coletor dos desumidificadores assim que for
cumprida com a recomendação de ligar os mesmos;

•

Documentar, na medida do possível, acontecimentos de degradação ao acervo;

•

Providenciar junto à administração da EBA, a manutenção periódica do sistema de arcondicionado;

•

Providenciar a compra de uma mesa de higienização;

•

Contratar um funcionário que fique responsável pela higienização do acervo;

•

Capacitar novos funcionários, incentivando-os a participarem de cursos, palestras e
treinamentos;

•

Incentivar os funcionários já existentes da Biblioteca a participarem de cursos,
palestras e treinamentos;

•

Considerar a elaboração de uma Política de Preservação

•

Manter constante as medidas já adotadas pela Biblioteca.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A EBAOR procura ao máximo preservar seu acervo contra os agentes de deterioração
aqui abordados, além de tentar cumprir com a maioria das medidas adotada no Plano de
Gerenciamento de Riscos da BN, uma vez que “[...] o acervo da Biblioteca da Escola
Nacional de Bellas-Artes da Universidade do Brasil [EBAOR] conta com numerosas obras de
inestimável valor e raridade” (GALVÃO, 1957, p. 16).
Afinal é função do bibliotecário, segundo Araújo (2009), zelar pela segurança dos
acervos, garantindo que os mesmos possam ser utilizados por mais tempo e em melhor estado.
É satisfatória, apesar de diversas barreiras, a situação de preservação em que se
encontra a Biblioteca da EBAOR. Percebemos que com essa coleção preservada, diversos
estudos poderão ser amplamente desenvolvidos, permitindo que a Biblioteca cumpra com sua
missão de subsidiar as ações de ensino, pesquisa e extensão.

2542

�As bibliotecas que estão instaladas em regiões litorâneas, principalmente as
localizadas no campus da Ilha do Fundão da UFRJ, enfrentam um grande problema que é a
umidade e isto não é diferente no caso da EBAOR.
As maiores dificuldades encontradas para tomar medidas de preservação é a falta de
verba e consciência institucional, apesar dos esforços de diversos bibliotecários.
Este trabalho procurou levantar um panorama sobre o quadro de preservação da
EBAOR, no sentido de destacar a importância de se adotar medidas para preservar e
salvaguardar o acervo, principalmente os de livros raros. Esperamos que trabalhos como este
possam ser aplicados em outras bibliotecas da UFRJ.
Ressaltando que é fundamental que bibliotecários conheçam os riscos que suas
bibliotecas correm caso não se adote medidas condizentes, é fundamental que sempre se
atualizem nesta área, pois “[...] de maneira silenciosa, os documentos armazenados nas
estantes agonizam e morrem silenciosamente” (LINO; HANNESCH; AZEVEDO, 2013, p.
61).
O desenvolvimento do breve diagnóstico aqui apresentado dá condições para que
políticas mais amplas de preservação sejam implantadas, ao mesmo tempo que pode subsidiar
ações preservacionistas mais específicas, voltadas a coleções raras.
Esperamos que este estudo possa ser uma contribuição inicial para os estudos de
preservação no contexto da raridade bibliográfica, bem como uma contribuição para a gestão
de coleções raras no contexto das bibliotecas universitárias.

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em:

&lt;

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_obrasgerais/drg_plano_risco_por/drg_plano_risco_p
or.pdf&gt;. Acesso em: 22 set. 2013.

2545

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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Diagnóstico de preservação da Biblioteca de Obras Raras da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EBAOR/UFRJ): um estudo baseado nos 5 agentes de deterioração</text>
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                <text>A Biblioteca de Obras Raras da Escola de Belas Artes (EBAOR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) possui um acervo referencial no campo da raridade bibliográfica. Embora tenha sofrido com as ações do tempo e condições de guarda, tal coleção constitui um verdadeiro patrimônio documental na UFRJ. Pretende-se discutir a preservação de obras raras, tendo como base investigativa a coleção da EBAOR. Para tanto, foi realizada revisão de literatura sobre o tema e desenvolvido um diagnóstico de preservação fundamentado em 5 dos 10 agentes de deterioração, a saber: forças físicas, criminosos, fogo, água e pragas. Conclui-se que a EBAOR se preocupa com os procedimentos para a preservação de seu acervo, porém encontra dificuldades para implementar medidas mais completas. Tal panorama aponta para a necessidade de implementações do ponto de vista técnico, administrativo e político institucional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SETOR DE MEMÓRIA DA FACE/UFMG: questões práticas e implicações
epistemológicas
Carlos Alberto Avila Araujo
Leonardo Vasconcelos Renault
Fabiana Pereira Santos
Tiago Miquéias Viana
Mikael Vinicius de Souza Barbosa
RESUMO
Relata a experiência de reestruturação do Setor de Memória da Faculdade de Ciências
Econômicas da UFMG. Aborda o processo de descrição e tratamento dos documentos do
setor. O acervo da Memória é composto, essencialmente, por registros
acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns
professores e registros de eventos. Possui, ainda, alguns livros e peças museológicas. O
estudo e tratamento dos documentos se basearam nas regras de descrição do Código de
Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas
do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma
Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia. O processo
envolveu uma equipe interdisciplinar composta de pessoas das áreas de Museologia,
Arquivologia, Biblioteconomia, Informática e Ciência da Informação. A ideia de interrelação
dessas áreas e desses profissionais se deu em função do cenário institucional da UFMG, onde
cursos de graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia estão sediados em uma
Escola de Ciência da Informação. Conclui-se que no tratamento dos problemas relacionados
com memória evidencia-se a necessidade de atuação em parceria e cooperação, destas áreas
entre si e delas com demais campos científicos. Há, pois, uma ligação entre as propostas
contemporâneas da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro
desenhado pelas tendências atuais de pesquisa em Ciência da Informação.
Palavras chave: Coleções Especiais, Memória Institucional, Biblioteconomia, Arquivologia,
Museologia
ABSTRACT
Reports the experience of restructuring of the memory Sector of the Faculty of economic
sciences, UFMG. Discusses the process of description and information treatment of the
sector's documents. The memory collection is composed mainly by academic/administrative
records: class diaries, minutes of meetings, collections of some teachers and event
registrations. It also has some books and museum records. The study and treatment of the
documents relied on rules of description of the Anglo-American cataloguing rules-AACR2
for library science, of the descriptive proposals of the International Council of Museums ICOM for museum studies and the Brazilian standard of archival description-NOBRADE in
scope of archival science. The process involved an interdisciplinary team composed of people

3724

�from the areas of Museum Studies, Archival Science, Library Science, Computer Science and
Information Science. The idea of interrelation of these areas with these professionals its
possible with the current relation of the institutional setting of the UFMG, where
undergraduate courses of Library Science, Archival Science and Museum Studies are
headquartered in a School of Information Science. It is concluded that in the treatment of
problems of the this project was evidenced the need for partnership and cooperation in these
areas with each other and with other scientific fields. There is therefore a link between
contemporary proposals of Archival Science, Library Science and Museum Studies, with this
framework designed by the current trends of research in Information Science.
Keywords: Special Collections, Institutional Memory, Library Science, Archival Science,
Museum Studies

1 MEMÓRIAS REMOTAS

A construção de um setor de memória convoca diferentes saberes, diferentes campos
científicos. Realizar uma “gestão da memória” implica, necessariamente, a atuação em
parceria entre profissionais de áreas distintas. Ao mesmo tempo, as áreas envolvidas com esse
trabalho saem, também elas, afetadas por esse encontro, isto é, a temática da memória
também possibilita o incremento de conceitos, teorias e métodos das áreas de conhecimento
que se envolvem em sua gestão.
Falar das disciplinas envolvidas na questão da memória poderia evocar discussões
sobre a Comunicação, a História, a Administração, entre outras. No caso do Setor de Memória
da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais FACE/UFMG, ocorreu particularmente o envolvimento dos campos da Ciência da
Informação, da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia. Tal escolha não se deu de
maneira aleatória. Ela se relaciona com um cenário institucional da UFMG, onde cursos de
graduação em Arquivologia, em Biblioteconomia e em Museologia estão sediados em uma
mesma escola, a Escola de Ciência da Informação - ECI, o que implica uma mesma intenção
de aproximação colocada tanto no campo científico como no setor de memória.
O setor de Memória da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG se encontra
abrigado nas dependências da Biblioteca Professor Emílio Guimarães Moura. O acervo da
Memória Institucional da FACE foi idealizado no ano de 1991, durante as comemorações do
cinqüentenário da faculdade, vindo a ser criado por meio do “Projeto Memória FACE” no ano
de 2008 com a finalidade de preservar documentos que permitam reconstituir a história
institucional

da FACE.

Este

acervo

é

composto,

essencialmente,

por

registros

3725

�acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns
professores e registros de eventos. Possui ainda alguns livros e peças museológicas.
No ano de 2012 por meio do projeto de reestruturação do setor, formulou-se novas
frentes de trabalho. Inicialmente, captou-se recursos junto à FACE por intermédio da
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais IPEAD no intuito de digitalizar algumas peças do acervo. Dessa forma institui-se parceria
entre o IPEAD e o Arquivo Público Mineiro - APM resultando na digitalização de parte
significativa do acervo.
Outra etapa muito importante foi o estudo dos campos para descrever os objetos do
acervo. Na perspectiva de um olhar mais amplo buscou-se mapear padrões descritivos das
áreas de Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia para formar um único padrão descritivo
que desse conta da multiplicidade da equipe que formou o projeto, bem como das
características difusas do acervo. O estudo se baseou nas regras de descrição do Código de
Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas
do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma
Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia.
Delineada a planilha principal partiu-se para a estruturação do banco de dados de
modo que a perspectiva de fundos (proposta pela Arquivologia) se somasse a outras formas de
topologia do acervo, como por exemplo, a estruturação por assunto, autoria e até mesmo a
perspectiva de um olhar espacial (característica da Museologia) através da navegabilidade no
site.
Paralelo a estas iniciativas foi proposto um grupo de estudos com característica
interdisciplinar que problematizou textos das três áreas envolvidas e de assuntos transversais
como, por exemplo, a questão da memória. Estas reflexões foram fundamentais para o
entendimento do que é o setor de memória no contexto da FACE e com isto delinou-se quais
seriam as ações cabíveis no escopo dos trabalhos desenvolvidos pela equipe, posto que:
A curiosidade pelos lugares onde a memória se cristaliza e se refugia está
ligada a este momento particular da nossa história. Momento de articulação
onde a consciência da ruptura com o passado se confunde com o sentimento
de uma memória esfacelada, mas onde o esfacelamento desperta ainda
memória suficiente para se colocar o problema de sua encarnação. O
sentimento de continuidade torna-se residual aos locais. Há locais de
memória porque não há mais meios de memória (NORA, 1993, p.7).

3726

�Esta curiosidade motivou a vinda de uma equipe interdisciplinar424 que contou com
três bolsistas de Museologia (na maioria do tempo), um professor da ECI/UFMG como
orientador, uma arquivista (que se desligou do projeto recentemente), dois bibliotecários (foi
agregado mais um bibliotecário recentemente totalizando três) e um analista de sistemas. Para
o grupo de estudos agregou-se ainda mais dois estudantes de pós-graduação da ECIUFMG425.
Os trabalhos continuam em pleno desenvolvimento tendo à frente agora uma
bibliotecária em substituição à arquivista que se desligou da instituição. A perspectiva atual é
de materialização do lugar da memória da FACE para que, numa projeção futura, possa se
constituir cada vez mais em meio de (re)conhecimento e (re)construção de sua própria
história.

2

REFLEXOS NO CAMPO TEÓRICO

Como evidenciado nas discussões acima, a temática da memória envolve diferentes
aspectos: salvaguarda, disponibilização, identidade institucional, entre outros. Cada área
envolvida é “provocada” de maneira diferente pela interação destes aspectos, principalmente
com a criação de demandas novas, tais como uma maior complexidade na visualização e no
tratamento dos problemas e da necessidade de se ter modelos mais atentos, justamente, a essa
interrelação.
No campo da Arquivologia, tais reflexos se relacionam com diversas contribuições
teóricas, entre as quais destacam-se as contribuições de Tanodi (2009), que define o objeto de
estudo da Arquivologia não como sendo os arquivos ou os documentos mas sim a
“arquivalia”, isto é, a ação arquivística que se realiza sobre os diferentes produtos da ação
humana. Outra contribuição é a noção de “arquivo total” de Silva et al (1998), isto é, a ideia
de que a Arquivologia deve ser mais do que um conhecimento instrumental e técnico e de que
o arquivo é mais do que a mera soma de “fundo” mais “serviço”, é uma unidade integral

424 Para a consecução da proposta, foi formalizado um projeto, tendo à frente a arquivista Janda Tamara de Sousa
e o bibliotecário Leonardo Vasconcelos Renault, além da bibliotecária Fabiana Pereira dos Santos, do
profissional de computação Daniel Felippe Bernardino Corrêa (que estruturou o banco de dados), dos bolsistas
do curso de Museologia Bárbara Lempp, Thiago Miquéias e Mikael Barbosa e da bolsista do curso de
Biblioteconomia Gilmara Silva. Participou também a bibliotecária Letícia Alves Vieira como monitora dos
estagiários no ultimo trimestre de 2013.
425 O grupo foi coordenado pelo professor da ECI Carlos Alberto Ávila Araújo e participaram dele todos os
membros da equipe, além de um doutorando (José Alimateia Aquino Ramos) e uma mestranda (Gabrielle
Francinne de Souza Carvalho Tanus) do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFMG que
no momento desenvolviam pesquisas relacionadas à mesma temática.

3727

�aberta ao contexto dinâmico e histórico que o substancializa. Também a proposta de uma
Arquivologia pós-moderna por Cook (1997) deve ser considerada, na medida em que ela
representa a crítica à ideia de arquivo como algo pronto, acabado, e do arquivista como um
profissional neutro a lidar com a massa documental. Em sua discussão, Cook postula que o
arquivista é um mediador do processo de construção da memória coletiva por meio da ação
dos arquivos. Nesse sentido, o objeto da Arquivologia não seriam os arquivos ou os
documentos, mas sim os processos, as dinâmicas de criação dos documentos e as relações
entre os sujeitos envolvidos - os arquivos são, assim, profundamente carregados de influência
de quem os cria e da sociedade em que se inserem.
No campo da Biblioteconomia, merecem destaque os estudos que apresentam a ideia
de mediação como central para o campo (ALMEIDA JR, 2009), proporcionando uma
mudança de perspectiva do entendimento da ação bibliotecária: de uma noção difusora, de
transmissão de conhecimentos, para um entendimento dialógico, de construção conjunta de
conhecimentos entre distintos atores. Esse caráter mediador ganha relevância no contexto
digital, em que um novo cenário convoca à construção de novas intervenções por parte da
biblioteca (PÉREZ PULIDO; HERRERA MORILLAS, 2005). Nesta mesma linha está a
“Nova Biblioteconomia” (LANKES, 2011), que vê como missão central desta área a
promoção de condições para a criação de conhecimento por parte de diferentes comunidades;
e as reflexões que relacionam a biblioteca com o conceito de “esfera pública”, isto é, como
promotora da participação ativa dos cidadãos na sociedade da informação (VENTURA,
2002).
Já na Museologia, a definição do objeto de estudo da área promovida por Stránsky
(2008) como sendo não o museu, mas o “museal” (ou a musealização), isto é, uma
determinada dimensão da ação humana presente nos mais diversos contextos - inclusive, mas
não só, no museu - traz todo um redirecionamento para o campo. Fernández de Paz e Agudo
Torrico (1999) ressaltam que a discussão sobre a musealização traz uma problematização
sobre quais bens ou objetos serão musealizados, isto é, que serão destacados como de especial
significado dentro de um contexto cultural - e ainda, uma vez realizado esse processo, de que
forma eles serão interpretados na realidade museal. Nesta mesma linha está a proposta da
“Nova Museologia”, a partir das ideias de Georges-Henri Rivière e Hugues de Varine-Bohan,
que propuseram repensar o significado da própria instituição museu. Nessa visão, os museus
deveriam envolver as comunidades locais no processo de tratar e cuidar de seu patrimônio.
Propõe-se assim uma mudança no sentido do museu: de lugar de entrega de um
conhecimento a uma comunidade (transmissão), para lugar construído pela própria

3728

�comunidade - veículo de expressão de uma identidade (MAIRESSE; DESVALLÉS, 2005).
Numa perspectiva distinta, o impacto das tecnologias digitais tem suscitado novas reflexões,
como a área denominada Museum Informatics., que trata das interações sociotécnicas (entre as
pessoas, a informação e a tecnologia) nos espaços museais (MARTY; JONES, 2008).
No campo da Ciência da Informação, é possível identificar a aproximação com estas
ideias em, pelo menos, duas grandes perspectivas de estudo. A primeira é a ideia de inserção
dos fenômenos informacionais em contextos sociohistóricos específicos, envolvendo autores
distintos como García Gutiérrez (2008), Day (2001), Braman (2004) e que é muito bem
expressa pelo conceito de “regime de informação” de Frohmann (2008): para se entender
como algo se torna “informação”, é preciso analisar a inserção dos fenômenos informacionais
em contextos concretos os quais eles se realizam. Tal abordagem conduz necessariamente a
um modelo global de compreensão, incluindo as dimensões técnicas, tecnológicas,
econômicas, jurídicas, regulatórias, sociais, culturais, entre outras.
A segunda perspectiva se constrói a partir da ideia de “ação informacional”. A origem
dessa ideia remonta à proposta de criação de uma disciplina específica, a Epistemologia
Social, por Shera (1977), ainda nos anos 1960 - uma disciplina dedicada ao estudo de todos os
meios e processos por meio dos quais o conhecimento circula, integra-se e coordena-se no
contexto de uma determinada coletividade. Tal ideia foi levada adiante por Wersig (1993),
que propunha que a Ciência da Informação não deveria ser uma ciência dos documentos ou
dos procedimentos de tratamento técnico destes documentos, mas sim uma área voltada para a
reflexão sobre os processos de construção, circulação e apropriação destes documentos. A
especificidade desta perspectiva é apresentada por Capurro (2009) que, para definir
informação, remonta aos conceitos gregos de eidos (ideia) e morphé (forma), significando
“dar forma a algo”. Estudar informação é assim construir um olhar que se inscreve no âmbito
da ação humana sobre o mundo (“in-formar”) e a partir do mundo (se “in-formar”). Ou seja,
os seres humanos, em suas diferentes ações no mundo (produzir pesquisa científica, construir
sua identidade, monitorar o ambiente mercadológico, testemunhar direitos e deveres, etc),
produzem registros materiais, documentos - eles in-formam. É essa ação de produzir registros
materiais que é a informação, que é o objeto de estudo da CI. A CI não estuda a ação
administrativa, política, cultural, etc, em si mesmas, mas apenas naquilo que elas têm de
informacional. Ao mesmo tempo, os seres humanos, também em suas diferentes ações (podese citar as mesmas ou outras, como tomar decisões de investimentos, testemunhar
determinados direitos, comunicar-se com os outros, etc), utilizam documentos, registros
materiais - os seres humanos se in-formam. É também essa ação de utilizar, se apropriar dos

3729

�registros de conhecimento que é a informação, e que é também objeto de estudo da CI. Além
disso, no movimento de produzir registros, os seres humanos constroem um repertório
coletivo, um acervo social de conhecimento - enfim, memória. E é acessando esse acervo ou
essa memória que os mesmos seres humanos também se informam.
Há, pois, uma ligação entre as propostas contemporâneas da Arquivologia, da
Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro desenhado pelas tendências atuais de
pesquisa em Ciência da Informação. Essa ligação pode ser interpretada, pois, como um
sinalizador da importância que pode ter, em termos de incremento teórico e conceitual, uma
maior aproximação e um diálogo mais efetivo entre essas áreas.
O tratamento dos problemas relacionados com memória evidencia a necessidade de
atuação em parceria e cooperação, destas áreas entre si e delas com demais campos
científicos. Ao mesmo tempo, como se pretendeu demonstrar, o cenário teórico
contemporâneo (resultante da evolução do conhecimento científico nestas áreas) é claramente
favorável a essa cooperação e à demanda por complexidade.
Portanto, a noção de “memória” atua como conceito articulador de diferentes saberes. A
criação e a condução de setores de memória mostra-se, assim, um espaço excelente para a
promoção de fertilização inter/transdisciplinar entre as áreas. Contribuiu para a articulação
das relações entre as dimensões administrativa e científica, para o cumprimento das três
“missões” da universidade (ensino, pesquisa e extensão) e, ainda, como espaço laboratorial
dos cursos de graduação, para o tensionamento de teorias e produção de novos
conhecimentos.

3

OPERAÇÃO MEMÓRIA (PROCEDIMENTOS)

A primeira etapa do projeto de memória da FACE foi coordenada pela arquivista
Janda Tâmara que juntamente com o apoio, para definir as pré-diretrizes documentais, do
professor Galba426 realizaram a estruturação do arranjo em sua fase inicial, definindo as
coleções de fundo bibliográfico e textual.
Após estruturado em hierarquias de tópicos e subtópicos, procedimento em que o
conteúdo documental foi analisado e organizado de acordo com os temas, natureza e suporte
dos acervos, passamos pela etapa de busca de possíveis locais para digitalização (tratamento

426 Professor Galba Di Mambro, Professor do Departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora
e Diretor do Arquivo Histórico UFJF.

3730

�digital) dos documentos em Belo Horizonte. Foi firmada uma parceria entre o IPEAD e
APM, a qual digitalizou parte do acervo.
Antes do processo de digitalização fomos orientados a manter as características físicas
dos documentos originais, (como rabiscos e comentários nas páginas, rasgos e alguns reparos,
pois o acervo seria tratado no APM) os códigos atribuídos deveriam ser registrados e
anexados juntos aos objetos, para evitar possíveis confusões entre os documentos físicos,
digitais e facilitar o manuseio entre eles. Após esse processo, os documentos foram
identificados com códigos escrito a lápis de grafita macia. Findo este processo, iniciou-se a
preparação do acervo para digitalização no APM.
O procedimento de trabalho adotado pelo APM consiste na utilização de dois tipos de
formatos no processo de digitalização de documentos textuais: o formato TIFF (para fins de
preservação) e o formato JPEG (para fins de recuperação e acesso). Os equipamentos para a
digitalização e todo o maquinário envolvido em cada etapa do processo, trabalhavam ligados
em rede, sendo uma máquina com grande capacidade de armazenamento e processamento de
dados, a matriz responsável por reunir e salvar todo o conteúdo produzido. Todo o acervo
digitalizado, por uma medida de segurança, foi gravado em uma fita com a capacidade de 40
GB e arquivado em um local específico, com identificação do conteúdo tratado e separado
pelo nome da instituição em que o serviço foi prestado.
Nesse contato com a instituição APM não se pode deixar de relatar uma valiosa
experiência que, apesar de não estar presente no planejamento inicial, foi de grande
importância para o projeto. Trata-se do aprendizado sobre processos básicos de restauração,
limpeza e encadernação dos documentos que foram levados, o que possibilitou o
entendimento de algumas técnicas, conhecimento de ferramentas e materiais utilizados para a
limpeza e reparo.
Após o processo de digitalização e entrega dos materiais, retornou-se o trabalho de
representação dos objetos tendo como referência a planilha Arquivo, Biblioteca e Museu ABM a qual gerou um banco de dados para ser alimentado tendo os seguintes campos como
referência:

3731

�Quadro 1 - Campos de descrição ABM
ABM
Código identificador
Nome da Coleção
Título principal
Título da unidade de descrição
Autor
Edição (número)
Data
Editor (editora e local)
Tipo de publicação
Procedência

Condições de reprodução
Idioma
Características físicas
Localização dos originais
Material e técnica
Descrição do objeto
Assunto
Arranjo

BRFACE
Solenidades
Encontro de administração
Memória FACE
Araújo, Elizabete Ribeiro de; Cunha, Denise
Ribeiro
19
Maio de 1987
FACE- Belo Horizonte
Boletim Informativo
Reprodução Comemorativa do 35° aniversario
do curso de administração da faculdade de
ciências econômicas e 60° da Universidade
Federal de Minas Gerais
Acesso ao Formato Digital- Ao OriginalFotocópia- (...)
Português
Memória FACE
Gênero textual em papel
Vocabulário não controlado
Organizado por fundos

Fonte: Elaborado pelos próprios autores

Por fim procedeu-se à uma organização final com o objetivo de continuidade do
processo de descrição dos objetos que ainda se encontra em curso.

4 AUSÊNCIAS (DIFICULDADES DE RETENÇÃO DA MEMÓRIA)

Acredita-se que é válido falar sobre alguns problemas que atravessamos no decorrer
desse caminho. O primeiro deles foi a dificuldade de entendimento do papel do outro no
projeto. Por estar lidando com objetos de diferentes formatos ainda não sabíamos qual o
melhor tratamento para cada um deles, nem qual melhor instrumento que deveria ser
utilizado. Estávamos no momento em que havia profissionais da área arquivística e
biblioteconômica, porém ainda não havia ocorrido a discussão sobre os limites e
possibilidades de cada profissional no processo. Após levantamento dos objetos da Memória
FACE, pesquisado e pensado sobre as possibilidades foi decidido que a organização inicial se
daria de forma arquivística. Assim, foi desenvolvido o sistema de organização dos objetos
através de fundos.

3732

�No projeto que envolveu sujeitos de diferentes áreas do conhecimento sempre houve a
preocupação de congregar os saberes dessas diferentes áreas. Muito se aprendeu e foi
desenvolvido nesta experiência. A partir das reuniões e das trocas de e-mails, sempre
tomando como ponto de partida os documentos existentes na Memória FACE e as formas de
representação destes documentos/objetos nas áreas de arquivologia, biblioteconomia e
museologia foram construídos os campos para representação dos itens.
Outra dificuldade que passamos foi de cunho administrativo, porém de vital
importância para o desenvolvimento do projeto, que foi a contratação dos bolsistas. O valor
das bolsas que nos foram cedidas era baixo e pouco atrativo, assim a carga horária era
pequena e os bolsistas ficavam muito pouco tempo se dedicando ao projeto,
conseqüentemente tivemos que aumentar o prazo para término do mesmo. Dois bolsistas
saíram do projeto, o que demandou esforço para seleção, contratação e treinamento de novas
pessoas.
Como já foi citada anteriormente a digitalização dos documentos foi realizada através
de um convenio com uma entidade governamental, assim tivemos que nos adequar a seus
prazos e formas de trabalho. Os arquivos digitais quando devolvidos eram verificados e
renomeados um a um. Em algumas ocasiões houve desencontros, nem sempre conseguíamos
alinhar os esforços e entrar num entendimento. Esta experiência foi de grande valia para nós,
pois vivenciamos uma forma de trabalho diferente da que estávamos inseridos.
Com o fim da digitalização, a tabela para inserção de dados criada e banco de dados
construído iniciou-se o trabalho de descrição dos objetos, porém por um problema técnico
perdemos os dados e o processo de descrição teve que recomeçar novamente.
O projeto da Memória FACE apresentou muitos desafios para a equipe, pois nos
deparamos com objetos de formatos variados e inovamos ao tratá-los de uma forma que
agregasse saberes de três áreas: arquivologia, biblioteconomia e museologia. A idéia de
congregar profissionais de diversas áreas trouxe muitas discussões válidas e enriquecedoras.
O legado que o projeto deixa é o respeito e o reconhecimento do saber e da singularidade do
outro. Ainda temos muito que caminhar, pois a Memória da FACE continua em construção e
esta memória deve ser conhecida.

5 MEMORABILIA (MEMÓRIAS DIGNAS DE NOTA)

Em geral o que podemos pontuar é uma experiência rica em sua diversidade de olhares
e fazeres reunidos sob a égide do projeto para o Setor de Memória da FACE/UFMG.

3733

�Evidentemente o estranhamento que o outro provoca nos provocou também alguns percalços
e aprendizados mútuos. Este processo que ainda continua em curso e do qual pretendemos
edificar como algo a ser lembrado.
Nos resta continuar a edificar a memória, ainda que trabalhando com os fragmentos e
as exceções, mas com a certeza de um trabalho que não se esgota aqui e que tampouco
vislumbra a noção de totalidade. O que se propõe é um começo, uma possibilidade para a
construção de um projeto de memória, dentro das limitações do setor, para a Faculdade de
Ciências Econômicas da UFMG.

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para

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3735

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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Relata a experiência de reestruturação do Setor de Memória da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Aborda o processo de descrição e tratamento dos documentos do setor. O acervo da Memória é composto, essencialmente, por registros acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns professores e registros de eventos. Possui, ainda, alguns livros e peças museológicas. O estudo e tratamento dos documentos se basearam nas regras de descrição do Código de Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia. O processo envolveu uma equipe interdisciplinar composta de pessoas das áreas de Museologia, Arquivologia, Biblioteconomia, Informática e Ciência da Informação. A ideia de interrelação dessas áreas e desses profissionais se deu em função do cenário institucional da UFMG, onde cursos de graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia estão sediados em uma Escola de Ciência da Informação. Conclui-se que no tratamento dos problemas relacionados com memória evidencia-se a necessidade de atuação em parceria e cooperação, destas áreas entre si e delas com demais campos científicos. Há, pois, uma ligação entre as propostas contemporâneas da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro desenhado pelas tendências atuais de pesquisa em Ciência da Informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

COLEÇÃO LIVRO DE ARTISTA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS
GERAIS: PROCESSOS BIBLIOTECONÔMICOS EM UM ACERVO ESPECIAL

Dina Marques Pereira Araujo
Magna Lucia dos Santos

RESUMO
A Coleção Livro de Artista da Universidade Federal de Minas Gerais, formada em 2009,
possui um dos maiores acervos especializados em livro de artista no Brasil, composta por
mais de 600 títulos, abrangendo desde obras publicadas na década de 1960 até o ano 2013,
contempla tanto a produção nacional de livros de artista quanto obras internacionais. Este
trabalho descreve as práticas biblioteconômicas na gestão de um acervo especial. Destaca o
processo de formação da Coleção Livro de Artista na Escola de Belas Artes da Universidade
Federal de Minas Gerais.Relata os métodos e técnicas estabelecidos para a gestão e
desenvolvimento da Coleção Livro de Artista na Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca
Universitária da Universidade Federal de Minas Geraisiniciados no momento do inventário
eseguidos de ações de conservação preventiva e de processos de catalogação.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Coleção especial. Livro de artista.

ABSTRACT
The collection Livro de Artista of the Federal University of Minas Gerais was created in
2009 and brings one of the largest and most important collections specialized in artist’s book
in Brazil. Consisting of over 600 titles covering works published from the 1960s to 2013 it
covers the national and international production of artist’s books. This paperdescribes
thepracticeof librarianshipin the managementof a specialcollection. Presents the process
offormation of theCollectionat the School ofFineArts at the FederalUniversity of Minas
Gerais. Finally, reports themethods andtechniquesestablishedfor the managementand
developmentof thecollectionin theSpecial CollectionsDivisionoftheFederalUniversity of
Minas Geraisstartedwith the inventoryand followedtheactionsofpreventiveconservation
andcataloging.
Keywords: University Library. Special Collection. Artist’s Book.

1 INTRODUÇÃO
A definição sobre o Livro de Artista é discutida desde a década de 1960 com destaque
para a produção dos pesquisadores ingleses e norteamericanos. São muitos os autores que
tratam sobre este área e não é nosso escopo direcionar este relato para o campo das definições.

2363

�Entrementes, para iniciar nosso trabalho optamos por citar uma obra de referência sobre o
Livro de Artista, o livro Artists Books: a criticalsurveyoftheliterature publicado em 1998 de
autoria de Stefan Klima. O autor reuni cinco artigos, em formato de revisão de literatura, com
abordagens relacionadas ao Livro de Artista que apresentam: o uso do termo, histórico e
desdobramentos; a definição do termo; a arte como um livro; a “leitura” do livro de artista;
sucessos e falhas. Klima acrescenta ainda uma cuidadosa e extensa bibliografia sobre a
temática

. No capítulo dedicado à definição do livro de artista, dentre os teóricos o

autordedica uma boa parcela do texto aos trabalhos do bibliotecário Clive Phillpot. Ponto de
onde iniciamos nossa abordagem.
Desde a década de 1970 Clive Phillpot atua como crítico, curador e pesquisador da
temática Livro de Artista. Período no qual, enquanto diretor da biblioteca do Museu de Arte
Moderna (MoMA - Nova York), formou uma coleção de livros de artista. Paralelamente ao
processo de formação da coleção mapeou o campo e produziu ensaios - necessariamente
publicações de artigos em periódicos - que influenciaram as questões relacionadas à definição
do Livro de Artista, sobretudo quanto às distinções de gêneros aparentemente semelhantes,
como o livre d'artistee/ou o livro raro. Dentre os discursos defendidos por Phillpot destacamos
sua atuação direcionada para formação de uma coleção especial em um contexto institucional,
especificamente em uma biblioteca de artes. Em 1977 Phillpot, dirigindo-se aos
bibliotecários, publica um artigo que trata exclusivamente das dificuldades para a formação,
manutenção, catalogação e acesso a uma coleção de livros de artista

. Dificuldades

relacionadas à questão “o que é um livro de artista”, mas também às questões institucionais
que implicam na formação de uma coleção.
O presente relato compartilha as ações direcionadas para o acolhimento da Coleção
Livro de Artista na Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca Universitária (BU) da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e, sobretudo, os processos relacionados à
formação, manutenção, catalogação e acesso à coleção. Ainda distantes do local “ideal”
arriscamos nossos passos tendo como bússola os textos de Phillpot

.

A Coleção de Livros de Artista da UFMG foi criada na Escola de Belas Artes
(EBA)em novembro de 2009 em uma iniciativa dos professores Maria do Carmo Freitas

281KLIMA, 1998, p. 86-109.
282 PHILLPOT, Clive. Artistis books and book art. In: PACEY, Philip .(ed.). A rt Library Manual: a
guidetoresourcesandpractice. New York: Bowker, 1977. P. 355-363.
283 Os artigos publicados por Clive Phillpot foram reunidos no livroBooktrek: selectedessaysonArtists ’ Books
since 1972, publicado em 2012 por JRP|Ringier.

2364

�Veneroso e Amir Brito Cadôr284 . A proposta dos professores para a formação da coleção foi
apresentada à coordenação da biblioteca da EBA que acatou a criação da mesma enquanto um
acervo bibliográfico especial. Alocada inicialmente na biblioteca da EBAa Coleção é pioneira
na temática de livros de artista em universidades brasileiras. Reuni, preserva e disponibiliza
obras referentes a produção brasileira de livros de artista e tambémobras de artistas
internacionais. Atualmente o acervo conta com mais de 600títulos, publicados entre 1967 e
2013, além de obras de referência sobre a temática e publicações de artistas.
Os primeiros livros da Coleção foram doados, em 2009, ano no qual eles fizeram parte
da exposição Livro/Obra realizada no prédio da Biblioteca Central da UFMG. A exposição fez
parte da programação doseminário Perspectivas do Livro de Artista

- evento de caráter pan-

americano dedicado aos livros de artista. A revista da Pós-Graduação da Escola de Belas Artes
dedicou a ediçãonúmero 3, de 2012, aos trabalhos apresentados no Seminário e também à
exposição Livro/Obra

. No mesmo ano da publicação, a coleção foi transferida da biblioteca

da EBA para a Biblioteca Central, sobre a salvaguarda da Divisão de Coleções Especiais da
Biblioteca Universitária. Após a transferência a Coleção foi estruturada em:
•
•
•
•

Livros de Artista
Obras de Referência: material de apoio à pesquisa composto por obras
nacionais e internacionais sobre livros de artista.
Publicação de Artista: livros, revistas e catálogos que contém intervenções de
artistas na publicação.
Arquivos sobre Artistas: correspondências, folhetos, informações e dados
pessoais sobre o artista e/ou sua obra.

2 CURADORIA: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Em 2012 em acordo firmado com as diretorias da EBA e BU, a Coleção Livro de
Artista foi transferida para a Divisão de Coleções Especiais, no 4° andar da Biblioteca
Central.A Coleção permanece como coleção especial da EBA, contudo, sobre a guarda da
Biblioteca Universitária (BU) em novo espaço físico.
Foram itens do termo de transferência: a) a responsabilidade da BU em preservar o

284 Em artigo publicado na Revista da Pós Graduação da Escola de Belas Artes, Amir Brito Cador apresenta
relato da formação da coleção especial livros de artista da biblioteca da Escola de Belas Artes da UFMG.
CADOR, Amir Brito. Coleção especial: livros de artista na biblioteca. Pós. Belo Horizonte, v.2, n.3, maio 2012.
Disponível em: &lt;http://www.eba.ufmg.br/revistapos/index.php/pos&gt;. Acesso em: 26 mar. 2013.
285
Informações
sobre
o
Seminário
em:
PERSPECTIVAS.
Disponível
em:
&lt;http://seminariolivrodeartista.wordpress.com/&gt; . Acesso em 12 ago. 2012.
286PÓS: revista do programa de pós graduação em artes da Escola de Belas Artes da UFMG, Belo Horizonte:
EBA-UFMG, v. 2, n.3, maio 2012. Disponível em: &lt;http://www.eba.ufmg.br/revistapos/index.php/pos&gt; . Acesso
em: 26 mar. 2013.

2365

�acervo egarantir o acesso ao público; e b) a responsabilidade da EBA em manter a curadoria
do acervo direcionada às atividades de ensino, de pesquisa e de extensão - coordenada por
professores/artistas/pesquisadores.
A curadoria do acervo desenvolve ações de pesquisa com presença de bolsistas de
Iniciação Científica que desenvolvem tanto pesquisas sobre o acervo - vinculadas ao grupo de
pesquisa Pensamento Impresso -, quanto participam, apoiam e colaboram com: pesquisas
específicas para a catalogação de livros; rotinas de conservação do acervo; seleção, montagem
e monitoria das exposições do acervo; e ações de divulgação do acervo em sites, blogs e redes
sociais287.
As ações de ensino, pesquisa e extensão acontecem, em sua maioria, com iniciativa e
coordenação da EBA em parceria e apoio da BU. São elas:
- Atividades abertas ao público: palestras, encontro do grupo de pesquisa Pensamento
Impresso, seminário:
- Exposições temporárias:
- Visitas orientadas e aulas na biblioteca.

Figuras 1, 2, 3 - Material de divulgação de encontros

Fonte: Divisão de Coleçõespeciais UFMG, 2014.

Figuras 4, 5, 6 - Material de divulgação de exposições
ENSINAR E APRENDER
COMO FORMAS DE ARTE

A morte do autor

Fazem parte da mostra obras que pertencem ao acervo de livras de
artista da UFMG, com destaque para os livros de artistas/protesso[g#»
livros publicados como resultado de pesquisa ou vinculados
de pesquisa, além de trabalhos de conclusão de curso e dySmjbes
de mestrado.
/

segunda a sexta-feira, das 8 ás 17h

27/2 a 28/3 d e 2 0 1 4

Das Buch

The Book

Le Livre

Het Boek

Bate-papo com o curador Am ír Brito Cadôr

28/11/2013 (quinta-feira) 15h
4o andar da Biblioteca Universitária

Coleção Livro de Artista - Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras

Fonte: Divisão de Coleçõespeciais UFMG, 2014.
287Um exemplo o Blog mantido pelo curador Amir Brito: LIVRO DE ARTISTA. Disponível em:
&lt;http://colecaolivrodeartista.wordpress.com/&gt; . Acesso em: 14 out. 2012.

2366

�As atividades realizadas no acervo ratificam a missão de coleções especiais,
especificamente a Coleção Livro de Artista, direcionada para as de ações de ensino, pesquisa
e extensão na biblioteca universitária. Deste modo, viabilizam e justificam a manutenção e o
desenvolvimento do acervo junto à comunidade acadêmica.

3 PRÁTICAS BIBLIOTECONÔMICAS EM ACERVOS ESPECIAL
A transferência do acervo para a Divisão de Coleções Especiais oportunizou a
implementação de ações para a gestão das práticas biblioteconômicas em um acervo
especialdirecionada para sua preservação.A equipe da Divisão de Coleções Especiais em
discussão com a curadoria da Coleção estruturou as práticas que poderiam ser adotadas para o
tratamento do acervo, foram estabelecidos processos graduais que iniciaram na seguinte
ordem:
•

Aquisição: critérios de seleção, doações, carta-convites, compra

•

Inventário

•

Conservação
a. Higienização (quando necessário)
b. Acondicionamento
c. Definição de localização na estante por tipologia de material, formato e
dimensões do livro
d. Definições das modalidades de consulta (suporte de leitura, controle de obras)

•

Catalogação

3.1 Aquisição
Os professores Maria do Carmo Freitas Veneroso e Amir Brito Cadôr, designados
como os curadores do acervo, além do desenvolvimento de pesquisas, viabilizam ações para
aquisição de livros.
A aquisição de novos livros é feita por meio de doação e/ou compra. As doações se
dão por meio de carta-convite e projetos específicos. A inserção de livros ao acervo obedece
critérios que não visam à rigidez, antes buscam nortear as discussões para a inclusão de livros.
O critério de seleçãode livros para a Coleção fundamenta-se em critérios como o perfil
e produção do artista que produz a obra. O fundamento para a seleção considera que o livro de
artista é um livro-obra. Isto não quer dizer que o livro de artista é um caderno de processo ou
um livro referente, mas que o livro de artista é uma obra de arte, na qual o artista é autor da

2367

�obra e participante ativo de todos os processos para a sua produção/realização“O livro de
artista não é um livro sobre arte ou sobre artistas, mas livro enquanto arte”

(Klima, 1998,

p.34). Pelo exposto, é evidente que o processo de seleção é em essência um processo de
pesquisa.

3.2 Inventário
A equipe da biblioteca e o curador do acervo estabeleceram uma ficha de identificação
para os livros da Coleção (ANEXO 1)289 como instrumento para registrar os livros que entram
no acervo. As informações descritas auxiliam a catalogação com dados específicos sobre
autoridade, assuntos e área para inserção de contexto da obra.

3.3 Conservação
Dos livros transferidos da EBA, aproximadamente 100 itens, continham etiquetas
adesivas no dorso, colagens internas de fichas de empréstimo epastas com acumulo de
sujidades2829290. A higienização foi realizada com limpeza mecânica seca, por varrição ou com
materiais abrasivos e, em alguns casos,limpeza mecânica úmida com uso de produtos
químicos, especificamente, para a retirada de etiquetas e colas. A higienização visou a retirada
de elementos que contribuíam para a degradação do livro e buscou atender às necessidadesde
retirar elementos externos que interrompiam ou impediam a leitura da obra.

Figuras 7, 8, 9 - Retirada de etiquetas adesivas

Fonte: Divisão de Coleçõespeciais UFMG, 2012.
Fotografia: UFMG/BU/Divisão de Coleções Especiais.
288 Texto em língua inglesa.
289 A aluna BárbaraBija (EBA), com orientação do Prof. Amir Brito Cador, preencheu as fichas de identificação
da Coleção quando o acervo ainda estava na EBA e concluiu as atividades após a transferência para a Biblioteca
Central da UFMG.
290 Muitos desses livros faziam parte do acervo corrente da biblioteca da EBA e estavam disponíveis para o
empréstimo. Com a formação da Coleção em 2009 os livros foram recolhidos. Posteriormente foram
identificados livros de artista no acervo bibliográfico da UFMG (distribuídos nas Unidades Acadêmicas) os
quais foram recolhidos com apoio das chefias da bibliotecas em 2012, 2013 e 2014.

2368

�Todo e qualquer título adquirido para o acervo passa pelo processo de avaliação de
estado de conservação. E em diálogo com a curadoria é submetido ou à conservação curativa,
ou à conservação preventiva ou à pequenos reparos.
Os livros

do acervo foramacondicionadosem luvas

, confeccionadas

com

papelfilifolddocumenta 350 gramas. Esta tipologia de acondicionamento permite a
identificação do dorso do livro, facilitando a consulta; possibilita a inscrição de informações;
impede a deposição de material particulado no corte superior dos livros; e, ainda, não encerra
o livro em um invólucro fechado.O tempo de permanência do papel de acondicionamento foi
estabelecido pelo período de 05 anos, quando deve ocorrer a sua troca.

Figuras 10, 11 - Luvas de papel filifold documenta

Os livros que, devido às suas dimensões, não permitiam o acondicionamento com
luvas foram guardados em caixas de preservação. Livros de grande formato receberam
proteção com passe-par-tout e tecido.
Como parte das ações direcionadas para a catalogação da Coleção foi acordado que
quaisquer procedimentos biblioteconômicos de controle patrimonial não seriam inscritos e/ou
adesivados nos livros. A compreensão do acervo da Coleção Livro de Artista da UFMG é do
livro como “obra de arte”, neste sentido, qualquer inscrição na obra é incorreta e danosa para
sua integridade estética. Número de chamada, número de registro de patrimônio, número de
acervo, observações sobre o livro e informações que se fizerem necessárias são executadas,
obrigatoriamente, na luva de proteção.
Os critérios para organização de uma coleção - quer passem pela ordem de
classificação formalizadas pelos códigos de classificação, quer sejam fundamentados pela
importância de preservação do acervo - não ocorrem por acaso. São, antes de tudo, resultado291

291O acondicionamentoeleito foi baseado em estrutura semelhante à modelo proposto pela Fundação Biblioteca
Nacional.

2369

�de “escolhas intelectuais fortes”292 que devem compor os princípios de formação de um acervo
especial.Há quem defendaa localização do livro na estante por meio do número de
classificação, e para isto há fundamentos sólidos das “razões classificadoras”

, por sua vez a

localização relativa por tipologia de material fundamenta-se, principalmente, na preservação
do

acervo

por

meio

da

guarda

dos

livros

conforme

sua

estrutura

física

e

materialidade*
293294.Assim, na Coleção Livros de Artista da UFMQ livros de dimensões e
estrutura física aproximados são armazenados na mesma prateleira/estantes.
Para as obras em grande formato, que necessitavam armazenagem horizontal a ordem
numérica seguiu a ordem crescente a partir do primeiro livro em contato com a estante. A
regra para a sobreposição de livros foi sempre a do maior formato como base para o menor,
sem excesso de sobreposições.

Figura 12 - Registro de localização e patrimônio

Fonte: Divisão de Coleções speciais UFMG, 2013.

O armazenamento é feito em estante de aço e obedece a ordenação por tamanho. A
guarda de livros de tamanhos distintos, lado à lado, contribui para a degradação do acervo,
sobretudo, pela pressão que um livro mantem sobre o outro. Do mesmo modo, livros muito
pequenos tendem a “desaparecer” dentre os maiores. Livros com encadernação em espiral
causam marcas nos demais. Caixas frágeis são amassadas e/ou quebradas se ordenadas ao
lado de livros pesados. A opção de ordenara Coleção por tamanho, não significa uma
concepção formalista diante do livro de artista, absolutamente, mas visa tão somente a
92Christian Jacob, 2008, p. 13.
293Idem.
294 “O Sistema de Localização Fixa aplica-se a bibliotecas onde a conservação do livro é condição para a
salvaguarda de seu conteúdo, porque os livros são organizados segundo sua materialidade”. (Pinheiro, 2007, p.
33).

2370

�preservação do acervo.
A decisão pela guarda de preservação ocasionou o estabelecimento de armazenamento
por tamanho e estrutura físicadas obras, conforme esquemas a seguir:

Figuras - 13, 14, 15, 16, 17, 18 - Armazenamento por estrutura física. Localização fixa
FORMATO DO LIVRO: DIVERSOS
ACONDICIONAMENTO: Caixas de papel neutro

FORMATO DO LIVRO: OBLONGO

FORMATO DO LIVRO: FOLHAS SOLTAS/GRANDE FORMATO

ACONDICIONAMENTO; luv* d* MfelSt 330 .&amp;

ACONDICIONAMENTO: luva de filifpld 350 gj

ARMAZENAMENTO
1) SENTIDO VERTICAL COM APOIO DE BIBLIOTECANTO

ARMAZENAMENTO: SENTIDO HORIZONTAL
ARMAZENAMENTO: SENTIDO HORIZONTAL

f t
2) SENTIDO HORIZONTAL

FORMATO DO LIVRO: PEQUENOS FORMATOS

FORMATO DO LIVRO: RETANGULAR

ACONDICIONAMENTO: luwa de ÍUilald 350 g r

ACONDICIONAMENTO: luva de filjfpld 350 *

ARMAZENAMENTO: SENTIDO HORIZONTAL

ARMAZENAMENTO: ESTANTE - sentida vertical com apoio de(gtjjgjgggjjjg.

FORMATO DO LIVRO: QUADRADO|
ACONDICIONAMENTO: luva defjUfgld 350gr
ARMAZENAMENTO: ESTANTE - sentido vertical

i

ft

Fonte: Divisão de CoõEspeciais UFMG, 2012.

O usuário não tem acesso às estantes da Coleção. A retirada das obras é controlada e
reservada para os funcionários do setor. Assim,apesar da ausência de inscrições adesivas de
patrimônio na obra, as possibilidades de dissociação e roubo são menores do que em uma
biblioteca de acervo corrente.

3.4 Catalogação295
ler um livro é perceber sequencialmente sua estrutura.
Ulisses Carrión

Maria White, Patrick Perratt e Liz Lawes, na publicação Artists’ books a cataloguers’
manual, descrevem
que em alguns livros de artistas os elem entos bibliográficos habituais podem
estar ausentes, ocultos ou disfarçados. Por isso, o catalogador deve examinar
o livro de artista, procurando os lugares distintos [daqueles tradicionais]
onde a inform ação bibliográfica pode estar escondida.296 (WHITE;
PERRAT; L A W E S, 2006, p. 7).

295 A Coleção Livro de Artista foi catalogada pelas bibliotecárias Magna Lúcia dos Santos e NágilaSouki com
participação dos bolsistas BárbaraBija (EBA), Thaís Mariano e Bernardo Pacheco Schuchter (ECI). O trabalho
foi realizado a partir de discussões teóricas de outras experiências de catalogação de livros de artista e contou
com a participação do Prof. Amir Brito na identificação de artistas e obras.
296Textoemlínguainglesa.

2371

�Nas regras gerais para a descrição de um item bibliográfico o AngloAmericanCataloguingRules(AACR2)aponta que para a descrição do título e indicação de
responsabilidade (Fontes de Informação - Regra 1.0A1) os “dados para descrição dessa área
devem ser retirados das fontes principais estabelecidas em cada capítulo.[Cada capítulo
contém uma] especificação da fonte principal de informação para cada material ou tipo de
publicação nele incluído.” (RIBEIRO, 1995, p. 1-3).
Neste, caso o que fazer quando não há informações no livro ou sequer palavras? Para
esta dúvida o Catálogo sinaliza o modo de tratar itens sem uma fonte principal de informação,
a saber:
Se nenhum a parte do item fornecer dados que possam ser usados com o base
da descrição, tire a inform ação necessária de qualquer fonte disponível, seja
ela um a fonte de referência ou o conteúdo do próprio item. E ssa técnica pode
ser necessária para obras im pressas cujas páginas de rosto se perderam; para
co leçõ es de folhetos ou outro material de m enor importância reunidas pela
biblioteca ou por proprietário anterior e que serão catalogados com o um item
único [...] (RIBEIRO, 1995, p. 1-3).

Durante o processo de catalogação, em muitos livros, tais informações não constavam
em obras de referência, nem em sites comerciais, nem em outras bibliotecas nacionais e
internacionais, nem em folhetos. Poucas vezes, encontramos informações em blogs de artistas
e editores independentes. Evidenciamos que nem sempre haviam informações para descrição
do livro de artista nas estruturas textuais e para textuais

que compõem um livro tradicional.

Deslocadas dos espaços tradicionais para os quais as técnicas de análise de assunto
dão destaque - folha de rosto, páginas preliminares, colofão e outros - as fontes de
informação para identificação do livro de artista podem estar dentre as folhas que antecedem
ou procedem o colofão ou em outro local eleito pelo artista, inclusive em outro local que não
no livro. Há obras em que é o discurso do editor/autor/organizador, ao fim do texto, que revela
o livro. E há ainda livros sem texto297298. Também livros nos quais as informações necessárias
para a catalogação não estão na obra, mas em obras de referência ou fazem parte do
“discurso” do artista, registrado em outras fontes (sites, livros, reportagens).Tendo em vista
estas especificidades, na catalogação da Coleção, muitas atribuições de indicações de
responsabilidade foram referenciadas pelos curadores/pesquisadores do acervo.
A obra A Nova Arte de Fazer Livros, de Ulisses Carrión, foi traduzida por Amir Brito
Cador em 2011. Para além da tradução, o artista produziu uma obra (apropriação). O projeto
297 Para uma abordagem sobre os elementos paratextuais ver Paratextos editoriais de Gérard Genette, 2009.
298 Ulisses Carrión defende que “um livro é formado por diversos elementos, um dos quais pode ser o texto. um
texto que faz parte de um livro não é necessariamente a parte essencial ou a mais importante do livro” (sic).
(CARRIÓN, 2011, p. 51).

2372

�gráfico desta edição brasileira “incorpora elementos de outros livros de Carrión” (CARRIÓN;
CADOR, 2011, p. 71).Nas folhas finais do livro consta o texto do artista explicitando sua
“apropriação” sobre a obra de Carrión. Se descrito sem atenção à estes detalhes, que revelam
que a tradução é, também, obra de outro artista, a inclusão do assunto “Apropriação (Arte)”
seria indevida.

Figura 19 - Descrição catalográfica
»

N ova a rte de fa z e r liv ro s , A / 2011
0 0 2 :7

-

Livro s

Cham ada

E1P2 04

A u t o r P r in c ip a l

C a r r ió n , u l i s e s .

C318n

2011

O u tro s A u to re s

C a d ô r , A m ir B rito ,

T ít u lo P r i n c i p a l

A n o v a a r t e d e f a z e r l iv r o s /
U l i s e s C a r r ió n
p r o je t o g r á f ic o e c a p a : A m ir B rit o C a d ô r
; e d it o r : F e r n a n d o P e d r o d a S il v a ; c o n s e l h o e d it o r ia l: M a r ília A n d r é s R ib e ir o ... [ e t a l.] .

D e ta lh e s

B U - L i v r o d e A r t is t a

1 9 4 L -1989.

D e ta lh e s

D e ta lh e s

1976-

j tradução,

P u b li c a ç ã o

B e lo H o riz o n t e s

D e s c r iç ã o F ísic a

7 1 p. :

N o tas

Im p r e s s ã o e m o ffse t, t ir a g e m d e 7 0 0 e x e m p la r e s .
" T e x t o p u b li c a d o c o m a u t o r i z a ç ã o d e J u a n J . A g i u s " .

N o ta s d e e n c a d e rn a ç ã o

B ro c h u ra .

A ssu nto s

A r t e s a r á f ic a s .
D e ta lh e s
L iv r o s a rt ís t ic o s - - M é x i c o — S é c . X X
A p ro o ria c à o (A rte í
D e ta lh e s

IS B N

IS B N : 9 7 S S 5 7 6 5 4 L 0 B 0

E n d e r e ç o E le t r ô n ic o

Im a o s m

il. j

C f A rt e ,

2011.

18 x 1 2 x 0 ,5 cm .

B U - L i v r o d e A r t is t a

Fonte: Pergamum - Sistema d Bibliotecas UFMG, 2013.

Seguindo os exemplos apontados no Artists’ books a cataloguers’ manual, foi definido
um cabeçalho de assunto, padrão, para a Coleção: “Livros Artísticos”, que deve ser seguido
do local de publicação da obra e período (por século) - conforme apontado nas figuras 14 e
15. Os assuntos descritos na ficha de identificação contribuíram para a definição de assunto.
Para as áreas de notas foram definidas:
•

Nota geral: informações sobre o livro, basicamente, um texto contextualizando a obra
do artista.

•

Nota de exposição: identificação de exposições que o livro participou. Até o momento
foram inseridas informações somente para as exposições externas à Universidade e
datadas a partir da inserção do livro na Coleção da UFMG.

•

Nota de encadernação: descrição de materialidade e estrutura física. Para os elementos
técnicos e estéticos que compõem a união de cadernos (encadernações) foram
contempladas as descrições: Fólios costurados; Fólios grampeados; Brochuras;
Encadernação contemporânea; Encadernação contemporânea com costura exposta;
Encadernação de editor, dentre outras.

2373

�•

Nota local: para informações que individualizem o exemplar, como: dedicatórias,
assinaturas.

•

Nota de conservação: detalhamento de degradação e técnicas e materiais utilizados
no(s) processo(s) de intervenção(ões).

Figura 20 - Descrição catalográfica
» A g e n d a d o fim d o s te m p o s d r á s tic o s / 2 0 0 8 - L ivro s
Cham ada

E1P6 27

A u t o r P rin c ip a l

P e f ía fie l, J a v ie r ,

0 0 2 :7

P3Q7a

[2 0 0 8 ]

O u tro s A u to re s

V id ia a l, S u z a n a ,
D e ta lh e s
B i e n a l I n t e r n a c i o n a l d e A rt e d e S ã o P a u l o
G ifr e u , A l e x .
D e ta lh e s

T í t u lo P r i n c i p a l

A g e n d a d o f im d o s t e m p o s d r á s t i c o s /
id e a l iz a ç ã o , t e x t o s , d e s e n h o s e i m a g e n s : J a v i e r
P e n a f ie l : t r a d u ç ã o : S u z a n a V i d i g a l : p r o je t o g r á f ic o : A l e x G ifre u .

P u b li c a ç ã o

[ S ã o P a u lo ] :

D e s c r iç ã o F ísic a

[4 2 ] p. :

H o tas

I m p r e s s o e m p a p e l P o le n S o f t S 0 g / m " , c a p a M a r r a k e c h P l u s P im e n t a d o R e i n o 1 2 0 g / m " e I S O
g / m ".
E m 1 2 d e n o v e m b r o [ d e 2 0 0 8 ] , e s t a a g e n d a fo i a p r e s e n t a d a m e d ia n t e u m a c o n f e r ê n c ia
d r a m a t i z a d a e v í d e o - p r o j e ç ã o n a 2 8 a B ie n a l d e S ã o P a u l o .

N o ta s de e nca d ern a çã o

F ó l io s c o s t u r a d o s .

A ssu n to s

P o e s ia v is u a l.
A r t e s o r á f ic a s .
D e ta lh e s
L iv r o s a r t ís t ic o s - - E s D a n h a —

E n d e r e ç o E le t r ô n ic o

Im a q e m

D e ta lh e s

B U - L i v r o d e A r t is t a

1964-

D e ta lh e s

(2 8 . :

F u n d a ç ã o B ie n a l d e S ã o P a u l o ,

il. c o lo r. ;

2008 :

S ã o P a u lo }

[2 0 0 8 ].

2 1 x 1 4 ,5 cm .

B U - L i v r o d e A r t is t a

S é c . X X I.

Fonte: Pergamum - Sistema d Bibliotecas UFMG, 2013.

Ainda compondo o processo de catalogação a imagem da primeira pasta do livro foi
vinculada299 no Sistema Pergamum para visualização do usuário no catálogo online.

Figura 21 - Imagem da primeira pasta do livro
Bilder v on d er Straße / 1 994 - ( Livros )
SCHMID, Joachim; WEBER, John S. Bilder von der Strafte. Berlin: Fricke &amp; Schmid, 1994.15, [21] p.
ISBN 3927365289.
Num ero de C ham ada: E 1 P 6 3 1 0 0 2 : 7 S 3 3 5 b 1 9 9 4 ( B U - L A )

Título - Formas variantes Bilder von der Strasse

E x e m D la re s 1 Marc

I

$k

549923

Blá blá blá / 2 0 0 9 - ( Livros )
MORAIS, Fabio; DARDOT, Marilá; MELIM, Regina; ARTERO, Bia; MESQUITA, Giorgia. Blá blá blá.
Florianópolis, SC: Par(ent)esis, 2009. 95 p. (Conversas; 2)
Núm ero de C ham ada: E 1 P 2 1 3 0 0 2 : 7 M 8 2 7 b 2 0 0 9 ( B U - L A )

Título - Formas variantes Conversas: blá blá blá

Fonte: Pergamum - Sistema d Bibliotecas UFMG, 2013.

299 O bolsista Bernardo Pacheco Schuchter (Escola de Ciência da Informação) digitalizou aproximadamente 200
capas de livros da Coleção e vinculou as imagens no sistema de catalogação do Sistema de Bibliotecas da
UFMG.

2374

�As adequações aos processos de catalogação do acervo são constantes. As observações
dos curadores da Coleção contribuem para a “adequação” do sistema e catalogação. Os
estudos sobre o acervo e o constante contato com pesquisadores e com os livros, tornam o
processo de descrição e adequação dos livros, um processo contínuo e, felizmente, não
acabado.

4 DESAFIOS
Como exposto, a Coleção Livro de Artista atualmente está alocada na Divisão de
Coleções Especiais da BU. As ações desenvolvidas na Coleção fazem parte do planejamento
de atividades desta Divisão. Do mesmo modo, que a Coleção é beneficiada com os trabalhos
desenvolvidos, ela também é participante das necessidades de ações que potencializem sua
função enquanto coleção especial na biblioteca universitária, especificamente, a definição de
questões relacionadas à aquisição e à preservação, a saber:

- Aquisição: definição de instrumentos legais e recursos financeiros institucionais que
garantam a aquisição de livros especiais, raros e antigos. Tendo em vista que a compra de
livros, que estão fora de catálogo ou são vendidos por pessoas físicas (colecionadores), é
muitas vezes impedida por questões legais e/ou financeiras.

- Preservação: institucionalização de instrumentos e critérios para a proteção do
patrimônio bibliográfico e documental da Universidade, com ênfase para:
-

Diagnóstico de conservação

-

Definição de prioridades de ações

-

Gerenciamento de riscos que salvaguardem os acervos contra fogo,

água, condições ambientais inadequadas, ataque de micro-organismos, insetos e
roedores, armazenagem e acondicionamento indevidos, danos causados pela
manipulação da equipe da biblioteca e pelos usuários, roubo, vandalismo.
-

Critérios de intervenção: conservação curativa e restauração do acervo.

-

Rotinas e procedimentos para higienização, acondicionamento e

armazenagem conforme tipologia documental e estado de conservação.
-

Padronização de procedimentos de identificação e segurança individual

dos documentos do acervo.

2375

�Tais necessidades podem ser alcançadas com o auxílio de uma política de
desenvolvimento de acervos raros e especiais. Uma proposta que não desassocie a
preservação e o acesso. A proposição de uma política de formação e preservação de acervos
patrimoniais para a BU-UFMG - em discussão no SB-UFMG - visa atender não somente as
necessidades da Divisão de Coleções Especiais, como também das demais coleções especiais
da Universidade.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O privilégio da Coleção Livro de Artista da UFMGfoi iniciar seu processo de
formação e desenvolvimento a partir de escolhas conscientes, pautadas naassociação entre
curadoria

de

pesquisadores

da

temática

e

a

gestão

biblioteconômica.

Os

curadores/artistas/pesquisadores pontuaram as necessidades de desenvolvimento do acervo e
expectativas junta a biblioteca e, por sua vez, a gestão do acervo compreendeu a necessidade
de aproximação e compreensão da temática da Coleção.
A gestão da Coleção posicionou a prática biblioteconômica como um processo
indissociável da preservação. Processo iniciado no momento da entrada do livro na
instituiçãoseguido por avaliações e ações de conservação - como o acondicionamento
apropriado à estrutura física e materialidade da obra - catalogação direcionada às
necessidades da obra para o pesquisador e atendimento especializado.
O desafio da catalogação das obras da Coleção Livros de Artista perpassaram,
principalmente, pela apreensão do livro como uma obra de arte e a necessidade de integrar a
prática e a pesquisa. Neste sentido, surgiram questões de como catalogar uma obra de arte, no
caso da Coleção, obras de arte contemporânea. Obstáculos, como a ausência de um sistema de
catalogação de obras de arte, bem como de regras de catalogação para arte contemporânea
geraram dúvidas e incertezas, mas sobretudo motivações. O sistema de catalogação da
Universidade, em sua vertente para catalogação de livros, apresenta rígidas estruturas para a
descrição de qualquer outro "item" que não se encaixe em um livro tradicional. Isto não é uma
crítica, afinal o sistema nada mais faz que atender às regras de catalogação de um livro
tradicional, calcadas nas necessidades do trabalho do bibliotecário. Contudo, estas regras,
muitas vezes, não atendem às fluídas necessidades de descrição do livro de artista. Como nos
sentimos? Prendendo pássaros!A mesma ferramenta que assegura o acesso, o controle
patrimonial e a bibliografia para a memória, enjaula e limita novas possibilidades de
descrição.

2376

�Para UlissiesCarrión
um livro tam bém pode existir com o um a form a autônom a e independente,
incluindo talvez um texto que seja parte integrante e que enfatize essa forma:
aqui com eça a n ova arte de fazer livros [...]
para ler a nova arte devem os apreender o livro com o um a estrutura,
identificar seus elem entos e com preender sua função [...]
na nova arte. V o cê só pode ler se você entender. (CARRIÓ N, 2 0 1 1 , p.14,
61).

Para os livros da nova arte deveria haver um novo método de catalogação?O
questionamento pode ser dilatado para o uso das regras e para as possibilidades de disfunção
das regras estabelecidas? As questões são esclarecidas ao longo do nosso trabalho de pesquisa
e fazer técnico. Podemos afirmar, somente, que conhecer os documentos que compõem o
acervo;associar artistas-pesquisadores e bibliotecários-pesquisadores;envolver-se com o
universo no qual o livro está inserido - em nosso caso o livro de artista; têm sido os processos
adotados para superarmos os desafios de gestão da Coleção.
A responsabilidade da biblioteca universitária em preservar, conservar e dar acesso aos
acervos bibliográficos especiais sob sua guarda requerserviços especializados que garantam a
compreensão para o devido tratamento biblioteconômico e a preservação dos bens.
Os processos em uma coleção especial na biblioteca universitária são, ou deveriam ser,
sobretudo,

indissociáveis

das

ações

de

ensino,

pesquisa

e

extensão

em

uma

Universidade.Gustavo Grandal Montero, em Artists’ books in HE teachingandlearning, ao
abordar sobre os resultados do usos e usuários daquele acervo, atribui o sucesso das ações de
ensino e de pesquisa “à interação direta [dos alunos] com os livros e a equipe da biblioteca,
bem como o envolvimento em níveis intelectuais, físicos e emocionais que esta relação
acarreta” (MONTERO, 2012, p. 40). A presença do bibliotecário em todos os momentos do
acervo, não somente na organização e preservação da informação, mas na “vida” da coleção
pode influenciar consideravelmente no reconhecimento do acervo pelos usuários e por aqueles
que garante a infraestrutura da coleção, a instituição.

6 REFERÊNCIAS
CARRIÓN, Ulises. A nova arte de fazer livros. Belo Horizonte: C/ Arte, 2011. 71 p.
GENETTE, Gérard. Paratextos editoriais. Cotia, SP: Ateliê, 2009. 372 p.
KLIMA, Stefan. Artists books: a critical survey of the literature. New York: Granary books,
1998. 109 p.

2377

�MONTERO, GustavoGrandal. Artists’ books in HE teachingandlearning, The Blue
Notebook, v.7, n.1, out. 2012, p. 36-43.
PHILLPOT, Clive. Artistis books and book art. In: PACEY, Philip .(ed.). Art Library
Manual: a guidetoresourcesandpractice. New York: Bowker, 1977. p. 355-363.
PINHEIRO, Ana Virginia Teixeira da Paz. A ordem dos livros na biblioteca: uma abordagem
preliminar ao sistema de localização fixa. Rio de Janeiro: Interciência, Niterói: Intertexto,
2007. 66 p.
RIBEIRO, Antônia Motta de Castro Memória. AACR2: Anglo-AmericanCataloguingRules,
2nd edition : descrição e pontos de acesso. 1. ed., reimpr. rev. e acrescida de indice. Brasilia:
CEDIT, 1995. 577 p.
WHITE, Maria; PERRATT, Patrick; LAWES, Liz. Artistis’ books a cataloguers’ manual.
Londo: ARLIS/UK &amp;Ireland, 2006. 93 p.

ANEXO I - Ficha para catalogação de livros da Coleção
F icha d e c a t a lo g a ç ã o d e livro s d e a rtista - C o l. E sp e c ia l E B A / U F M G

n . p a t r im ô n io

Titu lo ;
O u t r o s t ítu lo s
A u tor
N a c io n a lid a d e
D a ta »

(

) b r a sile iro

(

) o u tra :

(

) d e s ig n e r

(

) lo t ó g r a l o

(

) t ip ó g ra f o

(

) o u tro

(

) d o a u to r

o u tra

n a s c im e n t o

A u t o r s e c u n d á r io

E d it o r a
A n o d a e drç à o

L o c a l d e p u M i c a ç a o (c id a d e , p a ís )
Id w m a d a p u b lic a ç ã o
(

) gra m p o

) b ro c h u ra

(

) capa d m

E n cad ernação

(

1or m ato

la g u r a

a ltu ra

e sp essu ra

L x e m p ta r n *

T ira g e m
E rftção n u m e r a d a

(

)n ã o

(

Is im

A s sin a d o

(

)n a o

(

Ia m

Cw

C

)p b

(

h m

Im p r e s s ã o

(

) o f fse t

o u tra

(

) d e s e n t to

&lt;

It in e

(

It t ip lm c *

(

) to to g ia d a

(

) re v ista

(

1 q u a d rin h o s

(

) a p ro p n u ça o

(

1 a u tm re fe t e n t e

(

(

) a rte c o n c e it u a i

&lt;

) c o le ç ã o

(

(

) a rt« g r id e »

&lt;

1 n a rra t iv a v isu a l

(

1 p o e s ia v is u a l

T ip o lo g ia

A ssu m o

I S B N ( q u a n d o h o u v e r)

(

) c a tá lo g o

I p a is a g e m

(

) re tra to

I p e r t o im a n c e

&lt;

) v ia g e m

N° d e p á g in a s

C o t o lt o

N o ta s;

S it e d o a rtista .
D is p o n ív e l o n P D F

P r o c e d ê n c ia

D a t a d e e n t r a d a n o a c e rv o :

[

) nao

(

Ia m

(

h a r t a -c o n v it e

(

Id o a ç ã o d o a r t is t a

(

h o m p ia

(

Ip r o i e t o

____ / _____ / _____

(

P re ç o

If e ir a

RS

2378

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>UFMG</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Coleção livro de artista da Universidade Federal de Minas Gerais: processos biblioteconômicos em um acervo especial</text>
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                <text>Araujo, Dina Marques Pereira, Santos, Magna Lucia dos</text>
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            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>A Coleção Livro de Artista da Universidade Federal de Minas Gerais, formada em 2009, possui um dos maiores acervos especializados em livro de artista no Brasil, composta por mais de 600 títulos, abrangendo desde obras publicadas na década de 1960 até o ano 2013, contempla tanto a produção nacional de livros de artista quanto obras internacionais. Este trabalho descreve as práticas biblioteconômicas na gestão de um acervo especial. Destaca o processo de formação da Coleção Livro de Artista na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.Relata os métodos e técnicas estabelecidos para a gestão e desenvolvimento da Coleção Livro de Artista na Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais iniciados no momento do inventário e seguidos de ações de conservação preventiva e de processos de catalogação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INSERÇÃO DA BIBLIOTECA VIRTUAL DE LIVROS ELETRÔNICOS NA
COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFRPE
Elisabeth da Silva Araújo
Vania Ferreira da Silva
Maria Wellita Bezerra dos Santos Bastos
Edson Cordeiro do Nascimento
Marleide Guedes de Souza
RESUMO
Todo desafio vivenciado nos dirige para o campo das grandes surpresas. Relatar a experiência
da UFRPE com livros eletrônicos e uma biblioteca virtual é objetivo desse trabalho, assim
como discutir o planejamento para inserção dessa nova ferramenta no dia a dia da
comunidade acadêmica da UFRPE. Percebemos que um planejamento adequado a realidade
da sua comunidade acadêmica facilita a inserção e uso de uma nova ferramenta.
Palavras-Chave: Biblioteca Virtual; Livros Eletrônicos; Ebooks; Ebrary.

ABSTRACT
Every challenge that we experience directs us to the field of big surprises. The aim of this
work is to report UFRPE’s experience with electronic books and a virtual library in order to
discuss the planning for insertion of this new tool on a day to day basis for the UFRPE
academic community . We realise that proper planning, suitable to the reality of the academic
community makes it easy to insert and use a new tool.
Keywords: Virtual Library; Electronics books; Ebooks; Ebrary.

1 Introdução
A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) conta com cursos de
graduação, pós-graduação e ensino técnico. Com um Sistema de Bibliotecas composto por 4
bibliotecas: Biblioteca do Campus Dois Irmãos (Sede), Biblioteca da Unidade Acadêmica de
Garanhuns, Biblioteca da Unidade Acadêmica de Serra Talhada e Biblioteca do Colégio Dom
Agostinho Ilkas (Localizada no município de São Lourenço da Mata).
Em todas as Bibliotecas citadas é comum e recorrente à aquisição de livros, nas quais
a prioridade é sempre os livros das grades curriculares. Ampliar o acervo para o mundo digital

4019

�nos pareceu uma boa oportunidade para o oferecimento de uma bibliografia complementar às
pesquisas nos mais diversos campos do saber com os quais dialoga a UFRPE.
As barreiras linguísticas e tecnológicas de alguns usuários ainda são temas de debates
em rodas de bibliotecários quando o assunto é a implantação de uma Biblioteca Virtual, que
na sua maioria tem em torno de 60 a 70%461 do seu acervo em língua estrangeira. Não
adotamos essa percepção, entendemos que embora essas barreiras existam, precisam ser
trabalhadas e minimizadas.
A informação ao longo dos tempos passeou por diversos suportes, do papiro ao
pergaminho, até a impressa de Gutemberg, e o homem foi acompanhando essa tecnologia.
Essas novas tendências que propiciam o design de bibliotecas eletrônicas virtuais/ digitais, permitem uma ampliação nunca antes imaginada para a
disposição de coleções e recursos informacionais, exigindo padrões para a
interoperabilidade de conteúdos, de busca e recuperação, e oferta de serviços
via rede Internet. (ROSETTO, 2008, p. 127-128).
Apresentar a Biblioteca Virtual como uma fonte de informação e como ferramenta é
um desafio para muitas bibliotecas nas quais o suporte físico ainda é levado em consideração
pelos usuários e bibliotecários. A proposta desse trabalho é discutir a implantação da
Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos Ebrary na UFRPE, o planejamento e estratégias
adotados para tal inserção e uso.

2 Ações para aquisição, implantação e disseminação da Ebrary

No primeiro momento, antes da aquisição da base, um grupo de bibliotecários
convidados pela Gestão do Sistema de Bibliotecas da UFRPE se reuniu para discutir sobre a
aquisição, assim como analisar a Biblioteca Virtual. Os critérios estabelecidos para análise
foram estes:

461

S

Cobertura das áreas de conhecimento da UFRPE;

S

Acesso a Biblioteca Virtual dentro e fora do espaço físico da UFRPE;

S

As editoras presentes no catálogo da Biblioteca Virtual;

S

Ferramentas disponíveis para interação do usuário;

S

Formas de download e quantidade de páginas;

S

Suporte técnico e Help desk.

Ebrary, 2014.

4020

�Após essa análise e testes, foi possível através de negociação com a Proquest
(Empresa responsável pela Ebrary) disponibilizar antes do fechamento da compra a Biblioteca
Virtual para uso da comunidade acadêmica da UFRPE.
Passado o processo das avaliações, a Direção do Sistema de Bibliotecas da UFRPE
elaborou o termo de compra, e posteriores trâmites para aquisição. Assim que a aquisição foi
concluída em julho de 2013, a Gestão do Sistema de Bibliotecas elegeu através de portaria
publicada no Diário da União, uma gestora para coordenação e promoção da Biblioteca
Virtual de Livros Eletrônicos na instituição.
2.1 Inserindo novos ares
A implantação da Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos envolveu a equipe da
Biblioteca e do Núcleo de Tecnologia da Instituição (NTI), optamos por utilizar as faixas de
IP’s que davam acesso ao Portal Capes para disponibilizar também a Ebrary, dentro de todo o
Campus da UFRPE.
Para o uso externo utilizamos o mesmo procedimento adotado na época para o uso do
Portal Capes que é a configuração do proxy. O NTI já tinha disponibilizado o tutorial para
configuração do proxy, e o Sistema de Bibliotecas da UFRPE criou um pequeno tutorial
informando o passo de como acessar a Ebrary em espaço internos ou externos a UFPRE,
incluindo o tutorial do NTI.
2.2 Apresentando um novo acervo e tecendo laços
Para apresentação do Acervo Online planejamos um grande lançamento no Campus de
Dois Irmãos, na Unidade Acadêmica de Serra Talhada e na Unidade Acadêmica de
Garanhuns. Toda a comunidade acadêmica foi convidada para o evento.
Convidamos uma representante da Proquest para demonstrar o uso da Biblioteca
Virtual de Livros Eletrônicos na sede no Campus de Dois Irmãos. Nas Unidades Acadêmicas
a apresentação foi realizada pela Gestora da Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos Ebrary
na UFRPE.
Entendendo que para fortalecer laços, é necessário criar estratégias para o melhor uso
da Ebrary na Instituição, a gestão elaborou algumas ações:
S Disponibilização através do site da Instituição e redes sociais treinamentos para

toda comunidade acadêmica;
S Divulgação dos tutoriais e passo a passo para uso da Biblioteca Virtual Ebrary;
S Criação de um tutorial para uso da Ebrary em ambiente interno ou externo a

UFRPE;

4021

�S Inserção do treinamento para uso da Ebrary em nosso serviço de Visita dirigida
à Biblioteca, oferecidos normalmente para alunos calouros de graduação e pósgraduação;
S Criação de uma parceria com a equipe da Biblioteca responsável pelo
treinamento do Portal Capes, disponibilizando assim, o treinamento de ambas
as ferramentas em uma único momento.
Através das ações apresentadas foi possível estreitar o laço dos usuários com o novo
acervo online. A cada treinamento oferecido, divulgamos a importância dos usuários
disseminarem para outros colegas o conhecimento adquirido.

3 Fortalecendo laços e colhendo investimentos

Após 8 meses de uso da Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos realizamos diversos
acompanhamentos e foi possível através de relatórios visualizar que a Ebrary na UFRPE
estava sendo utilizada. Percebemos então, uma boa aceitação dos usuários.
Seguem alguns dados dos últimos 8 meses de utilização da Biblioteca Virtual de
Livros Eletrônicos Ebrary na UFRPE.

Tabela 1 - Detalhada por período (04/2013 a 03/2014)
Categoria Páginas

Páginas

Visitadas copiadas

15.643

Todas

170

Páginas

Documentos Sessões

impressas do Usuário

313

1409

de

Download Download
de

de título

Usuário Capítulo

completo

2234

336

628

Fonte: Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos Ebrary UFRPE, 2014.

Embora a implantação da Ebrary tenha ocorrido somente em agosto de 2013 na sessão
de relatórios da Biblioteca Virtual só é possível retirar o relatório com esse período.
Através da tabela podemos visualizar o uso da Biblioteca Virtual durante oito meses.
Percebemos que os usuários se interessaram mais pelo download de capítulos (628
downloads) e pela interface de interação com o texto na base, que dispõe de recursos para
marcação de texto, notas, tradução, entre outros (1409 documentos do usuário), do que o
download completo do livro através do adobe digital editions ou do aplicativo em tablets e
androids.

4022

�As classes temáticas com maior número de acessos na Biblioteca Virtual de Livros
Eletrônicos da UFRPE são:
1°

Lugar:

Ciências

2°

Lugar:

Ciência

3°

Lugar:

Engenharia

4°

Lugar:

Negócios

5°

Lugar:

com

5.477

páginas

visitadas

Computação

com

2.073

páginas

acessadas

e

Tecnologia

com

1.649

páginas

acessadas

e

Economia

com

915

páginas

acessadas

da

Medicina

com

849

páginas

acessadas

6° Lugar: Educação com 694 páginas acessadas
Esse panorama apresentam um pouco da vivência que tivemos com a base nos últimos
8 meses, e nos oferece uma melhor conhecimento do uso da Biblioteca Virtual de Livros
Eletrônicos na nossa instituição.

4 Considerações finais
A aquisição de uma nova ferramenta é sempre um desafio, principalmente quando se
envolve o recurso da Universidade. Para tal empreitada, é necessário planejamento e
estratégias que façam valer tal investimento.
O Sistema de Bibliotecas da UFRPE refletiu sobre a inserção de uma Biblioteca
Virtual, não como parâmetro para fazer parte do que é usual, mas sim, pensando na
comunidade na qual está inserida e na possibilidade de uso de uma ferramenta que
complementasse seu acervo físico.
Pensando e refletindo sobre o tema Bibliotecas Virtuais, trabalhamos em conjunto para
o fortalecimento da pesquisa em nossa instituição, ampliando os recursos existentes e criando
metas para divulgação dos novos recursos.

5 Referências
BIBLIOTECA

Virtual

de

Livros

Eletrônicos

da

UFRPE.

Disponível

em:

&lt;

http://site.ebrarv.com/lib/ufrpe/home.action?force=1&gt;. Acesso em: 05 abr. 2014.
EBRARY: a Proquest Business. Disponível em: &lt;http://www.ebrary.com/corp/&gt;. Acesso em:
25 mar. 2014.
ROSETTO, M. Bibliotecas digitais: cenários e perspectivas. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, Nova Série, São Paulo, v.4, n.1, p. 101-130, jan./jun..
2008.

4023

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Araújo, Elisabeth da Silva, Sillva, Vania Ferreira da, Bastos, Maria Wellita Bezerra dos S., Nascimento, Edson Cordeiro do, Souza, Marleide Guedes de</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

Nelma Camelo Araujo
Ingrid Lopes ABS
RESUMO
A consolidação da internet, das ferramentas e dos recursos que veem agilizando o acesso,
recuperação e disseminação de documentos em meio eletrônico é fato consolidado no cenário
mundial. Assim, as Bibliotecas das Instituições de Ensino Superior são responsáveis por
armazenar não apenas acervo adquirido externamente, mas também a própria produção da
Instituição na qual ela esta inserida. Nesse contexto iniciativas para organização,
armazenamento e disseminação da produção intelectual da IES tem ganhado força com o
movimento de Acesso Livre a Informação, conhecido internacionalmente como Open Access
Initiative (OAI), utilizando como ferramenta os Repositórios Digitais Institucionais. Esse
ensaio teve como objetivo Analisar o Repositório Institucional da UFAL, sua construção,
politica e atualização, cuja sua gestão encontra-se a cargo da Biblioteca Central da Instituição,
como ocorre na maioria das IES no Brasil. Para o trabalho foi realizada entrevistas com as
gestoras da Biblioteca Central da UFAL, a responsável por gerir o RI e também a analise do
RI/UFAL via página da BC. Como resultado do trabalho percebe-se um esforço da atual
gestão da BC da UFAL em consolidar a politica traçada para viabilizar o RI, mas como o
projeto é recente muita ações ainda se fazem necessárias, dentre elas consolidar as politicas
que permeiam o RI; contratação de profissionais para auxiliar na atualização do RI e também
o envolvimento dos coordenadores dos cursos de pós-graduação para valorização do
RI/UFAL na instituição.
Palavras-chave: Repositório Institucional da UFAL.
Repositório Digital Institucional.

Biblioteca Central da UFAL.

ABSTRACT
The consolidation of the internet , the tools and resources they see streamlining the access,
retrieval and dissemination of electronic documents is consolidated fact on the world stage .
Thus , the Libraries of Institutions of Higher Education are responsible for storing not only
assets acquired externally , but also the production of the institution in which it is inserted . In
such initiatives for the organization , storage and dissemination of intellectual production of
the HEI context has gained strength with the movement of Free Access to Information ,
internationally known as Open Access Initiative ( OAI ) , using as a tool Institutional Digital
Repositories . This trial aimed to analyze the Institutional Repository UFAL , its construction
, and update policy , whose management is in charge of the Central Library of the Institution ,

4482

�as occurs in most HEIs in Brazil . To work interviews with the managers of the Central
Library UFAL , responsible for managing the RI and also the analysis of the RI / UFAL via
the BC page was made . As a result of the work one sees an effort from management's current
BC UFAL to consolidate the policy drawn to enable the IR , but as the project is still a lot of
recent actions are necessary , among them consolidate the policies that underlie the RI ; hiring
professionals to assist in updating the RI and also the involvement of the coordinators of
postgraduate
courses
for
recovery of
RI
/
UFAL
the
institution
Keywords: Institutional Repository UFAL. Central Library of UFAL. Institutional
Repository

1 CONTEXTUALIZAÇAO DO TEMA

A informação registrada serve como insumo à produção de bens materiais simbólicos,
e de novos conhecimentos, como instrumento de apoio à decisão, como suporte para a defesa
de interesses, como material informacional para o ensino e a aprendizagem. Marinho Junior,
Guimarães e Silva (1998) destacam que somente com a posse de informações um indivíduo
pode garantir o exercício de sua condição de cidadão. E o direito de informação é a síntese
dos direitos sociais. O direito de se comunicar engloba, assim, o direito de participar, de se
informar, de receber e de ter acesso à informação.
Segundo Lopes (1996), informação é ação e também efeito de comunicar dados, é
qualquer atributo do pensamento humano sobre a natureza e a sociedade, desde que
verbalizada ou registrada. Portanto, a informação registrada constitui-se em um documento.
Conforme o Arquivo Nacional (2005, p.6) “documento é a unidade de registro de
informações qualquer que seja o suporte ou formato”. Entende-se neste contexto, que o
primeiro, é o material no qual são registradas as informações; sendo que o formato é o
conjunto de características físicas de apresentação das técnicas de registro e da estrutura da
informação e do conteúdo dos documentos. Também é a configuração física do suporte de
acordo com sua natureza e o modo como foi confeccionado. Ex.: formulários, fichas, caderno,
plantas, cartaz, microfichas, rolos de microfilme, mapas. Complementa-se ainda que
documento é todo o processo de informar, comprovar e registrar fatos. É toda e qualquer
informação contida em qualquer suporte, fixado materialmente e suscetível de ser utilizado
para consulta, estudo ou prova.
Dado aos avanços das tecnologias de informação e comunicação, bem como aos
incentivos governamentais que valorizam a implantação e a adoção de repositórios digitais
como um espaço de registro, guarda e preservação da memória, as universidades não podem

4483

�prescindir da aplicação de ferramentas tecnológicas que visem proporcionar esta preservação
e resgate das fontes de informação que tratam direta e indiretamente de acontecimentos que
marcaram a trajetória de uma instituição
No Brasil, há diversas iniciativas com relação aos repositórios digitais em
universidades, implantadas ou em fase de implantação em instituições acadêmicas. Sendo
essas iniciativas, direcionada à organização da produção intelectual e científica da
universidade, em detrimento de promover organização,

com efeito, esse conjunto de

informações corresponde, a um só termo, à memória acadêmico-institucional e aos insumos
necessários à dinâmica de todas as atividades desenvolvidas na instituição de ensino superior,
notadamente, daquelas relacionadas a produção cientifica. A implantação de repositórios
institucionais digitais se apresenta, nesse contexto, como alternativa. Para tanto, existem
diversas opções em plataformas de softwares livres possíveis de serem adotadas, seguindo-se
as necessidades e os requisitos do projeto. O disseminador dos RDI no Brasil é o Instituto
Brasileiro de Informação, Ciência e Tecnologia, definindo-o como:
Os repositórios digitais (RDs) são bases de dados online que reúnem de
maneira organizada a produção científica de uma instituição ou área
temática. Os RDs armazenam arquivos de diversos formatos. Ainda,
resultam em uma série de benefícios tanto para os pesquisadores quanto às
instituições ou sociedades científicas, proporcionam maior visibilidade aos
resultados de pesquisas e possibilitam a preservação da memória científica
de sua instituição. Os RDs podem ser institucionais ou temáticos. Os
repositórios institucionais lidam com a produção científica de uma
determinada instituição. Os repositórios temáticos com a produção científica
de uma determinada área, sem limites institucionais510.

Diante da contextualização acima, a proposta desse ensaio foi de apresentar como se
encontra o repositório da Universidade Federal de Alagoas, seu desenvolvimento, suas
dificuldades e como o mesmo se encontra estruturado nos dias de hoje (2014).

2 REPOSITÓRIOS DIGITAIS INSTITUCIONAIS
Os repositórios digitais podem ser considerados uma inovação no
gerenciamento da informação digital. Editoras, bibliotecas, arquivos
e centros de informações em vários países estão criando grandes repositórios
de informação digital, contendo diferentes tipos de conteúdos e formatos de
arquivos digitais511.

510 IBICT. Repositórios Digitais. Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/informacao-para-cienciatecnologia-e-inovacao%20/repositorios-digitais&gt; Acesso em: 17 abr de 2014
511IBICT. Repositórios Institucionais Digitais: Dspace. Disponível em: &lt; http://www.ibict.br/pesquisadesenvolvimento-tecnologico-e-inovacao/Sistema-para-Construcao-de-Repositorios-InstitucionaisDigitais&gt; Acesso em: 20 abr 2014

4484

�Camargo e Vidotti (2009) ressaltam que nos últimos anos os repositórios institucionais
são alvos da atenção por parte de universidades e bibliotecas universitárias, pois estão
inseridos no movimento conhecido por Open Access Initiative (OAI), que tem por objetivo a
promoção do acesso livre e irrestrito à literatura científica e acadêmica. Ainda favorece o
aumento do impacto do trabalho desenvolvido pelos investigadores e instituições, e também
contribui para a reforma do sistema de comunicação científica, reassumindo o controle
acadêmico sobre a publicação, aumentando a competição e reduzindo o monopólio das
revistas científicas das editoras comerciais.
Corroborando com a ideia das autoras acima, Brascher e Café (2008), salientam que as
principais singularidades que influenciam a organização da informação nestes Ris são o
acesso livre à informação, com o objetivo de disponibilizar arquivos abertos conforme as
especificações da Open Archives Initiative (OAI); a possibilidade de trabalhar com diferentes
tipos e formatos de documentos; a interoperabilidade, com o uso do protocolo Open Archives
Initiative - Protocol for Metadata Harvesting (OAI-PMH) e de seu conjunto mínimo de
metadados além do auto-arquivamento, que muitas vezes designa ao autor a responsabilidade
sobre submissão e descrição dos documentos.
Os estudos sobre Repositório Institucional (RI), demonstram que alguns elementos
auxiliam no processo de gestão do conhecimento científico, como o auto-arquivamento
temático e/ou institucional, sendo mais confiável do que em Web Sites, pois no momento em
que o repositório institucional está se consolidando, a coleta automática aos repositórios
temáticos poderá vir a auxiliar na segurança dos dados fornecendo backups, redundâncias e
espelho dos metadados e documentos contidos nos repositórios temáticos (CAMARGO e
VIDOTTI, 2009) e outros elementos são: segurança, o desempenho, a consistência e a
eficiência, já que estudiosos perceberam a falta de atualização e as inconsistências de Uniform
Resource Locato (URL), que mudam ou desaparecem com o passar do tempo na Internet.
Ao tratarem desta temática Brascher e Café (2008) mencionam que a organização da
informação (OI) ocorre em um sistema de informação onde possui componentes interrelacionados para coletar (entrada), tratar (processamento) e disseminar (saída) informações,
sob-responsabilidade de uma pessoa da área, que conta com um mecanismo de feedback para
auxiliar na sua avaliação, aprimoramento e adequação ao ambiente no qual se insere.
Durante o tratamento da informação são realizadas a descrição fïsica (DF) e
descrição temática (DT) que consolidam o armazenamento e a organização
da informação. Ao descrever um documento pretende-se comunicar, por
meio de linguagem específica, desenvolvida e aplicada de acordo com um
conjunto de regras, determinados atributos (CAMARGO; VIDOTI, 2008
apud SVENONIUS, 2001, p.20).

4485

�Este é um procedimento importante na recuperação da informação, pois possibilita a
identificação e a enumeração das características do documento. A descrição física é a
diferenciação das características físicas de um documento com base na análise do seu tipo e
identificação das informações descritivas como título, autor, dentre outros elementos,
utilizando padrões e normalizações específicas. A descrição temática tem por objetivo a
representação do conteúdo e a profundidade de sua abordagem, para tanto, é necessário
utilizar informações extraídas do próprio documento ou de instrumentos capazes de sintetizar
o assunto.
Para Silva e Tomáel (2008), a elaboração de um repositório institucional passa por
uma politica de gestão institucional, tendo como princípio a responsabilidade pela elaboração
do repositório, incluindo sua criação e manutenção; a definição dos conteúdos do repositório,
os aspectos legais que permeiam os documentos a serem incluídos e as respectivas licenças do
sistema que irá operar o repositório; seus padrões e diretrizes de preservação dos documentos
em meio eletrônico; a política de acesso, bem como seus níveis, e por último a
“sustentabilidade e financiamento do repositório”.
[...] os repositórios são importantes ferramentas que facilitam o
compartilhamento das informações de natureza cientifica e acadêmica.
Portanto, a implementação de repositórios digitais, ou repositórios de
informação é uma das formas que as universidades - ou comunidades
cientificas de áreas temáticas - dispõem para minimizar a falta de
visibilidade da sua produção intelectual, porque favorecem o equilíbrio de
forças no contexto da comunicação cientifica. (SILVA; TOMÁEL, 2008, p.
128)
É importante ressaltar que a equipe gestora do RI, envolve diversas áreas e pessoas,
pois para cada ação é necessário o envolvimento de conhecimentos específicos, permitindo a
formação de uma equipe multidisciplinar para a construção e manutenção de um RI.
Assim, o principio básico da criação de um RI é a elaboração de sua política,
facilitando seu funcionamento, realizando testes que validem sua alimentação e disseminação.

3 EXPERIMENTO

Para a construção desse ensaio foi analisado o RI da UFAL, sendo gerido até a
presente data pela Biblioteca Central da Instituição. Foi realizada uma pesquisa no próprio RI
da BC da UFAL, bem como uma entrevista com as gestoras da BC/UFAL e a responsável
pela alimentação e manutenção do RI.

4486

�Oliveira (2011, p.15), relata que os repositórios das IFES “encontram-se instalados nos
portais das bibliotecas, que em sua maioria apresentam boa visibilidade, sendo acessados na
primeira página dos mesmos”. Em nosso experimento foi possível constatar a informação da
autora.

3.1 Biblioteca Central da Universidade Federal de Alagoas

A institucionalização da Biblioteca Central/BC da UFAL data de 1976. Em principio
as bibliotecas da UFAL estavam dispersas na sua sede no campus de Maceió. “Segundo
diagnóstico construído em 1987, a UFAL possuía 15 bibliotecas, sendo 2 por centro, 11 por
departamento, 1 no Museu Théo Brandão e 1 Central. Além de, pequenos acervos
caracterizados como material de laboratório, junto a diversos departamentos512”
Somente em 1989 o Sistema de Bibliotecas - SIBI passa a ter seu regimento,
além de várias conquistas, como a adoção de uma política orçamentária
garantindo 8% do orçamento institucional para o SIBI, o que assegurou a
melhora do acervo bibliográfico, condições de uso das bibliotecas e a oferta
de serviços especializados. O SIBI passa a ser composto pela Biblioteca
Central, o Órgão Colegiado e 7 Bibliotecas Setoriais.

Em abril de 1990, a Biblioteca Central ganha um prédio próprio, possibilitando
politicas de integração entre os diversos setores da UFAL no que tange a informação. Ao
longo de sua história e por ter gestores atuantes a BC da UFAL tem crescido
significativamente em acervo e ações, tornando-se um “pólo de intercâmbio científico,
cultural e social, saindo de um estado primitivo para uma performance moderna e dinâmica” .
A partir de 2005 a BC começa seu processo de modernização no Campus de Maceió,
sendo realizadas obras de caráter estrutural para melhoria de acesso de seus usuários ao
acervo disponível na BC, também é realizada a aquisição de um volume significativo de obras
e títulos de periódicos, nesse contexto começa a integração da BC no cenário nacional no que
diz respeito a informatização de seu acervo.
Ressalta-se que a UFAL aderiu ao plano de interiorização do Ensino Superior em
Alagoas, outros Campis foram abertos e consequentemente mais bibliotecas, em especial no
Campus de Arapiraca e o Campus de Delmiro Gouveia no sertão Alagoano.

512 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Biblioteca Central. Disponível em: &lt;
http://www.ufal.edu.br/institucional/orgaos-de-apoio/academico/bibliotecas/biblioteca-central&gt;
Acesso em: 19 abr 2014.

4487

�Portanto o desenvolvimento do Repositório Institucional da UFAL foi construído a
partir dessa evolução histórica da BC, sendo seus gestores os atores dessa transformação.

3.1.1 Repositório Institucional da UFAL

O RI encontra-se em fase de atualização, por meio da página da BC da UFAL pode-se
ter acesso ao RI (Figura 1), essa atualização se deve ao fato que o RI foi construído a partir do
Banco de Dados de Teses e Dissertações (BDTD), iniciativa que foi construída em pareceria
com o Instituto Brasileiro de Informação, Ciência e Tecnologia - IBICT, que tem colaborado
com a atualização de software e treinamento aos gestores das Instituições de Ensino Superior
que participam desse projeto, alimentando uma base de conhecimento único no país.

Figura 1 - Página da BC/UFAL

Sistema
de Bibliotecas

BIBLIOTECA

BIBLIOTECAS

GUIA DO

GUIA DE

TERMO

S O L O T A Ç Â O DE

CENTRAL

SETORIAIS

USUÁRIO

NORMALIZAÇÃO

BDTD

UVROS

0 SiBi/UFAL prorrogou o prazo para
devolução de livros sem cobraça de
multas durante o recesso acadêmico.
Dessa forma, os usuários do sistema
terão até o dia 14 de Março para devolver
as obras sem ônus adicional.

SERVIÇOS AOS USUÁRIOS:
Repositório Institucional
Contamos com um repositório destinado à produção de nossa
comunidade acadêmica. Registre a sua também,

De acordo com a responsável por alimentar o RI/UFAL, o BDTD da UFAL adotou o
sistema “distribuído” pelo IBICT, denominado TEDE, existindo uma portaria que consolida
essa ferramenta, e o RI vem sendo atualizado a partir de 2011, sendo a primeira iniciativa para
a realização do RI, sua “mascara”, ou seja, a arquitetura do RI.

4488

�A partir de então, a responsável pelo RI passou por treinamentos e reuniões com
membros do IBICT e demais instituições de ensino superior e pesquisa que participam do
consórcio da BDTD nacional, pois por meio do “Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso
Livre a Informação Cientifica” de 2005, o IBICT vem construindo um Banco de Dados da
produção cientifica nacional, cujo seus objetivos são:

promover o registro da produção científica brasileira em consonância com o
paradigma do acesso livre à informação; promover a disseminação da
produção científica brasileira em consonância com o paradigma do acesso
livre à informação; estabelecer uma política nacional de acesso livre à
informação científica; buscar apoio da comunidade científica em prol do
acesso livre à informação científica513514.

Assim, em 2011 houve a tentativa de migrar os registros da BDTD da UFAL para a
construção do RI, porém houve incompatibilidade de sistemas, pois como foi exposto
inicialmente o BDTD da UFAL foi construído no sistema TEDE, porém o RI orientado pelo
IBICT é desenvolvido no Dspace.
O D Spacefoi desenvolvido para possibilitar a criação de repositórios digitais
com funções de armazenamento, gerenciamento, preservação e visibilidade
da produção intelectual, permitindo sua adoção por outras instituições em
forma consorciada federada. O sistema foi criado de forma a ser facilmente
adaptado. Os repositórios DSpace permitem o gerenciamento da produção
científica em qualquer tipo de material digital, dando-lhe maior visibilidade
e garantindo a sua acessibilidade ao longo do tempo. São exemplos de
material digital: documentos (artigos, relatórios, projetos, apresentações em
eventos etc.), livros, teses, programas de computador; publicações
multimídia, notícias de jornais, bases de dados bibliográficas, imagens,
arquivos de áudio e vídeo, coleções de bibliotecas digitais, páginas Web,
514
entre outros .

As gestoras da BC da UFAL informaram que essa incompatibilidade ocasionou o
retrabalho de alimentar o atual RI manualmente, ou seja, todos os documentos já depositados
na BDTD da UFAL foram perdidos no RI, assim a partir de 2012 começou o trabalho de
alimentação do sistema, mas por falta de pessoal, esse processo ainda encontra-se em
andamento.

513 KURAMOTO, Helio. Manifesto ao Acesso Livre a Informação Cientifica. Disponível em:
&lt;http://kuramoto.files.wordpress.com/2008/09/manifesto-sobre-o-acesso-livre-a-informacaocientifica.pdf&gt; Acesso em: 18 abr de 2014
514 IBICT. Sistema para Construção de Repositórios Institucionais Digitais (DSpace). Disponível
em: &lt; http://www.ibict.br/pesquisa-desenvolvimento-tecnologico-e-inovacao/Sistema-paraConstrucao-de-Repositorios-Institucionais-Digitais/?searchterm=Dspace&gt; Acesso em: 18 abr 2014

4489

�Conforme a responsável por alimentar o RI da BC da UFAL, em 2013 houve uma
paralização nesta alimentação, sendo priorizado dar continuidade a atualização do BDTD,
pois o volume de documentos depositados retrata a produção dos cursos de pós-graduação da
UFAL, sendo importante manter essa atualização.
Para que a politica institucional para alimentação do RI da UFAL possa funcionar, as
gestoras da BC estão realizando ações de convencimento aos coordenadores dos cursos de
pós-graduação da instituição para que esses façam o auto-arquivamento de suas produções,
permitindo a responsável do RI da BC, apenas validar a publicação desses documentos.
Existe na página da BC da UFAL o termo de aceite do autor de documentos científicos
para que o mesmo possa ser disseminado, assim os coordenadores dos cursos de pósgraduação teriam que enviar esse aceite assinado pelo autor para a coordenação do RI na BC,
permitindo sua publicação.
Esse procedimento já existe para disponibilizar as dissertações e teses da comunidade
acadêmica da UFAL (não apenas a produção dos cursos de pós-graduação, mas também de
docentes e técnicos que se titularam em programas de outras instituições de ensino superior
no Brasil e no exterior), porém a responsabilidade ainda é dos próprios gestores da BC da
UFAL.
Para consultar o RI/UFAL como descrito anteriormente podem-se realizar por meio da
própria página da BC acessando o link do Repositório Institucional, as informações contidas
na página do RI são básicas, conforme Figura 2.
Percebe-se que os rótulos disponíveis ainda encontram-se sem muitas informações,
pois a alimentação dos mesmos depende da gestora do RI, sendo o volume de documentos
depositados ainda insignificantes. O registro do usuário permite ao mesmo as mesmas funções
do não usuário, pois esse modulo no sistema ainda não esta totalmente desenvolvido.
Para realizar a analise do RI em suas funções realizamos o cadastro no repositório,
porém, as informações disponíveis são as mesmas, não sendo necessário a realização desse
cadastro para se ter acesso aos documentos arquivados no RI.
Pode-se perceber a simplicidade da mascara do Repositório Institucional da UFAL na figura 2, porém
os objetivos traçados para que o mesmo possa ser consultado pela comunidade acadêmica não
deixam a desejar.

4490

�Figura 2 - Repositório Institucional da UFAL

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CA - Campus Arapiraca ÍO'
CECA - Centro de Ciências Agrárias [13]
CEDU - Centro de Educacão Q 0 '
C5 - Campus Sertão - Delmiro Gouveia [0]
CTE - Centro de Tecnologia [2]

3 Aiuda

ESENFAR- Escola de Enfermagem e Farmácia [7]

3 Sobre o DSuace

FALE - Faculdade de Letras [24]

Acioli. Catarine
Gonçalves f l l
Albuquerque. Antonia
A d ria n a ... f l l
Alvim. Tatiana Araújo f l l
A nd rade.Victor Huoo
Oliveira de f l l
Araúio Neto. Renato
Américo de f l l
Araúio. Ana Luiza
Nogueira de f l l
Assis. Alexandro
Mangueira Li... f l l
Barros, Karina Nakai de
Carvalho f l]
Barros. Marllia Gracelídia

d o j)
Bezerra. Rodrigo José
Rodrigues f l l
próximo &gt;

FAMED - Faculdade de Medicina [1]

A entrada dos documentos foram disposto por Campis, a própria Biblioteca Central e
as Unidade Academica, em ordem alfabetica, denominados no RI/UFAL como
comunidade, assim distribuidos no portal: BC - Biblioteca Central [0] , CA - Campus
Arapiraca [0], CECA - Centro de Ciência Agrárias [13], CEDU - Centro de Educação
[10], CS - Campus Sertão - Delmiro Gouveia [0], CTE - Centro de Tecnologia [2],
ENSEFAR - Escola de Enfermagem e Farmácia [7], FALE - Faculdade de Letras [24],
FAMED - Faculdade de Medicina [1], FANUT - Faculdade de Nutrição [4], FAU Faculdade de Arquitetura e Urbanismo [0], FDA - Faculdade de Direito de Alagoas [63],
FEAC - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade [0] , FSSO - Faculdade
de Serviço Social [2] , ICAT - Instituto de Ciências Atmosféricas [0] , ICBS - Instituto de
Ciências Biológicas e Saúde [5] , ICHCA - Instituto de Ciências Humanas, Comunicação
e Artes [1], IC - Instituto de Computação [0], ICS - Instituto de Ciências Sociais [0], IF Instituto de Física [2] , IM - Instituto de Matemática [0], IQB - Instituto de Química e
Biotecnologia [0], RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia [0] .

4491

�Percebe-se que todos os documentos depositados no RI/UFAL são relativos ao
Campus de Maceió, totalizando 134 publicações, até o dia 28 de abril, quando da
realização da analise, os demais campis encontra-se em fase de estruturação, ainda não
detém uma produção que permita ser disseminada.
As coleções estão relacionadas as comunidade variando um pouco de comunidade
para comunidade, pois assim foi estabelecido no documento sobre a política do RI/UFAL.
Os Campis são distribuidos por Pólos e suas respectivas coleções, exposto abaixo:
•

CA - Campus Arapiraca
o Artigos publicados em periódicos [0]
o Livros e Capítulos de Livros [0]
o TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
o Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]
&gt; CA - Pólo Palmeira dos Índios [0]
■
■
■
■

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]

&gt; CA - Pólo Penedo [0]
■
■
■
■

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]

&gt; CA - Pólo Viçosa [0]

•

■
■
■
■
CS - Campus
■
■
■
■

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]
Sertão - Delmiro Gouveia [0]

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]

&gt; CS - Pólo Santana do Ipanema [0]
■
■
■
■

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]

4492

�Para a Comunidade Biblioteca Central, a coleção de documento está assim distribuida.
•

BC - Biblioteca Central [0]
o Artigos publicados em periódicos [0]
o Dissertações não defendidas na UFAL [0]
o Trabalhos publicados em eventos [0]
Para os demais Institutos, Faculdades e Centros da UFAL do campos Maceió, suas

coleções estão distribuidas por : Artigos publicados em periódicos, Dissertações defendidas
na UFAL, Dissertações e Teses não defendidas na UFAL, Livros e Capítulos de Livros e,
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais.
Diante do exposto pode-se perceber que na comunidade da Biblioteca Central, inexiste
a coleção relativa a Dissertações defendidas na UFAL, e nas Comunidades dos Campis do
interior de Alagoas existe a Coleção Trabalhos de Conclusão de Curso, que inexiste na
Coleção dos respectivos Centros, Institutos e Faculdades do Campus de Maceió.
Como dito anteriormente, o RIUFAL é constituido basicamente de teses e
dissertações, sendo a migração dos documentos da BDTD, essa migração ainda não foi
consolidada, o volume de documentos depositados no RIUFAL não correspondem ao total
de publicações da BDTD.
A dedicação dos gestores e da responsável em fazer com que esse repositório possa ser
melhorado tem sido constante, inclusive no periodo da realização das entrevistas, as mesmas
estavam elaborando um documento para discussão com a vice-reitora da UFAL, sobre a atual
situação em que se encontra essa ferramenta e o que isso representa no cenário nacional, uma
vez que a UFAL integra o consórcio das Bibliotecas de Ensino Superior, quem compõe o
BDTD do IBICT.
A primeira iniciativa é a consolidação da politica do RIUFAL, exigindo a aprovação
por parte do CONSUNI, transformando o documento em uma Resolução Institucional.
Outra ação, que visa a melhoria da alimentação do RI é a solicitação por parte da
gestão da BC, é a contratação de funcionários que venham auxiliar no trabalho da responsável
pela manutenção, alimentação e disseminação dos documentos cientificos produzidos na
UFAL.

4 POSSÍVEIS CONSIDERAÇÕES
A proposta do trabalho foi apresentar um ensaio de como se encontra o
desenvolvimento e como esta estruturado o repositória institucional da Universidade Federal
de Alagoas (RI/UFAL) até a presente data (abril de 2014).

4493

�A partir da entrevista feita com as gestoras da BC/UFAL e a responsável pela
alimentação e manutenção do RI percebe-se que a construção do repositório foi construido a
partir de uma trajetória histórica entre o ganho da sede da biblioteca e o seu processo de
mordernização e informatização da BC, tendo como agente de transformação seus próprios
gestores. E é notório o esforço das gestoras para melhorar o repositório para que acadêmicos e
docentes tenham uma fonte de informação confiável.
Contudo, é necessário que a universidade (gestor) tenham interesse em investir em
melhorias no repositório já que o mesmo integra o consórcio das bibliotecas de ensino
superior no Brasil.
Diante do exposto, para que essas melhorias aconteçam se faz necessário consolidar
instutucionalmente o RI/UFAL, bem como contratar novas profissionais que venham auxiliar
a manutenção, alimentação e disseminação dos documentos cientificos produzidos na UFAL.
Portanto, o ensaio proposto serviu para que tenhamos um olhar diferenciado em
relação repositórios digitais instituicionais, e o quão é importante o melhoramento do
RI/UFAL para possibilitar o acesso

e compartilhamento das informações

de natureza

científica e acadêmica.
REFERÊNCIAS
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Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.
BRASCHER, Marisa; CAFÉ, Lígia. Organização da Informação ou Organização do
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Implantação e gestão de repositórios institucionais: políticas, memória, livre acesso e
preservação. Salvador: EDUFBA, 2009. p. 55-82
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Disponível em: &lt; http://www.ibict.br/pesquisa-desenvolvimento-tecnologico-einovacao/Sistema-para-Construcao-de-Repositorios-InstitucionaisDigitais/?searchterm=Dspace&gt; Acesso em: 18 abr 2014

4494

�KURAMOTO, Helio. Manifesto ao Acesso Livre a Informação Cientifica. Disponível em:
&lt;http://kuramoto.files.wordpress.com/2008/09/manifesto-sobre-o-acesso-livre-a-informacaocientifica.pdf&gt; Acesso em: 18 abr de 2014
LOPES, Luis Carlos. A informação e os arquivos: teoria e prática. Niterói: EDUFF; 1996.
MARINHO JUNIOR, Inaldo Barbosa; GUIMARÃES E SILVA, Junia. Arquivos e
informação: uma parceria promissora. Arquivo &amp; Administração, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1,
p. 15 - 32, jan. /jun. 1998.
SILVA, Terezinha Elisabeth da; TOMAEL, Maria Inês. Repositórios Institucionais e o
modelo Open. In: TOMAÉL, Maria Inês. Fontes de Informação na Internet. Londrina:
EDUEL, 2008. p. 123-150 cap.6
OLIVEIRA, Tania Calhub de. Acesso aberto à informação científica no Brasil: um estudo
das universidades públicas do estado do Rio de Janeiro. Relatório Final de Pesquisa de
Doutoramento. Brasília: IBICT, 2011. Disponível em: &lt; http://www.ibict.br/capacitacao-eensino/pesquisa-em-ciencia-da-informacao/pos-doutorado/pesquisas-concluidas-1/acessoaberto-a-informacao-cientifica-no-brasil-um-estudo-das-universidades-publicas-do-estado-dorio-de-janeiro/Tania_Relatorio.pdf&gt; Acesso em: 19 abr 2014.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Biblioteca Central. Disponível em: &lt;
http://www.ufal.edu.br/institucional/orgaos-de-apoio/academico/bibliotecas/bibliotecacentral&gt; Acesso em: 19 abr 2014

4495

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A consolidação da internet, das ferramentas e dos recursos que veem agilizando o acesso, recuperação e disseminação de documentos em meio eletrônico é fato consolidado no cenário mundial. Assim, as Bibliotecas das Instituições de Ensino Superior são responsáveis por armazenar não apenas acervo adquirido externamente, mas também a própria produção da Instituição na qual ela esta inserida. Nesse contexto iniciativas para organização, armazenamento e disseminação da produção intelectual da IES tem ganhado força com o movimento de Acesso Livre a Informação, conhecido internacionalmente como Open Access Initiative (OAI), utilizando como ferramenta os Repositórios Digitais Institucionais. Esse ensaio teve como objetivo Analisar o Repositório Institucional da UFAL, sua construção, politica e atualização, cuja sua gestão encontra-se a cargo da Biblioteca Central da Instituição, como ocorre na maioria das IES no Brasil. Para o trabalho foi realizada entrevistas com as gestoras da Biblioteca Central da UFAL, a responsável por gerir o RI e também a analise do RI/UFAL via página da BC. Como resultado do trabalho percebe-se um esforço da atual gestão da BC da UFAL em consolidar a politica traçada para viabilizar o RI, mas como o projeto é recente muita ações ainda se fazem necessárias, dentre elas consolidar as politicas que permeiam o RI, contratação de profissionais para auxiliar na atualização do RI e também o envolvimento dos coordenadores dos cursos de pós-graduação para valorização do RI/UFAL na instituição.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O SERVIÇO DE PESQUISA BIBLIOGRÁFICA OFERECIDO PELA BIBLIOTECA
DE CIÊNCIAS JURÍDICAS DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)
Paula Carina Araújo

RESUMO
Descreve e avalia a pesquisa bibliográfica como um serviço de informação oferecido pelo
Setor de Referência e Informação da Biblioteca de Ciências Jurídicas do Sistema de
Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) sob o ponto de vista do
usuário. Desenvolve uma pesquisa quantitativa, qualitativa, exploratória e emprega o estudo
de usuário como técnica de pesquisa. Os dados foram coletados por meio de um questionário
eletrônico composto por dez perguntas e aplicou a Escala Likert para quatro delas. Constata
que a Biblioteca de Ciências Jurídicas tem cumprido o objetivo do serviço, pois a avaliação
dos usuários foi excelente e indicou que eles estão satisfeitos com as pesquisas bibliográficas
realizadas.
Palavras-Chave: Pesquisa bibliográfica; Levantamento bibliográfico;
Informação; Biblioteca universitária; Setor de referência e informação.

Serviço

de

ABSTRACT
It describes and evaluates the bibliographical research as an information service offered by
Reference and Information Sector of Law Library of Sistema de Bibliotecas (SiBi) of
Universidade Federal do Paraná (UFPR) by the user’s point of view. It develops a
quantitative, qualitative and exploratory research and it employs user’s study as a research
technique. The data was collected through an electronic questionnaire composed by ten
questions and applied the Likert Scale in four of them. It finds that Law Library has
accomplished the objective of the service, because the user’s evaluation was excellent and
indicated that they are satisfied with bibliographical researches made.
Keywords: Bibliographical research; Bibliographical survey; Information service; Academic
Library; Reference and information sector.

1 INTRODUÇÃO
A pesquisa permeia todas as atividades desenvolvidas na universidade, seja no ensino,
pesquisa ou extensão. As bibliotecas universitárias têm como objetivo apoiar esses setores da
universidade de modo a proporcionar o desenvolvimento de novas pesquisas, o
aperfeiçoamento da competência informacional da comunidade acadêmica e o consequente

3283

�desenvolvimento de inovação que atingirá não só os pesquisadores, docentes e discentes, mas,
a comunidade em geral.
O Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) tem como
missão: “ofertar à comunidade universitária, e também para a comunidade em geral, controle
e acesso adequados a informações em Ciência e Tecnologia, reconhecidos como essenciais
para

as

atividades

universitárias,

de

cunho

acadêmico

e

administrativo

[...]”.

(UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2010). Tendo em vista sua missão, muitas
bibliotecas do SiBi/UFPR oferecem o serviço denominado Pesquisa Bibliográfica, definido
como “um levantamento bibliográfico sobre um determinado assunto ou autor em bases de
dados e outras fontes de informação”. (UFPR, [2014]).
Na Biblioteca de Ciências Jurídicas, uma das unidades do SiBi/UFPR, o serviço
começou a ser oferecido no segundo semestre de 2009. Entretanto, ganhou força no início do
ano de 2013 quando a divulgação do serviço foi intensificada por e-mail, durante os cursos de
capacitação oferecidos pelo SiBi/UFPR, apresentação da biblioteca para os calouros e com a
ajuda dos docentes do curso de graduação e pós-graduação em Direito.
Nesse contexto, apresenta-se como objetivo geral avaliar o serviço de Pesquisa
Bibliográfica oferecido pela Biblioteca de Ciências Jurídicas do SiBi/UFPR sob o ponto de
vista do usuário. Entende-se que o estudo de usuários é a melhor forma para tal avaliação e
representa uma importante ferramenta gerencial.
O serviço de pesquisa bibliográfica é relativamente novo na Biblioteca de Ciências
Jurídicas, por isso, conhecer a opinião dos usuários é essencial para sua avaliação e
aperfeiçoamento, de modo a suprir as necessidades informacionais daqueles que fazem uso do
serviço. Além disso, a biblioteca busca a excelência nos serviços que oferece e, este estudo é
essencial para o alcance desse patamar.

2 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
A pesquisa é uma atividade básica da ciência na sua indagação e construção da
realidade. Pode ainda ser considerada como uma atividade orientada à busca de conhecimento
que utiliza instrumentos teóricos metodológicos para construir o conhecimento (BUFREM,
2010). Sabe-se que a pesquisa científica permeia todas as atividades nas universidades e
institutos de pesquisa, por exemplo. Daí a importância de descrever suas diversas facetas, em
especial nesse estudo, a pesquisa bibliográfica.
A pesquisa bibliográfica é descrita, inicialmente, a partir de um conceito restrito, como
denomina Macedo (1996, p. 13). “É a busca de informações bibliográficas, seleção de

3284

�documentos que se relacionam com o problema de pesquisa [...] e o respectivo fichamento das
referências para que sejam posteriormente utilizadas [...]”. A autora afirma que pode ser
considerado o primeiro passo da pesquisa científica e tem como objetivo revisar a literatura
existente e não repetir o tema de estudo ou experimentação que, por ventura, já tenham sido
feitos.
Outro conceito, apresentado por Cervo, Bervian e Silva (2007, p.61) é de que:
A pesquisa bibliográfica é o meio de formação por excelência e constitui o
procedimento básico para os estudos monográficos, pelos quais se busca
domínio do estado da arte sobre determinado tema. Como trabalho científico
original, constitui a pesquisa propriamente dita na área das ciências
humanas. Como resumo de assunto, constitui geralmente o primeiro passo de
qualquer pesquisa científica. Os alunos de todos os níveis acadêmicos
devem, portanto, ser iniciados nos métodos e nas técnicas de pesquisa
bibliográfica.
Pizzani et al. (2012, p. 57) afirma que o fluxo da pesquisa bibliográfica é formado
pelas seguintes etapas: delimitação do tema-problema, levantamento e fichamento das
citações relevantes, pesquisa na internet para localização de material bibliográfico,
aprofundamento e expansão da busca, relação das fontes a serem obtidas, localização das
fontes, leitura e sumarização e redação do trabalho.
Muitas vezes a pesquisa bibliográfica é caracterizada como revisão de literatura ou
revisão bibliográfica. A revisão de literatura é apenas um pré-requisito para a realização de
qualquer pesquisa, o que não é compreendido por muitos. “A pesquisa bibliográfica implica
em um conjunto ordenado de procedimentos de busca por soluções, atento ao objeto de
estudo, e que, por isso, não pode ser aleatório”. (LIMA, MIOTO, 2007, p. 38). Os autores
afirmar ainda que a pesquisa bibliográfica fundamenta teoricamente o objeto de estudo e vai
além da simples observação de dados contidos em fontes pesquisadas, uma vez que destaca a
teoria e a compreensão crítica do significado existente no objeto de estudo.
O termo pesquisa bibliográfica também é conceituado sob outro ponto de vista. Ao
constatar a necessidade de educação de usuários em bibliotecas universitárias, Cunha (1986,
p. 177) afirma que naquela época eram encontrados textos que se referiam à atividade de
educação de usuários como orientação bibliográfica, pesquisa bibliográfica e instrução sobre
o uso da biblioteca, de forma errônea.
Para que não haja confusão de conceitos, o autor esclarece que a pesquisa bibliográfica
é uma atividade que “preocupa-se em capacitar o estudante a obter a informação, necessária
para uma finalidade específica, através do amplo uso dos recursos e materiais disponíveis na

3285

�biblioteca. Preocupa-se com problemas da recuperação da informação”. (FAJLLBRANT,
1976, p.14 apud CUNHA, 1986, p. 177).
Percebe-se que esse conceito define pesquisa bibliográfica como um serviço ofertado
pelas bibliotecas, especialmente as universitárias e especializadas, ou seja, o levantamento
bibliográfico sobre um determinado assunto ou autor em fontes de informação que possam
atender às necessidades de informação dos usuários.
A pesquisa bibliográfica utiliza a consulta aos documentos bibliográficos para cumprir
o objetivo de encontrar respostas aos problemas de pesquisa. Portanto, para localizar o
material bibliográfico que apoiará a pesquisa, é necessário conhecer a organização dos textos,
das bibliotecas e dos bancos de dados, bem como saber utilizá-los. (CERVO, BERVIAN,
SILVA, 2007, p. 29).
Ao discutir o tema pesquisa bibliográfica, Macedo (1996, p.7) afirma que na década de
1980 observava os alunos envergonhados e confusos consultando catálogos e publicações nas
estantes. Destaca que esses educandos ficavam ainda mais perplexos quando iniciavam a
cópia de passagens de livros e enciclopédias. Reitera que até 1994 a situação perdura, embora
as bibliotecas estivessem, naquele momento, iniciando a informatização. Ainda previu que
com a criação das bibliotecas digitais na virada do século, grandes transformações
aconteceriam.
Nesse mesmo contexto das bibliotecas, um conceito amplo de pesquisa bibliográfica
também é apresentado por Macedo (1996, p. 13-14) como o planejamento inicial de qualquer
trabalho de pesquisa e envolve vários procedimentos metodológicos que podem ser descritos
nas seguintes etapas:
a) Procura-se identificar, localizar e obter documentos pertinentes ao estudo
de um tema bem delineado, levantando-se a bibliografia básica; b) elabora-se
um esquema provisório (temas e subtemas do futuro trabalho) e um rol de
descritores (em português e outras línguas) para servir de guia na fase de
anotações dos dados de leitura; c) transcrevem-se em fichas, segundo
critérios, os dados de leitura (resumos, transcrições, notas, etc.); d)
enriquece-se o primeiro levantamento pelas bibliografias constantes nos
documentos analisados, organizando-se em conjunto de fichas de anotação
para documentar o trabalho (citações de texto); e) prepara-se o sumário do
trabalho (reformulando-se o esquema provisório) e dá-se início à redação da
monografia subsidiada pelas fichas de anotação.
Há poucos registros na literatura sobre o serviço de pesquisa bibliográfica em
bibliotecas e a maioria deles é da década de 1980 (POLKE, 1972; GONÇALVEZ, 1975;
NOCETTI, 1980; PEREIRA; PEREIRA, 1983; MACEDO, 1982; SOUZA, 1984; CALDAS,
1984; VILLARES, 1989).

3286

�O Departamento de Informação e Documentação, da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA), iniciou, em 1979, o Programa Automatizado de Pesquisas
Informacionais Retrospectivas (PAPIR). Seu desenvolvimento teve como objetivo suprir a
demanda por bibliografias retrospectivas. A operacionalização do serviço era realizada em
cinco etapas: 1) preenchimento dos formulários pelos pesquisadores; 2) processamento
técnico; 3) recuperação das informações; 4) controle de qualidade; 5) expedição das listagens
(NOCETTI, 1980).
Pereira e Pereira (1983) descreveram a experiência do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal da Paraíba. A ideia do oferecimento desse serviço surgiu da maior
atenção voltada para os cursos de pós-graduação da universidade, nível em que a maioria das
pesquisas é desenvolvida. As autoras afirmam que a implantação do serviço representaria um
rompimento de estruturas arcaicas e possibilitaria a valorização do trabalho do bibliotecário.
A experiência da Biblioteca Central da Universidade de Brasília foi relatada por
Villares (1989). A equipe de referência dessa biblioteca oferecia o serviço antes mesmo do
surgimento das bases de dados on-line e, a autora informa que com o surgimento dos novos
recursos informacionais eletrônicos o serviço foi intensificado e sua operacionalização se
tornou mais fácil. Nessa instituição o serviço era oferecido, naquela época, para os docentes e
discentes dos cursos de pós-graduação e para seu desenvolvimento era necessário:
identificação precisa do assunto, a escolha das palavras-chaves ou descritores na língua usada
na fonte a ser consultada e a definição dos aspectos limitativos do interesse do usuário sobre o
assunto.
Ao estudar a viabilidade para propor um padrão de formulários para a solicitação do
serviço de pesquisa bibliográfica em bibliotecas especializadas, Souza (1984) constatou, a
partir da revisão de literatura, que não há um consenso entre os autores quanto à terminologia
do serviço de pesquisa bibliográfica, chamado por alguns de levantamento bibliográfico,
busca na literatura, levantamento da literatura, investigação bibliográfica, etc. No próprio
artigo em alguns momentos o serviço é chamado de pesquisa bibliográfica e em outros de
levantamento bibliográfico.
Cervo, Bervian e Silva (2007, p. 79-81) apontam o levantamento bibliográfico, leitura
de reconhecimento, apontamentos e anotações como as etapas da pesquisa bibliográfica.
Afirmam que na fase de levantamento é necessário fazer “a identificação e localização de toda
a bibliografia necessária para o trabalho, até para saber o que há disponível na biblioteca de
sua instituição, o que precisa ser adquirido, o que precisa ser fotocopiado e o que o estudante
tem em seu próprio acervo”.

3287

�Seguindo essas mesma linha, afirma-se que antes de iniciar a pesquisa bibliográfica é
importante que se tenha claro e definido o tema da pesquisa. “[...] o pesquisador deve
formular um título para o seu levantamento bibliográfico e identificar os termos que
expressem o seu conteúdo, não só no idioma português, como também em outros,
principalmente em inglês por ser o idioma de grande acesso mundial”. (VOLPATO, 2000).
Polke (1972, p. 46) divide o levantamento bibliográfico em: fase preparatória e fase de
execução. A fase preparatória e composta de algumas etapas: estudo de assunto, tradução dos
termos para outros idiomas, delimitação do período e das línguas ou áreas geográficas,
levantamento e estudo de fontes adequadas à pesquisa. Já a fase de execução divide-se em:
identificação e localização dos trabalhos.
A partir da literatura revisada até aqui foi possível perceber que o termo pesquisa
bibliográfica é mais amplo do que levantamento bibliográfico e, se forem avaliados os dois
conceitos, o mais adequado para designar o serviço prestado pelas bibliotecas é levantamento
bibliográfico. Polke (1972, p. 46) concorda com esse pensamente e afirma que: “A pesquisa
bibliográfica pode-se chamar, talvez com maior propriedade de levantamento bibliográfico,
restringindo o quase abuso que se vem atribuindo à palavra pesquisa”.
Apesar de chegar a essa constatação, para fins desse estudo será utilizado o termo
pesquisa bibliográfica para designar o serviço oferecido pela Biblioteca de Ciências Jurídicas
da UFPR, tendo em vista que esse é o nome atribuído ao serviço, até o momento, para todo o
SiBi/UFPR. Entretanto, recomenda-se uma reflexão sobre o conceito mais adequado para
designar esse serviço e sua possível modificação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa é caracterizada como quantitativa e qualitativa, pois buscou reconhecer a
percepção de um grupo sobre o serviço de Pesquisa Bibliográfica oferecido pela Biblioteca de
Ciências Jurídicas do SiBi/UFPR, ou seja, recorreu à compreensão de um fato, por meio de
dados coletados durante a pesquisa e, posteriormente, realizou a análise dos mesmos sob as
duas perspectivas.
Ainda com relação aos objetivos, a pesquisa é considerada exploratória uma vez que
pretendeu conhecer um campo pouco estudado recentemente na área de serviços de
informação. A pesquisa exploratória “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade
com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito [...]”. (GIL, 1996, p.45). O estudo de
usuários foi utilizado como técnica de pesquisa, cujos objetivos são “coletar dados para criar

3288

�e/ou avaliar produtos e serviços informacionais, bem como entender melhor o fluxo da
transferência da informação”. (BAPTISTA; CUNHA, 2007, p. 169).
Para a coleta de dados foi utilizado o questionário eletrônico elaborado por meio do
programa Google Drive e enviado por e-mail para 77 usuários que solicitaram uma ou mais
Pesquisas Bibliográficas no ano de 2013, os quais representam a população da pesquisa.
Responderam ao questionário 40 pessoas, o equivalente a 51,9% dos respondentes.
O questionário eletrônico foi composto por 10 perguntas: quatro de múltipla escolha,
duas abertas e quatro nas quais foram diluídos os itens de avaliação do serviço e por meio das
quais os pesquisados deveriam indicar seu grau de concordância ou discordância por meio da
Escala Likert de cinco pontos - onde 1 é considerado “não concordo” e 5 “concordo
plenamente”.
Os dados coletados serão apresentados em quadros e analisados por meio de categorias
que exprimam a avaliação do serviço. Foram criadas quatro categorias para a análise dos
resultados, a saber: tempo de resposta à solicitação, conteúdo da resposta à pesquisa, fontes de
informação e forma de solicitação e envio da pesquisa.
Segundo Bardin (2002) as categorias são seções ou classes que reúnem um grupo de
elementos sob um título genérico e essa reunião é feita com base nas características comuns
dos mesmos. A categorização é uma operação de classificação de elementos que fazem parte
de um conjunto. O agrupamento é feito por gênero (analogia), a partir de critérios prédefinidos.

4 O SERVIÇO DE PESQUISA BIBLIOGRÁFICA OFERECIDO PELA BIBLIOTECA
DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
A Pesquisa Bibliográfica é um dos serviços oferecidos pelo Setor de Referência e
Informação das bibliotecas do SiBi/UFPR e cada biblioteca estabelece a forma como o
serviço é oferecido. Na Biblioteca de Ciências Jurídicas o serviço é oferecido para toda a
comunidade acadêmica (docentes, discentes e servidores), desde que a pesquisa tenha alguma
relação com a área de ciências jurídicas, já que esta é a especialidade da biblioteca.
Para solicitar o serviço é necessário preencher um formulário, preferencialmente, no
Setor de Referência e Informação da Biblioteca, tendo em vista que muitas vezes é necessário
realizar uma entrevista de referência para esclarecer a necessidade de informação do usuário.
Entretanto, o formulário também está disponível no Portal da Informação, site do SiBi/UFPR.
Esse formulário é dividido em três partes, a saber:

3289

�a) Identificação do usuário: são solicitadas informações como nome, data, curso, matrícula,
categoria de usuário, telefone, e-mail e finalidade da pesquisa;
b) Pesquisa: nesta seção o usuário deve informar o tema e área de pesquisa, possíveis
palavras-chave, idioma, tipo de material e cobertura de tempo;
c) Controle da biblioteca: ao receber a solicitação, a biblioteca inicia o controle da mesma,
para isso é anotada a data de recebimento, data prevista para envio da resposta à pesquisa,
data de envio, qual o tipo de material localizado e em quais bases de dados a pesquisa foi
realizada.
Ao receber uma solicitação de pesquisa bibliográfica, muitas vezes é preciso conversar
com o aluno para entender seu tema, questionar quem é o orientador, entre outras perguntas
que fazem parte de uma boa entrevista de referência o que, posteriormente, facilitará o
trabalho do bibliotecário para encontrar exatamente a informação de que o usuário precisa.
De posse da solicitação de pesquisa, o bibliotecário analisa os itens do campo
“Pesquisa” do formulário. Atenta para o tema da pesquisa, palavras-chave, indicação de
idioma e recorte de tempo. A partir disso, ele identifica as bases de dados que, possivelmente,
retornarão resultados pertinentes ao tema da pesquisa. Geralmente a pesquisa é iniciada em
bases de dados multidisciplinares para depois partir para bases específicas.
Antes de iniciar a pesquisa, o bibliotecário verifica a necessidade de identificar outras
palavras-chave, de fazer a tradução das mesmas e cria as estratégias de busca necessárias para
realizar a pesquisa bibliográfica. Nesse estágio, o formulário é utilizado para fazer as
anotações necessárias manter um histórico de pesquisa.
Ao localizar as referências, são criadas as listas de materiais bibliográficos
recuperados para serem enviadas aos usuários por e-mail, posteriormente. No e-mail são
anexadas as listas e é informado ao usuário em quais bases a pesquisa foi realizada, também é
solicitado que ele envie sua opinião se a pesquisa satisfez sua necessidade de informação e,
caso precise, é possível refazer a estratégia de busca, mudar as palavras-chaves, tudo para
atender ao usuário da melhor forma possível.
Por fim, o usuário faz a seleção do material bibliográfico do seu interesse e pede
auxílio ao Setor de Referência e Informação para localizar esses documentos. O bibliotecário,
por sua vez, busca o material no acervo do SiBi/UFPR, nas redes informais

que participar,

pelo serviço de comutação bibliográfica e empréstimo entre bibliotecas. Em último caso,
orienta o aluno a entrar em contato com o próprio autor para ter acesso ao documento.
377 Entende-se por redes informais as listas de discussão da área, meio comum de conseguir material disponível
em outros acervos, colegas que trabalham em outras instituições, etc.

3290

�Em todo esse processo, conhecer a opinião dos usuários com relação a esse serviço,
uma vez que foi no ano de 2013 que houve um aumento significativo do número de
solicitações, é uma das formas de reconhecer os pontos fortes e fracos para melhorar cada vez
mais de modo a atender as necessidades dos usuários.
Nas seções seguintes será apresentado o perfil dos 40 respondentes da pesquisa, bem
como a avaliação dos serviços sob seu ponto de vista.
4.1 Caracterização dos Respondentes e das Pesquisas Solicitadas
Entre os respondentes 36 (90%) são alunos de graduação, 2 (5%) alunos de pósgraduação e 1 (2,5%) professor e 1(2,5%) servidor, conforme o Quadro 1. Acredita-se que os
alunos de graduação utilizaram mais o serviço, devido à divulgação realizada durante a
apresentação da biblioteca, mas, principalmente pela explicação sobre o serviço e divulgação
durante um evento promovido por um professor para a graduação: "Como elaborar uma
pesquisa jurídica: aspectos práticos".

Quadro 1: Tipo de usuário
TIPO DE USUÁRIO
Aluno de Graduação
Aluno de Pós-graduação
Professor
Servidor

QUANTIDADE
36 (90%)
2 (5%)
1 (2,5%)
1(2,5%)

Fonte: A autora
Quando questionados sobre o meio pelo qual tomaram conhecimento sobre o serviço
de pesquisa bibliográfica, a maioria (17 - 42,5%) afirmou que foi pela divulgação de um
professor, o que pode ser também justificada pela realização do evento citado anteriormente,
mas, também pelo apoio de outros professores do curso ao divulgarem em sala de aula e
durante as orientações. Pode-se constatar ainda que os próprios colegas (37,5%) comentam
uns com os outros sobre o serviço, o que também auxilia para que o mesmo seja utilizado.
Ao perceber que apenas 6 (15%) dos alunos tomaram conhecimento do serviço pela
Biblioteca, é possível afirmar que há necessidade da criação de uma estratégia de divulgação
do serviço. Outras formas apontadas pelos alunos foram pela coordenação do curso de Direito
e durante uma palestra.

3291

�Quadro 2: Meio pelo qual tomou conhecimento sobre o serviço de pesquisa bibliográfica
MEIO
Portal da Informação
Mídias sociais (blog, facebook, etc)
Professor
Colega
Biblioteca de Ciências Jurídicas
Outro

QUANTIDADE
0
0
17 (42,5%)
15 (37,5)
6 (15%)
2 (5%)

Fonte: A autora

Eles foram questionados quanto à finalidade da pesquisa. Como a maioria das
solicitações partiu de alunos de graduação, o desenvolvimento da monografia (24 - 60%) foi
a finalidade mais indicada. Outros para a escrita de projeto de monografia, artigo científico,
projeto de pesquisa, dissertação e trabalho acadêmico, como está apresentado no Quadro 3.

Quadro 3: Finalidade da pesquisa
FINALIDADE DA PESQUISA
Artigo científico
Trabalho acadêmico
Projeto de pesquisa
Projeto de monografia
Monografia
Dissertação
Tese
Outro

QUANTIDADE
4 (10%)
1 (2,5%)
3 (7,5%)
6 (15%)
24 (60%)
2 (5%)
0
0

Fonte: A autora

Cabe ressaltar que a finalidade do serviço de pesquisa bibliográfica não é fazer todo o
trabalho pelo pesquisador, mas, auxiliá-lo quando tiverem dificuldade. Entende-se que o
desenvolvimento da monografia é um dos momentos cruciais da vida acadêmica, como nesta
pesquisa a maioria dos respondentes são alunos de graduação, entende-se que esse é o
momento em que mais precisam de auxílio, seja do orientador ou dos bibliotecários com a
pesquisa bibliográfica e normalização da monografia.
A área em que a maioria das pesquisas se concentra é o Direito Civil (9 - 22,5%), em
segundo lugar estão o Direito Administrativo e Direito Penal com 6 (15%) indicações cada.
Na categoria outros, foram indicadas as áreas: Biodireito, Direito da União Europeia, Direito
Urbanístico, Direitos Humanos, Extensão Popular, Políticas Públicas, Teoria do Estado e
Ciência Política.

3292

�Quadro 4: Área de pesquisa
ÁREA DA PESQUISA
Direito administrativo
Direito ambiental
Direito civil
Direito comercial
Direito constitucional
Direito econômico
Direito do trabalho
Direito internacional
Direito penal
Direito processual civil
Direito processual penal
Direito tributário
Filosofia do direito
História do direito
Teoria do direito
Outro

QUANTIDADE
6 (15%)
0
9 (22,5%)
1 (2,5%)
3 (7,5%)
0
2 (5%)
3 (7,5)
6 (15%)
2 (5%)
1 (2,5%)
0
0
0
0
7 (17,5%)

Fonte: A autora

4.2 Avaliação do Serviço de Pesquisa Bibliográfica Oferecido pela Biblioteca de Ciências
Jurídicas

O serviço de pesquisa bibliográfica foi avaliado a partir da opinião dos usuários que
solicitaram o serviço no ano de 2013, por meio de um questionário eletrônico. Cabe ressaltar
que será adotada a prática de enviar esse questionário eletrônico para todos os usuários que
solicitarem o serviço para que a avaliação seja permanente.

3293

�Quadro 5: Avaliação do serviço de pesquisa bibliográfica oferecido pela Biblioteca de
Ciências Jurídicas da UFPR.
CATEGORIAS DE AVALIÇÃO
TEMPO
DE
RESPOSTA
SOLICITAÇÃO

ESCALA LIKERT
À

1

1
(2,5%)
A pesquisa foi enviada antes do prazo 14
(35%)
estabelecido.
9
A pesquisa foi enviada no prazo estabelecido
(22,5%)
A pesquisa foi enviada depois do prazo 31
(77,5%)
estabelecido
CONTEÚDO
DA
RESPOSTA
À
PESQUISA
A lista de materiais enviada atendeu às 1
necessidades da pesquisa.
(2,5%)
Foi necessário realizar outra pesquisa para 4
(10%)
suprir minhas necessidades
O número de referências enviadas foi 6
(15%)
suficiente.
FONTES DE INFORMAÇÃO
As fontes de informação enviadas são 0
confiáveis.
As bases de dados utilizadas para a pesquisa 0
cobrem as áreas da pesquisa solicitada.
Já tinha conhecimento da maioria das fontes 7
de informação utilizadas como recurso para a
(17,5%)
pesquisa.
FORMA DE SOLICITAÇÃO E ENVIO
DA PESQUISA
O formulário de solicitação de pesquisa
bibliográfica é compreensível e contempla 0
todas as informações necessárias para a
solicitação
O envio do resultado da pesquisa bibliográfica 0
por e-mail é prático e eficiente.
O envio do resultado da pesquisa bibliográfica 1
em forma de listas em arquivos separados por
(2,5%)
bases de dados pesquisadas é eficiente.
As informações indicadas no cabeçalho do
resultado da pesquisa bibliográfica são muito 1
importantes para entendimento do resultado da (2,5%)
pesquisa.
Todos os requisitos que você indicou no 1
formulário de solicitação foram atendidos na
(2,5%)
resposta ao pedido.
Fonte: A autora
O prazo estabelecido é suficiente.

2

3

4

5

5
(12,5%)
6
(15%)
2
(5%)
1
(2,5%)

6
(15%)
5
12,5%)
4
(10%)
1
(2,5%)

8
(20%)
3
(7,5%)
2
(5%)
4
(10%)

20
(50%)
12
(30%)
23
(57,5%)
3
7,5%)

4
(10%)
4
(10%)
4
(10%)

5
11
19
12,5%) (27,5%) (47,5%)
7
10
15
(37,5%)
(17,5%) (25%)
9
12
9
(22,5%) (30%)
(22,5%)

4
(10%)

2
8
30
(20%)
(75%)
(5%)
7
11
18
(17,5%) (27,5%) (45%)

12
(30%)

17
3
(42,5%) (7,5%)

2
(5%)

13
11
14
(32,5%) (27,5%) (35%)

1
(2,5%)

1
(2,5%)

6
(15%)

0

6
(15%)

7
26
(17,5%) (65%)

0

6
(15%)

9
24
(22,5%) (60%)

1
(2,5%)

7
8
(17,5%) (20%)

0

1
(2,5%)

32
(80%)

23
(57,5%)

As respostas foram divididas em quatro categorias, a saber: tempo de resposta à
solicitação, conteúdo da resposta à pesquisa, fontes de informação e forma de solicitação e

3294

�envio da pesquisa. A apresentação e análise dos dados foram feitas a partir dessas categorias
que foram divididas nas seções apresentadas a seguir.

4.2.1 Tempo de resposta à solicitação
A Biblioteca de Ciências Jurídicas estabeleceu o prazo de 10 a 15 dias úteis para
resposta aos pedidos de pesquisa bibliográfica. Esse prazo foi definido logo que o serviço
começou a ser oferecido e após avaliar o número de servidores que realizariam as pesquisas
(um bibliotecário de referência), a demanda de trabalho, etc.
A primeira categoria de análise dessa pesquisa é “Tempo de Resposta à Solicitação”.
A maioria dos respondentes considerou o prazo estabelecido suficiente, pois 20 (50%)
pessoas indicaram concordar plenamente, 8 (20%) indicaram o número 4 na Escala Likert, o
que mostra que concordam que o prazo é suficiente. Apenas 1 (2,5%) usuário respondeu não
concordar.
O Setor de Referência e Informação é o responsável por inúmeros serviços: comutação
bibliográfica, empréstimo entre bibliotecas, capacitação de usuários, orientações acadêmicas,
entre outros. Para gerenciar o oferecimento de todos esses serviços é necessário o
estabelecimento de prazos que possam ser cumpridos de forma a bem atender ao usuário.
Os usuários também foram questionados se receberam o resultado da pesquisa antes,
após ou no prazo estabelecido. Dos 40 respondentes, 12 (30%) afirmaram receber a pesquisa
antes do prazo estabelecido e 23 (57,5%) afirmaram terem recebido no prazo estabelecido, o
que representa o esforço da biblioteca para prestar o serviço da melhor forma possível,
atender às expectativas dos usuários e até mesmo superá-las. Apenas 3 (7,5%) respondentes
informaram concordar plenamente e 4 (10%) concordaram terem recebido a pesquisa depois
do prazo.
4.2.2 Conteúdo das respostas à pesquisa
Três questionamentos foram feitos quanto ao conteúdo da resposta à pesquisa
bibliográfica. Primeiramente, os usuários foram questionados se a lista de materiais enviada
atendeu às necessidades da pesquisa, 19 (47,5%) dos pesquisados responderam que
concordam plenamente e 11 (22,5%) que concordam. Apenas 1 (2,5%) dos respondentes
afirmou que sua necessidade de pesquisa não foi atendida. Houve 4 (10%) indicações para a
escala 2 e a escala 3 recebeu 5 (12,5%) indicações. Provavelmente, a pesquisa não atendeu
totalmente a necessidade de informação desses últimos respondentes.
Pode-se afirmar que o serviço de pesquisa bibliográfica tem cumprido seu objetivo de
auxiliar os alunos no levantamento de bibliografia pertinente aos temas de pesquisa que estão

3295

�sendo desenvolvidos, a partir dos resultados obtidos neste estudo. Cabe ressaltar que no e­
mail com a resposta à pesquisa sempre foi enviada uma observação pedindo um feedback dos
usuários sobre a quantidade de referências, bem como seu conteúdo.
Entre os respondentes, 15 (37,5%) concordaram plenamente que precisaram realizar
outra pesquisa bibliográfica para suprir sua necessidade de informação e 11 (27,5%)
concordaram com a mesma afirmação. Esses dados podem ser avaliados de dois pontos de
vista, primeiramente, acredita-se que a biblioteca pode melhorar sua pesquisa e uma das
formas é investir na entrevista de referência, que foi feita apenas em alguns casos, tendo em
vista que o bibliotecário de referência está na biblioteca no período da manhã e início da
tarde. Quando o usuário solicita o serviço fora desse horário, ele o faz apenas preenchendo o
formulário sem ser feito nenhum questionamento.
Ao realizar o levantamento bibliográfico o bibliotecário tenta se aproximar ao máximo
do tema de pesquisa informado no formulário. Se por exemplo, é solicitada uma pesquisa para
o tema “Família Solidária (Eudemonista)” e são indicadas palavras-chave específicas para
esse assunto, o bibliotecário se limita a localizar material bibliográfico sobre esse tema, pois
pressupõe que os usuários estejam familiarizados com o assunto Direito de Família (geral), o
qual é bem mais simples de ser encontrado nas diversas fontes de informação. Talvez, por
isso a pesquisa fique defasada em determinado momento, já que na escrita científica é preciso
partir do geral para o específico para esclarecer um conceito, teoria, etc.
Ainda é possível inferir que o resultado indicado acima pode retratar algo que é
comum no desenvolvimento das pesquisas, sua primeira fase inclui o levantamento
bibliográfico e ele a acompanhará até o final. Para solucionar esse “problema” é possível
seguir a recomendação de Nocetti (1980) e incluir o item “Extensão da pesquisa” no
formulário, campo onde o usuário poderá informar se deseja uma pesquisa ampla,
procurando captar todas as referências relevantes, ainda que sejam recuperadas referências
irrelevantes, ou ainda uma pesquisa restrita, procurando captar algumas referências, mas
com o mínimo de referências irrelevantes.
Quanto ao número de referências bibliográficas enviadas como resposta à pesquisa
bibliográfica, a maioria concorda plenamente (9 - 22,5%) ou apenas concorda (12 - 30%) que
a quantidade enviada foi suficiente para a elaboração do estudo. Com relação a esse item, a
equipe de referência tem grande preocupação no momento de elaborar as estratégias de busca.
Pois, sabe-se que atualmente vivenciamos um excesso de informação, especialmente, ao
buscar-se informação na internet.

3296

�Pode ser que, ao solicitarem o serviço, o excesso de informação represente um
problema para o usuário, por isso, mesmo depois de levantados os materiais bibliográficos, o
bibliotecário de referência faz uma segunda seleção para certificar-se de que está enviando
somente o que será útil para o usuário. Caso ele encontre dificuldade para realizar uma busca
precisa, há um segundo contato por e-mail ou telefone com o usuário para melhorar a busca.
Aqui, mais uma vez a revisão do formulário e inserção do item “Extensão da pesquisa” pode
ser muito útil para adequar-se às expectativas dos usuários.
4.2.3 Fontes de informação
Ao serem questionados sobre as fontes de informação utilizadas para a realização da
pesquisa bibliográfica, 30 (75%) respondentes concordaram plenamente e 8 (20%) concordam
que as fontes envidas eram confiáveis e 2 usuários indicaram a escala 3 como resposta. Os
bibliotecários são especialista no uso, seleção, avaliação e até mesmo auxílio para a criação de
fontes de informação, portanto, eles são os profissionais mais indicados para indicar as
melhores fontes de informação a serem utilizadas para uma pesquisa científica em
determinada área.
Também foi feita a afirmação “as bases de dados utilizadas para a pesquisa cobrem as
áreas da pesquisa solicitada”, 18 (45%) dos pesquisados concordaram plenamente e 11
(27,5%) concordaram com a afirmação. Apenas 4 (10%) não concordaram e indicaram a
escala 2. Nesse quesito a biblioteca também tem cumprido seu papel. Contatou-se que seria
importante inserir um espaço para comentários para que os que não concordam possam inserir
suas sugestões de melhoria.
Ainda relacionado às fontes de informação, tentou-se saber se os respondentes “já
tinham conhecimento da maioria das fontes de informação utilizadas como recurso para a
pesquisa. A maioria das indicações (17 - 42,5%) foi para a escala 3, o que significa o meio
termo, provavelmente, eles conheciam apenas parte das fontes utilizadas. Apenas 1 (2,5%)
usuário indicou a escala 5 e 3 respondentes (7,5%) a escala 4, o que representa que eles já
tinham conhecimento da maioria das fontes de informação.
Nesse contexto, percebe-se que há um bom espaço para os bibliotecários atuarem
como educadores e desenvolverem as capacitações para que os usuários tomem conhecimento
das principais bases da sua área e também possam utilizá-las. Além disso, percebe-se por
essas respostas que a pesquisa bibliográfica foi útil para auxiliá-lo a conhecer novas fontes de
informação, bases, artigos, livros, etc, que podem representar um diferencial em suas
pesquisas.

3297

�4.2.4 Forma de solicitação e envio da pesquisa
Entre os respondentes, 14 (35%) concordaram plenamente de 11 (27,5%) concordaram
que o formulário de solicitação de pesquisa bibliográfica é compreensível e contempla todas
as informações necessárias para a solicitação. O envio da pesquisa por e-mail foi considerado
prático e eficiente por quase todos os pesquisados, pois 32 (80%) concordaram plenamente e
6 (15%) concordaram. Pode-se afirmar que o formulário e o meio de envio da pesquisa
bibliográfica atendem às necessidades dos usuários e também do bibliotecário de referência.
Os resultados das pesquisas bibliográficas são enviados em arquivos Word em forma
de listas de materiais bibliográficos. Cada arquivo corresponde aos resultados obtidos em
determinada base de dados e dentro de cada arquivo os resultados são divididos pela forma de
busca, para isso, é inserido um cabeçalho no início da página indicando: nome da base de
dados, termo de busca, campo de pesquisa, recorte de tempo, tipo de material e número de
registros localizados para aquela busca (FIGURA 1).
Figura 1: Modelo de resposta às pesquisas bibliográficas

RVBI
Term os de busca: "consentimento informado" and ética
Cam po: Assunto
Recorte de tempo:
Material: Artigos
7 registros

Número do registro:
1
Autor Bajotto, Alethéia Peters.
Título: Consentimento informado : cuidados para o recrutamento de populações vulneráveis
/Alethéia Peters Bajotto, José Roberto Goldim. Em: Revista bioética, v. 20, n. 2, p. 226-231 2012.
Assunto
Ética médica.
Direito à informação.
Relação médico paciente, aspectos jurídicos.
Marginalidade social.
Secund: Goldim, José Roberto.
Tipo mat: Artigo de revista
No.sist: 000952650
SEN
MJU

Número do registro:
2
Autor Gogliano, Daisy.
Título: O consentimento esclarecido em matéria de bioética: ilusão e exclusão de
responsabilidade / Daisv Gogliano. - _______________________________________

Fonte: A autora.

Fez-se a afirmação “o envi do resultado da pesquisa bibliográfica em forma de listas
em arquivos separados por bases de dados pesquisadas é eficiente” e, a maioria dos
respondentes (26 - 65%) concordou plenamente com a afirmação, outros 7 (17,5%) apenas
concordaram.
A maioria dos respondentes (23 - 57,5%) concordou plenamente que “todos os
requisitos indicados no formulário de solicitação foram atendidos na resposta ao pedido”,
como tipos de materiais (livros, artigos, jurisprudência, etc), idioma (português, inglês,

3298

�espanhol, etc.), entre outros. Também concordaram com a afirmação 8 (20%) usuários e
apenas 1 (2,5%) usuário não concordou com a afirmação indicando a escala 1.
É possível afirmar que a biblioteca está atendendo às necessidades de informação dos
usuários com relação ao conteúdo, uma vez que para todas houve uma avaliação positiva
nesta categoria.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A implantação do serviço de pesquisa bibliográfica em todas as bibliotecas do
SiBi/UFPR encontrou certa resistência entre os bibliotecários de referência no início. Muitos
desses profissionais defendiam a ideia de que o aluno deve apenas ser orientado a realizar
suas pesquisas para que se torne independente. A equipe da Biblioteca de Ciências Jurídicas
também acredita nisso e auxilia para que o aluno desenvolva sua competência informacional,
entretanto, há estágios da vida acadêmica e determinadas pesquisas para as quais os
acadêmicos necessitam de auxílio especializado. Acredita-se que o bibliotecário é o
profissional que pode ajudar, ele é capacitado para a busca e recuperação da informação em
todas as áreas do conhecimento e, em determinados momentos sua participação é essencial.
Por meio deste estudo de usuários, especialmente, ao verificarmos o perfil daqueles
que solicitaram as pesquisas em 2013, pode-se afirmar que será necessária maior divulgação
do serviço para os alunos de pós-graduação e docentes, pois, a maioria das solicitações foi
feita por alunos de graduação nesse período. Cabe ainda destacar que é necessário destacar o
objetivo do serviço, durante a divulgação, e sua utilidade para os usuários, para que ele tenha
conhecimento de que a pesquisa bibliográfica funciona como apoio às dificuldades
encontradas por ele.
O serviço de pesquisa bibliográfica foi muito bem avaliado pelos usuários nas quatro
categorias (tempo de resposta à solicitação, conteúdo da resposta à pesquisa, fontes de
informação e forma de solicitação e envio da pesquisa). Portanto, pode-se afirmar que a
biblioteca tem cumprido seu objetivo relacionado ao oferecimento desse serviço.
A indicação por parte dos usuários de que eles precisaram realizar outros
levantamentos após receberem a resposta à solicitação de pesquisa foi o único item que
indicou a necessidade de investir ainda mais na entrevista de referência e na revisão do
formulário de solicitação para preencher esse gap, conforme foi sugerido detalhadamente no
capítulo de apresentação e análise dos dados.
A partir do referencial teórico utilizado para este estudo, sugere-se uma reflexão junto
ao SiBi/UFPR para determinar a melhor nomenclatura para designar o serviço aqui descrito e

3299

�hoje chamado de pesquisa bibliográfica. Conforme a literatura, talvez o melhor nome seja
“levantamento bibliográfico”, pois a pesquisa bibliográfica exige a escolha de métodos,
leitura e análise dos documentos localização, portanto, é mais ampla do que o trabalho
realizado pelos bibliotecários como serviço de informação nas bibliotecas.
Pode-se afirmar que esse é um serviço essencial em bibliotecas universitárias e
especializadas e deve estar presente cada vez mais nessas unidades de informação. Sugere-se
como estudos futuros: avaliar a evolução do serviço na biblioteca em questão, inclusive a
avaliação dos usuários com o passar dos anos e realizar um levantamento de quais Instituições
de Ensino Superior (IES) oferecem esse serviço e de que forma ele é oferecido.

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O serviço de pesquisa bibliográfica oferecido pela Biblioteca de Ciências Jurídicas do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR)</text>
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                <text>Araújo, Paula Carina</text>
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                <text>Descreve e avalia a pesquisa bibliográfica como um serviço de informação oferecido pelo Setor de Referência e Informação da Biblioteca de Ciências Jurídicas do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) sob o ponto de vista do usuário. Desenvolve uma pesquisa quantitativa, qualitativa, exploratória e emprega o estudo de usuário como técnica de pesquisa. Os dados foram coletados por meio de um questionário eletrônico composto por dez perguntas e aplicou a Escala Likert para quatro delas. Constata que a Biblioteca de Ciências Jurídicas tem cumprido o objetivo do serviço, pois a avaliação dos usuários foi excelente e indicou que eles estão satisfeitos com as pesquisas bibliográficas realizadas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A IMPORTÂNCIA DA BIBLIOTECA PARA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: EM
FOCO A EAD NA UFMG
Sinay Santos Silva de Araujo

RESUMO
Este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a distância (EaD) e
apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG). Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a
opinião dos alunos sobre o acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas
bibliotecas. Apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas
rotinas de estudo e as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram
sistematizados no estudo que investigou a formação da cultura informacional na modalidade
de educação a distância. Foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações
Sociais e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo), desenvolvida por Lefevre e
Lefevre. As necessidades informacionais dos alunos da EaD estão relacionadas com vários
fatores e apenas a biblioteca física instalada no polo de apoio presencial, não atende
satisfatoriamente essas necessidades. Outras formas de acesso a informação precisam ser
pensadas, visando atender as demandas informacionais específicas desses alunos.
Palavras-Chave: Bibliotecas; Educação a distância; Necessidades informacionais; Fontes de
informação; Representações sociais.
ABSTRACT
This paper discusses the importance of the library to distance education (DE) and presents
data on the informational needs of distance education students at the Federal University of
Minas Gerais (UFMG). Makes a brief history of the DE in the UFMG. Shows the students'
opinions about access libraries of the poles and the quality of library collections libraries.
Presents the students' discourse on the difficulties for the course, their routines and study the
sources of information used for study and research. These data were systematized in the study
that investigated the formation of informational culture in the distance education modality. It
was used as a theoretical framework the Social Representation Theory and the technique of
CSD (Discourse of the Collective Subject) developed by Lefevre and Lefevre. The
informational needs of students in distance education are related to several factors and not just
the physical library installed on the pole -face support, not satisfactorily meet these needs.
Other forms of access to information need to be thought, to meet the specific informational
needs of these students.
Keywords: Libraries; Distance education; Informational needs; Sources of information;
Social representations.

4000

�1 Introdução
A educação a distância (EaD) surgiu no cenário internacional como uma proposta de
democratização do ensino. A ideia era que essa modalidade educacional permitisse que a
população dispersa geograficamente e/ou marginalizada dos sistemas convencionais de
educação tivessem acesso a educação (CORREA, 2007; LITWIN, 2001a). Pressupunha que
as distâncias geográficas entre os estudantes e as instituições de ensino poderiam ser
superadas com o uso de tecnologias educacionais. Ao longo desse percurso “a incredulidade,
a suspeita ou a simpatia” (LITWIN, 2001a, p. 9) acompanharam essa modalidade
educacional.
Na literatura da área, identificam-se várias concepções de educação a distância (REIS,
2002). A concepção que traz as características mais consensuais da EaD consideram-na como
uma educação planejada, na qual os conteúdos são sistematizados de forma a permitir a
aprendizagem independente e flexível (auto-estudo). Esses conteúdos são mediados pelas
tecnologias de informação e comunicação (TIC) que permitem também a interação (fluxo
informacional) entre professor-aluno, aluno-aluno e aluno-professor (ARAUJO, 2011).
No contexto atual, com a expansão da Internet, a educação a distância ganhou
destaque, tanto na área da educação, como na área econômica. A educação superior é o
segmento educacional que mais pode se beneficiar com soluções apresentadas pelas
tecnologias educacionais para modalidade a distância (VALENTE, 2003; DEMO, 2005). Isso
porque, pressupõe-se que nessa fase educacional, os estudantes possuem as habilidades e
competências informacionais para conduzir o seu próprio processo de aprendizagem. Assim, a
oferta de cursos superiores (graduação e pós-graduação) é vista como uma solução viável para
atender as demandas por formação profissional de jovens e adultos que querem se inserir no
mercado de trabalho capitalista (KIPNIS, 2009) ou que não tem como acessar o ensino
presencial.
Entretanto, um dos maiores desafios da educação superior se refere às habilidades
individuais e coletivas no uso da informação por parte dos estudantes. As instituições de
ensino superior enfrentam dificuldades, pois a capacidade de realização de pesquisa,
planejamento, gestão, avaliação e uso de fontes de informação por parte dos alunos é
deficiente. Há casos em que o aluno inicia o processo de letramento informacional, digital e
acadêmico quando entra na universidade (CAVALCANTE, 2006).
Seja como for, a EaD é uma alternativa de ensino/aprendizagem para atender,
principalmente, as demandas por educação superior decorrentes de fatores como: a defasagem
de escolarização e de analfabetismo da população, carga horária de trabalho dos estudantes

4001

�(CORREA, 2007), localização geografia distante dos centros de ensino. E essa alternativa
educacional, se desenvolvida por meio de políticas públicas, que visem melhorar o acesso e a
qualidade educacional de uma população, então ela tem um inegável valor (GODOY, 2009).
Em país com altos índices de defasagem na formação superior, como o Brasil, acredita-se que
a educação a distância seja uma forma de levar a formação superior a aqueles que não podem
acessá-la no ensino presencial.
Mas, para alcançar esse objetivo, não basta aumentar a oferta de vagas nos cursos
superiores e expandir o sistema educacional a distância. Conhecer as necessidades
informacionais dos estudantes é fundamental para avaliar os serviços de informação
oferecidos pelas instituições de ensino. No caso da EaD, faz-se necessário à realização de
estudos que procurem conhecer a realidade informacional dos alunos envolvidos nessa
modalidade educacional.
Nesse sentido, este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a
distância (EaD) e apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na
UFMG. Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a opinião dos alunos sobre o
acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas bibliotecas. Apresenta os
discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas rotinas de estudo e as
fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram sistematizados no
estudo (pesquisa de mestrado) que investigou a formação da cultura informacional na
modalidade de educação a distância (ARAUJO, 2011).

2 Referencial Teórico
Na pesquisa foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações Sociais
e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo). Também apresentou um breve histórico da
educação superior a distância no Brasil e na UFMG. E falou sobre a importância da biblioteca
para a educação a distância.

2.1 A Teoria das Representações Sociais e o Discurso do Sujeito Coletivo
As representações sociais são elementos simbólicos que os homens expressam
mediante o uso de palavras e de gestos para explicitar o que pensam. São constituídas por
“informações, imagens, crenças, valores, opiniões, elementos culturais, ideológicos etc.”
(JODELET, 2001, p. 38). É por meio das representações que formulamos opiniões sobre
determinado fato, objeto, pessoa etc. Essas representações baseiam nas expectativas que
desenvolvemos a respeito do objeto ou situação, ou seja, são “ancoradas no âmbito da

4002

�situação real e concreta dos indivíduos que as emitem” (FRANCO, 2004, 170). Podem ser
entendidas como uma forma de construir e representar a realidade social. Possuem relações
com a linguagem, a ideologia e o imaginário social e são socialmente construídas. Tem o
papel de orientar as condutas, os comportamentos e as práticas sociais e culturais dos
indivíduos (ALVES-MAZZOTTI, 1994, p. 60).
Jodelet (2001, p. 22) caracteriza as representações sociais como “uma forma de
conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo prático, e que contribui
para a construção de uma realidade comum a um conjunto social”.
A Teoria de Representações Sociais (TRS) é usada para explicar os fenômenos
humanos a partir de uma perspectiva coletiva, mas sem perder de vista a individualidade de
cada sujeito. Representa tanto o conhecimento de senso comum (ou popular), como do
contexto sociocultural em que os indivíduos estão inseridos (FRANCO, 2004).
A proposta do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) foi desenvolvida por Fernando
Lefevre e Ana Maria Lefevre no final da década de 1990. A técnica é usada para realizar
“pesquisas de opinião, de representação social ou, mais genericamente, de atribuição social de
sentido” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 16) baseadas nos pressupostos da Teoria das
Representações Sociais. “É uma proposta de organização e tabulação de dados qualitativos de
natureza verbal, obtidos de depoimentos, artigos de jornais, matérias de revistas semanais,
cartas, papers, revistas especializadas etc.” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 16).
O DSC é considerado uma técnica de organização do material verbal. Consiste em
reunir, sob a forma de discursos únicos, redigidos na primeira pessoa do singular, conteúdos
de depoimentos com sentidos semelhantes.

2.2 Educação superior a distância no Brasil
A história da educação a distância no Brasil não é recente (ALVES, 2009). No Brasil,
a introdução da EaD na educação superior ganhou impulso na década de 1990. Segundo
Chaves Filho (2007, p. 85-86), alguns fatores que permearam o cenário nacional foram
propícios para o desenvolvimento da educação superior a distância no país. Estes fatores são:
a) desenvolvimento de novas metodologias educacionais, principalmente, relacionadas com as
tecnologias digitais; b) arcabouço legal na área da educação que propiciou abertura e
incentivo para a EaD no país; c) pressão por expansão e interiorização da oferta de vagas na
educação superior; d) ações de fomento, no âmbito das políticas públicas, voltadas
principalmente para a formação de professores da educação básica, desenvolvidas pelo

4003

�Ministério da Educação, esferas governamentais e pelos sistemas de ensino, que estão fazendo
uso da modalidade de educação a distância.
A legislação sobre educação a distância no Brasil passou por várias reformulações ao
longo da sua história. Com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, a
educação a distância passou a ser possível em todos os níveis. Com relação aos cursos
superiores, foi um avanço na legislação, a portaria458 do MEC que permite que as
universidades, centros universitários e faculdades ofereçam 20% dos conteúdos de cursos
presenciais reconhecidos, na modalidade a distância (ALVES, 2009).
No Brasil, o primeiro curso de graduação oferecido na modalidade EaD foi implantado
pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em 1994. É o curso de licenciatura em
Educação Básica, que visava formar professores para atuar nas series iniciais do ensino
fundamental (ALVES, 2009; KIPNIS, 2009).

2.3 Universidade Aberta do Brasil
No momento, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) é o programa de educação
superior a distância de maior destaque e alcance no país. Ele foi instituído pelo decreto
5.800/06 de 8 de julho de 2006, e tem como objetivo instrumentalizar as ações das
universidades públicas, na oferta de EaD.
Apesar do nome, a UAB “não é uma universidade propriamente dita, mas sim um
consórcio de instituições públicas de ensino superior. Além disso, também não é aberta, uma
vez que, não possui todos os princípios norteadores desse sistema” (ALVES, 2009, p. 11).
Segundo o discurso oficial
A Universidade Aberta do Brasil é um sistema integrado por universidades
públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que
têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da
metodologia da educação a distância. O público em geral é atendido, mas os
professores que atuam na educação básica têm prioridade de formação,
seguidos dos dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos
estados, municípios e do Distrito Federal (PORTAL UAB459).

O Sistema UAB funciona como articulador entre as instituições públicas de ensino
superior (IPES) e os governos estaduais e municipais, com vistas a atender às demandas
locais por educação superior. Em 2014, a rede UAB é administrada pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes).
458 Portaria MEC N° 4.059/04 que trata da oferta de 20% da carga horária dos cursos superiores a distância.
459 Disponível em:
http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6&amp;Itemid=18 Acesso em: 13
maio. 2014.

4004

�Então, por meio da UAB a educação a distância foi introduzida nas Instituições
Públicas de Ensino Superior (IPES) brasileiras. Para ofertar cursos na modalidade educação a
distância, o município deve montar um polo de apoio presencial, com laboratórios de
informática, biologia, química e física, além de biblioteca. Os recursos humanos concernentes
à equipe técnica, administrativa e docente de cada polo serão os seguintes: o coordenador do
polo, o técnico em informática, um bibliotecário, um auxiliar para a secretaria e os tutores
presenciais (ZUIN, 2006, p. 943). Essa infraestrutura conta com o apoio dos governos
municipais e estaduais. Já a elaboração e implementação dos cursos é de responsabilidade das
IPES de todo país, que desenvolvem material didático e pedagógico do curso e usam a
infraestrutura montada pelo município para a execução descentralizada de algumas das
funções didático-administrativas do curso (PORTAL UAB460).
Essa forma de funcionamento mostra que as bibliotecas universitárias federais não
fazem parte, diretamente, da educação a distância desenvolvidas nas IPES, principalmente na
rede UAB. Um motivo para essa falta de participação pode ser o fato da responsabilidade pela
criação e manutenção dos serviços de informação nos polos, dentro do sistema UAB, ser do
mantenedor do polo, geralmente do município.

2.4 Educação Superior a Distância na UFMG
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é uma instituição pública de ensino
superior, fundada em 1927. A história da educação a distância na UFMG começou a partir de
1996, pelo desenvolvimento de projetos específicos, como por exemplo, a instalação da
Cátedra da UNESCO de Formação Docente na Modalidade de Educação a Distância. E, o
desenvolvimento de projetos específicos como Programa de Informática na Escola (Proinfo I)
e o (Proinfo II) (OLIVEIRA; MORAES, 2009).
Em 2002, a UFMG participou do Projeto Veredas. Esse projeto foi implementado e
coordenado pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais (SEE-MG) e tinham
como objetivo oferecer o Curso Normal Superior do Projeto Veredas - Formação Superior de
Professores para professores em exercício nos anos iniciais do ensino fundamental e na
educação infantil de escolas públicas de Minas Gerais. Em 2007, foi formada a Rede Veredas
com objetivo de oferecer uma segunda oferta do curso, nos mesmos moldes da oferta anterior.
Nessa rede a UFMG atua como Coordenadora Geral.

460 Disponível em:
http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6&amp;Itemid=18 Acesso em: 13
maio. 2014

4005

�Quadro 1 - Panorama sobre a educação a distância na UFMG
Ano
Ações/Realizações
1996

Instalação da Cátedra da UNESCO de Formação Docente na Modalidade de
Educação a Distância.

1996

Participação no Programa de Informática na Escola (Proinfo I) e o (Proinfo
II).

2002

Participação no Projeto Veredas que oferece o Curso Normal Superior do
Projeto Veredas - Formação Superior de Professores.

2003

Implantação do Centro de Apoio à Educação a Distância - CAED, vinculado
à Pró-Reitoria de Graduação.

2004

Credenciamento, para a oferta de programas e cursos de pós-graduação lato
sensu a distância.

2005

Recebe parecer (CNE/CES N°:200/2005) favorável a oferta de cursos
superiores a distância.

2005

Participa dos editais do Pró-licenciatura que permitiu a oferta de dois cursos Licenciatura em Ciências Biológicas e em Química a distância.

2006

Participa do primeiro edital da UAB para a oferta de vários cursos a
distância.

2007

Coordena a Rede Veredas, que oferece pela segunda vez o Curso Normal
Superior do Projeto Veredas - Formação Superior de Professores.

2007

Participa do segundo edital da UAB para a oferta do curso Licenciatura em
Matemática a distância, entre outros.

2008

Início dos cursos de graduação vinculados aos programas ao Pró-licenciatura
e rede UAB

Fonte: (ARAUJO, 2011, p.97)

Existem também iniciativas de EaD nas unidades/órgãos acadêmicos da Instituição
voltadas para o ensino presencial. Atualmente, destaca-se o curso “Língua Inglesa
Instrumental I e II” ofertado pela Faculdade de Letras (FALE) no âmbito do Programa de
Reestruturação

e Expansão

das Universidades

Federais

(REUNI),

no qual

são

disponibilizadas vagas para alunos dos cursos presenciais (ZARATE, 2009, p. 26).
O Quadro 1 apresenta um panorama sobre algumas ações realizadas na UFMG
relacionadas com a educação a distância ao longo desse período.
A UFMG faz parte do sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) como umas das
Instituições de Ensino Superior (IES) que oferecem cursos superiores, na modalidade a

4006

�distância. A Instituição oferece cursos de graduação (licenciatura e bacharelado),
especialização e extensão.

2.5 Importância da biblioteca para a educação a distância
O acesso a informação complementar para estudo e pesquisa é um dos fatores que
interfere na qualidade de um curso a distância. Segundo Blattmann (2000), “compete às
bibliotecas proporcionarem acesso à informação aos usuários da instituição educacional” e é
responsabilidade da biblioteca oferecer aos estudantes da EaD os mesmos serviços oferecidos
para os estudantes do ensino presencial.
"As bibliotecas, como parte integrante das instituições acadêmicas, como
fornecedoras de informações e prestadoras de serviços, devem atender às
demandas informacionais da sua comunidade, apoiar as atividades
acadêmicas, garantir serviços eficientes e eficazes, bem como contribuir para
a qualidade dos cursos a distância oferecidos pelas instituições às quais
servem" (MATTOS FILHA; CIANCONI, 2010, p. 129).

As recomendações do Ministério da Educação (MEC) contidas nos Referenciais de
qualidade para a educação superior a distância (2007) especificam que na questão do espaço
físico é necessário "a existência de bibliotecas nos polos, com acervo mínimo para possibilitar
acesso aos estudantes a bibliografia, além do material didático utilizado no curso” (BRASIL,
2007, p. 19).
O referencial descreve a biblioteca do polo da seguinte forma:
“As bibliotecas dos polos devem possuir acervo atualizado, amplo e
compatível com as disciplinas dos cursos ofertados. Seguindo a concepção
de amplitude de meio de comunicação e informação da educação a distância,
o material oferecido na biblioteca deve ser disponibilizado em diferentes
mídias. É importante, também que a biblioteca esteja informatizada,
permitindo que sejam realizadas consultas on-line, solicitação virtual de
empréstimo de livros, entre outras atividades de pesquisa que facilitem o
acesso ao conhecimento. Além disso, a biblioteca deve dispor em seu espaço
interno de salas individuais e em grupo” (BRASIL, 2007, p. 26).

Na área tecnológica, argumenta que os profissionais devem atuar nos polos de apoio
presencial em atividades de suporte técnico para laboratórios e bibliotecas. Já nas
coordenações dos cursos e nos centro de educação a distância, tem a função de auxiliar o
planejamento do curso, apoiar professores conteudistas na produção de materiais didáticos em
diversas mídias, “bem como a responsabilidade pelo suporte e desenvolvimento dos sistemas
de informática e suporte técnico aos estudantes” (BRASIL, 2007, p. 19). Nesse quesito,
pressupõe que os bibliotecários das instituições devem desenvolver e implantar sistemas de
informação que atendam os estudantes da EaD.

4007

�Administrativamente, a biblioteca do polo deve dar suporte às atividades presenciais,
com distribuição e recebimento de material didático. Mas, “não exime a instituição de dispor
de centro de documentação e informação ou midiateca (que articulam bibliotecas, videotecas,
audiotecas, hemerotecas e infotecas etc.) para promover suporte a estudantes, tutores e
professores” (BRASIL, 2007, p. 24).
Nesse sentido, ressalta a fala de Mattos filha e Cianconi (2010, p. 136) que diz:
Os bibliotecários que atendem ao público de curso a distância, precisam dar
especial atenção à necessidade de interatividade entre os estudantes, visto
que esses alunos só darão importância à biblioteca e aos serviços oferecidos,
a partir do momento em que os profissionais da informação sejam mais
participativos nos ambientes virtuais atuando como facilitadores, não criando
bloqueios ou dificuldades para acessar as informações e os serviços das
bibliotecas (MATTOS FILHA, CIANCONI, 2010, p. 136).

Na prática, os serviços de informação não são oferecidos para os estudantes da EaD
como deveria. Pois, os bibliotecários que atendem ao público a distância, muitas vezes não
estão preparados para oferecer serviços on-line e os alunos da EaD também não possuem a
cultura informacional necessária para buscar por esses serviços.

3 Metodologia
A pesquisa tomou por referência os discursos dos sujeitos envolvidos nos cursos de
licenciatura em Ciências Biológicas, Matemática, Normal Superior/Pedagogia e Química, na
modalidade a distância da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pesquisa de
mestrado foi realizada em três fases.
Na primeira fase, realizou-se uma caracterização histórica e social dos polos de apoio
presencial em que os cursos se realizam. Em 2010, os cursos analisados eram oferecidos em
polos de apoio presencial localizados em doze cidades do interior de Minas Gerais: Araçuaí,
Buritis, Campos Gerais, Conceição do Mato Dentro, Conselheiro Lafaiete, Corinto, Formiga,
Frutal, Governador Valadares, Montes Claros, Teófilo Otoni e Uberaba.
Na segunda fase traçou-se o perfil dos alunos e suas representações sobre o curso e o
polo ao qual estão vinculados, a partir dos dados coletados por meio de questionário
eletrônico respondidos por 192 alunos dos quatro cursos. Nesse artigo apresenta-se os dados
sobre o acesso as bibliotecas dos polos e sobre a qualidade do acervo dessas bibliotecas.
Na terceira fase da pesquisa fez-se um aprofundamento e verticalização qualitativa dos
discursos. Nessa fase, participaram alunos, professores e tutores vinculados aos cursos de
licenciatura em Ciências Biológicas e Matemática, modalidade a distância da UFMG. A

4008

�amostra de alunos foi composta por acessibilidade, formada por quinze alunos que tinham
participado da segunda etapa e se dispuseram a participar, respondendo ao questionário aberto
eletrônico.
Nesse artigo, apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o
curso, suas rotinas de estudos e sobre as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa.
Os participantes foram identificados da seguinte forma: alunos: A1, A2, ...., A15. No processo
de construção dos discursos, usamos o software QualiQuantSoft, desenvolvido pela SPI Sales &amp; Paschoal Informática, baseado no método do DSC.

4 Apresentação e análise dos dados
Os dados e discursos coletivos produzidos e apresentados não tem intenção de serem
conclusivos em relação ao fenômeno estudado, mas acredita-se que são um suporte
fundamental na compreensão das necessidades informacionais dos alunos da educação a
distância na UFMG e também em outras instituições.
4.1 As bibliotecas dos polos de apoio presencial
Conforme já mencionado, no questionário da segunda fase da pesquisa os alunos
avaliaram alguns itens sobre a infraestrutura do polo. Nesse trabalho apresenta os dados sobre
o acesso às bibliotecas dos polos analisados e sobre a qualidade do acervo dessas bibliotecas.
Tabela 1 - Acesso as bibliotecas dos polos
Polos

Notas*
1

2

3

4

5

Araçuaí
Buritis
Conceição do Mato Dentro
Conselheiro Lafaiete
Formiga
Frutal
Governador Valadares
Montes Claros
Teófilo Otoni
Uberaba

4

3

7

8

13

2

3

14

5
1

1

1
13

4
4

2
4
3

5
2

4

3
1
1

4
3

9

18

6

4

4

2

3
1

5
2

15
3

4

1

Freq. de notas

27

20

36

60

49

% do total da frequência

14

10,5

19

31

25,5

Total
de
participantes

35
1
7
28
26
6
49
18
10
12
192

Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa realizada em 2010.
*Notas de 1 a 5, sendo que o 1 significava “pouco satisfatório” e o 5 “muito satisfatório”.

4009

�De modo geral, as avaliações sobre o acesso as bibliotecas dos polos analisados foram
positivas (Tabela 1). A maioria dos votos ficaram concentrados nas notas 4 (31%) e 5
(25,5%). Entretanto, chama atenção o polo de Formiga, em que metade dos participantes do
polo (13 alunos) deram nota 1 para o acesso a biblioteca do polo.
As notas para a qualidade do acervo das bibliotecas dos polos ficaram concentradas
nas notas 3 (26%) e 4 (30%), significando que o acervo é bom, mas ainda precisa melhorar
(Tabela 2). Entretanto, nesse quesito, o polo de Formiga novamente se destacou
negativamente, sendo que 15 participantes do total de 26 deram nota 1 para a qualidade do
acervo da biblioteca.

Tabela 1 - Qualidade do acervo das bibliotecas dos polos
Notas*
Polos

Araçuaí
Buritis
Conceição do Mato Dentro
Conselheiro Lafaiete
Formiga
Frutal
Governador Valadares
Montes Claros
Teófilo Otoni
Uberaba

1
1

2
4
1

3
10

4

3

2
6
4

1

15

5
5
2
3

Total
de
participantes

35
1
7
28
26
6
49
18
10
12

8
10
4
3
15
1
1
4
4
6
13
6
20
3
1
6
1
7
1
2
1
3
3
3
1
4
4
29
30
50
58
25
192
Total das notas
13
100
% do total da frequência
15
16
26
30
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa realizado em 2010
*Notas de 1 a 5, sendo que o 1 significava “pouco satisfatório” e o 5 “muito satisfatório” .
Nesse sentido, pode-se inferir que o acesso e o acervo das bibliotecas dos polos pesquisados é
bom, mas o polo de Formiga apresenta sérios problemas com relação a biblioteca.

4.2 As dificuldades dos alunos para realização do curso
As dificuldades para realizar o curso apontadas pelos alunos foram agrupadas em oito
categorias. O Quadro 2 apresenta essas categorias e os DSC construídos com base nas ideias
centrais semelhantes e/ou complementares emitidas pelos alunos. Algumas são bem
específicas e foram expressadas apenas em uma resposta.

Quadro 2 - Dificuldades dos alunos para a realização do curso

4010

�Categorias

DSC
ALUNOS - A Didática é muito tumultuada. Falta de apoio em algumas
disciplinas, ás vezes o cronograma é publicado na véspera do encontro.
Falta de um material de apoio para pesquisas em casa. Falta de mais
A - Didática e organização
exemplares disponíveis para o estudo. O retorno às perguntas ainda é
do curso
lento. Além disso temos pouco tempo para a realização de muitas
"tarefas" e a satisfação no curso, às vezes, deixam a desejar. (A ll, A8,
A13, A2, A1, A6)
ALUNOS - Falta de condições de deslocar de minha casa até o polo.
B - Distância geográfica Isso causa a impossibilidade de procurar a tutoria para um possível
auxílio para fazer os trabalhos e também acesso às literaturas
do polo
disponíveis no polo. (A6, A7, A15)________________________________
ALUNOS - Estudar sozinha. Minha única dificuldade é não ter aulas.
C - Adaptar a modalidade Não está dando para construir o conhecimento sozinha o tempo todo.
Acostumar e lidar com o modelo de estudo que pra mim é novo, causa
educação a distância
dificuldade de aprendizagem. (A3, A10, A15, A5)
ALUNOS - Penso que as maiores dificuldades estão sendo conciliar,
D - Conciliar estudo e vida casa, família, meus filhos, com a escola. Conciliar estudos e trabalho.
A correria de casa e trabalho. Não tenho tempo para estudar mais. (A4,
pessoal
A15, A7, A12)_________________________________________________
ALUNOS - Falta de recursos financeiros. Um emprego satisfatório na
E - Falta de recursos
área. Também o que eu ganho não dá para pagar a internet. (A5, A6,
financeiros
A14)_________________________________________________________
F - Relacionamento com
ALUNOS - Relacionamento com os colegas e com os tutores
os colegas e com os
presenciais (A9)
tutores presenciais_______
G - Limitação no uso dos
recursos tecnológicos

ALUNOS - Minha maior dificuldade é minha limitação nos recursos
tecnológicos. Nãopequei o “bum ” das tecnologias. (A14)

H - Acesso precário a
recurso de computador e ALUNOS - Péssima rede de internet, muito lenta. (A15)
internet_______________________________________________________________________________
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.161)

A didática e organização do curso foi considerada pelos alunos como muito
tumultuada. Eles apontaram que suas dificuldades no curso estão relacionadas com: a falta de
apoio em algumas disciplinas; a falta de um material de apoio para pesquisas em casa; a
falta de mais exemplares disponíveis para o estudo; a lentidão das respostas, o pouco tempo
para a realização de muitas "tarefas" e a insatisfação no curso.
A distância geográfica do polo também contribui para que os alunos tenham
dificuldades no curso, pois lhes faltam condições de deslocar de suas casa até o polo e isso
causa a impossibilidade de procurar a tutoria para um possível auxílio para fazer os
trabalhos e também acesso às literaturas disponíveis na biblioteca do polo.
Mas, adaptar-se a modalidade educação a distância também é um problema
para os alunos. Eles sentem dificuldades para acostumar e lidar com o modelo de estudo a
distância e reconhecem isso. No DSC afirmam que suas maiores dificuldades é não ter aulas.

4011

�Por outro lado, com a mesma representatividade da dificuldade para se adaptar a
modalidade a distância, os alunos apontam que a maior dificuldade é conciliar estudo e vida
pessoal. Ou seja, eles acham que suas maiores dificuldades estão sendo conciliar, casa,
família, meus filhos, com a escola.
A falta de recursos financeiros também foi apontada como uma dificuldade para
a realização do curso, pois alegam que não encontram um emprego satisfatório na área e o
que ganham não dá para pagar a internet, por exemplo.
Os motivos específicos apontadas apenas por uma resposta são: relacionamento
com os colegas e com os tutores presenciais; limitação no uso dos recursos tecnológicos e
acesso precário a recurso de computador e internet.
A maioria das dificuldades dos alunos estão inter-relacionadas e dependem de
situações e/ou fatores externos: o curso, a distância do polo, a família, o trabalho, as
condições financeiras, os tutores e os colegas e os recursos tecnológicos. Apenas a dificuldade
de lidar com a modalidade educação a distância e a limitação no uso dos recursos
tecnológicos podem ser consideradas dificuldades pessoais, ou seja, que dependem da
superação do próprio aluno e, teoricamente, da falta de letramento informacional acadêmico.

4.3 Rotinas de estudo dos alunos
Na questão sobre as rotinas de estudo optou-se por não construir um DSC, pois
apesar dos depoimentos serem semelhantes, cada discurso carrega as características
específicas da realidade de cada sujeito. Assim o Quadro 3 apresenta as rotinas de estudo de
cada aluno entrevistado.
Cada rotina de estudo está relacionada com a vida pessoal do sujeito. Cada aluno
procura se adaptar a sua realidade. Estudam depois do trabalho e/ou depois que o filho dorme.
Estudam no horário do almoço, domingos e feriados e/ou quando tem um tempo livre.
Estudam pela manhã e/ou a tarde. Procuram o local e o horário que lhes permitem concentrar
melhor, mesmo que seja o “porão” das suas casas. Alguns não são muito metódicos,
acompanham as disciplinas como podem, mas todos esperam conseguir terminar o curso.
Aqui chamamos novamente atenção para o modelo de biblioteca implantado nos
polos. As rotinas de estudo mostram que os alunos estudam em muitos espaços e lugares
diferentes. Entretanto, a biblioteca do polo não foi citada por nenhum aluno. Considerando
que esses alunos precisam de fontes de informação (obras de referências, por exemplo) no
momento em que estão estudando, então, supõe-se que os serviços de informação para esses
alunos devem levar em consideração a dificuldade que o aluno tem de acessar a biblioteca do

4012

�polo. Outras formas de acesso a esse tipo de informação precisam ser pensadas, visando
atender as necessidades informacionais específicas desses alunos.
Quadro 3 ■- Rotinas de estudo dos alunos
Alunos
Rotina de estudo

A1

Olha, geralmente estudo das 5:00 da manhã até as 9:00 e também, quando tem muito
trabalho ou prova costumo estudar das 20:00 as 22:30. Não consigo estudar com barulho e
aqui em casa é muito complicado, mas pego meus materiais e vou estudar no "porão" da
minha casa, apesar que lá embaixo não é um lugar apropriado para estudar, consigo
captar muito mais informações, quando estou sozinha acompanhada apenas dos meus
livros.

A2

Quase todo o tempo livre estou lendo, assistindo algo a respeito que estudo. Estudo no
intervalo de almoço, a noite (já estudei até 2hs da manhã), domingos feriados, todos os
dias estudo um pouco.

A3

Estudo de 13:00 às 17:00 em casa (2afeira à 6feira), 19:00 às 21:00 no polo (3afeira à
6feira), sábado 8:00 às 17:00 (polo), domingo descanso.

A4
A5
A6

A7
A8
A9
A10
A11
A12

Estudo sempre que posso, no polo ou em casa, sempre que tenho um tempo, além daquele
que estipulei para estudar, eu estudo.
Em uma mesa com cadeira após o trabalho. 2 horas de estudo diário. Estudo na maior
parte a disciplina que pra mim é mais difícil.
Estudo bastante, estou sempre acompanhando, mas preciso também organizar outras
coisas, mas passo horas no computador fazendo pesquisas, respondendo fóruns, fazendo
enquetes entre colegas.
Antes de ir para trabalho, só faço alguma atividade se fo r urgente. Geralmente estudo
todos os dias á noite entre ás 19:00 h e as 02:00 h. Estudo pelo menos 5 horas todos os
dias, este é o meu mínimo.
Estudo a noite, depois que chego do trabalho e meu filho dorme.
No primeiro semestre tinha uma rotina de estudo de 12 horas por dia, no segundo semestre
passei a estudar 8 horas por dia, hoje tento manter uma rotina de 5 a 6 horas diárias.
Em casa, arrumo casa, estudo, olho a internet na minha sala, faço almoço e vou estudando.
Tudo isso entre as 09 e 11:30 da manhã.
Sempre estudo na parte da tarde, pois é o horário que estou mais sozinha e posso me
concentrar melhor.
Nossa, sobre isso ai é difícil falar porque eu sempre estudo nas horas vagas, porque eu
trabalho de manhã, tarde e até umas 8 e meia da noite. Então geralmente, chego, descanso
um pouco e estudo mais a noite porque é o horário que tenho mais tempo.

A13

Estudo em casa; às vezes em grupo, mas a grande parte do tempo sozinha. Costumo
estudar mais a noite pois trabalho de dia.

A14

Não é muito metódica, depende da internet, da minha amiga que me deixa usar o
computador dela. É difícil, mas espero prosseguir. Não desistir porque cheguei até aqui,
até onde não achava que conseguiria. Quando não trabalho á noite dedico umas 3h por
semana ou até mais se eu pudesse. Acompanho as disciplinas como posso. As vezes estresso
com tanta coisa.

A15

Eu tenho 2 horas de almoço que normalmente os utilizo para pesquisar tudo que aborda o
assunto que estiver estudando. Vou salvando e adicionando aos favoritos. Quando dá
tempo vou lendo também para selecionar os melhores textos. Reinicio normalmente às
18:00, quando vou lendo e anotando as dúvidas sobre os assuntos importantes. Ainda não
consigo adaptar bem o meu horário as disciplinas do curso. As vezes dou prioridade a uma
e acabo esquecendo outra.
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.163-164)

4013

�4.4 Fontes de informação para estudo e pesquisa
As principais fontes de informação usadas pelos alunos para pesquisar e tirar
dúvidas estão expostas no Quadro 4. Nessa questão optou-se por mostrar todas as respostas
apresentadas pelos alunos. Pois, as fontes usadas, apesar de semelhantes, têm suas
especificidades.
Quadro 4 - Fontes de informação usadas pelos alunos para estudo e pesquisa
Alunos F ontes
A1
Livros que tenho em casa e internet
A2

Internet (principalmente), livros e revistas

A3

Moodle, internet, livros, tutoria presencial

A4

A internet, os livros do polo e da biblioteca particular ou pública, professores. Sempre que
vejo um professor, quero alguma informação com ele.

A5

Internet somente no polo e livros da biblioteca do polo

A6
A7

A8

A9
A10
A11

Utilizo sites da USP, Portal São Francisco, ICB UFMG, livros da biblioteca que são
oferecidos para os alunos mesmo com tantas burocracias e etc...
Infelizmente não tenho uma biblioteca a disposição, pois eu moro a 70 km do polo, me
restando a internet, grupos de estudos on-line, que faço com alguns colegas, e meus tutores
presenciais, também on-line, que estão sempre dispostos a ajudar.
Internet e livros da biblioteca da faculdade
Livros, livros, livros... Busco livros na biblioteca e principalmente com amigos que me
emprestaram muitos livros. Às vezes, busco informações na internet e alguns amigos me
mandam livros pela internet também, mas tenho certa dificuldade em entender as coisas
que leio no computador, prefiro os livros no papel.
Livros na biblioteca onde trabalho, internet, revista e troca de informações com colegas.
Livros e internet, pois o moodle dificulta mais. Acho que fa zer perguntas pessoalmente é
bem melhor que por computador, você se expressa muito melhor pessoalmente.

A12

Procuro profissionais da minha cidade, como professores que estudei o ensino médio.

A13

Livros, revistas, jornais, internet, documentários

A14

Ainda gosto muito dos livros, se pudesse compraria livros científicos. Assino Revista
M undo Jovem, Nova Escola, Super interessante, porque ajudam a dar uma visão diferente.
Pesquiso no Google, mas gostaria de ter acesso à biblioteca da UFMG

A15

Uso os sites da internet principalmente, livros didáticos, os fascículos quando disponíveis
para nós impresso ou na plataforma, nos livros da biblioteca, revistas e jornais on-line.
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.166)

As principais fontes de informação usadas pelos alunos são: a internet (13
citações) e os livros (12 citações) conforme mostra o Gráfico 1. Os periódicos foram citados
cinco vezes e os professores da região duas vezes. Outros recursos como colegas,

4014

�documentários, grupo de estudo on-line, a tutoria presencial e o moodle apareceram apenas
uma vez.
Gráfico 1: Fontes de informação usadas pelos alunos
Fontes de informação usadas pelos alunos para
pesquisar e tirar dúvidas

Colegas

□ Documentários

□ Grupo de estudo online

Internet

□ Livros

□ Moodle

Periódicos

□ Professor da região

□ Tutoria

Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.167)

Pelos depoimentos, paece que apenas cinco alunos (A4, A5, A6, A9, A14) citaram
os livros da biblioteca do polo, como fontes de informação que eles usam para tirar dúvidas e
pesquisar. Nesse sentido, vale ressaltar o que diz o A5 “livros da biblioteca que são
oferecidos para os alunos mesmo com tantas burocracias”. Ou seja, parece que existem
dificuldades para os alunos acessarem os livros da biblioteca do polo.
O participante A14 diz o seguinte: “Ainda gosto muito dos livros, se pudesse
compraria livros científicos. [...]. Pesquiso no Google, mas gostaria de ter acesso à
biblioteca da UFMG”. Relembrando a recomendação do Referencial de qualidade para
educação superior a distância (BRASIL, 2007, p. 19) sobre “sistema de empréstimo de livros
e periódicos ligado à sede da IES” pode-se inferir que essa recomendação tem fundamento,
pois esse também é o desejo de alguns alunos. Em 2010, esse esse serviço ainda não era
oferecido pelo Sistema de Bibliotecas da UFMG para os alunos da EaD.

5 Considerações finais
Nos DSCs referente as fontes de informação, os alunos queixam-se da falta de
fontes para consulta e estudo em casa, uma vez que a maioria não tem condições de frequentar
a biblioteca do polo para consultar as obras de referência. Com relação as necessidades
informacionais, os alunos desejam que os cursos ofereçam mais recursos audiovisuais para
auxiliar o processo de aprendizagem.

4015

�Nesse sentido, fica evidente que apenas a biblioteca física instalada no polo de
apoio presencial, conforme recomendação dos Referenciais de qualidade para educação
superior a distância (BRASIL, 2007) não atende satisfatoriamente as necessidades
informacionais dos alunos. A utilização de recursos digitais de informação, como os portais
de periódicos, as bibliotecas digitais, enciclopédias e dicionários eletrônicos poderia ser uma
saída para amenizar os problemas de acesso à informação dos alunos.
Mas, não basta criar sistemas digitais de informação, uma vez que os alunos têm
dificuldades de lidar com as tecnologias de informação. Nesse caso, um programa de
letramento informacional para orientar o uso eficiente e eficaz da informação digital seria
necessário, pois pelos DSCs percebeu-se que os estudantes tentam buscar informação na
internet, principalmente no Google, mas não sabem explorar recursos como portais de
periódicos e as bibliotecas digitais.

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4018

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                <text>Este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a distância (EaD) e apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a opinião dos alunos sobre o acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas bibliotecas. Apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas rotinas de estudo e as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram sistematizados no estudo que investigou a formação da cultura informacional na modalidade de educação a distância. Foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações Sociais e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo), desenvolvida por Lefevre e Lefevre. As necessidades informacionais dos alunos da EaD estão relacionadas com vários fatores e apenas a biblioteca física instalada no polo de apoio presencial, não atende satisfatoriamente essas necessidades. Outras formas de acesso a informação precisam ser pensadas, visando atender as demandas informacionais específicas desses alunos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

VOCABULÁRIOS CONTROLADOS ESPECIALIZADOS: uma proposta para a sua
construção
Vera Maria Araujo Pigozzi de Araujo
Maria Hedy Lubisco Pandolfi
Michel Maya Aranalde
Ana Lúcia Pinto
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo oferecer uma proposta para a construção de vocabulários
controlados especializados, com fundamentação teórica nas Linguagens Documentárias e
Estudos da Linguagem, mais especificamente, em Estudos de Terminologia e Teoria da
Enunciação. Os principais teóricos que sustentaram esta proposta, fruto de pesquisa
desenvolvida no doutorado com esse propósito, foram Araujo (1995), Benveniste, Bevilacqua,
Brãscher, Cabré, Ciapuscio, Finatto, Flores e Tagnin. Foi sob este referencial que uma equipe
formada predominantemente por bibliotecários do Núcleo de Pesquisa e Documentação em
Filosofia Balthazar Barbosa Filho e da Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e
Humanidades, órgãos vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu
vocabulários controlados especializados visando ao processamento técnico de suas obras, em
diferentes subáreas da Filosofia, como: filosofia platônica, aristotélica, tomista, kantiana,
cartesiana, leibniziana, filosofia antiga, medieval, moderna e filosofia da ciência. A
experiência desenvolvida levou a concluir-se que: 1) os vocabulários controlados
especializados de subáreas de conhecimento mais gerais, como filosofia antiga, medieval e a
moderna, devem ter unidades de representação do conhecimento de maior abrangência
conceitual; 2) os vocabulários controlados especializados de subáreas de conhecimento mais
específicas, como filosofia platônica, aristotélica, tomista e demais citadas, favorecem o uso
de linguagens de maior precisão e especificidade.
Palavras-Chave: Linguagens documentárias. Vocabulários controlados especializados.
Estudos da Linguagem. Estudos de Terminologia. Teoria da Enunciação. Filosofia.
ABSTRACT
The main objective of this paper is to propose a methodology for the construction of
specialized controlled vocabularies, with theoretical grounding in Documentary Language and
Language Studies, more specifically, in Terminology Studies and Theory of Enunciation. The
main theorists who supported this proposal, that is the result of a research developed in
doctors degree, were Araujo (1995), Benveniste, Bevilacqua, Brãscher, Cabré, Ciapuscio,
Finatto, Flores and Tagnin. It was under this referential that a team, predominantly formed by
librarians, of Núcleo de Pesquisa e Documentação em Filosofia Balthazar Barbosa Filho
(NPDFIL) and Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades (BSCSH), organs of
the Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), it developed specialized controlled
vocabularies, aiming at the technical processing of its works, in different sub-areas of

3918

�Philosophy, as platonic Philosophy, aristotelian Philosophy, Thomistic philosophy, Kantian
philosophy, Cartesian philosophy, Leibniz's philosophy, Ancient philosophy, Medieval
philosophy, Modern philosophy and Philosophy of science. The experience developed in the
NPDFIL and in the BSCSH let us to conclude that: 1) the specialized controlled vocabularies
of sub-areas of knowledge more general, such as Ancient philosophy, Medieval philosophy
and Modern philosophy, for example, must have units of representation of the knowledge
with wider coverage conceptual; 2) the specialized controlled vocabularies of sub-areas of
knowledge more specific, such as Platonic philosophy, Aristotelian philosophy, Thomistic
philosophy, Kantian philosophy, Cartesian philosophy and Leibniz’s philosophy promote the
use of languages of great precision and specificity.
Keywords: Documentary language ; Specialized controlled vocabularies ; Language Studies ;
Terminology Studies ; Theory of Enunciation ; Philosophy.
1 Introdução
Este trabalho tem como propósito apresentar a experiência de um grupo formado por
bibliotecários441 que exercem atividades no Núcleo de Pesquisa Balthazar Barbosa Filho
(NPDFIL) e na Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades (BSCSH), ambos
vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A esta equipe acrescentase a participação efetiva de um Assistente em Administração442, com conhecimento no campo
da Biblioteconomia e na área da Filosofia, no que diz respeito à construção de ferramentas nas
áreas e subáreas temáticas que se propõem a oferecer pontos de acesso para o processamento
técnico do acervo documental do Núcleo e da Biblioteca.
Do ponto de vista teórico, esta proposta é o resultado de pesquisa desenvolvida no
doutorado (ARAUJO, 2006) por uma das autoras deste trabalho e, do ponto de vista prático,
decorre das atividades desenvolvidas pela equipe citada. A fundamentação teórica se respalda
em Linguagens Documentárias e Estudos da Linguagem, mais especificamente nos Estudos
de Terminologia e Teoria da Enunciação. As principais contribuições para o desenvolvimento
da proposta desenvolvida no doutorado têm origem nas ideias dos seguintes pesquisadores:
Cleci Regina Bevilacqua, Guiomar Elena Ciapuscio, Émile Benveniste, Maria José Bocorny
Finatto, Maria Teresa Cabré, Marisa Brascher, Stella Ester Ortweiler Tagnin, Valdir do
Nascimento Flores e Vania Maria Rodrigues Hermes de Araujo.
Esta proposta reflete a experiência da construção de vocabulários controlados
especializados nas subáreas da Filosofia. Acredita-se que ela possa ser estendida para as

441 Dentre os bibliotecários que fazem parte da equipe, um tem graduação em Filosofia.
442 O Assistente em Administração é graduando do Curso de Biblioteconomia e foi graduando do Curso de
Filosofia.

3919

�diferentes áreas das Ciências Sociais e Humanidades e para as Ciências Médicas e Exatas,
embora sujeita à testagem.
Tendo estabelecido os Estudos da Linguagem como o referencial que sustentou a
investigação em Ciência da Informação, a referida proposta formula as seguintes questões de
pesquisa:
1) de que modo os Estudos de Terminologia e a Teoria da Enunciação podem
contribuir para a construção de vocabulários controlados especializados?
2) até que ponto uma Unidade Lexical de Representação da Informação Especializada
(ULRIE) é mais adequada que um Descritor para representar a informação indexada e
assegurar a preservação da referência desta unidade de informação na passagem do processo
de indexação para o processo de busca da informação e recuperação de documentos?
Para a construção dos vocabulários controlados especializados partiu-se do
entendimento que:
1) a relação que se estabelece entre os interlocutores de um Sistema de Recuperação
da Informação (SRI) é de intersubjetividade;
2) bibliotecários, usuários e SRI são interlocutores dos processos de indexação, assim
como dos processos de busca da informação e recuperação de documentos;
3) as unidades terminológicas, as unidades fraseológicas especializadas, os binômios e
as paráfrases expressam o conhecimento especializado;
4) os vocabulários controlados especializados devem ser representativos das
linguagens dos especialistas e revistos e atualizados sempre que necessário;
5) uma ULRIE precisa retratar conceitos e noções de um domínio;
6) a língua necessita ser entendida em seu contexto de uso.
O problema que se apresenta aos bibliotecários das áreas da Filosofia e das Ciências
Sociais e Humanidades nas atividades de processamento temático dos documentos é a falta
dessas ferramentas, o que justifica a construção de vocabulários controlados especializados
nas subáreas da Filosofia.

1.1 Justificativa
Ante o problema exposto e, assim, na perspectiva de construir tais ferramentas, na
pesquisa de doutorado se propôs uma ampla discussão no domínio da Ciência da Informação,
no âmbito das Linguagens Documentárias e dos SRI, a partir dos Estudos da Linguagem. Ela
evoluiu a partir da articulação do conhecimento produzido nessas áreas. Ainda com a
finalidade de construir vocabulários controlados especializados, desenvolveu-se uma reflexão

3920

�sobre a eficácia dos SRI em sua relação com os usuários, assim como sobre as Linguagens
Documentárias quanto à representação da informação indexada e armazenada nesses
Sistemas.
Neste trabalho, a discussão está centrada na experiência de construção de vocabulários
controlados especializados para o exercício das atividades de indexação no NPDFIL e na
BSCSH. Por não se tratar do foco de interesse deste estudo, não se aprofundará a discussão
sobre os SRI e nem a construção de um corpus para a geração de vocabulários controlados
especializados.
O NPDFIL443, desde sua criação, teve como propósito tornar-se referência no Brasil
para a área de Filosofia, não apenas pela excelência de seu acervo, mas também pelo
processamento

técnico

criterioso

ali

desenvolvido.

O

acervo

é

constituído

de

aproximadamente 8.000 (oito mil) documentos de especial qualidade sobre Filosofia. A esta
coleção foram incorporadas obras oriundas de projetos desenvolvidos por professores de
programas de pós-graduação em Filosofia da Universidade. Deste modo, o acervo do Núcleo
se diferencia do acervo de bibliotecas universitárias, por armazenar uma temática bem
específica e privilegiar a aquisição de obras na língua original. A grande maioria dessas obras
foi adquirida pelo professor Balthazar Barbosa Filho e são de autoria de filósofos clássicos e
de seus principais comentadores, no idioma original, em diferentes períodos filosóficos.
Comentadores, no âmbito da Filosofia, são os teóricos/filósofos que dedicam boa parte da
vida a analisar e interpretar as obras de outros filósofos. A leitura de textos produzidos pelos
comentadores é importante para o aprofundamento das ideias sobre os filósofos analisados;
daí sua relevância para a composição de um acervo na área da Filosofia.
Com a criação de vocabulários controlados especializados nos diferentes domínios da
coleção do NPDFIL, tinha-se como propósito oferecer aos usuários dos sistemas
automatizados de bibliotecas um tratamento documental diferenciado daqueles adotados pela
maioria das bibliotecas universitárias. A representação temática da coleção documental do
NPDFIL sustenta-se no seguinte entendimento: precisão conceitual, contextualização da
informação indexada e uso de termos genéricos e específicos. É importante salientar que a
preocupação com o desenvolvimento de um processamento técnico com tais características
não se restringiu à indexação temática, uma vez que se optou por uma catalogação detalhada,
mediante a aplicação do nível 3 do Código de Catalogação Anglo-americano (2004).

443 Para maiores informações, ver o site: &lt;http://www.ufrgs.br/npf/index.php/pagina/sobre/historia/Hist%C3%B3ria&gt;.

3921

�1.2 Objetivos
Os objetivos estabelecidos para o desenvolvimento dos vocabulários controlados
especializados são os seguintes:
1) identificar parâmetros enunciativos e terminológicos para a construção de
vocabulários controlados especializados;
2) oferecer uma nova concepção de descritores, passando a entendê-los como unidades
semânticas e como representantes das unidades terminológicas (UT), das unidades
fraseológicas especializadas (UFE) e dos binômios, um tipo especial de UFE. Tais unidades
passam a ser reconhecidas por ULRIE, ou seja, por Unidades Lexicais de Representação da
Informação Especializada;
3) propor a arquitetura de uma base de dados para o registro da terminologia de uma
área de conhecimento, de modo a viabilizar a construção de vocabulários controlados
especializados.

2 Revisão de Literatura
Os vocabulários controlados especializados, construídos nas diferentes subáreas da
Filosofia, visam a utilizar a terminologia empregada pelos especialistas em seu contexto de
uso, de modo a obter uma comunicação altamente satisfatória entre os Sistemas de
Recuperação da Informação (SRI) e os usuários. Esses vocabulários estabelecem, como sua
unidade de informação, as Unidades Lexicais de Representação da Informação Especializada
(ULRIE). Seu referencial teórico encontra-se fundamentado nos Estudos de Terminologia e
na Teoria da Enunciação.
As ULRIE são representadas, indistintamente, por unidades terminológicas
expressando conceitos, e por unidades fraseológicas especializadas expressando noções
representativas de um domínio, formadas por, pelo menos, um conceito. Serão concebidas,
também, por binômios - noções formadas por dois conceitos -, uma vez que a terminologia
filosófica é marcada pelo uso dessas unidades lexicais. Pelo fato de tais unidades se fazerem
presentes na comunicação especializada entre filósofos, elas têm necessariamente que se
constituir em pontos de acesso para a recuperação das informações contidas nos documentos.
Trazer a comunicação especializada para o contexto da pesquisa foi importante porque
evidenciou um aspecto relevante desse tipo de comunicação, que é o uso de uma terminologia
padronizada. Observando as características que predominam na Comunicação Especializada a objetividade, o uso sistemático de termos técnico-científicos, o esforço por alcançar a
concisão, assim como a precisão e a adequação - percebe-se que a comunicação especializada

3922

�tende a ser mais eficaz. Pela busca da concisão, procura-se diminuir a possibilidade de se
produzir distorções na comunicação; com a precisão é possível satisfazer aos propósitos da
temática técnico-científica e da comunicação entre especialistas; e, segundo as circunstâncias,
com a adequação para a situação comunicativa em que se produz, é viável adaptar-se às
características dos interlocutores e ao respectivo nível de conhecimento sobre o assunto.
Foi com o propósito de tornar mais eficaz a comunicação entre especialistas e,
consequentemente, a comunicação que se estabelece entre SRI e usuários, que se propôs a
construção de vocabulários controlados especializados que façam uso não apenas de
conceitos, mas também de noções representativas de um domínio. Sob esse entendimento,
recomendaram-se o uso de binômios consagrados na área filosófica, o emprego de
qualificadores, modificadores e paráfrases. Explicitando esse entendimento, fazem-se os
esclarecimentos que seguem.
No âmbito da pesquisa desenvolvida no doutorado, a unidade terminológica foi
entendida de modo semelhante às palavras, mas se distingue delas por sua condição de
produção e de recepção, assim como pelo seu modo de significação. É uma unidade
discursiva que procede do léxico e que integra aspectos linguísticos, cognitivos e
comunicativos. Representa um conceito, percebido como unidade especializada de um
domínio.
No conjunto de suas características formais, os termos se apresentam tanto como
unidades simples quanto complexas. O termo simples é constituído por apenas um radical e o
termo complexo por dois ou mais radicais. Filosofia, Ética, Lógica, Dialética, Anamnese,
Aretê, Diairesis e Eudaimonia são entendidos como unidades simples, mas Filosofia antiga,
Filosofia platônica, Filosofia política e Dualismo antropológico, por exemplo, como unidades
complexas. Quanto à sua estrutura morfossintática e léxico-semântica, o termo pode se
apresentar também como termo composto, sendo formado, assim como o termo complexo,
por dois ou mais radicais, mas se diferenciando dessa última estrutura pelo alto grau de
lexicalização e por ser representado graficamente pela utilização do hífen, tal como ocorre
com os termos Filosofia greco-romana, Médio-platonismo, Meta-empírico, Não-ser e Neoaristotelismo.
Ainda sob o ponto de vista da forma, os termos apresentam outras configurações
sígnicas, entendendo-se como signos verbais plenos as siglas, os acrônimos e as abreviaturas
e, como signos não-verbais, as fórmulas. Somam-se a essas configurações as formas
abreviadas representadas no discurso especializado sob a denominação reduzida de um termo
ou de um sintagma terminológico. No âmbito da Filosofia platônica isso ocorre com a

3923

�unidade terminológica Academia para referir-se à Academia platônica. Os termos
reconhecidos como sintagmas terminológicos predominam na comunicação especializada.
Quanto ao grau de lexicalização, enumeram-se os seguintes critérios de avaliação:
imprevisibilidade semântica, maneabilidade, recorrência, co-ocorrência, estabilidade e
memorização. Pelo critério de imprevisibilidade semântica o interpretante conhece o sentido
de cada palavra do sintagma separadamente, mas não obrigatoriamente compreende o sentido
particular do termo sintagmático. Quanto mais imprevisível é o sentido de um sintagma,
maiores são as possibilidades de ele ser lexicalizado.
A sua identificação em um discurso especializado nem sempre é fácil, mas os Estudos
de Terminologia propõem uma série de critérios, que se fundamentam no grau de
lexicalização dos sintagmas e que auxiliam o terminólogo nessa difícil tarefa. Uma das
grandes dificuldades no reconhecimento de um sintagma terminológico é a sua delimitação,
especialmente para quem não é especialista da área; a observação de algumas regularidades
constitutivas auxilia nessa tarefa.
As unidades fraseológicas especializadas, conforme Bevilacqua (2005, p. 244), são
[...] unidades formadas por um núcleo eventivo, considerado como tal por
ser de base verbal ou derivado de verbo (nominalização ou participio), e por
um núcleo terminológico (termo). Entre estes dois núcleos se estabelecem
relações sintáticas, mas principalmente semânticas, determinadas pelas
propriedades do texto em que são utilizadas. Portanto, são unidades que se
conformam no e pelo texto em que são utilizadas. Cumprem, tal como os
termos, a função de representar e transmitir conhecimento especializado.
Para os que consideram a fraseologia sob uma perspectiva terminológica, há o
entendimento de que é necessário estabelecer limites entre os sintagmas, ou unidades
complexas de base nominal que podem se caracterizar como termos, e os sintagmas
considerados fraseológicos. Dentre os argumentos que utilizam para identificar cada uma
dessas unidades - UT e UFE -, citamos dois: do ponto de vista sintático, as UT são
predominantemente de categoria nominal, enquanto que as UFE, de categoria verbal; e do
ponto de vista semântico, as UT são definidas como unidades léxicas de caráter
denominativo, referindo-se a um conceito, enquanto que as UFE são de caráter relacional,
resultantes da combinação de conceitos.
Entendemos por binômios, tal como Tagnin (2005), um tipo especial de colocação que
é formada por duas palavras pertencentes à mesma categoria gramatical. Elas são ligadas por
uma conjunção ou preposição, tal como ‘bem e mal’; às vezes, vêm precedidas de preposição,
a exemplo da expressão, em língua comum, ‘da cabeça aos pés’. Quanto ao aspecto sintático,

3924

�o binômio se caracteriza pela combinação de seus elementos, de forma convencionada. No
nível semântico, os binômios podem se caracterizar por serem idiomáticos ou nãoidiomáticos. No âmbito da Filosofia, há inúmeros binômios que se constituem como ULRIE,
tais como: ‘bem e mal’ (S + Conj. + S)444; ‘ato e potência’ (S + Conj. + S); ‘certeza e dúvida’
(S + Conj. + S); ‘conceito e objeto’ (S + Conj. + S); ‘sentido e referência’ (S + Conj. + S).
Qualificadores, segundo Brãscher e Carlan (2010, p. 168), “[...] são termos agregados
entre parênteses aos descritores para delimitar seu significado e eliminar a homografia. Ex.:
tênis (esporte); tênis (calçado).” Ou ainda: Valor (Filosofia), Valor (Finanças) e Valor
(Economia).
Ainda segundo Brãscher (1999, p. 8), modificadores são “[...] os termos de uso
frequente e de significado geral que, geralmente, expressam ações ou atributos e que são
utilizados de forma combinada com descritores, esclarecendo ou delimitando o significado
dos mesmos.” Exemplificando: Autenticidade (aspectos filosóficos), Meio-ambiente (aspectos
éticos), Filosofia moderna (influência no judaísmo).
Paráfrases, por sua vez, são termos ou expressões usados de forma combinada com
uma ULRIE. Elas contêm a mesma informação das ULRIE, são utilizadas como ponto de
acesso e são usadas entre parênteses. Visam a oferecer ao usuário uma unidade de informação
de maior densidade informativa e apresentam, como vantagem, agilizar a representatividade
de pontos de acesso e reduzir o número de remissivas de um Sistema. Como exemplo, cita-se:
Diotima (sacerdotisa de Mantiqueia).
Em alguns casos, ainda foi recomendado o uso do termo na língua original, conforme
ficou consagrado em um domínio, seguido do termo na forma como é reconhecido na língua
do catalogador. No Vocabulário controlado especializado de ULRIEs em filosofia platônica e
platonismo foram usadas, por exemplo, as seguintes ULRIE: Anamnese (Teoria da
reminiscência), Eudaimonia (Felicidade), Nous (Inteligência), Physis (Natureza).
Com o propósito de contextualizar ou especificar o sentido de uma ULRIE, em alguns
casos sugeriu-se reunir as formas variantes de um mesmo conceito em uma única unidade
lexical, tal como: Alcibiades Menor (Segundo Alcibiades) e Mito da caverna (Alegoria da
caverna)445.
A relevância de se construir vocabulários controlados especializados nas subáreas da
Filosofia revela-se pelas seguintes razões:

444 Significado das abreviaturas utilizadas: S (substantivo) e Conj. (conjunção).
445 O diálogo de Platão intitulado Alcibíades Menor é também conhecido na filosofia platônica como Segundo
Alcibiades e o mito platônico Mito da caverna como Alegoria da caverna.

3925

�1) na revisão de literatura não foram identificados vocabulários controlados
especializados na área da Filosofia, nem em suas subáreas, que satisfizessem às necessidades
de pesquisa dos usuários de sistemas automatizados de bibliotecas universitárias;
2) nos catálogos coletivos consultados, em busca da terminologia empregada para a
representação temática de documentos, não foram identificadas unidades de representação da
informação que representassem satisfatoriamente a temática do documento processado. A
maioria dos descritores utilizados é genérica; raramente são encontradas unidades específicas
de representação da informação;
3) a recuperação de documentos por sua temática é pouco produtiva. Isso ocorre pela
falta de vocabulários controlados especializados que subsidiem a execução das tarefas de
indexação temática;
4) o uso de diferentes verbalizações para representar um mesmo conceito ou noção
representativa de um domínio é usual em catálogos de bibliotecas. Tal fato gera prejuízos na
recuperação de documentos e resulta da falta de ferramentas apropriadas para sua indexação.
Sob o olhar da Teoria da Enunciação de Benveniste, trazemos como contribuição para
as Linguagens Documentárias e para a construção de vocabulários controlados especializados
os seguintes conceitos e noções: enunciação, linguagem (língua em ação), língua, estrutura,
semiótica,

semântica,

significado,

sentido,

subjetividade, intersubjetividade, locutor,

referência, contexto e categorias de pessoa, espaço e tempo. A partir dessas noções, foi
possível refletir sobre o funcionamento da língua. A contribuição que a Teoria da Enunciação
oferece para a construção de vocabulários controlados especializados justifica-se pelas
seguintes razões:
1) por viabilizar um olhar enunciativo no âmbito dos SRI e das linguagens
documentárias, permitindo considerar peculiaridades que são próprias do tipo de relação que
se constitui entre os SRI e os usuários, mas que não são visíveis nos modelos de comunicação
apresentados na literatura documentária;
2) por instaurar um pensamento diferenciado acerca da linguagem na discussão das
questões que envolvem esta pesquisa;
3) por entender que é pela linguagem que o homem se inter-relaciona, recebe e
transmite uma mensagem;
4) por inserir as noções de subjetividade, intersubjetividade e referência no contexto
da comunicação;
5) por ser uma teoria que olha para o estudo da língua do ponto de vista do sentido, e
que permite desenvolver uma reflexão sobre a construção do sentido de um descritor na

3926

�passagem do processo de indexação para o processo de busca da informação e recuperação de
documentos;
6)

por tornar possível inserir o bibliotecário na relação que se estabelece entre SRI e

usuários, tornando o profissional constitutivo dessa relação e situando os dois - bibliotecário e
usuário - como agentes do processo que conduz à produção do conhecimento.

3 Materiais e Métodos
Pela excelência do acervo do Núcleo, considera-se necessário descrever cada
documento de forma exaustiva. Sob o ponto de vista da representação descritiva e visando ao
atendimento de um usuário especializado, o NPDFIL adotou o nível 3 do Código de
Catalogação Anglo-americano, segunda edição (AACR2). Quanto à ferramenta usada visando
à otimização do serviço de catalogação, foi usado o MARC 2 1446, ferramenta adotada pelo
Sistema de Bibliotecas da UFRGS, ao qual o NPDFIL e a BSCSH estão vinculados. O
software utilizado para o registro de dados e adotado pelo mesmo Sistema é o Aleph.
Para a classificação dos documentos foi adotado um sistema especial de classificação.
A coleção do NPDFIL foi classificada segundo critérios estabelecidos pelos professores
coordenadores do Núcleo, com o suporte técnico de bibliotecários; tais critérios visavam
atender às necessidades dos usuários do Núcleo. Desse modo as obras foram agrupadas sob
três critérios principais: coleção de autores clássicos (AC 100), coleção de comentadores (BS
100) e coleção geral. A coleção de comentadores é considerada bibliografia secundária, e o
acervo geral, por sua vez, agrupa a coleção de obras das diferentes áreas da Filosofia que não
se enquadraram nos critérios de coleção de autores clássicos e de coleção de comentadores.
Para o acervo geral foram estabelecidas as seguintes classes: 030 (dicionários e
enciclopédias), 100 (Filosofia), 101 (teoria e metodologia da Filosofia), 103 (dicionários de
Filosofia), 109 (História da Filosofia), 110 (Ontologia e Metafísica), 120 (Teoria do
Conhecimento), 140 (Filosofia da Linguagem), 160 (Lógica), 170 (Ética), 180 (Filosofia
antiga), 189 (Filosofia medieval), 190 FM (Filosofia moderna) e 190 FC (Filosofia
contemporânea). Para assuntos de outras áreas de conhecimento, determinou-se o uso das
classes gerais do Dewey, com especificações para as abordagens filosóficas das diferentes
classes, tais como: Filosofia política (320.01) e Filosofia do direito (340.1). Para a
classificação de autoria, foi adotada a tabela Cutter-Sanborn.

446 Formato MARC - Machine Readable Cataloging / Catalogação Legível por Computador. O MARC 21
permite que o registro seja legível por máquina e viabiliza o intercâmbio de registros.

3927

�Sob os propósitos de representação temática, optou-se pelo equilíbrio entre os níveis
de exaustividade e de especificidade, mas sempre procurando alcançar a precisão conceitual e
a contextualização da informação indexada. Isso significa dizer que os conceitos e noções
representativas de um domínio, presentes no texto a ser indexado, devem fazer uso de
palavras ou expressões que representem, com precisão e especificidade, o que está sendo
indexado. Essa representação deve estar fundamentada nas noções advindas dos Estudos de
Terminologia, tais como unidades terminológicas e unidades fraseológicas especializadas; nas
noções que os Estudos da Linguagem oferecem em seu referencial, tais como binômios e
paráfrases; e nas noções que se inserem no quadro conceitual da Ciência da Informação, como
qualificadores e modificadores.
Para os casos de variação foram utilizadas as paráfrases e as formas variantes de um
mesmo nome em uma única unidade lexical. Em alguns casos, ainda foi usado o termo
original consagrado na área, de forma associada com o termo expresso na língua do
catalogador. Assim, por exemplo, o assunto Ética deve estar representado de forma específica,
conforme é tratado na área de conhecimento da Filosofia. No âmbito da Filosofia, esse tema
admite outras representações, tais como: Ética platônica, Ética aristotélica e Ética kantiana.
Tendo em vista a construção de vocabulários controlados especializados, foram
estabelecidos os seguintes critérios:
1) processar as obras do NPDFIL por grupos temáticos. A área de Filosofia antiga foi
selecionada para dar início às atividades de processamento técnico: primeiramente, a coleção
AC 100, logo a seguir, a coleção BS 100 e, por fim, a coleção geral. Para cada filósofo e tema
processado, construiu-se um vocabulário controlado especializado. Quando do início do
processamento da coleção geral relativa à Filosofia antiga, já se contava com um vocabulário
bastante rico para ser utilizado. Nesse processo, percebeu-se a dificuldade de utilizar uma
terminologia específica em vocabulários controlados especializados de temas mais genéricos,
como Filosofia antiga, por exemplo. Notou-se, também, que a terminologia específica era
mais adequada aos vocabulários controlados especializados mais específicos. Assim, optou-se
por utilizar os termos específicos apenas para os vocabulários específicos. Academia
platônica e Ética aristotélica, por exemplo, constituíam uma terminologia utilizada apenas nos
vocabulários controlados relativos a Platão e a Aristóteles, mas não no vocabulário controlado
de Filosofia antiga. No vocabulário de Filosofia antiga, optou-se por utilizar apenas as ULRIE
Filosofia antiga, Filosofia platônica, Filosofia aristotélica, Ética e a terminologia que
correspondia a um maior número de filósofos;

3928

�2) identificar os assuntos tratados na obra, a partir do exame das diferentes partes do
livro, ou seja, a partir da leitura técnica do documento. Nessa leitura devem ser examinadas,
dentre outras, as seguintes partes da obra: título, resumo, sumário, introdução, parágrafos de
abertura de capítulos e conclusões. Sempre que necessário, a leitura técnica deve ser
complementada com pesquisas em websites, especialmente quando se busca indexações
específicas para representar o documento tematicamente;
3) atestar, dentre as unidades lexicais de discurso selecionadas para representar um
conceito, qual a de maior uso entre os especialistas da área. A pesquisa sobre a frequência dos
termos deve ser feita no Google Acadêmico;
4) construir vocabulários controlados especializados contendo duas listas: uma lista
com as unidades recomendadas para uso, e as unidades aceitas como válidas para a
representação da informação, mas não recomendadas para uso, e uma lista com a relação de
filósofos relacionados à temática. Sob esta orientação, foram construídos vocabulários para
Filosofia antiga, Filosofia platônica, Filosofia aristotélica e Epicurismo entre outros;
5) estabelecer a arquitetura da base de dados para o registro da terminologia de uma área
de conhecimento, a partir da definição do software a ser utilizado e dos campos a serem
criados. Quanto aos softwares, sugeriram-se o Microsoft Word, o Microsoft Excel e/ou
Microsoft Access.

Em relação aos campos, foram estabelecidos os seguintes como

essenciais:
a) ULRIE (Unidade Lexical de Representação da Informação Especializada) representa tanto a unidade terminológica, como a unidade fraseológica
especializada recomendada para uso, por ser a mais representativa de um domínio;
b) ULDE (Unidade Lexical de Discurso Especializado) - representa conceitos e
noções de um domínio e pode vir a ser ULRIE. Ela pode ser composta de uma ou
mais palavras que contém traços semânticos e/ou pragmáticos característicos da
área temática, podendo ser a forma lexical plena ou reduzida, como sigla,
acrônimo, abreviatura e fórmula. Além de configurar-se como possível candidato
ao estatuto de ULRIE, uma ULDE configura-se também como possível remissiva,
ampliando significativamente o total de pontos de acesso de um vocabulário
controlado especializado;
c) USE, USE TAMBÉM (entendidos como campos fixos);
d) RA (Relação Associativa) - é uma ULRIE que mantém qualquer tipo de relação
associativa - hierárquica ou não-hierárquica - com as unidades lexicais registradas
no campo ULRIE;

3929

�e) FR (no caso da Filosofia refere-se aos Filósofos Relacionados ao tema indexado) é uma ULRIE que representa o filósofo relacionado com a unidade lexical
registrada no campo ULRIE;
6)

a estrutura recomendada para os vocabulários controlados especializados447 é a

seguinte:
a) lista das ULRIE e ULDE da área temática;
b) lista dos filósofos relacionados;
c) glossário das ULRIE.

4 Resultados Parciais
Como resultados parciais dos princípios estabelecidos para a construção de
vocabulários controlados especializados estão a construção de vários deles em diferentes
subáreas da Filosofia e, desta forma, o suprimento de uma das falhas que se apresentam ao
bibliotecário que indexa obras das áreas da Filosofia. Graças a esses vocabulários, tem sido
possível representar os documentos processados de modo mais específico e preciso, assim
como fazer uso da terminologia que melhor representa um conceito.

5 Considerações Finais
A investigação feita sobre a natureza e funcionamento das Linguagens Documentárias
no âmbito dos Estudos da Linguagem foi altamente produtiva. A partir do referencial
utilizado para a construção dos vocabulários controlados especializados - Estudos de
Terminologia e Teoria da Enunciação - foi possível evidenciar e fundamentar como
extremamente subjetivo o processo de indexação. Esta característica se constata pela
diversidade de descritores utilizados para a representação temática de um documento.
Sob este referencial, foi possível atribuir aos descritores de uma base de dados uma
nova concepção. Com base nesta pesquisa os descritores passam a ser entendidos como
ULRIE e representados por unidades terminológicas, unidades fraseológicas especializadas,
binômios e paráfrases, além de fazerem uso de qualificadores e de modificadores. O uso do
termo na língua original foi considerado válido, uma vez que ele é um importante ponto de
acesso por representar a linguagem utilizada pelo especialista.

447 Para visualizar uma amostra dos vocabulários controlados especializados referentes à Filosofia antiga e
Filosofia platônica e Platonismo consultar os Apêndices I e J, respectivamente, da tese de doutorado de Araujo
(2013). Para visualizar a lista dos filósofos relacionados, consultar o Apêndice K da referida tese.

3930

�A falta de consistência dos catálogos, um dos problemas enfrentados pelo bibliotecário
que indexa e pelo usuário que consulta as bases de dados bibliográficas, tem origem, dentre
outras razões, no fato de que os conceitos de uma área temática estão sujeitos à variação
conceitual. Para minimizar os problemas decorrentes da variação conceitual, foi utilizado o
recurso da paráfrase.
O modelo de vocabulário controlado especializado, sugerido na pesquisa efetuada no
doutorado de Araújo (2006) e aplicado no NPDFIL e BSCSH, teve como propósito oferecer
subsídios para a criação de uma ferramenta de fácil construção. Do ponto de vista prático,
recomenda-se sejam construídos vocabulários controlados especializados por áreas e subáreas
do conhecimento, na medida em que os documentos de uma coleção documental forem sendo
processados. Recomenda-se ainda o uso de uma especificidade maior em vocabulários
controlados especializados.
Em uma perspectiva mais audaciosa, acredita-se que seria de interesse para as
universidades brasileiras a formação de grupos de pesquisa temáticos para a criação de
vocabulários controlados especializados em diferentes áreas e subáreas de conhecimento. Por
oportuno, registra-se, ainda, que embora o bibliotecário tenha condições de desenvolver tais
vocabulários, é necessária a consulta aos pesquisadores em alguns casos.

REFERÊNCIAS
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teórico- conceitual. Ciência da Informação, Brasília, v. 24, n. 1, p. 54-76, jan./abr. 1995.
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interface produtiva. 2006. 163 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Instituto
de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.
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linguagens documentárias: contribuições dos Estudos da Linguagem. 2013. 2 v. Tese
(Doutorado em Estudos da Linguagem) - Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio
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3933

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>Araujo, Vera Maria A. Pigozzi, Pandolfi, Maria Hedy Lubisco, Aranalde, Michel Maya, Pinto, Ana Lúcia</text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo oferecer uma proposta para a construção de vocabulários controlados especializados, com fundamentação teórica nas Linguagens Documentárias e Estudos da Linguagem, mais especificamente, em Estudos de Terminologia e Teoria da Enunciação. Os principais teóricos que sustentaram esta proposta, fruto de pesquisa desenvolvida no doutorado com esse propósito, foram Araujo (1995), Benveniste, Bevilacqua, Bräscher, Cabré, Ciapuscio, Finatto, Flores e Tagnin. Foi sob este referencial que uma equipe formada predominantemente por bibliotecários do Núcleo de Pesquisa e Documentação em Filosofia Balthazar Barbosa Filho e da Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades, órgãos vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu vocabulários controlados especializados visando ao processamento técnico de suas obras, em diferentes subáreas da Filosofia, como: filosofia platônica, aristotélica, tomista, kantiana, cartesiana, leibniziana, filosofia antiga, medieval, moderna e filosofia da ciência. A experiência desenvolvida levou a concluir-se que: 1) os vocabulários controlados especializados de subáreas de conhecimento mais gerais, como filosofia antiga, medieval e a moderna, devem ter unidades de representação do conhecimento de maior abrangência conceitual, 2) os vocabulários controlados especializados de subáreas de conhecimento mais específicas, como filosofia platônica, aristotélica, tomista e demais citadas, favorecem o uso de linguagens de maior precisão e especificidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O
USO DAS REDES SOCIAIS COMO FERRAMENTA PARA O MARKETING
DIGITAL EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: o caso do SISTEMOTECA da UFCG
Walqueline Silva Araújo
Márcio Bezerra Silva

RESUMO
Pesquisa em andamento que discorre acerca da utilização das redes sociais pelos
bibliotecários gestores (BG) do Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da Universidade
Federal de Campina Grande (UFCG) como meio para a promoção do marketing digital em
bibliotecas. Apresenta o marketing digital (webmarketing) enquanto contribuidor no
gerenciamento de bibliotecas a partir de recursos oriundos da World Wide Web (WWW),
especialmente as redes sociais. Objetiva analisar o (possível) uso das redes sociais pelas
unidades que compõe o SISTEMOTECA da UFCG enquanto ferramentas tecnológicas para o
marketing de produtos e serviços. Apresenta, a partir das técnicas de pesquisa bibliográfica e
exploratória, além de um questionário semiestruturado como instrumento para obtenção dos
dados, que metade dos BG possui Mestrado, a maioria adota o marketing como filosofia de
gestão, elencam diversos motivos como barreiras para a adoção do marketing digital, bem
como reconhecem a importância e os benefícios da adoção do marketing digital em
bibliotecas. Conclui-se, até aqui, que a partir do crescente impacto que as ferramentas de
tecnologia da informação e comunicação (TIC) têm oferecido a sociedade moderna, o
SISTEMOTECA não deve ficar alheio aos recentes avanços da tecnologia, ou seja, fazer uso
dessas ferramentas para o enriquecimento das relações com seus usuários, que por sua vez
estão cada vez mais conectados via Internet.
Palavras-Chave: Marketing em Bibliotecas; Marketing Digital; Webmarketing; Redes
Sociais.
ABSTRACT
Investigation in course that talks about the use of social networks by managers librarians
(ML) of the Federal University of Campina Grande (FUCG) Library System
(SISTEMOTECA) as a means for the promotion of digital marketing in libraries. Presents the
digital marketing (webmarketing) while contributing in library management from resources
from the World Wide Web (WWW), especially social networks. Want analyze the (possible)
use of social networks by the units that compose the SISTEMOTECA FUCG while
technological tools for marketing products and services. Presents, from the techniques of
literature and exploratory research, plus a semi-structured questionnaire as an instrument for
data collection, half of ML have academic master, the majority adopts the marketing as
management philosophy, they list several reasons as barriers to adoption digital marketing,
well as they recognize the importance and benefits of the adoption of digital marketing in
libraries. We conclude thus far that from the growing impact that the tools of information
technology and communication (ICT) have offered modern society, the SISTEMOTECA

3366

�should not remain indifferent to recent advances in technology, i.e. make use of these tools for
enriching relationships with their users, which in turn are increasingly connected via the
Internet.
Keywords: Marketing in Librarie; Digital Marketing; Webmarketing; Social Networks.

1 INTRODUÇÃO
A Internet dos tempos atuais usa a World Wide Web (WWW) como plataforma, não
exigindo a obrigatoriedade da instalação de recursos de software nos computadores locais.
Como exemplos, mais especificamente canais de comunicação, enquanto enfoque do trabalho,
podemos citar os blogs, redes de relacionamento, álbum de imagens, editores colaborativos de
documentos entre outros. Esses recursos, denominados no linguajar da Web de aplicações
(app), teoricamente fornecem o suporte necessário às bibliotecas, já que permitem a
divulgação de produtos e serviços disponibilizados de forma interativa e objetiva.

Nesse

sentido destacam-se as redes de relacionamento, sendo canais que apresentam potencialidades
nas novas formas de comunicação entre as pessoas, onde as bibliotecas podem promover o
que denominamos de webmarketing ou marketing digital, definido por Reedy, Schullo e
Zimmerman (2001, p. 26) como “todas atividades online ou eletrônicas que facilitam a
produção e a comercialização de produtos ou serviços para satisfazer os desejos e as
necessidades do consumidor”. O marketing digital, realizado em redes sociais como o
Facebook

, proporciona um maior alcance, rapidez, dinamicidade e menor custo em relação

às formas tradicionais de marketing. Sendo assim, no presente artigo o contexto supracitado
cria uma linha tênue com a realidade do Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), onde iniciaram-se discussões sobre o uso
das redes sociais digitais no sistema. Neste sentido, os problemas de pesquisa são: As
unidades que compõe a SISTEMOTECA da UFCG fazem uso das redes sociais digitais?
Quais os benefícios do uso das redes sociais digitais em um plano de marketing digital?
Pretende-se, de forma ampla, analisar o (possível) uso das redes sociais pelas unidades que
compõe a SISTEMOTECA da UFCG enquanto ferramentas tecnológicas para o marketing de
produtos e serviços, e de maneira específica discutir a aplicação do marketing digital em
unidades de informação e estudar os benefícios da adoção das redes sociais pelas bibliotecas
que compõe o SISTEMOTECA da UFCG.

383

Link: https://www.facebook.com/

3367

�2 REDES SOCIAIS E MARKETING EM BIBLIOTECAS (DO TRADICIONAL AO
DIGITAL)
Vivemos atualmente em um cenário social que apresenta diversas formas de
comunicação, ou seja, uma sociedade organizada em rede. A forte influência tecnológica vem
exercendo um papel primordial nesse cenário, causando mudanças significativas e
irreversíveis no modo como as pessoas se comunicam e interagem em rede. Nesse sentido,
uma rede social, especificamente na Internet, se constitui por meio das pessoas em interação,
socializando informações e se comunicando em ambientes virtuais, propiciando assim a
construção dessas redes, como nos definem Rodrigues e Tomaél (2008, p. 17) quando
defendem que “[...] o conhecimento dos canais de comunicação e do posicionamento de um
ator [...] pode contribuir para um melhor aproveitamento dos fluxos de informação [...], visto
serem as redes sociais caracterizadas por um conjunto de interações entre indivíduos [...]”.
Mattelart e Mattelart (2006, p. 160) complementam a discussão afirmando que “a rede
compõe-se de indivíduos conectados entre si por fluxos estruturados de comunicação”.
Direcionando a discussão às bibliotecas, estas precisar estar atentas à influência
tecnológica e aos recursos das redes sociais, fazendo uso de canais para a promoção do
marketing de seus produtos e serviços de informação, dentre os quais destacamos o Facebook,
o Twitter e diversos app com interface para tablet e smartphone.
Inevitavelmente, encarar tais ferramentas é associá-las às práticas diárias das
bibliotecas no processo de disseminação da informação. Nesta relação entre as redes sociais e
a prática do marketing bibliotecário cria-se uma interseção denominada Marketing Digital
(webmarketing) em Bibliotecas, atitude que vem se apresentando a fim de atender a uma nova
demanda e novo perfil de usuário, que tem mudado constantemente e a cada dia mais
exigente. Significa o conjunto de ações de marketing intermediadas por canais eletrônicos
como a Internet. O marketing digital vem se apresentando a fim de atender a novas demandas
e ao novo perfil do usuário, que tem mudado constantemente e que está a cada dia mais
exigente. Melgarejo (2007, p.1) afirma que a “utilização das tecnologias da informação e
comunicação impõe novas estratégias, dentre elas a do marketing digital, para que a biblioteca
possa expandir seu campo de atuação, ampliando a sua função de catalisadora e
disseminadora de produtos e serviços de informação”.
A implantação da filosofia de gestão voltada para o marketing digital tende a
contribuir enormemente no gerenciamento de bibliotecas, mostrando um novo segmento de
atividades utilizando o auxílio da Internet. Conhecer a Internet, seus recursos digitais e canais
de relacionamento constituem-se em uma forma eficaz de dinamizar as atividades da

3368

�biblioteca, atraindo e fidelizando os usuários que consideram essencial essa nova forma de se
comunicar.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A primeira etapa da pesquisa constituiu-se de um levantamento bibliográfico que
abrangeu a leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, textos entre outros, sobre
marketing digital, bibliotecas e redes sociais. Na segunda etapa usamos a técnica de pesquisa
exploratória para compreender a opiniões dos sujeitos pesquisados em paralelo a literatura
levantada. Quanto à delimitação do campo de pesquisa, este foi representado pelo
SISTEMOTECA da UFCG. Os pesquisados foram os bibliotecários gestores (BG) que atuam
no próprio sistema, totalizando seis (6) sujeitos. Por fim, o instrumento de coleta de dados
adotado, a partir de uma abordagem quali-quantitativa, foi o questionário, sendo classificado
como semiestruturado, já que era formado de perguntas abertas e fechadas (de múltipla
escolha).

4 RESULTADOS PARCIAIS
A pesquisa buscou responder os problemas apresentados a partir do perfil dos BG, o
que pensam sobre o marketing digital e implementação em suas bibliotecas.

Tabela 1: Nível de formação acadêmica do BG
Nível5S¥
Mestrado
Especialização
Graduação
Total

Valor Absoluto
03

Valor Percentual (%)
50,0%

02
35,0%
01
15,0%
06
100,0%
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Tabela 2: Cursou alguma disciplina sobre marketing durante seu percurso acadêmico
Cursou Disciplina Valor Absoluto
SIM
04
NÃO
Total

384

Valor Percentual (%)
70,0%

02
30,0%
06
100,0%
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Os níveis Doutorado e Pós Doutorado obtiveram 00,0%.

3369

�Tabela 3: Adota do marketing como filosofia de gestão em sua Biblioteca
Adota o Marketing
SIM

Valor Absoluto
04

Valor Percentual (%)
70,0%

NÃO

02

30,0%

Total

06
100,0%
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Houve unanimidade quanto à importância que a adoção do marketing pode
proporcionar se utilizado como filosofia de gestão, entre os seis (100%) pesquisados.
Questionados sobre os elementos considerados como barreiras para a adoção do
marketing na biblioteca, obtivemos dos BG1 que “as pessoas que não querem, em muitos
casos, ter o contato permanente com o usuário. Além de para isso, o trabalho que demanda é
enorme”. Para o BG2 seria “falta de conhecimento técnico, demandas sem foco em qualidade
na produtividade, adoção de medidas de gestão que não levam em conta o usuário da
biblioteca”. Já o BG3 citou “a falta de tempo e de ferramentas. Acho muito disperso fazer
parte de um sistema de bibliotecas onde não existe um portal institucional para dar mais
visibilidade às bibliotecas e suas atividades. O que temos são iniciativas isoladas que não
condizem com a realidade de um sistema de bibliotecas onde cada gestor utiliza um canal de
comunicação diferente com o seu público”. Por sua vez, o BG4 elencou a “falta de
planejamento, falta de metas, a instituição não visa o lucro”. O BG5 informou a “pouca
parceria entre o setor de tecnologia da informação e biblioteca”. Por fim, para 0 BG6 seria a
“falta de Infraestrutura adequada nos recursos computacionais; falta de capacitação,
sistemática dos servidores na utilização dos recursos computacionais e bibliotecários em
geral; [e] mais abertura para atualização do sitio da biblioteca na instituição”. Em suma, as
barreiras apresentadas pelos BG se resumiram à falta de tempo e de infraestrutura adequada.
Considerando a importância da utilização das Redes Sociais como Facebook, Twitter
etc. enquanto meios para a promoção do marketing digital, todos (100%) dos BG avaliaram
como importante, ferramentas que podem auxiliar na disseminação de informações.

3370

�Tabela 7: Indica a existência (ou não) e valor (estimado) do impacto que a filosofia de
marketing tem proporcionado para as bibliotecas que adotam
BG5S5 Valor Estimado
BG 4 10
BG 6 9
BG 1 8
BG 2 6
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Considerando os resultados coletados verificamos que os BG do SISTEMOTECA da
UFCG, em sua maioria, adotam o marketing como filosofia de gestão, Mesmo elencando
diversos motivos considerados como barreiras, todos reconhecem a importância e os
benefícios que sua adoção pode proporcionar à biblioteca. Com base nisso, afirmamos que os
avanços nas tecnologias da informação e comunicação (TIC), especialmente nos aspectos de
acesso e disseminação da informação, estão apontando novos caminhos para o
estabelecimento de laços entre as bibliotecas e seus usuários, que por sua vez estão cada vez
mais conectados via Internet.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O presente estudo objetivou avaliar a percepção que os BG do SISTEMOTECA da
UFCG têm quanto ao uso do marketing como filosofia de gestão. Buscou-se saber a visão que
os bibliotecários tinham quanto ao uso das Redes Sociais como ferramentas enquanto suporte
ao relacionamento (digital) entre a biblioteca e seus usuários, como também seu uso para o
acesso e disseminação de informações sobre seus produtos e serviços informacionais. Com o
crescente impacto que as ferramentas de TIC têm oferecido a sociedade moderna, o
SISTEMOTECA não pode e nem deve ficar alheio aos recentes avanços da tecnologia, ou
seja, fazer uso dessas ferramentas para o enriquecimento das relações com seus usuários, bem
como dar visibilidade aos seus produtos e serviços de informação.

6 REFERÊNCIAS
MATTELART, A.; MATTELART, M. História das teorias da comunicação. 9. ed São
Paulo: Loyola, 2006.

385

Os BG 3 e 5 responderam adotando a opção “Não adota o marketing”.

3371

�MELGAREJO, C. R. Marketing Digital em Bibliotecas. Mato Grosso do Sul: Universidade
Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS, 2007. (Trabalho apresentado no Seminário
Internacional de Bibliotecas Digitais Brasil).
PINHO, José Benedito. Publicidade e Vendas na Internet: Técnicas e Estratégias. São
Paulo: Summus Editorial, 2000.
REEDY, J; SCHULLO, S. &amp; ZIMMERNAN, K. Marketing eletrônico. São Paulo:
Bookman 2001.
RODRIGUES, Jorge Luis; TOMAÉL, Maria Inês. As redes sociais e o uso da informação
entre os pesquisadores de alimentos funcionais da UEL. Revista Digital de Biblioteconomia
e Ciência da Informação, Campinas, v. 6, n. 1, p. 15-37, jul./dez. 2008.

3372

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Documentação&#13;
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                <text>Pesquisa em andamento que discorre acerca da utilização das redes sociais pelos bibliotecários gestores (BG) do Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) como meio para a promoção do marketing digital em bibliotecas. Apresenta o marketing digital (webmarketing) enquanto contribuidor no gerenciamento de bibliotecas a partir de recursos oriundos da World Wide Web (WWW), especialmente as redes sociais. Objetiva analisar o (possível) uso das redes sociais pelas unidades que compõe o SISTEMOTECA da UFCG enquanto ferramentas tecnológicas para o marketing de produtos e serviços. Apresenta, a partir das técnicas de pesquisa bibliográfica e exploratória, além de um questionário semiestruturado como instrumento para obtenção dos dados, que metade dos BG possui Mestrado, a maioria adota o marketing como filosofia de gestão, elencam diversos motivos como barreiras para a adoção do marketing digital, bem como reconhecem a importância e os benefícios da adoção do marketing digital em bibliotecas. Conclui-se, até aqui, que a partir do crescente impacto que as ferramentas de tecnologia da informação e comunicação (TIC) têm oferecido a sociedade moderna, o SISTEMOTECA não deve ficar alheio aos recentes avanços da tecnologia, ou seja, fazer uso dessas ferramentas para o enriquecimento das relações com seus usuários, que por sua vez estão cada vez mais conectados via Internet.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A COMUNIDADE EXTERNA: Acessibilidade à
Bibliografia indicada para o Vestibular da UNICAMP

Magali Aparecida de Oliveira Arnais
Daniela Feijó Simões
Deise Tallarico Pupo
Maria Helena Segnorelli
Fernanda Landin Kruth

RESUMO
O presente relato visa apresentar a proposta desenvolvida pelo Laboratório de Acessibilidade
(LAB) da Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL) da Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP) com a comunidade externa objetivando integrar e conscientizar alunos do
ensino médio da rede pública de ensino de Campinas, através do programa “Ciências &amp; Artes
nas Férias”, para a desmistificação da questão das deficiências e valorização da diversidade
humana, nos espaços da biblioteca universitária. Os alunos do ensino médio tiveram a
oportunidade de conhecer as dependências da BCCL, seu acervo e breve capacitação para a
pesquisa escolar, antes mesmo de adentrarem os espaços dedicados ao apoio especializado,
serviços e produtos do LAB. A metodologia utilizada focou no uso de tecnologias para o
processo de adaptação da bibliografia indicada pelo vestibular da UNICAMP em formato
digital acessível para disponibilizar aos usuários e candidatos com deficiência visual. Os
participantes do projeto manifestaram grande interesse no aprendizado e na produção dos
materiais; como produto final, cada aluno produziu um livro com partes de textos em
formatos acessíveis; um vídeo com audiodescrição e um banner com o resumo, métodos,
discussão e conclusão a serem apresentados aos seus pares, nas instituições de origem.
Palavras-Chave: Biblioteca Acessível; Acessibilidade; Deficiência visual - Tecnologias
Assistivas
ABSTRACT
This report aims to present a proposal developed by the Accessibility Laboratory of the
“Cesar Lattes” Central Library (BCCL), State University of Campinas (UNICAMP) with the
external community aiming to integrate and educate high school students from public schools
in Campinas , through the " Arts &amp; Sciences Program in Vacation”, to demystify the
disability issue and appreciation of human diversity. The high school students had the
opportunity to meet the dependencies of BCCL , its collection and brief training for school
research, even before venturing into the spaces dedicated to specialized support , services and
products of LAB . The methodology focused on use of technologies for adaptation of the
literature indicated the vestibular UNICAMP in digital accessible format to users and to
provide candidates with visual impairment. Project participants expressed great interest in
learning and production of materials; as final product, each student produced a book with

542

�parts of texts in accessible formats, a video with audio description and banner with abstract ,
methods , discussion and conclusion to be presented to their peers , the home institutions.
Keywords: Accessible Library; Accessibility; Visual Impairment - Assistive Technologies

1 INTRODUÇÃO
O Laboratório de Acessibilidade55 da Universidade Estadual de Campinas integra a
Biblioteca Central Cesar Lattes, que é o órgão responsável pela política informacional da
Universidade. No intuito de ampliar sua missão para novas fronteiras, a BCCL aceitou o
desafio de apoiar um projeto de acessibilidade em sua biblioteca, que quebrasse as barreiras
de locomoção, comunicação, pesquisa e acesso à informação, com a finalidade de permitir
que os alunos com deficiência no ensino superior pudessem realizar seus estudos em
ambientes inclusivos de ensino e aprendizagem.
O LAB/BCCL presta serviços de acesso à informação com vistas à participação da
vida social e acadêmica por pessoas com deficiência da Universidade e comunidade externa,
com destaque ao uso dos recursos tecnológicos para pesquisas, localização e obtenção de
documentos favorecendo assim, a autonomia e independência destes usuários.
Sua implantação foi possível graças a recursos de projetos à Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Pró Reitoria de Graduação (PRG) da
UNICAMP. O projeto, elaborado em 1998, baseou-se na NBR9050, da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT, 2004); iniciou suas atividades em janeiro de 2003, com uma
aluna com deficiência visual, inscrita no Programa de Pós Graduação em Música, pelo
Instituto de Artes.

1.1 GRUPO TODOS NÓS UNICAMP ACESSÍVEL
Em dezembro de 2003, pesquisadores de diversas áreas da UNICAMP uniram-se às
iniciativas já existentes por meio de um projeto financiado pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) / Programa de Apoio à Educação
Especial (PROESP): “Acesso, permanência e prosseguimento da escolaridade superior de
alunos com deficiência: ambientes inclusivos” - que obteve total apoio da reitoria. Desde
então, atrai estagiários, bolsistas e alunos de pós-graduação interessados no tema e na
proposta inclusiva do Laboratório de Acessibilidade. O projeto CAPES/PROESP (2003­
55 Disponível em: http://www.todosnos.unicamp.br:8080/lab Acesso em: 19 maio 2014

543

�2008) deu origem ao grupo “Todos Nós Unicamp Acessível”, implantado em cooperação com
diversos institutos e faculdades da universidade, e que teve o Laboratório como cenário por
cinco anos consecutivos. A interdisciplinaridade do grupo, o convívio da Biblioteconomia
com as áreas de Pedagogia, Informática na Educação, Computação, Acessibilidade na Web,
Arquitetura e Urbanismo, entre outras, trouxe diferentes olhares sobre a acessibilidade, em
geral circunscrita ao meio físico, nas áreas de Arquitetura e Engenharia.

1.2 PROGRAMA “CIÊNCIA &amp; ARTE NAS FÉRIAS”
O ambiente da UNICAMP e suas propostas de extensão à comunidade externa
igualmente incentivaram ações extramuros da universidade: nesse sentido, chamaram à
atenção as propostas da Pró-Reitoria de Pesquisa através de seus programas de “Ciência &amp;
Arte nas Férias”.
O portal da Pró-Reitoria de Pesquisa apresenta o Programa Ciência &amp; Arte nas Férias,
de 8 a 31 de janeiro de 2014, destacando:

O Ciência &amp; Arte nas Férias está em execução há 11 anos sob a
responsabilidade da Pró-Reitoria de Pesquisa, e vem apresentando resultados
que qualificam o programa e os alunos participantes no ingresso ao ensino
superior. Um exemplo recente do impacto deste programa pode ser
evidenciado pelo percentual de aprovados no Programa de Formação
Interdisciplinar Superior - ProFIS, onde aproximadamente 20% dos alunos
selecionados haviam participado dos programas de ensino médio
administrados pela Pró-Reitoria de Pesquisa.56

O Laboratório de Acessibilidade, como parte da Diretoria de Difusão da Informação
(DINF) da Biblioteca Central Cesar Lattes da UNICAMP, buscou integrar alunos do ensino
médio da rede Pública de Ensino em suas propostas de desmistificar as deficiências e
valorizar a diversidade humana nos espaços da biblioteca universitária. Dessa forma, os
alunos tiveram a oportunidade de conhecer as dependências da BCCL, seu acervo e breve
capacitação para a pesquisa escolar, antes mesmo de adentrarem os espaços dedicados ao
apoio especializado, serviços e produtos do LAB e a prática da proposta “Acessibilidade à
bibliografia indicada pelo vestibular da UNICAMP”. (FIG.1)

56 Disponível em: http://www.prp.rei.unicamp.br/ciencianasferias/2014/projetos.php Acesso em: 19 maio 2014

544

�Figura 1 - Capacitação das alunas na sala de treinamento da Biblioteca Central
Cesar Lattes.

Fone: Foto do acervo das autoras.

A proposta do Laboratório de Acessibilidade para o programa “Ciência &amp; Artes nas
Férias - 2014” teve por tema: “Acessibilidade à bibliografia indicada para o vestibular da
UNICAMP” e objetivou o acesso à bibliografia indicada pela Comissão Permanente para os
Vestibulares (COMVEST)

às pessoas com deficiência visual, total ou parcial. No entanto,

não se ateve unicamente à acessibilidade aos documentos impressos, passíveis de serem
reproduzidos em outros formatos: em meio digital, em braille, áudio (MP3 e via leitores de
telas) e por meio de ledores humanos (MANGUEL, 1997) - mas também que os alunos
conhecessem e divulgassem em suas escolas os ideais que norteiam o pensamento inclusivo e
o respeito à diversidade humana e especificamente, a consciência de que TODOS sem
distinção têm o direito de estudar, pesquisar e pertencer a uma universidade pública e gratuita.

2 EMBASAMENTO LEGAL
O material bibliográfico acadêmico adaptado pelo Laboratório de Acessibilidade é
respaldado pela Lei 9.610/98 (BRASIL, 1998) sobre direitos autorais que viabiliza o acesso
para pessoas com deficiência visual. Além dessa lei, o documento mais abrangente em relação
à inclusão das pessoas com deficiência é a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com

57 Disponível em : http://www.comvest.unicamp.br/ Acesso em: 19 maio 2014

545

�Deficiência, datada de 30 de março de 2007 que no Brasil ganhou status constitucional.
(BRASIL, 2009).
A transcrição de textos para o Sistema Braille é apoiada pelo documento “Normas
técnicas para a Produção de textos em braile” (BRASIL, 2006). Todavia, a digitalização de
textos de forma acessível tem sido desenvolvida por meio de pesquisas sobre programas que
contenham reconhecimento de caracteres; trata-se, ainda, de uma construção de saberes e sua
descrição é mais detalhada em 3.1 e subsequentes.
Uma breve abordagem sobre Audiodescrição (MOTTA, 2006) e sua relevância para
pessoas com deficiência visual foi objeto de discussão, treinamento e execução com as alunas
do Programa.
Cumpre ressaltar que a atuação do bibliotecário e do pedagogo no espaço do
Laboratório de Acessibilidade vêm atender a “Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva” (BRASIL, 2007) que institui o Atendimento Educacional
Especializado (AEE) da educação básica ao ensino superior. As ações do AEE na academia
visam, através de apoio didático e das ferramentas tecnológicas, capacitar e instrumentalizar o
aluno com deficiência a acessar as fontes de pesquisa e desenvolver a investigação tornando-o
gerenciador de sua aprendizagem.
De acordo com Pupo (2008), a conquista de direitos políticos, civis e sociais, como a
implementação dos deveres do cidadão dependem fundamentalmente do livre acesso à
informação. Para tanto, a adequação do ambiente físico, tecnológico e humano assegura o
acesso aos recursos informacionais, serviços e produtos disponíveis, reduzindo as barreiras de
comunicação e informação de pessoas com deficiência.

3 METODOLOGIA
As alunas do ensino médio frequentaram semanalmente o Laboratório de
Acessibilidade no período de férias escolares do mês de janeiro de 2014, quando tiveram a
oportunidade de conhecer e utilizar as ferramentas que possibilitam um usuário com
deficiência visual acessar as fontes de informação no ambiente virtual. Compreenderam que a
leitura da pessoa com deficiência visual ocorre com auxílio de um computador dotado de
softwares leitores de tela e texto, e que há livros em outros formatos: digitais, em
braille, livros falados e em áudio MP3 - e compreenderam a importância do recurso da
audiodescrição, que permite a compreensão de fotos, figuras e cenas gravadas. Esses formatos

546

�representam alternativas viáveis para que os alunos com deficiência visual possam estudar ou
se informar sobre determinados conteúdos acadêmicos e bibliografias específicas.
A participação das alunas no programa em questão envolveu algumas etapas: a) Seleção,
acesso e preparação da bibliografia indicada no vestibular da UNICAMP; b) O tratamento e
adaptação de materiais bibliográficos impressos e digitais, para a leitura por pessoas com
deficiência visual, nos formatos: digital, falado e áudio; c) A capacitação para o uso das
Tecnologias Assistivas (softwares leitores de tela e leitores de texto, softwares para a
gravação de voz humana e em Mídia MP3) que viabilizam inclusão pois permitem que
pessoas com deficiência visual acessem textos e documentos em igualdade de condições às
dos demais alunos e d) A navegação pelo portal do LAB para acesso aos livros indicados pela
Comissão

dos

Vestibulares

da

universidade. 58

3.1 COMO E PORQUE CONVERTER TEXTOS EM FORMATOS DIGITAIS
Para tornar os textos acessíveis às pessoas com deficiência visual, é imprescindível sua
conversão de formato impresso para digital: só assim os softwares leitores de telas podem
“ler” em voz alta aos referidos usuários.
Assim, a equipe do LAB programou para que as alunas conhecessem o tratamento e
adaptação dos materiais bibliográficos impressos em formatos acessíveis, no sentido de
vivenciarem as seguintes etapas:

3.1.1 Conversão de textos para formato PDF
O material impresso é escaneado e salvo em formato PDF/pesquisável. Para esse fim é
necessário um Scanner com Optical Character Recognition (OCR). O PDF/pesquisável
confere acessibilidade ao texto, que pode ser acessado por meio de leitores de tela, o que não
ocorre com o uso do PDF padrão (imagem); além disso, o PDF/pesquisável permite
armazenamento de cópias autênticas, na salvaguarda dos direitos autorais com vistas à
publicação futura no portal do LAB. Para disponibilizar o arquivo do material utiliza-se o
padrão de salvamento de arquivos do Laboratório:
AUTOR_QuinzePrimeirasLetrasDoCApitulo_QuinzePrimeirasLetrasDoNomeDaObra_
pXXX_YYY.
58

Disponível em: http://www.sbu.unicamp.br/cd-upa/sites/livros.html Acesso em: 26 set. 2013

547

�Como exemplo: ALMEIDA_PrimeirosInfort_MemoriasdeUmSar_p12-15.
Esse padrão imprime identidade ao texto e facilita composição do repositório (portal
do LAB).

3.1.2 Conversão de texto PDF para formato DOC
Para tornar partes da bibliografia indicada nos formatos acessíveis propostos, os
alunos conheceram as seguintes possibilidades de conversão: a) TXT (bloco de notas); b)
DOC (arquivo de Word, não sendo DOCX, já que não são todos leitores de tela que
reconhecem esse formato); c) Áudio (WAV e MP3); d) braile; e) livros falados (voz humana).
Para a conversão em áudio e braille é necessária uma versão do texto em TXT (Bloco
de notas). Para tanto, a melhor opção é corrigir sobre o documento em DOC e só depois
formatar em TXT. Essa é a maneira mais produtiva de correção, ou seja: inicialmente
converter e corrigir em DOC e depois emitir o comando “ctrl+c e ctrl+v” para o formato
TXT.
Os procedimentos de conversão de PDF para DOC foram realizados com os softwares
do

LAB,

no

caso,

o

programa

ABBYY

Fine

Reader

11.

Ao abrir o programa, as seguintes opções foram selecionadas: na caixa de comando
TAREFAS, a opção ARQUIVAR (PDF/IMAGEM) PARA MICROSOFT WORD. (FIG. 2).

Figura 2 - Opção inicial do ABBYY Fine Reader 11- Tarefas.

Fonte: Pin Screen da aplicação no Sistema Operacional Windows (grifo
nosso).

548

�O próximo passo é certificar-se de que a opção de LAYOUT DO DOCUMENTO
esteja marcada como TEXTO SIMPLES. No campo NOME DE ARQUIVO BASE utiliza-se
o padrão de salvamento de arquivos do LAB e no campo LOCAL DA GRAVAÇÃO escolhese o local para o arquivo a ser salvo. (FIG. 3).

Figura 3 - Nome do arquivo básico e local de gravação do ABBYY Fine
Reader11

Fonte: Prin Screen da aplicação no Sistema Operacional Windows (grifo
nosso).

Embora

o

programa

tenha

gerado

um

arquivo

em

DOC,

pré-corrigido

automaticamente, é necessário fazer uma correção geral, prestando atenção à letra “L” que
pode ser confundida com o número “1”.
Outra aprendizagem efetivada pelas alunas participantes do programa foi que para
alguns documentos gerados em DOCX, existe uma ferramenta disponível no Microsoft Office
2010 chamada Accessibility as alunas fizeram uma verificação mais apurada do arquivo
gerado pois é comum aparecer erros de escaneamento e conversão de PDF para DOC, como
por exemplo Accessibility Searcher, para verificar a acessibilidade do documento. Através
desta ferramenta é possível verificar se o documento contém problemas de acessibilidade.
Para realizar a verificação de acessibilidade basta acessar a opção ARQUIVOINFORMAÇÕES-VERIFICANDO

PROBLEMAS-VERIFICAR

ACESSIBILIDADE.

(FIG.4).

549

�Figura 4- Opção para verificar a acessibilidade no Microsoft Word 2010

Fonte: Prn Screen da aplicação no Sistema Operacional Windows (grifo
nosso).

Para a conversão do texto em formato DOC para áudio MP3 a opção foi pelo sistema
operacional DOSVOX 59 que permite as pessoas com deficiência visual por meio de um
computador comum desempenhar uma série de tarefas, dentre elas, a conversão de textos
TXT em áudio MP3. As alunas do ensino médio conheceram o sistema operacional DOSVOX
e aprenderam como processar um texto impresso e convertê-lo para áudio MP3. Passo a passo
conforme a descrição a seguir.

3.1.3 Conversão de texto em formato DOC para áudio MP3
3.1.3.1 Passo 1: Iniciando a tarefa
Para iniciar essa tarefa será necessário localizar no PC a pasta CDMP3, local onde o
arquivo será salvo seguindo o percurso: MEU COMPUTADOR- DISCO LOCAL (C) PASTA
WINVOX-PASTA CDMP3, (FIG.5).

59 Programa livre. Disponível em http://intervox.nce.ufri.br/dosvox/ Acesso em: 20 maio 2014

550

�Figura 5 - Local para salvar o arquivo do DOS VOX em áudio MP3

Fonte: Prn Screen da aplicação no Sistema Operacional Windows (grifo
nosso).

3.1.3.2 Passo 2: Abrindo o programa DOSVOX (FIG 6).

Figura 6 - Tela inicial do programa DOS VOX

Fonte: Print Screen da aplicação no Sistema Operacional DOSVOX.

3.1.3.3 Passo 3: Abrindo as opções
A seguir, como o programa contém elementos de interface com o usuário, o
sintetizador de voz pedirá as letras iniciais das tarefas a serem solicitadas. Acionando a tecla
F1 (ajuda), o programa irá disponibilizar as opções. Para a conversão em áudio MP3 seguir os
passos das figuras 7 e 8.

551

�Figura 7 - Opção de digitar a letra M referente a multimídia.

t
e
1
i
a
d
j
u
r
m
p
s
v
c
*
q

-

testar o teclado
editar texto
ler texto
imprimir
arquivos
discos
jogos
utilitários falados
acesso à rede e internet
mui ti midia
tACLuLar um programa do Windows
subdiretórios
vai para outra janela
configura o d o s v o x
configuração avançada do d o s v o x
informa a quem pertence este DOSVOX

Fonte: Prnt Screen da aplicação no Sistema Operacional DOSVOX (grifo nosso).

Figura 8 - Opção de digitar o número 3 referente a conversor de texto para MP3.

MULTIMÍDIA
Qual a letra do programa de multimidia ?

s

M
G

v

T

3

A
3

F

/

Configurador da fala SAPI
Processador multimidia (áudio midi CD)
Gravador de som
Controle do volume geral
T
1

p

ç

1

_

r ir »
_

VI \ y

»vi - i
III

■

^
I

y~ \
vy ■

n
^

Conversor de texto para MP3
A Ti nado r para violão ^urn Metrônomo
Juntador de arquivos WAV
Conversor de formatos de sons
Utilitários multimidia obsoletos

Fonte: Prnt Screen da aplicação no Sistema Operacional DOSVOX (grifo nosso).

552

�3.1.3.4 Passo 4: Localizando o conversor de texto para MP3
Informar o diretório do texto conforme citado na figura 4. Se o arquivo corresponder
ao desejado apertar a tecla ENTER e em seguida digitar a letra C referente a converter em
áudio. (FIG. 9).

Figura 9 - Opção de digitar a letra C: Converter para áudio
C:\winvox\cdmp3
O K , irei trabalhar em : C:\winvox\cdmp3
ALMElDA_Primei roslnfort_lN_MemoriasDeUmSar_p012_015.txt
Total de arquivo(s) a converter --- 1
Qual sua opção ?
Gerar rn
G
_ c
Converter
■ _j__ „ „ para
_l_ audio
AJ UQ cai jaiua
A
F
Formatar arquivo
D
Dividir arquivo
L
Listar selecionados
M
Modificar selecionados
V
Verificar vozes instaladas
T
Testar voz em arquivo
I
Informações sobre o projeto
E
Executar script

Fonte: Prnt Screen da aplicação no Sistema Operacional DOSVOX (grifo nosso).

3.1.3.5 Passo 5: Escolhendo o formato multimídia
Em seguida o programa pergunta qual o formato da multimídia - formato WAV ou MP3optar por MP3 para isso aperte a tecla 3. (FIG.10).

Figura 10 - Escolha do formato de multimídia MP3.
c7\wT nvox\cdmp3
_
—
OK, irei trabalhar em : C:\winvox\cdmp3

-

—

“ “

ALMElDA_Primei rosInfort_lN_MemoriasDelimSar_p012_015.txt
Total de arquivo(s) a converter —

1

Qual sua opção ?
Poderei converter :
ALMEIDA_Primeiroslnfort_IN_MemoriasDeUmSar_p012_015.txt
Os arquivos convertidos serão gerados em :

1

\winvox\cdmp3\WAVMP3

Digite W para converter no formato WAV ou 3 para MP3 : 3 ) 2
OK, irei converter no formato MP3
Convertendo : ALMElDA_Primeiroslnfort_lN_MemoriasDelimSar_p012_015.txt

Fonte: Prnt Screen da aplicação no Sistema Operacional DOSVOX

553

�3.1.3.6 Passo 6: Finalizando a conversão
Após esses comandos, o resultado será conforme a figura 11.

Figura 11- Apresenta o diretório onde o arquivo foi salvo
1
► Computador ► Disco Local (O) ► winvox ► CDMP3 ► WAVMP3
Arquivo

Editar

Organizar ▼
^

Exibir

Ferramentas

Q| Reproduzir ▼

Ajuda
Reproduzir todas

Favoritos
||. Downloads
H

Área de Trabalho

A

SkyDrive (2)

Gravar

Nome

1

*'

Nova pasta
Nú...

M

m

ALMEIDA_Primeiros...

Locais
2 ) QUE]RÓS_Capitulo_...

^ Bibliotecas
SkyDrive
@ tbt hn

Fonte: Print Screen da aplicação no Sistema Operacional DOSVOX (grifo nosso).
3.2 GRAVAÇÃO DE TEXTOS COM VOZ HUMANA
Os livros ou textos falados são realizados por meio da leitura de uma pessoa, que pode
ser um voluntário que se propõe a esse trabalho. Na BCCL existe um projeto em andamento
com esse recurso, a pedido de um aluno com deficiência visual da pós-graduação. O projeto
Ciência &amp; Arte nas Férias 2014 proporcionou aos participantes o ensejo de gravar partes de
livros indicados ao vestibular, utilizando-se o programa Audacity,60 que é um “editor e
gravador de áudio totalmente gratuito, com recursos profissionais e vários efeitos”.

3.3 AUDIODESCRIÇÃO
É um recurso que consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que
compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como, por exemplo,
expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente,
figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e
qualquer informação escrita na tela. A audiodescrição permite que o usuário receba a
informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando que a
pessoa desfrute integralmente da obra, seguindo a trama e captando a subjetividade da
narrativa, da mesma forma que alguém que enxerga. As descrições acontecem nos espaços
entre os diálogos e nas pausas entre as informações sonoras do filme ou espetáculo, nunca se
60 Disponível em: http://www.baixaki.com.br/download/audacity.htm Acesso em: 20 maio 2014

554

�sobrepondo ao conteúdo sonoro relevante, de forma que a informação audiodescrita se
harmoniza com os sons do filme.61
As alunas vinculadas ao projeto fizeram a audiodescrição de uma exposição
permanente do Laboratório de Acessibilidade. A exposição é composta de livros impressos e
em braille, banners, prêmios recebidos pelo LAB, esculturas feitas por pessoas com
deficiência visual, entre outros.

4 RESULTADOS
Como resultados do projeto, as alunas do ensino médio, participantes do programa
“Ciências &amp; Artes nas Férias” gravaram partes dos textos indicados nos formatos: MP3, áudio
e imprimiram em braille e com letras ampliadas; (FIG.12) aprenderam o uso de recursos de
audiodescrição onde elaboraram um roteiro de uma exposição do LAB/BCCL e gravaram um
vídeo. Esse material foi impresso em braille e em tinta (FIG.13) e também gravado em um
DVD e levado às suas escolas de origem para divulgação. Outro produto do projeto foi um
banner de divulgação com o resumo, métodos, discussão e conclusão a serem apresentados
aos seus pares, nas instituições de origem. No encerramento festivo das atividades, todos os
projetos foram reunidos no auditório da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP e
apresentados em formato de banner.

Figura 12 - Bolsista do LAB instrui
alunas participantes do Ciência e Arte
nas Férias sobre o uso da impressora
braile.

Figura 13 - Partes das obras indicadas ao
vestibular impressas em braile e tinta;
acompanha DVD com textos falados e
audiodescrição.

Fonte: Fotos do acervo das autoras.

61 Disponível em http://audiodescricao.com.br/ad/o-que-e-audiodescricao/ Acesso em: 20 maio 2014

555

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As alunas participantes do projeto manifestaram grande interesse no aprendizado e na
produção dos materiais; desde a pesquisa realizada na base de dados do Sistema de
Bibliotecas da UNICAMP, passando pela escolha dos textos a serem adaptados, incluindo o
conhecimento do sistema braille, com a participação de um pesquisador com deficiência
visual (cego) que atua no LAB/BCCL - até a gravação dos documentos e o resultado final. Os
depoimentos obtidos foram altamente significativos principalmente na questão da quebra de
barreiras de atitude diante do outro, que pode ser um colega ou um professor, ou mesmo um
funcionário de suas escolas; ou diante de um amigo, vizinho ou parente com deficiência.

6 REFERÊNCIAS

ABNT.

ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA

DE

NORMAS

TÉCNICAS.

NBR

9050:

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Janeiro:

ABNT,

2004.

Disponível

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http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield generico
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BRASIL. Casa Civil. Subchefia de para Assuntos Jurídicos. Decreto n°6949, de 25 de agosto
de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Brasília, DF:
2009.

Disponível

em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/ ato2007-

2010/2009/decreto/d6949.htm Acesso em 16 maio 2014.
BRASIL. Lei n. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação
sobre direitos autorais e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa
do

Brasil,

Brasília,

DF,

20

fev.

1998.

Disponível

em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm. Acesso em: 20 abr. 2014
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Normas técnicas para a
produção

de textos

em braille. Brasília:

MEC/SEESP,

2006.

Disponível

em:

http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/textosbraile.pdf Acesso em: 22 out. 2013.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Documento elaborado pelo
Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial n° 555, de 5 de junho de 2007,
prorrogada pela Portaria n° 948, de 09 de outubro de 2007b. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf Acesso em: 20 maio 2014

556

�MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. Tradução Pedro Maia Soares. São Paulo: Cia
das Letras, 1997.
MOTTA, L.M.V.; ROMEU FILHO, P. (Orgs.) Audiodescrição: transformando imagens em
palavras. São Paulo: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São
Paulo, 2010. Disponível em: http://www.vercompalavras.com.br/livro Acesso em: 20 maio
2014.
PUPO, D. T; MELO, A. M.; PÉREZ FERRÉS, S. Acessibilidade: discurso e prática no
cotidiano das bibliotecas. Campinas: UNICAMP/Biblioteca Central Cesar Lattes, 2008.
Disponível em: http://acervus.unicamp.br/index.html Acesso em: 20 maio 2014.

557

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>A Biblioteca Universitária e a comunidade externa: acessibilidade à bibliografia indicada para o vestibular da UNICAMP.</text>
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                <text>Arnais, Magali Aparecida de Oliveira, Simões, Daniela Feijó, Pupo, Deise Tallarico, Segnorelli,Maria Helena, Kruth, Fernanda Landin</text>
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                <text>O presente relato visa apresentar a proposta desenvolvida pelo Laboratório de Acessibilidade (LAB) da Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) com a comunidade externa objetivando integrar e conscientizar alunos do ensino médio da rede pública de ensino de Campinas, através do programa ―Ciências &amp; Artes nas Férias‖, para a desmistificação da questão das deficiências e valorização da diversidade humana, nos espaços da biblioteca universitária. Os alunos do ensino médio tiveram a oportunidade de conhecer as dependências da BCCL, seu acervo e breve capacitação para a pesquisa escolar, antes mesmo de adentrarem os espaços dedicados ao apoio especializado, serviços e produtos do LAB. A metodologia utilizada focou no uso de tecnologias para o processo de adaptação da bibliografia indicada pelo vestibular da UNICAMP em formato digital acessível para disponibilizar aos usuários e candidatos com deficiência visual. Os participantes do projeto manifestaram grande interesse no aprendizado e na produção dos materiais, como produto final, cada aluno produziu um livro com partes de textos em formatos acessíveis, um vídeo com audiodescrição e um banner com o resumo, métodos, discussão e conclusão a serem apresentados aos seus pares, nas instituições de origem.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MULTIPLICADORES DA INFORMAÇÃO: UMA INTRODUÇÃO PARA O
LETRAMENTO INFORMACIONAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Maria Aparecida Jacques de Arruda

RESUMO
O Projeto “Multiplicadores da Informação” propôs capacitar alunos de graduação e pósgraduação dos cursos do Campus de Aquidauana/UFMS,a serem habilitados, segundo teorias
da Informationliteracy, na busca e uso de informações contidas no acervo da biblioteca e/ou
em bases de dados on-line e normalização de trabalhos acadêmicos de acordo com as
normasda Associação Brasileira de Normas Técnicas(ABNT). Na primeira etapa foram
selecionados 10 alunos de graduação, esses tiveram o treinamento na base de dados local
Pergamum, aprenderam localizar as obras no acervo a partir do entendimento do
sistemaClassificação Decimal de Dewey (CDD) usada na Biblioteca; acessar bases de dados
on-line:Domínio Público, Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD), repositório
institucional, Portal de Periódicos Capes e por fim acessar as normas da ABNT on-line e
aplica-las nos trabalhos acadêmicos. Após essa primeira etapa, foram abertas inscrições para
mais 80 alunos interessados, para os quais, os multiplicadores ministraram o treinamento,
seguindo com os mesmo conteúdos e metodologia aplicada pela bibliotecária. O treinamento
foi expositivo com auxilio de Datashow, com práticas nos computadores disponíveis na
biblioteca. Foram avaliadas as práticas desses aprendizes in loco e como sugestão a
continuidade do Projeto para demais interessados em 2014.
Palavras-Chave: Multiplicadores de informação; Aprendizes da informação; Capacitação de
usuários.
ABSTRACT
The Project “Multipliers of Information” had as a purpose to enable undergraduates and post
graduates who study at the Campus of Aquidauana/UFMS in order they can, based on the
theories of Information literacy, search and use the information related to the collection of the
library and/or the online data base and standardization of academic works, according to the
BrazilianAssociationofTechnical Standards (ABNT). In the first stage, 10 undergraduates
were selected, who were trained in the local data base of Pergamum, they learned how to find
the works after they understood the working of the Dewey Decimal Classification
(DDC)System, used in the library. They also learned how to access the online data base:
Public Dominium, Thesis and Dissertation data bases (BDTD), institutional repository, Capes
Journal Portal and finally to access the online ABNT and to apply it in the academic works.
After this first stage, 80 more vacancies were offered to students who were interested in the
training, to whom the multipliers ministered it, following the same contents and
methodologies that were used by the librarian. The training was expositive with the support of
a Datashow, with practices in the computers of the Library. The practices of these learners

3009

�were evaluated in loco and as a suggestion the continuity of the Project to other interested
students in 2014.
Keywords: Multipliersof information, Information literacy, Training of users.

INTRODUÇÃO
No contexto da sociedade da informação, com o crescimento exagerado de
documentos é imprescindível saber lidar com a informação, no sentido de saber buscá-la e
usá-la para estabelecer escolhas e decisões. É natural do ser humano aprender e entender o
mundo e os fatos,de resolver problemas e, para o sucesso dessas ações dependem da
competência em buscar informações de pontos de vista diferenciados, organizá-las e
apreendê-las. São processos que exigem reflexões para tal. Para essa iniciativa, pressupõe-se
ter competências básicas para pesquisar e usar a informação de forma adequada e reflexiva na
tomada de decisões, na aprendizagem efetiva, contextualizando-a ao processo investigativo.
Entende-se que o processo de “letramento informacional” capacita os aprendizes a
buscarem e usarem a informação comeficiência. O aprendizado consiste, por exemplo,
emconsultar o acervo de referência (enciclopédias, dicionários, etc.) a elaborar referências e
citar autores para escrever trabalhos acadêmicos ou estruturar uma pesquisa seguindo as
normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
As Bibliotecas universitárias (BU) são consideradas espaços de informações,
facilitadores da aprendizagem, que armazena, processa e possibilita o acesso à informação à
comunidade interna e externa da universidade da qual faz parte. Há, porém, necessidades de
reconstruir e/ou rever suas ações, produtos e serviços para que haja mais interesse, por parte
principalmente de alunos, pois percebe-se que no dia a dia, a falta de interesse destes na
procura das bibliotecas é bastante elevada.
Por esse motivo o projeto “Multiplicadores da Informação” propôs capacitar alunos de
graduação,pós-graduação dos cursos oferecidos pelo Campus de Aquidauana/UFMS, tais
comoAdministração, Biologia, Geografia, História, Letras, Matemática e Turismo, alunos do
Mestrado em Geografia, e também docentes e técnicos administrativos, para serem
multiplicadores de informações armazenadas, ou não, no acervo da Biblioteca do Campus de
Aquidauana (CPAQ).

3010

�FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Os estudos que nos deram suporte teórico para o trabalho proposto são os de Campello
(2006), Carvalho (2004) e Gasque (2012).
O artigo de Campello (2006), denominado “A escolarização da competência
informacional”, descreve as circunstâncias do surgimento do termo Informationliteracy nos
Estados Unidos, mostrando como a classe bibliotecária norte-americana usou o termo para
ressaltar ações educativas que vinham sendo consolidado havia vários anos.
O termo Informationliteracy, foi traduzido porGasque (2012), como Competência
Informacional, a qual, cita Sônia Caregnato, que traduziu o termo como Alfabetização
Informacionale posteriormente o termo foi usado pela mesma autora como Habilidades
Informacionais. No Brasil, além do termo original, são usadas expressões como letramento
informacional, alfabetização informacional, habilidade informacional e competência
informacional (GASQUE, 2012, p. 29). Esta autora discute a importância do letramento
informacional para capacitar aprendizes a buscarem e usarem informações de forma eficaz.
Percebe-se que há um consenso na conceituação da Informationliteracy entre os
autores acima citados e diversos outros pesquisadores, principalmente da comunidade de
biblioteconomia e ciência da informação, que têm despertado interesse pelo assunto e têm
compromisso de ajudar as pessoas a aprender com a informação.
Entende-se assim que oletramento informacional ou a habilitação informacional é um
processo de aprendizado contínuo que envolve informação, conhecimento e inteligência, que
faz parte de um processo que se constrói conjuntamente com os educadores e com as
instituições de ensino, no qual a biblioteca auxiliano alcance de metas relativas à formação
dos indivíduos e ao seu desenvolvimento como profissionais e cidadãos por meio da aquisição
de informações.
Os estudos de Carvalho (2004) objetivaram mapear e investigar se as bibliotecas das
universidades federais brasileiras, a partir da adoção das tecnologias da informação e
comunicaçãotêm contribuído para o processo de socialização do conhecimento. A autora
assinala
...emergência de espaços do saber como [...] um mecanismo de
reconhecimento e avaliação aberto a todas as competências disponíveis na
sociedade [...] onde, também estão incluídas as organizações educativas,
como bibliotecas, museus, universidades, escolas”. (CARVALHO, 2004, p.
30).

As bibliotecas universitárias como um espaço facilitador da aprendizagem devem
buscar continuamente seu aperfeiçoamento e reconhecer que “...é preciso subir degraus de

3011

�competência para melhorar serviços e produtos; é preciso se tornar visível na rotina
universitária [...]” (CARVALHO, 2004, p. 32).
Uma forma das bibliotecas universitárias socializar o conhecimento através das
tecnologias da informação e da comunicação e, de mudar suas rotinas, é capacitando pessoas
que serão multiplicadores da informação e do conhecimento.
O profissional bibliotecário possui um papel fundamental nesse contexto, pois atuam
na maioria das vezes em instituições de ensino e tem a oportunidade de criar programas sobre
a competência informacional que estimulam o aprendizado baseados em recursos, na
resolução de problemas, no desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo.
O Projeto intitulado “Multiplicadores da Informação” teve o propósito de mobilizar
alunos, professores e demais comunidade acadêmica a aprender, principalmente, buscar e usar
as informações contidas/armazenadas na Biblioteca Universitária do CPAQ e em bases de
dados remotas.

METODOLOGIA
A primeira etapa do projeto foi a seleção e capacitação de 10 acadêmicos inscritos dos
cursosde Biologia, Geografia, e Turismo oferecidos no Campus de Aquidauana para atuarem
como multiplicadores de informação no acesso à interface do SistemaPergamum,ao Portal de
Periódicos da Capes e orientações de trabalhos acadêmicos de acordo com as normas da
ABNT. O treinamento foi ministrado pela bibliotecária do Campus de Aquidauana e teve
duraçãode 20 horas, intitulado “Treinamento para formação de multiplicadores nas bibliotecas
do Campus de Aquidauana - CPAQ/UFMS”.
Na segunda etapa, os acadêmicos já capacitados foram divididos para atender nos
turnos de funcionamento da biblioteca, períodos matutino, vespertino e noturno para a
realizaçãoda inscrição gratuita no curso junto à comunidade universitária.
A terceira etapa foia realização do Curso/capacitação dos inscritos,desenvolvido nos
computadores disponíveis na Biblioteca (um aluno/computador), tornando possível o
treinamento do Sistema Pergamum, a orientação sobre a forma de buscar os livros
diretamente nas prateleiras, assim como de manusear as obras encontradas, pesquisar artigos
científicos, periódicos, livros e/ou teses e dissertações em Bases de Dados como Portal de
Periódicos da Capes e utilizar de forma correta as normas da ABNT nos trabalhos
acadêmicos.
O Curso intitulado “Capacitação de usuários de informação”foi ministrado em 40
horas, e dividido da seguinte forma:

3012

�CATÁLOGO ON-LINE (ACERVO DA BIBLIOTECA- SISTEMA PERGAMUM)
Neste treinamento, foi apresentado o sistema ao usuário, os serviços oferecidos como:
empréstimo, renovação, reserva e as modalidades de pesquisas na base de dados do Sistema
Pergamum (acervo da biblioteca), capacitando-o a utilizar o sistema e recuperar informações
de seu interesse. O usuário recebeu ainda instruções para localizar os livros nas estantes da
biblioteca.
BASES DE DADOS ON-LINE (PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES)
Informações gerais sobre como realizar buscas embases de dados on-line, no Portal de
Periódicos da Capes, comapresentaçãodas bases de dados ali disponíveis e explicação sobre
como pesquisar nas basesescolhidas, os conteúdos, as técnicas de pesquisa e facilidades que
as bases oferecem.
CURSO DE NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS DE ACORDO
COM A ABNT
O aluno foi orientado como acessar a coleção on-line das normas da ABNT, a leitura e
aplicação das normas técnicas NBR 14724/2011- Informação e documentação - Trabalhos
acadêmicos - Apresentação, NBR 10520/2002 - Informação e documentação - Citações em
documentos - Apresentação, NBR 6023/2002 - Informação e documentação - Referência Elaboração, sendo estas as mais utilizadas na universidade.
AVALIAÇÃO
Para a avaliação do aprendizado foi aplicado um exercício sobre como localizar cinco
obras do acervo no catálogo local Pergamum; três títulos de periódicos, doistítulos de livros e
cinco artigos científicos com mais de um autor no Portal de Periódicos da Capes. Outro
exercício foi sobre, como elaborar as referências das obras e artigos encontrados de acordo
com a NBR 6023/2002.
Para verificar a aplicabilidade das normas NBR 10520/2002 e NBR 14724/2011 foi
solicitada a análise de trabalhos de conclusão de curso (TCC) e/ou dissertações de anos
anteriores disponíveis no acervo da biblioteca. O aprendiz ao constatar um “erro” (fora das
normas) no trabalho analisado transcrevia-o de acordo com a ABNT, somente algumas
páginas, caso fosse o trabalho todo fora do padrão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Projeto “Multiplicadores da Informação” foi considerado muito importante para o
aprendizado dos acadêmicos, técnicos e professores do Campus de Aquidauana. As
dificuldades de acesso às informações foram sanadas, até mesmo ao acervo da biblioteca,

3013

�como foi o caso de vários alunos, senão a maioria. Foi unânime a declaração de satisfação em
aprender a acessar as bases de dados e recuperar as informações desejadas. O que era
considerado um enigma para alguns, deixou de ser após a capacitação, principalmente no
Portal de Periódicos da Capes.Nesse quesito, os docentes tinham menos dificuldades, devido
suas práticas de pesquisa e docência e porque já haviam passado por treinamentos
anteriores.Sobre essa questão Gasque (2012, p. 136) diz em sua pesquisa que “muitos
pesquisadores relatam dificuldades na recuperação, o que requer tempo maior para essa
tarefa.”
Notou-se que os usuários que se consideravam aptos a buscar informações na Internet,
tinham muita dificuldade em filtrar suas buscas e perdiam-se com a diversidade de
informações apresentadas/recuperadas.
A maior dificuldade dos aprendizes foi o trabalho com as normas da ABNT, talvez
devido às particularidades, como as pontuações que exigem mais atenção do usuário.
Como conclusão, foi considerada necessária e também sugerida a continuação desse
projeto de letramento informacional para que mais alunos/usuários da UFMS possam
aprender a buscar e usar as informações que necessitam de forma correta, adquirindo assim,
competência e habilidades necessárias para a produção do conhecimento e do aprendizado.

REFERÊNCIAS
CAMPELLO, Bernadete. A escolarização da competência informacional. Rev. Bras. de
Biblioteconomia e Documentação. Nova Série, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 63-77, dez.
2006.Disponível em:&lt;http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/18&gt;. Acesso em: 09 de jun.
2013.
CARVALHO, Isabel Cristina Louzada. A socialização do conhecimento no espaço das
bibliotecas universitárias. Niterói, RJ: Intertexto, 2004.185 p.
GASQUE, Kelly Cristina Gonçalves Dias. Letramento informacional: pesquisa, reflexão e
aprendizagem. Brasília, DF: FCI/UNB, 2012. 175 p.
MELO, Ana Cristina Azevedo Ursulino; MELO, Thelma Marylanda Silva de. Competência
informacional: a capacitação de usuários na utilização de ferramentas de buscas online.
In:SEMINÁRIO

NACIONAL

Gramado.Anais...

Gramado,

DE

BIBLIOTECAS

RS: UFRS,

2012.

UNIVERSITÁRIAS,
p.

1-11.

17,2012,

Disponível

em:

&lt;hííp://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QDG.pdf.&gt;. Acesso em: 06 dejun. 2013.

3014

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Multiplicadores da informação: uma introdução para o letramento informacional: relato de experiência</text>
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                <text>O Projeto ―Multiplicadores da Informação‖ propôs capacitar alunos de graduação e pósgraduação dos cursos do Campus de Aquidauana/UFMS,a serem habilitados, segundo teorias da Informationliteracy, na busca e uso de informações contidas no acervo da biblioteca e/ou em bases de dados on-line e normalização de trabalhos acadêmicos de acordo com as normasda Associação Brasileira de Normas Técnicas(ABNT). Na primeira etapa foram selecionados 10 alunos de graduação, esses tiveram o treinamento na base de dados local Pergamum, aprenderam localizar as obras no acervo a partir do entendimento do sistemaClassificação Decimal de Dewey (CDD) usada na Biblioteca, acessar bases de dados on-line:Domínio Público, Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD), repositório institucional, Portal de Periódicos Capes e por fim acessar as normas da ABNT on-line e aplica-las nos trabalhos acadêmicos. Após essa primeira etapa, foram abertas inscrições para mais 80 alunos interessados, para os quais, os multiplicadores ministraram o treinamento, seguindo com os mesmo conteúdos e metodologia aplicada pela bibliotecária. O treinamento foi expositivo com auxilio de Datashow, com práticas nos computadores disponíveis na biblioteca. Foram avaliadas as práticas desses aprendizes in loco e como sugestão a continuidade do Projeto para demais interessados em 2014.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS PARA NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS
ACADÊMICOS: TRAJETÓRIA DO SIBI/UFPR

Telma Terezinha Stresser de Assis
Eliane Maria Stroparo
Maria Simone Utida dos Santos Amadeu
Angela Pereira de Farias Mengatto

RESUMO
Apresenta a trajetória do Sistema de Bibliotecas na elaboração de roteiros e manuais de
normalização para trabalhos acadêmicos na Universidade Federal do Paraná, visando a
qualidade da produção científica. A metodologia utilizada foi pesquisa documental de
natureza descritiva. No período de 1977 a 2014 a contribuição do SiBi foi a publicação de 5
manuais e 1 em fase de editoração, como material de apoio para a formatação e apresentação
de documentos científicos de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Palavras-Chave: Normalização. Documentos - elaboração. Trabalhos acadêmicos normalização.

ABSTRACT
The present article introduces the pathway of Library’s System in creating scripts and
manuals of normalization to academic papers at Federal University of Parana, aiming the
scientific production’s quality. The methodology employed was the documentary descriptive
research. Between the years 1977 and 2014, the contribution of SiBi was the publishing of
five manuals and one is under publishing, as a supporting material to format and present
scientific materials according to Brazilian Technical Standards Association.
Keywords: Normalization - Academic Papers - Federal University of Parana.

1 INTRODUÇÃO
Em 1969 foi criada a Biblioteca Central (BC) com subordinação direta à Reitoria e
caracterizada como Órgão Suplementar da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
atualmente o Sistema de Bibliotecas (SiBi) da UFPR é composto por uma unidade
administrativa (BC), encarregada de coordenar e supervisionar as atividades de todo o sistema

285

�e mais 18 unidades, localizadas em: Curitiba; Matinhos; Pontal do Paraná; Palotina e Jandaia
do Sul.
Tradicionalmente o SiBi através de seus bibliotecários, tem o compromisso com o
estudo da normalização de documentos científicos, sua atualização, acompanhando as
alterações nas normas de documentação pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), para facilitar, auxiliar e estimular os autores à prática da produção normalizada.
O objetivo deste artigo é apresentar o resgate histórico da UFPR com relação a
normalização de documentos científicos.

2 METODOLOGIA
A pesquisa é descritiva e documental de caráter qualitativo. A análise descritiva foi
feita a partir dos arquivos disponíveis na Memória da Biblioteca Central e na Biblioteca de
Ciência e Tecnologia abrangendo o período de 1977 até 2007.
Para a coleta de informações referente a edição em fase de publicação consultou-se a
Comissão de Normalização do SiBi/UFPR.

3 DESENVOLVIMENTO
No Brasil a ABNT, é o órgão responsável pela produção e publicação de normas
técnicas desde 1940, com intuito de contribuir para o desenvolvimento tecnológico nacional.
O Comitê Brasileiro (CB-14) é o órgão da ABNT responsável pela normalização no
campo da informação e documentação, compreendendo as práticas relativas às bibliotecas,
centro de documentação e informação, serviços de indexação, resumos, arquivos, ciência da
informação e publicação. (ABNT, 2014).
A normalização de documentos nas universidades é importante para a qualidade da sua
produção científica e a formação da sua memória institucional, nesse sentido Crespo e
Rodrigues (2011, p. 38), salientam que "a produção e divulgação da ciência se valem de
padrões, normas que definem a estrutura de apresentação das informações, garantindo a
qualidade formal dos documentos".
As instituições de ensino superior buscando padronizar e sistematizar sua produção
científica elaboram roteiros baseados nas diretrizes da ABNT, dessa forma a UFPR através do
SiBi, vem desenvolvendo roteiro e manuais desde 1977 até 2014 com atualizações e
inovações.

286

�1977 - roteiro para apresentação de publicações - volume único com 112 páginas
Surge em decorrência da crescente produção científica após a reforma universitária,
que motiva a criação de cursos de pós-graduação, com o intuito de auxiliar os autores na
padronização de suas publicações.
Com base na demanda de informações sobre a apresentação de trabalhos e
verificada a extensão da literatura existente sobre o assunto, entendemos a
dificuldade encontrada pelos autores em estabelecer uma linha de conduta
em suas publicações, pois o que geralmente se encontra, com exceção de
algumas normas oficiais brasileiras, são sugestões que apesar de boas nem
sempre são coincidentes. (UFPR, 1977).
O roteiro é elaborado por bibliotecários da Biblioteca Central para suprir as
necessidades encontradas na padronização de documentos, e também como uma tentativa de
estabelecer um padrão para as publicações da instituição.
Dividido em duas partes:
a) tipos de documentos: livros, folhetos, teses, dissertações, trabalhos de
graduação, publicações periódicas, relatórios e curriculum vitae;
b) apresentação dos elementos comuns: estrutura do texto; estilo; referências
bibliográficas; resumo; índice entre outros.

1981 - normas para apresentação de trabalhos - volume único com 183 páginas.
Com as novas normas publicadas em 1978 pela ABNT, procede-se um novo estudo
realizado em conjunto pela BC, Departamento de Biblioteconomia e do Instituto Paranaense
de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES), com alterações no conteúdo do Roteiro
anteriormente publicado.
Assim a publicação Normas para Apresentação de Trabalhos, apresenta como
novidade uma folha guia para auxiliar na datilografia dos documentos. Essa nova publicação
mostra a estrutura e apresentação gráfica dos diferentes tipos de documentos livros e folhetos;
teses, dissertações e trabalhos de graduação; relatórios; publicações periódicas; curriculum
vitae; referências bibliográficas; citações; notas de rodapé; estilo e redação técnico-científica e
orientações para datilografia. (UFPR, 1981).

1992 - Normas para Apresentação de Trabalhos - 2a. edição em oito partes.
Com o uso de novas tecnologias para geração de documentos, é elaborada pela BC,
Departamento de Biblioteconomia e do Ipardes, uma revisão, atualização e ampliação das

287

�Normas para Apresentação de Trabalhos publicada em 1981. A nova edição é estruturada em
oito partes, tratando de temas específicos sendo: 1 Livros e Folhetos; 2 Teses, Dissertações e
Trabalhos Acadêmicos, 3 Relatórios; 4 Publicações Periódicas; 5 Curriculum Vitae e
Memorial; 6 Referências Bibliográficas; 7 Citações e Notas de Rodapé; 8 Estilo e Orientação
Para Datilografia e Digitação.
A parte 8 Estilo e Orientação para Datilografia e Digitação, baseia-se em literatura e
recomendações práticas, contendo uma folha guia com indicações para datilografia e uma
folha de estilo para digitação com comando em software Word. (UFPR, 1992).

2000 - Normas para Apresentação de Documentos Científicos em dez volumes.
A parceria realizada entre o SiBi e o Departamento de Ciência e Gestão da
Informação, o Ipardes e a Editora da UFPR, proporciona a revisão e ampliação da segunda
edição das Normas para Apresentação de Trabalhos, transformando-as na série Normas para
Apresentação de Documentos Científicos, composto por dez volumes, cada qual abordando
um aspecto específico da normalização sendo: 1 Livros; 2 Teses, Dissertações, Monografias e
Trabalhos Acadêmicos; 3 Relatórios; 4 Periódicos e Artigos e Periódicos; 5 Curriculum Vitae
e Memorial; 6 Referências; 7 Citações e Notas e Rodapé; 8 Redação e Editoração; 9 Tabelas;
10 Gráficos.
Essa obra apresenta como inovações a inclusão de dois volumes um para tabelas e
outro para gráficos; e um disquete desenvolvido pelo Ipardes com comando em word para
facilitar a digitação. (UFPR, 2000).

2007 - Normas para Apresentação de Documentos Científicos - 2a.edição em nove
volumes.
Esta edição apresenta modificações relativas à edição anterior, principalmente nos
volumes referente a livros, citações, teses e referências.
No volume de referências, os exemplos são ampliados e apresentados nos formatos:
impresso, digital e internet/online, em função do crescimento das informações da internet.
Apresenta como inovação um novo volume sobre Projetos; inserção de um aplicativo
para a editoração, baseado em formato Linux, intitulado “Edita/UFPR”.
Nessa edição a elaboração passa a ser exclusivamente da equipe do SiBi, que a publica
em nove volumes sendo: 1 Projetos; 2 Teses, Dissertações, Monografias e Outros Trabalhos
Acadêmicos; 3 Citações e Notas de Rodapé; 4 Referências; 5 Relatórios; 6 Periódicos e

288

�Artigos de Periódicos; 7 Livros e Folhetos; 8 Curriculum Vitae e Memorial; 9 Redação e
Editoração. (UFPR, 2007).
Os volumes referentes a tabelas e gráficos, deixam de ser publicados e para a sua
apresentação passam a seguir as orientações do IBGE.

2014 - Manual de Normalização de Documentos Científicos: de acordo com as normas da
ABNT - em fase de editoração.
A equipe para atualização desta edição é formada por bibliotecários do SiBi, que
acompanhando as atuais alterações nas normas de documentação da ABNT elabora uma nova
edição com as seguintes modificações:
•

reestruturação do formato que passa a ser em volume único;

•

mudança do título para Manual de normalização de documentos científicos: de
acordo com as normas da ABNT;

•

a atualização é feita em função de novas edições da ABNT: NBR 14724/2011;
NBR 10719/2011; NBR 15287/2011; NBR 6027/2012; NBR 6024/2012;

•

o capítulo Estrutura de Tese e/ou Dissertação é elaborado explicando todos os
elementos (obrigatórios e opcionais), nos demais capítulos utiliza-se o recurso de
remissiva para os elementos semelhantes;

•

inclusão de novos exemplos advindos da demanda apresentada pelos usuários;

•

acréscimo de um modelo de Trabalho Acadêmico, com explicações passo a passo;

•

inclusão de capítulo sobre Notas de Acessibilidade Informacional, com orientações
para a descrição de imagens, gráficos, tabelas e fórmulas.
Nesta edição não são incluídos os volumes:
•

Periódicos e Artigos de Periódicos; Livros e Folhetos, por obedecerem
normas estabelecidas pelos editores; e Curriculum Vitae e Memorial em
função de disponibilização de modelos pelas empresas e/ou instituições

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Sistema de Bibliotecas por tradição tem o comprometimento com a sistematização
de procedimentos para que se consolide dentro da UFPR a produção científica normalizada.
O retrospecto nas publicações sobre normalização do SiBi realizado de 1977 a 2014 é
de cinco manuais já publicados e um em fase de editoração, mostrando a necessidade de

289

�mantê-la atualizada de acordo com as novas publicações/atualizações/revisões pela ABNT em
normas de documentação.
Conclui-se que esse Manual por se tratar de um instrumento norteador para a
comunidade acadêmica (alunos de graduação, pós-graduação, pesquisadores e professores),
oferecendo recursos e mostrando exemplos para a padronização de suas publicações, deve ser
revisto e/ou atualizado periodicamente.

5 REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Conheça a ABNT.
2014. Disponível em: &lt;www.abnt.org.br/m3.asp?cod_pagina=933&gt;. Acesso em: 20 mar.
2014.
CRESPO, I. M.; RODRIGUES, A. V. F. Normas técnicas e comunicação científica: enfoque
no meio acadêmico. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas,
v.

9,

n.

1,

p.

36-55,

jul./dez.

2011.

Disponível

em:

&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci&gt;. Acesso em: 31 jul. 2014.
UNIVERSIDADE

FEDERAL DO PARANÁ.

Biblioteca Central.

Roteiro para

Biblioteca Central.

Normas para

apresentação de publicações. Curitiba, 1977.
UNIVERSIDADE

FEDERAL DO PARANÁ.

apresentação de trabalhos. Curitiba: Editora da Universidade Federal do Paraná, 1981.
UNIVERSIDADE

FEDERAL DO PARANÁ.

Biblioteca Central.

Normas para

apresentação de trabalhos. Curitiba, Editora UFPR, 1992. 8 v.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas. Normas para
apresentação de documentos científicos. Curitiba: Editora UFPR, 2000. 10 v.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas. Normas para
apresentação de documentos científicos. 2. ed. Curitiba: Editora UFPR, 2007. 9 v.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas. Manual de
normalização de documentos científicos: de acordo com as normas da ABNT. Curitiba,
2014. Em fase de editoração.

290

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                <text>Assis, Telma Terezinha Stresser de, Stroparo, Eliane Maria, Amadeu, Maria Simone Utida dos Santos, Mengatto, Angela Pereira de Farias</text>
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                <text>Apresenta a trajetória do Sistema de Bibliotecas na elaboração de roteiros e manuais de normalização para trabalhos acadêmicos na Universidade Federal do Paraná, visando a qualidade da produção científica. A metodologia utilizada foi pesquisa documental de natureza descritiva. No período de 1977 a 2014 a contribuição do SiBi foi a publicação de 5 manuais e 1 em fase de editoração, como material de apoio para a formatação e apresentação de documentos científicos de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A CONVERSÃO DE REGISTROS NA IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIOS
INSTITUCIONAIS: O CASO DO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL UNESP
Fabrício Silva Assumpção
Renata Eleuterio da Silva
Jaider Andrade Ferreira
Flávia Maria Bastos
RESUMO
O Repositório Institucional UNESP foi criado em 2013 e, para sua implantação, foi povoado
com dados obtidos de forma automática. Considerando a experiência realizada na UNESP,
este trabalho tem por objetivo apresentar os processos utilizados para a conversão dos
registros coletados de três diferentes fontes de dados (Web o f Science, SciELO e Scopus) para
inclusão no repositório. A partir da coleta dos registros, os padrões de metadados da Web of
Science, da SciELO e da Scopus foram mapeados para o perfil de aplicação de metadados
utilizado no repositório. Os registros foram coletados como arquivos XML e, para sua
conversão, foram elaboradas folhas de estilo utilizando a linguagem XSLT. Após essa
conversão, os arquivos XML foram convertidos em arquivos CSV e, então, importados no
Repositório. Conclui-se que os processos de conversão utilizados permitiram alcançar as
metas iniciais do Repositório e evitaram a necessidade de inclusão dos registros de forma
manual.
Palavras-Chave: Repositório institucional; Conversão de registros; Folha de estilos XSLT;
DSpace; Padrão de metadados.
ABSTRACT
The UNESP Institutional Repository was started in 2013 and, for its implementation, it was
populated with data harvested automatically from three distinct sources (Web of Science,
SciELO and Scopus). Based on UNESP’s case, this paper aims to present the process used in
the conversion of records from three distinct sources (Web of Science, SciELO and Scopus)
for inclusion into the repository. After the harvesting, the Web of Science, the SciELO and
the Scopus metadata standards were mapped to the metadata application profile used in the
UNESP Institutional Repository. Since records were harvested as XML files, we created
stylesheets using XSLT to transform these files in XML files in accordance with DSpace
markup language and the application profile. From this point, the XML files were converted
to CSV files in order to be imported into the Repository. We conclude that the conversion
process allowed us to achieve the initial goals of Repository and to avoid the manual entering
of records.
Keywords: Institutional repository; Record conversion; XSLT stylesheet; DSpace; Metadata
standards.

3971

�1 Introdução
O desenvolvimento dos repositórios institucionais, de modo geral, tem ocorrido de
forma “orgânica” a partir da criação de um ambiente digital designado para tal finalidade e da
conscientização da comunidade usuária sobre a importância e a necessidade do depósito de
sua produção em um repositório de acesso aberto. Assim, repositórios institucionais com um
desenvolvimento “orgânico” estão presentes em diversos tipos de instituições, tais como as
universidades, mesmo que, em muitos casos, não haja o autoarquivamento e a necessidade do
depósito da produção não surja com a conscientização, mas com a obrigação.
Inserida num contexto global de universidades que visam à disseminação e à
preservação de sua produção por meio de repositórios, a Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) iniciou em 2013 um projeto para a implantação do
Repositório Institucional UNESP448. Esse repositório, junto aos repositórios da Universidade
de São Paulo (USP)449 e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)450, faria parte
do Repositório da Produção Científica do CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades
Estaduais Paulistas)451.
Para a inauguração do Repositório CRUESP, realizada em outubro de 2013, a UNESP
definiu como objetivo incluir no Repositório o máximo possível da produção científica da
Universidade. Assim, foi definida como meta inicial para a implantação a inclusão da
produção científica de pesquisadores vinculados à Universidade indexada nas bases de dados
Web o f Science e Scopus e publicada em periódicos da Scientific Electronic Library Online
(SciELO). Para alcançar essa meta de maneira eficiente, tendo em vista o prazo para a
inauguração do Repositório CRUESP e do próprio Repositório Institucional UNESP, foram
utilizados processos de coleta, de conversão e de importação automática dos registros
referentes a essa produção científica.
Considerando a experiência realizada na UNESP, este trabalho tem por objetivo
apresentar os processos utilizados para a conversão dos registros das três diferentes fontes de
dados (Web o f Science, SciELO e Scopus) para inclusão no Repositório Institucional UNESP.

2 O Repositório Institucional UNESP
O Repositório Institucional UNESP surgiu a partir da Portaria UNESP número 88, de
28 de fevereiro de 2013, que instituiu o Grupo Gestor da Política do Repositório Institucional
448Disponível em: &lt;http://repositorio.unesp.br&gt;.
449Disponível em: &lt;http://producao.usp.br&gt;.
450Disponível em: &lt;http://unicamp.sibi.usp.br&gt;.
451 Disponível em: &lt;http://cruesp.sibi.usp.br&gt;.

3972

�UNESP, “encarregado do desenvolvimento, implantação e manutenção do repositório
institucional da universidade”, e definiu os propósitos do Repositório: “armazenar, preservar,
divulgar e dar acesso à produção científica, acadêmica e administrativa da Universidade”
(UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, 2013, p. 47).
Entre os membros do Grupo Gestor e responsável pela coordenação executiva do
projeto, está a Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP (CGB) na figura de sua
coordenadora. Entre as atribuições da CGB está garantir a inclusão da produção no
Repositório junto à Equipe Técnica, formada por bibliotecários e analistas de sistemas.
Durante a etapa de implantação, foram definidas quatro metas que refletiam o objetivo
do Repositório em seu estágio inicial:
1. inclusão da produção científica institucional publicada no período de 2008 a 2012 e
indexada na Web o f Science ;
2. inclusão da produção científica institucional publicada em periódicos da SciELO452453;
3. inclusão da produção científica institucional publicada no período de 1976454 a 2007 e
indexada na Web o f Science;
4. inclusão da produção científica institucional indexada na Scopus455.
Para a inauguração do Repositório, que ocorreu em outubro de 2013, apenas a
primeira meta deveria ser alcançada, sendo que as demais poderiam ser alcançadas após a
inauguração.
Considerando o prazo para a inauguração, a quantidade de documentos abrangidos
pela primeira meta (aproximadamente 16.400 documentos distribuídos principalmente entre
artigos e trabalhos publicados em anais de eventos) e a indisponibilidade de recursos humanos
para a inclusão de forma manual, o Grupo Gestor e a Equipe Técnica buscaram estabelecer
processos que possibilitassem a inclusão automática.
A partir desses processos, foi possível alcançar a primeira e a segunda metas antes de
outubro de 2013, de modo que, em sua inauguração, o Repositório contava com cerca de
28.400 registros, aproximadamente 16.400 provenientes da Web o f Science e 12 mil da
SciELO. Utilizando-se desses processos, foi possível alcançar a terceira e quarta metas em
fevereiro e em maio de 2014, respectivamente.
Os processos utilizados para a inclusão dos dados de forma automática
compreenderam diversas atividades, entre elas a coleta, a conversão e a importação dos
452Disponível em: &lt;http://wokinfo.com&gt;.
453Disponível em: &lt;http://scielo.br&gt;.
454 O ano de 1976 foi definido como data limite para a coleta da produção científica da UNESP por ser o ano de
criação desta universidade.
455 Disponível em: &lt;http://scopus.com&gt;.

3973

�registros. Para a atividade de coleta de registros da Web o f Science foi utilizado seu web
service456, que permitiu recuperar registros em Extensible Markup Language (XML)
(Linguagem de Marcação Extensível). Os registros da SciELO também foram coletados em
XML a partir da interface da própria SciELO. Já os registros da Scopus, também em XML,
por não estarem disponíveis gratuitamente, foram adquiridos mediante compra. Os processos
utilizados na conversão dos registros, que são o foco deste trabalho e têm em sua base os
registros em XML, são descritos nas seções seguintes.

3 A conversão de registros utilizando folhas de estilo XSLT
Os registros das três fontes de dados (Web o f Science, SciELO e Scopus) foram
coletados como arquivos XML. Segundo o World Wide Web Consortium (W3C) (2012,
tradução nossa), “originalmente projetada para vencer os desafios da publicação eletrônica em
larga escala, a XML está desempenhando um papel de crescente importância na troca de uma
ampla variedade de dados na Web e em outros lugares”. Essa tecnologia, desenvolvida pelo
W3C na década de 1990, é amplamente disseminada, relacionada a outras tecnologias e
utilizada em uma diversidade de aplicações de informática.
Uma das tecnologias relacionadas à XML é a Extensible Stylesheet Language for
Transformation (XSLT) (Linguagem Extensível para Folhas de Estilo de Transformação),
linguagem utilizada na transformação de arquivos XML. Com essa linguagem são criadas
folhas de estilo que permitem transformar arquivos XML estruturados com uma linguagem de
marcação em arquivos XML estruturados de acordo com outras linguagens de marcação ou
mesmo em arquivos que não sejam XML, por exemplo, arquivos de texto simples (W3C,
2007).
As folhas de estilo XSLT são documentos contendo conjuntos de regras escritas com a
linguagem XSLT que, de modo geral, indicam ao software responsável pela transformação o
que ele deve fazer com os dados de um arquivo XML para transformá-lo em outro arquivo.
O software responsável pela transformação, também chamado de processador de
transformação, recebe o arquivo XML a ser transformado e a folha de estilo XSLT que
contém as regras de transformação. Com base nas regras presentes na folha de estilo, o
software realiza as transformações gerando um novo arquivo. Entre essas transformações
estão desde o simples acréscimo ou a alteração de um dado até a reorganização de todo o456
456Um web service é um método de comunicação entre dois dispositivos eletrônicos em uma rede. O web service
da Web of Science é um serviço sem custos adicionais, disponível aos assinantes da base de dados. Mais
informações sobre o serviço podem ser encontradas em:
&lt;http://wokinfo.com/products tools/products/related/webservices&gt;.

3974

�conteúdo do arquivo de modo que o mesmo fique em acordo com outra linguagem de
marcação. A transformação utilizando uma folha de estilo XSLT é ilustrada na Figura 1.
Figura 1: Transformação utilizando uma folha de estilo XSLT.
Folha de estilo XSLT
(linguagem A para B )

Arquivo de entrada

Arquivo de saída

Arquivo XML
(linguagem de
marcação "A")

Arquivo XML
(linguagem de
marcação "B")
Processador de
transformaçao

Fonte: Elaborada pelos autores.
Ao receber o arquvo XML de entrada, o processador de transformação consulta a folha
de estilo e, com base em suas regras, gera o arquivo de saída, seja ele um arquivo XML ou
não. Cabe notar que, ao realizar a transformação, o arquivo de entrada não é alterado, seu
conteúdo é que é enviado para o arquivo de saída de acordo com as regras de transformação.
Cada uma das fontes de dados utilizadas (Web o f Science, SciELO, Scopus) faz uso de
uma linguagem de marcação diferente para a descrição de seus registros utilizando a XML. A
Figura 2 ilustra as diferenças entre as três linguagens de marcação por meio de exemplos de
como o título de um artigo é representado em cada uma delas.
Figura 2: Título de um artigo em um registro da Web of Science, da SciELO e da Scopus.
&lt;titles count: "4 "&gt;
&lt;title type=”source"&gt;PERSPECTIVAS EM CIÊNCIA DA INFORMACAO&lt;/title&gt;
ctitle type="source_abbrev"&gt;PERSPECT CIENC INF&lt;/title&gt;
&lt;title type="abbrev_iso"&gt;Pespect. Cienc. Inf.&lt;/title&gt;
&lt;title type= "item"&gt;Decision making models and their relationship with organic
information&lt;/title&gt;
&lt;/titles&gt;
&lt;title-group&gt;
&lt;article-title xmldang: "pt"x![CDATA[Modelos de tomada de decisão e sua relação
com a informação orgânica]]x/article-title&gt;
&lt;article-title xmldang: "en"x![CDATA[Decision making models and their relationship
with organic information]]x/article-title&gt;
&lt;/title-group&gt;
&lt;citation-title&gt;
&lt;titletext original="n" xml:lang="eng"&gt;Decision making models and their relationship
with organic information&lt;/titletext&gt;
&lt;titletext original: "y" xml:lang="por"&gt;Modelos de tomada de decisão e sua relação
com a informação orgânica&lt;/títletext&gt;
&lt;/citation-title&gt;

Fonte: Elaborada pelos autores a partir de registrs coletados da Web of Science, da SciELO e da Scopus.

3975

�Como mostrado na Figura 2, as linguagens de marcação das três fontes utilizam
diferentes tags XML para representar o título do artigo: title, article-title e titletext. Observase também a utilização de diferentes normas para a indicação do idioma do título (atributo
xml:lang): a SciELO utiliza a norma ISO 639-1 (dois caracteres: pt, en) e a Scopus utiliza a
ISO 639-2 (três caracteres: eng, por), enquanto que a Web o f Science não indica qual é o
idioma do título. Há, nos registros da Scopus, uma indicação se o título é o título original do
artigo (original= ”y ”) ou se é um título traduzido (original= ”n ”).

Para a descrição dos documentos no Repositório é utilizado um conjunto de metadados
criado a partir do padrão de metadados Dublin Core e levando em consideração as
necessidades de descrição em tal repositório e as possibilidades do software DSpace. Esse
conjunto de metadados é denominado Perfil de Aplicação de Metadados do Repositório
Institucional UNESP.
Para os propósitos de importação e de exportação no Repositório, os registros criados
com o Perfil de Aplicação podem ser representados de duas maneiras: como arquivos XML e
como arquivos de texto simples com valores separado por vírgulas (Comma-Separated
Values) (CSV). Na importação e na exportação via XML, é utilizada junto aos metadados do
Perfil de Aplicação uma linguagem de marcação do próprio DSpace. Um fragmento de um
registro criado com o Perfil de Aplicação e com a linguagem de marcação do DSpace é
apresentado na Figura 3.

Figura 3: Registro criado com o Perfil de Aplicação e com a linguagem de marcação do
DSpace.
&lt;dublin_coreschema="dc"&gt;
&lt;dcvalue element="contributor" qualifier-' author” language="pt"&gt;Manzione, Rodrigo Lilla [UNESP)&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="contributor" qualifier "author" language="pt"&gt;Marcuzzo, Francisco Fernando
Noronha&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="contributor" qualifier=”author" language="pt"&gt;Wendland, Edson Cezar&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element^ "date" qualifier-"issued"&gt;2012-09-01&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalueelement="ídentifier"&gt;http://dx.doi,org/10.1590/S0100-204X201200í)900022&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="language" qualifier "iso"&gt;pt&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element-"relation" qualifier="isPartOf" language="pt"&gt;Pesquisa Agropecuária Brasileira&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="subject" language="pt"&gt;água subterrânea&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="subject" language="pt"&gt;geoestatistíca&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element^"subject" language="en"&gt;groundwater&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue ‘1er en "subject" language "en"&gt;geostatistics&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalueelement="title" language="pt"&gt;lntegraçãode modelos espaciais e temporais para prediçõesde níveis
freát icos extre mos&lt;/d cval ue &gt;
&lt;dcvalue element= "title" qualifier="alternative" language="en"&gt;lntegration of spatial and temporal models to
predict extreme watertable depths&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element-"type" language="pt"&gt;Artigo&lt;/dcvalue&gt;
&lt;/dublin_core&gt;

Fonte: Elaborada pelos autores.

3976

�Uma vez que os reistros coletados estavam em arquivos XML utilizando distintos
padrões de metadados e distintas linguagens de marcação e que, para a importação no
DSpace, era necessário obter os registros de acordo com o Perfil de Aplicação e com a
linguagem de marcação do DSpace, optou-se pela utilização de folhas de estilo XSLT como
meios para a conversão desses registros.
A utilização de folhas de estilo XSLT na conversão de registros está presente em
alguns estudos que relatam os procedimentos e os instrumentos utilizados na conversão
(KEITH, 2004; KEENAN, 2010; KURTH; RUDDY; RUPP, 2004; RUDIC; SURLA, 2009) e
no modelo para conversão de registros para os Formatos MARC 21 elaborado por Assumpção
(2013).
Considerando que os registros coletados utilizavam linguagens de marcação
diferentes, precisariam ser criadas três folhas de estilo, cada uma tendo como origem uma
linguagem de marcação e como destino a linguagem de marcação do DSpace. A partir da
escolha pela utilização de folhas de estilo XSLT, foram definidas e executadas as etapas do
processo de conversão: mapeamentos, elaboração das folhas de estilo, conversão e importação
no Repositório. Essas três etapas são apresentadas nas seções seguintes.

4 Mapeamentos
Para os propósitos deste trabalho, os elementos ou campos para a descrição
apresentados nas linguagens de marcação da Web o f Science, da SciELO e da Scopus são
entendidos como metadados, enquanto que os conjuntos desses campos são entendidos como
padrões de metadados. De forma semelhante, o Perfil de Aplicação é considerado um padrão
de metadados no contexto do Repositório e seus campos são considerados metadados.
Considerando que a conversão utilizando folhas de estilo tem por base o conceito de
“de - para” (de um metadado no padrão de origem para um metadado no padrão de destino),
foi necessário mapear os metadados dos três padrões de origem para os metadados do Perfil
de Aplicação (padrão de destino) para que as folhas de estilo pudessem ser elaboradas.
Esse processo de identificação de relacionamentos existentes entre metadados
semanticamente equivalentes de diferentes padrões é denominado mapeamento ou
crosswalking e resulta em um mapa (crosswalk) que provê uma representação visual dos
relacionamentos, das equivalências e das lacunas entre os padrões de metadados mapeados
(KURTH; RUDDY; RUPP, 2004, p. 154; ST. PIERRE; LAPLANT, 1998; WOODLEY,
2008, p. 3).
A partir do mapeamento dos três padrões foram estabelecidos três mapas:

3977

�Web o f Science para o Perfil de Aplicação;
•

SciELO para o Perfil de Aplicação;

•

Scopus para o Perfil de Aplicação.
Esses mapas foram representados em quadros, como o exemplificado no Quadro 1.

Quadro 1: Fragmento do mapa “Web of Science para o Perfil de Aplicação”.
Web of Science
(padrão de origem)

names/name/last_name
names/name/first_name

Perfil de Aplicação
(padrão de destino)

Repetível

Observações

dc.contributor.author

Sim

Unir os dois metadados
separando-os utilizando
uma vírgula.

addresses/address_name/ad dc.contributor.institution
dress_spec

Sim

pub_info/@sortdate
pub_info/@pubyear

Não

dc.date.issued

abstracts/abstract/abstract_t dc.description.abstract
ext

Sim

fund_ack/grants/grant/grant dc.description. sponsorship
_agency

Sim

identifiers/identifier[@type
='issn']

dc.identifier.issn

Sim

titles/title[@type='source']

dc.relation.isPartOf

Não

keywords/keyword

dc.subject

Sim

titles/title[@type='item']

dc.title

Não

Utilizar o @pubyear
apenas se o @sortdate não
estiver
presente
no
registro.

O título do periódico está
todo em maiúsculas,
corrigir deixando em
maiúsculas apenas a
inicial de cada palavra.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Como mostrado no Quadro 1, foram acrescentadas aos mapas informações que
auxiliaram na elaboração das folhas de estilo, tais como:
•

a indicação sobre a possibilidade de múltiplas ocorrências de um metadado, ou seja, se
o metadado é repetível ou não;

•

a indicação sobre como proceder quando o conteúdo de dois ou mais metadados do
padrão de origem precisa reunido em um único metadado do padrão de destino;

3978

�a indicação sobre como proceder quando há no padrão de origem mais de um
metadado correspondente a um único metadado no padrão de destino (correspondência
muitos-para-um);
•

a indicação sobre as alterações necessárias ao conteúdo do metadado, por exemplo, a
capitalização e a transformação de códigos em valores textuais e vice-versa.

5 Elaboração de folhas de estilo XSLT e conversão de registros
A partir dos mapas indicando as correspondências entre os metadados utilizados pelas
distintas fontes de dados e pelo Perfil de Aplicação, foram elaboradas três folhas de estilo.
Para essa atividade foi utilizada versão 2.0 da linguagem XSLT (W3C, 2007) e o Oxygen
XML Editor457, software utilizado para a criação e a edição de documentos XML e que dispõe
de processadores de transformação necessários à conversão dos registros.
Seguindo as correspondências indicadas nos mapas, os conteúdos de alguns metadados
dos padrões de origem foram simplesmente enviados para os metadados do padrão de destino
(Perfil de Aplicação). Nesses casos em que não foi necessária a alteração do conteúdo, foram
incluídas na folha de estilo regras de transformação semelhantes à apresentada na Figura 4.

Figura 4: Regra de transformação em que não há alteração no conteúdo do metadado.

&lt;xsl:for-each select="head/citation-info/author-keywords/author-keyword"&gt;
&lt;dcvalue element=,,subject"&gt;
&lt;xsl:value-of select="."/&gt;
&lt;/dcvalue&gt;
&lt;/xsl:for-each&gt;
Fonte: Elaborada pelos autores.

A regra de transfrmação apresentada na Figura 4 indica ao processador de
transformação: para cada ocorrência do metadado author-keyword em um registro da Scopus,
crie um metadado subject e insira nesse metadado o conteúdo do metadado author-keyword.
Com essa regra, cada palavra-chave presente no registro da Scopus foi inserida em um
metadado subject do registro de destino.
Em alguns casos, no entanto, o conteúdo do metadado de origem não pôde ser
simplesmente enviado para o metadado de destino, sendo necessária a adequação desse
457 Disponível em: &lt;http://oxygenxml.com/&gt;.

3979

�conteúdo durante a transformação de modo que ficasse de acordo com o padrão para o
preenchimento dos campos estabelecido para o Repositório. Alguns desses casos incluíram: a
devida capitalização das palavras que estavam com todas as letras em maiúsculo; a adequação
dos códigos de idiomas e dos tipos de documentos; e a padronização do nome da UNESP, das
principais instituições com as quais ela mantém parcerias e das principais agências de
fomento/financiamento nacionais.
Para a padronização do nome da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo (FAPESP), por exemplo, foi dada ao processador de transformação a seguinte
instrução: caso a agência de fomento presente no registro de origem seja “Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo”, “São Paulo Research Foundation” ou
“FAPESP”, insira no registro de destino “Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo (FAPESP)” (forma padronizada para a inserção no Repositório).
Para garantir que o resultado da conversão estivesse de acordo com o Perfil de
Aplicação e com o padrão para o preenchimento dos campos, durante e após a elaboração das
folhas de estilo foram realizados testes para verificar a adequação dos registros convertidos
aos resultados esperados.
Após a finalização de cada folha de estilo, que ocorreu em diferentes momentos da
implantação do Repositório, os registros coletados em XML foram inseridos no processador
de transformação. O processador de transformação, por sua vez, processou os registros e, com
base nas regras de transformação da folha de estilo, converte-os, apresentando como resultado
arquivos XML contendo registros de acordo com o Perfil de Aplicação e seguindo a
linguagem de marcação do DSpace.

6 Conversão para CSV e importação
Após a conversão, os registros precisavam ser importados no Repositório. Entre os
métodos para importação de registros disponíveis no software utilizado no Repositório, o
DSpace, há a importação em massa por meio de arquivos de texto simples contendo valores
separados por vírgula (CSV). Esse arquivos assemelham-se às planilhas dos programas
Microsoft Office Excel e LibreOffice Calc, em que cada coluna representa um metadado e
cada linha representa um registro.
Considerando a necessidade da importação de registros em massa no Repositório, foi
decidido pela utilização de arquivos CSV como o meio para a inserção dos registros
convertidos. Desse modo, os arquivos XML resultantes da conversão dos registros da Web o f
Science, da SciELO e da Scopus precisariam ser convertidos em arquivos CSV.

3980

�Como mencionado, as folhas de estilo XSLT podem ser utilizadas para a conversão de
arquivos XML tanto em arquivos XML de acordo com outras linguagens de marcação, quanto
em arquivos de outros tipos, por exemplos, arquivos de texto simples. Essa possibilidade fez
com que as folhas de estilo fossem escolhidas também para a segunda conversão (de arquivos
XML para arquivos CSV).
Cabe observar que a segunda conversão não incluiu alterações nos metadados e nem
em seus conteúdos, podendo ser entendida apenas como uma reorganização dos registros para
atender a uma necessidade de importação do DSpace.
Após a elaboração da folha de estilo e a segunda conversão, os registros foram então
importados no Repositório. A partir da importação a Equipe Técnica prosseguiu com as
demais atividades para a implantação do Repositório.

7 Considerações finais
O processo de conversão de registros para inclusão em repositórios institucionais,
assim como todo o processo de implantação e de gestão desses repositórios, deve ser
realizado de forma interdisciplinar, congregando, na medida do possível, conhecimentos de
profissionais de distintas áreas, entre elas a Biblioteconomia e a Ciência da Computação.
A participação de bibliotecários no processo de conversão ocorre principalmente no
estudo e no mapeamento dos padrões de metadados e na validação dos resultados obtidos com
a conversão. Essas atividades requerem a participação de bibliotecários não apenas por
demandarem aspectos da disciplina de catalogação, disciplina presente no núcleo da
Biblioteconomia, mas, também, pelos bibliotecários terem o conhecimento, ou a capacidade
de obtê-lo, sobre o papel da produção científica nas universidades e, de forma mais ampla,
sobre a comunicação científica e os agentes nela envolvidos (pesquisadores, leitores,
publicadores, bases de dados, universidades, agências de fomento, etc.).
Apesar de terem seu papel definido, os bibliotecários não devem ter sua atuação
limitada a essas atividades na conversão de registros. O que se observa, a partir da experiência
da UNESP, é a necessidade dos bibliotecários ultrapassarem os limites tradicionalmente
colocados pela Biblioteconomia em busca de conhecimentos de outras áreas que possam ser
úteis ao desenvolvimento de suas atividades e a um reposicionamento da Biblioteconomia e
da biblioteca universitária diante das necessidades das universidades no cenário informacional
atual.
No caso do Repositório Institucional UNESP, os bibliotecários da Equipe Técnica
puderam desempenhar algumas atividades que, por sua natureza, seriam delegadas aos

3981

�analistas de sistemas, tais como a coleta dos dados pelo web service da Web o f Science e a
elaboração das folhas de estilo. Isso se deu, principalmente, em razão desses bibliotecários
buscarem em outras áreas os conhecimentos necessários ao desenvolvimento dessas
atividades.
Após a conversão e a importação dos registros, foram necessárias ações para a
padronização, a inserção e a remoção de dados, considerando, principalmente, que nem todos
os dados necessários ao Repositório puderam ser obtidos a partir dos registros coletados da
Web o f Science, da SciELO e da Scopus, e que alguns dados, os nomes dos autores e das
instituições, por exemplo, nem sempre são indicados de forma consistente, sendo possível, em
uma mesma fonte de dados, encontrar diferentes formas desses nomes. Essas ações, em sua
maior parte, tiveram de ser realizadas manualmente pela Equipe Técnica.
Além dessas ações de padronização, de inserção e de remoção de dados, foram
executadas pela Equipe Técnica ações para a verificação das condições de acesso (acesso
aberto ou acesso restrito) e das permissões para o arquivamento (arquivamento em
repositórios institucionais permitido ou não) e para a coleta dos documentos, nos casos em
que o arquivamento em repositórios institucionais era permitido. Essas ações foram realizadas
considerando uma característica essencial dos repositórios institucionais: prover o acesso
aberto e preservar os documentos, não apenas seus registros ou metadados.
Após a inclusão da produção científica indexada na Web o f Science e na Scopus e
publicada em periódicos da SciELO, uma das próximas etapas do Repositório será a inclusão
das teses e das dissertações defendidas na Universidade. Para essa inclusão serão reutilizados
os registros no Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos criados pela Rede de
Bibliotecas da UNESP e também o processo de conversão por meio de folhas de estilo XSLT,
sendo conduzidas as etapas de mapeamento e de elaboração de folhas de estilo de forma
semelhante à descrita neste trabalho.
Além de ter possibilitado o alcance das quatro metas definidas para o estágio inicial do
Repositório Institucional UNESP, poupando esforços manuais tanto dos pesquisadores quanto
dos servidores, a inclusão dos registros de forma automática permite projetar para a
comunidade da UNESP os benefícios da existência de um repositório institucional. Nesse
sentido, é possível, então, fomentar na comunidade uma cultura de depósito da produção
científica que auxilie no desenvolvimento do Repositório enquanto produto e serviço de
informação que representa a Universidade.
Essa inclusão automática também se apresenta como um diferencial, não
necessariamente exclusivo da UNESP, que favorece o convencimento dos gestores da

3982

�Universidade quanto à necessidade de recursos específicos que possibilitem a continuidade do
trabalho iniciado com a implantação do Repositório.
Considerando os resultados da conversão e da inclusão automática dos registros no
Repositório Institucional UNESP, espera-se que este trabalho contribua com as instituições
que almejam realizar o povoamento de seus repositórios por meio da coleta de dados de
maneira automática.

Referências
ASSUMPÇÃO, F. S. Conversão de registros em XML para MARC 21: um modelo baseado
em folhas de estilo XSLT. 135 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2013. Disponível
em:

&lt;http://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-

Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/assumpcao fs me mar.pdf&gt;. Acesso em: 14
maio 2014.
KEENAN, T. M. Why Purchase When You Can Repurpose? Using Crosswalks to Enhance
User

Access.

Code4Lib

Journal,

n.

11,

2010.

Disponível

em:

&lt;http://iournal.code4lib.org/articles/3604&gt;. Acesso em: 14 maio 2014.
KEITH, C. Using XSLT to manipulate MARC metadata. Library Hi Tech, v. 22, n. 2, p. 122­
130, 2004. Disponível em: &lt;http://dx.doi.org/10.1108/07378830410524549&gt;. Acesso em: 14
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KURTH, M.; RUDDY, D.; RUPP, N. Repurposing MARC metadata: using digital project
experience to develop a metadata management design. Library Hi Tech, v. 22, n. 2, p. 153­
165, 2004. Disponível em: &lt;http://dx.doi.org/10.1108/07378830410524585&gt;. Acesso em: 14
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RUDIC, G.; SURLA, D. Conversion of bibliographic records to MARC 21 format. The
Electronic Library,

v.

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n.

6,

p.

950-967,

2009.

Disponível

em:

&lt;http://dx.doi.org/10.1108/02640470911004057&gt;. Acesso em: 14 maio 2014.
ST. PIERRE, M.; LAPLANT, W. P. Issues in Crosswalking Content Metadata Standards.
Baltimore:

National

Information

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Organization,

1998.

Disponível

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&lt;http://www.niso.org/publications/white papers/crosswalk&gt;. Acesso em: 14 maio 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Portaria n.° 88, de 28 de fevereiro de 2013.
Diário Oficial do Estado de São Paulo, Executivo, São Paulo, 01 mar. 2013. Caderno 1, p.
47.

3983

�W3C.

XML.

Last

modified:

2012/01/24.

Cambridge,

2012.

Disponível

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&lt;http://www.w3.org/XML&gt;. Acesso em: 14 maio 2014.
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Cambridge, 2007. Disponível em: &lt;http://www.w3.org/TR/xslt20&gt;. Acesso em: 14 maio
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WOODLEY, M. S. Crosswalks, Metadata Harvesting, Federated Searching, Metasearching:
Using Metadata to Connect Users and Information. In: BACA, M. (Org.). Introduction to
Metadata. 2nd ed. Los Angeles: Getty Research Institute, 2008. Disponível em:
&lt;http://www.getty.edu/research/publications/electronic publications/intrometadata/path.pdf&gt;.
Acesso em: 14 maio 2014.

3984

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>A conversão de registros na implantação de repositórios institucionais: o caso do Repositório Institucional UNESP</text>
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                <text>Assumpção, Fabrício Silva, Silva, Renata Eleutério da, Ferreira, Jaider Andrade, Bastos, Flávia Maria</text>
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                <text>O Repositório Institucional UNESP foi criado em 2013 e, para sua implantação, foi povoado com dados obtidos de forma automática. Considerando a experiência realizada na UNESP, este trabalho tem por objetivo apresentar os processos utilizados para a conversão dos registros coletados de três diferentes fontes de dados (Web of Science, SciELO e Scopus) para inclusão no repositório. A partir da coleta dos registros, os padrões de metadados da Web of Science, da SciELO e da Scopus foram mapeados para o perfil de aplicação de metadados utilizado no repositório. Os registros foram coletados como arquivos XML e, para sua conversão, foram elaboradas folhas de estilo utilizando a linguagem XSLT. Após essa conversão, os arquivos XML foram convertidos em arquivos CSV e, então, importados no Repositório. Conclui-se que os processos de conversão utilizados permitiram alcançar as metas iniciais do Repositório e evitaram a necessidade de inclusão dos registros de forma manual.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

LITERATURA NA BIBLIOTECA: A IMPORTÂNCIA DO INCENTIVO À LEITURA
NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL-RS
Michele Baptista

RESUMO
O presente trabalho visa a refletir sobre a importância da leitura no ambiente acadêmico e as
práticas adotadas pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade de Caxias do Sul para o
enriquecimento do seu acervo literário, proporcionando um crescimento da circulação destas
obras. Identifica as características dos serviços em bibliotecas universitárias a partir do
marketing de obras literárias e métodos atrativos aos seus usuários. Propõe um conteúdo
teórico voltado à importância da leitura e da literatura como parte integrante dos processos
das bibliotecas universitárias. Apresenta o método utilizado para a prática de difusão de obras
literárias. Espera-se que este relato consiga fazer com que as bibliotecas universitárias pensem
em diferentes formas de atrair seus usuários potenciais, buscando formar leitores capazes de
fazer do hábito de leitura um instrumento de ampliação de horizontes.

Palavras-chaves: Incentivo à leitura; Biblioteca universitária; Obras literárias; Universidade
de Caxias do Sul; Doação de livros.
ABSTRACT
This paper aims to reflect on the importance of reading in the academic environment and
practices adopted by the Library System of the University of Caxias do Sul to the enrichment
of its literary estate, providing a growing movement of these works. Identifies the type of
service in university libraries from the literary works and attractive marketing methods to its
users. Proposes a theoretical content focused on the importance of reading and literature as
integral to the processes of the university library. It is expected from the results of this
initiative, which this account can make the college libraries think of various ways to attract
potential users, educating readers capable of reading habits an instrument of expanding
horizons.

Keywords: Encouraging reading; University library; Literary works; University of Caxias do
Sul; Donation of books.

1 INTRODUÇÃO
Atualmente, muitas bibliotecas têm se preocupado em contribuir para a formação de
um indivíduo crítico, responsável e atuante na sociedade. Isto se deve ao momento em que se
vive, em uma sociedade na qual as trocas de informações acontecem rapidamente, seja através

2891

�da leitura ou da escrita. Assim, as bibliotecas deparam-se com a necessidade de
aprimoramento de sua eficácia e da qualidade dos seus serviços, bem como com usuários
assíduos a pesquisar e obter materiais informacionais, e a leitura constitui-se em um dos
meios para a formação de usuários conscientes.
Para obter eficácia, é necessária a viabilização de espaços, bem como a criação de
novos serviços em bibliotecas, gerando usuários motivados para a leitura das obras oferecidas.
Na realização deste processo, são fundamentais as intervenções dos bibliotecários. Neste caso,
é um ponto estritamente importante na área de informação, basicamente preocupada com “a
prestação de um serviço e acesso à informação.” (BUCKLAND, 1992, p. 3).
Com a explosão tecnológica e as mudanças ocorridas nos últimos tempos, as
bibliotecas, em especial as universitárias, sentiram a necessidade de um novo direcionamento
dos seus serviços. Aquele usuário que somente utiliza o serviço de empréstimos está deixando
de existir. Ele passou a figurar como cliente crítico, com ideias e sugestões e, desta forma, as
bibliotecas devem, de acordo com o perfil de cada uma, elaborar e oferecer produtos e
serviços que sejam atrativos aos seus usuários, refinando padrões de qualidade.
Este trabalho tem como objetivo demonstrar a relevância da criação novos serviços os
quais atendam, indistintamente, aos diferentes interesses de sua comunidade acadêmica,
através da disponibilização de espaços inovadores e criativos. Também, pretende-se discutir e
refletir sobre a importância do incentivo à leitura, relatando um dos serviços oferecidos aos
usuários do Sistema de Bibliotecas da Universidade de Caxias do Sul: a doação de obras
literárias como pagamento de multa. Além disto, apresenta uma preocupação com a cultura e
o lazer, que também devem existir em uma biblioteca, para agregar valor aos serviços
ofertados.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A importância do incentivo à leitura
A leitura é um processo em que muitos aspectos estão envolvidos e uma descrição do
mesmo deve envolver não apenas o texto e o leitor, mas também o momento de encontro
entre ambos, ou seja, as circunstâncias sócio-históricas de leitura (LEFFA, 1996). A leitura é
uma atividade de construção de sentido que pressupõe a interação autor-texto-leitor, na qual
estão em jogo não só as pistas e sinalizações que o texto oferece, mas também os
conhecimentos do leitor (KOCH &amp; ELIAS, 2006).
Segundo Silva (2005), a leitura é um ato de conhecimento, pois ler significa perceber e
compreender as relações existentes no mundo. Já Nunes (1994, p. 14) afirma que:

2892

�A leitura é uma atividade ao mesmo tempo individual e social. É individual
porque nela se manifestam particularidades do leitor: suas características
intelectuais, sua memória, sua história; é social porque está sujeita às
convenções lingüísticas340, ao contexto social, à política.
É através da leitura que o ser humano absorve quase todo conhecimento que usará
durante a sua vida, da forma mais coerente que lhe convier. Sabemos que o individuo que lê,
desenvolve o senso crítico e melhora a escrita. Para tanto, cabe ao bibliotecário e às
bibliotecas (públicas, escolares, universitárias) incutir em seus usuários que a literatura é algo
bom, natural, fácil e prazeroso.
É possível, também, que os usuários de bibliotecas percebam qual a leitura que mais
lhes agrada e, desta forma queiram manter um contato mais próximo com a leitura do seu
interesse. Conforme Orlandi (1998), os indivíduos descobrem que, aos poucos, estão
adquirindo pleno domínio sobre os textos, conseguindo assimilá-los e compreendê-los de
forma pessoal. Então, surge o prazer pela leitura. Já Bamberger (2000) argumenta a
necessidade de formar leitores que saibam selecionar o material escrito adequado para
embrenhar-se em outros mundos que toda leitura literária pode propiciar.

2.2 Incentivo à leitura para a comunidade acadêmica
Faz-se imprescindível que o convívio com os livros extrapole o desenvolvimento
sistemático do hábito de leitura e que a literatura passe a ser difundida com mais intensidade
à sua comunidade acadêmica pelas bibliotecas, pois se acredita que a leitura seja o mais
importante elemento do imaginário. Ler significa refletir, pensar, estar a favor ou contra,
comentar, trocar opiniões, posicionar-se.
A leitura, de acordo com Bamberger (2000), impulsiona o uso e o treino de aptidões
intelectuais e espirituais como a fantasia, o pensamento e a capacidade de identificar. Já
Martins (1994) diz que a leitura, bem como um texto literário, exerce mediação, estabelece
relações entre os leitores, sendo que cada leitor atribui ao texto um sentido particular. Ela é
um espaço de interação do leitor consigo mesmo e com os outros, e sua dinâmica envolve
componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos, neurológicos, bem como
culturais, econômicos e políticos.
Pensar em incentivo à leitura enquanto prática social pressupõe pensar nas múltiplas
relações que o usuário leitor exerce na interação com o universo sociocultural desenvolvido

340

A ortografia será preservada de acordo com o seu original.

2893

�pelas bibliotecas. As bibliotecas precisam pensar em um usuário apto a usar a leitura como
fonte de informação e disseminação de cultura, pois,
ler significa ser questionado pelo mundo e por si mesmo, significa que certas
respostas podem ser encontradas na escrita, significa poder ter acesso a essa
escrita, significa construir uma resposta que integra parte das novas
informações ao que já se é. (FOUCAMBERT, 1994, p. 5)

Existem várias maneiras de ler: por prazer e não por dever, ler por divertimento e ler
com propósito funcional (fins educativos, profissionais ou informacionais). Aponta-se que a
leitura é a base para o crescimento individual e, consequentemente, para o progresso
educacional.
Segundo Koch &amp; Elias (2006, p. 11), “a leitura é, pois, uma atividade interativa
altamente complexa de produção de sentidos” . Assim, com esta base teórica, quando se
conceitua leitura, comumente as pessoas a restringem à decifração da escrita, porém sua
aprendizagem deve ligar-se ao processo de formação plena de indivíduos, ao seu preparo para
o exercício da cidadania, ou seja, para atuações sociais, políticas, econômicas e culturais.
Constitui-se numa ferramenta indispensável para transformar a educação que se tem na
educação que se desej a.
Estes autores afirmam que, no ato de leitura, o leitor aciona um conjunto de saberes e
utiliza-se de estratégias, por meio das quais atribui sentido para aquilo que lê. Estas
estratégias são: (a) seleção: está relacionada aos objetivos de leitura, tendo em vista que nem
todas as informações apresentadas em um texto são relevantes para o leitor; (b) antecipação:
é o momento no qual o leitor faz previsões sobre o que o texto tratará, seja a partir do título,
de alguma imagem ou de outros recursos; (c) inferência: nela, o leitor busca, a partir do seu
conhecimento de mundo, estabelecer relações com o conteúdo lido para as interpretações do
texto; (d) verificação: estratégia em que o leitor percebe se o que foi antecipado ou inferido
está realmente de acordo com o que foi abordado no texto. (KOCH &amp; ELIAS, 2006).
Segundo Kleiman (1996), a flexibilidade e o interesse pela leitura é a principal
característica do leitor proficiente. Ele não lança mão de apenas um procedimento, mas de
vários possíveis, quando um não for suficiente ou adequado para a compreensão. Na busca
pela compreensão, o leitor proficiente também faz predições em relação ao texto, baseadas em
seu conhecimento prévio, tanto sobre o assunto quanto sobre o autor e as condições de
produção em geral.

2894

�2.3 A literatura difundida em bibliotecas universitárias
As bibliotecas universitárias podem ultrapassar os limites do espaço acadêmico para
promover a leitura, oferecendo, desta forma, materiais informacionais atrativos, acesso à
informação e através desta, à democratização do conhecimento, que é um fator decisivo para
o pleno exercício da cidadania e inclusão social. Wanderley (1991, p. 39), explicita que uma
das direções dadas à extensão universitária é ser
dedicada ao relacionamento da universidade com a comunidade, tomando
comunidade ou em sentido restrito de bairro, cidade ou região onde ela está
inserida, ou em sentido amplo de sociedade nacional, que compreende
também uma multiplicidade de serviços de toda natureza, nos campos do
ensino, da pesquisa e dos serviços propriamente ditos.
A difusão de obras literárias nas bibliotecas propicia a exploração de inúmeras
possibilidades de educação seja no âmbito social, emocional ou cognitivo dos usuários. Ela é
capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem,
que sabe compreender o contexto em que vive.
Para Coelho (1980, p. 25) a literatura é:
Uma linguagem específica que, como toda linguagem, expressa uma
determinada experiência humana, e dificilmente poderá ser definida com
exatidão. Cada época compreendeu e produziu literatura a seu modo.
Conhecer esse “modo” é, sem dúvida, conhecer a singularidade de cada
momento da longa marcha da humanidade em sua constante evolução.
Conhecer a literatura que cada época destinou [...] é conhecer os ideais e
valores ou desvalores sobre os quais cada sociedade se fundamentou (e se
fundamenta).
Assim, as bibliotecas universitárias devem passar por um processo de transformação,
visando a agregar serviços de acordo com seus usuários, suas necessidades e suas
expectativas. Uma de suas principais finalidades é a de fornecer serviços de informação para
a comunidade acadêmica (corpo docente, discente e técnico), apoiando as atividades de
ensino, aprendizagem, pesquisa e extensão. Conforme Silva et al. (2004, p. 135),
A biblioteca universitária está diretamente ligada ao ensino superior e é uma
instituição fundamental para auxiliar no processo de aprendizagem. Sua
influência está ligada ao auxílio, ao ensino, à pesquisa, ao atendimento a
estudantes universitários e à comunidade em geral. Seu papel é suprir as
necessidades de informações técnicas, científicas e literárias ao ensino, à
pesquisa e à extensão.

2895

�É necessário que as bibliotecas universitárias disponham de um acervo bem
distribuído e atualizado na área de literatura, com bibliotecários que promovam o livro
literário, além de programas de incentivo à leitura, valorizando desta forma, a literatura.

2.4 Importância da literatura: sugestões literárias como processo de incentivo à leitura
Integrar o passado e o presente é algo proporcionado pela leitura, a qual executa esta
integração de maneira acessível e rica, conforme Brumfit &amp; Carter (1986). Isto acontece a
partir da ação de cada leitor, no seu contato com a linguagem literária que, por sua vez,
abrange informações sobre vários aspectos como filosofia, política, arte, religião, além de
promover o contato com outras formas de pensamento e tradição cultural. Para isso, de acordo
com Zilberman &amp; Silva (1990, p. 19),
A literatura provoca no leitor um efeito duplo: aciona sua fantasia,
colocando frente a frente dois imaginários e dois tipos de vivência interior;
mas suscita um posicionamento intelectual, uma vez que o mundo
representado no texto, mesmo afastado no tempo ou diferenciado enquanto
invenção, produz uma modalidade de reconhecimento em quem lê. Nesse
sentido, o texto literário introduz um universo, que, por mais distanciado do
cotidiano, leva o leitor a refletir sobre sua rotina e a incorporar novas
experiências.
A leitura literária é definida como a leitura com finalidade de divertimento e prazer,
realizada em textos literários, escolhidos a partir de interesses e preferências pessoais.
Considera-se que a leitura de obras de literatura contribui para a consolidação do pensamento
crítico e criativo, aguçando as emoções.
Brumfit e Carter (1996, p. 15) também falam sobre a riqueza do texto literário:
Primeiro, o texto literário é um texto autêntico com linguagem real dentro de
um contexto. Ele oferece um conteúdo cuja exploração e discussão do
conteúdo (o qual, se apropriadamente escolhido, pode ser importante na
motivação para estudo) leva a uma percepção natural da linguagem
usada.341
É válido salientar que sugerir obras literárias como incentivo à leitura proporciona aos
usuários de bibliotecas um contexto e uma linguagem que despertam o interesse em descobrir
mais sobre determinados assuntos e culturas diversas. A partir dos textos literários, o usuário
é colocado, muitas vezes, em um contexto diferente do seu mundo, aguçando a fantasia e o
imaginário.

341 First, literary texts is authentic text, real language in context, to which we can respond directly. It offers a
context in which exploration and discussion o f content (which if appropriately selected can be an important
motivation for study) leads on naturally to examination o f language.

2896

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Universidade de Caxias do Sul e seu Sistema de Bibliotecas
O serviço que será apresentado ao longo do presente trabalho foi desenvolvido no
Sistema de Bibliotecas da Universidade de Caxias do Sul (SiBi-UCS), em especial na sua
Biblioteca Central. Em razão disto, faz-se necessário apresentar o SiBi-UCS e a sua história,
que teve início em maio de 1970, com a institucionalização da Biblioteca Central, cujo acervo
foi formado a partir das obras existentes nas bibliotecas das instituições que deram origem à
Universidade de Caxias do Sul (UCS): Escola de Enfermagem Madre Justina, Escola de Belas
Artes de Caxias do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas, Faculdade de Filosofia e
Faculdade de Direito.
Em 1985, a Biblioteca Central (BICE) passou a ocupar um prédio próprio, numa área
de 2.507m2, representando um marco significativo na prestação de seus serviços.
Em 1993, em face ao processo de regionalização da UCS, novas bibliotecas foram
criadas, levando à criação do Sistema de Bibliotecas da Universidade de Caxias do Sul (SiBiUCS). O sistema é gerenciado pela Biblioteca Central, a qual é responsável pelo processo de
catalogação de todo o acervo, que posteriormente é disponibilizado aos usuários através de
suas bibliotecas setoriais. Este é um dos diferenciais do SiBi-UCS em relação à maioria dos
sistemas de bibliotecas universitárias brasileiras. O serviço de preparo técnico das obras é
realizado somente na Biblioteca Central, garantindo, desta forma, uma maior uniformidade no
processo de catalogação e registro de autoridades.
Atualmente, o SiBi-UCS é composto por 12 bibliotecas, distribuídas em 10 municípios
de atuação da UCS. O acervo do SiBi-UCS é composto por:

a) Livros: 298.838 títulos e 589.100 exemplares
b) Materiais especiais: 12.889 títulos e 25.923 exemplares
c) Periódicos (coleções): 11.104 títulos e 479.188 exemplares
d) Total geral: 322.831 títulos e 1.094.211 exemplares
Outro diferencial existente no Sistema de Bibliotecas da Universidade de Caxias do
Sul-SiBi-UCS é a possibilidade de o acadêmico de qualquer uma das unidades universitárias
ter acesso a todo o acervo bibliográfico, independente de onde esteja vinculado, pois este
pode solicitar através do empréstimo interbibliotecas obras disponíveis nas demais unidades.
Desta forma, os mais de um milhão de exemplares existentes estão à disposição de todos os
membros da comunidade acadêmica.

2897

�O SiBi-UCS é um instrumento de ensino, pesquisa e extensão da Universidade, capaz
de oferecer, também, serviços voltados para a prática de ações socioculturais.
Visando a uma maior aproximação com sua comunidade acadêmica, o SiBi-UCS, no
ano de 2010, criou novos canais de comunicação com seus usuários, os quais convém
destacar: o Blog do Sistema de Bibliotecas da UCS, que conta com média diária de 600
visualizações; o canal exclusivo no site de vídeos YouTube, no qual estão disponibilizados os
tutoriais de todos os serviços oferecidos pela Biblioteca aos seus usuários, na forma de vídeo,
algo inovador em bibliotecas no Brasil, e a presença nas redes sociais, através do Facebook e
Twitter.

3.2 Livros doados como pagamento de multa
Em qualquer tipo de biblioteca, os produtos e serviços oferecidos, bem como as
atividades desenvolvidas, diferem de acordo com alguns aspectos, tais como o público para o
qual se destinam, o tipo de suportes físicos armazenados, os interesses e as habilidades dos
usuários que são atendidos por esta biblioteca e, até mesmo, os recursos financeiros, ou seja,
as verbas destinadas à compra de materiais. Com base nestes aspectos, o Sistema de
Bibliotecas da UCS criou um serviço de divulgação das sugestões literárias, estabelecendo,
assim, uma atividade sociocultural entre a Biblioteca e seus usuários.
Em 2006, em uma iniciativa que teve como finalidade oferecer obras literárias aos
seus usuários, o SiBi-UCS adotou uma nova sistemática para o serviço de pagamento de
multas: as bibliotecas do sistema passaram a aceitar cheque-presente de livrarias como forma
de quitação das dívidas. Além disto, buscando torná-la mais atrativa ao usuário com débitos
na Biblioteca, passou a ser oferecido um desconto de 20% do total da dívida para com a
Biblioteca para aqueles que efetuassem o pagamento através de cheque-presente.
Esta sistemática foi adotada com a finalidade de as bibliotecas do SiBi-UCS passarem
a adquirir os lançamentos literários, atendendo, desta maneira, uma reivindicação de seus
usuários, os quais gostariam de realizar a leitura dos últimos lançamentos editoriais. Esta
reinvindicação consta no programa de avaliação institucional, no qual os usuários avaliam a
Biblioteca em sete itens, com a possibilidade de realizarem observações e sugestões. A partir
das mesmas, a prática de quitar débitos na Biblioteca utilizando cheque-presente foi adotada.

3.3 Lista de livros para pagamento de multa
Além de poder pagar a dívida por atraso com cheque-presente, o usuário passou a ter a
possibilidade de saldar seu débito doando obras literárias pré-selecionadas pela Biblioteca

2898

�Central. Estas obras literárias pré-selecionadas estão descritas numa lista disponibilizada no
site da Biblioteca.342
Em 2007, com a finalidade de estimular a leitura de obras literárias por parte dos
membros da sua comunidade acadêmica, foram disponibilizadas, na Biblioteca Central
(BICE), as “ Sugestões Literárias”, dispostas em uma estante localizada próxima ao balcão de
empréstimo.343 Essa ideia partiu de uma prática já exercida por uma das bibliotecas setoriais
e que estava obtendo êxito com relação aos empréstimos: a biblioteca do Campus da Região
dos Vinhedos (CARVI), coordenada pela bibliotecária Renata Tonini. A localização da estante
com as “ Sugestões Literárias”, próxima ao balcão de empréstimo, foi extraída de uma prática
de marketing adotada por redes de varejo, as quais disponibilizam, próximo aos caixas,
produtos que atraem a atenção do consumidor. Este princípio foi trazido à realidade da
Biblioteca, procurando deixar aos olhos do usuário, no momento do empréstimo, ou mesmo
devolução, lançamentos literários, bem como outras obras dos mais diversos gêneros
literários.
Este processo trouxe reflexos imediatos no hábito dos usuários no que se refere à
leitura, pois o número de empréstimo destas obras literárias, adquiridas por meio da doação de
livros ou cheque-presente cresceu consideravelmente e vêm aumentando, ao contrário do
empréstimo de livros técnicos e didáticos, os quais apresentaram uma leve queda no
empréstimo.
Baseando-se nesta iniciativa sobre mediação de leitura, foram adotados, na Biblioteca
Central e também em algumas setoriais, expositores contendo sugestões literárias como um
dos serviços oferecidos para o incentivo à leitura junto à comunidade.

3.3.1 Por que somente obras literárias?
O processo de aquisição de livros para o Sistema de Bibliotecas da UCS funciona da
seguinte forma:
(a) obras que fazem parte das listas bibliográficas básicas e complementares das
disciplinas dos cursos de graduação;
(b) obras necessárias para cursos em fase de implantação e/ou em fase de
reconhecimento, disciplinas novas e/ou alterações de currículos;
(c) atualização das obras de referência;
(d) material destinado a atender as linhas de pesquisa e de extensão;
342
343

Vide Anexo1
Vide Anexo 2

2899

�(e) reposição de obras desaparecidas e/ou danificadas devido à sua grande utilização;
(f) obras indicadas pelo corpo docente dos cursos de pós-graduação.

Conforme exposto acima, para compra de livros literários, crescimento e atualização
deste acervo, foi adotado o sistema de doação de livros a partir de uma lista específica ou
cheque-presente, já que este tipo de material não consta como pedido de compra, nem faz
parte da bibliografia básica/complementar, dificultando, assim, sua aquisição e consequente
acesso pelo usuário.

3.3.2 Escolha de livros com cheque-presente
São escolhidos livros chamados “literatura da moda”, lançamentos literários ou
sugestões dos próprios usuários. Alguns livros de literatura possuem seus assuntos destacados
durante determinado período, como: livros sobre vampiro (Coleção Crepúsculo = Stephenie
Meyer, Diários do vampiro = L. J. Smith), suspense com religião (O código Da Vinci, Anjos e
demônios = Dan Brown), romance (Nicholas Sparks), anjos (Cidade dos anjos caídos =
Cassandra Clare), literatura erótica (Cinquenta tons de cinza = E. L. James, Crossfire = Sylvia
Day), literatura espírita e autoajuda.

3.3.3 Escolha de livros para a lista de doação

Atendendo aos critérios citados acima, é feita uma pesquisa nos sites das principais
livrarias com relação a lançamentos e pré-vendas. Também, realizam-se consultas no site
“ Sobre livros”, “ Skoob”, notícias na Internet, etc., verificando sempre os volumes que faltam
para completar a coleção. Algumas sugestões de professores e usuários fazem parte da
escolha dos livros para complementar a lista.
É criado um link no site da Biblioteca para que o aluno possa visualizar a lista e
escolher os livros que quer doar, independente do preço.

2900

�4 Resultados Finais
a. Empréstimo obras literárias e obras técnicas

Figura 1 - Empréstimo de obras literárias: período 2007 a 2013
0
BROWN, Dan

O código Da Vinci

KING, Stephen

A torre negra

YOUNG, William Paul

A cabana

TOLKIEN, John Ronald Reuel

O senhor dos anéis

HOSSEINI, Khaled

O caçador de pipas

2000

4000

6000

SARAMAGO, José Ensaio sobre a cegueira
GILBERT, Elizabeth

Comer, rezar e amar

VERÍSSIMO, Érico

O tempo e o vento

BROWN, Dan

Anjos e demônios

Fonte: Biblioteca Central - Sibi-UCS

Figura 2 - Empréstimo de obras literárias: período 2013

0
JAMES, E L.

Cinquenta tons de cinza

YOUNG. William Paul

A cabana

COLLINS, Suzanne

Jogos vorazes

KING, Stephen

A torre negra

DAY, Sylvia

Crossfire

ZUSAK, Markus A

100 200 300 400 500

mina que roubava livros

SPARKS, Nicholas

O melhor de mim

VERÍSSIMO, Érico

O tempo e o vento

SPARKS, Nicholas

Querido John

Fonte: Biblioteca Central - Sibi-UCS

2901

�Quadro 3 - Comparação das operações de empréstimo de livros de literatura e de livros
didáticos e acadêmicos

Ano

Literatura

Acadêmico

GERAL

2005

62.145

794.188

856.333

2006

66.122

813.404

879.526

2007

67.013

764.361

831.374

2008

71.176

846.191

917.367

2009

74.798

874.441

949.239

2010

83.193

859.568

942.761

2011

92.396

819.039

911.435

2012

85.706

760.475

846.174

2013

86.530

720.979

807.509

Fonte: Biblioteca Central - Sibi-UCS

Figura 3 - Comparação das operações de empréstimo de livros de literatura e de livros
didáticos e acadêmicos

Fonte: Biblioteca Central - Sibi-UCS

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Num mundo tão cheio de tecnologias em que se vive, onde todas as informações estão
disponíveis online, o ambiente da biblioteca e o lugar dos livros parecem terem ficado
esquecidos. Há muitos que pensam que o livro, especificamente o livro em papel, é coisa do

2902

�passado, mas para quem conhece a importância da literatura na vida de uma pessoa, quem tem
conhecimento sobre os benefícios que uma simples história pode proporcionar, com certeza,
opta pelo prazer de ler os livros, seja como opção de lazer, de descontração ou mesmo, como
enriquecimento cultural. Enfim, a literatura é um amplo campo de estudos que exige das
bibliotecas conhecimento para saber adequar seus livros aos usuários, propiciando momentos
de prazer e estimulação para a leitura.
A colocação de uma estante com obras literárias próxima ao balcão de empréstimo
seguiu um princípio de marketing utilizado em vários setores comerciais, visando a estimular
o consumo e facilitar a busca pelo produto. Os resultados foram altamente positivos,
conforme os dados apresentados.
Esta alternativa de disponibilizar as obras literárias próximas ao balcão de empréstimo
possibilitou, também, uma maior circulação das obras adquiridas anteriormente à implantação
do processo de pagamento de multa com cheque-presente ou doação, ou seja, uma maior
circulação de todo o acervo literário.
A disponibilização aos usuários dos últimos lançamentos literários, adquiridos através
de cheque-presente, nas estantes como sugestões literárias, colaborou decisivamente para o
sucesso deste novo serviço implantado nas bibliotecas. De modo geral, os usuários
demonstram grande satisfação e admiração em ver obras atualizadas à sua disposição nas
bibliotecas da Universidade. Assim, as condições necessárias ao desenvolvimento de hábitos
positivos de leitura incluem oportunidades para ler de todas as formas possíveis.
Iniciativas como esta, colaboram para mostrar que as bibliotecas universitárias devem
estar sempre atentas aos interesses de seus usuários, procurando atraí-los para o ambiente
literário. Devem ser proporcionados materiais atualizados que contribuam para a formação de
leitores, gerando assim um aumento no número de empréstimos e reservas, expansão do
acervo literário e maior incentivo à leitura. Com a apresentação desta metodologia, pretendese contribuir para a formação de leitores assíduos em bibliotecas mais modernas, atuais e
abertas.

6 REFERÊNCIAS
BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.
BRUMFIT, Christopher; CARTER, Ronald. Literature and language teaching. Oxford:
Oxford University; c1986.
BUCKLAND, M. Redesigning library services: a manifesto. Chicago: American Library
Association, 1992.

2903

�COELHO, Nelly Novaes. Literatura &amp; linguagem : a obra literária e a expressão linguística. 3.
ed. São Paulo: Quíron, 1980.
FOUCAMBERT, Jean. A leitura em questão. Porto Alegre, RS: Artmed, 1994.
KLEIMAN, Angela. Leitura: ensino e pesquisa. 2. ed. Campinas: Pontes, 1996.
______________. Texto &amp; leitor: aspectos cognitivos da leitura. 9. ed. Campinas: Pontes,
2004.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do
texto. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006.
LEFFA, Vilson Jose. Aspectos da leitura: uma perspectiva psicolinguística. Porto Alegre:
Sagra Luzzatto, 1996.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
NUNES, José Horta. Formação do leitor brasileiro: imaginário da leitura no Brasil colonial.
São Paulo: UNICAMP, 1994.
ORLANDI, Eni Puccinelli. A leitura e os leitores. 5. ed. Campinas, SP: Pontes, 1998
SILVA, Chirley C. M.; CONCEIÇÃO, Márcio R.; BRAGA, Roberto C. Serviço de coleções
especiais da biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina: estágio curricular. Revista

ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, v. 9, p. 134-140, 2004. Disponível em: &lt;
http://www.acbsc. org.br/revista/ojs/ viewarticle.php?id=102&gt; Acesso em: 28 março 2014.
SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura na escola e na biblioteca. 10. ed. Campinas: Papirus,
2005.
ZILBERMAN, Regina; SILVA, Ezequiel Theodoro da. Literatura e pedagogia : ponto e
contraponto. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990.
WANDERLEY, Luiz Eduardo Waldemarin. O que é universidade. 8. ed. São Paulo:
Brasiliense, 1991.

2904

�ANEXO 1 - LISTA DISPONIBILIZADA NO SITE DA BIBLIOTECA

TÍTULO

AUTOR

EDITORA

SINOPSE

E m ily W e s s e s t á p r e s te s a v e r s u a v id a m u d a r d r a s tic a m e n te . N u m a h o r a . e la é u m a p a c a ta p r o fe s s o ra d e h is tó ria ,
s o n h a n d o c o m g r a n d e s d e s c o b e r ta s e u m a v id a d e a v e n t u r a s a o m e lh o r e s t ilo In d ia n a J o n e s , s e u h e ró i d a in fâ n c ia . N a

A Biblioteca Perdida
f

o u tr a , e s t á e m b a r c a n d o e m u m a v ia g e m a o r e d o r d o m u n d o , a t r á s d e p is ta s d e ix a d a s p o r s e u m e n to r . A m o H o lm s tr a n d .
D ean. A. M.

P ru m o
P is ta s e s t a s q u e a le v a r ã o a u m a d e s c o b e r ta q u e n ã o s e ig u a la v a a n e n h u m a o u tr a q u e e la p u d e s s e i m a g in a r

a

lo c a liz a ç ã o d a b ib lio te c a p e r d id a d e A l e x a n d n a .D u r a n te s e t e s é c u lo s , e la a b r ig o u o m a io r p a tr im ô n io c u ltu r a l e c ie n tí fic o d e

f

to d a a A n tig u id a d e .

f c

õ

g

J o r d a n B e lfo r t f e z u m a fo r t u n a n o m e r c a d o d e a ç õ e s a m e r ic a n o n o s a n o s 1 9 9 0 e v iv e u u m a v id a d e lu x o . d r o g a s , s e x o e

j

p u r a lo u c u ra . 0

A Caçada ao Lobo
H H / t l |1
■ -!■ | •j

(

P la n e ta d o

p r o b le m a fo i q u e . p a r a e n r iq u e c e r d e s s a m a n e ir a , e le n ã o s e g u iu a p e n a s o b o m c a m in h o , e o F B I n ã o

d e ix o u b a r a to ... A c u s a d o d e f r a u d e d e v a lo r e s m o b iliá rio s , m a n ip u la ç ã o d e a ç õ e s , la v a g e m d e d in h e ir o e o u tr o s in ú m e r o s

B e lfo rt, J o r d a n

de Wall Street

B r a s il

c n m e s fin a n c e ir o s q u e n e m e le s a b e r ía c ita r , J o r d a n s e v iu o b r ig a d o a c o o p e r a r c o m a J u s t iç a a m e ric a n a , d e d u r a n d o
a m ig o s e a n tig o s c o le g a s p a r a te n t a r s e liv r a r d e u m a p e n a q u e p o d e r ía c h e g a r a 3 0 a n o s d e p r is ã o - e a r r u i n a r d e v e z s u a
v id a .

Lá

D ia g n o s tic a d a c o m c â n c e r d a t ir e o id e a o s d o z e a n o s , E s t h e r G r a c e E a rl e r a u m a a d o le s c e n te t a le n to s a e c h e ia d e v id a .

A Estrela Que Nunca

F a z e n d o ju s a o n o m e . q u e e m
E a rl, W a y n e

In tr ís e c a

Vai Se Apagar
|

p e r s a s ig n if ic a “e s t re la * , e la m a r o o u to d o s e m

s e u c a m in h o c o m

s u a g e n e r o s id a d e ,

e s p e r a n ç a e a l tr u ís m o e n q u a n to e n fr e n ta v a c o m g r a c io s id a d e o d e s g a s te fís i c o e m e n ta l c a u s a d o p e la d o e n ç a . F ilh a , irm ã
e a m ig a d iv e r tid a , a lto - a s tr a l e in s p ir a d o ra , E s t h e r fa le c e u e m 2 0 1 0 , lo g o a p ó s c o m p le t a r d e z e s s e is a n o s , m a s n ã o s e m

|

a n te s s e r v ir d e in s p ir a ç ã o p a r a m ilh a r e s d e p e s s o a s p o r m e io d e s e u v lo g e d o s d iv e r s o s g r u p o s o n - lin e d e q u e fa z ia p a r te

N o in v e r n o d e 1 8 1 1 , S h a r p e e s tá n a E s p a n h a . A p ó s u m c o m b a te c o n tr a a s fo rç a s fr a n c e s a s , e le e s e u p e lo tã o s ã o
o b n g a d o s a r e c u a r á c id a d e d e C á d is . L á . S h a r p e p a s s a a f a z e r p a r te d e u m

(t •V • M
C«&gt; H \ W fc 1 1

A Fúria de Sharpe

C o r n w e ll, B e rn a r d

R e c o rd
r e d u to e s p a n h o l p ro te g id o p e lo s in g le s e s , o c e r c o fr a n c ê s á c id a d e a u m e n ta e S h a r p e e s e u s h o m e n s p r e c is a m p a r tic ip a r

S l í ,1 i i r !•:

;

p e r ig o s o jo g o p o lít ic o e n v o l v e n d o o

e m b a ix a d o r H e n ry W e lle s le y , u m v io le n to p a d r e e u m a p r o s titu ta . E n q u a n to p r e c is a lid a r c o m o s p e r ig o s d a s r u a s d o ú ltim o

d e s s e c o n fr o n to d e c is iv o q u e c u lm in a r á n a B a ta lh a d e B a rr o s a . u m e m b a te h e r o ic o e fe r o z q u e m a n c h a rá a s p r a ia s d a

; *,

E sp an ha de san gu e.

K
.

i

«
.
i
A f Ú R lA
lo B o

A Fúria do Lobo -

D iz e m q u e o s o p o s t o s s e a t ra e m . E . n o c a s o d o s lo b is o m e n s A n n a L a th a m e C h a rle s C o m ic k , s e c o m p le t a m . F ilh o d o líd e r
B n g g s . P a tr ic ia

N o v o S é c u lo

Série Alfa e Ômega

d o s lo b is o m e n s n o r te - a m e ric a n o s . C h a r l e s é u m a l fa d o m in a n t e . E n q u a n to A n n a , u m O m e g a , te m a ra r a c a p a c id a d e d e
a c a lm a r o s o u tr o s d e s u a e s p é c ie .

f

O R u b e n u n c a a m o u n e n h u m a d e la s . N u n c a s e im p o r to u c o m e la s . N e m é p r e c is o d iz e r q u e R u b e e e u n ã o s o m o s m u it o
p a r e c id o s e m m a té ria d e m u lh e r . C a m e r o n W o lfe é o c a ç u la d e tr ê s ir m ã o s , e o m a is q u ie to d a fa m ília . N ã o é n a d a
p a r e c id o c o m S t e v e , o ir m ã o m a is v e lh o e a s t ro d o fu te b o l, n e m c o m R u b e . o d o m e io . c h e io d e c h a r m e e c o r a g e m e q u e a

A Garota Que Eu
Quero

Z u s a k , M a rk u s

In tr ís e c a

c a d a s e m a n a e s tá c o m u m a g a r o ta n o v a . C a m e r o n d a r ia t u d o p a r a s e a p r o x im a r d e u m a g a r o ta d a q u e la s , p a r a a m á -la e
t r a t á - la b e m . e g o s ta e s p e c ia lm e n te d a m a is r e c e n te n a m o r a d a d e R u b e . O c ta v ia , c o m s u a s id é ia s b r ilh a n te s e o lh o s
v e r d e - m a r . C a m e r o n e R u b e s e m p re fo ra m le a is u m c o m o o u tr o , m a s is s o é c o lo c a d o á p r o v a q u a n d o C a m s e a p a ix o n a
p o r O c ta v ia .

2905

�ANEXO 2 - ESTANTE LOCALIZADA PRÓXIMO AO BALCÃO E EMPRÉSTIMO

2906

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71369">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                  <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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              <elementText elementTextId="75671">
                <text>Literatura na biblioteca: a importância do incentivo à leitura no Sistema de Bibliotecas da Universidade de Caxias do Sul- RS</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Baptista, Michele</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="75678">
                <text>O presente trabalho visa a refletir sobre a importância da leitura no ambiente acadêmico e as práticas adotadas pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade de Caxias do Sul para o enriquecimento do seu acervo literário, proporcionando um crescimento da circulação destas obras. Identifica as características dos serviços em bibliotecas universitárias a partir do marketing de obras literárias e métodos atrativos aos seus usuários. Propõe um conteúdo teórico voltado à importância da leitura e da literatura como parte integrante dos processos das bibliotecas universitárias. Apresenta o método utilizado para a prática de difusão de obras literárias. Espera-se que este relato consiga fazer com que as bibliotecas universitárias pensem em diferentes formas de atrair seus usuários potenciais, buscando formar leitores capazes de fazer do hábito de leitura um instrumento de ampliação de horizontes.</text>
              </elementText>
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            <name>PDF Text</name>
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                  <elementText elementTextId="76624">
                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DA EPISTEMOLOGIA DE PRESERVAÇÃO À QUESTÃO EMERGENT DA
PRESERVAÇÃO DE ACERVOS DIGITAIS: UM OLHAR APLICADO ÀS
BIBLIOTECAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DA FIOCRUZ
Manoel Silva Barata
Gustavo Silva Saldanha

RESUMO
O presente trabalho busca apresentar uma contribuição teórica ao domínio da preservação nos
estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às informações científicas
armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas gerais: a) análise
filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para “preservar” e o papel
“teórico” da preservação no contexto da Biblioteconomia; b) análise técnico- política:
reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas
preservacionistas; e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoepistemológicos e aqueles técnico - políticos no contexto das práticas preservacionistas da
Fiocruz. A partir da construção destes objetivos, prossegue-se pela revisão de literatura na
área e aplicação de entrevistas com alguns profissionais bibliotecários atuantes da Rede de
Bibliotecas da Fiocruz que nos permitiram obter algumas contribuições teóricas sobre a
prática da Preservação Digital do ponto de vista biblioteconômico.
Palavras-Chave: Preservação Digital; Biblioteconomia; Epistemologia; Ética Profissional.

ABSTRACT
This study aims to present a theoretical contribution to the field of preservation studies in
librarianship especially in regard to scientific information stored on digital media. To do so ,
we will cover three general routes : a) philosophical- epistemological analysis : reflection on
the philosophical reason to "preserve" and " theoretical " role of preservation in the context of
librarianship ; b ) technical and policy analysis : reflections on building models of policy
implementation and preservationists practices ; c ) empirical analysis : reflection compared
between the philosophical- epistemological and those technical elements - political practices
in the context of preservationists Fiocruz . From the construction of these goals, we proceed
by reviewing literature in the area of application and interviews with some active librarians
Library Network Fiocruz that allowed us to get some theoretical contributions on the practice
of Digital Preservation from the point of view of library
Keywords: Digital Preservation; librarianship; epistemology; professional ethics

4195

�1 Introdução
O presente trabalho apresenta os primeiros resultados da dissertação em andamento no
Curso de Mestrado Profissional em Biblioteconomia oferecido pela Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Este busca apresentar uma contribuição teórica ao
domínio da preservação nos estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às
informações científicas armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas
gerais: a) análise filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para “preservar”
e o papel “teórico” da preservação no contexto da Biblioteconomia; b) análise técnicopolítica: reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas
preservacionistas; e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoepistemológicos e aqueles técnico - políticos no contexto das práticas preservacionistas nas
bibliotecas da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz. A partir da construção destes objetivos,
prossegue-se pela revisão de literatura na área e aplicação de entrevistas com alguns
profissionais bibliotecários atuantes da Rede de Bibliotecas da Fiocruz, possibilitando a
obtenção de algumas contribuições teóricas sobre a prática da preservação digital do ponto de
vista biblioteconômico.
Presente

no contexto

de fundamentação

do pensamento biblioteconômico-

informacional, o conceito de “preservação” responde por um conjunto de práticas que teceu
desde uma subterminologia a diferentes abordagens e tendências ao longo do processo de
produção e uso dos artefatos tratados como “registros do conhecimento”. O desenvolvimento,
no século passado, de tecnologias de “propagação” de dados, como televisão e rádio, em
paralelo com o desenvolvimento de tecnologias de “propagação” e “retenção”, como Internet
e telefonia móvel, colocou em pauta a aparente dicotomia entre “preservacionistas” e
“acessistas”, ou teóricos da preservação, de um lado, e teóricos do acesso, de outro.
Na epistemologia da Biblioteconomia e Ciência da Informação, este movimento
resulta, em alguns olhares, na relação conflituosa entre uma escola francesa, de fundo
humanista, e uma escola inglesa e estadunidense, de fundo tecnicista. Esta situação demarca,
desde já, a importância teórico-conceitual da “preservação” como ponto de inflexão do
pensamento biblioteconômico-informacional. Se observada a configuração atual de nosso
contexto sociotécnico, pautada pela web e seus potenciais de produção em rede e colaborativa,
a “questão da preservação” ganha em evidência e emergência. Em paralelo às técnicas e
abordagens teórico-práticas, pergunta-se, pois, como se dá o aprofundamento do estudo da
“preservação” no campo e seu potencial de correlação com a operacionalização de
determinadas abordagens.

4196

�Neste sentido, vê-se necessária, em certa medida, a preocupação com a visão
biblioteconômica - histórica sobre as atuais práticas de preservação digital, para que se torne
possível estabelecer novos conhecimentos e direcionamentos que venham a contribuir para as
soluções e os dilemas da “questão da preservação” no contexto digital. Da argumentação
epistemológica busca-se perceber o vínculo entre abordagem e as políticas institucionais que
ainda estão por serem construídas, tendo como eixo principal a preservação dos documentos
científicos em formato digital para as futuras gerações sobre a curadoria do profissional
bibliotecário, assim como a partir de teorias e leis da Biblioteconomia.

2 Contexto epistemológico: início de um “estado da arte” sobre a “preservação” no
pensamento biblioteconômico-informacional.
É fato que, historicamente, diversos autores como, Paul Otlet (1934), já manifestavam
sua preocupação com a preservação da informação para as futuras gerações - como é
observado, principalmente, em seu “Tratado de Documentação”, na seção dedicada à
conservação, alteração e destruição do livro e do documento. Assim como historiador, teórico
e bibliotecário Serrai (1975), se preocupava com a preservação das obras científicas, como
suporte da “memória coletiva das experiências existenciais, cientificas e culturais, seja do
indivíduo, seja da sociedade”. Com o passar do tempo os suportes informacionais evoluíram,
desde as tábuas de argila, papiros, papel, microfilme e mais recentemente aos suportes digitais
da informação.
A preservação aponta para domínios dos mais aplicados aos mais abstratos dentro da
Biblioteconomia e Ciência da Informação. Questões como memória e ética da informação,
por exemplo, representam dois solos discursivos que não podem estar desligados da discussão
sobre preservação

e indicam

arenas

de

debate

de relevância incontestável

na

contemporaneidade. Se reunidas com as noções de política, economia e sociedade; revela-se a
complexidade e a potência do significado do conceito de preservação e de sua aplicação. Isto
serve de alerta para a necessidade de um método filosófico que possa atentar para uma
epistemologia histórica do conceito, visando à ampla e profunda discussão sobre os gestos
atuais de compreensão dos motivos pelos quais se pode ou se deve preservar e em quais
condições.
Algumas questões de fundo que se apresentam ao “dilema da preservação” estão: o
que preservar? Para quem preservar? Como preservar? Onde preservar? Tais argumentações
apontam, simultaneamente, para respostas estritamente vinculadas ao terreno da aplicação.

4197

�Isto demonstra como uma “epistemologia da preservação” está intimamente posicionada em
um núcleo de tensão entre teoria e prática, entre reflexão e ação. O “dilema da preservação
digital”, neste sentido, abre-se como uma unidade de argumentação e de atuação central
dentro das reflexões filosóficas da Biblioteconomia e Ciência da Informação hoje. Deste
modo, entre um método filosófico e métodos indutivos, percebe-se a emergência do estudo.
Dentro deste contexto de profundas mudanças tecnológicas contemporâneas e do
crescente processo de migração do acervo bibliográfico científico do suporte impresso para o
digital, faz se necessário revisitar teorias da Biblioteconomia e Ciência da Informação em
autores como Solange Puntel Mostafa, Miguel Ángel Redón Rojas e Shyiali Ramamrita
Ranganathan, na busca por embasamento teórico que contribuam com a dinâmica da
informação, das bibliotecas e de seus suportes, assim, consequentemente, será possível a
identificação de possíveis contribuições à preservação da informação científica em meio
digital para as futuras gerações no ambiente das bibliotecas.
Mostafa (1985) pensa a Biblioteconomia como uma ciência que constitui a sua prática
social quando contribui com a prática educativa dentro de seu contexto social. Para tanto a
Biblioteconomia necessita de embasamento e de uma sustentação teórica dentro das Ciências
Sociais, pois a biblioteca é uma organização social que possui a missão de preservar e
disseminar a informação registrada em algum tipo de suporte para as futuras gerações, suporte
representado neste trabalho pelo conceito geral de Paul Otlet (1934), biblión que se entende
por todo registro da informação, seja texto, gráfico, plástico, ícone ou imagem sobre qualquer
material, do tablete de argila ao digital, incluindo, por exemplo: livros, documentos,
periódicos, documentos digitais, imagens, etc., de forma a garantir uma sociedade que
perpetue sua memória coletiva. Neste mesmo sentido
Butler aparece como iniciador de “uma nova abordagem da
Biblioteconomia” - onde ele deseja entender a Biblioteconomia numa visão
sistêmica, privilegiando as questões filosóficas dos propósitos e finalidades.
Ele afirma que a Biblioteconomia se posiciona na questão para ser discutida
em qualquer sistema das ciências sociais, porque a biblioteca é uma unidade
essencial na organização social, ela é um aparato social das transferências
dessa memória à consciência dos indivíduos, através dos livros, que são um
mecanismo social de preservação da memória racial. (BUTLER, 1933 apud
MOSTAFA, 1985, p.34)
Para Butler (1933 apud Mostafa, 1985) o livro é o suporte escolhido para representar o
registro físico da informação que pertencente ao conjunto da memória coletiva da sociedade,
necessita ser preservado para que as futuras gerações não percam o acumulado do
conhecimento das gerações passadas, da mesma forma que a biblioteca por toda sua história,

4198

�foi à organização social responsável por essa guarda e proteção, para que só posteriormente
fosse também encarregada de disseminar a informação.
Ranganathan (2009) apresenta como contribuições ao domínio da preservação em seus
enunciados da terceira lei - (Para cada livro seu leitor) e da quinta lei - (A biblioteca é um
organismo em crescimento), preocupações teóricas de sua época que ainda hoje estão
relacionadas com a preservação do conhecimento científico para as futuras gerações, quando
em sua terceira lei realiza reflexões sobre a organização do biblión e de seus respectivos
pontos de acesso no catálogo, subtende-se que uma coleção desorganizada não há como se
encontrar a informação que se procura, que dirá preservá-la. Já em sua quinta lei, o autor usa
uma metáfora sobre a biblioteca como sendo um “organismo biológico” que necessita se
desenvolver constantemente para não correr o risco de paralisar e perecer. Este risco ainda
presente nos dias atuais se repete há muitos anos, pois diante dos avanços tecnológicos e
sociais, a biblioteca necessita de constante atualização, pois como já era alertado por Serrai há
aproximados quarenta anos atrás,
Séculos de imobilidade fizeram da biblioteca um organismo estático, que
não consegue adequar-se rapidamente e interagir com os fenômenos
dinâmicos, que são causa e efeito da produção editorial e do movimento de
ideias. Estas por sua vez, são dinamizadas pelas mudanças da realidade
provocadas pelo desenvolvimento tecnológico, etc. Na assim chamada idade
moderna, que chega até nossos dias, a estrutura da biblioteca é obrigada a
modificar-se continuamente até que mude também seu significado e sua
natureza. (SERRAI, 1975, p.147).
Rendón Rojas (2005) nos ajuda a compreender como uma ciência biblioteconômica
fundamentada pode favorecer na resposta de questionamentos, como estes levantados
anteriormente, relacionando-as as atividades práticas do bibliotecário que sempre constituiu
um fator marcante na história das bibliotecas. Segundo o autor, diferentemente de outras
correntes filosóficas do estudo científico,
Se bem existe uma nova realidade, que nos obriga a readaptar e desenvolver
o conhecimento, que nos proporciona o elemento de inovação, também é
certo que não deve partir do nada, o qual salva a tradição. A questão não é
substituir um conhecimento por outros, mas sim aprofundar, complementar,
desenvolver uns conhecimentos que se têm. (RENDÓN ROJAS, 2005, p.21)
O conhecimento científico dentro de uma área de atuação como a Biblioteconomia,
deve acompanhar as mudanças de maneira responsável e atenta aos ensinamentos de autores
acadêmicos e nas boas práticas do passado, pois como nos apresenta Rendón Rojas, a melhor
maneira de fazer conhecimento é conhecendo e aproveitando as estruturas do passado como
base para adaptá-las as novas formas de pensar, atualizar e realizar. Por exemplo: aquele

4199

�bibliotecário que atuava somente descrevendo e classificando em fichas catalográficas
datilografadas; atualmente, também poderá fazê-lo em bases de dados bibliográficas
automatizadas, ou seja, hoje este profissional, dentre outras atribuições, terá facilidade em
alimentar, padronizar os repositórios de informações digitais, de forma a dar prosseguimento
em sua missão profissional de preservar e disseminar a informação.
Para além das questões técnicas e tecnológicas continuamente mutáveis, o contexto
biblioteconômico passa por diversas transformações, oriundas da própria evolução da
sociedade como um todo, pois como nos relembra Rendón Rojas,
o que importa neste momento é o fato de sabermos que o homem é um ser
social, que a biblioteca é uma instituição social, que o documento e o
conhecimento têm um caráter social e de que a Biblioteconomia pertence ao
campo das Ciências Sociais. (RENDÓN ROJAS, 2005, p.58).
Fazendo com que a Biblioteconomia fundamente sua objetividade em sua prática
social, através das atividades realizadas pelas bibliotecas com o objetivo geral de satisfazer as
necessidades informacionais de seus usuários. Pois, é “no mundo biblioteconômico onde se
está possibilitando que o sujeito encontre seus interlocutores e desta maneira se realize como
sujeito.” (RENDÓN ROJAS, 2005, p.72).
Neste contexto social em que a Biblioteconomia está inserida é onde reside o
compromisso ético do profissional bibliotecário com a sociedade e com sua própria forma de
atuar, pois como já no século XIX lembrava Benjamim Franklin Ramiz Galvão (Diretor da
Biblioteca Nacional, 1870 - 1882).
Nos nossos dias, em que a vastidão dos conhecimentos humanos se-dilata de
um modo assombroso, em que a atividade dos escriptores é cem vezes
maior, em que todas as classes sociaes vão com anxiedade procurar o pão do
espírito outr’ora reservado a um numero selecto e privilegiado de felizes,
quanto mais difficil é a tarefa do bibliotecário! Cumpre que tenha um saber
excepcional e sobretudo variado, sem presumpção nem altivez, um juízo
seguro e superior às sugestões de doctrina ou aos preconceitos de eschola; a
mais esmerada polidez e natural singeleza sem descair na condescência
banal e compromettedora; [...] amor indefesso ao trabalho, enthusiamo pela
profissão, espírito aberto a todas as conquistas, coração generoso e leal.
(GALVÃO, 1885 apud OLIVEIRA, 2011, p.150)
Além deste compromisso ético e do amor pela profissão, nota-se que à sociedade atual
coloca para o profissional bibliotecário mais alguns desafios: o desafio do aprendizado
contínuo, do trabalho cooperativo, do desenvolvimento e reformulação de padrões e
instrumentos racionais de trabalho, pois atualmente em Biblioteconomia, “o objeto tradicional
da disciplina: o livro e a biblioteca escapam, transformam e deslocam para outros fenômenos

4200

�(documentos, bases de dados, redes, centro de documentação, bibliotecas eletrônicas); que
muito se distanciam de serem semelhantes ao que se vinha gerenciando”. (RENDÓN ROJAS,
2005, p.150).

3 Materiais e Métodos

Primeiramente realizaram-se revisões na literatura biblioteconômica, com foco no
domínio da preservação, traçando reflexões sobre a forma como se pensava a preservação da
informação, esta que hoje migra rapidamente para o suporte digital, procurando identificar a
preocupação dos autores analisados, assim como comprovar a importância da utilização de
conceitos históricos epistemológicos como forma de garantir a preservação da informação
científica para as futuras gerações. Posteriormente levantaram-se dados preliminares através
de entrevistas com profissionais atuantes nas bibliotecas que compõem atualmente a Rede de
Bibliotecas da Fiocruz, com o objetivo de realizar uma reflexão comparada entre os elementos
filosófico-epistemológicos e aquelas técnicas - políticas no contexto das práticas de
preservação digital das bibliotecas da Fiocruz.
Nestas entrevistas foram levantados dados quantitativos e qualitativos da pesquisa
empreendida. Esta etapa possibilitou uma interpretação de ordem qualitativa, quando
confrontada com os dados levantados na pesquisa teórica, pois a entrevista é uma ferramenta
que permite um contato direto entre entrevistado e entrevistador,
A situação em que se desenvolve a entrevista é, em si mesma, uma situação
social em que entrevistador e entrevistado interagem, isto é, se influenciam
um ao outro, não apenas através das palavras que pronunciam, mas também
pela inflexão de voz, gestos, expressões fisionômicas, modo de olhar,
aparência e demais atrações pessoais e manifestação do comportamento.
(NOGUEIRA, 1968 apud CUNHA, 1982, p.9).
Desta forma as entrevistas foram realizadas com formulários previamente
estruturados, como espaços paralelos para garantir o direito a criticas e sugestões. Como por
exemplo: o modelo abaixo, baseado no “Meio Ideológico” proposto por Paul Otlet e o da
“Biblioteca é um organismo em crescimento” de Ranganathan:
Tabela 1 - Cooperação entre profissionais de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Cooperação entre profissionais Caso exista, como avalia a
envolvidos com a preservação cooperação
entre
os
digital
profissionais envolvidos com a
preservação digital?
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

4201

�Tabela 2 - Racionalização nas atividades de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Racionalização das atividades Caso exista, Como avalia a
atuais de preservação na racionalização,
ou
biblioteca analisada.
inteligibilidade das atividades
propostas atualmente para a
preservação
digital
na
biblioteca?
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 3 - Padronização nas atividades de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Padronização das atividades de Caso exista, Como avalia a
preservação na equipe de padronização das atividades de
preservação da biblioteca preservação digital?
analisada.
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 4 - Crescimento do acervo digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Crescimento
dentro
biblioteca do acervo
periódicos eletrônicos.

da Caso possua, como avalia o
de atual crescimento do acervo de
periódicos eletrônicos em
proporção ao mesmo acervo em
papel?
Crescimento
dentro
da Caso possua, como avalia o
biblioteca do acervo de livros atual crescimento do acervo de
eletrônicos.
livros eletrônicos em proporção
ao mesmo acervo em papel?
Fonte: adaptação de (RANGAN ATHAN, 2009).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa
- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 5 - Crescimento da demanda pelo acervo digital - Usuários/Instituição
In d ica d o res

P erg u n ta

R esp o sta s

Crescimento da demanda dos Caso possua, como avalia o atual
usuários por acervo em formato crescimento da demanda dos
usuários por publicações em
digital.
formato digital?
Crescimento
da
demanda Caso possua, como avalia o atual
Institucional por acervo em crescimento
da
demanda
Institucional por publicações em
formato digital.
formato digital de uma maneira
global?
Fonte: adaptação de (RANGAN ATHAN, 2009).

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa
- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 6 - Crescimento da equipe capacitada em preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Crescimento
dentro
da Caso ocorrido, Como avalia o
biblioteca
da
equipe crescimento dos profissionais
capacitada em preservação capacitados dentro da biblioteca
para a preservação digital?
digital.
Fonte: adaptação de (RANGANATHAN, 2009).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

4202

�4 Resultados Parciais

Antes da análise preliminar sobre os dados levantados a título de pré-teste faz se
necessário esclarecer que os dados levantados nas entrevistas são preliminares e representam
aproximadamente 25% do universo total de entrevistados na fase de levantamento de dados
definitiva.
Dentre as diversas análises quantitativas possíveis, destacam-se quatro como seguem
nos gráficos abaixo, complementados por alguns tópicos qualitativos relacionados com as
respectivas questões quantitativas:

4.1

Crescimento do acervo de periódicos e livros eletrônicos em comparação com o acervo

em papel.
a) Análise quantitativa:
Gráfico 1: Crescimento Acervo - Eletrônico X Papel

No gráfico acima, observa-se que ocrescimento de acervo de periódicos em formato
eletrônico é maior do que o em formato em papel, além disso, é maior que o crescimento de e­
books, este último que por sua vez representa um pequeno crescimento na realidade da
instituição analisada.

b) Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados:
43. Há uma grande preocupação institucional com a preservação digital;

4203

�44. Hoje os bibliotecários se preocupam, por não se ter garantias quanto à propriedade
definitiva nas maiorias dos contratos com as editoras de periódicos eletrônicos;

45. Os e-books são mais fáceis de serem adquiridos de forma perpétua junto à maioria das
editoras, mesmo assim o crescimento deste suporte informacional é considerado
pequeno na Instituição.
4.2

Avaliação sobre a demanda por publicações eletrônicas pelos usuários, instituição e a

correlação com a quantidade de profissionais capacitados em preservação digital.
^ Análise quantitativa:
Gráfico 2: Demanda por publicações eletrônicas - Usuários e Instituição X Profissionais
capacitados em preservação digital

No gráfico acima, observa-se que equanto a demanda dos usuários por publicações
eletrônicas é considerada moderada, já a demanda da instituição de maneira global é
considerada grande para a maioria dos entrevistados. Agora com relação ao número de
profissionais capacitados para atender a estas respectivas demandas, foram consideradas
pequenas pela maioria absoluta dos entrevistados neste pré-teste.
^ Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados.
^ O crescimento da demanda por publicações eletrônicas é considerado moderado,
quando se pensa nos periódicos eletrônicos especificamente, pois o E-book ainda
apresenta um crescimento pequeno;

4204

�x O usuário quando vai à instituição informativa (biblioteca) ele está interessado em
satisfazer suas necessidades de informação, independentemente dos suportes em que
estas estejam;
^

O crescimento da demanda institucional por publicações eletrônicas, principalmente o
periódico, é uma tendência social e econômica que já vem ocorrendo há algum tempo;

^ A falta de capacitação em preservação digital faz com que os profissionais envolvidos
com estas atividades fiquem preocupados, pois o “Como fazer? De que forma?” em
grande parte, ainda está em desenvolvimento.
4.3

Avaliação sobre a cooperação profissional, padronização e racionalização das atividades

no universo dos processos de preservação digital cujo compromisso ético e social decai de
alguma forma sobre as bibliotecas.

a) Análise quantitativa:
Gráfico 3: Cooperação profissional X Padronização de atividades X Racionalização de
atividades - (em preservação digital)

No gráfico acima, observa-se co relação à cooperação dos profissionais envolvidos
com a preservação digital é considerada grande pela maioria dos entrevistados. No entanto
outros critérios importantes para serem pensados no momento de uma preservação digital

4205

�eficaz foram considerados pequenos, como a padronização e a racionalização das atividades
em preservação digital.

b) Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados:

Cooperação existe dentro das unidades, em programas institucionais, através de reuniões
entre grupos de interesse ao tema, mais ainda precisamos pensar a preservação digital
de maneira mais ampla;
Tanto a padronização, quanto a racionalização das atividades em preservação digital são
pensadas, mais em grande parte, ainda estão em desenvolvimento, por isso são
consideradas como sendo pequenas para o nível de exigência e qualidade que se
almeja alcançar.
Esta preocupação com a preservação digital se dá no âmbito das assinaturas de periódicos
eletrônicas, dos e-books que são nato-digitais e também com relação aos processos
institucionais de digitalização de diversas tipologias de acervos.
O ARCA - Repositório Institucional da Fiocruz é lembrado diversas vezes como sendo
uma metodologia, ou ferramenta que colabora com a padronização e com a
racionalização das atividades de preservação dos objetos digitais oriundos da
Instituição.

5 Considerações Parciais
Como resultado preliminar deste trabalho em desenvolvimento já é possível
compreender e retirar algumas contribuições para os processos de preservação digital do
ponto de vista biblioteconômico, principalmente aqueles éticos epistemológicos preocupados
com a preservação da informação para as futuras gerações.
Primeiramente relacionadas às questões teóricas levantadas por Ranganathan em
análise reflexiva com dados do levantamento empírico, observa-se que há um crescimento
relevante do acervo de periódicos eletrônicos e ainda pequeno dos e-books, devido
principalmente à tendência do mercado editorial, porque ao usuário o que importa, quando
este procura por uma instituição informativa é satisfazer sua necessidade de informação,
independentemente do suporte em que esta informação esteja registrada. Neste contexto a
responsabilidade social e ética pela preservação da informação científica para as futuras
gerações perpassa pelas atividades profissionais do bibliotecário, que de modo nenhum pode

4206

�se eximir de procurar contribuir de alguma forma neste sentido, seja através da busca
incessante por soluções junto aos editores de periódicos científicos, seja estabelecendo rotinas
de backups em computadores existentes dentro de sua instituição informativa, seja
alimentando repositórios institucionais, etc.
Com relação às questões teóricas levantadas por Paul Otlet em análise reflexiva com
dados do levantamento empírico, constata-se que a cooperação entre os profissionais
envolvidos com a preservação digital se faz necessária, mas que sozinha não garante uma
preservação eficaz. A questão da padronização das atividades em preservação deve estar
alinhada as metas e missão institucional, assim como a racionalização das atividades devem
fazer parte das reflexões no âmbito das reuniões e fóruns colaborativos, pois a padronização
das atividades em preservação faz com que a instituição fale o mesmo idioma
preservacionista. Com relação à racionalização das atividades devem ser pensados tanto no
âmbito estratégico, quanto replicado aos níveis operacionais da instituição em forma de
políticas, guias, manuais, tutoriais, etc.
Em síntese, nesta análise preliminar, percebe-se que o trabalho tem muito a crescer
com o aumento do número de pesquisas e com o detalhamento das análises técnico-políticas e
filosófico-epistemológicas a serem refinadas nas próximas etapas deste trabalho.

6 Referências

ARELLANO, Miguel Ángel Márdero. Critérios para a preservação digital da informação
científica. 2008. 354 f (Doutorado em Ciência da Informação) - Departamento de Ciência da
Informação

e

Documentação,

UNB,

Brasília,

2008.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Da epistemologia de preservação à questão emergente da preservação de acervos digitais: um olhar aplicado às Bibliotecas de Pós-Graduação da FIOCRUZ</text>
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                <text>O presente trabalho busca apresentar uma contribuição teórica ao domínio da preservação nos estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às informações científicas armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas gerais: a) análise filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para "preservar" e o papel "teórico" da preservação no contexto da Biblioteconomia, b) análise técnico- política: reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas preservacionistas, e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoe-pistemológicos e aqueles técnico – políticos no contexto das práticas preservacionistas da Fiocruz. A partir da construção destes objetivos, prossegue-se pela revisão de literatura na área e aplicação de entrevistas com alguns profissionais bibliotecários atuantes da Rede de Bibliotecas da Fiocruz que nos permitiram obter algumas contribuições teóricas sobre a prática da Preservação Digital do ponto de vista biblioteconômico.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TRATAMENTO TÉCNICO INFORMACIONAL DE DISCOS SONOROS: UMA
ABORDAGEM VOLTADA PARA A ANÁLISE, REPRESENTAÇÃO E
ORGANIZAÇÃO DE ACERVOS MUSICAIS
Everton Rodrigues Barbosa
Elizabeth Sachi Kanzaki Ribeiro
David Barbalho Pereira
RESUMO
Aborda o tratamento técnico informacional de discos sonoros na Biblioteca Especializada em
Música Pe. Jaime Diniz, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Caracteriza os
discos sonoros enquanto suporte informacional.Relata as dificuldades encontradas no
processo de tratamento da informação musical em materiais especiais. Objetiva estabelecer
diretrizes para a análise, representação e organização do acervo de discos sonoros. Utiliza a
pesquisa bibliográfica em fontes impressas e eletrônicas para o suporte teórico, tendo como
metodologia o estudo de caso. Conclui que as regras e padrões para o tratamento técnico da
informação no campo da Biblioteconomia podem sofrer adaptações para melhor representar o
conteúdo musical dos discos sonoros, considerando a necessidade do profissional da
informação em aperfeiçoar seus conhecimentos em música.
Palavras-Chave:Discos sonoros; Música; Catalogação; Análise de conteúdo; Recuperação da
informação.
ABSTRACT
This study discusses about how to organize sound discs collections at the Biblioteca de
Música Pe. Jaime Diniz fromUniversidade Federal do Rio Grande do Norte. It aims to
introduce the sound discs as informational records, and investigate thedifficulties to organize
thesekinds of documents. This study purposes specifically to establish guidelines
proceduresfor the information analysis, representation and organization of sound discs
collections. It utilizes the bibliographic and electronic research, and analyses this case in
qualitative form. It concludes that the rules and standards for the technical procedures of
information on the science libraryfield should be adapted to improve themanagement musical
documentscollections, and the librarianshave to honing their skills in music field.
Keywords: Sound discs; Music; Cataloging; Content analysis; Information retrieval.

1 Introdução
Na sociedade atual, marcada pela convergência das novas tecnologias de informação e
comunicação, as bibliotecas enfrentam a tarefa de expandir suas atividades, promovendo o
acesso a informações em seus vários suportes.

3796

�É sabido que a proliferação de materiais não bibliográficos trouxe novos desafios aos
profissionais da informação na tarefa de incorporar os chamados multimeios aos acervos das
instituições. Nesse sentido, Perota (1997) afirma que as bibliotecas precisam estar prontas
para fornecer acesso aos suportes tradicionais e também dispor de recursos e serviços que
garantam o acesso aos materiais não bibliográficos, pois esses apresentam características
peculiares e portanto, necessitam de tratamento adequado para sua organização, preservação e
utilização.
Apesar de se observar estudos consolidados no campo da biblioteconomia referente às
áreas da representação descritiva e temática da informação, algumas bibliotecas enfrentam
dificuldades para tratar adequadamente os materiais especiais, pois dependendo do processo
adotado, a recuperação e até mesmo o uso desses materiais podem se tornar um problema.
Isso posto, o estudo pretende estabelecer diretrizes para o tratamento técnico
informacional de discos sonoros, considerando as dificuldades enfrentadas, oportunidades e
ganhos no processo de análise, representação descritiva e organização dos discos que
compõem o acervo da Biblioteca Setorial Especializada Pe. Jaime Diniz, situada na Escola de
Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Pretende-se especificamente relatar como foi realizado o processo de análise
documental a partir do diagnóstico do acervo, identificação do gênero musical, forma de
composição, categorização dos discos e adaptações realizados com o intuito de melhor
representar o conteúdo dos documentos.
Para isso, buscou-se caracterizar os discos sonoros enquanto suporte informacional
elevantar questões sobre o tratamento técnico, considerando os processos de análise e
representação de conteúdo, para posteriormente propor melhorias em sua organização.

2 Discos Sonoros Enquanto Suporte Informational
As gravações de som se apresentam sob o registro de ondas sonoras em diferentes
tipos de suportes físicos. No seu processo de gravação, o registro das ondas sonoras é
capturado através de um equipamento elétrico ou eletrônico, e registrado em suporte físico
apresentado sob a forma de registro magnético (fitas cassetes e discos de vinil), ou sinais
eletrônicos digitalizados (compactdiscs). Esse suporte físico, que contém o som, é
denominado registro sonoro. (RIBEIRO, 2012).
De acordo com St-Laurente (2001, p. 9), os registros sonoros são “[...] artefatos
legíveis por máquinas; são documentos em que a integridade da informação contida está
diretamente relacionada ao bem-estar físico do artefato”. Desse modo, não somente o

3797

�tratamento técnico informacional, mas tambémos equipamentos tecnológicos necessários para
viabilizar o acesso aos conteúdos desses registrosdevem ser considerados.
Analisando as características físicas e de conteúdo dasgravações sonoras, o
termo“disco sonoro” é utilizado para denominar o tipo de artefato que se pretende estudar,
pois a coleção é formada apenas por discos de vinil (Long-plays) e discos compactos
(CDs).Vale ressaltar também que o termo disco sonoro se refere a um disco (suporte) que
carrega um conteúdo sonoro, podendo ele ser musical ou não. Nessa perspectiva, e
considerando o estudo específico em um acervo musical, o conteúdo dos discos, bem como
sua análise documental, se dá observando a forma de composição e apresentação musical.
Enquanto objeto de análise, a música deve servista não apenas como um fenômeno
físico, mas também, como um método de interação social. Suas formas de registro são fontes
de pesquisa que colaboram para o entendimento de aspectos da cultura, hábitos, costumes e
memória de um povo, constituindo objetos de estudo no campo da etnomusicologia.
Numa abordagem musicológica, Pinto (2001, p. 251) afirma que “A gravação do
acontecimento musical é de fundamental importância, pois a avaliação posterior deste aspecto
depende exclusivamente do registro musical”. O referido autor ainda ressalta que a música
registradaé considerada objeto de investigação das estruturas do som e configurações
musicais -aspectos importantes para a análise de paisagens sonoras num contexto
antropológico e cultural.
Enquanto fontes de informação, os discos sonoros constituem documentos básicos
para audição. A utilização desses materiais pelos alunos de música constitui uma ferramenta
importante para a pesquisa, seja no campo da análise, apreciação, execução ou interpretação
musical.
Portanto, o tratamento técnico e informatização desses acervos são de interesse das
instituições que dão suporte aos alunos e pesquisadores especialistas em música, oferecendo
meios para tornar possível a busca, recuperação e acesso aos documentos, e com isso suprir
suas necessidades informacionais.

3 Tratamento Técnico Informacional dos Discos Sonoros
O processo de tratamento da informação é realizado por meio de técnicas que
permitem encontrar um item específico em um acervo documental. Esses procedimentos
compreendem o levantamento das características físicas e de assunto de um material para fins
de organização, busca e recuperação.

3798

�No campo da biblioteconomia, a catalogação é a disciplina que lida com a
representação descritiva da informação, e seu conjunto de regras é aplicável a qualquer
recurso informacional. Assim, Santos e Ribeiro (2003, p. 26) entendem a catalogação como:
[...] um conjunto convencional de informações determinadas, a partir do
exame de um documento onde são extraídas as informações descritas de
acordo com regras fixas para se identificar e descrever este documento. A
catalogação é conhecida também como Representação Descritiva, pois
vai fornecer uma descrição única e precisa deste documento, servindo
também para estabelecer as entradas de autor e prover informação
bibliográfica adequada para identificar uma obra.
No que diz respeito às regras para descrição, destaca-se o Código de Catalogação
Anglo-Americano (AACR). Amplamente difundido no Brasil, o código é adotado nos Cursos
de Biblioteconomia e utilizado como ferramenta para proceder a catalogação de acervos em
grande parte das bibliotecas do país.
Devido aos avanços tecnológicos e a prospecção de novos suportes informacionais,
surge em âmbito internacional, uma nova proposta de norma para catalogação, denominada
ResourceDescriptionand Access(RDA), no português: Descrição de Acesso e Recursos.
Segundo Oliver (2011), o RDA pretende preencher as lacunas existentes no AACR, no
que concernem aos recursos digitais, o agrupamento de registros bibliográficos e as relações
entre as obras e seus criadores. De acordo com o autor, essas mudanças facilitarão o processo
de recuperação da informação, bem como o entendimento dos usuários quanto às diferenças
entre edições, traduções ou formatos físicos de uma mesma obra.
Algumas bibliotecas no exterior já estão implantando o RDA como regra para
catalogação. Porém, no Brasil, o RDA ainda não foi concebido como um código vigente,
devido principalmente à necessidade de tradução e ausência de estudos práticos consolidados.
Dessa forma, pretende-se utilizar como suporte teórico apenas o código AACR.
Não apenas no campo das regras, a representação descritiva sofreu tamanha evolução
com o advento dos sistemas de bibliotecas e o Machine Readable Cataloging (MARC),
formato MARC 21. Essa demanda surgiu com a necessidade de facilitar o intercâmbio de
registros bibliográficos entre bibliotecas, permitindo não somente a padronização, como
também a facilitaçãodo processo de recuperação e preservação desses registros, agora legíveis
por computadores. (ZAFALON, 2008).
Além da representação descritiva, o processo de tratamento da informação incluia
análise de assuntos, que segundo Naves (1996, p. 215), consiste em extrair conceitos que

3799

�traduzam a essência de um documento, tendo em vista a entrada de dados em um sistema de
informação para posterior busca e recuperação.
Ambos os processos compreendem o estudo de regras e padrões de metadados no
campo da biblioteconomia,quesão adaptáveis e aplicados a qualquer recurso bibliográfico, ou
não bibliográfico, como é o caso dos discos sonoros, considerados itens informacionais e
portanto, passíveis de serem tratados tecnicamente para fins de recuperação e uso.
O profissional bibliotecário, na função de mediador da informação, domina as técnicas
para tratar adequadamente diferentes tipos de acervos.Todavia, o tratamento informacional
desses materiais exige um nível mínimo de conhecimento musical, haja vista sua importância
para alunos e pesquisadores especializados em música.
Nessa perspectiva, vale ressaltar as dificuldades encontradas pelo profissional da
informação, no que se refere à análise e representação do conteúdo musical e considerando o
entendimento dos seguintes aspectos:
a) Forma de composição musical:
O músico pesquisador comumente utiliza linguagem musical para efetuar buscas nos
acervos especializados. Nessa perspectiva, a dificuldade do catalogador é identificar a forma
em que a música se apresenta nos discos sonoros para melhorar a indexação dos itens nos
catálogos. Em alguns casos, é possível identificar a forma da música através do título da obra.
O processo de criação musical utiliza como base a estrutura tonal, maior ou menor, em
uma escala de oito notas musicais (Dó, Ré, Mí, Fá, Sol, Lá, Sí). Porém, para que a peça
musical seja construída, o compositor utiliza de uma variedade de materiais musicais para
preencher essa estrutura básica, dando forma, continuidade e equilíbrio à música. De acordo
com Bennett (1986, p. 9), a palavra “forma” é usada para “descrever a maneira pela qual o
compositor atinge esse equilíbrio, ao dispor e colocar em ordem suas ideias musicais”.
A forma musical nada mais é que a estrutura das composições, sejam elas eruditas ou
populares. As formas mais tradicionais conhecidas são: Rondó; forma canção; sonata-allegro;
temas e variações; forma binária e ternária; concerto; forma estrófica e forma moderna.
b) Instrumentação e orquestração:
Bennett (1986) afirma que esse é o campo da música onde se analisa como a orquestra
pode ser usada para representar o pensamento musical por meio da combinação de
instrumentos musicais. Para a realização da análise documental, é preciso possuir uma noção
geral sobre grupos de instrumentos e vozes. Dependendo da formação instrumental, é possível
identificar não somente características harmônicas e melódicas da peça musical, como
também, o período e fase da música ao longo da história. Por exemplo, a orquestra de câmara,

3800

�que é composta por um pequeno grupo de instrumentos musicais, surgiu no Período Clássico
da música.
Portando, o entendimento desses aspectos auxilia o catalogador tanto na descrição
física, como de conteúdo, pois, a partir de análise é possível identificar para quais
instrumentos a obra se destina, se é uma obra destinada a um instrumento solista ou um
conjunto musical, identificar as partes da música, etc.
c)

Transposições e arranjos:

De acordo com Grove (2009, p. 958), a transposição musical é a mudança de notação
ou execução da música para uma altura diferente daquele em que foi originalmente concebida.
Já o arranjo, em música, é uma reelaboração ou adaptação de uma composição musical para a
execução de um grupo específico de vozes ou instrumentos musicais. Isso consiste
basicamente em reescrever uma obra já composta para uma combinação sonora diferente da
original (GUEST, 1996).
Esse aspecto se relaciona principalmente com a originalidade das obras. Uma peça
musical transposta ou arranjada sofreu alterações e portanto, os responsáveis por tais
mudançasmerecem destaque.
d) Formas variantes dos títulos:
Os títulos das obras musicais, especialmente as eruditas, podem se apresentar em
diferentes formas, que variam de acordo com o idioma, o título em que a obra é mais
conhecida, títulos com detalhes dos meios de execução da peça musical, número da parte e
seções da obra, e até mesmo a escala musical em que foi composta.
A problemática das formas variantes do título ainda é mais abrangente, pois é possível
observar títulos diferentes em uma mesma fonte de informação. Os produtores, distribuidores
e responsáveis gráficos pelo design das capas nos discos sonoros podem apresentar o título de
forma diferente em duas ou mais partes da obra. Como exemplo, observa-se que muitas vezes
o título encontrado na capa difere do encontrado no rótulo do disco.
Os aspectos mencionados anteriormente demonstram que os profissionais da
informação devem possuir o mínimo de conhecimento musical para tratar adequadamente o
conteúdo informacional dos discos sonoros, haja vista a necessidade de proporcionar ao
usuário especialista qualidade no processo de busca e recuperação da informação.
Os instrumentos técnicos para representação da informação, como AACR e códigos de
classificação apresentam, apesar de consolidados, certo tipo de limitação quanto ao tratamento
de discos sonoros. Na prática, a estrutura da descrição é muito rígida e necessita ser adaptada.

3801

�Nesse sentido, as bibliotecas necessitam adequar tais regras de representação à realidade da
massa documental a ser tratada, observando o público a que se destina.

4 Percurso Metodológico
O estudo caracteriza-se como uma pesquisa exploratória descritiva, pois apresenta o
fenômeno por meio de observações sistemáticas. Segundo Gil (2007), esse tipo de pesquisa
procura descrever as características de determinada população ou fenômeno, estabelecendo
relações entre variáveis.
Quanto à forma de abordagem, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa descritiva,
pois pretende investigar a necessidade de propor melhorias no tratamento técnico
informacional de discos sonoros. Para isso, será preciso realizar o levantamento das
características desse fenômeno,e posteriormente, fazer o tratamento lógico secundário dos
dados coletados.
O método utiliza o estudo de caso, que segundo Severino (2007), trata-se de uma
pesquisa de um caso particular e representativo que assume uma estratégia de investigação,
buscando examinar fenômeno através de múltiplos métodos de recolha e tratamento de dados
sobre uma ou algumas entidades (pessoas, grupos ou organizações).
O lócus da pesquisa é a Biblioteca Setorial Pe. Jaime Diniz, especializada em música,
situada na Escola de Música da UFRN, Campus Central, localizada na Cidade do Natal, RN.
A unidade foi fundada em 1969e integra o Sistema de Bibliotecas da referida universidade.
Seu acervo é composto por livros, obras de referências, periódicos, partituras e multimeios,
que compreendem materiais sonoros e visuais.
O objeto de estudo é o acervo de discos sonoros pertencentes à biblioteca, composto
por discos de vinil (Long-plays - LPs) e discos compactos (Compact Discs - CDs).
O estudo contou com pesquisa bibliográfica e eletrônica em livros, periódicos, e
endereços eletrônicos pertinentes ao assunto, colaborando com a fundamentação teórica e
identificação do instrumento de coleta de dados.
A coleta de dados foi realizada a partir de diagnóstico, no qualse buscou identificar as
características, forma de organização e acondicionamento do acervo, para posteriormente
propor melhorias no tratamento técnico informacional dos discos sonoros.

4.1 Características, organização e acondicionamento do acervo de discos sonoros
O acervo de discos sonoros é composto por aproximadamente 6500 discos de vinil
(Long-plays - LPs) e 2.522 discos compactos (Compact Discs - CDs), em sua maioria

3802

�adquiridos por doação - principalmente os LPs. De modo geral, os materiais apresentam-se
em bom estado de conservação.
O gênero musical varia entre música erudita e popular, apresentado em diferentes
formações instrumentais e estilos de composição, música para instrumentos solistas, com e
sem acompanhamento, conjuntos musicais, orquestras de câmara, música vocal, grupos e
intérpretes populares, óperas completas, trechos de óperas, partes orquestrais, etc.
Os discos sonoros apresentavam duas formas de organização: os discos de vinil eram
organizados em móveis de estilo discoteca, agrupados por gênero (popular ou erudito),
dispostos em ordem alfabética de compositores ou intérpretes - quando esses se apresentam
como entrada principal no catálogo -, ou por ordem alfabética de título, para o caso de discos
com diversos compositores ou intérpretes (coletâneas).

Fotografia 1 - Organização dos discos de vinil

Fonte: Os Autores (2006).

Os discos compactos (CDs são organizados apenas por ordem numérica sequencial,
sem que haja uma analise do gênero, compositores ou intérpretes. Assim, são acondicionados
em estantes próprias para discos compactos.

3803

�Fotografia 2 - Organização dos discos compactos (CDs)

Fonte: Os Autores (2009).

Uma das principais difiuldades encontradas no processo de tratamento técnico dos
discos sonoros se relaciona ao processo de busca e recuperação da informação, decorrente da
forma de organização que adotava apenas o agrupamento por gênero, intérprete ou
compositores.
O conhecimento da área de música demandado pelos profissionais para proceder a
catalogação dos discos sonoros representou dificuldade no processo de análise documental.

5 Proposição de Melhorias para o Tratamento Técnico Informacional dos Discos
Sonoros
A partir do diagnóstico, prosseguiu-se com os encaminhamentos para a proposta de
melhorias no processo de representação descritiva, análise de conteúdo musical e organização
dos discos sonoros no acervo.

a) Quanto às adaptações para representação descritiva dos discos sonoros
Para dar início ao processo de catalogação no sistema automatizado, foi feita uma
revisão da literatura sobre a catalogação de registros sonoros, com o objetivo de padronizar a
entrada de dados, tendo como base os campos MARC e os capítulos do AACR2 referentes a
entradas principais e adicionais (Capítulos 21-26) e ainda o capítulo 6, que aborda a
catalogação de materiais sonoros (Gravação de som).

3804

�Através da revisão, foi possível identificar estruturas rígidas nas regras de catalogação,
principalmente no campo de títulos e indicação de responsabilidades. Entende-se que o
conjunto de regras apresentadas pelo código pretendia, na época em que foi criado, conduzir a
busca de materiais em catálogos de fichas. Portanto, a desconstrução de algumas regras a
seguir, se baseia unicamente nas possibilidades de busca que os catálogos automatizados
oferecem.
A primeira regra a ser analisada é entrada principal para autorias. De acordo com o
AACR, a entrada de autoria nos catálogos deve ser feita pelo autor ou intérprete principal,
com entradas secundárias para os demais, se forem até três autores. Porém, sabe-se que na
música, os arranjadores e compositores são considerados responsáveis pelo processo de
criação da peça musical, encontrados em grande quantidade nos itens, e portanto, merecendo
destaque na descrição.
Essa limitação na regra pode dificultar o processo de busca e recuperação da
informação, pois muitas vezes o usuário de música procura a biblioteca a fim de recuperar
peças musicais e compositores específicos, presentes em muitos casos, apenas nas faixas de
áudio dos discos sonoros.
Como a catalogação no sistema automatizado utiliza os campos do formato MARC, e
esse oferece diversas possibilidades para entrada e recuperação de dados, buscou-se descrever
todos os responsáveis pelas faixas de áudio no campo 700 (Entrada secundária para nome
pessoal), utilizada para entrada secundária de compositores ou intérpretes que não foram
definidos como entrada principal.

Q uadro 1 - Entradas secundárias para nome pessoal no formato MARC
EXEMPLO NA DESCRIÇÃO
700 1# $aDonato, João, $d 1934- $eCompos.
700 1# $aRipper, João Guilherme.$eArr.________________________________________
Fonte: Os Autores (2014).

No que se refere à área de título, a principal dificuldade encontrada se dá quando o
item possui duas ou mais obras, de pessoas ou entidades diferentes, e não apresenta um título
coletivo. Nesse caso, a regra nos orienta a proceder a entrada principal pela primeira obra,
usando a forma autor/título e, na área de responsabilidade, repetir o autor da primeira obra na
ordem direta, seguido do título/autor da segunda obra, como mostra o exemplo a seguir431:

431 Exemplo extraído de Ribeiro (2002, p.6-21), obedecendo a regra (R 25.33A).

3805

�Tchaikovsky, PiotrIliich, 1840-1893.
Piano concerto no. 1 [gravação de som] / Peter Tchaikovsky. Piano
concerto no. 2 / Sergei Rachmaninov. -

No sistema automatizado, o subcampo c do campo 245 (Título principal), corresponde
às responsabilidades sobre a obra e, sendo incapaz de recuperar títulos, torna-se desnecessário
preenchê-lo com os dados do segundo título. Dessa forma, optou-se por descrever o segundo
título e seu respectivo autor apenas nas entradas secundárias, nos campos 700 (Entrada
secundária - nome pessoal) e 740 (Entrada secundária - título adicional).

Quadro 2 - Entrada secundária para títulos adicionais no formato MARC
EXEMPLO NA DESCRIÇÃO
100 1# $a_Tchaikovsky, PiotrIliich, $d1840-1893.
245 1# $a_Piano concerto no. 1 / $h [gravação de som] $c_Peter Tchaikovsky. 700 1# $a_Rachmaninov, Sergei, $d 1873-1943. $e Compos.
740 #2 $a_Piano concerto no. 2._______________________________________________
Fonte:Os Autores (2014).

É comum encontrar em discos sonoros formas variantes do título de uma mesma obra.
Os títulos podem se apresentar em idiomas diferentes, inclusive, acompanhadas da
informação referente ao número de partes da música, instrumentação e tonalidade das peças
musicais.
O AACR recomenta que os títulos equivalentes (ou paralelos) devem ser registrados
na ordem indicada, ou seja, título principal seguido do título em outro idioma, precedido pelo
sinal de igualdade (=)432 :
Lehár, Franz, 1870-1948.
Die lustige Witwe [gravação de som] = The merry widow / Franz Lehár. -

Nesse caso, optou-se por utilizar apenas o campo 246 (Formas variantes do título) para
transcrever títulos equivalentes, pois muitos dos discos sonoros possuem diversos títulos
equivalentes em outros idiomas, dificultando assim a visualização e o entendimento dos
usuários na recuperação dos registros através do catálogo on-line.

432 Exemplo extraído de Ribeiro (2002, p.6-23) obedecendo a regra (R 1.1D).

3806

�Quadro 3 - Entrada para títulos equivalentes no formato MARC
EXEMPLO NA DESCRIÇÃO
100 1# $aFranz, Lehár, $d1870-1948.
245 1# $aDie lustige Witwe / $h [gravação de som] $cLehár Franz. 246 31 $a The merry widow..
Fonte: Os Autores (2014).
b) Quanto à análise do conteúdo musical dos discos sonoros
É sabido que a análise documental realizada em materiais destinados a públicos
especializados demanda, principalmente, o conhecimento do catalogador quanto ao assunto
que compreende o acervo. Nesta oportunidade, o profissional que trata acervos especializados
em música, necessita possuir conhecimento mínimo das formas de apresentação musical para
proceder às atividades de catalogação, indexação e classificação.
A primeira etapa nesse processo é identificar a instrumentação e gênero musical
apresentados no disco. De posse desses elementos,o tratamento técnico se torna mais simples,
dependendo apenas do catalogador selecionar o termo que mais expressa o conteúdo do disco.
Visando melhorar o processo de análise e seleção de termos, propõe-se um esquema
de análise de conteúdo que considera os objetos de análise, tais como a forma de apresentação
musical, os meios de execução (instrumentação), gênero, nacionalidade e período de
composição.
Quadro 4 - Análise do conteúdo e seleção dos termos
Objetos de análise
Instrumentação/Vozes

Gênero musical/Nacionalidade
Forma/Instrumentação

Nacionalidade
do
compositor/Período da música
Fonte: Os Autores (2014).

Exemplos de Termos
Música para piano Música para violoncelo Coros (Música) Canções Música de câmara - Trio (Violinos e violoncelo)
Música popular - Brasil
Jazz - Estados Unidos
Rock - Inglaterra
Sinfonias Sonatas (Piano) Concertos (Oboé) Ópera Música alemã - Período barroco

É importante lembrar que a padronização dos termos se torna fundamental, pois
permite a redução de duplicidade,possibilitando também que outras pessoas envolvidas no
processo de indexação selecionem um único termo para representar determinado grupo
temático.

3807

�Outra problemática encontrada, inerente ao processo de análise documental e
representação descritiva, é o emprego do título uniforme para música. É comum observar
obras idênticas utilizando expressões distintas.Dessa forma, o emprego do título uniforme é
necessário para identificar uma mesma obra em suas diferentes edições. (KOTH, 2008).
As bibliotecas utilizam títulos uniformes para a entrada de registros em seus
catálogos,com o objetivo único de identificar e agrupar obras musicais por compositores,
sejam elas impressas ou registros sonoros. O emprego dessa forma de agrupamento funciona
como instrumento facilitador no processo de recuperação da informação.
Nessa perspectiva, muitos catalogadores encontram dificuldades quanto ao
entendimento da forma, instrumentação e escalas musicais - elementos necessários para
composição do título uniforme para música -, pois em muitos casos, esses não estão
expressos na fonte principal de informação.
Para solucionar esse ponto, buscou-se estabelecer diretrizes para a identificação desses
elementos no item, observando o conhecimento demandado pelo catalogador e o local onde
essas informações comumente são encontradas no documento:
Quadro 5 - Diretrizes para identificação dos elementos do título uniforme no item
E le m e n to s d o títu lo
u n ifo r m e

C o n h ecim en to d em a n d a d o

- Nacionalidade do compositor, período
em
que a obra foi composta;
Forma de composição - Formação
instrumental e estilo
musical da época.
- Identificar transcrições, formas de
acompanhamentos, reduções;
Meios de execução
- Denominação dos diversos tipos de
instrumentos musicais em diversos
idiomas.
- Identificar o número e/ou
representações
das
obras
de
Número da parte ou compositores clássicos,
referenciadas
seção da obra
por sua catalogação temática e em
ordem cronológica.
Conhecimento
mínimo
das
Escala musical
representações de escalas musicais,
inclusive em diversos idiomas.
Fonte: Os Autores (2014).

Id e n tific a ç ã o n os iten s

Notas gerais ou notas biográficas
dos compositores presente nas
contracapas ou encartes dos
discos sonoros.
Detalhes
dos
intérpretes
responsáveis pela execução das
peças musicais, geralmente
descritos nas notas gerais, fichas
de créditos ou faixas sonoras.
Expresso nos títulos das obras,
contido nos rótulos, notas de
encartes e faixas sonoras.
Expresso nos títulos das obras,
contido nos rótulos, notas de
encartes e faixas sonoras.

Quando identificados, esses elementos são registrados no campo 240 (Título
uniforme), cada um em seu subcampo apropriado, como mostra o exemplo a seguir.
Quadro 6 - Entrada para títulos uniformes no formato MARC
EXEMPLO NA DESCRIÇÃO
240 10 $aSonatas, $m violoncelo, piano, $nno. 5, op. 5, $r G menor
Fonte: Os Autores (2014).

3808

�Como mencionado anteriormente, para proceder a catalogação, o profissional da
informação necessita possuir conhecimento mínimo na área de música. Quando se torna
difícil o processo de análise documental, esse precisa recorrer a fontes de informação
especializadas, com o objetivo de esclarecer dúvidas e buscar suporte a sua descrição.
Nessa oportunidade, foram identificadas algumas fontes de informação externas que
oferecem auxílio para a representação descritiva e análise de conteúdo musical.

Quadro 7 - Fontes auxiliares de informação para pesquisa em música
Fontes impressas

Conteúdos
Possui cerca de 10.500 verbetes, entre
compositores, conceitos, instrumentos, instituições,
intérpretes, títulos de obras musicais, lista de obras
de grandes compositores, incluindo verbetes
relativos ao mundo musical brasileiro.
Breve resumo da história da música ocidental,
cobrindo todos os campos importantes, em
particular aquele que diz respeito ao
reconhecimento dos estilos e períodos musicais.

GROVE, George. Dicionário Grove de
música: edição concisa. Editado por Stanley
Sadie. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009. 1048
p
BENNETT, Roy. Uma breve historia da
musica. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1986. 80 p.
(Cadernos de música da Universidade de
Cambridge)
BENNETT, Roy. Forma e estrutura na
música. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Oferece uma introdução às formas e estruturas
2010. 79 p. (Cadernos de Música da musicais mais simples.
Universidade de Cambridge)
Apresenta os instrumentos musicais que compõe a
BENNETT, Roy. Instrumentos da orquestra.
orquestra sinfônica moderna, desde o processo de
Rio de Janeiro: J. Zahar, 1985. 76p. (Cadernos
fabricação, características e suas funções no
de Música da Universidade de Cambridge)
conjunto orquestral.
Fontes eletrônicas
Conteúdos
INTERNATIONAL
MUSIC
SCORE
Lista de compositores e suas obras. Apresenta
LIBRARY PROJECT - MSLP. [Wilmington,
do
período
de
composição,
DE,
2014].
Disponível
em detalhes
instrumentação, datas de primeira execução e em
&lt;http://imslp.org/wiki/P%C3%A 1gina_inicial&gt;.
alguns casos, disponibiliza partituras completas.
Acesso em: 26 fev. 2014.
INSTITUTO CRAVO ALBÍN. Dicionário
Cravo Albin de música brasileira. [Rio de
Breve apanhado sobre a vida e obra de
Janeiro,
2014].
Disponível
em:
compositores da música popular brasileira.
&lt;http://www.dicionariompb.com.br/&gt; . Acesso
em: 26 fev. 2014.
OXFORD MUSIC ON LINE. [New York:
Oxford University Press, 2014]. Disponível em:
Compêndios, dicionário de música (Grove on-line)
&lt;http://www.oxfordmusiconline.com/public/boo
e enciclopédia da música popular.
k/omo_gmo&gt;. Acesso em: 26 fev. 2014. Acesso
em: 26 fev. 2014.
NAXOS. Classical Music: Streaming Classical Catálogo de gravações musicais, tracklist de
Music. [Franklin, TN: Naxos, 2014]. Disponível gravações sonoras, artes das capas, libretos de
em: &lt;http://www.naxos.com/&gt;.
óperas, biografia de compositores, glossários, etc.
THE LIBRARY OF CONGRESS. Library of
Busca de autoridades: assuntos, nomes, títulos,
Congress Authorities. [Washington, DC: The
séries e entidades coletivas.
Library of Congress, 2014].
Fonte: Os Autores (2014).

3809

�c) Quanto à classificação e organização dos discos sonoros no acervo
Passados os processos de análise documental para representar descritivamente os itens
no catálogo, segue-se o processo de organização dos discos no acervo.
A categorização dos discos sonoros em seus respectivos eixos temáticos foi realizada
com o auxílio de alunos de música, observando o gênero musical, a forma de composição e a
instrumentação presente nos discos sonoros. A partir dessa análise, buscou-se elaborar
umquadro com as categoriais, a classificação específica do item de acordo com a
Classificação Decimal Universal (CDU) e diretrizes para a sua aplicação no momento de
proceder a classificação.
Quadro 8 - Categorias e classes da música
Categorias

Classe

Música popular - Diversos

78.067.26

Música popular
Masculinos
Música popular
musicais

-

Solos

78.067.26

Grupos 78.067.26

Carnaval
Música Sacra

78.067.26
783

Música vocal

784

Música vocal - Trechos
Canções

784.2
784.3

Concertos Diversos

785.6

Quando usar?
Disco com vários intérpretes e compositores
da MPB (Coletâneas).
Intérpretes masculinos em destaque sejam
eles compositores ou não das obras contidas
no disco.
Grupos musicais ou bandas em destaque
sejam eles compositores ou não das obras
contidas no disco.
Samba-enredos, machinas de carnaval, etc.
Música religiosa, missas, oratórios, etc.
Árias e canções em um único disco,
transposições para canto e piano, etc.
Trechos de óperas, cantatas, etc.
Canções ou lieder.
Concertos para vários instrumentos, ou
concerto grosso.

Fonte: Os Autores (2014).

A categorização se baseou inicialmente pela distinção entre popular e erudito. Em
seguida, se observou a necessidade de separar os discos por conjuntos de instrumentos,
considerando o instrumento solista em destaque, e não a formação instrumental pura e
simplesmente. Por exemplo, os concertos em que há um instrumento solista acompanhado de
orquestras ou outro instrumento,são classificados de acordo com o instrumento principal.
Deve-se ressaltar queem alguns casos dessa etapa, foi necessário categorizar os discos
de acordo com a forma de composição da peça musical. Esses casos se aplicaram aos discos
contendo sinfonias, música sacra, balés e óperas, por apresentarem uma formação
instrumental complexa e em grande quantidade no acervo.

3810

�Quanto à categorização dos discos de música popular, esses foram organizados
observando o gênero e a quantidade de intérpretes no disco. Foram separados em intérpretes
masculinos, femininos, grupos musicais e diversos - quando observadas as três categorias
anteriores em um mesmo item. Assim como procedido na música erudita, alguns gêneros
populares foram agrupados separadamente, devido à quantidade e relevância, como os discos
de jazz, samba, carnaval e rock.
O uso da classificação numérica (CDU) foi necessário, pois o quantitativo dos itens do
acervo é incorporado ao relatório gerencial, gerado automaticamente pelo sistema. Nesse
relatório, devem constar as quantidades de discos sonoros por áreas do conhecimento do
CNPQ, exigidas pelo MEC. Essa relação é feita automaticamente pelo sistema e usa como
parâmetro, a classificação.
Para minimizar a dificuldade de encontrar o item no acervo pela classificação, utilizase uma segunda localização, que recebe o nome da categoria do disco. Essa sinalização é
inserida no sistema e na etiqueta do item, permitindo assim que usuário encontre facilmente o
material na estante.

Fotografia 3 -Sinalização e acondicionamento dos discos sonoros (LPs)

Fonte: Os Autores (2014).

O armazenamento dos discs compactos (CDs) permanece com a organização por
sequência numérica, devido a disposição das estantes, pois percebeu-se que a ordenação
numérica facilita o processo de recuperação e inserção dos itens nas prateleiras.

3811

�Fotografia 4 - Sinalização e acondicionamento dos CDs

Fonte: Os Autores (2014).

As informações referenes à CDU, cutter, coleção e categoria são inseridas no sistema
utilizando os mesmos padrões de dados adotados para o processamento dos LPs, incluindo a
numeração sequencial para que o usuário possa localizar os itens no acervo.

6 Considerações Finais
Os discos sonorosapresentam conteúdo musical capaz de dar suporte informacional à
alunos e pesquisadores especialistas da área de música. O tratamento técnico desses materiais
e disponibilização adequados se torna um desafio para bibliotecas e centros de informação
especializados, na tentativa de melhorar os processos de busca, recuperação e uso do acervo.
Foi constatado que as regras para a representação descritiva no campo da
biblioteconomia, apesar de rígidas quando se trata de materiais especiais, podem ser aplicadas
e adaptadas às realidades das bibliotecas com acervos musicais.
No caso dos discos sonoros, a partir do diagnóstico, foi possível identificar algumas
dificuldades no processo de tratamento e recuperação da informação. Nesta oportunidade,
foram levantadas algumas necessidades de melhorias nos processos de descrição, análise e
organização do acervo musical da Biblioteca Pe. Jaime Diniz,e posteriormente estabelecidas
algumas diretrizes visando àpadronização de metadados.
O estudo colaborou com o levantamento das demandas de informação, necessárias ao
profissional bibliotecário para proceder o tratamento técnico de acervos musicais. Com isso,
foram identificadas algumas fontes de informação especializadas que facilitaram o processo
de análise documental. É importante ressaltar que além da consulta às fontes, o profissional

3812

�necessita estreitar laços com pesquisadores e alunos de música, visando atender com
eficiência suas demandas de informação.
A pesquisa atingiu seus objetivos, na medida em que através das dificuldades
encontradas, propôs melhorias no processamento técnico do acervo de discos sonoros e
contribuindo para o aprimoramento das técnicas já utilizadas, bem como servindo como base
para discussões e elaboração de estudos futuros em acervos especiais.
Deste modo, as unidades de informação precisam cumprir com sua missão em toda a
sua plenitude, considerando todo e qualquer investimento para incorporar os discos sonoros
ao acervo, informatizando e tratando-os adequadamente para sua organização e preservação.
Isso justifica a necessidade premente de coletar e tratar a massa documental, melhorando seu
armazenamento e recuperaçãoe minimizando as barreiras entre a técnica biblioteconômica e
as necessidades informacionais de sua clientela.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Barbosa, Evertons Rodrigues, Ribeiro, Elizabeth Sachi Kanzaki, Pereira, David Barbalho</text>
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                <text>Aborda o tratamento técnico informacional de discos sonoros na Biblioteca Especializada em Música Pe. Jaime Diniz, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Caracteriza os discos sonoros enquanto suporte informacional.Relata as dificuldades encontradas no processo de tratamento da informação musical em materiais especiais. Objetiva estabelecer diretrizes para a análise, representação e organização do acervo de discos sonoros. Utiliza a pesquisa bibliográfica em fontes impressas e eletrônicas para o suporte teórico, tendo como metodologia o estudo de caso. Conclui que as regras e padrões para o tratamento técnico da informação no campo da Biblioteconomia podem sofrer adaptações para melhor representar o conteúdo musical dos discos sonoros, considerando a necessidade do profissional da informação em aperfeiçoar seus conhecimentos em música.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O MARKETING DIGITAL NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COMO
ESTRATÉGIA DE APROXIMAÇÃO COM O USUÁRIO
Marilene Lobo Abreu Barbosa
Ana Paula Santos Souza Teixeira
Aida Varela Varela
RESUMO
A problemática que motivou este estudo foi a percepção, até mesmo com base em reiterados
registros na literatura da área de biblioteconomia, de que há um vácuo entre o que realiza a
biblioteca e o que sabe o usuário a respeito disto, fato que cada vez aumenta mais a distância
entre ambos. Neste sentido, objetivou-se averiguar os benefícios de inserir o marketing
digital, como recurso de divulgação dos serviços e produtos da biblioteca universitária, aqui
representada pelo Sistema de Bibliotecas da UFBA (SIBI/UFBA), onde se aplicou o estudo de
caso, escolhido como método da pesquisa de campo. A estratégia de ação procurou
contemplar o marketing desde a fase do planejamento estratégico da organização, inclusive
usando recursos das redes sociais, sobretudo o twitter. O referencial teórico referendou os
benefícios da aplicação do marketing como instrumento de divulgação, principalmente
quando associado ao planejamento e com a aplicação das redes sociais. O estudo de caso
mostrou que o planejamento estratégico da unidade estudada ainda está em fase de concepção,
mas que não está sendo considerada a inclusão do marketing em sua estrutura, no entanto o
SIBI/UFBA usa as ferramentas das redes sociais, ainda que de modo incipiente e aleatório.
Conclui-se que a associação do marketing digital ao planejamento estratégico, bem como o
uso das redes sociais para sua divulgação, potencializa o uso dos produtos e serviços
divulgados, bem como aumenta a chance de aproximação do usuário com a biblioteca.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; Marketing digital; Planejamento estratégico; Redes
Sociais.
ABSTRACT
The problem that motivated this study was the perception, even based on repeated reports in
the literature of librarianship, that there is a gap between what the library performs and what
the user knows about it, the fact that each time further increases the distance between them. In
this sense, it is aimed to investigate the benefits of entering the digital marketing from
strategic planning and mediated by tools of social networks especially Twitter, as a strategy to
disseminate the products and services of the university library, here represented by the
Library System UFBA (SIBI/UFBA), where was the case study took place, chosen as the
method of fieldwork. The theoretical framework endorsed the benefits of applying marketing
as a publicizing tool, especially when associated with the planning and implementation of
social networks. The case study shows that the strategic planning unit of study is still in the
design stage, but is not being considered marketing in its structure, however the SIBI/UFBA
uses the tools of social networking even if is incipient and random. It can be concluded that

3180

�the combination of digital marketing to strategic planning, as well as the use of social
networking to its propagation enhances the use of the products and services advertised, and
increases the chance of rapprochement with the library user.
Keywords: University library; Digital marketing; Strategic planning; Social network.

1 INTRODUÇÃO
A internet é um ambiente que vem aumentando a capacidade de comunicação entre os
bibliotecários e os usuários, com a diversificação dos serviços disponíveis, que não se limita à
troca e à disseminação de informação, mas torna-se um espaço repleto de sites, com uma
diversidade de conteúdos e operações, que permitem a realização de atividades de ensinoaprendizagem, pesquisa, divertimento e comércio eletrônico.
E é nesse ambiente tecnológico que surge o marketing digital com a finalidade de
ampliar ainda mais essa comunicação. Nessa conjuntura, apresentam-se as redes sociais na
internet como ferramentas de marketing digital que incrementam a promoção de produtos e
serviços, além de favorecer a interação do usuário com a biblioteca, neste caso, com a
biblioteca universitária.
Maior sucesso ainda pode ser alcançado pela biblioteca universitária tanto em seu
funcionamento, quanto em seus resultados, se o programa de marketing estiver associado,
desde sua concepção, ao planejamento estratégico, como uma ferramenta capaz de anteciparse à aplicação de qualquer processo gerencial, levantando as características do ambiente
externo e da clientela potencial da biblioteca. Deste modo, o marketing aumenta a
possibilidade de a biblioteca alcançar maior número de usuários, por meio de divulgação mais
intensiva dos serviços que presta, como também de fidelizar esta clientela, na medida em que
está sempre pronta para atender satisfatoriamente suas necessidades de informação,
prestando-lhe serviços de qualidade. De modo seguro, pode-se afirmar que o marketing
contribui, fortemente, para que a biblioteca atinja seus objetivos organizacionais e sociais.
Deste modo, elaborou-se a seguinte questão de pesquisa: o marketing digital,
reconhecido como uma ferramenta capaz de incrementar a divulgação dos produtos e serviços
da biblioteca universitária, aqui representada pela Biblioteca Universitária Reitor Macedo
Costa, levaria à intensificação do contato do usuário com esta biblioteca?
A literatura da área de administração aponta como eficaz a inserção do marketing no
planejamento estratégico, na perspectiva de identificar a necessidade da clientela e,
especificamente no âmbito das bibliotecas universitárias, González-Fernández-Villavicencio

3181

�(2012, p. 567) sugere que as bibliotecas incorporem planos de marketing aos seus planos
estratégicos, a fim de melhor conhecer e atender as necessidades informacionais dos usuários,
reforçando a ideia de que a inserção do marketing no planejamento estratégico das bibliotecas
universitárias intensifica a possibilidade de melhor atendimento às necessidades do usuário,
pois proporciona a oportunidade de realização de serviços e produtos diretamente focados no
interesse do usuário.
Isto posto, estabeleceu-se como objetivo geral, averiguar os benefícios de inserir o
marketing digital, a partir do planejamento estratégico, mediado por ferramentas das redes
sociais, como estratégia de divulgação dos serviços e produtos do SIBI-UFBA, inclusive na
expectativa de aproximação do sistema com seus usuários. Na perspectiva de cumprir o
objetivo geral, adotaram-se, como objetivos específicos: verificar a pertinência do uso das
redes sociais como instrumento de marketing; compreender a dinâmica da biblioteca 2.0, seu
sentido e ações; diagnosticar como o SIBI-UFBA está utilizando os sites das redes sociais na
internet; descrever o uso das ferramentas da biblioteca 2.0 por parte dos bibliotecários. Para
cumprir tais objetivos realizou-se uma pesquisa de natureza exploratória, aplicando-se,
como método, o estudo de caso, cujo ambiente de pesquisa foi o já citado Sistema de
Bibliotecas da UFBA. A expectativa do estudo foi tornar visível aos usuários os serviços e
produtos oferecidos pela biblioteca universitária, ampliando o uso destes, bem como
intensificar a aproximação do usuário com a biblioteca.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Visando subsidiar a pesquisa de campo, buscou-se fundamentação na literatura da
área, contemplando temáticas relacionadas com o foco do estudo, tais como: biblioteca
universitária, marketing digital, ferramentas da web 2.0, redes sociais etc.

2.1 Biblioteca Universitária
Concebida como um lastro de conhecimento subjacente e estimulante ao ensino e ao
acesso à ciência, a biblioteca universitária acompanha as políticas e concepções da
universidade, mediando o processo dinâmico de aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo
do sujeito, na direção da apreensão do conhecimento científico, havendo, assim, um
embricamento de ideias e ações. É importante esclarecer, no entanto, que a função da
biblioteca universitária, neste movimento de ensinar, aprender, pesquisar, inovar e criar,
transcende ao apoio à sala de aula, às atividades laboratoriais e extensionistas, à pesquisa de

3182

�campo etc., pois que, suas ações e serviços potencializam a formação do habitus de
aprendizagem contínua e de internalização da atitude científica.
Naturalmente que, para cumprir sua missão, a biblioteca universitária precisa ser
administrada, passando pelos processos gerenciais, de planejamento, organização, execução e
controle de seu funcionamento e de seus serviços. Por outro lado, para prestar serviços aos
usuários, é sabido que a biblioteca precisa organizar os recursos informacionais e disseminálos entre eles. Para tanto, lança mão de princípios, métodos e técnicas que compõem o corpus
de conhecimento da biblioteconomia, bem como da administração e, nos últimos tempos, fazse imprescindível a aplicação das soluções das tecnologias da informação e da comunicação TIC. É neste sentido que tanto Amaral (2001), quanto González-Fernández-Villavicencio
(2012) atrelam a atividade da divulgação dos serviços da biblioteca ao marketing, associado
ao planejamento estratégico, isto porque o planejamento é a ação gerencial que leva a
organização a alcançar os objetivos propostos, enquanto o marketing é uma técnica gerencial
que estuda o ambiente externo, procurando identificar as oportunidades e ameaças deste
ambiente, bem como o perfil da clientela, seus interesses e especificidades.
Deste modo, o marketing subsidia o planejamento com informações da realidade
concreta, dando-lhe a possibilidade de maior acerto na escolha das estratégias de ação e na
tomada de decisão. Assim, o planejamento pode projetar serviços de informação mais
adequados e com mais qualidade, para atender mais eficientemente ao usuário. Diante do
exposto, pode-se afirmar que o planejamento tem um papel fundamental para a
sustentabilidade da instituição atuando como alicerce para seu desenvolvimento. Para
Almeida (2005, p. 2), “o planejamento é o oposto da improvisação”, nele devem constar ações
necessárias para conseguir alcançar todos os objetivos. De fato, o planejamento é a primeira
função administrativa, isto porque ele orienta todo o processo administrativo, que se completa
com as funções de organização, execução controle e avaliação. Ou seja, no planejamento
estão explícitos, o negócio da organização, sua missão e objetivos, além das estratégias para
alcançar os objetivos. Faz sentido, portanto, que o marketing, como estratégia de divulgação,
esteja contemplado no planejamento estratégico.

2.2 O Marketing Digital como Meio de Promoção dos Serviços da Biblioteca
O marketing é considerado um instrumento gerencial que visa melhorar o desempenho
das organizações, mediante o conhecimento das demandas de sua clientela e a oferta de
serviços customizados. Deste modo, a utilização do marketing, na BU, permite a criação, o
desenvolvimento, a promoção e a disseminação dos produtos e serviços de informação, a

3183

�serem consumidos e utilizados pelos usuários, cuja aplicação pode ser considerada um meio
de aumentar a produtividade das unidades de informação, modificando suas atividades
tradicionais e contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de mudança de sua imagem.
A internet, atuando como um novo canal de distribuição dessas informações, opera
como fonte potencializadora na difusão da informação, efetivando-se como um poderoso
instrumento para a promoção de produtos e serviços da BU.
Com a inserção da biblioteca universitária no ambiente da web 2.0, os bibliotecários
estão redimensionando seus trabalhos com os usuários, de forma a promover de maneira
dinâmica e interativa seus produtos e serviços.
As características e especificações dos produtos e serviços no planejamento estratégico
são decididas a partir das necessidades do ambiente interno e do ambiente externo, sendo o
setor funcional de marketing responsável por pesquisar informações sobre ameaças e
oportunidades no mercado, pesquisar clientes, fornecedores e concorrentes, além de outros
componentes do ambiente externo à instituição, observando sempre os resultados que se
almeja alcançar posteriormente, e, nesta perspectiva o bibliotecário deve determinar,
antecipadamente, “o que, por que, como, quem deve fazer, o quanto custa, quando e onde
deve ser feito.” (MACIEL; MENDONÇA, 2006, p. 44).
Partindo dessas premissas, Amaral (2001, p. 72) ressalta a importância da
convergência do planejamento estratégico e do marketing para solucionar as necessidades dos
usuários, afirmando que:
A razão para a incorporação do planejamento no processo de marketing
fundamenta-se na necessidade de tomada de decisão. Planejamento e
marketing, em conjunto, permitem trabalhar dentro de um esquema
organizado que oferece forte e adequada estrutura como suporte a variadas
decisões e implementação de atividades.
Por outro lado, González-Fernández-Villavicencio (2012, p. 569) afirma que a
associação do marketing ao planejamento, a partir do setor de referência é motivada por
quatro fatores: “a saída dos espaços físicos habituais; a oferta de serviços virtuais e móveis; o
uso de ferramentas da web social e a colaboração entre os profissionais”.
Cabe frisar que o bibliotecário necessita conhecer ferramentas e técnicas de marketing,
bem como dominar competências referentes à web 2.0, para melhor aplicá-las à sua unidade e
tornar o negócio da biblioteca um diferencial competitivo, na medida em que as técnicas de
marketing ajudam a elucidar as necessidades de informação do usuário, enquanto o uso das
ferramentas da web 2.0 favorecem a interação entre o usuário e o bibliotecário, tendo em vista

3184

�que a própria expressão web 2.0 traz consigo, “o conceito de troca de informações e coparticipação dos internautas com sites e serviços virtuais disponíveis no ciberespaço”,
conforme Brito e Silva (2010, p. 23).

2.3 Ferramentas da Web 2.0 na Biblioteca Universitária
Ressalta-se que, na plataforma web 2.0, está implícito o valor que é dado à integração
entre os sujeitos sociais, entre grupos e instituições e, sobretudo, à possibilidade que tem o
usuário de criar, sugerir e inovar, em termos de conteúdos. Sobre esta característica da web
social, Primo (2007) destaca seu poder de incentivar a organização e a disseminação de
informações, ampliando os espaços de diálogo entre os atores sociais, bem como de
incrementar novos tipos de publicações.
O’ Reilly (2005) aponta as principais vantagens da web 2.0, quais sejam: interfaces
variadas e versáteis; quanto mais usuário melhor, pois é sua participação que torna o sistema
mais rico e melhor; a maior parte dos sistemas disponíveis é gratuita; há facilidade no
armazenamento de dados e criação de páginas online; as informações das páginas podem ser
editadas pelos usuários que assim o desejarem; o trabalho no modelo de plataforma favorece o
uso de vários aplicativos, o que torna os sistemas mais ricos e eficazes; as informações são
atualizadas rapidamente, de modo colaborativo, favorecendo à diversidade de conteúdo e à
agilidade da atualização; e os atores, em geral, agregam-se, formando “comunidades”, em
geral motivadas por uma mesma temática.
O uso dos mecanismos e ferramentas da web 2.0 permite transformar a biblioteca
universitária em um ambiente mais atrativo, proporcionando, ao usuário, modificar conteúdos
e criar novos ambientes sociais, ou seja, a BU passa a oferecer mais canais de comunicação à
sua comunidade usuária.

Deste modo, a web 2.0, configurada como uma plataforma

tecnológica colaborativa, pode ser vista como um recurso que, além de potencializar a
interação usuário, biblioteca e bibliotecário, proporciona as condições para a criação de
serviços e produtos informacionais customizados, de acordo com o interesse e vontade do
usuário, promovendo também sua autonomia, neste processo de comunicação mediado pelas
soluções de tecnologias da informação e da comunicação.
A literatura da área da biblioteconomia e da ciência da informação vem mostrando
que já há um forte movimento, identificado como Biblioteca 2.0, envolvendo bibliotecas e
bibliotecários, nesta perspectiva de aplicação da web 2.0 como plataforma para divulgação de
seus serviços, como forma de levar a biblioteca até o usuário. Corroborando esta assertiva os
autores abaixo citados afirmam:

3185

�O coração da biblioteca 2.0 é a mudança centrada no usuário. É um modelo que visa a
implementar serviços de biblioteca, na perspectiva da mudança intencional e
constante, com a participação do usuário na criação e transformação dos serviços,
tanto virtuais quanto físicos, levando sempre em conta o processo de avaliação. O
objetivo é atender bem os clientes atuais, com a melhoria e oferta orientada de
serviços, bem como alcançar novos usuários. Cada componente do processo por si só
é um passo na direção de atender às demandas dos usuários, contudo, é através da
aplicação combinada de todos estes processos e recursos que se pode alcançar o
propósito da Biblioteca 2.0 (CASEY; SAVASTINUK, 2006, s.p.).
Alguns tipos de ferramentas da web 2.0 que os bibliotecários têm usado mais
frequentemente na biblioteca universitária são: o chat, o RSS ou RSS Feeds, o blog, os wikis, o
facebook, o twitter, o youtube etc. Em face do exposto, os bibliotecários precisam estar
atentos às mudanças que ocorrem com a implantação dos recursos disponíveis na biblioteca
2.0, isso pelo fato de que eles vão precisar estar aptos tanto a pô-los em prática como a vencer
a barreira da resistência de se adaptar a uma nova tecnologia.
Neste contexto, Maness (2007, p. 45) assim define a biblioteca 2.0:
[...] uma comunidade virtual centrada no usuário. Ela é socialmente rica,
quase sempre um espaço eletrônico igualitário. Enquanto que o Bibliotecário
2.0 deveria atuar como um facilitador e prover suporte, ele ou ela não é
necessariamente o primeiro responsável pela criação do conteúdo. Os
usuários interagem e criam recursos (conteúdo) uns com os outros e com os
bibliotecários. De várias formas, é uma realidade virtual para bibliotecas,
uma manifestação Web da biblioteca como lugar.
As redes sociais favorecem e facilitam a participação e a colaboração do usuário,
chegando este a contribuir, diretamente, nas postagens e elaboração dos conteúdos. Essa nova
configuração do ambiente virtual redefiniu os perfis do usuário e do bibliotecário, no qual o
primeiro passa a possuir autonomia para manusear o conteúdo disponível na rede “Podemos
perceber, desse modo, na web 2.0, a ocorrência de modificações no papel do usuário, que
passará a interagir, selecionar e controlar as informações de forma a ampliar o seu papel de
agente e ator.” (MEIRELLES, 2007, p.1). Já o segundo, passa a atuar como um intermediário
entre o usuário e o computador, para garantir maior precisão na busca da informação, ou seja,
o bibliotecário passará a ter uma atitude de mediador da informação e alfabetizador
informacional.

3186

�2.4 As Redes Sociais como Instrumento de Marketing Digital para a Biblioteca Universitária:
o uso do twitter
Com o surgimento da web 2.0, o serviço de referência tradicional vem sofrendo
mudanças em sua estrutura, pois o número de visitas presenciais nas bibliotecas vem
diminuindo, daí a importância da inserção das redes sociais como solução para mudar essa
vertente.
Diante dessa realidade, as mídias sociais são vistas pelo setor gerencial como um pilar
estratégico representando interação social de indivíduos com objetivos, valores, ideias e
interesses em comum.

Elas surgem exatamente dessa necessidade do ser humano em

compartilhar com o outro, interesses, ideais, preferências etc. Neste sentido, Tomaél (2005, p.
93) declara que “As redes sociais constituem uma das estratégias subjacentes utilizadas pela
sociedade para o compartilhamento da informação e do conhecimento”.
Ainda para o serviço de referência, as mídias sociais devem ser utilizadas como uma
estratégia de marketing para aproximar o usuário do bibliotecário. De acordo com Oliveira e
Bertholino (2000 apud MORENO; SANTOS, 2005), “a Internet marca, nitidamente, a
ampliação dos serviços de referência que, agora, podem dar atendimento em tempo real para
os usuários”.
O uso dessas mídias sociais melhoraria muito o atendimento no serviço de referência
seja porque o público de uma BU é especializado, seja porque é um público dinâmico, o certo
é que nesse espaço as informações mudam constantemente e os usuários precisam se manter
atualizados. Figueiredo (1992, p.162) afirma que: “[...] serviços online permitiram à
biblioteca oferecer um nível mais alto de serviço, por um custo aceitável, com grande presteza
e pequeno trabalho adicional para a equipe de pessoal”.
Essas redes sociais são cada vez mais facilmente apropriadas pelos indivíduos. Podese citar, por exemplo, o e-mail, o aparelho celular, as redes de compartilhamentos P2P (Peer
to Peer - pessoa para pessoa), e também os blogs e, ainda, os mais recentes microblogs. Um
microblog é uma variação dos blogs, nos quais existe alguma limitação, geralmente no
tamanho dosposts e, dentre os microblogs existentes hoje, o Twitter é o que mais se destaca.
O Twitter foi criado em 2006 por Jack Dorsey e é um serviço gratuito que permite a
publicação de mensagens de até 140 caracteres.
Os benefícios de uma BU possuir uma conta no Twitter são vários, considerando-se
como principais:
a) marketing: como não poderia deixar de ser o Twitter serviria para divulgar os
serviços oferecidos pela biblioteca, comunicações e as novidades;

3187

�b) atualização quanto aos dias e horário de funcionamento: informar os usuários
sobre qualquer alteração que por acaso venham acontecer facilitando o trabalho
do setor administrativo;
c) DSI - Disseminação Seletiva da Informação: o Twitter, como canal de
comunicação direto entre bibliotecário e usuário pode ser utilizado para
Disseminação Seletiva da Informação;
d) alerta bibliográfico: divulgar as aquisições feitas pela biblioteca, além de links
para acesso a bases de dados;
e) eventos: além de divulgar as aquisições a ferramenta também se aplicaria na
divulgação dos eventos promovidos pela biblioteca ou pela Universidade;
f) ferramenta de avaliação: neste caso o uso do Twitter serviria para analisar a
imagem da instituição, sendo possível verificar quais as necessidades dos usuários
real e potencial.
Entretanto não basta simplesmente criar uma conta no Twitter, é preciso que haja um
planejamento prévio e, neste ínterim, Fabrício (2011) afirma que:
O marketing nas mídias sociais exige planejamento e método. É necessário
ter quem cuide, quem crie e quem atualize as redes sociais, pois criar por
criar não basta, é preciso ter algo novo, é preciso ser inovador, aliás,
inovador é a palavra do marketing, onde é essencial inovar, ousar e
certamente não é diferente dentro das redes sociais, para se conseguir
seguidores no Twitter por exemplo, é preciso ter conteúdo e postar neste,
algo que atraia, que chame à atenção dos usuários.
Portanto, para uma biblioteca criar uma conta no Twitter, não significa apenas criar
uma conta no microblog e dizer que acompanha as tecnologias da web 2.0, é preciso estar
atento aos tweets de seus seguidores e não deixar de respondê-los, postar informações
interessantes e atualizá-las, já que uma BU também precisa estar em constante atualização.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada nessa pesquisa consistiu, de inicio, em uma revisão da
literatura especializada sobre o tema e depois de uma pesquisa de campo, com aplicação do
método do estudo de caso, tomando como universo o Sistema de Bibliotecas da UFBA
(SIBI/UFBA). A pesquisa foi realizada em etapas diferentes, de modo exploratório-descritivo
e abordagem qualitativa, cujas minúcias são apresentadas no item dos procedimentos
metodológicos.

3188

�Para melhor compreender o objeto de estudo e fundamentar as ações da pesquisa
empírica foi feita, inicialmente, a pesquisa bibliográfica e a leitura proficiente e a reflexão
sobre os textos selecionados contribuiu para que se estabelecesse o referencial teórico do
estudo, etapa básica para o aprofundamento do conhecimento sobre diversos ângulos do
assunto em pauta e para o desenvolvimento da pesquisa.
Um outro passo da pesquisa, foi o acompanhamento e a observação direta do site da
rede social Twitter, utilizada pelo web site do SIBI/UFBA, com a finalidade de coletar dados
para identificar o fluxo de acesso dos usuários assim como acompanhar a atualização desta
ferramenta. Escolheu-se o Twitter para essa observação, em virtude do site ser “[...] uma
importante ferramenta de divulgação de informações dos serviços da biblioteca universitária,
dos recursos que ela possui e de informações do ambiente acadêmico em que ela se encontra.”
(OLIVEIRA; SHIRAYAMA, 2012, p. 3).
Complementando a pesquisa, desta vez, objetivando averiguar a existência do
planejamento estratégico no SIBI/UFBA e sua associação ao marketing, realizou-se outra
etapa, com abordagem descritiva de cunho qualitativo, com a aplicação de entrevista
orientada aplicada com a superintendente do SIBI/UFBA.

4 RESULTADOS
Constituído por uma infraestrutura voltada à execução dos serviços de gestão dos
recursos informacionais, o SIBI/UFBA oferece diversos serviços de suporte às atividades de
ensino, pesquisa e extensão. Além da conservação e armazenagem dos acervos
informacionais, este Sistema presta alguns serviços direta e pessoalmente ao usuário e outros
são colocados à disposição do público por meio eletrônico (internet ou consulta em bases de
dados locais). O SIBI/UFBA possui um site onde estão destacados serviços a distância para
toda a comunidade acadêmica como, por exemplo, consulta ao Cátalogo Pergamum, às
Bibliotecas Virtuais, ao acervo de e-books, ao Portal CAPES, entre outras bases de dados.
Na Figura 1 está representada a interface do web site do SIBI/UFBA.

3189

�Figura 1 - Web site do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia

Fonte: www.sibi.ufba.br.

No site há também acess aos sites de redes sociais como o Twitter, Youtube e
Facebook nos quais são divulgados produtos e serviços para a comunidade acadêmica,
conforme Figura 1.

Figura 2 - Divulgação do SIBI/UFBA no Facebook

Fonte: http://www.facebook.com/people/Sibi-Ufba/10002709780184

3190

�5 SERVIÇOS OFERECIDOS PELO SIBI/UFBA
O SIBI/UFBA, constituído das bibliotecas setoriais de Saúde, de Exatas, de Filosofia e
Ciências Humanas, além das setoriais atreladas às unidades de ensino, tem a função de
proporcionar serviços bibliotecários e de informação à comunidade universitária, de modo a
contribuir para o desenvolvimento dos programas de ensino, pesquisa e extensão; reunir,
organizar, manter e divulgar a produção intelectual da UFBA e promover atividades culturais
de interesse da comunidade.
A Biblioteca Universitária Reitor Macedo Costa (BURMC) é uma das bibliotecas
setoriais do SIBI. Sua Seção de Referência é um setor que oferece, além de acervo de
pesquisa, treinamento para a comunidade acadêmica, estando localizado no térreo da
BURMC. O treinamento aos estudantes de graduação e a visita guiada são realizados no
início de cada semestre e contemplam a utilização do catálogo online Pergamum, a
organização do acervo, com visita local e explanação sobre disposição do material nas
estantes. Há também distribuições de folders sobre o funcionamento das bibliotecas, com
cronograma de cursos oferecidos por esta, dentre eles o Programa de Treinamento de
Usuários em Bases de Dados.
Além de seu público-alvo ser a comunidade da UFBA, a Seção de Referência da
BURMC também atende à comunidade externa, proporcionando-lhe não só a consulta aos
seus acervos como aos demais serviços a seguir indicados, com exceção do empréstimo
domiciliar e da normalização bibliográfica. Outros serviços são também prestados a usuários
de outras regiões do país e do exterior, via Correios, fax, correio eletrônico e telefone.
Os serviços que a Seção de Referência da BURMC oferece são361:
a) auxílio ao usuário: orientação individualizada ao usuário na busca de informações
e na utilização do acervo;
b) pesquisa bibliográfica: orientação para pesquisa e levantamentos bibliográficos,
com o auxílio do bibliotecário, sobre temas de interesse do usuário em base de
dados online;
c) CCN (Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas): localização de
periódicos por meio do Catálogo Coletivo Nacional;
d) comutação bibliográfica: obtenção de cópias de artigos de periódicos, teses e
anais de congressos - via Internet pelo software Ariel e outros meios -, localizados
em bibliotecas do país, mediante pagamento de uma taxa. Embora esse serviço
361 Todas as informações foram extraídas do sítio do Sistema de Bibliotecas da UFBA,
http://www.bibliotecacentral.ufba.br/.

3191

�seja, normalmente, realizado através do COMUT (Programa de Comutação
Bibliográfica, CAPES/IBICT), cópias são também solicitadas a bibliotecas que
não integram essa rede;
e) consulta ao acervo: consulta local a dicionários, enciclopédias, catálogos de
universidade, catálogos de teses, indicadores, guias, bibliografias, índices,
abstracts, dentre outros;
f) visitas guiadas: agendadas previamente para grupos de até 10 pessoas, propicia o
conhecimento da estrutura da Biblioteca Central e dos serviços que oferece;
g) treinamento de usuários: objetiva divulgar o Portal de Periódicos da CAPES e
qualificar as pessoas na utilização da ferramenta em atividades de ensino e
pesquisa, além de outras bases de acesso público disponíveis na internet;
h) programa de orientação e treinamento de usuários de bibliotecas: destinado
aos calouros da Universidade, objetiva proporcionar uma visão geral do
funcionamento das bibliotecas do SIBI/UFBA e dos seus serviços;
i) catalogação na fonte: a catalogação na fonte gera uma ficha catalográfica, a qual
é impressa no verso da página de rosto de um livro, tese, dissertação ou
monografia. A ficha deve ser feita quando a obra está em fase de impressão e é
obrigatória para efeito de depósito legal e recomendada pela Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT). Para a elaboração da ficha catalográfica, o
bibliotecário segue as regras do Código de catalogação Anglo-Americano;
j) normalização bibliográfica: orientação para a normalização de trabalhos
acadêmicos através das normas da ABNT.

6 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
Neste item, incluem-se as duas fases da pesquisa de campo, constituída do
acompanhamento e observação do uso das redes sociais na Biblioteca Universitária Reitor
Macedo Costa, bem como a aplicação de entrevista orientada com a Superintendente do
SIBI/UFBA e a análise e discussão desta entrevista.

6.1 Uso das Redes Sociais
No Sistema Integrado de Bibliotecas da UFBA foi possível identificar a utilização dos
sites de redes sociais: Youtube, Facebook, Blog e o Twitter. Eles são utilizados como recursos

3192

�de alerta para os usuários ou interessados em obterem informações disponibilizadas pela
unidade. Para a observação direta foram selecionados alguns critérios baseados nos serviços
que o SIBI/UFBA oferece, associados aos recursos que Twitter possui, a saber:
a) disponibilização de informações sobre os serviços do SIBI/UFBA;
b) disponibilização de links de fontes de informações;
c) quantidade de publicações;
d) quantidade de retwitters;
e) periodicidade das atualizações.

No primeiro momento da análise observou-se a interface do Twiiter do SIBI/UFBA
(Figura 3), quando se verificou que há somente 81 seguidores, quando há mais de 30 mil
alunos matriculados (CIÊNCIA..., 2011).

Outro aspecto relevante é o fato do design do

microblog do Sistema não ser atrativo visualmente, pois segue um padrão de cor preta com a
logomarca em tamanho reduzido.

Figura 3 - Interface do Twitter do SIBI/UFBA

Fonte: https: //twitter.com/sibiufba.

A página do witter é utilizada também como veículo de comunicação de informes da
biblioteca, tais como mudanças no horário de serviços e produtos oferecidos, além do
compartilhamento de assuntos relevantes da Universidade. A página reproduz, ainda, os links
das publicações do Blog do próprio Sistema.
Com base nos números contidos no perfil do Twiiter do SIBI/UFBA (Figura 4), foi
possível analisar, até o momento da coleta, os seguintes dados: foram 20 mensagens (tweets)

3193

�enviadas, 12 usuários seguidos (following), enquanto 82 usuários seguem (followers) o perfil
da biblioteca; este trajeto teve iniciou em janeiro de 2010 (criação do perfil).
Diante do que foi referenciado na literatura, é pertinente aferir que o Twitter não está
sendo um ambiente propício à disseminação de informações, assim como não está
funcionando de maneira eficiente na promoção dos produtos e serviços do SIBI/UFBA.
Constatou-se a disponibilização de alguns links de fontes de informações como, por
exemplo, o acesso gratuito ao Banco de Dados EBSCO Discovery Service, no entanto foi
observada a ausência de retwitters nos dois últimos tweets analisados.
Observou-se também que as atualizações das publicações do SIBI/UFBA não se faz
sistematicamente, constatando-se que o tempo de atualização das postagens dos tweets
demoram em média 6 meses, conforme a Figura 4, na qual o post do tweet anterior foi feita
em setembro de 2012 e a última em março de 2013.

Figura 4 - Atualização de tweets da conta do Twitter do SIBI/UFBA

Fonte: https: //twitter.com/sibiufba

Dentre algumas possibilidades de utilização do Twitter em uma BU, é possível
destacar: apresentação de notícias da unidade (novas aquisições), estabelecer e manter
contatos; estreitar relação com os usuários; aumentar a visibilidade da BU na web,
disponibilização de serviço de referência e sugestão de leitura.

3194

�6.2 Planejamento e Marketing no SIBI/UFBA: analisando e discutindo os resultados
da aplicação da entrevista.
A entrevista, aplicada com a bibliotecária superintendente do SIBI/UFBA, buscou
identificar, principalmente, a existência de um plano de marketing associado ao planejamento
estratégico e a inserção, neste plano, do uso dos sites das redes sociais.
Sobre as perguntas 1 e 2, que versam sobre o planejamento estratégico e o plano de
marketing, a superintendente respondeu que o planejamento estratégico está em fase de
elaboração e que não há um plano de marketing associado ao planejamento estratégico, e que,
para a elaboração deste planejamento, foi feita uma “[...] pesquisa de opinião sobre os
serviços prestados pelas bibliotecas do sistema.”
Segundo González-Fernández-Villavicencio (2012) a biblioteca deve elaborar seu
planejamento estratégico concomitantemente ao plano de marketing, visando possibilitar a
harmonização das necessidades informacionais dos usuários com os produtos e serviços
disponibilizados pela biblioteca.
As perguntas 3 e 4 versam sobre os benefícios do planejamento estratégico com o
plano de marketing e no caso de não haver um plano de marketing, foi perguntado de que
modo eram coletados os dados sobre o perfil do usuário -

a bibliotecária respondeu do

mesmo modo que na primeira questão, pois, por enquanto, não há um planejamento
estratégico no SIBI/UFBA, já que este se encontra em fase de elaboração.
Já a pergunta 5 versa sobre quais ações o SIBI/UFBA desenvolve como ação de
marketing de divulgação. A superintendente selecionou as seguintes ações que o Sistema
desenvolve: “participação na ACTA; divulgação na Lista Todos; realização de exposições;
divulgação no UFBA em pauta; participação em Lista de bibliotecários; Eventos culturais Centenário de ilustres da literatura brasileira, Consciência Negra, Semana do Livro e da
Biblioteca, Meio Ambiente (Sustentabilidade), palestras, treinamentos.”
Na pergunta 6, indagada sobre que setor e qual o profissional são responsáveis por
realizar ações de marketing, a bibliotecária respondeu que o setor responsável é “a Seção de
Referência” e a pessoa que realiza estas ações é a bibliotecária chefe do referido setor.”
De acordo com González-Fernández-Villavicencio (2012), o bibliotecário da Seção de
Referência é o responsável por promover os serviços da biblioteca, aumentando sua
visibilidade e acessibilidade diante de sua comunidade acadêmica e para isso, utiliza também
ferramentas colaborativas das redes sociais da internet, adotando assim, uma atitude mais
proativa.

3195

�Na pergunta 7, que aborda a peridiocidade das atualizações dos sites de redes sociais
na internet: Youtube, Facebook, Blog e o Twitter do SIBI/UFBA, a bibliotecária
superintendente
contestou que a “Atualização é acumulativa, notícias novas substituem as mais antigas de
acordo com os acontecimentos importantes para divulgação.”
No entanto, conforme resposta da bibliotecária superintendente na questão 5, são
diversas as ações de marketing de divulgação - tradicional e digital - que o SIBI/UFBA
desenvolve, contudo algumas dessas ações não são divulgadas nas redes sociais da internet de
maneira periódica para a comunidade acadêmica. O exemplo da observação direta realizada
no Twitter efetivada no primeiro momento da pesquisa demonstra essa ausência de
atualização dessa ferramenta.
Na pergunta 8, que se refere ao processo de avaliação dos serviços oferecidos pelo
SIBI/UFBA, foi perguntado se existia e qual era o método usado para medir a satisfação do
usuário, a bibliotecária respondeu que o método utilizado era somente por meio de
“entrevistas”.
De acordo com González-Fernández-Villavicencio (2012), além da utilização da
entrevista, a avaliação da satisfação do usuário, no que se refere aos serviços oferecidos pelo
Setor de Referência, os quais são considerados ações de marketing, pode também ser medida
e posteriormente avaliada por meio de programas estatísticos. A referida autora destaca, por
exemplo, o método do LibQUAL+, que consiste em um instrumento usado para avaliar a
qualidade dos serviços oferecidos por uma biblioteca, no qual é feito o levantamento de
dados, ajudando os gestores a identificarem as práticas aplicadas para em seguida, avaliar as
deficiências e a alocação dos recursos. (PENÉ; ROZEMBLUM, 2010).
A partir das informações coletadas, ficou evidente que a bibliotecária tem
conhecimento da importância da elaboração de um planejamento estratégico associado ao
plano de marketing, no entanto, por alguma razão, o planejamento estratégico que está sendo
elaborado no SIBI/UFBA ainda não está incorporando esta prática. Ações de marketing
digital são executadas pelo SIBI/UFBA, porém não de forma programada e sistemática, nem
mesmo sob diretrizes e políticas estabelecidas. Percebe-se, também, que a ausência de
atualização periódica da ferramenta social Twitter, é um fator que propicia o afastamento do
usuário deste espaço virtual do SIBI/UFBA.

3196

�7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O referencial teórico credita o marketing como uma estratégia eficiente na divulgação
de serviços e produtos das bibliotecas universitárias, bem como um meio de aproximação do
usuário com a biblioteca e os bibliotecários, sobretudo se associado ao planejamento
estratégico e com a divulgação por meio das redes sociais, enquanto o estudo empírico
comprovou o não uso sistemático do marketing na instituição estudada, bem como a ausência
de programação relativa ao marketing no planejamento estratégico.
Sugere-se, assim, que as bibliotecas universitárias passem a utilizar, sistematicamente,
as estratégias de marketing, suas técnicas e ferramentas concebendo-as desde o planejamento
estratégico, na perspectiva de aumentar consideravelmente a possibilidade de alcançar os
objetivos traçados no planejamento, além de atrair seu público leitor. Para isso, é necessário,
no entanto, que a unidade de informação adote uma abordagem de administração orientada
para o marketing digital, e com isso, passe a elaborar e executar planos regulares para
promoção e divulgação de seus serviços na internet, sobretudo usando os recursos das redes
sociais.
Pelos resultados, pode-se inferir, também, que uma das funções primordiais do Twitter
é possibilitar respostas rápidas entre o usuário e a BU de forma que ele siga, comente,
pergunte e responda, construindo assim maior proximidade entre ambos. Em linhas gerais,
percebe-se que, por ser uma ferramenta útil na estratégia do marketing digital, o Twitter, ao
ser aplicado de maneira eficaz no SIBI/UFBA, proporcionará aos profissionais bibliotecários
trabalhar o relacionamento com seus usuários além de estimulá-los a interagir com as
bibliotecas do Sistema, possibilitando diálogos e trocas de conhecimentos.
Deve-se destacar ainda, que a web 2, ao introduzir recursos que possibilitam a
colaboração dos diversos atores sociais via rede, tais como as tecnologias wiki, o twitter, o
MSN, os fóruns de discussão, etc. introduz novas formas de aprendizagem potencializando a
aceleração da construção do conhecimento, que, neste contexto, se faz de modo colaborativo,
quebrando a unilateralidade e a hegemonia científica na construção do conhecimento.
Por fim, sugere-se que estudos sobre este tema sejam aprofundados, no sentido de
ampliar a compreensão desta temática e a produção científica sobre o tema, culminando, deste
modo, no enriquecimento científico da área, até porque, apesar do rigor científico aplicado a
este estudo, pelo fato de se tratar de um estudo de caso, são muito restritas as evidências dos
resultados não se podendo, portanto, fazer generalizações.

3197

�8 REFERÊNCIAS
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informação. 2 ed. rev. e ampl. Brasília/DF: Briquet de Lemos/Livros, 2005.144 p.
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3199

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O marketing digital nas bibliotecas universitárias como estratégia de aproximação com o usuário</text>
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                <text>A problemática que motivou este estudo foi a percepção, até mesmo com base em reiterados registros na literatura da área de biblioteconomia, de que há um vácuo entre o que realiza a biblioteca e o que sabe o usuário a respeito disto, fato que cada vez aumenta mais a distância entre ambos. Neste sentido, objetivou-se averiguar os benefícios de inserir o marketing digital, como recurso de divulgação dos serviços e produtos da biblioteca universitária, aqui representada pelo Sistema de Bibliotecas da UFBA (SIBI/UFBA), onde se aplicou o estudo de caso, escolhido como método da pesquisa de campo. A estratégia de ação procurou contemplar o marketing desde a fase do planejamento estratégico da organização, inclusive usando recursos das redes sociais, sobretudo o twitter. O referencial teórico referendou os benefícios da aplicação do marketing como instrumento de divulgação, principalmente quando associado ao planejamento e com a aplicação das redes sociais. O estudo de caso mostrou que o planejamento estratégico da unidade estudada ainda está em fase de concepção, mas que não está sendo considerada a inclusão do marketing em sua estrutura, no entanto o SIBI/UFBA usa as ferramentas das redes sociais, ainda que de modo incipiente e aleatório. Conclui-se que a associação do marketing digital ao planejamento estratégico, bem como o uso das redes sociais para sua divulgação, potencializa o uso dos produtos e serviços divulgados, bem como aumenta a chance de aproximação do usuário com a biblioteca.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O
IMPACTO DA IMPLANTAÇÃO DO REUNI NO CONTEXTO
ORGANIZACIONAL DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DAS INSTITUIÇÕES
FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR (IFES)
Maria Elisa Barcelos

RESUMO
O REUNI, programa de governo que amplia as vagas nas Universidades Federais,
principalmente no turno noturno, e cria novos cursos, teve adesão de todas as Universidades
Federais do Brasil, que receberam dotação orçamentária extra para contratação de professores,
funcionários, construção ou ampliação de prédios e publicação de material didático. Existem
pouquíssimos estudos sobre o impacto do REUNI nas Bibliotecas, e nossa pretensão é
levantar dados sobre como a ampliação das vagas, uma grade curricular mais aberta, a
mobilidade estudantil, maior demanda dos alunos de pós-graduação; e outros fatos gerados
pelo REUNI, afetaram as Bibliotecas das IFES. Como ainda faltam na Ciência da
Informação, dados mais quantitativos e qualitativos sobre o impacto do REUNI nas
Bibliotecas Universitárias, esta pesquisa servirá de apoio ao REUNI2, que já está sendo
cogitado pela esfera governamental. A metodologia aplicada será pesquisa quali-quantitativa,
através de questionário estruturado enviado aos funcionários e usuários das Bibliotecas,
visitas in loco e entrevistas com chefes destas. Com os resultados dos questionários ter-se-á
em mãos uma maior quantidade de informações, e com análise das entrevistas, ter-se-á a
compreensão, de qual foi o impacto gerado pelo REUNI nas Bibliotecas das IFES.

Palavras-Chave: Reuni, Bibliotecas universitárias, usuários, acervos bibliográficos
ABSTRACT
The REUNI, a government program that creates new courses and extends the vacancies in the
federal universities, mostly in the night shift, had membership of all Federal Universities of
Brazil, who received extra budgetary allocation for hiring faculty staff, construction or
expansion of buildings and publication of educational material. There are very few studies on
the impact of the REUNI in the libraries, and our intention is to gather data on how the
expansion of vacancies, a more open curriculum, student mobility, higher demand from
graduate students and other facts generated by REUNI affected the libraries o f IFES. As
Information Science still lacks quantitative and qualitative data on the impact of REUNI in
University Libraries this research will support the REUNI 2, which is already being
considered by the government sphere. The methodology will be a qualitative and quantitative
research, through a structured questionnaire sent to staff and users of libraries, on-site visits
and interviews with the heads librarians. The results of these questionnaires will provide a
greater amount of information and, together with the analysis of the interviews, there will be
an understanding of the impact generated by REUNI in the IFES’ libraries.
Keywords: Reuni; academic libraries;user;bibliographic colectio

1431

�1 INTRODUÇÃO
O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (REUNI) é um programa governamental, adotado por todas as Instituições Federais
de Ensino Superior (IFES) no Brasil, que visa ampliar a quantidade de vagas nos cursos já
existentes e a criação de novos cursos, principalmente no turno noturno.
Esse programa teve início em 2008, com previsão de conclusão de curso das primeiras
turmas para 2012, e todas as Instituições que aderiram ao REUNI receberam dotação
orçamentária extra para contratação de professores e técnicos administrativos, além de verba
para construção ou ampliação de prédios e publicação de material didático.
A adesão da totalidade das universidades existentes no ano de criação do
Reuni atesta o forte interesse despertado pelo Programa que preconiza, em
seu conceito fundador, a idéia da expansão com reestruturação das
instituições federais de ensino superior, abrindo espaço para oportunidades
de inovação e de aumento da qualidade da educação superior pública (MEC,
Secretaria de Ensino Superior, 2008, p.3).
Durante a implantação do REUNI nas IFES a literatura mostra que pensou-se em
praticamente todos os aspectos. Novos prédios de aulas foram construídos, professores e
técnico-administrativos foram contratados, material didático foi publicado, mas não se tem
nada de concreto sobre a situação das Bibliotecas
A preocupação com a qualidade da oferta, para além da ampliação do
número de vagas na educação superior pública, leva o Reuni a atuar em
outras cinco dimensões: reestruturação acadêmico-curricular; inovação
pedagógica; mobilidade intra e interinstitucional; compromisso social das
universidades, e articulação entre graduação, pós-graduação e os demais
níveis educacionais. (MEC, Secretaria de Ensino Superior, 2008, p.13).
Com a ampliação das vagas; o incentivo para que os alunos façam disciplinas em
cursos diversos, com uma grade curricular mais aberta; a mobilidade estudantil, maior
demanda dos alunos de pós-graduação; é necessário que se realize uma investigação sobre
como estão as Bibliotecas das IFES, se seu espaço físico está adequado, se elas têm
problemas de infraestrutura, se os usuários estão satisfeitos com o atendimento, se a avaliação
delas pelo MEC melhorou, piorou ou não alterou.

2 JUSTIFICATIVA
O REUNI foi um projeto governamental de grande importância social, pois
aumentaram enormemente o número de vagas nas Universidades Federais, consideradas as

1432

�melhores do país, abrindo vagas e cursos no turno noturno, dando condições aos que
trabalham, de estudar em uma Universidade de qualidade.
Há carência de estudos sobre o REUNI e praticamente nada sobre seu impacto nas
Bibliotecas das IFES.
Faltam na literatura Ciência da Informação e da Biblioteconomia publicação de estudos sobre
o impacto do REUNI nas Bibliotecas Universitárias, sendo necessárias maiores pesquisas
sobre estes temas, inclusive para dar subsídios ao REUNI2, que já está sendo cogitado pela
esfera governamental.
Por outro lado segundo Silveira,(2006, p.3) a "[...] literatura da área de Ciência da
Informação deixa claro a relevância do papel social a desempenhar pelos profissionais de
informação ..." e esse papel é de grande importância dentro das Bibliotecas Universitárias,
pois é neste local que não só os futuros profissionais, mas os atuais profissionais, e
principalmente os pesquisadores vão procurar sua fonte de informação” .

2 REVISÃO DE LITERATURA
O REUNI foi criado através do Decreto 6096 de 24 de abril de 2007, como uma das
ações integrantes do Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PDE), e seu objetivo
é ampliar o acesso às Universidades Públicas, aumentando o número de vagas e criando
novos cursos, principalmente no turno da noite, e a redução das taxas de evasão, como forma
de democratizar o acesso ao ensino superior no Brasil.
Tome-se como exemplo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que em sua
proposta de adesão ao REUNI diz o seguinte:
Com a presente proposta , a UFMG estará criando, ao longo dos próximos
quatro anos, aproximadamente 2101 novas vagas de graduação, além do
aumento de alunos no âmbito da pós-graduação. O proposta da UFMG para
o projeto REUNI apresenta 37 cursos, quais 31 constituem cursos novos e 06
são cursos já existentes, mas ofertados no turno noturno, totalizando 1685
vagas, das quais 83% estão sendo destinados ao turno noturno. Além destas
vagas serão criadas outras 416, na modalidade de expansão em cursos já
existentes, seja no turno diurno, seja no turno noturno. Importa lembrar que
as condições para ampliação de vagas obedecem, simultaneamente, a
parâmetros estratégicos, sejam de natureza quantitativa, sejam de natureza
qualitativa, mantida sempre a obediência aos princípios norteadores da
instituição. (PENA, 2007).
O REUNI iniciou em 2008, e de acordo com seu decreto de criação, as IFES tiveram
um prazo de 5 anos após a adesão para concluir as metas. Em 2012 formaram-se as primeiras
turmas de graduação deste programa

1433

�O objetivo do REUNI é ampliar e democratizar o acesso ao ensino superior, nas
universidades públicas do Brasil fazendo com que mais jovens tenham acesso a um ensino
público de boa qualidade.
Em sua formulação, o Reuni teve como principais objetivos: garantir as
universidades as condições necessárias para a ampliação do acesso e
permanência na educação superior; assegurar a qualidade por meio de
inovações acadêmicas; promover a articulação entre os diferentes níveis de
ensino, integrando a graduação, a pós-graduação, a educação básica e a
educação profissional e tecnológica; e otimizar o aproveitamento dos
recursos humanos e da infraestrutura das instituições federais de educação
superior (MEC, Secretaria de Ensino Superior, 2008, p.3)
Faz parte das políticas públicas do MEC, a redução das desigualdades sociais na
educação, e essa é muito grande, principalmente no ensino superior, onde as vagas são poucas
e o acesso difícil.
O Reuni, em conjunto com as demais ações do Ministério da Educação,
possibilita a implementação de políticas públicas voltadas à educação
superior para a redução das desigualdades sociais. Com o Reuni, o
Ministério da Educação cumpre sua missão institucional de ampliar a oferta
de ensino superior e atuar em todos os segmentos da educação de forma
integrada. (MEC, Secretaria de Ensino Superior, 2008, p.16).
Além de ampliar as vagas na graduação o REUNI envolveu também a Pós-graduação,
aumentando a quantidade de bolsas de mestrado e doutorado, e incentivando os alunos de pós
a desenvolverem atividades de apoio didático no ensino da graduação, seguindo o modelo
europeu.
Para adesão ao Reuni, coube a cada uma das instituições a elaboração de
propostas de crescimento do ensino de graduação, com o objetivo de elevar o
número de aproximadamente 12 para 18 alunos por docente, e atingir um
total de 90% de diplomas de graduação, em relação ao total de alunos
ingressantes no vestibular. O novo quadro de expansão e reestruturação,
além de numérico, propõem novas medidas de gestão pedagógicoadministrativas, como a contratação de professores e técnico-administrativos
e o aproveitamento de estudantes de pós-graduação nas atividades docentes,
mediante recebimento de bolsas, conforme previsto pelo programa.
(COELHO, 2012, p.71).
As Universidades que aderissem ao Reuni, receberiam em contrapartida verbas
Federais, para contratação de professores e funcionários efetivos, e para serem aplicados em
infraestrutura.
As verbas de infraestrutura foram, na maior parte, utilizadas para construção e
ampliação de prédios de aula, necessários para receber a quantidade extra de alunos que
chegaram com a ampliação das vagas. Veja o exemplo da UFMG:

1434

�A expansão de vagas previstas para ocorrer nos anos de 2008 e seguintes
depende , em boa parte, da construção dos já citados centros de atividades
didáticas de instalações para o Departamento de Ciência da Computação,
sem o que não hverá como acomodar os novos estudantes na Universidade.
As novas etapas do processo de expansão ocorrerão continuamente, sendo
que a etapa inicial da expansão antecederá a conclusão das etapas que
darãosuporte final a ela. (PENA, 2007, p.12).
Com o REUNI, surgiu também o Programa de Mobilidade Estudantil, com as
Universidades recebendo e enviando alunos para outras Universidades do Brasil e do exterior.
Entre as medidas consideradas como imprescindíveis na consecução desta
meta, podem ser arroladas, sem prejuízo de outras, a plena circulação dos
docentes pela graduação e pós-graduação, o trânsito interdepartamental dos
docentes, o incentivo a que os alunos cumpram créditos fora de seu campo de
origem, a multiplicação dos programas de bolsas discentes, a diversidade das
instâncias geradoras de pesquisa ecréditos, a interação forte, da parte de
docentes e discentes, entre ensino, extensão e os programas, nacionais e
internacionais, de mobilidade estudantil. (PENA, 2007, p.22 ).
Todo curso Superior, para ser reconhecido tem que passar por uma avaliação do MEC
e obter no mínimo o conceito 3. Dentre os diversos itens avaliados, um deles é a Biblioteca,
que deve ter um espaço físico adequado, livros das bibliografias básicas e complementares na
quantidade mínima exigida, além de equipamentos e pessoal qualificado e devidamente
treinado. "Por definição, biblioteca universitária está inserida na Instituição de Ensino
Superior (IES) apoiando os conteúdos ministrados nos currículos de cursos, além de oferecer
subsídios para a investigação técnico-científica da comunidade acadêmica". (BAPTISTA,
RUEDA, SANTOS, 2008, p. 2).
Ao se planejar uma Biblioteca, deve-se levar em conta a questão da acessibilidade.
Esta deve estar preparada para receber usuários com qualquer tipo de deficiência, sem
discriminá-los, obedecendo a portaria n. 1.679/99 do MEC:
Art. 1°. Determinar que sejam incluídos nos instrumentos destinados a
avaliar as condições de oferta de cursos superiores, para fins de sua
autorização e reconhecimento e para fins de credenciamento de instituições
de ensino superior, bem como para sua renovação, conforme as normas em
vigor, requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades
especiais (MEC, 1999).
A acessibilidade nas Bibliotecas deve levar em conta não somente o espaço físico, mas
também os equipamentos, hoje em dia, indispensáveis para a integração de diversas pessoas
com deficiências.

1435

�Dentro de uma estrutura de uma biblioteca universitária a acessibilidade
envolve tantos aspectos urbanísticos (estacionamentos, caminhos de acessos,
etc.), como aspectos arquitetônicos (iluminação, ventilação, espaço para
circulação entre ambientes, banheiros, rampas adequadas etc.) e aspectos de
informação e comunicação (sinalização, sistemas de consultas e
empréstimos, tecnologia de apoio para usuários portadores de deficiências,
sistemas para acesso remoto, etc.) Qualificando todos os aspectos anteriores
se encontram os aspectos atitudinais - como as pessoas compreendem e
constroem o processo de acessibilidade -, o que pode valorizar ou degradar
os projetos originais. (MAZZONI et al, p.31).
Com a criação de novos cursos e a chegada de mais alunos, professores e funcionários,
as Bibliotecas das universidades tiveram que ampliar seu acervo de maneira significativa. Em
relação aos periódicos, a necessidade de ampliação de espaço físico para armazenamento
destes não é muito grande, pois a grande maioria já está em formato eletrônico. Com os
livros, a realidade é diferente. Os modelos à venda deste material, na maioria dos
representantes, vem com pacotes fechados, onde não se pode escolher os títulos, ou às vezes
há o limite de empréstimos e perde-se o direito ao título. Como é um material que está
entrando no mercado há apenas alguns anos, ainda faltam muitos títulos, principalmente os
adotados como bibilografia básica, pelos professores da graduação.
As Bibliotecas Universitárias tem ainda que cumprir a exigência do MEC de
quantidade mínima

de exemplares da literatura básica, por alunos matriculados em cada

disciplina. Se as Bibliotecas não tinham espaço suficiente para este crescimento, e não
passaram por ampliação de seu espaço físico, a maneira encontrada, muitas vezes foi diminuir
o espaço entre as estantes, o que dificulta o acesso ao cadeirante, ou ainda diminuir o espaço
de leitura, ocupando-o com estantes.
O acervo das Bibliotecas deverá levar em consideração as bibliografias
básicas e complementares das disciplinas que compõem o curso, obras dos
autores clássicos da área (tanto nacionais quanto estrangeiros), e as
publicações mais recentes. É necessário que se tenha também uma
bibliografia em áreas correlatas, que servirá de apoio ao desenvolvimento
das pesquisas realizadas na Instituição. (BARCELOS, GOMES, 2004, p.4).
Com o REUNI implantado, algumas Bibliotecas Universitárias tiveram também que
alterar sua maneira tradicional de trabalhar, pois o número de funcionários já não era
suficiente para o treinamento de uso da Biblioteca e outros serviços de referência
presencialmente, então foi necessário que os mesmos utilizassem as ferramentas da internet, e
passassem a fornecer estes treinamentos on-line, como exemplo da Biblioteca da
Universidade Federal de Goiás, que por não ter espaço suficiente e não conseguir conciliar o
horário para atendimento a tantos alunos ao mesmo tempo, para continuar dando o

1436

�treinamento tradicional de uso da Biblioteca, buscou na internet a solução para seus
problemas.
Considerando estes aspectos, somados à necessidade prioritária de projetar
estratégias para intensificar o processo de recepção, acolhimento e
orientação inicial oferecida aos estudantes, o Sibi/UFG buscou uma solução
inovadora: propôs a construção de um aplicativo web para treinamento on­
line aos novos usuários. O objetivo foi a implantação de um serviço via
internet que, ao mesmo tempo, realize os objetivos propostos no treinamento
presencial e capacite o estudante calouro na utilização das bibliotecas do
Sibi/UFG.(ASSIS et al., 2010? p. 2).
Com as atuais tecnologias, as Bibliotecas necessitam cada vez mais, de uma equipe
interdisciplinar, com mão de obra especializada, capaz de, em conjunto com os Bibliotecários,
tirarem o melhor dos recursos tecnológicos, a fim de facilitar os serviços do dia a dia, e
melhor atender ao usuário, em suas necessidades de pesquisa e informações. Os Bibliotecários
têm cada vez mais que trabalharem em conjunto com os profissionais de Tecnologia da
Informação (TI) buscando a compatibilidade do software utilizado pelas Bibliotecas com os
demais setores das Universidades.
A programação do aplicativo de solução web foi articulada respeitando as
competências profissionais. Assim, foi elaborado um trabalho conjunto entre
bibliotecários do Sibi/UFG e os profissionais de Tecnologia da Informação
(TI) que atuam no Sibi e do Centro de Recursos Computacionais da UFG.
(Assis, et al.,2010? p.7).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para realizar esta pesquisa, primeiramente será delimitada a área a ser pesquisada,
dentro do universo das Bibliotecas das IFES. Podem-se selecionar as Bibliotecas da UFMG
para fazer o estudo, que, por serem Bibliotecas setoriais, constituem um universo bem
diferenciado. Por outro lado, pode-se também escolher um determinado curso, presente em
grande número de Universidades Federais, como um estudo ampliado para todo território
nacional.
Após esta delimitação, realizarse-a uma pesquisa quali-quantitativa.
Será realizada a pesquisa quantitativa, que servirá para auxiliar à atingir os objetivos
perseguidos, sendo

aplicado um

questionário estruturado, enviado aos funcionários das

Bibliotecas das IFES e seus usuários. A análise destes dados será complementada pela
pesquisa qualitativa.
Após analisados e tabulados os dados dos questionários, ter-se-á em mãos uma maior
quantidade de informações, mas será necessário um estudo qualitativo, e para isso faremos
visitas in loco a algumas destas Bibliotecas (previamente selecionadas) e entrevistas com a

1437

�chefia das mesmas. A partir da análise destas entrevistas, ter-se-á a compreensão, de qual foi
o impacto gerado pelo REUNI nas Bibliotecas das IFES.

Enquanto estudos quantitativos geralmente procuram seguir com rigor um
plano previamente estabelecido (baseado em hipóteses claramente indicadas
e variáveis que são objeto de definição operacional), a pesquisa qualitativa
costuma ser direcionada, ao longo de seu desenvolvimento; além disso, não
busca enumerar ou medir eventos, e geralmente, não emprega instrumental
estatístico para análise de dados; seu foco de interesse é amplo e parte de
uma perspectiva diferenciada da adotada pelos métodos quantitativos. Dela
faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e
interativo com a situação objeto de estudo. Nas pesquisas qualitativas é
frequente que o pesquisador procure entender os fenômenos, segundo a
perspectiva dos participantes da situação estudada e, a partir, daí situe sua
interpretação dos fenômenos estudados. (NEVES, 1996).
Explicar de forma sucinta os materiais e métodos utilizados. Método, universo (local),
população alvo e sujeitos (pessoas), técnicas de coleta de dados, instrumento(s) de coleta de
dados, procedimentos de coleta e, por último, procedimentos de análise dos dados.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Pretendemos, com este estudo, Investigar o impacto da implantação do REUNI dentro
do contexto das Bibliotecas Universitárias.
Verificaremos como se deu a interferência do REUNI na aquisição da bibliografia
básica dos novos

cursos e daqueles que tiveram o número de vagas ampliadas;

investigaremos a questão do espaço físico das Bibliotecas após sua implantação e
verificaremos se o número de funcionários ampliou para atender a nova demanda .

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Após este estudo, pretendemos dar subsídios para que as bibliotecas das Instituições
Federais de Ensino Superior reivindiquem junto as autoridades competentes, a adequação
destas, para que se adéqüem à nova situação, e estejam preparadas para atender
adequadamente ao projeto do REUNI2 .

6 REFERÊNCIAS
ASSIS, C. M. C. de et. al. Refletindo o uso da biblioteca universitária : proposta para
treinamento
on-line
de
usuário.
Disponível
em:
&lt;http://www.bc.ufg.br/sophia/bc/publicacoes/artigofinal.pdf&gt;. Acesso em: 31 jul. 2013.

1438

�BARCELOS, M. E. A. do Sul; GOMES, M. L. B. M.. Preparando sua biblioteca para

avaliação

do

MEC.

Disponível

em:

&lt;http://www.slideshare.net/Iasp/preparando-sua-

ibliotecaparaavaliacaodomec&gt;. Acesso em: 30 jul. 2013.
BAPTISTA, RUEDA, SANTOS. A biblioteca universitária no contexto das avaliações do
MEC:
uma
reflexão.
Disponível
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&lt;http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/anais/site/pdfs/3274.pdf&gt;. Acesso em: 28 jul. 2013.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Portaria n.1.679, de 2 de dezembro de 1999.
Disponível em:&lt;http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/c1_1679.pdf&gt;. Acesso em: 30 jul.
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Desenvolvimento das Instituições Federais de Ensino Superior. Programa de apoio a planos
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mudanças ocorridas com a implantação do REUNI nas universidades públicas federais, em
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universitárias. In: Revista de Ciência da Informação de Brasília.

Brasília, v. 30, n. 2,

maio/ago., 2001.
NEVES, J. L. Pesquisa qualitativa : características, usos e probabilidades. Disponível em:
&lt;http://www.unisc.br/portal/upload/com_arquivo/pesquisa_qualitativa_caracteristicas_usos_e
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PENA, R. T. O projeto enviado. Disponível em: &lt;https://www.ufmg.br/reuni/o-projeto-finalenviado/1-caracterizacao-da-instituicao&gt;. Acesso em: 21 jun. 2013.
Reuni
2008
Relatório
de
Primeiro
Ano.
Disponível
em:
&lt;http://reuni.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=25&amp;Itemid=28&gt;.
Acesso em: 21 jun. 2013.

1439

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>O REUNI, programa de governo que amplia as vagas nas Universidades Federais, principalmente no turno noturno, e cria novos cursos, teve adesão de todas as Universidades Federais do Brasil, que receberam dotação orçamentária extra para contratação de professores, funcionários, construção ou ampliação de prédios e publicação de material didático. Existem pouquíssimos estudos sobre o impacto do REUNI nas Bibliotecas, e nossa pretensão é levantar dados sobre como a ampliação das vagas, uma grade curricular mais aberta, a mobilidade estudantil, maior demanda dos alunos de pós-graduação, e outros fatos gerados pelo REUNI, afetaram as Bibliotecas das IFES. Como ainda faltam na Ciência da Informação, dados mais quantitativos e qualitativos sobre o impacto do REUNI nas Bibliotecas Universitárias, esta pesquisa servirá de apoio ao REUNI2, que já está sendo cogitado pela esfera governamental. A metodologia aplicada será pesquisa quali-quantitativa, através de questionário estruturado enviado aos funcionários e usuários das Bibliotecas, visitas in loco e entrevistas com chefes destas. Com os resultados dos questionários ter-se-á em mãos uma maior quantidade de informações, e com análise das entrevistas, ter-se-á a compreensão, de qual foi o impacto gerado pelo REUNI nas Bibliotecas das IFES.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

OS IMPACTOS DAS MUDANÇAS NA LEI DE DIREITOS AUTORAIS BRASILEIRA
NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA
Maria Cristina Szarota Barrios
Mariana Granado de Souza Queiroz

RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo abordar os reais impactos da Lei n° 9.610/98 (Lei 9.610,
de 19 de fevereiro de 1998), regulamentadora dos direitos autorais no Brasil, no serviço de
referência realizado tanto no âmbito acadêmico quanto no âmbito jurídico especializado. Visa
ainda analisar quais seriam os impactos se as mudanças propostas pelo Ministério da Cultura
fossem incorporadas à lei. Tal interesse decorre do impacto direto no serviço de referência
realizado cotidianamente por ambas as autoras. Há previsão de hipóteses muito restritivas na
atual lei de direitos autorais brasileira. Pela interpretação literal e seguida de forma rígida, há
limitações na extração de cópias, digitalização e até empréstimo de materiais bibliográficos
das bibliotecas, atividades corriqueiras de um serviço de referência. Adotamos a definição de
serviço de referência como o processo de mediação entre os usuários e os documentos
existentes disponíveis na unidade de informação. Pode-se concluir que em decorrência das
restrições excessivas impostas pela legislação brasileira de direitos autorais há limitação de
acesso aos documentos demandados. A metodologia adotada constitui-se no levantamento
bibliográfico acerca dos conceitos e dos históricos do serviço de referência e dos direitos
autorais no Brasil; e na comparação entre a lei vigente e a lei proposta pelo Ministério da
Cultura, bem como os possíveis impactos na adoção das mudanças que estão sendo propostas
para a lei atual. Os resultados demonstram que muitas das práticas adotadas por bibliotecas,
hoje consideradas ilegais, não mais o seriam após a inclusão das alterações sugeridas.
Concluímos que é indispensável e urgente a adoção das mudanças na lei de direitos autorais
brasileira, uma vez que o desenvolvimento social, humano, cultural e científico está atrelado
ao efetivo acesso aos bens culturais produzidos pela sociedade
Palavras-Chave: Serviço de Referência; Lei de Direitos Autorais; Brasil.

ABSTRACT
This research has the objective to analyses the real impacts of the Law number 9.610/98 (Law
number 9.610, published in 19th February 1998), the Brazilian Copyright law, in reference
services done in the academic environment and in the juristic specialized area. This research
also aims to analyze which would be the impacts if this law had been changed by the proposal
of Brazilian Culture Department. Our interest in this matter is a result of diary work, since we
both are references librarians. In this law there are highly restrictive clauses. According them,
there are restrictions to copy, digitalize and even to lend books, activities extremely common
in a reference service. We consider as definition to reference service the process in which the
librarian acts in order to promote the access of the patrons to the documents available in the
library of which they need. There are limitations in the access to documents and information

3405

�demanded as a result of the excessive restrictions of the Brazilian copyright law. The
methodology adopt to develop this research are: the bibliography survey about the concepts
and histories of reference services, Brazilian copyright law; and the drew comparisons
between the present copyright law and Department Culture copyright law proposal - and its
possible effects if the suggested changes in the law were being adopted. The results of the
research demonstrate that many of the usual practices of libraries are, nowadays, illegal.
However, no longer wouldn’t be they considered illegal, if the proposed changes by Culture
Department were adopted. In a nutshell, it is essential and urgent the adoption of the changes
in the Brazilian copyright law since the social, human, cultural and scientific development are
afforded by the access to cultural wealth.
Keywords: Reference Service; Copyright Law; Brazil.

1 INTRODUÇÃO
A vigente lei de direitos autorais (Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998) brasileira
busca proteger os direitos que os autores possuem sobre suas produções, ao mesmo tempo em
que limita diversas atividades realizadas nos serviços de referências de bibliotecas. Atividades
estas, como reprodução e até mesmo empréstimo de materiais bibliográficos, podem ser
barradas pela lei se esta for interpretada de forma literal e seguida rigidamente. No entanto, o
Ministério da Cultura está propondo que sejam feitas alterações na lei, de modo a flexibilizar
e assim beneficiar a sociedade no que tange o acesso à informação. Essas mudanças propostas
atingiriam de modo benéfico o trabalho realizado nos serviços de referência, incluindo as
atividades desempenhadas pelas autoras deste trabalho, que atuam como bibliotecárias de
referência. Este breve trabalho pretende elucidar objetivamente alguns dos reais impactos que
as alterações propostas na lei causariam positivamente em atividades do serviço de referência.
Cabe ressaltar que o foco encontra-se naquelas que envolvam os materiais bibliográficos,
principalmente livros, folhetos e periódicos, por comporem a maior parte dos acervos nas
bibliotecas nas quais as autoras atuam.

2 DIREITOS AUTORAIS, A PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DA LEI 9.610/98 E
SERVIÇO DE REFERÊNCIA
No Brasil, o direito autoral pertence ao ramo do Direito Privado, regulando assim as
relações jurídicas surgidas desde a criação até a posterior utilização econômica das obras
elaboradas. (BITTAR, 1994, p.4, 8). O direito autoral é algo extremamente especial e
complexo, pois se trata de uma ideia criativa ou expressão intelectual exteriorizada, inserida

3406

�em um suporte e materializada em uma obra, convivendo assim tanto o aspecto material
quanto imaterial (CABRAL, 2000, p.42; BITTAR, 1994, p.9, 21).
Segundo Cabral (2000, p.47), Bittar (1994, p.42-43) e Accart (2012, p.93), os direitos
autorais compõem-se do direito moral, relativo à personalidade e de caráter perpétuo, e o
direito patrimonial, associado ao material que suporta a ideia ou criação e de caráter
monetário. Ambos os direitos associam-se para proteger o autor desde a concepção, passando
pela materialização até a circulação da obra.
O serviço de referência pode ser definido como o ponto inicial entre o usuário e a
biblioteca, na figura do bibliotecário de referência, que estabelece o contato entre o usuário e
os documentos existentes disponíveis na biblioteca, requisitados por aquele (ACCART, 2012,
p.20; EIRÃO, 2009, p.69). Conforme Accart (2012, p.6), Eirão (2009, p.69) e Grogan (2001,
p.8, 22), os bibliotecários constituem o vital elo entre os usuários e a informação, e essa
interação que ocorre entre os usuários e o bibliotecário de referência constitui o principal foco
do serviço de informação oferecido, de modo que, através dessa interação, os usuários
consigam ter maior acesso aos materiais das bibliotecas e atendam às suas necessidades
informacionais. Para tanto, alerta Accart (2012, p.92), além das competências técnicas, os
bibliotecários de referência devem possuir conhecimentos dos aspectos jurídicos envolvidos
em grande parte das tarefas por eles executadas, como os direitos autorais, por exemplo.
Eirão (2009, p.78) informa que os usuários de hoje querem que uma grande parcela
dos materiais existentes nas bibliotecas esteja disponível em formato digital, pois muitos
desejam receber rapidamente a informação de que necessitam, via online, dispensando a
necessidade de deslocamentos. Desse modo, quando tais materiais não estão no formato
digital, e é necessário promover acesso rápido ao seu conteúdo, muitas vezes por meio de sua
digitalização ou extração de cópias impressas.
Bittar (1994, p.65) afirma que a reprografia é um fenômeno que interfere fortemente
na questão dos direitos autorais, de modo que diversas situações estão atreladas a essa prática,
como dificuldades financeiras para adquirir materiais, tendo em vista o custo existente;
dificuldade de acesso a obras estrangeiras; necessidade de uso de um grande volume de obras,
como na produção de trabalhos escolares, acadêmicos ou científicos. Pode-se acrescentar à
lista casos em que as obras demandadas estão esgotadas, não foram mais reeditadas ou
reimpressas, não podendo ser compradas pelos interessados. Mas na atual lei de direitos
autorais brasileira há previsão de hipóteses muito restritivas, limitando tais procedimentos
para a proteção dos direitos autorais.

3407

�Essas restrições, no entanto, que se estabelecem para defender os direitos dos autores
“não deve refletir somente os interesses comerciais e de curto prazo assimilando, de maneira
simplista,

a informação como bem de consumo, reduzindo-a a simples objeto

comercializável." (MICHEL, 1997). Para o autor, o direito à informação deve estar em
sintonia com os direitos autorais, de modo a criar uma situação equilibrada entre os titulares
dos direitos e os usuários, tendo em vista que o intercâmbio da informação a enriquece, além
de ela constituir-se em “bem cultural e social, um valor de progresso e cultura”. (MICHEL,
1997).
Tendo em vista essa concepção de melhorar e ampliar o acesso à informação, de
maneira justa e legal, que o Ministério da Cultura propôs diversas alterações na lei de direitos
autorais atual. Tais alterações irão impactar positivamente em algumas atividades realizadas
nos serviços de referência, e alguns desses impactos serão expostos a seguir.

3 IMPACTOS DA ALTERAÇÃO DA LEI 9.610/98 NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA
Analisando a proposta de mudança da Lei 9.610/98, levando-se em consideração as
situações cotidianas que oficialmente violam a atual lei, pode-se pensar nas seguintes
hipóteses:
O usuário, devidamente cadastrado na biblioteca, deseja emprestar um livro. Situação
atual: ele não pode emprestar, pois a biblioteca não possui o direito de distribuição sobre a
obra. Com a mudança da lei: o empréstimo poderá ser realizado, tanto de forma pessoal como
via EEB.
O usuário deseja fazer uma cópia (impressa ou digital) de um livro esgotado há muito
tempo, existente na biblioteca, que não foi reeditado, nem reimpresso e que não está em
domínio público. Situação atual: ele não pode copiar, pois é permitida apenas a reprodução de
pequenos trechos (e a lei não estabelece um padrão), para uso privado. Com a mudança da lei:
poderá ser feita a reprodução, desde que não haja finalidade comercial e não esteja à venda a
última publicação.
O usuário deseja fazer uma cópia impressa de capítulos de um livro que ainda está à
venda e a biblioteca possui, mas aquele não tem condições financeiras para comprar. Situação
atual: ele não pode fazer a cópia, pois a lei permite apenas reprodução de pequenos trechos.
Com a mudança da lei: poderá ser feita a cópia, desde que realizada pelo próprio usuário e
para uso privado.
O serviço de referência necessita possuir, em formato digital, uma obra de referência
que é muito utilizada e já está deteriorada, a qual não está disponível no mercado em formato

3408

�digital, mas que será disponibilizada para consulta em apenas um terminal da biblioteca.
Situação atual: a cópia digital não pode ser produzida, pois a biblioteca não possui os direitos
de reprodução sobre a obra. Com a mudança da lei: a biblioteca (assim como museus, centros
de documentação, arquivos etc.) poderá realizar a cópia, desde que seja com a finalidade de
conservar, preservar ou arquivar, e que não haja intuito comercial.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A lei de direitos autorais vigente no Brasil impõe muitas restrições que limitam o
acesso a documentos e informações demandados. Este acesso é necessário e muito importante
para que haja o desenvolvimento em diversos campos, tais como social, humano, científico e
cultural. Com a adoção das mudanças propostas pelo Ministério da Cultura para a Lei
9.610/98, no caso específico das bibliotecas, diversos procedimentos e práticas que são
diariamente realizados e atualmente configuram-se ilegais, não serão mais assim
considerados. Dessa maneira, bibliotecas e sociedade serão beneficiadas, com ampliação de
acesso às informações disponíveis de modo legalizado, correto e mais justo.

5 REFERÊNCIAS
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Tradução de
Antônio. Agenor Briquet de Lemos. Brasília: Briquet de Lemos, 2012. 312 p.
BITTAR, Carlos Alberto. Direito de autor. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1994.
168 p.
BRASIL. Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial [da] Republica do Brasil,
Poder Executivo, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Seção 1, edição 36, p. 11. Disponível em:
&lt;http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/isp/visualiza/index.isp?iornal=1&amp;pagina=11&amp;data=20/02
/1998&gt;. Acesso em: 2 mai. 2014.
BRASIL. Ministério da Cultura. Lei 9610/98. Atualizada com as mudanças da Minuta do
Anteprojeto de Lei que está em Consulta Pública. 12 Jun. 2010. Disponível em: &lt;
http://www2.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/lei-961098-consolidada/&gt;. Acesso em: 3
mai. 2014.
CABRAL, Plínio Cabral. Direito autoral: dúvidas e controvérsias. 2.ed. São Paulo: Harbra,
2000. 232 p.
EIRÃO, Thiago Gomes. Disseminação seletiva da informação: uma abordagem. Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 7, n. 1, 2009. Disponível

3409

�em: &lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ois/index.php/rbci/article/view/412&gt;. Acesso em: 2 de
maio de 2014.
GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Tradução de Antônio. Agenor Briquet
de Lemos. Brasília: Briquet de Lemos, 1995. 196 p.
MICHEL, Jean. Direito de autor, direito de cópia e direito á informação: o ponto de vista e a
ação das associações de profissionais da informação e da documentação. Ciência da
Informação,

Brasília,

v.

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maio/ago.

1997.

Disponível

em:

&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&amp;pid=S0100-19651997000200005&gt;.
Acesso em: 3 maio 2014.

3410

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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AVALIAÇÃO DO USO DOS LIVROS ELETRÔNICOS DO ACERVO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ PELOS ESTUDANTES DOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO
Amélia Landim Barrocas
Virgínia Bentes Pinto

RESUMO
O meio acadêmico passa por uma rápida difusão da informação com a introdução dos novos
suportes de comunicação advindos das novas tecnologias que facilitam a produção e o acesso
à informação. Dentre esses suportes encontra-se o livro eletrônico, a mais nova modalidade
do livro, que vem se inovando ao longo do tempo. A Universidade Federal do Ceará-UFC, em
2009, passou a incorporar esse tipo de livro em seu acervo e disponibilizá-lo como fonte
alternativa de informação para a pesquisa, ensino e extensão. É na intenção de saber as
práticas de uso desses livros que foi desenvolvida uma pesquisa cujo objetivo básico consiste
em investigar a utilização efetiva, pelos estudantes dos programas de pós-graduação da UFC,
dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados no sistema de bibliotecas dessa
Instituição. A pesquisa optou por uma metodologia quanti-qualitativa, por meio de
questionários eletrônicos elaborados e aplicados através da ferramenta Google docs. Trata-se
de um estudo exploratório, com uma amostragem não probabilística contemplando 163
estudantes participantes. O método de sustentação da análise dos dados é o funcionalista,
realizado por meio de estudo de casos. Os resultados evidenciam que 60% dos pesquisados
não têm conhecimento do acervo de livros eletrônicos da UFC. O principal motivo revelado
para tal desconhecimento é a fragilidade na divulgação desse acervo. Entretanto, os alunos
que responderam conhecer tal acervo disseram ter tomado conhecimento pelo site da UFC, e
o principal motivo que os levou a usá-lo foi por ser de acesso gratuito. No que se refere ao
quesito importância, tanto os discentes que têm conhecimento quanto aqueles que
responderam não conhecer este acervo o avaliam como muito importante para a comunidade
universitária. Em conclusão, consideramos que, sendo o livro eletrônico uma nova
modalidade, ainda não esteja sendo devidamente absorvido por esse público, talvez pela
cultura de uso do livro impresso.
Palavras-Chave: Livro eletrônico; Avaliação; Informação; Biblioteca Universitária; PósGraduação.

ABSTRACT
The academic environment undergoes rapid dissemination of information to the introduction
of new media communication consequences of new technologies that facilitate the production
and access to information. Among these supports is the electronic book, the newest form of
the book, which has been innovating over time. The Federal University of Ceará - UFC, in
2009, came to include such books in their collections and make them available as an
alternative source of information for research, teaching and extension. It is the intention to

4068

�know the practical use of those books that a survey was developed with the basic objective is
to investigate the effective use of electronic books purchased and available at the library
system of the UFC , by students of the postgraduate programs of the institution. The research
methodology works with quantitative and qualitative data, collected through electronic
questionnaires, developed and applied through Google docs tool. This is an exploratory study
using a non- probability sample comprising 163 students participating. The method of
supporting the data analysis is the functionalist, conducted through case studies. The results
show that 60 % of respondents are unaware of the collection of electronic books UFC. The
main reason for who don’t know the existence of this of collection is revealed the weakness in
the dissemination of this collection. However, students who responded said they know of such
collections have been aware at the UFC website and the main reason that led them to use it
was to be free access. With regard to the question importance, both students who have
knowledge and those who responded did not know this stock evaluate it as very important to
the university community. In conclusion, we believe that being in a new electronic book form
is not properly absorbed by this audience, perhaps the culture of use of the printed book.
Keywords: Electronic book; Evaluation; Information; University Library; Graduate degree.

1 Introdução
Os impactos das novas tecnologias eletrônicas e digitais da informação e da
comunicação ocasionaram a rápida difusão da informação e o desenvolvimento da
globalização, sobretudo, no meio acadêmico, com a introdução de novos suportes de registro
do conhecimento que facilitam a produção e o acesso à informação. Dentre esses suportes
encontra-se o livro eletrônico, a versão mais atualizada do livro, que veio inovando seu
suporte físico e o formato de registro ao longo da história, desde sua confecção em tiras de
seda, argila, tábuas, papiro, pergaminho, papel até o mais atual, o digital.
O livro eletrônico oportuniza a acessibilidade, sobretudo, com as políticas de inclusão
as quais oferecem ao leitor contato com vários livros ao mesmo tempo, possibilitando maior
difusão da informação (PATRIOTA; CUNHA, 2006). Esses livros são capazes de
proporcionar aos usuários maior comodidade, uma vez que podem ser acessados 24 horas por
dia, de qualquer máquina instalada nas instituições ou fora de seu espaço físico. Estão
disponíveis 365 dias por ano, transcendendo as barreiras de tempo e espaço, possibilitando
consultas simultâneas, com ausência de fila de espera para o empréstimo e sem necessidade
de reservas, dando a possibilidade de ter uma biblioteca inteira em um computador por meio
de downloads de capítulos em computadores pessoais, tabletes ou até mesmo em telefones
celulares.
Com o intento de fazer parte dessa nova realidade, o Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Ceará (UFC) também passa a adquirir, por compra, um acervo de
livros eletrônicos, como exigência de um novo modelo de ensino. Assim, desde 2009 passou a

4069

�comprar livros eletrônicos das mais variadas áreas do conhecimento com a finalidade de
disponibilizá-los a toda a comunidade universitária e assim oferecer mais uma alternativa
como fonte de informação para a pesquisa, o ensino e a extensão. Contudo, ao vivenciar
práticas de trabalho em uma dessas bibliotecas e em conversas informais com os usuários,
notou-se que esse novo suporte ainda não se configura em fonte de estudos, como era de se
esperar, por parte dessa comunidade.
Observando esse fato e com a oportunidade de desenvolver uma pesquisa no Mestrado
Profissional em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior da Universidade Federal do
Ceará (POLEDUC), é que se propõe este estudo, de modo a buscar respostas ao seguinte
questionamento, que orienta os rumos deste trabalho: Quais fatores são considerados
determinantes para o uso, pelos estudantes dos programas de pós-graduação da UFC,
dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados no sistema de bibliotecas dessa
Instituição, contemplados com esse tipo de acervo?
Com a finalidade de responder à indagação acima, definiu-se como objetivo geral
desta pesquisa: investigar os fatores considerados determinantes para o uso, pelos
estudantes dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Ceará, dos
livros eletrônicos que fazem parte do acervo do Sistema de Bibliotecas dessa Instituição.
Decorrem deste os seguintes objetivos específicos:
a) Identificar o grau de conhecimento dos estudantes dos programas de pósgraduação da UFC sobre a existência dos livros eletrônicos comprados e
disponibilizados no Sistema de Bibliotecas dessa universidade e as estratégias
de acesso e uso desse acervo;
b) Investigar se os estudantes de pós-graduação têm o habito de usar em suas
atividades acadêmicas e de pesquisa os livros eletrônicos adquiridos pela UFC
para seus cursos;
c) Averiguar se professores de pós-graduação da UFC indicam livros eletrônicos,
comprados e disponibilizados por essa Instituição em suas bibliografias;
d) Avaliar a importância e satisfação do uso do livro eletrônico do acervo das
Bibliotecas da UFC nas atividades de pesquisas acadêmicas por parte dos
estudantes de Pós Graduação da UFC.

2 Algumas considerações sobre o livro eletrônico
A invenção das mais modernas tecnologias de informação e de comunicação,
materializadas na sua versão eletrônica e digital, trouxe e vai continuar trazendo novidades

4070

�pervasivas inimagináveis de expansão e alcance que atinge a sociedade como um todo. Esse
fato teve maior expressividade com o surgimento da Internet e do Sistema World Wide Web
(WWW) que favorece a produção, registro, acesso e disseminação do conhecimento em
suportes e formatos outros que não o impresso, fazendo, inclusive, surgir o chamado
documento multimídia que associa textos verbais e não verbais em sua construção. Nessa
mesma linha de pensamento, Cesca (2005, p.20) ressalta que a Internet sofreu uma “revolução
com o surgimento da World Wide Web (WWW)”, sistema de hipertextos que facilita a
navegação do usuário por meio de links clicáveis que levam a outros sites. Esse novo sistema
facilita o acesso do usuário, permitindo que sites incorporem e compartilhem, por exemplo,
imagens, textos, vídeos, sons e gráficos, tendo como principais padrões o protocolo de
comunicação Hypertext Transfer Protocol (HTTP).
Dentro desse contexto surge o livro eletrônico, que ainda não tem uma denominação
única, sendo denominado de e-Book, i-Book, Livro Eletrônico, Hipertexto, Livro Digital,
entre outros. Entretanto, para o que se propõe nesse trabalho, cita-se o levantamento feito por
Dias, Vieira e Silva (2013) no quadro 1:

Quadro 1 - Acepções relativas ao conceito de livro eletrônico
No. de
Acepções relativas ao conceito de livro eletrônico
Autor(es)
ordem
Um livro digital é apenas uma grande coleção estruturada de bits
que podem ser transportados em CD-ROM ou em outros meios de
(LYNCH, 2001,
armazenamento ou entregues através de uma conexão de rede, e
que é projetado para ser visualizado em uma combinação de
1
tradução nossa)
hardware e software que vão desde terminais burros a navegadores
Web em computadores pessoais, até os novos dispositivos leitores
de livro [...].
Os livros eletrônicos comumente em uso hoje são primeiramente
representações computadorizadas de livros físicos. Podem ser
imagens escaneadas de páginas (visíveis como PDFs), ou fluxos de (CARDEN, 2008,
2
texto formatáveis que são reconstruídos por um aplicativo de
tradução nossa)
software para assemelhar-se a páginas em um dispositivo de
leitura.
No entanto, no que diz respeito ao e-book, sua representação
(LOPEZ SUAREZ;
mental tem escassa concretude, e oscila entre a realidade de um
LARRANAGA
dispositivo ou suporte para visualização (desde os primeiros que
3
RUBIO, 2010,
apareceram no mercado, até o mais sofisticado, como o Kindle da
tradução nossa)
Amazon) e o texto processado digitalmente que nele se insere.
Um livro eletrônico (e-book) é uma publicação digital que pode
consistir em texto, imagens ou uma combinação de ambos. Um
(TECHNOPEDIA,
livro eletrônico pode ser lido em um dispositivo digital proprietário
4
2012, tradução nossa)
(e-reader) ou em um computador, o que requer um software
especial.

Fonte: &lt;http://wrco.ccsa.ufpb.br/wrco/?p=182&gt;.

4071

�O que muitos pesquisadores questionam é se “o livro eletrônico”, com suas múltiplas
funcionalidades, tomará o espaço de uma das maravilhas do século XV, “o livro impresso”.
Podemos notar que na atualidade um complementa a falta do outro, mas se um substituirá o
outro, isso só o tempo poderá mostrar.

3 Avaliação e estudo da informação
3.1 Discutindo avaliação
A avaliação está presente no cotidiano dos seres humanos desde os primórdios da
sociedade, como uma forma de proceder a escolhas ou emitir e estabelecer valores sobre
satisfação de desempenho independentemente se no âmbito escolar, organizacional ou
pessoal. A palavra avaliar vem do latim a-valere, que significa dar valor a. Tal palavra passa
a ganhar uma estrutura conceitual de atribuição de um valor ou qualidade a alguma coisa, ato
ou curso de ação, implicando um posicionamento positivo ou negativo em relação ao objeto,
ato ou curso de ação avaliado (LUCKESI, 2000).
Segundo Dias Sobrinho (2001), as primeiras formas de avaliação surgiram através das
necessidades de sobrevivência; avaliar é uma capacidade inerente do ser humano, ela está
presente no cotidiano dos indivíduos. Corroborando essa ideia, Vianna (2000, p. 22) ratifica
que “Desde o início do processo civilizatório houve alguma forma de avaliação. Ousaríamos
dizer que a avaliação surgiu com o próprio homem [...] o homem observa, o homem julga,
isto é, avalia”.
Justamente por isso, Gonçalves (2005, p. 7) defende a avaliação como uma “[...]
proposta que não pode estar indissociada da compreensão da dinâmica da vida social, pois a
avaliação é permeada pelos movimentos e pelas mudanças dos fenômenos históricos”.
Apoiando essa ideia, Andriola e Souza (2010, p. 55) ajuízam que a “[...] cultura de
avaliação é um processo que demanda tempo, continuidade, informação e reflexão, capaz
de provocar consciência institucional e novas atitudes mentais.” Portanto, ela não deve ser
vista apenas como um processo informal, muito pelo contrário, precisa ser formalizada
com “O uso sistemático de informações e critérios acurados para atribuir valores e justificar
juízos de valor”. A diferença entre a avaliação informal e a formal é que a informal nem
sempre é prevista e, consequentemente, os avaliados não sabem que estão sendo avaliados.
Por isso, deve ser conduzida com ética
Nessa acepção, pode-se considerar que a avaliação traz em sua semântica algo que
carece de uma referência: um projeto institucional, um projeto político-pedagógico, que é o
objetivo a ser atingido em função do qual a avaliação tem sentido.

4072

�3.2 Estudo do uso da informação
No contexto da Ciência da Informação, o termo “informação” apresenta várias
definições. Para Silva e Ribeiro (2002), as definições para a palavra “informação” dependem
do processo que a produz, ou seja, a informação deve ser vista por meio das interações
inerentes ao processo informacional. Eles explicam que informação se constitui no conjunto
de representações mentais codificadas socialmente, contextualizadas e passíveis de serem
registradas em qualquer suporte material e, portanto, comunicadas de forma assíncrona e
multidirecionada.
Wersig e Neveling (1975, p. 12) argumentam que o termo “informação” somente pode
ser definido em relação às necessidades informacionais dos usuários, ou seja, em contextos de
uso “[...] tanto como redução de incertezas causadas como comunicação de dados quanto
como dados usados para reduzir a incerteza.” Nesse sentido, os autores sistematizam e
descrevem as seis principais abordagens da informação:
1) Abordagem Estrutural: orientada para a matéria. A informação existe
independente da sua apreensão pelo ser humano;
2) Abordagem do Conhecimento: afirma que o conhecimento elaborado à base da
percepção das estruturas da natureza é “informação”;
3) Abordagem da Mensagem: relacionada com a teoria matemática da
comunicação, “informação” frequentemente torna-se sinônimo de “mensagem”;
4) Abordagem do Significado: existe relação com a abordagem da “mensagem”,
entretanto considera como “informação” somente o significado da mensagem;
5) Abordagem do efeito: orientada para o receptor, afirma que a “informação”
somente ocorre como um efeito específico em um processo específico, levando em
consideração o receptor;
6) Abordagem do Processo: “informação” vista não como um componente do
processo, mas sim como o próprio processo.
A partir das limitações inerentes às várias abordagens, os autores fazem uma
proposta para o entendimento do que seja informação na perspectiva da Ciência da
Informação, como uma ciência baseada na noção de necessidades de informação de certas
pessoas. “O termo básico informação pode ser entendido somente se definido em relação a
estas necessidades de informação: tanto como redução de incertezas causada como
comunicação de dados quanto como dados usados para reduzir a incerteza” (WERSIG;
NEVELING, 1975, p. 12).

4073

�Choo (2006, p. 85), em seu livro A Organização do Conhecimento, descreve a
informação sob o ponto de vista do comportamento humano, que envolve três dimensões: a
cognitiva, a emocional e a situacional.
• A abordagem cognitiva de criação de significado desenvolvida e aplicada por
Brenda Dervin;
• As reações emocionais que acompanham o processo de busca da informação
identificadas por Carol Kuhthau;
• As dimensões situacionais do ambiente em que a informação é usada, proposta
por Robert Taylor.
As três perspectivas têm em comum o pressuposto de que a informação é
construída nos pensamentos dos usuários, e fica disponível na vida e no
ambiente de trabalho, cujas condições determinam seu uso e sua utilidade.
As três perspectivas contribuem para um melhor entendimento da
experiência humana de busca e uso da informação. Cada perspectiva lança
sua própria luz sobre as escolhas e ações nos principais estágios do
comportamento do emprego da informação: necessidade, busca e uso da
informação. (CHOO, 2006, p.85).

Pode-se inferir que o usuário se movimenta, a partir de seu estado inicial de
conhecimento ou estado anômalo do conhecimento, para a resolução do problema em questão.

3 Materiais e Métodos
A metodologia norteadora deste estudo apoia-se na pesquisa exploratória, com uma
amostragem não probabilística, pois, devido à estratégia de coleta de dados, pensou-se ser
inviável uma amostra definitiva. O método que sustenta essa análise é o funcionalista, haja
vista que este método estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas unidades, isto é,
como um sistema organizado de atividades, entre outras coisas. Quanto à abordagem, optouse por uma de cunho quanti-qualitativo, por buscar traduzir em números opiniões e
informações para classificá-las e analisá-las, bem como estruturar as falas dos participantes da
pesquisa.
A efetivação da pesquisa empírica deu-se por meio de um questionário aplicado à
população de estudantes dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Ceará,
contemplados pelo acervo de livros eletrônicos, com amostra constituída por 163 participantes
distribuídos nos programas de pós-graduação dos centros, faculdades e institutos, a saber:
Física (Centro de Ciências), Tecnologia de Alimentos (Centro de Ciências Agrárias), História
(Centro de Humanidades), Direito (Faculdade de Direito), Economia (Faculdade de
Economia, Administração, Atuárias e Contabilidade), Enfermagem (Faculdade de Farmácia,

4074

�Odontologia e Enfermagem), Medicina Coletiva (Faculdade de Medicina), Comunicação
Social (Instituto de Cultura e Arte), POLEDUC (Representando os cursos de mestrado
profissional).
O questionário foi o instrumento de coleta de dados, elaborado e aplicado por meio da
ferramenta Google Docs, tendo ficado disponível durante 30 dias na Internet. Após tal
período, não se contabilizaram as respostas enviadas.

4 Análise dos dados e discussão dos resultados
Após a coleta dos dados, passou-se a analisá-los à luz do problema e dos objetivos da
pesquisa. Assim, a estruturação dos questionários foi feita levando-se em conta dois tipos de
questões: aquelas referentes ao conhecimento que os participantes têm do acervo de livros
eletrônicos e aquelas concernentes aos que não têm conhecimento desse acervo.
De posse dos dados coletados no estudo empírico, foi possível estruturá-los conforme
as seguintes categorias: caracterização dos participantes; nível de conhecimento dos
pesquisados sobre a existência dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC;
conhecimento sobre as estratégias de acesso e uso do acervo de livros eletrônicos da UFC;
hábito de uso dos livros eletrônicos em suas atividades acadêmicas e de pesquisa; indicação
de livros eletrônicos por professores de pós-graduação em suas bibliografias; importância e
satisfação do uso dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC. Para
resguardar a identidade dos participantes, tomou-se a decisão de identificar os questionados
com “E” de estudante, seguido de números arábicos, conforme o modelo (E1...).

a) Caracterização dos participantes
O total de participantes da pesquisa que responderam aos questionários foi de 163
discentes. Destaca-se que o maior número de respondentes está matriculado nos seguintes
Programas de Pós-graduação: Enfermagem, com 52 %; seguido de Física, que obteve 33%; e
o POLEDUC, com 30%, conforme podem ser observados na Tabela 1.

4075

�Tabela 1 - Caracterização dos participantes da pesquisa
CURSOS
FÍSICA

ALUNOS

%

29

18%

TECNOL. ALIMENTOS

15

9%

ENFERMAGEM

53

32%

HISTÓRIA

7

4%

DIREITO

9

6%

ECONOMIA

10

6%

MEDICINA COLETIVA

9

6%

POLEDUC

24

15%

COMUNICAÇÃO SOCIAL

7

4%

TOTAL

163

100

Fonte: Dados da pesquisa.

Ao observar esses dados, percebe-se que os programas de Pós-Graduação que menos
participaram foram História e Comunicação Social. Esse fato pode ser decorrente da reduzida
presença de livros eletrônicos disponibilizados para esses cursos, o que constatamos em uma
pesquisa empírica. Porém, lembramos que estamos avaliando um projeto piloto da UFC.

b) Nível de conhecimento dos pesquisados sobre a existência dos livros
eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC
Desde que a UFC começou a adquirir o acervo de livros eletrônicos, a Biblioteca
Universitária disponibiliza as coleções em sua página na web. Entretanto, a impressão que se
tinha era de que a comunidade acadêmica parecia não ter conhecimento desse tipo de acervo.
Viu-se nessa pesquisa, portanto, a oportunidade de verificar tal inquietação por meio de
questões que se propunham a saber se os investigados tinham conhecimento da existência
desses livros. Para tanto, apresentou-se um rol de alternativas, a fim de que assinalassem
aquela que mais lhes conviesse. As respostas a esse questionamento encontram-se no gráfico
1.

4076

�Gráfico 1 - Conhecimento do acervo de livros eletrônicos disponibilizados
pela UFC

Fonte: Dados da pesquisa.
Com base no gráfico 1, oserva-se que houve alteração de resposta (Sim; Sim, mas
nunca acessei e Não). Analisando as respostas dos 163 discentes, chegou-se à conclusão que
mais da metade da população investigada não tem conhecimento desse acervo disponibilizado
pela UFC, pois 60% responderam “Não”, 34% responderam “Sim”, enquanto que 6%
responderam “Sim, mas nunca acessei”.
Ainda nessa categoria, buscou-se identificar que fatores têm contribuído para que essa
população investigada desconheça essa coleção. Do mesmo modo anterior, apresentou-se aos
investigados que desconhecem a disponibilidade desse acervo uma lista de opções solicitando
que apontassem aquelas cujos fatores mais contribuíam para tal fato. A alternativa mais
assinalada foi a “fragilidade da instituição na divulgação dos livros eletrônicos pela Biblioteca
Universitária”, com 47% dos discentes. Veja-se o gráfico 2.
Gráfico 2 - Fatores que contribuem para o desconhecimento dos livros eletrônicos
Fragilidade da
instituição na
divulgação dos
livros eletrônicos
pela Biblioteca
Universitária

Outros

Não sente-se
m otivado para
buscar inform ações
de serviços e acervo
da Biblioteca.
16%

Falta de divulgação
por parte de
professores.
24%

por parte de
professores.

Fragilidade da
instituição na
divulgação dos livros
eletrô n icos pela
Biblioteca
Un iversitária
47%

Não gostar de 1er
em ambiente
virtual

Nao sente-se
motivado para
buscar informações
de serviços e
acervo da
Biblioteca.
Outros

Fonte: Dados da pesquisa.

4077

�Além da fragilidade nadivulgação, apontada pelos respondentes, também merece
destaque a resposta que contempla a “falta de divulgação por parte dos professores”, com
24%. Isso demonstra a necessidade de uma interação maior entre a Biblioteca Universitária,
professores e estudantes dos programas de Pós-Graduação. Outro fator evidenciado foi “não
se sente motivado para buscar informações”, por 16% dos discentes.
Ainda na mesma linha, foi perguntado aos discentes que participaram do estudo
empírico e que têm conhecimento desse acervo como tomaram ciência deste.
Gráfico 3 - Meio através do qual os discentes tomaram conhecimento dos
livros eletrônicos

Fonte: Dados da pesquisa.
Pode-se notar que a resosta mais predominante nessa amostra foi aquela referente ao
site da UFC, com 58% do total, seguida de amigos e professores, ambos com 11%. Na
realidade, esperava-se que houvesse maior divulgação desse acervo por parte dos professores
e orientadores.
Observando as respostas entre os discentes que têm conhecimento dos livros
eletrônicos com as respostas dos discentes que não têm conhecimento desse acervo (gráficos
2 e 3), nota-se certa disparidade, pois os discentes que conhecem o acervo responderam ter
tomado ciência desse acervo pelo site da UFC, enquanto, no gráfico 2, os discentes que
desconhecem esse tipo de acervo, em sua maioria, responderam não ter tomado conhecimento
desse acervo devido à “fragilidade da instituição na divulgação dos livros eletrônicos por
parte da Biblioteca Universitária”.

c) Conhecimento sobre as estratégias de acesso e uso do acervo de livros
eletrônicos da UFC
A biblioteca tem como objetivo satisfazer as necessidades de seus usuários,
fornecendo as mais diversas facilidades naquilo que eles desejam obter em produtos/serviços,

4078

�por meio da oferta de informações necessárias para o sucesso de suas pesquisas. Diante dessa
realidade, buscou-se nessa categoria identificar o conhecimento que os participantes da
pesquisa têm sobre as estratégias de acesso e uso de livros eletrônicos, conforme apresentado
no gráfico 4.
Gráfico 4 - Sabem como ter acesso e uso

Fonte: Dados da pesquisa.
Na amostra analisada 71%responderam saber como ter acesso e utilizar estes livros no
acervo da UFC, enquanto 39% responderam não saber.
Questionou-se também aos discentes qual o principal motivo que os levou a utilizar o
livro eletrônico. Para a obtenção das respostas foi feito uma lista de itens para que marcassem
o que mais lhes convinha.
Gráfico 5 - Principal motivo de utilização dos livros eletrônicos pelos
discentes

Fonte: Dados da pesquisa.
Dos 40 discentes questioados, os resultados indicam que houve um maior percentual
de respostas nas duas categorias: “Por ser gratuito pelo portal da UFC”, com 27%; e “ampla
disponibilidade”, por 21% dos sujeitos. Nota-se que o motivo: “gosta mais de ler em obra
eletrônica” não foi citado por nenhum respondente.
Nesse próximo seguimento, os atores interrogados são discentes dos programas de
Pós-Graduação

que não têm

conhecimento

dos livros

eletrônicos comprados

e

disponibilizados pela UFC. A eles foi perguntado se gostam de ler em ambiente virtual, uma

4079

�vez que esse ambiente parece já fazer parte do cotidiano dessa comunidade. Como pode ser
observado no gráfico 6, a maioria dos questionados respondeu sim para tal questão.

Gráfico 6 - Discentes que não têm conhecimento do acervo de livros eletrônicos na UFC,
mas gostam de ler em ambiente virtual

Fonte: Dados da pesquisa.
A maioria os atores questionados que não têm conhecimento do acervo de livros
eletrônicos disponibilizados pela UFC responderam que gostam de ler em ambiente virtual.
Neste mesmo entendimento, foi perguntado a estes mesmos respondentes se além de
gostar de ler já tinham feito alguma pesquisa em ambiente virtual. A maioria deles afirmou
que sim. Veja no gráfico 7.

Gráfico 7 - Discentes que não têm conhecimento do acervo de livros eletrônicos
comprados pela UFC, mas que leem e fazem pesquisas em ambiente virtual

Fonte: Dados da pesquisa.
Nesse gráfico, ficou eviente que a maioria dos estudantes que não têm conhecimento
dos livros eletrônicos disponibilizados pela UFC lê e faz pesquisas em ambiente virtual, com
97% dos participantes. Possivelmente esteja existindo uma reorganização na forma de leitura,
considerando as novas tecnologias por parte dos participantes.
É interessante citar um comentário feito por um discente:

4080

�Isso permite professores e alunos consultar, em sala de aula, surgida alguma
dúvida, um grande número de livros, indo diretamente às páginas onde estão
os trechos sobre os quais se discute. (E1)

Foi perguntado ainda a esses mesmos investigados (discentes que não têm
conhecimento do acervo de livros eletrônicos na UFC) se preferiam a leitura por meio de
livros convencionais (impressos), eletrônicos ou ambos. Mais uma vez, ficou evidente o
interesse destes pelo livro impresso. Mesmo que o gráfico 7 demonstre que 95% dos
respondentes tenham afirmado que leem e fazem pesquisas em ambiente virtual, o gráfico 8
demonstra suas preferências pelo livro impresso.

Gráfico 8 - Preferência pela leitura impressa, eletrônica ou ambas

Fonte: Dados da pesquisa.

Nessa análise fica explíito que a maioria dos discentes, com 70%, tem preferência pelo
livro impresso. Sabemos, pela literatura, que os motivos para a baixa aceitação do livro
eletrônico podem ser vários: leitura lenta e cansativa, desconforto da leitura em tela,
necessidade da disponibilidade de aparelhos tecnológicos, entre outros.

d) Hábito de uso dos livros eletrônicos em suas atividades acadêmicas e de
pesquisa
Nessa caracterização, foi indagado aos discentes que têm conhecimento dos livros
eletrônicos disponibilizados pela UFC quantos livros eletrônicos da Instituição eles haviam
utilizado nos últimos meses. As respostas encontram-se no gráfico 9.

4081

�Gráfico 9 - Número de livros utilizados

Fonte: Dados da pesquisa.

Em decorrência da análie, logo foi percebida a pouca utilização dos livros eletrônicos
pelos estudantes, com 53%. Entende-se que esse fato seja atribuído a vários motivos: falta de
cultura de ler um livro eletrônico; o fato de os livros eletrônicos não contemplarem as
necessidades de seus cursos; em razão de o acervo ter sido adquirido como projeto piloto
(sem a participação dos professores); ou simplesmente resistência ao novo. Para ratificar esse
entendimento seguem algumas justificativas:
Prefiro os livros impressos, pois não consigo ler em um tablet. ( E.1)
A língua e acesso à internet. (E.2)
Resistência à mudança de hábito. (E.3)
Resistência de alguns professores, principalmente os mais maduros, que
ainda não têm familiaridade com eles e com a internet. (E.4)

Perguntou-se ainda aos inquiridos que têm conhecimento dos livros eletrônicos na
UFC qual o grau de familiaridade com essa mídia. As respostas evidenciam certo equilíbrio
entre “familiar”, com 35%, e “pouco familiar”, com 32% dos respondentes. Os resultados
podem ser mais bem visualizados no gráfico 10.
Gráfico 10 - Grau de familiaridade dos discentes que têm conhecimento do acervo de
livros eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC

Fonte: Dados da pesquisa.

4082

�Os achados da pesquis evidenciam que, mesmos estando em um século em que as
tecnologias se renovam e se multiplicam todos os dias, os investigados ainda não se tornaram
tão familiarizados com os livros eletrônicos como se esperava, com apenas 18% dos
respondentes se dizendo muito familiar a este tipo de mídia.

d) Indicação de livros eletrônicos por professores de pós-graduação, em suas
bibliografias.
Nessa caracterização foi perguntado aos discentes que têm conhecimento do acervo
eletrônico na UFC se professores e orientadores indicam esse tipo de acervo nas bibliografias
de suas disciplinas. Os resultados desses achados evidenciam, com 73%, que os professores
não indicam esse tipo de acervo em suas bibliografias. Talvez seja esse um dos fatores que
contribuem para o não uso desses livros. Mais uma vez, entendemos ser necessário que haja
uma política que venha mobilizar “para o melhor uso desse acervo”, pois, do contrário, a UFC
estará investindo grandes recursos financeiros e o retorno será insignificante.

e) Importância e satisfação do uso dos livros eletrônicos comprados e
disponibilizados pela UFC.
Nessa característica foi perguntado aos discentes que têm conhecimento do acervo de
livros eletrônico na UFC qual o grau de importância desse acervo para eles. Nesse quesito,
também se levaram em consideração outros aspectos, como a leitura e uso para pesquisas. Os
resultados da pesquisa apontam que para estes inquiridos o acervo de livros eletrônicos é
importante (38%) ou muito importante (39%) conforme o gráfico 11.
Gráfico 11 - Grau de importância de acervo eletrônico para os discentes que conhecem
o acervo comprado e disponibilizado pela UFC

Fonte: Dados da pesquisa.

4083

�Percebe-se no gráfico cima que o grau de importância do acervo de livros eletrônicos
para os discentes que conhecem a disponibilidade desses livros tem quase os mesmos graus:
tanto para “muito importante” com 39% como para importante com 38%, ficando o grau
pouco importante com 23%. Possivelmente, para esses pesquisados, o manuseio pelo
computador vai oportunizar a interatividade na busca de conteúdos.
Nessa mesma ideia, questionou-se também se os discentes que desconhecem o acervo
de livros eletrônicos da UFC consideram importante este tipo de acervo.

Gráfico 12 - Importância de acervo eletrônico para docentes e discentes que
desconhecem o acervo comprado e disponibilizado pela UFC
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Fonte: Dados da pesquisa.
Nessa análise pode-se ve que, entre os discentes que desconhecem o acervo de livros
eletrônicos, o grau de importância que prevaleceu foi o “muito importante” com 49%, logo
em seguida o “importante” com 40%, ficando “pouco importante” com apenas 11%. Pode-se
salientar que os discentes que desconhecem o acervo de livros eletrônicos acham este tipo de
acervo mais importante que os que têm conhecimento desse acervo.
E por último foi perguntado aos investigados (que têm conhecimento dos livros
eletrônicos disponibilizados pela UFC) qual o grau de satisfação destes com este acervo.
Gráfico 13 - Grau de satisfação dos discentes que têm conhecimento dos livros
eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC.

Fonte: Dados da pesquisa.

4084

�Neste gráfico evidencia-e como os estudantes dos programas de Pós-Graduação estão
pouco satisfeitos com este tipo de acervo (47% dos questionados).

5 Considerações finais
A intenção desta pesquisa foi trazer questões que suscitam um aspecto importante da
avaliação aplicada ao contexto do acervo de livros eletrônicos comprados e disponibilizados
no Sistema de Bibliotecas da UFC. Para tanto, foram apresentadas as reflexões conclusivas
desta pesquisa, levando em consideração seus objetivos específicos.
No objetivo que buscou identificar o grau de conhecimento dos estudantes de pósgraduação da UFC sobre a existência dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados pela
UFC nos cursos por eles contemplados, ficou evidente que a maioria dos discentes que
participaram da pesquisa respondeu não conhecer este acervo, embora tal coleção já conte
com mais de 8000 títulos. Ainda nesse objetivo, ficou evidente que os fatores que mais
influenciaram para o conhecimento e uso desse acervo foram: a gratuidade pelo portal da
UFC, a ampla disponibilidade e a praticidade.
Com relação ao objetivo de verificar se os discentes de pós-graduação da UFC
conhecem as estratégias de acesso e uso do acervo de livros eletrônicos a eles destinados, os
achados da pesquisa evidenciaram que os discentes, em sua maioria, sabem como ter acesso e
como usar este acervo.
Quanto ao objetivo de investigar se discentes têm o hábito de usar os livros eletrônicos
em suas atividades acadêmicas, verificou-se que mais da metade desse público nunca utilizou
um livro do acervo eletrônico. Os fatores apontados para isso foram: falta de conhecimento do
acervo; o fato de os livros eletrônicos não contemplarem as necessidades dos cursos;
insegurança quanto ao conteúdo e a relação de afetividade e prazer proporcionada pelo livro
impresso.
De posse desses resultados pode-se inferir que, embora já exista uma divulgação
desses livros, muito ainda precisa ser feito. Isso, talvez, possa ser resolvido por meio de uma
campanha envolvendo Biblioteca, professores e alunos. Outra proposta seria tornar o acervo
de livros eletrônicos mais atraente, comprando livros que realmente supram as necessidades
dos usuários, para que eles passem a vê-lo como mais uma fonte de informação para suas
pesquisas.
Em que concerne ao objetivo de averiguar se os professores de pós-graduação da UFC
indicam livros eletrônicos em suas bibliografias, ficou evidente que essa prática ainda não se
configura efetivamente no âmbito da UFC. Neste item, pode-se levar em conta que, sendo

4085

�essa a primeira compra para um projeto piloto experimental, não tenha havido uma consulta
prévia aos docentes sobre suas bibliografias, o que revela a necessidade de uma participação
mais efetiva por parte dos professores na próxima compra. Acredita-se que uma ação
importante nesse aspecto seria que a Política de Formação e Desenvolvimento de Acervo do
Sistema de Bibliotecas da UFC também fosse adotada na aquisição desses livros.
O último objetivo analisado foi a importância e a satisfação no uso dos livros
eletrônicos dos acervos da UFC nas atividades acadêmicas nos programas de pós-graduação.
A análise evidenciou que o grau de importância para os discentes que não conhecem o acervo
da UFC foi maior do que para os que conhecem este acervo. Quanto ao quesito satisfação,
47% dos sujeitos investigados responderam estar pouco satisfeitos com o acervo de livros
eletrônicos.
Diante do exposto, pode-se inferir que a falta de conhecimento, hábito e uso seja
provocada pelos seguintes fatores:
a) o fato mais preponderante de todos foi de o público ter resistência ao novo: não
querer “trocar o cheiro do papel” por um “livro inodoro como o eletrônico”;
b) o fato de os livros eletrônicos não serem específicos para as áreas de atuação
dos investigados, que, por isso, não sentem necessidades nem motivação para pesquisá-los;
c) o fato de não constarem em suas bibliografias;
d) a falta de uma divulgação mais expressiva por parte da instituição, para chamar
a atenção de toda a comunidade universitária para essa nova mídia disponibilizada pela UFC.
e) a necessidade de o livro eletrônico precisar de uma ferramenta para o acesso.
Portanto, considera-se que os objetivos da pesquisa foram atingidos, pois os fatores
que mais contribuíram para sua realização podem ser analisados e revertidos a favor desse
acervo.

6 Referências
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das unidades acadêmicas da Universidade Federal do Ceará (UFC) acerca da autoavaliação
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4087

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                <text>O meio acadêmico passa por uma rápida difusão da informação com a introdução dos novos suportes de comunicação advindos das novas tecnologias que facilitam a produção e o acesso à informação. Dentre esses suportes encontra-se o livro eletrônico, a mais nova modalidade do livro, que vem se inovando ao longo do tempo. A Universidade Federal do Ceará-UFC, em 2009, passou a incorporar esse tipo de livro em seu acervo e disponibilizá-lo como fonte alternativa de informação para a pesquisa, ensino e extensão. É na intenção de saber as práticas de uso desses livros que foi desenvolvida uma pesquisa cujo objetivo básico consiste em investigar a utilização efetiva, pelos estudantes dos programas de pós-graduação da UFC, dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados no sistema de bibliotecas dessa Instituição. A pesquisa optou por uma metodologia quanti-qualitativa, por meio de questionários eletrônicos elaborados e aplicados através da ferramenta Google docs. Trata-se de um estudo exploratório, com uma amostragem não probabilística contemplando 163 estudantes participantes. O método de sustentação da análise dos dados é o funcionalista, realizado por meio de estudo de casos. Os resultados evidenciam que 60% dos pesquisados não têm conhecimento do acervo de livros eletrônicos da UFC. O principal motivo revelado para tal desconhecimento é a fragilidade na divulgação desse acervo. Entretanto, os alunos que responderam conhecer tal acervo disseram ter tomado conhecimento pelo site da UFC, e o principal motivo que os levou a usá-lo foi por ser de acesso gratuito. No que se refere ao quesito importância, tanto os discentes que têm conhecimento quanto aqueles que responderam não conhecer este acervo o avaliam como muito importante para a comunidade universitária. Em conclusão, consideramos que, sendo o livro eletrônico uma nova modalidade, ainda não esteja sendo devidamente absorvido por esse público, talvez pela cultura de uso do livro impresso. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A MOTIVAÇÃO NA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA
BAHIA: POSSIBILIDADES PARA A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

Paulo Cesar dos Santos Barros
José Luiz nascimento Sacramento
Samir Elias Kalil Lion
Zeny Duarte de Miranda

RESUMO
Trata de investigar os fatores motivacionais dos servidores da Escola Politécnica da
Universidade Federal da Bahia. Trata-se de um estudo de caso que utilizou questionário,
como instrumento de coleta de dados, contendo a primeira parte do Inventário da Motivação e
do Significado do Trabalho - IMST. Conclui que o ambiente de trabalho presente na Escola
Politécnica da Universidade Federal da Bahia é parcialmente motivador, sugerindo a
investigação como possibilidade de se estudar a temática da motivação para o trabalho na
biblioteca universitária.

Palavras-Chave: Motivação para o trabalho; Teorias de motivação; Universidade; Biblioteca
universitária; Sistema de bibliotecas.

ABSTRACT
Comes to investigating the motivational factors of employees of the Polytechnic School of the
Federal University of Bahia. This is a case study with questionnaires as a tool for data
collection, using the first part of IMST. Concludes that the work environment of the
Polytechnic School of the Federal University of Bahia is partly motivating, suggesting the
investigation as the possibility of studying the issue of motivation to work in the university
library.
Keywords: Motivation to work; Theories of motivation; University; University library; The
library system.

1 INTRODUÇÃO
O atendimento as necessidades do usuário, o desenvolvimento eficiente das coleções,
bem como a plena disseminação da informação são resultados esperados pela própria
biblioteca universitária, pelo seu entorno (a universidade, por exemplo) e pelo usuário

1317

�(comunidade universitária e sociedade em geral). Para tanto, faz-se necessário a análise,
identificação, mensuração e correção das fragilidades referentes a motivação para o trabalho,
como forma de promover políticas voltadas para constante melhora na relação homemtrabalho. È por isso que se apresenta esta investigação de motivação para o trabalho feita na
Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia - EPUFBA como possibilidades de se
estudar tal temática na biblioteca universitária. Assim, o objetivo deste trabalho é investigar
os fatores motivacionais dos servidores da Escola Politécnica da Universidade Federal da
Bahia. Para alcança-lo, utilizou-se o Inventário da Motivação e do Significado do Trabalho IMST como uma ferramenta de avaliação de motivação.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O IMST representa um importante instrumento para equipar as organizações na
mensuração de elementos referentes aos aspectos motivacionais voltados para o ambiente de
trabalho. Sua elaboração tem origem no já existente Inventário do Significado do Trabalho
(1ST) e as teorias de motivação (BORGES e ALVES-FILHO, 2003; BORGES, 1999;
SIQUEIRA, 2008).
A motivação para o trabalho tem se colocado como ferramenta fundamental no
processo de busca da eficiência organizacional. E tais elementos não podem permanecer
dissociados do cotidiano das unidades de informação (arquivos, bibliotecas e museus). Pois
um ambiente de trabalho desmotivador gera dificuldades de se manter a produtividade na
força de trabalho, atingindo as bibliotecas universitárias e o profissional em Biblioteconomia.
As bibliotecas não existem sozinhas ou isoladas, estão inseridas em um ambiente
maior (ambiente universitários, por exemplo) e são por ele influenciadas, como por exemplo:
dificuldades orçamentárias, necessidade de licitação pública, necessidade de prestação de
contas, contratos e convênios públicos etc. (VERGUEIRO, 2007; VOLPATO et al., 2003).
Carvalho (2012) salienta que a prática profissional em Biblioteconomia requer
conhecimentos em Administração, de modo que possam usar e beneficiar-se dos seus
métodos, técnicas e procedimentos. Destaca que a administração da biblioteca universitária
torna-se um dos pontos críticos para a obtenção de um bom desempenho e sucesso, tanto da
própria biblioteca, como da universidade. A relação entre biblioteca e universidade é uma
relação bem estabelecida pelas demandas das estruturas funcionais. A biblioteca universitária
se auto-organiza para responder as demandas do entorno.

1318

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O método utilizado foi estudo de caso realizado na Escola Politécnica da
Universidade Federal da Bahia - EPUFBA. O tratamento dos dados foi quantitativa por
haver o tratamento estatístico dos dados; e qualitativa por conter frases que descrevem valores
relacionados à motivação para o trabalho. Para cálculo dos dados foi utilizado planilha excel.
O instrumento de coleta de dados foi um questionário contendo a partir da primeira parte do
IMST, que possui três partes na sua versão completa. O local de aplicação dos questionários
foi os sete departamentos que compõem a estrutura da Escola Politécnica da Universidade
Federal da Bahia. A amostra foi constituída por 7 servidores docentes e 7 servidores técnicoadministrativos, cobrindo todos os departamentos, tanto entre docentes quanto entre técnicos,
totalizando 14 pessoas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Segue-se a investigação dos elementos motivacionais existentes na Escola Politécnica
da Universidade Federal da Bahia - EPUFBA, a partir do IMST.

0%

0%

2.T enho oportunidades de m e tornar m ais profissionalizado (mais
qualificado).
3.A s pessoas sabem o quanto é im portante o m eu trabalho.

7%

14%

0%

43%

7%

14%

36%

29%

4.O s chefes sabem se com unicar com cada um .

0%

21%

14%

29%

5.O m eu trabalho é o m eu sustento.

0%

7%

0%

21%

0%
6.S ou independente porque assum o m inhas despesas pessoais.
7.O resultado do que faço beneficia os outros (usuários, clientes e 0%
pessoas em geral).
29
8.Se trabalho, tenho o retorno econôm ico m erecido.
%
14
9.E stou repetindo as m esm as tarefas todos os dias.
%
0%
10.Eu sinto que sou tratado com o pessoa respeitada.

0%
7%

7%
7%

7%
0%

14%

0%

43%

36%

0%

29%

14%

7%

57%

7%

21%

0%

64%

0%

36%

0%

57%

A T R IB U T O S V A L O R A T IV O S

11.No m eu trabalho são tom ados todos os cuidados necessários à higiene
do am biente.
12.Fazendo m inhas tarefas, não corro riscos físicos.

C oncordo
totalm ente

D iscordo
parcialm ente

1.É u m p razer realizar m inhas tarefas.

Não
tenho
opini
ão
form a
da/N ã
o sei
0%

C oncordo
parcialm ente

D iscordo
totalm ente

Tabela 1 - Distribuição percentual dos atributos valorativos do IMST para a EPUFBA.

57%

43%

To
tal

100
%
36% 100
%
14% 100
%
36% 100
%
71% 100
%
79% 93%
86% 100
%
7%
93%
21% 100
%
21% 100
%
7%
100
%
7%
100

1319

�13.Eu gosto de v e r m inhas tarefas prontas.

0%

0%

0%

7%

93%

14.M inhas opiniões sobre o trabalho são levadas em conta.

7%

0%

0%

57%

36%

15.Trabalhando, faço am izades.

7%

0%

0%

29%

64%

16.Os chefes confiam em mim.

0%

0%

14%

50%

36%

17.Trabalhando, decido o que com pro p ara mim.

7%

0%

7%

21%

64%

18.O trabalho m e proporciona as principais assistências (transporte, 7%
educação, saúde, m oradia, aposentadoria, etc.)
0%
19.Reconheço a autoridade dos superiores.

21%

0%

29%

43%

0%

0%

7%

93%

20.A em presa cum pre obrigações para comigo.

7%

21%

7%

29%

36%

21.T rabalhar exige esforço físico.

21%

0%

43%

7%

7%

0%

7%
21%

0%
0%

25.O trabalho m e torna um a p essoa digna.

21
%
21
%
7%
29
%
7%

14%

0%

26.O trabalho é a garantia da existência hum ana.

7%

21%

14%

27.T rabalho com conforto nas form as adequadas de higiene,
disponibilidade de m ateriais, equipam entos adequados e conveniência de
horário.
28.Fazendo m inhas tarefas, tenho oportunidade de aprendizagem de
novas coisas.
29.M eu corpo é necessário para executar m inhas tarefas.
30.O s colegas de trabalho me querem bem.

14
%

21%

7%

0%

29%

0%

7%
0%

0%
0%

7%
43%

31.M eu trabalho é m inha sobrevivência.
32.T rabalhar b em é o que preciso fazer para continuar no m eu em prego.

7%
7%

29%
21%

0%
7%

33.T rabalho para te r assistência p ara m im e para m inha fam ília.

7%

7%

7%

34.O trabalho é a base para o progresso da sociedade.

7%

0%

14%

35.O trabalho é para ser feito de acordo com o que dizem os superiores.

36%

7%

36.Todo dia faço tarefas parecidas.

14
%
0%

36%

0%

37.T rabalhando, estou usando pensam ento p ara fazer as tarefas.

0%

0%

0%

38.O trabalho é corrido quando se trabalha tam bém em casa.

29
%
36
%
0%

14%

7%

7%

14%

21%

0%

14%

64%

21%

7%

22.O trabalho é duro porque exige esforço, dedicação e luta.
23.M inhas tarefas exigem de m im tentar fazer o m elhor.
24.O que ganho é suficiente e de acordo com m eu esforço.

39.T rabalhar é fazer a tarefa.
40.T rabalho de acordo com m inhas possibilidades.
41.T odos os trabalhadores se esforçam com o eu.
42.T rabalhando, sinto-m e com o um a m áquina ou u m animal.

14
%
64
%

%
100
%
100
%
100
%
100
%
100
%
100
%
100
%
100
%

93%
100
%
36% 36% 86%
36% 14% 100
%
29% 50% 100
%
29% 29% 100
%
43% 14%
100
%
36% 36% 100
%
29% 50% 93%
29% 29% 100
%
14% 36% 86%
21% 43% 100
%
36% 43% 100
%
43% 36% 100
%
36% 7%
100
%
57% 7%
100
%
36% 64% 100
%
14% 21%
86%
36% 7%
100
%
43% 36% 100
%
0%
7%
100
%
7%
0%
100
%
36%

36%

1320

�43.N o m eu trabalho são adotadas todas as m edidas de segurança 14
recom endáveis.
%
57
44.S ou discrim inado devido ao m eu trabalho.
%
21
45.T odos que trabalham têm os m esm os direitos.
%
0%
46.E sforço-m e m uito e ganho pouco.

64%

0%

14%

14%

14%

14%

29%

7%

36%

0%

48.T rabalhando sinto-m e atarefado.

14
%
7%

21%

0%

49.S ou reconhecido pelo que faço.

0%

14%

7%

50.T rabalho em am biente lim po.

7%

14%

0%

51.M ereço ganhar m ais pelo m eu trabalho.

0%

0%

7%

52.N o m eu trabalho, estão sem pre m e exigindo rapidez.
53.N o m eu trabalho, tenho as ferram entas necessárias.

29%
36%

14%
0%

29%
43%

14%
0%

56.Sinto-m e produtivo.

0%
14
%
7%
14
%
0%

14%

7%

57.T rabalhando, desenvolvo m inhas habilidades interpessoais.

7%

7%

0%

58.Influencio nas decisões da organização (contribuindo p ara a form ação
de opinião).
59.Sigo as norm as das organizações (em presa).

7%

0%

14%

0%

0%

0%

60.T rabalhando, tenho oportunidade de expressão de m inha criatividade.

0%

21%

0%

61.O trabalho m e garante receber m eu salário.

7%

0%

7%

TO TA L

9%

16%

7%

47.O trabalho m e deixa esgotado.

54.R ecebo to d a a assistência que mereço.
55.Tenho que term inar m inhas tarefas com pressa.

14% 7%

100
%
14% 0%
100
%
7%
43% 100
%
36% 29% 100
%
43% 7%
100
%
50% 21% 100
%
64% 14% 100
%
64% 14% 100
%
14% 79% 100
%
29% 21% 93%
43% 7%
100
%
43% 0%
93%
21% 21% 100
%
29% 50% 100
%
21% 64% 100
%
50% 29% 100
%
21% 79% 100
%
36% 43% 100
%
14% 71% 100
%
32% 34% 99%

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS

Conclui-se que o ambiente de trabalho presente na Escola Politécnica da Universidade
Federal da Bahia é parcialmente motivador, pois apenas 34% dos respondentes concordam
totalmente, o que indica a necessidade de ações de melhoria neste o ambiente de trabalho.
Sugere-se a presente investigação como possibilidade de se estudar a temática da motivação
para o trabalho na biblioteca universitária.

6 REFERÊNCIAS
BORGES, L. O. A Estrutura fatorial dos atributos valorativos e descritivos do trabalho; um
estudo empírico de aperfeiçoamento e validação de um questionário. Estudos de Psicologia,
v.4, n. 1, p. 107-158, 1999.

1321

�BORGES, L. O.; ALVES-FILHO, A. A estrutura fatorial do inventário do Significado e
Motivação do Trabalho, IMST. Revista Avaliação Psicológica, v. 2, n. 2, p. 123-145, 2003.
CARVALHO, L. Informação e comunicação na administração das bibliotecas universitárias:
entre as metáforas de Morgan e a visão de Luhmann. SEMINÁRIO NACIONAL DAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS - SNBU, 2012, Gramado. Anais... Recife: SNBU,
2012.
SIQUEIRA, M. M. M. Medida do comportamento organizacional. Ferramentas de
Diagnósticas e de Gestão. Porto Alegre: Artmed, 2008.
VERGUEIRO, W. O olhar do cliente como fator de qualidade para a gestão de bibliotecas
universitárias: estudos de caso em instituições brasileiras. In: Anais XIX CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO 1, Centro de eventos da
PUCRS.
VOLPATO, S.M.B.; BORENSTEIN, C.R.; SILVEIRA, A. A natureza do trabalho do
administrador de biblioteca universitária. ENCONTRO NACIONAL DE INFORMAÇÃO E
DOCUMENTAÇÃO JURÍDICA - ENIDJ, 8., 2003, Florianópolis. Anais... Florianópolis:
UFSC, 2003.

1322

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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFMG</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2014</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            </elementTextContainer>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="74482">
                <text>Trata de investigar os fatores motivacionais dos servidores da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia. Trata-se de um estudo de caso que utilizou questionário, como instrumento de coleta de dados, contendo a primeira parte do Inventário da Motivação e do Significado do Trabalho - IMST. Conclui que o ambiente de trabalho presente na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia é parcialmente motivador, sugerindo a investigação como possibilidade de se estudar a temática da motivação para o trabalho na biblioteca universitária.</text>
              </elementText>
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  </item>
  <item itemId="6767" public="1" featured="0">
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/62/6767/SNBU2014_253.pdf</src>
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            <name>PDF Text</name>
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                <name>Text</name>
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                  <elementText elementTextId="75913">
                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO UNIVERSITÁRIO: UMA PESQUISA NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS (UFT) E NA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE GOIÁS (UFG)
Esdra Basilio
Núbia Nogueira Nascimento

RESUMO
Neste trabalho buscamos observar como os bibliotecários (as) são compreendidos pelos
usuários de bibliotecas universitárias federais. O estudo foi realizado em duas bibliotecas
universitárias, na região norte, Universidade Federal do Tocantins (UFT). E na região centro
oeste, Universidade Federal de Goiás (UFG). A metodologia utilizada possui uma abordagem
pelo método quantitativo (survey) e qualitativo. Para a coleta de dados foram aplicados
questionários nas respectivas bibliotecas das instituições (UFT) e (UFG). A amostra foi
composta por seis perguntas fechadas, as perguntas compõem uma relação direta sobre a
profissão do bibliotecário (a) bem como as características sobre o seu perfil, relacionado à
construção da autoimagem do bibliotecário universitário.

Palavras- Chave: Bibliotecas universitárias ; Bibliotecário (a); Perfil; Representações sociais.

ABSTRACT
In this work we try to perceive how librarians are understood by users of libraries of federal
university. The study was conducted in two university libraries in northern Universidade
Federal do Tocantins (UFT) and in the Central-West Region: Universidade Federal de Goiás
(UFG). The methodology used by the study was ‘Survey’, known as quantitative and
qualitative method. For data collection, questionnaires were applied in the respective libraries
(UFT) and (UFG). The questionnaire consists of six closed questions, these questions
comprise a direct relationship on the profession of the librarian and its features on your profile
related to construction of the self-image like university librarian.

Keywords: University libraries; Librarian; Profile; Social representations.

1 INTRODUÇÃO
A profissão do bibliotecário (a) bem como o seu perfil, ainda nos dias atuais é um
tabu, quando o assunto está diretamente relacionado à sua autoimagem. Um dos propósitos
deste trabalho é refletir sobre a imagem do profissional bibliotecário (a) universitário e
também perceber a relação entre a construção e a reafirmação dos estereótipos estabelecidos

3214

�pela sociedade contemporânea. Também, compreender a percepção dos usuários em relação
às competências e habilidades dos bibliotecários atuantes nas seguintes bibliotecas
universitárias: Universidade Federal

de Goiás, Campus universitário de Catalão e

Universidade Federal do Tocantins Campus universitário de Porto Nacional. Neste sentido
teremos uma visão geográfica sobre a opinião de uma amostra dos universitários da região
norte e da região centro-oeste. Para obter as respostas foram distribuídos questionários aos
estudantes universitários, de forma aleatória, nas duas universidades, contabilizados um total
de vinte questionários respondidos.
A figura do bibliotecário enquanto guardião da informação está obsoleta, com as
tecnologias da informação e novas sociabilidades, o profissional da informação deve se
adequar ao novo cenário da sociedade da informação. De acordo com Castells (2000, p.17) “ a
revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma
nova forma de sociedade, a sociedade em rede’’, onde a informação esta alocada em
diferentes mídias interativas. Entendemos que é imprescindível

que o profissional

bibliotecário possua competências necessárias para lidar com as mudanças tecnológicas.
Segundo Morigi e Pavan (2004, p.123) ''as bibliotecas universitárias, ao utilizar e incorporar
em suas práticas cotidianas as tecnologias de informação e comunicação alteraram as formas
de

sociabilidade,

implicando

o

redimensionamento,

construindo

novas

formas

de

sociabilidade''.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A interação face a face foi durante muito tempo o meio de comunicação mais usual, os
grupos tribais se interagiam em um mesmo espaço e tempo, assim, a linguagem era o
principal meio de comunicação. O aparecimento da escrita provocou transformações na forma
de transmitir o conhecimento. Com a invenção da imprensa por Gutenberg no século XV e a
revolução do computador no século XX, sem dúvida foi o início para a explosão da
informação e os variados tipos de mídias existentes na atualidade. À medida que aconteciam
mudanças na informação, à sociedade, de certa maneira, sentiu-se a necessidade de
acompanhá-la especialmente para adequar as novas tecnologias.
Entendemos que o bibliotecário (a) e/ou profissional da informação deve facilitar o
acesso a informação e procurar atender as demandas dos usuários. Para tanto o bibliotecário
(a) deve ser proativo e procurar a atender os usuários de acordo com as demandas específicas
de cada um, compreendendo a sua individualidade. Segundo Ortega y Gasset (2006) o
surgimento do bibliotecário é uma herança da Renascença, quando o livro, este visto como

3215

�um símbolo sagrado, legislativo, torna-se um aspecto social no qual a partir deste momento
necessita de um profissional diferenciado com objetivo de facilitar a informação de forma
rápida e precisa, surge então o Bibliotecário (a).
Nas Bibliotecas Universitárias o público e bem heterogêneo cada usuário tem as suas
particularidades como denomina Bourdieu (2001) cada indivíduo possui um “ Capital
Cultural’’, que é constituído a partir da nossa trajetória de vida e o lugar em que ocupamos na
sociedade. Neste sentido, pensamos o conceito de representação a partir de Roger Chartier
(2001) um historiador cultural, para este autor, a representação é pensada como um sistema de
valores onde é constituído pelo imaginário social que é formado a partir de nossas
sensibilidades e também através dos símbolos. Podemos observar que as representações do
profissional bibliotecário (a) é reafirmada através dos estereótipos que são observados e
criados pela sociedade e pela mídia massiva.
Para Pesavento (2005) as representações são portadoras do simbólico, ou seja, dizem
mais do que aquilo que mostram ou enunciam, carregam sentidos ocultos que são construídos
social e historicamente. A imagem do bibliotecário (a) e reafirmada pelas reproduções que
constituem os estereótipos, por exemplo, a figura do bibliotecário (a) do sexo feminino que
impreterivelmente usa óculos, cabelos presos à maioria das vezes com penteados estilo
coques, com roupas antiquadas

, na maioria das vezes consideradas muito séria ou mesmo

“brega e cafona” como vestidos e saias longas. São essas características que ainda permeiam o
imaginário da sociedade, ao nosso ver, esse estereótipo é concretizado pelas mídias e pela
atual sociedade, de certa forma, acaba influenciando a percepção dos alunos gerando assim
um sentimento de opressão diante destes profissionais. Neste sentido, torna-os préconceituosos, ou seja, estabelecem conceitos abstratos e previamente interpretados na maioria
imposta pela mídia massiva sem nenhum rigor ou mesmo com definições e conceitos prontos
com afirmações negativas e cristalizadas. Walter e Galvão (2007, p. 28) esclarecem que ''os
estereótipos só têm interesse se compartilhados pelos membros do grupo e é importante
compreender porque e como eles são compartilhados''. No cenário atual também podemos
usar essas características mencionadas anteriormente vista de forma negativa, agora, como
reafirmações positivas do estereótipo do bibliotecário por usar esses adereços atribuem à
imagem de “certinho (a), sério (a), inteligente, responsável” entre outras qualidades.

370 Usamos a expressão antiquada, não no sentido etimológico e negativo da palavra, mas para descrever aquele
indivíduo que possui uma identidade e características próprias e que não acompanha o que a indústria cultural
oferece bem como as “tendências da moda”.

3216

�Dentre os estereótipos, situam-se aqueles que definem o bibliotecário como
profissional apático, passivo, com pouca capacidade de articulação política e
de organização com seus pares em entidades de classe. Sua imagem também
é associada àquela pessoa mal humorada e antipática, que impõe normas e
sanções aos usuários, se relacionando com eles de maneira autoritária em
vez de carismática (SOUTO, 2005, apud FRAGA; MATTOS; CASSA,
2008, p. 153).

Ainda conforme os autores Walter e Baptista (2007, p. 29) salientam que “ deve-se
ressaltar que os estereótipos não devem ser associados apenas a conceitos negativos, como
nas origens dos estudos sobre eles, mas por aquilo que é entendido e expresso pelo senso
comum’’. Assim, entendemos que a imagem do bibliotecário (a) está intrínsecamente
relacionada a relações de poder, e este poder está diretamente relacionado à sua autoestima.
Segundo Grandall (1973 apud OLIVEIRA, 1983) define autoestima como o gosto e o respeito
que o indivíduo tem por si, também a “valorização de si mesmo” (FERREIRA, 2008, p. 155).
Ou seja, o bibliotecário (a) é aquilo que representa, a forma de agir, pensar, autonomia de
decisão e suas vestimentas, são valores que estão diretamente relacionados às características
próprias do indivíduo, impossível de ser comparada, mensurada ou transmitida.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Conforme Fachin (2003) o questionário consiste em um enumerado de questões que
são submetidas a um determinado grupo com objetivo de obter respostas para a coleta de
informações. A metodologia utilizada para esta pesquisa foi o instrumento de coleta de dados
e a técnica dos questionários que foram aplicados no primeiro semestre de 2014 em dias
aleatórios. De acordo com Freitas et. al (2000, p. 105) o método survey “aborda
principalmente via questionário ou guias de entrevista” ainda segundo o autor este tipo de
método é apropriado quando a pesquisa deseja responder questões do tipo: “o quê? por quê?
como? e quanto?” . Nas respectivas bibliotecas das instituições Universidade Federal do
Tocantins (UFT) Campus de Porto Nacional e Universidade Federal de Goiás (UFG),
Regional Catalão. O questionário utilizado foi composto por perguntas fechadas, totalizando
seis perguntas. A população participante foi compreendida por vinte usuários universitários,
distribuídos em dez participantes da regional de Catalão é dez do campus Porto Nacional.
Para concretização da pesquisa foram aplicados aleatoriamente esta amostragem de
questionários para alguns universitários, com objetivo de obter resultados sobre o perfil do
bibliotecário nas bibliotecas universitárias. Para ampliar a nossa discussão segue no (Quadro
1), as seis perguntas que foram aplicadas aos universitários.

3217

�Quadro1 - Questionário aplicado aos universitários da UFT e UFG
1 Qual seu grau de instrução?
(
) Graduação
(
) Mestrado

(

) Doutorado

2 V ocê conhece o bibliotecário (a) da sua instituição?
(
) sim
(
) não
3 N a sua opinião como é visto o bibliotecário (a) na sua instituição de ensino?
(
) ativo
(
) obsoleto
(

) regular

4 Você sabe quais os serviços e atividades desenvolvida pelos bibliotecários (as) no interior da
biblioteca?
(
) sim
(
) não
5 Quais os serviço que você mais usa no interior da biblioteca?
( ) empréstimo
(
) consulta local
(
) Portal Capes
6 Em sua opinião, qual o estereótipo do Bibliotecário (a) nos dias atuais
( ) jovem
(
) meia-idade - 35 aos 58 anos
(
) terceira-idade

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Para melhor compreensão, segue o (Gráfico 1), com as respostas obtidas pelos
universitários da região norte e centro-oeste. Quanto ao grau de instrução, podemos verificar
que a maioria dos universitários que participaram da pesquisa são alunos da graduação em
ambas as instituições.
Gráfico 1 - Grau de instrução

Fonte: Elaborado pelas autoras.

A segunda pergunt está diretamente ligada ao conhecimento que os alunos têm sobre
o bibliotecário (a) e os serviços que são realizados no interior da biblioteca. No (Gráfico 2),
podemos analisar que na (UFT) todos os alunos entrevistados conhecem o bibliotecário (a), ao
ponto que na (UFG), em um montante de dez alunos, apenas sete estudantes conhecem o
bibliotecário (a) e tem conhecimento sobre as atividades desenvolvidas na unidade de

3218

�informação. Este se torna um ponto positivo, aqui podemos verificar a participação atuante do
bibliotecário (a), a ponto de ser visto e reconhecido pela comunidade acadêmica.
Gráfico 2 - Bibliotecário (a) e os serviços

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Ainda no (Gráfico2), corresponde a pergunta dois e quatro disponível no (Quadro 1),
as duas perguntas estão diretamente relacionadas. A pergunta faz menção se os usuários
conheciam o bibliotecário (a) e os serviços por eles realizados. Para este gráfico podemos
observar que na (UFT) todos os indivíduos que participaram da pesquisa conheciam o
bibliotecário (a) em contrapartida na (UFG) apenas 40%. Já os serviços desenvolvidos pelos
profissionais houve um resultado inverso. A (UFG) houve um índice de 70% dos
entrevistados conheciam as atividades que o bibliotecário (a) desenvolve no interior da
biblioteca, enquanto a (UFT) houve um índice inferior, apenas 40% tem conhecimento sobre
as atividades, aqui podemos mencionar a falta de informação e/ou interesse dos universitários
sobre alguns serviços ainda pouco utilizados ou desconhecidos pela comunidade acadêmica
como: Portal Capes, Bases de Dados, Comut, Normalização de trabalhos acadêmicos entre
outros. Neste sentido:
Segundo a percepção dos usuários, o bibliotecário ainda se encontra nos
níveis de organizador de documentos, ainda não é visto como um
profissional com capacidades pedagógicas que possa orientar ou mesmo
aconselhar o pesquisador nas fases de desenvolvimento de suas pesquisas,
visto que sua formação na graduação lhe possibilita espaços de
aprendizagem para acompanhar pesquisas mais especificas nas diversas
áreas do conhecimento em que possa atuar. O seu conhecimento em tais
áreas acontece quase que de forma intuitiva e através da experiência
profissional vivenciada em seu cotidiano (SOUSA, 2009, p. 79).

3219

�Assim, podemos afirmar que os usuários da (UFT) tem pouco conhecimento sobre as
atividades e as áreas que o profissional da informação atua, pois ainda permanecem préconceitos que o bibliotecário é apenas um guardião de livros e não de informação.
Gráfico 3 - Perfil do bibliotecário

3
0
8

2
5

Reg­
ObsAtivo

UFT

UFG

Fonte: Elaborado pelas autoras.
Nesta pergunta fia evidente a percepção dos usuários em relação à figura do
bibliotecário (a) da sua instituição, tornando positiva ou negativa. Ao observar o (Gráfico 3)
podemos verificar que os usuários em sua maioria, nas duas instituições consideram o
bibliotecário (a) um indivíduo ativo, ou seja, atuante na sua área de trabalho. Aqui, podemos
mencionar uma contradição visível no (Gráfico 2), em que os alunos entrevistados da (UFT) a
maioria não conhecem os serviços do bibliotecário, entretanto, consideram como profissionais
ativos. Podemos observar que a imagem do bibliotecário (a) e/ou profissional da informação
nas duas instituições pesquisadas (UFT) e (UFG) está sempre exercendo suas atividades, a
ponto de oferecer informações bem como mostrar os resultados do trabalho desenvolvido na
comunidade acadêmica.
Com o resultados obtidos no (Gráfico 4), é perceptível que a maioria dos usuários
utilizam o empréstimo domiciliar como o serviço mais utilizado na biblioteca das instituições
(UFT) e (UFG). Na segunda opção destaca-se o serviço de consulta local. Assim, podemos
afirmar que o livro físico é de fácil locomoção e leitura acessível em diversos locais, ainda é
uma das principais fontes consultadas pelos alunos universitários nessas instituições.
Enquanto as informações digitais, serviço ainda pouco conhecido e/ou utilizado pelos
usuários dessas instituições como: e-books, artigos, resumos, entre outros, por depender de

3220

�uma fonte de energia e um suporte físico para transmitir a informação como: computador,
notbook, tablete, torna-o inacessível a vários lugares.
Gráfico 4 - Serviço utilizado na biblioteca

Conforme Silva, Conceição e Braga (2004, p. 135),
A biblioteca universitária está diretamente ligada ao ensino superior e é
uma instituição fundamental para auxiliar no processo de aprendizagem.
Sua influência está ligada ao auxílio, ao ensino, à pesquisa, ao atendimento
a estudantes universitários e à comunidade em geral. Seu papel é suprir as
necessidades de informações técnicas, científicas e literárias ao ensino, à
pesquisa e à extensão.

Podemos mencionar que nas duas instituições o serviço de empréstimo está como o
mais “utilizado” pelos usuários, percebemos que ocorre uma falta de conhecimento e
informação da comunidade acadêmica dos demais serviços que a biblioteca oferece e que o
profissional da informação pode auxiliar. Essa discussão está diretamente relacionada o que
foi analisado no (Gráfico 2), sobre os serviços da biblioteca e as atividades desempenhadas
pelos bibliotecários (as).
Gráfico 5 - Faixa etária do bibliotecário

3221

�A ltima pergunta do questionário corresponde a idade média do bibliotecário nos dias
atuais visto pela comunidade acadêmica. A maioria dos usuários tanto a (UFT) quanto a
(UFG) responderam que o bibliotecário (a) da instituição possui meia idade, o que
corresponde de 35 á 58 anos, este foi o índice de maior resposta. Para nossa surpresa, isso
revela que o estereótipo do bibliotecário (a) com idade avançada o “idoso” está modificando o
imaginário da sociedade acadêmica. O perfil de bibliotecário (a) jovem está presente na
contemporaneidade e no cenário das bibliotecas universitárias brasileiras, com forte tendência
ao crescimento. O estereótipo do profissional bibliotecário (a) é ressignificado pela sociedade
através das nossas práticas sociais, no sentido de, talvez mudar um pouco o pensamento das
pessoas de que o bibliotecário (a) são velhos, desatualizados e atrasados. Também somos
jovens, atuais, informados cientificamente e tecnologicamente.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Em um estudo realizado por Oliveira (1983), identificou três fatores que são
responsáveis pelas atitudes profissionais do bibliotecário: natureza do trabalho bibliotecário, o
salário e por fim o comportamento profissional. Ao dar ênfase ao terceiro item
“comportamento profissional” que atribuímos valor ao de “perfil profissional” nos dias atuais.
Neste estudo a autora afirma que o tipo de biblioteca influencia o comportamento profissional
do bibliotecário que também “contribuem para a variação na opinião dos profissionais as
variáveis seleção, chefia e idade” (OLIVEIRA, 1983, p. 64).
O fato dos bibliotecários possuírem uma autoestima positiva em relação à
sua profissão indica que eles acreditam na natureza e na importância do
trabalho bibliotecário, baseado em valores ocupacionais e pessoais
(inovação, independência, cultura, profundidade, criatividade, desenvoltura,
espirito liberal e liderança). (OLIVEIRA, 1983, p. 66).

Na citação anterior podemos observar que mesmo com o passar dos anos os termos
utilizados que representa a autoestima como: desenvoltura, espirito liberal, cultura. É o que
hoje está representado pela competitividade na organização,

cultura organizacional,

empreendedorismo,

e/ou

ações

desenvolvidas

pelos

bibliotecários

profissionais

da

informação, capazes de proporcionar o entusiasmo e admiração da equipe de trabalho, neste
sentido elevando sua autoestima.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Os bibliotecários (as) são agentes educadores, que tem como função principal
intermediar a informação junto ao usuário. Nessa perspectiva, podemos ressaltar a ampla

3222

�responsabilidade que o profissional da informação possui. Todo bibliotecário (a) deve
desenvolver habilidades para ser proativo sensível à realidade sociocultural que o cerca e
refletir sobre os seus valores ocupacionais. O perfil do bibliotecário (a) bem como suas
características e suas necessidades de mudança é um tema que estará sempre em discussão.
Neste sentido, podemos afirmar que o perfil do profissional está no próprio indivíduo e a
maneira de como se vê e como os outros veem. Torna-se uma questão pessoal por isso
impossível de ser transmitida e transferida como se existissem uma fórmula certa de se vestir
e uma lista de critérios e combinações a serem seguidas.
Em nossa profissão, a existência das normas é de suma importância para que existam
padrões e métodos. Diferentemente na vida pessoal do bibliotecário (a) no qual pode ser
confundido com sua prática diária de trabalho aplicado às regras, métodos e padrões,
comparando-nos aos códigos internacionais padronizados, umas das principais fontes de
trabalho. Pertencemos à geração contemporânea, ainda somos metódicos e padronizados.
Somos uma mistura de praticidade, teoria e habilidades.
Com os resultados obtidos pela pesquisa por meio das respostas podemos verificar
que ainda nos dias atuais o bibliotecário (a) ainda é visto como uma pessoa de meia a terceira
idade faixa etária dos 35 aos 58 anos. Isso nos faz refletir nas inversões de conceitos sobre o
estereótipo do bibliotecário (a) por meio da mídia massiva apresentadas pelos meios de
comunicação em alguns programas televisivos como os filmes, seriados, novelas o
personagem do bibliotecário (a) aqui especificadamente do gênero feminino, tinha uma forte
tendência negativa. Na maioria, destacava adereços que identificava como: coques no cabelo,
óculos de grau, roupas antigas entre outros. Características psicológicas como pessoas
introvertidas, tímidas, ainda tais características, sem dúvida reafirma o estereótipo que
personifica o profissional bibliotecário (a) ainda permanecem com as pessoas. Com esta
pesquisa podemos afirmar que a visão negativa do Bibliotecário (a) e/ou profissional da
informação está cada dia menos, e que os jovens bibliotecários (as) estão mudando os
conceitos negativos impostos pela sociedade tanto em seu estereótipo quanto ao que diz
respeito ao velho, atrasado e desatualizado por jovem, atuais e capazes.

6 REFERÊNCIAS
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                <text>Neste trabalho buscamos observar como os bibliotecários (as) são compreendidos pelos usuários de bibliotecas universitárias federais. O estudo foi realizado em duas bibliotecas universitárias, na região norte, Universidade Federal do Tocantins (UFT). E na região centro oeste, Universidade Federal de Goiás (UFG). A metodologia utilizada possui uma abordagem pelo método quantitativo (survey) e qualitativo. Para a coleta de dados foram aplicados questionários nas respectivas bibliotecas das instituições (UFT) e (UFG). A amostra foi composta por seis perguntas fechadas, as perguntas compõem uma relação direta sobre a profissão do bibliotecário (a) bem como as características sobre o seu perfil, relacionado à construção da autoimagem do bibliotecário universitário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CRITÉRIOS PARA A QUALIFICAÇÃO DE OBRAS RARAS DA BIBLIOTECA DE
DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS - RS

Aline Herbstrith Batista
Leda Cristina Peres Lopes

RESUMO
O presente trabalho tem como principal objetivo esclarecer o que realmente é uma obra ou
livro raro, usando para isso autores que escrevem sobre o assunto em questão. Traz uma
discussão com relação aos critérios de raridade bibliográfica utilizados por algumas
instituições brasileiras, questionando a inexistência de uma política nacional de qualificação
de obras raras. Utiliza a Biblioteca de Direito da Universidade Federal de Pelotas, mais
especificamente sua “Sala de obras raras”, para um estudo de caso com relação ao acervo
constante nesta sala, se são raros ou somente antigos, trazendo dados específicos relacionados
a esse acervo, como critérios de raridade, idioma das obras, idade, estado de conservação,
entre outros aspectos pertinentes ao estudo.
Palavras-chave: Obras raras; Preservação de acervos; Patrimônio histórico-cultural;
Memória social.
ABSTRACT
The present work has as main objective to clarify what is a rare book, to understand such
subject it is used authors who write about it. This dissertation brings a discussion regarding to
the criteria of bibliographical rarity used by some Brazilian institutions, questioning the lack
of a national qualification of rare works. Using the Law Library of the Universidade Federal
de Pelotas, especially its “Rare books room” for a case study with the collection contained in
this space, if it is rare or just old, bringing specific data related to this collection, as a rarity
criteria, work language, age, condition, among other relevant data to this study.
Keywords: Rare works. Collection preservation; Historic and cultural heritage; Social
memory.

1 INTRODUÇÃO
Este trabalho, intitulado “Conceitos e critérios para a qualificação de obras raras da
Biblioteca de Direito da Universidade Federal de Pelotas” trata de um estudo realizado na
Biblioteca Professor José Júlio de Albuquerque Barros, a Biblioteca de Direito da
Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

2459

�A partir de experiências profissionais, verificamos a importância dada pelos
pesquisadores ao material antigo, e o que mais chamou a atenção foi a dificuldade de acesso a
esse material, tendo em vista a sua deterioração e a sua inexistência, em virtude de muitas
vezes ter sido descartado.
Através de levantamento realizado nas bibliotecas componentes do Sistema de
Bibliotecas (SisBi) da UFPel, chamou-nos a atenção na biblioteca de Direito uma sala
denominada "sala de obras raras". A biblioteca possui obras apresentadas como raras, porém
não existe nenhum manual, nem critérios específicos para qualificação das mesmas como tal,
nada que especifique o porquê de possuírem essa denominação. São aproximadamente 2000
exemplares, abrangendo as áreas de Direito, Sociologia e Filosofia, entre outras áreas, que
necessitam de uma avaliação.
Trabalhamos por um período com parte do acervo dessa sala, onde fizemos o
fichamento técnico das obras e também um diagnóstico do material, com especificações das
encadernações, do corpo do livro e do estado de conservação. Dessas obras foi elaborado um
catálogo, por meio de fichas e fotos, com todos os materiais datados até 1840, totalizando 151
(cento e cinquenta e uma) obras.
Na segunda parte do estudo sobre esse acervo, o objetivo foi avaliar essas 151 obras,
enquadrando-as em seus respectivos critérios de raridade, e também distinguir as que são
apenas antigas e não apresentam nenhum indicador de raridade.
Através de leituras específicas e do estudo e comparação dos critérios de qualificação
de obras raras de diversas instituições, pretendeu-se criar políticas para a qualificação de
obras raras, não só da biblioteca de Direito, mas de todas as bibliotecas componentes do SisBi
- UFPel, e também para preservação e conservação destes materiais. É importante ressaltar
que muitas das obras que não se enquadram como raras fazem parte da memória da referida
Faculdade.
Toda instituição que possui acervos de obras raras precisa formular uma política
própria e adequada às suas necessidades, para definição das características particulares que os
livros de determinada área devem possuir para serem considerados raros. A tarefa de
qualificar obras raras da área jurídica é um desafio ainda maior, pois baseia-se em critérios de
raridade já existentes em outras bibliotecas, que qualificam obras raras no geral, não em áreas
específicas.
É necessário possuir certos conhecimentos para distinguir obras “antigas” de obras
“raras”:

2460

�Um livro não é valioso porque é antigo e, provavelmente, raro. Existem
milhões de livros antigos que nada valem porque não interessam a ninguém.
Toda biblioteca pública está cheia de livros antigos, que, se fossem postos à
venda, não valeriam mais que o seu peso como papel velho. O valor de um
livro nada tem a ver com a sua idade. A procura é que torna um livro
valioso. O que o torna procurado é ser desejado por muita gente, e o que o
faz desejado é um conjunto de fatores, de particularidades inerentes a cada
obra. (MORAES, 1998, p.64)

Não existe uma fórmula para identificar livros raros, o que existe são características
que os diferenciam dos demais. Apenas caracterizá-lo por sua antiguidade não é o ideal, já
que o conceito de livro raro é bem mais abrangente. Nas bibliotecas, geralmente o que é
levado em conta é a importância histórica da obra e de seu conteúdo.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Na hora de classificar uma obra rara, o bibliotecário deve levar em conta,
principalmente, os aspectos históricos, culturais e patrimoniais. Para Carteri (2005), “O livro
raro oferece aos membros da área patrimonial uma problemática complexa e específica, visto
não existirem no Brasil leis que determinem diretrizes para o estabelecimento da raridade de
um livro e a ausência destas interferem na atuação dos profissionais interessados neste
documento, mas não impedem que o mesmo receba a atenção destes”.
Os livros, sejam eles antigos ou raros, são considerados documentos representativos da
memória de um país, e devem ser considerados como patrimônio histórico e cultural, um
patrimônio literário e intelectual da região, representativo da memória regional, nacional e
mundial. Eles mantêm a memória do passado, pois refletem a comunidade e os indivíduos em
determinados períodos da história. O registro destas ideias dá um sentido real de existência ao
homem.
Raro é aquilo que é tratado sob esta acepção em qualquer lugar - o que é
raro no Brasil, também é na América do Norte, na Europa, na Ásia. Único
remete a idéia de “exemplar único conhecido”, relevando-se a existência de
acervos potencialmente raros, não identificados, em bibliotecas, arquivos e
museus, guardiães de livros [...] Precioso abrange noções de posse e
identidade. Cada curador de acervo deve encarregar-se de acumular aquelas
coleções que, em princípio, seriam de sua exclusiva competência, em
função da missão da pessoa (física ou jurídica) que representa. Por
exemplo: compete ao bibliotecário de um banco captar e armazenar todos os
títulos referentes à história daquele banco, de seus fundadores, de seus
acionistas - que são, por isso, preciosos - [...] (PINHEIRO, 2004)

Existem muitas divergências quanto à definição de raridade bibliográfica e guarda de
livros raros, principalmente entre bibliotecários e colecionadores. Ambos reconhecem o valor

2461

�histórico de uma obra antiga, mas os colecionadores não se baseiam na antiguidade da obra
para sua caracterização, já os bibliotecários e as bibliotecas referem-se à data como um dos
principais critérios de raridade, acrescido de critérios utilizados por outras bibliotecas.
Existem, portanto, padrões internacionais de definição do que seja uma
raridade bibliográfica que se valem do princípio de que todos os livros
publicados de forma artesanal merecem ser considerados raros. Assim,
a utilização da data de publicação como um critério de demarcação não
é feito por uma questão “puramente cronológica”, mas está baseada em
um fato historicamente dado (a mudança nos meios de produção); por
motivos de simplificação essa data foi estabelecida como sendo o ano
de 1801. Entretanto, os responsáveis por bibliotecas públicas ou outras
instituições mantidas pelo Estado não podem identificar uma obra como
rara levando em conta apenas seu caráter histórico ou cronológico.
Cada instituição que mantém acervo de obras raras precisa criar uma
política própria para a definição das características particulares que os
livros devem possuir para que sejam considerados raros. (SANT’ANA,
2001, p.8)

Através desse material, é possível estudar as origens do conhecimento contemporâneo,
a partir de várias ideias e saberes, além da relação que tais saberes sustentavam com as
sociedades da época.
Os livros raros demonstram, através de sua leitura, o pensamento de intelectuais que
disseminaram as primeiras teorias do conhecimento que temos hoje. Conforme Pinheiro
(2004), o conceito de livro raro é uma questão que atormenta os pesquisadores da área, devido
aos precedentes citados:
1) É impossível pré-determinar as características de um livro raro,
porque cada livro é um universo restrito de manifestações culturais originais e acrescentadas; 2) É difícil discernir sobre características
postas em evidência, quando se tenta provar a raridade de um livro - os
argumentos são frágeis, baseados no “inquestionável” pressuposto da
antiguidade. (PINHEIRO, 2004)

O

uso de critérios de avaliação, para distinção de obras raras das demais, leva em

conta o fato de as mesmas merecerem um tratamento diferenciado, devido à dificuldade de
obtenção dos exemplares e seu alto valor histórico.
Por tradição, no Brasil, a biblioteca de livros raros é múltipla,
partilhável, partitiva e segmentária. É lugar-comum, no país, que parte
de uma biblioteca constitua outra e mais outra e tantas outras
bibliotecas quanto curadores e autoridades guardiãs julgarem
necessário. A biblioteca de livros raros no Brasil é múltipla (abrange
objetos diferentes), porque é a soma de muitas coleções, assemelhadas e
diversas, representativas de opiniões e ideologias, de crenças e

2462

�descrenças, de verdades e mentiras. A biblioteca é partitiva (parte de
um todo), partilhável (divisível em partes) e segmentária (formada de
muitos segmentos) porque seu manifesto caráter múltiplo evidencia a
possibilidade de subtração de coleções, que vão formar outras
bibliotecas. (PINHEIRO, 2004)

Sant’ana (2001) indica a possibilidade de existência de dois níveis de critérios de
raridade: primeiramente, um nível mais restrito, reservado para obras que são consideradas
raras em qualquer parte do mundo; e um segundo nível, mais amplo, englobando obras com
aspectos particulares, de interesse específico de uma biblioteca, como obras de juristas da
instituição.
Pinheiro (1989) sugere uma divisão mais técnica, na qual o primeiro nível englobaria
as obras raras propriamente ditas; no segundo nível, estariam as obras “preciosas”, que
abrangem a noção de posse e identidade, pois a biblioteca possuidora de uma coleção de obras
raras tem a dupla missão de preservar a obra e ao mesmo tempo garantir o acesso às
informações contidas nela, e ao mesmo tempo garantir o acesso às informações contidas nela,
pois a preservação deve atingir não apenas o suporte, mas também a informação.
A biblioteca de livros raros no Brasil é um lugar onde o livro está preso, onde só é
permitido vê-lo, mas nunca tocá-lo. Ora, o livro raro não é só para ler, e sim para ser
analisado como monumento e como documento, em suporte e informação.
Geralmente, são considerados livros raros brasileiros todas as primeiras edições de
autores consagrados no século XIX, ou impressões do período da regência de D. João VI e do
Primeiro reinado, ou ainda exemplares com alguma particularidade, por exemplo, com
autógrafo do autor do livro, obras em tiragens reduzidas, impressões em papéis especiais,
entre outros.
No Brasil, foi criado pela Biblioteca Nacional o PLANOR - Plano Nacional de
Recuperação de Obras Raras, através da Portaria n. 19, de 31 de outubro de 1983, que tem
como objetivos: identificar, coletar, reunir e disseminar, através da Fundação Biblioteca
Nacional, informações sobre acervos raros existentes no Brasil; fornecer orientações sobre
procedimentos técnicos na identificação, organização, tratamento técnico e gestão desse
patrimônio, conforme normas adotadas pela Fundação Biblioteca Nacional; prestar assessoria
técnica a outras instituições com a finalidade de orientar quanto à organização e preservação
de acervos raros existentes no país, além de desenvolver programas de formação e
aperfeiçoamento de mão de obra especializada.
A atribuição de critérios de raridade para distinguir as obras valiosas ou raras das
demais se relaciona ao fato de que as obras raras merecem um tratamento diferenciado,

2463

�devido à dificuldade de se obter exemplares e também ao seu valor histórico e estético.
Existem muitas características que levam um livro a ser considerado raro, mas
devemos levar em consideração alguns aspectos que são de grande relevância.
A determinação de critérios para enfoque de raridade bibliográfica nas
bibliotecas brasileiras implica na abordagem do caráter bibliológico das
obras e na ênfase da influência social, econômica e cultural, sofrida por
todas as autoridades que contribuíram na elaboração física e intelectual de
uma obra. A análise desses critérios deve ser realizado, no mínimo, sob uma
das seguintes perspectivas: a) do bibliotecário, em face de um acervo
antigo; b) a do gerente da instituição, perante um acervo que desconhece e
considera “valioso”, por constituir parte da história e da instituição; e c) a
do usuário, que sistematiza as perspectivas anteriores. (PINHEIRO, 1989,
p.21)

Segundo Pinheiro (1989), para a elaboração de uma metodologia devem ser levados
em conta alguns aspectos: limite histórico, aspectos bibliológicos, valor cultural, pesquisa
bibliográfica e características do exemplar. Os dois primeiros aspectos abarcam todo o
material que em geral é considerado raro; já nos outros, aparecem peculiaridades que
dependerão de análise detalhada para uma correta indicação de raridade.
No limite histórico, devemos, através da idade cronológica, levar em conta a aparição
da imprensa nos diversos lugares do mundo, bem como os períodos que caracterizam a
produção artesanal de impressos.
1 Limite histórico: 1.1 todo o período que caracteriza a produção
artesanal de impressos - demarcado com as principais datas da
evolução tecnológica do livro: do século XV, princípio da história
da imprensa, até antes de 1801, marco do início da produção
industrial de livros; 1.2 todo o período que caracteriza a fase inicial
da produção de impressos em qualquer lugar - por exemplo, o
século XIX, quando foram publicados os primeiros “incunábulos”
brasileiros, com a criação da Imprensa Régia; 1.3 todo o período
que caracteriza uma fase histórica, demarcada em função do
conjunto bibliográfico (âmbito, objetivo, utilização, assunto, etc.)
e/ou do interesse do colecionador - por exemplo, uma coleção de
primeiros números de diversos jornais. (PINHEIRO, 1989, p.29­
30).
Pinheiro (1989) lembra que o limite histórico é demarcado pelas principais datas da
produção artesanal do livro, do século XV até antes de 1801 e, no Brasil especificamente, do
século XIX, quando foram realizadas as primeiras impressões, devido à criação da Imprensa
Régia. Indica também que o limite histórico pode ser definido considerando o “período que
caracteriza a fase inicial da produção de impressos em qualquer lugar”.

2464

�Os aspectos bibliológicos consistem em observar os materiais utilizados na confecção
do suporte da impressão, como o tipo de papel, emprego de pedras ou materiais preciosos na
encadernação, ilustrações produzidas artesanalmente etc.
2 aspectos bibliológicos dos volumes produzidos artesanalmente,
independente da época de publicação: 2.1 beleza tipográfica - obras
graficamente artísticas; 2.2 natureza e características dos materiais
utilizados como suporte na impressão, tais como: papel de linho,
pergaminho, marcas d’água, tintas, encadernações originais
luxuosas, edições de luxo; 2.3 ilustrações, desde que reproduzidas
por métodos artesanais, não mecânicos, tais como: xilogravura,
água forte, aquarela, etc. (PINHEIRO, 1989, p.30).

O valor cultural é o mais usual, com maior ocorrência, observando as publicações
personalizadas, censuradas, expurgadas, primeiras edições, publicações em pequenas tiragens
etc.
3 valor cultural. 3.1 edições limitadas e esgotadas, especiais e facsimilares, personalizadas e numeradas, críticas, definitivas e
diplomáticas; 3;2 os assuntos tratados a luz da época em que foram
pensados e escritos: - obras científicas que datam do período inicial
de ascensão daquela ciência; - histórias de descobrimentos e de
colonização; - teses; - obras impressas em circunstâncias pouco
convenientes a esta arte, tais como guerra, seca, fome..; - memórias
históricas de famílias nobres e usos e costumes; - edições
censuradas, interditadas e expurgadas; - obras “desaparecidas”, face
às contingências do tempo e da sorte; - edições contrafeitas e
emissões; - edições príncipes, primitivas e originais; - edições
populares, especialmente romances e folhetos literários, panfletos,
papéis impressos, folhas volantes, etc.; 3;3 edições de artífices
renomados e/ou considerados na história das artes que representam,
tais como tipógrafos, impressores, editores, desenhistas, pintores,
gravadores, etc.; 3.4 edições de clássicos, assim considerados nas
histórias das literaturas específicas. (PINHEIRO, 1989, p.30-31).

A pesquisa bibliográfica consiste na utilização de dicionários e enciclopédias
bibliográficas especializadas nesse tipo de publicação, os quais apontam peculiaridades das
obras, como preciosidade e raridade.
4 pesquisa bibliográfica 4.1 nas fontes de informação
bibliográficas, que vão apontar os seguintes caracteres da
obra/exemplar: a) unicidade e rareza, sob o ponto de vista de
bibliógrafos, bibliófilos e de especialistas no assunto da obra - há
que se considerar aqui, apenas, a classificação de uma
obra/exemplar com o epíteto de única, como rara; e não com o de
“única conhecida”; esta característica deve estar bem fundamentada
em bibliografias de mérito reconhecido; b) preciosidade e

2465

�celebridade, referindo-se àquelas obras mais procuradas por
bibliófilos - por quaisquer razões - e/ou mais estudadas por
eruditos; c) curiosidade - referindo-se àquelas obras em que o
assunto foi tratado de maneira “sui generis” ou de apresentação
tipográfica incomum; 4.2 nas fontes de informação comerciais, que
vão avaliar, em espécie, cada unidade bibliográfica - o preço passa
a ser indicador de “raridade”. (PINHEIRO, 1989, p.31-32).

As características do exemplar implicam observar as particularidades de cada um,
como autógrafos e dedicatórias de pessoas importantes, como o próprio autor, marcas de
propriedade, carimbos, entre outros. Conforme Pinheiro (1989), nesta categoria encaixam-se
aqueles elementos incluídos no exemplar depois de sua publicação.
5 características do exemplar - referindo-se aqueles elementos
acrescentados a unidades bibliográficas em período posterior a sua
publicação: 5.1 marcas de propriedade: ex-libris1, super-libris2,
assinaturas, indicando que aquele exemplar pertenceu a um
conjunto bibliográfico de personalidade famosa e/ou importante,
marcas de fogo; 5.2 marcas de artífices/comerciantes renomados
e/ou considerados no mercado livresco, tais como encadernadores,
restauradores, livreiros, etc.; 5.3 dedicatórias de/a personalidades
famosas e/ou importantes. (PINHEIRO, 1989, p.32).

São diversos os critérios relacionados às características do exemplar, entre eles
aparecem exemplares assinados/rubricados pelo autor, obras pertencentes a bibliotecas de
personagens importantes/célebres, com anotações manuscritas de importância (inclusive
dedicatórias.
Pinheiro (1989, p.29) conclui que “a melhor das metodologias é aquela desenvolvida
pela mesma Instituição que guarda o acervo, por seus responsáveis, especialistas e usuários”.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Nesta sala existiam mais de 2000 obras, mas devido ao pouco tempo para a realização
deste trabalho, optamos por catalogar as obras datadas até 1840. Foi realizada uma análise
minuciosa, obra por obra, para que as anteriores a 1840 fossem retiradas de junto das demais.
Após essa separação foi realizada uma limpeza nesse material, e foram colocados em uma
estante separada dos demais, totalizando 151 obras. Todas foram fotografadas, catalogadas,
fichadas e analisadas quanto ao estado de conservação, com especificações das principais
deteriorações encontradas, para que se possa criar futuramente uma proposta de preservação
desse acervo. Após a análise de todo o material, foi realizada a distinção entre as que são
obras raras e as que são somente antigas, propondo que estas últimas sejam incorporadas aos
demais setores da biblioteca.

2466

�Após esse trabalho de separação e higienização do acervo foi realizado um
levantamento bibliográfico em busca de critérios para a identificação de obras raras, através
da verificação nas bibliotecas sobre a existência ou não dessas obras e os critérios utilizados
para tal qualificação.
Inicialmente, a proposta era avaliar as obras raras, já que o local onde estavam às obras
era chamada de “Sala de Obras Raras”. Após alguns dias de pesquisa no acervo, pudemos
perceber, analisando os critérios de qualificação de obras raras da Biblioteca Nacional e de
outras bibliotecas universitárias, que nem todas as obras que estavam ali poderiam ser
consideradas raras, exceto pelo critério de obras publicadas antes de 1900, já que a maioria
delas é anterior a essa data.
Depois de algumas pesquisas e conversas com alguns professores do curso,
concluímos que essas obras são raras ou valiosas para o curso de Direito da UFPel, devido a
sua importância histórica para o curso, já que foram doadas para que a biblioteca da
Faculdade pudesse funcionar.
É importante enfatizar que todo esse acervo foi adquirido através de doações feitas
pelos fundadores e professores da Faculdade, entre eles Fernando Luís Osório, José Júlio de
Albuquerque Barros, Francisco José Rodrigues de Araújo, Francisco Carlos de Araújo
Brusque, entre outros que constam no livro de registros da Faculdade.
Após a leitura de vários textos, seguindo as orientações de Pinheiro (1989), e maiores
esclarecimentos sobre critérios de qualificação de livros raros, e também depois de termos
feito uma avaliação do material encontrado na “Sala de obras raras”, elaboramos, de acordo
com a situação, critérios a serem usados para a qualificação de livros raros a serem adotados
pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Pelotas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Através da análise das obras, foi possível perceber que as mais antigas encontradas na
biblioteca são de 1770: trata-se de uma coleção de nove volumes sobre direito canônico,
publicada em Lyon, na França, pela Editora Chez Jean-Marie Bruyset (FIG.1), de autoria de
M. Durand, intitulada “Institutes du droit canonique”. A maioria destes volumes encontra-se
num estado de conservação regular, com algumas deteriorações causadas principalmente por
agentes biológicos, além de estarem bastante sujos e manchados.

2467

�Figura 1 - Obra publicada em 1770, em Lyon, na França, tratando sobre direito canônico,
localizada na Biblioteca de Direito da UFPel.

Fonte: Foto das autoras, em 27 mar. 2008.

Das 151 obras catalogadas, 27 são do século XVIII, ou seja, enquadram-se no critério
do limite histórico, que aborda obras anteriores ao século XIX, critério esse recorrente em 9
(nove) das 12 (doze) instituições pesquisadas. Dessas, 10 (dez) são do ano de 1770 e 17
(dezessete) de 1795.
Através do fichamento das obras podemos obter a informação de que a maioria delas
foi publicada entre 1821 e 1830, conforme mostra o gráfico.

Figura 2 - Período do acervo estudado

Legenda:
1- 1770 - 1780
2 1781 - 1790
3 - 1791 - 1800
4 - 1801 - 1810
5 - 1811 - 1820
6 - 1821 - 1830
7 - 1831 - 1840

Fonte: Dados tabulados pelas autoras.

2468

�Também com relação ao limite histórico, foram citadas anteriormente as obras
impressas no Brasil no século XIX como sendo raras. A Biblioteca possui 3 (três) obras, das
estudadas, relacionadas a esse critério, todas impressas no Rio de Janeiro.
Das 151 obras estudadas, 14 (quatorze) são da Imprensa Régia, sempre contendo a
indicação “Com licença” (FIG.15). Algumas das outras obras também possuem essa
descrição, e outras, como algumas publicadas em Lisboa pela Typographia Hollandiana,
trazem a descrição “Com licença da Mesa do Desembargo do Paço”, conforme a figura 16.

As publicações feitas por conta do autor traziam... a menção: “Com licença
de S.A.R.”, ou simplesmente “Com licença”. A licença era dada depois do
exame da obra pelos censores nomeados pelo governo. Mais tarde a censura
passou para o Desembargador do Paço. Nesses casos os impressos traziam a
menção “Com licença do Desembargo do Paço”. (MORAES, 2006, p.119)

Quanto aos critérios de aspectos bibliológicos e pesquisa bibliográfica, não foram
encontradas obras nesse acervo.
A figura abaixo refere-se ao critério de raridade de valor cultural, pois pertenceu ao
Dr. Araújo Brusque, explicitado através de carimbos e assinaturas. Das 151 obras estudadas,
50 possuem sua marca de propriedade.

Figura 3 - Obra da coleção do Dr. Araújo Brusque, com marcas de propriedade, localizada na
Biblioteca de Direito da UFPel.

27/ 03/2008

Fonte: Foto das autoras, em27 mar. 2008.

2469

�A figura 4 se encaixa no critério de raridade de características do exemplar, pois tratase de obra com anotações manuscritas de importância documental, doada à biblioteca por
Fernando Luís Osório, um dos fundadores da Faculdade de Direito da UFPel, que proferiu a
primeira aula na instituição, além de ser um grande historiador pelotense. A obra possui sua
assinatura.

Figura 4 - Obra doada por Fernando Luis Osório à Biblioteca de Direito da UFPel.

Fonte: Foto das autoras, em27 mar.2008.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Muitos são os critérios para avaliar os livros e dizer se são raros ou não. Mesmo que
estejam baseados em um trabalho prático de avaliação do acervo, é necessário que os
bibliotecários e outros profissionais da área estejam preparados para classificar o que
realmente seria uma obra rara.
Nas bibliotecas jurídicas, essa tarefa é mais difícil de realizar, pois fica complicado
decifrar o que seria uma obra jurídica rara, devido à grande quantidade de publicações nessa
área. Nesse caso, a maior preocupação é preservar as obras de grandes juristas, estudiosos das
leis e as constituições, pois elas não são utilizadas apenas para julgar, mas para a busca de
embasamento teórico no pensamento de juristas renomados.
O ideal é que toda biblioteca, seja ela jurídica ou não, tenha um espaço, uma estante
ou até mesmo uma prateleira, para que as obras raras sejam armazenadas adequadamente.
Para que haja essa adequação, é preciso que as pessoas se conscientizem da importância de

2470

�preservar e conservar esse material, através da elaboração de uma metodologia específica,
com critérios de conservação.
Depois de analisarmos os critérios de qualificação de livros raros de outras
instituições, foram elaborados os critérios a serem utilizados pela UFPel, a saber:
Critérios relacionados ao limite histórico:
- Primeiras edições de obras publicadas no Brasil ou no exterior até o final do século
XIX (1899);
- Teses defendidas até o final do século XIX.
Critérios relacionados aos aspectos bibliológicos:
- Edições de luxo;
- Edições de formato não convencional (poucos usuais);
- Livros artísticos com ilustrações originais.
Critérios relacionados ao valor cultural:
- Edições clandestinas;
- Edições limitadas;
- Obras esgotadas;
- Edições personalizadas;
- Edições censuradas;
- Edições comemorativas;
- Obras apreendidas, recolhidas ou suspensas;
- Obras impressas em circunstâncias desfavoráveis (período de guerra, seca etc);
- Edições de personalidades de projeção política, científica, literária e religiosa;
- Edições com tiragens reduzidas;
- Obras de autores regionais;
- Produção do corpo docente da Universidade;
- Trabalhos monográficos elaborados por personalidades importantes;
- Edições de clássicos, em suas literaturas específicas.
- Obras pertencentes a bibliotecas de personagens ilustres.
Critérios relacionados à pesquisa bibliográfica:
- Obras que apareçam em fontes de informação como sendo raras.
Critérios relacionados às características do exemplar:
- Exemplares assinados pelo autor;
- Exemplares com anotações manuscritas, incluindo dedicatórias;
- Exemplares autografados por pessoas de reconhecida projeção.

2471

�Os acervos raros necessitam de mais atenção, talvez através de uma lei específica, que
determine seu tratamento técnico e conceitual, em que sejam estabelecidos critérios para sua
qualificação e reconhecimento como tal, evitando assim práticas equivocadas com relação a
esses materiais, visando à preservação do livro raro como patrimônio histórico-cultural.
Já que ainda não existem critérios de raridade estáticos e iguais para todos os acervos,
cabe a cada instituição relacionar, registrar, divulgar, compartilhar e, principalmente, elaborar
critérios para seus acervos, de acordo com a sua missão, objetivos e características. As
pessoas precisam eliminar a ideia de que livros antigos são obsoletos e que devem ser jogados
fora. O bibliotecário, e também outros profissionais que atuam nessa área, devem ter a
consciência de sua responsabilidade em preservar esses bens. Para que isso ocorra, é
necessário que conheçamos detalhadamente esses materiais e seus conteúdos, afinal, não se
valoriza ou se guarda o que é desconhecido.

6 REFERÊNCIAS
CARTERI, Karin Kreismann. O livro raro e os critérios de raridade. Revista Museu, Rio de
Janeiro,

2005.

Disponível

em:

&lt;&lt;http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art .asp?id=5484&gt;&gt;. Acesso em: 23 abr. 2014.
MORAES, Rubens Borba de. O bibliófilo aprendiz. 3.ed. Brasília: Briquet de Lemos, 1998.
______. Livros e bibliotecas no Brasil colonial. 2.ed. Rio de Janeiro: Briquet de Lemos,
2006.
PINHEIRO, Ana Virgínia. Livro raro: antecedentes, propósitos e definições. Publicado em
14 out. 2004. Disponível em: http://conhaquenocemiterio.blogspot.com.br/2010/04/livro-raroantecedentes-propositos-e.html. Acesso em: 19 mar. 2014.
______. Que é livro raro?: uma metodologia para o estabelecimento de critérios de raridade
bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença, 1989.
RODRIGUES, Márcia Carvalho. Como definir e identificar obras raras?: critérios adotados
pela Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul. Ciência da Informação, Brasília,
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&lt;&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v35n1/v35n1a12.pdf&gt;&gt;. Acesso em: 12 mar. 2014.
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2472

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Documentação&#13;
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                <text>O presente trabalho tem como principal objetivo esclarecer o que realmente é uma obra ou livro raro, usando para isso autores que escrevem sobre o assunto em questão. Traz uma discussão com relação aos critérios de raridade bibliográfica utilizados por algumas instituições brasileiras, questionando a inexistência de uma política nacional de qualificação de obras raras. Utiliza a Biblioteca de Direito da Universidade Federal de Pelotas, mais especificamente sua ―Sala de obras raras‖, para um estudo de caso com relação ao acervo constante nesta sala, se são raros ou somente antigos, trazendo dados específicos relacionados a esse acervo, como critérios de raridade, idioma das obras, idade, estado de conservação, entre outros aspectos pertinentes ao estudo. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PERFIL DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO E A SUPERVISÃO TÉCNICA DE
SEÇÃO: UM ESTUDO DE CASO DA UNESP
Ana Carolina Gonçalves Bet
Roniberto Morato do Amaral
RESUMO
Um dos desafios inerentes à gestão do setor de processamento técnico de uma biblioteca
universitária perpassa pelo modo e consequente desdobramento da função de chefia em
relação à equipe de trabalho. Nessa perspectiva, esta pesquisa teve como objetivoa
identificação e análise do perfil de liderança do profissional bibliotecário no desempenho da
função de supervisor técnico de seção de uma biblioteca universitária. O método de pesquisa
utilizado foi o estudo de caso e a unidade caso foi a Universidade Estadual Paulista “Júlio de
Mesquita Filho” - UNESP, foram aplicados questionários a três supervisores da Seção
Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação - STATI de campi distintos. Como
resultado foi constatado que a literatura e a pesquisa empírica são correlatas, de modo que a
organização é uma das competências primordiais à função de supervisão que implica na
constituição do conceito de perfil equilibrado. Conclui-se que o perfil de liderança medeia
entre atributos inatos ao indivíduo bem como a formação técnico-cientifica especifica à
função biblioteconômica.
Palavras-Chave: Gestão em unidades de informação; Perfil de liderança; Processamento
técnico; UNESP;
ABSTRACT
One of the inherentchallenges of managingan university library’s technical processing
department go through the way and consequent deployment of the manager
functionconcerning the staff. In this perspective, this research turns to the identification and
analysis of the professional librarian leadership profile performing the task of technical
section supervision in an university library. The research method used was the case study in
theUniversidadeEstadualPaulista " Julio de MesquitaFilho” - UNESP, where was applied
some questionnaires to three Information Treatment and Acquisition Technical Section
supervisors, in distinct units. As a result it was found that the empirical research and literature
are correlated, in a way that the “organization” is one of the primordial characteristic to the
supervision function, which implies in the constitution of the balanced profile concept. We
conclude that the leadership profile mediates between innate attributes to the subject as well
as the technical- scientific specific formation to the library science function.
Keywords:Managementof informationunits; Leadership profile; Technical processing;
UNESP;

3225

�1 INTRODUÇÃO
O contexto atual das bibliotecas universitárias compreende várias mudanças
tecnológicas e sociais, em especial na atuação dos bibliotecários no papel de gestor junto a
função biblioteconômica de tratamento técnico. Novas demandas e necessidades determinam
os rumos da gestão das bibliotecas universitárias: o compartilhamento e reuso da informação,
a complexidade do tratamento técnico, a gestão de novos suportes e o acesso à informação
demandada pela comunidade acadêmica, entre outras. Diante desse contexto algumas
questões podem ser levantadas: existe um perfil para o profissional bibliotecário desempenhar
a função de Chefia? Alguns pesquisadores se dedicaram à temática da gestão em bibliotecas,
sobre diversos aspectos. Porém, na literatura que versa sobre a atuação do bibliotecário no
contexto das bibliotecas universitárias (VALENTIM, 2000; 2002; 2004; SOUTO, 2005;
SANTOS, 2000; SILVA, 2005; RUCHEL, 2010) não abordam o perfil de liderança do
bibliotecário gestor na função biblioteconômica de tratamento técnico. Conhecer o perfil de
liderança do bibliotecário e a sua atuação profissional como gestor poderá contribuir para a
melhoria dos serviços prestados à comunidade acadêmica, para a eficiência e eficácia dos
processos de trabalho da biblioteca, e ainda, para o desenvolvimento profissional dos
indivíduos que atuam como gestores. Assim, o objetivo geral desta pesquisa consistiu na
identificação e análise do perfil de liderança do bibliotecário que atua como gestor na função
de supervisor do setor de tratamento técnico, no contexto das bibliotecas universitárias. Dessa
forma, esta pesquisa justifica-se por fornecer alguns subsídios teóricos e práticos que
possibilitam ampliar o conhecimento sobre o perfil de liderança do bibliotecário na atuação da
função de gestor. Os resultados aqui alcançados podem contribuir para a melhoria dos
serviços prestados à comunidade acadêmica, para a eficiência e eficácia dos processos de
trabalho na biblioteca, e ainda, para o desenvolvimento profissional dos indivíduos que atuam
ou que pretendem atuar como gestores.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A atuação do bibliotecário em tempos de avanços das tecnologias de informação e
comunicação (TIC), principalmente diante da diversidade de usuários, demandas e serviços de
informação, não se converte em um mero disseminador da informação, de modo que esse
contexto exige do bibliotecário, além de atuar nas atividades técnicas, a atenção ao exercício
de atividades, que envolvam a administração, bem como a gerência de setores da biblioteca.
Segundo Bergue (2010, p. 17) o termo gestão pode ser compreendido como sinônimo
de administração, um processo complexo que compreende as seguintes atividades: 1)

3226

�planejamento: consiste na organização de ações conscientes voltadas à definição das
prioridades de execução de um ou vários objetivos); 2) organização - envolve o
estabelecimento da estrutura organizacional; 3) direção: visa implementar e conduzir formas
eficientes para a execução do planejamento e; 4) controle: realiza a verificação dos resultados
do planejamento, também podem compreender ações corretivas com a finalidade de alcançar
os resultados planejados ou previstos. Pinto; Gonzalés (2010, p.56) argumentam que a
administração de uma biblioteca exige do bibliotecário conhecimentos que possibilitem
exercer o papel de comando e a coordenação das atividades nela desenvolvidas.
No contexto organizacional das bibliotecas universitáriaso bibliotecário, na atuação
como gestor, tem a responsabilidade de desenvolver ações orientadas por uma filosofia de
relação com pessoasde forma a enaltecer o trabalho e dignificar o ser humano, em especial
por intermédio do exercício da liderança (CHIAVENATO, 1997; PINTO; GONZALÉS,
2010, p.56). Caso a atividade de liderança se converta em apenas o estabelecimento de
“ordens”, ou seja, delegar atividades, ignorando as expectativas e potencialidades individuais
e coletivas da equipe, o trabalho se constituirá de modo mecânico, o que acarretará prejuízos
para as relações interpessoais no ambiente de trabalho. Nesta perspectiva, duas tipologias de
liderança orientam as discussões propostas (MUNIZ 2004):
a) Perfil inato: refere-se a tudo o que é inerente ao indivíduo ou que está presente desde
o seu nascimento, o que é nato ou tão somente natural a alguma coisa ou alguém. Este
perfil compreende as características pessoais específicas do indivíduo, que viabilizamo
desempenho de sua função de gestão, e ainda, o diferencia dos seus liderados, tais
características não seriam passíveis de serem adquiridas por intermédio, por exemplo,
de treinamentos, a liderança seria uma habilidade inata ao indivíduo. No contexto
desta pesquisa, o perfil inato pode revelar algumas formas de lideranças, como por
exemplo: a) o “espírito” de liderança; b) tendência natural a tomar frente às situações
que envolvam a tomada de decisões e; c) objetividade (enquanto uma forma de
postura) nas decisões;
b) Perfil construído (científico):envolve a conscientização do aspecto cientifico da
gestão, procurando desfazer a concepção de chefia estabelecida sem embasamento
teórico, ou seja, a chefia de acordo com os desejos ou interesses particulares do gestor.
Nessa perspectiva Santos (2000, p. 113) argumenta que se faz necessário ao indivíduo
gestor “ser um especialista na área de conhecimento onde atua, conhecendo os
recursos informacionais disponíveis e as técnicas de tratamento da documentação e
demonstrando domínio das tecnologias mais avançadas.

3227

�A gestão de equipes, por sua vez, exige um cuidado especial, pois essa prática decorre
da relação entre diversos sujeitos e, com efeito, cada um deles possui suas características,
qualidades e limitações. Portanto, caberia ao profissional gestor estabelecer a mediação e a
flexibilidade no relacionamento em equipe, através de uma comunicação clara e embasada,
uma vez que a falha nesta pode desencadear desafetos e consequentemente gerar conflitos.
Outro aspecto fundamental para a gestão é o domínio dos conhecimentos técnicos necessários
para gerir o setor, certo que sob a orientação destes, as atitudes diante dos desafios cotidianos
estarão ancoradas em procedimentos científicos e não em devaneios ou delírios de grandeza
que o status do cargo pode fazer emergir no gestor despreparado. Assim, alguns problemas
circundam as duas perspectivas de perfis quanto a liderança. Um gestor convicto que o perfil
inato lhe garante todas as condições para atuar, pode incorrer suas decisões de modo
autoritário (ao faltar elementos que favoreçam a expressão das ideias), imediatista na tomada
de decisões, sem embasamento teórico e tão pouco atualizado. Em outro sentido, o gestor que
se orienta pelo modelo de perfil construído (científico), pode se converter em uma espécie de
“advogado de regras”, inflexível diante das normas e procedimentos burocráticos, assim as
determinações das atividades parecem mecânicas, com isso, apresenta certas dificuldades na
tomada de decisões. A mediação entre as capacidades inatas e as aprendidas com o auxílio da
ciência, geram os subsídios necessários que qualificam o bibliotecário como um gestor. Se,
em hipótese, nenhum individuo é totalmente desprovido de habilidades que caracterizam um
gestor e, nenhuma teoria científica de gestão é plenamente efetiva ou verdadeira, parece
forçoso afirmar que o perfil adequado para o gestor seja o equilibrado, uma vez que este não
se estabelece a partir do confronto ou da exclusão dos outros dois perfis, mas pelo
estreitamento e inter-relação destes. Diante destes sintéticos apontamentos, o perfil
equilibrado envolveria as atribuições tanto do perfil inato quanto do perfil construído
(científico). No entanto, permanece uma questão: e se não somente as “qualidades” sejam
herdadas, mas também os “defeitos” dos perfis inato e construído? Por sua natureza, o perfil
equilibrado tenderia a estimular o gestor a colocar em evidência os critérios que orientam suas
ações, tais como a reflexão, o diálogo, a organização e o planejamento

3

MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa é do tipo exploratória de natureza qualitativa (GIL, 2012). O método de

pesquisa utilizado foi o estudo de caso(YIN, 2001).

A unidade caso foi a UNESP -

Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), pelo fato de que as
bibliotecas da UNESP compreendem em seu organograma o cargo de gestor do STATI -

3228

�Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação. Mediante a leitura e análise da
literatura foram elaboradas considerações a respeito do perfil do bibliotecário supervisor,
buscando compreender a existência bem como as características inerentes a atividade de
supervisão técnica de setor. Visando compreender de modo empírico a atuação dos
bibliotecários na função de gestor, foi analisado, por intermédio de quatro documentos
oficiais, a estrutura organizacional da Rede de Bibliotecas da unidade caso, mas
especificamente o setor da STATI: 1) O primeiro, de 1994, consiste na publicação do volume
I da coleção de Recursos Humanos, Informação &amp; Qualidade intitulado “Gerência de
bibliotecas universitárias para a Qualidade Total: planejamento e seleção”; 2) O segundo, por
volta de 1999 (no documento não está especificado a data de elaboração), consiste em um
documento disponibilizado pela CGB intitulado “Atribuições de Competências”, cujo
conteúdo detalha as atribuições dos Bibliotecários (Diretor, Supervisores Técnicos de Seção e
Bibliotecários); 3) O terceiro, a publicação da “PORTARIA UNESP-89, DE 5-3-2009”, que
regulamenta a fixação das atribuições das unidades administrativas que integram a estrutura
da UNESP e; 4) O quarto, a publicação da “PORTARIA UNESP-469, de 25-7-2012”, que
está em vigência, não prevê alterações ou acréscimos às atribuições do STATI, somente aos
outros setores da UNESP. O método de pesquisa também compreendeu a coleta de
informações por intermédio da aplicação de um questionário aberto (GIL 2012), encaminhado
por e-mail a três bibliotecárias supervisoras, que atuam nas unidades da Rede de Bibliotecas
da UNESP. A escolha das unidadesse deu pela facilidade de acesso, sendo as unidades: 1)
Faculdade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” - Campus Experimental de Tupã; 2) Faculdade
de Ciências Farmacêuticas de Araraquara e; 3) Faculdade de Odontologia de Araraquara.

4 RESULTADOS
Em consonância com o objetivo desta pesquisa, foi utilizada uma molduraanalítica
para a apresentação dos resultados, orientada pelas seguintes categorias:
a) Paralelo entre teoria e prática: as atividades desenvolvidas no STATI: De acordo
com a Portaria UNESP-469, de 25-7-2012 (a vigente), onde são elencadas as
atividades a serem desenvolvidas pelos servidores na STATI, foi possível observar
que do ponto de vista técnico os bibliotecários supervisores executam o que está
previsto na Portaria. Porém, as apresentações das perspectivas dos entrevistados não
reproduzem pormenorizadamente todas as atividades previstas na Portaria, pois estes
se limitaram com efeito, a destacar o que julgaram de mais pertinente em sua atividade
diária, o que não significa que eles não executam o que está predito na Portaria;

3229

�b) Perfil do supervisor do STATI: A partir da argumentação acerca das atribuições
necessárias ao gestor, sendo elas o planejamento, a organização, a direção e o controle
(BERGUE, 2010),percebemos que os três entrevistados estão alinhados à perspectiva
teórica de modo que estas orientações se assemelham com uma forma de método
característico da atividade de gestão. O ponto comum entre a relação teoria e prática
que podemos salientar é a tendência à organização, uma vez que o setor de tratamento
técnico de uma biblioteca universitária depende exclusivamente do ordenamento
estrutural de suas atividades (PINTO,1993);
c) Principais características do perfil: Entendendo que a organização abrange a
totalidade do que denominamos nesta pesquisa de perfil, podemos destacar algumas
características peculiares que lhe servem de base: objetividade na tomada de decisões,
conhecimento técnico e flexibilidade. Com efeito, o trabalho em equipe determina a
execução adequada das atividades bem como permite a harmonia e a união no
ambiente de trabalho. Isso nos remete a pensar no papel decisivo do supervisor: a
liderança;
d) Liderança: inata, construída ou equilibrada?A partir do estabelecimento do sentido
dos conceitos de lideranças inata e construída, detectamos, com o exame do conteúdo
das respostas, que os supervisores, predominantemente, afirmam que a liderança não
pode se converter em um mero mecanismo técnico tampouco ter origem nas aptidões
subjetivas do supervisor. Desse modo, pressupomos a existência de um terceiro perfil:
o perfil equilibrado, conforme discutido no referencial teórico. A mediação entre as
capacidades inatas e as aprendidas com o auxílio da ciência, geram os subsídios
necessários que qualificam o bibliotecário como um gestor. Se, em hipótese, nenhum
indivíduo é totalmente desprovido de habilidades que caracterizam um gestor e,
nenhuma teoria científica de gestão é plenamente efetiva ou verdadeira, parece
conveniente afirmar que o perfil adequado para o gestor seja o equilibrado, uma vez
que este não se estabelece a partir do confronto ou da exclusão dos outros dois perfis,
mas pelo estreitamento e inter-relação destes

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Com base no referencial teórico aqui apresentado e na investigação empírica realizada
é possível afirmar que a principal característica a ser destacada na atuação do bibliotecário
como gestor da unidade caso, seja a organização. A demanda própria ao setor do STATI da
unidade caso depende do ordenamento das atividades para que estas não impliquem, em

3230

�última instância, no tratamento e disseminação inadequados da informação. As outras
categorias que estruturam a gestão - o planejamento, a direção e o controle - gravitam em
torno da organização. Com relação ao perfil de liderança, foi possível destacar a importância
na articulação entre o “ímpeto de liderar” (perfil inato) e o conhecimento científico implícito a
atividade (perfil construído). Dessa forma, as decisões tomadas pelo bibliotecário gestor
tendem a estar ancoradas na objetividade bem como no respaldo teórico que fundamenta a
decisão, para que esta não pareça arbitrária.
Conclui-se que o perfil de liderança medeia entre atributos inatos ao sujeito bem como
a formação técnico-cientifica especifica à função biblioteconômica, o que culmina no
desenvolvimento de um perfil equilibrado.

REFERÊNCIAS
BERGUE, S. T. Gestão de pessoas em organizações públicas. 3. ed. Caxias do Sul: Educs,
2010.
CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas: o passo decisivo para administração participativa.
3.ed. São Paulo: Makron Books, 1997.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MUNIZ, M. B. A. O papel do líder no gerenciamento das diferenças individuais. 2004.
62f. Monografia de Especialização (MBA de Administração Judiciária) - FGV, RJ, 2004.
PINTO, A. L.; GONZÁLES, J. A. M. O profissional bibliotecário como gestor de pessoas.
Rev. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf. Florianópolis, v.15, n.29, p.52-65, 2010.
PINTO, V.B. Informação: a chave para qualidade total. Ciência da Informação, Brasilia,
v.22, n.2, p.133-137, maio/ago. 1993.
RUCHEL, G. Bibliotecário: gestor da informação. 2010. 124 f. Monografia (Trabalho de
Conclusão de Curso de Biblioteconomia) - Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação UFRGS, PO, 2010.
SANTOS, J. P. O perfil do profissional bibliotecário. In: VALENTIM, M. L. P. (Org.). O
profissional da informação: formação, perfil e atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000.
SILVA, F. C. C. Bibliotecários especialistas: guia de especialidades e recursos
informacionais. Brasília: Thesaurus, 2005.
SOUTO, L. F. O profissional da informação em tempo de mudanças. Campinas: Alínea,
2005.
VALENTIM, M. L. P. (Org). O profissional da informação: formação, perfil e atuação
profissional. São Paulo: Polis, 2000.
________. Formação do profissional da informação. São Paulo: Polis, 2002.
________. Atuação profissional na área de informação. São Paulo: Polis, 2004.
YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e método. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

3231

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                <text>Bet, Ana Carolina Gonçalves, Amaral, Roniberto Morato do</text>
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                <text>Um dos desafios inerentes à gestão do setor de processamento técnico de uma biblioteca universitária perpassa pelo modo e consequente desdobramento da função de chefia em relação à equipe de trabalho. Nessa perspectiva, esta pesquisa teve como objetivo a identificação e análise do perfil de liderança do profissional bibliotecário no desempenho da função de supervisor técnico de seção de uma biblioteca universitária. O método de pesquisa utilizado foi o estudo de caso e a unidade caso foi a Universidade Estadual Paulista ―Júlio de Mesquita Filho‖ - UNESP, foram aplicados questionários a três supervisores da Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação – STATI de campi distintos. Como resultado foi constatado que a literatura e a pesquisa empírica são correlatas, de modo que a organização é uma das competências primordiais à função de supervisão que implica na constituição do conceito de perfil equilibrado. Conclui-se que o perfil de liderança medeia entre atributos inatos ao indivíduo bem como a formação técnico-cientifica especifica à função biblioteconômica. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E AS REDES SOCIAIS: O CASO DO MURAL
INTERATIVO DO BIBLIOTECÁRIO

Fabíola Maria Pereira Bezerra

RESUMO
Aborda a presença do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) nas
redes sociais e apresenta a Fan Page Mural Interativo do Bibliotecário como mídia alternativa
para disseminação de ações, rotinas e serviços ofertados pelo Sistema de Bibliotecas. Objetiva
avaliar a presença da biblioteca universitária em uma rede social por meio de uma página
independente. Observa ainda as dificuldades encontradas pelas bibliotecas universitárias que
condicionam sua presença nas redes sociais, e avalia as publicações feitas pela Fan Page,
cujos conteúdos favorecem a visibilidade do Sistema de Bibliotecas. A metodologia utilizada
para o desenvolvimento da pesquisa está pautada na pesquisa empírica e na revisão de
literatura sobre redes sociais, e uso do Facebook por Bibliotecas Universitárias, assim como
na pesquisa descritiva e exploratória para descrever e avaliar a participação da Fan Page
como mídia alternativa, analisando as métricas disponibilizadas pelo Facebook. Ressalta, ao
final, que a participação voluntária no Mural Interativo do Bibliotecário divulgando os
serviços e rotinas pontuais do Sistema de Bibliotecas da UFC favorece o engajamento do
mesmo dentro da rede social.

Palavras-Chave: Biblioteca Universitária; Redes Sociais; Facebook; Mural Interativo do
Bibliotecário; Ferramentas de redes sociais
ABSTRACT
Discusses the presence of the Library System of the Federal University of Ceará (UFC) on
social networks and presents the Fan Page Wall Interactive Librarian as an alternative to
disseminate actions, routines and services offered by the Library System media. Objectively
assess the presence of the university library in a social network via a Fan Page. Further notes
the difficulties faced by university libraries that conditions their presence on social networks,
and evaluates the publications made by Fan Page which contents favor the visibility of the
Library System. The methodology used to develop the research is guided by the empirical
research and literature review on: social networks, and use of Facebook for university
libraries, as well as descriptive and exploratory to describe and evaluate the participation of
the Fan Page search as alternative media evaluating the metrics provided by Facebook.
Emphasizes at the end that voluntary participation Interactive Wall Librarian touting services
and specific routines of the Library System of the UFC, favors the engagement there of within
the social network.

Keywords: University library; Social Networks; Facebook; Wall Interactive Librarian; Social
networking tools

1800

�1 INTRODUÇÃO
Observa-se, no ambiente de bibliotecas universitárias, diferentes iniciativas de uso das
redes sociais, como forma de interação biblioteca x usuário, e como canal de comunicação
informal com a comunidade universitária, buscando cada vez mais ferramentas que facilitem a
interatividade com o usuário.
A Internet possibilitou novas conexões e ampliou o universo das bibliotecas
universitárias, no que tange à comunicação com a comunidade acadêmica, por meio das redes
sociais; quebrou a rigidez e o formalismo; facilitou a interação, a transparência, e o
compartilhamento de informações criando dessa forma uma comunicação mais ativa e
participativa; proporcionou novas formas de interação por meio da Web 2.0. Corroborando
com esse pensamento, Pontes e Santos (2011, p.5) afirmam:

O uso das Redes Sociais nas Bibliotecas Universitárias contribui enquanto
estratégia no gerenciamento e disseminação dos recursos informacionais, na
comunicação ativa e participativa, na percepção acerca das necessidades dos
usuários e, consequentemente, na tomada de decisão, uma vez que as
informações relevantes estarão direcionadas a públicos específicos, com uma
linguagem acessível, informal e direta.
As bibliotecas universitárias estão inseridas no contexto da academia como serviço
primordial para facilitar a integração da tríade: ensino, pesquisa e extensão. Nessa
perspectiva, elas necessitam dispor de recursos que possibilitem o seu melhor desempenho e
atuação. Á inserção das TICs e das redes de comunicação potencializam a aproximação das
bibliotecas universitárias com a comunidade na qual estão inseridas.
As bibliotecas universitárias estão hierarquicamente subordinadas às suas instituições,
seguem normas, padrões e políticas, e devem implementar um código de conduta quando
inseridas no contexto das redes sociais, a fim de estabelecer orientações sobre as
responsabilidades legais da biblioteca universitária e de seus usuários, no uso das redes
sociais sob a responsabilidade delas.
O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC), ao longo dos anos,
vem implementando novos serviços que reforçam cada vez mais a comunicação com a
comunidade acadêmica, seja por meios de serviços presenciais ou, mais recentemente, por
meio da utilização das tecnologias disponíveis pela Web 2.0, sempre buscando potencializar a
democratização da informação. Dessa forma, está presente no Twitter em três perfis:

o da

Biblioteca Universitária

1156

(BU)

http://twitter.com/ufcbibliotecas,

atualmente

com

seguidores; o da Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) http://twitter.com/bibsaudeufc, com

1801

�457 seguidores e o da Biblioteca de Ciências e Tecnologia (BCT) http://twitter.com/bctufc
com 803 seguidores. A presença dessas bibliotecas do sistema na referida rede, torna o
contato com sua comunidade usuária muito mais dinâmico e proporciona maior divulgação e
visibilidade aos seus produtos e serviços.
Em janeiro de 2012, além do Twitter, a Biblioteca de Ciências e Tecnologia adotou o

Facebook http://www.facebook.com/bctufc como um dos seus canais de comunicação, onde é
“possível acompanhar a divulgação das novas publicações adquiridas pela Biblioteca, com a
capa e um breve resumo sobre as mesmas; informes e serviços oferecidos pela biblioteca,
além de notícias sobre o mundo acadêmico” . A biblioteca também utiliza a rede social para
resgatar publicações existentes no acervo, “mas que estão há muito tempo sem empréstimo”,
as quais são divulgadas novamente dando conhecimento ao público da existência da obra.
A Biblioteca da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade
(BFEAAC) em fevereiro de 2012, criou o blog “BIBLIOTECA DA FEAAC/ UFC”
http://bibliotecadafeaacs.wordpress.com/. Nele, encontram-se as novas aquisições, lista de
livros mais emprestados dos cursos oferecidos pela FEAAC, tutoriais das bases de dados,
normas para empréstimo e renovação de livros, slides dos treinamentos de normalização e
muito mais” . O mês de setembro de 2012 foi marcado também pela criação do perfil da
Biblioteca

Universitária

Facebook

no

https://www.facebook.com/BibliotecaUniversitariadaUFC?fref=ts,

onde

seus

serviços,

produtos e notícias são divulgados.
Ao ingressar nas redes sócias, o Sistema de Bibliotecas da UFC criou um “código de
conduta”, onde estabeleceu orientações e informações importantes sobre as responsabilidades
gerais, bem como sobre as responsabilidades legais da Biblioteca Universitária (BU) e dos
usuários das redes sociais (Facebook, Twitter, Blog) sob a responsabilidade dela. O código
indica ainda que todo o conteúdo publicado deverá ter enfoque de cunho institucional, sendo
vedada a publicação de opiniões pessoais. Dentro desse pressuposto, existe uma limitação de
expressões de ideias por parte de quem compartilha e alimenta as páginas dentro das redes
sociais. Como instituição é natural que exista uma preocupação com os princípios que
norteiam a atividade da Biblioteca Universitária, mesmo se tratando de ambientes de redes
sociais, onde o formalismo é absorvido pela comunicação informal.
Ainda sobre o estabelecimento de normas ou políticas de conteúdos de publicações por
bibliotecas nas redes sociais, Calil Junior; Corrêa e Spudeit (2013) afirmam que “as unidades
de informação ainda não estão completamente preparadas para usar e monitorar essas mídias

1802

�[...] são poucas as que possuem documentos formais para direcionar, orientar e padronizar os
conteúdos das postagens” .
O presente trabalho aborda a presença do Sistema de Bibliotecas da UFC no Facebook
dentro de uma Fan Page independente, o Mural Interativo do Bibliotecário, que se apresenta
como mídia alternativa para a disseminação de ações, rotinas e serviços ofertados pelo
Sistema de Bibliotecas. Isso posto, o objetivo geral do trabalho é avaliar a presença da
biblioteca universitária em uma rede social por meio de uma página independente.
Os objetivos específicos deste trabalho são:
^ Descrever as ocorrências em que o Sistema de Bibliotecas da UFC foi citado
dentro da Fan Page;
^

Apresentar a repercussão causada dentro da Fan Page com as informações
compartilhadas;

A justificativa desse trabalho é a necessidade de entender a contribuição real que a

Fan Page representou para o Sistema de Bibliotecas da UFC.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa está pautada na pesquisa
empírica e na revisão de literatura sobre: redes sociais, e uso do Facebook por Bibliotecas
Universitárias, assim como na pesquisa descritiva e exploratória para descrever e avaliar à
participação da Fan Page Mural Interativo do Bibliotecário como mídia alternativa, avaliando
as métricas disponibilizadas pelo Facebook.

2 REDES SOCIAIS
Uma das grandes características da Web 2.0 é a produção de conteúdo e a facilidade de
troca de informações entre os usuários, bem diferente do modelo estático de meros
consumidores de conteúdos como acontecia com a primeira geração Web, no final da década
de 80, conforme ilustrado na Figura 1 em uma citação de Coutinho e Bottentuit (2007) apud
Costa et al (2009)

1803

�Figura 1 -Principais diferenças entre a Web 1.0 e a Web 2.0

Fonte: Costa et al (2009) adaptado de Coutinho e Bottentuit (2007)

Nesse mesmo sentido, Aguiar (2012) corrobora quando confirma que a Web 2.0 é uma
“nova geração de ferramentas na Internet que possibilitam a comunicação, a socialização, a
interação, a colaboração, a participação, a criação e o compartilhamentos de conteúdos”, o
que levou a estar presente de forma intensiva na vida e no cotidiano das pessoas. Dentro dessa
perspectiva, justifica-se cada vez mais a utilização das ferramentas da Web 2.0 pelas
Bibliotecas Universitárias, à medida que facilitam a relação biblioteca x usuário. Aguiar
(2012) destaca ainda que, dentre as ferramentas oferecidas na Web 2.0, a rede social é a que
melhor pode ser aproveitada pelas bibliotecas universitárias, “por sua popularidade entre
usuários e suas características” .
As redes sociais da Web 2.0, em geral, possuem ferramentas síncronas (chat)
e assíncronas (fóruns, grupos, eventos, notas etc); interface customizável;
recursos como vídeos, fotos e imagens, e links para outras interfaces. Além
disso, possibilitam uma comunicação mais direta e informal, com trocas de
informações entre os usuários; a oportunidade de criar comunidades de
interesse e perfis; a divulgação e o compartilhamento de informações,
produtos e serviços, a exposição das conexões sociais de um indivíduo a
outros de uma determinada comunidade e a participação e colaboração do
público nos processos e produtos. Alguns exemplos de ferramentas de redes
sociais são: Facebook, Orkut, Twitter, You Tube, Flickr, entre outros
(AGUIAR, 2012, p.49).
As redes sociais são consideradas fenômenos da comunicação contemporânea e
proporcionam transformações em todas as facetas da vida social. Nesse sentido, Castells
(2009) denomina a sociedade atual como “ Sociedade em rede”, onde o “novo paradigma da

1804

�tecnologia da informação fornece a base material para sua expansão penetrante em toda a
estrutura social” .
Para além da estrutura tecnológica e dos sistemas dinâmicos que caracterizam uma
“rede”, a definição de “rede social” está diretamente relacionada a participação de pessoas ou
grupos ligados e conectados por interesses comuns, conforme citam Tomáel e Martelato
(2006, p.75):
Um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras entidades sociais)
conectadas por relacionamentos sociais, motivados pela amizade e por
relações de trabalho ou compartilhamento de informações e, por meio dessas
ligações, vão construindo e reconstruindo a estrutura social.
Essa nova interface que propicia o dialogo inovador, que amplia a capacidade de
compartilhamento e interlocuções, que provoca uma atitude autônoma, criativa e criadora por
meio do uso da inteligência coletiva, ganha cada vez mais adeptos, pois permite cada vez mais
o engajamento e participação de usuários da Internet.

3 A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E AS REDES SOCIAIS
Desde meados da década de 1990, diferentes movimentos em nível mundial
voltavam-se para ações direcionadas à entrada na Sociedade da Informação. Uns turbilhões de
acontecimentos de natureza tecnológica provocaram

profundas mudanças,

atingindo

diretamente a informação, a comunicação e a educação de um modo geral.
A Sociedade da Informação colocou o conhecimento como fator competitivo crucial,
uma vez que valorizou o fator humano no processo produtivo, transformando o conhecimento
e a informação em capital intelectual das empresas. A quebra das distâncias fronteiriças
advindas da globalização e da massificação do uso das Tecnologia da Informação e da
Comunicação criaram um mundo novo, provocaram alterações significativas no quotidiano
das pessoas e romperam as barreiras físicas de suporte da informação. Diferentes
possibilidades foram surgindo através do acesso à informação em tempo real, influenciando
as transformações e inovações nos processos de difusão da informação. Essa mudança de
paradigma refletiu diretamente na atuação das bibliotecas como um todo e particularmente
nas bibliotecas universitárias, sendo um dos papéis principais da “biblioteca 2.0” o de utilizar
toda a tecnologia disponível, a fim de melhorar e aperfeiçoar seus produtos e serviços,
conforme afirmam Jesus e Cunha (2012).
Na pespectiva de divulgação de produtos e serviços, as Bibliotecas Universitárias
estão ganhando espaços dentro das redes sociais, conforme esclarecem Pontes e Santos (2011,
p.4):

1805

�A utilização das Redes Sociais Virtuais dentro das Bibliotecas Universitárias
visa apoiar as políticas organizacionais, o gerenciamento das informações e
o processo de comunicação, auxiliando na obtenção de novos
conhecimentos, favorecendo a interação de fontes internas e externas de
informação e uma maior aproximação com todos os segmnetos de ensino,
pesquisa e extensão que atende.
A comunidade discente que compõe uma universidade é em sua maioria composta
por jovens chamados de “Geração Y ” ou, “Nativos Digitais”; são pessoas nascidas a partir da
década de 1980, até meados de 1990, e que convivem com a tecnologia desde muito cedo e
em diferentes plataformas digitais. Aguiar e Silva (2013) corroboram nesse sentido, ao
afirmarem que “segundo o Comitê da Internet no Brasil, as redes sociais alcançam 82% dos
jovens entre 16 a 24 anos. Exatamente a faixa de idade que compreende a maior parte do atual
público discente”. Isso posto, justifica-se o uso das redes sociais pelas bibliotecas
universitárias, pois ele facilita o engajamento biblioteca x usuário e impulsiona o diálogo e a
relação bidirecional.

3.1 As Bibliotecas Universitárias e o Facebook
Dentre as redes sociais existentes, o Facebook é a maior rede social on-line do
mundo. Um gráfico recente, datado de dezembro de 2013, certifica essa afirmação e faz um
comparativo de crescimento desta rede, entre junho de 2009 e dezembro de 2013, conforme
ilustrado na Figura 2. A grande aceitação do Facebook e a popularização do mesmo justificam
à escolha da referida rede social pelas Bibliotecas Universitárias.
Figura 2 -M apa mundial das redes sociais

Fonte: Lafloufa(2014)

1806

�A pesquisa realizada por Aguiar (2012) junto às bibliotecas universitárias da USP,
UNESP e UNICAMP, buscou identificar quais bibliotecas utilizavam as redes sociais, e quais
redes elas utilizavam. Essa pesquisa identificou que, nas três universidades as redes sociais
mais utilizadas são Facebook e Twitter, seguidos por blog, Flickr e Youtube. Seguindo essa
linha de estudo, Nascimento (2013) afirma que “a Biblioteca Universitária da Faculdade de
Teologia Senac Florianópolis utiliza o Facebook como meio de divulgação de seus serviços,
dos cursos da faculdade e para interagir com seus usuários” inclusive existe uma rotina de
horários estabelecidos para publicação dos posts na Fan Page.
Contrapondo essa afirmação, Calil Junior; Corrêa e Spudeit (2013) em uma
pesquisa realizada, constataram que o “ blog foi a mídia mais usada pelas bibliotecas”, seguido
pelo Twitter e Orkut; concluíram ainda que, “curiosamente, o Facebook é ultrapassado pelo
Twitter, apesar de tratar-se da mídia social mais utilizada em todo o mundo, possuir natureza
semelhante a do Orkut e ter sido criada em 2004, dois anos antes que o Tw itter”.
Aguiar (2012) chama a atenção para o fato de que a utilização das redes sociais
por bibliotecas universitárias não é unanimidade no meio acadêmico, “enquanto alguns
pesquisadores afirmam que seu uso possibilita métodos inovadores para alcançar e atender os
usuários, além de divulgar e compartilhar informações, outros argumentam que é uma perda
de tempo e de esforço de mão de obra bibliotecária” . Nesse sentido, Girard et al (2013, p.7)
corroboram ao afirmarem:
Até pouco tempo atrás o uso de sites de relacionamentos era visto com
“maus olhos” por uma parcela de bibliotecários. Isto se deve ao fato de que,
na concepção desses profissionais da informação, os mesmos seriam
utilizados “apenas” como meio de trocas de informações desnecessárias e
outras futilidades, descartando a possibilidade de qualquer benefício que
estas fontes poderiam fornecer e desmerecendo aquele que, hoje, é de grande
importância na era da disseminação da informação.
Observa-se, na prática, que um dos maiores entraves enfrentados pelas bibliotecas
universitárias, e que dificulta ou condiciona sua presença nas redes sociais, está pautado
diretamente nas questões dos recursos humanos, conteúdos e usuários. Corroborando com
essa afirmação, Godeiro e Serafim (2013, p.3) afirmam:

Evidencia-se que os maiores desafios enfrentados pelas Bus com o uso das
redes sociais está pautado na questão dos recursos humanos, conteúdo e
usuários. Por tanto, faz-se necessário buscar formas de enfrentar tais
desafios, transformando-os em benefícios para a unidade de informação.

1807

�Ainda sobre os desafios e benefícios da aplicação das redes nas bibliotecas
universitárias, Godeiro e Serafim (2013) apresentam o quadro a seguir, adaptado de Aguiar
(2012).
Quadro 1 - Desafios de benefícios da aplicação das redes sociais nas Bus

DESAFIOS

BENEFÍCIOS

RECURSOS HUMANOS
a) Dificuldade para encontrar pessoas na equipe
com perfil e qualificação para implantar as redes
sociais;
b) Falta de atualização profissional;
c) Relutância dos gestores em usar as redes sociais
e compartilhar informações.

BIBLIOTECA
a) Amplia o acesso a BU;
b) Atrai novos usuários;
c) Marketing.

CONTEÚDO
SERVIÇOS E PRODUTOS
a) Desatualização dos conteúdos já postados;
a) Amplia a quantidade de serviços;
b) Publicar informações interessantes para o b) Criação de conteúdos novos antes impossíveis de
usuário (Quais informações publicar?)
serem feitos sem as redes sociais para divulgá-los;
c) Qual linguagem utilizar: formal ou informal?
c) Elaboração de tutoriais;
d) Possibilita atender as demandas dos usuários.
DIVULGAÇÃO
USUÁRIOS
a) Consultar os usuários;
a) A informação atinge mais usuários em um curto
b) Dificuldades em elaborar uma estratégia de espaço de tempo;
atração dos usuários para as redes sociais;
b) possibilita a divulgação de serviços e produtos.
c) Manter a atenção do usuário.
Fonte: Godeiro e Serafim (2013) adaptado de Aguiar (2012).

As redes sociais, como espaço dinâmico, criam demandas diárias de interação com
seus usuários, além de uma diversidade de novos serviços, exigindo do bibliotecário uma
dedicação e uma disponibilidade de tempo que nem sempre ele dispõe. Além da questão de
pessoal, citada acima, Aguiar (2012) destaca como fator preocupante, na utilização das redes
sociais pelas bibliotecas universitárias a falta de tempo dos bibliotecários: “a falta de tempo e
de uma equipe especializada responsável pelas ferramentas, que atenda e responda
rapidamente os usuários, também é preocupante quando se utiliza redes sociais como canal de
comunicação” .
No contexto pautado acima, justifica-se a contribuição independente e voluntária da

Fan Page Mural Interativo do Bibliotecário na divulgação das atividades desenvolvidas pelo
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará.

1808

�4

MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho é caracterizado como uma pesquisa empírica quanto aos meios, e

descritiva e exploratória quanto aos fins. É considerada descritiva, uma vez que objetiva
relatar a experiência na Fan Page Mural Interativo do Bibliotecário, no Facebook, como
mídia alternativa para disseminação de ações, rotinas e serviços ofertados pelo Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. É exploratória, à medida que utiliza as
métricas disponibilizadas no Facebook para analisar e quantificar essas ocorrências.
Em um primeiro momento, realizou-se uma revisão de literatura sobre redes sociais e
uso do Facebook por bibliotecas universitárias, a fim de contextualizar o estudo em pauta.
Nesse sentido, os autores Girard et al (2013); Aguiar (2012); Calil Junior; Corrêa e Spudeit
(2013); Aguair e Silva (2013a); Aguair e Silva (2013b); Costa et al (2009); Castells (2009);
Tomaél e Marteleto (2006); Jesus e Cunha (2012); Nascimento (2013); Godeiro e Serafim
(2013) e Pontes e Santos (2011) deram o suporte teórico necessário que fundamentou o
presente estudo.
Em seguida, foi realizado um levantamento das métricas no Facebook Insights, dado
disponível apenas para Fan Pages, onde é possível identificar, dentre outras métricas, a
quantidade de curtidas, compartilhamentos e comentários dentro da página a partir dos
compartilhamentos. Para esse estudo, apenas será considerado essas métricas. Conforme
ilustrado nas Figuras 3 e 4 abaixo:

Figura 3 - Gerenciador de anúncios - Publicações
1 2 /3 /2 0 1 4
os oo
2 0 /3 /2 0 1 4
08 00

1 9 /3 /2 0 1 4
20 23

1 9 /3 /2 0 1 4

K g *
m

O D IA H O J E É N O S S O ! P a r a b é n s a
t o d o s o s B ib lio te c á r io s , p e la f e liz

»
U M L U G A R S E M S E N T ID O ’ A
H g i* ! c a r ê n c ia g e n e r a liz a d a d e b ib lio te c a s
B e la h o m e n a g e m d a M e ta lp o x a o s
B ib lio te c á r io s .

08.38

F I jR h L B IB L IO T E C Á R IO X U S U Á R IO : P E R T O
----------- M A IS D IS T A N T E O n t e m , a o c h e g a r n a

1 7 /3 /2 0 1 4
o » .14

s a n g u e N O V O N A B IB L IO T E C A
----------- S e m a n a p a s s a d a t iv e m o s u m a

Fonte: Fan Page do Mural Interativo do Bibliotecário no Facebook

1809

�Figura 4 - Detalhes da publicação
Detalhes da publicação
1 5 .7 7 0
Rur

Mural Interativo do Bibliotecário
V 1 2 de março v*

2.1 81

Pessoas alcançadas

Curtidas, comentários e compartilhamentos

O DIA HOJE É NOSSO!
Parabéns a todos os Bibliotecários, pela feliz escolha

1.621
Curtidas

313
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Fonte: Fan Page do Mural Interativo do Bibliotecário no Facebook

A partir das métricas ainda disponíveis na Fan Page, uma vez que o Facebook
condiciona a consulta a um dado período de tempo, pode-se observar o impacto e repercussão
de todas as publicações postadas na página do Mural Interativo do Bibliotecário, sobre o
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará.
O levantamento dos dados quantitativos obtidos nas métricas do Facebook, a partir
do dia 17 de maio de 2013 até o mês de abril de 2014, identificou 52 publicações sobre o
Sistema de Bibliotecas da UFC, sendo 42 fotos, 8 vídeos e 2 pôsteres.
Por meio desse levantamento, verificou-se diferentes participações dos seguidores da

Fan Page em relação aos conteúdos publicados, contrapondo-se ao que Aguiar e Silva (2013)
afirmaram sobre as manifestações das bibliotecas universitárias nas redes sociais: “são
ferramentas estáticas de comunicação” .

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A Fan Page Mural Interativo do Bibliotecário foi criada no dia 12 de abril de 2013.
Após 13 meses de existência, já possui 2217 seguidores (dados de 12/05/2014). A divulgação
das atividades e/ou serviços do Sistema de Bibliotecas da UFC, dentro da página, foi
acontecendo espontaneamente, uma vez que o objetivo da Fan Page não é exclusivamente o
de ser mídia alternativa do Sistema de Bibliotecas. Nesse sentido, a primeira manifestação
divulgando uma atividade do Sistema aconteceu no dia 17 de maio de 2013, por ocasião da
“VII Campanha de Preservação do Acervo do Sistema de Bibliotecas das Universidade
Federal do Ceará” .
Foram utilizadas algumas imagens retiradas na Fan Page da Biblioteca de Ciências e
Tecnologia, assim como foi criado um texto denominado “BOAS PRÁTICAS EM

1810

�BIBLIOTECAS”, onde foi abordado em linhas gerais a questão da importância da
preservação dos acervos em bibliotecas e a “VII Campanha de Preservação” . Dentre outras
coisas o post abordou:
[...] as ações implementadas por bibliotecas para preservação de seus
acervos, devem ser mais voltadas para ações educativas, do que
propriamente de ações punitivas. O acesso livre ao acervo é um direito
democrático, porém, que seu uso não seja predatório; que os acervos
envelheçam naturalmente; que a relação livro vs leitor, seja feita de forma
saudável e inteligente numa troca constante de ideias e novas concepções.
(MURAL
INTERATIVO
DO
BIBLIOTECÁRIO,
2013,
p.1)

O post citado acima foi compartilhado 33 vezes e foi visualizado por 2.275 pessoas.
As mesmas imagens da campanha, que foram copiadas da página da Biblioteca de Ciências e
Tecnologia para compor o post da Fan Page do Mural Interativo do Bibliotecário, obtiveram
na Fan Page da Biblioteca de Ciências e Tecnologia 13 compartilhamentos e 1352
visualizações. Sendo o Mural Interativo do Bibliotecário uma página segmentada para
bibliotecários, é natural que o tema tenha despertado mais interesse na página do Mural do
que na própria Fan Page da Biblioteca, considerando que os seguidores da página da
Biblioteca são em sua maioria alunos de diferentes cursos da Universidade (UFC).
O Mural Interativo do Bibliotecário em seu primeiro ano de criação, apresentou um
crescimento exponencial, conforme ilustrado da Figura 4 abaixo.

Figura 4 - Crescimento do Mural Interativo do Bibliotecário em 2013

Fonte: Fan Page do Mural Interativo do Bibliotecário no Facebook, publicado em 01 de
janeiro de 2014.

1811

�Ao observar o crescimento espontâneo da página e a repercussão que a mesma
começou a alcançar dentro da rede social, surgiu a ideia de divulgar alguns serviços do
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará de forma mais estruturada dentro da

Fan Page. Elencamos então, junto com a Direção do Sistema de Bibliotecas, alguns serviços
prestados pelas Bibliotecas do Sistema para serem divulgadas dentro da página do Mural.
Em julho de 2013, o Mural Interativo do Bibliotecário, lançou um evento denominado
ENCONTRO MARCADO, o qual configura-se como um encontro interativo, a partir da
divulgação de um vídeo sobre um assunto especifico, onde um profissional é convidado a
gravar uma apresentação sobre algum assunto previamente estabelecido. Em data acertada e
devidamente divulgada, esses vídeos são disponibilizados, sempre no período da manhã na

Fan Page. Geralmente no horário entre 19:00h e 21:00h ocorre um bate-papo online com o
convidado do dia e os interessados.
Dentro do evento Encontro Marcado, nos dias 31 de julho, 15 de agosto, 6 e 18 de
setembro e finalmente 31 de outubro de 2013, cinco bibliotecários do Sistema de Bibliotecas
da Universidade Federal do Ceará foram os convidados do dia, os quais por meio de vídeos
apresentaram alguns serviços prestados pelo sistema de bibliotecas, conforme listados no
Quadro 2 abaixo.

Quadro 2 - Participação do Sistema de Bibliotecas no evento Encontro Marcado
TÍTULO DO ENCONTRO
VISUALIZAÇÕES
Biblioteca pra quê te quero? 869
Iniciação à pesquisa e ao uso de
recursos informacionais.203
Acessibilidade em bibliotecas 959
universitárias204
Gestão
participativa
em 1330
bibliotecas universitárias205
Repositório institucional da 570
universidade
Federal
do
Ceará206
O
papel
da
biblioteca 1920
universitária na normalização
dos trabalhos acadêmicos.207
Fonte: O autor

203
204
205
206
207

CURTIDAS
14

COMPARTILHAMENTOS
13

13

23

13

23

5

4

24

62

https://www.facebook.com/MuralInterativoDoBibliotecario/posts/426258120827056
https://www.facebook.com/MuralInterativoDoBibliotecario/posts/434573196662215
https://www.facebook.com/MuralInterativoDoBibliotecario/posts/445131315606403
https://www.facebook.com/MuralInterativoDoBibliotecario/posts/451333121652889
https://www.facebook.com/MuralInterativoDoBibliotecario/posts/473636522755882

1812

�Os dados quantitativos mapeados no quadro acima, demonstram o alcance atingido nas
publicações sobre os serviços do Sistema de Bibliotecas da UFC, apresentados por meio do
evento Encontro Marcado, além de proporcionar desfronteiramento dos serviços da biblioteca
além do espaço da universidade, confirmando a ideia empírica inicial, quando afirmamos que
a segmentação da página do Mural Interativo do Bibliotecário facilitava essa visibilidade.
O Sistema de Bibliotecas da UFC possui um boletim informativo denominado
“Biblionotícias

”, de periodicidade bimestral, cujo objetivo é ampliar a comunicação com a

comunidade acadêmica. Todas as cinco participações dos bibliotecários do Sistema dentro do
evento Encontro Marcado foram divulgadas também neste boletim.
Além dos cinco vídeos elencados acima, outros três foram criados para divulgar
ocorrências pontuais de atividades ou serviços desenvolvidos nas Bibliotecas do Sistema da
UFC, a saber:
Por ocasião da “Exposição Seara na Biblioteca”, evento realizado pela
Biblioteca de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Ceará entre os
dias 21 a 17 de outubro de 2013, por ocasião da Semana Nacional da Ciência e
Tecnologia. O vídeo foi publicado na Fan Page do Mural no dia 24 de outubro
de 2013, encontra-se disponível no You Tube, no canal do Mural Interativo do
Bibliotecário, no link: http://youtu.be/PiMqdF EQpo
Durante a realização anual do inventário do Sistema de Bibliotecas da UFC,
que aconteceu entre 27 de janeiro e 7 de fevereiro de 2014, foi divulgado na

Fan Page, um vídeo realizado durante uma visita feita à Biblioteca de Ciências
e Tecnologia da Universidade Federal do Ceará. Este vídeo objetivou mostrar a
dinâmica realizada no trabalho, bem como a importância do mesmo no
processo organizacional das bibliotecas; ele encontra-se disponível no link:
http://youtu.be/gZmHaNP-EDg
Em fevereiro de 2014, foi publicado um novo vídeo, dessa vez relatando a
“Rotina do processo de aquisição em biblioteca universitária” . O vídeo
destacou uma pequena etapa do processo de aquisição, de que forma como hoje
é desenvolvido no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. O
vídeo está disponível no link; http://voutu.be/VxYUdQnDKcc.

208 http://www.biblioteca.ufc.br/index.php7optioFcom content&amp;task=section&amp;id=35&amp;Itemid=66

1813

�Outro vídeo que merece destaque é o depoimento de um bolsista da biblioteca, com o
título “Um novo olhar sobre a biblioteca” . De maneira entusiasmada, ele conta sua
experiência e a nova percepção do conceito de biblioteca adquirida após a sua vivência como
bolsista. O vídeo foi publicado na página do Mural no dia 12 de março de 2014 e está
disponível no link: http://youtu.be/bhy5Ft7CRoI.
Além dos serviços prestados e das atividades desenvolvidas pelo Sistema de
Bibliotecas da UFC, outras publicações de natureza cotidianas foram postadas na Fan Page,
retratando o dia a dia da Biblioteca, as quais igualmente, obtiveram grande aceitação e
repercussão na rede social. Reconhecemos que publicações que retratam informalmente o
cotidiano da biblioteca somente são viáveis dentro de uma página de cunho alternativo,
embora, muitas vezes, seja também a realidade existente em muitas bibliotecas universitárias,
nesse caso, a ausência de formalismo da Fan Pag , o que favorece esse tipo de publicação.
Nessa categoria de manifestações rotineiras foram resgatadas situações visualizadas
ocasionalmente, como por exemplo a espontaneidade dos usuários em usar os corredores da
biblioteca como local para sesta logo após ao almoço, ou mesmo uma foto retirada de um gato
deitado no tapete de entrada da biblioteca, no dia 28 de fevereiro de 2014, a qual recebeu 104
curtidas.
Partindo dessa premissa, o conteúdo apresentado de forma descontraída e retratando
o cotidiano da biblioteca desperta o interesse e impulsiona a interatividade, conforme descrito
por Aguiar e Silva (2013): “Ressaltamos que o grau de envolvimento e de interação que os
usuários desejam ou desejarão ter com as redes sociais das Bus na Internet, dependerá do que
é oferecido em conteúdo, ferramentas e interação [...]” .
Vale ressaltar ainda que, por meio do levantamento das métricas, identificamos o
compartilhamento das publicações sobre o Sistema de Bibliotecas da UFC, em páginas
oficiais de outras bibliotecas universitárias, comprovando dessa forma o interesse nos
conteúdos postados na página.
A visibilidade proporcionada por meio da Internet vai além do espaço físico da
universidade e dos limites territoriais e fronteiriços do Brasil. Por meio das métricas é
possível afirmar que os seguidores da Fan Page, estão espalhados pelo Brasil, Portugal,
Espanha, México, Argentina, Cabo Verde, Moçambique, Itália, Bélgica, Alemanha, Suécia,
França, Japão, Macedônia, Rússia, Noruega, Peru, Irlanda, Uruguai e El Salvador.

1814

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A análise das métricas apontam resultados quantitativos animadores do acesso às
publicações, ressaltando o impacto que as mesmas proporcionam junto ao universo
biblioteconômico ao qual o Mural Interativo do Bibliotecário está inserido. Dessa forma, a
iniciativa voluntária da Fan Page proporciona visibilidade ao Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Ceará.
Observando as dificuldades elencadas pelos autores pesquisados em relação aos
desafios encontrados pelas Bibliotecas Universitárias, em relação à presença das mesmas nas
redes sociais, relacionadas a recursos humanos, conteúdo e estratégia junto aos usuários, a
presença voluntária da Fan Page favorece o engajamento do Sistema de Biblioteca da UFC
dentro da rede social, à medida que voluntariamente supre uma lacuna existente.
Não

encontramos na literatura pesquisada nenhuma ocorrência que

sinalize

experiências semelhantes como as apresentadas no presente trabalho. A iniciativa pioneira
representa uma ação que merece atenção pelos resultados positivos apresentados.

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1815

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1817

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Aborda a presença do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) nas redes sociais e apresenta a Fan Page Mural Interativo do Bibliotecário como mídia alternativa para disseminação de ações, rotinas e serviços ofertados pelo Sistema de Bibliotecas. Objetiva avaliar a presença da biblioteca universitária em uma rede social por meio de uma página independente. Observa ainda as dificuldades encontradas pelas bibliotecas universitárias que condicionam sua presença nas redes sociais, e avalia as publicações feitas pela Fan Page, cujos conteúdos favorecem a visibilidade do Sistema de Bibliotecas. A metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa está pautada na pesquisa empírica e na revisão de literatura sobre redes sociais, e uso do Facebook por Bibliotecas Universitárias, assim como na pesquisa descritiva e exploratória para descrever e avaliar a participação da Fan Page como mídia alternativa, analisando as métricas disponibilizadas pelo Facebook. Ressalta, ao final, que a participação voluntária no Mural Interativo do Bibliotecário divulgando os serviços e rotinas pontuais do Sistema de Bibliotecas da UFC favorece o engajamento do mesmo dentro da rede social. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO PARTICIPATIVA: O CASO DAS COMISSÕES ESPECIALIZADAS DE
ESTUDO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
CEARÁ - UFC
Neiliane Alves Bezerra
Margareth de Figueiredo Nogueira Mesquita
Maria Marlene Rocha de Sousa
Amélia Landim Barrocas
Alberto Sampaio Lima
RESUMO
Nesta pesquisa, abordou-se a gestão participativa e a aprendizagem organizacional como
estratégias de gestão para melhorar a qualidade no atendimento aos serviços e produtos nas
empresas do setor público e do privado. Este artigo apresenta o resultado da avaliação das
Comissões Especializadas de Estudo (CEES) o Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Ceará (SB/UFC) acerca da participação das mesmas na tomada de decisão
gerencial, bem como um instrumento para capacitar a aprendizagem organizacional.
Considera-se a criação das CEES uma estratégia bem sucedida para gerar conhecimento
organizacional, motivar a participação no processo decisório, despertar o sentimento de
comprometimento com a missão e metas da instituição. A pesquisa realizada foi do tipo
exploratória e utilizou como instrumento para a coleta de informações, a pesquisa
documentária e o questionário eletrônico, aplicados aos membros das comissões. Após o
estudo, revelou-se que as CEES são espaços de diálogos que fornecem as informações que
ajudam nas tomadas de decisão e, consequentemente, contribuem para o aprimoramento da
qualidade dos produtos e serviços ofertados a sua clientela.
Palavras-Chave: Gestão do conhecimento; Processos e ferramentas; Bibliotecas universitária
Trabalho em equipe.

ABSTRACT
The present article is centered in the thematic one of the management of the university library
with focus in the participatory management and has as research object the Comissões
Especializadas de Estudos (CEES) of the Sistema de Bibliotecas of the Universidade Federal
do Ceará (SB/UFC), created with the intention to generate organizacional knowledge, to
motivate the participation in the power to decide process and to awake the feeling of
commitment with the mission and goals of the organization. The objective of the research was
to know the opinion of the members of the CEES concerning the participation in the quarrel
processes and taking of decision that occur in the meetings of each commission. The research
is of the exploratory type and used as instrument for the collection of information the
documentary research and the electronic questionnaire, applied to the members of the
commissions. After this study, one showed that the commissions work in a climate of
informality, participation and taking of decisions consensus. Moreover, capacity to know to

1188

�hear with attention, civilized divergences, opened communication, shared leadership and well
defined attributions are evidenced in the research as positive. However, the commissions need
to improve how much to the diversity of integrant, the relation with the academic community
and the self-evaluation.
Keywords: Knowledge management; Processes and tools; University libraries; Teamwork.

1 INTRODUÇÃO
No final da década de 1970, a crise do Estado do bem-estar social se intensificou e se
instalou nos países que vivenciaram a denominada “Era dourada do capitalismo”
(HOBSBAWN, 2001), uma situação de ingovernabilidade que atingia as dimensões
econômicas, politicas e administrativas.
Em razão desse fenômeno, as burocracias públicas passaram a ser duramente
criticadas por sua ineficácia e ineficiência e a solução para conter a alardeada crise do Estado
foi importar o modelo de gestão do setor privado para o público, denominado Managerialis
(Gerencialismo), tendo sido implantado inicialmente na Grã-Bretanha (1979) e Estados
Unidos (1980) e, posteriormente passou a ser recomendado para os países capitalistas
periféricos.
No Brasil, a tentativa de adoção do modelo gerencial como instrumento de
modernização da Administração Pública Brasileira, teve o seu auge em 1995 através da
reforma estatal empreendida pelo Ministério da Administração e Reforma do Estado
(MARE), com forte inspiração neoliberal. O gerencialismo é entendido como um “importante
conjunto de tecnologias e práticas que pode ser contemplado como um produto da interseção
das racionalidades das políticas neoliberais e das receitas da gestão empresarial” (GIROTTO;
HIERN; AUDET, 2013).
Apesar da reforma gerencial não ter sido concluída, o governo brasileiro vem
insistindo na qualidade do atendimento prestado aos cidadãos pelos órgãos e pelas entidades
da Administração Pública Federal direta, indireta e fundacional que atendem diretamente aos
cidadãos. A opção pelo “Cidadão-Cliente” foi o princípio que conduziu todas as decisões e
ações relativas à excelência na administração, com a introdução de mudança de uma cultura
burocrática para uma cultura gerencial nos serviços do setor público.
A introdução de novos modelos gerenciais no âmbito das Instituições de Educação
Superior no Brasil gerou um antagonismo de difícil compatibilização. De acordo com
Sampaio e Laniado (2009), os entraves e ameaças para a modernização da gestão universitária

1189

�se encontram em seu próprio interior, fazendo-se presentes nas práticas obsoletas, na
dificuldade em adequar-se a um novo contexto de relações sociais em um mundo
economicamente complexo, em virtude do seu conservadorismo persistente, além do
corporativismo e de um individualismo exacerbado.
Este artigo analisa a experiência do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do
Ceará (SB/UFC), centrado na temática da gestão universitária e mais especificamente em
modelos participativos, baseados nos princípios democráticos, buscando estabelecer
estratégias para envolver os funcionários lotados na unidade de informação, na busca de
soluções para os problemas detectados, visando alcançar a qualidade dos produtos e serviços
de informação, demandadas pela comunidade acadêmica em suas atividades de ensino e
pesquisa.
O modelo em estudo se refere às equipes de trabalho, denominadas Comissões
Especializadas de Estudo (CEES), criadas desde 2003 pela direção da BU. O desempenho das
comissões tem sido considerado pelo diretor do Sistema de Bibliotecas/UFC uma forma de
concretizar a gestão participativa e, portanto, uma estratégia válida que precisa ser continuada.
Desta consideração, surgiu a motivação para analisar até que ponto pode-se considerar
que as CEES constituem formas concretas de participação na tomada de decisão na qual se
alia qualidade e participação.

2 A MUDANÇA NA GESTÃO UNIVERSITÁRIA
A Nova Gestão Publica (NGP) foi adotada inicialmente no Reino Unido e Estados
Unidos e, depois, se expandiu por todos os países que desejavam encontrar soluções para
enfrentar as problemáticas de ajuste fiscal. Os problemas vinculados ao gerencialismo nas
Instituições de Educação Superior (IES) e seus impactos diretos no processo de tomada de
decisão, na elaboração e implementação de estratégias tem sido estudados no âmbito anglosaxão e em alguns países europeus que analisam a influência desse fenômeno nas práticas
estratégicas das universidades (GIROTTO; HIERN; AUDET, 2013).
No início dos anos de 1990, nos governos de muitos países europeus, as políticas para
a educação superior assumem uma tendência mercantilista e passam a exigir uma gestão
institucional mais forte, dando-se uma maior autonomia às instituições, ênfase na prestação de
contas e financiamento baseado em indicadores de rendimento e estabelecimento das
competências entre as instituições.
Na visão de Girotto; Hiern e Audet (2013), ocorre uma tendência de converter as
universidades em organizações fortemente vinculadas às atividades econômicas e esse fato se

1190

�reflete em adjetivações como “Universidade Empreendedora”, “Universidades de Êxito
Autossuficientes”, “Espírito Empreendedor Acadêmico”.
Além disso, durante a última década, se observa na literatura acadêmica o discurso
sobre o conceito de governança segundo o qual se passou de um sistema de professorado para
um sistema de “gestores” que estão cada vez mais sujeitos ao mercado externo e às regulações
estatais.
O neoliberalismo encontrou intensiva adesão na esfera administrativa pública
brasileira. No contexto da IES, essa perspectiva emerge, conforme Morosini (2009), passando
a combinar desempenho e distribuição de recursos como imposição das mudanças
econômicas, decorrentes da estruturação do capitalismo. Instala-se a cultura da pedagogia da
qualidade, voltada para a excelência institucional, semelhante ao setor privado.
Não se discorda que as IES devem ser geridas de forma eficiente e eficaz, desde que
não percam de vista o sentido do conjunto da missão institucional, seus objetivos, a
identificação da causa dos seus problemas e deficiências, o fortalecimento das relações de
cooperação entre os diversos atores institucionais, a interrelação entre atividades fins e meios,
que as atividades e serviços desenvolvidos pela universidade são direcionados à sociedade
(DIAS SOBRINHO, 2008).
Esteves (2013), afirma que os estudos sobre os processos de gestão e sobre sua
adaptação nos Planos Diretores Institucionais é fundamental para que se tenham respostas
efetivas nos projetos das universidades federais. O autor, ainda, citou que esses planos
necessitam ser mais participativos e que se deve pensar em novas ferramentas norteadoras
para os projetos e expansões das universidades.
Nesse processo, é fundamental a mudança de mentalidade dos envolvidos e a
capacidade de participar em processos decisórios mais consensuais, o que exige tempo e
habilidade política, envolvendo esforços prolongados e contínuos para o rompimento com
práticas instituídas de caráter limitador (SAMPAIO e LANIADO, 2009).

2.1 Gestão Participativa
A administração do século XXI tem se apoiado em modelos participativos de gestão
para administrar o seu capital intelectual com vistas a adquirir vantagem competitiva,
combinando conhecimentos, informações e tecnologias para inovar, agregar valor a produtos
e serviços e garantir a sustentabilidade em um ambiente de economia globalizada e altamente
seletiva.

1191

�O clima de crise e incerteza que afeta as organizações e os seus componentes
impulsiona a busca de alternativas que viabilizem novas formas de funcionamento, objetivos,
cultura e processos organizacionais que incluam a ética, a responsabilidade social, a cidadania
corporativa e o desenvolvimento sustentável nas políticas gerenciais e empresariais (MACIEL
e SILVA, 2008).
Nessa perspectiva, emerge no âmbito da administração a gestão participativa como
uma das estratégias das empresas para envolverem seus colaboradores no processo produtivo,
conciliando interesses entre vida pessoal e vida no trabalho.
O termo “participação” na área da administração comporta concepções teóricas
diferentes e divergentes. Mendonça (1987 apud PREDEBON; SOUSA, [2014]), compreende
e concebe o termo participação em cinco categorias: socialista, democrática, relações e
desenvolvimento humano, produtividade e eficiência. Além disso, é preciso compreender
alguns temas como divisão do trabalho, alienação, integração e conflito.
Apesar da gestão participativa não ser um tema recente, o entendimento do conceito
no seio da administração ainda é polêmico e visto como uma forma de colocar o colaborador
para participar da gestão, das decisões, ou seja, fazer com que se sinta integrado no processo
de trabalho e que tenha possibilidade de agir sobre esse processo. (FARIA, 1987 apud
PREDEBON; SOUSA, [2014], p. 3).
A gestão participativa é uma forma de gestão que se encontra no primado da gestão
capitalista. O primeiro registro de participação nos lucros foi em 1797, na Pensilvânia, e o
pioneiro do movimento de gestão participativa, segundo Freitas (1991 apud PREDEBON;
SOUSA, [2014].), foi Herbert Henry Dow, do Grupo Dow Chemical, que em 1897 implantou
o plano de participação nos lucros e convidava os trabalhadores a que investissem na empresa
e acreditassem no seu futuro.
Na história da industrialização no Brasil, o grande empresário Irineu Evangelista de
Souza, mais conhecido como “Barão de Mauá” ou “Visconde de Mauá” é apresentado como
exemplo de administrador que adotou o estilo de gestão participativa (FONTES FILHO, s.d.),
(PINTO, COSTA, 2009). Mauá implantava em seus empreendimentos um modelo inovador e
característico de gestão de pessoal, tais como: o sistema de gerência altamente
descentralizado, o qual valorizava a responsabilidade individual de cada empregado e o
trabalho; investia em salários mais altos para ter o melhor pessoal a seu lado; para os cargos
mais altos, distribuía lucros. Distribuindo autoridade ampliava seu raio de ação.
Na visão de Fontes Filho (s.d., p.12), “Mauá apostou na diversificação e foi um
criador das mudanças, num mundo onde os grandes empresários privados costumavam ter

1192

�uma única empresa”. Dessa forma, Mauá inaugurava um modelo de administração
participativa, praticando a premiação positiva, contratando empregados quando a base do
sistema produtivo era a mão-de-obra escrava, condenava o nepotismo e valorizava a
meritocracia (FONTES FILHO, s.d.).
Além disso, o reconhecimento de Mauá como empreendedor se atribui a sua
capacidade de lidar com planejamento, análises econômicas e informações de mercado e que,
em diversas situações, foi capaz de analisar o cenário para tomada de decisão, confere a Mauá
um comportamento empreendedor, pois não tinha medo do novo e ultrapassou sua existência
(FONTES FILHO, s.d., p. 11).
Para Santos et al. (2001), a participação e o comprometimento de todos com a missão
da organização são os pilares de sustentação da gestão participativa. O comprometimento é a
característica mais importante da administração participativa, pois disciplina a atuação
individual. A participação deve ser entendida como um processo na organização e não apenas
como uma estratégia que gera assembleias de negociação ou decisão.
Silveira (2014), afirma que a democratização das relações sociais, o desenvolvimento
de uma classe trabalhista, a elevação do nível educacional, a complexidade e a intensificação
das comunicações são algumas das razões que justificam a adoção de modelos de gestão com
um maior grau de envolvimento e participação.
Gestão participativa ou administração participativa é o conjunto harmônico de
sistemas, condições organizacionais e comportamentos gerenciais que provocam e incentivam
a participação de todos no processo de administrar. Visando, através dessa participação, o
comprometimento com os resultados (eficiência, eficácia e qualidade) não deixando a
organização apresentar desqualificação (MARANALDO, 1989, p. 60).
Esse processo de participação constrói processos verdadeiramente democráticos. Não
é apenas para um processo consultivo ou comunicativo que ocorre de forma vertical. É uma
construção coletiva e todos se consideram colaboradores com potencial para emitir opinião
que redundem em melhoria no processo de trabalho e qualidade nos produtos e serviços.
(STWART, 1998).
São citadas como características da gestão participativa, além do enriquecimento do
perfil do gestor e da coerência entre estratégia e ação: criação de atores e disseminadores;
repartição das funções de gerenciamento entre direção/gerentes e subordinados; inserção de
uma gestão global e finalizada; articulação entre indivíduos e grupos; busca de sinergia e
complementaridade entre o funcionamento cotidiano e as perspectivas.

1193

�Muito se fala de participação no âmbito da gestão universitária, mas não há clareza de
como se dá a sua efetivação, já que o termo assume muitos significados. A estrutura
centralizadora e burocrática da universidade, a dimensão política e a sociocultural são fatores
que limitam a implementação de propostas de modernização (SAMPAIO; LANIADO, 2009,
p. 167).
A dimensão institucional inclui os aspectos que se situam dentro da própria
organização ou, ainda, que estejam fora dela, tais como: legais, financeiros, comunicação
interna, estrutura organizacional e outros aspectos correlatos. A dimensão política se refere
aos limites identificados nas relações entre indivíduos e grupos, as tensões que se
estabeleceram, assim como a fragmentação e os conflitos entre os membros da administração
central e grupos presentes na organização universitária. Na dimensão sociocultural estão
agrupados os discursos que remetem à existência de hábitos, valores e crenças presentes no
ambiente organizacional e se reportam à sociedade como um todo.
Valores como cooperação, participação, transparência, ética pública, austeridade
administrativa, democracia interna e cidadania requalificam a temática da gestão universitária
e as práticas nela presentes.

2.2 As Comissões Especializadas de Estudo: contribuição no processo decisório
A direção da Biblioteca Universitária (BU), apostando no potencial criativo e inovador
dos seus colaboradores para criar conhecimento organizacional e incentivar a participação,
convocou os funcionários do Sistema de Bibliotecas/UFC para comporem, voluntariamente,
às Comissões Especializadas de Estudo (CEES).
A criação das CEES fazia parte das ações previstas no planejamento estratégico para o
quadriênio 2003-2007. Segundo Cid et al. (2006), as CEES unem saberes, informação e
conhecimento científico para a resolução de problemas. Dessa forma, as decisões
administrativas são descentralizadas e imprimem um caráter participativo à gestão da
biblioteca universitária.
O Quadro 1 elenca as principais comissões já criadas no SB/UFC, destacando os
objetivos que cada comissão estabeleceu para si.

1194

�Quadro 1. Comissões do Sistema de Bibliotecas da UFC
CO M ISSÕ ES

O BJETIVO S

C atalogação

Elaborar a política de indexação do Sistema de Bibliotecas da UFC;
apresentar alternativas visando à eliminação de inconsistências de
catalogação no Sistema Pergamum.

A cervo

Atualizar constantemente a política de desenvolvimento do acervo,
considerando aspectos como acessibilidade, suportes impressos e
eletrônicos, tipo de material.

A cessibilidade

Dotar o SBUFC com todos os requisitos de acessibilidade para
atender, adequadamente, usuários com deficiência.

Educação
de U suários

Propor cursos e treinamentos para usuários recém-ingressos e veteranos
nos cursos de graduação e pós-graduação, acerca do uso de todos os
serviços ofertados pelo SBUFC.

Realizar eventos de cunho educativo sobre voltados para a
preservação do acervo e exploração do seu potencial informativo;
realizar eventos integração dos funcionários como forma de melhorar
o relacionamento interpessoal.
Atualizar e elaborar manuais e guias sobre normalização de trabalhos
N orm alização
acadêmicos, com base nas normas internacionais e nacionais e
divulgar para toda a comunidade acadêmica.
Promover a capacitação e a qualificação de servidores, lotados no
Pessoal
SBUF, em parceria com a Superintendência de Recursos Humanos da
UFC.
Avaliar, constantemente a qualidade dos produtos e serviços ofertados
Serviços
pelo SBUFC à comunidade acadêmica.
Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.
Eventos

Cada comissão deve:
Escolher seu relator e coordenador juntamente com seus membros; elaborar seu plano
de ação, aliado às estratégias gerais do SB/UFC; elaborar sua metodologia de trabalho; enviar
seus relatórios anuais sobre as ações realizadas, bem como as perspectivas para o ano
seguinte; apresentar o produto de seu trabalho (propostas, intervenções, sugestões e decisões)
à direção da biblioteca; socializar o conhecimento produzido em cada comissão por meio de
relatórios, manuais e guias, em reuniões ou em seminários.
A função das CEES é buscar soluções para os problemas relativos a cada uma das
dimensões elencadas no Quadro 1, estritamente relacionadas com a melhoria da qualidade dos
produtos e serviços ofertados ao usuário.

1195

�Na dinâmica desse processo, os integrantes das comissões tem total autonomia para
expressarem o seu ponto de vista, dar sugestões e ideias. Nesse diálogo, são partilhados
saberes e conhecimentos que redundam em informações para auxiliar a tomada de decisão.
Conforme a visão de Nonaka e Takeuchi (1997), acerca da criação de conhecimento
na empresa, as CEES podem ser consideradas formas de transformar conhecimento tácito em
explícito, daí, gestão do conhecimento e da informação são formas concretas de participação,
comprometimento e desenvolvimento do trabalho. O objetivo das CEES tem como foco a
qualidade dos produtos, serviços e satisfação dos usuários.

Figura 1. Comissões do Sistema de Bibliotecas da UFC

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Cruz (2002, p.35), elenca algumas vantagens que a implementação do trabalho em
equipe proporciona às organizações: a) velocidade, b) complexidade, c) foco no cliente, d)
criatividade, e) aprendizagem organizacional e f) ponto único de contato.
Reforçando também o valor do trabalho em equipe, Robbins &amp; Finley (1997, p. 8-9),
identificam como vantagens: aumento da produtividade, melhoria na comunicação, realização
de tarefas que grupos comuns não podem fazer, melhoria no uso dos recursos, criatividade nas
resoluções de problemas e tomada de decisões de alta qualidade, resultando em melhores
processos, produtos e serviços.
Na visão de Parker (1995), uma equipe deve apresentar as seguintes características:
propósito claro, informalidade nas reuniões, participação, saber ouvir com atenção,

1196

�divergência civilizada, decisões de consenso, comunicação aberta, papéis e atribuições bem
definidas, liderança compartilhada, relações externas, diversidade de estilo e autoavaliação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada foi a pesquisa exploratória, tendo como população pesquisada
todos os membros das comissões. Para coleta de dados foi utilizado o questionário eletrônico,
criado com o auxilio da ferramenta Google Docs, que fornece suporte via formulário
eletrônico para se viabilizar as análises quantitativas. O universo da pesquisa foram os 41
integrantes das CEES que receberam os formulários online. Desse total obteve-se 70% de
participação.
As variáveis submetidas à avaliação foram adaptadas das características ou
comportamento de uma equipe eficaz, segundo Glenn M. Parker (1995): 1. Propósito claro; 2.
Informalidade; 3. Participação; 4. Ouvir com atenção; 5. Divergência civilizada; 6. Decisões
de consenso; 7. Comunicação aberta; 8. Papéis e atribuições bem definidas; 9. Liderança
compartilhada; 10. Relações com a comunidade acadêmica; 11. Diversidade de integrantes;
12. Autoavaliação.
Rensis Likert, em 1932, elaborou uma escala para medir esses níveis chamada de
Escala de Likert para possibilitar uma melhor análise estatística, com intuito de medir atitudes
através de uma série de afirmativas relacionadas ao objeto pesquisado e seu grau de
concordância ou discordância relacionada a este (BRANDALISE, 2005). As respostas
assumiram uma escala classificada de 1 a 4, sendo cada valor associado às seguintes opções
de resposta: 1. Concordo totalmente; 2. Concordo; 3. Discordo; 4. Discordo totalmente.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Foi procedida uma análise dos dados e discussão dos resultados coletados a partir da
pesquisa documental exploratória, bem como do questionário eletrônico criado e aplicado por
meio do suporte da ferramenta Google Docs. Na sequência, são delineados os principais
aspectos resultantes da pesquisa:
1. Propósitos claros
A visão, as metas, as tarefas estão definidas e aceitas por todos. Há um plano de ação
em andamento. Nesse item confirma-se a existência dos propósitos das comissões a partir da
verificação do documento que condensa o Planejamento Estratégico do Sistema de
Bibliotecas/UFC, elaborado para o período do ano corrente. O planejamento foi construído de

1197

�forma participativa em um seminário com duração de 2 dias, com todos os funcionários
lotados na unidade.
2. Informalidade
Nesse item procurou-se identificar se as pessoas se sentiam à vontade e descontraídas.
E se não existiam sinais de tédio ou tensões que levassem a conflitos. A informalidade,
segundo Parker (1995), é uma das características ou comportamento de uma equipe eficaz, é
uma variável que tem por objetivo conhecer se as reuniões das comissões acontecem em um
clima confortável e descontraído. Nesse aspecto, o Gráfico 1 mostra que 63% dos
entrevistados concordaram totalmente que predomina um clima de informalidade, 33%
concordaram e apenas 4% discordaram.

Gráfico 2. Informalidade

□ C oncordo to ta lm e n te
d C oncordo
d Discordo
d D iscordo T otalm en te

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

3. Prticipação
O Gráfico 2, revela que em relação à participação, 59% dos entrevistados concordaram
totalmente e 41% apenas concordaram que existe muita discussão nos grupos e todos os
membros são incentivados a participarem das discussões e decisões. Portanto, a participação é
uma variável percebida por todos como um processo que se concretiza nas reuniões.
Segundo Gandin (1995) para que as pessoas participem, devem, antes de tudo, ser
levadas a sério. O importante é definir que, para construir um processo participativo com
distribuição de poder, não é suficiente pedir sugestões e aproveitar aquelas que pareçam
simpáticas ou que coincidem com pensamentos ou expectativas dos que coordenam. É
necessário que o plano se construa com o saber, com o querer e com o fazer de todos. Deve-se
entender que nessa gestão deve se assumir responsabilidades e que se houverem resultados
podem existir recompensas (BIZON, 2013).

1198

�Gráfico 2.Participação
0%

■ C o n c o rd o to ta lm e n te
■ C o n c o rd o
I D iscordo
■ D iscordo T o ta lm e n te

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

4. Ouvir com atenção
Os membros das comissões revelaram que sabem ouvir sugestões, ideias e críticas dos
participantes. Consta-se a predominância dessa resposta mostrada no Gráfico 3, pelo
percentual de 63% dos entrevistados que concordaram e 37% concordaram totalmente com
essa característica da equipe.
Saber ouvir opiniões diferentes e aprender a lidar com opiniões divergentes são
características necessárias aos gestores para levarem à frente uma proposta de trabalho
coletivo. Além disso, recomenda-se oferecer subsídios teóricos para elucidar dúvidas
existentes e comentar experiências conhecidas. Segundo Andrade (2008, p. 14), a
administração participativa abre as portas para a inclusão das ideias dos funcionários nos
diversos níveis da organização, fazendo com que esses profissionais se tornem mais
motivados e se sintam parte integrante do processo.
Gráfico 3.Ouvir com atenção

□ Concordo totalmente
□ Concordo
□ Discordo
n Discordo Totalmente

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

5. Divergência civilizada
Pelo percentual das respostas apresentadas no Gráfico 4, foi verificado que 59%
optaram pela opção concordo, e 37% que optaram por concordo totalmente, constatando-se
que os conflitos e as divergências existentes não são evitados e nem reprimidos, mas aceitos
como impulsionadores de mudanças. O papel do gerente, mediante tais situações, começa

1199

�com um cuidadoso diagnóstico da situação específica de conflito, devendo reunir e orientar as
pessoas envolvidas de como proceder de forma racional reduzindo assim de imediato o
conflito (VIEIRA, 2014).
Apenas 4% dos entrevistados não percebem as divergências nas discussões e se as
opiniões forem diferentes, não haverá punições.

Gráfico 4. Divergência

0%
4% I

■ C o n co rd o to ta lm e n te
37%
59%

■ C o nco rdo
■ Discordo
■ Discordo T o ta lm e n te

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

6. Decisões de consenso
O consenso nas decisões importantes apresentado no Gráfico 5, por meio de votação,
foi apontado por 56% dos entrevistados que concordaram totalmente com a utilização desse
instrumento de decisão. Também foi expressivo o percentual de 37% daqueles que
concordaram e apenas 7% discordaram que a tomada de decisão é feita de forma consensual.
“É uma forma moderna de reduzir conflitos, aumentar a produtividade e alcançar a excelência
empresarial com distribuição de resultados” (LERNER, 1996, p. 11).

Gráfico 5. Decisões de consenso
0%
■ C o n c o rd o to ta lm e n te
■ C o n c o rd o
■ D is c o rd o
■ D is c o rd o T o ta lm e n t e

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

7. Cmunicação aberta
Conforme apresentado no Gráfico 6, houve uma incidência maior de respostas na
escala de valor que expressa a opinião de (70%) dos membros das comissões que
concordaram totalmente que as decisões são tomadas em reuniões e 19% por cento apenas
concordaram. A comunicação não é aberta para 11% dos entrevistados que percebem algumas

1200

�decisões tomadas fora das reuniões. Cabe ao administrador informar, apoiar, orientar e
facilitar o trabalho do grupo. As informações precisam estar disponíveis aos membros, para
tomadas de decisões corretas e os funcionários realmente vestirem a camisa da empresa.
Através desse modelo, o todo trabalhando em conjunto tem um poder de produtividade muito
maior do que a soma das partes isoladas (VIEIRA, 2014, p.13).

Gráfico 6.Comunicação aberta
0%

□ Concordo totalmente
□ Concordo
□ Discordo
□ Discordo Totalmente
Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

8. Papéis e atribuições bem definidas
Um percentual de 59% dos entrevistados concordou que os papéis desempenhados
pelos membros das comissões estão claramente definidos. Já 39% incidiram sobre a
concordância total. Apenas 11% discordaram da justa distribuição de trabalho entre os
membros das equipes, como pode ser observado no Gráfico 7 a seguir. Os papéis e as
atribuições definidos para cada participante são discutidos em cada comissão, ficando a cargo
do coordenador delegar responsabilidade, autoridade, liberdade e autonomia de ação. Cabe a
ele, também, a definição dos papéis de cada membro e o acompanhamento da realização das
tarefas.

Gráfico 7. Papéis e atribuições bem definidas
0%

□ Concordo totalmente
□ Concordo
□ Discordo
59%

□ Discordo Totalmente

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

1201

�9. Liderança compartilhada
Embora a equipe tenha um coordenador, as funções de liderança mudam
constantemente, conforme as circunstâncias, necessidades da comissão e habilidades dos
integrantes.
Conforme apresentado no Gráfico 8, foi identificado que 56% dos membros optaram
pela resposta concordo, 33% concordam totalmente e apenas 11% discordam. Em um grupo
que se propõe a realizar uma atividade complexa, a liderança é fundamental. Esta liderança
pode ser partilhada por um grupo ou ser relativamente distribuída por todos.
Gráfico 8. Liderança compartilhada
0%
□ C o n c o rd o to ta lm e n te
□ C o n c o rd o
□ D iscordo
Cl D iscordo T o ta lm e n te

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

10.Relações externas
Significa a mobilização por recursos, credibilidade externa e reconhecimento são os
motores dessa abertura da equipe para fora.
O Gráfico 9 mostra que a credibilidade junto à comunidade universitária representada
por relacionamentos importantes fora do grupo é percebida por 48% dos membros
entrevistados, 33% concordaram e 19% revelaram que a equipe não desenvolve ações para
estabelecer relacionamento com a comunidade externa. O Sistema de Bibliotecas estabelece
relações com a comunidade por meio da Comissão de Eventos, como as campanhas anuais de
preservação do acervo, os treinamentos ofertados à comunidade pelas Comissões de Usuários
e de Normalização. Além do apoio e da infraestrutura da BU e das Pró-Reitorias para
realização de seminários, treinamentos e assessorias.

Gráfico 9. Relações com a comunidade universitária
0%

□ C o n c o rd o to ta lm e n te
□ C o n c o rd o
Cl D is c o rd o
Q D is c o rd o T o ta lm e n t e

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

1202

�11. Dversidade de integrantes
Todos os funcionários lotados na Biblioteca Universitária são convidados a participar
das comissões. Esse trabalho não é remunerado e as reuniões ocorrem em horário de trabalho,
geralmente uma vez por mês, dependendo da necessidade de cada comissão. O Gráfico 10
mostra que 48% dos respondentes discordaram que a equipe possua uma grande variedade de
tipos de integrantes. 37% dos respondentes concordaram com a carência de diversificação de
integrantes nas comissões. Concordaram totalmente com essa característica da equipe apenas
11% dos entrevistados e apenas 4% dos entrevistados discordaram totalmente com essa
característica de uma equipe diversificada e consideraram que há predominância de
bibliotecários nas comissões.

Gráfico 10. Diversidade de integrantes
4%

I C o n c o r d o t o t a lm e n t e
I C o n c o rd o
I D is c o r d o
I D i s c o r d o T o t a lm e n t e

Fonte: Dados da Pesauisa. 2014.

12. Autoavaliação
Essa variável teve por finalidade identificar se o processo de autoavaliação é realizado
periodicamente pelas comissões, para identificar o que interfere em sua eficácia, pois a
autoavaliação é sempre imprescindível em qualquer processo que envolva resultados de
prestação de serviços. O Gráfico 11 mostra que prevaleceu essa opinião em 22% dos
entrevistados que concordaram totalmente e 59% apenas concordaram. Já as discordâncias
representam 15% entre os que discordam e 4% que discordam totalmente.
A autoavaliação é encarada, nas comissões, como um processo regulador inerente à
gestão que busca melhorias contínuas que trarão benefícios para todos.

Gráfico 11. Autoavaliação
4%
□

C o n c o r d o t o t a lm e n t e

□

C o n c o rd o

□

D is c o r d o

□

D i s c o r d o T o t a lm e n t e

Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

1203

�5 CONIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa revelou que é possível, no contexto da gestão universitária,
especificamente no subsistema universitário biblioteca, incentivar a participação dos
funcionários nos processos de trabalho para se atingir resultados satisfatórios.
O que tem facilitado o trabalho das Comissões Especializadas de Estudo é a ideia de
sistema que se difundiu nas Bibliotecas da UFC. Esse fato é relevante porque se fortalece o
sentimento de pertença a um setor de trabalho dentro da universidade, mesmo considerando
que as bibliotecas estão fisicamente instaladas em campi distantes geograficamente.
Conceber uma organização como um sistema vivo é um grande desafio para uma
sociedade alicerçada no modelo cartesiano que já solidificou o conceito de organização como
conjunto de partes interligadas, obedecendo a comandos exteriores. A criação das CEES se
baseia na concepção de organização como agrupamentos humanos, considerados sistemas
vivos, redes sociais responsáveis pela criação do conhecimento, pois Capra (2002) diz que são
nos indivíduos e não nas máquinas que está presente a criatividade, a capacidade de aprender,
a mudança e o desenvolvimento.
Com base nesse pensamento, admite-se que são os seres humanos que criam, utilizam
e compartilham suas ideias para criar riqueza em uma organização, agregando valor a
produtos e serviços. E é essa a lógica de trabalho das CEES, uma vez que seus objetivos estão
orientados para aumentar a satisfação da comunidade acadêmica com os produtos e serviços
por ela demandados.
Não se pode afirmar, ainda, que a gestão da biblioteca tenha atingido a excelência na
qualidade. Porém, é preciso saber combinar pontos fortes e oportunidades para minimizar ou
eliminar os pontos fracos presentes no ambiente interno da instituição. A excelência ou não
qualidade do serviço público ofertado ao cidadão-cliente é responsabilidade de todos,
incluindo a alta administração até o nível operacional.
Com isso, as Comissões Especializadas de Estudo podem ser consideradas uma prática
bem sucedida de gestão participativa no serviço público e que ajudam a extirpar, aos poucos,
a imagem consagrada de servidores públicos apáticos e acomodados, à medida que se cria a
cultura participativa, comprometida com o trabalho.

6 REFERÊNCIAS
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organização. 2008. 45f. Monografia (Especialização) - Escola Superior de Magistratura em
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1207

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>Gestão participativa: o caso das comissões especializadas de estudo do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará - UFC.</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <elementText elementTextId="74395">
                <text>Bezerra, Neiliane Alves, Mesquita, Margareth de Figueiredo Nogueira, Sousa, Maria Marlene Rocha de, Barrocas, Amélia Landim, Lima, Alberto Sampaio </text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFMG</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2014</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="74401">
                <text>Nesta pesquisa, abordou-se a gestão participativa e a aprendizagem organizacional como estratégias de gestão para melhorar a qualidade no atendimento aos serviços e produtos nas empresas do setor público e do privado. Este artigo apresenta o resultado da avaliação das Comissões Especializadas de Estudo (CEES) o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SB/UFC) acerca da participação das mesmas na tomada de decisão gerencial, bem como um instrumento para capacitar a aprendizagem organizacional. Considera-se a criação das CEES uma estratégia bem sucedida para gerar conhecimento organizacional, motivar a participação no processo decisório, despertar o sentimento de comprometimento com a missão e metas da instituição. A pesquisa realizada foi do tipo exploratória e utilizou como instrumento para a coleta de informações, a pesquisa documentária e o questionário eletrônico, aplicados aos membros das comissões. Após o estudo, revelou-se que as CEES são espaços de diálogos que fornecem as informações que ajudam nas tomadas de decisão e, consequentemente, contribuem para o aprimoramento da qualidade dos produtos e serviços ofertados a sua clientela. </text>
              </elementText>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NETWORKING EM BIBLIOTECAS:
O CASO DAS BIBLIOTECAS DO SUL DE SANTA CATARINA
Maisa Amorim Bleyer
Cristiane Salvan Machado
Maiara Danusa de Medeiros
RESUMO
Este trabalho apresenta um breve relato de experiência de alguns bibliotecários da UDESC,
SATC e UNISUL sobre a importância do desenvolvimento de uma rede de relacionamento e
os benefícios alcançados com o networking. Também revela os conceitos de redes sociais,
networking e como funcionam diariamente. Além disso, descreve cada uma das instituições
representadas pelas autoras e destaca algumas ações desenvolvidas em parceria com outros
profissionais do sul de Santa Catarina. Enaltecendo a importância de relacionamentos bem
alicerçados para que se tenha um melhor resultado no seu trabalho, onde os ganhos de troca
de ideias e experiências são recíprocos.
Palavras-Chave: Networking; Bibliotecas; Redes sociais.

ABSTRACT
This paper presents a brief account of the experience of librarians UDESC, SATC and
UNISUL about the importance of developing a network of relationships and the benefits
achieved with networking. Reveals too the concepts of social networking, networking and
how to function daily. Moreover, describes each of the institutions represented by the authors
and highlights some actions developed in partnership with other professionals in the south of
Santa Catarina. Praises the importance of relationship well-grounded in order to have better
results in their work, where gains for exchanging ideas and experiences are reciprocal.
Keywords: Networking; Librarians; Social networks.

1 INTRODUÇÃO
As

necessidades

informacionais

desempenham

um

papel

relevante

no

desenvolvimento de atividades em parceria entre as bibliotecas. Neste contexto, os contatos
profissionais se intensificam avançando para diferentes segmentos. Diante disso, pensou-se
em relatar a experiência sobre a importância das redes de relacionamento no apoio ao
desenvolvimento das atividades nas Bibliotecas.

3030

�Aqui especificamente se descreve o grupo existente hoje na região sul de Santa
Catarina, compreende também a oportunidade de lançar novas propostas para que este tipo de
rede tenha um resultado mais eficiente e apontar os benefícios resultantes do exercício da
atividade profissional desenvolvida neste modelo.
Este artigo quer levar um pouco da nossa experiência profissional relacionada ao
convívio social em eventos, redes sociais, encontros e principalmente nas comemorações do
dia do Bibliotecário, berçário deste artigo. Vale destacar que descrevemos apenas as
instituições nas quais as autoras tem vínculo empregatício, mas o grupo é composto por várias
outras instituições do sul de Santa Catarina. As três instituições citadas no artigo são: SATC,
Unisul e UDESC.
A Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC) foi
criada em 1959, nascendo do compromisso dos mineradores da região sul de Santa Catarina
com o desenvolvimento econômico aliado ao desenvolvimento humano. Desde que foi criada
a instituição já passou por várias revitalizações. Hoje seu organograma contempla duas
grandes áreas principais: A SATCEDU, composta pela Escola Educacional Técnica SATC
(Edutec), Extensão SATC, Faculdade SATC e a SATCTEC, com os laboratórios Laec, Laqua
e Lametro, Centro Tecnológico de Carvão Limpo (CTCL) e Incubadora. Instalada na cidade
de Criciúma/SC, o campus possui uma área total de 550.000m , sendo 33.000m de área
construída. Seus 60 laboratórios possuem equipamentos de nível tecnológico avançado. São
83 salas de aula, biblioteca com 30 mil títulos, complexo esportivo com dois ginásios
cobertos, dois campos de futebol e pista de atletismo. Possui atualmente cerca de sete mil
alunos e mais de 650 colaboradores.
A Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), instituição pública de direito
privado, iniciou sua história no município de Tubarão/SC em 1964. Com uma estrutura multicampi, tem bibliotecas nos campi de Tubarão, Grande Florianópolis e UnisulVirtual, nas suas
unidades de Araranguá, Içara, Braço do Norte, Florianópolis e Palhoça e nos pólos de apoio
do ensino a distância distribuídos em todo o território nacional. Tem em seu acervo
bibliográfico mais de 200.000 exemplares de obras em formato impresso e eletrônico. De
acordo com Cybermetrics Lab 2013, a Unisul está entre as 56 melhores universidades
brasileiras, no que tange à disseminação do conhecimento na web.
A Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), pública de ensino gratuito,
iniciou com a Faculdade de Educação (FAED) em maio de 1963 em Florianópolis. Hoje com
12 unidades em todo o estado como Grande Florianópolis, Joinville, São Bento do Sul, Lages,
Chapecó, Palmitos, Pinhalzinho, Ibirama, Balneário Camboriú e Laguna, atendendo a 32

3031

�cursos ofertados com entrada semestral para cursos presenciais e apoio aos cursos do ensino a
distância.
Considerando a biblioteca como um espaço democrático de apoio ao ensino e
aprendizagem, pesquisa e extensão, assim como ao lazer, onde os ambientes são preparados
para a construção do conhecimento a partir das informações disponíveis em seu acervo físico
e eletrônico, se torna imprescindível a sua atuação além-muros, pois as informações não se
esgotam, independentemente do seu suporte físico.
No contexto do desenvolvimento de atividades conectadas e dependentes, disseminar a
informação é uma das atividades das bibliotecas e bibliotecários, utilizando de todas as
formas possíveis e disponíveis para alcançar cada vez mais usuários e interessados em
aumentar seus conhecimentos e aprimorar seu trabalho profissional.
Há uma variedade de aplicações para o termo rede com diferentes modelos de
relacionamentos. Para este relato o termo rede se refere especificamente as redes
organizacionais, também conhecidas por networking., com abrangência além dos limites da
própria empresa, chegando inclusive a uma interação social.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Para Silva Junior (2007, p. 75) “as organizações, atuando de forma isolada, terão
menores condições básicas de sobrevivência e desenvolvimento, pois nenhuma empresa
domina sozinha, a totalidade dos conhecimentos exigidos para a realização do conjunto de
atividades necessárias ao seu crescimento e sustentação”.
Esta afirmativa contextualiza o cenário que permanece atual e provoca o
desenvolvimento de relações e atividades com outras empresas ou pessoas como meio de
subsistência mercadológico. Com o variar de interpretações sobre as informações, discutir
pontos de vista se tornou um exercício do aprimoramento intelectual e social como expansão
do saber.
Até mesmo antes de nascer já estamos integrados ao que podemos chamar de
constelação humana, pois o feto tem pai, mãe, avós, médico e, as vezes,
irmãos. Durante um longo período, vivemos somente dentro dessa rede para
depois iniciar um processo de expansão dos relacionamentos. A partir daí,
cada vez que conhecemos novas pessoas damos mais nós, fazendo a
amarração dos fios que tecem nossas redes de relacionamentos.
(MINARELLI, 2001, p. 31).

Para Recuero (2011, p. 30) “as conexões em uma rede social são constituídas dos laços
sociais, que, por sua vez, são formados através da interação social entre os atores”. Vivemos

3032

�em sociedade, portanto as relações mesmo que profissionais se caracterizam também como
sociais onde seus laços permeiam diferentes segmentos.
O homem sempre teve a necessidade de se agrupar para conseguir atingir
seus objetivos, sejam estes voltados para a sobrevivência ou para um fim
específico. Os resultados conseguidos através dessa união agregaram valores
para cada indivíduo pertencente ao grupo em termos de competências
adquiridas, conhecimentos compartilhados, conteúdos transacionados e para
o grupo como um todo. (COSTA, 2008, p. 17).

Segundo Castells (2009, p. 566) "redes são estruturas abertas capazes de expandir de
forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede".
Entendemos assim que cada nó representa uma possibilidade de interação e/ou parceria, se
multiplicando em vários outros nós.
A rede é o canal que capta, integra e distribui informações, bens e serviços
com maior eficiência, e isso é verdade tanto na operação de negócios quanto
em relação às pessoas. Quando você se integra e cultiva sua rede de
relacionamentos, tem sempre mais oportunidades de captar o que necessita e
distribuir o que tem disponível. (MINARELLI, 2001, p. 30).

Para Aguiar e Silva (2010, p. 4), “o mundo não está dividido por ideologias, etnias ou
pela geografia, mas sim por redes sociais”.
A cooperação é o processo formador das estruturas sociais. Sem cooperação,
no sentido de agir organizado, não há sociedade. A cooperação pode ser
gerada pelos interesses individuais, pelo capital social envolvido e pelas
finalidades do grupo. Entretanto, é essencial para a compreensão das ações
coletivas dos atores que compõem a rede social. (RECUERO, 2011, p. 81).

O resultado deste trabalho voltado à finalidade de um grupo reflete o coletivo agindo
em objetivo comum.
A confiança entre os indivíduos é um elemento chave do capital social, pois
quanto mais se desenvolvem mais dão resultados, possibilitando maior
entendimento de como as pessoas estão interagindo. A identificação do
comprometimento dos indivíduos possibilita a geração dos benefícios do
capital social. Essa ideia certamente não é nova, mas faz as pessoas
pensarem sobre isso e entenderem a importância e a utilidade do capital
social; sem dúvida é uma nova forma de disseminar esse conceito. (COSTA,
2008, p. 32).

Para Minarelli (2001, p. 29) “são as pessoas da sua rede que nunca o deixarão sozinho
diante de alguma situação de emergência”. Isso nos dá a confiança para superar limites e
confiar no conjunto. Já para Darling (2007, p. 9) “fazer networking pressupõe atender aos
seus interesses e ajudar os outros a satisfazerem os deles. Reputação e confiança são
essenciais para consolidar esse tipo de relacionamento, que beneficia ambos os lados”.

3033

�Segundo Alves (2012, p. 98) “a soma de visão de mundo distintas, quando disponíveis
a outras pessoas, pode fazê-las refletir mais sobre o mundo que as cercam e, assim, contribuir
para a evolução do conhecimento geral sobre o mundo”.
Dentro de uma rede social desenvolvida com o propósito de reunir usuários
interessados em um assunto específico, o compartilhamento de informações
gerado a partir da interação entre os atores participantes da rede e o conteúdo
dessas informações provavelmente serão pertinentes aos objetivos da rede e
de seus usuários e possivelmente poderão colaborar com a construção do
conhecimento de cada indivíduo. No entanto, cabe a cada indivíduo agregar
valor às informações recebidas para que seus pensamentos acerca de
determinados assuntos possam ser ampliados. (PINHO, 2012, p. 27).

Segundo Spyer (2007, p. 71) “as ferramentas para a construção de redes sociais
servem para ampliar e fortalecer a teia de relacionamentos dos usuários porque facilitam a
recuperação e a preservação do vínculo”.
Como tendência histórica, as funções e os processos dominantes na era da
informação estão cada vez mais organizados em torno de redes. Redes
constituem a nova morfologia social de nossas sociedades e a difusão da
lógica de redes modifica de forma substancial a operação e os resultados dos
processos produtivos e de experiência, poder e cultura. (CASTELLS, 2009,
p. 565).

Com a evolução das tecnologias de informação e comunicação as ditas parcerias se
apoderaram das redes sociais como um dos principais meios de relação interpessoal.
A estruturação das redes de conhecimento e de relacionamento é
conveniente, pois permite que cada trabalhador envolvido na rede tenha
acesso às informações e isso possibilita que se atinjam os interesses
marcados pela estratégia do networking. As redes, constituídas por
especialistas, desempenham importante papel para a troca de informações
competitivas, para um grupo de empresas de uma determinada região.
(BELMONTE; SCANDELARI, 2005, p. 83).

Para Pinho (2012, p.17) “as informações originadas a partir das interações entre
pessoas e disponibilizadas em rede, assim como quaisquer outras, podem ter um impacto na
construção de conhecimento de cada indivíduo que as obtém”.

Para os bibliotecários, que podem atuar em diferentes tipos de
bibliotecas e unidades de informação e que cada vez mais ganham
espaço no mercado de trabalho, é importante que adquiram
informações que possam utilizar para aprimorar seus serviços dentro
de sua área de atuação, bem como conhecer sobre diferentes
possibilidades de trabalho em outras áreas. (PINHO, 2012, p. 27).

3034

�Segundo Acosta (2011, p. 9) “a necessidade de adquirir conhecimento pelos
bibliotecários nos faz refletir no ciclo que eles se integram, entre a: busca; utilização e
estratégia de informação”.
Sair da zona de conforto, onde você domina seu trabalho e técnicas para
operacionalizar as ações e aceitar a tecnologia é um grande desafio. As mudanças são
evidentes e necessárias. Ter em mente que crescer sempre é o objetivo para se estar sempre
atualizado, disponível e disposto a adquirir novos conhecimentos com estudos e trocas
interpessoais de experiências.
A evolução das profissões é, dessa forma, o resultado de suas inter-relações. Essas
inter-relações são determinadas pela maneira como os grupos profissionais controlam seus
conhecimentos e habilidades. (CUNHA; CRIVELLARI, p. 41, 2004).

O networking é uma ferramenta utilizável principalmente nas fases de
implantação das inovações e processos. Permite às organizações e a terceiros
compartilhar habilidades, especializações, recursos, informações
e
conhecimentos. Tanto pode ser utilizada intra ou interorganizacionalmente.
Oportuniza o aprendizado estruturado e compartilhado, cuja sinergia
proporciona ambientes que tendem a inovações tecnológicas. Fazer
networking é proporcionar o estabelecimento de uma rede de relações
pessoais, que permite a troca de idéias, conselhos, informações, referências,
contatos e sugestões, em que os recursos, habilidades e talentos são
compartilhados e agregados. Fazer networking é criar, manter e usufruir sua
rede de contatos, de forma consciente e sistemática, com a proposta de
alavancar seus objetivos pessoais e profissionais (SOUZA, 2003 apud
BELMONTE; SCANDELARI, 2005, p. 78).

A comunicação faz parte de nossas vidas como algo intrínseco em que são
aprimorados os meios e os contextos.
Para Costa (2008, p. 92) “O fenômeno redes de relacionamentos ajuda a minimizar as
dificuldades que possam surgir no decorrer do desenvolvimento de uma carreira, pois permite
a utilização de várias fontes de informações”.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Este artigo está dividido entre dois tipos de metodologia primeiro foi elaborado o
levantamento bibliográfico sobre o tema proposto e depois se levantou os dados para que
houvesse o relato de experiência que seguirá abaixo.
A principal pergunta do artigo é qual a importância do networking na carreira do
bibliotecário e o quanto essa troca de informações influenciou para o sucesso na sua carreira.

3035

�Este trabalho é resultado do networking, conforme descrito inicialmente, desta forma
ressaltamos seu empirismo, o que não envolve metodologia de estudo, mas a prática das
atividades profissionais de acordo com o regimento das empresas envolvidas, a legislação
vigente e conforme recomendado pelas entidades de classe.
Na área da Biblioteconomia comumente os trabalhos são desenvolvidos entre
diferentes empresas sem a preocupação mercadológica, ou seja, de concorrência, o que se
caracteriza em uma postura diferente de outros setores. Esta prática pode ser denominada de
colaboração

solidária entre

as partes,

onde deve prevalecer a reciprocidade e

corresponsabilidade.
Desenvolvemos um conjunto de atividades que permitem a interação entre os
profissionais bibliotecários que atuam em diferentes segmentos produtivos no sul de Santa
Catarina, como instituições de ensino, bibliotecas públicas, centros de pesquisa e etc., de
caráter público ou privado.
Comumente há troca de informações sobre a prática de serviços biblioteconômicos e
de avaliações sobre fornecedores e produtos disponíveis no mercado nacional e internacional.
Dentre outras trocas, temos também o compartilhamento do modelo de gestão e capitalização
da cooperação no desenvolvimento de atividades.
Como uma aliança informal se destaca a prática da comemoração do dia 12 de março Dia do Bibliotecário. Todos os bibliotecários que atuam entre as cidades de Laguna e Passo
de Torres, no extremo sul catarinense, são convidados a participar de um dia de integração,
comemoração e principalmente troca de experiências profissionais.
O primeiro encontro deu-se em 2005, em Criciúma. Foram convidados todos os
bibliotecários que atuavam na região sul de Santa Catarina para um jantar em comemoração
ao seu dia. Assim se instituiu pelos presentes o Grupo de Bibliotecários da Região Sul de
Santa Catarina.
A partir deste encontro, de forma sucessiva, a cada ano foram sendo realizados
novos encontros, alternando as cidades anfitriãs: em Criciúma ocorreu em 2005, 2007, 2009,
2011 e 2013; em Tubarão ocorreu em 2006, 2008, 2010 e 2012; e em Laguna comemoramos
este ano de 2014.
A programação sofre variações considerando o período de realização, como exemplo a
comemoração de 30 anos de profissão de duas colegas bibliotecárias. Em anos distintos, com
o caráter festivo, nos foi oportunizado viver a história da Biblioteconomia no sul de Santa
Catarina, construída por duas desbravadoras desta profissão na região.

3036

�Nestas comemorações ao longo dos anos foram ofertados dias de lazer em hotéis,
jantares e almoços, regados a palestras técnicas e motivacionais.
Este ano o Grupo de Bibliotecários do Sul de Santa Catarina completa nove anos,
porém já havia há anos o contato informal entre os profissionais da região. Consideramos este
grupo como uma rede de relacionamentos que está sempre se renovando, agregando mais
profissionais que vão chegando na região e se despedindo de bibliotecários que migram para
outras.
É comum termos um único bibliotecário atuando sozinho em sua instituição, sem o
apoio de outro profissional da área para compartilhar dúvidas, interagir sobre melhorias ou
simplesmente para a troca de ideias. É neste contexto que temos uma grande importância das
relações aqui evidenciadas. Neste cenário se identifica no Grupo de Bibliotecários uma
oportunidade de romper a barreira do isolamento, onde mesmo tendo profissionais que atuam
em instituições diferentes é possível dispor de auxílio e apoio.
Este relacionamento colaborativo se intensifica quando há interesses comuns, por
exemplo, no desenvolvimento de atividades de valorização e/ou desenvolvimento do hábito
da leitura aos usuários. Ao unir esforços temos usualmente uma melhor prática.
Isto também ocorre no uso de recursos tecnológicos iguais ou semelhantes, como
software de gerenciamento de acervo. Dependendo do tipo de processo, por exemplo, na
aquisição, estamos em constante contato entre os pares, na busca de informações de suas
práticas a fim de melhor desenvolver as atividades diárias.
Outro fator que vale ser mencionado é o de que percebemos a resistência de
profissionais experientes de outras regiões de SC e do Brasil em se dispor a ocupar as vagas
para bibliotecários ofertadas para o extremo sul de SC. Na maioria dos processos seletivos
fica como única alternativa às instituições a contratação de profissionais recém-formados e
sem experiência profissional. Entendemos aqui mais uma relevância na preservação deste
grupo, onde o profissional inexperiente pode contar com o apoio de um colega da área,
principalmente para os recém-formados que chegam ao mercado de trabalho com
conhecimentos restritos ao ofertados na grade curricular do curso de graduação Vale ressalta
que esta prática depende deque tenhamos um relação de confiança e compartilhamento de
conhecimento entre os membros do grupo de bibliotecários.
Outra consideração é a de que as novas tecnologias têm oportunizado o
compartilhamento de informações e a partir delas criar possibilidades de interação entre
indivíduos de interesse comum. Assim, com o avanço tecnológico temos várias opções de

3037

�fortalecer esta rede de relacionamentos com conversas por correio eletrônico (e-mail),
mensagens instantâneas, ligações telefônicas, redes sociais, etc.
Dispomos ainda de serviços gratuitos na internet de disco virtual, que possibilita o
armazenamento e a sincronização de arquivos que mantidos em nuvem, por meio de um
sistema de permissões de acesso em diferentes níveis, oferece uma ótima ferramenta de
edição colaborativa, onde o compartilhamento ou a construção de textos acontece em tempo
real entre todos os que receberam permissão de acesso. Além de vários outros aplicativos
tecnológicos gratuitos disponíveis na internet que favorecem a colaboração entre pares.
Também contamos com os eventos nacionalmente realizados sobre assuntos da área
para fortalecimento do Grupo de Bibliotecários do Sul de Santa Catarina, como no Seminário
Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia,
Documentação e Ciência da Informação (CBBD), encontros de usuários de diferentes
segmentos da área ofertados por fornecedores de produtos serviços, entre outros.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O networking está diretamente ligado a uma eficiente comunicação, onde o contato se
faz de maneira planejada e personalizada, tendo um assunto em comum como facilitador. Sem
preconceito se deve estar apto a receber opiniões divergentes e não manter contato somente
quando precisar de favores, sendo imprescindível a ajuda mútua.
A rede de relacionamentos deve ser regada para além dos assuntos profissionais e
corporativos, mas com confiança, discrição e boa educação. Ela minimiza os riscos e amplia
as possibilidades de benefícios.
A rede de relacionamento é tão importante, se não mais, do que o conhecimento
profissional. Todo o profissional deve cuidar de seu marketing pessoal e primar por uma boa
rede de relacionamentos. O networking é essencial para quem quer ter uma carreira
profissional bem sucedida. Para um bibliotecário então, que trabalha com informação, é
imprescindível, afinal a sociedade gira em torno dela.
O Grupo de Bibliotecários do Sul de Santa Catarina se torna cada vez mais
solidificado, pois cada profissional tem seus conhecimentos adquiridos devido a experiência
ao longo da carreira e, os membros desta rede tem plena disposição para colaborar
independente do nível de experiência profissional. Portanto dependendo o assunto, se sabe
quem procurar. Conta-se com esta rede para tirar as dúvidas, dividir as angústias, alegrias,
experiências e sucessos. Aproveitam-se muitos encontros sociais e informais para trocas de
informações. As informações giram no grupo e são disseminadas ao seu redor com uma

3038

�rapidez e profissionalismo que nos leva a segurança de sempre poder partilhar os assuntos
discutidos.

REFERÊNCIAS
ACOSTA. Ana Carolina B. O uso de sites de redes sociais por bibliotecários das
instituições de ensino superior no Estado do Rio Grande do Sul. 2011. 25 f. Monografia
(Graduação em Biblioteconomia)-Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, 2011.
Disponível em: &lt;http://repositorio.furg.br:8080/bdtccs-jspui/handle/1/10 &gt;. Acesso em: 16 de
maio 2014.
AGUIAR, Giseli Adornato de; SILVA, José Fernando Modesto da Silva. As bibliotecas
universitárias nas redes sociais: facebook, orkut, myspace e ning. In. SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10., 2010, Rio de Janeiro. Anais
eletrônicos...

Rio

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FEBAB,

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Disponível

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&lt;http://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0070/trabalhos/final_168.pdf&gt;. Acesso em: 16
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3040

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Networking em bibliotecas: o caso das bibliotecas do sul de Santa Catarina</text>
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                <text>Bleyer, Maisa Amorim, Machado, Cristiane Salvan, Medeiros, Maiara Danusa de</text>
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                <text>Este trabalho apresenta um breve relato de experiência de alguns bibliotecários da UDESC, SATC e UNISUL sobre a importância do desenvolvimento de uma rede de relacionamento e os benefícios alcançados com o networking. Também revela os conceitos de redes sociais, networking e como funcionam diariamente. Além disso, descreve cada uma das instituições representadas pelas autoras e destaca algumas ações desenvolvidas em parceria com outros profissionais do sul de Santa Catarina. Enaltecendo a importância de relacionamentos bem alicerçados para que se tenha um melhor resultado no seu trabalho, onde os ganhos de troca de ideias e experiências são recíprocos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ELABORAÇÃO DE TUTORIAIS COMO INSTRUMENTO DE
DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL DOS DISCENTES

Dempsey de Lima Bragante
Regina de Almeida
Maria Margareth Vieira Pacheco Rodrigues
RESUMO
As bibliotecas universitárias quando adquirem um novo software de automação devem ter a
preocupação de habilitar os discentes na recuperação da pesquisa bibliográfica, na utilização
dos recursos informacionais e todos os demais serviços oferecidos pela biblioteca. Em
novembro de 2013, foi proposta pela Coordenação de Bibliotecas da Universidade Federal
Fluminense a criação do grupo de trabalho para elaboração de tutoriais para auxiliar aos
alunos na pesquisa, com uma linguagem próxima ao usuário. O Grupo de Trabalho para a
Elaboração de Tutoriais do Software Pergamum surge da demanda em produzir produtos de
apoio voltado para a competência informacional do aluno no uso e nos serviços oferecidos
através do novo sistema de automação. O trabalho inicial foi concluído com a apresentação e
compartilhamento dos principais tutorias, pesquisa simples e avançada. Esses tutoriais básicos
foram apresentados dentro dos prazos estipulados, em fevereiro 2014, visando à data do
Acolhimento Estudantil UFF.
Palavras-Chave: Competência informacional;
universitária; Tutorial; Sistema de automação.

Letramento informacional;

Biblioteca

ABSTRACT
University libraries when purchasing a new automation software should take care to enable
students in recovery literature, the use of information resources and all other services offered
by the library. In November 2013, it was proposed by the Coordination Libraries of the
Universidade Federal Fluminense (UFF) creation of the working group for elaboration of
tutorials to assist students in research , with a language close to the user. The Working Group
for the Development of Software Tutorials Pergamum surge in demand for support in
producing products aimed at the information literacy of students in the use and services
offered through the new automation system. The initial work was completed with the
presentation and sharing of key tutorials, simple and advanced search . These basic tutorials
have been submitted within the prescribed period, in February 2014, aiming at the date of
Hospitality Student UFF .
Keywords: Information literacy; University library; Tutorial; Automation system.

2593

�1 INTRODUÇÃO
No ano de 2013, se iniciou uma série de investimentos na estrutura da
Superintendência de Documentação da Universidade Federal Fluminense (UFF); um deles foi
em relação à aquisição do novo software do Sistema de Bibliotecas. O antigo, denominado
“Argonauta”, não estava mais atendendo a demanda da instituição.
A estrutura organizacional atual da Superintendência de Documentação é constituída
de 27 (vinte e sete) bibliotecas (Quadro 1), uma Coordenação de Arquivos (CAR), um
Laboratório de Reprografia (LARE), um Laboratório de Conservação e Restauração de
Documentos (LACORD), e a sede do sistema no Campus do Gragoatá, perfazendo um total
de 31 (trinta e uma) unidades físicas. Todas as bibliotecas utilizam o mesmo software para
realizar as atividades de catalogação e controle do empréstimo de publicações. Com isso, o
sistema ficava sobrecarregado, muitas vezes, com paralização do serviço.
Devidos a tais fatores, foi analisada a necessidade de aquisição de um novo sistema
informatizado de gerenciamento de dados. Através de um estudo foram elencadas as
necessidades e inseridas no edital do pregão para realizar a compra. No fim do processo, o
sistema Pergamum foi implantado e houve treinamento com os bibliotecários para
capacitação na utilização do mesmo.
Nesses momentos de capacitação, percebeu-se entre os bibliotecários do Sistema de
Bibliotecas, a necessidade de transmitir essa informação para os alunos da universidade, pois
muitos estavam ambientados no uso do antigo programa e o novo oferece serviços que não
havia no anterior, além da preocupação com os novos alunos, que não tinham nenhuma
experiência.
Em novembro de 2013, foi proposta pela Coordenação de Bibliotecas a criação do
grupo de trabalho para elaboração de tutoriais para auxiliar aos alunos na pesquisa e nos
serviços oferecidos pelo novo sistema de gerenciamento, com uma linguagem próxima ao
usuário. Após diversas reuniões presenciais e virtuais, foram elaborados, inicialmente, os
tutoriais de Pesquisa Simples e Avançada do Sistema Pergamum. A empresa que administra o
sistema possui esse tipo de material, mas após análise, preferimos elaborar os tutoriais de
acordo com a nossa realidade institucional.
Esses tutoriais foram apresentados aos alunos no dia do Programa de Acolhimento
Estudantil (PAE), em fevereiro de 2014, no qual a UFF recepciona os novos graduandos do
semestre. Eles serviram também para treinamentos individuais realizados com os calouros.

2594

�O grupo de trabalho continua trabalhando ativamente, agora, para elaboração dos
demais serviços que são oferecidos dentro do novo sistema.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O bibliotecário universitário deve ampliar seus produtos e serviços oferecidos aos alunos.
A ideia de elaborar tutoriais para uma pesquisa de qualidade e agilidade na utilização das
ferramentas é essencial quando uma nova ferramenta surge.
Campello (2009, p.11) afirma “a capacitação das pessoas para usar a bibliotecas e os
recursos informacionais tem sido, há longo tempo, uma preocupação do bibliotecário”; a
partir do desenvolvimento desse pensamento é que surgiu a proposta de criar os tutoriais com
uma linguagem próxima ao usuário, sem tantos termos técnicos.
Accart (2012, p.126) destaca alguns pontos do objetivo de desenvolver a competência
informacional na vivência das bibliotecas, em que se pode destacar, ligado à esta pesquisa,
dois: “apropriação dos meios disponíveis de busca de informações” e “autonomia do usuário”.
Tais pontos indicados possuem ligação direta com a pesquisa desenvolvida, por serem
objetivos dos tutoriais em desenvolvimento e por isso, ponto de estudo para o
desenvolvimento da discussão desse trabalho e fomento na área da competência
informacional.
As bibliotecas universitárias quando adquirem um novo software de automação devem ter
essa preocupação de habilitar os alunos na recuperação da pesquisa bibliográfica, na
utilização dos recursos informacionais diversos e todos os demais serviços oferecidos pela
biblioteca.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Os tutoriais foram criados para atender aos alunos da UFF. Elaborados e formatados
de acordo com conhecimento adquirido através do material de apoio do bibliotecário entregue
pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), administradora do novo software.
Foram listadas as dúvidas habituais registradas com o uso do programa anterior e as
novidades do sistema atual que até modificaram procedimentos nas bibliotecas. Esses tópicos
foram indicados pelos próprios bibliotecários através da experiência profissional e contato
diário com os usuários.
Foram formatados tutoriais que atendem, de forma geral, as 27 bibliotecas da
Universidade Federal Fluminense (UFF), já que elas atendem temas diferenciados como
pode-se verificar através do quadro.

2595

�Tabela 1 - Distribuição de Bibliotecas setoriais por área.
Área
Unidades
01
Ciências Agrárias
01
Ciências Biológicas
05
Ciências da Saúde
Ciências Exatas e da Terra 05
03
Ciências Humanas
05
Ciências Aplicadas
02
Engenharias
02
Escolares
03
Multidisciplinares
27
Total
Fonte: Superintendência de Documentação (UFF)

Após a finalização dos tutoriais, por parte do Grupo de Trabalho de Elaboração de
Tutoriais do Software Pergamum, os documentos finais foram compartilhados com os demais
bibliotecários da Superintendência de Documentação (SDC), como procedimento de análise
dos dados inseridos no documento.
Em seguida, as modificações indicadas foram realizadas e o material foi transformado
em arquivo pdf e protegido contra edição. O compartilhamento aos alunos, nosso público
alvo, acontece através do Portal da Superintendência de Documentação, das mídias sociais e
das páginas das bibliotecas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O Grupo de Trabalho para a Elaboração de Tutoriais do Software Pergamum surge da
demanda de produzir produtos de apoio voltado para a competência informacional do aluno no uso
e nos serviços oferecidos através do novo sistema. O trabalho inicial foi concluído com a

apresentação e compartilhamento dos principais tutorias, pesquisa simples e avançada. Nesses
documentos estão descritos os passos para a reserva e renovação dos livros em meio virtual,
procedimento que não era possível no Argonauta, o sistema anterior.
Esses tutoriais básicos foram apresentados dentro dos prazos estipulados, visando à
data do Acolhimento Estudantil na UFF.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Pode-se considerar que os tutoriais elaborados e apresentados pelo Grupo de Trabalho
para a Elaboração de Tutoriais do Software Pergamum são de grande importância para os
alunos, por constituir um material de apoio e de contato inicial para utilização do novo
sistema.

2596

�Os documentos instrutores são instrumentos para o desenvolvimento da competência
informacional dos alunos, tornando-os autônomos no momento da pesquisa e na utilização
dos novos serviços oferecidos.
Essa pesquisa vem complementar os estudos realizados no campo da competência
informacional, desenvolvidos no Mestrado Profissional em Biblioteconomia, do Programa de
Pós-Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
(UNIRIO).
Cabe a essa pesquisa acompanhar o desenvolvimento do Grupo de Trabalho nas
próximas atividades, analisar as próximas etapas e criar uma metodologia para verificar o uso
desses tutoriais por parte dos alunos.

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Universidade Federal Fluminense. Pró-reitoria de Assuntos Estudantis. Acolhimento
estudantil. 2014. Disponível em: &lt;http://www.proaes.uff.br/acolhimento-estudantil&gt;. Acesso
em: 20 maio 2014.
Universidade Federal Fluminense. Superintendência de Documentação. Determinação de
serviço SDC, n.2 de 13 de março de 2014. Universidade Federal Fluminense - Boletim de
Serviço. Niterói, ano 44, n.60, seção 2, p.10, abr. 2014.
Universidade Federal Fluminense. Superintendência de Documentação. Relatório anual
2013. niversidade Federal Fluminense - Boletim de Serviço. Niterói, 2013. Disponível em:
&lt;http://www.ndc.uff.br/sites/default/files/arquivos/SDC%202013.pdf&gt;. Acesso em: 20 maio
2014.

2597

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                <text>As bibliotecas universitárias quando adquirem um novo software de automação devem ter a preocupação de habilitar os discentes na recuperação da pesquisa bibliográfica, na utilização dos recursos informacionais e todos os demais serviços oferecidos pela biblioteca. Em novembro de 2013, foi proposta pela Coordenação de Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense a criação do grupo de trabalho para elaboração de tutoriais para auxiliar aos alunos na pesquisa, com uma linguagem próxima ao usuário. O Grupo de Trabalho para a Elaboração de Tutoriais do Software Pergamum surge da demanda em produzir produtos de apoio voltado para a competência informacional do aluno no uso e nos serviços oferecidos através do novo sistema de automação. O trabalho inicial foi concluído com a apresentação e compartilhamento dos principais tutorias, pesquisa simples e avançada. Esses tutoriais básicos foram apresentados dentro dos prazos estipulados, em fevereiro 2014, visando à data do Acolhimento Estudantil UFF. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CONTROLE DE QUALIDADE EM CATALOGAÇÃO COOPERATIVA

Zuleika de Souza Branco
Denise Ramires Machado
Beatriz Helena Pires de Souza Cestari
Zita Prates Oliveira
RESUMO
O artigo discute os procedimentos de controle de qualidade em catalogação adotados pelo
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SBUFRGS). Define
que o processo de catalogação consiste em descrever documentos de forma a representá-los e
diferenciá-los dentro de um catálogo, visando a recuperação da informação. Analisa como o
processo de controle de qualidade pode ser aplicado na catalogação para melhorar a qualidade
dos registros bibliográficos. Destaca os itens a considerar no controle de qualidade: produtos
ou serviços, processos e pessoas. Relaciona esses itens aos elementos de controle de
qualidade na catalogação destacados na literatura. Sintetiza que a adoção de padrões,
políticas, precisão, consistência e completeza dos registros bibliográficos, e o
aperfeiçoamento do catalogador são os elementos básicos do controle de qualidade na
catalogação. Considerando o contexto de catalogação cooperativa, analisa os objetivos, os
elementos e as atividades de controle de qualidade na catalogação do SBUFRGS e conclui
que o controle de qualidade adotado é centrado no produto e não nos processos e nas pessoas.
Palavras-Chave: Controle de qualidade em catalogação; Bibliotecas universitárias;
Catalogação cooperativa; Sistema de bibliotecas
ABSTRACT
The text discusses the procedures of cataloging quality control adopted by the Libraries
System of the Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SBUFRGS). Defines that the
cataloging process describes documents to represent and differentiate them within a catalog,
in order to improve the information retrieval process. Examines how the quality control
process can be applied to cataloging to improve the quality of bibliographic records.
Highlights what to consider in quality control: products or services, processes and people.
Relates these items to the elements identified in the cataloging quality control literature.
Summarizes as the basic elements of the cataloging quality control the adoption of standards
and policies, accuracy, consistency and completeness of bibliographic records, and the
improvement of catalogers’ skills. Considering the context of cooperative cataloging policy,
analyzes the goals, elements and activities of the SBUFRGS practices in cataloging quality
control and concludes that these practices are centered on product but not on processes and
people.
Keywords: Cataloging quality control; University libraries; Cooperative cataloging; Libraries
system

2434

�1 INTRODUÇÃO
A razão de ser da biblioteca universitária é a prestação de serviços de informação
especializada aos integrantes da instituição Universidade. Para tal, a biblioteca reúne e
organiza grande volume de documentos armazenados localmente ou acessíveis on-line.
Além de disponibilizar informações especializadas, o catálogo da biblioteca tem
diferentes funções e usos. Registrando e organizando os metadados que descrevem os
documentos do acervo e o acesso ao catálogo, possibilita ao usuário identificar a existência de
um documento no mesmo e saber sua localização física local ou acessá-lo através de link
remoto. À equipe da biblioteca, os registros do catálogo fornecem dados básicos para a
seleção/aquisição de novos recursos bibliográficos e o desenvolvimento de coleções.
A eficácia dos procedimentos de recuperação de informações e de gerência de
coleções está diretamente associada à qualidade dos registros bibliográficos, contendo
metadados que retratam de forma precisa e abrangente as características de cada documento
do acervo.
Considerado o contexto do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (SBUFRGS), em que a catalogação é realizada de forma cooperativa e
descentralizada, a questão da qualidade dos registros bibliográficos torna-se ainda mais
relevante. Além disto, a possibilidade de aquisição de sistema de descoberta, que modifica a
interface e os recursos de pesquisa disponibilizados para os usuários das bibliotecas, acentua a
necessidade da busca sistemática pela qualidade do catálogo.

2 OBJETIVO
O presente trabalho tem por objetivo contribuir para a área da Biblioteconomia com
um estudo sobre gerenciamento de dados bibliográficos, refletindo acerca da importância do
controle de qualidade na catalogação. Expõe conceitos referentes ao tema, analisa as ações
adotadas pelo SBUFRGS com esta finalidade e sua convergência com os tópicos identificados
na literatura especializada.

3 CATALOGAÇÃO, CATÁLOGOS E NGC (NEXT GENERATION CATALOGUES)
A catalogação é uma das atividades biblioteconômicas fundamentais, cabendo a ela
descrever documentos de forma a representá-los e diferenciá-los em um acervo. Também lhe
cabe definir dados de localização e pontos de acesso por meio dos quais tais documentos
possam ser recuperados. Conforme Mey (1987, p. 144), a catalogação tem por objetivo “[...]

2435

�vincular as mensagens contidas nos itens a mensagens internas dos usuários, de forma a tornar
esses itens acessíveis ao universo de usuários”.
Além das normas em que o bibliotecário se baseia para catalogar, como o Código de
Catalogação Anglo Americano (CCAA2) e os manuais de políticas e procedimentos do
serviço de catalogação, ele deve levar em consideração, ao criar os registros bibliográficos
que integram o catálogo, para quem está sendo descrito o acervo da biblioteca.
A catalogação deve visar tanto o controle e organização da biblioteca a qual o acervo
descrito está vinculado, quanto responder às necessidades de seus usuários. Para que possa
cumprir suas funções, a catalogação deve possuir algumas características: integridade, clareza,
precisão, lógica e consistência (MEY; SILVEIRA, 2009).
Observadas as características indispensáveis à catalogação, isso se reflete em seu
principal produto: o catálogo. Na definição clássica de Cutter (1876), relacionada basicamente
ao uso de documentos impressos, o catálogo de biblioteca tem por função mostrar quais obras
a biblioteca possui sobre um determinado autor, título ou assunto específico, permitindo ao
usuário encontrá-las, auxiliando-o também na escolha de um livro de acordo com sua edição
(bibliograficamente) ou de acordo com seu caráter (literário ou tópico). Já incorporando o
conceito de documentos e catálogos digitais, os Princípios Internacionais de Catalogação de
2009 (IFLA, 2009) estabelecem que o catálogo de biblioteca deve possibilitar ao usuário:
a) encontrar recursos bibliográficos numa coleção como resultado de uma pesquisa;
b) identificar um recurso bibliográfico ou agente;
c) selecionar um recurso bibliográfico que seja apropriado às suas necessidades;
d) adquirir ou obter acesso a um item descrito;
e) navegar num catálogo ou para além dele.

Atendendo a estas demandas de um catálogo mais abrangente em seu conteúdo (fontes
impressas e digitais) e que facilite o acesso ao texto dessas fontes além dos limites físicos da
biblioteca, surge o catálogo de nova geração (NGC na sigla em inglês). Utilizando sistema de
descoberta, ele disponibiliza recursos que o catálogo tradicional não pode oferecer, tais como
navegação facetada, interface intuitiva e avaliação de resultados pelo usuário. Os dois tipos de
catálogos, o tradicional e o de nova geração, utilizam os mesmos registros bibliográficos,
porém, fornecem aos usuários serviços de informação muito diferentes. (HAN, 2012).
A utilização dos registros bibliográficos em novas formas de recuperação e
apresentação dessas informações traz desafios para as equipes das bibliotecas, principalmente
no que se refere à qualidade dos registros incluídos na base de dados. A falta de cuidado com

2436

�a qualidade dos dados inseridos e a não utilização de padrões prejudica a recuperação e acesso
às informações, o gerenciamento do acervo e o usuário, tanto nos catálogos tradicionais
quanto nos de nova geração.

4 CONTROLE DE QUALIDADE E CONTROLE DE QUALIDADE EM CATALOGAÇÃO
Para melhorar a qualidade dos registros bibliográficos é necessário refletir sobre o que
é controle de qualidade e como ele pode ser implantado na catalogação.

4.1 Controle de qualidade
Conforme Torres (2011), o controle de qualidade é um processo utilizado para garantir
um certo nível de qualidade em um produto ou serviço. Pode incluir qualquer ação que a
empresa considere necessária para estabelecer o monitoramento e verificação de determinadas
características de um produto ou serviço.
Um Sistema de Controle de Qualidade, também chamado de QMS - Quality
Management System, é importante porque, a partir do momento que determinadas medidas
são adotadas, permite definir políticas, procedimentos e ações de maneira uniforme que
proporcionarão a melhoria e controle das diversas “atividades-chave” e processos
desenvolvidos por uma organização. Deve-se considerar neste processo o grau de satisfação,
bem como as expectativas e necessidades dos sujeitos envolvidos, tais como clientes,
comunidades e sociedade em geral.
Para implementar um Sistema de Controle de Qualidade, deve-se destacar alguns
conceitos de Qualidade Total em Serviços:
a) todos na organização têm algo a contribuir para a qualidade final percebida pelo
cliente;
b) todos os custos relacionados com qualidade devem ser envolvidos nas análises;
c) todo esforço bem direcionado de melhoria em qualidade repercute na
competitividade;
d) há sempre uma forma melhor de fazer as coisas;
e) a qualidade deve ser construída ao longo do processo e não apenas verificada ao
final (GIANESI; CORREA ,1996).

Frequentemente o controle de qualidade é confundido com a garantia de qualidade,
embora existam diferenças básicas entre eles. O controle de qualidade tem a ver com o
produto, enquanto garantia da qualidade é orientada para o processo (TORRES, 2011).

2437

�Mesmo sendo clara esta diferença, às vezes pode não ser fácil identificar as características
peculiares que diferenciam controle e garantia de qualidade. O que deve ficar claro é que o
controle de qualidade é a avaliação de um produto, processo, atividade ou serviço. Já a
garantia de qualidade é projetada para tornar os processos suficientes para alcançar os
objetivos.
Para Torres (2011), o controle de qualidade não pode abranger apenas os produtos,
serviços e processos, mas também as pessoas. Os funcionários são uma parte importante de
qualquer negócio. Se uma empresa tem funcionários que não têm qualquer habilidade ou
formação adequada, têm dificuldade em compreender ou estão mal informados, a qualidade
pode ser seriamente prejudicada.
É interessante ressaltar que o termo “controle da qualidade total” foi usado pela
primeira vez por Armand Feigenbaum em 1956, quando propôs a idéia de que a qualidade só
poderá resultar de um trabalho conjunto de todos os envolvidos no desempenho da
organização, não apenas de um grupo de pessoas. A abordagem proposta por Feigenbaum dá
ênfase à comunicação entre os departamentos da empresa, principalmente os responsáveis por
produção, materiais e design. (FARIA, [201-?]).
O objetivo básico do controle de qualidade é assegurar que os produtos, serviços ou
processos preencham requisitos específicos e que sejam confiáveis e satisfatórios para os
clientes. Essencialmente, o controle de qualidade envolve a análise de um produto, serviço ou
processo para determinados níveis mínimos de qualidade. O objetivo de uma equipe de
controle de qualidade é identificar produtos ou serviços que não cumprem as normas
específicas de uma empresa de qualidade. (TORRES, 2011).
A partir do momento que se tem os objetivos definidos, baseados no resultado que se
deseja alcançar, pode-se seguir alguns passos recomendáveis que permitirão uma garantia de
qualidade. Exemplos:
a) definir requisitos e critérios que permitam avaliar posteriormente se o trabalho
desenvolvido está gerando resultados positivos;
b) conduzir as diretrizes necessárias para sua aplicabilidade;
c) monitorar a manutenção e o desenvolvimento do trabalho realizado;
d) qualificar os sujeitos envolvidos no processo;
e) indicar especialistas nacionais e estrangeiros nas áreas de interesse para definição
conjunta dos métodos e critérios a serem aplicados;
f) participar de eventos que proporcionem atualização e qualificação dos
procedimentos que envolvem o trabalho realizado;

2438

�g) apresentar, através da capacitação e experiência dos profissionais, laudos, pareceres
e opiniões sobre o trabalho realizado.

É fundamental melhorar os processos em um sistema de controle de qualidade. A
partir do momento que são estabelecidos objetivos claros e reais, bem como são
desenvolvidas estratégias adequadas, é possível atingir resultados satisfatórios.

4.2 Controle de qualidade em catalogação
Em seu artigo de revisão, Schultz-Jones (2012) situa o início das discussões sobre o
assunto na década de 1970-1980, analisando temas como a qualidade da catalogação
cooperativa de consórcios como Online Computer Library Center (OCLC), a adoção de
padrão mínimo de catalogação pela Library of Congress (LC) e as diferentes percepções de
qualidade de catalogação entre bibliotecário e usuário. Dias (1999, p. 1) destaca ser “[...] de
grande importância a conscientização do bibliotecário de que é através dele que tais
informações bibliográficas são inseridas ou captadas em grandes Bases Bibliográficas” para
assegurar a qualidade de dados de catalogação. Dez anos depois Fujita, Rubi e Boccato (2009)
também destacam a necessidade de uma mudança de postura do bibliotecário em
conscientizar-se da adoção de critérios de qualidade na catalogação, considerando a maior
visibilidade dos catálogos disponibilizados via internet. As autoras indicam a política de
tratamento da informação documentária como um elemento de qualidade na catalogação, a
qual poderá impactar positivamente na recuperação da informação.
Para Graham (1990), a qualidade da catalogação é um somatório de dois elementos:
completeza e precisão do registro. Completeza diz respeito a quanto os metadados
representam o documento; precisão, à correção das informações fornecidas no registro
bibliográfico. Na mesma linha de raciocínio, Morris e Wool (1999) definem como elementos
básicos da qualidade da catalogação a adoção de padrões reconhecidos de descrição,
indexação e formato de registro, além da completeza das informações acerca dos documentos
catalogados e a precisão e confiabilidade das informações contidas nos registros. Registros
bibliográficos incompletos, mal grafados ou com pontos de acesso equivocados tornam
impossível a localização de um dado documento.
Bereijo (1998) reforça essas afirmações, ao destacar os problemas criados pelos erros
de catalogação em ambientes informatizados:

2439

�A criação de registros bibliográficos em ambientes on-line requer uma maior
precisão quanto à tipografia, ortografia, pontuação, espaços, codificação de
campos e subcampos. Os erros cometidos nessas áreas podem resultar na
impossibilidade de recuperação do registro, o que não ocorre nos ambientes
manuais, onde ao classificar as fichas ou ao executar buscas, a mente
humana pode interpretá-los como se estivessem corretamente elaborados. Os
ambientes automatizados apresentam, portanto, um nível de tolerância mais
baixo aos erros tipográficos e de catalogação. (BEREIJO, 1998, p. 323,
tradução nossa).
A impossibilidade de recuperação do registro é o principal problema relacionado a
erros na catalogação: há todo o custo de catalogação e o usuário permanece sem acesso ao
documento. E ainda mais, caso o erro seja identificado, há o custo do retrabalho para a sua
correção.
Segundo Souza e Mostafa (1999, p. 128), “a qualidade de um catálogo reside na
coerência e consistência de seus dados, daí o grande empenho em estabelecer regras de
aceitação mundial, de forma a permitir uma rápida e eficiente troca de informações
bibliográficas”. O uso de regras e padrões é um dos fatores que ajuda na consistência e
coerência dos registros bibliográficos.
Analisando os catálogos de nova geração, Han (2012) reporta que os usuários
consideram muito útil a navegação por facetas neles disponíveis, pelas possibilidades de
refinamento de resultados que oferecem (data, assunto, formato, etc.). Alerta, entretanto, que a
utilidade desse recurso no desempenho do catálogo decorre da qualidade da catalogação dos
registros bibliográficos. Pesquisa de Denton e Coysh (2011) constata que registros
imprecisos, inconsistentes e incompletos não contribuem para ampliar os resultados de
pesquisa por navegação facetada.
Harmon (1996) alerta para a perda da qualidade da catalogação em decorrência dos
cortes de pessoal e da criação de registros bibliográficos mais enxutos visando à redução dos
custos bibliotecários. Segundo ele:
[...] nenhuma máquina, por mais avançada que seja, pode recuperar dados
que não estejam lá [no catálogo]. Nem vemos, em futuro próximo, sistemas
capazes de localizar dados incorretamente registrados, grafados e
codificados. Tais registros constituem uma redução significativa na
qualidade do produto tradicionalmente criado e utilizado por bibliotecas
acadêmicas e centros de pesquisa” (HARMON, 1996, p. 306, tradução
nossa).
Da sua visão pode-se inferir a necessária qualificação do catalogador para a criação de
registros bibliográficos corretos, capazes de serem recuperados e pertinentes às questões de
informação propostas pelos usuários do catálogo.

2440

�Baptista (2006) destaca, a respeito da formação do catalogador:
A constatação que se torna praticamente inevitável é que, a par da formação
acadêmica, a catalogação demanda atualização constante e treinamento
contínuo. E esse treinamento se dá, via de regra, nos ambientes de trabalho,
e não necessariamente na universidade, na medida em que é neles que se
colocam em prática as formas de organizar a informação que efetivamente
atendem os objetivos institucionais de cada tipo de organização.”
(BAPTISTA, 2006, p. [7]).
O Quadro 1 compila os elementos para controle de qualidade em catalogação
identificados na literatura. Analisando esses elementos, observa-se que alguns se repetem e
que cada um deles está relacionado a um item específico dos citados por Torres (2011) a
serem observados no controle de qualidade - produtos ou serviços, processos e pessoas.

Quadro 1 - Elementos do controle de qualidade na catalogação
Autores

Elementos de qualidade na catalogação

Graham (1990)

Completeza do registro
Precisão do registro
Bereijo (1998)
Precisão da tipografia, ortografia, pontuação, espaços,
codificação de campos e subcampos
Dias(1999)
Conscientização do bibliotecário
Morris e Wool Adoção de padrões reconhecidos
(1999)
Completeza das informações dos documentos catalogados
Precisão das informações dos registros
Confiabilidade das informações dos registros
Souza e Mostafa Uso de regras e padrões
(1999)
Coerência dos dados
Consistência dos dados
Baptista (2006)
Atualização e treinamento constantes para o catalogador
Fujita, Rubi e Conscientização do bibliotecário
Boccato (2009)
Política de tratamento da informação documentária
Mey e Silveira Integridade
(2009)
Clareza
Precisão
Lógica
Consistência
Fonte: Dados do referencial teórico deste trabalho.

Torres (2011)
Produtos
Produtos
Produtos
Pessoas
Processos
Produtos
Produtos
Produtos
Processos
Produtos
Produtos
Pessoas
Pessoas
Processos
Produtos
Produtos
Produtos
Produtos
Produtos

É possível inferir que a qualidade na catalogação está diretamente relacionada à
adoção de padrões, políticas, precisão, consistência e completeza dos registros bibliográficos.
É importante também que o aperfeiçoamento do catalogador seja contínuo visando à
qualificação e à evolução do profissional e, consequentemente, do catálogo.

2441

�5 CONTROLE DE QUALIDADE EM CATALOGAÇÃO NO SBUFRGS
O SBUFRGS, a partir da adoção do software Aleph, estabeleceu políticas e práticas de
catalogação com o intuito de aprimorar a qualidade da mesma. A seguir são apresentados o
contexto, os objetivos e os elementos do controle de qualidade na catalogação adotados pelas
bibliotecas da UFRGS.

5.1 Contexto da catalogação nas bibliotecas da UFRGS
O SBUFRGS é formado por 33 bibliotecas dispersas em quatro campi em Porto
Alegre e uma no município de Imbé. Utiliza o software Aleph v. 20 para gerência integrada
das atividades, serviços das bibliotecas e catálogo on-line da Universidade. Adota padrões
internacionais para entradas e descrição bibliográfica (CCAA2), registro de dados
bibliográficos (MARC 21) e intercâmbio de informações (ISO 2709 e ANSI Z39.2).
O módulo de catalogação do Sistema de Automação de Bibliotecas da UFRGS (SABi)
abrange três bases de dados: bibliográfica - URS01, de autoridades - URS10 e administrativa
- URS50 (registros de itens, transações de circulação de coleções e controle de aquisição).
Desde o ano 2000 o SBUFRGS adota a política de catalogação cooperativa e
descentralizada. Cooperativa porque somente um registro bibliográfico é criado para uma
obra. As demais bibliotecas que a possuem devem cooperar com o registro existente na base,
incluindo seus campos específicos (notas, assunto, produção intelectual) e as informações de
aquisição e de itens. Descentralizada porque é executada pelos catalogadores em cada
biblioteca do Sistema utilizando software em versão multiusuário para gerência da
catalogação. Anterior a essa data, o processo de catalogação adotava, simultaneamente, as
versões mono e multiusuários do sistema SABi, versão Isis, conforme a estrutura de rede de
dados disponível em cada biblioteca. Esta situação inviabilizava a adoção da política de
catalogação cooperativa no SBUFRGS.
Sobre a necessidade do uso de padrões para controle de qualidade em um ambiente de
catalogação cooperativa, Souza e Mostafa (1999, p. 128) afirmam: “Por se tratar de um
sistema cooperativo, normas e padrões são fundamentais para garantir a qualidade dos
registros catalográficos e estabelecer padrões mínimos, com a finalidade de alcançar a
consistência de dados e facilitar o intercâmbio dos mesmos.”
A documentação dos procedimentos adotados também é relevante tendo em vista que
a consistência somente pode ser mantida caso sejam conhecidos os padrões e políticas
utilizados na criação dos registros. A documentação utilizada pelas bibliotecas participantes
do consórcio OCLC (2014a, 2014b, 2014c) exemplifica a complexidade do controle de

2442

�qualidade em catalogação cooperativa. No SBUFRGS, as políticas, os manuais de
procedimentos e demais documentação de interesse para a catalogação são disponibilizados
no site Document@, juntamente com o histórico da catalogação no SABi registrado em
apresentações e trabalhos.

5.2 Objetivos do controle de qualidade em catalogação no SBUFRGS
A partir das considerações de Torres (2011) sobre a necessidade de estabelecer
objetivos para um controle de qualidade, o SBUFRGS definiu os seguintes objetivos:
a) trabalhar em conjunto para otimizar o acesso à informação disponibilizada pelas
bibliotecas;
b) identificar os procedimentos de controle de qualidade de registros bibliográficos
adotados pelo SBUFRGS;
c) identificar elementos relevantes para qualificar a catalogação de documentos nas
bibliotecas no momento em que o SBUFRGS se propõe a adquirir um sistema de
descoberta, o qual deverá modificar o processo de recuperação de informações no
catálogo.

Tais objetivos permitiram estabelecer os elementos do controle de qualidade no
SBUFRGS.

5.3 Elementos do controle de qualidade em catalogação no SBUFRGS
As estratégias escolhidas para o controle de qualidade no SBUFRGS envolvem os
seguintes elementos:
a) adoção de padrões internacionais de descrição bibliográfica e de entradas: CCAA2,
MARC 21, Dublin Core (para o Lume, repositório digital da Universidade);
b) políticas de catalogação estabelecidas e documentadas (quem faz o quê, uso de
formulários de solicitação, orientações sobre o que é permitido ou não
incluir/alterar em registro bibliográfico cooperativo, nível mínimo de catalogação
adotado, etc.);
c) habilitação dos catalogadores para leitura técnica, domínio das normas/padrões de
catalogação, de estratégias de pesquisa, do idioma português e de outros idiomas;
d) consistência sistemática dos registros das bases de dados via:
- detecção, fusão e exclusão de registros duplos;

2443

�- utilização do recurso do Aleph Mudanças globais para correção de grandes
volumes de registros bibliográficos;
- inclusão de remissivas no catálogo de autoridades, exclusão/alteração de
registros de autoridades e em seus registros bibliográficos associados;
- emissão de listagens de inconsistências em campos/subcampos dos registros
bibliográficos para correção das mesmas.

Tais ações buscam contemplar padrões de qualidade na catalogação, bem como o
aperfeiçoamento dos catalogadores ao utilizar ferramentas de comunicação interna, como
e-mail e telefone (helpdesk), apresentações, seminários e treinamentos para esclarecer dúvidas
(OLIVEIRA et al., 2012).
Na catalogação cooperativa uma biblioteca não cataloga simplesmente para si, assim
como no caso do uso de sistema de descoberta, em que o catálogo será visto em um contexto
maior do que ele mesmo. Não há um catálogo a prova de erros e inconsistências, porém sua
qualidade pode ser aprimorada, buscando consistência.

6 ATIVIDADES DE CONSISTÊNCIA DAS BASES URS01 E URS10 DO SABi, COM
VISTAS À QUALIFICAÇÃO DA CATALOGAÇÃO NO SBUFRGS

O SABi possui duas bases relacionadas à catalogação: a base URS01, de registros
bibliográficos, e a base URS10, de registros de autoridade.
A base URS01 contém registros recentes e criados nas versões anteriores do SABi,
antes da política de catalogação cooperativa; a base URS10 contém registros de autoridade
novos e inseridos a partir dos cabeçalhos existentes na URS01, antes do trabalho de controle
de autoridades. Devido ao histórico de criação dessas bases, ainda são identificadas
inconsistências, duplicidades e registros incompletos. Estes problemas estão sendo resolvidos
via atividades de controle de qualidade de catalogação no SBUFRGS, descritas no Quadro 1.

2444

�Quadro 2 - Atividades de consistência das bases SABi
Atividade
Consistência nas bases de dados
URS01 e URS10
Consistência nas bases de dados
URS01 e URS10 (procedimento
regular)
Emissão e envio às bibliotecas de
listagens com inconsistências de
campos e subcampos em registros,
para correção
(procedimento regular)
Exclusão de registros duplos
(monografias)
incluídos até jun./2011

Descrição
Registros alterados
Registros eliminados

Registros avaliados
Registros excluídos
Registros não duplos
Itens transferidos
Consistência de entradas e Registros avaliados
transferência de informações dos Registros corrigidos
campos de Autoridades:
Registros transferidos
150 -&gt; 100, 110, 111, 130, 151
Registros excluídos
Bibliográfico
Registros incluídos
650 -&gt; 600, 610, 611, 630, 651
Exclusão de registros duplos Registros avaliados
(analíticas)
Registros transferidos
incluídos até jun./2011
Registros excluídos
Alerta de inclusão de registros E-mails enviados
bibliográficos duplos
Inclusão de remissivas
Solicitações atendidas
Solicitações rejeitadas
** Inclui analíticas de eventos UFRGS (Salão de Iniciação

Quantidade
9.331
2.097

Período
maio a dez.
2000
jan. 2001dez. 2000 a
dez. 2008

6.656
5.238
1.418
6.429
17.767
9.152
7.158
1.457
3.559

nov. 2008 a
mar. 2014
jan. 2010
mar. 2014

a

20.063**
2.106
691
321

jan. 2011
dez. 2013

a

jul. 2011 a
mar. 2014
1.388
dez. 2012 a
mar. 2014
8
Cientifica, Salão de Extensão,

Mostra Perspectivas da Ciência, e outros)
Fonte: Dados de controle da Comissão de Automação.

A seguir estão detalhadas as atividades de controle de qualidade da catalogação no
SBUFRGS, realizadas após a adoção do software Aleph.

6.1 Consistência nas bases de dados URS01 e URS10
A consistência das bases URS01 e URS10 foi realizada durante oito meses por um
grupo de catalogadores do SBUFRGS, logo após a migração da base SABi, software
proprietário, para o software Aleph 500. O trabalho eliminou inconsistências de entradas em
registros na base de Autoridades (criada a partir das entradas 1XX e 6XX dos registros
bibliográficos) e ajustou as mesmas nos registros da base Bibliográfica. Em 2001 passou a ser
um procedimento regular realizado pela Comissão de Automação (COMAUT).

2445

�6.2 Emissão e envio às bibliotecas de listagens com inconsistências de campos e
subcampos em registros, para correção
A base bibliográfica URS01, criada após a migração do SABi, apresentou uma série
de problemas:
a) discrepâncias de entradas entre os registros produzidos individualmente pelas
bibliotecas, antes da implantação da política de catalogação cooperativa;
b) inconsistências nos campos de informações codificadas (Líder, 008, 0XX);
c) seleção inadequada de campos de informações variáveis;
d) outras questões decorrentes da troca de formato de registro para o MARC 21.

Para minimizar tais problemas foram criadas críticas de preenchimento de alguns
campos e subcampos, visando dar consistência às informações dos registros bibliográficos,
com a emissão mensal de listas de registros para correção pelas bibliotecas. Este foi um
procedimento padrão durante oito anos. A partir de 2009, o envio de e-mails solicitando
correções passou a ser realizado quando identificada uma inconsistência recorrente nos
registros incluídos.

6.3 Exclusão de registros duplos (monografias) incluídos até jun./2011
A exclusão de registros duplos foi realizada com o objetivo qualificar o processo de
recuperação da informação e dar maior confiabilidade aos dados utilizados na aquisição e
circulação de documentos e no desenvolvimento de coleções. Iniciada em 2008 e ainda em
execução, visa excluir registros duplos oriundos da conversão da base bibliográfica SABi
versão Isis para a versão Aleph. Estes registros, denominados de conversão, foram criados
quando o processo da catalogação utilizava simultaneamente as versões mono e multiusuário
do SABi - Isis (dependendo da estrutura de rede de dados existente em cada biblioteca), as
quais inviabilizavam a adoção da política de catalogação cooperativa.

Tabela 1 - Registros duplos excluídos (monografias) 2008 - 2014
%
Tipos de registro duplo
N°
3.803
73
Criados entre 1990 - 1999
1.435
27
Incluídos entre 2000 - 2011
5.238
100
Total
Fonte: Dados de controle da Comissão de Automação.

2446

�Entre 2008 e 2014 foram excluídos 5.338 registros, dos quais 73% correspondem
àqueles de conversão (objetivo inicial do trabalho) e 27%, ou seja, H do total excluído, aos
registros duplos. Estes últimos incluídos em desacordo com a política de catalogação
cooperativa adotada no SBUFRGS a partir do ano 2000.

Tabela 2 - Registros duplos excluídos, por ano de inclusão no SABi, 1990 - 2011

N°

Ano
1990/99
3.803 *

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

34

90

165

216

264

193

264

181

277

169

21

18

reg.

* Registros duplos de conversão
Fonte: Dados de controle da Comissão de Automação.

Entre os motivos para tão grande número de registros duplos incluídos após a
implantação da política de catalogação cooperativa, podem ser listados: a alteração frequente
nas equipes das bibliotecas com o ingresso de novos bibliotecários (entre 2003 e 2009
ingressaram mais de 50 profissionais concursados); a desatenção dos catalogadores ao
pesquisar a base antes da inclusão de novo registro; a divulgação ineficiente das políticas de
catalogação no SBUFRGS ou ainda falhas no programa de treinamento para catalogação no
SABi.

6.4 Consistência de entradas e transferência de informações dos campos de Autoridades
e do Bibliográfico
Uma avaliação dos campos de autoridades foi realizada com a finalidade de aumentar
a consistência de entradas de nomes nas bases bibliográfica/autoridades e de ajuste do
formato SABi para o MARC 21. O estudo definiu a exclusão dos campos 195, 196, 197 e 198
e a transferência de seu conteúdo para os respectivos campos 100, 110, 111 e 130 de
autoridades. Além disso, constatou-se a necessidade da transferência de informações de
assuntos não tópicos existentes nos campos 150 e 650 para os campos 100, 110, 111, 130 e
151 (autoridades) e 600, 610, 611, 630 e 651 (bibliográfico). Com esse procedimento, as
entradas de nome tornaram-se mais consistentes e únicas e os campos 150 e 650 passaram a
ser usados somente para assunto tópico. A atividade de consistência é realizada regularmente
com a avaliação, correção, transferência, exclusão e inclusão de registros nas bases de
Autoridades e Bibliográfica.

2447

�6.5 Exclusão de registros duplos (analíticas) incluídos até jun./2011
A exclusão de registros duplos é realizada com o objetivo de qualificar o processo de
recuperação da informação excluindo da base bibliográfica registros duplos de analíticas
oriundos da conversão do SABi versão Isis para a versão Aleph. O procedimento permitiu
concentrar, em um número menor de registros bibliográficos, o grande volume de analíticas
de produção intelectual registradas nos anais de eventos promovidos pela UFRGS: Salão de
Iniciação Científica (25 edições até 2013), Salão de Extensão (13 edições até 2012), Salão de
Ensino (9 edições até 2013), Feira de Iniciação Científica (19 edições até 2010) e outros.

6.6 Alerta de inclusão de registros bibliográficos duplos
O problema recorrente de inclusão de registros bibliográficos duplos após 2000, ano
da implantação da política de catalogação cooperativa, exigiu a adoção de procedimento
formal e permanente de identificação de possível duplicidade. Um programa monitora os
registros incluídos diariamente na base bibliográfica e emite e-mail de alerta enviado à
biblioteca, para exclusão ou justificativa da duplicidade. Em 33 meses de vigência da rotina
foram enviados 321 alertas, numa média de 10 alertas/mês. Assim, pode-se afirmar que o
preço da unicidade dos registros no SABi é o permanente monitoramento da inclusão dos
mesmos na base.

6.7 Inclusão de remissivas
Com a consistência de nomes e transferência das informações para os campos 1XX e
6XX do formato SABi foi possível implantar os campos de remissivas na base de
Autoridades. Como piloto foi selecionada a inclusão de remissiva de nome pessoal. Em 16
meses foram incluídas 1.388 remissivas na base. Após estudo e avaliação, apenas 8
solicitações foram rejeitadas. A Comissão de Automação responde pela inclusão de % do
volume total de remissivas (73%), reforçando o papel das mesmas como importante
instrumento de consistência das bases de Autoridades e Bibliográfica do SABi.

Tabela 3 - Inclusão de remissivas no SABi, por solicitante, dez. 2012 - mar. 2014
%
Solicitante
N°
1.013
73
Comissão
375
27
Bibliotecas
1.388
100
Total
Fonte: Dados de controle da Comissão de Automação.

2448

�7 CAPACITAÇÃO EM CATALOGAÇÃO NO SBUFRGS
Entre 2000 e 2013 foram realizadas sete atividades específicas com o objetivo de
capacitar os catalogadores do SBUFRGS e uma capacitação integrada à visão geral dos
módulos (Aquisição/Periódicos, Catalogação e Circulação) que compõem o SABi. Este
treinamento é oferecido a cada mudança de versão do software Aleph ou quando do ingresso
de novos bibliotecários na Universidade.
O Quadro 2 lista as capacitações oferecidas e registra o longo intervalo de tempo (2 a
3 anos) entre a realização de cada uma delas, tornando mais lento o processo de atualização
dos catalogadores.

Quadro 3 - Capacitação em catalogação no SBUFRGS, 1998 - 2013
Ano
1998
2000
2001
2004
2006
2010
2000
a
2012

Atividade

N°
horas
Curso técnico-prático de catalogação AACR2: pontos de acesso 30
Treinamento específico de processamento técnico no SABi 20
versão Aleph (catalogação, autoridades, itens e OPAC)
7
Treinamento no uso das ferramentas do SABi em catalogação
12
Treinamento no uso do SABi versão 11.5 para catalogadores
Seminário sobre armazenamento e recuperação da informação 6
no SABi
40
Curso de Atualização em Catalogação: AACR2 em MARC 21
Capacitação no uso do SABi: Módulo de Catalogação* 10
(políticas, funcionalidades, planilhas, registros de: autoridade,
bibliográfico, produção intelectual da UFRGS e itens)

N°
participantes
39
79
30
20
65
46
198

2013

51
Reunião técnica sobre controle de autoridades e remissivas no 4
SABi
*Treinamento oferecido nas mudanças de versão do SABi para Alep h v. 11.5 (2000) e v.14.2
(2004) e a cada ingresso de novos bibliotecários no SBUFRGS (2008 a 2012).
Fonte: Relatórios anuais da Comissão de Automação 1998-2013.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O SBUFRGS adota, com maior ou menor ênfase, quatro dos elementos do controle de
qualidade na catalogação identificados na literatura: padrões internacionais para definir
entradas, descrição e registro de dados bibliográficos dos documentos (processos), política
definida e documentação consolidada dos procedimentos adotados na catalogação
(processos), treinamento para catalogadores (pessoas), e consistência e controle regular do
conteúdo dos registros incluídos nas bases SABi (produtos).
Entretanto, transpondo alguns elementos da qualidade total em serviços para o
universo da catalogação no SBUFRGS, observa-se que, embora haja contribuição de todos

2449

�(catalogadores, indexadores, Comissão de Automação) para a qualificação do catálogo, a
qualidade da catalogação está sendo verificada, prioritariamente, no final do processo, com o
trabalho intensivo de controle e consistência dos registros (produtos finais da catalogação).
Esta qualificação deveria ser construída ao longo do processo de criação dos registros com um
programa regular de capacitação dos catalogadores.
A importância da capacitação dos profissionais para a qualificação do produto de seu
trabalho é reforçada por dois autores: Torres (2011) enfatiza que o controle de qualidade
abrange não só produtos, serviços e processos, mas também pessoas, que são parte importante
de qualquer instituição; e Baptista (2006) alerta que os catalogadores devem receber
treinamento contínuo e atualização constante. No SBUFRGS este é um elo frágil no controle
de qualidade da catalogação. A capacitação dos catalogadores ocorre de forma pontual e não
como parte de um programa formal de treinamento contínuo para a atividade.
Os estudos em catalogação devem ser permanentes, não apenas para suprir as
deficiências decorrentes de pouco aprofundamento em questões relativas à descrição de
documentos durante a formação dos bibliotecários, mas também pelo fato dela ser objeto de
discussão contínua na área de tratamento da informação. Na atualidade, estes estudos são
fundamentais

considerando

a

perspectiva

das

bibliotecas

adotarem

sistemas

de

descoberta/catálogos de nova geração.
Mesmo com a possibilidade da busca "inteligente" oferecida pelos sistemas de
descoberta, os registros devem ser catalogados consistentemente para assegurar que os índices
de recuperação do sistema forneçam resultados relevantes nas pesquisas efetuadas.

REFERÊNCIAS
BAPTISTA, Dulce Maria. A catalogação como atividade profissional especializada e objeto
de ensino universitário. Informação &amp; Informação, Londrina, v. 11, n. 1, jan./jun. 2006.
Disponível em: &lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=10782&gt;. Acesso em: 21 mar.
2014.
BEREIJO, Antonio. Caracterización del concepto de "calidad" en la catalogación descriptiva:
factores que atanen al diseno de objetivos. Boletín Millares Carlo, Las Palmas de Gran
Canaria,

n.

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DIAS, Maria do Rosário Imene. Catalogação e qualidade: breve estudo. Marília: UNESP,
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Casari. O contexto sociocognitivo do catalogador em bibliotecas universitárias: perspectivas
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2452

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O artigo discute os procedimentos de controle de qualidade em catalogação adotados pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SBUFRGS). Define que o processo de catalogação consiste em descrever documentos de forma a representá-los e diferenciá-los dentro de um catálogo, visando a recuperação da informação. Analisa como oprocesso de controle de qualidade pode ser aplicado na catalogação para melhorar a qualidade dos registros bibliográficos. Destaca os itens a considerar no controle de qualidade: produtos ou serviços, processos e pessoas. Relaciona esses itens aos elementos de controle de qualidade na catalogação destacados na literatura. Sintetiza que a adoção de padrões, políticas, precisão, consistência e completeza dos registros bibliográficos, e o aperfeiçoamento do catalogador são os elementos básicos do controle de qualidade na catalogação. Considerando o contexto de catalogação cooperativa, analisa os objetivos, os elementos e as atividades de controle de qualidade na catalogação do SBUFRGS e conclui que o controle de qualidade adotado é centrado no produto e não nos processos e nas pessoas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CONTRIBUIÇÃO À ORGANIZAÇÃO DOCUMENTÁRIA DE INSTRUMENTOS
MUSICAIS: ESTUDO NO ACERVO DO MUSEU INSTRUMENTAL DELGADO DE
CARVALHO DA ESCOLA DE MÚSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE
JANEIRO.
Dolores Castorino Brandão
Maria José Veloso da Costa Santos

RESUMO
A insuficiência de normas internacionais de organização documentária para instrumentos
musicais e a escassez de estudos sobre o tema no Brasil, ensejaram a realização desse estudo,
realizado no acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da
UFRJ. A pesquisa teve como objetivo contribuir para o estabelecimento de um modelo de
representação descritiva e temática de instrumentos musicais para fins de recuperação da
informação. Inicialmente foram estudadas as normas e padrões existentes nas áreas de
Biblioteconomia, Museologia e Organologia que possam ser utilizadas para a organização
desse tipo de acervo. Obteve-se como resultado uma proposta para a representação de
instrumentos musicais em bases de dados, utilizando-se os padrões biblioteconômicos
AACR2 e MARC 21 em consonância com normas já citadas anteriormente, proposta essa,
que foi implementada na base Minerva da UFRJ. Para a área de representação temática foram
realizados estudos em classificações de instrumentos musicais existentes abordadas e mais
consolidadas na Organologia. Foi desenvolvido também, um protótipo de vocabulário
controlado no campo em estudo. A pesquisa revelou a complexidade inerente à organização
documentária de instrumentos musicais e, consequentemente, a necessidade de estudos
interdisciplinares sobre o tema.
Palavras-chave: Representação descritiva. Instrumentos musicais.
instrumentosmusicais.Linguagemdocumentária.

Classificação

de

ABSTRACT
The insufficiency of international regulation of representation for this aim and shortage of
studies on the subject in Brazil, gave rise to the present study, held at the collection of the
Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da UFRJ. The research aimed
to contribute to the establishment of a model of descriptive representation and thematic of the
musical instruments for the purpose of information retrieval. Firstly were studied the existing
regulations and patterns in the areas of Librarianship, Museology and Organology, which
could be used for the organization of this type of collection. Obtained as a result a proposal
for the representation of musical instruments in databases, using the Librarianship standards
AACR2 and MARC 21, in line with the regulations previously mentioned that was
implemented on the data basis Minerva of the UFRJ.For the area of thematic representation
studies studies were carried out on existing musical instruments classifications addressed and
more consolidated in Organology. It has also developed a prototype of controlled vocabulary

2416

�in the field under study. The research revealed the complexity inherent in documentary
organization of musical instruments and hence the need for interdisciplinary studies on the
topic.
Keywords: Descriptive representation.
classification.Documentary Language.

Musical

instruments.Musical

instrument

INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, a organização e representação da informação e do conhecimento no
âmbito da Biblioteconomia e da Ciência da Informação tornaram-se um campo de estudo cada
vez mais discutido, impulsionando o desenvolvimento de modelos teóricos e instrumentais
que auxiliem nos procedimentos de organização, gerenciamento e recuperação de
documentos, bem como têm levado bibliotecários e demais profissionais da documentação a
analisare reavaliar normas e padrões vigentes.
Desse contexto, o entendimento da demanda das necessidades de informação de uma
comunidade usuária torna-se um aspecto essencial a ser considerado no processo de descrição
física e de conteúdo de um documento em um sistema de recuperação da informação, visando
a otimizar sua precisão.
Embora os estudos na área de representação descritiva da informação, tenham se
intensificado com a adoção de novos modelos conceituais, a representação de objetos
tridimensionais, especificamente de instrumentos musicais, continua incipiente, não cobrindo
os detalhes específicos de cada material. Assim, o tratamento técnico de um instrumento
musical é complexo, consequentemente, sua representação deve ser mais detalhada e exige
um número maior de informações específicas para que seja representado e recuperado de
forma precisa.
O presente estudo teve como motivação a busca de subsídios para a reorganização do
Museu Instrumental Delgado de Carvalho. Foram analisados, além dos padrões adotados pela
Biblioteconomia, três trabalhos especializados, na área de descrição de instrumentos musicais,
no âmbito da Organologia e da Museologia, a saber: Trindade 303 , do Museu da Música de
Lisboa; Myers303304, da Universidade de EdimburgoeCosta305do Sistema Estadual de Museus do
Paraná.

303TRINDADE, Maria Helena. Normas de inventário: instrumentos musicais. Lisboa: Instituto dos Museus e da
Conservação, 2011.
304MYERS, Arnold. Cataloguingstandards for instrumentcollections. CIMCIM Newsletter, London, n. 14, p.14­
28, 1989.
305COSTA, Evanise Páscoa (Org.). Princípios básicos da Museologia. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura,
2006.

2417

�Apresenta como objetivo central contribuir para o estabelecimento de um modelo de
organização de acervos de instrumentos musicais, de acordo com normas e padrões
internacionais de organização da informação.
No que diz respeito à organização do conhecimento desses instrumentos, também,
devido à sua complexidade, a literatura analisada considera que os instrumentos musicais
podem ser classificados segundo diferentes finalidades e de acordo com os critérios de
categorização proposto por um determinado estudioso.
Esta problemática contribuiu para o surgimento de diversas classificações desde a
Antiguidade, como, por exemplo, o sistema Bayin na China ou o antigo sistema indiano que
influenciou a elaboração da sistemática proposta por Victor-Charles Mahillon no século XIX.
Apesar da diversidade de classificações, o sistema mais completo e de abrangência
internacional para instrumentos musicais, foi criado em 1914 porHornbostel-Sachs.

Este

sistema foi o adotado neste estudo.

USO DE PADRÕES NA ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Atualmente o foco principal das pesquisas no âmbito da Ciência da Informação trata a
organização da informação como dois processos distintos embora intrinsecamente ligados: a
representação descritiva e a representação temática de documentos que têm a finalidade de
organizar, gerenciar e recuperar a informação.
Segundo Fujita e outros (2009, p. 21) o conceito compreende:
[...] as atividades e operações do tratamento da informação, envolvendo para
isso, o conhecimento teórico e metodológico disponível quanto ao
tratamento descritivo do suporte material da informação e ao tratamento
temático de conteúdo da informação.
Neste aspecto, a organizaçãoda informação é um processo sistematizado e, para tal,
necessita utilizar padrões e normas para possibilitar a recuperação efetiva da informação em
todos os níveis.
Santos (2007, p. 2),referindo-se aos padrões para representação descritiva, defende
que a utilização dos mesmos “Definem, homogeneizam os dados e servem como sustentáculo
para a recuperação da informação, de modo a atender aos usuários de forma eficiente e assim
contribuir para a produção do conhecimento.”
Mey(1995) destaca, ainda, que antes de qualquer coisa a representação documentária
deve ser ligada às necessidades informacionais do usuário, independente da norma utilizada.
Motivo pelo qual,

2418

�[...] o profissional da documentação deve estabelecer três características
fundamentais para a realização do seu trabalho: o conhecimento do
instrumento utilizado, a correta interpretação dos códigos e das normas
adotadas, e a adequação dos padrões catalográficos normativos à
compreensão de seu usuário (MEY, 1995, p. 7).
Com o advento do computador, a Library ofCongress (LC) dos Estados Unidos
elaborou

um

formato

de

entrada

de

registros

bibliográficos

denominado

“MachineReadableCataloging’ , em língua portuguesa Catalogação Legível por Máquina
(MARC), atualmente editado como MARC 21. O formato MARC 21 está de acordo com a
norma da InternationalStandadizationOrganization (ISO) número 2709 que, junto com o
protocolo de comunicação Z39.50, permite pesquisas e recuperação da informação em redes
de computadores (ROSSETO, 1997). Essas normas em uso conjunto com o Código de
Catalogação Anglo Americano, segunda edição (AACR2), são utilizadas para a catalogação
não apenas de livros, mas de todos os tipos de documentos, tais como: manuscritos, mapas,
partituras musicais, objetos tridimensionais etc.

REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA NA BIBLIOTECONOMIA E NA MUSEOLOGIA
A catalogação constitui um dos principais processos de tratamento técnico, sendo
também conhecida como representação descritiva ou descrição bibliográfica. O termo
representação consiste em perceber, descrever e interpretar uma informação.

No

procedimento, as informações contidas no documento, autor, título, local, edição, data, entre
outros, são extraídas dos suportes de informação, tratadas, organizadas e representadas em um
catálogo, ou base de dados, canais de comunicação entre o acervo e o usuário.
A definição de catalogação é entendida por Santos e Ribeiro (2003, p.45) como:
[...] um conjunto convencional de informações determinadas, a partir do
exame de um documento onde são extraídas as informações descritas de
acordo com regras fixas para se identificar e descrever este documento. A
catalogação é conhecida também como Representação Descritiva, pois vai
fornecer uma descrição única e precisa deste documento, servindo também
para estabelecer as entradas de autor e prover informação bibliográfica
adequada para identificar uma obra.
Paul Otlet(1934), em seu Tratado de Documentaçãoampliou o conceito tradicional de
documentos. Na visão dele, “Documentos não são somente livros e manuscritos, mas também
arquivos, mapas, esquemas, ideogramas, diagramas, desenhos e reproduções dos mesmos,

2419

�fotografias de objetos reais, entre outros.” (OTLET, 1903, citado por WOLEDGE, 1983, p.
270-271).
Desta forma, percebe-se que além de bibliotecas, os arquivos e museus custodiam
acervos informacionais em seus variados suportes e são considerados unidades de informação.
Têm a função de serem disseminadores de informação e, portanto, são responsáveis também
pelo seu tratamento (OTLET, 1934,citado por YASSUDA, 2009, p.44).
O instrumento musical, no que diz respeito às suas características físicas, é
considerado um

artefato tridimensional.

Segundo Ribeiro

(2006,

p.5) “Artefatos

tridimensionais são objetos fabricados ou modificados por uma ou mais pessoas, à mão ou
industrialmente.”Desta forma, ainda segundo a autora, torna-se necessário a adoção de
critérios e normas de gestão capazes de organizar e disponibilizar os dados necessários para
que o usuário recupere as informações inerentes a esse tipo de registro.
Nessa perspectiva, os instrumentos musicais oferecem grandes desafios para
osprofissionais da informação que cada vez mais se veem envolvidos com esse tipo de
documento, o qualdiferencia profundamente de outros tipos de registros documentais. O
instrumento é considerado um documento, objeto de estudo da Organologia, e pode fazer
parte do acervo de um museu, de um arquivo, de uma biblioteca ou, ainda, de uma unidade de
informação. Para tal, necessita de tratamento especializado para a observação dos elementos
necessários à identificação e descrição das informações a ele relacionadas para atender de
forma eficaz aos usuários.
Os instrumentos musicais na Biblioteconomia podem ser descritos pelas normas do
capítulo 10 do AACR (2004) que diz respeito aos objetos tridimensionais de um modo geral
(medalhas, esculturas, quadros, etc.) sem particularizar qualquer objeto.
Sendo assim, observa-se que é de suma importância a interação de diversos
profissionais de diferentes áreas do conhecimento como, Biblioteconomia, Museologia,
Etnomusicologia e Organologia, no processo de representação dos instrumentos musicais.
Eles necessitam dialogar na construção de um trabalho comum.

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO NA BIBLIOTECONOMIA E NA MUSICOLOGIA
Sistemas de classificação do conhecimento existem desde os tempos primitivos e estão
presentes em todas as áreas. Dessa forma, filósofos, cientistas e lexicógrafos utilizaram a
classificação para compreender e analisar o conhecimento humano.
Piedade (1977) divide as classificações de acordo com a sua finalidade, podendo ser:
classificações filosóficas, criadas pelos filósofos para definição e hierarquização do

2420

�conhecimento,

e a classificação bibliográfica, destinada à representação temática

sistematizada de documentos, visando à precisão na recuperação da informação.
Na Musicologia a classificação de instrumentos musicais integra a Organologia, que
se propõe a estudar o instrumento musical em seu aspecto histórico, sua natureza física e sua
classificação.
Kartomi (2001, p.11) enfatiza a influência da cultura na classificação de instrumentos
musicais quando afirma que “As preferências hierárquicas de uma determinada cultura,
exerce um forte domínio na forma de classificação de instrumentos musicais principalmente
nas culturas orientais.”
Os primeiros sistemas de classificação para instrumentos musicais foram elaborados
na China e na Índia. Por volta do século VIII a.C., os chineses elaboraram o sistema Bayin
que organizava os instrumentos musicais em oito categorias correspondendo aos oito
ventos(PINTO, 2001, p. 266-267).
O sistema indiano foi apresentado nos tratados técnicos da literatura sânscrita.
Elaborado no início da era Cristã, o Bharatiya-natya-shastra, ou o Ensino da arte dramática,
é uma obra que aborda o teatro, as artes correlatas e, em especial, a poesia e a música. Nesse
sistema, a classificação dos instrumentos é apresentada em quatro classes distintas,
determinadas pela maneira de vibração do componente do instrumento, a saber:1. tata (de tan,
esticar) vadhya, correspondendo a corda; 2. avanaddha (atado ou coberto) vadhya correspondendo a tambores de couro; 3. sushira (escavado ou furado) vadhya,correspondendo as flautas sopradas pelo músico; 4. ghanavadhya (de ban, percurtir um
material sólido, em especial metal) (PINTO, 2001, p. 267-268).
Estes critérios adotados no sistema serviram como inspiração para a elaboração de
classificações de instrumentos no Ocidente, dentre elas a idealizada por Victor-Charles
Mahillon (1841-1924), no final do século XIX, considerada a primeira adequada para uso em
todo

o mundo.

Mahillon foi

curador do MuséedesInstruments de Musique do

ConservatoireRoyal de Bruxelles,na Bélgica e desenvolveu o sistema de classificação para a
coleção do referido Museu(MAHILLON, 1874).
O sistema de Mahilloné considerado o pioneiro no Ocidente por sistematizar os
instrumentos musicais de acordo com a forma como o som é produzido. Segundo
Kartomi(2001) o etnomusicólogoNazirAlliJairazbhoy observou que Mahillon provavelmente
estava familiarizado com o sistema, apresentado a ele por um rico rajá e eminente estudioso
de Musicologia Sourindro Mohun Tagore (1840-1914), que dedicou parte de sua vida para
propagar a música indiana. Ainda segundo Pinto (2001, p. 266) esse sistema foi construído

2421

�utilizando um diagrama em forma de árvore para exemplificar as ramificações dos
instrumentos musicais dentro de sua respectiva categoria, a exemplo dos sistemas de
classificação bibliográfica, Mahillon também considerou para a classificação a vibração do
material, responsável pela produção do som.
Essa concepção de classificação gerou as seguintes famílias para os instrumentos
musicais: autofones, membranofones, aerofones, cordofones.
O sistema de classificação de Mahillon foi modificado e ampliado, em 1914, por uma
dupla de musicólogos, o austríaco Erich Moritz Von Hornbostel (1877-1935), diretor do
Arquivo Fonográfico de Berlim, e o alemão Curt Sachs (1881-1959), diretor do Museu de
Instrumentos Musicais da mesma cidade(HORNBOSTEL; SACHS, 1914). Esta classificação,
considerada pelos estudiosos como a mais importante, édestaqueno presente estudo.

CLASSIFICAÇÃO DE HORNBOSTEL -SACHS (1914)
A proposta desse sistema foi fornecer uma classificação universal para instrumentos
provenientes de outras culturas, desta forma, Hornbostel e Sachs desenvolveram o sistema em
quatro classes principais: idiofones, membranofones, cordofones, aerofones.(HORNBOSTEL;
SACHS, 1914).
Com o advento dos instrumentos eletrônicos, Hans-Heinz Drager (DRÀGER, 1948,
citado porKARTOMI, 2001, p. 286) propôs a inclusão de uma quinta categoria, os
eletrofones. Pesquisa desenvolvida por Maria Helena Trindade (2011) junto ao Museu da
Música em Lisboa propõe, além dos eletrofones, a inclusão de mais duas categorias: a)
automatofones em que o som é produzido ou impulsionado por engenhos mecânicos; e b)
hidrofones onde o som é produzido por um sistema hidráulico.
Hornbostel e Sachs (1914) além de mudarem o nome da classe autofones para
idiofones, alteraram a forma da subdivisão de suas classes e introduziram um código decimal
baseado na CDD. O uso do sistema decimal anunciava o importante papel de símbolos não
verbais nos anos posteriores que possibilitaram que a classificação fosse amplamente utilizada
em museus em todo o mundo.
Kartomi (2001) destaca que "O segredo do sucesso na adoção generalizada do
esquema de Hornbostel e Sachs é que se trata realmente de um sistema internacional." A
utilização dos números no sistema para indicar as classes dos instrumentos constituiu-se um
meio eficaz para localizar e identificar os mesmos, fato que permite ao usuário identificar o
mesmo instrumento em diferentes culturas e idiomas.

2422

�No final do século XIX, a CDU utilizou a classificação de Hornbostel e Sachs para
desenvolver a classe referente a instrumentos musicais na classe 780.6, denominada de
instrumentos e acessórios musicais. Uma nota no início dessa classe chama a atenção para
esse fato que ocorreu em 1914 por Erich Von Hornboestel e Curt Sachs, aceito hoje
internacionalmente (CDU, 2007).

MATERIAL E MÉTODO
A presente pesquisa é de abordagem bibliográfica, exploratória e aplicada, e os
resultados apresentados são de natureza qualitativa.
É de natureza bibliográfica e exploratória porque a investigação visa a compreender as
características principais do instrumento musical, apoiando-se de forma prática na assessoria
de professores especialistas da Escola de Música da UFRJ para cada classe de instrumentos e,
concomitantemente, fundamentou-se na literatura sobre os assuntos que a embasaram. Assim,
o trabalho foi desenvolvido com os seguintes procedimentos metodológicos, distribuídos nas
seguintes etapas:
Etapa 1 - Inventário e diagnóstico do acervo.
Foi realizada uma pesquisa exploratória sobre as iniciativas de organização realizadas no
acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho, desde 1890 até 2013, utilizando-se
fontes primárias existentes no acervo da Biblioteca Alberto Nepomuceno como: livros de
registros, inventários, relatórios, livros de ata do antigo Instituto Nacional de Música e
documentação histórica do arquivo pessoal do professor João Baptista Siqueira, diretor da
Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na época do segundo inventário,
e responsável pela transferência e acondicionamento do acervo no corredor principal da
Escola.
Etapa 2 - Elaboração da proposta de organização descritiva do acervo.
Foram utilizadas as normas já existentes para descrição de instrumentos musicais, já
mencionadas anteriormente, TRINDADE (2011), MYERS (1989) e COSTA (2006),
procurando-se confrontá-las com a norma e formato internacionais de representação descritiva
da informação, consagrados e em uso, nas bibliotecas brasileiras, tais como: Código de
Catalogação Anglo-Americano, segunda edição revista AACR (2004) e formato MARC 21
para a informatização do acervo na base de dados Minerva da UFRJ.
Etapa 3 - Elaboração da proposta de organização temática do acervo.

2423

�A organização temática do Museu foi baseada na classificação elaborada por Hornbostel e
Sachs: Systematik der Musikinstrumente, 1914, e para melhor entendimento, na tradução
resumida dessa classificação.

O MUSEU DE LEOPOLDO MIGUEZ: MUSEU INSTRUMENTAL DELGADO DE
CARVALHO
A Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), antigo
Conservatório de Nacional de Música, foi fundada em 1848, por um grupo de músicos
liderados por Francisco Manoel da Silva (1795-1865). A Instituição é conhecida por ser
detentora de um dos mais ricos acervos de música do Brasil incluindo aí também, segundo
especialistas, um precioso acervo de instrumentos musicais que começou a ser formado ainda
no período do Império no antigo Conservatório de Música.
O Decreto no143, de 1890, que extinguia o Conservatório e criava, nesse mesmo ato
oficial, o Instituto Nacional de Música, revela a existência de uma biblioteca e de
instrumentos musicais, que provavelmente seriam utilizados na administração das aulas, mas
não constituía ainda um acervo organizado, como já era o da Biblioteca Alberto Nepomuceno.
O artigo 14 do Decreto determina: “A biblioteca, o arquivo, os instrumentos, os móveis e
todos os utensílios pertencentes ao extinto Conservatório passarão a ser propriedade do
Instituto Nacional de Música.” (BRASIL, 1890).
A mais antiga referência da coleção de instrumentos musicais, denominada como
museu, foi registrada em uma publicação oficial intitulada “Notícia histórica dos serviços,
instituições e estabelecimentos pertencentes a esta repartição”, do Ministério da Justiça e
Negócios Interiores, ao qual, à época, o Instituto encontrava-se vinculado(BRASIL, 1898,
p

16).
Em 18 de janeiro de 1890, o compositor e maestro Leopoldo Miguez (1850-1902) é

nomeado diretor do recém-criado Instituto. Observa-se em sua administração o seu caráter
determinado e visionário. No mesmo mês que Miguez assume a direção do Instituto, ele passa
a ter maior controle sobre o seu acervo, tanto que passa a registrar, de próprio punho, as
doações de livros, partituras, instrumentos musicais etc., bem como o nome de seus doadores,
dentre os quais ele próprio.306
Leopoldo Miguez, ao criar um museu de instrumentos em 1896, formou uma coleção
valiosa de instrumentos musicais. Seu zelo na organização da coleção permitiu que os dados,
306 Instituto Nacional de Música. Biblioteca Alberto Nepomuceno. Livro de inventário das obras. 1890-1895.

2424

�antes desconhecidos, pudessem ser recuperados e auxiliaram, sobremaneira, na elaboração
desta pesquisa.

O MUSEU ATUAL
Em julho de 2008, na administração do professor André Cardoso, frente à Escola de
Música, o acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho foi retirado das vitrines que
ocupavam o corredor e transportado para a biblioteca que ficou com a sua guarda. Nessa
ocasião, foi formada uma equipe de profissionais da Escola de Música composta pela
bibliotecária chefe e por professores indicados pela direção da instituição.
A medida tomada pelo diretor tinha como base o Regimento da Escola de Música de
1973, em vigor, que em seu artigo 278 determina que o museu é “Anexo à biblioteca e ficará sob a
fiscalização do bibliotecário, a quem incumbirá a guarda e conservação dos instrumentos
musicais antigos e objetos relativos à música e será supervisionado por um professor titular
indicado pela direção.” (UFRJ, 1973, p.103-104).
Foi realizado um inventário completo das obras e para este fim, foram realizadas
pesquisas em fontes primárias, como livros de registro e inventários anteriores, relatórios da
Instituição e documentação de arquivos pessoais, que revelaram e esclareceram parte da
história de formação da coleção e da criação do Museu, permitindo também a identificação
dos instrumentos extraviados, assim como a procedência e a identificação de muitos doadores.
Ao longo dos anos, os instrumentos e os objetos do acervo original foram se extraviando ou
se deteriorando, o que foi verificado no inventário realizado. Do acervo original de 1890, foi
constatada, pelo inventário de 2013, a permanência de apenas 35 instrumentos musicais e
quatro objetos.

O acervo atual é composto de 82 instrumentos musicais e 26 objetos

(batutas, quadros, fotografias e outros). 308
Sob a custódia da BAN, o acervo recebeu um tratamento técnico de acordo com
normas e padrões internacionais.

As obras foram registradas e inseridas na base de dados

Minerva da UFRJ30738309, que arrola o acervo das unidades de informação que compõem o
Sistema de Bibliotecas e Informações da UFRJ, e o acervo foi identificado na base Minerva
como Coleção Museu Instrumental Delgado de Carvalho (CMIDC).
307BRANDÃO, Dolores Castorino. Representação Documentária de Instrumentos Musicais: Contribuição para a
Organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música daUniversidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), 2013.A relação completa do inventário de 2013 consta no trabalho.
308BRANDÃO, Dolores Castorino. Representação Documentária de Instrumentos Musicais: Contribuição para a
Organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música daUniversidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), 2013.A relação completa do inventário de 2013 consta no trabalho.
309 Base de dados Minerva - arrola o acervo das unidades de informação que compões o SiBI/UFRJ - Disponível
em:
http://www..minerva.ufrj .br.

2425

�PROPOSTA DE ORGANIZAÇÃO DESCRITIVA E TEMÁTICA DO MUSEU
DELGADO DE CARVALHO
A proposta apresentada a seguir é uma contribuição à organização da informação e do
conhecimento, no âmbito de instrumentos musicais, e foi elaborada obedecendo a normas e
padrões internacionais adotados tanto pela Biblioteconomia, como pela Museologia e
Organologia.
Como já dito anteriormente, foram estudados modelos de representação de acervos de
instrumentos musicais na Europa, particularmente o trabalho desenvolvido pelo Museu da
Música de Lisboa e da Universidade de Edimburgo, na área de Organologia. No Brasil não foi
encontrado nenhum modelo de organização descritiva e temática de instrumentos musicais. A
partir daí, foi utilizado o trabalho de Evanise Páscoa Costa sobre tratamento de documentação
museológica, datado de 2006, que contribuiu com alguns elementos. Utilizaram-se, também, o
AACR2 referente a Artefatos Tridimensionais e Reália e o formato MARC 21 relacionado a
padrões internacionais utilizados pela base de dados Minerva da UFRJ. Como consequência
desses estudos, chegou-se a proposta de representação descritiva e temática dos instrumentos
musicais do Museu Instrumental Delgado de Carvalho que procurou atender a todos os
elementos sugeridos pelos trabalhos analisados, cujo resultado é demonstrado no quadro 1 a
seguir, que organiza as áreas de descrições sugeridas pelos trabalhos, mostra sua
correspondência e/ou equivalência com os padrões biblioteconômicos, MARC 21 e AACR2,
e instrui sobre o seu uso.

Quadro 1: Equivalência do estudo de descrição com o formato MARC 21
TRINDADE/
MYERS/COSTA
Elemento
Descrição
Não consta -

MARC 21/AACR2
de

PROPOSTA
Elemento de Descrição Campo
Fonte da Catalogação

N° do inventário/
Número
de
aquisição/Número de Classificação
registro
Não consta

Número
local

de

040
084

chamada 090

Registrar a unidade de informação responsável
pela catalogação.
Registrar neste campo a classificação
organológica de acordo com o sistema
Hornbostel-Sachs.
Registrar neste campo a sigla do
museu,classificação organológica e o número
de localização do instrumento no acervo.

2426

�Autoria/Criador

Indicação
responsabilidade

Denominação/Título/
Nome original

Título principal
Designação do material
Responsabilidade

245

Título variante

246

Publicação/Fabricação

260

Outras denominações

Local
de
origem/
Autoria/Criador/Data

de 100

Dimensões / Tamanho
Descrição física
total

300

Não consta

Informação de Série

440

Não consta

Nota geral

500

Marcas e inscrições

Nota geral

500

Estado de conservação

Nota geral

500

Falhas/Alterações

Nota geral

500

Registrar o nome pessoal do construtor do
instrumento ou o nome do fabricante,
acrescentando a data de nascimento e morte.
Usar o termo desconhecido para autoria que não
seja possível determinar ou atribuído no caso de
autoria atribuída por críticos, estudiosos ou
tradição oral.
Este campo deverá conter o nome do
instrumento, traduzido para oportuguês
conforme a lista adotada pela biblioteca, exceto
os instrumentos étnicos que devem ser
registrados na língua original. Registrar
também,a designação do material e a
responsabilidade.
Formas variantes do nome do instrumento,
inclusive as formas nos diversos idiomas.
Registrar o nome do construtor ou do fabricante
seguido do local de fabricação e da data
completa, dia, mês e ano. Caso não exista a
informação exata da data, registrar uma data
provável baseada em informações históricas,
características técnicas e/ ou estilísticas,
aproximando ano, década ou século.
Registrar as dimensões do instrumento usando o
máximo de precisão possível:
Altura , Largura, Espessura, Comprimento,
Outras Dimensões:
Largura do teclado, Tampo harmônico, Largura
do cepo, Ponte: largura, Espessura da ilharga
curta, Espessura da ilharga distal
Este campo deverá conter informação referente
a Coleção.
Registrar os dados de assessoria musicológica
referente ao instrumento descrito.
Transcrever, entre aspas, inscrições, gravações,
esculturas, imagens, elementos carimbos,
rótulos ou demais marcas presentes no
instrumento.
Registrar o estado de conservação do
instrumento obedecendo ao seguinte critério:
Ótimo - a peça encontra-se em excelente
estado de conservação;
Bom - a peça apresenta boa condição de
conservação ainda que tenha passado por
restauro;
Regular - a peça está em processo inicial de
deterioração;
Péssimo -a peça está em adiantado processo de
deterioração.
Registrar qualquer falha ou partes faltantes que
prejudicam a aparência ou podem afetar o
desempenho do instrumento. Registre neste
campo, o tipo de reparo ou modificação
realizada no instrumento.

2427

�Localização

Nota geral

500

Referências
bibliográficas

Nota de citação

510

Descrição/
Representação/
Características/
Informação técnica

Nota de resumo

Origem/Historicidade/
Incorporação

Nota biográfica
histórica

Não consta
Não consta

Nota de publicações 581
sobre materiais descritos
585
Nota de Exposição

Não consta

Nota de Premiação

520

ou 561

586

650
Categoria/
Cultura de origem
Assunto - Termo tópico
850
Instituição /Proprietário Instituição depositária
Não consta
Localização e acesso 856
eletrônico à fotografia
do instrumento
ou
objeto.
Preenchido por:
Data:
_
Atualizado por:
Data:
Fonte: Brandão, Dolores Castorino, 2013.

Registrar neste campo a localização atual do
instrumento. Se está em exposição ou na
reserva técnica da Biblioteca.
Registrar as informações bibliográficas onde
são citadas ou referenciados o instrumento.
Registrar neste campo as características físicas,
sumarizando as peculiaridades próprias do
instrumento que podem ser utilizadas para
distingui-lo dos demais, como por exemplo,
elementos decorativos enúmero de série e
características técnicas do instrumento.
Registrar dados de procedência, nome dos
doadores e outras informações históricas sobre
o instrumento.
Registrar os inventários realizados na coleção.
Registrar neste campo uma nota específica
citando a exposições onde o instrumento
descrito foi mostrado.
Registrar neste campo informações de prêmios
associados ao instrumento descrito.
Atribuir o assunto baseado no vocabulário
controlado adotado pela instituição.
Registrar o nome da instituição depositária
Este campo deverá conter a informação
necessária para localização eletrônica do
instrumento musical.
Dados gerados automaticamente pelo sistema.
Constam no final da catalogação do
instrumento.

No quadro 1, verifica-se que o capítulo 10 do Código AACR2 e o formato MARC 21,
padrões utilizados pela Biblioteconomia, são viáveis para a descrição de instrumentos musicais de
acordo com as normas de inventário/catalogação estudados.
O resultado da aplicação dessa proposta é mostrado no exemplo de catalogação de
uma flauta de madeira na base Minerva da UFRJ.

Figura 1:
Exemplo de Representação na Base Minerva: Flauta de madeira
FMT VM
LDR 00000nr22 a 4500

2428

�003

UFRJ

005

20130418083055.0

008

120904q1840 frnnn || d

040

|a EM

084
090

|a 421.1. Classificação segundo Sistema Hornbostel-Sachs: Aerofone: Flautas sem
aeroduto.
|a MIDC/EM/UFRJ 421.1 I4 Prat. 19

100 1 |a Godfroy, Clair, |d 1774-1841.
245 10 |a Flauta transversa |h [Instrumento musical] / |c Clair Godfroy.
260

|a Paris : |b Clair Godfroy, |c c. 1840.

300

|a 1 flauta ; |c Descrição: Comprimento total 65 cm.

440 0 |a Coleção Museu Instrumental Delgado de Carvalho.
500

|a Assessoria musicológica: Eduardo Monteiro/Escola de Música da UFRJ.

500

|a Estado de conservação: Ótimo.

500

|a Inscrição gravada no porta lábio: “Callado. 20 de março de 1880. Seu discípulo João
Duarte".
|a Instrumento feito em madeira cocus. Mecanismo de prata. Chave de trinado de dó.

520 1 Tubo cônico. Porta lábio de prata incrustado na madeira que envolve externamente o
orifício da cabeça. Sistema Boehm com anéis.
|a "Clair Godfroy é considerado um dos principais inovadores na construção da flauta
no século XIX. Alguns de seus procedimentos construcionais permanecem em uso até
a presente data, tais como: chaves com braços, chave dupla de sol # e incrustação de
prata no bocal. Durante muitos anos a flauta pertencente ao acervo do museu, foi
561

erroneamente considerada como tendo sido de propriedade de Joaquim Callado. Este
mal entendido deve-se a inscrição gravada no porta lábio do instrumento. Na verdade
a inscrição é uma homenagem de um aluno a seu mestre por ocasião da morte deste.
Callado também preconizava o uso da flauta de cinco chaves, opondo-se ao uso do
Sistema Boehm. Fonte: Eduardo Monteiro, 2013.

581

|a Inventário de 2008: Relação das obras do Museu Instrumental Delgado de Carvalho/
Organização de Dolores Castorino Brandão.

650 04 |a Flauta transversa [Instrumento musical].

2429

�650 04 |a Aerofones - |x Instrumento musical
850

|a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escola de Música.

856 42 |u http://objdig.ufrj.br/26/Instrumento Musical/780623.jpeg |z imagem
CAT |a DBRANDAO26 |b 20 |c 20130418 |l UFR01 |h 0830
SYS

000780623
Fonte: Base Minerva, UFRJ, 2013.

A partir da classificação do acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho foi
possível identificar o número de instrumentos musicais e sua classe correspondente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar das dificuldades encontradas, considera-se que o objetivo de propor um
modelo de organização da informação para o acervo do Museu Instrumental Delgado de
Carvalho de acordo com normas e padrões internacionais e em consonância com a descrição
de instrumentos musicais propostas por Trindade (2011) e Myers (1989) foi atingido.
A pesquisa revelou a complexidade inerente ao tratamento técnico de instrumentos
musicais e, consequentemente, a necessidade de estudos interdisciplinares sobre o tema.
Constatou-se que o trabalho realizado por Leopoldo Miguez (1890-1895)foi crucial
para a elaboração do catálogo publicado em 1095, como também forneceu informações
importantes para a realização desta pesquisa. Além disso, a classificação criada por
Hornbostel e Sachs (1914) foi de fundamental importância e pioneirismo, ainda a divisão
desenvolvida pelos autores possibilita uma melhor ordenação e classificação dentro da
Organologia.
Observa-se que Hornbostel e Sachsutilizaram números para representar as classes,
eliminando assim as barreiras linguísticas, uma vez que esses símbolos não verbais são
linguagens internacionais. Por outro lado, verifica-se que os autores adotaram padrão
biblioteconômico, a Classificação Decimal de Dewey, e que a Classificação Decimal
Universal(2007)por sua vez, utilizou um padrão organológico ao adotar a classificação de
Hornbostel e Sachs.
Observou-se também que a utilização de normas e padrões internacionais para a
organização desse acervo garante uma representação adequada do documento, de modo a
atender aos usuários de forma eficiente. Destaca-se que a partir de sua informatização na base
Minerva é possível disseminar o acervo em nível internacional.

2430

�Durante o processo de identificação, catalogação, classificação e indexação dos
instrumentos musicais percebeu-se a importância do diálogo interdisciplinar entre, por
exemplo, bibliotecários e musicólogos na busca de uma representação qualificada. O tema
abordado deve ser amplamente discutido entre os profissionais envolvidos que, sem sombra
de dúvidas, complementarão com suas expertises questões importantes sobre a representação
de instrumentos musicais.
Finalmente, espera-se que o modelo possa contribuir com a organização de acervos em
outras unidades de informação, com características semelhantes, e que seja objeto de estudo
de pesquisas futuras.

REFERÊNCIAS
BRANDÃO, Dolores Castorino. Representação documentária de instrumentos musicais:
contribuição para a organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de
Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).2013. Trabalho de Conclusão de
Curso (Especialização em Políticas de Informação e Organização do Conhecimento).
Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Arquivo

Nacional,

Rio

de

Janeiro,

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http://obidig.ufri.br/26/monograf/796553.pdf.Acesso em: 14 jun. 2013.
BRASIL. Decreto n° 143, de 12 de janeiro de 1890. Decretos do Governo Provisório da
República dos Estados Unidos do Brasil. - Rio de Janeiro, 1890. Fasc. 1. Extingue o
Conservatório de Música e cria o Instituto Nacional de Música.
BRASIL. Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Notícia histórica dos serviços,
instituições e estabelecimentos pertencentes a esta instituição :elaborada por ordem do
respectivo ministro Dr.Amaro Cavalcanti.Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1898.
CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL (CDU): edição média em língua portuguesa. 2.
ed. Brasília: IBICT, 2007.
CÓDIGO DE CATALOGAÇÃO ANGLO-AMERICANO (AACR). 2. ed.rev. São Paulo:
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COSTA, Evanise Páscoa (Org.). Princípios básicos da Museologia. Curitiba: Secretaria de
Estado

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&lt;http://www.cultura.pr.gov.br/arquivos/File/downloads/p_museologia.pdf&gt;. Acesso em: 23
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FUJITA, Mariângela Spotti Lopes; RUBI, Milena Polsinelli; BOCCATO, Vera Regina
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catalogadores e usuários de bibliotecas universitárias. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Contribuição à organização documentária de instrumentos musicais: estudo no acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro</text>
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                <text>A insuficiência de normas internacionais de organização documentária para instrumentos musicais e a escassez de estudos sobre o tema no Brasil, ensejaram a realização desse estudo, realizado no acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da UFRJ. A pesquisa teve como objetivo contribuir para o estabelecimento de um modelo de representação descritiva e temática de instrumentos musicais para fins de recuperação da informação. Inicialmente foram estudadas as normas e padrões existentes nas áreas de Biblioteconomia, Museologia e Organologia que possam ser utilizadas para a organização desse tipo de acervo. Obteve-se como resultado uma proposta para a representação de instrumentos musicais em bases de dados, utilizando-se os padrões biblioteconômicos AACR2 e MARC 21 em consonância com normas já citadas anteriormente, proposta essa, que foi implementada na base Minerva da UFRJ. Para a área de representação temática foram realizados estudos em classificações de instrumentos musicais existentes abordadas e mais consolidadas na Organologia. Foi desenvolvido também, um protótipo de vocabulário controlado no campo em estudo. A pesquisa revelou a complexidade inerente à organização documentária de instrumentos musicais e, consequentemente, a necessidade de estudos interdisciplinares sobre o tema. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS FRENTE AO DILEMA DAS
AVALIAÇÕES GOVERNAMENTAIS

Gisele Ferreira de Brito
Waldomiro de Castro Santos Vergueiro

RESUMO
Apresenta a importância da avaliação para bibliotecas universitárias e o atual cenário
brasileiro relacionado ao tema. O método utilizado é o levantamento da literatura científica
dos últimos anos em periódicos e eventos, complementado com a análise de documentos
relacionados à avaliação compulsória da educação superior brasileira. Critica esta avaliação
governamental e conclui que a questão vem sendo negligenciada ultimamente e que a
metodologia de avaliação deve ser revista com a participação de profissionais e instituições
que os representam para garantir uma ferramenta para uma gestão mais profissional das
bibliotecas universitárias.

Palavras-Chave: Bibliotecas Universitárias Brasileiras; Avaliação.
ABSTRACT
Presents the importance of evaluation for university libraries and the current Brazilian
scenario related to the theme. The method used is a survey o f the scientific literature of recent
years in journals and conferences, complemented with an analysis of documents related to the
compulsory evaluation of Brazilian higher education. Critics this government evaluation and
concludes that the issue has been neglected lately and that the evaluation methodology should
be reviewed with the participation of professionals and institutions that represent them to
ensure a tool for a more professional management of university libraries.
Keywords: Brazilian University Libraries; Evaluation.

1 INTRODUÇÃO
Há que se considerar que as bibliotecas universitárias interessadas em demonstrar seu
valor às comunidades a que estão ligadas o fazem justificando sua existência, planejando suas
atividades, elaborando projetos, facilitando as pesquisas, colaborando com serviços de
extensão e de responsabilidade social. Para tanto, os bibliotecários devem estar imbuídos de
medir a qualidade de seus serviços e a satisfação de seus clientes, zelando pela governança da
biblioteca, contribuindo para uma gestão mais profissional.

816

�Isso porque em tempos de mudança no ambiente organizacional, os clientes estão se
tornando mais críticos e exigentes, buscando serviços mais ágeis e de melhor qualidade, em
função principalmente das tecnologias de informação e comunicação (TICs) disponíveis. Tais
tecnologias, a exemplo do Google e outros provedores de informação, como as bases de
dados, têm quebrado o monopólio das bibliotecas.
Com base no que se afirma acima, como obter informação para atender ou superar as
expectativas desses clientes e tornar a tecnologia como vantagem competitiva diante desse
cenário? É aí que entra em cena a avaliação.
O que se ouve no meio bibliotecário é que, por conta da escassez de recursos e de
tempo, não se envolvem em atividades de avaliação. O que chega a ser antagônico, uma vez
que se não gastam tempo com processos avaliativos como justificam os recursos utilizados e
consequentemente a existência de seus serviços?
Certo é que com base em achismos, suposições irreais, conhecimentos superficiais
não têm uma gestão profissional de suas unidades de informação, apenas decisões infundadas,
ou seja, as unidades não conhecem seus clientes e os clientes por sua vez, não conhecem os
acervos e serviços ofertados, o que leva a uma consequente subutilização e baixa demanda
pelos serviços de informação.
Pretende-se, com este artigo, discutir a importância das avaliações para as bibliotecas
universitárias, analisar criticamente o atual modelo de avaliação do Ministério da Educação
(MEC) e propor uma atuação mais proativa e crítica dos profissionais e associações para uma
reformulação desse instrumento avaliativo compulsório das instituições de ensino superior
(IES) brasileiras, de forma que, além das finalidades de avaliação do ensino superior, ele
possa também subsidiar a gestão profissional dessas bibliotecas. Com essa finalidade,
realizou-se estudo crítico da produção intelectual relacionada ao tema encontrada em eventos
e periódicos científicos brasileiros, confrontando essa produção com as necessidades da área e
as políticas governamentais vigentes sobre a temática avaliação de bibliotecas universitárias.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Pode-se dizer que a principal função da avaliação é “produzir conhecimentos relativos
à unidade de informação, à organização em que esta se situa e a seu ambiente, para servir de
subsídio ao planejamento tanto na fase de elaboração do plano, programa ou projeto, quanto
na fase de implementação das ações” (ALMEIDA, 2005, p. 11).
Para Lancaster (1996) são várias as razões para um gestor de bibliotecas fazer uma
avaliação dos serviços prestados:

817

�a) estabelecer uma escala para mostrar em que nível de desempenho o serviço está
funcionando no momento (em caso de mudança poder medir o seu efeito);
b) simplesmente a de justificar a sua existência (relação custo-benefício);
c) identificar possíveis causa de malogros ou ineficiência do serviço (visando elevar
o nível de desempenho no futuro - estreitamente relacionado à gestão da
qualidade);
d) comparar o desempenho de várias bibliotecas ou serviços. Menos usual e
somente válido se adotado padrão idêntico de avaliação (Válido para identificar
melhores práticas).
No caso das bibliotecas universitárias brasileiras, além das finalidades da avaliação
listadas por Lancaster (1996), ainda há que se somar a avaliação por órgãos reguladores do
governo como parte das instituições de ensino superior. Na área educacional, sobretudo na de
nível superior, a preocupação com a avaliação parece se configurar como uma necessidade
prática: para que as Instituições de Ensino Superior (IES) possam ser credenciadas ou se
manter em funcionamento, têm que estar de acordo com padrões de qualidade estabelecidos
por órgãos reguladores, que criaram formas de avaliar o serviço dessas universidades e
faculdades, aferindo sua qualidade.
Dentre esses órgãos reguladores está o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP), uma autarquia do Ministério da Educação (MEC)

78

Para gerar seus dados e estudos educacionais o INEP realiza levantamentos
estatísticos e avaliativos em todos os níveis e modalidades de ensino. Para a avaliação do
ensino superior o Brasil conta com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior
(SINAES), criado em 2004 por meio da Lei 10.861 e que tem por finalidades

a melhoria da qualidade da educação superior, a orientação da
expansão da sua oferta, o aumento permanente da sua eficácia
institucional e efetividade acadêmica e social e, especialmente, a
promoção do aprofundamento dos compromissos e responsabilidades
sociais das instituições de educação superior, por meio da valorização
de sua missão pública, da promoção dos valores democráticos, do
respeito à diferença e à diversidade, da afirmação da autonomia e da
identidade institucional. (BRASIL, 2004)
O SINAES contempla as seguintes avaliações:
78 A missão do INEP é —
promover estudos, pesquisas e avaliações sobre o Sistema Educacional Brasileiro com o
objetivo de subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas para a área educacional a partir de
parâmetros de qualidade e equidade, bem como produzir informações claras e confiáveis aos gestores,
pesquisadores, educadores e público em geral. (INEP, c2011).

818

�a) avaliação das instituições que abrange a autoavaliação, a ser realizada por uma
Comissão Própria de Avaliação (CPA) de cada instituição e a avaliação externa in

loco, a ser realizada por uma comissão de avaliadores designada pelo INEP;
b) avaliação dos cursos de graduação que objetiva identificar as condições de ensino
oferecidas aos estudantes, em especial as relativas ao perfil do corpo docente, às
instalações físicas e à organização didático-pedagógica;
c) avaliação do desempenho dos estudantes dos cursos de graduação a ser realizada
por meio do ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), que tem
uma prova aplicada aos alunos, por amostragem, ao final do primeiro ano e do
último ano do curso. (BRASIL, 2004).

A primeira delas, a avaliação institucional, sobretudo no que tange à autoavaliação,
traz para as bibliotecas universitárias a oportunidade de definir a ferramenta que melhor capta
a percepção de sua comunidade acadêmica em relação aos seus serviços; no entanto, não
foram identificados na literatura da área de Biblioteconomia e Ciência da informação
brasileira relatos dessas experiências, o que diminui as oportunidades para discussão dos
métodos e nos faz acreditar que essas avaliações têm ficado a cargo das Comissões Próprias
de Avaliação (CPAs) das universidades.
Tudo leva a crer que muitas bibliotecas não se envolvem com a autoavaliação por
seus dirigentes imaginarem que a avaliação externa, realizada por meio do instrumento de
avaliação dos cursos de graduação do INEP, seja suficiente. Trata-se de um equívoco dos
bibliotecários, pois o instrumento não tem essa eficiência que imaginam. Inclusive, tal modelo
de avaliação já vem sendo criticado por Lubisco desde 2007, quando, em sua tese de
doutorado realizada na Espanha (LUBISCO, 2007), enfatizou a necessidade de entender a
biblioteca como algo além de um item da infraestrutura universitária. Para essa autora, a
unidade de informação deve ser vista como um recurso pedagógico das instituições de ensino
superior: ao tratar a biblioteca universitária como mera instalação da universidade, o MEC dá
provas da ineficiência de seus instrumentos de avaliação.
Em finais de 2012, o cenário, infelizmente, ainda é praticamente o mesmo do descrito
por Lubisco cinco anos antes, pois no último instrumento de avaliação do ensino superior a
palavra biblioteca continua não sendo mencionada entre os indicadores que o compõem. E
talvez seja possível afirmar, como se tentará demonstrar mais adiante, que um retrocesso
ocorreu.

819

�Esse documento, intitulado Instrumento de avaliação de cursos de graduação

presencial e a distância, atualizado em maio de 2012 e disponibilizado em 13 de junho de
2012 pelo INEP, subsidia os “atos autorizativos de cursos - autorização, reconhecimento e
renovação de reconhecimento - nos graus de tecnólogo, de licenciatura e de bacharelado para
a modalidade presencial e a distância” (BRASIL, 2012). Ao contrário da versão anterior do
instrumento, datada de 19 de agosto de 2008, a nova versão sequer conta com uma introdução
onde se informem os objetivos do instrumento, os responsáveis por sua atualização ou
qualquer contextualização a respeito da necessidade da revisão do instrumento. No entanto,
assim como na versão de 2008, a palavra biblioteca é mencionada uma única vez, quando o
instrumento se refere ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), o que inclui a
biblioteca ao menos no planejamento da Instituição de Ensino Superior, que deve considerar
um período de cinco anos, com cronograma de ações para a manutenção de padrões da
qualidade. Dentre os itens a serem considerados no PDI, na descrição da infraestrutura física e
instalações, deve ser dada ênfase à biblioteca e aos laboratórios.
A versão atual tampouco conta com a palavra biblioteca entre os indicadores do
instrumento, especialmente naqueles relacionados à infraestrutura (onde constam as salas de
aula e laboratórios). Neste tópico podem-se encontrar apenas os seguintes indicadores:
bibliografia básica, bibliografia complementar e periódicos especializados. É como se esse
material didático estivesse disponível em qualquer sala da universidade e não necessariamente
disponibilizado em um local específico da instituição, formalmente constituído para tal - a
Biblioteca.
Várias questões podem ser colocadas em razão desse estado de coisas: será que os
envolvidos no desenvolvimento do instrumento desconhecem o papel da biblioteca
universitária e suas potenciais contribuições para a qualidade do ensino superior? Ou a culpa
do instrumento não considerar o aspecto pedagógico da unidade de informação se deve à
pouca pró-atividade dos profissionais de informação no sentido de fazer valer a sua voz na
concepção desses instrumentos? Ou, ainda, se a possibilidade de questionar a validade desse
instrumento não fica comprometida devido à omissão da própria biblioteca?

2.1 O debate sobre a avaliação de bibliotecas universitárias no Brasil
Um dos fóruns privilegiados para discussão da temática avaliação de bibliotecas no
Brasil é, com certeza, o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU). Criado em
1978, este evento é considerado um dos maiores e mais importantes na área da ciência da
informação no campo acadêmico brasileiro. Realizado a cada dois anos por uma Instituição de

820

�Ensino Superior, com o apoio da Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU),
tem como missão discutir e debater o status quo da área e questões relacionadas ao universo
das bibliotecas universitárias (CAETANO, 2012).
Em 2012 foi realizada sua 17a edição, em Gramado, RS, pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, tendo como tema central “A Biblioteca Universitária como Laboratório
na sociedade da informação”; as discussões foram distribuídas em torno de quatro eixos
gerais: Construção e comunicação da informação; Organização, preservação e acesso à
informação, Recuperação, disseminação e uso da informação; Gestão da Biblioteca
Universitária. Este último, além de abranger o planejamento, a gestão do conhecimento de
pessoas, de recursos materiais e financeiros, marketing, arquitetura e segurança, também
abarcava a avaliação de produtos e serviços (SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 2012).
Sobre avaliação, o evento contou com um total de nove contribuições, sendo: um
minicurso voltado à Avaliação do MEC, ministrado por Miriam Queiroz Rocha; uma palestra
na sessão plenária, intitulada “Avaliação de produtos e serviços”, por Nídia Lubisco; dois
pôsteres, “ Serviço de referência: utilização de software livre para avaliações em bibliotecas
universitárias” (COSTA; ARAÚJO, 2012) e outro intitulado “Avaliação de produtos e
serviços de informação” (GUIMARÃES, 2012); e as sessões orais: “ Serviços ao usuário:
avaliação no sistema integrado de bibliotecas da Universidade Federal de Goiás” (CRUZRIASCOS, 2012), “A percepção da comunidade acadêmica a respeito dos serviços da
biblioteca” (CID et al., 2012), “Avaliação pós-ocupação em bibliotecas universitárias”
(SILVA et al., 2012), “O uso do tablet como ferramenta inovadora para avaliação do
atendimento em bibliotecas universitárias” (LIMA; LEITE, 2012) e “Avaliação do SINAES
para bibliotecas universitárias: uma análise da metodologia de avaliação” (BRASIL, 2012).
Isso parece denotar que atualmente existe pouca preocupação em relação a essa
temática por parte dos profissionais das bibliotecas universitárias brasileiras.

Isto,

principalmente, se considerarmos que o segundo SNBU, realizado pela Coordenadoria de
Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES), em Brasília, em 1981, teve como
temática central a “Avaliação do desempenho da biblioteca universitária no Brasil”, enquanto
que o sétimo, realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dez anos depois,
teve como tema central os “Padrões nacionais para planejamento e avaliação em bibliotecas
universitárias” (SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 2012).
Se considerado o outro fórum de pesquisa da área de Ciência da Informação no
Brasil, o Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB), realizado

821

�anualmente pela Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ANCIB), é
possível afirmar que essa demonstração de desinteresse em relação à problemática da
avaliação de bibliotecas universitárias é reforçada.
Em sua última edição, a de número treze, realizada em outubro de 2012 na cidade do
Rio de Janeiro, em parceria com a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FioCruz), essa
preocupação aparece no Grupo Temático 4: Gestão da informação e do conhecimento nas
organizações, no qual foram apresentados apenas dois trabalhos que giravam em torno da
biblioteca universitária, sendo que somente um deles versava especificamente sobre a
avaliação: “Avaliação da Qualidade da Biblioteca Acadêmica: a metodologia LibQual+ ® e
suas perspectivas de aplicação no Brasil” (BRITO; VERGUEIRO 2012).
Da mesma forma que para os eventos, foi realizado um levantamento de artigos
científicos tratando da temática avaliação da biblioteca universitária. Contou-se, para isso,
com a Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação
(BRAPCI)

desenvolvida pelo Departamento de Ciência e Gestão da Informação da

Universidade Federal do Paraná (UFPR), cujo objetivo “é subsidiar estudos e propostas na
área

de

Ciência

da

Informação,

fundamentando-se

em

atividades

planejadas

institucionalmente” (BASE DE DADOS REFERENCIAIS DE ARTIGOS DE PERIÓDICOS
EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, c2009-2012).
Considerando-se o período de 2010 a 2012 e a palavra-chave Avaliação, foram
obtidos 24 resultados, sendo que apenas dois dos artigos tinham como enfoque a avaliação de
serviços e produtos de bibliotecas universitárias. Foram eles: “Análise envoltória de dados na
gestão do desempenho de bibliotecas universitárias: o caso de uma IFES no Rio de Janeiro”
(CARVALHO et al., 2011) e “Perspectivas para o marketing de relacionamento na biblioteca
central da Universidade Federal de Mato Grosso” (GUSMÃO et al., 2011).
Assim, pode-se observar que tampouco na academia o tema avaliação de bibliotecas
universitárias vem sendo objeto de ampla discussão.

79 A base BRAPCI disponível em: http://www.brapci.ufpr.br é constituída de periódicos brasileiros da área de
Ciência da Informação (CI) com 35 títulos impressos e eletrônicos, ativos e descontinuados. Pode-se afirmar que
os títulos que compõem a base são de qualidade, uma vez que dos 35 títulos, 24 deles estão avaliados pelo Qualis
entre os estratos A1 e B5. No Brasil, como um parâmetro para estratificação da qualidade da produção
intelectual gerada pelos programas de pós-graduação, foi criado pela CAPES um conjunto de procedimentos,
denominado Qualis, que afere a qualidade da produção a partir da análise dos veículos de divulgação, sejam eles
periódicos científicos ou anais de eventos. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade
sendo o estrato A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C - com peso zero.e passam por um processo anual
de atualização. A consulta ao sistema Qualis pode ser feita pelo WebQualis (CAPES, 2009).

822

�2.2 Perspectivas para a avaliação de bibliotecas universitárias no Brasil
Diante do exposto, é possível indagar sobre as esferas em que esse tema - avaliação
de bibliotecas universitárias - pode ser trazido à tona no Brasil.
Uma provável resposta a essa indagação pode estar relacionada à Comissão
Brasileira de Bibliotecas Universitárias, a CBBU, um fórum permanente de discussão criado
em 1987, durante o quinto SNBU, com o intuito de cobrir a lacuna de um organismo que
desenvolvesse propostas de modernização
universitárias

(RUSSO,

2003).

Ligada

de estruturas e serviços das bibliotecas

à Federação

Brasileira

de

Associações

de

Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) e atualmente atuando no
apoio à realização dos SNBUs .
Nesse sentido, o Comitê Gestor da CBBU para os anos 2012-2013 divulga no site da
comissão os princípios da gestão intitulada ‘Integração e Empreendedorismo’ pelo
fortalecimento dos [Sic] Bibliotecas Universitárias. Entre eles está justamente o de “Propor e
contribuir com o INEP no estabelecimento de novos critérios para avaliação das Bibliotecas
Universitárias” . O site pouco atualizado, no entanto não informa sobre as ações realizadas
pela comissão no sentido de atender a esse princípio (COMISSÃO BRASILEIRA DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, [2012?]).
É possível entender que a CBBU está chamando para si a responsabilidade de atuar
no sentido de apoiar as iniciativas de avaliação dos órgãos governamentais, tornando
explícitas as metodologias adequadas para esse fim e incentivando suas práticas através de
treinamentos, por exemplo. Isso é louvável e meritório, é claro. Mas precisa ser efetivamente
colocado em prática.
A alternativa acima apontada para adequado encaminhamento da questão da
avaliação de bibliotecas universitárias no Brasil, no entanto, pode não ser suficiente. Ela não
dá conta da complexidade do setor de informação no início do presente século, deixando de
realizar uma ligação com outros espaços de informação existentes. Assim, uma segunda
alternativa, que dê conta dessa característica, está a ser construída no Brasil.
Recentemente, em novembro de 2012, foi formalmente criada no país a Associação
Brasileira de Profissionais da Informação (ABRAINFO), órgão nacional que tem a finalidade
de

80 A missão da CBBU é —
promover a formulação de políticas públicas em áreas de interesse, para incentivar a
cooperação, o compartilhamento de serviços e produtos, a realização de projetos e pesquisas, a elaboração e
editoração de documentos técnico-científicos, a organização de eventos, visando à consolidação da educação
continuada e à representação das Bibliotecas Universitárias junto a órgãos governamentais e a comunidade
cientifica brasileira”. (COMISSÃO BRASILEIRA DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, [2012?]).

823

�desenvolver suas atividades visando a promover o trabalho dos profissionais
da informação, realizando ou apoiando ações que possam garantir o
aprimoramento dessas atividades e tendo como missão primordial contribuir
para o aperfeiçoamento das práticas de informação como meios essenciais
para a existência de uma sociedade com liberdade de expressão e pluralista,
sob as condições essenciais de liberdade de informação e garantia do direito
de acesso à informação em seus vários planos. (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO, 2012)
Constituída a partir das discussões sobre representatividade profissional na área de
81

informação realizadas nas redes sociais , a ABRAINFO visa congregar os profissionais do
setor da informação em âmbito nacional. O projeto de estatuto foi amplamente discutido nas
redes sociais e aprovado com ajustes em reunião de fundação da associação, realizada em São
Paulo, em 23 de novembro de 2012.
Estruturada de forma dinâmica, a ABRAINFO prevê a instituição de grupos de
trabalho com a finalidade de intercambiar, interagir e trocar informações e conhecimentos,
que subsidiem a proposição e elaboração de políticas públicas de apoio e desenvolvimento do
setor de informação, e à definição e difusão de boas práticas, bem como criar grupos-tarefa
para analisar e apresentar sugestões concernentes a temas relevantes do setor de informação.
No caso da avaliação de bibliotecas universitárias, além de desenvolver essas atividades,
poderia também avançar no sentido de se capacitar como órgão certificador independente,
garantindo formalmente à sociedade, de forma sistematizada, a qualidade dos serviços de
informação disponibilizados pelas bibliotecas universitárias. Para isso, logicamente, deverá se
organizar e municiar de todas as ferramentas necessárias. Não será uma tarefa fácil.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Em termos metodológicos, este estudo classifica-se como trabalho científico original,
segundo o ponto de vista de sua natureza, pois sua temática está sendo estudada pela primeira
vez. Quanto a seus objetivos, tem a forma de pesquisa de tipo descritiva, por observar,
registrar, analisar e interpretar os fatos coletados sem a interferência dos pesquisadores. Em
relação aos procedimentos, caracteriza-se por pesquisa bibliográfica e documental, pois
81 Criado em março de 2012, o grupo de discussão foi originalmente denominado Associação Brasileira pelo
Progresso da Biblioteconomia / Ciência da Informação no Facebook, tendo no momento, dezembro de 2012,
1.431 membros. Está disponível no endereço http://www.facebook.com/#!/groups/372349109452045/. A partir
de junho de 2012, um novo grupo foi criado: ABRAINFO Associação Brasileira de Profissionais da Informação,
disponível em: http://www.facebook.com/#!/groups/126172034187521/ e desde então, as discussões sobre a
nova associação passaram a ocorrer neste novo endereço.

824

�utilizou de fontes bibliográficas para a estruturação do referencial teórico e de documentos
originais para o estudo de legislação. (ANDRADE, 2001).

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Este estudo procurou demonstrar o quanto a temática avaliação de bibliotecas
universitárias vem sendo negligenciada ultimamente pela academia e pelos profissionais de
informação do Brasil.
Dada a importância deste quesito para a gestão das bibliotecas universitárias, há uma
premência para a retomada do tópico entre as pesquisas ligadas à área de Ciência da
Informação e Biblioteconomia no Brasil, haja vista a problemática ligada às avaliações
compulsórias governamentais que têm se mostrado ineficientes para demonstrar a real
contribuição das bibliotecas universitárias para a qualidade do ensino superior brasileiro.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O país está carente de procedimentos avaliativos de suas bibliotecas universitárias e
entende-se que as avaliações governamentais, além de mensurar a qualidade do ensino
superior, deveriam servir também às finalidades citadas por Lancaster, como justificar a
existência das bibliotecas em ambiente universitário, demonstrar seu nível de desempenho,
verificar sucessos e malogros de seus serviços, comparar desempenho entre elas, contribuindo
inclusive para uma estatística nacional de bibliotecas universitárias até hoje inexistente no
Brasil.
Outros ganhos poderiam advir uma proposta de avaliação para a Biblioteca
Universitária Brasileira, como o benchmarking a partir da identificação das melhores práticas.
Destaca-se também a possibilidade de estabelecimento de um melhor relacionamento
biblioteca-cliente, uma gestão mais profissional, utilizando a avaliação como ferramenta de
planejamento e de tomada de decisão baseada em evidências, visando aprimorar a excelência
de seus serviços e produtos e evidenciar seu valor e o impacto de sua atuação junto à
comunidade a que atende. Tudo isso, graças à convergência com outras práticas gerenciais,
como a qualidade, a gestão do conhecimento e o marketing.
Um novo horizonte pode ser vislumbrado com a criação de novas entidades de
representação profissional, a exemplo da ABRAINFO, mas uma atuação mais proativa desses
profissionais e pesquisadores se faz necessária para que a biblioteca universitária brasileira
conte com instrumentos avaliativos mais eficientes.

825

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828

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Apresenta a importância da avaliação para bibliotecas universitárias e o atual cenário brasileiro relacionado ao tema. O método utilizado é o levantamento da literatura científica dos últimos anos em periódicos e eventos, complementado com a análise de documentos relacionados à avaliação compulsória da educação superior brasileira. Critica esta avaliação governamental e conclui que a questão vem sendo negligenciada ultimamente e que a metodologia de avaliação deve ser revista com a participação de profissionais e instituições que os representam para garantir uma ferramenta para uma gestão mais profissional das bibliotecas universitárias.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DEZ ANOS DA BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES DA
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE: HISTÓRICO, AVANÇOS E
PERSPECTIVAS
Josimara Dias Brumatti
Jussara Moore de Figueiredo
Geisa Meirelles Drumond

RESUMO
Analisa a contribuição da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal
Fluminense (BDTD-UFF) para o movimento do acesso livre à informação científica
produzida na universidade, abordando seu crescimento/desenvolvimento desde sua
implantação até os dias atuais. A metodologia utilizada inclui revisão de literatura dos estudos
e pesquisas sobre a importância da BDTD para o Movimento de Acesso Livre no Brasil,
levantamento quantitativo das dissertações e teses defendidas na UFF no período de dez anos
(2003-2013) e os trabalhos defendidos no mesmo período, que foram inseridos na BDTDUFF. Conclui que nos últimos 10 anos, levando-se em consideração a maior abertura na oferta
de vagas e o surgimento de novos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu houve um aumento
na produção acadêmica, porém o número de teses e dissertações on-line na BDTD-UFF não
reflete a totalidade da produção discente da universidade. O maior desafio é a implementação
de uma Política Mandatória institucional para o aumento da adesão dos Programas de PósGraduação Stricto Sensu na BDTD-UFF, permitindo a democratização do conhecimento
produzido e fomentando o apoio ao Movimento Nacional de Acesso Livre.
Palavras-chave: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações; Movimento de Acesso Livre;
Disseminação do conhecimento.

ABSTRACT
It analyzes the contribution of the Thesis and Dissertations Digital Library of The Fluminense
Federal University (BDTD-UFF) to the Open Access Initiative - OAI to the scientific
information produced in the university, approaching its growth/development from its
implementation to the present days. The methodology includes the literature review of studies
and researches about the importance of BDTD to the Open Access Initiative - OAI in Brazil
the quantitative survey of the dissertations and theses defended at UFF in a ten years period
(2003-2013) and the papers defended in the same period, that were added to the BDTD-UFF.
It concludes that in the last 10 years, considering a greater opening in the number of vacancies
and the emergence of new Post Graduation Stricto Sensu courses, there was an increase in
academic production, however the number of on-line theses and dissertations in the BDTDUFF doesn't reflect the university student's production. The biggest challenge is the
implementation of a Mandatory Policy in the University to increase the adhesion of the Post

248

�Graduation Stricto Sensu Programs to the BDTD-UFF, allow the democratization of the
knowledge produced in institutional level and promote the National Open Access Initiative.
Keywords: Thesis and Dissertations Digital Library; Open Access Initiative; Dissemination
of the Knowledge.
1 INTRODUÇÃO
Entre as transformações tecnológicas e socioeconômicas que o mundo contemporâneo
tem vivenciado, podemos citar os sistemas digitais, as conexões por satélite, a globalização,
as rápidas mudanças de padrões culturais e a extrema competitividade em todas as áreas.
O aumento acelerado do conhecimento técnico-científico mundial, alimentando e
engrossando a massa de registros/informações disponíveis é somente mais um desafio que se
apresenta nesse cenário. O fenômeno da “explosão documental” alinhado a disponibilidade e
acessibilidade da informação se tornou uma linha de pesquisa muito frequente na atualidade
pela necessidade de democratização da informação que segue o movimento em favor do
acesso aberto às informações científicas, Open Access - OA.
Como sinaliza Costa (2013, p. 2),

Na chamada Sociedade da Informação, mais que em outra época qualquer, o
conhecimento é referenciado como poder que precisa ser compartilhado,
democratizado e universalizado, garantindo a todo e qualquer cidadão o direito de
possuí-lo e utilizá-lo. Alinhado ao processo de democratização da informação está
também o movimento mundial em favor do acesso aberto às informações
científicas, o qual o Brasil aderiu recentemente.

O OA, conhecida no Brasil como Acesso Livre ou Acesso Aberto, tem envolvido
mundialmente diversos pesquisadores na contribuição do seu fortalecimento, visando à
criação de políticas e acordos que concretizem e ampliem os benefícios desse movimento,
dentro os quais podemos citar: maior visibilidade das pesquisas com utilização de seus
resultados pelo maior número de interessados promovendo o desenvolvimento científico.
O movimento de acesso aberto influenciou a criação da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações - BDTD, pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IBICT, sendo considerada como a primeira iniciativa do Brasil na direção do OA.
Partindo desse cenário, abordamos a contribuição da BDTD-UFF que integrou o
Projeto piloto do IBICT, proporcionando maior divulgação das informações acadêmicas e a
visibilidade da Universidade em nível nacional e internacional.

249

�Com base nessas ponderações, este trabalho tem como objetivo analisar a contribuição
da BDTD - UFF na disseminação do conhecimento produzido na Universidade Federal
Fluminense, abordando também o seu crescimento/desenvolvimento desde sua implantação
até os dias atuais, visando identificar possíveis entraves nesse processo e apontar caminhos
para sua otimização.
Para a devida contextualização, apresenta-se um breve histórico da criação da BDTD
pelo IBICT e a participação da UFF nesse projeto. Abordam-se a seguir os procedimentos
metodológicos utilizados nesta pesquisa. Nos resultados, mostra-se o levantamento de dados
de teses e dissertações dos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu na UFF e no site da Capes,
dando ênfase a análise estatística e discussão desses dados, bem como o depósito de teses e
dissertações na BDTD-UFF a partir de 2003. Nas considerações finais, são realizadas algumas
reflexões sobre a trajetória da BDTD-UFF ao longo dos seus dez anos, identificando
perspectivas, avanços e desafios.

2 REVISÃO DE LITERATURA
As teses e dissertações formam um valioso acervo para as universidades, pois
registram e representam a produção de seus mestres e doutores que retornam a sociedade o
conhecimento gerado na academia e alimentam o ciclo de produção de conhecimento numa
área específica.
A divulgação da produção gerada pela Pós-Graduação Stricto Sensu pode ocorrer
através da indicação de leitura pelos professores, dos catálogos de bibliotecas, sítios na
internet, base de dados ou bibliotecas digitais. Dentre os recursos informacionais oferecidos
pelas bibliotecas, a BDTD agrega as publicações produzidas pelos vários Programas de PósGraduação Stricto Sensu oferecidos pela universidade em meio eletrônico.
Segundo Campello (2000), sempre houve empenho dos órgãos de fomento de
pesquisas e dos Ministérios da Educação e de Ciência e Tecnologia na divulgação desse tipo
de publicação. Essa preocupação também é reforçada, quando envolve financiamento público
em pesquisas. Nesse sentido, a Capes, através do art. 5° da Portaria n. 13, de 15 de fevereiro
de 2006, dispõe que:

O financiamento de trabalho com verba pública, sob a forma de bolsa de
estudo ou auxílio de qualquer natureza concedida ao Programa, induz à
obrigação do mestre ou doutor apresentá-lo à sociedade que custeou a
realização, aplicando-se a eles a disposição desta Portaria.

250

�Dentro dessa lógica de visibilidade e divulgação da pesquisa acadêmica é que se dá o
surgimento do programa Bibliotecas Digitais Brasileiras pelo IBICT, fruto também do
movimento mundial em prol do acesso aberto. Como sinaliza Kuramoto (2006, p. 2),

[...] o Ibict deu início ao desenvolvimento dessa biblioteca, adotando os
padrões estabelecidos pela Open Archives Initiative (OAI). Esses padrões
foram também adotados por mais de uma centena de IES espalhadas por
todo o mundo e integradas à Networked Digital Library of Thesis and
Dissertations (NDLTD), projeto mundial de biblioteca digital de teses e
dissertações, empreendido pela Virginia Tech nos EUA.

O conceito de Biblioteca Digital ainda passa por um consenso entre os pesquisadores,
visto que ainda hoje a expressão “biblioteca digital” é utilizada para designar uma variedade
de coisas, que vão desde catálogo on-line de comércio eletrônico à coleção de programas de
computadores, a maior parte desvinculada da definição que temos de biblioteca digital.
De acordo com Atkins (apud ROSSETO; NOGUEIRA, 2002, p. 1),

O conceito de biblioteca digital está na analogia com um lugar onde se
encontra um repositório contendo uma coleção organizada de publicações
(que possam ser impressos) e outros artefatos físicos, combinados com
sistemas e serviços que facilitem o acesso físico, intelectual, e disponível por
longo tempo.

Para Sayão (2009, p. 9),

A idéia de biblioteca digital como um “ambiente distribuído que integra
coleções, serviços e pessoas na sustentação do ciclo de vida completo de
criação, disseminação, uso e preservação de dados, informação e
conhecimento” (Duguid, 1997) - conforme preconizado pelo relatório final
do Santa Fé Planning Workshop on Distributed Knowledge Work
Environments -, talvez esteja mais próxima do que se almeja para
bibliotecas digitais agora e num futuro possível.

Baseado nessa concepção de Biblioteca Digital, que se entende a criação e
implantação da BDTD pelo IBICT em 2002 como uma iniciativa para reunir em uma só base
de dados as informações bibliográficas das teses e dissertações das universidades brasileiras,
permitindo, dessa forma, a centralização e a rapidez na localização e disponibilização das
publicações eletrônicas desse tipo de acervo.
Segundo Ley, Sampaio e Insfran (2004, p.2),

251

�O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT
desenvolveu a iniciativa do Consórcio Brasileiro de Teses Eletrônicas,
dentro do projeto Biblioteca Digital Brasileira - BDB, objetivando criar um
catálogo coletivo das teses brasileiras em meio digital, que contenha somente
metadados das teses eletrônicas. Cabe a cada universidade participante do
projeto, manter os bancos com os documentos eletrônicos de teses, cujos
metadados serão coletados automaticamente através do protocolo Open
Archives Initiative Metadata Harvesting Protocol. -OAIMHP. O OAI-MHP
permite a interoperabilidade entre bibliotecas digitais e arquivos eletrônicos,
possibilitando, no contexto da BDB, que metadados de outros bancos de
documentos eletrônicos ou bibliotecas digitais possam ser integrados e
acessados através de uma interface única, operada pela instituição
coordenadora do consórcio (IBICT).

A criação da BDTD foi o resultado de um trabalho conjunto das universidades,
responsáveis pela criação e manutenção de bibliotecas digitais de teses e dissertações que
estão integradas à BDTD, proporcionando, entre outras vantagens, o baixo custo de
investimento de infraestrutura e a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis.
A formação desse consórcio favoreceu a divulgação da produção brasileira
internacionalmente, a partir da integração da BDTD ao Sistema Internacional Networked
Digital Library of Theses and Dissertations - NDLTD (CUNHA; McCARTHY, 2006) com o
objetivo de se utilizarem padrões universais garantindo a interoperabilidade dos sistemas.
Ferreira (2007) observa que a implementação de repositórios temáticos pode ser feita
para tipos de acervos específicos, como as teses e dissertações, os artigos de periódicos, os
trabalhos de eventos, além de outros. No caso a NDLTD, é uma organização dedicada a
promover a adoção, criação, uso, disseminação e preservação das cópias eletrônicas de teses e
dissertações publicadas, já contando com a participação de várias universidades em centenas
de países (FERREIRA, 2007, p. 161).
Na visão de Blattmann e Santos (2009), a BDTD além de possibilitar consultas
simultâneas e unificadas, disponibiliza conteúdos completos e suas análises bibliométricas
podem fornecer também uma variedade de representações:

[...] distribuição quantitativa de temas de pesquisa, linhas de pesquisa e áreas
de concentração, quantidade de trabalhos produzidos pelos programas de
pós-graduação, número de orientadores de dissertações e teses, quantidade
de trabalhos orientados, redes de cooperação entre programas/pesquisadores,
produtividade dos programas por comparação,etc. Obtém-se por meio desses
dados e seus cruzamentos, cartografias que permitem fazer inferências sobre
a institucionalização cognitiva e social da pesquisa científica no país.
(BLATTMANN; SANTOS, 2009, p. 4)

252

�2.1 A BDTD NA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE: O PROJETO-PILOTO
O registro da produção intelectual da UFF teve inicio com a publicação de catálogos
impressos de Teses e Dissertações, em 1985 e posteriormente, restringiu-se ao catálogo
eletrônico do sistema de bibliotecas da UFF, implantado em 2000, que também reuniu toda a
produção anteriormente divulgada nos catálogos impressos (LEY; SAMPAIO; INSFRAN,
2004).
A partir de 2002 o IBICT desenvolveu um projeto-piloto para as Universidades que
ainda não possuíam iniciativas de publicações eletrônicas. As Instituições de Ensino Superior
- IES selecionadas inicialmente para participar foram: Universidade Católica de Brasília UCB, Universidade de Brasília - UnB, Universidade Federal do Ceará - UFC e Universidade
Federal Fluminense - UFF.
Durante a implantação do projeto-piloto o IBICT forneceu toda a infra-estrutura
necessária, bem como a distribuição do software desenvolvido pela instituição o Sistema de
Publicação de Teses e Dissertações - TEDE. Esse software permite a publicação eletrônica de
teses e dissertações no âmbito da Universidade e também sua integração a BDTD nacional.
É importante citar, no entanto, que ficou a cargo das universidades escolhidas
definirem as equipes locais para gerenciar a BDTD, que deveriam ser compostas de: um
coordenador do comitê de implantação, representantes dos programas de pós-graduação, das
bibliotecas e de técnicos de informática, contando no mínimo de dois participantes para cada
segmento.
Seguindo as orientações do IBICT, tem início em 2003 a implantação do projetopiloto na UFF sob a coordenação do Núcleo de Documentação - NDC

em parceria com a

Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação - PROPP19. Foram selecionados para participar do
treinamento inicial seis programas de pós-graduação (Educação, História, Geologia e
Geofísica Marinha, Geociências e Geoquímica, Física e Matemática) e as respectivas
bibliotecas que atendiam aos cursos.
Assim surgiu a BDTD na UFF que em seu processo de implantação, a UFF optou pela
ferramenta TEDE simplificado, que possibilita a publicação do registro diretamente pela
biblioteca, com a autorização do autor da tese ou da dissertação. Na ocasião da implantação
do projeto, o IBICT realizou treinamento para os responsáveis pelo processo de inserção de
dados no sistema TEDE, tanto no âmbito dos cursos de pós-graduação quanto nas bibliotecas.

18 A partir de 2011 o NDC - Núcleo de Documentação passou a SDC - Superintendência de Documentação.
19PROPP atualmente PROPPI.

253

�2.2 PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UFF
Em 2004 a PROPP gerenciava 42 Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu
totalizando 60 cursos, (18 de Doutorado e 42 de Mestrado) todos conceituados pela CAPES e
em áreas de pesquisa bem consolidadas.
De acordo com a estrutura organizacional da UFF na época (dividida por Centros), os
programas de pós-graduação estavam distribuídos da seguinte forma:

Quadro 1: Cursos de Pós Graduação Stricto Sensu da UFF em 2004 por Centros
CENTROS

MESTRADO

DOUTORADO TOTAL

Ciências Médicas

11

03

14

Estudos Gerais

20

11

31

Estudos Sociais

04

01

05

Tecnológico

07

03

10

TOTAL

42

18

60

Fonte: Ley; Sampaio; Insfrán, 2004.

Como já mencionado, destes programas de pós-graduação, somente 06, foram
selecionados para participar do projeto piloto da BDTD-UFF, perfazendo o total de 11 cursos
de pós-graduação, sendo 6 mestrados e 5 doutorados.
Com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (Reuni), instituído pelo Governo Federal, em 2007, novos Programas de Pósgraduação tiveram início na UFF.

Somente em 2009, nove Programas de Pós-graduação

Stricto Sensu foram criados, dentre eles, Doutorado em Ciências Médicas, Doutorado em
Sociologia e Direito, Mestrado em Ciência da Informação. Já em 2010, iniciaram os cursos de
Mestrado em Modelagem Computacional, Mestrado Profissional em Justiça Administrativa,
Mestrado e Doutorado em Bioética, Ética aplicada e Saúde Coletiva em associação com
UFRJ, UERJ e FIOCRUZ (UNIVERSIDADADE FEDERAL FLUMINENSE, [2010]).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Essa pesquisa teve início com uma revisão de literatura sobre estudos e pesquisas que
abordam os pontos centrais da temática apresentada, a fim de estabelecer os princípios

254

�teóricos fundamentais que norteiam a importância da BDTD para a Comunicação Científica
Institucional e o Movimento do Acesso Livre no Brasil.
A metodologia utilizada inclui revisão de literatura, levantamento quantitativo das
dissertações e teses defendidas na UFF no período de dez anos (2003-2013) e dos trabalhos
defendidos no mesmo período de análise que foram inseridos na BDTD da UFF.
Para levantamento da Literatura Cinzenta da UFF, a pesquisa quantitativa se deu em
duas etapas: primeiramente no site da Capes, analisaram-se os dados referentes aos Programas
de Pós-graduação da UFF, precisamente as Teses e Dissertações defendidas entre (2003­
2012), onde se obteve um levantamento dos trabalhos defendidos neste período.
Na aba Avaliação no site da Capes, foram utilizados os seguintes filtros de pesquisa:
Cursos Recomendados; Região Sudeste; Instituição Universidade Federal Fluminense. O
foco de avaliação foram os Cadernos Indicadores, na opção TE (Teses e Dissertação) por ano
de defesa de cada Programa de Pós-graduação.
Para levantar os dados relativos ao ano de 2013, a coleta foi realizada nos sites dos
Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu, cujos dados estavam disponíveis, visto que os
Cadernos de Indicadores da CAPES não foram atualizados com os dados de 2013, até o
momento desta pesquisa.
A seguir, na segunda etapa da pesquisa, em busca no site da BDTD da UFF,
examinaram-se as Teses e Dissertações inseridas durante todo o período (2003-2013). Em
busca avançada, utilizou-se o filtro “Registros por Programa de Pós-Graduação”, para obter
acesso ao total de teses e dissertações depositadas desde 2003, data do início do Projeto Piloto
da BDTD - UFF.
Objetivou-se conhecer a produção de teses e dissertações nos cursos dos Programas de
Pós-graduação Stricto Sensu da UFF nos últimos 10 anos e contrapor ao cenário atual de
registros inseridos na BDTD-UFF, bem como identificar possíveis avanços após a Portaria da
Capes de 2006, dando maior visibilidade ao autor e à instituição e acesso às informações
através das pesquisas realizadas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Nos últimos anos no Brasil, houve um grande investimento no ensino superior e
juntamente com ele, houve também crescimento na oferta de vagas nas IES. A expansão da
educação superior conta com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão
das Universidades Federais (Reuni), nele o governo federal tem por objetivo ampliar o acesso
à educação superior e sua permanência.

255

�Com o Reuni, o governo federal adotou uma série de medidas para retomar o
crescimento do ensino superior público, criando condições para que as
universidades federais promovam a expansão física, acadêmica e pedagógica
da rede federal de educação superior. Os efeitos da iniciativa podem ser
percebidos pelos expressivos números da expansão, iniciada em 2003 e com
previsão de conclusão até 2012. (UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE, [2010])

O Reuni foi instituído pelo Decreto Presidencial n° 6.096, de 24 de abril de 2007 e na
UFF veio se unir ao Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI, que atua desde 2006 com
uma política de educação marcada pela expansão da oferta de cursos tanto da graduação
quanto da pós-graduação.
Com o aumento da oferta de vagas no Ensino Superior e o incentivo à carreira
acadêmica, obteve-se um aumento considerável de discentes de Pós-Graduação na
universidade, assim como o surgimento de novos Programas e cursos de Pós-graduação,
conforme indicam os quadros 2 e 3.

Quadro 2 - Previsão de oferta de vagas nos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu
na UFF
Acordo de Metas
2007 2008 2009

2010

2011

2012

Mestrado

39

40

43

44

44

44

Doutorado

24

26

27

29

29

29

Mestrado

2.044 2.077 2.188

2.287

2.345

2.391

Doutorado

1.010 1.044 1.199

1.199

1.271

1.332

Indicadores
N° de Cursos
PósGraduação
Matrículas

Fonte: Universidade Federal Fluminense, [2010]

Quadro 3 - Número dos Programas de Pós-Graduação da UFF em 2009 e as metas para
o Reuni
Situação da UFF em Dezembro de 2009
2009

Metas do Reuni em 2012

N° de Cursos de Mestrado

48

44

N° de Cursos de Doutorado

30

29

N° de alunos de Mestrado

2903

2391

N° de alunos de Doutorado

1344

1332

Fonte: Universidade Federal Fluminense, [2010]

256

�Com base nos dados acima, a UFF em 2009 já havia atingido a meta na oferta de
vagas para os cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu estipulada no Reuni para serem
atingidas em 2012.
Com investimentos na abertura de vagas, pode-se identificar o aumento no número de
discentes, bem como o crescimento da produção de conhecimento gerado nos cursos de
mestrado e doutorado, registrado nas teses e dissertações defendidas e publicadas, elevando o
número de trabalhos disponibilizados pela Instituição.
Conforme o levantamento realizado no site da CAPES em 2013, a Universidade
Federal Fluminense, possui 70 programas de Pós-Graduação reconhecidos e recomendados,
totalizando 107 cursos entre Mestrados e Doutorados. O gráfico 1 mostra o número de teses e
dissertações defendidas nos Programas de Pós-Graduação da UFF no período de 10 anos.

Gráfico 1: Número de teses e dissertações defendidas nos Programas de PósGraduação Stricto Sensu da UFF no período de 2003-2013

Fonte: Autores, 2014

Os 70 programas totalizam aproximadamente 8.400 trabalhos defendidos entre Teses e
Dissertações no período analisado. O gráfico 2 mostra os programas com volume mais
expressivo de documentos inseridos na BDTD e seu total de dados até 2013.

257

�Gráfico

2:

Teses

e

Dissertações

disponíveis

on-line

na

BDTD

UFF

Fonte: Autores, 2014

Na BDTD-UFF encontram-se presentes 43 programas de pós-graduação até 2013.
Com total aproximado de teses e dissertações on-line de 4.000 registros. Esta diferença de
61,4% pode ser justificada pelo início de novos programas na instituição, visto que a
produção de uma dissertação leva ao menos 2 anos após o início de um novo curso e/ou por
alguns programas de pós-graduação não terem aderido à BDTD-UFF.
Nota-se que alguns programas de pós-graduação aderiram ao movimento do acesso
aberto, enviando seus trabalhos às respectivas bibliotecas responsáveis pelo tratamento
técnico e disponibilização do conteúdo, no entanto, ao longo dos anos estes programas
interromperam a sequência dos envios dos documentos, prejudicando assim o ciclo de
alimentação da base de dados.

258

�Figura 1: Fluxograma de depósito das Teses e Dissertações na BDTD

Fonte: Autores, 2014

Em 2012 a Biblioteca Central do Gragoatá - BCG, biblioteca responsável pela BDTD
nas áreas de Ciências Humanas e Sociais, assumiu a alimentação desta área, o que equivale a
13 programas de pós-graduação presentes na UFF.
Através de diagnóstico e avaliação do cenário, foram necessárias etapas de
reestruturação. A BCG identificou os programas menos representados na BDTD - UFF e
iniciou um processo de conscientização para avanço das adesões dos programas e início de
uma fase de alimentação dos trabalhos retroativos.
Neste período tivemos como resultado do processo de conscientização, a adesão de
novos programas como: Política Social e Ciência Política e a retomada do envio de
documentos pelos programas de Comunicação, Estudos de Linguagem, Estudos de Literatura
e Relações Internacionais. Através da fase de alimentação, foram inseridos 100% dos
trabalhos defendidos até 2012 dos programas de Antropologia, Ciência da Arte (atualmente
Estudos Contemporâneos das Artes), Ciência da Informação, Estudos de Literatura e Estudos
de Linguagem (antigo programa de Letras).
Contabilizou-se também que cerca de cinco programas de pós-graduação dessas novas
adesões tiveram início entre 2010 e 2011 e, portanto, ainda não possuem trabalhos
defendidos: Serviço Social e Desenvolvimento Regional, Cultura e Territorialidade, Mídia e
Cotidiano, Estudos Estratégicos da Defesa e da Segurança e Sociologia.

259

�Gráfico 3: Defesas da UFF na área de Ciências Humanas e Sociais no período de
2003-2013.

Fonte: Autores: 2014

Gráfico 4: Programas de Pós Graduação em Ciências Humanas e Sociais presentes na
BDTD

Fonte: Autores, 2014
O gráfico 3 sinaliza que os cursos de Ciências Humanas e Sociais da UFF totalizaram
aproximadamente 3.000 defesas num período de 10 anos. É importante citar que todos os
programas de Ciências Humanas e Sociais da UFF sob a responsabilidade da BCG estão na

260

�BDTD - UFF, com cerca de 1.500 defesas registradas, representando assim 37.5% dos
registros presentes na BDTD. Conforme evidenciado no Gráfico 2, cerca de 46% do
Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu com maior número de documentos disponíveis na
BDTD-UFF,

pertencem à BCG. São eles: Educação, História, Política Social, Letras e

Comunicação.
Esta análise aponta para um crescimento em potencial dos programas de PósGraduação na BDTD-UFF e consequentemente a elevação de trabalhos disponíveis on-line.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Na análise da contribuição da BDTD - UFF para a disseminação do conhecimento
produzido na Universidade, tem-se como ponto de partida a comparação entre o volume de
trabalhos defendidos na Universidade nos últimos 10 anos e os trabalhos disponíveis on-line
para os usuários através da BDTD, levando-se em conta a maior abertura na oferta de vagas
nos cursos de pós-graduação.
Verificou-se que através de programas institucionais como o Reuni, tiveram início
diversos cursos de pós-graduação na universidade, e consequentemente o aumento na
produção acadêmica, no que diz respeito à literatura cinzenta.
Comparado à maior abertura de vagas nos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu
e ao volume de trabalhos defendidos na Universidade nos últimos 10 anos, o número de teses
e dissertações on-line na BDTD-UFF ainda se mostra tímido e longe de atingir seu potencial.
No entanto, ainda que o quantitativo dos trabalhos não reflita a produção discente da
Universidade, estes se revelam significativos, se analisarmos os desafios que enfrentamos.
Observou-se também um período de gap no serviço público com falta de mão de obra
e de recursos financeiros para uma biblioteca universitária, como aquisição de bibliografia
básica, mobiliário, etc. Apesar dessas dificuldades, a BDTD-UFF se constitui numa
ferramenta em crescimento.
Através do Reuni, houve a abertura de oferta de vagas, e serviços antes iniciados,
puderam ser retomados. É o caso da BCG, que há dois anos vem reestruturando a alimentação
da BDTD

e o incentivo

a adesão

dos Programas

de Pós-Graduação Stricto

Sensu, estreitando a relação entre biblioteca e as coordenações dos cursos, sensibilizando-os
sobre a importância do movimento do acesso livre.
Pode-se atribuir esse fato aos avanços obtidos a partir do envio regular de trabalhos
por parte das coordenações dos programas de pós-graduação dessas áreas do conhecimento,
contudo ainda temos grandes desafios a vencer.

261

�Acredita-se que o maior desafio seja a implementação de uma Política Mandatória de
depósito institucional, onde seja formalizado um acordo para que haja adesão total dos
Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu e o envio dos trabalhos retroativos, já que
entendemos que somente a portaria da CAPES de 2006 não foi suficiente para garantir que
todos os trabalhos defendidos estejam disponíveis on-line e na plataforma da BDTD - UFF.
A BDTD-UFF é uma base de dados de acesso livre à informação científica para a
disseminação do conhecimento institucional e integra uma iniciativa da UFF para promover a
democratização do conteúdo produzido em nível institucional e fomentar a visibilidade da
Universidade e de seus docentes e discentes, tendo representatividade no movimento nacional
do Acesso Livre.

6 REFERÊNCIAS

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tecnologias em teses e dissertações: o caso BDTD. In: CONGRESSO DA ASSOCIATION
INTERNATIONALE

POUR

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COSTA, Belkiz Inez Rezende. A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFMG como
instrumento para ampliar o acesso, disseminação e visibilidade das informações geradas na
pós-graduação da UFMG: um relato de experiência. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013,
Florianópolis.

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Florianópolis,

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Disponível

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262

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263

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Dez anos da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal Fluminense: histórico, avanços e perspectivas.</text>
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                <text>Brumatti, Josimara Dias, Figueiredo, Jussara Moore de, Drumond, Geisa Meirelles </text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Analisa a contribuição da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal Fluminense (BDTD-UFF) para o movimento do acesso livre à informação científica produzida na universidade, abordando seu crescimento/desenvolvimento desde sua implantação até os dias atuais. A metodologia utilizada inclui revisão de literatura dos estudos e pesquisas sobre a importância da BDTD para o Movimento de Acesso Livre no Brasil, levantamento quantitativo das dissertações e teses defendidas na UFF no período de dez anos (2003-2013) e os trabalhos defendidos no mesmo período, que foram inseridos na BDTDUFF. Conclui que nos últimos 10 anos, levando-se em consideração a maior abertura na oferta de vagas e o surgimento de novos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu houve um aumento na produção acadêmica, porém o número de teses e dissertações on-line na BDTD–UFF não reflete a totalidade da produção discente da universidade. O maior desafio é a implementação de uma Política Mandatória institucional para o aumento da adesão dos Programas de PósGraduação Stricto Sensu na BDTD-UFF, permitindo a democratização do conhecimento produzido e fomentando o apoio ao Movimento Nacional de Acesso Livre.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A CONTRIBUIÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO PARA A PUBLICAÇÃO EM ACESSO
ABERTO: O CASO DA BIBLIOTECA DA UNESP DE BAURU

Aparecida de Fatima Cavalheiro Bueno

RESUMO
Apresenta-se o trabalho cooperativo desenvolvido por profissionais da informação da
biblioteca da UNESP, campus de Bauru, no fluxo editorial de um periódico científico de
acesso aberto. As atividades desenvolvidas contribuem para que a comunicação científica
estenda seu significado a novas atividades relacionadas à produção e à disseminação da
informação, em acesso aberto e armazenadas em repositórios institucionais. Para que
contribua para a formação da cultura do autoarquivamento, o bibliotecário deve explorar áreas
como direitos autorais e preservação digital, bem como apoiar pesquisadores/autores a
publicar em acesso aberto. O trabalho está em processo e seus resultados poderão ser testados
quando, por exemplo, forem iniciados os procedimentos de autoarquivamento no repositório
institucional da universidade.
Palavras-Chave: Periódico on-line; Acesso aberto; Repositório institucional; Fluxo editorial;
Direitos autorais.

ABSTRACT
This paper presents the collaborative work developed by professionals in the library of
UNESP, campus of Bauru, in the editorial flow of a scientific open access journal. The
activities contribute to scientific communication, extending its meaning to new activities
related to the production and dissemination of information stored in open access institutional
repositories. To contribute to the formation of the culture of self-archiving, the librarian
should explore areas such as copyright and digital preservation, as well as supporting
researchers / authors to publish in open access. This work is in process and their results can be
tested when, for example, the procedures of self-archiving are initiated in the institutional
repository of the University.
Keywords: On-line journal; Open access; Institutional repository; Editorial workflow;
Copyright

1 INTRODUÇÃO
A biblioteca universitária encontra-se em um momento reflexivo sobre o seu papel:
atender às necessidades pedagógicas do ensino e continuar atuando como uma biblioteca
tradicional, organizando, adquirindo coleções e orientando usuários em suas pesquisas, ou

60

�seguir os novos ventos da comunicação científica, que envolvem questões como acesso
aberto, repositórios institucionais, publicações eletrônicas revisadas por pares, avaliação
científica, indicadores bibliométricos. Se a escolha for pela segunda opção, o profissional da
informação terá que passar por atualizações, já que deverá especializar-se e atuar em áreas
que requerem conhecimentos específicos voltados às conveniências da pesquisa acadêmica e à
disseminação do que é produzido na universidade a seus pares, ao público em geral e, em
alguns casos, aos financiadores da investigação.
Às já tão citadas habilidades tecnológicas dos profissionais da informação, deverá ser
adicionada também sua capacitação para atividades voltadas ao processo da produção e da
difusão da pesquisa científica na universidade e, consequentemente, sua especialização nos
temas relacionados a estes procedimentos, adaptando-se e cumprindo o seu papel no que
respeita às novas tendências da comunicação de resultados e dos avanços da produção em
ciência.
No contexto citado, pretende-se analisar as atividades da Biblioteca da UNESP,
campus de Bauru, no campo específico da publicação de um periódico on-line de acesso
aberto, de forma a definir o papel de seus profissionais na esteira desta discussão de busca de
novas alternativas de serviços da biblioteca universitária. Neste caso, o enfoque do trabalho
executado tem como alvo a contribuição direta aos elementos que podem intervir na produção
e na difusão da pesquisa e não exclusivamente ao ensino, como tradicionalmente ocorre nas
atividades constituídas pelas bibliotecas acadêmicas.
Os fundamentos da análise estão baseados na vivência do profissional da informação
nas atividades descritas dentro da instituição pública citada e em artigos científicos publicados
sobre o assunto em periódicos nacionais e internacionais.
É importante ressaltar que não foi efetuada busca exaustiva sobre o assunto, mas sim,
considerados aqueles artigos de periódicos mais relevantes e recentes sobre o tema e suas
ramificações específicas.
Finalmente, para o estudo mais aprofundado e consistente, é necessário a extensão da
pesquisa a outras fontes e formatos de informação.

2 REVISÃO DE LITERATURA
De acordo com Astrom e Hansson (2012), a tendência das bibliotecas universitárias
europeias é concentrarem-se na disseminação da pesquisa acadêmica, ou seja, criarem
serviços e desenvolverem novas competências profissionais dirigidas à comunicação
científica e não simplesmente buscar e recuperar informação. Coerentes com esta corrente,

61

�essas bibliotecas apoiam as iniciativas do acesso aberto, a criação e manutenção de
repositórios institucionais e as análises quantitativas para avaliação da produção científica
(métodos bibliométricos).
Embora um ramo da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, a bibliometria,
tradicionalmente usada para a avaliação de coleções, recentemente, principalmente nos países
desenvolvidos, tem sido empregada no âmbito da avaliação da pesquisa no ensino superior.
Isso ocasionou uma redefinição de competências para que bibliotecários também se voltassem
e se especializassem nesta área de atuação. Acredita-se que o desenvolvimento de novas
políticas para a distribuição de verbas nas universidades por parte das agências de fomento, a
criação de novas ferramentas tecnológicas que facilitam a performance das análises
bibliométricas e a possibilidade de quantificar a produção em ciência foram os principais
motivos dessa tendência. (ASTROM; HANSSON, 2012).
Cullen e Chawner (2011) destacam que o movimento de acesso aberto tem mostrado
às bibliotecas acadêmicas que o seu papel no modelo tradicional da comunicação científica em que novos conhecimentos são produzidos através da pesquisa, publicada em um veículo
científico conceituado da área revisado por pares, disseminada (geralmente nos periódicos
assinados pelas bibliotecas), e usada por outros pesquisadores para a produção de outros
conhecimentos - já não é suficiente para a disseminação da produção de suas comunidades.
Por essa razão, a partir das facilidades de comunicação advindas com a internet, cresce o
número de repositórios institucionais, que, disponíveis na web em acesso aberto, podem
aumentar a visibilidade da produção do indivíduo, da área, da instituição e do próprio país.
Isso significa aumento de uso e de citações por um período maior de tempo, além de
assegurar a preservação do conteúdo digital depositado. No entanto, apesar de todos esses
benefícios, a comunidade acadêmica ainda está reticente em adotar o autoarquivamento em
repositórios e adotar efetivamente a publicação em periódicos de acesso aberto, prevalecendo
ainda o modelo tradicional da comunicação científica.
Os primeiros indícios da necessidade de mudanças no ciclo da comunicação foram os
aumentos dos preços das assinaturas de periódicos científicos e a crise dos orçamentos das
universidades ocorrida nos anos 1990. Diante das reações de bibliotecas e da comunidade
acadêmica, editores apontaram o importante papel de seu produto no ciclo da comunicação
científica. A partir daí, com o intuito de dar um novo significado ao papel dos editores
comerciais e somadas às facilidades tecnológicas, as bibliotecas universitárias iniciaram o
processo de aceitação do movimento de publicações em acesso aberto. (CULLEN;
CHAWNER, 2011).

62

�O acesso aberto é um movimento internacional que objetiva estimular os produtores de
informação científica a publicar em texto integral na web o resultado de suas investigações,
sem restrições de leitura, de download, de referenciação, ou de impressão. A intenção é que
não existam barreiras financeiras para que o leitor tenha acesso à informação. Ainda que com
a oposição dos editores comerciais, vêm crescendo as publicações que adotam o acesso
aberto, inclusive, com o incentivo de universidades, associações ou outras entidades.
Embora tradicionalmente as bibliotecas universitárias não se envolvam em atividades
editoriais e, na era pre-digital, as atividades dos bibliotecários se resumissem a lidar com os
produtos finais de pesquisas, no atual estágio de desenvolvimento da comunicação científica
há um vasto campo de atuação desses profissionais, como criadores e mantenedores de
repositórios institucionais e de periódicos on-line, contribuindo, desta forma, para a formação
da cultura do acesso aberto e do autoarquivamento em sua comunidade acadêmica. Atuando
desta forma, estarão colaborando para facilitar o acesso ao conhecimento produzido em sua
universidade, além de assumir desafios profissionais que envolvem o conhecimento prático e
teórico em novos campos, como tecnologias de softwares abertos para implementação de
bibliotecas digitais e editoração de periódicos on-line, processo de avaliação e certificação por
pares, legislação sobre direitos autorais e preservação digital de conteúdos, entre outros.
Exemplo de experiência bem sucedida de bibliotecários engajados em atividades
editoriais é o da biblioteca da Cornell University, nos Estados Unidos, que, desde 2003
dedica-se ao processo de publicação de recursos digitais on-line em diversas áreas e
plataformas, como:
-

Project Euclid, dedicado a periódicos de Matemática e Estatística que, em seu
início, constituiu-se como um pool de pequenos editores comerciais e em acesso
aberto. Gradativamente, aderiu ao acesso aberto e, em 2006, 2/3 dos periódicos
estavam em acesso aberto;

-

arXiv: embora criado pelo cientista Paul Ginsparg em 1991, quando este se
transferiu para a Cornell University em 2001, associou-se à biblioteca para
prosseguir com este repositório em acesso aberto de preprints na área de Física e
uma das comunidades mais usadas pelos profissionais da área;

-

DPubs: aplicativo de acesso aberto usado para a gerenciamento de publicações on­
line. (THOMAS, 2006).

2Embora parte da alimentação dos repositórios também possa ser feita através da importação automática de
registros contidos em bases de dados nacionais e internacionais.

63

�Importante acrescentar que, paralelamente, a biblioteca de Cornell dedica-se a estudar
e a desenvolver sistemas dedicados à preservação digital de suas coleções.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A Biblioteca da UNESP do campus de Bauru, aberta às novas necessidades de
pesquisadores e de produtores de ciência, bem como às novas tecnologias, busca contribuir,
atribuindo novos papéis ao profissional da informação, de forma a constituir colaboração e
interação entre estes atores. Especificamente, a Biblioteca tem ajudado no processo de edição
de uma revista científica, publicada on-line, em acesso aberto. Trata-se de um periódico
bastante conceituado em sua área, indexada, entre outras bases de dados, na Scientific
Electronic Library Online (Scielo).
Os bibliotecários, com sua experiência na administração da informação, familiaridade
com os produtos de pesquisa e domínio digital, são os profissionais mais indicados para
estabelecer esta parceria com autores-pesquisadores e editores no sentido de incorporar as
novas tendências da comunicação científica no meio acadêmico.
Em princípio, o trabalho do bibliotecário restringia-se à normalização das citações e
referências dos artigos antes de serem publicados. Gradativamente, no entanto, outras opções
de atuação do profissional foram se apresentando. A adoção do aplicativo de gerenciamento
on-line Scielo Submission, customização do software livre Open Journal System (OJS),
desenvolvido pelo Public Knowledge Project (PKP), da Universidade British Columbia, do
Canadá, facilitou extremamente o processo editorial da revista. Embora o Scielo Submission
esteja disponível apenas para aquelas revistas indexadas na Scielo, o Instituto Brasileiro de
Ciência e Tecnologia (IBICT) customizou, mantém e atualiza o mesmo aplicativo, disponível
o

gratuitamente para download em seu sítio na internet .
O bibliotecário participou ativamente do processo de configuração da revista on-line,
tendo a oportunidade de definir as melhores funções para autores, avaliadores, editores e para
o usuário final, que realiza as pesquisas no periódico. Isso exigiu deste profissional o
aprofundamento de conhecimentos tecnológicos na gerência do software específico para o
gerenciamento de publicações, e em áreas como direitos de autores, avaliação por pares,
preservação digital, acesso aberto, bibliometria, indexação em bases de dados.
Além da capacitação para o uso do software de gerenciamento on-line de cadastro de
usuários, submissões de artigos, atribuição de avaliadores e atividades editoriais, foi possível
3Trata-se
do
Sistema
Eletrônico
de
Editoração
de
Revistas
(SEER).
Disponível
&lt;http://seer.ibict.br/index.php?option=com_frontpage&amp;Itemid=1&gt;. Acesso em: 04 ago. 2014.

em:

64

�tomar conhecimento de grupos de pesquisa nas diversas disciplinas cobertas pelo periódico,
bem como dos pesquisadores mais atuantes e conceituados.
A manutenção do trabalho requer também que sejam reconhecidas as publicações mais
representativas da disciplina, sua linha editorial, a quem representam. O mesmo se aplica em
relação ao conhecimento das principais formas de divulgação e de visibilidade do periódico,
quer pela indexação em bases de dados, e, principalmente, pelo armazenamento em
repositórios institucionais.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Como, usualmente, os editores e os autores dos periódicos científicos são
simultaneamente pesquisadores, criou-se a oportunidade para que o profissional da
informação atue no sentido de desmistificar conceitos que são frequentes entre estes atores e
que contribuem para a sua relutância em publicar em acesso aberto, como a falta de segurança
em compartilhar dados e ideias, o plágio e as questões que envolvem o copyright, por
exemplo.
Este trabalho de conscientização para a publicação em acesso aberto ainda está em
processo, já que muitos acadêmicos preferem o modelo tradicional da comunicação científica
- que ainda mantém o padrão impresso do periódico, com cessão de copyright ao editor, e
com direito de acesso apenas aos que pagam - e optam por publicar em periódicos que
tiveram sua reputação construída no processo editorial dos grandes publishers.
É visível, entretanto, que algumas áreas, em virtude da tradição de compartilhamento
de suas pesquisas, estão mais propensas a aderir a publicar em periódicos de acesso aberto do
que outras. Essa questão abrange também os veículos em que as disciplinas tradicionalmente
publicam.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Se optarem por assumir papel associativo no processo de elaboração de periódicos de
acesso aberto, os bibliotecários poderão trabalhar em parceria com os editores e participar
ativamente na construção de uma cultura que tenha como princípio a democratização da
informação através da publicação de ciência em veículos que estejam disponíveis para livre
acesso na web. Ao optarem por publicar em periódicos de acesso aberto, os
autores/pesquisadores irão, gradativamente, aumentar a qualificação dessas publicações,
atingindo o que, hoje, os editores comerciais chamam de “reputadas”, mas que exigem
pagamento e cessão de direitos autorais para essas empresas.

65

�Durante este processo cooperativo, no contato direto com autores/pesquisadores, os
profissionais da informação terão a oportunidade de esclarecer que, além da redução de custos
para o periódico e para a biblioteca, estes terão mais controle sobre os direitos de sua
propriedade intelectual, darão maior visibilidade à sua produção -

podendo, por

consequência, ser mais citados -, terão seu trabalho preservado, e darão mais oportunidade a
que gerações futuras de usuários, cada vez mais conectados on-line, conheçam o seu trabalho.
Essas medidas fazem parte de um processo similar aos que passam os bibliotecários
que criam e mantêm repositórios institucionais e, acreditamos, culminará com a consciência
da importância de que cada pesquisador/autor/produtor de conhecimento também efetue o
armazenamento de seus artigos, e que os repositórios passem a ser parte essencial da
comunicação científica.
É relevante observar as definições que Weitzel (2006) fornece de revista científica on­
line - com seu respectivo processo de editoração e comunicação - e repositório institucional
ou temático. A primeira é caracterizada como literatura primária, que, com as novas
tecnologias, tornou-se muito mais fácil de ser recuperada em texto completo. Já o repositório
é caracterizado como fonte secundária, ou seja, trata-se de uma coleção de arquivos digitais
formados

principalmente

pelo

autoarquivamento

da

produção

científica,

com

interoperabilidade entre diversos sistemas e de acesso livre a qualquer usuário para pesquisa e
para download.
Finalmente, uma maneira de testar a amplitude e a efetividade do trabalho da formação
da cultura do acesso aberto seria verificar, na prática, se os pesquisadores envolvidos no fluxo
editorial do periódico on-line adotam efetivamente o autoarquivamento no repositório
institucional da universidade, já que ambas as iniciativas têm como base o acesso livre à
produção científica.

6 REFERÊNCIAS
ASTROM, Fredrik; HANSSON, Joacim. How implementation of bibliometric practice affects
the role of academic libraries. Journal of Librarianship and Information Science, London,
v. 45, n. 3, p. 316-322, 2012.
CULLEN, Rowena; CHAWNER, Brenda. Institutional repositories, open access, and
scholarly communications: a study of conflicting paradigms. The Journal of Academic
Librarianship, Ann Arbor, v. 37, n. 6, p. 460-470, 2011.
THOMAS, Sarah E. Publishing solutions for contemporary scholars: the library as innovator
and partner. Library Hi Tech, Ann Arbor, v. 24, n. 4, p. 563-573, 2006.
WEITZEL, Simone da Rocha. O papel dos repositórios institucionais e temáticos na estrutura
da produção científica. Em Questão, Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 51-71, jan./jun. 2006.

66

�</text>
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                <text>Apresenta-se o trabalho cooperativo desenvolvido por profissionais da informação da biblioteca da UNESP, campus de Bauru, no fluxo editorial de um periódico científico de acesso aberto. As atividades desenvolvidas contribuem para que a comunicação científica estenda seu significado a novas atividades relacionadas à produção e à disseminação da informação, em acesso aberto e armazenadas em repositórios institucionais. Para que contribua para a formação da cultura do autoarquivamento, o bibliotecário deve explorar áreas como direitos autorais e preservação digital, bem como apoiar pesquisadores/autores a publicar em acesso aberto. O trabalho está em processo e seus resultados poderão ser testados quando, por exemplo, forem iniciados os procedimentos de autoarquivamento no repositório institucional da universidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
ORIENTAÇÃO CONTINUADA DE USUÁRIOS EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Adriana Campos Jana Caamano,
Kárin Ribeiro Nascimento Cardoso
Silvia Maria Gago da Costa
Tania Nascimento Costa
RESUMO
Apresenta a experiência da Biblioteca do Centro Biomédico B (CB/B) da Rede Sirius - Rede
de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro durante o processo de
implantação do Programa de Orientação Continuada para os seus usuários, o qual prevê
palestras, treinamentos e assistência personalizada para busca bibliográfica e padronização de
trabalhos acadêmicos. O conceito de orientação continuada, voltado para os serviços da
biblioteca, surgiu da percepção de que o estudante universitário, ao longo de sua vida
acadêmica, tem necessidades de informação diferentes e, portanto, demanda que os
bibliotecários ofereçam abordagens diferentes em cada fase. A experiência obtida com a
implantação do Programa reforçou a necessidade de consolidar o vínculo entre os usuários e a
biblioteca por meio do acolhimento aos novos alunos e da ampliação de palestras específicas
a cada necessidade, como a busca bibliográfica. Assim, acredita-se que a oferta dos serviços
aliada à interação com os usuários possibilitam uma atmosfera amistosa onde o
comprometimento da equipe se reflete na motivação do usuário, e nesse contexto agrega-se
valor à instituição biblioteca.
Palavras-chave: Treinamento de usuário; Competência informacional; Orientação
continuada; Biblioteca universitária.
ABSTRACT
Presents the experiment realized at the Library of Biomedical Center B (CB/B) from Sirius
Network - Universidade do Estado do Rio de Janeiro Libraries Network, during the process
of implementation of the Program of Continuing Orientation of its users which foresees
lectures, training and personalized assistance for bibliographical researches and
standardization of academic tasks. The concept of continuing orientation regarding the
services of the library emerged from the recognition that the students of the university have
different needs throughout their academic lives and for that it is demanded that the librarians
offer different approaches for each one of these phases. The obtained experience from the
implementation of the Program reinforced the necessity of consolidating the bond between the
students and the library by welcoming new students and the enlargement of specific lectures
according to each necessity found, such as bibliographical research. So, it is believed that
services supply combined with the interaction with users enable a friendly atmosphere where
the team commitment is reflected in the motivation of the user, and in this context aggregates
up value to the library institution.
Keywords: User training; Informational competence; Continuing orientation; University
library.

3398

�1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta a iniciativa da equipe de bibliotecários da Biblioteca do
Centro Biomédico B (CB/B) da Rede Sirius - Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (UERJ) de estabelecer um Programa de Orientação Continuada para seus
usuários.
Em conjunto com as Faculdades de Enfermagem e Odontologia, o Programa prevê o
acolhimento aos novos alunos por meio de palestra sobre todas as atividades da biblioteca,
seu espaço e seus serviços. Também disponibiliza uma “agenda do aluno” para oferecer
orientações personalizadas para pesquisa bibliográfica e revisão dos trabalhos acadêmicos.
Com esse apoio aos alunos os bibliotecários buscam, não só capacitar o corpo discente
das faculdades para realizar pesquisas bibliográficas, mas estabelecer um atendimento
humanizado, visando possibilitar que o estudante se sinta acolhido e motivado a buscar, cada
vez mais, obter o melhor desempenho em sua vida acadêmica.
Assim, espera-se que a oferta dos serviços aliada à interação com os usuários
possibilite uma atmosfera amistosa onde o comprometimento da equipe de bibliotecários se
reflita na motivação do usuário e nesse contexto agregue valor à instituição biblioteca.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O surgimento de novas tecnologias de informação tem impactado, de um modo geral,
a vida da humanidade. Os impactos da revolução tecnológica em instituições como as
universidades, e mais especificamente as bibliotecas universitárias, determinam um cenário
desafiador para os bibliotecários.
Na perspectiva desse trabalho o desafio maior seria como agregar valor aos produtos e
serviços da biblioteca universitária quando, aparentemente, os inúmeros recursos tecnológicos
disponíveis tornam os usuários independentes na busca da informação. (MARQUETIS, 2012)
Assim, em tempos de mudanças e incertezas determinadas pelos avanços tecnológicos,
faz-se necessário repensar a missão da biblioteca universitária, sem perder de vista seu
objetivo principal como definiu Cunha (2010):
[...] o seu propósito fundamental permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar
acesso ao conhecimento. Esse acesso ao conhecimento é que irá permitir que
o estudante, o professor e o pesquisador possam realizar suas aprendizagens
ao longo da vida. [...] Dentro do contexto do ensino superior, especialmente,
quando os usuários querem informações confiáveis, eles se voltavam para a
biblioteca universitária quase como a única fonte provedora das informações
demandadas (Cunha, 2010, p.6).

3399

�Outro aspecto importante a se considerar é que “apesar de toda a evolução tecnológica
- e mesmo por causa dela - a necessidade de se conhecer as fontes e saber identificar e
promover o acesso à informação pertinente continua sendo tão importante quanto sempre foi
para os profissionais que se dedicam ao atendimento ao usuário” (MULLER, 2000, p.13).
Dessa forma, manter o foco no usuário parece ser fundamental na busca do
provimento da informação adequada e confiável. Para Dudziak, Gabriel e Villela (2000, p.12)
“a cada avanço tecnológico, a educação de usuários dos Serviços de Informação torna-se mais
importante.”
A importância da interação com o usuário, bem como o relevante papel do serviço de
referência, ficou bem delineado no texto de Grogan (1995, p. 36):
“O impulso que desencadeia a atividade denominada serviço de referência é
a questão formulada pelo usuário da biblioteca. E aí jaz o segredo da
inabalável crença dos bibliotecários de referência, segundo a qual o trabalho
que executam constitui a quintessência da biblioteconomia. Para esses
bibliotecários são inteiramente supérfluas as advertências acerca da
‘centralidade do usuário’, pois todo seu mister gira em torno do usuário, com
quem se defrontam todos os dias”
Para uma perfeita sintonia entre os serviços oferecidos e as necessidades de
informação demandadas, parece fundamental melhorar a interação com o usuário, criando um
ambiente acolhedor. “O bibliotecário deve estabelecer uma rotina de atendimento na qual seja
considerada, ao receber o usuário, a escuta atenta para análise de suas necessidades”
(SOUZA, 2011).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A inauguração em 2006 da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) da
Universidade do estado do Rio de Janeiro (UERJ) suscitou a necessidade de aprimorar os
requisitos de padronização dos trabalhos acadêmicos.
Neste contexto, em 2007 foi publicada a 1a edição do Roteiro para Apresentação das
Teses e Dissertações da UERJ. Após essa iniciativa professores e alunos passaram a
demandar o auxílio dos bibliotecários para revisarem seus trabalhos acadêmicos conforme a
padronização de apresentação estabelecida no Roteiro.
A partir do ano de 2008, a equipe de bibliotecários da Biblioteca CB/B (Quadro 1)
começou a perceber mudanças no perfil dos serviços demandados pelos usuários.

3400

�Quadro 1: Quantitativo de bibliotecários por ano
Ano
2008
2009
2010
2011
2012
2013

Bibliotecário Bibliotecário chefe
4
1
3
1
3
1
3
1
3
1
2
1

As percepções dos bibliotecários obtidas diante deste complexo cenário geraram várias
ações pontuais voltadas para a capacitação dos usuários. Tais ações foram se consolidando e
se somando ao longo do tempo, até formar o Programa de Orientação Continuada da
Biblioteca CB/B (Quadro 2).

Quadro 2 - Palestras e turmas contempladas
P a lestra s

C u rso

Padronização de Teses
Odontologia
e Dissertações da UERJ Enfermagem
Biblioteca: que lugar é
este?
Busca bibliográfica on­
line

Odontologia
Enfermagem
Odontologia
Enfermagem

T u rm as

Mestrado, Doutorado, Especialização
Mestrado, Doutorado, Residência, Graduação (8°
período)
Graduação (1° período)
Especialização
Graduação (8° e 9° períodos), Residência, Mestrado

Em 2009 foi elaborada a palestra Padronização de Teses e Dissertações da UERJ
para a BDTD. Esta ação foi voltada para atender aos alunos dos cursos de Mestrado e
Doutorado das Faculdades de Enfermagem e Odontologia. Atualmente a palestra está em sua
4a edição e seu objetivo é apresentar o Roteiro para Apresentação das Teses e Dissertações
da UERJ, assim como orientar sobre os pontos mais complexos ligados a formatação e a
normatização do trabalho acadêmico.
Dando continuidade às atividades em 2010, foi elaborada a palestra Biblioteca: que
lugar é este? Esta palestra visava o acolhimento dos alunos do primeiro período. O título da
palestra foi sugerido pela professora da disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica da
Faculdade de Enfermagem e a equipe de bibliotecários desenvolveu o tema.
Em sua 9a edição a palestra informa sobre: as normas de uso, o regulamento, os
serviços oferecidos, além de orientar os alunos sobre como localizar o livro na estante,
realizar empréstimos e como realizar buscas no catálogo on-line.

3401

�Ainda em 2010 o professor tutor do Grupo PET Odontologia solicitou um curso sobre
busca bibliográfica. Era uma novidade, pois apesar de existir o serviço de busca individual
disponível na biblioteca, nunca havia sido realizado um treinamento em grupo. Então, como
era algo inovador, os bibliotecários abraçaram o desafio e elaboraram a palestra Busca
bibliográfica on-line.
A palestra está em sua 7a edição e visa orientar os alunos sobre: realização de busca
bibliográfica nas principais bases de dados da área de saúde, formulação de estratégias de
busca, recursos de busca e localização e acesso aos documentos.
Além das palestras, para a orientação de normalização de trabalhos acadêmicos e de
busca bibliográfica foi disponibilizada uma “agenda do aluno”, através da qual se estabelece
dia e hora para um atendimento personalizado.
Ainda fazem parte deste programa de Orientação Continuada os serviços de
Catalogação na Fonte e o Serviço Cooperativo de Acesso a Documentos (SCAD).

4 RESULTADOS PARCIAIS
Todas as iniciativas e ações da equipe de bibliotecários da Biblioteca CB/B, ao longo
de quase seis anos de interação com os usuários, contribuiram para que um número
significativo de alunos conhecessem melhor a biblioteca e ficassem mais confiantes para
solicitar ajuda especializada (Quadro)

Quadro 3 - Registro de atendimentos personalizados: agenda do aluno padronização de
teses e dissertações
Ano
2009
2010
2011
2012
2013

Padronização
Busca bibliográfica
Padronização
Busca bibliográfica
Padronização
Busca bibliográfica
Padronização
Busca bibliográfica
Padronização
Busca bibliográfica
Total
de
atendimentos

Odontologia
40
18
28
10
22
4
27
6
15
9

Enfermagem
33
20
36
13
15
9
15
9
13
18

Totais
73
38
64
23
37
13
42
15
28
27

179

181

360

Houve uma percepção de que a acolhida aos novos alunos transmite tranquilidade e
confiança permitindo que usem a biblioteca com mais autonomia e responsabilidade.

3402

�Constatou-se também que a procura por orientações sobre Padronização foi
diminuindo à medida que a palestra de Padronização foi implementada e consequentemente as
teses e dissertações ficaram mais bem formatadas.
A palestra de busca bibliográfica tornou os alunos mais independentes em relação à
localização do documento, diminuindo a solicitação de cópias pelo Programa de Comutação
Bibliográfica (COMUT). Por outro lado aumentou a procura de atendimento individualizado
para auxílio com a estratégia de busca.
Por fim, a experiência adquirida no aprimoramento e consolidação do Programa de
Orientação Continuada tem demonstrado que o comprometimento da equipe de bibliotecários
com os serviços oferecidos trouxe maior visibilidade à Biblioteca e uma interação maior com
os usuários.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A prática da implementação de ações de capacitação tirou a equipe da biblioteca de
sua zona de conforto decorrente da rotina cotidiana, mas a experiência trouxe novas
expectativas e percepções de como ela pode fazer a diferença na Universidade.
Estas atividades permitiram a reflexão sobre a importância de se prover serviços de
qualidade na biblioteca, pois é visível a evolução dos alunos durante a sua vida acadêmica à
medida que aprendem a utilizar a biblioteca e a informação de forma mais eficaz.
Como trabalho futuro, percebe-se a necessidade de estruturar um curso que conteria os
temas tratados nas palestras. A ementa deste curso contemplaria os respectivos temas com
uma carga horária que permitisse a abordagem detalhada do conteúdo, com exemplos práticos
e exercícios para fixação.

6 REFERÊNCIAS
CUNHA, Murilo Bastos da Cunha. A biblioteca universitária na encruzilhada. Data Grama
Zero - Revista de Ciência da Informação. v.11, n.6, dez. 2010. 22p.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana; GABRIEL, Maria Aparecida; VILLELA, Maria Cristina
Olaio. A educação de usuários de bibliotecas universitárias frente à sociedade do
conhecimento e sua inserção nos novos paradigmas educacionais. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000. Florianópolis. Anais...
Florianópolis: UFSC, 2000
GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasília, DF: Briquet de Lemos,
1995. 196p.

3403

�MARQUETIS, Eliana Marciela. As competências e habilidades dos profissionais da
informação vistas pelos seus usuários: algumas reflexões. In: CONGRESSO NACIONAL DE
BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS,

11., 2012, Lisboa.

Interação, acesso e valor social. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.
MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. A ciência, o sistema de comunicação científica e a
literatura científica. In: CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B.V.; KREMER, J. M. (Org.) Fontes
de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000. cap.
1.
SOUZA, Andréa Batista et al. Um novo olhar sobre a humanização no atendimento em
bibliotecas públicas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24., 2011, Maceió, Alagoas. Sistema
de informação multiculturalidade e inclusão social. Maceió, Alagoas: 2011.

3404

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                <text>Apresenta a experiência da Biblioteca do Centro Biomédico B (CB/B) da Rede Sirius – Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro durante o processo de implantação do Programa de Orientação Continuada para os seus usuários, o qual prevê palestras, treinamentos e assistência personalizada para busca bibliográfica e padronização de trabalhos acadêmicos. O conceito de orientação continuada, voltado para os serviços da biblioteca, surgiu da percepção de que o estudante universitário, ao longo de sua vida acadêmica, tem necessidades de informação diferentes e, portanto, demanda que os bibliotecários ofereçam abordagens diferentes em cada fase. A experiência obtida com a implantação do Programa reforçou a necessidade de consolidar o vínculo entre os usuários e a biblioteca por meio do acolhimento aos novos alunos e da ampliação de palestras específicas a cada necessidade, como a busca bibliográfica. Assim, acredita-se que a oferta dos serviços aliada à interação com os usuários possibilitam uma atmosfera amistosa onde o comprometimento da equipe se reflete na motivação do usuário, e nesse contexto agrega-se valor à instituição biblioteca.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, CULTURAL E EDUCADORA COMO INCLUSÃO
SOCIOCULTURAL NA BIBLIOTECA JOSÉ DE ALENCAR FL/UFRJ: ADESÃO AO
PROGRAMA FORMAÇÃO DE PLATEIA
Bruna Carla Muniz Cajé
Cila Vergínia da Silva Borges
Andréia Dutra Fraguas
Maria Aparecida Pinto Motta
Carla Fabiana Evangelista
Irany Gomes Barros
Eliana da Silva Rodrigues
RESUMO
Esse trabalho visa apresentar a participação do bibliotecário de referência e da biblioteca
universitária como agentes de ações culturais, demonstrando as novas modalidades de
formação educacional através dos processos culturais, mais especificamente o teatro como
promotor de lazer e cultura e estimulador da leitura. Com esse suporte cultural observamos a
integração da universidade, da comunidade acadêmica e da sociedade.
Palavras-Chave:Ação cultural; Biblioteca universitária; Incentivo á leitura; Formação de
Plateia; Teatro.
ABSTRACT
Thispaper presentsthe participation of thereference librarianandtheuniversity libraryas agents
ofcultural activities, demonstratingnew forms ofeducational trainingthroughcultural processes,
more specificallythe theatreas a promoterof leisure and cultureandstimulatingreading.With
thissupportwe observeculturalintegrationof the university,the academic community and
society.
Keywords: Cultural action; University library; Reading Incentive; Training of Stalls; Theatre.

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca como extensão universitária, cultural e educadora entende o seu trabalho
como princípio educativo e a colaboração para formação docente como um processo
ininterrupto no qual o conhecimento, pesquisa e ensino se articulam em artefatos de trabalho e
procuram permanentes para a vida.

1909

�Com a finalidade de aproximar os universitários e seus familiares às artes cênicas,
estimular o desenvolvimento de plateia e o prazer que proporciona os textos literários
representados, a Biblioteca José de Alencar da Faculdade de Letras da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (BJA/FL/UFRJ) se tornou divulgadora e parceira do Projeto Formação de
Plateia da Secretaria de Cultura do Governo do Rio de Janeiro, dentro de uma de suas funções
que é a de promover ação cultural.O objetivo da ação é acrescentar cultura e educação
continuada aos frequentadores da Biblioteca. Considerando que cultura é, segundo definição
do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “Cabedal de conhecimentos de uma pessoa ou
grupo social; Complexo de atividades, instituições, padrões sociais ligados à criação e difusão
das belas-artes, ciências humanas e afins”.
Apresentando-se, desta forma, como apoio ao fortalecimento da cultura a ação de
cooperação e parceria entre a biblioteca, teatros e poder público. O teatro nos leva à magia e
engloba a exploração das potencialidades da linguagem, o exercício da experimentação
estética e o desenvolvimento do olhar analítico no texto que está sendo encenado e a produção
teatral. Os alunos serão convidados a entrar em um universo subjetivo ao assistir, esquecendose do entorno e do local físico em que estão. E, ao término do espetáculo, eles retornarão da
viagem imagética proporcionada pelos atores.
Segundo a Secretaria de Cultura, “espera-se contribuir para a formação de indivíduos
criativos para a cena cultural carioca, além de democratizar o acesso à cultura fluminense”
(GOVERNO DO RIO DE JANEIRO, 2010).Sendo assim, tem-se por objetivo focalizar o
acesso ao teatro para esse futuro profissional como um dos caminhos a ser seguido pelo
educador e analisar a importância do uso do teatro na sua formação acadêmica.

2 REVISÃO DE LITERATURA
As competências adquiridas por aqueles que frequentam os teatros não podem ser
medidas do mesmo jeito que os resultados concretos, em números, porém servem como
qualificações para a vida. Elas têm vindo a distinguirem-se como não concretas, são
subjetivas, individuais e de mediação. São, no entanto, resultados verdadeiros que têm um
impacto de caráter prático no desenvolvimento dos futuros profissionais.
Como nos apresentaHornburg e Silva (2007, p. 64), o currículo oculto “não constitui
propriamente uma teoria, mas está presente na educação”, ele destaca a diversidade das
formas culturais do mundo contemporâneo e evidencia que nenhuma cultura pode ser julgada
como superior a outra. Essas teorias podem, dessa forma, contribuir para o presente estudo,

1910

�que tem como primeiro objetivo observar como ao assistir um espetáculo teatral pode
contribuir para a utilização
o do acervo da biblioteca, e quais os elementos que propiciam o desenvolvimento da
competência intercultural pelo futuro professor licenciado em Letras.
Essa ação cultural promove uma inclusão sociocultural, pois reúne diversas categorias
e vínculos em torno da comunidade acadêmica, quais sejam: o aluno convida pai ou mãe, o
servidor convida o filho ou esposa, o professor convida um aluno de outra instituição de
ensino. E o agregador de todas essas ações é a Biblioteca.
Hofstedeet al. (2010, p. 22) também concebem que a “cultura é aprendida, não inata.”
Para estes autores, “cultura é sempre um fenômeno coletivo, porque ela é, pelo menos,
parcialmente compartilhada por pessoas que vivem ou viveram no mesmo ambiente social,
que é onde ela foi aprendida. Cultura consiste nas regras não escritas do jogo social”.
O Conselho da InternationalFederationof Library Associations (IFLA) aprovou em
agosto de 2006, o Multicultural Library Manifesto, onde trata que a biblioteca deve “[...]
refletir, apoiar e promover a diversidade cultural e linguística a nível local, nacional e
internacional, e, portanto, trabalhar para o diálogo intercultural e a cidadania ativa”.
Encontramos ainda:
Dentre as missões atribuídas à biblioteca multicultural, estabelecidas pela
IFLA destaca-se: incentivar e respeitar a língua materna; salvaguardar o
patrimônio linguístico e cultural; dar suporte para a criação de expressão e
difusão em todas as línguas e apoiar o intercâmbio de conhecimento e as
melhores práticas em relação ao pluralismo cultural (FURTADO,2013).

A Biblioteca José de Alencar da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (BJA/FL/UFRJ), com a iniciativa de participar desse projeto da Secretaria de
Cultura do Estado do Rio de Janeiro, está colocando em prática suas atividades multiculturais
e multifuncionais no momento em que busca em outras expressões artísticas a divulgação da
memória oral e escrita, fazendo com que os textos literários fiquem mais atrativos para seus
usuários.Procuramos expandir as atividades da Biblioteca além do espaço físico da mesma e
de diversas formas: promovemos treinamentos aos usuários, visitas guiadas, cursos na área da
Biblioteconomia, seminários com palestrantes, além da atividade específica apresentada neste
trabalho denominada: Teatro - Formação de Plateia.
Concordamos com Vicentini (2007), quando aborda que

1911

�Uma biblioteca deve servir a diferentes interesses e classes sociais e ser um
espaço onde se acumulam contradições, oposições, afirmações, negações,
tradições e inovações. O bibliotecário deve ser um articulador de atividades
literárias estimulando a leitura por meio da exibição de filmes, indicação de
livros e textos, organização de exposições, encontros para o resgate da
oralidade e dentre outras atividades motivar leitores, difundir e estimular a
leitura.

Encontramos a definição de ação cultural de Coelho (2001, p. 9) como “o desejo de
fazer da arte e da cultura instrumentos deliberados de mudança do homem e do mundo”.
Esses instrumentos podem ser utilizados nas bibliotecas quando se tratar da referência.
O bibliotecário de referência adquire novas funções e em uma delas, “a função de
agente socializador da informação, o bibliotecário contribuirá no processo de aprendizagem
dos indivíduos através das mais diversas formas de leituras e suportes, como também em suas
práticas, ajudando o leitor a atingir nível elevado de complexidade no processo de
leitura/escrita e na produção de sentidos”. (CAVALCANTE, 2013).E aí se cumpre a função
de bibliotecário agente “transformador dentro da instituição utilizando ferramentas e
conhecimentos que propiciem as diversas formas de ações culturais” (SÁ, 2013).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Analisando o perfil dos frequentadores da BJA/FL/UFRJ e tendo como meta cultural a
educação continuada, vimos a possibilidade de crescimento pessoal e cultural através do
Programa Teatro - Formação de Plateia, onde a:
Ação de formação de plateia da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de
Janeiro diversifica audiência de espetáculos, através da Ação de Formação
de Plateias, disponibiliza ingressos gratuitos para crianças, jovens e adultos
moradores de municípios do Estado. O Programa tem o objetivo de fomentar
a reflexão crítica com relação ao que é produzido no campo cultural,
oferecendo acesso gratuito para espetáculos das mais variadas linguagens
artísticas. Espera-se contribuir para a formação de indivíduos criativos para a
cena cultural carioca, além de democratizar o acesso à cultura fluminense.
Gerida pela Coordenadoria de Economia Criativa, a ação existe desde 2010.
(GOVERNO DO RIO DE JANEIRO, 2010).

Cadastramos a BJA/FL/UFRJ na FUNARJ (Fundação Anita Mantuano de Artes do
Estado do Rio de Janeiro), a fim de obter acesso gratuito a espetáculos teatrais através do
Programa Formação de Plateia. Isso acontece da seguinte forma: A FUNARJ disponibiliza
entre 10 e 50 ingressos para espetáculos, a Biblioteca convida os usuários e familiares dos
usuários, servidores (de acordo com a disponibilidade), e retira os ingressos no dia do
espetáculo distribuindo aos inscritos presentes.

1912

�Decidimos participar do Programa fazendo um cadastro dos frequentadores da
BJA/FL/UFRJ interessados em ir ao teatro gratuitamente, podendo levar um convidado em
uma data selecionada. Esses usuários seriam notificados por e-mail e poderiam confirmar o
convite ou declinar. Caso confirmassem, seriam avisados do local indicado para receberem os
convites.Quando da impossibilidade de deslocar-se ao teatro na data e horário da peça,
convidamos o próximo nome do cadastro. Este cadastro caminha, e em uma próxima ida ao
teatro contemplamos os que não foram convidados.Organizamos as idas aos teatros, prestando
a atenção à oferta do Projeto Teatro - Formação de Plateia. Reunimos-nos para tirar fotos para
enviar aos gestores do projeto, e para preservarmos a nossa história.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A Biblioteca José de Alencar da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (BJA/FL/UFRJ) está em fase de desenvolver projetos voltados à acessibilidade
(física e intelectual). Procuramos expandir as atividades da Biblioteca além do espaço físico
da mesma e de diversas formas: promovemos treinamentos aos usuários, visitas guiadas,
cursos na área da Biblioteconomia, seminários, além da atividade específica apresentada neste
trabalho denominada.
A inclusão no Programa foi feita como parte da ação cultural desenvolvida pela
BJA/FL/UFRJ, a fim de obter ingressos para espetáculos, onde teríamos a possibilidade de
levar ao teatro gratuitamente pessoas que sem este incentivo deixariam de vivenciar esse
momento. Já assistimos diversas encenações oriundas de obras literárias consagradas, o que
leva a curiosidade de ler o texto impresso. Com isso o nosso acervo passou a ser manuseado
pelas pessoas que através do projeto levamos ao teatro, pois é uma das possibilidades críveis
de se apreender e interpretar o mundo e de lhe conferir significado. Através de contatos após a
saída dos teatros, e-mails trocados, comentários feitos através das redes sociais, sempre de
forma positiva, a Biblioteca cumpre o seu papel de agente cultural.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Acreditamos que a atividade de ação cultural proposta está colaborando para o
desenvolvimento intelectual, cultural e social da comunidade diretamente ligada à
BJA/FL/UFRJ, assim como dos pares que acompanham essa comunidade, que são seus
familiares e amigos. Considerando que a biblioteca universitária pode contribuir com a
sociedade “ao desenvolver ações criativas e dinâmicas para preservação da língua, memória

1913

�literária e promoção da herança cultural e, conjuntamente, oportunizar a interculturalidade”
(FURTADO, 2013).
Acreditamos na extensão universitária e na comunidade acadêmica, apostamos cada
vez mais em ações paralelas de incentivo ao desenvolvimento da qualidade de vida da
comunidade e em novas formas de ensino/aprendizagem, preservação e aquisição da
linguagem e divulgação das literaturas.

6 REFERÊNCIAS
CAVALCANTE, Lidia Eugenia; RASTELI, Alessandro. A competência em informação e o
bibliotecário mediador da leitura em Biblioteca Pública. Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon.
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v.

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COELHO, Teixeira. O que é ação cultural. São Paulo: Brasiliense, 2001.
FURTADO, Cassia.Biblioteca escolar e interculturalidade:Recomendações dos organismos
internacionais. Revista Biblioo cultural informacional. 11 mar., 2013. Disponível em:
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HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva,
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SÁ, Rosilene Moreira Coelho de. Práticas de atividades culturais em bibliotecas
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1915

�</text>
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                <text>Esse trabalho visa apresentar a participação do bibliotecário de referência e da biblioteca universitária como agentes de ações culturais, demonstrando as novas modalidades de formação educacional através dos processos culturais, mais especificamente o teatro como promotor de lazer e cultura e estimulador da leitura. Com esse suporte cultural observamos a integração da universidade, da comunidade acadêmica e da sociedade. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

SNBU 2014

MODELAGEM NO PROCESSAMENTO TÉCNICO: O CASO DA BIBLIOTECA DO
CFCH/UFRJ

Adriana Almeida Campos
Erica dos Santos Resende
Maria Cristina Rangel Jardim
Camila da Silva Teixeira
RESUMO
No processo de planejamento e estruturação de uma biblioteca, a organização dos serviços é
fundamental para qualidade das atividades. A visualização das rotinas através do fluxograma
oferece ao gestor, o conhecimento necessário para verificar como funcionam todos os setores,
facilitando a análise de sua eficácia, a localização das deficiências e a racionalização de
rotinas. O presente trabalho tem o objetivo apresentar a modelagem das atividades do Setor
de Processamento Técnico da Biblioteca do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH)
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A modelagem das atividades, por meio do
fluxograma, mostra o detalhamento da sequência do trabalho, a padronização e a
racionalização dos serviços.
Palavras-chave:Bibliotecas
Processamento técnico.

Universitárias;Administração;

Fluxograma;

Setor

de

ABSTRACT
In the process of planning and structuring a library, the steps organization is fundamental to
the quality of activities. The preview of the routines through the flowchart provides the
manager the necessary knowledge to verify all sectors work, facilitating analysis of its
effectiveness, the location of the deficiencies and the rationalization of routines. This paper
aims to present the modeling of activities of the Department of Technical Processing Library
of the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ) Centre for Philosophy and Humanities
(CFCH). The modelling of activities through the flowchart shows the details of a work
sequence, standardization and rationalization of services.
Keywords:Academic libraries; Administration; Flowchart, Technical Processing.

1 INTRODUÇÃO
A modelagem dentro de uma organização significa detalhare exibir sua estrutura em
gráficos. Esse detalhamento auxilia a identificaratividades repetidas e/ou fragmentadas em

1292

�diversos setores que podem ser unificadas, reagrupadas ou eliminadas e, as que devem ser
simplificadas.(MACIEL; MENDONÇA, 2006).
Para a biblioteca,que tem o fluxo de cada atividade desenvolvida em seus setores,a
modelagem dos processos enriquecea compreensão do trabalho no todo. Cada setor se
interliga em suas tarefas. Da aquisição do documento à disseminação da informação,
passando pelo tratamento técnico, todos esses setores se unem com foco na excelência dos
serviços.
Sabendo da importância e da função da modelagem dos processos, esse breve relato
tem como objetivo a apresentação do que vem sendo realizado no Setor de Processamento
Técnico da Biblioteca do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (CFCH/UFRJ). O trabalho ainda não está finalizado, visto que cada tarefa pode
ter seu foco mais ampliado. Os setores da biblioteca estão sendo desenhadose,através do
fluxograma, os bibliotecários poderão se beneficiar de um modelo para visualizar suas
atividades no contexto geral do desenvolvimento dos serviços e, através deste recurso,
estruturar e organizar seu trabalho, avaliando a qualidade das ferramentas técnicas utilizadas e
a satisfação dos usuários na busca da informação.

2 DAS REPRESENTAÇÕES
Compõeo setor de processamento técnico as atividades de representação descritiva e
temática do documento. A visualização dessas representações está esboçada no fluxograma.

2.1 Representação descritiva

A descrição bibliográfica, também chamada de representação descritiva, é a
parte da catalogação responsável pela caracterização do recurso
bibliográfico. À descrição cabe extrair diretamente do recurso bibliográfico
todas as informações, de interesse para o usuário, que individualizem o
recurso bibliográfico, tornando-o único entre os demais. (MEY; SILVEIRA,
2009, p. 94)

Ao longo da história, vários instrumentos foram criados com o objetivo de registrar os
documentos e almejavam o controle bibliográfico universal. Mey (1995) afirma que a
catalogação era vista como a técnica de elaborar catálogos. No entanto, sua riqueza repousa
nos relacionamentos entre os itens, ou seja, ao observar uma descrição é possível escolher
versão, suporte, traduçãoe outras particularidades que individualizam um documento.

1293

�É comum na rotina da catalogação o uso do Catálogo da Fundação Biblioteca
Nacional (FBN), da Library ofCongress (LC) ou de outras, de acordo com o tema do
documento a ser catalogado. Utilizar uma catalogação já existente de um documento, para
alguns profissionais, é uma prática não recomendável. No entanto, nada mais acertado para
que a descrição se torne uniforme e os catálogos padronizados.
Campelo (2006) afirma que a contribuição da Biblioteconomia para o acesso amplo à
informação é representada por mecanismos que permitem o intercâmbio entre sistemas de
informação do mundo inteiro, facilitando o acesso de qualquer pessoa à produção
bibliográfica universal. Vários avanços aconteceram ao longo dos anos. Neste sentido, cita-se
o uso do International Standard Book Number (ISBN),International Standard Serial Number
(ISSN) e Digital ObjectIdentifier (DOI) como formas de controle bibliográfico.
Hoje, como fontes de informação para catalogação,podem ser mencionadas as
Bibliotecas Nacionais e as formas de controle bibliográfico, citados acima. Por eles é possível
ter acesso às informações sobre os documentos que serão catalogados.

2.2 Representação temática
A representação temática tem como objetivo analisar o conteúdo ou os conceitos
representativos do documento, ou seja, o assunto. Dias e Naves (2013, p.7) colocam que “essa
leitura é feita por um profissional de informação, que tem sido denominado classificador,
catalogador, indexador, além de outras eventuais denominações”.
A leitura do documento para a extração dos assuntos é considerada a etapa mais
importante na organização da informação. O seu sucesso será fundamental na hora da
recuperação. Lancaster (1997, p. 5) afirma que “os termos atribuídos pelo indexador servem
como pontos de acesso mediante os quais um item bibliográfico é localizado e recuperado,
durante uma busca por assunto”.
Atualmente, com as facilidades de acesso proporcionadas pela internet, a técnica de
indexar conta com diversas fontes de consulta online. A biblioteca precisa definir quais serão
as fontes de consulta e se a sua base de dados conta com indexadores, classificadores e
catalogadores para alimentá-la.Por isso, segundoDias e Naves (2013, p.21):

Destaca-se, no processo de indexação, a necessidade de se estabelecer uma
política de indexação, imprescindível na orientação da atividade do
indexador. Ao adotar uma política bem definida tendo em vista, o perfil de
seus usuários, o SRI apresenta maiores chances de eficácia no alcance de
seus objetivos.

1294

�A FBN é uma fonte para o trabalho de indexação que possui, em sua página principal,
uma opção de serviços profissionais, onde é possível consultar o Catálogo de Terminologia de
Assuntos que orienta na atribuição dostermos. No entanto, no caso das bibliotecas
especializadas e universitárias em determinadas áreas do conhecimento é necessário adotar
ferramentas mais precisas, “e, mesmo quando as evidências não são tão marcantes, cada
biblioteca deve ser personalizada face sua clientela” (MACIEL; MENDONÇA, 2006, p.28).
Outra fonte nacional para atribuição de assuntos é o Descritores em Ciências da Saúde
(DECS)que é um vocabulário estruturado trilíngue criado pela BIREME155 para servir como
linguagem única na indexação de diversos documentos da área da saúde.
O Vocabulário Controlado SIbi/USP, os catálogos de assunto de outras universidades
(PUCRS, UFRGS, UnB entre outras), os dicionários e os vocabulários de termos técnicos
servem com fontes de auxilio para uma política de indexação.
A Bibliotecado CFCH/UFRJ utiliza a Classificação Decimal de Dewey (CDD) para
classificar os livros e folhetos. A atribuição de assunto a um documento é realizada
juntamente com a classificação.Sugere-se, inclusive, que o primeiro assunto atribuído na
indexação seja o mesmo da classificação adotada. Na última etapa do processo de
representação temática, utiliza-se a Tabela de Cutter-Saborn que forma a notação de autor
que, juntamente com a classificação (notação de assunto), vão compor o número de chamada.

2.3 Modelagem das representações
A modelagem do setor de Processamento Técnico da Biblioteca do CFCH/UFRJ pode
ser visualizada no fluxograma156.Segundo Maciel e Mendonça (2006) o fluxograma coloca a
estrutura do organograma da Biblioteca em movimento e permite o detalhamento no nível da
operação. Este detalhamento torna o processo dinâmico e padronizado.

155 Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde anteriormente chamado de
Biblioteca Regional de Medicina (BIREME) que é um centro especializado da Organização Pan-Americana de
Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), orientado à cooperação técnica em informação científica
em saúde. Disponível em: &lt;www.bireme.br&gt;. Acesso em: 10 maio 2014.
156 Foi utilizado o software gratuito BizagiProcessModeler para a elaboração do fluxograma.

1295

�Figura 1 - Fluxograma do Processamento Técnico da Biblioteca do CFCH/UFRJ

Fonte: Elaborado pelas autoras.

As

bibliotecas

da

UFRJ

utilizam

o

Anglo

American

CatalogingRule,

2ndedition(AACR2), onde se estabeleceu o segundo nível de descrição, e o formato
MachineReadableCataloging (MARC 21). O software utilizado é o Aleph e os dados de
registro bibliográficos ficam armazenados na Base Minerva.
As bibliotecas da UFRJ realizam a catalogação de forma descentralizada, ou seja, cada
biblioteca cataloga e insere seus documentos na base. Existe uma preocupação com a
padronização das entradas.O bibliotecário pode adicionar assuntos e fazer as correções
ortográficas, mas, nocaso de alteração de entrada autor ou título, uma comunicação prévia às
bibliotecas que tenham o documento deve ser realizada.
No fluxograma acima estão desenhadas as etapas do Setor de Processamento Técnico.
No início, a pesquisa do documento a ser descrito no sistema surge com as perguntas: se o
documento existe na base/sistemae se o documento existe na Biblioteca do CFCH.
Quando o documento já existe na Biblioteca do CFCH basta incluir o item
(exemplar).Se o documento existe na base, em outra biblioteca da UFRJ, trata-se como
“documento novo local”- inicia-se a etapa da análise descritiva e temática, onde se elaboram
as

fichas

de

tombo,

topográfica

e

principal

(referência

bibliográfica)

do

documento.Mesmaconduta para entrada de “documento novo na UFRJ”.
Para o “documento novo local” verificam-se as entradas e os assuntos atribuídos.Se a
Biblioteca do CFCH concordar com a descrição do documento, faz-se a inclusão do item.Em
caso de desacordo,entra-se em contato com as bibliotecas que possuem o mesmo documento e

1296

�sugere-se a correção do elemento descritivo. Feito(s) o(s) acerto(s) faz-se a inclusão do
item(exemplar).
O “documento novo na UFRJ” requer a abertura de planilha no Sistema Aleph e
ocorre quando algum elemento da descrição do documento sofre alteração, como no caso de
nova edição do livro, ou quando se tratar realmente de título novo na UFRJ. Com os dados do
documento implantados no Sistema Aleph faz-se a inclusão do item (exemplar).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desempenho do setor de processamento técnico é fundamental na organização, na
estruturação e na promoção do acesso à informação. Estruturar bem os processos de trabalho,
definir as fontes e as ferramentas técnicas, descrever todas as atividades desenvolvidas e
avaliar a eficácia do trabalho permitirãoao profissional bibliotecário adequar, substituir e
implementar suas ações.
A modelagem apresentada permiteespecificar e padronizaras atividades, relacionandoas ao número de pessoas envolvidas e, assim, distribuí-las de forma racionaltornando-as mais
dinâmicas, uma vez que oferecea visualização da rotina no todo e a compreensão do trabalho
de cada profissional no sistema onde se insere.
Como processo, as atividades de representação descritiva e temática do documento e
seus desdobramentos se encontram em aperfeiçoamento contínuo para a implantação do
modelo em outros setores da Biblioteca.

REFERÊNCIAS
CAMPELLO, B. Introdução ao controle bibliográfico. 2. ed. Brasília, DF: Briquet
Lemos/Livros, 2006.
DIAS, E. W.; NAVES,M. M. L. Análise de assunto: teoria e prática. 2.ed.rev. Brasília, DF :
Briquet de Lemos/Livros, 2013.
LANCASTER, F.W. Indexação e resumos: teoria e prática. Brasília, DF: Briquet
Lemos/Livros, 1997.
MACIEL, A. C.; MENDONÇA, M. A. R. Bibliotecas como organizações. Rio de Janeiro:
Interciência; Niterói: Intertexto, 2006.
MEY, Eliane Serrão Alves. Introdução à catalogação. Brasília, DF: Briquet Lemos/Livros,
1995.
MEY, E.S. A.; SILVEIRA, N. C.Catalogação no plural. Brasília, DF: Briquet
Lemos/Livros, 2009.

1297

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                <text>No processo de planejamento e estruturação de uma biblioteca, a organização dos serviços é fundamental para qualidade das atividades. A visualização das rotinas através do fluxograma oferece ao gestor, o conhecimento necessário para verificar como funcionam todos os setores, facilitando a análise de sua eficácia, a localização das deficiências e a racionalização de rotinas. O presente trabalho tem o objetivo apresentar a modelagem das atividades do Setor de Processamento Técnico da Biblioteca do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A modelagem das atividades, por meio do fluxograma, mostra o detalhamento da sequência do trabalho, a padronização e a racionalização dos serviços.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA INFORMAÇÃO: AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO
DO USUÁRIO EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DE MINAS GERAIS

Aparecida de Fatima Castro Campos

RESUMO
É um estudo de caso referente à avaliação da satisfação do usuário em relação à ação de
disseminação seletiva de informação adotada na Biblioteca Ângela Vaz Leão do Centro
Universitário de Formiga-UNIFOR-MG. O objetivo do trabalho foi avaliar a satisfação dos
usuários em relação ao Boletim Informativo, Informe-Biblio, a partir da percepção dos
mesmos. Para a realização desta pesquisa, adotou-se como instrumento de coleta de dados o
questionário, elaborado no Google Forms, com seis questões objetivas e uma para espaço de
sugestões. O universo da pesquisa constituiu-se dos 692 usuários cadastrados, entre
professores, alunos e egressos. A amostra foi formada por 60 participantes que responderam
ao questionário, representando 9% do total. Após a análise dos resultados foi possível
identificar que os usuários consideraram relevantes as informações que são enviadas, bem
como têm interesse em continuar recebendo o boletim informativo e necessitam de
informações em vários formatos. Através do estudo pode-se perceber também a importância
da biblioteca em trabalhar sempre a assertividade do serviço de disseminação seletiva da
informação e a exploração de outras mídias, como as redes sociais. Os resultados desta
pesquisa podem subsidiar a melhoria do serviço de disseminação seletiva da informação na
Biblioteca Ângela Vaz Leão, contribuindo para o atendimento das necessidades
informacionais e satisfação dos usuários.
Palavras-Chave: Disseminação seletiva de informação; Boletim informativo; Serviço de
referência.
ABSTRACT
This is a case study - evaluation of user satisfaction related to the action of selective
dissemination of information adopted in the Library Angela Vaz Leao belonging to the Centro
Universitario de Formiga- UNIFOR-MG. The objective of this study was to evaluate user
satisfaction related to a technical newsletter called Informe-Biblio. For this research, the
questionnaire was adopted as an instrument of data collection, developed in Google Forms,
with six objective questions and one for suggestions. The research sample consisted of 692
registered users (including teachers, students and graduated ones). The sample consisted of 60
participants who responded to the survey, representing 9% of the total. After analyzing the
results, we found out that users considered relevant the information that was sent to them and
that they are interested on receiving the newsletter and require information in various formats.
Through the study we can also realize the importance of the library advance the assertiveness
of the selective dissemination of information and the need to explore other media such as
social networks. These results can support the improvement of the selective dissemination of

2556

�information service in the Library Angela Vaz Leao, helping to meet the informational needs
and user satisfactions.
Keywords: Selective dissemination of information; Technical newsletter; Reference service.

1 INTRODUÇÃO
As atividades de referência devem refletir os objetivos da instituição da qual fazem
parte, uma vez que funcionam como uma peça-chave que se relaciona com a base do sistema
de recuperação da informação (SRI): o usuário.
Para Grogan (2001, p. 50), a expressão serviço de referência “[...] aplica-se à
assistência efetivamente prestada ao usuário que necessita de informação”
Nas bibliotecas, existem diversos serviços fundamentais para o usuário, sendo um
deles o serviço de Disseminação Seletiva da Informação (DSI), utilizado nas universidades.
Segundo Macedo (1984), a DSI está enquadrada na terceira linha do serviço de referência e se
aplica para a divulgação do que é atual.
Este estudo trata do serviço de DSI na Biblioteca Ângela Vaz Leão, do Centro
Universitário de Formiga - UNIFOR-MG, realizado através de um Boletim Informativo
Eletrônico, chamado Informe-Biblio, no formato de correio eletrônico, com divulgação
mensal de conteúdo oportuno e relevante ao usuário.
Devido à preocupação constante da biblioteca em oferecer produtos e serviços mais
dinâmicos e relevantes para seus usuários, o objetivo deste trabalho consiste em avaliar a
satisfação dos usuários em relação ao Boletim Informativo - Informe-Biblio, a partir da
percepção dos mesmos.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Segundo Souto (2010), os serviços de disseminação seletiva de informação têm como
intuito tornar os usuários informados e atualizados com informações compatíveis e
personalizadas de acordo com seu perfil e linha de pesquisa, aperfeiçoando assim os serviços
de alerta oferecidos pela biblioteca.
A DSI é um serviço de notificação, dinâmico, planejado para informar aos usuários
sobre publicações e outras fontes de informação que lhes interessam potencialmente.
(LANCASTER, 2004). Uma das vantagens deste serviço é a “[...] redução considerável do
tempo gasto pelos usuários em localizar a informação.” (LONGO, 1979, p. 83).
Sampaio e Moreschi (1990) esclarecem que o papel do bibliotecário de referência,
responsável pelo serviço de informação é ser o mediador, o seletor da informação, agindo

2557

�como um filtro entre o leitor e as publicações, encaminhando-lhe apenas o que for relevante à
sua área.

2.1 DSI na Biblioteca Ângela Vaz Leão
O Serviço de DSI está inserido na Biblioteca Ângela Vaz Leão através do InformeBiblio, que representa um boletim eletrônico criado em 2008, com periodicidade mensal. É
dirigido a todos os cursos de graduação do UNIFOR-MG - 22 no total - e enviado para os e­
mails voluntariamente cadastrados na Biblioteca professores, alunos e egressos. É formado
por duas partes: uma geral que é comum a todos os cursos e a outra específica. Suas seções
estão assim definidas: sumários correntes de periódicos eletrônicos das áreas; sugestões de
livros indicados por professores da instituição; novas aquisições do mês; e-books; base de
dados; notícias relevantes e frase motivacional.
A caracterização do Informe-Biblio a partir da descrição das categorias de
disseminação seletiva da informação proposta por Souto (2010) está apresentada abaixo.
A função é educativa e informativa, pois busca manter o usuário atualizado sobre
temas do seu interesse, em sua área de atuação. A operacionalização é realizada no Google
Docs com a vantagem de ter acesso remoto pelo browser e não precisar instalar software
específico no computador. A elaboração do perfil do usuário é realizada pelo cadastro através
do preenchimento de um formulário na biblioteca, com as informações: nome, e-mail, curso e
período. A abrangência é grupal, uma vez que é direcionado aos usuários cadastrados
pertencentes ao mesmo curso e com necessidades comuns. Os recursos informacionais
monitorados são considerados híbridos, pois há seções comuns e seções específicas para os
cursos da instituição. A coleta de informações é distribuída, pois as informações são coletadas
em diferentes fontes. Em relação à seleção, o conteúdo é selecionado criteriosamente pela
equipe responsável, sob supervisão e aprovação da coordenação da biblioteca.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a realização desta pesquisa, adotou-se como instrumento de coleta de dados o
questionário, conforme definição de Marconi e Lakatos (2010), constitui um instrumento
formado por uma série ordenada de perguntas, com um critério pré-determinado, que devem
ser respondidas e sem a presença do entrevistador.
O questionário de seis questões objetivas foi elaborado na plataforma Google Forms,
aplicativo do Google Docs. Destacam-se como vantagens dessa forma de questionário a
facilidade de uso e objetividade na apresentação das respostas - coleta automática de dados.

2558

�A pesquisa foi realizada no período de 14 a 28 de fevereiro de 2014. O universo do
estudo constituiu-se em todos os 692 usuários cadastrados. Após a coleta dos resultados, os
dados foram computados em tabelas.

4 RESULTADOS FINAIS
Do universo submetido ao estudo («=692), 60 usuários responderam ao questionário e
formaram a amostra deste trabalho (9% do total).
O primeiro ponto abordado foi a respeito da relevância das notícias e mensagens
publicadas no informativo. As respostas obtidas estão apresentadas na (TAB.1).

Tabela 1 - Relevância das notícias e mensagens publicadas no informativo
Opções
Participantes
34
Muito bom
Bom
25
Regular
1
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Porcentagem (%)
57
42
2

Verifica-se que a maioria dos usuários considerou que as informações enviadas são
relevantes. Esta perspectiva reforça a importância do papel desempenhado pelo profissional
de biblioteconomia na seleção e direcionamento da informação. Como já apresentou Becker
(1963 apud FIGUEIREDO, 1992, p. 20): bibliotecários treinados são “caçadores de
informações muito habilidosos.” 318
Na avaliação sobre a contribuição das informações enviadas, 77% dos participantes
afirmaram “sim” (n=46); 23% responderam “às vezes” (n=14) e nenhum participante
respondeu “não”. Dessa forma é possível perceber que a maioria dos participantes considera
que o serviço contribui de alguma forma para seus estudos e atualização profissional. No
entanto, uma parcela significativa (23%) respondeu “às vezes”. Este é um dado de alerta e
uma possível ação de melhoria para a assertividade do serviço.
A TAB. 2 apresenta as preferências e as necessidades informacionais dos usuários,
considerando quais tipos de informação que mais lhes interessam.
Do total de entrevistados, 50% querem ter acesso a todas as seções de informações.
Esta questão trata de um grande desafio para os bibliotecários, pois, diante do volume de
informações disponíveis, essa situação exige dos profissionais o desenvolvimento de um
318 BEKER, J.; HAYES, R. M. Information storage and retrieval: tools, elements, theories. New York: Wiley,
1963.

2559

�papel mais ativo como facilitadores de informação. Conforme Figueiredo (1999, p. 91) “[...] a
tecnologia da informação é um negócio dos bibliotecários, não dos usuários.”

Tabela 2 - Tipo de informação que os usuários mais gostariam de receber
Opções
Sumários de periódicos eletrônicos
Indicações de sites e bases de dados
Notícias da biblioteca
Todas
Fonte: Dados da pesquisa, 201^

Participantes
11
14
5
30

Porcentagem %
18
23
8
50

Em relação às outras mídias e instrumentos para a disseminação da informação e
comunicação com a biblioteca, obteve-se:

Tabela 3 - Mídias ou instrumentos como forma de comunicação com a Biblioteca
de acordo com os usuários
Porcentagem %
Opções
Participantes
24
40
Site institucional
Blog
6
10
3
5
Mídia impressa
27
45
Redes sociais
0
Outros
Fonte: Dados da pesquisa, 201^

É possível verificar que, dentre as opções disponibilizadas para resposta, os usuários
preferiram as redes sociais e o site institucional como formas de comunicação. Isso reforça a
necessidade da biblioteca se fazer presente e acompanhar os hábitos dos seus usuários. Esse
dado também é importante como subsídio para o planejamento e execução das próximas
ações relacionadas aos produtos e serviços da biblioteca.
Em relação à apresentação, à diagramação e ao estilo do Informe-Biblio, 48% dos
participantes consideraram “bom” (n=29); 43% consideraram “muito bom” (n=26); 7%
consideraram “regular” (n=04) e 2% consideraram “outros” (n=01).
No questionário, foi deixado um espaço para sugestões e elas foram muito
diversificadas, mas também importantes para a avaliação interna da Biblioteca. Os assuntos
mais comentados foram sobre: novas tecnologias; tecnologias de informação e comunicação;
informações sobre formatação de monografia.
E, por fim, foi questionado aos participantes se eles gostariam de continuar recebendo
o boletim informativo: 98% responderam “sim” (n=59) e 2% responderam “não” (n=01). Esse

2560

�resultado foi muito positivo, pois, comprovou a importância e o interesse que os usuários têm
em receber as informações disponibilizadas. É também um desafio: manter essa ferramenta
como forma de contribuir com produtos e serviços de qualidade na biblioteca universitária.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O serviço de DSI oferecido pela Biblioteca Ângela Vaz Leão, o Boletim Informativo
eletrônico - Informe-Biblio - é um importante instrumento que auxilia os usuários em relação
à busca de informações.
Após a análise dos resultados foi possível perceber que os usuários consideraram
relevantes as informações que são enviadas, bem como têm interesse em continuar recebendo
o boletim informativo e necessitam de informações em vários formatos. Salienta-se também a
importância da Biblioteca em trabalhar sempre a assertividade do serviço de disseminação da
informação e a exploração de outras mídias, como as redes sociais.
Por fim, os resultados obtidos podem subsidiar a melhoria do serviço de disseminação
seletiva da informação, contribuindo para o atendimento das necessidades informacionais e
satisfação dos usuários.

6 REFERÊNCIAS
FIGUEIREDO, N. M. de. Paradigmas modernos da ciência da informação. São Paulo:
Polis, 1999.
______. Serviços de referência &amp; informação. São Paulo: Polis, 1992.
GROGAN, D. A prática do serviço de referência. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2001.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília, DF: Briquet de Lemos,
2004.
LONGO. R. M. J. Sistema de recuperação da informação: disseminação seletiva da
informação e bases de dados. Brasília, DF: Thesaurus, 1979.
MACEDO, N. D. de. Em busca de diretrizes básicas para o serviço de referência e informação
para bibliotecas brasileiras. Revista brasileira de biblioteconomia e documentação, São
Paulo, v. 17, n. 3/4, p. 61-70, jul./dez. 1984.
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 7. ed.
São Paulo: Atlas, 2010.
SAMPAIO, M. I. C.; MORESCHI, E. B. P. DSI - Disseminação seletiva da informação: uma
abordagem teórica. Revista brasileira de biblioteconomia e documentação, São Paulo, v.
23, n.1/4, p. 38-57, jan./dez. 1990.
SOUTO, L. F. Informação seletiva, mediação e tecnologia. Rio de Janeiro: Interciência,
2010.

2561

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                <text>É um estudo de caso referente à avaliação da satisfação do usuário em relação à ação de disseminação seletiva de informação adotada na Biblioteca Ângela Vaz Leão do Centro Universitário de Formiga-UNIFOR-MG. O objetivo do trabalho foi avaliar a satisfação dos usuários em relação ao Boletim Informativo, Informe-Biblio, a partir da percepção dos mesmos. Para a realização desta pesquisa, adotou-se como instrumento de coleta de dados o questionário, elaborado no Google Forms, com seis questões objetivas e uma para espaço de sugestões. O universo da pesquisa constituiu-se dos 692 usuários cadastrados, entre professores, alunos e egressos. A amostra foi formada por 60 participantes que responderam ao questionário, representando 9% do total. Após a análise dos resultados foi possível identificar que os usuários consideraram relevantes as informações que são enviadas, bem como têm interesse em continuar recebendo o boletim informativo e necessitam de informações em vários formatos. Através do estudo pode-se perceber também a importância da biblioteca em trabalhar sempre a assertividade do serviço de disseminação seletiva da informação e a exploração de outras mídias, como as redes sociais. Os resultados desta pesquisa podem subsidiar a melhoria do serviço de disseminação seletiva da informação na Biblioteca Ângela Vaz Leão, contribuindo para o atendimento das necessidades informacionais e satisfação dos usuários. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

LEITURA NO ENSINO SUPERIOR: O OLHAR DO BIBLIOTECÁRIO PARA A
COMPREENSÃO DE TEXTOS CIENTÍFICOS DOS DISCENTES NO CURSO DE
NUTRIÇÃO DO IFCE - CAMPUS FORTALEZA
Tatiana Apolinário Camurça

RESUMO
A pesquisa foi um estudo exploratório que identificou quais as principais dificuldades em
Leitura e qual a influência e nível de compreensão em leitura acadêmica dos discentes do
curso de Nutrição do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - Campus
Limoeiro do Norte. A abordagem que prevaleceu nesta pesquisa foi do tipo qualitativa, com
características de pesquisa participante, o que possibilitou não apenas a observação dos
comportamentos dos sujeitos pesquisas, mas também a participação em algumas aulas para
reflexão sobre o pensar de uma dada coletividade sobre determinado assunto, ao mesmo
tempo em que proporcionou uma leitura individual da opinião de cada participante da
pesquisa. Os instrumentos utilizados consistiram em aplicação de questionários e a realização
de entrevistas com os alunos participantes e o professor. O estudo constatou o predomínio de
uma compreensão textual insuficiente ao nível exigido para aprendizagem acadêmica, e
apontou a interferência limitante, mas não determinante de fatores socioculturais acusados de
proporcionar o afastamento dos discentes de ambientes de leitura e aprendizagem em suas
trajetórias escolares, fragilizando a aprendizagem no ensino superior.
Palavras-chaves: Leitura. Compreensão de texto. Aprendizagem. Discentes de Nutrição.
Interferências na aprendizagem. Fator sociocultural.

ABSTRACT
The research is an exploratory study that identify the main difficulties in reading, the
influences and compreension level in academic reading of the students of Nutrition at IFCE
campus Limoeiro do Norte. It was used qualitative methodology, participative research which
allowed the observation of the students' behavior and the participation in some classes to
reflect about their thoughts, while it provided an individual opinion of each research
participant.The instruments used were questionnaires and interviews among teachers and
students. The research found the prevalence of a poor reading comprehension level, that is
required for academic learning, and suggest the interference of sociocultural factores that
made the acess of students to reading and learning environments in their school history
difficult, weakening the learning in higher education.
Keywords: Reading. Understanding. Text. Learning. Nutrition students. Interference in
learning. Cultural factors.

347

�1 INTRODUÇÃO
1.1 LEITURA: TEMÁTICA POLISSÊMICA
No transcorrer do meu curso de graduação, a leitura dos textos acadêmicos sempre me
causou certo temor, dada a dificuldade que tinha na compreensão dos conteúdos abordados.
Quando se tratavam de textos de Filosofia, ou de matérias afins, e o professor exigia dos
alunos um posicionamento crítico, sentia-me ainda mais desolada, fato que passou a
prejudicar o meu desempenho acadêmico.
No início, eu acreditava que a responsabilidade de não desenvolver a habilidade e
competência em leitura era toda minha, pois não estudava o suficiente. As cobranças e as
tarefas foram causando um sentimento de dúvida quanto às minhas reais possibilidades de
êxito na academia. Como entender, compreender, criticar, analisar textos que requeriam
outras leituras, sem ter uma orientação de como realizar tais atividades, e sempre tendo que
dividir o tempo de estudo com o trabalho, com as novas exigências.
Diante do exposto, minha questão de pesquisa, especificamente, passou a ser
delineada da seguinte forma: como graduandos de cursos tecnológicos, mais especificamente
do curso de Nutrição, lidam com a leitura de textos acadêmicos, e como os professores
trabalham os textos em sala de aula? Diante destas indagações, tracei três objetivos principais:

1. Investigar quais são as dificuldades de leituras enfrentadas pelos acadêmicos do
segundo semestre do curso de Nutrição da disciplina Antropologia do Alimento
do IFCE □ Campus Limoeiro do Norte Ceará;
2. Descrever como o docente trabalha com os textos de cunho científico na sala de
aula;
3. Apontar as estratégias de leitura utilizadas pelos acadêmicos, discentes e docentes
em sala de aula;

1.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
do Ceará (IFCE), situado na cidade de Limoeiro do Norte que fica a 194 km de Fortaleza.
Atualmente, o IFCE oferece cursos de nível técnico: Meio Ambiente, Mecânica, Panificação,
Fruticultura; e de nível superior: Tecnologia em Alimentos, Nutrição e Mecatrônica.
Para facilitar as percepções do comportamento de leitura dos sujeitos investigados,
optei pela observação direta que possibilitou analisar como se dá o trabalho dos professores
em sala de aula, de que forma eles lidam com as dificuldades de leituras dos alunos e quais as

348

�metodologias desenvolvidas no processo de ensino-aprendizagem através da leitura. As aulas
foram observadas ao longo do semestre 2012.1.
O segundo instrumento utilizado para a construção do estudo foi a entrevista
semiestruturada com perguntas que abordaram questões sobre leitura e a trajetória escolar
feitas com cinco alunos e um professor. A entrevista é uma técnica muito utilizada em
pesquisas de vários ramos das Ciências Sociais: Sociologia, Antropologia, Política, Serviço
Social, entre outros.
O terceiro instrumento utilizado foi um questionário com 24 questões abertas e
fechadas aplicado em sala com 34 alunos. A aplicação do questionário teve como objetivo
criar um perfil da condição socioeconômica dos estudantes e conhecer um pouco a trajetória
escolar dos sujeitos pesquisados.
O quarto instrumento que complementou a análise da pesquisa foi a leitura de resenhas
feitas pelos alunos. Esse instrumento colaborou para averiguar a escrita dos alunos
pesquisados, como resultado de uma leitura sistematizada e crítica. A proposta de se trabalhar
com a seleção de alguns textos também foi levada em conta para se avaliar o processo de
compreensão dos alunos.

2 CONTEXTUALIZANDO AS DIFICULDADES DE LEITURA NA FORMAÇÃO
SUPERIOR
A estudiosa sobre leitura Yunes (2003) descreve o processo de ler como uma ação
capaz de mudar de horizonte, interagir com o real, interpretá-lo, compreendê-lo e decidir
sobre ele. Ler é, pois, interrogar as palavras, ampliá-las e duvidar delas. Deste contato, desta
troca nasce o prazer de conhecer, de imaginar ou de inventar a vida. O ato de ler é um ato de
sensibilidade e inteligência e de compreensão e comunhão com o mundo.
Kleiman (1989) concebe a leitura interacionista como um processo em que a leitura
transita em duplo sentido, ou seja, do texto para o leitor e deste para o texto. Assim, durante o
processo de compreensão, tanto as informações contidas no material lido quanto os
conhecimentos do leitor são fatores considerados para a construção dos sentidos.
É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento
linguístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do
texto. E porque o leitor utiliza justamente diversos níveis de conhecimento que interagem
entre si, é que a leitura é considerada um processo interativo. Pode-se dizer com segurança
que sem o engajamento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão.

349

�Koch (2002) entende que cabe ao leitor dar a resignificação convergente daquilo que o
texto diz e que o mesmo só existe a partir do momento em que alguém o processa como tal.
Borba (2004) entende que a compreensão de texto, acontece a partir do leitor que é o centro
organizador de toda enunciação, expressão oral, textual, a este que será influenciado pelo
meio social que o envolve.
Ao entender leitura como um processo compreensivo, Façanha (2009) explica que a
preocupação com a leitura compreensiva é relativamente recente. Essa concepção surgiu em
decorrência das transformações nos usos e funções da leitura ocorridas no curso da história da
humanidade. Para a autora, nos novos estudos sobre concepções de leitura, o leitor tem
ganhado um destaque especial, uma vez que é em sua mente que os conhecimentos
linguísticos e de um conjunto de operações cognitivas se formam.
Ao fazer um levantamento bibliográfico sobre essa problemática, Costa (2007)
também percebeu a escassez de publicações cujo assunto principal seja leitura adulta, quando
declara que a “[...] maioria das pesquisas em compreensão textual é realizada com crianças
em processo de alfabetização.”
Da mesma forma, não se encontram pesquisas que explorem a leitura em fases
intermediárias como, por exemplo, no ensino médio. São estudos que revelam como se
processa a compreensão do texto escrito com adolescentes que já passaram da fase de
alfabetização, mas não conseguem compreender ao ler um texto escrito.
Oliveira e Santos (2008) pesquisam leitura na universidade, defendendo que os
estudantes universitários que apresentam limitações na compreensão em leitura são aqueles
que por diversos motivos internos e ou externos a eles não tiveram oportunidade de
experimentar de forma positiva e bem-sucedida, atividades ligadas à linguagem escrita.
Sampaio e Santos (2005) revela que os alunos despreparados são justamente aqueles que
tiveram pouca ou nenhuma experiência agradável nas atividades de leitura e redação,
encarando-as, então, de modo relutante.
Spinillo apud Marcuschi (2008), analisa as atividades de compreensão de textos
presentes em livros didáticos amplamente adotados no ensino fundamental de escolas
públicas e particulares da cidade do Recife-PE, verificou que a maior parte dos exercícios
requeria do aluno apenas a cópia de passagens literais do texto a ser interpretado, e que apenas
a inexpressiva porcentagem de 5% das perguntas sobre o texto endereçadas aos alunos
requeriam o estabelecimento de inferências. Será uma exceção ou é a regra, o fato de uma
escola mostrar uma didática de ensino que não garante compreensão e aprendizagem para o
aluno?

350

�Dessa forma, as dificuldades em compreensão de textos das crianças vão sendo
levadas até a universidade □ momento em que o problema toma proporções maiores. Estará a
universidade preparada para sanar as dificuldades em leitura de seus discentes? Qual é o papel
da universidade na formação do leitor? A literatura tem focado seus estudos para o fato de
universitários não saberem compreender textos? São questionamentos complexos que revelam
problemas igualmente complexos e com soluções ausentes, mas não impossíveis.
Na prática, é difícil acreditar que todos aqueles que fazem parte de uma instituição de
educação superior desenvolvam suas práticas de ensino e aprendizagem voltadas para alunos
deficientes em leitura. É um erro pensar que muitos anos de educação formal desenvolvem
estudantes plenamente habilitados a lerem e compreenderem todos os tipos de leituras.
[...] uma boa parte desses alunos mostra um fraco desempenho nas
atividades de interpretação e produção de textos, sobretudo os acadêmicos,
cujas exigências se apresentam como elemento completamente estranho
àqueles que não se familiarizaram anteriormente com esses gêneros textuais.
Os alunos se esforçam e não se pode dizer que todo esse quadro se apresenta
dessa forma por vontade deles. (BORBA, 2004, p. 16).
Não é fácil reverter um processo de educação que tem suas raízes na educação infantil
até o ensino superior.Todos reclamam pelo insucesso da educação: pais, professores e aqueles
que são em maior número e os maiores prejudicados, os alunos.Não se sabe ao certo onde e
como começar a consertar o erro do ensino-aprendizagem. Uma vez somados todos esses
problemas o que existe é um verdadeiro caos educacional.

2.1 LEITURA NA REALIDADE DOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
Ao ingressar na universidade os estudantes devem ler e produzir discursos acadêmicocientíficos, com os quais não estão familiarizados pelo escasso contato mantido com estes
durante a escolaridade pré-universitária, ou seja, chegam ao ensino superior sem uma base
leitora plenamente desenvolvida (CARVALHO, 2002).
O discurso científico caracteriza-se por ser uma produção feita por cientistas para seus
pares, que procura garantir, por meio de recursos linguísticos (controle das marcas de
subjetividades, seleção de léxico e adjetivos mais descritivos e objetivos, controle dos
processos de modalização, recurso às citações, precisão, neutralidade e a objetividade.
As dificuldades linguísticas aparecem quando os estudantes lidam com textos
complexos, a exemplo da escrita acadêmica do ponto de vista do conteúdo e da forma.

351

�Conteúdo e forma estão inter-relacionados, e diante dos textos difíceis, o simples
conhecimento de itens lexicais e gramaticais isolados, ou a consulta ao dicionário, não são
suficientes para dar conta da tarefa de leitura (CARVALHO e SILVA, 1996).
Na formação superior novas exigências são cobradas para os calouros que trazem
pouca ou nenhuma experiência com textos do gênero acadêmico.
Kleiman (1989) entende que o uso de conhecimentos ortográficos, sintáticosemânticos, pragmáticos, enciclopédicos, e outros conhecimentos prévios é uma condição
preponderante para se ter acesso ao entendimento do texto escrito. Mas, como proceder em
cenários cujos fatores de aprendizagem não são favoráveis ao estudo? O que fazer diante de
indivíduos que não tiveram a oportunidade de consolidar as bases principais que sustentarão o
conhecimento acadêmico? O que fazer e como fazer em uma situação que ao longo de 11
anos de educação formal os conhecimentos previstos não aconteceram de maneira a
proporcionar uma continuidade na universidade?
Uma suspeita levantada a respeito do insucesso na leitura, é que a questão
socioeconômica seja influente na vida dos alunos, no que se refere à aprendizagem da leitura,
interferindo, assim, no seu pleno desenvolvimento acadêmico. Andréa Pavão (2004) defendeu
em sua tese de mestrado um estudo que tem como título O papel da leitura e da escrita das
camadas populares na universidade. A autora observa que ler não é um dom inato, é uma
prática social exterior ao indivíduo que vai ser interiorizada e viabilizada por ações públicas,
pela família, e pela escola ao longo da vida.
A condição de vida do estudante fala muito mais alto em seu aprendizado do que se
supõem. Witter (1997) defende que é necessário levar em conta a trajetória de vida do
estudante. Conhecer seu ingresso na universidade, essa aproximação com o mundo real que
vive o leitor pode indicar fatores interferentes na aprendizagem e como diminuir seus
impactos.
Muito embora atitudes de querer conhecer, entender e intervir no mundo do leitor
ainda não sejam comuns em muitos mestres e doutores da educação, é preciso inserir
programas, projetos e direcionar práticas pedagógico-metodológicas para alcançar alunos com
problemas em leitura no ensino superior, pois assim se começará a colocar esses sujeitos no
papel de atores e não de coadjuvantes em seu aprendizado.
Alves (2003) revela que muitos estudantes, tanto do ensino médio quanto do ensino
superior, não conseguem sequer resumir um texto, compreendê-lo de forma crítica,
representando um déficit no domínio da habilidade de leitura, comprometendo além da

352

�aprendizagem individual de cada estudante, a função da universidade dentro desse contexto:
formar pensadores e construtores de conhecimento científico.
O estudante não pode ser o único responsável pela sua aprendizagem, pois muitos
fatores têm o potencial para dificultar, ou até mesmo impedir, que ele siga em seus estudos. A
construção da aprendizagem de muitos estudantes deficientes em sua formação dependerá da
participação efetiva da universidade, escola e sociedade. A ação do estudante de se motivar,
acreditar e consolidar seus estudos, talvez seja posterior à participação das instituições de
educação em que ele está inserido.
Ao concordar em criar um espaço cortejo entre o texto e o aluno-leitor Carelli (1999)
esclarece que esse encontro deverá ser mediado pelo professor, cuja função é vital para o
sucesso dessa relação. São elencados aspectos primordiais para a indicação de textos: 1°) que
sejam significativos para o aluno; 2°) que sejam suficientemente preparados pelo professor,
explicando que tipo de texto se trata; 3°) que sejam estabelecidos objetivos claros para sua
leitura; 4°) que seja fornecida ao aluno uma metodologia para se apropriar das ideias do texto.
Estabelecer estratégias de leitura e objetivos, reconhecendo todas as dimensões da
leitura significa aceitar que não é apenas o esforço pessoal do estudante que garantirá a
aprendizagem através do ato de ler. A orientação do professor é fundamental para estabelecer
relações entre o texto e a vida do leitor, assumindo assim o verdadeiro papel de interlocutor.
Se não houver mudança na maneira de como se cobra a leitura dos discentes, corre-se o risco
de reproduzir o que Façanha (2009, p. 183), deduziu: “[...] transformamos o ato de ler no
ensino superior num conjunto de recomendações e normas de procedimentos específicos,
como se fosse isso o essencial [...].”

3.4 QUESTÕES SOBRE LEITURA
Para se obter o perfil de leitor e cultural dos estudantes pesquisados as perguntas
foram abertas e fechadas para que a análise fosse o mais fiel possível. Assim, selecionei
apenas as perguntas mais contundentes e que fornecessem pistas para seguir as trajetórias
escolares dos pesquisados, e se existiu uma relação significativa destes com a leitura.
Os 16 sujeitos cujas respostas afirmaram que o conhecimento escolar (tanto do ensino
básico como o médio) foi suficiente para assumir uma postura correspondente ao ensino
superior, no que se refere à aprendizagem, se consideraram aptos a resolver as questões dos
exercícios solicitados pelos professores, que as escolas foram boas e lhes forneceram uma
base sólida para entender o mundo atual.

353

�Já as 18 respostas afirmando que os conhecimentos adquiridos ao longo de toda
formação escolar não correspondem às exigências acadêmicas no ensino superior, tiveram
como justificativa o ensino ser bastante precário, insuficiente por serem escolas públicas,
além de os conhecimentos adquiridos não serem vinculados à realidade da universidade.
Quanto às estratégias utilizadas na compreensão da leitura, mais da metade dos
respondentes marcaram a opção “ler novamente” como uma estratégia a ser utilizada quando
sente dificuldades na compreensão do texto. Apenas 5 alunos procuram a ajuda de professores
para diminuir as dificuldades na leitura.
A justificativa para a falta de hábito no que se refere a comprar livros, foi a falta de
dinheiro. Apenas 2 alunos justificaram que não compram livros por falta de interesse e por
não gostar de ler. Realmente os livros da área de saúde são caros.
A facilidade de se encontrar gratuitamente livros na internet, capítulos, artigos ou um
resumo da matéria necessários para os estudos, na internet, somando a outro fator como a
falta de livrarias e bibliotecas especializadas. O estudante que não trabalha, não possui renda
financeira para adotar o hábito de comprar livros para seus estudos na universidade.

3.5 PROFESSOR , VERSUS ALUNOS: AVALIANDO O PERFIL LEITOR
Antes de iniciar a observação das aulas em sala, a professora procurou conversar sobre
como seriam essas observações, e manifestou interesse em entender os objetivos da pesquisa
que seria feita em sua disciplina. Em uma dessas conversas, ao explicar os propósitos iniciais
do estudo que seria feito com a colaboração dos alunos e da professora, percebi que ela se
mostrou muito franca ao declarar que sentia receio em ministrar uma disciplina de cunho
humanístico pela primeira vez, pois sempre ensinou matérias ligadas à saúde. Todavia, ela
compreendeu que o que seria observado era uma situação real e não uma situação ideal, pois
assim é a pesquisa.
O roteiro (apêndice 4) das perguntas da entrevista com a professora não foi seguido na
mesma ordem, pois a partir da fala da professora novas questões foram surgindo e mudando a
ordem preestabelecida. A seguir, se encontra a compilação da entrevista feita com a
professora:
A professora explicou que por a turma ser muito grande e heterogênea, fica mais
difícil de caracterizá-la. Ela disse sentir que uma parte significativa da turma capta o
conhecimento transmitido em sala e parte deles não conseguem .
Ao falar que uma das estratégias de estudo mais citadas pelos alunos, quando
responderam ao questionário, foi a de ler várias vezes o texto cuja compreensão fica difícil,

354

�ela concordou que essa atitude é válida.Ela explicou que através de sua experiência dentro da
sala de aula, não é difícil encontrar aquele aluno nota 10, que tira boas notas, escreve bem, lê
muito, mas na hora de interagir, ele não sabe como proceder; a interação não deve acontecer
apenas com o livro, mas, sobretudo com pessoas.
Outro ponto abordado foi a questão socioeconômica dos alunos de Nutrição. Ela
percebe um padrão de vida um pouco melhor, se comparado com os alunos do curso de
Irrigação e Tecnologia do Alimento; fez uma comparação com os demais alunos e percebeu
um posicionamento mais firme, mais fundamentado, o que faz parecer que receberam uma
educação básica melhor. De acordo com a professora, eles são mais questionadores, percebem
claramente uma sutil diferença nos posicionamentos críticos, se comparado aos alunos dos
cursos noturnos, que são estudantes trabalhadores.
Quando questionada sobre as práticas de leitura, a professora disse que esperava um
envolvimento maior, mais atitude de alunos universitários, e explicou que os alunos gostam
de receber tudo pronto: Ela reconheceu a própria dificuldade de ensinar uma disciplina da
área das ciências humanas por ser da área da saúde, e confessou que foi a primeira vez que
ministrou uma disciplina que não fosse ligada à saúde.
Por fim, perguntei se a escassez de livros foi uma dificuldade para ministrar a
disciplina, uma vez que esse fator foi apontado pela maioria dos alunos como um empecilho
para a aprendizagem. Ela explicou que talvez esse fator não seja o principal obstáculo para a
aprendizagem, uma vez que muitos livros estão disponíveis na internet gratuitamente, e
muitos professores e alunos baixam livros da rede. A professora considera as cópias uma
ferramenta imprescindível para dar andamento às aulas.

3.6 REGISTROS DAS AULAS OBSERVADAS
Conforme já explicitado, as observações foram realizadas de forma que em todas as
aulas foram feitos os registros, as anotações sobre como os alunos interagiam com os textos, a
forma como recebiam a metodologia desenvolvida para a aula, o comportamento da
professora e dos alunos com relação à compreensão de leitura.
As aulas aconteciam todas as terças-feiras às 18h30, e depois passaram para as
quartas-feiras no mesmo horário. Nos dias em que não havia aula, era colocado um
comunicado através no quadro de avisos do instituto. Um mês antes de iniciar as aulas
conversei com a professora que imaginei ser o responsável da disciplina, mas ela havia
desistido da disciplina diante da sobrecarga de trabalho e não daria conta de mais uma
disciplina que requeria muitas leituras e tempo.

355

�4.2 ANALISANDO O DOCENTE EM AÇÃO
Para analisar o comportamento de leitura e as estratégias desenvolvidas em sala pela
professora, mesclei dois instrumentos de pesquisa: a observação □ registrando todos os
aspectos e comportamentos de leitura da educadora □ , e em um segundo momento foi feita
uma entrevista com a professora □

o que enriqueceu muito a pesquisa realizada,

possibilitando fundamentar melhor o que foi observado. Seis alunos foram sorteados para
participarem de uma entrevista (as perguntas-roteiro estão em anexo (apêndice 2) com o
intuito de se conhecer um pouco a trajetória escolar, a família, enfim, os fatores de influência
ou condicionantes na formação escolar, mais precisamente no contato com as práticas leitoras.
Conforme foi possível observar, as aulas aconteciam da seguinte maneira: a
metodologia usada pela professora era basicamente escolher um texto com antecedência, ou
quando não, trazia as cópias prontas para cada aluno. Esse texto geralmente era um artigo
científico disponível em sites de pesquisa, ou capítulos de livros que eram reproduzidos e
deixados na xerox para que os alunos providenciassem a cópia. De início, ela solicitava a
leitura do texto em casa, mas percebeu que isso não acontecia e, por isso, a aula não seguia
em frente.
A leitura dos textos em sala tornou-se natural. O que se pode deduzir que a reserva da
primeira hora da aula para a leitura dos textos acontecia por dois motivos: não haver as
discussões das leituras, limitando-se aos poucos comentários de alguns alunos. As duas horas
de aula permitia a leitura do texto ou outra atividade como por exemplo, a confecção de um
resumo cobrado aos alunos esporadicamente.
Por sua vez, o aluno fazia a leitura em um ambiente de extremo barulho, ficando a
leitura comprometida pelas constantes interrupções, celular tocando, conversas paralelas,
notebooks ligados, além de alunos que saíam e entravam da sala durante a aula. A professora
analisou essa “desordem” como um comportamento inerente à juventude, que pouco
compromete a aprendizagem. Ela reconheceu que não era fácil chamar atenção dos alunos
para uma aula que não é prática e que dispõe de poucos recursos para ministrar uma disciplina
que merece um preparo e um planejamento melhor, mas com tantas atribuições e
responsabilidades, essa qualidade nas aulas ainda não era realidade.
A outra parte da metodologia em sala consistia em debater o texto que deveria ser a
respeito das ideias defendidas pelo autor do texto, sobre as concepções teóricas do assunto,
enfim, uma postura crítica e ativa a respeito do que era apresentado. Mas como observei em
quase todas as aulas, esse debate não acontecia de forma que todos participassem. Após esse
tempo dedicado à leitura coletiva, a professora organizava a sala em um grande círculo e

356

�pedia para que os alunos falassem sobre o texto. Quando a professora não monopolizava a
fala, explicando e falando o conteúdo do texto para uma plateia pouco participante, o que
notei foi uma discussão desvinculada do texto, em que prevalecia posicionamentos pessoais e
particulares a respeito de determinada parte do texto.
A professora aceitava esse comportamento não os corrigindo, pois ambas as partes
pareciam não saber como proceder com a discussão dos textos teóricos. Como a participação
era voluntária e o tempo não possibilitava a inclusão de todos no debate, a aula se encerrava
com a participação apenas dos representantes dos grupos que, formados para ler e discutir o
texto, nunca ultrapassando dez alunos, os mesmos que sempre participavam em todas as aulas
e que eram os mais falantes da sala. A respeito dessa falta de socialização, Façanha (2009, p.
81) adverte:
[...] aceitar a linguagem acadêmica como representante de um gênero
linguístico e, em assim ocorrendo restaria analisar o ato de socialização dos
alunos nas regras acadêmicas... Enfim, intenta-se conhecer qual a natureza
das dificuldades de leitura dos alunos, como são ou não abordadas, de que
forma são contextualizadas e quais as possibilidades destas serem
trabalhadas ainda que parcialmente, no contexto universitário.
Se o professor mostra dúvidas em como proceder com a leitura de um texto científico,
a compreensão dos alunos será quase impossível, uma vez que o professor se responsabiliza
em fazer uma explicação desvinculada da participação dos alunos e individualizada. Tal
procedimento é defendido por Souza (2001) como uma experiência superficial, pois, não entra
em profundidade em nenhum texto:
Diante das dificuldades surgem duas formas de proceder. Há momentos em
que o professor toma pra si a tarefa de interpretar os textos para os alunos,
sendo ele o processador de textos, uma espécie de tradutor, facilitador de
textos científicos. [...] essa prática torna os alunos dependentes das ideias do
autor e professor [...] em momentos raros, alguns professores ampliam o
contato com os textos, gerando familiaridade e segurança ao aluno-leitor.
(SOUZA, 2001, p. 8).
As estratégias de leitura que os alunos usam são típicas da educação básica em que se
comenta qualquer coisa a respeito do texto. Na universidade tanto a leitura, como o modo de
ler é mais complexo. Exige-se uma orientação pedagógica planejada, adequada para que a
compreensão não seja vista como uma simples interpretação individual sem uma
fundamentação teórica.

357

�Como afirma Demo (1993), o professor constitui-se na pedra de toque da qualidade
educativa, e que infelizmente não se encontra preparado em termos de procedimentos
pedagógicos e metodológicos para desenvolver a competência crítica e criativa de leitura nos
alunos.

4.3 COMO LEEM OS ESTUDANTES?
Durante as observações das aulas, percebi que a leitura não era vista como uma
ferramenta de aprendizagem, não era o foco de atenção dos alunos e nem da professora; ficou
explícito que o conteúdo era o mais importante a ser trabalhado, independente da forma e dos
recursos utilizados para esse fim.
Muitos textos e resumos foram solicitados mas a compreensão dos textos pelos alunos
não foi averiguada, pois não existia momento para isso, uma vez que os alunos não debatiam
o texto, sua estrutura, o posicionamento do autor e ideias que trazia. Façanha (2009) alerta
para a forma de como muitos professores conduzem a leitura dos alunos aceitando um parecer
crítico como algo que pode ser articulado em função das vivências pessoais ou de leituras
bem antes realizadas, e que porventura, manifestem alguma ligação com o conteúdo abordado
no texto.
Nas escolas, o ensino parece não levar em conta uma leitura mais próxima dos temas
científicos com suas características, para amenizar o impacto dessa transição entre escola e
universidade. Os professores universitários parecem não se dar conta das deficiências de
leitura dos estudantes. Ao concluir que essa dificuldade existe no aluno, Santos (2006) explica
que não adianta fechar os olhos e camuflar esse fato, agindo como se não estivesse vendo ou
apenas reclamar, atribuindo a culpa aos professores do ensino básico, esperando que a
dificuldade desapareça como num passe de mágica, mesmo prosseguindo com a aula em um
faz de conta em que não se ensina e não se aprende.
Ao demonstrar dificuldades para leitura e para escrita, somando-se à falta de discussão
sobre as ideias apresentadas pelo autor, limitando-se apenas à exposição daquilo que se
considera importante, fragmentos isolados dos textos, o que se observa são experiências de
ensino-aprendizagem com pouca ou nenhuma representação para aprendizagem dos alunos.

4.4 REFLEXÃO A PARTIR DAS FALAS DOS DISCENTES
Os entrevistados falaram com bastante ternura e alegria ao se reportarem às
lembranças das escolas em que estudaram, dos professores, quando declararam que eles foram
bons professores. Assim, percebi que eles não relacionam as dificuldades de compreensão em

358

�leitura acadêmica com o tipo de ensino que receberam na escola. Os discentes tomam para si
toda responsabilidade do fracasso ou êxito na aprendizagem.
A maioria dos entrevistados declarou um sentimento de surpresa com a aprovação no
vestibular, pois não se sentiam preparados para passar no exame de seleção.
Ao conversar com os entrevistados sobre leitura na educação fundamental e básica,
eles não se referem a essa prática como algo ruim ou dificultoso. Mas o mesmo não acontece
quando se referem à leitura na universidade.
Quando expressam como procedem nos estudos, confessam a dificuldade de se
concentrarem na compreensão do que leem, e apontam ser a linguagem dos textos diferente de
tudo que liam antes, difícil, compreendendo apenas quando leem mais de uma vez.
Parece que o ensino da educação básica, para muitos estudantes, não foi suficiente a
ponto de eles não conseguirem cumprir as principais atividades acadêmicas, como escrever e
compreender coerentemente. Através das entrevistas também percebi uma dependência
bastante acentuada dos alunos para com os professores, no que diz respeito ao material de
estudo, uma vez que, segundo eles, a biblioteca ainda não possui um acervo significativo e
condizente com o curso.
Essa prática, a de prover textos ou fragmentos de para o aluno por não haver livros na
biblioteca, não deve se tornar um hábito, uma vez que essa infeliz situação propicia um
comportamento típico de educação infantil, em que os alunos ficam à mercê dos esforços de
seus professores.

5 CONSIDERAÇÕES E SUGESTÕES PRELIMINARES
A pesquisa teve como ponto de partida a minha própria dificuldade de leitura na
universidade. A não compreensão dos textos acadêmicos, a inabilidade em atender as
exigências acadêmicas, como a construção de resumos, resenhas ou mesmo a apresentação de
uma análise oral com os rigores científicos, pareciam barreiras instransponíveis que causaram
sentimentos negativos em relação a minha aprendizagem.
O que frequentemente eu conseguia fazer, era a citação de passagens do texto
analisado, e a prática consistia em copiar partes do texto que mais chamavam a atenção,
seguindo a mesma ordem apresentada pelo texto original do autor.
Pode-se dizer que aquela experiência negativa e solitária de 7 anos atrás é comum nos
dias atuais, pois ainda há muitos calouros perdidos quando se refere aos textos acadêmicos.
Em decorrência da ausência do ensino da leitura na universidade, esse problema ainda não é

359

�alvo da atenção dos pesquisadores, quando essa merece ser um aspecto de maior destaque,
pois é o principal caminho para a construção do conhecimento.
No que tange a este estudo, especificamente por ser um curso que foi implantado
apenas há 2 semestres, não se pode negar que ele ainda carece de muitas decisões para que a
qualidade seja alcançada e a aprendizagem não seja apenas uma meta longe de ser realizada.
A preocupação com a leitura em todas suas dimensões sequer chegou a ser vislumbrada como
um obstáculo para o ensino.
A infraestrutura do curso ainda não foi concluída, impossibilitando as aulas práticas.
Faltam professores capacitados, e os poucos que lá estão ainda pensam em voltar para
Fortaleza e dar prosseguimento aos seus estudos de pós-graduação. Os livros ainda não estão
na biblioteca, talvez o atraso na entrega dos livros pelas editoras não foi prevista quando da
realização do vestibular. Em meio a tantas necessidades, a leitura não é uma prioridade pelo
que pode se perceber.
As entrevistas feitas com os alunos foram mais objetivas do que eu esperava. Os
alunos falavam pouco e isso não permitiu maiores detalhes sobre as histórias de leitura e das
dificuldades de compreensão dos textos. Talvez por ainda cursarem o segundo semestre não
se deram conta das próprias dificuldades, e ainda estão descobrindo-as.
A respeito dos questionários, na pergunta: Você gosta de ler? - percebi um paradoxo:
dos 34 respondentes, 30 afirmaram gostar de ler, mas não os textos acadêmicos, científicos,
principalmente da área da saúde. O que os alunos lêem são textos literários. Daí, pude
concluir que existiam dificuldades nas leituras de textos típicos do ensino superior.
A metodologia desenvolvida no processo de ensino-aprendizagem deve ser flexível
uma vez ela não causando resultados satisfatórios deveria ter sido adaptada ou mesmo
transformada. As dificuldades do início do semestre não poderiam ser as mesmas do final,
mas como sabê-la ao certo se não houve uma avaliação para detectar as possíveis falhas, para
que não se repitam os mesmos erros. Assim como pensa Kleiman (1998), ser o ensino da
leitura um empreendimento de risco se não estiver fundamentado numa concepção teórica
firme sobre os aspectos cognitivos envolvidos na compreensão de texto. Tal ensino pode
facilmente desembocar na exigência de mera reprodução das vozes de outros leitores, mais
experientes ou mais poderosos do que o aluno.
A falta de intimidade com a leitura, dificuldade de realização das atividades de leituras
acadêmicas, cansaço pelo acúmulo de atividades extra-faculdade, a falta de tempo, falta de
conhecimento de termos científicos, dispersão, ausência de material, são deficiências
apresentadas pelos próprios alunos e não foram os fatores mais negativos e prejudiciais à

360

�aprendizagem. A indiferença a esses fatores negativos para a formação superior não pode ser
mais uma prática por partes daqueles que são educadores.
No entanto, a indignação isoladamente não é eficaz. O ato de compreensão
inegavelmente é complexo e deve ser visto como um fator aceitável por parte dos alunos e
que merece atenção especial.
A universidade deve viabilizar através de programas e projetos de extensão em que a
temática leitura seja alvo de suas ações e que os primeiros beneficiados sejam os próprios
alunos da universidade que venham ter essas deficiências de leitura acarretadas pela sua
pregressa vida escolar atenuadas. A ausência de conduta e procedimentos sistemáticos de
cunho institucional não contribui para o sucesso acadêmico dos alunos, principalmente para
aqueles que não tiveram oportunidades de aprendizagem na educação básica.

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formação

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Leitura no ensino superior: o olhar do bibliotecário para a compreensão de textos científicos dos discentes  no Curso de Nutrição do IFCE - Campus Fortaleza.</text>
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                <text>A pesquisa foi um estudo exploratório que identificou quais as principais dificuldades em Leitura e qual a influência e nível de compreensão em leitura acadêmica dos discentes do curso de Nutrição do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Limoeiro do Norte. A abordagem que prevaleceu nesta pesquisa foi do tipo qualitativa, com características de pesquisa participante, o que possibilitou não apenas a observação dos comportamentos dos sujeitos pesquisas, mas também a participação em algumas aulas para reflexão sobre o pensar de uma dada coletividade sobre determinado assunto, ao mesmo tempo em que proporcionou uma leitura individual da opinião de cada participante da pesquisa. Os instrumentos utilizados consistiram em aplicação de questionários e a realização de entrevistas com os alunos participantes e o professor. O estudo constatou o predomínio de uma compreensão textual insuficiente ao nível exigido para aprendizagem acadêmica, e apontou a interferência limitante, mas não determinante de fatores socioculturais acusados de proporcionar o afastamento dos discentes de ambientes de leitura e aprendizagem em suas trajetórias escolares, fragilizando a aprendizagem no ensino superior.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E MÍDIAS SOCIAIS: análise sobre o uso do
Twitter pelas Bibliotecas das Universidades Públicas do Rio de Janeiro

Soraia Santana Capello
Alberto Calil Junior

RESUMO
Promove uma investigação em torno da utilização e dos tipos de apropriações da mídia social
Twitter, por parte das Bibliotecas de Universidades Públicas do Estado do Rio de Janeiro,
considerando o contexto atual no qual o uso de mídias sociais vem crescendo
exponencialmente, através de análise dos ambientes virtuais das referidas bibliotecas
classificando-os em estático, dinâmico ou colaborativo, avaliação da utilização da ferramenta
por parte destas bibliotecas. A pesquisa é de caráter exploratório, e busca trazer benefícios
para o universo em questão, que ainda é pouco explorado.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias; Mídias sociais; Twitter

ABSTRACT
Promotes research into the use and types of appropriation of social media Twitter, by the
Libraries of Public Universities of the State of Rio de Janeiro, considering the current context
where the use of social media has grown exponentially, analyzing the virtual environments of
those libraries classifying them into static, dynamic or collaborative; analyzing the libraries
from the public universities of Rio de Janeiro participating in Twitter, in addition to
evaluation has been going on use of the tool by such libraries. The research is exploratory in
nature and seeks to bring benefits to the universe in a matter that is still unexplored.
Keywords: University libraries; Social media; Twitter.

1 INTRODUÇÃO
Este trabalho busca investigar de que forma as Bibliotecas de Universidades Públicas
(BUPs) do Estado do Rio de Janeiro vêm atuando no ciberespaço, através de um
aprofundamento sobre uso de mídias sociais, tendo como foco a ferramenta de rede social na
internet Twitter.272

272 Endereço eletrônico: https://www.twitter.com/

2296

�O trabalho tem como base parte da pesquisa iniciada em 2011 no Projeto de pesquisa
em Iniciação Científica (IC da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO,
orientado pelo professor Alberto Calil Junior (2010), intitulado “Bibliotecas e Bibliotecários
no ciberespaço: a construção da Biblioteca 2.0”. Este projeto se propõe a investigar a relação
que as bibliotecas e bibliotecários do Brasil vêm construindo com as tecnologias 2.0.
Na primeira etapa do projeto foi realizado um mapeamento da utilização de
ferramentas da Web 2.0 pelas BUPs em toda a região Sudeste, a etapa seguinte (apresentada
nesta comunicação) teve como foco as BUPs do estado do Rio de Janeiro.
Verificou-se que a mídia social Twitter é uma das mais utilizadas pelas bibliotecas
analisadas e que ela possui características convenientes para utilização em bibliotecas
universitárias, onde grande parte dos usuários encontra-se cada vez mais conectada à internet,
seja através de seus computadores pessoais, computadores compartilhados ou através de
dispositivos móveis, por exemplo, os smartphones. (CALIL JUNIOR, CAPELLO E
SANTOS, 2012).
A fim de trazer contribuições para o universo analisado, os dados encontrados ao
longo do processo de pesquisa foram atualizados, sistematizados e tabulados para
apresentação neste estudo.
O trabalho tem como objetivo geral promover uma investigação em torno da utilização
e dos tipos de apropriações da mídia social Twitter, por parte das Bibliotecas de
Universidades Públicas (BUPs) do Estado do Rio de Janeiro. Como objetivos específicos a
pesquisa se propôs a mapear as BUPs da região Sudeste; identificar as BUPs do Rio de
Janeiro e seus ambientes virtuais; mapear quais bibliotecas do universo analisado participam
da mídia social Twitter; analisar qual o tipo de apropriação que vem sendo realizado pelos
bibliotecários através desta mídia social; avaliar a frequência no uso do Twitter por parte
destas bibliotecas e avaliar se os usuários destas bibliotecas estão seguindo a biblioteca no
Twitter.

2 MÍDIAS SOCIAIS E BIBLIOTECA
De acordo com Santos e Andrade (2010, p. 120) as plataformas tecnológicas da Web
2.0 podem proporcionar maior eficácia no envolvimento dos usuários de bibliotecas, pois a
utilização de serviços 2.0 se torna fundamental para sua renovação, frente às exigências da
sociedade atual. “As bibliotecas deparam-se com uma nova geração de utilizadores online que
possuem uma particular inteligência tecnológica e integram o acesso à informação e o seu uso
em todas as esferas da sua vida”. Jack Maness (2007) afirma que as mudanças nos paradigmas

2297

�da Web têm efeitos significativos para as bibliotecas. Segundo o autor a aplicação das
tecnologias e valores da Web 2.0 aos serviços e coleções de bibliotecas ficou conhecida como
Biblioteca 2.0273.
Ao explorar as novas ferramentas que a Web 2.0 nos fornece, dentro do contexto de
uma biblioteca, encontramos diferentes formas de uso em seus serviços eletrônicos. Para Alex
Primo (2009) as novas tecnologias em formato de aplicativos são dispositivos funcionais, em
que cada ferramenta possui características peculiares que variam de acordo com sua função e
com a necessidade do usuário que a utiliza. Entretanto elas possuem um propósito único que
vai além de suas peculiaridades: servir como instrumento de participação dos usuários da
plataforma 2.0. Alguns exemplos destas ferramentas são: blogs, redes sociais, streaming de
áudio e vídeo, wikis, dentre outras. Na literatura encontramos algumas denominações para
tais dispositivos, como: ferramentas 2.0, ferramentas colaborativas, ferramentas sociais,
mídias sociais. Para fins deste estudo utilizaremos o termo mídias sociais. Tais ferramentas
permitem alta interação e colaboração, além do compartilhamento simplificado de conteúdos.
Por esta pesquisa ter como ênfase a utilização do Twitter, que é considerado uma
ferramenta de rede social na internet, dar-se-á ênfase na abordagem sobre o que se
compreende por redes sociais e redes sociais na internet, bem como sobre o Twitter, seu
funcionamento e as possibilidades de uso desta ferramenta dentro de uma biblioteca.

2.1 Redes sociais
Antes de abordar o fenômeno das redes sociais na internet é importante contextualizar
o surgimento do termo, que ficou popularmente conhecido apenas por redes sociais.
De acordo com Marteleto (2007) esta ambientação histórico-epistemológica da noção
de rede é essencial para que o conceito não seja naturalizado como um fenômeno da
atualidade. A autora afirma que apesar de percorrer diversos campos científicos e culturais
contemporâneos, o conceito de rede “viajou ao longo dos séculos, acumulando e
abandonando diversos significados, na medida da sua extensão e aclimatação em novas
ambientações disciplinares e discursivas”. A noção de rede estava relacionada, até o final do
século XVIII, estreitamente com o que era orgânico, ao corpo. Já na concepção moderna esta
noção se caracteriza como uma “matriz técnica de arranjo do território, quando ele se separa
do fato observado e da sua conivência com o corpo físico para tornar-se um objeto construído
e autônomo” (MARTELETO, 2007, p. 7).
273 Michael Casey (2005) foi o primeiro a postar em seu blog “Library Crunch” sobre Biblioteca 2.0, desde então
o termo vem sendo amplamente utilizado na literatura.

2298

�A autora supracitada apresenta uma definição para rede baseando-se em Barel e
Cauquelin (1993, p. 274) que consideram a rede como “uma estrutura de interconexão
instável, composta de elementos em interação, cuja variabilidade obedece a alguma regra de
funcionamento”.
O conceito de rede aplicado ao contexto social pode ser entendido como um sistema
em que os nós e as conexões são representados pelos atores sociais (indivíduos, grupos,
organizações, etc), interconectados através de algum tipo de relação. Watts (1999) citado por
Marteleto (2004, p. 41) advoga que o estudo destas redes visa entender o funcionamento do
sistema através da análise de como as conexões têm influencia no comportamento de uma
determinada rede social.
A análise de redes estabelece um novo paradigm a n a pesquisa sobre a
estrutura social. Para estudar com o os com portam entos ou as opiniões dos
indivíduos dependem das estruturas nas quais eles se inserem , a unidade de
análise não são os atributos individuais (classe, sexo, idade, gênero), m as o
conjunto de relações que os indivíduos estabelecem através das suas
interações uns com os outros. A estrutura é apreendida concretam ente com o
um a rede de relações e de lim itações que pesa sobre as escolhas, as
orientações,
os
com portam entos,
as
opiniões
dos
indivíduos.
(M ARTELETO , 2001, p. 72)

Atualmente tornou-se comum falar em redes sociais ao fazer alusão as mídias que
permitem o relacionamento online, entretanto as chamadas redes sociais não se restringem a
comunicação mediada por computador (CMC), mas sim a uma estrutura social, em que não é
possível dissociar os atores sociais de suas conexões, sejam online ou off-line (RECUERO,
2009, p. 24).
De acordo com Calil Junior, Correa e Spudeit (2013, p. 3) deve-se reconhecer que esta
conformação do termo, como vem sendo utilizado hoje, não se dá de maneira aleatória.
Segundo os autores, a internet tem o seu poder e a “conjunção de determinadas formas de
apropriação dos artefatos tecnológicos com a constituição do ciberespaço como uma das
principais arenas contemporâneas para o fluxo de informações, conformam um campo
propício para a proliferação da comunicação em rede”.
Considerando a conectividade atual, nota-se que conforme as mídias de comunicação e
informação crescem e vão se tornando populares, acabam se tornando fundamentais para a
sustentação das diversas conexões do nosso dia-a-dia (online ou off-line), pois elas
proporcionam uma redução nas barreiras espaço-temporais (HAYTHORNWAITE, 2005 apud
CALIL JUNIOR; CORREA; SPUDEIT, 2013). Destas mídias, tem ganhado evidência as
ferramentas de redes sociais na internet.

São os sites de redes sociais na Internet as

2299

�ferramentas que permitem a expressão das redes sociais na Web, se tornando um espaço de
sociabilidade.
Ativism o político, espaço de consum o, m ural de fotos, central de notícias,
balcão de inform ações, arena para reclam ações, fonte de inform ação,
biblioteca, palco de serviços, cam po de disputas. M uitas são as funções
atribuídas as cham adas “redes sociais” [...] (CALIL; CORREA ; SPUDEIT,
2013, p . 2)

Boyd e Ellisson (2008) apud Recuero (2009, p. 102) definem estes sites como sistemas
que permitem: a construção de uma personalização, através de um perfil; a interação através
de comentários; e a exposição pública da rede social de cada ator. Para elas, a maior distinção
entre os sites de redes sociais e outras formas de CMC é a maneira que permitem a
visibilidade e interação das redes sociais e a possibilidade de manutenção dos laços sociais
estabelecidos fora da Web.
Assim , nessa categoria estariam os fo to lo g s (como o Flickr e o Fotolog, por
exem plo); os w eblogs [...]; as ferram entas de m icrom essaging atuais (como o
Twitter e o Plurk), além de sistem as com o o O rkut e o Facebook, m ais
com um ente destacados n a categoria. Esses sites poderiam ser enquadrados
dentro de todas as categorias elencadas pelas autoras, pois possuem
m ecanism os de individualização [...]; m ostram as redes sociais de cada ator
de form a pública e possibilitam que os m esm os construam interações nesses
sistemas. (RECUERO, 2009, p. 103, grifo nosso)

Cabe destacar, que os sites de redes sociais atuam como suporte para as dinâmicas
interacionais das redes sociais. Eles não podem ser considerados como redes sociais, porque
são apenas sistemas ou ferramentas que permitem que os atores sociais constituam as redes
em que interagem (RECUERO, 2009, p. 103).

2.2 Sobre o Twitter
Como visto acima esta é uma plataforma considerada como ferramenta de rede social
na internet.
O Twitter foi fundado em 2006 como um projeto da empresa Odeo, por Jack Dorsey,
Biz Stone e Evan Williams. Segundo o site Tecmundo

, o projeto inicial do Twitter foi de

Dorsey, que idealizou um serviço de troca rápida de status, como uma mensagem de texto
SMS

. A plataforma é considerada um serviço de microblogging pela sua propriedade de

permitir que sejam enviados pequenos textos, com o limite de 140 caracteres. Esta limitação
de caracteres se deve ao conceito inicial da ferramenta ser baseado em mensagens SMS.2745
274 Site sobre tecnologias digitais. Endereço eletrônico: http://www.tecmundo.com.br
275 ShortMessage Service, popularmente conhecido como mensagens de texto.

2300

�Consequentemente, o Twitter se tornou uma rede de informação em tempo real. A rede social
é composta pelos followers e following que são, respectivamente, os seguidores e as pessoas a
quem seguir. Estes usuários se conectam as histórias, ideias, opiniões e notícias que mais se
identificam (RECUERO, 2009; TECMUNDO, 2010; TWITTER, 2013).
O Twitter oferece uma gama de possibilidades de uso para serviços de biblioteca.
Alguns autores já descrevem algumas das possíveis aplicações da ferramenta em unidades de
informação. Calil Junior, Almendra e Silva (2010, p. 10) sugerem o uso do Twitter no serviço
de referência; na divulgação de eventos da biblioteca e/ou da instituição em que ela está
inserida; na divulgação de informação sobre seminários e congressos relacionados à sua área
de atuação, além de retweets de informações que sejam convenientes para a comunidade que a
biblioteca atende. De acordo com os autores ainda há a possibilidade de os seguidores
followers) de um determinado perfil serem estimulados a fazer comentários sobre as
temáticas relativas ao universo em que a biblioteca atua como, por exemplo, “os serviços
oferecidos ou ainda quaisquer demandas existentes”, oferecendo um feedback ao
bibliotecário.
Segundo Gomes, Prudêncio e Conceição (2010) a utilização de dispositivos como o
Twitter como um canal para a interlocução direta da biblioteca com seus usuários é muito
importante, pois através da plataforma pode-se atuar na mediação da informação, operando
ações que buscam atender as necessidades informacionais dos usuários, bem como
subsidiando a apropriação das informações acessadas.
O Twitter é um meio simples e conciso de enviar informações para as pessoas, de
acordo com Giustini e Wright (2009) os usuários da biblioteca podem obter ajuda dos
bibliotecários on-line, a partir de uma conta no Twitter. Os usuários podem enviar mensagens
tirando dúvidas sobre o funcionamento da biblioteca, sobre acervo, políticas de empréstimo,
etc, e a equipe podem retornar com um tweet fornecendo a informação requisitada. Para os
autores, ao usar o Twitter para anunciar eventos; workshops; fazer lembretes aos usuários;
fornecer informações sobre novas aquisições; etc., a biblioteca está fortalecendo suas relações
com sua comunidade usuária, bem como sua prestação de serviços, de forma inovadora.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Por se tratar de um estudo resultante de um projeto de iniciação científica, foi
necessário fazer um recorte no universo total da pesquisa inicial, cuja abrangência era o
território nacional como um todo. Portanto optou-se por aprofundar a pesquisa trabalhando na
coleta e análise de dados relativos às BUPs do Estado do Rio de Janeiro, com intuito de trazer

2301

�alguma contribuição para a região em questão, já que podemos nos considerar parte dos atores
ligados a este cenário. Outro fator de motivação, que resultou na escolha das bibliotecas
universitárias, foi o aumento considerável na literatura sobre a presença destas bibliotecas no
universo da Web 2.0.
Para dar suporte a etapa de revisão de literatura sobre o tema abordado, foi realizado
um levantamento bibliográfico em bases de dados276; livros; e-books; pesquisas estatísticas
sobre uso da internet; apresentações em anais de eventos; teses e dissertações.
A etapa seguinte foi uma revisão dos dados encontrados no primeiro ano da pesquisa
no projeto de IC, onde foi realizada uma busca no ambiente virtual do Ministério da Educação
- MEC, no intuito de identificar quantas eram as universidades públicas situadas na região
sudeste do país. O que encontramos no site do MEC foi um documento - Sinopse da
Educação Superior - no qual estavam listadas as Instituições de Ensino Superior (IES) do
país. Estas universidades foram identificadas e separadas, para que no momento seguinte
fossem visitados seus ambientes virtuais. Nas visitas aos ambientes virtuais das universidades
procuramos verificar de que modo o sistema / rede de bibliotecas estava visível na homepage
da universidade. Os referidos ambientes virtuais e seus links foram capturados, para posterior
análise. A próxima etapa foi a visita aos endereços eletrônicos de cada biblioteca, dando
inicio efetivo ao mapeamento do uso das mídias sociais pelas bibliotecas da universidades
públicas da região sudeste e buscando identificar os tipos de ambientes virtuais encontrados.
Feito mapeamento, passou-se para a análise de quais eram as ferramentas mais utilizadas.
Deste modo, seguimos para a etapa subsequente, onde foram identificadas as BUPs do
Estado do Rio de Janeiro e seus ambientes virtuais. Delas, foram selecionadas as que possuem
perfil no Twitter. Além disto, foram coletados dados como números de seguidores que o perfil
da biblioteca possuía e o número de perfis que ela é seguidora. Outro método de coleta de
dados foi entrevista realizada através de e-mails enviados diretamente para as bibliotecas.

4 RESULTADOS
4.1 BUPs do Rio de Janeiro e seus ambientes virtuais
Nesta etapa da pesquisa foi realizada uma visita aos ambientes virtuais das BUPs,
visando mapear quais ferramentas da Web 2.0 são utilizadas por estas bibliotecas.

276 O levantamento bibliográfico foi realizado através dos descritores: biblioteca 2.0; mídias sociais; redes
sociais; ferramentas colaborativas; social media e library 2.0.

2302

�Conforme a visita aos sites das bibliotecas foi acontecendo, pôde-se verificar que
havia discrepância entre os números de bibliotecas e de ambientes virtuais. Notou-se que esta
diferença entre os dados ocorre por diversos fatores, podendo ser por que os sistemas / rede de
bibliotecas são compostos por várias bibliotecas setoriais, que em alguns casos possuem
apenas um site oficial para o sistema como um todo, ou por outro fato que pudemos notar, que
foi a existência de blogs ao invés de sites paras as bibliotecas setoriais, dentre outras
ocorrências.

Pode-se observar, nesta análise, que não

há um padrão a ser seguido pelas bibliotecas, elas optam em criar sites, blogs, perfis em redes
sociais online, etc., de acordo com suas necessidades particulares.
Verificou-se então, que três situações se configuram neste sentido. Para tal definimos
três classificações para os ambientes de bibliotecas encontrados no ciberespaço (CALIL
JUNIOR, 2013), a saber:

Quadro 1: Classificação dos ambientes virtuais
Estáticos

A m bientes virtuais que trazem inform ações factuais sobre
a biblioteca contendo inform ações sobre o sistem a / rede
de bibliotecas e as respectivas bibliotecas setoriais.

Dinâmicos

A m bientes virtuais que além de conterem inform ações

(ou interativos)

factuais são atualizados constantem ente com notícias
sobre a biblioteca e de interesse dos usuários, e tam bém
com

outros

recursos,

com o

stream ing

m edias

que

garantem dinam icidade ao am biente virtual.

Participativos

A m bientes

(ou cooperativos)

possibilitam a interlocução do usuário com a biblioteca,

virtuais

que

oferecem

recursos

que

levando-os a participar e a colaborar nas atividades desta,
bem com o no próprio am biente virtual. P or exemplo:
blogs; perfis em redes sociais online; serviço de referência
via chat, etc.

Fonte: elaborado pelos autores

Dentre as 107 unidades de bibliotecas em universidades públicas no estado do Rio de
Janeiro, foram encontrados 120 ambientes no ciberespaço. Segue uma tabela que contém o
quantitativo de unidades de bibliotecas por sistema / rede, além do quantitativo de ambientes
virtuais encontrados por tipo, separados por cada sistema de bibliotecas.

2303

�Tabela 1: Tipologia dos ambientes das BUPs no ciberespaço
Universidade

Sistema / rede de biblioteca

Unidades

Am b.

Am b.

Am b.

de BCAs E stá tico D in â m ico P a rticip a tiv o
U FRRJ

B ib lio te c a C e n tra l

1

U N IR IO

S is te m a de B ib lio te c a s da U N IR IO

9

UFF

S u p e r in te n d ê n c ia de D o c u m e n ta ç ã o

25

UFRJ

S is te m a de B ib lio te c a s e In fo rm a ç ã o

U EN F

B ib lio te c a s U EN F

U ER J

R e d e S iriu s

TOTAL

1

1
1

1

1

1

20

47

29

8

17

5

5

20

20

107

56

15

10

54

Fonte: elaborado pelos autoes

Em termos quantitativos é possível notar que grande parte dos ambientes virtuais das
BUPs do Rio de Janeiro ainda utilizam ambientes estáticos, que podem ser comparados aos
ambientes da Web 1.0, em que “não favorecem a interlocução, a participação e a colaboração”
de seus usuários (CALIL JUNIOR, 2013). Podemos encontrar abaixo um gráfico com a
proporção dos ambientes virtuais encontrados por tipo: estático (47%); dinâmico (8%) e
participativo (45%).
Figura 1: Diagrama de setores. Distribuição dos ambientes virtuais por tipo

Fonte: elaborado pelos autoes

4.2 Uso do Twitter pelas bibliotecas das universidades públicas do Rio de Janeiro
Encontramos dentre as 107 unidades de bibliotecas no Estado do Rio de Janeiro,
apenas 15 participando do microblog: 4 UERJ; 0 UENF; 0 UNIRIO; 4 UFF; 6 UFRJ; 1
UFRRJ.

2304

�Tabela 2: Bibliotecas no Twitter
U n iv e r s id a d e

S is t e m a / r e d e d e b ib lio t e c a

U n id a d e s

Twitter

de BCAs

UFRRJ
UNIRIO
UFF
UFRJ
UENF
UERJ

Biblioteca Central
Sistema de Bibliotecas da UNIRIO
Superintendência de Documentação
Sistema de Bibliotecas e Informação
Bibliotecas UENF
Rede Sirius

1
9
25
47
5
20

1
0
4
6
0
4

Fonte: elaborado pelos autores

Após tabularmos as bibliotecas e seus @username no Twitter, passamos para a coleta
de dados no perfil de cada uma das bibliotecas. Foram capturadas para análise todas as
postagens realizadas por cada biblioteca em seu perfil no Twitter durante três períodos letivos:
1) 2° semestre de 2012 (novembro de 2012 à março de 2013)
2) 1° semestre de 2013 (abril de 2013 à agosto de 2013)
3) 2° semestre de 2013 (setembro de 2013 à janeiro de 2014)

4.3 Tipo de apropriação do Twitter
A apropriação de uma ferramenta de rede social na internet é o sistema utilizado para
manter e dar sentido ao uso de uma rede social. Portanto, a apropriação é indicativa ao “uso
das ferramentas pelos atores, através de interações que são expressas em um determinado tipo
de site de rede social” (RECUERO, 2009, p. 103).
Após análise dos tweets capturados nos períodos supracitados, entende-se que a
apropriação do Twitter por parte das BUPs do Rio de Janeiro, pode ser categorizada através
dos diferentes tipos de conteúdos que vêm sendo publicados por estas bibliotecas. Foram
encontradas as seguintes categorias na análise do período de 2012.2 :

a) Divulgação de eventos e cursos relacionados a área de atuação da biblioteca;
b) Informações sobre a universidade da qual a biblioteca faz parte;
c) Divulgação de serviços da biblioteca;
d) Divulgação de notícias pertinentes ao público-alvo da biblioteca;
e) Informações sobre o acervo da biblioteca;
f) Informações sobre o horário de funcionamento da biblioteca;
g) Retweets de assunto pertinentes à área de atuação e aos usuários da biblioteca.

2305

�Segue um gráfico que contém o quantitativo de bibliotecas utilizando estas categorias

Figura 2: Gráfico de barras. Tipos de tweets realizados pelas bibliotecas em 2012.2
Informações sobre o acervo da bib.
Divulgação de serviços da bib.
Informações sobre horário de funcionamento da
Divulgação de eventos e cursos relacionados a área
Informações sobre a Universidade
Divulgação de notícias pertinentes
Retuites de assuntos pertinentes
0

5

10

15

Fonte: elaborado pelos autoes

Nos períodos letivos subsequentes, referentes ao 1° e ao 2° semestre de 2013, foram
encontradas mais três categorias para os conteúdos publicados pelas referidas bibliotecas:
a) Divulgação de eventos e cursos relacionados a área de atuação da biblioteca;
b) Informações sobre a universidade da qual a biblioteca faz parte;
c) Divulgação de serviços da biblioteca;
d) Divulgação de notícias pertinentes ao público-alvo da biblioteca;
e) Informações sobre o acervo da biblioteca;
f) Informações sobre o horário de funcionamento da biblioteca;
g) Retweets de assunto pertinentes à área de atuação e aos usuários da biblioteca.
h) Divulgação de curso (workshop, oficinas, minicursos, treinamentos) de capacitação
que possam ser de interesse da comunidade usuária.
i) Divulgação de Programas de Pós Graduação
j) Divulgação de informações que sejam de interesse da comunidade “Bbliotecária”, e
não da comunidade usuária.

Vejamos a seguir os dados referentes a esta categorização nos períodos letivos de
2013.1 e 2013.2:

2306

�Figura 3: Gráfico de barras. Tipos de tweets realizados pelas bibliotecas em 2013.1

Fonte: elaborado pelos autoes

Figura 4: Gráfico de barras. Tipos de tweets realizados pelas bibliotecas em 2013.2

Fonte: elaborado pelos autoes

Considerando os dados encontrados, nota-se que as bibliotecas vêm utilizando a
ferramenta mais como um mural de “noticias pertinente” à área que a biblioteca atende, do
que efetivamente como um serviço em que a biblioteca poderia fazer sua própria divulgação e

2307

�utilizar como um canal de interlocução com seus usuários - fornecendo informações sobre seu
acervo, horário de atendimento, solicitando sugestões ou fazendo enquetes, por exemplo.

4.4 Frequência no uso do Twitter por parte das bibliotecas
Considerou-se importante avaliar a frequência das postagens no Twitter pelas bibliotecas
investigadas, para verificar se há uso efetivo da ferramenta ou se existe apenas um perfil que
não esteja sendo utilizado e acompanhado com constância pela biblioteca. Neste caso
classificamos a frequência com que os tweets são realizados em 4 tipos :
1 - Diário (publicações realizadas por no mínimo 5 vezes por semana)
2 - Semanal (publicações realizadas no mínimo 1 vez por semana)
3 - Esporádico (publicações realizadas sem um frequência definida)
4 - Nenhum (nenhuma publicaçõa encontrada no período analisado)

Como resultado desta análise, obtiveram-se os seguintes resultados no período de
2012.2: 33% de tweets diários; 20% de tweets semanais; 40% de tweets esporádicos e 7% não
postou nenhum tweet no período analisado. Vejamos o gráfico a seguir.

Figura 5: Gráfico de setores. Frequência de postagem no Twitter em 2012.2

■ Semanal
■ Esporádico
■ Nenhum
■ Diário

Fonte: elaborado pelos autoes

O primeiro semestre letivo do ano de 2013 apresentou como resultado a maioria
(33%) das BUPs do Rio de Janeiro não utilizando seus perfis no Twitter, a utilização semanal e diária - tiveram a mesma frequência de publicação (27%) e a publicação esporádica
chegou a 13% dos perfis de bibliotecas. Vejamos:

2308

�Figura 6: Gráfico de setores. Frequência de postagem no Twitter em 2013.1

No segundo semestre letivo do ano de 2013 o resultado obtido foi: 20% de tweets diários;
40% de tweets semanais; 7% de tweets esporádicos e 33% não postou nenhum tweet no
período analisado

Figura 7: Gráfico de setores. Frequência de postagem no Twitter em 2013.2

Pode-se inferir através de uma análise quantitativa dos dados obtidos que não há um
controle nas publicações de conteúdo na mídia por parte das bibliotecas como um todo, já que
ao longo de três períodos subsequentes a periodicidade variou em todas as categorias

2309

�classificadas. Verificou-se a necessidade de um aprofundamento destes dados para que se
possa analisar qualitativamente.

4.5 Análise de usuários seguindo a biblioteca no Twitter
Para esta etapa foram coletados dados como números de seguidores que o perfil da
biblioteca possuía no período analisado, além dos dados coletados através de entrevista
realizada por meio de e-mails enviados diretamente para as bibliotecas. Foram obtidas 11
respostas dentre as 15 bibliotecas entrevistadas.
Esta análise é relativa à quantidade de seguidores do perfil da biblioteca no Twitter
versus a quantidade de usuários reais. Compete ressaltar que estes dados são uma estimativa,
pois não podemos considerar que todos os seguidores do perfil sejam necessariamente
usuários reais. Abaixo um gráfico que apresenta a porcentagem de usuários que seguem,
estimativamente, a biblioteca no Twitter (as bibliotecas que não possuem dados são as que
não responderam a entrevista):

Figura 8 Gráfico de barras. Usuários versus followers
@bibliomeduff
@rsirius
@bibuff
@BibliotecaCehc
@btdireito_uerj
@BIQUFRJ
@bibliotecaippur
@bibnursinguff
@bibliotecaim
@BiblioCEHA
@ufrrjbc
@bor_ct
@bibecocfch
@bcguff
0%

5%

10%

15%

20 %

25 %

30 %

35 %

40 %

Fonte: elaborado pelos autoes

Conclui-se que não há ampla divulgação da existência da ferramenta por parte das
bibliotecas, já que dentre as bibliotecas analisadas a que tem maior índice de usuários
seguidores é a Biblioteca CEH/A da UERJ, que soma um total de 37,7%.

2310

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Pode-se concluir que dentro do recorte realizado não há muita adesão da rede social
Twitter. Além disto, verificou-se que não há uma frequência definida para estas postagens.
Considera-se que esta baixa aderência seja decorrente da falta de seguidores/usuários
utilizando o Twitter como canal de comunicação com a biblioteca. Outro ponto que se deve
levar em conta é o tipo de informação publicada no Twitter, nota-se que as bibliotecas vêm
utilizando a ferramenta mais como um mural de informações do que, efetivamente, um
serviço em que a biblioteca poderia utilizar como canal de interlocução com seus usuários,
além de fazer deste um lugar para a divulgação de seus serviços, acervo ou horário de
atendimento, por exemplo.

A rede social em questão pode ser utilizada em prol de uma

maior exposição da biblioteca para seus usuários, pois este é um ambiente altamente
dinâmico, onde aqueles que fazem parte da rede estão conectados todo o tempo. Todavia, para
que seja funcional, é necessário o uso efetivo e constante da ferramenta.
Para Santos e Andrade (2010) é fundamental que as bibliotecas tenham capacidade de
acoplar ferramentas 2.0 aos seus serviços, visando uma “renovação” que se enquadre às novas
exigências da sociedade, pois os usuários 2.0 “possuem uma particular inteligência
tecnológica e integram o acesso à informação e o seu uso em todas as esferas da sua vida”
(LIU, 2008 apud SANTOS; ANDRADE, 2010, p. 117). Os autores acreditam que as novas
tecnologias devem fazer parte da rotina de trabalho do bibliotecário e devem também estar
diretamente relacionadas aos produtos e serviços da biblioteca.

A

valorização

da

informação, como consequência da chamada Sociedade da Informação, gerou grandes
mudanças nas bibliotecas como, por exemplo, as melhorias nos serviços através da utilização
das TICs. Carvalho e Silva (2009) citam uma ‘crise de paradigmas’, potencializada através
das questões relativas aos novos procedimentos que serão, ou que já estão sendo, realizados
principalmente nas bibliotecas com relação às novas tecnologias digitais. Estas inovações
transformam todo o contexto em que essas bibliotecas ou centros de documentação estão
mergulhados, pois o que antes era estático, local, hoje pode ser móvel, dinâmico, ou seja,
compatível com o ideal das ferramentas 2.0. Por isso, estas se tornaram tão importantes na
inserção das bibliotecas no contexto social atual, onde os usuários procuram estar integrados,
interagindo uns com os outros através da web, utilizando como um dos principais meios as
mídias sociais.Tendo como base a concepção de Passarelli (2009), acredita-se que os
bibliotecários devem desenvolver novas competências para poder atuar com gestores da
informação nos novos ambientes virtuais em rede. Sendo assim é fundamental que o
bibliotecário se adapte às necessidades informacionais atuais de seus usuários.

2311

�6 REFERÊNCIAS
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2313

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                <text>Promove uma investigação em torno da utilização e dos tipos de apropriações da mídia social Twitter, por parte das Bibliotecas de Universidades Públicas do Estado do Rio de Janeiro, considerando o contexto atual no qual o uso de mídias sociais vem crescendo exponencialmente, através de análise dos ambientes virtuais das referidas bibliotecas classificando-os em estático, dinâmico ou colaborativo, avaliação da utilização da ferramenta por parte destas bibliotecas. A pesquisa é de caráter exploratório, e busca trazer benefícios para o universo em questão, que ainda é pouco explorado.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

FORMAÇÃO DE USUÁRIOS PARA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL EM
AMBIENTES VIRTUAIS

Antonio Luiz Mattos de Souza Cardoso
Cláudio Márcio de França
Ana Maria de Matos Marian
RESUMO
Este trabalho relata o projeto de extensão universitária intitulado Desenvolvimento de
Competências Informacionais em Ambiente Virtual que está sendo executado, na
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pelo serviço de referência da Biblioteca
Central, com apoio do Departamento de Biblioteconomia. Este projeto visa capacitar os
usuários da Biblioteca Central na utilização de recursos informacionais virtuais existentes na
Web de modo a desenvolver habilidades de pesquisa na utilização de buscadores, bancos e
bases de dados, catálogos e no uso dos recursos disponíveis no Portal de Periódicos da Capes,
por meio de capacitação frequentes. A metodologia de execução do projeto consiste em
encontros presenciais de bibliotecários, possuidores de habilidades nas ferramentas, com
alunos e professores dos diversos cursos de graduação e pós-graduação da Ufes. As oficinas
realizadas atenderam aproximadamente 524 usuários.
Palavras-chave: Serviço de informação - Educação de usuário. Competência em informação.
Internet no serviço de referência de bibliotecas.

ABSTRACT
This paper reports a university project entitled Desenvolvimento de Competências
Informacionais em Ambiente Virtual, which is conducted by the reference services at Central
Library supported by the Department of Librarianship in the Federal University of Espírito
Santo (UFES). This project aims to teach Central Library users to work with virtual
information resources on the Web in order to develop research skills for using search engines
banks and databases, catalogs and use of available resources at Portal de Periódicos by Capes,
through frequent training. The project methodology is based on presential meetings of skilled
professional librarians in digital tools to students and teachers of various undergraduate and
post-graduate courses. Dozens of courses were already conducted, covering more than 524
attendants.
Keywords: Users instruction. Informational
competency. Reference
Information services. Information Literacy. Internet in library reference services.

service.

2746

�1 INTRODUÇÃO
Na sociedade do conhecimento, é notória a fragmentação dos saberes. Estabeleceram-se
especialidades que se encontram dispersas,

separadas e desconexas. Procurar os

conhecimentos produzidos em cada especialidade, em nível planetário, é algo laborioso.
Todavia, é possível vislumbrar que os obstáculos não são intransponíveis. Para romper as
barreiras, entende-se que três requisitos são fundamentais: 1) desejo pelo saber; 2) educar pela
pesquisa; e 3) ter competência em utilizar as interfaces das Novas Tecnologias de Informação
(NTICs).
De acordo com Chiavenato e Sapiro (2003, p. 220), os “[...] mecanismos
integrados de localização, busca e captura de informações, que recebem o
nome de inteligência competitiva,” permite aos pesquisadores alcançar as
informações necessárias para seus objetivos. Por isso, infere-se que a pesquisa
deve estar presente cotidianamente na vida dos estudantes a fim de que sua
formação acadêmica seja plena, bem como na do cidadão comprometido com
a cidadania e qualidade de sua atuação profissional.
Segundo Lima (2012, p. 1),
A comunidade acadêmica enfrenta no desempenho das atividades, constantes
desafios representados pelos rápidos avanços e mudanças no campo das
tecnologias da informação/ comunicação. Recebemos com grande expectativa
as novas tecnologias como solução para algumas questões vivenciadas na
disponibilização e desenvolvimento de serviços.
orém, devido à complexidade das ferramentas para acesso à informação digital na
Web, observa-se que os pesquisadores de acervos e repositórios digitais não utilizam todo
o potencial disponível nos instrumentos de busca e recuperação da informação para
satisfazer as suas necessidades informacionais durante suas pesquisas.
Assim, podemos considerar que um dos grandes desafios da Ciência da
Informação é desenvolver mecanismos, serviços e atividades que permitam
que os usuários consigam “adentrar” este complexo mundo de informação,
de modo a alcançarem “independência” - na identificação de fontes de
informação pertinentes e quanto ao acesso das mesmas. (SOUTO, 2004, p.
18)
Para os usuários que estão atuando em pesquisas acadêmicas (graduação e pósgraduação), a utilização imprecisa ou parcial dos recursos disponíveis pode significar o
fracasso da recuperação da informação almejada, mesmo que ela se encontre presente no
acervo pesquisado. Em vista disso, formar e capacitar os usuários em competências
informacionais, para acessar as informações em ambientes virtuais, torna-se uma
necessidade vital para o sucesso das pesquisas nos centros acadêmicos.

2747

�No âmbito da comunidade da Universidade Federal do Espírito Santo
(Ufes), nota-se que há um déficit quanto à habilidade de manuseio das
ferramentas de acesso às bases de dados, sendo a principal entrada de
acesso às bases de dados digitais o Portal de Periódicos, custeado pelo
governo federal brasileiro, via Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Ensino Superior (Capes). Essa instituição dispõe à
comunidade universitária da Ufes o acesso remoto (condição que não
é outorgada a todas as Instituições de Ensino Superior).
A assertiva de Souto (2004, p. 23) ratifica a realidade acima descrita, quando ele diz: “[...]
é urgente à necessidade de investimento de esforços no sentido de educar e capacitar o ‘leitor
universitário’ quanto ao uso das várias ferramentas informacionais disponíveis no ambiente
acadêmico [...]”.
Todavia, segundo Pinto (2012, p. 1), “A existência de uma ferramenta que
disponibilize a produção técnico-científica por si só não basta para que
aconteça uma utilização eficiente (emprego dos meios) e eficaz (alcance dos
objetivos) da mesma”, sendo a linguagem tecnológica para a busca e seleção
da informação em acervos digitais um empecilho, em razão dela não ser
amplamente dominada pelos usuários.
Desse modo, cabe aos profissionais de Ciência da Informação, em especial aos
bibliotecários, a responsabilidade de capacitá-los. Ainda que isso seja um
desafio, configura-se em uma excelente oportunidade profissional, pois
[...] Saber comunicar a informação disponível nos repositórios informacionais
presentes na web, tais como os portais e base de dados científicos, por
exemplo, para pesquisadores e estudantes, de uma maneira geral, é condição
para o sucesso e reconhecimento profissional tão sonhado pelos bibliotecários.
(PINTO, 2012, p. 1)
2 REVISÃO DE LITERATURA
Na economia baseada na valorização dos saberes,
[...] pautada no conhecimento, é uma conseqüência da globalização dos
mercados, paralela ao crescente avanço científico e tecnológico, que mantém
as ferramentas de comunicação e informação acessíveis a todas as demandas,
transformando as pessoas em portadores de conhecimento, e não mais em
simples usuários de tecnologias. (MAURA apud CARVALHO; MELO,
2012, p. 1)
Diante isso, a busca pelo conhecimento deve estar presente cotidianamente na vida dos
estudantes, para que sua formação acadêmica seja plena, bem como na do indivíduo
comprometido com a qualidade de sua atuação profissional. Todos, em maior ou menor
grau, têm necessidade de informação para continuar o processo de sua formação
educacional. Contudo, frequentemente, o valor da pesquisa na construção do saber não é
devidamente reconhecido no Brasil.
Bancos e bases de dados digitais são ferramentas importantíssimas para os usuários de
conhecimento científico. Armazenados em ambientes virtuais, especialmente na Web, eles

2748

�congregam rica fonte de informação, assumindo diferenciadas tipologias, nos níveis
nacional e internacional, disponibilizando textos completos ou informação referencial. Tais
sítios oferecem ao usuário uma série de recursos que o auxiliam a realizar suas pesquisas, a
utilizar gerenciadores de referência, a promover a disseminação seletiva da informação, a
obter informação sobre índice de citação de artigos e fatores de impacto em publicações
científicas.
Porém, observa-se que, além da ausência da prática de pesquisa na educação
brasileira, as bases de dados referenciais, o Portal de Periódicos Capes e os Gerenciadores
bibliográficos (objetos desta proposta de capacitação) utilizam uma linguagem que
algumas pessoas não dominam. Esse desconhecimento dificulta o acesso a documentos
que, certamente, contribuiriam para o avanço da pesquisa e, por conseguinte, da ciência e
tecnologia brasileira.
Como alerta Souto (2004, p. 22),
[...] acredita-se que grande parte dos usuários acadêmicos ainda desconhece
as formas de acessar estas fontes de informação em formato digital, e ainda,
ignoram a existência de muitas das fontes impressas (Advances, anuários,
anais) fazendo uso somente daquelas mais tradicionais (livros, dicionários,
enciclopédias, artigos). Diante desse quadro, é notória a necessidade de
projetos de Educação de Usuários que estimulem a aceitação dos recursos
digitais e que ampliem o uso dos recursos impressos, permitindo aos
usuários das bibliotecas universitárias uma maior compreensão de suas
características e aplicabilidade.
Cabe ao profissional da informação mudar esta realidade, em especial aos
bibliotecários. Há uma grande oportunidade para uma maior e melhor inserção desse
profissional no mercado de trabalho, conforme assegura Freire (2006, p. 43):
[...] na sociedade do conhecimento caberá aos trabalhadores da informação o
papel de facilitadores da comunicação da informação, aproximando
produtores/emissores e usuários/receptores da informação, de modo que os
recursos disponíveis sejam utilizados por todos aqueles que dele necessitam.
No entanto, “Aprender a lidar com atualizações constantes neste ambiente virtual é um
desafio [...],” já que exige do profissional conhecimento das especificidades do espaço
cibernético e das tecnologias digitais, “[...] mas acima de tudo, [este momento apresenta-se
em] uma oportunidade para mostrarmos o potencial existente na formação e atuação do
profissional da informação”. (PINTO, 2012, p. 1)
Para tanto, uma das abordagens possíveis para alterar esta realidade é estabelecer um
programa de formação continuada aos usuários da biblioteca universitária, conforme
proposto por Souto (2004, p. 18):

2749

�[...] projetos de Educação de Usuários passam a ter uma maior
representatividade no contexto acadêmico, pois uma quantidade significativa
de fontes de informação está disponível em meio eletrônico ou impresso,
sendo que muitas vezes os usuários nem sequer sabem de sua existência, e,
em muitos casos, quando sabem não dominam as formas/técnicas e métodos
de acesso.
3 MATERIAIS E MÉTODOS
O projeto de Extensão Formação de Usuários para Competência Informacional em
Ambientes Virtuais, sob coordenação do Serviço de Referência (Periódicos) da Biblioteca
Central, com apoio do Departamento de Biblioteconomia da Ufes, atende as demandas da
comunidade universitária dos campi da Instituição, contemplando todas as áreas do
conhecimento.
O objetivo geral do projeto é capacitar os usuários da Biblioteca Central da Ufes para
que se apropriem das estratégias de busca, desenvolvendo suas habilidades de pesquisa na
utilização de buscadores, bancos e bases de dados, catálogos e no uso dos recursos
disponíveis no Portal de Periódicos Capes, por meio de capacitação frequentes.
Como objetivos específicos, busca-se promover o desenvolvimento de habilidades de
pesquisa em bases de dados e no Portal de Periódicos da Capes, para que os usuários possam:
•

entender o vocabulário utilizado nas bases de dados referenciais (os conceitos
recorrentes), estabelecendo diferença entre as linguagens natural e controlada;

•

saber os passos da pesquisa;

•

conhecer a variação de conteúdo acessível nas bases de dados;

•

saber utilizar estratégias de busca;

•

dispor dos recursos de busca do Portal de Periódicos da Capes, por meio da busca
por: assunto, periódico, livro e bases de dados;

•

beneficiar-se dos gerenciadores bibliográficos, aprendendo como um gerenciador
bibliográfico organiza e armazena as referências bibliográficas obtidas em bases de
dados.

Tomando como público-alvo do projeto estudantes de graduação e pós-graduação e
docentes da Universidade, o projeto compõe-se de três módulos/cursos: Fontes de Informação
On-line, Portal de Periódicos Capes e Gerenciador Bibliográfico (EndNote Web Basic). O
conteúdo de cada etapa é ministrado por meio de oficinas presenciais, com duração
aproximada de 90 minutos. Ao se adotar tal sequência, objetiva-se desenvolver no
participante dos cursos a plena competência para uso das informações disponíveis em

2750

�ambiente virtual. Para tanto, opta-se por uma estratégica que possa assumir um encadeamento
lógico nas informações apresentadas.
O primeiro módulo, oficina denominada de Fontes de Informação On-line, apresenta
conceitos básicos, tipologias de fontes de informação, estratégias e recursos de busca e
orientações para o planejamento da pesquisa a ser desenvolvida em ambiente virtual.
Na oficina Portal de Periódicos da Capes, o participante pode explorar, de forma mais
concreta, as fontes apresentadas no primeiro módulo, bem como visualizar a aplicação das
estratégias de busca empregadas para recuperação da informação no referido Portal.
Por fim, como última etapa, ilustram-se as funcionalidades de um gerenciador
bibliográfico, no caso particular, a ferramenta EndNote Web Basic. A oficina permite ao
participante compreender a importância de organizar as referências utilizadas ao longo de sua
formação e como recurso final, fazer uso da funcionalidade de normalização de referências a
partir das normas disponíveis na versão.
Para apresentação das oficinas foi adotada uma abordagem expositiva presencial, com a
mediação de um bibliotecário da Biblioteca Central, utilizando recursos audiovisuais
(computador e projetor de mídia), conexão à Internet e aplicação de exercícios práticos, em
que é exposta a temática aos participantes da oficina.
Como recurso pedagógico auxiliar, a equipe do projeto desenvolveu tutoriais, em
formato de Slides, que se encontram disponíveis no sítio do Sistema Integrado de Bibliotecas
da Ufes (SIB-Ufes), disponível em: http://www.bc.ufes.br/, possibilitando a consulta remota
pelos participantes.
O agendamento para as oficinas ocorre a partir de um memorando encaminhado pela
coordenação do projeto e pela direção da Biblioteca Central ao chefe do departamento ou ao
coordenador dos programas de pós-graduação, solicitando ampla divulgação das oficinas aos
docentes e aos estudantes. Anexo ao memorando segue um folder informando sobre as
temáticas ofertadas, cronograma e endereço eletrônico para a inscrição.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Desde o registro do projeto, no mês de outubro de 2013, foram realizadas 28 oficinas,
atingindo o número de 524 usuários treinados de diversos cursos de graduação e pósgraduação.
No desenvolvimento do projeto, notou-se a necessidade de mensurar sua efetividade a
partir da opinião dos participantes. Foi elaborado um formulário específico, aplicado ao

2751

�término de cada evento, considerando as variáveis de apresentação, de mediação e de
absorção do conteúdo.
Destaca-se como elemento aferido a partir do formulário, a sugestão dos usuários,
partícipes das oficinas no ano de 2013, quanto à mudança de metodologia na forma de mediar
o conteúdo. Outrora, os encontros eram realizados de maneira expositiva, com o uso de
apenas um computador pelo mediador. Observou-se, a partir das opiniões coletadas, a
dificuldade na absorção do conteúdo sem a possibilidade da prática simultânea às informações
transmitidas no decorrer das oficinas. Tal fato ocasionou uma alteração nos métodos de
apresentação do assunto de cada temática.
Doravante as oficinas são realizadas no Laboratório de Informática da Biblioteca
Central

que

disponibiliza

20

microcomputadores,

propiciando

aos

usuários

o

acompanhamento e aplicabilidade dos conhecimentos demonstrados pelo mediador da oficina,
o que conferiu aos participantes uma satisfação no que tange ao aprendizado.
Outro elemento mensurado refere-se ao uso de linguagem adequada às fontes de
informação, e, consequentemente, pleno uso dos recursos das bases de dados. Grande parte
dos usuários participantes desconhecia a necessidade de comutação de linguagem natural para
descritores oriundos de linguagem controlada. Tal fato corrobora a pertinência do projeto
dentro da comunidade atendida.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Sabe-se que a formação de usuários não é apenas um momento de uma biblioteca. Ela
deve ser uma política organizacional sempre presente, pois novos usuários se apresentam à
biblioteca a cada novo semestre letivo, na expectativa de terem suas necessidades
informacionais atendidas em suas pesquisas.
Considera-se a especialização do bibliotecário cada vez mais premente quanto ao uso de
Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTICs), para que mais profissionais
possam se inserir nessa realidade pungente por busca de informação. A tangível presença
tecnológica torna os usuários mais exigentes e sedentos por conhecimentos cujo proceder
compõe o fazer ciência na academia.
Destaca-se, a pertinência da participação de docentes no projeto. A atuação do
bibliotecário em parceria com a docência possibilita a introdução de novas teorias, oriundas
da academia, gerando a eficaz junção da teoria com a prática. Ademais, tornam-se eles
orientadores de seus alunos na utilização dos recursos informacionais na Web, aumentando o
número de membros da comunidade universitária com competência informacional.

2752

�Por fim, entende-se que a persistência dessa prática consiste em uma semente da ideia de
transformar pessoas em sujeitos na construção de seus próprios conhecimentos.

6 REFERÊNCIAS
CARVALHO, Ana Cristina Guimarães; MELO, Sindya Santos. A gestão do conhecimento na
prática profissional bibliotecária: um mapeamento das competências do profissional da
informação frente ao delineamento de novos campos de atuação. In: SEMINÁRIO
NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS,

27.,

2012,

Gramado,

RS. Anais... Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2012. p. 1-6.
Disponível em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4RTA.pdf&gt;. Acesso em: 31 jan.
2014.
CHIAVENATO, Idalberto; SAPIRO, Arão. Planejamento estratégico: fundamentos e
aplicações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
FREIRE, Isa Maria. Barreiras na comunicação da informação. In: STAREC, Claudio;
GOMES, Elisabeth; BEZERRA, Jorge. Gestão estratégica da informação e inteligência
competitiva. São Paulo: Saraiva, 2006.

LIMA, Miríam Cristina de. A importância do treinamento de usuários na Universidade de
Fortaleza: utilização de fontes de informação disponibilizadas através da Internet. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 27., 2012, Gramado,
RS. Anais... Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2012. p. 1-4.
Disponível em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QF2.pdf&gt;. Acesso em: 02 fev.
2014.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 19. ed. Rio
de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011. 128 p.
PINTO, Fabiana de Melo Amaral G. O bibliotecário na comunicação da informação presente
nos portais e bases de dados científicos: oportunidades e desafios. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 27., 2012, Gramado, Rs. Anais...
Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2012. p. 1-5. Disponível em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QBH.pdf&gt;. Acesso em: 05 fev. 2014.
SOUTO, Leonardo Fernandes. O leitor universitário e sua formação quanto ao uso de recursos
informacionais. Biblios, v. 5, n. 17, jan./mar., 2004. Disponível em: &lt;alb.com.br/arquivomorto/edicoes anteriores/anais14/.../C15013.doc&gt;. Acesso em: 28 de abril de 2014.

2753

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Cardoso, Antonio Luiz M. de Souza, França, Cláudio Márcio de , Marian, Ana Maria de Matos</text>
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                <text>Este trabalho relata o projeto de extensão universitária intitulado Desenvolvimento de Competências Informacionais em Ambiente Virtual que está sendo executado, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pelo serviço de referência da Biblioteca Central, com apoio do Departamento de Biblioteconomia. Este projeto visa capacitar os usuários da Biblioteca Central na utilização de recursos informacionais virtuais existentes na Web de modo a desenvolver habilidades de pesquisa na utilização de buscadores, bancos e bases de dados, catálogos e no uso dos recursos disponíveis no Portal de Periódicos da Capes, por meio de capacitação frequentes. A metodologia de execução do projeto consiste em encontros presenciais de bibliotecários, possuidores de habilidades nas ferramentas, com alunos e professores dos diversos cursos de graduação e pós-graduação da Ufes. As oficinas realizadas atenderam aproximadamente 524 usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DO PROCESSO DE BUSCA DE INFORMAÇÃO DE USUÁRIOS DA
BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE
Karen Guimarães Cardoso
RESUMO
Apresenta um estudo do processo de busca de informação de usuários em uma biblioteca
universitária. Este trabalho teve como objetivo conhecer o comportamento informacional dos
usuários da Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, procurando
compreender como ocorre o processo de busca assim como a percepção do usuário em relação
a este processo. Analisa aspectos sobre os estudos de usuários. Descreve o modelo Kuhlthau
do processo de busca da informação. O método adotado foi a aplicação de um questionário e
os dados obtidos foram relacionados ao modelo de busca de informação de Carol Kuhlthau. A
pesquisa está centrada no usuário, tendo características do paradigma alternativo. O modelo
Kuhlthau diz que os sentimentos de incerteza e ansiedade são comuns no processo de busca,
principalmente na primeira etapa, o que foi confirmado através da análise dos resultados.
Também foi observado, de acordo com o modelo de Kuhlthau, que o início da tarefa é
geralmente confuso, mas na próxima etapa há o surgimento de um sentimento mais positivo,
de otimismo, embora haja alternância entre estes sentimentos. Conclui que através da
compreensão do comportamento informacional do usuário, pode-se promover um melhor uso
do sistema.
Palavras-Chave: Estudo de usuário; Biblioteca universitária; Processo de busca de
informação.
ABSTRACT
Presents a study of the information search process of the users in a university library. This
study aimed to understand the information behavior of the users of the Institute of Physics
Libray, of the Fluminense Federal University, trying to understand how the information
search process occurs, and user perception regarding this process. Examines aspects on user
studies. Describes the Kuhlthau model of the information search process. The method used
was a questionnaire, and the data obtained were related to the information search process
model of Carol Kuhlthau. The research focuses on the user, with features of the alternative
paradigm. The Kuhlthau model says that Uncertainty and anxiety are an integral part of the
process, particularly in the beginning stages, which was confirmed through the analysis of
results. It was also noted, according to the model of Kuhlthau, that the beginning of the task is
often confusing, but the next step there is the emergence of a more positive feeling and
optimism, although there is alternation between these feelings. Concludes that by
understanding user information behavior, it can promote a better use of the system.
Keywords: User study; University library; Information search process.

2683

�1 INTRODUÇÃO
Estudo de usuários é um importante tópico dentro da Ciência da Informação (CI) e a
literatura desta temática tem crescido bastante a nível mundial. Entender o comportamento do
usuário, como ele busca, se apropria, usa e transmite a informação é um ponto fundamental da
CI.
Este trabalho tem como objetivo conhecer o comportamento informacional dos
usuários da Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, procurando
compreender como ocorre o processo de busca assim como a percepção do usuário em relação
a este processo. Optou-se por trabalhar apenas com usuários reais. E os objetivos específicos
eram tentar compreender as motivações dos usuários para irem na biblioteca, como
reconhecem suas necessidades de informação, como ocorre o processo de busca de
informação e quais os seus sentimentos em relação a este processo.

2 ASPECTOS SOBRE OS ESTUDOS DE USUÁRIO
A Ciência da Informação tem como um dos seus interesses o uso da informação pelas
pessoas. É um ponto básico da CI a compreensão do processo de busca e do uso de
informação. Desta forma, o estudo de usuários é um tópico de suma importância. Wilson
(1981) observa que este tópico, além da recuperação da informação, é o que recebe mais
atenção dos estudiosos da área. Segundo Gasque e Costa (2010), estes estudos se iniciam após
a década de 1940, devido a dois eventos importantes, a Conferência de Informação Científica
da Sociedade Real em 1948 no Reino Unido e a Conferência Internacional de Informação
Científica em 1958 nos Estados Unidos, chamando a atenção para a importância dos estudos
das necessidades dos usuários. Em 1966 Menzel faz uma revisão sobre as necessidades e uso
da informação em ciência e tecnologia, dando início a uma série de revisões, de vários autores
sobre o tema. No início, entre 1950 e 1960, os estudos analisavam basicamente usuários de
informação científica e tecnológica (assim como a base da própria Ciência da Informação).
Inicialmente enfatizava-se mais o uso do sistema do que o uso da informação propriamente.
Em 1976, com a criação do Centre for Research on User Studies na Inglaterra, o foco tende a
mudar para o usuário. Trazendo o foco para o usuário, engloba-se também os não-usuários,
pessoas que não utilizam fontes ou sistemas de informação formais, mas sim outras redes de
informação, conforme estudos apontados em Gasque e Costa (2010).
Ainda em Gasque e Costa (2010) os primeiros estudos eram centrados no sistema,
inseridos num paradigma tradicional, que tem como algumas características a objetividade,
onde a informação possui um valor constante, o mecanicismo focado no sistema, e a

2684

�passividade do usuário, que apenas recebe a informação como um pacote. No paradigma
voltado ao sistema, o usuário deve utilizar o sistema de informação conforme ele foi
projetado. Ferreira (1995) aponta que o usuário é visto em uma posição passiva, tendo que se
adaptar ao sistema, inclusive os treinamentos de usuário podem ser identificados como um
reflexo desta visão.
Não se imaginava indagar, aos sistemas, questões imprescindíveis sobre a
identidade e propósitos principais de seus usuários. Como a informação era
considerada como algo existente fora das pessoas e passível de ser
transferida de uma para a outra, parecia ser possível que eficiência e sucesso
das operações de um sistema pudessem ser medidos em função do número
de fontes de informações recuperadas pelo sistema versus o que realmente
foi de interesse do usuário. (FERREIRA, 1995)

A partir do final da década de 1970 vários autores voltaram esforços para a construção
de modelos teóricos para a compreensão do comportamento informacional dos usuários, como
Dervin, Kuhlthau, Belkin, Wilson, Taylor e Ellis, inseridos num paradigma chamado
alternativo, centrado no usuário. De acordo com Araújo (2012), estes autores construíram
modelos distintos, mas partindo de um mesmo princípio, em que o usuário se reconhece em
um “estado anômalo de conhecimento” (expressão utilizado por Belkin) e então se direciona
para a busca por informação. Com a mudança de paradigma, os estudos abordam o
construtivismo, onde o conhecimento é construído através das relações e interações do sujeito
com o meio, e o comportamento informacional é entendido como variável conforme o
contexto social. O foco é a subjetividade do usuário, e não a objetividade da informação e dos
sistemas de informação.
Conforme as exposições em aula desta disciplina a qual se destina o presente trabalho,
no paradigma tradicional, centrado no sistema, a informação tem significado constante para
todos os usuários e corresponde totalmente à realidade, enquanto que no paradigma
alternativo, centrado no usuário, é o próprio usuário que atribui o valor à informação através
da sua interpretação e sua visão de mundo. Sobre o conceito de necessidade de informação, no
paradigma tradicional é algo que o indivíduo precisa ter para o seu trabalho ou realização
pessoal, e no paradigma alternativo vai além, como algo que induz a busca de informação
para atender necessidades físicas, cognitivas, sociais ou afetivas. Abordando o processo de
busca, o paradigma tradicional foca somente o momento de interação entre o usuário e o
sistema, e o paradigma alternativo abrange ainda os momentos anteriores e posteriores a essa
interação, as motivações e as conseqüências. Olhando para o usuário, o paradigma tradicional
o vê como passivo, meramente receptor da informação, enquanto que no paradigma

2685

�alternativo o foco totalmente no usuário, observando seu comportamento ativo, sua conduta,
seu processo de busca pela informação, sua construção de significado. O contexto no
paradigma tradicional é analisado de forma em que os usuários com características similares
em situações similares têm atitudes similares em relação aos processos informacionais, e
sendo assim os estudos tem como objetivo a representatividade e têm caráter quantitativo. O
paradigma tradicional, por sua vez, analisa o contexto de forma em que cada usuário possui
características únicas e que são variáveis conforme a situação, e os processos informacionais
podem ser diferentes em cada momento, e dessa forma os estudos inseridos neste paradigma
atentam para o usuário em seu contexto e possuem caráter qualitativo.
Pode-se resumir que a abordagem tradicional (ou paradigma tradicional) procura no
geral medir o uso de um dado serviço de informação relacionando ao perfil do usuário,
gerando dados quantitativos e padronizados. E a abordagem alternativa (ou paradigma
alternativo) procura entender o comportamento do usuário diante de sua percepção da
necessidade de informação, como procede a busca e o uso da informação.
Kuhlthau (1991) analisa que o paradigma tradicional é baseado em padrões e certezas
do sistema, o que não corresponde aos problemas dos usuários, que se caracterizam pela
incerteza e confusão. Desta forma, considera haver uma lacuna entre as respostas do sistema e
os problemas de informação do usuário.
The bibliographic paradigm is base don certainty and order, whereas users ’
problems are characterized by uncertainty and confusion. There appears to
be a gap between the system’s traditional patterns o f information provision
and the user’s natural process o f information use. (KUHLTHAU, 1991)

O termo ‘comportamento informational’ é frequentemente usado atualmente na
denominação dos estudos de usuário. Entende-se que não é simplesmente uma mudança
terminológica, mas o reflexo da mudança na abordagem. O termo ‘comportamento
informacional’ é definido por Pettigrew, Fidel e Bruce (2001) como: “o estudo de como
pessoas precisam, buscam, fornecem e usam informação em diferentes contextos, incluindo o
local de trabalho e a vida cotidiana.” (tradução nossa). E para Wilson (2000) apud Pettigrew,
Fidel e Bruce (2001), comportamento informacional é “a totalidade do comportamento
humano em relação a fontes e canais de informação, incluindo a busca por informação ativa e
passiva, e uso da informação.” (tradução nossa).
Araújo (2012) analisa que desta forma, a informação não é tida como um documento
que pode ser acessado pelo usuário e tendo seu uso quantificado, mas enfoca-se a relação
entre a informação e o conhecimento ou ausência deste.

2686

�Informação passa a ser entendida como algo capaz de alterar os estados
cognitivos dos sujeitos, dando-se, a partir daí, especial atenção às maneiras
como os indivíduos percebem seus estados de lacuna cognitiva e as
estratégias utilizadas por eles para buscar e usar as informações de que
necessitam. Neste tipo de abordagem, as maneiras (ou ‘tipos’, como
colocaria Weber) dos usuários perceberem suas lacunas é considerada uma
variável mais importante para explicar seu comportamento informacional do
que as variáveis sócio-demográficas. (ARAUJO, 2012, p. 148)

Cada pessoa percebe suas necessidades de informação de uma maneira diferente,
influenciadas pelo modelo de mundo de cada um. A partir desta perspectiva, os estudos de
comportamento informacional pretendem analisar como ocorre esse processo de necessitar,
buscar, usar, transformar a informação. O foco é entender como cada indivíduo se comporta
perante sua necessidade de informação.
Dentro do paradigma focado no usuário, encontram-se três abordagens, a cognitiva, a
social e a multifacetada. Acompanhando a evolução dos estudos de usuários, observa-se que
predomina atualmente os estudos com foco no indivíduo, com abordagem multifacetada e o
emprego de múltiplos métodos. Conforme Cunha (1982) é importante conhecer os diversos
métodos de estudo de usuários, para escolher qual melhor se aplica o objeto do estudo.
Wang (1999) considera que seja muito difícil estabelecer limites reais entre os dois
paradigmas. Ao longo dos anos ambos os paradigmas desenvolveram importantes métodos e
técnicas, porém nenhum deles isolado parece fornecer uma compreensão completa sobre o
comportamento informacional do usuário. Dessa forma, muitos estudiosos pregam o uso dos
dois paradigmas. O pesquisador pode se basear mais profundamente em um paradigma, mas
também utilizar métodos do outro paradigma.

3 PROCESSO DE BUSCA DE INFORMAÇÃO: MODELO KUHLTHAU
Segundo Kuhlthau (1991), “uma busca por informação é um processo de construção
que envolve toda a experiência da pessoa, sentimentos, pensamentos e ações” (tradução
nossa). Carol Kuhlthau desenvolveu o seu modelo do processo de busca de informação
(Information Search Process - ISP) a partir de uma série de estudos sobre as experiências
comuns a usuários em processo de busca de informação. Conforme explica González Teruel
(2005), o modelo é baseado numa perspectiva construtivista da aprendizagem. O processo de
busca de informação é visto como um processo de construção, que passa pela incerteza até
chegar ao conhecimento. Ainda conforme González Teruel (2005), nos estudos de Kuhlthau
seria possível o estabelecimento de um padrão de comportamento dos usuários no processo de
busca de informação.

2687

�O processo de busca de informação descrito por Kuhlthau é dividido nas seguintes
etapas: iniciação, seleção, exploração, formulação, coleta e apresentação. Durante todo o
processo as pessoas buscam informação em muitas fontes nas diversas etapas e experimentam
sentimentos de incerteza e otimismo em alguns momentos. A primeira etapa consiste no
reconhecimento de sua necessidade de informação, quando o usuário percebe a ausência de
uma informação para a resolução de um determinado problema. Nesta fase predomina o
sentimento de incerteza e insegurança. Na etapa seguinte, da seleção, começa a surgir um
sentimento de otimismo, quando o usuário começa a se preparar para a busca, e seleciona a
questão a ser investigada e a informação relevante para a sua questão. Na etapa da exploração,
onde o usuário começa a investigação da informação sobre a sua questão, são identificados
novamente sentimentos de incerteza e dúvida. Estes sentimentos vão se alternando, entre
sentimentos positivos e negativos até o final do processo, quando o sentimento de satisfação é
mais comum.
Em um dos estudos realizados por Carol Kuhlthau, os alunos participantes deviam
fazer registros sobre seus sentimentos, pensamentos e ações em relação a suas buscas na
biblioteca, assim como os seus procedimentos, fontes utilizadas e quais fontes foram úteis.
(Kuhlthau, 1991).

4 ESTUDO DO PROCESSO DE BUSCA DE INFORMAÇÃO DE USUÁRIOS DA
BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE
4.1 Metodologia
Analisando a história dos estudos de usuário, constata-se que inicialmente os estudos
eram focados no sistema, em um paradigma tradicional, e posteriormente em grande parte dos
estudos o foco passou para o usuário, em um paradigma alternativo. Conforme Wang (1999),
é válida a utilização dos dois paradigmas e que muitos estudos atualmente são realizados
numa abordagem multifacetada e com o emprego de múltiplos métodos.
O trabalho é de caráter exploratório e descritivo. Utiliza uma abordagem qualiquantitativa. O método adotado foi a aplicação de um questionário e os dados obtidos foram
relacionados ao modelo de busca de informação de Carol Kuhlthau. A pesquisa está centrada
no usuário, tendo características do paradigma alternativo.
Nesta pesquisa optou-se por trabalhar apenas com usuários reais. Antes de iniciar o
estudo foi solicitada à chefia da biblioteca a permissão para a sua realização. Em seguida foi

2688

�definida a estratégia de investigação. Foi realizada primeiramente a observação e descrição do
ambiente. A próxima etapa foi a elaboração do questionário. Este era composto por perguntas
abertas e fechadas, focando no processo de busca de informação do usuário e sobre os seus
sentimentos em relação a isto. Na maior parte das perguntas de múltipla escolha, havia a
possibilidade de marcar mais de uma opção. Atentou-se para que não fosse muito extenso. Foi
aplicado um pré-teste com 2 usuários. O questionário foi distribuído aleatoriamente, no mês
de novembro de 2012. Foi garantido o anonimato e a não obrigatoriedade em respondê-lo. 30
questionários foram respondidos.
A principal vantagem do questionário, que se coaduna com o objetivo desta pesquisa,
é a possibilidade do usuário responder às perguntas com mais liberdade,

sem

constrangimentos, pois não estaria sendo observado pelo pesquisador enquanto respondia, e
suas respostas não seriam identificadas. Dessa forma, acredita-se que as respostas possam ser
mais reais, com mais sinceridade e com menores distorções.
As respostas foram analisadas na tentativa de identificação de um padrão de
comportamento de busca de informação, ações e sentimentos relatados pelos usuários.

4.2 A Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense
A Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi
criada em 1982 atendendo ao recém-criado Curso de Pós-Graduação em Física. A partir de
1985, com a integração à Superintendência de Documentação (órgão que coordena todo o
sistema de bibliotecas da UFF), passa a ser direcionada também ao curso de graduação em
Física.
Em 2006 a biblioteca é transferida de local, para um espaço com instalações maiores,
oferecendo um ambiente mais confortável e com acessibilidade física aos usuários.
A biblioteca está localizada no próprio prédio do Instituto de Física, garantindo fácil
acesso aos alunos do curso. Seu principal público são os alunos do curso de Física, de
graduação, mestrado e doutorado, e seus professores. Mas atende também alunos de outros
cursos, principalmente as carreiras da Engenharia, Ciência da Computação, Matemática,
Farmácia e Química, além de toda a comunidade universitária da UFF e ao público em geral
(alunos de Ensino Médio, pesquisadores externos, estudantes de outras universidades e outros
visitantes).
O acervo da biblioteca conta com cerca de 10 mil exemplares, entre livros, teses,
dissertações, monografias, periódicos, obras de referência, CD-ROMS. A área de

2689

�concentração do acervo é Física, mas a biblioteca possui também livros de áreas afins, como
Engenharia, Matemática, Computação, Química, e em menor número livros de leitura geral.
Entre os serviços oferecidos pela biblioteca estão a consulta ao acervo com acesso
livre às estantes, catálogo online, computadores para acesso à internet, rede wi-fi, salão de
leitura, empréstimo (somente para alunos, professores e funcionários da UFF), empréstimo
entre bibliotecas, treinamento de usuários, reprografia (somente para professores e alunos de
iniciação científica, especialização, mestrado e doutorado), Comutação bibliográfica
(COMUT). Além disso, há a realização de um evento mensal, no qual são realizadas palestras
com professores convidados e apresentação musical, aberto ao público em geral.
Sua estrutura administrativa atual é composta por quatro bibliotecários, um assistente
administrativo, um estagiário de Biblioteconomia e Documentação e três auxiliares de
biblioteca. Seu horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, de 8h às 21h. Sobre os
dados de circulação, em relatório estatístico anual do ano de 2011, foi contabilizada uma
média de 130 usuários por dia na utilização dos serviços da biblioteca.

5 ANÁLISE DOS RESULTADOS E COMPARAÇÃO COM O MODELO DE CAROL
KUHLTHAU
O questionário foi elaborado baseando-se nos apontamentos sobre o modelo Kuhlthau,
privilegiando a perspectiva do usuário sobre o seu processo de busca de informação.
Com as observações preliminares do ambiente, constata-se que o público mais
freqüente da biblioteca são os alunos de graduação. Em sua maioria, alunos do curso de
Física. Partiu-se do princípio de que, no geral, esses usuários vão à biblioteca com um
objetivo muito específico, que é estudar para a prova ou algum trabalho da faculdade. Isto foi
comprovado pela primeira pergunta do questionário, que indagava qual era a motivação da
visita à biblioteca, com três opções de resposta: necessidade de fazer um trabalho da
faculdade, necessidade de estudar para prova, ou outro motivo, que devia ser especificado.
Dos 30 questionários respondidos, 17 responderam que o motivo pelo qual foram à biblioteca
era a necessidade de estudar para prova. A pergunta seguinte era como se sentiam diante desta
tarefa. A maior parte dos alunos apresentou somente sentimentos negativos, como
preocupação, ansiedade e confusão. Foram indagados ainda sobre o porquê desse sentimento.
As respostas foram: “As provas em geral me fazem sentir assim”; “Esta disciplina tem alto
índice de reprovação”; “Devido à arduidade das provas.” Neste quesito pode ser aplicado o
modelo Kuhlthau que diz que os sentimentos de incerteza e ansiedade são comuns no

2690

�processo de busca, principalmente na primeira etapa: “Uncertainty and anxiety are an
integral part o f the process, particularly in the beginning stages” (KUHLTHAU, 1991).
Porém, ainda em relação aos sentimentos diante desta tarefa, alguns alunos relataram
somente sentimentos positivos, como tranqüilidade, confiança, e otimismo. Os motivos
relatados para este sentimento positivo foram a confiança em si mesmo e o tempo para
estudar e tirar dúvidas devido a antecedência à data da prova. Esta antecedência também foi
considerada por alguns alunos como fator diminuidor da ansiedade e como uma maneira de
evitar o acúmulo de matérias a estudar. Além disso, relataram a segurança que a biblioteca
transmite, por ser um espaço tranqüilo, com o material necessário para o estudo.
Chamou atenção o fato de que outros alunos manifestaram em suas respostas
sentimentos tanto negativos, quanto positivos em relação a esta tarefa. Ao mesmo em que ao
estarem estudando para a prova se sentem mais seguros e tranqüilos, ainda assim há a
preocupação e sensação de que ainda não houve preparo suficiente. Comparando ao modelo
de Kuhlthau, pode ser compreendido que o início da tarefa é geralmente confuso, mas na
próxima etapa há o surgimento de um sentimento mais positivo, de otimismo, embora haja
alternância entre estes sentimentos.
Ainda na primeira pergunta, alguns usuários marcaram mais de uma opção, sendo
estudar pra prova e fazer trabalho passado pelo professor. Outros usuários marcaram somente
a opção “outro motivo”. As especificações feitas foram a procura por um bom local para
estudo, a procura por um livro, estudo diário, e 1 usuário respondeu que sua visita à biblioteca
seria para o acesso à internet para verificar suas informações acadêmicas no sistema da
Universidade. Destes usuários, a maioria manifestou sentimentos positivos na pergunta
seguinte.
Em relação ao processo de busca de informação, mais especificamente, o questionário
continha a pergunta sobre quais meios foram utilizados antes da visita à biblioteca, onde era
possível marcar mais de uma opção. 10 alunos responderam que não haviam feito uma busca
anterior, ou seja, a biblioteca foi a primeira opção. 13 usuários optaram pela busca na internet,
13 optaram por procurar o professor, 9 disseram que procuraram os colegas de turma. Outras
respostas foram procurar outras pessoas e utilizar o acervo pessoal. Constata-se que é comum
a procura pelo professor nas etapas iniciais do processo. A transferência de informação entre
os colegas também é freqüente.
Também foi perguntando quais sentimentos esta busca anterior à visita à biblioteca
trouxe. Dos 20 alunos que realizaram uma busca anterior, 11 relataram sentimentos positivos,
como esclarecimento e satisfação. 5 relataram sentimentos negativos, como dúvidas e

2691

�insatisfação, e 4 relataram ambos sentimentos, positivos e negativos. Nesta etapa, o modelo
de Kuhlthau indica a existência de sentimentos de frustração e dúvidas.
Na próxima pergunta, indagou-se quais eram os objetivos específicos dos alunos ao
chegarem à biblioteca, ou seja, que ações pretendiam tomar. As respostas concentraram-se em
encontrar um livro determinado, fazer pesquisa na internet, pesquisar sobre um assunto
específico e utilizar o salão de leitura. Foi perguntado se o aluno solicitou auxílio a algum
profissional da biblioteca. A maior parte dos alunos não solicitou nenhum auxílio e
manifestaram sentimentos positivos relativos a esse processo de busca realizada na biblioteca.
Quando perguntados se sentiam aptos a procurar e localizar a informação de que precisam
sozinhos, não necessariamente na biblioteca, a grande maioria respondeu que sim, com 25
respostas afirmativas. Kuhlthau, em seus estudos com alunos universitários, observou uma
posição de domínio e propriedade por parte destes alunos sobre o seu processo e suas
estratégias de busca. De certa maneira, a partir destas respostas obtidas, pode-se perceber este
posicionamento por parte desses usuários.
Na próxima pergunta, foi indagado se o usuário considerava que a busca realizada na
biblioteca seria suficiente para atender suas necessidades de informação e se planejava outra
busca posterior. A maior parte dos usuários considerou suficiente a busca na biblioteca, mas
ainda planejavam outras ações, como tirar dúvidas com o professor, pesquisar na internet, ou
ainda, realizar mais buscas na biblioteca.
Procurou-se saber ainda o motivo da escolha desta biblioteca para a realização da
busca. As respostas se equilibraram entre a facilidade de acesso e o conforto oferecido pela
biblioteca e também a garantia de localizar a informação desejada. Alguns ainda responderam
que receberam indicação do professor ou dos colegas de turma. Neste ponto, conforme
Kuhlthau (1991), toda a experiência do indivíduo interfere na busca e uso da informação. O
ambiente, a troca com os colegas, os aspectos afetivos fazem parte do contexto do processo de
busca de informação.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considera-se que este estudo seja somente um estudo preliminar, e que outros estudos
de usuário no campo empírico delimitado são pertinentes e necessários. Os estudos de usuário
devem ser freqüentes num sistema de informação. Através da compreensão do
comportamento informacional do usuário, pode-se promover um melhor uso do sistema.
Kuhlthau (1991) declara que o sentimento de incerteza vivenciado pelos usuários no
início do processo de busca de informação deve ser antecipado pelo sistema e pelos

2692

�mediadores (bibliotecários), com o objetivo de aperfeiçoamento do sistema. Espera-se que a
análise dos resultados deste estudo, possivelmente em complementaridade com estudos
futuros, possa prover melhorias e aprimoramentos do sistema em foco, para que as
necessidades do usuário sejam atendidas em níveis maiores quanto possíveis.

REFERÊNCIAS
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abordagem interacionista. Informação e Sociedade, João Pessoa, v. 22, n. 1, p. 145-159,
2012.
BIBLIOTECA

DO

INSTITUTO

DE

FÍSICA.

Site.

Disponível

em:

&lt;

http://www.if.uff.br/pt/biblioteca &gt;. Acesso em 17 nov. 2012.
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tecnológica. Revista de Biblioteconomia, Brasília, v. 10, n. 2, p. 5-19, 1982.
FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto. Novos paradigmas e novos usuários de informação.
Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 2, 1995.
GASQUE, Kelley Cristine Gonçalves Dias; COSTA, Sely Maria de Souza. Evolução teóricometodológica dos estudos de comportamento informacional de usuários. Ciência da
Informação, Brasília, v. 39, n. 1, p. 21-32, 2010.
GONZÁLEZ TERUEL, A. Los estudios de necesidades y usos de la información:
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KUHLTHAU, Carol. Inside the search process: information seeking from the user’s
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PETTIGREW, Karen E.; FIDEL, Raya; BRUCE, Harry. Conceptual frameworks in
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WANG, Peiling. Methodologies and methods for user behavioral research. Annual Review of
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WILSON, T. D. On user studies and information needs. Journal of Documentation, v. 37, n.
1, p. 3-15, 1981.
Trabalho apresentado à disciplina Tópicos Especiais em Informação, Cultura e Sociedade I:
Teorias e metodologias do estudo de usuários, ministrada pelos professores Aurora González
Teruel e pelo professor Eduardo Ismael Murguia ao curso de Mestrado em Ciência da
Informação da Universidade Federal Fluminense.

2693

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                <text>Apresenta um estudo do processo de busca de informação de usuários em uma biblioteca universitária. Este trabalho teve como objetivo conhecer o comportamento informacional dos usuários da Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, procurando compreender como ocorre o processo de busca assim como a percepção do usuário em relação a este processo. Analisa aspectos sobre os estudos de usuários. Descreve o modelo Kuhlthau do processo de busca da informação. O método adotado foi a aplicação de um questionário e os dados obtidos foram relacionados ao modelo de busca de informação de Carol Kuhlthau. A pesquisa está centrada no usuário, tendo características do paradigma alternativo. O modelo Kuhlthau diz que os sentimentos de incerteza e ansiedade são comuns no processo de busca, principalmente na primeira etapa, o que foi confirmado através da análise dos resultados. Também foi observado, de acordo com o modelo de Kuhlthau, que o início da tarefa é geralmente confuso, mas na próxima etapa há o surgimento de um sentimento mais positivo, de otimismo, embora haja alternância entre estes sentimentos. Conclui que através da compreensão do comportamento informacional do usuário, pode-se promover um melhor uso do sistema.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DE PESSOAS NAS BIBLIOTECAS DO IFES:
CONHECER PARA VALORIZAR

Maria Lourdes Cardsoso
Paulo Roberto Borghi Moreira
Bruno Giordano Rosa
Kelly Rita de Azevedo
Vera Lucia Lourenço de Oliveira

RESUMO
Nesta pesquisa, analisa-se a gestão de pessoas, a motivação, a satisfação e a participação dos
profissionais inseridos na importante estrutura organizacional que são as bibliotecas dos
campi do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) e traça-se o perfil desses profissionais.
Como metodologia, foi utilizado um questionário, enviado por e-mail a todos os servidores e
colaboradores lotados nas Unidades de Informação, incluindo os bibliotecários. O resultado
indica que os profissionais são predominantemente do sexo feminino, com idade entre 30 a 40
anos e acima de 50 anos, casados e a maioria possui especialização. Com relação ao cargo, os
bibliotecários estão em maior número, porém existe um grande número de estagiários. A
maioria dos profissionais afirma ter um bom relacionamento com seus colegas e também com
a sua chefia; são realizados profissionalmente e a autonomia para propor melhorias no
trabalho é boa, porém, quanto à questão do reconhecimento pelo trabalho que executam,
dizem ser mais ou menos. Para eles, o treinamento recebido é suficiente; a maioria afirma
estar satisfeita em trabalhar na biblioteca; e são várias as opiniões quanto aos motivos em
trabalhar no IFES, como gostar do que faz, salário, imagem da instituição.
Palavras-Chave: Gestão de pessoas; Unidades de informação; Motivação; Satisfação;
ABSTRACT
This research analyzes the Human Resources Management, motivation, satisfaction and
participation of professionals inserted in an important organizational structure: the libraries of
the campuses of the Federal Institute of Espirito Santo / Brazil (IFES). We also traced the
profile of these professionals. Regarding methodology, a questionnaire was sent by email to
all the servers and employees who work in the Information Units, including librarians. The
result indicates that the staff is composed predominantly of females aged 20-30 years and
over 50 years old, married, and most of them posses a graduate degree. Regarding job
position, librarians are the majority, but there are many interns. Most of the professionals
claim they have a good professional relationship with their colleagues and also with their
head, they feel professionally fulfilled and the autonomy to propose improvements at work is
good, however, regarding the issue of acknowledgment for the work performed, they are not
fully satisfied. For these professionals, the training received is sufficient, most of them said

1139

�they are satisfied to work in the library and there are several opinions about the reasons why
they work at IFES, such as: enjoyment of what they do, salary, image of the institution.
Keywords: Human resources management; Information units; Motivation; Satisfaction.

1 INTRODUÇÃO
Na maioria das vezes, as bibliotecas são mantidas por organizações cujo objetivo é
atender a uma sociedade que está cada vez mais exigente e comprometida com o social, o
político e o econômico e, para isso, é necessário usar de todos os recursos para se manter em
um mercado “globalizado”.
As organizações entenderam que as pessoas são partes essenciais desse processo; com
isso, o fator humano deixou de ser visto como um dos recursos empresariais e passou a ser
entendido como capital humano, capaz de garantir a vitalidade das empresas (SANTOS,
1996). As teorias da administração chamam esse processo de gestão de pessoas ou de
Recursos Humanos, que, segundo Gil (2001, p. 17) “é a função gerencial que visa à
cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto
organizacionais quanto individuais”.
Para os bibliotecários, gerenciar pessoas é uma realidade e estes precisam atender as
exigências das organizações, como também buscar e manter as condições ideais no seu
ambiente de trabalho, tudo para um melhor atendimento aos usuários.
Com reflexão nesse tema e entendendo que as Bibliotecas do Instituto Federal do
Espírito Santo (IFES) tentam caminhar para essa realidade, de modo que a gestão de pessoas
seja uma das estratégias para alcançar a valorização de seu capital humano e seus objetivos
gerais, constatamos a necessidade de identificar quem e quais são as pessoas que trabalham
nas bibliotecas da Institução. Então, objetivamos analisar a gestão de pessoas, a motivação, a
satisfação e a participação dos profissionais lotados nas bibliotecas do Instituto e traçar o
perfil destes.

2 GESTÃO DE PESSOAS EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO
A gestão de pessoas hoje é fundamental, pois, como o próprio nome diz, trata-se de
gerir pessoas. Segundo Leite (2002, p. 14), a gestão de pessoas, “[...] trata as pessoas como
seres com ideias, conhecimento, habilidades e objetivos para que possam trabalhar em
parcerias à obtenção do crescimento e sucesso, bem como organizacional”. Toda e qualquer
organização, seja ela de qualquer especialidade, depende das pessoas para o seu
desenvolvimento e sucesso. Desse modo, fornecer capacitação, investindo em educação e

1140

�desenvolvimento profissional e intelectual, passou a ser preocupação das organizações. Isso
melhora o ambiente de trabalho e gera satisfação. Segundo Chiavenato (2005, p. 8), ”as
organizações bem sucedidas (sic) deram conta disso e tratam seus funcionários como
parceiros do negócio e fornecedores de competências [...]”. Lerner (1996 apud LEITE, 2002,
p. 15), afirma que “a participação de todos os colaboradores da organização, garante uma
composição de forças, onde o ‘todo’, (sic) obtém mais poder do que as partes isoladamente”.
Ou seja, estrategicamente, as organizações passaram a tratar seus funcionários como parceiros
ou colaboradores, criando um ambiente de trabalho em que todos atingem sucesso e satisfação
pessoal.
Toda evolução tecnológica, documental e comportamental foi um processo que
envolveu a sociedade, o mercado e as organizações em geral. As bibliotecas tiveram que
enfrentar mudanças bruscas em sua atuação, como também os profissionais envolvidos nesse
processo. Segundo Pinto e Moreira González (2010, p. 55), o bibliotecário, “além da função
de agente produtor e mediador de conteúdos informacionais desenvolvendo, com o uso de
técnicas e métodos, melhorias na recuperação e disseminação da informação para um públicoalvo, desempenha também a função de gestor”.
Portanto, podemos considerar que os bibliotecários passaram a gerir, planejar e formar
seus recursos humanos. Conforme afirma Pinto e Moreira González (2010, p. 56), “é no
comando e coordenação dos funcionários, quando for o administrador da unidade de
informação, que ressalta seu papel como gestor de pessoas”. Ou seja, um profissional capaz
de não só gerir os suportes informacionais, mas também as pessoas envolvidas nas atividades
inerentes ao que se espera de uma unidade de informação, o atendimento aos usuários em suas
necessidades pessoais e profissionais.
A gestão de pessoas em unidades de informação pode ser estudada de acordo com as
teorias da administração, como afirma Santos (2009, p. 17):
As unidades de informação também fazem parte da tomada de
decisão, pois apresentam subsídios importantes. A administração é
uma ação natural das pessoas que buscam alcançar metas e objetivos.
E esta também é uma das funções do profissional da informação que
deve gerenciar seus recursos, usufruir dos processos de planejamento,
direção e controle, visando o seu produto final - disponibilizar
informações úteis aos seus usuários.
Mesmo sendo uma organização sem fins lucrativos, as unidades de informação
geralmente estão ligadas a um organismo maior que as mantêm, por isso não se pode ignorar a
importância das teorias da administração no âmbito interno das bibliotecas. Como gerente

1141

�destas, o bibliotecário deve buscar outras áreas do conhecimento para obter melhores
resultados nos problemas enfrentados. Conforme afirma Alves (2004, p. 34)
O bibliotecário responsável pela unidade deve trabalhar para atingir os
objetivos e as metas organizacionais, que geralmente estão voltadas
em atender as necessidades dos usuários, e para isto é preciso
gerenciar planos traçados, pessoas da equipe, tarefas e recursos
materiais, físicos e financeiros.
A gestão de pessoas é vista por vários autores como sendo a relação de pessoas dentro
das organizações, que orienta e direciona a integração destas no ambiente de trabalho e não
mais como sendo um setor da organização. As pessoas são partes integrantes do objetivo
maior da instituição, por isso é necessário dar ênfase na valorização dos recursos humanos.
Alguns autores apresentam tendências ou procedimentos da administração que podem
ser aplicados às unidades de informação de acordo com suas necessidades. Neste artigo,
abordamos resumidamente as tendências apontadas por Alves (2004, p. 36), que, seguindo
vários autores, demonstra sua preocupação com as mudanças e a valorização das pessoas. São
elas:
1. Competitividade e inovações: estão aliadas ao uso de tecnologia de informação, o
que acaba gerando a necessidade de aprendizado contínuo devido às constantes mudanças e
inovações, que contribui para a qualidade nas decisões, melhora a satisfação e a motivação da
equipe. Nesse cenário, é importante manter o canal de comunicação aberto entre gerentes e
funcionários;
2. Administração participativa: todos os envolvidos opinam de acordo com suas
necessidades e conhecimentos. Utilizam o potencial intelectual das pessoas, valorizando-as na
organização. Esse fator contribui para a satisfação;
3. Reengenharia de processos: está ligada com o uso de tecnologias, necessita de que
a equipe seja capacitada para as novas práticas de trabalho;
4. Benchmarking: identificar e copiar as melhores práticas administrativas e de
trabalho, dependendo do tipo de inovação proposta, também necessita de capacitação para a
equipe;
5. Realidade virtual na administração: a tecnologia digital, o uso de computadores e
redes de comunicação, permitindo que as organizações se estruturem em meio eletrônico
(espaços virtuais), ou que a comunicação de seus funcionários e clientes seja feita por meio
das tecnologias de comunicação (e-mail, telefone, fax, etc.);
6. Qualidade de vida no trabalho: a valorização do bem-estar das pessoas no
Trabalho;

1142

�7. Inteligência emocional: estimula o bom relacionamento da pessoa com ela mesma
para melhorar a vida no campo emocional e, consequentemente, social e profissional.
Essas tendências, que podem ser aplicadas à unidade de informação, como se mostrou
anteriormente, podem ser adaptadas e vêm agregar a gestão de pessoas dentro da unidade.
Cabe ao gerente enfatizar a participação de todos os envolvidos, já que as tendências
apresentadas, em sua maioria, apontam as necessidades de capacitação, motivação e
participação de todos.

2.1 A capacitação em unidades de informação
A capacitação deve atender as necessidades do setor e principalmente de cada pessoa
envolvida no trabalho. Objetiva ajudar os envolvidos a adquirir mais eficiência em suas
atividades

profissionais,

além

de

proporcionar

novas

habilidades,

influencia

no

desenvolvimento de suas atividades pessoais. Segundo Alves (2004, p. 43):
Há vários conceitos que permeiam o assunto capacitação e todos
possuem o sentido de preparar-se, habilitar-se, tornar-se apto a realizar
algo, ou seja, é necessária uma aprendizagem para que o indivíduo
possa realizar certo trabalho. Isto aliado a uma tendência, na qual se
procura conscientizar as pessoas que estão sendo capacitadas da
importância deste processo para eles como seres humanos, e para
atingir os objetivos da organização com essa capacitação.
O advento das novas tecnologias exigiu dos profissionais bibliotecários, como também
de todos os profissionais lotados nas unidades de informação, mais preparação para o uso das
novas ferramentas que facilitam os serviços oferecidos pelas unidades. A capacitação se torna
uma questão estratégica, pois a introdução de uma nova tecnologia requer pessoal habilitado
para seu uso. Assim, espera-se que todos os envolvidos busquem a capacitação ou o
treinamento no intuito de solucionar problemas, sanar dúvidas e criar novas habilidades.
O que se espera dos profissionais é que todos busquem a qualidade para os serviços
oferecidos aos usuários. Por isso, é necessário estarem atentos a todos os tipos de capacitação
oferecidos, como cursos, presenciais ou a distância, pós-graduação, participação em eventos
na área de conhecimento e outros que motivem e promovam uma abertura para novas ideias.

3 MOTIVAÇÃO, LIDERANÇA E TRABALHO EM EQUIPE
A necessidade de aprendizado está atrelada à motivação, que pode ser vista como a
força propulsora de atitudes, interesses e necessidades. A motivação pode ser entendida como

1143

�o processo que estimula as pessoas a realizarem uma tarefa ou a conquistar algo. Portanto, é
fator importante dentro de qualquer organização.
Não é de nosso interesse aprofundar aqui sobre as teorias da motivação, porém
defendemos que é interessante que os profissionais da informação busquem conhecer mais
sobre a motivação humana, visto que, como gerente nas unidades de informação, o
desenvolvimento e a relevância do seu papel são fatores significativos à motivação. Nesse
sentido, o bibliotecário pode ser considerado um líder, o que, por sua vez, exige desse
profissional, além das capacidades e habilidades técnicas, o conhecimento dos seus recursos
financeiros, humanos e materiais, que possibilitam, como afirma Santos (2009, p. 34),
“manter a liderança, traçar metas, estabelecer planos e políticas para a instituição
informacional”.
Podemos definir líder como aquele que influencia, coordena pessoas ou equipes para
que realizem determinadas ações e alcancem determinados objetivos.
Coordenar e influenciar pessoas é trabalhar em equipe, é trabalhar em parceria com os
outros. Ramos (1996, p. 11) afirma que “cada vez mais o gestor é solicitado a estabelecer
parcerias e alianças com seus funcionários, aliás, colaboradores, ao invés de impor ordens e
comandar subordinados”. Por acreditar que os colaboradores de unidades de informação são
dos mais diferentes tipos de formação, etnias, crenças e competências pessoais, que
potencializam as responsabilidades de cada um, o líder precisa tratar de diferentes formas,
sem prejudicar a integração da equipe. Ou seja, compatibilizar as habilidades de cada sujeito
para as atividades exigidas, favorecendo a troca de saberes e experiências, dentro e fora do
ambiente de trabalho. A comunicação é imprescindível para a melhoria das atividades, como
também para o alcance dos objetivos da unidade e garantia de satisfação das pessoas
envolvidas.

4 AS BIBLIOTECAS DO IFES
O IFES foi oficializado em 23 de setembro de 1909, denominando-se Escola de
Aprendizes Artífices do Espírito Santo e regulamentado pelo Decreto n° 9.070, de 25 de
outubro de 1910, com o propósito de formar profissionais artesãos, voltados para o trabalho
manual. Desde então, passou por várias mudanças e várias denominações. Com a Lei n°
11.892, em 2008, que criou 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia no
Brasil. No Espírito Santo, os Cefetes e as Escolas Agrotécnicas de Alegre, de Colatina e de
Santa Teresa passaram a ser campi o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES).
Atualmente, o IFES conta com 17 campi: Campus Alegre, Aracruz, Cachoeiro do

1144

�Itapemirim, Cariacica, Colatina, Guarapari, Ibatiba, Itapina, Linhares, Nova Venécia, Santa
Teresa, São Mateus, Serra, Venda Nova do Imigrante, Vila Velha, Vitória, Santa Maria de
Jetibá (Centro Serrano), Barra do São Francisco e Montanha (esses três últimos em fase de
construção).
Nesse contexto, as bibliotecas do IFES atendem a um público bem diversificado.
Atualmente, a maioria dos campi oferta cursos de diferentes níveis, além dos técnicos,
concomitantes ou integrados, oferece graduações e pós-graduações, como especialização e
mestrados e cursos do módulo de Educação à Distância (EAD).
Dessa forma, as bibliotecas do IFES, além de atender a uma exigência do Ministério
da Educação (MEC), que determina a existência de biblioteca para cada nova instituição de
ensino aberta, também participa da avaliação dos Cursos Superiores.
Para o gerenciamento do acervo bibliográfico, as bibliotecas contam com auxílio do
sistema Pergamum, que possui cadastrado em seus registros aproximadamente 170 mil
exemplares da Rede de Bibliotecas do IFES, de distintos itens, como livros, folhetos, artigos,
TCCs, normas, DVDs, artefatos tridimensionais, mapas, gravações de som, entre outros.

5 METODOLOGIA
Para traçar o perfil dos servidores das bibliotecas do IFES, utilizamos como
metodologia um questionário, com 15 questões fechadas, enviado por e-mail a todos os
funcionários e colaboradores, incluindo os bibliotecários. Para análise dos dados utilizamos a
abordagem quantitativa para traduzir em número as informações fornecidas pelos servidores e
qualitativa para traduzir as opiniões individuais de cada sujeito, que, como afirma Minayo
(2003, p. 21), “trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores
e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos
fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis”. Como amostra da
pesquisa, utilizou-se os 62 questionários devolvidos.

6 ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO
Para a análise, dividimos o questionário em duas partes: na primeira, questões para
compor o perfil dos colaboradores, como sexo, idade, grau de formação, nomenclatura da
formação, cargo, estado civil e tempo de serviço na biblioteca; na segunda parte, são as
questões de cunho mais pessoal, como relacionamento com os colegas, relacionamento com a
chefia, realização profissional, autonomia, participação, reconhecimento, treinamento e
motivação.

1145

�Parte 1: Perfil dos colaboradores
Gráfico 1: Sexo
Sexo

F em in in o

■ M a sc u lin o

Fonte: pesquisa direta

Para a categoria sexo, a maioria (73%) dos sujeitos pesquisados é do sexo feminino.
Gráfico 2: Idade
Idade

15-20 anos
40-50 anos

n 13%

24%
■ 20-30 anos
30-40 anos
■ mais de 50 anos_______________

Fonte: pesquisa direta

Na categoria idade, o resultado obtido ficou bem dividido entre as categorias
apresentadas. Por exemplo, a faixa etária de 30 a 40 anos e acima de 50 anos tem percentual
de 24% cada.
Gráfico 3: Grau de instrução

Fonte: pesquisa direta

Na questão grau de instrução, observamos os seguintes resultados: 43% dos sujeitos
têm pós-graduação, 22% possuem graduação, 13% possuem apenas Ensino Médio e 6% dos
sujeitos não responderam.

1146

�Gráfico 4: Nomenclatura da formação

Fonte: pesquisa direta

Na questão nomenclatura da formação, 35% diz ter especialização, 23% possuem
graduação e 21% são estudantes. 11% responderam que possuem mestrado e 10% não
responderam.
Questão 4: Cargo
Cargo
5% 2%
21%

52%
6% ^
6%
8%
■ Bibliotecário
B Assistente adm.
iaNão respondeu

Auxiliar de biblioteca
l Estagiário

Aux iliar adm.
Outros

Fonte: pesquisa direta
Na categoria cargo, 52% são bibliotecários, 21% são estagiários. Auxiliar
administrativo e assistente administrativo ficou com 6% cada e auxiliar de biblioteca 8%. O
item outro com 5% e 2% não responderam.
Gráfico 5: Estado civil
Estado civil
2%

^ 3%

35%
54%

3%
Casado ■ Divorciado

Q O /.

J

Separado D Solteiro ■ União estável

n Não responderam

Fonte: pesquisa direta

1147

�Nessa categoria, observamos que a maioria dos sujeitos (54%) é casado, porém o
número de solteiros é grande, com 35%; 3% não responderam.

Gráfico 6: Tempo de serviço na biblioteca
Tempo de biblioteca
2%

18%

27%

26%

I Menos de 1 ano
l Mais de 10 anos»

1 a 3 anos
■Não respondeu

4 a 10 anos

Fonte: pesquisa direta

Na categoria tempo de serviço, somando as categorias menos de 1 ano e de 1 a 3 anos
o total de tempo é 54%, ou seja, a maioria dos servidores participantes da pesquisa têm
mesmo de 3 anos de serviço.
Finalizando o perfil dos funcionários das bibliotecas, iniciamos a segunda parte da
pesquisa.

Gráfico 7: Relacionamento com os colegas
Relacionam ento com os colegas

M u ito b o m

■ B om

Fonte: pesquisa direta

Nessa questão, 63% responderam que o relacionamento é muito bom e 37% bom,
significando que a maioria tem um bom relacionamento com seus colegas. Isso é importante

1148

�para qualquer instituição e nos faz lembrar da tendência 6 - a qualidade de vida no trabalho.
Pois, além de passar a maior parte do tempo no trabalho, saber conviver com pessoas de
diferentes atitudes e personalidades, gera um ambiente saudável, como afirma Brondani
(2010, p. 18) “o capital humano faz a diferença, as pessoas é que são as vantagens
competitivas das empresas e o bem-estar no ambiente de trabalho resulta em produtividade e
resultados”.

Gráfico 8: Relacionamento com a chefia
Relacionamento com a chefia
2%

2%

8%

45%

43%

D Muito bom

■ Bom

Razoável D Péssimo ■ Não respondeu

Fote: pesquisa direta

O resultado dessa questão mostra que 45% têm um relacionamento muito bom com
sua chefia; 43% dizem ser bom, 2% razoável e outros 2% péssimo. Nessa questão, cinco
pessoas não responderam, correspondendo a 8%.
A nossa avaliação para essa questão, considerando os valores das categorias muito
bom e bom, cuja maioria afirma ter um bom relacionamento com sua chefia, isso é de certa
forma positivo e gera, assim, um ambiente de confiança, muito importante em qualquer
organização. Esse dado nos faz lembrar o papel do líder e do trabalho em equipe, que,
conforme Brondani (2010, p. 19), “a construção de relações interpessoais saudáveis é um
começo para que o trabalho em equipe progrida e o engajamento de todos, inclusive os
líderes, é que fazem a diferença”.

1149

�Gráfico 9: Participação das decisões da biblioteca
Participação das decisões
10%

a

47%

32%

11%
B Sim

■ N ão

À s vezes

D N ã o respon deu

Fonte: pesquisa direta

Nessa questão, 47% das pessoas responderam que participam das decisões da
biblioteca, 32% responderam às vezes, 11% responderam não e 10% não responderam. Aqui
lembramos da tendência 2 - administração participativa, abordada por Alves (2004), que trata
da opinião dada por todos de acordo com suas necessidades e conhecimentos e vem agregar
satisfação. Acreditamos que a participação nas decisões da biblioteca engloba vários aspectos
dos mais diversos assuntos, por isso a opção às vezes, com 32%, pode estar relacionado com
o que e quem pode resolver ou tratar de tal assunto, porém é importante que os colaboradores
saibam do seu papel na unidade de informação, como afirma Brondani (2010, p. 10), “o
sucesso da equipe depende do envolvimento, comprometimento, cooperação e participação de
seus integrantes”.

Questão 10: Realização profissional
R ealização profissional
2%

D 16%

16%

66%
n M uito realizado ■ M ais ou m e n o s

Realizado n N ão realizado

Fonte: pesquisa direta

1150

�Na questão realização profissional, as opções opostas mais ou menos realizado e muito
realizado obtiveram o mesmo percentual (16%). Já a opção realizado ficou com 66% e 2%
não responderam. A maioria se diz realizado profissionalmente, porém devemos levar em
consideração, o percentual da opção mais ou menos realizado pois a motivação “é a força que
move o profissional em relação a sua carreira” (LEITE, 2002, p. 21). Assim, lembramos a
tendência 7 - a inteligência emocional, que estimula o bom relacionamento da pessoa com ela
mesma para melhorar a vida no campo emocional e, consequentemente, social e profissional.
Sabemos que a busca pela satisfação e realização profissional deve ser constante e que o
melhor profissional se propõe a ter postura ética e fazer o melhor, independente de gostar ou
não daquilo que faz.

Questão 11: Autonomia
Autonomia
5%

3%
29%

15%

48%
I Muito bom

■ Bom

Razoável D Ruim ■ Não respondeu

Fone: pesquisa direta

Nessa questão, perguntamos como é a autonomia para propor melhorias no trabalho,
48% responderam bom, 29% muito bom, 15% responderam razoável, 5% ruim e 3% não
responderam. A autonomia é que dá aos colaboradores a confiança necessária para fazer algo,
ou seja, significa que as pessoas terão a liberdade de tomar decisões que beneficiarão a todos,
conforme Brondani (2010, p. 21), quando diz “funcionários que auxiliam de forma ativa na
determinação de objetivos específicos comprometem-se com o cumprimento dos mesmos”.

1151

�Questão 12: Reconhecimento pelo trabalho que executa
Reconhecimento
3%

□ 10%

32%

3%

l Muito reconhecido
_Não reconhecido

l Reconhecido
Não respondeu

52%
Mais ou menos

Font: pesquisa direta

Para essa questão, a opção mais ou menos obteve 52%, não reconhecido 32%, 10%
muito reconhecido, 3% reconhecido e 3% não responderam. O reconhecimento pelo trabalho
que executa para qualquer pessoa é uma forma de recompensa e valorização, como afirma
Brondani (2010, p. 29), “fazem parte dos sentimentos humanos, da necessidade de aceitação,
reconhecimento como pessoa e como colega de trabalho”.

Questão 13: Treinamento recebido
Treinamento

3%

d

6%

23%
Muito suficiente
Insuficiente

■ Suficiente
■ Não respondeu

Pouco suficiente

Font: pesquisa direta

Nessa questão, 39% disseram ser suficiente, 29% insuficiente, 23% pouco suficiente,
6% muito suficiente e 3% não responderam. Sendo que o treinamento é uma capacitação que
todos os colaboradores devem receber dentro de qualquer instituição e que “tem como
finalidade melhorar o desenvolvimento profissional do ser humano na sua organização, e no
desempenho das suas funções [...]” (CAVALCANTE, 2006, p. 2). Considerando então, que as
opções insuficiente e pouco suficiente, juntas somam 52%, fazem-nos refletir que o
treinamento na Instituição é quase insuficiente e deve ser uma preocupação dos gestores das

1152

�bibliotecas, pois sendo de responsabilidade dos gestores, o treinamento é entendido como uma
ferramenta estratégica no desenvolvimento organizacional, que agrega valor às pessoas, à
organização e aos clientes.

Questão 14: Sentimento de trabalhar na biblioteca
Sentimento de trabalhar na biblioteca
11%

A

3%
□ 31%

55%
M u ito s a tisfe ito
P o u co sa tisfe ito

■ S a tisfeito
N ã o se sen te s a tisfe ito

Fote: pesquisa direta

Para a questão sentimento de trabalhar na biblioteca, 55% responderam satisfeito, 31%
muito satisfeito, 11% pouco satisfeito e 3% não responderam. Por satisfação, entendemos um
estado de prazer. A satisfação no trabalho envolve as relações de poder, ambiente, organização
do trabalho, metas, objetivos e interesses, os desejos dos colaboradores no sentido particular e
coletivo. Como afirma Brondani (2010, p. 19), “os líderes têm um grande papel na mudança e
manutenção das relações interpessoais, através de incentivos e medidas que tornem o clima
positivo, que levem a satisfação do trabalho mantendo um diálogo aberto e franco prevenindo
conflitos”.

Questão 15: Principais fatores que motivam a trabalhar na biblioteca
Nesta questão, os sujeitos poderiam marcar até três opções. Apresentamos aqui as
opções de acordo com a porcentagem:

1153

�Tabela 1 - Fatores que motivam a trabalhar na biblioteca
F atores

%

Gostar do que faz
Salário
Imagem da Instituição
Instalações físicas
Profissão
Integração da equipe
Oportunidade de crescimento
Autonomia
Ser valorizado e reconhecido
Treinamento recebido

56
48
29
26
24
19
17
14
14
8

Fonte: Pesquisa direta

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho, “Gestão de pessoas nas bibliotecas do IFES: conhecer para
valorizar”, atendeu uma indagação inicial: como se dá a gestão de pessoas nessas bibliotecas?
Quem e quais profissionais fazem parte dos recursos humanos nas unidades de informação?
Diante da apresentação do tema e análise dos dados, podemos concluir que os
colaboradores, em sua maioria, são do sexto feminino, com idade acima de 30 anos, casados e
possuem especialização. Na questão cargo e formação, observamos que os bibliotecários
(52% dos participantes da pesquisa) possuem especialização, alguns com mestrado e outros
são mestrandos. Porém, existe um grande número de estagiários (21%) trabalhando na
Instituição, evidenciando a participação destes como colaboradores nos serviços prestados
pela unidade de informação. Com relação ao tempo de serviço na biblioteca, a maioria tem
menos de três anos de serviço.
A maioria afirma ter um bom relacionamento com seus colegas e com sua chefia e que
participa das decisões da biblioteca. São profissionalmente realizados e tem autonomia para
propor melhorias no trabalho. Quanto ao reconhecimento pelo trabalho que executa, a maioria
afirma ser mais ou menos. Assim, esse dado mostra que os participantes não se sentem
totalmente reconhecidos pelo trabalho que executam na Instituição. Entendemos que o
reconhecimento pelo trabalho que executa é algo fundamental para qualquer pessoa, é a busca
pelo prazer no trabalho frente às exigências existentes no processo, nas relações e na
organização do trabalho.
Já com relação ao treinamento, consideramos que é quase insuficiente, pois as
categorias insuficiente e pouco suficiente representa a opinião da maioria dos participantes. A
maioria também diz estar satisfeita em trabalhar na biblioteca do IFES; são vários motivos

1154

�apontados para trabalhar nessas unidades, como gostar do que faz, salário e imagem da
Instituição. Estar satisfeito em trabalhar na biblioteca do IFES é de certa forma positivo, pois
entendemos que a satisfação é uma força que impulsiona e dá ânimo, gera um estado positivo,
resultando numa melhor produtividade, por isso são vários os motivos para os profissionais
trabalharem nessas unidades.
Dessa forma, o perfil dos profissionais que trabalham nas bibliotecas do IFES está
atrelado a profissionais com características e qualidades individuais, porém o grau de
envolvimento e comprometimento dos servidores depende de fatores como motivação,
relações humanas, capacidades e valorização.
Conclui-se, dessa forma, que as organizações que almejam excelência no futuro veem
seus funcionários como peças fundamentais para o seu crescimento e no IFES não deve ser
diferente. Elas devem oferecer algo a mais que apenas um bom salário. Assim, acreditamos
que um ambiente adequado exige, além de bens tangíveis, um relacionamento entre
funcionários e gestores que fornecerão subsídios para a aplicação de programas de qualidade,
envolvendo melhoria no trabalho.

6 Referências
ALVES, Roberta Caroline Vesú. A gestão de pessoas em unidades de informação: a
importância da capacitação no uso de tecnologias. Revista de Iniciação Científica da FFC,
v. 4, n. 2, 2004.
BRASIL. Decreto n° 9.070, de 25 de outubro de 1910. Dá novo regulamento ás escolas de
aprendizes artifices. Disponível em: &lt; http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/19101919/decreto-9070-25-outubro-1911-525591-publicacaooriginal-1-pe.html &gt; Acesso em: 07
maio, 2014.
BRASIL. Lei n° 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e
Tecnologia,

e

dá

outras

providências.

Disponível

em:

&lt;

http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/ ato2007-2010/2008/lei/l11892.htm&gt; Acesso em: 07
maio, 2014.
BRONDANI, Jera Porto. Relacionamento interpessoal e o trabalho em equipe: uma
análise sobre a influência na qualidade de vida no trabalho. 2010. 37 f. Monografia
(Graduação em Administração) Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre,
2010.

1155

�CAVALCANTE, André Murilo de Sousa. Treinamento como ferramenta estratégica para
o

crescimento

organizacional.

2006.

Disponível

em:

&lt;http://www.novomilenio.br/periodicos/
index.php/foco/article/view/33&gt;. Acesso em: 07 maio 2014.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
GIL, Antônio Carlos. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas,
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GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
LEITE, Luciana Ferreira. Gestão de pessoas em unidades de informação: análise do perfil
do Bibliotecário. 2002. 30 f. Monografia (Graduação em Biblioteconomia) - Centro de
Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2002.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 22.
ed. Petrópolis: Vozes, 2003.
PINTO, Adilson Luiz; MOREIRO GONZALES, José Antônio. O Profissional bibliotecário
como gestor de pessoas. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência
da Informação. Florianópolis, v. 15, n. 29, p.52-65, 2010.
RAMOS, Paulo Baltazar. A gestão na organização de unidades de informação. 1996.
Disponível em: &lt;file:///D:/Downloads/483-1064-1-PB.pdf &gt;. Acesso em: 12 maio 2014.
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da empresa. Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 1, p.12-14, jan/abr.1996.
SANTOS, Joelma Maria dos. Gestão de pessoas em unidades de informação: o
bibliotecário

como

líder.

Monografia.

2009.42

f.

Monografia

(Graduação

em

Biblioteconomia) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2009.

1156

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Nesta pesquisa, analisa-se a gestão de pessoas, a motivação, a satisfação e a participação dos profissionais inseridos na importante estrutura organizacional que são as bibliotecas dos campi do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) e traça-se o perfil desses profissionais. Como metodologia, foi utilizado um questionário, enviado por e-mail a todos os servidores e colaboradores lotados nas Unidades de Informação, incluindo os bibliotecários. O resultado indica que os profissionais são predominantemente do sexo feminino, com idade entre 30 a 40 anos e acima de 50 anos, casados e a maioria possui especialização. Com relação ao cargo, os bibliotecários estão em maior número, porém existe um grande número de estagiários. A maioria dos profissionais afirma ter um bom relacionamento com seus colegas e também com a sua chefia, são realizados profissionalmente e a autonomia para propor melhorias no trabalho é boa, porém, quanto à questão do reconhecimento pelo trabalho que executam, dizem ser mais ou menos. Para eles, o treinamento recebido é suficiente, a maioria afirma estar satisfeita em trabalhar na biblioteca, e são várias as opiniões quanto aos motivos em trabalhar no IFES, como gostar do que faz, salário, imagem da instituição.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

UM OLHAR PARA OS ACERVOS RAROS E ESPECIAIS NO COLÉGIO PEDRO II:
CONFIGURAÇÃO ATUAL E DIAGNÓSTICO DE SUAS COLEÇÕES
Tatyana Marques de Macedo Cardoso
Priscila de Assunção Barreto Côrbo
RESUMO
O presente artigo apresenta um estudo sobre acervos raros e especiais. Aponta os conceitos e
definições sobre a temática na perspectiva de especialistas da área. Trata das coleções
especiais e acervos raros do Colégio Pedro II, uma instituição tradicional de ensino, que vem
ao longo de sua trajetória de 176 anos de existência atuando para o desenvolvimento da
educação brasileira. Em especial, identifica as obras raras do acervo antigo e das coleções
especiais da Biblioteca Histórica e do conjunto bibliográfico, arquivístico e iconográfico do
Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II. Aponta, ainda, um estudo sobre os
critérios de raridade bibliográfica adotados pela Instituição, bem como a forma para
tratamento e preservação de seus acervos raros e coleções especiais.
Palavras-Chave: Colégio Pedro II. Patrimônio histórico-cultural. Núcleo de Documentação e
Memória. Biblioteca Histórica. Acervos raros. Acervos especiais.
ABSTRACT
This article presents a study on rare and special collections. It deals with the concepts and
definitions on the topic from the perspective of specialists. It approaches the special
collections and rare collections of Pedro II School, a traditional educational institution that
has been working on the development of Brazilian education along its historical path of 176
years. In particular, it identifies the rare works of ancient collections and special collections of
the Historical Library, and items from the bibliographic, archival and iconographic collection
of the Center for Documentation and Memory at Pedro II School. It shows a study of
bibliographical rarity criteria adopted by the institution and how his rare collections and
special collections are processed and preserved.
Keywords: Pedro II School. Historical and cultural heritage. Center for Documentation and
Memory. Historical Library. Rare collections. Special collections.

1 INTRODUÇÃO
Nos dias atuais a questão que envolve o conceito de raridade bibliográfica ainda
levanta uma série de dúvidas aos curadores de acervos, sobretudo, quanto ao estabelecimento
do que seria classificado como antigo, raro, único e precioso. Um acervo para ser considerado

3815

�raro ou especial deve se enquadrar em alguns critérios, que assim o qualifique,
diferenciando-o dos demais.
O problema a ser considerado implica na definição de conceitos como: O que é livro
raro? O que é acervo especial? Como diferenciar um acervo raro de um acervo especial? Estas
questões são complexas e envolvem fatores e circunstâncias subjetivas.
A literatura brasileira sobre livros raros remete a dois grandes estudiosos do tema: Ana
Virgínia Pinheiro e Rubens Borba de Moraes, sendo eles bibliotecários e especialistas na área.
Para Moraes (2005, p. 67), o que faz um livro ser considerado raro é a procura por ele:
“O valor de um livro nada tem a ver com sua idade. A procura é que torna um livro valioso. O
que o torna procurado é ser desejado por muita gente, e o que o fez desejado é um conjunto de
fatores, de particularidades inerentes à obra”. Essas particularidades foram abordadas pelo
autor, no seu livro O bibliófilo aprendiz, uma espécie de manual para bibliófilos, mas de
grande valia para leigos. De acordo com Pinheiro (1989),
cada livro é um universo restrito de manifestações culturais - originais e
acrescentadas”. Porém, de maneira bastante simplificada, pode-se dizer que
livro raro é aquele difícil de encontrar por ser muito antigo, ou por tratar-se
de um exemplar manuscrito, ou ainda por ter pertencido a uma personalidade
de reconhecida projeção e influência no país e mesmo fora dele (por
exemplo: imperadores, reis, presidentes), ou reconhecidamente importantes
para determinada área do conhecimento (física, biologia, matemática e
outras). (PINHEIRO, 1989, p.1).

Como podemos observar, um livro pode ser considerado raro por várias razões:
apresentação ou valor afetivo; encadernação ou ilustrações; material sobre o qual foi feita a
impressão; edição que saiu de uma célebre tipografia ou por ser a primeira edição.
O livro raro justifica, por si próprio, a importância e a necessidade de mais estudos
que promovam seu conhecimento e preservação. Esses livros condensam, sob a fragilidade de
sua aparência, o conteúdo intelectual que revela todo o esforço humano em busca do
desenvolvimento científico, social e cultural. As ideias, os pensamentos, os fatos e
informações contidos em suas páginas merecem ser preservados para manter e transmitir essa
preciosa herança cultural.
Toda essa argumentação encerra um forte apelo à questão da preservação da história
da humanidade, da identidade cultural de um povo. É de fundamental importância a existência
de um patrimônio conhecido, de uma memória preservada para que se possa definir uma
identidade cultural. A identidade cultural pode ser inicialmente captada através da história ou
pelo conjunto de obras que a explicam: mitos, costumes, produção literária e artística, música,

3816

�monumentos, língua e tradições, em resumo, o patrimônio cultural. Os objetos que o
compõem, símbolos da ação humana e testemunhos da trajetória das sociedades, são valiosos
portadores de mensagens e refletem na sua configuração, na sua forma, no seu material, no
seu acabamento, as características do grupo social que os criou, bem como as relações sociais
implícitas em cada atividade.
Neste contexto, Carter (2014) considera que,
O patrimônio histórico-cultural de uma nação não abrange apenas
edificações e monumentos ou sua tradição sociocultural, mas também seus
bens culturais, tangíveis e intangíveis, como o conhecimento que produz, a
documentação que registra esse conhecimento e suas formas de
divulgação.(CAN CLINI, 1994 apud CARTER, 2014, p.2).

No caso dos livros, particularmente, a determinação de elementos que os identifiquem
como raros e/ou preciosos componentes de um patrimônio cultural não é uma tarefa fácil,
bem como diferenciar um acervo raro de um acervo especial. Torna-se necessário, portanto,
sistematizar uma metodologia a fim de explicitar e justificar os critérios adotados para
identificar livros raros dentro de uma coleção, que pode ser especial.
Desta forma, não podemos afirmar que toda coleção especial mantém acervo com
obras antigas ou mesmo obras raras. É preciso identificar as características de cada coleção.
A classificação “especial” visa identificar a coleção segundo suas características
extrínsecas e intrínsecas, além de definir o papel das coleções bibliográficas oriundas da
aquisição de acervos particulares. As características extrínsecas são aquelas que estabelecem
as relações do objeto observado com outros objetos; as características intrínsecas são as que
constituem o próprio objeto, como o seu valor monetário ou simbólico, por exemplo.
O Colégio Pedro II, instituição tradicional de ensino, fundado em 1837, reúne coleções
especiais e com obras raras que pertencem a Biblioteca Histórica. As coleções especiais foram
formadas a partir de doações de ilustres docentes, discentes e ex-alunos e de coleções
existentes na antiga biblioteca do Externato do Colégio Pedro II.
O acervo antigo é composto por obras de assuntos gerais, nos diversos ramos do
conhecimento, entre os séculos XVI e XX, que são consideradas raras e/ou preciosas devido a
sua importância histórico-cultural. Difere-se das coleções especiais por se tratar de obras que,
em princípio, não podem ser facilmente adquiridas e nas quais a Instituição, por sua área de
interesse (valor institucional), atribui importância na sua manutenção e preservação. São obras
que inicialmente não podem ser substituídas ou descartadas sem causar prejuízo à missão
institucional, à sua relação com outros itens do acervo e ao valor de pesquisa.

3817

�Além das coleções especiais e do acervo antigo, o Colégio mantém obras de
importância histórica e institucional no Núcleo de Documentação e Memória (NUDOM), que
é composto por um conjunto bibliográfico, arquivístico e iconográfico. São acervos de
importância ímpar para a Instituição, pois remetem as atividades de ensino e ao cotidiano da
administração escolar e retratam a história da educação brasileira. Por esse motivo, são
considerados especiais e raros para a guarda e preservação.
O presente trabalho tem por objetivo identificar os acervos raros e especiais do
Colégio Pedro II, apresentar os critérios de raridade bibliográfica adotados na Instituição e,
particularmente, mostrar a forma de tratamento e preservação das coleções custodiadas pelo
NUDOM.
A revisão de literatura especializada realizada neste estudo concentrou-se
principalmente em livros e artigos científicos da área. Buscaram-se parâmetros para definição
de conceitos sobre acervos raros e especiais. Recorreu-se às publicações de estudiosos do
tema, destacando-se entre eles Pinheiro (1989) e Moraes (2005). Para o levantamento de
dados sobre os acervos do NUDOM e Biblioteca Histórica, foram consultados documentos
institucionais pertencentes aos setores. Destacam-se entre os materiais informacionais os
catálogos e inventários contendo a descrição de cada item documental. O material coletado
constituiu-se uma das fontes principais para a análise de dados.

2 O COLÉGIO PEDRO II

O Colégio Pedro II (CPII), fundado em 02 de dezembro de 1837, caracteriza-se como
uma instituição de ensino básico, profissional e superior, pluricurricular e multicampi,
especializada na oferta de educação básica e de licenciaturas.
Ao longo dos anos, essa tradicional instituição produziu diversos documentos históricos
gerados a partir das suas próprias atividades de ensino. Além disso, adquiriu importante
acervo com obras gerais destinadas à sua comunidade docente e discente. Assim, para
proteger e manter o seu patrimônio documental fez-se necessário criar espaços destinados à
guarda e à preservação de suas fontes, evitando-se os riscos da efemeridade.
Desta forma, o Colégio reúne diferentes espaços de “guarda de memória”, tais como: a
Biblioteca Histórica e o Núcleo de Documentação e Memória, sendo este último a principal
fonte de informação para o estudo da história da educação brasileira.
A seguir, será apresentada a Biblioteca Histórica e suas coleções especiais. Tais
coleções assumem considerável relevância para a Instituição, uma vez que agregam valor

3818

�informational, histórico, associativo (quando tem relação a algum indivíduo, lugar ou grupo
eminente) e monetário.

2.1 Biblioteca Histórica

A Biblioteca Histórica é composta por coleções especiais, raras e/ou preciosas, que
refletem a influência humanística na formação do corpo docente e discente do Colégio Pedro
II. Tem por objetivo disseminar a preservação do patrimônio histórico-cultural brasileiro,
além de subsidiar os trabalhos de pesquisa científica em nível de graduação e pós-graduação.
As coleções estão divididas em duas partes: Acervo Antigo e Coleções Especiais.
O Acervo Antigo é composto por obras de assuntos gerais, nos diversos ramos do
conhecimento, grande parte em francês. Reúne livros e periódicos do século XVI até o início
do século XX, perfazendo um total aproximado de 20.000 volumes. Incluem-se textos que
fundamentam a educação do Brasil desde o século XIX.
Destacam-se neste acervo, sejam por seu valor bibliográfico, histórico, cultural, literário
ou pecuniário, as seguintes obras:
- Lexicon Graecolatinun Nouum, de Joannes Scapula, de 1580 (obra mais antiga do
acervo);
- Dictionnaariun octolingus, de Ambrogio Calepino, de 1663 (obra de grande
importância, seu autor passou a ser usado como sinônimo par adicionário);
- Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, de Antonio Caetano de Souza, de
1735.
- Vocabulario Portuguez e Latino, de Raphael Bluteau, de 1712;
- Chronica do Emperador Clarimundo, de João de Barros, de 1843;
- Apologie de Socrate, de Platão, de 1845;

Podemos ainda destacar obras de autores gregos e latinos, nas línguas originais e em
edições bilíngues, de diversas áreas do conhecimento como segue no gráfico abaixo:

3819

�Gráfico 1: Áreas do conhecimento

As Coleções Especiais são constituídas por acervos pessoais doados ao Colégio Pedro II
por professores e alunos eminentes, ou ainda, pela família desses. Encontram-se reunidas as
seguintes Coleções:
- Biblioteca Professor Cândido Jucá Filho: reúne 4.000 volumes, formada, basicamente,
por publicações especializadas em Filologia. Possui valiosas primeiras edições de clássicos da
Literatura Brasileira e grande número de obras de José de Alencar, e sobre ele, que era área de
estudos deste Professor. Destaca-se, também, o acervo de Literatura Portuguesa,
especialmente a coleção Camiliana, e obras de referência. É composta, ainda, de arquivos
pessoais, fichas de pesquisa filológica, manuscritos e publicações de sua autoria;
- Biblioteca Professor Roberto Bandeira Accioli: constituída, basicamente, por livros de
História, em especial sobre Antiguidade Clássica, grande parte em Francês, Legislação de
Ensino e assuntos afins, com um total aproximado de 5.000 volumes;
- Biblioteca Professor Haroldo Lisboa da Cunha: constituída, basicamente, por livros de
Ciências Exatas, especialmente Matemática, e assuntos afins, com o total de 1.050 títulos e,
aproximadamente, 2.000 volumes;
- Biblioteca Hélio Thys: reflete a formação humanística e eclética deste jornalista, aluno
emérito do Colégio, com um acervo bastante diversificado onde se destacam obras na área de
Comunicação. Reúne toda sua obra literária, inclusive textos inéditos, e sua produção para
jornais, revistas, rádio e televisão, com um total aproximado de 4.000 volumes.

3820

�2.2 Núcleo de Documentação e Memória

O Núcleo de Documentação e Memória (NUDOM) foi criado em 22 de agosto de 1995
para tratar, preservar e divulgar a produção intelectual da Instituição desde sua fundação. O
NUDOM é um núcleo de documentação institucional de pesquisa interdepartamental. Tem
como missão reunir, organizar, tratar, preservar e disponibilizar seu acervo documental aos
servidores do Colégio Pedro II e aos pesquisadores externos à Instituição.
Por ser “um organismo em crescimento”, de acordo com a 5a Lei da Biblioteconomia, o
Núcleo expandirá o seu acervo em virtude das constantes doações. O NUDOM, por reunir
coleções especiais que pertenceram a renomadas personalidades do meio institucional, não
realiza empréstimos para os pesquisadores e/ou a reprodução de obras consideradas raras. As
consultas são realizadas no próprio local, com restrição de acesso à sala de guarda.
Segundo as especificidades de pesquisa e necessidades informacionais da Instituição, o
Núcleo não mantém assinaturas de periódicos, os documentos incorporados ao acervo são
adquiridos a partir de doação e permuta.
Atualmente, o NUDOM desenvolve projetos de pesquisa na comunidade escolar junto
aos professores e alunos da Instituição e configura-se como um laboratório de pesquisa. O
Programa de Residência Docente, em especial, é um curso de extensão baseado na formação
continuada dos professores de Ensino Fundamental e Médio, em atividade nas redes
municipal e estadual do Estado do Rio de Janeiro.
Com restrição de acesso aos documentos digitalizados que, por medida de preservação,
devem ser acessados somente por CD-ROM, o NUDOM permite a reprodução de partes da
obra por meio de fotografia - sendo necessária a assinatura do Termo de Cessão de Uso de
Imagens -, ou cópia. A reprodução do documento por meio de cópia deverá respeitar as
condições físicas da obra, bem como os critérios de raridade estabelecidos na Política de
Desenvolvimento de Coleções do Acervo do NUDOM.
Entretanto, o Núcleo ainda não possui uma base de dados para os registros
bibliográficos ou mesmo um repositório institucional para salvaguardar os documentos
digitais. A informatização no Colégio Pedro II é uma das metas previstas na nova gestão.
Para facilitar a consulta ao acervo, estão à disposição dos pesquisadores um catálogo
em fichas e um catálogo de teses e dissertações; um inventário analítico com registro de
autoridade do Fundo CPII (acervo arquivístico); um sumário corrente dos periódicos avulsos;
e CD-ROM com o conteúdo das obras já digitalizadas do acervo histórico.

3821

�2.3 Acervos raros e especiais do NUDOM

O acervo documental deste Núcleo é composto por um conjunto bibliográfico,
iconográfico e arquivístico. Dos itens documentais que compõem o acervo bibliográfico
destacam-se os que datam dos primeiros anos da fundação do Colégio, representados por
Livros Didáticos de diferentes disciplinas produzidos nos séculos XIX e XX; Regulamentos e
Regimentos; Relatórios dos Diretores; Obras de Referência; Programas de Ensino desde
1856; Coleção das Leis do Brasil de 1808 a 1962; Teses de Concursos para a Cátedra de 1878
a 1975; Anuários elaborados pelo diretor geral no exercício da função referentes ao período
de 1914 a 1961; Monografias de cursos de especialização; Teses de Doutorado e Dissertações
de Mestrado dos funcionários do CPII, incluindo os trabalhos realizados por pesquisadores
externos que retratam a história da educação tendo como fonte de pesquisa o Colégio
Pedro II e, obras de memorialistas, professores e ex-alunos.
O acervo iconográfico é representado por um conjunto de fotografias da Família
Imperial, do Rio Antigo, dos campi do Colégio Pedro II, de professores, alunos e eventos
realizados no próprio Colégio.
O acervo arquivístico (acervo histórico ou Fundo arquivístico) é a principal fonte de
informação do NUDOM. Constituído por um conjunto de obras manuscritas do século XIX e
XX, este Fundo remete as atividades de ensino e ao cotidiano da administração escolar,
através de documentos que foram organizados e avaliados de acordo com a proveniência, o
tipo documental, o conteúdo e os potenciais informativos desta documentação. Está
classificado em séries e subséries. Destacam-se as seguintes obras: Atas da Congregação;
livros de Atas de Concursos de Professores para ingresso no CPII; primeiro livro de Avisos
do Imperial Colégio de Pedro II de 1838; livros de Matrícula de alunos; livros de Exames
Preparatórios; Ofícios enviados e recebidos; avisos do Ministério do Império; livros de
Ocorrências Disciplinares; livros de Colação de Grau e Bancos de Honra; livros de
Contabilidade; livros de Nomeações de professores e funcionários. Um quantitativo de
aproximadamente 600 livros encadernados e 60 pastas com documentação avulsa, totalizando,
em média, 18 mil itens.
Este acervo histórico retrata a infraestrutura e as funções institucionais, ou seja, suas
atividades-meio e atividades-fim. Compreende os documentos gerados por essa Instituição
necessários à sua criação, ao seu funcionamento e ao exercício das atividades que justificam
sua existência.

3822

�O NUDOM reúne, portanto, documentos considerados raros e/ou preciosos devido à sua
importância histórica, cultural e patrimonial. Seu acervo documental formou-se a partir de
doações de servidores da instituição (docentes, discentes e ex-alunos) e de coleções presentes
em outros campi, que foram devidamente selecionadas e acondicionadas neste Núcleo, no
campus Centro.

3 CRITÉRIOS DE RARIDADE BIBLIOGRÁFICA

Em torno da questão da raridade bibliográfica, verifica-se uma grande variedade de
opiniões na escassa literatura existente sobre esse assunto. O caráter relativo, presente no
conceito de raridade, é amplamente explorado pelos especialistas da área, como podemos
observar a seguir:
Como sabemos, o conceito de raridade, sendo relativo ao tempo e espaço, é
passível de interpretações, quanto ao equilíbrio de valores extrínsecos como:
escrita, ilustração, encadernação e principalmente os intrínsecos:
bibliográficos e particularidades, que tornam as obras raras, preciosas ou
curiosas, deixando portanto de ser absoluto (SILVA, 1981apud FROES,
1995, p.33).
A raridade não é um termo absoluto, invariável e de grau constante, devendo
ser relativa aos países e regiões. Alguns critérios são indiscutíveis: os
incunábulos, as primeiras edições dos clássicos, a primeira produção
tipográfica de uma determinada área geográfica e obras com tiragens
reduzidas. Outros critérios passam pelo crivo de pontos de vista diferentes:
livros de história local, obras escassas no mercado livreiro, livros com
particularidades que se distinguem de outras edições, obras destruídas das
quais só restam poucos exemplares (SILVA; LANE, 1990 apud FROES,
1995, p.33).

Para Pinheiro (1989), raridade bibliográfica está relacionada, primeiramente, ao
caráter artesanal da obra. A autora confirma a ideia de que só a antiguidade de uma obra não
caracteriza a sua raridade, pois está diretamente ligada aos aspectos bibliológicos, por
exemplo: colofão, colunas, assinaturas, etc.
Além dos detalhes técnicos e bibliológicos, a autora destaca a importância de se
distinguir entre raro, único e precioso:
Raro: é aquilo que é tratado sob esta acepção em qualquer lugar - o que é
raro no Brasil, também o é na América do Norte, Ásia, Europa.
Único: remete a ideia de ‘exemplar único conhecido’, revelando-se a
existência de acervos potencialmente raros, não identificados, em
bibliotecas, aqrquivos e museus guardiões de livros. Quando se identifica um
exemplar, não se pode ter a certeza de que ele seja efetivamente um
exemplar único, no mundo. (PINHEIRO, 1989, apud SOARES, 2009, p. 29).

3823

�Precioso ou de raridade relativa: abrange as noções de posse e identidade.
Cada curador de acervo deve encarregar-se de acumular aquelas coleções
que, em princípio, seriam da sua exclusiva competência, em função da
missão da pessoa (física ou jurídica) que representa. (PINHEIRO, 1989,
apud SOARES, 2009, p. 29).

A determinação de critérios para enfoque da raridade bibliográfica das bibliotecas
implica, segundo Pinheiro (1989), na abordagem do caráter bibliológico das obras e na ênfase
da influência social, econômica e cultural sofrida por todas as autoridades que contribuíram
na elaboração física e intelectual de uma obra.
Ainda de acordo com Pinheiro (2004), compete ao bibliotecário, curador ou “dono” do
acervo determinar e avaliar os critérios de raridade de seus itens, como também formalizar a
metodologia adotada. A autora dedicou-se ao levantamento de critérios adotados por
instituições públicas e privadas e esse estudo gerou uma metodologia para critérios que
podem ou não serem adotados.
No caso do Colégio Pedro II, especificamente, o NUDOM, levamos em consideração
os critérios adotados por Pinheiro (1989), que envolvem, principalmente os seguintes
aspectos: limite histórico; aspectos bibliológicos; valor cultural; pesquisa bibliográfica;
características do exemplar.
Pinheiro (1989) considera para o limite histórico todo o período que caracteriza a
produção artesanal de impressos demarcado com as principais datas da evolução tecnológica
do livro: do século XV, princípio da imprensa até antes de 1801, marco do início da produção
industrial de livros. Aborda todo o período que caracteriza a fase inicial da produção de
impressos em qualquer lugar - por exemplo, o século XIX, quando foram publicados os
primeiros incunábulos brasileiros com a criação da Imprensa Régia e também todo o período
que caracteriza uma fase histórica, demarcada em função do conjunto bibliográfico (âmbito,
objetivo, utilização, assunto, etc) e/ou do interesse do colecionador.
Os aspectos bibliológicos envolvem a arte do trabalho tipográfico; a natureza e
características dos materiais utilizados como suporte na impressão, tais como: papel de linho,
pergaminho, marcas d’água, tintas, encadernações originais luxuosas, edições de luxo.
Também se referem as ilustrações, desde que reproduzidas por métodos artesanais, não
fotomecânicos, tais como: xilogravura, água forte, aquarela, etc.
Com relação ao valor cultural destacam-se: edições limitadas e esgotadas, especiais e
fac-similares, personalizadas e numeradas, críticas, definitivas e diplomáticas; assuntos
tratados à luz da época em que foram pensados e escritos: obras científicas que datam do
período inicial de ascensão daquela ciência; histórias de descobrimentos e de colonização;

3824

�teses; obras impressas em circunstâncias pouco convenientes a esta arte, tais como guerra,
seca, fome, etc; memórias históricas de famílias nobres e usos e costumes; edições
censuradas, interditadas e expurgadas; obras “desaparecidas”, face às contingências do tempo
e da sorte; edições contrafeitas e emissões; edições originais, etc; edições de artífices
renomados e/ou considerados na história das artes que representam, tais como tipógrafos,
impressores, editores, desenhistas, etc; edições de clássicos, assim considerados nas histórias
das literaturas específicas.
A pesquisa bibliográfica aponta os seguintes caracteres da obra/exemplar: unicidade e
raridade, sob o ponto de vista de bibliógrafos, bibliófilos e especialistas no assunto da obra;
preciosidade e celebridade, referindo-se àquelas obras mais procuradas por bibliófilos e/ou
mais estudadas por eruditos; curiosidade, referindo-se aquelas obras em que o assunto foi
tratado de maneira “sui generis” ou de apresentação tipográfica incomum.
As características do exemplar referem-se as marcas de propriedade, tais como: exlibris, super-libris, assinaturas (indicando que aquele exemplar pertenceu a um conjunto
bibliográfico de personalidade famosa e/ou importante), marcas de fogo, marcas de
artífices/comerciantes renomados e/ou considerados no mercado de livros, tais como livreiros,
restauradores, etc; dedicatórias de personalidades famosas e/ou importantes.
No NUDOM, em especial, são consideradas obras raras e/ou valiosas aquelas que
retratam a realidade da instituição ou aquelas que “resgatam” a memória do Colégio Pedro II,
destas:
- obras publicadas até o séc. XVII;
- obras brasileiras do séc. XIX (especialmente até 1850);
- obras manuscritas;
- primeiras edições;
- edições especiais;
- ilustradas por artistas de renome ou pelos próprios autores;
- obras importantes como documentos das atividades internas do Colégio Pedro II,
reflexo de sua ação e atuação;
- clássicos em todos os ramos da atividade humana;
- obras consagradas no ensino do Colégio Pedro II;
- obras esgotadas e não reeditadas;
- fac-similares.

Outros critérios considerados quanto à raridade bibliográfica dos exemplares:

3825

�- com dedicatórias manuscritas dos autores;
- autografados pelos autores;
- com dedicatórias e/ou autógrafos importantes;
- com anotações importantes (que podem ser do autor, de um possuidor ou leitor
interessado, acrescentando, corrigindo, esclarecendo ou comentando o texto);
- com marcas de propriedade: assinaturas, nomes, iniciais, ex-libris, carimbos e
brasões.
- que comprovadamente pertençam a personalidades importantes;
- que tenham pertencido ou que pertençam à docentes, discentes ou ex-alunos do
Colégio Pedro II;
- com encadernação de luxo ou curiosa;
- que contenha alguma particularidade ou característica própria, que os distinga dos
demais.
Tendo em vista a natureza do documento a ser tratado (obras raras) e da sua
importância para a memória nacional e institucional, a escolha de ações de organização e
preservação, na Biblioteconomia de livros raros, deve refletir na política e nas linhas de
acervo. “A falta dessas definições leva ao colecionismo mórbido e nostálgico, onde tudo deve
ser guardado e nada pode ser subtraído, desencadeando o inevitável colapso da biblioteca
como organismo vivo que é” (PINHEIRO, 2004, p. 5)

3.1 Organização da coleção

O acervo bibliográfico do NUDOM está organizado nas estantes pelo sobrenome e
nome do autor, respectivamente. As coleções estão divididas por assuntos, da seguinte forma:
- Memória Histórica: engloba os livros registrados por renomados e ilustres escritores
que, de alguma maneira, versa sobre o Colégio Pedro II em seus escritos ou cujos autores são
ou foram do Colégio Pedro II;
- Livros didáticos: reúne os livros didáticos adotados pelo Colégio Pedro II no
decorrer de sua evolução histórica, nas mais variadas disciplinas (inglês, matemática, história,
geografia, alemão, física, francês, química, etc);
- Obras de referência: a coleção é formada por dicionários, enciclopédias, manuais,
guias, bibliografias, etc., ou seja, publicações que foram planejadas e escritas para que a elas
se recorram para obter informações, e não para serem lidas na íntegra;

3826

�- Coleção Geraldo Pinto Vieira: pertencente a um ilustre e renomado professor de
História e ex-aluno da Instituição, da década de 1940, membro fundador do NUDOM. Sua
coleção também está organizada por assuntos, quais sejam: Euclides da Cunha,
Sebastianismo, Religião, Literatura de Cordel, Obras gerais, periódicos e livros que tratam
sobre D. Pedro II, Livros didáticos, Padre Cícero;
- Coleção Rio de Janeiro: formada por obras que abordam a história do Rio de Janeiro;
- Coleção D. Pedro II: obras que pertenceram ao Imperador, bem como obras que
abordam sobre sua vida e sua história;
- Coleção de Factas: documento interno produzido pelo Colégio Pedro II, que trata de
portarias que nomeiam, exoneram, movimentam, entre outros, os servidores da instituição;
- Periódicos: são artigos que abordam o Colégio Pedro II, de maneira geral, ou, artigos
que foram escritos por membros Instituição;
- Coleção de Leis do Brasil: coleção publicada pela Imprensa Nacional. Inclui Cartas
de Leis, Decretos, Alvarás, Cartas Régias, Leis e Decisões imperiais;
- Educação: obras que versam sobre a história da educação, de uma maneira geral,
bem como, leis, programas gerais de ensino, regimentos e regulamentos sobre o Colégio
Pedro II.
O conjunto bibliográfico deste Núcleo está dimensionado conforme mostra o gráfico
abaixo:
Gráfico 2: Conjunto Bibliográfico do NUDOM

Conjunto Bibliográfico
Educação
Coleções de Leis do Brasil
Periódicos
Coleção de Factas
Coleção D. Pedro II
Coleção Rio de Janeiro
Coleção Geraldo Pinto Vieira
Obras de Referência
Livros Didáticos
Memória Histórica

Fonte: Inventário de obras do NUDOM
O aervo iconográfico ainda precisa ser organizado e tratado, mas, o esquema de
classificação a ser adotado será por assunto, tais como: dependências do Colégio Pedro II,
docentes, discentes, Reitores, entre outros.

3827

�O acervo arquivístico ou histórico está organizado em séries e subséries e a ordenação
adotada é a cronológica. Cada série, com sua respectiva subsérie, recebe um código, por
exemplo: Atas da Congregação (BR RJCPII - DOC/ACO), onde se lê: Brasil, Rio de Janeiro,
Colégio Pedro II, série Docentes, subsérie Atas da Congregação (Gráfico 3).

Gráfico 3 - Quadro das series e subseries

Cada livo do acervo histórico recebe uma espécie de marcador de livro, feita em papel
alcalino, contendo no alto a classificação adotada (código), conforme exposto anteriormente.
Como já foi dito, essa coleção de obras raras requer um tratamento diferenciado,
caracterizado por uma descrição bibliográfica minuciosa que garanta a perfeita identificação
do exemplar com vistas a valorizá-lo e protegê-lo. Nesse sentido, o NUDOM elaborou
recentemente planilha para descrever seu acervo histórico. Toda essa planilha será impressa
posteriormente, após revisão de todos os dados, constituindo o catálogo impresso desse
acervo. Acervo este considerado raro, e, consequentemente, especial para o Colégio Pedro II.
Segue exemplo abaixo na Figura 1:

3828

�Figura 1 - Série Docente - Subsérie Conselho Departamental
Autor: Colégio Pedro II
Título: Livro de registro de atas das reuniões do Conselho Departamental do CP II
Assinaturas/marcas: Período: 1954 - 1961
País: Brasil
Estado: Rio de Janeiro
Cidade: Rio de Janeiro
Localização: Núcleo de Documentação e Memória - Campus Centro
Classificação: BR RJCPII - DOC/COD__________________________________
Dados técnicos:
altura: 33,6 cm
peso:____ largura: 24 cm espessura: 4 cm
suporte: papel número de páginas: 200_____________________
Tipo de Encadernação:
Couro ( ) Tecido ( )

Material sintético (x)

Papel ( )

Outros ( )

Tipos de problemas na Encadernação:
Capa solta-Frente (x)
Capa solta-Verso ( )
Lombada solta ( )
Costura danificada ( )
Cadernos soltos ( )
Lombada perdida ( )
Sobrecapa danificada ( )
Outros ( ) - especificar:_________________________________________
Tratamento indicado:
CONSERVAÇÃO: Higienização (x) Amarrar com cadarço ( ) Tratamento do Couro ( )
Acondicionamento em caixas especiais ( ) Acondicionamento em pasta ( )
RESTAURAÇÃO: Total ( ) Parcial: Lombada nova ( ) Guardas novas ( )
Obs.: Higienização realizada no segundo semestre de 2013 pelo NUDOM.___________________
Âmbito e conteúdo:
Livro destinado ao registro das atas das reuniões do Conselho Departamental.

Fonte: Acervo NUDOM.

Alguns procedimentos básicos estão sendo realizados, tais como a higienização das
obras e o monitoramento do ambiente. Como não há um laboratório próprio para a
restauração/conservação das obras raras do Colégio Pedro II, o tratamento e os cuidados com
a preservação do acervo ficam comprometidos. Apesar da preocupação com a preservação da
cultura e da memória institucional, a referida instituição de ensino ainda não proporciona ao
seu acervo condições de divulgação e preservação ideais.

3829

�3.2 Preservação e diagnóstico de conservação das coleções de obras raras

Os itens incluídos no diagnóstico de conservação procuram detectar a ação de agentes
deteriorantes sobre os livros, reflexo da política de preservação adotada pela Instituição. O
Colégio Pedro II ainda não possui a sua política de preservação. Os critérios para sua
instauração estão sendo estudados com base nas experiências de outras instituições que já tem
definidos e finalizados seus projetos de preservação de documentos. Os cuidados com o
acervo estão sendo discutidos recentemente, uma vez que a atividade-fim do Colégio sempre
foi o ensino e não a preservação de seus documentos.
A preservação de acervos (materiais bibliográficos e não bibliográficos) é uma questão
que vem ganhando importância nos últimos tempos. O problema da preservação passou a
abranger todos os responsáveis por acervos culturais ou que deles se utilizam, reforçando a
necessidade de uma atitude consciente de preservação que deve estar presente desde a limpeza
até a utilização do material pelo usuário.
Sabendo da importância da preservação, que envolve os mais diversos aspectos
administrativos de bibliotecas, arquivos e centros de informação, incluindo decisões políticas,
recursos humanos e financeiros, projetos de edifícios de instalações, seleção e aquisição de
material, armazenamento e distribuição física do acervo, treinamento de pessoal e educação
do usuário, além de técnicas e métodos específicos para preservação, os cuidados com uma
coleção de obras raras devem ser redobrados. Deve-se levar em conta a antiguidade e a
fragilidade do material, bem como as condições adversas enfrentadas desde a sua formação,
perpassando por todo o ciclo de vida desta coleção.
São diversos os agentes de deterioração de acervos documentais: a acidez associada a
deterioração do papel, a iluminação capaz de fragilizar os materiais constitutivos dos
documentos, induzindo um processo de “envelhecimento acelerado”. Temperatura e umidade
não controladas também provocam alterações na umidade relativa, que por sua vez influencia
a umidade estrutural dos materiais, provocando muitas vezes danos irreversíveis. Fungos,
insetos e roedores, poluição atmosférica e a própria ação do homem constituem outros
“vilões” capazes de degradar os documentos.
Por esse motivo, é de fundamental importância o diagnóstico das obras. Através da
elaboração da planilha para a constituição do cátalogo do acervo histórico do NUDOM foi
possível identificar cuidadosamente cada obra e as necessidades para restauro e conservação.

3830

�A presença de poeira, além de ser um fator ambiental ligado à poluição atmosférica,
indica a ausência de medidas simples de conservação, como a higienização periódoca do
acervo.
Em 2013 foi realizada a higienização de todo o acervo histórico do NUDOM. Além da
poeira, foram encontradas manchas nos livros, verificando-se que o principal problema de
conservação das coleções de obras raras é a acidez do papel detectada pelo odor característico,
folhas amareladas e quebradiças, em geral presentes nos livros antigos.
Também foram detectados problemas na encadernação das obras (livros sem capa,
sem lombadas, com as costuras danificadas). Foi possível perceber a passagem de insetos
bibliófagos (como traças e cupins deixando furos e rasgos nos papéis dos documentos), cuja
causa pode ser atribuída à falta de controle de umidade e temperatura.
As salas destinadas à guarda do acervo histórico não possuem ar condicionado e nem
desumidificadores de ar. Recentemente foi colocado um termohigrômetro em uma das salas
de guarda para medir a temperatura e a umidade do ambiente e os resultados dessa medição
estão longe dos índices recomendados na literatura da área. Também não há filtros
absorventes de radiação ultravioleta nas salas de guarda, ou seja, a luz solar acaba incidindo
sobre os livros, mesmo que tentemos minimizar essa incidência, com medidas simples, como
a vedação das janelas. Além desses agentes deteriorantes a poeira continua sendo o maior
“vilão”, tendo em vista o entorno da Insituição que fica na Av. Marechal Floriano, no Centro
do Rio de Janeiro, onde há grande fluxo de carros e alto índice de poluição no ar.
A realização de pequenos reparos em obras muito danificadas, assim como a
restauração dessas obras são medidas que devem ser implementadas no Colégio Pedro II,
especificamente, no NUDOM. Infelizmente, não há investimento em recurso para esse fim na
própria Instituição, tampouco profissionais com formação especializada para o tratamento e
restauração das coleções raras/especiais.
Soma-se a isso a falta de uma política de preservação, que visa retardar a deterioração
e possibilitar o pleno uso a todos os documentos sob sua custódia. Apesar disso, busca-se
melhores condições de trabalho, pois já existe por parte da Instituição uma conscientização
dos principais responsáveis pela direção do Colégio Pedro II no que diz respeito a preservação
de seu patrimonio histórico-cultural.
São inúmeras as necessidades relacionadas à coleção de obras raras e especiais. Cabe
aos bibliotecários gerenciar suas coleções, conhecer as causas de deterioração dos materiais,
diagnosticar os danos sofridos pelos livros e até prescrever medidas de prevenção, mesmo
sabendo que a instituição de ensino em questão tem o seu orçamento pouco representativo em

3831

�relação às necessidades de manutenção e conservação do edifício e do acervo, seus recursos
humanos reduzidos e a falta de espaço físico apropriado para a manutenção desse tipo de
acervo histórico.
Diante de tantas dificuldades, ainda é possível evitar a total degradação do acervo,
mediante pequenas ações, tais como: a higienização periódica dos acervos históricos; a
monitaração do meio ambiente; parcerias e consórios de instâncias governamentais, agências
de fomento, bancos, comércio, indústria; elaboração de projeto para preservação e
conservação dos acervos; e, estabelecimento de critérios para a digitalização dos documentos.
A digitalização do acervo histório já vem gradativamente sendo realizada pelo Laboratório de
Digitalização do Acervo Histórico. Tal prática futuramente será expandida a todos os acervos
raros e coleções especiais como forma viável para a salvaguarda do patrimonio históricocultural do Colégio Pedro II.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho procurou mostrar a realidade do Colégio Pedro II, no que tange às
suas coleções raras/especiais. A preocupação e a responsabilidade de conservar uma
importante parcela do patrimônio histórico-cultural desta renomada instituição de ensino
devem garantir às gerações futuras o seu acesso. Sendo assim, as ações de gestão
biblioteconômica não mais comportam apenas atividades puramente técnicas. Numa época em
que o tema preservação do patrimônio torna-se amplamente discutido é imprescindível ter em
mente que uma política de preservação produz excelentes resultados que subsidiam a
implementação de medidas e ações voltadas para a preservação das coleções. Sendo missão
dos profissionais da documentação preservar a documentação para o futuro e prover o acesso
também no presente, esse pensamento se torna uma condição sine qua non.
O primeiro passo para o desenvolvimento de uma Política de Preservação parte do
inventário e diagnóstico da coleção. Assim o gestor ou curador poderá identificar a situação
real de suas coleções, cada item se individualiza, conhece-se seu real valor. Essa etapa
contribui para a tomada de decisão quanto às prioridades e no que tange a segurança das
coleções, oferecendo condições para articular medidas de sua salvaguarda.
Atividades voltadas para a preservação das coleções deveriam ser prioridades de
qualquer biblioteca de memória, centros de informação ou arquivos, uma vez que estão
relacionadas com o acesso e o uso de materiais como fontes de informação para a pesquisa.
Tal atividade não é luxo; é uma atividade necessária, considerando que “os livros são para

3832

�usar” (1a lei da Biblioteconomia, de acordo com Ranganathan). Através do uso,
inevitavelmente há o desgaste e consequentemente, a deterioração do documento.
Ainda com a restrição de investimentos em recursos financeiros, humanos e
tecnológicos, os profissionais que atuam no NUDOM não medem esforços para garantir a
preservação da memória educacional brasileira e a memória do Colégio Pedro II.
A importância, para o pesquisador, de ter contato com a fonte primária da informação
de seu interesse revela-se na qualidade dos resultados obtidos na pesquisa. O uso de fontes
primárias em pesquisas só será possível futuramente se a sociedade, a instituição de guarda e
o governo tiverem consciência do valor da preservação de seu patrimônio histórico-cultural.

REFERÊNCIAS
CARTER, Karin Kreismann. Educação patrimonial e biblioteconomia: uma interação
inadiável. Disponível em: &lt;http:// www.informacaoesociedade.ufpb.br/html/IS1420402&gt;.
Acesso em: mar. 2014.
FROES, Rosana Carla. Obras raras no Brasil: estudo dos critérios de raridade bibliográfica,
tratamento técnico e preservação das coleções.

1995. 157 p. Dissertação (Mestrado em

Biblioteconomia) - Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, 1995.
MORAES, Rubens Borba de. O bibliófilo aprendiz. Ou, prosa de um velho colecionador
para ser lida por quem gosta de livros, mas pode também servir de pequeno guia aos que
desejam formar uma coleção de obras

raras, antigas ou modernas. Brasília: Briquet de

Lemos, 2005.
PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz. Que é livro raro? Uma metodologia para o
estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença, 1989. 71 p.
______. O espírito e o corpo do livro raro: fragmentos de uma teoria para ver e tocar. Revista
Museu: cultura levada a sério, Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: &lt;http://
www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=1674&gt;. Acesso em: mar. 2014.
SOARES, Suelen Garcia. Organização e preservação de livros raros na Biblioteca
Nacional do Rio de Janeiro. 92 p. 2009. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) Universidade de Brasília, Brasília, 2009.

3833

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>O presente artigo apresenta um estudo sobre acervos raros e especiais. Aponta os conceitos e definições sobre a temática na perspectiva de especialistas da área. Trata das coleções especiais e acervos raros do Colégio Pedro II, uma instituição tradicional de ensino, que vem ao longo de sua trajetória de 176 anos de existência atuando para o desenvolvimento da educação brasileira. Em especial, identifica as obras raras do acervo antigo e das coleções especiais da Biblioteca Histórica e do conjunto bibliográfico, arquivístico e iconográfico do Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II. Aponta, ainda, um estudo sobre os critérios de raridade bibliográfica adotados pela Instituição, bem como a forma para tratamento e preservação de seus acervos raros e coleções especiais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DE FREQUÊNCIA E CONSISTÊNCIA EM INDEXAÇÃO

Hugo da Silva Carlos
Débora Soares de Brito Zanard
Anderson Scaramello
RESUMO
Analisa a consistência da indexação de um texto por diferentes pessoas, com base em estudos
anteriores pertencentes à área que abordam a análise de consistência através de cálculo de
frequência e coincidência de termos indexados. Com os primeiros dados da pesquisa ainda em
andamento foi possível identificar a frequência e posteriormente outros índices serão
analisados.
Palavras-Chave: Indexação; Consistência na indexação; Recuperação da informação;
Bibliotecas universitárias.
ABSTRACT
Performs consistency analysis of indexation of a text done by different people, based on
previous published studies in the area on consistency analysis through calculation of
frequency and coincidence of indexed terms. With the initial data analysis still in progress
could be identified the frequency, however others indexes are still under examination.
Keywords: Indexation; Consistency in indexing; Information retrieval; University libraries.

1 INTRODUÇÃO
A indexação é uma atividade técnica que tem como finalidade a recuperação da
informação, onde o conteúdo é analisado e identificado por meio de palavras-chaves
(assuntos) para auxiliar na recuperação de dados relevantes e pertinentes existentes em um
banco de dados bem como identificação de informações úteis que satisfaçam as necessidades
informacionais, poupando o tempo do usuário e evitando a recuperação de itens de menor
relevância. Sendo a indexação uma atividade intelectual subjetiva, há uma variação na seleção
dos termos por indexadores diferentes para o mesmo texto, o que implica na variação de
consistência dos termos, que é definida como a medida de similaridade da reação de
diferentes seres humanos processando a mesma informação. O presente trabalho tem por
objetivo responder à questão de pesquisa: Qual a relação entre o maior grau de coincidência e

2635

�o número médio de termos empregados, ou seja, a consistência dos termos indexados por
diferentes pessoas?

2 REVISÃO DE LITERATURA
Existe vasta literatura sobre Indexação, e a consistência é um aspecto de grande
relevância:
“A consistência na indexação é um elemento característico tanto do processo quanto
do resultado do tratamento temático da informação. Ela se caracteriza pelo grau de
semelhança na representação da informação documentária de um documento por meio
de termos de indexação selecionados por um ou vários indexadores, resultando em um
índice de consistência.” (GIL LEIVA, RUBI E FUJITA, 2008, p. 234).

Os estudos mais comuns sobre consistência costumam dividir-se em duas vertentes:
aqueles que focam aspectos relativos aos indexadores e aqueles que procuram métricas a fim
de produzir dados quantitativos sobre o tema:
“[...] parte importante da literatura está dedicada à quantificação da consistência, ou
seja, à obtenção de índices de consistência que vão desde o 1 ao 100%, mediante
fórmulas diversas de semelhança entre indexações, apoiando-se em diferentes aspectos
como a experiência (indexadores principiantes ou indexadores experientes) ou as
tipologias documentais” (livros, patentes, artigos de revista, fotografias, etc). (GIL
LEIVA, RUBI E FUJITA, 2008, p. 235).

Optou-se pela realização de análises quantitativas sobre consistência, aspecto
característico da indexação, utilizando-se de fórmulas matemáticas empregadas em estudos
anteriores. Em trabalho de Gil Leiva, Rubi e Fujita (2008, p. 238) que propõe atribuição de
pesos aos descritores comparados entre duas indexações e são utilizados para aplicar a
fórmula matemática desenvolvida por Gil Leiva (2008, p. 236) que seja:
Tco

Cl = (_A + B ) - Tco

Onde:
Ci = Índice de consistência
Tco = Número de termos comuns nas duas indexações
A = Número de termos usados na indexação A
B = Número de termos usados na indexação B
Além da comparação entre duas indexações para validar a consistência, também se
utilizou para este trabalho a análise de frequência de ocorrência de termos entre diversos
indexadores sobre um mesmo texto, uma vez que a literatura da área relaciona a frequência de

2636

�ocorrência de uma palavra em um documento com a sua capacidade de melhor representar
tematicamente seu conteúdo:
“O método de freqüência de palavras foi o primeiro a surgir. Foi proposto por
Luhn em 1957 e 1958. O autor demonstrou em seus trabalhos que a freqüência
de uma palavra em documentos está diretamente relacionada com a
capacidade dessa palavra de/para representar o conteúdo do documento, a
nível de indexação e de recuperação da informação. As palavras mais
adequadas para a indexação serão as que possuírem média freqüência.”
(VIEIRA, 1988 p. 48-49).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O artigo de divulgação científica “Alteração genética gera tomates duplos: plantas
com produção aumentada de um determinado micro-RNA produzem frutos modificados”320 ,
de autoria de Maria Guimarães, texto com 466 palavras em 10 parágrafos em apenas uma
lauda (disponível em apêndice) foi selecionado como ponto de partida da pesquisa e deveria
ser indexado por usuários da biblioteca da Universidade Federal do ABC.
Para a pesquisa foram escolhidas pessoas sem treinamento em indexação,
considerando que isso deixaria os termos escolhidos mais próximos da experiência de um
usuário ao escolher palavras de forma espontânea em uma pesquisa no catálogo da biblioteca.
Juntamente com o artigo impresso, foram distribuídos formulários, pranchetas, lápis e
borrachas. Foram informados do objetivo da presente pesquisa e receberam instruções de
procedimento, para sua realização. Na abordagem foi explicado brevemente o que é
indexação, sua importância e finalidade.
Contamos com dez participantes no total, que após a análise do texto transcreveram no
anexo ou sublinharam no mínimo três termos, que representassem o conteúdo do artigo com a
finalidade de possibilitar sua localização em uma base de dados.
Na orientação, ressaltamos que assim como estava exposto no anexo, não havia
restrições ou critérios na escolha dos termos, os termos definidos pelo participante não
precisariam constar necessariamente no documento, poderiam ser escolhidos termos
compostos de mais de uma palavra, poderiam ser escolhidos quantos termos se desejasse,
porém no mínimo três e que não havia tempo pré-estabelecido para a conclusão. Por não
haver limite de tempo para a realização, os materiais foram devolvidos em momentos
diferentes, os participantes levaram em média de 10 a 30 minutos na execução da atividade.

320 Artigo disponível no sítio eletrônico: http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/04/28/alteracao-genetica-geratomates-multiplos/

2637

�Os dados colhidos foram tabulados e utilizados para a obtenção das seguintes
informações:
• Frequência dos termos;
• Análise de coincidência entre pares de indexadores;
• Verificação de percentual de termos existentes e não existentes no corpo do
texto;
• Verificação da relação entre o maior grau de coincidência e o número médio de
termos empregados.
4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Todos os voluntários indexaram o texto com mais de três (3) termos, que foi o mínimo
solicitado, havendo sido empregados em média seis (6) termos por indexador, sendo que três
voluntários empregaram nove (9) termos. O total de termos únicos utilizados foi de cinquenta
e quatro (54), onde apenas nove (9) deles ocorreram em mais de uma indexação.
Como este trabalho ainda está em andamento, apenas a primeira das análises
pretendidas foi realizada, ou seja, a verificação da frequência com que cada termo ocorreu
entre o grupo de voluntários, e esses dados são apresentados na tabela e quadro abaixo.

Quadro 5 - Nuvem de termos com a frequência de ocorrência de termos na
indexação
Luiz Queiroz
.
material genético agricultura
Genetica
m j_
D M A
IC C
Geraldo Silva
m iC rO -U lN A ID O tomateiro Micro-TomFábio Nogueira f|or (j0 tomateiro
mutação genética
agrícola- micro-Tom p
* . .
tomates mú|tip|os
anomalias genéticas

1111 ^

| U

“ | \

|\ |

engenharia genética

o i i f o ç ♦ 't o n c Ò P I I I P Í Í ç
diversos aspectos das plantas
p ia l IW O U a I lo g C I llO a o
controle da arquitetura vegetativa
arquitetura vegetativa .
Lázaro Peres ~
&gt; _ ■
hormônios vegetais

a|teraçao genetica'™te

to m a te s Esalcfusp gené-ca
W W W
formação de frutos manipulação genética
capacidade de se diferenciar Q K I A desenvolvimento de frutos
mutagênese
células variação nos tomates | \ |
órgão determinado produção controlada
anomalias genéticas em frutos diferenciação celular
genética e frutos
pesquisa genética
frutos modificados
t
. .
m,it=.rãn dônira
transgênia identidade celular
moléculas de RNA transgemcos mutaçao gemca
tomateiros
vegetais the Plant Journal
pesquisa

2638

�Tabela 1 - Termos tabulados, organizados por frequência em que apareceram entre as
dez indexações_______________________________ _______________________________
Termo
agrícola
agricultura
alteração genética
anomalias genéticas
anomalias genéticas em frutos
arquitetura vegetativa
biotecnologia
capacidade de se diferenciar
células
controle da arquitetura vegetativa
desenvolvimento de frutos
diferenciação celular
diversos aspectos das plantas
engenharia genética
Esalq-USP
Fábio Nogueira
flor do tomateiro
formação de frutos
frutos
frutos modificados
genética
genética e frutos
Geraldo Silva
hormônios vegetais
identidade celular - (Genética)
identidade das células
Lázaro Peres
Luiz Queiroz
manipulação genética
material genético
micro-RNA
micro-RNA 156
micro-Tom
miR 156
moléculas de RNA
mutação genética
mutação gênica
mutagênese
órgão determinado
orgãos vegetais
pesquisa
pesquisa genética
plantas transgênicas
produção controlada
RNA
the Plant Journal
tomateiro Micro-Tom
tomateiros
tomates
tomates múltiplos
transgênia
transgênicos
variação nos tomates
vegetais

Frequência
1
1
3
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
3
2
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
3
1
1
1
5
1
1
1
1
1

2639

�A nuvem de palavras apresena os dados sem hierarquia ou correlação entre elas,
porém permite visualizar os termos mais utilizados para indexação do artigo ao apresentar
palavras com tamanho da fonte proporcionais ao número de ocorrências utilizadas entre os
indexadores. Foi construída com o auxílio do sítio online wordle.net

, gerador de nuvens de

tags. As palavras mais frequentes foram: Tomate (05 ocorrências), Frutos (05 ocorrências),
seguidos de alteração genética (03 ocorrências), micro-RNA (03 ocorrências) e RNA (03
ocorrências).

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Até o momento verificou-se a frequência dos termos entre as indexações apresentadas
na pesquisa. Constata-se que a análise de consistência pode colaborar significativamente na
investigação de outros aspectos relevantes da indexação de documentos, como por exemplo, a
relação da exaustividade da indexação com um número “ideal” de termos indexadores. A
análise dos dados também aponta a necessidade de realizar uma comparação de consistência
de indexação realizada de forma espontânea, como se propôs o estudo, com uma indexação
realizada com auxílio de vocabulário controlado, para que se promova a aplicação de uma
política de indexação cada vez mais eficaz e capaz de atender as expectativas de seu público
alvo.

6 REFERÊNCIAS
GIL LEIVA, Isidoro; RUBI, Milena Polsinelli; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes.
Consistência na indexação em bibliotecas universitárias brasileiras. TransInformação,
Campinas, v. 20, n. 3, p. 233-253, 2008. Disponível em: &lt; http://periodicos.puccampinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/523/503&gt;. Acesso em: 12 maio 2014.
GUIMARÃES, Maria. Alteração genética gera tomates duplos: plantas com produção
aumentada de um determinado micro-RNA produzem frutos modificados. Pesquisa Fapesp,
São

Paulo,

n.

218,

abr.

2014.

Disponível

em:

&lt;http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/04/28/alteracao-genetica-gera-tomates-multiplos/&gt;.
Acesso em: 12 maio 2014.
PINHEIRO, Lena Vânia Ribeiro. Medidas de consistência da indexação: interconsistência.
Ci. Inf., Brasília, v. 7, n. 2, p. 109-114, 1978.

321 Disponível em: http://www.wordle.net/ acesso em maio 2014.

2640

�SOUSA, Sandra Cristina Santos. Consistência na indexação em bibliotecas universitárias
de enfermagem/saúde em Portugal. 2012. 152 f. Dissertação (Mestrado) - Programa de PósGraduação em Ciências da Informação e Documentação, Faculdade de Filosofia,
Universidade Católica Portuguesa. Disponível em: &lt; http://catalogo.braga.ucp.pt/&gt;. Acesso
em: 12 maio 2014.
VIEIRA, Simone Bastos. Indexação automática e manual: revisão de literatura. Ci. Inf.,
Brasília, 17 (1): 43-57, jan./jun. 1988.

APÊNDICE
Alteração genética gera tomates múltiplos
Plantas com produção aumentada de um determinado micro-RNA produzem frutos
modificados
MARIA GUIMARÃES | Edição Online 23:16 28 de abril de 2014

Que um tomate é redondo, ou talvez oval, ninguém duvida. Mas há quem tente entender por
quê. É o caso do grupo coordenado pelo engenheiro agrônomo Fábio Nogueira, da Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). Eles
acabam de mostrar que pequenas moléculas de RNA são centrais na transformação do ovário,
na flor do tomateiro, em fruto. Em artigo publicado este mês na revista The Plant Journal,
eles mostram que um excesso dessas moléculas pode gerar tomates muito esquisitos, dos
quais brotam outros frutos - como se fossem braços ou verrugas múltiplas - e até mesmo
folhas ou flores.
“Um fruto é um órgão determinado”, explica Nogueira. “Depois que está feito, acabou.” É
diferente de outros órgãos, como por exemplo os caules: as células que fazem parte deles têm
a capacidade de se diferenciar em outros tipos de células e dar origem a outras partes da
planta, como folhas e espinhos. Estudos de outros grupos já sugeriam que esse trecho do
material genético - um micro-RNA identificado como miR 156 - afeta a identidade das
células no que diz respeito à capacidade de se diferenciar.
Nogueira tinha detectado essas moléculas em seus trabalhos com cana-de-açúcar que, por
motivos óbvios, não é um bom modelo para investigar a formação de frutos. Os tomateiros
em miniatura do tipo Micro-Tom cultivados pelo grupo do agrônomo Lázaro Peres, na Esalq,
são ideais para esse tipo de pesquisa não só por ocuparem menos espaço mas também por
serem mais fáceis de manipular geneticamente. Para esse trabalho, pesquisa de mestrado de

2641

�Geraldo Silva, o grupo usou plantas transgênicas que produziam um excesso do micro-RNA
156 e examinou todos os frutos que nasceram. Em todas as plantas, observaram alterações nos
frutos. “Chegamos a ver até primórdios de órgãos florais brotando dos tomates”, conta
Nogueira.
Para ele, entender essa via de regulação é importante não só pelo conhecimento científico,
mas também por motivos comerciais. “Entender o que está por trás da variação nos tomates
pode permitir alterar o formato dos frutos e aumentar a produção e a aceitação”, exemplifica.
Os tomateiros mutantes também são menos produtivos em termos do número de frutos. No
doutorado, Silva vai investigar a relação entre os micro-RNAs e os hormônios que regulam
diversos aspectos das plantas, como o seu crescimento.

Projeto
Análise funcional do papel de micro-RNAs no controle da arquitetura vegetativa e
desenvolvimento

de

Regular Pesquisador

frutos

(n°

2012/51146-2); Modalidade Auxílio

responsável Fabio

Tebaldi

Silveira

à Pesquisa

Nogueira

-

(Esalq-

USP) Investimento R$ 320.851,93 (FAPESP).
Artigo científico
SILVA G. F. F. et al. MicroRNA156-targeted SPL/SBP-box transcription factors regulate
tomato ovary and fruit development. The Plant Journal. 7 abr 2014.

Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/04/28/alteracao-genetica-gera-tomates-multiplos/

2642

�Formulário de coleta de assuntos

Introdução:

A presente pesquisa quer saber que palavras as pessoas escolheriam para representar este
texto, esta atividade é conhecida como Indexação, processo de identificar palavras-chaves
(assuntos) que poderiam auxiliar na busca do tema.

Instruções para a indexação:

Leia o artigo e, segundo sua opinião, escolha livremente palavras que representem-no e
possam auxiliar sua recuperação em bancos de dados.

Observações:

•

Não há restrições ou critérios na escolha dos termos;

•

Os termos selecionados não precisam necessariamente constar no texto;

•

Podem também ser utilizados termos compostos (ex.: análise de conteúdo, modelos de
análise de documentos, etc.);

•

Utilize no mínimo três termos;

•

Não há limite de tempo para conclusão.

2643

�</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROCESSAMENTO DA LINGUAGEM NATURAL NA ÁREA DE MÚSICA: técnicas
e tecnologias

Juliana Rabelo do Carmo
Valdirene Pereira da Conceição

RESUMO
Estudo exploratório sobre extração automática de conceitos com base no Processamento da
Linguagem Natural (PLN). O objetivo da pesquisa consiste em analisar o cenário práticoconceitual da extração automática, visando a sistematização e organização de ferramentas de
gestão terminológica e recuperação da informação por meio da estruturação de um
vocabulário da área de Música. Apresenta os fundamentos da representação da informação e
explica as ferramentas semânticas para interpretação organizada de estruturas do
conhecimento, bem como as expressões de conceitos de um domínio, que representam a
maior proximidade entre a linguagem ou termos utilizados pelos usuários em sistemas de
buscas. Discorre sobre a categorização de domínios de especialidade fundamentada por
Ranganathan. Expõe o PLN como sub-área da Linguística Computacional, que propicia a
extração de termos com maior precisão semântica para recuperação da informação em
sistemas de busca automatizados. Caracteriza os níveis, limitações e a arquitetura do PLN em
bancos de dados, representados pelo léxico e acessado por analisadores léxicos, sintáticos e
semânticos. Indica as tipologias de softwares para processamento de corpus e extratores de
candidatos a termos, dividindo-os em três categorias: estatísticos, linguísticos e híbridos.
Aborda o Domínio Musical em suas várias facetas de expressão, artística, antropológica e
representação da informação musical. A metodologia e a descrição da pesquisa caracteriza-se
como pesquisa aplicada, de natureza descritiva, utiliza os procedimentos de pesquisa
bibliográfica e documental das áreas de CI, Linguística, Computação e Música, assumindo
assim, o caráter interdisciplinar. Emprega o modelo de pesquisa em PLN, com o corpus
composto pela amostra de 10 dissertações e 10 teses, disponíveis em 11 bases de dados de
Programas de Pós Graduação em Música no Brasil e na Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD), e 30 artigos de revistas científicas especializadas em Música, ambos os
gêneros técnico-científicos produzidos entre os anos de 2003 à 2013. Utiliza o ambiente
colaborativo de gestão terminológica, E-termos, para extração automática de termos, que irão
compor o vocabulário controlado do domínio musical. Apresenta como resultados um corpora
classificado como grande em termos quantitativos, composto por 424 textos com um total de
9.482.246 palavras, fato que implica na obtenção de um nível de representatividade alta de
termos, classificada como médio-grande para construção do vocabulário de Música. Mostra as
etapas executadas pelo E-termos para compilação, análise de corpus, contadores de freqüência
e extração automática de termos. Apresenta o comparativo entre as categorias estruturadas por
indexação manual e extração automática. Conclui indicando que a extração automática
baseada em PLN constitui-se de uma ferramenta efetiva para a tradução da linguagem natural,

3532

�utilizando as expressões utilizadas para a busca da informação como objetos lingüísticos e
rapidez na construção de terminologias.
Palavras-Chave: Processamento da Linguagem Natural
Informação; Semântica Lexical; Domínio de Música.

(PLN); Representação da

ABSTRACT
Exploratory study on automatic extraction of concepts based on Natural Language Processing
(PLN). The objective of the research is to analyze the practical and conceptual scenario of
automatic extraction, aimed at systematizing and organizing terminology management and
retrieval of information by structuring a vocabulary of the music area tools. Presents the
fundamentals of information representation and explains the semantic tools to organized
structures of knowledge interpretation, as well as expressions of concepts in a domain,
representing the closeness between the language or terms used by users in search systems.
Discusses the categorization of domains supported by Ranganathan specialty. Exposes the
PLN as a sub-field of Computational Linguistics, which facilitates the extraction of terms
with higher accuracy for semantic information retrieval in the automated search systems.
Features levels, limitations and the architecture of PLN in databases, represented by the
lexicon and accessed by lexical, syntactic and semantic parsers. Indicates the types of
software for processing and corpus extractors candidate terms, dividing them into three
categories: statistical, linguistic and hybrids. Domain addresses the Musical in its various
facets of expression, artistic, anthropological and representation of musical information. The
methodology and the description of the research is characterized as applied, theoretical and
exploratory research includes procedures for bibliographic research and document the areas of
CI, Linguistics, Computer Music, thus providing the interdisciplinary character. Employs the
research model in PLN, with the corpus of the sample of 10 dissertations and 10 theses
available in 11 databases of Graduate Programs in Music in Brazil and the Digital Library of
Theses and Dissertations (BDTD), and 30 articles in technical journals in Music, both
technical and scientific genres produced between the years 2003 to 2013. Uses collaborative
environment terminology management, E-terms for automatic extraction of terms, which will
compose the controlled vocabulary of the music sector . Displays results as one corpora
classified as large in quantitative terms, composed of 424 texts with a total of 9,482,246
words, a fact that implies in obtaining a high level of representativeness of terms, classified as
medium-to large vocabulary building Music . Shows the steps performed by the E-terms to
build, corpus analysis, frequency counters and automatic extraction of terms. Presents the
comparison between the structured for manual indexing and automatic extraction categories.
Concludes indicating that the automatic extraction based on PLN constitutes an effective tool
for the translation of natural language, using the keywords used for the search of information
as linguistic objects and speed in building terminologies.
Keywords: Natural Language Processing (PLN); Representation of Information; Lexical
Semantics; Domain Music.

1 INTRODUÇÃO
A necessidade de estudos na perspectiva da representação e recuperação da
informação em documentos musicais possui uma longa trajetória de discussões na área da
Ciência da Informação, uma vez que os catálogos bibliográficos não compreendem a

3533

�linguagem de indexação de modo a suprir as necessidades dos usuários na realização de
buscas. Antonio (1994, p. 3) apregoa que
[...] as dificuldades da comunidade musical na busca e sistematização das
informações são crescentes [...] Essa situação aponta para a necessidade de
desenvolver estudos que visem conhecer e sistematizar as condições da
pesquisa e da organização da informação em música.

Outro ponto que apoia essa problemática consiste na escassez de ferramentas para
pesquisa nos acervos de música, conforme expõe Mannis (2006, p. 2) “[...] não são muitas as
fontes de documentação musical no Brasil possuindo acervos catalogados em sistemas
automatizados [...]”. Ou seja, urge a necessidade de ação do bibliotecário frente a esse cenário
e considera-se o importante papel do profissional da informação com conhecimento em
assuntos específicos para possibilitar maior possibilidade de operacionalização de materiais
com características peculiares.
As motivações que levaram à sistematização da terminologia desta área do
conhecimento, e o consequente interesse pela elaboração de um vocabulário são originadas
por diferentes ordens: profissional, na Ciência da informação, no sentido de identificar
ferramentas de representação da informação musical, bem como da necessidade de
instrumentos de controle terminológico nesta área que possibilite a identificação dos itens
lexicais recorrentes.
O objetivo dessa pesquisa está em analisar o cenário prático-conceitual da
extração automática e representação da informação, com ênfase na sistematização,
organização e o uso de ferramentas de gestão terminológica para fins de recuperação da
informação por meio da estruturação de um vocabulário controlado do domínio musical, com
vistas a compreender como estes conceitos extraídos contribuem para representar tais
materiais como fontes de informação.
Concomitante aos propósitos apresentados, a discussão proposta pretende, antes
da atribuição de categorias e conceitos/léxicos para construção de um vocabulário, aborda o
léxico musical, apontando para a interpretação correta dos termos tratados, situando-os na
perspectiva da representação da informação, além de conferir-lhe o respectivo significado e
possibilitando relações entre outros conceitos.

2 REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO E SEUS FUNDAMENTOS
A Ciência da Informação é uma disciplina que investiga as propriedades e o
comportamento da informação, as forças que governam seu fluxo e os meios de

3534

�processamento para otimizar sua acessibilidade e utilização. Fundamenta-se através da
produção, coleta, organização, armazenagem, recuperação, interpretação, transmissão,
transformação e utilização da informação.
O termo recuperação da informação, cunhado por Mooers (1951) buscava
representar “[...] aspectos intelectuais da descrição de informações e suas especificidades para
a busca, além de quaisquer sistemas, técnicas ou máquinas empregados para o desempenho da
operação.”. Oliveira (2011) corrobora ainda apresentando três questões implícitas no
enunciado de Mooers: a) como descrever intelectualmente a informação; b) como especificar
intelectualmente a busca; e, c) que sistemas, técnicas ou máquinas devem ser empregados.
Convém ainda ressaltar a explosão de informações científicas, que originou a
necessidade de uma documentação automatizada, tornando fundamental o uso das
contribuições da Linguística para suprir as necessidades da documentação neste contexto.
Resgatando os ideais da Semântica sobre significado, as suas contribuições para a indexação
são significativas no que diz respeito à pesquisa em processamento automático de texto, em
especial, nos estudos de indexação automática onde se buscam soluções baseadas no modelo
lingüístico.
Para tanto, o processo de Indexação destaca-se por entender que esta é a etapa que
está diretamente relacionada com a busca dos usuários, que também são considerados
instrumentos de representação, organização e recuperação da informação nas bases de dados.
Robredo (2005, p. 165) complementa ainda que “a indexação consiste em indicar o conteúdo
temático de uma unidade de informação, mediante a atribuição de um ou mais termos (ou
códigos) ao documento, de forma a caracterizá-lo de forma unívoca.”.
Um aspecto para análise da Indexação consiste nas dificuldades de extrair de
forma precisa os assuntos a serem buscados pelos usuários, Mai (2001, p. 606) explica a
limitação ao expor que:

Seria quase impossível, naturalmente, para qualquer pessoa ou, neste caso,
qualquer indexador, precisar todas as idéias e significados que estivessem
associados a qualquer documento, posto que sempre haverá idéias e
significados potenciais que diferentes pessoas em diferentes momentos e
lugares poderão descobrir nesse documento. Além do que, seria quase
impossível prever com exatidão quais das inúmeras idéias e significados que
estivessem associados ao documento seriam especificamente úteis para os
usuários ou dariam ao documento alguma utilidade duradoura. É de máxima
importância reconhecer e aceitar essa indefinição fundamental. O indexador
deve compreender, desde o início, que jamais descobrirá todas as idéias e
significados que estariam associados ao documento e que, portanto, não é
possível descrever todas essas idéias e significados.

3535

�Para suprir essa lacuna, alguns fatores possuem influência na exatidão no processo
de busca dos termos descritores, ou seja, por meio da adequação de critérios pode-se obter a
qualidade da Indexação, apoiada nas considerações de Guinchat e Menou (1994, p. 180), no
que diz respeito aos pontos: exaustividade; seletividade; especificidade; e uniformidade,
porém, Dias e Naves (2007, p. 33) revelam que tais critérios são difíceis de serem
operacionalizados. Tais questões precisam ser observadas visando obter uma indexação
orientada para o usuário, conforme adverte Mai (2000, p. 294):
Se se focalizar exclusivamente o aspecto da representação, ignorando os
usuários futuros, corre-se o risco de representar os documentos de uma
forma que não terá qualquer serventia para os usuários. Um indexador que
não dê muita atenção nos usuários poderá optar por representar assuntos de
documentos que não tenham interesse para eles, ou usar um vocabulário
diferente do vocabulário deles, ou representar o assunto em nível que seja
muito genérico ou muito específico para eles. No entanto, se o indexador der
excessiva atenção aos usuários do sistema, poderá representar os
documentos numa forma tal que a representação temática dos documentos
somente atenda aos usuários atuais e às necessidades de informação atuais.

Trata-se da observação da linguagem natural utilizada pelo usuário para descrever
um determinado assunto; da percepção do indexador para esse aspecto; e a aplicação da
linguagem documentária. Compreendem-se as linguagens documentárias como “[...] o
conjunto de termos, providos ou não de regras sintáticas, utilizadas para representar conteúdos
de documentos técnico-científicos com fins de classificação ou busca retrospectiva de
informações [...]” (GARDIN apud CINTRA et al., 2002, p. 35), com o intuito de facilitar a
comunicação entre a linguagem natural dos usuários e a unidade de informação, bem como
representar os conteúdos dos documentos. (TRISTÃO; FACHIN; ALARCON, 2004).

2.1 Compreendendo a categorização de domínios de especialidade
Ranganathan (1967) estrutura cinco idéias (ou categorias) fundamentais, que
podem ser compreendidas como “[...] categorias as mais genéricas possíveis e passíveis de se
manifestarem de diversas formas, capazes de hospedar todos os objetos da natureza até então
conhecidos pelo Homem, e de classificá-los de acordo com sua natureza conceitual, cada um
numa e somente numa categoria.”, ou seja, os níveis elencados servem como bases para uma
classificação flexível de um determinado domínio, bem como as relações conceituais
existentes nas categorias. As Cinco Categorias Fundamentais são apresentadas do seguinte
modo:

3536

�Há cinco e somente cinco Categorias Fundamentais; são elas: Tempo,
Espaço, Energia, Matéria e Personalidade. Estes termos e as idéias denotadas
são usadas estritamente no contexto da disciplina de classificação. Não têm
nada a ver com seu emprego em Metafísica ou Física. Em nosso contexto,
seu significado pode ser visto somente nas declarações sobre as facetas de
um assunto - sua separação e sequência. Este conjunto de categorias
fundamentais é, em síntese, denotado pelas iniciais PMEST.
(RANGANATHAN, 1967, p. 398, grifo nosso).
Para o autor, as facetas equivalem a ramificações dentro de um assunto para fins
de classificação, sendo atribuídos a cada categoria os seguintes sentidos: Tempo, onde se
atribui aspectos como milênio, século, década, ano, etc., características específicas como dia,
noite, verão e inverno, e qualidade meteorológica como úmido, seco, tormentoso; Espaço, no
que diz respeito aos ambientes geográficos da Terra, dentro e fora dela, tais como países,
estados, etc.; Energia, onde suas as manifestações de uma espécie sobre a outra, exigindo
assim um cuidado maior para sua compreensão, haja vista que esta ação pode ocorrer entre
espécies de entidade, inanimada, animada, conceitual, intelectual e intuitiva.
Expõe ainda as facetas: Matéria, sendo que esta categoria subdivide-se em duas
espécies, material e propriedade, e consiste basicamente na percepção que as propriedades
estão, na maioria das vezes, intrinsecamente ligadas ao material, constituindo-se assim como
uma de suas propriedades; e por fim, a Personalidade, que se apresenta indefinível por
Ranganathan, cabendo a sua atribuição somente no caso de negação à todas as outras
categorias. Ranganathan mostra ainda que cada categoria de um domínio de conhecimento
possui renques e cadeias para organização dos conceitos em estruturas classificatórias
hierárquicas.
Para o teórico, os renques e cadeias se diferem de acordo com as características de
divisão: enquanto os renques formam séries horizontais, a partir de uma única característica,
listando assim todos os conceitos relacionados de um aspecto, enquanto nas cadeias cada
conceito possui uma característica a mais ou a menos, podendo ser descendente ou ascendente
(CAMPOS; GOMES, 2003, p. 161). Entende-se a categorização como estruturas de
ordenação para fenômenos agrupados e relacionados, com base em suas diferenças, com base
na “[...] ocorrência de características comuns em diversos membros, ou seja, o conceito na sua
mais ampla extensão.” (ARTÊNCIO, 2007, p. 72).
Isso significa dizer que a categorização nada mais é do que a estruturação de
conceitos gerais de um domínio que se relacionam com os conceitos específicos de acordo
com seus atributos. O exemplo na Tabela x apresenta alguns exemplos de categorizações do
domínio musical.

3537

�Tabela 1: Exemplos de categorias, subcategorias e termos do domínio de Música
CATEGORIAS
Instrumentos musicais

SUBCATEGORIAS
• Instrumentos de sopro
•

TERMOS/DESCRITORES
Flauta doce
Tuba

Instrumentos de cordas Violão
Guitarra
Contra-baixo

Fonte: a autora

O exemplo mostra que dentro de cada categoria existem várias subordinações de
acordo com as características dos conceitos, como por exemplo, na categoria instrumentos
musicais, as subcategorias subsequentes podem ser instrumentos de sopro, instrumentos de
cordas, etc., de acordo com o exemplo citado. As subcategorias irão abrigar os termos de
acordo com o nível de especificidade são vinculados os conceitos pertencentes a cada
categoria, fato que reforça a ideia de categoria enquanto conceitos gerais de um domínio.
Em suma, a categorização utiliza o princípio de associação para representar um
domínio ou conceito, ou seja, quando a categoria Música é citada para busca, a necessidade
específica de informação pode ser relacionada a instrumentos musicais, gêneros, partituras,
Etnomusicologia, entre outros aspectos deste domínio.
Desse modo, considera-se a categorização como uma forma de organização de
Sistemas de Recuperação da Informação com a finalidade de facilitar a recuperação da
informação, sendo consideradas flexíveis e mutáveis de acordo com a abordagem a ser
utilizada de um conceito.

3 PROCESSAMENTO DA LINGUAGEM NATURAL (PLN): algumas considerações
Dentre os vários eixos de estudo da área de Computação, a Inteligência Artificial
centraliza-se em desenvolver métodos para que os computadores realizem tarefas de modo a
simular a inteligência humana na resolução de problemas. A comunicação e o uso da
linguagem em sistemas originaram a necessidade da tradução da linguagem humana para a
linguagem artificial, utilizada pelos computadores, constituindo assim uma de suas bases de
estudo.
Nesta perspectiva, como um ramo da IA surge a Linguística Computacional, que é
definida por Vieira e Lima (2001, p. 1) como “[...] a área de conhecimento que explora as
relações entre linguística e informática, tornando possível a construção de sistemas com
capacidade de reconhecer e produzir informação apresentada em linguagem natural.”. A

3538

�Linguística Computacional possui duas sub-áreas, que compreendem a Linguística de Corpus
e o PLN.
O PLN tem sido estudado pela área da CI na perspectiva teórica, em especial no
campo da Indexação e Recuperação da Informação, por entender que os softwares baseados
neste modelo propiciam a extração de termos com maior precisão semântica para recuperação
da informação em sistemas de busca automatizados. McDonald e Yazdani (1990, p. 176)
corroboram com a assertiva de que “[...] a pesquisa em PLN pode proporcionar insights
bastante úteis sobre processos e representações da linguagem na mente humana, apontando,
assim, para a verdadeira IA.”. Em suma, a aplicação do PLN refere-se às áreas de: acesso a
banco de dados; recuperação da informação; extração da informação; tradução automática e
geração de resumos.
O PLN subdivide-se em níveis de análise e/ou estudo que compreendem: a
interpretação, onde são desenvolvidas questões relativas ao estudo da língua de modo que as
palavras se tornem compreensíveis pelo computador e, consequentemente, o armazenamento
para que ocorra a utilização destas palavras em sistemas, tomando como exemplo os
tradutores (ou chatterbots); e de geração, que ocorre de forma inversa, a partir da inclusão de
termos ou expressões, o computador adquire a capacidade de traduzir a compreensão do
sistema para a linguagem natural por meio de estruturações semânticas pré-determinadas, no
caso dos resumos e palavras-chave.
Nesta perspectiva, o PLN enquanto Sistema baseado no Conhecimento utiliza-se
de cinco alicerces: gramática, léxico e o modelo de discurso, ou seja, as informações sobre a
língua; modelo de domínio, a ser aplicado; e modelo do usuário que utiliza o sistema
(NUNES et al., 1999). O nível morfológico consiste na definição da estrutura de palavras,
bem como a significação e função de cada palavra na frase (adjetivo, substantivo, verbo, etc.);
nível sintático, por meio da análise da construção gramatical, suas relações entre unidades
linguísticas e sua colocação (sujeito, predicado verbal, etc.); nível semântico, onde as palavras
são analisadas pelo seu significado, a partir da análise sintática; nível do discurso,
compreensão do significado da palavra a partir do contexto em que ele está inserido; nível
pragmático, onde ocorre a compreensão do conteúdo da frase ou texto, a partir da
determinação de sua tipologia (pergunta, afirmação) (NUNES et al., 1999).
Em contrapartida, dentre as vantagens do uso do PLN estão: a eliminação da
necessidade de adaptação a formas inusitadas de interação, cuja construção gramatical
costuma ser de difícil aprendizado e domínio, a exemplo das linguagens de consulta de
bancos de dados (NUNES, 2007, apud NANTES, 2008, p. 26); o usuário não precisa entender

3539

�o funcionamento de um banco de dados, ele apenas deseja que o resultado da pesquisa seja
mostrado de forma simples e objetiva (GARIBA et al., 2005 apud OLIVEIRA; TONIN;
PRIETCH, 2010, p. 2); é possível ainda, o entendimento de consulta com erros (termos
digitados erroneamente) e incompletas, buscando por palavras próximas e pelo contexto da
conversação (SILVA; LIMA, 2007, p. 2). Para tanto, basta que o usuário tenha um
conhecimento básico da área - e ainda, assunto ou domínio -, da especialidade da base de
dados.
3.1 Softwares de processamento de corpus
Na Linguística de corpus, o corpus de um determinado léxico pode ser analisado
por várias óticas e/ou critérios. Candido Junior (2008, p. 3) explica que:
Os softwares para processamento de córpus podem ser agrupados em quatro
grandes categorias, de acordo com a etapa de construção de córpus na qual
são usadas: compilação de textos (por exemplo, reconhecedores ópticos de
caracteres ou mineradores Web), anotação (por exemplo, editores de XML e
etiquetadores sintáticos), acesso a córpus (por exemplo, concordanceadores e
contadores de frequências) e extração de conhecimento (por exemplo,
tradutores de máquinas e sumarizadores).
Isso significa dizer que em suma o processamento de corpus visa a extração de
termos precisos o que nos remete à Terminologia, tendo como resultado principal deste
processo, a constituição de glossários, dicionários, vocabulários controlados e tesauros, com
auxílio das ferramentas computacionais, que no caso são os softwares extratores. De acordo
com Bagot (1999), a metodologia para utilização de termos ou sistemas extratores de
candidatos a termos classificam-se em três categorias: sistemas baseados em conhecimento
estatístico; sistemas baseados em conhecimento linguístico e; sistemas híbridos, dentre os
quais destacamos como exemplo, por tipologias:
•

Estatísticos: Pacote NSP (N-gram Statistics Pack-age); Corpógrafo; XExtractor;

•

Linguísticos: WebCorp, Unitex, GATE (General Architecture for Text Engineering);
LácioWeb; Syntex; ExatoLP;

•

Híbridos: OntoGen.

A partir destas considerações iniciais, vale ressaltar que o PLN não é um modelo
de recuperação da informação, e sim um método de interação que pode ser efetivado em
sistemas de informação (ou bancos de dados específicos) visando interpretar de forma mais
precisa possível a linguagem dos usuários, focando o texto, uma vez que as expressões
utilizadas para busca da informação são constituintes dos objetos linguísticos.

3540

�4 O DOMÍNIO MUSICAL COMO MEIO DE EXPRESSÃO
A Música é um elemento fundamental nas diversas dimensões da vida humana.
Como dado coletivo, social, a música reflete o meio ou a situação em que estamos inseridos.
E neste mesmo sentido, marca e identifica gerações. Compõe-se por informações de cunho
artístico, que diverge da informação textual pela forma de expressão do seu conteúdo, que
podem ser representados por sons, partituras, áudio digital, entre outros, que possuem uma
linguagem que necessitam de representações específicas.
Na perspectiva filosófica educacional as influências das Artes, em especial a
Música, tiveram seus reflexos registrados na história. Na Grécia, a Música era diretamente
relacionada à Filosofia e à Educação, acreditava-se que os seus efeitos agiam diretamente
sobre a mente, corpo e alma, e por estes motivos, eram restritas somente aos cidadãos livres.
A Música trata-se de um elemento antropológico-cultural, que embora se origine e
se desenvolva na esfera dos sentimentos, das emoções, do gosto pessoal, da sensibilidade e da
subjetividade, tem também uma objetividade, cujas fontes se encontram no ambiente natural,
histórico e social do povo. Para Queiroz (2000, p. 17)
O conteúdo musical trata da mensagem, de caráter emocional, presente na
música. Ou dizendo de outro modo, o conteúdo musical é aquilo que a
música transmite, o estado que a música porta. E, por mais contestação que
possa haver quanto à definição do quê ela porta, deve ser claro que algo ela
porta. [...] quando verdadeiramente artístico, dá testemunho da verdade e da
harmonia possível a vida - em uma forma compreensível à sensibilidade
emocional.

Assim, pode-se afirmar que a Música reflete o que somos, o nosso modo de ser,
de pensar as coisas, de relacionar-se com as pessoas e com o universo, ou seja, “[...] a música
é uma arte eminentemente social, portanto, vinculada a sua época e ao seu lugar, suscetível às
variações da sociedade incluindo evolução tecnológica.” (FERREIRA, 2001, p. 92).
Merriam (1964, apud HUMES, 2004) expõe que a Música constitui-se como um
produto da cultura de um povo. Hummes ressalta dez funções da Música na Etnomusicologia,
apresentada por Merriam, a saber: 1) expressão emocional; 2) prazer estético; 3) divertimento;
4) comunicação; 5) representação; 6) reação física; 7) impor conformidade às normas sociais;
8) validação das funções sociais e dos ritos religiosos; 9) contribuição para a continuidade e
estabilidade da cultura e; 10) contribuição para a integração da sociedade. Estes elementos são
resultados de processos e interpretações sociais, representados em diferentes formas.
Entende-se que a Música além de uma expressão artística, é entendida também
como uma forma de linguagem, capaz de exprimir as realidades cotidianas, fato este que

3541

�justifica as expressões musicais próprias de cada civilização ou povo, caracterizando-se como
um instrumento de identidade e transformação social.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo trata-se de pesquisa aplicada (gerando aplicações práticas, dirigidas para
problemas específicos), de natureza descritiva e exploratória. Descritiva, por caracterizar o
desenvolvimento e apresentação dos resultados do processo de extração automática de termos.
E ainda, de natureza exploratória ao propor de um vocabulário de um domínio de conceitos,
com base no agrupamento de itens lexicais especializados, no caso, do campo musical.
A estruturação de um corpus, ou seja, a definição de “[...] uma coleção de
documentos coletados dentro de determinados padrões ou exigências, para a realização de
estudos linguísticos ou computacionais de aprendizagem de máquina.” (SILVEIRA, 2008, p.
29), ou seja, uma amostra da linguagem que irá compor o objeto da pesquisa em formato
eletrônico, sendo especializado por se tratar de um domínio do conhecimento.
O corpus de Música envolveu etapas definidas, como levantamento de teses e
dissertações do domínio de Música, produzidas nos principais Programas de Pós Graduação
em Música dos Centros/Instituições no Brasil, além de artigos científicos de revistas deste
campo: Universidade de Campinas (UNICAMP); Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS); Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN); Universidade Federal da Bahia (UFBA); Escola de Música (UFMG); Revista
eletrônica de Musicologia; PERCEPTA - Revista de cognição musical; Música em
perspectiva; Per Musi - Revista acadêmica de Música; Música e cultura - Revista da
Associação Brasileira de Etnomusicologia; Música em contexto; Revista Opus.
A definição da amostra compreende o período de 2003 à 2013, com corpus não
estruturado, dentre os quais foram selecionados o quantitativo de 10 dissertações, 10 teses e
em média 30 artigos - haja vista que a maioria das revistas possuem 2 publicações anuais -,
produzidos por ano em todos os programas e/ou revistas citados. Vale ressaltar que tais
documentos foram obtidos em formato eletrônico e em pdf, por meio de pesquisas na Web
nos repositórios digitais dos Programas/Revistas citados.
A escolha dos corpora dos Programas de Pós Graduação e Revistas citadas
pautaram-se no fato de se tratar dos principais centros e veículos de comunicação científica do
país voltados para a Música que disponibilizam suas produções em formato eletrônico em
seus repositórios institucionais, se tornando assim fontes de literatura especializada. A seleção
justifica-se ainda por tais Programas/Revistas se constituírem como fonte de coleta tanto dos

3542

�conceitos quanto dos itens lexicais recorrentes no domínio de Música, contribuindo assim
para solucionar a problemática da inexistência de instrumentos de controle terminológico para
este domínio.

5.1 Extração automática de termos
A sistematização do vocabulário de Música na pesquisa abrange o uso do
ambiente colaborativo de gestão terminológica, e-Termos, em especial, no que diz respeito a
utilização de uma funcionalidade de extração de termos deste ambiente, viabilizada pelo uso
do software estatístico, o Pacote N-gram Stastistic Package (NSP) em sua interface.
Desse modo, a extração automática a candidatos de termos tem com base o
Processamento da Linguagem Natural, visando maior extração do conhecimento semântico
dos textos processados. As etapas de fundamentação metodológicas são: a) Busca e seleção de
fontes não estruturadas, no caso, teses e dissertações disponíveis em formato eletrônico e em
pdf nas bases de dados definidas; b) Compilação do corpus: esta etapa envolve o
armazenamento do corpus; c) Manipulação dos arquivos do corpus; d) Inclusão dos textos do
corpus no e-Termos; e) Levantamento e análise da lista de unigramas, bigramas, trigramas e
tetragramas, que correspondem a termos compostos por uma, duas, três ou quatro unidades,
respectivamente, realizado pelo software Pacote NSP, integrado ao e-Termos; f) Limpeza das
listas geradas, com eliminação de unidades que não correspondem a termos; g)Validação:
escolha de julgadores, pertencentes a área abordada pelo vocabulário e preparação do material
a ser conduzido para os julgadores para definição dos critérios para escolha dos termos
definitivos; h) Identificação das categorias; i) Organização e apresentação do vocabulário de
Música.

6 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O objetivo desta seção é apresentar a metodologia de desenvolvimento do vocabulário
musical, que utiliza o pacote NSP para realização da extração estatística de candidatos de
termos. Devido o seu funcionamento ser via linha de comandos, o E-termos criou um
ambiente com interface para o usuário para auxiliar na construção de vocabulários baseada em
PLN.
A abordagem utilizada é considerada semi-automática, devido à intervenção humana,
que abarca quatro etapas principais: 1) construção de um vocabulário do Domínio Musical
por meio da Indexação manual; 2) Compilação e processamento automático do corpus no

3543

�ambiente E-termos; 3) Extração automática de candidatos a termos; e 4) Cálculo da
freqüência dos termos candidatos ao vocabulário, por meio de tarefas manuais e automáticas.

6.1 Sistematização manual preliminar do domínio
A leitura técnica preliminar do corpus, em especial de informações contidas no título,
palavras-chave, resumo, título das seções, introdução e conclusão, torna possível a extração
manual de candidatos a termos, com base na técnica da Indexação, haja vista que tais
informações embasarão o vocabulário do domínio musical.
A motivação por este tipo de procedimento está, principalmente, no registro destas
informações, entendidas aqui como categorias, ou seja, possíveis termos descritores, e itens
lexicais,

que posteriormente

serão

comparadas

aos termos

que

serão

extraídos

automaticamente, visando analisar as aproximações dos resultados obtidos.
Após a indexação manual, fase que prepara a lista de termos em que a extração se
baseia, e retoma-se o ideal de categorização a partir dos 699 textos, sendo estes, 358
dissertações, 100 teses e 241 artigos científicos indexados manualmente, que geraram o
quantitativo de 29 categorias conceituais que abrigam as unidades lexicais que representam o
Domínio Musical. Algumas das categorizações obtidas e as subcategorias sistematizadas
estão dispostas abaixo, conforme a ocorrência dos termos nos textos. Vale ressaltar que em
todas as subcategorias estão abarcados vários itens lexicais desta especialidade.
Música vocal
Canto
Coro a capella (sopranos, contraltos, tenores, baixos)
Instrumentos musicais
Instrumentos de cordas (contrabaixo, violão, harpa, guitarra, viola, violina, cavaquinho,
violoncelo)
Instrumentos de sopro (saxofone, fagote, trombone, trompete, trompa, clarineta, flauta)
Processos composicionais
Ciclos vitais (ambiguidade de conceitos, movimento cíclico de eterno retorno, vir-a-ser,
simetrias)
Avaliação de produção musical (matérias, expressão, forma, valor)
Gêneros
Baião, pop, funk, dobrado, samba, bolero, missa, bossa nova, marchinha, modinha, xote,
maracatu, música sacra, música popular, seresta, choro, valsa, bossa nova, cantoria de cego,
repente, hip hop.
Escrita Musical
Conteúdo rítmico
Conteúdo melódico
Perfomance

3544

�Posição da mão, articulação e ângulo dos dedos, tipos de articulação, movimentos do pulso,
absorção do peso, movimento corporal, emissão do som, memorização.
Educação musical
Formal, informal, aprendizagem midiática, habilidades profissionais, ensino, modelos.
Ao final do processo compilatório, obteve-se um corpus médio-grande constituído por
9.482.246 palavras, extraídos de 424 textos selecionados para o processamento de texto,
extraídos de 14 fontes diferentes, entre produções técnico-científica de Programas de Pós
Graduação e revistas científicas. Vale ressaltar que o quantitativo inicial de textos que
participaram da indexação manual foi de 699 textos, com os cortes de 275 textos, tendo assim,
como produto final 424 textos participantes.
Em termos quantitativos para fins de processamento automático pela plataforma Etermos, o corte citado justifica-se pela necessidade da exclusão dos textos que tiveram
problemáticas tanto no momento da conversão do formato PDF para txt, para processamento
do texto. Os documentos digitalizados também perpassaram pelo mesmo entrave, fato que, no
caso do gênero Teses, justifica a redução de textos participantes no processamento de textos.

6.2 Estruturação automática do domínio
A pesquisa utilizou as ferramentas da plataforma colaborativa E-termos, apresentada
em seções anteriores, que fornece acesso livre e gratuito. Para ter acesso é necessário a
realização de um cadastro, e em seguida o pesquisador precisa propor um projeto para utilizar
as ferramentas disponíveis.
O valor do corte inferior, ou seja, o quantitativo mínimo de frequência para que uma
unidade lexical se candidate a termo, foi estruturada de acordo com a observação da
frequência mínima de termos úteis, conforme apresenta a Tabela 6.

Tabela 2: Valor dos cortes de frequência (termos desconsiderados) por gênero
GÊNERO

TAMANHO DO CÓRPUS

Teses

937.292

Dissertações

6.875.501

Artigos científicos

1.669.453

CORTE DE FREQUÊNCIA
(QUANTITATIVO)
100 para unigramas
10 para bigramas e trigramas
100 para unigramas
10 para bigramas
10 trigramas
100 para unigramas
10 para bigramas e trigramas

Fonte: dados da pesquisa

3545

�Inicialmente foram observadas todas as frequências mínimas, e feita a limpeza manual
de termos, para se estabelecer um quantitativo válido. Apesar de não haver um consenso na
literatura da área sobre os valores de corte, Rijsbergen (1979) afirma que “[...] uma certa
arbitrariedade está envolvida na determinação dos pontos de corte, bem como na curva
imaginária, os quais são estabelecidos por tentativa de erro.”. Nesse sentido, o corte de
frequência da pesquisa se baseou nos parâmetros quantitativos de palavras que constituem os
corpus, e ainda, de acordo com aqueles que mesmo com frequência baixa, no caso 10 (dez),
se constituem como termos úteis.
Após a limpeza manual das listas de unigramas, bigramas e trigramas, por gênero
textual, geradas pelo E-termos, e da eliminação das palavras que não se constituem
necessariamente como um termo. Esse processo teve como resultado o comparativo entre os
candidatos a termos por extração estatística e o número final de termos, resultantes da
compilação de todos os gêneros textuais para uma visão geral dos dados de processamento de
textos na Tabela 7.

Tabela 3: Comparativo entre números de candidatos por extração estatística e número final
de termos
N-gram

NÚMERO DE CANDIDATOS DO NSP N° FINAL
(Dissertações, teses e artigos)
TERMOS

Unigramas
Bigramas
Trigramas
Total

4.880.851
673.644
927.961
6.482.456

DE

930
513
226
1.669

Fonte: dados da pesquisa
Tais dados mostram que é possível afirmar que, neste caso, quanto maior o número de
unidades que compõe o termo, maior o número de candidatos a termos, devido a função
“Frequência simples” disponibilizada pelo pacote NSP, integrado ao E-termos. Outro fator
que levou à grande redução de termos finais em relação aos candidatos extraídos pelo pacote
NSP se deu pela grande quantidade de “sujeira” nos textos processados, a exemplo disso,
podemos citar palavras com as acentuações que atrapalham o processo de extração e,
consequentemente, descarta alguns termos que poderiam vir a ser úteis.
Em suma, ao final do processo de extração automática de termos obteve-se, em geral,
um quantitativo de 930 unigramas, 513 bigramas e 226 trigramas, dos três gêneros textuais
analisados, totalizando 1230 termos considerados úteis e representativos para domínio
musical.

3546

�Tais considerações mostram que, apesar de o método estatístico gerar ruídos, ou seja,
palavras que não possuem valor terminológico, este método é de extrema importância para
fins de indexação, tradução, construção de tesauros, entre outras ferramentas de representação
e recuperação da informação por proporcionar automatizar a identificação e seleção de
unidades lexicais de um corpus, ao proporcionar rapidez na construção de Terminologias.
Os subsídios apontados a partir desta análise mostram que a extração automática de
termos baseada em freqüência estatística, facilitada pelo ambiente E-termos, permite o
aprimoramento das técnicas e reforça a precisão no processo de Indexação. Espera-se ter
demonstrado o percurso para estruturação de um vocabulário com os subsídios do
Processamento da Linguagem Natural para construção de vocabulários.

5 CONCLUSÃO
A pesquisa se deteve em abordar a prática da indexação e representação da informação
para estruturação do vocabulário do domínio musical no período de uma década, de 2003 a
2013, com a finalidade de analisar os léxicos produzidos nesta área e relacioná-los com outros
conceitos, por meio da categorização.
Dentre os objetivos da análise prático-conceitual da indexação, destacam-se como
resultados os instrumentos de representação da informação musical, como catálogos, índices e
tesauros com o objetivo de servir como recurso e/ou ferramenta informacional auxiliar para
pesquisadores e interessados em geral na busca e recuperação da informação musical. Porém,
percebe-se que os instrumentos existentes ainda são escassos e falhos no que diz respeito ao
conteúdo dos documentos, para o suprimento da necessidade informacional de seus usuários.
Em se tratando da área de Música, não foi localizada obra lexicográfica e/ou
terminológica sobre o domínio, com contribuições dos aportes automáticos, em especial de
PLN, para sua estruturação, o que evidencia a contribuição desta pesquisa ao tentar minimizar
a carência de informações sobre o controle do léxico utilizado pela área musical.
Observa-se ainda a importância da categorização para a identificação de assuntos de
um domínio de especialidade, devido à possibilidade de abordagem facetada de conteúdos
que permite a visualização de uma área do conhecimento como um todo sistematizado, e
viabilizando relações com outros conceitos.
O resultado deste processo foi a atribuição de 29 categorias, sendo que destas, as que
tiveram mais termos agregados na Indexação Manual foram Prática interpretativa (121
termos), Processo composicional (100 termos) e Educação Musical (97 termos). A extração
automática por meio do E-termos, por sua vez, mostrou-se eficaz ao apresentar um

3547

�quantitativo de 922 itens lexicais, entre unigramas, bigramas e trigramas que podem
aprimorar a construção de vocabulários fundamentados em PLN.
Com relação à análise comparativa entre os processos manual e automático de
extração de termos, a convergência entre estes dois métodos consiste na subjetividade humana
para seleção e correção dos termos encontrados, porém, vale ressaltar que a intersecção entre
as categorias obtidas por Indexação manual e as categorias geradas por extração automática
alcançaram índices de frequências diferentes durante o processo. Isso significa que, nem todos
os termos elencados no método manual foram extraídos automaticamente.
Nesse sentido, a escolha pelo método estatístico se deu pelo fato de a frequência
apresentar um quantitativo maior de descritores significativos, que proporcionam uma
representação e recuperação mais precisa de termos, além da rapidez na extração diante de
grandes volumes de textos.
O PLN mostrou-se como uma ferramenta eficaz para processamento de grandes
volumes de dados, com muito a contribuir no que diz respeito à redução do tempo de
desempenho de tarefas de mineração de textos e ao possibilitar a identificação dos termos
mais utilizados para representação de um domínio. Apesar destas contribuições, destaca-se
que a intervenção humana ainda é necessária para a limpeza dos materiais obtidos e para a
validação dos resultados.
Espera-se ter proposto uma metodologia para elaboração de novas representações de
domínios, com o intuito de aprimorar as técnicas e ferramentas de representação da
informação utilizadas na Ciência da Informação.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Processamento da linguagem natural na área da música: técnicas e tecnologias</text>
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                <text>Estudo exploratório sobre extração automática de conceitos com base no Processamento da Linguagem Natural (PLN). O objetivo da pesquisa consiste em analisar o cenário práticoconceitual da extração automática, visando a sistematização e organização de ferramentas de gestão terminológica e recuperação da informação por meio da estruturação de um vocabulário da área de Música. Apresenta os fundamentos da representação da informação e explica as ferramentas semânticas para interpretação organizada de estruturas do conhecimento, bem como as expressões de conceitos de um domínio, que representam a maior proximidade entre a linguagem ou termos utilizados pelos usuários em sistemas de buscas. Discorre sobre a categorização de domínios de especialidade fundamentada por Ranganathan. Expõe o PLN como sub-área da Linguística Computacional, que propicia a extração de termos com maior precisão semântica para recuperação da informação em sistemas de busca automatizados. Caracteriza os níveis, limitações e a arquitetura do PLN em bancos de dados, representados pelo léxico e acessado por analisadores léxicos, sintáticos e semânticos. Indica as tipologias de softwares para processamento de corpus e extratores de candidatos a termos, dividindo-os em três categorias: estatísticos, linguísticos e híbridos. Aborda o Domínio Musical em suas várias facetas de expressão, artística, antropológica e representação da informação musical. A metodologia e a descrição da pesquisa caracteriza-se como pesquisa aplicada, de natureza descritiva, utiliza os procedimentos de pesquisa bibliográfica e documental das áreas de CI, Linguística, Computação e Música, assumindo assim, o caráter interdisciplinar. Emprega o modelo de pesquisa em PLN, com o corpus composto pela amostra de 10 dissertações e 10 teses, disponíveis em 11 bases de dados de Programas de Pós Graduação em Música no Brasil e na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), e 30 artigos de revistas científicas especializadas em Música, ambos os gêneros técnico-científicos produzidos entre os anos de 2003 à 2013. Utiliza o ambiente colaborativo de gestão terminológica, E-termos, para extração automática de termos, que irão compor o vocabulário controlado do domínio musical. Apresenta como resultados um corpora classificado como grande em termos quantitativos, composto por 424 textos com um total de 9.482.246 palavras, fato que implica na obtenção de um nível de representatividade alta de termos, classificada como médio-grande para construção do vocabulário de Música. Mostra as etapas executadas pelo E-termos para compilação, análise de corpus, contadores de freqüência e extração automática de termos. Apresenta o comparativo entre as categorias estruturadas por indexação manual e extração automática. Conclui indicando que a extração automática baseada em PLN constitui-se de uma ferramenta efetiva para a tradução da linguagem natural, utilizando as expressões utilizadas para a busca da informação como objetos lingüísticos e rapidez na construção de terminologias.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROPOSTA DE MIGRAÇÃO DE SOFTWARE DE GERENCIAMENTO NO SETOR
DE PERIÓDICOS DA FACULDADE SANTA TEREZINHA (CEST)
Juliana Rabelo do Carmo
Vilma Ferreira Carvalho
Marcos Aurelio Pereira Veiga
Natacha Oliveira Pinto
Cenidalva Miranda de Sousa Teixeira

RESUMO
Aborda o processo de automação na Biblioteca Universitária, na perspectiva da migração de
software para seu gerenciamento, com vistas à organização e recuperação efetiva da
informação no setor de periódicos da Faculdade Santa Terezinha (CEST), em São LuísMaranhão. Caracteriza a Biblioteca estudada, bem como seus produtos e serviços. Analisa o
setor de periódicos da Biblioteca Universitária Galeana Melo Batista, e as problemáticas de
interoperabilidade de dados e comunicação com o sistema vigente na Biblioteca fato que
ocasiona dificuldades na recuperação da informação. Nesse sentido, as motivações e objetivos
desta pesquisa consistem na necessidade de implementação de software livre no setor de
periódicos, como medida para solucionar a problemática existente. Emprega a metodologia de
pesquisa de campo, com abordagem exploratória e descritiva para coleta de dados. Apresenta
a estruturação das atividades que serão desenvolvidas no decorrer deste processo. Indica o
software Biblivre como ferramenta para a automação no setor de periódicos do CEST, suas
características e adequações às necessidades estabelecidas. Conclui indicando que uma das
maiores questões de recuperação da informação no setor de periódicos, seja por fatores
práticos, quanto de adequação do sistema, reflete diretamente na recuperação da informação,
o que origina a necessidade de buscar medidas para suprir esta necessidade. Portanto, a
automação de Bibliotecas Universitárias, em especial com uso de softwares livres, consiste
em uma ferramenta eficaz para a organização, controle, disponibilização e recuperação da
informação para os usuários no ambiente universitário.
Palavras-Chave: Automação de bibliotecas; Biblioteca Universitária; Software livre;
Biblivre.
ABSTRACT
Addresses the automation process in the University Library , in the perspective of software
migration for its management, with a view to the effective organization and retrieval of
information in the periodic sector of Saint Therese School ( CEST ) in São Luís, Maranhão .
Library features studied , as well as their products and services . Analyzes the industry
journals Galeana Melo Baptist University Library , and the problems of interoperability and
data communication with the existing system in the Library fact which causes difficulties in
information retrieval . In this sense , the motivations and goals of this research is the need of

3574

�implementation of free software in the periodic sector , as a measure to solve the existing
problems . Employs the methodology of field research with exploratory and descriptive
approach to data collection . Presents the structure of the activities that will be developed
during this process. Biblivre indicates the software as a tool for automation in the periodic
sector CEST , their characteristics and adaptations to established needs . Concludes by
indicating that one of the biggest issues of information retrieval in the periodic sector, either
by practical factors such as system suitability , reflects directly in information retrieval ,
leading to the need to seek measures to meet this need . Therefore , the automation of
University libraries , in particular with the use of free software , consists of an effective tool
for the organization , control , delivery and retrieval of information for users in the university
environment.
Keywords: Library automation; University Library; Free software; Biblivre.

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária tem seu surgimento às Universidades visando refletir
nas matérias ou disciplinas lecionadas nos cursos de graduação, com o intuito de contribuir
para o progresso da ciência e, desse modo, se constituir como propulsoras do conhecimento
científico ao disponibilizar o acesso à informação em diferentes suportes e por meio de seus
serviços.
Tendo em vista essa questão, as missões da Biblioteca Universitária caracterizamse por servir de apoio ao corpo docente na expansão e relação entre as aulas expostas e outros
referenciais teóricos; fornecer informação científica para consolidação da produção científica
nas Universidades, o que pode resultar na visibilidade e desenvolvimento da Instituição em
âmbito local, regional e nacional.
Convém ainda ressaltar que este estudo trata-se de uma extensão do projeto de
pesquisa sobre “Softwares livres em bibliotecas públicas escolares na área Itaqui-Bacanga”,
onde se percebeu a necessidade que outros tipos de bibliotecas, como no caso da Biblioteca
Universitária do CEST- em especial no setor de periódicos que carece de medidas
emergenciais-, de solucionar problemáticas relacionadas ao gerenciamento de sistemas de
informação.
Levando em consideração esta questão, e as inquietações levantadas durante a
disciplina Automação em Unidades de Informação, a finalidade desta proposta de migração
de software tem como objetivos e motivações: a implementação do software livre no setor de
periódicos, bem como a estruturação das atividades que serão desenvolvidas neste processo;
recuperação eficaz da informação; economia de recursos para a Instituição, haja vista que o
uso dos softwares livres não necessita de custos para sua aquisição e manutenção.

3575

�O impacto esperado desta migração está na localização, acesso e recuperação da
informação contida nos periódicos da Biblioteca Raimunda Galeana Melo Batista em relação
aos seus usuários, e ainda controle e organização das atividades desenvolvidas neste setor.

2 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE ESTUDO
A Biblioteca Raimunda Galeana Melo Batista foi originada no momento do
surgimento da Faculdade Santa Terezinha (CEST) no ano de 1998, com a missão de “[...] dar
apoio aos programas de ensino, pesquisa e extensão da instituição, no atendimento às
demandas de informação, bem como oferecer colaboração técnica científica, na sua área de
atuação” (FACULDADE SANTA TEREZINHA CEST, 2013)
Tendo como público os alunos de graduação e pós-graduação, professores,
colaboradores da Instituição e da APAE e do público em geral, o seu acervo contempla as
seguintes áreas: Administração, Direito, Gestão Ambiental, Enfermagem, Nutrição, Terapia
Ocupacional, Fisioterapia e Fonoaudiologia.
Em relação ao espaço físico, a Biblioteca possui prédio próprio de 537,55 m2,
distribuídos em três espaços: setor administrativo e processamento técnico, setor de indexação
de periódicos, salão de leitura, 16 cabines de estudo individual, sala de vídeo com capacidade
de 20 pessoas, 7 salas de estudo em grupo com capacidades entre 4 e 8 pessoas, setor de
referência e acervo, além de 4 computadores para consulta do acervo. Vale ressaltar que a
Biblioteca proporciona ainda, boa acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência.
O acervo da Biblioteca compõe-se de livros, CD’s, DVD’s, dicionários, guias,
atlas, catálogos, normas técnicas para elaboração de trabalhos padronizada da Instituição,
jornais, revistas, periódicos científicos nacionais e internacionais, monografias de graduação e
pós-graduação, e conta ainda com uma coleção de material cartográfico, para uso do Curso de
Gestão Ambiental. Todos os tipos de materiais disponibilizados pela biblioteca, encontram-se
classificados por meio da Classificação Decimal Universal (CDU) e pela Tabela de Cutter, e
inseridos no sistema RM Biblios de gestão da Biblioteca, que além do controle do acervo,
emite relatórios e etiquetas específicas do processamento técnico.

2.1 Serviços oferecidos
Visando a contribuição do ensino-aprendizagem apregoado pela Instituição, a
Biblioteca dispõe dos seguintes serviços e produtos:
•

Atendimento aos usuários na recuperação de informações;

•

Horário de funcionamento ininterrupto;

3576

�•

Consulta ao acervo (local e online);

•

Reserva e renovação de livros e outros materiais via Internet;

•

Empréstimo domiciliar;

•

Empréstimo de adaptadores para notebook;

•

Empréstimo de pincel para quadro branco;

•

Cobertura Wi-fi;

•

Comutação bibliográfica;

•

Acesso às bases de dados científicas nacionais e internacionais;

•

Normalização de trabalhos acadêmicos;

•

Disponibilização de catálogos sobre as monografias produzidas na Instituição.

O serviço de circulação de materiais bibliográficos, bem como os outros serviços,
obedecem à Resolução n° 041/2005 - CEPE (CEST) composta por 20 artigos e encontra-se
em fase de atualização. Dentre as considerações elucidadas no Regimento, o período de
empréstimo é assegurado na Tabela 1:

Tabela 1: Prazos e tipos de empréstimos realizados na Biblioteca CEST
CATEGORIA

QUANTIDADES
DE
OBRAS
3 livros no prazo normal;
3 livros para pesquisa
local

PRAZO
NORMAL
7 dias

Colaboradores CEST
e APAE

3 livros no prazo normal;
3 livros para pesquisa
local

7 dias

Docentes

3 livros no prazo normal;
3 livros para pesquisa
local

15 dias

Alunos de graduação
e pós-graduação

PESQUISA LOCAL
Prazo até as 21h30minh
do dia do empréstimo,
exceto nos sábados com
prazo até as 12h00minh.
Prazo até as 21h30minh
do dia do empréstimo,
exceto nos sábados com
prazo até as 12h00minh.
Prazo até as 21h30minh
do dia do empréstimo,
exceto nos sábados, com
prazo até as 12h00minh.

Fonte: Resolução n° 041/2005 - CEPE (CEST)

A Biblioteca possui uma equipe de recursos humanos composta por 3
bibliotecárias e 5 auxiliares de biblioteca para auxiliar os usuários. A Biblioteca funciona de
segunda à sexta das 08:00 h às 21:30 h e aos sábados das 08:00 h às 12:00 h.

3577

�2.2 Setores da Biblioteca
A Biblioteca possui 3 setores, com suas atividades descritas abaixo:
•

Referência: auxílio dos usuários no processo de busca e recuperação da
informação no sistema RM Biblios por meio de levantamento bibliográfico; execução
dos processos de circulação como empréstimo, devolução, renovação, impressão de
recibos de multas, e ainda a elaboração de fichas catalográficas para os discentes de
graduação e pós graduação em fase de conclusão de curso.

•

Processamento técnico: classificação de livros, monografias, CDs e DVDs
utilizando a Classificação Decimal Universal (CDU) e a Tabela de Cutter nas obras;
inserção dos dados do material tais como autor, título, editora, ano de publicação,
entre outros dados, no sistema RM Biblios, que gera o número do tombo, etiquetas de
identificação do material, como: etiquetas de bolso, de código de barras, de
classificação e notação do autor.

•

Periódicos: indexação de revistas científicas nacionais e internacionais
assinadas pela instituição e inserção no sistema vigente, chamado Sistema de
Indexação de Periódicos (SIP).

3 PROPOSTA DE MIGRAÇÃO DE SOFTWARE NO SETOR DE PERIÓDICOS
Uma das maiores problemáticas encontradas na Biblioteca trata-se do software de
gerenciamento da biblioteca, o RM Biblios que foi uma adaptação do sistema TOTVS para
bibliotecas - um software proprietário e/ou comercial -, que possui muitas falhas práticas, fato
que se reflete também o sistema de indexação de periódicos (SIP).
O sistema SIP que não se comunica e não está integrado com o RM Biblios, o que
indica a ausência do profissional da informação na escolha do sistema que mais se adapte às
necessidades da unidade da informação e ocasiona dificuldades na recuperação da
informação, em especial na seção de periódicos.
Partindo desse princípio, Côrte et al. (2002) afirma que para a aquisição ou troca
de sistemas de automação de bibliotecas, torna-se necessária a organização em etapas a serem
cumpridas, a qual demanda algum tempo e muita dedicação dos profissionais envolvidos,
sendo, porém, altamente compensadora em termos de resultados obtidos. Tais etapas
consistem em:
1)

Decisão
A escolha de migração de software no setor de periódicos partiu das inquietações
levantadas pela administração da biblioteca, que perpassava por entraves para solução

3578

�da questão como os altos custos para solucionar a problemática de recuperação da
informação dos periódicos indexados, haja vista, a ausência de interoperabilidade do
setor atual.
2)

Visitas
As avaliações sobre o sistema atual do setor (SIP) foi acompanhado de perto, durante
o período de estágio obrigatório na Instituição, onde foram levantados problemas
operacionais em confronto com as necessidades dos usuários, que muitas vezes
desconheciam esta função da Biblioteca. Dentre os requisitos mínimos e exigências
observadas para migração de software entre o sistema atual e o proposto, destacamos:
requisitos de software para servidor e cliente; custos, taxas de manutenção; segurança,
backup e integridade dos dados; qualidade dos serviços oferecidos pelo sistema;
suporte técnico; funcionalidades adequadas para o setor envolvido.

3)

Migração
Tendo como base a aceitação de todos os pré-requisitos oferecidos pelo software
proposto, torna-se essencial a observação da questão da portabilidades de dados do
sistema atual (SIP), que não possui esta função, o que evidencia a necessidade de
atualização de sistema, por meio de novos fluxos de trabalho para adequação ao
sistema proposto.

3.1 Software proposto: Biblivre
Na primeira década do século XXI, o programa Biblioteca Livre (Biblivre) se
constituiu como um dos pioneiros no acesso ao livro no Brasil com o auxílio da informática.
A partir de 2008, o software Biblioteca Livre (Biblivre) obteve o apoio da Fundação
Biblioteca Nacional, com o reconhecimento de uma trajetória bem sucedida no trabalho
realizado para a difusão de processos de informatização em bibliotecas do país. Idealizado há
mais de dez anos pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (SABIN), na época sob a
presidência de Paulo Fernando Marcondes Ferraz, o Biblivre cresceu a ponto de se tornar uma
referência na modernização das bibliotecas brasileiras.
Desde o início, o programa se norteou pelo acesso livre ao software, que pode ser
utilizado, gratuitamente, por instituições públicas e privadas. Os bons resultados têm
despertado interesse cada vez maior de instituições no exterior, como em países onde a falta
de recursos muitas vezes impede ou atrasa o acesso a tecnologias avançadas para a difusão do
conhecimento.

3579

�A criação da versão internacional, desenvolvida sob a direção executiva de
Ubaldo Santos Miranda, busca atender a essa crescente procura. O Biblivre começou a ser
elaborado em 2001, quando foi aprovado pelo Ministério da Cultura (Minc), através da Lei
Rouanet (n. 8.313/91) para o incentivo ao desenvolvimento sociocultural. Em meados de
2004, a IBM Brasil firmou convênio com a SABIN, já então sob a presidência de Jean-Luis
de Lacerda Soares, para patrociná-lo. A COPPE/UFRJ contribuiu com apoio ao
desenvolvimento do projeto, nas versões, 1.0 e 2.0.
O conjunto de programas criados recebeu o nome de Biblivre. Em 2007, o
Instituto Itaú Cultural tornou-se o patrocinador exclusivo do projeto. Em outubro de 2010 foi
lançada com grande repercussão a versão internacional, também conhecida como versão 3.0
(Português, Inglês e Espanhol).
Os programas que compõem o Biblivre 3 formam uma aplicação cliente-servidor
baseada na internet, modelo computacional que permite a intercomunicação em rede de
qualquer porte, isto é, composta por 2 ou mais computadores e outros dispositivos ligados
entre si e compartilhando dados, utilizando-se de recursos da internet para acesso, protocolos
e requisitos de segurança.
O programa cliente, utilizado pelos usuários para acessar o Biblivre 3, é um
browser, comumente chamado de navegador de internet. Os navegadores recomendados são:
• Mozilla Firefox (versão 3.5 ou superior);
• Google Chrome (versão 2.0 ou superior);
• Apple Safari (versão 4.0 ou superior);
• Microsoft Internet Explorer (versão 6.0 ou superior).

O servidor é composto por vários módulos, escritos na linguagem JAVA, que são
executados através do servidor de aplicação Apache Tomcat 6.0. Os módulos que compõem o
sistema são a Busca, Circulação, Catalogação, Aquisição, Administração e Ajuda.
O software Biblivre atualmente serve como referência por ser um dos mais
utilizados em bibliotecas a âmbito nacional e internacional. Tendo em vista esse ideal,
destacamos as funcionalidades que podem vir a beneficiar a Unidade de Informação
contemplada com o seu uso:

3580

�Gerencial
Gerenciamento de diferentes tipos de materiais (bibliográfico, museológico, etc.);
Avaliação de demanda de informação (obras utilizadas por período);
Segurança e integridade dos dados;
Alta capacidade de armazenamento.
Seleção e aquisição
Permite uma avaliação quantitativa e qualitativa do acervo para uma análise de seleção e
aquisição dos materiais bibliográficos;
Controle de listas de sugestão, seleção, aquisição, reclamações e recebimento de material;
Controle financeiro dos recursos orçamentários para aquisição de material bibliográfico;
Controle de fornecedores por compra e doação;
Mala direta para editoras e instituições com as quais mantém intercâmbio de publicações;
Controle de assinatura de periódicos.
Circulação de materiais
Entrada e atualização de dados on-line;
Controle e rapidez na rotina de empréstimo, renovação e reserva;
Renovação e reserva on-line;
Disseminação seletiva de informação (envio de informações de interesse para os usuários).
Classificação e Catalogação
Padronização de catalogação e classificação;
Pesquisa e importação de registro de outra biblioteca (intercâmbio).
Pesquisa
Pesquisa do acervo qualquer computador ligado a internet;
Pesquisa ou filtragem por tipo de material bibliográfico;
Acesso simultâneo de usuários às bases de dados.
Relatórios
Impressão de relatórios e etiquetas.
Fonte: Oliveira (2011, p. 3)

No que diz respeito ao Setor de Periódicos, especificamente, o Biblivre dispõe dos
serviços: catalogação no formato MARC; controle de coleção de periódicos em seus
fascículos, por títulos, por volumes e respectivos números ou fascículos de um mesmo título
de periódico; exportação e importação de catalogações para bases de dados do Biblivre

3581

�instalada em outro computador; utiliza Tabela de Cutter; possibilita alteração, exclusão e
exportação de registros; e bloqueio de obras de referência.

4 CONCLUSÃO
A Biblioteca da Faculdade CEST encontra-se bem estruturada, com seus
procedimentos e rotinas bem organizadas, possui um quantitativo de recursos humanos que
apoiam os serviços prestados pela Instituição, o que resulta de uma visão ampliada da gestora
da Biblioteca, fato que reflete diretamente na qualidade e visibilidade da Biblioteca no CEST.
Porém, percebe-se que tais resultados podem se tornar ainda maiores, haja vista
que uma das maiores problemáticas encontradas trata-se do software de gerenciamento da
biblioteca, o RM Biblios que foi uma adaptação do sistema TOTVS para bibliotecas - um
software proprietário e/ou comercial -, que possui muitas falhas práticas, e também o sistema
de indexação de periódicos (SIP), que não se comunica e não está integrado com o RM
Biblios, o que indica a ausência do profissional da informação na escolha do sistema que mais
se adapte às necessidades da unidade da informação e ocasiona dificuldades na recuperação
da informação, em especial na seção de periódicos.
Portanto, para que a Biblioteca Universitária possa cumprir a sua função de
integrar-se ao ensino, pesquisa e extensão, faz-se necessário o fortalecimento do elo entre
biblioteca e alunos, fato que pode ser efetivado a partir de medidas de organização e
gerenciamento dos processos da biblioteca, em especial no setor de periódicos, que fornece
informações sobre atualizações e muitas vezes inovações nas áreas de conhecimento em
questão.
Diante dos dados expostos com a pesquisa, nota-se que por meio do uso de
software livre a disponibilização, recuperação e apropriação de tais conteúdos se tornam
efetivos, tanto por parte da Instituição, ao adquirir um produto que não requer custos, quanto
para os usuários que utilizam esta ferramenta para ter acesso à informação.

REFERÊNCIAS
CÔRTE, Adelaide Ramos et al. Automação de bibliotecas e centros de documentação: o
processo de documentação: o processo de avaliação e seleção de softwares. Ciência da
Informação, Brasília: IBICT, v. 28, n. 3, p. 241-256, set./dez., 1999.
FACULDADE

SANTA

TEREZINHA

CEST.

Biblioteca.

Disponível

em:

&lt;http://www.cest.edu.br/index.php?voz=nav/biblioteca&gt;. Acesso em: 10 dez. 2013.

3582

�FACULDADE SANTA TEREZINHA CEST. Resolução n° 041/2005 - CEPE. São Luís:
Faculdade Santa Terezinha CEST, 2005.
OLIVEIRA, Victor Barroso. Projeto piloto para implantação do sistema de biblioteca
“Biblivre” nas escolas da rede estadual do Espírito Santo. In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24.,
2011. Maceió. Anais... Maceió: CBBD, 2011. p. 1-11.

3583

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Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aborda o processo de automação na Biblioteca Universitária, na perspectiva da migração de software para seu gerenciamento, com vistas à organização e recuperação efetiva da informação no setor de periódicos da Faculdade Santa Terezinha (CEST), em São LuísMaranhão. Caracteriza a Biblioteca estudada, bem como seus produtos e serviços. Analisa o setor de periódicos da Biblioteca Universitária Galeana Melo Batista, e as problemáticas de interoperabilidade de dados e comunicação com o sistema vigente na Biblioteca fato que ocasiona dificuldades na recuperação da informação. Nesse sentido, as motivações e objetivos desta pesquisa consistem na necessidade de implementação de software livre no setor de periódicos, como medida para solucionar a problemática existente. Emprega a metodologia de pesquisa de campo, com abordagem exploratória e descritiva para coleta de dados. Apresenta a estruturação das atividades que serão desenvolvidas no decorrer deste processo. Indica o software Biblivre como ferramenta para a automação no setor de periódicos do CEST, suas características e adequações às necessidades estabelecidas. Conclui indicando que uma das maiores questões de recuperação da informação no setor de periódicos, seja por fatores práticos, quanto de adequação do sistema, reflete diretamente na recuperação da informação, o que origina a necessidade de buscar medidas para suprir esta necessidade. Portanto, a automação de Bibliotecas Universitárias, em especial com uso de softwares livres, consiste em uma ferramenta eficaz para a organização, controle, disponibilização e recuperação da informação para os usuários no ambiente universitário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO IFGW-UNICAMP: O USO DO
ENDNOTE WEB COMO FERRAMENTA FACILITADORA NA PESQUISA E
ARMAZENAMENTO DOS DADOS
Sandra Maria Carlos Cartaxo
Maria Graciele Trevisan
Silvia Celeste Salvio
Lucimeire de Oliveira Silva da Rocha
RESUMO
Este artigo apresenta a experiência e a metodologia criada para coletar indicadores da
produção científica do Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW) da Universidade Estadual
de Campinas (UNICAMP). A metodologia desenvolvida pela equipe de bibliotecários da
Biblioteca “Marcello Damy” do IFGW teve como principal objetivo gerenciar o grande
volume de dados e ao mesmo tempo permitir que esses levantamentos fossem realizados no
menor tempo possível. Os levantamentos da produção científica do Instituto e sua compilação
são comumente utilizados para subsidiar relatórios e planejamentos da Diretoria do IFGW.
Esses levantamentos também servem de base para a confecção do Boletim Abstracta, a
alimentação e manutenção do Sistema de Informação de Pesquisa e Extensão (SIPEX),
Relatórios Capes e o Anuário Estatístico da UNICAMP. A agilidade e o melhor
gerenciamento dos dados relativos aos levantamentos da produção científica se deu a partir do
uso do software EndNote Web. Essa ferramenta, além de organizar as informações, permitiu
também a melhor gestão de todo o processo de trabalho. Dentre os diversos ganhos obtidos
na utilização do software podemos citar a diminuição do tempo na realização das pesquisas e
compilação dos dados solicitados, a garantia de resultados mais precisos nas pesquisas
realizadas e eliminação de retrabalhos na conferência e análise dos resultados das pesquisas
realizadas. De modo geral, a utilização do software citado acima permitiu a melhoria do
processo de trabalho como um todo, tendo também como principal resultado o oferecimento
de informações mais precisas e, portanto, confiáveis.
Palavras-Chave: Produção científica. EndNote Web. Web o f Science

ABSTRACT
This paper presents the know-how and methodology created to collect indicators of the
scientific output of “Gleb Wataghin” Physics Institute (IFGW) of the University of Campinas
(UNICAMP). The methodology developed by the team of librarians from “Marcello Damy”
Library of IFGW had as main goal to manage the large volume of data and at the same time to
allow that those surveys were accomplished in the shortest time. The scientific output surveys
and their indicators compilation are commonly used to subsidize reports and planning of the
IFGW’s Board of Directors. These surveys serve as base to the production of the “Boletim
Abstracta”, the feeding and maintenance of the “Information of Research and Extension

305

�System” (SIPEX), the “Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel”
(CAPES) report and the “Statistical Annual Report of UNICAMP”. The promptitude and the
better management of the data concerning the surveys on the scientific output came up with
the use of the EndNote Web software. This software besides arranging the information,
allowed us a better management of the whole process of work. Among the several benefits of
the EndNote Web, we are now able to shorten the time for completion of rummage and the
requested data compilation, the guarantee of more accurate results in the rummages and the
removal of rework in the proofing and analysis of the rummage. Altogether, the use of the
software mentioned above allowed the process of work improvement as a whole, having as
major result the offering of more precise information, therefore more reliable.
Keywords: Scientific production. EndNote Web. Web of Science.

1 INTRODUÇÃO
Organizar e recuperar rapidamente o grande volume de informação bibliográfica tem
sido um grande desafio. O avanço da tecnologia e a automação das atividades nas bibliotecas
contribuíram, entre outras coisas, para que o levantamento bibliográfico realizado pelos
estudantes e pesquisadores evoluísse significativamente. Atualmente são muitas as facilidades
oferecidas nas bases de dados e o gerenciamento das referências selecionadas a partir dessas
buscas tornou o processo menos moroso e mais eficiente. Por outro lado, o uso dessas bases
de dados possibilitou que estudos bibliométricos da produção científica fossem realizados e os
chamados indicadores da produção científica passaram a ser gerados e tornaram-se
importantes instrumentos para o entendimento das relações científicas e planejamento de
políticas científicas nos países (FAPESP, 2005). Nesse sentido, a Biblioteca “Prof. Marcello
Damy” do Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW) da Universidade Estadual de
Campinas (UNICAMP) passou a atuar, a partir de 2009, na compilação dos indicadores da
produção científica do Instituto com vistas a subsidiar as demandas desse tipo de informação
ao IFGW. Diante disso, este artigo apresenta a nossa experiência e a metodologia criada ao
longo desses anos para coletar tanto os indicadores da produção científica como também a
produção indexada do Instituto. Essa atividade sinaliza a importância desses indicadores no
âmbito institucional e, também, nesse caso em particular, o trabalho da equipe de
bibliotecários.
A metodologia desenvolvida e que aqui será apresentada teve como principal objetivo
gerenciar o grande volume de dados. Ao mesmo tempo, buscou-se a partir dessa metodologia
garantir que futuras pesquisas sobre a produção científica ocorressem de forma mais fácil e
ágil. Realizar esses levantamentos num menor tempo era uma necessidade da Biblioteca
tendo em vista que a solicitação desses dados por parte da Diretoria e da Pós-graduação do

306

�IFGW ficava cada vez mais frequente e urgente. Diante disso, foi necessário criar uma
metodologia mais eficiente que permitisse que os levantamentos fossem realizados no menor
tempo possível. Para tanto, as estratégias de busca, os métodos de pesquisa e o gerenciamento
dos dados foram padronizados. A agilidade e a melhor gestão de informações relativas aos
levantamentos da produção científica do Instituto deu-se a partir do uso do EndNote Web. O
uso dessa ferramenta permitiu organizar e armazenar registros bibliográficos resultantes de
levantamentos anteriores (institucional ou de determinado autor) para serem posteriormente
identificados em levantamentos mais recentes na base de dados Web o f Science (WoS). Essa
identificação de registros, além de eliminar duplicidades, contribuiu para a diminuição do
tempo de realização das pesquisas, fator que resultou em maior agilidade na compilação dos
indicadores do IFGW, quando solicitados à Biblioteca.
Antes do trabalho de compilação dos indicadores da produção científica do IFGW, a
Biblioteca já realizava levantamentos com o objetivo de divulgar a produção científica do
Instituto (através do Boletim Abstracta) e a preservação da Memória Científica Institucional.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Historicamente pode-se observar na evolução da ciência a emergência dos periódicos
científicos como um dos meios criados para torná-la legítima sob o ponto de vista social e
institucional, reforçando seu caráter científico. Responsáveis em grande parte pela melhoria
da comunicação entre os pesquisadores, os periódicos permitiram um controle maior do
conhecimento gerado e a garantia da propriedade intelectual dos autores.
De acordo com Ferreira (1996) a institucionalização dos periódicos sob o ponto de
vista mertoniano trouxe também importante autonomia da esfera científica, uma vez que
deram origem a mecanismos sociais de regulação e estratificação próprios. O mesmo autor
coloca que as temáticas e problemas tratados nos artigos científicos refletem as demandas
e/ou valores sociais vigentes. Paralelamente a isso, se observa também que a literatura
científica tem sido a fonte de dados mais utilizada para gerar indicadores da produção
científica (LIMA; VELHO; FARIA, 2012).
Para Macias-Chapula (1998) os indicadores de atividades científicas estão no centro
do debate porque evidenciam as relações entre o avanço da ciência e da tecnologia por um
lado, e o progresso econômico e social por outro. Lima, Velho e Faria (2012) enfatizam que a
análise desses indicadores é um meio passível de analisar resultados, qualidade e impacto
científico.

307

�Gerados a partir das informações armazenadas em Bases de Dados, os indicadores de
produção científica são ainda frutos de discussões na comunidade científica. Os
questionamentos sobre o uso desses indicadores se deve ao fato de levarem em conta em
Avaliações na Progressão a Carreira ou Acesso a recursos financeiros em Projetos, por
exemplo, somente dados quantitativos. Além disso, é importante considerar que cada área do
conhecimento possui uma dinâmica diferente e, por isso, é importante avaliar todas as
especificidades envolvidas.
Dentre as várias bases de dados existentes atualmente (IEEE, INSPEC, SPIE etc.),
destacamos neste artigo o uso das bases Web o f Science (WoS) e a Scopus, pois além de
indexarem artigos científicos, oferecem indicadores bibliométricos, como por exemplo, o
índice h e número de citações. Conforme Lopes et al (2012, p. 6) “[...] os indicadores
bibliométricos, no seu conjunto, são utilizados para avaliar a produtividade dos autores,
realizar estudos de citações e avaliar a qualidade dos periódicos científicos.”
A

WoS

(www.isiknowledge.com/WOS)

é

uma

base

multidisciplinar

internacionalmente reconhecida, que desde a sua criação disponibiliza um índice de citações.
Essa foi a primeira base que incluiu o índice h (LOPES et al, 2012), um dos indicadores
compilados nos levantamentos sobre a produção científica do IFGW. A base existe há mais de
40 anos e foi criada pelo Institute for Scientific Information (ISI), atualmente é gerida pela
Thomson Reuteurs (ARCHAMBAULT et al., 2009). Em 2004 surge a base referencial Scopus
(www.scopus.com), mantida pela editora Elsevier, essa base também apresenta índice de
citações a partir de 1996 (LOPES et al, 2012). Além dos artigos científicos, a Web o f Science
e a Scopus indexam outros tipos de documentos, tais como, proceedings paper, review, book
review, book chapter etc.
Outra ferramenta que tem possibilitado a organização de registros importados de
diversas bases de dados é o EndNote Web (www.myendnoteweb.com), ferramenta utilizada
pelos profissionais da Biblioteca do IFGW nos diversos levantamentos realizados. O EndNote
Web é um gerenciador bibliográfico desenvolvido pela Thomson Reuters e está integrado à
base WoS. Ele permite coletar referências em diversas bases de dados, organizá-las em
Grupos, citar e gerar bibliografias em textos (Word). Conforme Silva, Andretta e Ramos
(2011), os gerenciadores bibliográficos podem ser utilizados pelos bibliotecários na gestão da
informação. Diante dessas funcionalidades, o EndNote Web foi escolhido entre os diversos
gerenciadores bibliográficos por ser interligado à Web o f Science, principal fonte utilizada no
levantamento da produção científica do IFGW.

Esta ferramenta permite enviar

automaticamente registros da WoS e organizá-los em Grupos, com isso, é possível criar

308

�Grupos com os nomes dos pesquisadores ou com a produção anual. Uma vez que os registros
estejam armazenados no EndNote Web é possível, quando logados no gerenciador de
referências, realizar pesquisas na Web o f Science e ao mesmo tempo, identificar quais
registros recuperados já estão armazenados na ferramenta. Essa identificação de registros na
pesquisa na base foi um recurso importante nos levantamentos realizados porque impede a
duplicidade de registros e evita o retrabalho nas conferências de toda a lista de artigos
recuperados na pesquisa (identificação se o artigo é de origem do IFGW). Sendo uma
ferramenta acessível via Web, o EndNote Web permite a utilização simultânea de vários
usuários, deste modo, é possível que vários bibliotecários realizem pesquisas ao mesmo
tempo.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A seguir apresentaremos os métodos utilizados para a realização dos levantamentos e
compilação dos indicadores da produção científica do IFGW. No caso dos levantamentos
anuais, a coleta da produção científica é realizada no início de cada ano. São realizadas
pesquisas nas bases de dados Web o f Science e Scopus. O objetivo é identificar todas as
publicações que tiveram participação de autores do Instituto. Nessa pesquisa utiliza-se a
estratégia de busca institucional (constantemente revista e atualizada) seguida da delimitação
do ano de publicação desejado.
A estratégia de busca com o endereço institucional do IFGW recupera a maioria dos
artigos publicados. Porém, essa pesquisa não é o bastante para recuperar todos os artigos
publicados em determinado ano porque alguns autores não mencionam o endereço. Diante
dessa dificuldade, desde 1993, o Instituto, por meio do ofício DIF.OF. 318/93
(UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, 1993), sugeriu um endereço institucional
padrão. Essa padronização atendia uma sugestão da Biblioteca do IFGW. Esse ofício foi
enviado pela Diretoria do IFGW para todos os docentes e pesquisadores - essa iniciativa foi
aprovada pelo Conselho Interdepartamental do Instituto. O objetivo dessa padronização era
que todas as publicações originadas no IFGW tivessem o mesmo endereço. A padronização
foi considerada necessária para garantir que o Instituto não fosse prejudicado em
levantamentos feitos por entidades externas. Mais tarde, em 2008, a própria UNICAMP
publicou a Deliberação Consu-A-7-2008 (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS,
2008) que padronizou o formato do endereço institucional para publicações originadas na
universidade. Apesar desses esforços para garantir a padronização do endereço, ainda não
chegamos numa situação ideal para o IFGW. Por essa razão, temos feito pesquisas individuais

309

�por autor para garantir que esses levantamentos anuais apresentem todos os artigos indexados
do Instituto.
Realizar pesquisas individuais implicou em elaborar estratégias de busca para cada
pesquisador. Essas estratégias foram sendo desenvolvidas e aprimoradas no decorrer dos
levantamentos realizados. Não existindo padronização nos nomes dos autores e na filiação
institucional nas bases de dados, nossas estratégias de buscas foram desenvolvidas tendo
como fonte as informações do Currículo Lattes (http://lattes.cnpq.br/) de cada autor. Através
da conferência de cada artigo recuperado na pesquisa com a lista de artigos do autor no
Currículo Lattes, foi possível verificar as seguintes situações: os artigos que não haviam sido
recuperados, as diversas formas de grafia do nome do autor e as instituições a que cada autor
pertenceu e realizou pesquisas (identificação através da filiação). Todas essas informações
serviram de base para a elaboração das estratégias de buscas mais completas dos autores do
Instituto.
Como dito anteriormente, a WoS e a Scopus indexam vários tipos de documentos.
Contudo, os levantamentos para elaboração da lista anual de artigos e a compilação dos
indicadores de produção científica na WoS são gerados somente a partir dos documentos
indexados na base de dados como Article e Review.
Os levantamentos da produção científica realizados pela Biblioteca, além de subsidiar
relatórios da Diretoria, são base para a confecção do Boletim Abstracta, alimentação e
manutenção do Sistema de Informação de Pesquisa e Extensão (SIPEX), Relatório Capes
(todas as publicações do IFGW e fator de impacto dos títulos) e Divulgação da Produção na
Home Page da Biblioteca/IFGW. No caso do SIPEX, esses dados são enviados para as
secretarias dos departamentos do Instituto que realizam a inserção no sistema. Todas as
informações cadastradas no SIPEX são utilizadas como fonte para elaboração do Anuário
Estatístico da UNICAMP. Atualmente a Biblioteca atua em conjunto com os departamentos
do Instituto somente na gestão dos dados das produções indexadas e inseridas no SIPEX.
A compilação dos indicadores de produção científica do IFGW são realizadas na base
WoS. Graças ao trabalho anteriormente realizado de elaboração de estratégias de buscas para
cada autor, esse levantamento tornou-se significativamente mais ágil e preciso no que diz
respeito aos resultados da pesquisa. A pesquisa na base é feita, e após os registros
(referências) serem analisados e selecionados na WoS, são enviados para à Lista (ferramenta
da WoS), conforme Figura 1:

310

�F igu ra 1.

Lista da ferramenta WoS

Fonte: pesquisa dos autores na WoS

A partir dessa lista é gerado um relatório de citações e um gráfico, conforme
apresentado abaixo no Gráfico 1:

Gráfico 1. Relatório de citações

No Gráfico 1 temos o número total de artigos, número total de citações e valor do
índice h para determinado autor. Esses são os indicadores da produção habitualmente
solicitados à Biblioteca, porém, outras informações são apresentadas, como por exemplo, a
média de citação e soma do número de citações sem autocitações.
Os registros que foram selecionados na Lista (Figura 1) da WoS são enviados para o
EndNote Web e a partir disso, a lista de referências poderá ser utilizada futuramente. O
padrão desta ferramenta é enviar os registros para um grupo chamado “Não agrupado”,
conforme Figura 2.

311

�Figura 2. Grupo “Não agrupado” no EndNote Web
Minhas referências
Todas as m in h a s r e fe r e n c ia s ( 1 6 4 )
[N ã o a g ru p a d o ] (61)
Lista te m p o rá ria (0)
Lixeira (0)

Fonte: pesquisa dos autores no EnNote Web

É necessário criar um Grupo dentro do EndNote Web e, após criar o Grupo com o
nome do pesquisador, enviar todos os registros do grupo “Não agrupado” (Figura 2) para o
Grupo recém criado. A partir disso, todas as referências do autor pesquisado estarão salvas.
Veja na Figura 3 alguns exemplos de Grupos com nomes fictícios:

Figura 3. Nome dos pesquisadores no EndNote Web
Meus grupos
Antonio da Silva ( 1 2 ) &amp;
Aparecida Ferreira (8) &amp;
José Pereira (10)
João dos Santos (11) &amp;
Manuel Pereira (10) &amp;
Maria Aparecida Souza (4) &amp;

Fonte: pesquisa dos autores no EndNote Web (Nota: os nomes apresentados na figura são
fictícios)

Novas pesquisas na WoS utilizando o EndNote Web podem ser realizadas a qualquer
momento. Por exemplo, se uma nova pesquisa de autor for solicitada e esse autor tiver um
grupo no EndNote Web, a realização da pesquisa utilizando os recursos do gerenciamento de
referências será o modo mais ágil e preciso de obter o resultado. Caso isso seja feito, haverá
uma identificação de todos os artigos já salvos no EndNote Web. Estas referências aparecem
com uma indicação (EN) conforme mostra a Figura 4:

312

�F igu ra 4.
□

1.

K-S(O) and Lambda Production in Pb-Pb Collisions at root s(NN)=2: 76 TeV

gUj

P or Abelev, B_; Adam, J.; Adamova, D.; et al.
Autor(es) grupo: ALICE Collaboration
PHYSICAL REVIEW LETTERS Volume: 111 Edição: 22
Os-f'Jt

O

2-

EN

Número do artigo: 222301

Publicado: NOV 25 2013

Visualizar resumo

Charmonium and e(+)e(-) pair photoproduction at mid-rapidity in ultra-peripheral Pb-Pb collisions at
root s(NN)=2.76 TeV
P or Abbas, E.; Abelev, B.; Adam, J.; et al.
Autor(es) grupo: ALICE Collaboration
EUROPEAN PHYSICAL JOURNAL C Volume: 73

Q

□

Indicação (EN) do registro no EndNote Web

sfx

Texto integral do ed ito r

Edição: 11

Número do artigo: 2617

Publicado: NOV 9 2013

Visualizar resumo

3.

Centrality dependence of the pseudorapidity density distribution for charged particles in Pb-Pb
collisions at root s(NN)=2.76 TeV

EN

P or Abbas, E.; Abelev, B.: Adam, J.; et al.
Autor(es) grupo: ALICE Collaboration
PHYSICS LETTERS B Volume: 726 Edição: 4-5
OS ' *

Texto integral do e d ito r

Páginas: 610-622

Publicado: NOV 4 2013

Visualizar resumo

Fonte: pesquisa dos autores na WoS

Observa-se na Figura 4 a indicação das referências salvas. Essa identificação nos
auxilia no sentido de que não será necessário conferir se todas as referências recuperadas na
pesquisa são do autor ou não. O fato de elas estarem no Grupo do EndNote Web e terem sido
identificadas na pesquisa já nos garante isso. Esse mecanismo que temos utilizado diminui
muito o tempo de realização das pesquisas e compilação dos dados solicitados.
Para realização dos levantamentos da produção científica, cada bibliotecário utiliza
sua conta pessoal no EndNote Web. Dessa forma, todos podem trabalhar ao mesmo tempo
sem que as referências selecionadas se misturem no Grupo “Não agrupado”. Após a
finalização da pesquisa e criação do Grupo na conta pessoal, esse Grupo recentemente criado
pode ser compartilhado com qualquer conta do EndNote Web. Ao compartilhar o Grupo com
outra conta, todos os Grupos aparecem no item “Outros grupos”, nesse momento é necessário
selecionar todas as referências de cada Grupo e transferir para o Grupo desejado utilizando a
função “Copiar para a lista temporária”. Após essa seleção, todas as referências do Grupo
selecionado (anteriormente compartilhado de outra conta) serão transferidas para um Grupo
de uma conta do EndNote Web da Biblioteca. No nosso caso, esse novo Grupo poderá, por
exemplo, receber o nome de um pesquisador. A partir do momento em que a pesquisa tenha
sido finalizada e o Grupo com o resultado da pesquisa tenha sido criado, compartilhado e
salvo em uma das contas do EndNote Web da Biblioteca, esse Grupo poderá ser excluído da
conta pessoal do bibliotecário com a garantia de que os dados da pesquisa estarão seguros.

313

�Como vemos, os dados salvos no EndNote Web podem ser compartilhados entre
diferentes usuários, sem perder o conteúdo original. Além de permitir o compartilhamento, as
informações não ficam restritas a um usuário somente. Portanto, o uso do EndNote Web nos
permite contabilizar números, gerar listas e indicadores das publicações sempre que essas
informações forem solicitadas.
Para gerenciar o grande volume de referências foram criadas e estão ativas quatro
contas do EndNote Web conforme Tabela 1:

Tabela 1. Contas criadas no EndNote Web para gerenciamento dos registros
Conta

Descrição

Número

de

Grupos
Docentes

são armazenadas todas 90
as

referências

referências

jan./14

(organizados 2176

jan./14

dos por nome completo

pesquisadores do IFGW
Abstracta

(organizados 6140

do docente)

são armazenadas todas 48
as

referências atualização

dos por nome completo

docentes do IFGW
Pesquisadores*

Total de Ultima

do pesquisador)

são armazenadas todas 03 (publicados, não

118

maio/14

as referências utilizadas publicados e Não
para

elaboração

do são IFGW **)

Abstracta durante o ano
corrente
Produção

são armazenadas todas

Anual

referências

19

(organizados 5146

de por

Levantamentos Anuais

ano

abr./14

-

atualmente de 1995
à 2013)

Fonte: Biblioteca do IFGW/Unicamp
* Pesquisadores: categoria “Pesquisador Colaborador Voluntário” e “Professor Colaborador
Voluntário”.
** Este grupo contém os artigos que foram recuperados pela Busca na base Web of Science mas não
são do IFGW. Eles também são salvos no EndNote
Web para evitar
o retrabalho de análise deles toda vez que a pesquisa for executada.
Como pode ser observado na Tabela 1, o EndNote Web permite o armazenamento de
um número considerável de referências. Atualmente as contas (Docentes, Pesquisadores,

314

�Abstracta e Produção Anual) do EndNote Web ativas da Biblioteca do IFGW foi a melhor
maneira que encontramos para organizar as informações. Essas contas foram criadas
separadamente para categorizar as informações, mas também, e principalmente, pelo fato de
termos percebido que o EndNote Web tornava-se mais lento se o volume de referências
excedesse muito. A situação ideal até o momento para a Biblioteca gerenciar essas
informações é a que está demonstrada na Tabela 1. É possível que outras melhorias na
metodologia e na forma de utilização das Contas sejam realizadas futuramente.
De forma a garantir que teríamos, nos levantamentos realizados na base WoS, a maior
parte das publicações originadas no IFGW, realizamos também pesquisas por instituição e por
autor na Scopus. Essa segunda pesquisa na Scopus identifica as referências não recuperadas
na WoS. As referências recuperadas na Scopus são importadas para o EndNote Web e são
salvas nas contas e grupos correspondentes à informação recuperada.
Para garantir a segurança das informações já coletadas e salvas no EndNote Web
realizamos o backup no formato de arquivo Word de todas as informações. Somente para
título de informação temos backup de todas as referências coletadas, das estratégias de busca
e as planilhas com as informações compiladas.
De modo geral, a situação que temos hoje é resultado de um longo processo em que
foram realizados vários levantamentos. Esperamos com o tempo aperfeiçoar ainda mais esses
processos.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Consideramos que a utilização do EndNote Web melhorou a gestão das informações da
produção científica do IFGW. Todo o processo de trabalho foi revisto, modificado e ainda se
encontra em evolução. O EndNote Web nos permitiu fornecer dados e informações mais
precisas num menor tempo. A realização das pesquisas e a entrega dos dados solicitados
ocorreram mais rapidamente porque o EndNote Web armazena as referências e as identifica
em novas pesquisas. Com essa sinalização, não perdemos tanto tempo na conferência dos
artigos.
Além disso, adequamos e incorporamos o uso de um gerenciador de referências na
nossa rotina. Essencialmente o EndNote Web é utilizado para facilitar a escrita de trabalhos
científicos. Contudo, passamos a utilizá-lo de uma forma nova, diferenciada e voltada
estreitamente às nossas rotinas e necessidades.

315

�A utilização do EndNote Web na organização e armazenamento da produção científica
nos permitiu diminuir o tempo de realização de pesquisas conforme pode ser observado na
Tabela 2:

Tabela 2. Diminuição do tempo gasto no processo de pesquisa e análise com a utilização do
EndNote Web
Ano

Docentes

Pesquisadores

Data inicial Data Final Tempo

Total

pesquisado

(Qtde)

(Qtde)

da

da

registros

pesquisa

pesquisa

gasto1

de

recuperados

2010

86

28

17/02/2011

13/04/2011

37

7634

2011

84

28

05/01/2012

20/03/2012

51

7052

20122

85

35

14/01/2013

19/02/2013

24

7484

2013

90

48

10/01/2014

31/01/2014

16

8316

Fonte: Biblioteca do IFGW/UNICAMP
1Tempo gasto em dias úteis.
2Inicio do uso do EndNote Web.
De acordo com a Tabela 2, observa-se uma diminuição significativa no tempo gasto na
realização das pesquisas. A pesquisa referente ao ano de 2010, segunda vez que a compilação
dos indicadores foi solicitada à Biblioteca, foram gastos 37 dias. Em 2012, primeiro ano de
utilização do EndNote Web, foram gastos 24 dias. Em 2013, a pesquisa foi realizada em
janeiro de 2014 e foram necessários apenas 16 dias para concluir as pesquisas. A diminuição
do tempo está relacionada à adoção de nova metodologia e utilização do EndNote Web.
Optamos por não indicar na Tabela 2 a pesquisa referente ao ano de 2009, nesse ano
iniciamos o trabalho de identificação das diversas formas de grafia dos autores e por isso as
pesquisas foram mais demoradas. Até então, não existia documentação sobre as estratégias
de busca dos autores do Instituto.
Essa metodologia e o uso do EndNote Web possibilitou que todas as referências das
publicações do IFGW fossem geridas de forma sistematizada e padronizada através da criação
das contas da Biblioteca na ferramenta online. Esses levantamentos são geralmente
elaborados por vários profissionais e realizá-los com acesso simultâneo a toda informação
necessária foi um ganho importante nesse novo processo de trabalho para a equipe.
Gerir a produção científica dessa forma, além de nos permitir padronizar e sistematizar
o trabalho mostrou também que outros bibliotecários poderiam executar tal trabalho. Para

316

�tanto, deixamos aqui nossas contribuições e entendemos que o profissional está apto para
realizar qualquer tipo de pesquisa e compilação de dados. Pretendemos no futuro realizar
estudos bibliométricos e trabalharmos mais ativamente na análise desses levantamentos e
indicadores.
Outra vertente de atuação da Biblioteca será a participação da UNICAMP no
Repositório da Produção Científica do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais
Paulistas (CRUESP). Esses levantamentos já realizados e documentados da produção
científica do IFGW pela Biblioteca nos permitirão alimentá-lo rapidamente tanto com as
informações atuais, como com as informações retrospectivas. Imaginamos assim que o
Repositório da Produção Científica do CRUESP trará maior visibilidade ao conhecimento
científico gerado pelo Instituto e pela universidade.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A elaboração da metodologia e adoção do EndNote Web na realização dos
levantamentos e compilação dos indicadores da produção científica trouxeram várias
melhorias ao processo de trabalho. Em consequência disso, tivemos significativa diminuição
do tempo na realização das pesquisas, mais agilidade no retorno e entrega das informações
solicitadas e maior garantia de precisão e confiabilidade nas informações coletadas.
A padronização das estratégias de buscas dos autores e institucional melhorou
significativamente a qualidade dos resultados obtidos nas pesquisas. Além disso, nos ajudou
a superar as dificuldades relacionadas à falta de padronização nas bases de dados,
principalmente quanto à grafia dos autores e endereço institucional (filiação).
No que se refere à Memória Institucional ainda temos dificuldade na captação de
outros tipos de publicações, como por exemplo, trabalhos de congressos, livros, patentes etc.
Existe a proposta de que a Biblioteca seja responsável pelo depósito legal de toda a produção
gerada no Instituto, apesar disso ainda não foi possível levantar a produção não indexada.
Diante disso, a Biblioteca só é capaz de compilar indicadores sobre a produção científica
indexada e sobre as teses e dissertações do IFGW.
Apesar da Biblioteca do IFGW atuar e buscar melhorias para superar as dificuldades e
também atender as diferentes demandas que surgiram, ainda será necessário avançar no que
diz respeito ao Depósito de toda a produção científica do IFGW, principalmente em relação
aos materiais não indexados.

317

�6 REFERÊNCIAS

ARCHAMBAULT, É. et al. Comparing bibliometric statistics obtained from the Web of
Science and Scopus. Journal of the American Society for Information Science and
Technology, v. 60, n. 7, p. 1320-1326, 2009.
FAPESP. Análise da produção científica a partir de indicadores bibliométricos. In: FAPESP.
Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2004. 3.ed. FAPESP: São
Paulo,

2005.

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5,

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Disponível

&lt;http://www.fapesp.br/indicadores2004/volume1/cap05 vol1.pdf&gt;. Acesso em:

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12 maio

2014.
FERREIRA, L. O. O nascimento de uma instituição científica: o periódico médico
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LIMA, R. A.; VELHO, L. M. S.; FARIA, L. I. L. Bibliometria e “avaliação” da atividade
científica: um estudo sobre o índice H. Perspectiva em Ciência da Informação, v. 17, n. 3,
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LOPES, S. et al. A bibliometria e a avaliação da produção científica: indicadores e
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Disponível

em:&lt;http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/429&gt;. Acesso em:
05 maio 2014.
MACIAS-CHAPULA, C. A. O papel da informetria e da cienciometria4681 e sua perspectiva
nacional e internacional. Ciência da Informação, v. 27, n. 2, p. 134-140, 1998.
SILVA, E. G.; ANDRETTA, P. I. S.; RAMOS, R. C. Novas práticas na gestão de informação
bibliográfica: estudo sobre a capacidade de gestores de referências no cotidiano dos
estudantes, pesquisadores e bibliotecários. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa
Catarina, v. 16, n. 2, p. 419-445, 2011.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Instituto de Física “Gleb Wataghin”.
Conselho Interdepartamental. DIF. OF. 318/93, de 11/05/1993. Define padrão de endereço
institucional do IFGW. (Documento Interno).
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Procuradoria Geral.

Deliberação

CONSU-A-007/2008, de 25/03/2008. Disciplina a forma de identificação da Universidade.
Disponível em: &lt;http://www.pg.unicamp.br/mostra norma.php?id norma=2867&gt;. Acesso
em: 12 maio 2014.

318

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Gestão da produção científica do IFGW-UNICAMP: o uso do EndNote Web como ferramenta facilitadora na pesquisa e armazenamento de dados.</text>
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                <text>Cartaxo, Sandra Maria Carlos, Trevisam, Maria Graciele, Salvio,Silvia Celeste, Rocha, Lucimeire de Oliveira Silva da </text>
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                <text>Este artigo apresenta a experiência e a metodologia criada para coletar indicadores da produção científica do Instituto de Física ―Gleb Wataghin‖ (IFGW) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). A metodologia desenvolvida pela equipe de bibliotecários da Biblioteca ―Marcello Damy‖ do IFGW teve como principal objetivo gerenciar o grande volume de dados e ao mesmo tempo permitir que esses levantamentos fossem realizados no menor tempo possível. Os levantamentos da produção científica do Instituto e sua compilação são comumente utilizados para subsidiar relatórios e planejamentos da Diretoria do IFGW. Esses levantamentos também servem de base para a confecção do Boletim Abstracta, a alimentação e manutenção do Sistema de Informação de Pesquisa e Extensão (SIPEX), Relatórios Capes e o Anuário Estatístico da UNICAMP. A agilidade e o melhor gerenciamento dos dados relativos aos levantamentos da produção científica se deu a partir do uso do software EndNote Web. Essa ferramenta, além de organizar as informações, permitiu também a melhor gestão de todo o processo de trabalho. Dentre os diversos ganhos obtidos na utilização do software podemos citar a diminuição do tempo na realização das pesquisas e compilação dos dados solicitados, a garantia de resultados mais precisos nas pesquisas realizadas e eliminação de retrabalhos na conferência e análise dos resultados das pesquisas realizadas. De modo geral, a utilização do software citado acima permitiu a melhoria do processo de trabalho como um todo, tendo também como principal resultado o oferecimento de informações mais precisas e, portanto, confiáveis. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

UMA NOVA REALIDADE: sistema eletrônico de gerenciamento de informações no
SISTEMOTECA da UFPB
Ediane Toscano Galdino Carvalho
Aderaldo da Silva Lima Neto

RESUMO
As bibliotecas universitárias devem proporcionar aos seus usuários um ambiente compatível
com as mudanças da sociedade contemporânea que são necessárias e irreversíveis. Dessa
forma, a aquisição de um sistema eletrônico de gerenciamento de informações é fundamental.
A pesquisa objetiva verificar o processo de mudança do sistema de gerenciamento eletrônico
de informações ORTODOCS para o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas
(SIGAA). Teve como ambiente de pesquisa o SISTEMOTECA da UFPB e instrumento de
coleta de dados o questionário aplicado a bibliotecários ligados diretamente as atividades
técnicas. Como resultado, observou-se que a necessidade de mudança de sistema eletrônico de
informações foi relevante, solucionando situações técnicas e operacionais imediatas no
SISTEMOTECA. Este fato é verificado principalmente devido os direitos de uso de o SIGAA
ter sido adquirido pela UFPB, como também por ser um sistema eletrônico integrado,
podendo compartilhar dados entre os setores desta universidade.
Palavras-Chave: Sistema de Gerenciamento Eletrônico de Informação. Automação em
bibliotecas universitárias. Sistema de Bibliotecas da UFPB (SISTEMOTECA).

ABSTRACT
The university libraries should propitiate to their users an environment compatible with the
changes in the contemporary society which are necessary and irreversible. This way, the
acquisition of an electronic system of information management is fundamental. The research
aims to verify the changing process of the system of electronic management of information
ORTODOCS to the Integrated System of Management of Academic Activities (SIGAA). The
research environment was the SISTEMOTECA of UFPB and the tool for data collection was
a questionnaire applied with librarians that work directly with technical activities. As a result,
it is observed that the necessity of changing the electronic system of information is relevant,
solving immediate technical and operational situations on SISTEMOTECA. This fact is
mainly verified due to the copyright of SIGAA has been acquired by UFPB as well as it is an
integrated electronic system that can share data between the sectors of this university.
Key-words: System of Electronic Management of Information. Automation in University
Libraries. System of Libraries of UFPB (SISTEMOTECA).

3860

�1 INTRODUÇÃO
A rotina da sociedade contemporânea tomou novo rumo com a amplitude de
atividades realizadas a partir do computador e contemporaneamente pelo ambiente virtual.
Neste sentido, as bibliotecas tenderam a seguir este caminho promissor, pois os serviços
tornaram-se mais funcionais com a utilização efetiva da internet.
O impacto deste cenário no mundo informacional direciona as instituições a tomarem
nova postura adequando o processo informacional diante das possibilidades exigidas pelo
ambiente eletrônico e virtual. Para tanto, a biblioteca está influenciada diretamente em todos
os serviços realizados e a aplicação das tecnologias são fundamentais em todo o processo,
tornando o gerenciamento das rotinas de trabalho rápidas, eficientes e eficazes.
O Brasil iniciou na década de 80 a automação de suas bibliotecas. A necessidade de
acompanhar as mudanças mundiais no que se refere a tecnologia levou a área de
biblioteconomia a estudar com maior profundidade o desenvolvimento de softwares adequado
ao gerenciamento dos serviços nas bibliotecas.
Atualmente existe uma variedade de sistemas de automação ou sistemas eletrônicos de
gerenciamento que atende as necessidades gerais em uma biblioteca, dessa forma, a qualidade
na disponibilização dos serviços merece um alto investimento na aquisição de sistemas de
qualidade.
Para o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) (199?),
automação de bibliotecas são as diferentes utilizações dadas a equipamentos de
processamento eletrônico de dados em atividades ligadas à administração em bibliotecas,
centros de documentação, serviço de informação e órgãos similares. Essas atividades incluem
a seleção e aquisição de material bibliográfico, catalogação, recuperação de referências,
serviços de empréstimos, edição de boletins de notificação corrente e outros instrumentos de
disseminação de informações, além de tarefas de natureza financeira ou contábil.
A tomada de decisão em automatizar uma biblioteca perpassa por todo o processo de
gerenciamento institucional. Existem duas situações para a escolha de um sistema de
automação: a primeira é quando os serviços aos usuários e as atividades administrativas da
biblioteca ainda não estão utilizando nenhum sistema e o outro é quando na biblioteca já
existe um sistema, no entanto, os gestores tomam a decisão de mudança para outro sistema.
Essa mudança reflete principalmente no oferecimento de maior qualidade nos serviços e
atividades.
Esta pesquisa tem como objetivo verificar o processo de mudança do Sistema de
automação ORTODOCS utilizado pelo SISTEMOTECA/UFPB, para o atual sistema

3861

�eletrônico de gerenciamento de informações: Sistema Integrado de Gestão de Atividades
Acadêmicas (SIGAA). O SIGAA é um sistema que gerencia todas as atividades da
Universidade Federal da Paraíba.
Dessa forma, o estudo em tela possibilita aos profissionais da área de informática e da
área da biblioteconomia, conhecer as diferenças entre um sistema que gerencia apenas as
atividades de uma biblioteca e outro que amplia as alternativas de gerenciamento de toda uma
instituição.

2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Com o surgimento das escolas de ensino superior, entre o final do século XIX e o
início do século XX, impulsionou a criação de bibliotecas ligadas a essas instituições.
É importante destacar que em 1901 no governo presidente Campos Sales, foi
aprovado uma determinação de que todas as escolas de ensino superior e secundário
mantivessem bibliotecas. Esta assertiva encontra-se no 19° capítulo do Código dos Institutos
Oficiais de Ensino Superior e Secundário ligados ao Ministério da Justiça e Negócios
Interiores. (LEMOS; MACEDO, 1974).
A biblioteca de uma universidade é um instrumento essencial no processo de
ensino/aprendizagem e fundamental no ensino superior. Sua função atende a própria
instituição universitária que é de ensino, pesquisa e extensão, contribuindo com o
desenvolvimento social, cultural, tecnológico e científico do país. Por isso, as bibliotecas
devem participar ativamente do sistema educacional desenvolvido pela universidade.
Segundo Cunha (2010, p.72),
as bibliotecas universitárias são organizações complexas, com múltiplas
funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram
desenvolvidos ao longo de décadas. No entanto, o seu propósito fundamental
permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar acesso ao conhecimento. Esse
acesso ao conhecimento é que irá permitir que o estudante, o professor e o
pesquisador possam realizar suas aprendizagens.

A biblioteca universitária no Brasil atualmente está em constante crescimento devido
as várias reformas universitárias, como exemplo a criação de vários cursos superiores,
ocasionando um aumento na aquisição de documentos e nos serviços das bibliotecas
universitárias.
Com o aumento na quantidade de cursos oferecidos pelas universidades brasileiras,
aumenta-se também o contingente de alunos e as bibliotecas podem se tornar inviáveis caso

3862

�não sejam visualizadas como alicerce fundamental na construção do saber e conhecimento.
Nesta perspectiva, a biblioteca universitária vive um momento de expansão pela busca de
novos valores e de soluções para o processo de gerenciamento da informação.
Diante deste contexto, as bibliotecas por estarem no cumprimento de suas funções
informacionais nas universidades, devem proporcionar aos seus usuários um ambiente
compatível com o ambiente virtual, estando preparadas para realmente funcionar como
agentes positivos das mudanças necessárias e irreversíveis na sociedade.

3 Tendências e oportunidades na biblioteca informatizada

As atividades acadêmicas nas universidades estão sendo influenciadas e modificadas
de acordo com as mudanças vividas na sociedade que está continuamente em processo de
mudança a partir do surgimento de tecnologias cada vez mais eletrônicas e virtuais, dessa
forma, ocasionam novas perspectivas no oferecimento dos serviços das bibliotecas
universitárias.
Segundo Cunha (2000), as inovações devem ser estabelecidas a partir da ênfase no
atendimento, no financiamento, no balcão de referência eletrônico, no suporte a programas de
ensino à distância e agentes inteligentes. O autor afirma ainda que a biblioteca sempre foi
referência na vanguarda das tecnologias informacionais como: a passagem dos manuscritos
para os textos impressos, o acesso as bases de dados, o uso do CD-ROM, a biblioteca digital e
virtual, dessa forma, demonstra essa evolução na figura abaixo.

Figura 1 - Evolução tecnológica da biblioteca

3863

�Acredita-se que as bibliotecas universitárias brasileiras estejam todas automatizadas.
Em decorrência disso, há a necessidade de ampliação nos recursos financeiros para a provisão
de equipamentos mais potentes e modernos.
Segundo Guinchat e Menou (1994, p.223) “os sistemas de informação precisam
manipular grandes quantidades de dados para realizar tarefas relativamente simples e
repetitivas”. Para tanto, demanda pessoal especializado, equipamentos direcionados para o
gerenciamento eletrônico de informações de tratamento e de comunicação.
Nos últimos tempos, o aumento da velocidade das CPUs, o incremento da velocidade
de transmissão de dados e redução drástica nos custos das memórias de massa barateou os
custos e aumentou a potencialidade dos recursos informáticos.
A velocidade de transmissão de dados agora passa a contar com redes de alta
velocidade. Os usuários das bibliotecas têm acesso a grandes arquivos de dados, utilizam
aplicações multimídias e outros tipos de produtos/serviços que demandam alta confiabilidade
e velocidade de transmissão.
Diante desta perspectiva, Vieira (2014), fala sobre a tendência atualmente no acesso
a informação que a partir do sucesso da internet, o armazenamento e a troca de informações
brevemente se consolidará a partir do acesso na cloud, ou seja, o acesso nas nuvens, onde se
pode utilizar servidores terceirizados acessíveis a partir da internet.
Os recursos informacionais oferecidos pelas bibliotecas devem levar em
consideração a demanda de usuários que a cada dia interage com o ambiente virtual. A
comunidade acadêmica universitária parece clamar por ações significativas que tornem o
acesso a informação com qualidade e eficiência.
Dessa forma, os sistemas de gerenciamento de informações devem acompanhar o
processo de exigência da demanda existente na comunidade a qual a biblioteca está inserida,
neste caso, ao elaborar um projeto de aquisição de um sistema de gerenciamento de
informações, torna-se necessário a observância de critérios como credibilidade, tecnologia
funcional, adoção de padrões normativos da biblioteconomia, facilidade na inserção e
recuperação da informação. A estas exigências, deve-se incluir a necessidade de ampliação do
acesso e uso da informação com as tendências de ambientes eletrônicos, digitais e virtuais.

3864

�4 Sistemas de gerenciamento de dados no SISTEMOTECA / UFPB: Ortodocs e Sistema
Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA)

A pesquisa se deu no Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da Universidade
Federal da Paraíba (UFPB). O processo de estruturação e implantação desse Sistema teve
início a partir de 1976 com a junção do acervo das treze Bibliotecas Setoriais. Após esse
momento começou a contratação de Bibliotecários, atualização do acervo de livros e
periódicos, elaboração e aprovação do regulamento do Sistema de Bibliotecas, criação de
novos serviços e a construção do prédio definitivo da Biblioteca Central com uma área
construída de 8.500m2.
Em 1980 foi oficializado o regulamento do Sistema de Bibliotecas, aprovado pelo
Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE), através da resolução N°
31/2009 (Processo n°23074. 0007933/09-90), que determina as diretrizes quanto à formação e
funcionamento do Sistema de Bibliotecas. (UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA,
2009).
O SISTEMOTECA é formado por Bibliotecas que trabalham com a coleta, o
tratamento, o armazenamento, a recuperação e a disseminação de informações, como apoio
aos programas de ensino, pesquisa e extensão da UFPB.
Atualmente, o Sistema de Bibliotecas apresenta a seguinte formação: 1 Biblioteca
Central (coordenadora do sistema) e 13 Bibliotecas setoriais localizadas nos 4 campi, sendo
elas; Campus I - João Pessoa - Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Sociais Aplicadas
(BS/CCSA), Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes
(BS/CCHLA), Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (BS/CCEN),
Biblioteca Setorial do Centro Ciências da Saúde (BS/CCS), Biblioteca Setorial do Centro de
Ciências Jurídicas (BS/CCJ), Biblioteca Setorial do Centro de Educação (BS/CE), Biblioteca
Setorial do Centro de Tecnologia (BS/CT), Biblioteca Setorial do Núcleo de Documento e
Informação Histórica Regional (BS/NDHIR), Biblioteca Setorial do Hospital Universitário
(BS/HU), Biblioteca Setorial de Direitos Humanos); Campus II - Areia - Biblioteca Setorial
de Areia (BSA); Campus III - Bananeiras - Biblioteca Setorial de Bananeiras (BSB);
Campus IV - Mamanguape/Rio Tinto - Biblioteca Setorial do Litoral Norte (BS/LN).
(UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA, 2009).
As atividades principais de acordo com o regimento são:

3865

�I. selecionar e adquirir material documental que interesse ao ensino, a
pesquisa e a extensão;
II. efetuar os registros que permitam assegurar o controle e a avaliação do
material documental;
III. tratar o material documental de acordo com os processos técnicos
adotados;
IV. fazer circular, para fins de disseminação de informações junto ao
usuário, as coleções bibliográficas e audiovisuais;
V. oferecer serviços de documentação e informação para apoio aos
programas de ensino de graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA, 2009, p. 3).

A Biblioteca Central, sediada no Campus I, é responsável pela coordenação geral das
atividades do SISTEMOTECA a função de suprir com informações as atividades de ensino,
pesquisa e extensão da UFPB.
As bibliotecas setoriais são subordinadas tecnicamente com relação a:
• compra de material documental a partir do processo de Pregão eletrônico;
• registro dos documentos;
• sistema de classificação (CDU);
• catalogação;
• sistema eletrônico de gerenciamento de dados.
O SISTEMOTECA teve suas atividades automatizadas a partir da década de 80,
quando adquiriu o sistema Ortodocs que foi substituído pelo Sistema Integrado de Gestão de
Atividades Acadêmicas (SIGAA) em 10 de abril de 2012.
O Sistema Ortodocs é um sistema de gerenciamento de dados criado, desenvolvido e
gerenciado pela empresa Potiron Informática, com sede na cidade de São Paulo e laboratório
tecnológico em Campinas-SP. A Potiron Informática atua como empresa de Tecnologia da
Informação (TI), dedicando-se ao ramo de softwares para empresas de todos os portes. De
acordo com Côrte et. al. (1999) a Potiron Informática surgiu com o objetivo de informatizar
bibliotecas individuais ou interligadas em redes. Possui o formato de intercâmbio a partir do
padrão MARC, do protocolo Z39.50 e da norma ISO 2709. Sua atuação no SISTEMOTECA
iniciou no ano de 2000, com a finalidade prioritária de automatizar todas as operações,
processos e atividades rotineiras da unidade. (VIEIRA; MACHADO, 2013).
A implantação e implementação do Ortodocs na UFPB foi inicialmente com o
módulo de processos técnicos que se responsabiliza pelo tratamento dos documentos como a
inserção dos dados dos documentos a partir da catalogação. Após a implantação do módulo de
processos técnicos, foi implantado o módulo de circulação, responsável pelo cadastro dos
usuários, empréstimo, devolução e renovação dos documentos e a busca no catálogo.

3866

�Passado praticamente uma década foi iniciado o processo de realização da
catalogação do acervo de CDs e DVDs na Seção de Multimeios e na Seção de Periódicos com
a catalogação dos periódicos.
Inclui-se ainda o acervo de cordéis com suas capas digitalizadas existentes no
Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP). O processo de catalogação deste acervo
ocorreu durante o período de 2008 e 2009, sendo suspenso devido a saída da bibliotecária
para a função de docente na mesma universidade.
O Ortodocs ficou ativo no SISTEMOTECA até o ano de 2012, quando foi
substituído pelo atual sistema de gerenciamento eletrônico de dados, o Sistema Integrado de
Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA).
O SIGAA é um sistema de gerenciamento eletrônico da informação que atua desde a
área processual de uma instituição até a área de recuperação da informação, abrangendo toda
estrutura institucional,

tendo como proposta fundamental

gerenciar os processos

administrativos e técnicos da área interna da instituição.
Foi criado em 2000 pela equipe de técnicos/funcionários da Superintendência de
Informática da UFRN com a missão de consolidar um sistema eficaz na gestão do fluxo de
informações administrativas, técnicas e operacionais e como objetivo inicial de prover o
gerenciamento eletrônico das atividades da própria instituição (VIEIRA; MACHADO, 2013).
A iniciativa se deu pelo fato de que os sistemas informacionais da UFRN estavam
fragmentados, refletindo a falta de conexão e fluxo informacional, surgindo a necessidade de
unificação e integração dos sistemas numa única base de dados para dar maior autenticidade
às informações geradas como suporte às tomadas de decisões.
Segundo Ziulkoski (2010) o SIGAA é uma plataforma desenvolvida em ambiente
web para atender as necessidades de gestão e planejamento de uma instituição de ensino, seja
ela pública ou privada, permitindo a otimização dos recursos físicos, humanos, materiais e
financeiros.
Antes da criação da Superintendência de Informática (SINFO) os sistemas eram
desenvolvidos de forma isolada, utilizando-se cada um de uma base de dados e tecnologia
diferente, existindo uma complexidade do cruzamento de informações e a falta de
padronização da entrada de dados, dificultando o seu gerenciamento. (LIMA; RAMOS,
2011).
Dentro desse contexto, a SINFO cria então os seguintes sistemas: SIGAA
(acadêmico), SIPAC (patrimonial) e SIGRH (recursos humanos). Esta pesquisa aborda o
SIGAA - módulo Biblioteca.

3867

�A UFPB adquiriu o SIGAA, com seus diversos módulos, em 2010, através do Termo
de Cooperação n° 01/2010 da Universidade Federal da Paraíba - UFPB com a Universidade
Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, foi oficializado em 2011, ocasionando a
implantação do sistema integrado de gestão acadêmica, administrativa e de recursos humanos,
bem como a gerência de seus dados. O termo também garante a capacitação e transferência de
tecnologia da UFRN para a UFPB e a integração dos sistemas do governo federal como o
SIAFI, SIAPE, SIASG e outros de interesse mútuo entre os partícipes.
O SIGAA foi implantado no SISTEMOTECA, a partir do “módulo biblioteca” que
contempla a vida acadêmica da comunidade universitária, e o gerenciamento dos serviços
automatizados de catalogação dos documentos e dos serviços de circulação (cadastro,
empréstimo, devolução e renovação.
O SIGAA permite:
•

Relatórios impressos por qualquer operador habilitado, podendo ser impressos de

forma imediata sem necessidade de solicitação prévia;
•

Permite multi-filtro na busca, facilitando as estratégias de pesquisa;

•

Permite o filtro por biblioteca e coleção;

•

Estruturado para Sistema de Biblioteca e não apenas para uma biblioteca;

•

Permite a utilização de diferentes classificações em bibliotecas, podendo cada

uma ter o seu número de chamada utilizando-se da mesma catalogação;
•

Cada modificação de catalogação possui registro das mudanças;

•

Em casos de Livros, Dissertações ou teses com CD, basta incluí-lo como anexo;

•

Sistema programado para acusar erro de MARC automaticamente, não permitindo

a continuidade da catalogação.
A substituição do Ortodocs pelo SIGAA se deu a partir de 2012 na Biblioteca Setorial
do Centro de Ciências da Saúde (CCS) como biblioteca piloto, basicamente nos módulos de
circulação com os dados dos usuários e de catalogação para os acervos de livros. A escolha se
deu pelo fato de apresentar as condições necessárias ao processo de migração dos dados. Em
seguida, realizou-se a migração dos dados da biblioteca central e da biblioteca setorial do
CCEN. As outras bibliotecas setoriais também se adequaram ao processo.

3868

�5 O caminho trilhado

A pesquisa é um estudo de caso, por ser um processo específico para o
desenvolvimento de uma investigação particular.
Mediante a perspectiva de obtenção dos objetivos propostos, a pesquisa foi
desenvolvida mediante a abordagem qualitativa, pretendendo entender a funcionalidade e
benefícios do SIGAA - Módulo Biblioteca - no Sistema de Bibliotecas da UFPB.
Os sujeitos escolhidos foram 9 (nove) bibliotecários, sendo distribuídos na Biblioteca
Central, na biblioteca setorial do CCEN, na biblioteca setorial do CCS e na biblioteca setorial
do CCSA. Desse total, 5 responderam ao instrumento de coleta de dados da pesquisa que foi o
questionário com questões abertas e fechadas.

6 Analisando as questões do instrumento de dados

Para a realização da análise, foi necessário a interpretação dos dados existentes no
questionário e utilizaram-se as perguntas do mesmo como caminho para constituir os
resultados finais.
A pergunta inicial do questionário se referiu ao perfil dos bibliotecários. Dos 5 (cinco)
respondentes, 2 (dois) bibliotecários têm de 1(um) a 5 (cinco) anos de experiência, 2(dois)
bibliotecários tem de 5 (cinco) a 10 (dez) anos de experiência e 1(um) bibliotecário tem mais
de 10 (dez) anos de experiência. Em relação a formação, apenas 1 (um) bibliotecário tem
formação de graduação em biblioteconomia, e 4 (quatro) bibliotecários além da graduação
possuem mestrado em Ciência da informação. No que diz respeito ao cargo que desempenha
dentro de cada unidade de informação onde atua, apenas 2 (dois) bibliotecários exercem o
cargo de chefia.
Após a identificação do perfil dos respondentes, as perguntas do questionário foram de
âmbito diverso que possibilitou realizar uma análise contextual do processo de implantação
do SIGAA em substituição ao Ortodocs no Sistema de Bibliotecas da UFPB, como também
do conhecimento técnico dos bibliotecários (sujeitos da pesquisa).
A implantação do módulo biblioteca do SIGAA foi dividida em duas partes: O módulo
processos técnicos e o módulo circulação. O processo se deu primeiramente no processo
técnico e por fim chegou à circulação, os quais demandaram esforços tanto dos bibliotecários
das Bibliotecas envolvidas como do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da UFPB, a

3869

�fim de tornar o resultado desse processo um momento ímpar de avanço no que diz respeito à
forma de gerir o SISTEMOTECA.
Após a consolidação do projeto piloto na BS/CCS, o NTI começou gradativamente a
fazer a migração dos dados nas outras bibliotecas do SISTEMOTECA. Atualmente todas as
unidades do sistema já estão funcionando com o módulo de catalogação do SIGAA.
De acordo com as repostas, identificou-se que todos os bibliotecários respondentes
têm conhecimento sobre a importância da automação e uso de sistemas adequados para cada
tipo de biblioteca, este dado coletado e percebido fortalece a ideia de que as informações dos
respondentes nesta pesquisa correspondem a pensamentos coerentes de quem lida no dia a dia
com essas tecnologias.
A respeito do uso de outros sistemas de automação de bibliotecas, todos os
bibliotecários relataram já ter usado mais de um sistema. Dentre os softwares que mais se
destacaram para todos os bibliotecários, foram estes: Ortodocs, SIGAA (UFRN), BibLivre,
SIABI e Pergamun. O fato de terem usado esses sistemas não caracteriza o domínio absoluto
de todos eles, apenas identifica o conhecimento global dentro do campo de softwares para
automação de bibliotecas.
Os resultados demonstraram ainda que o novo sistema trouxe satisfação para a maioria
dos bibliotecários. Alguns relatam que muitos processos foram simplificados, de forma que as
informações estão sendo geridas e disponibilizadas com mais eficiência e eficácia. Isso
favorece não apenas o profissional bibliotecário, mas principalmente o usuário que se sente
satisfeito em sua solicitação.
Segundo os bibliotecários a importância do novo sistema foi refletida em toda a
instituição e possui os seguintes atributos:
•

Possibilidade de realmente efetivar a integração de todas as

bibliotecas que fazem parte do sistema;
•

Vinculação do cadastro de alunos matriculados e servidores

ativos em todas as instâncias da Universidade;
•

Quanto ao suporte técnico que é de responsabilidade do

NTI/UFPB, facilitando assim a solução de eventuais problemas;
•

Opções de regras de política no sistema, a exemplo da política

de empréstimo;
•

Possibilidade de emissão de relatórios por qualquer operador

habilitado, podendo ser impressos de forma imediata sem necessidade

3870

�de solicitação prévia (empréstimos, débitos, etc.);
•

Permite opções de multi-filtro na busca, facilitando as

estratégias de pesquisa;
•

Permite a customização, ou seja, modificações no sistema à

atender as possíveis necessidades da demanda.

Apenas 1 (um) bibliotecário citou um ponto negativo ao seu entender, expressando
que
o layout de apresentação para o usuário ainda não estava adequado, poderia
ser mais “limpo” tomando o preenchimento na busca mais simplificado,
favorecendo assim a recuperação dos resultados de forma mais eficiente.

Ao analisarmos separadamente os dois sistemas, Ortodocs e o SIGAA, verifica-se
algumas semelhanças nas funcionalidades e características das informações na sua interface,
como por exemplo: formato web e catálogo online, porém, se diferenciam e distanciam
quando da execução das tarefas nos dois ambientes.

7 Considerações Finais

A pesquisa mostrou pontos importantes referentes as mudanças ocorridas a partir da
substituição do Ortodocs pelo SIGAA.
O sistema SIGAA por gerenciar todos os processos administrativos, acadêmicos e
técnicos da UFPB, trouxe como maior benefício para toda a universidade, o fato da integração
dos setores pelo cadastro único de alunos e servidores, o qual simplifica o serviço de cada
operador de cada setor, refletindo na melhor funcionalidade dos serviços.
Com relação ao módulo do SIGAA/Biblioteca é um sistema mais sólido e completo
que o Ortodocs e portanto exige mais conhecimento para a sua operacionalização.
Durante o processo de migração dos dados de um sistema para outro, observou-se a
existência de inconsistência dos dados, no entanto, ao serem verificadas pelos bibliotecários e
pelos analistas de sistemas da universidade foram corrigidas de acordo com o grau de
necessidade, ficando a responsabilidade pelas correções a cargo do NTI.
Dessa forma, quanto a manutenção do sistema, fica comprovado que existe
compromisso pelo pessoal técnico, como também o sistema é eficaz pois oferece a condição
de flexibilidade, podendo se moldar a novos ajustes e adaptar às necessidades e funções
desempenhadas pelos operadores de cada segmento.

3871

�Foi verificado que o SIGAA é um sistema seguro, tendo em vista que as operações de
backup e manutenção são desenvolvidas internamente na unidade pelo NTI da própria UFPB,
outro aspecto positivo percebido é que a UFPB adquiriu os direitos de uso do sistema,
diferentemente do Ortodocs, pois o backup era realizado a partir dos servidores da biblioteca
central ligados diretamente nos servidores gerais da Potiron em São Paulo e a manutenção
técnica com relação ao sistema era realizada pelos técnicos da Potiron.
No sistema Ortodocs, mensalmente era renovada a assinatura do contrato, por meio de
pagamento. Enquanto que o contrato do SIGAA não tem essa despesa mensal, o que
demonstra um lado positivo para a UFPB.
Diante deste contexto, as instituições universitárias devem estabelecer um
planejamento de aquisição de um Sistema de Gerenciamento Eletrônico de Informações que
atendam todas as atividades, setores e serviços existentes no âmbito de sua função e objetivo,
gerando maior aproveitamento da inserção dos dados, pois todas as atividades podem estar
interligadas, facilitando o processo gerencial.

REFERÊNCIAS
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origem das bibliotecas. In: OLIVEIRA, Marlene de. (Coord.). Ciência da Informação e
Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de autuação. Belo Horizonte: UFMG, 2005. p.
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da Universidade Federal da Paraíba. Rev. Digit. Bibliotecon. Cienc. Inf., Campinas, SP, v.
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3873

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As bibliotecas universitárias devem proporcionar aos seus usuários um ambiente compatível com as mudanças da sociedade contemporânea que são necessárias e irreversíveis. Dessa forma, a aquisição de um sistema eletrônico de gerenciamento de informações é fundamental. A pesquisa objetiva verificar o processo de mudança do sistema de gerenciamento eletrônico de informações ORTODOCS para o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA). Teve como ambiente de pesquisa o SISTEMOTECA da UFPB e instrumento de coleta de dados o questionário aplicado a bibliotecários ligados diretamente as atividades técnicas. Como resultado, observou-se que a necessidade de mudança de sistema eletrônico de informações foi relevante, solucionando situações técnicas e operacionais imediatas no SISTEMOTECA. Este fato é verificado principalmente devido os direitos de uso de o SIGAA ter sido adquirido pela UFPB, como também por ser um sistema eletrônico integrado, podendo compartilhar dados entre os setores desta universidade. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

FORMAÇÃO CONTINUADA DE BIBLIOTECÁRIOS BRASILEIROS E
PORTUGUESES: UM OLHAR SOBRE A PÓS-GRADUAÇÃO

Luciana Moreira Carvalho

RESUMO
Trata da educação continuada de bibliotecários brasileiros e portugueses que atuam em
Bibliotecas Universitárias de instituições públicas. Objetiva divulgar os resultados de uma
investigação doutoral no qual analisou, dentre outras, a inserção de bibliotecários brasileiros e
portugueses em cursos de pós-graduação latu sensu e strictu sensu. O embasamento teórico
foi feito a partir de fontes de informação que trataram de temas como competência
informacional, competências e habilidades dos bibliotecários e mudanças paradigmáticas
presentes na área de Ciência da Informação. A pesquisa utilizou o método quadripolar onde
se trabalha através de quatro pólos: epistemológico, teórico, técnico e morfológico.
Especificamente no pólo técnico utilizou-se como instrumento de coleta de informações a
aplicação de questionário on-line enviados por e-mail aos bibliotecários. Para não haver
disparidades entre os países, o recorte territorial no caso do Brasil foi necessário, sendo
pesquisadas apenas as bibliotecas universitárias da região nordeste do Brasil. Os resultados
apontam para um número crescente de busca por qualificação em ambos os países, com o
tempo médio de inserção em cursos de pós-graduação variando de um a cinco anos e aponta
ainda as áreas de conhecimento de maior demanda registradas pelos bibliotecários. Conclui
ratificando a tendência apontada na literatura da área no qual mostra a crescente busca pela
continuidade de formação entre os bibliotecários, reconhecendo a importância da educação
contínua como parte de uma atuação de qualidade.
Palavras-Chave: Bibliotecário-Educação Continuada. Bibliotecário-Competência
Habilidades. Biblioteca Universitária - Brasil. Biblioteca Universitária - Portugal.

e

ABSTRACT
This work deals with continued education on behalf of Brazilian and Portuguese librarians.
These librarians are part of Public Academic Libraries. The work aims to point out results
from a doctoral thesis that dealt with the inclusion of and Brazilian and Portuguese librarians
in latu sensu and strictu sensu post graduation courses, amongst other subjects. Theoretical
framework was performed with the use of information fonts that dealt with themes related to
information literacy, librarian competences and skills as well as paradigmatic changes that are
made present in Information Science. As for the methodology, the research made use of the
Quadripolar Method that deals with four different poles: the epistemological, theoretical,
technical and morphological ones. For data collection, an on line questionnaire that was sent
through email to librarians. In order to address the differences between the countries, the
research made a territorial cutout in the case of Brazil. Thus, only academic libraries in the
northeastern part of Brazil were considered. Results point out that there is an increase towards
better qualification on behalf of the librarians in both countries. The average insertion time in

1014

�graduate courses ranged from one to five years and also shows the knowledge areas of
greatest demand registered by librarians. The research concluded that there is a tendency
regarding training amongst librarians, recognizing the importance of continued education as
part of a quality work performance.
Key-Words: Librarian-Continued Education. Librarian- Competences and Ability. Academic
Library-Brazil. Academic Library-Portugal.
1 INTRODUÇÃO
As transformações em todos os setores no qual passa o mundo contemporâneo, e o
consequente processo de mudanças paradigmáticas que atingem também os profissionais da
informação, nos provocam a repensar nossas ações para assim, acompanhar o ritmo acelerado
da sociedade.
As bibliotecas, tradicionalmente espaços de constituição de acervos e disseminação de
informação, refletem as mudanças geradas pela Sociedade da Informação através da busca por
melhorias nos serviços oferecidos aos usuários.
Nesse cenário de mudanças estruturais ditadas pela filosofia da sociedade da
informação, demanda-se do profissional da informação uma formação adequada, com base na
“competência e habilidades exigidas pelas tarefas a desempenhar e ajustadas ao tempo atual,
implicando em um redirecionamento da conduta do profissional perante os desafios do
momento.” (BORGES, 2004, p.57).
Para analisar o perfil do bibliotecário em relação a sua educação continuada, foi feita
uma pesquisa nas bibliotecas universitárias da região nordeste do Brasil, juntamente com as
bibliotecas universitárias públicas portuguesas . Apresentaremos neste trabalho os resultados
específicos da pesquisa voltados a identificar a continuidade de formação do bibliotecário
após a conclusão da graduação.

2 Trajetória educacional do bibliotecário: relatos na literatura brasileira e portuguesa
No final da década de 1990 e início dos anos 2000, na Europa, uma publicação
relacionada aos profissionais da informação teve grande destaque: o “Referencial das
competências dos profissionais europeus de informação e documentação”.
O “Referencial” é uma obra coletiva do Conselho Europeu das Associações de
Informação e Documentação e envolveu nove países da União Europeia na sua elaboração

88 Essa questão é parte da pesquisa desenvolvida na tese de doutorado intitulada “As bibliotecas universitárias de
Portugal e do Nordeste do Brasil : estudo sobre o impacto e mediação das tecnologias digitais” defendida em
2013 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, sob orientação do Prof. Dr. Armando Malheiro da Silva.

1015

�(Bélgica, França, Reino Unido, Alemanha, Portugal, Espanha, Romênia, Suíça e República
Checa).

Nele estão traçados entre outros temas, pontos norteadores relacionados às

competências dos profissionais da informação nos países envolvidos.
Por serem específicos de informação e documentação, os profissionais representados
no “Referencial” são os bibliotecários, os arquivistas e os documentalistas. E assim, de
acordo com o documento, a profissão de informação é definida a partir da
missão fundamental de pesquisar, tratar, produzir e difundir informação incorporando valor acrescentado - com vista a satisfazer as necessidades de
informação, expressas ou não, de um público-alvo e propondo recursos
informativos, geralmente constituídos por ‘documentos’ (textos, imagens,
sons). (CORREIA, 2003, p.10).
Um ponto central no “Referencial” se relaciona à noção de competência do
profissional da informação, caracterizada pelas capacidades necessárias e comportamentos
adequados ao exercício da profissão.
Segundo consta no “Referencial” as “competências” se dividem em quatro níveis: 1)
Sensibilização - corresponde ao conhecimento básico da área, como vocabulário simples e
execução de tarefas práticas; 2) conhecimento das práticas - relacionado ao “saber-fazer
prático”; 3) domínio das ferramentas - nesse nível o agente domina as técnicas e tem
capacidade de criar ferramentas e incorporá-las no seu quotidiano; e 4) domínio das
metodologias - em que “o agente utiliza uma determinada técnica, mas é capaz de aplicá-la
noutras circunstâncias, transpô-la para outras tarefas, encontrar outros domínios de aplicação”
(CORREIA, 2003, p.15).
Como sua própria denominação já chama a atenção, o “Referencial” europeu serve de
indicativo para os profissionais que já estão no mercado de trabalho, para os empregadores
que desejam um ponto norteador, e em termos de formação acadêmica, ele pode ser encarado
como um complemento a mais nas discussões relativas à educação do profissional da
informação.
De forma mais minimalista, porém sem sair da questão das competências e habilidades
do profissional da informação, Santos (1996, p.8), ao tratar do “moderno profissional da
informação” destaca alguns pontos importantes para a composição do seu perfil. São eles:
habilidades gerenciais; pedagógicas; de comunicação; e relacionados ao tratamento de
pessoas. Afora a teoria sobre informação, destacam-se o controle bibliográfico e os estudos
de usuários. E por fim, compondo o conjunto de habilidades está o conhecimento de línguas

1016

�estrangeiras, estatística, metodologias de pesquisa e conhecimentos ligados às tecnologias
digitais.
Na década de 1990, no Brasil, foi feita uma pesquisa com os profissionais da
informação atuantes nas unidades de informação de instituições governamentais, privadas e
não governamentais, especificamente da área de Informação Científica, Tecnológica e de
Negócios, na qual objetivou traçar o perfil do profissional da informação brasileiro. Os
principais resultados mostraram que o perfil do profissional da informação presente nos locais
pesquisados é o do bibliotecário que desenvolve papéis tradicionais, sem deixar de se
envolver de forma crescente com as novas tecnologias e com novos procedimentos
administrativos.
A pesquisa apontou que o profissional da informação brasileiro tem uma formação no
nível de bacharelado em torno de 47,25%, seguido do nível de especialização com 39,50%.
Para o mestrado o percentual cai para 9,75% e apenas 2,25% de profissionais da informação
com doutoramento.
Em relação à educação continuada o que lidera no perfil é o treinamento em serviços,
seguido por cursos de reciclagem e de extensão universitária. Cursos esses geralmente de
curta duração e direcionados especificamente para questões pontuais de aprendizagem.
Nessa perspectiva, as discussões paradigmáticas ganharam força na década de 1990 e
como exemplo, temos Tarapanoff (1997), que identificou (o que ela denominou como) os
novos paradigmas que influenciam a atuação do profissional da informação. São eles, o
paradigma tecnológico, o da biblioteca virtual, o do acesso à informação, o da qualidade e o
paradigma da cooperação.
A autora não define esses paradigmas, mas discorre sobre a influência deles para o
profissional e para o ambiente de trabalho.

Assim, temos no paradigma tecnológico a

sensibilização do profissional para as mudanças que estão ocorrendo na área e os seus
potenciais benefícios. Entretanto, as organizações onde os profissionais atuam ainda não
atentaram para a implementação de uma política de aperfeiçoamento, educação e treinamento
nos novos recursos (ligados às tecnologias digitais).
No paradigma da biblioteca virtual, em meados da década de 1990, o que se
encontrava era a chegada dos microcomputadores, da automação de alguns serviços e o
acesso em linha à Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e à Internet, o que mostra que nessa
época, ainda se estava nos princípios do processo de automação dos serviços.
Em se tratando do paradigma do acesso à informação, o quadro que se apresentava
pela Tarapanoff (1997), tanto em relação ao ciclo documentário (controle bibliográfico,

1017

�seleção e aquisição de documentos), quanto ao levantamento bibliográfico, constatava que a
virtualidade ainda está fora do alcance da biblioteca brasileira. Com os novos meios de
informação sendo inseridos no ambiente da biblioteca, “há aqui um campo enorme para
treinamento, reciclagem e desenvolvimento de um novo entendimento sobre conhecimento,
controle, maximização e disponibilização de recursos.” (TARAPANOFF, 1997, p.55).
Quanto ao paradigma da qualidade, a pesquisa mostrou que ainda é pouco percebido,
mas com um grande potencial para ser desenvolvido. E o último paradigma apontado é o da
cooperação, sendo considerado como o mais importante a ser buscado entre as unidades de
informação no Brasil. Porém, o quadro apresentado mostra que há “pouca adesão e boa
vontade para cooperação. [Sendo necessário] um intenso trabalho de sensibilização
organizacional e dos profissionais.” (TARAPANOFF, 1997, p.55).
A resistência e a incipiência da cooperação no Brasil são exemplificadas por meio dos
resultados apresentados pela pesquisa no que se refere aos serviços de acesso ao documento, a
exemplo do Programa de Comutação Bibliográfica - Comut que é o mais utilizado no Brasil.
Apesar da grande adesão a este, vários outros são subutilizados, como a rede Antares (que
proporciona acesso às redes nacionais e bases de dados internacionais), com um percentual de
utilização de apenas 15,54%. Mais exemplos de subutilização são percebidos tanto na rede de
cooperação bibliográfica Bibliodata

como no OCLC (On-line Computer Library Center)

com apenas 10% de adesão por parte das unidades de informação pesquisadas.
Por fim, o que se observa é a necessidade de esforço conjunto entre as Escolas, as
Instituições e os Profissionais, para que a área se desenvolva a contento, uma vez que a
pesquisa de Tarapanoff (1997) revelou posturas conservadoras e até limitadoras em relação ao
cenário que se apresenta principalmente no que diz respeito aos paradigmas detectados.
O desafio trazido pelo novo paradigma, principalmente a partir do impacto das
tecnologias digitais sobre os serviços de informação, conduz “a uma total reengenharia dos
processos de produção e distribuição da informação e mesmo a uma reformulação no manejo
de estoques mais convencionais, como os dos arquivos e bibliotecas.”. (MIRANDA, 2000,
p67).
De forma não exaustiva, porém esclarecedora, Baptista (2009) descreveu algumas
profissões e profissionais que trabalham com informação. Dentre as diferentes competências
atribuídas aos profissionais que lidam com informação enquanto “ferramenta” de trabalho,
destacamos as dos bibliotecários. Para a autora, o resultado das ações do bibliotecário reforça

89 A rede Bibliodata é considerada pioneira no serviço de cooperação entre as bibliotecas no Brasil.

1018

�seu perfil de organizador, gerente e disseminador de informação. Além dessas competências,
Baptista (2009) aponta que o bibliotecário é capaz de administrar unidades de informação e
documentação, bibliotecas públicas, universitárias, especializadas, escolares, bem como
prestar consultorias e participar da formulação de políticas de informação nas organizações.
A autora complementa sua descrição enfatizando que diante de dois grandes marcos da
contemporaneidade que são a globalização e a constatação de um mundo cada vez mais
interconectado pelas tecnologias disponíveis,

o trabalho do bibliotecário torna-se

necessariamente “descentralizado e colaborativo”. (BAPTISTA, 2009).
Nessa mesma linha de pensamento, Borges (2004) trata da não existência de limites
para o compartilhamento de informações, acontecendo uma ampliação das potencialidades
humanas. Ele assim relata,
Esse mundo virtual, que se presencia atualmente, provocou várias alterações,
principalmente nas concepções de espaço e tempo, na possibilidade de
compartilhamento de tudo o tempo todo, na abstração dos limites físicos, no
conceito de consumo da informação e do conhecimento. Não há mais
distância, território, domínio e espera: vive-se o aqui e o agora. (BORGES,
2004, p.57).
Mesmo admitindo esse cenário de inexistência de espaço e tempo, de rapidez extrema
no compartilhamento de informações, há de se perceber, porém, a diversidade dessas
características nos diversos ambientes onde a informação circula, com a consciência de que
não há homogeneidade nesse processo.
Outra visão aponta que os profissionais que trabalham com informação, em especial os
da Ciência da Informação estão transitando entre o passado, o presente e o futuro. Em se
tratando especificamente do bibliotecário, percebe-se que este “Convive com tarefas e
técnicas tradicionais de sua profissão, mas precisa atravessar para uma outra realidade, para
onde estão indo seus clientes, e aprender a conviver com o novo e o inusitado” (SMIT;
BARRETO, 2002, p.17).
De uma forma mais reflexiva, Miranda (2000, p.70) faz uma avaliação do momento
atual para quem trabalha com o ciclo informacional. Para ele,
estaríamos superando a fase em que priorizávamos excessivamente a
formação do estoque e seu processamento técnico e passando a valorizar a
questão do acesso e da transferência da informação. No entanto, agora
estaríamos colocando mais ênfase no fluxo da informação do que em seu uso
efetivo, porque existe uma crença generalizada de que as estruturas
organizacionais modernas se validam ou se legitimam pela capacidade de
oferecer condições para o processo de tomada de decisões em ambiente
competitivo, sem questionar se existem barreiras à transferência do
conhecimento.

1019

�Essas barreiras mencionadas anteriormente podem ser percebidas por ângulos
diversos, seja pelo usuário da informação, ou pelo profissional responsável pela organização e
disseminação da informação.

Aqui especificamente iremos explorar sumariamente essa

reflexão tratando da questão da educação continuada do bibliotecário.
O questionamento feito por Miranda (2000) sobre da existência ou não de uma
consciência a respeito das possíveis barreiras à transferência do conhecimento, pode se iniciar
a partir do olhar crítico do profissional sobre o desempenho de suas atribuições. A real
posição desse profissional como mediador dentro do sistema de informação, precisa ser
renovada periodicamente para que não haja uma cristalização dos conhecimentos adquiridos
em detrimento da conscientização da incompletude natural de toda profissão.

Sobre esse

tema, trataremos a seguir.

3 Educação continuada: desejo ou necessidade do bibliotecário?
Um ponto bastante discutido quando se fala em habilidades, competências e do
próprio fazer profissional é a educação continuada. O mundo globalizado, as tecnologias
emergentes e a rapidez com que as inovações chegam até as pessoas de um modo geral, e em
especial às instituições e aos seus servidores provocam ou estimulam a atualização constante
de sua formação, sejam através de cursos rápidos, especializações pontuais, ou mesmo em
uma formação mais aprofundada, como os cursos strictu sensu.
Ao tratar especificamente das tecnologias digitais nas bibliotecas, percebe-se que a
rapidez no conhecimento e manuseio das TICs disponíveis naquele espaço, são atitudes
essenciais para o bom atendimento ao usuário. Concordamos assim que:
O processo de formação do bibliotecário deve considerar dois estágios de
evolução profissional: um deles, o estágio das perturbações causadas pelas
tecnologias de comunicação e de informação, que exige mudanças
organizacionais e metodológicas, e o outro, o estágio de transformações, que
implica a exploração intensa dos espaços de atuação tradicionais e
principalmente a tentativa de colonizar áreas novas. (SANTOS, 2002, p.16,
grifo nosso).
A questão que pretendemos destacar trata das inovações nos ambientes tradicionais de
atuação do bibliotecário, como as bibliotecas universitárias e a necessidade da educação
continuada, como os cursos de curta duração, a exemplo dos treinamentos que são
importantes para o bom desempenho das suas atividades, capacitando-o para conhecer as
potencialidades das ferramentas disponíveis.

1020

�Para Coelho (2010) o uso de tecnologias digitais, seja numa biblioteca acadêmica ou
em outra qualquer, demanda por parte dos bibliotecários, por um lado o direito de ter uma
formação condizente para o uso dos novos recursos, e por outro tornar “a iniciativa de se
manterem a par das inovações tecnológicas relevantes para o exercício da sua profissão. Se
assim não for, a incapacidade de actualização e inovação pode causar a perda de utilizadores.”
(COELHO, 2010, p.6).
Complementando essa questão, Valentim (2002) discorre sobre as atitudes dos
profissionais da informação em relação à continuidade de sua formação, e chama a atenção
para o fato de que muitos deles encaram a instituição de trabalho como a única responsável
pela iniciativa de sua educação. Na verdade, a instituição em que atua deve sim participar e
incentivar essa ação, porém a formação complementar deve ser considerada como um
investimento pessoal do profissional.
A necessidade de atualização é tão grande que já existem estudos que revelam o tempo
de obsolescência da formação. Segundo Santos (2002), esse tempo é entre três e cinco anos,
principalmente nos temas que envolvem a utilização de tecnologias. A autora relata que a
necessidade de atualização dos conhecimentos se faz perceber até mesmo nos recémformados, para assim se manterem competitivos no mercado.
Na mesma linha de pensamento, Valentim (2002) considera que a educação
continuada é a base tanto para uma profissão consolidada, como para o profissional que
pretende se manter competente no mercado de trabalho. E justifica: “Para a profissão, porque
é através dela que construímos seu corpus teórico-prático e, para o profissional, porque é
através dele que aprendemos a aplicar esse mesmo corpus teórico-prático.”. (VALENTIM,
2002, p.122).
O profissional é, portanto, levado a refletir sobre sua ação enquanto mediador entre a
informação registrada e os utilizadores, com a responsabilidade de gerir os diversos
instrumentos que o ambiente lhe proporciona. Consequentemente, a conscientização das
possíveis limitações no seu agir profissional e a busca pela atualização de seus
conhecimentos, realimenta um ciclo de educação contínua e salutar à sua formação e
profissão.
A educação continuada também é um tema discutido por Carvalho e Reis (2007), que
veem sua necessidade se fazer mais presente quando se trata das inovações tecnológicas da
informação e comunicação. Para tanto, são os treinamentos relativos a esse tema que devem
ser estimulados, com o apoio de programas institucionais.

1021

�Por outro lado “o uso de tecnologias não irá resolver os problemas da Biblioteconomia
[nem dos profissionais], mas sua utilização adequada e desmistificada oferece perspectivas
positivas para a atuação do bibliotecário diante das atuais exigências.” (SANTOS, 2002,
p.115). E enaltece a formação profissional como sedimentar para a aquisição de uma cultura
tecnológica.
Por fim, em se tratando de competências e habilidades do profissional da informação,
Valentim (2002) deixa claro que é papel da escola fornecer conteúdos formadores desses
atributos. E reitera o que já foi aqui discutido,
Manter essas competências e habilidades profissionais, após a sua saída da
escola, é papel do próprio profissional. Esse entendimento é muito
importante, pois, a partir disso, o profissional sempre terá uma postura
investigadora e crítica, gerando uma disposição de busca incessante, que o
tornará sempre competente para atuar em prol da sociedade contemporânea.
(VALENTIM, 2002, p.130).
A busca por minimizar as barreiras possíveis que impedem a concretização do
processo mediador entre a informação e o usuário, passa pela capacitação do profissional nas
diversas demandas que possam surgir.

4 MATERIAIS E MÉTODOS UTILIZADOS
A pesquisa teve como universo de abordagem as Bibliotecas Universitárias de
Portugal que estão inseridas nas universidades clássicas (Coimbra, Lisboa e Porto) com suas
respectivas Faculdades e as universidades novas (Braga-Minho, Beira Interior, Trás-osMontes e Alto Douro, Algarve, Évora, Aveiro, Açores e Madeira).

No Brasil, foram

selecionadas para a pesquisa apenas as Bibliotecas Universitárias Públicas de âmbito federal.
Para que houvesse uma justa proporção entre o número de bibliotecas pesquisadas em
Portugal e no Brasil, optamos por incluir na pesquisa, as bibliotecas que atendem ao perfil
estabelecido e estão localizadas na região nordeste.

A partir daí temos as seguintes

instituições: Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade Federal da Bahia
(UFBA), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Maranhão
(UFMA), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE), Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN) e Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Além dessas, foram incluídas a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
e Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFRSA) localizada no Rio Grande do Norte,

1022

�por figurarem no sítio do Ministério da Educação na relação das universidades federais
brasileiras.
Os sujeitos da pesquisa foram os bibliotecários atuantes nessas bibliotecas perfazendo
um total de 115 respondentes. A coleta de dados ocorreu entre 2011 e 2013 e como forma de
recolha de dados foram aplicados questionários on line enviados aos seus e-mails.
Por se tratar de uma pesquisa qualitativa, teve suporte do Método Quadripolar com
seus polos epistemológico, teórico, técnico e morfológico. O método atua de forma cíclica
entre os polos e estes procuram guiar o pesquisador à resolução dos problemas apresentados
na pesquisa de uma maneira fecunda e consciente.

5 RESULTADOS FINAIS DA PESQUISA
Com o objetivo de identificar a educação continuada dos bibliotecários atuantes nas
bibliotecas universitárias públicas federais do nordeste do Brasil, como também os
bibliotecários das universidades públicas portuguesas, à pesquisa abordou dois aspectos: o
primeiro e principal, em relação à inserção em um curso de pós-graduação latu ou strictu
sensu. E o segundo aspecto, em relação ao espaço de tempo entre o término da graduação e o
ingresso em um curso de pós-graduação.
As perguntas eram dicotômicas, com alternativa de resposta “sim” ou “não”, havia um
complemento de alternativas para responder o nível da pós-graduação (Especialização,
Mestrado ou Doutorado), o nome do curso e o ano de conclusão. Tivemos assim o seguinte
resultado: do total de 115 participantes da pesquisa, 98 afirmaram que possuem pósgraduação, 16 não possuem e uma pessoa não informou se possui ou não. De todos que
responderam Sim, 90 pessoas informaram claramente o curso que fizeram e assim, foi
possível agrupar as áreas do conhecimento mais reincidentes na escolha da formação
contínua, seja no nível latu sensu (especialização e mestrado) ou no strictu sensu (doutorado).
Apresentaremos os resultados por nível acadêmico, e por país.
Dessa forma, declararam ter cursado especialização 37 respondentes portugueses, e no
Nordeste brasileiro 53 buscaram se capacitar através de um curso nesse nível. Os resultados
conferimos a seguir através do Gráficos 1 e 2

1023

�Gráfico 1 - Pós-graduação - Especialização: áreas predominantes: Portugal e Brasil
40
35
30
25
20
15
10
5

0

Ciência da
Informação

Educação

Gestão

História

Fonte: autoria própria, 2013.

As áreas do conhecimento que mais se destacaram conforme vimos no gráfico são:
Ciência da Informação, Educação, Gestão e História. Dentre os respondentes portugueses a
escolha pela área de Ciência da Informação foi predominante, com 34 marcações, embora a
área de Gestão tenha sido mencionada por três respondentes. Já entre os brasileiros é possível
perceber a opção em cursar a especialização em Gestão (15), Educação (8) e História (1), com
predominância também para a Ciência da Informação (29).
A área de Gestão representada no Gráfico 1 engloba uma variedade de cursos que
serão aqui listados:
•

Gestão Estratégica em Sistemas de Informação

•

MBA em Recursos Humanos

•

Gestão de Unidades de Informação

•

Gestão da Qualidade

•

Gestão Pública

•

Administração Pública

•

Gestão da Informação e Inovações Tecnológicas

•

Gestão de Pessoas

•

Gestão em Arquivos Públicos e Privados

•

Gestão Administrativa e Produtividade

•

Tecnologia da Informação e Comunicação para Gerenciamento da Informação

•

Gestão em Ciência da Informação

1024

�•

Gerenciamento de Bibliotecas Públicas e Escolares

•

Gestão e Tecnologia da Informação, e Gestão e Desenvolvimento Universitário

•

Informação Empresarial

No desdobramento da questão, havia a possibilidade de registrar se estava cursando ou
havia cursado um curso no nível de mestrado.
Das 33 pessoas que responderam todas também informaram o curso que tinham
realizado. Destas, 15 atuam em universidades portuguesas e 18 atuam em universidades
brasileiras. Como na especialização, as áreas mencionadas para o mestrado foram: Ciência da
Informação (20), Gestão (11) e Educação (2), conforme ilustra o gráfico 2.

Gráfico 2 - Pós-graduação - Mestrado: áreas predominantes: Portugal e Brasil

Fonte: auoria própria, 2013.

Olhando pontualmente cada país, temos em Portugal o seguinte cenário: na área de CI
12 pessoas, 01 em Educação e 02 cursaram mestrado na área de Gestão.
No Brasil os números das duas primeiras áreas ficaram bem parecidos com os
apresentados em Portugal, sendo 08 pessoas com mestrado na área de Ciência da Informação
e, exatamente como Portugal, 01 na área de Educação. O diferencial está na área de Gestão
em que 09 pessoas buscaram renovar seus conhecimentos nessa área.
Da mesma forma como a Tabela 2, a coluna sobre Gestão revela a seguinte variação
para o mestrado:
•

Administração

•

Gestão: variante gestão pública e autárquica

1025

�•

Engenharia de Produção, Gestão Pública

•

Administração e Gestão Pública

•

Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior

•

Políticas Públicas na Educação Superior

Apesar da diversidade de cursos na área de Gestão, é possível perceber que há uma
predominância visível na busca por cursos de pós-graduação na área de Ciência da
Informação. Essa predominância evidencia que a área de CI, pela abrangência de temas
abordados em seu universo de pesquisa, é o caminho mais trilhado pelos bibliotecários ao
ampliar e/ou aprofundar questões inerentes ao seu quotidiano de atuação nas bibliotecas.
Relacionada a essa situação, destacamos aqui uma passagem de Robredo (2003, p.206)
quando comenta a seguinte questão:
‘Como fica a Biblioteconomia, quando associada à Ciência da Informação?’
Cabe responder: Como uma disciplina, como um domínio dentre os diversos
que podem ser identificados, sendo possível estabelecer, dentro destes,
diferenças entre estudos à sua aplicação, o que implica também estudos
sobre metodologias, recursos tecnológicos, padrões e normas, e muito mais.
As inquietações e respostas que os bibliotecários buscam em termos de aplicação no
seu quotidiano, são, portanto temas abordados na CI, com o aprofundamento cabível à área.
Além disso, dentro da perspectiva interdisciplinar, a área de Ciência da Informação
“conversa” muito fluentemente com as demais disciplinas das Ciências Sociais e Humanas,
portanto, a busca por qualificação nas áreas mencionadas - Gestão, Educação e História - são
presenças naturais.
Por ser uma questão de múltipla escolha, com a possibilidade de marcar mais de um
nível de pós-graduação, temos por fim, o curso de doutoramento (stricto sensu). Nessa
alternativa o cenário muda um pouco, tendo em vista que entre os respondentes brasileiros,
não há nenhum registro de ingresso em um curso de doutoramento.
Dos profissionais que atuam em universidades portuguesas, 05 pessoas declararam que
estão cursando doutoramento. Dessas, apenas 01 não informou a área do curso. Dentre os que
informaram temos 03 na área de Ciência da Informação e 01 na área de Educação.
O segundo aspecto observado é em relação ao tempo de ingresso em um curso de pósgraduação, após a conclusão da graduação. Os resultados a seguir seguem a ordem observada:
especialização, mestrado e doutorado.

1026

�Dessa forma, ao fazer o cruzamento entre as datas de conclusão da graduação e da
especialização foi possível verificar que em Portugal o período mais longo entre a finalização
da graduação e da especialização foi de nove anos (entre 1993 e 2002). No entanto, a maior
incidência foi entre 1 e 4 anos.
Entre os brasileiros o maior espaço de tempo registrado foi de 34 anos, tendo em
vista que o respondente concluiu a graduação em 1975 e a especialização em 2009. Porém,
esse é um caso isolado, tendo em vista que a maior incidência entre os brasileiros, ficou entre
1 e 5 anos.
Dando continuidade à análise dos dados, foi possível observar ainda que em Portugal,
15 respondentes buscaram fazer além da especialização, também um curso de mestrado. E,
desses, 05 ingressaram posteriormente no doutoramento.
Dentre os bibliotecários brasileiros, 18 fizeram especialização e posteriormente o
mestrado. Como vimos anteriormente, não havia na época da recolha dos dados desta
pesquisa, nenhum ingresso em cursos de doutoramentos entre os bibliotecários brasileiros.
Na pesquisa de Tarapanoff (1997), já mencionada anteriormente, os números mostram
que o profissional da informação brasileiro tem uma formação no nível de bacharelado em
torno de 47,25%, seguida do nível de especialização com 39,50%.

Para o mestrado o

percentual cai para 9,75% e apenas 2,25% de profissionais da informação fazem
doutoramento. (TARAPANOFF, 1997).
A partir dos resultados apresentados com a coleta de dados nas bibliotecas portuguesas
e principalmente do Nordeste brasileiro, percebemos que o quadro atual não difere tanto do
apresentado por Tarapanoff no final da década de 1990.
Em relação à educação continuada o que liderava o perfil no final da década de 1990
era o treinamento em serviços, seguido por cursos de reciclagem e de extensão universitária.
Cursos esses geralmente de curta duração e direcionados especificamente para questões
pontuais de aprendizagem.
A necessidade de atualização é tão grande que já existem estudos que revelam o tempo
de obsolescência da formação. Segundo Santos (2002), esse tempo é entre três e cinco anos,
principalmente nos temas que envolvem a utilização de tecnologias. A autora relata que a
necessidade de atualização dos conhecimentos se faz perceber até mesmo nos recémformados, para assim se manterem competitivos no mercado.

1027

�CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste trabalho foi mostrar um panorama da educação continuada entre
bibliotecários brasileiros e portugueses.
Do total de bibliotecários investigados, 115 participantes da pesquisa, 98 afirmaram
que possuem pós-graduação, mostrando a preocupação com a qualificação pessoal e
profissional, permitindo através da educação continuada, a reflexão sobre sua ação enquanto
mediador entre a informação registrada e os usuários.
Em relação aos países envolvidos, com suas influências sociopolíticas e econômicas,
percebe-se que não houve impacto relevante no agir atitudinal dos bibliotecários em se
tratando do ingresso em cursos de pós-graduação. A única ressalva se faz em relação ao
ingresso em cursos strictu sensu uma vez que entre os brasileiros, não havia nenhum
ingressante nessa modalidade.
O tempo de ingresso em um novo curso seja de especialização, mestrado ou doutorado
foi em média de 1 a 5 anos para os bibliotecários brasileiros e de 1 a 4 anos para os
bibliotecários portugueses. Isso ratifica a afirmativa anterior em relação ao comportamento
dos bibliotecários envolvidos na pesquisa, mostrando assim, uma sintonia entre eles.
Como consequência da conscientização das possíveis limitações no seu agir
profissional e a busca pela atualização de seus conhecimentos, os bibliotecários pesquisados,
ratificam através das respostas a importância de realimentar um ciclo de educação contínua
salutar não apenas à sua formação acadêmica enquanto profissional, mas, sobretudo, ao
crescimento das discussões inerentes a área da Ciência da Informação como um todo.

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1029

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Formação continuada de bibliotecários brasileiros e portugueses um olhar sobre a pós-graduação</text>
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                <text>Carvalho, Luciana Moreira.</text>
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                <text>Trata da educação continuada de bibliotecários brasileiros e portugueses que atuam em Bibliotecas Universitárias de instituições públicas. Objetiva divulgar os resultados de uma investigação doutoral no qual analisou, dentre outras, a inserção de bibliotecários brasileiros e portugueses em cursos de pós-graduação latu sensu e strictu sensu.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O RETRATO DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO NO NORTE DE MINAS: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA DO DIA DO BIBLIOTECÁRIO, NO ICA/ UFMG
Rachel Bragança de Carvalho
Nádia Cristina de Oliveira Pires

RESUMO
Caracterização do profissional bibliotecário que atua no norte de Minas Gerais e para isso foi
preciso mapear através de pesquisa os profissionais atuantes, tal como a origem de sua
formação, a sua área de atuação no mercado, em quais setores estão inseridos e também a sua
satisfação quanto à escolha da cidade onde mora, pois a maioria é de outras regiões.

Palavras-Chave: Bibliotecário no Norte
Bibliotecário - mobilidade.

de Minas Gerais; Mercado

de Trabalho;

ABSTRACT
Characterization of the professional librarian who works in north Minas Gerais and it was
necessary to map the search through practicing professionals as the source of its formation, its
area of operation in the market, which sectors are included as well as their satisfaction select
the city where you live, because most are from other regions.

Keywords: Librarian in North Minas Gerais; Labour Market; Librarian - mobility

INTRODUÇÃO
O objetivo principal da pesquisa é caracterizar o profissional Bibliotecário
que atua na região do norte de Minas Gerais. Como objetivos secundários identificar a origem
desses profissionais; analisar o mercado de trabalho, carga horária, faixa salarial oferecida
nessa região, além do nível de satisfação pessoal em residir no Norte de Minas; verificar a
oferta de ensino continuado voltado para o profissional bibliotecário e em qual modalidade,
ensino à distância (EAD) ou presencial, configura-se para qualificação.

REVISÃO DE LITERATURA
No estudo apresentado por Arruda et al. (2000), de título Educação,
trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais: o bibliotecário em questão, foi

3256

�analisado o panorama mundial em relação à empregabilidade, o nível que ocorre a
capacitação do profissional e as exigências de novos requerimentos do mundo do trabalho.
Souza e Nastri (1996) com intuito de caracterizar o mercado de trabalho do
bibliotecário no interior do Estado de São Paulo utilizou os dados dos profissionais
registrados no CRB-8, nas categorias: definitivo e provisório. A coleta de dados foi feita
através de um questionário adaptado do instrumento elaborado pela Assessoria da
CAPES/INEP e utilizado no estudo de NASTRI (1988), previamente testado.
Nesse estudo foi verificado que os profissionais bibliotecários, dentre
alguns quesitos, que 77,62% estavam trabalhando e que 22,38% não estavam. Que dentre o
universo dos que estavam trabalhando 88,29% trabalhavam apenas em uma instituição,
enquanto que 10,81% tinham dois empregos e 0,90% tinham três ou mais. Sendo que a
maioria era na área de biblioteconomia (SOUZA, NASTRI, 1996).
As pesquisadoras Souza e Nastri (1996, p. 196) abordaram também o tipo
de instituição que os profissionais estavam trabalhando, dividindo em: governo federal,
governo estadual, governo municipal, empresa pública ou de economia mista, empresa
privada ou como autônomo. Verificou-se que 32,43% estavam trabalhando em instituições do
governo municipal; 29,73% se encontravam em instituições do governo estadual e 18,92% em
empresas privadas. Uma pequena porcentagem, 9,9% atuava em instituições do governo
federal; 5,41% em empresa pública ou de economia mista e 1,80% como autônomo.

MATERIAIS E MÉTODOS
Em evento realizado para comemorar o “Dia do Bibliotecário” no Instituto
de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)372, procurou-se
contatar o maior número possível de Bibliotecários da região do norte de Minas Gerais. Ao
final do evento, foram aplicados questionários (ver apêndice B) para obterem-se informações
sobre o retrato do profissional Bibliotecário nessa região. Em seguida, efetuou-se o processo
de análise e interpretação dos dados alcançados. Após esse processo, os dados foram
tabulados em forma de tabelas e gráficos que facilitassem a visualização dos resultados.
Seguimos então para o processo de análise e interpretação dos dados alcançados em forma de
tabela (ver apêndice A).
A

princípio,

procurou-se

identificar

quais

instituições

possuíam

bibliotecários em seu quadro funcional. Quando identificado esse profissional, foram

372 Evento realizado no dia 25/03/2014

3257

�enviados e-mails com a programação do dia do evento. Foram feitas 13 ligações telefônicas
que resultaram na informação de 18 e-mails, dos quais 14 confirmaram e desses apenas um
não compareceu; quatro não confirmaram e não compareceram.

RESULTADOS PARCIAIS/ FINAIS
A primeira questão do questionário não se trata de uma pergunta, mas para
identificação do nome do participante do evento. Sua identificação também não era
obrigatória. Sendo assim, esta questão não possui fator importante que agregue valor. (Ver
apêndice B)
Na questão de número dois, foi tratada a nacionalidade e naturalidade e o
resultado obtido foi 100% são brasileiros e se dividem em, conforme gráfico 1 abaixo:

Gráfico 1: Nacionalidade/ naturalidade

Fonte: Resultado do questionário obtido pelas autoas.

Conquanto no quesito 3 e 4, profissão na carteira e instituição em que se
formou, os resultados são: onze dos treze profissionais pesquisados são registrados como
bibliotecário, um atua além de bibliotecário atua também como professor, e um como técnico
universitário; 57% deles se formaram na Universidade Federal de Minas Gerais, seguidos de
43% no Centro Universitário de Formiga. (Ver apêndice A)
As questões relativas à instituição em que trabalha e o tipo de instituição
(questões 5 e 6) houve uma predominância em biblioteca universitária e instituição pública,
mas observou-se que esses profissionais também prestam serviços em instituições privadas
concomitantemente, como foi comprovado na questão (8) mais adiante. (Ver apêndice A)
No quesito carga horária (questão 7) foi observado que os profissionais
cumprem, conforme gráfico 2 abaixo:

3258

�Gráfico 2: - Carga horária Semanal

Fonte: Resultado do questionário obtido pelas autoas.

Na questão 8, trabalha em mais de uma instituição foi observado que 43%
dos profissionais trabalham em mais de uma instituição e que 57% apenas em uma instituição.
Como constatado no questionário, a maioria dos profissionais trabalha em bibliotecas públicas
universitárias, dentre eles, estão os que atuam nas públicas e privadas concomitantemente.
Percebeu-se pelas respostas que existe bibliotecário atuando também em bibliotecas escolares
e centros de documentação.
A faixa salarial dos profissionais da região do norte de Minas, abordada na
questão (9). (Ver gráfico 3, abaixo)

Gráfico 3: Faixa Salarial dos Bibliotecários do Norte de Minas

Fonte: Resultado do questionário obtido pelas autoas.

Se a valorização e a necessidade do profissional bibliotecário na região do
norte de Minas Gerais são grandes, em resposta aos questionários, constatou-se que a faixa
salarial é acima da média na região, pois a maioria recebe acima de R$3.000,00 (Três mil
reais) por mês.
No quesito que trata do índice da satisfação quanto residir na cidade atual
(questão 10), foi percebido que a maioria (93%) gosta de residir no norte de Minas Gerais. Na

3259

�questão 11, caso a resposta fosse negativa, onde gostaria de residir apenas; 7% responderam
que não gostaria de residir no norte de Minas, sendo a capital mineira a localização escolhida.
Quanto ao quesito qualificação (questão 12) foi observado que a maioria
dos pesquisados tem especialização, dos quais 54% fizeram EAD, enquanto que, 15% têm
mestrado. Dos pesquisados, não houve qualificação de doutorado. (Ver gráfico 4 abaixo). No
quesito qualificação lato sensu, observou-se que os respondentes em sua maioria fizeram na
modalidade a distância (EAD).

Gráfico 4: Qualificação dos Bibliotecários do Norte de Minas

A questão (13) que tratava da satisfação quanto ao evento houve uma
predominância entre os profissionais participantes em qualificá-lo como muito bom e ótimo.
Enquanto que, a forma de divulgação que o profissional tomou conhecimento da realização do
evento “Dia do Bibliotecário” (questão 14), 34% respondeu por telefone, 33% outro

, 17%

e-mail, 8% pelo site da BU373374 e 8% pelo site do CRB-6375. (Ver apêndice A)
A questão (15) pedia a opinião dos pesquisados quanto a uma melhor
divulgação (Ver resultado no Apêndice A); já as questões de números (16, 17 e 18) pediam
sugestão para o próximo “Dia do Bibliotecário” quanto a divulgação, atividades/ eventos e
uma forma de estabelecer rede de contatos entre os profissionais, estas questões eram
discursivas e não fazem parte do objetivo deste trabalho atual, serão repassadas ao Conselho
Regional de Biblioteconomia 6° Região (CRB-6) posteriormente.

373 Colega de profissão e/ou trabalho.
374 Sistema de Bibliotecas da UFMG. Disponível em: &lt; https://www.bu.ufmg.br/&gt;.
375 Conselho Regional de Biblioteconomia 6° Região. Disponível em: &lt; http://www.crb6.org.br/&gt;.

3260

�CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/ FINAIS
Ao contrário do que acontece em outras profissões, a questão de
profissionais que migram de outros países não foi verificado entre os profissionais
bibliotecários que participaram no evento do “Dia do Bibliotecário” no ICA, em Montes
Claros. Em contra partida, constatou-se que existe um número pequeno de bibliotecários da
região do norte de Minas Gerais, observou-se que a maioria é oriunda de outras regiões de
Minas Gerais e até outro estado. Constatamos que para suprir as necessidades da região do
norte de Minas Gerais, seria necessário que existisse alguma instituição de ensino para a
formação de Bibliotecários nessa região.

REFERÊNCIAS
ARRUDA, Maria da Conceição Calmon, et al.

Educação, trabalho e delineamento de

novos perfis profissionais: o bibliotecário em questão. Ci. In f, Brasília, v. 29, n. 3, p. 14-24,
set./dez. 2000. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n3/a02v29n3.pdf&gt;. Acesso
em: 10 maio 2014.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRÁFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em: &lt;
http://www.ibge.gov.br/home/&gt;. Acesso em: 15 abr. 2014.
PREFEITURA

DE

MONTES

CLAROS.

Disponível

em:

&lt;

http://www.montesclaros.mg.gov.br/cidade/aspectos_gerais.htm&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
SOUZA, Marta Alves; Nastri, Rosemeire Marino. Análise do mercado de trabalho no

interior do Estado de São Paulo. Perspec. Ci. Inf., Belo Horizonte, v.1, n.2, p. 189 - 206,
jul./dez.

1996.

Disponível

em:

&lt;

http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/64&gt;. Acesso em: 10 maio
2014.

3261

�APÊNDICE A - DADOS COLETADOS DA PESQUISA
PESQUISA DE SATISFAÇÃO - DIA DO BIBLIOTECÁRIO
Análise de dados
Questão 2 - QT. Questão 3 - QT. Questão 4 QT. Questão
nacionalidade/

Profissão na

naturalidade

carteira

Instituição
Instituição
em

- QT. Questão 6 QT. Questão 7 - QT. Questão 8 QT.

5

em

que trabalha

Instituição

Carga

- Trabalha

horária

em

mais

de

uma

que

instituição

formou
Montes Claros/ 22% Bibliotecário

11

UFMG

MG
Belo

14

Pública

13

Até 20 horas

2

Sim

57%

1

Privada

5

Até 30 horas

9

Não

43%

Até 44 horas

6

Em branco

1

Universitária
21% Bibliotecário/ 1

Horizonte/ MG
Formiga/ MG

57% Biblioteca

professor
36% Técnica

Unifor/
MG

1

43% Biblioteca
Escolar
Centro
Pesquisa

universitária

de 1
e

Documentação
Salvador/

7%

Branco

1

Bahia
Mesquita/ MG

7%

Brumadinho/

7%

MG

3262

�Questão 9 - QT. Questão 10 - QT. Questão
Faixa salarial

Gosta

de

11

residir

na

cidade atual

QT. Questão 12 - Fez QT. Questão
-

QT. Questão 14 - QT. Questão
15 - Você

alguma

13 - O que

Como

Senão,

qualificação, se

você

ficou

acredita

onde

sim qual

achou

sabendo do

que

Evento

do

divulgação

Dia

do

foi

gostaria

do

evento?

de residir

você

0%

Sim

93% Outra

a

á

ideal?

Bibliotecário
Até R$1.200

QT.

0

Especialização

16% Ruim

0

E-mail

17% Sim

12

Capital

1

Especialização(P) 15% Bom

0

Telefone

34% Não

1

Qual

0

Especialização

6

Site da BU

8%

1

7

Site do CRB- 8%

cidade
Até R$2.000

20% Não

Até R$3.000

7%

7%

região
Acima

de 73%

54% Muito

(EAD)
Mestrado (P)

Em branco

Bom
15% Ótimo

R$3.000

6
Mestrado (EAD)

0%

Doutorado(P)

0%

Outro

33%

Doutorado(EAD) 0%
Total de participantes: 14

Legenda:
QT: Quantidade

3263

�APÉNDICE B - Questionário aplicado no “Dia do Bibliotecário”

PESQUISA DE SATISFAÇÃO - DIA DO BIBLIOTECÁRIO
1. Nome (não obrigatório):_______________________________
Nacionalidade/Naturalidade:___________________________
3 . Profissão na carteira:_________________________________
4. Instituição em que formou:_____________________________
5. Instituição em que trabalha:
Biblioteca Escolar □
Biblioteca Pública □
2.

6. Instituição
□Pública
□ Privada
7. Carga horária:
□ Até 20 horas □ Até 30 horas
□ Até 44 horas

�/

/

Biblioteca Universitária □
Empresa □
Outro:

3264

�8. Trabalha em mais de uma instituição:
Sim □ Não □
9. Faixa salarial:
□ Até R$ 1.200,00 □ Até R$ 2.000,00 □ Até R$ 3.000,00 □ Superior a R$ 3.0000
10. Gosta de residir na cidade atual (Norte de Minas)?
Sim □ Não □
11. Se não, onde gostaria de residir:
□ Outra cidade □ Capital □ Qual região?__________________________
12. Fez alguma qualificação, se sim qual? □Sim □Não
□ Especialização □ Presencial □ EAD (Ensino a Distância)
□ Mestrado
□ Presencial □ EAD (Ensino a Distância)
□ Doutorado
□ Presencial □ EAD (Ensino a Distância)
□ Outro:___________________________________________________________
13. O que você achou do evento?
□ Ruim □ Bom □ Muito Bom □ Ótimo
14. Como você ficou sabendo do Evento do Dia do Bibliotecário?
□ E-mail □ Telefone □ Site da BU □ Site do CRB-6 □ Outro:____________
15. Você acredita que a divulgação foi à ideal?
Sim □
Não □
16. Se não, em sua opinião qual seria a melhor divulgação?______________________
17. O que você sugere para o próximo Dia do Bibliotecário?

18. Para que haja maior interação entre os bibliotecários do Norte de Minas, o que você sugere?

A Biblioteca do Instituto de Ciências Agrárias agradece pela colaboração!

3265

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O retrato do profissional bibliotecário no norte de Minas: um relato de esperiência do dia do bibliotecário, no ICA/UFMG</text>
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                <text>Caracterização do profissional bibliotecário que atua no norte de Minas Gerais e para isso foinpreciso mapear através de pesquisa os profissionais atuantes, tal como a origem de sua formação, a sua área de atuação no mercado, em quais setores estão inseridos e também a sua satisfação quanto à escolha da cidade onde mora, pois a maioria é de outras regiões.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DIRETRIZES DE SEGURANÇA PARA O SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP): EXPERIÊNCIA NA
CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS INSTITUCIONAIS
Tereza Cristina Oliveira Nonatto de Carvalho
Regiane Alcântara Eliel
Gildenir Carolino Santos
Danielle Thiago Ferreira
Valdinéa Sonia Petinari
Maria Helena Segnorelli
Rosana Evangelista-Poderoso
Ana Granzotto Llagostera
Dulce Inês Augusto
Marcia Pillon D'Aloia, Cleusa Telles

RESUMO
O Órgão Colegiado do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (SBU)
instituiu por meio de Resolução Interna 002/2013, em 2 de abril de 2013, um Grupo de
Trabalho (GT) ao qual foi atribuído a responsabilidade de desenvolver diretrizes de segurança
para as 27 bibliotecas que compõem o Sistema. O trabalho inicial do GT consistiu na
elaboração de um questionário, composto por 88 questões, através do qual foi possível
diagnosticar e dimensionar os aspectos relacionados à segurança no que se referem às
pessoas, acervos e prédios. A partir desse levantamento e posterior análise dos dados o grupo
elaborou diretrizes visando garantir proteção ao patrimônio institucional e à integridade física
da comunidade acadêmica. O patrimônio do SBU é caracterizado, na sua maioria, por um
amplo acervo bibliográfico de grande importância histórica, artística e cultural. É atribuído
aos profissionais que atuam nessas bibliotecas o papel fundamental de preservação desses
bens, para benefício da geração atual e também das futuras. Dessa forma, cabe a esses
profissionais garantir condições satisfatórias de segurança a fim de assegurar a preservação
desse patrimônio e, para tanto, a elaboração de um plano de segurança é de importância
fundamental. Assim, são apresentados os caminhos trilhados quanto ao desenvolvimento das
Diretrizes de Segurança do Sistema de Bibliotecas da Unicamp, além de considerações gerais
quanto à gestão de segurança, visando à prevenção de ações adversas no que se referem a
pessoas, acervos e a estrutura predial de bibliotecas.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias - Segurança; Acervos - Segurança; Recursos
humanos - Segurança; Bibliotecas - Prédios - Segurança.
ABSTRACT
Through the Internal Resolution 002/2013 approved on 02 April 2013, the Board of Trustees
of the Library System of the University of Campinas (SBU) institutionalized a Working
Group responsible for developing security &amp; safety guidelines for the 27 libraries that

983

�compose SBU. Initially, the Working Group elaborated an 88-question questionnaire with the
purpose of diagnosing and measuring some aspects related to safety &amp; security with regard to
library users and employees, including library buildings and collections. Using and analyzing
the data from this survey, the group produced guidelines to ensure protection of the
institutional patrimony as well as of the physical integrity of the academic community. The
patrimony of SBU is characterized most by a large bibliographic collection of great historical,
artistic and cultural importance. Library employees should be seen as those professionals who
play vital roles regarding library’s patrimony preservation for the benefit of present-day and
future generation. Hence, library employees should be supposed to guarantee satisfactory
security &amp; safety conditions so as to ensure the preservation of libraries’ patrimony. In this
regard, developing a security plan remains crucial. We also show here the paths toward the
development of SBU’s Security Guidelines. Finally, we discuss
safety &amp; security
management policies aimed at the prevention of risks concerning library users and employees,
book collections and library building structure.
Keywords: University libraries - Security; Collections - Security; Human resources - Safety;
Libraries - Buildings - Safety.
1 INTRODUÇÃO
O Órgão Colegiado do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) instituiu por meio
da Resolução Interna 002/2013, de 02 de abril de 2013, um Grupo de Trabalho (GT), que teve
como objetivo elaborar diretrizes de segurança para as 27 Bibliotecas do SBU.
O GT de Segurança, nome atribuído ao grupo de trabalho, foi formado por dez
bibliotecários, um técnico em administração e dois docentes, membros do Órgão Colegiado.
O trabalho inicial do GT consistiu na elaboração de um questionário, composto por 88
questões, através do qual foi possível diagnosticar e dimensionar os aspectos relacionados à
segurança no âmbito das bibliotecas que compõem o SBU. A partir da análise do questionário
iniciou-se o desenvolvimento das diretrizes.
As bibliotecas são responsáveis pela gestão de bens culturais que constituem herança
material e cultural da sociedade. Por bens culturais entendemos aqueles objetos aos quais a
sociedade atribui valor artístico, histórico, documental, estético, científico, espiritual e
religioso. É atribuído aos profissionais que atuam nessas bibliotecas o papel fundamental de
preservação desses bens, para benefício da geração atual e também das futuras. Documentos
que estabelecem diretrizes de segurança podem apoiar essa atribuição e assegurar condições
ideais de convívio das pessoas e de proteção do acervo.
De acordo com o The American Institute of Architects - AIA (2004), três elementos
indispensáveis devem ser considerados durante o processo de elaboração do Plano de
Segurança: pessoas, incluindo funcionários da unidade e visitantes; o patrimônio, que
contempla também o edifício, os acervos e os equipamentos/mobiliários; e por último, mas

984

�não menos importante, as bases de dados de registros. Ainda segundo aquele órgão o
planejamento se resume em quatro fases: Prevenir (a perda de vidas e minimizar as perdas
físicas); Controlar (acessos, pessoas, materiais); Detectar (vigilância) e Intervir (responder às
agressões).
As ponderações do AIA (2004) demonstram que o desenvolvimento de um Plano de
Segurança consistente é o melhor meio de prevenção, e esta, por sua vez, constitui a forma
mais segura para salvaguardar e proteger as vidas e o patrimônio. Dessa forma, a
responsabilidade atribuída ao GT de Segurança foi a de elaborar diretrizes que contemplassem
as necessidades das bibliotecas e, assim, possibilitar a implementação de estratégias e
programas a serem desenvolvidos pelos órgãos competentes da Universidade, visando à
segurança das bibliotecas do SBU

2 OBJETIVO
Definir diretrizes gerais de segurança para o SBU, a fim de subsidiar ações locais das
27 unidades que compõem o sistema, garantindo que a segurança tenha seu merecido papel de
destaque na nossa Instituição, identificando as necessidades e, através de dados e
informações, subsidiar as ações, a implementação

de estratégias e programas a serem

desenvolvidos pelos órgãos da Universidade, visando à segurança das pessoas, acervos e a
estrutura predial das bibliotecas do SBU.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O Grupo de Trabalho de Segurança partiu do princípio que seria inviável desenvolver
as diretrizes para as bibliotecas sem antes conhecer a realidade e condições presentes em cada
uma dessas unidades de informação, quanto às questões de segurança. Para realização desse
diagnóstico o grupo foi buscar na literatura trabalhos e experiências desenvolvidas sobre este
assunto, e após leituras minuciosas, adotou-se como subsídio a Política de Segurança para
Arquivos, Bibliotecas e Museus elaborado pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins MAST (2006), que também utilizou um questionário para conhecer as necessidades de suas
áreas.
A partir dessas análises o grupo entendeu que para trabalhar com o universo das
bibliotecas do SBU, o questionário realmente seria o instrumento mais adequado já que,
considerando o número de bibliotecas envolvidas, outros mecanismos de coleta de dados
demandariam um tempo maior.

985

�A partir da definição do mecanismo de coleta de dados, o GT foi dividido em quatro
subgrupos, que ficaram responsáveis pelo desenvolvimento de questões específicas,
considerando temáticas previamente estabelecidas.
Estruturou-se um questionário com 88 questões, com perguntas fechadas e semifechadas,
agrupadas em três classes: segurança de pessoas, acervos e prédios.
Após a elaboração do questionário realizou-se um pré-teste para averiguar se as
questões efetivamente atendiam os objetivos propostos. Para sua aplicação foram
selecionadas três bibliotecas de áreas distintas e com características diferentes, (tamanho do
acervo, se possuía prédio próprio ou compartilhado, localização etc.) foram selecionadas as
bibliotecas dos Institutos de Biologia, Geociências e Artes.
De acordo com Malhotra (2001), o pré-teste consiste em uma avaliação realizada por
uma pequena amostra de entrevistados e tem como objetivo identificar e eliminar problemas
de interpretação de questões e/ou linguagem utilizada. O pré-teste possibilitou a identificação
de alguns problemas, tais como a necessidade de agrupamento das questões por bloco de
assunto, adequação de questões que poderiam ocasionar respostas com duplo sentido, entre
outros. Após os devidos ajustes, o questionário foi aplicado às bibliotecas, por meio da
ferramenta “Google docs”1no período de 5 a 19 de agosto de 2013.
Todo o trabalho demandou muita dedicação dos profissionais envolvidos e de toda a
equipe técnica, desde o momento da constituição do grupo, confecção do questionário,
tabulação dos dados e elaboração do relatório final. As reuniões periódicas e lista de
discussão virtual foram nossas ferramentas nesse processo.
Obtivemos o retorno de 100% dos participantes, o que demonstrou que a pesquisa foi
recebida positivamente pelas bibliotecas do SBU.

4 RESULTADOS FINAIS
4.1 Parte I: Relatório da análise do questionário sobre segurança nas bibliotecas do SBU
O questionário foi apresentado em formulário eletrônico, utilizando-se a ferramenta “Google
docs’’ , com perguntas fechadas e semifechadas de modo a facilitar e agilizar a análise
comparativa e/ou quantitativa, com opções de resposta "sim" ou "não". Em algumas questões
havia espaços para informações complementares que foram separadas em três linhas de

87 GOOGLE DOCS: formulários. Disponível em: &lt;http://www.google.com/intl/pt-BR/drive/apps.html#forms&gt; Acesso em:
15 out. 2013.

986

�atuação: Segurança de Pessoas, Segurança de Acervos e Segurança do Prédio. As questões
foram encaminhadas e respondidas pelos responsáveis pelas bibliotecas do SBU.
Posteriormente, os dados foram tabulados e interpretados à luz da literatura
pesquisada, resultando em um documento relevante, que deu subsídio ao desenvolvimento das
diretrizes de segurança.

4.2 Parte II: Diretrizes de Segurança de pessoas, acervos e prédios
O GT de Segurança foi dividido em subgrupos que propuseram as Diretrizes de
Segurança para as Bibliotecas do SBU, envolvendo pessoas, acervos e prédios.
A troca de informações entre os profissionais que participaram do grupo de trabalho
mostrou que havia urgência na criação de um documento que norteasse a metodologia na área
de segurança relacionada ao patrimônio físico, pessoal e estrutural das bibliotecas da
Unicamp.
A partir das diretrizes desenvolvidas os seguintes resultados ficaram evidentes:

4.2.1 Segurança de Pessoas
A primeira prioridade em qualquer emergência é a segurança humana e são de fundamental
importância o estabelecimento de responsabilidades e prioridades institucionais, a formação
de uma equipe específica de segurança que deverá ser responsável por uma cuidadosa
vigilância quanto às situações de risco para o acervo, o público e funcionários.
A segurança de pessoas envolve um grupo de ações preestabelecidas como medidas
prioritárias e preventivas. É dever primordial da Instituição, proteger o seu patrimônio, bem
como a vida das pessoas que nela estão. Muitos consultores recomendam que a instituição
faça um Plano de Segurança, e que cada segmento, assim como a biblioteca, tenha um mapa
real das possibilidades de crimes no seu interior ou ao seu redor (furtos, assaltos, vandalismo
etc.). Há necessidade de avaliar periodicamente medidas e programas adotados, bem como
reforçar a necessidade da prevenção e o treinamento das equipes da biblioteca.
O desenvolvimento do Plano de Segurança deve levar em consideração às
características prediais e funcionais de cada unidade/órgão, considerando o fluxo diário de
pessoas e as condições prediais e de infraestrutura existentes. É de fundamental importância a
efetiva avaliação de situações e condições que possam representar risco às pessoas. Nesse
sentindo, o trabalho realizado foi de grande importância ao apontar a necessidade de
desenvolvimento de planos de desocupação das bibliotecas em casos de emergência. Além
disso, constatou-se a importância de se ter representantes das bibliotecas na Comissão Interna

987

�de Prevenção de Acidentes (CIPA), bem como a necessidade de intensificar vigilância após as
18 horas, principalmente nos períodos de recesso escolar.

4.2.2 Segurança dos Acervos
As bibliotecas, enquanto instrumentos de disseminação e preservação de informações
técnicas, científicas, culturais e históricas, têm o desafio de harmonizar ações que garantam o
acesso/uso de seus conteúdos informacionais com a integridade dos documentos físicos e
digitais, assegurando, assim, que documentos históricos, culturais e intelectuais sejam
mantidos vivos e possam ser transmitidos às gerações futuras. Para tanto, entende-se que cada
unidade de informação deve adotar uma política própria que garanta a segurança de seus
acervos. São necessárias ações efetivas quanto à gestão de segurança dos acervos. Considerase crucial a atuação dos profissionais bibliotecários no que se refere à adoção de práticas de
planejamento e execução das ações destinadas à segurança preventiva e emergencial de seus
acervos.
Os riscos dentro de uma biblioteca podem ser aqueles causados pelos efeitos
cumulativos que de certa forma podem ser evitados, controlando-se as condições do meio
ambiente, como a luz, umidade relativa, temperatura, limpeza do ambiente, realização de
inventário detalhado, orientação aos usuários quanto às regras de utilização do acervo,
inspeções periódicas aos acervos e estrutura predial, implementando boas práticas de gestão
das coleções e normas de segurança, como os riscos que são de difícil previsão e que, na
maioria das vezes, tem efeito devastador, como é o caso de inundações e incêndios.
Nesse sentido, vale mencionar que, quanto aos acervos, foram apontadas algumas
necessidades, como a de elaboração de um plano de contingência para salvar os acervos, além
da necessidade de realização de avaliações periódicas quanto a possíveis riscos ao acervo,
bem como a importância de programas de prevenção de riscos ambientais e de controle dos
serviços de manutenção. Ficou evidente, ainda, a relevância de políticas internas que
contemplem questões como preservação do acervo.

4.2.3 Segurança dos Prédios
A infraestrutura física dos prédios desempenha papel central na conservação e
segurança dos acervos, das pessoas e do patrimônio. Desta forma, os prédios de biblioteca
devem ser cuidadosamente planejados e suas manutenções devem ser sistematicamente
realizadas para que, além de promover a conservação do acervo, possam também garantir
conforto e segurança aos seus usuários e colaboradores.

988

�De modo geral, percebe-se que há a necessidade de adequação de alguns aspectos
relacionados à infraestrutura e à segurança dos prédios das bibliotecas do SBU. Da mesma
forma como se mostra importante a realização de avaliações e revisões prediais periódicas,
com intuito de evitar a ocorrência de sinistros e incidentes. Além disso, a manutenção
preventiva, a implantação de sistemas de alarmes, mais voltados à detecção de incêndios e
não apenas à prevenção de furtos e atos de vandalismo, a implantação de circuitos de
monitoramento por imagem e a instalação de uma Brigada de Incêndio, com representantes da
biblioteca, despontam-se como ações essenciais para a segurança dos prédios.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As diretrizes elaboradas pelos membros do GT de Segurança do SBU caracterizam-se
como um instrumento de suporte e subsídios a um conjunto de ações, a serem desenvolvidas
no âmbito das bibliotecas da Universidade, visando garantir a segurança das pessoas, dos
acervos e do patrimônio.
O trabalho em questão foi desenvolvido a partir da análise do questionário aplicado às
unidades de informação do SBU, que, associada à literatura pesquisada, evidenciou a
premente necessidade de desenvolvimento das diretrizes de segurança, a fim de que as
mesmas pudessem ser implantadas em todas as unidades do SBU. Diante disso, torna-se
fundamental o estabelecimento de responsabilidades e prioridades institucionais, bem como a
formação de uma equipe específica de segurança que deverá ser responsável por uma
cuidadosa vigilância quanto às situações de risco para as unidades de informação da Unicamp.
Os resultados evidenciaram ainda, que avaliações e revisões periódicas devem fazer
parte da rotina de manutenção, a fim de antever problemas e, assim, evitar a ocorrência de
incidentes e sinistros. Além disso, considera-se que a manutenção preventiva é essencial para
a segurança das bibliotecas e demais edificações e equipamentos e, portanto, deve ser
considerada como um serviço prioritário no âmbito dos planejamentos e planos de trabalhos
das unidades e órgãos.
Dessa forma, parece ser urgente não apenas a implantação de uma política de
segurança no âmbito do SBU, mas também a adoção de uma política geral da Universidade
quanto à segurança dos prédios, o que engloba tanto o planejamento de construções futuras,
quanto à manutenção, atualização e adaptação das já existentes às normas atuais que regem a
construção civil.

989

�As grandes questões que nos afligem, gestores de bibliotecas, é o de termos conhecimento dos
problemas, e nem sempre recursos financeiros para resolvê-los, pois sabemos que é muito
mais eficaz a prevenção, a avaliação dos riscos, para que possamos minimizar os sinistros,
determinando o tamanho dos estragos e a recuperação do patrimônio.
A equipe do GT de Segurança espera que as diretrizes desenvolvidas contribuam para
a reflexão, planejamento e ações no sentido de aprimorar a segurança de toda a comunidade
interna e externa, as equipes que nelas trabalham e também a preservação dos acervos de
nossas bibliotecas e recomenda que as diretrizes sejam revistas a cada dois anos, visando à
atualização e aperfeiçoamento em conformidade com as alterações da legislação pertinente.
Vale destacar, ainda, que embora o levantamento realizado por meio do questionário tenha
ressaltado condições de segurança favoráveis em relação às bibliotecas do SBU, como o fato
da maioria delas possuírem quadro atualizado com os contatos dos funcionários e telefones de
utilidade pública; controle do acervo (para os itens registrados e não registrados) por meio de
inventário, planilhas, catálogo automatizado etc; controle dos bens patrimoniais (a grande
maioria faz uso do inventário); meios de controle das condições ambientais, visando à
conservação do acervo (utilização de ar condicionado, janelas com isolamento de
luminosidade); regras de uso do acervo; métodos de segurança do acervo, como portais de
segurança e fitas detectoras; proteção extra nas janelas e portas entre outros; o levantamento
também apontou itens que deverão ser implantados e/ou aperfeiçoados, a fim de envolver
outras instâncias da Universidade no processo de implantação das diretrizes nas unidades.
No mais, considera-se que as diretrizes apresentadas só encontrarão um ambiente
favorável a sua implantação efetiva se fizerem parte de uma política da Universidade, capaz
de destinar os recursos necessários à adequação das bibliotecas às normas atuais de segurança,
acessibilidade e construção civil.

6 REFERÊNCIAS
AMERICAN INSTITUTE OF ARCHITECTS (AIA). Security Planning and Design: a
guide for architects and building design professionals. New Jersey, USA, John Wiley &amp; Sons,
2004.
MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 3.ed. Porto
Alegre: Bookman, 2001.
MUSEU DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS AFINS (MAST). Política de segurança para
arquivos, bibliotecas e museus. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins,
2006.

990

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Diretrizes de segurança para o Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP): experiência na construção de políticas institucionais.</text>
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                <text>Carvalho, Tereza Cristina Oliveira Nonatto de et al.</text>
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                <text>O Órgão Colegiado do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (SBU) instituiu por meio de Resolução Interna 002/2013, em 2 de abril de 2013, um Grupo de Trabalho (GT) ao qual foi atribuído a responsabilidade de desenvolver diretrizes de segurança para as 27 bibliotecas que compõem o Sistema. O trabalho inicial do GT consistiu na elaboração de um questionário, composto por 88 questões, através do qual foi possível diagnosticar e dimensionar os aspectos relacionados à segurança no que se referem às pessoas, acervos e prédios. A partir desse levantamento e posterior análise dos dados o grupo elaborou diretrizes visando garantir proteção ao patrimônio institucional e à integridade física da comunidade acadêmica. O patrimônio do SBU é caracterizado, na sua maioria, por um amplo acervo bibliográfico de grande importância histórica, artística e cultural. É atribuído aos profissionais que atuam nessas bibliotecas o papel fundamental de preservação desses bens, para benefício da geração atual e também das futuras. Dessa forma, cabe a esses profissionais garantir condições satisfatórias de segurança a fim de assegurar a preservação desse patrimônio e, para tanto, a elaboração de um plano de segurança é de importância fundamental. Assim, são apresentados os caminhos trilhados quanto ao desenvolvimento das Diretrizes de Segurança do Sistema de Bibliotecas da Unicamp, além de considerações gerais quanto à gestão de segurança, visando à prevenção de ações adversas no que se referem a pessoas, acervos e a estrutura predial de bibliotecas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A ADOÇÃO DE PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS COMO CAMINHO PARA O
DESCARTE DE MATERIAIS BIBLIOGRÁFICOS

Evandra Campos Castro
Mauro José Kummer

RESUMO
O presente estudo de caso tem como tema a logística reversa que trata do retorno de bens de
consumo inservíveis, para serem reciclados e reutilizados. A questão problema é se o descarte
de materiais bibliográficos inservíveis, praticado nas bibliotecas dos Institutos Federais de
Ensino - IFs, tem se baseado nos preceitos legais e ambientais. O objetivo é investigar a
adoção de boas práticas no gerenciamento sustentável no descarte destes materiais nos IFs.
Adota-se como procedimentos metodológicos a pesquisa bibliográfica, documental e de
campo. Para coleta de dados, aplicou-se um questionário com vinte questões, visando obter
um perfil da cultura organizacional quanto à incorporação de conceitos e práticas da Gestão
Pública Sustentável. Usou-se a escala de Likert, sendo esta uma escala psicométrica utilizada
em pesquisa quantitativa. Os resultados da pesquisa apontam que, aproximadamente, 84% dos
IFs ainda não aderiram aos ideais de responsabilidade socioambiental, propostos pelo
Programa Agenda Ambiental da Administração Pública - A3P. A adoção de boas práticas
aplicadas ao descarte é realizada por apenas 12,5% dos bibliotecários entrevistados. Fica
bastante evidente que é preciso que governos e servidores empreendam maiores esforços em
suas atividades e ações, buscando adequar-se aos novos padrões da Gestão Sustentável para
que efetivamente crie-se uma cultura organizacional voltada à sustentabilidade.
Palavras-Chave: Agenda Ambiental da Administração Pública - A3P; Logística reversa;
Descarte de materiais bibliográficos

1 INTRODUÇÃO
A logística reversa tem como finalidade processar bens e materiais já utilizados para
retorno á cadeia produtiva. Com a ideia de desenvolvimento sustentável a logística reversa
ganha maior importância e espaço nas esferas ambiental, educacional, social, econômica e
comercial. A demanda por melhoria constante na prestação de serviços impõe aos gestores
públicos ações e práticas orientadas à sustentabilidade.
A destinação correta de resíduos sólidos, tanto na esfera privada quanto na pública,
obedece a critérios legais, ambientais, logísticos e sociais.

1735

�Diante desse cenário questiona-se se as bibliotecas dos Institutos Federais (IFs); tem
praticado o gerenciamento sustentável no descarte de materiais bibliográficos, com base nas
disposições legais e nos preceitos ambientais.
Essa realidade trouxe a necessidade de conhecer a cerca do descarte, enquanto
atividade da logística reversa, em bibliotecas dos IFs sendo o principal objetivo investigar a
prática do gerenciamento sustentável no descarte de materiais bibliográficos.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O paradigma do consumismo e a consequente produção de resíduos sólidos torna-se
uma difícil equação quanto à destinação ecologicamente correta desses materiais.
Logística reversa é uma das áreas da logística empresarial que abarca um conjunto de
operações e ações, trata da redução de matérias-primas primárias, estendendo-se a destinação
final correta de produtos, materiais e embalagens com o seu ciclo de reúso, reciclagem e/ou
produção de energia (PEREIRA et al, 2012).
Os canais reversos de pós-consumo compreendem as diferentes etapas de
comercialização e industrialização de bens, pelas quais trafegam os produtos/materiais, após o
descarte, até sua reintegração ao processo produtivo (LEITE 2009, apud SOUZA, 2012).
A agenda ambiental, a princípio restrita a comunidade científica, começa a assumir
maior importância a partir da década de 1960 e entra na pauta de governos e organizações a
nível global. Em 2012, no Rio de Janeiro, foi realizada a Rio+20, Conferência da ONU
(Organização das Nações Unida) sobre Desenvolvimento Sustentável, foi adotado
oficialmente o documento intitulado "O futuro que queremos", sendo 188 países participantes
ONU (2012).
Os governos, nacionais e internacionais, têm regulamentado as ações relativas à área
logística reversa, por meio de políticas públicas, para minimizar os impactos ambientais. No
que refere-se à legislação ambiental brasileira, pode-se citar: a CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988, como lei suprema; o DECRETO N°
4 074, DE 4 DE JANEIRO DE 2002 que regulamenta, entre outros assuntos, o destino final
dos resíduos e embalagens; e a LEI N° 12.305, DE 2 DE AGOSTO DE 2010 que institui a
Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Para MARCO Universal II (2010, p. 39) “Tomado pela onda verde mundial, o Brasil
se mostra cada vez mais flexível a priorizar a sustentabilidade na sua agenda, dando ênfase a
questões ambientais”.

1736

�A administração pública tem a responsabilidade de apresentar soluções no
enfrentamento das questões ambientais, buscando novas estratégias que inovem os padrões de
produção e consumo. As instituições públicas têm sido motivadas a inovar e desenvolver
programas e projetos, a fim de promover a discussão sobre desenvolvimento e a adoção de
uma política de responsabilidade socioambiental do setor público (BRASIL, 2013).
Criado em 2001, pelo Ministério do Meio Ambiente, o Programa Agenda Ambiental
na Administração Pública (A3P) tornou-se o principal programa da administração pública de
gestão socioambiental. O principal desafio da A3P é promover a responsabilidade
socioambiental como política governamental, auxiliando na integração da agenda de
crescimento econômico aliado ao desenvolvimento sustentável. Diversos órgãos e instituições
públicas das três esferas de governo, tem implementado o programa que pode ser usado
também como modelo de gestão socioambiental por outros segmentos da sociedade.
Pode-se perceber que há uma fluidez nesse movimento em prol da questão da
sustentabilidade, que se encontra bem desenvolvido e articulado. As ações administrativas de
planejamento, execução e controle, desenvolvidas pelas organizações, são orientadas pela
bandeira da sustentabilidade, independente de seu foco de atuação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A presente pesquisa caracteriza-se como estudo de caso, adotando-se como
procedimentos metodológicos pesquisa bibliográfica, documental e de campo. A pesquisa
documental está baseada na consulta de documentos e/ou instrumentos legais que
contemplem diretrizes para operacionalizar o descarte de materiais inservíveis. A pesquisa de
campo possibilitará obter um perfil da cultura organizacional, em relação à Responsabilidade
Socioambiental, e a prática do descarte de materiais bibliográficos nos IFs, em 2013. O
universo da pesquisa é composto por 38 IFs, que representa 100% dos IFs existentes.
O conjunto de questões visa identificar a percepção dos servidores públicos em
relação a qual medida a logística reversa está inserida na cultura organizacional. Para
mensurar o nível de concordância ou discordância em relação a cada questão dada, utilizou-se
a escala (psicométrica) de Likert utilizada em pesquisa quantitativa.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O gráfico 1 ilustra as respostas obtidas sobre as questões numa abordagem gerencial
pertencente ao mais alto escalão.

1737

�Em média, 15% concordam totalmente com as questões propostas, isso demonstra
que os IFs, em sua minoria, incorporaram a questão da sustentabilidade em suas práticas e
ações administrativas.

O gráfico 2, ilustra respostas pautadas em questões de cunho comportamental e
normativo, de acordo com a Lei n° 12.349/2010, que trata da inclusão da Promoção do
Desenvolvimento Nacional Sustentável como objetivo das licitações.
Em média, 30% dos participantes responderam que concordam parcialmente e,
apenas, 12% concordam totalmente.

1738

�As resposas representadas no gráfico 3, expressam a prática da gestão sustentável
numa atividade bem comum, a impressão e o tema coleta seletiva. Dos entrevistados, em
média, 30% responderam adotam boas práticas de impressão. Quanto coleta seletiva 14 % dos
entrevistados, em média, responderam de modo positivo.

O gráfico 4 ilustra as respostas a questões ligadas as atividades de descarte de
material bibliográfico revelando que 12% dos participantes, em média, responderam que
concordam totalmente.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Conforme análise dos dados coletados, na média geral, apenas 16% dos IFs estão
empenhados em garantir a mudança e adotar novos padrões de produção e consumo,
buscando reduzir os impactos socioambientais negativos gerados pela atividade pública.
O estudo possibilitou tomar conhecimento que somente 12,5% das Bibliotecas dos
IFs, em média, estão em conformidade com o que propõe o Programa Agenda Ambiental na
Administração Pública - A3P, no que se refere a adoção de práticas sustentáveis nas
atividades de descarte de materiais bibliográfico.
O governo brasileiro tem buscado se adequar a essa realidade, através de normas e
legislação, que orientam a destinação correta de resíduos, entre outras ações voltadas a gestão
sustentável, mas os esforços empreendidos pelo governo federal ainda são insuficientes, pois
o resultado da pesquisa aponta que os IFs, não incorporaram de fato na sua cultura
organizacional a bandeira da sustentabilidade. A implementação da Política Nacional dos
Resíduos Sólidos (PNRS), com regras mais rígidas, deverá impulsionar a criação de outras
políticas públicas de logística reversa, com base em novos padrões da Gestão Sustentável.

1739

�Apresentar as reflexões realizadas até o momento, os aspectos relevantes sobre o
trabalho e, também, recomendações que se façam necessárias.

6 REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda Ambiental na Administração Pública A3P.

Disponível

em:

http://www.mma.gov.br/responsabilidade-

socioambiental/a3p/item/8852. Acesso em: &lt;26 jun. 2013&gt;.
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PEREIRA, A. L. et al. Logística reversa e sustentabilidade. São Paulo: Cengage, 2012.

1740

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente estudo de caso tem como tema a logística reversa que trata do retorno de bens de consumo inservíveis, para serem reciclados e reutilizados. A questão problema é se o descarte de materiais bibliográficos inservíveis, praticado nas bibliotecas dos Institutos Federais de Ensino – IFs, tem se baseado nos preceitos legais e ambientais. O objetivo é investigar a adoção de boas práticas no gerenciamento sustentável no descarte destes materiais nos IFs. Adota-se como procedimentos metodológicos a pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Para coleta de dados, aplicou-se um questionário com vinte questões, visando obter um perfil da cultura organizacional quanto à incorporação de conceitos e práticas da Gestão Pública Sustentável. Usou-se a escala de Likert, sendo esta uma escala psicométrica utilizada em pesquisa quantitativa. Os resultados da pesquisa apontam que, aproximadamente, 84% dos IFs ainda não aderiram aos ideais de responsabilidade socioambiental, propostos pelo Programa Agenda Ambiental da Administração Pública – A3P. A adoção de boas práticas aplicadas ao descarte é realizada por apenas 12,5% dos bibliotecários entrevistados. Fica bastante evidente que é preciso que governos e servidores empreendam maiores esforços em suas atividades e ações, buscando adequar-se aos novos padrões da Gestão Sustentável para que efetivamente crie-se uma cultura organizacional voltada à sustentabilidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DO CONHECIMENTO EM BIBLIOTECAS NO BRASIL: um mapeamento
temático com base na literatura técnico-científica

Gardenia de Castro
Marília Damiani Costa

RESUMO
Gestão do conhecimento (GC) e sua aplicação em bibliotecas têm sido objeto de estudo, tanto
na comunidade internacional como no Brasil, aproximadamente desde 2000. Este trabalho
visa apresentar um mapeamento temático sobre gestão do conhecimento em bibliotecas no
Brasil, a partir das iniciativas registradas na literatura técnico-científica. Trata-se de uma
pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo, compreendendo o período de 2000 a 2013.
Foram identificados 60 trabalhos, agrupados nas seguintes categorias: aspectos gerais sobre
GC em bibliotecas; bibliotecas como organização e gestora do conhecimento; práticas de GC
em bibliotecas; propostas de GC em bibliotecas; aprendizagem organizacional em bibliotecas;
mapeamento de competências/conhecimentos. O mapeamento temático dos trabalhos
analisados mostra as abordagens sobre GC em bibliotecas no Brasil.
Palavras-Chave: Gestão do conhecimento - Bibliotecas; Gestão do conhecimento em
bibliotecas - mapeamento - Brasil.

ABSTRACT
Knowledge management (KM) application at libraries has been studied, in Brazil and in the
international community, approximately since 2000. This paper presents a mapping about
knowledge management in Brazilian libraries, based on the initiatives found on the scientific
literature. This is a bibliographic research, qualitative, covering the period from 2000 to 2013.
60 papers have been identified and grouped in the follow categories: KM in libraries - general
aspects; libraries as a knowledge organizer and manager; KM in libraries - practices; KM in
libraries - proposals; organizational learning at libraries; competency/knowledge mapping.
The analyses realized present the approaches about KM in libraries in Brazil.
Keywords: Knowledge management- library; Knowledge management in libraries - mapping
- Brazil.

1 INTRODUÇÃO
A Gestão do Conhecimento é um tema que tem despertado interesse tanto no campo
acadêmico quanto no organizacional, pois transformar o conhecimento individual em

1157

�conhecimento organizacional, inserindo-o em produtos e serviços, tem sido um dos grandes
desafios para a competitividade. É um conceito, em evolução, que surgiu no final da década
de 1980. Para a Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC), GC é “processo
sistemático, integrado e transdisciplinar que promove atividades para criação, identificação,
organização, compartilhamento, utilização e proteção de conhecimentos estratégicos,
gerando valor para as partes interessadas ”. (SBGC, 2013).
A partir de 2000, o tema começou a ser debatido para aplicações em bibliotecas, tendo
como ponto central o gerenciamento dos recursos humanos, dinamizando o fluxo de
conhecimentos entre os profissionais que atuam na unidade de informação, reforçando
competências e habilidades para melhoria dos serviços, apoiado por investimentos em
tecnologias da informação. (SHANHONG, 2000; TOWNLEY, 2001; DUDZIAK; VILLELA;
GABRIEL, 2002; CLARKE, 2004).
Um mapeamento preliminar da literatura sobre GC em bibliotecas foi realizado por
Costa e Castro (2004), constatando-se que, sobre este tema, há registros em diversos países,
como: China, Estados Unidos e Brasil, desde 2000. Complementando este levantamento
bibliográfico, sobre o Brasil, Costa, Castro e Rostirolla (2007) identificaram 19 trabalhos
produzidos no período de 2000 a 2006. Desde então, vem crescendo o interesse sobre gestão
do conhecimento em bibliotecas, repercutindo em discussões em eventos, em pesquisas em
cursos de pós-graduação e relatos de práticas em publicações periódicas da área de
biblioteconomia e ciência da informação.
Visando contribuir para a consolidação e a inserção de GC na gestão das unidades de
informação em nosso País, se estabeleceu como objetivo principal deste trabalho, elaborar um
mapeamento temático sobre gestão do conhecimento em bibliotecas no Brasil, a partir das
iniciativas registradas na literatura técnico-científica.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Gestão do conhecimento em bibliotecas também é um conceito em evolução. Na
concepção de Shanhong (2000), GC em bibliotecas envolve: a) gestão da novidade do
conhecimento, gestão da inovação teórica do conhecimento, enriquecendo e expandindo os
campos de investigação teóricos e práticos da biblioteconomia e da ciência da informação;
gestão da inovação técnica, envolvendo a evolução, de bibliotecas convencionais para
bibliotecas eletrônicas ou digitais, construindo melhorias técnicas; gestão da inovação
organizacional, melhorando os departamentos funcionais e os procedimentos operativos das
bibliotecas; b) gestão da difusão do conhecimento, promovendo a criação dos próprios

1158

�recursos e documentos das bibliotecas e elevando a qualidade do pessoal da biblioteca; c)
gestão da aplicação do conhecimento, provendo serviços que facilitem as pessoas a adquirir
conhecimento e a exercer as funções máximas da informação e do conhecimento; d) gestão
de recursos humanos, investindo na formação de pessoas de talento e altamente qualificadas
para revitalizar o ambiente da biblioteca.
Townley (2001) reforça que a gestão do conhecimento em bibliotecas tem por objetivo
promover a troca de conhecimento entre as pessoas da biblioteca, reforçar a consciência e as
habilidades de inovação, elevar o entusiasmo das pessoas e possibilitar a aprendizagem,
transformando a biblioteca em uma organização de aprendizagem. Clarke (2004) e Aswath;
Gupta (2009) acreditam que a meta da GC em bibliotecas é fazer pleno uso dos
conhecimentos existentes na organização, para aumentar a produtividade e eficiência
operacional.
Para Jantz (2001) a gestão do conhecimento em bibliotecas universitárias busca
facilitar o gerenciamento, usar o conhecimento, envolver a organização e prover o acesso a
recursos intangíveis que ajudam os bibliotecários e administradores a desempenhar suas
funções de forma mais eficiente e efetivamente.
Para Stoffle (apud McMANUS; LOUGHRIDGE, 2002), gestão do conhecimento é
vista como um projeto baseado nos meios de organizar e tornar disponível informação e
conhecimento para os usuários da biblioteca universitária, ao invés de ser uma tentativa de
mudar a cultura organizacional ou corporativa. Com isso, não é apenas desejável, mas vital
que a comunidade acadêmica veja a biblioteca como uma publicadora, uma criadora de
conhecimento.
Dudziak, Villela e Gabriel (2002, p. 9-10), elencam uma série de benefícios sobre uso
da gestão do conhecimento em bibliotecas universitárias, incentivando à gestão destas
unidades no Brasil, tais como:
•
•

•
•
•

construção de uma base documentada que ampara os processos
decisórios dentro da biblioteca;
melhoria da comunicação e interconectividade entre todos os setores da
Biblioteca, de modo que as informações e o conhecimento possam fluir,
de forma independente do desejo das pessoas, havendo também a
redução dos obstáculos inerentes à separação geográfica;
disponibilização integrada de dados, informações e conhecimentos
importantes ao ambiente e funcionamento internos, e ao core business
da biblioteca (que é a busca constante pela satisfação de seus clientes);
racionalização de tarefas como conseqüência da padronização de
procedimentos e conhecimento de normas;
maior eficiência dos setores, independentemente da rotatividade de
pessoas e/ou a eventual falta de algum membro da equipe;

1159

�•

•

compartilhamento de experiências entre todos os membros das equipes
bibliotecárias, em que conhecer o outro fortalece as relações
interpessoais, fomenta e qualifica o diálogo, havendo a valorização do
trabalho de todos;
facilidade de compartilhamento de conhecimentos e troca de
experiências entre as bibliotecas (benchmarking), o que leva a um maior
aprendizado. (DUDZIAK; VILLELA; GABRIEL, 2002, p. 7-8).

Di Domenico, De Bona e Fernández (2003) ressaltam que: um dos objetivos da gestão
do conhecimento em bibliotecas é promover a mudança de conhecimento entre o pessoal da
unidade de informação. Reforçando a consciência e habilidades da inovação. Eleva-se o
entusiasmo do pessoal e a possibilidade de aprender, enquanto que o conhecimento seja
melhor aplicado às atividades, reconstruindo sempre, fazendo uma organização de
aprendizagem contínua. (DI DOMENICO; DE BONA; FERNÁNDEZ, 2003, p. 14, tradução
nossa).
Di Domenico, De Bona e Fernández (2003) acrescentam que as bibliotecas possuem
duas grandes vantagens para iniciarem a gerenciar seus sistemas baseados no conhecimento
próprio. As funções convencionais de reunir, processar, difundir, armazenar e usar a
informação, demonstram um alto treinamento no uso da informação. Isto é uma qualidade que
nenhum outro tipo de organização possui. Outra das forças mais notáveis das bibliotecas é o
grau de compromisso e de treinamento em serviço dos seus recursos humanos. (DI
DOMENICO; DE BONA; FERNÁNDEZ, 2003 p. 13, tradução nossa).
Castro (2005) enfatiza que a gestão do conhecimento pode beneficiar as bibliotecas
universitárias na identificação, aquisição, desenvolvimento, compartilhamento e uso do
conhecimento e propõe um diagnóstico para gestão do conhecimento em bibliotecas
universitárias. O citado diagnóstico contém requisitos que possibilitam a identificação de
iniciativas e práticas de gestão do conhecimento nas bibliotecas universitárias, tendo como
elementos a gestão estratégica da biblioteca, os processos de gestão do conhecimento e os
suportes organizacionais, conforme figura 1.

1160

�Figura 1 - Elementos básicos para a gestão do conhecimento em BU

Fonte: Catro (2005, p. 100)

Já Rostirolla (2006), analisa o processo de referência de uma biblioteca universitária,
na perspectiva da gestão do conhecimento, e propõe uma sistematização do conhecimento
sobre este tipo de processo, apresentado na figura 2.

Figura 2 - Proposta de sistematização do conhecimento sobre o processo de referência
de uma BU

Fonte: Rotirolla (2006, p. 155)

1161

�Mas para que as bibliotecas se beneficiem da gestão do conhecimento, Costa, Castro e
Rostirolla (2007, p. 524) alertam que: “é necessário, o reconhecimento da importância do
conhecimento de seu pessoal e a criação de ambiente propício à valorização do
conhecimento”.
Para García de las Bayonas (2007) a gestão do conhecimento eficiente nas bibliotecas
universitárias deve aproveitar todos os conhecimentos (tácitos e explícitos, individuais e
organizacionais, internos e externos às bibliotecas), através das seguintes ações:
9. estabelecer uma cultura corporativa de compartilhamento do
conhecimento;
10. melhoria do controle da produção científica da universidade,
tanto das teses e dissertações como dos arquivos abertos;
11. criação de repositórios ou bases de dados de conhecimento;
12. máxima explicitação do conhecimento tácito, por meio de
intranets corporativas, manuais e ferramentas para compartilhar o
conhecimento entre os funcionários da biblioteca;
13. maior proteção da imagem corporativa, do trabalho em
colaboração em nível institucional da universidade, a nível local,
nacional e internacional;
14. desenvolvimento

das

competências

dos

funcionários

da

biblioteca, por meio de processos seletivos eficientes e formação
de acordo com as competências necessárias para o desempenho
das funções.

Embora a maioria dos bibliotecários afirme estar consciente da importância da gestão
do conhecimento em bibliotecas, Roknuzzaman e Umemoto (2009) ressaltam que, na prática,
existem muitos obstáculos na aplicação de GC nesses ambientes, tais como:

a) relutância dos bibliotecários em adotar práticas de GC: muitos
bibliotecários relutam em adotar práticas de GC, devido à sua
mentalidade tradicional;
b) falta de compreensão dos conceitos de CG: vários bibliotecários
não possuem muita percepção do que é gestão do conhecimento,
e quais os benefícios que a aplicação da GC pode trazer à
biblioteca;

1162

�c) falta de recursos: tanto financeiros quanto humanos;
d) falta de uma cultura de captura e compartilhamento do
conhecimento: os bibliotecários são ativos e eficientes na
aquisição da informação impressa ou digital, mas não estão
familiarizados com o compartilhamento de conhecimentos
tácitos, incorporados na experiência, talento e intuição dos
funcionários da biblioteca;
e) falta de colaboração e parceria entre bibliotecas: um projeto de
GC bem sucedido requer uma forte parceria de colaboração com
outras bibliotecas. A maioria das bibliotecas mantêm programas
de colaboração e intercâmbio de materiais, não de práticas de
gestão doconhecimento.

Para muitos bibliotecários, a gestão do conhecimento não é um fenômeno novo, já que
a organização e o compartilhamento do conhecimento sempre foram os principais focos dos
bibliotecários (SARRAFZADEH; MARTIN; HAZERI, 2010). O novo é utilizar o
conhecimento de forma a construir uma vantagem competitiva para a biblioteca.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica utilizando uma abordagem de cunho
qualitativo, compreendendo trabalhos publicados na literatura técnico-científica no Brasil, a
fim de analisar as conexões existentes entre gestão do conhecimento e bibliotecas a partir de
publicações na área da Ciência da Informação.
Os dados foram coletados por meio de levantamento bibliográfico de trabalhos
publicados em forma de artigos científicos, trabalhos em eventos, teses, dissertações e
monografias de conclusão de curso de graduação, no período de 2000 a 2013. Para este
levantamento foram definidas e utilizadas como fontes de informação para a pesquisa: a)
Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações (BDTD); b) Anais dos eventos: Encontro
Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB), Seminário Nacional de
Bibliotecas

Universitárias

(SNBU),

Congresso

Brasileiro

de

Biblioteconomia

e

Documentação (CBBD); c) Base de dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência
da Informação (BRAPCI). Os descritores utilizados foram: “gestão do conhecimento em
bibliotecas”, “gestão do conhecimento” e “bibliotecas”. Ao todo, foram identificados e

1163

�analisados 60 trabalhos. A pesquisa em anais dos eventos foi limitada pela indisponibilidade
dos artigos em base virtual.
A partir das informações obtidas por meio da coleta de dados, procurou-se realizar a
análise de conteúdo. Sendo assim, utilizou-se as ideias propostas por Bardin (2004), que se
organizam em tempos cronológicos distintos: a) pré-análise, que se caracteriza por
sistematização de ideias iniciais, traçando um plano de análise. É o momento em que ocorre a
escolha das informações a serem analisadas, formulação de hipóteses e de objetivos e
elaboração de indicadores que indiquem a interpretação final. Seu principal objetivo é a
organização; b) exploração do material, que após a conclusão da pré-análise, torna-se somente
a administração das decisões tomadas; c) tratamento dos resultados obtidos e interpretação,
momento este em que os dados até então obtidos são tratados de maneira a serem
significativos e válidos.
Os dados foram agrupados nas seguintes categorias: aspectos gerais sobre GC em
bibliotecas; bibliotecas como organização e gestora do conhecimento; práticas de GC em
bibliotecas; propostas de GC em bibliotecas; aprendizagem organizacional em bibliotecas;
mapeamento de competências/conhecimentos. Sendo os resultados apresentados de forma
objetiva por um mapeamento temático da literatura sobre Gestão do Conhecimento em
Bibliotecas no Brasil.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Nesta pesquisa, que abrange o período de 2000 a 2013 foram identificados 60
trabalhos, agrupados nas seis categorias apresentadas na tabela 1.

Tabela 1 - Categorias sobre GC em Bibliotecas
CATEGORIAS

NÚMERO DE TRABALHOS

Práticas de GC em Bibliotecas

17

Propostas de GC em Bibliotecas

12

Biblioteca como organização e gestora
conhecimento

do

10

Mapeamento de competências/conhecimentos

9

Aspectos gerais sobre GC em bibliotecas

8

Aprendizagem organizacional em bibliotecas

4

TOTAL

60

Fonte: Elaborada pelas autoras

1164

�Somados, os trabalhos sobre práticas e propostas de GC em bibliotecas representam
quase a metade do total das categorias (n=29), demostrando que há um longo caminho a
percorrer até a formulação e implantação de programas de GC em bibliotecas.
Alguns trabalhos abordam as bibliotecas como organizações do conhecimento e
gestoras do conhecimento científico, ressaltando a importância das bibliotecas nos processos e
programas de GC.
Trabalhos sobre mapeamento de competências e de conhecimentos representam o
quarto conjunto, aqui denominado como categoria. Eles assinalam a preocupação em registrar
e compartilhar conhecimentos específicos para capacitação do pessoal que atua em
bibliotecas.
Agrupando estes trabalhos pelo tipo de documento, pode-se constatar que os
apresentados em eventos constituem o maior conjunto (n=28), seguido dos trabalhos de
autoria individual (n=18), incluindo: duas teses, 11 dissertações e cinco monografias de
conclusão de cursos de graduação. Entre os trabalhos havia ainda um relatório de pesquisa,
um projeto institucional e12 artigos de periódicos.
Desta produção técnico-científica, apenas 20% está disponível em periódicos,
registrados na Tabela 2.

Tabela 2 - Periódicos que publicaram artigos sobre GC em Bibliotecas
PERIÓDICOS

QUALIS

NÚMERO DE ARTIGOS

Ciência da Informação

B1

2

Perspectivas em Ciência da Informação

A1

2

Biblos

B1

2

Revista ACB

B2

2

Rev. Bras. Biblioteconomia e Documentação

B1

2

CRB-8 Digital

B5

1

Cadernos BAD

--

1

TOTAL

12

Fonte: Elaborada pelas autoras

A maior parte destes artigos, registrados na tabela 2, foram pulicados em periódicos
com Qualis B (B1, B2 e B5). Apenas dois artigos foram publicados em periódico com Qualis
A1. Periódicos são importantes canais de comunicação científica que precisam ser utilizados,

1165

�mais intensamente, para divulgação e consolidação desta temática (GC em bibliotecas) no
âmbito da Biblioteconomia e Ciência da Informação.
Dentre os eventos, o SNBU e ENANCIB são os que mais se destacaram na
apresentação e discussão do tema GC em Bibliotecas, registrando 11 e 9 trabalhos,
respectivamente. No CBBD, neste período, foram apresentados 4 trabalhos. Também foram
apresentados 4 trabalhos sobre GC em bibliotecas, em eventos relacionados às áreas de
administração e gestão do conhecimento, realizados no país.
A partir deste levantamento foi elaborado um mapa temático sobre Gestão do
Conhecimento em Bibliotecas no Brasil, cujo resultado preliminar está disponível na figura 3.

Figura 3 - Mapa temático sobre GC em Bibliotecas no Brasil 2000 - 2013

O mapa temático apresentado permite visualizar as diversas abordagens sobre gestão
do conhecimento em bibliotecas, registrados na literatura técnico-científica deste período, no
Brasil.
Estes trabalhos contemplam as abordagens conceituais sobre GC em bibliotecas,
apresentam propostas e modelos para sistematização do conhecimento específicos para
bibliotecas, práticas desenvolvidas em bibliotecas das regiões sul, sudeste e nordeste do
Brasil.

1166

�Alguns trabalhos ampliam o conceito de biblioteca como organização do
conhecimento para gestora do conhecimento científico, com propostas de modelos,
sistematização e ferramentas.
Registram-se trabalhos sobre mapeamento de competências de diferentes funções nas
bibliotecas, como de conhecimentos sobre outros colaboradores externos à biblioteca. Tais
mapeamentos estão voltados a subsidiar a capacitação dos que atuam nestas bibliotecas
visando à melhoria dos serviços prestados.
No entanto, a aprendizagem organizacional em bibliotecas ainda é pouco explorada,
neste contexto, embora seja de importância vital para a consolidação da GC em bibliotecas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A literatura sobre gestão do conhecimento em bibliotecas no Brasil apontava que, no
início do período analisado, as propostas deveriam ser focalizadas em pesquisa efetiva e
desenvolvimento

de

conhecimento,

criação

de bases

de

conhecimento,

troca

e

compartilhamento entre os profissionais que atuam na biblioteca (incluindo seus usuários), e
capacitação profissional. Entre os trabalhos apresentados em eventos que foram analisados
neste estudo, os de Costa e Castro (2004) e Costa, Castro e Rostirolla (2007) constataram que
as iniciativas de abordagem de GC em bibliotecas no Brasil estavam contemplando, em parte,
estas expectativas.
Neste estudo foram destacadas propostas específicas de GC para registro, retenção e
compartilhamento de conhecimentos em bibliotecas, diagnósticos para GC e para Gestão
integrada de Gestão da Informação e Conhecimento (GIC), bem como práticas de GC em
bibliotecas das regiões sul, sudeste e nordeste do Brasil.
Importante salientar que as bibliotecas têm uma participação vital no processo de
inovação e consolidação de novos conhecimentos e gradativamente estão enfrentando as
questões ligadas à gestão do conhecimento nas organizações em que estão inseridas.
Sendo assim, as bibliotecas brasileiras devem estar preparadas em gerar, organizar,
mapear, utilizar, identificar, divulgar e compartilhar o conhecimento, visando subsidiar a
tomada de decisão, de forma a construir vantagem competitiva para as bibliotecas como
organizações gestoras do conhecimento.
O mapeamento temático realizado neste estudo sobre GC em bibliotecas no Brasil
2000 - 2013 pode ser atualizado em estudos futuros, tanto para verificar o desenvolvimento,
como para divulgar e analisar a produção técnico-científica sobre GC em bibliotecas no
Brasil.

1167

�REFERÊNCIAS
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Services. In: International Conference on Academic Libraries, 1., 2009, Delhi, India. Anais...
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1169

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Castro, Gardenia de, Costa, Marília Damiani </text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Gestão do conhecimento (GC) e sua aplicação em bibliotecas têm sido objeto de estudo, tanto na comunidade internacional como no Brasil, aproximadamente desde 2000. Este trabalho visa apresentar um mapeamento temático sobre gestão do conhecimento em bibliotecas no Brasil, a partir das iniciativas registradas na literatura técnico-científica. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo, compreendendo o período de 2000 a 2013. Foram identificados 60 trabalhos, agrupados nas seguintes categorias: aspectos gerais sobre GC em bibliotecas, bibliotecas como organização e gestora do conhecimento, práticas de GC em bibliotecas, propostas de GC em bibliotecas, aprendizagem organizacional em bibliotecas, mapeamento de competências/conhecimentos. O mapeamento temático dos trabalhos analisados mostra as abordagens sobre GC em bibliotecas no Brasil.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DIGITALIZAÇÃO RETROSPECTIVA DA PRODUÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA
DA EMBRAPA MILHO E SORGO RELATO DE EXPERIÊNCIA
Rosângela Lacerda Castro
Maria da Conceição Sant'ana Marques
Vânia Palhares Fernandino Fonseca
RESUMO
Este artigo descreve o trabalho de digitalização retrospectiva da produção técnico-científica
da Embrapa Milho e Sorgo. O objetivo dessa ação foi converter em formato digital as
publicações produzidas pelos empregados da Empresa e disponibilizá-las nos repositórios
digitais para ampliar a visibilidade da produção técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo
além de preservar a memória institucional. Relata os critérios adotados para converter o
material impresso em formato PDF e os equipamentos e ferramentas utilizados pela equipe
para a realização desta tarefa. Foram consideradas questões de direito de propriedade e de
reprodução para não infringir a lei de direitos autorais. Foram avaliadas as estatísticas de
downloads e acessos à produção técnico-cientifica da Embrapa Milho e Sorgo nos
repositórios digitais da Embrapa, a fim de consolidar os objetivos deste estudo.
Palavras-Chave: Produção científica; Produção técnica; Embrapa; Repositório institucional.
Pesquisa agropecuária.
ABSTRACT
This paper describes the work of retrospective digitization of scientific-technical production
at Embrapa Maize and Sorghum. The purpose of this action was to convert to digital format
publications produced by employees of the company and make them available in digital
repositories to expand the visibility of scientific and technical production of Embrapa Maize
and Sorghum, besides preserving its institutional memory. It reports the criteria adopted to
convert printed material into PDF format and the equipment and tools used by the team to
complete this task. In order not to infringe on copyright law, issues of property rights and
reproduction were considered. The statistics of downloads and access of Embrapa Maize and
Sorghum technical and scientific production were assessed in digital repositories of Embrapa
to consolidate the objectives of this study.
Keywords: Scientific production; Technical production; Embrapa; Institutional repository.
Agricultural research.

1 Introdução
A Embrapa Milho e Sorgo abriga, em sua estrutura, uma biblioteca que desde a sua
criação, em 1975, reúne um importante acervo produzido ou adquirido pela Empresa sobre os

4210

�produtos milho e sorgo e áreas afins, além de toda a produção técnico-científica de seus
pesquisadores.

Seus

clientes

são:

empregados

da empresa,

bolsistas,

estagiários,

pesquisadores, técnicos, estudantes, produtores, entre outros. Os recursos humanos da
biblioteca constituem-se de uma bibliotecária e duas assistentes.
O acervo documental é composto por 23.333 itens (livros, anais e proceedings,
folhetos, teses, obras de referência, CDs, fitas de vídeo, DVDs) e seu acervo de periódicos
contém 36.311 fascículos distribuídos em 702 títulos. Além do acervo documental e do
acervo de periódicos, também fazem parte do acervo da biblioteca a produção técnicocientífica dos pesquisadores e analistas da Embrapa Milho e Sorgo, que atualmente possui
9.559 registros, e é esta coleção que é objeto deste estudo.
A produção técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo corresponde a todos os
trabalhos de autoria ou coautoria de pesquisadores e analistas, publicados internamente pela
Embrapa, ou externamente, bem como os documentos editados pela própria instituição.
Contempla trabalhos técnicos, como artigo de divulgação na mídia, séries técnicas
publicadas pela Embrapa (Circular Técnica, Comunicado Técnico, Boletim de Pesquisa e
Desenvolvimento, Documentos), fôlderes, coleções da Embrapa e trabalhos científicos, como
artigos em periódico indexado, artigos em anais de congresso, capítulos em livro, resumos em
anais de congresso, teses e dissertações.
Considerando que promover o acesso à informação é um dos principais objetivos na
missão da biblioteca e que a internet é cada vez mais onipresente, é imprescindível estar
alinhado às novas tecnologias e às novas formas de acesso à informação para cumprirmos
essa missão.
Segundo Sanou (2014), até o final de 2014, haverá cerca de 3 bilhões de usuários de
internet, dois terços deles serão de países em desenvolvimento e o número de assinaturas de
banda larga móvel chegará a 2,3 bilhões.
Neste mundo cada vez mais conectado, as pessoas preferem o acesso imediato à
informação, e a realidade é que a facilidade de acesso afeta a disposição do usuário em
consultar o documento fisicamente. Por conseguinte, as formas de acesso à coleção da
produção técnico-cientifica da Embrapa Milho e Sorgo, que eram realizadas através de
consulta na própria biblioteca, empréstimo domiciliar ou por sistemas de comutação
bibliográfica, precisavam ser revistas para que essa coleção não ficasse restrita às formas de
acesso convencionais.
Nesse contexto, em 2011, a Embrapa lançou novos produtos de informação do Sistema
Embrapa de Bibliotecas. São os repositórios informacionais Alice e Infoteca-e, que foram

4211

�desenvolvidos a partir das bases de dados gerenciadas pelas bibliotecas das Unidades da
Embrapa, por meio do sistema Ainfo477, e foram criados para armazenar a produção técnicocientífica da Embrapa e permitir o acesso livre e com texto na íntegra de todas as publicações
técnico-científicas da Empresa.

Figura 1 - Homepage do Alice

Fonte: http://www.alice.cnptia.embrapa.br

Figura 2 - Homepage do Infoteca-e

Fonte: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br

477 Ainfo é um software de gerenciamento de bibliotecas desenvolvido e adotado pela Embrapa para gerenciar o
acervo de suas bibliotecas, compreendendo a organização e o controle, até a disseminação de informações, tanto
em meio físico como eletrônico (digital).

4212

�Em onsonância com a tendência digital, a equipe da biblioteca, com o objetivo de
ampliar o acesso e a visibilidade da produção técnico-científica, bem como resguardar a
memória institucional, iniciou em 2011 a digitalização da coleção da produção técnicocientífica da Embrapa Milho e Sorgo para compor os repositórios institucionais da Embrapa.
A digitalização consiste em transformar as publicações impressas em arquivos digitais
por meio de equipamento e software digitalizador (escaner)

.

2 Revisão de Literatura

As informações registradas em papel estão limitadas a um espaço físico específico, o
que consequentemente dificulta o acesso a essas informações remotamente (SILVA, 2006).
Silva (2006) afirma também que o papel está sujeito à deterioração pelo manuseio e
pela ação de agentes ambientais.
Partindo-se do pressuposto que a produção técnico-científica é um acervo com valor
de memória para a Embrapa Milho e Sorgo, por contemplar o registro dos resultados de
pesquisas desenvolvidas pelos seus pesquisadores, é imprescindível que esse acervo seja
preservado e, não obstante, seja também disponibilizado para que a sociedade tenha
conhecimento e acesso aos trabalhos desenvolvidos pela instituição.
Para que essa ação seja alcançada, a Embrapa desenvolveu dois repositórios digitais
para armazenar e disponibilizar a produção técnico-científica da instituição, o repositório
Alice e o Infoteca-e.
Para Weitzel (2006), os repositórios digitais são como bibliotecas digitais ou
bibliografias constituídas pela própria comunidade, e sua função é permitir o acesso
organizado e livre a toda a produção científica.
Ainda segundo Weitzel

(2006),

os repositórios institucionais estimulam a

disseminação e o uso da produção científica, mas também espelham a memória institucional.
Para que a produção técnico-científica esteja disponível nos repositórios é necessário
que seja feita a digitalização dessa coleção e o upload do arquivo digitalizado para o Ainfo,
que, além de gerenciar o acervo das bibliotecas, alimenta os repositórios digitais da Embrapa.
Contudo, iniciar um processo de digitalização requer planejamento prévio, e,
conforme Nascimento et al. (2006), esse planejamento deve considerar as seguintes questões:
S Qual o trabalho a ser feito;

478 http://pt.wikipedia.org/wiki/Digitalização

4213

�S Como será feito (padrões, especificações, modelos bem sucedidos);
S Quem deverá fazer;
S Onde será feito;
S Quanto tempo será gasto;
S Quanto custará.
Ademais, outros fatores também devem ser analisados antes de iniciar o processo de
digitalização, como aspectos relacionados a propriedade intelectual que podem trazer
implicações legais, uma vez que essa ação implica copiar e, por isso, as leis sobre direito
autoral devem ser consideradas, de modo a resguardar legalmente a instituição.
Portanto, é necessário ter a autorização do autor para disponibilizar publicamente o
material digitalizado, a não ser que a publicação seja de domínio público ou a empresa possua
os direitos autorais sobre a produção intelectual de seus empregados.
De acordo com a Resolução Normativa 14/2001, que regulamenta as questões de
direito de autor na Embrapa, os direitos patrimoniais de todas as produções intelectuais que
sejam concebidas ou elaboradas por empregado da Embrapa, em decorrência ou em conexão
com as atividades desenvolvidas dentro da Empresa, bem como por terceiro que tenha sido
contratado para a execução da tarefa que implique, direta ou indiretamente, na produção de
obras, tais como escrito técnico ou científico ou científico ou de divulgação científica,
fotografia, desenho, pintura, aquarela, audiovisual, programa de computador, compilação e
base de dados, pertencem exclusivamente à Embrapa e a efetivação da Norma se dá pela
assinatura de termos de cessão de direitos patrimoniais do autor à Empresa (EMBRAPA,
2001).
Mas, se as publicações não são de domínio público, e a empresa não controla os
direitos autorais, é necessário identificar o detentor dos direitos autorais e solicitar permissão
para disponibilizar a publicação, ou simplesmente não disponibilizá-la para o público externo.
É importante ressaltar que toda a produção técnico-científica da Embrapa Milho e
Sorgo foi digitalizada independentemente de a Embrapa possuir os direitos da obra ou de ela
estar em domínio público, mas, atentos a questões de direito do autor, disponibilizamos nos
repositórios digitais apenas a produção técnico-científica produzida no âmbito da Embrapa ou
publicada em outros canais de domínio público.
Outro fator que deve ser analisado antes de iniciar a digitalização é a fragilidade das
publicações antigas uma vez que a digitalização é uma forma de preservar o original e não um
meio de descartá-lo, conforme afirmam Nardino e Caregnato (2005), apud Greenhalgh (2011,
p. 161-162):

4214

�Pretende-se, desta forma, contribuir para uma reflexão acerca da fragilidade da
informação registrada em papel e da responsabilidade do bibliotecário em
manter vivos esses registros. É importante destacar que a questão do
documento eletrônico é aqui colocada como um novo suporte para o registro
de informações, que surge não para substituir o livro impresso, mas para
complementá-lo em suas limitações.

Nascimento et al. (2006, p. 13) descrevem como princípios gerais da digitalização:
S

Escanear na maior resolução possível;

S

Escanear em nível de qualidade apropriado para evitar o retrabalho no
futuro;

S

Criar e armazenar um arquivo mestre que poderá ser utilizado para
produzir arquivos de imagens derivadas que atendam a uma variedade de
necessidades atuais e futuras;

S

Preferir sistemas não proprietários;

S

Utilizar formatos de arquivos e técnicas de compressão em conformidade
com os padrões mais amplamente utilizados pelas comunidades que
utilizam as informações da Embrapa;

S

Criar cópias de segurança de todos os arquivos em mídias estáveis;

S

Criar metadados significativos para os arquivos de imagens ou coleções;

S

Armazenar a mídia em ambiente apropriado;

S

Documentar estratégias de migração para transferência de dados através
das gerações de tecnologia.

Seguindo esses princípios, para a digitalização de texto, recomenda-se a resolução 300
dpi, e sugere-se a adoção de formatos como PDF (Portable Document Format) da Adobe479,
que é um formato de arquivo alternativo para criação e exibição de arquivos de textos na Web
(NASCIMENTO et al., 2006, p. 29).
Quanto ao armazenamento, vale ressaltar que o processo de digitalização requer a
criação de uma infraestrutura para arquivar todo o material digitalizado (NASCIMENTO et
al., 2006).
Greenhalgh (2011) corrobora essa afirmação ao dizer que é preciso adotar medidas
para garantir a preservação dos arquivos digitais como o armazenamento destes em local
diferente ao da coleção.
Além destes princípios, deve-se atentar para a preservação dos documentos
digitalizados. Além de armazenar os documentos no formato PDF, a Embrapa adota alguns
critérios como o uso de link persistente para acesso aos documentos, infraestrutura de
479 O download do Adobe Acrobat é grátis e a versão permite aos usuários visualizar os documentos em seus
computadores.

4215

�armazenamento de dados adequada e realização de cópia de segurança interna e em locais
diferentes.
Sem a aplicação de estratégias de preservação não há garantia de acesso aos
documentos o longo prazo (ARELLANO, 2004).

3 Materiais e Métodos

O registro da produção técnico-cientifica da Embrapa Milho e Sorgo teve início em
1976, quando toda a produção dos pesquisadores da Unidade era encaminhada para a
biblioteca para o devido registro e armazenamento.
Em 1980, decidiu-se armazenar a produção dos pesquisadores em pastas individuais,
as quais continham o trabalho original ou uma cópia impressa dos trabalhos de sua autoria ou
coautoria.
Esse processo foi executado até 2011, quando decidiu-se digitalizar toda essa
produção técnico-científica organizada nas pastas.

A partir deste momento, a biblioteca

continuou recebendo todos dos trabalhos dos pesquisadores mas, apenas um trabalho original
ou uma cópia eram incluídos no acervo, independentemente se outros coautores eram
pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo.
Iniciou-se então a preparação da produção técnico-científica para o processo de
digitalização.
A primeira ação foi separar apenas o trabalho original ou cópia, eliminando
duplicações de trabalhos em coautoria que estavam em pastas de pesquisadores coautores.
Essa ação resultou na otimização do espaço ocupado pelas pastas e na efetiva
produção técnico-científica a ser digitalizada.
No tocante ao registro, toda a produção técnico-científica já estava registrada no
Ainfo, e este registro englobava apenas a inclusão de metadados que identificavam a
publicação. Mas, embora todos os registros estivessem na base de dados, estes não podiam ser
recuperados pois não continham o texto em formato digital e consequentemente não
permitiam o compartilhamento eletrônico desses documentos.
Com a criação dos repositórios institucionais na Embrapa, o repositório Infoteca-e
para informações técnicas e o repositório Alice para informações científicas, desenvolveu-se
também em 2011, uma nova versão do Ainfo que permitiu o armazenamento digital dos
documentos no próprio sistema no momento da catalogação para alimentar os repositórios

4216

�digitais da Empresa, o que motivou a execução do projeto de digitalização retrospectiva de
toda a produção técnico-científica e a promoção do acesso a essas publicações.
Concomitantemente, a coordenação do Sistema Embrapa de Bibliotecas encaminhou
às bibliotecas da Embrapa, algumas orientações para a digitalização da produção técnicocientífica:
S Usar sempre a configuração texto, nunca imagem.
S Procurar delimitar a área exata a ser escaneada, evitando a necessidade de edição das
páginas geradas (bordas pretas);
S Se a publicação for muito grande é recomendável reduzir ao máximo a definição em
dpis480 ou pixels481 (procurando não deixar abaixo de uma qualidade mínima) para que
o arquivo não fique muito pesado;
S

Em casos de publicações muito extensas fazer em duas ou três partes e uni-las
posteriormente;

S Evitar gerar nomes de arquivos com espaços em branco ou caracteres acentuados ou
com ç (o que pode impedir a abertura do arquivo);
S Depois de salvar cada arquivo, abrir para conferir se não está com problema
(corrompido) e se a publicação foi reproduzida corretamente;
S Verificar o melhor fluxo para inserção no Ainfo (computador e pasta onde arquivos
serão salvos compartilhada, backup em CD/DVD).
Em março de 2011, iniciou-se o trabalho de digitalização e nessa época eram apenas
372 documentos disponíveis no repositório Infoteca-e, que correspondiam a arquivos
de registros carregados automaticamente pela Embrapa Informática Agropecuária para o
lançamento dos repositórios.
O trabalho envolveu toda a equipe da biblioteca e foi dividido em três etapas:
46. Digitalização de todos os trabalhos de autores ou coautores da Embrapa Milho e Sorgo
que não tinham arquivo eletrônico disponível (realizada pelas assistentes);
47. Upload de todos os trabalhos digitalizados (realizada pela bibliotecária);
48. Upload de todos os trabalhos de autores ou coautores da Embrapa Milho e Sorgo em:

480 DPI significa Dots Per Inch, em português Pontos por Polegada, conceito também conhecido pela sigla PPP.
Representa o número de pontos que podem ser encontrados em uma polegada de uma determinada imagem. É
comum pessoas se referirem ao DPI como resolução da imagem. Disponível em:
&lt;http://www.significados.com.br/dpi/&gt;. Acesso em: 15 maio 2014.
481 Um pixel é o menor ponto que forma uma imagem digital, sendo que o conjunto de milhares de pixels
formam a imagem inteira. Disponível em: &lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Pixel&gt;. Acesso em: 15 maio 2014.

4217

�S publicações técnicas que já estavam disponíveis no formato PDF na página de
publicações da Embrapa Milho e Sorgo;
S resumos e artigos em anais de congresso disponíveis em CDs no formato PDF com
autoria ou coautoria de empregados da Embrapa Milho e Sorgo;
S artigos científicos publicados em periódicos brasileiros, disponíveis no SciELO e no
Portal Capes de autoria ou coautoria de pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo.
Esta terceira etapa foi realizada pela bibliotecária e otimizou o trabalho de inserção de
arquivos digitais uma vez que estes artigos já estavam disponíveis em formato PDF bastando
apenas fazer o upload para o Ainfo.
Para executar o trabalho, utilizou-se um computador e um escâner de mesa

e para

upload dos arquivos digitalizados nos repositórios utilizou-se o sistema de gerenciamento de
bibliotecas Ainfo.
Norteados pelas orientações da coordenação do Sistema Embrapa de Bibliotecas,
definiu-se alguns procedimentos para a realização do trabalho:
S Retirar todos os clips e grampos das publicações antes de digitalizá-las;
S

Digitalizar as publicações no formato PDF pesquisável;

S

Verificar a qualidade dos arquivos digitalizados;

S

Criar pastas e subpastas no servidor para armazenar os arquivos de acordo com

o tipo de publicação;
S

Salvar os arquivos nas pastas e subpastas correspondentes;

S

Nomear o arquivo com as duas primeiras palavras do título do trabalho. Ex:

Controlequimico.
OBS: Acrescentar números a títulos iguais da mesma subpasta.
Ex: Controle_quimico_1; Controle_quimico_2.
S

Manter uma cópia em papel de cada documento no acervo de separatas;

S

Ao fazer upload do arquivo no Ainfo, no campo “Disponível na Base de

Dados”, selecionar a opção “Totalmente - catalogação e texto completo”, para
publicações que são de domínio público ou publicadas pela Embrapa ou
selecionar a opção “Parcialmente - apenas catalogação”, para publicações que
não são de acesso livre e não foram publicadas pela Embrapa.
Enfatiza-se que, mesmo aquelas publicações que não estavam disponíveis em acesso
aberto e as quais a Embrapa não tinha o direito patrimonial, foram inseridas em nossa base482

482 Modelo HP Scanjet G4050.

4218

�local para compor o acervo da produção científica de nossa unidade no formato digital e assim
resguardar a memória técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo.
Finalizou-se o trabalho de digitalização retrospectiva da produção técnico-científica da
Embrapa Milho e Sorgo em maio de 2013. Foram 8.199 documentos digitalizados; dentre
estes, 7.505 documentos estão disponíveis totalmente (1.080 no repositório Infoteca-e, 4.903
no repositório Alice e 1.522 documentos foram digitalizados, mas não foram incluídos em
nenhum dos repositórios e estão disponíveis para acesso através da BDPA - Base de Dados da
Pesquisa Agropecuária

) e 694 documentos estão disponíveis parcialmente, ou seja, foram

digitalizados, mas, em respeito às questões de direito patrimonial, não foram disponibilizados
nos repositórios digitais e nem na BDPA. Portanto, 91% dos documentos digitalizados estão
disponíveis com texto completo e 9% dos documentos digitalizados não estão disponíveis
para acesso ao texto completo.

4 Resultados
O trabalho de digitalização retrospectiva da produção técnico-científica da Embrapa
Milho e Sorgo possibilitou a inclusão dessas publicações nos repositórios digitais da Embrapa
permitindo o acesso através da internet de publicações que antes eram acessíveis somente no
âmbito das bibliotecas da Embrapa ou por meio de sistemas de comutação.
Como resultados deste trabalho, destaca-se a representatividade que a coleção da
Embrapa Milho e Sorgo adquiriu nos repositórios digitais da Embrapa, o aumento da
visibilidade de sua produção técnico-cientifica e a preservação da memória institucional.
Quando iniciou-se o trabalho de digitalização, a Embrapa Milho e Sorgo possuía
apenas 372 publicações no repositório Infoteca-e e nenhuma publicação no repositório Alice.
Hoje a coleção da Embrapa Milho e Sorgo nos repositórios conta com 1.198 publicações na
Infoteca e 5.481 publicações no Alice483484.
Esses dados são atualizados constantemente uma vez que o registro e upload da
produção científica da Embrapa Milho e Sorgo é realizada diariamente no Ainfo.
O resultado mais expressivo desse trabalho é o número de consultas e downloads das
publicações da Embrapa Milho e Sorgo nos repositórios, descrito nos gráficos 1 e 2.
A coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Infoteca-e, contabilizou no ano de
2011, 18.732 downloads e 23.338 consultas. Em 2012, foram efetuados 49.385 downloads e
56.334 consultas. No ano de 2013 contabilizou 72.678 downloads e 75.311 consultas. Em
483 http://www.bdpa.cnptia.embrapa.br
484 Dados coletados em 16 de maio de 2014.

4219

�2014, a coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Infoteca-e já conta com 25.231
downloads e 23.374 consultas485.

Gráfico 1

Downloads e consultas na coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Infoteca-e
80000
60000
40000

Downloads

20000

Consultas

0
2011

2012

2013

2014

F onte: R e p o sitó r io In fo te c a -e - h ttp ://w w w .in fo e c a .c n p tia .e m b r a p a .b r

Desde a sua criação, a coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Infoteca-e já
totalizou 166.027 downloads e 178.357 consultas.
No repositório Alice, a coleção da Embrapa Milho e Sorgo contabilizou em 2011
44.910 downloads e 40.610 consultas. Em 2012 foram 144.428 downloads e 98.415 consultas.
No ano de 2013 foram 183.581 downloads e 185.989 consultas. Em 2014, a coleção da
Embrapa Milho e Sorgo no repositório Alice já conta com 79.009 downloads e 65.445
consultas486, como mostra o gráfico 2.

Gráfico2 - Downloads e consultas na coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Alice
200000
150000
100000

Downloads
Consultas

50000
0
2011

2012

2013

2014

Fonte: Repositório Alice - http:// w w w .alice.cnpti.em brapa.br
Desde a sua criação, a coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Alice totaliza
451.929 downloads e 390.459 consultas.
485 Dados coletados em 16 de maio de 2014.
486 Dados coletados em 16 de maio de 2014.

4220

�5 Considerações Finais
No mundo cada vez mais digital o acesso à informação é recurso estratégico para
desenvolvimento e inovação.
Serviços inovadores, como os repositórios digitais, surgem para facilitar o acesso à
informação e, cada vez mais, a biblioteca deve viabilizar novas formas de acesso a suas
coleções e a seus acervos.
Nesse sentido, a digitalização de publicações impressas, é um instrumento que permite
alimentar os repositórios digitais possibilitando assim o acesso a informação que antes estava
restrita a um espaço físico.
Além de tornar viável o acesso à informação, os repositórios também permitem a
realização de várias estatísticas nas coleções que podem servir para estudos bibliométricos de
análises de uso por assunto, autor, entre outros.

Referências
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v. 33, n. 2, p. 15-27, maio/ago. 2004.
EMBRAPA. Resolução Normativa 14 de 8 de junho de 2001. Regulamenta no âmbito da
Embrapa, as questões de direito de autor e daqueles que lhe são conexos. Boletim de
Comunicações Administrativas, Brasília, ano 27, n. 25, p. 10-19, 11 jun. 2001.
GREENHALGH, R. D. Digitalização de obras raras: algumas considerações. Perspectivas
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WEITZEL, S. da R. Reflexões sobre os repositórios institucionais. In: CONGRESSO
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4221

�</text>
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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este artigo descreve o trabalho de digitalização retrospectiva da produção técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo. O objetivo dessa ação foi converter em formato digital as publicações produzidas pelos empregados da Empresa e disponibilizá-las nos repositórios digitais para ampliar a visibilidade da produção técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo além de preservar a memória institucional. Relata os critérios adotados para converter o material impresso em formato PDF e os equipamentos e ferramentas utilizados pela equipe para a realização desta tarefa. Foram consideradas questões de direito de propriedade e de reprodução para não infringir a lei de direitos autorais. Foram avaliadas as estatísticas de downloads e acessos à produção técnico-cientifica da Embrapa Milho e Sorgo nos repositórios digitais da Embrapa, a fim de consolidar os objetivos deste estudo. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOGRAFIA BÁSICA DO CURSO DE DIREITO
E A COBERTURA DA COLEÇÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS
DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA - SB/UEL
Maria Elisabete Catarino
Ivone Guerreiro Di Chiara
Patricia Ofelia Pereira de Almeida

RESUMO
Relato das atividades realizadas na disciplina Formação e Desenvolvimento de Coleções
dentro do Programa de Formação Complementar no ensino de graduação do curso de
Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo das atividades foi
avaliar a cobertura coleção do Sistema de Bibliotecas da UEL (SB/UEL) em relação à
bibliografia básica das disciplinas direito do trabalho, processo do trabalho, direito penal e
processo penal, eleitas como amostragem do projeto pedagógico do curso de Direito. Os
alunos do curso de Biblioteconomia realizaram a coleta de dados mediante a conferência das
bibliografias anexadas aos programas de ensino com o catálogo do SB/UEL via Internet.
Além dessa conferência, foi feito um estudo dos livros em processo de aquisição para se
verificar a situação dos itens constantes das bibliografias básicas não disponíveis no acervo.
Quanto aos resultados obtidos, constatou-se que em termos qualitativos o acervo do Sistema
de Bibliotecas da UEL cobre satisfatoriamente as bibliografias analisadas, conforme exigência
do MEC/INEP. Com relação ao número de exemplares, no entanto, a duplicação por título em
relação ao número de alunos ingressantes no vestibular está abaixo do exigido por esses
órgãos. Para os títulos não disponíveis no acervo, ou em que o número de exemplares não
atende as exigências do MEC/INEP, verificou-se que providências estão sendo
gradativamente tomadas, embora não haja um orçamento suficiente para adequar a situação a
curto prazo. Os resultados obtidos na avaliação permitiram concluir que essa é uma atividade
que deve ser realizada rotineiramente nas bibliotecas universitárias brasileiras, considerandose a atual política de avaliação do ensino superior. Do ponto de vista didático, essa
experiência se constituiu em uma estratégia importante de ensino, pois permitiu aos alunos a
visualização de resultados da aplicação de um método de avaliação de coleções, portanto,
representou uma complementação dos conteúdos de formação e desenvolvimento de coleções.
Palavras-Chave: Avaliação de coleções. Bibliografia básica. Formação complementar.
Desenvolvimento de coleções.

ABSTRACT
The aim of the activities was to evaluate the collection coverage to UEL Library System
(SB/UEL) regarding the basic bibliography for Labor Law, Labor Procedural Labor Law,
Criminal Law and Criminal Procedural Law, chosen as a sample for the pedagogical project
to the Degree in Law. Librarianship students undertook the collecting of data by means of the
bibliographical references attached to the teaching programs with the SB/UEL catalog via

514

�Internet. Besides this checking procedure, a study of the process for books under acquisition
was made, in order to verify the status of the items listed in the basic bibliographies, which
were not yet available in the collection. As to the obtained results, one verified, in qualitative
terms, the collection of the UEL Library System satisfactorily covers the analyzed
bibliographies, according to demands by the Brazilian Ministry of Education and the National
Institute for Educational Studies (MEC/INEP). Nevertheless, in relation to the number of
copies, the duplication of titles in relation to newly admitted students through the Vestibular52
is under the requirements established by these agencies. Concerning titles not yet available in
the book collection, or titles whose number of copies does not meet the demands by
MEC/INEP, one verified that the due procedures are being gradually taken, although budget
is insufficient to adequate the situation in a short term period. The results obtained from such
evaluation allowed one to conclude that this is an activity which must be routinely performed
in Brazilian university libraries, considering the present policy for the evaluation of higher
education. From the didactical viewpoint, this experience constituted an important teaching
strategy, because it allowed students to visualize the results obtained from the application of a
methodology to evaluate a book collection. Therefore, it represented a complementation to the
subjects on the formation and development of collections.
Keywords: Evaluation of book collections. Basic bibliography. Complementary formation.
Development of collections

1 INTRODUÇÃO
Este texto consiste em um relato das atividades realizadas na disciplina de Formação e
Desenvolvimento de Coleções dentro do Programa de Formação Complementar no Ensino de
Graduação do curso de Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O Programa de Formação Complementar no Ensino de Graduação está regulamentado
na UEL pela resolução do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão N° 0142/2012 e consiste
em um “[...] conjunto de ações de natureza acadêmica, social ou cultural que proporcionem a
participação dos estudantes regularmente matriculados em cursos de graduação da
Universidade, por meio de estudos e práticas complementares à formação curricular”
(UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA, 2013).
As coleções das bibliotecas universitárias devem atender às necessidades de
informação do ensino da instituição em nível de graduação e pós-graduação, os projetos de
pesquisa e extensão, além de apresentarem os requisitos exigidos pelos organismos
governamentais responsáveis pela avaliação e autorização de funcionamento dos cursos
(DRUMOND; ALMEIDA, 2010).

515

�Assim, uma das questões mais discutidas e preocupantes no que se refere ao acervo
dessas bibliotecas é a sua adequação em relação às necessidades do ensino, principalmente da
graduação, cuja dependência da biblioteca universitária é de fácil comprovação.
As atividades relatadas neste trabalho são resultados de uma avaliação preliminar da
cobertura da coleção do Sistema de Bibliotecas da UEL (SB/UEL) em relação às bibliografias
básicas de livros das áreas de direito penal, direito processual penal, direito do trabalho e
processo do trabalho, e fazem parte do programa de formação complementar no ensino de
graduação denominado A contribuição da gestão de coleções de bibliotecas universitárias
para a formação do aluno de biblioteconomia (CATARINO, 2012).
O objetivo da avaliação realizada foi verificar se o acervo do SB/UEL apresentava
cobertura adequada em relação às bibliografias básicas indicadas nos programas das
disciplinas eleitas como amostragem do projeto pedagógico do curso de Direito.
O método utilizado baseia-se em um padrão interno - as bibliografias básicas das
disciplinas incluídas no estudo anexadas aos respectivos programas de ensino - e na análise
da cobertura da coleção em relação a essas bibliografias, tanto do ponto de vista qualitativo (a
existência ou não do título na coleção da biblioteca) como quantitativo (número de
exemplares disponíveis em relação aos padrões do MEC/INEP (BRASIL, 2012).

1.1 CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO
As informações a respeito da caracterização da instituição inseridas neste item foram
coletadas no folder “UEL em dados: 2012-2013” (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
LONDRINA, 2013).
A UEL possui 53 cursos de graduação, 99 cursos de especialização, 67 cursos de
especialização residências, 45 mestrados e 21 doutorados, contando com um total de 17.877
alunos, sendo 13.257 de graduação e 4.620 de pós-graduação (stricto e latu sensu).
Para dar suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão, conta com 1.709
docentes (91% com títulos de mestres e doutores) e 3.664 agentes universitários (23% com
especialização, mestrado e doutorado).
Para dar suporte informacional às atividades desenvolvidas, a UEL conta com um
Sistema de Bibliotecas constituído por Biblioteca Central (BC), Biblioteca Setorial de
Ciências Humanas (BS/CH), Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde (BS/CCS),
Biblioteca Setorial do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (BS/EAAJ) e Biblioteca

516

�Setorial da Clínica Odontológica Universitária (BS/COU), sendo as duas primeiras
localizadas no Campus Universitário.
O acervo geral do SB/UEL é assim constituído:

Quadro 1 - Composição do acervo do SB/UEL.
TIPO DE MATERIAL

QUANTIDADE

Títulos de livros

147.224 exemplares

Periódicos

6.440 fascículos

Outros (CDs, DVDs, mapas, entre outros)

3.678 unidades

Fonte: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA (2013).

Atualmente o SB/UEL conta com 14.908 usuários inscritos, e registrou uma circulação
interna e externa (consultas, empréstimo domiciliar) em média de 644.454 usos ao longo do
ano de 2013.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O desenvolvimento de coleções de acordo com Evans e Saponaro (2005) é composto
por seis etapas que são interdependentes: estudo da comunidade, políticas de seleção, seleção,
aquisição, avaliação e desbastamento (no qual inclui-se também o descarte). Weitzel (2013)
acrescenta que, de acordo com a literatura, o desenvolvimento de coleções está relacionado a
outros assuntos que devem ser considerados no processo: armazenamento, conservação e
preservação, compartilhamento de recursos informacionais, censura, direitos autorais,
liberdade intelectual entre outros.
O estudo de comunidade, conforme Figueiredo (1994, p.65) é “uma investigação de
primeira mão, uma análise e coordenação dos aspectos econômicos, sociais e outros aspectos
inter-relacionados de um grupo selecionado”. Portanto, antes de se formar uma coleção é
preciso conhecer as principais características das pessoas que irão ou poderão utilizá-la no que
se refere a dados demográficos, aspectos econômicos e sociais, além de outros interrelacionados. Isso significa que o conhecimento prévio dos usuários reais e potencias do
acervo é condição essencial no processo de desenvolvimento de coleções.
Quanto às políticas de seleção, no entender de Vergueiro (2010) ela consiste em um
documento no qual os critérios de seleção adotados pela unidade de informação estão
explicitados. A importância desse documento, segundo o autor, reside principalmente no fato

517

�de possibilitar a continuidade do processo por diferentes profissionais quando houver
rotatividade de pessoal nessa função, além, é claro, de servir de instrumento de divulgação
junto à comunidade usuária sobre os critérios utilizados para a formação e desenvolvimento
do acervo.
No que se refere à seleção, Maciel e Mendonça (2000) destacam que essa é a função
de maior importância, uma vez que representa a execução do que está expresso na política ou
“carta” de seleção. Essa importância se justifica pelo fato de ser nesta etapa que se define a
quais materiais de informação, físicos ou eletrônicos, os usuários terão acesso. Ainda,
segundo as autoras citadas, a seleção tem reflexos positivos ou negativos em todas as demais
atividades da unidade de informação.
A aquisição é uma etapa do desenvolvimento de coleções que se diferencia das demais
por ser a única que não recebe influência da comunidade (EVANS; SAPONARO, 2005).
Engloba, segundo Maciel e Mendonça (2000) todas as atividades inerentes aos processos de
compra, doação e permuta, sejam materiais impressos ou eletrônicos. Atualmente em razão da
disponibilidade das coleções eletrônicas no mercado seus procedimentos têm sido discutidos e
repensados, pois ainda há muitos aspectos nebulosos que demandam esclarecimentos em
relação ao assunto.
O desbastamento tem por função, segundo Weitzel (2013, p.65), “[..] o ajuste do
acervo às necessidades e desejos da comunidade e à missão institucional.” Completando a
autora salienta que um dos resultados do desbastamento é a oferta de espaços para
armazenamento da coleção, contribuindo, dessa maneira, para a melhoria do acesso dos
usuários ao acervo.
Conforme Maciel e Mendonça (2000), o desbastamento compreende dois processos: o
remanejamento dos materiais de informação para outros locais como os depósitos e a retirada
definitiva dos materiais da coleção que consiste no descarte.
Já com relação à avaliação da coleção, enquanto etapa do desenvolvimento de
coleções, para Aguado de Costa (2011), ela se relaciona semanticamente a valor. Quando se
pensa em avaliação em unidade unidades de informação, é preciso estabelecer um ponto de
comparação tanto quando aplicada a coleções quanto a serviços.
Para Lancaster (1996) o acervo tem sido o componente de biblioteca mais avaliado
porque a sua importância é obvia para o sucesso de todos os demais serviços da unidade de
informação, e talvez porque aparentemente seja mais fácil de avaliar.

518

�No entender de Nascimento-Andre (2012, p.58) “A coleção de uma biblioteca [...]
representa o ‘coração’ dessa instituição, afinal, não existe biblioteca se não existir uma
coleção que a componha [...].
A importância da coleção, notadamente para as bibliotecas universitárias, reforçam a
necessidade de se proceder a sua avaliação, pois com os resultados obtidos pode-se, de acordo
Weitzel (2013) fazer os ajustes das politicas de desenvolvimento de coleções, de seleção,
aquisição e de desbastamento do acervo.
Contudo, tanto a avaliação de serviços quanto a de coleções é desenvolvida para
melhorar uma situação existente, e não por modismos. Vale lembrar que a qualidade da
coleção interfere diretamente na qualidade da unidade de informação, e neste sentido,
conforme alertam Dias; Silva e Cervantes (2013, p, 49), “A avaliação sistemática da coleção
determina o valor e a adequação da coleção em relação a seus usuários e em função dos
objetivos da instituição”. Portanto, analisada sob esta perspectiva, entende-se que a avaliação
da coleção deva ser um processo contínuo, e fazer parte da rotina de bibliotecas universitárias
para se assegurar a qualidade do acervo.
Figueiredo (1993) explica que vários métodos têm sido utilizados na avaliação de
coleções e apresenta uma tipologia completa deles, incluindo a compilação de estatísticas,
verificação de listas-padrão, obtenção da opinião dos usuários, observação direta, aplicação de
padrões e teste de adequação dos recursos totais (internos e externos). Todos os métodos
apresentam vantagens e limitações, e nenhum deles é tão completo a ponto de ser utilizado
como o único procedimento de verificação da coleção. É necessário sempre combinar a
adoção de abordagens quantitativas com qualitativas para se fazer um diagnóstico correto do
acervo. Neste sentido, Lancaster (1996) aborda as metodologias, classificando-as em
quantitativas e qualitativas, mas compreendendo os mesmos métodos apresentados por
Figueiredo com terminologias similares para designá-los.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para atingir os objetivos propostos foi solicitado à unidade competente (Pró-reitoria de
Graduação - PROGRAD) os programas das disciplinas do curso de Direito, com a finalidade
de extrair as respectivas bibliografias básicas.
De posse das bibliografias, constatou-se a necessidade de verificar no catálogo do
SB/UEL quais títulos já existiam no acervo, a atualidade da edição e a quantidade
disponibilizada. Considerando que este trabalho é resultado de uma atividade realizada dentro

519

�de um programa complementar de ensino, a coleta e análise de dados foi realizada em sala de
aula, envolvendo 18 alunos do segundo ano do curso de Biblioteconomia, matriculados na
disciplina “Formação e Desenvolvimento da Coleção I”. Dessa forma foi possível demonstrar
aos alunos situações reais de verificação e avaliação de títulos no acervo, bem como discutir a
respeito da sistemática adotada.
Constam do currículo analisado 43 disciplinas, das quais 5 disciplinas não
apresentaram registro da bibliografia básica. A atividade com os alunos teve como objeto as
13 disciplinas voltadas para Direito penal, direito processual penal, direito do trabalho e
processo do trabalho.
A consulta ao catálogo foi realizada na interface acessível via internet . De acordo
com as necessidades do programa, a busca no catálogo foi restrita aos títulos disponibilizados
no acervo da Biblioteca Setorial de Ciências Humanas (BS/CH), localizada próxima ao
Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) que agrega os departamentos de Direito Público
e Direito Privado e, consequentemente, os alunos do curso de Direito.
Para efeito dessa consulta, foi considerado disponível o título com a data e edição
indicada na bibliografia básica ou mais recente, sendo desconsideradas as edições anteriores.
Nos casos em que a bibliografia não indicava a data, foram consideradas as obras localizadas
com data mais recente.
Considerando que a área de Direito possui muitos títulos parecidos e autores muito
produtivos, a busca simples pode retornar a um número considerável de registros, o que
delonga a localização dos itens. Por isso, os alunos foram instruídos a utilizar
preferencialmente a busca avançada, na qual é possível cruzar dados de título, autoria,
editora, entre outros. Importante salientar que a busca de cada item foi realizada mais de uma
vez no catálogo, com estratégias diferentes, principalmente nos casos em que o resultado foi
de 0 (zero) registros. Dessa forma, acredita-se que todos os itens da bibliografia que constam
no acervo da Biblioteca foram localizados.
A Figura 1 demonstra a tela de pesquisa avançada do catálogo do SB/UEL
disponibilizada via internet, na qual pode-se observar, entre outros aspectos, as opções de
cruzamento de dados e a seleção por biblioteca depositária.53

53 Disponível em: &lt;virtua.uel.br:8080&gt;. Acesso em: 25 abr. 2013.

520

�Figura 1 - Pesquisa avançada do catálogo do SB/UEL para acesso via internet.

Fonte: Disponível em: &lt;http://virtua.uel.br:8080/&gt;. Acesso em: 25 abr. 2013.

A Figura 2 demonstra a visualização do resultado da busca, com destaque para a
quantidade de itens e dados de publicação.
Figura 2 - Visualização dos resultados da busca.

Fonte: Disponível em: &lt;http://virtua.uel.br:8080/&gt;. Acesso em: 25 abr. 2013.

521

�Para registrar os itens localizados utilizou-se uma tabela constando a sequencia do
item, a referência bibliográfica, o número de chamada e o código de barras dos exemplares do
acervo. Tais informações posteriormente possibilitaram a identificação e acesso direto aos
itens no catálogo e no acervo.
Ainda com vista ao alcance dos objetivos do trabalho, analisou-se a situação dos
títulos e exemplares dos livros das bibliografias básicas em processo de aquisição.
Procedeu-se um levantamento na base de dados Aquil, disponível na Divisão de
Formação e Desenvolvimento da Coleção (DFDC) do SB/UEL. Nessa base ficam registradas
todas as informações de livros e publicações não periódicas que estão aguardando recursos ou
em processo de aquisição. A Figura 3 demonstra a tela inicial da base, na qual constam os
dados de identificação da publicação.

Figura 3 - Tela da base de dados Aquil - dados da publicação.

Fonte: Sistema de Bibliotecas da UEL.

A Figura 4 apresenta a tela de registro das solicitações de aquisição, com os dados do
solicitante e a situação do pedido.

522

�Figura 4 - Tela da base de dados Aquil - informações sobre a aquisição.

Fonte: Sistema de Bibliotecas da UEL.

Conforme pode ser observado na Figura 4, na qual consta o docente solicitante com
seu respectivo centro e departamento, a prioridade de aquisição (BB = Bibliografia Básica,
BC = Bibliografia Complementar) com a indicação do número de alunos que deverão utilizar
o material, o tipo de aquisição (C = compra, D = doação), a quantidade de volumes e
exemplares do título, situação (Pendente = aguardando recursos para aquisição; Licitado = em
processo de licitação; Empenhado = foi adquirido, aguardando o recebimento; Recebido = o
material já foi entregue na Biblioteca), data/ano da última alteração de status do pedido, data
que o material foi solicitado pelo docente, quantidade de exemplares efetivamente adquiridos,
preço, fornecedor (após finalização do processo licitatório) e origem (NAC = livro nacional;
IMP = livro importado).
Em resumo, a tela contém todas as informações sobre o status do livro no processo de
aquisição.
Todos os títulos da bibliografia básica foram conferidos na base Aquil, para se
verificar se os títulos não disponíveis no acervo estavam em processo de aquisição, e se os
títulos já disponíveis tinham registro de solicitação de mais exemplares, e qual sua situação no
mencionado processo.

523

�4 R E S U L T A D O S F IN A IS

Foram identificadas as bibliografias de 43 disciplinas do curso de Direito. Destas, em
5 delas não havia indicação da bibliografia básica. Contudo, considerando a opção pelas
disciplinas de direito penal, direito processual penal, direito do trabalho e processo do
trabalho, foram analisadas neste estudo 13 bibliografias correspondentes a essas disciplinas.
Nas 13 disciplinas analisadas, identificou-se 99 títulos das bibliografias básicas, dos
quais 70 foram localizados com edição igual ou mais recente à registrada nos programas das
disciplinas, totalizando 205 exemplares.
Krzyzanowski e Monteiro (1986, p. 285), em estudo realizado no acervo de
odontologia da USP, propõem indicadores para a avaliação da cobertura da coleção quanto à
existência do material bibliográfico recomendado no acervo:
- 1 a 50% = insatisfatório
- 51 a 75% = satisfatório
- 76 a 100% = ótimo

Comparando-se os resultados obtidos nesse estudo com a escala apresentada pelas
autoras, , verificou-se que das 13 disciplinas cujas bibliografias foram verificadas, para 3
disciplinas o acervo é insuficiente, para 3 disciplinas o acervo é satisfatório, e para 7
disciplinas o acervo pode ser considerado ótimo. Em linhas gerais, isso significa que a
cobertura da coleção atende as necessidades informacionais de seus usuários no que se refere
à bibliografia básica das disciplinas analisadas, de acordo com os parâmetros propostos.
No entanto, quando se analisa os resultados obtidos com base nos instrumentos de
avaliação adotados pelo Ministério da Educação54 (MEC) para a autorização e avaliação dos
cursos, a situação se altera consideravelmente.
Esses parâmetros são utilizados como indicadores de adequação da quantidade de
exemplares que deve compor a coleção dos cursos, conforme quadro a seguir.
O Quadro 2 aponta a relação entre o conceito de avaliação e a quantidade de alunos/
exemplares que deve ser disponibilizada, considerando o número de vagas anuais oferecidas
pela instituição.

54 Os instrumentos são elaborados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(INEP) (BRASIL, 2012).

524

�Quadro 2 - Relação entre conceito de avaliação e quantidade de alunos/ exemplares, segundo
os critérios dos instrumentos de avaliação do MEC/INEP.
C on ceito

C ritério d e an álise

1

T ítu lo n ã o d is p o n ív e l n o a c e rv o , o u d is p o n ív e l e m q u a n tid a d e d e 1 e x e m p la r p a r a 2 0
o u m a is v a g a s a n u a is.

2

T ítu lo d is p o n ív e l n o a c e rv o e m q u a n tid a d e d e 1 e x e m p la r p a r a c a d a 15 a 19 v a g a s
a n u a is.

3

T ítu lo d is p o n ív e l n o a c e rv o e m q u a n tid a d e d e 1 e x e m p la r p a r a c a d a 10 a 14 v a g a s
a n u a is.

4

T ítu lo d is p o n ív e l n o a c e rv o e m q u a n tid a d e d e 1 e x e m p la r p a r a c a d a 5 a 9 v a g a s
a n u a is.

5

T ítu lo d is p o n ív e l n o a c e rv o e m q u a n tid a d e d e 1 e x e m p la r p a r a c a d a a té 4 v a g a s
a n u a is.

Fonte: BRASIL (2012).

A considerar-se a cobertura obtida nessa amostragem no estudo aqui relatado em
relação aos parâmetros do MEC/INEP, a nota obtida pela biblioteca no quesito acervo seria
abaixo do conceito 3.
Considerando a quantidade de 240 vagas anuais, oferecidas na seleção para o primeiro
ano do curso de Direito, entende-se que seriam necessários no mínimo 17 exemplares de cada
título da bibliografia básica para alcançar o conceito 3 na avaliação. De acordo com os dados
coletados, observou-se que em nenhuma das disciplinas foi possível identificar essa
quantidade de exemplares.
No que se refere aos títulos e exemplares da bibliografia básica em processo de
aquisição, de acordo com os registros da base Aquil no triênio 2011-2013, constatou-se:
• 8 títulos (9 exemplares) foram adquiridos por doação espontânea;
• 15 títulos/ 89 exemplares solicitados, sendo que desses:
o 1 título (1 exemplar) não foi adquirido por estar esgotado;
o 10 títulos (46 exemplares) não foram adquiridos por estarem aguardando

recursos financeiros;
o 4 títulos foram atendidos parcialmente, sendo que foram solicitados 42

exemplares, e adquiridos 21 exemplares.
Tendo em vista que os títulos atendidos parcial ou integralmente estão inclusos dentre
os 70 constantes do acervo anteriormente mencionados, pode-se inferir

que houve a

solicitação de aquisição de 81 títulos das bibliografias básicas do curso de Direito, ainda que a
quantidade de exemplares esteja abaixo da necessária e desejado. Para 18 títulos (18,2% do

525

�total de títulos da bibliografia básica) não há exemplares disponibilizados no acervo e/ou
registro de solicitação para aquisição.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As atividades realizadas dentro do Programa de Formação Complementar em Ensino
possibitaram

uma

complementação

de

conteúdo

da

disciplina

de

Formação

e

Desenvolvimento de Coleções, no âmbito das atividades práticas para os alunos participantes
do curso de Biblioteconomia. Além disso, o fato dos alunos realizarem a conferência das
bibliografias básicas com o catálogo virtua ofereceu-lhes maior familiaridade com este
software e oportunidade de lidar com dados bibliográficos diversos, como por exemplo, a
questão dos vários volumes de uma obra, número de exemplares diferentes para volumes
diversos, reimpressões e novas edições, similaridade de nomes de autores e títulos, o que os
obrigou a utilizar a busca avançada no catálogo. Tal fato foi sem dúvida um benefício
considerável obtido pelos alunos, pois em outra situação dificilmente utilizariam a busca
avançada.
Quanto à relevância dos resultados obtidos com essas atividades para o SB/UEL, eles
mostraram uma situação que ainda está abaixo da desejada quando se considera os padrões do
INEP/MEC em relação ao número de exemplares por título e número de alunos ingressantes
no vestibular. A persistir essa situação, dificilmente o curso de Direito da UEL será bem
avaliado por esses órgãos no que tange à coleção do SB/UEL.
Além disso, é necessário se considerar que embora os padrões do INEP/MEC nem
sempre pareçam razoáveis aos administradores de bibliotecas universitárias, pois exigem um
nível de duplicação de exemplares elevado, o que pode comprometer a aplicação do
orçamento, é preciso se considerar a satisfação dos usuários que ainda frequentam os
ambientes físicos das bibliotecas, os quais, majoritariamente são estudantes de graduação e,
portanto, dependentes de livros impressos, já que os eletrônicos nem sempre estão disponíveis
em todas as áreas do conhecimento, principalmente aqueles incluídos nas bibliografias
básicas.
Por fim, vale lembrar que conforme assinala Nascimento-Andre (2012) a quantidade e
qualidade da coleção da biblioteca universitária estão diretamente relacionadas ao prestígio
alcançado pela instituição maior, a universidade.

526

�6 R E F E R Ê N C IA S

AGUADO DE COSTA, Amelia. Gestión de coleciones. Buenos Aires: Alfagrama, 2011.
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&lt;https://www.sistemasweb.uel.br/index.php?contents=svstem/pri/ens/index.php&amp;pagina=ens
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DIAS, Geneviane Duarte; SILVA, Terezinha Elizabeth da; CERVANTES, Brígida Maria
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&lt;http://polaris.bc.unicamp.br/seer/ois/index.php/rbci/article/view/572&gt;.

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DRUMOND, G. M.; ALMEIDA, J. T. Em busca da qualidade: estudo de padrões e medidas
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uso da coleção de livros didáticos existentes na biblioteca da Faculdade de Odontologia da
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Belo Horizonte, v. 15, n. 2, p.270-298, set. 1986.

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Resolução

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&lt;http://www.uel.br/prograd/docs prograd/resolucoes/2012/resolucao 142 12.pdf&gt;.

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em: 08 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA. UEL em dados: 2012-2013. Londrina:
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WEITZEL, Simone da Rocha. Elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções
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528

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Relato das atividades realizadas na disciplina Formação e Desenvolvimento de Coleções dentro do Programa de Formação Complementar no ensino de graduação do curso de Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo das atividades foi avaliar a cobertura coleção do Sistema de Bibliotecas da UEL (SB/UEL) em relação à bibliografia básica das disciplinas direito do trabalho, processo do trabalho, direito penal e processo penal, eleitas como amostragem do projeto pedagógico do curso de Direito. Os alunos do curso de Biblioteconomia realizaram a coleta de dados mediante a conferência das bibliografias anexadas aos programas de ensino com o catálogo do SB/UEL via Internet. Além dessa conferência, foi feito um estudo dos livros em processo de aquisição para se verificar a situação dos itens constantes das bibliografias básicas não disponíveis no acervo. Quanto aos resultados obtidos, constatou-se que em termos qualitativos o acervo do Sistema de Bibliotecas da UEL cobre satisfatoriamente as bibliografias analisadas, conforme exigência do MEC/INEP. Com relação ao número de exemplares, no entanto, a duplicação por título em relação ao número de alunos ingressantes no vestibular está abaixo do exigido por esses órgãos. Para os títulos não disponíveis no acervo, ou em que o número de exemplares não atende as exigências do MEC/INEP, verificou-se que providências estão sendo gradativamente tomadas, embora não haja um orçamento suficiente para adequar a situação a curto prazo. Os resultados obtidos na avaliação permitiram concluir que essa é uma atividade que deve ser realizada rotineiramente nas bibliotecas universitárias brasileiras, considerandose a atual política de avaliação do ensino superior. Do ponto de vista didático, essa experiência se constituiu em uma estratégia importante de ensino, pois permitiu aos alunos a visualização de resultados da aplicação de um método de avaliação de coleções, portanto, representou uma complementação dos conteúdos de formação e desenvolvimento de coleções.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AVALIAÇÃO DA CONSISTÊNCIA DA INDEXAÇÃO NO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC

Kátia Ellen Chemalle
Hugo da Silva Carlos
Marciléia Aparecida de Paula
Elizabeth Cristina Müller Camatta

RESUMO
Considerando a importância da consistência da representação das informações existentes em
uma unidade de informação, esse trabalho tem por objetivo verificar, através da aplicação de
fórmula matemática, o índice de consistência das indexações realizadas no Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do ABC (SisBi UFABC). Para tanto, primeiramente foi
realizada a revisão de literatura sobre os temas abordados (indexação, consistência, papel do
indexador) e, após, definida a fórmula matemática a ser utilizada, bem como os critérios a
serem seguidos na seleção das obras cujas indexações seriam analisadas. Como resultados
foram obtidos os seguintes índices de consistência: 64% (relaxada) e 58% (rígida). Conclui-se
que, mesmo sem haver uma política de indexação bem definida na instituição e com a
rotatividade de profissionais indexadores ocorrida nos últimos anos, a consistência da
indexação mostrou-se dentro dos padrões verificados na literatura, que variam entre 26% e
80%.

Palavras-Chave: Consistência na Indexação; Coincidência na Indexação; Qualidade da
Indexação; Representação Temática.
ABSTRACT
Considering the importance of the consistency of the existing information representation in a
information unit, this paper aims to verify, by applying mathematical formula, the consistency
index of the indexing performed in the Library System of Federal University of ABC (SisBi
UFABC). To do so, foremost a literature review was held on the covered topics (indexing,
consistency, indexer role) and after, as the mathematical formula was defined, as well as the
criteria to be followed in the items selection which indexes would be analyzed. As a result,
the following consistency indices were obtained: 64% (relaxed) and 58 % (rigid). In
conclusion, even without a well-defined indexing policy in the institution and with the
indexing professionals rotation in the past years, the indexing consistency was revealed within
the established patterns in the literature, ranging between 26% and 80%.

Keywords: Indexing Consistency; Coincidence in Indexing; Index Quality; Thematic
Representation.

2202

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteconomia tem, dentre as suas disciplinas, a Análise Documentária (AD) que
“ [...] é definida como um conjunto de procedimentos efetuados com o fim de expressar o
conteúdo de documentos, sob formas destinadas a facilitar a recuperação da informação”
(CUNHA,

1987, p. 38). Dessa forma, essa expressão/representação dos conteúdos

informacionais é uma das atividades mais importantes de serem realizadas em uma unidade
de informação, pois a qualidade dessa representação é que garantirá a efetiva recuperação e
circulação das informações existentes.
Dentre o conjunto de procedimentos que formam a disciplina de AD, está a atividade
de Indexação que é uma das formas utilizadas pelos profissionais da informação para
descrever os conteúdos informacionais. Ela pode ser definida como “ [...] a operação pela qual
escolhe-se os termos mais apropriados para descrever o conteúdo de um documento. Este
conteúdo é expresso pelo vocabulário da linguagem documental escolhida pelo sistema e os
termos são ordenados para construir índices que servirão à pesquisa.” (GUINCHAT;
MENOU, 1994, p. 175).
Existem alguns critérios utilizados para definir a qualidade da indexação realizada.
Dentre eles, a questão da uniformidade ou consistência que visa avaliar se indexadores
diferentes (ou um mesmo indexador), descrevem os mesmos assuntos segundo um mesmo
ponto de vista e, assim, utilizam descritores idênticos ou, pelo menos, semelhantes. Esse grau
de semelhança pode interferir consideravelmente na recuperação dos documentos presentes
numa unidade de informação, fazendo com que, numa busca, o usuário deixe de recuperar
documentos de assuntos semelhantes, porque foram representados por termos diferentes.
Desde a sua inauguração, em 2006, vários profissionais já passaram pelo Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do ABC (SisBi UFABC) trabalhando na representação
temática dos documentos. Além disso, o sistema não utiliza um vocabulário controlado na
atividade de indexação. Nesse sentido, surge a seguinte pergunta de pesquisa: existe grau
satisfatório de consistência na indexação realizada no SisBi UFABC?
Visando responder à pergunta, esse trabalho tem por objetivo verificar, através da
aplicação de fórmula matemática, o índice de consistência das indexações realizadas no SisBi
UFABC. Essa verificação se justifica pelo fato de que o resultado da pesquisa poderá, além de
responder à pergunta colocada anteriormente, mostrar se há necessidade de rever as
indexações, bem como os procedimentos de trabalho adotados na representação das
informações.

2203

�2 REVISÃO DE LITERATURA
A indexação é parte do processo de representação da informação presente nos
documentos. Esse processo se caracteriza por resultar em termos de indexação que tem, por
objetivo, melhorar a recuperabilidade desses itens em catálogos que representem coleções,
tais como catálogos de bibliotecas, museus, arquivos, unidades de informação etc. Segundo a
NBR 12676/1992 indexação é o “ato de identificar e descrever o conteúdo de um documento
com termos representativos dos seus assuntos e que constituem uma linguagem de
indexação” .
No processo de indexação, há dois elementos necessários que precisam da atenção do
indexador. São eles: exaustividade e especificidade da indexação.
Segundo Lancaster (2004, p.27), “a indexação exaustiva implica o emprego de termos
em número suficiente para abranger o conteúdo temático do documento de modo bastante
completo” . A exaustividade possibilita uma melhor representação temática de um documento,
porém é preciso que o indexador avalie a necessidade de mais ou menos termos na indexação
para que os resultados de uma pesquisa sejam mais precisos e de acordo com o que o usuário
procura:
Embora uma base de dados indexada exaustivamente costume possibilitar
buscas exaustivas (alta revocação), é provável que a indexação exaustiva
saia mais cara do que a indexação seletiva. Ademais, a indexação exaustiva
redundará em menor precisão das buscas. Quer dizer, será recuperado um
número maior de itens que o consulente considera como não sendo
pertinentes a sua necessidade de avaliação (LANCASTER, 2004, p.28).
Acompanhada da exaustividade, a especificidade é um elemento fundamental no
processo de indexação. A especificidade contribui para uma indexação mais detalhada e que
represente de forma completa um documento, sendo que a escolha de termos específicos
contribui para uma recuperação da informação mais precisa. Lancaster (1993 apud GIL
LEIVA, 2011, p.24) considera que exaustividade e especificidade são os principais fatores de
decisão tomados pelo administrador de uma política de indexação sem o controle do
indexador, porém, a correção tem o controle individual do indexador durante o processo de
indexação. E ainda,
[...] uma boa indexação possibilita a recuperação pertinente e profunda das
coleções bibliográficas armazenadas. Certamente os programas de catalogação
cooperativa aligeiram e aliviam o volume do trabalho dedicado a tarefas de
catalogação descritivas, contudo, a catalogação por assuntos requer
conhecimentos contextuais muito importantes, relativos a determinados
aspectos como o comportamento informacional dos usuários e políticas de
indexação da biblioteca que se referem à seleção de termos com
especificidade, exaustividade e correção e ao uso da linguagem documentária.
(FUJITA, 2012, p.96).

2204

�Além dos aspectos da exaustividade e especificidade, a consistência seria um fator
importante na indexação. De acordo com Gil Leiva (2011, p. 81) a consistência na indexação
foi definida por Zunde e Dexter como “ [...] o grau de concordância na representação da
informação essencial de um documento através de um conjunto de termos de indexação
selecionados por cada um dos indexadores de um grupo” . Ainda segundo Pinheiro (1978,
p.109) “As medidas de consistência pretendem eliminar, ao menos parcialmente, os defeitos
de outras medidas e mesmo as falhas de indexação. Medidas de consistência podem expressar
além da concordância de indexadores quanto aos termos a significância desses termos” .
Portanto, consideramos que todos esses aspectos são muito importantes para o
indexador se atentar e seu papel é fundamental na escolha dos principais termos de um
documento. Conforme Pinheiro (1978, p. 109), vale ressaltar que a indexação é um processo
subjetivo: “a indexação envolve julgamento e, consequentemente, oscila muito no seu nível
de concordância e apresenta discrepâncias” .
O indexador deve, durante a indexação identificar os termos mais apropriados e
necessários para determinados documentos. Para Knight (1974, p. 21) o indexador “é a pessoa
que realmente examina as páginas sob todos os pontos de vista”, trazendo ao consulente
maior relevância e precisão da indexação. Pode-se elencar também que o indexador é um dos
responsáveis pela qualidade da indexação, devendo ter segundo Lancaster (2004, p.89)
“conhecimento do assunto, experiência, concentração e capacidade de leitura e compreensão” .
Para Gil Leiva (2008, p. 234):
O resultado da indexação deriva da conjunção de uma série de elementos que
se devem tomar em consideração na hora de estudar a consistência. Esses
elementos [...] são:
1) A formação, os conhecimentos na matéria, a profissão e a motivação do
indexador;
2) As caraterísticas do objeto indexado, e
3) As condições em que se dá a indexação.
Entendemos que todos os fatores elencados acima constituem elementos
importantes na qualidade da indexação, e objetivo desse trabalho, é verificar o grau de
consistência em catálogo específico.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Após levantamento da literatura técnica da área escolheu-se, como ponto de partida,
quantificar, por meio de fórmula matemática específica, o grau de consistência entre

2205

�diferentes indexações de um mesmo item e verificar o percentual de coincidência de termos
utilizados nessas indexações.
O método utilizado por Gil Leiva, Rubi e Fujita (2008, p. 238) propõe dois tipos de
medida de consistência, o qual será também utilizado neste trabalho:

“Relaxada”: quando um cabeçalho ou subcabeçalho de assunto de um documento
coincide com o assunto de outro documento, considera-se coincidência total (1);
quando ocorre somente o cabeçalho ou subcabeçalho, considera-se a metade (0,5) e
quando não há nenhuma coincidência, o valor é 0;
“Rígida”: quando o assunto determinado coincide completamente, ou seja, os pesos a
serem atribuídos variam apenas entre Coincidência total (1) e não coincidência (0).
Estes pesos atribuídos aos descritores a serem comparados são utilizados para povoar a
fórmula matemática desenvolvida por Gil Leiva (2008, p. 236) que seja:
Tco
Cl = (A + B) - Tco

Onde:
Ci = índice de consistência
Tco = Número de termos comuns nas duas indexações
A = Número de termos usados na indexação A
B = Número de termos usados na indexação B

Para escolha dos registros participantes da análise procedeu-se a verificação da
existência de casos em que uma mesma obra estivesse representada no catálogo das
bibliotecas da UFABC em mais de um registro, situação possível por conta da possibilidade
de uma obra intelectual existir em diferentes manifestações e suportes. Procedeu-se então a
escolha de um conjunto de itens que pudessem fornecer os dados para análise e seguiram-se
os seguintes critérios para a consideração de pares de itens a serem verificados:
•

Itens nacionais que ocorressem mais de uma vez no catálogo;

•

Obras não volumadas;

•

Obras de mesmo editor, mas em diferentes edições;

Foram separados para essa amostra quarenta itens passíveis de análise, os quais foram
tabulados conforme apresentado a seguir.

2206

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Os dados obtidos após a análise da amostra composta pelas quarenta obras
selecionadas para avaliação foram tabulados. A Tabela 1 apresenta recorte com alguns dos
itens analisados e apresentados de maneira completa no APÊNDICE A :

Tabela 1- Recorte parcial de dados tabulados e seu cálculo de consistência
O bra

A ssuntos registro 1

A ssuntos registro 2

C onsistência
índice
relaxado
(%)

10 ED
8 ED
50
1. MATEMÁTICA
1.
ÁLGEBRA
2.
ÁLGEBRA LINEAR
2. ÁLGEBRA
linear
com LINEAR
3. ÁLGEBRA
3. TEORIA DOS
aplicações.
NÚMEROS
3 ED
2 ED
17
PATTERSON,
David
Andrew; 1. Organização de 1. Organização de
COMPUTADORES
HENNESSY, John COMPUTADORES
LeRoy. O rganização 2. Engenharia de 2. PROJETO DE
COMPUTADORES
e
projeto
de COMPUTADORES
3.
Interfaces 3. ARQUITETURA
com putadores: a
interface hardware / (COMPUTADORES)
E ORGANIZAÇÃO
4. Linguagem de DE
software.
Maquina
COMPUTADORES
5. Clusters
4.
Sistemas
de
Computação
5. Arquitetura de
Sistemas
de
Computação
STAIR, Ralph M.; 6 ED
2 ED
33
REYNOLDS,
1. SISTEMAS DE 1. SISTEMAS DE
George
Walter INFORMAÇÃO
INFORMAÇÃO
(Coord.). Princípios 2. Sistemas de 2. Tecnologia da
informação
de
sistem as
de informação
GERENCIAL
inform ação: uma
ADMINISTRAÇÃO
abordagem
3. TECNOLOGIA
gerencial.
DA INFORMAÇÃO
4. Negócios
Fonte: Elaborado pelos autores
ANTON, Howard;
RORRES,
Chris. Álgebra

C onsistência
índice
rígido (%)

50

11

20

Os índices encontrados nas medidas de consistência relaxada e rígida foram calculados
com o intuito de se encontrar uma média geral de consistência. O resultado foi 64% para o
índice de consistência relaxada e 58% para o índice de consistência rígida, conforme
demonstrado no Gráfico 1:

2207

�Gráfico 1: variação de consistência na amostra
70

60

64%

50
58%
40

30

20

10

0
C o n s is t ê n c ia r e la x a d a

c o n s is t ê n c ia r íg id a

Fonte: Elaborado pelos autoes

O índice de consistência (coincidência) dos termos utilizados nas indexações das 40
obras selecionadas mostrou-se dentro dos padrões verificados na literatura. Alguns autores
consideram, inclusive, que a inconsistência pode ser considerada inerente a indexação já que
estudos apresentam grande oscilação nesse índice:
Todavia, há de se considerar a afirmação de Gil Leiva (2008) quanto à característica
de inconsistência ser inerente à indexação. Além disso, a média dos índices de
consistência na indexação de bibliotecas universitárias oscilou entre 34 e 27%, o que
os inclui na média dos índices que oscilam entre os 25 % e os60 % de coincidências
obtidos em resultados de estudos revistos por Gil Leiva (2008, p. 240).
Considera-se que essas variações citadas pelos autores foram obtidas na comparação
de catálogos diferentes, sendo que, no caso do SisBi UFABC o índice ficou em 58% de
consistência rígida, dentro do mesmo catálogo, porém mantendo outros fatores que diferem
catálogos diversos em outros estudos: momentos diferentes, indexadores diferentes.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Por se tratar de um único catálogo, pode-se considerar o índice alcançado como
positivo, uma vez que na instituição há a falta de políticas e ferramentas claras para o
processo de indexação, que é realizado com vocabulário livre. Além disso, nos últimos anos o
SisBi UFABC sofreu uma alta rotatividade de profissionais indexadores, o que poderia ter
influenciado negativamente nas indexações realizadas, devido à subjetividade inerente ao

2208

�processo. No entanto, com o resultado obtido, conclui-se que isso não aconteceu de forma a
prejudicar o trabalho.
Têm-se consciência de que o desenvolvimento e aplicação de políticas bem como o
uso de ferramentas específicas para indexação, como vocabulário próprio, poderiam permitir
uma melhora nos índices obtidos. Pretende-se desenvolver outros trabalhos nesse sentido.
Recomenda-se, também, além da análise de consistência entre os itens do catálogo,
verificar se a seleção dos termos atende à comunidade usuária, o que demandaria estudos
específicos para esta finalidade. Dada complexidade do assunto é necessária uma série de
avaliações que envolvam não apenas a consistência, mas também a relevância da indexação
realizada pelas bibliotecas. Fica a sugestão de desenvolvimento de mais estes estudos com a
finalidade de subsidiar políticas que tornem o trabalho de indexação ainda mais consistente.

6 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO DE NORMAS BRASILEIRAS - ABNT. NBR 12676/1992. Métodos para
análise de documentos - Determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação.
Rio de Janeiro, 1992.
CUNHA, Isabel M. R. Ferin. Análise documentária. In.: SMIT, Johanna W. (Org.). Análise
documentária: a análise da síntese. Brasília: IBICT, 1987. p. 38-60. Disponível em:
&lt;http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/1011/1/An%C3%A1lise%20document%C3%A1ria.pdf
&gt; Acesso em: 09 maio 2014.
FUJITA, Mariângela Spotti Lopes; LACRUZ, Maríadel Carmem Augustín; DIAS, Raquel
Gómez. A situação atual da indexação nas tarefas bibliotecárias. Perspectivas em ciência da
informação. Belo Horizonte, v.17, n.1, p.94-109, jan./mar. 2012. Disponível em: &lt;
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/1402/1009&gt;. Acesso em 11
maio 2014.
GIL LEIVA, Isidoro; RUBI, Milena Polsinelli; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes.
Consistência na indexação em bibliotecas universitárias. Transinformação. Campinas, v.20,
n.3,

p.233-253,

set./dez.

2008.

Disponível

em:

&lt;

http://periodicos.puc-

campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/523/503&gt;. Acesso em 12 maio 2014.
GIL LEIVA, Isidoro; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes (Eds.). Política de indexação.
Marília: Cultura Acadêmica, 2011. 260 p.
GUINCHAT, C.; MENOU, M. Introdução geral às ciências e técnicas da informação e

documentação. Brasília: IBICT, 1994.

2209

�LANCASTER, F.W. Indexação e resumos : teoria e prática. 2.ed. Brasília: Briquet de Lemos,
2004. 452 p.
KNIGHT,

G.

Norman

(Coord.).

Treinamento

em

indexação:

um

curso

da

SocietyofIndexers. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas Publicações, 1974. 216 p.
PINHEIRO, Lena Vania Ribeiro. Medidas de consistência da indexação: interconsistência.

Ciência da Informação. Rio de Janeiro,v.7, n.2, p. 109-114, 1978. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/1682/1287&gt;. Acesso em:

10 maio

2014.

APÊNDICE A - Tabela de análise das indexações no catálogo do SisBi UFABC
O bra

A ssuntos registro 1

A ssuntos registro 2

Consistênci Consistênci
a - índice a - índice
relaxado
rígido (%)
(%)

ANTON, Howard; 10 ed
1. MATEMÁTICA
RORRES,
2.
ÁLGEBRA
Chris. Álgebra
linear
com LINEAR
3. ÁLGEBRA
aplicações.
PATTERSON,
3 ed
David
Andrew; 1. ORGANIZAÇÃO
HENNESSY, John DE
LeRoy. O rganizaçã COMPUTADORES
ENGENHARIA
o e projeto de 2.
DE
com putadores: a
interface hardware / COMPUTADORES
software.
3.
INTERFACES
(COMPUTADORES)
4. LINGUAGEM DE
MAQUINA
5. CLUSTERS

50

STAIR, Ralph M.;
REYNOLDS,
George
Walter
(Coord.). Princípios

20

de
sistem as
de
inform ação: uma

abordagem
gerencial.
NEGRA,
Carlos
Alberto Serra et
al. M anual
de
trabalhos
m onográficos
graduação,

de

50
8 ed
1. ÁLGEBRA LINEAR
2. ÁLGEBRA
3.
TEORIA
DOS
NÚMEROS
17
2 ed
1.
ORGANIZAÇÃO
DE
COMPUTADORES
2.
PROJETO
DE
COMPUTADORES
3. ARQUITETURA E
ORGANIZAÇÃO DE
COMPUTADORES
4.
SISTEMAS DE
COMPUTAÇÃO
5. ARQUITETURA DE
SISTEMAS
DE
COMPUTAÇÃO
33
6 ed
2 ed
1. SISTEMAS DE 1. SISTEMAS DE
INFORMAÇÃO
INFORMAÇÃO
2. SISTEMAS DE 2. TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO
INFORMAÇÃO
GERENCIAL
ADMINISTRAÇÃO
3.
TECNOLOGIA
DA INFORMAÇÃO
4. NEGÓCIOS
42
4 ed
2 ed
TRABALHOS
1.
TRABALHOS 1.
CIENTÍFICOS
- CIENTÍFICOS
REDAÇÃO
REDAÇÃO
2. MONOGRAFIAS - 2. MONOGRAFIAS
ELABORAÇÃO

11

25

2210

�especialização,
m estrado
doutorado.

e

GENTIL, Vicente;
VICENTE
GENTIL. Corrosão

MOURÃO, Ronaldo
Rogério de Freitas;
MOURÃO, R. R. de
F. K epler: a
descoberta das leis
do
moviemtno
planetário.
RICKLEFS, Robert
E;
RICKLEFS,
R.E. A
econom ia
da natureza.

FEYERABEND,
Paul Karl. C ontra o
m étodo.

LEONE, George S
G; LEONE, G.S.G.
Curso
de
contabilidade
de
custos

IDOETA,
Ivan
Valeije;
CAPUANO,
Francisco Gabriel;
CAPUANO,
Francisco
Gabril. Elem entos
de
digital.

eletrônica

3.
TRABALHOS
MONOGRÁFICOS ELABORAÇÃO
5 ed.
1. CORROSÃO
2.
ANTICORROSIVOS
3. REVESTIMENTO
4. METAL
5. NÃO-METAL
2 ed
1. ASTRONOMIA HISTÓRIA
2. ASTRÔNOMOS ALEMANHA
BIOGRAFIA

100
4 ed.
1. CORROSÃO
2. ANTICORROSIVOS
3. REVESTIMENTO
4. METAL
5. NÃO-METAL

20
1 ed
1. ASTRONOMIA
2. ASTRÔNOMOS BIOGRAFIA
3.
KEPLER,
JOHANNES
4. HISTÓRIA DA
CIÊNCIA
100
6 ed
5 ed
1.
ASPECTOS 1.
ASPECTOS
AMBIENTAIS
AMBIENTAIS
2.
ECONOMIA 2.
ECONOMIA
AMBIENTAL
AMBIENTAL
3.
ECOLOGIA 3.
ECOLOGIA
VEGETAL
VEGETAL
4. ECOSSISTEMA
4. ECOSSISTEMA
5.
5. BIODIVERSIDADE
BIODIVERSIDADE 6. ADAPTAÇÃO
6. ADAPTAÇÃO
20
2 ed.
1 ed
1. FILOSOFIA
1. FILOSOFIA
2. EPISTEMOLOGIA 2. CIÊNCIA
3. RACIONALISMO 3. FILOSOFIA DA
CIÊNCIA
100
3 ed
2 ed
1.
1. CONTABILIDADE
CONTABILIDADE
DE CUSTOS
DE CUSTOS
2.
SISTEMAS DE
2. SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO
ACUMULAÇÃO
3.
SISTEMAS DE
3. SISTEMAS DE CUSTEAMENTO
CUSTEAMENTO
38 ed
40 ed
60
1.
ELETRÔNICA 1.
ELETRÔNICA
DIGITAL
DIGITAL
2. SISTEMAS DE 2.
SISTEMAS DE
NUMERAÇÃO
NUMERAÇÃO
FUNÇÕES
E
3.
FUNÇÕES
E 3.
PORTAS LÓGICAS PORTAS LÓGICAS
4.
CIRCUITOS
ELÉTRICOS,
MAGNÉTICOS
E
ELETRÔNICOS
5.
CIRCUITOS
ELETRÔNICOS

100

0

100

20

100

60

2211

�3 ed.
1.
FINANÇAS
PÚBLICAS
2.
CONTABILIDADE
3. RENDA
4.
ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
5.
CONTABILIDADE E
FINANCAS
PÚBLICAS
RIBEIRO, Darcy. O 1 ed.
povo brasileiro: a 1. ANTROPOLOGIA
formação
e
o - BRASIL
2.
CULTURA
sentido do Brasil.
BRASIL
3. ETNOLOGIA
4.
POVO
BRASILEIRO
5.
TEORIA
ANTROPOLÓGICA

50
4 ed.
1.
FINANÇAS
PÚBLICAS
2.
FINANÇAS
PÚBLICAS - BRASIL
3. ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
4. CONTABILIDADE
E
FINANCAS
PÚBLICAS

50

100
3 ed.
1. ANTROPOLOGIA BRASIL
2.
CULTURA
BRASIL
3. ETNOLOGIA
4.
POVO
BRASILEIRO
5.
TEORIA
ANTROPOLÓGICA

100

DESCARTES,
René. Regras para a
orientação
do
espírito.

1 ed.
1. RACIOCÍNIO
2.
LÓGICA
SIMBÓLICA
E
MATEMÁTICA
3. CIÊNCIA
4. FILOSOFIA
RENÉ DESCARTES

18

JAEGER, Werner
Wilhelm. Paidéia: a
formação do homem
grego.

4 ed.
1.
CIVILIZAÇÃO
GREGA
2.
EDUCAÇÃO
GREGA
3.
FILOSOFIA
ANTIGA
4.
LITERATURA
GREGA - HISTÓRIA

30
2 ed.
1. FILOSOFIA - RENÉ
DESCARTES
2.
FILOSOFIA
SÉCULO XVII
3.
FILOSOFIA
FRANÇA
4.
METODOLOGIA
CIENTÍFICA
5. LÓGICA
6.
LÓGICA
SIMBÓLICA
7.
LÓGICA
MATEMÁTICA
8. RAZÃO
9. RACIOCÍNIO
80
5 ed.
1.
CIVILIZAÇÃO
GREGA
2.
EDUCAÇÃO
GREGA
3.
FILOSOFIA
ANTIGA
4.
LITERATURA
GREGA CLÁSSICA HISTÓRIA
E
CRÍTICA
5. HISTÓRIA DA
FILOSOFIA
2 ed.
1. BIOFÍSICA
50

GIAMBIAGI,
Fabio; ALÉM, Ana
Cláudia.
Finanças
públicas: teoria e
prática no Brasil.

HENEINE, Ibrahim 1 ed.
Felippe.
Biofísica 1. BIOFÍSICA

50

50

2212

�básica.

2. FÍSICA MÉDICA

MASSAD, Faiçal. 1ed.
Obras de terra: 1.OBRAS - TERRA
Curso básico de
geotécnica.
ECO,
Umberto. 14 ed.
Como se faz uma 1. METODOLOGIA
CIENTÍFICA
tese.
2.
PESQUISA
CIENTÍFICA
3. METODOLOGIA
DA PESQUISA
4. TESES
WEFFORT,
4 ed.
Francisco Correia. 1. POPULISMO O populismo na BRASIL
2.
POLÍTICA
E
política brasileira.
GOVERNO
BRASIL
HOBSBAWM, Eric; 1 ed.
RANGER, Terence 1. TRADIÇÃO
(Org.). A invenção 2. COSTUMES
das tradições.
MARSHALL
9 ed.
JUNIOR, Isnard et 1. GESTÃO
DA
al.
Gestão
da QUALIDADE
TOTAL
qualidade.
2. CONTROLE DE
QUALIDADE
DIVERIO,
1. ed.
TiarajúAsmuz.
1.
SISTEMAS
OPERACIONAIS
Teoria da
2. SISTEMAS DE
computação:
máquinas universais COMPUTADORES
TEORIA
DA
e computabilidade. 3.
COMPUTAÇÃO
EXPRESSÕES
REGULARES
4 METODOLOGIA E
TÉCNICAS
DA
COMPUTAÇÃO
ATKINS,
Peter 3. ed.
William;
JONES, 1. QUÍMICA
Loretta. Princípios

2. FÍSICA MÉDICA
3.
ESTRUTURAS
SUPRAMOLECULAR
ES
4. CÉLULAS
5. BIOFÍSICA DOS
SISTEMAS
6. RADIOATIVIDADE
- RADICAÇÕES EM
BIOLOGIA
2 ed.
1. OBRAS DE TERRA 33
2. OBRAS DE TERRA
- ENGENHARIA DE
FUNDAÇÕES
23 ed.
1.
METODOLOGIA 100
CIENTÍFICA
2.
PESQUISA
CIENTÍFICA
3.
METODOLOGIA
DA PESQUISA
4. TESES
5 ed.
1.
POPULISMO
- 100
BRASIL
2.
POLÍTICA
E
GOVERNO - BRASIL
6 ed.
1. TRADIÇÃO
2. COSTUMES

100

10 ed.
1.
GESTÃO
DA 100
QUALIDADE TOTAL
2. CONTROLE DE
QUALIDADE
12
2. ed.
1
TEORIA
DA
COMPUTAÇÃO
EXPRESSÕES
REGULARES
2
INFORMÁTICA
TEÓRICA
3 MATEMÁTICA DA
COMPUTAÇÃO

5. ed.
1. QUÍMICA

100

0

100

100

100

100

12

100

2213

�de
química: questionan
do a vida moderna e
o meio ambiente.
FUCHS,
Flávio
Danni;
WANNMACHER,
Lenita. Farmacologi
a
clínica: fundamento
s da terapêutica
racional.

3. ed.
1. FARMACOLOGIA
2. FARMACOLOGIA
CLÍNICA
3.
ANÁLISE
TOXICOLÓGICA

HARRIS,
Daniel 6. ed.
QUÍMICA
C. Análise química 1.
ANALÍTICA
quantitativa.
QUANTITATIVA
CASTELLS,
5. ed.:
Manuel. O poder da 1. SOCIEDADE DA
INFORMAÇÃO
identidade.
ASPECTOS
POLÍTICOS
2.
IDENTIDADE
SOCIAL
3.
CULTURA
IDENTIDADE
4.
MOVIMENTOS
SOCIAIS
JUSTEN
FILHO, 2. ed.
DIREITO
Marçal. Curso
de 1.
ADMINISTRATIVO
direito
- BRASIL
administrativo.

FAZZIO, Adalberto;
WATARI,
Kazunori. Teoria de
grupos: com
aplicações
em
moléculas e sólidos.

1. ed.
1.
TEORIA
DE
GRUPOS
2. ÁLGEBRA
3.
MECÂNICA
QUÂNTICA
4. CIÊNCIA DOS
MATERIAIS
5.
FÍSICA
DOS
MATERIAIS
6.
FÍSICA
MOLECULAR
7.
FÍSICA
DO
ESTADO SÓLIDO
FERNANDES,
7. ed.
Jorge
Ulisses 1.
CONTRATO

4. ed.
1. FARMACOLOGIA
CLÍNICA
2. FARMACOLOGIA
GERAL
3. FARMACOLOGIA
APLICADA
AOS
SISTEMAS
4.
ANÁLISE
TOXICOLÓGICA
7. ed.
1.
QUÍMICA
ANALÍTICA
QUANTITATIVA
6. ed.:
1. SOCIEDADE DA
INFORMAÇÃO
ASPECTOS
POLÍTICOS
2.
IDENTIDADE
SOCIAL
3.
CULTURA
IDENTIDADE
4.
MOVIMENTOS
SOCIAIS
5. ed.
1.
DIREITO
ADMINISTRATIVO,
BRASIL
2. ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
3.
ATO
ADMINISTRATIVO
4.
CONTRATO
ADMINISTRATIVO
2. ed.
1.
TEORIA
DE
GRUPOS
2. ÁLGEBRA
3.
MECÂNICA
QUÂNTICA
4.
CIÊNCIA DOS
MATERIAIS
5.
FÍSICA
DOS
MATERIAIS
6.
FÍSICA
MOLECULAR
7.
FÍSICA
DO
ESTADO SÓLIDO
9. ed.
1.
LICITAÇÃO

33

33

100

100

100

100

12

0

100

100

16

11

2214

�Jacoby. Contratação ADMINISTRATIVO PÚBLICA
direta sem licitação. 2.
LICITAÇÃO 2. LICITAÇÕES LEIS E LEGISLAÇÃO
PÚBLICA
3.
LEI
DE
LICITAÇÕES
BRASIL
4.
CONTRATOS
ADMINISTRATIVOS
LEIS
E
LEGISLAÇÃO
5.
CONTRATOS
ADMINISTRATIVOS
- BRASIL
6.
COMPRAS
SERVIÇO PÚBLICO
7. DIREITO PÚBLICO
8.
DIREITO
ADMINISTRATIVO
20. ed.
27. ed.
MORAES,
DIREITO
1.
DIREITO 1.
Alexandre
CONSTITUCIONAL CONSTITUCIONAL de. Direito
constitucional.
2.
DIREITO BRASIL
PÚBLICO
2. DIREITO PÚBLICO
3.
DIREITO
CONSTITUCIONAL
BANDEIRA, Luiz 1. ed.
2. ed.
RELAÇÕES
Alberto
1.
RELAÇÕES 1.
Moniz. Geopolítica EXTERIORES
- EXTERIORES
e
política ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS
exterior: Estados
2.
RELAÇÕES 2.
RELAÇÕES
Unidos, Brasil e EXTERIORES
- EXTERIORES
BRASIL
BRASIL
América do Sul.
RELAÇÕES
3.
RELAÇÕES 3.
EXTERIORES
- EXTERIORES
AMÉRICA DO SUL AMÉRICA DO SUL
4. GEOPOLÍTICA
4. GEOPOLÍTICA
7. ed
BENJAMIN,
8.ed
Walter. Magia
e 1. FILOSOFIA DA 1.
FILOSOFIA
ALEMANHA
técnica,
arte
e ARTE
2. HISTÓRIA DA 2. LITERATURA
política: ensaios
3. CULTURA
sobre
literatura CULTURA
e história da cultura 3. LITERATURA - 4. ARTES
CRÍTICA
E
INTERPRETAÇÃO
4.
BENJAMIN,
WALTER, 1892-1940
5. FILOSOFIA
ALEMANHA
ACSELRAD, Henri 1 ed.
2. ed
(Org.). A duração 1. PLANEJAMENTO 1. PLANEJAMENTO
TERRITORIAL
das
cidades: TERRITORIAL
URBANO
sustentabilidade
e URBANO
POLÍTICA 2.
POLÍTICA
risco nas políticas 2.
URBANA
URBANA
urbanas
3. VIDA URBANA - 3. VIDA URBANA -

50

50

100

100

25

13

100

100

2215

�ASPECTOS
AMBIENTAIS
4. CIDADES
5.
SOCIOLOGIA
URBANA
CARDOSO, Eliana 4.
ed.
A.
Economia 1. ECONOMIA brasileira ao alcance BRASIL
2. PIB
de todos.
3. BALANÇO DE
PAGAMENTOS

ASPECTOS
AMBIENTAIS
4. CIDADES
5.
SOCIOLOGIA
URBANA
25
8 . ed .
1.
ECONOMIA
BRASIL
2.
BRASIL
POLITICA
ECONÔMICA

FOUCAULT,
Michel. Em defesa
da sociedade: curso
no
Collège
de
France(1975-1976)

1. FILOSOFIA
MICHEL
FOUCAULT
2.
FILOSOFIA
POLÍTICA
3.
PODER
FILOSOFIA
4. FILOSOFIA
FRANÇA
5.
GUERRA
FILOSOFIA
9. ed.
1. SOCIOLOGIA
2. DIVISÃO DO
TRABALHO
3. SUICÍDIO
4.
RELIGIÃO
E
SOCIOLOGIA
5. SOCIOLOGIA DO
CONHECIMENTO
2.ed.
1.
MACROECONOMIA
2. CRESCIMENTO,
FLUTUAÇÕES
E
PLANEJAMENTO
ECONÔMICO
3. CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMEN
TO ECONÔMICO

100
2.ed
1.
FILOSOFIA
MICHEL FOUCAULT
2.
FILOSOFIA
POLÍTICA
3.
PODER
FILOSOFIA
4.
FILOSOFIA
FRANÇA
5.
GUERRA
FILOSOFIA
17
10. ed.
1. SOCIOLOGIA
2.
DURKHEIM,
DAVID ÉMILE, 1858­
1917

100

100
3.ed
1. MICROECONOMIA
2.
CRESCIMENTO,
FLUTUAÇÕES
E
PLANEJAMENTO
ECONÔMICO
3. CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENT
O ECONÔMICO

50

22.ed
1. TAOÍSMO
2.
FÍSICA
FILOSOFIA
3. MISTICISMO
4.
RELIGIÃO
E
CIÊNCIA
BOYER,
Carl 1. MATEMÁTICA
Benjamin. História 2. HISTÓRIA DA
MATEMÁTICA
da Matemática.

100
28.ed.
1. TAOÍSMO
2.
FÍSICA
FILOSOFIA
3. MISTICISMO
4.
RELIGIÃO
E
CIÊNCIA
100
2.ed
1. MATEMÁTICA
2. HISTÓRIA DA
MATEMÁTICA

100

DURKHEIM, David
Émile;
FERNANDES,
Florestan (Coord.);
RODRIGUES, José
Albertino
(Org.).
Émile
Durkheim:
sociologia
VASCONCELLOS,
Marco
Antonio
Sandoval
de;
OLIVEIRA,
Roberto Guena de.
Manual
de
microeconomia

CAPRA, Fritjof O
tao da física: um
paralelo entre a
física moderna e o
misticismo oriental.

25

17

100

2216

�MAGALHÃES,
Marcos Nascimento;
LIMA,
Antonio
Carlos Pedroso de.
Noções
de
probabilidade
e
estatística.
MELCONIAN,
Sarkis;
SARKIS
MELCONIAN.
Mecânica técnica e
resistência
dos
materiais
M ediana
M édia

6.ed
7.ed
1. PROBABILIDADE 1. PROBABILIDADE
ESTUDO
E 2. ESTATÍSTICA
ENSINO
2. ESTATÍSTICA ESTUDO E ENSINO
17.ed.
1.
RESISTÊNCIA
DOS MATERIAIS
2.
MECÂNICA
APLICADA

25

67
18.ed
1.
ENGENHARIA
MECÂNICA
2.
MECÂNICA
APLICADA
3. RESISTÊNCIA DOS
MATERIAIS
64
64

0

67

50
58

2217

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Chemalle, Kátia Ellen, Carlos, Hugo da Silva, Paula, Marciléia Aparecida de, Camatta, Elizabeth Cristina Müller</text>
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                <text>Considerando a importância da consistência da representação das informações existentes em uma unidade de informação, esse trabalho tem por objetivo verificar, através da aplicação de fórmula matemática, o índice de consistência das indexações realizadas no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do ABC (SisBi UFABC). Para tanto, primeiramente foi realizada a revisão de literatura sobre os temas abordados (indexação, consistência, papel do indexador) e, após, definida a fórmula matemática a ser utilizada, bem como os critérios a serem seguidos na seleção das obras cujas indexações seriam analisadas. Como resultados foram obtidos os seguintes índices de consistência: 64% (relaxada) e 58% (rígida). Conclui-se que, mesmo sem haver uma política de indexação bem definida na instituição e com a rotatividade de profissionais indexadores ocorrida nos últimos anos, a consistência da indexação mostrou-se dentro dos padrões verificados na literatura, que variam entre 26% e 80%.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A PESQUISA CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA GRADUAÇÃO:A CONTRIBUIÇÃO
DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA PARA FOMENTAR ESSA PRÁTICA

Clara Duarte Coelho

RESUMO
Este estudo tem como proposta abordar a importância da biblioteca universitária no incentivo
a realização da pesquisa científica no âmbito da graduação nas universidades. Trata de uma
pesquisa bibliográfica e exploratória com uma abordagem qualitativa onde foi feito um
levantamento dos principais autores que tratam do assunto estudado confrontando as teorias
de autorescomo Demo, Mynayo, Almeida Junior e Jankvicius. Objetiva desvelar a prática da
pesquisa cientifica na graduação tendo como ponto de partida a relação entre professor e
bibliotecário para despertar o interesse do aluno para ir além do exposto em sala de aula.
Apresenta alguns questionamentos sobre a forma de se fazer pesquisa na graduação e expõe
às contribuições da pesquisa científica no ensino superior e como a biblioteca universitária
pode colaborar para o desenvolvimento dessa prática. Assinala como a reflexão e analise
desse tema é fundamental para sensibilizar os docentes sobre a importância de debates acerca
dessa questãopara que a partir de estudos como esse motivem e sensibilize professores, alunos
e universidades para a importância dessa prática.Investiga como o professor pode contribuir
para despertar o interesse dos discentes pela pesquisa científica por meio das suas práticas
pedagógicas em sala de aula e a relação da biblioteca universitária para fundamentar o que é
proposto em sala de aula. Visa conhecer as estratégias pedagógicas que devem ser utilizadas
pela equipe da biblioteca para instigar seus alunos para irem além do ensino e produzam
conhecimento aplicando as informações obtidas por meio da pesquisa na construção de novas
teorias. Aponta caminhos para o fortalecimento da pesquisa científica no âmbito da
graduação.Mediante o exposto iremos desvelar a prática da pesquisa cientifica na graduação
tendo como ponto de partida a biblioteca universitária demonstrando a relação entre professor,
aluno e biblioteca para despertar o interesse pela pesquisa científica para ir além do exposto
em sala de aula.
Palavras-chave:Biblioteca. Pesquisa Científica. Universidade.Graduação.Discente.

ABSTRACT
Thisstudy isproposedto addressthe importanceof theuniversity libraryin encouragingthe
realizationof scientific researchat undergraduate levelin universities. Is abibliographic
andexploratory researchwitha qualitativeapproachwherea survey was madeof the mainwriters
onthe subject studiedby comparingthe theoriesof authors such asDemo, Mynayo,
AlmeidaJuniorandJankvicius.Aims to unveilthe practice ofscientificresearch at undergraduate
leveltakingas its starting pointthe relationshipbetween teacher andlibrarianto pique the
interestof the student togo beyond theexposedin the classroom.Presents somequestions about
howto doresearch at undergraduateand exposesthe contributionsof scientific researchin higher

1966

�education andasauniversity librarycan contribute tothe developmentof this practice. Pointsas
thereflection andanalysisof this issueis critical tosensitizeteachersabout the importance
ofdebateson this issueso thatfromsuch studiesmotivate andsensitizeteachers, studentsand
universities tothe importanceof this practice. Investigates howthe teacher canhelp toarouse the
interest ofstudentsby scientific researchthrough theirteaching practicesinthe classroom andthe
relationshipof theuniversity libraryto supportwhat is proposedin the classroom. Aims
tomeetthe pedagogical strategiesto be usedbylibrary staffto urgetheir studentsto gobeyond
teachingandapplyingknowledgeto producethe information obtainedthrough researchon
theconstruction of newtheories.Shows the wayto strengthen thescientific researchat
undergraduate level.Bythe abovewe willunveil thepractice ofscientificresearch at
undergraduatetakingas
its
starting
pointthe university
librarydemonstratingthe
relationshipbetween teacher, student andlibrary togenerate interest inscientific researchto
gobeyondexposedinthe classroom.
Keywords:Library. Search. University.Graduation.Student.

1 INTRODUÇÃO
A atual sociedade fruto da época pós-industrial marcada pela rapidez que as
informações se deslocam e abrangem os vários segmentos sociais influenciam diretamente no
ensino em sala de aula que mediante a gama de informações disponíveis sofre atualizações
que nem sempre são acompanhadas pelos discentes e docentes, o que requer a adoção de
novas práticas de ensino indo além da reprodução oral de informações buscando soluções
para os problemas.
A pesquisa científica vem como caminho para que sejam produzidas novas
informações que serão discutidas e transformadas em conhecimento em sala de aula.
Atividade fundamental para a construção do conhecimento a pesquisa científica tem na
universidade o espaço propício para que se desperte o espírito científico, pois os alunos já
possuem maturidade para desenvolver um pensamento crítico que se trabalhado de forma
positiva pode gerar profissionais mais capacitados para exercer sua profissão e pensar os
problemas referentes ao seu fazer.
Deste modo é imprescindível ter uma estrutura que motive esses alunos, pois sozinhos
nem sempre tem autonomia para buscar novas fontes de informação tornando-se apenas
receptáculo de informações. Nesse contexto o professor não consegue fundamentar essa
prática sozinho e necessita de parcerias, dentre elas se destaca a biblioteca universitária na
figura do bibliotecário que assume esse papel fundamental no incentivo a prática da pesquisa
por meio de atividades que levem o aluno a buscar novas informações e ensina a utilizar as
fontes de informação de maneira correta.

1967

�Entretanto para que o aluno se sinta motivado o professor precisa também exercer fora
da sala de aula o papel de pesquisador dedicando maior espaço em sua formação para a
pesquisa buscando estreitar os laços com a biblioteca para que essa cumpra seu papel de
suporte educacional. Pensando nesse pressuposto exigido nas universidades, a prática da
pesquisa nem sempre é realizada por todos os professores que se restringem apenas as
pesquisas desenvolvidas quando estão ligados a um programa de pós-graduação para
obtenção de uma titulação o que leva o aluno a não ter motivação para fazer pesquisa por
desconhecer como fazer já que não é preparado na educação básica para exercer o
pensamento critico, portanto cabe à biblioteca universitária se ocupar desses alunos para que
os mesmos consigam competir com igualdade no mercado de trabalho.
Dentro desse contexto surgem alguns questionamentos quanto às contribuições da
pesquisa científica no ensino superior e como a biblioteca universitária pode colaborar para o
desenvolvimento dessa prática. A reflexão e analise desse tema é fundamental para
sensibilizar os docentes e bibliotecários sobre a importância de debates acerca dessa questão.
Partindo do interesse pessoal pela pesquisa científica e por conhecer os benefícios
dessa prática para a formação dos alunos por ter vivenciado a pesquisa durante a graduação,
surge à necessidade de aprofundar esse tema para que a partir de estudos como esse motive e
sensibilize os professores para essa parceria com a biblioteca.
O objetivo deste estudo consiste em investigar como a biblioteca universitária pode
contribuir para despertar o interesse dos discentes pela pesquisa científica estreitando a
ligação com os professores. Pretendemos com este estudo identificar as práticas pedagógicas
utilizadas pelosbibliotecáriose apontar caminhos para o fortalecimento da pesquisa científica
no âmbito da graduação.
Mediante o exposto iremos desvelar a prática da pesquisa cientifica na graduação
tendo como ponto de partida a relação entre professor e biblioteca para despertar o interesse
do aluno para ir além do exposto em sala de aula.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A educação parte fundamental para o desenvolvimento intelectual do ser humano
possui o poder de emancipar ou dominar de acordo com as metodologias utilizadas para
transmitir as informações. Nesse contexto a educação formal oferece os recursos para que
haja esse desenvolvimento começando pelas séries iniciais seguindo até o ensino superior.

1968

�É a educação o elemento-chave para a construção de uma sociedade da
informação e condição essencial para que pessoas e organizações estejam
aptas a lidar com o novo, a criar e, assim, a garantir seu espaço de liberdade
e autonomia. A dinâmica da sociedade da informação requer educação
continuada ao longo da vida, que permita ao indivíduo não apenas
acompanhar as mudanças tecnológicas, mas, sobretudo inovar
(TAKAHASHI, 2000, p. 7).

Para chegar a uma educação transformadora é preciso um modelo de ensino que vise
o desenvolvimento cognitivo dos sujeitos envolvidos com metodologias que tenham em vista
despertar os conhecimentos tácitos para que mediante outras informações sejam
transformados em novos conhecimentos. Discutir esse novo modelo de educação se faz
necessário para que sejam propostas soluções para o desenvolvimento da educação, que deve
ser atualizada constantemente acompanhando as transformações sociais.
Então a pesquisa cientifica definida como “a atividade básica da Ciência na sua
indagação e construção da realidade” (MYNAYO, 2002, p.17), vem como caminho para
alcançar essa educação diferenciada proporcionando novas bases teóricas para o ensino na
sala de aula.
Pesquisar é inerente ao ser humano e de forma natural é desenvolvida no dia-a-dia
solucionando os problemas por meio de hipóteses comprovadas em suas ações, o que é
aprimorado pela educação formal, “é a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a
atualiza frente à realidade do mundo. Portanto, embora seja uma prática teórica, a pesquisa
vincula o pensamento e ação” (MYNAYO, 2002, p.17). Porém a pesquisa que deveria
começar na base da educação formal é posta como responsabilidade da educação superior.
Logo essa atividade fundamental para a construção do conhecimento tem na universidade o
espaço propício para despertar o espírito científico, pois os alunos já possuem maturidade
para desenvolver um pensamento crítico que se trabalhado de forma positiva pode gerar
profissionais mais capacitados para exercer sua profissão e pensar os problemas referentes ao
seu fazer.
As universidades norteadas pelo tripé ensino, pesquisa e extensão são as
responsáveis pelo alinhamento entre esses três pilares para que juntos possam proporcionar
uma educação de qualidade já mencionada. De acordo com Demo (1994, p. 33):
Como princípio científico educativo, pesquisa perfaz um dos esteios
essenciais da educação emancipatória, que é o questionamento sistemático
crítico e criativo. Nesse sentido, educar e construir conhecimento podem
aproximar-se, e, em alguns momentos mesmo coincidir, desde que não se
mistifique a construção de conhecimento, que é apenas meio. A educação
possui, ademais, a relação com fins, valores, afetos e sentimentos, cidadania
e direitos humanos, aos quais os meios deverão servir.

1969

�O tripé da universidade não é cumprido ficando restrito apenas ao ensino e a
formação de profissionais de acordo com o que exige o mercado de trabalho, para haver
ensino é imprescindível que se faça pesquisa ou o ensino será a mera reprodução oral de
conteúdos propostos com informações ultrapassadas, à pesquisa caracteriza o papel da
universidade na Sociedade da Informação produzindo saberes e tecnologias para o
desenvolvimento social. De acordo com Rodrigues (2007, p. 46):

No cotidiano da universidade o que se observa é o esforço ao caráter
reprodutivo do ensino, resultando na separação da produção e do consumo
do conhecimento. Esse quadro faz com que o ensino fique situado num
patamar inferior à pesquisa e a extensão seja vista como uma atividade
exclusivamente assistencialista.

A produção cientifica no ensino superior é a base para a formação do aluno e
despertar para essa prática se faz necessário, responsabilidade que é posta para o corpo
docente que junto à biblioteca podem promover a efetiva ruptura com o método tradicional de
ensino apresentando ferramentas de incentivo a pesquisa que se utilizadas de forma adequada
irão contribuir significativamente para o desenvolvimento cognitivo do aluno.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para desenvolver a pesquisa inicialmente determinou-se o método utilizado, ou seja, o
conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia,
permite alcançar o objetivo e os conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o caminho a
ser seguido (LAKATOS; MARCONI, 1997).
Este estudo ora em tela consiste em uma pesquisa bibliográfica de natureza básica, pois
apresenta novos conhecimentos, mas não prevê uma aplicabilidade prática em curto prazo. Do
ponto de vista da forma de abordagem do problema optou-se pela pesquisa exploratória
porque “proporciona maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais
explícito” (GIL, 2002, p. 41). Quanto aos objetivos adotamos uma abordagem qualitativa,
pois “busca interpretar e dar significados aos fenômenos analisadossem empregar técnicas
estatísticas” (REIS, 2008, p. 57).
Mediante esses conceitos o percurso metodológico terá inicio pelo mapeamento de
material bibliográfico para coletar informações sobre o tema proposto proporcionando o
embasamento teórico para o desenvolvimento do trabalho e análise dos dados coletados.
O percurso metodológico consistirá no levantamento dos principais autores que
tratam do assunto estudado para que sejam confrontadas as teorias desses autores possa ser

1970

�apontado o caminho a ser percorrido pelas bibliotecas universitárias para motivar os alunos à
prática da pesquisa científica.

4 RESULTADOS FINAIS
A biblioteca encontra-se ainda distante do meio em que está inserida por ter tido em
seu passado um perfil tradicional participar ativamente da comunidade em que está
inserida.Desvencilhar essa postura de detentora do conhecimento é um desafio a ser vencido,
propondouma aproximação entre biblioteca e usuário para construir uma nova relação entre
esses dois pontos que se complementam, pois o primeiro oferece produtos e serviços que só
terão sentidos se forem utilizados pelo segundo, o que consolidará a biblioteca democrática.

Biblioteca sem fronteiras e com elevado grau de responsabilidade, que vão
desde a tarefa precípua de informar, até a missão educadora, passando pela
função de estimuladora das potencialidades criativo-imaginativas e suas
formas artísticas. A biblioteca democrática é a que não estabelece limites de
informação e muito menos sua abrangência (FEITOSA, 1998, p. 43).

Nesse contexto, é imprescindível para a biblioteca trabalhar como centro disseminador
de informações,pois “a informação é direito de todos, interessa a todos e serve para todos”
(TARGINO, 1997, p. 29),mediando o encontro entre a informação e o usuário, trabalhando
para que faça bom uso da informação recebida e aplique em seu dia a dia.
Os serviços oferecidos pela biblioteca universitária precisam atender às expectativas
da comunidade acadêmica, podendo utilizar as mais variadas estratégias para despertar o
interesse dos usuários pela construção de conhecimento por meio da leitura. Ir além dos
serviços básicos, como empréstimos e consultas incorporando outros serviços não
convencionais, mas que trarão forte contribuição para despertar o interesse tanto dos alunos
quanto dos professores para frequentarem o espaço da biblioteca.
Entretanto, não é somente disponibilizar, mas sim criar oportunidades para o acesso à
informação despertando o interesse daquele que não conhece o espaço da biblioteca.
Conforme exposto, o bibliotecário tem uma grande participação nessa ligação entre biblioteca
e comunidade acadêmica, quando interage e conhece a realidade daqueles que frequentam a
biblioteca e recebe sugestões para melhor atende-los.
Ouvir o que eles têm a dizer é o primeiro passo para um planejamento em conjunto
com a finalidade de que a comunidade acadêmica se sinta parte integrada a biblioteca,pois “se
na biblioteca o usuário tem a possibilidade de pronunciar a sua própria palavra, tem uma
influência sobre quais os livros que compõe o acervo, se sente apto a ter opinião, ele poderá

1971

�tê-la igualmente em outras atividades” (FLUSSER, 1983, p. 160).A relação entre biblioteca
universitária, alunos e professores contribui para preparar os cidadãos a utilizar a informação
proporcionando seu desenvolvimento social e humano, perpassando pela utilizaçãoda
informação de forma crítica e reflexiva instituindo serviços que envolvam os usuários
potenciais para que se tornem reais.

A biblioteca não deve se desvincular, nunca, da realidade. Isso significa
participar dos acontecimentos sociais, políticos, econômicos, culturais, etc.,
tanto como entidade, posicionando-se frente a um determinado fato, como
também prestando informações sobre esse fato (ALMEIDA JUNIOR, 1997,
p. 81).

A biblioteca pode e deve ser um espaço de apoio à comunidade acadêmica para que
descubram soluções para seus problemas, utilizando as diversas fontes informacionais que a
biblioteca disponibiliza. Contudo, deve ser focada a utilização da informação para a produção
de conhecimento tanto individual como coletivo por meio da pesquisa científica, pois a
biblioteca não pode ser apenas um espaço com livros à disposição de quem queira usar, mas
um espaço com uma relação estreita com seus usuários.
Entretanto para desenvolver a pesquisa cientifica no ensino superior é necessário um
cenário favorável com recursos financeiros e humanos, o que envolve profissionais
comprometidos com sua atividade, alunos interessados em ir além do que é oferecido em sala
de aula e fontes de informação atualizadas que ofereçam base teórica para essa atividade. No
entanto no Brasil não é tarefa fácil realizar pesquisa, pois há poucos recursos e iniciativas de
apoio, o que requer dos envolvidos nesse contexto um grande esforço para concluir os
projetos de pesquisa. A pesquisa cientifica requer dedicação e esforço para que se obtenham
resultados que nem sempre são imediatos e aplicáveis em curto prazo
A pesquisa científica na graduação proporciona resultados inquestionáveis, tanto para
o ensino quanto para o aprendizado em sala de aula, o ensino superior é o local para aprimorar
as noções de investigação científica incutidas desde a educação básica. Entretanto nem
sempre é o que acontece, pois os universitários enfrentam dificuldades de leitura e
compreensão e não conseguem acompanhar o que é passado em sala de aula, problema que se
não for acompanhado leva a perda do estimulo para estudar, essa realidade é enfrentada pela
maioria das universidades por haver uma educação básica deficiente. Algumas perspectivas
que devem ser levadas em conta para a realização da pesquisa dentre elas:

1972

�a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)

A pesquisa como promoção da consciência crítica;
Pesquisa para a produção de novos conhecimentos;
Pesquisa como melhoria da qualidade profissional;
Pesquisa como forma de evitar desperdício da experiência;
Pesquisa como possibilidade de emancipação do sujeito;
Imprescindibilidade da pesquisa;
Pesquisa como método (SOCZEK; ALENCASTRO, 2012, p. 57-58).

É necessário incluir essa questão nos serviços da biblioteca com participaçãoefetiva nas
atividades pedagógicas realizadas no âmbito da universidade e com práticas que estimulem o
aluno a pensar e o conduza ao que existe além do que é aprendido ou vivido em sala de aula.
O exercício permanente da pesquisa é inerente à condição de profissional
comprometido e reflexivo, que o professor se não o é, deveria ser. A
pesquisa precisa ser internalizada como atitude cotidiana, de maneira a
qualificar a formação de sua competência técnica (BORTOLINI, 2009, p.
60).

Nesse contexto a biblioteca universitária assume essa função fundamental no
incentivo da prática da pesquisa por meio de metodologias que levem o aluno a buscar novas
fontes e pensar de forma critica. Metodologias que nem sempre são adotadas pelas bibliotecas
universitárias, pois demandam tempo e uma dedicação maior por parte da equipe da biblioteca
para identificar as necessidades informacionais dos usuários e manter uma ligação com o que
é proposto em sala de aula.
O professor é o principal aliado para que a biblioteca consiga chegar até o
aluno,entretanto se faz necessário que o professor se adéque as mudanças, deixando de lado a
postura tradicional cultuada durante muito tempo onde o professor segue apenas um livro
didático reproduzindo o que o autor diz e abrir espaço ao professor pesquisador,para que o
aluno se sinta motivado o professor precisa também exercer fora da sala de aula o papel de
pesquisador dedicando maior espaço em sua formação para a pesquisa.
Um docente de uma universidade, envolvido com atividades de pesquisa,
necessariamente é atualizado em sua área de conhecimento e está
constantemente sendo submetido a questionamentos e avaliações pelos seus
pares da comunidade científica (JANKEVICIUS, 1995, p. 330).

Mediante o exposto é necessário que o professor guie o aluno mostrando todas essas
nuances da pesquisa, como aprender a analisar os dados, instigar o aluno a participar e
perguntar e onde encontrar as fontes de informação que irão oferecer arcabouço teórico para
fundamentar as suas descobertas. Já na biblioteca universitária requer um estudo de usuário
mais detalhado para desenvolver atividades como palestras para aprender a utilizar as fontes

1973

�de informação, visita guiada ao acervo são algumas das metodologias que poderão ser
empregadas.
A parceria pode assumir vários aspectos dentre eles a troca de experiências entre
professor e bibliotecário que irão de forma interligada conhecer a sua área de estudo podendo
inclusive melhorar o acervo da biblioteca com sugestões dos professores. Essa iniciativa
possibilita um maior conhecimento sobre a área de formação do aluno,pois proporciona
contato com os principais autores referência do campo de estudo que por meio de parceria
com os professores pode realizar seminários temáticos com especialista das áreas no espaço
da biblioteca.
O bibliotecário deve ter conhecimento do projeto pedagógico dos cursos bem como a
bibliografia utilizada durante o semestre vigente para que possa desenvolver suas atividades
pautadas no que está sendo utilizado em sala de aula. Logo todo esse processo metodológico é
válido levando não só ao aperfeiçoamento do aluno, mas do professor que tem maior domínio
sobre sua prática docente em sala de aula.Outro ponto onde a biblioteca universitária pode
estar inserida é na questão de normalização dos trabalhos acadêmicos promovendo palestras
demonstrando como utilizar as normas não relegando esse papel apenas as disciplinas de
metodologia cientifica, mas apresentando reforço para o que é passado em sala de aula. O erro
cometido por muitas instituições que relegam a prática da pesquisa apenas a disciplina de
metodologia cientifica deve ser evitado.
Todo esse processo deve ser compartilhado por todos os docentes incluindo em suas
práticas em sala de aula iniciativas que possibilitem a autonomia do aluno e a participação da
biblioteca, o quepossibilita de forma mais profunda contato com os conhecimentos já
adquiridos e pensar em novas metodologias para levar o aluno à autonomia de busca do
conhecimento. Esse processo consiste em aprimoramento constante exigindo que tenha
continuidade para que os resultados obtidos não se percam a pesquisa deve ser incentivada
trabalhando de forma efetiva, contudo ainda não é comum nas bibliotecas universitárias por
demandar tempo e dedicação por parte da equipe que compõe a biblioteca.
Diante desse contexto a pesquisa não pode depender apenas da vontade do professor
a biblioteca precisa ter participação efetiva nesse cenário para que seja feito um trabalho de
qualidade. Um trabalho bem elaborado proporciona um contato diferenciado com os
principais autores da área estudada de uma forma que o aluno fixe todas as informações
aprendendo de fato e não apenas decorando para uma possível avaliação o que evitará as
dificuldades encontradas pelos alunos na elaboração do trabalho de conclusão de curso. É
necessário um lugar para acolher esses alunos despertados para a pesquisa para que os

1974

�resultados alcançados em sala de aula não se percam e a biblioteca universitária se encaixa
nesse perfil, somente aliando todos esses fatores possibilitara uma educação de qualidade com
a formação de profissionais capacitados a responder as demandas da sociedade.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O ensino superior passou por diversas transformações incorporando elementos e
abandonando práticas. O conhecimento passou a ser produzido e não mais reproduzido como
verdade absoluta, levando discentes e docentes a questionar as práticas de ensino.As
universidades atualmente seguem o tripé pesquisa, ensino e extensão para fundamentados
nessas três atividades que se complementam formem profissionais críticos diante de sua
realidade que sejam capazes de modificar o contexto no qual estão inseridos. A pesquisa
científica tem papel fundamental na educação, mas ainda é relegada a segundo plano por
exigir dedicação e recursos para que seja concretizada.
No decorrer do estudo percebemos um vasto campo de atuação ainda não ocupado
pelas bibliotecas universitárias, passando de mero apoio a membro atuante dentro da
instituição de ensino para fortalecimento da pesquisa científica.
É necessário investir em pesquisa cientifica não só para o desenvolvimento da
instituição em si, mas para o arsenal tecnológico do país, fazer pesquisa na universidade é um
investimento a longo prazo,não pode depender apenas dos órgãos de fomento por meio de
projetos de pesquisa, o ato de pesquisar é inerente à prática docente, pois formará
profissionais conscientes sobre o seu poder de modificar a realidade na qual está inserido.
Deste modo é imprescindível um profissional que conduza todo esse processo com
metodologias que possibilitem a realização da pesquisa e a inclusão dos alunos nas etapas do
desenvolvimento, o professor tem as competências e habilidades para exercer essa função,
entretanto sozinho ele não terá êxito,pois precisa de apoio do bibliotecário que conhece e sabe
manusear com propriedade as fontes de informação.
Apontamos como sugestão que sejam repensados alguns pontos sobre a formação
dos professores incutindo a pesquisa na forma de dar aula e o hábito de frequentara biblioteca
tendo por consequência estreitar a comunicação com os bibliotecários, pois aquele que não é
usuário do espaço da biblioteca não tem como incentivar. Existe uma gama de metodologias
que utilizam a pesquisa como norte que podem ser aproveitadas tanto em sala de aula quanto
na biblioteca, mas que ainda são desconhecidas, logo há a necessidade de debater esse assunto
para que mais bibliotecários e professores tenham conhecimento sobre essas práticas e
possam proporcionar uma formação diferenciada para os alunos no âmbito da graduação.

1975

�Todos esses aspectos podem ser trabalhados pela biblioteca, pois sozinho o aluno
nem sempre tem autonomia para buscar novas fontes de informação tornando-se apenas
receptáculo de informações.Nesse sentido, as ações planejadas alcançarão seu objetivo de
influenciarem diretamente a sociedade, causando mudanças tanto no pensamento quanto na
realidade do sujeito que recebe essas ações.
Buscou-se focar o que os teóricos da área de educação e biblioteconomia oferecem
como hipótese para nortear a prática da pesquisa cientifica servindo como motivador para
outros estudos que visem constatar a realidade dasbibliotecas universitárias eque apontem não
só a visão dos bibliotecários e professores sobre esse tema, mas dos alunos que são parte
importante nesse processo.

6 REFERÊNCIAS
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1997.
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Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.
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caminho de Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994.
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1998.
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Disponível

em:

&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/352/1599&gt;. Acesso em: 15 fev. 2014.

1977

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este estudo tem como proposta abordar a importância da biblioteca universitária no incentivo a realização da pesquisa científica no âmbito da graduação nas universidades. Trata de uma pesquisa bibliográfica e exploratória com uma abordagem qualitativa onde foi feito um levantamento dos principais autores que tratam do assunto estudado confrontando as teorias de autorescomo Demo, Mynayo, Almeida Junior e Jankvicius. Objetiva desvelar a prática da pesquisa cientifica na graduação tendo como ponto de partida a relação entre professor e bibliotecário para despertar o interesse do aluno para ir além do exposto em sala de aula. Apresenta alguns questionamentos sobre a forma de se fazer pesquisa na graduação e expõe às contribuições da pesquisa científica no ensino superior e como a biblioteca universitária pode colaborar para o desenvolvimento dessa prática. Assinala como a reflexão e analise desse tema é fundamental para sensibilizar os docentes sobre a importância de debates acerca dessa questãopara que a partir de estudos como esse motivem e sensibilize professores, alunos e universidades para a importância dessa prática.Investiga como o professor pode contribuir para despertar o interesse dos discentes pela pesquisa científica por meio das suas práticas pedagógicas em sala de aula e a relação da biblioteca universitária para fundamentar o que é proposto em sala de aula. Visa conhecer as estratégias pedagógicas que devem ser utilizadas pela equipe da biblioteca para instigar seus alunos para irem além do ensino e produzam conhecimento aplicando as informações obtidas por meio da pesquisa na construção de novas teorias. Aponta caminhos para o fortalecimento da pesquisa científica no âmbito da graduação.Mediante o exposto iremos desvelar a prática da pesquisa cientifica na graduação tendo como ponto de partida a biblioteca universitária demonstrando a relação entre professor, aluno e biblioteca para despertar o interesse pela pesquisa científica para ir além do exposto em sala de aula.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SUBSTITUIÇÃO DE SOFTWARES EM BIBLIOTECAS: MORTE PROGRAMADA
OU SUICÍDIO COLETIVO

Sandra Lopes Coelho
Marcos Vinicius Andrade
RESUMO
Os sistemas de gerenciamento da informação são ferramenta essencial no suporte a serviços e
produtos eficazes para os usuários, gestão de acervos e administração de serviços e produtos
em bibliotecas. Os projetos ligados à introdução ou substituição destes sistemas devem, em
geral, fazer um estudo formal a fim de investigar a natureza e o potencial dos novos sistemas
disponíveis, bem como a elaboração de documentação específica para subsidiar o processo de
aquisição propriamente dito. Dentro desse contexto, este trabalho tem como objetivo
contribuir com a literatura da área e compartilhar a experiência do Grupo de Trabalho que
participou da primeira etapa do “Projeto de Modernização do Sistema Automação das
Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense”.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Automação de Bibliotecas; Software livre;
Software proprietário.

ABSTRACT
The information management systems are an essential tool in supporting effective products
and services to users, management and collections management services and products in
libraries. The projects related to the introduction or replacement systems must generally make
a formal study to investigate the nature and potential of the new systems available as well as
the development of specific documentation to support the procurement process itself. Within
this context, this paper aims to contribute to the literature of the area and share the experience
of the Working Group who participated in the first stage of the project "Modernization of the
Automation System of the Libraries of Universidade Federal Fluminense".
Keywords: University library; Library automation; Free software; Proprietary software.

1 INTRODUÇÃO
Criada pela Lei n° 3.848, de 18 de dezembro de 1960, a Universidade Federal
Fluminense (UFF) é uma instituição pública, mantida com recursos da sociedade e tem como
missão “promover a formação de um cidadão imbuído de valores éticos que, com
competência técnica, contribua para o desenvolvimento econômico auto-sustentado do
Brasil”. (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, 2007, p.15)

1602

�A sede da UFF encontra-se na cidade de Niterói - no Estado do Rio de Janeiro - onde
está a maioria dos campi da universidade e das unidades isoladas: Faculdade de Direito,
Faculdade de Economia, Faculdade de Veterinária, Faculdade de Farmácia, Campus do
Gragoatá, Instituto de Arte e Comunicação Social, Campus da Praia Vermelha, Campus do
Valonguinho e Escola de Enfermagem. Também estão em Niterói a Reitoria e o Hospital
Universitário Antônio Pedro, no qual se localizam a Faculdade de Medicina e o Instituto de
Saúde da Comunidade.
No interior do Estado, a UFF tem quatro polos universitários: Campos dos
Goytacazes, Nova Friburgo, Rio das Ostras e Volta Redonda.

Também há unidades em

Angra dos Reis, Macaé e Santo Antônio de Pádua.
Para atender aos 325 cursos de graduação e pós-graduação oferecidos atualmente nas
unidades isoladas e também nos Pólos do interior, a UFF tem 27 bibliotecas que são
coordenadas técnica e administrativamente pela Superintendência de Documentação (SDC) Sistema de Bibliotecas e Arquivo.
O processo de automação das bibliotecas da UFF foi consolidado no ano de 2001 com
a aquisição e implantação do software Biblioteca Argonauta®.
A informatização propiciou ao Sistema de Bibliotecas a implantação de um catálogo
único com acesso remoto ao acervo de todas as unidades via Internet, a formação de um
cadastro de usuários unificado, o controle global dos empréstimos realizados e a
sistematização do processamento técnico.
No entanto, as mudanças ocorridas no ambiente institucional - principalmente após a
adesão da Universidade ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais do Brasil (REUNI) e a desatualização tecnológica do software,
levaram a Coordenação de Bibliotecas (CBI) da SDC a sinalizar, em junho de 2011, para a
Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) a necessidade de substituição do
Argonauta®.
Além de atender às necessidades de informação da comunidade acadêmica o novo
sistema deveria “ser compatível com o desenho e cultura organizacional, com o parque
computacional instalado, tamanho do acervo e o perfil dos usuários, respeitadas suas
características quantitativas e qualitativas” (CÔRTE, 2002)
Nesse sentido, considerando as dimensões do sistema de bibliotecas (27 unidades
dispersas geograficamente; 265 profissionais - entre bibliotecários e auxiliares - operando o
software; acervo total de 1.099.709 volumes, com taxa de crescimento média de 5% ao ano;
57.400 usuários em potencial; média anual de 290.929 transações de empréstimo e 235.758

1603

�consultas ao acervo171) a “morte” do Biblioteca Argonauta® precisava ser programada a fim
de minimizar o impacto que a substituição pudesse causar, caso contrário seria um “suicídio
coletivo” para os principais órgãos da instituição que têm na informação, em suas mais
variadas formas e tipos de acesso, o foco das suas atividades: a SDC e a STI.
Os projetos ligados à introdução ou substituição desses sistemas devem, em geral,
fazer um estudo formal a fim de investigar a natureza e o potencial dos novos sistemas
disponíveis, bem como a elaboração de documentação específica para subsidiar o processo de
aquisição propriamente dito. (ROWLEY, 2002, p.132).
Merilees172173(apud KRZYANOWSKI, 1996, p.47) divide o processo de automação em
duas etapas:
■ Seleção do sistema: abrangendo estudo de viabilidade e justificativa de custos,
definição de requisitos, avaliação e seleção do sistema;
■ Implementação do sistema: planejamento da conversão, instalação, treinamento,
teste de aceitação e revisão da performance.
Dentro desse contexto, este trabalho tem como objetivo contribuir com a literatura da
área e compartilhar a experiência do Grupo de Trabalho

que participou da primeira etapa

do Projeto de Modernização do Sistema Automação das Bibliotecas da Universidade Federal
Fluminense.

2 SOFTWARES PARA AUTOMAÇÃO DE BIBLIOTECAS
Os sistemas de gerenciamento da informação são ferramenta essencial no suporte a
serviços e produtos eficazes para os usuários, gestão de acervos e administração de serviços e
produtos das bibliotecas. (ROWLEY, 2002)
Stair e Reinolds174 (apud ANDRADE e COELHO, 2008) afirmam que um software
consiste em “programas de computador” que controlam o funcionamento do hardware, ou
seja, são sequências de instruções interpretáveis pela máquina, juntamente com a
documentação do programa usado para explicar seu funcionamento ao usuário.
Existem dois tipos de software:

171 Fonte: UFF. Superintendência de Documentação. Relatório de Gestão 2013.
172 MERILEES, B. RFPs ando on-line library system selection.Canadian Library Journal, v.40, n.1, p.15-19,
feb. 1983.
173
A
documentação
produzida
pelo
Grupo
de
Trabalho
está
disponível
em:
http://www.ndc.uff.br/content/coordenacao-de-bibliotecas
174 STAIR, Ralph M.; REYNOLDS, George W. Princípios de sistemas de informação. 4.ed. Rio de Janeiro:
LTC, 2002.

1604

�■ Básico: é o sistema operacional que controla as operações básicas do
computador;
■ Aplicativo: conjunto de programas que fazem a interface com o operador e
com o usuário, executando funções, processos ou controles.
Lima

(apud DUTRA e OHIRA, 2004) agrupa os softwares em dois tipos básicos:

■ Sistemas de gerenciamento de bibliotecas: projetados para controlar as
atividades essenciais de uma biblioteca;
■ Sistemas gerenciadores de bancos de dados: softwares que suportam o
armazenamento de grandes quantidades de informação.
No âmbito da gestão e administração de bibliotecas, os softwares aplicativos são
utilizados para apoiar as funções associadas à aquisição, processamento técnico, empréstimo,
pesquisa, disseminação seletiva da informação, etc.
Outra forma de classificação considera as formas de distribuição dos softwares:
■ Software livre: código fonte está disponível para que o utilizador possa alterálo e adequá-lo às suas necessidades;
■ Software proprietário (ou não livre): cópia, redistribuição ou modificação do
código fonte é proibida pelo seu criador ou distribuidor.
A década de 1980 foi marcada pelo desenvolvimento de aplicativos para o
gerenciamento de bibliotecas, trazendo maior agilidade para as atividades de tratamento e
recuperação das informações
[...] posteriormente, surgiram os softwares prontos para serem utilizados.
Não era mais a biblioteca que ditava suas necessidades, mas as empresas
detentoras do produto que ofereciam sistemas nos quais vinham embutidas
soluções para a automação da biblioteca como um todo. (CAFÉ; SANTOS;
MACEDO, 2001, p. 70).

2.1 Softwares livres X softwares proprietários
2.2 Nos últimos anos, surgiram diversos softwares para uso em unidades de informação,
incentivando a livre concorrência e disponibilizando no mercado sistemas com qualidade
e suporte cada vez mais eficientes (SILVA, 2005).
Um software livre permite a utilização, cópia, estudo, modificação e redistribuição do
seu código fonte sem nenhuma restrição. Para Richard Stallman (fundador da “Free Software
Foundation”), um software livre deve respeitar quatro liberdades básicas: de uso do175
175LIMA, Gercina Ângela Borém. Softwares para automação de bibliotecas e centros de documentação na literatura brasileira
até 1998. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3 p. 310-321, set./ dez. 1999.

1605

�software para qualquer fim e por qualquer pessoa;

de estudo e análise do código para

adaptação do software às necessidades dos seus usuários; de repasse de cópias para terceiros,
ajudando assim outras pessoas ou instituições; de aperfeiçoamento e modificação do software
para que toda a comunidade de usuários seja beneficiada.
No Brasil, o setor público tem realizado ações para incentivar o uso desses programas
e uma delas é o Portal do Software Púbico Brasileiro17617(SPB) que oferece um espaço (ou
comunidade) para cada software. Entre os softwares disponíveis no SPB está o Gnuteca.
Criado de acordo com critérios definidos e validados por um grupo de bibliotecários
da Univates

e desenvolvido pela Solis - Cooperativa de Soluções Livres, o Gnuteca é um

sistema para automação de todos os processos de uma biblioteca, independente do tamanho de
seu acervo ou da quantidade de usuários. Além do Gnuteca, existem, atualmente, no mercado
nacional outros softwares livres como Openbiblio e Biblivre.
Os softwares proprietários (ou não livres) são desenvolvidos como uma atividade de
negócio; têm o código fonte fechado e sua utilização está condicionada à aquisição de uma
licença de uso. Nesta categoria estão disponíveis no mercado nacional os softwares Aleph e
VTLS Virtua (desenvolvidos no exterior); Sophia, Pergamum e BNWeb (desenvolvidos no
Brasil).

2.2 O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense
As 27 bibliotecas da UFF são coordenadas técnica e administrativamente pela
Superintendência de Documentação (SDC) - Sistema de Bibliotecas e Arquivo, órgão
suplementar subordinado ao Gabinete do Reitor (GAR).
Criada em 1969 como Núcleo de Documentação, a SDC assumiu

o status de

Superintendência com a reestruturação da Universidade em 2011.
A SDC tem como missão apoiar os programas de ensino, pesquisa e extensão da
Universidade através do desenvolvimento de serviços e produtos que atendam às necessidades
de informação da comunidade.
Além das bibliotecas, fazem parte do organograma da SDC o Arquivo Central, o
Centro de Memória Fluminense, o Laboratório de Reprografia e o Laboratório de
Conservação e Restauração de Documentos.
Para a gestão das suas unidades, a SDC conta com a seguinte estrutura: Conselho
Deliberativo (CDL), Coordenação de Arquivos (CAR) e Coordenação de Bibliotecas (CBI).
176 http://www.softwarepublico.gov.br/
177 A Univates é uma instituição de ensino comunitária, sem fins lucrativos e com gestão democrática e participativa,
localizada na cidade de Lajeado, no Rio Grande do Sul.

1606

�A CBI é responsável pela gestão das ações que visem à organização e disseminação da
informação no âmbito das bibliotecas da Universidade. Entre essas ações está a coordenação
das atividades de informatização desenvolvidas nas unidades do sistema.
2.2.2 A Automação no Sistema de Bibliotecas da UFF
Na década de 1990 a informatização do acervo era vista como uma grande necessidade
e, com esse objetivo, buscou-se a capacitação dos bibliotecários na operação do aplicativo
Micro-Isis, software desenvolvido pela UNESCO para formação e controle de bases
bibliográficas, e que era disponibilizado gratuitamente para qualquer biblioteca.
Em 1996, foi criado um Grupo de Trabalho para dar início ao “Projeto de
Informatização do Sistema NDC: equipamentos de informática para formação de redes
locais”. Os principais resultados deste projeto foram: formação de redes locais nas três
grandes bibliotecas do Sistema (Medicina, Engenharia e Central do Gragoatá) e implantação
de suas bases de dados através da Rede Bibliodata da Fundação Getúlio Vargas; criação da
base ACERVO em Micro-Isis, nas demais unidades; adoção do Sistema de Empréstimos da
BIREME, em caráter experimental, na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica e a
instalação da Rede NDC.
Em 1999, a base ACERVO encontrava-se instalada em 19 (dezenove) bibliotecas e
apresentava um índice de 67% de absorção do acervo bibliográfico.
O processo de automação das bibliotecas foi consolidado no ano de 2001, com a
criação do Status - sistema de informações gerenciais desenvolvido com o objetivo de coletar
e disponibilizar informações necessárias à administração das diversas unidades do sistema - e
a aquisição e implantação do software Biblioteca Argonauta®.
Em 2003, a conexão da Rede NDC com a Rede UFF, favoreceu a implantação do
Biblioteca Argonauta®nas unidades do interior.
Para Rowley “a vida dos sistemas informatizados é relativamente breve. Mudanças
tanto no ambiente quanto na tecnologia contribuem para a deterioração e a substituição dos
sistemas informatizados.” (2002, p.131)
Considerando a teoria do ciclo de vida dos sistemas informatizados proposto por
Rowley e a situação do software Biblioteca Argonauta®, na época com várias dificuldades
operacionais (entre elas atualização de versões nas estações cliente manualmente; ineficácia
na manutenção pelo fornecedor do software; falta de feedback do fornecedor em relação às
necessidades das bibliotecas; interfaces distintas para entrada de dados, catálogo eletrônico e
sistema de empréstimo) a CBI concluiu que o software estava em fase de deterioração.

1607

�Além disso, mudanças ocorridas no ambiente apontavam para a necessidade de
substituição do software, entre elas o aumento da demanda dos serviços prestados pelas
bibliotecas, principalmente em função da adesão da Universidade ao Programa de Apoio a
Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais do Brasil, o REUNI; a
necessidade de melhorias na prestação de serviços adequados às novas exigências do usuário
final: presencial ou virtual; a integração do sistema utilizado pelas bibliotecas a outros
sistemas institucionais como a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD); o
Repositório Institucional (RiUFF) e o Sistema de Identificação Única da UFF (IdUFF).

2.2.3 O Projeto de Modernização do Sistema Automação das Bibliotecas
Café, Santos e Macedo (2001, p.71) alertam que “é preciso tomar cuidado com
decisões baseadas em ideologias, modismos e expectativas pessoais ou ainda em argumentos
feitos de acordo com situações específicas, sem observar a biblioteca como um todo”.
Além de atender às necessidades de informação, um software de automação de
bibliotecas deve “ser compatível com o desenho e cultura organizacional, com o parque
computacional instalado, tamanho do acervo e o perfil dos usuários, respeitadas suas
características quantitativas e qualitativas” (CORTE, 2002).
“Independente de qualquer questionamento sobre software livre ou comercial é
sempre recomendável à biblioteca não perder o foco no planejamento” (SILVA, 2007, p. 6).
Em junho de 2011 a Coordenação de Bibliotecas recebeu um questionamento da área
técnica da STI sobre a possibilidade de adoção de um software livre, o Gnuteca, para gestão
dos processos de trabalho nas bibliotecas em substituição ao Biblioteca Argonauta®. Para
estudar a questão, foi formado um Grupo de Trabalho, composto por três bibliotecárias e um
analista de sistemas.
A primeira atividade realizada pelo Grupo de Trabalho foi um levantamento dos
softwares utilizados pelas bibliotecas das 60 (sessenta) Instituições Federais de Ensino
Superior (IFES)

existentes atualmente no Brasil.

Conforme pode ser verificado no Gráfico 1 esse levantamento revelou que 60% das
bibliotecas destas instituições utilizam softwares proprietários enquanto 8% usam softwares
livres.

Outras situações também são identificadas:

7% usam softwares in-house

(desenvolvidos na própria instituição); enquanto 17% têm o módulo da biblioteca integrado
ao sistema de gestão da instituição.

178 Utilizamos como base para este levantamento o RUF (Ranking Universitário da Folha de São Paulo) de 2013.

1608

�GRÁFICO 1- D istribuição dos tipos de software utilizados pelas bibliotecas
das IFES

Dentro dese contexto, o Projeto de Modernização do Sistema Automação das
Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense considerou duas possibilidades: a adoção de
um software livre ou a aquisição de um software proprietário para gerenciamento das
atividades das 27 bibliotecas da Universidade.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A primeira fase do Projeto de Modernização do Sistema Automação das Bibliotecas
da Universidade Federal Fluminense abrangeu a definição de requisitos e avaliação dos
softwares disponíveis no mercado. Deste modo, o estudo pode ser considerado uma pesquisa
exploratória. A metodologia adotada seguiu as seguintes etapas: levantamento dos produtos
existentes no mercado; delineamento dos requisitos do software que substituiria o Biblioteca
Argonauta® e a avaliação técnica e comercial dos fornecedores.

3.1 Levantamento dos produtos existentes no mercado
Esta etapa foi realizada através de revisão da literatura; visitas a outras bibliotecas;
demonstração de sistemas. Foram estudados 5 softwares:
■ Gnuteca (desenvolvido pela Solis - Cooperativa de Soluções Livres)
■ Aleph (desenvolvido pela Ex-Libris)
■ BNWeb (desenvolvido pela Contempory)
■ Pergamum (desenvolvido pela PUC-PR)
■ Sophia (desenvolvido pela Prima Informática)

1609

�3.2 Delineamento dos requisitos
A partir dos estudos de CAFÉ, SANTOS e MACEDO (2001) e CORTE et.al. (1999),
textos clássicos na área de avaliação de software na literatura nacional, o Grupo de Trabalho
elaborou uma lista com os requisitos fundamentais de um sistema de gerenciamento de
bibliotecas. Esses requisitos foram baseados nas necessidades de funcionamento do Sistema
de Bibliotecas da Universidade. O quadro abaixo apresenta os módulos e o número de
critérios contidos em cada um deles:
QUADRO 3- Requisitos por módulo do Sistema
MÓDULO

REQUISITOS

Aquisi ção/Inventário
Tratamento da Informação
Catálogo Eletrônico
Disseminação da Informação
Circulação
Plataforma Tecnológica
Relatórios Gerenciais
TOTAL

5
22
23
3
28
21
9
111

3.3 Avaliação técnica e comercial
Os requisitos foram organizados em planilhas enviadas por e-mail para que todos os
fornecedores fizessem uma auto avaliação do seu produto, preenchendo cada requisito com 1
(um) (se o software apresentasse o requisito) ou 0 (zero) (se o software não apresentasse).
Para consolidação dos resultados desta auto avaliação foram estabelecidos três pesos para
cada requisito:
Indispensável - coeficiente (1). Este peso foi atribuído a um critério imprescindível.
•

Importante - coeficiente (2). Este peso foi atribuído a um critério que poderia
ser interessante para a biblioteca.

•

Dispensável - coeficiente (3). Este peso foi atribuído a um critério considerado
desnecessário para a biblioteca.

QUADRO 4 - Consolidação das avaliações técnicas
MÓDULO/SOFTWARE
Aquisição
Tratamento da Informação
Circulação
Catálogo Eletrônico
Disseminação da Informação
Plataforma Tecnológica
Relatórios
Total

GNUTECA
9
57
65
51
6
49
21
258

SOPHIA
11
60
66
55
6
59
21
278

PERGAMUM
11
61
64
53
6
58
18
271

BNWEB
11
60
66
53
6
47
21
264

ALEPH
11
61
67
57
6
59
21
282

1610

�A avaliação comercial foi baseada em propostas enviadas pelos fornecedores com
dados relativos aos custos de cada etapa a ser realizada para implantação efetiva do software,
desde a licença até o suporte.
QUADRO 3 - Avaliação de custo dos softwares
SERVIÇO/SOFTWARE
Licença
Implantação
Capacitação
Suporte
Desenvolvimento
CUSTO TOTAL

GNUTECA
0
2.000
10.000
6.000
28.800
46.800

SOPHIA
44.742
44.742
44.742
93.600
0
227.826

PERGAMUM
70.000
0
0
18.000
0
88.000

BNWEB
73.333
73.333
73.333
137.280
0
357.279

ALEPH
179.834
5.400
9.000
75.744
0
269.978

4 RESULTADOS PARCIAIS
A partir dos resultados do estudo, o Grupo de Trabalho entendeu que os softwares
avaliados possuíam os requisitos mínimos definidos pelo grupo e que qualquer um deles
poderia atender a um sistema com o tamanho do nosso.
Em relação ao Gnuteca, embora não existisse custo com a aquisição da licença de uso
para sua implantação, a falta de documentação atualizada da versão instalada no servidor da
instituição e a dificuldade de operação do software devido à falta de documentação
consistente na Internet inviabilizavam a implantação de forma autônoma. Sendo assim seria
necessária a contratação dos serviços de implantação, capacitação e suporte pela Solis.
“Se por um lado os softwares livres estão isentos de custos, por outro
dependem de profissionais qualificados para desenvolvê-lo, de acordo com
as necessidades da biblioteca, o que não é o caso do software proprietário,
pois é de responsabilidade da empresa fornecedora do software oferecer o
sustentáculo necessário ao funcionamento do mesmo”. (SANTOS, 2008,
p.24)
Considerando esse contexto foi tomada a decisão de migrar para um software
comercial que atendesse às características e especificações técnicas desejáveis de acordo com
os requisitos levantados na etapa inicial.
Em abril de 2012, o Grupo de Trabalho apresentou o resultado do estudo ao Gabinete
do Reitor (GAR) e, com a anuência do GAR, passou a buscar alternativas de financiamento
para a compra do software. Entre as alternativas possíveis, estavam a captação de recurso
externo com a apresentação de projeto a agências de fomento ou a utilização de recursos da
própria instituição. Como não havia, na época, nenhum edital externo aberto a opção foi a
aquisição com recursos da própria instituição.

1611

�Nesse sentido, foi apresentado ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para
o ano de 2013 o projeto “Gerenciamento e Proteção do Acervo Bibliográfico”, cujos objetivos
eram a modernização do sistema automação e a melhoria das condições de segurança do
patrimônio bibliográfico das bibliotecas.
“Na administração pública parte-se do princípio de que as compras devem ser
precedidas de licitação, isto é, de um processo seletivo prévio junto ao mercado, para verificar
e obter as melhores condições de preço [...]” (ANDRADE; VERGUEIRO, 1996, p.27). O
edital é o documento legal que rege a licitação, determinando o objeto da compra, os prazos
de pagamento e recebimento do material, bem como as demais exigências para a realização da
compra. Dentro desse contexto, os requisitos levantados pelo Grupo de Trabalho na etapa
inicial serviram para subsidiar a elaboração do Termo de Referência/Projeto Básico do Edital
para Aquisição de Sistema de Gerenciamento de Bibliotecas, destinado ao Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense

.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A seleção e a aquisição de softwares para bibliotecas constituem um desafio. Com
uma gama de opções tão grande, é necessário conhecer as vantagens e desvantagens de cada
uma e saber qual melhor se adapta às necessidades de cada biblioteca através de critérios para
seleção e avaliação.
Para Grossi (2013), o software livre é uma alternativa aos softwares proprietários para
a realidade das bibliotecas universitárias federais brasileiras “pois além da motivação
financeira para se utilizar um software livre e gratuito, é grande o estímulo ao processo de
criação e a possibilidade de adaptação do programa às necessidades de cada biblioteca”.
Embora seja uma alternativa ao mercado comercial, um software livre não é sinônimo de
facilidades, mas de liberdade de uso e isso requer investimento de tempo e treinamento no
domínio das operações, manutenção e aprimoramento.
A implantação do Gnuteca possibilitaria à Universidade seguir a orientação do
Governo Federal para a utilização de softwares livres em órgãos públicos, além de
proporcionar maior flexibilidade no atendimento às demandas específicas da Instituição. No
entanto, a dificuldade de formar equipe especializada com dedicação exclusiva para a
customização, desenvolvimento e manutenção do sistema, de certa forma contribuiriam para
inviabilizar sua continuidade. Já a adoção de um software comercial, de certo modo,
179 Edital Pregão Eletrônico n° 01/2013.

1612

�garantiria a atualização permanente do Sistema, acompanhando os avanços tecnológicos, sem
acarretar prejuízos à base de dados disponível.

6 REFERÊNCIAS
ANDRADE, Diva; VERGUEIRO, Waldomiro. Aquisição de materiais de informação.
Brasília, Briquet de Lemos, 1996.
ANDRADE, Marcos Vinicius Mendonça; COELHO, Sandra Lopes.

Biblioteca fácil.

Niterói: UFF. Neami, 2008.
CAFÉ, Lígia; SANTOS, Christophe dos; MACEDO, Flávia. Proposta de um método para
escolha de software de automação de bibliotecas. Ciência da Informação, Brasília, v.30, n.2,
p. 70-79, maio/ago. 2001.
CÔRTE, Adelaide Ramos et. al. Automação de bibliotecas e centros de documentação: o
processo de avaliação de softwares. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 241-256,
maio/ago. 1999.
__________. Avaliação de software para bibliotecas e arquivos: uma visão do cenário
nacional. 2.ed. São Paulo: Polis, 2002. 219 p.
DUTRA, Anna Khris Furtado; OHIRA,Maria Lourdes Blatt. Informatização e automação de
bibliotecas: análise das comunicações apresentadas nos seminários nacionais de bibliotecas
universitárias (2000, 2002 e 2004). Informação &amp; informação; Londrina, v.9, n.1/1, jan./dez.
2004.
GROSSI, Márcia Gorett Ribeiro. Estudo das características de software e implementação de
um software livre para o sistema de gerenciamento de bibliotecas universitárias federais
brasileiras. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 13, n. 2, Aug. 2008.
Disponível

em

&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-

99362008000200015&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em 02 jun. 2012
KRZYZANOWSKI, R.F.; IMPERATRIZ, I.M. de M.; ROSETTO, M. Subsídios para
análise, seleção e aquisição de software para gerenciamento de bibliotecas: experiência do
Sistema Integrado de Bibliotecas da USP. São Paulo: SIBi/USP, 1996. (USP. Cadernos de
Estudos, 5)
ROWLEY, Jennifer. A biblioteca eletrônica. Brasília: Briquet de Lemos/ Livros, 2002.
SANTOS, Natalia Maria Leal. Automação de biblioteca universitária: análise comparativa
do software livre Gnuteca com o software proprietário Pergamum.Trabalho de Conclusão de
Curso (Graduação em Biblioteconomia e Documentação) - Instituto de Ciências Sociais
Aplicadas e Exatas, Centro Universitário de Formiga - UNIFOR-MG, Formiga, 2008.

1613

�Disponível em &lt;http://bibliotecadigital.uniformg.edu.br:21015/jspui/handle/123456789/61&gt;
Acesso em 22 maio 2014.
SILVA, José Fernando Modesto da. Software livre: modelos de seleção como subsídio à
gestão

bibliotecária.

In:

CONGRESSO

BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA,

DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 22, 2007, Brasília, DF.
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE.

Plano de Desenvolvimento Institucional:

proposta para discussão. Niterói, 2007.

1614

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Os sistemas de gerenciamento da informação são ferramenta essencial no suporte a serviços e produtos eficazes para os usuários, gestão de acervos e administração de serviços e produtos em bibliotecas. Os projetos ligados à introdução ou substituição destes sistemas devem, em geral, fazer um estudo formal a fim de investigar a natureza e o potencial dos novos sistemas disponíveis, bem como a elaboração de documentação específica para subsidiar o processo de aquisição propriamente dito. Dentro desse contexto, este trabalho tem como objetivo contribuir com a literatura da área e compartilhar a experiência do Grupo de Trabalho que participou da primeira etapa do ―Projeto de Modernização do Sistema Automação das Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense‖.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RUMO À BIBLIOTECA INTERATIVA: USO DAS FERRAMENTAS DA WEB 2.0 NO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFRGS - SBUFRGS

Lenise Di Domenico Colpo
Patrícia Kayser Vargas Mangan

RESUMO
As ferramentas da web 2.0 fazem parte do cotidiano das bibliotecas que almejam a
aproximação com o usuário cada vez mais conectado à internet. Buscando apresentar dados
de uso destas ferramentas pelas bibliotecas universitárias, o presente estudo tem como
objetivo geral identificar, no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul - SBUFRGS, as ferramentas da web 2.0 utilizadas atualmente na prestação dos
serviços e na divulgação de informações e verificar se estas ferramentas contribuem na
relação biblioteca-usuário. Resultados indicam que 43% das bibliotecas estudadas fazem uso
das ferramentas da web 2.0, sendo o Facebook a ferramenta mais utilizada. Conclui-se que o
uso das ferramentas da web 2.0 contribui positivamente na relação biblioteca-usuário uma vez
que, sua utilização aprimora os processos comunicativos resultando em uma relação de
proximidade biblioteca-usuário.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Biblioteca 2.0. Ferramentas da web 2.0.

ABSTRACT
Web 2.0 tools are part of everyday life of libraries that aims at getting closer to the user
increasingly connected to the Internet. Seeking to present data about the use of such tools in
the context of academic libraries, this study has as main goal to identify, in the context of Rio
Grande do Sul Federal University Library System Web 2.0 tools currently used in user
services and information dissemination and to check if such tools has contributions to the
library-user relationship. Our results indicate that 43% of the studied libraries uses Web 2.0
tools, and Facebook is the most used tool. We conclude that Web 2.0 tools contributes
positively in the library-user relationship since its use enhances communication process and
thus results in a relationship of proximity between library and user.
Keywords: Academic Library. Library 2.0. Web 2.0 Tools.

1 Introdução
As bibliotecas universitárias responsáveis pela disseminação do conhecimento
produzido na Universidade e também fora dela, estão encontrando nas tecnologias um meio
de acompanhar as tendências da sociedade atual. Nesse sentido, a atuação direta junto às

4569

�bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul evidenciou as constantes mudanças
que tais tecnologias provocam no dia a dia de toda a comunidade acadêmica. Mudanças que
podem ser verificadas através da realização de cursos e treinamentos online, serviços de
referência virtual, a criação de perfis em sites de redes sociais pelas bibliotecas
proporcionando aos usuários diversificados canais de interação.
A preocupação com novos rumos para as bibliotecas frente à cibercultura já vem
sendo bastante discutido na comunidade acadêmica, uma vez que os bibliotecários já estão
realizando adaptações em suas bibliotecas, incorporando tecnologias para melhor atender suas
necessidades (CUNHA, 2010). No entanto, novos rumos continuam surgindo, no momento
em que, mais ferramentas são inseridas e aperfeiçoadas na web 2.0 tornando a interação cada
vez mais atraente aos seus usuários.
Este trabalho é fruto da pesquisa desenvolvida no Mestrado Profissional em Memória
Social e Bens Culturais da Unilasalle - RS (COLPO, 2014), que procurou identificar esta
nova cultura digital emergente que, através da utilização das ferramentas da web 2.0, cria
novos espaços de relacionamentos, remodela produtos, serviços e ressignifica a construção do
conhecimento.
O objetivo do presente estudo é identificar no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - SBUFRGS as ferramentas da web 2.0 utilizadas
atualmente na prestação de serviços e na divulgação da informação e verificar como estas
ferramentas contribuem na relação biblioteca-usuário.
A pesquisa caracteriza-se como um estudo exploratório, utilizando o método quantiqualitativo para a coleta de dados. Este trabalho permitiu retratar a incorporação das
ferramentas da web 2.0 pelo SBUFRGS sendo possível a identificação de quais ferramentas
são utilizadas efetivamente e sua contribuição na relação biblioteca-usuário.
A seguir apresenta-se o referencial teórico, a metodologia utilizada na pesquisa e os
resultados e conclusões obtidos com este estudo.

2 Rumo à Biblioteca Interativa

Vivenciamos uma transformação conceitual e paradigmática no que tange às
mudanças provocadas pela nova geração web. As bibliotecas, aos poucos, vão incorporando
aos seus produtos e serviços novas ferramentas, criando formas inovadoras de comunicação
com seus usuários. Presenciamos um novo paradigma informacional.

4570

�Se pensarmos nas bibliotecas antes da introdução das Tecnologias de Informação e
Comunicação - TICs, quando o acesso à informação era possível apenas através do contato
físico com os materiais, sem a possibilidade de buscas e conhecimento do que estava sendo
impresso no mundo, é que teremos a noção da significativa mudança em que estamos
inseridos. A biblioteca passou de depositária dos registros escritos à disseminadora e difusora
da informação.
Antes do surgimento das tecnologias digitais para se localizar uma obra, por
exemplo, utilizavam-se os catálogos de livros, primeiramente manuais, compostos por fichas
catalográficas que informavam sua localização na estante. Passou-se à catálogos online, mas
ainda estáticos, ou seja, o próprio usuário deveria buscar a informação. Atualmente, com a
segunda revolução da web, presenciamos catálogos interativos que registram as preferências
de buscas e informam novas aquisições conforme perfil informado pelo próprio usuário.
Logo, as bibliotecas estão promovendo a incorporação de recursos e ferramentas cada vez
mais interativos em seus serviços.
Através do surgimento da web 2.0

foi possível a aplicação das tecnologias digitais

aos serviços e produtos das bibliotecas. O uso efetivo da internet fez com que as pessoas
percebessem que ela poderia ser utilizada muito além do que a simples publicação de
conteúdos em sites. A internet passou a disponibilizar produtos e serviços mais dinâmicos e
interativos. Assim, as páginas na web permitem a interação de seus usuários, criando espaços
dinâmicos, em um processo contínuo de trocas e de construção de saber.
O surgimento de plataformas abertas possibilitou o desenvolvimento de ferramentas
digitais que promovem a interação e participação ativa de seus usuários. Neste estudo, utilizase a expressão “ferramentas da web 2.0”, mesmo termo utilizado por Jesus e Cunha (2012),
para indicar as diversas ferramentas digitais. Como exemplo de ferramentas da web 2.0,
podemos citar Blogs, redes sociais (Facebook, Twitter), wikis, entre outros. Tais ferramentas
potencializam a livre criação, organização e distribuição da informação, além de dinamizar
produtos e serviços em um processo conjunto e contínuo.
Fazendo uso dos novos recursos e ferramentas presenciamos o surgimento do
conceito denominado “Biblioteca 2.0”. (CASEY, 2005; MANESS, 2007; BLATTMANN;
SILVA, 2007). Percebem-se transformações neste cenário: de produtos e serviços estáticos,
passou-se a oferecer produtos e serviços dinâmicos e interativos voltados ao usuário.518
518 O conceito web 2.0 surgiu em 2004 durante a conferência de brainstorming entre as empresas: O'Reilly
Media e MediaLive International, com intuito de descrever uma evolução da internet. (O'REILLY, 2005).

4571

�Michael Casey foi quem primeiramente conceituou Biblioteca 2.0 em seu Blog
LibraryCrunch (http://www.librarycrunch.com) no ano de 2005. Casey pensava na Biblioteca
2.0 como uma nova forma de pensar e de operar os serviços oferecidos pelas bibliotecas,
aliando as novas tecnologias. A partir disso, bibliotecários de todo o mundo aderiram à
discussão. (CASEY, 2005)
O estudo de Jack M. Maness (2007, p.44) define a “Biblioteca 2.0” como “a
aplicação de interação, colaboração e tecnologias multimídia baseadas em web para serviços e
coleções de bibliotecas baseados em web.” A Biblioteca 2.0, centrada no usuário, tem como
alicerce a interatividade e utiliza as ferramentas da web 2.0 para criar, aperfeiçoar produtos e
serviços, bem como compartilhar informações no ambiente virtual. Ferramentas como: Blog,
YouTube, Facebook, Twitter e Wikis já fazem parte do cotidiano de inúmeras instituições de
todo o mundo que objetivam estabelecer uma interlocução com seus clientes.
Sob este aspecto, as bibliotecas devem ir além dos serviços tradicionais e estáticos e
fazendo uso da tecnologia, inserir as ferramentas da web 2.0 ao seu cotidiano. No quadro a
seguir, elaborado por Blattmann e Silva (2007), podemos verificar um comparativo criado
pelos autores entre a biblioteca 1.0 “estática” e a biblioteca 2.0 “interativa”.

Quadro 6 - Evolução da Biblioteca 1.0 para Biblioteca 2.0, com base no texto
de Davis (2005)519.
B ib lio tec a 1.0 (L ib r a ry 1.0)

B ib lio teca 2 .0 (L ib ra ry 2.0)

Correio eletrônico e páginas de questões
mais frequentes (FAQ)
Tutorial baseado em texto

Serviço de referência via bate-papo
(Chat)
Mídia interativa (Streaming media)
em base de dados
Blogs, wikis, leitoras de RSS
Indexação com base em esquemas
Controlados
Catálogo com agregados Blogs, wikis e páginas web

Listas de correio eletrônico, webmasters
Esquemas de classificação controlada
Catálogo impresso

Fonte: (BLATTMANN; SILVA, 2007).

Analisar as características da Biblioteca 2.0 em relação a Biblioteca 1.0, faz com que
se perceba a ênfase dada à interação com o usuário na busca pela informação. Serviços de
referência via bate-papo, ou chats; mídias interativas buscando apresentar a utilização de
bases de dados; Blogs, feed de notícias publicando as últimas informações sobre eventos,
519 DAVIS, Ian. "Talis, Web 2.0 and All That", Internet Alchemy blog, 4 July, 2005. Disponível em:
http://internetalchemy.org/2005/07/ talis-web- 20-and- all-that .

4572

�treinamentos, aquisições, isto é, são os profissionais bibliotecários cada vez mais próximos do
seu “usuário-intemauta”, atuando como facilitadores na busca pelo conhecimento.
A web 2.0 vem agregar às bibliotecas novas possibilidades de serviços, novos canais
de comunicação e interação com o usuário. Não significa dizer, que serviços estáticos antes
utilizados, como o correio eletrônico (e-mails'), por exemplo, deixam de ter utilidade ou serem
ineficazes. Muitos serviços oferecidos pelas bibliotecas continuam sendo utilizados na
interação com o usuário. Estamos diante de uma evolução, uma mudança de comportamento e
atitudes que faz com que sejam repensados os modelos tradicionais de atendimento
oferecidos. O que deve ser salientado é que a web 2.0 proporciona à biblioteca uma mudança
de conceitos, ou seja, a possibilidade de oferecer recursos centrados no usuário, promover
canais interativos de divulgação da informação, auxiliar através de novas ferramentas a
construção do conhecimento, interagindo, criando conteúdos e recebendo feedback mais
instantâneo do seu usuário final.
Diante desta nova concepção de Biblioteca 2.0, verifica-se que tanto bibliotecas
quanto bibliotecários devem acompanhar as evoluções tecnológicas destes espaços cada vez
mais interativos, na qual usuários e bibliotecários possam juntos, criar e modificar conteúdos
em ambientes digitais. Atentas ao novo perfil do usuário, diariamente conectado na rede, as
bibliotecas precisam disponibilizar seus produtos e serviços ao usuário. As ferramentas da
web 2.0 são espaços perfeitos para esta nova interação.

2.1 Ferramentas da Web 2.0 no contexto das Bibliotecas Universitárias

Especialmente no ambiente acadêmico, as bibliotecas universitárias, espaços de
apoio ao ensino, pesquisa e extensão das universidades, devem acompanhar as tecnologias
digitais. Necessitam buscar, através das ferramentas disponibilizadas pela web 2.0, um meio
de ultrapassar suas barreiras físicas e adentrar no mundo virtual, buscando maior aproximação
com seus usuários online, tornando-se um ambiente facilitador e abrangente de interação e de
construção conjunta do conhecimento.
Conhecidas como ferramentas colaborativas, as ferramentas da web 2.0 são
instrumentos tecnológicos criados para permitir, através de diferentes locais, a interação entre
usuários. Colocam à disposição de seus usuários a possibilidade de compartilhar, colaborar,
criar valor e competir, fazendo com que a sociedade participe da inovação e da criação de
riqueza em vários setores. (CONTI; PINTO, 2010).

4573

�Jesus e Cunha (2012) afirmam que, no Brasil, já existem alguns estudos relacionados
à biblioteca 2.0, mas apontam para a escassez de informações sobre a efetiva utilização das
ferramentas da web 2.0 em nossas bibliotecas, segundo os autores, as bibliotecas
universitárias podem e devem utilizar a web 2.0 para oferecer produtos e serviços a seus
usuários.
Neste contexto, torna-se pertinente fazer uma breve reflexão sobre a escassez de
investimentos financeiros e tecnológicos que o Brasil enfrentou ao longo de muitos anos.
Com a crise econômica, as universidades públicas enfrentaram um longo período de
estagnação, consequentemente, a falta de recursos afetou diretamente as bibliotecas
universitárias, que não puderam acompanhar e implementar o uso de tecnologias que países
mais desenvolvidos utilizavam.
Esta escassez de recursos, essencialmente financeiros, dificulta, em algumas
situações impede, o cumprimento da missão destas unidades informacionais
como “instrumento” de localização, organização, armazenamento e
disseminação da informação. Em se tratando de bibliotecas universitárias
isto significa atender, a pelo menos, a sua comunidade em suas atividades de
ensino, pesquisa e extensão. (SILVA; CARVALHO; CUNHA, 2011, p. 5).

Contudo, justificam-se de certa forma os apontamentos de Jesus e Cunha (2012), que
revelam a existência de poucos estudos relacionados à Biblioteca 2.0, como também à
escassez de informações sobre os usos das ferramentas da web 2.0 em nosso país.
Faz-se necessário realizar uma análise de como essas tecnologias, que emergiram
através da web 2.0, podem ser aplicadas no contexto das bibliotecas universitárias. Conforme
os autores acima, ferramentas de pesquisa como o YouTube, Wiki, Flickr; ferramentas de
relacionamento social como o Facebook e Twitter; ferramentas de divulgação como Blogs e
mensagens instantâneas são exemplos de interação da tecnologia aliados no processo de
atendimento ao usuário. “A web 2.0 também pode estar presente de outras maneiras, como na
divulgação da biblioteca por meio desses serviços e na disseminação da informação com o
Really Simple Syndication (RSS).” (JESUS; CUNHA, 2012, p. 111).
As redes sociais na internet, por exemplo, que têm como característica principal o
compartilhamento de informações, são massivamente utilizadas pelos jovens e no ambiente
acadêmico representam a maior porcentagem dos usuários das bibliotecas. Cabe salientar que
o conceito de redes sociais é anterior ao surgimento da internet. Conforme Recuero (2009), os
sistemas sociais e as redes sociais estão em constante mudança, a comunicação mediada por
computador gerou outras maneiras de estabelecimento das relações sociais. Desta forma, a
internet é utilizada para formar novos padrões de interação. O computador permitiu que novas

4574

�relações ocorressem em um novo espaço (ciberespaço) formando novos grupos. Portanto, as
redes sociais precisam ter capacidade de adaptação para se desenvolverem em novos
ambientes.
As ferramentas da web 2.0 têm provocado novas formas de interação, reconfigurando
os meios tradicionais existentes. Contudo, o profissional bibliotecário deve estar em contínuo
processo de aprendizagem, adquirindo novas habilidades compatíveis com as novas
demandas.
As bibliotecas universitárias vêm remodelando suas homepages, com o surgimento
das redes sociais, blogs, entre outros, a criação de perfis institucionais para as bibliotecas vem
ampliando os canais de comunicação com o usuário, construindo novos meios de
compartilhamento de informações dentro das universidades.
A criação destes canais de comunicação requerem do bibliotecário conhecimento
sobre os recursos tecnológicos, de informática, criação de websites, de perfis em sites de redes
sociais, o conhecimento e a compreensão das ferramentas da web 2.0, são habilidades que
devem ser postas em prática, a partir da iniciativa dos profissionais.
No momento em que meios dinâmicos de comunicação são abertos com o usuário,
mais informais e interativos, conforme são proporcionados pelos recursos da web 2.0,
verifica-se a necessidade de construir um mesmo canal de comunicação igualitário com o
público-alvo da biblioteca. Saber quais informações devem ser postadas, quais notícias devem
ser compartilhadas, saber utilizar a linguagem da internet. Com mais informalidade e
interatividade, as informações circulam de forma instantânea e cabe ao bibliotecário transmitir
a informação pela web, ou seja, comunicar-se com o usuário de forma eficaz.
Na atual conjuntura em que vivemos, a informação desempenha papel fundamental
em nossas vidas. As bibliotecas universitárias constituem a base sólida que apoia as atividades
de ensino, pesquisa e extensão das universidades e, para tanto, os bibliotecários, devem
caminhar ao encontro dos anseios institucionais a que estão vinculados, munidos de todo o
conhecimento e recursos tecnológicos disponíveis para assim, atingir o objetivo enquanto
profissionais: transmitir, compartilhar e disseminar a informação.

3 Métodos utilizados
Realizou-se um estudo exploratório acerca da utilização das ferramentas da web 2.0
pelo Sistema de Bibliotecas da UFRGS - SBUFRGS. A pesquisa utilizou o método quantiqualitativo. O universo da pesquisa foi composto pelas 32 bibliotecas que constituem os
SBUFRGS, para amostra selecionou-se as 30 bibliotecas universitárias.

4575

�Através de uma abordagem quantitativa e qualitativa a coleta dos dados foi realizada
nas seguintes etapas: levantamento de dados na internet, contato telefônico, questionário e
entrevistas com os bibliotecários das unidades.
Para a análise dos dados quantitativos (levantamento de dados na internet, contato
telefônico e questionário) foi realizada uma estatística descritiva através da construção de
planilhas.
O levantamento de dados na internet foi realizado com o objetivo de verificar as
informações sobre a existência da utilização das ferramentas da web 2.0 pelas bibliotecas do
SBUFRGS. Esta pesquisa foi realizada no período de 10 a 15 de setembro de 2012 e ocorreu
em três etapas: análise dos websites das bibliotecas, busca nas ferramentas da web 2.0 e
pesquisa no Google.
Em relação aos dados obtidos nas entrevistas, para a análise utilizou-se o método
denominado análise de conteúdo.
A seleção das bibliotecas para a aplicação das entrevistas ocorreu de forma
intencional, ou seja, escolhe-se a partir de critérios estabelecidos previamente um grupo de
elementos para compor a amostra no qual o pesquisador, intencionalmente, procura saber
opiniões. (MARTINS; THEOPHILO, 2009).
No conjunto das bibliotecas, o foco foram as 13 (treze) bibliotecas que utilizam as
ferramentas da web 2.0. Selecionou-se nesse conjunto para as entrevistas, as bibliotecas que
utilizam duas ou mais ferramentas da web 2.0 para melhores elementos de análise. A partir
destes critérios, 6 (seis) bibliotecas foram convidadas para participar das entrevistas e todas
aceitaram fazer parte da pesquisa. As entrevistas foram realizadas no período de 27 de junho a
16 de julho de 2013. Neste período foram entrevistados os responsáveis pela manutenção e
atualização das ferramentas da web 2.0, sendo eles 6 (seis) bibliotecários.

4 Resultados Finais
Verificou-se através do levantamento de dados na internet que, das 30 (trinta)
bibliotecas do SBUFRGS analisadas, 13 (treze) bibliotecas utilizam as ferramentas da web
2.0, ou seja, 43%. Logo, 17 (dezessete) bibliotecas ainda não fazem uso das ferramentas da
web 2.0, correspondendo à 57%.
Durante esta pesquisa analisou-se a interligação entre os websites e as ferramentas da
web 2.0, ou seja, se os websites disponibilizam links às ferramentas. O resultado encontrado
foi que das 13 (treze) bibliotecas que utilizam as ferramentas da web 2.0 apenas 8 (oito)

4576

�websites fazem link para as ferramentas (Facebook, Blog e Twitter). Os demais 5 (cinco)
websites não mencionam sua participação nas redes sociais e Blog aos seus internautas.
Para confirmar as informações pesquisadas na internet, realizou-se, ainda no mês de
setembro de 2012, contato telefônico com os bibliotecários de cada unidade, na busca por
informações mais precisas sobre a efetiva utilização, ou não, das ferramentas da web 2.0. Este
contato reafirmou os dados encontrados sobre quantas bibliotecas fazem uso das ferramentas
da web 2.0 sendo possível identificar, também através do relato dos bibliotecários, quais são
as ferramentas utilizadas. Através deste contato por telefone foi possível obter a informação
da utilização de outras duas ferramentas da web 2.0: Skype e SlideShare.
Os dados apontam para os seguintes resultados: a partir da análise dos websites,
buscas realizadas nas próprias ferramentas e no Google e, através de contato telefônico,
constatou-se a utilização de 5 (cinco) ferramentas da web 2.0 por 13 (treze) bibliotecas. As
ferramentas da web 2.0 utilizadas foram assim identificadas: 8 delas, ou seja, 61,5% utilizam
o Facebook; 6 bibliotecas (46,1%) utilizam o Blog; 5 bibliotecas fazem uso do Twitter
(38,4%); 2 bibliotecas (15,4%) informaram que utilizam o Skype para se comunicar com
seus usuários; e 1 biblioteca (7,7%) relatou utilizar a ferramenta SlideShare (ferramenta de
apresentação de slides).
A figura 1 apresenta as ferramentas da web 2.0 utilizadas pelas bibliotecas do
SBUFRGS e suas respectivas porcentagens.
Figura

1 - Ferramentas

da

web

2.0

utilizadas

pelas

bibliotecas

do

SBUFRGS520

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
520 Imagem que compõe o Infográfico, produto final do Mestrado Profissional em Memória Social e Bens
Culturais da Unilasalle - Canoas/RS, 2014.

4577

�Como resultado obsrva-se que a ferramenta Facebook demonstrou ser a mais
utilizada pelas bibliotecas do SBUFRGS, este resultado reforça a grande aceitação desta
ferramenta pelos internautas. Pesquisas revelam que o Facebook já é a ferramenta mais
utilizada no Brasil. Já em 2012, Tozetto (2012) afirmava que o Brasil liderava o crescimento
do Facebook com mais de 54 milhões de usuários, tornando-se o segundo país com maior
quantidade de usuários, em primeiro lugar está os Estados Unidos, país onde o sistema foi
desenvolvido pelo norte-americano Mark Zuckerberg.
Em maio de 2013 a Veja divulgou em seu site dados sobre o uso do Facebook no
Brasil, onde a rede social alcançou, em março do mesmo ano, 73 milhões de usuários
cadastrados no país. Tendo-se em vista que o Brasil possui 94 milhões de pessoas com acesso
à internet, isso significa que quase quatro a cada cinco brasileiros conectados possuem o perfil
no Facebook. (VEJA, 2013).
Aguiar (2012) realizou um estudo sobre o uso das ferramentas de redes sociais nas
bibliotecas universitárias da UNESP, UNICAMP e USP. A pesquisa revelou que das 101
bibliotecas que compõem as três universidades, 50 bibliotecas utilizam as ferramentas de
redes sociais. A pesquisa constatou que as ferramentas mais utilizadas são o Facebook em
primeiro lugar, seguido do Twitter e Blog. Os resultados divulgados por Aguiar (2012)
corroboram com os resultados desta pesquisa que apresenta as mesmas três ferramentas como
sendo as mais utilizadas pelo SBUFRGS.
Após decorrer um ano do levantamento realizado na internet, efetuou-se novamente a
pesquisa acima citada em setembro de 2013. Neste intervalo, correspondente a doze meses,
verificou-se que os dados encontrados não sofreram alterações, ou seja, não houve adesão
e/ou exclusão de ferramentas da web 2.0 pelas bibliotecas analisadas.
Visando buscar maiores informações sobre os motivos da não implantação/adesão
das ferramentas da web 2.0 pelas 17 (dezessete) bibliotecas do SBUFRGS, optou-se por
enviar um questionário por e-mail. Através de uma questão de múltipla escolha, solicitou-se
aos bibliotecários para assinalarem os motivos que impediam a implantação das ferramentas
da web 2.0. A elaboração das questões baseou-se no questionário do estudo de Aguiar (2012,
p.172). O e-mail juntamente com o questionário foi enviado em 16 de setembro de 2013.
A partir do envio do questionário às 17 bibliotecas, 14 (quatorze) bibliotecas que não
utilizam as ferramentas da web 2.0 responderam as questões solicitadas. A Figura 2 apresenta
os motivos que impedem a implementação das ferramentas da web 2.0 pelas bibliotecas do
SBUFRGS.

4578

�F ig ur a 2 - M otiv os que im p ed em a im p l a n t a ç ã o das fe r r a m e n t a s da web 2.0

pelas bibliotecas do SBUFRGS521

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

O motivo que impee a implantação e/ou adesão das ferramentas da web 2.0 mais
citado pelos bibliotecários é a falta de recursos humanos, ou seja, 12 bibliotecas (85,7%)
relataram que faltam recursos humanos para implantar e gerenciar as ferramentas. Em
seguida, a falta de tempo para gerenciar as ferramentas foi o segundo motivo mais citado com
71,4%, (10 bibliotecas); 7 bibliotecas (50%) indicaram a dificuldade para encontrar pessoas
na equipe com perfil e qualificação para implantar as ferramentas da web 2.0; em quarto

521 Imagem que compõem o Infográfico, produto final do Mestrado Profissional em Memória Social e Bens
Culturais da Unilasalle - Canoas/RS, 2014.

4579

�lugar, a ausência de uma política para as unidades que norteie a sua implantação, este motivo
foi citado por 4 (quatro ) bibliotecas (28,6%); 3 (três) bibliotecas indicaram a dificuldade em
elaborar um planejamento estratégico para o uso das ferramentas (21,4%); 2 (duas) bibliotecas
indicaram que as ferramentas da web 2.0 não se aplicam ao perfil da biblioteca e apenas uma
biblioteca considerou a preocupação com a segurança da rede.
Verifica-se que a falta de recursos humanos e a falta de tempo para implantar e
gerenciar as ferramentas da web 2.0 foram os motivos mais indicados pelos bibliotecários do
SBUFRGS para a não adesão/implantação destas ferramentas. O questionário foi respondido,
na sua grande maioria, pelos bibliotecários-chefes, demonstrando indicarem as reais situações
que cada unidade vem administrando. O uso adequado das ferramentas da web 2.0 e sua
administração requer pessoal e tempo para planejar, pesquisar e atender às demandas que
estes novos canais de comunicação exigem.
Estudos indicam que há necessidade de um planejamento prévio à adoção das
ferramentas da web 2.0, sendo que vários critérios devem ser considerados, como por
exemplo: quem são os usuários reais e potenciais, como será feita a alimentação das mídias, o
que se pretende divulgar, quais conteúdos; nas redes sociais deve-se publicar com
regularidade, responder com agilidade as dúvidas e comentários quando necessário, atentar
para as mudanças de interface e de funcionamento acompanhando a tecnologia que está em
constante transformação. (YAMASHITA; CASSARES; VALENCIA, 2012).
Investigar mais detalhadamente os motivos que levam a não adoção das ferramentas
da web 2.0, propor ações e capacitações para a adesão de tais ferramentas, bem como avaliar a
eficiência e eficácia da utilização destas ferramentas nas bibliotecas analisadas, resta como
um importante trabalho futuro.

Entrevistas
Neste trabalho, são apresentados os dados coletados nas entrevistas, correspondente
ao seguinte objetivo: as ferramentas da web 2.0 contribuem na relação bibliotecausuário?
Nesse sentido, verificou-se junto aos bibliotecários a sua percepção sobre a relação
biblioteca-usuário na interação com as ferramentas da web 2.0. Perguntou-se, em relação às
ferramentas utilizadas, se elas contribuem na interação com o usuário. As respostas todas
indicaram contribuições positivas, como pode-se observar nos trechos selecionados abaixo:

4580

�“Acho que aproximou, parece que fica mais perto do usuário, elas
contribuem para essa interação. ” (B2)
“Eu acho que contribui bastante porque eu vejo que eles ficam bem
satisfeitos, eles ficam bem agradecidos e eles expressam isso.” (B4)
“Elas contribuem, é uma forma deles se atualizarem, saber o que está
sendo publicado, as listas de novas aquisições, saber os cursos de
extensão que a UFRGS está oferecendo, [...] e também a questão dos
acervos online que a gente divulga, isso também é bem interessante.”
(B5)
As ferramentas da web 2.0 são espaços de interação e compartilhamento de
informações. Seu uso nas bibliotecas universitárias permite uma interação com os usuários
que vai além do meio físico, ou seja, a comunicação também ocorre de forma não presencial,
possibilitando novos meios de aproximação e até mesmo permitindo um contato que antes
não aconteceria. Todos os entrevistados percebem que o uso das ferramentas da web 2.0
contribuem na relação biblioteca-usuário, eles acreditam que é uma forma de aproximação
com o usuário, estes podem visualizar a qualquer momento as informações postadas pela
biblioteca, curtir, compartilhar, comentar, não apenas no horário de funcionamento da
biblioteca, mas a qualquer hora do dia: “[...] de uma forma ou de outra eles estão em casa à
meia-noite, uma da manhã eles estão acessando o Twitter, eles estão tendo contato com a
gente. Então, de uma maneira ou de outra, eles estão ali sabendo o que a gente está postando
aqui.” (B1).
Esta relação de proximidade que as ferramentas da web 2.0 permitem, através de um
ambiente mais dinâmico e informal, vem despertando nas instituições, o interesse pela sua
utilização. O bibliotecário, ao utilizar o serviço de chat, tanto no Skype, quanto no Facebook,
por exemplo, possibilita ao usuário um atendimento imediato, instantâneo e até mesmo
personalizado. “É um atendimento automático, ele está com a dúvida, ele já entra no seu
perfil, conversa com o bibliotecário, já sana a sua dúvida e resolve a sua vida.” (B3).
As bibliotecas devem potencializar as condições de interação com seus usuários,
participando e atuando na web, tornando seus ambientes virtuais em espaços de interação
direta com o usuário, desta forma a biblioteca irá redimensionar o seu papel de mediadora no
acesso ao conhecimento. (GOMES; PRUDÊNCIO; CONCEIÇÃO, 2010)

4581

�Os relatos dos entrevistados abaixo exemplificam as formas de interação bibliotecausuário no uso das ferramentas da web 2.0. A participação ativa do bibliotecário na web,
utilizando as redes sociais, contribui na divulgação dos produtos e serviços da biblioteca:
“[...] nesses momentos que a gente faz uma promoção específica, é
que a gente vê que tem bastante interação, o pessoal está atento,
né?!" (B1).
“[...] quando é um assunto muito interessante, que chame muita
atenção, aí sim há um grande número de curtidas." (B5)
As redes sociais permitem a disseminação da informação de forma rápida. O
bibliotecário precisa conhecer estas ferramentas, ser mais pró-ativo e fazer uso delas no seu
dia a dia, promovendo conteúdos relevantes, divulgando cursos e capacitações. Isso poderá
ajudá-lo a realizar um trabalho mais eficaz voltado ao atendimento do usuário de acordo com
seu perfil. (YAMASHITA; CASSARES; VALENCIA, 2012).
Através das entrevistas verificou-se que a maioria dos bibliotecários faz uso das
ferramentas da web 2.0 para promover seus serviços e produtos: treinamentos, capacitações,
listas de novas aquisições, entre outros. É uma forma de marketing, de agradar e atrair o
público-alvo. A utilização das ferramentas da web 2.0 podem contribuir na relação bibliotecausuário, sendo a promoção (dos serviços e produtos) um fator de destaque: “A gente tem que
trabalhar com a promoção, a gente tem que focar também na promoção. Acho que é uma
grande vantagem das redes sociais e desses meios de comunicação é a questão da promoção
da biblioteca." (B3).
Observou-se que os bibliotecários que realizam a promoção da biblioteca através das
ferramentas da web 2.0 atualizam seus usuários em relação ao que vem sendo adquirido e
oferecido, não somente pela biblioteca, mas divulgando também informações sobre a
Universidade.
“Teve um dia que a gente divulgou um e-book que estava disponível
sobre acessibilidade e esse e-book teve um monte de curtir. E é bem
assim que funciona, a gente recebe a divulgação por e-mail e como é
que a gente ia fazer a divulgação se não tivesse as redes sociais?"
(B5).
A fala do entrevistado acima também revela o comportamento de uma geração de
indivíduos (estudantes e/ou profissionais) que cresceram utilizando as tecnologias de
informação e comunicação. A Geração Y está habituada com as facilidades da internet, com

4582

�as diversas formas de interação, não apenas observam, mas colaboram e compartilham
informações e parecem desconhecer as formas de relacionamento sem o uso das tecnologias.
O surgimento de uma nova geração de usuários, conhecida como Geração Y, utiliza
diversos dispositivos tecnológicos e redes sociais para buscar informação, se comunicarem e
se socializarem. São novas ferramentas, novos comportamentos e mentalidades que permitem
outros parâmetros de atuação para as bibliotecas. (AGUIAR, 2013).
Verifica-se, através do depoimento dos bibliotecários entrevistados, as afirmativas
quanto a contribuição do uso das ferramentas da web 2.0 na relação biblioteca-usuário.
Utilizar estas ferramentas como meio de divulgação, de promoção dos produtos e serviços
oferecidos auxilia a biblioteca a transmitir as informações que deseja ao seu público-alvo bem
como receber de forma mais instantânea o feedback dos usuários, conforme relato do
entrevistado B6 que identifica a interação do usuário através do número de “curtidas” e/ou
compartilhamentos das suas postagens: “[...] pela interação, pelo curtir, número de
visualizações, pelo compartilhar. Os assuntos de interesse que são mais curtidos [...], e assim
já dá pra perceber o que atrai e o que não atrai os usuários, assim identifica o que é de
interesse da comunidade que lê.”
O fator “interação” que os novos canais de comunicação estabelecem, proporcionam
o aprimoramento dos processos comunicativos resultando em uma maior relação de
proximidade biblioteca-usuário, antes não permitidos. Tais fatores devem ser levados em
conta no momento de se avaliar a aplicação das ferramentas da web 2.0 em suas bibliotecas.

5 Considerações Finais
Este trabalho possibilitou uma investigação em relação ao uso das ferramentas da
web 2.0 pelas bibliotecas universitárias que compõem o Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O estudo aqui proposto permitiu a identificação
de quais ferramentas da web 2.0 são utilizadas pelas bibliotecas e sua contribuição na relação
biblioteca-usuário. Os resultados indicam que 43% das bibliotecas do SBUFRGS utilizam as
ferramentas da web 2.0 sendo o Facebook, Blog e Twitter as ferramentas mais utilizadas.
Compreende-se a contribuição do uso das ferramentas da web 2.0 na relação
biblioteca-usuário, uma vez que a utilização destas ferramentas auxilia a biblioteca a
transmitir as informações que deseja ao seu público-alvo, bem como receber de forma mais
instantânea o feedback dos usuários. A interação proporcionada pelos novos canais de
comunicação aprimoram os processos comunicativos resultando em uma maior relação de
proximidade biblioteca-usuário, essenciais nos dias atuais.

4583

�Conclui-se que a utilização das ferramentas da web 2.0 implica, na maioria das
vezes, o aumento da participação dos usuários e de seu interesse pela biblioteca. O
bibliotecário deve ser um gestor, pró-ativo e aberto à mudanças, desempenhando o papel de
facilitador da informação e aceitando os novos desafios que a adoção dessas ferramentas traz
ao seu cotidiano da biblioteca universitária.

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estudo exploratório na UNESP, UNICAMP e USP. 2012. Dissertação (Mestrado em Cultura e
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4585

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Rumo à biblioteca interativa: uso das ferramentas da web 2.0 no Sistema de Bibliotecas da UFRGS- SBUFRGS</text>
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                <text>Colpo, Lenise Di Domenico, Mangan, Patrícia Kayser Vargas</text>
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                <text>As ferramentas da web 2.0 fazem parte do cotidiano das bibliotecas que almejam a aproximação com o usuário cada vez mais conectado à internet. Buscando apresentar dados de uso destas ferramentas pelas bibliotecas universitárias, o presente estudo tem como objetivo geral identificar, no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – SBUFRGS, as ferramentas da web 2.0 utilizadas atualmente na prestação dos serviços e na divulgação de informações e verificar se estas ferramentas contribuem na relação biblioteca-usuário. Resultados indicam que 43% das bibliotecas estudadas fazem uso das ferramentas da web 2.0, sendo o Facebook a ferramenta mais utilizada. Conclui-se que o uso das ferramentas da web 2.0 contribui positivamente na relação biblioteca usuário uma vez que, sua utilização aprimora os processos comunicativos resultando em uma relação de proximidade biblioteca-usuário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A GESTÃO DO CONHECIMENTO POTENCIALIZADA PELA GESTÃO
PARTICIPATIVA
Selma Regina Ramalho Conte

RESUMO
Apresenta a Gestão Participativa como uma forma de promover o desenvolvimento
organizacional baseando-se nas pessoas. Aponta a comunicação, ocorrendo em todos os
níveis da organização; e, o relacionamento interpessoal, na formação de grupos e equipes,
como as principais características dessa forma de gestão. Analisa o instrumento
administrativo comissões aplicável em todos os tipos de organizações, suas funções,
características, vantagens e desvantagens. Relata experiências de unidades de informação na
aplicação da Gestão Participativa, assim como exemplos dos trabalhos em comissões,
envolvendo tanto as equipes dessas unidades como as comunidades a que servem. Descreve o
trabalho em comissões realizado no Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do
Paraná (UFPR) como potencializador na Gestão do Conhecimento aliado à aplicação da
Gestão Participativa. Exemplifica a atuação de algumas comissões, seus entrelaçamentos e a
abrangência dessa atuação. Pontua mudanças na cultura organizacional, mudanças
comportamentais e uma melhor aplicação do capital intelectual disponível.
Palavras-Chave: Gestão Participativa. Gestão do Conhecimento. Comissões.
ABSTRACT
Presents the participative management as a way to promote organizational development
basing on people. Points the information sharing occurring at all levels of the organization;
and the personal relationship, self-managed teams, as the main characteristics of this kind of
management. Analyzes the applicable committees as an instrument on all types of
organizations, their functions, features, advantages and disadvantages. Report experiences of
informations units in the implementation of participatory management, as well as examples of
work in committees, involving both these teams units as the communities which they serve.
Describes the work done by the committees in the Sistema de Bibliotecas (SiBi) of the
Universidade Federal do Paraná (UFPR), increasing the management knowledge combined
with application of participative management participatory. Exemplifies the work of some
committees, their interlace and the scope. Score changes in organizational culture, changes in
the behavior and better application of intellectual resources available.
Keywords: Participative management. Knowledge management.Committees.

1 INTRODUÇÃO
Entendida também como administração participativa ou democrática, a Gestão
Participativa tem se mostrado como uma estratégia que permite arregimentar esforços e

596

�dividir responsabilidades em todos os níveis da hierarquia organizacional. Esse modo de
gestão reflete as relações entre o indivíduo e seu trabalho.
Quando aplicada a unidades ou sistemas de informação a Gestão Participativa procura
envolver os trabalhadores dessas unidades assim como a comunidade a que servem,enfocando
as relações humanas, a qualidade do ambiente organizacional e dos serviços prestados. A
forma mais comum de se aplicar a Gestão Participativa tem sido com o uso de comissões.
Tendo como missão ofertar à comunidade universitária e à comunidade em geral o
controle e o acesso adequados às informações em Ciência e Tecnologia, essenciais para as
atividades universitárias, tanto de cunho acadêmico como administrativo, e para o pleno
exercício da cidadania, o Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná
(UFPR) vem fortalecer o compromisso de seus servidores com a própria universidade, seus
usuários e a comunidade.
Para consolidar esse compromisso o SiBiimplanta o Programa de Gestão do
Conhecimento (PGC) colocado em prática por meio do trabalho em comissões. Deste modo
caracteriza a Gestão Participativa, onde as decisões são compartilhadas, as necessidades de
mudanças são analisadas, a produção do conhecimento é incentivada, e, principalmente, fazse o melhor uso de seu capital intelectual.
Relata-se a experiência do trabalho em comissões, a composição inicial, seus
entrelaçamentos, situações de conflitos, e ações e ajustes que se fizeram necessários para o
andamento dos trabalhos. Aponta mudanças de comportamento dos servidores e na cultura
organizacional, a busca por novos conhecimentos e a disposição em participar.
Conclui-se afirmando que o trabalho em comissões proporciona a aproximação dos
servidores e sua valorização, tanto no SiBi como na própria UFPR. Éum fator de mudanças e
uma experiência bastante positiva.

2 GESTÃO PARTICIPATIVA

Dentre os programas de envolvimento de pessoas na administração das organizações
aGestão Participativa tem se apresentado como uma forma de promover o desenvolvimento
baseando-se nas pessoas, independente do nível hierárquico e do potencial de contribuição
(CHIAVENATO, 2000, p.406; CHIAVENATO, 1997, p. 62; MCGREGOR, 1980, p.118;
PREDEBON; SOUSA, 2003, p.1).
Como pressuposto, a Gestão Participativa oferece a oportunidade de tomar parte nas
decisões da organização estabelecendo vínculos de confiança, relações de comprometimento,

597

�satisfação no trabalho, motivação e responsabilidade pelos resultados, assim como estímulo à
criatividade, à proatividade e ao empenho das pessoas (CHIAVENATO, 2000, p.407;
CHIAVENATO, 1997, p.63, p.65; MATOS, 1979, p.8; PREDEBON; SOUSA, 2003, p.4).
Em contrapartida, para a sua plena realização, a Gestão Participativa procura utilizar a
máxima capacidade do capital intelectual da organização, suas habilidades técnicas e de
comunicação, apoiada por uma cultura organizacional que suporte o envolvimento das
pessoas, as necessidades de mudançase as soluções para tal(CHIAVENATO, 2000, p.406­
407; MCGREGOR, 1980, p.108; PREDEBON; SOUSA, 2003, p.1, p.3).
Entre as principais características da Gestão Participativa destacam-se a comunicação
e o relacionamento interpessoal (CHIAVENATO, 1997, p.38; PATEMAN, 1992, p.90). Em
ambos os processos assimilam-se valores, normas, procedimentos e resultados, permitindo a
socialização do conhecimento, ligada a processos grupais e à cultura organizacional
(NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p. 68), da mesma forma as informações recebidas e coletadas
nessa vivência afetam o conhecimento e o modo de proceder dos envolvidos (CHOO, 2006, p.
116).
A comunicação, para uma prática eficaz da Gestão Participativa, deve ocorrer em
todos os níveis da organização, tanto horizontal como vertical. A informação, compartilhada
por todos, torna-se um recurso decisivo (CHIAVENATO, 1997, p.38; PATEMAN, 1992,
p.90). Essa comunicação deve estabelecer um fluxo informacionaleficiente e desinteressado,
onde são identificadas as melhores alternativas para o desempenho organizacional (MOTTA,
1988, p. 81), dando embasamento às decisões.
A característica relacionamento interpessoal enfatiza a formação de grupos ou equipes,
estimula a participação, desenvolve o senso de eficiência e confiança mútua (CHIAVENATO,
1997, p. 38-39; CHIAVENATO, 2000, p. 407; MCGREGOR, 1980, p. 108; PATEMAN,
1992, p. 91). Como salienta Berry (1996, p. 231-232) o trabalho em equipes é baseado na
colaboração, coesão e compromisso, justapondo as contribuições, respeitando e aceitando as
individualidades e as opiniões divergentes.Para Chiavenato (1997, p. 63) o trabalho em
equipes é considerado parte essencial da Gestão Participativa.
Casado (2002, p. 237) salientaque organizações alteram seus modelos de gestão para o
trabalho em equipes, e odistingue dentre as principais qualidades profissionais.Este convívio
social, trabalhar em equipes, possibilita o crescimento individual, que por sua vez reflete no
âmbito profissional. É da mesma autora a conceituação:

598

�Equipe é o conjunto de pessoas que buscam um objetivo comum, clara e
explicitamente formulado. Cada uma usa suas habilidades e se esforça no
cumprimento de sua tarefa de acordo com o objetivo maior. Os componentes
de uma equipe têm grande clareza da divisão de responsabilidades e das
fronteiras de suas ações, bem como de suas atribuições. O foco da definição
de equipe é a responsabilidade pelo cumprimento das atribuições que levarão
à consecução dos objetivos comuns. (CASADO, 2002, p. 240)

O trabalho desenvolvido pelas equipes deve estar não só em consonância com os
objetivos da organização, mas deve ser realizado a fim de encontrar as melhores alternativas e
soluções para que a organização atinja seus objetivos, agindo como facilitador.
Analisando especificamente o instrumento administrativo comissões, Koontz e
O'Donnell (1962, p. 245, p. 247) consideram a ação grupal essencial ao trabalho em
comissões, podendo ter caráter administrativo, decisório, consultivo ou deliberativo; uma
ferramenta

de

trabalhoque

pode

ser

empregada

em

todos

os

tipos

de

organizações(MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JR., 1998, p. 270), na expansão das ideias e
para assessorar a tomada de decisões (CHIAVENATO, 2004, p. 199), dando flexibilidade às
organizações (KOONTZ; O'DONNELL, 1962, p. 252).
Para Newman (1975, p. 231) o número de componentes de uma comissão deve estar
de acordo com a função da comissão, que na regra geral mantém o menor número possível.
Chiavenato (2004, p. 199) considera os limites de cinco a seis componentes, no mínimo, e de
15 a 16 componentes, no máximo. Segundo Casado (2002, p. 242) o número de componentes
está relacionado aos objetivos da comissão; o número elevado de participantes dificulta a
comunicação, traz lentidão e imprecisão, podendo inclusive minimizar a satisfação pelo
trabalho bem feito, como a não assunção de responsabilidades em caso de resultados
negativos.
A razão mais importante para o uso de comissões nas organizações é a deliberação e a
tomada de decisões em grupo. A diversidade de experiências e conhecimento, e as várias
especialidades do grupo propiciam aanálisedos problemas como um todo e sob
váriosaspectos, favorecendo a identificação das melhores soluções (CHIAVENATO, 2004, p.
199, KOONTZ; O'DONNELL, 1962, p. 248; MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JR., 1998,
p. 271; NEWMAN, 1975, p. 223).Tomar decisões em grupo resguarda a coerência do próprio
grupo evitando que interesses pessoais prevaleçam nas decisões (CHOO, 2006, p. 317).
Casado (2002, p. 243) aponta, ainda, que a existência de regras, padrões morais e valores
legitimam o comportamento dos componentes e a definição dos papéis a se desempenhar
esclarece as expectativas.

599

�A transferência de informações, também considerada uma importante razão no uso de
comissões, pode ser feita simultânea e uniformemente aos interessados, levando à economia
de tempo e permitindo, como resposta às comissões, uma diversidadede sugestões
(CHIAVENATO, 2004, p. 200; KOONTZ; O'DONNELL, 1962, p. 251). Destaca-se,
também, a motivação pela participação em comissões (KOONTZ; O'DONNELL, 1962, p.
252), e que tomar parte no planejamento e nas decisões leva a um sentimento de
pertencimento e de realização.
Dentre as desvantagens no uso de comissões Koontz e O'Donnell (1962, p. 253-255)
destacam o custo monetário e do tempo dos componentes nas comissões; a indecisão, muitas
vezes opiniões divergentes e assuntos aleatórios demandam tempo nas deliberações; e a
responsabilidade, os componentes das comissões podem não se sentir igualmente
responsáveis pelas decisões da comissão por se situarem em vários níveis hierárquicos
(CHIAVENATO, 2004, p. 199).
Para que uma comissão atue com eficiência sua autoridade, responsabilidade e
objetivos devem ser determinados com exatidão;e seus componentes devem ser apropriados à
função da própria comissão (CHIAVENATO, 2004, p. 199; NEWMAN, 1975, p. 222, p.
230), além de serem objetivos e imparciais (NEWMAN, 1975, p. 227); a coordenação ou
presidência da comissão deve ser capaz de manter a cooperação, vencer as intransigências ou
mesmo a acomodação entre os componentes (CHIAVENATO, 2004, p. 200; MEGGINSON;
MOSLEY; PIETRI JR., 1998, p. 272).

3 Gestão Participativa em Unidades de Informação
Apontada por Pereira et al. (2000, p. 27) como uma filosofia de trabalho na gerência
de unidades ou sistemas de informação,fortalecida pela democratização das relações sociais,
pela complexidade das organizações e pela rapidez das mudanças,aGestão Participativa tem
sido aplicada com sucesso à sistemas de bibliotecas universitárias, públicas, ecomunitárias.
Alguns relatosindicam a aplicação em bibliotecas inseridas em sistemas de bibliotecas e que
optaram por implantar aGestão Participativa. Aqui se enquadram os relatos de Vanti (1999) e
Andrade et al. (1998).
Vanti (1999, p. 335) apresenta a implantação da Gestão Participativa para um
ambiente de qualidade centrado nas relações humanas. Destaca os aspectos liderança e
motivação contínua como extremamente importantes. A resistência inicial foi vencida quando
ficou claro que a transição dependia da colaboração de todos. Aponta considerável melhoria
no clima organizacional e que a diferença está em "gerenciar com pessoas e não as pessoas"

600

�(VANTI, 1999, p. 338). Andrade et al. (1998, p.311-312) descrevem um plano de ações
voltado à valorização das pessoas, incluindo mudanças comportamentais, para a implantação
de uma nova filosofia de trabalho. Por envolver o comportamento de pessoas pode ser um
processo lento, neste sentido é indispensável que o processo de transição seja disciplinado e
organizado.
A Gestão Participativa, no caso das bibliotecas públicas e das comunitárias, é relatada
por Machado e Vergueiro (2010, p. 249) que apontam a postura dos gestores dos espaços de
acesso à informação relacionada àcultura organizacional. Mencionam a necessidade de um
processo educacional de todos os envolvidos para a implantação docomportamento
participativo, e ainda, a identificação de métodos, técnicas e mecanismos de participação
(MACHADO; VERGUEIRO, 2010, p. 249, p. 251). Consideram que tanto bibliotecas
públicas como comunitárias podem compartilhar suas experiências na implantação dessa nova
forma de gestão (MACHADO; VERGUEIRO, 2010, p. 253).
Adesignação de comissões tem se mostrado constante na aplicação da Gestão
Participativa em unidades de informação.
Nascimento, Couto e Bastos (2000, p. 11),frente a circunstâncias gerenciais buscam a
participação que traz a inovação,a flexibilidade, a criatividade, a ação e a comunicação, e para
tantorecomendam a criação de comissões,com reuniões frequentes, oportunizando a exposição
e troca de ideias.Aconselham, ainda, a instituir um programa de autoavaliação com critérios
de desempenho elaborados pela própria equipe.
Na busca por modelos de organização e gestão de bibliotecas, especificamente
bibliotecas universitárias do estado de Santa Catarina, Prado e Abreu (2005, p. 117-118)
salientam que aGestão Participativa se dá, principalmente, por meio de comissões. A
composição destas comissões pode tanto abranger a equipe de trabalho da biblioteca como
seus usuários. A pesquisa indica que a comissão para desenvolvimento de acervos é a mais
comumente estabelecida, envolvendo, além de bibliotecários, docentes e discentes das
instituições.Ponto este corroborado por Pinheiro (2013, p. 38) ao citar a criação de uma
comissão de desenvolvimento de coleções, com a participação da comunidade universitária,
propiciando um equilíbrio deinteresses (PINHEIRO, 2013, p. 39).Silveira, Costa eSilva(2012,
p. 6) ao relatarem a composição de uma comissão para a construção de uma política para a
formação e desenvolvimento de coleções, neste caso envolvendo bibliotecários, apontam a
experiência participativa como uma oportunidade para a implantação de um novo modelo de
gestão.

601

�Neste sentido, Godoy (2010, p. 4, p. 8) relata a implantação de uma nova organização
administrativa baseada na Gestão Participativa, aplicada a um sistema de bibliotecas,
fundamentada em planejamento estratégico e plano de desenvolvimento institucional.Aponta
a comunicação como elo entre o planejamento e a equipe de trabalho; anecessidade de
suprimir tarefas especializadas e rotinizadas em excesso; e ainda, que toda a equipe deve
conhecer os valores e os objetivos que orientam o trabalho, assim como "é fundamental a
integração multidisciplinar da equipe" (GODOY, 2010, p. 5).
O relato de Gurgel et al. (2006, p. 2-3), também sobre sistema de bibliotecas,
demonstra um amplo uso de comissões na busca por soluções e otimização dos recursos.
Destaca, como ponto positivo, a participação dos bibliotecários em mais de uma comissão, de
acordo com o interesse de cada um. Aponta adaptações que se fizeram necessárias, tanto na
participação como na temática das próprias comissões (GURGEL et al. 2006, p. 4-5).Salienta
a plena participação dos bibliotecários na gestão da organização, uma visão sistêmica
ampliada, a obtenção constante de novos conhecimentos, mudanças comportamentais, e o
quanto é indispensável investir no capital intelectualda organização (GURGEL et al. 2006,
p.9).
As experiências relatadas indicam anseios e necessidades na busca por novas formas
de gestão em Unidades de Informação, e corroboram a aplicação da Gestão Participativa por
meio do trabalho em comissões desenvolvido no SiBi, mostrado a seguir.

4

A

GESTÃO

PARTICIPATIVA

NO

SISTEMA

DE

BIBLIOTECA

DA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
A implantação do PGC no SiBi (CAMARGO et.al., 2012) em 2009, veio ao encontro
das expectativas trazidas com o incremento do seu quadro de servidores, bibliotecários ou
não;assim como para consolidá-lo, no sentido de estabelecer políticas e diretrizes imparciais,
e fortalecê-lo, ao aplicar suas políticas e diretrizes uniformemente, como organização que
valoriza o conhecimento gerado por suaequipe(CAMARGO et.al., 2012, p.2).Atualmente são
217 servidores, distribuídos por 18 bibliotecas, geograficamente dispersas, sendo quatro delas
fora de Curitiba, PR, o que torna indispensável uma maior integração entre as unidades e seus
servidores, e do SiBi como um todo.
Em auxílioàs ações levantadas para a implantação do PGC -uma comissão foi
constituída para formulação da proposta de implantação do Programa -foram criadas as
seguintes

subcomissões

específicas:

Subcomissão de Multimídia;

Subcomissão de

Repositórios - esta subcomissão foi posteriormente absorvida por uma comissão;

602

�Subcomissão do Portal Corporativo; Subcomissão do Mapa do Conhecimento; Subcomissão
de

Investigação

Administrativos;

Científica;

Subcomissão

de

Produção

Científica

e Documentos

Subcomissão de Eventos - esta subcomissão foi posteriormente

transformada em comissão, pois sua atuação se estendeu para todo o SiBi(CAMARGO et.al,
2012, p. 4-5).
Atualmente o SiBi conta com 21 comissões e 5 subcomissões de trabalho assim
constituídas: Comissão da Feira de Cursos e Profissões da UFPR;Comissão de
Acessibilidade; Comissão de Bibliografia Básica; Comissão de Circulação; Comissão de
Comutação Bibliográfica; Comissão de Conservação Preventiva e Restauração; Comissão de
Educação Continuada dos Servidores;Comissão de Educação Continuada dos Usuários;
Comissão de Eventos; Comissão de Formação e Desenvolvimento de Coleções; Comissão de
Gestão de Software de Gerenciamento de Acervo; Comissão de Gestão do Portal da
Informação; Comissão de Levantamento Patrimonial; Comissão de Normas; Comissão de
Organização, Administração, Manutenção e Desenvolvimento do Repositório Digital
Institucional - absorveu a Subcomissão de Repositórios; Comissão de Periódicos; Comissão
de Preparo Técnico; Comissão de Relatórios SiBi; Comissão de Serviço de Referência e
Informação; Comissão de Sinalização; Comissão do PGCe suas subcomissões. Eventualmente
são criadas novas comissões para situações específicas a exemplo da Comissão Especial para
Desfazimento de Acervo.
Todas as comissões são formalmente constituídas, nomeadas por portarias e
atualizadas anualmente. Cada comissão tem seu próprio coordenador, bibliotecário ou não,
indicado pela Direção do SiBi, ou, em caso de substituição, pelos componentes da própria
comissão.
Assim, a Gestão Participativa concretiza-se no SiBi.
Em um primeiro momento a composição das comissões ocorreu de forma voluntária,
os bibliotecários puderam escolher a comissão de acordo com sua área de interesse. O
ingresso nas comissões foi estendido a todos os servidores do SiBi, também de acordo com
sua área de interesse. Entretanto, no decorrer dos trabalhos, observou-se que determinadas
comissões precisavam ter entre seus componentes as pessoas que exerciam as atividades
correspondentes à função da comissão, aexemplo da Comissão de Serviço de Referência e
Informação composta por bibliotecários e auxiliares que atuam no Serviço de Referência. Da
mesma forma, no decorrer dos trabalhos, as comissões convidam novos membros quando
competências e habilidades condizentes à função da comissão são observadas ou se destacam.
Vale salientar que o número de componentes das comissões de serviços - Circulação,

603

�Comutação Bibliográfica,Educação Continuada do Usuário,Periódicos, Preparo Técnico,
Serviço de Referência e Informação - corresponde a cada uma das bibliotecas do SiBi. Isso se
aplica

também

às

comissões

de

Acessibilidade,Conservação

Preventiva

e

Restauração,Formação e Desenvolvimento de Coleções, Levantamento Patrimonial e
Sinalização.
Um ponto importante a ser considerado, para àqueles que compõemuma comissão,
éconhecer o trabalho desenvolvido nas bibliotecas, pois são os componentes das comissões
que levam as demandas das suas unidades, atuando como representantes de todo o quadro
funcional. Esta atuação se dá, principalmente, nas comissões de serviços. É nesse ponto que
percebe-sea ação do processo educacional mencionado por Machado e Vergueiro (2010, p.
249-250). Os componentes das comissões compreendem sua posição dentro das comissões e o
que esta posição representa, percebem que precisam olhar o SiBi como um todo, fundamentar
suas decisões e ponderar sobre as consequências que advierem, consequências estas que
afetam o ambiente interno e externo ao SiBi.
Observa-se que as comissões estão entrelaçadas, pois um mesmo servidor atua em
mais de uma comissão. São os chamados "elos de ligação" propostos por Chiavenato (1997, p.
41), esses elos apontam àqueles que mais contribuem com a organização (CHIAVENATO,
2000, p. 407). Neste sentido Casado (2002, p. 243) indica a análise das interações grupais pela
técnica da sociometria, como medida para as relações interpessoais. A concentração dos
mesmos componentes em várias comissões pode demonstrar um maior grau de
entrelaçamento; pode também, por vezes, gerar situações delicadas, quando há que se
encontrar os limites entre duas ou mais pessoas(CASADO, 2002, p. 240), ou entre duas ou
mais comissões.
No que tange àsmudanças organizacionais e situações conflitantes um dos primeiros
passos para a implantação do PGC, e consequentemente ao trabalho em comissões sob os
auspícios

da Gestão

Participativa,

foi

oferecer

aos

servidores

palestrasregulares

sobreCulturaOrganizacional, Gestão do Conhecimento, Gestão de Conflitos e Auto
Conhecimento.
As comissões organizam-se para reuniões de acordo com a necessidade que a função
da comissão exige, e/ou ainda, de acordo com a disponibilidade de seus componentes. As
reuniões são previamente agendadas, e este agendamento está disponível para consulta a
todos os servidores. Todas as reuniões são abertas à participação de todos e, para tanto, as
comissões diversificamos locais das reuniões nas váriasbibliotecas distribuídas nos campi da
UFPR. As deliberações são relatadas nas memórias das reuniõescom livre acesso a todos os

604

�servidores por meio das ferramentas disponibilizadas pelo PGC: AgendaSiBi,BoletimSiBi, e­
mail corporativo, conferências on-line e Seminário deIntegração Profissional (SIP).
De acordo com a função da comissão eda decisão a ser tomada e sua abrangência as
deliberações são encaminhadas às reuniões de Chefias das Bibliotecas para adequações,
providências e decisões finais.
Embora todas as comissões sejam de extrema importância para o SiBi, o trabalho de
algumas delas, pela sua relevância tanto para o público interno quanto para o público externo,
pode ser aqui destacado.
Comissão de Acessibilidade.Procura atender às políticas de inclusão de Pessoas com
Deficiência (PCD) doSiBi e trabalha em parceria com o Núcleo de Apoio às Pessoas com
Necessidades Especiais da UFPR. A comissão conta, também, com o apoio da Biblioteca de
Ciência e Tecnologia (BCT) na implantação de projetos de acessibilidade. A BCT teve seu
espaço físico totalmente adaptado, após sua reforma em 2010, e teve implementadas as
seguintes ações: aplicação da NBR 9050 nos espaços da biblioteca; padronização da largura
dos corredores entre as estantes permitindo mobilidade adequada;instalação de elevador de
pessoas para acesso a todos os andares; adaptação dos banheiros existentes para atender aos
usuários internos e PCD, assim como a construção de um banheiro adequado;aumento da
fonte usada nas etiquetas de lombadas e rebaixamento, à altura dos olhos, da guia de
orientação das estantes;restauração e adaptação de guarda-volumes dentro das especificações
de acessibilidade; balcão de empréstimo projetado seguindo os padrões de ergonomia,
acessibilidade e estética, visando oferecer maior conforto e qualidade aos funcionários e
usuários; instalação de pisos táteis direcionais visando à orientação segura de pessoas com
deficiência visual, bem como mesa tátil falante utilizada na biblioteca com mapa tátil para
identificar e orientar os usuários no acesso e uso dos recursos, áreas de serviço, regulamentos,
horários e outras informações; instalação do Laboratório deAcessibilidade (Laboratório de
Informática) projetado para ser acessível a todos e equipado para o atendimento também aos
PCD. Dentre os equipamentos possui Linha Braille e leitor autônomo e instantâneo que utiliza
a tecnologia de síntese de voz para descrevertextos em papel ou textos de páginas da internet,
geralmente inacessíveis aosusuários com deficiência visual, contribuindo na busca por formas
alternativas de acesso à informação. Atualmente a BCT centraliza o atendimento de
solicitações de acessibilidade ao acervo do SiBi. A atuação da comissão propiciou, também,
uma pesquisa sobre acessibilidade nas bibliotecas do SiBi, por meio de observações e
entrevistas, tanto com gestores quanto com alunos com deficiência,matriculados em diferentes
cursos da UFPR. A pesquisa constatou que ações envolvendo a acessibilidade se efetivam nas

605

�bibliotecas, porém ainda há barreiras a serem transpostas, tanto atitudinais quanto físicas
(STROPARO, 2014).
Comissão de Educação Continuada dos Servidores. Anualmente estabelece o
Programa de Capacitação Permanente dos Servidores do SiBi. O Programa pode ser
entendido como uma ferramenta de incentivo à qualificação e ao aprendizado organizacional.
Procura atender às necessidades de treinamento de forma ágil, sem, contudo, sobrecarregar a
carga de trabalho dos servidores, por meio de cursos, oficinas e palestras. Se ocupa, também,
de reuniões de trabalho como a Reunião Técnica com o representante do Software de
Gerenciamento de Acervo, e a Reunião dos Bibliotecários para uma discussão aberta com o
intuito de angariar ideias para ações e projetos futuros, ambas anualmente. Organiza, ainda, a
cada dois anos, o Seminário de Integração Profissional (SIP). Em cada edição é escolhido um
tema;são apresentadosos trabalhos elaborados pelos servidores;os relatórios das Comissões de
Trabalhos;os projetos desenvolvidos nas bibliotecas e demais unidades que compõem o SiBi;
e o relato de experiências adquiridas no desenvolvimento de atividades pelos servidores.
Organiza também a Semana do Livro eda Biblioteca. Ressalta-se que a execução do programa
é efetuada pela Comissão de Eventos, que tem em seu quadro os mesmos membros - a
Comissão de Eventos, de um modo geral, executa o programa feito pela Comissão de
Educação Continuada dos Servidores. Para trabalhar em equipe,sem sobrecargas, cada
componenteda Comissão de Eventosse responsabiliza por umaparte do evento, mantendo toda
a comissão informada sobre o desenvolvimento dos trabalhos.A organização de cursos ou
palestras para usuários fica soba responsabilidade da Comissão de Educação Continuada dos
Usuários, e sua implantação também ocorre por meio de uma parceria com a Comissão de
Eventos.De acordo com sua função, a Comissão de Eventos organiza qualquer evento de
interesse dos servidores do SiBi,a exemplo do I Seminário de Inclusão no Ensino Superior da
UFPR, solicitado pela Comissão de Acessibilidade e que poderá vir a ter continuidade nos
próximos anos.
Comissão de Educação Continuada dos Usuários.Responsável por promoverações
voltadas para a educação de usuários no SiBi. Elaborou o Programa de Educação de Usuários
do SiBi com um diagnóstico para avaliação do cenário interno relativo ao desempenho das
atividades de educação de usuários nas bibliotecas. Esse diagnóstico objetivou identificar o
nível de conhecimento dos servidores em determinados portais e serviços informacionais e
assim conhecer as aptidões dos mesmos para ministrar os cursos que viriam a compor o
programa. O diagnóstico possibilitou, ainda, a oferta de cursos de capacitação para a equipe
do SiBi, e da própria comissão, e a tomada de decisão sobre os pontos que precisavam ser

606

�reforçados. O Programa previu o levantamento das fontes de informação disponibilizadas pelo
SiBi, além do Portal da CAPES, a criação dos programas e planos de aulas dos cursos
oferecidos pelo SiBi, elaboração de material de apoio para os cursos de capacitação, a
divulgação do programa e sua avaliação. Dentre a capacitação para os usuários destacamsevisitas orientadas, orientações acadêmicas, orientações às bases de dados e cursos de
extensão. A comissão elaborou, também, o Guia do Usuário SiBi.
Comissão de Formação e Desenvolvimento de Coleções.Estabeleceu e formalizouos
procedimentos de uma Política de Desenvolvimento de Coleções aplicável a todas as
bibliotecas do SiBi mas, ao mesmo tempo,resguardando as especificidades e particularidades
dos diversos serviços ou coleções. Atualizada periodicamente, procura adequar-se às
constantes mudanças que ocorrem nas bibliotecas, nos seus acervos, no mercado editorial, na
legislação e, principalmente, às crescentes e diversificadas necessidades de seus usuários.
Comissão de Normas.Pode ser considerada a mais antiga comissão já constituída no
SiBi, pois vem atuando desde 1977 quando elaborou o Roteiro para Apresentação de
Publicações. Reuniu-se novamente em 1981 para compor as Normas para Apresentação de
Trabalhos, e em 1992para a sua atualização.Em 2000 é composta para elaborar um novo
documento: Normas para Apresentação de Documentos Científicos, atualizada em 2007.
Atualmente a comissão está desenvolvendo o Manual de Normalização de Documentos
Científicos. O diferencial nesta versão é a orientação aos autores a respeito da descrição de
imagens, tabelas, gráficos e fórmulas matemáticas, tornando-os acessíveis às pessoas com
deficiência visual.
Comissão de Organização, Administração, Manutenção e Desenvolvimento do
Repositório Digital Institucional. O Repositório Digital
pelasbibliotecas

digitais

de

periódicos;

deteses,

Institucionalé

dissertações,

composto

monografias

de

especialização,monografias de graduação, livros e relatórios técnicos; e de vídeos da TV
UFPR. Abrange, também, a Comissão da Verdade UFPR, cuja coleção abrigará mais de 35
mil páginas de documentos da UFPR, como as atas do Conselho Universitário,referentes ao
período da Ditadura no Brasil. A motivação para o desenvolvimento da Biblioteca Digital de
Periódicos (BDP), que conta com 52 títulos e mais de 10 mil artigos, éauxiliar no
desenvolvimento das publicações institucionais; ampliar o envolvimento técnico do SiBi na
Universidade; ampliar as atribuições do pessoal das bibliotecas; epromover a visibilidade do
SiBi. Dentre as ações da comissão destacam-se aelaboração das Diretrizes para Entrada e
Permanência de Periódicos na BDP; atendimento às equipes editoriais;oficina para editores;
elaboração

das

Diretrizes

para

Atribuição

de

Identificador

Persistente

(DOI);

607

�estabelecimentodo calendário de oficinas e treinamentos para editores; auxilio na transição
das equipes editoriais; auxilio aos editores quanto à mudança de extrato de área na Capes e
inclusão em demais indexadores; monitoramento constante das publicações; manutençãoda
excelência nas publicações institucionais; ecapacitação constante da própria comissão. Quanto
ao atendimento aos editores, as ações e os objetivos da comissão se voltam ao uso da
plataforma OJS; identificar os papéis no sistema (editor-gerente, editor, editor de seção, editor
de layout, revisão, avaliador, autor, leitor); auxiliar na transição de editores; inclusão e
configuração de novos periódicos; interface entre editores e equipe técnica; oficinas e
treinamentos; atendimento às equipes editoriais; atendimento aos autores/leitores para
submissão; diagnóstico das publicações quantoà periodicidade, volumes e fascículos,
indexadores, normalização, padronização; e auxilio na solicitação do ISSN.
Comissão do Programa de Gestão do Conhecimento.Procura manter um ambiente
propício ao compartilhamento de informações e conhecimento entre os servidores. Para tanto,
por meio de suas subcomissões, elabora o BoletimSiBi, publicação mensal com notícias
sócio-técnico-administrativas; promove encontros de estudos abordando um tema específico a
fim de consolidar o conhecimento, e de leitura, com o objetivo de incentivar o hábito da
leitura, não apenas como uma atividade de lazer mas de vinculação social. Procura, também,
identificar o conhecimento e proporcionar o acesso às informações referentes a cada servidor;
assim como identificar redes sociais no SiBi (LIMA; ARAÚJO; NAVES, 2012, p. 1).

5 CONSIDERAÇÕES
A atuação das Comissões do SiBi, como instrumento de Gestão Participativa, é
marcada pelas seguintes características: o entrelaçamento e a interdependência,queocorre
entre a Comissão de Eventos e a Comissão de Educação Continuada dos Servidores, a
Comissão de Educação Continuada dos Usuáriose a Comissão de Acessibilidade; a
abrangência das suas atividadesem busca da ampliação da visibilidade da UFPR demonstrada
pelaComissão de Organização, Administração, Manutenção e Desenvolvimento do
Repositório Digital Institucional; a divisão de tarefas e responsabilidades, tanto dentro de uma
comissão como entre as comissões, efetuada pela Comissão de Eventos e pela Comissão de
Educação Continuada dos Usuários; e a aplicação prática de todo o trabalho desenvolvido,
feita pela Comissão de Acessibilidade em conjunto com a BCT e a Comissão de Normas, na
edição do Manual de Normalização de Documentos Científicos.
Nota-se que o trabalho em comissões representa um importante fator de mudançano
SiBi. Proporciona a aproximação dos servidores,mesmo que dispersos geograficamente; o

608

�compartilhamento de ideias; a identificação de experiências e conhecimentos; a valorização
da buscapor soluções em grupo; assim como proporciona um melhor aproveitamento do
capital intelectual disponível no SiBi.
Percebe-se, gradualmente,mudanças comportamentais. Estas mudanças estão atreladas
ao interesse e aparticipação das pessoas.Hoje os servidores mostram-se mais abertos às
mudanças,aceitando-as mais facilmente, e estão dispostos a participar e compartilhar.
Observa-se a busca constante por atualização e aperfeiçoamento por parte dos
servidores, tanto com a participação em eventos quanto em cursos técnicos e de pósgraduação. A cultura organizacional já se alterou a ponto de suportar e concretizar essa
atualização e aperfeiçoamento. A aplicação da Gestão Participativa dá credibilidade
ereconhecimento aos servidores, dentro do ambiente organizacional e entre a comunidade
universitária.
Constata-se que há ainda muitas questões a serem discutidas no SiBi, mas a
experiência de se trabalhar com comissões a partir da Gestão Participativa é bastante positiva.
Após a implantação do PGC foramestabelecidas várias comissões que completam o quadro
atual.
O trabalho nas comissões é exercido com ética e competência profissionais.

6 CONCLUSÃO
Ao se colocar a participação em prática inicia-se um processo de crescimento e
aprendizagem, não só organizacional, mas também individual. Busca-se novas formas de
introduzir as mudanças necessárias aos avanços da tecnologia, na prestação dos serviços, e na
disponibilização denovos serviços a uma clientela sempre exigente.
Ao mesmo tempo busca-se um ambiente engrenado, coeso e propício à integração,
onde todos assumem sua cota de responsabilidade, com ética e profissionalismo.
Todos os envolvidos precisam estar cientes de que a comunicação é um fator
preponderante à integração, e praticá-la.
Pode-se afirmar que a Gestão Participativa aliada à Gestão do Conhecimento
representam a base para uma organização que pretende aceitar o desafio de avançar e
melhorar continuamente.

609

�7 REFERÊNCIAS

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta a Gestão Participativa como uma forma de promover o desenvolvimento organizacional baseando-se nas pessoas. Aponta a comunicação, ocorrendo em todos os níveis da organização, e, o relacionamento interpessoal, na formação de grupos e equipes, como as principais características dessa forma de gestão. Analisa o instrumento administrativo comissões aplicável em todos os tipos de organizações, suas funções, características, vantagens e desvantagens. Relata experiências de unidades de informação na aplicação da Gestão Participativa, assim como exemplos dos trabalhos em comissões, envolvendo tanto as equipes dessas unidades como as comunidades a que servem. Descreve o trabalho em comissões realizado no Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) como potencializador na Gestão do Conhecimento aliado à aplicação da Gestão Participativa. Exemplifica a atuação de algumas comissões, seus entrelaçamentos e a abrangência dessa atuação. Pontua mudanças na cultura organizacional, mudanças comportamentais e uma melhor aplicação do capital intelectual disponível.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A VISIBILIDADE DAS POLÍTICAS DE GESTÃO DE ESTOQUES DE
INFORMAÇÃO EM PÁGINAS WEB DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS EM
SANTA CATARINA
Elisa C.D. Corrêa

RESUMO
Pesquisa em páginas web de Bibliotecas Universitárias em Santa Catarina, a fim de analisar o
estado da arte da disponibilização de políticas de gestão de estoques de informação. Foi
realizado um levantamento das políticas disponíveis, bem como análise destas a fim de
detectar seus pontos fortes e fracos de acordo com roteiro de critérios pré-estabelecido. De um
total de 59 páginas web das BUs catarinenses, foram encontradas e analisadas 07 políticas de
Gestão de Estoques de Informação. De maneira geral, verificou-se que as políticas possuem
os itens básicos relativos aos processos de seleção e aquisição, sem entrar em detalhes
específicos de cada um, Os processos de avaliação, quando aparecem, são mencionados
apenas de forma geral, sem especificações quanto às metodologias utilizadas. Os resultados
apresentam um número consideravelmente baixo de políticas de GEI disponíveis nos sites de
Bibliotecas Universitárias catarinenses.
Palavras-Chave: Gestão de Estoques de Informação; Formação e Desenvolvimento de
Coleções; Políticas de GEI.
ABSTRACT
Presents the results of the web pages of University Libraries in Santa Catarina search, in order
to analyze the state of the art of their management information storage policy. A survey was
conducted to detect how many policies was available, as well to analyze their strengths and
weaknesses according to script pre-established criteria. A total of 59 web pages of Santa
Catarina BUs were found and 07 policies were analyzed. In general, the policies have the
basic items for the selection and procurement processes, without going into specific details of
each Evaluation processes, when they appear, are mentioned only in general, without
specification as to methodologies used. The results show a considerably low number of
policies available in the University Libraries catarinenses sites.
Keywords: Information Storage Management; Management Information Storage policy;
Formation and Development of Collections.
1 INTRODUÇÃO
A finalidade principal da Gestão de Estoques de Informação (GEI), ou Formação e
Desenvolvimento de Coleções (FDC), é a criação e disponibilização de um acervo coerente
não apenas com a missão e objetivos de uma determinada Unidade de Informação (UI.), mas

646

�também e, principalmente, formar e gerenciar acervos coerentemente voltados a satisfazer as
demandas e necessidades informacionais de sua clientela.
Para atingir essas metas, que na realidade correspondem à própria razão de ser de uma
U.I., os bibliotecários-gestores contam com uma importante ferramenta administrativa capaz
de nortear todo o trabalho que envolve o processo de GEI em cada uma de suas etapas: a
Política de Formação e Desenvolvimento de Coleções ou, Política de GEI, como será
denominada no presente trabalho.
Este documento contém todos os itens necessários para a gestão de estoques de
informação com vistas a torná-los dinâmicos e atraentes ao público-alvo de qualquer tipo de
U.I. No entanto, verifica-se que seu estabelecimento em Bibliotecas Universitárias (BUs) é
muito mais frequente em relação às demais tipologias de bibliotecas.
Ao

realizar uma

pesquisa

sobre

a produção

acadêmica brasileira

sobre

Desenvolvimento de Coleções, Lopes (2013, p.44-45) afirma que o termo “biblioteca
universitária” aparece em segundo lugar na ocorrência de palavras-chave utilizadas para
identificar os textos, e justifica:
Esse dado também é pertinente pelo fato de que esses espaços precisam de [...]
padronização e profissionalização no que se refere à política de
desenvolvimento de coleções. Os profissionais envolvidos com a seleção,
aquisição, avaliação das coleções nesses espaços, necessitam estar atualizados
e, por estarem no meio acadêmico, necessitam de estudos que traduzam as
demandas e as ações que devem ser implementadas.
A preocupação das BUs em gerenciar suas coleções de forma mais sistematizada
decorre de sua própria natureza voltada às demandas de pesquisas em ciência, tecnologia e
inovação. Miranda (2007, p.3) tece alguns argumentos nessa direção, afirmando que “as
universidades são centros transmissores do saber por meio do ensino e dos materiais
informacionais.

A biblioteca sempre trabalhou em parceria com a universidade,

desempenhado a função de preservar e disseminar o conhecimento”. A autora ressalta ainda
que segundo Prado (1992), a biblioteca universitária é como a universidade em si mesma, o
que lhe confere grande responsabilidade social.
Disso decorre a necessidade de buscar, filtrar, organizar e disseminar a informação
com a máxima qualidade possível, já que este universo representa o estoque que forma a base
informacional que subsidia os processos de ensino, pesquisa e extensão universitários. Por
estes e outros motivos, como por exemplo o tamanho dessas coleções, gerenciar acervos em

647

�bibliotecas universitárias costuma ser uma tarefa que demanda cuidados especiais, a qual não
pode prescindir-se da aplicação de uma política bem planejada e executada.
Os fatores acima discutidos foram o ponto de partida para o questionamento da
pesquisa ora apresentada: buscou-se conhecer, no contexto catarinense, a visibilidade das
políticas de GEI disponíveis nas páginas web de bibliotecas universitárias.
Diante das facilidades tecnológicas vivenciadas especialmente no contexto das B.U.s,
partiu-se do pressuposto de que exista certa facilidade em encontrar diversas políticas de GEI
disponíveis nas páginas web das bibliotecas universitárias das faculdades e universidades em
Santa Catarina.
Esta hipótese também decorre do próprio contexto catarinense que, segundo dados
oficiais do Governo do Estado, possui um universo de universidades da rede federal, estadual
e municipal que “conectadas por cabos de fibras óticas, integram a Rede Catarinense de
Ciência e Tecnologia (RCT), a melhor estrutura de comunicação digital acadêmica do País,
que permite acesso veloz à internet e o uso de videoconferência” (SANTA CATARINA,
2013)
Tendo em vista a situação privilegiada do Estado em relação as questões de conexão à
Internet, bem como o papel preponderante das BUs nesse ambiente, surge a presente proposta
de investigação, que tem como objetivo conhecer o atual estado da arte relativo à
disponibilização para consulta pública do documento de política de Gestão de Estoques de
Informação através de suas páginas web.
A fim de reafirmar a importância desse documento na gestão de bibliotecas, será
apresentada uma breve revisão teórica de pontos considerados importantes para o tema aqui
abordado. A seguir, apresenta-se a metodologia utilizada para a coleta e análise dos dados e,
por fim, os resultados discutidos e suas considerações finais.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O documento de política de GEI, no contexto atual, dispensa maiores apresentações.
Contudo, para os objetivos do presente artigo, algumas características merecem ser
destacadas:

2.1 Trata-se de um documento de teor administrativo
Os processos de GEI compreendem ações de planejamento que implicam na utilização
de metodologias próprias. A política representa o roteiro no qual estão descritos passo a passo
cada uma das etapas desse processo com indicações de seus responsáveis, e todas as

648

�informações que os gestores entendem serem necessárias para a composição do documento,
que servirá para nortear o trabalho diário de gestão da coleção de uma U.I. Desta forma, serve
de base para orientar a tomada de decisão em relação à seleção, aquisição, avaliação e
desbaste do acervo.
De acordo com Vergueiro (1989), além de oferecer subsídios para uma gestão
coerente do acervo, este documento possui também um caráter pedagógico, pois leva o
bibliotecário a refletir e autoavaliar suas práticas no que tange aos produtos e serviços
provenientes de uma organização eficiente de seus estoques de informação.
Martins (2011), em trabalho sobre gestão de bibliotecas e desenvolvimento de
coleções, apresentado na III Reunião da Rede BVS ePORTUGUESe, afirma que a política é
um documento de gestão que deve ser redigido de forma completa, deixando o mínimo de
atividades possível sem a devida previsão. Além disso, a autora também orienta que a política
seja flexível o suficiente para que admita inclusões e mudanças sempre que necessárias e
dinâmico, a fim de adaptar-se às mudanças ocorridas na comunidade.

2.2 Pressupõe

a

pessoa

do

bibliotecário

gestor

em

sua

formulação

e

aplicação/acompanhamento
O bibliotecário deve ser o profissional responsável pela criação, implementação e
acompanhamento da Política de GEI, pois ele é o profissional cuja competência teórica e
empírica o capacita para o desenvolvimento desta importante tarefa dentro de uma U.I.
Ninguém melhor do que o bibliotecário para conhecer com detalhes cada uma das etapas do
processo, uma vez que sua formação acadêmica lhe oferece todas as ferramentas necessárias
para tal.
No entanto, esta não deve ser uma atividade solitária. Tanto a formulação do
documento quanto sua aplicação diária são fruto de uma negociação democrática da qual
devem participar representantes de toda a comunidade interessada no uso do estoque de
informação da U.I. A literatura da área recomenda a criação de uma comissão formada por
membros da instituição à qual a U.I. pertence, pelo staff da biblioteca e representantes da
comunidade de utilizadores dos estoques de informação.
Dias e Pires (2003) reforçam que a elaboração da política por uma comissão assim
democraticamente formada, garante a representatividade da comunidade nos serviços de
informação oferecidos pela U.I. e contribui para que o acervo seja desenvolvido de forma
racional, equitativa e equilibrada.

649

�Para Vergueiro (1989, p.26) é fundamental essa participação da comunidade, pois
afirma que “o ideal é que tal documento surja como resultado da negociação entre o
bibliotecário, responsável pelo desenvolvimento da coleção, e aqueles a quem a mesma se
destina”.
Contudo, o papel de liderança do bibliotecário é fundamental no processo. Miranda
(2007, p.89) recomenda que a “coordenação dessa comissão seja de responsabilidade do
bibliotecário, o qual precisará convocar os demais membros para reuniões periódicas e/ou
reuniões extraordinárias. Quando ocorrer impossibilidade de agrupar a comissão, o
bibliotecário tem o poder de decisão.”
Fica, portanto, evidenciado o papel essencial do bibliotecário na gestão dessa atividade
voltada ao gerenciamento dos acervos.

2.3 Possui um caráter eminentemente democrático
Este último aspecto merece especial atenção, pois trata-se da motivação principal da
realização da pesquisa que resultou no presente artigo. O documento da política de GEI, que
além de ser gerado com a participação da comunidade de utilizadores do acervo que
corresponde ao seu objeto de normatização, também deve estar à disposição para consulta
imediata de todos os interessados.
Ao apresentar os objetivos de uma política de desenvolvimento de coleções, Vergueiro
(20--) afirma que a mesma trata-se de um documento necessário aos bibliotecários e às
bibliotecas também por uma questão de “relações públicas”, pois existe também para
informar à comunidade o porque, para que e para quem o acervo existe.
Desta forma, a política de GEI deve estar disponível para consulta a toda a
comunidade de utilizadores dos estoques de informação à qual se dispõe a normatizar, sendo
capaz de dirimir possíveis dúvidas, oferecer subsídios para ação e tomada de decisão e
possibilitando espaço para negociação entre todas as partes interessadas. A disponibilização
da política por meio eletrônico através das páginas web das bibliotecas universitárias, parece
um caminho natural de democratizar o acesso deste documento nos dias atuais.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de pesquisa exploratória e comparativa, realizada primeiramente a partir de
levantamento das páginas web das Faculdades e Universidades de Santa Catarina. Utilizou-se
como

fonte

para

a

coleta

desses

dados

o

Portal

da

Educação

(http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/) disponibilizado pela Secretaria de Educação do

650

�Governo do Estado de Santa Catarina. A partir da relação de Instituições de Ensino Superior
(IES) existentes no Estado, procedeu-se uma análise minuciosa a fim de conhecer quantas
oferecem links para suas bibliotecas e, destas, quantas permitem acessar suas políticas de GEI.
A seguir, foram analisados o conteúdo dos documentos encontrados, comparando-os
ao roteiro elaborado por Corrêa (2013), e apresentado a seguir, cujos itens representam o
conteúdo necessário para a qualidade e completude das políticas de GEI:
•

Elementos pré-textuais (capa, folha de rosto, sumário)

•

Parte introdutória
o Informações Institucionais (identificação, missão, objetivos)
o Informações da U.I. (identificação, missão, objetivos)
o Definição, importância e objetivos da política
o Estudo de comunidade enquanto base para tomada de decisões - descrição da

clientela
o Papel da biblioteca em programas cooperativos de GEI (nacionais e

internacionais)
•

Acervo
o Materiais que o compõem (conteúdo e formato)
o Recursos financeiros disponíveis para sua formação

•

Desenvolvimento da coleção
o Seleção
o Responsabilidade da seleção (atribuições e competências)
o Critérios por tipo de obra e de suporte físico
o Instrumentos auxiliares
o Seleção qualitativa
o Seleção quantitativa
o Censura

•

Aquisição

•

Prioridades

•

Formas de aquisição (compra, doação, permuta, intercambio)

•

Reposição de materiais

•

Avaliação
o Metodologias
o Qualitativas

651

�o Quantitativas

•

Periodicidade

•

Desbastamento (remanejamento, descarte)

•

Biblioteca 2.0 e Repositório Institucional

•

Conservação/Restauração

•

Revisão da política

•

Elementos pós-textuais

•

Modelos de correspondências

•

Formulário de doação

•

Referências bibliográficas

A partir dessa análise comparativa, foram elencados os pontos fortes e fracos das
políticas encontradas.
Portanto, as etapas de execução da pesquisa foram as seguintes:
•

Levantamento das Faculdades e Universidades existentes no Estado de SC;

•

Análise da existência de Bibliotecas Universitárias com links próprios nas páginas
institucionais com identificação e menção de bibliotecários responsáveis e
disponibilização do documento de política de GEI;

•

Análise da política de acordo com os critérios predeterminados na disciplina de GEI,
através de checagem de itens constantes e faltantes e avaliação de pontos fortes e
fracos.
Os dados são apresentados de forma quali-quantitativa, indicando: quantidade de

bibliotecas universitárias que possuem links/sites próprios, quantidade de políticas disponíveis
na Internet e nível de completeza das políticas em relação aos critérios elencados
demonstrados através de quadro indicativo de itens faltantes, menção à presença do
bibliotecário responsável pela BU e pontos fortes e fracos verificados.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
No momento da coleta de dados, o Portal da Educação possuía um total de 70 IES no
Estado de Santa Catarina, sendo que apenas os links de duas delas estavam inativos. Assim, o
universo da pesquisa foi composto por 68 páginas web de faculdades e universidades do
Estado de Santa Catarina.

652

�Desse universo, 09 IES não ofereciam link para suas bibliotecas baixando para 59 o
número de páginas web analisadas de Bibliotecas Universitárias. Destas, apenas 08
disponibilizavam links para suas políticas de GEI enquanto documento completo para
pesquisa pública. Verificou-se ainda que um desses links, apesar de existente, encontrava-se
“quebrado” não levando a conteúdo algum.
Sendo assim, de um total de 59 páginas web das BUs catarinenses, foram analisadas
07 políticas de Gestão de Estoques de Informação, o que corresponde a apenas 8% de UIs que
disponibilizam este documento através desse canal. Este número é considerado extremamente
baixo, tendo em vista a importância da disponibilização desse documento com vistas a tornalo público e assim promover a participação democrática da comunidade de utilizadores dos
acervos das bibliotecas universitárias.
Apenas 26 UIs fizeram menção da presença do bibliotecário em suas páginas web,
sendo que das 07 páginas que continham o documento da política de GEI, 05 delas indicaram
a presença desse profissional.
Em relação aos pontos fortes e fracos das 07 políticas analisadas, destacam-se:
•

Pontos fortes: definição clara dos itens que compõem o acervo, critérios de seleção
bem delineados, processo de aquisição detalhado com clareza, apresentação da missão
e objetivos da Instituição e da biblioteca, clareza nas atribuições do selecionador. Vale
apontar, entretanto, que estes pontos fortes referem-se à avaliação geral das políticas,
não necessariamente estando presentes ou bem elaboradas em todas elas, senão em sua
maioria.

• Pontos fracos: Na totalidade das políticas analisadas verifica-se a ausência do item
“censura” (que garante o acesso democrático ao material informativo que compõe o
acervo), e dos elementos pré e pós-textuais.

De maneira geral, verificou-se que as políticas possuem os itens básicos relativos aos
processos de seleção e aquisição, sem entrar em detalhes específicos de cada um, como por
exemplo, a menção dos instrumentos auxiliares de seleção utilizados. Os processos de
avaliação, quando aparecem, são mencionados apenas de forma geral, sem especificações
quanto às metodologias utilizadas.
Nas demais páginas analisadas, embora não fosse possível acessar o documento
propriamente dito, alguns itens relativos ao conteúdo de políticas como formas de aquisição,
tipos de obras que compõem o acervo e responsabilidade da seleção, encontravam-se

653

�“pulverizados”

em

outros

documentos

como

“Normas

da

Biblioteca”,

“Regulamento/Regimento Interno” ou “Guia do usuário”.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Os resultados apresentam um número consideravelmente baixo de políticas de GEI
disponíveis nos sites de Bibliotecas Universitárias catarinenses, o que contraria a orientação
encontrada na literatura específica da área, que recomenda a disponibilização democrática do
documento para consulta pública. A utilização da Internet para este fim poderia ser
considerada uma via natural para concretizar essa tarefa, o que não foi observado na pesquisa.
Outro ponto passível de debate, é que essa baixa disponibilização pode revelar ainda
não haver clareza suficiente por parte dos gestores das BUs quanto à importância da política
de gestão de estoques de informação, tanto em termos administrativos quanto políticos. A
conscientização da necessidade de ampliar o acesso a esse documento, certamente ampliará
igualmente o diálogo com a comunidade alvo da U.I., tornando o processo de gestão de
estoques de informação mais democrático e participativo.
Além disso, chama a atenção a presença de itens relativos à política presentes de
maneira diluída em outros documentos da UI. Deste fato pode-se inferir que talvez o
documento não estivesse redigido de forma completa e sistemática pela BU, ou então talvez
não houvesse interesse ou possibilidade de publicá-lo. Em qualquer um desses casos, no
entanto, a UI perde uma importante oportunidade de divulgar de forma transparente os
critérios com os quais gerencia o acervo, abrindo espaço para um diálogo mais amplo com
seus interagentes.
Espera-se que esta pesquisa abra portas para outros estudos que possam elucidar as
razões da baixa disponibilização das políticas através da Internet, bem como, contribua para
levantar essa importante questão junto aos gestores das bibliotecas brasileiras.

6 REFERÊNCIAS

CORREA, E.C.D. Política de gestão de estoques de informação: uma proposta para
atualização de conteúdo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. 25., 2013, Florianópolis. Anais.
Florianópolis:

FEBAB,

2013.

Disponível

em:

http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1433/1434 Acesso em: 15 maio 2014.

654

�DIAS, M. M. K.; PIRES, D. Formação e desenvolvimento de coleções de serviços de
informação. São Carlos: EdUFSCar, 2003.
LOPES, C.A.C. Desenvolvimento de coleções: interpretações a partir da produção científica
brasileira de 2000 a 2013. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em
Biblioteconomia). Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do
Rio

Grande

do

Sul.

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UFRGS,

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Disponível

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http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/78356/000898396.pdf?sequence=1 Acesso
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MIRANDA,

A.C.C.de.

Formação

e desenvolvimento de coleções em bibliotecas

especializadas. Inf. &amp; Soc.:Est., João Pessoa, v.17, n.1, p.87-94, jan./abr., 2007. Disponível
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________. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas universitárias. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, v.4, n.2, p.1-19, 2007. Disponível em:
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http://www.eca.usp.br/departam/cbd/waldomiro/Disciplina%20Desenvolvimento%20de%20C
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655

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="74068">
                <text>Pesquisa em páginas web de Bibliotecas Universitárias em Santa Catarina, a fim de analisar o estado da arte da disponibilização de políticas de gestão de estoques de informação. Foi realizado um levantamento das políticas disponíveis, bem como análise destas a fim de detectar seus pontos fortes e fracos de acordo com roteiro de critérios pré-estabelecido. De um total de 59 páginas web das BUs catarinenses, foram encontradas e analisadas 07 políticas de Gestão de Estoques de Informação. De maneira geral, verificou-se que as políticas possuem os itens básicos relativos aos processos de seleção e aquisição, sem entrar em detalhes  de cada um, Os processos de avaliação, quando aparecem, são mencionados apenas de forma geral, sem especificações quanto às metodologias utilizadas. Os resultados apresentam um número consideravelmente baixo de políticas de GEI disponíveis nos sites de Bibliotecas Universitárias catarinenses.</text>
              </elementText>
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            <name>PDF Text</name>
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                  <elementText elementTextId="76381">
                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

UM OLHAR SOBRE O ACERVO DE OBRAS RARAS DO MUSEU DE ARTE DE
SÃO PAULO ASSIS CHATEAUBRIAND - MASP
Ivani Di Grazia Costa
Luciana Maria Napoleone
Magda de Oliveira Guimarães
Luiza Wainer
RESUMO
O presente estudo descreve a experiência sobre a organização de 400 obras raras pertencentes
ao acervo bibliográfico da Biblioteca e Centro de Documentação do Museu de Arte de São
Paulo Assis Chateaubrind - MASP. Demonstra a elaboração de uma metodologia para
identificar livros raros e estabelece padrões para duas categorias: as obras raras e as obras
especiais. Apresenta a catalogação descritiva em MARC21 para essas obras principalmente
o detalhamento, as especificidades e o histórico de cada obra como documento único.
Palavras-Chave: 1 Obras raras ; 2 Biblioteca de Artes ; 3 Metodologia ; 4 Catalogação
descritiva ; 5. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, MASP

ABSTRACT
Describes the experience of the Library and Documentation Center of São Paulo Museum of
Art during the project Organization and conservation o f 400 rare books from the São Paulo
Art Museum Library and Documentation Centre’s Rare Book Collection. Illustrates the
elaboration of a methodology to identify rare books that differentiates and establishes
identification standards for two categories: books that are proven rare and books that are
circumstantially rare. Depicts how the descriptive cataloging of rare and special works is done
by library staff, concerning themselves with a high level of information that represents the
physical aspects of the work, its contents, and the collection as a whole.
Keywords: 1 Rare books ; 2 Art Library ; 3 Methodology 4 Descriptive Cataloging 5 São
Paulo Museum o f Art Assis Chateaubriand, MASP

APRESENTAÇÃO
A Biblioteca e Centro de Documentação do MASP possui um rico acervo de livros e
catálogos na área de artes plásticas, arquitetura e história da arte com enfoque na coleção de
obras de arte do museu. Para suprir as necessidades dos pesquisadores, em 1977, Pietro Maria
Bardi e Lina Bo Bardi doaram ao museu a sua biblioteca especializada.

3849

�Do núcleo inicial de materiais bibliográficos doados pelo casal Bardi destaca-se a
coleção de obras raras; uma valiosa seleção de obras dos séculos XVI a XIX sobre história da
arte e arquitetura.
Entre os anos de 2005 e 2006, foi desenvolvido o projeto intitulado Organização e
conservação de 400 obras raras da Coleção de Obras Raras da Biblioteca do Museu de Arte
de São Paulo, a partir do qual foi possível estabelecer uma metodologia para identificação e
catalogação da coleção.
O processo de elaboração da metodologia permitiu a combinação do conhecimento
especializado de tratamento de obras raras oferecido por um consultor em obras raras com
larga experiência na área, e a prática da equipe da biblioteca no tocante à representação
descritiva e temática das obras bibliográficas do acervo de artes.
A partir do projeto e com a catalogação de novos documentos, raros ou não, foi
construído um novo olhar sobre o acervo, que possibilitou a identificação de elementos de
descrição até então despercebidos, permitindo uma catalogação mais apurada e um
conhecimento mais profundo da coleção. O trabalho relata a experiência da Biblioteca na
aplicação da metodologia elaborada após a finalização do projeto, tendo como um dos
principais resultados o desenvolvimento de competências para o tratamento da coleção de
obras raras e especiais.

OBRA RARA E ESPECIAL: CRITÉRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO
Definir o que é obra rara é uma atividade complexa. Ana Virginia Pinheiro (2009,
p.31-33) resume a dificuldade da definição de raridade bibliográfica através de alguns
precedentes e mitos. Cada livro possui uma história cultural, como, onde e quando foi editado,
além disso, aponta a autora a fragilidade dos argumentos para a definição das características
da raridade. Já os mitos resumem-se em “todo livro antigo é raro” ou “um livro é raro quando
é o único existente no mundo”. A autora considera cinco aspectos para a identificação de uma
obra rara: 1 limite histórico; 2 aspectos bibliológicos; 3 valor cultural; 4 pesquisa
bibliográfica; e 5 características do exemplar.
Mindlin (2008) e Reifschneider (2008) destacam aspectos físicos ao abordar os
critérios de avaliação de uma obra, observando itens como possuir dedicatória e autógrafos,
anotações manuscritas, marcas de posse, encadernação (inclusive exóticas e feita por
encadernadores “mestre”), edições de luxo, traduções de autores renomados, edições
clandestinas e vários outros aspectos podem estabelecer um lugar de destaque em uma
coleção.

3850

�Para Oliveira (1985 apud NARDINO; CAREGNATO, 2006) as obras raras podem ser
conceituadas em duas categorias “obras comprovadamente raras e obras circunstancialmente
raras”. Obras podem ser consideradas raras pelas indicações da bibliografia ou por critérios
estabelecidos pela instituição que as abriga.
A pesquisa bibliográfica ou a pesquisa do título colabora com a descrição e definição
da importância histórica de uma obra rara. Existem dicionários, enciclopédias especializadas e
catálogos de bibliotecas, que podem ser consultados, além de catálogos de venda impressos
ou disponibilizados na internet.
Para determinar se um exemplar é raro ou especial, é necessário estabelecer
parâmetros que nos levem a elaboração de uma metodologia própria, que pode variar de
acordo com a instituição, principalmente quando se trata de obras especiais. Como é revelado
por Nardino e Garagnato (2006, p.386) “Por possuírem objetivos distintos, cada biblioteca
deve estudar detalhadamente seu perfil e elaborar uma política que determine os critérios que
serão adotados para melhor atender às necessidades de seus usuários”.

METODOLOGIA ADOTADA PELA BIBLIOTECA DO MASP
As decisões e procedimentos adotados durante o projeto de organização e conservação
de obras raras foram compilados em um documento, Metodologia de Catalogação de Obras
Raras e Especiais de 2007 e, posteriormente, integrados ao Manual de Catalogação utilizado
na Biblioteca do MASP.
Adotado o princípio apresentado por Nardino e Caregnato - obras comprovadamente
raras e obras circunstancialmente raras - e avaliando a coleção de obras incluídas no projeto,
concluiu-se que poderiam ser divididas em dois níveis: obras raras (aquelas consideradas
raras sob qualquer aspecto de avaliação) e obras especiais (aquelas que apresentam alguma
característica de raridade embora não possam ser incluídas no primeiro nível).
Foram definidos critérios de identificação objetivos como data de publicação, tiragem
limitada, e também critérios em parte subjetivos, referentes a tipo de encadernação, de
ilustração ou obras consideradas históricas.
Para a identificação de obras raras, os critérios mais significativos estabelecidos
referiam-se à data de publicação, sendo a data limite para o Brasil diferente da data de
referência para publicações estrangeiras, em virtude da instalação tardia da imprensa no país,
apenas no início do século 19.
Os critérios adotados para identificação de obras raras foram os seguintes:

3851

�•

Obras publicadas até 1850 no exterior433 ;

•

Obras publicadas no Brasil até 1900;

•

Publicações

de luxo com tiragens limitadas e ilustrações originais

independentemente da data;
•

Obras com poucos exemplares existentes / conhecidos.

Para a identificação de obras especiais (circunstancialmente raras), os critérios
adotados foram mais diversificados, porém foram agrupados em dois blocos. O primeiro deles
abrangia critérios relativos às características físicas da obra (encadernação, ilustrações,
formato), importância histórica para a área de artes e existência de poucos exemplares. O
segundo bloco reunia obras especiais para a instituição, relativas à história e memória do
Museu e de seus fundadores.
No primeiro grupo, os critérios adotados para identificação de obras especiais foram os
seguintes:
•
Obras com poucos exemplares existentes / conhecidos no Brasil;
•
Obras de formato grande (LGR) ou de formato muito pequeno ou com material
adicional / suplementar;
•
Obras com ilustrações de qualidade artística (qualidade de impressão);
•
Obras com encadernação especial (ex. encadernação vitoriana ou encadernação
artesanal.);
•
Obras históricas que datam do período inicial de cada movimento artístico
Foram ainda considerados especiais para a instituição, integrantes do segundo grupo,
exemplares pertencidos à coleção de P. M. Bardi e Lina Bo Bardi que apresentem:
•
obras com dedicatórias importantes
•
obras com dedicatória para P.M. Bardi ou relacionadas ao MASP
•
obras com anotações de Lina Bo Bardi ou P.M. Bardi;
•
obras de/sobre o P.M. Bardi
•
obras de/sobre Assis Chateaubriand e outros diretores do Museu
•
obras publicadas pelo MASP
As obras especiais, identificadas pela sua importância para a memória institucional do
MASP, certamente não seriam consideradas especiais em outras bibliotecas. Entretanto, sua
identificação e preservação são essenciais para o museu, tanto para a preservação de sua
memória, quanto para o atendimento de pesquisadores que procuram informações sobre a
história e atuação do MASP.

O AACR2, item 2.12, considera como monografias impressas antigas os “livros, folhetos e cartazes
publicados antes de 1821, nos países que seguem as convenções européias de editoração. ”

3852

�PROCESSAMENTO TÉCNICO DE OBRAS RARAS E ESPECIAIS
Optou-se pelo alto nível de detalhamento das obras, apresentando informações que
possam retratar os aspectos físicos do livro e seu conteúdo.
A metodologia foi baseada no “Descriptive Cataloging o f Rare Books”, 2nd edition, da
Library of Congress, e no “Examples to accompany Descriptive Cataloging o f Rare Books”,
como parâmetro para a catalogação das obras raras, juntamente com as normas de catalogação
já utilizadas na Biblioteca do MASP, baseadas no AACR2.
Há normas específicas do AARC2 para as monografias impressas antigas nos itens
2.12 a 2.18 e também regras para títulos uniformes de incunábulos nos itens 25.3 e 25.4
O trabalho de representação descritiva segue os parâmetros definidos na metodologia,
e a informação é registrada na base local MASP21 que tem seus campos configurados em
MARC, para os quais foram definidas orientações específicas de preenchimento, de acordo
com as normas de catalogação e fontes de indexação adotadas. Como uma obra rara pode ser
tanto um livro como um catálogo ou um periódico, neste quadro de campos específicos
estarão enumerados também campos que podem ser utilizados para os tipos de materiais:
livro, catálogo, periódico, analítica de livro e analítica de periódico. Alguns campos
específicos de obras raras e especiais são: 091, 098, 563, 925.

Tabela 1 : Campos Marc
910
041
091
098
100
110
111
130
210
222
240
245
246
250
260
300
310
321
362
440
500
501
504

Tipo de material
Idioma
Localização de obras raras
Localização original
Autor pessoal
Autor corporativo - entrada principal
Evento - entrada principal
Título uniforme (entrada principal)
Título abreviado
Título chave
Título uniforme
Título
Variação do Título
Edição
Imprenta
Descrição física
Periodicidade corrente
Periodicidade anterior
Área de numeração - informação de datas de publicação e/ou volume
Série
Notas gerais
Nota Com
Nota de bibliografia

3853

�505
Nota de conteúdo
506
Nota de Restrição de Acesso
508
Nota de Crédito
510
Nota de citação / referência
530
Nota de disponibilidade de forma física adicional
534
Nota de versão original
535
Nota de localização de originais /duplicatas
536
Nota de informação sobre financiamento
544
Nota de localização de outros materiais de arquivo
545
Dados biográficos ou históricos
546
Nota de idioma
561
Nota de histórico de procedência
562
Nota de identificação de cópia ou versão
563
Encadernação
581
Nota de publicações sobre materiais descritos
583
Nota de ação
585
Nota de exposição
586
Nota de premiação
591
Comentários sobre a obra descrita
600
Assunto - Nome pessoal
610
Assunto - Entidade /Autor corporativo
611
Assunto - Evento
630
Assunto - Título uniforme
650
Assunto - Termos tópicos
651
Assunto - Nomes geográficos
653
Assunto - Termos livres
655
Assunto - Gênero/Forma
656
Assunto - Ocupação
657
Assunto - Função
658
Assunto - Curriculum
690
Assunto Local
699
Assunto Adicional
700
Autor secundário
710
Autor corporativo - Entrada secundária
711
Evento - entrada secundária
740
Título analítico relacionado não controlado - Entrada secundária
772
Título Relacionado - Entrada de Registro Fonte
773
Entrada Analítica - Item Hospedeiro
780
Entrada de título anterior
785
Entrada de título posterior
856
Acesso e Localização Eletrônica
901
Tombo
902
Aquisição
903
Dados de catalogação
915
Coleção de periódicos
925
Diagnóstico de conservação
931
Link para imagem
Fonte: Manual de catalogação
Visando um trabalho de catalogação completo e preciso, a pesquisa é realizada em
fontes bibliográficas disponíveis na Biblioteca do MASP e em sites de renomadas instituições
que abrigam acervos de obras raras e antiquários.

3854

�Durante esse processo são identificadas instituições que possuem exemplares similares
aos da biblioteca (com a mesma datação ou de edição diferente).
Antecipando a expectativa de acesso por parte dos pesquisadores e buscando a
facilitação da consulta, sempre que possível, são incluídas nos registros informações sobre as
condições de consulta, a existência de edições em outras bibliotecas e a disponibilidade do
título em outras bibliotecas digitais.
A indexação em um registro é realizada após a consulta no Vocabulário Controlado,
complementada por várias ferramentas de indexação nacionais e estrangeiras:

RANGANATHAN E O ACESSO ÀS OBRAS RARAS E ESPECIAIS
Sob alguns aspectos, as Leis de Ranganathan influenciaram a tomada de decisões
quanto ao tratamento de obras raras e especiais.
S. H. Ranganathan (1892-1972), pensador e bibliotecário indiano, considerado o pai
da Biblioteconomia na Índia, elaborou as Cinco Leis da Biblioteconomia em 1931.
A Figura 1 representa um exercício de reflexão da equipe da Biblioteca do MASP.
Resume as Leis de Ranganathan, traduzidas para a área da Ciência da Informação, e suas
respectivas influencias no tratamento de obras raras e especiais. Este exercício pode ser
refeito por ocasião de uma avaliação da metodologia empregada, para seu aprimoramento.

Tabela 2 : Influência das Leis de Ranganathan no tratamento de obras raras e especiais
Leis da Ciência da Informação Influência das leis para o tratamento da coleção de
(Rajagopalan e Rajan)
obras raras
1 A informação é para o uso
Registros bibliográficos das obras raras e especiais
disponíveis no banco de dados na Internet
Divulgação da forma de consulta já no registro bibliográfico
: Consulta mediante solicitação por escrito e agendamento
2 A cada usuário sua informação Informações relevantes para a área de arte e arquitetura
cadastradas no registro bibliográfico
3 Cada informação a seu usuário Registro detalhado das obras raras e especiais do ponto de
vista físico e temático
4 Economize o tempo do usuário Informações para facilitar o acesso às obras : condições de
/ Economize o tempo dos consulta, existência de edições em outras bibliotecas e para
compra, disponibilidade do título em outras bibliotecas
cientistas da informação
digitais, etc
5 O sistema de informação é um Ajustes no banco de dados para facilitar o acesso e a
organismo em crescimento
pesquisa
Monitoramento do log de acesso
Fonte: adaptação de BEFFA, Maria Lucia; NAPOLEONE, Luciana Maria. Estruturando a informação para um
sistema virtual centrado no usuário: a avaliação do website do Serviço de Biblioteca e Documentação da
Faculdade de Direito da USP. In: FERREIRA, Sueli Mara Pinto; SAVARD, Réjean (Ed.). The virtual client: a
new paradigm for improving client relations in libraries and information services: Satellite Meeting, São Paulo,
August 18-10, 2004. München: K.G. Saur, 2005. p.60.

3855

�A análise das Leis de Ranganathan trazem à discussão o binômio preservação e acesso
de obras raras e especiais.
REIFSCHNEIDER (2008) observa que tratar uma obra como rara não significa “(...)
restringir seu acesso, mas preservar algo que dificilmente poderá ser substituído. O
desconhecimento leva à não-preservação e, portanto, à indisponibilidade de obras raras a
pesquisadores”, no futuro.
Uma vez que o livro raro normalmente tem acesso restrito por questões de preservação
e segurança, faz-se necessário uma metodologia de catalogação abrangente que reproduza ao
pesquisador as informações necessárias, para que ele possa conhecer o material e solicitar ou
não sua consulta de acordo com suas necessidades.
Pela análise dos arquivos de log de acesso, arquivos gerados pela utilização de um
banco de dados ou um OPAC na Internet, no caso o banco de dados bibliográficos da
Biblioteca do MASP, verifica-se que há procura significativa por obras raras e especiais.
REIFSCHNEIDER (2008) trata desse aspecto da consulta a obras raras, observando
que a disponibilização digital ajuda o pesquisador que necessita do conteúdo informacional,
como o texto do livro, por exemplo, suprindo assim a demanda e mantendo a preservação do
material que será consultado em ocasião de real necessidade, como em pesquisas que se
tratem dos aspectos materiais do objeto (aspectos bibliológicos, informações de encadernação
como costura, encadernação, textura).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A identificação da coleção especial e rara é a principal dificuldade para o tratamento e
descrição do material. O estudo de padrões e experiências similares permite o estabelecimento
de critérios de identificação, de parâmetros para seu tratamento e definição de políticas de
conservação e acesso. Neste sentido a documentação dos critérios de identificação de obras
raras e especiais e das decisões referentes à catalogação das obras, através da indicação
específica do preenchimento dos campos MARC existentes na base de dados da Biblioteca foi
e ainda é imprescindível para a continuidade do trabalho, para a formação de novos
integrantes da equipe e para a consistência dos dados cadastrados no banco de dados.
Os critérios de raridade “devem ser avaliados sob as perspectivas do curador, do
gerente da instituição ou “dono” do acervo; e do leitor. E, enfim, devem ser formalizadas
recomendações metodológicas, que acumulem o universo de valores e circunstâncias
envolvidas— (PINHEIRO, 2009, p.33). O monitoramento e avaliação periódica da

3856

�metodologia empregada são necessários com o intuito de aprimorá-la, ampliando assim as
possibilidades de recuperação da informação e de estudo sobre a coleção.
O conhecimento da coleção, seu histórico, sua procedência, seu conteúdo constitui um
dos fatores pra sua adequada descrição e o estabelecimento de relações da obra com a
memória da instituição, aliado ao conhecimento especializado de obras raras e do domínio de
técnicas de catalogação e indexação, permite o reconhecimento dos elementos importantes e
incomuns para descrição dos diversos itens da coleção.
O livro raro e especial constitui tanto suporte da informação bibliográfica como objeto
museológico ou histórico, e seu tratamento e descrição deve contemplar ambos os aspectos.
A metodologia desenvolvida durante o projeto possibilitou a uma visão conjunta da
coleção, permitindo o delineamento mais preciso da visão de P. M. Bardi enquanto historiador
e bibliófilo. Os três grupos originais da coleção, arte, arquitetura e miscelânea, representam
como as opções de P.M. Bardi para seleção de obras significativas para seu estudo e trabalho
como historiador e crítico de arte.
O trabalho de divulgação supõe igualmente o domínio e conhecimento da coleção e
suas potencialidades. Provavelmente a descrição sucinta dos documentos sem a visão do
conjunto da coleção e do acervo bibliográfico, em geral, provocaria a perda de informação de
pesquisa e de memória institucional. Do ponto de vista da recuperação da informação, os
pesquisadores não encontrariam uma informação desejada e buscariam em outras instituições.
Finalmente, o registro bibliográfico de obras raras e especiais pode ser considerado
como fonte de pesquisa para outras bibliotecas, uma vez que o catálogo está disponibilizado
na internet (http://masp.art.br/masp2010/biblioteca catalogo online.php).

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centrado no usuário: a avaliação do website do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Direito
da USP. In: FERREIRA, Sueli Mara Pinto; SAVARD, Réjean (Ed.). The virtual client: a new paradigm for
improving client relations in libraries and information services: Satellite Meeting, São Paulo, August 18-10,
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em:

&lt;

http://bdm.bce.unb.br/bitstream/10483/971/1/2009_SuelenGarciaSoares.pdf&gt;. Acesso em: 07
jul. 2012.
TESOURO

bibliográfico:

Publicações:

Livros.

Disponível

em

:

&lt;http://tesourobibliografico.wordpress.com/publicacoes/livros/&gt; . Acesso em: 01 jul. 2012.
TURNER, Jane (Ed.). The dictionary of art. New York: Grove, 1996. 34 v.
WHITTAKER, Beth M. ‘Get it, catalog it, promote it’: new challenges to providing access to
special collections. RBM: A Journal of Rare Books, Manuscripts, &amp; Cultural Heritage,
Chicago,

v.7,

n.2,

p.

121-133,

Fall

2006.

Disponível

em:

&lt;http://rbm.acrl.org/content/7/2/121.extract?sid=5fe23224-c7bc-4e2a-8523-68a53c195ced&gt;.
Acesso em: 11/07/2012.

3859

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Um olhar sobre o acervo de obras raras do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand- MASP</text>
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                <text>Costa, Ivani Di Grazia, Napoleone, Luciana Maria, Guimarães, Magda de Oliveira, Winer, Luiza</text>
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                <text>O presente estudo descreve a experiência sobre a organização de 400 obras raras pertencentes ao acervo bibliográfico da Biblioteca e Centro de Documentação do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubrind - MASP. Demonstra a elaboração de uma metodologia para identificar livros raros e estabelece padrões para duas categorias: as obras raras e as obras especiais. Apresenta a catalogação descritiva em MARC21 para essas obras principalmente o detalhamento, as especificidades e o histórico de cada obra como documento único.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UM ESTUDO
DE USUÁRIOS

Maria Elizabeth Oliveira Costa

RESUMO
A pesquisa trata do tema Educação a Distância (EaD), Bibliotecas Polo e os Recursos
Informacionais disponibilizados aos alunos da EaD. Faz uma abordagem sobre a EaD, o
desenvolvimento dessa modalidade de ensino; sua contribuição social, para que chegue aos
lugares mais remotos do país. O espaço da pesquisa é a Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) e o foco é o acesso à informação técnica cientifica pelos alunos dos cursos dessa
modalidade. A pesquisa é de natureza exploratória e de abordagem quali-quantitativa e busca
conhecer a visão dos usuários desta modalidade de ensino a partir de um “estudo de usuários”
permitindo conhecer as necessidades informacionais desses usuários.

Palavras-Chave: Educação a Distância; Bibliotecas Polo de Apoio presencial; Universidade
Federal de Minas Gerais.
ABSTRACT
The research deals with the theme Distance Education, Libraries and Information Resources
available to students of DL. It makes an approach to distance education, the development of
this type of education and its social contribution to reach the most remote places of the
country. The institution researched is the Federal University of Minas Gerais (UFMG) and
focused access to scientific and technical informacion by students of courses in the distance.
The research is exploratory and qualitative and quantitative approach.and tep was to analyze
the views of users of this distance mode. And it was a “study of users” to know their opinion.
So you could have the clarity o f the information needs of these users.

Keywords: Distance Learning; Support poles of distance education; Federal University of
Minas Gerais (UFMG).

1 Introdução
O uso das tecnologias da informação e da comunicação (TIC’s), aliados aos processos
educacionais, tem possibilitado novas oportunidades de ensino às pessoas, permitindo mais
informação e, consequentemente, mais conhecimento. O uso das tecnologias tem contribuído
para o avanço do ensino, principalmente na modalidade de ensino a distância.

4154

�Desde a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação aprovada em 1996, o pais
avançou significadamente. Reconhece-se que há, por parte do governo federal, interesse em
contribuir para um maior desenvolvimento da educação reduzindo as dificuldades de acesso.
Hoje o país apresenta maiores oportunidades para as pessoas antes excluídas. E a
prática da educação a distância tem contribuído para o desenvolvimento do País. É um novo
país despontando no horizonte. O horizonte das igualdades, das oportunidades, da qualidade
de vida, da inclusão social. É a evolução da educação, e consequentemente, da sociedade.
Dessa forma, justifica-se o envolvimento das Bibliotecas Universitárias e Sistema de
Bibliotecas, órgãos ou estruturas responsáveis pelas bibliotecas presenciais, em trazer a
informação técnica cientifica para os usuários da Educação a Distância, e assim,
consolidarem essa infraestrutura, para o apoio técnico às bibliotecas dos pólos, localizadas
em diferentes municípios do Estado, onde a universidade oferece cursos em EaD.
A pesquisa visa identificar o acesso à informação técnico-científica que os alunos da
modalidade à distância têm ao seu dispor. O objetivo dessas análises é verificar o que as
bibliotecas dos polos possuem e, em que as Instituições de Ensino Superior a partir dos
Sistemas de Bibliotecas ou Biblioteca Central, ou mesmo as Bibliotecas Universitárias
poderiam contribuir em relação ao oferecimento de serviços e produtos, já existentes para os
alunos presenciais, aos alunos dessa modalidade, que frequentam os polos de apoio
presencial.
Esta parte da pesquisa compreende a análise centrada no estudo realizado com os
usuários dos cursos na modalidade à distância. Como meio de coleta das informações foi
utilizado um questionário on-line com a finalidade de identificar o acesso aos recursos
informacionais, os mecanismos de busca pela informação e o acesso às fontes de informação
dessa modalidade de ensino, bem como verificar a frequência, desses alunos, às bibliotecas
dos polos e o tipo de material bibliográfico utilizado por eles.

2 Revisão de Literatura
Figueiredo (1999) considera duas abordagens que podem ser aplicadas aos estudos de
usuários: a tradicional (estudos dirigidos aos sistemas de informação) e a alternativa (estudos
dirigidos aos próprios usuários da informação). DeLone e McLean (1992) corroboram quando
dizem que “a natureza da utilização do sistema poderia ser dirigida para determinar se a
funcionalidade completa de um sistema está sendo usada para os seus usuários” .
De acordo com Garcez; Rados (2002, p. 13), nos anos de 1980,

4155

�[...] houve grande preocupação com estudos de usuários presenciais. Porém,
no final da década, houve uma paralisia temporária nessas investigações. Na
década de 1990, tais estudos começam a eclodir, propiciados pela explosão
da gestão de qualidade total nas organizações. Desde então, começaram a
serem intensificados os estudos de usuários a distância, e as bibliotecas
acadêmicas passam a ter uma preocupação maior em fazer parcerias com os
programas de educação a distância.
O crescimento do setor [EAD] tem tido uma verdadeira “explosão” . Segundo Litto
(2009), o Brasil está agora tomando seu devido lugar entre os países que fazem amplo uso de
EaD para dar acesso ao conhecimento, e à certificação de competências, a camadas cada vez
maiores da população.
A biblioteca universitária é um fator preponderante e imprescindível no ambiente de
ensino à distância. Seu principal objetivo é oferecer apoio didático, científico e pedagógico,
atendendo a comunidade acadêmica e os usuários que podem vir a utilizar seus recursos
informacionais. Entretanto, é necessário que haja um planejamento para disseminar as
informações de uma maneira eficaz e eficiente que chegue ao maior número de usuários
possível (SIMIONATO et. a l, 2010).
Para a disponibilização dos recursos informacionais e apoio técnico-científico aos alunos,
a EaD precisa contar com a infraestrutura das bibliotecas universitárias e sistemas de
bibliotecas já existentes e trabalhar em parcerias (com estas) para o atendimento aos alunos.
Longo (2009, p. 215) afirma que “ [...] é nesse contexto que, para o viajante cansado, a linha
do horizonte parece tecer um novo significado: o de que existe, enfim, uma possibilidade
plausível na distância - antiga inimiga transmutada em nova aliada - na emersão de um novo
paradigma educacional: a EAD” .

3 Estudos de Usuários da EaD
A fase da pesquisa consistiu na análise dos resultados do estudo de usos e usuários.
Assim, um questionário foi elaborado com objetivo de definir o perfil do aluno na modalidade
à distância, investigar a frequência de uso das bibliotecas polo e de seus produtos e serviços,
bem como o grau de conhecimento destes [produtos e serviços] pelos estudantes. O estudo
ainda buscou detectar o grau de interesse do corpo discente em participar de treinamentos e
receber orientações sobre os serviços oferecidos pelas bibliotecas polo e pela Biblioteca
Universitária. O presente estudo ocorreu na Universidade Federal de Minas Gerais, e o
publico alvo foram os alunos de cinco polos de apoio presencial onde a Universidade oferece
o curso na modalidade a distância sendo utilizado o software Quatrics para esse estudo.

4156

�Deste modo, a partir da coleta de dados foi diagnosticado o comportamento de busca de
informação e as principais demandas informacionais que surgem durante a trajetória
acadêmica dos alunos dos cursos de graduação na modalidade à distância na UFMG.
Foram selecionados para este estudo os alunos dos polos das cidades de Bom Despacho,
Buritis, Formiga, Governador Valadares e Montes Claros, polos situados no Estado de Minas
Gerais onde a UFMG oferece cursos nessa modalidade.

4 Resultados finais
A pesquisa teve por finalidade conhecer como os alunos da EaD têm acesso às fontes,
produtos e serviços informacionais no apoio as atividades acadêmicas.

Dentre os 714

estudantes ativos nos cursos, para os quais foram enviados os questionários, 130 responderam
a pesquisa.

4.1 Distribuição de alunos por polo
Os polos com maior número de alunos são os dos municípios de Araçuaí, com 544
alunos e Governador Valadares, com 545 alunos enquanto, Uberaba e Januária, são os polos
que possuem menor quantidade de alunos, com 46 e 35, respectivamente, o equivalente a 2%,
somando o percentual dos dois polos (GRAF. 1). Nos Polos com maior numero de alunos
observou-se que estes polos possuem uma infraestrutura adequada e, por isso, atraem mais
estudantes. A EaD/UFMG possuía, à época da pesquisa, um total de 3.081 alunos, conforme
indica o GRAF.1.

GRÁFICO 1 - Distribuição geral dealunos por Polo (número absoluto) - 2013
Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4157

�Os questionários foram enviados para 1.222 alunos que estavam vinculados a esses
polos. Ao receber o questionário foi percebido que parte dos alunos já tinham se formado e
alguns tinham realizado trancamento da matrícula. Assim, conforme TAB.1 observa-se que
somente 714 estudantes desses polos possuem vínculo ativo.

TABELA 1
Distribuição de alunos e ex-alunos dos cinco polos de EaD visitados - 2013
Polos da EAD
Alunos
Ex-alunos
Quantidade
total
alunos e ex-alunos
Bom Despacho

76

-

76

Buritis

19

50

69

Formiga

123

78

201

Governador Valadares

297

248

545

Montes Claros

199

132

331

TOTAL

714

508

1.222

de

Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4.2 Distribuição de alunos por curso

A quantidade de alunos por curso está distribuída conforme TAB. 2. Nota-se que o
curso de graduação a distância que detém a maior parcela de alunos é o curso de Pedagogia, e
em seguida, os cursos de Ciências Biológicas, Química, Matemática e Geografia.
TABELA 2
Distribuição geral de alunos por curso - 2013

Alunos
Ciências Biológicas
Geografia
Matemática
Pedagogia
Química

TOTAL

Quantidade
775
305
453
1.025
523

3081

Fonte: Pesquisa da autora, 2013

4158

�Através da TAB. 3, vê-se que os dois cursos de graduação com maiores quantidades de
alunos é também o curso da maioria dos respondentes da pesquisa. O curso de Pedagogia,
seguido do curso de Ciências Biológicas, corresponde uma parcela de 66% do total de alunos
que preencheram o questionário.

Cursos

Valores Absolutos

%

Ciências Biológicas

40

31%

Geografia

1

10

8%

Matemática

1
1

18

14%

15

12%

45

35%

Química
Pedagogia
TABELA 3

Distribuição de alunos por curso ofertados pelos cinco polos - 2013
Fonte: Pesquisa da autora, 2013

4.3 Perfil dos usuários na modalidade de ensino a distância

Pode-se notar, conforme TAB.4, que 39% dos alunos estão entre 31 a 40 anos e
corresponde a maior parcela da faixa etária. Em seguida, com 22%, estão os alunos acima de
40 anos, e 15% na faixa de 26 e 30 anos.

TABELA 4
Distribuição de alunos por faixa etária - 2013

Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4159

�De acordo com os resultados obtidos, pode-se concluir que as pessoas que buscam o
ensino na modalidade à distância estão em uma faixa etária de maior amadurecimento. Alguns
estudos, como os de Ferreira e Mendonça (2007, p. 7), comprovam essa realidade, pois “são
profissionais que estão em plena capacidade produtiva e optam pela EAD para aumentarem
seus conhecimentos [...]” . Ainda segundo outras pesquisas, o aluno on-line “típico” é
geralmente descrito como alguém que tem mais de 25 anos de idade, sendo esta uma
característica encontrada também nos dados coletados a seguir.
A TAB. 5 atesta que as mulheres buscam mais a educação à distância. Conforme
afirmam Ferreira e Mendonça (2007), as pessoas optam pelas comodidades oferecidas por um
curso a distância, pois fazem o acesso de suas casas obedecendo às suas agendas individuais
em relação ao horário e tempo de estudo.
TABELA 5
Valores
Absolutos

Sexo
Masculino
Feminino

36

28%

93

72%

Distribuição de alunos por gênero - 2013
Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

Observa-se na TAB.6 que 57% dos alunos usam as bibliotecas dos polos de
apoio para as atividades de pesquisa. A pesquisa qualitativa mostra que mesmo com
uma infraestrutura inadequada e falta de material informacional, ainda assim, os
alunos usam as bibliotecas Polo para estudo.
TABELA 6
Número de alunos que utilizam ou não a biblioteca do polo
Respostas

Sim
Não. Por quais motivos não
utiliza?

Valores
Absolutos

%

73

57%

55

43%

Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4160

�4.4 O não uso da biblioteca

Os motivos da ausência desses universitários nas bibliotecas são diversos. De acordo
com os dados qualitativos, conclui-se que alguns alunos dizem não utilizar a biblioteca do
Polo por falta ou escassez de materiais informacionais. Outros falam no atendimento e prazo
de devolução do material informacional e, ainda, porque a biblioteca do polo está distante de
sua residência. Entre os alunos que não frequentam a biblioteca do polo (TAB. 7), 13%
responderam que utilizam as bibliotecas do campus da UFMG.

TABELA 7
Outras bibliotecas utilizadas pelos alunos da EaD/UFMG - 2013
Outras bibliotecas

Valores
Absolutos

%

Biblioteca Central da
UFMG

1

6

5%

Biblioteca da UFMG
da sua área de
conhecimento

■

10

8%

Outras. Quais?

35

27%

Biblioteca Pública da
cidade local

48

37%

54

42%

Não utilize
Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

Alguns alunos preferem utilizar outras bibliotecas devido à localização mais próxima de
suas residências, além de ser mais fácil de cumprir o prazo de devolução dos materiais
bibliográficos. A TAB. 8 indica que 37% usam a biblioteca pública da cidade local, e 27%
utilizam outras unidades.
Ainda em relação ao uso das bibliotecas, 42% dos estudantes responderam que não
utilizam nenhuma biblioteca. Também, foi constatado que a facilidade de encontrar fontes de
informação na Internet, aliada à comodidade de possuírem seus próprios livros e apostilas,
fazem

com

que estes não procurem

bibliotecas para

suprirem

suas necessidades

informacionais.

4161

�4.5 Uso dos produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas

O grau de conhecimento dos serviços e produtos informacionais oferecidos (ou que
podem vir a ser oferecidos) pelas bibliotecas também, foi analisado pela pesquisa. Por
intermédio dela, examinou-se o acervo, as bases de dados, a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações, o catálogo on-line da Biblioteca, o serviço de comutação bibliográfica e o Portal
de Periódicos da Capes. Os resultados foram tabulados e apresentados no GRAF. 2. Vê-se que
apenas 28,68% dos alunos conhecem bem o acervo da biblioteca e, menos de 9% dos
estudantes conhecem os demais produtos disponibilizados para fins acadêmico-científicos.

GRÁFICO 2- Conhecimento dos produtos e serviços ferecidos pelo SB/UFMG
Fonte: Pesquisa da Autora, 2013.

A partir das análises anteriores, percebeu-se que as bibliotecas dos polos
possuem acervo reduzido. Pode-se inferir, por meio dessa questão, que a maioria
dos alunos da EaD da UFMG desconhecem ou conhecem pouco os serviços
informacionais digitais ofertados pelas bibliotecas dos cursos presenciais e, que
podem ser oferecidos nos polos, o que pode ser confirmado na TAB. 8.

4162

�TABELA 8
Serviços ofertados pelo SB/UFMG e o grau de conhecimento pelos alunos da EaD

Serviços

Não
conheço

Conheço
pouco

Conheço bem

Acervo da biblioteca

26

66

37

129

Base de Dados

57

58

10

125

Biblioteca Digital de Teses
e Dissertações

58

57

11

126

Catálogo
biblioteca

72

45

10

127

85

35

5

125

55

10

127

Comutação
(COMUT)

Online

da

Bibliográfica

Portal de Periódicos da
62
Capes
Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

TOTAL

O produto informacional mais utilizado para elaboração de estudos e trabalhos
acadêmicos pelos alunos da EaD/UFMG é a Internet, com 76%, sendo que a maioria a utiliza
diariamente.
Percebe-se que as bases de dados, o Portal de Periódicos da Capes e a Biblioteca Digital
de Teses e Dissertações, bem como o catálogo on-line da biblioteca e o COMUT, são
subutilizados pelos alunos da modalidade à distância. Contudo, o serviço de comutação
bibliográfica é o que possui maior percentual de não utilização.
De acordo com o GRAF. 3, observa-se que grande parte dos alunos utiliza o acervo da
biblioteca apenas uma vez por mês, e somente 13,49% a consultam todos os dias. Esse fato se
deve a falta de material adequado ou mesmo insuficiente disponibilizado pelas bibliotecas dos
Polos. A pesquisa qualitativa mostra que, nas bibliotecas dos Polos, faltam inclusive livros da
bibliografia básica dos cursos.

4163

�GRAFICO 3 - Grau de utilização dos produtos e servços informacionais
Fonte: Pesquisa da Autora, 2013.

Dessa forma, faz-se necessário estabelecer uma política de desenvolvimento de acervo
que possibilite equipar as bibliotecas dos polos, com uma coleção diversificada e,
principalmente, com o acervo solicitado na bibliografia básica dos cursos. È necessário
também a definição de um programa de orientação e treinamento na utilização dos produtos e

4164

�serviços informacionais on-line existentes, buscando uma melhor usabilidade de seus recursos
de informação por parte do consulente.
Grande parte dos respondentes tem alto grau de interesse em participar de treinamentos e
receber orientações sobre os serviços informacionais oferecidos pelas Bibliotecas, conforme
indica o GRAF. 4. De acordo com Edwirges, “de nada adiantaria montar um grande acervo
com diversos livros atualizados, sem jamais chamar atenção dos usuários, por isso é
importante um estudo de usuários profundo, para pesquisar seus interesses e objetivos com a
biblioteca universitária” . E ainda segundo Figueiredo (1979, p. 79) o estudo de usuários:
São investigações que se fazem para se saber o que os indivíduos precisam
em matéria de informação, ou então, para se saber as necessidades de
informação por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de
informação estão sendo satisfeitas de maneira adequada.
GRÁFICO 4 - Grau de interesse dos alunos em particpar de treinamentos e receber
orientações sobre os produtos e serviços disponíveis

Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4165

�5 Considerações Finais

Fazer com que os indivíduos tenham acesso à informação, ao conhecimento e aos
recursos informacionais necessários para o seu aprendizado é uma tarefa do Estado, dos
órgãos governamentais, das instituições de ensino envolvidas no processo. Hoje, há
participação de inúmeras instituições públicas e privadas que estão ofertando a modalidade de
educação à distância. Assim o investimento é necessário para que o aluno da EaD tenha ao
seu dispor todo o material necessário para acesso à informação técnico-científica.
Os serviços e produtos informacionais oferecidos pelas bibliotecas e que podem ser
estendidos aos usuários da EaD, dentre eles estão: as Bases de Dados, Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações, Catálogo on-line da Biblioteca, Serviço de COMUT e o Portal de
Periódicos da Capes (instituição consorciada). No entanto, a porcentagem de conhecimento
dessas fontes de informação pelos alunos da EaD é relativamente baixa. De acordo com
Tozoni-Reis (2007), é preciso articular a produção de conhecimentos, ação educativa e
participação, numa perspectiva necessariamente transformadora da realidade.
A partir dessas análises, faz-se necessário que as bibliotecas das IES, responsáveis pelos
cursos do ensino a distância, divulguem e ofereçam treinamentos dos produtos e serviços para
os alunos dos cursos dessa modalidade, possibilitando um maior conhecimento das diversas
fontes de informação e, portanto, um maior uso, tornando-os usuários reais da biblioteca e dos
serviços informacionais oferecidos pelas Bibliotecas Universitárias ou pelos Sistemas de
Bibliotecas.
Em relação às bibliotecas das IES, estas precisam buscar solução na criação de diretrizes
e contribuir com as bibliotecas dos polos e, automaticamente, com a educação à distância no
país. As bibliotecas acadêmicas devem se adaptar aos novos tempos para irem de encontro às
necessidades dos usuários atuais, sendo eles: “usuário presencial, ou remoto” .

Referências
BRASIL. Decreto n. 5.622 de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o Art. 80 da Lei no
9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

Diário

Oficial

da

União,

Brasília,

DF,

20

dez.

2005.

Disponível

em:

&lt;http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/portarias/dec5.622.pdf&gt;. Acesso em: 10 set. 2012.
DELONE, W. H.; MCLEAN, E. R. Information system success: the quest for dependent
variable. Information Systems Research, [S. l.], v. 3, p. 60-95, 1992.

4166

�EDUVIRGES, Joelson Ramos. A importância do usuário no desenvolvimento de coleções em
bibliotecas

universitárias.

Disponível

http://rabci.org/rabci/sites/default/files/ARTIGO%20DE%20USUARIOS-3 1.pdf.

em:
Acesso

em:20 dez.2013
FERREIRA, Z. N.; MENDONÇA, G. A. de A.; MENDONÇA, A. F. de. O perfil do aluno de
educação a distância no ambiente teleduc. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 13, 2007, Curitiba. Anais... Curitiba: [CIETEP], 2007.
FIGUEIREDO, N. M. Estudos de uso e usuários da informação. Brasília: IBICT, 1999.
__________________ . Avaliação de coleções e estudo de usuários. Brasília: ABDF. 1979.p.
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__________________ . Usuários. I n :______ Paradigmas modernos da Ciência da Informação.
São Paulo: Polis/APB, 1999. p. 11-33.
GARCEZ, E. M. S.; RADOS, G. J. V. Biblioteca híbrida: um novo enfoque no suporte à
educação a distância. Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 2, p. 44-51, maio/ago. 2002.

LITTO., F. M. O. Retrato Frente e Verso da Aprendizagem a Distância no Brasil. ETD:
Educação Temática Digital, Campinas, v. 10, n. 2, p. 108-122, jun. 2009.
LONGO, C. R. J. EaD na pós-graduação. In: LITTO, F. M.; FORMIGA, M. (Org.). Educação

a Distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. p. 215-222.
SIMIONATO, A. C. et. al. Proposta de serviço de disseminação da informação para

biblioteca universitária. 2010. 31 f. Trabalho acadêmico (Graduação em Biblioteconomia) Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2010.
TOZONI-REIS, M. F. de C. A pesquisa-ação-participativa em educação ambiental: reflexões
teóricas. São Paulo: Annablume, 2007.

4167

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A pesquisa trata do tema Educação a Distância (EaD), Bibliotecas Polo e os Recursos Informacionais disponibilizados aos alunos da EaD. Faz uma abordagem sobre a EaD, o desenvolvimento dessa modalidade de ensino, sua contribuição social, para que chegue aos lugares mais remotos do país. O espaço da pesquisa é a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o foco é o acesso à informação técnica cientifica pelos alunos dos cursos dessa modalidade. A pesquisa é de natureza exploratória e de abordagem quali-quantitativa e busca conhecer a visão dos usuários desta modalidade de ensino a partir de um "estudo de usuários" permitindo conhecer as necessidades informacionais desses usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A CRIAÇÃO DE NOVOS PRODUTOS:
RELATO DE EXPERIÊNCIA DA CRIAÇÃO DA REVISTA UNI/VERSOS

Michelle Karina Assunção Costa

RESUMO
Este trabalho relata a experiência da biblioteca Alphonsus de Guimaraens do Instituto de
Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto com a criação da revista
eletrônica Uni/Versos. Objetivou-se com a criação da revista ampliar o espaço de atuação da
biblioteca, não se restringindo somente ao ambiente físico. A revista é publicada no Issuu, um
serviço gratuito on-line de criação de revistas e livros virtuais. Os números já publicados
estão disponíveis para leitura no site da biblioteca. Todo o trabalho de produção da revista, de
chamada de textos e o editorial são realizados pelas bibliotecárias e por um auxiliar de
biblioteca, que é responsável também pela diagramação da revista. A revista possui várias
sessões, como: Artigo, Entrevista, Conto, Opinião, Serviços, dentre outras. A divulgação da
Uni/Versos é feita no facebook e no twitter, onde a biblioteca possui uma conta, assim como
no próprio site da biblioteca. Matérias de divulgação são publicadas também no site da
Universidade Federal de Ouro Preto, o que contribui para o marketing da biblioteca. As
discussões que fundamentam o trabalho versam sobre a sociedade da informação, a criação de
serviços não convencionais pelas bibliotecas e sua divulgação, gestão da biblioteca
universitária e suas funções. Este trabalho amplia a visibilidade da biblioteca no contexto da
universidade, possibilita uma aproximação com os docentes da unidade a qual ela pertence e
obtém boa receptividade por parte dos usuários.

Palavras-Chave: Revista eletrônica; Biblioteca universitária; Gestão de bibliotecas; Uso da
internet; Marketing de serviços.
ABSTRACT
This paper reports the experience of Alphonsus Guimaraens Library of the Institute of
Humanities and Social Sciences of the Federal University of Ouro Preto with the creation of
the electronic magazine Uni/Versos. The objective of the creation of the magazine is expand
the work space of the library, that not restricted only to the physical environment. The
magazine is published on Issuu, a free online service for creating virtual magazines and
books. The figures already published are available for reading in the library website. All work
production of the magazine, called and editorial texts are performed by librarians and an
auxiliary library that is also responsible for the layout o f the magazine. The magazine has
several sessions, such as: Article, Interview, Story, Opinion, Services, among others. The
disclosure of Uni/Versos is made on facebook and twitter, in the Federal University of Ouro
Preto website and through e-mail messages sent to the system libraries and departments of the
Institute. This contributed to the publicity of the library. The discussions that permeate the

1782

�content of the magazine refers to information society, the creation of unconventional services
for libraries and their disclosure, management o f the university library and their functions.
This work increased the visibility of the library in the university context, allowed to approach
the teachers of the unit and had good receptivity from the library users.

Keywords: Electronic magazine; University library; Library management; Internet use;
Marketing services.

1 INTRODUÇÃO
A dimensão do uso da internet atualmente é algo que chama atenção, pois está
presente em várias ações dos indivíduos. Sejam eles bibliotecários, estudantes, professores,
pesquisadores, idosos e crianças que a utilizam para a disseminação da informação, na busca e
acesso remoto a informação em bases de dados, para o lazer/diversão, na realização de
movimentações bancárias, e-commerce, dentre outras.
O processo de comunicação e relacionamento entre os sujeitos é diretamente afetado
pelo uso da internet devido à facilidade do seu uso, a interatividade, e a velocidade que as
informações percorrem pelo ambiente virtual. Acarretando assim, na “aproximação” das
pessoas que estão geograficamente distantes e na disseminação da informação, impactando no
trabalho e gestão das bibliotecas universitárias. De acordo com Baptista (2004, p. 227),

a internet é identificada com as seguintes características: veículo de
comunicação e de promoção organizacional; uma grande base de dados; uma
grande biblioteca ou um excelente espaço para a área comercial, que a
transforma num grande mercado. Generalizando bastante, a rede representa,
virtualmente, nosso cotidiano.
Dentre os serviços prestados pelas bibliotecas que também são chamadas de unidade
de informação podemos destacar: o serviço de referência, treinamento de usuários ,
levantamento bibliográfico , disseminação

seletiva da informação,

que

são

serviços

tradicionais disponibilizados aos usuários. Mas, em uma sociedade da informação onde os
indivíduos utilizam a internet o tempo todo, é preciso que as bibliotecas universitárias façam
uso da tecnologia da informação e comunicação (TIC) disponíveis a seu favor, e habitar
espaços que antes não eram tão ocupados por elas. Dessa maneira, a biblioteca universitária
(BU) pode obter vantagem da rede de computadores interconectados (internet) e ampliar sua
atuação também no espaço virtual.
A função primordial de uma biblioteca universitária de acordo com Emmanuelli
(2009, p. 28)

1783

�é prover infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional para
apoiar as atividades da universidade centrando seus objetivos nas
necessidades informacionais do indivíduo, membro da comunidade
universitária, através da prestação de serviços, proporcionando o acesso à
informação, à leitura e a outros recursos disponíveis que são instrumentos de
transformação da sociedade.
Por meio da internet a biblioteca pode trabalhar com a promoção de serviços de
informação de modo fácil e interativo, e ser mais um canal de divulgação /comunicação entre
a biblioteca e o usuário. Dentre as várias funções de uma biblioteca, a função de divulgação
consiste em comunicar o usuário às informações de que ele necessita saber a respeito da
biblioteca, como também promover novos produtos e serviços e propor possibilidades de
participação da comunidade nas novas formas de atuação da biblioteca.
Este trabalho apresenta a experiência na criação de uma revista eletrônica que utilizou
os recursos da internet para publicação e disponibilização de um novo produto aos usuários
reais e/ou potenciais de uma biblioteca setorial universitária que faz parte de um sistema de
bibliotecas composto por 12 unidades de informação.
A revista Uni/Versos foi criada em abril de 2013 pela Biblioteca Alphonsus de
Guimaraens do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) da Universidade Federal de
Ouro Preto (UFOP) localizado na cidade história de Mariana/MG. Sua criação teve como
objetivo ampliar o espaço de atuação da biblioteca, não restringindo somente ao ambiente
físico. Mas, estar presente também no ambiente virtual, utilizando a internet para ir ao
encontro dos mais diversos usuários e nos mais diferentes locais.

2 REVISÃO DE LITERATURA
As bibliotecas desde que surgiram há muitos séculos atrás, como a famosa Biblioteca
Real de Alexandria que acredita ser do início do século III a.C. até os dias atuais, vêm
passando por grandes modificações; estes ambientes evoluíram, passando do tradicional
suporte em papel, em informações registradas fisicamente em livros e revista, e empréstimos
controlados por fichas impressas; para a automatizada, eletrônica, digital, e atualmente a
biblioteca virtual. (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005, p. 35).
Os tipos de bibliotecas de acordo com Araújo; Oliveira (2005, p. 37) se divide
segundo sua finalidade, sendo elas:

1784

�Nacionais - têm como principal finalidade a preservação da memória
nacional, isto é, da produção bibliográfica e documental de uma nação;
Públicas - surgiram com a missão de atender às necessidades de estudo,
consulta e recreação de determinada comunidade, independentemente de
classe social, cor, religião ou profissão; Especializadas - são aquelas
dedicadas à reunião e organização de conhecimentos sobre um só tema ou de
grupos temáticos em um campo específico do conhecimento humano;
Escolares - são destinadas a fornecer material bibliográfico necessário às
atividades de professores e alunos de uma escola; Infantis - devem ser mais
voltadas para a recreação e proporcionar atividades como: escolinhas de arte,
exposição, dramatizações e etc.; Especiais - aquelas que se destinam a
atender a um tipo especial de leitor e, por isso, detêm um acervo especial,
como, por exemplo, as bibliotecas para deficientes visuais, presidiários e
pacientes de hospitais; Biblioteca ambulante ou carro-biblioteca ou
bibliobus - são bibliotecas volantes, que objetivam a extensão dos serviços
bibliotecários às áreas suburbanas e rurais, quando estes são deficientes ou
inexistentes. São serviços de extensão de bibliotecas já existentes, como
bibliotecas públicas ou universitárias; Popular ou comunitária - uma
biblioteca criada e mantida pela comunidade que possui os mesmos
objetivos da biblioteca pública, mas não se vincula ao poder público; e as
bibliotecas Universitárias - cuja finalidade é atender às necessidades de
estudo, consulta e pesquisa de professores e alunos universitários.
E para que esta finalidade seja alcançada Carvalho (1976, p. 120) corrobora
explicitando que é necessário que a BU deva ser organizada “para prover usuários; com a
informação (conteúdo) de que ele precisa; em forma adequada (nível, linguagem, texto,
completo ou resumo...); através de canal adequado (formal e informal); no momento preciso;
com menor esforço; abaixo custo” .
A sociedade passou e passa por mudanças sociais, políticas, econômicas e
tecnológicas (aceleradas) que atingem todos a sua volta, e tem transformado a maneira como
vivemos, trabalhamos, nos comportamos, nos relacionamos, dentre outros aspectos que são
afetados, pois estamos diante de uma revolução global. E vários termos são usados para
caracterizar estas mudanças, como a sociedade do conhecimento, sociedade da informação,
sociedade pós-industrial, dente outros.
Segundo Shera (1972 apud TARGINO, 1984),
a sociedade determina o que foi a biblioteca do passado e o que será a
biblioteca do futuro. Isto reforça a importância da biblioteca no processo de
desenvolvimento de um povo, ao mesmo tempo que comprova a
impossibilidade de se desvincular a história da biblioteca e da civilização.
De acordo com Borges (2004, p. 54) a sociedade da informação e do conhecimento
interfere na atuação do bibliotecário e consequentemente interferirá no funcionamento das
bibliotecas. Conforme encontramos na publicação desse autor, esta sociedade possui algumas
características como:

1785

�a informação é um produto, um bem comercial; as tecnologias de
informação e comunicação tomaram o mundo uma “aldeia global”, como
também criaram novos mercados, serviços, empregos e empresas; as
tecnologias de informação e comunicação alteraram a noção de valor
agregado à informação e interferiram no ciclo informacional tanto do ponto
de vista dos processos e das atividades, como da gestão e dos custos [...]
Corroborando com o pensamento exposto acima, Silva; Cunha (2002, p. 80)
acrescenta que
a era do conhecimento demanda mentes questionadoras e imaginativas que
devem ser cultivadas através de uma educação adequada e com conteúdos
pertinentes e consequentes. A realidade em que vivemos, dentro de um
contexto globalizado, exige dos profissionais de todas as áreas melhor
desempenho e mais eficiência. Dentro deste contexto, os bibliotecários
devem estar preparados de forma a responder às novas exigências da
sociedade do conhecimento.
Sendo assim, cabe aos profissionais bibliotecários que são gestores das bibliotecas
universitárias estarem atentos ao que ocorre na sociedade e que implica no universo das
bibliotecas para que possam realizar uma gestão mais eficaz, ampliando o uso de seus
produtos e serviços e permitindo uma maior aproximação com seus usuários.
Segundo Targino (2006, p. 185)

a introdução de serviços não convencionais tanto concorre para a biblioteca
acompanhar o desenvolvimento científico e tecnológico como para mudar a
sua imagem de organismo estático e passivo. A divulgação dos serviços que
podem ser implantados, conforme as singularidades de cada instituição
permite à comunidade visualizar a biblioteca atual, essencialmente, como
serviço e elemento propulsor e novos conhecimentos.
Com o uso da internet para a realização de várias ações em setores como ensino,
bancos, comércio, é pertinente que as bibliotecas também acompanhem esta tendência, para
disponibilizar novos serviços aos seus usuários. É preciso que as unidades de informação não
foquem apenas nos serviços inerentes e tradicionais de uma biblioteca, mas que utilizem dos
recursos tecnológicos, da criatividade para atrair os usuários reais e os potenciais.
Encontramos em Carvalho (1976, p. 117) que “a biblioteca é um sistema aberto, parte de um
sistema mais amplo e seus papéis são determinados pelas relações com o mundo exterior, ou
com o supra sistema imediato” .
Todavia, a gestão da biblioteca deve ser pensada estrategicamente, definindo ações
que contribuam para que a relação biblioteca e usuário possam ser mais próximos. Sendo
assim, alguns pontos são considerados importantes para uma efetiva gestão de bibliotecas uni-

1786

�versitárias, iniciando com uma postura pró-ativa e um conjunto de habilidades e competências
do profissional Bibliotecário adquirido através da formação continuada, a prática do trabalho
em equipe, em delegar tarefas para os colaboradores, em incentivá-los a participar de novas
atividades e sempre reconhecer o esforço e trabalho desenvolvido por eles. Dessa maneira, é
possível realizar grandes mudanças nesse espaço de conhecimento, aliado com trabalho ético
e em equipe, com inovação e criatividade, pensando nos resultados a serem alcançados, e com
qualidade, bem como um bom e saudável relacionamento interno e externo. (SILVA;
CUNHA, 2002).
“A biblioteca universitária não somente satisfaz as expectativas atuais do usuário, mas
desenvolve nele necessidades de novas buscas, ao mesmo tempo que se propõe a atingir os
usuários em potencial.” (CARVALHO, 1976). E a internet é um recurso que permite alcançar
um público cada vez mais distante geograficamente, mas interessado em informação e
conhecimento.
A biblioteca é uma unidade informacional que trata da informação desde a sua
organização até a sua divulgação para a comunidade na qual atende. E como uma organização
pressupõe três grandes funções segundo Araújo; Oliveira (2011, p. 38), sendo elas:

S Função gerencial - administração e organização;
S Função organizadora - seleção, aquisição, catalogação, classificação,
indexação;
S Função de divulgação - referência, empréstimo, orientação,
reprografia, serviços de disseminação, extensão.
Os autores Araújo; Dias (2011, p. 116) também discorrem sobre as funções de uma
biblioteca e do bibliotecário. Para estes autores, a primeira função da biblioteca

é a preservação dos registros da informação, o que motivou a criação da
biblioteca; a segunda é a organização da informação, onde foram
desenvolvidas e aperfeiçoadas técnicas de catalogação, classificação e
indexação, e por último, a terceira função que é a disseminação da
informação. Esta função é desempenhada através da criação e oferta de
vários serviços e produtos de informação.
Podemos considerar que a terceira função é a função essencial de uma biblioteca,
diante dela ter que se comunicar e interagir com seus usuários, disseminando informações
acerca de seus serviços, como também propor-lhes possibilidades de acesso a informações e a
seus documentos que encontram ali organizados.

1787

�No tocante ao profissional bibliotecário, Araújo; Dias (2011, p. 119) explicitam que é
preciso que o bibliotecário tenha uma postura criativa, de renovação constante e de disposição
para enfrentar desafios diários que surgem nas unidades de informação.
Os autores Silva; Schons; Rados (2006, p. 2), propõem um modelo de gestão para
biblioteca universitária que reúne três funções organizacionais que são desdobradas em seis
elementos, sendo eles: valor da informação, marketing, percepção/satisfação do cliente, ciclo
de serviços, gestão da produção e estratégia nos processos. De acordo com os autores, as
funções são identificadas da seguinte maneira:

proposta: identificação do valor da informação para o usuário;
comunicação: interface capaz de mensurar os níveis de percepção/satisfação
do cliente, bem como permitir a vinculação do fluxo informacional da
biblioteca para o usuário e vice-versa (marketing); e a efetivação: composto
por atividades que representam o ciclo do serviço, a geração/produção de
demandas informacionais e as estratégias nos processos.
Diante do exposto, grifamos a função de comunicação por estar diretamente
relacionada com o trabalho realizado por meio da revista Uni/Versos. A revista possibilita ir
ao encontro dos usuários reais e potenciais, transmitindo informações sobre a biblioteca,
realizando o marketing de seus serviços. Enfim, divulgando informações e compartilhando o
conhecimento que é produzido pela comunidade universitária.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A biblioteca Alphonsus de Guimaraens pertence ao Instituto de Ciências Humanas e
Sociais que foi criada quando a Universidade Federal de Ouro Preto incorporou
administrativamente os cursos da Faculdade de Filosofia de Mariana, no dia 09 de novembro
de 1979, mas foi oficializado pela portaria 048/80 de 25 de março de 1980. Não há um
registro de quando a Biblioteca foi criada, mas com esta incorporação, a Fundação
Marianense de Educação passou todos os pertences dos cursos de licenciatura, inclusive onze
mil exemplares da biblioteca.
A biblioteca recebeu esse nome em homenagem ao poeta brasileiro Afonso Henriques
da Costa Guimarães e um dos principais representantes do movimento simbolista no Brasil.
Alphonsus de Guimaraens nasceu em Ouro Preto no dia 24 de julho de 1870, e faleceu na
cidade de Mariana/MG em 15 de julho do ano de 1921.

1788

�A biblioteca do ICHS como é mais conhecida e chamada pelos seus usuários, atende
diretamente os funcionários, os discentes e docentes dos cursos de graduação em Letras,
Pedagogia e História, como também a comunidade dos cursos da pós-graduação do Instituto.
Tendo a preocupação e responsabilidade com a disseminação da informação a seus
usuários reais e potenciais, esta biblioteca possui vários canais de comunicação e serviços
para atender seu público. A biblioteca possui um site

; conta nas redes sociais twitter e

facebook ; o guia do usuário; vídeos tutoriais de renovação on-line e uso do equipamento de
autoempréstimo. Disponibiliza também o acesso ao portal de periódicos da Capes, consulta e
empréstimo local, consulta ao acervo on-line, elaboração de ficha catalográfica de
monografias, empréstimo domiciliar, empréstimo entre bibliotecas, empréstimo por hora (para
Xerox), exposição de novas aquisições, pesquisa bibliográfica, recebimento de doações para
incorporação ao acervo, renovação local, renovação on-line, reservas (in loco), sumário de
periódicos e treinamento do portal de periódicos da Capes.
Em novembro de 2012 a biblioteca passou por uma mudança de espaço físico que
possibilitou oferecer a seus usuários ambientes melhores para suas pesquisas e estudos, e a
criação de novos ambientes (sala de exposições e multimeios). E nessa fase de mudanças e
criações, o novo ambiente propiciou a produção de novos serviços. Foi nesse contexto, que a
biblioteca do ICHS criou a Uni/Versos

que colabora na promoção da unidade de

informação, no marketing de seus serviços, estabelecendo mais um canal de comunicação
com sua comunidade. Enfim, é uma fonte para publicação de textos produzidos por seus
usuários ou não usuários para a transmissão do conhecimento no contexto universitário.
A criação da revista teve como objetivo ampliar o espaço de atuação da biblioteca, não
restringindo somente ao ambiente físico. Mas, estar presente no ambiente virtual, utilizando a
internet para ir ao encontro dos mais diversos usuários e nos mais diferentes locais. Como
desdobramento, os objetivos específicos referem a realizar o marketing de serviços da
biblioteca setorial; estreitar o contato com a comunidade do instituto e universidade;
disponibilizar um

espaço para publicação

da produção intelectual

da comunidade

universitária; e prestar um novo serviço de informação.
A ideia de criação da revista foi apresentada por uma bibliotecária que atua nesta
biblioteca e também autora deste artigo para alguns colegas de trabalho que aprovaram a sua
sugestão. O próximo passo foi à escolha do nome da revista.

197 http://www.sisbin.ufop.br/bibichs/
198 http://www.sisbin.ufop.br/bibichs/index.php/uni-versos

1789

�A mesma bibliotecária sugeriu o nome Uni/Versos que simbolicamente pudesse
representar um “local” que abarcasse o todo, onde tudo pudesse ser publicado e que todos
tivessem a oportunidade de participar, que é o escopo da publicação.

Como a ideia era

agregar não somente trabalhos científicos e divulgação da biblioteca, mas também textos
literários, a variação do nome de Universos para Uni/Versos foi sugerido pelo auxiliar de
biblioteca graduado em Letras. Esta mudança consegue conciliar essas duas facetas ao trazer a
ideia de diversidade temática e de gêneros textuais que a palavras universos carregaria para a
revista, assim como enfatizar o caráter também literário da publicação ao colocar a barra (/) e
passar a ter também o sentido de união de versos (literatura).
Tendo definido o nome da publicação e como as atividades seriam executadas, o
projeto foi exposto ao Diretor do ICHS que aprovou a ideia e escreveu um texto para esse
primeiro número. Essa edição de lançamento contou também com a participação do PróReitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFOP e ex-professor do ICHS. Cabe ressaltar que não
há uma política oficializada para as atividades que são realizadas na revista
A Uni/Versos é publicada no Issuu199, é uma publicação on-line de periodicidade
mensal, e seu primeiro número foi disponibilizado em abril de 2013. Todas as edições podem
ser consultadas no site da biblioteca200 ou direto no site do Issuu. Ao acessar a revista pelo site
da biblioteca uma opção de abrir a revista no Issuu é apresentada.
O Issuu é uma plataforma digital gratuita que permite a criação de livros e revistas na
internet. Com ele o usuário cadastrado pode “carregar” um documento junto ao site e
disponibilizá-lo para o mundo, e sua visualização é como se o leitor estivesse folheando uma
revista. A sugestão por esta plataforma foi dada pelo auxiliar de biblioteca que tem
conhecimentos em informática e que já conhecia revistas eletrônicas publicadas no Issuu,
além de ser de fácil manuseio para o leitor.
Após a publicação do primeiro número, a etapa seguinte foi solicitar ao Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) o International Standard Serial

Number (ISSN) para a Uni/Versos.
Em maio de 2013 quando ocorreu o 3o Seminário de Bibliotecas Setoriais da UFOP a
revista Uni/Versos foi apresentada para todos os colaboradores que trabalham nas setoriais
que compõem o Sistema de Bibliotecas e Informação (SISBIN) da UFOP. O que acarretou
logo em seguida no interesse e na participação de um funcionário de outra biblioteca setorial e
também aluno da UFOP com o envio de seus ensaios.
199http://issuu.com/home
200 http://www.sisbin.ufop.br/bibichs/index.php/uni-versos

1790

�Destacamos como funcionalidades do Issuu, o layout que lembra um livro aberto, a
contagem de acesso que é visível somente para o administrador da conta, o compartilhamento
da revista nas redes sociais facebook e twitter (FIG. 1).

Figura 1 : Opção de compartilhamento da revista nas redes sociais - acesso à revista via o site
da biblioteca

Fonte: http://www.sisbin.ufop.br/bibichs/index.php/uni-versos/22-universos/127-universos-ano-1-n1-de-abril-de-2013
A revista possui várias sessões referentes como: Artigo, Entrevista, Serviços,
Lançamento de livros, Opinião, Memórias, dentre outras. Estas não são fixas, ou seja,
algumas estarão presentes de acordo com os colaboradores da presente edição. Nestas sessões
são publicados artigos acadêmicos, os serviços da biblioteca, também apresenta um resumo da
vida de escritores (sessão Memórias), onde divulgamos as obras dos mesmos e que fazem
parte do acervo da biblioteca, bem como textos de diversos gêneros (conto, poema, texto de
opinião, etc.).
A mudança de página na visualização da revista eletrônica pode ser feita através das
setas no alto da revista, ou nas setas à direita e na esquerda do texto, clicando sobre as páginas
em miniatura no rodapé da revista conforme visualizado na fig. 2, como também através do
teclado do computador. Também possui um botão para avançar e retroceder, e recursos para
aumentar a visualização do texto. Não é necessário ser registrado para visualizar as
publicações, com exceção para o download da revista.

1791

�Figura 2: Mudança de página

Fonte: http://issuu.com/biblioteca_ichs_ufop/docs/universos_n_6/3?e=7545988/6032741

Todo o trabalho de produção da revista, de chamada de textos, e o editorial são
realizados pelas bibliotecárias e por um auxiliar de biblioteca, ficando também a diagramação
da revista sob a responsabilidade desse auxiliar. Para a redação do editorial é realizado um
rodízio entre as bibliotecárias e o auxiliar para que todos participem.
O recebimento dos textos é feito através de e-mail

criado no Google exclusivamente

para este fim, e os autores tem até o último dia de cada mês para enviar seus textos, uma vez
que as novas edições estão no ar na segunda semana do mês subsequente. As normas de
publicação estão disponíveis na própria revista, como também no site da biblioteca.
Os meios de divulgação das novas edições da revista são as redes sociais facebook e

twitter da biblioteca do ICHS, envio de e-mail para os bibliotecários da Universidade, para as
bibliotecas setoriais, para os colaboradores da revista, para o e-mail dos departamentos do
ICHS, e no site da UFOP, na qual a biblioteca solicita a divulgação dos novos números
publicados, e os profissionais da acessória de comunicação nos contatam com um roteiro de
questões para criarem o texto de divulgação da revista.
Conforme a fig. 3 apresentada abaixo, temos o primeiro número da revista eletrônica
Uni/Versos expondo a maneira como ela é visualizada no site do Issuu pelos leitores.

201 universos.bibichs@gmail.com

1792

�Figura 3: ni/Versos - abril de 2013

Fonte: http://issuu.com/biblioteca_ichs_ufop/docs/universos_a1_n1_2013/1?e=7545988/2021614
A seguir apresentam-se as capas das 06 (seis) edições do ano de 2013 (FIG. 4),
destacamos que a sequência apresentada pelo Issuu não está na ordem em que a revista é
publicada. Devido às férias de membros do corpo editorial, a realização do inventário e o
recesso escolar, não foram publicados as edições dos meses de setembro, outubro e
novembro. Podemos afirmar que, o fator que mais impacta negativamente nesse trabalho é a
falta de pessoal nas bibliotecas com conhecimentos para auxiliar na edição e diagramação da
revista eletrônica Uni/Versos.

Figura 4: Capas das edições 2013 da Uni/Verso

Fonte:Elaborado pela autora (2014)

1793

�A edição de julho de 2013 foi um número especial sobre os serviços e produtos da
biblioteca do ICHS, demonstrados nas figuras 5 e 6, e que posteriormente deu origem a um
“Guia para usuários da Biblioteca do ICHS

202

“ que também está disponível no Issuu sendo

entregue aos calouros no início de cada semestre.

Figura 5: Edição especial sobre os serviços da biblioteca do ICHS

Fonte: http://www.sisbin.ufop.br/bibichs/index.php/uni-versos/8-noticias/240-universos-ano1-n-4-julho-de-2013

A criação do sumário é a parte final da produção da revista, e este é realizado
buscando-se sempre trazer um elemento temático que foi abordado na mesma (geralmente a
matéria de capa). O próximo passo é a escolha de uma imagem que sintetize a ideia principal

202 http://issuu.com/biblioteca_ichs_ufop/docs/guia-usuario/3?e=7545988/5438435

1794

�da matéria, se não, uma imagem que traga elementos suficientes para possibilitar a ligação
com o assunto tratado. Como exemplo apresentamos abaixo o sumário da edição especial dos
serviços da biblioteca (FIG. 6) onde foi utilizada uma foto com livros do acervo. Destacamos
que quando o leitor clica na matéria selecionada, automaticamente é direcionado para a
página onde se encontra o texto.

Figura 6: Sumário da edição de julho de 2013

Fonte: http://www.sisbin.ufop.br/bibichs/index.php/uni-versos/8-noticias/240-universos-ano1-n-4-julho-de-2013

A princípio, a ideia era publicar na revista apenas material produzido pela comunidade
interna (discentes, docentes, técnicos administrativos, diretoria) do ICHS e usuários da
biblioteca, bem como promover seus serviços, mas, diante do interesse da comunidade
externa (pessoas que não possuem vínculo com a Biblioteca, com o ICHS e/ou UFOP), foi
decidido e ampliado à participação destes na revista eletrônica, que colaboram e enriquecem o
trabalho.

1795

�4 RESULTADOS FINAIS
A partir da perspectiva dos editores da revista, pode-se afirmar que a publicação
eletrônica alcançou os objetivos no qual se propôs, mas sabe-se da possibilidade de atingir um
resultado melhor e mais expressivo.
Ao longo dos números publicados a revista Uni/Versos possibilitou uma maior
visibilidade da biblioteca no ambiente do ICHS e gradativamente na Universidade como um
todo, na medida em que os discentes de outros cursos nos enviam seus textos, e o
conhecimento por parte da comunidade geral sobre os novos números que são divulgados
através do site da UFOP pela assessoria de comunicação da instituição.
Com o trabalho realizado na revista, houve um aumento do marketing da biblioteca,
mas, não podemos afirmar se houve maior procura pelos seus serviços e produtos, bem como
na quantidade de usuários que frequentam a biblioteca, devido ao fato da unidade de
informação não realizar um estudo de usuários que possibilita analisar estas e outras questões
qualitativamente e/ou quantitativamente e contribuir para a gestão da unidade informacional.
A Uni/Versos tem recebido para publicação poemas, contos, informações de eventos
no entorno do campus, trabalhos realizados em disciplinas com a participação dos
professores, oficinas e campanhas realizadas na universidade, artigos, ensaios, o que reflete
um leque de textos produzidos pela comunidade interna e externa.
Vários aspectos vivenciados no ano de 2013 podem ser destacados, tanto positivos
como negativos. Do ponto de vista positivo consideramos: o envolvimento e a seriedade
daqueles que compõe o corpo editorial da revista; a criatividade expressada no processo de
elaboração dos sumários das edições; a vontade de que este projeto possa crescer e possibilitar
que os bolsistas dos cursos de letras, pedagogia, história e jornalismo possam atuar nesse
projeto aplicando conhecimentos e práticas de trabalho de sua área de conhecimento e
contribuindo com ideias para a revista; por envolver a equipe em um trabalho “diferente”
descobrindo e utilizando as competências e conhecimentos dos colaboradores.
Por outro lado, alguns aspectos negativos que interferem e impactam diretamente na
execução dos trabalhos podem ser citados, são eles: o número pequeno de pessoal lotado na
biblioteca para atuar nesse trabalho (captação de materiais e edição) uma vez que estão
comprometidos com outros aspectos de gestão da biblioteca universitária; a falta de
conhecimento e habilidades de alguns colaboradores para assumir atividades específicas, por
exemplo, a faixa etária de alguns servidores (idosos) que impedem a sua participação, porque
que não demonstram interesse em fazer parte dessa equipe, e não possuem muita
familiaridade com o computador e a internet; a diminuição do número de bolsistas da

1796

�biblioteca que poderiam ser responsáveis por algumas sessões; greve dos servidores; e férias
de funcionários.
Como perspectivas futuras para a revista, várias ações estação sendo pensadas
conforme exposto a seguir. Está previsto a participação de novos membros ao corpo editorial
que contribui para o fortalecimento e visibilidade, tanto da revista como do trabalho realizado
pela biblioteca do ICHS. Deve ser criada uma sessão permanente com traduções de textos
clássicos (latinos e gregos) - excertos de textos literários ou inscrições, seguidos de um
comentário e bibliografia pertinente - este trabalho foi proposto por um professor do
Laboratório de Estudos sobre o Império Romano (LEIR) do Instituto de Ciências Humanas e
Sociais/UFOP. Como também divulgar as traduções de textos que os alunos fazem para usar
em seus trabalhos de pesquisa, outra sugestão recebida por docente do ICHS. Será discutido
pelos membros da revista a alteração na sua periodicidade; no próximo número utilizaremos
o QR CODE que é um tipo de código de barra que contem informações criptografadas, e com
um programa instalado (aplicativo) em um celular com câmera, por exemplo, ele é codificado
e o leitor terá acesso a revista. Por fim, pensando na inclusão e acessibilidade informacional
das pessoas deficientes, estudaremos meios e alternativas para que essas pessoas possam ter
acesso à informação disponibilizada na revista e se sentirem incluídas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando se fala em bibliotecas hoje, século XXI, “deveria” ser evitado ainda o
pensamento simplista e a criação de sua imagem como um ambiente estático, um mero local
de guarda ou depósito de livros e somente com o serviço de empréstimo de livros. Estes
espaços

(bibliotecas universitárias) têm

mudado

para

acompanhar as necessidades

informacionais de sua comunidade, seja ela interna ou externa, estando presente como suporte
ao ensino, a pesquisa e extensão de uma Universidade.
As atividades inerentes e tradicionais que dizem respeito ao trabalho nas bibliotecas
sempre irão existir, mas diante de uma sociedade globalizada, fortemente marcada pela
tecnologia, cabe às bibliotecas ocuparem um espaço virtual, sendo atuantes nesse novo
cenário, se mantendo atrativas para sua comunidade.
As bibliotecas têm utilizado a tecnologia da informação e comunicação no seu dia a
dia para a automatização de serviços, o acesso remoto na consulta do seu acervo, a criação de
novos produtos e serviços informacionais, e estreitar a relação biblioteca-usuário.
A presença das bibliotecas universitárias no ambiente virtual é um aspecto positivo
para sua gestão, pois permite pôr em prática o marketing de seus serviços, demonstrarem que

1797

�a unidade de informação está acompanhando as mudanças tecnológicas e que se preocupa em
“estar” (virtualmente) onde o seu usuário estiver. Ou seja, se mantendo atraente diante de um
público cada vez mais exigente e tecnológico que utiliza cotidianamente a internet e as redes
sociais.

E isso só se torna possível através de uma gestão atenta as mudanças que estão

ocorrendo neste atual mundo globalizado.
Ao longo das atividades desempenhadas e dos seus sucessos e insucessos, é relevante
destacar que um bom trabalho só será alcançado se for realizado em equipe, de preferência
multidisciplinar, permitindo que novos olhares, pontos de vistas, ideias e conhecimentos
possam ser somados para que ofereça aos usuários um produto de qualidade.
Mesmo diante dos desafios para a realização do trabalho, a equipe se mantém
motivada para que essa atividade possa ter um alcance maior, que a participação da
comunidade interna cresça, e preservar fortalecida a relação com os docentes do ICHS.
Acreditamos que por meio de um trabalho em conjunto, com uma gestão proativa a
biblioteca Alphonsus de Guimaraens continuará a ser reconhecida pelo trabalho que vem
realizando, e consequentemente acarretará em uma maior visibilidade na Universidade.
Atuando dessa maneira será capaz agregar valor a seus produtos e serviços, e contribuir para
que seus colaboradores mantenham motivados a realizar seus trabalhos.
Todo um esforço é realizado para que os colaboradores das outras setoriais também
participem e contribuam com a revista, uma vez que os trabalhos e ações realizadas por elas
possam ser levadas a um número maior de pessoas, fortalecendo as atividades que realizam,
bem como contribuir para um sistema de bibliotecas mais coeso.
Diante do relato apresentado, afirmamos que a biblioteca Alphonsus de Guimaraens
preocupada em atender as demandas dos usuários, em querer inovar e estar presente no
ambiente virtual continuará acompanhando as demandas da sociedade.

6 REFERÊNCIAS
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origem

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este trabalho relata a experiência da biblioteca Alphonsus de Guimaraens do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto com a criação da revista eletrônica Uni/Versos. Objetivou-se com a criação da revista ampliar o espaço de atuação da biblioteca, não se restringindo somente ao ambiente físico. A revista é publicada no Issuu, um serviço gratuito on-line de criação de revistas e livros virtuais. Os números já publicados estão disponíveis para leitura no site da biblioteca. Todo o trabalho de produção da revista, de chamada de textos e o editorial são realizados pelas bibliotecárias e por um auxiliar de biblioteca, que é responsável também pela diagramação da revista. A revista possui várias sessões, como: Artigo, Entrevista, Conto, Opinião, Serviços, dentre outras. A divulgação da Uni/Versos é feita no facebook e no twitter, onde a biblioteca possui uma conta, assim como no próprio site da biblioteca. Matérias de divulgação são publicadas também no site da Universidade Federal de Ouro Preto, o que contribui para o marketing da biblioteca. As discussões que fundamentam o trabalho versam sobre a sociedade da informação, a criação de serviços não convencionais pelas bibliotecas e sua divulgação, gestão da biblioteca universitária e suas funções. Este trabalho amplia a visibilidade da biblioteca no contexto da universidade, possibilita uma aproximação com os docentes da unidade a qual ela pertence e obtém boa receptividade por parte dos usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RETRATO PRELIMINAR DAS POLÍTICAS DAS REVISTAS CIENTÍFICAS
BRASILEIRAS SOBRE O ACESSO ABERTO

Michelli Costa

RESUMO
A comunicação científica tem passado por mudanças significativas ao longo do tempo. Desde
o século passado destaca-se o surgimento das novas tecnologias de comunicação e as
iniciativas de acesso aberto. Neste novo contexto são apresentados como estratégias as
revistas científicas e repositórios digitais. Diante da importância das políticas das revistas
científicas para o desenvolvimento do acesso aberto, este estudo investigou como as revistas
científicas brasileiras têm se posicionado em relação ao acesso aberto de seus artigos em
repositórios digitais. Para tanto, foram mapeadas as revistas que já declaram sua política no
Diadorim - Diretório de Políticas de Acesso Aberto das revistas Científicas Brasileiras.
Posteriormente, foram analisadas suas permissões em relação ao depósito e o acesso dos
artigos que publicam em repositórios digitais. Por fim, foi explorada a relação dos resultados
referente às permissões e as áreas do conhecimento de atuação das revistas. Com isto,
concluiu-se que grande parte das revistas científicas brasileiras registradas no Diadorim
permite o acesso aberto, em especial aquelas que publicam nas áreas das Ciências Exatas e
Naturais e Ciências Sociais e Humanas.
Palavras-Chave: Comunicação científica; Acesso Aberto; Revistas científicas; Repositórios
digitais; Diadorim.
ABSTRACT
The scientific communication has passed for significant changes over time. Since the last
century highlights the emergence of new communication technologies and open access
initiatives. In this new context are presented as strategies the scientific journals and the digital
repositories. Considering the importance of the policies of scientific journals for the
development of open access, this study investigated how brazilian scientific journals have
positioned themselves in relation to open access to their articles in digital repositories. For
this, we mapped the journals that have declared their policy Diadorim - Directory of Open
Access Policies of Scientific Brazilian Journals. Subsequently, we analyzed their permissions
in relation to the deposit and access to articles in digital repositories. Finally, we explored the
relationship of the results related to permissions and knowledge areas of activity of the
journals. With this, we concluded that the majority of brazilian scientific journals registered in
Diadorim allow open access, especially those who publish in the areas of Exact and Natural
Sciences, Social and Human Sciences.
Keywords: Scientific communication; Open Access; Journals; Digital repositories; Diadorim.

459

�1 INTRODUÇÃO
A comunicação científica é necessária para o desenvolvimento das atividades
científicas. De acordo com Meadows (1999), ela reside no próprio coração da ciência. Apesar
da sua importância, as formas como a comunicação acontece não se mantêm estáticas ao
longo dos anos. No século XX, ainda segundo Meadows, as mudanças foram marcadas pelo
surgimento do mundo eletrônico. Neste mesmo período outros dois fatores associados surgem
como uma das molas propulsoras para mudanças significativas no sistema de comunicação da
ciência. O primeiro é o descontentamento de pesquisadores com o modelo tradicional de
publicação científica, que impõe barreiras para o acesso daquilo que eles mesmos e seus pares
produziram. O segundo, por sua vez, é o surgimento de oportunidades para a agilização e
dinamização dos processos de comunicação, proporcionadas por tecnologias mais avançadas.
A união destes dois fatores - a insatisfação dos pesquisadores e as novas tecnologias - foi
cenário para o surgimento das iniciativas de acesso aberto.
O acesso aberto significa a disponibilização livre e irrestrita dos resultados das
pesquisas científicas em texto completo na Internet (LYNCH, 2003). Entre os principais
argumentos que motivam as iniciativas de acesso aberto os autores Alperin, Fishman e
Willinsky (2008) e Babini (2012) destacam a natureza pública do conhecimento científico, a
promoção da possibilidade de acesso à literatura científica por parte das instituições que não
teriam como pagar pelas assinaturas e a inclusão de regiões historicamente excluídas da
comunicação científica internacional.
Para o cumprimento dos objetivos do acesso aberto são propostas duas principais
estratégias de atuação e ambas estão relacionadas com as revistas científicas. Uma delas
depende do modelo de negócio adotado pelas revistas, ou seja, o desenvolvimento de revistas
de acesso aberto. A outra diz respeito ao depósito dos artigos publicados pelas revistas
científicas em repositórios digitais.
Repositórios digitais são bases de dados online que disponibilizam livremente as
publicações científicas em texto completo na Internet. Leite (2009) classifica-os em
repositórios temáticos e institucionais. Os temáticos tratam da literatura científica de
determinada área do conhecimento, enquanto que os institucionais preocupam-se com as
publicações científicas dos membros de determinada instituição. Em ambos os casos os
repositórios constituem-se como um sistema de informação, que via de regra são produtos e
serviços das bibliotecas de suas instituições. De acordo com o estudo apresentado por Riehet
al (2007), nos Estados Unidos da América 92,7% dos repositórios institucionais são geridos
nas bibliotecas das instituições, por seus funcionários ou diretores.

460

�Dentre as atividades desenvolvidas pelas bibliotecas para o gerenciamento dos
repositórios destacam-se o planejamento e execução do projeto, a seleção, coleta,
organização, preservação e disseminação das publicações depositadas. Portanto, além das
iniciativas de acesso aberto promoverem alternativas para a comunicação científica
tradicional, elas também destacam o papel das bibliotecas de instituições produtoras de
conhecimento científico como participantes desse processo. De acordo com Targino, Gracia e
Paiva (2012), existem no Brasil cerca de 30 repositórios em universidades no país. Dentre os
desafios apontados pelas autoras para a consolidações desses sistemas e a criação de novos
estão os embates com os editores e os entraves relacionados com aspectos legais.
Visando contribuir com a resolução de algumas destas questões, o Instituto Brasileiro
de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) desenvolveu o Diadorim - Diretório de
Políticas de Acesso Aberto das Revistas Científicas Brasileiras. Trata-se de um serviço de
informação que tem por objetivo registrar e divulgar as políticas das revistas científicas e
auxiliar os gestores de repositórios no processo de alimentação dos sistemas, sem infringir os
acordos firmados entre os autores e as revistas.
Diante da importância das políticas das revistas científicas para o desenvolvimento dos
repositórios digitais e para o acesso aberto, este estudo investigou como as revistas científicas
brasileiras têm se posicionado em relação ao acesso aberto de seus artigos em repositórios
digitais.2*

2 REVISÃO DE LITERATURA
As revistas científicas são a forma mais tradicional e amplamente difundida para fins
de comunicação entre pesquisadores, apesar da frequência não ser a mesma para todas as
disciplinas (COSTA; MEADOWS, 2000).

Este meio de comunicação, que ganhou nos

últimos séculos espaço e reconhecimento na ciência, vem sendo transformado pelas novas
dinâmicas proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs) e pelo que
foi denominado por Lagoze eVan de Sompel (2000) como a “crise dos periódicos”. As TICs
permitiram que muitas revistas científicas migrassem do meio impresso para o meio digital. Já
a crise dos periódicos fez com que surgissem novos modelos de negócios para as revistas
científicas. A crise foi decorrente do aumento do valor das assinaturas das revistas, que fez
com que muitas instituições que proviam o acesso aos artigos tivessem que cancelar as
assinaturas das revistas. O processo de crise, somado às novas possibilidades de comunicação,
impulsionou a consolidação do Movimento de Acesso Aberto.
O Movimento representa a articulação de diversas iniciativas que visam promover a

461

�disponibilização livre e gratuita de publicações científicas na Internet. Ele teve como primeiro
documento de formalização a Budapest Open Access Initiative (BOAI), publicada em 2002.
Neste documento foram propostas duas estratégias para promoção do acesso aberto à
literatura científica revisada pelos pares. A primeira delas, denominada de via verde, diz
respeito ao depósito das publicações, realizado pelos próprios autores, em arquivos abertos ou
repositórios digitais de acesso aberto. A segunda estratégia, conhecida como via dourada,
refere-se à mudança no modelo de negócios das revistas científicas já existentes e à criação de
revistas científicas de acesso aberto, que devem buscar outras formas de financiamento que
não seja pela cobrança para o acesso aos seus conteúdos. Ambas as estratégias dependem da
participação ou consentimento das próprias revistas.
Mesmo no caso dos repositórios, as revistas podem interferir no desenvolvimento da
estratégia. Isto porque, normalmente são as editoras das revistas científicas que, via de regra,
detém os direitos de distribuição dos artigos que publicam. Portanto, para não descumprir o
acordo de distribuição firmado entre o autor e a editora, os gestores dos repositórios devem
entrar em contato com os editores para verificar se será necessária a obtenção de uma licença
por parte destes. Além de outros desafios este mostra-se como um forte limitante para o
desenvolvimento do repositório digital.
Diante desta problemática, grupos que se organizam em torno do acesso aberto
desenvolveram serviços de informação para reunir e sistematizar as políticas dos editores
científicos sobre o acesso aberto. O objetivo é facilitar o processo de busca destas
informações para os gestores dos repositórios e para os autores. Além disto, os serviços são
uma oportunidade para os editores das revistas científicas para registrarem sua política em
relação ao acesso aberto e divulgá-la amplamente.
O primeiro serviço de informação com esse objetivo foi o diretório criado em 2006
pela Universidade de Nottingham e foi denominado de Sherpa/Romeo4142.Até maio de 2014, o
diretório já disponibilizava informações de cerca de 2.500 revistas científicas. O Sherpa/
Romeo é o único sem limites nacionais. Depois dele, foi criado o diretório Dulcinea

na

Espanha, o Héloïse43 na França e o Society Copyright Policies44 in Japan (SCPJ) no Japão.
No Brasil, foi criado em 2011 o Diadorim45 - Diretório de Políticas de Acesso Aberto
das revistas Científicas Brasileiras. O lançamento do sistema aconteceu durante a 2a

41Fonte: http ://www.sherpa. ac .uk/romeo/
42Fonte: http://www.accesoabierto.net/dulcinea/
43Fonte: http://heloise.ccsd.cnrs.fr/
44Fonte: http://scpj.tulips.tsukuba.ac.jp/
45 Fonte: http://diadorim.ibict.br

462

�Conferência Luso-Brasileira sobre Acesso Aberto (Confoa), onde foi apresentado como um
sistema criado para identificar, organizar e tornar públicas as informações das editoras
científicas brasileiras sobre o armazenamento e acesso dos artigos que publicam (COSTA et
al, 2012). Como forma de expandir a divulgação dos registros, o Diretório seguiu o padrão de
respostas utilizado pelo Sherpa/Romeo, que utiliza as quatro categorias de classificação das
políticas descritas a seguir:
•

Verde - periódicos que permitem o armazenamento das versões pré-print e pós-print
dos artigos;

•

Azul - periódicos que permitem o armazenamento das versões pós-print dos artigos;

•

Amarela - periódicos que permitem o armazenamento das versões pré-print dos
artigos;

•

Branca - periódicos que não permitem o armazenamento em repositórios digitais de
nenhuma versão dos artigos.
Baseando-se no padrão utilizado pelo Sherpa/Romeo, o Diadorim foi desenvolvido de

forma a disponibilizar informações sobre os dados cadastrais das revistas científicas, a área de
conhecimento do conteúdo publicado, as permissões de depósito e as permissões de acesso
concedidas para os repositórios digitais de acesso aberto. A diferença entre as duas permissões
declaradas pelas editoras científicas no diretório é relevante para o contexto dos repositórios
porque um documento pode ser depositado no sistema, mas ter seu acesso restrito ou negado
ao público. Considerando a diferença, as revistas podem classificar suas permissões de
armazenamento segundo a versão do artigo ou não permitir em nenhum caso. Já as
permissões para o acesso, dependem necessariamente do arquivo estar depositado em um
repositório, mas não é consequência da versão permitida na questão anterior. As informações
presentes no diretório podem ser consideradas idôneas uma vez que são fornecidas
diretamente pelos próprios editores das revistas.
Os dados disponibilizados pelo Diadorim representam uma valiosa fonte de
informação sobre a relação das revistas científicas brasileiras e o acesso aberto. Portanto, a
partir dela, o presente estudo retratou, de forma preliminar, as permissões concedidas pelas
revistas científicas brasileiras no contexto do acesso aberto.3*

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A investigação do retrato preliminar das políticas das revistas científicas brasileiras
sobre o acesso aberto foi elaborada a partir da caracterização de todas as revistas cadastradas
no Diadorim até meados de maio de 2014, o que representou um universo de 550 revistas. A

463

�descrição se deu a partir dos dados cadastrais e informações sobre: área do conhecimento,
permissões de depósito e permissões de acesso. Todas as informações foram coletadas
diretamente na página web do Diretório46, a partir do acesso público.
Para a análise foi criada uma planilha com as informações cadastrais, áreas do
conhecimento e permissões de depósito e acesso de cada revista. A partir das possibilidades
de organização dos dados na planilha foram obtidos resultados parciais, que foram
confrontados em relação ao todo. Na segunda etapa da análise de dados, os resultados sobre
as permissões de depósito e acesso foram observadas a partir das áreas de conhecimento.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A aplicação da metodologia exposta anteriormente permitiu caracterizar as políticas
sobre o acesso aberto das revistas científicas brasileiras que estão cadastradas no Diadorim. O
primeiro elemento identificado no estudo foram as permissões concedidas pelas revistas para
o armazenamento de artigos em repositórios digitais.
Conforme discutido anteriormente, o Diadorim utiliza o mesmo sistema de
classificação das permissões do diretório Sherpa/Romeo. O sistema categoriza as permissões
em quatro grupos, segundo a versão do artigo. De acordo com os dados do Diadorim, no
Brasil cerca de 60% das revistas permitem que sejam armazenados somente as versões pósprint dos artigos, enquanto que apenas 6% das revistas concederam permissão somente para a
versão pré-print e 32% autorizaram o depósito tanto da versão pré-print, quanto da pós-print.
Do total de revistas analisadas (550), apenas uma não permitiu o depósito em repositórios
digitais de nenhuma versão dos artigos que publicam. Com isto é possível concluir que no
Brasil, quase todas as revistas científicas permitem alguma forma de depósito de seus artigos
em repositórios digitais.

46 Fonte: http://diadorim.ibict.br/

464

�G ráfico 1: Perm issões para o depósito das revistas cien tífica s brasileiras
Am arelo (33)

A zul (341)

Branco (1 )

Verde (175)

Fonte: Elaboração própria

Os resultados foram positivos em relação às permissões para o depósito de artigos em
repositórios digitais, entretanto não significa que todos os artigos depositados estarão
disponíveis em acesso aberto no sistema. Isto porque um trabalho pode receber uma
permissão para o depósito no repositório, mas não receber uma permissão para estar
livremente disponível no sistema. Por isto, as permissões de depósito e de acesso são
concedidas de formas separadas. No Diadorim a restrição de acesso pode ser instituída de
duas formas. Uma é pela imposição de um tempo de embargo, ou seja, o artigo pode ser
depositado, mas só poderá ser acessado depois de cumprido um período instituído pelos
editores da revista. A outra forma é pelo acesso restrito, onde nenhum usuário poderá acessar
o documento depositado em nenhum momento.
De acordo com os dados coletados no Diadorim, 97% das revistas científicas
brasileiras concedem o acesso aberto aos artigos depositados nos repositórios digitais. Do
total, apenas 3% determinam um período de embargo para o acesso aberto (Gráfico 2).
Apenas uma revista determinou o acesso restrito, mas após análise do registro, identificou-se
que a revista em questão foi a mesma que declarou não permitir o armazenamento de seus
artigos nos repositórios.

465

�Gráfico 2: Permissões de acesso aos artigos depositados

Fonte: Elaboração própria

Além da revista que determinou o acesso restrito, todas as outras que condicionaram
um tempo de embargo para o acesso aberto tiveram seus registros analisados de forma a
identificar o período que estabeleceram. Cerca de metade das revistas nestas condições
determinaram um período de embargado de até um mês após sua publicação. A outra metade
estabeleceu um período de embargo de até seis meses. Apenas uma revista determinou um ano
de embargo. Isto significa que assim que for publicado o artigo poderá ser depositado, mas só
estará disponível para o acesso depois de cumprido o tempo de embargo (Gráfico 3).

Gráfico 3: Período de embargo para o acesso aberto das revistas científicas brasileiras

Fonte: Elaboração própria

Entre as revistas que estabeleceram período de embargo para o acesso aberto,

466

�observou-se que a maioria delas são publicações nas áreas das Ciências Humanas (39%) e boa
parte de Ciências Sociais Aplicadas (28%) e Linguística, Letras e Artes (22%). As outras duas
áreas identificadas foram muito inexpressivas, quando comparadas com as primeiras. Ambas
apresentaram apenas uma revista nas condições descritas, o que representa apenas 10% do
grupo das revistas que só permitem o acesso aberto após um período de embargo (Gráfico 4).

Gráfico 4: Área do conhecimento de acesso aberto após período de embargo

Fonte: Elaboração própria

A predominância das áreas Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas entre as
revistas que determinam período de embargo se explica pela quantidade de revistas destas
duas áreas registradas no Diadorim. De acordo com os dados coletados por este estudo, as
áreas representam a maioria das revistas cadastradas no Diretório e se somadas, elas reúnem
54% do total de revistas. O mesmo não é possível observar na área de Linguística, Letras e
Artes, que no total das revistas cadastradas representa apenas 7% do universo. Assim sendo, é
possível concluir que a área de Linguística, Letras e Artes tem uma grande quantidade de
revistas, em relação às outras áreas, que restringe o acesso aberto.

467

�Gráfico 5: Áreas do conhecimento das revistas científicas brasileiras registradas no
Diadorim

Para retração das áreas do conhecimento Costa (1999) e Gumieiro (2009) adotaram
uma classificação dos campos em três categorias. Uma das categorias utilizadas foi a de
“Ciências Naturais e Exatas” (CEN), que reúne as áreas das Ciências Exatas e Tecnológicas,
Ciências Biológicas e Ciências da Saúde. A segunda categoria são as Ciências Sociais e
Humanas (CSH), que reúnem as áreas das Ciências Sociais Aplicadas e Ciências Humanas.
Por fim, a terceira categoria são as Artes e Humanidades (ARH), nela estão presentes as áreas
AH

de Linguística, Letras e Artes . De acordo com as autoras, a escolha das categorias justificase pela sua simplicidade e por seu amplo uso em trabalhos de língua inglesa.
Se utilizarmos as três categorias apresentadas para descrever as áreas do conhecimento
das revistas cadastradas no Diadorim, confirmamos a informação sobre a predominância das
Ciências Sociais e Humanas. No entanto, percebemos uma maior expressividade das Ciências
Naturais e Exatas, onde elas passam a representar 36% do total de revistas registradas. Com
esta forma de classificação, novamente a área de Artes e Humanidades, onde se enquadra a
Linguística, Letras e Artes, aparece com menor representatividade, apenas 7% (Gráfico 6).

47 As disciplinas citadas são as grandes áreas utilizadas pela Capes para a classificação das áreas do
conhecimento.
Fonte:
http://www.capes.gov.br/images/stories/download/avaliacao/TabelaAreasConhecimento_042009.pdf

468

�G ráfico

6:

Categorias

das

áreas do

conhecim ento

das revistas

cien tífica s

registradas no Diadorim .

A partir destes resultados é possível concluir duas questões em relação à imposição de
período de embargo para o acesso aberto e as áreas do conhecimento. A primeira é que as
Artes e Humanidades são os campos do conhecimento das revistas que mais determinam
embargo. A segunda, por sua vez, é que as Ciências Naturais e Exatas, são as áreas que
relativamente, possui mais revistas de acesso aberto, sem imposição de período de embargo.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O posicionamento das revistas científicas sobre o acesso aberto pode ser determinante
para o cumprimento dos objetivos do acesso aberto. Diante disto, o estudo apresentado
buscou retratar de forma preliminar as políticas adotadas pelas revistas brasileiras. Como
resultado foi identificado que a maioria das revisas cadastradas no Diadorim permitem o
depósito em repositórios digitais de alguma versão dos artigos que publicam. Além disto,
também foi identificado que 97% das revistas registradas permitem o acesso aberto dos
artigos imediatamente após sua publicação. Do total de revistas analisadas, apenas dezoito
condicionaram o acesso aberto ao cumprimento de um período de embargo. Dentre as revistas
que colocaram esta imposição foi observado que a maioria relativa são das Artes e
Humanidades. Por outro lado, ressalta-se que a área das Ciências Exatas e Naturais reúnem as
revistas que menos impuseram restrições ao acesso aberto imediato.
De forma geral, conclui-se que as revistas científicas brasileiras que já declararam sua

469

�política no Diadorim posicionam-se favoráveis às iniciativas de acesso aberto nos repositórios
digitais. Neste cenário, observa-se uma forte presença das revistas que publicam nas áreas das
Ciências Sociais e Humanas e uma considerável adesão das Ciências Exatas e Naturais. A
diferença de comportamento dessas duas áreas em relação às Artes e Humanidades pode ser
explicada pelas diferenças disciplinares que acontecem na comunicação científica e pela
histórica participação destas duas áreas no Movimento de Acesso Aberto. Entretanto, para um
aprofundamento da questão sugere-se novos estudos que explorem esta relação.

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471

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A comunicação científica tem passado por mudanças significativas ao longo do tempo. Desde o século passado destaca-se o surgimento das novas tecnologias de comunicação e as iniciativas de acesso aberto. Neste novo contexto são apresentados como estratégias as revistas científicas e repositórios digitais. Diante da importância das políticas das revistas científicas para o desenvolvimento do acesso aberto, este estudo investigou como as revistas científicas brasileiras têm se posicionado em relação ao acesso aberto de seus artigos em repositórios digitais. Para tanto, foram mapeadas as revistas que já declaram sua política no Diadorim - Diretório de Políticas de Acesso Aberto das revistas Científicas Brasileiras. Posteriormente, foram analisadas suas permissões em relação ao depósito e o acesso dos artigos que publicam em repositórios digitais. Por fim, foi explorada a relação dos resultados referente às permissões e as áreas do conhecimento de atuação das revistas. Com isto, concluiu-se que grande parte das revistas científicas brasileiras registradas no Diadorim permite o acesso aberto, em especial aquelas que publicam nas áreas das Ciências Exatas e Naturais e Ciências Sociais e Humanas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O USO DOS RECURSOS DE INTERATIVIDADE PELO SERVIÇO DE
REFERÊNCIA, EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Maria Fazanelli Crestana
Marcia Elisa Garcia De Grandi

RESUMO
No cenário atual em que a biblioteca universitária assume cada vez mais novos papeis, ao
inserir-se efetivamente no ambiente acadêmico, é necessário oferecer também novos serviços,
principalmente aqueles que tem como base as tecnologias da informação, além de capacitar
suas equipes para as atividades relacionadas aos processos de ensino e aprendizagem. Este
trabalho relata a experiência da Biblioteca Central da Faculdade de Medicina da USP, que fez
adequações no seu espaço e nos seus processos de trabalho para oferecer novos serviços no
Projeto Biblioteca Interativa. Entre as iniciativas do projeto está um espaço equipado com
ferramentas tecnológicas, principalmente as de conectividade, e ambiente de socialização, que
permite oferecer, novas atividades no apoio ao ensino médico de graduação, além da clássica
referência e atendimento ao usuário. Em funcionamento há cerca de um ano, também
disponibiliza equipamentos móveis com conteúdo das disciplinas do ciclo básico do curso de
medicina. Neste período é possível afirmar que alunos e professores têm incorporado, aos
poucos, estes serviços nas suas disciplinas e estudo, embora implique em algumas mudanças
de comportamento,
Palavras-Chave: Serviço de Referência; Biblioteca Universitária; Interatividade; Ensino e
Aprendizagem
ABSTRACT
At the present scenario, where the university library is increasingly taking on new roles to
insert themselves effectively in the academic setting, it is also necessary to offer new services,
especially those incorporating information technologies, as well as to develop their teams to
run activities related to teaching and learning processes. This paper reports the experience of
the Central Library of the Medicine College - University of São Paulo, thatpromoted
adjustments in the space and working processes to deliver new services with the Interactive
Library Project. Among the initiatives, refers to a space equipped with technological tools for
connectivity and social interaction environment that allows new activities in support of
undergraduate medical education, going beyond the classical reference and user services. In
operation for about a year, the Interactive Library also provides mobile devices loaded with
course materials and textbooks related to the first three-years of the medical course. So far, it
seems that students and teachers have incorporated, gradually, these services in their
discipline and study, although it involves some behavior changes.
Keywords:Reference Services; University Library; Interactivity; Teaching and Learning

3379

�1 INTRODUÇÃO
A

biblioteca

universitária

vem

adotando

algumas

estratégias

visando

o

estabelecimento de parcerias junto aos diversos segmentos e atividades da comunidade
universitária. Mais do que nunca, torna-se necessário que a biblioteca esteja alinhada aos
objetivos pedagógicos da universidade de forma a atender às demandas derivadas da
incorporação de novas metodologias de ensino e aprendizagem.
A realização das atividades advindas da adoção dessas estratégias acontece, na sua
maioria, na área de contato direto com o usuário, que no caso da Biblioteca Central da
Divisão de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo (DBD/FMUSP), é o Serviço de Acesso à Informação - SAI, responsável pelos
processos de circulação de materiais, serviço de referência, pesquisas e levantamentos
bibliográficos, treinamento de usuários, padronização e catalogação das dissertações e teses
defendidas na FMUSP, instruções e apoio para publicação, além da participação dos
bibliotecários em disciplina presencial e a distância, de responsabilidade da Biblioteca.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Tradicionalmente, a biblioteca universitária desempenha atividades de seleção,
aquisição, tratamento e armazenamento da informação, além de capacitar os seus usuários na
busca, interpretação e uso destes recursos informacionais, com o objetivo de apoiar o ensino,
a aprendizagem e a pesquisa. O impacto massivo das tecnologias digitais e de rede vem
provocando mudanças significativas no desempenho dessas atividades, impulsionando a
biblioteca universitária a assumir novos papeis no processo de ensino e aprendizagem
(NEAL, 2012).
Exige-se que a biblioteca universitária transcenda a posição de provedora de serviços
para se tornar parceira dentro do ambiente acadêmico, alinhando-se às necessidades e
expectativas da comunidade. O futuro da biblioteca acadêmica vem sendo apresentado e
discutido dentro do contexto de mudanças da tecnologia, dos usuários, de suas expectativas,
dos serviços, das responsabilidades, fatores que representam desafios para a sua natureza,
liderança, sustentabilidade e integridade organizacionais (PROKOPCIK, KRIVIENE, 2013).
As mudanças impostas às bibliotecas universitárias são um reflexo imediato das
transformações pelas quais vem passando as instituições de ensino superior. Massis (2013)
relata algumas iniciativas em universidades norte-americanas, onde os conteúdos, pagos ou de
livre acesso, e livros-textos adotados são oferecidos aos alunos, em formato digital,
armazenados em dispositivos móveis. Aponta que, mesmo em casos mais extremos, como a

3380

�Kansas State University, que abriga a primeira biblioteca inteiramente digital, o papel da
biblioteca ainda é essencial para o processo de ensino e aprendizagem, exercendo atividades
complementares de assistência especializada à pesquisa e instrução bibliográfica, com o
objetivo de fornecer aos alunos o reforço intelectual apropriado.
Com o impacto da tecnologia nos currículos e métodos de ensino, a biblioteca
universitária vem sendo pressionada a reformular o desenvolvimento e fornecimento de
serviços e produtos, levando em consideração as necessidades e expectativas dos alunos
familiarizados com a tecnologia. Os espaços tradicionais vêm sendo substituídos por
instalações dotadas de equipamentos multimídia, salas de estudo individual e em grupo, áreas
de descanso, disponibilidade de recursos multifuncionais e interativos para atividades de
estudo colaborativo. Difunde-se, assim, o conceito e implementação de “learning commons”,
resultado de parcerias com os setores acadêmicos e de tecnologia da informação, que garante
à biblioteca a manutenção do status de local central dentro da universidade, oferecendo à
comunidade acadêmica recursos e serviços de ponta (MASSIS, 2010).
Alexander et al. (2011) aponta as mudanças ocorridas na reestruturação dos serviços
da University of Michigan Library em atendimento às demandas tecnológicas, áreas
curriculares emergentes e necessidades específicas de diferentes grupos de usuários, com
destaque para a interação da biblioteca com os professores e a construção de comunidades de
aprendizagem colaborativas. Observa que os bibliotecários dedicam-se a atividades que vão
além dos serviços de referência e orientação, com foco no desenvolvimento de atividades e
serviços baseados na compreensão das necessidades atuais dos alunos de graduação e na
incorporação do conceito de aprendizagem ao longo da vida.

3 MATERIAIS E MÉTODO
A partir de visitas a bibliotecas médicas de instituições de ensino consideradas
benchmark, no momento em que a Faculdade de Medicina discutia o currículo médico, a
Biblioteca Central também movimentou-se para adequar seus serviços e alinhar-se com as
diretrizes da formação médica.
Com as tratativas iniciadas ainda no ano de 2012, foi determinada a área da Biblioteca
para ocupar as instalações do que se chama Biblioteca Interativa, neste caso, o seu
componente de instalação física. A proposta da Biblioteca Interativa previaa formação de um
repositório de produção científica, a participação da Biblioteca Central nos processos de
aprendizagem e a adequação do espaço físico da Biblioteca para a oferta e utilização de
tecnologia da informação.

3381

�No que se refere à modernização das instalações, foi escolhida uma área de quatro
salas de estudo em grupo e um salão de leitura localizados no segundo andar para criação do
novo espaço destinado aos alunos dos quatro cursos de graduação da Faculdade: medicina,
fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional.
Após a definição do local, foi formulado um projeto para a adequação da rede de
lógica com conectividade e interatividade de internet, wi-fi e por cabo, aumento da
capacidade da rede elétrica e a instalação de novos equipamentos que permitem aos usuários,
estando neste espaço, participar remotamente das atividades de ensino, que acontecem em
anfiteatros ou salas de aula localizadas em outras áreas da Faculdade de Medicina.
A Biblioteca Central busca constantemente alinhar-se às diretrizes de ensino,
formação e aperfeiçoamento dos profissionais de saúde dos cursos da FM: medicina,
fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional. Pontualmente, para atender à modernização
do ensino médico e a reforma curricular do curso de medicina, realizou Projeto de Adequação
para provimento de informação médica em diferentes suportes e com o propósito de acolher
estes usuários em espaços adequados para a realização do processo de aprendizagem com
atividades realizadas além das salas de aula. O estabelecimento de parceria e colaboração
permanente entre as equipes da Biblioteca e o corpo docente é essencial para que a instituição
obtenha bons resultados na formação de médicos, na efetiva assistência à saúde e na garantia
de que novas gerações recebam educação médica de qualidade.
Em continuidade ao projeto de criação deste espaço, a Biblioteca Central promoveu
uma reformulação do acervo de livros, com a transferência de títulos publicados até o ano
2000 para a Biblioteca de Polo Pacaembu. A adaptação deste espaço para armazenamento do
acervo mais antigo de livros e grandes coleções de índices e bibliografias impressas vem ao
encontro de tendências verificadas no cenário internacional de bibliotecas universitárias, que
preconizam o aproveitamento das áreas liberadas para implementação de novos serviços e
provisão de novos recursos que viabilizem a convivência, a socialização e a exploração plena
da tecnologia de informação pela comunidade acadêmica.
Dessa forma, o remanejamento do acervo mais antigo da Biblioteca permitirá a criação
de novas salas de estudo individual, além da ampliação do número de computadores para
pesquisa e aprimoramento da área de atendimento, tendo em vista a natureza diversificada dos
formatos de informação e equipamentos disponíveis aos usuários em geral e, particularmente,
aos alunos de graduação.

3382

�4 RESULTADOS PARCIAIS
Foram instaladas no salão poltronas confortáveis para o uso de tablets e notebooks,
com mesas baixas, projetor multimídia e tela retrátil, além de fones de ouvido individuais com
transmissores wi-fi, uma vez que esta atividade acontece no período em que a Biblioteca está
aberta e o espaço é integrado a outras áreas de estudo e pesquisa, que requerem silêncio.
Contíguo a este espaço, quatro salas de estudo em grupo foram então mobiliadas com uma
mesa grande e seis cadeiras ergonômicas, equipamentos all-in-one com teclados e mouses
sem fio, TVs LED e mesas interativas.
O conjunto destes recursos é destinado às atividades de geração do conhecimento de
modo compartilhado, uma vez que, de acordo com as reformas pretendidas no ensino médico
de graduação, as aulas tradicionais tem menor duração e os alunos são incentivados à
formação de grupos de estudo para desenvolver o conteúdo dado em aula em outros espaços,
sempre de forma compartilhada. Essas salas são previamente agendadas para uso de grupos de
alunos, que fazem reservas e se responsabilizam por manter a integridade física do mobiliário
e dos equipamentos durante o período de uso. O agendamento privilegia a reserva para grupos
de alunos, com pelo menos três componentes, com interesse em um mesmo conteúdo, e desse
modo busca-se garantir que a totalidade de alunos da graduação possa usufruir destes
serviços.
Para complementar as pesquisas em livros, periódicos e bases de dados, parte dos
conteúdos das disciplinas dos três primeiros anos (o ciclo básico)estão instalados em 40
tablets acondicionados em armário adequado para que estejam permanentemente
“carregados”.
Os tablets e fones de ouvido são emprestados no mesmo sistema automatizado de
empréstimo de livros, para uso local, aos alunos de graduação do curso de medicina.
Membros da equipe da Biblioteca ficam à disposição desses usuários para auxiliar no uso da
tecnologia e solução de eventuais dificuldades de acesso à informação.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

3383

�A Biblioteca Central, alinada às políticas e planos institucionais da FMUSP, vem
implementando mudanças contínuas na sua infraestrutura e provisão de serviços, de forma a
firmar-se como espaço central de aprendizagem, convivência e colaboração, sem negligenciar
a formação continuada de sua equipe, preparando-a para o atendimento de uma comunidade
composta pelos chamados “nativos digitais”, principalmente alunos ingressantes nos cursos
de graduação, ao lado de representantes da geração que passou ou vem passando pela
transição da informação impressa para a eletrônica.Antecipando-se às novas demandas, com
esta iniciativa a Biblioteca colabora para mudanças de comportamento na busca da
informação e na construção do conhecimento em saúde, entendendo ainda que a consolidação
desse processo não é imediata.

6 REFERÊNCIAS
ALEXANDER, L. et al. MLibrary concepts for redefining reference. Journal of Library
Administration, Philadelphia, v. 51, n. 4, p. 326-342, 2011.

Disponível em:

&lt;http://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/01930826.2011.556957#.U3icldJdV8E&gt;.
Acesso em: 20 Abr. 2014.
MASSIS, B.E.

The academic library becomes the academic learning commons. New

Library World, Bingley,

v.

111,

n.

3/4,

p.

161-163,

2010.

Disponível

em:

&lt;http://www.emeraldinsight.com/iournals.htm?issn=03074803&amp;volume=111&amp;issue=3/4&amp;articleid=1847016&amp;show=html&gt;. Acesso em: 18 Abr. 2014.
MASSIS, B. E. The “bookless” curriculum and the academic library. New Library World,
Bingley,

v.

114,

n.

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2013.

&lt;http://www.emeraldinsight.com/iournals.htm?articleid=17097634&gt;.

Disponível

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Acesso em: 20 Abr.

2014.
NEAL, J.G. Opportinities for systematic change in the academic research library: elements of
the post-digital library.

Insights, Newbury, v.25, n.1, march 2012.

Disponível em:

&lt;http://uksg.metapress.com/content/g65474p7w2838843/&gt;. Acesso em: 20 Abr. 2014.
PROKOPCIK, M.; KRIVIENE, I. Managing change in academic library: the case of Vilnius
University Library.

Library, 57, 2/3, 2013. Disponível em: &lt;http://knjiznica.zbds-

zveza.si/index.php/kniiznica/article/viewFile/217/207&gt;. Acesso em: 18 Abr. 2014.

3384

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                <text>No cenário atual em que a biblioteca universitária assume cada vez mais novos papeis, ao inserir-se efetivamente no ambiente acadêmico, é necessário oferecer também novos serviços, principalmente aqueles que tem como base as tecnologias da informação, além de capacitar suas equipes para as atividades relacionadas aos processos de ensino e aprendizagem. Este trabalho relata a experiência da Biblioteca Central da Faculdade de Medicina da USP, que fez adequações no seu espaço e nos seus processos de trabalho para oferecer novos serviços no Projeto Biblioteca Interativa. Entre as iniciativas do projeto está um espaço equipado com ferramentas tecnológicas, principalmente as de conectividade, e ambiente de socialização, que permite oferecer, novas atividades no apoio ao ensino médico de graduação, além da clássica referência e atendimento ao usuário. Em funcionamento há cerca de um ano, também disponibiliza equipamentos móveis com conteúdo das disciplinas do ciclo básico do curso de medicina. Neste período é possível afirmar que alunos e professores têm incorporado, aos poucos, estes serviços nas suas disciplinas e estudo, embora implique em algumas mudanças de comportamento.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DA AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO ESPAÇO DA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA: O CASO DA BIBLIOTECA DA UFRB
Neubler Nilo Ribeiro da Cunha
Bárbara Coelho Neves

RESUMO
Trata-se de uma pesquisa de satisfação dos usuários da Biblioteca do Campus de Cruz das
Almas, que atende aos centros de ensino CETEC e CCAAB. O estudo faz uma comparação
entre o espaço antigo da Biblioteca e o novo espaço planejado para os usuários. O objetivo
principal é observar a perspectiva do usuário dessa biblioteca universitária quanto ao
planejamento físico, por meio da avaliação de alguns dos principais serviços oferecidos. O
método é descritivo, e de acordo com os procedimentos técnicos utilizados, trata-se de estudo
de caso e levantamento. Como principal resultado esse pôster mostra os dados parciais da
pesquisa em desenvolvimento, concluindo parcialmente que o espaço da unidade de
informação planejado apresenta resultados positivos na avaliação qualitativa e quantitativa e
posiciona a biblioteca universitária em um local de destaque na comunidade acadêmica.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Planejamento de unidade de informação; Serviço
de informação; Avaliação de serviços; Estudo do usuário.

ABSTRACT
This is a survey of user satisfaction with the Campus Library Cruz das Almas, which caters to
educational institutions and IEF CCAAB. The study makes a comparison between the old
library space and new space planned for the users. The main objective is to observe the user's
perspective this university library for physical planning, through the evaluation of some of the
main services offered. The method is descriptive, and according to the technical procedures
used, it is a case study and survey. The main result of this poster shows the partial data of
ongoing research, concluding that partially drive space information of planned shows positive
results in qualitative and quantitative evaluation and positions the university library in a
prominent place in the academic community.
Keywords: University library; Planning unit of information; Information service; Evaluation
of services; User study.
1 INTRODUÇÃO
A introdução deve apresentar uma visão geral sobre o tema abordado, a questão, o
problema, a justificativa e os objetivos.

991

�O tema deste pôster trata da avaliação de dois aspectos importantes para o organismo
biblioteca universitária. Um dos aspectos é o serviço de informação e o outro é espaço físico.
Esses aspectos serão observados neste texto, considerando os elementos levantados em um
estudo de caso que teve como objeto a nova sede da Biblioteca da Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia (UFRB), Campus de Cruz das Almas.
A Biblioteca do Campus de Cruz é originaria da antiga Biblioteca do Campus do
Curso de Agronomia da UFBA. Assim que a UFRB foi criada, a Biblioteca passou a ser a
Biblioteca Central da UFRB. Ocorre que a mesma não tinha prédio próprio e a estrutura não
estava adequada para atender com plenitude as necessidades dos usuários. O problema desse
estudo foi identificado em 2012, quando a biblioteca deixou de ser central e passou a ser a
Biblioteca do Campus de Cruz das Almas. Em 2013 um novo prédio foi inaugurado para
sediar a Biblioteca de Cruz das Almas, com infraestrutura idealizada para uma Biblioteca.
Neste sentido surgiu a ideia de avaliar a mudança de estrutura, que antes era adaptada
em um prédio que não foi projetado para ser uma Biblioteca para um prédio que foi
idealizado, projetado e construído para sediar uma Biblioteca e atender suas necessidades.
Desse modo, a partir de tal problema se questiona que perspectivas os usuários da
Biblioteca da UFRB possuem com relação ao novo espaço físico e serviços oferecidos? O
objetivo principal é observar a perspectiva do usuário dessa biblioteca universitária quanto
ao planejamento físico, por meio da avaliação de alguns dos principais serviços oferecidos.
Este trabalho faz parte de um estudo maior, e que, para fins de produzir este paper,
selecionou-se os seguintes objetivos específicos:
- identificar a satisfação do usuário quanto à adequação dos novos espaços da
biblioteca da UFRB;
- verificar a estrutura geral da nova biblioteca em comparação com a antiga;
- perceber a acessibilidade para pessoas com necessidades especiais nesta unidade de
informação.
A avaliação dos serviços em bibliotecas universitárias exige uma análise da ação
empreendida pelos profissionais bibliotecários. Quando empreendida proporciona uma
observação introspectiva e ativa do funcionamento dos setores e produtos oferecidos pela
unidade de informação.
A biblioteca universitária é pensada neste pôster como um dos ambientes facilitadores
da aprendizagem e para tanto seu espaço físico deve favorecer a interatividade, sendo
encarado como um espaço de múltipla comunicação. Nesse contexto, a avaliação do espaço
físico de uma biblioteca universitária se faz relevante diante das transformações que perpassa

992

�sua interação com os usuários, seja pelo advento das tecnologias de informação e
comunicação (TIC), seja pela explosão fomentada pela indústria e comércio do conhecimento
e da informação.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Segundo Almeida, (2005): “[...] a principal função da avaliação é produzir
conhecimento relativo à unidade de informação, à organização em que esta se situa e a seu
ambiente”. A avaliação possibilita a escolha certa, ou seja, a correta definição dos objetivos
no momento da concepção do plano.
O planejamento de uma biblioteca não é tarefa que possa ser levada a efeito por uma
só pessoal. A experiência aponta para a necessidade de colaboração de vários tipos de
profissionais contribuindo para o objetivo comum de construção da biblioteca. (GALBINSKI;
MIRANDA, 1995).
Uma avaliação é feita não como um exercício intelectual, mas para reunir dados úteis
para atividades destinadas a solucionar problemas ou tomar decisões. (LANCASTER, 1997).
Na literatura é com frequência que encontramos afirmações da importância das
bibliotecas no contexto das universidades. (CARVALHO, 2004).
Habitualmente, as bibliotecas - universitárias, públicas ou especializadas - costumam
medir o resultado de seus serviços utilizando ferramentas que oferecem respostas de caráter
quantitativo. (LEITÃO, 2005). Ainda segundo Leitão (2005), as estatísticas das bibliotecas da
maioria dos países produzem um enorme volume de informações sobre quantidade, que pode
ser facilmente medido, mas os aspectos qualitativos, por serem mais complicados para uma
análise, e consumirem mais tempo de coleta, acabam sendo negligenciados.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Dentro da perspectiva do diagrama da multidisciplinaridade da ciência da informação,
o presente estudo aborda aspectos da Administração de Sistemas de Informação e Estudos do
Usuário.
A abordagem metodológica é quali-quantitativa. Segundo o objetivo que se propõe,
trata-se de uma pesquisa descritiva, pois visa descrever características de determinada
população ou fenômeno. A metodologia de pesquisa compreende o estudo e de caso e o
levantamento (MUELLER, 2007), com aplicação de técnica de coleta de dados a partir da
observação direta.
O estudo de caso compreende uma estratégia de pesquisa que se aplica aos estudos de

993

�caráter exploratórios, descritivos ou explanatórios. Um caso pode ser um processo ou objeto
de análise, sendo de características teóricas, empíricas ou ambos. (MUELLER, 2007). No
caso deste estudo, observa-se um objeto, ou seja, as perspectivas dos usuários da biblioteca
universitária em questão, com relação ao serviço prestado e o novo espaço físico.
Dessa forma, o campo de estudo compreende a Biblioteca da UFRB, Campus Cruz das
Almas. Os sujeitos da pesquisa são os usuários dessa biblioteca universitária constituídos por
alunos de graduação, alunos de pós-graduação, docentes e funcionários da UFRB.
O instrumento de coleta de dados foi o questionário aplicado junto aos usuários que
acessavam os terminais de utilização para busca referencial na nova Unidade de Informação.
O procedimento de coleta vem sendo realizado em duas etapas. Sendo a primeira parte do
procedimento - apresentada neste pôster produzido para o SNBU 2014 -, realizada a
aplicação de um survey com questões fechadas produzidas de acordo com os critérios que
delineiam a avaliação em bibliotecas (ALMEIDA JUNIOR, 2003). A segunda etapa, que está
em fase de aplicação, para coletar observações de caráter mais qualitativas, o questionário
distribuído possui perguntas mistas, com questões abertas e fechadas. (VERGARA, 2009).
As etapas do procedimento compreendeu na aplicação de um questionário por meio do
site da Biblioteca e presencialmente no espeço da Biblioteca em um período de 2 (dois) meses
ininterruptos. Para fins de visualização o questionário foi elaborado no Google e encontra-se
disponível através do link: &lt;https://docs.google.com/forms/dAjiEGlaNwPLaOM3Nyw0
PQxrSXWfggBvdD9Pdo_CwGBuo/viewform&gt;.

Figura 1: Questionário on-line (1a etapa da pesquisa)

Fonte: Dados da pesquisa.

994

�O procedimento de análise compreende a tabulação dos dados em software de planilha
do pacote Office Excel. A primeira etapa do procedimento tratou de 186 respostas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Foi identificado que a nova estrutura está satisfazendo os usuários da Biblioteca do
Campus de Cruz das Almas, os usuários estão satisfeitos com a nova estrutura e consideram
que o atual prédio atende as suas demandas de espaço físico. Conforme é possível observar na
Tabela 1, 57% dos usuários informaram que estão satisfeitos. Somam-se a estes mais 5% que
sinalizaram estar totalmente satisfeitos com o espaço físico, totalizando 62% de usuários que
estão de acordo com a nova infraestrutura e produtos oferecidos no espaço físico dessa
biblioteca universitária.

Tabela 1: Estrutura geral da nova biblioteca em comparação com a antiga
USUÁRIOS
AVALIAÇÃO

RESPONDENTES R (%)

Insatisfeito

29

16%

Não sei

6

3%

Satisfeito

106

57%

Totalmente Insatisfeito

10

5%

Totalmente Satisfeito

35

16%

Fonte: Dados do estudo.

Vale salientar que, embora a maioria dos usuários esteja satisfeita com a biblioteca,
muitos deles contribuíram com sugestões e solicitações de melhorias, sinalizando novos
propostas para futuros empreendimentos da gestão nesse segmento relacionado a melhorias
no espaço físico.
Com relação ao fator adequação dos novos espaços físicos da biblioteca, foi possível
perceber que 72% dos usuários se manifestaram satisfeitos, (57%) como muito satisfeitos e
(15%) indicaram estar satisfeitos, conforme é possível visualizar no Gráfico 1 a seguir.

995

�Gráfico 1: Adequação dos novos espaços da Biblioteca da UFRB

Embora muito significativa a avaliação positiva sobre a adequação do espaço físico no
novo prédio, vale salientar, e é alvo do interesse da segunda etapa deste estudo, o percentual
de insatisfeitos com as novas instalações (22%). Esse número se constitui como importante e
impulsionador de novas transformações no que tange ao espaço físico. A segunda etapa da
pesquisa pretende questioná-lo mais veemente, pretendendo buscar sugestões para identificar
se há possibilidade de melhorias no espaço e a partir daí, se necessário, equacionar quaisquer
transtornos.
O Gráfico 2 apresenta um aspecto que tem sido bastante discutido no âmbito da
adequação de espaços físicos de diferentes instituições: a acessibilidade. As bibliotecas sejam
elas públicas, especializadas e universitárias precisam se preocupar com o acesso das pessoas
com necessidades especiais.

996

�Gráfico 2: Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais na nova
biblioteca

Fonte: Dados do estudo.

Nesse contexto a pesquisa observou que 50% do total de entrevistados não acham
adequado as instalações para os usuários com necessidades especiais. Nesse sentido, os
usuários se mostraram insatisfeitos (31%) e totalmente insatisfeitos (19%).

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Esse pôster apresentou os principais pontos percebidos na primeira parte de uma
pesquisa avaliativa que pretende levantar dados do eixo de serviços e do espaço físico da
biblioteca universitária da UFRB.
Os dados parciais permitem destacar que os usuários estão satisfeitos com o espaço
físico da unidade informacional, entretanto demonstram insatisfeitos com a adequação do
espaço para as pessoas com necessidades especiais. Desse modo, recomenda-se que a gestão
da Instituição possa ter acesso a esses resultados para vislumbrar possibilidades de melhorias
nestes quesitos.
Por fim, sinaliza-se ainda a continuidade desse estudo e aprofundamento dos dados na
segunda etapa da pesquisa que vem sendo realizada e que será divulgada em um próximo
estudo.

997

�6 Referências
ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. Planejamento de bibliotecas e serviços de
informação. 2. ed. rev. e ampl. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 2005. 144p., 21 cm.
Bibliografia: p. 139-141. ISBN 8585637277 (broch.).
CARVALHO, Isabel Cristina Louzada. A socialização do conhecimento no espaço das
bibliotecas universitárias. Niterói, RJ; Rio de Janeiro: Intertexto: Interciência, 2004. 185p.,
il., 22 cm. Bibliografia: p. 171-178. ISBN 8571931119 (broch.).
GALBINSKI, José; MIRANDA, Antonio L. C. de. Planejamento físico de bibliotecas
universitárias. Brasília: PROBIB, 1993. 176p., 24 cm.
LANCASTER, F. Wilfrid. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília: Briquet de
Lemos/Livros, 1997. 356p., 23 cm. Bibliografia: p. [321]-344. ISBN 8585637072 (broch.).
LEITÃO, Bárbara Julia Menezello. Avaliação qualitativa e quantitativa numa biblioteca
universitária: grupos de foco. Niterói, RJ; Rio de Janeiro: Intertexto: Interciência, 2005.
148p., 21 cm. Bibliografia: p. 137-148. ISBN 8587258567 (Intertexto).
MUELLER, Suzana P. M. (Org.). Métodos para a pesquisa em Ciência da Informação.
Brasília: Thesaurus, 2007.
PROFISSIONAL da informação: o espaço de trabalho. 1. reimpr. Brasília: Thesaurus:
Universidade de Brasília, Dep. de Ciência da Informação e Documentação, 2005. 241p., il.,
22cm. (Estudos avançados em ciência da informação, v.3). Inclui bibliografia. ISBN
8570624107 (broch.).
ORTEGA Y GASSET, José. Missão do bibliotecário. Brasília: Briquet de Lemos/Livros,
2006. 82p., 19 cm. Bibliografia: p. 78-82. ISBN 8585637315 (broch.).
VERGARA, Sylvia C. Métodos de coleta de dados no campo. São Paulo: Atlas, 2009.

998

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                <text>Trata-se de uma pesquisa de satisfação dos usuários da Biblioteca do Campus de Cruz das Almas, que atende aos centros de ensino CETEC e CCAAB. O estudo faz uma comparação entre o espaço antigo da Biblioteca e o novo espaço planejado para os usuários. O objetivo principal é observar a perspectiva do usuário dessa biblioteca universitária quanto ao planejamento físico, por meio da avaliação de alguns dos principais serviços oferecidos. O método é descritivo, e de acordo com os procedimentos técnicos utilizados, trata-se de estudo de caso e levantamento. Como principal resultado esse pôster mostra os dados parciais da pesquisa em desenvolvimento, concluindo parcialmente que o espaço da unidade de informação planejado apresenta resultados positivos na avaliação qualitativa e quantitativa e posiciona a biblioteca universitária em um local de destaque na comunidade acadêmica. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO ORIENTADA POR RESULTADOS: O CASO DA BIBLIOTECA DA UFU

Paulo de Assis da Cunha

RESUMO
Apresenta estudo piloto proposto pela equipe do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal de Uberlândia (SISBI/UFU), utilizando alguns fundamentos da gestão de
planejamentos em que os indicadores de qualidade serão as ferramentas principais para medir
a satisfação de seus usuários. Com a integração de conceitos de gestão por resultados é
possível alcançar as metas definidas, conhecer melhor o novo perfil de usuário, melhorando a
qualidade nos serviços prestados e adequando as atividades às mudanças e tendências. A
partir da análise dos indicadores e gestão por resultados pode-se ter uma compreensão mais
aprofundada da relação de trabalho e da qualidade na prestação de serviços oferecidos,
inclusive para nortear os investimentos futuros, ampliando significativamente o grau de
satisfação na excelência da qualidade da prestação de serviços e atendimento ao público.
Palavras-Chave: Gestão de bibliotecas; Indicadores de qualidade; Biblioteca universitária;
Planejamento de bibliotecas universitárias.

ABSTRACT
Introducing a pilot study proposed by the Library System of the Federal University of
Uberlândia (SISBI/UFU) team, utilizing management concepts in which quality indicators are
the fundamental tools in measuring user satisfaction. With the integration of management
concepts, we can achieve set goals, better understand new user profiles, improve the quality
of services offered and adapt activities to changes and trends. Also, by analyzing these quality
indicators and management concepts we can have a deeper understanding of employee
relationships and provide quality services, including guiding future investments, significantly
increasing the degree of satisfaction in the quality of service delivered and improving
customer service.
Keywords: Library management; Quality indicators; University library; Planning university
libraries.

1 INTRODUÇÃO
O planejamento como função administrativa nos faz enxergar que há uma necessidade
de definições bem estabelecidas para o controle e melhor desempenho das atividades
desejadas. Diante disso, o presente artigo pretende apresentar os principais fundamentos da
gestão de planejamento, identificando os principais mecanismos de medição, no sentido de

1170

�alinhar as metas e esforços que uma organização deve fazer para se alcançar os objetivos em
longo prazo.
A prestação de serviços no contexto mundial vem se destacando, e não é diferente a
situação na comunidade acadêmica e nem com os profissionais das mais variadas áreas do
conhecimento que voltaram as suas atenções para a gestão desta atividade, buscando a
melhoria da qualidade que, atualmente é muito comum nas indústrias, passando a ser um
diferencial nas organizações prestadoras de serviços, em destaque a gestão de processos nos
serviços de informação, como as bibliotecas universitárias. Neste contexto, o uso do Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU) como referência para
implementação de um projeto piloto de alinhamento e melhoria da gestão se mostra relevante
devido à complexidade e amplitude do caso a ser estudado.
Assim, o presente artigo tem como objetivo apresentar uma proposta inicial de
integração do conceito de “Gestão por Resultados”, aplicado à “Gestão de Bibliotecas
Universitárias”, a partir do alinhamento e hierarquização das metas a serem atingidas por esta
unidade. Para isso, propôs-se o estudo em uma unidade piloto que está em processo de
implementação nas Unidades Informacionais, o SISBI/UFU.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O planejamento de uma organização está intimamente ligado à ação, no entanto a
grande maioria dos administradores afirma não ter tempo para planejar pela necessidade de
focar sua atenção às atividades rotineiras, às novas demandas e aos imprevistos, ou seja, por
estar preocupado com a execução - ação.
Henri Fayol (1987) apud Almeida (2005) afirma que o planejamento como função
administrativa engloba visualizar o futuro, definir plano de ação, organizar, controlar,
comandar e coordenar.
Entendendo a definição de organização de Maximiano (1992) como um conjunto de
esforços individuais para se alcançar propósitos coletivos e objetivos inatingíveis por uma
única pessoa, é possível afirmar que uma biblioteca universitária é uma organização composta
por uma diversidade de indivíduos (bibliotecários, assistentes, auxiliares, estagiários) dos
quais alguns desempenham funções administrativas nos cargos de direção, coordenação,
gerência, chefia e encarregados de turno.
Os objetivos e as diretrizes a serem alcançados pelo esforço da equipe são definidos no
planejamento e para se planejar e traçar as metas de uma biblioteca universitária é essencial

1171

�conhecer o perfil dos usuários, seus reais interesses e necessidades, bem como o plano de
desenvolvimento e expansão da Instituição de Ensino Superior (IES).
Apresentar resultados com qualidade para estes usuários é um dos grandes desafios
para os gestores das bibliotecas. Os novos usuários do século XXI buscam a informação de
modo variada e nos mais diversos suportes, o que não era muito comum nas décadas
anteriores a 1990, antes do advento da internet, em que se via determinado padrão nos
serviços oferecidos. A cada ano novos recursos e suportes passam a fazer parte das
bibliotecas, transformando sua imagem de detentora dos livros em centro de busca do saber,
registrados nos mais diversos formatos, exigindo dos administradores maior habilidade para
reinventarem seus objetivos perante a demanda cada vez mais diversificada.
No âmbito da educação superior, compete à Biblioteca Universitária (BU)
assumir esse papel, por ser um importante instrumento de que a universidade
dispõe para exercer sua função social e de cidadania e oferecer uma
formação global. A evolução do ensino, da pesquisa e da extensão nas
universidades brasileiras tem contribuído para o desenvolvimento do país em
todos os níveis (tecnológico, social, econômico, cultural e ambiental) e,
sendo assim, crescem as exigências para o desenvolvimento,
aperfeiçoamento, melhoria contínua e responsabilidade social das
Bibliotecas Universitárias (DZIEKANIAK, 2009, p. 34).
A mudança de paradigmas e ambientes advindos das novas tecnologias vem atraindo
cada vez mais usuários para o conhecimento que é encontrado nestas bibliotecas universitárias
e com esta demanda, cresce a preocupação em oferecer serviços relevantes em um curto
espaço de tempo, evitando a obsolência da informação, o que exige um olhar crítico dos
gestores e consequentemente a melhoria na gestão de qualidade dos serviços oferecidos.
Neste contexto, os administradores das bibliotecas universitárias se veem desafiados a
refletir sobre o novo perfil de usuário, oferecendo maior qualidade nos serviços prestados e
adequando as atividades às mudanças e tendências. Este novo cenário exige do profissional da
informação gestor não apenas habilidades biblioteconômicas e gerenciais, mas um
conhecimento especializado e aprofundado em administração, englobando processos, funções
administrativas e financeiras, das teorias, dos instrumentos e tecnologias de gestão, entre
outros.
Torna-se importante aos gerentes, conhecer as tendências administrativas
contemporâneas, como também as teorias administrativas que as
fundamentam, para que possam ser adaptadas e aplicadas às bibliotecas
universitárias, pois, apesar de serem organizações sem fins lucrativos, as
turbulências ambientais lhes confere algumas características semelhantes às
das empresas privadas. (MACIEL; MENDONÇA, 2000, p. 2).

1172

�Este direcionamento para o novo papel e funções ainda não estão muito bem
dimensionados, considerando o momento de transição vivenciado pelas bibliotecas
universitárias e também, a atenção dos gestores, na maioria das vezes, voltada para a
resolução de demandas pontuais e emergenciais, sem planejamento prévio (definição de
metas, previsão, apontamento de mudanças, revisão crítica dos resultados alcançados e
indicação de novos objetivos e metas).
A fim de diminuir as incertezas, minimizar os riscos e ingerência de recursos é
fundamental a construção de um plano de ação, contínuo e dinâmico, que registre prioridades
da unidade, indicando as etapas para se alcançar cada objetivo para que sejam alcançados os
resultados de modo eficaz e eficiente.
A definição e escolha de indicadores de qualidade aplicados em bibliotecas
universitárias é uma ferramenta fundamental para colaborar com a oferta de serviços de
qualidade, uma vez que propicia o entendimento da real função da unidade na instituição e é
uma oportunidade para conhecer a avaliação do usuário quanto aos serviços.
Segundo Lancaster ([2004], p. 1), “uma avaliação é feita não como um exercício
intelectual, mas para reunir dados úteis para atividades destinadas a solucionar problemas ou
tomar decisões”, cabendo a biblioteca a função de estabelecer “uma interface entre os
recursos de informação disponíveis e a comunidade de usuários a ser servida”.

2.1 Gestão de Bibliotecas
Visando aperfeiçoar o modelo de avaliação proposto pela bibliotecária e professora do
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia,
Nídia Lubisco, em sua tese de doutorado121 e instrumentalizar os gestores das bibliotecas
universitárias brasileiras, aconteceu em Salvador, de 29 de setembro a 1 de outubro de 2008, o
Seminário Avaliação da Biblioteca Universitária Brasileira (SABU). Na oportunidade foram
discutidos quatro grupos de indicadores referentes à biblioteca: administração; contexto
acadêmico; serviços aos usuários e formação, processamento técnico e desenvolvimento de
coleções. Com este evento foi possível o aperfeiçoamento do modelo proposto pela
pesquisadora, resultado da análise crítica dos grupos de trabalho e também foi cogitada a
aplicação do instrumento como projeto piloto para validação e aperfeiçoamento contínuo da
proposta (LUBISCO; VIEIRA, 2009).

121

La evaluation en la biblioteca universitária brasilena: evolución y propuesta de mejora.

1173

�Em junho de 2012, aconteceu em Goiânia o II Seminário Avaliação da Biblioteca
Universitária Brasileira, realizado pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de
Goiânia, com o objetivo de dar continuidade às discussões e aprimorar o modelo apresentado
em Salvador, em 2008, bem como, sugerir que as bibliotecas aplicassem o instrumento
parcialmente ou na sua totalidade. Na oportunidade, o presidente da Comissão Brasileira de
Bibliotecas Universitárias (CBBU) apresentou o interesse em realizar encontros regionais de
bibliotecas universitárias visando dar oportunidade para que mais pessoas participassem de
eventos na área, tratar as especificidades de cada região e facilitar as ações na área,
principalmente àquelas referentes aos processos de avaliação em bibliotecas.
O SISBI/UFU enviou representantes nos dois eventos acima citados, o que motivou a
direção do sistema a priorizar ações de planejamento e gestão. Até a presente data o SISBI
não aplicou o modelo citado, porém já utilizou alguns parâmetros (indicadores) para
elaboração de relatórios justificando a necessidade de ampliação das bibliotecas atuais e
criação de novos espaços. Motivados pela CBBU, a equipe do SISBI/UFU realizou, em
outubro de 2013, o Encontro Regional de Bibliotecas Universitárias (ERBU): Sudeste 1,
Centro-Oeste e Distrito Federal122, cuja conferência de encerramento O Bibliotecário como
gestor de unidade de informação, foi conduzida pelo Prof. Peterson Elizandro Gandolfi,
docente da Faculdade de Gestão de Negócios da UFU e consultor do SISBI/UFU, em
planejamento e gestão de bibliotecas, desde junho de 2013.

2.2 Uma proposta de aplicação da “Gestão por Resultados” na “Gestão de uma Unidade
Informacional”
Nas últimas décadas, as organizações têm sido comparadas ora a um organismo vivo,
composto de sistemas, ora a uma máquina, composta de peças e engrenagens. Outras
comparações surgiram, mas todas elas são insuficientes para explicar a complexidade do que
seja uma organização que é composta de pessoas, de equipamentos, de estruturas físicas, dos
mais variados tipos de tecnologias, de grupos de interesses variados, de conhecimento, de
parcerias e muitos outros fatores.
Normalmente quando se pensa em organização, pensa-se na proposta do seu negócio,
o que determinada organização faz ou produz e entrega; como ela é estruturada. Assim, os
gestores normalmente não conseguem visualizar quem são seus usuários (sejam eles, os
122 Tema: A eficácia da avaliação e planejamento de bibliotecas universitárias no processo de tomada de
decisão.

1174

�usuários, ou outra nomenclatura que se queira dar), também não entendem o fluxo de
trabalho, nem a cadeia de serviços, a começar pelos fornecedores, ou seja, a gestão
normalmente é pensada de modo vertical e funcional. Com isso, alguns riscos podem ser
apresentados como falta de comunicação, problemas interdepartamentais, criação de
verdadeiros “feudos” simbolizando grupos que trabalham isolados do restante do grupo e
consequentemente uma ideia de subotimização de toda a organização.
Diante disso, pensar uma organização (Figura 1) em processos de negócios como um
conjunto de recursos e métodos, organizado para transformar entradas relativas a materiais e
informações em saídas representadas por produtos e/ou serviços pode ajudar a alinhar os
“interesses” dessa organização, no sentido de otimizar os esforços e levar esta mesma
organização ao cumprimento de sua missão visualizando uma visão de futuro estabelecida.

Figura 1: Processo de Negócio de uma organização

Fonte: Os autores.

Nesse sentido, a partir do processo de negócio entendido, busca-se fazer a
organização, trabalhar em busca de um ideal (visão de futuro) a partir de mecanismos
objetivos de mensuração que podem ser exemplificados por meio de indicadores de gestão.
Esses indicadores servem de apoio para a definição das metas dessa organização e o processo
de gestão se simplifica ao processo de atingimento ou manutenção dessas metas que devem
ser desdobradas e alinhadas por toda a estrutura organizacional. E que, gerenciar uma
organização, ou uma parte dela, se simplificaria a atingir as metas ou perseguir os resultados
por ela estabelecidos, melhorando-os ou mantendo-os de acordo com a estratégia da
organização (CAMPOS, 1994). Isso ratifica de tal forma o que o professor Kaoru Ishikawa,
considerado um dos “papas da qualidade”, afirma que “quem não mede não gerencia: o
gerenciamento começa pelos indicadores” (DEMING, 1990, p. 23).
Dessa forma, aqui se propõe o uso do conceito de “Gestão por Resultados” a partir da
filosofia “Gestão da Qualidade Total” para apoiar e orientar o sistema de gestão para
bibliotecas universitárias.

1175

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo é de natureza aplicada e nele se propõe fazer uma abordagem
qualitativa. O método de procedimento utilizado foi o estudo de caso, por se mostrar o mais
adequado para avaliar o fenômeno em seu ambiente natural (GODOY, 2010; YIN, 2001). Por
meio dessa abordagem foi possível descrever com mais profundidade e compreender a relação
do ambiente de trabalho, suas funções, análise de indicadores e, por fim, como é realizada a
gestão da biblioteca universitária, objetivo desse estudo.

3.1 O caso Biblioteca da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)123
A Biblioteca da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) foi criada no ano 1976, a
partir da junção dos acervos bibliográficos de oito faculdades isoladas da cidade e sua
incorporação foi concluída em 1978. O marco oficial da criação do SISBI/UFU é determinado
pela centralização das atividades de aquisição e processamento técnico destes acervos, em
1989.
Após a criação do SISBI/UFU, se fez necessário a projeção e execução da construção
de um espaço próprio para acomodar a primeira grande biblioteca do Campus Santa Mônica,
inaugurada no dia 7 de novembro de 1991. Esta biblioteca recebeu o acervo das primeiras
faculdades assentadas, das quais se destacam as pioneiras: Faculdade de Engenharias
(Elétrica, Mecânica, Civil e Química), Faculdade de Direito, Faculdade de Artes, Faculdade
de Filosofia, Faculdade de Ciências Econômicas e Faculdade de Administração.
Esta unidade administrativa passou a ser chamada de Biblioteca Central Santa Mônica
por concentrar a equipe gestora do SISBI/UFU e as divisões que executam os serviços
internos, tais como: seleção, aquisição, preparo, catalogação, classificação e tratamento de
todo material informacional adquirido para compor o acervo das bibliotecas do sistema.
O segundo projeto de construção e execução em dimensão para atender as
necessidades de expansão foi a Biblioteca Setorial Umuarama, construída no mesmo período
que a Biblioteca Central Santa Mônica, inaugurada em 12 de novembro de 1991. Passaram a
compor esta biblioteca o acervo das faculdades até então existentes no campus Umuarama:
Medicina, Medicina Veterinária e Agronomia.

123

Mais informações consulte o Texto institucional do SISBI/UFU: ano base 2013(UFU, 2014).

1176

�Acompanhando a necessidade de expansão da universidade, em 6 de dezembro de
1990, foi inaugurada a Biblioteca Setorial Educação Física que recebeu o acervo da única
faculdade da época, instalada naquele campus: Faculdade de Educação Física.
Além destas bibliotecas universitárias, também faz parte do SISBI/UFU, a biblioteca
escolar da Escola de Educação Básica da UFU (ESEBA), inaugurada em dezembro de 1988 e
identificada como Biblioteca Setorial Educação Básica.
Em maio de 2007, foi inaugurada a Biblioteca Setorial Ituiutaba, para subsidiar as
demandas informacionais advindas do desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e
extensão dos cursos de Administração, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis, Física,
Geografia, História e Química e Pedagogia, e na sequência o curso de Serviço Social e
Engenharia de Produção da Faculdade de Ciências Integradas do Pontal (FACIP), unidade
integrante do Plano de expansão da UFU (UFU, 2007) no Campus do Pontal. Em 2011, a
biblioteca foi transferida para um prédio multiuso, construído no complexo da FACIP,
oferecendo um espaço maior para a comunidade acadêmica e externa.
No mês de abril de 2011, aconteceu a implantação da Biblioteca Setorial Monte
Carmelo, para atender as demandas informacionais do campus, criado em 2010, como projeto
de expansão da UFU, com os cursos: Agronomia, Sistema de Informação e Engenharia de
Agrimensura e Cartografia. Até março de 2014, a biblioteca ficou instalada no teatro do
prédio do SESI, sendo o antigo palco destinado ao acervo, ambiente de estudo individual,
ilhas de pesquisa e setor de atendimento e, o espaço destinado à plateia permaneceu como
ambiente para estudo em grupo e disponibilização dos guarda-volumes. No primeiro semestre
letivo de 2014, a biblioteca foi transferida para o prédio multiuso

no campus definitivo,

composto por sala de estudo em grupo, estudo individual, área de leitura informal, espaço
com scanner planetário para digitalização de documentos e ambiente para futura instalação
dos equipamentos de autodevolução e autoempréstimo.
No mesmo período da implantação da biblioteca de Monte Carmelo a Biblioteca
Setorial Patos de Minas também foi estabelecida, totalmente equipada para atender as
necessidades informacionais dos alunos, docentes, técnicos administrativo do campus, criado
em 2010, como projeto de expansão da UFU, com os cursos: Biotecnologia, Engenharia de
Alimentos e Engenharia de Eletrônica e Telecomunicações. Desde abril de 2011, a biblioteca
está instalada no prédio do Centro Administrativo da Prefeitura da cidade, alugado pela UFU,
para acomodar a equipe administrativa e pedagógica do campus. No espaço reservado à

124

Ainda em espaço provisório.

1177

�biblioteca, além do acervo, há ambientes destinados para estudo individual, ilhas de pesquisa,
seção de atendimento e guarda-volumes. O espaço para estudo em grupo está disponibilizado
em uma sala de aula, no último andar, do mesmo prédio.
A mais recente biblioteca a compor o SISBI/UFU foi a Biblioteca Setorial Hospital de
Clínicas “Professor Ivan Miranda Vieira”, biblioteca especializada, inaugurada em 21 de
novembro de 2012, com a finalidade de atender ao Programa Brasileiro de Acreditação
Hospitalar, bem como, oferecer aos residentes, docentes, médicos, enfermeiros e demais
profissionais da saúde um ambiente adequado para estudo e consulta. Esta biblioteca está
instalada na sala 21, do pavimento superior do Bloco 2M (antiga clínica médica) do Hospital
de Clínicas de Uberlândia (HCU) no Campus Umuarama e oferece os serviços de consulta a
livros e periódicos relacionados à área da saúde, pesquisa online em bases de dados
especializadas e intercâmbio de documentos científicos (COMUT).
O SISBI/UFU, composto por oito bibliotecas, atende a toda a comunidade acadêmica
da UFU e a comunidade externa de Uberlândia e região. Atualmente sua estrutura física é de
aproximadamente 11.000 m , com espaços para serviços técnicos e administrativos, acervo,
área para estudo em grupo e individual, contemplando ainda cabines de estudos em grupo,
espaços especializados como hall para exposição, estudo 24 horas e anfiteatro. Seu quadro de
pessoal é composto por servidores que ocupam os seguintes cargos técnico-administrativos
em educação: bibliotecário documentalista, assistente e auxiliar em administração, além de
funcionários terceirizados atuando em atividades de atendimento ao público, orientação para
localização de obras no acervo e outros serviços afins. Todo acervo125 das bibliotecas do
SISBI/UFU é de livre acesso e são disponibilizados à comunidade acadêmica os serviços de
empréstimo, devolução126 e renovação do material informacional, solicitação de cópias de
documentos de outras bibliotecas do Brasil e do exterior por comutação bibliográfica e
empréstimo entre bibliotecas participantes do programa, além dos autosserviços de
empréstimo, devolução e digitalização

de parte dos documentos de interesse. Dentre os

serviços mais utilizados destacam-se treinamentos e orientação para utilização da biblioteca,
orientação para normalização de trabalhos técnico-científicos, elaboração de ficha
catalográfica e pesquisa automatizada em bases de dados e portais de periódicos eletrônicos.
A automação de seus serviços vem sendo implementada, desde 1994, com a utilização
de sistema integrado, modular e multiusuário responsável pelo gerenciamento dos serviços,
125
As bibliotecas possuem sistema de segurança do acervo.
126
O material informacional pode ser devolvido em qualquer uma das bibliotecas universitárias do
sistema, independentemente do local onde o empréstimo foi realizado.
127
Scanners planetários disponíveis a toda comunidade.

1178

�desde a aquisição até a devolução do material emprestado, com emissão de seus relatórios
para dados estatísticos.
Além do software para gestão do acervo das bibliotecas, o SISBI/UFU também utiliza
outros aplicativos, desenvolvidos localmente, para o gerenciamento de atividades
administrativas e técnicas em geral. Em 2010, foi implantado o Sistema de Gerenciamento de
Aquisição de Material Informacional (SIGAMI), desenvolvido em parceria com os analistas
de informação do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) da universidade.
Há tempo a tecnologia tem se apresentado como importante protagonista do cotidiano,
impondo desafios constantes aos profissionais que trabalham com a informação do
conhecimento, que necessitam ter o domínio dos novos recursos e ferramentas que são
oferecidos em quantidade cada vez maior como condição sine qua non para a construção de
um serviço totalizante e de qualidade. Diante de uma geração que domina cada vez mais cedo
as diversas tecnologias oferecidas pelo mercado, o profissional da informação precisa, hoje,
enfrentar a realidade dos meios de reprodução de cultura e entretenimento, que disputam a
atenção do público, contribuindo para sua formação sociocultural de forma cada vez mais
incisiva.
Assim sendo, desde o início de sua história o SISBI/UFU conta em seu quadro com
profissionais envolvidos, que para entender o presente voltam o olhar para o passado com a
confiança da continuação e apoio para construir o futuro, na perspectiva de oferecer novos e
melhores serviços que atendam a necessidade informacional desta sociedade da informação.
Neste sentido, há um esforço de toda a equipe em usar os ricos tesouros pessoais, literários e
históricos para contribuir e erguer uma biblioteca que busca inovações e acompanha as
tendências.

3.2 O processo de coleta de dados
Após a aprovação e a autorização formal para execução da pesquisa pela
administração superior da UFU, a coleta de dados e organização dos dados foi realizada em
duas frentes de trabalho: a primeira frente relacionada à análise documental e a segunda frente
sob o enfoque de observação e entrevistas com os membros da direção do SISBI/UFU.
O processo de coleta e análise de dados iniciou em meados de julho de 2013 e
continua permanentemente até hoje.
A coleta de dados documental foi feita a partir da análise de documentos e arquivos
que foram disponibilizados pelos gestores do sistema, além de consulta na página

1179

�eletrônica 128 . Desses documentos, destacam-se os relatórios da Comissão Própria de
Avaliação (CPA) da UFU que avalia infraestrutura física e acessibilidade, nível de
funcionalidade, estado de conservação e carências, quantidade de postos da biblioteca,
número de salas de leitura, horário e calendário de funcionamento, equipamentos, sistema de
acesso aos materiais e sua consulta, acesso a bases de dados e bibliotecas virtuais,
bibliografia, informatização (acervo e serviços). Além deles, outras fontes, como relatórios de
visitas das Comissões do Ministério da Educação (MEC) e da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), dados fornecidos ao Censo,
Anuário UFU, Plano Institucional de Desenvolvimento e Expansão (PIDE)

e informações

sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) do SISBI/UFU, foram analisadas e
confrontadas, de modo a entender como um único sistema poderia ao mesmo tempo medir e
prover informações para as diferentes demandas que eram solicitadas às bibliotecas.
Além disso, implantou-se um sistema de demandas, como projeto piloto, que tem
como objetivo integrar todos os canais de feedback dos usuários a fim de proporcionar uma
análise mais completa e sistêmica dos possíveis problemas.
De julho de 2013 a abril de 2014 foram realizadas várias reuniões presenciais e uma
quantidade bem maior de contatos à distância por meio de correios eletrônicos. Além disso,
um drive virtual de arquivos foi implantado para facilitar e padronizar o acesso aos
documentos.

3.3 O processo de análise de dados
A base teórica utilizada para o procedimento de análise de dados foi desenvolvida a
partir da estrutura de análise de conteúdo descrita no método de estudo descrito em Godoy
(2010) e Yin (2001) e para isso, elaborou-se uma pré-análise a partir dos instrumentos de
gestão tradicionais do sistema de gestão de bibliotecas descritos em Almeida (2005) e
Lubisco e Vieira (2009). Diante do referencial citado, buscou-se estruturar, organizar e alinhar
os indicadores de “Gestão da Unidade Informacional” (bibliotecas do SISBI/UFU) a partir da
proposta de gestão de resultados proposto por Campos (1994).

128
Cf. www.bibliotecas.ufu.br.
129
O PIDE, da UFU, foi concebido coletivamente de forma a contemplar tanto o Projeto Pedagógico
Institucional (PPI) quanto o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) (UFU, 2009). O PDI é a primeira
dimensão institucional do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES).

1180

�4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Como produto desta etapa parcial do projeto de implantação, identificaram-se oito
instrumentos indicadores de qualidade (Quadro 1) como elementos de medição da eficácia
dos produtos e serviços prestados aos usuários. Esses instrumentos, apresentados nas seções
4.1 a 4.8, foram selecionados observando, como critérios, informações e dados estatísticos
fornecidos pelo SISBI aos órgãos institucionais e governamentais, pareceres de visitas de
comissões de avaliação de cursos e demandas de usuários reais e potenciais recebidos através
da ouvidoria da universidade e dos canais de comunicação da instituição, bem como em
relação às novas tecnologias implantadas no SISBI, desde 2010.

Quadro 1: Painel de Instrumentos/Indicadores para gestão da Unidade Informational
L ista

de

In stru m en to s

(co n ju n to de In d ica d o res)

G ra n d es áreas do S IS B I/U F U
A q u isiçã o

e

P ro c essa m en to

A ten d im en to ao U su ário
C ircu lação

In fra estru tu ra

R eferên cia

Comissão Própria de Avaliação
(CPA)
Demandas
Visita de comissões
do
Ministério da Educação (MEC)
para avaliação de cursos de
graduação
Visita de
comissões
da
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES)
Censo da Educação Superior
MEC
Anuário UFU
Plano
Institucional
de
Desenvolvimento e Expansão
(PIDE)
Tecnologia da Informação e
Comunicação (TIC)
Fonte: Os autores.

4.1 Comissão Própria de Avaliação (CPA) - Resultados da Autoavaliação
A CPA da UFU foi criada conforme recomendação do SINAES130. Esta comissão é
responsável pela autoavaliação anual da instituição e considera obrigatoriamente dez
130 Avalia as instituições, os cursos e o desempenho dos estudantes. O processo de avaliação leva em
consideração aspectos como ensino, pesquisa, extensão, responsabilidade social, gestão da instituição e corpo

1181

�dimensões institucionais: missão e plano de desenvolvimento institucional; política para o
ensino, a pesquisa, a pós-graduação e a extensão; responsabilidade social; comunicação com a
sociedade; políticas de pessoal; organização e gestão da instituição; infraestrutura física 131 ;
planejamento e avaliação; políticas de atendimento aos estudantes e sustentabilidade
financeira (BRASIL, 2004).
A avaliação é realizada pelos docentes, discentes, técnico-administrativos da
instituição e funcionários das fundações de apoio à universidade, que analisam as bibliotecas
em sua totalidade e alguns de seus aspectos específicos como iluminação, ventilação,
mobiliário e equipamentos, acessibilidade, silêncio no ambiente, atendimento ao usuário,
automação do sistema, qualidade e atualidade do acervo, bibliografia básica, horário de
atendimento, acesso às bases de dados científicas e penalidade por atrasos na devolução de
material.
Considerando critérios qualitativos, considera-se este instrumento como um dos
principais indicadores de qualidade dos serviços prestados pelas bibliotecas, por se entender
que, a autoavaliação institucional é um “termômetro” da universidade, uma vez que
representantes de todos os segmentos que compõem a comunidade universitária tem a
oportunidade de expor suas opiniões de cunho pessoal e de acordo com sua vivência
institucional.

4.2 Demandas
O SISBI/UFU recebe demandas (reclamações, sugestões, dúvidas, entre outros) dos
usuários através de vários canais de comunicação institucional, tais como: ouvidoria, redes
sociais, e-mails, telefone e até pessoalmente. Estas demandas são registradas em uma planilha
específica, filtradas e direcionadas para que o responsável da área tome as providências
necessárias, sempre emitindo parecer ao requisitante e baixa no controle interno132. O grande
objetivo deste instrumento é receber, analisar, tratar, solucionar e evitar que as demandas não
sejam reincidentes.
docente. O SINAES reúne informações do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) e das
avaliações institucionais e dos cursos. As informações obtidas são utilizadas para orientação institucional de
estabelecimentos de ensino superior e para embasar políticas públicas. Os dados também são úteis para a
sociedade, especialmente aos estudantes, como referência quanto às condições de cursos e instituições. Os
processos avaliativos do SINAES são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação
da Educação Superior (CONAES) e a operacionalização é de responsabilidade do Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). (BRASIL, 2013).
131
O SISBI/UFU está inserido nesta dimensão.
132
Após atendimento da demanda do usuário a direção do SISBI realiza análise diagnóstica, com a
finalidade de avaliar se o questionamento levantado se aplica às demais bibliotecas e providencia ação
corretiva, se necessário, evitando assim que a reincidência do problema aconteça.

1182

�4.3 Visita de comissões do MEC para avaliação de cursos de graduação
Visando a qualidade da educação superior, o INEP realiza a avaliação dos cursos de
graduação das IES do país, nas modalidades:
- autorização: solicitado quando uma IES deseja abrir um curso;
- reconhecimento: efetuada quando a primeira turma do curso novo entra na
segunda metade do curso;
- renovação de reconhecimento: avaliação realizada a cada três anos (INEP, 2011a).
O instrumento de avaliação, vigente, insere a biblioteca na dimensão 3 (infraestrutura),
e analisa três indicadores: bibliografia básica, bibliografia complementar e periódicos
especializados. Este instrumento indicador de qualidade, não pode ser desconsiderado, devido
a sua importância como requisito para a autorização e a continuidade da oferta de cursos que
preparam os profissionais do futuro, bem como pela relevância da devolutiva encaminhada
pelos avaliadores após diagnóstico da infraestrutura e do acervo da biblioteca avaliada.

15. Visita de comissões da CAPES para Avaliação do Sistema Nacional de PósGraduação
A Diretoria de Avaliação da CAPES considera a avaliação essencial para assegurar e
manter a qualidade dos programas de pós-graduação do país (BRASIL, 2006) e contribuindo
com esta proposta o SISBI/UFU avalia as fichas de disciplinas das novas propostas

de

programas de cursos a serem ofertados pela universidade. O diagnóstico final dos avaliadores
da CAPES apresenta a atual situação da universidade e consequentemente das bibliotecas em
relação aos produtos e serviços oferecidos aos pesquisadores, fornecendo dados que permitam
aos gestores análise e definições de novas metas a fim de se garantir maior qualidade às
atividades de pesquisa.

16. Censo da Educação Superior
O MEC/INEP realiza anualmente o Censo, nas instituições de ensino superior, com o
objetivo de oferecer à comunidade acadêmica e à sociedade em geral informações detalhadas
sobre a situação e as grandes tendências do setor (INEP, 2011b).
Atualmente são coletados dados referentes à infraestrutura, frequência, circulação do
acervo, comutação bibliográfica, treinamento de usuários, TIC (serviços de descoberta, redes

133
Acompanha-se nos últimos anos um crescimento significativo de programas de pós-graduação na UFU.
Em 2013, a UFU oferecia 55 programas de pós-graduação, sendo 36 de mestrado e 19 de doutorado,
representando um crescimento de 29,09% dos cursos nos últimos 5 anos.

1183

�sociais, entres outros), assentos destinados para estudo, capacitação de servidores,
acessibilidade (física, de conteúdo e tecnológica).
O Censo é considerando um indicador de grande relevância por ser um parâmetro
norteador do governo para planejamento e aplicação de investimentos na instituição.

17. Anuário UFU
O anuário da UFU é uma iniciativa da Coordenação Geral da Diretoria de
Planejamento, subordinada à Pró-Reitoria de Planejamento e Administração (PROPLAD) da
universidade. Em relação ao SISBI/UFU o anuário registra dados quantitativos referentes a
gastos com diárias e passagens, equipamentos de informática, espaço físico, obras,
estagiários, infraestrutura, usuários, serviços, acervo, serviços cooperativos e capacitação de
usuários.
O anuário está entre os indicadores selecionados, por ser uma importante ferramenta
de divulgação de informações estatísticas para toda comunidade acadêmica, com
transparência e pontualidade, dos serviços disponibilizados pelo SISBI/UFU.

18. Plano Institucional de Desenvolvimento e Expansão (PIDE)
Trata-se de uma ferramenta de gestão institucional, determinada pelo MEC, que
aponta e possibilita o planejamento estratégico da universidade, visando a excelência
acadêmica. No PIDE devem constar as diretrizes, as metas, os programas e os planos de ação
projetados em todas as áreas de atuação da instituição (UFU, 2009). As metas previstas para
serem alcançadas em seis anos são informadas pelas unidades acadêmicas e administrativas.
O SISBI/UFU, na última atualização do referido documento (2010-2015)134 indicou
metas que envolvem infraestrutura (construção de novas instalações e manutenção das áreas
existentes), atualização do acervo, adequação para acessibilidade, segurança do acervo e
predial, avaliação da satisfação dos usuários, desenvolvimento do Sistema de Gerenciamento
de Aquisição de material Informacional (SIGAMI), qualificação e capacitação de servidores
e, preservação do meio ambiente, entre outras.

134
A direção do SISBI aguarda retorno da administração superior para avaliar e atualizar as metas
propostas.

1184

�19. Tecnologias/Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)
O indicador Tecnologias/TIC foi criado pela diretoria do SISBI/UFU, em abril de
2014, considerando a sua relevância no atual contexto das bibliotecas. O grande investimento
em implantação e expansão de TIC para impulsionar as atividades de ensino, pesquisa e
extensão desenvolvidas pela comunidade acadêmica e externa, bem como promover melhores
condições de trabalho aos servidores e colaboradores das bibliotecas, merece ser
acompanhado e constantemente avaliado visando a satisfação dos usuários e dos demais
envolvidos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a análise dos instrumentos citados, os dados extraídos são classificados de
acordo com a frequência em que chegam aos coordenadores do SISBI/UFU, considerando os
critérios quantitativos e/ou qualitativos e informações gerais, tais como: fonte, público e
frequência que ocorrem. A ocorrência das informações abordadas é distribuída entre as
grandes áreas do SISBI/UFU: Aquisição e Processamento, Atendimento ao Usuário
(Circulação e Referência) e Infraestrutura.
Estes instrumentos permitem a reflexão da situação atual das bibliotecas do
SISBI/UFU nos contextos: infraestrutura, serviços oferecidos, produtos, recursos humanos,
tecnologias, espaço físico, acervo e usuários.
O SISBI/UFU tem alcançado significativos resultados referentes ao investimento
despendido durante a consultoria. Considera-se essencial, principalmente nesta era da
informação, em que o compartilhamento de informações se faz necessário, o apoio de
profissionais de outras áreas, nas quais, na maioria das vezes os bibliotecários não dominam
na sua especificidade, uma vez que o ambiente universitário é totalmente mutável, em
constante atualização tecnológica e informacional o que exige excelência na qualidade de
atendimento.
É preciso ressaltar que as limitações existentes no percurso desta pesquisa são
decorrentes do processo de integração da metodologia “Gestão por Resultados” ao sistema de
“Gestão das Bibliotecas Universitárias”. Processo este, iniciado em meados de julho de 2013,
podendo ser implementado e melhorado em médio e longo prazo.
Por ora, a primeira etapa foi propor o alinhamento e hierarquização dos indicadores a
partir dos instrumentos de medição de qualidade do serviço prestado. Para futuros estudos,
sugere-se a descrição do processo de implantação do sistema de tratamentos de anomalias (a
partir do sistema de demandas integrado), gestão estratégica e gestão para melhorar a partir da

1185

�proposta do PDCA 135 de Deming (1990). Nessa linha de pensamento será possível iniciar
alguns atributos suficientes para garantir qualidade nas prestações de serviços, garantindo e
aumentando o índice de satisfação do usuário, reduzindo suas reclamações, utilizando
indicadores de pesquisa de satisfação e avaliando o índice de reclamação mensal.

6 REFERÊNCIAS
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informação. 2. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros, 2005.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Cunha, Paulo de Assis da</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Apresenta estudo piloto proposto pela equipe do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU), utilizando alguns fundamentos da gestão de planejamentos em que os indicadores de qualidade serão as ferramentas principais para medir a satisfação de seus usuários. Com a integração de conceitos de gestão por resultados é possível alcançar as metas definidas, conhecer melhor o novo perfil de usuário, melhorando a qualidade nos serviços prestados e adequando as atividades às mudanças e tendências. A partir da análise dos indicadores e gestão por resultados pode-se ter uma compreensão mais aprofundada da relação de trabalho e da qualidade na prestação de serviços oferecidos, inclusive para nortear os investimentos futuros, ampliando significativamente o grau de satisfação na excelência da qualidade da prestação de serviços e atendimento ao público.</text>
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                    <text>X V III Sem inário N acional de Bibliotecas U niversitárias
SNBU 2014

C O R R ED O R DA M EM Ó R IA DA FACULDADE DE M ED ICIN A : TEC N O LO G IA E
PASSADO A SERV IÇO DO FUTURO.

Ethel M irzahy C uperschm id
C arla C ristina V ieira de O liveira
Angélica Siqueira de C astro
B runa C arvalho de O liveira Nunes
S arah Cam pos C ardoso
M aria do C arm o Salazar M artins
RESUM O
O “Corredor da Memória” é um projeto do Centro de Memória da Medicina que tem como
principal objetivo externar imagens do acervo científico da área da Saúde para o público
frequentador do Campus Saúde da UFMG. Com o recurso de cinco telões posicionados ao
longo dos 27 metros lineares de corredor, as potencialidades de divulgação são multiplicadas,
pois as mostras acompanham demandas internas de pesquisadores, comemoram e celebram
datas importantes da Faculdade, evidenciam personalidades científicas e temas de pesquisa.
Palavras-C have: Acervo Científico Universitário, Divulgação Científica, História da
Medicina, Faculdade de Medicina da UFMG.
A BSTRACT
The "Corredor da Memória" is a project of the Centro de Memória da Medicina that has as
main objective to externalize images of scientific collection of healthcare for the public of the
Campus Saúde da UFMG. With the use of five large screens positioned over the 27 linear
meters of the hallway, the potential for disclosure are multiplied because the images displayed
follow internal demands of researchers, commemorate and celebrate important dates of the
Faculdade de Medicina, and point out scientific personalities and research themes.
Keywords: Scientific University Patrimony, Science Communication, History o f Medicine,
Faculdade de Medicina da UFMG.

1 IN TRO D U ÇÃ O
Ninguém discorda que o conhecimento científico e tecnológico é hoje um dos
principais geradores das dinâmicas de mudança econômica, social e cultural em nível
mundial. O papel social dos museus é, sem dúvida, o de formação do individuo. Ele também
tem o potencial de formar identidades. Sob a ótica educativa, o museu universitário deve,
como uma de suas principais funções, permitir a esse indivíduo tornar-se sujeito de sua

226

�aprendizagem. Lugar de produção do conhecimento por excelência, a universidade, ao se abrir
para o publico por meio de seus museus, pode facilitar a comunicação entre visitantes e a
ciência, mediada por aparatos científicos e metodologias educacionais, possibilitando a ação
do sujeito na aprendizagem.
O Centro de Memória da Medicina - CEMEMOR, fundado em 1977, é o mais antigo
da Universidade Federal de Minas Gerais. Ele possui acervo bibliográfico, documental,
tridimensional, sonoro, artístico e iconográfico na área da Saúde. Para se ter uma estimativa,
somente o acervo bibliográfico está estimado em 13 mil títulos, parte dele identificado como
obras raras e preciosas.
O acervo é dinâmico e, frequentemente, recebe contribuições que são incorporadas,
ou não, ao seu patrimônio, obedecendo a política de recolhimento do material. Portanto, o
acervo está em constante processo de organização e higienização.
Este acervo ocupa o espaço de aproximadamente 600 m2 de área no térreo da
Faculdade de Medicina, ou seja, uma área de destaque, logo à esquerda do Hall e do Salão
Nobre da Instituição. É um espaço de amplo potencial de divulgação, que proporciona a
democratização do conhecimento científico. Mostra-se necessário o compartilhamento do
acervo com estudantes, pesquisadores, instituições congêneres e com o público em geral,
pois:

se entendemos a importância dos conhecimentos produzidos pela Ciência
como algo inquestionável para o mundo moderno, a importância da
comunicação destes conhecimentos não deve ser menor, pois ela será o canal
que possibilitará ao público leigo a integração do conhecimento científico à
sua cultura. (SÃO TIAGO, 2010, p. 9)
O “Corredor da Memória” surgiu da necessidade do CEMEMOR de expor ao público
que circula nas dependências da Faculdade de Medicina seu acervo por meio de imagens
dinâmicas com alta definição.
O motivo da escolha do espaço foi a proximidade com o Centro de Memória e o
grande fluxo de pessoas - alunos, funcionários, professores e público externo - que
normalmente passavam pelo corredor e paravam para observar a única vitrine do Centro da
Memória voltada para o mesmo, onde ficam expostos objetos e livros do acervo.
Foi elaborado um projeto em que aparelhos de televisão de 42’’, com tela plana
fixadas em painéis de madeira, seriam distribuídos em 27 metros lineares no corredor. O
conceito do projeto baseou-se na transformação de um espaço de passagem em um espaço de
fruição e apropriação pelo público, como uma extensão do Centro da Memória através da

227

�projeção de imagens do acervo existente em sua vasta reserva técnica e um convite à visitação
de suas dependências. Desta forma, determinou-se que o espaço ficaria conhecido como
“Corredor da Memória” .
Para tanto, foi projetada nova iluminação e rebaixamento de teto com gesso nesse
trecho do corredor, além da instalação de persianas nas janelas opostas aos painéis,
propiciando um melhor conforto visual para apreciação das imagens e também configurando
um espaço diferenciado para o público. Os painéis prestam-se tanto a proteger os televisores e
suas respectivas instalações quanto a servirem de base para fixação de informações sobre a
exposição virtual, inclusive com dados em Braille, propiciando a informação sem quaisquer
fronteiras. Sua altura foi definida de forma a proporcionar boa visibilidade a todos, incluindo
pessoas em cadeira de rodas.
Como parte do acervo científico da Faculdade ainda passará por processo de
higienização, pesquisa, identificação, catalogação e musealização, apenas uma fração desta
riqueza histórica institucional é passível de divulgação. Enquanto as exposições permanentes,
limitadas pelo espaço, não possibilitam uma visualização de conjunto, o “Corredor da
Memória”, com seu dinamismo, permite a realização de exposições temporárias e temáticas,
ampliando a capacidade de divulgação de grande parte do material inédito do acervo.
As coleções do Centro de Memória são complexos legados da memória cultural que
buscam conexões que ampliem sempre mais os seus efeitos em termos de comunicação,
educação, participação e fruição. Elas ultrapassam as fronteiras do Campus Saúde, pois
algumas são anteriores à criação da Faculdade em 1911; outras são oriundas de áreas do
conhecimento como a Química e a Física, e várias foram introduzidas de outros países e
culturas. A história da Faculdade de Medicina, seus professores, suas turmas, suas disciplinas
e do desenvolvimento da Ciência Médica aparecem também no contexto maior da história da
cidade e do Brasil.
O propósito da implantação do “Corredor da Memória” é que ele funcione como mais
um instrumento de informação, educação e difusão do conhecimento científico associado à
área da Saúde e da História da Ciência e da Técnica.
A imagem projetada, além de instigar a busca pelo conhecimento, pode incentivar a
visitação de outros espaços do Centro de Memória, como a Galeria Luis Gomes Ferreyra, que
possui a exposição “Nas Veias da Memória: alguma história da Medicina” e a exposição do
corredor interno com as peças de anatomia patológica.
É fundamental notar que, num século voltado para a modernização tecnológica, as
novas gerações também se interessem pelos fundamentos e pela história do desenvolvimento

228

�do fazer profissional. Então, justifica-se a montagem da exposição em um espaço
propriamente acadêmico que contribui para a reflexão sobre o presente e sua relação com os
acontecimentos do passado, além de agregar valor ao patrimônio.
O acervo do CEMEMOR divulgado no “Corredor da Memória”, através da evocação
da memória, abre para o público uma série de possibilidades de identificação, interpretação e
apropriação a partir do contato com o material exposto. Os limites da ação ultrapassam as
fronteiras temáticas, áreas práticas e saberes, a fim de que as coleções, criando referências e
questionamentos, revitalizem o próprio modelo de museologia a que se destinam.

2

A

DIVULGAÇÃO

C IEN T ÍFIC A :

D EM O CR A TIZA Ç Ã O

DO

ACESSO

AO

C O N H EC IM EN TO C IE N T ÍFIC O NOS M USEUS E C EN TRO S DE C IÊN C IA
Os processos de divulgação científica e comunicação científica não podem ser
pensados separadamente, porém podem ser distintos. Segundo Bueno (2010), a divulgação
científica consiste na utilização de recursos, técnicas, processos e produtos (veículos ou
canais) para a veiculação de informações científicas, tecnológicas ou associadas às inovações
ao público leigo, por outro lado, a comunicação cientifica seria a transferência de informações
científicas, tecnológicas ou associadas às inovações que se destinam aos especialistas em
determinadas áreas do conhecimento. O autor destaca ainda que esses conceitos se aproximam
em suas características comuns, mas na prática possuem aspectos distintos: o perfil do
público, o nível do discurso, a natureza de canais e ambientes utilizados para sua veiculação e
a intenção explícita no processo. Bueno (2010) ressalta a divergência de intenção da
comunicação científica e da divulgação científica.

A comunicação científica visa, basicamente, à disseminação de informações
especializadas entre os pares, com o intuito de tornar conhecidos, na
comunidade científica, os avanços obtidos (resultados de pesquisas, relatos
de experiências, etc.) em áreas específicas ou à elaboração de novas teorias
ou refinamento das existentes. A divulgação científica cumpre função
primordial: democratizar o acesso ao conhecimento científico e estabelecer
condições para a chamada alfabetização científica. Contribui, portanto, para
incluir os cidadãos no debate sobre temas especializados e que podem
impactar sua vida e seu trabalho, a exemplo de transgênicos, células tronco,
mudanças climáticas, energias renováveis e outros itens. (BUENO, 2010, p.
5)
A divulgação científica ocorre entre cientista e o grande público, visando atender um
público mais amplo. Segundo Albagli (1996) a divulgação científica é um conceito mais
restrito que difusão científica e é considerado mais amplo do que comunicação científica.

229

�Entende-se por difusão científica “todo e qualquer processo usado para comunicação da
informação científica e tecnológica” (ALBAGLI, 1996, p. 397).
Fernandes (2011) destaca que a divulgação científica está associada à missão de
educação social, na medida em que “transforma o saber num sistema de representações
sociais” (FERNANDES, 2011, p. 99). Tal processo torna o discurso científico acessível
àqueles que não partilham da produção científica. Para isso, são articuladas parcerias com
cientistas e instituições que garantem maior credibilidade ao conteúdo trabalhado. Em termos
de educação, buscam auxiliar as atividades com artigos que sejam de relevância científica, de
interesse do presente e que se aproxime do cotidiano dos estudantes.
A divulgação científica acontece de diferentes formas, tradicionalmente através de
textos, vídeos, feiras científicas, palestras e museus. Porém, o desenvolvimento de novas
tecnologias possibilitou o uso de blogs, twitter, portais, facebook etc.. (TORRESI; PARDINI;
FERREIRA, 2012). Nos últimos anos os museus alargaram seu potencial educacional com o
desenvolvimento de técnicas educativas e de exposição (ALBAGLI, 1996). Nesse sentido, um
dos objetivos do Centro de Memória da Medicina é prover informação histórica da área de
medicina para comunidade acadêmica e público em geral, possibilitando a divulgação e
contribuindo para avanços da ciência e da tecnologia.
Souza (2011) ressalta que a informação científica nos espaços expositivos
museológicos cumpre o papel ideológico de criação de subsídios simbólicos e contribui para a
construção de valores específicos referentes à ciência. O autor ainda destaca que

A exposição é o meio pelo qual o museu estabelece sua inter-relação com a
sociedade, através da operacionalização do objeto musealizado e do emprego
de aparatos infocomunicacionais, teóricos e técnicos. Mais do que uma
dentre as muitas faces da atividade museológica, a prática de expor é a que
determina a própria essência de todo e qualquer museu como tal. (SOUZA,
2011, p. 262)
Segundo Caribé e Mueller (2010, p. 25)
A literatura aponta o Museu Ashmoleano, aberto em 1683, como o primeiro
museu público de ciência, doação de Elias Ashmole à Oxford University, e a
quem sua denominação homenageia. A doação consistia de coleção de
curiosidades de todos os tipos, que servia, prioritariamente, como material de
pesquisa para os alunos daquela Universidade. Mas o primeiro museu
público de âmbito nacional britânico foi o British Museum, fundado quase
80 anos mais tarde, em 1753, e aberto ao público em 1759. Também foi
formado com base em coleção particular, no caso, de Sir Hans Sloane, físico
e naturalista. Sua coleção consistia, sobretudo, de livros, manuscritos,
espécimes naturais, moedas e medalhas, gravuras e desenhos, além de
material etnográfico.

230

�Ainda segundo as autoras, no início do século XX a função educativa dos museus foi
se firmando na Europa, com destaque para o Deutsches Museum em Munique, fundado em
1906. Com o objetivo de tornar as conquistas de ciência e tecnologia compreensíveis ao
público leigo e de realçar a relevância do trabalho dos engenheiros e cientistas. Expunham
réplicas de animais e equipamentos em tamanho natural, assim como, modelos que podiam
ser acionados pelo visitante, ilustrando o funcionamento de fenômenos reais e dos princípios
da Física (CARIBÉ;MUELLER, 2010).
Os autores destacam ainda o surgimento dos Centros de Ciências, um museu de
ciência com características multidisciplinar e técnicas interativas de caráter experimental. São
espaços que seduzem, provocam, atraem e motivam o visitante a interagir com fundamentos
da C&amp;T -Ciência e da Técnica, através de experimentos do tipo “faça você mesmo” .
Demonstrando, dessa forma, o crescimento das iniciativas de divulgação científica ao longo
do tempo.
O projeto “Corredor da Memória” é mais uma dessas iniciativas. Sua colocação no
museu potencializa o espaço institucionalizado da memória, através da interação entre o
individuo e a sociedade com os objetos e bens culturais expostos. Como destaca Albagli
(1996, p. 400):

A percepção dos museus como meros repositórios de objetos colecionados
do mundo natural evoluiu para a concepção de que tais objetos devem ser
inseridos em um contexto facilmente compreensível pelo visitante, o qual
nem sempre teve acesso a educação cientifica formal.
Os objetivos das exposições no “Corredor da Memória” estão de acordo com
Loureiro (2003), que define o museu como um fenômeno que resgata para o individuo o
passado, com um campo de significações. O autor afirma que o museu científico é um espaço
de divulgação científica, por objetivar e transferir informações especializadas de natureza
científica e tecnológica ao público em geral.

3 M A TER IA IS E M ÉTO D O S
O “Corredor da Memória” é mais um espaço de cultura e aprendizado sobre a Arte
Médica e sua história dentro do ambiente acadêmico. A divulgação para o público interno e
externo composto de visitantes espontâneos será a meta prioritária.
A gratuidade da exposição permite, também, a inclusão planejada, em suas
programações, de atividades para o público em geral e/ou para públicos especiais. Deverá

231

�incluir oportunamente projetos voltados para segmentos específicos e grupos especiais
(estudantes, professores, cidadãos idosos, comunidades carentes, etc.) e outros mecanismos
que promovam oportunidades de acesso, participação e inclusão real desses segmentos.
É um espaço privilegiado para a divulgação do conhecimento científico e oferece aos
seus visitantes a possibilidade de conhecer e participar dessa produção e, ao mesmo tempo, de
ter acesso aos diferentes aspectos da área da saúde.
Primeiro foram selecionadas peças do acervo de importância histórica ou com
características bastante peculiares. Em seguida, um aparato de feltro serviu como base e fundo
para as fotografias.
Os objetos escolhidos passaram por uma higienização e em seguida foram
fotografados. As imagens foram feitas num equipamento Canon EOS 60D com lentes 2470mm e macro 100mm. Todas as imagens, em alta definição, foram pensadas para serem
exibidas evidenciando detalhes.
Num universo de 200 imagens, foram selecionadas apenas as que ilustravam melhor a
variedade e riqueza do acervo. Então, elas foram distribuídas em pen drives em conjuntos que
seguiram ordem de alternância entre tipologias de acervo.
Na exposição inaugural do “Corredor da Memória” foram utilizadas 110 imagens,
expostas alternadamente em cada monitor: fotos de antigos professores, imagens do prédio
original da Faculdade, medalhas, bustos, quadros, material cirúrgico, documentos, livros,
medicamentos, esculturas, placas etc.
Todas passaram pelo tratamento de imagem no Adobe Photoshop. O fundo foi variado
nas cores preto, verde, vermelho e branco para que as imagens ficassem realçadas na
rotatividade das fotos no monitor.
As imagens gravadas nos pen drives são veiculadas nos televisores fixados nos painéis
de madeira conforme o projeto elaborado pela arquiteta Eneida Lopes Ferreira Guimarães
Ricardo do Departamento de Projetos da UFMG.

232

�Fig. 1 - Perspectiva contida no projeto para o “Corredor da Memória” .

Fig. 2 - Perspectiva contida no projeto para o “Corredor da Memória” .

“ C O R R E D O R DA M E M Ó R IA ” EM FU N CIO N A M EN TO , M A RÇO DE 2014
O público que circula diariamente nas dependências da Faculdade de Medicina foi
estimado em 3.991 pessoas dentre professores efetivos, professores substitutos, funcionários
efetivos, funcionários contratados, funcionários do Hospital das Clínicas, estagiários/menores
da Cruz Vermelha, alunos de graduação e alunos de pós-graduação. Além disso, a Faculdade
oferece, semestralmente cursos de extensão abertos à comunidade externa e de duração

233

�variável, para aperfeiçoamento técnico em assuntos da Saúde. Assim, existe ainda uma
“população flutuante”, variável na faixa de 250 pessoas externas por dia.

Fig. 3 - Estrutura já pronta e primeira exposição sendo exibida.
Fotos: Bruna Carvalho

Fig.4 - Estrutura já pronta e primeira exposição sendo exibida.
Fotos: Bruna Carvalho

234

�4 RESULTADOS PA RCIA IS/FIN A IS
Com a implantação do “Corredor da Memória” o CEMEMOR teve sua visitação
aumentada em 20%, tanto de visitantes espontâneos como de pesquisadores da área da Saúde,
da História, da Museologia e da Arquivologia.
Vale ressaltar que o CEMEMOR encontra-se incluído na Rede de Museus e Espaços
de Ciência e Cultura e vem desenvolvendo projetos e atividades em comum.
Além disso, o acervo bibliográfico de obras raras e preciosas está incluído no Sistema

Pergamum da Biblioteca Universitária da UFMG, tornando o acervo visível.
A programação das exposições do Centro de Memória faz parte das atividades do
Instituto Brasileiro de Museus que promove semestralmente eventos em todos os museus do
Brasil. Desta forma, a programação do “Corredor da Memória”, faz parte da 12a Semana de
Museus, “Museus, coleções criam conexões”, de 12 a 18 de maio de 2014.
Já foram divulgadas duas coleções existentes no acervo do CEMEMOR. A primeira
delas consistiu em expor imagens dos livros raros, de equipamentos médicos, de vidraria, e
documentos manuscritos inéditos.
Na segunda, ao ensejo dos 50 anos da implantação doa Regime Militar no Brasil,
foram expostas as imagens da invasão da Faculdade de Medicina pelo exército e a depredação
resultante dessa violação da autonomia universitária.

PR IM E IR A EX PO SIÇ Ã O : A CERV O C EN TR O DE M EM Ó R IA
O Corredor da Memória, em sua primeira exposição de fotografias, exibiu parte do
diverso acervo tridimensional, documental, bibliográfico e fotográfico do CEMEMOR. Entre
as imagens, os transeuntes conheceram amostras de instrumentos cirúrgicos, caixas de
agulhas, antigos vidros de remédios, bustos de personalidades da política e da Medicina,
porcelanas e livros comemorativos da Faculdade de Medicina, negativos e agulhas de vidro,
aparelhos médicos, móveis, esculturas, quadros, livros raros, documentos e fotografias
antigas. Esses objetos foram doados ao Centro de Memória ao longo de seus 37 anos de
existência.
As fotografias foram produzidas para exposição nas próprias salas do museu, a partir
do recebimento de equipamentos fotográficos, incluindo objetivas especiais e fundo infinito.
Foram ao todo 110 fotografias em alta definição - sendo exibidas 22 em cada televisor.

235

�Fig. 5 - Fotos exibidas na primeira exposição.
Fotos: Bruna Carvalho

236

�Fig. 6 - Fotos exibidas na primeira exposição.
Fotos: Bruna Carvalho

A SEGUNDA EX PO SIÇ Ã O DO P R O JE T O “ C O R R E D O R DA M E M Ó R IA ” F O I UMA
EX PO SIÇ Ã O TEM Á TIC A PARA LEM B R A R O G O LPE DE 1964
O projeto “Corredor da Memória” inaugurou no dia 31 de março de 2014 a exposição:
“Engajamento político e resistência à Ditadura Militar na Faculdade de Medicina” . O que
motivou a mostra foi o fato de completar-se 50 anos desde a deflagração do golpe de estado,
ocorrido em 31 de março de 1964, que conduziu o Brasil a uma ditadura.
Este significativo evento do passado brasileiro compôs também a história da
Faculdade de Medicina, na medida em que os estudantes, assim como a diretoria da
Faculdade, se posicionaram diante da situação política daquele momento.
A Faculdade, notadamente o movimento estudantil, demonstrou seu engajamento e
força política na conjuntura estabelecida a partir do golpe. De acordo com Pedroso (2012, p.
852):

Os estudantes brasileiros, comprometidos com a liberdade, engajaram-se na
luta diuturna, na politização da juventude, derramando por este país os
anseios e sonhos de geração que se qualificaria, ao longo do tempo, como
dos principais focos de resistência, oposição clara e enfrentamento físico
contra forças opressoras que tentavam silenciar a nossa gente com ameaças,
prisões, torturas e morte de inúmeros jovens (estudantes, operários,
camponeses, artistas, intelectuais, etc.), que a cada dia se multiplicavam
pelos quatro cantos deste Brasil.
A exposição foi composta por fotos que pertenciam à documentação, feita a época,
pelas forças da repressão. As imagens mostram a situação em que ficou a Faculdade de
Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais nos dias 3 e 4 de maio de 1968:
pichações, móveis servindo de barricada, vidraçaria quebrada, instrumentos médico-

237

�científicos danificados. Estes registros fazem parte de um álbum do acervo do Centro de
Memória da Faculdade de Medicina.
A montagem da exposição contou com pesquisa histórica na documentação da
Secretaria de Estado da Segurança Pública, presente no CEMEMOR, que consiste no laudo
realizado pelos peritos do Departamento de Polícia Técnica a respeito do ocorrido. A
abordagem do acontecimento teve por base a leitura do livro “Centenário da Faculdade de
Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG: 1911-2011”, lançado em 2012.
A partir do estudo foi elaborado um pequeno texto de apresentação à exposição que
incluía informações básicas sobre o tema e que aponta para uma análise crítica dos fatos. O
texto foi disposto no painel onde ficam os telões, de forma que o público possa,
primeiramente, ler o texto e depois observar as fotografias.
A iniciativa de expor esse tipo de material parte de um reconhecimento do valor
histórico inerente ao acervo do Centro de Memória e da necessidade de torná-lo conhecido. A
mostra contribui para externar o acervo, divulgar a história da Faculdade, despertar o público
em geral e comunidade acadêmica para uma reflexão sobre passado e presente, além do
conhecimento da relação entre ciência e sociedade.

Fig. 7 - Páginas do álbum feito na perícia referente às depreciações no Edifício Central da
Faculdade de Medicina, aos 3 e 4 de maio de 1968, exibidas nos televisores.

238

�5 CO N SID ERA ÇÕ ES PA R CIA IS/FIN A IS
A criação do “Corredor da Memória” foi fundamental para divulgar o CEMEMOR e
incentivar a visitação do público, seja ele composto de pesquisadores ou de curiosos. Tem
sido muito gratificante receber comentários do tipo: “aqui encontramos material não
disponível em outros acervos” .
Por último, mas não menos importante, as imagens projetadas nos telões, além de
instigar a busca pelo conhecimento, pode incentivar a visitação de outros espaços do Centro
de Memória, como a Galeria Luis Gomes Ferreyra, que possui a exposição “Nas Veias da
Memória: alguma história da Medicina” e a exposição do corredor interno com as peças de
anatomia patológica.
A visita a esta exposição ressalta um problema fundamental da área da saúde no
Brasil. Nos grotões e nas menores cidades do interior de Minas e do Brasil, a população não
tem acesso aos avanços tecnológicos da Medicina. Ainda é preciso saber ver, ouvir, apalpar,
sentir, cheirar e identificar sinais que o paciente manifesta. Ou seja, apesar de vivermos num
século voltado para a modernização tecnológica, é preciso, também, conhecer e praticar a
medicina tradicional na qualo médico, e não os aparelhos, continua sendo fundamental para o
tratamento do doente.

R EFER ÊN C IA S
ALBAGLI, Sarita. Divulgação científica: divulgação para a cidadania. Ci. Inf., Brasília, v. 25,
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240

�</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O "Corredor da Memória" é um projeto do Centro de Memória da Medicina que tem como principal objetivo externar imagens do acervo científico da área da Saúde para o público frequentador do Campus Saúde da UFMG. Com o recurso de cinco telões posicionados ao longo dos 27 metros lineares de corredor, as potencialidades de divulgação são multiplicadas, pois as mostras acompanham demandas internas de pesquisadores, comemoram e celebram datas importantes da Faculdade, evidenciam personalidades científicas e temas de pesquisa.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ORGANIZAÇÃO DA BIBLIOTECA DO ACERVO HISTÓRICO DO CENTRO DE
MEMÓRIA DA MEDICINA - CEMEMOR
Ethel Mizrahy Cuperschmid
Elza Helena de Almeida Hugo
Carla Cristina Vieira de Oliveira
Angélica Siqueira de Castro
Sarah Campos Cardoso
Maria do Carmo Salazar Martina
RESUMO
Descreve-se o trabalho de organização do acervo antigo e de obras preciosas e/ou raras da
Biblioteca do CEMEMOR - Centro de Memória de Medicina de Minas Gerais, sediado na
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. São descritos os padrões de
seleção das obras e critérios de raridade para a coleção bem como os avanços em sua
organização, o que vêm garantindo a divulgação e o acesso à literatura médica para os
profissionais da área da saúde em específico e toda a comunidade em geral.
Palavras-chave: Obra rara; Biblioteca de Medicina; Organização de Acervo; História da
Medicina
ABSTRACT
Describes the work of organizing the old collection of rare and precious works books of the
Library of CEMEMOR - Memory Center of Medicine of Minas Gerais, located at the Faculty
of Medicine, Federal University of Minas Gerais. Standards and criteria for selection of the
works of rarity for the collection as well as advances in its organization, ensuring access to
medical literature for professionals in the health area in particular and all community at large.
Keywords: Rare books,
Medicine

Library of Medicine, Collection Organization,

History of

1 INTRODUÇÃO
Os Centros de Memória surgiram no Brasil na década de 70, quando as instituições
públicas e privadas sentiram a necessidade de preservação da “memória institucional". As
universidades, detentoras de grandes acervos bibliográficos, saíram na frente, estimuladas que
foram pelo próprio MEC, que recomendava a preservação e organização dos acervos
documentais brasileiros. Reunindo fontes originais de pesquisa, baseados em determinados

3385

�assuntos ou criados em torno de temas específicos, estes Centros de Memória e/ou
Documentação tornaram-se característicos das universidades brasileiras, objetivando a
preservação do patrimônio bibliográfico e arquivístico, e em alguns casos, até parte do
museológico.
Segundo Camargo (1999, p.50), os Centros de Memória:

[...] apresentam como característica fundamental a proposta de trabalho que
envolve a reunião, a preservação e a organização de arquivos e coleções
(geralmente compostos de documentos originais, as “fontes primárias”) e de
conjuntos documentais diversos (de natureza bibliográfica ou arquivística,
originais ou cópias) reunidos sob o critério do valor histórico e informativo,
em torno de temas ou de períodos da história. Trabalha-se, portanto, com
informação especializada.

Neste sentido, o CEMEMOR, Centro de Memória da Medicina de Minas Gerais, foi
inaugurado em 1977 e formalizado pela Resolução 02/79 do Conselho Departamental da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, em 12 de junho de 1979.
Também oferece a disciplina História da Medicina semestralmente desde 1978, como
optativa, aberta a estudantes, docentes, funcionários, e demais interessados.
Seus coordenadores foram: Prof. João Amílcar Salgado (idealizador e ainda membro
atuante do CEMEMOR, cujos esforços proporcionaram a formação de grande parte do acervo
existente), Prof. Luiz Cisalpino Carneiro, Prof. Ronaldo Simões Coelho e Prof. Sebastião
Natanael Silva Gusmão e Prof. Ajax Pinto Ferreira.
O CEMEMOR ocupa uma área nobre do 1° andar da Faculdade de Medicina da
UFMG, distribuído num conjunto de 8 salas, denominadas salas Borges da Costa, Clóvis
Salgado, Ezequiel Dias, Guimarães Rosa, Baeta Viana, Samuel Libânio, Adelmo Lodi, e
Biblioteca Dermatológica Prof. Oswaldo Costa.
O CEMEMOR possui ainda o Horto Frei Veloso (Campus Saúde da UFMG), que se
destina ao plantio de ervas medicinais e ao estudo da farmacopéia natural tradicional, e
funciona no prédio anexo à Faculdade de Medicina, aos fundos da Biblioteca J. Baeta Vianna.
O Centro de Memória possui, pela variedade de seu acervo, características ao mesmo
tempo de:
•

Museu (objetos tridimensionais tais como: instrumentos médico-cirúrgicos,

móveis,

peças de vestuário, quadros, esculturas, etc.);
•

Biblioteca (livros, teses, folhetos, periódicos, separatas);

•

Arquivo (documentos diversos, fotografias e convites de formatura de ex-alunos, fotos
históricas, correspondências, etc.).

3386

�O CEMEMOR apesar de deter em seu espaço físico um acervo tão valioso, possui
uma infra-estrutura muito aquém do necessário para uma correta salvaguarda, pesquisa,
segurança e correta conservação dos exemplares que dispõe. Não conta com nenhum sistema
de iluminação ou ventilação adequadas e nenhum sistema de segurança para o acervo.
É interessante observar que a Resolução 02/79 não estabelecia a criação de uma
Biblioteca e nem de um Arquivo. No entanto, estas coleções passaram a ser os maiores
atrativos do CEMEMOR, seja pela raridade de seus exemplares, seja pela importância de seus
doadores.
O acervo bibliográfico está constituído de, aproximadamente, 15.000 exemplares entre
livros, teses, periódicos e folhetos. Nele podemos encontrar obras raras e preciosas, e será
doravante denominado acervo histórico.
Grande parte destas obras é do século XIX, quando a comunicação científica médica
era basicamente publicada em francês e alemão.
O acervo do CEMEMOR foi formado, desde sua inauguração em 1977,
principalmente, de doações de professores e profissionais egressos dos cursos, muitos destes
de reconhecimento internacional cujas obras doadas tornaram-se raras, quer seja pela
relevância do conhecimento comunicado, pela data de publicação das obras, ou devido à
magnitude de seu proprietário e doador, tais como: Oswaldo Costa, Miguel Couto,
Washington Pires, Eduardo Borges da Costa, Baeta Vianna, Pedro Nava, Mário Hugo
Ladeira, entre outros, o que justifica, sobretudo, a preservação, a difusão e a divulgação do
acervo.
Doações chegavam, a todo momento, de colaboradores do Centro de Memória, de
entusiastas da história e da ciência médica, de familiares de médicos falecidos, etc.
De acordo com Fontanelli (2005, p.14),
[...] a missão do centro de memória e a função que os documentos
preservados e organizados representam são questões fundamentais a se levar
em conta durante o processo de constituição do setor, para que as atividades
e o valor atribuído aos documentos ou mesmo sua missão não sejam
desvirtuados.

É importante registrar que o CEMEMOR quando criado, não tinha definido a sua
abrangência ou “campo de atuação”. Ou seja, não se estabelecia, até então, se a memória a ser
resguardada seria apenas a da Faculdade de Medicina, ou a história da medicina de Minas
Gerais, ou a história da medicina no Brasil ou no mundo.

3387

�Neste sentido, a falta de uma política de seleção pré-estabelecida e sem critérios de
limite histórico, propiciou o recebimento de obras de todas as áreas do conhecimento e de
todas as datas, gerando um volume enorme de exemplares em duplicatas e de obras sem
interesse ou relevância para o CEMEMOR. Este artigo é baseado em monografia de 2010 que
descreve a trajetória da organização do acervo bibliográfico na instituição (HUGO,2010).

2 REVISÃO DA LITERATURA
Os Centros de Memória centram-se em modos distintos do eixo memória-nação de
construção da relação entre memória e história. Os Centros de Memória de memória de
empresas ou mesmo universitários tomam a iniciativa de preservar sua memória como
história, como imortalização e como legitimação. Segundo Fonseca (2013, p.17) Por este
motivo reúnem acervos relacionados a elas mesmas para direcionar leituras acerca de suas
próprias trajetórias e de seus sujeitos ao longo do tempo. O foco central abrange a
organização ou reorganização de memórias individuais e coletivas, o reforço de identidades, a
preservação de espaços coletivos e legados culturais.
Considera-se Patrimônio cultural o conjunto de produções tangíveis e intangíveis do
ser humano e seus contextos sociais e naturais que constituem objeto de interesse a ser
preservado para futuras gerações. Já o Patrimônio Cultural Científico inclui o conhecimento
científico e tecnológico produzido pelo homem que são testemunhos dos processos científicos
e do desenvolvimento tecnológico. No Brasil, este Patrimônio tangível encontra-se nas
Universidades e parte dele ainda está por ser “descoberto”.
Os Centros de Memória criados em muitas universidades brasileiras desde a década de
1970, já se tornaram um fenômeno comum ao ambiente universitário. Em geral é um espaço
institucional propício ao trabalho interdisciplinar. Segundo Camargo (1999, p.50), sua
proposta de trabalho envolve a reunião, a preservação e a organização de arquivos e coleções,
bem como a de conjuntos documentais diversos reunidos sob o critério do valor histórico e
informativo, em torno de temas ou períodos da história.
Estes Centros são lugares de memória e funcionam como receptáculos e difusores de
conhecimento e informação, ou seja, espera-se que eles sejam capazes de acionar mecanismos
de reavivamento da memória voltada ao ensino, pesquisa e extensão.
Em sua missão de preservar o Patrimônio e os bens culturais, o CEMEMOR percebeu
a importância de definir a raridade e a preciosidade das obras bibliográficas de seu acervo.
Com esta medida, torna-se possível democratizar o acesso e promover a transformação do
conhecimento do público, uma vez que ele terá acesso à informação especializada.

3388

�A definição de raridade de um livro depende de diversos fatores, como por exemplo, o
material usado em sua confecção, a primeira edição, a importância histórica, indicações de
propriedade, entre outros. Apenas a antiguidade de uma obra não caracteriza a sua raridade. A
raridade ou preciosidade de uma obra é determinada por sua procura e por particularidades
inerentes a cada exemplar.
No Brasil existem controvérsias entre bibliotecários, curadores e bibliófilos quanto ao
significado de uma obra rara, o que faz com que cada instituição elabore seus próprios
critérios, a maioria das vezes baseados nas experiências de outras instituições, e na
determinação de raridade adotada pela Biblioteca Nacional, localizada no Rio de Janeiro.
O valor de um livro antigo depende do estado em que se encontra, da encadernação
que possui ou de alguma particularidade que o exemplar apresenta, ou seja, nem todos os
exemplares de uma obra rara valem o mesmo preço. A procedência de um livro é muito
importante para avaliá-lo, bem como uma assinatura, um ex-libris, uma anotação feita por um
livreiro ou leiloeiro, o tipo de encadernação, etc.
O valor de mercado ou a dificuldade de localização de uma obra não é o principal fator
para se considerar uma obra como rara, mas sim o seu conteúdo e a importância histórica do
mesmo.
Para se elaborar critérios, deve-se estabelecer uma metodologia de pesquisa
bibliográfica em catálogos on-line, dicionários e outras obras de referências especializadas,
levando-se em conta a historicidade da obra e observando o contexto no qual a obra está
inserida.
A análise desses critérios deve ser realizada, no mínimo, sob uma das
seguintes perspectivas: a) a do bibliotecário, em face de um acervo
considerado antigo; b) a do gerente da instituição, perante um acervo que
desconhece e considera “valioso”, por constituir parte da história da
instituição; e c) a do usuário, que sintetiza as perspectivas anteriores.
(PINHEIRO, 1989, p.21).

Baseado nas recomendações da Biblioteca Nacional e na literatura disponível, decidiuse estabelecer alguns critérios de raridade para uma primeira triagem no acervo histórico do
CEMEMOR.
•

Definição do limite histórico: foram consideradas todas as obras médicas editadas no
Brasil até 1900, todas as obras estrangeiras dos séculos XVI, XVII e XVIII, e as obras
do século XIX selecionadas por especialistas da área;

•

Observação dos aspectos bibliológicos: foram observadas as edições luxuosas, os
suportes de impressão, as ilustrações e beleza tipográfica, as obras manuscritas, os

3389

�volumes produzidos artesanalmente, etc.;
•

Observação do valor cultural da obra: foram analisados os aspectos da memória
institucional e autores renomados, as primeiras edições e tiragens limitadas, os facsimilares, as edições esgotadas e/ou censuradas, as coleções especiais e edições
populares, as obras cientificas que datam do período inicial de ascensão da ciência
médica, memórias históricas de famílias nobres e usos e costumes, edições de
clássicos, etc.;

•

Características do exemplar: foram avaliadas as marcas de propriedade, os ex-libris, as
dedicatórias,

as

assinaturas

de personalidades

ou

professores

ilustres,

de

encadernadores, comerciantes ou livreiros, restauradores, anotações na obra, etc;
•

Pesquisa bibliográfica: foram feitas consultas a especialistas da área médica que
apontaram características das obras tais como unicidade, relevância e raridade e
pesquisa em sites que disponibilizam coleções de obras raras tais como a Biblioteca
Nacional, Biblioteca de Manguinhos, Biblioteca Nacional da França, National Library
o f Medicine e Library o f Congress.
A Biblioteca Nacional estende o conceito de obra rara para livros publicados no Brasil

até a data de 1841. No entanto, partindo do princípio de se tratar de obras específicas da área
médica, achou-se por bem definir no CEMEMOR todas as obras publicadas no Brasil no
século XIX como obras raras e/ou preciosas.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O Centro de Memória, quando fundado, possuía a função original de organização de
informações e atualmente ele passou a exercer também uma atividade de preservação e de
organização de fontes originais de pesquisa.
Uma particularidade do CEMEMOR é aproximar fonte de informação e pesquisa do
interessado, seja ele aluno, professor, curioso ou pesquisador. Também tem como missão a
guarda de fontes documentais produzidas pelo poder público que estão em risco de se perder
ou prestes a ser danificadas e torna-las acessíveis á consulta pública.
Castelfranchi (2010, p.14-15) afirma que “a ciência, assim como a arte, a filosofia, a
religião, o esporte, é uma parte importante de nossa cultura, que os cidadãos têm direito de
usufruir e apreciar”.
Recuperar, organizar, dar a conhecer a memória da empresa não é juntar em álbuns
velhas fotografias amareladas, papéis envelhecidos. É usá-la a favor do futuro da organização
e seus objetivos presentes (NASSAR, 2004).

3390

�Conforme muito bem traduz Worcman (2004), “a memória tampouco é um depósito
de tudo o que nos aconteceu. A memória é, por excelência, seletiva”.
O CEMEMOR acumulou durante mais de 30 anos de existência, uma quantidade de
livros, periódicos, documentos, instrumentos cirúrgicos, quadros, fotos e objetos diversos de
inestimável valor histórico, que se encontravam armazenados e resguardados dos usuários,
sem tratamento e conhecimento da comunidade.
O primeiro passo no sentido de organizar esse material e assim poder disponibilizá-los
para consulta e pesquisa, foi a implementação de uma organização baseada na seleção,
inventário, conhecimento e conservação do acervo.
Segundo Mambro (2012, p.5), o acervo de um Centro de Memória é constituído pelas
seguintes modalidades de documentos/informações:
• Arquivo Institucional composto de documentos arquivísticos da instituição ou de um
setor da instituição;
• Arquivo Informacional composto de informações sobre a produção científica da área;
• Acervos Recolhidos que podem ser de natureza arquivística, bibliográfica ou coleções
documentais diversas.
A organização do “acervo histórico” do CEMEMOR por meio do tratamento técnico
constituído pela descrição física, do conteúdo e registro do patrimônio utilizando sistemas de
bases de dados a serem definidos posteriormente, constituir-se-á em mais uma fonte de
informação, sendo imprescindível para:
•

A visibilidade global do acervo existente no Centro de Memória;

•

A disponibilização das informações do acervo total na WEB para acesso amplo e
irrestrito;

•

A pesquisa histórica e comparativa do desenvolvimento das ciências médicas
registradas cronologicamente no acervo bibliográfico.
Para que o Centro de Memória cumpra a sua finalidade, necessário se faz que a

organização de seu acervo, a preservação das fontes documentais, a acessibilidade aos
exemplares raros e preciosos e a disponibilidade das informações neles contidas sejam
garantidas.
Estas obras encontram-se ainda ausentes de qualquer catálogo on line da Instituição,
armazenadas, com acesso restrito ao público, o que justifica sua imediata organização. A
coleção de obras raras é considerada prioridade. As obras preciosas do acervo histórico serão
trabalhadas na sequência.

3391

�O objetivo da ação da equipe do CEMEMOR é organizar o acervo bibliográfico
histórico no sentido de restaurar, preservar e conservar um patrimônio científico universitário
que é público, garantindo o acesso à literatura médica para os profissionais da área da saúde
em específico, e toda a comunidade em geral.
As etapas deste processo são:
•

Selecionar o acervo bibliográfico por área, assunto, data, autor, título etc;

•

Acondicionar a coleção em local seguro e em ambiente adequado;

•

Inventariar as obras;

•

Salvaguardar as obras já em processo de deteriorização;

•

Analisar a coleção identificada, destacando-se seu valor e raridade;

•

Estabelecer uma política para definição de obras preciosas e/ou raras;

•

Identificar as obras preciosas e/ou raras, através de apoio bibliográfico e experiência
da equipe;

•

Patrimoniar e agregar valor a esta coleção;

•

Viabilizar a restauração e higienização técnica das obras;

•

Proporcionar o tratamento técnico deste acervo, utilizando padrões nacionais e/ou
internacionais de catalogação, indexação e classificação;

•

Incluir a coleção no sistema Pergamum da UFMG;

•

Elaborar catálogo de obras preciosas e/ou raras; e

•

Promover a divulgação da coleção e valorização da Biblioteca.

A primeira etapa do trabalho foi concentrar, num mesmo espaço físico, toda a coleção
bibliográfica que estava armazenada em diferentes locais, pois os mesmos eram totalmente
inadequados. Nesta etapa foram selecionados:
•

Livros e periódicos médicos separados por especialidade;

•

Livros de outras áreas (direito, religião, geografia, gramáticas, história, etc.);

•

Periódicos de assuntos diversos;

•

Obras de referência (dicionários, enciclopédias, etc.);

•

Obras de literatura, etc.
Em seguida, devido a obras no espaço da biblioteca, as obras foram retiradas do local

e passaram por uma segunda seleção. Neste estágio foram separadas as obras em duplicidade
do acervo histórico do CEMEMOR, em duplicidade com o Sistema Pergamum da UFMG e
aquelas que se encontravam fora do corte cronológico estabelecido (até dezembro de 1959).

3392

�Desta forma, de setembro de 2012 a janeiro de 2014, 2.222 exemplares foram
acomodados em 126 caixas de tamanhos variados:
•

Em duplicidade com o Sistema de Bibliotecas foram preenchidas 74 caixas,
totalizando 1.153 obras;

•

Em duplicidade com o acervo do CEMEMOR foram 13 caixas com 236 livros;

•

Fora do corte foram encontrados 630 livros que perfizeram 34 caixas;

•

Fora do corte e em duplicata - tanto no CEMEMOR quanto no Sistema de Bibliotecas
- foram encontrados 200 livros que ocuparam 5 caixas.
Estas 126 caixas encontram-se na Galeria Antônio Gomide, cada uma contendo a

listagem com referência, número do acervo - no Sistema de Biblioteca - e observações gerais
como a sua condição material, marca de propriedade, dedicatória dentre outros.
Este universo de 2.222 exemplares passará por uma comissão de avaliação e seleção,
posteriormente o que não estiver de acordo com a política de desenvolvimento do acervo do
CEMEMOR será encaminhada para outras bibliotecas e centros de memória da medicina no
Brasil na modalidade de doação.
Esta etapa, que incluiu a avaliação da coleção e permitiu a constatação esta era
demasiada numerosa, uma vez que havia muitas duplicatas que podiam e deviam ser
encaminhadas para outras instituições. Assim, a identificação e o conhecimento da coleção
foram fundamentais para a racionalização do acervo, conforme a missão do CEMEMOR.
A seleção das obras que irão compor o acervo histórico da biblioteca do CEMEMOR,
também foram avaliados as assinaturas, as dedicatórias, aquelas em melhor estado de
conservação, ou com qualquer outra característica de destaque, como ex-libris.
A etapa de limpeza do acervo foi de fundamental importância, devido às péssimas
condições de conservação. As coleções foram higienizadas manualmente, usando o aspirador
Rainbow - filtragem das sujidades do ar e dos livros por meio de turbilhonamento,
proporcionando uma limpeza mais eficiente, acomodando as sujeiras na água.
Depois de higienizados e acomodados em estantes de aço os livros de encadernação de
couro receberam o tratamento com a cera CR 185 Leather dressing, e foram revestidos com
lombadas de Poliéster para receberem a etiqueta de localização na estante. Foram usadas as
Etiquetas 0080 - 252959 PIMACO transparentes 25,4 x 66,7, para se preservar ao máximo as
características das encadernações das obras.
Os livros de brochura foram tratados de maneira diferenciada, só higienizados com o
aspirador e revestidos em sua totalidade com jaquetas confeccionadas de Poliéster tipo cristal

3393

�401 - (75 mil / larg. 1,00m - comp. 50m / 76mm / Op.8465). Também receberam etiquetas de
localização na lombada.
No início de 2014, em limpeza semestral terceirizada, foram localizados traços de
insetos xilofágicos. Foi solicitada a consultoria de bibliotecária especializada em conservação
e restauro de obras raras que passou recomendação específica de limpeza, acomodação e
quarentena das obras. Assim, as obras serão novamente avaliadas antes de retornarem às
estantes.
A terceira etapa foi o inventário das obras, feito em arquivo/planilha Excel, constando
os dados técnicos da obra (referência bibliográfica) e características especiais como
dedicatórias, assinaturas, carimbos, etc.
A decisão tomada para o andamento desta etapa foi a de mantermos na coleção apenas
as obras médicas, observando-se o limite histórico da década de 50 (sujeito a alterações
futuras). Foram listados os livros dos séculos 18, 19 e início do século 20 até 1959.
Exemplo:
OBSERVAÇÕES

ÍTEM

ANO

DESCRIÇÃO

1835

TAVERNIER, A. Manuel de clinique chirugicale. Obra para reparo.
Deuxième édition. Paris: Libraire de Deville Cavellin. Encadernada. Doação 1
549p.
de Washington Pires.

A organização dos livros constituiu-se basicamente do armazenamento cronológico
dos mesmos nas estantes. As etiquetas receberam a seguinte identificação:

1887
LATTEUX
(Patologia Clínica)

(ano de publicação da obra)
(sobrenome do autor)
(especialidade)

Após o término do inventário de cada especialidade médica, foi feita a divulgação da
mesma na página do CEMEMOR http://www.medicina.ufmg.br/cememor/, link Material
Didático / Acervo, para que a comunidade acadêmica e demais interessados pudessem
acompanhar o andamento dos trabalhos.
O processo de organização do acervo do CEMEMOR foi minucioso e desafiador
devido à precariedade e às condições escassas em que foi realizado, mas procurou-se observar
métodos e técnicas da ciência da informação e aplicou-se a todo o momento o bom senso e o
estabelecimento da promoção da conservação, guarda e preservação, acesso e proteção do
acervo.

3394

�A partir de 2012 as obras raras começaram a ser inseridas no Sistema Pergamum Sistema Integrado de Bibliotecas. Trata-se de um sistema informatizado de gerenciamento de
dados que utiliza o formato MARC 21, direcionado aos diversos tipos de Centros de
Informação. O Sistema contempla as principais funções de uma Biblioteca, funcionando de
forma integrada da aquisição ao empréstimo, com o objetivo de facilitar a gestão dos centros
de informação, melhorando a rotina diária com os seus usuários. Tem como principal objetivo
aproveitar as ideias de cada Instituição a fim de mantê-lo atualizado e atuante no mercado,
tornando-o capaz de gerenciar qualquer tipo de documento. Desta forma, o acervo estará mais
acessível para o pesquisador e será acessado de qualquer lugar do mundo, atingindo um
público mais amplo do que aquele da página do CEMEMOR.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Hoje, os Centros de Memória assumem o papel de centros de referência para
estudantes e pesquisadores que buscam conhecer a cultura e a história de determinada
localidade ou de determinada área.
Portanto, estes centros devem estabelecer uma política de preservação de seus acervos
históricos, tornando-os acessíveis ao público de maneira eficaz e responsável, garantindo a
memória da instituição. Devem fazer com que, por meio dessa documentação preservada,
desenvolvam-se pesquisas que tragam benefícios para o futuro resgatando-se elementos
culturais do passado.
Desde 2007, quando os esforços para a revitalização do CEMEMOR iniciaram, já
contamos com equipe formada de historiador, pesquisador e bibliotecário. Conforme os
projetos aprovados em editais há um número flutuante de estagiários de diversas áreas do
conhecimento - História, Letras, Museologia, Conservação e Restauro, Arquivologia.
Também contamos com pesquisador voluntário desde 2009 e atividade de especialista da área
de Ciência da Informação durante um ano - 2012.
O CEMEMOR faz parte da Rede de Museus e Espaços de Ciência e Cultura da
UFMG, composta de 17 espaços, dentre museus e centros de memória. Espera-se que ao
participar de um grupo que pretende discutir, estabelecer normas e procedimentos e promover
o patrimônio científico universitário, o CEMEMOR se beneficie de acordos firmados entre a
Rede e cursos regulares de graduação como Conservação e Restauro, Ciência da Informação,
Arquivologia e Museologia.
Entre 2008 e 2009 foram feitos estudos para a inclusão do acervo no sistema PHL Personal Home Library. Este sistema é uma aplicação Web especialmente desenvolvida para

3395

�administração de coleções e serviços de bibliotecas e centros de informações.
Foi concebido como uma alternativa moderna e eficiente às bibliotecas e usuários com poucos
recursos (financeiro e de pessoal) e que pretendem organizar suas coleções, automatizar
rotinas e serviços e/ou disponibilizar e compartilhar seus catálogos através da Web. Esta
alternativa não funcionou por motivo de falta de assistência do fornecedor. Entretanto, desde
março de 2012, a Biblioteca CEMEMOR participa do sistema Pergamum.
Através de um acordo com o então diretor da Faculdade de Farmácia, prof. Lauro
Mello, a bibliotecária Simone Aparecida dos Santos, trabalhou uma vez por semana na
catalogação das obras raras. Apesar da complexidade desta atividade foram catalogados 81
títulos. Assim, as obras raras passaram a ser visíveis no catálogo via pesquisa. Ficou
estabelecido que o acervo não será emprestado, haverá apenas consulta local. As obras não
terão número de patrimônio da Biblioteca Universitária, utilizarão o código de registro não
patrimoniável.
Vale ressaltar que o CEMEMOR depois de 6 anos de esforços conseguiu para o seu
quadro

permanente

um

funcionário

do

quadro

da

UFMG,

no

cargo

bibliotecário/documentalista.
Ao finalizar o trabalho de seleção e formação da coleção de obras preciosas e/ou raras
da Biblioteca do CEMEMOR da UFMG espera-se contribuir para a valorização do livro raro,
criar uma memória institucional e local da área médica, e buscar a preservação deste
conhecimento para as gerações futuras. Acervos raros devem ser usados como fonte de
pesquisa para gerar novas informações, pois informações antigas, transportadas para uma
nova geração e inseridas no cotidiano de uma realidade existente no presente, servem de base
para a criação de informações futuras.
O Centro de Memória deverá se empenhar em tornar-se um centro de referência de
pesquisa da área médica, em parceria com os demais espaços de formação desta Faculdade,
em especial com a Biblioteca J.Baeta Vianna e em consonância com a vocação que esta
instituição pública vem desenvolvendo desde o início de suas atividades.

REFERÊNCIAS
BIBLIOTECA NACIONAL. (Brasil) PLANOR. Critérios de raridade empregados para a
qualificação
de
obras
raras.
Disponível
em:
&lt;http://www.bn.br/planor/
documentos/criterioraridadedioraplanor.doc&gt;. Acesso em fev. 2014
CASTELFRANCHI, Yurij. Por que comunicar temas de ciência e tecnologia ao público?
(Muitas respostas óbvias... mais uma necessária). In: Jornalismo e ciência: uma perspectiva
ibero-americana.

3396

�Rio de Janeiro: Museu da Vida, Casa Oswaldo Cruz, Fiocruz, 2010. p. 13-21. Disponível em:
http://www.museudavida.fiocruz.br/media/Livro%20NEDC%20web.pdf Acesso em maio de
2014.
CAMARGO, Célia R. Os Centros de documentação das universidades: tendências e
perspectivas. In: SILVA, Zélia Lopes da (org). Arquivos, patrimônio e memória:
trajetórias e perspectivas. São Paulo: Ed. UNESP/FAPESP: 1999. p.49-63.
FONSECA, Thais Nívea de Lima e. História, Memória e Documento. In: LINHALES, Meili
Assbú; NASCIMENTO, Adalso (org). Organizando arquivos, produzindo nexos:
experiência de um Centro de Memória. Belo Horizonte, MG: Traço Fino, 2013. p 15-22.
FONTANELLI, Silvana Aparecida. Centro de Memória e Ciência da Informação: uma
interação necessária. 2005. 106f. Trabalho de conclusão de curso (TCC) apresentado ao
Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
HUGO, Elza Helena de Almeida. A trajetória da organização do acervo histórico do
Centro de Memória da Medicina de Minas Gerais. 2010.

64 f. Monografia. Belo

Horizonte: Faculdades Integradas de Jacarepaguá, 2010.
LINHALES, Meili Assbú ; NASCIMENTO, Adalso (org). Organizando arquivos,
produzindo nexos: experiência de um Centro de Memória. Belo Horizonte, MG: Traço Fino,
2013. 200p.
MAMBRO, Galba Di. Centro de Documentação e Memória. Juiz de Fora : Universidade
Federal de Juiz de Fora, Instituto de Ciências Humanas, Departamento de História, março de
2012. 7p.
NASSAR, Paulo. Sem memória, o futuro fica suspenso no ar. In NASSAR, Paulo, (org).
Memória de empresa: história e comunicação de mãos dadas, a construir o futuro das
organizações. São Paulo: Aberje, 2004.pp 15-22.
PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz. Que é livro raro? : uma metodologia para o
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&lt;http://www.elysio.com.br/&gt;Acesso em 09/05/2014

WORCMAN, Karen. Memória do futuro: um desafio. In: NASSAR, P. (Org.). Memória de
empresa: história e comunicação de mãos dadas, a construir o futuro das organizações. São
Paulo: ABERJ Editorial, 2004, p. 23-30.

3397

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Descreve-se o trabalho de organização do acervo antigo e de obras preciosas e/ou raras da Biblioteca do CEMEMOR – Centro de Memória de Medicina de Minas Gerais, sediado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. São descritos os padrões de seleção das obras e critérios de raridade para a coleção bem como os avanços em sua organização, o que vêm garantindo a divulgação e o acesso à literatura médica para os profissionais da área da saúde em específico e toda a comunidade em geral. </text>
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/62/6565/SNBU2014_051.pdf</src>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE COM FOCO NA AUTONOMIA - A participação da Biblioteca
Universitária e da tecnologia assistiva na formação da pessoa com deficiência

Regina França Cutrim
Joseana Costa Lemos

RESUMO
Aspectos psicossociais da acessibilidade. Tecnologia assistiva e a autonomia da pessoa com
deficiência. Filosofia do desenho universal. O papel da biblioteca universitária na formação
da pessoa com deficiência. Responsabilidade da universidade na formação profissional.
Biblioteca Universitária como atuante na formação acadêmica da pessoa com deficiência a
partir da utilização de recursos da tecnologia assistiva. Sentimento de autonomia no fazer
universidade, profissionais mais seguros de seu potencial no mercado de trabalho.
Fundamentando-se em autores como FREGOLENTE, NASCIMENTO, DAMASCENO E
GALVÃO FILHO, LIMA e na NBR 9050 tem-se um diagnóstico pouco favorável a situação
atual das bibliotecas que compõe o Núcleo Integrado de Bibliotecas - NIB na cidade de São
Luís-MA, ou seja, Biblioteca Central, Biblioteca do Laboratório de Hidro-Biologia Labohidro, Biblioteca do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia - CCET, Biblioteca do
Centro de Ciências Sociais - CCSo, Biblioteca do Centro Ciências Humanos - CCH e
Biblioteca do Colégio Universitário - Colun; haja vista que verificou-se que ainda existem
várias falhas no tocante a acessibilidade estrutural predial, que constituem recomendações ou
necessidades básicas da pessoa com deficiência. Partindo das fundamentações teóricas e
seguindo para as visitas in loco contatou-se a realidade das unidades em foco. O registro das
imagens corrobora os problemas. Ainda é necessário ultrapassar barreiras de acesso físico
para que passemos ao investimento em tecnologia assistiva, e na formação de profissionais
autônomos, com o sentimento de que a partir da universidade ainda há muito a contribuir para
a sociedade em que estão inseridos. Em princípio notou-se que as bibliotecas que fizeram
parte desde estudo ainda precisam incorporar infra-estrutura de acessibilidade, mas que essas
ações deverão funcionar em paralelo à aquisição de tecnologia assistiva que por ora
apresentamos como vantajosas para o acervo da biblioteca por dinamizar, facilitar e tornar
atrativa a biblioteca para as pessoas com deficiência.
Palavras-Chave: Acessibilidade; Autonomia; Tecnologia assistiva; Biblioteca universitária;
Pessoa com deficiência.
ABSTRACT
Psychosocial aspects of accessibility . Assistive Technology and autonomy of people with
disabilities . Philosophy of universal design . The role of the university library in the training
of people with disabilities . Responsibility of the university in training . University Library as
active in the academic training of the disabled person from the use of assistive technology
resources . Sense of autonomy in making university more professional insurance of their

691

�potential in the labor market . Basing on authors like FREGOLENTE , NASCIMENTO, AND
DAMASCENO GALVÃO FILHO , LIMA and NBR - 9050 has a very favorable diagnosis
the current situation of the libraries that make up the Integrated Core Libraries - NIB in the
city of Sao Luis - MA , or is, Central Library , Library , Laboratory of Hydro- Biology Labohidro , Center Library Engineering and Technology - CCET , Library of Social Science
Centre - CCSO , the Library of Human Sciences Centre - CCH Library and the University
College - Colun ; given that it was found that there are several flaws regarding the structural
accessibility of buildings , which constitute recommendations or basic needs of the disabled
person . Starting from the theoretical foundations and heading for site visits contacted the
reality of the units in focus . The registration of images corroborates the problems . Is still
necessary to overcome barriers to physical access and we pass to investment in assistive
technology , and training of tutors , with the feeling that from the university there is still much
to contribute to the society in which they live. In principle it was noted that the libraries that
were part since study also need to incorporate infrastructure accessibility, but these actions
should run in parallel to the acquisition of assistive technology by now presented as
advantageous for the library collection for foster , facilitate and make the library attractive to
people with disabilities.
Keywords: Accessibility; Autonomy; Assistive technology; University library; Disabled
person.
1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas são exemplos de espaços onde o direito a acessibilidade ainda não é
uma realidade. Alunos com deficiência enfrentam inúmeras dificuldades no seu cotidiano
acadêmico para desempenhar atividades simples como realizar uma pesquisa na biblioteca.
Nesta perspectiva, com base no diagnósticos situacional das Bibliotecas do Núcleo
Integrado de Biblioteca (NIB) da Universidade Federal do Maranhão este artigo enfoca a
necessidade de construir sentimentos relacionados a autonomia e auto-estima durante a vida
acadêmica e como as tecnologias assistivas podem colocar para este processo através dos
equipamentos que já são encontrados no mercado e devem fazem incorporar o maquinário da
Biblioteca Universitária, aproximando-a ainda mais do que prega o desenho universal.
O investimento na autonomia e conseqüente auto estima da pessoa com deficiência se
caracteriza como diferencial de grande importância para a formação acadêmica. A realização
de atividades simples como pegar um livro na estante ou folheá-lo pode, dependendo do tipo
de deficiência afugentar usuários haja vista o quão penosa pode ser.
Esta pesquisa está pautada nas leituras e bibliografias sobre o tema, em visitas in loco,
e visa orientar a instituição para tomada de decisões necessárias e adequadas que resultem no
uso da tecnologia assistiva como grande aliada das Bibliotecas Universitárias acessíveis.

692

�2 DESENHO UNIVERSAL E ACESSIBILIDADE
O termo “acessibilidade” teve origem no inicio dos anos 60, quando surge na área da
arquitetura, tanto nos EUA como na Europa, o conceito de projetos livres de barreiras, focado
na deficiência física de pessoas usuárias de cadeiras de rodas.
No Brasil, as questões de acessibilidade tornaram-se mais visíveis a partir da década
de 80, quando se iniciou o movimento organizado das pessoas com deficiência.
Com o desenvolvimento das tecnologias da informação o conceito de acessibilidade
evoluiu. Atualmente, o termo utilizado é desenho para todos ou desenho universal.
Segundo a NBR 9050 (2014, p. 3) desenho universal é aquele “que visa atender à
maior gama de variações possíveis das características antropométricas e sensoriais da
população”. Busca alcançar a diversidade humana de forma a respeitar as diferenças
existentes entre as pessoas e garantir acessibilidade a todo e qualquer indivíduo.
O Desenho Universal é um conceito que quando aplicado ao ambiente, pretende
assegurar que os espaços, as estruturas, produtos e serviços possam ser utilizados por todas as
pessoas independentemente da sua idade, condições físicas e econômicas (FREGOLENTE,
2008).

3 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA ACESSIBILIDADE
Enfocar a dimensão psicossocial da acessibilidade em Bibliotecas Universitárias
significa reconhecer o papel que as estruturas acessíveis desempenham na vida do indivíduo
dentro e fora da universidade, e isto inclui sentimentos que podem tanto fortalecer quanto
enfraquecer a estrutura emocional do indivíduo, resultando em posturas adequadas ou não ao
futuro profissional.
É na Universidade que os alunos têm o primeiro contato com seu futuro profissional, e
é nela também que aprendem para concorrem num exigente mercado de trabalho. Neste,
vence o mais forte, o mais habilidoso, o mais seguro de si, o mais inteligente. É neste
contexto que as IES assumem um papel relevante na formação profissional individual,
devendo para tanto estar estrutural, humana e tecnologicamente preparada para oferecer
ensino de qualidade aos seus alunos. É um grande desafio, e se torna ainda maior quando se
trata da formação da pessoa com deficiência. Porém, tanto a universidade quanto o indivíduo
devem assumir seus papéis enquanto sujeitos do processo de ensino.
Enquanto pessoa com deficiência deve-se ter como meta a busca pela postura de
independência funcional, construída a partir do reconhecimento do próprio corpo. É com base
na independência individual, que envolve o reconhecer-se, que se vai buscar outros

693

�sentimentos benéficos que irão colaborar com a formação do ser, são eles a autonomia,
liberdade, dignidade, auto estima, auto realização, o sentir-se capaz de realizar e conquistar
novas perspectivas e horizontes. Envolve o acreditar em si mesmo.
O conceito de autonomia envolve a independência para o fazer e nesse contexto deve
significar o fazer das atividades acadêmicas que envolve o ir e vir da universidade, assistir
aula com os demais colegas de turma, participar de todas atividades que envolver o fazer
universidade, dentre eles, fazer uso de uma biblioteca com eficiência. Se o aluno sente-se
íntegro para realizar as tarefas que o compromisso universitário exige, certamente ele chega
ao mercado de trabalho sentindo-se capaz de realizar aquilo para qual estudou e se formou.
Um aluno íntegro tem em equilíbrio sua auto-estima, sentimentos de auto-realização,
dignidade e independência. Este aluno sai da faculdade para o mundo do trabalho e da vida
mais seguro de si, reconhece seu papel no mundo, suas obrigações, seu potencial e seus
direitos.
Enquanto estrutura de ensino público, a Universidade deve incorporar medidas que
visem à redução a zero, preferencialmente, das barreiras sociais e ambientais que se colocam
a frente da pessoa com deficiência. Este constitui um passo importante para a equiparação de
oportunidades e direcionam a pessoa com deficiência para a conquista da autonomia, da
independência, auto-estima e auto-realização.
Paralelo a quebra de barreiras, o investimento em tecnologia assistiva, entendida como
“[...] toda e qualquer ferramenta ou recurso utilizado com a finalidade de proporcionar uma
maior independência e autonomia à pessoa portadora de deficiência” (DAMASCENO;
GALVÃO FILHO, 2002), associada aos preceitos do desenho universal sugerem uma
alternativa acessível que deve ser integrada aos projetos de biblioteca.
A aquisição de equipamentos, adaptação de estruturas sócio-espaciais, o envolvimento
de equipes multiprofissionais (arquitetos, engenheiros, pedagogos, psicólogos, bibliotecário,
tecnólogos, profissionais da informática, entre outros) também é de suma importância para
que seja alcançada uma mudança estruturalmente física, cultural e humana que repassada às
gerações futuras não precise priorizar ou chamar a atenção para a acessibilidade, mas que esta
já esteja presente permanentemente nas ações políticas, econômicas, sociais e ambientais.

4 O PAPEL DA BU NA FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO
O conceito de biblioteca baseia-se na igualdade de acesso para todos, sem restrição de
idade, raça, sexo, status social, etc. e na disponibilização aos usuários de todo tipo de
conhecimento.

694

�A biblioteca é um espaço atuante onde o usuário deve usufruir de toda a sua
potencialidade, pois, além de servir como apoio no processo ensino-aprendizagem, ela pode
contribuir para a formação de cidadãos críticos e criativos
A contribuição das bibliotecas na construção do conhecimento humano deve acontecer
de forma efetiva na qual o conhecimento e as informações assumem destaque central, pois a
biblioteca faz realmente a diferença (ANDRADE, 2003).
A biblioteca universitária tem como papel primordial, oferecer o suporte ao ensino, à
pesquisa e à extensão com a precisão e a rapidez que o meio acadêmico exige. Para atender as
demandas de seus usuários, a biblioteca precisa se desenvolver junto com a Universidade e
contribuir para a democratização da informação, promovendo a inclusão social.
O acesso a biblioteca universitária é fundamental para a promoção da democratização
da informação, que não pode restringir-se somente para alguns, mas deve abranger a
população em sua totalidade, sempre respeitando as diferenças e peculiaridade de cada
indivíduo.

5 BIBLIOTECAS DO NIB
As Bibliotecas do NIB/ Cidade Universitária em São Luís são compostas de uma
Biblioteca Central e seis unidades setoriais, conforme quadro abaixo. As bibliotecas do CCH
e CCSo são as mais recentes inaugurações, ocorreram ainda em 2013. A Biblioteca do CCH
por ter estrutura idêntica da Biblioteca do CCSo não foi fotografada.
As visitas realizadas in loco permitiram sinalizar apenas alguns dos diversos
problemas relacionados a falta de acessibilidade local.
Neste primeiro momento iremos analisar somente as bibliotecas do campi de São Luís
e em outra oportunidade estenderemos a pesquisa para os campis dos interiores.
O quadro abaixo demonstra um panorama da Biblioteca Central e das setoriais sobre a
questão da acessibilidade. Os achados correspondem à detecção de problemas de ordem
estrutural identificados nas bibliotecas, as sugestões apontam soluções que poderiam estar
sendo aplicadas nas bibliotecas em foco, haja vista que os mesmos são de ordem estrutural e a
instituição maior, UFMA, já ter realizado diversas reformas com intuito de tornar a instituição
acessível.

695

�Quadro 1 - Diagnóstico das bibliotecas e sugestões
BIBLIOTECAS
Biblioteca Central

ACHADOS
Porta de acesso principal é
pesada, difícil de abrir, o
balcão de atendimento de
referência não é adaptado.
Ausência de sinalização no
piso.
Piso tátil possui várias falhas
Biblioteca do Colun
e inexiste dentro da
biblioteca.
Porta principal pesada para
Biblioteca do CCSo
PCD.
Ausência
no
sinalização no piso.
Porta principal pesada para
Biblioteca do CCH
PCD.
Ausência
de
sinalização no piso.
Balcão de atendimento não é
Biblioteca do CCET
adaptado para cadeirantes.
Falta sinalização tátil no
piso.
Biblioteca da Pós Graduação em Porta de vidro em duas
folhas,
balcão
de
Políticas Públicas
atendimento sem adaptação
para cadeirantes. Não há
sinalização tátil.
Porta de acesso em madeira,
Biblioteca do Labohibro
duas
folhas,
pesadas.
Corredores entre estantes é
estreito.
Fonte: Produção das autoras

SUGESTÃO
Instalar porta automática com sensor de
presença. Adaptar o balcão de atendimento de
referência. Colocar o piso tátil.

Reforma estrutural e aquisição de
equipamento. Instalar porta automática com
sensor de presença.
Colocar piso tátil. Instalar porta automática
com sensor de presença.
Colocar piso tátil. Instalar porta automática
com sensor de presença.
Instalar porta automática com sensor de
presença. Reforma estrutural do balcão e do
piso.
Instalar porta automática com sensor de
presença. Adaptação no balcão de
atendimento.
Instalar porta automática com sensor de
presença. Adequar a disposição das estantes
para circulação de cadeirantes.

Foto 1 - Porta de acesso e interior da Biblioteca do Colun

Fonte: Produção das autoras

696

�Foto 2 - Porta de acesso, balcão de atendimento e disposição das estantes na Biblioteca
do CCET

Fonte: Produção das autoras

Foto 3 - Porta de acesso e balcão de atendimento da Biblioteca do CCSo

Fonte: Produção das autoras

697

�Foto 4 - Balcão de atendimento, entrada e terminais de consulta da Biblioteca Central

Fonte: Produção das autoras

Foto 5 - Disposição das estantes na Biblioteca do Labohidro

Fonte - Podução das autoras

6 TECNOLOGIA PARA A ACESSIBILIDADE: RECURSOS QUE PODEM SER
EMPREGADOS NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
As tecnologias assistivas podem ajudar a tornar as bibliotecas inclusivas,
possibilitando o acesso à informação, compreendendo as necessidades e limitações de cada
usuário, a fim de que estes sejam mais independentes no exercícios de suas atividades
(NASCIMENTO, 2011, p. 29). “Desenvolver recursos de acessibilidade seria uma maneira

698

�concreta de neutralizar as barreiras e inserir esse indivíduo nos ambientes ricos para a
aprendizagem, proporcionados pela cultura” (DAMASCENO; GALVÃO FILHO, 2002, não
paginado).
Dessa forma, apresentam-se alguns recursos que podem ser empregados na Biblioteca
Universitária, a fim de facilitar o acesso à informação, considerando a diversidade de usuários
e suas necessidades de acessibilidades.
Dentre os recursos ora apresentados, o Finger Reader ainda é um protótipo que
representa um grande avanço para atuação autônoma de alunos com deficiência visual.
Equipamentos como vocalizadores podem ser muito úteis para o atendimento em
bibliotecas como um todo, pois facilita a comunição do surdo com o mundo, porém cabe
ressaltar que é de grande importância o treinamento da toda a equipe da biblioteca na
linguagem de sinais, LIBRAS, pois a tecnologia assistiva inclui todo o recurso que oferece
autonomia à pessoa com deficiência, sejam eles estruturais, de hardware e software ou o
desenvolvimento de pessoas para a sua prática profissional.
A estrutura da biblioteca deve atender as normas da NBR 9050, pois de outro modo a
pessoa com deficiência sequer consegue ter acesso aos prédios das bibliotecas.
O que está sendo apresentado nesse artigo está bem longe de ser tudo o que há de
tecnologia assistiva disponível no mercado, trata-se de uma pequena amostra, mas que parece
às autoras muito significativas para a disposição acessível dos seus acervos.

Foto 6 - Finger Reader

Fonte: Intituto de Tecnologia de Massachussets (2014)

699

�Foto 7 - Ampliador de tela

Fonte: Nascimento (2011)

Foto 8 - Lupa eletrônica

Fonte: Bonavision
Foto 9 - Porta automática com sensor de presença

Fonte: Lisboa in acessível

700

�7 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa bibliográfica foi o norte para a construção desde artigo, a leitura de artigos
especializados sobre acessibilidade, tecnologia assistiva, acerca dos aspectos psicossociais da
acessibilidade e sobre a biblioteca universitária.
Visitas in loco permitiram o registro fidedigno da realidade encontrada através dos
registros fotográficos.
Como base nos dados coletados e considerando a literatura disponível sobre o tema,
procedeu-se a análise de dados de modo a evidenciar problemas e sugerir soluções.

8 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Constatou-se, nesse estudo, que as bibliotecas do NIB pesquisadas necessitam
reestruturar seu espaço físico e adquirir recursos (livros, equipamentos, treinamentos..); a fim
de proporcionar a acessibilidade aos seus usuários com deficiência, visto que as bibliotecas
não atendem as especificações dos padrões de qualidade estabelecidos pela NBR 9050/2004.
Apesar do tema acessibilidade já ter sido foco de estudo em trabalhos do SNBU 2012,
monografias e dissertações da UFMA se observa poucos resultados positivo.
Pretende-se, que essa proposta, seja levada a outras instâncias da Universidade, a fim
de buscar parceria, com arquitetos, designers, analista de sistemas, professores, servidores,
alunos e outros que possam contribuir para a promoção da acessibilidade nas bibliotecas do
NIB-UFMA.

9 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Por mais que as bibliotecas universitárias sejam equipadas com tecnologias que
favoreçam a acessibilidade da pessoa com deficiência, lembramos que a acessibilidade em si
ainda é limitadora, pois há pessoas que não consegue nem sair de casa, devido à ausência de
estrutura para mobilidade da pessoa com deficiência, inclusive em prédios públicos.
A Biblioteca Digital disponível no mundo da internet está aí para todos, a princípio
parece um solução plausível para a acessibilidade aos conteúdos disponíveis em bibliotecas
universitárias; porém a todos que possuem tecnologia para acessá-la. De certo que o
investimento em tecnologia assistiva é oneroso tanto para a instituição, quanto para o
indivíduo.
Apesar do crédito facilitado, o investimento em tecnologia assistiva ainda é
demasiadamente alto, por isso torna-se difícil tê-la em casa para dispor de acervos eletrônicos,
ou para outras demandas informacionais.

701

�Considerando os estudos já realizados acerca de acessibilidade na UFMA, notamos
que o artigo desenvolvido e apresentado no SNBU 2012 e outros não resultaram em ações
efetivas pela instituição.
Os instrumentos de tecnologia que estiveram disponíveis na Biblioteca Central da
UFMA, hoje estão deteriorados pelo uso e ação do tempo, sem receber manutenção ou
renovação, a biblioteca não dispõe no momento de equipamentos de tecnologia assitiva.
De toda forma convocamos os pesquisadores da tecnologia, arquitetura, informática e
engenharia para pensar junto com a Biblioteca Universitária soluções inteligentes para a
acessibilidade haja vista que o que dispomos hoje, no mercado, seja no mundo real ou virtual
não atende a totalidade das demandas da BU quando tratamos de acessibilidade.

REFERÊNCIAS

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pessoas portadoras de deficiência a edificações, espaço, mobiliário e equipamento urbano. Rio
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704

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Aspectos psicossociais da acessibilidade. Tecnologia assistiva e a autonomia da pessoa com deficiência. Filosofia do desenho universal. O papel da biblioteca universitária na formação da pessoa com deficiência. Responsabilidade da universidade na formação profissional. Biblioteca Universitária como atuante na formação acadêmica da pessoa com deficiência a partir da utilização de recursos da tecnologia assistiva. Sentimento de autonomia no fazer universidade, profissionais mais seguros de seu potencial no mercado de trabalho. Fundamentando-se em autores como FREGOLENTE, NASCIMENTO, DAMASCENO E GALVÃO FILHO, LIMA e na NBR 9050 tem-se um diagnóstico pouco favorável a situação atual das bibliotecas que compõe o Núcleo Integrado de Bibliotecas - NIB na cidade de São Luís-MA, ou seja, Biblioteca Central, Biblioteca do Laboratório de Hidro-Biologia - Labohidro, Biblioteca do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia - CCET, Biblioteca do Centro de Ciências Sociais - CCSo, Biblioteca do Centro Ciências Humanos - CCH e Biblioteca do Colégio Universitário - Colun, haja vista que verificou-se que ainda existem várias falhas no tocante a acessibilidade estrutural predial, que constituem recomendações ou necessidades básicas da pessoa com deficiência. Partindo das fundamentações teóricas e seguindo para as visitas in loco contatou-se a realidade das unidades em foco. O registro das imagens corrobora os problemas. Ainda é necessário ultrapassar barreiras de acesso físico para que passemos ao investimento em tecnologia assistiva, e na formação de profissionais autônomos, com o sentimento de que a partir da universidade ainda há muito a contribuir para a sociedade em que estão inseridos. Em princípio notou-se que as bibliotecas que fizeram parte desde estudo ainda precisam incorporar infra-estrutura de acessibilidade, mas que essas ações deverão funcionar em paralelo à aquisição de tecnologia assistiva que por ora apresentamos como vantajosas para o acervo da biblioteca por dinamizar, facilitar e tornar atrativa a biblioteca para as pessoas com deficiência.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A PRÁTICA DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO ATRAVÉS DE UMA REDE
DE COLABORAÇÃO ENTRE BIBLIOTECAS PARA PROMOÇÃO DA INOVAÇÃO
NA UFRJ: O CASO DOS WORKSHOPS DE FONTES DE INFORMAÇÃO
Cassia Costa Rocha Daniel de Deus,
Daniele da Fonseca
Heloisa Helena Costa
Ana Paula Louzada
Zoraide Dantas Ribeiro Freitas
Daniele Masterson Tavares Pereira Ferreira
Cláudia Maria de Carvalho
Marcia Alves da Silva
Maria do Perpétuo Socorro Lopes de Sousa
Fábio Mendes Ferreira
RESUMO
Discute a atuação do profissional bibliotecário como mediador no processo de
desenvolvimento de habilidades nas diferentes dimensões do fazer técnico-científico de
acordo com ações que espelham a Competência em informação no âmbito da Universidade,
diante das novas formas de interação trazidas pelas tecnologias de informação e comunicação
atuais. Aborda a emergente otimização do uso competente de tais tecnologias e as habilidades
técnicas necessárias frente ao uso da informação para as ações de pesquisa e investigação,
vinculadas também a inovação. Trata sobre a importância dos Workshops de Fontes de
Informação, como recurso agregador de saberes e difusor da necessidade de interação no
ambiente acadêmico, principalmente, nas áreas de Engenharia, Química e Saúde, por meio de
palestras, capacitação em pesquisas de informações nas bases de dados especializadas, relatos
de experiência de pesquisas científicas desenvolvidas na universidade que inovam
tecnologicamente em diferentes relações. Aponta a relevancia dos eventos para comunidade
científica, sobretudo, da última edição realizada, através dos resultados apurados na aplicação
de um questionário semi-estruturado. Conclui que o evento em suas diferentes edições,
trabalha a reflexão e a prática do papel da competência informacional do profissional
bibliotecário com reflexo no corpo social e acadêmico.
Palavras-Chave: Competência em informação. Habilidades informacionais. Universidade.
Inovação. Workshop.
ABSTRACT
Discusses the role of the librarian as mediator in the development of skills in different
dimensions to the technical-scientific according to actions that mirror the Information
competence within the University process , before the new forms of interaction brought about
by information and communication technologies current . Addresses the emerging

1987

�optimization competent use of such technologies and the technical skills regarding the use of
information for further research and investigation also linked to innovation. These workshops
about the importance of Information Sources as resource aggregator and disseminator of
knowledge need to interact in the academic environment , especially in the areas of
Engineering , Chemistry and Health , through lectures , training in information searches in
databases specialized data , experience reports of scientific research undertaken at the
university who innovate technologically in different relations. Points to the relevance of
events for the scientific community , especially the last edition held by the results obtained in
the application of a semi - structured questionnaire . Concludes that the event in its various
editions , works thinking and practice of the role of information literacy librarian with the
reflection in the social and academic body.
Keywords: Information competence. Information literacy. University. Innovation. Workshop.

1 INTRODUÇÃO
Na atual sociedade da informação, onde o fluxo informacional é intenso por meio das
tecnologias de informação e comunicação, verifica-se a proliferação de dados por diferentes
fontes (científicas, políticas, econômicas, sociais, culturais, entre outras) e meios (sites,
publicações impressas, bases de dados, fóruns, redes sociais, blogs, entre outros), os quais a
sociedade acessa e difunde diariamente informações sobre assuntos distintos.
Observa-se que a utilização das tecnologias de informação e comunicação na vida
cotidiana criou novas formas de interação entre as pessoas, o que implica no
redimensionamento das funções, assim como do papel social dos profissionais mediadores da
informação, sobretudo, no âmbito acadêmico. Uma vez que os ambientes de ensino e pesquisa
afetam e vêm sendo afetados pela velocidade desses meios de comunicação, e das redes
sociais que impulsionam maiores interações e dinamismo nesse processo. E em meio a
discussões acerca das necessidades de preservação digital, depósito legal, direitos autorais e
segurança da informação, a produção científica e tecnológica demandam sistemas de
informação para armazenamento e recuperação de informação, de modo que esses
acompanhem a tempo o conhecimento acadêmico produzido.
A questão que norteia esses estudos é a emergente otimização do uso competente das
tecnologias de informação. As habilidades técnicas a frente do uso da informação tornam-se o
grande desafio para técnicos, professores, gestores e bibliotecários, estes últimos,
profissionais capacitados a análise e síntese das fontes de informação de bases de dados
bibliográficos e de conteúdo.
O advento das mudanças tecnológicas no que concerne ao uso competente do fazer
biblioteconômico levam os bibliotecários das Bibliotecas do Centro de Tecnologia (CT),

1988

�Centro de Ciências da Matemática e da Natureza (CCMN) e do Centro de Ciências em Saúde
(CCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro a criar o Workshop de Fontes de
Informação, evento que chega em 2014 a sua 4a (quarta) edição. A motivação inicial dos
Workshops, além de verificar como são percebidas pelos bibliotecários as relações entre
profissionais e usuários, reflete o papel da competência informacional do profissional
bibliotecário com reflexo decisório no seu fazer frente ao corpo social e acadêmico.
Dessa forma, o Workshop esclarece e trata da importância da inovação social e
tecnológica no âmbito universitário, sobretudo, nas áreas de Engenharia, Química e Saúde,
através de palestras, relatos de experiência de pesquisas científicas desenvolvidas na
universidade que inovam tecnologicamente com impacto social e a capacitação em pesquisas
nas bases de dados especializada.
Este artigo pretende demonstrar as ações do Workshop de Fontes de Informação e
Inovação como ferramenta para o desenvolvimento da Competência em informação da
comunidade.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Competência em informação é uma tradução da expressão information literacy. De
acordo com Dudziak (2001), esse termo surgiu pela primeira vez na literatura em 1974, em
um relatório redigido pelo bibliotecário americano Paul Zurkowski. O mesmo tratava sobre as
relações entre os produtos e serviços de informação oferecidos pelas instituições privadas e
bibliotecas. Ressaltava a importância de se expandir essas relações além do ambiente da
Biblioteca. Nesse sentido, para o bibliotecário, a noção de information literacy estava atrelada
a aplicação dos recursos informacionais a situações de trabalho, habilidades e técnicas para o
uso das ferramentas de acesso a informação, sobretudo, ao uso da informação para resolução
de problemas.
Entre os conceitos difundidos para a Competência em informação, destaca-se o da
American Library Association (ALA), que de acordo com Dudziak (2001) é a definição mais
citada na literatura:
Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de
reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter habilidade para
localizar, avaliar e usar efetivamente a informação [...] resumindo, as
pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender.
(ALA , 1980 apud DUDZIAK, 2001)

1989

�Segundo Vitorino e Piantola (2009), a evolução da competência em informação ou
competência informacional pode ser compreendida em três fases: conceituai, experimental/
exploratória e consciência coletiva.
A conceitual abrange as décadas de 1970 e 1980, e corresponde ao surgimento da
expressão e conceituação. A abrangência do conceito se dá para o acesso e o uso da
informação para tomada de decisão, ou seja, como um instrumento de emancipação política.
A fase experimental/exploratória compreende a década de 90 e tem como um dos
marcos a discussão sobre a relevância e a aplicabilidade da competência informacional nos
programas educacionais, como também a realização de estudos que relatam a história, o
desenvolvimento, as características e a importância de Information Literacy, para a
organização e o desenvolvimento da sociedade contemporânea.
O estágio atual, de acordo com Vitorino e Piantola (2009), corresponde a fase da
consciência coletiva, cujo início se deu a partir de 2000. A ênfase é o papel social da
competência informacional, apontada como caminho essencial na construção de uma
sociedade mais democrática, onde o cidadão torna-se competente para tomar decisões e ter
atitudes conscientes dos seus direitos e deveres perante o bem comum da sociedade.
Para Dudziak (2003), a competência informacional pode ser compreendida como:
Processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais
e de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o
universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um
aprendizado ao longo da vida. (DUDZIAK, 2003).
A autora aponta os principais componentes que sustentam o conceito da Information
Literacy (Competência em informação) : processo investigativo; aprendizado ativo;
aprendizado independente; pensamento crítico; aprender a aprender e aprendizado ao longo da
vida.
A competencia em informação visa tornar o individuo apto a “determinar a natureza e
a extensão de sua necessidade de informação como suporte a um processo inteligente de
decisão” (DUDZIAK, 2003), o que abrange:
- Avaliar criticamente a informação segundo critérios de relevância, objetividade,
pertinência, lógica, ética, para incorporar as informações selecionadas ao seu próprio sistema
de valores e conhecimentos;
- Ser capaz de identificar e manusear fontes potenciais de informação de forma efetiva
e eficaz;

1990

�- Usar e comunicar a informação, com um propósito específico, individualmente ou
como membro de um grupo, gerando novas informações e criando novas necessidades
informacionais.
- Considerar as implicações de suas ações e dos conhecimentos gerados, observando
aspectos éticos, políticos, sociais e econômicos extrapolando para a formação da inteligência;
- Ser aprendiz independente;
- Aprender ao longo da vida.
Para Lau (2007), a função da competência em informação é tornar a pessoa capaz de:
explorar através de habilidades para localizar a informação relevante, filtrá-la, classificá-la e
selecioná-la; interpretar adquirindo habilidade para transformar os dados e informação em
conhecimento; e por fim criar novas idéias para o desenvolvimento de novos conceitos.
A Information literacy enfatiza a idéia de aprendizado contínuo do
indivíduo, aspecto esse que sinaliza para a necessária autonomia no modelo
social e profissional em que ações são frequentemente requeridas. Diante
disso, os profissionais das informações também poderiam desempenhar o
papel de mediadores, auxiliando a forjar no indivíduo o hábito da busca
seletiva e do desenvolvimento progressivo da autonomia nos ambientes e
fontes informacionais. (SIQUEIRA, 2012)
Todas essas habilidades são de extrema importância para que o indivíduo se torne
emancipado na questão informacional sendo capaz de gerar inovação.
Por sua vez, a universidade é o local da inovação por excelência: “Hoje se faz
presente, mais do que em qualquer outro momento, a necessidade da educação continuada
frente a sociedade da informação, crescente de forma cada vez mais ágil.” (AUDY, 2006).
Assim, o papel da universidade pode ser entendido como uma espécie de catalisador e
incentivador de mudanças:
Segundo Pasquarelli (1993 apud HATSCHBACH, 2002, p. 13):
"A Universidade tem como responsabilidade estimular a curiosidade
intelectual do estudante estimulando a verificação das constantes expansões
no seu campo de estudo. Este ponto é fundamental para evitar que um
egresso da universidade caia em processo de desatualização, devido à
incapacidade de trabalho intelectual sem a presença de um professor e pelo
desconhecimento de como e onde colher informações, analisá-las e utilizálas".

1991

�De acordo com Audy (2006), a essência da universidade passa a ser a promoção de
um ambiente criativo e inovador, onde para alcançar os objetivos é necessário focar nas
pessoas e não só nos serviços.
A interação dos agentes: produtores, usuários, universidades e governo, fortalecem a
dimensão social relacionada à confiança e a dimensão tecnológica relacionada ao aprendizado
coletivo, descrita por Lundvall (1988), promovendo assim um ambiente propício para a
inovação.
O autor evidencia que o papel das universidades não devem se ater apenas às
pesquisas básicas, mas deve investigar as aplicações no mercado, pois os estudos
desenvolvidos nas universidades podem contribuir substancialmente para os Sistemas
Nacionais de Inovação

desde que considerem também as necessidades tecnológicas.

Segundo Lundvall (1988), o crescente reconhecimento do papel da ciência em relação à
tecnologia e produção tornou o fortalecimento dessa ligação em uma questão política de
prioridade nacional.
Ao verificar a relação entre Universidade e Inovação, os bibliotecários perceberam a
possibilidade de incrementar a segunda, através de treinamentos em bases de dados úteis às
pesquisas realizadas na universidade. Assim nasceu o Workshop de Fontes de Informação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Os workshops são encontros temporários com caráter de treinamento, direcionados a
um grupo de pessoas com interesses em comum em determinado projeto ou atividade
específica. Seu objetivo consiste em aprofundar a discussão fazendo com que o público
participe intensamente. Segundo Lau (2007) seminários, encontros e palestras são um meio
para capacitar o indivíduo de forma que ele adquira Competência em informação.
No âmbito da competência como emancipação, as Bibliotecas da UFRJ formaram uma
rede de colaboração que desenvolveu um evento para capacitação dos usuários na temática de
inovação e fontes de informação, uma vez que diagnosticou-se uma demanda crescente acerca
da temática, assim como desconhecimento das fontes de informação e a melhor forma de
como proceder em relação ao uso destas para a pesquisa científica.

225 Definido por Cassiolato e Lastres (2000, p. 37) como: “um conjunto de instituições distintas que contribuem
para o desenvolvimento da capacidade de inovação e aprendizado de um país, região, setor ou localidade e
também o afetam. Constituem-se de elementos e relações que interagem na produção, difusão e uso do
conhecimento.” Ligar com Sistemas nacionais de inovação

1992

�Sendo assim, o Workshop de Fontes de Informação e Inovação foi criado para atender
esta demanda de forma que os participantes fossem capazes de usar tais fontes para suas
pesquisas promovendo inovação.
A elaboração de um evento que agregasse palestras e treinamentos foi uma iniciativa,
a princípio, das Bibliotecárias das unidades da Escola de Química, Instituto de Química e
Instituto de Macromoléculas, com a colaboração do Sistema de Bibliotecas e Informação Sibi /UFRJ para homenagear o Ano Internacional da Química.
A primeira edição ocorreu no auditório da Escola de Química (sala E212) em 20 de
setembro de 2011, devido aos indícios de greve e sua efetivação, não foi possível realizá-la no
primeiro semestre. O I Workshop de Fontes de Informação: Química foi fruto da parceria
entre as bibliotecas da Escola de Química, Instituto de Macromoléculas e Instituto de
Química, com a colaboração do Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI). O mesmo contou
com 64 participantes advindos da UFRJ e de outras instituições, como Petrobras, UFF e INT.
Entre os palestrantes, tivemos a presença do representante da base IEEE dos Estados Unidos,
além do coordenador da Agência de Inovação da UFRJ e profissionais do Instituto Nacional
de Propriedade Industrial (INPI), entre outros.
O II Workshop de Fontes de Informação: Química e Propriedade Intelectual foi
realizado no auditório do Instituto de Macromoléculas no período de 09 a 11 de maio de
2012. No total se inscreveram 100 pessoas, mas o evento contou com 81 participantes. Cada
dia teve uma temática: 09/05 Informação tecnológica: Química, 10/05 Propriedade Intelectual
e 11/05 Propriedade Industrial e Inovação. O horário da manhã foi reservado para palestras e
da tarde para treinamento com os representantes das bases.
O III Workshop de Fontes de Informação: inovação tecnológica e social foi realizado
nos dias 22 e 23 de maio de 2013, no Centro Cultural Horácio Macedo do Centro de Ciências
da Matemática e Natureza. O objetivo do evento foi esclarecer a importância da inovação
social e tecnológica no âmbito universitário, sobretudo, nas áreas de Engenharia, Química e
Saúde, através de palestras, relatos de experiência de pesquisas científicas desenvolvidas na
universidade que inovam tecnologicamente com impacto social e a capacitação em pesquisas
de informações nas bases de dados especializadas.
O IV Workshop de Fontes de Informação e Inovação: Empresa X Universidade,
programado para ocorrer nos dias 04 e 05 de junho de 2014, visa atingir a quantidade máxima
de 100 participantes, com excedente de no máximo 10 inscrições nos dias do evento. Os dois
dias de evento abrangem as seguintes temáticas: O elo Academia versus Industria; Desafios
para

criar

um

ambiente

inovador;

Parcerias

entre

instituições

a

serviço

da

1993

�saúde: desenvolvimento científico e assistencial; Interação entre empresas e instituições de
ciência e tecnologia; Interação com o setor de Petróleo e Gás; Desenvolvimento de
Bioprocessos e Fontes de informação; Projeto com aplicação de offshore Petrobras/IMAUFRJ; Relação Universidade x Pequena empresa;Alimentação, Saúde e Microbiologia:
desenvolvimento de novos alimentos probióticos.
Além da exposição dessas temáticas a apresentação de Bases de Dados que
contribuem para a área de inovação, como Scopus, Derwent Innovation Index, Science Direct
e Web of Science continuam a integrar o escopo do evento.
Ainda nesta edição ocorre o lançamento e uma tarde de autógrafos do livro "Interação
entre empresas e instituições de ciência e tecnologia: o caso do sistema farmacêutico de
inovação brasileiro" de autoria da palestrante Professora Julia Paranhos.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Ao longo destes 4 anos de trabalho, destaca-se o sucesso e a visibilidade crescente que
o evento vem ganhando dentro e fora da universidade, ressaltando a última edição, que teve
como diferencial uma maior integração das ações, mediante o compartilhamento entre os
palestrantes, das pesquisas em andamento na própria instituição. Assim, o evento propiciou
um espaço de diálogo significativo, para troca de experiência entre áreas representativas no
processo de inovação.
Os resultados obtidos reforçaram a opinião da comissão organizadora de que o evento
promove oportunidades de integração de pesquisas na universidade, e funciona como recurso
de disseminação das contribuições acadêmicas para a sociedade, descaracterizando a força da
dispersão de inúmeras pesquisas realizadas dentro da instituição.
Após a terceira edição foi implantado um questionário elaborado pela comissão
organizadora com 6 perguntas fechadas e 1 aberta, enviado aos participantes do evento por e­
mail. O objetivo principal deste recurso de avaliação foi mensurar o desempenho deste
evento, visando aprimorar a organização das próximas edições. Em um universo de cerca de
100 participantes, foram recebidas 22 respostas. As respostas com seus respectivos gráficos
estão relacionados a seguir:

1994

�1. Você ja conhecia o III Workshop de Fontes de Informação em Química e Saúde:
Inovação Tecnológica e Social ?

2.

Como você ficou sabenddo III Workshop de Fontes de Informação em Química

e Saúde: Inovação Tecnológica e Social?
Email - 9 (35%)
Outros - 17(65%)
0

3.

3

6

9

12

15

18

O objetivo do IIIokshop de Fontes de Informação em Química e Saúde:

Inovação Tecnológica e Social ficou evidente?

4.

O objetivo do III Workop de Fontes de Informação em Química e Saúde:

Inovação Tecnológica e Social foi alcançado?

1995

�5.

Que pontos do III Worksp de Fontes de Informação em Química e Saúde:

Inovação Tecnológica e Social você acredita que poderiam melhorar para os próximos?

Tema escolhido
Controle do tempo
Fluidez da apresentação
Participação do public
Palestrantes
Organização
Divulgação
Outros
6.

10
10
5
4
8
2
7
0

22%
22%
11%
9%
17%
4%
15%
0%

Dos assuntos abordados, qual(is) você gostaria que fosse(m) aprofundados num

próximo encontro?
Empreendedorismo na Academia
Sustentabilidade
Fontes de informação (Ex. Bases dados, Recursos Eletrônicos)
Outros conceitos associados a inovação e empreendedorismo
Patentes
Experiências de empreendedorismo na Universidade
Outros

6
2
13
10
9
6
1

13%
4%
28%
21%
19%
13%
2%

7. Tem alguma sugestão ou comentário?
- Cobrar valor simbólico
- Todas as palestras foram muito boas. A comissão organizadora está de parabéns!
- Lembrar aos inscritos do inicio do evento
- Este workshop foi construtivo para minha formação acadêmica.
- Poderiam abrir mais inscrições.
- O evento foi interessante porém a divulgação precisa ser ampliada.

Levando em consideração as respostas obtidas nesta avaliação, para o IV Workshop de
Fontes de Informação e Inovação: Universidade X Empresa, a comissão organizadora
procurou atender as expectativas do público participante nos aspectos considerados mais
relevantes.

1996

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O bibliotecário, considerado o guardião de conhecimento acumulado pela
humanidade, afasta a percepção de profissional estático das áreas do acervo sob sua guarda e
incorpora a de profissional dinâmico pela atividade mediadora da informação. Para além do
domínio de ferramentas, técnicas e procedimentos relativos ao tratamento e suporte de
informação, seu papel é elevado aos processos de comunicação, transferência da informação e
mediação na construção do conhecimento. Estabelecer uma dinâmica entre fontes de dados
estáticos, que se encontram sob sua responsabilidade e as questões abertas dos indivíduos,
identificando e atendendo suas necessidades informacionais específicas, fazem do profissional
da Biblioteconomia um agente ativo no âmbito da Competência em informação. Significa
dizer que estes profissionais possuem ferramentas para disponibilizar fontes informacionais a
seus usuários dando a estes recursos para que possam aprender com elas. Ao dominar as
habilidades necessárias que possam contribuir com a educação de pessoas competentes em
informação, o bibliotecário é reconhecido como profissional mediador neste processo de
atuação na construção de novos paradigmas.
A introdução das tecnologias de comunicação e informação reforça as práticas de um
fazer biblioteconômico atuante, porque os avanços tecnológicos e as novas sociabilidades
acarretam formas inovadoras de articulação e de relação no perfil deste profissional. Essas
transformações fazem com que se reestruture e se valorize a identidade coletiva do
bibliotecário.
O avanço das tecnologias de informação e comunicação e suas aplicações nas
bibliotecas universitárias, possibilita uma relação direta e interativa dos usuários da
informação.
Diante do cenário apresentado, o Workshop de Fontes de Informação e Inovação vem
corroborar como um canal para a ampliação da Competência em informação, contribuindo
para que seu publico alvo seja capaz de produzir inovação.
6 REFERÊNCIAS
AUDY, Jorge Luis Nicholas; MOROSINI, Marília Costa. Inovação e empreendedorismo na
Universidade.PUCRS,

2006.

Disponível

em:

&lt;

http://www.pucrs.br/edipucrs/internacionalizacao-boaspraticas.pdf &gt; Acesso em: 8 abr. 2014.
CASSIOLATO, J.E.; LASTRES, H. M. M. Sistemas de inovação: políticas e perspectivas.
Parcerias

Estratégicas,

n.

17,

p.

5-30,

2000.

Disponível

em:

&lt;http://www.cgee.org.br/parcerias/p17.php&gt;. Acesso em: 15 fev. 2013.

1997

�DUDZIAK, Elisabeth Adriana.

A Information Literacy e o papel educacional das

bibliotecas. São Paulo, 2001. Dissertação (Mestrado) - Escola de Comunicação e Artes da
Universidade

de

São

Paulo.

São

Paulo,

2001.

Disponível

em:

&lt;

http://www.teses.usp.br/download.php/teses/disponiveis/27/27143/tde-30112004-151029&gt;

.

Acesso em: 12 mar. 2014.
_______. O bibliotecário como agente de transformação em uma sociedade complexa:
integração entre Ciência, Tecnologia, desenvolvimento e inclusão social. Ponto de Acesso,
Salvador,

v.1,

n.1,

p.

88-98,

jun.

2007.

Disponível

em:

&lt;http://

www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/download/.../878&gt; . Acesso em: 5 mar.
2014.
______. Informatio literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da Informação, Brasília,
DF,

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32,

n.

1,

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23-35,

jan./abr.

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Disponível

em:

&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/123&gt;. Acesso em: 13 out. 2013
HATSCHBACH, Maria Helena de Lima. Information Literacy: aspectos conceituais e
iniciativas em ambiente digital para estudantes de nível superior. 2002. 108f. Dissertação
(Mestrado em Ciência da Informação) - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escola de
Comunicação. IBICT, Rio de Janeiro, 2002.
LAU, Jesus. Diretrizes sobre desenvolvimento de habilidades em informação para a
aprendizagem

permanente.IFLA,

2007.

Disponível

em:

&lt;http://www.ifla.org/files/assets/information-literacy/publications/ifla-guidelines-pt.pdf

&gt;.

Acesso em: 3 maio 2014
LUNDVALL, B-A. Innovation as an Interactive Process: From User Producer Interaction to
National systems of Innovation. In: Dosi et al. Technical change and Economic Theory,
1988 p. 349-369.
SIQUEIRA, Ivan Claudio Pereira; Siqueira, Jéssica Câmara. Information Literacy: uma
abordagem terminológica. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIENCIA DA
INFORMAÇÃO - ENANCIBI,13., 2012, Rio de Janeiro [Anais...] Disponível em:
&lt;http://www.eventosecongressos.com.br/metodo/enancib2012/arearestrita/pdfs/19580.pdf&gt;
Acesso em: 8 maio 2014
VITORINO, E. V.; PIANTOLA, D. Competência informacional - bases históricas e
conceituais: construindo significados. Ciência da Informação, v. 38, n. 3, p. 130 - 141, set./
dez. 2009 Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ci/v38n3/v38n3a09.pdf. Acesso em: 16
abr. 2014.

1998

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A prática da competência em informação através de uma rede de colaboração entre bibliotecas para promoção da inovação na UFRJ: o caso dos workshops de fontes de informação.</text>
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                <text>Deus, Cassia Costa Rocha D. de, et al.</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>Discute a atuação do profissional bibliotecário como mediador no processo de desenvolvimento de habilidades nas diferentes dimensões do fazer técnico-científico de acordo com ações que espelham a Competência em informação no âmbito da Universidade, diante das novas formas de interação trazidas pelas tecnologias de informação e comunicação atuais. Aborda a emergente otimização do uso competente de tais tecnologias e as habilidades técnicas necessárias frente ao uso da informação para as ações de pesquisa e investigação, vinculadas também a inovação. Trata sobre a importância dos Workshops de Fontes de Informação, como recurso agregador de saberes e difusor da necessidade de interação no ambiente acadêmico, principalmente, nas áreas de Engenharia, Química e Saúde, por meio de palestras, capacitação em pesquisas de informações nas bases de dados especializadas, relatos de experiência de pesquisas científicas desenvolvidas na universidade que inovam tecnologicamente em diferentes relações. Aponta a relevancia dos eventos para comunidade científica, sobretudo, da última edição realizada, através dos resultados apurados na aplicação de um questionário semi-estruturado. Conclui que o evento em suas diferentes edições, trabalha a reflexão e a prática do papel da competência informacional do profissional bibliotecário com reflexo no corpo social e acadêmico.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL UFPA MULTIMÍDIA: O SEU
DESENVOLVIMENTO SOB A ÓTICA DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO
Geisa Silva Dias
Silvia Bitar Moreira

RESUMO:
Relata a experiência de bibliotecários no desenvolvimento do Repositório Institucional UFPA
Multimídia criado com o objetivo de depositar materiais nos formatos multimídia: vídeo,
áudio e imagem, produzidos pelo Laboratório da Assessoria de Educação a Distância (Lab.
AEDI), bem como em outras unidades envolvidas com multimídias como a Academia
Amazônia e Rádio Web UFPA, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O repositório é uma
ferramenta virtual de gerenciamento de informações que utiliza o software Dspace e seus
elementos de metadados do padrão Dublin Core. Aborda a criação de comunidades,
subcomunidades e coleções; o processo de seleção dos metadados; a indexação preliminar e a
elaboração do Manual dos Elementos de Metadados do padrão Dublin Core.
Palavras-chave: Repositório institucional; Recurso multimídia; Metadado Dublin Core;
Dspace.
ABSTRACT:
Describes the experience of librarians in the development of the Institutional Repository
UFPA Multimedia created for the purpose of depositing materials in multimedia formats:
video, audio and image, produced by the Laboratory of the Office of Distance Education
(Lab. AEDI), as well as other units involved with multimedia such as Amazon Academy and
Web UFPA Radio, the Federal University of Pará (UFPA). The repository is a virtual
information management tool that uses the DSpace software and its metadata elements of the
Dublin Core. It is about creating communities, subcommunities and collections; the selection
process of metadata; the primary index and the preparation of the Manual Metadata elements
of the Dublin Core.
Keywords: Institutional Repository; Multimedia Resource; Metadata Dublin Core; Dspace.

1 INTRODUÇÃO
A acelerada evolução das tecnologias e o vertiginoso ritmo de sua difusão em escala
mundial têm facilitado a produção e circulação da informação, além de provocar profundas
mudanças nos serviços de busca e recuperação da informação.

4511

�Essas mudanças no modo de gerenciar e disponibilizar a informação foram
significativas nas atividades de pesquisa, em razão das tecnologias de informação terem
modificado sobremaneira a divulgação da comunicação científica, especialmente quanto a
visibilidade do conhecimento. Cita-se o caso da Iniciativa dos Arquivos Abertos (Open
Archives Initiative), movimento instituído por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos
e Europa, que impulsiona um novo processo de comunicação, por meio do acesso livre e da
implementação de repositórios digitais, que visam ampliar a divulgação de publicações em
formato eletrônico e, consequentemente, incrementar o acesso imediato ao conhecimento
gerado pela comunidade de pesquisadores e especialistas.
O acesso livre teve sua origem na década de 90, quando:
[...] na convenção de Santa Fé (EUA) a Open Archives Initiative (OAI)
definiu os princípios básicos do acesso aberto à produção científica. A partir
desse marco, importantes declarações de apoio ao acesso aberto promoveram
a disseminação dessa filosofia, como por exemplo, as declarações de
Budapeste, Bethesda e Berlin (SILVA; ALCARÁ, 2009, p. 101).

Nesse contexto, surgem os Repositórios desenvolvidos como base de dados para
reunir, organizar, preservar, recuperar e disseminar a informação científica produzida em uma
instituição através do acesso aberto (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM
CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2012).
Atualmente, dispor desses mecanismos de armazenamento e disseminação da
informação, em seus diferentes tipos e formatos, é fator condicional, não só para o
desenvolvimento regional científico e tecnológico, mas também para acompanhar a política
nacional de informação científica no País no contexto do acesso livre à literatura científica
mundial.
O Repositório Institucional UFPA Multimídia é resultado de um edital lançado pela
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 2010, cujo
projeto foi apresentado pela Assessoria de Educação a Distância (AEDi) da Universidade
Federal do Pará.
Esse edital visava:
[...] incentivar a integração e a convergência entre as modalidades de
educação presencial e a distância nas Instituições Públicas de Ensino
Superior (IES), federais e estaduais, integrantes do sistema Universidade
Aberta do Brasil (UAB), por meio do fomento ao uso das tecnologias de
comunicação e informação no universo educacional dos cursos de graduação
presenciais (BRASIL, 2010).

O projeto tem como objetivo principal:

4512

�[...] reunir e potencializar os esforços, ainda isolados, da comunidade
acadêmica da UFPA e de outras instituições afins no que concerne ao uso
das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para fortalecer o
ensino de graduação, seja na modalidade presencial ou à distância (UFPA
MULTIMÍDIA, 2012).

A equipe do projeto Repositório Institucional UFPA Multimídia foi formada por
jornalistas, educadores, técnicos de informática, bibliotecários, publicitários, historiadores e
designers, alocados na AEDi e, atualmente são os responsáveis pelo desenvolvimento,
manutenção e atualização do repositório.
Este trabalho tem como propósito relatar a experiência de bibliotecários na construção
desse Repositório, para gerenciar a produção audiovisual da Universidade Federal do Pará,
bem como destacar as ações desenvolvidas por esses profissionais que se concentraram na
criação das comunidades, subcomunidades e coleções; seleção e definição de metadados;
indexação preliminar e elaboração do Manual dos elementos de metadados Dublin Core para
catalogação de recursos multimídia.

2 REVISÃO DA LITERATURA
Sobre o acesso livre à literatura científica, o Budapest Open Access Initiative (2012)
afirma que este novo sistema permitiu:
[...] a qualquer usuário ler, fazer download, copiar, distribuir, imprimir,
pesquisar ou referenciar o texto integral desses artigos, recolhe-los para
indexação, introduzi-los como dados em software, ou usá-los para outro
qualquer fim legal, sem barreiras financeiras, legais ou técnicas que não
sejam inseparáveis ao próprio acesso a uma conexão à Internet. As únicas
restrições de reprodução ou distribuição e o único papel para o direito
autoral neste domínio é dar aos autores o controle sobre a integridade do seu
trabalho e o direito de ser devidamente reconhecido e citado.

Para estabelecer uma sociedade do conhecimento com acesso livre à informação
científica o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), vem
conduzindo ações e políticas no sentido de implementar repositórios em instituições de ensino
superior e de pesquisa, promovendo assim o amplo acesso ao conhecimento científico.
Para Kuramoto (2009) no âmbito do acesso livre “não se pode e não se deve
transformar o repositório institucional em memória científica ou técnica”. Ressalta que o
intuito no contexto do acesso livre, “é ampliar a visibilidade da produção científica de uma
instituição e encorajar o acesso livre a esta produção”.
Para que o fluxo dessas informações se torne dinâmico e acessível surgem os
repositórios digitais que “são provedores de dados destinados ao gerenciamento da

4513

�informação científica, constituindo-se, necessariamente, em vias alternativas de comunicação
científica” (LEITE, 2009, p. 19). Eles podem ser de dois tipos: institucional que lidam com a
produção científica de uma determinada instituição e os temáticos que lidam com a produção
científica de uma determinada instituição com áreas do conhecimento em particular (LEITE et
al, 2012).
Leite e Costa (2006, p. 212) discutem a adequação e aplicabilidade dos repositórios
institucionais como ferramenta de Gestão do Conhecimento e ressaltam que “o
desenvolvimento de repositórios institucionais tem se dado, amplamente, no contexto de
universidades,

a

despeito

de

outras

iniciativas

em

instituições

governamentais,

principalmente, mas em escala significativamente menor, e mais recentemente”.
A metodologia aplicada a estas novas ferramentas para representação bibliográfica
vem se desenvolvendo de forma paralela a esses avanços. Com isso surgem os “modelos de
metadados que favorecem novas práticas para organização e tratamento da informação digital,
proporcionando diferentes mecanismos de busca e recuperação” (ALVES; SOUZA, 2007, p.
21).
A produção científica de uma comunidade acadêmica é o indicador pelo qual se avalia
a relevância da sua contribuição à ciência. Logo os trabalhos de pesquisadores que estão
disponibilizados e facilmente acessíveis poderão ser recuperados, lidos e citados, por isso tem
uma alta visibilidade (ZIMBA; MUELLER, 2004).
Assim, “a liberalização do conhecimento em todo o planeta representa um dos
alicerces para o desenvolvimento científico e tecnológico” (KURAMOTO, 2009) e todo esse
cenário pode fortalecer a integração e o desenvolvimento da região Amazônica.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho foi desenvolvido em duas fases, a primeira fase referiu-se ao levantamento
bibliográfico e estudo sobre o tema acesso livre à informação e criação e implantação de
repositórios digitais, especificamente o institucional, com o objetivo de identificar e localizar
fontes de informação em bases de dados referenciais e de texto completo, para contextualizar
o assunto em questão e empreender conhecimentos.
Em uma segunda fase buscou-se experiências similares de repositórios institucionais
em outras universidades como, por exemplo: no Repositório Digital da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (LUME/UFRGS) e no Banco Internacional de Objetos Educacionais do
Ministério da Educação (BIOE/MEC), que in loco foram coletados dados sobre a
categorização de suas principais características: interface, arquitetura, software adotado,

4514

�padrão de metadados, recuperação e formas de busca, conteúdo disponível, interatividade
dentre outros. Na ocasião, também foram realizadas entrevistas com os responsáveis pelos
repositórios, a fim de conhecer os pontos positivos e negativos encontrados no decorrer da
implementação do projeto.
Para compor o Repositório Institucional UFPA Multimídia, foi utilizado material
didático nos formatos áudio, imagem, texto e vídeo, produzido pelo Laboratório da Assessoria
de Educação a Distância (Lab. AEDi), bem como por outras unidades como a Academia
Amazônia e Rádio Web UFPA, da Universidade Federal do Pará (UFPA), os quais foram
coletados in loco, pois estavam armazenados e dispersos em suas unidades administrativas.

3.1 O Dspace, as comunidades, subcomunidades e coleções
O software escolhido como plataforma do Repositório UFPA Multimídia foi o
DSpace, desenvolvido pelo Massachusetts Institute o f Technology (MIT) e pela HewlettPackard (HP), considerado “um sistema inovador de biblioteca digital para capturar,
armazenar, indexar, preservar e redistribuir a produção intelectual de uma comunidade
científica em formatos digitais” (MARDERO ARELLANO, 2004). No Brasil, o IBICT é o
responsável por uma versão em português, disponível para download.
O Dspace dispõe de Comunidades, Subcomunidades e Coleções como elementos
responsáveis pela estrutura organizacional da plataforma. Leite (2009, p. 66) destaca que
“cada repositório institucional organiza seus conteúdos de maneira que melhor se ajuste às
necessidades”. Desse modo, as comunidades e subcomunidades do Repositório UFPA
Multimídia foram criadas por meio de dois referenciais: a Tabela de Áreas de Conhecimento
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)515 e parte da
estrutura organizacional da UFPA, com o objetivo de contemplar toda a comunidade
acadêmica da instituição, para que esta tivesse seu espaço para depositar os resultados de
pesquisas e facilitar a busca do usuário.
As Comunidades correspondem às oito áreas da Tabela do CNPq que são: Ciências
Exatas e da Terra; Ciências Biológicas; Engenharias; Ciências da Saúde; Ciências Agrárias;
Ciências Sociais Aplicadas; Ciências Humanas; Linguística, Letras e Artes. Além dessas, a
área Interdisciplinar. Cada uma dessas Comunidades divide-se em subcomunidades,
constituídas pelas subáreas.
515
A
Tabela
de
Áreas
de
Conhecimento
do
CNPq
está disponível
em:
&lt;http://www.cnpq.br/areasconhecimento/index.htm&gt;. Encontra-se também, no site do CNPq uma proposta para
discussão, versão preliminar da Nova Tabela das Áreas do Conhecimento, do ano de 2005. Disponível em:
&lt;http://www.cnpq.br/areasconhecimento/docs/cee-areas do conhecimento.pdf&gt;. Acesso em: 21 jan. 2014.

4515

�Como parte da estrutura organizacional da UFPA criou-se a Comunidade
Institucional e suas respectivas subcomunidades: Assessoria de Educação a Distância, UFPA
Multimídia e Universidade Multicampi.
Para a criação das coleções foi adotado o formato e o tipo dos recursos multimídia
dentre os quais destacam-se: animação/simulação; apresentação de aulas/ tutorial; áudio;
fotografia; e-book; ilustração/infográfico, artigo de periódico, jogos e vídeos.
A figura 1 ilustra as comunidades, subcomunidades e coleções.
Figura 1 - Representação da arquitetura da informação do Repositório UFPA

fonte: Produção dos autores

4516

�3.2 O padrão Dublin Cre e a seleção dos metadados
Metadados são elementos responsáveis por descrever um recurso eletrônico. Segundo
Sayão e Marcondes (2009) metadados podem ser categorizados como descritivos, já que
facilitam a descoberta, identificação, compreensão e seleção de recursos informacionais.
Para a seleção dos metadados foi realizada inicialmente, pesquisa no Código de
Catalogação Anglo-Americano (AACR2), de onde foi extraída a descrição dos suportes de
informação: gravações de som; filmes cinematográficos; gravações de vídeo, recursos
eletrônicos e outros. Essa ferramenta foi de suma importância para a definição dos metadados,
sendo possível identificar os pontos de acesso, para que a recuperação da informação dos
recursos multimídia fosse a mais completa.
Uma fonte importante também foi a Tabela de Créditos (NEVES, 2011) que elenca
inúmeras atividades a serem desenvolvidas por uma equipe que trabalha com a produção
audiovisual. Essa tabela facilitou a seleção dos créditos técnicos a serem recuperados no
momento da indexação, pois uma equipe de audiovisual é composta de vários profissionais
que atuam na produção desses recursos.
Para compor o conjunto de metadados do Repositório UFPA Multímidia utilizou-se o
padrão Dublin Core, que é definido como o conjunto de elementos de metadados planejado
para facilitar a descrição de recursos eletrônicos.
Esse conjunto descrito pelo padrão Dublin Core é composto de 15 elementos básicos
os quais possibilitam a criação de outros metadados, que são: título; autor ou criador; assunto
ou palavra-chave; descrição; publicador/editor; colaborador; data; tipo; formato; identificador
de recurso; fonte; idioma; relação; cobertura; direito autoral.
Desse modo, para alcançar um padrão ideal para a recuperação dos conteúdos foram
criados mais 32 metadados, resultando assim em um conjunto total de 47 metadados.
O quadro 1 apresenta o conjunto de elementos principais de metadados e suas
descrições utilizados no Repositório UFPA Multimídia.

4517

�Quadroi - Conjunto de Metadados do Repositório UFPA Multimídia.
M etadados
Elem entos de identificação Descrição
dc.title
Título
Nome dado ao conteúdo do recurso.
dc.title.alternative
Título alternativo
Título traduzido.
dc.contributor.author
Autor (es)
Entrada principal da obra podendo ser pessoa
física ou entidade. Nome pessoal e/ou
principal entidade responsável pela criação
do conteúdo do recurso
dc.contributor
Colaborador. Realização
Nome pessoal ou entidade/instituição que
atuou na realização do conteúdo do recurso
dc.contributor.other
Colaborador. Concepção
Nome do Projeto, Laboratório ou Grupo que
concebeu e desenvolveu o material, bem
como pessoas ou entidades que atuaram em
parceria e/ou apoio no desenvolvimento do
recurso.
dc.date.issued
Data de publicação
Data de publicação do recurso
dc.date.accessioned
Data da adesão
Automático
dc.date.available
Data da disponibilização
Automático
dc.location
Local
Local onde o conteúdo intelectual foi
produzido.
dc.description.abstract
Resumo
Resumo informativo incluindo os pontos
relevantes do conteúdo do recurso.
dc.description.abstract2 Abstract
Tradução do resumo para a língua inglesa.
dc.description.abstract3 Resumen
Tradução do resumo para a língua espanhola.
dc.description
Descrição
Breve descrição livre ou com os principais
tópicos sobre o conteúdo do recurso.
dc.descripition2
Description
Tradução para a língua inglesa da breve
descrição.
dc.descripition3
Descripción
Tradução para a língua espanhola da breve
descrição.
dc.subject
Assunto
Diversos assuntos do conteúdo do recurso.
Pode ser expresso em palavras-chave.
dc.subject2
Subject
Tradução para a língua inglesa dos assuntos.
dc.subject3
Asunto
Tradução para a língua espanhola dos
diversos assuntos.
dc.language
Idioma original
Idioma do conteúdo intelectual do recurso.
dc.language.voiced
Dublado em
Indicação de versão dublada do recurso.
dc.language. sub titled
Legendado em
Indicação de versão legendada do recurso.
dc.type
Tipo
Tipo e natureza do recurso (imagem, áudio,
vídeo, etc.).
dc.format
Formato
Manifestação física ou digital do recurso.
Exemplos: html, pdf, ppt, gif, xls.
Automático.
dc.format.extent
Tempo/T amanho
Tempo de duração ou tamanho/dimensão do
recurso.
dc.format.medium
Suporte
Tipo de suporte original utilizado na
elaboração do conteúdo.
dc.format.mimetype
Formato/MIME
Tipo de registro de identificadores MIME.
Automático.
dc.subject.cnpq
Área
do Área do conhecimento com base na Tabela
Conhecimento/CNPq
do CNPq.
dc.descripition4
Instruções
Instruções de uso sobre o recurso.
dc.descripition5
Instructions
Tradução para a língua inglesa.
dc.descripition6
Instrucciones
Tradução para a língua espanhola.

4518

�dc.contributor.credits

Créditos

dc.identifier.citation

Referência

dc.publisher

Publicador/Editor

dc.relation.uri

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Fomento

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dc.relation. ispartof
dc.relation. ispartofserie
s
dc.relation. isversionof

dc.relation. isbasedon

Nota
Relação
com
outros
recursos
Formato de
Relação
com
outros
recursos
Parte de
Relação
com
outros
recursos
Parte de: Série ou Coleção
Relação
com
outros
recursos
Versão de
Relação
com
recursos
Baseado em

outros

Campo de entrada dos seguintes créditos do
conteúdo: Direção Geral; Direção de Arte;
Roteiro e Produção
Referência do recurso de acordo com a NBR
6023:2002, da ABNT.
Entidade que tornou o recurso disponível.
Produtora (para imagens em movimento);
gravadora (para registros sonoros).
Endereço eletrônico; URL na qual o
conteúdo está sediado originalmente.
Pessoa ou entidade proprietária ou gestora de
direitos sobre o recurso.
Informações sobre os direitos detidos no
interior e sobre o recurso. Tipo de licença,
permissões e usos específicos licenciados.
Número Padrão Internacional de Livro
(ISBN)
Número Internacional Normalizado para
Publicações Seriadas (ISSN)
International Standard M usic Number
(ISMN)
Número de cadastro na Agência Nacional do
Cinema.
Informação sobre patrocínio, agências de
fomento ou arranjos contratuais.
Informação adicional sobre o recurso
O recurso descrito é o mesmo conteúdo
intelectual do recurso referenciado, porém
apresentado em outro formato.
O recurso descrito é uma parte física ou
lógica do recurso referenciado.
Título da série e/ou coleção e número dentro
dessa série e/ou coleção, se disponível.
O recurso descrito é uma versão ou nova
edição do recurso referenciado. Alterações na
versão implicam em alterações substanciais
no conteúdo e não diferenças de formato.
O recurso é uma performance, produção,
derivação, adaptação ou interpretação de
outro recurso.

Fonte: Produção dos autores

4 RESULTADOS FINAIS
A plataforma virtual do Repositório Institucional UFPA Multimídia foi apresentada à
Administração Superior da UFPA com interface concluída e alguns diferenciais, como vídeo
de apresentação do repositório e vídeos gravados com cada componente da equipe relatando
sua experiência. A figura 2 reproduz a interface do UFPA Multimídia.

4519

�Figura 2 - Print Screen da Interface do Repositório UFPA Multimídia.

Fonte: UFPA Multimídia. Disponívelem: &lt;http://www.multimidia.ufpa.br/jspui/&gt;.

Nessa ocasião, foi destacada a importância do repositório como forma da instituição
disponibilizar mais uma ferramenta para complementar a formação de estudantes
matriculados em cursos de educação a distância, estudantes dos campi do interior da UFPA e
para o público em geral. E ainda auxiliar os professores no processo de ensino-aprendizagem,
assim como favorecer ações de pesquisa e extensão.
Até 2012, foram concluídas 223 indexações na plataforma.
Ressalta-se a contribuição dos bibliotecários para registro desta experiência e pesquisa
sobre repositórios com a elaboração e apresentação do Manual dos elementos de metadados
Dublin Core para catalogação de material multimídia do Repositório Institucional UFPA
Multimídia, que tem como objetivo orientar os catalogadores e outros profissionais na
descrição dos objetos e registro em sua plataforma.
Houve a necessidade de criar e disponibilizar esse manual, pois o recurso multimídia
apresenta características específicas que exige uma catalogação diferenciada para recuperação
de dados, dificilmente encontrada em fontes de informação. Adotou-se o Código de
Catalogação Anglo-Americano (AACR2) para a padronização das descrições bibliográficas e
para a atribuição dos pontos de acesso. A norma para elaboração de referências - NBR
6023/2002, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também foi utilizada para
apresentação das referências de cada documento na plataforma. A figura 3 apresenta um
registro bibliográfico de um vídeo na plataforma do UFPA Multimídia.

4520

�Figura 3 - Print Screen do registro bibliográfico de um vídeo no Repositório UFPA
Multimídia.
y
O

r e p o s it ó r io

F u n c io n a m e n t o

P o lít ic a

M a is A c e s s a d o s

Links

C o n ta to s

m usa.

A C ER V O

E3E
UFPA MULTIMiOU
Por favor, u tiliz e ease id e n tifica d o r para cita r es te item ou usar com o link: &amp;ctp://ww&gt;r.akuIu&amp;ili&amp;.u:-p*.&amp;z/3apul/'k&amp;A&amp;lA/321654/B97

T ít u l o : Biblioteca de O b je to s M atem áticos: C u rv a d a Braquistócrona
V e b s o . J o s é M ig u e l.

A u t o r ( e s ) ; M a t t e r , M a n a A t a &lt;3
N a s c im e n t o , M á r c b .

Este trabalh o toi concebido e d ese nv o lv id o
: Laboratório de P e s c u is s e E x p e n m e rta ç ã c em M ultim ídia da A ssesso na de
C o n c e p ç õ o ; E du cação a D s t â r o a em parcen a com a equipe da Biblioteca de O b je to s M atem áticos da UFPA e o a p o r do projeto Acad em ia
A m azÕ ria. A concep ção p e d a ç -0 =a é de Márcio N a s d m e rto .

•

Este é um vídeo piloto que ex p ie s os fundam entos b á s e c s da Curva braquistócrona. um d os ob jeto s m ate má t e c s desenvolvidos
pela UFPA e disponível na Biblioteca de O bjetos M atem áticos da irStitLçáo. O professor Má roo Nascimento, que ap re s e rta o vídeo,
cham a a atençáo do espectador para o funcionam ento da Braquistócrcra. um a curva especial que em grego s g r if e a ’m enor
* te m p o '. O problem a d esta curva foi proposto por Bernoulli em 165*5 e corsiste em : Qual curva que dá a m a s rápida trajetória de
um a bola sob a açác da gravidade'’ Com o objeto m atem ático em c e ra . o ap re s e rta d o r de m c rstra que independente da posição
em que se colocam a s bolas, e s ta s deslizam e cnegam ao m esm o tem p e ao final da curva.
Curva braquistócrcra
Johann Bernoulli
Biblioteca de O bjetos M atem áticos
Universidade Federal do Pará CUFPA)

I d i u m á O rig in al: p t_ B R
Tem po/Tam anho; 04m ir e 27seg
D ireção G e ra l: M ira rd a . Fern an da C h o c ro r.
R o teiro: M iranda, Fern an da C h o c ro r; N ascim e nto. M árcio; D uarte . W ellm gtor E v a r g e ls t a .
C r é d it o s : D ireção de Arte A c q u e re lb Design.
D ireção d e Fotografia: S ilv a , M arce b Rodrigues.
Apresentação : N ascim e nto, M árcb.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. Assessona de Educação a Distância. Faculdade de M atem ática. Biblioteca de O bjetes
M atem áticos: Curva da Braquistócrcra. Autona d e José Miguel Martins V ebso; Mana Atakíe M afcher Márcio N ascim erte.
Fernanda C hocror
Miranda.
Belém:
UFPA.
2011.
1
video.
(04m in
e
2 7 seg ).
Disponível
em :
&lt; http://w w w .m ultim ídia.ufpa.br/Jspui’handle.&lt;'321654/897&gt; . Acesso em :

Referência: C oncepção e d ese rv elv im erto : Laberatóne de Pesquisa e Experim entação em Multimídia. Direçáo Geral:

Licença: Attribution-NonComm erda 1-ShareAJike 3.0 U rported da Creative C om m ons.
Aparece n as Co leçõe s: Vk

Fonte: UFPA Multimídia. Disponíve em:
&lt;http://www.multimidia.ufpa.br/jspui/handle/321654/897&gt;

Pretende-se, que este repositório se torne uma ferramenta de pesquisa da UFPA de
forma efetiva, promovendo a recuperação da informação científica de modo satisfatório e
facilitando o acesso do público em geral, em diferentes partes da região Amazônica, como em
diferentes lugares do mundo. Que seja um espaço de diálogo ciência-sociedade, possibilitando
que diferentes públicos realizem seu próprio método de construção do conhecimento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A criação do Repositório Institucional UFPA Multimídia possibilitou uma ampla
experiência no processo de gerenciamento de informação, sendo possível vivenciar cada etapa
de seu desenvolvimento. A contribuição dos técnicos de informática na customização e
configuração do Dspace foi imprescindível; diferentes ideias com a equipe de design,

4521

�comunicólogos e publicitários na confecção da webdesign do repositório foram agregadas,
assim como o conhecimento biblioteconômico foi compartilhado com todo o grupo.
Entre os desafios destacam-se: a) a descrição de recursos multimídia devido
apresentarem um extenso conjunto de dados a serem analisados; b) a definição das
comunidades e subcomunidades já que o propósito era de trabalhar com a estrutura
organizacional da instituição, que envolvia tanto a comunidade acadêmica quanto as unidades
administrativas; c) o estabelecimento de como estruturar as coleções que geralmente se
orienta classificar pelo tipo de documento ou coleções temáticas. Neste caso, optou-se pelo
tipo e formato do documento a que estão envolvidos os recursos multimídia.
Como diferencial nesse projeto é válido ressaltar as visitas às unidades administrativas
responsáveis pela criação desses recursos e resgatar os produtos que tinham sido previamente
selecionados pela equipe. Por se tratar de um conteúdo representado por vídeos e áudio,
principalmente, havia necessidade de assistir ou escutar os materiais e assim recuperar e
organizar as informações necessárias para a descrição do recurso.
Recomenda-se que as equipes em processo de criação de seus repositórios busquem
compartilhar experiências com outros grupos que estejam desenvolvendo ou já concluíram o
projeto de repositório. Essa iniciativa colabora para o fortalecimento futuro de um sistema
cooperativo entre repositórios, sejam eles institucionais ou temáticos.

REFERÊNCIAS
ALVES, Maria das Dores Rosa;

SOUZA, Marcia Izabel Fugisawa. Estudo de

correspondência de elementos metadados: Dublin Core e Marc 21. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 4, n. 2, p. 20-38, jan./jun. 2007.
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informação nos cursos de graduação. 2010. Edital n° 015/2010/CAPES/DED. Disponível
em: &lt;http://www.ufrgs.br/sead/editais/documentos/Edital15 2010 Fomento TIC DED.pdf&gt;.
Acesso em: 10 jan. 2014.
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acesso

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a

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caminho

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seguir.

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Disponível

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repositórios digitais. 2012. Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/informacao-para-cienciatecnologia-e-inovacao%20/repositorios-digitais&gt;. Acesso em: 20 nov. 2013.

4522

�KURAMOTO, Helio. Política institucional de informação: o que é isto? 2009. Disponível
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Acesso em: 10 dez. 2013.
LEITE, Fernando César Lima; COSTA, Sely. Repositórios institucionais como ferramentas
de gestão do conhecimento científico no ambiente acadêmico Perspect. Ciênc. Inf., Belo
Horizonte, v. 11, n.2, p. 206 -219, maio/ago. 2006.
LEITE, Fernando César Lima. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação
científica brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília, DF: IBICT, 2009.
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produção científica. Brasília: IBICT, 2012
MÁRDERO ARELLANO, Miguel Ángel. Repositórios institucionais Dspace. 2004.
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institucionais: alguns subsídios para a seleção. In: SAYÃO, Luis Fernando; TOUTAIN, Lídia
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Áreas

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UFPA

MULTIMÍDIA.

O

projeto:

qual

o

objetivo?

2012.

Disponível

em:

&lt;http://www.multimidia.ufpa.br/jspui/links/projeto-home.jsp&gt;. Acesso em: 14 abr. 2013.
ZIMBA, H. F.; MUELLER, S. P. M. Colaboração internacional e visibilidade científica de
países em desenvolvimento: o caso da pesquisa na área de medicina veterinária em
Moçambique. Informação e Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 14, n. 1, p. 45-68, jan./jun.
2004.

Disponível

em:

&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/71/1544&gt;.

Acesso em: 5 jan. 2014.

4523

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                <text>Relata a experiência de bibliotecários no desenvolvimento do Repositório Institucional UFPA Multimídia criado com o objetivo de depositar materiais nos formatos multimídia: vídeo, áudio e imagem, produzidos pelo Laboratório da Assessoria de Educação a Distância (Lab. AEDI), bem como em outras unidades envolvidas com multimídias como a Academia Amazônia e Rádio Web UFPA, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O repositório é uma ferramenta virtual de gerenciamento de informações que utiliza o software Dspace e seus elementos de metadados do padrão Dublin Core. Aborda a criação de comunidades, subcomunidades e coleções, o processo de seleção dos metadados, a indexação preliminar e a elaboração do Manual dos Elementos de Metadados do padrão Dublin Core.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PLANO ESTRATÉGICO DE MARKETING DA BIBLIOTECA OCTÁVIO
BARBOSA, DO SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL
Rebecca dos Santos Dias
Roberta Pereira da Silva de Paula
RESUMO
O presente trabalho se insere na linha de pesquisa sobre Organização e Serviços de
Informação. Tem como objetivo apresentar o plano estratégico de marketing da Biblioteca
Octávio Barbosa, do Serviço Geológico do Brasil, tendo como principal propósito a
divulgação de ações. A compreensão dos conceitos principais de marketing permite a
utilização do planejamento e das ferramentas disponíveis para criação e aplicação de um
plano de ação. Os resultados apresentam alguns instrumentos de comunicação de marketing
que permitem a divulgação dos serviços e produtos disponíveis na Biblioteca. Assim, a
elaboração de um plano de marketing constitui um relevante instrumento para o aumento da
qualidade dos serviços que a Biblioteca dispõe.
Palavras-chave: Marketing em Bibliotecas; Marketing de Serviços; Plano de Marketing;
CPRM.
ABSTRACT
This work belongs to the line of research about Organization and Information Services. It has
as objective to present the strategic marketing plan Octavio Barbosa Library, the Geological
Survey of Brazil, with the primary purpose of the dissemination actions. The understanding of
key marketing concepts allows the use of planning and the tools available for creating and
implementing a plan of action. The results present some tools of marketing communication
that allow the dissemination of services and products available in the Library. Thus, the
development of a marketing plan is an important tool for increasing the quality of services
that the library offers.
Keywords: Marketing Libraries; Marketing Services; Marketing Plan; CPRM

1 INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas os princípios de marketing se intensificaram e estão presentes nas
mais diferentes organizações com ou sem fins lucrativos, tais como: ONGs, igrejas, museus,
bibliotecas, dentre outras.

3232

�O marketing em bibliotecas tornou-se imprescindível diante da sociedade atual, que
faz levantar questões como: qual o valor da biblioteca para a sua comunidade? Qual
relacionamento é estabelecido entre a biblioteca e seus usuários?
É importante destacar que o marketing é um processo dinâmico e resultante de ações
integradas, o que exige a atuação de todos da organização, com o fim de que as metas sejam
alcançadas e o foco na satisfação do cliente e do mercado nunca seja perdido. Trata-se de um
instrumento gerencial contínuo, e a tarefa da administração de marketing é influenciar o nível,
a ocasião e o tipo de demanda, de modo que a organização possa atingir seus objetivos.
Para Kotler e Keller (2006) a comunicação de marketing é o meio pelo qual as
empresas buscam informar, persuadir e lembrar os consumidores - direta ou indiretamente sobre os produtos e marcas que comercializam. Seis itens podem ser determinados no Mix de
Comunicação de marketing, conforme os exemplos a seguir:
•

Propaganda - Anúncio impresso e eletrônico, catálogos, outdoor.

•

Promoção de vendas - Brinde, sorteio, exposição.

•

Eventos e experiências - Diversão, arte, visitas.

•

Relações Públicas - Kit para a empresa, palestras, revista corporativa.

•

Vendas Pessoais - Apresentação de vendas, reuniões, amostras.

•

Marketing Direto - Telemarketing, venda pela TV.
O aumento das atividades de serviços, tal como sua disponibilidade, propulsionou a

prática para além do setor lucrativo. Dessa maneira, a utilização do marketing torna-se
importante também para organizações e instituições sem fins lucrativos, pois através dele é
possível valorizar o produto ou o serviço oferecido. No marketing de Serviços existe a
preocupação fundamental com a qualidade, que representa o diferencial em relação ao
marketing de produtos.
É necessário ressaltar que os objetivos de uma proposta de marketing devem ser,
sobretudo, realistas, concretos, mensuráveis e bem definidos no tempo. Diversas ferramentas
para análise de cenário, internas e externas a organização, como a Análise SWOT (Strengths,
Weaknesses, Opportunities e Threats), devem ser aplicados para que com o conhecimento da
situação real proporcione uma adequada proposta.
A fundamentação teórica do processo de marketing demonstra que pode ser aplicado a
organizações como Bibliotecas e ampliar, assim, a comunicação com seu público alvo. Nesse
sentido, este trabalho tem como objetivo apresentar o plano estratégico de marketing da

3233

�Biblioteca Octávio Barbosa, assim como divulgar as ações que estão sendo desenvolvidas no
decorrer no plano.
Criada em 1971, com o objetivo de promover a informação especializada em
geociências para a comunidade técnico-científica gerada pela CPRM, a Biblioteca Octavio
Barbosa - Biblioteca Central da Rede Ametista, Rede de Bibliotecas do Serviço Geológico do
Brasil contempla dois acervos diversificados e volumosos, onde as coleções de documentos
convencionais - como obras de referências, livros, teses, dissertações e periódicos - estão
incorporadas a uma área de aproximadamente de 470m2. Já o acervo de multimeios contempla
uma significativa coleção de documentos fotocartográficos, ocupando uma área de
aproximadamente de 440m2.
A Biblioteca Octávio Barbosa tem como missão fomentar e incentivar a utilização de
dados e informações, contribuindo para o desenvolvimento geocientífico da sociedade. Sua
visão é contribuir para transformar o Serviço Geológico do Brasil em centro de excelência no
país na disseminação de dados e informações geocientíficas.
Os objetivos principais são: atuar como depositária da produção técnico-científica da
empresa, processar a informação técnica, gerenciar as coleções e em especial promover a sua
disseminação e disponibilização para o universo de usuários.
Por seguinte apresentamos os princípios conceituais sobre o marketing em bibliotecas,
seguido do plano estratégico de marketing que poderão trazer importantes contribuições para
que outras bibliotecas ou unidades de informação possam elaborar ou atualizar o seu próprio
plano.

2 O MARKETING EM BIBLIOTECAS
Muitos são os conceitos referentes à utilização do marketing em Bibliotecas. A seguir
serão apresentados alguns destes conceitos básicos.
A adoção de marketing em organizações que não visam o lucro, como as bibliotecas e
unidades de informação, tem se ampliado devido à crescente necessidade que estas
organizações encontram com as mudanças e a concorrência, e por isso buscam maior eficácia
de seus serviços.
O marketing de serviços apresenta uma abordagem dinâmica, pois os serviços são
intangíveis e indicam que a relação e interação com o cliente é de caráter simultâneo. Como a
função principal do marketing é a satisfação dos desejos do mercado-alvo, a aplicação do
marketing em Bibliotecas surge com o propósito de aumentar a qualidade dos serviços
prestados e transformar positivamente a imagem da organização.

3234

�Para Weinstock (1976 apud Amaral e Silveira, 1993) o essencial na aplicação das
técnicas de marketing em bibliotecas é começar com as observações ou hipóteses baseadas na
avaliação das necessidades e desejos dos usuários. A biblioteca deve esclarecer e identificar
sua função para si mesma e para o meio em que está inserida. Através do marketing, a
biblioteca é capaz de convencer a organização em que está vinculada e a comunidade a
respeito da importância e utilidade de seus serviços.
Para a implantação do marketing em Bibliotecas, medidas gerenciais e administrativas
deverão ser tomadas. Algumas destas ações são: análise e identificação de mercado, definição
de estratégias, otimização do uso da informação e a interação com outros setores.
Kotler (1989) afirma que as rápidas mudanças tecnológicas são as causas da procura
das bibliotecas pelo marketing. O mesmo autor afirma que existem sete situações de demanda
em que o marketing pode influenciar. A que mais encontramos atualmente em unidades de
informação é a demanda declinante, que pode ser reestimulada através de novos mercadosalvo, transformando as características das ofertas ou desenvolvendo comunicações mais
eficazes.
Como no marketing de Serviços existe preocupação fundamental com a qualidade,
Kotler (1989) salienta que deverão ser aplicadas técnicas adicionais de marketing para o caso
dos serviços. Os elementos estratégicos que são incluídos no marketing Mix para os bens
(produto, distribuição, preço e comunicação), serão acrescidos de mais três (pessoas, processo
e evidência física).
As mudanças na área de Biblioteconomia fizeram com que o foco maior da atividade
seja sempre o usuário, pois não há finalidade no ofício do bibliotecário se a informação não
for disseminada e chegue a quem precisa. Por isso, o trabalho de um bibliotecário não é tão
distinto do ofício de um vendedor que convence o cliente a comprar determinado produto que
se adeque a sua necessidade.
A utilização do marketing pode trazer diversos benefícios à biblioteca. Através dele
passa-se a questionar o relacionamento entre a biblioteca e o público e favorece a relação de
troca entre eles, obtendo com isso a fidelidade e o reconhecimento. Ao buscar as estratégias
de marketing, os funcionários quebram o imobilismo tradicional que tanto se caracteriza no
profissional bibliotecário. Além disso, a organização encontra no marketing os recursos para
demonstrar à comunidade a importância de sua razão de existir.
Os princípios apresentados acima sobre o marketing em bibliotecas fornecem
conceitos que possibilitarão as análises para estruturar um Plano Estratégico de Marketing
para bibliotecas e unidades de informação.

3235

�2.1 O Plano de Marketing
O Plano de Marketing é a parte onde deve estar prescrita a identificação das
informações, a análise e os resultados do processo de definição de estratégias e o modo como
elas serão implantadas. Segundo Westwood (1996) o Plano de Marketing é como um mapa
que revela à organização a direção a seguir e as estratégias utilizadas para se chegar aonde
deseja.
A ausência de um Plano de Marketing pode acarretar em falta de organização, falta de
coordenação entre os elementos escolhidos e também perda de oportunidades. O Plano de
Marketing deverá conter a missão e a visão da organização, indicando o segmento dos
utilizadores, as estratégias a serem aplicadas e a avaliação das atividades desenvolvidas.
Na criação e aplicação de marketing é de extrema importância conhecer a Biblioteca
que receberá a proposta. O marketing só pode ser aplicado com conhecimento completo da
situação da biblioteca, o que se pode classificar como um mapeamento, a fim de que as
estratégias sejam bem estabelecidas, agindo de maneira eficaz.
A proposta do marketing será delimitada pela missão da Biblioteca e projetada pela
visão da mesma, assim como os objetivos que serão norteadores no processo.

2.2 O Plano de Marketing da Biblioteca Octavio Barbosa
A Biblioteca Octavio Barbosa possui metas e objetivos que deseja alcançar em prol da
otimização de seus serviços. Na decisão de aderir ao marketing, a elaboração de um Plano de
Marketing é essencial para que as atividades estratégicas estejam claras e bem definidas.
Tomamos como base para a formação do nosso plano estratégico de marketing o método de
estudo estabelecido por Breda (2012). A seguir apresenta-se a estrutura do Plano.

1 - Apresentação O principal objetivo da Biblioteca Octavio Barbosa é disponibilizar
informações geológicas para a comunidade técnico-científica, geradas na CPRM - Serviço
Geológico do Brasil. Este Plano de Marketing busca oferecer um mapeamento da Biblioteca
que permite a análise de aspectos negativos, reforços dos aspectos positivos e propostas de
inovações na gestão objetivando a excelência nos serviços de recuperação da informação.

2 - OBJETIVOS DO MARKETING
Objetivo 1: Promoção e divulgação. A Biblioteca pretende divulgar e promover seus
serviços ao passo que se tornem conhecidos por seu segmento-alvo.

3236

�Objetivo 2: Imagem e reafirmação. A Biblioteca almeja transformar a imagem de seus
serviços e reafirmar sua função dentro da organização e da comunidade.
Objetivo 3: Qualidade. A Biblioteca pretende usar táticas para aprimorar a qualidade
de seus serviços.

3 - ANÁLISE AMBIENTAL: AMBIENTE INTERNO E EXTERNO
A análise ambiental é realizada através da Análise SWOT
•

Forças (ambiente interno) - localização, instalações da biblioteca, imagem da
instituição, grande quantidade de recursos informacionais, equipe dinâmica, recursos
tecnológicos adequados, espírito de colaboração entre a equipe;

•

Oportunidades (ambiente interno) - praticamente não há concorrência, parcerias,
convênios, conferências, emergência de novas competências e saberes;

•

Fraquezas (ambiente externo) - verbas governamentais, ausência de estudos de
avaliação de serviços, ausência de convênios com outras instituições, ausência de
estratégia de marketing, falta de um canal de comunicação direta com o público alvo,
ausência de planejamento estratégico;

•

Ameaças (ambiente externo) - mudanças tecnológicas, ausência de inserção nas redes
sociais, verbas governamentais insuficientes.

4 - SEGMENTAÇÃO DO MERCADO - SEGMENTO ALVO
O mercado alvo ou segmentação do mercado da Biblioteca Octavio Barbosa é formado
por empregados, estudantes, consultores, pesquisadores, professores, instituições e a
comunidade em geral.

5 - POSICIONAMENTO
A Biblioteca Octavio Barbosa objetiva alcançar um bom posicionamento perante os
segmentos envolvidos e fortalecer a sua imagem, de modo que pontos positivos sobressaiam.
Nesse sentido, realizamos um estudo de usuários com o objetivo de diagnosticar as
necessidades informacionais de usuários.

6 - ORÇAMENTO
O orçamento é previsto no planejamento estratégico anual.

3237

�7 - IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO
Uma vez estabelecidos os objetivos, é essencial também determinar ações para
alcançá-los. Para o cumprimento dessas ações o processo deve estar explanado de forma clara,
em que o prazo, o responsável e o custo da ação sejam citados. O Plano de Ação de Marketing
pode ser resumido conforme a exemplificação abaixo.

Descrição da ação: Divulgação de um novo serviço
Responsável: Chefia da Biblioteca
Custo estimado: R$ 1.400,00
Cronologia: em seis meses
Observações complementares: Elaboração de banner, folder e marcadores de página.

8 - AVALIAÇÃO
A avaliação deverá ser realizada periodicamente com o objetivo de avaliar os
resultados e adotar medidas para assegurar que os objetivos sejam alcançados.

9 - MARKETING-MIX:
As variáveis de promoção das organizações, compostas por sete P’s, conforme Kotler
(1989) serão aplicadas na Biblioteca. São eles: Produto, Preço, Distribuição, Pessoas,
Processo, Evidência Física e Comunicação.
•

Produto ou serviços
Assim como toda unidade de informação, a Biblioteca oferece diversos produtos e

serviços de acordo com os setores de aquisição, processamento técnico, referência e
multimeios, tais como: seleção, desbaste e descarte de publicações, COMUT, normatizações,
pesquisas bibliográficas, dentre outros.
•

Preço
A Biblioteca Octavio Barbosa, além de oferecer serviços, também trabalha com a

venda de produtos, como: mapas e livros. Os preços são determinados pela instituição.
•

Distribuição
A Biblioteca Octavio Barbosa está situada no prédio da CPRM no Rio de Janeiro e

está distribuída em parte central e multimeios.
•

Pessoas

3238

�O grupo de pessoas na Biblioteca Octavio Barbosa é composto por Bibliotecários,
Apoio Técnico e Estagiários.
•

Processo
A gestão realizada com qualidade é essencial para eficácia da organização. Para esta

gestão é necessário estabelecer instruções internas, procedimentos a serem seguidos e tutoriais
específicos. No momento a Biblioteca está atualizando suas instruções.
•

Evidência física
Positivos: espaço acolhedor, silencioso, temperatura agradável, mesas de estudo,

limpeza.
Negativos: pouca sinalização.
•

Comunicação
A informação exige clareza para ser transmitida aos usuários afim de que a

comunicação não seja complexa. Ela deve existir para que a Biblioteca torne conhecidos seus
serviços, suas vantagens e indique aos usuários como obter esses serviços. O principal meio
de comunicação da Biblioteca ocorre através de e-mail.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para alcance do objetivo utilizou-se inicialmente a pesquisa bibliográfica, onde se fez
o levantamento dos principais conceitos de marketing em bibliotecas para identificar os
parâmetros para estruturação do plano estratégico de marketing. Em seguida elaboramos um
esquema de eventos da biblioteca que serão utilizados ao longo do ano, conforme a seguir.
Como meio de ampliar sua comunicação, no quadro acima estão elencadas propostas
de eventos que estão sendo realizados na Biblioteca Octavio Barbosa.
As ações do plano estratégico de marketing iniciaram em 2013 e são desenvolvidas
pela equipe da Biblioteca. Sempre atuamos em colaboração com outros setores da empresa,
tais como: divisão de editoração, divisão de marketing e divisão de informática, que auxiliam
nas ações do plano.
Identificamos os eventos mais pertinentes a partir de sugestões dos próprios clientes e
partir de demandas internas.

3239

�Quadro 1: Esquema de eventos a serem realizados ao longo do ano

E v en to

N om e
E v en to

do

O b jetiv o

P erio d icid a d e

Novas
Aquisições

Novidades na Conhecer
o Quadrimestral
Biblioteca
acervo recémincorporado

L ocal

M aterial

Biblioteca

Faixa
de
chamada

Eventos
de Congresso
Divulgar
os Ocasionalmente Congressos,
Geociências
Brasileiro de serviços
feiras,
simpósios
Geologia
informacionais
e os produtos
de
Geociências
da CPRM para
o público
Promover
a Anual
Encontro com Conversa
Biblioteca;
escritores
Literária com troca
de
Auditório
Autor
informações
entre autores e
leitores
Lançamento de Conhecer e
Ler:
livros
Lançamento
de Livro
Seminários
II Encontro da
Rede Ametista

Concursos

Trazer
atualidades
biblioteca

Semestral

Datas
comemorativas

Dia
do
Bibliotecário;
Aniversário
da CPRM;
Aniversário
da Biblioteca
Ambientação da Conhecendo a
Biblioteca
Biblioteca da
CPRM

Destacar
e Mensal
prover
informações
sobre a área
comemorativa

Datashow
transmissão
online

Biblioteca

Datashow,
brindes

Auditório

Folder,
blocos, pasta,
caneta,
marcadores

Biblioteca

Enquete
virtual

Biblioteca

Cartaz,
mural,
digital

a

Promover
Bienal
encontros entre
pesquisadores,
estudantes,
funcionários e
afins.
Como deve se Escolha
de Eventualmente
chamar?
nome para um
novo serviço

Folder

Ambientar os Ocasionalmente Biblioteca
novos
funcionários

tela

Folder com
guia

Fonte: As autoras

4 RESULTADOS
Apresentamos a seguir as ações de promoção e divulgação que a Biblioteca Octávio
Barbosa vem realizando através da comunicação de marketing.

3240

�No desenvolvimento das ações do plano foram observados aumentos referentes à
procura dos serviços pessoalmente e através de e-mails, que são contabilizados através de
relatórios estatísticos de frequência de uso.

Os resultados são avaliados de maneira

quantitativa e qualitativa.

No contexto da propaganda, estruturamos um banner e um anúncio eletrônico.
F i g u r a 1: B a n n e r

p a d r o n iz a d o

O Banner foi desenvolvido com o apoio da divisão de editoração da instituição,
divulgando informações sobre os serviços e produtos da Biblioteca.

F i g u r a 2: An ú n c io

e l e t r ô n ic o

I jc ia m a is ,
le ia s e m p r e !
A Biblioteca O ctávio B a rb o sa disponibiliza livros de
literatura para todos o s c olaborad ores do ER J.

Do c lássico ao best-seller!

P a s s e na biblioteca, faça se u em préstim o e
aproveite a leitura.

“A leitun de um Lcsn livro é um diálcgo incessente:

O anúncio eletrônico oi desenvolvido com o apoio da divisão de informática e
distribuído via e-mail institucional, divulgando uma ação de incentivo a leitura para os
funcionários da instituição. De maneira espontânea tivemos um retorno imediato a essa ação
através do e-mail da Biblioteca, conforme abaixo:

3241

�Cliente 1 : Gostei muito! O incentivo a leitura é o primeiro passo a grandes
conquistas!
Cliente 2: Que ótima notícia! Vou ficar freguesa. Parabéns e sucesso!
Cliente 3: Poderiam enviar a lista para escolher? Adorei a ideia!
Cliente 4: Que legal! Não sabia! Achei que era só de geologia...

Ou t r a

a ç ã o e m d e s e n v o l v im e n t o é a p r o m o ç ã o d a b i b i o t e c a a t r a v é s d e e v e n t o s

NA ÁREA DE GEOCIÊNCIAS .

NA

QUAL OS BIBLIOTECÁRIOS, EVENTUALMENTE, APRESENTAM

OS SERVIÇOS E PRODUTOS DA BIBLIOTECA EM STANDS DE CONGRESSOS .

APÓS

ESSE TIPO DE

AÇÃO AS SOLICITAÇÕES VIA E - MAIL DOBRAM .

F igura 3:

foto do stand da biblioteca em congresso

F onte: B log da CPRM
OUTRAS AÇÕES ESTÃO SENDO DESNVOLVIDAS NO
EVENTOS, DESTACAMOS AS SEGUINTES :
Am b ie n t a ç ã o d e n o v o s f u n c i o n á r io s a t r a v é s d e

CONTEXTO DO NOSSO ESQUEMA DE
v is i t a s g u i a d a s ; p r o m o ç ã o e m

DATAS COMEMORATIVAS ATRAVÉS DE ANÚNCIO ELETRÔNICO , DISTRIBUIÇÃO DE FOLDERS
COM O REGULAMENTO DA BIBLIOTECA , DENTRE OUTRAS AÇÕES .

APÓS

ESSAS AÇÕES DE PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO É POSSÍVEL OBSERVAR UM AUMENTO

SIGNIFICATIVO NA UTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA DE MANEIRA PRESENCIAL OU
VIRTUAL, ATRAVÉS DA FREQUÊNCIA DE USO .

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta construção, objetivou-se esclarecer os conceitos essenciais a respeito do
marketing e sua utilização em Bibliotecas, e obter subsídios para a elaboração de um plano

3242

�estratégico de marketing, no qual pretende servir de apoio para inovações na comunicação e,
assim, obter resultados, como o aumento da demanda e o reconhecimento da comunidade e
seu público alvo.
A literatura mostrou que é cada vez mais importante a utilização do marketing em
Bibliotecas e Unidades de Informação devido a constantes mudanças informacionais e
tecnológicas que ampliam a concorrência.
Viu-se que o marketing também funciona como um grande mecanismo para conhecer
as necessidades do segmento-alvo de uma organização onde o foco é o serviço. Com isso, a
biblioteca torna-se apta a aumentar a qualidade de seus serviços, alcançando melhor seus
objetivos e garantindo uma clientela fiel.
Nesse sentido, identificamos no mix de comunicação à importância da distribuição de
treinamentos constantes e divulgação de catálogos, boletins, folhetos, tutoriais, assim como a
promoção de palestras, visitas guiadas, exposições e sorteios, dentre outros recursos para
diferentes segmentos que se deseja alcançar.
O quadro Lista de Eventos na Biblioteca revelou variadas propostas de eventos para as
Bibliotecas e Unidades de Informação no qual podem ser utilizadas em variados contextos de
relevância estratégica.
A construção de um Plano de Marketing da Biblioteca Octavio Barbosa fez-se
essencial para o esclarecimento das estratégias que deverão ser utilizadas e do controle que
deverá ser periodicamente realizado.

6 REFERÊNCIAS
AMARAL, Sueli Angélica do; SILVEIRA, Amélia. Marketing em unidades de informação:
estudos brasileiros. Brasília: IBICT, 1993.
BREDA, Maria da Graça Mónica. O plano de marketing em serviços públicos: aplicação aos
SBIDM da UA. Orientadora: Cláudia Sofia Magalhães de Carvalho. Aveiro, 2012. 132f.
Dissertação (Mestrado em Administração e Gestão Pública)-Departamento de Ciências
Sociais, Políticas e do Território, Universidade de Aveiro, Aveiro, 2012.
KOTLER, Philip. Princípios de Marketing. Editora: Prentice-Hall, 1989.
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. 12. ed. São Paulo:
Pearson Prentice - Hall, 2006.
WESTWOOD, John. O Plano de Marketing. 2. ed. São Paulo: Makron, 1996.

3243

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Dias, Rebecca dos Santos, Paula, Roberta Pereira da Silva de</text>
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                <text>O presente trabalho se insere na linha de pesquisa sobre Organização e Serviços de Informação. Tem como objetivo apresentar o plano estratégico de marketing da Biblioteca Octávio Barbosa, do Serviço Geológico do Brasil, tendo como principal propósito a divulgação de ações. A compreensão dos conceitos principais de marketing permite a utilização do planejamento e das ferramentas disponíveis para criação e aplicação de um plano de ação. Os resultados apresentam alguns instrumentos de comunicação de marketing que permitem a divulgação dos serviços e produtos disponíveis na Biblioteca. Assim, a elaboração de um plano de marketing constitui um relevante instrumento para o aumento da qualidade dos serviços que a Biblioteca dispõe.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ABORDAGEM CONTEMPORÂNEA PARA A GESTÃO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS

Simone Faury Dib
Clóvis Ricardo Montenegro de Lima

RESUMO
Apresenta as formas de administração utilizadas nas bibliotecas universitárias brasileiras, na
sociedade contemporânea, divulgadas no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias.
Propõe alternativa para a gestão das bibliotecas universitárias brasileiras - a Administração
discursiva - , abordagem crítica da Administração, desenvolvida com base nas teorias do Agir
Comunicativo e do Discurso de Jürgen Habermas, coerente com as demandas atuais. Discorre
sobre os principais aspectos da Administração discursiva, a partir das teorias habermasianas.
Aborda a administração das bibliotecas universitárias, com base na literatura, visando mostrar
breve histórico sobre o tema. Expõe os resultados da pesquisa empírica realizada nas
comunicações orais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, nos anos de 2004,
2008 e 2012, revelando que a maioria das formas de administração contempladas na amostra
tem relação com as abordagens contemporâneas da área de Administração, indicando vínculo
entre esta área e a Biblioteconomia, e sugerindo predominância da racionalidade instrumental
nessas organizações. Apresenta argumentos que podem favorecer a implantação da
Administração discursiva nas bibliotecas universitárias brasileiras, no intuito de incentivar a
reflexão e o debate sobre a administração das bibliotecas na sociedade contemporânea.

Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Administração de bibliotecas. Administração
discursiva. Teoria do Agir Comunicativo. Ética do Discurso.

ABSTRACT
It presents the many forms of administration employed by Brazilian academic libraries, in
contemporary society, as was disclosed during the Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias (SNBU). It brings an alternative proposition for the management of the
Brazilian academic libraries - the Discursive administration - a critical approach of
Administration expanded from Jürgen Habermas’ Theory of Communicative Act and
Discourse, consistent with the current demands. It describes the main aspects of the
Discursive administration drawn up from the habermasian theories’ viewpoint. It addresses
the management of academic libraries, based on the literature, with the purpose to
demonstrate a brief history about the theme. It also reports the results of an empirical research
extracted from the oral presentations during the 2004, 2008 and 2012 SNBU, revealing that
the many forms o f administration encountered in the sample are related to the contemporary
approaches to the Administration area, which indicates the link between that area and the
Librarianship, and denotes a greater emphasis on instrumental rationality in such institutions.
It presents considerations that would favor the implementation of the Discursive

656

�administration in the Brazilian academic libraries in order to encourage the reflection and
discussion on the administration of libraries in contemporary society.

Keywords: Academic library. Administration of libraries. Discursive administration. Theory
of Communicative Act. Discourse Ethics.

1 INTRODUÇÃO
A

sociedade

da informação

surge

articulando-se

com

importante

revolução

tecnológica, a das tecnologias de informação e comunicação. As mudanças provocadas pelo
novo cenário atingem, de forma profunda, indivíduos, empresas, organizações e países.
As atividades acadêmicas, assim como a natureza do empreendimento em educação
superior, também são afetadas. Nesse contexto, impõem-se mudanças estruturais à
universidade, cuja vocação precípua é a formação de cidadãos que promovam o
desenvolvimento do país - as quais provocam rupturas em seus modelos estabelecidos.
Os reflexos dessas transformações atingem a universidade como um todo, o que inclui
as bibliotecas universitárias. Estas, consideradas organizações complexas, possuem funções
diversas, que convergem para o objetivo principal de apoiar as atividades de ensino, de
pesquisa e de extensão da universidade a que estão vinculadas.
Por não se constituírem em organizações autônomas, as bibliotecas universitárias
sofrem influências, tanto internas quanto externas, do ambiente em que atuam. Desta forma,
precisam constantemente acompanhar as mudanças, sejam tecnológicas, econômicas, culturais
etc.; estar em consonância com as políticas e diretrizes da universidade mantenedora;
desenvolver iniciativas que atendam aos novos requisitos, necessidades e expectativas dos
usuários; e promover a comunicação tanto interna quanto externa.
Para alcançar esses objetivos, é fundamental incorporar novas filosofias e práticas de
trabalho. É condição sine qua non que o modelo de gestão adotado pela biblioteca valorize a
interação e a comunicação efetiva entre os indivíduos, uma vez que a comunicação interna
eficiente favorece a comunicação externa, tornando-a adequada e produtiva.
Pretende-se com este artigo mostrar as formas de administração utilizadas nas
bibliotecas universitárias brasileiras, na sociedade contemporânea, divulgadas no Seminário
Nacional de Bibliotecas Universitárias. Apresenta-se, ainda, uma alternativa para a gestão
dessas bibliotecas: a Administração discursiva - abordagem crítica da Administração,

657

�desenvolvida com base nas teorias do Agir Comunicativo e do Discurso de Jürgen
Habermas63.
No referencial teórico são apresentados os principais aspectos da Administração
discursiva, além de breve histórico sobre a administração das bibliotecas universitárias
brasileiras. Em seguida, são revelados os resultados da pesquisa empírica que apontam para as
tendências relacionadas à administração

dessas bibliotecas.

Por fim, apresentam-se

considerações sobre a possibilidade da implantação da Administração discursiva nas
bibliotecas universitárias brasileiras.

2 PRINCIPAIS ASPECTOS DA ADMINISTRAÇÃO DISCURSIVA
Ao longo do último século, vários teóricos se dedicaram a questionar e a desconstruir
o conceito de “razão”, principalmente a partir da chamada “guinada linguística” . Jürgen
Habermas, ex-assistente de Adorno e herdeiro intelectual da Escola de Frankfurt, pode ser
considerado um dos grandes filósofos do século XX. Suas investigações filosóficoepistemológicas e interdisciplinares o conduzem à ideia da Teoria do Agir Comunicativo, que
rompe dialeticamente a relação com a filosofia tradicional, configurando-se como pensamento
pós-metafísico.
A Teoria do Agir Comunicativo está apoiada numa concepção de linguagem e
entendimento, em que o agir comunicativo está relacionado ao uso da linguagem dirigida ao
entendimento e aponta para uma argumentação em que os participantes justificam suas
pretensões de validade. Nesse contexto, Habermas propõe a Ética do Discurso como um
paradigma que favorece as interações intersubjetivas “ [...] capazes de conjugar consenso e
crítica para uma pedagogia da competência comunicativa linguisticamente estruturada no
processo discursivo capaz de proporcionar entendimento mútuo.” (TESSER, 2001, p. 136).
Segundo Habermas (1989), a discussão prática ocorre quando o modo de agir carece
de fundamentação de natureza coletiva e as pessoas precisam chegar a uma decisão comum
sobre suas ações e têm que tentar convencer-se mutuamente de que é interessante para cada
um que todos ajam de determinada forma. Nesse processo, cada indivíduo indica ao outro as
razões pelas quais ele defende que determinado modo de ação se torne socialmente
obrigatório. Cada indivíduo tem de se convencer de que a norma proposta é igualmente boa

63 O artigo foi elaborado tendo por base dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em
Ciência da Informação, convênio entre o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e a
Universidade Federal do Rio de Janeiro/Escola de Comunicação.

658

�para todos. A discussão pode criar argumentos que legitimem a decisão de orientações para a
ação coletiva e acordos práticos.
A Teoria do Agir Comunicativo e a Ética do Discurso, de Jürgen Habermas,
contribuem com subsídios para o desenvolvimento de abordagem não funcionalista da
Administração, baseada na discussão argumentativa como forma de mediar situações de
conflito de poder e fixar ações comuns. Para Lima, Lima e Moreira (2010, p. 689),

[...] a mudança de perspectiva da filosofia da consciência para a
filosofia da linguagem, especialmente com o uso da Teoria do Agir
Comunicativo de Habermas, constitui-se em poderoso instrumento de
crítica da Administração. O abandono da visão funcionalista e
instrumental pode ser compensado por uma avaliação e uma
reconstrução dos modos de ação nos contextos organizacionais a
partir dos recursos dos mundos da vida dos seus participantes, mais
amplos e mais complexos do que a visão do observador nãoparticipante e do participante não-crítico. A inclusão discursiva das
perspectivas críticas pode contribuir para uma abordagem racional
ampliada das situações organizacionais. (LIMA; LIMA; MOREIRA,
2010, p. 689).
Na Administração discursiva, denominação adotada por Lima, Carvalho e Lima
(2010), podem ser construídos valores e normas comuns. Esta forma de administração, que
valoriza a relação intersubjetiva entre todos os indivíduos e de forma igualitária, prioriza a
tomada de decisão coletiva e consensual, sem qualquer tipo de coação, possibilitando a
aprendizagem, a melhoria de processos e a inovação. Segundo Lima, Carvalho e Lima (2010,
p. 1), “A inclusão dos participantes aumenta a complexidade da organização, que resulta em
colaboração com autonomia e vincula as finalidades da organização ao mundo da vida,
tornando-a capaz de produzir riqueza e bem-estar socialmente distribuídos.”
Ressalta-se que, na Administração discursiva, todos os membros da organização
participam de seus processos, não apenas executando tarefas, mas também compartilhando
informações e pensando os problemas de forma crítica, buscando soluções e acordos práticos.
Além disso, essa forma de administração influencia as relações do sistema com o seu entorno,
na medida em que favorece a interação, baseada no respeito e no diálogo, com os atores
externos (LIMA; CARVALHO, 2011).
Alguns elementos64 relacionados às teorias de Habermas são fundamentais para que a
administração seja discursiva, ou se consiga implantar, em uma organização, a gestão

64 Baseado em Gutierrez (1999).

659

�comunicativa65, como denomina Gutierrez (1999). São eles: Formação discursiva da vontade

coletiva, Comportamento individual maduro dos indivíduos, Condições próximas do ideal e
Competência comunicativa.
É importante destacar ainda, que as organizações que fomentam a comunicação e a
cooperação entre os indivíduos favorecem a aprendizagem, sendo caracterizadas como “ [...]
sistema cognitivo capaz de sustentar processos de aprendizagem, isto é, as organizações que
discutem são organizações capazes de aprender.” (LIMA; CARVALHO; LIMA, 2010, p. 15).
Neste contexto, a Administração discursiva pode ser considerada uma forma de
administração possível e coerente com as demandas da sociedade contemporânea,
possibilitando aos membros da organização o estabelecimento de relações gratificantes e
duradouras, o alcance de níveis significativos de autorrealização e aprendizado e, por outro
lado, proporcionando às organizações o alcance de níveis satisfatórios de desempenho.

3 ADMINISTRAÇÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
A biblioteca universitária deve ser administrada de forma que acompanhe as mudanças
e cumpra sua missão e seus objetivos com excelência e, assim, possa atender às suas próprias
necessidades e às de seus usuários, além de auxiliar a universidade a exercer plenamente suas
funções social e formativa.
É importante lembrar que “Biblioteca e universidade são fenômenos indissociáveis. A
biblioteca não pode ser melhor que a universidade que a patrocina; a universidade,
consequentemente, não é melhor do que o sistema bibliotecário em que se alicerça.”
(CERQUEIRA; SÁ; BUENO, 1985, p. 602). Nessa perspectiva, a forma de administração
utilizada pela biblioteca deve estar em consonância com o modelo administrativo da
universidade, constituindo-se em fator crítico de sucesso para ambas.
Nos Estados Unidos, somente em meados da década de 1950, período em que a
biblioteca passa a ser reconhecida como recurso comunitário,

é que as técnicas

administrativas começam a merecer atenção dos bibliotecários. (BARBALHO; SILVA;
FREITAS, 2000). A partir de então, surge a função de administrador da unidade de
informação. Ressalta-se que, nessa época, em virtude do desenvolvimento da Teoria

65 Gestão comunicativa significa “[...] implantar na multiempresa um tipo de gestão em que passariam a
prevalecer valores do mundo da vida, ou seja, em que as pessoas seriam convencidas a deixar de integrar
coligações rivais e em vez disso exerceriam a ação comunicativa para negociar um consenso entre todos. Este
consenso deveria substituir os objetivos particulares e exclusivos pelo objetivo comum de maximizar o
desempenho da multiempresa como um todo.” (GUTIERREZ, 1999, p. xi).

660

�Comportamental, o comportamento do profissional da informação começa a receber mais
atenção.
No Brasil, Gurgel (2010, p. 33) destaca que, na década de 1950, o governo adota o
modelo de administração burocrática weberiano, “ [...] propondo a criação de comissões
especiais que efetuavam estudos para redução dos processos administrativos, empreendiam
reformas ministeriais e propunham a descentralização de serviços, buscando diminuir a
burocracia” . Enquanto isso, as bibliotecas procuram se ajustar às mudanças decorrentes da
revolução científica e técnica, que ocorrem na Europa e nos Estados Unidos, no pós-guerra
mundial.
Em sua análise sobre o planejamento e a administração das bibliotecas universitárias
no Brasil, Carvalho (1981, p. 16) enfatiza que

O modelo por nós copiado dos países desenvolvidos, cuja ideologia
liberal e pragmática propiciava serviços mais independentes e que
posteriormente por imposição dos rumos tomados pela própria
sociedade se organizaram em redes e sistemas, não foi bem
interpretado entre nós. O que sabemos é que as bibliotecas se
formaram, mas não de forma cooperativa. O exemplo flagrante desta
falta de cooperação ocorreu nas universidades, que, tendo se formado
pela reunião de escolas isoladas de ensino superior, serviram de
modelo para a formação de suas bibliotecas. A absorção de acervos
em uma única biblioteca central ou a manutenção do sistema
descentralizado, porém coordenado por razões óbvias de
racionalidade, não se deu na grande maioria dos casos. [...] As
bibliotecas universitárias se constituíram, pois, de iniciativas
particulares isoladas o que propiciou uma verdadeira proliferação de
bibliotecas setoriais, pequenas, que mantinham seus acervos
fechados, inertes, organizados de forma artesanal e intuitiva. Por se
considerarem “auto-suficientes” qualquer esforço cooperativo era
reprimido, e todas elas enfrentavam a mesma sorte de carências, sem
voz, totalmente apagadas e alheias às atividades desenvolvidas por
outras bibliotecas e pela própria universidade. (CARVALHO, 1981,
p. 16).
Aliados a isso, fatores de ordem financeira e política constituem-se em entraves às
ações da biblioteca universitária, especialmente a pública, que se refletem na forma de
administração dessas organizações.
A Reforma Universitária de 1968, embora não aborde de forma explícita a questão da
biblioteca, deixa subentendida sua importância no ambiente universitário. Conforme relata
Carvalho (1981, p. 17), quando ocorreu a referida Reforma, que “ [...] reestruturou o ensino
superior redefinindo seus objetivos e dotando-o de maior racionalidade, abriram-se novos
caminhos para a biblioteca universitária [...]” . Na opinião da autora, as atividades de ensino,

661

�pesquisa e extensão “ [...] demandariam bibliotecas organizadas, principalmente para atender à
clientela mais exigente criada com a indissociabilidade entre o ensino e a pesquisa e com a
sedimentação da pós-graduação.” Segundo Carvalho (2004), o modelo de biblioteca central é
reforçado por essa Reforma.
Miranda (1978, p. [2]), na década de 1970, ao analisar a complexidade da biblioteca
universitária, acredita que essa ocorre em virtude da “ [...] dicotomia aparente entre a
abordagem técnica e a visão política do problema.” Segundo o autor,

A práxis revela que o binômio técnica-contexto social só é
equacionado positivamente quando o árbitro - no caso o bibliotecário
- transita nas duas esferas e quando sabe, como administrador,
dialogar com o poder decisório superior. Erra, portanto, aquele que
oferece tão somente soluções técnicas. Frustra-se o planejador que
não sabe auscultar as forças, tendências, inclinações e demandas das
personalidades em conflito na sua área de atuação e fracassa se não
souber articular estas forças ambientais em favor de seu projeto. Vale
dizer: o projeto só é válido - por mais correto que pareça do ponto de
vista técnico - se conseguir catalisar as forças e inclinações do meio
ambiente em que pretende atuar. (MIRANDA, 1978, p. [2]).
Ainda em referência à década de 1970, ressalta-se o ponto de vista de Gurgel (2010, p.
34), ao enfatizar que, quando é lançado no Brasil o II Plano Nacional de Desenvolvimento,
fica evidente a necessidade de política nacional de informação que contemple, também, “ [...]
a educação e as necessidades dos membros sociais no cumprimento de seus papéis.”
Assim, acontece a implementação do Plano Básico de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico e a implantação do Sistema Nacional de Informação Científica e Tecnológica,
com o objetivo de estabelecer rede de cooperação e intercâmbio referente ao conhecimento
científico. Surge, então, a necessidade de realização de planejamento para as bibliotecas,
visando à administração mais eficiente e eficaz (GURGEL, 2010).
Em meio à discussão sobre o modelo organizacional para as bibliotecas universitárias,
emerge a questão da centralização e da descentralização.
Em determinado período, as bibliotecas universitárias têm como modelo ideal a
centralização administrativa. Conforme ressalta Miranda (1978, p. [5]),

A modernização e a racionalização no emprego dos recursos
humanos, materiais e financeiros na manutenção de serviços
bibliotecários em nossas universidades exigem uma mudança radical
de métodos de organização de serviços, onde a "biblioteca isolada"
não tem condições de sobrevivência. (MIRANDA, 1978, p. [5]).

662

�Ao analisar as estruturas das bibliotecas universitárias brasileiras, com base na
literatura, em dados coletados nessas bibliotecas e em sua experiência, Ferreira (1980, p. 87),
na década de 1980, chega a algumas conclusões, das quais se destacam:

[...] a maioria das bibliotecas universitárias brasileiras, atualmente,
tende para a centralização66 [...] mesmo nas universidades onde o
sistema de bibliotecas é descentralizado, existem algumas iniciativas
visando a certa integração [...] devido à complexidade crescente de
grande número de fatores, já não é mais possível trabalhar
isoladamente em qualquer setor de atividade. No campo da
documentação e da biblioteconomia a exigência de cooperação, ou
mesmo de integração, tornou-se condição fundamental de sucesso [...]
se as universidades não organizarem suas bibliotecas em forma de
sistema, e não tiverem toda uma infra-estrutura que lhes possibilite
contribuir para os grandes sistemas de informação já em
funcionamento, ou apenas planejados, ficarão à margem do processo
de automação que se desenvolve vertiginosamente no campo da
informação [...] (FERREIRA, 1980, p. 87).
Uma década depois, Mercadante (1990, p. 56), após pesquisa realizada sobre os
modelos organizacionais adotados nas bibliotecas universitárias brasileiras, conclui que,
embora as universidades estejam com a área de informação sistematizada - com poucas
instituições com bibliotecas sem coordenação - , “ [...] essas estruturas se apresentam muito
mais formais do que reais, isto é, continuam isoladas, sem espaço junto à alta administração
[...] e sem o pleno exercício do gerenciamento administrativo e financeiro.”
A autora ressalta ainda, a importância de as universidades, com bibliotecas
descentralizadas, “ [...] se conscientizarem da necessidade de integrá-las a estruturas
administrativas modernas sob uma única coordenação assegurando um mínimo de
participação em programas nacionais cooperativos.” (MERCADANTE, 1990, p. 57).
Além da centralização e da descentralização, Prado (1981 apud GURGEL, 2010)
destaca outras tendências administrativas referentes às bibliotecas universitárias, como a
permuta de acervos e a cooperação profissional e de serviços. Em relação a esta última,
podem-se citar, entre outras iniciativas, o Programa de Comutação Bibliográfica (COMUT), o
Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN) e a Rede Bibliodata, que se
constitui em rede cooperativa de bibliotecas brasileiras.

66 Vários tipos de centralização e descentralização, com seus respectivos conceitos, são descritos por Ferreira
(1980, p. xxiii), tais como: centralização administrativa, “[...] subordinação das bibliotecas do sistema, do ponto
de vista financeiro, de pessoal, de material a uma biblioteca central ou órgão coordenador [...]”, descentralização,
“[...] dispersão do acervo, sem coordenação e controle técnico e administrativo, por um órgão central [...]” e
descentralização coordenada, “[...] dispersão do acervo, com ou sem autonomia financeira e administrativa, mas
havendo coordenação técnica.”

663

�Com o advento da sociedade da informação, o avanço das tecnologias de informação e
comunicação, a globalização, entre outros fatores, surgem técnicas de intervenção e
abordagens de mudança organizacional que visam a oferecer soluções práticas às
organizações que atendam às exigências impostas por este cenário.
Como exemplos, podem-se citar a “melhoria contínua” baseada no kaizen japonês; a
“qualidade total” envolvendo toda a organização; a “reengenharia”, com ênfase nas equipes
de processos; o “ benchmarking ’ direcionado à pesquisa ambiental e à análise de organizações
bem-sucedidas, como técnica pedagógica; as “equipes de alto desempenho” dedicadas à
descentralização do processo decisório, estimulando a iniciativa e a responsabilidade das
pessoas por meio do trabalho coletivo; e, por fim, a “gestão do conhecimento”
(CHIAVENATO, 2003).
A aprendizagem tem grande importância na sociedade contemporânea, uma vez que
conduz à criatividade e à inovação. As organizações que são bem-sucedidas “ [...] estão se
transformando em verdadeiros centros de aprendizagem. Por essa razão, recebem o nome de
organizações de aprendizagem. São organizações que aprendem por meio de seus membros.”
(CHIAVENATO, 2003, p. 597).
A ética e a responsabilidade social também são contempladas neste cenário. A ética
constitui “ [...] elemento catalisador de ações socialmente responsáveis da organização por
meio de seus administradores e parceiros. Administradores éticos alcançam sucesso a partir
de práticas administrativas caracterizadas por equidade e justiça.” (CHIAVENATO, 2003, p.
605). A responsabilidade social significa o comprometimento das organizações em promover
o bem-estar da sociedade, da mesma forma que se empenha em atingir seus interesses.
Representa “ [...] a obrigação da organização de adotar políticas e assumir decisões e ações
que beneficiem a sociedade. [...] Os administradores devem buscar alcançar objetivos
organizacionais e objetivos societários.” (CHIAVENATO, 2003, p. 607).
As transformações que ocorrem no século XXI afetam, significativamente, as
organizações e exigem novas formas de administração. Diante deste cenário, administrar
bibliotecas universitárias constitui-se em desafio permanente.

4 MÉTODO
A pesquisa empírica, com abordagem qualiquantitativa, procurou investigar as formas
de

administração

utilizadas

nas

bibliotecas

universitárias

brasileiras,

na

sociedade

contemporânea, divulgadas no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias.

664

�A escolha do Seminário se deve ao fato de ser este um dos mais representativos no
“ [...] cenário de gestão da informação, em ambientes acadêmicos [...]” e ser reconhecido por
“ [...] sua longevidade (30 anos) e pela mobilização da categoria (o número de participantes
aumenta a cada edição).” (SILVA; FONSECA; FONSECA, 2008, p. 3).
A comunicação oral, tipo de trabalho apresentado no Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias, foi definida como “unidade de análise”, em virtude de sua
representatividade no evento.
A pesquisa compreendeu os anos de 2004, 2008 e 2012, período que abrange anos
intercalados, escolhidos de forma aleatória. Esse tipo de escolha também foi válido para a
quantidade de eventos arrolados.
Inicialmente foram identificados os anais dos eventos: o de 2004, em suporte CDROM, e os de 200867 e de 201268, disponíveis na internet. Em seguida, foi identificada a
quantidade de trabalhos por evento, incluindo comunicações orais e pôsteres. A partir daí,
realizou-se a coleta de dados, que partiu da seleção das comunicações orais contidas nos anais
dos eventos.
Os dados de cada comunicação oral - autoria, titulação, título, resumo e palavraschave - foram coletados e organizados, primeiramente, em arquivo no programa Word e
depois em arquivo no programa Excel. Do total de comunicações orais, foram selecionadas
para amostra aquelas com os termos “gestão” ou “administração” na palavra-chave e no título.
A classificação dos dados selecionados na amostra foi realizada por meio de categorias
temáticas, definidas com base nos assuntos identificados no título, na palavra-chave e no
resumo de cada comunicação oral. Cada uma das categorias foi conceituada com base na
literatura, visando ao esclarecimento quanto ao seu significado e à sua abrangência, à adoção
de grafia correta e à eliminação de assuntos semelhantes ou relacionados. As categorias
temáticas representam as formas de administração que compreendem processos, estratégias,
políticas, práticas, metodologias, modos de gestão e estilos relacionados à administração de
uma organização.
É importante destacar que, no momento em que foi realizada a classificação por
categoria temática, identificou-se também o assunto principal relacionado à categoria e se o
conteúdo possuía enfoque nas tecnologias ou na comunicação. Além disso, indicou-se o tipo
de produção relacionada à comunicação oral, a saber: estudo teórico, relato de experiência e
pesquisa. Registrou-se a existência de mais de um tipo de produção em um mesmo trabalho.
67 Site do evento: http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/
68 Site do evento: http://www.snbu2012.com.br/

665

�Após a classificação, foi feita a tabulação dos dados, utilizando-se o programa Excel.
Em seguida, realizou-se a análise dos dados. Os resultados são apresentados em forma de
gráficos, acompanhados de informações consideradas relevantes para a compreensão do
estudo.

5 RESULTADOS DA PESQUISA EMPÍRICA
Ao analisar a estrutura do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, composta
por tema principal, eixos e subtemas, verifica-se que, em 2004, a gestão das bibliotecas
aparece como um dos temas principais do evento e que, em 2012, há eixo específico
contemplando os assuntos relacionados à administração da biblioteca universitária. No ano de
2008, o assunto aparece pulverizado nos diversos eixos e subtemas.
Em relação à quantidade de trabalhos apresentados no período em estudo, o total
corresponde a 747, sendo 565 comunicações orais e 182 pôsteres. Do total de 189
comunicações orais em 2004, 178 em 2008 e 198 em 2012, são selecionadas para amostra,
aquelas que contêm os termos “gestão” ou “administração” na palavra-chave e no título. No
primeiro campo, são encontradas 82 comunicações e, no segundo, 56. Em seguida, é realizado
o cotejamento dos dados, o que resulta em 100 comunicações orais, sendo 34 em 2004, 29 em
2008 e 37 em 2012.
É importante observar que, embora todos os eventos contemplem, no tema, no eixo ou
no subtema, a administração da biblioteca universitária, do total de comunicações orais
analisadas, apenas 18% abordam, sob algum aspecto, a temática. Isto é preocupante, pois,
como enfatiza Dziekaniak (2009, p. 34), para que a biblioteca universitária

[...] cumpra sua função e responsabilidade com excelência necessita,
sobretudo, de uma administração eficaz. Nesse sentido, a
administração da Biblioteca Universitária tornou-se um dos pontoschave para a qualidade da educação e para a obtenção de um bom
desempenho e sucesso, tanto da própria biblioteca, como da
Instituição e Ensino Superior (IES) na qual se encontra inserida.
(DZIEKANIAK, 2009, p. 34).
O gráfico 1 mostra, em termos percentuais, as comunicações orais classificadas por
categoria temática, representando as formas de administração utilizadas nas bibliotecas
universitárias brasileiras.

666

�Gráfico 1 - Comunicações orais por categoria temática

A Gestão da informação é a forma de administração que teve maior representatividade
neste conjunto (20% da amostra). Relatos de experiência, pesquisas e estudos teóricos
correspondem aos tipos de produção arrolados. Entre os assuntos tratados nas comunicações
orais, destacam-se: a elaboração de produtos, a avaliação de produtos e de serviços, o
desenvolvimento de coleções, a organização e a representação do conhecimento, o estudo de
usuários e as demandas de informação para tomada de decisão.
Em seguida, com 16%, aparece a Gestão do conhecimento. Os trabalhos que abordam
a temática contemplam estudos teóricos, relatos de experiência e pesquisas. Entre os assuntos
tratados, estão: mapeamento de competências, reflexões sobre as tendências da Gestão do
conhecimento, principalmente em relação ao registro do conhecimento tácito, e proposta de
instrumento para diagnosticar o gerenciamento da informação e do conhecimento, de forma
integrada, nas bibliotecas universitárias.
A Gestão de pessoas aparece com o mesmo percentual da Gestão do conhecimento:
16%. Cada trabalho com abordagens diferenciadas - estudo teórico, relatos de experiência e
pesquisas - contempla assuntos, como educação à distância, programa de capacitação,
técnicas de recrutamento e seleção, gestão de competências, clima organizacional e coaching.
A Gestão de processos aparece em quarto lugar, com 12%. Entre estudos teóricos,
relatos de experiência e pesquisas, os assuntos principais das comunicações orais contemplam
mapeamento de processos, utilização de diferentes ferramentas para melhoria de processos,
serviço de referência, preservação e conservação do acervo, desenvolvimento de coleções e
preservação digital de e-mails administrativos.

667

�Com 10%, a Gestão da qualidade total ocupa o quinto lugar na amostragem. Os tipos
de produção referentes aos trabalhos sobre essa forma de administração são estudo teórico,
relato de experiência e pesquisa. Os assuntos que se destacam são participação da biblioteca
em prêmio de qualidade - uma das comunicações orais apresenta a trajetória da biblioteca até
a conquista do prêmio - , avaliação de produtos e serviços, reflexão sobre os princípios da
gestão da qualidade no atendimento aos usuários das bibliotecas universitárias, indicadores de
qualidade, proposição de guia para implantação da norma NBR ISO 9001:2000 em
bibliotecas, sob a ótica da tecnologia da informação.
A Administração estratégica aparece com 7% na amostra. Entre estudos teóricos e
relatos de experiência, as comunicações orais contemplam assuntos, como o planejamento
estratégico - principalmente sobre sua elaboração - e o Balanced Scorecard. Em relação a
este último assunto, ressaltam-se dois trabalhos, um que propõe modelo conceitual de
indicadores, em que as variáveis de medição de desempenho dos sistemas de informação e do
conhecimento, em bibliotecas, são levantadas e distribuídas de acordo com as perspectivas do

Balanced Scorecard e outro que apresenta metodologia para uso do Balanced Scorecard
adaptado para bibliotecas universitárias.
Na amostra, a Gestão de projetos aparece com 5%. São apresentados relatos de
experiência e estudo teórico sobre essa forma de administração, relacionando-a às bibliotecas
universitárias. Destacam-se os seguintes assuntos: a experiência da Gestão de projetos para a
informatização da biblioteca e a relação entre a Gestão de projetos e a captação de recursos
financeiros.
A Gestão da mudança aparece na amostra com 4%. Observa-se que, em apenas uma
das comunicações orais identificada como estudo teórico, as autoras abordam diretamente a
Gestão da mudança. Nas demais - relatos de experiência e estudo teórico - a classificação é
atribuída com base na análise do título, das palavras-chave e do resumo das comunicações
orais e ainda na conceituação da categoria temática.
O Marketing aparece com o mesmo percentual da Gestão da mudança: 4%. Entre
estudos

teóricos

e pesquisas,

os

assuntos

abordados

correspondem

à

Gestão

de

Relacionamento com o Cliente e ao Endomarketing.
A Administração participativa aparece na amostra com 1%. A comunicação oral que
aborda essa forma de administração se caracteriza como relato de experiência. O trabalho
apresenta as diretrizes para a elaboração de Política de Formação e Desenvolvimento de
Coleções de determinado núcleo de bibliotecas, com ênfase na participação democrática dos
profissionais do referido núcleo.

668

�Com 1%, aparece a Gestão ambiental. A comunicação oral é uma pesquisa que versa
sobre a implementação da ferramenta Produção mais Limpa (P+L), no processo de preparo
físico das obras.
A categoria Outros, com 4%, contempla quatro comunicações orais. Entre estudos
teóricos e pesquisas, os temas abordados nessa categoria arrolam a Biblioteconomia baseada
em evidências, o perfil dos gestores de bibliotecas, a composição da estrutura organizacional
da biblioteca universitária e a comunicação nas organizações - a Teoria de Niklas Luhmann e
a comunicação nos sistemas.
Por fim, registra-se a possibilidade de formas de administração coexistirem em uma
mesma biblioteca, fato explicitado em duas comunicações orais.
A análise da amostra permite também identificar, nas comunicações orais, a existência
de enfoque tecnológico e comunicacional, temas de extrema relevância na atualidade. O
gráfico 2 mostra a quantidade de comunicações orais que abordam tecnologia, por categorias
temáticas.

Gráfico 2 - Enfoque tecnológico por categoria temática

Das 100 comunicações orais da amostra, 36% referem-se, sob algum aspecto, à
tecnologia. Em termos absolutos, o enfoque tecnológico aparece de forma preponderante na
Gestão da informação. Entretanto, fazendo-se análise em termos relativos, verifica-se que
67% dos trabalhos sobre Gestão de processos abordam, de alguma forma, a tecnologia. Em
seguida, aparece a Gestão da informação, com 48%, a Gestão do conhecimento, com 47%, e a
Gestão da qualidade total, com 36%.
Nas comunicações orais classificadas nas categorias Administração estratégica,
Administração participativa e Gestão ambiental, não foi identificada, no título, nas palavraschave e no resumo, menção ao referido tema. Entre os assuntos relacionados à tecnologia, no

669

�âmbito da administração das bibliotecas universitárias, destacam-se repositório institucional,
biblioteca digital, programa de gestão do conhecimento utilizado em ambiente virtual de
aprendizagem, ambiente colaborativo web de gestão terminológica, educação à distância,
serviço de referência no novo paradigma tecnológico, preservação digital de e-mail
administrativo, sistemas de informação automatizados, proposição de guia para implantação
da norma NBR ISO 9001:2000 em bibliotecas sob a ótica da tecnologia da informação,
inovação tecnológica em serviços de informação e o impacto na estrutura organizacional da
biblioteca universitária, pela inserção das tecnologias da informação no ambiente da
biblioteca.
Embora não muito representativo em termos de percentual, o enfoque tecnológico
existe e é diversificado, o que mostra que esforços estão sendo empreendidos para adequar as
bibliotecas universitárias, em termos de processos, produtos e serviços, às demandas da
sociedade contemporânea.
A comunicação, assim como a tecnologia, tem grande relevância na atualidade, uma
vez que possibilita a interação, a cooperação e o compartilhamento, favorecendo o
desenvolvimento das pessoas e o processo de expansão das organizações. Nesse sentido,
justifica-se verificar se as comunicações orais constantes na amostra abordam, direta ou
indiretamente, assuntos relacionados ao enfoque comunicacional. O gráfico 3 apresenta os
resultados.

Gráfico 3 - Categorias temáticas: enfoque na comunicação

Do tota da amostra, 23% abordam, de alguma forma, o enfoque comunicacional.
Observa-se, em termos absolutos, que a Gestão de pessoas e o Marketing aparecem bem
posicionados no gráfico 3. Ao realizar análise em termos relativos, constata-se que 100% das
comunicações orais sobre Marketing e Administração participativa possuem enfoque
comunicacional. Isto é esperado, em virtude de essas formas de administração terem como

670

�objetivos o bom relacionamento entre as pessoas - entre funcionários e clientes, entre estes e
parceiros etc. - , a colaboração e a cooperação no ambiente de trabalho, entre outros aspectos.
Essa explicação também é válida para a Gestão de pessoas, que aparece com 36%.
Observa-se, ainda, que as comunicações orais que contemplam a Gestão de processos
e a Gestão ambiental não apresentam enfoque comunicacional. Avaliação de clima
organizacional, processo de coaching., cooperação e compartilhamento como ações
estratégicas, comprometimento de equipe de trabalho na implementação e desenvolvimento
de projetos, Gestão de Relacionamento com o Cliente, Endomarketing, elaboração de Política
de Formação e Desenvolvimento de Coleções, com ênfase na participação democrática da
equipe de trabalho, a Teoria de Niklas Luhmann e a comunicação nos sistemas são alguns dos
assuntos relacionados à comunicação, desenvolvidos no âmbito da administração das
bibliotecas universitárias.
O enfoque comunicacional aparece com bem menos representatividade do que o
enfoque tecnológico, fato que merece atenção, uma vez que a comunicação é um dos pilares
fundamentais da sociedade contemporânea.

6 ADMINISTRAÇÃO

DISCURSIVA

NAS

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS

BRASILEIRAS: NOVA PERSPECTIVA
A partir dos resultados obtidos na pesquisa empírica, pode-se perceber quão complexo
é administrar a biblioteca universitária na atualidade. Tal complexidade está relacionada aos
desafios que surgem em função do advento da sociedade da informação, das inovações
tecnológicas, da emergência do conceito de aprendizagem ao longo da vida e de sua
aplicabilidade, da globalização, além da pluralidade de segmentos a serem atendidos pela
biblioteca universitária, de suas próprias necessidades internas e das demandas da
universidade a que está vinculada.
Como exemplo de desafios, podem-se citar a expansão do espaço virtual e o
reaproveitamento do espaço físico nas bibliotecas, o fato de as bibliotecas universitárias se
tornarem cada vez mais locais de convívio em vez de depósito de coleções, o crescimento do
acervo guiado pela filosofia just-in-time e o impacto das tecnologias influenciando o
desenvolvimento de serviços e produtos.
As diversas formas de administração identificadas na pesquisa mostram a busca por
caminhos e formas de atuação, principalmente com base nas abordagens contemporâneas da
área de Administração, que viabilizem a adequação da biblioteca universitária às demandas da

671

�sociedade contemporânea. Isto significa que há predominância de racionalização instrumental
nessas organizações, o que reduz as relações entre os seus membros a uma dimensão objetiva.
Nesse contexto, a orientação do ato da fala é para o êxito, e o agir é estratégico.
Entretanto, as bibliotecas universitárias podem ser pensadas a partir de uma dinâmica
de interações e de agir comunicativo, o que abre caminho para interpretação menos ligada à
racionalidade instrumental e mais focada em uma racionalidade comunicativa.
Partindo do pressuposto de que a comunicação é condição fundamental para a
interação, a cooperação e a colaboração entre as pessoas e que, de acordo com os resultados
desta pesquisa, apenas 23% das comunicações orais abordam o enfoque comunicacional,
torna-se relevante pensar a Administração discursiva nas bibliotecas universitárias brasileiras.
Essa abordagem da Administração, a partir da Teoria do Agir Comunicativo e da Ética
do Discurso de Jürgen Habermas, possibilita a interação entre as pessoas e a reflexão coletiva,
e, além disso, amplia a forma de perceber e entender os problemas práticos e de buscar
soluções. Nessa nova perspectiva, o gestor deixa de ser apenas um observador, para atuar
como participante na dinâmica comunicacional, e a tomada de decisão deve acontecer de
forma coletiva e consensual.
A utilização desta forma de administração implica tanto mudanças organizacionais
como também pessoais, constituindo-se em processo gradativo de aprendizado que deve
envolver toda a organização.
Algumas ações devem ser empreendidas69, para que a Administração discursiva seja
utilizada nas bibliotecas universitárias em sua plenitude. Entre elas, destacam-se:
a)

Ajustar a prática interna da biblioteca ao novo contexto, sempre de forma
transparente

e

colaborativa.

Isso

inclui,

entre

outras

ações,

analisar

detalhadamente a missão, os objetivos, as metas, as políticas, as atividades,
sejam rotineiras ou não,

os fluxos de trabalho e os procedimentos

desenvolvidos na biblioteca, reformulando o que for necessário;
b)

investir na consolidação de um ambiente de segurança e liberdade, que
incentive formas cooperativas e inovadoras de relacionamento interpessoal;

c)

procurar minimizar o ambiente estratégico. Os esforços devem estar voltados
para o agir comunicativo - que corresponde às ações orientadas para o
entendimento mútuo, em que o ator social inicia o processo circular da
comunicação e é produto dos processos de socialização que o formam, em vista

69 As ações foram elaboradas com base em Gutierrez (1999), em Lima, Lima e Moreira (2010), em Lima, Carvalho e Lima
(2010) e Lima e Carvalho (2011).

672

�da compreensão mútua e consensual - em vez do agir estratégico, que
compreende as práticas individualistas em certas condições sociais, ou a
utilização política de uma força, ou as ações orientadas pelo interesse para o
sucesso;
d)

analisar a cultura organizacional, enquanto elemento de viabilidade da
mudança,

visando

ao

estabelecimento

de

metodologia

para

o

seu

acompanhamento;
e)

incentivar a harmonia entre a vida pessoal dos membros da biblioteca e a
cultura organizacional;

f)

viabilizar o acesso às informações. Todos devem ter acesso a todo tipo de
informação, o que favorece a reflexão coletiva e, em última análise, a tomada
de decisão, o aprendizado e a inovação;

g)

incentivar o aperfeiçoamento individual e o desenvolvimento da competência
comunicativa;

h)

estimular o desenvolvimento de habilidades de liderança, que visem à
capacidade de mediação nas relações interpessoais;

i)

ampliar os fluxos de comunicação, dentro e fora do ambiente da biblioteca. A
colaboração, tanto interna quanto externa,

[...] facilita não apenas o compartilhamento de informações e
conhecimentos, mas também resulta deles. A colaboração viabiliza
diálogos, e os diálogos viabilizam colaboração. As organizações não
inovam sozinhas, mas sobre informações e conhecimentos
acumulados dentro e fora delas. (CARVALHO, 2009, p. 109).
Nesse sentido, a colaboração entre todos os membros da biblioteca e entre estes
e os funcionários das demais unidades que compõem a universidade deve ser
estimulada, como também com usuários, fornecedores e parceiros em geral,
tendo em vista que a colaboração é condição para a melhoria dos processos e
para a inovação.
j)

estimular a participação coletiva, em igualdade de condições, contribuindo para
a Formação discursiva da vontade coletiva. É fundamental incentivar as
pessoas a discutirem, sem medo de represálias, superando a timidez e o receio
à exposição;

k)

dispor de instrumento que viabilize as relações intersubjetivas, possibilitando
que as questões problematizadas sejam discutidas, visando à obtenção de

673

�consenso. Em relação a esse item, é importante destacar que o instrumento em
questão pode ser o que Vizeu (2009) chama de “espaços de fala legítimos”,
espaços que favorecem a interação e o diálogo livremente. Segundo o autor,

No âmbito das organizações, a superação da distorção comunicativa
tem sido vislumbrada especialmente pelo estabelecimento dos
espaços de fala legítimos e pelo reconhecimento recíproco do outro
enquanto um membro da comunidade de fala.” (VIZEU, 2009, p. 12).
Pode-se pensar a Comissão

de Biblioteca,

existente em muitas bibliotecas

universitárias, como um possível “espaço de fala legítimo” . Conforme destaca Miranda (1978,
p. 6), a Comissão tem como objetivo principal “ [...] orientar o Diretor da Biblioteca nas suas
decisões quanto à seleção de material bibliográfico, distribuição do orçamento de aquisição,
etc.”
Entretanto, para que a Comissão de Biblioteca seja utilizada no sentido proposto, seus
objetivos, sua estrutura e suas atividades devem ser adequados aos pressupostos da
Administração discursiva. Nesse sentido, a referida Comissão deve, por exemplo, possibilitar
a todos os membros da biblioteca e a todos os demais atores que, de alguma forma, estejam
relacionados a ela, a oportunidade de expressar sentimentos, desejos, expectativas, fazer
questionamentos, refutar pretensões de validade, sem qualquer tipo de coação, com o objetivo
de alcançar o consenso e, assim, auxiliar o desenvolvimento da biblioteca como um todo.
Outros “espaços de fala legítimos” podem ser instituídos nas bibliotecas universitárias,
desde que estejam em consonância com os pressupostos da Administração discursiva. Cabe
ressaltar, também, que esses espaços não precisam, necessariamente, ter uma dimensão física,
ou seja, podem ser virtuais, desde que prevaleçam as práticas discursivas.
As vantagens da Administração discursiva nas bibliotecas universitárias são inúmeras,
a saber: possibilita a interação e a colaboração entre as pessoas; viabiliza o diálogo, a
autonomia e a liberdade; assegura o compromisso de todos com as decisões e com as escolhas
adotadas;

democratiza

o

processo

de

administração

da

biblioteca;

promove

o

desenvolvimento, proporcionando melhores resultados para a biblioteca e, consequentemente,
para a universidade, propiciando o bem-estar pessoal e o aprendizado contínuo de seus
membros.
É importante destacar que esta forma de administração pode coexistir com outras,
desde que os seus pressupostos sejam respeitados.

674

�A adoção da Administração discursiva nas organizações em geral pode não ser uma
tarefa fácil, uma vez que há predominância da racionalidade instrumental. Entretanto, é uma
alternativa possível e interessante, coerente com as demandas da sociedade contemporânea e
que pode contribuir para o desenvolvimento das pessoas, a racionalização dos processos
organizacionais, a aprendizagem e a inovação.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A forma de administração adotada na biblioteca universitária deve viabilizar a
adaptação às mudanças, priorizando a interação entre as pessoas e a colaboração no ambiente
de trabalho, o que favorece o processo como um todo. A comunicação é considerada a palavra
de ordem da sociedade contemporânea.
Assim, a comunicação nas organizações deve ser pensada, principalmente, como
forma de construção do entendimento, e quanto a resultados e meios para obtê-lo. Nesse
sentido, o agir comunicativo e o discurso têm papel fundamental nas organizações, uma vez
que valorizam e viabilizam a comunicação entre os que participam dos processos produtivos
em que todos definem, de forma cooperativa, seus planos de ação, no horizonte de um mundo
da vida compartilhado, tendo por base interpretações comuns da situação.
Apesar de os pressupostos da Administração discursiva serem relativamente simples,
na prática representam um desafio, principalmente porque são cobrados resultados imediatos
nas organizações e, assim, o agir estratégico se constitui em alternativa mais eficaz em curto
prazo. Contudo, é uma possibilidade que deve ser avaliada cuidadosamente, na medida em
que representa uma administração com enfoque diferenciado, que propicia a solidariedade,
permite a emancipação dos indivíduos e incentiva a geração de compromissos compartilhados
em um permanente aprender a aprender, cujos resultados, mesmo a longo prazo, podem
beneficiar tanto a organização quanto os seus membros.
Espera-se que o estudo amplie as perspectivas para a administração das bibliotecas
universitárias, como também incentive reflexões e debates sobre o tema.

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Kellem Andrezza de Araújo. Gestão de bibliotecas: um estudo sobre o perfil do bibliotecáriogestor na cidade de Manaus. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E

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�LIMA, Clóvis Ricardo Montenegro de; CARVALHO, Lidiane dos Santos; LIMA, José
Rodolfo

Tenório.

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para

uma

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Texto

original

apresentado

durante

o

1°

SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS UNIVERSITARIAS, Niterói, RJ, 23 a 29 julho de 1978. Disponível em:
&lt;http://www.antoniomiranda.com.br/ciencia_informacao/BIBLIOTECA_UNIVERSITARIA
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SILVA, Neusa Cardim da; FONSECA, Nadia Lobo; FONSECA, Fernanda Maria Lobo.
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Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2001.
VIZEU, Fabio. Racionalidade administrativa e distorção comunicativa nas organizações
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In:

ENCONTRO

DA

ASSOCIAÇÃO

NACIONAL

DE

PÓS-

GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 33., 2009, São Paulo. Anais ... São
Paulo, ANPAD, 2009.

677

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Apresenta as formas de administração utilizadas nas bibliotecas universitárias brasileiras, na sociedade contemporânea, divulgadas no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Propõe alternativa para a gestão das bibliotecas universitárias brasileiras – a Administração discursiva –, abordagem crítica da Administração, desenvolvida com base nas teorias do Agir Comunicativo e do Discurso de Jürgen Habermas, coerente com as demandas atuais. Discorre sobre os principais aspectos da Administração discursiva, a partir das teorias habermasianas. Aborda a administração das bibliotecas universitárias, com base na literatura, visando mostrar breve histórico sobre o tema. Expõe os resultados da pesquisa empírica realizada nas comunicações orais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, nos anos de 2004, 2008 e 2012, revelando que a maioria das formas de administração contempladas na amostra tem relação com as abordagens contemporâneas da área de Administração, indicando vínculo entre esta área e a Biblioteconomia, e sugerindo predominância da racionalidade instrumental nessas organizações. Apresenta argumentos que podem favorecer a implantação da Administração discursiva nas bibliotecas universitárias brasileiras, no intuito de incentivar a reflexão e o debate sobre a administração das bibliotecas na sociedade contemporânea.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DAS BIBLIOTECAS DO INSTITUTO FEDERAL GOIANO:
IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS - SIBI

Johnathan Pereira Alves Diniz
Bethânia Oliveira Silva
Joseane Pereira Alves Diniz
Bárbara Rocha Bittencourt Sallaberry
Ítala Moreira Alves
Patricia Regina de Oliveira
Letícia Rodrigues dos Santos
Wagner Ayrão de Castro
Sarita Mustafé Martins
Júlia Cristina Elias do Nascimento Wegermann
Janaína dos Santos Melo
Leonardo Henrique Silva
RESUMO
Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia foram constituídos em 28 de
dezembro de 2008, formando novas Instituições, dentre elas o Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia Goiano (IF Goiano). A Instituição está estruturada em formato
multicampi, o que ocasionou, por parte dos gestores do IF Goiano, a necessidade de
normatizar e padronizar ações e metodologias para a construção de um trabalho integrado.
Nesse sentido, os bibliotecários do IF Goiano se uniram para promover estudos para
aprimorar a gestão de bibliotecas, por meio de políticas institucionais. O trabalho da equipe
pautou por meio de reuniões sistemáticas com a equipe de bibliotecários, auxiliares de
biblioteca e gestores da instituição de Ensino. O estudo baseou em uma ampla pesquisa
bibliográfica, que possibilitou traçar diretrizes para criar um modelo de gestão integrada de
bibliotecas. A pesquisa e as reuniões de equipe foram importantes para formação e
constituição do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI), no âmbito da Instituição de Ensino.
O objetivo do SIBI é tornar referência é atender às necessidades de informação de seus
usuários por meio de serviços e produtos eficientes e por meio da democratização da
informação.
Palavras-Chave: Sistema Integrado de Bibliotecas; SIBI; Gestão compartilhada; IF Goiano;
Integração.
ABSTRACT
The Federal Education, Science and Technology were established on December 28, 2008,
forming new institutions, among them the Federal Institute of Education, Science and
Technology Goiano (IF Goiano). The Company is structured multicampi format, which led,
by the managers of IF Goiano, the need to regulate and standardize actions and methodologies
for building an integrated work. In this sense, librarians IF Goiano teamed up to promote

1071

�studies to enhance the management of libraries through institutional policies. The team's work
was guided by regular meetings with the staff of librarians, library assistants and managers of
the institution of education. The study was based on an extensive literature search, which
enabled set guidelines to create a model of integrated library management. The research and
team meetings were important for formation and constitution of the Integrated Library System
(SIBI) within the educational institution. The objective is to make the SIBI reference is to
meet the information needs of their users through efficient products and services and through
the democratization of information.
Keywords: Integrated Library System; SIBI; Shared Management; IF Goiano; Integration.

1 INTRODUÇÃO
Inseridos na rede federal de educação profissional, científica e tecnológica, vinculados
ao Ministério da Educação (MEC), os Institutos Federais de Educação, Ciência e tecnologia,
mais conhecidos como Institutos Federais, estão distribuídos por todo o território brasileiro,
funcionam em estrutura multicampi e oferecem cursos de educação básica, profissional e de
educação superior (BRASIL, 2008).
Os Institutos Federais foram criados por meio da Lei Federal n° 11.892 de 28 de
dezembro de 2008, representam os anseios locais e regionais da população brasileira.
Apresentam estrutura pluricurricular e territorialidade definida, assume o compromisso de
intervenções regionais e locais, buscando a identificação de problemas e a solução tecnológica
para os mesmos, atrelando desenvolvimento sustentável a inclusão social, ou seja,
representam o caminhar para o desenvolvimento científico e tecnológico a favor da sociedade.
Essas Instituições estão presentes em todos os Estados do Brasil. Dentre elas, está inserido o
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano, ou IF Goiano.
O IF Goiano é uma autarquia federal detentora de autonomia administrativa,
patrimonial, financeira, didático-pedagógica e disciplinar, equiparado às universidades
federais. A Instituição oferece Cursos Superiores de Graduação (Tecnólogos, Bacharelados e
Licenciaturas) e de Pós-Graduação (Lato sensu e Stricto sensu). Também são oferecidos
cursos de educação profissional técnica de nível médio. O IF Goiano atua preferencialmente
na forma integrada, atendendo também ao público de jovens e adultos, por meio do Programa
Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de
Educação de Jovens e Adultos (Proeja).
Cabe ao IF Goiano e aos demais Institutos Federais o compromisso do
desenvolvimento integral do cidadão trabalhador. Por meio do potencial instalado nas antigas
unidades pelas quais o Instituto é agora constituído, este deve responder de forma rápida e

1072

�eficaz às demandas crescentes por formação profissional, por difusão de conhecimentos
científicos e tecnológicos e de suporte aos arranjos produtivos locais.
A adequação das bibliotecas nesse contexto é fundamental para garantir a oferta das
condições necessárias ao cumprimento da missão do IF Goiano na perspectiva de suas
atribuições e sua necessidade de expansão. Por esse viés, bibliotecários da Instituição de
ensino se reuniram e elaboraram um minucioso estudo para a constituição do Sistema
Integrado de Bibliotecas (SIBI), do Instituto Federal Goiano.
O SIBI tem como objetivo atender às necessidades de administração, normatização,
desenvolvimento de acervos, projeção e previsão de custos e estabelecimento de políticas de
desenvolvimento às bibliotecas já existentes e em construção, com o foco na democratização
da informação e na produção de conhecimento aos usuários.
As bibliotecas carregam consigo a obrigatoriedade de fornecer o suporte informacional
para a comunidade da instituição na qual estão inseridas, haja vista que a informação é uma
das principais demandas atuais do mundo acadêmico, desta maneira os bibliotecários
imbuem-se da responsabilidade de ofertar, disseminar e compartilhar informações com
precisão, responsabilidade e comprometimento.
Após inúmeras reuniões de equipe, o Sistema Integrado de Bibliotecas do IF Goiano
foi regulamentado por meio de Resolução do Conselho Superior (CS), órgão máximo da
Instituição. É importante frisar a importância do SIBI como área sistematicamente presente
nos processos de avaliação tanto institucional como de cursos superiores e programas de PósGraduação Stricto sensu, seja por comissões de especialistas do Ministério da Educação
(MEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (INEP) e da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
O SIBI tem como característica evidenciar ações que demandam a oferta de serviços,
acervos e coleções e a gestão de informação, documentação e recursos que remetam à
preservação, organização e disponibilização da memória institucional. É dever do SIBI
colaborar no processo de ensino-aprendizagem de forma planejada e eficiente. É importante
construir um diferencial que agregue valores para desenvolver competências na busca do
cumprimento da missão das bibliotecas do IF Goiano.

2 INSTITUTOS FEDERAIS E AS BIBLIOTECAS: PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
Os Institutos Federais fazem parte das atuais políticas para a educação brasileira, mais
precisamente daquelas voltadas à Educação Profissional e Tecnológica pela Rede Federal. Os
investimentos nessa área refletem o pensamento de um Estado Capitalista Moderno, buscando

1073

�adotar políticas e programas sociais a fim de qualificar mão de obra para o mercado de
trabalho nos diversos setores da economia.
Consideramos a fala de Pereira (2009), quando este afirma que a educação profissional
brasileira é fruto da correlação de força entre setores que sempre a tomaram como um braço a
favor da acumulação capitalista e outros que a concebem como importante instrumento de
política social, aqui assumida como aquelas voltadas para a redistribuição dos benefícios
sociais visando à diminuição das desigualdades.
As bibliotecas, neste contexto, atuam como agentes fundamentais na concretização da
missão dos Institutos Federais, atendendo plenamente às necessidades de seus diferentes tipos
de público, e reforçando a ideia de ensino público de qualidade. Falar de biblioteca remete ao
pensar conceitual acerca desta instituição, traz-se para este estudo a definição de biblioteca
abordada por Milanesi:
havendo registros, haverá uma biblioteca, porque os homens precisam
repartir o pensamento criado, disseminando-o para garantir a posse do
conhecimento. Por isso formaram e formam coleções: da argila, com
caracteres ao papel, passando pelo papiro e pergaminho, até chegar ao texto
virtual, que forma na Internet um novo tipo de acervo - o maior já colocado
à disposição das pessoas. É outra forma de biblioteca. O que define a
condição de biblioteca é a forma de organização que permita encontrar o que
se deseja, mesmo que só o proprietário, ou poucos, tenham êxito na busca.
Essa idéia de organização está presente tanto nos acervos primitivos, quanto
nas informações que circulam pelos milhões de computadores em rede.
(2002, p. 12).

Como retratado por Milanesi (2002) a concepção pela qual permeia a definição de
biblioteca, de maneira geral é a de um espaço que não privilegia mais somente o livro como
objeto de uma coleção e desse faz apenas um instrumento de cultura a mais ao lado de tantos
outros suportes de informação.
Dentro do contexto organizacional dos Institutos Federais, estão inseridas suas
respectivas bibliotecas e de posse de toda esta reestruturação institucional, julga-se válido e
oportuno iniciar discussões no campo das ideias acerca também de suas bibliotecas. A
literatura científica que circunda as bibliotecas dos Institutos Federais é incipiente, com o
crescimento e a expansão dos Institutos Federais, existe por conta disto, uma abertura do
mercado investigativo, com relação não só à temática geral dos Institutos Federais como
também com relação à temática de suas respectivas bibliotecas. Estas bibliotecas deverão ser
estudadas à luz dos modelos tipológicos das bibliotecas universitárias, escolares e
especializadas, tendo estas equivalências de contextos com as bibliotecas dos Institutos
Federais, para estes estudos deverá haver múltiplos olhares investigativos sobre estas

1074

�bibliotecas, que estão inseridas juntamente com os Institutos Federais neste contexto da
expansão.
Com a expansão do Instituto Federal Goiano, a implantação de novos câmpus,
suscitou a necessidade de se pensar em uma estrutura padronizada em alguns procedimentos e
oferecimento de serviços em vários setores da instituição, dentre eles estão às bibliotecas. A
globalização e as novas tecnologias de informação transformaram as bibliotecas em locais de
informação rápida e dinâmica, que reforça a mudança de perfil dessas unidades.
No passado, a biblioteca era considerada como um ambiente junto ao templo, onde os
livros utilizados nos cultos e para leitura complementar estavam guardados. No presente,
biblioteca é vista como um local no qual as informações estão organizadas e atualizadas, para
facilitar e responder às necessidades de informação, educação ou lazer dos usuários,
geralmente conta com a supervisão de um profissional bibliotecário.
À medida que a biblioteca pode ser considerada o repositório do saber, não mais sendo
apenas um “depósito de livros” e sim um ambiente de conectividade, não sendo mensurável
mais a questão de tempo e espaço, apropria-se neste estudo e também em outros trabalhos da
expressão de Fujita (2005, p. 99), atribuída na ocasião à definição de universidade, mas que
pode ser aplicado também às bibliotecas, devendo estas ser e se comportarem como
verdadeiros “organismos vivos”, na tentativa de ofertar a sua comunidade suporte
informacional e continuar o caminhar com foco em atender os anseios de seus usuários.
Permeado por este entorno de novas mudanças, procedimentos e atribuições que
circundam as bibliotecas de maneira geral, assim como as bibliotecas dos Institutos Federais,
considera-se importante realizar uma caracterização tipológica conceitual acerca das
bibliotecas dos Institutos Federais, pois enxerga-se que de posse desta conceituação e
caracterização, posteriormente poderão ser traçadas ramificações que a compreendam e a
complemente no tocante a temáticas como: o perfil dos bibliotecários destas bibliotecas; os
produtos e serviços que estas bibliotecas oferecem; traçados futuros para estas bibliotecas, ou
seja, há a necessidade no momento atual de múltiplos olhares investigativos, reflexivos acerca
deste universo de pesquisa, na tentativa de caracterizar tipologicamente as bibliotecas dos
Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.
A literatura científica sobre as unidades de informação desses Institutos Federais são
ínfimas, assim como a literatura sobre o bibliotecário deste ambiente, visto que as bibliotecas
dos Institutos Federais são um misto, uma junção de diferentes tipologias de bibliotecas, tais
como:

1075

�•

Biblioteca universitária: os Institutos Federais podem ofertar cursos superiores

em tecnologia, licenciaturas e Pós-Graduação Lato sensu e Stricto sensu;
•

Biblioteca escolar: os Institutos Federais podem ofertar cursos técnicos

integrados ao ensino médio;
•

Biblioteca especializada: acervo especializado em suas respectivas áreas de

atuação, de acordo com a oferta de cursos.
O uso consciente da informação propicia autonomia, emancipação e conhecimento
para seus usuários, tendo o bibliotecário papel importante neste cenário, podendo ofertar o
acesso à informação para sua comunidade institucional, podendo intermediar processos. O
acesso à informação é um direto de todo cidadão, garantido pela Constituição Brasileira,
conforme Artigo cinco (05), inciso XIV (BRASIL, 2007, p. 6).
A qualidade de uma biblioteca se baseia no cumprimento de seus serviços, porém é
fundamental neste ambiente ter profissionais motivados que exerçam bem suas funções “[...]
as pessoas são mais importantes, a tecnologia é secundária para a qualidade em serviços.”
(SILVA, 2002, p. 23).
Que o bibliotecário seja um ator mediador, um agente informacional nos processos
culturais, sociais, pedagógicos, como afirma Santos &amp; Santos (2009, p.38):
A relevância que o profissional da informação tem [...] reafirma sua
importância, não apenas como um mero técnico-administrativo que se
preocupa tão somente com o empréstimo e a organização física de
documentos, mas como mediador no bom desempenho do processo
pedagógico.
Tendo como missão institucional consolidar uma práxis educativa que contribua para a
inserção social, à formação integradora e à produção do conhecimento, para alcance da
missão institucional, o IF Goiano possui como matéria-prima, em uma abordagem geral a
informação, informação repassada dos docentes para os discentes, informação disponível em
suas bibliotecas, informação repassada dos discentes para os docentes, entre outros aspectos.
As bibliotecas são necessárias sim, não há discussão sobre seu papel social e cultural,
como destaca LUX (2007), elas possuem valores expressos em seus serviços, tais com a
educação para todos igualitariamente, a inclusão social, a conservação dos ideais
democráticos e o aprendizado ao longo da vida. Para que as bibliotecas exerçam
perfeitamente seu papel são necessários profissionais da informação, na tentativa de propiciar
acesso à informação para suas respectivas comunidades, percebe-se a importância destes
profissionais nas palavras de Lima e Oliveira (2010, p.171):

1076

�[...] o Bibliotecário deve se destacar e ser capaz de fazer as mudanças
acontecerem e tornar-se imprescindível através da gestão e disseminação da
informação em seu local de atuação, onde a unidade de informação se
contextualiza dinâmica e em constante evolução. Isto implica na
competência de utilizar o seu potencial e de sua equipe para garantir
resultados por meio da aplicação de ideias e da análise prévias.

O profissional da informação deverá desenvolver atividades de organização,
tratamento, análise e recuperação da informação, independente de suportes, objetivando
atender às necessidades informacionais de sua comunidade, tendo claro a sua
responsabilidade e o seu comprometimento social, tendo em vista que a unidade de
informação carrega consigo um papel histórico de contribuições educativas, sociais e
culturais.
Segundo Lima e Oliveira (2010, p.170):
Com o advento da Internet a tecnologia da informação passou a ser um
instrumento essencial para o avanço e a difusão do conhecimento. Vivemos
a iminência do surgimento de tecnologias cada vez mais sofisticadas na
revolução digital em uma sociedade que produz cada vez mais informação e
por esse motivo requer sistematização.

O requerer sistematização nos processos informacionais destacado pelos autores,
significa a importância e necessidade de profissionais da informação estarem aptos a novos
ambientes de informação, não se limitando à sua biblioteca, formando assim uma rede de
informação.
Dada à importância da educação técnica profissionalizante, o Instituto Federal Goiano
(IF Goiano), agregando à sua missão institucional a educação tecnológica de nível superior e
as atribuições de desenvolver a pesquisa e a Pós-Graduação Lato sensu e Stricto sensu, surgiu
a necessidade de reorganizar a área de bibliotecas para estabelecer e fazer cumprir as
exigências normativas e de qualidade para credenciar-se junto aos órgãos regulamentadores a
fim de garantir e consolidar seu plano de expansão com o padrão de excelência esperado.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O eixo teórico tem o início de um dialogar científico e descritivo sobre esta temática
que engloba uma descrição tipológica acerca das bibliotecas dos Institutos Federais, desta
forma, faz-se um recorte investigativo para o IF Goiano. A entrevista estruturada, com
questionários, não se fez necessário devido, primeiramente, a uma caracterização teórica
sobre a instituição e posteriormente a realização de um estudo das condições atuais das
bibliotecas por meio de diagnóstico O que houve, na verdade foi como define Rampazzo

1077

�(2010, p.114), uma entrevista não padronizada é aquela em que se realiza uma conversa
informal.
Buscou-se com os resultados das reuniões com os bibliotecários realizar um estudo na
tentativa de obter a percepção dos mesmos com relação ao papel do profissional da
informação e das suas respectivas bibliotecas. Apropria-se neste artigo da definição de Marçal
(2005, p.44) para o estudo de percepção:

O que um Estudo de Percepção (Perception Study) faz é exatamente trazer a
percepção do outro sobre o trabalho que estamos realizando e fornecer um
feedback para aperfeiçoar nossas futuras ações. A rigor, um estudo de
percepção é um importante instrumento de feedback para qualquer ação.

Entende-se por percepção, dentre várias definições: “[...] ato ou efeito de perceber. 1.
Faculdade de aprender por meio de sentidos ou da mente [...]. 2. Consciência (de alguma
coisa ou pessoa), impressão ou intuição perceber” (HOUAISS, 2009, p.1470).
Desta maneira, as reuniões com os bibliotecários e demais servidores das Bibliotecas
do IF Goiano proporcionaram a obtenção de informações não registradas em fontes
documentais institucionais, ou seja, a percepção, o conhecer, o saber, pois se tratou do
expressar a formulação de um sistema de bibliotecas atuante.
As reuniões possibilitaram também um diálogo entre profissionais de todas as
bibliotecas do Instituto, ocorrendo uma aproximação entre partes integrantes de uma mesma
instituição, que enfrenta no atual momento mudanças dos mais variados patamares
(organizacionais, estruturais, recursos humanos, entre outros), desta forma, com os estudos
realizados, foi possível realizar um feedback para o aperfeiçoamento ou aprimoramento de
diferentes ações, tanto por parte do gestor, quanto por parte dos bibliotecários.
A junção do aporte teórico institucional e as reuniões realizadas proporcionaram uma
interação de indicadores de cunho valioso à Instituição que obtêm desta forma registros
documentais da pesquisa realizada, interação entre os diferentes segmentos institucionais e
contribuições científicas, oriunda das produções e publicações acadêmicas.
O estudo se deu através da pesquisa bibliográfica, pois se trata de um levantamento
uma boa parte da bibliografia já publicada na área, disponíveis em livros, revistas,
publicações eletrônicas e avulsas e imprensa escrita, e através de estudos elaborados por
outras Instituições de Ensino que já implantaram uma Rede de Bibliotecas.

1078

�4 O SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS - SIBI
O Sistema Integrado de Bibliotecas do IF Goiano (SIBI), regulamentado por meio da
Resolução do Conselho Superior (CS) n° 010 de 21/02/2014 é constituído pelas bibliotecas
situadas nos Câmpus, Câmpus Avançados e do Câmpus de Ensino à Distância (Ead), tendo a
sua base localizada na Reitoria da Instituição, com a finalidade de proporcionar
funcionamento integrado, valorizando a utilização e a gerência de acervos das Bibliotecas.
O SIBI está subordinado à Pró-Reitoria de Ensino e é responsável pela definição de
normas e diretrizes que visam subsidiar as bibliotecas do IF Goiano na prestação de serviços e
produtos de informação de forma a atender as demandas de ensino, pesquisa e extensão.

4.1 Objetivo geral do SIBI
O SIBI tem como objetivo, atender as necessidades e demandas da comunidade do IF
Goiano e assessorar as bibliotecas dos Câmpus, a fim de estabelecer condições e
procedimentos para a utilização dos serviços, materiais e instalações, de forma a garantir o
perfeito funcionamento de suas atividades e a qualidade do acervo e dos serviços oferecidos,
com foco no atendimento aos usuários.

4.2 Objetivos específicos
•

Compartilhar os serviços e produtos das bibliotecas;

•

Instituir Políticas de aquisição, formação e desenvolvimento de coleções;

•

Melhorar a qualidade dos serviços;

•

Integrar as bibliotecas;

•

Desenvolver uma proposta integrada de gestão participativa;

•

Estabelecer política de controle e disseminação da informação nos diversos suportes;

•

Estimular o trabalho cooperativo, integrado, entre os profissionais do SIBI.
O modelo de gestão participativa de bibliotecas, já vem sendo gradativamente

implantado numa parcela significativa de Institutos Federais.

4.3 Estrutura do Sistema Integrado de Bibliotecas
A estrutura do SIBI considera um núcleo organizacional mínimo subordinado à
Supervisão de Bibliotecas, situada na Reitoria da Instituição, incluindo as atividades de
planejamento e normatização, desenvolvimento de coleções (seleção e pré-aquisição
bibliográfica), gestão do Software, treinamento e ação cultural. Complementando estrutura

1079

�básica do SIBI temos as Coordenações de Bibliotecas, responsáveis pelas bibliotecas dos
Câmpus da Instituição e suas atividades operacionais (processamento técnico, Serviços de
Referências e Circulação e Serviços aos Usuários).
A concepção da estrutura das bibliotecas e dos serviços bibliotecários advém da
necessidade de unificação de serviços e políticas para as áreas trabalhadas tendo assegurado
um padrão de qualidade e coerência necessário à realização e desenvolvimento dos trabalhos
e, consequentemente, proporcionando aos profissionais das bibliotecas para atividades
prioritariamente relacionadas ao atendimento dos usuários,

administração local

e

processamento técnico de seus acervos. Decorre desta política a conversão necessária de
espaços hoje tomados por outros serviços que não condizem com a biblioteca em espaços
destinados aos usuários (alunos, professores, técnico-administrativos e colaboradores).
A Supervisão do SIBI é responsável pelo planejamento, normatização, gestão e
execução das políticas de bibliotecas e arquivos no âmbito do IF Goiano. O SIBI também é
responsável pela administração, desenvolvimento, integração e adesão às políticas da
Instituição.

4.4 Estrutura gerencial
•

Supervisão do Sistema Integrado de Bibliotecas
A Supervisão do SIBI tem a função estratégica de planejamento global, coordenação e

assessoramento das atividades técnicas e administrativas do Sistema, a articulação interna
junto a instâncias superiores, técnicas e administrativas, e as representações externas, visando
à inserção das bibliotecas do IF Goiano em outras redes de bibliotecas e projetos nacionais de
informação científica e tecnológica de interesse aos programas institucionais. A Supervisão
do SIBI tem como objetivo propor, colocar em prática e coordenar políticas de dinamização e
modernização das bibliotecas, bem como efetivar uma sistemática de acompanhamento e
avaliação das atividades.

•

Núcleo de Cooperação Técnica
Núcleo responsável pela cooperação, a nível Institucional, relativos aos serviços

disponibilizados pelas bibliotecas integrantes do SIBI.

A Cooperação Técnica é

imprescindível como mecanismo de desenvolvimento e será viabilizada pela transferência e
absorção de conhecimentos técnicos de cada biblioteca do IF Goiano.
A Cooperação Técnica se processa mediante a execução de projetos, envolvendo:
a) Prestação de consultoria técnica às bibliotecas;

1080

�b) Formação e treinamento dos recursos humanos;
c) Complementação da infraestrutura da biblioteca receptora da cooperação, por meio de
ações que visam melhorar os equipamentos, materiais bibliográficos e de demais
instrumentos.
De modo a garantir a operacionalização do Sistema e para que a absorção e
transferência de conhecimento sejam eficientes, são necessários que sejam definidos e
detalhados os projetos de cooperação técnica que representem, de fato, prioridades da política
de bibliotecas e, portanto, em estreita articulação com as entidades e órgãos superiores.

•

Núcleo de Formação e Desenvolvimento de Coleções
Responsável pelo planejamento e execução de atividades afins, ao desenvolvimento do

acervo das bibliotecas tendo em vista as interfaces necessárias e desejáveis com as
Coordenações de Curso, docentes, discentes, técnico-administrativos e, principalmente, com o
Projeto Pedagógico do Curso - PPC, dentro do escopo de desenvolvimento e prioridades
elegidas pela administração superior da Instituição e pelos parâmetros externos de avaliação
da Instituição originários do MEC/INEP e CAPES e demais fontes. Dentre as funções do
núcleo estão:
Pré-Aquisição - Atividades voltadas à preparação de listas/bibliografias que serão objeto de
análise, avaliação e deliberação para aquisição externa. Envolve um conjunto de atividades
que incluem: a) tabulação da bibliografia apontada nos Planos de Disciplinas dos cursos; b)
análise de status de disponibilidade de mercado dos itens; c) proposta de revisão da
bibliografia

ao

docente/Coordenações

do

Curso

mediante posicionamento

de

indisponibilidade, existência de alternativas e lançamentos editoriais, levantamento dos
requisitos de avaliação dos cursos pelo MEC/CAPES; d) avaliação da disponibilidade dos
itens nas bibliotecas do IF Goiano.
Aquisição - Formatação e formalização do processo de aquisição bibliográfica da Instituição.
Acompanhamento do processo de aquisição junto aos órgãos internos. Prospectar
fornecedores. Recebimento centralizado e conferência do material recebido/fornecido.
Pós-Aquisição - Registro prévio da aquisição em Sistema próprio e indicação de destinação
final e encaminhamento para ao Núcleo de Tratamento Técnico do Acervo para registro
completo do material no Sistema antes da destinação ao acervo.
Recepção de doações e descarte de material - formalização de processos de descarte de
publicações consideradas obsoletas e dispensáveis pelos docentes/Coordenações de Curso e
Bibliotecas, encaminhamento de listas de descarte para aprovação da administração superior

1081

�da Instituição. Análise e avaliação de publicações destinadas às Bibliotecas do SIBI por
terceiros para incorporação ao acervo das Bibliotecas ou encaminhamento a outras
Instituições.
Orçamento - Elaboração de minuta de orçamento de aquisição bibliográfica tendo como base
os trabalhos de pré-aquisição realizados no período anterior e demais projeções.

•

Núcleo de Gestão e Automação
Responsável pelo monitoramento, parametrização e manutenção operacional do

software Pergamum no SIBI. Responde, também, pelo acompanhamento dos contratos de
manutenção e demais instrumentos cujo objeto seja a aplicação do software no IF Goiano.
Propõe, registra, solicita e acompanha processos de manutenção preventiva e corretiva no
sistema executadas pelo fornecedor ou pela Coordenação-Geral de Gestão em Tecnologia da
Informação (CGGTI) e outros que possuem interfaces que asseguram a sua atividade
operacional (rede, servidores, alimentação elétrica, etc.). Acompanha e propõe a execução de
rotinas de atualização do sistema.

•

Núcleo de Comunicação, Treinamento &amp; Cultura.
Responsável pelas ações de comunicação do SIBI. Planejamento, elaboração,

implantação e manutenção de treinamentos junto à comunidade visando sua capacitação para
a utilização plena dos recursos disponíveis nas unidades do SIBI. O Núcleo também
responderá pela atividade de ação cultural ligada ao tema afim à leitura, acesso ao patrimônio
cultural literário, dentre outras manifestações culturais e artísticas que reforçam o caráter
educativo e construtor de cidadania. Executa atividades de divulgação cultural e científica em
seu âmbito de atuação.
•

Coordenações de Bibliotecas dos Câmpus
Responsável pela operação das bibliotecas do Sistema, pela realização do

planejamento local e integrado ao SIBI, implantação e manutenção das políticas de
bibliotecas da Instituição, gestão dos recursos materiais disponíveis na área, gestão dos
recursos humanos disponibilizados, contato e relacionamento administrativo local para a
garantia das condições operacionais da área, contato e relacionamento com corpo docente e
diretivo-pedagógico para integração da biblioteca ao projeto e processo pedagógico dos
cursos ministrados no Câmpus, avaliação permanente do acervo para fins de inserção na
política de desenvolvimento de coleções da Biblioteca, apontamento de dados estatísticos de
acervo, circulação de material, atendimento ao público, serviços bibliotecários e de suporte

1082

�operacional, manutenção e preservação do ambiente de estudo e leitura da biblioteca,
treinamento e capacitação dos usuários locais (alunos, professores e servidores técnicoadministrativos), atividades locais relativas à implantação e operacionalização das políticas de
desenvolvimento de coleções e treinamento de usuários.
•

Núcleo de Tratamento Técnico do Acervo
Responsável pelo tratamento técnico das publicações adquiridas ou que fazem parte do

passivo de publicações não processadas do acervo das bibliotecas. O escopo do trabalho inclui
as seguintes atividades técnicas:
a) Catalogação - descrição técnica normalizada das publicações conforme padrões
internacionais estabelecidos.
b) Indexação - estabelecimento dos pontos de acesso à publicação no catálogo
eletrônico conforme descritores de assunto trabalhados de forma normalizada pelo
corpo de bibliotecários.
c) Classificação - estabelecimento do número de classificação ou número representativo
do assunto da publicação conforme sistema de classificação adotado pela biblioteca.

•

Núcleo de Serviços aos Usuários, Referências e Circulação
Responsável pela orientação e suporte em pesquisas bibliográficas, elaboração de

levantamentos específicos (personalizados), acesso a bases de dados internas e externas,
acesso à Internet, contatos com outras Instituições, empréstimo entre bibliotecas, visando
disponibilizar a informação com qualidade, agilidade e oportunidade;

Figura 1 - Quadro de distribuição do SIBI

1083

�Todos os núcleos terão relação entre si, se pautando na Gestão participativa. A gestão
participativa (ou compartilhada) compreende aquela em que todos os agentes envolvidos
participam no processo decisório, partilhando méritos e responsabilidades.

4.5 Ações e políticas adotadas pelo SIBI
Os aspectos relativos à estrutura física atual das bibliotecas do IF Goiano estão
atrelados a cenários que devem ser considerados e tratados de forma simultânea, pois
resultam: do fato de existir uma estrutura atual física operante e insuficiente que necessita
oferecer condições necessárias ao atendimento da comunidade e ao mesmo tempo responder
positivamente aos requisitos indicados pelos padrões de avaliação do MEC/INEP e CAPES
para os cursos de nível superior. Portanto, demandam um esforço de adequação que deve
ocorrer de forma emergencial.
O outro cenário aponta para a necessidade de intervenção nos projetos de ampliação
ou constituição dos Câmpus em operação e abertura de novas unidades, introduzindo a
perspectiva de atendimento às demandas presentes e futuras cujo escopo de atuação da
Instituição já comporta, mas está em vias de implantação.
Dentre as características gerais referentes aos Câmpus e Reitoria, e na perspectiva dos
projetos de estrutura física em andamento, o indicativo mais evidente e que necessita de
definição rápida da administração superior do IF Goiano é a necessidade de ampliação do
espaço projetado para as bibliotecas.
O planejamento das ações prioritárias e orçamentos iniciais para elaboração, análise,
deliberação, estabelecimento, implantação, operação e manutenção do SIBI devem ser
avaliadas. A necessidade de promover ações, mesmo antes do estabelecimento formal do
Sistema, decorre da urgência de inserção no planejamento orçamentário e gerencial do
Instituto e decorrente reserva e disponibilidade, dos recursos financeiros que devem ser
aportados para estruturação, implantação, operação e manutenção da área.

1084

�Quadro 1 - Ações do SIBI
Ações
1. Implantação e operação do SIBI
2. Elaboração do Plano de Gestão
3. Implantação da Política de Desenvolvimento de Coleções
4. Implantação, operação e manutenção do sistema Pergamum no SIBI
5. Reestruturação das Bibliotecas do IF Goiano
6. Implantação das Bibliotecas dos Câmpus Posse, Campos Belos, Trindade e
Câmpus Avançados
7. Implantação do CEDOC na Reitoria
8. Manutenção de materiais do acervo das bibliotecas

Em sua estrutura, o SIBI adota políticas institucionais que são importantes, visando o
cumprimento das ações mencionadas no quadro acima, são elas: formação e desenvolvimento
de acervo, serviços aos usuários, democratização da informação, serviços de referência e
circulação. As ações referidas serão concluídas por etapas, visando o fortalecimento de todas
as unidades, para que todas possam desenvolver em igualdade. O SIBI está em fase de
concretização, assim ações de elaboração de suas diretrizes e a reorganização das bibliotecas
são as principais metas a cumprir na fase de implantação. As demais ações já estão em fase de
planejamento por parte da equipe e a previsão que já em 2015 elas começaram a ser
executadas. As políticas institucionais criadas pelo SIBI estão descritas abaixo, são elas:

^

Política de Formação e Desenvolvimento do Acervo

Compete à Política de Formação e Desenvolvimento do Acervo: planejar, coordenar e
elaborar as políticas de seleção, aquisição, avaliação, controle e registro patrimonial do
material informacional do SIBI. Essa é a premissa da qualidade das coleções e do acervo
existente em cada biblioteca dos câmpus do IF Goiano.

^

Política de Serviços aos Usuários

Compete à Política de Serviços aos Usuários: planejar, gerenciar, avaliar e elaborar as
atividades relacionadas à instituição com vistas ao usuário. Consiste também na divulgação de

1085

�acervo e prestação de serviços. O atendimento aos usuários será avaliado por meio de
pesquisas sistemáticas, abordando aspectos qualitativos e quantitativos.

Política de Democratização da Informação
Compete à Política de Democratização da Informação: planejar, orientar e assessorar
as bibliotecas no serviço de acesso à informação. O acesso caracteriza-se quando o conteúdo
da informação torna-se inteligível ao usuário, em um serviço traduzido pelo Serviço de
Referência.

^

Política de Serviço de Referência e Circulação

Compete à Política de Serviços de Referência e Circulação: planejar, coordenar,
avaliar e assessorar as atividades relacionadas aos serviços produzidos e disponibilizados
pelas bibliotecas do SIBI. Constituem a razão de ser do Sistema, focado na satisfação e busca
da informação aos usuários.
A atividade de planejar faz parte de nosso cotidiano, seja no âmbito pessoal, nas
relações sociais, em nosso ambiente profissional ou em relação com os governos e a
Administração Pública. Planejamento, é definido como um processo que, considerando a área
de atuação, os elementos, o tempo, as unidades organizacionais e suas características, se
desenvolve para o alcance de uma situação desejada de modo mais eficiente, eficaz e efetivo,
com a melhor concentração de esforços e recursos.
A ferramenta que auxilia a alta administração permitindo nortear ações gerenciais da
organização, dentro de um plano previamente determinado de metas a alcançar, e estratégias,
diminuindo com isso, a possibilidade de tomada de decisões equivocadas, num mercado
extremamente competitivo, é o planejamento estratégico.
O orçamento evoluiu transformando-se, em elemento indispensável para o processo de
planejamento. Neste processo evolutivo, ainda se constitui um marco, a incorporação da
dimensão do planejamento ao orçamento público como um de seus elementos constitutivos.
O planejamento para o presente necessita de uma estratégia própria e o planejamento para o
futuro é feita com base numa visão do futuro, articulando uma estratégia para alcançar
grandes diretrizes e objetivos.
Como em qualquer instituição, o processo de planejamento deve ocorrer de forma
semelhante. Embora seja importante respeitar certas peculiaridades próprias do setor público,
o planejamento no âmbito SIBI tratará dos mesmos aspectos que todo plano deve ter:
objetivos e metas, meios de realização e meios de avaliação e controle.

1086

�Nesse sentido, o planejamento orçamentário, se apresenta como componente de
extrema relevância no processo de definição da situação futura a ser realizada e no
estabelecimento das formas como esta situação será atingida, constituindo-se parte da
essência do planejamento. Com o planejamento orçamentário, é possível verificar a
disposição dos recursos para a execução dos trabalhos. Assim com a destinação de recursos
orçamentários, o SIBI planejará anualmente sua escala de prioridades e sejam suficientes para
custear a manutenção do acervo, instalações, capacitação de pessoal, equipamentos, etc.
Na busca pela gestão eficiente dos recursos públicos, pelo aprimoramento da gestão
por meio de práticas gerenciais e para maximizar o uso desses recursos, uma parcela é gerida
de forma descentralizada. Com a unificação dos recursos do SIBI, o objetivo é dinamizar os
processos internos com o pressuposto de que os departamentos conhecem a real hierarquia de
suas necessidades e poderão administrar juntamente com os Gestores da instituição os
recursos contribuindo para o aumento da eficiência do gasto do recurso público.
As práticas de gestão do orçamento a serem desenvolvidas no SIBI, estão focadas em
aprimorar suas capacidades gerenciais em favor da incorporação efetiva do modelo
descentralizado de orçamento em seus hábitos e rotinas para que se tenha, como resultado
final, a aplicação correta dos recursos orçamentários no SIBI.
Por consequência espera-se a melhoria na prestação de serviços das bibliotecas. Com
recursos gerenciados pelo SIBI, os quais conhecem a real necessidade de investimentos, estes
podem geri-los de forma a contribuir mais efetivamente para a melhoria das unidades,
impactando na melhoria dos índices de classificação do IF Goiano, propiciando melhores
resultados nas avaliações das diversas variáveis e elementos que compõem os índices que
classificam o ensino no Brasil.
Portanto, é essencial que o SIBI crie políticas focadas na melhoria das bibliotecas,
políticas essas, que devem ser norteadas pelos princípios da administração pública, uma vez
que seu foco recai sobre o alcance de resultados e prestação de serviços públicos de
qualidade, com eficiência.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Toda a estrutura apontada surgiu a partir de um estudo prévio (diagnóstico) que
evidenciou a atual realidade das bibliotecas, tais como: estrutura física insuficiente e
inadequada; falta de recursos humanos para atendimento ao público; inexistência de um
software de gerenciamento padrão; falta de equipamentos e máquinas; mobiliário inadequado;
acervos que não atendem às demandas; inexistência de políticas direcionadas às bibliotecas.

1087

�Esse quadro evidenciou a necessidade urgente de implantação e ação do Sistema Integrado de
Bibliotecas.
É importante que o SIBI esteja devidamente constituído porque é necessário
institucionalizar a política de aquisição e formação e desenvolvimento de coleções e demais
atos normativos de funcionamento das bibliotecas.
O SIBI visa atender da melhor forma a comunidade do IF Goiano, colaborando para
que a Instituição possa alcançar a excelência na qualidade do ensino e fornecendo
instrumentos para pesquisa e aprendizado aos usuários, sejam interno ou externo, a fim de
oferecer suporte especializado para aperfeiçoar a produção científica, acadêmica e escolar,
seguindo diretrizes estabelecidas pelo MEC, bem como também, atender as necessidades
informacionais dos usuários e dar apoio ao ensino de qualidade.
Os desafios da implantação do SIBI reportam às aspectos múltiplos que envolvem
desde o histórico da implantação das bibliotecas, às alterações sofridas ao longo do tempo
pela própria Instituição e, mais recentemente, à transformação em Instituto Federal. A
estrutura atual das bibliotecas do IF Goiano revelam grandes discrepâncias em relação a
investimentos, serviços, infraestrutura e acervos, não correspondendo às demandas crescentes
e multifacetadas. São imprescindíveis esforços e recursos demandados à consecução dos
objetivos.
O tempo é oportuno para implantar novos paradigmas na área de bibliotecas. As
necessidades são prementes e a demanda deve ser atendida para consequentemente
adicionarmos, dentro da estrutura do IF Goiano, soluções à comunidade, tendo em vista que
as Bibliotecas são agências fortalecedoras e disseminadoras do saber.
Que a literatura científica avance especificamente no contexto dos Institutos Federais,
para que contribuições sejam ofertadas em busca de um Instituto Federal e suas respectivas
unidades de informação motivadas e conscientes no agir como um organismo vivo.
Contribuições e parcerias mostram-se bem vindas para um construir conjunto em
busca de uma caracterização mais aprofundada acerca das bibliotecas que se apresentam com
uma mescla de tipologias, sendo como o Instituto Federal Goiano, singular e coletiva,
concomitantemente, tendo os Bibliotecários e a sua equipe um grande caminho a trilhar, na
tentativa de ser um agente facilitador e contribuinte informacional da ciência e da tecnologia.
O SIBI tem como meta evidenciar e resgatar a importância do trabalho das bibliotecas
no contexto do ambiente acadêmico e escolar da Instituição. As ações devem ter
embasamento com a área pedagógica, para que as mesmas realizem um trabalho profissional e

1088

�alcancem os objetivos propostos. No campo da gestão, o trabalho baseia em uma
administração participativa, produtiva e flexível.
A linha de gestão participativa prioriza o comprometimento dos servidores com o
Sistema Integrado de Bibliotecas, evidenciando a necessidade de desenvolvê-lo com a
participação dos servidores envolvidos na atividade. O SIBI deve oferecer recursos para que
as comunidades acadêmicas e escolares em geral possam usufruir das bibliotecas,
participando do processo de ensino-aprendizagem de forma pensada, planejada e consequente.
É necessário construir um diferencial que agregue valores para desenvolver competências na
busca do cumprimento da missão das bibliotecas do IF Goiano.

6 REFERÊNCIAS
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1090

�</text>
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                <text>Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia foram constituídos em 28 de dezembro de 2008, formando novas Instituições, dentre elas o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IF Goiano). A Instituição está estruturada em formato multicampi, o que ocasionou, por parte dos gestores do IF Goiano, a necessidade de normatizar e padronizar ações e metodologias para a construção de um trabalho integrado. aprimorar a gestão de bibliotecas, por meio de políticas institucionais. O trabalho da equipe pautou por meio de reuniões sistemáticas com a equipe de bibliotecários, auxiliares de biblioteca e gestores da instituição de Ensino. O estudo baseou em uma ampla pesquisa bibliográfica, que possibilitou traçar diretrizes para criar um modelo de gestão integrada de bibliotecas. A pesquisa e as reuniões de equipe foram importantes para formação e constituição do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI), no âmbito da Instituição de Ensino. O objetivo do SIBI é tornar referência é atender às necessidades de informação de seus usuários por meio de serviços e produtos eficientes e por meio da democratização da informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ARQUITETURA E URBANISMO: ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DO NÚCLEO DE
PERIÓDICOS DA ÁREA
Márcia Melo Diniz
Jane Rodrigues Guirado
Juliana Rodrigues Pereira
Marco Lorena Queiroz

RESUMO
A disseminação e divulgação dos resultados de pesquisas junto a comunidade científica e a
sociedade são objetos da comunicação científica. O processo de pesquisa percorre várias
etapas: produção, disseminação de seus resultados junto a comunidade científica, sua
validação pelos pares, sua aplicação e, por fim, a divulgação junto a sociedade. O periódico é
o meio de comunicação formal mais utilizado pelos pesquisadores para disseminação de suas
pesquisas na maioria das áreas do conhecimento. Entretanto, com o grande número de títulos
disponíveis no mercado editorial, é necessário verificar a sua qualidade e confiabilidade. Para
isso, este estudo se propôs a identificar o núcleo de periódicos da área de Arquitetura e
Urbanismo e apresentar sua classificação conforme indicadores das bases WebQualis, JCR e
SJR. Propôs ainda verificar se o núcleo de periódicos faz parte da coleção do Portal de
Periódicos da CAPES. Constatou-se um número significativo de periódicos indexados nas
bases de dados JCR e SJR, e que a maioria dos títulos encontra-se disponível no Portal de
Periódicos da CAPES. Espera-se que este trabalho possa subsidiar os pesquisadores, docentes
e discentes na seleção do periódico para submissão de seus trabalhos e os gestores nas
tomadas de decisão. Como consequência, espera-se também que possa alavancar os
indicadores das instituições bem como dos seus pesquisadores.
Palavras-chave: Bibliometria. Arquitetura e Urbanismo. Comunicação científica.
ABSTRACT
To make public and to disseminate of research results with the scientific community and
society are the object of scientific communication. The research process runs for various
stages: from its production, dissemination of its results to the scientific community, peer
validation, implementation, and finally, the dissemination to make public to society. The
journal is a formal communication most used by researchers to disseminate their research in
most areas of knowledge. However, with the large number of titles available in the publishing
market, it is necessary to verify their quality and reliability. For this purpose, this study
intended to identify the core journals in the field of Architecture and Urbanism and submit
your classification as indicators of bases WebQualis, JCR and SJR. Also proposed to verify
the core journals is included in the CAPES Periodicals Portal. It found a significant number of
journals indexed in the databases JCR and SJR, and that most of the titles is available at the
CAPES Periodicals Portal. It is expected that this work will can supporter researchers,
professors and students in the selection of the journal for submission of their work and

175

�managers in decision-making. As a consequence, it is also expected that can be leveraged
indicators of institutions and their researchers.
Keywords: Bibliometrics. Architecture and Urbanism. Scientific communication.

1 INTRODUÇÃO
Atualmente, a produção científica deixou de ser apenas um instrumento de promoção
pessoal com o objetivo de ascensão profissional, tornando-se principalmente instrumento de
avaliação institucional, muito utilizado pelos administradores das instituições e agências de
fomento à pesquisa.
Para o favorecimento de promoções individuais e disponibilização de recursos
financeiros, as instituições e agências de fomento têm considerado a quantidade de
publicações, especialmente, artigos.
Verifica-se grande demanda por parte das instituições e pesquisadores em disseminar
os resultados das pesquisas em meios de comunicação consolidados para que possam ser
recuperados, avaliados e mensurados, seja pela própria instituição, pelos pares, empresas de
fomento e também pela sociedade.
O periódico se constitui em um dos meios de comunicação mais utilizado para
disseminação da produção científica. Entretanto, a partir da década de 60, com o aumento da
literatura científica e técnica denominado na literatura como explosão da informação ou
explosão bibliográfica, constituiu-se em um problema para os pesquisadores na seleção e
avaliação da confiabilidade do periódico a ser selecionado para comunicação de suas
pesquisas.
Assim, o estudo tem o objetivo de identificar o núcleo de periódicos da área de
Arquitetura e Urbanismo. Dessa forma, o estudo poderá:
•

auxiliar os pesquisadores e docentes na seleção do periódico que apresenta qualidade e
relevância para publicação de seus trabalhos;

•

subsidiar os gestores de unidades de informação na formação e desenvolvimento de
acervos;

•

sugerir inclusão de novos títulos na coleção do Portal de Periódicos da CAPES;

•

verificar se o núcleo de periódicos da área está contemplado no Portal de Periódicos da
CAPES.

176

�As autoras Guedes e Borschiver (2005) elucidam que os periódicos que publicam o maior
número de artigos sobre um assunto específico formam um núcleo de periódicos,
provavelmente de maior qualidade ou relevância para aquela área.

2 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
A disseminação e divulgação dos resultados de pesquisas junto a comunidade
científica e sociedade são objeto da comunicação científica. O processo de pesquisa percorre
por um longo caminho desde sua produção, disseminação de seus resultados junto a
comunidade científica, sua validação pelos pares, sua aplicação e, por fim, a divulgação junto
a sociedade.

Esse processo é fundamental para o avanço da ciência, como pode ser

confirmado por Almeida:
[..]. a comunicação científica é vital para o avanço e o desenvolvimento da
ciência, pois é por seu intermédio que ocorre a disseminação, a interação da
comunidade científica e a legitimação pelos pares, consolidando assim a
geração de novos conhecimentos. (2006, p. 28)
A comunicação científica é um processo que se faz presente em todo desenvolvimento
da pesquisa científica. Na etapa inicial, verifica-se a utilização maior dos canais informais de
comunicação e na etapa final, os canais formais. Quando o registro da pesquisa se faz em
veículos de comunicação escritos, como livros, periódicos, anais de eventos, teses e
dissertações, bibliografias e outros, considera-se que o registro foi realizado em canais
formais de comunicação. Segundo Oliveira (1996, p.2): "Existem diferentes tipos de canais
formais, e a informação que flui por meio deles sofre um processo contínuo de depuração.
Entre os canais formais mais característicos, estão os periódicos e os livros”.
Quando a comunicação não é registrada, portanto, sem possibilidade de ser
recuperada, como a comunicação oral que ocorre entre grupos de pesquisadores, considera-se
esta comunicação como sendo comunicação informal. Alguns dos canais de comunicação
informal citados por Mueller:
[...] conversas pessoais face a face, por telefone ou carta, aulas e palestras, e
circulação de preprints (manuscritos ainda não publicados sobre uma
pesquisa), trabalhos apresentados em reuniões profissionais e científicas
mais restritas e outras atividades semelhantes nas quais a informalidade da
comunicação predomina. (2007, p. 130)

177

�A troca de informações realizada, principalmente com o uso dos canais informais entre
os pesquisadores de determinada área de pesquisa, cria proximidade, vínculo através de
encontros em seminários, congressos, instituições. Trata-se, portanto, de importante meio de
comunicação utilizado pelos pesquisadores, mas que em geral, não é registrado.
Em contrapartida, o meio formal permite o armazenamento e a recuperação da
informação, a avaliação pelos pares, análise da veracidade e atualidade dos dados. Dessa
forma, permite-se que o ciclo da ciência seja sempre alimentado com novas pesquisas, novos
conhecimentos, publicações, avaliação, etc.
O advento da Internet e das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s),
promoveram mudanças significativas com relação à disseminação e acesso a informação
científica-tecnológica. A era atual é considerada por Castells (2006) a era da informação que
encontra-se fundamentada nas tecnologias digitais da informação e comunicação.
Os novos meios de comunicação surgidos com o uso de computadores em rede
proporcionaram mudanças que vão desde o processo inicial de pesquisa até a sua divulgação.
Foram observadas mudanças tanto nos canais formais quanto informais: na fase inicial do
processo de pesquisa havia uma ocorrência maior de contatos interpessoais (informais) para
contatos via rede de computadores, e na fase final, de divulgação dos resultados, a
substituição dos periódicos e livros impressos pelo eletrônico. As novas tecnologias têm
permitido uma facilitação na busca de informações, no compartilhamento de informações, na
produção e na sua disseminação.
No Brasil, a disponibilização de periódicos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES), entidade subordinada ao Ministério de Educação (MEC)
do Portal de Periódicos da CAPES nas Universidades Federais,

tem proporcionado a

ampliação de acesso à informação técnico-científica. Com relação ao Portal, Cendón e
Ribeiro afirmam que:
A disponibilização desses recursos através do Portal tem em vista a
atualização da comunidade científica e tecnológica, a dinamização do
processo do ensino e da pesquisa no Brasil, o aumento da quantidade, da
qualidade, da visibilidade e da competitividade internacional da produção
científica brasileira e a promoção da internacionalização da comunidade
acadêmica brasileira. (2008, p. 158).

3 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS
Entre os instrumentos mais utilizados pelos pesquisadores para disseminação da
produção científica, estão os periódicos. Há quem considere que, independente da área a que

178

�pertença o pesquisador, deve-se ter como meta a publicação em periódicos. Na escolha de em
qual periódico publicar, há dois fatores comumente considerados pelos pesquisadores:
prestígio do periódico dentro da comunidade científica e público atingido pela revista.
“Prestígio e público andam juntos. Os leitores, como os autores, são atraídos pelos periódicos
mais importantes, de modo que, ao publicar nesses periódicos, os autores têm mais
probabilidade de atingir o público almejado”. (MEADOWS, 1999, p.167).
Meadows (1999) também relaciona outros fatores considerados na escolha do
periódico como regularidade, rapidez na disponibilização, língua, confiabilidade e
credibilidade do que é publicado, política editorial, indexação em fontes secundárias e até
mesmo o hábito, ou seja, uma vez bem aceito e divulgado o trabalho, o autor volta a publicar
naquele periódico.
No século XX houve um crescimento exponencial no número de cientistas dedicados
às atividades de pesquisa, consequentemente, maior volume de produção científica. A ciência
encontra-se dividida em grandes áreas do conhecimento e dentro de cada grande área,
encontram-se ainda as subdivisões em áreas cada vez mais especializadas.

Quanto aos

periódicos, da mesma forma, além da grande quantidade de títulos disponíveis no mercado,
encontram-se cada vez mais especializados.
A evolução tecnológica propiciou mudanças significativas no processo referente à
comunicação científica, e o periódico foi o que mais sofreu alterações. Dentre essas
mudanças, está o acesso eletrônico. Há uma grande migração de títulos de periódicos do
formato impresso para o formato eletrônico, entretanto, vários títulos mantêm esses dois
formatos. Há aqueles que migraram e ficaram somente eletrônicos e há aqueles que já
“nasceram” eletrônicos.
Em geral, o que caracteriza o periódico eletrônico, segundo Mueller (2000) é a
comunicação rápida, acesso de qualquer lugar, sem barreira geográfica e a possibilidade de
recuperação da informação de várias maneiras. Gonçalves, Ramos e Castro (2006) citam
ainda os recursos audiovisuais (imagens, áudio, vídeo) e os links (estrutura de hipertexto).
As publicações periódicas científicas seguem, na sua maioria, padrões de
apresentação. Os artigos devem apresentar título, autoria, resumo e palavras chaves, e o texto
composto de introdução, desenvolvimento e conclusão; em seguida, as referências.
Entretanto, os periódicos da área de Arquitetura, encontra-se, muitas vezes, dificuldade de
caracterizá-los como periódicos científicos e técnicos. Diferentemente da área das ciências
exatas onde os resultados de uma pesquisa podem ser repetidos e contestados, na área de

179

�Arquitetura e Urbanismo há dificuldade em estabelecer parâmetros devido à diversidade de
estudos da área:
A variedade de enfoques, procedimentos, aproximações e interpretações dos
objetos tratados em Arquitetura, Urbanismo, Paisagismo e Design (AUPD)
dificultam caracterizar um sistema uniforme e monolítico do ponto de vista
qualitativo e estatístico suficiente para estabelecer um sistema coerente e
mensurável, como se identifica, por exemplo, na área de medicina.
(SEGAWA et. al, 2003, p. 121).
No sistema de comunicação da ciência, o pesquisador tem preferência em utilizar os
canais de comunicação que ressaltam a credibilidade, qualidade e confiabilidade para
disseminar seus resultados de pesquisa. No Brasil, o sistema WebQualis classifica os títulos
de periódicos utilizados pelos programas de pós-graduação das instituições brasileiras para a
disseminação da sua produção científica.
Os pesquisadores das universidades sofrem influências de duas síndromes: “[...] a do
‘publique ou pereça’ e a sua contraparte ‘seja citado ou desapareça’” [...] (MIRANDA;
PEREIRA, 1996, p. 377). Portanto, a produção científica é utilizada pelos gestores e agências
de fomento na gestão, planejamento, ascensão profissional (promoção) e distribuição de
recursos financeiros, humanos e tecnológicos. Dessa forma, é premente a necessidade de
indicar para os pesquisadores, diante do grande volume de títulos de periódicos no mercado,
aqueles que apresentam qualidade, confiabilidade e ainda, que permitam ampla visibilidade de
seus trabalhos junto aos seus pares.4*

4 BASES DE DADOS PARA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA
A bibliometria é uma área de estudos que “[...] se dedica aos aspectos quantitativos da
produção, disseminação e uso da informação registrada, focando especialmente os setores
científicos e tecnológicos a partir de fontes bibliográficas e patentes”. (LARA, 2006, p.393).
Nesse contexto, várias bases de dados permitem realizar estudos bibliométricos com o
objetivo de avaliar e mapear uma área do conhecimento. Dentre essas bases, pode-se citar o
Journal o f Citation Reports (JCR) da editora Thomson Reuters e SCImago Journal &amp; Country
Rank (SJR) da editora Elsevier.
As bases WebQualis e o Portal de Periódicos da CAPES, ambos da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), permitem também realizar várias
análises bibliométricas.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) criada em
1951, é uma agência vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Além de outras ações, a

180

�CAPES é responsável pela avaliação de desempenho da pós-graduação de todo país, com
certificação da qualidade dos programas, acesso e divulgação da produção científica.
Entre as contribuições da CAPES para a pós-graduação brasileira, instituições de
pesquisas e sociedade em geral, encontra-se o Portal de Periódicos. O Portal oferece o acesso
à produção científica mundial. Criado em 2000, constitui-se em uma biblioteca virtual que
disponibiliza à comunidade acadêmica brasileira: periódicos científicos, bases referenciais
com texto completo e/ou resumos, patentes, livros, normas técnicas e outros.
Outra contribuição da CAPES é a base de dados WebQualis. Esta base é alimentada
com as informações referentes aos periódicos científicos utilizados pelos docentes
pesquisadores na disseminação de suas pesquisas. Esses títulos são repassados à CAPES
pelos programas de pós-graduação na coleta de dados das avaliações anuais dos programas.
A base consiste em fornecer a classificação dos periódicos indicados pelas áreas
avaliadas. A classificação que afere a qualidade do periódico consta das categorias A1, mais
elevada, A2; B1; B2; B3; B4; B5; C, mais baixa e periódicos sem classificação - peso zero.
Um mesmo periódico pode receber classificações diferenciadas nas diversas áreas.
A CAPES utiliza esse instrumento para aferir a qualidade dos artigos a partir da
análise da qualidade dos periódicos utilizados para sua publicação, ou seja, artigos publicados
em periódicos científicos classificados nas categorias mais elevadas têm peso maior na
avaliação.
Na avaliação trienal da CAPES 2010/201214, a área de Arquitetura e Urbanismo
apresentou no Documento de Área 2013, os critérios mínimos para classificação dos
periódicos científicos: registro ISSN; editor responsável pela publicação; conselho editorial
ou similar, responsável pela avaliação e seleção de trabalhos para publicação; avaliação por
pares discriminada por edição; normas para a submissão de trabalhos, incluindo critérios para
a apresentação e estruturação dos textos para a apresentação de referências e descritores;
apresentação nos artigos de informação completa sobre a afiliação dos autores, incluindo
instituição de origem, cidade e país; artigos com título, resumo e palavras-chave no idioma do
texto do artigo e no idioma inglês, quando este não é o idioma do texto.
Além desses critérios mínimos, há também os seguintes critérios: periodicidade,
diversificação institucional dos autores, estabilidade (tempo de existência), edição bilíngue
(inclusão da versão em inglês) e a disponibilidade eletrônica com acesso online.

14 Dados retirados de: &lt;http://www.capes.gov.br/component/content/article/44-avaliacao/4638-arquitetura-eurbanismo&gt;

181

�Os critérios adotados pela área de Arquitetura e Urbanismo para classificação dos
periódicos nas categorias A1, A2, B1 e B2 são:

Tabela 1 - Critérios adotados pela área de Arquitetura e Urbanismo para classificação dos
periódicos
CATEGORIAS
Critérios
Abrangência
Periodicidade
Artigos por ano
Estabilidade
Diversidade
autores
institucionais
Indexação
Língua
Disponibilização

A1
excelência

A2
excelência

B1
excelência/
relevante
internacional
nacionais/
nacionais/
internacionais
internacionais
semestral
semestral
semestral
16
16
16
5 anos
4 anos
8 anos
75% de artigos de 4 60% de artigos 50% de artigos
instituições
de 4 instituições de 3 instituições
diversas
diversas
diversas
2 bases;
1
base 1 base nacional
1 internacional
internacional
estrangeira
estrangeira. ou estrangeira. ou
abstract bilingue abstract
bilingue
online
online
online

B2
relevante
semestral
16
3anos
40% de artigos
de 3 instituições
diversas
abstract bilingue

Corpo
editorial 5 instituições;
5 instituições; 3 3 instituições;
3
instituições;
composto
por 3 internacionais
internacionais
1 internacionais nacionais
ou
internacionais
mínimo:
Fonte: Elaborado pelos autores com dados obtidos no Portal da CAPES - Documento de área,
2013.

A pontuação adotada na área de Arquitetura e Urbanismo para os periódicos
classificados nessas categorias foram: A1 (100 pontos); A2 (85 pontos); B1 (70 pontos) e B2
(60 pontos).
As bases de dados JCR e SJR são muito utilizadas pela comunidade científica por
permitirem avaliar e comparar títulos de periódicos utilizando dados de citações extraídas de
revistas acadêmicas e técnicas. Entre as diversas finalidades desta base estão:
•

auxiliar o autor na tomada de decisão com relação à definição do periódico em que irá
publicar seu trabalho, a partir da identificação das publicações mais influentes da
área, e também possibilita a confirmação do status dos periódicos, nos quais seus
trabalhos foram publicados;

•

subsidiar bibliotecários na política de formação, desenvolvimento e gestão da coleção
de periódicos;

182

�•

facilitar para professores e estudantes a localização da lista de leitura atual em suas
respectivas áreas do conhecimento;

•

possibilitar aos especialistas da área da Ciência da Informação, o monitoramento das
tendências bibliométricas e padrões de citação. .
O JCR é uma base de dados que permite ao pesquisador obter informações referentes

ao impacto e a influência de um periódico na comunidade científica global. Essa base de
dados tem atualização anual e apresenta duas edições:
• JCR Science Edition - contém mais de 8 mil periódicos da área Ciência e Tecnologia;
• JCR Social Siences Edition - contém mais de 2.600 mil periódicos da área das
Ciências Sociais.
O SJR é um portal de acesso aberto para análise e avaliação do impacto e rendimento
científico de revistas e países que utiliza dados de citação e publicação extraídos dos registros
da base de dados SCOPUS. É importante ressaltar que a base SCOPUS apresenta uma
predominância de títulos de periódicos do Brasil e da América Latina, além dos títulos de
periódicos do Primeiro Mundo.
As duas bases, JCR e SJR, permitem realizar uma pesquisa de um determinado grupo
de periódicos por categoria de assunto, editor ou país/território, como também por um título
de periódico específico. Um dos indicadores mais conhecido é o fator de impacto, que se
trata de um cálculo matemático e ressalta-se a importância de analisá-lo dentro de um
contexto definido.
O fator de impacto “[...] é um indicador classificatório da qualidade e prestígio dos
periódicos e dos artigos neles publicados”. (LARA, 2006, p.397). Ele possibilita verificar a
influência de um periódico na comunidade científica. O fator de impacto de um mesmo
periódico pode ser diferenciado nas diversas áreas do conhecimento e em bases distintas. O
cálculo do Fator de Impacto na base SJR é similar ao cálculo adotado no JCR.
As bases de dados JCR e SJR apresentam o fator de impacto numericamente, como
também Quartil rankings. O Quartil rankings é uma representação gráfica de cada título de
periódico na posição do quartil, que ocupa para uma determinada categoria de assunto. A
representação do Quartil no gráfico abaixo ocorre da seguinte forma: a linha horizontal da
parte superior representa o percentil 75% (Q3); a linha horizontal da parte inferior representa
o percentil 25% (Q1); a linha horizontal mediana representa o valor médio; as linhas
horizontais acima e abaixo da caixa representam os valores máximos e mínimos. Neste

183

�estudo foi verificado o fator de impacto do periódico localizado no Quartil. A Figura abaixo
representa o Quartil rankings:

Figura 1 - Quartil Rankings
O

-------------------o u t l ie r

------------------------------------------------------ w h i s k e r

------------------------------ ---------------7 5 t h p e rc e n t ile
H---------------------------------- m e a n
------------------------------------------------ m e d i a n

------------------------------ ---------------2 5 t h p e rc e n t ile

--------------- -------------------------------------w h i s k e r

Fonte: THOMSON REUTERS, 2014.

O periódico com fator de impacto elevado, ou seja, localizado no Quartil 1, indica que
é relevante para aquela área do conhecimento. A publicação de pesquisas em periódicos de
prestígios possibilita ao pesquisador reconhecimento junto aos pares, citações por outros
autores e visibilidade no cenário nacional e/ou internacional.
Para inclusão de um título de periódico na base de dados JCR são utilizados os
critérios: total de citações; fator de Impacto; classificação na categoria; porcentagem de autocitações do periódico; aumento proporcional do Fator de Impacto do periódico com / sem
auto-citações; dentre outros.

5 ASPECTOS METODOLÓGICOS
Para o alcance dos objetivos deste estudo foram realizadas coletas de dados nas
seguintes bases: WebQualis, JCR, SJR e Portal de Periódicos da CAPES.
A base WebQualis foi utilizada para identificação do núcleo de periódicos da área de
Arquitetura e Urbanismo categorizados em A1, A2, B1 e B2. Optou-se em trabalhar com os
periódicos com pontuação maior por inferir que são os mais relevantes para a área.
Para cada periódico identificado na base WebQualis dentro das categorias
estabelecidas, foi realizada pesquisa nas bases JCR e SJR para verificar a posição do
periódico no quartil das respectivas bases.

184

�Por fim, o levantamento dos periódicos no Portal de Periódicos da CAPES, permitiu
averiguar se os periódicos melhor classificados na área faziam parte da coleção do Portal.
Assim, será possível verificar se a coleção do Portal está contemplando a área de Arquitetura
e Urbanismo de forma satisfatória.

6 ANÁLISE DOS DADOS
A análise dos dados utilizou recursos de estudos bibliométricos para alcançar os
objetivos da pesquisa. Identificou-se o núcleo de periódicos da área de Arquitetura e
Urbanismo na base WebQualis, com pontuação entre A1 e B2, que totalizou-se em 302
títulos de periódicos nacionais e estrangeiros. A tabela 2 apresenta o panorama referente ao
núcleo de periódicos da área Arquitetura e Urbanismo, representado por cada categoria em
estudo.
Tabela 2 - Número de títulos por categoria
WebQualis

Fonte:

Elaborado

A1

A2

B1

B2

34

57

96

115

pelos

autores

com

dados

obtidos

na

base

WebQualis, 2014.

Ao identificar esse núcleo de periódicos, iniciou-se a coleta de dados nas bases de
dados JCR, SJR e Portal de Periódicos da CAPES, conforme tabela a seguir:

Tabela 3 - Número de títulos disponíveis na coleção do Portal de Periódicos da CAPES e
indexados no JCR e SJR
Coleção Portal Periódicos CAPES JCR
SJR
A1

A2

B1

B2

A1

A2

B1

B2

A1

A2

B1

B2

26

35

69

66

23

32

35

18

29

35

53

50

%

%

%

%

%

%

%

%

%

%

%

%

76%

61%

72%

57%

68%

56% 36% 16% 85% 61%

55% 43%

Fonte: Elaborado pelos autores com dados obtidos nas bases: Portal de Periódicos da CAPES,
JCR e SJR, 2014.

185

�Do total de periódicos classificados nas categorias A1, A2, B1 e B2, 302 títulos, 196
(64,9%) de títulos estão disponíveis no Portal de Periódicos da CAPES.
Foi significativo o número de periódicos indexados nas bases de dados JCR (108
títulos) e SJR (167 títulos). A distribuição do número de periódicos em cada categoria pode
ser verificada na tabela acima. Entre as razões para o maior número de títulos indexados na
base SJR pode ser o fato desta base indexar mais títulos, além de maior quantidade de títulos
latino-americanos, se comparada à base de dados JCR.
A tabela a seguir, apresenta o fator de impacto dos periódicos identificados pelo
Quartil nas bases JCR e SJR:

Tabela 4 - Fator de impacto dos periódicos identificado pelo Quartil nas bases JCR e SJR
Fator Impacto Número de títulos/

Número de títulos/

JCR

SJR

Quartil

A1

A2

B1

B2

TOTAL A1

A2

B1

B2

TOTAL

Q1

14

11

08

03

36

07

18

18

07

50

Q2

07

08

11

04

30

16

13

18

16

63

Q3

01

08

07

00

16

04

02

12

17

35

Q4

01

05

09

10

25

02

02

05

10

19

não 11

25

61

98

195

05

22

43

65

135

34

57

96

115

-

34

57

96

115

-

Títulos
indexados
TOTAL

Fonte: Elaborado pelos autores com dados obtidos nas bases JCR e SJR, 2014.

Da análise do fator de impacto identificado pela localização no Quartil Q1, Q2, Q3 e
Q4 de cada periódico que compõe o núcleo nas bases de dados JCR e SJR, verificou-se que
ocorreu a predominância dos títulos representados no Q1e Q2, em ambas as bases, que são
consideradas as posições mais elevadas. A evidência sugere que os programas de pósgraduação brasileira da área Arquitetura e Urbanismo estão dando preferência em publicar
seus resultados de pesquisas em periódicos que apresentam alto fator de impacto.
Fez-se também a identificação dos títulos de periódicos que apresentaram fator de
impacto localizados no Quartil 1 nas bases de dados JCR e SJR, e que encontram-se
disponíveis na coleção do Portal. Estes títulos podem ser visualizados na tabela a seguir:

186

�Tabela 5 - Periódicos disponíveis no Portal de Periódicos da CAPES e com fator de impacto
localizados no Quartil 1 nas bases JCR e SJR
(Continua)
A1
17427061

Acta
Biomaterialia

A2
B1
0169- Applied Clay 02721317 Science
8842
(Print)

00036870

Applied
Ergonomics

09619534

Biomass &amp; 0045Bioenergy
7949

09265805

09589465

Cement
&amp; 09500618
Concrete
Composites

03601323

Automation
in
Construction
(Print)
Building and
Environment

01968904

09557997

02638223

Composite
Structures

02697491

Energy
Conversion
and
Management
Environmenta
l
Pollution
(1987)

03601315

Computers
and
Education

03091317

00167185

03050548

Computers &amp; 09596526
Operations
Research

International
Journal
of
Urban
and
Regional
Research
(Print)
Journal
of
Cleaner
Production

03787788

Energy and 0921Buildings
5093

03014797

09396411

12900729

B2
1027 Hydrology
and
Earth
5606 System
Sciences
Computers &amp; 1367 Journal
of
Structures
Knowledge
3270 Management
Construction &amp;
Building
Materials

Ceramics
International

Engineering
Analysis with
Boundary
Elements
European
Journal
of
Pharmaceutics
and
Biopharmaceuti
cs
Geoforum

International
Journal
of
Thermal
Sciences

Materials
Science
&amp;
Engineering.
A, Structural
Materials:
Properties,
Microstructur
e
and
Processing
Journal
of 0141- Polymer
Environment 3910 Degradation
al
and Stability
Management

187

�Tabela 5 - Periódicos disponíveis no Portal de Periódicos da CAPES e com fator de impacto
localizados no Quartil 1 nas bases JCR e SJR
(Conclusão)
A1

A2

B1

B2

03787753

Journal
of 0960- Renewable
Power
1481 Energy
Sources
(Print)
0028Nature
0836
(London)
0042Urban
0980
Studies
(Harlow.
Print)
TOTAL
12
10
7
2
Fonte: Elaborado pelos autores com dados obtidos nas bases Portal de Periódicos da CAPES,
JCR e SJR, 2014.

Verifica-se que há maior número de periódicos da categoria A1 e A2 localizados no
Quartil 1. Em contrapartida, verifica-se que os periódicos da categoria B1 e B2 localizados
no Quartil 1 são um número bem menor. Entre as razões, pode estar o fato de que os critérios
de classificação dos periódicos das categorias B1 e B2 são menores do que os critérios de
classificação dos periódicos das categorias A1 e A2, portanto, a presença maior destes no
Quartil 1.

Essa lista poderá subsidiar o pesquisador na seleção entre títulos de grande

prestígio para submissão de seu artigo.
A relação dos demais títulos identificados nas categorias A1, A2, B1 e B2 com as
respectivas localizações no Quartil e a disponibilidade ou não no Portal de Periódicos da
CAPES, encontra-se disponível na página15 da biblioteca.
Também foi realizada, análise com relação ao número de títulos de periódicos que
compõem o núcleo de periódicos da área, os quais, não estão disponíveis na coleção do Portal
de Periódicos da CAPES, conforme a tabela abaixo:

15 http://www.arq.ufmg.br/biblioteca/

188

�Tabela 6 - Número de títulos do núcleo de periódicos que não estão disponíveis na coleção do
Portal de Periódicos da CAPES
A1

A2

B1

B2

08

22

27

49

%

%

%

%

24%

39%

28%

43%

Fonte: Elaborado pelos autores com dados obtidos nas bases do Portal de Periódicos da
CAPES, 2014.

Do total de periódicos classificados nas categorias A1, A2, B1 e B2, 302 títulos, 106
(35,09%) de títulos não estão disponíveis no Portal de Periódicos da CAPES.
Percebeu-se que o percentual de títulos categorizados em A1 e não disponíveis no
Portal de Periódicos da CAPES é pequeno, enquanto os títulos categorizados em B2
apresentaram um número expressivo de periódicos que não fazem parte dessa coleção.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É grande a cobrança por parte das instituições e agências de fomento para que os
docentes e pesquisadores façam os registros de suas produções científicas. O periódico é o
meio de comunicação formal mais utilizado pelos pesquisadores para disseminação de suas
pesquisas na maioria das áreas do conhecimento. Entretanto, com o grande volume de títulos
disponíveis no mercado editorial, é necessário verificar a sua qualidade e confiabilidade.
A área de Arquitetura e Urbanismo é uma área de fronteira que dialoga com diversas
outras áreas. Abrange uma diversidade de objetos de estudos como projetos de edificações,
monumentos, planejamento urbano, paisagismo, arquitetura de interiores e outros. Dessa
forma, verificou-se uma diversidade de periódicos utilizados pelos pesquisadores para
publicação de seus trabalhos. Entre esses, há periódicos específicos da área e também de
outras áreas, como engenharias, meio ambiente, sociologia, saúde, etc.
Verificou-se que a maioria dos títulos de periódicos identificados nas categorias A1,
A2, B1 e B2, encontra-se disponível na coleção do Portal de Periódicos da CAPES: 64,9%.
Esse indicador é um fator relevante para pesquisadores, docentes, discentes e gestores, por
possibilitar à comunidade científica maior acesso à literatura técnico-científica mundial
referente à área e para a CAPES, na política de renovação e/ou manutenção da coleção.

189

�Os periódicos de Arquitetura e Urbanismo considerados na avaliação da CAPES no
Documento de área /2013 como de excelência (A1, A2 e B1) encontram-se, na sua maioria,
representados nas bases de dados JCR e SJR nos Quartis mais elevados Q1 e Q2. Esse
indicador é importante para a área e pode-se inferir que os programas de pós-graduação
brasileira estão utilizando os títulos de periódicos que apresentam elevado fator de impacto
como veículos de comunicação para disseminação de seus resultados de pesquisas e aquisição
de novos conhecimentos.
Os títulos identificados no núcleo de periódicos e não disponíveis no Portal de
Periódicos da CAPES representam uma parcela menor se comparada aos títulos disponíveis:
35,09%. Esse dado é relevante para os gestores das instituições e também para a CAPES na
gestão de conteúdo para o desenvolvimento do acervo.
Espera-se que o levantamento do núcleo de periódicos da área de Arquitetura e
Urbanismo bem como os demais dados e informações trazidos neste trabalho possam
subsidiar os pesquisadores, docentes e discentes na seleção do periódico para submissão de
seus trabalhos e os gestores nas políticas de formação e desenvolvimento do acervo. Como
consequência, espera-se também que possa alavancar os indicadores das instituições bem
como dos seus pesquisadores.

REFERÊNCIAS

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utilização. 2006. 175 f. Dissertação (Mestrado) - Centro de Desenvolvimento Sustentável,
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192

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71371">
                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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                <elementText elementTextId="71372">
                  <text>UFMG</text>
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              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Arquitetura e urbanismo: análise bibliométrica do núcleo de periódicos da área.</text>
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            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <elementText elementTextId="73747">
                <text>Diniz, Márcia Melo, Guirado, Jane Rodrigues, Pereira, Juliana, Queiroz, Marco Lorena Queiroz</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2014</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="73753">
                <text>A disseminação e divulgação dos resultados de pesquisas junto a comunidade científica e a sociedade são objetos da comunicação científica. O processo de pesquisa percorre várias etapas: produção, disseminação de seus resultados junto a comunidade científica, sua validação pelos pares, sua aplicação e, por fim, a divulgação junto a sociedade. O periódico é o meio de comunicação formal mais utilizado pelos pesquisadores para disseminação de suas pesquisas na maioria das áreas do conhecimento. Entretanto, com o grande número de títulos disponíveis no mercado editorial, é necessário verificar a sua qualidade e confiabilidade. Para isso, este estudo se propôs a identificar o núcleo de periódicos da área de Arquitetura e Urbanismo e apresentar sua classificação conforme indicadores das bases WebQualis, JCR e SJR. Propôs ainda verificar se o núcleo de periódicos faz parte da coleção do Portal de Periódicos da CAPES. Constatou-se um número significativo de periódicos indexados nas bases de dados JCR e SJR, e que a maioria dos títulos encontra-se disponível no Portal de Periódicos da CAPES. Espera-se que este trabalho possa subsidiar os pesquisadores, docentes e discentes na seleção do periódico para submissão de seus trabalhos e os gestores nas tomadas de decisão. Como consequência, espera-se também que possa alavancar os indicadores das instituições bem como dos seus pesquisadores.</text>
              </elementText>
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  </item>
  <item itemId="6858" public="1" featured="0">
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O LIVRO DIGITAL COMO FORMA DE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO
CONHECIMENTO E A CULTURA
Stella Moreira Dourado
Ana Ligia Silva Medeiros

RESUMO
O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão, mas nem todos tem acesso.
As tecnologias informacionais e a internet geram várias possibilidades de ampliação do
acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura - a digital. Neste trabalho,
buscou-se analisar as contribuições das tecnologias informacionais e da internet para um
maior acesso à cultura, utilizando o livro digital, disponibilizado gratuitamente, como veículo
de democratização do acesso ao conhecimento. Para tanto, realizou-se uma pesquisa
bibliográfica e documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias
informacionais e da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova
cultura favorece a democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Foi realizado
também um levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que
permitam uma maior democratização do acesso ao conhecimento e a cultura. Contatou-se que
com a cultura digital, os cidadãos podem participar de forma ampla e colaborativa nas redes
online, se expressando culturalmente e passando de expectadores para atores culturais.
Palavras-Chave: Cultura; Cultura digital; Tecnologias informacionais; Livro digital;
Democratização do acesso ao conhecimento.
ABSTRACT
Access to culture and cultural goods of every citizen is entitled, but not everyone has access.
The information technologies and the internet generate several options for expanding access
to culture for individuals, generating a new culture - the digital. In this study, we sought to
analyze the contributions of information technologies and the Internet to increase access to
culture, using a digital book available for free, as a means of democratizing access to
knowledge. To do so, we performed a bibliographic and documentary research on culture and
the transformations promoted by information technologies and the Internet, causing the
emergence of digital culture and how this new culture favors the democratization of access to
knowledge for society. A survey of initiatives to publish free digital books that allow for
greater democratization of access to knowledge and culture was also performed. It was noted
that with the digital culture, citizens can participate in a wide and collaborative networks in
the online form, expressing culturally and from viewers for cultural actors.
Keywords: Culture; Digital culture; Informational technologies; Digital book;
Democratization of access to knowledge.

4351

�1 INTRODUÇÃO
O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão. O acesso à cultura é
importante para a formação de cidadania e para a criação de identidade dos indivíduos.
Contudo, esse acesso, na maioria das vezes é privilegio de camadas sociais com mais poder
aquisitivo. Indivíduos com baixo poder aquisitivo, dependiam de iniciativas culturais públicas
ou de baixo custo tais como bibliotecas, arquivos, museus, centros culturais, teatro e cinema.
O advento das tecnologias informacionais e da internet gerou várias possibilidades de
ampliação do acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura - a digital. Com
a cultura digital houve várias transformações na indústria cultural, o que permitiu um maior
acesso aos bens culturais, tais como música, cinema, televisão, bibliotecas, livros, entre
outros, por meio da disponibilização gratuita de arquivos digitais na internet.
Diante desse cenário, buscou-se analisar as contribuições das tecnologias
informacionais e da internet para um maior acesso à cultura, utilizando o livro digital,
disponibilizado gratuitamente, como veículo de democratização do acesso ao conhecimento.
Para alcançar o objetivo proposto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e
documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias informacionais e
da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova cultura favorece a
democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Em seguida foi realizado um
levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que permitam uma maior
democratização do acesso ao conhecimento e a cultura.

2 CULTURA, UM DIREITO DO CIDADÃO
Cultura pode ser compreendida como “artefatos, bens, processos técnicos, ideias,
hábitos e valores herdados”, segundo o conceito clássico de Malinovski (1975). Porém, este é
um dos inúmeros conceitos conhecidos para definir cultura. No clássico trabalho de Kroeber e
Kluckhohn (1952) foram encontradas 164 definições, mostrando a complexidade do tema.
Para agravar a compreensão, este termo pode ser abordado sob diversos aspectos, como por
exemplo, o da biologia, da agricultura, da sociologia e da antropologia, entre outros.
A UNESCO elaborou a Declaração do México, durante a Conferência Mundial sobre
Políticas Culturais (MONDIACULT), em 1982, cuja interpretação vem apoiando diversas
políticas públicas em muitos países. A cultura é entendida como:

4352

�[...] todo o conjunto de traços distintivos espirituais, materiais, intelectuais e
emocionais que caracterizam uma sociedade ou grupo social. Ele inclui não
apenas as artes e as letras, mas também os modos de vida, os direitos
fundamentais do ser humano sendo, os sistemas de valores, tradições e
crenças. (UNESCO, 1982).

A marca constante em todas as definições é o homem. Sem o homem não há cultura,
pois este representa suas manifestações, que compreendem tanto os aspectos materiais quanto
os imateriais. Os aspectos materiais correspondem a qualquer tipo de utensílio produzido pela
sociedade, seja um copo, um livro, um tablet, entre outros, e, também, os bens edificados
como igrejas e praças. Nos bens imateriais, ou intangíveis, estão compreendidas as crenças, as
práticas e as habilidades de um povo, como o carnaval, o frevo, o queijo de Minas, as baianas
do acarajé, etc.
O acesso à cultura é considerado um direito do cidadão, sendo um tema que vem
despertando crescente interesse. Atualmente, muito se discute sobre a questão dos direitos
culturais, porém, esta questão não está ainda totalmente determinada devido à grande
quantidade de definições e abordagens. A UNESCO, segundo Machado (2011, p.106)
reconheceu a necessidade de elaborar inventário sobre os direitos culturais. Esta indefinição
da abrangência da área cultural acarreta “a falta de consenso a respeito de quais são os direitos
culturais dá lugar a diferentes maneiras de tipificá-los, nomeá-los e defini-los”. (Machado,
2011, p. 106).
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 215 considera a cultura um direito de
todos, o que poderia ser um grande avanço para a sociedade, porém as áreas englobadas no
conceito de cultura não estão relacionadas, o que dificulta seu entendimento, bem como a
aplicação deste direito. Machado (2011) alerta, ainda, que o termo cultura é abordado, ainda,
sob diferentes formas na Constituição, verificando que a questão cultural perpassa, segundo o
autor, sete dos nove títulos em que a Constituição se subdivide. Assim, “[...] é lícito concluir
que a cultura é um componente estrutural e estruturante”. (Machado, 2011, p.115).
Em 2010, o Governo Federal lançou o Plano Nacional da Cultura/ PNC elaborado pelo
Ministério da Cultura a partir de seminários e de consultas públicas, representando um grande
avanço na área. Nas metas do PNC (2013) a concepção de cultura é vista de forma ampliada
compreendendo três dimensões: a simbólica, a econômica e a cidadã. Como relação simbólica
pode-se considerar as linguagens artísticas (literatura, artes plásticas, dança etc) e também as
práticas culturais, com os saberes e fazeres, valores e identidade. Já a dimensão econômica
visa incluir a cultura como um fator importante no desenvolvimento econômico, por meio da
geração de empregos e estimulando uma economia criativa. A dimensão cidadã diz respeito

4353

�ao acesso das pessoas aos bens culturais, incluindo os equipamentos culturais, ou seja,
bibliotecas, arquivos, teatros, cinemas, museus e centros culturais, entre outros. Para alcançar
esta meta prevê-se cuidar tanto do fortalecimento da infraestrutura institucional quanto a
capacitação do pessoal envolvido.

3 CULTURA DIGITAL
As técnicas utilizadas pelo homem sempre marcaram a forma de suas manifestações,
influenciando sua maneira de pensar e agir. O avanço das tecnologias da informação e a
internet permitem o estreitamento de barreiras geográficas e possibilitam a livre circulação de
uma infinita quantidade de informações, bem como o surgimento do suporte digital, para a
comunicação e elaboração de conhecimentos. A incorporação social e cultural dessas
tecnologias informacionais e da internet, pode ser considerada uma ruptura, tal como
aconteceu com a disseminação dos tipos móveis por Gutenberg, e pressupõe uma nova
cultura, a cultura digital.
Atingimos o ciberespaço, o espaço onde o homem interage utilizando-se da
interconexão mundial dos computadores. Temos não somente a
infraestrutura material da comunicação, como quantidade ilimitada de
informação que o homem realimenta ao gerar conhecimentos, ao
desenvolver tecnologia, ao navegar nele. (GARCIA, SOUSA, 2011, p. 81).

Na década de 1990, Bill Gates já dava indicativos do surgimento da cultura digital ao
afirmar que
[...] a revolução digital está apenas começando, e a estrada da informação
terá impacto significativo em todas as dimensões da vida humana. No modo
como nos relacionamos com os outros, com o espaço e com o tempo, no
mundo do trabalho e na economia. Essa diversidade de formas sociais
produzidas e modificadas, em que se utiliza a tecnologia de informação e
comunicação, denomina-se cultura digital, termo que ainda não se encontra
consolidado. (GATES, 1995)

Segundo Carvalho Júnior (2009, p. 09) “cultura digital é um termo emergente, vem
sendo apropriado por diferentes setores e incorpora perspectivas diversas sobre o impacto das
tecnologias digitais e da conexão em rede na sociedade”. Lévy afirma que as tecnologias
digitais surgem como a infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação, de
sociabilidade, de organização, de transação e de novo mercado da informação e do
conhecimento, onde o desenvolvimento do digital é “sistematizante e universalizante não
apenas em si mesmo, mas também, em segundo plano, a serviço de outros fenômenos

4354

�tecnossociais que tendem à integração mundial: finanças, comércio, pesquisa científica,
mídias, transportes, produção industrial etc.” (LÉVY, 1999, p. 113)
Para Lévy, (1999) o digital é uma matéria pronta a suportar todas as metamorfoses,
todos os revestimentos, todas as deformações. Através da digitalização, todas as informações
podem ser codificadas: textos, imagens e sons, tornando-se objetos digitais.
Dodebei elaborou, em 2011, um quadro conceitual da cultura digital adaptado da
proposta de Hand (2008) onde traz uma evolução das tecnologias digitais, destacando as
diferenças entre a tecnologia moderna - desenvolvida até o início do século XX e a tecnologia
pós-moderna - baseada na manipulação da informação.

Quadro 1 - Conceitos de Cultura Digital
Tecnologias m odernas
M aterial
C ontínua
O bjetos
D eterm inada
Instru m en tal
A tual
C e n tra d a
Fixa
G overnam ental
Efeitos

Tecnologias pós-m odernas
Discursiva
Discreta
Espaços
Indeterminada
Cultural
Virtual
Descentrada
Móvel
Ingovernável
Performances

Fonte: Dodebei, 2011.

Percebe-se que há diferenças significativas entre as tecnologias modernas e pósmodernas. Dentre elas está o fato de que estas passam a ser descentralizadas e ingovernáveis,
de que são virtuais - cultura digital, e passam de instrumentais para culturais. Pode-se
entender que as tecnologias pós-modernas passam a exercer uma função cultural mais
acentuada que as tecnologias modernas.
O processo de digitalização, uma das principais características da cultura digital,
evoluiu gradativamente e ocasionou grandes mudanças nas indústrias culturais. Segundo Lèvy
(1999) penetrou primeiro na produção e gravação de músicas, mas os microprocessadores e as
memórias digitais tendiam a tornar-se a infraestrutura de produção de todo domínio de
comunicação e aos poucos foi englobando o cinema, a radiotelevisão, o jornalismo, a edição,
a música, as telecomunicações e a informática.

4355

�4

CULTURA

DIGITAL

E

DEMOCRATIZAÇÃO

DO

ACESSO

AO

CONHECIMENTO
O uso intensificado das tecnologias de informação nas últimas décadas vem
facilitando o acesso à cultura pelo cidadão. Este alcance possibilita o estímulo e a facilitação
do processo de inclusão não apenas digital, mas social. Segundo Gil:
A tecnologia sempre foi instrumento de inclusão social, mas agora isso
adquire novo contorno, não mais como incorporação ao mercado, mas como
incorporação à cidadania e ao mercado, garantindo acesso à informação e
barateando os custos dos meios de produção multimídia através de
ferramentas novas que ampliam o potencial criativo do cidadão. Somos
cidadãos e consumidores, emissores e receptores de saber e informação,
seres ao mesmo tempo autônomos e conectados em redes, que são a nova
forma de coletividade. (GIL, 2004).

Segundo Gil (2004) a tecnologia sempre andou de braços dados com a cultura, sendo
que “a revolução tecnológica é, em essência cultural”, pois muda o comportamento do
homem.
O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de
democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os
potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o
nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também
a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte (GIL, 2004)

Atualmente, a informação tornou-se mais acessível para a sociedade. Os usuários não
precisam mais enfrentar problemas de acessibilidades ligados ao suporte impresso, físico, eles
“podem viajar diretamente em sua forma digital através de cabos de coxias de cobre, por
fibras óticas ou por via hertziana” (Lévy, 1999, p. 35). Segundo Carvalho Júnior (2009) “este
novo sistema operacional da cultura seria capaz de fomentar ao mesmo tempo criatividade,
produtividade e liberdade, satisfazendo igualmente às demandas tanto de indivíduos quanto de
coletividades”.
Carvalho Júnior fala sobre como as ferramentas digitais possibilitam a construção de
uma cultura participativa, conceito de Benkler (2007):
Com a chegada de ferramentas de colaboração ubíquas, instantâneas e
baratas, torna-se possível promover espaços de debate e construção coletiva
onde modelos de coordenação pública descentralizada podem criar soluções
inovadoras para as questões apresentadas pelo século XXI. Tal
implementação tecnológica no ambiente das redes digitais, aliada ao
conceito de ‘cultura participativa’ de Benkler, cria a possibilidade de se
aproximar perspectivas que antes pareciam excludentes, convidando à
conversa aberta [...] (CARVALHO JÚNIOR, 2009, p. 10)

4356

�Nesse sentido, surgem várias formas de expressão e de comportamentos culturais
viabilizados por meio da rede digital. Artistas, escritores, “blogueiros”, entre outros, utilizam
a rede de forma colaborativa, como espaços de discussão e exposição de ideias, representando
novas formas de expressão cultural.
A biblioteca, uma das instituições responsáveis pelo acesso aos bens culturais,
atravessa, hoje, um momento de adaptação à nova realidade. A utilização das tecnologias
informacionais e da internet possibilita a digitalização do acervo, o trabalho cooperativo entre
as instituições e, principalmente, a quebra das barreiras geográficas e temporais. Estas
instituições, nacionais e internacionais, atravessam um grande desafio decorrente de suas
inserções dentro da cultura digital. Neste sentido, há uma nova perspectiva da atuação social
das instituições de memória, possibilitando aos cidadãos um acesso mais facilitado aos
acervos, até então privilégio de poucos.
A International Federation of Library Associations and Institutions - IFLA, em
parceria com a Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura UNESCO, elaborou o Manifesto para Bibliotecas Digitais, publicado em 2011. Nele, ressaltase a importância das bibliotecas digitais como um fator de inclusão social, pois possibilita o
acesso ao cidadão ao patrimônio produzido pelo homem.
Atenuar a exclusão digital é um fator fundamental para alcançar os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas. O acesso a recursos de
informação e aos meios de comunicação apoia a saúde e a educação tanto
quanto a cultura e desenvolvimento econômico.
A divulgação de informações capacita os cidadãos a participar na
aprendizagem ao longo da vida e da educação. Informações sobre as
realizações do mundo permitem que todos participem de forma construtiva
no desenvolvimento de seu próprio ambiente social.
Igualdade de acesso ao patrimônio cultural e científico da humanidade é
direito de cada pessoa e ajuda a promover a aprendizagem e a compreensão
da riqueza e da diversidade do mundo, não só para a geração presente, mas
também para as gerações futuras. (IFLA, 2011, p.1).

Percebe-se que, com as tecnologias informacionais e a internet, os indivíduos podem
ter mais acesso à cultura e, além, disso estes podem fazer parte do desenvolvimento de novas
formas de expressão e produção cultural, por meio da participação colaborativa nas redes
digitais. Essas tecnologias e a internet criam possibilidades de democratização de acesso ao
conhecimento, pois permitem maior acesso à informação e aos bens culturais. Com o
estreitamento de fronteiras geográficas e a queda das paredes das bibliotecas, expandiram-se a
cultura e o saber.

4357

�5 O LIVRO DIGITAL COMO FORMA DE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO
CONHECIMENTO E A CULTURA
Historicamente, o livro ficou consolidado como fonte de registro e transmissão do
conhecimento e adquiriu grande representatividade enquanto elemento de preservação,
difusão e popularização da cultura. As atuais tecnologias incorporaram uma nova forma de
circular e sistematizar informações e o livro digital505 tem se destacado como surpreendente
meio de informação possibilitando democratizar o seu acesso a um nível ainda mais alto e de
uma maneira nunca antes pensada uma vez que, centenas de livros e documentos estão
podendo ser acessados com um simples “clique”. (BENÍCIO; SILVA, 2005, p. 12)
A grande variedade de livros digitais disponibilizados online, com acesso gratuito ou
restrito, na sociedade é reflexo do surgimento da cultura digital, onde o constante processo de
inovação tecnológica promovem mudanças comportamentais que alimentam e são
alimentadas pelos meios eletrônicos.
O movimento de acesso livre que propõe o compartilhamento de conhecimentos de
forma equânime é um dos fatores que possibilitam a disponibilização do livro digital como
forma de democratização de acesso ao conhecimento. Com o acesso livre aos livros digitais,
os indivíduos podem ter maior acesso à informação e, consequentemente à cultura, pois
podem acessar gratuitamente as obras por meio de leitura online ou download.
O Projeto Gutenberg, criado em 1971, foi à primeira iniciativa de disponibilizar livros
online gratuitamente. É um projeto internacional, mas possui uma versão em português. Tem
por missão “disponibilizar informação, livros e outros materiais ao público em geral em
formas que a vasta maioria dos computadores, programas e pessoas possam facilmente ler,
usar, citar e pesquisar” (PROJETO GUTENBERG, 2014). Com isso, o projeto disponibiliza
livros digitais que estão em domínio público para download gratuitamente.
Editoras internacionais cada vez mais vêm permitindo o acesso livre aos livros digitais,
participando assim, de um movimento que sublinha questões associadas à responsabilidade
social e à democratização da informação, no sentido de tornar a informação acessível de
forma gratuita para todos. Podemos destacar algumas iniciativas de consórcios de editoras
universitárias internacionais adotaram os livros digitais, permitindo assim uma maior
democratização do conhecimento: Public Knowledge Project (PKP) - Open Monograph

505 O livro digital pode ser entendido como aquele que possui características iguais a da obra impressa, por meio
da conversão integral de livros impressos para o formato digital através da digitalização. Para mais informações
ver: DOURADO, Stella Moreira. Identificando a inovação editorial na cadeia produtiva do livro
universitário brasileiro. 110 f. 2012. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Ciência da Informação,
Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

4358

�Press (http://pkp.sfu.ca/omp); Open Access Publishing in European Networks - OAPEN
(http://www.oapen.org/); Open Book Publishers (http://www.openbookpublishers.com/);
University Press Content Consortium - UPCC (http://muse.jhu.edu/about/UPCC.html).
No Brasil, uma grande iniciativa de disponibilização de livros digitais gratuitos, foi o
Portal Domínio Público criado pelo Ministério da Educação em 2004. O portal tem por
objetivo promover o acesso gratuito a obras que estão em domínio público ou que tenha a sua
divulgação já autorizada, e dessa forma pretende contribuir para o desenvolvimento da
educação e da cultura.
Em 2012 foi lançado no Brasil, pela Scientific Electronic Library Online - SciELO, o
SciELO Livros, como o primeiro consórcio brasileiro de livros digitais. A Rede SciELO
Livros tem por objetivo ampliar a visibilidade, acessibilidade, uso e impacto das pesquisas
científicas produzidas nas universidades. Pretende se tornar uma referência na publicação de
livros científicos online, dando uma maior visibilidade à produção acadêmica e científica do
Brasil em âmbito internacional.
O Portal do Livro Aberto do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia - IBICT que tem por objetivo reunir, divulgar e preservar as publicações oficiais
em ciência, tecnologia e inovação. Disponibilizada para download gratuito obras relacionadas
aos temas de Ciência da Informação e Ciência, Tecnologia e Inovação.
Além das iniciativas de disponibilização de livros digitais gratuitos citadas, existem
muitas outras que permitem que os indivíduos tenham maior acesso à informação e à cultura.
Foram levantadas algumas iniciativas de disponibilização de livros digitais gratuitos,
encontrados por meio da pesquisa bibliográfica e por pesquisa do portal do Google,
disponibilizadas no quadro abaixo.
QUADRO 2 - PLATAFORMAS DE LIVROS DIGITAIS GRATUITOS
Plataforma
Portal
Público

Domínio

Tipo de obras disponibilizadas

Endereço eletrônico

Obras em domínio público. Livros digitais,
imagens, sons e vídeos disponíveis para

&lt;http://www.dominiopublico.gov.br/&gt;

download

Projeto Gutenberg

Obras em domínio público. Livros digitais
disponíveis para download

&lt;http://www.gutenberg.org/wiki/PT_P
rincipal&gt;

Portal
Livros

SciELO

Livros digitais científicos disponíveis para
download e para venda em formato pdf e epub

&lt;http://books.scielo.org&gt;

Cultura Acadêmica UNESP

Livros digitais científicos disponíveis para
download, mediante cadastro

&lt;http://www.culturaacademica.com.br/
&gt;

Projeto
Livro
Eletrônico CNPq

Obras científicas, tecnológicas e de inovação
disponíveis para download

&lt;http://www.cnpq.br/cnpq/livro_eletro
nico/index.htm&gt;

4359

�Portal de Periódicos
da Capes - Livros
Portal
do
Livro
Aberto - IBICT

Livros digitais científicos assinados pelo
Portal de Periódicos da Capes. Podem ser
acessados professores, pesquisadores, alunos e
funcionários vinculados às instituições que
assinam o Portal.
Livros digitais científicos disponíveis para
download

&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br/&gt;

&lt; http://livroaberto.ibict.br/&gt;

eLivros-grátis

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;http://www.elivros-gratis.net/&gt;

DOAB

Livros digitais científicos estrangeitos
disponíveis para download. Reúne 1928 obras
acadêmicas, revisadas pelos pares, de 62
editoras internacionais.

http ://www. doabooks.org/doab

EbookCult

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;https://www.ebookcult.com.br/eBook
s_Gratuitos&gt;

Virtual Books

Livros digitais nacionais
disponíveis para download.

&lt;http://www.virtualbooks.com.br/v2/c
apa/&gt;

Universia Brasil

Livros digitais disponíveis para download

&lt;http://livros.universia.com.br/&gt;

eBooks Brasil

Livros digitais nacionais
disponíveis para download.

&lt;http://www.ebooksbrasil.org/index2.
html&gt;

Livros LabCom

Português
eBooks

Free-

e

e

estrangeiros

estrangeiros

Livros digitais científicos publicados pelo
Laboratório de Comunicação On Line do
Departamento de Comunicação e Artes da
Universidade da Beira Interior (Portugal),
disponíveis para download
Livros digitais nacionais e estrangeiros
disponíveis para download.

&lt;http://www.livroslabcom.ubi.pt/&gt;

&lt;http://portugues.free-ebooks.net/&gt;

Coleção Aplauso Imprensa Oficial

Livros digitais disponíveis para download.

http ://aplauso.imprensaoficial.com.br/l
ista-livros.php

Biblioteca
Digital
Fernando Pessoa

Livros digitais do Fernando
disponíveis para download.

&lt;http://casafernandopessoa.cmlisboa.pt/bdigital/index/title/index.htm
&gt;

Brasiliana - UFRJ

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;http://www.brasiliana.com.br/&gt;

Biblioteca Virtual de
Literatura

Livros digitais disponíveis para leitura online

&lt;http://www.biblio.com.br/&gt;

Editorial Molvick

Livros digitais disponíveis para download e
para leitura online

&lt;http://www.molwick.com/pt/livros/&gt;

Estudantes

Livros digitais disponíveis para download

&lt;http://www.estudantes.com.br/bib_vi
rt.asp&gt;

Bartleby

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
leitura online, incluindo a coleção "The
Harvard Classics”

&lt;http://www.bartleby.com/&gt;

Open Library

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
leitura online e para download

&lt;https://openlibrary.org/&gt;

Bookshelf
Portal da Biblioteca
Digital de Obras
Raras e Especiais da
USP

Pessoa

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
download

Coleção de obras raras disponíveis para
download

&lt;http://www.ncbi.nlm. nih.gov/books&gt;

&lt;http://www.obrasraras.usp.br/&gt;

Fonte: Elaboração própria.

4360

�Algumas

editoras

universitárias

brasileiras

também

estão

disponibilizando

gratuitamente livros digitais506. Além da editora da Unesp (Cultura Acadêmica) já foi
mencionada no quadro acima, as editoras da Edufba e da EdiPUCRS também merecem
destaque. A Edufba permite o livre acesso a todas obras do seu catálogo publicadas após o
ano de 2008 e disponibilizadas no Repositório Institucional da UFBA. A EdiPUCRS
disponibiliza cerca de 100 livros digitais, grande parte do seu acervo, gratuitamente em seu
website.
Os resultados encontrados, no que se refere à disponibilização gratuita de livros
digitais, demonstram que as tecnologias informacionais aliadas à internet permitem um maior
acesso à cultura aos cidadãos. Estas são apenas algumas iniciativas de disponibilização de
livros digitais gratuitos. Acredita-se que a tendência é de que cada vez mais surjam mais
iniciativas que permitam uma democratização do conhecimento e do acesso à cultura.

6 CONCLUSÃO
A cultura é uma forma de expressão do homem, seja por meio de criação de artefatos e
de bens, seja por desenvolvimento de técnicas, ideias e hábitos permeados de valores
herdados de geração para geração. Com o advento das tecnologias informacionais e da
internet, o homem passa a se expressar culturalmente em ambiente digital fazendo emergir
assim, a cultura digital.
O acesso à cultura é direito de todo o cidadão e, com os resultados da pesquisa, ficou
evidenciado que as tecnologias da informação e a internet permitem uma ampliação do acesso
à cultura para a sociedade. Percebeu-se a disponibilização de bens culturais em meio digital
de forma gratuita, tais como música, cinema, televisão, bibliotecas e livros, aumentam as
possibilidades de democratização do acesso ao conhecimento e à cultura.
O livro, enquanto bem cultural, é consolidado na sociedade como fonte de registro e
transmissão de conhecimento. É um veículo de preservação e de difusão da cultura e ao ser
disponibilizado no formato digital gratuitamente na internet, potencializa ainda mais sua
função de difusor cultural, possibilitando uma maior democratização do acesso ao
conhecimento e da cultura.
Pelo fato da cultura digital ser uma cultura relativamente nova e levando-se em
consideração as desigualdades socioeconômicas do país, acredita-se que seja necessária a

506 Para mais informações ver: DOURADO, Stella Moreira. Identificando a inovação editorial na cadeia
produtiva do livro universitário brasileiro. 110 f. 2012. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Ciência da
Informação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

4361

�realização de projetos de inclusão social e digital, onde os indivíduos possam ter acesso às
tecnologias informacionais e à internet. Assim, essas pessoas poderão exercer seu direito à
cultura tendo a acesso às iniciativas de democratização do conhecimento levantadas nesta
pesquisa, assim como outras que ainda estão por surgir. Poderão ainda participar de forma
ampla e colaborativa nas redes online, se expressando culturalmente e passando de
expectadores para atores culturais.

REFERÊNCIAS:
BENÍCIO, C. D.; SILVA, A. K. A. Do livro impresso ao e-book: o paradigma do suporte na
biblitoeca eletrônica. Biblionline, v. 1, n. 2, 2005, v. 1, n. 2, 2005. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/viewFile/580/418&gt;. Acesso em: 06
mar. 2011.
BENKLER, Y. The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Ma-rkets and
Freedom. Yale University Press, 2007.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF, Senado Federal, 1988. 292 p.
BRASIL. Lei n. 12.343, de 2 de dezembro de 2010 . Institui o Plano Nacional de Cultura PNC, cria o Sistema Nacional de informações e indicadores culturais - SNIIC e dá outras
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BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Instituto Brasileiro de Informação
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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão, mas nem todos tem acesso. As tecnologias informacionais e a internet geram várias possibilidades de ampliação do acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura – a digital. Neste trabalho, buscou-se analisar as contribuições das tecnologias informacionais e da internet para um maior acesso à cultura, utilizando o livro digital, disponibilizado gratuitamente, como veículo de democratização do acesso ao conhecimento. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias informacionais e da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova cultura favorece a democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Foi realizado também um levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que permitam uma maior democratização do acesso ao conhecimento e a cultura. Contatou-se que com a cultura digital, os cidadãos podem participar de forma ampla e colaborativa nas redes online, se expressando culturalmente e passando de expectadores para atores culturais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRÁTICA PROFISSIONAL CURRICULAR DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
DA FURG: A EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA SETORIAL DA PÓS-GRADUAÇÃO
EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL - SALA VERDE JUDITH CORTESÃO
Cibele Vasconcelos Dziekaniak
Graziele Oliveira

RESUMO
O artigo relata a experiência da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação
Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG),
como local de realização da Prática Profissional Curricular do Curso de Biblioteconomia da
FURG. Retrata a importância da parceria desta biblioteca para a realização contínua dos
estágios curriculares, uma vez que contribui tanto para o aprimoramento acadêmico dos
alunos, quanto para o aprimoramento dos serviços de informação prestados, visto que a
diversidade das atividades desenvolvidas pelos estagiários contribuem para o
desenvolvimento de novos projetos, produtos e serviços, assim como auxiliam no fluxo diário
das atividades técnicas, culturais e sociais. Aborda a metodologia de estágio curricular
obrigatório utilizada pelo Curso de Biblioteconomia da FURG, denominada em seu Projeto
Pedagógico como Prática Profissional Curricular. Parte da premissa de que esta metodologia
estimula o discente na busca de soluções para os problemas com que se depara no dia-a-dia de
uma unidade informational, enfatizando o trabalho em equipe, bem como permite ao educando
a vivência dos conteúdos teóricos e metodológicos estudados, além de oportunizar o
aprimoramento de suas habilidades, de modo a facilitar suas escolhas no mercado de trabalho,
conforme suas aptidões e interesses. Conclui que a realização da Prática Profissional
Curricular na referida biblioteca atingiu os objetivos da bibliotecária coordenadora, da
estagiária e do Curso de Biblioteconomia, uma vez que contribuiu tanto para o aprimoramento
da organização e dos serviços de informação prestados, como também alcançou os objetivos
propostos no plano de estágio. Portanto, a Prática Profissional Curricular realizada
proporcionou à estagiária, além do aprendizado técnico, o aprendizado social e cultural.
Palavras-Chave: Prática Profissional Curricular; Curso de Biblioteconomia da FURG;
Serviços de informação; Biblioteca universitária; Projeto Sala Verde.

ABSTRACT
The article reports the experience Sector Library of Post-Graduation in Environmental
Education - Judith Cortesão Green Room, of the Federal University of Rio Grande (FURG),
as a local of the Professional Curriculum Practice of FURG Library Course. It portrays the
importance of this library partnership for the continued implementation of internships, since it
not only contributes to the academic improvement of the students but also for the
improvement of information services provided, considering that the diversity of activities
undertaken by trainees contribute to the development of new projects, products and services,
as well as they help the daily flow of technical, cultural and social activities. It studied the

3475

�methodology used by the compulsory internship applied by the Library course at FURG,
named in its pedagogical project as Professional Curricular Practice. It assumes that this
methodology encourages students to seek solutions to the problems they would face on a dayto-day informational unit, emphasizing teamwork and that it allows the student to experience
the theoretical and methodological concepts studied. Besides, this methodology provides the
opportunity for enhancing their skills, in order to facilitate their choices in the labor market,
according to their abilities and interests. It concludes that the Professional Practice Course in
the referred library achieved the objectives of the librarian coordinator, of the intern, and
those of the Library Course, since the unit contributed to the improvement of the organization
and information of the provided services, as well as achieved the objectives of the internship
plan and of the pedagogical course design. Therefore, the Professional Curricular Practice
provided to the intern, beyond the technical knowledge, social and cultural learning.
Keywords: Professional Curricular Practice; FURG Library Course; Information services;
University library; Green Room Project.

1 INTRODUÇÃO
Definir unidades informacionais aptas e que tenham interesse na realização contínua
dos estágios curriculares dos Cursos de Biblioteconomia não é algo tão simples assim. Além
do interesse da unidade informacional, a mesma tem que ser uma unidade promissora e que
agregue valor às atividades práticas desenvolvidas pelos estagiários.
O mesmo ocorre com o Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio
Grande (FURG). Conseguir vagas necessárias nas unidades de informação existentes na
cidade de Rio Grande/RS e região para a realização dos estágios tornou-se um árduo trabalho,
visto que o número de vagas oferecidas para cursar Biblioteconomia foi ampliado no decorrer
dos anos.
Sendo assim, o Curso de Biblioteconomia da FURG requer, em média, 40 vagas para
a realização dos estágios curriculares obrigatórios dos discentes em unidades informacionais
parceiras e promissoras. A partir de 2006, o curso implementou uma nova metodologia para a
realização dos estágios, denominada em seu Projeto Pedagógico como “Prática Profissional
Curricular”. Esta metodologia exige que os estágios permaneçam organicamente vinculados às
disciplinas, a fim de permitir ao educando a vivência dos conteúdos teóricos e metodológicos
estudados, que tenham caráter colegiado e que estejam sob a responsabilidade de um
Coordenador de Estágios Supervisionados, que deve ser indicado pelo Colegiado do Curso,
dentre os professores da FURG da área de Biblioteconomia (FURG, 2006).
A Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith
Cortesão da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) foi fundada em agosto de 2006 e
ofereceu poucas oportunidades de estágios, visto que passou alguns anos sem atuação diária

3476

�de um bibliotecário. A partir de 2012, a biblioteca passou a contar com a gestão de uma
bibliotecária, sendo possível novamente a realização de estágios no local.
A procura por esta biblioteca para a realização da Prática Profissional Curricular do
Curso de Biblioteconomia da FURG, após retorno de um bibliotecário coordenador, não se
deu pelo Curso de Biblioteconomia, nem mesmo foi a biblioteca que ofereceu a vaga, mas se
deu a pedido de uma discente do curso. Após consentimento da bibliotecária coordenadora da
biblioteca, a discente solicitou vaga à coordenação de estágios do curso, que justificou sua
decisão positiva, em razão da diversidade das atividades desenvolvidas por esta unidade de
informação, da experiência da bibliotecária coordenadora e da sua atuação interdisciplinar no
ensino, pesquisa e extensão.
Tal experiência retrata a importância da parceria da Biblioteca Setorial da PósGraduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão com o Curso de
Biblioteconomia para a realização contínua dos estágios curriculares, uma vez que contribui
tanto para o aprimoramento acadêmico dos alunos, quanto para o aprimoramento da
organização e dos serviços de informação prestados por ela, visto que a diversidade das
atividades desenvolvidas pelos estagiários contribuem para o desenvolvimento de novos
projetos, produtos e serviços, assim como auxiliam no fluxo diário das atividades técnicas,
culturais e sociais.
Parte-se da premissa de que a realização da Prática Profissional Curricular do Curso de
Biblioteconomia da FURG nesta biblioteca universitária corrobora com a metodologia
proposta pelo Projeto Pedagógico do Curso para a realização dos estágios, visto que estimula
o discente na busca de soluções para os problemas com que se depara no dia-a-dia de uma
unidade informational, estimula o trabalho em equipe, bem como permite ao educando a
vivência dos conteúdos teóricos e metodológicos estudados, além de oportunizar o
aprimoramento de suas habilidades, de modo a facilitar suas escolhas no mercado de trabalho,
conforme suas aptidões e interesses.
Objetiva-se com este estudo relatar a experiência da Biblioteca Setorial da PósGraduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão como local de realização da
Prática Profissional Curricular do Curso de Biblioteconomia da FURG, por meio do relato das
contribuições técnicas, sociais e culturais oferecidas aos estagiários, bem como descreve a
metodologia desenvolvida pela bibliotecária coordenadora e utilizada para a organização e
execução das atividades práticas e interdisciplinares a serem realizadas, a fim de atingirem os
objetivos propostos nos plano de estágio.

3477

�O estudo aponta para a importância da parceria desta unidade de informação com o
Curso de Biblioteconomia da FURG para a realização permanente dos estágios e a ampliação
de vagas, já que esta oferece aos discentes a possibilidade de exercerem plenamente todas as
atividades técnicas da área biblioteconômica, bem como o aprendizado social e cultural, visto
que se trata não apenas de uma biblioteca universitária, mas também de uma biblioteca
especializada nas temáticas de meio ambiente, ecologia e educação ambiental, onde são
desenvolvidos projetos de extensão à comunidade local e regional, e por fazer parte também
de um projeto, coordenado pela Diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio
Ambiente (DEA/MMA) denominado “Projeto Sala Verde”405.

2 ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
O estágio curricular obrigatório oportuniza aos discentes assimilarem a teoria da sala
de aula com a prática, ou seja, conhecerem a realidade do dia a dia e o que é indispensável
para o futuro profissional preparar-se para ingressar no mercado de trabalho. Deste modo, é
possível perceber o que o acadêmico ainda necessita aprender ou aperfeiçoar-se, isto é, por
meio do estágio se torna possível identificar as deficiências e falhas do seu aprendizado,
podendo assim, aprimorar sua formação.
Fujino e Vasconcelos (2010, p. 41) destacam que:
O estágio como atividade essencialmente pedagógica deve ser capaz de
estimular o conhecimento crítico da realidade social e sensibilizar o aluno
para o atendimento de necessidades sociais balizadas por valores éticos que
devem orientar sua prática profissional.

Com a publicação da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977, conhecida como Lei do
Estágio, se estabeleceu maior aproximação entre o mercado de trabalho e a educação. De
acordo com a referida Lei, considera-se estágio curricular:
As atividades de aprendizado social, profissional e cultural, proporcionadas
ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho em seu
meio, sendo realizadas na comunidade em geral, ou junto a pessoas jurídicas
de direito público ou privado sob responsabilidade e coordenação da
instituição de ensino. (BRASIL, 1977, p. 1).

Destaca-se que o Decreto n° 87.497 - que dispõe sobre o estágio de estudantes de
estabelecimentos de ensino superior e de 2° grau regular e supletivo, nos limites que

405 O Projeto Sala Verde estimula a implantação de espaços socioambientais pelo país, com o escopo de
constituir-se em um Centro de Informação e Formação Ambiental. O MMA está em processo de atualização do
cadastro das salas, porém, constam no site do Ministério do Meio Ambiente, 159 Salas Verdes em todo o
território brasileiro e foram abertas, por meio de edital, mais 100 novas vagas (BRASIL, 2013).

3478

�especifica e dá outras providências - regulamentado pela Lei n° 6.494, de 07 de dezembro de
1977 - só foi sancionado em 18 de agosto de 1982.
Entretanto, somente depois da publicação da Lei n° 11.788, de 25 de setembro de
2008, a qual revoga a Lei n° 6.494, se consolidou a relação estudantes versus mercado de
trabalho. Tal Lei define os parâmetros que regulamentam as contratações, bem como
estabelece direitos e deveres dos estudantes, das empresas e das instituições de ensino.
A Lei n° 11.788 caracteriza duas modalidades de estágios:
O estágio poderá ser obrigatório ou não-obrigatório, conforme determinação
das diretrizes curriculares da etapa, modalidade e área de ensino e do projeto
pedagógico do curso. § 1o Estágio obrigatório é aquele definido como tal no
projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de
diploma. § 2o Estágio não-obrigatório é aquele desenvolvido como atividade
opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória. (BRASIL, 2008, p.
1).

Portanto, o estágio curricular obrigatório complementa a formação do estudante, o que
permite o aumento dos conhecimentos dentro da área de estudo, sejam estes teóricos ou
práticos, e oportuniza aos acadêmicos acompanharem as rotinas diárias de trabalho de
profissionais experientes.
Embora saibamos que a prática do estágio curricular nos Cursos de Graduação em
Biblioteconomia se torna indispensável para sua conclusão, considera-se importante
refletirmos sobre sua concepção e composição das atividades nele desenvolvidas, uma vez
que este apresenta papel chave, pois permite ao acadêmico aliar a prática às teorias
biblioteconômicas, além de aproximá-lo da complexidade do mercado de trabalho, de modo a
ampliar a formação acadêmica e profissional por meio das vivências em situações reais, bem
como estimular o espírito crítico e inovador na busca por soluções para as dificuldades
encontradas. Além disso, o estágio obrigatório possibilita ao acadêmico ampliar seus
conhecimentos em relação ao ambiente de atuação profissional e atividades exercidas pelo
bibliotecário.
A seguir, apresenta-se a concepção e composição das atividades desenvolvidas no
estágio curricular obrigatório do Curso de Graduação em Biblioteconomia da FURG, objeto
do referido estudo.

2.1 Estágio curricular obrigatório no Curso de Biblioteconomia da FURG
O Curso de Graduação em Biblioteconomia da FURG começou suas atividades em
1975. Da criação do curso até o ano de 1999, eram ofertadas apenas 25 vagas, porém, no ano

3479

�2000, foi realizada uma nova alteração curricular e o curso passou a oferecer 35 vagas
(FURG, 2006). Já a partir do ano de 2007, até os dias atuais, são ofertadas 40 vagas. Este
aumento se deu em decorrência de uma das ações integrantes do Plano de Desenvolvimento
da Educação (PDE), que foi o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais Brasileiras REUNI406 (FURG, 2009). Sendo assim, torna-se oportuno
destacar que, com a expansão das vagas, o curso necessitou ampliar suas parcerias para a
realização dos estágios curriculares obrigatórios nas unidades informacionais locais e
regionais.
O estágio curricular obrigatório sofreu ao longo dos anos diversas alterações. No ano
de 2000 foi dado novo tratamento aos estágios curriculares, que foram reunidos numa
disciplina, Prática em Biblioteca, de 270 horas-aula (ou 18 créditos), oferecida somente no 8°
período. Com o novo Projeto Pedagógico do curso, apresentado em 2006, foi concebida nova
metodologia para os estágios curriculares, sendo oferecidos três estágios curriculares,
distribuídos a partir do 4° período, além das disciplinas Prática Profissional I e II, alocadas no
7° e 8° períodos (FURG, 2006).
A prática profissional curricular tem caráter obrigatório e será cursada em
dois blocos: o primeiro, constituído por três Estágios, de 2 créditos
(correspondentes a 30 horas-aula) cada um, alocados no 4°, 5° e 6° períodos
e organizados na forma de um programa; o segundo, constituído por duas
disciplinas, denominadas Prática Profissional I, alocada no 7° período, e
Profissional II, alocada no 8° período. Ambos estes blocos de atividades
caracterizam-se como práticas pré-profissionais e são regidas pela Lei n°
6.494/77, posteriormente regulamentada pelo Decreto-Lei n° 87.497/87. [...]
Os estágios parciais, organizados como programa - o Programa de Estágios
Parciais - , visam proporcionar aos educandos a execução de atividades
práticas em situação real, isto é, em bibliotecas e unidades de informação da
própria Universidade, das escolas das redes municipal, estadual e particular,
na Biblioteca Rio-Grandense e em outras bibliotecas ou unidades de
informação, desde que previamente credenciadas pela COMCUR. (FURG,
2006, p. 19-20).

Segundo o Projeto Pedagógico (2006) do curso, para obtenção do grau de Bacharel em
Biblioteconomia, o discente deverá cumprir uma carga horária mínima de 3.000 horas-aula e
carga horária máxima de 3.260 horas-aula de atividades pedagógicas, com destaque para 360
horas-aula de estágios e práticas curriculares.

406 O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras
(REUNI) é uma das ações integrantes ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Com o REUNI, o
Governo Federal adotou uma série de medidas, a fim de retomar o crescimento do ensino superior público. As
ações do programa contemplam o aumento de vagas nos cursos de graduação, a ampliação da oferta de cursos
noturnos, a promoção de inovações pedagógicas e o combate à evasão, entre outras metas [...]. (BRASIL, 2010,
p. 1).

3480

�Abaixo, apresenta-se a distribuição das disciplinas da área de formação Prática
Profissional Curricular, suas ementas, créditos e os períodos em que são oferecidas.

Quadro 01 - Distribuição das disciplinas da área de formação Prática Profissional Curricular
Área

Disciplina
Estágio I
Estágio II

Prática
Profissional
Curricular

Estágio III
Prática
Profissional
I
Prática
Profissional
II

Ementa
Atividades de estágio curricular:
Programa de Estágios Parciais.
Atividades de estágio curricular:
Programa de Estágios Parciais.
Atividades de estágio curricular:
Programa de Estágios Parciais.
Elaboração do projeto de estágio
curricular, a ser cumprido em
unidades
ou
serviços
de
informação.
Execução do estágio curricular,
com apresentação de relatório
final.

Créditos

Tipo

Período

02

Obrigatória

4°

02

Obrigatória

5°

02

Obrigatória

6°

03

Obrigatória

7°

15

Obrigatória

8°

Fonte: Adaptado do Projeto Pedagógico do Curso de Biblioteconomia da FURG (FURG,
2006).

Percebe-se com a análise do quadro acima, após a implementação da nova
metodologia, que o discente, desde o 4° período do curso, já começa a ter experiências
práticas em unidades de informação, juntamente com as disciplinas teóricas do curso. Este
processo auxilia o aluno a vivenciar tais teorias e amplia os questionamentos enquanto
aprendizes, visto que tal vivência prática os encoraja e os incentiva ao diálogo com seus
docentes, permitindo uma interlocução, a partir de situações da realidade social concreta em
que se encontram.
Entretanto, com esta vasta gama de disciplinas, aumenta mais ainda o número
necessário de unidades de informação para a realização de tais práticas. Portanto, sugere-se a
divulgação nas mídias e redes sociais sobre a necessidade de vagas para estágios na cidade e
região, a fim de ampliar as parcerias com as bibliotecas locais e regionais e capitarem
unidades de grande porte, com diversidade de serviços, produtos e projetos, pois este
apresenta responsabilidade na capitação de espaços diferenciados, aptos e promissores, visto
que os discentes não apresentam discernimento ainda do que seja uma biblioteca apta e
promissora para a realização de um estágio.

3481

�2.2 Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith
Cortesão
As bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) pertencem ao Sistema
de Bibliotecas (SiB) e estão voltadas para o ensino, pesquisa e extensão. Possuem em seus
acervos, além de livros, periódicos especializados - impressos e online, CDs, DVDs, teses,
dissertações, monografias, trabalhos de conclusão de curso, bases de dados, mapas, jogos,
obras em Braille, entre outros. O SiB, por meio do catálogo online, denominado Sistema
ARGO, oferece consulta integrada aos acervos de todas as suas bibliotecas.
A Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith
Cortesão, além de biblioteca universitária setorial, faz parte do Projeto Sala Verde,
coordenado pela Diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente
(DEA/MMA), que estimula a implantação de espaços socioambientais pelo país, com o
escopo de constituir-se em um Centro de Informação e Formação Ambiental.
Em 2005, a FURG e o Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental (PPGEA)
foram contemplados com a implantação de uma Sala Verde. Em agosto de 2006, a Sala Verde
Judith Cortesão tornou-se Biblioteca Setorial do Sistema de Bibliotecas (SiB) da FURG e
passou a denominar-se Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala
Verde Judith Cortesão.
O acervo da Biblioteca é constituído por diversas áreas do conhecimento, totalizando
aproximadamente cinco mil obras, com ênfase em Meio Ambiente, Ecologia e Educação
Ambiental. Fazem parte da coleção da biblioteca: o acervo pessoal da Prof8. Dr3. Judith
Cortesão; o acervo da antiga biblioteca do PPGEA; materiais recebidos do Ministério do
Meio Ambiente; livros; teses, dissertações, monografias, trabalhos de conclusão de curso;
folhetos; periódicos; CD’s; DVD’s; jogos; mapas, entre outros.
A biblioteca oferece os seguintes produtos e serviços: processamento técnico dos
materiais informacionais; empréstimos, reservas, renovações; consultas ao acervo, COMUT;
treinamentos e pesquisas no Portal Periódicos Capes; treinamentos de usuários; confecção de
fichas catalográficas (teses e dissertações defendidas no PPGEA); acesso à ABNT on-line;
orientação na normalização de trabalhos acadêmicos; cadastro e acesso à Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações (BDTD) da FURG; e-books Springer; projetos de extensão e atividades
de disseminação da informação ambiental junto à comunidade.
A Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental Sala Verde Judith
Cortesão além de biblioteca universitária, também pode ser considerada uma biblioteca
especializada, visto que se dedica a um assunto ou grupo de assuntos específicos. Segundo

3482

�Ashworth (1967, p. 632), "a biblioteca especializada é uma biblioteca quase exclusivamente
dedicada a publicações sobre um assunto ou sobre um grupo de assuntos em particular”.
Na mesma linha de pensamento, Cesarino (1978, p. 231) conceitua as bibliotecas
especializadas como:
Unidades pertencentes a instituições governamentais, particulares ou
associações formalmente organizadas com o objetivo de fornecer ao usuário
a informação relevante de que ele necessita, em um campo específico ou
assunto”. Para Figueiredo (1978, p. 160), este tipo de biblioteca “tem como
escopo armazenar, organizar e a disseminar as informações afins do local
onde esta está inserida.

Desta forma, pode-se concluir que biblioteca especializada407 é uma unidade de
informação que possui um acervo especializado designado a satisfazer as necessidades
informacionais de um público específico. Estas são distintivas, especialmente em relação ao
acervo, que é mais seletivo e atual, comparado aos das bibliotecas tradicionais, como das
bibliotecas públicas, escolares e universitárias, que possuem acervos mais diversificados em
termos de áreas de conhecimento.
Entretanto, por ser a Educação Ambiental um tema transversal no ensino, a Biblioteca
Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental Sala Verde Judith Cortesão atende toda
comunidade acadêmica da FURG e comunidade em geral da região e está sob a
responsabilidade de uma bibliotecária com mais de 10 anos de experiência em gestão de
bibliotecas, possui titulação de mestre e participa do Programa de Pós-Graduação em
Educação Ambiental como aluna especial do doutorado.
Diante dos dados apresentados, percebe-se que esta unidade de informação é dinâmica
e oferece atividades diversificadas e necessárias para o aprendizado interdisciplinar dos
discentes, podendo proporcionar aos estagiários, além do aprendizado técnico, o aprendizado
social e cultural. Destaca-se, portanto, a importância da parceria desta biblioteca para a
realização contínua dos estágios curriculares, uma vez que tais práticas contribuem tanto para
o aprimoramento acadêmico dos alunos, quanto para o aprimoramento e agilidade dos
serviços de organização e informação prestados.

407 As bibliografias utilizadas na definição do conceito de bibliotecas especializadas não são atuais, pois não
foram localizadas tais definições em bibliografias recentes. Deste modo, foi possível constatar que a literatura
na área da Biblioteconomia carece de conceitos atuais sobre bibliotecas especializadas. Esta conclusão se dá,
após várias pesquisas realizadas em diversos periódicos das áreas de Ciência da Informação e Biblioteconomia e
em livros de Biblioteconomia disponíveis no acervo do SiB-FURG. Assim, tornou-se necessário utilizar os
conceitos de bibliotecas especializadas retirados de livros publicados nas décadas de setenta e oitenta.

3483

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho relata a experiência da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação
Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão da Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
como local de realização da Prática Profissional Curricular do Curso de Biblioteconomia da
FURG,, sob a gestão de uma bibliotecária, bem como as atividades.
A fim de obter bons resultados com a experiência que estava posta e tornar-se um
local permanente para a realização dos estágios curriculares do Curso de Biblioteconomia da
FURG foi desenvolvida pela bibliotecária coordenadora uma metodologia utilizada na
organização e execução das atividades práticas e interdisciplinares a serem realizadas pelos
estagiários, a fim de que atinjam seus objetivos propostos no plano de estágio e experimentem
atividades diversificadas, de cunho social e cultural.
Inicialmente, a bibliotecária estabelece uma conversa informal com o estagiário, a fim
de conhecer suas vivências durante a realização do curso. Após, solicita ao estagiário um
breve relato sobre as suas principais dúvidas e dificuldades na área biblioteconômica, para
que seja dada maior ênfase nelas durante a realização do estágio. Nesta conversa, são
repassados e discutidos alguns princípios norteadores para a execução do estágio.
Princípios norteadores para a execução do estágio:
- Esgotar todas as fontes de pesquisa antes de recorrer ao bibliotecário: Os discentes
precisam, primeiramente, esgotar todas as fontes de pesquisas (manuais, catálogos decisórios,
bases de dados de outras bibliotecas, entre outras ferramentas que eliminem as dúvidas) e só
após recorrer ao profissional bibliotecário atuante na unidade informacional. Esta ação
estimula no discente o senso de pesquisador, a sua autonomia e independência, além de não
sobrecarregar o bibliotecário, que não está responsável apenas pela orientação do aluno, mas
também fazer a gestão da unidade e suas atividades diárias sob sua responsabilidade.
- Ferramentas diárias de trabalho: todos os manuais, tabelas, códigos e demais
ferramentas de trabalho diárias são impressas ou emprestadas e apresentadas individualmente
para o estagiário. Dessa forma, ele fica de posse, sem precisar ficar solicitando-as ao
bibliotecário, denotando mais autonomia e familiaridade com as ferramentas, podendo fazer
suas anotações nos seus próprios manuais.
-Estudo prévio das ferramentas diárias de trabalho, blog, site e documentos internos:
o estagiário começa suas atividades com o estudo e leitura das informações institucionais da
biblioteca, a fim de familiarizar-se com seu local de trabalho e ter conhecimento para
informar os usuários sobre a localização das mais diversas informações solicitadas no dia-adia. O mesmo acontece com as ferramentas diárias de trabalho, todas são estudadas,

3484

�analisadas e grifadas, conforme dúvidas, sugestões ou mesmo desconhecimento por parte do
aluno, durante sua formação.
- Plano de estágio: o plano de estágio é revisto juntamente com o aluno e validado
após ajustes, sugestões e prioridades.
- Processamento técnico: o estagiário irá praticar a catalogação, indexação,
classificação, notação de autor, dentre outros processos, de variados tipos de informações
bibliográficas, com o intuito de praticar o processamento técnico de materiais não
convencionais também, uma vez que não é comumente trabalhado em sala de aula e
apresentam grande dificuldade no início da prática da atividade.
- Gestão de bibliotecas: Além da parte técnica, a bibliotecária - que possui experiência
e mestrado na área de Administração de Bibliotecas Universitárias repassa conceitos,
indicações de textos para leitura e instruções referentes à prática da administração de
bibliotecas. Após, os alunos são instigados a resolverem problemas administrativos diários,
praticando assim a gestão da biblioteca.
- Instrumentos de comunicação com equipe e usuários: são abordados, desenvolvidos
e utilizados pelos estagiários diversos instrumentos de comunicação, indispensáveis para a
boa gestão de uma biblioteca e um bom atendimento aos usuários, tais como: organização de
reuniões; troca de e-mails periódicos; site ou blog com informações claras; intranet para
comunicação interna e para postar manuais, normas, atas; publicação de um boletim mensal
para divulgação de produtos, serviços e projetos... dentre outros.
- Pertencimento: desenvolver no estagiário o pertencimento à biblioteca, valorizando
suas sugestões, críticas, opiniões, diálogo e contribuições para novos produtos, serviços e
projetos. Isso o manterá motivado durante seu estágio, o fará “sentir-se parte” da equipe.
- Consenso e a democracia: O mais importante neste processo é criar um ambiente em
que todos sejam respeitados e todas as contribuições sejam avaliadas. Desse modo, ensiná-los
que ao tomar uma decisão, levar em consideração o consenso e a democracia em meio a sua
equipe.
- Trabalho em equipe: valorização da equipe, motivação, capacitação, promoção de
cursos, dinâmicas, participação em congressos, seminários para atualização, com intuito de
propiciar novos caminhos, ideias e horizontes.
- Ergonomia: ambiente de trabalho apropriado, instalações físicas confortáveis,
ambientes prazerosos. Oferecer bons treinamentos; isso fará a diferença depois no
atendimento,

quando um funcionário/estagiário chegar novo no grupo,

recebê-lo

3485

�pessoalmente, apresentar as metas, o setor, a equipe, passar o perfil desejado para o cargo, o
que se espera dele, os procedimentos e normas.
- Conhecer o perfil dos seus usuários: estudo de usuários, caixas de sugestões, site
com espaço para o usuário opinar sobre os serviços e produtos oferecidos.
- Relatórios estatísticos (tanto de acervo, de serviços, e de RH), pois tudo na
administração dependerá deles (para comprovar, solicitar, provar ou subsidiar algo).
- Promoção de campanhas sociais: (responsabilidade social e ambiental): multas
alternativas (brinquedos, leite, alimentos, gincanas, natal solidário...).
- Elaboração e execução de Projetos: sociais, pesquisa e extensão, ideais também para
arrecadar recursos para a biblioteca, concorrer a editais.
- Ser também um bibliotecário pesquisador: ne ão apenas um técnico (promover
palestras, publicação de livros, artigos...). Viver em constante aprendizado, desenvolver
pesquisa, fazer mestrado e doutorado. Na gestão de bibliotecas, isso faz toda a diferença.
- Atendimento aos usuários: esta atividade é uma das mais importantes dentro de uma
biblioteca, pois seu objeto principal é o usuário. Portanto, não se pode deixar de lado o
planejamento e as estratégias que visem atingir seu principal objetivo: satisfação do usuário.
- Relatório diário das atividades: ao longo do estágio o aluno registra todas as suas
atividades diárias desenvolvidas. Este método facilita a redação do relatório final de estágio
que deve ser entregue ao seu coordenador.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Com a realização do estágio curricular na Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em
Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão, torna-se possível colocar em prática as
teorias da sala de aula, principalmente com a ajuda e supervisão de um bibliotecário
experiente, bem como refletir que, muito embora se tenha um embasamento teórico a cerca de
certo assunto, na prática, as situações são adversas.
Logo, teve-se como resultados uma aproximação da complexidade do mercado de
trabalho e uma ampliação da formação profissional através da vivência em situações reais. O
que estimulou o espírito crítico e inovador através da busca por soluções para as dificuldades,
assim como possibilitou a apreensão de um maior conhecimento sobre o local e atividades
exercidas.
Está prevista uma ampliação do espaço físico da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação
em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão. Com isso, pretende-se aumentar as
vagas para os estágios curriculares, uma vez as atividades desenvolvidas pelos estagiários

3486

�contribuem para o desenvolvimento de novos projetos, produtos e serviços, assim como
auxiliam no fluxo diário das atividades técnicas, culturais e sociais.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Conclui que a metodologia desenvolvida pelo Curso de Biblioteconomia da FURG na
realização da Prática Profissional Curricular estimula o discente na busca de soluções para os
problemas com que se depara no dia-a-dia de uma unidade informational, enfatizando o
trabalho em equipe, bem como permite ao educando a vivência dos conteúdos teóricos e
metodológicos estudados, além de oportunizar o aprimoramento de suas habilidades, de modo
a facilitar suas escolhas no mercado de trabalho, conforme suas aptidões e interesses.
Portanto, a realização da Prática Profissional Curricular na Biblioteca Setorial da PósGraduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão atingiu os objetivos da
bibliotecária coordenadora, da estagiária e do Curso de Biblioteconomia, uma vez que
contribuiu tanto para o aprimoramento da organização e dos serviços de informação
prestados, como também alcançou os objetivos propostos nos planos de estágio.
Sendo assim, a Prática Profissional Curricular realizada na referida biblioteca
proporciona ao estagiário, além do aprendizado técnico, o aprendizado social e cultural. Esta
experiência validou a metodologia desenvolvida pela bibliotecária coordenadora e ampliou as
atividades desenvolvidas nos estágios.

6 REFERÊNCIAS
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Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1967.
BRASIL. Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982. Regulamenta a Lei n° 6.494, de 07 de
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�______. Lei n° 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes.
Disponível em:&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm&gt;.
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2006.

3488

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O artigo relata a experiência da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), como local de realização da Prática Profissional Curricular do Curso de Biblioteconomia da FURG. Retrata a importância da parceria desta biblioteca para a realização contínua dos estágios curriculares, uma vez que contribui tanto para o aprimoramento acadêmico dos alunos, quanto para o aprimoramento dos serviços de informação prestados, visto que a diversidade das atividades desenvolvidas pelos estagiários contribuem para o desenvolvimento de novos projetos, produtos e serviços, assim como auxiliam no fluxo diário das atividades técnicas, culturais e sociais. Aborda a metodologia de estágio curricular obrigatório utilizada pelo Curso de Biblioteconomia da FURG, denominada em seu Projeto Pedagógico como Prática Profissional Curricular. Parte da premissa de que esta metodologia estimula o discente na busca de soluções para os problemas com que se depara no dia-a-dia de uma unidade informacional, enfatizando o trabalho em equipe, bem como permite ao educando a vivência dos conteúdos teóricos e metodológicos estudados, além de oportunizar o aprimoramento de suas habilidades, de modo a facilitar suas escolhas no mercado de trabalho, conforme suas aptidões e interesses. Conclui que a realização da Prática Profissional Curricular na referida biblioteca atingiu os objetivos da bibliotecária coordenadora, da estagiária e do Curso de Biblioteconomia, uma vez que contribuiu tanto para o aprimoramento da organização e dos serviços de informação prestados, como também alcançou os objetivos propostos no plano de estágio. Portanto, a Prática Profissional Curricular realizada proporcionou à estagiária, além do aprendizado técnico, o aprendizado social e cultural.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ENANCIB: um estudo de caso.

Eliane M. S. Jovanovich
Eurides C. T. Nogueira
Ana Esmeralda Carelli
RESUMO
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa que objetivou caracterizar a produção
científica produzida pelos docentes do Departamento de Ciência da informação da
Universidade Estadual de Londrina. A análise desta produção foi feita entre os anos de 2003
a 2013, dos trabalhos publicados nos Anais do ENANCIB. Este evento se tornou preferencial
para disseminação dos resultados das pesquisas na área de Ciência da Informação. Buscou-se
verificar os docentes-autores que mais publicaram, a produção nos anos do estudo e os anos
de maior produção, os GT’s que apresentam a maior produção docente do PPGCI UEL, e
identificar se houve aumento da produção científica após as dissertações do Mestrado
Profissional. Conclui que a produção científica na área da Ciência da Informação pelos
docentes da Universidade Estadual de Londrina está despontando, principalmente após a
criação do Curso de Mestrado.

Palavras-chave: Comunicação Científica. Divulgação Científica. Evento Científico.

ABSTRACT
This paper presents the results of a survey that aimed to characterize the scientific output
produced by members of the Department of Science of the State University of Londrina,
information. The analysis of this production was made between the years 2003 to 2013, the
papers published in the Proceedings of ENANCIB. This event has become preferred to
disseminate the results of research in Information Science. Tried to determine teachersauthors who published most production in the years of study and years of high production, the
GT's with the greatest teaching production PPGCI UEL and to identify whether there was an
increase in scientific production after the dissertations of Master professional. Concludes that
the scientific production in the field of information science by professors at the State
University of Londrina is emerging, especially after the creation of the Master.

Keywords: Scientific Communication. Scientific Dissemination. Scientific Event.

1 INTRODUÇÃO
A comunicação científica constitui um tópico muito explorado e discutido na Ciência
da Informação, é a comunicação científica a responsável pela divulgação dos resultados das

86

�pesquisas à comunidade científica e ao público interessado, de forma a favorecer a criação e
disseminação de conhecimentos e de pesquisas.
Diversos são os canais de comunicação científica, A forma de disseminação do
conhecimento científico obedece padrões consensuais da comunidade científica, a qual prima
pela qualidade, confiabilidade e credibilidade do que é divulgado.
Este artigo trará os resultados da pesquisa que teve como objetivo mensurar a
produção científica dos docentes do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação
da Universidade Estadual de Londrina (UEL) disseminados no Encontro Nacional de
Pesquisa da Ciência da Informação (ENANCIB).
Os dados foram obtidos da análise dos artigos publicados nos anais do ENANCIB, nos
anos de 2003 a 2013. Para a realização da pesquisa, foram analisados os anais, através dos
artigos publicados pelos 11 Grupos de Trabalhos (GTs), tendo como referência os docentes do
Departamento de Ciência da Informação da UEL.Para tanto, buscou-se identificar os docentes
da UEL que publicaram, as temáticas abordadas dentro dos GTs e o tipo de apresentação do
trabalho

2 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
É sabido que o insumo básico para o desenvolvimento científico e tecnológico de um
país é a informação científica. A comunicação científica é feita pelos diversos meios de
divulgação, sempre focado no público que se objetiva atingir. Com o advento da internet está
mais fácil fazer a divulgação dos resultados das pesquisas, pois além dos sites e blogs, ainda
temos as revistas científicas, sejam elas impressas ou eletrônicas.

As revistas científicas

surgiram no século XVII, e foram consideradas a base do sistema moderno de comunicação
científica GANDELMAN (2001).
Segundo Meadows (1999, p. 7)
A comunicação situa-se no próprio coração da ciência. É para ela tão vital
quanto a própria pesquisa, pois esta não cabe reivindicar com legitimidade
este nome enquanto não houver sido analisada e aceita pelos pares. Isso
exige, necessariamente, que seja comunicada.
A mais importante função da comunicação científica é dar continuidade ao
conhecimento científico, pois possibilita a disseminação desse conhecimento a comunidade
científica que podem contribuir para o ,desenvolvimento de novas pesquisas ou ainda
estabelecer novas perspectivas em determinado campo de interesse.

87

�Stumpf (2009, p.x) relata que houveram diversas mudanças nos canais de divulgação
da ciência, “a correspondência tomou apenas um caráter de comunicação pessoal entre os
cientistas, e as atas, também conhecidas como memórias ou anais, passaram a se constituir em
um documento de registro dos trabalhos apresentados em reuniões científicas e profissionais.”
Outro veículo de comunicação científica tem uma função de registro oficial público da
informação é o periódico científico e o ato de publicar oportuniza a comunicação de
descobertas científicas, reconhecimento e a promoção dos cientistas a partir da qualidade e
importância de suas descobertas, efetivando as atividades em pesquisa científica.
Ziman (1979), afirma que o periódico científico cumpre funções que permitem
ascensão do cientista para efeito de promoção, reconhecimento e conquista de poder em
seu meio. Outra função importante é a disseminação de informações e de recuperação que
desempenham papel importante para a visibilidade tanto do periódico, quanto de seus
autores e editores.
Outro papel das comunicações científicas são disponibilizar os estudos resultantes do
processo de reflexões e/ou investigação acerca de uma temática, relatos de experiências entre
outros apresentados oralmente ou na forma de pôster pelos participantes.
Para Ziman (1979, p. 116)
[...] a forma pela qual a investigação é apresentada à comunidade científica,
o trabalho escrito em que são comunicados pela primeira vez os resultados,
as críticas subseqüentes, as citações de outros autores, o lugar que o trabalho
irá afinal ocupar na mente de gerações futuras - tudo isso constitui uma parte
tão importante de sua vida quanto o germe da idéia que deu origem [...]
2.1 E ventos C ientíficos

Os eventos científicos proporcionam a divulgação e o compartilhamento de pesquisas
em andamento bem como os resultados de pesquisas em fase final. Esse tipo de evento é
importantíssimo para a Ciência e por conseguinte para a Ciência da Informação.
Assumem um papel crucial na comunicação científica, Marchiori et al (2006, p. 8)
ressaltam que “os eventos ou encontros científicos reúnem, comumente, profissionais,
especialistas, estudantes e outros grupos interessados em compartilhar e obter conhecimento
sobre uma determinada área.”
A comunicação informal da Ciência muitas vezes é feita através dos diversos eventos
científicos e permitem aos participantes o acesso a informações atualizadas na sua área
profissional ou de estudo. Segundo Meadows (1999, p. 139-140) “Os participantes de

88

�congressos e conferências podem planejar antecipadamente contatos específicos, mas também
ocorrerão em geral contatos imprevistos, porém úteis, durante o evento” .

2.2 Anais de E ventos C ientíficos

No que se refere aos canais de comunicação para fluir a produção, na área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação fica clara a importância dos eventos científicos, na
divulgação das pesquisas, de trabalhos teóricos, de relatos de experiência, pela quantidade de
comunicações aceitas, apresentadas oralmente e em pôster nos referidos eventos. Podem
ocorrer sob o nome de congressos, seminários, reuniões, encontros, simpósios, jornadas e
outros.
Os anais de eventos são comunicações que muitas vezes estão acessíveis a qualquer
indivíduo que tenha interesse. Mueller (2006, p. 27) ressalta que “O movimento para acesso
livre ao conhecimento científico pode ser considerado como o fato mais interessante e talvez
importante de nossa época no que se refere à comunicação científica.”
Para autores como Garvey (1979) e Cornish (1991), os encontros científicos
representam uma das maiores fontes de divulgação de informação de dados originais.
São fontes importantes que precisam ter qualidade e na concepção de (SOUZA,
FRANKLIN e BARCELLO, 2010, p. 6)
No Brasil, muito antes da CAPES divulgar o Qualis de eventos, a maioria
das entidades responsáveis pela realização de eventos da área da Ciência da
informação já vinha demonstrado o cuidado com a qualidade das
comunicações a serem apresentadas, vez que estas são avaliadas
preliminarmente por critérios que primam pela qualidade técnica e científica
dos textos enviados para as comissões científicas dos eventos.
As comunicações são publicadas nos Anais - publicações geradas a partir dos eventos
e visam a maior disseminação dos trabalhos apresentados. Os anais, documentos gerados dos
encontros

científicos,

são

considerados,

segundo

Wood

(1984),

publicações

não

convencionais, ou literatura cinzenta, considerado um tipo de literatura que não se encontra
disponível através dos canais comerciais.
Sendo consideradas publicações não convencionais, os anais, segundo Campello e
Campos (1993), são direcionados a um grupo específico de estudiosos, com pequena tiragem
e com

responsabilidade

editorial

geralmente

a cargo

dos órgãos

governamentais,

universidades, institutos de pesquisa, etc., inclusive por apresentam uma limitação geográfica

89

�de distribuição, dadas às pequenas tiragens, a distribuição acaba sendo feita apenas aos
participantes dos eventos.

2.2.1. OS ANAIS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS
As diversas fases deste processo podem ser informatizadas em um sistema integrado
que gerencie o fluxo da informação desde a etapa de submissão do trabalho até a sua
publicação e disponibilização em uma Biblioteca Digital. Tem como principal objetivo
alcançar um número maior de publico diferenciando se dos Anais impressos, pois nesse caso
não se limita geograficamente (BANON e BANON, 2005).
A eficiência dos anais eletrônicos ultrapassam fronteiras e ampliam a divulgação do
conhecimento, divulgando com agilidade as novas pesquisas e descoberta cientifica. Levando
a informação a todos e beneficiando quem não estava participando do evento.

2.2.2 ENANCIB
O crescimento do campo da Ciência da Informação também está estreitamente
relacionado às atividades da ANCIB, sociedade civil sem fins lucrativos, "fundada em junho
de 1989 graças ao esforço de alguns dos cursos e programas de pós-graduação da área"
(ANCIB, 2008). Sua finalidade é acompanhar e estimular as atividades de ensino de pósgraduação e de pesquisa em Ciência da Informação no Brasil.
Consoante os fortes vínculos existentes entre a Associação e os programas de pósgraduação da área, estes últimos constituem o lócus da pesquisa científica brasileira no campo
da Ciência da Informação sendo a ANCIB seu espaço de comunicação privilegiado.
As atividades da ANCIB estruturam-se em duas frentes: os Programas de PósGraduação stricto sensu, que são representados pelos seus coordenadores, e o ENANCIB Encontro Nacional de Pesquisa da ANCIB, um fórum de debates e reflexíveis que reúne
pesquisadores da Ciência da Informação organizados em Grupos de Trabalho por temas de
interesse para a pesquisa e tem como publico alvo: Professores, pesquisadores, profissionais
(Mestres e Doutores) e estudantes de pós-graduação stricto sensu vinculados a Cursos e
Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação e em áreas afins, filiados à ANCIB.
Os ENANCIBs são promovidos anualmente pela Associação Nacional de Pesquisa e
Pós-graduação em Ciência da Informação - ANCIB e constituem o principal evento de
pesquisa em Ciência da Informação no Brasil. Pela sua história, os ENANCIBs têm se
constituído em foro privilegiado de apresentação e discussão da pesquisa científica na área da
Ciência da Informação Brasileira, congregando o conjunto dos pesquisadores e dos programas

90

�de pós-graduação nacionais nesse domínio da Ciência. As 12 edições já realizadas têm
possibilitado identificar o estado da arte da área, suas frentes de pesquisa, temas de interesse e
lacunas de pesquisa a serem preenchidas.
O Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação - ENANCIB é o
principal evento de pesquisa em Ciência da Informação - CI, no Brasil, atualmente possui
onze Grupos Temáticos que discutem temas relacionados com a área da CI, formado por
pesquisadores de suas respectivas áreas relacionados ao GT do qual ele faz parte.
Os grupos temáticos são compostos por 11 categorias:
GT 01 - Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação.
GT 02 - Organização e Representação do Conhecimento
GT 03 - Mediação, Circulação e Apropriação da Informação
GT 04 - Gestão da Informação e do Conhecimento
GT 05 - Política e Economia da Informação
GT 06 - Informação, Educação e Trabalho
GT 07 - Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia &amp; Inovação
GT 08 - Informação e Tecnologia
GT 09 - Museu, Patrimônio e Informação
GT 10 - Informação e Memória
GT 11 - Informação &amp; Saúde

3 HISTÓRICO DO MESTRADO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO DA UEL

Criado em 2008, o Curso de Mestrado Profissional em Gestão da Informação do
Departamento de Ciência da Informação da UEL, aprovado pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) foi o primeiro no Brasil na área da
Ciência da Informação, com o objetivo de capacitar profissionais para exercerem as atividades
de gestor da informação em organizações.
Visando a expansão de competências na gestão do conhecimento e da informação,
bem como melhor capacitação dos profissionais nos novos cenários e espaços da sociedade do
conhecimento através da reflexão teórico/prática oferecida pelo curso, dando maior subsídio
para prática profissional mediante reflexões teóricas dos problemas enfrentados no cotidiano,
gerando conhecimentos e habilidades contextualizados no espaço profissional.
Segundo informações existentes no site:

91

�O Curso é destinado a profissionais graduados com experiência profissional
comprovada em atividades relacionadas a informação. O Curso atende à
demanda de profissionais com graduação em diferentes áreas do
conhecimento, que atuem com informação em unidades, serviços, enfim,
espaços múltiplos em que haja necessidade de gerir a informação e o
conhecimento como atividade meio e atividade fim. A atuação desses
profissionais (sejam eles consultores na área da organização empresarial,
responsáveis por centros de informática, administradores de bibliotecas, de
arquivos e de centros de informação e documentação, ou outros profissionais
da informação) deve envolver a evidência de que a informação é recurso
chave para o sucesso das organizações. (Programa de Pós Graduação em
Gestão da Informação Mestrado Profissional, 2012, p. 1).
O mestrado profissional foi ofertado durante os anos de 2008, 2009 e 2010 formando
três turmas. A primeira turma iniciou em 2008 e a terceira e última turma teve início em 2010.
Em 2010 houve a criação do Mestrado Acadêmico no Programa de Pós Graduação em
Ciência da Informação, com área de concentração em Organização, Acesso e Apropriação da
Informação do Conhecimento. A aprovação do Regimento do Programa de Pós-Graduação
Stricto sensu em Ciência da Informação, Mestrado Acadêmico deu-se pela Resolução CEPE
n° 0039/2010. Os Grupos de pesquisa que compõem o mestrado são coordenados pelos
seguintes docentes e suas respectivas temáticas, conforme quadros 1 e 2:

Quadro 1 - Linha de Pesquisa: Organização e representação do conhecimento

Docente
Ana
Cristina
Albuquerque
Benjamin
Luiz
Franklin

Brígida
Maria
Nogueira Cervantes

Maria
Catarino

Elisabete

Rosane
Lunardelli
Silvana
Monteiro

S.

A.

Temas de Pesquisa
Organização
e
representação
da
informação.
- Conhecimento de documentos imagéticos.
- Plataformas abertas para organização da informação.
- Mineração de sentido: mineração de texto e processamento de
linguagem natural para extração de conteúdo sema
"ntico.
- Preservação digital.
Análise
de
Domínio
e
vocabulário
de
Domínio.
- Linguagem
de Indexação e política de Indexação.
- Tesauros, mapas Conceituais, taxonomias e ontologias.
- Terminologia e terminografia.
- Representação Descritiva de Recursos na Web: linguagens de
marcação
e
modelos
de
descrição.
- Web 2.0: organização dos recursos web.
- Organização da informação na área da saúde.

Drumond

- Mecanismos de busca (indexação e busca no Ciberespaço).
Estudos
semióticos
do
Ciberespaço.
- Topografia do Ciberespaço: a Web e suas dobras semióticas (Web
invisível, profunda, pragmática, etc.).
Fonte: UEL - PPGCI. http://www.uel.br/pos/ppgci/

92

�Quadro 2 - Linha de Pesquisa: Compartilhamento da Informação e do Conhecimento

Docente
Adriana
Alcará

Temas de Pesquisa
- Aspectos cognitivos e afetivos que influenciam o processo de
busca, apropriação e compartilhamento da informação e do
conhecimento nos ambientes acadêmicos e científicos.
Ana
Esmeralda - Comunicação científica;
- Métricas para avaliação da produção científica;
Carelli
- Estudos de produção científica.
Letícia Gorri Molina
- Gestão da Informação,
- Gestão do Conhecimento,
- Memória Institucional,
- Memória Organizacional,
Linete Bartalo
- Comportamento Informacional (necessidade, busca e uso da
informação);
- Competência informacional.
Maria Inês Tomaél
- Interação e compartilhamento da informação e do conhecimento
em Redes Sociais.
Sueli Bortolin
- Mediação da Informação;
- Mediação da Leitura e da Literatura;
- Oralidade;
- Memórias (da leitura, da literatura, institucional).
Fonte: UEL - PPGCI. http://www.uel.br/pos/ppgci/
Rosecler

As áreas de concentração do mestrado são: Organização, acesso e apropriação da
informação e do conhecimento: Estudo e investigação de procedimentos relacionados a
organização, disseminação, acesso e apropriação da informação e do conhecimento em
múltiplos espaços, em que a informação e o conhecimento podem ser organizados,
representados e compartilhados, individualmente e coletivamente.
O mestrado está dividido em duas linhas de pesquisa: Organização e Representação da
Informação e Conhecimento e Compartilhamento da Informação e do Conhecimento.
Segundo informações do site,

O Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI),
Mestrado Acadêmico, vem responder a demanda por formação densa e
aprofundada de interessados das mais diversas áreas de origem. A filosofia
do curso é abarcar investigações e formações que contemplem a diversidade
de aspectos tratados pelos vários objetos da área de Ciência da Informação.
(Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação, 2012, p. 1).
O mestrado conduz o estudante à fronteira do conhecimento, aumentando a sua
competência para tratar de assuntos como: desenvolvimento de projetos e pesquisas, e
inovação.

93

�4 METODOLOGIA
Tendo como objetivo a análise da produção científica dos docentes do Curso de
Mestrado Profissional e Acadêmico da Universidade Estadual de Londrina no período
estudado, nos GTs do ENANCIB, realizaram-se pesquisas nos Anais impresso e online, para
verificar a produção docente publicada.
A população pesquisada foi formada dos 11 docentes do Programa de Pós-Graduação
em Ciência da informação - Mestrado em Ciência da informação da UEL.
A pesquisa se caracteriza como abordagem quantitativa, de cunho exploratório, de
natureza descritiva. E a coleta de dados deu-se mediante as seguintes etapas:
a) acesso aos anais;
b) pesquisa nos anais para identificação de trabalhos publicados pelos docentes;
Os dados da pesquisa foram coletados com base nos seguintes indicadores:
a) autores para identificar os docentes da UEL;
b) temáticas abordadas dentro dos GTs.
c) tipo de apresentação do trabalho, oral ou pôster.
Para tratamento dos dados, buscou se organizar uma tabela que pudesse representar de
forma lógica e cronológica a exposição dos trabalhos, bem como gráficos para a
demonstração dos dados.

5 RESULTADOS FINAIS
O quadro 3 retrata os trabalhos apresentados pelos docentes do Departamento de
Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina, alguns autores tem mais de
uma publicação no mesmo ano e no mesmo GT ou em GT diferente, representada por (2).
Foi pesquisado as publicações dos docentes da UEL no ENANCIB à partir de 2003,
pois anteriormente não existia publicações do Departamento neste evento, ate o ano de 2013.
Após 2003, só foi publicado novos trabalhos em 2006 no GT 3 e 4.
Em 2007, o GT 01 e 05 que trata de “Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência
da Informação” e “Política e Economia da Informação” respectivamente tiveram um trabalho
apresentado pelas docentes, Ana Esmeralda Carelli, Silvana Drumond Monteiro e a Maria
Inês Tomaél.

94

�Quadro 3 - Trabalhos apresentados pelos docentes do Departamento de Ciência da
Informação da Universidade Estadual de Londrina.

Autor

GT 1 GT 2

GT 5

GT
7

GT 8 GT
9

GT
10

GT
11

2008

2007
2012,
2013
2003,
2010,
2011,
2012
(2)

2013

2009,
2010,
2011
(2),
2012,
2013
(2)

2010

2012

Maria
Elisabete
Catarino

2012

Maria Inês Tomaél

2006,
2010,
2012

2009,
2010
(2),
2013
(2)
2007,
2008,
2009,
2010

A.

Silvana Drumond
Monteiro

GT
6

2009,
2010,
2012,
2013

Linete Bartalo

Rosane
S.
Lunardelli

GT 4

2006

Adriana Rosecler
Alcará
Ana
Cristina
Albuquerque

Ana
Esmeralda
Carelli
Benjamin
Luiz
Franklin
Brígida
Maria
Nogueira
Cervantes

GT 3

2007

Sueli Bortolin
Fonte: Autoria própria.

2013
(2)

201
2,
201
3
2003,
2012,
2013

2013

O GT 03 que trata de assuntos sobre “Mediação, Circulação e Apropriação da
Informação” foi contemplado com 10 publicações, sendo sete da docente Linete Bartalo e um
da docente Sueli Bortolin, um da Adriana Rosecler Alcará e outro da Maria Inês Tomaél,
como representa o gráfico 1 abaixo.

95

�Gráfico 1

Publicação por Docente

2 % 2%

Linete

4%

Maria Ines
4%

18 %

Brigida

7%

Maria Elisabeth

9%

15%

Silvana
Ana Cristina

13%
13%

13%

Rosane
Adriana
Benjamim
Ana Esmeralda
Sueli

Fonte: Das Autoras.

O Departamento de Ciência da Informação da UEL participou do ENANCIB
em 2008 com 02 pesquisas científicas em dois GTs, é o início da visibilidade das produções
científicas do Curso de Mestrado em um dos eventos mais significativos para a comunidade
de pesquisadores na área de Ciência da Informação.
Em 2009 foram quatro trabalhos, o dobro em relação ao ano anterior em GTs
diferentes, GT2, GT3, GT5 e GT8. Já em 2010 foram sete artigos, destacando o GT 2 que
recebeu dois trabalhos e os outros cinco em GTs distintos. O ano de 2011 observa - se uma
queda na participação, com a inclusão de apenas duas pesquisas, uma no GT3 e outra no GT2,
representados no gráfico 2 abaixo.

Gráfico 2 - Produção científica por GTs

4% 4%
20%
20%
4%

17%

9%

22%

GT
01
GT
02
GT
03
GT
04
GT
05

Fonte: Das Autoras.

96

�No ano de 2012, o Curso de Mestrado participou do ENANCIB com 11 trabalhos
escritos pelos docentes em conjunto com os alunos. As publicações foram apresentadas nos
diversos GTs colaborando assim com a difusão da pesquisa científica produzida. Os Grupos
contemplados além do GT2 e GT3 foram: GT 04 - Gestão da Informação e do Conhecimento,
GT 05 - Política e Economia da Informação, GT 08 - Informação e Tecnologia, GT 11 Informação &amp; Saúde.
Em 2013, o Mestrado em Ciência da Informação levou para o evento 06 trabalhos
científicos, relatando pesquisas efetuadas pelos docentes e alunos. Os GTs que receberam os
trabalhos foram:
GT 02 - Organização e Representação do Conhecimento
GT 03 - Mediação, Circulação e Apropriação da Informação
GT 05 - Política e Economia da Informação
GT 08 - Informação e Tecnologia

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Um evento como o ENANCIB proporciona o encontro de diversos pesquisadores na
área de Ciência da Informação. É o evento de maior importância na área, pois propicia a
divulgação científica através dos seus anais, bem como o compartilhamento de informações
por parte dos pesquisadores.
Na concepção de Mello (1996) os encontros científicos acabam sendo os meios mais
eficazes para a comunicação oral do conhecimento.
O Mestrado do Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da
UEL é recente, pois iniciou com o Mestrado Profissional em 2008 e em 2010 teve seu
primeiro mestrado acadêmico, o que justifica a pequena produção científica em 2011. É
sabido que é uma exigência da CAPES que se tenham pesquisas científicas publicadas em
veículos de comunicação, tais como anais e periódicos científicos.
Diante de todo o exposto acima e dos dados coletados, podemos considerar que o
número de produções científicas do Curso de Mestrado do Departamento de Ciência da
Informação foram maiores no ano de 2012. O que é explicável se considerarmos que alguns
artigos são publicações do mestrado profissional.
Em 2013 as publicações foram menores, pois nem todos os docentes e alunos enviam
artigos para o ENANCIB, muitos preferem enviar para periódicos científicos, outros para os
demais eventos, tais como o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) e para
o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD).

97

�Destacam-se também os GTs que mais receberam trabalhos durante esses dez anos de
pesquisa, começaram pelo GT5 com oito artigos, o GT2 e GT8, ambos com nove artigos e o
GT3 com 10 artigos publicados, ressaltando que as publicações do GT3 são em sua maioria
da mesma autora, a docente Linete Bartalo.
Quanto à participação no ENANCIB temos dois aspectos que se sobressaem pela sua
importância no desenvolvimento da ciência, a consolidação de uma área pesquisada, no caso
da Docente Ana Cristina de Albuquerque, que desde sua primeira participação em 2009 ate o
ultima ano pesquisado 2013, publica sempre no mesmo GT. Outro fato relevante é a não
participação, existem docentes que durante os dez anos tiveram apenas um trabalho
publicado.

7 REFERÊNCIAS

BANON, L. C.; BANON, G. J. F. Ferramentas on-line associadas a uma biblioteca digital

para publicações em eventos: projeto XII SBSR. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE
BIBLIOTECAS

DIGITAIS,

3,

São Paulo,

2005. Disponível

em:

http://bibliotecas-

cruesp.usp.br/. Acesso em: 24 nov. 2013.
CAMPELLO, B.S.; CAMPOS, C.M. Fontes de informação especializada : características e
utilização. 2.ed. Belo Horizonte : UFMG/PROED, 1993.
CORNISH, G.P. Non-print conference proceedings: problems for speakers, librarians and
users. Audiovisual Librarian, London, v.16, n.1, p.18-23, 1990.
GANDELMAN, H. De Gutemberg à internet: direitos autorais na era digital. Rio de Janeiro
: Record, 2001.
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1979.
MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.
MELLO, L. L. C. C. Os anais de encontros científicos como fonte de informação: relato de
pesquisa. Revista de Biblioteconomia de Brasília , v. 20, n.1, p. 53-68, 1996.
MUELLER, S. P. M. A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao

conhecimento. Ci. Inf., Brasília, v. 35, n. 2, p. 27-38, maio/ago. 2006. Programa de Pós
Graduação em Gestão da Informação Mestrado Profissional.

UEL, 2012. Disponível

em:&lt;http://www.uel.br/pos/mestradoinformacao/pages/apresentacao.php&gt;.

Acesso

em:

22

dez. 2013

98

�SOUZA, M. I. J.; FRANKLIN, S,; BARCELLOS, B. F. Comunicações em eventos
científicos: acesso e uso de informações publicadas em anais da área da ciência da
informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO,

Anais ...Paraiba:

GESTÃO,
ENEBD,

E

CIÊNCIA
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DA

INFORMAÇÃO,

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Disponível

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&lt;

http://dci.ccsa.ufpb.br/enebd/index.php/enebd/article/viewFile/86/131&gt;. Acesso em: 15 dez.
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STUMPF, I. R. C. Passado e futuro das revistas científicas. Cin. Inf., v. 25, n. 3, p.1-6,
1996.
ZIMAN, J. M. Comunidade e comunicação: In: ZIMAN, J. M. Conhecimento público . São
Paulo: USP, 1979. p115-138.
WOOD, D. N. The collection, bibliographic control and acessibility of grey literature. IFLA

Journal. Wetherby, v.10, n.3, p.278-282, 1984.

99

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa que objetivou caracterizar a produção científica produzida pelos docentes do Departamento de Ciência da informação da Universidade Estadual de Londrina. A análise desta produção foi feita entre os anos de 2003 a 2013, dos trabalhos publicados nos Anais do ENANCIB. Este evento se tornou preferencial para disseminação dos resultados das pesquisas na área de Ciência da Informação. Buscou-se verificar os docentes-autores que mais publicaram, a produção nos anos do estudo e os anos de maior produção, os GT‘s que apresentam a maior produção docente do PPGCI UEL, e  identificar se houve aumento da produção científica após as dissertações do Mestrado Profissional. Conclui que a produção científica na área da Ciência da Informação pelos docentes da Universidade Estadual de Londrina está despontando, principalmente após a criação do Curso de Mestrado.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ANÁLISE DOS CANAIS DE COMUNICAÇÃO DAS BIBLIOTECAS PARA USO DO
PERIÓDICO CIENTÍFICO ELETRÔNICO: ELABORAÇÃO E PLANEJAMENTO
DE UM PROJETO
Silvana Aparecida Fagundes
Laura Mariane de Andrade
Luana Priscila Costa
RESUMO
O periódico científico eletrônico é um importante canal de divulgação da pesquisa na
Universidade. Considerado uma tipologia documentária muito consultada nas bibliotecas e
presente em todas as bibliografias de teses e dissertações produzidas em âmbito acadêmico, o
objetivo desta pesquisa é identificar as variáveis envolvidas no baixo uso de periódicos
científicos eletrônicos assinados pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita
Filho" (UNESP). O presente estudo adotará revisão de literatura sobre: formação e
desenvolvimento de coleções de periódicos eletrônicos, processo de aquisição, informação
eletrônica, estudo de caso de boas práticas por meio de consulta a instituições parceiras e
pesquisa de satisfação por meio de aplicação de questionários. Os resultados esperados
envolvem identificar as variáveis envolvidas no baixo uso dos periódicos científicos
eletrônicos assinados pela UNESP, propor melhorias nos canais de comunicação entre
biblioteca e comunidade eliminando assim os GAPs (falhas) e identificando boas práticas,
identificar a correlação entre as linhas de pesquisas destes periódicos e as pesquisas dos
Programas de Pós-Graduação da UNESP, entregar um relatório com um diagnóstico da
situação de assinatura, divulgação e uso destes periódicos. Concluímos que a análise dos
resultados obtidos nesta pesquisa propiciará fornecer aos profissionais responsáveis pela
formação e desenvolvimento de coleções de periódicos indicadores para adquirir, divulgar,
avaliar e medir coleções eletrônicas, que muito se diferem das coleções impressas.
Palavras-Chave: Periódico Científico Eletrônico; Formação e Desenvolvimento de Coleções;
Informação Eletrônica; Processo de Aquisição.

ABSTRACT
The electronic scientific journal is an important research dissemination channel inside the
University. Considering a documentary typology widely consulted in libraries and present on
all theses and dissertations bibliographies developed under the academic environment, the
objective of this research is to identify the variables involved on the under use of electronic
scientific journals subscribed by Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
(UNESP). The present study will adopt the revision of the literature about: formation and
development of the electronic journal collection, acquisition process, electronic information,
good practice case study by the partner institution consultation and satisfaction research by
form application. The expected results involved the identification of variables involved on the

2105

�electronic scientific journals sub utilization subscribed by UNESP, propose enhancements on
the communication channels between the library and the community eliminating gaps and
identifying good practices, identify the correlation between the research lines of those
journals and the researches fbrom the Graduate Program from UNESP, deliver a report with a
diagnose of the subscribe situation, dissemination and use from those journals. Concluded that
the result analysis obtained on this research will provide to the professionals responsible for
the journals collection formation and development flags for the acquisition, dissemination,
evaluation and measurement on the electronic collections, that are far different from the
impressed ones.
Keywords: Electronic Scientific Journal; Collection Formation and Development; Electronic
Information; Acquisition process.
1 INTRODUÇÃO
A presente pesquisa surgiu como resultado do curso de capacitação profissional
intitulado "Gestão eficaz de projetos: transformando ideias em resultados" (GIBBIN, 2014),
voltado para criação e gestão de projetos.
No âmbito acadêmico os periódicos científicos são considerados um canal de
comunicação de muita relevância para a disseminação das pesquisas desenvolvidas na
Universidade.
O periódico científico é considerado um canal de comunicação de alto alcance, por
existirem em todas as áreas do conhecimento e até por apresentar uma tipologia documentária
de leitura rápida (artigo científico).
O periódico científico eletrônico contribui para a agilidade no fazer da ciência, pois a
informação científica fica disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e pode ser
acessada de qualquer lugar a partir de conexão com a internet, derrubando as barreiras
geográficas e propiciando facilidade de busca. Esta modalidade de formato amplia o acesso à
informação científica eletrônica.
A presente investigação direciona as observações às variáveis envolvidas no baixo uso
dos periódicos científicos eletrônicos assinados pela UNESP.
Nesta investigação sobre as variáveis envolvidas no baixo uso dos periódicos
científicos eletrônicos, se pretende analisar a eficiência e eficácia dos canais de comunicação
utilizados pelas bibliotecas e pela Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) na divulgação
dos periódicos científicos assinados. Visando entender por que o uso é baixo, pretende-se
comparar as linhas de pesquisas destes periódicos e as pesquisas dos Programas de PósGraduação da UNESP, quais são as modalidades de acesso disponíveis para estes periódicos,
entre outras variáveis que surgirem durante o desenvolvimento da pesquisa.

2106

�As respostas às variáveis envolvidas no baixo uso dos periódicos científicos
eletrônicos proporcionarão desenvolver um relatório que vai trazer um diagnóstico da situação
de assinatura, divulgação e uso destes periódicos.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Destacamos que a presente pesquisa trata do uso de periódicos científicos eletrônicos,
considerados no meio acadêmico um canal de comunicação científica relevante para o
desenvolvimento das pesquisas existentes em uma Universidade.
Os periódicos científicos são uma tipologia de publicação que existe há muitos anos.
Na revisão de literatura Gonçalves, et. al. (2006, p. 165) destacam que:

as revistas científicas, desde o seu surgimento, constituem importantes
canais de comunicação formal da ciência. Esse tipo de publicação teve início
no século XVII, na Europa, com a criação das sociedades e academias
científicas, que tinham por objetivo reunir os especialista e debater temas de
interesse acadêmico ou social. As revistas científicas, também denominadas
periódicos científicos, surgiram como uma evolução da comunicação
informal, que consistia no uso de cartas, atas ou memórias das reuniões
científicas para transferência da informação entre pesquisadores.

Evidenciamos que de acordo com Gonçalves, et. al. (2006) as duas primeiras revistas
científicas que surgiram foram: Journal dês Sçavans e a Philosophical Transactions o f the
Royal Society o f London.
Destacamos que o aparecimento da primeira revista em formato eletrônico, conforme
Targino (1999 apud GONÇALVES, et. al., 2006, p. 169) surgiu nos Estados Unidos, no New
Jersey Institute o f Technology, intitulada Electronic Information Exchange System, que
contemplava boletins e notas científicas.
Segundo Castro (2003, apud GONÇALVES, et. al., 2006, p. 166), quanto ao conteúdo,
as revistas científicas podem ter duas modalidades: voltadas à divulgação para os pares e
voltadas para a comunidade em geral:

A divulgação do conhecimento nas revistas pode ser feita sob diferentes
enfoques: as revistas científicas, voltadas à divulgação para os pares, são
escritas em linguagem científica, e obedecem a certas características e
padrões estabelecidos pela comunidade acadêmica, enquanto que as revistas
voltadas para a comunidade em geral, chamadas de divulgação científica,
são de caráter mais amplo, abrangendo várias áreas temáticas, escritas em
linguagem mais acessível, e apesar de ter uma distribuição extensa, nem
sempre são indexadas em bases de dados internacionais.

2107

�As revistas sofreram as influências da evolução tecnológica na área de Redes de
Telecomunicações, o que permitiu o estabelecimento do mercado de informação on-line e o
surgimento das revistas eletrônicas.
As revistas eletrônicas são uma tendência que cresce a cada ano no ramo de editores
de periódicos científicos, por diferirem das revistas impressas, oferecendo recursos
multimídias e de links, aumentando assim o número de revistas somente disponíveis no
formato eletrônico.
Conforme Gonçalves, et. al. (2006, p.169):
em geral, o que caracteriza uma revista eletrônica é a utilização de um
formato eletrônico de publicação, beneficiando-se de recursos audiovisuais
(imagens, áudio, vídeo) e de links a outros documentos, transformando a
estrutura do artigo científico tradicional em um hipertexto, permitindo aos
leitores navegar pelas fontes e dados utilizados pelos autores. As revistas
eletrônicas em sua maioria estão disponíveis na Internet, mas podem existir
também em CD-ROM.

Na revisão de literatura localizamos diferenças entre os formatos de revistas
eletrônicas.
Conforme Gonçalves, et. al. (2006, p.169-170) os diferentes formatos de revistas
eletrônicas são:
i) revistas em formato eletrônico, que são cópias exatas das versões
impressas, normalmente apresentadas em arquivos em formato PDF, que é o
caso da maioria dos títulos existentes, ii) revistas em formato eletrônico, que
agregam, ao texto da versão impressa, recursos adicionais da publicação
eletrônica (navegação hipertextual e multimídia) ou mesmo novas seções e
versões em outros idiomas; iii) revistas criadas e publicadas exclusivamente
em meio eletrônico, ainda que utilizem relativamente poucos recursos
multimídia ou hipertextuais.

Elucidamos que conforme Gonçalves, et. al. (2006, p. 171-172), muitos pesquisadores
destacam que a função das revistas científicas é:
- preservação da memória científica do conhecimento, permitindo a leitura e
as citações dos artigos por outros pesquisadores;
- formalização do conhecimento, através do registro público da autoria e
estabelecimento de prioridade da descoberta científica;
- estabelecimento da ciência "certificada" isto é, do conhecimento que
recebeu o aval da comunidade científica;
- função social, com base no fato de que a revista científica é uma instituição
social que confere prestígio e reconhecimento da propriedade intelectual, e
também atua como intermediária entre a comunidade científica e a
sociedade;
- função educacional, que pode ser vista sob dois ângulos distintos: o de
atualização profissional e educação continuada de profissionais e
pesquisadores, e o de modelo das técnicas de publicação científica aos
jovens pesquisadores; e
- canal de disseminação da informação, através dos serviços de indexação e
bibliotecas. [...].

2108

�Na revisão de literatura encontramos orientações sobre a análise do conteúdo das
revistas científicas que explicitam que "a análise dos aspectos de conteúdo deve ser realizada
por pesquisadores atuantes, com experiência e uma visão ampla do contexto acadêmicocientífico daquela comunidade específica [...]" (GONÇALVES, et. al., 2006, p. 177).
Assim como Magalhães et. al. (2013, p.11 ) nos diz que “o periódico é um veículo
dinâmico de informação, levando rapidamente os conhecimentos técnicos, científicos ou
culturais divulgados nos seus artigos à comunidade interessada, tornando-se indispensável
para a atualização e o desenvolvimento das várias áreas”, consideramos a relevância das
revistas

científicas

para

a

comunidade

acadêmica

e

consequentemente

para

o

desenvolvimento das pesquisas em uma Universidade.
Tratando mais especificamente do periódico eletrônico, e ressaltando o contexto
virtual em que fazemos uso na última década, Targino (2007, p.99) diz que “ao tempo em que
a Internet, como representante-chave das novas tecnologias, favorece o fluxo informacional,
não assegura, de forma alguma, a qualidade das informações disponibilizadas”.
Considerando esse aspecto, há uma suspeita de que o uso dos periódicos eletrônicos
vem diminuindo conforme os usuários buscam informação de forma superficial e genérica,
muitas vezes desconhecendo muito conteúdo do universo acadêmico científico no qual a
Universidade investe em forma de aquisição de títulos.
Assim, um dos objetivos dessa pesquisa é apresentar uma investigação que pretende
identificar parâmetros metodológicos para avaliar futuramente as variáveis envolvidas no uso
do periódico científico eletrônico.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Segundo Kerzner (2008, p. 15) a gestão de projetos se define como o planejamento, a
programação e o controle de tarefas integradas de forma a atingir seus objetivos com êxito.
Assim, a partir dos conceitos e métodos ilustrados no curso "Gestão eficaz de projetos:
transformando ideias em resultados" (GIBBIN, 2014), foi elaborada uma proposta de projeto
pelos bibliotecários do Grupo de Gestão de Recursos da Informação (GGRI), responsável pela
aquisição e divulgação de periódicos nacionais e estrangeiros, nos suportes impressos e
eletrônicos, foi consenso que o projeto fosse focado na avaliação do uso de periódico
científico eletrônico, assinados pela CGB, visando produzir um produto que se constituiria em
trazer benefícios para a CGB e abrangesse a rede de bibliotecas UNESP.
Dessa forma, para atingir os objetivos propostos foram utilizadas ferramentas que
serão descritas a seguir.

2109

�3.1 Ferramenta 1: Project Charter
A princípio, foram estabelecidos pontos para que o projeto não perdesse seu foco e
foram formuladas perguntas como "qual o problema que precisa ser solucionado pelo
projeto?". Essa questão levou o grupo a traçar um tema, que viria a ser o projeto e definir
pontos como contexto, escopo e legado.
Nessa etapa foram estabelecidas as primeiras variáveis do projeto, como o nome,
objetivos (qual valor será entregue à organização quando o projeto estiver pronto?),
justificativa, metas do projeto, macro visão do projeto (ciclo de vida, etapas), premissas,
restrições (orçamento, prazo) e análise dos stakeholders.
Após essas definições ficou claro que o projeto era muito abrangente e seria necessário
chama-lo de Programa e redividi-lo em pequenos projetos, cujo fruto dessa etapa seria um
estudo para implementação de um projeto piloto.

3.2 Ferramenta 2: Work Breakdown Structure (WBS)
A WBS ou Estrutura Analítica de Projeto (EAP) trata de uma representação gráfica do
escopo do projeto e é normalmente representada em um diagrama semelhante a um
organograma. Apresenta a decomposição da macro visão do projeto em atividades, às quais
posteriormente serão atribuídos os recursos do projeto (tempo, materiais e pessoas). É uma
excelente forma de comunicação com os stakeholders, pois fornece uma visão clara do escopo
do projeto.

3.3 Ferramenta 3: Diagrama de Rede
Baseado na WBS, o Diagrama de Rede é um sequenciamento de atividades que, de
acordo com a determinação da duração das atividades na etapa anterior, estrutura uma linha
cronológica em que se pode visualizar a sequência do escopo e calcular quanto tempo o
projeto terá em seu total. Além disso, ele permite fácil visualização das dependências entre as
atividades.
O Diagrama de rede também determina qual será o caminho mais longo do projeto,
analisando sempre as atividades de maior duração, quando se trata de atividades paralelas,
denominado caminho crítico.

3.4 Ferramenta 4: Cronograma de projeto - Carta de Gantt
A carta de Gantt do projeto corresponde ao cronograma do projeto. No cronograma
devem constar as fases do projeto e tempo de duração de cada atividade. O cronograma do

2110

�projeto deve ser aprovado pelas partes interessadas no projeto. Para elaborar o cronograma
pode-se fazer uso de ferramentas computacionais ou planilhas eletrônicas. No caso da
pesquisa aqui citada utilizou-se planilha eletrônica.

3.5 Ferramenta 5: "Curva da baleia” - Histograma de Custos
Em todo projeto é preciso saber o custo de cada atividade. Para determinar o custo de
cada atividade do projeto considera-se a Carta de Gantt do projeto e os custos determinados
para cada tarefa. Para se obter os custos podem-se considerar as experiências de projetos
anteriores, estimativas de preço com base em informações de revistas, artigos, ou,
documentos técnicos.
Pode-se também chegar à estimativa do valor de cada atividade do projeto por meio da
determinação precisa de horas trabalhadas no projeto em todas as fases, bem como, recursos
materiais necessários.
A ferramenta curva da baleia é um gráfico de barras que mostra o gasto por período do
projeto podendo ser mensal, trimestral e anual.

3.6 Ferramenta 6: Baseline de Custo
A ferramenta Baseline, também conhecida como curva "S" permite identificar o custo
do projeto. Enquanto a Curva da baleia aborda o custo de cada atividade do projeto por
período, o Baseline enfoca os custos acumulados.
Para construção do Baseline também utilizamos a Carta de Gantt e os custos de cada
tarefa.
Evidenciamos que na pesquisa aqui citada não se utilizou ainda as ferramentas: "Curva
da baleia" e Baseline, uma vez que o projeto está em fase de estruturação. Portanto, estas
ferramentas serão utilizadas nas fases sequentes da pesquisa.
É relevante ressaltar que independente do método utilizado - "Curva da baleia" ou
Baseline - é necessário que se aloquem reservas de contingência, ou seja, aumento das
estimativas de custo das atividades visando ter recursos para o surgimento de eventos incertos
e não previsto no projeto.

3.7 Ferramenta 7: Planilha de Acompanhamento do Projeto
A ferramenta Planilha de acompanhamento do projeto é construída a partir da Carta de
Gantt do projeto. Esta ferramenta se destina ao planejamento e revisão das metas ou
atividades a serem executadas no período semanal.

2111

�Na Planilha de acompanhamento do projeto as semanas de um mês são representadas
por W1, W2, W3 e W4.
A ferramenta Planilha de acompanhamento do projeto também pode ser elaborada
para todo período de execução do projeto enumerando as semanas a partir de W1 até a última
semana do projeto.
É importante destacar que na Planilha de acompanhamento do projeto temos o
planejamento em nível micro, mais detalhadas, incluindo: metas, pontos de atenção e
interfaces (outros setores envolvidos).
Todas as ferramentas utilizadas nesta fase inicial da pesquisa terão sua aplicação
representada a seguir.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Destacamos que intencionalmente os resultados desse trabalho não focam na coleta e
análise de dados consequentes da aplicação de questionários, pois essa etapa fará parte da
execução do projeto. Neste trabalho são abordados os elementos que fizeram parte do
planejamento e elaboração do projeto, baseando-se na metodologia proposta anteriormente.
Dessa forma, foram elaborados cartazes que marcassem as etapas desenvolvidas
através das ferramentas apresentadas, por meio de um formato dinâmico e flexível que
estimulasse a criação, com discussões em grupos, utilização de post-its, rascunhos e
exposições das etapas aos outros grupos.
A princípio, pensou-se em observar o uso dos periódicos eletrônicos em toda a rede de
bibliotecas, mas uma vez que as variáveis desse projeto foram sendo identificadas, resolveuse diminuir o universo trabalhado, transformando o projeto inicial em um programa que
conteria vários projetos menores, dos quais inicialmente seria desenvolvido o projeto piloto
que leva o título desse trabalho.
Com base nessas informações e na sequência de desenvolvimento do projeto
estabelecida pelas ferramentas do curso (GIBBIN, 2014), as etapas foram elaboradas
conforme a confecção de cartazes, os quais terão seu conteúdo transcrito e explicado nesse
trabalho.
4.1 Início do Projeto
Conforme indicado no item 3.1, foram produzidos dois cartazes a partir do Project
Charter. No primeiro, foram definidos título (Variáveis envolvidas no uso do conteúdo
eletrônico), contexto (baixo uso do conteúdo eletrônico assinado pela UNESP), ideia
(identificar os GAPs dos canais de comunicação utilizados pelas bibliotecas e pela CGB),

2112

�escopo (desenvolver um relatório com um diagnóstico dos GAPs e boas práticas) e valor
(orientação sobre onde investir recursos para solucionar o problema). Todos os itens foram
dispostos em um cartaz. Em seguida, no mesmo cartaz, foi feito o mapeamento dos
influenciados, onde os beneficiados seriam: bibliotecas (visibilidade, valorização), UNESP,
usuários; os consultados: bibliotecas, CGB, USP, UNICAMP; e os resistentes: bibliotecas
(podem se sentir avaliados/adulterar dados repassados, indiferença), direção das unidades.
Após a conclusão do primeiro cartaz, foi confeccionado um novo cartaz que
descreveria as etapas pelas quais o projeto passaria. Essas etapas tinham por objetivo dar um
panorama geral da sequência das atividades e iniciar um aprofundamento no desenvolvimento
do projeto. Acompanhada de cada etapa viria a definição de entrega, ou seja, o produto que
aquela etapa resultaria (Quadro 1).

Quadro 1: Etapas do Projeto
ETAPAS

ENTREGA

Consulta a outras universidades (benchmarking)

Parâmetros para construção dos questionários

Definição das perguntas dos dois questionários

Questionários em si (os dois)

Aplicação dos questionários (em unidade piloto)

Avaliação da eficácia dos questionários

Aplicação dos questionários na rede

Recebimento dos dados da rede

Análise dos dados coletados

Relatório com o
diagnóstico dos GAPs

Relatório com os pontos
positivos a serem
replicados

Fonte: Elaborado pelas autoras.

4.2 Estrutura Analítica de Projeto
Conforme explicitado no item 3.2, a EAP ou WBS do projeto tem como função
desmembrar as etapas estabelecidas na atividade anterior. Dessa forma, a estrutura anterior
que definia as etapas em formato vertical passou a um novo cartaz horizontalmente, sendo as
matrizes para o desmembramento de sub-etapas, como um organograma. Essa atividade

2113

�também foi feita em post-its, possibilitando a fácil revisão e realocação de etapas e subetapas.
Ao final, foram adicionados períodos em que essas atividades poderiam ser realizadas
em determinada estrutura (Quadro 2).

Quadro 2: WBS
1.

Consulta a outras Universidades (Benchimarking) e revisão de literatura

1.1. Envio de ofício ao coordenador da rede de bibliotecas USP e UNICAMP (15 dias);
1.2. Análise dos dados recebidos (2 dias);
1.3. Metodologia e revisão de literatura (5 dias);
2.

Definição das perguntas dos questionários

1.4. Definição da quantidade de perguntas, categorização do público-alvo e tipo de
pergunta (5 dias);
3.

Aplicação dos questionários em unidade piloto

1.5. Definição da unidade piloto e forma de aplicação (online ou impresso) (15 dias);
1.6. Questionário 1:
1.1.1. Envio (20 dias);
1.1.2. Análise (10 dias);
1.7. Questionário 2:
1.1.3. Envio (10 dias);
1.1.4. Análise (5 dias);
4.

Aplicação dos questionários na rede

1.8. Categorização das unidades por área do conhecimento (2 dias);
1.9. Questionário 1:
1.1.5. Envio (25 dias);
1.1.6. Tabulação (5 dias);
1.10. Questionário 2:
1.1.7. Envio (10 dias);
1.1.8. Tabulação (5 dias);
5.

Análise dos dados coletados

1.11. Identificação dos GAPs e boas práticas (30 dias);
1.12. Produção dos relatórios (15 dias);
Fonte: Elaborado pelas autoras.

2114

�4.3 Sequenciamento das Atividades no Diagrama de Rede
Após a determinação das etapas do EAP foi confeccionado um novo cartaz
apresentando a sequência das atividades de uma forma mais ilustrativa, que fizesse o
observador enxergar claramente a linha de atividades apresentada no item 3.3 (Figura 1).

Figura 1: Diagrama de Rede

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Além dessa estrutura era necessário identificar o caminho crítico e a partir dele
verificar quais atividades seriam as mais longas e definiriam o tempo de execução total do
projeto. Partindo desse princípio, no próprio cartaz destacamos o caminho crítico, mas aqui
ilustraremos com uma nova imagem para melhor identificação (Figura 2).
Figura 2: Caminho Crítico do Diagrama de Rede

4.4 Cronograma de Projeto
Dessa forma, somando os períodos de execução das etapas destacadas, concluiu-se que
o projeto atingiria um período total de 246 dias, sendo que 22 dias são para os parâmetros
para a construção dos questionários, 87 dias para a avaliação da eficácia dos questionários e
137 dias para o recebimento dos dados da rede (Figura 3).

2115

�Figura 3: Cronograma ou Carta de Gantt
ETAPAS

SEQUÊNCIA

1
1.1
1.2
1.3
2
2.1
3
3.1
3.2
3.2.1
3.2.2
3.3
3.3.1
3.3.2
4
4.1
4.2
4.2.1
4.2.2
4.3
4.3.1
4.3.2
5
5.1
5.2
Fonte: Elaborado pelas autoras.

4.5 Planilha de Acompanhamento do Projeto
Na sequência, foi estabelecida a planilha de acompanhamento do projeto (Quadro 3),
na qual foram localizados os principais grupos de atividades e as ações executivas semana a
semana.

2116

�Quadro 3: Planilha de Acompanhamento do Projeto
W2

W3

Leituras
Revisão
de Levantamento
discussões
bibliográfico
literatura
das
Categorização das Planilhas
unidades por área unidades por área do
conhecimento

W5

Definição
da Envio
do
unidade piloto e questionário para a
forma de aplicação biblioteca
do questionário

Questionário

Ponto de atenção

W4
e Análise dos dados
recebidos
Parâmetros
para
construção
dos
questionários

Elaboração e envio
de ofícios
Solicita
colaborador

um

Fonte: Elaborado pelas autoras

Ressaltamos que estamos na fase inicial da pesquisa, a partir de dados levantados na
revisão de literatura, retorno de instituições parceiras e análise dos dados dos resultados das
aplicações dos questionários da unidade piloto, pretendemos validar a metodologia adota e
prosseguir com a aplicação em todas as bibliotecas da Rede, visando atingir o objetivo da
pesquisa que é identificar as variáveis envolvidas no baixo uso dos periódicos científicos
eletrônicos assinados pela UNESP.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Destacamos que o periódico científico eletrônico é essencial para o desenvolvimento
do ensino e pesquisa nas Universidades, uma fonte de informação muito consultada nas
bibliotecas e um tipo de publicação extremamente citada nas dissertações e teses produzidas
pelos Programas de Pós-Graduação.
Sendo assim, é relevante investigar as variáveis envolvidas no baixo uso dos
periódicos científicos eletrônicos, buscando identificar soluções que garantam aos
profissionais responsáveis pela formação e desenvolvimento de coleções de periódicos
prováveis mudanças nas modalidades de assinaturas ofertadas, melhoria nos canais de
comunicação entre pesquisador e a biblioteca.
A análise dos resultados obtidos nesta pesquisa propiciará fornecer aos profissionais
responsáveis pela formação e desenvolvimento de coleções de periódicos indicadores para

2117

�adquirir, divulgar, avaliar e medir coleções eletrônicas, que muito se diferem das coleções
impressas.
A partir desse estudo, pudemos constatar que uma investigação nos canais de
comunicação e falhas que culminam no desuso dessas fontes tão ricas e necessárias precede
uma reavaliação da qualidade e utilidade dos periódicos em si.
Também constatamos que é imprescindível que essa investigação seja feita de forma
bem estruturada em um projeto piloto, a fim de reconstruir etapas, atividades e produtos das
ferramentas abordadas nesse trabalho quantas vezes forem necessárias para que tenhamos um
padrão de avaliação abrangente e coeso ao final, pois a UNESP tem porte e estrutura tão
específicos que todos os métodos aplicados devem ser muito bem arquitetados.
Com relação aos conhecimentos adquiridos no curso "Gestão eficaz de projetos:
transformando ideias em resultados" (GIBBIN, 2014), temos a certeza de que a formulação
desse projeto acompanhada e instigada por Gibbin (2014) e pelos colegas de outros grupos
nos torna aptos a desenvolver outros projetos necessários à CGB, assim como ao programa
completo de avaliação do uso dos periódicos eletrônicos assinados pela UNESP.
Ansiamos que essa experiência e futura aplicação sejam modelos para futuras
avaliações em nossa instituição e sirva de modelo comparativo para outras Universidades que
desempenham papel similar e têm tantas questões não respondidas quanto a UNESP; e que
futuramente sirva para discussões práticas e científicas, evitando retrabalho e resultando no
aprendizado com experiências, sempre tão interessantes para nós, profissionais da informação
que lidam com universos tão particulares.

6 REFERÊNCIAS
GIBBIN, Randal Victor. Gestão eficaz de projetos: transformando ideias em resultados.
Curso proferido na UNESP, São Paulo, 2014.
GONÇALVES, A.; RAMOS, L. M. S. V. Costa; CASTRO, R. C. F. Revistas científicas:
características, funções e critérios de qualidade. In: POBLACION, D. A.; WITTER, G. P.;
SILVA, J. F. M. da. Comunicação e produção científica: contexto, indicadores e avaliação.
São Paulo: Angellara, 2006. p.163-190.
KERZNER, Harold. Gestão de projetos: as melhores práticas. 2. ed. Porto Alegre: Bookman,
2008.
MAGALHÃES, V. C. S. Divulgação de periódicos retrospectivos publicados pela UFBA:
disponibilização na biblioteca digital do sistema de bibliotecas da UFBA. RI UFBA, 2013.
Disponível em: &lt;https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/9403&gt;. Acesso em: 5 ago. 2014.
TARGINO, M. das G. O óbvio da informação científica: acesso e uso. Transinformação,
Campinas, v.19, n.2, p.95-105, maio/ago. 2007. Disponível em: &lt;http://periodicos.puccampinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/607/587&gt;. Acesso em: 5 ago. 2014.

2118

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>O periódico científico eletrônico é um importante canal de divulgação da pesquisa na Universidade. Considerado uma tipologia documentária muito consultada nas bibliotecas e presente em todas as bibliografias de teses e dissertações produzidas em âmbito acadêmico, o objetivo desta pesquisa é identificar as variáveis envolvidas no baixo uso de periódicos científicos eletrônicos assinados pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP). O presente estudo adotará revisão de literatura sobre: formação e desenvolvimento de coleções de periódicos eletrônicos, processo de aquisição, informação eletrônica, estudo de caso de boas práticas por meio de consulta a instituições parceiras epesquisa de satisfação por meio de aplicação de questionários. Os resultados esperados envolvem identificar as variáveis envolvidas no baixo uso dos periódicos científicos eletrônicos assinados pela UNESP, propor melhorias nos canais de comunicação entre biblioteca e comunidade eliminando assim os GAPs (falhas) e identificando boas práticas, identificar a correlação entre as linhas de pesquisas destes periódicos e as pesquisas dos Programas de Pós-Graduação da UNESP, entregar um relatório com um diagnóstico da situação de assinatura, divulgação e uso destes periódicos. Concluímos que a análise dos resultados obtidos nesta pesquisa propiciará fornecer aos profissionais responsáveis pela formação e desenvolvimento de coleções de periódicos indicadores para adquirir, divulgar, avaliar e medir coleções eletrônicas, que muito se diferem das coleções impressas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DESAFIOS ENVOLVIDOS NO GERENCIAMENTO DE REDE DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO E SUA INSERÇÃO NO
PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL (PDI)
Silvana Aparecida Fagundes
Vânia Aparecida Marques Favato

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo proceder a uma investigação e identificar os requisitos
necessários para o gerenciamento sistêmico de uma rede de bibliotecas, com ênfase em
Biblioteca Universitária no contexto contemporâneo. Trata-se de uma pesquisa de caráter
exploratório, abordagem qualitativa com análise de documentos internos. Quanto aos
procedimentos técnicos, foram utilizadas a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental.
Apresenta resultados de gestão da rede de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista
(UNESP) atualmente vigente, bem como as diretrizes até então utilizadas para que a
Biblioteca possa atender aos objetivos maiores da Universidade: ensino, pesquisa e extensão.
Palavras-Chave: Biblioteca Universitária. Bibliotecas em rede. Gestão Organizacional.

ABSTRACT
This paper aims to search and identify the necessary requirements to the systemic
management of a Library Network, focusing the University Library in contemporary context.
This is an exploratory research, qualitative approach with analysis of internal documents. The
used technical procedures were the bibliographic research and the documentary research. It
presents results from Universidade Estadual Paulista Library Network's management
currently in effect, as well as the chosen guidelines so that the Library could comply with the
University's main goals: teaching, research and extension services to the community.
Keywords: University Library. Libraries Network. Organizational Management.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias são instituições sociais, cujos pilares sustentam as
atividades fins da Universidade, o ensino, a pesquisa e extensão. Para tanto deve-se empenhar
para alcançar seus objetivos e cumprir metas organizacionais e sociais, provendo a
comunidade de recursos informacionais seletivos, diversificados e organizados.
Com a globalização e sob o novo enfoque da ordem econômica mundial, o cenário
atual da educação e demais segmentos sociais, culturais e humanos nos quais se incluem, as
Bibliotecas Universitárias tendem a ocupar lugar secundário e, muitas vezes, excluídas em

951

�relação ao quesito de prioridade. Sendo assim, para que a Biblioteca Universitária possa
atingir os objetivos e cumprir as metas estabelecidas diante das novas diretrizes, há
necessidade de uma visão gerencial proativa por parte dos gestores de Bibliotecas.
Considerando que a Biblioteca Universitária é parte integrante de uma Universidade,
ela deve estar inserida no Plano de Desenvolvimento Institucional da organização à qual
pertence, visando equacionar o gerenciamento sistêmico da organização, incluindo:
planejamento financeiro, atividades específicas relativas à formação e desenvolvimento de
coleção, tratamento técnico de documentos e de recursos de informação, inclusão de novas
tecnologias e metodologias no ambiente organizacional, a fim de simplificar as rotinas de
trabalho, propiciar o acesso à informação e fomentar ações para usos dos recursos
informacionais, investimento no aprimoramento profissional e no desenvolvimento de
atividades cooperativas.
No âmbito do gerenciamento de biblioteca universitária e das diretrizes de políticas de
desenvolvimentos institucionais no contexto nacional e internacional, surgem alguns
questionamentos que necessitam de respostas, demandando estudos sobre o tema: Como
promover a cultura da virtualização das atividades dos bibliotecários? Quais canais de
comunicação podem ser utilizados na comunicação entre Biblioteca e comunidade
acadêmica? Considerando restrições orçamentárias, explosão informacional e mudança nos
modelos de negócios propostos pelos editores científicos, quais são as modalidades de
aquisição mais adequadas? Como proporcionar a acessibilidade? Como promover o acesso
livre como uma nova forma de comunicação acadêmica? Como desenvolver estudos de
comportamentos de usuários neste contexto virtual? Como proporcionar o desenvolvimento
dos recursos humanos das bibliotecas nesse novo cenário?
As respostas a estes questionamentos direcionarão a atividade de gerenciamento da
biblioteca universitária e fortalecerão sua relação com ensino, pesquisa e extensão.
O objetivo desta investigação é identificar os requisitos necessários para gerenciar
uma rede de bibliotecas universitárias no contexto contemporâneo, assegurando a importância
da biblioteca, na política de desenvolvimento institucional da instituição à qual está vinculada.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Biblioteca Universitária (BU) é uma organização sem fins lucrativos que tem como
função na Universidade, oferecer suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão. E,
nesse sentido, sofre as influências do meio no qual está inserida, tanto do ambiente interno
como externo.

952

�Diante deste cenário, Maciel e Mendonça (2000, p. 2) enfatizam:
Torna-se importante aos gerentes, conhecer as tendências administrativas
contemporâneas, como também as teorias administrativas que as
fundamentam, para que possam ser adaptadas e aplicadas às bibliotecas
universitárias, pois, apesar de serem organizações sem fins lucrativos, as
turbulências ambientais lhes confere algumas características semelhantes às
das empresas privadas.
Maciel e Mendonça acrescentam ainda que (2000, p. 2, grifo do autor):
Num cenário em que a incerteza é uma constante, provocada pela
instabilidade econômica, política e social, surgiu a Teoria Contingencial que
herdou da Teoria dos Sistemas a ênfase dada à ambiência, como fator
importante e propulsor das mudanças na estrutura e funcionamento das
organizações. Flexibilidade e adaptação tornam-se palavras chave do
contingencialismo e, ao mesmo tempo em que mostra uma reação ao
ambiente, sugere uma adaptação a esse ambiente.
Segundo os especialistas da área, há críticas quanto ao contingencialismo, pois "é
considerado negativo tanto os antigos excessos de estrutura quanto a pouca estrutura".
(MACIEL; MENDONÇA, 2000, p. 3).
Na literatura constata-se que não existe um modelo ideal para se estruturar uma
organização. Porém, existem indícios que sinalizam a necessidade de considerar formas
alternativas de estruturas, visando proporcionar às organizações a adaptação às constantes
mudanças do ambiente interno e externo.
De acordo com Maciel e Mendonça (2000, p. 2):
para conviver com este cenário em que a incerteza é uma constante, as
organizações em geral, e as bibliotecas universitárias em particular,
resguardadas suas peculiaridades, precisam se adequar à situação vigente,
principalmente aquelas organizações calcadas em propostas que apresentam
uma rigidez estrutural, capaz de provocar um choque com uma realidade que
não as permitam mais atender aos propósitos para os quais foram criadas.
Outra alternativa possível seria a estrutura de organização holográfica como um
modelo ideal para um cenário de mudanças.
Segundo Moscovicci (1988, p. 108) "[...] a abordagem holística preconiza o modelo
holográfico como o caminho apropriado da transformação organizacional para a realidade
emergente da mudança do século XX para o século XXI."
Na opinião de Maciel e Mendonça (2000, p. 2) a estrutura ideal de organização é:

953

�projetada em equipes de trabalho, com menos hierarquia em sua estrutura,
responsabilidade compartilhada, com redundância funcional e
predominância de um sistema intensivo de comunicação, podendo contribuir
para se conseguir a flexibilização necessária à organizações contemporâneas.
Mesmo sendo a BU uma organização dependente da instituição à qual pertence, no
caso a Universidade, ela não pode estar condicionada a variáveis ambientais, precisando
buscar "regularidade estrutural para enfrentar todas essas incertezas e que seja, ao mesmo
tempo, simples e flexível." (MACIEL; MENDONÇA, 2000, p.2)
Diante do quadro que se estabelece, a BU enfrenta mudanças diante dos desafios
contemporâneos, o bibliotecário precisa conhecer as funções administrativas envolvidas neste
ambiente e a posição ocupada pela biblioteca no plano da Organização.
Levando em conta todos esses aspectos relacionados à gestão, a Unesp estabeleceu
um Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) aprovado pelos órgãos colegiados em
março de 2009.
Desde 2010, a Unesp possui um "novo modelo de gestão dos recursos públicos,
fundamentado em plano estratégico de desenvolvimento." (UNESP INFORMA, 2010, p. 1)
O PDI, aprovado em 2009, teve seu início no ano seguinte com 15 programas,
contemplando as seguintes dimensões: ensino de graduação, ensino de pós-graduação,
pesquisa, extensão e cultura, planejamento, finanças e infraestrutura e gestão e avaliação
acadêmico-administrativa:
Programa 1 - Gestão de Recursos Humanos;
Programa 2 - Gestão e Desenvolvimento;
Programa 3 - Saúde e Higiene Ocupacional e Perícia Médica;
Programa 4 - Incentivo e Consolidação da Pesquisa;
Programa 5 - Infraestrutura da Pesquisa;
Programa 6 - Avaliação do Ensino de Graduação;
Programa 7 - Ampliação e Diversificação do Acesso à Universidade;
Programa 8 - Aperfeiçoamento do Ensino de Graduação na Unesp;
Programa 9 - Integração da Extensão Universitária com o Ensino e a Pesquisa;
Programa 10 - Atendimento às Demandas Sociais;
Programa 11 - Inserção do Corpo Docente na Pós-graduação;
Programa 12 - Avaliação da Pós-graduação;
Programa 13 - Excelência no Ensino de Pós-graduação;
Programa 14 - Preservação da Memória Social;

954

�Programa 15 - Internacionalização da Unesp.
A Rede de Bibliotecas da UNESP, por meio da Coordenadoria Geral de Bibliotecas CGB, foi inserida no Plano de Desenvolvimento Institucional no ano de 2011, com a rubrica
Programa 17 - Apoio e Desenvolvimento da Rede de Bibliotecas. Este programa é composto
por duas ações: Ação 1: Estabelecer políticas de desenvolvimento de coleções de obras raras
para a Rede de Bibliotecas da UNESP e Ação 2: Ampliar e modernizar a infraestrutura das
bibliotecas e dos arquivos nas Unidades Universitárias.
A inserção da Rede de Bibliotecas da Unesp no Plano de Desenvolvimento
Institucional tem proporcionado à Coordenadoria equacionar o gerenciamento sistêmico de
todas as bibliotecas da Rede e estabelecer planejamento financeiro, visando refletir sobre o
futuro das bibliotecas, enquanto instituições não autônomas e dependentes das políticas
institucionais.
É relevante mencionar que, no momento atual, o Plano de Desenvolvimento
Institucional (PDI) da Unesp tem 25 programas, sendo que o Programa 17 constitui o terceiro
maior orçamento do PDI, conforme demostrado no gráfico abaixo:

Gráfico 1: PDI - Distribuição 2014
PDI Distribuição 2014

20 ,00 %
18,00% --------------------------------------------------------16,00% 14,00% -

12. 00 %
10 . 00 %
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Q _ Q _ Q _ Q _ Q _ C L C L C L C L C L C L C L C L C L C L C L

Fonte: o Autor.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Os procedimentos metodológicos utilizados, quanto aos objetivos, é de caráter
exploratório, abordagem qualitativa com análise de documentos internos; quanto aos
procedimentos técnicos foram utilizados a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental. O

955

�universo deste trabalho contempla a Rede de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista
(UNESP).
É relevante mencionar que nesta investigação estamos buscando identificar os
requisitos necessários para gerenciar uma rede de bibliotecas universitárias no contexto
contemporâneo, assegurando a importância da biblioteca, no plano de desenvolvimento
institucional.
Ressaltamos que a pesquisa em questão está em fase de desenvolvimento. Por ora, está
sendo analisada a Rede de Bibliotecas da Unesp, identificando os produtos e serviços
oferecidos à comunidade acadêmica.
E também, estão sendo contatadas outras instituições, com o objetivo de solicitar
informações sobre os produtos e serviços oferecidos e valor da dotação orçamentária que
possuem, bem como efetuar um levantamento referente à existência de políticas que garantam
recursos financeiros no orçamento institucional.
Além do contato mantido com outras instituições, tem sido realizada a coleta de
experiências dos profissionais da área de bibliotecas e também uma revisão de literatura,
buscando respostas aos seguintes questionamentos: Quais as orientações para gerenciar rede
de bibliotecas universitárias no contexto contemporâneo? Como se dá a comunicação com os
usuários? Quais os perfis dos bibliotecários neste novo cenário? O que se espera das
bibliotecas no futuro?
Desta forma, será possível identificar requisitos envolvidos no gerenciamento de uma
rede de bibliotecas universitárias no contexto contemporâneo.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) possui um
Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) no qual a Rede de Bibliotecas está inserida por
meio da Coordenadoria Geral de Bibliotecas.
No momento estamos realizando a análise de como está estruturada a Rede de
Bibliotecas da Unesp e para onde estamos indo.
Conforme mencionamos, a pesquisa está em fase de desenvolvimento e apresentamos
a seguir os resultados parciais obtidos até o momento sobre a Universidade e sua Rede de
Bibliotecas.

956

�Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
A UNESP - Universidade Estadual Paulista foi criada em 1976, a partir da
incorporação dos Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo, então
unidades universitárias situadas em diferentes pontos do interior paulista. Essas unidades de
ensino superior foram criadas, em sua maior parte, em fins dos anos 50 e inícios de 60.
A UNESP é uma instituição pública e juntamente com a USP - Universidade de São
Paulo e a UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, integram o sistema estadual
paulista de ensino superior. Uma das características da UNESP é ser uma universidade
multicampus, o que a diferencia das demais Universidades Brasileiras. É constituída por 34
faculdades em 24 cidades, sendo 22 no interior, uma na capital do Estado de São Paulo e uma
no litoral paulista em São Vicente.
Atualmente oferece 122 opções de cursos de graduação em 68 profissões de nível
superior com mais de 36 mil alunos. Em relação à pós-graduação são 123 programas sendo
115 programas de mestrados acadêmicos, 7 mestrados profissionais e 96 doutorados
acadêmicos com mais de 10 mil alunos e também mais 6,5 mil alunos dos cursos lato sensu
promovidos pelo Nead - Núcleo de Ensino a Distância.
Fazem parte do quadro de servidores mais de 3,5 mil professores que garantem sólida
formação aos 5,6 mil novos profissionais a cada ano, e 7 mil funcionários colaboram
decisivamente para que as atividades sejam desenvolvidas da melhor forma possível. A
infraestrutura da Universidade compreende 1.900 laboratórios e 34 bibliotecas, com 1,3
milhões de livros, além de museus, hortos, fazendas experimentais, fundações e também
hospitais e clínicas.

Rede de Bibliotecas da Unesp
A Rede de Bibliotecas da UNESP é constituída por 34 bibliotecas, distribuídas por 24
cidades do estado de São Paulo e está tecnicamente subordinada à Coordenadoria Geral de
Bibliotecas, que tem como missão propiciar uma efetiva interação entre a Rede de
Bibliotecas, o meio acadêmico e Instituições congêneres nacionais e internacionais, através de
ações conjuntas, facilitando a comunicação entre os vários segmentos da Universidade,
visando à democratização da informação em benefício da sociedade.
Sua história remonta à criação da UNESP em 1976 e junto com a Universidade, cria-se
também a Biblioteca Central, cujos objetivos iniciais eram servir de apoio aos programas de
ensino e pesquisa da Universidade, oferecer colaboração técnico-científica às Unidades por

957

�meio de redes de informação e prestar mediante convênios, assistências às instituições
públicas ou privadas.
Instalada inicialmente em Marília sua atuação sempre esteve direcionada para uma
política de atuação mais integrada entre as Bibliotecas. O primeiro modelo de gestão se deu
efetivamente em 1990, com a criação pela Reitoria da Universidade do item "Biblioteca" no
seu Plano de Desenvolvimento Institucional e constituição de uma comissão que tinha por
objetivos realizar estudos sobre a situação e oferecer subsídios para modificações na estrutura
e no funcionamento da Rede. A partir desses estudos, foi constituído em 1991 o "Projeto
Biblioteca" cujas ações se iniciaram a partir da transferência da CGB para São Paulo, junto à
Reitoria da UNESP.
Em novembro de 1992, foi realizado o I Encontro de Avaliação da Rede de Bibliotecas
da UNESP cujos resultados subsidiaram a elaboração do Pré-Projeto de Planejamento para
uma Gestão de Qualidade junto a Rede, em 1993. Posteriormente, veio a implantação formal
e institucionalizada do Plano de Gestão de Qualidade para a Rede de Bibliotecas da UNESP.
Em 1994, foi instituída uma nova estrutura administrativa para as Bibliotecas da
UNESP, constituída por uma Diretoria e duas seções: Seção Técnica de Aquisição e
Tratamento da Informação e Seção Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e
Documentação.
Nesse sentido, ao longo dos anos a Coordenadoria Geral de Bibliotecas, juntamente
com as Diretorias das Bibliotecas, desenvolve um plano de trabalho a fim de implementar
ações integradas para a Rede de Bibliotecas da UNESP, de modo a efetuar um trabalho
sistêmico e integrado para cumprir sua missão que é: disponibilizar a informação apoiando as
atividades de ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para a melhoria de vida do cidadão.

Orçamento
Os recursos orçamentários destinados à Rede de Bibliotecas da UNESP para 2014 é de
R$ 5.200.000,00, que corresponde 12,68% do orçamento da Universidade, que serão
aplicados de acordo com metas inseridas no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da
UNESP, Programa 17- Apoio e desenvolvimento da Rede de Bibliotecas.

Ação

1-

Estabelecer

políticas

de

desenvolvimento

de

coleções

e

de obras raras para a Rede de Bibliotecas da UNESP - R$ 3.700.000,00
No programa 17 do PDI para atingir o objetivo da Ação 1 a Coordenadoria Geral de
Bibliotecas, estabeleceu as seguintes metas:

958

�Meta 1 - Renovação de assinatura de 31 bases de dados, 4 bases de e-book e lferramenta de
apoio ao ensino; Assinatura de 1.259 títulos de periódicos nacionais e estrangeiros; Assinatura
da Coleção de Normas ABNT,

ferramenta de apoio para classificação de material

bibliográfico e distribuição de verba para a aquisição de livro didático para as 33 bibliotecas
da Rede.
Meta 2 - Implantar a Política de Indexação para as 33 Bibliotecas da Rede Unesp.
Meta 3 - Promover a competência informacional de 100% dos bibliotecários e usuários da
UNESP para uso de recursos de informação.

Ação

2

-

Ampliar

e

modernizar

a

infraestrutura

das

bibliotecas

e

dos arquivos nas Unidades Universitárias - R$ 1.500.000,00
No programa 17 do PDI, para atingir o objetivo da Ação 2, a Coordenadoria Geral de
Bibliotecas da Unesp, estabeleceu as seguintes metas:
Meta 1 - Elaborar o planejamento estratégico para o desenvolvimento da Rede de Bibliotecas
Meta 2 - Manter 6 recursos tecnológicos
Meta 3 - Educação continuada
Meta 4 - Acessibilidade
Meta 5 - Sanitização
Meta 6 - Catalogação Tercerizada/Grupo de catalogação
Meta 7 - Repositório Institucional
A fim de desenvolver ações para dinamização e implementação de novos serviços foram
constituídos grupos de trabalhos compostos por bibliotecários da Rede UNESP, a saber:
Grupo de Estudo de Normas Técnicas Documentais
Grupo de Linguagem;
Grupo de Indexação;
Grupo de Catalogação;
Grupo de Competência Informacional;
Grupo de Acessibilidade.

Equipe
Através de dois grupos especializados: GATE (Grupo de Apoio Técnico Especializado)
e GFDC (Grupo de Formação e Desenvolvimento de Coleções), a Coordenadoria Geral de

959

�Bibliotecas, implementa ações integradas para o desenvolvimento de toda a Rede de
Bibliotecas da UNESP.
A Rede de Bibliotecas é constituída por 137 bibliotecários, 166 assistentes de biblioteca
e 110.042 usuários. O organograma da Rede é constituído por uma Diretoria Técnica de
Serviço e duas Seções: Seção Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e
Documentação e Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação, exceto as
Unidades Experimentais de Rosana, Tupã, Dracena, Ourinhos, Sorocaba, Itapeva, São
Vicente e São João da Boa Vista que possui uma estrutura administrativa simplificada.

Tabela 1: Acervo Geral da Rede de Bibliotecas Unesp
Acervo

Consultas

Empréstimos

3.112.907

583.984

1.542.441

Fonte: UNESP. Anuário estatístico 2013. São Paulo: UNESP, 2013. Disponível em:
https://ape.unesp.br/anuario/.
Processo de Automação
O primeiro passo para a automação das Bibliotecas teve início em 1994, quando a
UNESP iniciou a interligação de suas Unidades através de uma rede computacional a partir da
Reitoria em São Paulo. No início do processo de automação, a maioria das bibliotecas tinha o
acervo representado em formato papel, mas algumas delas já haviam iniciado o processo de
automação, de forma individual, utilizando o software Microisis e outros sistemas domésticos.
Após realizar um levantamento dos softwares disponíveis no mercado e que já estavam
sendo utilizados pelas bibliotecas universitárias do país, a Universidade, em 1997, optou pelo
software ALEPH, sistema integrado, incluindo a USP - Universidade de São Paulo. O sistema
ALEPH foi adquirido com todos os seus módulos principais de maneira a atender a
informatização de todas as funções das bibliotecas.

Recursos Eletrônicos e Digitais da UNESP
ATHENA: Banco de Dados Bibliográficos que, através do software Aleph, reúne o acervo
das 34 Bibliotecas da Rede UNESP;
Base de dados referenciais, textuais e multimídias;
Bases de dados de e-books;
Periódicos on-line;

960

�Bibliotecas Digitais da UNESP:
C@atedra

- Banco de teses e Dissertações da UNESP é constituído por 16.324 itens

digitalizados sendo 5.496 teses e 10.828 dissertações.
C@pelo - Banco de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCCs
Biblioteca Digital da Unesp
Repositório Institucional

Ferramenta de ensino: Turnitin: software de prevenção de plágio.
Sotwares:
Radio-Frequency Identification (RFID)
Aleph 500 (Ex Libris)
Primo (Ex Libris), que na Unesp foi denominado de P@rthenon que nos possibilita agregar
diversas fontes abertas, como repositórios Dspace, revistas gerenciadas pelo SEER, entre
outras, bem como, fontes fechadas como o conteúdo de editores de acesso pago. Tudo isso é
possível a partir da configuração de protocolos de comunicação.

Produtos e serviços
□ EEB - Empréstimo entre Bibliotecas - Constitui-se do empréstimos entre as Bibliotecas
da Rede UNESP e as Bibliotecas da USP e UNICAMP;
□ COMUT - Obtenção de artigos de periódicos nas Bibliotecas Brasileiras;
□ Empréstimo domiciliar - Empréstimos de obras do acervo;
□ Empréstimo Unificado - Possibilita empréstimos nas demais Bibliotecas aos usuários
cadastrados no Banco de Usuários da Rede de Bibliotecas da UNESP;
□ Autoatendimento;
□ Empréstimos de Note-books - Possibilita aos alunos que não têm computador realizarem
trabalhos durante sua permanência na Biblioteca;
□ Ficha catalográfica;
□ Orientação na elaboração de trabalhos acadêmicos e uso das normas ABNT;
□ Treinamentos do uso de Bases de dados e Periódicos Eletrônicos;
□ Cadastro Biométrico;
□ Acessibilidade.

961

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Por meio dessas considerações, destaca-se que o gerenciamento de uma rede de
bibliotecas universitárias deve estar atrelado à política institucional à qual as bibliotecas
pertencem.
Sendo assim, é relevante investigar os requisitos envolvidos na atividade de gerenciar
bibliotecas em rede no contexto contemporâneo, assegurando aos profissionais da informação
mecanismos de decisão que lhes proporcionem confiança na gestão de uma biblioteca que é
tradicional e híbrida e está em constante mudança, diferenciando-se muito da tradicional
tarefa de administração de bibliotecas.
Considera-se, portanto, que há a necessidade de investigação sobre esta nova realidade
de gerenciamento de bibliotecas universitárias em rede no século XXI, promovendo
discussões, envolvendo todos os profissionais bibliotecários e a comunidade acadêmica,
representada pela Universidade, tendo em vista sua política institucional.

6 REFERÊNCIAS
MACIEL, A. C.; MENDONÇA, M. A. R. A função gerencial na biblioteca universitária. In:
SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS,

11.,

2000,

Florianópolis, Santa Catarina. Anais eletrônicos... Florianópolis, Santa Catarina: UFSC,
2000. Disponível em: &lt;snbu.bvs.br/snbu2000/parallel.html&gt;. Acesso em: 06 maio. 2014.
MOSCOVICCI, F. Renascença organizacional. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e
Científicos, 1988. p.105-109.
UNIVERIDADE ESTADUAL PAULISTA "Júlio de Mesquita Filho". UNESP INFORMA.
São Paulo: Universidade Estadual Paulista, v. 1, p. 1, 2010.
UNIVERIDADE ESTADUAL PAULISTA "Júlio de Mesquita Filho". Anuário estatístico
2013. São Paulo: UNESP, 2013. Disponível em: https://ape.unesp.br/anuario/. Acesso em: 06
maio. 2014.
UNIVERIDADE ESTADUAL PAULISTA

"Júlio

de Mesquita Filho".

Plano

de

Desenvolvimento Institucional. Disponível em: &lt; http://ape.unesp.br/pdi&gt;. Acesso em: 06
maio. 2014.

962

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Desafios envolvidos no gerenciamento de Rede de Bibliotecas Universitárias no contexto contemporâneo e sua inserção no Plano de Desenvolvimento Institucioal (PDI).</text>
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                <text>Fagundes, Silvana Aparecida, Favato, Vânia Aparecida Marques </text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo proceder a uma investigação e identificar os requisitos necessários para o gerenciamento sistêmico de uma rede de bibliotecas, com ênfase em Biblioteca Universitária no contexto contemporâneo. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, abordagem qualitativa com análise de documentos internos. Quanto aos procedimentos técnicos, foram utilizadas a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental. Apresenta resultados de gestão da rede de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista (UNESP) atualmente vigente, bem como as diretrizes até então utilizadas para que a Biblioteca possa atender aos objetivos maiores da Universidade: ensino, pesquisa e extensão.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRESERVANDO A MEMÓRIA DO CENTRO DE MEMÓRIA DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL MINAS GERAIS: UMA
EXPOSIÇÃO PARA FICAR NA HISTÓRIA
Cleide Vieira Faria
Marcia Dias Donato Moreira
Ana Elias Paulo
RESUMO
O objetivo deste artigo é mostrar a importância do trabalho realizado para preservar a
memória do Sistema de Bibliotecas da UFMG - SB/UFMG, que teve como processo inicial a
criação do Centro de Memória do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas
Gerais (CEME-SB/UFMG). Criado com o propósito de preservar todo e qualquer tipo de
material, que fez e faz parte do SB/UFMG, o CEME surgiu em 2011, tendo em vista a falta de
materiais que contavam a sua história. O objetivo inicial do CEME é a criação de um acervo
a partir da reunião de documentação oral e escrita, além de materiais iconográficos e
museográficos. Esse acervo será disponibilizado aos professores, alunos, pesquisadores e o
público em geral. Além disso, o CEME pretende realizar uma exposição fotográfica sobre os
ex-diretores e vice-diretores da BU/UFMG. Neste sentido espera-se que através do CEME e
por meio dos projetos desenvolvidos por ele, que seja divulgada não só a importância do
sistema de bibliotecas (responsável pelo provimento de informações para o desenvolvimento
das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão realizadas na Universidade), mas também o
trabalho e a luta daqueles que estiveram presentes tanto criação, quanto no desenvolvimento
do sistema de bibliotecas da UFMG.
Palavras-chave: Centro de Memória. Exposição Fotográfica. Documentação Oral. Materiais
Iconográficos Museográficos. Resgate Histórico.

ABSTRACT
The purpose of this article is to show the importance of the work done to preserve the
memory of the Library System of UFMG - SB / UFMG, which had the initial process of the
creation of the Memory Center Library System of the Federal University of Minas Gerais
(CEME- SB / UFMG). Created with the purpose of preserving any type of material, and that
made part of the SB / UFMG, the CEME appeared in 2011, in view of the lack of materials
that told their story. The initial objective of the CEME is the creation of a collection from the
meeting of oral and written documentation, and iconographic and museographic materials.
This collection will be available to teachers, students, researchers and the general public. In
addition, the CEME plans to hold a photo exhibition on the former directors and deputy
directors of the BU / UFMG. In this sense it is expected that through the CEME and through
projects developed by it, to be disclosed not only the importance of the library system
(responsible for providing information for the development of Teaching, Research and

3527

�Extension activities at the University) but also the work and struggle of those who attended
both creation, as in the development of the library system of UFMG.
Keywords: Memory Center. Photographic Exhibition. Oral documentation. Iconographic
museographic materials. Rescue History.

1 INTRODUÇÃO
Quando se fala em Centro de Memória é natural que se tenha em mente um ambiente
cujo objetivo é o de preservar e resgatar a história, um espaço onde a memória preservada
poderá ser também utilizada como referencial para pesquisas acadêmicas. Mas antes de tudo,
devemos pensar no real significado da palavra memória e na sua importância mediante a
criação de um sistema como o CEME. Quando utilizamos a palavra memória como meio de
repensar a história, e tê-la como instrumento de transformação, pretende-se com este ato
impedir que tudo que foi realizado por determinada instituição seja esquecido. O autor
Maurice Halbwachs, citado por POLLAK, (1989 p.3) relata que deve ser enfatizado a força
dos diferentes pontos de referência que estruturam nossa memória e que a inserem na
memória da coletividade a que pertencemos. No mundo da informação e conhecimento a
memória indica a direção e fornece a informação necessária para nortear as ações e o
planejamento. A memória tem ainda o poder de reforçar a identidade fazendo com que
determinada instituição se reconheça como organização.
Foi pensando na possibilidade de desaparecimento de informações que será
organizada uma exposição cujo objetivo é o de relatar a participação de todas as ex-diretorias
e atual diretoria da Biblioteca Universitária da UFMG (BU/UFMG). Desta forma, pretende-se
demonstrar em uma linha do tempo a atuação de cada um, sua contribuição e projetos para
melhor funcionamento e integração do SB/UFMG. Além disso, definir o público-alvo,
selecionar as fotos dos ex-diretores e vice-diretores da Biblioteca Universitária, que fizeram
parte da implementação do SB/UFMG assim fornecer dados para posteriores pesquisas e
amplo material de estudo que apontaram fatos importantes do desempenho dos personagens
do SB/UFMG. Também visa evidenciar a importância da participação de ex- diretores e exvice-diretores e atual diretoria. Para tanto, faz parte dos objetivos da exposição a ser realizado
ressaltar o desempenho de todos os que assumiram esta responsabilidade de preservar a
memória.

3528

�2 REVISÃO DE LITERATURA
Memória
Como material de revisão de literatura utilizamos artigos dos seguintes autores,
Maurice Halbwachs, Pierre Nora, Jacques Le Goff e Michael Pollack, que são experts em
assuntos ligados a questões relativas à preservação da memória e história, também citamos
alguns trechos de seus textos neste pôster, para ressaltar a importância de se criar centros de
memórias em todas as unidades de informação, seja bibliotecas ou outros locais que tenham
por princípio divulgar a informação constante na história preservando assim, a memória.
De acordo com Halbwachs , as percepções acrescentadas pela memória histórica
acontecem quando:
“[...] os quadros coletivos da memória não se resumem em datas, nomes e
fórmulas, que eles representam correntes de pensamento e de experiência
onde reencontramos nosso passado porque este foi atravessado por isso
tudo”. HALBWACHS (2004, p. 71).
Segundo Le Goff (1924, p.477), “a memória, onde cresce a história, que por sua vez a
alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro[...]”. Le Goff ressalta
nesse pequeno trecho a importância da palavra memória. Quando falamos de memória logo
pensamos em fatos passados, em acontecimentos sem talvez imaginar a importância ou a
relevância que muitos desses fatos têm para o nosso próprio futuro. Para o autor,
“[...] a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade,
tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator
extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de
uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si [...]”. (POLLAK,
1992,p.5).
O resgate da memória não é só um ato de preservação, ele é também um ato de
reconstrução e construção. Reconstrói-se o passado para que se construa o presente e o futuro.
“Museus, arquivos, cemitérios e coleções, festas, aniversários, tratados,
processos verbais, monumentos, santuários, associações são os marcos
testemunhais de uma outra era, das ilusões da eternidade [...] Os lugares de
memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea,
que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar,
pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não são
naturais.” (NORA, 1993, p. 13)
MATERIAIS E MÉTODOS
Os métodos utilizados para a realização da pesquisa que dará origem a exposição em
questão foram realizados por meio de investigação documental e entrevista oral com
personagens atuantes. As pesquisas foram realizadas nas bases de dados físicas, digitais da

3529

�UFMG e Biblioteca Universitária (BU). E também através de entrevista oral com a
bibliotecária mais antiga do Sistema de Bibliotecas, Maria Helena Santos, profissional que
embora esteja aposentada, atualmente é voluntária na instituição, e prontamente se colocou a
disposição da coordenadora do projeto fornecendo todas as informações necessárias que ela
dispunha para atender a pesquisa, as quais foram colhidas através de conversa pessoal entre
Maria Helena e as autoras do presente estudo.
Na pesquisa em base de dados física, buscamos informações com o setor de arquivo e
com a secretaria da diretoria da BU/UFMG, que se prontificou a autorizar a pesquisa de
documentos que se encontravam em seus arquivos.
A pesquisa em base de dados digital, contou com a colaboração de Glaucia Faria,
Produtora do Repositório de Comunicação da UFMG, e Adriana Lemos Torres, coordenadora
do Acervo Fotográfico, do Núcleo de Divulgação Científica- NDC- que faz parte do
CEDECOM- Centro de Comunicação da UFMG.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Almejamos alcançar resultados positivos com a realização de uma exposição sobre os
ex-diretores e vice-diretores, e da atual diretoria, que possa mostrar aos usuários do Sistema
de Bibliotecas da UFMG, e para que os usuários possam conhecer, quais os personagens
atuaram e atuam na implantação/ implementação do SB/UFMG; bem como conhecer uma
parte da história da BC/UFMG.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Tendo em vista a necessidade de se preservar a memória num contexto histórico, a
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais- BU/UFMG constrói o
Centro de Memória do Sistema de Bibliotecas da UFMG, CEME-SB/UFMG, com o qual
pretende não só preservar a memória, como também a história da organização do Sistema de
Bibliotecas, desta instituição.
O mesmo será ponto de referência para pesquisadores, estudioso e interessado em
realizar estudos sobre o sistema e suas funções, visando assim proporcionar um atendimento
de qualidade a todos que dela fazem uso. Surgindo então o ensejo de se realizar uma
exposição que mostre a evolução do sistema, através dos tempos, ressaltando o que mais se
destaca e o que de importante foi realizado pelos ex-diretores, vice-diretores e está sendo
realizado pela atual diretoria.

3530

�REFERÊNCIAS
CURY, Marília Xavier. Exposição: concepção, montagem e avaliação - São Paulo:
Annablume, 2005, 162 p.
HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. Tradução: Laís Teles Benoir. São Paulo:
Centauro, 2004.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução: Bernardo Leitão [et al.] - Campinas, SP,
Editora da UNICAMP, 1990.(Coleção Repertórios)
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História.
São Paulo: PUC-SP. N° 10, p. 12. 1993.
POLLAK, Michael. Memória, Esquecimento, Silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro,
vol.

2,

n.

3,

1989,

p.

3-15.

Texto.

www.uel.br/cch/cdph/arqtxt/Memoria_esquecimento_silencio.pdf

Disponível
Acesso:

em:

06/mai/2014

12h25min
POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 5,
n. 10, 1992, p. 200-212.

3531

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O objetivo deste artigo é mostrar a importância do trabalho realizado para preservar a memória do Sistema de Bibliotecas da UFMG – SB/UFMG, que teve como processo inicial a criação do Centro de Memória do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (CEME-SB/UFMG). Criado com o propósito de preservar todo e qualquer tipo de material, que fez e faz parte do SB/UFMG, o CEME surgiu em 2011, tendo em vista a falta de materiais que contavam a sua história. O objetivo inicial do CEME é a criação de um acervo a partir da reunião de documentação oral e escrita, além de materiais iconográficos e museográficos. Esse acervo será disponibilizado aos professores, alunos, pesquisadores e o público em geral. Além disso, o CEME pretende realizar uma exposição fotográfica sobre os ex-diretores e vice-diretores da BU/UFMG. Neste sentido espera se que através do CEME e por meio dos projetos desenvolvidos por ele, que seja divulgada não só a importância do sistema de bibliotecas (responsável pelo provimento de informações para o desenvolvimento das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão realizadas na Universidade), mas também o trabalho e a luta daqueles que estiveram presentes tanto criação, quanto no desenvolvimento do sistema de bibliotecas da UFMG.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSO LIVRE A INFORMAÇÃO CIENTÍFICA: a importância da disseminação e a
necessidade de capacitação dos bibliotecários
Cleide Vieira Faria
Ricardo Perez Filpi
Rosilene Moreira Coelho de Sá
RESUMO
Existe atualmente um amplo e variável volume de informação científica disponível em bases
de dados nacionais e internacionais, multidisciplinares e ou especializadas na internet com
acesso livre para a comunidade acadêmica em geral. O presente estudo tem como objetivo
verificar se os bibliotecários conhecem e divulgam para a comunidade acadêmica as bases de
dados com acesso livre a informação científica e também almeja divulgar e incentivar o uso
dessas bases de acesso livre para os profissionais da informação e comunidade universitária.
Para atingir os objetivos o estudo elaborou fundamentação teórica com autores da área da
Ciência da Informação, pesquisa sobre bases de dados de acesso livre nos sites. Optou-se usar
como metodologia dois instrumentos de coleta de dados: análise de conteúdo dos sites das
bibliotecas e pesquisa quantitativa com os profissionais da informação dessas mesmas
bibliotecas. Nas duas investigações conduzidas constatamos que existe pouca disseminação
das bases de dados de acesso livre a informação científica e baixo conhecimento por parte dos
profissionais da informação sobre essas bases. A pesquisa também apurou a necessidade dos
profissionais das bibliotecas universitárias realizarem capacitação constante, a fim de
acompanhar as mudanças globais que estão ocorrem no mundo editorial científico.
Palavras-Chave: Acesso Livre; Bases de Dados; Disseminação da Informação; Comunicação
Científica; Bibliotecas de Universidades Particulares.
ABSTRACT
There is now a large and variable amount of scientific information available in databases of
national and international, multidisciplinary and specialized databases or the Internet with free
access to the academic community. The present study aims to determine whether the
librarians know and divulge to the academic community databases with free access to
scientific information and also aims to promote and encourage the use of these databases for
free access to information workers and university community. To achieve the objectives the
study elaborated theoretical foundation with authors in the field of information science,
research databases freely accessible on the websites. We chose to use as methodology two
instruments for collecting data: content analysis of the websites of libraries and quantitative
research with professional information of those libraries. In both investigations found that
there is little spread of databases of open access to scientific information and insufficient
knowledge on the part of information professionals on these bases. The survey also found the
need of the professionals of university libraries undertake ongoing training in order to keep up
with the global changes that are occurring in publishing scientific world.

123

�Keywords: Open Access; Databases; Information Dissemination; Scientific Communication;
Libraries of Private Universities.
1 INTRODUÇÃO
Existe atualmente um amplo e variável volume de informação científica disponível em
bases de dados nacionais e internacionais, multidisciplinares e ou especializadas na internet
com acesso livre para a comunidade acadêmica em geral - alunos de graduação, pósgraduação, professores, pesquisadores. Percebe-se que essas bases que poderiam ser úteis em
trabalhos acadêmicos de Graduação, Pós-Graduação ou pesquisas são pouco conhecidas e
acessadas pelos alunos, muitas vezes, por falta de conhecimento. Mesmo boa parte dos
bibliotecários, profissional mediador entre a informação e o usuário, nota-se que eles
desconhecem algumas dessas bases ou se as conhecem não as disseminam para o meio
acadêmico. Percebe-se também que alguns sites de Bibliotecas Universitárias não divulgam as
bases de acesso livre ou quando as divulgam somente algumas bases são referendadas, outras
bases que também possuem conteúdo relevante não são indicadas nos sites.
Na literatura da área existem vários artigos com estudos e pesquisas que relatam sobre
o acesso livre: repositórios institucionais, revistas eletrônicas e bases de dados que indexam
estas revistas. A maioria deles foca a importância da comunicação científica entre pares e a
questão da importância do repositório como memória institucional, porém pouco se discute no
mundo científico sobre a divulgação, a disseminação e a real utilização das bases de dados de
acesso livre pelos estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores.
As instituições governamentais de fomento e pesquisas mobilizam recursos
financeiros, recursos humanos especializados, equipamentos e software específicos para a
construção e desenvolvimentos dessas bases, e, no entanto, a comunidade das instituições
educacionais ainda não faz uso frequente e constante do enorme volume de informação
científica disponível de forma gratuita.
O problema do acesso á informação cientifica nas bibliotecas das Universidades
Públicas Federais que possuem o acesso ao Portal Capes, o qual disponibiliza produção
científica nacional e internacional “de mais de 37 mil títulos com texto completo, 130 bases
referenciais, 12 bases dedicadas exclusivamente a patentes, além de livros, enciclopédias e
obras de referência, normas técnicas, estatísticas e conteúdo audiovisual” (Portal Capes, 2014)
está em grande parte resolvido. Por outro lado, as bibliotecas das Universidades Particulares
muitas vezes não conseguem manter a assinatura completa do Portal, inviabilizando o acesso

124

�total das publicações oferecidas. Conforme afirma Kuramoto sobre o Portal Capes (2008,
p.154) “É importante ressaltar que apenas uma parte da comunidade científica é beneficiada
com esse acesso, pois a comunidade científica como um todo não se resume apenas às
universidades públicas”.
Neste contexto, levando em consideração o esforço que tem sido feito por parte das
Instituições Governamentais e dos profissionais na construção das bases de dados de acesso
livre, a importância e relevância do conteúdo disponibilizado online e gratuitamente para
comunidade acadêmica, notou-se que essas bases são pouco conhecidas e utilizadas pela
comunidade universitária, pressupõe-se então que falta divulgação das bases de acesso livre,
em parte, a responsabilidade pode ser dos bibliotecários das bibliotecas universitárias que não
as conhecem ou se as conhecem não as divulgam. Neste sentido, o problema da pesquisa é:
Os profissionais da informação das bibliotecas das Universidades particulares estão
divulgando as bases de dados de acesso livre a informação científica aos seus usuários?
O presente estudo tem como objetivo geral verificar se os bibliotecários das
Bibliotecas das Universidades particulares de Minas Gerais conhecem e divulgam para a
comunidade acadêmica as bases de dados com acesso livre a informação científica e também
almeja divulgar e incentivar o uso dessas bases para os profissionais da informação e
comunidade acadêmica.
Assim, pretende-se compreender como ocorre a divulgação das bases de pesquisas de
acesso livre a informação nas bibliotecas das universidades particulares de Minas Gerais por
meio de análise de conteúdo dos sites destas bibliotecas e de pesquisa quantitativa com os
profissionais da informação que nelas atuam.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Atualmente, o movimento de acesso livre a informação científica no Brasil vive uma
evolução, a exemplo do que acontece há mais tempo nos Estados Unidos e na Europa. Isso se
deve em grande parte a atuação das Universidades e Instituições de pesquisas que são, ao
mesmo tempo, os principais produtores e consumidores dessa informação que é
disponibilizada, entre elas mesmas, e aos demais usuários das mais variadas formas. Portanto
as teses e dissertações que estas instituições produzem podem ser encontradas em
repositórios, em meio eletrônico, nas bibliotecas digitais criadas para armazenar
exclusivamente este tipo de material. Os artigos que estas instituições publicam, em suas
revistas científicas, podem ser encontrados em seus portais de revistas criados com o
propósito de reunir e dar maior visibilidade as mesmas.

125

�Mas, no passado, segundo Kuramoto (2014, p. 255) “nem sempre a comunicação
científica teve tantas facilidades como atualmente”. Os pesquisadores encontravam obstáculos
no sistema de comunicação científica como: custos, demora na avaliação, publicação,
dificuldades de aceitação na revista etc. Ainda, conforme esse mesmo autor: “Para um
pesquisador publicar um trabalho em uma revista de maior prestígio significa não apenas ser
aceito e reconhecido por uma elite, mas, principalmente pelo conselho editorial do periódico”.
Dificultando desta forma a aceitação da pesquisa nas revistas com melhor posição.
A superação destes entraves aliados ao surgimento e a utilização de novas tecnologias
de informação e comunicação no mundo científico favorecem a mudança do panorama da
produção e no acesso a informação científica. Sobre esse novo paradigma, Kuramoto (2014,
p. 259) afirma que:
O surgimento das novas tecnologias da informação e da comunicação, das
quais se destaca a internet, aliado às dificuldades causadas pelo excessivo
aumento nos preços das assinaturas dos periódicos científicos provocou a
criação de novas e inovadoras alternativas para a comunicação científica:
além das revistas científicas eletrônicas, os pesquisadores puderam ter
acesso a essa tecnologia e divulgar os seus trabalhos voluntariamente por
meio de repositórios digitais. , (KURAMOTO (2014, p.259)
Além disso, o autor declara que a motivação principal para o surgimento do acesso
livre a informação científica foi à dificuldade de se obter essa mesma informação de forma
gratuita para os pesquisadores. “o trabalho publicado pelos pesquisadores nem sempre é
acessível à comunidade, sem custos, apesar de ele ter sido financiado com recursos públicos.”
(KURAMOTO, 2014, p. 259). Ainda, conforme o autor, outro fator preponderante foi o
“desenvolvimento econômico, industrial e cultural da sociedade que é sustentado pelos
conhecimentos científicos acumulados ao longo do tempo”.
O Acesso aberto, denominado como Open Access objetiva promover o acesso livre
irrestrito a informação científica. Ele “determina as principais políticas dos repositórios, que
também seguem as diretrizes do Open Achival Information System (OAIS) no que se refere às
diretrizes para arquitetura e arquivamento.” (PAULA, MORAES e WAETE, 2014, p. 269)
Os repositórios contribuem diretamente tanto para o arquivamento, memória
institucional e autoral como na facilidade de acesso livre aos estudos desenvolvidos pelos
pesquisadores das Universidades e Instituições. Neste sentido Repositório Digital é “uma
forma de armazenamento de materiais digitais que tem a capacidade de manter e gerenciar por
longos períodos de tempo e promover o acesso aberto a esses materiais” (PAULA, MORAES

126

�e WAETE, 2014, p. 269). Portanto, a ferramenta surge como uma inovação no sistema de
comunicação da ciência e no modo como a informação é gerenciada, além de ser uma via
diferenciada para o desenvolvimento cientifico, uma vez que oferece visibilidade,
armazenamento e recuperação dessa informação.
Os autores Paula, Morais e Waete, (2014, p. 276) destacam ainda que “o uso de
repositórios pode promover o interesse da população pela ciência”. Desta forma, as ações e as
iniciativas voltadas para o acesso livre á informação científica proporcionam acessibilidade,
democratização da informação, redução da distância entre o usuário e a informação, facilidade
de pesquisa e memória científica digital.
Discussões sobre este tema ainda estão ocorrendo pelo mundo, no entanto o acesso
livre a informação científica já é uma realidade no meio acadêmico. Nesse cenário de
mudança de paradigma da comunicação científica, Kuramoto (2014, p. 264) alerta que as
bibliotecas das IES e Unidades de Pesquisas desempenham um importante papel: “deveriam
liderar, de fato, o estabelecimento de uma política informacional em suas respectivas
instituições. Ao assumir esse papel, as bibliotecas poderão tornar-se o depositário legal de
toda a produção técnico-científica da sua instituição.” Desta forma as bibliotecas
universitárias e Institucionais devem promover e divulgar o acesso livre a informação
adotando estratégias e políticas de informação com o objetivo de favorecer a disseminação, a
divulgação da produção científica “de forma a democratizar o acesso e o uso da informação à
sociedade”. (PAULA, MORAES e WAETE, 2014, p. 278)

2.1 PESQUISA SOBRE AS PRINCIPAIS BASES DE DADOS DE ACESSO LIVRE DE
INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
As Bases de Dados, de acordo com Sayão (1996, p. 314), "podem ser consideradas
como os repositórios dos conhecimentos consensuais gerados pela ciência moderna,
constituindo, dessa forma, a memória da ciência oficialmente aceita". Nelas são armazenados
os diversos tipos de material, gerados a partir dos diferentes objetivos e métodos de pesquisa
acadêmica e científica, entre os quais podemos citar: os trabalhos de conclusão de curso
(TCC), as teses e dissertações, os trabalhos apresentados em eventos, as patentes, os relatórios
técnicos, os artigos científicos, os livros acadêmicos e outros. Pode-se dizer que elas
preservam a informação científica, de forma organizada, segundo padrões de catalogação e
indexação, o que facilita a sua recuperação.
Segundo POBLACIÓN; WITTER; SILVA, (2006) "as bases de dados são
compreendidas como fontes de informação eletrônicas, pesquisáveis de modo interativo ou

127

�conversacional através de um computador." As bases de acesso livre podem ser de conteúdo
multidisciplinar ou temático, sendo assim as bases de dados multidisciplinares são aquelas
que oferecem informações sobre os mais variados temas ou disciplinas e que, por este motivo
deveriam ser conhecidas de todos os usuários da informação, uma vez que podem ser
utilizadas para a pesquisa em todos os campos do conhecimento. As bases de dados temáticas
são aquelas que oferecem informações aos seus usuários em uma área específica do
conhecimento ou, numa área mais geral subdividida em áreas que estão relacionadas umas
com as outras. Estes tipos de bases deveriam ser conhecidas por aqueles usuários que
demandam informações específicas nas áreas do conhecimento que elas abarcam.
Muitas instituições de ensino superior e de pesquisa organizam, preservam e
disponibilizam a sua produção acadêmica e científica em meio digital, o que facilita sua
disseminação e acesso por meio de Portais, Diretórios e Bases de dados eletrônicas. Pesquisar
separadamente em cada uma dessas instituições requer do usuário tempo e conhecimento para
saber de que forma elas publicam sua produção científica para ter sucesso em sua busca. Por
este motivo é importante que o pesquisador conheça os projetos que foram desenvolvidos
para facilitar o acesso a informação em meio digital, produzido instituições de ensino e
pesquisa.
Enquanto processo de construção, as iniciativas para centralizar e, desta forma,
facilitar a busca e recuperação da informação em repositórios digitais das instituições de
ensino e pesquisa que adotam padrões compatíveis com os projetos desenvolvidos pelo
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) foram implantadas com
sucesso. Provavelmente a mais conhecida das iniciativas do IBICT, seja a Biblioteca Digital
Brasileira de Teses e dissertações (BDTD), um projeto que reúne mais de noventa
instituições, das quais fazem parte institutos nacionais de pesquisa, algumas universidades
particulares e a maior parte das universidades federais de ensino superior do país, que
disponibilizam a sua produção mais recente, em meio digital, o que permite aos seus usuários
consultar no site de cada uma delas a sua produção institucional deste tipo de material, ou por
intermédio da BDTD em uma única forma de busca, o que torna mais fácil a pesquisa. Ao
conjunto da produção de todas elas que reunidas na BDTD somam um acervo com,
aproximadamente, 65.000 teses e 179.000 dissertações nas diversas áreas do conhecimento.
(IBICT. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. 2014)
Outro projeto desenvolvido pelo mesmo Instituto, no qual é possível realizar uma
forma única de busca e acesso aos documentos depositados em diversos repositórios digitais é
o Portal brasileiro de acesso aberto à informação científica (Oasisbr), que permite ao usuário

128

�obter além de teses e dissertações, pesquisar artigos, livros, capítulos de livro, trabalhos de
eventos, patentes, pré-prints, relatórios científicos, projetos de pesquisa, resenhas, trabalhos
de conclusão de cursos e outros 29 repositórios portugueses e 23 brasileiros nas diversas áreas
do conhecimento. Por meio deste portal é possível, também, executar a busca em 704 revistas
científicas brasileiras e em 7 revistas portuguesas de acesso livre nas diversas áreas do
conhecimento. (PORTAL BRASILEIRO DE ACESSO ABERTO À INFORMAÇÃO
CIENTÍFICA, 2014)
Outras Instituições também se propuseram a organizar, preservar e disseminar a
produção científica brasileira com o desenvolvimento de projetos de livre acesso a
informação. Com esta finalidade foi criada, mediante uma parceria entre a Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Centro Latino-Americano e do
Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), a Scientific Electronic Library Online
- Scielo Brasil, provavelmente a mais conhecida base de dados brasileira de livre acesso a
informação científica que permite a busca em mais de 300 revistas científicas brasileiras nas
diversas áreas do conhecimento . (SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY, 2014)
Com objetivos semelhantes, a Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN
desenvolveu o Portal para periódicos de acesso livre na internet (LIVRE) que divulga em seu
site o expressivo número de 6.051 títulos de revistas brasileiras e estrangeiras disponíveis nas
diversas áreas do conhecimento. Nele as revistas podem ser agrupadas por área e subáreas do
conhecimento e após a seleção da opção: listar por áreas do conhecimento, o que permite ao
usuário visualizar quais as revistas estão disponíveis para áreas específicas do conhecimento.
Neste portal não é possível ao usuário pesquisar várias revistas ao mesmo tempo, por este
motivo ele deve realizar a busca de artigos em uma revista de cada vez. (CENTRO DE
INFORMAÇÕES NUCELARES. LIVRE CNEN, 2014))
Entre as iniciativas internacionais de livre acesso a informação científica podemos
citar a Networked Digital Library of Theses and Dissertations (NDLTD), um projeto da
Virginia Tech que coordenou o desenvolvimento e a implementação de um sistema de
biblioteca digital distribuída de modo que electronic theses and dissertations ( ETDs) de todas
as instituições participantes podem ser acessadas facilmente. Esta rede de bibliotecas serviu
de modelo para criação da BDTD. De acordo com Kuramoto (2005 p. 299) "foram adotados
os preceitos e padrões do Open Archvies Initiative (O. A. I.), tendo em vista o fato de vários
projetos de bibliotecas e repositórios digitais o adotarem, inclusive, o bem-sucedido projeto
NDLTD - Networked Digital Libraryof Thesis and Dissertation." Atualmente as teses e
dissertações de vários países, inclusive do Brasil, podem ser consultados por intermédio dessa

129

�base, o que permite aos usuários de diversas nacionalidades acessarem livremente centenas de
milhares de monografias produzidas pelos cursos de Pós-Graduação espalhados por diversos
continentes. (NETWORKED DIGITAL LIBRARY OF THESES AND DISSERTATIONS,
2014)
O Directory of Open Access Journals (DOAJ) é provavelmente, das iniciativas
internacionais de livre acesso a informação científica, a que indexa o maior número de
revistas. Atualmente ela conta com aproximadamente 9.700 revistas científicas de acesso livre
nas diversas áreas do conhecimento. Sendo que 5.616 delas podem ser pesquisadas por artigo
ao mesmo tempo de forma conjunta. (DIRECTORY OF OPEN ACCESS JOURNALS, 2014)
A Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, Espana y Portugal
(Redalyc)

indexa 901 revistas

em diversa áreas do conhecimento. As revistas estão

distribuídas nas seguintes áreas: Ciências Sociais (522), Ciências, com 262 revistas, Artes e
Humanidades (100) e áreas multidisciplinares que apresenta 17 revistas. (RED DE
REVISTAS CIENTÍFICAS DE AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE, ESPANA Y
PORTUGAL - REDALYC., 2014)
A Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) Brasil se diferente das bases multidisciplinares
que disponibilizam informação nas diversas áreas do conhecimento por

está voltada

prioritariamente para área da saúde. Ela pode ser considerada como uma base referencial e de
texto completo, uma vez que nem sempre o usuário consegue obter nela o texto integral em
acesso livre, mas apenas a referência do documento de que necessita, seja uma tese ou uma
dissertação, um artigo ou qualquer outro tipo de documento objeto de sua pesquisa. Estão
disponíveis para consulta por meio da BVS as seguintes bases nacionais especializadas na
área de saúde: Bibliografia brasileira de Odontologia (BBO), Base de Dados de Enfermagem
(BDENF), Bibliografia Brasileira de Homeopatia (HOMEOINDEX), Index Psi (Psicologia)
entre outras. A Biblioteca virtual em saúde (BVS) Brasil, a exemplo de outras na América
Latina, segue o modelo de cooperação estabelecido pela BVS. (BIBLIOTECA VIRTUAL
EM. BIREME. 2014)
A Biblioteca Digital Brasileira de Computação (BDBComp), mantida

por

Laboratório de Banco de Dados LDB UFMG, possui atualmente 14.748 trabalhos publicados
em periódicos nacionais e anais de eventos realizados no Brasil. Ela possui também trabalhos
publicados nos seguintes periódicos: JBCS, RITA, IP, INFOCOMP, RBIE e RB-RESD e
apresenta em seu site a seguinte orientação aos seus usuários: Use o serviço "Buscar na Web"
sempre que o texto completo de algum trabalho nela catalogado não estiver disponível.
(BIBLIOTECA DIGITAL BRASILEIRA DE COMPUTAÇÃO - BDBCOM, 2014).

130

�A Base de dados em Ciência da Informação (Brapci) é projeto financiado pelo
Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e na atualidade disponibiliza referências, resumos e
textos publicados em 37 periódicos nacionais impressos e eletrônicos da área de Ciência da
Informação, sendo que dos periódicos disponíveis 28 estão ativos e 9 históricos estão
descontinuados. (BASE DE DADOS REFERENCIAIS DE ARTIGOS DE PERIÓDICOS EM
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. BRAPCI, 2014)
O Portal da Produção Científica em Ciências da Comunicação (Univerciencia.org)
mantido pelo CEDUS/ECA/USP, disponibiliza atualmente 24 revistas, 240 fascículos, 3.537
documentos de 3.366 autores em Ciências da Comunicação favorecendo o acesso aberto ao
conhecimento gerado nessa área. Desta forma ela contribui para aumentar a visibilidade, a
acessibilidade e o impacto da publicação científica em Ciências da Comunicação, atuando
diretamente no processo de comunicação científica, organizando e integrando coleções
nacionais ou internacionais. (UNIVERCIENCIA - PORTAL DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA
EM CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 2014)
A Base de dados de artigos de periódicos nacionais em Educação - EDUBASE, além
de artigos de periódicos, alguns trabalhos de anais de eventos, disponibiliza, também,
capítulos de livros relacionados à Educação. (EDUBASE. UNIVERSIDADE ESTADUAL
DE CAMPINAS, 2014)
A coleção Bases de Dados da Pesquisa Agropecuária - BDPA, desenvolvida pela
EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) abrange as ciências agrárias e
tem por objetivo disponibilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do espaço rural,
com foco no agronegócio. (BASES DE DADOS DA PESQUISA AGROPECUÁRIA BDPA, 2014)
A Scientific Periodicals Electronic Library (SPELL) foi desenvolvida pela ANPAD Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração que disponibiliza, de
modo organizado, informações acerca dos principais periódicos das áreas de Administração,
Contabilidade

e Turismo reunindo

artigos

científicos,

resenhas,

editoriais,

notas

bibliográficas, casos de ensino, debates entre outros documentos, todos disponíveis
livremente para consulta e download.

(SCIENTIFIC PERIODICALS ELECTRONIC

LIBRARY, SPELL, 2014)
As bases supracitadas fazem parte de um movimento que cresce a cada dia a nível
mundial. De acordo com Costa (2005) “nos últimos cinco a seis anos, tem-se identificado um
movimento entre pesquisadores acadêmicos, [...], no sentido de que seus resultados de
pesquisa estejam disponíveis, gratuitamente, o mais amplamente possível”.

131

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Inicialmente para compreender como ocorre a divulgação das bases de pesquisas de
acesso livre a informação nas bibliotecas das universidades particulares de Minas Gerais,
pesquisou-se na literatura da área Ciência da Informação e em sites de Instituições de
Pesquisas e Universidades quais são as principais bases de acesso livre a informação
científica, com a qual obtivemos os resultados a seguir: Biblioteca Digital Brasileira de Teses
e Dissertações (BDTD), Networked Digital Library Of Theses And Dissertations (NDLTD),
Scientific Electronic Library (SCIELO), Portal Brasileiro De Acesso Aberto À Informação
Científica (OASISBR), directory of open access journals (DOAJ), Centro De Informações
Nucelares (LIVRE CNEN), Universidad Autónoma Del Estado De México (REDALYC),
Biblioteca Digital Brasileira de Computação (BDBCOMP), Base de Dados Referenciais de
Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), Portal da Produção Científica
em Ciências da Comunicação (UNIVERCIENCIA.ORG), Base de dados de artigos de
periódicos nacionais em Educação (EDUBASE), Repositório Institucional da Universidade
Federal De Santa Catarina (REDE CEDES), Centro Latino-Americano E Do Caribe De
Informação Em Ciências Da Saúde (BVS - SAÚDE), Acesso Livre à Informação Científica
da Embrapa (ALICE EMBRAPA), Scientific Periodicals Electronic Library (SPELL),
Physiotherapy Evidence Database (PEDRO), Acesso aberto em Física, Matemática, Ciência
da Computação, Biologia Quantitativa, Finanças Quantitativas e Estatística (ARXIV), Revista
de Educação e Pesquisa em Contabilidade (REPEC), National Center For Biotechnology
Information (PUBMED), Public Library Of Science (PLOS), COGPRINTS, BIOMED
CENTRAL, CHEMISTRY CENTRAL.
Em seguida, para atender os objetivos desta pesquisa, optou-se como universo as
bibliotecas universitárias particulares do estado Minas Gerais, a saber: Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (PUC MINAS), Fundação Mineira de Educação e
Cultura (FUMEC), Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), Universidade de
Uberaba (UNIUBE), Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC), Universidade de
Itaúna (UI), Universidade Vale do Rio Verde (UNINCOR) e Universidade do Vale do
Sapucaí (UNIVÁS). As Instituições foram escolhidas aleatoriamente após pesquisa na
internet, portanto sem privilégios de seleção, mas observando os critérios de Instituição
Universitária, necessariamente particular e do Estado de Minas Gerais. Em seguida o estudo
adotou dois instrumentos de coleta de dados: análise de conteúdo dos sites das bibliotecas e
pesquisa quantitativa com os profissionais da informação dessas bibliotecas.

132

�A análise de conteúdo da pesquisa foi guiada por meio dos sites das bibliotecas
universitárias com o propósito de verificar se eles disponibilizam para os usuários as
principais bases de acesso livre a informação científica. Utilizou-se como coleta tabela prédefinida com as principais bases de acesso livre a informação científica versus sites das
bibliotecas universitárias.
A pesquisa quantitativa foi através da aplicação de questionário do tipo estruturado,
contendo sete questões apresentadas de forma sequencial com respostas limitadas a uma lista
de alternativas declaradas. Utilizou-se como recurso o software livre SurveyMonkey
Copyright © 1999-2014. Para a aplicação do questionário optou-se por enviar e-mails com o
link do questionário para os endereços das bibliotecas universitárias e ou dos coordenadores
responsáveis, conforme informado nos sites das bibliotecas. O período de aplicação foi
07/04/2014 a 22/04/2014 tendo como finalidade a coleta de dados de pelo menos um
representante de cada universidade.
Para a análise do conteúdo de dados retirados dos sites optou-se por utilizar Microsoft
Office Excel 2000 o qual possibilitou melhor visualização e otimização dos resultados
coletados. O software livre SurveyMonkey foi usado para análise dos dados quantitativos, o
qual possibilitou a geração de gráficos e tabelas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Nas duas investigações conduzidas constatamos que existe pouca divulgação das bases
de dados de acesso livre a informação científica nos sites pesquisados e pouco conhecimento
por parte dos profissionais da informação sobre as bases de acesso livre.
Na primeira investigação, análise de conteúdo dos sites, observou-se que dos 8 sites
pesquisados das bibliotecas das Instituições (PUC MINAS, FUMEC, UNIFENAS,
UNIUBE,UNIPAC,UI, UNINCOR, UNIVÁS) apenas 3 sites disponibilizam 43,5% das bases
indicadas, BDTD, NDLTD, SCIELO, OASISBR, DOAJ, LIVRE CNEN, REDALYC,
BDBCOMP, BRAPCI, UNIVERCIENCIA.ORG, EDUBASE, REDE CEDES, BVS SAÚDE, ALICE EMBRAPA, SPELL, PEDRO, ARXIV, REPEC, PUBMED, PLOS,
COGPRINTS, BIOMED CENTRAL, CHEMISTRY CENTRAL, ou seja, disponibilizam
apenas 10 bases das 23 melhores bases de acesso livre a pesquisa científica. Quatro sites das
instituições divulgam de 8% a 23% dessas bases. Houve na pesquisa duas instituições que não
divulgaram no site nenhuma base, ou seja, 0% de divulgação, porém em uma dessas
Instituição o respondente declarou que é facultado para a comunidade acadêmica o acesso às
bases de dados Ebsco, Portal Capes, Pearson e UseFashion.

133

�Gráfico 1 - Bases de dados de informação científica de acesso livre disponíveis nos sites
das Instituições
■ P U C M IN A S ■ F U M E C

■ U N IFE N A S

■ UN1UBE

■ UI

■ U N IV A S

B U N IV E R S O

■ U N IN C O R

■ U N IPA C

Fonte: Dados extraídos na pesquisa nos sites das Bibliotecas - abril 2014.
Na segunda investigação, pesquisa quantitativa por meio da aplicação de questionário
do tipo estruturado, enviado no e-mail que estava divulgado nos sites das 8 bibliotecas
universitárias particulares. Dessas, obtivemos 11 questionários respondidos, pois em duas
instituições houve mais de um respondente, sendo 100% destes profissionais da informação
(bibliotecário) dos quais, 80% a 90% trabalham respectivamente nas atividades de Informação
e atendimento ao público e Processamento técnico.

Tabela 1 - Quantitativo de respondentes por instituição
Instituição

Respondentes

%

2
18,18%
PUC MINAS
1
9,09%
FUMEC
1
9,09%
UNIFENAS
UNIVERSIDADE DE UBERABA (UNIUBE)
1
9,09%
UNIVERSIDADE PRESIDENTE ANTÔNIO
3
27,27%
CARLOS (UNIPAC)
UNIVERSIDADE DE ITAÚNA (UI)
1
9,09%
UNIVERSIDADE VALE DO RIO VERDE
1
9,09%
(UNINCOR)
UNIVERSIDADE DO VALE DO SAPUCAÍ
1
9,09%
(UNIVÁS)
11
100%
TOTAL
Fonte: Questionário aplicado na pesquisa software Survey Monkey período 07/04/2014 a
22/04/2014

134

�O resultado da segunda investigação também confirmou a hipótese de pouco
conhecimento dos profissionais de informação sobre as bases de dados de informação
científicas de acesso livre.
Na questão 4 - “Das bases de dados de acesso livre listadas abaixo informe o seu
grau de conhecimento? Alternativas declaradas: Não conheço, conheço e conheço muito”
As bases que tiveram o índice com valor acima de 50% na opção “conheço muito” foram
apenas as bases SCIELO e BVS. O resultado evidenciou um alto índice na maioria das bases
apresentadas na opção “Não conheço”. Algumas bases tiveram como resposta a opção
“Conheço”, porém todas com índice abaixo de 44,44%, Conforme demonstra o Gráfico 2 a
seguir:

Gráfico 2 - Bases de dados de acesso livre a informação científica X Grau de
conhecimento.

Fonte: Questionário aplicado na pesquisa software Survey Monkey período
07/04/2014 a 22/04/2014

Na Questão 5 - Das bases de dados com acesso livre listada abaixo quais você
indica para os usuários da biblioteca? - e questão 6 - Das bases de dados de acesso livre
listadas abaixo indique quais você disponibiliza no site da Biblioteca? - as 3 bases mais
indicadas e disponibilizadas no site da biblioteca são : SCIELO, BVS, PUBMED. Essas
obtiveram índice de indicação e disponibilização no site acima de 40%. Em relação às outras
bases pode-se considerar que 10 são pouco indicadas e pouco disponibilizadas, pois tiveram

135

�índice abaixo de 30% e que outras 10 não são indicadas e nem disponibilizadas, pois tiveram
índice 0% de indicação e disponibilização nos sites. Os Gráficos 3 e 4 a seguir exemplificam
o resultado das questões.

Gráfico 3 - Bases de dados de acesso livre indicadas pelos profissionais da
informação das bibliotecas das universidades particulares

Percentual de indicações

l ALICE EMB RAPA
I BRAPCI
IREPEC
I UNIVERCIENCIA.ORG
l OAS1SBR
l LIVRE CNEN
PLOS
DOAJ
BIOMED CENTRAL
BDTD
PUBMED
SCIELO

■SPELL
■ARXIV
■ NDLTD
■COGPRINTS
■ BDBCOMP
■ REDE CEDES
■ EDUBASE
■ REDALYC
CHEMISTRY CENTRAL
PEDRO
BVS

J

Fonte: Questionário aplicado na pesquisa software Survey Monkey período
07/04/2014 a 22/04/2014

Gráfico 4 - Bases de dados de acesso livre disponibilizadas nos sites das
bibliotecas

Percentual de bases disponibiliadas nos sites
das bibliotecas

■ BRAPC
■ DOAJ
■ CHEMISTRY CENTRAL
■ SPELL
■ ARXIV
■ BDBCOMP
■ COGPRINTS
■ REDE CEDES
■ LIVRE CNEN
■ EDUBASE
PUBMED
SCIELO

■ UNIVERCIENCIA.ORG
■ NDLTD
■ ALICE EMBRAPA
■ OASISBR
■ REPEC
PLOS
■ BIOMED CENTRAL
■ BDTD
■ REDALYC
■ PEDRO
BVS

Fonte: Questionário aplicado na pesquisa software Survey Monkey período
07/04/2014 a 22/04/2014

136

�A questão 7 - Das bases de dados listadas abaixo avalie a relevância para os
usuários da Instituição a que você pertence? Alternativas declaradas: Desconheço esta
base, Não relevante, Pouco relevante, Relevante e Muito relevante - evidenciou o
desconhecimento da maioria das bases apresentadas e novamente as bases BVS, SCIELO e
PUBMED destacaram-se entre às demais como “muito relevante”, conforme Gráfico 5 a
seguir:
Gráfico 5 - Bases de dados científicas de acesso livre mais relevantes para os
profissionais da informação das universidades particulares

Fonte: Questionário aplicado na pesquisa software Survey Monkey período
07/04/2014 a 22/04/2014

Alguns respondentes, nas questões 6 e 7, as quais tinham como opção a alternativa
“Outro (especifique)”, declararam que disponibiliza no site ou consideram relevante as bases
EBSCO; SCIENCE DIRECT, SCIRUS, SEARCH, e CAPES (livre acesso). È importante
ressaltar que algumas dessas bases são comercializadas.

137

�Os resultados da investigação mostraram que, dentre as principais bases de dados de
informação científica, com acesso livre, apontadas no presente estudo, os profissionais da
informação desconhecem grande parte delas. Destaca-se também que as três bases mais
conhecidas e indicadas para os usuários são as SCIELO, BVS e PUBMED, mas vale ressaltar
que a primeira é multidisciplinar e as outras duas são da área da saúde.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
As pesquisas apresentadas neste artigo permitem inferir que existe pouca divulgação
das bases de dados de acesso livre nos sites das bibliotecas e destaca que os profissionais da
informação possuem conhecimento limitado sobre essas bases.
É importante resaltar que das instituições pesquisadas neste estudo nenhuma delas
disponibilizam no próprio site a base OASISBR. Esta base indexa perto de 700 revistas
brasileiras de acesso livre, ou seja, um pouco mais do dobro de revista científicas do que a
base SCIELO, amplamente referendada no resultado desta investigação, além de artigos
depositados em mais de 20 repositórios de instituições de ensino e pesquisa, com destaque
para o repositório institucional da UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), que possui
mais de 30 mil artigos científicos, que podem ser acessados diretamente no site desta
instituição ou por intermédio do OASISBR. Estes artigos encontram-se, também, indexados
nas bases de dados comerciais Web of Science e Scopus.
Faz-se necessário esclarecer que grande parte das bases de dados de acesso livre a
informação apresentadas neste estudo estão no Portal Capes, no entanto as BDBCOMP,
BRAPCI, SPELL, REDE CEDES, UNIVERCIENCIA.ORG, EDUBASE e PLOS ainda não
podem ser acessadas pelo Portal, fato que muitos pesquisadores e bibliotecários desconhecem.
O movimento de acesso livre a informação científica está crescendo e ficando cada
vez mais dinâmico. Desta forma percebe-se que é necessário que o bibliotecário amplie seus
conhecimentos sobre esta temática e dê a sua contribuição para que em futuro próximo todas
essas bases de acesso livre a informação estejam disponível gratuitamente de forma on-line.

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PÓS-GRADUAÇÃO

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ADMINISTRAÇÃO. SPELL. Disponível em: &lt;http://www.spell.org.br/&gt; Acesso em 10 abr
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BASES

DE

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DA

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AGROPECUÁRIA

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BIOMED CENTRAL. Disponível em: &lt;http://www.biomedcentral.com/&gt; Acesso em 10 abr
2014.
CENTRO

DE

INFORMAÇÕES

NUCELARES.

LIVRE

NEN.

Disponível

em

&lt;https://portalnuclear.cnen.gov.br/livre/Inicial.asp&gt; Acesso em 09 abr 2014.
CENTRO LATINO-AMERICANO E DO CARIBE DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DA
SAÚDE. BIREME. BVS. Disponível em: &lt;http://www.bireme.br/php/index.php&gt;. Acesso em
10 abr 2014.
CHEMISTRY CENTRAL. Disponível em: &lt;http://www.chemistrycentral.com/&gt;. Acesso em
10 abr 2014.
COGPRINTS. Disponível em: &lt;http://cogprints.org/&gt; Acesso em 10 abr 2014.
CORNELL UNIVERSITY LIBRARY, ARXIV.ORG.. Disponível em: &lt;http://arxiv.org/.&gt;
Acesso em 10 abr 2014.
DIRECTORY OF OPEN ACCESS JOURNALS. Disponível em &lt;http://doai.org/&gt; Acesso
em 09 abr 2014.
EDUBASE.

UNIVERSIDADE

ESTADUAL

DE

CAMPINAS..

Disponível

em

&lt;http://edubase.modalbox.com/v1/index.php/site/home/&gt;. Acesso em 10 abr 2014.
IBICT. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. Disponível em: &lt;http://bdtd.ibict.br/.&gt;
Acesso em 09 abr 2014.
NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. PUBMED Disponível
em: &lt;http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed&gt; Acesso em 10 abr 2014.
NETWORKED DIGITAL LIBRARY OF THESES AND DISSERTATIONS. Disponível em
&lt;http://www.ndltd.org/&gt; Acessado em 09 abr 2014.
PORTAL BRASILEIRO DE ACESSO ABERTO À INFORMAÇÃO CIENTÍFICA.
Disponível em &lt;http://oasisbr.ibict.br/&gt; Acesso em 09 abr 2014.
PEDRO. THE GEORGE INSTITUTE FOR GLOBAL HEALTH.. Disponível em:
&lt;http://www.pedro.org.au/portuguese/&gt; Acesso em 10 abr 2014.
PUBLIC LIBRARY OF SCIENCE. PLOS. Disponível em: &lt;http://www.plos.org/&gt; Acesso
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RE SEARCH P APERS IN EC ONOMICS. REPEC. Disponível em &lt;http://repec.org/&gt;
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&lt;http://www.univerciencia.org/&gt; Acesso em 09 abr 2014.

141

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                <text>Existe atualmente um amplo e variável volume de informação científica disponível em bases de dados nacionais e internacionais, multidisciplinares e ou especializadas na internet com acesso livre para a comunidade acadêmica em geral. O presente estudo tem como objetivo verificar se os bibliotecários conhecem e divulgam para a comunidade acadêmica as bases de dados com acesso livre a informação científica e também almeja divulgar e incentivar o uso dessas bases de acesso livre para os profissionais da informação e comunidade universitária. Para atingir os objetivos o estudo elaborou fundamentação teórica com autores da área da Ciência da Informação, pesquisa sobre bases de dados de acesso livre nos sites. Optou-se usar como metodologia dois instrumentos de coleta de dados: análise de conteúdo dos sites das bibliotecas e pesquisa quantitativa com os profissionais da informação dessas mesmas bibliotecas. Nas duas investigações conduzidas constatamos que existe pouca disseminação das bases de dados de acesso livre a informação científica e baixo conhecimento por parte dos profissionais da informação sobre essas bases. A pesquisa também apurou a necessidade dos profissionais das bibliotecas universitárias realizarem capacitação constante, a fim de acompanhar as mudanças globais que estão ocorrem no mundo editorial científico. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
VIII SEMANA DO LIVRO E DA BIBLIOTECA DA UFLA: 100 ANOS DE VINÍCIUS
DE MORAES - RELATO DO EVENTO
Daniele Ribeiro Faria
Nivaldo Oliveira
Regina Flexa Ribeiro Proença
Rosiane Maria Oliveira

RESUMO
Este relato apresenta todos os acontecimentos da VIII Semana do Livro e da Biblioteca da
Universidade Federal de Lavras (VIII SLBU/UFLA). Esse evento foi desenvolvido por uma
comissão organizadora composta por servidores da Biblioteca Universitária da UFLA
(BU/UFLA), em parceria com professores e alunos da UFLA e com as escolas da cidade de
Lavras, MG. A VIII SLBU aconteceu de 21 a 24 de outubro de 2013 e teve como tema “100
anos de nascimento de Vinícius de Moraes (19/10/1913 - 09/07/1980)”, uma importante
personalidade da música popular, da literatura e da cultura do Brasil. A programação da
semana foi composta por aula-show, exposições, minicurso, debate de filme e atrações sobre
Vinícius de Moraes, além da inauguração do projeto “Biblioteca Itinerante - Ônibus UFLA”.
A SLBU teve a finalidade de unir atrações culturais aos eventos acadêmicos, aproximando
cada vez mais o público universitário para a semana. Portanto, o objetivo deste relato é
apresentar a organização e os eventos que aconteceram na VIII SLBU, com destaque para os
100 anos de Vinícius de Moraes, momento em que foi possível disseminar, relembrar e
proporcionar mais conhecimento acerca da vida e obra do homenageado.
Palavras-chave: Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA (SLBU); Vinícius de Moraes.

ABSTRACT
This report displays all the events of the VIII Book and Library Week at the Federal
University of Lavras (VIII BLW/UFLA). This event was created by a steering committee
composed of the University Library staff in partnership with UFLA teachers and students and
with schools in the city of Lavras, in the state of Minas Gerais. The VIII BLW happened on
October 21st-24th 2013, and celebrated the centenary of Vinícius de Moraes’ birth
(10/19/1913-07/09/1980), an important and outstanding personality of Brazilian popular
music, literature and culture. The week schedule was consisted by interactive lectures,
exhibitions, a short course, and debates of films and attractions about Vinicius de Moraes. In
addition the project “Travelling Library-UFLA Bus" was launched. The BLW purpose was to
unite cultural attractions and academic events, increasingly approaching the University
audience to the week. Therefore, the aim of this report is to present the organization and the
events that took place in the VIII BLW, highlighting the 100 years of Vinicius de Moraes,
when it was possible to disseminate, recall and provide more knowledge about the honoree’s
life and work.
Keywords: Book and Library Week at the Federal University of Lavras (BLW/UFLA);
Vinícius de Moraes.

3902

�1 Introdução
A Semana Nacional do Livro e da Biblioteca foi instituída pelo Decreto n° 84.631, de
9 de abril de 1980, com início em 23 de outubro e término em 29 do mesmo mês. Conforme o
decreto, nessa semana, atividades folclóricas e culturais devem ser levadas a efeito em todo o
país. Em 2013, as comemorações foram realizadas no período de 21 a 24 deste mesmo mês.
Na Universidade Federal de Lavras (UFLA), este evento, que teve em 2013, sua 8a
edição, tem o nome de Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA (VIII SLBU). Trata-se de
uma realização da UFLA e é organizado, anualmente, pela Biblioteca Universitária
(BU/UFLA), que instituiu uma comissão interdisciplinar composta por pedagoga,
bibliotecários, técnicos em tecnologia da informação, assistentes e auxiliares.
O tema escolhido para a VIII Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA de 2013 foi a
vida e a obra de Vinícius de Moraes (1913-1980), em virtude das comemorações do
centenário de seu nascimento. O homenageado foi poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e
diplomata, mas, antes de tudo, um apaixonado, tendo deixado um enorme legado para a
cultura brasileira. Sua obra é vasta e de riquíssimo valor artístico e cultural, o que faz com que
o “poetinha”, como era comumente chamado, fosse reconhecido em todo o mundo.
Sabendo da importância que Vinícius de Moraes tem para nossa cultura, a comissão
organizadora da SLBU trouxe essa homenagem para a sua 8a edição, com o objetivo de
divulgar, relembrar e proporcionar mais conhecimento acerca da sua vida e obra, tanto para a
comunidade acadêmica, como para a comunidade externa de Lavras e região. As atividades
propostas tiveram o intuito de perpassar as várias facetas de sua obra, como a música, a
literatura, a dramaturgia e a sua própria biografia. Além disso, como programação especial,
houve o lançamento do projeto “Biblioteca Itinerante - Ônibus UFLA”, cujo objetivo é
promover a cidadania por meio da educação e da cultura, favorecendo o processo de formação
social e o incentivo à leitura.
Dentre as atividades programadas destacaram-se uma aula-show sobre Vinícius de
Moraes e exposições sobre vida e a obra do poeta, com a participação de várias escolas de
Lavras, exibição de filme, minicursos, atrações culturais e atividades virtuais.
É importante lembrar que o livre acesso à obra de Vinícius de Moraes pela internet só
foi possível devido à raríssima liberação dos direitos autorais pela família do poeta, por meio
da VM Empreendimentos Artísticos e Culturais, que detém os direitos sobre a obra do autor.
De acordo com a Lei de Direitos Autorais em vigor, na época do falecimento de Vinícius de
Moraes, seus poemas só entrariam em domínio público depois da morte do último herdeiro
direto ou 60 anos após sua morte, isto é, em 2040.

3903

�Este relato tem o objetivo de apresentar a organização e os eventos que aconteceram
na VIII Semana do Livro e da Biblioteca, com destaque para aos 100 anos de nascimento de
Vinícius de Moraes.

2 Revisão de literatura439
Esta breve apresentação sobre as faces e ângulos dos muitos Vinícius que cruzaram o
século XX do Brasil está distante de ser totalmente completa, pela sua magnitude e riqueza.
Segundo o Portal Vinícius de Moraes (2014), trata-se da vida e da obra de um artista pleno,
que deixou sua marca indelével em cada um de seus parceiros e em cada integrante do seu
público. Em cada verso lido ou cantado, em cada poesia ou canção que trazem a assinatura de
Vinícius, há uma promessa de felicidade para todos.
Abaixo é descrita uma síntese cronológica da trajetória de Vinícius de Moraes:
a) Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes, ou simplesmente Vinícius de Moraes,
nasceu no Rio de Janeiro, dia 19 de outubro de 1913, filho do funcionário público e
poeta Clodoaldo Pereira da Silva e da pianista Lídia Cruz;
b) em 1924 ingressou no colégio jesuíta Santo Inácio, onde fez os estudos secundários.
Nessa época formou, com colegas, um pequeno grupo musical e começou a compor;
c) em 1929, iniciou o curso de Direito na Faculdade Nacional do Rio de Janeiro e, em
1933, ano de sua formatura, publicou seu primeiro livro, "O caminho para a distância".
Vinícius nunca exerceu a advocacia;
d) foi censor cinematográfico, até 1938, quando foi para Londres estudar inglês e
literatura na Universidade de Oxford. Nesse período trabalhou na BBC, rádio
londrina;
e) em 1943, foi aprovado no concurso para diplomata e foi para os Estados Unidos, onde
assumiu o posto de vice-cônsul em Los Angeles. Serviu também em Montevidéu e
em Paris;
f) voltou para o Brasil em 1964 e foi aposentado compulsoriamente, em 1968, pelo Ato
Institucional n° 5;
g) fez parcerias musicais com Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto,
Francis Hayme, Carlos Lyra , Chico Buarque e Miúcha entre outros;
h) a música “Garota de Ipanema”, feita em parceria com Antônio Carlos Jobim, é a
música brasileira mais conhecida no exterior;
439 Síntese baseada nas informações do Portal Vinícius de Moraes. Disponível em:
&lt;http://www.Vinlciusdemoraes.com.br/&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.

3904

�i) compôs a trilha sonora do filme Orfeu Negro, premiado com a Palma de Ouro no
Festival de Cinema de Cannes, na França (1959) e vencedor do Oscar de melhor filme
estrangeiro (1960);
j) a partir de 1969, consolidou sua parceria com o violonista Toquinho, com que fez
shows no Brasil e no exterior;
k) as crianças e os animais serviram de inspiração para Vinícius, no final da década de
1970;
l) foi poeta, compositor, dramaturgo;
m) casou-se nove vezes e teve cinco filhos;
n) morreu na madrugada do dia 9 de julho de 1980, após ter passado a noite compondo
com Toquinho, em sua casa no Rio de Janeiro, devido a problemas decorrentes de uma
isquemia cerebral;
o) No dia 8 de setembro de 2006 foi homenageado pelo governo brasileiro com sua
reintegração post mortem aos quadros do Ministério das Relações Exteriores.
Vinícius de Moraes se imortalizou. Suas obras continuam lidas e admiradas, e suas
composições são interpretadas constantemente. Quem contribui para a cultura jamais será
esquecido.

3 Materiais e métodos
Com o propósito de atingir os objetivos do evento, foram executadas as seguintes
etapas:
a) reuniões periódicas, juntamente com a diretoria da BU/UFLA e outros setores
envolvidos;
b) debate e aprovação da programação, do convite e das demais peças publicitárias, com
a comissão organizadora;
c) seleção de docentes e envio de convites para que colaborassem na realização de
palestras, minicursos e atrações culturais;
d) criação de um site para o evento440, linkado ao site da BU/UFLA, para inscrição dos
participantes nas atividades ofertadas na programação da semana;
e) contato com as escolas de Lavras, para que os alunos preparassem e enviassem
material educativo e artístico sobre Vinícius de Moraes, para ser apresentado nas
exposições no hall da BU/UFLA e na Biblioteca Itinerante;
440 Site da VIII Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA. Disponível em: &lt;http//:www.biblioteca.ufla.br/slbu&gt;.
Acesso em: 14 maio 2014.

3905

�f) convites enviados às escolas para visitas à Biblioteca Itinerante - Ônibus UFLA;
g) convites enviados às autoridades da universidade e do município;
h) divulgação da programação em parceria com o Sistema de Comunicação da UFLA;
i) confecção de camiseta promocional, Anexo A;
j) preparação e organização da aula-show sobre Vinícius de Moraes;
k) seleção de perguntas e respostas sobre a vida e a obra de Vinícius de Moraes para a
criação de um quiz virtual, disponível no site da VIII SLBU;
l) preparação e organização para a exibição do filme “Orfeu Negro”;
m) preparação e organização para as atrações culturais realizadas na Coordenadoria de
Atendimento ao Usuário da BU/UFLA;
n) organização de uma equipe, composta por servidores e bolsistas da biblioteca, para dar
suporte às visitas à Biblioteca Itinerante nos bairros Cohab e Jardim Floresta, da
cidade de Lavras;
o) preparação e organização para a apresentação do projeto “Biblioteca Itinerante Ônibus UFLA” na praça Augusto Silva, em Lavras;
p) organização e acompanhamento da visita técnica da Escola Municipal Umbelina
Azevedo Avelar e do Centro Educacional NDE/UFLA à biblioteca;
q) preparação e organização da homenagem aos servidores da biblioteca;
r) preparativos para a inauguração do Espaço de Integração destinado aos servidores da
biblioteca;
s) cobertura e relato das atividades do evento por meio do site e das redes sociais da
BU/UFLA;
t) conferência, divulgação e premiação dos nomes dos ganhadores do quiz virtual.

4 Relato do evento
Neste tópico descreve-se, detalhadamente, cada projeto desenvolvido na programação
da VIII Semana do Livro da Biblioteca da UFLA.

4.1 Aula-show sobre Vinícius de Moraes

Na abertura da VIII SLBU, foi realizada uma aula-show com o professor Dr. Roniere
Menezes, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e os
músicos Lígia Jacques Leonel e Rogério Leonel Costa, com duração de 1 hora e 30 minutos
(Figura 1).

3906

�Figura 10: Arte de divulgação da TV indoor na entrada da Biblioteca Universitária

O professor Roniere Menezes abriu o evento com uma pequena palestra sobre a vida e
a obra de Vinícius de Moraes e, em seguida, convidou os músicos ao palco. Na apresentação
mesclaram-se análises de canções, comentários sobre contexto sociocultural, leitura de
poemas e um show musical do violonista Rogério Leonel e da cantora Lígia Jacques.Entre
uma composição e outra, foram feitas reflexões relativas à importância de Vinícius na
transformação do cenário artístico nacional do sec. XX. A aula-show estabeleceu amplos
diálogos entre reflexão e emoção, marcas do poeta, compositor e diplomata.
Para abertura da semana e para conquistar um público maior nessa atração, a seleção
dos nomes para compor a aula-show deu-se de forma criteriosa, pois conseguiu unir o
conhecimento acadêmico à apresentação musical de forma mais descontraída, atraindo, assim,
diferentes públicos e dando mais visibilidade à SLBU no âmbito universitário e na
comunidade.
A aula-show foi a grande atração da semana e com um público estimado em mais de
300 pessoas, o que evidencia o tamanho sucesso da mesma. O público ali presente pode
desfrutar de momentos prazerosos ao ouvir a boa música desse ícone da cultura popular
brasileira e muitos saíram de lá emocionados. Com esses resultados bastante satisfatórios,
conclui-se que a escolha da atração foi bastante acertada e conseguiu superar as expectativas
da organização.

4.2 Exposições: “Vinícius em Pensamento ” e “Vinícius Vida e Obra”

As homenagens por todo o Brasil no centenário de seu nascimento deram uma
dimensão da sua grandeza. Vinícius de Moraes foi uma das personalidades mais marcantes na
música popular, na literatura e na cultura do Brasil e está entre os nomes mais importantes da

3907

�literatura brasileira, além de sua relevância para a nossa música ser indiscutível. A elaboração
das exposições seguiu as seguintes etapas:
a) 1a: seleção dos títulos de livros mais conhecidos de Vinícius de Moraes;
b) 2a: preparo das mesas expositoras com as obras selecionadas;
c) 3a: preparo de murais e painéis;
d) 4 a: confecção de cartazes com frases, poesias e canções, estimulando a leitura;
e) 5a: afixação de cartazes.
As exposições foram organizadas a partir de pesquisas e da reunião de materiais da
própria BU/UFLA e de livros cedidos do acervo da Biblioteca do Centro Universitário de
Lavras (Unilavras), do acervo da Biblioteca da Faculdade Adventista de Minas Gerais
(Fadminas) e de fotografias do acervo pessoal de Renato Libeck e outros colaboradores,
sendo expostas em duas alas da Biblioteca, organizados da seguinte forma:
Ala I: painel com momentos marcantes da carreira de Vinícius de Moraes, destacando
o filme “Orfeu Negro”, a música “Rosa de Hiroshima” e algumas entrevistas e fotos.
Ala III: utilizando 3 cristaleiras, foram exposto documentos e objetos relacionados a
vida e obra do artista, conforme a seguinte distribuição:
Cristaleira 1
a) Vinícius Musical - Discos, CDs, DVDs, principais parceiros, curiosidades, letras de
músicas e reportagens, entre outros;
b) Vinícius de Moraes como enredo da escola de samba União da Ilha, em 2013:
“Vinícius, no plural. Paixão, poesia e carnaval”;
c) Destaque para “Garota de Ipanema”, segunda música mais executada no mundo, que
teve sua trajetória retratada em um banner.
Cristaleira 2: Vinícius infantil - livro, objetos, discos e CDs relacionados ao projeto
“Arca de Noé”, Figuras 2 e 3.
Cristaleira 3
a) Vinícius literário: livros, sonetos, poesias, peças, fotos e entrevistas, entre outros;
b) banner com a biografia, em tópicos, do homenageado.

3908

�Figura 11: Cristaleira 2: Vinícius Infantil

Figura 12: Visão das três cristaleiras

As exposções de frases, poesia e letras musicais foram importantes, por divulgarem,
difundirem e homenagearem o centenário de nascimento de Vinícius de Moraes, estimulando
os usuários a ler. Grande parte dos usuários demonstrou interesse pelas obras expostas durante
a semana.

4.3 Releitura da obra de Vinícius de Moraes

O projeto teve por objetivo dialogar com os estudantes das escolas de Lavras e
desenvolver trabalhos sobre a obra de Vinícius de Moraes. A interação com a comunidade
lavrense é um dos alvos de extensão da BU/UFLA, que incentiva as escolas a formarem uma
parceria enriquecedora para ambas as partes.
O projeto de releitura da obra de Vinícius de Moraes previa a participação dos
estudantes das escolas públicas e particulares de Lavras. Nesse sentido, foram realizados
contatos, via telefone e e-mail, previamente informando e convidando-os a participarem e a
contribuírem com trabalhos realizados pelos alunos de todas as faixas etárias. Posteriormente,
um ofício-convite foi entregue em mãos. Houve, ainda, uma reunião com a secretária de
Educação, Cláudia das Neves Vieira Lopes Carvalho, que se comprometeu a divulgar o
projeto nas escolas, reforçando a parceria com a BU/UFLA. A secretária da educação esteve
presente na abertura da VIII SLBU, compondo a mesa de autoridades.
Seguindo a temática proposta, as escolas deveriam trabalhar, de diversas maneiras, a
vida e a obra de Vinícius de Moraes. Nas Figuras 4 a 9 mostram-se trabalhos de algumas
escolas participantes.

3909

�Figura 13: Releituras de poesias
de Vinícius de Moraes da Escola
Municipal Doutora Dâmina

Figura 14: Varal sobre a vida e obra do
poeta criado pela Escola Estadual Azarias
Ribeiro

Figura 15: Pinéis do olégio
Unilavras

Figura 16: Painéis da Escola Municipal
Umbelina Azevedo Avellar

Figura 17: Trbalho artstico do
Centro Educacional AUNDE
UFLA

Figura 18: Alunos do CEMEI Antônio
Cândido de Souza confeccionando álbuns
sobre a obra de Vinícius

3910

�As exposições aconteceram de 18 a 28 de otubro. pós o período de exposição, os
trabalhos foram devolvidos às escolas, juntamente com uma carta de agradecimento. As
visitas dos alunos foram agendadas, tendo comparecido representantes da Escola Municipal
Umbelina Azevedo Avellar (Figura 10) e do Centro Educacional AUNDE/UFLA (Figura 11).

Figura 19: Alunos da Escola Figura 20:
Alunos
do Cenro
Municipal Umbelina Azevedo Avellar Educacional AUNDE UFLA em visita
em visita realizada no dia 24/10
realizada no dia 24/10

Após a visita explicativa e guiada da expoição, os alunos foram encaminhados ao
anfiteatro da BU/UFLA, onde realizaram atividades com a poesia “As borboletas” (Figura
12). Houve apresentação dos alunos que, na ocasião, cantaram “Garota de Ipanema”.
Figura 21: Cartaz do poema “As borboletas”
A s borboletas
B ran cas
A z u is
A m a r e la s
E p reta s
B rincam
N a lu z
A s b ela s
B o rb o leta s
B o rb o leta s b ran cas
S ão a leg re s e fra n ca s.
B o rb o leta s a z u is
G o s ta m de m u ita lu z .
A s a m a relin h a s
S ão tã o b o n itin h a s!
E as p reta s, e n tã o
O h , que escu rid ã o !

3911

�Apesar da grandiosidade de Vinícius de Moraes com artista e poeta, existem alunos de
escolas públicas e privadas que têm pouco ou nenhum conhecimento a respeito de sua vida e
obra. Sendo assim, o projeto de releitura da sua obra desafiou a criatividade dos alunos, por
meio da confecção de trabalhos, apresentando a eles um pouco da história de um importante
ícone da cultura brasileira, com as visitas às exposições na BU/UFLA.

4.4 Quiz virtual e website da VIIISLBU
O objetivo foi criar um canal de comunicação para o evento, que pudesse oferecer
conteúdos relacionados ao tema da SLBU, informar sobre as atividades e obter feedback dos
participantes. Com o crescente número de usuários conectados, a internet se tornou uma
importante ferramenta de comunicação e, sendo assim, é importante que um evento dessa
proporção ofereça soluções virtuais de comunicação e interação.
É importante estimular o usuário a buscar informações ligadas ao tema da SLBU e,
além disso, a ferramenta interativa atraiu maior número de visitas ao site do evento,
contribuindo para a sua divulgação. Interagir com usuários, oferecer uma maneira divertida
para testar o conhecimento e, ao mesmo tempo, estimular o usuário a buscar mais
informações ligadas ao tema da SLBU foram os objetivos do quiz virtual sobre Vinícius de
Moraes (Figura 13).

Figura 13: Logo do site da VIII SLBU sobre o quiz virtual

Para realização do quiz virtual foram desenvolvidas as seguintes ações:
a) definição da ferramenta utilizada (plugin do wordpress);
b) definição das regras;
c) seleção de perguntas e respostas;
d) inserção dos conteúdos no sistema;
e) importação dos usuários por meio do Sistema Pergamum - BU/UFLA.
Para a criação do site da VIII SLBU, foram desenvolvidas as seguintes ações:
a) seleção do conteúdo a ser disponibilizado no site;

3912

�b) definição do layout;
c) configuração do servidor, banco de dados e site;
d) inserção dos conteúdos pré-selecionados.

Levando em consideração o curto período de duração do evento, o site da VIII SLBU
teve acessos significativos, recebendo boa quantidade de comentários, contendo sugestões e
críticas. Com relação ao quiz, o resultado foi expressivo, com a participação de mais de 50
usuários de várias categorias, entre eles graduandos, pós-graduandos, servidores técnicoadministrativos e professores.

4.5 Atrações culturais
As atrações culturais temáticas tinham o objetivo de trazer um pouco da obra de
Vinícius de Moraes em um espaço de grande circulação da biblioteca. Dessa forma, os
usuários puderam dedicar alguns minutos para prestigiar essas atrações, sem prejuízo das
atividades acadêmicas, já que elas aconteciam no horário de almoço, momento em que muitos
aproveitavam para um rápido descanso.
Diante da importância de Vinícius de Moraes, a VIII SLBU reconheceu o momento
propício para trazer ao seu ambiente alguns momentos de descontração para seus usuários,
seja com recital de poesia ou com um pequeno repertório musical para homenagear o poeta.
Na terça-feira, dia 22, a atração cultural da VIII SLBU teve a participação do professor
Dr. Luis Marcelo Tavares de Carvalho, do Departamento de Ciências Florestais (DCF) e seus
convidados, Binho Sebá (voz), Diógenes (percussão), Leonardo e Beatriz (voz), no horário do
almoço, no hall da biblioteca (Figura 14). O público que ali passava pode desfrutar de um
momento de descontração, ao som de grandes clássicos de Vinícius de Moraes.

Figura 14: Atração cultural

(Grupo de músicos formado por professores, docentes e membros da comunidade)

3913

�Na quinta-feira, dia 24, a atração cultural ficupor conta do recital “Vinícius em palavras”,
realizado no setor de circulação da biblioteca. Os estudantes do curso de Letras, Eduardo
Guimarães (voz) e Clélio Souza (teclado) prestaram uma belíssima homenagem ao poeta,
revisitando alguns de seus muitos poemas. Algumas pessoas que ali passavam pararam para
assistir a apresentação.

4.6 Minicurso - Vinícius de Moraes: diálogos entre poesia e música
O minicurso teve o objetivo de traçar um panorama da obra de Vinícius de Moraes,
apresentando as nuances presentes em várias fases de sua criação, na música e na poesia, e
oferecer aos estudantes da UFLA a oportunidade de ampliarem seus conhecimentos acerca da
trajetória poética de Vinícius e de sua contribuição para a música brasileira.

Figura 15: Arte de divulgação da TV indoor na entrada da Biblioteca Universitária

Uma das finalidades da SLBU é unir atrações culturais a eventos acadêmicos,
aproximando cada vez mais o público universitário. Sendo assim, considerou-se a importância
de trazer um minicurso de caráter acadêmico, ministrado por Lucas Ferreira e Cristiane
Penoni, do grupo “Literatura e outras linguagens”, sob a coordenação da professora Dra.
Andrea Portolomeos, do Departamento de Ciência Humanas (DCH). Na noite de 23 de
outubro, o anfiteatro da BU/UFLA teve lotação máxima, cerca de 130 pessoas, para a
apresentação do minicurso “Vinícius de Moraes: diálogos entre poesia e música”. O apoio do
Departamento de Ciências Humanas foi imprescindível para a realização do minicurso e a
parceria foi bastante produtiva, uma vez que a procura por inscrições foi grande, atingindo o
seu limite.

3914

�4.7 Orfeu Negro (Orphée Noir, 1958)

No dia 22 de outubro, como parte da programação da SLBU, foi exibido o filme Orfeu
Negro (1958).

Figura 16: Arte de divulgação da TV indoor na entrada da Biblioteca Universitária

O filme, que é uma adaptação da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Morais,
teve produção franco-brasileira e, na ocasião, foi o vencedor do Oscar de filme estrangeiro.
Após a exibição, houve um debate acerca do filme. Foi observado como o samba e as
alegorias carnavalescas estão presentes em todos os momentos do filme, fazendo do carnaval
do Rio de Janeiro um personagem a mais no enredo. Foi no ritmo de samba que essa versão
brasileira do mito de Orfeu e Eurídice foi desenvolvida, adaptando-se todos os detalhes à
realidade do país. Um dos pontos mais marcantes do filme é a busca de Orfeu por Eurídice,
que havia morrido. Enquanto o mito o leva ao mundo dos mortos, governado por Hades, o
Orfeu Negro é levado a um terreiro de candomblé, que ressalta o misticismo religioso como
uma característica forte da cultura brasileira.
Após a apresentação do filme houve um debate direcionado pelo Professor Fabiano
Lemes Ribeiro e segundo o relato do debate, a maior divergência de opiniões esteve na
caracterização do Brasil e do brasileiro pelo filme. Alguns apontaram que a caracterização foi
estereotipada e o Carnaval tomou proporções muito maiores que a realidade. O que ficou
claro foi que a representação não foi inteiramente brasileira, mas sim, do povo carioca. O Rio
de Janeiro é bem representado pelo filme, porém, como o Brasil é um país grande e de
culturas diferentes, não se pode dizer que todo o seu povo está caracterizado no enredo de
Orfeu Negro. O debate foi intenso em vários pontos, porém os presentes na exibição
concordaram que o longa é uma belíssima obra e que vale a pena sua divulgação.

3915

�5 Considerações finais
Como já ressaltado, Vinícius de Moraes, poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e
diplomata, foi uma das personalidades mais marcantes na música popular, na literatura e na
cultura do Brasil. Além de sua relevância para a música ser indiscutível, Vinícius se situa
entre as personalidades brasileiras mais importantes.
A VIII SLBU trouxe um aprendizado, de forma interativa e prazerosa, sobre a vida e a
obra de Vinícius de Moraes para a comunidade acadêmica da UFLA, aberto também à
comunidade de Lavras e região.
Para o sucesso de sua realização foram imprescindíveis o comprometimento e os
esforços da comissão organizadora em cada detalhe da VIII SLBU, além das parcerias com as
escolas de Lavras e com os professores dos Departamentos de Ciências Humanas,
Departamento de Ciências Exatas, Departamentos de Direito, Departamento de Ciências
Florestais e alunos da UFLA, para que a programação pudesse ser tão diversificada e atrativa.
Um dos legados deixados pela VIII SLBU refere-se à implantação do Projeto de
Biblioteca Itinerante - Ônibus UFLA, lançado durante o evento, busca promover a cidadania
por meio da educação e da cultura, favorecendo o processo de formação social. Visa ainda,
ultrapassar as fronteiras do espaço tradicional da Biblioteca Universitária e incentivar o hábito
e o prazer pela leitura, na comunidade de Lavras e região, oferecendo empréstimo de livros,
exposições didático-científicas e atividades lúdicas e culturais.
Enfim, a SLBU teve a finalidade de unir atrações culturais aos eventos acadêmicos,
atraindo o público universitário. Foi possível atingir os objetivos propostos, que foram os de
divulgar, relembrar e proporcionar mais conhecimento acerca da vida e obra de um grande
brasileiro.

Referências
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Central. III Semana do Livro e da
Biblioteca da UFLA: biblioteca central: 50 anos de informação e conhecimento: relatório do
evento. Lavras: UFLA, 2008.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Central. IV Semana do Livro e da
Biblioteca da UFLA: biblioteca: ponte entre o real e o virtual, informação acessível a todos:
relatório do evento. Lavras: UFLA, 2009.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Central. V Semana do Livro e da
Biblioteca da UFLA: formação universitária: leitura como base do conhecimento: relatório
do evento. Lavras: UFLA, 2010.

3916

�UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. VI Semana do Livro
e da biblioteca da UFLA: disseminação da informação x tecnologia da informação: relatório
do evento. Lavras: UFLA, 2011.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. VII Semana do Livro
e da biblioteca da UFLA: leitura, conhecimento e inovação: relatório do evento. Lavras:
UFLA, 2012.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. VIII Semana do
Livro e da biblioteca da UFLA: 100 anos de Vinícius de Moraes: relatório do evento.
Lavras: UFLA, 2013.
VINICIUS DE MORAES. Vida e obra. Rio de Janeiro, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.viniciusdemoraes.com.br/&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.

Anexo A: Camiseta promocional

Após a criação da logo, foi produzida uma camiseta promocional, distribuída durante a
VIII SLBU. Brindes (camisetas) personalizados têm um grande potencial na divulgação de
marcas, de organizações ou de eventos. Nos últimos anos, tem sido considerada uma das
maiores sensações no mundo da comunicação e do marketing. Sempre que os usuários
vestirem, ou até mesmo olharem, para o brinde recebido (as camisetas), com toda certeza irão
associá-lo à instituição ou ao evento (FABRICA DE IDEIAS, 2014), nesse caso, o Projeto
Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA.

3917

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Este relato apresenta todos os acontecimentos da VIII Semana do Livro e da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras (VIII SLBU/UFLA). Esse evento foi desenvolvido por uma comissão organizadora composta por servidores da Biblioteca Universitária da UFLA (BU/UFLA), em parceria com professores e alunos da UFLA e com as escolas da cidade de Lavras, MG. A VIII SLBU aconteceu de 21 a 24 de outubro de 2013 e teve como tema "100 anos de nascimento de Vinícius de Moraes (19/10/1913 – 09/07/1980)", uma importante personalidade da música popular, da literatura e da cultura do Brasil. A programação da semana foi composta por aula-show, exposições, minicurso, debate de filme e atrações sobre Vinícius de Moraes, além da inauguração do projeto "Biblioteca Itinerante Ônibus UFLA". A SLBU teve a finalidade de unir atrações culturais aos eventos acadêmicos, aproximando cada vez mais o público universitário para a semana. Portanto, o objetivo deste relato é apresentar a organização e os eventos que aconteceram na VIII SLBU, com destaque para os 100 anos de Vinícius de Moraes, momento em que foi possível disseminar, relembrar e proporcionar mais conhecimento acerca da vida e obra do homenageado.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO DOCUMENTAL: FORMAÇÃO E ATUAÇÃO
DO BIBLIOTECÁRIO
Iandra Marcela Honorato Fernandes
Márcia Regina Silva
RESUMO
O objetivo deste trabalho é refletir sobre a formação e atuação do bibliotecário no que
concerne à área de preservação e conservação documental. Para tal, foram analisadas as
matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação das
Universidades do Estado de São Paulo quanto ao oferecimento de disciplinas obrigatórias ou
optativas nessa área. Foram também realizadas entrevistas com profissionais e aplicados
questionários a estudantes de graduação. Verificou-se que apenas um curso oferece uma
disciplina obrigatória que abarca conteúdos relacionados à preservação e conservação
documental. As entrevistas revelaram que os profissionais buscaram adquirir competências
relacionadas à preservação e conservação documental em ambientes externos a universidades.
Já a análise das respostas obtidas com a aplicação dos questionários, demonstra receptividade
dos estudantes no aprendizado desse conteúdo. Os resultados obtidos revelam uma lacuna no
ensino de graduação quanto ao conteúdo relacionado à preservação e conservação
documental, sinalizando a necessidade dos cursos de graduação em Biblioteconomia e
Ciência da Informação se responsabilizarem pela formação do bibliotecário no que se refere a
sua atuação com excelência na gestão documental, envolvendo a avaliação de acervos e a
tomada de decisão quanto à conservação e a preservação documental.
Palavras-Chave: Conservação documental; Preservação
bibliotecário; Atuação profissional; Perfil profissional.

documental; Formação do

ABSTRACT
The objective of this paper is to discuss the training and activities of the librarian regarding
the area of preservation and conservation documentary. To this end, the curriculum matrices
of courses of Librarianship and Information Science of the University of São Paulo as the
offering of mandatory or optional subjects were analyzed in this area. Were also conducted
interviews with practitioners and applied questionnaires to undergraduate students. It was
found that only one course offers a compulsory subject that includes content related to the
preservation and conservation documentary. The interviews revealed that professionals
seeking to acquire related to the preservation and conservation documentary Outside the
Universities environments skills. However, the analysis of responses to questionnaires,
demonstrates the responsiveness of students in learning that content. The results reveal a gap
in higher education in relation to the preservation and conservation of documentary content,
noting the need for undergraduate courses in Library and Information be responsible for the
training of librarians in their performance with excellence in document management,

3266

�involving the evaluation of collections and decisions relating to the conservation and
preservation of the documentary.
Keywords: Conservation of documents; Document Preservation; Librarian Training;
Professional practice; Professional profile.

1 INTRODUÇÃO
Devido à configuração atual do mercado de trabalho do segmento informacional,
distintas competências informacionais estão sendo acrescentadas ao perfil do bibliotecário. A
incorporação de documentos digitais nos acervos das bibliotecas talvez tenha sido o elemento
propulsor para repensar a atuação desse profissional, que mesmo experiente com a
organização e disseminação da informação, passa agora a exercer, com mais frequência, a
mediação extramuros da biblioteca, visando atender às necessidades informacionais de
usuários já acostumados com a manipulação de recursos tecnológicos diversos, como
celulares, tablets e e-readers, que permitem o acesso à Internet para obtenção de informações
de qualquer natureza.
Diante do processo de globalização e da rápida difusão das tecnologias de informação
e comunicação, o perfil do bibliotecário não poderia permanecer o mesmo. Sabendo que este
profissional lida com a informação e, por sua vez, a informação adquire as mais variadas
formas, esse profissional precisa estar atento às mudanças ocorridas tanto no mercado de
trabalho, quanto nas novas áreas de atuação (VIAPIANA, 2008).
Embora seja importante que este profissional acompanhe as necessidades do usuário
inserido no cenário tecnológico, percebe-se que o mesmo ainda não tem uma participação
efetiva nas tarefas que envolvem a preservação e conservação de documentos, sejam no
formato digital ou impresso.
Esta lacuna talvez seja decorrente da formação desses profissionais, já que nos
currículos dos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação no Brasil há pouca ênfase
em disciplinas específicas de preservação e conservação de acervos, corroborando para que
haja poucos profissionais preparados para salvaguardar documentos impressos ou digitais que
necessitem de tratamentos específicos.
A conservação e preservação documental é um conceito em evolução. Segundo Hollós
(2010, p. 13) “a preservação, para além da conservação física dos suportes materiais,
constitui-se hoje como parte de um corpo representado também pela gestão, o acesso e a
difusão da informação e do conhecimento”. Complementando o aspecto de gestão dado ao

3267

�processo de preservação e conservação documental, Cownay (2001) salienta que a
preservação é uma atividade de administração e gerenciamento de recursos, compreendendo
políticas, procedimentos e processos que podem retardar a deterioração dos materiais e
promover o acesso à informação, intensificando sua importância funcional.
A desmaterialização dos acervos de bibliotecas, ou seja, a incorporação de obras digitais
ou mesmo a digitalização de obras impressas é um processo que vem evoluindo rapidamente
nesses ambientes informacionais, no entanto, deve ocorrer concomitantemente com o
processo de conservação e preservação de acervos físicos. A digitalização de acervos pode
contribuir para a conservação documental, mas não descarta a necessidade de atuação de um
profissional qualificado para o desenvolvimento de meios e métodos de preservação e
conservação que possam retardar as ações severas humanas, do tempo e do ambiente que
podem provocar a degradação do documento.
Sendo assim, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a formação e atuação do
bibliotecário no que concerne a área de preservação e conservação documental. Para tal,
foram analisadas as matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia e Ciências da
Informação das Universidades do Estado de São Paulo quanto ao oferecimento de disciplinas
obrigatórias ou optativas na área de preservação e conservação de documentos, bem como
foram realizadas entrevistas com profissionais que atuam nessa área e aplicados questionários
a estudantes de graduação do curso de Ciências da Informação, Documentação e
Biblioteconomia da Universidade de São Paulo.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Os documentos físicos estão propensos a se deteriorarem com o tempo, no entanto,
entende-se que um livro impresso, por exemplo, pode ser preservado por séculos se for bem
armazenado e receber os cuidados necessários para sua conservação. Hoje existem inúmeras
técnicas que são utilizadas com esta finalidade.
Assim como as pessoas, os livros impressos têm um ciclo de vida útil, que abrange
desde sua criação até o momento em que, devido a seu estado de conservação, não pode mais
ser utilizado. Para prolongar a vida útil de um livro é necessário adotar medidas de
conservação e preservação, que são conjuntos de práticas que previnem e evitam que o
documento seja danificado pela ação do tempo e outras circunstâncias.
Segundo Caldeira (2004), a política moderna para a longevidade dos suportes
informacionais orienta-se pela luta contra as causas de deterioração, na busca do maior

3268

�prolongamento possível da vida útil de livros e documentos. Dentro dessa perspectiva,
padrões de conduta devem ser adotados e harmonizados.
Conforme ressalta Caldeira (2004, p.15)
a conservação preventiva surgiu, solidamente como campo de trabalho e
pesquisa científica, nos Estados Unidos, na década de 80, estabelecendose como atividade responsável por todas as ações tomadas para retardar a
deterioração e prevenir danos aos bens culturais por meio da provisão de
adequadas condições ambientais e humanas.

Para Cassares (2000) a preservação é um conjunto de medidas e estratégias de ordem
administrativa, política e operacional que contribuem direta ou indiretamente para a
preservação da integridade dos materiais. Já a conservação é um conjunto de ações
estabilizadoras que visam desacelerar a degradação de documentos ou objetos por meio de
controle ambiental e tratamentos (higienização, reparos e acondicionamento).
É necessário conhecer a natureza dos componentes que constituem os materiais dos
acervos e seu comportamento diante dos fatores de degradação, tornando mais fácil detectar
os elementos nocivos e seu possível tratamento.
Acervos de bibliotecas são constituídos em geral por livros, mas também por mapas,
fotografias, revistas, manuscritos, entre outros, que utilizam o papel como suporte. Por mais
variada que seja a composição do papel, esse é constituído em sua maior parte de celulose, e
cabe-nos encontrar soluções que permitam melhorar suas condições, para que esse dure por
muitas gerações sem precisar de restauro. Esses acervos estão sujeitos a um contínuo processo
de deterioração por serem basicamente constituídos de matéria orgânica. Essa deterioração
pode ser acelerada se o acondicionamento for feito de forma indevida, levando o documento a
um estado de perda total.
A maior causa de deterioração de documentos é a acidez do papel. Ambientes quentes
e úmidos também geram grandes danos, pois causam reações químicas que enfraquecem as
cadeias moleculares de celulose, fragilizando o papel. Esses fatores, entre outros, são
chamados de agentes de deterioração e são classificados da seguinte forma: fatores
ambientais, fatores biológicos, intervenções impróprias, agentes biológicos, furtos e
vandalismo.

(CASSARES,

2000;

CONWAY,

2001;

OGDEN,

2001;

PALETTA;

YAMASHITA; PENILHA, 2004).
Para a biblioteca, tradicionalmente mantenedora do conhecimento, sabedoria e
experiência coletiva da sociedade, as implicações geradas com a deterioração são sérias. Qual
o propósito de adquirir, catalogar e guardar vastas coleções, se os próprios materiais vão se
deteriorando na metade da sua vida útil? Estimativas confiáveis e uma série de levantamentos

3269

�das condições, feitas em larga escala, sugerem que o papel de 25% ou mais dos volumes de
importantes coleções tornou-se extremamente quebradiço. (MERRIL-OLDHAN, 2001).
A biblioteca é mais que um espaço arquitetônico “é um lugar de diálogo com o
passado, de criação e inovação, e a conservação só tem sentido como fermento dos saberes e
motor do conhecimento, a serviço da coletividade”. (BARATIN, 1995, p.45).
Embora no Brasil a atuação do bibliotecário em projetos de conservação e preservação
documental não seja tão divulgada, há inúmeras experiências na qual este profissional faz
parte. O Laboratório de Conservação Preventiva de Documentos da Biblioteca de
Manguinhos, por exemplo, executa atividades de conservação preventiva de documentos e é
coordenado por uma bibliotecária. Este laboratório é uma oficina com equipamentos e
materiais, que possibilitam a prática de atividades como: higienização, monitoramento
ambiental, encadernação, acondicionamento e pequenos reparos, procedimentos estes que
possam assegurar ao acervo a mais longa vida útil possível.
A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin também é outro exemplo de projeto de
conservação e preservação que conta com a atuação de bibliotecários. Inaugurada no dia 23 de
março de 2013 na Cidade Universitária, a biblioteca foi criada para abrigar a coleção de Guita
e José Mindlin, doada pela família Mindlin à Universidade de São Paulo. O edifício com mais
de 20 mil metros quadrados, além de abrigar a coleção, possui um Laboratório de
Conservação e Restauro.
Outro exemplo que merece ser destacado é a Biblioteca do Mosteiro de São Bento da
Bahia, uma das primeiras bibliotecas constituídas no país. Possui um acervo acumulado ao
longo de mais de quatro séculos, contando com uma biblioteca de livros raros com cerca de
13.000 volumes. Desde a Idade Média, a Biblioteca é um dos quatro pilares de uma abadia
Beneditina, de acordo com um provérbio medieval: claustrum sine armario quase castrum
sine armamentarium. (Mosteiro sem biblioteca é como quartel sem arsenal)376.
A preocupação de aumentar e, principalmente, de preservar o acervo bibliográfico,
sempre foi um objetivo de grande importância para os monges. Hoje o Mosteiro conta com
uma nova área para a guarda dos livros e um moderno laboratório de conservação e restauro
com equipamentos que permitem o desenvolvimento adequado de tratamento e preservação
de suporte papel segundo procedimentos internacionais.
Com a preocupação de preservar o patrimônio e compartilhar com a sociedade esse
conhecimento, o Mosteiro criou um projeto de restauração de livros raros e a Biblioteca
376 Provérbio medieval descrito na apresentação da Biblioteca de Livros Raros do Mosteiro de São Bento da Bahia.
Disponível em http://www.saobento.org/livrosraros/projeto.html

3270

�Digital de Livros Raros. Este projeto atingiu dois focos da preservação de acervos, isto é, a
restauração dos livros proporcionou a conservação do suporte, e a digitalização promoveu a
preservação do conteúdo informacional, que em longo prazo preservará o próprio documento.
Um profissional que atua na área de preservação e conservação documental não é um
artista ou um artesão, é um profissional que domina teorias e técnicas fundamentais para a
intervenção em qualquer suporte.
Hoje é possível a migração de dados existentes em obras impressas para mídias
digitais. Esse processo de digitalização é visto como uma alternativa viável que possibilita, ao
mesmo tempo, preservar o original e facilitar o acesso à informação. Com o documento
eletrônico e as redes de informação, é possível organizar bibliotecas digitais, que possibilitam
o acesso a indivíduos que se encontram em qualquer localidade sem o condicionamento da
presença física na biblioteca.
De acordo com Chepesiuk (2001, p. 54) “[...] a digitalização ajuda a preservar os
materiais frágeis, tirando-os de circulação e promovendo seu acesso através de um formato
alternativo, reduzindo assim os riscos aos quais estariam sujeitos através do manuseio”. Além
disso, o usuário tem a possibilidade de imprimir o documento acessado, mantendo sua cópia
pessoal para anotações particulares e livrando, assim, o original deste risco.
Ao mesmo tempo em que o documento eletrônico propicia a preservação da obra rara,
poupando-a dos riscos do manuseio, o uso isolado do processo de digitalização como medida
de preservação para acervos bibliográficos ainda não está consolidado em função da
instabilidade do ambiente digital.
Assim como o documento impresso, o documento eletrônico também está ameaçado
diante de condições inadequadas de armazenamento, fatores ambientais negativos, desgaste
causado pela ação de agentes biológicos, além das ameaças oferecidas pelo próprio homem.
Por ser inteiramente dependente de um equipamento para prover o acesso à informação nele
registrada, a durabilidade do documento eletrônico está ainda condicionada à expectativa de
vida dos sistemas de acesso.
Após a conversão dos originais em cópias digitais, o documento eletrônico passa a ser
o novo foco das iniciativas de preservação. Entende-se por preservação digital o
“planejamento, alocação de recursos e aplicação de métodos e tecnologias para assegurar que
a informação digital permaneça acessível e utilizável” (HEDSTROM, 1996).
Preservar o patrimônio humano registrado em suportes digitais para as gerações
futuras é uma preocupação presente no Manifesto para a Preservação Digital da UNESCO.
Esta deve ser também uma preocupação permanente do profissional bibliotecário, que deve

3271

�gerenciar a melhor maneira para manter disponível o acesso à informação contida no
documento eletrônico.
No que se refere à biblioteca digital, sua principal vantagem é permitir o acesso
simultâneo a documentos como obra rara, por exemplo, que geralmente é constituída de
exemplar único. Outra vantagem é a possibilidade de manipulação de imagem digital gerada a
partir da digitalização de um documento original, pois é possível representar com maior
clareza o conteúdo da obra digitalizada, podendo-se corrigir eventuais imperfeições dos
originais.
Ainda que as vantagens da biblioteca digital para conservação de acervos fossem
resumidas apenas à possibilidade do acesso remoto, já valeria todo o esforço, uma vez que
esta forma de acesso protege a obra rara dos riscos aos quais estaria sujeita numa consulta
tradicional. Além disso, a biblioteca digital é uma excelente maneira de divulgação do acervo
da biblioteca física.
Outro ponto importante a ser destacado diz respeito à necessidade do
bibliotecário conhecer a constituição do acervo sob sua responsabilidade. Mesmo que nem
todos os acervos contenham obras raras, é importante que um bibliotecário também saiba
identificar se uma obra é rara ou não, para que não se corra o risco de perder importantes
obras por não terem sido identificadas e não terem recebido os cuidados necessários.
José Mindlin, dono da maior biblioteca particular de obras raras da América Latina,
admitia ficar atrapalhado quando lhe perguntavam o que é um livro raro, pois dizia que é das
coisas que a gente sabe, mas não consegue definir plenamente. “O livro pode ser raro, por
exemplo, por terem sido impressos poucos exemplares[...], pelo interesse do texto, por ser
uma primeira edição”(MINDLIN, 1997, p.29).
As obras raras, na realidade, podem ser conceituadas, em duas grandes categorias:
obras comprovadamente raras e obras circunstancialmente raras. Na primeira categoria
encontram-se obras que se enquadram no critério cronológico, ou seja, obras que abrangem
determinado limite histórico. Neste caso, é possível citar os manuscritos ou os incunábulos,
por exemplo. As obras circunstancialmente raras são aquelas que se enquadram em critérios
preestabelecidos por instituições ou colecionadores, podendo não ser consideradas raras em
outros contextos.
Como se vê, são muitos os critérios que podem determinar a raridade de um livro. No
Brasil, por exemplo, entre os critérios de raridade de uma obra estão as obras publicadas no
século XIX, a partir da criação da Imprensa Régia, as primeiras obras impressas de conjunto
bibliográfico, como coleções de primeiros números de diversos períodos, características

3272

�bibliográficas de obras produzidas artesanalmente, independente da época de sua publicação,
etc.
Por possuírem objetivos distintos, cada biblioteca deve estudar detalhadamente seu
perfil e elaborar uma política que determine os critérios que serão adotados para melhor
atender às necessidades de seus usuários. Sendo assim, uma obra considerada rara em
determinada instituição, pode não o ser em outra. Na Biblioteca do Mosteiro de São Bento da
Bahia, por exemplo, os livros são considerados raros, pois se enquadram na maioria dos
critérios apresentados. Muitos dos livros foram escritos antes do período anterior a produção
tipográfica, muitas dessas obras possuem uma beleza tipográfica, algumas escritas em
pergaminhos, obras censuradas, etc. Muito provavelmente as obras consideradas raras no
Mosteiro de São Bento da Bahia, também seriam consideradas raras em qualquer outra
biblioteca, devido a essas peculiaridades.
É importante que a configuração atual do perfil do bibliotecário abarque tanto
competências informacionais de escopo tecnológico, que envolva o desenvolvimento de
produtos e serviços informacionais, como competências informacionais teóricas e técnicas
relacionadas à conservação e preservação de documentos impressos e digitais.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para alcançar o objetivo deste trabalho foi necessária uma série de estratégias de
análise: análise documental, observação, entrevista e questionário. Essas estratégias visaram
obter informações sobre profissionais, estudantes, cursos e instituições, associando assim os
agentes envolvidos na atuação do bibliotecário na área de conservação e preservação
documental.
Primeiramente, foi realizada análise documental da matriz curricular dos principais
cursos Biblioteconomia e Ciência da Informação do Estado de São Paulo. A escolha por
analisar somente a matriz curricular dos cursos oferecidos no Estado de São Paulo reside no
fato de que neste Estado concentram-se importantes instituições, bem como pela existência de
um nicho de mercado para atuação de bibliotecários competentes no que concernem as tarefas
relacionadas à preservação e conservação documental. A matriz curricular foi recuperada no
próprio site das instituições ou solicitada por e-mail. Verificou-se neste documento a
existência de disciplinas que abordavam conteúdos relacionados à conservação e/ou
preservação documental.
Em um segundo momento, foram realizadas visitas in loco a instituições que
trabalham com a preservação e conservação documental - Biblioteca Mario de Andrade,

3273

�Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e Arquivo Público do Estado de São Paulo. Nessas
visitas foi observada a dinâmica para o desenvolvimento de atividades dessa natureza. As
instituições visitadas foram escolhidas por possuírem acervos especiais e/ou raros, que
necessitam de cuidados rigorosos para a conservação e preservação documental. As
observações foram anotadas e utilizadas como complementação na análise dos resultados
obtidos com as entrevistas realizadas com os profissionais que atuam nestas instituições.
Optou-se por realizar entrevista semi-estruturada com quatro bibliotecários que atuam
ou já atuaram no desenvolvimento de práticas de preservação e conservação documental nas
instituições referidas anteriormente. A escolha pela entrevista semi-estruturada deveu-se à
maior flexibilidade, pois foi possível formular novas questões de acordo com o desenrolar da
conversa. Como forma de preservar os sujeitos entrevistados, os mesmos serão identificados
como PROFISSIONAL 1, PROFISSIONAL 2, PROFISSIONAL 3 e PROFISSIONAL 4.
Para verificar a percepção de estudantes em relação à temática, foi oferecido durante a
X Semana do curso de Ciências da Informação, Documentação e Biblioteconomia da
Faculdade de Filosofia, Comunicação e Informação da Universidade de São Paulo um
minicurso, abordando teoria e técnicas relacionadas conservação e preservação documental.
No final do minicurso os alunos foram convidados a responder um questionário com intuito
de refletir sobre o conteúdo ensinado.

4 RESULTADOS FINAIS
O levantamento de dados permitiu uma reflexão sobre a formação do bibliotecário e
sobre sua atuação na área de conservação e preservação documental. Como forma de
organização dos resultados apresenta-se a fragmentação desses resultados em: matriz
curricular, atuação profissional e formação acadêmica.
4.1 Matriz curricular dos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação
Segundo as diretrizes curriculares para os cursos de Biblioteconomia no Brasil, o
profissional da informação Bibliotecário deve: “enfrentar com proficiência e criatividade os
problemas de sua prática profissional, produzir e difundir conhecimento, refletir criticamente
sobre a realidade que o envolve, buscar aprimoramento contínuo, observar padrões éticos de
conduta”. (BRASIL, 2001).
O atual profissional da informação pode ser denominado como aquele que de uma
forma ou de outra faz da informação a sua ferramenta de trabalho, ou seja, o profissional da
informação pode ser um arquivista, um administrador, um jornalista, um bibliotecário, um
museólogo ou até mesmo um analista de sistema. Mas apenas um desses profissionais é capaz

3274

�de participar do processo de geração, disseminação, recuperação, gerenciamento, conservação
e utilização da informação: o bibliotecário.
A busca por novos espaços no mercado de trabalho tem feito com que os profissionais
da informação busquem competências além daquelas aprendidas em seu curso de graduação.
Embora os cursos de Biblioteconomia e Ciências da Informação estejam ligados à
documentação, as disciplinas na área de Conservação e Preservação, por exemplo, quando são
oferecidas, na maioria das vezes, não são obrigatórias. Conforme Lino, Hannesch e Azevedo
(2006 p.2):
num momento em que os cursos de Biblioteconomia, em suas
reformulações curriculares, decidem que a cadeira de “conservaçãorestauração” deve ser optativa (quando muito) e em que há um aumento
de cursos com ênfase na gestão, mas que não consideram a conservação
como inerente a essa atividade, como ponderar sobre “preservação do
patrimônio” ou, ainda, “preservação da memória?

Sem conhecimento básico sobre as ações a serem tomadas em relação à preservação,
esse profissional não saberá como agir de forma adequada. Lino, Hannesch e Azevedo (2006,
p.2) consideram que
um bibliotecário não necessita ser um técnico de conservaçãorestauração, muito menos que aplique as técnicas, antes, ele deve ter o
conhecimento e o envolvimento com esta ciência, que o capacita a
entender melhor as necessidades do acervo sob sua custódia e a
contribuir para um melhor desenvolvimento das atividades de
conservação e restauração do acervo.

Considerando a necessidade desse conhecimento para atuação do bibliotecário, a
presente pesquisa analisou a matriz curricular dos cursos de Biblioteconomia do Estado de
São Paulo, quanto à presença de disciplinas que visem o desenvolvimento dos graduandos na
área de conservação e preservação.
As universidades que tiveram seus currículos analisados foram: Universidade de São
Paulo - campus São Paulo; Universidade de São Paulo - campus Ribeirão Preto;
Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho - campus Marília; Universidade
Federal de São Carlos e Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
A partir da análise dos currículos dos cursos de Biblioteconomia observou-se que dois
dos cinco cursos possuem disciplinas que abordam conteúdos relacionados à preservação e
conservação. Os dois cursos são: o curso de Biblioteconomia da Universidade Estadual
Paulista Julio de Mesquita Filho, campus Marília, que oferece a disciplina optativa
“Preservação em Unidades de Informação” e o curso de Biblioteconomia da Fundação Escola

3275

�de Sociologia e Política de São Paulo, que oferece a disciplina obrigatória “Introdução a
Preservação e Conservação de Acervo”.
Verificou-se que a disciplina com este conteúdo é obrigatória somente no curso da
Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP). O objetivo geral dessa
disciplina, segundo o Plano de ensino do curso 2012 é: “Orientar e esclarecer os alunos na
execução de um plano de conservação e de ações adequadas que assegurem a preservação de
acervos bibliográficos e documentais”.
A disciplina aborda o seguinte conteúdo: Conservação, Conservação preventiva,
Conservação Curativa e Restauração: Conceitos; Materiais que Constituem os Documentos:
papiro, pergaminho, papel, história do papel e história da encadernação; Causas de
Deterioração: Agentes físicos, Mecânicos, Químicos e Biológicos; Diagnóstico: Diagnóstico
de Conservação de Acervo Bibliográfico e Documental; Rotinas de Conservação:
Higienização, Controle de Microorganismos e Insetos, Pequenos Reparos, Encadernação,
Conservação de Encadernações, Acondicionamento e Manuseio Adequado; Administração de
Programa de Conservação: Especificações para Edifícios, Prevenção e Controle de Incêndios
e Inundações, Prevenção e Combate a Insetos Roedores, Condições Ambientais,
Armazenamento e Plano de Emergência.
Essa disciplina, com carga horária de sessenta e oito horas, contempla tantos aspectos
teóricos, como aspectos técnicos. Tais conhecimentos são importantes para todos os
bibliotecários, mesmo aqueles que não atuam diretamente no processo de conservação e
preservação documental, já que a identificação de documentos afetados por pragas, ambientes
impróprios ao armazenamento e/ ou ações que podem prejudicar o documento, são atividades
que devem fazer parte da rotina de trabalho do bibliotecário.
A FESP destaca-se por oferecer disciplinas no campo da conservação e preservação de
acervo, tanto na graduação como na pós-graduação. O curso de Biblioteconomia desta
instituição demonstra entender que o profissional precisa saber lidar com as novas
tecnologias, mas deve também ter competências para preservar e conservar todo o tipo de
suporte.
4.2 Atuação do bibliotecário na área de Conservação e Preservação documental
As entrevistas realizadas com profissionais visaram buscar aportes que confirmem ou
refutem a importância da inclusão de disciplinas da área de conservação e preservação de
acervo nos currículos dos cursos de Biblioteconomia e Ciências da Informação.
Para apresentação das entrevistas concedidas optou-se por categorizar as respostas de
acordo com as perguntas dirigidas aos entrevistados: 1) presença de disciplinas voltadas para

3276

�a conservação e preservação documental nos cursos de Biblioteconomia e Ciência da
Informação; 2) aquisição de conhecimentos relacionados à conservação e preservação
documental e; 3) prática profissional: habilidades técnicas para o processo de Conservação e
Preservação de acervo.
4.2.1 Presença de disciplinas voltadas para a conservação e preservação documental nos
cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação
Sobre a importância de disciplinas voltadas à conservação e preservação documental
na matriz curricular dos cursos de Biblioteconomia e Ciências da Informação, os profissionais
foram unânimes ao responder que seria muito importante que os cursos oferecessem
disciplinas dessa natureza.
Destaca-se a fala da PROFISSIONAL 1 : a inclusão de disciplinas na área de
conservação e preservação de acervos é de extrema importância e sua inclusão nos cursos de
Biblioteconomia “deveria ser pra ontem ”, pois a cada dia que passa, mais acervos sofrem
deteriorações de diversas naturezas, pois o bibliotecário responsável, na maioria das vezes,
não consegue identificar o problema no início, fazendo com que atinja proporções que podem
levar a grandes prejuízos.
Caldeira (2004) fez um levantamento no qual comprova que os cursos de
Biblioteconomia não preparam seus futuros profissionais para lidar com a conservação e
preservação de acervos. Segundo a autora,

O ensino superior ministrado nas escolas de Biblioteconomia brasileiras
concentra-se no processo de geração, disseminação, recuperação,
gerenciamento e utilização da informação. Questões referentes ao
resguardo protetivo do acervo estão circunscritas a um menor número de
disciplinas (tais como estudo da preservação, da conservação e da
restauração) e a poucas instituições. Questões especificamente
direcionadas para a conservação preventiva não são enfocadas
academicamente por esses cursos. (CALDEIRA, 2004, p. 36)

A inexistência de disciplinas de conservação e preservação nas grades curriculares dos
cursos de Biblioteconomia certamente privilegiará o bibliotecário apto a organizar e
disseminar a informação, mas não a proteger o suporte informacional da degradação.
4.2.2 Aquisição de conhecimentos relacionados à conservação e preservação documental
Hoje há muitos cursos voltados para a área de conservação, preservação e restauro.
Estes cursos geralmente são ofertados por instituições como: ABER - Associação Brasileira
de Encadernação e Restauro, ABRACOR- Associação Brasileira de ConservadoresRestauradores de Bens Culturais, ARQ-SP - Associação Arquivística do Estado de São Paulo,

3277

�Templo da Arte, entre outros. O conteúdo desses cursos gira em torno da conservação e
restauro em suporte de papel.
Das quatro entrevistadas apenas uma profissional afirmou ter adquirido conhecimentos
específicos da área de conservação e preservação durante sua graduação em Biblioteconomia.
Esta profissional graduou-se na FESP, como já referido, única instituição que possui em sua
matriz curricular uma disciplina obrigatória com conteúdo relacionado a esta área. Esta
profissional (PROFISSIONAL 2) ressaltou que em seu trabalho é preciso, por exemplo,
conhecer os tipos de papel para avaliar o tipo de encadernação mais pertinente a cada
documento.
Já a PROFISSIONAL 3 aprofundou seus conhecimentos de Conservação e
Preservação em cursos ofertados por várias instituições. Hoje trabalha com obras raras, o que
exige competências singulares para o tratamento documental. Sendo assim, a profissional
ressalta a importância de disciplinas dessa natureza nos cursos de Biblioteconomia.
Embora muitas instituições ofereçam cursos reconhecidos nessa área, é importante
ressaltar que esses cursos são não são gratuitos e, geralmente, tem um custo elevado, ou seja,
aqueles que pretendem realizá-los devem investir um valor considerável. Assim, estudantes
de graduação dificilmente conseguem cursá-los, o que justifica a principal afirmativa desse
trabalho que é a necessidade de oferecimento de cursos dessa natureza nos cursos de
graduação em Biblioteconomia e Ciências da Informação.
4.2.3 Prática profissional: habilidades técnicas para o processo de Conservação e
Preservação de acervo
Todo tratamento de conservação deve ser desenvolvido por um especialista que tenha
conhecimento técnico-científico sobre a obra, seus materiais constitutivos e suas técnicas de
construção. Também deve ser capaz de avaliar seu estado de conservação, as causas de sua
deterioração e ter capacidade de intervir para manter a integridade da coleção.
A PROFISSIONAL 1 exemplifica que ao trabalhar com jornal, por exemplo, é preciso
saber manuseá-lo adequadamente, dada a sua constituição física que possui maior
suscetibilidade à danificações por manuseio. A PROFISSIONAL 2 ressalta a necessidade de
saber diferenciar os tipos de materiais e encadernações, assim como saber a melhor
climatização para cada tipologia documental. Já a PROFISSIONAL 3 afirma que é de
extrema necessidade saber identificar os materiais que necessitam de intervenções mais
profundas, daqueles que necessitam apenas de uma higienização e pequenos reparos. A
PROFISSIONAL 4 além de utilizar conhecimentos específicos da área de preservação e
conservação no trabalho também trabalha na capacitação de profissionais.

3278

�Muitos bibliotecários se preocupam com as obras de seu acervo e sabem do risco que
eles podem correr, mas muitos não possuem treinamento específico para lidar com esses
problemas. Neste caso, o conhecimento sobre as técnicas de conservação e preservação
documental é primordial, mesmo que o profissional não tenha habilidades para trabalhar nesta
área, esse conhecimento será válido para a avaliação do acervo e identificação de problemas.
A preservação e a conservação não podem ser tratadas como uma atividade isolada de
um único setor e devem estar presentes nas políticas, procedimentos e serviços institucionais.
Segundo Ryckman (1997, p.45 apud GRIEBLER; MATTOS, 2008, p. 39) “muitas desculpas
rondam as ações de preservação, tais como falta de tempo, dinheiro e conhecimento técnico.”
Porém, é preciso vencer essas desculpas, sob pena de perder por absoluta ineficácia a
memória de nossa cultura para as pragas, acondicionamento inadequado e manuseio de forma
a deteriorar os livros por completo.
Os acervos de bibliotecas, museus, arquivos, instituições culturais, necessitam de
preservação e conservação. Observando o cotidiano de muitas instituições, verificou-se a
quantidade de danos às coleções por roubos, danos por climatização, acondicionamento e
manuseio inadequado. Nas bibliotecas, os livros sofrem ações diretas de fatores como: luz,
temperatura, umidade, poluição, ataque de pragas e fungos. O controle desses agentes
ambientais torna-se fundamental para a preservação de um acervo.
A PROFISSIONAL 3 afirma que mesmo que o profissional não atue diretamente em
bibliotecas, ele poderá atuar em Museus, Arquivos, Bibliotecas escolares, Centros de
Memória, entre outros que provavelmente terão materiais (livros, revistas, papéis, objetos,
obras de arte, etc) que precisam ser preservados para serem acessados no futuro.
É de fundamental importância que o bibliotecário saiba identificar esses problemas em
seu acervo, pois é no seu dia a dia, no vai e vem entre as estantes que se percebem problemas
como infiltrações, ataque de pragas, temperatura inadequada. Mas para saber identificar esses
problemas o profissional da informação deve ter o conhecimento mínimo sobre conservação e
preservação. De acordo com a PROFISSIONAL 1 o conhecimento sobre conservação
preventiva é válido para a avaliação do acervo e identificação de problemas, uma vez que tal
conhecimento contribui para prolongar a vida dos materiais de um acervo e promove ajuda a
mantê-los em boas condições. A PROFISSIONAL 2 concorda com essa afirmação: quando a
identificação do problema é feita no início as chances de perda são menores.
Como já ressaltado anteriormente, ter conhecimento em Conservação e Preservação é
de suma importância. Saber conhecer o acervo em que se trabalha faz parte do cotidiano de
um bibliotecário, que não deve apenas saber catalogar, classificar e disseminar a informação,

3279

�mas manter seu acervo vivo, por muitas gerações. São atitudes simples que podem fazer essa
diferença. Conservar e preservar um acervo não precisa ser uma atividade onerosa, mas uma
atividade simples e rotineira que mantenha o acervo em segurança.

4.3 Formação acadêmica - Minicurso: bases para preservação e conservação de acervo
Entre os dias 14 e 18 de outubro de 2013 foi realizada a 10a Semana de Estudos em
Ciências da Informação e Documentação da USP de Ribeirão Preto. Nesta semana foi
oferecido o minicurso intitulado “Bases para a Preservação e Conservação de Acervo”. Nesse
minicurso foram abordados conceitos de conservação, de preservação e restauro, além dos
fatores de deterioração dos acervos e princípios básicos de higienização documental. No final
do minicurso, como forma verificar a percepção dos alunos sobre o conteúdo em questão,
aplicou-se um questionário visando levantar: se os estudantes gostariam de se aprofundar no
assunto; se o conteúdo do minicurso poderia ser aplicado na prática profissional e se eles
acreditam que os cursos de Ciências da Informação e Biblioteconomia deveriam ter
disciplinas nessa área.
Os 20 estudantes que participaram do minicurso se dispuseram a responder o
questionário. A análise dos questionários respondidos surpreendeu pela unanimidade
afirmativa nas três questões. Todos gostariam de aprofundar as temáticas abordadas no
minicurso, todos acreditam que podem aplicar os conhecimentos aprendidos e todos
sinalizaram a importância do oferecimento de disciplina com essa vertente no curso. As
respostas ainda foram complementadas por comentários elogiosos em relação ao conteúdo do
minicurso. Em relação à participação no minicurso, observou-se receptividade e participação
dos estudantes.
Com base nos resultados obtidos, infere-se a real necessidade latente da oferta, nos
cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação, de disciplina ou mesmo oficinas e/ou
cursos que possam dar conta de abarcar as competências e habilidades que são exigidas dos
bibliotecários no desenvolvimento de atividades relacionadas à conservação e preservação de
acervos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conhecimento dos fatores relacionados à conservação e a preservação documental,
ou seja, sua conceituação, seu histórico, suas diretrizes, seus procedimentos e metodologias,
contribui para a melhor tomada de decisão de profissionais bibliotecários que atuam nas

3280

�diversas unidades informacionais e que são responsáveis pela formação e desenvolvimento de
coleções bem como pela gestão informacional.
É importante repensar o ensino de conteúdos relacionados à conservação e a
preservação documental nos cursos de Biblioteconomia e Ciências da Informação. A
conservação e a preservação de acervos estão ligadas a documentos históricos, raros e
especiais. Esses documentos necessitam de atenção especial, pois a maioria é insubstituível
em caso de perdas ou degradações maiores. Porém, é importante ressaltar que os suportes
informacionais “mais jovens”, também necessitam de cuidados, caso contrário, se deteriorarão
rapidamente e dificilmente chegarão às gerações futuras.
Os fatores analisados - opinião de profissionais que atuam na área e de estudantes do
curso de Ciências da Informação, Documentação e Biblioteconomia - corroboram com a ideia
de inserção de conteúdos relacionados à conservação e preservação documental. Entende-se
que os estudantes não precisam sair da Universidade como conservadores profissionais, mas
com conhecimentos específicos que possam contribuir para a identificação de problemas e
proposições de soluções que assegurem a integridade dos acervos.
Vale destacar ainda que mesmo em formato digital o documento necessita ser
preservado. Documentos digitalizados são constituídos de dois suportes (digital e físico) e
ambos precisam de atenção já que as mídias mudam constantemente: o que é moderno hoje,
amanhã pode se tornar obsoleto.
É importante registrar também que a falta de disciplinas desse âmbito nos cursos de
graduação comprometem a pesquisa na área. Este fato pode ser comprovado pela reduzida
literatura da área, traduzida em grande parte por uma literatura técnica voltada para manuais e
apostilas.

6 REFERÊNCIAS
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3282

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                <text>O objetivo deste trabalho é refletir sobre a formação e atuação do bibliotecário no que concerne à área de preservação e conservação documental. Para tal, foram analisadas as matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação das Universidades do Estado de São Paulo quanto ao oferecimento de disciplinas obrigatórias ou optativas nessa área. Foram também realizadas entrevistas com profissionais e aplicados questionários a estudantes de graduação. Verificou-se que apenas um curso oferece uma disciplina obrigatória que abarca conteúdos relacionados à preservação e conservação documental. As entrevistas revelaram que os profissionais buscaram adquirir competências relacionadas à preservação e conservação documental em ambientes externos a universidades. Já a análise das respostas obtidas com a aplicação dos questionários, demonstra receptividade dos estudantes no aprendizado desse conteúdo. Os resultados obtidos revelam uma lacuna no ensino de graduação quanto ao conteúdo relacionado à preservação e conservação documental, sinalizando a necessidade dos cursos de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação se responsabilizarem pela formação do bibliotecário no que se refere a sua atuação com excelência na gestão documental, envolvendo a avaliação de acervos e a tomada de decisão quanto à conservação e a preservação documental.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA DE GESTÃO DE PROJETOS NA DIVISÃO DE
BIBLIOTECA (DIBD) DA ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA “LUIZ DE
QUEIROZ” (ESALQ)
Kátia Maria de Andrade Ferraz

RESUMO
As transformações no âmbito das inovações e dos recursos tecnológicos que vem ocorrendo
no ambiente das bibliotecas já são percebidas por seus usuários, seja por meio dos novos
formatos e ferramentas disponibilizados para a pesquisa ou das informações virtuais,
eletrônicas ou digitais. Esse cenário com novas demandas vem exigindo a modernização de
seus conceitos / atividades, a reavaliação de seus produtos / serviços e a forma de desenvolvêlos. A Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
(ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP) buscou um formato diferenciado para
implementar essas ações e pretende compartilhar essa experiência, iniciada com a
implantação de um Sistema de Gestão de Projetos, atuando como um “Escritório de Projetos”,
visto como uma oportunidade e solução para acompanhar esse contexto de mudanças e
gerenciar os projetos da biblioteca. Melhorar a qualidade e eficiência dos seus processos,
inovar e estimular o desenvolvimento de atividades por meio de projetos alinhados aos
objetivos estratégicos da organização com um gerenciamento mais eficaz fez parte de seus
desafios. A pesquisa bibliográfica foi fundamental para fortalecer o conceito da gestão de
projetos e para conhecer a metodologia e as ferramentas disponíveis para a gestão da
informação no âmbito dos projetos. A área criada se constitui como o local ideal para a
concretização desses objetivos, uma vez que se propõe a orientar, planejar, organizar,
controlar e finalizar as atividades dos projetos, com a implantação de metodologias, padrões e
ferramentas para a sua gestão online. Centralizar o conhecimento e a documentação,
disponibilizando as informações para utilização em projetos futuros e se consolidar como um
espaço para o time do projeto obter suporte faz parte de suas responsabilidades, de modo a
garantir o sucesso dos empreendimentos e a sobrevivência da organização.
Palavras-Chave: “Escritório de Projetos”; Biblioteca universitária; Sistema de gestão de
projetos; Inovações.

ABSTRACT
The transformations in the scope of innovation and technology resources that have been
occurring in the surroundings of libraries can now be seen by the users, either through new
formats and tools available for research or virtual, electronic or digital information. This
panorama comes with new demands requiring these organizations to modernize their
concepts/ activities, revaluation their products and services and how to develop them.
The “Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”

2816

�(ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP)” sought a different format to implement these
actions and intend to share this experience that began with the establishment of a System of
Project Management acting as a “Project Management Office", seen as an opportunity and
solution to accompany this context of change and manage projects from the library. Improve
the quality and efficiency of their processes, innovate and stimulate the development of
activities through projects aligned to the strategic goals of the organization enabling more
effective management was part of the challenges. The research and the literature were
essential to strengthen the concept of project management and to know the methodology and
the tools available for managing information at the project level. The area constitutes itself as
the ideal place to achieve these goals, since it proposes to lead, plan, organize, control and
finalize project activities, with the implementation of methodologies, standards and tools for
their online management. Centralize the knowledge and documentation of practices obtained
in specific projects to apply in future projects and to consolidate itself as a space for the
project group to obtain support is part of their responsibilities, so as to ensure the success of
projects and the survival of the organization.
Keywords: Project Office; University Library; System of Project Management; Innovations.

1 INTRODUÇÃO
Os novos recursos tecnológicos já fazem parte do cotidiano dos usuários de bibliotecas
universitárias, que tem à sua disposição novos formatos e ferramentas para a pesquisa, por
meio de informações virtuais, eletrônicas ou digitais, fato este que vem exigindo dessas
organizações a modernização de seus conceitos e atividades. Diante desse cenário é
fundamental que os seus produtos e serviços sejam revistos, bem como o formato
diferenciado para a implementação de inovações.
E assim, a implantação de uma área específica à “Gestão de Projetos” na DIBD
atuando como um “Escritório de Projetos” (termo adaptado do inglês: Project Management
Office - PMO) surge como uma oportunidade e solução para acompanhar esse contexto de
rápidas transformações. Visa melhorar a qualidade e a eficiência dos processos, disponibilizar
novos serviços e produtos desenvolvidos por meio de projetos alinhados aos objetivos
estratégicos da organização, possibilitando um gerenciamento mais eficaz.
“O Project Management Office” é um corpo ou entidade organizacional ao qual são
atribuídas várias responsabilidades relacionadas ao gerenciamento centralizado e coordenado
dos projetos sob seu domínio. As responsabilidades de um PMO podem variar desde fornecer
funções de suporte ao gerenciamento de projetos até ser responsável pelo gerenciamento
direto de um projeto” (PMI, 2008).
Com esse conceito, o “Escritório de Projetos” da DIBD se propôs a orientar, organizar,
controlar e finalizar as atividades dos projetos, a partir da implantação de metodologia e
ferramentas para a sua gestão online, administrando recursos, promovendo a gestão da

2817

�comunicação e a integração dos Processos. Centralizar os conhecimentos e a documentação
dos projetos desenvolvidos, compartilhar as informações para utilização em projetos futuros e
se consolidar como um espaço para o time do projeto obter todo o suporte disponível faz parte
de suas responsabilidades, de modo a garantir o sucesso dos empreendimentos e a
sobrevivência da organização.
De acordo com Marchiori (1997) a sobrevivência da biblioteca e o efetivo exercício de
suas atividades dependem não somente de boas ideias sobre as mudanças apropriadas, mas
também de como elas serão implementadas e gerenciadas. De acordo com o autor, a inovação
pode ser um risco, porém a manutenção do status quo, favorecendo a obsolescência, é um
risco ainda mais alto.
Diante dessa nova realidade, a DIBD avaliou e redesenhou sua estrutura
organizacional, a partir de um novo formato de gestão e adotou nova metodologia de trabalho,
criando uma área especifica para a gestão de seus projetos. A decisão estratégica foi
decorrente da percepção, da avaliação de seu desempenho, do acompanhamento de seus
processos, sob uma ótica diferenciada para o gerenciamento de seus planos de ação alinhados
às perspectivas da qualidade, melhoria de seus serviços, inovação de produtos, capacitação e
desenvolvimento de sua equipe, com a gestão efetiva das informações e dos recursos
disponíveis.
A proposta de se criar um Sistema de Gestão de Projetos em uma biblioteca por si só,
já se configura como um desafio e um grande projeto a ser desenvolvido, ainda mais no setor
público, com todos os riscos e impactos decorrentes desse perfil, mas que pode trazer
significativas vantagens com a sua implantação. Os benefícios advindos das melhorias ou
eficiência em processos e sistemas, associados ao fortalecimento de uma nova cultura
organizacional onde há o compartilhamento das informações, garantem um planejamento
mais eficaz enquanto que a integração e o controle permitem melhor desempenho e
produtividade no trabalho.
Este trabalho se propõe a compartilhar a experiência de implantação de um Sistema de
Gestão de Projetos em uma biblioteca pública universitária, bem como a metodologia
utilizada para a gestão de seus projetos e das informações que os constitui, reforçando a
importância da gestão de desempenho que promove a assertividade e a agilidade dos
processos. Pretende também compartilhar o conhecimento adquirido, contribuindo para sua
implantação e/ou divulgando uma metodologia para gerenciamento de projetos em
organizações similares. A proposta apresenta uma prática diferenciada para a gestão dos

2818

�projetos em uma biblioteca universitária, independente de suas peculiaridades e culturas
distintas.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Antes da abordagem sobre o Sistema de Gestão de Projetos, é importante que se diga
que pesquisas foram realizadas para conceituar “projeto”, de modo a facilitar a compreensão
do seu significado e a padronização da linguagem que deve ser utilizada e conhecida por
todos os funcionários da DIBD.
Dentre as definições da literatura consultada, a que mais se aproximou da ideia dos
projetos desenvolvidos pela biblioteca foi a do autor Morelli (2007) que afirma que projeto é
um empreendimento singular e temporário com o objetivo de desenvolver um produto ou
serviço. Explica ainda que ser temporário, está atrelado à ideia de que cada projeto tem início,
meio e fim definidos, ou seja, tem um ciclo de vida pré-determinado. A descrição feita pelo
PMI (2008) também complementa a definição anterior: “Projeto é qualquer esforço
temporário, com prazo determinado, organizado com vistas a atingir um objetivo único, com
um resultado bem definido, planejado, executado e controlado por pessoas e com recursos
limitados”.
Morelli (2007) afirma também que todo projeto se caracteriza por certo grau de
complexidade, dependendo do número de variáveis que afetam a sua execução, entre as quais,
estão a multidisciplinaridade, o número de pessoas e organizações envolvidas, a diversidade,
o volume de informações disponíveis e a sua duração.
Há várias definições sobre projetos, porém, todas abordam a questão da
temporalidade, ou seja, todos tem início, meio e fim definidos e o seu término está vinculado
ao alcance de seus objetivos.
Em relação ao gerenciamento de projetos, alguns autores citam componentes para o
sucesso do projeto:
S Boa definição e priorização das razões para que o projeto seja feito;
S Escopo adequado e preciso;
S Elaboração de um plano de execução logo após a definição da estratégia do projeto;
S Identificação e análise dos riscos potenciais que podem afetar o projeto, e um plano
eficiente para gerenciá-los;
S Projeto adequado para medir a performance durante o andamento do projeto, de
cada um dos indicadores associados aos objetivos;

2819

�S Início imediato da execução de um plano de recuperação quando detectados desvios
do realizado em comparação com o projetado;
S Incorporação rápida de cada mudança aprovada de escopo;
S Relatórios periódicos de status adaptados ao que os interessados no projeto
desejam.
Para alguns autores, os fatores de sucesso e fracasso mais impactantes de um projeto
estão ligados à metodologia utilizada. Na bibliografia consultada vários autores mencionam
que o sucesso de um projeto depende de alguns pontos tais como: eficiência, impacto para o
cliente e para a equipe, planejamento efetivo no início, autoridade e responsabilidade
delegados; acompanhamento adequado da alta administração, avaliação e controle do uso de
recursos e participação intensa da equipe de projetos quanto à tomada de decisões, à execução
das ações, entre outros. E com esses parâmetros, os critérios, as responsabilidades e
atribuições foram sendo definidos no âmbito dos projetos da DIBD.
A criação de um Sistema de Gestão de Projetos em uma biblioteca pode ser justificada
com base nos argumentos de Rabechini Junior; Carvalho, (2009) quando afirmam que: “Nas
duas últimas décadas, o gerenciamento de projetos consolidou-se não somente no ambiente
empresarial como no profissional e acadêmico, e tem crescido na mesma proporção que a
inovação, que tem um papel preponderante no cenário competitivo atual”. É um modelo que
vem apoiar a administração dos empreendimentos e tem sido uma das estruturas de
gerenciamento de projetos mais buscadas pelas organizações que buscam inovação,
competitividade e sobrevivência.
A partir desse estudo, ações foram propostas para iniciar a estruturação da área, tendo
como foco, o gerenciamento eficaz dos projetos, a eficiência dos resultados, a redução de
problemas decorrentes e inerentes aos projetos.
Morelli (2007) afirma que o gerenciamento dos projetos é a aplicação de
conhecimento e habilidades técnicas para promover ações que buscam atingir ou superar as
expectativas e demandas das partes interessadas. O autor reforça que é necessário cuidar da
concepção, execução e testes do projeto, definir o escopo, estabelecer criteriosamente os
objetivos, prazos, custos e qualidade, bem como cuidar do desempenho e dos benefícios
esperados, enfrentando com proatividade as incertezas e ampliando o controle sobre a
execução.
De acordo com Iaczinski e Scarpin (2013) a implantação de um “Escritório de
projetos” em instituições públicas ocorre de forma diferente do que em Empresas privadas.
Segundo os autores, para que a área tenha poder de gestão de projetos é necessário que seja

2820

�regulamentada e reconhecida como parte integrante da organização. Por isso a importância de
avaliar e alterar a estrutura organizacional vigente.
Para a implantação da área de gestão de projetos, foram analisados diferentes tipos de
estruturas organizacionais, que são responsáveis pelo processo de distribuição de autoridade,
especificação de atividades em todos os níveis hierárquicos e delineamento do sistema de
comunicação. A estrutura organizacional é um mecanismo que auxilia as pessoas dentro da
organização a caminharem em busca do objetivo institucional. Elas influenciam a maneira
como os projetos são executados, que por sua vez também podem ser influenciados pela
cultura organizacional e pelo grau de maturidade da organização em relação ao gerenciamento
de seus projetos. A cultura organizacional é um fator ambiental da empresa e o gerente de
projetos deve compreender os diferentes estilos e culturas que podem afetar um projeto (PMI,
2008).
De acordo com Picchiai (2010) não existe um modelo ideal de estrutura
organizacional, o importante é que ela funcione de maneira eficaz, atingindo os objetivos e
cumprindo a missão da organização.
Outro fator importante para o gerenciamento de projetos é a adoção de ferramentas de
Tecnologias da Informação (TI). Nesse sentido, a DIBD estabeleceu parceria com profissional
especializado da Seção Técnica de Informática (SIESALQ) da ESALQ/USP para implantar
um sistema de informação para a gestão online dos projetos, sistematizando o funcionamento
dos processos estabelecidos por meio de uma estratégia pré-definida.

3 MATERIAL E MÉTODOS
O projeto foi desenvolvido a partir da busca de respostas aos objetivos propostos tendo
como parâmetro a literatura especializada sobre gerenciamento de projetos e estrutura
organizacional, para em seguida proceder à análise das características e peculiaridades da
organização, delineando um diagnóstico institucional. Essa avaliação revelou que a estrutura
da DIBD era do tipo funcional, com forte departamentalização e ênfase nas rotinas,
requerendo uma nova proposta em seu redesenho organizacional, de modo a compreender
área para a Gestão de Projetos. Sendo assim, uma estratégia metodológica para o projeto foi
se configurando com base nos resultados obtidos a partir dessa análise.
Inicialmente, uma proposta foi apresentada à chefe da DIBD, reforçando as vantagens
de uma metodologia sistêmica para a gestão dos projetos, a necessidade de definir
procedimentos e critérios claros, incluindo os benefícios decorrentes da disponibilidade de
ferramentas para o monitoramento dos projetos. A partir da avaliação do contexto, a chefia

2821

�aprovou a aplicação da gestão de projetos para promover a mudança presente e futura no
âmbito estrutural da organização.
Em decorrência da complexidade requerida para um projeto dessa abrangência a
implantação do Escritório ocorreu em três grandes etapas:
a) Alteração do organograma com a criação da nova área para Gestão de Projetos
(Figura 1), buscando alinhar e enquadrar estrategicamente as atividades de rotinas e de
projetos;

Figura 1 - Novo organograma proposto

A nova área tem por objetivo buscar a integração dos diferentes Processos (Seções), de
modo que os projetos sejam desenvolvidos por equipes interdisciplinares e temporárias, sem
interferência nas atividades rotineiras da DIBD, que são organizadas por processos
sequenciais, cujos funcionários são agrupados por áreas específicas com um superior imediato
definido. Como critério, os projetos são coordenados por profissionais das áreas
especializadas com as habilidades ou conhecimentos que atendam ao escopo do projeto, com
autonomia para definir as equipes, as ações e o cronograma, visando alcançar o seu objetivo.
Ao coordenador do projeto, no entanto, cabe seguir a metodologia sistêmica e as diretrizes
traçadas pelo gerente da nova área.

b)

Implantação e estruturação do Sistema de Gestão de Projetos

No caso da DIBD, a área foi concebida para ter as seguintes responsabilidades:
S “Escritório de Projetos” com um responsável por sua implantação, estruturação,
consolidação e funcionamento para orientar e apoiar os times de projetos;

2822

�S Gerenciamento online, centralizado e coordenado dos projetos, incluindo prazos,
com a criação de mecanismos para uma gestão eficiente, adequando-o às demandas
e necessidades da organização;
S Alinhamento dos projetos aos objetivos estratégicos da DIBD, fortalecendo a
integração e o fortalecimento e valorização dos planejamentos organizacionais;
S Definição de sistemática, com ferramentas gerenciais, padronização de processos e
de linguagem e registro das informações no âmbito dos projetos;
S Formação de times multidisciplinares, com a maximização de seus conhecimentos e
habilidades, aprimorando o trabalho em equipe;
S Apoio aos times dos projetos, com orientação, aconselhamento, treinamento e
supervisão;
S Definição de um formato de comunicação eficiente para os envolvidos em projetos;
S Preservação da memória relativa aos projetos (histórico), com a organização dos
documentos e retenção do capital intelectual;
Tais critérios permitiram o alinhamento dos procedimentos e métodos ao nível de
maturidade da equipe da DIBD e supõem o desenvolvimento futuro a partir da utilização do
modelo apresentado e do Sistema de Gestão de Projetos implantado.
Somente após estas definições, a metodologia para a gestão dos projetos foi concebida,
que consistiu na adoção de ferramentas, padronização de procedimentos, definição de
indicadores métricos, estabelecimento de diretrizes para o planejamento e exigência de
relatórios dos projetos. As práticas consultadas e julgadas adequadas foram adaptadas ao
contexto organizacional.
Durante o desenvolvimento do projeto, o conhecimento adquirido na área de Gestão
de Projetos foi transferido aos funcionários, por meio de treinamentos. As experiências
anteriores relacionadas às atividades desenvolvidas por meio de Planos de Ação foram
avaliadas, de modo a identificar as práticas bem sucedidas e as lacunas, agregando valor ao
projeto com as lições aprendidas e experiências bem sucedidas. Os riscos em potencial
também foram identificados e analisados, buscando alternativas para reduzi-los ou excluí-los.
A metodologia partiu do conceito de ciclo de vida de projeto, já apresentado pelo Guia
do PMBOK, referência no assunto, com ênfase nos seus principais processos: inicialização,
planejamento, execução, controle e encerramento ou fechamento (Figura 2), porém adaptado
à cultura organizacional.

2823

�Figura 2 - Técnicas de Gerenciamento de Projetos
Fonte: CURSO PMI, 2013.

Na fase de inicialização, em Reunião de Planejamento Estratégico, os projetos são
avaliados, definidos, aprovados e priorizados para serem desenvolvidos no ano, seguindo
algumas etapas, conforme ilustrado na Figura 3.

Figura 3 - Fluxo do Processo de Inicialização dos projetos da DIBD

2824

�As demais etapas seguem o ciclo de vida do projeto, sendo gerenciadas na mesma
sequência em que se apresentam.

c)

Implantação da Gestão online de Projetos
Diante das tendências e considerando as demandas da DIBD, foi idealizado e

implantado concomitantemente à implantação da área e metodologia adotada, um sistema
online de informação para o gerenciamento dos projetos, de modo a suprir as suas
necessidades operacionais, adequando-o às suas peculiaridades. A parceria com a área de
tecnologia da informação (TI) do SIESALQ/USP foi fundamental para que o projeto se
desenvolvesse, o sistema implantado e finalmente consolidado.
A proposta para a gestão de projetos online foi se delineando, mas tendo como
parâmetro conceitos de vários autores, que afirmam que os sistemas online se configuram
como uma ferramenta para automatizar processos e se eles forem mal estruturados, a
implantação do sistema somente resultará em processos deficientes. A falta de entendimento
da real função de um sistema informatizado é algo que pode causar danos à organização. Os
processos foram então estruturados, as metodologias implantadas, o padrão estabelecido para
que fosse apresentada uma proposta de gestão online dos projetos da DIBD (3a etapa), com as
suas peculiaridades e demandas.
Sem dúvida, a proposta foi inovadora e com elevados riscos, uma vez que a utilização
da tecnologia da informação proposta dependeu totalmente de profissional terceirizado,
embora alocado na mesma organização (Universidade). Apesar dos riscos, a parceria foi
extremamente eficaz, o profissional não somente compreendeu a proposta como contribuiu
efetivamente para a sua melhoria e implantação e assim, o projeto se consolidou. As
implementações têm ocorrido sempre que solicitadas, uma vez que a tecnologia requer
atualização e o conhecimento especializado do profissional da área. Essa parceria sempre
deverá existir por conta dessa demanda da DIBD.
O sistema online prevê o monitoramento sistêmico de todas as atividades realizadas
por meio de projetos e dá visibilidade do andamento das ações, modificando a cultura
organizacional vigente no âmbito da gestão.
A implantação partiu do modelo existente para a formalização dos projetos
(formulário) e previu implementações por etapas, tendo como modelo, as práticas descritas no
Guia do Project Management Body of Knowledge (PMBoK), o conhecimento do especialista
em tecnologia da informação e a experiência do profissional que assumiu a gerência da área.
O sistema foi criado de acordo com os requisitos que atenderiam a demanda da DIBD e

2825

�garantiriam o sucesso do projeto, sem as exigências de uma organização privada. Campos
específicos foram criados no sistema de informação online para atender à metodologia
implantada para a gestão dos projetos da DIBD, envolvendo todo o ciclo do projeto:
inicialização, planejamento, execução e encerramento.
O módulo no sistema de informação da DIBD específico para a gestão online de seus
projetos tem o acesso via web e utilização de senhas para segurança e restrição (Figura 4). O
acesso é permitido aos funcionários que integram projetos para registro de suas atividades, à
gerente da área, para seu monitoramento e à chefe técnica da Divisão para o acompanhamento
e análise.

Figura 4 - Módulo para projetos no Sistema de Infrmação da DIBD
S is te m a de In fo rm a ç ã o d a
D iv isã o de B ib lio te c a e D o c u m e n ta ç ã o
Principal

Loqout

-v iiíi

. J Í Á , É t.

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Para o ciclo de “inicialização”, foram disponibilizados no Sistema de Informação, campos
com todos os itens necessários para o Termo de Abertura do projeto (Figura 5).

2826

�Figura 5 - Termo de Abertura e Declaração de Esco (correspondente)

Copyright © 2008-2014, SIESALQ/ESALQ/USP &amp; DIBD/ESALQ/USP
Implementado por Andrés.

As ações e as datas para sua realização também constam dos dados inseridos no
Sistema de Informação (Figura 6).

2827

�Figura 6 - Visualização das ações de um projeto rgistradas no SI

Copyright © 2008-2014, SIESALQ/ESALQ/USP &amp; DIBD/ESALQ/USP
Implementado por Andrés.

A contribuição de cada integrante do projeto é registrada por ele mesmo, bem como o
tempo de dedicação à ação (Figura 7).

Figura 7 - Registro de ações individuais
Sistema de Informação da
Divisão de Biblioteca e Documentação
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I n d ic a d o r e s
E x tra -R o tin a

E la b o ra ç ã o d e m a n u a l d e G e s tã o d e P r o je to s d a D IB D
Ação
Atividade

1__________________________ 1

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Início [23/05/2014
Térm ino [23/05/2014
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Copyright© 2008-2014, SIESALQ/ESALQ/USP &amp; DIBD/ESALQ/USP
Implementado por Andrés.

O controle e o monitoramento dos prazos das fases do projeto podem ser
acompanhados por meio do Gráfico de Gantt (Figura 8) e medidas podem ser tomadas, caso o
andamento das ações não estejam acontecendo conforme o planejado.

2828

�Figura 8 - Gráfico de Gantt
Nome

2012

Inicio
rta r

Projeto

Hpr

May

13/03/2012 31/ 05/2012
13/ 03/2012 31/ 05/2012

Acao 1

Acao 3

Acao 4

Acao 5

13/03/2012

23/03/2012

14/03/2012

23/03/2012

26/03/2012

09/04/2012

16/03/2012

09/04/2012

26/03/2012

20/04/2012

19/03/2012

20/04/2012

26/03/2012

30/04/2012

19/03/2012

26/04/2012

26/03/2012

30/04/2012

28/03/2012

26/04/2012

13/03/2012

31/05/2012

12/03/2012

31/05/2012

Copyright © 2008-2014 SIESALQ/ESALQ/USP &amp; DIBD/ESALQ/USP
Implementado por Andrés.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O processo de mudança aconteceu de forma gradual e cautelosa, visando a sua
aceitação sem grandes impactos organizacionais.
A nova estrutura permite a adequação do tempo, dos recursos humanos, bem como o
aproveitamento das competências técnicas das equipes. A retenção do capital intelectual
também se consolidou, uma vez que os relatórios dos projetos se constituem como
repositórios de conhecimento, transformando o aprendizado individual em organizacional.
Se comparado aos níveis propostos por Vargas (2005), o “Escritório de Projetos” da
DIBD se aproximaria mais do tipo “Project Support Office” (PSO), ou seja, um local
destinado ao apoio a diversos projetos simultâneos, fornecendo ferramentas de planejamento,
de controle de prazos, de qualidade e de metodologias apropriadas, entre outros.
O modelo DIBD poderia também corresponder ao nível proposto por Dinsmore
(2004), denominado “Project Management Center of Excellence” (PMCOE), quando o autor
afirma que esse tipo de Escritório é voltado para a identificação e disseminação das melhores
práticas de projetos (visando à melhoria do seu desempenho) e para a priorização dos projetos
organizacionais. Tendo como foco: treinamentos, padronização de processos e de ferramentas
para a gestão de projetos, consultoria interna, gestão de competências, definição de
procedimentos e principalmente a disseminação da cultura da gestão de projetos.
Desde a sua implantação, Sistema de Gestão de Projetos tem contribuído para:

2829

�S Criar uma cultura de projetos, mediante treinamentos específicos a cada fase de
implantação ou implementação;
S Aprimorar habilidades para a gestão de projetos;
S Disseminar os resultados fortalecendo a gestão do conhecimento organizacional no
âmbito dos projetos;
S Aprimorar os planejamentos organizacionais;
S Estimular a inovação com foco no cliente.
E a comprovação se dá com o sucesso e evolução dos projetos desenvolvidos nesse
período.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A análise do formato anterior para desenvolvimento dos Planos de Ação da DIBD foi
fundamental para todo o processo de definição da metodologia e para a proposta de um novo
modelo para a seleção e priorização dos projetos, incluindo o controle dos processos, a
documentação gerada e a disponibilização da informação.
A criação do Sistema de Gestão de Projetos na DIBD não foi algo fácil e como toda
mudança gera resistência, ainda mais quando a cultura organizacional já está consolidada,
mas se configurou com um grande desafio.
A implantação gradual, a flexibilidade, a atenção e atendimento às demandas e às
sugestões dos funcionários comprometidos com a gestão, contribuíram para que a resistência
de alguns funcionários fosse modificada, dando lugar às equipes proativas e capacitadas para
a gestão de projetos.
E com o tempo a maturidade para a gestão de projetos está sendo desenvolvida e os
benefícios para a organização estão se tornando mais visíveis. Dentre eles, destacam-se:
S Melhoria nos planejamentos e nos resultados obtidos, por meio de métodos
estruturados;
S Aumento e compartilhamento de esforços para alcance dos objetivos estratégicos.
S Projetos mais consistentes;
S Transparência e disponibilidade das informações e documentação dos projetos;
S Foco no usuário e em sua satisfação com maior oferta de produtos e serviços com
qualidade;
S Aprimoramento da visão sistêmica;

2830

�O Sistema de Gestão de Projetos tem conseguido, a partir da sua estrutura consolidada,
conduzir a DIBD para um gerenciamento mais eficaz de seus projetos e também para o
compartilhamento do conhecimento adquirido.
Dentre as iniciativas para melhorar a cada dia a gestão de projetos, o gerente da área
mantém os treinamentos, as orientações, esclarece dúvidas por e-mail, buscando sanar
qualquer lacuna e se mantém disponível para dar o suporte e o apoio necessários aos times de
projetos, além de sugerir cursos específicos sobre gestão de projetos.
Os resultados positivos dos projetos desenvolvidos também têm sido valorizados, seja
em “Reuniões de Análise Critica” ou por meio do informativo interno da DIBD, contribuindo
também para o fortalecimento da gestão de projetos e motivação dos funcionários.
A implantação do Sistema de Gestão de Projetos e da metodologia sistêmica adotada
foi algo inovador, pois tem permitido que os coordenadores de projetos pudessem
efetivamente gerenciar e monitorar as atividades de todos os integrantes de suas equipes, sem
prejuízo para as rotinas dos Processos.
A DIBD está no início de suas atividades de Gestão de Projetos, mas já obteve um
grande avanço para o setor público. Seus projetos em sua maioria ainda são de âmbito interno,
com algumas iniciativas de parcerias externas e buscam não impactar nas atividades
principais que são provenientes de seus Processos (Seções). Há ainda um longo caminho a
percorrer, servindo de motivação para o aprimoramento das atividades. Nesse sentido, o
benchmarking e a busca pela excelência podem ser ferramentas propulsoras para a melhoria
da gestão de projetos. Esse esforço pode não somente melhorar a eficácia e oportunidades
internas, como melhor atender às demandas e satisfação dos clientes, tendo em vista à
aplicação dos princípios da qualidade às etapas dos projetos.
Como recomendações para a manutenção do Sistema de Gestão de Projeto, merecem
destaque:
S Aprimoramento da visão sistêmica;
S A adequação estratégica deve ser compreendida por todos;
S A tomada de decisões deve ter como base àquilo que a organização pretende ser no
futuro;
S As lideranças devem apresentar e defender seus projetos com entusiasmo e
credibilidade;
S As equipes devem ser esclarecidas quanto à diferença que há entre a administração
dependente de reações externas e a gestão de projetos com foco no futuro e no
sucesso da organização;

2831

�S Todos os funcionários da organização devem compreender os benefícios da gestão
de projetos;
S As melhorias na gestão de projetos devem passar por um aperfeiçoamento
contínuo;
S O apoio da alta administração aos projetos deve existir ostensivamente de modo a
conseguir equilibrar a interface entre o gerente do escritório, os gestores de áreas
técnicas e gerentes ou coordenadores de projetos;
S Valorização e apoio contínuo ao Sistema de Gestão de Projetos por parte da alta
administração.
Os relatos de experiência normalmente apresentam resultados específicos a um
determinado contexto e por isso não são passíveis de generalizações, porém, espera-se que o
presente trabalho possa servir de referência para novos estudos e para a implantação de um
Sistema de Gestão de Projetos em bibliotecas universitárias ou centros de informação,
facilitando o processo e contribuindo para a melhoria do gerenciamento de projetos nessas
organizações.

6 REFERÊNCIAS
DINSMORE, P.C. Como se tornar um profissional em gerenciamento de projetos. Rio de
Janeiro: QualityMark, 2004.
IACZINSKI, A.; SCARPIN, J.V. Os quatro principais problemas para a implantação de
escritórios de projetos em prefeituras municipais - e as suas lições aprendidas.
Disponível

em: http://gpm.gid-ufs.org/wp-content/uploads/2012/04/atividade-extra.pdf.

Acesso em: 26 jul.2013
MARCHIORI, P.Z. “Ciberteca" ou biblioteca virtual: uma perspectiva de gerenciamento
de recursos de informação. Ciência da Informação, v. 26 n. 2, Brasilia May/Aug. 1997.
Disponível

em:&lt;

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S01009651997000200002&amp;script=sci arttext&amp;tlng=es&gt;
Acesso em: 26 ago. 2012.
MORELLI, S. Gestão de custos em projetos: uma aplicação prática do uso do EVMS. 2007.
114p. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Escola Politécnica, Universidade de São
Paulo, São Paulo, 2007.
PICCHIAI, D. Estruturas organizacionais modelo. São Paulo: UNIFESP; Secretaria de
Planejamento,

2010.

Disponível

em:

http://dgi.unifesp.br/seplan/templates/docs/seplan-

modelos de estruturas organizacionais material.pdf&gt; Acesso em: 14 jul.2013

2832

�PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conhecimento em gerenciamento
de

projetos

(guia

PMBOk).

4.ed.

Newtown

Square,

2008.

Disponível

em:&lt;

http://www.tecgraf.puc-rio.br/~bia/Estudo/PMBOK%202008%20Português.pdf&gt; Acesso em:
05 maio 2013.
RABECHINI JUNIOR, R.; CARVALHO, M.M. de (Org). Gerenciamento de projetos na
prática: casos brasileiros. São Paulo: Atlas, 2009. 250p.
VARGAS, R.V. Manual prático do plano de projeto: utilizando o PMBOK Guide® aprenda a construir um plano de projeto passo a passo através de exemplos. 3. ed. Rio de
Janeiro: Brasport, 2007. Disponível em: &lt; http://issuu.com/ricardo.vargas/ docs/manualprat&gt;.
Acesso em: 18 ago.2013.

2833

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Implantação de um Sistema de Gestão de Projetos na Divisão de Bibliotecas (DIBD) da Escola Superior de Agricultura "Luz de Queiroz" (ESALQ)</text>
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                <text>As transformações no âmbito das inovações e dos recursos tecnológicos que vem ocorrendo no ambiente das bibliotecas já são percebidas por seus usuários, seja por meio dos novos formatos e ferramentas disponibilizados para a pesquisa ou das informações virtuais, eletrônicas ou digitais. Esse cenário com novas demandas vem exigindo a modernização de seus conceitos / atividades, a reavaliação de seus produtos / serviços e a forma de desenvolvêlos. A Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de Agricultura ―Luiz de Queiroz‖ (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP) buscou um formato diferenciado para implementar essas ações e pretende compartilhar essa experiência, iniciada com a implantação de um Sistema de Gestão de Projetos, atuando como um ―Escritório de Projetos‖, isto como uma oportunidade e solução para acompanhar esse contexto de mudanças e gerenciar os projetos da biblioteca. Melhorar a qualidade e eficiência dos seus processos, inovar e estimular o desenvolvimento de atividades por meio de projetos alinhados aos objetivos estratégicos da organização com um gerenciamento mais eficaz fez parte de seus desafios. A pesquisa bibliográfica foi fundamental para fortalecer o conceito da gestão de projetos e para conhecer a metodologia e as ferramentas disponíveis para a gestão da informação no âmbito dos projetos. A área criada se constitui como o local ideal para a concretização desses objetivos, uma vez que se propõe a orientar, planejar, organizar, controlar e finalizar as atividades dos projetos, com a implantação de metodologias, padrões e ferramentas para a sua gestão online. Centralizar o conhecimento e a documentação, disponibilizando as informações para utilização em projetos futuros e se consolidar como um espaço para o time do projeto obter suporte faz parte de suas responsabilidades, de modo a garantir o sucesso dos empreendimentos e a sobrevivência da organização.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO COMO GESTOR DE AMBIENTES VIRTUAIS
DE INFORMAÇÃO
Carlos Alberto Ferreira
Vanessa Mafra Xavier Salgado

RESUMO
Aborda o perfil do bibliotecário como gestor de ambientes virtuais de informação. Adota a
pesquisa bibliográfica como fonte de informação e estudo. Analisa o surgimento das teorias
da Administração e sua importância no trabalho do gestor. Esclarece o perfil do
administrador, determinando suas funções e habilidades necessárias para o bom
desenvolvimento de uma organização. Aponta o conceito de uma biblioteca e o surgimento de
variados ambientes de informação. Apresenta a diferença entre bibliotecas digitais e virtuais.
Realiza um comparativo entre ambientes tradicionais e virtuais de informação. Contextualiza
os princípios da Administração no processo de gestão de bibliotecas. Avalia a atuação do
gestor na era tecnológica e as mudanças na rotina profissional. Identifica alguns componentes
relevantes na criação de bibliotecas digitais e virtuais. Destaca os desafios enfrentados pelos
gestores no cenário virtual. Conclui com ênfase na relevância das teorias administrativas na
prática da gestão de bibliotecas e analisa a importância do bibliotecário como gestor de
ambientes virtuais, destacando suas habilidades, responsabilidades e atitudes necessárias para
o sucesso da profissão.
Palavras-chave: Bibliotecário. Gestão de ambientes virtuais. Gestão de bibliotecas digitais.
Gestão de bibliotecas virtuais.
ABSTRACT
Discusses the profile of librarian as Manager of virtual information environments. Adopts the
bibliographical research as a source of information and study. Examines the emergence of the
theories of governance and its importance in the work of the Manager. Clarifies the
Administrator profile, determining their functions and skills necessary for the proper
development of an organization. Points out the concept of a library and the emergence of
varied information environments. Presents the difference between digital and virtual libraries.
Performs a comparison between traditional and virtual information environments.
Contextualizes the principles of Administration in case management of libraries. Evaluates
the performance of the Manager in the technological age and changes in professional routine.
Discusses the information worker as Manager of virtual information environments and
identifies some relevant components in the creation of digital and virtual libraries. Highlights
the challenges faced by managers in the virtual scenario. Concludes with emphasis on
relevance of administrative theories in practice of managing libraries and analyzes the
importance of librarian as Manager of virtual environments, highlighting your skills,
responsibilities and attitudes necessary for the success of the profession.
Keywords: Librarian. Management of virtual environments. Management of digital libraries.
Management of virtual libraries.

1747

�1 INTRODUÇÃO
A pesquisa apresenta a atuação do bibliotecário como gestor de ambientes virtuais de
informação. É importante que o profissional esteja sempre atento aos avanços tecnológicos,
que proporcionam mudanças na rotina de atividades do bibliotecário.
A partir de um contexto administrativo, é possível avaliar as Teorias da Administração
e perceber como ocorre o processo de gestão nas organizações. A ideia sobre o perfil do
administrador e suas funções permite entender a importância deste profissional para o sucesso
de um planejamento organizacional.
Em um segundo momento, analisamos o conceito de uma biblioteca e sua evolução
com o crescimento informacional. Os ambientes de estudos e pesquisas adquirem novas
ferramentas de armazenamento e acesso aos documentos, formando novas definições e
nomenclaturas para a antiga biblioteca tradicional, como as bibliotecas digitais e virtuais. Ao
saber identificar e compreender os novos ambientes, é possível avaliar as particularidades de
um gestor responsável por estes modelos de informação.
Posteriormente, abordamos o processo de gestão especificamente em bibliotecas, as
quais são reconhecidas e tratadas como organizações; e entendemos que essa atividade é
relevante em qualquer área do conhecimento. O estudo apresenta as tarefas do bibliotecário
gestor, fazendo uma contextualização com a Teoria Clássica e as funções gerenciais de
Mintzberg (2010), comprovando a grande importância da Teoria Geral da Administração na
gerência de bibliotecas.
Em um último momento, é discutida a chegada da tecnologia nas organizações e o seu
impacto no trabalho da gestão. Com os novos ambientes informacionais, em uma era
globalizada, compreendemos o papel dos gestores neste cenário virtual como um todo, ou
seja, suas responsabilidades, mudanças e desafios, tanto em bibliotecas digitais como virtuais.
É preciso que o bibliotecário esteja sempre atualizado e capacitado para as novas exigências
do mercado, sendo flexível para adequar-se às transformações tecnológicas. Atualmente, a
tendência dos acessos remotos está em constante evolução, sendo essencial a preparação dos
profissionais para uma gestão cada vez mais eficaz.

2.DIALOGANDO COM A ADMINISTRAÇÃO
A administração deve ser vista como uma área de suma importância no mercado, pois
através dela, é possível estabelecer critérios para que as tarefas de uma empresa sejam
executadas de forma ideal, proporcionando o alcance do objetivo final. A partir dessa ideia
inicial, entendemos que o ato de administrar, segundo Chiavenato (2006), tem como atividade

1748

�básica “fazer as coisas através das pessoas”, ou seja, gerar resultados por meio do trabalho de
uma equipe.
Como ponto de partida, a compreensão do estudo da Teoria Geral da Administração
torna-se relevante. De acordo com Chiavenato (2006), a teoria representa o “campo do
conhecimento humano que se ocupa do estudo da Administração em geral”, independente do
tipo de organização. O foco do estudo é ensinar o profissional a pensar e solucionar
problemas complexos, e não apenas formar um executor de tarefas. A partir desse conceito,
conseguiremos assimilar todo o processo adiante.
O estudo da Administração sofreu uma grande evolução, o que mostra as diversas
teorias publicadas na literatura.

A Teoria Geral da Administração começou com o que chamaremos de
"ênfase nas tarefas" (atividades executadas pelos operários em uma fábrica),
com a Administração Científica de Taylor. A seguir, a reocupação básica
passou para a "ênfase na estrutura" com a Teoria Clássica de Fayol e com a
Teoria da Burocracia de Weber, seguindo-se mais tarde a Teoria
Estruturalista da Administração. A reação humanística surgiu com a "ênfase
nas pessoas", através da Teoria das Relações Humanas, mais tarde
desenvolvida pela Teoria Comportamental e pela Teoria do desenvolvimento
Organizacional. A "ênfase no ambiente" surgiu com a Teoria dos Sistemas,
sendo completada pela Teoria da Contingência. Esta, posteriormente,
desenvolveu a "ênfase na tecnologia". Cada uma dessas cinco variáveis tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia - provocou a seu tempo
uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no
desenvolvimento da TGA (CHIAVENATO, 1996, p. 76).

Ao analisarmos as primeiras teorias deste estudo, chegamos a Frederick Winslow
Taylor e Henry Fayol, sendo o primeiro um engenheiro americano e o segundo um
engenheiro europeu. Taylor defende os princípios da administração focados no operário,
enquanto Fayol acredita na eficiência das organizações para atingir os resultados esperados.
A administração Científica de Taylor, segundo Chiavenato (2006), determina os
seguintes princípios: planejamento, preparo, controle e execução. O planejamento consiste na
substituição do uso de critérios próprios pela execução de procedimentos científicos; o
preparo utiliza o planejamento como base e trabalha na seleção e capacitação dos
trabalhadores de acordo com seus perfis, preparando-os para produzirem mais e com melhor
qualidade; o controle é colocado em prática no decorrer das atividades, momento em que a
gerência verifica se tudo está acontecendo de acordo com o planejamento definido,
cooperando sempre com os trabalhadores; e, por último, definimos a execução como a
distribuição das atribuições entre os trabalhadores, para que haja ordem durante a produção.

1749

�Para Fayol, em sua Teoria Clássica, os elementos da administração são divididos da
seguinte forma: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. A previsão consiste na
visualização do futuro e a construção de um plano de ação; a organização considera o lado
material e social da empresa; o comando representa a direção e a orientação das pessoas; a
coordenação busca unir e harmonizar todas as produções coletivas; e, por fim, encontramos o
controle, que pretende verificar se tudo está funcionando de acordo com as regras
estabelecidas.
Percebemos que o desenvolvimento do estudo da Administração identifica variados
pontos de vista e enfoques, como demonstra as teorias de Taylor e Fayol, além de tantas
outras mencionadas anteriormente. Entretanto, todos são válidos atualmente. De acordo com o
tipo de organização e as situações enfrentadas pelo administrador, este deverá ser capaz de
compreender qual direcionamento é necessário seguir em cada processo.
As organizações desempenham atividades com ou sem fins lucrativos e, em geral,
possuem uma característica básica, conforme ensina Schermerhorn (2007): uma organização é
um conjunto de pessoas que trabalham em busca de um objetivo comum. Ainda segundo o
autor, todas as organizações apresentam o mesmo propósito amplo: transformar recursos em
serviços para o cliente, ou seja, utilizar tecnologia, informação e outros materiais para
produzir e fornecer bens ou serviços aos consumidores. Realizando o trabalho de forma
satisfatória, com um feedback positivo do cliente, a organização justifica sua existência no
mercado.
Considerando ainda as atuações dentro de uma organização, Chiavenato (2006) aborda
o conjunto dessas ações de forma sistêmica, ou seja, denomina sistema como “um todo
organizado ou complexo; um conjunto ou combinação de coisas ou partes, formando um todo
complexo ou unitário”. Em outras palavras, as organizações são tratadas como sistemas, pois
a união de seções, setores ou departamentos, se coordenadas adequadamente, pode garantir
bons resultados e gerar lucros.
Quanto à natureza, Chiavenato (2006) cita dois tipos de sistemas: fechados, quando a
organização atua sem a influência de fatores externos, ou seja, é visualizada de forma
individual, com todas as atividades ocorrendo em um único ambiente; e abertos, quando há
intercâmbio com o ambiente, por meio da entrada de recursos e saída de serviços, produzindo
feedback do cliente.
A figura abaixo mostra o ciclo de um sistema aberto, como é denominado na literatura,
onde há uma interação de ambientes que atuam em um processo contínuo.

1750

�Figura 1 - A Organização como um sistema aberto
O a m b ie n te
P ro p o rc io n a

A o rg a n iz a çã o tra n sfo r m a

Entrada de
Recursos:

P essoas
D inheiro
T ecn ologia
M ateriais

4

/
/

P rocessos de
Transformação:

\

Trabalho
converte
R ecursos em
resultados

\

O a m b ie n te
co n so m e

Saídas de
Recursos:

\

/
/

Produtos
ou
S erviços

R etro a ç à o do clien te

_

_______

1

FONTE: Gestão e Qualidade, 2012.

Sendo assim, analisando os trabalhos de Taylor e Fayol, entendemos que, em suas
abordagens, as organizações são consideradas como sistemas fechados, onde as tarefas são
planejadas, particionadas e executadas com foco último no resultado final.

2.1 PERFIL E FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR
O administrador possui diversas responsabilidades que obedecem a dinâmica de cada
ambiente. Toda organização apresenta seus recursos e metas particulares, trabalhando com um
profissional capacitado para aquele tipo de operação. “O administrador soluciona problemas,
dimensiona recursos, planeja sua aplicação, desenvolve estratégias, efetua diagnósticos de
ações etc., exclusivos daquela organização” (CHIAVENATO, 2006).
O trabalho não é simples e exige mais do que um conhecimento teórico sobre o
assunto. Ainda nas palavras de Chiavenato (2006), encontramos três habilidades que são
necessárias para o administrador e que possibilitam o desenvolvimento eficaz da organização:
técnica, humana e conceitual. A primeira consiste em um conhecimento técnico da área, além
de experiência; a segunda caracteriza a capacidade de trabalhar com pessoas e compreendêlas no seu modo de agir, praticando liderança; e por último, temos o entendimento do conceito
da empresa, compreendendo suas dificuldades e ajustando as pessoas de acordo com o perfil
da organização. Tais habilidades variam em função do nível administrativo em que o
profissional se insere, seja como supervisor ou no mais alto nível hierárquico, exigindo maior
ou menor enfoque na atuação das mesmas.

1751

�As funções administrativas, exercidas dentro de uma organização, devem ser divididas
adequadamente, de acordo com as competências de cada indivíduo. Segundo Chiavenato
(2006), a eficiência só estará presente se houver ordem nas tarefas do ambiente. Portanto, o
autor afirma que toda organização formal necessita de uma hierarquia ou princípio escalar. A
alta direção corresponde ao nível institucional da organização, onde a liderança atua
desenvolvendo as estratégias necessárias para atingir o objetivo da empresa; a gerência
encontra-se no nível intermediário, administrando todo o trabalho planejado pela direção; e a
supervisão representa o nível operacional, ou seja, a execução das atividades. Abaixo,
podemos compreender a relação entre os níveis hierárquicos e as habilidades adequadas para
cada profissional.
Figura 2 - Os níveis hierárquicos na administração

Fonte Adaptado de Souza (2013).

Portanto, percebemos que quanto mais próximo do topo, maior a complexidade do
cargo e suas habilidades. A partir desta estrutura hierárquica, ao avaliarmos o nível gerencial,
fica claro que há uma concentração de características e responsabilidades presentes neste
administrador, ou seja, além de colocar em prática os objetivos institucionais, é necessário
que este profissional garanta a eficiência dos serviços e possua um bom relacionamento
interpessoal para lidar com os trabalhadores, gerando harmonia, incentivo e produtividade.
As atividades exercidas pelo gestor são de extrema importância para que a
organização mantenha um bom funcionamento. O profissional precisa atuar de forma
estratégica, seguindo um conjunto de ações abordadas na literatura pesquisada.
Primeiramente, as funções básicas apresentadas por Fayol (1949 apud Chiavenato
1996) eram: planejar, organizar, controlar, coordenar e comandar no ambiente organizacional.
Mais tarde, cerca de 80 anos depois, Mintzberg (2010) cita um jornal de Montreal que
descrevia a administração como: planejamento, organização, direção e controle. Segundo
Schermerhorn (2007), o processo novamente resume-se em: planejar, organizar, liderar e

1752

�controlar. Aponta ainda que todos os gerentes, independente do nível, cargo ou tipo aos quais
se inserem, são responsáveis por todas as funções. A execução das atividades deste processo
pode ser realizada em ordem aleatória, não necessitando de uma atuação em etapas, pois na
verdade todas são colocadas em prática a todo instante, em várias oportunidades.

Figura 3 - As funções gerenciais

Fote: Adaptado de Schermerhorn (2007).

O que se pretende dizer é que, apesar das atribuições já identificadas na literatura, a
prática de gerir vai além do que mostra a teoria. A prática é bem mais complexa, pois a rotina
de um gestor não permite intervalos ou descansos. O ritmo acelerado dos gerentes é citado por
Mintzberg (2010), que justifica essa característica apontando que “todos os gerentes são
responsáveis pelo sucesso da unidade, mas não existem marcos tangíveis em que podem dizer
‘agora meu trabalho está encerrado’”. O autor ainda relata a resposta de um gerente que
obteve acesso aos seus escritos, que disse: “Você me faz me sentir tão bem! Eu achava que
todos os outros gerentes estavam planejando, organizando, coordenando e controlando,
enquanto eu estava sempre sendo interrompido, pulando de um problema para o outro e
tentando segurar o caos”.
Portanto, para Mintzberg (2010), “o resultado é que a gestão é um trabalho que nos
absorve permanentemente: o gestor nunca está livre para se esquecer do trabalho, nunca tem o
prazer de saber, ainda que temporariamente, que não há nada por fazer”. A pressão e o esforço
diário são frequentes e indicam a complexidade da atuação de um gestor, que assume o papel
de manter a qualidade da organização, assegurando a satisfação de seus clientes.

1753

�Em ambientes virtuais como unidades de informação é cada vez mais latente a visão
da gestão por parte dos bibliotecários, visto que as bibliotecas são partes chamadas
fundamentais das organizações devendo assim auxiliar no negócio final.

3. A GESTÃO EM BIBLIOTECAS
As atividades relacionadas à gestão não estão presentes somente na área da
administração. Muito embora a prática de gerir esteja ligada ao campo administrativo na
literatura, a tendência dos diversos profissionais da atualidade tem sido buscar maior
capacitação, além das organizações terem aumentado suas necessidades quanto a
participações mais decisórias em seus setores.
O ato de gerir nas diversas áreas do conhecimento é identificado por Drucker (2011.
P.128), apontando que
muitos administradores são gestores - mas não todos. Em contrapartida,
muitos não administradores estão também se tornando gestores na sociedade
moderna, porque a organização do conhecimento, tal como aprendemos
nesses poucos últimos anos, necessita tanto de “administradores” como de
“colaboradores profissionais individuais” em posição de responsabilidade,
de autoridade e de decisão.

Dentre os mais variados campos da ciência, destacamos a área da biblioteconomia
como participante ativa no desenvolvimento das atuações gerenciais atualmente. Essa prática
justifica-se devido às constantes inovações tecnológicas e às exigências do mercado por uma
prestação de serviços com maior qualidade, atendendo às necessidades dos usuários.
Ao considerarmos a biblioteca como um ambiente que apresenta departamentos ou
setores variados e que, para desenvolver, necessita da aplicação de funções gerenciais para o
alcance de objetivos definidos, compreendemos que esta unidade de informação pode ser
visualizada como uma organização. Dessa forma, Maciel e Mendonça (2006. P.86) mostram
que
seja qual for a categoria e a realidade em que se enquadre, a biblioteca deve
ser vista como uma organização, como uma empresa, a maioria das vezes,
com fins não - lucrativos, com resultados programados e avaliados
constantemente. [...] Um modo de facilitar o seu gerenciamento e
acrescentar qualidade aos seus produtos e serviços, evidenciando o seu papel
social junto às comunidades envolvidas.

Na concepção de Mendonça (2005), a biblioteca tradicional representa uma
organização que atua como um sistema aberto, pois está

1754

�inserida no meio ambiente que a cerca, influenciando-o e, ao mesmo tempo,
sendo influenciada por ele, composta de funções e atividades relacionadas
com a formação, desenvolvimento e organização de coleções (funções meio)
e com a disseminação e recuperação da informação (funções fim),
produzindo produtos e serviços que satisfaçam às necessidades
informacionais de seus usuários.

Entretanto, entendemos que, independente do ambiente da biblioteca, seja ela
tradicional, digital ou virtual, a presença de um gestor torna-se essencial para o cumprimento
das metas de sua instituição mantenedora. Ainda que a finalidade dessa unidade
informacional não seja lucrativa, o fato é que o papel de um gerente é colaborar para que a
organização atinja seus principais objetivos, gerando satisfação dos clientes e garantindo o
sucesso no mercado. Há quem acredite que o trabalho de um gestor é direcionado apenas para
alcançar um retorno financeiro, porém a realidade atual nos mostra a verdadeira posição de
um gerente, que se preocupa com sua equipe e, juntos, buscam um feedback positivo de seu
público-alvo.
Sendo assim, entendemos que qualquer que seja a organização, o empenho do gestor é
fundamental, tanto para ajudar a realizar a missão proposta pela empresa, quanto para manter
o padrão de qualidade dos produtos e serviços. Dessa forma, para que o desenvolvimento de
uma organização atenda às exigências necessárias e prossiga com um bom desempenho, o
gestor precisa conhecer o funcionamento do próprio ambiente e acompanhar as evoluções
presentes no mercado. “O reconhecimento de problemas, sua localização e seu possível
equacionamento só podem ser realizados a partir da perspectiva do observador dentro da
estrutura onde eles ocorrem” (MACIEL; MENDONÇA, 2006).
Diante da importância deste profissional nas organizações, avaliamos que, no contexto
biblioteconômico, o gestor deverá compreender o propósito da unidade em que trabalha,
acompanhando os objetivos da instituição e utilizando as ferramentas gerenciais vistas no
capítulo anterior.
Para melhor compreendermos o papel do bibliotecário como gestor, encontramos nas
palavras de Cunha e Cavalcanti (2008, p.65), a definição de diretor da biblioteca, que
significa uma
pessoa responsável pela supervisão das operações de uma biblioteca, rede ou
sistema de bibliotecas. Dependendo do tamanho da biblioteca e da estrutura
organizacional à qual está vinculado, o diretor pode receber diversas
denominações, p.ex.: administrador da biblioteca, chefe da biblioteca,
gerente da biblioteca, supervisor da biblioteca.

1755

�Ainda nas palavras de Cunha e Cavalcanti (2008), o conceito de administração
bibliotecária esclarece outros pontos, complementando que trata-se de um
conjunto de tarefas relacionadas com a supervisão das atividades e funções
inerentes a uma biblioteca. Também podem incluir a motivação dos recursos
humanos, obtenção de recursos financeiros e avaliação dos resultados
visando o aprimoramento dos produtos e serviços informacionais.

Portanto, compreendemos a ideia de Motta (1998 apud Maciel e Mendonça, 2006), ao
declarar que “a capacidade gerencial é mais rara, exige habilidades mais complexas:
capacidade analítica, de julgamento, de decisão e liderança e de enfrentar riscos e incertezas”.
Diante disso, fica claro que, para realizar um gerenciamento eficaz, mantendo a qualidade dos
serviços prestados ao público, o trabalho do bibliotecário gestor requer conhecimento,
competência, habilidades e desafios nos ambientes informacionais atuais, os quais serão
abordados nos próximos tópicos.

3.1 O PERFIL DO GESTOR DE BIBLIOTECAS NO CONTEXTO DA TEORIA
CLÁSSICA
A atuação do gestor de bibliotecas em nada difere do gestor administrativo,
mencionada anteriormente. Considerando a Teoria Clássica de Fayol, recordamos os
elementos do processo de gestão, denominados: planejamento, organização, direção e
controle. Para Maciel e Mendonça (2006), as tarefas descritas nas etapas do processo de
gestão estão claramente relacionadas ao perfil do bibliotecário responsável por uma unidade
de informação, conforme veremos a seguir.
Ao recapitularmos as características das etapas gerenciais, temos como primeiro passo
o planejamento, onde o foco é estabelecer elementos para alcançar um objetivo comum, ou
seja, não utilizar a improvisação e preparar, com cautela, as ações futuras para obter
resultados satisfatórios. Nas unidades de informação, é preciso conhecer o ambiente que será
trabalhado, tanto externamente, estudando a missão da instituição mantenedora comparada às
demais organizações do ramo, como internamente, conhecendo a rotina da unidade e seus
recursos, caso a biblioteca já exista. Esta fase, portanto, representa a realização de um
diagnóstico local, que visa o reconhecimento do ambiente de informação e planejamento de
ações para a construção ou aprimoramento da unidade.
Em seguida, as atividades da organização baseiam-se na utilização de critérios para a
construção de uma estrutura organizacional, ou seja, consiste na definição das funções que
serão exercidas, determinando a divisão hierárquica da equipe, além de selecionar os

1756

�componentes necessários para que a dinâmica organizacional se torne possível. Visualizando
esta etapa em uma unidade de informação, temos como funções o ato de selecionar e adquirir
obras, processá-las tecnicamente e disseminá-las no setor de referência. Estas atividades
podem ser configuradas hierarquicamente, de acordo com o perfil da instituição, sendo mais
ou menos particionadas em setores. Os componentes são todos os itens indispensáveis para o
bom andamento da produção, como coleções, equipamentos, mobiliário, dentre outros.
Em outro momento, abordamos a direção como o acompanhamento das tarefas
determinadas na fase da organização. A prática é contínua e observa a execução das ações
desejadas. No ambiente informacional, esta atuação é identificada pelo gerenciamento
aplicado pelo bibliotecário gestor, que coordena todo o processo, garantindo o resultado
esperado. O profissional é responsável pelas tomadas de decisão, documentando suas ações,
em busca de uma equipe organizada e preparada para futuras gestões. Além disso, faz parte
de sua rotina lidar com o meio externo, como editoras, livrarias, provedores de acesso à
internet, que fornecem os recursos essenciais para a eficácia dos serviços.
Outro grande passo indispensável para manter a qualidade de uma organização é o
controle, onde apontamos a existência de uma avaliação do desempenho, tanto da equipe,
como da escolha das ações executadas. Esta etapa realiza a verificação de todo o processo,
analisando os erros e reajustando os pontos considerados desfavoráveis para alcançar a meta
programada. Diante disso, o gerente de uma biblioteca avalia se os resultados atendem às
necessidades e exigências planejadas inicialmente. Vale ressaltar que as correções podem ser
implementadas não somente na forma com que as tarefas são executadas, mas sim na proposta
de novas ideias e objetivos, ou seja, alterar os planos e as estratégias como um todo.
A revisão crítica dos resultados é uma tarefa nada simples, de forma que Ferreira
(1983 apud Maciel e Mendonça, 2006) explica que “avaliar não é ficar assistindo de camarote
como a ação se desenvolve. O que na verdade tem que ser feito é interferir nela, mudá-la,
sempre que comece a se mostrar furada, arriscando a não levar aos objetivos que se pretende
atingir”. As autoras citam ainda que os formulários estatísticos e os relatórios são exemplo de
documentos que são grandes instrumentos de coleta de dados e verificação contínua dos
serviços.
Dessa forma, analisamos que, as tarefas exercidas por um gestor de bibliotecas segue a
mesma linha apresentada na Teoria Clássica da Administração. O trabalho em equipe e a
busca por resultados possuem foco em um objetivo comum, acreditando na eficiência das
organizações e obedecendo a um conjunto de elementos interligados e indispensáveis para o
sucesso de qualquer tipo de organização.

1757

�3.2 AS FUNÇÕES GERENCIAIS DE MINTZBERG NOS AMBIENTES DE
INFORMAÇÃO
A abordagem de Mintzberg (1977 apud Maciel e Mendonça 2006), questiona a
atuação do gestor somente nas tarefas relacionadas a planejamento, organização, direção e
controle. Segundo o autor, as atribuições vão além, fazendo com que o gestor se envolva em
assuntos variados durante o dia, resolvendo problemas, frequentando reuniões, atendendo
telefonemas, negociando e estreitando as relações interpessoais.
No contexto das bibliotecas, o ritmo de trabalho também é intenso. Diante disso, fica
clara a necessidade de apresentar as atribuições de um gestor que acompanha a rotina atual do
mercado e vivencia a dinâmica acelerada de uma organização. De acordo com Mintzberg
(1977 apud Maciel e Mendonça 2006), as funções gerenciais são divididas em três categorias:
funções interpessoais, funções informacionais e funções decisórias. Em cada uma delas, o
gerente exerce papéis diferenciados, que serão discutidos adiante e inseridos na rotina dos
bibliotecários gestores.
Nas funções interpessoais, o gerente assume os papéis de representante da
organização; líder e realizador de contatos. Estas funções retratam a posição que o gestor
ocupa, sendo uma pessoa que se comunica interna e externamente, em nome da organização.
Contudo, tais atribuições são identificadas em um bibliotecário gestor quando ele recepciona
visitantes e participa de eventos oficiais na posição de representante da organização; quando
treina sua equipe e incentiva as pessoas no exercício da liderança; e quando estabelece
relações de comunicação internas e externas, adquirindo informações válidas para o
crescimento institucional, na realização de contatos.
Nas funções informacionais, o gestor assume os papéis de monitor; disseminador e
porta-voz. O gerente de bibliotecas é considerado monitor quando capta informações
relevantes acerca de cursos, novas publicações e eventos interessantes para sua equipe; é um
disseminador quando repassa estas informações aos seus funcionários; e é um porta-voz
quando fala em nome da organização.
Por fim, chegamos aos papéis trabalhados nas funções decisórias, identificados como
empreendedor; conciliador; alocador de recursos e negociador. O bibliotecário gestor ocupa a
posição de um empreendedor quando apresenta novas ideias que contribuirão para o
desenvolvimento institucional; é visto como conciliador no momento em que busca aliviar
tensões, principalmente quando recebe reclamações de usuários; é considerado um alocador
de recursos quando determina quem serão os responsáveis pelo recebimento de determinados

1758

�recursos nos variados setores; e atua como negociador quando interage com pessoas em busca
de melhorias, seja com usuários, fornecedores, funcionários ou superiores.
Sendo assim, compreendemos que o gerente de bibliotecas, assim como qualquer
outro gerente organizacional atua de forma dinâmica, e não apenas seguindo a teoria clássica
de Fayol. Além desta visão, o gestor das unidades de informação realiza uma série de
responsabilidades apresentadas por Mintzberg, que podem ser colocadas em prática
separadamente ou ao mesmo tempo. Dessa forma, o autor consegue apontar a realidade do
gerente e seus inúmeros contratempos durante a execução de seus planos de ação.

4 O GESTOR E O MEIO TECNOLÓGICO
A era tecnológica trouxe consigo inúmeras mudanças no cotidiano das organizações,
já que os novos recursos da informática permitiram que as atividades passassem a ser
realizadas de forma rápida, com maior interação entre as pessoas, aumentando a escala de
produção e a competitividade no mercado. Toda essa transformação também gera maiores
responsabilidades e desafios, não só para a gerência, como também para toda a equipe, que
deve colaborar para manter a qualidade dos serviços. O assunto é destacado por Chiavenato
(1999), quando relata que “na era da informação, as organizações requerem agilidade,
mobilidade, inovação e mudanças necessárias para enfrentar as novas ameaças e
oportunidades em um ambiente de intensa mudança e turbulência”.
Vale ressaltar que, embora o cenário tecnológico torne mais rápido o desenvolvimento
das ações, é necessário que o gestor seja cauteloso na execução das tarefas, evitando que
sejam realizadas de forma automática e acelerada. É preciso que o gerente sempre reflita
sobre suas decisões, fazendo as coisas certas.

Gerentes mais bem informados, capazes de se comunicar mais rapidamente,
podem desenvolver empresas mais rápidas e competitivas, desde que possam
lidar com as mudanças. Alguns podem conseguir aceitá-las bem; outros
podem ser levados a agir com mais rapidez e menos reflexão, conformandose mais e pensando menos. Infelizmente, temo que a segunda categoria
esteja crescendo (MINTZBERG, 2010, p.44).

O avanço do uso de computadores trouxe uma grande facilidade de comunicação e
resolução de problemas, porém o conhecimento do gestor permanece insubstituível por
qualquer meio eletrônico.

1759

�O computador é uma máquina lógica, e nisso consiste sua força - mas
também sua limitação. Os acontecimentos importantes do exterior não
podem ser relatados de modo que um computador (ou qualquer outro
sistema lógico) possa vir a utilizar. O homem, porém, embora não seja
particularmente lógico, é perceptivo - e essa é sua força (DRUCKER, 2011,
p.132).

Nesse contexto, avaliamos o bibliotecário gestor como um profissional que também
enfrenta as mudanças geradas pelo avanço da tecnologia. As bibliotecas ganham novos
formatos e, com isso, o bibliotecário passa a conviver com outros cenários e desafios.
Considerando que as bibliotecas digitais e virtuais estão cada vez mais ocupando um
espaço relevante na área de estudos e pesquisas, onde a internet ganha destaque como
intermediária entre a informação e os usuários, analisamos que o profissional da informação é
fundamental em todo o processo de disponibilização destes materiais para consulta. De nada
adiantariam os recursos eletrônicos sem o trabalho minucioso dos bibliotecários na construção
desse ambiente.
Quanto ao aspecto da participação humana no processo, acredita-se que
continuará a existir, pois, mesmo em serviços oferecidos virtualmente, o
bibliotecário se faz presente, seja quando disponibiliza informações úteis a
seus usuários, seja quando aponta as melhores fontes ou quando apresenta a
resposta certa às questões apresentadas, fruto de seu conhecimento técnico
especializado, aliado à sua habilidade de lidar com as ferramentas advindas
das novas tecnologias e, principalmente, de sua experiência adquirida no
desempenho profissional (MENDONÇA, 2005, p.73).

Sendo assim, para que a informação disponível no meio virtual esteja sempre
organizada e, principalmente, que atenda adequadamente às necessidades dos usuários, o
bibliotecário precisa gerir satisfatoriamente esse ambiente, exercendo atividades importantes
que veremos a seguir.

4.1 O BIBLIOTECÁRIO NA GESTÃO DE AMBIENTES VIRTUAIS DE
INFORMAÇÃO
De acordo com o que abordamos sobre bibliotecas digitais e virtuais, compreendemos
que ambas são consideradas ambientes virtuais de informação, que disponibilizam
documentos digitais e livre acesso ao conteúdo. Diante disso, a gestão desses ambientes tornase equivalente, de modo que, os cuidados necessários para a criação de um banco de dados
digital são igualmente importantes e fundamentais na construção dos dois tipos de unidades
de informação.

1760

�O profissional da informação vem contribuindo cada vez mais com a organização do
conhecimento, já que a inovação tecnológica, ao passo que exige uma constante atualização
de sua rotina de trabalho, proporciona um avanço gradativo da técnica utilizada nos serviços
prestados. Com o desenvolvimento dos ambientes virtuais, o bibliotecário precisa aprimorar
suas habilidades técnicas, tanto no serviço de atendimento ao usuário quanto no
processamento técnico das informações disponíveis na rede.
A atuação deste profissional em um novo espaço é abordada por Mendonça (2005),
que ressalta a importância do aprendizado destas novas ferramentas tecnológicas, destacando
que
o surgimento da biblioteca virtual proporcionou uma transformação no
modus operandi das bibliotecas, principalmente no tocante ao atendimento
ao público, e o bibliotecário, intermediário entre o usuário e a informação,
precisa dominar as técnicas bibliográficas juntamente com as novas
tecnologias, para bem desempenhar seu papel neste novo cenário.

Ao analisar a gestão dos ambientes virtuais, percebemos novamente a presença das
etapas do processo de gestão definidas pela Teoria Clássica. A cada passo percorrido pelo
bibliotecário no desenvolvimento destas unidades de informação on-line, descobrimos a
importância da teoria administrativa na evolução deste profissional.
A gestão de ambientes digitais e virtuais acontece desde a construção destes espaços.
Neste momento, podemos identificar a fase que desenvolve o “planejamento” no processo de
gestão, ou seja, que estuda quais objetivos deverão ser alcançados na criação de uma
biblioteca on-line, conforme vimos anteriormente.
No caso das bibliotecas digitais, Cunha (1999) acredita que “não existe uma estratégia
única a ser empregada na implementação de uma biblioteca digital. As estratégias, tal como as
bibliotecas, nascem num determinado tempo e, obviamente, sofrem influências da cultura e
das situações econômico-financeiras”.
Em outra abordagem, Vicentini (2005) aponta alguns componentes importantes que
devem ser avaliados na criação de um ambiente de informação on-line: conteúdo, recursos
humanos, padronização, tecnologia, garantia de direito autoral e preservação do documento
digital.
O conteúdo de uma biblioteca é um item que merece atenção, principalmente quando
falamos de um ambiente on-line. A análise da informação que será disponibilizada deve ser
feita com foco no usuário, mas não somente naquele que frequenta a instituição, no caso das
bibliotecas digitais que também possuem espaços físicos, mas naquele usuário que acessa a
rede, de uma forma geral.

1761

�Assim como nas bibliotecas tradicionais, os ambientes virtuais também precisam de
qualidade nos recursos humanos. Quando Vicentini (2005) cita este componente, fica clara a
importância de contar com uma equipe capacitada e treinada para atuar neste formato.
Quanto à padronização, o bibliotecário deve optar por um formato de catalogação de
publicações, como MARC, por exemplo, além dos arquivos digitalizados, que podem ser
carregados em “.doc, .ps ou .pdf’; a fim de apresentar um ambiente organizado e bem
estruturado. O formato mais comum é o .pdf e a padronização favorece o gerenciamento da
coleção, porém o gestor não deve recusar o recebimento de materiais em outros formatos,
cabendo apenas orientar os autores sobre o modelo mais adequado ou assumindo a
responsabilidade de converter a obra para o formato desejado; sempre garantindo a igualdade
deste em relação ao documento original impresso.
A definição da tecnologia utilizada engloba a escolha de hardware, software (livre ou
proprietário), flexibilidade e facilidade de gerenciamento, protocolos de comunicação para
importar e exportar dados, dentre outros. Nesta análise, é importante verificar o quão rápido e
prático será o software utilizado, já que o “livre” pode ser manuseado sem necessidade de
autorização, além de ser adquirido e atualizado gratuitamente, enquanto que o “proprietário”
depende de alterações efetuadas somente pelo dono do programa. O software deve, portanto,
possibilitar a liberdade de gerenciamento, delimitando o que pode ser modificado e por qual
colaborador. Aqui, começamos a perceber a fase que desenvolve a “organização”, ou seja,
quando o gestor define critérios para a construção de uma estrutura organizacional, atribuindo
funções e responsabilidades para cada membro da equipe.
A questão dos direitos autorais é bem discutida nesse contexto. Vicentini (2005) indica
que os direitos sobre um documento digital são do autor, podendo este proibir a publicação da
obra. Para que haja facilidade no controle das autorizações, o autor apresenta um exemplo de
formulário contendo as seguintes opções fornecidas ao autor: 1 - autorizo a publicação do
documento digital; 2 - autorizo a publicação do documento digital após dois anos da
assinatura desta autorização; 3 - consulte-me após dois anos da data de assinatura desta
autorização para publicação do documento digital. Entretanto, o bibliotecário deve
conscientizar os autores sobre a importância da divulgação de suas obras digitais, refletindo
que, a disseminação gratuita de sua publicação via web, auxilia os usuários na busca pela
informação e no desenvolvimento de futuros trabalhos científicos.
Por último, analisamos a preservação do documento digital como um item que resume
toda a construção de um ambiente virtual, sendo ele o principal fator responsável pela criação
de um acervo on-line. A produção de livros na forma impressa, além de crescer a passos

1762

�largos, sofre o impacto do tempo após anos de existência e consultas. Sendo assim,
encontramos no meio virtual, uma possibilidade de preservar a memória da informação,
permitindo que os usuários acessem todo o conteúdo de maneira democrática, sem limites de
downloads, por tempo indeterminado.
De acordo com Vicentini (2005), é fundamental que, durante todo esse processo, o
bibliotecário gestor observe a flexibilidade e a capacitação de todos os funcionários, revisando
o fluxo das atividades desenvolvidas pela equipe. Ao analisarmos essa função do profissional,
conseguimos identificar a fase que desenvolve a “direção”, onde o gestor acompanha a
execução das tarefas, coordenando todo o processo, a fim de garantir o resultado esperado.
Em um último momento, verificamos que, como todo planejamento de ações, sua
execução gera resultados que devem ser avaliados. O objetivo desta análise é comprovar se os
documentos permitem o acesso direto dos usuários, sem burocracias e com garantia de
download simultâneo, sem prejuízo na performance do sistema. Em meio a essas observações,
notamos que esta fase representa o que chamamos de “controle” no processo de gestão, onde
é possível averiguar o desempenho das ações e se estas atendem às necessidades dos usuários.
Vicentini (2005) ainda reforça que, para manter o bom desenvolvimento das atividades, o
gestor aplica conceitos de qualidade, a fim de minimizar possíveis erros.
Ainda que todas as medidas sejam tomadas de maneira adequada, seguindo as
orientações apresentadas, o bibliotecário também deve refletir e trabalhar o conceito do
serviço de referência oferecido neste modelo de informação. “Fornecer um serviço de
referência automatizado aos utilizadores da biblioteca e modernizar o serviço tradicional é um
assunto complexo que os bibliotecários têm de enfrentar” (FERREIRA apud MENDONÇA,
2005).
Ao abordar este assunto, Mendonça (2005) aponta que muitas bibliotecas oferecem um
serviço de referência através de formulários disponíveis na web, links na homepage e e-mails.
Acredita-se que, em breve, serão adotados novos meios de comunicação entre bibliotecários e
usuários, como chats e mensagens instantâneas, que permitem um diálogo em tempo real.
Diante da necessidade de oferecer um serviço de referência que atenda os usuários de
maneira eficiente, fica claro que o planejamento de um ambiente virtual também deve
apresentar uma estrutura satisfatória quanto à comunicação e interação entre profissionais e
clientes.

1763

�É importante que o serviço de referência digital seja planejado, visando à
sua estruturação ideal, compatível com o interesse dos usuários e a
disponibilidade do sistema, com previsão de uma forma de avaliação
periódica, visando a proporcionar um serviço de qualidade (MENDONÇA,
2005, p.81).

Conforme o exposto, compreendemos que o gestor precisa estar atento a detalhes que
fazem a diferença na construção dos ambientes virtuais e no bom desenvolvimento dos
serviços prestados. Acima de tudo, enfatizamos que a função do bibliotecário como gestor de
ambientes virtuais é disponibilizar a informação de forma livre, podendo ser copiada sem
custos, armazenada e estruturada de forma organizada, com uma interface simples e amigável,
caracterizando o grande objetivo da internet, que é incentivar a usabilidade.

4.2 OS DESAFIOS DO GESTOR NO CENÁRIO VIRTUAL
Ao compreendermos o trabalho de um gestor em ambientes virtuais, consideramos
como desafios enfrentados neste cenário, tudo aquilo que o bibliotecário deve modificar em
seu novo ritmo de trabalho, ou seja, todas as funções que precisam ser reajustadas para o bom
desempenho da gestão.

Dentre várias

atividades

que passam

por

significativas

transformações, indicamos algumas que merecem especial atenção dos profissionais da
informação.
Em primeiro lugar, Tennant (1995 apud Marchiori, 1997) ressalta que, em um cenário
virtual, o bibliotecário gestor precisa atuar de uma forma diferente, se comparado às
bibliotecas tradicionais. Agora, ele deve trabalhar sempre em parceria com profissionais da
área de telecomunicações e processamento de dados, tanto na construção dos ambientes,
como na constante atualização da tecnologia utilizada.
Um segundo desafio que merece ser apontado é a necessidade de um treinamento
contínuo dos profissionais gestores e de toda a sua equipe, buscando maior capacitação
técnica. Diferentemente do modelo tradicional, onde os funcionários mantinham uma rotina
linear de trabalho, nos ambientes virtuais torna-se essencial estar conectado às novidades que
a tecnologia fornece, aperfeiçoando o conhecimento e oferecendo serviços e produtos cada
vez mais avançados.
No contexto da atualização do conhecimento técnico, temos como exemplo a prática
da catalogação em softwares específicos, que seguem normas particulares quanto ao
tratamento da informação, exigindo treino e prática.

1764

�Para o profissional da informação, a convergência de mídias, oportunizada
pelo formato digital (bem como sua localização volátil), apresenta novos
desafios também ao exigir que sejam desenvolvidas novas formas de
descrever e indexar estes documentos dinâmicos, em múltiplos formatos e
em localizações remotas sobre as quais, muitas vezes, tem-se muito pouco
controle (LEVACOV, 2005, p.44).

Ao pensar em normas, o bibliotecário deve encarar um desafio sempre presente na
internet, que é a existência de diversos documentos em variados formatos. Nas palavras de
Levacov (1997), verificamos que o gestor precisa sempre buscar a padronização da
informação, incentivando o desenvolvimento de métodos e critérios para melhor manuseio e
para garantir formatos comuns que permitam atualizações.
Outro ponto relevante que o gestor deve ter em mente é a questão da preservação
digital. O que antes era feito na forma impressa, seguindo regras de conservação de
documentos em papel, agora consiste na preocupação da instabilidade do meio digital. Ao
mesmo tempo em que o ambiente virtual põe fim aos problemas do espaço físico, onde muitas
obras não suportavam as condições do tempo; também traz uma insegurança que precisa ser
questionada. Segundo Cunha (1999), na medida em que os sistemas passam por uma
modernização, consequentemente os suportes que armazenam as informações digitais também
são atualizados. Essas modificações geram muitas versões ou edições de um mesmo
documento, talvez mais intensamente do que no formato impresso, devido à facilidade que
temos em atualizar um texto digital. Além desse contínuo avanço tecnológico, os suportes
digitais possuem vida útil curta, devendo o bibliotecário estar sempre atento aos impasses de
um cenário virtual.
Por fim, destacamos mais um importante desafio na atuação do bibliotecário, que deve
permanecer na posição de orientador dos usuários, ajudando-os na adaptação dos novos
recursos oferecidos pelo sistema, seja na forma de tutoriais, seja auxiliando via web;
mantendo o relacionamento próximo e incentivando a utilização dos mecanismos disponíveis.
Sendo assim,

avaliamos que existem muitas novidades que precisam ser

compreendidas pelos bibliotecários gestores e observadas de forma empreendedora, visando
sempre a capacitação, o crescimento e a modernização da profissão.

5 CONCLUSÃO
Compreender o conceito de gestão e sua aplicação na rotina dos profissionais da
informação nos faz perceber que as teorias do campo administrativo são muito importantes na
prática dos bibliotecários gestores, pois ampliam a visão do profissional quanto às

1765

�responsabilidades e competências exigidas pelas organizações. Além disso, visualizamos a
atuação do bibliotecário de forma mais completa e multidisciplinar, sendo fundamental a
utilização dos princípios da gestão para a eficácia da administração de bibliotecas.
Nesse contexto, consideramos que pesquisar e assimilar a gestão de bibliotecas digitais
e virtuais significa aprimorar o conhecimento dos gestores atuais, bem como preparar os
futuros profissionais para um cenário globalizado repleto de constantes avanços e desafios.
De acordo com a abordagem apresentada, observamos que o bibliotecário atua de
forma significativa como gestor da informação e coloca em prática todo o processo de gestão
abordado na Teoria Clássica; tanto em ambientes tradicionais como em redes virtuais. Além
disso, comprovamos que, no contexto virtual, a atuação dos bibliotecários gestores também
representa a visão abordada por Mintzberg, que retrata o gerenciamento como um trabalho
dinâmico, que vai além das funções básicas de Fayol.
Ainda no contexto administrativo, dentre as habilidades citadas por Chiavenato,
identificamos a atuação do bibliotecário gestor em um nível intermediário, onde as três
habilidades (técnica, humana e conceitual) estão presentes; entretanto, o gerente trabalhará a
habilidade humana com maior ênfase, relacionando-se tanto com a direção quanto com sua
equipe, sempre buscando um equilíbrio nas relações interpessoais.
Ao destacarmos a importância da habilidade humana na eficácia de uma gestão,
podemos considerar que é essencial uma boa comunicação entre as pessoas para que seja
possível conquistar bons resultados, os quais são fundamentais para obter um feedback
positivo dos usuários em relação aos serviços oferecidos. É a partir dessas respostas
satisfatórias que as organizações, no caso as bibliotecas, poderão justificar sua existência no
mercado, mantendo estável o ciclo que caracteriza um sistema aberto de uma organização,
conforme analisamos neste estudo.
Diante disso, constatamos que a gestão de bibliotecas, tanto tradicionais quanto
virtuais, engloba uma série de fatores trabalhados simultaneamente. O conjunto de funções,
habilidades e objetivos caracteriza a rotina de um gestor, que procura sempre utilizar a medida
certa de cada um desses ingredientes, mantendo a qualidade da produção no atendimento aos
seus usuários.
No entanto, vale ressaltar que, conforme a tecnologia vem avançando no mercado de
trabalho, todos os apontamentos citados nas teorias administrativas continuam sendo
colocados em prática, ou seja, nada se perde, apenas agregamos novas ferramentas à
construção do conhecimento.

1766

�A partir dessa visão de evolução do processo de gestão, é possível avaliar que o
profissional da informação continua exercendo atividades importantes nas bibliotecas digitais
e virtuais. Seu papel nas organizações não apresentou perdas, mas sim transformações que
caracterizam o crescimento e a valorização do seu trabalho como responsável pela
informação. Assim, no cenário virtual, a presença de um bibliotecário permanece
insubstituível, sendo fundamental a aplicação de seus conhecimentos, habilidades e atitudes
necessárias para a construção e manutenção de uma biblioteca de qualidade.
Nesse contexto, é notório que os computadores agregam valor ao trabalho do
bibliotecário, ao passo que contribuem para a construção do conhecimento na sociedade. O
desenvolvimento dos ambientes virtuais não enfraquece os ambientes tradicionais e o
gerenciamento de ambos, apenas acrescenta uma série de facilidades que auxiliam os usuários
nas pesquisas realizadas fora do espaço físico. Ao mencionar a transformação dos modelos de
pesquisa, Lévy (2011) reforça essa ideia de somatização do conhecimento, dizendo que “o
computador é, antes de tudo, um operador de potencialização da informação’’.
Evidenciamos que, neste momento de transformações na história das bibliotecas,
existem muitos obstáculos que, para alguns profissionais, podem parecer difíceis, mas são
importantes tanto para a evolução da biblioteconomia, como para a disseminação da
informação de forma simples e democrática. Muitos desafios são necessários, porém
entendemos que nenhum deles ameaça a atuação deste profissional, apenas enriquece o seu
papel nas organizações.
De acordo com a literatura consultada, a evolução da tecnologia traz novas adaptações
nos conceitos das unidades de informação e no foco do bibliotecário
gestor, que passa a investir no acesso à informação, diminuindo a ideia de possuir a
informação ou tê-la em mãos.
Sendo assim, comprovamos que o bibliotecário gestor de ambientes virtuais, através
de sua capacidade e experiência, é responsável pela construção e disponibilização da
informação de maneira estruturada e organizada. Contudo, o presente estudo sugere atenção
especial dos atuais e futuros bibliotecários na gestão destes ambientes, sendo necessário um
comprometimento com a organização de toda a informação disponibilizada em rede, de
maneira que preserve a padronização, a segurança e a satisfação dos usuários.
Portanto, para que o profissional da informação tenha êxito na gestão dos ambientes
virtuais, espera-se que o bibliotecário visualize os desafios dessa atuação de forma positiva,
sem receio ou dificuldades. É preciso que haja maior interesse no assunto e que o gestor

1767

�permaneça desenvolvendo este trabalho virtual, de maneira que a usabilidade seja constante e
o acesso à informação possa se tornar cada vez mais democrático.
Ainda que muitos usuários não conheçam o trabalho destes profissionais por trás das
telas dos computadores e suas responsabilidades quanto à organização virtual do
conhecimento, a satisfação do bibliotecário gestor está sempre presente no momento em que
os usuários alcançam as informações desejadas com sucesso, de forma rápida e prática,
garantindo a eficácia de todo o seu planejamento.

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                <text>Aborda o perfil do bibliotecário como gestor de ambientes virtuais de informação. Adota a pesquisa bibliográfica como fonte de informação e estudo. Analisa o surgimento das teorias da Administração e sua importância no trabalho do gestor. Esclarece o perfil do administrador, determinando suas funções e habilidades necessárias para o bom desenvolvimento de uma organização. Aponta o conceito de uma biblioteca e o surgimento de variados ambientes de informação. Apresenta a diferença entre bibliotecas digitais e virtuais. Realiza um comparativo entre ambientes tradicionais e virtuais de informação. Contextualiza os princípios da Administração no processo de gestão de bibliotecas. Avalia a atuação do gestor na era tecnológica e as mudanças na rotina profissional. Identifica alguns componentes relevantes na criação de bibliotecas digitais e virtuais. Destaca os desafios enfrentados pelos gestores no cenário virtual. Conclui com ênfase na relevância das teorias administrativas na prática da gestão de bibliotecas e analisa a importância do bibliotecário como gestor de ambientes virtuais, destacando suas habilidades, responsabilidades e atitudes necessárias para o sucesso da profissão. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E O INCENTIVO A LEITURA: PRATICAS E
EXPERIENCIAS DA BIBLIOTECA DA ÁREA DE ENGENHARIA E
ARQUITETURA DA UNICAMP
Danielle T. Ferreira
Maria Solange P. Ribeiro
Rose Meire da Silva
Marisa C. P. Loboschi
Elisangela A. S. Souza
Luciana P. Milla
Elaine A. Egidio
Lurdes A. Pontel
Vera L. Macarini
Marisa C.M. Costa
RESUMO
Relata e discute sobre ações protagonizadas pelo Serviço de Referência da Biblioteca da área
de Engenharia e Arquitetura da Unicamp (BAE) direcionadas à comunidade interna. Objetiva
refletir sobre o papel da biblioteca e do bibliotecário em ações relacionadas ao incentivo a
leitura e promoção do ambiente da biblioteca. A BAE desenvolveu durante o ano de 2013
ações que permitiram a aproximação de sua comunidade através de exposições, concurso
literário e materiais de estudo para a Comunidade de alunos e professores de nossa
Universidade. Assim reafirma que as bibliotecas universitárias e seus profissionais estão
assumindo o papel de agentes em iniciativas que fortalecem o hábito de leitura, tão importante
nos dias de hoje, onde os jovens já nascem numa sociedade tecnológica. Também destaca o
letramento informacional como outra possibilidade de atuação do bibliotecário. Como
conclusão, destaca que nós profissionais podemos influenciar no modo como a comunidade
vê a biblioteca universitária, ou seja, não só como guardiã de livros mas também como
laboratório de informação gerenciado por profissionais que acompanham o desenvolvimento
acadêmico de seus alunos e auxiliam o corpo docente.
Palavras-chave:
pedagógicas

Biblioteca

Universitária-Incentivo

à

leitura;

Bibliotecário;

Ações

ABSTRACT
Reports and discusses actions enthralled by Reference Service of the Engineering and
Architecture Library of the Unicamp directed to the internal community. Reflects on the role
of the library and the librarian in initiatives related to encouraging reading and promoting the
library environment. The Engineering and Architecture Library (BAE) developed during the
year 2013 actions that allowed the approximation of their community through exhibitions,
literary contest and study materials for the community of students and faculty of our
University. Just reaffirms that university and their professional libraries are assuming the role

1818

�of agents in initiatives that strengthen the habit of reading so important these days, as our
young are born in a technological society. It also focuses on information literacy as another
possibility librarian performance. In conclusion, we emphasized that professionals can
influence the way the community sees the university library, not only as guardian of books
but also as information laboratory with professionals who follow the academic development
of its students and assist the teachers.
Keywords: University Library-Encouraging reading; librarian; pedagogical actions

1 INTRODUÇÃO
Inicia-se este trabalho afirmando que, segundo Souza (2013), uma das etapas mais
significativas do aprendizado acadêmico, no decorrer de um curso superior é a pesquisa e,
segundo a mesma autora, para desenvolver essa atividade com louvor, é preciso que o aluno
frequente a biblioteca. Bom, mas continuando com essa idéia de Souza (2013), é nessa hora
que nós bibliotecários percebemos que muitos usuários não conhecem a fundo este ambiente e
isso se caracteriza por aspectos comportamentais que vão desde o tom de voz dos estudantes
até a falta de habilidade na pesquisa.
Pode-se também destacar que uma parcela considerável da população brasileira ainda
não tem acesso à leitura, e que a prática da leitura primordialmente é estimulada nas escolas,
onde as atividades são focadas para isso, mas a realidade é outra e a maioria das instituições
de ensino escolar não possui biblioteca, tampouco profissional bibliotecário habilitado para
incentivar e promover a leitura entre crianças e jovens. (SOUZA, 2013)
Hoje deparemo-nos com a seguinte situação: jovens de baixa renda que não conhecem
as bibliotecas de suas escolas, cidade, etc, e que através de programas do governo tem acesso
à faculdade e, portanto, acesso à biblioteca, e também muitos jovens de alto poder aquisitivo,
que tem acesso as melhores escolas e Bibliotecas, mas não as frequentam por falta de
interesse ou até mesmo por falta de incentivo, não construindo o hábito da leitura. (SOUZA,
2013)
Continuando e concordando com Souza (2013), acredita-se que a “biblioteca deve ser
ocupada segundo as necessidades de sua comunidade oferecendo um clima agradável para a
pesquisa, cultura e lazer independente das limitações de ordem financeira e social”.
E com esse intuito, a biblioteca universitária também pode ser ambiente de incentivo a
leitura e ir além dos livros curriculares propostos pela instituição. É de conhecimento geral
que a leitura desenvolve um papel importante no acúmulo de conhecimentos e habilidades,
dessa forma o usuário que frequenta a biblioteca, pode tornar-se um pesquisador.

1819

�Com relação ao profissional bibliotecário de instituição de ensino superior, esse pode
desenvolver seu papel social de promotor da leitura incentivando a criação de espaços para a
“leitura lazer”, ou seja, diferente das leituras com o conteúdo acadêmico.
Acredita-se que a missão do bibliotecário é facilitar o acesso a informação, e esse
profissional devem estar consciente que é um agente de mudanças. Despertar o hábito da
leitura nos usuários da biblioteca universitária é também papel importante desse
profissional. Neste contexto a Biblioteca da Área de Engenharia e Arquitetura do Sistema de
Bibliotecas da Unicamp, diante do número de usuários potenciais e acervo, considerados um
dos maiores do SBU vem através deste trabalho relatar ações advindas de projetos realizados
pelo núcleo de ações pedagógicas do setor de Referencia da Biblioteca, com este fim.
Assim, serão relatadas algumas dessas iniciativas que foram destaque na Biblioteca no
decorrer do ano de 2013 e que consideramos ser essenciais plano de metas da Biblioteca.
Portanto o objetivo deste trabalho é apresentar tais iniciativas e ações que tiveram
como objetivos principais:
- Promover a biblioteca e sua importância como fonte de informação, recreação e instrução;
-Suscitar nos alunos de área tecnológica o gosto pela leitura e criação literária;
-Promover o espaço da biblioteca aos alunos.

2 REVISÃO TEÓRICA
2.1 Leitura e conhecimento
Para embasamento dessas ações e relato suscita-se reflexões sobre leitura,
competência literária e ambiente acadêmico, de autores como Pires (2012) e Ferreira (2012).
Para Carvalho et. al. (2006, p. 20), uma leitura eficiente na sociedade do conhecimento
prevê que: “o ser humano precisa realizar leituras diversificadas e de qualidade para
sobreviver na era da globalização. O mais importante é saber selecionar as leituras evitando a
sobrecarga informacional” o que resultará num melhor aproveitamento na obtenção da
informação. Assim, conclui-se que a prática da leitura é fundamental para a construção de um
indivíduo com melhor senso crítico.
No mundo atual, novas formas de leitura, os novos formatos de livro estão cada vez
mais presentes, segundo Pires (2012, p.368),

1820

�...esse ordenamento entre um emaranhado de conexões textuais, imagéticas e
audiovisuais, associado à intertextualidade dos links, parece funcionar como
um prolongamento do cérebro humano, convidando o leitor ao
desenvolvimento de uma estratégia de leitura inovadora; bem como ao
aprimoramento das habilidades, em especial a de saber localizar informações
de qualidade e confiáveis, eliminando aquilo que se pode considerar lixo
informacional.

Assim, Pires (2012) diz que nesta perspectiva da Biblioteconomia e da Ciência da
Informação, esse aprendizado das TIC’s, tem sido explicado à luz do conceito de competência
informacional (information literacy), e que direciona para uma atuação mais efetiva na
educação dos usuários das bibliotecas, representando uma iniciativa dos bibliotecários
americanos dos anos de 1970 e que chegou ao Brasil somente no início deste século.
O letramento informacional implica, segundo Ferreira (2012), nas responsabilidades
dos indivíduos para com os aspectos éticos que permeiam o acesso e o uso de informações na
vida acadêmica, profissional e cotidiana, sob a perspectiva do potencial desse recurso para a
promoção da cidadania.

2.2 O ambiente acadêmico e a leitura
De acordo Caravantes (2006) o ato da leitura representa um processo fundamental na
vida acadêmica, que requer o seu uso frequente pois permeia necessidades, que podem ser
profissional, existencial ou por degustar o simples prazer da leitura.
Tal habilidade começa na infância desde a alfabetização, pois é “precondição da
emancipação social e cultural” (Freire, 1990, p.2), sendo de suma importância para a
formação de um indivíduo, para que no futuro, quando cursar uma faculdade, tenha
maturidade para enfrentar a vida acadêmica. (PIRES, 2012).
De acordo com Dumont (2007) existem dois tipos de motivações para a realização da
leitura, que são “a investigativa, com efeitos para estudos ou atividades de trabalho, e a de
lazer”.
Continuando sobre a questão da leitura temos:
Além de transmitir informação, o que consequentemente poderá gerar
conhecimento, é imprescindível para o discente, independentemente da
graduação que estejam cursando, haja vista, que todas as áreas de atuação
profissional requerem de fontes de informação qualificadas para suprir a
necessidade informacional, portanto, os discentes que necessitam dessa
prática tão elementar para a obtenção de uma qualificação satisfatória diante
de um mercado de trabalho tão exigente na contemporaneidade, sendo que a
leitura faz parte dessa exigência (PIRES, 2012, p.371)

1821

�O processo de leitura na graduação torna-se essencial para o desenvolvimento e
crescimento desse futuro profissional; que será mais qualificado a medida que obtém
conhecimentos gerais e específicos.
Para exercer essa prática tão fundamental à formação pessoal, acadêmica e
profissional, as ações de incentivo à cultura contribuem imensamente para a obtenção da
informação, pois, segundo Monteiro (2010), as ações culturais constituem de instrumentos
eficientes tidas como principal meio de se obter sucesso na promoção e no incentivo à leitura,
pois geram informação e conhecimento, através da utilização de atividades lúdicas, criativas e
inovadoras, e a Biblioteca, no contexto educacional, exerce um importante papel que contribui
na formação acadêmica.
A Universidade, por ser uma unidade de ensino bastante respeitada por conferir um
nível alto de aprendizagem ao discente, na maioria das vezes, é a responsável por estimular o
incentivo à leitura, devido o estudante perceber a necessidade de adotar essa prática no seu dia
a dia através da bibliografia que o docente sugere nas disciplinas cursadas, sendo que para o
futuro profissional é essencial desenvolver o hábito da leitura para se atualizar com o que está
sendo produzido na sua área de atuação profissional.
Aquino (2000, p.31) sintetiza afirmando que, “estes indivíduos podem mudar o seu
modo de pensar, analisar, questionar, produzir e conceber a realidade, tornando-se objetos ou
sujeitos da leitura”.
E através de suas Bibliotecas, a Universidade fornece possibilidades de obtenção de
grande quantidade de informação de forma acessível e nos mais diversos formatos para uma
geração que alia tecnologia, informação e cientificismo (PIRES, 2012).

3 MÉTODO
Procurou-se mostrar, focados na perspectiva das bibliotecas universitárias, estratégias
possíveis de fomento a leitura e aproximação com a comunidade acadêmica que serão
relatadas a seguir:
Caracterização Institucional
O Sistema de Bibliotecas da Unicamp - SBU compreende 28 bibliotecas nas áreas de
biomédicas; artes e humanidades; exatas; tecnológicas e interdisciplinares. E a coordenação
deste órgão incentiva ações voltadas para informação, cultura e incentivo a leitura. Dentre elas
damos destaque a projetos importantes como a Biblioteca Itinerante do cidadão, implantado
desde 2004 no ambiente do Hospital das Clinicas - Unicamp (VICENTINI et al, 2007).

1822

�A Biblioteca da Área de Engenharia e Arquitetura - BAE surgiu em 1991 como a
primeira biblioteca de área do SBU reunindo os acervos das respectivas unidades de ensino:
Faculdade de Engenharia Agrícola; Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo;
Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação; Faculdade de Engenharia Mecânica;
Faculdade de Engenharia Química.
A BAE está situada no prédio da Biblioteca Central Cesar Lattes com espaço físico de
2.200 m2 Seu acervo conta com aproximadamente 55.000 livros, 8.000 dissertações e teses,
755 títulos de periódicos correntes e 1.073 títulos de periódicos não correntes.
Pioneira na Unicamp, na transmissão de documentos eletrônicos desde 1994, por meio
do consórcio The Ibero American Science and Technology Education Consortium
ISTEC/LigDoc, a BAE também é membro integrante de programas cooperativos entre
bibliotecas de Instituições brasileiras, Instituições da América Latina e Estados Unidos
proporcionando rapidez e qualidade no atendimento de solicitações de seus usuários. Um
amplo Programa de Capacitação de Usuários e palestras de recepção aos calouros são serviços
rotineiros oferecidos pela BAE com o objetivo de orientar e promover o acesso as mais
diversas fontes eletrônicas. A BAE também participa em disciplinas de Metodologia da
Pesquisa e Redação Científica nos cursos de pós-graduação das Unidades de Ensino das
Engenharias.
Dentre os serviços de referência destaca-se: plantão de dúvidas e orientações à
pesquisa bibliográfica, atendimentos presencial e virtual através de chat online, normalização
bibliográfica, estruturação de trabalhos acadêmicos, e apoio às publicações científicas.
Com o intuito de atender um potencial de 6373 usuários da comunidade interna dentre
os quais, docentes, alunos de graduação e pós-graduação e pesquisadores das unidades
acadêmicas e também os usuários externos, a BAE conta com uma home-page e essa
disponibiliza serviços como: formulário de solicitação eletrônico de documentos, formulário
de ficha catalográfica online, acesso ao twitter, facebook e chat. E com o intuito de
possibilitar mais um meio de interação com os seus usuários, a BAE iniciou no ano de 2013 o
desenvolvimento de ações que visam projetar a Biblioteca, seus profissionais e serviços.

4 AÇÕES BAE 2013
Uma das primeiras ações do ano de 2013 foi a confecção do livreto “Informar para
integrar”. Tal material foi confeccionado para os calouros dos cursos das Engenharias em
março de 2013 e rege os preceitos e serviços básicos da Biblioteca. Em paralelo ao material

1823

�foram agendadas visitas para trazer os alunos ingressantes o ambiente da Biblioteca. Este
material foi editado e reimpresso para a entrega aos calouros também neste ano de 2014
Figura 1- Capa livreto “Informar para integrar”

Em agost de 2013 outra ação significativa foi a participação da BAE na Universidade
de Portas Abertas (UPA). Foi uma ação em conjunto com a BCCL com o objetivo de
apresentar o espaço das Bibliotecas aos alunos do ensino médio das mais variadas escolas e
cidades do Brasil. A BAE realizou em suas dependências atividades como: contação de
histórias e contos populares, adivinhações, música. A participação desses estudantes foi
significativa e bem recebida por todos que ali passavam, uma forma diferente de apresentação
do ambiente da Biblioteca.
Figura 2 - Foto da Equipe BAE que participou da UPA 2013

1824

�Em outubo de 2013 fizemos a Semana do Livro e da Biblioteca, que contou com uma
Exposição intitulada “O Livro na linha do tempo”. Foram confeccionados material que
descrevia a evolução do livro desde seus primeiros formatos, até o atual livro eletrônico.
Ficou aberta ao público e disposta no saguão da BAE até novembro de 2013.

Figura 3 - Fotos da Exposição da Semana do Livro e da Biblioteca BAE

v r c -r .i

LM CMHI

SEM AN A N A C IO N A L DO L IV R O
DA B IB L IO T E C A
DE 23 A 29

OUTUBRO

Preserve Biblioteca também e sua
D E C R E T O N° 84.631, D E 09/04)1980
lI N S T i r U I A SEMANA N A C IO N A L D O L IV R O E D A B I B L I O T E C A )

A P O IO : w w w . p u b l i c a c o e s t e c n i c a s . c o m . b r

Em comemoração ao 11 de dezembro, dia do Engenheiro, foi idealizado pela equipe
BAE um Concurso Literário, que contou com a participação de alunos de graduação e pós-

1825

�graduação das Engenharias e teve como objetivo a confecção de uma crônica escrita de
acordo com a temática proposta para o concurso. A participação dos alunos foi significativa e
os textos bem redigidos e nos mostrou o potencial de alguns alunos das Engenharias na
escrita. O evento contou com a entrega de prêmios aos primeiros colocados e participação de
professores representantes das faculdades de Engenharias, alunos e equipe da Biblioteca.

Figura 4 - Fotos da Entrega dos Prêmios do Concurso Literário promovido pela BAE

1826

�Figura - Capas dos livretos Cordel: SBU em verso e prosa e Saberes essenciais para a
pesquisa na graduação
Maria Solange Pereira Ribeiro

SBU EM VERSO E PROSA

Campinas, março de 2014
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Sistema de Biblioteca da Unicamp - SBU

O mateil da figura 5 também faz parte das ações de divulgação do Sistema de
Bibliotecas da Unicamp que, de uma forma diferenciada, resgatou a literatura de cordel, com
textos e estrofes apresentando todos os serviços e atividades das Bibliotecas do SBU. Outro
material confeccionado foi um livreto (figura 5) para a introdução dos alunos da graduação no
cotidiano da pesquisa acadêmica, onde se trabalhou assuntos e conceitos referentes a pesquisa
e métodos de forma a introduzir e despertar nos alunos o olhar para a investigação cientifica.
Todos esses materiais foram idealizados pela equipe do Serviço de Referência como
atividades do núcleo de ações pedagógicas voltados para docentes, profissionais e alunos das
Faculdades de Engenharias, comunidade específica a qual a BAE atende.

5 CONCLUSÃO
Uma das missões da universidade e de suas bibliotecas se configura como além da
formação de leitores em potencial, também como formar cidadãos com visão de mundo com
criticidade suficiente para saber tratar de assuntos dos mais variados gêneros como:
sociedade, violência, saúde etc.
Por fim, espera-se que a experiência adquirida pela BAE sirva de estímulo para que
mais iniciativas como essas sejam concretizadas em nossas 27 Bibliotecas.
A BAE vem através dessas iniciativas realizadas e as que estão por acontecer,
conseguir o efeito necessário para ajudar no processo de construção do conhecimento, pelo
qual o usuário tenha a possibilidade de obter mais informações, e em função disso, permitirá
um aumento de seu intelecto científico e cultural para a produção do conhecimento.

1827

�O grande desafio da biblioteca contemporânea é justamente o de se converter no
espaço de vivência entre a informação, como elemento básico de todo conhecimento, e a
leitura, como elemento indispensável na construção de um país melhor- quem sabe, até de um
mundo melhor, segundo Baptista (2009).
Contudo, acredita-se que um dos principais motivos que tornaram os(as)
bibliotecários(as) menos visíveis (as) nas ações pedagógicas é sua função periférica,
institucionalmente expressa pelo discurso universitário da biblioteca como simples elemento
de “apoio”. Felizmente a difusão de um discurso acadêmico orientado para a cidadania tem
contribuído para a mudança de mentalidade e estimulado iniciativas, como essas da BAE que,
embora incipientes, já apontam para os esforços na construção de relações mais próximas
entre os profissionais bibliotecários e a comunidade.
Espera-se que o relato dessas experiências contribuam para outras instituições
realizarem mais ações de promoção e uso da Biblioteca bem como promover os profissionais
que nela atuam. Ações como estas fazem os usuários refletirem e se relacionarem com o
ambiente de leitura.

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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Relata e discute sobre ações protagonizadas pelo Serviço de Referência da Biblioteca da área de Engenharia e Arquitetura da Unicamp (BAE) direcionadas à comunidade interna. Objetiva refletir sobre o papel da biblioteca e do bibliotecário em ações relacionadas ao incentivo a leitura e promoção do ambiente da biblioteca. A BAE desenvolveu durante o ano de 2013 ações que permitiram a aproximação de sua comunidade através de exposições, concurso literário e materiais de estudo para a Comunidade de alunos e professores de nossa Universidade. Assim reafirma que as bibliotecas universitárias e seus profissionais estão assumindo o papel de agentes em iniciativas que fortalecem o hábito de leitura, tão importante nos dias de hoje, onde os jovens já nascem numa sociedade tecnológica. Também destaca o letramento informacional como outra possibilidade de atuação do bibliotecário. Como conclusão, destaca que nós profissionais podemos influenciar no modo como a comunidade vê a biblioteca universitária, ou seja, não só como guardiã de livros mas também como laboratório de informação gerenciado por profissionais que acompanham o desenvolvimento acadêmico de seus alunos e auxiliam o corpo docente</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O ACERVO HISTÓRICO DA ACADEMIA REAL DE GUARDAS-MARINHAS DA
BIBLIOTECA DA MARINHA
Eliane Freitas Ferreira

RESUMO
O objeto deste trabalho consiste no levantamento do acervo histórico da Coleção da
Academia Real de Guardas-Marinhas, dada a sua importância, que se encontra disponível, na
Divisão de Materiais Especiais da Biblioteca da Marinha, que abrange as Seções de Mapoteca
e Obras Raras, com o objetivo de incentivar as pesquisas num acervo de fontes primárias de
alto valor científico. A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile
do manuscrito original do Catálogo da Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas,
localizado no acervo da Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante
Max Justo Guedes. Com a devida localização e identificação desse importante acervo, temos
hoje a memória científica da instrução dos oficiais militares da época, que deu origem a
Biblioteca da Marinha.
Palavras-Chave: Biblioteca da Marinha. Academia Real de Guardas-Marinhas. Marinha do
Brasil.
ABSTRACT
The object of this paper is a survey of the historical documentation of the Collection of the
Royal Academy of Marine Guards, given its importance, which is available in the Special
Materials Division of the Navy Library, which covers Map Library and Rare Books Sections,
with the aim of encouraging research in a collection of primary sources of high scientific
value. The methodology used was based on the works listed in the facsimile of the original
manuscript catalog of the library of the Royal Academy of Guards Marine, located in the
National Library Foundation by Admiral Max Justo Guedes in the 1970s. With the proper
location and identification of this important collection, we now have the scientifc memory of
the instruction of the military officers of that time, wich gave rise to the Navy Library.
Keywords: Navy Library. Royal Academy of Guards Marine. Brazilian Navy.

1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta um levantamento das obras existentes da Coleção da
Academia Real de Guardas-Marinhas, que se reveste de importância por se tratar de um
acervo histórico que refletia, em sua época, os estudos direcionados para o currículo da
referida Academia, como uma forma de amadurecimento da profissão militar. O objetivo do

3058

�levantamento foi identificar e localizar as obras ainda existentes dessa Coleção, com o intuito
de divulgar aos pesquisadores essas fontes primárias de alto valor científico, que deram
origem ao acervo da Biblioteca da Marinha.
De acordo com Silveira (2010, p. 69), as bibliotecas tentam “dar sentido ao saber” e
transformá-lo em “instrumento de reafirmação da ‘identidade’ individual ou coletiva
humana”. E, segundo Costa e Grau (2013, p. 6), trata-se da nutrição e valorização do
“patrimônio”, da “memória coletiva” e da “herança cultural humana”.
Uma coleção reflete as características, aspirações e realizações do grupo que
a forma. Também torna possível estender o olhar para a história, a memória
daquela produção, tanto em relação ao motivo e ao modo como a reunião foi
feita, quanto em relação ao conteúdo que foi reunido. E, ao contar uma
história singular, essa coleção passa a ser única. (COSTA; GRAU, 2013, p.
6)
A metodologia utilizada apoiou-se no facsímile do manuscrito original do Catálogo da
Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas, de 1812, descoberto no acervo da
Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante Max Justo Guedes.

2 A BIBLIOTECA DA MARINHA: BREVE APRESENTAÇÃO
Criada em 1802, na Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas, em Lisboa, a
Biblioteca foi transferida para o Brasil em 1808. Foi criada oficialmente em 17 de outubro de
1846, pelo decreto n° 479 do Império do Brasil, estabelecida no Arsenal da Marinha da Corte,
tendo como finalidade “ministrar os meios de uma instrução variada aos oficiais da armada,
aos de Artilharia de Marinha e aos oficiais empregados nas repartições anexas” (SERVIÇO
DE DOCUMENTAÇÃO GERAL DA MARINHA, 1956, p. 18). O acervo inicial era
composto pela Biblioteca da Academia de Marinha, atual Escola Naval, com obras científicas,
roteiros e mapas antes pertencentes a diversos arquivos da repartição de Marinha. Depois de
passar por várias mudanças de subordinação, separações e fusões do Museu da Marinha e do
Arquivo da Marinha, em 1953 foi incorporada pelo Serviço de Documentação da Marinha,
que em 2008, por meio da Portaria n° 209/MB, passou a denominar-se Diretoria do
Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). A DPHDM (BRASIL, 2012)
tem como missão o propósito de “preservar e divulgar o patrimônio histórico e cultural da
Marinha, contribuindo para a conservação de sua memória e para o desenvolvimento da
consciência marítima brasileira”. Dentro da estrutura organizacional da DPHDM, a Biblioteca
da Marinha está subordinada ao Departamento de Arquivos e Biblioteca da Marinha.

3059

�Em fevereiro de 1999, a Biblioteca foi transferida para o prédio (tombado pela
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro) localizado na Rua Mayrink Veiga, n° 28, Centro, Rio
de Janeiro, para que pudesse acondicionar melhor o seu acervo e prover um atendimento mais
abrangente e eficiente aos seus usuários.
Inicialmente, a Biblioteca atendia apenas os oficiais e empregados da Marinha, e foi
posteriormente aberta ao público, oferecendo publicações valiosas para o estudo de diversas
áreas, dentre elas a História Geral, História do Brasil, História Naval, História Militar e
Cartografia. O acervo possui aproximadamente sessenta e cinco mil volumes entre livros,
folhetos, periódicos, material especializado na história naval, militar, geral e cartografia.
Possui, também, uma coleção de obras raras e/ou antigas de inestimável valor histórico, tanto
para a Marinha como para a própria cultura brasileira, que abrange os séculos XVI, XVII,
XVIII e XIX.
Desde o ano de 2003, a Biblioteca da Marinha disponibiliza para consulta, pela
internet e intranet, seu rico e vasto acervo para o público em geral, através do sistema de
gerenciamento de dados Pergamum, utilizado por 46 bibliotecas da Marinha do Brasil,
denominada Rede de Bibliotecas Integradas da Marinha (Rede BIM).

3 A ORIGEM DA DIVISÃO DE MATERIAIS ESPECIAIS
A Divisão de Materiais Especiais se originou a partir da documentação existente no
acervo da Biblioteca da Academia Real de Guardas-Marinha, também conhecida como
Depósito de Escritos Marítimos.
Em 1812 (SILVA, 2012, p. 177), o primeiro diretor e comandante da Academia dos
Guardas-Marinha, José Maria Dantas Pereira, responsável pela requisição das obras que
julgasse próprias para aquela coleção (dentro e fora do reino), redigiu a pedido do Ministro da
Marinha da época, uma minuciosa relação de todas as obras impressas, manuscritas e
cartográficas, gerando assim o Catálogo da Bibliotheca da Academia dos Guardas-Marinhas,
creada por Ordem de S. A. R. na cidade do Rio de Janeiro.
Tal catálogo não se tinha conhecimento de sua existência desde 1851, conforme
descrito num relatório realizado por um bibliotecário da Biblioteca da Marinha, no referido
ano, com o intuito de promover um inventário do acervo:
Infelizmente não encontrámos nenhum documento que nos mostrasse qual
era, então, o patrimônio dessa biblioteca [...] sabe-se apenas, que era Rice e
‘que perdas e descaminhos se deram de obras interessantíssimas’ (relatório
de 1851, do Bibliotecário da Marinha). (SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO
GERAL DA MARINHA, 1956, p. 16)

3060

�Somente no início da década de 1970, tal documento foi localizado no acervo da
Fundação da Biblioteca Nacional pelo Almirante Max Justo Guedes (na época, Capitão de
Mar e Guerra e Vice-Diretor do Serviço Geral de Documentação da Marinha, atual DPHDM),
juntamente com sua equipe de pesquisadores. Seria uma cópia manuscrita do referido
catálogo, possivelmente com assinatura autógrafa (GOMES, 1976, p. 286).
3.1 O perfil da Divisão de Materiais Especiais
O acervo da Mapoteca e das Obras Raras está catalogado e registrado no sistema
Pergamum da Rede BIM, com um total de aproximadamente nove mil exemplares. Dentre as
várias obras existentes no acervo, podemos destacar os seguintes materiais: obras de diversos
assuntos, especialmente obras científicas, tecnológicas, filosóficas, geográficas, históricas e
de assuntos gerais do Século XVI ao Século XX, com predominância dos Séculos XVIII e
XIX; coleção de álbuns; roteiros de navegação; cartas náuticas (elaboradas pela Diretoria de
Hidrografia e Navegação); cartas e mapas históricos (impressos e manuscritos), a partir do
século XVIII; atlas históricos, a partir do século XVI; livros de cartografia (nacionais e
estrangeiros), atuais e raros; revistas de cartografia (nacionais e estrangeiras); e arquivo de
fotografias de cartas náuticas que abordam o Brasil e a América do Sul, que se encontram em
bibliotecas nacionais e estrangeiras (principalmente em países europeus).
Em relação ao processamento técnico, a Classificação Decimal de Dewey (CDD), o
Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR2) e o Formato MARC (MARC21) são
utilizados para a catalogação das obras.
A Biblioteca da Marinha não realiza empréstimos dos materiais especiais,
disponibilizando somente pesquisa in loco, com acesso restrito.
O acervo da Divisão de Materiais Especiais também possui mapas e atlas de
renomados cartógrafos como Mouchez, Roussin, Bellin, Albernaz, dentre outros.
O acervo possui algumas coleções significativas, dentre elas:
- Coleção da Diretoria de Hidrografia e Navegação;
- Coleção do Arquivo Histórico do Exército;
- Coleção Jaguaribe de Mattos;
- Coleção Maria Amélia de O. Esteves (doação de 13 cartas hidrográficas da região
amazônica no período 1780-1781);
- Coleção Almirante Max Justo Guedes (considerado internacionalmente como um dos
maiores especialistas da cartografia luso-brasileira); e
- Coleção da Academia Real dos Guardas-Marinhas.

3061

�4 A documentação existente no Catálogo da Coleção Biblioteca da Academia Real de
Guardas-Marinhas
Com base no catálogo elaborado pelo Comandante Dantas Pereira, em 1812, a
Coleção consistia numa:
Lista em 31 páginas com cerca de 760 obras separadas em cinco grandes
áreas do conhecimento de interesse do ‘público’ prioritário da Biblioteca:
Ciências Naturais; Ciências Matemáticas Puras e Mistas; Ciências e Artes
Navais; Ciências e Artes Militares de terra e Polimatia. (SILVA, 2012, p.
177)
A organização do catálogo, além da divisão das referidas áreas, era também em ordem
alfabética, “mediante o nome do autor ou do editor, e mediante o da obra, se esta for de algum
anônimo ou de vários” (SILVA, 1975 apud MORAES, 2006, p. 96). Além dessa sistemática,
Moraes (2006, p. 96) identificou outra informação, não menos importante, mas atípica, criada
pelo redator do referido documento:
[...] Adoção da ordem cronológica na lista dos livros dentro dos assuntos
fora feita com a intenção de mostrar o ‘progresso ou marcha do espírito
humano’ em cada disciplina e reforça essa intenção anotando sempre que
possível a data do falecimento do autor da obra.
Segundo Silva (1975 apud MORAES, 2006, p. 96, grifo do autor), poderiamos
considerar a coleção:
[...] Uma ‘livraria” atualizada [...], tratava de uma biblioteca especializada
e concentrada, ou seja, os alunos da Academia dos Guardas-Marinha
encontravam nela os textos necessários às matérias que estudavam e não
possuíam obras a mais, isto é, de áreas não relevantes para o seu
aprendizado.
A primeira área apresentada no Catálogo abordava as Ciências Naturais e era
constituída de 54 obras, organizada em três subdivisões: a primeira para Botânica, Química e
História Natural; a segunda para Física e a terceira para Polígrafos (obras que tratavam de
diversas matérias científicas que abordavam o mesmo assunto). Dos títulos descritos na
referida área, a equipe de pesquisa da Biblioteca da Marinha conseguiu localizar 36 obras.
Dentre as obras identificadas, podemos destacar a do naturalista sueco Carl von Linné, cujo
título é Systema naturae per regna tria naturae (fig. 1), editado em 1789, onde enfoca o
sistema de classificação dos reinos animal e vegetal e que veio a ser a base da moderna
Taxonomia.

3062

�Figura 1: LINNÉ, Carl von. Systema naturae per regna tria naturae. 1789.
EQCITIS

mm . L i N N e ,

/ U’K S f T T i t &amp; S T t l l A P O t j R t ,

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T ~&amp;uÁr*tà..
Apud J. B. D

ela m o l u e r e .

/•

Fonte: Biblioteca da Marinha

A segunda área apreentada é a de Ciências Matemáticas, constituída de 196 obras e
organizada

em

oito

Geometria/Trigonometria;

subdivisões:
Matemáticas

Aritmética/Álgebra;
Puras;

Cálculo

Astronomia;

Superior;
Mecânica;

Ótica/Perspectiva/Cronometria, e; Matemáticas Mistas (Polígrafos). Nessa área conseguiu se
localizar 125 obras, onde podemos destacar a mais antiga obra pertencente à Coleção e que se
encontra atualmente no acervo da Biblioteca da Marinha, que é justamente de um texto
milenar em três volumes, Clarissimi philosophi, geometricorum, elementorum líber (fig. 2),
título traduzido por Dantas Pereira como Geometria Elementar e atribuído ao matemático
grego Euclides, o fundador da Geometria.
Figura 2: MEGARENSIS, Euclidis. Clarissimi philosophi, geometricorum,
elementorum líber. Paris: H. Steph, 1534. 3v.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

3063

�Além da obra mencioada, sobressai também o trabalho de Isaac Newton em tradução
para o francês aprovada pela Académie des Sciences e editada em 1787 (fig. 3).
Figura 3: NEWTON, Isaac. Optique de Newton. Paris: Chez Leroy, Libraire, 1787.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

A terceira área é ade Ciências e Artes Navais, constituída de 220 obras e organizada
em

seis

subdivisões:

Geografia/Hidrografia;

Arquitetura

Pilotagem;

Naval;

Cordoaria/Instalação/Manobra;

Tática/Telegrafia/Governo

Militar

Náutico,

e;

Ciências/Artes Navais (Polígrafos) Nessa área conseguiu a localização de 119 obras. Dentre
elas pode-se mencionar o Atlas des enfans ou nouvelle méthode pour appendre la géographie,
avec un nouveau traité de la sphere, et XXIV cartes enluminées, de 1784 (fig. 4). Trata-se de
um atlas direcionado ao público infanto-juvenil com método de aprendizado na área de
Geografia, com 24 mapas apresentando o mundo, continentes e países europeus.
Figura 4: ATLAS des enfans ou nouvelle méthode pour appendre la géographie... 1784.

Fonte: Biblioteca da Marinha

3064

�Vale também ressalta a existência da obra “Arte de navegar”, de 1554 (fig. 5). É um
clássico manual de navegação astronômica do cosmógrafo Pedro de Medina, numa versão
editada em Lion, França, e ilustrada com diversos mapas.

Figura 5: MEDINA, Pedro de, 1493-1567. L ’art de naviguer. Lyon, 1554.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

A quarta área do Caálogo é a de Ciências e Artes Militares de terra, constituída de 77
obras e organizada em três subdivisões: Artilharia/Cavalaria; Engenharia/Infantaria, e;
Tática/Governo Militar (Polígrafos). Obtivemos a localização de 25 obras.
E a quinta e última área, que é a Polimatia (obras cuja temática não se encaixava em
nenhuma das outras áreas), era constituída de 225 obras e organizada em seis subdivisões:
História; Literatura/Manuscritos Médios; Manuscritos Antigos; Manuscritos Modernos;
Miscelânea Impressa, e; Viagens. Houve a localização de 64 obras, onde podemos destacar os
relatos de viajantes presentes no acervo da Biblioteca até o ano de 1812. São 38 relatos
publicados entre 1559 e 1802, de 29 autores diferentes, dentre eles localizamos o relato do
circunavegador inglês John Byron, em sua obra Voyage autour Du monde fait en 1764 et
1765 sur le vaisseau anglais le Dauphin. Paris: Chez Molini, 1767 (fig. 6).

3065

�Figura 6: BYRON, John. Voyage autour Du monde fait en 1764 et 1765 sur le
vaisseau anglais le Dauphin. Paris: Chez Molini, 1767

Fonte: Biblioteca da Marinha.

Destas obras, após m minucioso levantamento do que existe no acervo atual, foram
localizadas cerca de 369 títulos. Assim, mais uma vez aos poucos essas preciosidades
reapareceram.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile do manuscrito
original do Catálogo da Biblioteca da Academia dos Guardas-Marinhas, localizado no acervo
da Fundação Biblioteca Nacional, pelo Almirante Max Justo Guedes.
Houve certa complexidade em desenvolver o trabalho, devido à falta de profissionais
especializados na área. A pequena e esforçada equipe consistia de três estagiárias em
Biblioteconomia, supervisionadas por uma bibliotecária militar responsável pelo Setor de
Materiais Especiais há cinco anos. A profissional, empenhada em desenvolver tal tarefa,
obteve conhecimentos prévios adquiridos através de minuciosa pesquisa sobre a Coleção, o
apoio técnico pela equipe de oficiais historiadores pertencentes à DPHDM, além da obtenção
de maiores informações sobre coleções especiais através de bibliografias especializadas,

3066

�participação em eventos e simpósios sobre o assunto em questão e a visita em instituições
mantenedoras de acervos especiais, como a Fundação Biblioteca Nacional.
O inventário dessas obras no acervo da Biblioteca da Marinha contou com buscas nos
catálogos do sistema de gerenciamento de acervos da Rede BIM, posteriormente, no catálogo
manual de título/autor/cronológico da mapoteca e das obras raras. Em virtude do Catálogo
estar com as referências das obras traduzidas para a língua portuguesa, dificultou-se o
diagnóstico e a recuperação de grande número dos títulos, que são na sua maioria em língua
estrangeira (predominantemente francesa, quer pelos autores, quer pelos tradutores). O
compilador, além da tradução indevida, cometeu ainda outros erros na identificação de muitos
livros.
O trabalho continua com uma rigorosa revisão e acerto dos dados bibliográficos das
referidas obras que se encontram no sistema Pergamum, e com a inclusão de algumas das
publicações pertencentes à Coleção que não estavam identificadas no referido sistema (apenas
se encontravam nos antigos catálogos manuais).
Em paralelo, essas obras pertencentes à Coleção da Biblioteca da Academia Real dos
Guardas-Marinhas estão sendo inseridas na base PLANOR (Plano Nacional de Recuperação
de Obras Raras), da Fundação Biblioteca Nacional, que tem como objetivos principais
identificar, coletar, reunir e disseminar informações sobre acervos raros existentes no Brasil.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como afirmou Guedes (1972, p. 59), mal saberia o Comandante Dantas Pereira que,
exatamente graças ao seu zelo no preparo do catálogo é que temos hoje memória daquele
monumento científico, para podermos identificar e localizar tudo aquilo que o Depósito de
Escritos Marítimos possuía em 1812 e que ainda se encontram no acervo da Biblioteca da
Marinha, herdeira do nosso presente objeto de análise.
É com o mesmo entusiasmo que a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação
da Marinha retoma os estudos de localização desse conjunto de obras de grande valor
histórico, iniciado em 1972 pelo Almirante Max Justo Guedes.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Carta de serviços
ao

cidadão.

Rio

de

Janeiro,

2012.

Disponível

em:

&lt;https://www.mar.mil.br/dphdm/diversos/cartadeservicosaocidadao.pdf&gt;. Acesso em: 17 abr.
2014.

3067

�COSTA, Márcia Valéria da Silva de Brito; GRAU, Isabel Ariño. Primeiro catálogo impresso
do “Acervo básico-histórico da Biblioteca da Primeira Escola de Biblioteconomia do Brasil”.
In: ENCUENTRO NACIONAL DE INSTITUCIONES CON FONDOS ANTIGUOS Y
RAROS, 2., 2013, Argentina. Anais... Argentina: Biblioteca Nacional, 2013. Disponível em:
&lt;http://www.bn.gov.ar/descargas/pnbc/2encnacFAR/BritoCosta.pdf&gt;. Acesso em: 02 ago.
2014.
GOMES, Marly Jobim. A cartografia brasileira (1700-1822) - atlas, cartas náuticas e mapas
existentes na Biblioteca da Marinha. Anais hidrográficos, Rio de Janeiro, t. 23, supl., p. 285­
296, 1976.
GUEDES, Max Justo Guedes. Bicentenário de nascimento do Chefe-de-Esquadra José Maria
Dantas Pereira. Navigator, Rio de Janeiro, n. 6, p. 41-59, dez. 1972.
MORAES, Rubens Borba de. Livros e bibliotecas no Brasil colonial. 2.ed. Brasília, DF:
Briquet de Lemos, 2006.
SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO GERAL DA MARINHA (Brasil). Subsídios para a
história marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1938-1972. v. 15, p. 13-86.
SILVA, Carlos André Lopes da. A Real Companhia e a Academia dos Guardas-Marinha:
aspectos de uma instituição militar de ensino na alvorada da profissionalização do oficialato
militar, 1808-1839. 2012. 291 f Dissertação (Mestrado em História Social)-Pós-Graduação
em História Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.
SILVEIRA, Fabrício José Nascimento da. Biblioteca, memória e identidade social.
Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 15, n. 3, p. 67-86, set./dez.
2010.

Disponível

em:

&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000009464&amp;dd1=8e761&gt;. Acesso em: 02
ago. 2014.

3068

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O objeto deste trabalho consiste no levantamento do acervo histórico da Coleção da Academia Real de Guardas-Marinhas, dada a sua importância, que se encontra disponível, na Divisão de Materiais Especiais da Biblioteca da Marinha, que abrange as Seções de Mapoteca e Obras Raras, com o objetivo de incentivar as pesquisas num acervo de fontes primárias de alto valor científico. A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile do manuscrito original do Catálogo da Biblioteca da Academia Real dos Guardas Marinhas, localizado no acervo da Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante Max Justo Guedes. Com a devida localização e identificação desse importante acervo, temos hoje a memória científica da instrução dos oficiais militares da época, que deu origem a Biblioteca da Marinha.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO:
reflexões acerca das condições de trabalho dos bibliotecários

Gilvane Carvalho Ferreira
Iole Costa Pinheiro

RESUMO
Discorre-se sobre as condições de trabalho do bibliotecário. Para tanto se busca respaldo
teórico na Ergonomia enquanto disciplina que se detém na adequação do trabalho ao homem,
contribuindo na prevenção de riscos que podem afetar a saúde deste profissional. Adota-se
para tanto como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica, utilizando recursos
físicos e eletrônicos. Constata-se que um ambiente de trabalho projetado em conformidade
com os padrões da ergonomia proporciona condições de trabalho satisfatórias para que os
bibliotecários possam desenvolver suas atividades com criatividade, produtividade e bemestar.
Palavras-Chave: 1; Condições de trabalho do bibliotecário 2; Ergonomia; 3; Biblioteca
universitária.
ABSTRACT
Talks about the working conditions of the librarian. For this we seek theoretical support in
Ergonomics as a discipline that holds the adequacy of work to man, contributing to the
prevention of risks that can affect the health of this professional. Adopt for both
methodological procedure the bibliographic research, using physical and electronic resources.
Appears that a workplace designed in accordance with the standards of ergonomics provide
satisfactory working conditions so that librarians can develop their activities with creativity,
productivity and welfare.
Key words: 1; Working conditions of Librarian 2; Ergonomics, 3; University library.

1 INTRODUÇÃO
Os debates em torno das condições de trabalho sempre se fizeram presentes na história da
humanidade. No período em que se sucedeu a revolução industrial eles se apresentavam
fortemente expressos no discurso dos trabalhadores.
Atuando na tentativa de contribuir para proporcionar o conforto necessário ao homem
em seu ambiente de trabalho está a Ergonomia. Esta não é a única ferramenta ou tecnologia
com o objetivo de fazer com que o trabalho seja a razão da dignidade do homem, mas esta por
sua vez contribui ao estabelecer parâmetros para melhor realização de tarefas rotineiras.

529

�A adesão da Universidade Federal do Maranhão ao Programa de Apoio a Planos de
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) possibilitou ao Núcleo
Integrado de Bibliotecas da UFMA melhorias e ampliação de suas estruturas físicas tanto do
campus da Cidade Universitária, em São Luís, quanto dos demais campi presentes em outros
municípios maranhenses.
No campus da Cidade Universitária um novo prédio para abrigar a Biblioteca Central
tem sido construído desde final de 2012. Este servirá não somente como uma nova estrutura
para abrigar seu acervo, sendo projetado para ser um espaço informacional grandioso que
permita aos usuários melhores serviços fomentando ainda mais o processo de ensino, pesquisa
e extensão. Além disso, sua estrutura física deve dispor de recursos estruturados que venham
proporcionar melhorias nas condições de trabalho de seus funcionários.
A estrutura pensada e projetada para a biblioteca em construção está sendo
supervisionada por uma equipe de bibliotecários do NIB e contrasta com a atual estrutura em
que se encontra a Biblioteca Central, onde esta teve que se adequar a uma estrutura projetada
sem atenção a questões ergonômicas. Desta forma a presente pesquisa tem como objetivo
refletir sobre as condições de trabalho em que estão submetidos os bibliotecários da
Biblioteca Central da UFMA, bem como fomentar discussões que venham contribuir para a
consolidação de uma proposta de estrutura ergonomicamente planejada para o novo prédio da
Biblioteca.
2 A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
A biblioteca no contexto da Universidade se conceitua como uma unidade que visa a
propiciar a disseminação informacional, esta é coparticipante da formação acadêmica de seus
usuários, ao dispor seus produtos e serviços para tal fim. Vale salientar que, a biblioteca
universitária é um elemento primordial no desenvolvimento das atividades de ensino,
pesquisa e extensão, isto é, esta deve atender aos propósitos das instituições de ensino
superior.
As bibliotecas universitárias surgiram na Idade
Média, pouco antes do Renascimento. [...]. Estas
bibliotecas são as que mais se aproximavam do
conceito atual de biblioteca como espaço de acesso
e disseminação democrática de informação. O
número de estudantes universitários aumentou,
ocasionando o crescimento também da produção
intelectual.[...1.(MORIGI: SOUTO, 2005, p. 191,
grifo nosso).

530

�Por serem participantes do processo de ensino-aprendizagem em nível superior, as
bibliotecas universitárias são fundamentais no ciclo de produção do conhecimento. Realizam
as atividades de coleta, análise, processamento, disseminação e socialização de informações,
materializadas em diversos suportes informacionais, como livros, periódicos, teses,
dissertações e relatórios, nos formatos impresso e digital.(GURGEL; RODRIGUES, 2011).
As bibliotecas como um todo possuem características organizacionais comuns entre si,
ou seja, independem de suas especificidades de acervo, de público a quem se destina, e
produtos que venham a ofertar na promoção de seus serviços.

2.1 A ergonomia no trabalho do bibliotecário
A ergonomia é uma disciplina multidisciplinar, e esta se apresenta como uma
ferramenta para a projetação de espaços de trabalho, que busca um ambiente adequado ao
desenvolvimento de tarefas e/ou atividades para o melhor desempenho, no que tange a
eficácia e eficiência organizacional e, além disto, propicia ao trabalhador menos
possibilidades de lesão na execução de seu ofício.
Segundo Cidade (2005, p. 2) “A Ergonomia é uma ciência que busca a melhora do
conforto e da produtividade em todos os lugares onde os seres humanos desempenham suas
atividades”. Esta ferramenta busca o modo correto de execução de tarefas. Na prática, a
ergonomia quando empregada no ambiente de trabalho retira aspectos ruins que possam afetar
a saúde do profissional que consequentemente vão atingir o seu desempenho profissional.
As bibliotecas são ambientes de trabalho e para tanto merecem atenção quanto às
diretrizes das normas ergonômicas. A Norma Regulamentadora NR17- Ergonomia foi
aprovada pela Portaria MET/SIT n° 3.214, de 8.6.1978, e com redação dada pela Portaria
TEM/SIT n° 3.751, de 23.11.1990, conforme sua seção 17:
17.1 Esta norma regulamentadora visa a
estabelecer parâmetros que permitam a adaptação
das condições de trabalho às características
psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a
proporcionar um máximo de conforto, segurança e
desempenho eficiente. (BRASIL, 1990).
Só que aparentemente, as instituições contratantes de bibliotecários apenas focalizam
o resultado final do trabalho realizado, e não se preocupam com o processo durante a sua
execução, não se detém naquilo que é necessário, ergonomicamente, para o desenvolvimento

531

�das tarefas, que assegurem a sua realização com os menores riscos à saúde do profissional.
(SOUZA E SILVA, 2007).
A Biblioteca Central da UFMA, desde sua criação, teve que se adequar a estrutura
física da instituição, realizando dessa forma um processo inverso do que está regido nos
padrões para bibliotecas. E isto traz sérias implicações também com correlação ao ambiente
de trabalho e consequentemente na execução das tarefas.
Diante disto podemos afirmar que o trabalho do bibliotecário, assim como o dos
demais trabalhadores, deve estar assegurado com as práticas corretas de uso dos
equipamentos, assim como eles devem estar lotados em ambientes livres de ruídos. “[...]
Assim, focalizando a atenção nos trabalhadores de uma Biblioteca Universitária, a ergonomia
buscará o aspecto da humanização do trabalho, tendo em vista propiciar condições
satisfatórias para um melhor desempenho destes”. (SILVA; LUCAS, 2009, p.383).
A saúde do trabalhador está estreitamente relacionada ao seu bem-estar em seu
ambiente de trabalho. O bibliotecário realiza diversas tarefas que podem afetar
consideravelmente sua postura, suas emoções, etc.
O trabalho diário realizado em condições adversas,
com o passar do tempo, pode desencadear o
aparecimento de diversos problemas, como de
saúde física e mental e é por isso que as empresas e
Unidades de Informação devem compreender a
relação entre as condições de trabalho e seus
possíveis reflexos no rendimento dos funcionários.
(SILVA; LUCAS, 2009; p.383)
Enfim, a ergonomia tem como princípio básico que o trabalho deve adaptar-se ao
homem e não o contrário. Onde o ambiente de trabalho fique mais humanizado, permitindo
assim que as habilidades profissionais se desenvolvam de forma satisfatória.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma revisão de literatura, situando no bojo das reflexões e discussões o
trabalho do bibliotecário e as condições que lhe estão impostas na Biblioteca Central da
Universidade Federal do Maranhão. Para tanto se utiliza a pesquisa bibliográfica “necessária a
qualquer trabalho de pesquisa” (PADUA, 1994, p.154). Além disso para subsidiar as
reflexões e discussões, apropriar-se-á da observação, uma vez que as autoras são servidoras da
biblioteca e estão envolvidas diretamente com as questões e problemáticas que se apresentam
na pesquisa.

532

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A partir da revisão bibliográfica e da observação feita in loco verificou-se que a
Biblioteca Central atualmente não se encontra ergonomicamente estruturada no tocante as
condições de trabalho e com a construção, em andamento, do novo prédio para abrigá-la
dificilmente se farão na atual estrutura as correções necessárias recomendadas na norma NR17.
A Biblioteca Central é composta de vários setores para desenvolvimento das
atividades e todos eles, considerando as observações, apresentam alguma desconformidade
ergonômica. Os equipamentos e materiais de trabalho são alguns dos aspectos que tem
refletido em situações não satisfatórias no ambiente de trabalho.
As discussões levantadas na pesquisa acerca da Ergonomia, propiciando medidas de
emprego desta ferramenta concorrerá para que erros e/ou desvios anteriores não sejam
repetidos no novo prédio da Biblioteca Central.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Ergonomia é uma ferramenta de suma importância organizacional. Um ambiente de
trabalho ergonomicamente correto contribui para a qualidade de vida e bem-estar tanto dos
trabalhadores quanto de seus usuários, clientes.
Na Biblioteca Central da UFMA há a preocupação de se atender aos padrões de
bibliotecas previstos na International Organization for Standardization - ISO, já os
parâmetros ergonômicos não tem sido considerados com maior relevância e atenção.
Disponibilizar os equipamentos e materiais para garantir a eficiência e eficácia na
execução das atividades e processos não se configura como fator preponderante para propiciar
condições satisfatórias para o trabalhador. Tal atitude dos gestores acaba por demonstrar
pouca atenção dada a qualidade de vida do seu trabalhador, evidenciando assim maior
interesse deles na sua produtividade.
Constatou-se que as condições de trabalho dos bibliotecários da Universidade Federal
do Maranhão no tocante a ergonomia necessita de melhorias e ou adequações para que
possam desempenhar suas funções satisfatoriamente, a fim de evitar riscos que acarretem
problemas de saúde, sejam estes posturais, emocionais etc.

533

�6 REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria Ministerial n. 3751, de 23 nov. 1990.
Norma

Regulamentadora

n.

17

Ergonomia.

Disponível

em:

http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BE914E6012BEFBAD7064803/nr_17.pdf&gt;.
Acesso em: 10 abr 2014.
GURGEL, Nadsa Maria Cid; RODRIGUES, Maxweel Veras. Biblioteca universitária e
ensino superior: em busca de um alinhamento estratégico Revista EDICIC, v.1, n.3, p.211­
228,

Jul./Sep.

2011.

Disponível

em:&lt;file:///C :/Users/Fernanda/Downloads/61 -247-1 -

PB%20(1).pdf.&gt;. Acesso em: 11 abr 2014.
MORIGI, V. J.; SOUTO, L. R. Entre o passado e o presente: as visões de biblioteca no
mundo contemporâneo. Revista ACB, v. 10, n. 2, p. 189-206, jan./dez. 2005. Disponível em:
&lt; http://revistaacb.emnuvens.com.br/racb/article/viewArticle/432/551.&gt;. Acesso em: 11 abr
2014.
PÁDUA, Elisabeth Matallo Marchesini. O trabalho monográfico como iniciação a pesquisa
científica . In: CARVALHO, Maria Cecília Maringoni de (Org.). Construindo o saber:
metodologia científica: fundamentos e técnicas. Campinas: Papirus, 1994.
SILVA, Andrea Aparecida; LUCAS, Elaine Rosângela de Oliveira. Abordagem ergonômica
do ambiente de trabalho na percepção dos trabalhos: estudo de caso em biblioteca
universitária.

Revista

ACB,

v.14,

n.2,

382-406,

jul./dez.,

2009.

Disponível:

&lt;www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=7099&gt;. Acesso: 30 abr 2014.

534

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Documentação&#13;
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                <text>Discorre-se sobre as condições de trabalho do bibliotecário. Para tanto se busca respaldo teórico na Ergonomia enquanto disciplina que se detém na adequação do trabalho ao homem, contribuindo na prevenção de riscos que podem afetar a saúde deste profissional. Adota-se para tanto como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica, utilizando recursos físicos e eletrônicos. Constata-se que um ambiente de trabalho projetado em conformidade com os padrões da ergonomia proporciona condições de trabalho satisfatórias para que os bibliotecários possam desenvolver suas atividades com criatividade, produtividade e bem estar.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AUMENTANDO O ALCANCE E A VISIBILIDADE DE CATÁLOGOS ONLINE E
REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS COM A AJUDA DO GOOGLE.
Giuliano Ferreira

RESUMO
Este trabalho propõe uma série de procedimentos para aumentar o alcance, a visibilidade e o
número de acessos de Catálogos Online, conhecidos como Online Public Access Catalogs
(OPACs), e Repositórios Institucionais, com a ajuda do sistema de buscas do Google. Analisa
as diversas abordagens dos mecanismos de buscas da Internet e os compara com sistemas de
pesquisas institucionais, particularmente de bibliotecas universitárias. Apresenta os objetivos
por trás do processo de otimização dos catálogos e repositórios. Descreve os procedimentos
utilizados no desenvolvimento e apresenta detalhes do sistema planejado para o
gerenciamento da mesma. Aponta as medidas adotadas para prover um melhor funcionamento
do sistema. Destaca as mudanças de comportamento dos pesquisadores atuais e propõe uma
nova abordagem para alcançar, monitorar e atender esses usuários. Analisa, então, os
resultados parciais alcançados durante o período do projeto piloto. Conclui, apontando os
aspectos vantajosos que devem ser considerados na implantação de um projeto dessa
natureza.
Palavras-Chave: OPAC; Catálogo online; Repositório Institucional; Biblioteca digital;
Indexação; Mecanismos de busca; Google; Programação; Web;
ABSTRACT
This paper proposes a series of procedures to increase the reach, visibility and the numbers of
access of Online Public Access Catalogs (OPACs) and Institutional Repositories with the help
of the Google search tool. It analyzes various approaches to Internet search engines and
compares them with institutional research systems, particularly university libraries. It presents
the objectives behind the optimization process of repositories and catalogs. It describes the
procedures used in the development and provides details of the planned features for managing
the same system. It identifies measures adopted to provide a better functioning system. It
highlights the changes in behavior of current researchers and proposes a new approach to
reach, monitor and serve these users. It then analyzes the partial results achieved during the
period of the pilot project. And it concludes, pointing out the beneficial aspects that should be
considered in the implementation of such a project.
Keywords : OPAC; Online catalog; Institutional repository; Digital library; Indexing; Search
engines; Google; Programming; Web;

4053

�1 Introdução
Novos desafios se colocam diariamente em todos os setores da sociedade, em virtude
das grandes transformações resultantes da evolução das tecnologias da informação. As
bibliotecas universitárias, neste contexto, não são exceção.
Existe hoje um grande esforço sendo feito nestas instituições com o intuito de atender
à sua comunidade e prover acesso aos seus documentos, estejam eles fisicamente localizados
nas dependências da biblioteca, armazenados digitalmente em seus servidores, ou na nuvem,
através das assinaturas das bases de dados e demais links catalogados no sistema.
O grupo de consumidores destas informações deixa de ser formado apenas pelos
usuários membros da comunidade local da instituição e passa a ser composto por todas as
camadas da sociedade. Existe uma demanda crescente por serviços de recuperação de
informações.
Porém, no ponto de vista deste usuário consumidor da informação, também existe um
desafio, que é justamente saber onde buscar essas informações. Como cada instituição
desenvolve sua própria solução de recuperação de informações, com diferentes níveis de
profundidade e eficiência, que são influenciados por diversos fatores, entre os quais, apoio
institucional, investimento financeiro, acesso às tecnologias atuais, capacitação da equipe,
parcerias e outros facilitadores, nem sempre este usuário encontrará o que precisa em uma
única ferramenta de busca. Essa diversidade de soluções, em vez de facilitar, acaba por
dificultar a pesquisa do usuário, que ou fica limitado pelo alcance da ferramenta de busca de
sua instituição, ou fica perdido diante de tantas outras ferramentas que estão espalhadas pela
Internet.
Como mencionado por Karen G. Schneider (2006), em seu artigo “How OPACs Suck’,
as ferramentas de buscas oferecidas pelos catálogos tradicionais sofrem com uma série de
deficiências quando comparadas com um sistema de buscas potente, como o Google. Estas
deficiências vão desde a ausência de um bom ranking de relevância com uma ordenação de
resultados decentes, a falta de uma recuperação por termos correlacionados, a inexistência de
correções ortográficas, de um pobre refinamento de buscas, até a necessidade de repetir a
busca diversas vezes em outras bases de dados, entre outros fatores limitadores.
O que acaba se percebendo é que este usuário passa a optar por iniciar a sua pesquisa
em um motor de busca global, como o Google, visto que o mesmo passa uma impressão de

4054

�estar buscando em todos os lugares de uma vez só, deixando as ferramentas de buscas
institucionais que ele conhece para um momento posterior, ou apenas para refinar suas
pesquisas.
Esta nova realidade pode ser vista como uma ameaça, porém simultaneamente como
uma oportunidade que as bibliotecas não podem desperdiçar. Ou seja, isto significa que para
atender este usuário e fornecer as informações que ele precisa é necessário também capturá-lo
no momento em que está realizando suas pesquisas em buscadores, como o Google, e entregar
para ele o seu conteúdo.
Como dizia o autor John Martin, desde 1939: “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”.
Portanto, ciente de que seu usuário pode estar em qualquer localização, de que o mesmo está
limitado à capacidade de recuperação do sistema institucional, perdido diante da diversidade
de ferramentas, e que devido a todos estes fatores ele acaba iniciando suas pesquisas no
Google, é de fundamental importância que todo o conteúdo dos OPACS e repositórios
institucionais estejam indexados no motor de buscas do Google, para que possam ser
recuperados e os usuários sejam, então, direcionados para o site da instituição, com o intuito
de acessar estes documentos seja fisicamente ou através de download.
Neste momento, encontramos outro desafio, que felizmente pode ser convertido em
oportunidade através da série de procedimentos proposta neste trabalho. A principal
dificuldade encontrada nesta etapa é que buscadores, como o Google, utilizam bots (robôs de
busca automatizados), que são responsáveis por indexar todo conteúdo que esteja disponível
na Internet e que esteja acessível para os bots. E é neste ponto que a maioria das instituições
esbarra com algumas limitações. Para que o conteúdo seja indexado pelo Google, ele precisa
estar localizado em uma parte do seu servidor que não esteja protegida de acesso externo
pelos bots e, normalmente, precisa estar contido em documentos estáticos, ou seja, em
arquivos, na sua maioria em formato texto, gravados no disco rígido dos servidores.
No entanto, na maioria dos sistemas de bibliotecas universitárias, os metadados das
obras estão gravados em um Sistema Gerenciador de Banco de Dados (protegido e privado),
armazenados em tabelas e acessados somente pelos sistemas das instituições através de um
script (código de programação), que lê a informação do Banco de Dados e exibe para o
usuário em uma página web, que está sendo gerada dinamicamente no momento em que ele
faz uma pesquisa e clica no link da obra.
O problema é que, por padrão, o conteúdo que é mostrado para o usuário nestas
páginas dinâmicas não é indexado pelo Google, exatamente pelo fato dos metadados estarem
gravados no Banco de Dados e não em arquivos no formato texto no servidor, ficando

4055

�invisíveis para o motor de buscas e, consequentemente, não sendo recuperados pelo usuário
através do buscador.
O objetivo da técnica proposta neste trabalho é exatamente disponibilizar para o
Google todas as informações sobre as obras do catálogo, permitindo que sejam indexados
pelos bots e posteriormente recuperados pelo usuário quando ele estiver realizando sua
pesquisa inicial no motor de buscas global, capturando, assim, este usuário e provendo acesso
a todo o conteúdo de sua instituição.
Ao trazer usuários que vêm diretamente dos mecanismos de buscas tradicionais para
os seus catálogos e repositórios, pôde-se observar durante o período do projeto piloto um
aumento considerável no número de acessos. Observou-se também um aumento significativo
na qualidade das informações sobre esse visitante. Antes da customização, a informação,
quando existia, era meramente quantitativa e indicava somente o número de pessoas que
teriam acessado um determinado arquivo, por exemplo. Após a customização, todos os
acessos são monitorados por uma ferramenta de análise chamada Google Analytics, que, além
da quantidade de acessos, fornece uma série de outras informações sobre o usuário visitante,
como: de onde ele veio; quais termos de busca foram digitados; qual dispositivo e sistema
operacional utilizou. Com isto está sendo possível traçar um perfil bem mais detalhado deste
usuário, permitindo assim que sejam desenvolvidos melhores serviços para lhe atender.
Após o período de implantação do projeto piloto, que contou com apenas algumas
customizações, concluiu-se que todo esforço e investimento dedicado a aperfeiçoar a
indexação dos catálogos online e dos repositórios acadêmicos, através das ferramentas de
busca, são totalmente justificados por todos os motivos que serão apresentados, entre os quais,
pelo aumento na quantidade de acessos e pela riqueza das informações relevantes do perfil do
usuário.

2 Revisão de Literatura
Os OPACs e Repositórios Institucionais vêm sendo um importante foco de discussão
nas bibliotecas; seu alcance, visibilidade, número de acessos e o perfil do usuário visitante
tornaram-se tópicos de debates em congressos, artigos de periódicos e diversas outras
iniciativas que têm pelo menos um objetivo em comum: atender as necessidades do usuário.
Embora essa discussão seja relativamente recente nas instituições brasileiras, há um
bom tempo vem sendo debatida por autores estrangeiros. Desde 2006, Lorcan Dempsey já
comentava sobre a necessidade de atender o usuário de uma forma mais abrangente, se
aproveitando das vantagens de um ambiente em rede:

4056

�Grande parte da discussão é sobre como melhorar a experiência do usuário
do catálogo, o que é uma aspiração razoável. No entanto, nós realmente
precisamos colocar isso no contexto de um conjunto mais abrangente de
questões sobre descoberta de informação e sobre a evolução contínua dos
sistemas de bibliotecas, incluindo o catálogo, em um ambiente de rede em
mudança. Neste ambiente, os usuários estão descobrindo cada vez mais
recursos em locais diferentes do que no catálogo. (DEMPSEY, 2006, p. 1,
tradução nossa)

Os primeiros esforços por aqui foram voltados para centralizar a busca do usuário
através de uma única ferramenta. Primeiro, vieram os metabuscadores, que pretendiam
unificar o processo de pesquisa, proporcionando uma única caixa de busca para encontrar
recursos em diversas bases de dados de uma só vez. Como essas pesquisas eram feitas em
tempo real nas bases de dados, algumas vezes o desempenho do tempo de resposta e da
disponibilidade dos recursos não era muito agradável.
No momento, a atenção está voltada para as ferramentas de descoberta, que ao invés
de buscar em tempo real em cada base de dados, indexa previamente todo o conteúdo das
mesmas e fornece a informação com um tempo de resposta bem menor.
Ambos os esforços têm como objetivo unificar o catálogo local com os outros recursos
disponíveis digitalmente na rede, como os periódicos localizados nas bases de dados
assinadas pelas bibliotecas, além de outros recursos eletrônicos fora do catálogo. Isto, com
certeza, revolucionou a forma como o usuário pesquisa e recupera informações.
Porém a discussão proposta neste trabalho é um pouco mais profunda do que isso.
Ainda em 2006, Dempsey já alertava para a problemática em torno da extrema diversidade de
recursos disponíveis e de ferramentas espalhadas pela rede mundial de computadores:

Hoje, vivemos em um mundo diferente. Agora, os recursos de informação
são relativamente abundantes, e a atenção do usuário é relativamente
escassa. Os usuários têm muitos recursos disponíveis para eles e não podem
gastar muito tempo em nenhum deles. Muitas ferramentas de busca estão
disponíveis lado a lado na rede, e grandes recursos consolidados surgiram na
forma de ferramentas de busca. Mesmo dentro da biblioteca, já existem
várias ferramentas de busca disponíveis na rede (para repositórios locais,
bancos de dados, periódicos, etc.). O usuário está repleto de oportunidades.
Não existe um recurso que seja o foco único de atenção do usuário. Na
verdade, a rede agora é o foco de atenção do usuário, e a 'coleção' disponível
é um conjunto enorme de recursos, muito maior do que a coleção local
catalogada das bibliotecas. O usuário deseja descobrir e usar muito mais do
que está na coleção local catalogada. (...) Eu acho que essa mudança coloca
grandes questões para o futuro do catálogo, e está ligada à diferença entre a
descoberta (identificação de recursos de interesse) e localização
(identificação de onde esses recursos de interesse estão realmente
disponíveis). (DEMPSEY, 2006, p. 1, tradução nossa)

4057

�A ferramenta de buscas do Google assumiu boa parte desse processo de pesquisa
inicial do usuário. Agora, ele está acostumado a começar suas pesquisas através de um
buscador global, para então refinar a pesquisa nas bases de dados mais específicas que ele tem
conhecimento. Só que, como já citado, existe uma infinidade de ferramentas disponíveis, o
que acaba confundindo o usuário e dificultando sua pesquisa.
O ideal, então, seria aproveitar todo o poder de indexação e recuperação com precisão
de uma ferramenta robusta, como o Google, e direcionar esforços para fornecer a esta
ferramenta o máximo de informações contidas nos catálogos online e nos repositórios
institucionais, para que o usuário já possa recuperar e acessar diretamente o que deseja ainda
na fase inicial de suas pesquisas em um único lugar que ele já está acostumado a utilizar.
Esta abordagem traz diversas vantagens tanto para o usuário quanto para instituição.
Primeiramente, ela facilita a pesquisa do usuário, disponibilizando no Google as informações
que só seriam recuperadas quando ele estivesse utilizando o sistema de buscas da instituição.
Este processo cria um atalho para o acesso direto ao conteúdo desejado e, em contrapartida,
traz este usuário para dentro do catálogo ou repositório. Ou seja, muitas vezes a instituição
passa a ganhar, através deste acesso, um novo usuário, que antes poderia desconhecer o seu
catálogo e seus mecanismos de busca.
À medida que os metadados disponibilizados forem sendo indexados pelo Google e
ganhando um ranking de posicionamento e relevância maiores nesta ferramenta, a tendência é
que o alcance, a visibilidade e o número de acessos realizados aos catálogos e repositórios das
instituições aumentem consideravelmente, contribuindo para as estatísticas e para o
crescimento e o reconhecimento do catálogo institucional perante os usuários. Do ponto de
vista técnico, alguns ajustes devem ser feitos tanto no lado do servidor da instituição, quanto
nos registros bibliográficos do catálogo, para que este processo ocorra com mais precisão. O
autor Mark Jackson (2010), explica em seu artigo, as alterações que devem ser implantadas no
servidor para conseguir submeter e rastrear os seus documentos através do Google Analytics,
e Patrick Griffi (2009), explica os ajustes nos registros bibliográficos para otimizar esta
descoberta.
Outra vantagem inerente desta estratégia é que o usuário pode tirar proveito dos outros
recursos incorporados na pesquisa do Google, que muitas vezes não estão presentes nas
ferramentas de busca ao catálogo, como uma ordenação decente dos resultados, baseada em
relevância, e não em ordem alfabética (como ainda vemos em muitas instituições), ou até
mesmo de uma correção ortográfica e sugestões de pesquisa, para os casos de erros de
digitação ou uso de plurais, diminutivos, acentos, prefixos, entre outros problemas que os

4058

�usuários já estão acostumados a encontrar durante suas pesquisas, mas que, felizmente, os
mecanismos de busca como o Google e as mais recentes ferramentas de descoberta de
bibliotecas já vêm tentando minimizar.
Em 2006, Karen G. Schneider criticava os catálogos online pela falta de uma série de
recursos básicos incorporados aos mecanismos de busca, que até hoje, em 2014, no Brasil,
ainda não vemos implantados nos catálogos online de uma grande parte das instituições:
Os usuários que se queixam de que o seu catálogo on-line é difícil de
pesquisar não são estúpidos; eles estão simplesmente apontando o óbvio.
Classificação por relevância é apenas uma das muitas funcionalidades
básicas dos mecanismos de busca que estão faltando nos catálogos on-line.
(...) Por que os fornecedores de catálogos online não oferecem, em primeiro
lugar, uma busca de verdade? E por que não exigimos isso? Poupe o tempo
do leitor! (SCHNEIDER, 2006, p. 1, tradução nossa)

Além dos recursos já citados, que estão ausentes nos catálogos online, temos ainda a
questão da frágil adaptação dos resultados de busca nestes sistemas. Ferramentas como o
Google vão transformando seus resultados se baseando nas frequências com que os termos de
buscas vão sendo utilizados e também pelos documentos que são mais acessados pelos
usuários, ou seja, o resultado é dinâmico e depende do comportamento do usuário perante os
dados recuperados. Já os catálogos online, em sua maioria, são estáticos e apresentam sempre
os resultados na mesma ordem pré-estabelecida. Isto atrasa o pesquisador e dificulta o
processo de localização dos documentos que estão sendo mais acessados para aqueles termos
de busca.
Muitos são os autores estrangeiros que defendem um sistema de busca institucional
mais parecido com o Google. Os artigos escritos por Karl Fast (2004), Janifer Gatenby (2007)
e Aaron Tay (2012), ressaltam estes fatores e defendem que sejam feitas mudanças radicais na
forma como são recuperados os registros, e principalmente nos recursos de filtragem,
apresentação e ordenação dos resultados das pesquisas nestes sistemas.
O que se percebe neste momento, no país e de maneira geral, são instituições
investindo muito em sistemas integrados e em ferramentas pouco personalizáveis, que muitas
vezes não possuem sequer estes recursos básicos, e ao mesmo tempo, pouco se ouve falar
sobre aproveitar os mecanismos de busca já consolidados, indexando as bases de dados dos
catálogos e repositórios no Google, para ajudar no processo de localização e recuperação dos
documentos mais importantes e mais relevantes para os usuários.
Do ponto de vista da instituição, deveria ser de interesse primário conhecer e entender
melhor o perfil dos usuários que acessam seus catálogos e repositórios sejam eles usuários

4059

�locais pertencentes à comunidade institucional ou até mesmo os eventuais usuários visitantes
de outras localizações, que utilizam seus sistemas através da rede para recuperar as
informações

que

precisam.

Este

método

pretende

aperfeiçoar

a captura

destas

informações para dar subsídio à tomada de decisões das instituições que estão visando atender
melhor os seus usuários.
O presente trabalho pretende levantar esta discussão e também motivar outras
instituições a aplicarem esta série de procedimentos em seus catálogos e repositórios, pois se
trata de uma solução relativamente simples de adotar e que depende de poucos recursos
humanos e financeiros, afinal, após todos os esforços empenhados em conjunto pelas
bibliotecas, o maior beneficiado, com certeza, será sempre o usuário final.

3 Materiais e Métodos
O método proposto neste trabalho pretende explicar duas abordagens diferentes com o
intuito de aumentar o alcance, a visibilidade e o número de acessos dos OPACs e repositórios
institucionais. De início, analisa-se o acesso aos acervos digitais, normalmente presentes nos
repositórios como obras em Portable Document Format (PDF). Em seguida, analisa-se a
indexação e o acesso aos Catálogos Online das instituições. Ambas as abordagens visam
melhorar a recuperação destes dados a partir de ferramentas de busca, como o Google.
A série de procedimentos, como um todo, consiste em realizar alterações em alguns
arquivos específicos de configuração nos servidores da instituição e submeter essas alterações
para o motor de pesquisas do Google, com o intuito de indexar na ferramenta de busca o
conteúdo dos documentos digitais e também todo conteúdo do catálogo armazenado nos
bancos de dados institucionais, possibilitando o acesso aos metadados dos OPACs e
repositórios diretamente do Google.
Além do aumento de alcance e visibilidade, outro objetivo proposto pela técnica é o de
capturar alguns dados dos usuários que realizam estes acessos, utilizando uma ferramenta de
monitoramento que permite registrar toda uma gama de informações sobre o acesso realizado,
por exemplo, quais termos de busca foram utilizados para encontrar uma determinada obra, a
partir de qual dispositivo foi feito o acesso, bem como dados sobre este dispositivo, como
sistema operacional, resolução de tela, navegador utilizado. Também é possível capturar
dados demográficos e geográficos, como idade, língua falada, países e cidades que mais
acessaram, ou dados comportamentais, como tempo de acesso e distinção entre usuários
novos e frequentes. É possível, inclusive, visualizar os acessos aos documentos em tempo
real.

4060

�A série de procedimentos pode ser dividida em sete etapas principais: Mapeamento,
Registro, Desenvolvimento, Configuração, Submissão, Monitoramento e Análise, que serão
descritas em detalhes a seguir.
A primeira etapa necessária é o Mapeamento, onde se deve traçar um panorama da
situação atual do servidor institucional. Nesta etapa, os administradores da rede devem utilizar
ferramentas de monitoramento de logs para mapear o número de acessos diretos aos arquivos
do servidor. Entende-se por acesso direto todo acesso feito aos arquivos por parte do usuário,
sem que ele tenha que passar pelo sistema integrado de buscas da instituição para recuperar o
arquivo. Ou seja, a intenção neste momento é compreender o alcance dos documentos fora do
ambiente do seu próprio sistema, além de identificar as desvantagens com relação à
imprecisão e ausência de dados qualitativos que são fornecidos por uma solução baseada em
análise de logs. Como grande parte das instituições, por padrão, ainda não indexam seus
catálogos online no Google, os dados relativos aos acessos diretos às páginas com as
informações dos acervos do catálogo, possivelmente, estarão zerados, mas será possível, pelo
menos, capturar os dados de acesso aos arquivos PDFs, sejam eles do catálogo ou dos
repositórios, mas que já estavam em locais do servidor com acesso liberado aos bots de
indexação do Google.
Na segunda etapa, chamada de Registro, é necessário criar uma conta na ferramenta
Google Analytics, cadastrar um novo Perfil, que será utilizado para o projeto, e gerar um
Código de Rastreamento, que será utilizado nas próximas etapas.
A partir da terceira etapa, conhecida por Desenvolvimento, torna-se necessário utilizar
recursos das linguagens de programação, como o PHP: Hypertext Preprocessor (PHP), para
se criar um script de mineração, que será responsável por recuperar os metadados dos acervos
no banco de dados e gerar as páginas web estáticas no formato HyperText Markup Language
(HTML). Estas páginas serão utilizadas na etapa de Submissão, disponibilizando estes dados
pro Google, para que possam ser indexados e recuperados pelo usuário quando pesquisar,
utilizando os termos que estejam contidos nelas. Este script deve ter acesso ao banco de dados
institucional, e será necessário desenvolver uma consulta SQL especificamente para recuperar
os metadados que se deseja que sejam a serem indexados pelo buscador. Devem-se incluir,
nesse momento, alguns dos fatores citados por Brian Dean (2013), em seu artigo sobre os 200
fatores que aumentam a chance do Google elevar o ranking dos seus documentos no
algoritmo do motor de busca na hora da recuperação.
Ainda na etapa de Desenvolvimento, deve-se criar um script de interceptação que será
utilizado na etapa de Configuração e será responsável por interceptar e processar os acessos

4061

�feitos diretamente aos arquivos PDFs armazenados no servidor. Alex Moore (2013), em seu
artigo, explica os procedimentos para realizar esta interceptação.
Para que seja possível monitorar todos estes acessos, tanto aos PDFs quanto aos dados
do catálogo, estes scripts devem incluir o Código de Rastreamento do Google Analytics no
código fonte, possibilitando a captura dos dados já citados sobre o visitante.
A quarta etapa, de Configuração, contempla as alterações que devem ser feitas em
arquivos do servidor, para que se possa registrar os acessos e preparar o serviço para a etapa
de Redirecionamento. (No projeto piloto, no qual foi implantada essa série de procedimentos,
foi utilizado o Servidor de Hyper Text Transfer Protocol (HTTP) Apache, porém os
procedimentos aqui listados podem ser efetuados em outros serviços similares). Nesta etapa,
altera-se o arquivo htaccess do Servidor Apache, para que as tentativas de acesso direto aos
PDFs sejam capturadas pelo script de interceptação criado na etapa de Desenvolvimento e
registradas no Google Analytics, para que sejam avaliadas posteriormente na etapa de Análise.
Na quinta etapa, chamada de Submissão, inicia-se a integração com o Google, que
possibilita a indexação das páginas HTML, geradas pelo script de mineração na etapa de
Desenvolvimento. Esta integração é realizada pela geração de um arquivo de configuração
chamado de SiteMap, que deve ser composto por uma lista de Universal Resource Locators
(URLs), sendo uma para cada acervo que se deseja indexar. Ou seja, uma instituição que
deseja indexar duzentos mil itens do seu catálogo, deve gerar um arquivo de SiteMap com
duzentas mil URLs, cada uma apontando para o endereço do script de mineração e indicando
como parâmetro o código do acervo que será indexado. Recomenda-se incluir também, neste
arquivo de SiteMap, os endereços de acesso aos arquivos PDFs do catálogo ou dos
repositórios, para garantir que sejam indexados corretamente pelo Google. Todas as
definições dos arquivos SiteMap podem ser encontradas no Site oficial através do endereço:
sitemap.org.
Este arquivo de SiteMap, uma vez preenchido, deve ser enviado para o Google através
de uma suíte de ferramentas chamada de WebMaster Tools, possibilitando ao buscador
acessar e indexar os dados do catálogo que, anteriormente, estavam restritos à base de dados
da instituição.
Nesta etapa, também é necessário verificar se os diretórios onde estão localizados os
arquivos PDF no servidor possuem as devidas permissões configuradas, para que seja
possível ao Google acessar todos os dados disponíveis.
A sexta etapa é a de Monitoramento, onde será utilizada a ferramenta Google
Analytics para visualizar e acompanhar a evolução dos acessos aos documentos. A partir

4062

�desta ferramenta, é possível extrair dados detalhados sobre o visitante, permitindo à
instituição conhecer o perfil do usuário, além de compreender quais documentos estão sendo
mais requisitados nos seus catálogos e repositórios.
Ainda na etapa de Monitoramento, se torna possível comparar os dados obtidos na
etapa de Mapeamento com os dados atuais fornecidos pela ferramenta Google Analytics,
depois das otimizações realizadas nos servidores. Esta ferramenta é essencial para esta etapa e
também para a etapa de Análise, pois fornece diversas opções de filtragem dos resultados e
muitas combinações de dados, o que possibilita uma análise profunda das mudanças ocorridas
pela implantação dos métodos propostos neste trabalho. Nesta etapa, é importante definir
alguns índices de performance, para que se possa realizar uma série de comparações e gerar
um relatório com uma avaliação de desempenho, confrontando a etapa de Mapeamento com a
de Monitoramento.
A última etapa é a de Análise, na qual serão avaliados os relatórios, contendo todos os
dados dos visitantes e das obras acessadas, e, a partir desta análise, serão definidas as novas
metas e os procedimentos de aperfeiçoamento na disponibilização de documentos para os
usuários, através das ferramentas de busca, como o Google.
Deve se levar em conta, nesta etapa, os dados quantitativos e qualitativos que foram
levantados nas outras etapas, e compreender como eles afetam os acessos aos catálogos e
repositórios institucionais.
É importante compreender que esta série de procedimentos funciona como um ciclo,
que deve ser aperfeiçoado constantemente, ou seja, deve-se, a partir desta análise, verificar os
resultados obtidos nas outras etapas, compreender as partes que ainda não estão funcionando
como deveriam e que ainda podem ser otimizadas e, então, definir as mudanças que serão
feitas no processo, com o intuito de capturar ainda mais dados dos visitantes e dos
documentos acessados. Ao final de alguns ciclos, realizando este ajuste fino, espera-se que a
instituição tenha um bom controle sobre quem são, de onde vêm, e o que procuram os seus
visitantes.

4 Resultados Parciais/Finais
Para que fosse possível experimentar a série de procedimentos proposta neste trabalho,
optou-se pela criação de um pequeno projeto piloto, que foi constituído inicialmente por 100
obras digitais, selecionadas aleatoriamente do catálogo institucional.

4063

�Depois de implantadas todas as etapas explicadas anteriormente na série de
procedimentos, foi possível perceber as diversas nuances e observar fatores tanto positivos
quanto negativos de uma solução desta natureza.
O primeiro fator positivo observado foi o aumento no número de acessos aos
documentos, quando comparados com as estatísticas de acessos retiradas pela ferramenta de
análise de logs do servidor Apache. Houve um aumento de duzentos por cento (200%) nos
acessos detectados pelo Google Analytics em relação aos capturados pelo método tradicional
de análise de logs do servidor. É importante ressaltar que o método de análise de logs muitas
vezes não é preciso, portanto, somente ao implantar toda a série de procedimentos e observar
a mudança dos dados em longo prazo é que poderá se obter dados mais confiáveis e que
podem não refletir os dados obtidos durante a fase do projeto piloto.
O segundo fator positivo que chamou a atenção foi o percentual de acessos aos
documentos PDFs, que vinham direto da ferramenta de buscas do Google. Aproximadamente
dois terços dos acessos (72%) estavam sendo direcionados diretamente das pesquisas
realizadas no Google pelos termos de busca que foram localizados nestes documentos. Este
fator influencia diretamente os dados sobre os usuários que podem ser recuperados, visto que,
antes da implantação da série de procedimentos, não era possível capturar informações sobre
estes visitantes que são direcionados pelo Google, e sim apenas daqueles visitantes que
acessavam os documentos a partir da ferramenta de pesquisa da instituição.
O terceiro fator positivo foi devido à quantidade de informações relacionadas ao
usuário visitante que pôde ser capturada. Entender os interesses e predileções dos usuários,
obter informações detalhadas sobre a origem, sobre os dispositivos utilizados, sobre a
natureza do acesso e, finalmente, sobre o destino do usuário dentro do catálogo institucional
torna-se essencial em uma época tão competitiva e com tantas opções de pesquisa para os
usuários. Estas informações possibilitam que as instituições conheçam melhor os seus
usuários, adaptem os seus serviços atuais e inclusive criem novos serviços para atender esta
demanda crescente.
Com relação aos fatores negativos da implantação de uma solução deste tipo,
destacam-se as dificuldades técnicas no processo de configuração, programação e implantação
da série de procedimentos. Devido à diversidade de soluções e ferramentas disponíveis no
mercado, nem sempre os passos explicados neste trabalho poderão ser executados sem
eventualidades. Outro fator negativo deve-se ao fato de muitas instituições brasileiras,
principalmente bibliotecas universitárias, não possuírem uma equipe de automação dedicada

4064

�exclusivamente ao Departamento de Bibliotecas e Documentação, o que pode dificultar muito
a implantação da série de procedimentos em sua totalidade.
Entende-se, no entanto, que as vantagens identificadas superam as dificuldades
encontradas e espera-se que o desempenho da série de procedimentos seja satisfatório quando
implantada em todo o catálogo, após a fase do projeto piloto estar concluída.
Espera-se também que outras instituições se sintam motivadas a aplicar esta série de
procedimentos com o intuito de aumentar o alcance das obras pertencentes em seus catálogos
e de facilitar a pesquisa dos usuários, disponibilizando para eles as informações contidas em
seu catálogo no Google, permitindo a localização e o acesso direto ao documento sem a
necessidade de outros sistemas de busca intermediários, porém contabilizando e capturando
informações sobre estes acessos.

5 Considerações Parciais/Finais
A discussão apresentada aqui propõe uma nova abordagem em torno da
disponibilização de documentos através da rede; faz uma reflexão sobre as limitações
encontradas pelo usuário durante a recuperação destes documentos entre tantas ferramentas; e
conclui apresentando uma série de procedimentos para aperfeiçoar o alcance, os acessos e a
visibilidade dos catálogos online e repositórios institucionais. Há tempos, autores, como
Dempsey (2006), vêm alertando para a necessidade de mudanças neste sentido:
Em um mundo pré-internet, onde os recursos de informação eram
relativamente escassos e a atenção relativamente abundante, os usuários
construíram o seu fluxo de trabalho em torno da biblioteca. Em um mundo
conectado, onde os recursos de informação são relativamente abundantes e a
atenção é relativamente escassa, não podemos esperar que isso aconteça. De
fato a biblioteca precisa pensar em maneiras de construir os seus recursos em
torno de todo o fluxo de trabalho do usuário. Nós não podemos esperar mais
que o usuário venha ao site da biblioteca. (DEMPSEY, 2006, p. 1, tradução
nossa)

Apesar das dificuldades técnicas e de toda a escassez de recursos humanos e materiais,
detectadas em muitas instituições brasileiras, espera-se um saldo positivo destes fatores,
tornando válido o investimento em soluções voltadas para a otimização de catálogos online e
repositórios institucionais, visto que houve aumento tanto das informações quantitativas sobre
os acessos quanto dos dados qualitativos sobre os visitantes, o que justificaria os esforços de
um trabalho contínuo, visando à construção de um catálogo que permeie o fluxo de trabalho
dos usuários durante suas pesquisas. Em todos estes casos, o horizonte de ação deve passar
pela incorporação dessas práticas pela instituição.
Conclui-se, portanto, através deste estudo, que com as mudanças de comportamento
dos pesquisadores e com o aumento da demanda para que as informações estejam disponíveis

4065

�em todo o fluxo de pesquisa do usuário, torna-se essencial que as instituições responsáveis
por estes dados realizem todos os esforços possíveis para que as suas informações estejam
propriamente indexadas e recuperáveis através de mecanismos de buscas globais, como o
Google. Os usuários agradecem.

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                <text>Este trabalho propõe uma série de procedimentos para aumentar o alcance, a visibilidade e o número de acessos de Catálogos Online, conhecidos como Online Public Access Catalogs (OPACs), e Repositórios Institucionais, com a ajuda do sistema de buscas do Google. Analisa as diversas abordagens dos mecanismos de buscas da Internet e os compara com sistemas de pesquisas institucionais, particularmente de bibliotecas universitárias. Apresenta os objetivos por trás do processo de otimização dos catálogos e repositórios. Descreve os procedimentos utilizados no desenvolvimento e apresenta detalhes do sistema planejado para o gerenciamento da mesma. Aponta as medidas adotadas para prover um melhor funcionamento do sistema. Destaca as mudanças de comportamento dos pesquisadores atuais e propõe uma nova abordagem para alcançar, monitorar e atender esses usuários. Analisa, então, os resultados parciais alcançados durante o período do projeto piloto. Conclui, apontando os aspectos vantajosos que devem ser considerados na implantação de um projeto dessa natureza. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACERVOS DE IMAGENS FOTOGRÁFICAS DE OBRAS DE ARTE: DESAFIOS
PARA SUA CRIAÇÃO E MANUTENÇÃO

Sarah Lorenzon Ferreira
Marcelo dos Santos

RESUMO
Parte-se, nesta pesquisa, do seguinte problema: quais os desafios presentes na criação e
manutenção de acervos de imagens fotográficas de obras de artes, em ambiente eletrônico?
Para identificá-los e propor meios de superá-los, a pesquisa teve como objetivo levantar e
sistematizar os requisitos necessários à criação e manutenção de acervos de imagens
fotográficas de obras de arte em ambiente eletrônico, tendo como ponto de partida a
identificação do comportamento informacional dos potenciais usuários. A partir da revisão de
literatura, foi possível identificar, de antemão, que o problema não está na tecnologia, ou seja,
no uso do melhor software, mas sim no processo de criação e manutenção das coleções de
imagens fotográficas. Mas, para entender como se dá esse processo e quem são os usuários
potenciais das imagens fotográficas de obras de arte, foram utilizados os seguintes
instrumentos de coleta de dados: observação direta, entrevista e questionário. A partir do
estudo do comportamento informacional dos usuários, foi possível constatar, até o momento,
que as imagens fotográficas de obras de arte podem ter diversos usos, e que, com o aumento
da utilização de imagens fotográficas, principalmente em ambiente eletrônico, faz-se
necessária a reavaliação das políticas de desenvolvimento desse acervo. Assim, antes de se
pensar em criar sistemas de organização e recuperação de imagens fotográficas, o
bibliotecário deverá entender qual é o comportamento informacional dos usuários de imagens
fotográficas de obras de arte. Somente depois, o bibliotecário de arte poderá investigar as
formas de reduzir a lacuna entre as expectativas e experiências de seus usuários
especializados.
Palavras-Chave: Imagem fotográfica de obra de arte; Comportamento informacional;
Desenvolvimento de coleções; Usuários; Artes plásticas.
ABSTRACT
In this research we have the following problem: what are the challenges present in the
creation and maintenance of artwork images collections in electronic environment? In order to
identify and to propose means aiming to overcome them, the objective of this research was to
find and systematize the requirements necessary for the creation and maintenance of art
images collections, in electronic environment, starting with the identification of informational
behavior of the potential users. By using the literature review process, it was possible
previously to see that the problem is not the technology, i.e. using of best software, but is in
the steps related to creation and maintenance of images collections. Therefore, to understand
how these steps and who are the potential users of art images, the following instruments were
used for data collection: direct observation, interview and questionnaire. Studying the

2048

�informational behavior of image’s users, it was possible to confirm, until now, that the art
images may have multiple uses, which increase when these images are accessed using
electronic interfaces. Due to this, it is necessary to re-assess the policies used to development
collections. Thus, before we can think about creating of organization and retrieval images
systems, the librarian should understand what are the informational behavior of the art image
users. After that, the art librarian will be able to investigate ways to reduce the gap between
the expectations and experiences of their specialized users.
Keywords: Artwork image; Information behavior; Collection development; Users; Arts.

1 INTRODUÇÃO
Muitas das informações utilizadas no cotidiano das pessoas se fazem presentes na
forma de imagens. No entanto, o armazenamento, organização e disponibilização de imagens
são tidos como um desafio para muitas instituições que mantêm este tipo de documento. Em
parte, isto se deve à necessidade de saber como e por que as imagens são utilizadas
(BEAUDOIN, 2013). Certamente, a resposta a estas questões, potencialmente, direciona as
soluções para serem adotadas na implementação de sistemas de informação que objetivam
prover condições para armazenamento, organização e disponibilização deste tipo de
documento. De modo especial, o problema tende a ser evidenciado quando se trata de manter
um acervo de imagens que são reproduções de obras de arte - neste trabalho, identificadas
como imagens fotográficas.
Nesse contexto, com o intuito de trabalhar com imagens fotográficas, o advento de
equipamentos de digitalização de imagens, bem como, equipamentos que adquirem imagens
em formato digital (câmeras), têm oferecido algumas vantagens em relação às imagens
registradas em formato analógico. Dentre essas vantagens, destaca-se a possibilidade de criar
um serviço de informação em ambiente eletrônico que possibilita a democratização do acesso
a obras de arte, por meio de imagens (ou reproduções) destas.
Especificamente, no caso de imagens fotográficas de obras arte, o uso de imagens
fotográficas digitais, como forma de registro, serve como mecanismo que auxilia a
democratização do acesso a obras de arte. Exemplificando, há diversas bases de dados de
imagens fotográficas de obras de arte, com acesso a partir de um navegador de Internet, assim
como sites de museus e galerias de artes, entre outros, com livre acesso a seus conteúdos
(imagens fotográficas de suas obras de arte). Nesse sentido, considerando-se as
potencialidades providas pelo uso das tecnologias de informação e comunicação (TICs), bem
como, considerando a necessidade de criação e manutenção de acervos de imagens
fotográficas de obras de artes - estas em formato digital - coloca-se, como algo mandatório, a

2049

�compreensão do uso que é feito dos documentos contidos nestes acervos especializados.
Portanto, como problema de pesquisa, identifica-se a necessidade de saber quais os desafios
presentes na criação e manutenção de acervos de imagens fotográficas de obras de artes, em
ambiente eletrônico, tendo como base, prioritariamente, os usos que são feitos dessas imagens
e em quais contextos as mesmas imagens são utilizadas.
De antemão, percebe-se que existe certa dificuldade em sistematizar o uso que é feito
de imagens de obras de arte, nos diversos contextos. No geral, as imagens de obras de arte são
utilizadas, segundo Beaudoin (2013), para: extração de conhecimento, inspiração, modelo
conceitual, memória, pensamento crítico, emoção do artista, prova de conceito, referência
visual, entre outros aspectos. Daí decorre a dificuldade em se conceber um sistema de
informação sobre imagens fotográficas de obras de arte que dê conta dessas especificidades.
Tomando como base as características do acervo de imagens fotográficas de obras de
arte disponível na Biblioteca “Maria Luiz Monteiro da Cunha”, biblioteca da Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o presente trabalho tem
como ponto de partida a necessidade de prover condições de uso do referido acervo (coleções
de imagens de obras de arte) em atividades de ensino e pesquisa. Dessa forma, utilizando-se
das facilidades oferecidas pelas TICs e o contexto de ensino superior e pós-graduação, a
pesquisa relatada neste trabalho teve como objetivo levantar e sistematizar os requisitos
necessários à criação e manutenção de acervos de imagens fotográficas de obras de arte em
ambiente eletrônico.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
Desde os tempos mais remotos, a humanidade reconhece a importância das imagens
no cotidiano para registro e comunicação de informações. Historicamente, isto é evidenciado
pelos desenhos em cavernas utilizados no período pré-histórico. Com o passar do tempo e
com a invenção da fotografia, a imagem fotográfica, seguindo a mesma intenção de registro
utilizado na Pré-História, tem como função registrar objetos, pessoas, paisagens, etc. De
acordo com Guerra (2009), a fotografia, objeto do ato fotográfico, é composta pelo suporte
(papel, slide, álbum, jornal, arquivo digital e outros), acrescido da imagem fotográfica, que é a
representação visual “colada” neste suporte.
Uma vez tendo a informação visual registrada em um suporte (fotografia), tem-se um
documento (LE COADIC, 2004, p.5). E este documento é portador de um conjunto de
informações e estas, por sua vez, comportam o “elemento de sentido” (LE COADIC, 2004,
p.4). Esta definição se relaciona com o que é apresentado por Smit (2012), que destaca que a

2050

�informação para poder ser utilizada por diferentes usuários, sem limitações de tempo e
espaço, é necessário que esta tenha sido ‘documentada’, isto é, registrada e os diferentes
usuários tenham acesso a este registro.
A informação contida em uma imagem fotográfica associa um significante a um
significado, ou seja, o olhar do fotógrafo e o objeto fotografado. Nesse sentido, para se
identificar sob quais aspectos a informação da imagem fotográfica é percebida, Sônego (2010)
explica que, desde sua criação, a imagem fotográfica sempre esteve associada à ideia de
realidade, de comprovação do real, prova de que os fatos captados e fixados no instantâneo
aconteceram e da maneira como ali estão, um documento, portanto, de prova incontestável.
Contudo, explica o autor, sabe-se que uma imagem fotográfica não representa a total
veracidade dos fatos e uma visão neutra da realidade, devido, justamente, à interferência
subjetiva de quem registra os acontecimentos.
Na área das Artes, especificamente, Shatford (1984) acredita que todos os trabalhos
são criados para comunicar, para transmitir informação num sentido amplo. Pois, muito do
que consideramos arte foi criado para transmitir informação (como, por exemplo, a arte Cristã
medieval, utilizada para instruir os iletrados), e seu valor estético é um subproduto fortuito.
As obras de arte são exemplares únicos que, portanto, somente podem ser apreciados e
conservados no local onde estão armazenados - museus, galerias, coleções particulares,
outros tipos de instituições públicas ou privadas, bibliotecas de arte, etc. - ou em sua
localização original, no caso de obras arquitetônicas e, frequentemente, esculturas e pinturas.
Por isso que, segundo Valle Gastaminza (1999), as imagens fotográficas de obras de
arte ocupam um lugar importantíssimo na gestão, conservação, difusão e utilização dos
acervos artísticos e culturais. “Gerar novos documentos através da reprodução produziu a
difusão massiva do mesmo, e em consequência, sua democratização” (OLIVARES
CARABANO, 2010, p. 14). Assim, pode-se dizer que as imagens fotográficas de obras de
arte são uma forma de conhecimento registrado, pois são “cópias” de um referente real e
transmitem informações estéticas.
Muitas vezes, essas imagens fotográficas são a única forma de acesso, ainda que
limitada, às obras de arte, uma vez que sobrevivem aos originais desaparecidos. Em outros
casos, possibilitam o acesso às obras restritas, devido ao seu estado precário de conservação,
ou a falta de disponibilidade para exposição ou o fato de pertencer a uma coleção privada.
Servem, também, para documentar estudos concretos das obras de arte que não podem ser
apreciadas em seu estado natural. Por fim, complementa Valle Gastaminza (1999), as imagens

2051

�fotográficas de obras de arte democratizam o acesso à cultura aos diversos segmentos da
população.
Sendo o objeto empírico desta pesquisa as imagens fotográficas de obras de arte - na
perspectiva do que foi exposto, pode-se inferir que a imagem fotográfica provê condições
para realizar o registro de um conjunto de informações e sua consequente institucionalização.
Dessa forma, essa informação torna-se passível de ser tratada pelo profissional da informação,
que ao inserir esse objeto (agora carregado de intencionalidade) num sistema de informação,
agregará informação ao documento. Assim, será dado um novo significado ao documento,
colocando-o numa nova condição.
Deste modo, o serviço de informação que oferecerá condições para se fazer a
seleção/aquisição, representação/armazenamento, recuperação/distribuição para o uso das
imagens fotográficas de obras de arte, seja digital ou analógico, deverá ser criado a partir da
identificação do comportamento informacional dos usuários. Foi possível perceber, durante o
levantamento bibliográfico, que em âmbito internacional, são poucas as pesquisas que
estudam como os usuários fazem para recuperar imagens, por que buscam determinadas
imagens, e como essas imagens são utilizadas. Em âmbito nacional, essas pesquisas são quase
inexistentes.
Os estudos das necessidades informacionais dos usuários de imagens fotográficas de
obras de arte, segundo Lutz (2005), começaram a surgir no final dos anos 1980, com Shatford
(1984) e Stam(1994). De acordo com Stam (1994), para se desenvolver um sistema de
recuperação de imagens fotográficas eficaz é fundamental compreender como os usuários
buscam imagens. Para Stam (1994), os profissionais da informação que organizam acervos de
imagens fotográficas tem uma compreensão superficial de como essas informações são
procuradas.
Wilson (1981) explica que os estudos de necessidades e usos da informação dão mais
atenção aos aspectos tangíveis do processo de busca da informação, ou seja, a demanda e o
uso da informação, deixando de lado questões mais abstratas deste processo - as necessidades
de informação. Nesse contexto, o autor propõe que não chamemos de ‘necessidades de
informação’, mas utilizemos a expressão ‘estudo da conduta de busca de informação’,
entendida como a conduta empreendida por um indivíduo como consequência da percepção
de uma necessidade de informação.
As coleções das bibliotecas de arte geralmente consistem de livros de arte
(monografias, biografias, história da arte, manuais de instruções, etc.), revistas, catálogos,
recursos visuais (microfichas, slides, vídeos, fotografias, etc.) que cobrem muitos assuntos das

2052

�artes e do design. As bibliotecas de arte também podem conter bancos de imagens e coleções
de slides (BAYLISS, 2010). Devido à grande variedade de recursos e suportes informacionais
que a biblioteca de arte possui, a aquisição de materiais pode ser uma atividade complexa,
assim como o tratamento, armazenamento e criação de registros bibliográficos. Mas, as
coleções da biblioteca de arte, assim como a seleção/aquisição e representação das imagens
fotográficas não terá sentido se ignorarmos os usuários e os usos que essas imagens terão.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O desenvolvimento desta pesquisa surgiu da necessidade de se pensar uma forma de
potencializar o uso do acervo de imagens fotográficas de obras de arte da Biblioteca da ECAUSP. Inicialmente, a ideia era ter mecanismos que viabilizassem a descrição e indexação de
imagens fotográficas de obras de artes. No entanto, percebeu-se que para propor tais
mecanismos, antes, seria necessário investigar os contextos de uso de tais imagens. Pois, uma
vez tendo identificado os contextos de uso, a especificação de metadados tende a ser mais
consistente, de modo a orientar os processos de descrição e indexação. Ainda, nesse sentido,
observou-se que o problema não está na tecnologia, ou seja, não se restringe à adoção do
melhor software, mas no entendimento dos contextos e condições de uso, os quais orientarão
a criação e manutenção de acervos de imagens fotográficas de obras de arte. O que inclui
identificar os requisitos associados ao desenvolvimento de coleções em acervos desta
natureza.
Para tanto, o desenvolvimento deste trabalho foi balizado pelo estudo de literatura
relativa aos aspectos das imagens de obras de arte [Shatford Lane (2002), Loureiro (2000),
Mattison (2004), Smit (2000)], desenvolvimento de coleções [(Bond (2007), Dias e Pires
(2003), Valle Gastaminza (1999)], e comportamento informacional, de acordo com o que é
proposto por Hemmig (2009), Lutz (2005) e Stam (1994). De posse deste referencial, a
pesquisa prosseguiu com o desenvolvimento de um estudo de caso, considerando-se as
especificidades de uma biblioteca de uma unidade universitária que mantém cursos na área de
Artes.
De acordo com YIN (2010), a preferência pelo uso do estudo de caso deve ser dada
quando do estudo de eventos contemporâneos, em situações onde os comportamentos
relevantes não podem ser manipulados, mas onde é possível se fazer observações diretas e/ou
entrevistas sistemáticas. Apesar de ter pontos em comum com o método histórico, o estudo de
caso se caracteriza pela “... capacidade de lidar com uma completa variedade de evidências documentos, artefatos, entrevistas e observações” (YIN, 2010, p. 19).

2053

�De modo específico, complementa Bressan (2000), este método é adequado para
responder às questões “como” e “por que” que são questões explicativas e tratam de relações
operacionais que ocorrem ao longo do tempo mais do que frequências ou incidências. Na
perspectiva das imagens fotográficas de obras de artes, essas questões terão implicações
importantes para o sistema de informação e para os profissionais da informação, envolvidos
em dar suporte aos usuários dessas imagens.
Assim, a análise deste caso considerou as características do acervo disponível, bem
como as preferências de seus usuários reais e potenciais.
Em termos de instrumentos para coleta de dados, foram utilizados: a observação
direta, a entrevista com docentes e, por fim, a aplicação de questionários on-line. Antes da
aplicação destes instrumentos, foi realizado um pré-teste, utilizando uma pequena amostra de
modo que o resulto deste pré-teste pudesse orientar a seleção e elaboração das questões
contidas nos instrumentos.
Detalhando, os instrumentos e o que foi realizado, temos:
- observação direta - realizada com o intuito de conhecer o acervo de imagens de
algumas bibliotecas de instituições que possuem o curso de artes plásticas e/ou design, foram
realizadas quatro prospecções: Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP,
Biblioteca da Escola de Belas Artes, Biblioteca do Instituto de Artes da Unesp e Biblioteca da
Escola de Comunicações e Artes/USP;
- entrevista (conversa com docentes do departamento de Artes plásticas da ECA/USP)
cujo objetivo foi detectar alguns usos das imagens fotográficas de obras de arte em atividades
didáticas;
- pré-teste do questionário: onde foi possível detectar se as questões estavam sendo
bem compreendidas.
- questionário: utilizado para identificar o comportamento informacional dos alunos de
graduação, pós-graduação e docentes do Departamento de Artes Plásticas da ECA/USP.
Após a coleta de dados, terá início a tabulação e análise dos dados. A análise tem
como objetivo organizar e sumarizar os dados de forma que possibilitem o fornecimento de
respostas ao problema proposto para investigação (GIL, 2008). Para que as respostas dos
questionários sejam adequadamente analisadas, as questões serão organizadas e agrupadas por
categorias, de acordo com cada pergunta tabulada.

2054

�4 RESULTADOS
Durante o levantamento bibliográfico foi possível identificar algumas similaridades e
diferenças existentes no uso das imagens fotográficas de obras de arte pelos estudantes de
artes plásticas. De forma geral, as pesquisas identificaram não mais do que cinco motivos
pelos quais os artistas procuram informação. São eles: 1) inspiração, 2) elementos visuais
específicos, 3) conhecer materiais e técnicas 4) marketing e orientação profissional e 5)
conhecer tendências no mundo da arte. O questionário e as entrevistas possibilitaram
identificar padrões no comportamento informacional desses usuários, como os da Geração Y
(nativos digitais que cresceram no mundo digital) ou “imigrantes digitais”, cuja tecnologia
tem sido uma introdução recente. Foi possível constatar até o momento, que as imagens
fotográficas de obras de arte podem ter diversos usos, que dependerão da sua capacidade de
representar fidedignamente e com extraordinária qualidade a obra de arte original. Pois,
segundo Hemmig (2009), os estudantes de artes plásticas precisam de imagens tanto quanto
precisam de textos sobre referências de obras de arte, que podem ser encontrados em
catálogos de exposição, cadernos de artistas e arquivos de imagens fotográficas de obras de
arte.
Corroborando Valle Gastaminza (1999), os principais usos que uma imagem
fotográfica de obra de arte poderá ter e que foram identificados na pesquisa são:
- Facilitar a tarefa de identificação das obras de arte;
- Substituição dos originais desaparecidos;
- Documentação de como era uma determinada obra de arte;
- Documentação do estado, não perceptível a olho nu, de uma parte concreta. Como no
caso de radiografias, escâneres e ecografias, por exemplo;
- Divulgação pública de exposições e projetos editoriais;
- Apoio documental para gestão e controle administrativo da obra de arte, dentro ou
fora dos centros que as custodiam;
- Apoio documental na pesquisa em História da Arte em geral;
- Servir como objeto de pesquisa nos sistemas de informação bibliográfico ou virtual.
O último uso citado - servir como objeto de pesquisa - está crescendo rapidamente nos
últimos anos, devido ao aumento da utilização de imagens digitais nos sistemas de
recuperação de informação.
O que a arte pretende, nas atividades didáticas, é formar o conhecedor, o fruidor, o
decodificador da obra de arte. Pois, “uma sociedade só é artisticamente desenvolvida quando
ao lado de uma produção artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de

2055

�entendimento desta produção pelo público”. Engel (1983, apud BARBOSA, 1999, p. 32)
afirma ser a arte consequência do pensamento e as obras de arte construções simbólicas que
contém informações transmitidas do artista ao receptor. Para o autor, não só a arte exige o
domínio de certas habilidades cognitivas básicas, como a própria percepção é uma atividade
mental. Por isso, conclui Barbosa (1999), a arte pode ser ensinada e aprendida. E é por essa
razão também, que a informação visual é fundamental no processo de aprendizagem da arte.
O papel da informação no ensino da arte não deve ser o de reduzir a arte à condição de um
objeto de conhecimento como qualquer outro, mas de ampliar as possibilidades de leituras das
obras de arte.
Com relação ao comportamento informacional dos usuários de bibliotecas
universitárias, que pesquisam imagens fotográficas no âmbito acadêmico, Roberto e Robinson
(2010), dividem esta categoria em três grupos: estudantes de graduação, pós-graduação e
docentes. Em geral, explicam os autores, os três grupos usam as imagens fotográficas de
forma diferente. Pode-se perceber, na pesquisa, que os alunos de graduação estão em processo
de aprendizagem, assim utilizam as imagens fotográficas para o desenvolvimento do
pensamento crítico e de habilidades para a literacia da informação. Estes também usam as
imagens fotográficas para ilustrar pontos de seus trabalhos acadêmicos ou do trabalho de
conclusão de curso. Os docentes usam as imagens fotográficas para ensinar, para ilustrar
melhor os pontos abordados em aula, para pesquisa, para mostrar como interpretar uma
pintura, uma escultura, os trabalhos dos artistas e, em pesquisas acadêmicas. E, os pósgraduandos combinam as necessidades de ambos: graduandos e docentes.
Para atender as distintas necessidades dos usuários, é fundamental que a biblioteca de
arte seja um ambiente apropriado para estudo, contemplação e troca de informações. Outra
questão que deve ser levada em consideração pela biblioteca é o processo de formação do
acervo documental - tanto bibliográfico quanto audiovisual - para que seja orientado por
diretrizes que explicitem o objetivo da coleção e o público que se deseja atender. Só assim, o
acervo terá um perfil que, ao mesmo tempo, o caracterize e o diferencie dos outros.
Formação e desenvolvimento de coleções ainda é um assunto pouco discutido na
literatura nacional, não está suficientemente sedimentada - principalmente quando falamos de
imagens fotográficas. Assim, pensar numa política de desenvolvimento de coleções que seja
suficientemente dinâmica para dar suporte às necessidades informacionais dos usuários de
imagens fotográficas de obras de arte, é um dos desafios encontrados nesta pesquisa para a
organização desses acervos.

2056

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Segundo Dias e Pires (2003), planejar o desenvolvimento de coleções de um serviço
de informação implica conhecer a realidade no qual o serviço está inserido, seu ambiente
interno e externo, sua missão, seus objetivos, seus usuários e suas funções. Para Vergueiro
(1989), o desenvolvimento de coleções é um processo cíclico, ininterrupto, com atividades
regulares e contínuas, respeitando a especificidade de cada tipo de sistema de informação em
função de seus objetivos e usuários, sem que uma etapa chegue a se distinguir das outras.
No caso das bibliotecas universitárias, onde esta pesquisa está inserida, os objetivos
derivam dos objetivos institucionais de ensino, pesquisa e extensão. Sua comunidade é
formada por

estudantes

de graduação,

pós-graduação,

pesquisadores,

professores,

funcionários e comunidade em geral.
De acordo com McLaughlin (1989, p.55), “o aumento da conscientização, aceitação e
utilização de fotografias como fonte de informação obrigaram algumas instituições a reavaliar
suas políticas de desenvolvimento e avaliação de coleções”. Neste sentido, Valle Gastaminza
(1999) sugere alguns critérios de seleção que podem ser levados em consideração para a
formação de um acervo de imagens fotográficas:
- Antiguidade: raridade e escassez de documentos - critério primordial em muitos
casos, embora não garanta a qualidade da imagem fotográfica;
- Temática: o conteúdo da imagem fotográfica é importante, embora se trate de um
critério mais subjetivo, determinado pela política de desenvolvimento do acervo;
- Originalidade: a imagem fotográfica não pode estar em nenhuma outra instituição;
- Identificação: as imagens fotográficas que não possuem qualquer elemento de
identificação são muito problemáticas e em alguns casos a imagem fotográfica não será
incorporada ao acervo;
- Qualidade técnica (durabilidade): refere-se ao estado de conservação e das
possibilidades de restauração para o aproveitamento documental da imagem fotográfica;
- Quantidade: número de imagens fotográficas sobre um mesmo tema, ou de mesma
origem, ou do mesmo fotógrafo;
- Comunicabilidade: restrições legais que envolvem a utilização da imagem
fotográfica

;

235 O autor da foto tem o direito de reproduzi-la e coloca-la a venda, observadas as restrições à exposição,
reprodução e venda de retratos, e sem prejuízo aos direitos de autor sobre a obra fotografada se de artes plásticas
protegidas a fotografia, quando utilizada por terceiro, deve constar de forma legível o nome do fotógrafo. É
vetado a reprodução da imagem fotográfica que não esteja em absoluta consonância com o original, salvo prévia
autorização do autor. (MARTINS FILHO, 1998).

2057

�- Fotógrafo: pode determinar a seleção automática da imagem fotográfica
independentemente dos outros critérios.
Antigamente, explica Carpenter (2010), pensava-se que a tecnologia tornaria os
trabalhadores mais produtivos e diminuiria a carga de trabalho. Mas, ao contrário do que se
pensava, a tecnologia tornou o trabalho bem mais complexo. Com o surgimento das coleções
de imagens digitais novas responsabilidades foram atribuídas aos bibliotecários de arte. Pois,
segundo Carpenter (2010), a revolução digital levou à diminuição do uso das coleções
impressas em muitas disciplinas acadêmicas. Mas, na área de arte e design, complementa a
autora, a primazia das imagens, como meio de pesquisa, é improvável que desapareça. A
revolução digital não exterminou as tradicionais coleções impressas, muito pelo contrário,
acrescentou as coleções digitais. Atualmente os bibliotecários de bibliotecas de arte têm que
saber gerenciar as duas coleções.
Outra questão que deverá ser levada em consideração pelos serviços de informação em
arte, refere-se àcriação de bases de dados de imagens fotográficas baseados em obras de
artistasindividuais.

Poucas bibliotecas, de acordo com Stam (1994), possuem acervos de

artistas individuais. Segundo Almeida (1998, p.334)
No panorama da arte brasileira, especialmente da arte contemporânea
brasileira, os serviços de informação tem um papel relevante a desempenhar,
à medida que podem ser responsáveis pelos únicos registros a respeito de
determinados artistas que a sociedade, por descuido ou por pressão do
mercado, muitas vezes marginaliza.
Atualmente, grande parte das instituições que ensinam arte, ou história da arte, possui
em suas bibliotecas, guias de pesquisa para acesso às bases de dados de imagens disponíveis
na Web, embora muitos desses serviços sejam pagos, e em geral, com um custo elevado para
as instituições de pequeno porte. Nestes casos, a colaboração entre as bibliotecas é
fundamental.
A partir do que foi desenvolvido nesta pesquisa percebeu-se que a criação e
manutenção de um acervo de imagens fotográficas de obras de arte, em ambiente eletrônico, é
uma atividade complexa. Pois, o problema não está no produto, ou seja, no uso de software,
mas no processo de levantamento e estudo dos requisitos técnicos e funcionais. Verificou-se,
também, a importância da realização, com maior frequência, de estudos de uso e usuários de
fotografias de obras de arte em um serviço de informação. Adicionalmente, foi possível
constatar que a adoção de uma política de seleção e desenvolvimento de coleções de
fotografias de obras de arte - impressa ou digital - é fundamental. Questões de

2058

�interoperabilidade e padrões de metadados também são indispensáveis para a implantação de
uma base de dados de fotografias de obras de arte. Bem como, os aspectos legais associados
ao uso e distribuição de fotografias de obras de arte e a adoção de padrões para tal finalidade
dependem de novos estudos e reflexões, considerando-se os desafios apontados neste
trabalho.
Portanto, antes de pensar na criação de sistemas de organização e recuperação de
imagens fotográficas, o bibliotecário deverá identificar e compreender os contextos e usos
associados às imagens fotográficas de obras de arte. E, de posse destes elementos, o
bibliotecário de arte poderá investigar as formas de reduzir a lacuna entre as expectativas e
experiências de seus usuários especializados.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Acervos de imagens fotográficas de obras de arte: desafios para sua criação e manutenção.</text>
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                <text>Parte-se, nesta pesquisa, do seguinte problema: quais os desafios presentes na criação e manutenção de acervos de imagens fotográficas de obras de artes, em ambiente eletrônico? Para identificá-los e propor meios de superá-los, a pesquisa teve como objetivo levantar e sistematizar os requisitos necessários à criação e manutenção de acervos de imagens fotográficas de obras de arte em ambiente eletrônico, tendo como ponto de partida a identificação do comportamento informacional dos potenciais usuários. A partir da revisão de literatura, foi possível identificar, de antemão, que o problema não está na tecnologia, ou seja, no uso do melhor software, mas sim no processo de criação e manutenção das coleções de imagens fotográficas. Mas, para entender como se dá esse processo e quem são os usuários potenciais das imagens fotográficas de obras de arte, foram utilizados os seguintes instrumentos de coleta de dados: observação direta, entrevista e questionário. A partir do estudo do comportamento informacional dos usuários, foi possível constatar, até o momento, que as imagens fotográficas de obras de arte podem ter diversos usos, e que, com o aumento da utilização de imagens fotográficas, principalmente em ambiente eletrônico, faz-se necessária a reavaliação das políticas de desenvolvimento desse acervo. Assim, antes de se pensar em criar sistemas de organização e recuperação de imagens fotográficas, o bibliotecário deverá entender qual é o comportamento informacional dos usuários de imagens fotográficas de obras de arte. Somente depois, o bibliotecário de arte poderá investigar as formas de reduzir a lacuna entre as expectativas e experiências de seus usuários especializados.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ADAPTAÇÃO DO SERVQUAL PARA AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA DE UMA
IFES

Rute Aparecida Figueiredo
Ricardo Coser Mergulhão
Milena Polsinelli Rubi
RESUMO
Objetivou-se avaliar a qualidade dos serviços prestados pela Biblioteca do campus de
Sorocaba (BSo) da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, sob a ótica de seus
usuários, utilizando o SERVQUAL, instrumento de mensuração que contempla cinco
dimensões de qualidade: aspectos tangíveis, confiabilidade, presteza, segurança e empatia. A
análise estatística de uma amostra de 422 questionários em conjunto com a análise qualitativa
permitiu refinar o SERVQUAL, possibilitando sua adaptação para bibliotecas de Instituições
Federais de Ensino Superior (IFES). Além disso, a partir do instrumento já adaptado, pôde-se
constatar que, na biblioteca da IFES em estudo, as cinco dimensões apresentaram gaps entre o
esperado e o percebido pelos usuários. Portanto, recomenda-se estabelecer um plano de ações
e priorizar esforços por parte dos gestores da biblioteca em conjunto com a administração
superior da Universidade, em relação à dimensão com maior gap e/ou que apresentem maior
expectativa por parte dos usuários, a fim de amenizar as discrepâncias existentes.
Palavras-Chave: Bibliotecas universitárias Satisfação

qualidade em serviços; SERVQUAL;

ABSTRACT
We aimed to evaluate the quality of services provided by the Library of the Federal
University of São Carlos campus of Sorocaba ( BSO ) - UFSCAR , from the viewpoint of
their users, using the method SERVQUAL, a measurement instrument that includes five
dimensions of quality: tangible aspects, reliability, responsiveness, assurance and empathy.
Statistical analysis of a sample of 422 questionnaires together with qualitative analysis
allowed refine SERVQUAL , enabling its adaptation to the Federal Institutions of Higher
Education ( IFES ) libraries . Moreover, from the instrument has adapted , it was noted that in
the library at IFES study , five dimensions were gaps between expected and perceived by
users. So, recommended to establish an action plan and prioritize efforts by managers of the
library in conjunction with the senior management of the University in relation to the size gap
with higher and / or have higher expectations of the users in order to minimize the
discrepancies.
Keywords: Academic libraries - quality; SERVQUAL; Satisfaction.

775

�1 INTRODUÇÃO
Avaliar a qualidade dos serviços prestados por qualquer empresa pública ou privada,
organização ou instituição de ensino é condição essencial para manter-se na sociedade atual.
Essa realidade se aplica também às universidades públicas que têm por objetivo gerar
e produzir conhecimento, cuja adequação é medida pelo enriquecimento intelectual e a
satisfação dos seus cidadãos/usuários.
Barbedo (2004) complementa essa visão afirmando que as atividades das bibliotecas
voltadas ao atendimento de seus usuários resultam no avanço cultural e intelectual de quem
utiliza os recursos oferecidos por esses serviços impactando no desenvolvimento da
sociedade.
Por tudo isso, torna-se imprescindível avaliar a qualidade dos serviços das bibliotecas
universitárias à luz das necessidades e anseios de seus usuários.
Mas como avaliar a qualidade dos serviços prestados pelas bibliotecas? Que
instrumento utilizar?
Estudos como de Sampaio (2004), Freitas, Bolsanello e Viana (2008), Teixeira e
Farias Filho (2008) e de Brito e Vergueiro (2011) apresentam experiências de avaliação dos
serviços em bibliotecas universitárias utilizando o modelo de Gaps, operacionalizado no
instrumento SERVQUAL pelos pesquisadores Parasuraman, Zeithaml e Berry (1985, 1988) e
amplamente utilizado em vários setores prestadores de serviços para avaliar a qualidade dos
serviços sob o ponto de vista dos clientes. Esse modelo tem por objetivo avaliar a expectativa
versus a percepção dos clientes a respeito da qualidade do serviço prestado.
A partir do exposto, verifica-se a relevância e aplicabilidade desse modelo de
avaliação da qualidade de serviços na Biblioteca do campus de Sorocaba (BSo) da
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, com o objetivo de adaptar e validar um
modelo de questionário de avaliação da qualidade de serviços para bibliotecas universitárias;
e analisar a existência de gaps (lacunas) entre expectativa (o que o cliente esperava do
serviço) e percepção (o que ele percebeu do serviço prestado) dos usuários, dentro de cada
dimensão, mediante o uso do instrumento de mensuração denominado SERVQUAL.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Por definição a biblioteca universitária é o órgão de apoio ao desenvolvimento e
produção do conhecimento da universidade em suas atividades de ensino, pesquisa e
extensão.

776

�Nesse sentido, Carvalho e Goulart (2003, p. 923) afirmam que a criação e manutenção
de bibliotecas e sistemas de bibliotecas “respondem a valores consolidados que simbolizam o
compromisso da universidade com a qualidade da formação e da produção acadêmicas,
contribuindo para seu reconhecimento social”.
Já Gama e Mattos (2013, p. 3) são enfáticos afirmando que “uma instituição de alto
nível deve procurar manter uma biblioteca com um acervo excelente, funcionários
competentes, prontos a prestar um serviço eficiente e um ambiente adequado às necessidades
dos usuários”. Afirmam também que a “biblioteca universitária é crucial para a universidade
cumprir o papel de ‘servidor de conhecimentos’, pois as bibliotecas em articulação com as
universidades são fontes de conhecimento”.
Nesse contexto, a biblioteca universitária tem como missão prestar serviços de
informação que atendam aos objetivos e às necessidades da comunidade acadêmica e, em
muitos casos, também da comunidade externa.
Para se tratar de qualidade em serviços, é necessário primeiramente conceituar o que é
serviço e as características que o diferenciam dos produtos ou bens físicos.
Kotler (2012, p. 382) define serviço como “qualquer ato ou desempenho,
essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer a outra e que não resulta na
propriedade de nada”.
Já para Gianesi e Corrêa (2012, p. 32), “os serviços são experiências que o cliente
vivencia enquanto que os produtos são coisas que podem ser possuídas”.
Quatro características são apresentadas na literatura como forma de distinguir os
serviços dos produtos (bens físicos). São elas:
•

Intangibilidade: o serviço não é um objeto físico, ele não pode ser sentido, tocado,
provado antes de ser adquirido;

•

Inseparabilidade ou Simultaneidade: o serviço é produzido e consumido ao mesmo
tempo;

•

Variabilidade ou Heterogeneidade: o serviço é percebido por clientes diferentes de
maneiras diferentes ou então pelos mesmos clientes em momentos diferentes;

•

Perecibilidade: não é possível estocar um serviço.
O quadro 1, elaborado por Mendes (2012, p. 186), sintetiza as principais diferenças

entre serviços e bens físicos ou tangíveis.

777

�QUADRO 1 - Diferença entre serviços e produtos.
Serviços
Mais intangíveis
Processo, atividade ou experiência
Mais heterogêneos
Não podem ser efetivamente demonstrados
antes da aquisição
Não podem ser estocados
Produção e consumo simultâneos
Maior participação do cliente no processo
de produção do serviço
Necessário contato direto na maior parte
dos casos
Valor principal produzido nas interações
entre vendedor e cliente
Não transfere a propriedade

Produtos (bens tangíveis)
Mais tangíveis
Bem físico
Mais homogêneos
Podem ser efetivamente demonstrados antes da
aquisição
Podem ser estocados
Produção e consumo em etapas distintas
Geralmente o cliente não participa da produção
dos bens
Pouco contato entre a empresa e o cliente
Valor principal produzido em fábricas
Transferência de propriedade

Fonte: MENDES, G. H. S. Gestão da qualidade. In: NANTES, J. F. D.; MENDES, G. H.
S. Gestão de organizações públicas: planejamento, organização e gestão da qualidade.
São Carlos: EdUFSCar, 2012. Cap. 3.
Devido às características expostas, pode-se observar que, no setor de serviços, a
interação humana interfere no processo de prestação dos serviços, por consequência na
avaliação da qualidade do mesmo.
Um serviço pode ser considerado de qualidade se o cliente assim o avaliar. Essa
avaliação, que é feita durante ou após o processo de prestação do serviço, se dá através da
comparação do que ele esperava receber com o que ele percebeu do serviço recebido, ou seja,
da expectativa que ele tinha em relação ao serviço e da percepção do serviço prestado.
Gianesi e Correa (2012) e também Mendes (2012) relatam estudos em que as
expectativas dos clientes são influenciadas por quatro fatores: comunicação boca a boca,
experiência anterior, comunicação externa e necessidades pessoais.
Com relação à percepção, Samara e Morsch (2012, p. 124) identificam e descrevem as
características que compõem o processo perceptivo como:

Subjetiva, pois se refere à forma como nos apropriamos de um produto ou de
uma situação a partir da qual construímos uma realidade. Essa realidade
resulta de um viés perceptual, isto é, há discrepância entre o estímulo
emitido pelo ambiente e aquele que recebemos;
Seletiva quando filtra as informações recebidas, processando apenas aquilo
que nos interessa;
Simplificadora, uma vez que somos incapazes de processar a totalidade de
dados que percebemos. Diante da complexidade, somente a repetição
permite a consideração de todas as facetas de uma mensagem;

778

�Limitada no tempo, pois, a menos que memorizemos uma informação, não
permanece mais do que um curtíssimo tempo;
Cumulativa, possibilitando a compreensão pela combinação acumulada de
dados, já que uma impressão é a soma de diversas percepções.

Diante dessas características, pode-se afirmar que a percepção é um processo dinâmico
e este influencia as relações do indivíduo em seu ambiente, podendo impactar no seu
comportamento. Samara e Morsch (2012) acrescentam ainda que cada indivíduo usa a
percepção para criar a sua própria realidade.
Nesse sentido, Las Casas (2012, p. 298) considera importante em qualidade de
serviços dois componentes: a qualidade real e a qualidade de percepção, sendo que

a primeira representa aquilo que realmente é, ou seja , o serviço que vai ser
desenvolvido com conhecimento e preparo do profissional de serviços. Nem
sempre um bom profissional transmite essa impressão para sua clientela. No
entanto, mesmo que alguém conheça profundamente aquilo que faz, torna-se
mais importante o que as pessoas percebem, uma vez que a percepção é a
realidade para o cliente. Como a qualidade é ligada à satisfação, os serviços
só terão qualidade se forem prestados para satisfazerem à percepção dos
clientes.

Assim, percepção pode ser entendida como o cliente vê o serviço prestado. Para o
cliente, o que ele percebe em todo o processo de fornecimento do serviço está diretamente
ligado à qualidade desse serviço, como consequência à sua satisfação.
Desse modo, Miguel (2006, p. 46) é enfático ao dizer que “a satisfação do cliente com
relação a qualquer serviço, medida por qualquer critério que seja, determina a qualidade em
serviços”. Afirma, ainda, que
[...] um cliente interage com um ambiente físico, processos e indivíduos, o
que resulta numa percepção de todos esses aspectos situacionais, conduzindo
a um julgamento em que decide se a experiência foi satisfatória ou não.
Quando o serviço prestado tem a capacidade de satisfazer, é então
considerado de “boa” qualidade. Por isso, administrar serviços significa uma
abordagem organizacional que faz da qualidade de serviço reconhecida pelo
cliente a principal força propulsora de uma empresa. (MIGUEL, 2006, p.
48).

Portanto, deve-se observar que as pessoas possuem comportamentos que variam de
acordo com o momento ou emoção e isso pode influenciar na percepção da qualidade de um
serviço prestado.
Diante de todo o exposto, pode-se sintetizar a relação entre expectativa e percepção,
satisfação do cliente e qualidade de um serviço como expõe Mendes (2012, p. 195):

779

�Expectativas &lt; Percepções ^ qualidade ideal = cliente muito satisfeito
Expectativas = Percepções ^ qualidade satisfatória = cliente satisfeito
Expectativas &gt; Percepções ^ qualidade inaceitável = cliente insatisfeito

Vários pesquisadores propuseram modelos de avaliação da qualidade em serviços. Um
dos mais difundidos na literatura e aplicado pelos prestadores de serviços é o Modelo das
Cinco Lacunas ou Gaps, que foi desenvolvido por Parasuraman, Zeithaml e Berry em 1985 e
do qual resultou em 1988 na elaboração da escala de mensuração chamada SERVQUAL.
A intenção era identificar falhas (gaps) entre o serviço esperado pelo cliente e o
serviço prestado para o cliente, ou seja, o cliente avalia a qualidade do serviço comparando o
que espera com o que obtém.
Esse modelo pode ser aplicado em diversos tipos de serviços auxiliando o gestor a
compreender as causas e onde se concentram os problemas de qualidade dos serviços
percebidos pelos clientes.
O gap 1 representa a discrepância entre as expectativas dos clientes e a percepção dos
gerentes sobre essas expectativas, isto é, esse gap demonstra que a gerência pode não estar
entendendo o que o cliente esperava do serviço. Exemplo: o administrador de um hotel pode
achar que seus hóspedes querem um café da manhã melhor, no entanto eles estão mais
preocupados com os serviços de limpeza dos quartos.
O gap 2 representa a discrepância entre as percepções dos gerentes em relação às
expectativas dos clientes e as especificações da qualidade do serviço, quer dizer, o gerente
consegue identificar o que o cliente deseja, mas não consegue traduzir em um padrão de
desempenho. Exemplo: o administrador de um hotel solicita que os atendentes da recepção
prestem um serviço rápido sem especificá-lo quantitativamente.
O gap 3 representa a discrepância entre as especificações estabelecidas da qualidade
dos serviços e os serviços que realmente são entregues ao cliente. Exemplo: o funcionário de
um hotel pode ser mal treinado ou desinteressado em relação ao padrão estabelecido do hotel
impactando no atendimento oferecido.
O gap 4 representa a discrepância entre o serviço realmente prestado e o que é
comunicado ao cliente sobre ele, ou seja, a propaganda de determinado serviço pode gerar
uma distorção na expectativa do cliente. Exemplo: o prospecto de um hotel mostra que ele
possui acomodações luxuosas, no entanto, quando o hóspede se depara com acomodações não

780

�tão luxuosas quanto as da propaganda, a expectativa gerada por essa comunicação não foi
atendida.
O gap 5 representa a discrepância entre a expectativa do cliente a respeito do serviço e
a percepção do serviço oferecido, isto é, o que ele esperava receber e a sua percepção com o
que recebeu. Esse gap é considerado pelos autores como consequência dos outros quatro gaps.
Parasuraman, Zeithaml e Berry (1985) denominaram de dimensões da qualidade os
critérios em comum que clientes utilizavam para avaliar a qualidade de um serviço prestado.
Identificaram no estudo de 1985 dez dimensões (confiabilidade, presteza, competência,
acessibilidade, cortesia, comunicação, credibilidade, segurança, compreensão e conhecimento
do cliente e aspectos tangíveis). Essas dez dimensões foram transformadas nos estudos de
1988 em cinco dimensões que compõem a escala SERVQUAL de avaliação da qualidade de
um serviço, a saber:
•

Aspectos Tangíveis: envolve as instalações físicas, equipamentos, funcionários e
material de comunicação;

•

Confiabilidade: capacidade de prestar um serviço de modo preciso e confiável
conforme foi prometido. Essa dimensão é considerada pelos autores como a de maior
importância da qualidade de serviços e por isso deve ser considerada como prioritária.

•

Presteza: disposição em ajudar os clientes e prover pronto atendimento;

•

Segurança: conhecimento e cortesia dos funcionários visando transmitir confiança e
segurança aos clientes;

•

Empatia: cuidado e atenção individualizada dispensada aos clientes.
Essa escala é composta por 22 itens distribuídos pelas cinco dimensões da qualidade e

replicados em duas partes, uma para as expectativas dos clientes acerca dos serviços
oferecidos e a outra para as percepções dos serviços prestados. Além disso, utiliza
originalmente uma escala Likert de 7 pontos variando de discordo fortemente (1) até concordo
fortemente (7).
Como essa escala é baseada na diferença entre as expectativas e o desempenho dos
serviços, pode-se afirmar que a mensuração do gap 5 se tornou a base desse instrumento.
Nesse sentido, Berry, Parasuraman e Zeithaml (2003), citados por Kotler (2012, p.
399), destacam quais as dimensões que são importantes para superar as expectativas dos
clientes, consequentemente diminuindo a diferença encontrada no gap 5:

781

�Embora a confiabilidade seja a dimensão mais importante para atender às
expectativas de serviço ao cliente, as dimensões relacionadas ao processo em
si, como segurança, presteza e empatia, são as mais importantes para superar
as expectativas, por exemplo, surpreendendo o cliente com excepcional
rapidez, boa vontade, cortesia, competência, compromisso e compreensão.

Por fim, avaliar a qualidade de serviços prestados ao cliente é uma prática de grande
serventia para construir uma relação de sucesso entre as organizações prestadoras de serviços
e os seus clientes.
Essa avaliação se aplica também às bibliotecas universitárias, enquanto prestadoras de
serviços de informação.
Logo, é de fundamental importância a preocupação com a qualidade dos seus serviços
a fim de evitar diferenças entre o serviço prestado e o que é desejado pelos seus usuários. Essa
preocupação deve também ser entendida pelos gestores de biblioteca como uma meta a ser
atingida durante todo o processo de prestação de serviço.
Reforçando essa visão, Lancaster (1996, p. 319) aponta que “os processos de avaliação
podem ajudar os administradores de bibliotecas a melhorar a qualidade dos serviços
oferecidos e também alocar de modo mais eficiente os recursos disponíveis”. O autor
apresenta ainda uma vantagem para a biblioteca quando afirma que os processos de avaliação
“podem ser úteis como relações públicas, pois mostram que o centro de informação está
genuinamente interessado em melhorar seus serviços”.
Com as transformações econômicas, sociais e tecnológicas ocorridas na sociedade nos
últimos anos, as bibliotecas universitárias tiveram de se adaptar em termos estruturais,
gerenciais e de comportamento para acompanhar as novas exigências de seus usuários,
visando a uma melhor prestação de serviços.
De acordo com Teixeira e Farias Filho (2008, p. 4),
O avanço da tecnologia levou a transformação nos serviços da biblioteca e
impôs aos bibliotecários uma mudança efetiva no atendimento ao usuário.
As bibliotecas, para manterem-se como centros de excelência na área de
informação, devem seguir os padrões tanto tecnológicos, como de recursos
humanos, requeridos pelo pronto atendimento aos seus usuários cada vez
mais interessados por informações e serviços seguros e ágeis.

Para Barbedo (2004, p. 90), faz parte do rol de responsabilidades do bibliotecário
identificar as necessidades dos usuários e assim realizar melhorias na prestação dos serviços.
Para isso a biblioteca necessita:

782

�-Repensar o papel do serviço de informação e seus propósitos;
-Conhecer melhor seus usuários, buscando continuamente avaliar seu grau
de satisfação e suas necessidades;
-Definir melhores práticas de serviços e novos métodos de realização de
atividades;
-Atualizar-se continuamente bem como sua equipe em assuntos relacionados
à qualidade e sistemas de gestão.

O interesse pelo tema da qualidade em bibliotecas vem se destacando no
Brasil a partir da década de 1990, não só com ações isoladas em bibliotecas universitárias,
mas também na literatura científica, sendo abordada sob vários aspectos: opinião dos
usuários, metodologias, ferramentas e modelos de avaliação da qualidade em serviços.
Sobre isso, Valls e Vergueiro (2006) descrevem, por meio de uma revisão da literatura
nacional, os principais trabalhos publicados a partir de 1997 sobre gestão da qualidade em
serviços de informação.
Merecem destaque os estudos sobre qualidade dos serviços em bibliotecas realizados
por Sampaio (2004), Freitas, Bolsanello e Viana (2008), Teixeira e Farias Filho (2008), Brito
e Vergueiro (2011) que utilizaram o SERVQUAL como modelo de avaliação da qualidade.
Em especial, o estudo de Sampaio (2004) relata a experiência do Sistema de
Bibliotecas da USP na implantação do PAQ - Programa de Avaliação da Qualidade dos
Produtos e Serviços, destacando-se pela utilização do software LibQUAL+® que se baseia no
SERVQUAL e é fruto da parceria entre Association of Research Libraries (ARL) e
Universidade do Texas dos EUA, cuja licença é registrada e remunerada.
Também o estudo de Teixeira e Farias Filho (2008, p.14) aborda as cinco dimensões
tratadas no modelo para qualidade em serviços (SERVQUAL) de Parasuraman, Zeithaml e
Berry, no qual estes apontam a dimensão Confiabilidade como “a de maior importância,
seguida pelas dimensões Segurança, Presteza e Aspectos Tangíveis. Empatia é apontada como
a dimensão de menor importância dentre todas”.
A partir do exposto, verifica-se a relevância e aplicabilidade desse modelo de
avaliação da qualidade de serviços na Biblioteca do campus de Sorocaba (BSo) da
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, com o objetivo de validar um modelo de
questionário de avaliação da qualidade para bibliotecas universitárias e analisar a existência
de gaps entre expectativa e percepção dos usuários, dentro de cada dimensão.

783

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa possui caráter teórico-aplicado cujo objetivo pertence à natureza
exploratória e descritiva, com procedimento bibliográfico e levantamento de campo (survey)
com o uso de questionário como instrumento de coleta de dados para posterior análise
quantitativa e qualitativa das informações.
Para Gil, (2008) as pesquisas exploratórias proporcionam visão geral sobre
determinado fato e/ou esclarecem conceitos e ideias. Já as pesquisas descritivas proporcionam
o levantamento de opiniões e atitudes de uma determinada população.
A pesquisa bibliográfica acerca dos temas qualidade em serviços, o modelo
SERVQUAL de avaliação de serviços e qualidade em bibliotecas universitárias foi o primeiro
procedimento adotado neste trabalho.
Após essa revisão da literatura, foi feito o levantamento de campo com a elaboração e
aplicação de questionário online aos usuários cadastrados na Biblioteca do campus Sorocaba
da UFSCar (BSo).
De acordo com Gil (2008, p. 55), levantamento de campo ou survey são pesquisas que
“se caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja
conhecer”, ocorrendo da seguinte forma: “procede-se à solicitação de informações a um grupo
significativo de pessoas acerca do problema estudado para em seguida, mediante análise
quantitativa, obter as conclusões correspondentes dos dados coletados.”
A análise de dados foi realizada em 4 etapas, citadas a seguir, sendo que os métodos
estatísticos foram empregados seguindo-se as recomendações de Pestana e Gageiro (2005) e
Siegel e Castellan Jr. (2006): Análise descritiva; Análise da proporção de respondentes;
Análise da Confiabilidade Interna das Dimensões; Análise da Diferença entre Expectativa e
Percepção.
Os testes e as análises foram realizados com auxílio do software SPSS Statistics 19
Multilanguage.

Caracterização do universo da pesquisa
De acordo com Marconi e Lakatos (2012, p. 27), universo ou população “é o conjunto
de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum”
e amostra é uma parte desse universo, ou seja, um “subconjunto desse universo”.
Portanto, considera-se como população nesta pesquisa todos os usuários (alunos,
docentes e técnico-administrativos) com cadastro ativo na BSo até setembro de 2013,

784

�distribuídos conforme tabela 1. Esse limite de usuários cadastrados até o mês de setembro se
explica porque a BSo abre um período de inscrição de novos usuários sempre na primeira
semana de cada mês, portanto, para essa população não foram contabilizados os novos
usuários cadastrados a partir do mês de outubro.

TABELA 1 - Usuários da BSo
Categoria
Alunos (graduação e pós-graduação)

Cadastrados na BSo
1193

Docentes

104

Técnico-Administrativos
Total

45
1342

Fonte: Dados do software PHL da BSo. Acesso em 17/09/2013.

Essa população se justifica porque a maioria dos serviços oferecidos pela BSo são
permitidos apenas aos usuários cadastrados na mesma.
Para tanto, faz-se necessário, com a finalidade de contextualização, apresentar a
Biblioteca do campus Sorocaba, seus produtos e serviços, bem como suas regras de
funcionamento.
A Biblioteca do campus Sorocaba da UFSCar (BSo) iniciou suas atividades em 2006
juntamente com o início das atividades da própria Universidade Federal de São Carlos como
um campus na cidade de Sorocaba.
Apoiando o tripé ensino, pesquisa e extensão, a BSo tem por finalidade suprir as
necessidades de informação da comunidade acadêmica, assegurando a difusão de informações
técnico-científicas e culturais, bem como a guarda e preservação do patrimônio público
reunido em seus acervos.
A BSo integra o Sistema de Bibliotecas da UFSCar juntamente com a Biblioteca
Comunitária do campus de São Carlos (BCo) e a Biblioteca Setorial de Ciências Agrárias do
campus de Araras (BSCA). Os acervos das três Bibliotecas estão disponibilizados em um
catálogo global que possibilita a consulta simultânea, ou em cada uma delas. O acesso e a
consulta aos itens do acervo são livres e abertos ao público em geral, porém o empréstimo
domiciliar é restrito à comunidade da UFSCar.
Quanto à política de prazos de empréstimo e renovação de obras, a BSo estipula, por
categoria de usuário, os seguintes prazos e condições: alunos de graduação: 07 dias e

785

�permitida duas renovações online consecutivas; alunos de pós-graduação: 11 dias e permitida
uma renovação online; docentes: 15 dias e técnicos-administrativos: 11 dias.
A BSo funciona ininterruptamente das 8 horas às 22 horas de segunda a sexta-feira,
com uma equipe composta por 05 bibliotecários, 01 assistente administrativo e 06 estagiários,
e oferece os seguintes serviços para sua comunidade usuária: consulta e empréstimo de obras,
renovação online, empréstimo entre bibliotecas (EEB) com as bibliotecas de Araras e São
Carlos, orientação ao usuário sobre o uso da biblioteca e dos recursos informacionais,
capacitação de usuários (bases de dados online e normalização documentária) através de
cursos e oficinas oferecidos periodicamente, levantamentos bibliográficos e elaboração de
fichas catalográficas.

Estrutura e aplicação do questionário
O questionário utilizado é uma adaptação do modelo SERVQUAL contemplando as
cinco dimensões do original, contendo: aspectos tangíveis, confiabilidade, presteza, segurança
e empatia.
Sua estrutura compôs-se de três partes, sendo: parte 1 - identificação da categoria a
que o usuário pertence; parte 2 - sua frequência na Biblioteca e parte 3 - 44 afirmações
divididas em 22 acerca das expectativas e 22 relativas às percepções.
Foi utilizada a escala Likert de 5 alternativas correspondendo aos conceitos discordo
totalmente (1), discordo (2), indiferente (3), concordo (4) e concordo totalmente (5).
O questionário foi elaborado através da ferramenta do Google Drive com questões
fechadas e todas programadas como resposta obrigatória. As questões foram distribuídas de
forma aleatória dentro das cinco dimensões da qualidade, conforme apresentadas no item
“Resultados e discussão”.
Quanto à aplicação, o questionário foi submetido a um pré-teste - seguindo as
recomendações de Forza (2002) - aplicados a três pesquisadores colegas, a um especialista e
também a uma pequena parcela da amostra da população, sendo usuários da BSo pertencentes
às três categorias (alunos, docentes e técnicos-administrativos), com a finalidade de identificar
possíveis inconsistências, ambiguidades e/ou complexidade das questões.
Marconi e Lakatos (2012, p. 88) destacam que o pré-teste também serve para verificar
se um questionário apresenta os seguintes elementos “fidedignidade - qualquer pessoa que o
aplique obterá sempre os mesmos resultados; validade - os dados recolhidos são necessários à
pesquisa e operatividade - vocabulário acessível e significado claro”.

786

�Após ajustes de redação e formatação, o link do questionário foi enviado através de e­
mail para os alunos, docentes e técnicos-administrativos com cadastro ativo na BSo. Esses
envios ocorreram em quatro (04) rodadas, a saber: 30 de setembro, 10, 15 e 21 de outubro de
2013.
Em 29 de outubro foi encerrado o prazo para recebimento de respostas, marcando,
assim, o início da etapa de análise e discussão dos resultados.

4 RESULTADOS FINAIS
A seguir inicia-se a análise dos resultados, que foi dividida em 4 etapas de análise:
descritiva; proporção de respondentes; confiabilidade interna das dimensões; e da diferença
entre expectativa e percepção. Nos casos em que foi preciso fazer inferência estatística, foi
adotado nível de significância de 5%.

Análise descritiva
Dos 1342 questionários enviados aos usuários da BSo, obtiveram-se 422 respostas,
totalizando 31,44% de taxa de retorno.
A tabela 2 apresenta o perfil dos respondentes da pesquisa em relação às duas
principais variáveis de controle de estudo: tipo de usuário e frequência de uso da biblioteca.

TABELA 2 - Perfil dos respondentes da pesquisa
Variável de Controle Categorias
Respostas
364
Alunos
Tipo de usuário
34
Docentes
24
Técnicos-administrativos
166
Menos de 04 vezes por mês
Frequência de uso
Entre 04 e 10 vezes por mês 147
Acima de 10 vezes por mês 109
Fonte: Dados da pesquisa.

%
86
8
6
39
35
26

O resultado sobre frequência de uso pode-se justificar, no qual a maioria dos usuários
frequenta a biblioteca até 03 vezes por mês, devido aos prazos praticados no serviço de
empréstimo e renovação online de obras da biblioteca, conforme detalhado anteriormente no
item Metodologia.

787

�Análise da proporção de respondentes
A partir dos dados da tabela 2, aplicou-se o Teste Qui-Quadrado ao nível de 5% de
significância (p-value=0,05), que tem por objetivo testar a existência de diferenças estatísticas
entre a frequência observada e a frequência esperada de respondentes em cada categoria. Esse
teste é representado por duas hipóteses:
H0: A proporção de respondentes do tipo de usuário se assemelha à proporção esperada.
H1: A proporção de respondentes do tipo de usuário não se assemelha à proporção esperada.
A tabela 3 apresenta o resultado obtido do teste.

TABELA 3 - Qui-Quadrado por tipo de usuário
Observed N
34
24
364

Expected N
Docentes
32,5
Técnicos
14,3
375,2
Alunos
6,895a
Chi-Square
2
df
,032
Asymp. Sig. (p-value)
Fonte: Resultado adaptado do SPSS

Residual
1,5
9,7
-11,2

Como o resultado p-value=0,032 é menor que 0,05, conclui-se que existe diferença
estatisticamente significativa entre as proporções esperadas e observadas. Essa diferença é
apontada na categoria Alunos, em que a proporção dos respondentes não se assemelha à
proporção esperada de respostas. Já a proximidade da pesquisadora que também é
bibliotecária do setor de aquisições da BSo pode ter influenciado uma maior taxa de resposta
junto aos docentes e técnicos-administrativos.

Análise da confiabilidade interna das dimensões
Essa seção corresponde a análise da adaptação da escala SERVQUAL, idealizada por
Parasuraman, Zeithaml e Berry (1988), contendo 44 afirmações divididas entre 22 sobre
expectativas e 22 sobre percepções. As afirmações do questionário foram distribuídas
aleatoriamente entre as dimensões: aspectos tangíveis, confiabilidade, presteza, segurança e
empatia. Para este trabalho, foram utilizadas cores para melhor visualização das dimensões
representadas pelas afirmações. Esse recurso não foi utilizado no questionário enviado aos
respondentes.

788

�Legenda: Aspectos Tangíveis; Confiabilidade; Presteza; Segurança; Empatia

1. Escolha a categoria de usuário em que você se enquadra:
( ) Aluno
( ) Docente
( ) Técnico-administrativo

2. Assinale abaixo sua frequência na Biblioteca de Sorocaba (BSo):
( ) menos de 04 vezes por mês
( ) entre 04 e 10 vezes por mês
( ) acima de 10 vezes por mês

3. Assinale abaixo suas expectativas (E) e percepções (P) em relação à Biblioteca de Sorocaba
(BSo):

(E) A sinalização e materiais de divulgação da BSo (murais, banners, folders) devem ser
visualmente atrativos e esclarecedores
(P) A sinalização e os materiais de divulgação da BSo (mural, banners, folders) são
visualmente atrativos e esclarecedores

(E) O serviço de empréstimo entre bibliotecas (EEB São Carlos - Sorocaba) deve ser
rápido e eficiente
(P) O empréstimo de livros da Biblioteca de São Carlos para os usuários de Sorocaba é
rápido e eficiente

(E) A BSo deve informar o tempo de execução dos serviços que ela oferece
(P) A BSo informa o tempo de execução dos serviços oferecidos a você

(E) Os serviços no balcão de atendimento da BSo (empréstimo e devolução) devem ser
feitos de forma rápida
(P) Os serviços de empréstimo e devolução no balcão de atendimento da BSo são feitos
de forma rápida

789

�(E) Funcionários do balcão de atendimento da BSo devem ser capacitados para prestar
informações
(P) Os funcionários do balcão de atendimento da BSo são capacitados para prestar
informações a você

(E) A BSo deve possuir uma variedade de serviços oferecidos aos usuários
(P) A BSo oferece uma variedade suficiente de serviços

(E) Funcionários da BSo devem perceber as necessidades dos usuários
(P) Os funcionários da BSo percebem as suas necessidades

(E) A BSo deve possuir equipamentos de informática, de segurança e mobiliário
adequados e suficientes
(P) A BSo possui equipamentos de informática, de segurança e mobiliário adequados e
suficientes

(E) A BSo deve apresentar boas condições de limpeza, acústica, iluminação e ventilação
(P) A BSo apresenta boas condições de limpeza, acústica, iluminação e ventilação

(E) A BSo deve ser um ambiente seguro
(P) O ambiente da BSo é seguro

(E) A BSo deve oferecer serviços e informações online (via e-mail e website)
(P) A BSo oferece serviços e divulga informações via e-mail e website

(E) Os funcionários da BSo devem receber e aceitar sugestões de usuários
(P) Os funcionários da BSo recebem e aceitam suas sugestões

(E) Os funcionários da BSo devem sempre ser educados e corteses
(P) Os funcionários da BSo são educados e corteses

(E) A BSo deve oferecer atendimento personalizado aos seus usuários
(P) A BSo oferece atendimento personalizado a você

790

�(E) A BSo deve possuir amplo horário de funcionamento
(P) A BSo tem um amplo horário de funcionamento

(E) Os funcionários da BSo devem ser identificados pelos usuários
(P) Você identifica os funcionários da BSo

(E) Os funcionários da BSo devem auxiliar seus usuários
(P) Os funcionários da BSo auxiliam você

(E) As informações sobre as obras do acervo da BSo devem ser confiáveis
(P) As informações sobre as obras do acervo da BSo são confiáveis

(E) As dúvidas dos usuários devem sempre ser esclarecidas em tempo hábil
(P) As suas dúvidas são esclarecidas

(E) A BSo deve permitir a flexibilização dos serviços oferecidos
(P) A BSo permite a flexibilização dos serviços oferecidos

(E) O atendimento da BSo deve ser individualizado
(P) O atendimento da BSo é individualizado

(E) A BSo deve ser inflexível quanto a prazos e itens passíveis de empréstimo
(P) A BSo é inflexível quanto a prazos e itens passíveis de empréstimo

O teste Alfha de Cronbach foi aplicado nas cinco dimensões da qualidade de serviços
para se verificar a consistência das afirmações propostas. Segundo Pestana e Gageiro (2005),
para pesquisas e estudos da área das ciências sociais, valores do Alfha de Cronbach acima de
0,60 demonstram consistência interna do constructo aceitável.
Em relação à expectativa da dimensão Aspectos Tangíveis, o teste mostrou que o
Alfha de Cronbach foi (0,596), valor considerado inadmissível quanto à consistência interna.
No entanto, o teste aponta que, para elevar o valor do Alfha de Cronbach dessa dimensão,
recomenda-se retirar do questionário a afirmação “Os funcionários da BSo devem ser
identificados pelos usuários”, elevando assim seu valor para (0,621). Como não é possível

791

�dissociar a percepção da expectativa, o valor do Alfha de Cronbach para percepção após a
retirada da afirmação foi (0,646), apresentando também consistência interna aceitável. Essa
afirmação apresentou uma disparidade em relação às demais afirmações da dimensão
Aspectos Tangíveis, possivelmente porque os usuários não veem necessidade de identificação
dos servidores que trabalham na BSo devido ao seu número reduzido de 06 funcionários e 06
estagiários.
Já em relação à expectativa da dimensão Empatia, o teste mostrou que o Alfha de
Cronbach foi (0,442), valor considerado inadmissível quanto à consistência interna. No
entanto, o teste aponta que, para elevar o valor do Alfha de Cronbach dessa dimensão,
recomenda-se retirar do questionário a afirmação “A BSo deve ser inflexível quanto a prazos
e itens passíveis de empréstimo”, elevando assim seu valor para (0,624). O valor do Alfha de
Cronbach para percepção após a retirada da afirmação foi (0,701), apresentando, assim como
na expectativa, consistência interna aceitável. Essa afirmação apresentou uma disparidade em
relação às demais afirmações da dimensão Empatia, possivelmente porque os prazos e
quantidades de itens emprestáveis são diferenciados por categoria de usuário, podendo ser
entendido como se uma categoria tivesse certa vantagem em detrimento a outra.

TABELA 4 - Resultados dos Alfhas de Cronbach para expectativa e percepção.
DIMENSÃO
Aspectos Tangíveis
Confiabilidade
Presteza
Segurança
Empatia

EXPECTATIVA
0,621
0,749
0,771
0,715
0,624

PERCEPÇÃO
0,646
0,704
0,721
0,773
0,701

Fonte: Elaborado pelo autor.
Esses resultados demonstram que o questionário, após a retirada das duas afirmações
indicadas anteriormente, apresenta validade e consistência interna. Com isso, outras
bibliotecas podem utilizá-lo para avaliar a qualidade dos seus serviços.

Análise da diferença entre expectativa e percepção
Por fim, efetuou-se o cálculo da diferença entre as médias referentes às expectativas e
às percepções para cada uma das cinco dimensões da qualidade propostas no questionário
com o objetivo de analisar as lacunas existentes. Também foi calculado, aplicando-se o teste
de Wilcoxon, se a diferença existente entre expectativa e percepção nas dimensões era
significante ou não.

792

�O teste de Wilcoxon mostrou que a lacuna, diferença entre expectativa e percepção, de
cada dimensão é significativa, sendo p-value &lt;0,05.

TABELA 5 - Lacunas entre expectativa e percepção por dimensão.
DIMENSÃO

EXPECTATIVA
MÉDIA

PERCEPÇÃO
MÉDIA

LACUNA

Aspectos Tangíveis
Confiabilidade
Presteza
Segurança
Empatia

4,65
4,63
4,63
4,59
4,08

2,71
3,22
3,13
2,95
2,82

1,94
1,41
1,50
1,64
1,26

Fonte: Elaborado pelo autor.

Pode-se afirmar a existência do gap 5, definido por Parasuraman et al. (1988), para
todas as dimensões avaliadas pelos respondentes, isto é, há discrepâncias entre o que o
usuário da BSo esperava receber e a sua percepção com o serviço que recebeu.
Verificou-se que em nenhuma dimensão a percepção foi maior que a expectativa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados obtidos neste trabalho demonstram a relevância e aplicabilidade do
instrumento de mensuração denominado de escala SERVQUAL para avaliação da qualidade
de serviços na Biblioteca do campus de Sorocaba (BSo) da Universidade Federal de São
Carlos - UFSCar.
Quanto ao objetivo de validar um modelo de questionário de avaliação da qualidade
para bibliotecas universitárias, considera-se que o questionário aplicado nessa pesquisa, após
o refinamento feito pelo teste de confiabilidade interna mediante o Alfha de Cronbach,
mostra-se válido, ou seja, o questionário mede o que se propõe em relação às questões
pertinentes sobre qualidade em serviços para uma biblioteca universitária.
Sobre o objetivo de analisar os gaps entre expectativa e percepção dentro de cada
dimensão, considera-se que os resultados apresentaram a existência de gaps entre expectativa
e percepção em todas as dimensões avaliadas.
Sendo assim, pode-se afirmar que, em nenhuma das dimensões, observou-se a
qualidade ideal, na qual a percepção medida tivesse superado as expectativas dos
entrevistados. Portanto, recomenda-se estabelecer um plano de ações e priorizar esforços por
parte dos gestores da biblioteca em conjunto com a administração superior da Universidade,

793

�em relação à dimensão com maior gap e/ou que apresentem maior expectativa por parte dos
usuários, a fim de amenizar as discrepâncias existentes.
Recomenda-se também, sempre que possível, realizar ajustes e ações corretivas nas
outras dimensões visando à melhoria geral da percepção dos serviços prestados pela BSo.
Deve-se ressaltar, como contribuição desta pesquisa, a adaptação do SERVQUAL e
seu refinamento mediante métodos estatísticos, o que dá maior credibilidade ao modelo e,
com isso, outras bibliotecas de IFES que queiram avaliar sua qualidade podem utilizá-lo.
Por fim, avaliar a qualidade dos serviços prestados pelas bibliotecas universitárias aos
seus usuários deve fazer parte da rotina dos gestores das mesmas a fim de possibilitar o
conhecimento das necessidades e desejos da sua comunidade usuária, implicando em um
maior e melhor aproveitamento de recursos, produtos e serviços oferecidos. Nesse sentido, o
SERVQUAL se mostra como um aliado nessa missão de avaliar a qualidade, tomando-o
como um dos itens de diagnóstico para reorientação das ações de gestão e governança das
bibliotecas universitárias de Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

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796

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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                <text>Objetivou-se avaliar a qualidade dos serviços prestados pela Biblioteca do campus de Sorocaba (BSo) da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, sob a ótica de seus usuários, utilizando o SERVQUAL, instrumento de mensuração que contempla cinco dimensões de qualidade: aspectos tangíveis, confiabilidade, presteza, segurança e empatia. A análise estatística de uma amostra de 422 questionários em conjunto com a análise qualitativa permitiu refinar o SERVQUAL, possibilitando sua adaptação para bibliotecas de Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Além disso, a partir do instrumento já adaptado, pôde-se constatar que, na biblioteca da IFES em estudo, as cinco dimensões apresentaram gaps entre o esperado e o percebido pelos usuários. Portanto, recomenda-se estabelecer um plano de ações e priorizar esforços por parte dos gestores da biblioteca em conjunto com a administração superior da Universidade, em relação à dimensão com maior gap e/ou que apresentem maior expectativa por parte dos usuários, a fim de amenizar as discrepâncias existentes.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TECNOLOGIAS ASSISTIVAS PARA DEFICIENTES VISUAIS: UMA NOVA
REALIDADE NA BIBLIOTECA CENTRAL DO GRAGOATÁ DA UNIVERSIDADE
FEDERAL FLUMINENSE
Sandra do Amparo Silva Filgueiras
Geisa Meirelles Drumond

RESUMO
Aborda as iniciativas de acessibilidade e inclusão da Universidade Federal Fluminense, com
destaque para o papel da Divisão de Acessibilidade e Inclusão como parceira do Projeto
Biblioteca Acessível, desenvolvido pela Biblioteca Central do Gragoatá. Relata o trabalho
realizado na biblioteca, a partir da aquisição de tecnologias assistivas, mostrando e
fundamentando as ações desenvolvidas, focadas na qualidade do atendimento aos usuários
com deficiência visual e no compromisso com os ideais institucionais e biblioteconômicos.
Conclui que existem desafios a serem vencidos, contudo a biblioteca e a universidade como
um todo têm dado passos importantes no sentido de garantir a acessibilidade e inclusão das
pessoas com deficiência.
Palavras-chave: Pessoas com deficiência. Acessibilidade. Biblioteca acessível.

ABSTRACT
It addresses the accessibility and inclusion initiatives of the Federal Fluminense University,
highlighting the role of the Accessibility and Inclusion Division as a partner of the
Accessible Library Project, developed by the Gragoatá Central Library. It reports the work
done in the library, from the acquisition of assistive technologies, showing the reasons for the
actions developed, focused on quality service to users with visual impairments and
commitment to institutional and librarianship ideals. It concludes that there are challenges to
overcome, however the library and the university as a whole have taken important steps to
ensure accessibility and inclusion of people with disabilities.
Keywords: People with disabilities. Accessibility. Accessible library

1 INTRODUÇÃO
A acessibilidade na Universidade Federal Fluminense (UFF) vem ganhando novos
contornos desde a inauguração do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão - Sensibiliza UFF -,
em 2009. No entanto, existem desafios a serem vencidos com o objetivo de incluir
efetivamente as pessoas com deficiências nas universidades.

1615

�As universidades ainda carecem de estrutura adequada e profissionais capacitados para
atender as pessoas com deficiência. Mesmo que o número de deficientes ingressos nas
instituições de ensino superior seja considerado pequeno, ele tem aumentado ao longo dos
anos, o que justifica a necessidade de implantação e consolidação de políticas inclusivas.
Na criação de programas de inclusão, é preciso levar em conta a demanda do público
universitário que, por não perceber a existência de condição favorável à sua inclusão ao meio
acadêmico, deixa de frequentar as universidades. Alguns entraves para a inclusão nas
universidades referem-se às barreiras arquitetônicas, à falta de recursos audiovisuais,
tecnológicos e de apoio pedagógico. A atitude com relação ao deficiente também é um fator
que dificulta a inclusão no ambiente acadêmico.
Nessa perspectiva, algumas iniciativas de acessibilidade, com o apoio do Núcleo de
Acessibilidade e Inclusão da UFF, têm sido desenvolvidas em bibliotecas. O presente trabalho
tem como objetivo relatar a experiência com o uso de tecnologias assistivas na Biblioteca
Central do Gragoatá (BCG).

2 APOIO DA INSTITUIÇÃO - CRIAÇÃO DA DIVISÃO DE ACESSIBILIDADE E
INCLUSÃO
Desde a sua criação, o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da UFF realizou muitas
atividades, projetos e participações em eventos, resultado de um esforço conjunto de
docentes, técnicos administrativos, alunos e dos vários setores da universidade e instituições
parceiras.
Em 2012, o Núcleo cedeu lugar à Divisão de Acessibilidade e Inclusão - Sensibiliza -,
que é vinculada à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), tendo como objetivo
fomentar a implementação e a consolidação de políticas inclusivas na Universidade Federal
Fluminense, começando por identificar os usuários com deficiência, diagnosticar as condições
de acessibilidade física, tecnológica e de recursos humanos na universidade como um todo, e,
especificamente, criar projetos para o Sistema de Bibliotecas.
Em 2014, a Divisão de Acessibilidade e Inclusão foi contemplada com recursos para
execução dos projetos UFF Acessível, em parceria com outros órgãos da universidade, como
a Superintendência de Arquitetura e Engenharia (Saen), que trata da acessibilidade física.

1616

�3 ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO NA BIBLIOTECA CENTRAL DO GRAGOATÁ
A missão da biblioteca universitária deve se pautar na oferta de recursos de
informação relevantes para a comunidade acadêmica, buscando apoiá-la no desenvolvimento
de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Dentro dessa visão, é preciso repensar o papel da biblioteca no intuito de garantir a
acessibilidade, o acesso pleno à informação e o uso de tecnologias especialmente
desenvolvidas para ampliar habilidades funcionais das pessoas com deficiência, facilitando a
comunicação e a aprendizagem.
De um modo amplo, o Decreto n° 5.296 de 2004 fornece as orientações para a
implementação da acessibilidade, priorizando o atendimento às pessoas com deficiência ou
com mobilidade reduzida, a partir da remoção de barreiras que impedem ou limitam a
circulação, a comunicação e o acesso à informação.
A Biblioteca Central do Gragoatá, que é uma das unidades de informação do Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense, deu início ao Projeto Biblioteca
Acessível a partir da aquisição de novas tecnologias assistivas, em 2012. O Projeto tem como
objetivo geral disponibilizar os equipamentos de tecnologia assistiva para os estudos e
pesquisas, em conformidade com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência, que afirma que os países devem assegurar, em instalações abertas ao
público, o acesso à informação e comunicação, aos sistemas e tecnologias da informação e
comunicação às pessoas com deficiência (BRASIL, 2009). Como objetivo específico, o
Projeto Biblioteca Acessível busca promover o acesso das pessoas com cegueira e visão
subnormal, principalmente alunos da universidade, que vão à Biblioteca Central em busca dos
seus serviços e produtos.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho baseia-se em relato de experiência, ao descrever e analisar o
trabalho realizado com o uso de tecnologias assistivas na Biblioteca Central do Gragoatá,
enfocando o atendimento aos usuários com deficiência, os serviços oferecidos e as atividades
desenvolvidas na biblioteca no âmbito da acessibilidade.
Com esse objetivo, utilizaram-se registros fotográficos para mostrar o trabalho
desenvolvido na biblioteca e os recursos utilizados no atendimento aos usuários. Para a
contextualização do tema, realizou-se a pesquisa bibliográfica em fontes diversas de
informação.

1617

�5 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Com o apoio da Divisão de Acessibilidade e Inclusão, a BCG vem sendo equipada
com computadores e softwares leitores de tela, sintetizadores de voz, scanners, que
transformam documentos em arquivos digitais para posterior leitura, com síntese de voz ou
impressos em braile. Também foram adquiridos ampliador de tela para pessoas com baixa
visão, lupa eletrônica digital acoplada a uma TV tela plana e mesa tátil.
O emprego dessas tecnologias assistivas visa “facilitar o desenvolvimento de
atividades da vida diária por pessoas com deficiência, que procuram aumentar capacidades
funcionais e assim promover a autonomia e a independência de quem as utiliza” (PUPO;
MELO; PÉREZ FERRÉS, 2006, p. 62).

5.1 Ambiente Físico Externo
Atendendo às demandas e fazendo cumprir as leis, a UFF buscou e vem buscando
reduzir as barreiras arquitetônicas, construindo acessos que facilitem a mobilidade das
pessoas com deficiência. A implantação da acessibilidade no campus do Gragoatá, onde se
situa a BCG, se deu com a concretização do caminho acessível.

5.2 Ambiente Físico Interno
Para garantir a usabilidade dos equipamentos e, o mais importante, a locomoção
segura e independente do usuário com deficiência visual no ambiente da biblioteca, optou-se
por criar o espaço para a Biblioteca Acessível no primeiro piso, em virtude de ainda haver
barreiras arquitetônicas, como portas de vidro e becos, no projeto original da Biblioteca
Central.
Dando sustentáculo à decisão tomada em dispor os equipamentos no primeiro piso,
portanto, longe do acervo geral, citamos a obra de Pupo, Melo e Pérez Ferrés (2006, p. 25),
em que as autoras afirmam que “a organização interna da biblioteca deve ser claramente
perceptível, evitando becos, áreas sem uso e qualquer outra configuração como portas de
vidro ou portas giratórias, que possam causar confusão ou isolamento de pessoas com senso
de orientação reduzido”.
Para a efetivação do Projeto Biblioteca Acessível e obedecendo a NBR 9050:2004, foi
instalado um piso podotátil que conduz os usuários até os principais setores, como o balcão de
referência, estantes e banheiro.

1618

�Figura 1: Entrada com piso podotátil

Figura 2 Acesso a Biblioteca Acessível

5.3 Serviços
A inclusão de serviços voltados ao deficiente visual na Biblioteca Central do Gragoatá
deu uma nova dimensão à biblioteca e ao fazer bibliotecário. Não basta que a biblioteca
universitária possua acervo, tecnologias e ambiente físico adequados. Ela precisa também
oferecer serviços de qualidade e que minimizem as diferenças entre os deficientes e os não
deficientes. Além da mudança de atitude dos funcionários, que muitas vezes se mostram
arredios no atendimento a essa parcela da sociedade.

5.3.1 Serviços de Tecnologias Assistivas - Atendimento/referência
Este serviço compreende o treinamento de usuários com necessidades especiais no uso
das novas tecnologias, contribuindo para o seu desenvolvimento social e acadêmico. Como
mostram Dudziak; Gabriel; e Villela (2000, p. 8), na educação de usuário, devem ser levados
em conta vários tipos de ferramentas e conteúdos de aprendizagem que “possibilitem o
desenvolvimento das capacidades motoras, afetivas, de relação interpessoal e de inserção
social”.
O Sensibiliza contratou uma aluna bolsista de história, por sua experiência anterior
como tutora/ledora, que atende todos os dias na Biblioteca Acessível, juntamente com a
Bibliotecária de Referência.

1619

�Figura 3: Tecnologias Assistivas e a bolsista tutora/ledora

O trabalho consiste em receber pessoas com cegueira e visão subnormal que
necessitam digitalizar livros e textos, utilizando o scanner; ou imprimir textos e partes de
livros, na impressora Braille.

Figura 4: Aluno estudando na Biblioteca Acessível

Recebemos também grupos para visita guiada da classe de Professores de Educação
Especial, da comunidade, e alunos da UFF em busca de conhecimento para as disciplinas
sobre acessibilidade, dos cursos de Biblioteconomia, Pedagogia, entre outros.

Figura 5: Visita Guiada
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1620

�6 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Existe um grande campo de atuação para as bibliotecas universitárias, que podem
adquirir tecnologias apropriadas e “trazer” o deficiente visual para seu espaço, conquistando
mais uma parcela de usuários potenciais. Isso é fundamental, pois a maioria dos deficientes
visuais não possui recursos para adquirir os equipamentos essenciais, necessitando de
instituições que os disponibilizem gratuitamente.
O Projeto Biblioteca Acessível desenvolvido pela BCG é o primeiro passo para tornar
a biblioteca universitária acessível para todos, contudo a caminhada é longa, pois ainda há um
grande número de bibliotecas que precisam ser equipadas e modificadas para atender os
alunos com necessidades especiais, respeitando suas necessidades e características
diferenciadas.
Também existem barreiras comunicacionais entre os departamentos, o Sistema de
Bibliotecas, professores e funcionários, com a Divisão de Acessibilidade e Inclusão e com os
próprios alunos, que muitas vezes desconhecem seus direitos e o que a universidade lhes
oferece.
Uma ação importante na UFF que vem mudando esse cenário é o Programa de
Acolhimento Estudantil (PAE), um evento de recepção aos novos alunos que ingressam na
UFF, que envolve a realização de diferentes atividades e a divulgação de projetos
desenvolvidos pela universidade.
Este trabalho pretende contribuir positivamente, servindo de escopo para novos
projetos dentro e fora da universidade, focados na qualidade do atendimento ao usuário e no
compromisso com os ideais institucionais e biblioteconômicos.

7 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 9050. 2004.
Disponível

em:

&lt;http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_generico
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5.296,

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2004.

Disponivel

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&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm&gt;. Acesso em:
16 abr. 2014.

1621

�______.

Decreto

n°

6.949,

de

25

de

agosto

de

2009.

Disponível

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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm. Acesso em: 09
maio 2014.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana; GABRIEL, Maria Aparecida; VILLELA, Maria Cristina
Olaio. A educação de usuários de bibliotecas universitárias frente à sociedade do
conhecimento e sua inserção nos novos paradigmas educacionais. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000, Florianópolis. Anais...
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PUPO, Deise Tallarico; MELO, Amanda Meincke; PÉREZ FERRES, Sofia (Org).
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_______. Sensibiliza UFF. Disponível em: &lt;http://www.proac.uff.br/sensibiliza/&gt;. Acesso
em: 08 maio 2014.

1622

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                <text>Aborda as iniciativas de acessibilidade e inclusão da Universidade Federal Fluminense, com destaque para o papel da Divisão de Acessibilidade e Inclusão como parceira do Projeto Biblioteca Acessível, desenvolvido pela Biblioteca Central do Gragoatá. Relata o trabalho realizado na biblioteca, a partir da aquisição de tecnologias assistivas, mostrando e fundamentando as ações desenvolvidas, focadas na qualidade do atendimento aos usuários com deficiência visual e no compromisso com os ideais institucionais e biblioteconômicos. Conclui que existem desafios a serem vencidos, contudo a biblioteca e a universidade como um todo têm dado passos importantes no sentido de garantir a acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CAPACITAÇÃO DE SERVIDORES DE BIBLIOTECA UTILIZANDO O AMBIENTE
VIRTUAL MOODLE: RELATO DAS EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS PELO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DE UMA INSTITUIÇÃO MULTICAMPI
Marci Lucia Nicodem Fischborn
Ligia Torino Guassu

RESUMO
Apresenta um relato de experiência do Sistema de Bibliotecas da Universidade Tecnológica
Federal do Paraná quanto à proposição e execução de um Projeto de Capacitação específico para
servidores de bibliotecas em ambiente virtual de aprendizagem (Moodle). Este projeto partiu da
identificação da necessidade de oportunizar maior interação entre os servidores que atuam nas
treze bibliotecas desta instituição multicampi e também gerenciar conteúdos nesta ferramenta,
possibilitando facilitar a capacitação de novos servidores e acesso aos conteúdos quando se fizer
necessário. Como um dos principais resultados, destaca-se a interação entre os servidores por
meio das atividades propostas, proporcionando discussão e debates sobre os processos
vivenciados no cotidiano das bibliotecas. Como ponto de melhoria, identificou-se que para um
próximo projeto, seria viável oferecer apenas um curso por vez, de forma a não sobrecarregar o
servidor, a fim de que ele tenha condições de refletir sobre os textos propostos e realizar suas
atividades avaliativas com maior profundidade e em tempo. Quanto à avaliação por parte dos
instrutores, pode-se afirmar que a experiência foi positiva e motivadora para os bibliotecários que
aceitaram o desafio de compartilhar seus conhecimentos com outros colegas de profissão e com
os demais servidores das bibliotecas.

Palavras-Chave: Ambiente virtual de aprendizagem. Bibliotecas universitárias. Capacitação
de servidores de Bibliotecas.

ABSTRACT
This article presents an experience report of the Library System of the Federal Technological
University of Paraná regarding the proposal and implementation of a Library Assistant Training
Program - specific for librarians and the library staff through the Virtual Learning Environment
(Moodle). This project started with the identification of a need to create opportunities for a better
interaction between the attendants who work in the thirteen libraries of this multicampi university
and also manage contents in this tool, improving the training and capacitation for new staff and
full access to job learning material when necessary. As main result can stand in bold relief the
interaction among the staff through the proposed activities, offering an environment for
discussions and debates about the processes experienced daily in the system libraries. As a point
of improvement for an upcoming project, it was identified that would be feasible offer only one
course at a time, in a way to not overload the staff, so that they are able to reflect on the proposed
texts and perform their evaluation activities with greater depth and time. Considering the
evaluation of instructors, it can be observed that the experience was positive and motivating for

860

�the librarians who accepted the challenge to share their knowledge with other peers and with other
staff.

Keywords: Virtual learning environment. University libraries. Library Assistant Training
Program.

1 INTRODUÇÃO
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) é uma instituição
multicampi presente em diversos municípios do estado do Paraná. Frente às novas demandas
de recursos tecnológicos disponíveis no mercado e também diante das novas demandas das
bibliotecas, no ano de 2013 surgiu a possibilidade de elaborar um projeto que procurou
capacitar e atualizar os profissionais que atuam neste setor.
Naquele momento, a UTFPR possuía 12 câmpus e 13 Bibliotecas distribuídas nas
cidades de Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Curitiba (cidade onde está sediada
a Reitoria), Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Guarapuava, Londrina, Medianeira, Pato
Branco, Ponta Grossa, Santa Helena e Toledo. A Reitoria distancia-se 97 quilômetros do
câmpus mais próximo (Ponta Grossa) e aproximadamente 576 quilômetros do mais distante
(Medianeira).
Quanto ao quadro de servidores nestas 13 bibliotecas, estavam lotados e em atividade
37 (trinta e sete) bibliotecários e 63 (sessenta e três) auxiliares de bibliotecas (incluídos
servidores

concursados

e estagiários).

Com

um

número

significativo

de

câmpus,

consequentemente de servidores e serviços, localizados distantes geograficamente, observouse que era necessária a utilização de mecanismos que possibilitassem maior interação e
comunicação entre os servidores, permitindo a troca de informações e experiências.
Por meio de levantamentos, havia sido identificada a necessidade de um projeto que
propusesse a capacitação dos servidores das bibliotecas com intuito de possibilitar maior
qualidade nos serviços prestados à comunidade acadêmica. Desta forma, Bibliotecários e
servidores lotados nas bibliotecas vivenciaram uma nova experiência:

capacitações

simultâneas utilizando tecnologias e ferramentas de ensino à distância. Oferecer cursos de
capacitação on-line passou a ser uma opção para encurtar distâncias físicas e otimizar
recursos, através do e-learning que visa o ensino à distância (EAD).
Em virtude da UTFPR possuir diversos cursos na modalidade de EAD, utilizando o
ambiente de aprendizagem disponível na plataforma Modular Object-Oriented Dynamic

Learning Environment (Moodle), este foi o ambiente escolhido para esta proposta de

861

�capacitação realizada em parceria com Divisão de Desenvolvimento de Pessoas (DIDEP),
proposta e executada sob a coordenação de uma bibliotecária representante da Comissão de
Inovações (SIBI).
Este relato tem por objetivo apresentar a experiência obtida, bem como os principais
resultados deste projeto de capacitação, apresentando os pontos positivos e os passíveis de
melhorias quanto à capacitação de servidores utilizando ambiente virtual de aprendizagem.

2 FERRAMENTAS E AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM
As bibliotecas da UTFPR têm utilizado há algum tempo equipamentos de
videoconferência visando reunir servidores dispersos geograficamente, para reuniões,
apresentações e demais atividades que possibilitem a visualização simultânea de uma grande
parcela da comunidade. Na instituição, o Moodle também tem sido frequentemente utilizado
para capacitações, cursos, treinamentos.
Fernandes (2014) comenta que mesmo havendo separação temporal e espacial entre o
professor e aluno, as interações por meio de tecnologias, tem tido um papel fundamental na
aprendizagem contínua nas instituições de ensino.
Joia e Costa (2014), em um estudo que realizaram, concluíram que os principais
fatores de sucesso no treinamento corporativo a distância via web são:
a) a definição clara do conteúdo, público-alvo e objetivos do programa de treinamento;
b) a motivação dos usuários;
c) a implementação no ambiente web de um nível adequado de suporte metacognitivo.
De posse de resultados obtidos por meio de levantamentos, as bibliotecas utilizaram-se
das ferramentas disponíveis na instituição a fim de oferecer capacitações voltadas
especificamente às suas atividades e aos seus colaboradores.
A proposta de cursos on-line, utilizando a plataforma Moodle, veio atender a demanda
tanto dos bibliotecários, oferecendo cursos voltados aos interesses específicos de cada
Biblioteca quanto dos servidores que atuam nestas: assistentes em administração e
estagiários, atendendo às suas necessidades de informação.
Desta forma,

foram

convidados para atuarem

como instrutores

dos

cursos

bibliotecários da própria instituição, mediante área de interesse e capacitação. Esta
experiência trouxe novos desafios à equipe de bibliotecários, uma vez que os envolveu em
atividades de ensino, que geralmente fogem das atividades de rotina nas bibliotecas,
proporcionando a eles aprender a utilizar ferramentas de ensino para o repasse de
conhecimentos técnicos inerentes à área de atuação.

862

�De certa forma, esta nova experiência proporcionou um novo olhar sobre o trabalho
cotidiano, permitindo a estes profissionais analisarem

que o compartilhamento de

informações nos coloca em “um lugar privilegiado porque pode cuidar de colocar o faça você

mesmo em confrontação coletiva para a construção do conhecimento” (SILVA, 2010, p.199).
A experiência de construir coletivamente mostrou-se bastante evidente neste projeto, uma vez
que as trocas de informações entre bibliotecários e colegas de trabalho são de fundamental
importância para obtenção de bons resultados.
Para os servidores inscritos como alunos, acredita-se que esta oportunidade veio
agregar conhecimento e principalmente a troca de informações entre os profissionais que
atuam nas bibliotecas, por meio de fóruns de discussão e atividades em grupo propostas pelos
instrutores.
Conforme Belloni (2001, p.39)
um processo de ensino e aprendizagem centrado no aprendente, cujas experiências
são aproveitadas como recurso, e no qual o professor deve assumir-se como
recurso do aprendente, considerado como um ser autônomo, gestor do seu processo
de aprendizagem, capaz de autodirigir e autorregular este processo.
O ambiente virtual de aprendizagem (AVA) Moodle é utilizado na UTFPR como
ferramenta de apoio ao ensino presencial, semipresencial e a distância. O Moodle pode ser
entendido como um sistema de código livre, que tem sido muito utilizado nos últimos tempos
para fins de ensino e gestão no processo ensino/aprendizagem.
Segundo Moran (2011), a educação on-line facilita a realização de cursos pelo
encurtamento das distâncias físicas, pela linha pedagógica mais flexível, com tempos e
espaços predeterminados, e pelos modos de acesso à pesquisa e de desenvolvimento de
atividades mais dinâmicas. Os cursos de e-learning permitem que o servidor possa estudar
com horário mais livre e sem estar fisicamente presente junto ao professor, por isso vêm
sendo mais utilizados pela maioria, como relata Fernandes (2014).
Utilizando a ferramenta Moodle, é possível criar cursos, inserir disciplinas, conteúdos,
imagens, textos, atividades, fóruns entre outros, permitindo ao professor gerenciar suas aulas
e suas atividades e fomentar no aluno a participação e interação para fins de geração de
conhecimento.
De acordo com Sabbatini (2014, p.2)
A filosofia educacional sobre a qual se baseia o Moodle é a do construcionismo,
que afirma que o conhecimento é construído na mente do estudante, ao invés de ser
transmitido sem mudanças a partir de livros, aulas expositivas ou outros recursos
tradicionais de instrução. Deste ponto de vista os cursos desenvolvidos no Moodle
são criados em um ambiente centrado no estudante e não no professor. O professor

863

�ajuda o aluno a construir este conhecimento com base nas suas habilidades e
conhecimentos próprios, ao invés de simplesmente publicar e transmitir este
conhecimento.
Na perspectiva desta filosofia de construção de conhecimento, as capacitações das
equipes das bibliotecas basearam suas ações, ou seja, a troca de informação e conhecimento
entre professor (bibliotecário) e aluno, seja ele bibliotecário ou assistente da biblioteca. Isto
garantiu um diferencial dos demais cursos já realizados na instituição.
A proposta foi a de gerar condições de padronização de ações nas bibliotecas, uma vez
que as equipes atuam dispersas geograficamente, entretanto possuem atribuições similares: a
de servir às atividades de ensino, pesquisa e extensão oferecendo serviço de qualidade aos
seus usuários.
Sabe-se que projetos de capacitação são atividades muitas vezes onerosas para as
instituições, fator que dificulta a constância deste tipo de treinamento, sobretudo nas
instituições públicas, no tocante à liberação de recursos financeiros, bem como, na
disponibilidade de recursos humanos suficientes para as atividades. O deslocamento de um
servidor para outro local para fins de treinamento, em muitos casos, altera mesmo que por um
curto período de tempo a estrutura de funcionamento das bibliotecas.
Para Soares (2012), a educação do colaborador no seu local de trabalho, facilita a
transformação do potencial do empregado em comportamento e atitudes objetivas, fazendo
com que os profissionais estejam aptos para a criação, resolução e tomada de decisões frente
às necessidades das instituições empregadoras.
O fato de a instituição dispor de ambientes virtuais de aprendizagem permite que os
bibliotecários possam assumir novas posturas. Uma delas é a de estar preparado para assumir
este novo papel: aliar as tecnologias existentes às necessidades, mesmo que esta ação
influencie em mudança de cultura e comportamento principalmente dos profissionais
bibliotecários.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a identificação das demandas necessárias para propor os conteúdos dos cursos a
serem oferecidos ao quadro de servidores das bibliotecas da UTFPR foi enviado um e-mail
intitulado 'Coleta de dados sobre as necessidades de capacitação dos servidores das
Bibliotecas da UTFPR', para as chefias de cada biblioteca. Estas, junto com sua equipe,
sugeriram nomes e conteúdos de cursos que consideravam necessários para capacitação e
aperfeiçoamento profissional de suas equipes.

864

�Na sequência, foi estabelecido um prazo para o envio destas sugestões informado
também que o levantamento referia-se às necessidades de cursos de capacitação (curta
duração), 20 horas, a serem oferecidos via Moodle (on line) exclusivos para servidores das
Bibliotecas da UTFPR, sem custo para o servidor e com remuneração para os professores.
Obteve-se por e-mail retorno de todas as bibliotecas contendo sugestões de nomes e
conteúdos que gostariam de ter em cada curso. As sugestões recebidas foram compiladas e
unidas conforme a afinidade de assuntos a serem abordados. Após esta compilação de
assuntos e títulos ou nomes sugeridos, obteve-se um total de oito cursos.
Os temas sugeridos pelas equipes das bibliotecas para serem abordados em cada curso,
foram enviados novamente para cada chefia de biblioteca, para que com base nas informações
recebidas, fizessem uma pré-inscrição junto a sua equipe, para ter-se a noção de quantos
servidores teriam interesse em participar destes, considerando, que para viabilizar custos era
necessária a participação de no mínimo 20 pessoas em cada curso. Ao finalizar esta etapa,
identificou-se que em todos os cursos o número de participantes ficou além do mínimo
necessário.
De posse dos nomes e dos conteúdos sugeridos para os cursos propostos, buscou-se
identificar instrutores aptos para trabalhar com cada assunto dentro da própria equipe. Assim
foram definidos quais bibliotecários atuariam como professores para estas capacitações.
Após a etapa de definição dos cursos, temas e professores, foi elaborado pela
Secretaria de Desenvolvimento de Pessoas (SEDEP) da UTFPR um treinamento básico de uso
do ambiente Moodle para a equipe de professores. Criou-se também um grupo fechado no

Facebook, para troca de informações, dúvidas e experiências entre os professores.
Cada professor ao final do curso de capacitação do Moodle definiu os objetivos e a
ementa de seu curso. Neste curso, os professores (bibliotecários) foram orientados quanto a
necessidade de adequar os conteúdos e avaliações a serem trabalhados à carga horária
proposta (vinte horas).
Os cursos oferecidos nesta primeira etapa do projeto de capacitação foram:
a)

Orientações Básicas Sobre Atendimento em Bibliotecas: Este curso teve por

objetivo apresentar aos servidores lotados nas bibliotecas da UTFPR, estudos e reflexões
acerca das necessidades de informação dos usuários e da importância do seu papel mediador.
Este curso foi oferecido para os atendentes de biblioteca a fim que estes servidores tivessem
acesso aos seguintes conteúdos: As bibliotecas e a necessidade de informação de seus
usuários; A importância da mediação da informação; Qualidade em serviços de informação;
Ética profissional, apresentação e postura profissional.

865

�b) Orientações Sobre Busca no Portal de Periódicos da Capes:

Teve por intuito

capacitar o usuário para buscar e adquirir de modo sistemático, rápido e eficaz a informação
científica (artigos, teses, dissertações, etc). Identificar as bases de dados específicas de área de
atuação, Desenvolver estratégias de busca para recuperação de informações, Recuperar
informações eficientemente. Este curso teve como ementa os seguintes conteúdos: Busca
Integrada: Resumos, artigos e livros disponíveis no acervo do Portal de Periódicos. Buscar
Base: Localizar bases referenciais e de texto completo por área de conhecimento ou interesse.
Buscar Periódicos: Localizar títulos de periódicos em textos completos, por área de
conhecimento ou interesse. Utilização de estratégias de busca: Uso dos operadores Booleanos

(and, or, not), campos pré-determinados, tradução do termo para outras línguas.
c) Repositórios da UTFPR e o Uso do Software DSpace: O objetivo desta capacitação
foi apresentar as ferramentas de acesso aberto à informação disponíveis na UTFPR e capacitar
os participantes na utilização do software DSpace. Foram abordados os seguintes temas:
Contexto do Acesso Aberto à Informação; Estrutura do Portal de Informação em Acesso
Aberto (PIAA); Repositório Institucional da UTFPR (RIUT); Repositório de Outras Coleções
Abertas (ROCA); documentos que os regem e licenciamento da produção e Uso do software
DSpace.
d) Trabalho em Equipe: buscou refletir sobre a importância de "posturas mais
saudáveis" e produtivas no ambiente de trabalho, visando a melhoria da interação entre os
servidores e o desempenho do setor. A ementa deste curso contemplou: Introdução ao
trabalho em equipe; Dificuldades do trabalho em equipe (comunicação, conflitos...);
Relacionamento interpessoal; Feedeback; Motivação.
e) Utilização das Bases de Dados e Metabuscadores da Internet: Buscou possibilitar o
conhecimento sobre o conceito de metabuscador. Capacitar os servidores (Bibliotecários e
atendentes) para a utilização das bases de dados disponíveis no site das bibliotecas da
UTFPR, visando fornecer orientações aos usuários sobre a utilização de tais bases. Neste
curso foram estudados temas como: Metabuscadores; Bases de Dados; Bases disponíveis no
site das Bibliotecas da UTFPR; Busca e utilização dessas Bases de Dados.
f) Funcionalidades do Sistema Pergamum Para Atendentes: Este curso teve por intuito
possibilitar aos atendentes de bibliotecas da UTFPR o conhecimento das funcionalidades do
Sistema Pergamum, versão Delphi, nos módulos: Usuário, Circulação, Diversos (Malote,
Coleta de Dados e Seviços), Consulta Web e Meu Pergamum.
g) Funcionalidades do Sistema Pergamum Para Bibliotecários:

apresentar as

funcionalidades mais utilizadas por bibliotecários no Sistema Pergamum: módulos de

866

�Catalogação, Relatórios, Usuários, Diversos e Circulação de materiais, não necessariamente
na sua totalidade, mas enfatizando os aspectos que são necessários para o bibliotecário nos
seus afazeres diários.
h)

Biblioteca: noções básicas para atendentes. Teve por objetivo apresentar o

funcionamento da biblioteca aos servidores atendentes, fornecendo uma visão geral das
atividades realizadas pelos setores. Abordou os seguintes conteúdos: Biblioteca: história,
objetivos,

funções

e

tipologia;

Estrutura

administrativa;

Aquisição:

processo

de

compra/doação e permuta; Processamento técnico; Circulação de materiais; Referência.
Para fins de levantamento quanto à qualidade dos cursos oferecidos, bem como para
fins de verificação quanto aos conteúdos e/ou necessidade de novos treinamentos, ao final, o
aluno participante recebeu um link para um formulário on-line de avaliação do curso. Coube a
cada professor a orientação para o preenchimento. Este formulário foi postado pelo professor
no ambiente de cada curso para que, ao final (e somente ao final), os participantes pudessem
avaliar a condução do processo.
A realização da avaliação foi obrigatória aos participantes (pelo menos aos
concluintes). Os certificados e a solicitação do pagamento dos professores foram liberados
após verificação da efetivação da avaliação realizada pelo aluno. Os professores receberam os

links dessas avaliações antes do início dos cursos, para que estivessem cientes de quais itens
seriam avaliados durante o curso e pudessem gerenciar a condução do processo.
Esta avaliação do curso, serviu de feedback a cada instrutor, de modo a aperfeiçoar o
curso para futuras edições. A média mínima de avaliação pelos alunos, para que o curso
pudesse continuar a ser ofertado, foi 7,0 (sete).
Foram disponibilizados dois cursos por mês, entre os meses de agosto e dezembro de
2013. Sendo que um dos cursos, 'Funcionalidades do Sistema Pergamum Para Bibliotecários',
foi oferecido apenas para os bibliotecários.

4 RESULTADOS FINAIS
As Bibliotecas da UTFPR, no ano de 2013, tinham em seu quadro de servidores
(ativos, sem nenhum tipo de licença ou afastamento) um total de 100 (cem) pessoas, entre
bibliotecários, servidores concursados e estagiários.
Os sete cursos que foram ofertados para todos os servidores (bibliotecários, assistentes
e estagiários), receberam um total de 272 (duzentos e setenta e dois) inscritos, ou seja, em
média cada servidor se inscreveu em 2,72 cursos.

867

�Gráfico 1 - Dados sobre 07 cursos

■ Total de Inscritos
■ Aprovados
■ Desistentes/Não
iniciaram
■ Reprovados

Fonte: Secetaria de Desenvolvimento de Pessoas da UTFPR, 2014.

Pode-se observar pelo gráfico 1 que, dos 272 (duzentos e setenta e dois) inscritos, 86
(oitenta e seis) desistiram ou não iniciaram os cursos, ou seja, 31,62%.
Dos concluintes, onde estão sendo considerados os 166 (cento e sessenta e seis)
aprovados e 20 (vinte) reprovados, percebe-se que o índice de aprovação foi muito bom
89,25%, em detrimento de apenas 10,75% de reprovados, ou que não obtiveram a nota
mínima de aprovação que era de setenta pontos.
Gráfico 2 - Dados sobre 07 cursos (Total de concluintes
= 186 aprovados + reprovados) (%)

■ Aprovados

■ Reprovados

Fonte: Seretaria de Desenvolvimento de Pessoas da UTFPR, 2014.
Um dos cursos foi ofertado apenas para os bibliotecários, por apresentar conteúdo
específico da formação em biblioteconomia. Este recebeu 27 (vinte e sete) inscritos de um
total de 37 (trinta e sete) profissionais, veja o gráfico abaixo:

868

�Gráfico 3 - Dados sobre o curso Funcionalidades do
Sistema Pergamum Para Bibliotecários

■ Total de Inscritos
■ Concluintes
■ Aprovados
■ Desistentes/Não
iniciaram
■ Reprovados

Fonte: Seretaria de Desenvolvimento de Pessoas da UTFPR, 2014.

Destes 27 (vinte e sete) inscritos, 9 (nove) desistiram ou não iniciaram o curso e 18
(dezoito) concluíram. Ou seja, este curso conseguiu atingir quase 50% dos (37) bibliotecários
da instituição.
Dos 18 (dezoito) concluintes 94,44% foram aprovados e 5,56% reprovados.

Gráfico 4 - Dados sobre o total de concluintes do curso
Funcionalidades do Sistema Pergamum Para
Bibliotecários(%)

■ Aprovados

■ Reprovados

Fonte: Seretaria de Desenvolvimento de Pessoas da UTFPR, 2014.

869

�No formulário on-line de avaliação dos cursos oferecidos neste projeto de capacitação
havia duas questões abertas. A primeira delas buscou identificar 'Pontos passíveis de
melhoria'. Os principais itens, apontados em 80% dos cursos foram (sic):

- tempo de entrega das tarefas deveria ser estendido,
- vídeo aulas para facilitar a absorção e assimilação dos assuntos,
- disponibilizar um curso por vez,
- mais exercícios práticos,
- oferecer os cursos todos os anos uma vez por ano devido a grande rotatividade do
pessoal das bibliotecas,
- vídeos e materiais de apoio poderiam ficar disponíveis para rever algumas aulas e
conteúdos após o término do curso,
- conteúdos muito extensos em alguns cursos, considerando 20 horas.
A segunda questão buscou identificar os 'Pontos de Destaque'. Dentre eles destacam-se
(sic):
- pontos importantes para o atendimento, para o nosso cotidiano foram abordados,

sempre dentro da nossa realidade,
- fez pensar muito sobre o relacionamento interpessoal com os usuários,
- fez refletirmos sobre o funcionamento da biblioteca,
- a comunicação entre os participantes, a interação de todos possibilitando nos
conhecermos melhor, estarmos mais próximos e unidos,
- integração da equipe,
- assuntos bastante pertinentes ao nosso cotidiano,
- contato por e-mail dos professores avisando qualquer problema encontrado durante
o Curso e lembrando do prazo das atividades,
- conhecer inúmeras ferramentas que o software dispõe,
- ponto de destaque interessante fo i perceber que muitos recursos oferecidos pelo
Pergamum eu não utilizo,
- estes cursos deveriam ser ofertados para todos os novos servidores das Bibliotecas
cia UTFPR,
- ofertar muitos destes cursos para os usuários.
Ao final, solicitou-se também aos bibliotecários que atuaram como instrutores nestes
cursos, que incluíssem suas considerações quanto ao projeto, segue alguns dos depoimentos
(sic):

870

�“Fiquei muito contente com a oportunidade de compartilhar alguns conhecimentos
com pessoas que sequer conheço pessoalmente e o mais gratificante é pensar que esse
conjunto de ações pode contribuir com a melhoria da qualidade dos serviços prestados por
nós todos! ”
“Foi gratificante ter participado desse projeto. Estou feliz com o meu aprendizado no
AVA como instrutora/facilitadora. Agradeço a oportunidade[...]. Acredito que para o
próximo ano podemos pensar em ajustes para os cursos a partir da experiência.”
“Adorei a experiência, além de ter aprendido muito como aluno dos demais cursos! a
todos que contribuíram para a realização desse projeto: obrigada pela oportunidade! ”
“Depois da ansiedade e do medo inicial posso dizer que já estou sentindo saudades!
Para mim fo i muito gratificante compartilhar conhecimento com os colegas de outras
bibliotecas, sobretudo por meio do ambiente M oodle”. (PROFESSORES DE CURSOS ON­
LINE, 2014)

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Finalizando este relato, acredita-se que esta iniciativa das bibliotecas da UTFPR, que
partiu da identificação da necessidade de oportunizar maior interação e capacitação dos
servidores que atuam neste setor tenha cumprido com seu objetivo, sobretudo porque a
avaliação dos cursos apresentou como positiva a interação entre os servidores por meio das
atividades como fóruns, mensagens e outros. Além disso, foi salientada a importância de
cursos de capacitação voltados à realidade do dia-a-dia do trabalhador. Como ponto passível
de melhoria, foi mencionado que as atividades avaliativas deveriam ter maior prazo para
serem entregues e que não sejam lançados novamente mais de um curso por vez, fator a ser
observado em futuras capacitações.
Os feedbacks, tanto dos alunos matriculados quanto dos bibliotecários que atuaram
como instrutores, indicam que esta experiência atingiu seus objetivos e que tende a continuar
promovendo momentos de troca de informações entre os recursos humanos das bibliotecas
utilizando ambientes virtuais de aprendizagem. Acredita-se que dentro em breve, as
bibliotecas poderão replicar esta ação oferecendo programas de capacitação voltadas aos
usuários, promovendo capacitação a este público utilizando também o ambiente Moodle.

6 REFERÊNCIAS
BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância.

2. ed. São Paulo: Autores Associados,

2001. 115 p. ISBN 8585701773.

871

�FERNANDES, Patrícia Cunha. O e-learning como ferramenta estratégica para o

treinamento

e o desenvolvimento

de

pessoas

e organizações. Disponível

em:

&lt;http://www.abed.org.br/media/artigo elearning.pdf&gt;. Acesso em: 03 ago. 2014.
JOIA, Luiz Antonio; COSTA, Mário de Figueiredo Cunha da. Fatores-chave de sucesso no

treinamento corporativo a distância via web . Revista de Administração Pública, Rio de
Janeiro,

v.

41,

n.4,

jul./ago.

2007.Disponível

em:

&lt;http://www.scielo.br/pdf/rap/v41n4/a02v41n4.pdf&gt;. Acesso em: 04 ago. 2014.
MOODLE. Disponível em: &lt;http://moodle.org&gt;. Acesso em: 20 de Abr. de 2014.
MORAN, J. M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 14. ed. Campinas: Papirus,
2007. Disponível em: &lt;www.eca.usp.br/prof/moran/textosead.htm&gt;. Acesso em: 18 abr. 2011.
PROFESSORES

DE

CURSOS

ON-LINE.

Disponível

em:

&lt;https://www.facebook.com/groups/249675261883703/&gt;. Acesso em: 10 abr. 2014
SABBATINI, Renato M.E. Ambiente de ensino e aprendizagem via internet: a plataforma
Moodle. Disponível em: &lt; http://www.ead.edumed.org.br/file.php/1/PlataformaMoodle.pdf&gt;.
Acesso em: 10 abr. 2014.
SECRETARIA de Desenvolvimento de Pessoas. SEDEP/UTFPR. Relatório final 2013.
Curitiba: UTFPR, 2014.
SILVA, Marco. Sala de aula interativa : educação, comunicação, mídia clássica, internet,
tecnologias digitais, arte, mercado, sociedade, cidadania.

5. ed. São Paulo: Loyola, 2010.

269 p. ISBN 9788515037087.
SOARES, Vinicius. Gestão de pessoas e qualidade de vida : um novo olhar. 2008.
Disponível em: &lt;http://gestaodepessoas2008.blogspot.com/2008/06/importncia-da-integraodo-funcionrio.html&gt;. Acesso em: 13 maio 2012.

872

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Capacitação de servidores de biblioteca utilizando o ambiente virtual Moodle: relato das experiência vivenciada pelo Sistema de Bibliotecas de uma instituição multicampi.</text>
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                <text>Apresenta um relato de experiência do Sistema de Bibliotecas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná quanto à proposição e execução de um Projeto de Capacitação específico para servidores de bibliotecas em ambiente virtual de aprendizagem (Moodle). Este projeto partiu da identificação da necessidade de oportunizar maior interação entre os servidores que atuam nas treze bibliotecas desta instituição multicampi e também gerenciar conteúdos nesta ferramenta, possibilitando facilitar a capacitação de novos servidores e acesso aos conteúdos quando se fizer necessário. Como um dos principais resultados, destaca-se a interação entre os servidores por meio das atividades propostas, proporcionando discussão e debates sobre os processos vivenciados no cotidiano das bibliotecas. Como ponto de melhoria, identificou-se que para um próximo projeto, seria viável oferecer apenas um curso por vez, de forma a não sobrecarregar o servidor, a fim de que ele tenha condições de refletir sobre os textos propostos e realizar suas atividades avaliativas com maior profundidade e em tempo. Quanto à avaliação por parte dos instrutores, pode-se afirmar que a experiência foi positiva e motivadora para os bibliotecários que aceitaram o desafio de compartilhar seus conhecimentos com outros colegas de profissão e com os demais servidores das bibliotecas.</text>
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                    <text>X V III Sem inário N acional de Bibliotecas U niversitárias
SNBU 2014

REV ISTA DO H O SPITA L DE C LÍN ICA S DE PO R T O A LE G R E &amp; FACULDADE DE
M ED IC IN A DA UNIVERSIDADE FED ER A L DO R IO GRANDE DO SUL: PE R F IL
DA VERSÃO ONLINE
Helen Rose Flores
R om ilda A parecida Teofano

RESUM O
Os artigos publicados na Revista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) &amp;
Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul entre 2007 e 2013
serão analisados. Trata-se de um estudo quantitativo, realizado a partir de informações
colhidas no site do periódico, onde foram selecionados 434 artigos. O software Excel 2007 foi
utilizado para o desenvolvimento da planilha de coleta de dados e para a geração de tabelas
contendo informações consolidadas. Nos artigos prevalece a autoria múltipla (73,50%; sendo
a afiliação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Universidade Federal do Rio Grande do
Sul) e foram identificadas 892 palavras-chave escolhidas pelos autores como representantes
dos assuntos tratados. No estabelecimento das palavras-chave os autores demonstraram não
estar atentos a recomendação constante nas orientações aos autores, motivo pelo qual 86,43%
das palavras-chave foram utilizadas 1 (uma) única vez, o que mostra a falta de padronização,
uso de sinônimos, de masculino e feminino e de singular e plural. Os objetivos do estudo
foram alcançados, e além disto, verificou-se que os dados bibliométricos servirão como
subsídios para decisões administrativas sobre reforço das informações aos autores, embora
esta questão não tenha sido considerada inicialmente. Recomenda-se que este estudo seja
ampliado, para serem identificadas as instituições de afiliação dos autores, a fim de mapear a
situação de colaboração existente, visto que situações de co-autoria ocorrem na maioria dos
artigos examinados, como informamos anteriormente.
Palavras-C have: Bibliometria; Produção científica; Revista científica.

A BSTRACT
The articles published in Revista HCPA between 2007 and 2013 will be analyzed. This is a
quantitative study, based on information collected from the journal website, where 434
articles were selected. Excel 2007 software was used to develop the data collection sheet and
the generation of tables containing summary information. In the articles, multiple authors
prevails (73.50%) and 892 key words chosen by the authors as representatives of the topics
were identified. In establishing the keywords they demonstrated not heed the recommendation
in the guidelines for authors, for which 86.43% of the keywords were used one (1) single
time, which shows the lack of standardization, use of synonyms, of masculine and feminine
and singular and plural . The study objectives were achieved, and furthermore, it was found
that the bibliometrics data will serve as input for management decisions on enhanced
information to the authors, although this issue has not been considered initially. It is

472

�recommended that this study should be performed for the institutions of affiliation of the
authors are identified in order to map the situation existing collaboration, since situations of
co-authorship occur in most articles examined, as reported earlier.

Keywords: Bibliometry; Scientific production; Scientific journal.

1 INTRODUÇÃO
A Revista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) &amp; Faculdade de

Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi publicada de 1981 a 2013
pelo o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e pela Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a partir de 2014 os editores
propuseram mudanças editoriais (título e língua de publicação), pareceu-nos o momento ideal
para traçar um perfil da mesma.

Figura 1 - Capa da revista em papel

Fonte: Revista HCPA, Porto Alegre, Vol. 33, n. 2, 2013.

O presente estudo teve como objetivo caracterizar a revista através dos artigos
publicados online desde 2007 a 2013, identificando quantidade de artigos publicados por
fascículo, situações de autoria individual e autoria coletiva e temas tratados.

473

�Foram estabelecidos como objetivos específicos do estudo analisar os artigos
publicados na revista quanto a: artigos por fascículo; autoria individual ou múltipla; assuntos
tratados - a partir das palavras-chave estabelecidas pelos autores.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Os estudos da literatura produzida por uma instituição, o tipo de publicação, a
área do conhecimento ou o tema, pressupõe o estabelecimento de variáveis ou aspectos a
serem mensurados, a partir da definição do que se quer medir.
Araújo (2006, p.12), sintetizando o texto de Vanti (2002), afirma:

Consistindo da aplicação de técnicas estatísticas e matemáticas para
descrever aspectos da literatura e de outros meios de comunicação (análise
quantitativa da informação), a bibliometria foi inicialmente conhecida como
“bibliografia estatística” (termo cunhado por Humlme1923), sendo o termo
“bibliometria” criado por Orlet em 1934 no seu “Traité de Documentation”.
Contudo o termo apenas se popularizou em 1969, a partir de um artigo de
Pritchard que discutia a polêmica “bibliografia estatística ou bibliometria”.
Estudos bibliométricos traçam um perfil, contudo são sempre imagens parciais,
tendo em vista as limitações estabelecidas pelo pesquisador, tais como: tipo de documentos,
fontes de indexação, área geográfica, período de tempo, etc., sendo também possível
combinações destes enfoques.

O indicador bibliométrico básico mais simples consiste na contagem do número de
publicações de determinados grupos, instituições ou países e sua distribuição. A
simples contagem dos elementos bibliográficos como, autores, organismos, revistas,
artigos, empresas, patentes, temas, datas de publicação, é geralmente considerado
como uma medida de produtividade deste elemento. (SAES, 2005, p. 22)

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de um estudo exploratório, com abordagem quantitativa, sendo objeto de
análise dos artigos publicados na Revista HCPA no período de 2007 a 2013.
Os dados foram coletados a partir do exame dos fascículos, identificação dos artigos e
registro dos dados em planilha do software Excel, sendo uma linha para cada artigo.
A adoção das palavras-chave como identificação dos assuntos tratados deve-se ao fato
de que era nosso interesse saber quais as palavras-chave escolhidas pelos autores, sendo que

474

�esta informação é importante para a busca por assunto no site da revista, além de ser um item
constante nas instruções para os autores.
Na planilha foram incluídas as seguintes colunas: Ano de publicação; Volume;
Fascículo; Assunto (uma coluna para cada palavra-chave atribuída pelo autor, numeradas de 1
a 7); Número de autores do artigo.
A partir da planilha acima citada foram geradas tabelas utilizando-se também o
software Excel. As informações coletadas são apresentadas no Item 4 deste documento, na
forma de tabelas, contendo números e/ou percentuais dos dados obtidos.

4 RESULTADOS FINAIS
Os dados relatados nos itens a seguir foram coletados em março de 2014 na página da
Revista HCPA.

4.1 Artigos por ano e volume
Nos anos de 2007 a 2009 a periodicidade da revista foi quadrimestral, publicando 3
fascículos por ano e a partir de 2010 passou a ser trimestral, a publicando 4 fascículos por
ano, motivo pelo qual o número de artigos/ano aumentou (Tabela 1).

Tabela 1 - Artigos por Ano/Volume

Ano

Volume

Artigos

2007

27

14

2008

28

16

2009

29

16

2010

30

24

2011

31

26

2012

32

21

2013

33

17

Total

7

434

Fonte: Dados da pesquisa.

Excepcionalmente em 2013 a publicação do fascículo 3/4 em dezembro substituiu a
publicação dos fascículos 3 e 4, motivando a queda no número de artigos/ano. Esta alteração
foi um dos itens avaliados para a entrada da revista ao Scielo.

475

�4.2 Autoria individual ou múltipla

Tabela 2 - Autoria individual ou múltipla

Autoria

Número de artigos

%

1 autor

115

26,50

De 2 a 3 autores

119

27,42

De 4 a 5 autores

106

24,42

De 6 a 7 autores

63

14,52

De 8 a 9 autores

21

4,84

10 autores ou mais

10

2,30

Total

343

100,00

Fonte: Dados da pesquisa.

A autoria múltipla concentra o maior número de trabalhos conforme a Tabela 2, Price (1976,
p. 1) a este respeito afirma que:

Na ciência, a imagem do cientista como um ser isolado faz parte do passado.
Na atualidade, o processo de produção do conhecimento científico requer
associações, negociações, alinhamentos, estratégias e competências para
interligar o maior número de elementos que darão viabilidade à construção do
conhecimento.
A quantidade de documentos de autoria múltipla correspondente a 73,50% do total,
corroborando a afirmação acima citada, e reforçando a ideia de que a produção científica na
área da Medicina é na sua maioria resultado de colaboração entre os pesquisadores.

4.3 Assuntos abordados nos documentos
Nas instruções para os autores constantes no site da revista recomenda-se o uso dos
Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) para o estabelecimento das palavras-chave.
A partir do exame dos termos e expressões adotados pelos autores para representar os
assuntos abordados foram identificados 892 palavras-chave, cuja frequência com que
aparecem está expressa na Tabela 3.

476

�Tabela 3 - Ocorrência x Frequência das Palavras-chave

Ocorrência do assunto

Frequência

%

1

771

86,43

2

64

7,17

3

25

2,80

4

13

1,46

5

9

1,01

6

2

0,22

7

2

0,22

8

2

0,22

9

1

0,11

12

1

0,11

14

1

0,11

16

1

0,11

Total

892

100,00

Fonte: Dados da pesquisa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os casos de autoria múltipla prevalecem com 73,50%, o que está de acordo com a
discussão desenvolvida por M aia e Caregnato (2008) em estudo onde destacam a colaboração
entre os cientistas na área da Medicina como uma situação constante, devido à troca de
informações e racionalização no uso dos recursos em geral.
No estabelecimento das palavras-chave os autores demonstraram não estar atentos a
recomendação constante nas orientações aos autores, motivo pelo qual 86,43% das palavraschave foram utilizadas 1 (uma) única vez o que mostra a falta de padronização, uso de
sinônimos, de masculino e feminino e de singular e plural.
Este fato é negativo na medida em que na pagina da revista esta é uma informação
importante para a busca por assunto. Ao testarmos a recuperação dos dados no site da revista
verificamos serem necessárias diversas buscas para recuperar artigos que tratam do mesmo
tema.
Os objetivos deste estudo foram alcançados, na medida em que foi possível realizar o
perfil proposto, contudo para que o mesmo seja completo recomendamos sua ampliação, para
serem identificadas as instituições de afiliação dos autores, a fim de mapear a situação de
colaboração existente.

477

�6 REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Carlos A. A. Bibliometria: evolução histórica e questões atuais. Em questão,
Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 11-32, jan./jun. 2006.
MAIA, Maria de Fátima S.; CAREGNATO, Sônia Elisa. Co-autoria como indicador de redes
de colaboração científica. Perspectiva em ciências da informação, Belo Horizonte, v. 13, n.
2, p. 18-31, maio/ago. 2008.
PRICE, Derek J. de Solla. O Desenvolvimento da ciência : análise histórica, filosófica,
sociológica e econômica. Rio de Jairo: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1076. 73 p.
SAES, Sueli Gonzales. Aplicação de Métodos Bibliométricos e da "Co-word Analysis" na

Avaliação da Literatura Científica Brasileira em Ciências da Saúde de 190 a 2002 . 183 f.
Tese (doutorado) - Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. Programa de
Pós-Graduação em Saúde Pública, São Paulo, 2005.
VANTI, Nadia Aurora Peres. Da bibliometria a webometria: uma exploração conceitual dos
mecanismos utilizados para medir o registro da informação e a difusão do conhecimento.

Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 2, p.152-162, maio/ago. 2002.

478

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Revista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre &amp; Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: perfil da versão online.</text>
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                <text>Flores, Helen Rose, Teofano, Romilda Aparecida </text>
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                <text>Os artigos publicados na Revista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) &amp; Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul entre 2007 e 2013 serão analisados. Trata-se de um estudo quantitativo, realizado a partir de informações colhidas no site do periódico, onde foram selecionados 434 artigos. O software Excel 2007 foi utilizado para o desenvolvimento da planilha de coleta de dados e para a geração de tabelas contendo informações consolidadas. Nos artigos prevalece a autoria múltipla (73,50%, sendo a afiliação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e foram identificadas 892 palavras-chave escolhidas pelos autores como representantes dos assuntos tratados. No estabelecimento das palavras-chave os autores demonstraram não estar atentos a recomendação constante nas orientações aos autores, motivo pelo qual 86,43%  das palavras-chave foram utilizadas 1 (uma) única vez, o que mostra a falta de padronização, uso de sinônimos, de masculino e feminino e de singular e plural. Os objetivos do estudo foram alcançados, e além disto, verificou-se que os dados bibliométricos servirão como subsídios para decisões administrativas sobre reforço das informações aos autores, embora esta questão não tenha sido considerada inicialmente. Recomenda-se que este estudo seja ampliado, para serem identificadas as instituições de afiliação dos autores, a fim de mapear a situação de colaboração existente, visto que situações de co-autoria ocorrem na maioria dos artigos examinados, como informamos anteriormente.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECÁRIAS EM SALA DE AULA: GRANDES PARCERIAS

Ana Rachel Fonseca
Thais Ferreira Vieira

RESUMO
O relato de experiência apresenta a disciplina ministrada por bibliotecárias dentro de um
programa de pós-graduação. Ressalta a importância do trabalho em parceria entre biblioteca
universitária e programas de pós-graduação. Apresenta a metodologia utilizada nos módulos
da disciplina e seus resultados e desdobramentos. Aponta as demandas do bibliotecário frente
às novas tecnologias e novos desafios no contexto educacional.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária;
informacional; Capacitação de usuários.

Perfil

do

bibliotecário;

Competência

ABSTRACT
This experience account presents the course taught by university librarians in a graduate
program. It emphasizes the importance of partnership work between the university library and
graduate programs. It describes the methodology adopted in the course modules and its
outcomes and developments. It indicates the librarian's new challenges before the new
technologies and demands in the educational context.
Keywords: University library; Librarian Profile; Information literacy; User training.

1 INTRODUÇÃO
As funções desempenhadas pelo bibliotecário dentro das Bibliotecas Universitárias
(BUs) têm evoluído de maneira considerável nas últimas décadas. Essas transformações das
atividades biblioteconômicas

ocorrem

à medida que inovações

tecnológicas

são

desenvolvidas no âmbito informacional e educacional. Sendo assim, em paralelo às novas
tecnologias de informação e comunicação (TICs) propõe-se a reengenharia das bibliotecas, de
suas funções e suas ferramentas.
A mudança de postura das BUs já é percebida há tempos e, nesse sentido, Carvalho
(1980) afirma que as Bibliotecas Universitárias devem se integrar ao ambiente universitário

2251

�que as cerca sempre avaliando seus serviços e redefinindo ao longo do tempo seus objetivos e
atividades para que sejam coerentes com os objetivos e atividades da própria instituição.
A Universidade, juntamente com seu corpo docente, tem percebido a importância e a
multiplicidade que este profissional pode (e deve) desempenhar dentro deste contexto e
possibilita ao bibliotecário um papel ímpar no ensino superior: o papel de educador. A
interação e cooperação entre professores e bibliotecários facilita o processo de ensinoaprendizagem proporcionando aos alunos serviços de maior qualidade dentro e fora da
biblioteca.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Uma avaliação de destaque em relação às bibliotecas universitárias foi feita por
Carvalho (1980), que, nos idos de 1980, desenvolveu um estudo que apontava os déficits nas
bibliotecas universitárias brasileiras e procurava fornecer um instrumento de planejamento
visando seu desenvolvimento e sua eficiência. Ainda neste tema, a leitura de Dib; Silva
(2006) contribui para reestruturar o foco de atuação das BUs adotando um modelo de unidade
de negócio em informação (UNInf), no qual a biblioteca passa a assumir uma postura mais
dinâmica e proativa, mas sempre visando o apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão
da Universidade. Reforçando essa ideia, as autoras abordam também a questão das parcerias
entre UNInfs e Universidade no intuito do crescimento da disseminação do conhecimento na
comunidade acadêmica.
A visão sobre as novas tendências do bibliotecário 2.0, assim denominado por Vieira;
Baptista; Cerveró (2013), foi muito engrandecedora no sentido de direcionar a carreira deste
profissional como um facilitador da informação. Desta forma, o bibliotecário oferece aos
usuários os recursos tecnológicos disponíveis, assim como, treinamento e orientação para
maior aproveitamento das novas tecnologias. O tema sobre novo perfil do bibliotecário é
desenvolvido ainda no trabalho de Schweitzer (2008), que define as atuais competências e
habilidades que precisam ser desenvolvidas por este profissional da informação. A autora
enfatiza também o papel do bibliotecário como educador, afirmando que

Os cursos de capacitação de usuários são atividades que vem
sendo desenvolvidas por diversas bibliotecas universitárias. Os
professores têm no bibliotecário um colaborador nas tarefas de
ensino-aprendizagem, principalmente, nas técnicas de pesquisa.
Desta maneira, sala de aula e biblioteca se unem para maior
utilização de recursos informacionais. (PASSOS; SANTOS,
2005, p. 25 apud SCHWEITZER, 2008)

2252

�3 REDE SIRIUS E A BIBLIOTECA BIOMÉDICA A (CB/A)
As bibliotecas da UERJ surgiram junto com a Universidade em 1950 e hoje formam a
Rede Sirius. As bibliotecas que compõem a Rede são organizadas por área de conhecimento e
ficam situadas geograficamente próximo às Unidades de Ensino e Pesquisa. A biblioteca
Biomédica A (CB/A) está situada próximo ao Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes
(IBRAG) e Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e seu acervo é composto por fontes de
informação na área Biomédica. Além de prestar serviços e produtos como as demais
bibliotecas integrantes da Rede Sirius, possui um diferencial, resultado da parceria com o
Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas (PGCM).
O público-alvo da Biblioteca CB/A são os alunos de graduação e pós-graduação das
áreas de Medicina e Ciências Biológicas (Saúde e Biotecnologia), embora atenda fortemente a
comunidade interna das áreas de Enfermagem, Odontologia, Nutrição, Psicologia e Educação
Física.

4 A ORIGEM DA DISCIPLINA BASE DE DADOS E NORMALIZAÇÃO
ACADÊMICA
No início do ano de 2012, durante a Reunião Anual dos Orientadores da PósGraduação em Ciências Médicas (PGCM), as bibliotecárias responsáveis pela coordenação da
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ (BDTD-UERJ) e integrantes do Núcleo
de Processamento Técnico (NPROTEC) da Rede Sirius-UERJ realizaram uma apresentação
sobre a BDTD-UERJ que foi fundamental para a criação da disciplina. A apresentação
destacou a importância da normalização dos trabalhos acadêmicos defendidos na instituição,
assim como todas as etapas e fluxos para disponibilização online das dissertações e teses.
A reboque da repercussão positiva da apresentação mencionada, a Biblioteca CB/A
lançou ao Coordenador desta pós-graduação a ideia de uma palestra para capacitar os alunos
da PGCM na parte de normalização acadêmica. E, em troca veio uma pergunta: e por que não
uma disciplina?
E logo em seguida a disciplina Normalização Acadêmica para Teses e Dissertações já
estava selada junto a Sub-Reitoria de Pós-graduação da UERJ e a Coordenadoria de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), dentro de uma grande disciplina
“guarda-chuva” de nome Tópicos Especiais em Ciências Médicas (TECM) que
posteriormente passou a ser denominada TECM: Bases de Dados e Normalização Acadêmica.

2253

�5 EVOLUÇÃO DA DISCIPLINA
A disciplina começou como um projeto piloto e evoluiu conforme o quadro abaixo.

Quadro 1 - Evolução da disciplina
2° sem. 2012

Descrição

Nome e tema da Tópicos especiais
disciplina
em
Ciências
Médicas:
normalização para
teses e dissertações
da UERJ

1° sem. 2013

2° sem. 2013

1° sem. 2014

Tópicos especiais
em
Ciências
Médicas: Base de
dados
e
normalização
acadêmica

Tópicos especiais
em
Ciências
Médicas: Base de
dados
e
normalização
acadêmica

Tópicos especiais
em
Ciências
Médicas: Base de
dados
e
normalização
acadêmica

FCM01923

FCM01923

Código
da
disciplina na UERJ
03

03

02

02

01

02

02

02

Carga horária

15h

30h

30 h

30 h

Classificação

Eletiva

Eletiva

Eletiva

Eletiva

Local

Biblioteca CB/A e
Sala
de
treinamento UERJ

Biblioteca CB/A e
Laboratório
Médico
de
Pesquisas
Avançadas
LAMPADA
UERJ

Biblioteca CB/A e
Laboratório
Médico
de
Pesquisas
Avançadas
LAMPADA
UERJ

Universidade
Aberta do SUS/
Universidade
Federal
do
Maranhão
UnaSUS/UFMA

Número de vagas

10

10

15

15

Avaliação

Frequência mínima
em 85% das aulas;
Participação
e
Exercícios

Exercícios
práticos;
Frequência
mínima em 75%;
Participação
em
aula

Exercícios
práticos;
Frequência
mínima em 75%;
Participação
em
aula

Exercícios
práticos;
Frequência
mínima em 75%;
Participação
em
aula.

Público

Pós-graduandos do Pós-graduandos da
PGCM a partir do Faculdade
de
2° ano - UERJ
Ciências Médicas UERJ e ouvintes

Pós-graduandos da Pós-graduandos do
Faculdade
de PGCM e ouvintes
Ciências Médicas,
ouvintes e externos

Alunos inscritos

09

15

Bibliotecárias
instrutoras
Número
créditos

de

10

12

2254

�6 METODOLOGIA
O prisma metodológico da disciplina engloba: a) oferecer ao aluno informações sobre
de fontes de informação online; b) apresentar ao aluno ferramentas para que obtenha
conhecimento de técnicas de busca e recuperação de informações nas bases de dados da área
biomédica e acadêmicas; c) explorar os recursos existentes de alguns gerenciadores de
referência; d) mostrar a necessidade de utilização das normas de padronização de trabalhos
acadêmicos segundo o roteiro adotado na Universidade.
A disciplina é oferecida em quatro módulos instrucionais e independentes estruturados
da seguinte maneira:
a) Módulo I - Base de dados
b) Módulo II - Programa de elaboração de referências
c) Módulo III - Normalização de trabalhos acadêmicos
d) Módulo IV - Procedimentos para depósito de teses e dissertações

É importante destacar que os Módulos I e II são cem por cento práticos, nos quais os
alunos são incentivados a realizar pesquisas nas bases de dados de acordo com o tema
estudado por cada um. As aulas são realizadas em laboratórios de informática com um
microcomputador disponível para cada aluno, com acesso à internet.
Por conta do espaço físico, da disponibilidade de máquinas funcionando em perfeito
estado e principalmente para melhor aproveitamento da disciplina, são oferecidas apenas 15
vagas para cada turma. Acredita-se que dessa forma as instrutoras possam atender às duvidas
dos alunos com maior rapidez e excelência.
Em se tratando de uma disciplina da pós-graduação, os alunos devem ser avaliados ao
final do curso mediante entrega de trabalhos propostos. A avaliação é feita por meio de
conceitos para os quais a frequência e a participação em sala de aula também servem como
parâmetros.

6.1 Conteúdos abordados
As ementas passaram por modificações e adaptações ao longo da evolução da
disciplina conforme quadro a seguir.

2255

�Quadro 2 - Ementas
Ementa

Objetivos

2012
Projeto
Piloto

Apresentar aos alunos de pósgraduação (stricto sensu) o processo
de normalização adotado na UERJ e
orientá-los quanto ao uso dos
procedimentos estabelecidos para
depósito de teses e dissertações na
Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações - BDTD/UERJ

2014

Capacitar
pesquisadores
na
utilização
de
técnicas
para
recuperação de informações precisas
e eficazes em bases de dados
acadêmicas e da área biomédica.
Apresentar aos alunos de pósgraduação (stricto sensu) o processo
de
normalização
adotado
na
Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ), e orientá-los quanto
ao
uso
dos
procedimentos
estabelecidos para depósito de teses
e dissertações na Biblioteca Digital
de
Teses
e
Dissertações
BDTD/UERJ.

Tópicos programáticos
Apresentação do histórico e dos recursos de
pesquisa da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD/UERJ); procedimento para
depósito de teses e dissertações (fluxograma);
apresentação das partes que compõem o
trabalho acadêmico (pré-textual, textual e póstextual) com base no Roteiro para apresentação
das teses e dissertações da UERJ; elaboração de
referências: modelo
ABNT
e modelo
Vancouver; elaboração de citações e notas de
rodapé; noções sobre as bases de dados na área
de saúde
Apresentação da proposta da disciplina, do
conteúdo programático, entrevista com os
discentes; pesquisa em bases de dados
acadêmicas e da área biomédica (Portal de
Periódicos CAPES, Google Acadêmico; Scielo;
BVS/Bireme; DECS, PubMed/ MESH, BDTD);
Apresentação do histórico e utilização da
Biblioteca
Digital
de
Teses
e
Dissertações/UERJ; Descrição das partes de um
trabalho acadêmico (pré-textuais, textuais e póstextuais); utilização de máscaras para elaboração
da tese; Tipos de referência bibliográficas
(ABNT; Vancouver) ; Uso das normas NBR
6023, NBR 6028, NBR 10520; Elaboração de
citações e referências; Programa para elaboração
de referências (Endnote Web); Procedimento
para depósito de teses e dissertações;
preenchimento de formulários; Deliberação
006/2009; AE-16/Reitoria/2005.

Fonte: As autoras

6.2 Público-alvo
O Projeto Piloto da disciplina possuía um pré-requisito segundo o qual somente alunos
pós-graduandos (stricto senso), a partir do segundo ano, poderiam se inscrever. Ao fim do
Projeto Piloto chegou-se à conclusão de que o módulo de pesquisa em bases de dados era
essencial para a coleta de material cientifico para elaboração do trabalho acadêmico. Sendo
assim, o pré-requisito foi retirado.
A PGCM é um programa de pós-graduação multidisciplinar, ou seja, além de alunos
com formação profissional nas áreas de saúde e biológica, recebe também alunos de outras
áreas, desde que suas experiências sejam relevantes para a investigação científica em
problemas de saúde humana. Portanto, os alunos inscritos na disciplina têm perfis variados

2256

�como: Biólogos, Dentistas, Médicos, Nutricionistas, Psicólogos, Profissionais de Educação
Física, Estatísticos, Pedagogos, Profissionais de Comunicação Social e Biblioteconomia. Vide
figura a seguir.

Figura 1: Formação/ocupação dos alunos inscritos (2012-2014)
■

A d m i n i s t r a d o r (2 )

■

B ió lo g o (3 )

■

C i r u r g i ã o - d e n t i s t a (2 )

B i b lio t e c á r io ( i )

■

D e s ig n e r e d u c a c i o n a l
(i)

F is io t e r a p e u t a (3 )
■

M é d ic o (2 1 )

■

N u tr ic io n is ta (i)

■

P ed agogo (i)

■

P s ic ó lo g o (6 )

Fonte: As autoras.

6.3 Exeriência com Universidade Aberta do SUS - Universidade Federal do Maranhão
(UNASUS-UFMA)
A UNASUS, Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde, foi criada pelo
Ministério da Saúde para atender às necessidades de capacitação e educação permanente dos
profissionais de saúde que atuam no SUS. Firmou-se um termo de cooperação
interinstitucional entre a UERJ e UNUSUS-UFMA. Como resultado desta cooperação, surgiu
a parceria com a PGCM para qualificar profissionais da UNASUS-UFMA.
A experiência em sala de aula além dos muros da Universidade Estadual do Rio de
Janeiro serviu para ampliar a visão das instrutoras, já que a temática pesquisada estava focada
de um modo geral na Educação em Saúde. Posto isto, o material apresentado na disciplina foi
alterado para suprir as necessidades de pesquisa dos alunos. Além das bases de dados
trabalhadas desde a criação da disciplina, foram apresentadas bases na área de Educação.
A oportunidade de trabalho com alunos de outra Instituição foi extremamente
gratificante e gerou novos contatos e futuras parcerias.

7 RESULTADOS PARCIAIS
No módulo final da disciplina, a cada semestre, é aplicado um questionário para
avaliação da mesma. Os resultados são tabulados e estudados e as sugestões obtidas ajudam a
aprimorar o conteúdo programático e a metodologia da disciplina.

2257

�Após o encerramento de cada disciplina, é realizada uma reunião com os
Coordenadores da PGCM para feedback dos resultados e para discussão de propostas e
inovações.
As expectativas e mudanças para os próximos semestres são:
a) Estender a disciplina a todos os programas de pós-graduação incluindo
os do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes;
b) Oferecer a disciplina para Residentes e curso de atualização para
docentes e profissionais de saúde trabalhando juntamente com o
Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE);
c) Elaborar um curso de extensão para profissionais externos;
d) Tornar a disciplina obrigatória;
e) Inserir novas bases de dados no conteúdo programático;
f) Trabalhar com alunos de graduação.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A biblioteca tem como característica ser um espelho da Universidade, sendo assim, a
eficiência dos serviços prestados pelas BUs qualificam também a própria Universidade. O
olhar crítico das instrutoras juntamente com as avaliações feitas pelos alunos norteiam
objetivos e propósitos para a constante evolução da disciplina. A capacitação contínua das
bibliotecárias em função da demanda e de novidades relacionadas ao contexto informacional e
tecnológico mais que necessária, torna-se obrigatória. Para isso, essa formação continuada
exige prospecção e engajamento por parte das bibliotecárias e da própria instituição.
Não podemos deixar de ressaltar que o êxito da disciplina trouxe maior visibilidade
não só para as profissionais envolvidas neste trabalho, mas também para a Biblioteca CB/A e
para a Rede Sirius de Bibliotecas de maneira geral. A aproximação das bibliotecárias com os
alunos num diferente contexto, fora da biblioteca e dentro de sala de aula, criou outro tipo de
relação interpessoal na qual a máxima do “ask a librarian” voltou a ser necessária e
confiável, mesmo diante de inúmeras opções e facilidades de pesquisa disponíveis na internet.
O que se espera com a disciplina é, além de capacitar os alunos para
executarem pesquisas de forma eficaz e eficiente, formar multiplicadores. Para muitos alunos
a experiência da disciplina foi um salto muito grande nas atividades decorrentes da vida
acadêmica. A otimização do processo de busca de informações reforçou a veia pesquisadora
dos alunos.

2258

�Espera-se que o aluno tenha conseguido alcançar um nível de competência
informacional no qual seja capaz de conduzir seu processo investigativo de maneira ativa e
independente, já que, citando a American Library Association (1989, p.1 apud. Cunha;Orelo,
2013)
para ser competente em informação a pessoa deve ser capaz de reconhecer
quando precisa de informação e possuir habilidade para localizar, avaliar e
usar efetivamente a informação. Para produzir esse tipo de cidadania é
necessário que escolas e faculdades compreendam o conceito de competência
informacional e o integrem em seus programas de ensino e que desempenhem
um papel de liderança preparando indivíduos e instituições para aproveitarem
as oportunidades inerentes à sociedade da informação. Em última análise,
pessoas que têm competência informacional são aquelas que aprenderam a
aprender. Essas pessoas sabem como aprender porque sabem como a
informação está organizada, como encontrar a informação e como usar a
informação, de tal forma que outros possam aprender com elas.

Por ultimo, mas não menos importante, reforçamos a ideia de que é preciso
(re)descobrir as mil possibilidades de intervenção da biblioteca dentro do ambiente
universitário. Parcerias entre Biblioteca e Unidades de Ensino devem ser propostas e
sugeridas, a fim de que deixemos de lado a classificação da biblioteca como um mero
“elemento de apoio”, para ocupar ativamente o posto de elemento essencial e primordial
dentro do processo educativo e do saber técnico-científico.

6 REFERÊNCIAS
ALVES, Maria Bernadete Martins; BEM, Roberta Moraes de. Capacitação de usuários: um
serviço em expansão.

In: AMBONI, Narcisa de Fátima (Org.).

Gestão de Bibliotecas

Universitárias: experiências e projetos da UFSC. Florianópolis, 2013. p.46-58. Disponível
em:
&lt;https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/99534/gestaobibliotecasuniver
sitarias bu ufsc.pdf?sequence=1&gt;. Acesso em: 21 jan. 2014.
CARVALHO, Maria Carmen Romcy de. Estabelecimento de padrões para bibliotecas
universitárias. Brasília: ABDF, 1981.
CUNHA, Miriam Figueiredo Vieira da; ORELO, Eliane Rodrigues Mota. O bibliotecário e a
competência informacional. Informação &amp; Sociedade, v. 23, n.2, p.25-32, maio/ago. 2013.
Disponível em: &lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/12892/9682&gt;. Acesso
em: 17 mar. 2014.
DIB, Simone Faury; SILVA, Neusa Cardim. Unidade de Negócio em Informação (UNInf): o
futuro das bibliotecas universitárias na sociedade do conhecimento. Perspectivas em Ciência

2259

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O relato de experiência apresenta a disciplina ministrada por bibliotecárias dentro de um programa de pós-graduação. Ressalta a importância do trabalho em parceria entre biblioteca universitária e programas de pós-graduação. Apresenta a metodologia utilizada nos módulos da disciplina e seus resultados e desdobramentos. Aponta as demandas do bibliotecário frente às novas tecnologias e novos desafios no contexto educacional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PANORAMA DOS PROGRAMAS DE CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS DAS
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Daniele da Fonseca
Alberto Calil Junior

RESUMO
Traça um panorama quali-quantitativo das ações de capacitação de usuários realizadas pelas
bibliotecas que compõe o Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ - SIBI. A população
analisada foi composta por 24 bibliotecas, o equivalente a 56% do total da rede. A pesquisa
empírica foi realizada através da aplicação de questionários on-line, encaminhados aos
bibliotecários responsáveis por cada uma das bibliotecas. Os resultados demonstraram que são
executadas atividades voltadas para a educação de usuários, porém os programas existentes
não estão padronizados e não possuem as fases de planejamento, execução e avaliação bem
delineadas, conforme exposto na literatura.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Educação de usuários. Programa de educação de
usuários.
ABSTRACT
The current research shows a quantitative and qualitative overview of the users training
activities executed by the libraries that takes part of the Sistema de Bibliotecas e Informação
da UFRJ - SIBI. The study sample consisted of 24 libraries, the equivalent of 56% of the total
network. The empirical research was carried out as an on-line form applied to the librarians
responsible for each library. The results demonstrates that activities are executed in order to
educate the users, although the existing programs are not standardized and do not presents an
outlined planning, implementation and evaluation phases, as stated in the literature.
Keywords: University library. User education. User education program.

1 INTRODUÇÃO
As práticas voltadas para promover a aproximação entre os serviços e recursos
informacionais de uma unidade de informação e seus usuários já se constituem elementos
importantes, tanto da reflexão quanto das atividades dos bibliotecários. Dentre esses, a
educação de usuários, que é entendida em linhas gerais, como o processo que visa promover
nos usuários de bibliotecas, o desenvolvimento de habilidades voltadas para a otimização dos
recursos informacionais, já é parte do cotidiano das bibliotecas universitárias brasileiras.

3411

�Ao longo dos anos, tais ações vêm ganhando importância no quadro geral dos serviços
oferecidos pelas bibliotecas universitárias. Particularmente, porque tais ações estão entre as
que permitem às bibliotecas oferecer aos usuários a oportunidade de desenvolver a
competência em informação. Nesta perspectiva, compreendemos que o cenário das bibliotecas
universitárias, por sua dinâmica e perfil, se apresenta como um espaço adequado para o
desenvolvimento de tais competências, cada vez mais imprescindíveis na sociedade atual.
A motivação pela escolha deste tema surgiu a partir da experiência profissional nos
últimos anos, capacitando o corpo discente na busca por insumos informacionais para o
desenvolvimento de suas pesquisas, bem como de projeto de pesquisa atualmente
desenvolvido no âmbito do Mestrado Profissional em Biblioteconomia da UNIRIO.
O objetivo geral da pesquisa, é traçar um panorama quali-quantitativo das ações de
capacitação de usuários oferecidas pelas bibliotecas que integram o Sistema de Bibliotecas e
Informação da UFRJ - SIBI, para que possamos futuramente traçar um perfil e desenvolver
uma proposta de melhoria para os programas de capacitação já existentes.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O termo educação de usuários é definido por Cunha e Calvacanti (2008, p. 142) como
sendo "os programas que ajudam a alcançar a destreza na utilização do potencial
informacional existente no acervo."
Belluzzo (1989) conceitua os programas de educação de usuários como o conjunto de
ações planejadas e desenvolvidas continuamente de acordo com as características e
necessidades do usuário para que a biblioteca facilite a interiorização de comportamentos
adequados ao uso eficiente de seus recursos informacionais.
A mesma autora afirma que a formação de usuários pode ser trabalhada através de
quatro diferentes tipos de ações: educação de usuários, treinamento de usuários, instruções
aos usuários e orientações aos usuários. Podemos verificar a descrição de cada uma destas
ações o no quadro abaixo:

3412

�Quadro 1 - Ações para a educação de usuários
Educação de usuários

Desenvolvimento das habilidades informacionais de cada
indivíduo, além do conhecimento relativo a conduta no uso da
biblioteca.

Treinamento de usuários

Desenvolvimento de competência para a utilização de determinado
produto informational (Ex: uso de bases de dados e Portal Capes)

Instruções aos usuários

Apresentação dos recursos informacionais da Biblioteca, para que
estes possam ser utilizados da melhor forma pelos usuários.

Orientações aos usuários

Apresentação do modo como a biblioteca funciona. Nesse
momento são oferecidas informações pontuais, como horário de
funcionamento, acesso as redes wifi, etc (Ex. visita guiada)

Fonte: Belluzzo, 1989

Segundo Dias e Pires (2004) os programas de educação de usuários podem ser
divididos em dois grupos: os formais e os informais.
Para as autoras, os programas informais têm como objetivo a divulgação dos serviços
e produtos da Biblioteca. Enquadram-se nesse perfil as visitas guiadas e as palestras. Nesse
momento ocorre o primeiro contato entre usuários e funcionários.
Já os programas formais de educação de usuário são considerados por Dias e Pires
(2004) como um processo contínuo, que tem como principal objetivo a interação entre o
usuário e a biblioteca e a busca pelo uso eficaz das fontes de informação disponibilizadas.
Dentro dos programas formais de educação de usuários, se enquadram as orientações para
normalização de trabalhos acadêmicos.
Lau (2007) afirma que um bom programa de habilidades informacionais para usuários
inclui um amplo leque de opções regulares e complementares para apoiar a aprendizagem, as
quais incluem:
a) oferecer sessões de capacitação, quando solicitadas pelo pessoal docente;
b) preparar e distribuir material impresso para cada atividade;
c) realizar as sessões nas aulas ou em outros cenários que possam estar também
adequados como a biblioteca;
d) identificar os docentes que oferecem oportunidades de habilidades informacionais
à biblioteca;
e) reservar datas para realização das atividades com os usuários.

3413

�As autoras, Dias e Pires (2004), ainda apontam três fases como diretrizes para a
elaboração de um programa de educação de usuários: o planejamento, a execução e a
avaliação.
No momento do planejamento, cada ação deve ser elaborada através de etapas lógicas
como: conhecer o ambiente institucional, os meios disponíveis para a execução das atividades
e o público alvo; definir os objetivos; determinar conteúdo; selecionar os procedimentos
(palestras, exercícios a serem oferecidos) e recursos de ensino (material audiovisual, folhetos,
computadores); elaboração de um plano de ensino (definição de carga horária, seleção do
instrutor, data/ período, etc).
Na fase de execução é realizada a divulgação do programa e providenciado o material
a ser utilizado, como slides, os folhetos ou apostilhas explicativas e aplicação das práticas.
A etapa de avaliação tem como objetivo verificar como o programa muda o
conhecimento e aptidões dos participantes. Também é nesse momento que se deve verificar a
eficácia das atividades determinando se ela deve ou não ser redefinida e aperfeiçoada.
Considerando como missão da biblioteca universitária a promoção do acesso e uso das
fontes de informação, e tendo o objetivo de subsidiar a construção do conhecimento, esta
passa a exercer uma função de mediadora da informação, disponibilizando além de
serviços/produtos à comunidade acadêmica, um arcabouço teórico e informações estratégicas
para o desenvolvimento das pesquisas científicas e tecnológicas, assumindo o papel de um
espaço de práticas de aprendizagem. (NOVELLI, 2012)
Dessa forma podemos considerar a educação de usuário como uma das funções de
destaque da biblioteca universitária, sendo esta considerada como um lugar apropriado para
que esses pesquisadores em formação desenvolvam suas habilidades informacionais.
Segundo Pasquarelli (1993 apud HATSCHBACH, 2002, p. 13):
"A Universidade tem como responsabilidade estimular a curiosidade
intelectual do estudante estimulando a verificação das constantes expansões
no seu campo de estudo. Este ponto é fundamental para evitar que um
egresso da universidade caia em processo de desatualização, devido à
incapacidade de trabalho intelectual sem a presença de um professor e pelo
desconhecimento de como e onde colher informações, analisá-las e utilizálas".

Uma vez que a informação se tornou o principal insumo para a geração de
conhecimento, o uso independente e crítico dos recursos informacionais surge como um
diferencial.

3414

�Para Campello (2009), com a crescente demanda de utilização de fontes de
informação, o usuário tem a oportunidade de praticar suas habilidades informacionais,
tornando-se um pesquisador cada vez mais competente e eficaz, auxiliado por professores e
bibliotecários, que podem contribuir, cada um, em pontos específicos do processo.
Nesse cenário, de emergência das tecnologias da informação e da comunicação e de
conformação da chamada sociedade da informação, surge o termo competência em
informação, que segundo Dudziak (2003, p. 28), pode ser definido com “um processo
contínuo de internalização dos fundamentos de conceito, atitudes e de habilidades necessárias
à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de
modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida".
Ainda de acordo com segundo Dudziak (2001), uma das definições mais disseminadas
para o termo competência em informação é a elaborada pela ALA - American Library
Association (1989, p. 1) segundo a qual:
“Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de
reconhecer quando a informação é necessária e ter a habilidade para
localizar, avaliar e usar efetivamente a informação [...] Pessoas competentes
informacionais são aquelas que aprenderam a aprender”. (AMERICAN
LIBRARY ASSOCIATION, 1989, p. 1)

Nesse contexto, ressalta-se que o processo de capacitação deve tornar os usuários
agentes ativos e independentes, para que vislumbrem em seus conhecimentos adquiridos e
suas competências a possibilidade de contribuir para o desenvolvimento de soluções que
possam ser úteis à sociedade.
Desta forma, a presente pesquisa busca delinear o panorama das atividades de
capacitação de usuários desenvolvidas pelas Bibliotecas da UFRJ, baseando-se nos conceitos
apresentados na literatura estudada.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa empírica foi realizada tendo como universo as bibliotecas que fazem parte
do Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ - SIBI.
O estudo foi estruturado em duas etapas: o embasamento teórico, através da revisão de
literatura e o estudo exploratório junto as 43 bibliotecas do Sistema. 387
387 O Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ possui 46 Unidades de Informação, incluindo 43
Bibliotecas, 1Central de Memória Acadêmica, 1 Seção de Memória e Arquivo do Museu Nacional e 1 Centro de
Memória de Documentação de línguas indígenas. Para efeito dessa pesquisa consideraremos apenas as
Bibliotecas.

3415

�Como instrumento de pesquisa, foi adotado um questionário on-line, com dez
perguntas abertas sobre as atividades desenvolvidas para usuários dentro das Bibliotecas.
O questionário era composto das seguintes questões:
1) Nome da biblioteca;
2) Centro a qual pertence;
3) N° de usuários cadastrados na Biblioteca;
4) A Biblioteca oferece algum tipo de atividade relacionada com a educação de
usuários?
5) Como são oferecidas estas atividades?
6) Qual o conteúdo dessas atividades?
7) Qual a periodicidade das atividades?
8) Que categoria de usuários são beneficiados por estas atividades?
9) Existe algum plano/planejamento pré-estabelecido pela biblioteca para a realização
dessas atividades?
10) É realizado algum tipo de avaliação após a atividade? Como ocorre esta avaliação?
Esse instrumento foi encaminhado aos bibliotecários responsáveis por cada Biblioteca.
Sendo que dos 43 questionários enviados, obteve-se um retorno de 24 respostas, ou seja, 56%
do total de bibliotecas da UFRJ, em um prazo de 20 dias.
A avaliação dos questionários se deu através de uma análise quali-quantitativa das
respostas, visando traçar um panorama das ações que envolvem a educação de usuários dentro
das bibliotecas da UFRJ.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A seguir, apresentaremos o resultado das respostas aos questionários.
Das 24 bibliotecas que responderam a pesquisa, 21 promovem algum tipo de atividade
relacionada a educação de usuários. Esse total equivalente a 88% do universo das respostas,
como podemos observar no gráfico abaixo:

Gráfico 1 - Bibliotecas que realizam atividades

Sim

Fonte: Os Autores (2014)

3416

�Dentre as atividades oferecidas pelas bibliotecas identificou-se sete diferentes tipos
que se enquadram nas ações especificadas na literatura por Belluzzo (1989). São elas:

Quadro 2 - Atividades oferecidas
Atividade

Descriçã o das atividades

Treinamento

Apresentação do Portal Capes, bases de dados, bases de
livros eletrônicos assinadas pela Universidade e
orientações sobre serviços, produtos oferecidos e uso da
biblioteca

20

Visita Guiada

Visita as instalações físicas, apresentação das políticas
de uso e setores da biblioteca e informações sobre o
acervo e localização espacial dos documentos.

5

Aula ministrada Construção de pesquisa bibliográfica, apresentação do
dentro
de uso de operadores booleanos; apresentação do Portal
disciplina
Capes e principais bases de dados; acompanhamento na
elaboração dos protocolos de busca para publicação e
revisões sistemáticas.

1

Curso

Apresentação das principais fontes de informação;
tipologias de bases de dados; gerenciadores de
referências, discussão sobre o uso e acesso as fontes
informacionais eletrônicas.

1

Tutorial
internet

na Guia para normalização de trabalhos acadêmicos;
material didático sobre bases de dados

2

Oficina

Consolidação das informações fornecidas pelo guia de
normalização de trabalhos acadêmicos, buscas no Portal
Capes

1

Atividades
cultural

Não especificada

1

Quantitativo

Fonte: Os Autores (2014)

Ressalta-se que as referidas atividades, para o caso das bibliotecas pesquisadas, não
são excludentes, ou seja, ocorreram casos em que uma biblioteca adota mais de uma
modalidade no que se refere as atividades oferecidas para os usuários.
Já em relação ao conteúdo ministrado durante as atividades de capacitação foi
possível, a partir das respostas apresentadas, identificar seis categorias, conforme podemos
visualizar no quadro abaixo.

3417

�Quadro 3 - Conteúdo oferecido
Conteú do

Quantitativo

Acesso ao Portal Capes

11

Acesso a bases de dados ligadas as áreas afins

14

Apresentação de serviços e produtos oferecidos pelas Bibliotecas

13

Utilização de operadores boleanos

2

Apresentação das instalações da biblioteca e utilização do acervo

4

Normas para trabalhos acadêmicos

2

Fonte: Os Autores (2014)

A respeito da periodicidade das atividades oferecidas: nove bibliotecas indicam
práticas semestrais; oito realizam conforme a demanda de usuários e professores; duas
afirmam que as ações ocorrem tanto semestralmente, quanto sob demanda e outras duas
bibliotecas oferecem as atividades apenas anualmente.

Em relação ao público alvo das ações de capacitção, apenas uma biblioteca declarou
que oferece as atividades unicamente para os alunos de graduação; três afirmam que somente
os alunos de pós graduação são o seu público alvo e 16 direcionam as ações tanto para
discentes de graduação, como os de pós-graduação. Uma biblioteca ressalta que também é
oferecido um curso de capacitação em fontes de informação científica para a comunidade
acadêmica em geral, a fim de prepará-los para os processos seletivos de mestrado e
doutorado.

3418

�Figura 2 -Público Alvo

Fonte: Os Autores (2014)

Três bibliotecas mencionaram, mesmo não sendo uma questão levantada durante a
pesquisa, que disponibilizam material didático com conteúdo informativo, como por exemplo:
folders, guias de uso e tutoriais em blogs.
Em relação ao planejamento das ações de capacitação de usuários, apenas três
bibliotecas afirmaram que não realizam nenhum tipo de planejamento. As demais possuem
calendários pré-estabelecidos com as atividades a serem desenvolvidas durante o
ano/semestre; além de um roteiro a ser seguido durante as apresentações.
Quanto a avaliação realizada após as atividades com usuários, apenas cinco bibliotecas
aplicam algum tipo de verificação a respeito da qualidade das capacitações realizadas.

Gráfico 2 - Bibliotecas que realizam avaliações após as atividades

Fonte: Os Autores (2014)

Em relação ao número de usuários cadastrados nas Bbliotecas, três informaram que
possuem menos de 100 inscritos. Treze bibliotecas possuem mais de 100 usuários cadastrados
e sete possuem mais de 1000. Uma biblioteca pesquisada não forneceu esta informação.

3419

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Com base nas repostas obtidas através da pesquisa, ressaltamos alguns pontos que
merecem ser destacados
Constatou-se que os treinamentos para o Portal Capes e bases de dados, seguidas pelas
visitas guiadas e apresentação de serviços e produtos oferecidos, são as ações mais praticadas
pelas Bibliotecas.
Verificou-se que na maioria dos casos esses treinamentos ocorrem semestralmente ou
sempre que solicitados por professores ou alunos, em qualquer época do ano.
Percebeu-se ainda que as bibliotecas que afirmaram não realizar nenhum tipo de
atividade (três) são unidades pequenas, com menos de 100 usuários inscritos. Uma das
hipóteses é que essa demanda seja suprida pelas bibliotecas de maior porte dos respectivos
centros acadêmicos ou através dos treinamentos oferecidos diretamente pelo SIBI.
Os treinamentos organizados pelo SIBI tem o objetivo de suprir a demanda
informacional da comunidade acadêmica da UFRJ como um todo. O conteúdo dessas
capacitações é composto pelas informações gerais sobre o SIBI, utilização do Portal Capes e
de bases de dados específicas assinadas pela Instituição. São ministrados por bibliotecários
multiplicadores, representantes de bibliotecas da UFRJ de diferentes áreas, capacitados em
diversas bases de dados. Em geral, estes bibliotecários são os responsáveis pelas ações de
educação de usuários dentro de suas respectivas bibliotecas. Essas atividades ocorrem ao
menos duas vezes a cada semestre, nos dois maiores Campus da Universidade: Praia
Vermelha e Fundão.
De modo geral, constatamos que as bibliotecas da UFRJ trabalham a educação de
usuários baseando-se nas ações indicadas por Belluzzo na literatura apresentada, como: os
treinamentos e cursos onde são desenvolvidas competências para o uso do Portal Capes e de
outras bases de dados assinadas pela Instituição; orientações sobre serviços e produtos
oferecidos e sobre uso da biblioteca; visitas guiadas, onde são apresentadas as instalações
físicas das bibliotecas, políticas e informações de uso sobre o acervo e os recursos
informacionais oferecidos; tutoriais e oficinas com orientações para elaboração de trabalhos
acadêmicos e uso de operadores booleanos.
No entanto, percebemos que, apesar de oferecerem atividades que se enquadram tanto
em programas de educação aos usuários formais como informais, as bibliotecas não possuem
a fase de avaliação bem delineada, conforme exposto na literatura por Dias e Paes. Podemos
averiguar que, conforme apresentado no universo estudado, somente cinco bibliotecas

3420

�realizam algum tipo de verificação a respeito da qualidade e resultados obtido através das
ações de educação para usuários.
Dessa forma, devido a ausência de uma avaliação regular das práticas de capacitações,
não é possível mensurar de forma concreta se os objetivos estão sendo alcançados e
efetivamente quais os resultados obtidos.
As etapas correspondentes as fases de planejamento são observadas através da
preparação de um calendário prévio para a execução das atividades e da elaboração de um
roteiro com o conteúdo para as apresentações. Já a fase de execução pode ser evidenciada pela
aplicação das capacitações de usuários em si e distribuição de materiais de apoio.
Diante do exposto, fica claro que as práticas de educação de usuários são consideradas
relevantes dentro do Sistema de Bibliotecas da UFRJ, por serem uma das principais
contribuições das Bibliotecas à produção do conhecimento e circulação da informação no
mundo acadêmico. Porém consideramos importante uma padronização básica da fase de
avaliação dos programas, visando melhorar cada vez mais os serviços oferecidos a fim de
atender da melhor maneira possível os usuários.
As informações apresentadas neste artigo representam apenas um levantamento de
dados inicial sobre o panorama das atividades de educação de usuários desenvolvidas pelas
bibliotecas da UFRJ, podendo servir de referência para o desenvolvimento de propostas de
melhorias das políticas para a educação de usuários dentro da Universidade.

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3422

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Panorama dos programas de capacitação de usuários das Bibliotecas da Universidade Federal do Rio de Janeiro</text>
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                <text>Traça um panorama quali-quantitativo das ações de capacitação de usuários realizadas pelas bibliotecas que compõe o Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ – SIBI. A população analisada foi composta por 24 bibliotecas, o equivalente a 56% do total da rede. A pesquisa empírica foi realizada através da aplicação de questionários on-line, encaminhados aos bibliotecários responsáveis por cada uma das bibliotecas. Os resultados demonstraram que são executadas atividades voltadas para a educação de usuários, porém os programas existentes não estão padronizados e não possuem as fases de planejamento, execução e avaliação bem delineadas, conforme exposto na literatura.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇO DE DESCOBERTA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A IMPLANTAÇÃO NA
REDE DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
- UERJ
Fernanda Maria Lobo da Fonseca
Leila Cristina Rodrigues de Andrade

RESUMO
Descreve o processo técnico de implantação do serviço de descoberta, denominado Descubra,
na Rede Sirius - Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ,
utilizando a solução EBSCO Discovery Service (EDS). Ressalta a importância do serviço de
pesquisa integrada para a comunidade acadêmica. Apresenta resultados parciais desse
processo, ilustrando-os com as telas customizadas, e as estratégias empregadas para a
sensibilização dos colaboradores como agentes incentivadores do uso da ferramenta como
principal fonte de acesso aos recursos informacionais disponíveis. Tece recomendações para a
administração e manutenção do serviço, visando a sua consolidação e credibilidade.
Palavras-Chave: Serviço de descoberta na web. Pesquisa integrada. Recursos eletrônicos.
Biblioteca universitária.

ABSTRACT
This paper describes the management of the technical process in the implementation of the
web scale discovery service, called “Descubra”, at Rede Sirius - Rede de Bibliotecas da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ using EBSCO Discovery Service (EDS)
solution. It emphasizes the importance of integrated research service for the academic
community. Presents partial results illustrated by customized screens and awareness strategies
to sensitize employees who are encouraging the use of the tool as the main access source of
information to the available resources. Makes recommendations for the administration and
maintenance of the service targeting its consolidation and credibility.
Keywords: Web scale discovery service. Integrated research. Electronic resources. Academic
library.

1 Introdução
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) oferece cursos de graduação
(33); pós-graduação (77); especialização (127) e extensão (186). A comunidade acadêmica
abrange 33.844 discentes, docentes e servidores (UNIVERSIDADE, 2013).

4586

�A Rede Sirius - Rede de Bibliotecas UERJ, subordinada diretamente a Reitoria, é
composta pela Direção, 4 Núcleos: Processos Técnicos (NProtec); Informática (Informat);
Memória, Informação e Documentação (MID), Planejamento e Administração (PLANAD), e
23 bibliotecas setoriais distribuídas em 10 campi localizados em 7 municípios do Estado do
Rio de Janeiro (Duque de Caxias, Ilha Grande, Nova Friburgo, Resende, Rio de Janeiro, São
Gonçalo, Teresópolis). Encontram-se alocados em seu quadro funcional 194 servidores
técnicos administrativos.
A Rede Sirius, em parceria com as Unidades acadêmicas da UERJ, tem submetido
sistematicamente projetos para captação de recursos junto às agências de fomento. A partir
desse reforço orçamentário, aumentou, no último quadriênio, o volume de aquisição de
material bibliográfico através da Direção da Rede e das bibliotecas setoriais.
O investimento prioritário em recursos eletrônicos se constituiu em uma estratégia
para otimizar a gestão orçamentária, desenvolver, atualizar e renovar o acervo das bibliotecas.
Essa iniciativa está em consonância com o movimento da universidade para reunir e
disponibilizar a produção acadêmica, apoiando iniciativas de acesso aberto, como a Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações da UERJ (BDTD/UERJ) &lt;http://www.bdtd.uerj.br/&gt; e o
Portal de Publicações Eletrônicas &lt;http://www.e-publicacoes.uerj.br/&gt; que utiliza o software
Open Journal System/'Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas (OJS/SEER).
Em paralelo, observou-se uma demanda crescente da comunidade acadêmica, por
assinatura de bases

de dados,

aquisição de livros

eletrônicos

(atualmente

são

aproximadamente 20 mil títulos), além da intensificação do acesso ao Portal CAPES e de
pesquisas em bibliotecas virtuais de acesso público em particular, pelos discentes.
Inicialmente, ações e estratégias para o uso das fontes eletrônicas foram
disponibilizadas de forma dispersa, na medida em que os conteúdos eram adquiridos, uma vez
que não se dispunha de dotação orçamentária para uma solução de gerenciamento desses
recursos.
Na estrutura organizacional da Rede Sirius, o NProtec coordena as políticas para
organização do conhecimento e recuperação da informação, estabelece normas e padrões para
o processamento técnico e participa, com o Núcleo Informat, do gerenciamento do sistema de
automação das bibliotecas.
Nesse cenário, coube ao NProtec iniciar, em 2012, um estudo preliminar para atender
às demandas emergenciais de tratamento da informação dos recursos eletrônicos. Em
decorrência, foram elaboradas as diretrizes de parametrização do sistema de automação de

4587

�bibliotecas em uso na UERJ, VTLS Virtua, para a validação dos registros Machine Readable
Cataloging (MARC) desses recursos.
Para o processamento técnico dos 93 primeiros livros eletrônicos, em língua inglesa,
adquiridos das editoras Wiley-Blackwell e Cambridge University Press criou-se um
procedimento para a catalogação de e-books anexado ao “Manual MARC da Rede Sirius para
catalogação de monografias e manuscritos”. Os metadados desses títulos foram analisados e
revisados um a um, enriquecendo assim os respectivos registros com: a tradução de
cabeçalhos de assunto; atribuição de números de chamada; revisão das autoridades (pessoa e
assunto) e da pontuação prescrita; inclusão de textos no campo 856 (Electronic Location and
Access) com as URLs para a capa, sumário, texto completo e termo de uso da editora e
inclusão de notas sobre acesso. Procedeu-se também à catalogação de registros de autoridades
e à criação de índice, no Sistema Virtua, para a recuperação de e-books.
Em 2013, o NProtec realizava treinamentos na catalogação de registros de autoridades
(nome e assunto) visando a conferir maior consistência à base Virtua, quando aconteceu a
aquisição de aproximadamente 12 mil títulos da editora Springer. Tornou-se então necessário
sistematizar uma metodologia de inserção e customização, em blocos, dos registros MARC
disponibilizados pela editora, no catálogo online.
Simultaneamente a esse processamento técnico,
Documentação (MID), reformulou o site da Rede Sirius

o Núcleo de Memória e
. O intuito era reunir todas as

informações sobre as coleções eletrônicas recém-adquiridas, por meio de etiquetas de atalho
que direcionassem os usuários ao Catálogo On-Line, aos Livros Eletrônicos, às Bases e
Periódicos e à BDTD. Ainda assim, a recuperação da informação exigia percorrer um
caminho longo, ou seja, pesquisar em cada um desses links e nos sites dos editores dos livros
eletrônicos adquiridos após o segundo semestre de 2013, não integrados no catálogo online.
O NProtec, observando e vivenciando essas dificuldades e outras referentes ao
tratamento técnico em larga escala de metadados dos livros eletrônicos, definiu como
prioridade adquirir uma ferramenta de pesquisa integrada. Com isso se otimizaria a
recuperação, o uso dos recursos informacionais disponíveis pela comunidade acadêmica e
dispensaria a tarefa de inclusão dos metadados no catálogo online.
A partir desse diagnóstico, o Núcleo solicitou à Direção da Rede Sirius essa aquisição.
O software selecionado foi o EBSCO Discovery Service (EDS). O processo de aquisição da
assinatura iniciou-se em outubro de 2013 e concretizou-se em fevereiro de 2014.

I 522 O site da Rede Sirius está disponível em: http://www.redesirius.uerj.br/.

4588

�Este trabalho apresenta o processo de implantação do serviço de descoberta na Rede
Sirius - Rede de Bibliotecas UERJ, com foco na configuração técnica da ferramenta.

2 Revisão de Literatura
Com a explosão informacional propiciada pela web as bibliotecas foram obrigadas a
repensar seus processos, instrumentos e métodos de trabalho. Neste novo cenário, surgem
novas demandas e perfis de usuários que instigam e motivam os bibliotecários a oferecem
serviços e produtos que contemplem às expectativas de acesso à informação de uma forma
simples, rápida, amigável, interativa e relevante.
Para Bento (2012) uma das soluções para atender essas expectativas seria a adoção de
um novo catálogo bibliográfico, denominado Catálogo 2.0. Este novo conceito redefine o
catálogo tradicional estendendo a sua abrangência a todos os recursos que os usuários têm à
sua disposição, sejam eles locais ou acessíveis remotamente, com manifestações impressas ou
em formato digital, adquiridos ou em livre acesso. A evolução do Catálogo 2.0 leva este
conceito ainda mais longe ao permitir contribuições dos usuários para o enriquecimento de
dados dos recursos. Ao estabelecerem esta ligação, quer os recursos, quer os usuários,
alargam a sua rede social em novas ramificações de (potenciais novos) recursos, usuários e
comunidades. Este modelo de Catálogo 2.0 é um sistema de descoberta de conteúdos.
Os serviços de descoberta em escala web para bibliotecas são, segundo Vaughan
(2011), serviços capazes de realizarem pesquisas de forma amigável e rápida a um vasto
conteúdo, local ou remotamente pré-indexado e pré-coletado, provendo resultados
classificados por relevância através de uma interface intuitiva. O autor considera que “[...] a
descoberta em escala web é, ou certamente possui o potencial para ser, a evolução que as
bibliotecas procuram há algum tempo para a descoberta de informação” (Tradução nossa, p.
5).
Para Maranhão (2011; 2012) os serviços de descoberta oferecem uma interface única
de pesquisa a diferentes conteúdos apresentando o resultado reunido, classificado e
ranqueado, de acordo com critérios pré-estabelecidos de relevância. Enquanto Sá (2013)
descreve as soluções de descoberta como softwares de busca e recuperação com “interfaces
inteligentes para os usuários, de forma a propiciar processos interativos e autônomos de
assistência aos diversos perfis de usuários para a apresentação e visualização da informação”.
Quanto à importância da utilização dessa nova tecnologia nas bibliotecas, Breeding
destaca que:

4589

�o serviço de descoberta pode desenvolver um papel vital na infraestrutura
estratégica da biblioteca. No entanto, deve-se levar em consideração que não
se trata de um produto de tamanho único que atenda aos diversos tipos e
tamanhos de bibliotecas, pois as necessidades de uma biblioteca pública e de
uma biblioteca universitária se diferem completamente (BREEDING, 2014a,
p. 25, tradução nossa).
A comercialização desses serviços se intensificou a partir de 2010 e os principais
produtos disponíveis no mercado são os das empresas OCLC (WorldCat Local), Serials
Solutions (Summon), Ebsco (Ebsco Discovery Service), Ex Libris (Primo) e Innovative
(Encore). Trata-se, portanto, de um novo serviço para o segmento de bibliotecas.
Com o intuito de favorecer a seleção de um serviço de descoberta, Peled (2012a)
elaborou critérios de avaliação de sistemas de descoberta estabelecendo as seguintes
funcionalidades mínimas e obrigatórias:
a) experiência de usuário: escopo, características, interface e resultados de busca;
navegação por facetas; recursos de personalização e de computação social
(Web 2.0); área “meu espaço”; alertas; entrega; acessibilidade e usabilidade e
busca federada;
b) fontes de dados: obtenção, normalização e enriquecimento de dados;
c) suportar padrões, normas e protocolos da ciência da informação e propiciar
interoperabilidade;
d) saas (Software as a Service) - serviços de assinatura.
A implantação de um serviço de descoberta, segundo Richardson (2013) requer a
participação de diversos setores da biblioteca tais como: aquisição e desenvolvimento de
coleções, processamento técnico, tecnologia da informação (TI) e também o serviço de
referência.
O serviço de descoberta é, segundo Peled (2012) a melhor ferramenta para encontrar,
localizar e entregar material informacional aos usuários. Enfatiza também que devemos nos
certificar de que os itens não estejam sendo apenas descobertos, mas principalmente usados e
que as bibliotecas precisam adequar seus serviços para atenderem às expectativas dos usuários
em desfrutar de uma interface de pesquisa amigável, fácil e única onde possam encontrar
todas as coleções da biblioteca.
Embora essa tecnologia esteja há pouco tempo no mercado, “esta inovação é e
continuará a ser uma solução incrivelmente impactante para os serviços e produtos das
bibliotecas” (RICHARDSON, 2013, tradução nossa). Na literatura encontram-se informações

4590

�sobre a rapidez de atualização e aprimoramento desses serviços, mas ainda assim ele é
considerado um produto estável e maduro por Breeding (2014b).

3 Materiais e Métodos
O processo de implantação do serviço de descoberta na Rede de Bibliotecas da UERJ
iniciou-se em março de 2014. Utilizou-se como referencial a metodologia de trabalho
sugerida pela EBSCO, e o protótipo da ferramenta, acessível via internet, com o conteúdo de
bases de dados de acesso aberto, disponibilizado, em 2012, à Rede Sirius, para testes e
avaliação.
As análises dos cenários, externo e interno, favoreceram identificar como um dos
desafios adequar a complexidade da tarefa ao tempo disponível, de março a maio de 2014,
reduzido ainda mais por feriados nacionais e municipais, em dias úteis, e pontos facultativos.
Isto porque, a vigência da assinatura já estava em andamento, não se contava com uma equipe
dedicada tempo integral ao projeto. O lançamento, para o público interno, teria que ocorrer
antes do recesso acadêmico, em junho, em função da Copa do Mundo 2014. Pretendia-se
prevenir contratempos relacionados à alteração do funcionamento da UERJ, dada a
proximidade entre o campus Maracanã, e o estádio de futebol, sede de vários jogos.
Pelos motivos expostos, decidiu-se dividir o projeto de implantação em duas fases: a
primeira dedicada à configuração inicial da ferramenta e pré-lançamento com a liberação do
serviço para testes pela comunidade interna da Rede Sirius, no início de maio de 2014. A
segunda fase iniciaria, após o recesso da Copa, com o aprimoramento da configuração da
ferramenta contemplando os feedbacks dos colaboradores da Rede Sirius e o lançamento para
a comunidade acadêmica.
Com base na documentação de gerenciamento do projeto disponibilizado pela
empresa, os Núcleos NProtec e Informat elaboraram um plano de trabalho para atender às
demandas de informação do fornecedor e necessárias para a configuração inicial do serviço.
Em paralelo, o NProtec iniciou seu próprio plano de ação. Após a análise da
documentação e do protótipo, verificou-se que a complexidade e volume das tarefas
envolvidas na configuração do EDS exigiriam quatro frentes de trabalho: infraestrutura de
tecnologia da informação, customização técnica, layout e divulgação. Uma proposta de
trabalho foi apresentada à Direção da Rede com o intuito de acertar a participação do Núcleo
MID e PLANAD. O primeiro, nas questões relativas à customização do layout, criação de
logotipo, personalização da marca, divulgação da ferramenta e o segundo, nos contatos com

4591

�os fornecedores dos recursos eletrônicos existentes, para a obtenção das informações técnicas
necessárias à integração desses ao EDS.
Um grupo de trabalho interdisciplinar foi articulado para a configuração e divulgação
do produto composto por: 2 bibliotecários (NProtec), 1 analista de sistemas (Informat) e 3
agentes administrativos (MID), com formação em comunicação, design e tecnologia da
informação, em regime de dedicação parcial ao projeto.
Na primeira reunião do referido grupo, o NProtec apresentou a ferramenta e seu
protótipo; distribuiu as atividades e a documentação de acordo com as competências dos
Núcleos envolvidos e a área de atuação de cada participante; estabeleceu o cronograma de
implantação, incluindo as datas de lançamento do produto para os públicos interno e externo e
explicou o funcionamento do sistema administrativo de configuração (EBSCOAdmin). Coube
ao Informat providenciar as contas de acesso para administradores e ao MID expor duas
propostas de logotipo para avaliação. Definiu-se que as reuniões para acompanhamento do
projeto seriam presenciais, semanais, e que o trabalho seria realizado de forma colaborativa, à
distância.
Para registro, as principais etapas desenvolvidas pelo grupo, por vezes de forma
concomitante:
a) coleta, sistematização e análise de dados e da documentação - para
personalização do EDS, em resposta aos questionários técnicos da EBSCO,
contemplando: análise dos metadados do catálogo online com a seleção de
campos MARC 21 a serem exportados; escolhas das bases de dados parceiras,
inclusas na assinatura, e das bases de acesso aberto; questões sobre a
interoperabilidade do serviço de descoberta com o catálogo online e os
repositórios institucionais - BDTD/UERJ e Portal de Publicações Eletrônicas
(OJS/SEER);
b) análise da estrutura do protótipo;
c) elaboração da matriz de responsabilidade - identificando as competências e
responsabilidades para realização das tarefas;
d) desenvolvimento de instrumentos de controle interno e acompanhamento das
atividades, tais como as entregas de informações do Núcleo à EBSCO e as
pendências das solicitações feitas aos outros Núcleos, e ao fornecedor (Figura
1). Elaboração do cronograma de implantação;

4592

�Figura 1 - Controle interno das atividades de confiuração EDS
&lt;5 :

Serviço de Descoberta - Projeto de Implantação na Rede Sirius

UERJ Ô

a- f

^ÍSTADO ^
DATA

A T I V ID A D E

R E S P O N S A B IL I D A D E

P A R T IC IP A N T E S

Sirius
STA TU S

In ic io d o p ro je to c / e n v io de
d o c u m e n ta ç ã o

10/0 3

E B S C O / R e d e S ir iu s

E q u ip e 1 . E q u ip e 2,
E q u ip e 3 e E q u ip e 4

ok

R e u n iã o k /c k -o ff

11/0 3

D ire ção /I nform at/N P rate e

E q u ip e i E q u ip e 2 e
E q u ip e 3

A g e n d a r te le c o n fe rê n c ia o k

A g e n d a m e n to d e t e le c o n fe rê n c ia c /
EBSCO

12/0 3

D ire ç ã o

E q u ip e 1

A g u a rd a n d o d a ta E B S C O - o k
R o s â n g e la . A g e n d a d o p a ra 20/0 3

11 e 1 2/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

C r ia ç ã o d e p a s ta no S e r v id o r co m d o c u m e n to s ok

Le itu ra e a n á lis e d a d o c u m e n ta ç ã o

12/0 3

N P rate e

E q u ip e 2

ok

R e u n iã o p a r a d iv is ã o d e ta r e fa s

13/03

N P ro t e c / In form ât

E q u ip e 2 e E q u ip e 3

A n á lis e d o “Q u e stio n á rio de
P e r s o n a liz a ç ã o d o C a tá lo g o "

14/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

D e fin iç ã o d a 'T a b e la d e R e fe rê n c ia s"

14/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

P e s q u is a n o s ite d a U n ive rs ity o f G e o rg ia
L ib ra rie s

17/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

R e u n iã o so b re b a s e s d e d a d o s
c o m e r c ia is

17/0 3

N P ro te c / D ire ç ã o / P L A N A D

E q u ip e 2. E q u ip e 1 e
E q u ip e 5

R e s p o s t a a o “Q u e stio n á rio d e B a s e d e
D a d o s p a r c e ir a s"

17/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

C o le ta d e in fo rm a çõ e s/fò rm u lá rio s n o
site

Id e n tific a ç ã o d a s p e rg u n ta s a se re m
r e sp o n d id a s p e lo N P ro t e c e Inform ât
“Q u e stio n á rio d e B a s e d e D a d o s p a rc e ira s" - o k
V e rific a r item 8 d o q u e s tio n á rio - ok
C o n firm a r M A R C n ã o e x p o rtá v e is - ok
P r e e n c h e r t a b e la c o m e n d e r e ç o s - ok

ok

R o s â n g e la a v a lia r á a s b a s e s a s e re m in c lu íd a s
A g u a rd a n d o retorno - o k
C o n tin u a r a re sp o n d e r o s q u e s tio n á r io s - ok

Fonte: Os autores, 2014.

e) benchmark nas Instituições de Ensino Superior (IES) que utilizam o serviço no
Brasil e no exterior, com relação à interface gráfica e à terminologia
empregada, em língua portuguesa, para descrever a ferramenta. Escolha da
nomenclatura: pesquisa integrada;

f) padronização das descrições de identificação e localizações das bibliotecas em
todos os campi UERJ, simplificando e favorecendo a localização espacial do
acervo pelos usuários do sistema;
g) reuniões com o suporte técnico EBSCO/EDS, via teleconferências; visita
técnica do Gerente de Engenharia de Serviço de Descoberta, América Latina e
Europa e com o coordenador Discovery Solutions nos Estados Unidos;
h) exportação dos metadados do catálogo online para o servidor EBSCO;
i) levantamento das assinaturas de base de dados, periódicos e coleções de livros
eletrônicos, não contemplados no catálogo online;
j) contato com os fornecedores para informações complementares de acesso aos
metadados das coleções eletrônicas para integração ao serviço de descoberta;
k) definição do logotipo e escolha do nome “Descubra” para o serviço de
descoberta da UERJ;
l) criação de Uniform Resource Locator (URL) para o Descubra;
m) customização técnica da ferramenta (renomeação e/ou tradução de menus e

4593

�funcionalidades, inclusão de abas, widgets e links);
n) realização de testes: de integração do catálogo online e dos demais recursos
eletrônicos; de uso das interfaces do site mobile e dos aplicativos para iPhone e
Android e das funcionalidades (pasta de armazenamento, compartilhamento em
redes sociais, exportação da pesquisa para gerenciadores de referência, alertas
automáticos entre outras);
o) planejamento da reunião de pré-lançamento do Descubra para a comunidade
interna da Rede Sirius, com a definição da dinâmica de apresentações dos
envolvidos no projeto e convite ao representante comercial da EBSCO para
apresentação sobre o panorama de utilização do EDS no Brasil e no mundo;
p) elaboração da apresentação sobre o processo de implantação do serviço e
demonstração dos recursos básicos de pesquisa e funcionalidades da
ferramenta;
q) solicitação de estatísticas de uso do acervo eletrônico, relativo ao período
anterior à implantação do Descubra, às editoras dos livros eletrônicos, ao
Portal Capes, aos representantes das bases de dados assinadas, ao Portal de
Publicações Eletrônicas para comparação após o lançamento do serviço e
r) estratégias de divulgação do lançamento do Descubra na Rede Sirius.

Para que o Descubra venha a ser a principal forma de acesso ao acervo da Rede Sirius,
a interface de pesquisa deve conferir visibilidade e favorecer o acesso de forma fácil e
amigável a todos os conteúdos, tanto os já tradicionalmente em uso pela comunidade, quanto
os recém-incorporados. Por outro lado, essa meta não poderá ser alcançada, sem a
sensibilização das equipes das bibliotecas, as principais multiplicadoras e incentivadoras do
uso do serviço, junto aos usuários. Daí a importância da divulgação interna e do emprego de
estratégias específicas para esse público, como a criação de um canal de comunicação
destinado a recolher suas sugestões e dúvidas sobre o uso do software.

4 Resultados Parciais
A configuração estrutural do Descubra e os testes iniciais foram realizados em menos
de dois meses de trabalho intenso das equipes envolvidas, cumprindo assim o cronograma
previsto para esta fase do projeto. A participação da equipe de suporte da EBSCO EDS foi
imprescindível para alcançarmos os objetivos propostos (Figura 2).

4594

�Figura 2 - Descubra pesquisa integrada: tela inicial

Fonte: Site de acesso interno do Descubra, maio, 214.

A integração do catálogo online ao serviço de descoberta (Figura 3) foi realizada com
sucesso, havendo apenas a necessidade de ajustes de informações sobre a disponibilidade dos
itens em tempo real. Tais ajustes dependem de dados técnicos do fornecedor do sistema de
gerenciamento de bibliotecas em uso na universidade.

Figura 3 - Descubra pesquisa integrada: detalhe da tela de resultados

Legenda: Identificação das bibliotecas pela sigla e localização por campi e endereços.

As limitações técnicas e comerciais de algumas das bases de dados, tais como
metadados não disponíveis, ou modelos de negócio restritivos à visualização do conteúdo,

4595

�foram superadas por meio da inserção de links em banners, que favorecem o acesso a essas
bases. A integração da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ encontra-se em
fase de ajustes no protocolo de interoperabilidade. Portanto, provisoriamente, o acesso se dá
através de aba BDTD/UERJ criada no menu da tela principal e de widget

para Teses e

Dissertações online (Figura 4). Este aplicativo aparece na tela de resultado de pesquisa do
Descubra e oferece a funcionalidade de pesquisa em bases nacionais e internacionais de teses
e dissertações, sem que haja a necessidade de repetição do termo de busca. Além disso,
adicionou-se ainda um banner com link para a BDTD/UERJ.

Figura 4 - Descubra pesquisa integrada: detalhe par o widget
Teses e Dissertações
Online ▼

B D T D /U E ^

Imatemática financeira

|

® BDTD/UERJ
O NDLTD
O OATD
O Google Scholar
Search

Fonte: Site de acesso interno do Descubra, maio, 2014.

A customização de abas e menus do Descubra foi além da simples tradução destes
para a língua portuguesa. Estes foram renomeados de modo a se tornarem autoexplicativos. O
recurso chamado de “Periódicos A-Z” renomeado como “e-Coleções” é um exemplo, pois
nesta aba, além de periódicos eletrônicos, recuperam-se também e-books do acervo da Rede
Sirius, de acesso aberto e dos parceiros EBSCO (Figura 5). Com o intuito de favorecer a
divulgação dos conteúdos integrados criou-se a aba “Descrição das Bases” contendo uma
breve sinopse das bases de dados e a aba “Ajuda” contendo os tutoriais relacionados à
pesquisa e aos seus recursos em português, adicionalmente à opção “Help?”, na tela inicial,
cujo conteúdo encontra-se em inglês.

523 W idgets são aplicativos simples que se tornam “atalhos” para serviços e utilidades.

4596

�Figura 5 - Descubra pesquisa integrada: tela e-Coleão de A-Z

Fonte: Site de acesso interno do Descubra, maio, 2014.

Em decorrência do processo bem sucedido de configuração da ferramenta, foi possível
realizar o evento de apresentação do Descubra aos colaboradores das bibliotecas da Rede
Sirius, conforme estabelecido no cronograma. Neste evento foi disponibilizado um URL para
uso interno e divulgada a criação de um tópico sobre o Descubra, no fórum de trabalho da
Rede Sirius, com o objetivo de captar sugestões e promover ajustes antes do lançamento para
a comunidade acadêmica. Os primeiros feedbacks de uso da ferramenta foram registrados em
menos de 24 horas do seu lançamento, demonstrando um bom nível de aceitação do público
interno.

5 Considerações Finais
Considera-se que o pioneirismo da UERJ, na aquisição do serviço de descoberta, face
às demais universidades públicas, no Estado do Rio de Janeiro, foi favorecido pelo
alinhamento da Rede Sirius - Rede de Bibliotecas UERJ - com a atual política acadêmica da
universidade. Ambas empenhadas em proporcionar à sua comunidade amplo acesso à
informação científica, nacional e internacional, e ampliar a visibilidade da produção
acadêmica da universidade. Além disso, no que concerne às esferas administrativas, a Rede
Sirius vem adequando os seus fluxos de trabalho às exigências contábeis e legais do governo
do Estado do Rio de Janeiro, o que otimiza a tramitação dos processos de aquisição de

4597

�produtos e serviços informacionais. Credita-se aos fatores supracitados que a alocação de
recursos financeiros da universidade para a aquisição e manutenção da assinatura deste
serviço tenha se sobressaído entre tantos outros projetos apresentados à Administração
Central.
Cabe acrescentar que a configuração de um serviço de descoberta é um processo, que
exige monitoramento sistemático da vigência do conteúdo assinado pela instituição e
integrado à ferramenta, garantindo assim o acesso ininterrupto aos recursos e favorecendo a
credibilidade do serviço. O aperfeiçoamento e o incremento das funcionalidades devem ser
realizados pari passu às demandas percebidas com a sua utilização. Da mesma forma, a
capacitação dos profissionais envolvidos na administração da ferramenta precisa ser
constante, em função das atualizações no produto, consolidando o domínio da língua inglesa
na qual são oferecidos recursos de treinamento, a documentação e o gerenciamento do
serviço.
O suporte da EBSCO, no acompanhamento do pós-venda e da coordenação de
soluções do EDS, foi crucial no processo de implantação do serviço de descoberta na Rede
Sirius. Esta equipe mostrou-se proativa, eficiente, disponível e ágil na resolução dos
problemas técnicos. As tecnologias de comunicação e informação (TICs) eliminaram as
barreiras comumente impostas pela distância física entre as equipes sediadas no Rio de
Janeiro, Brasil e em Boston, Estados Unidos.
A segunda fase da implantação contemplará: ajustes pontuais, a partir das avaliações
dos colaboradores; testes complementares; lançamento para a comunidade acadêmica através
de divulgação nas mídias internas da universidade e no site da Rede Sirius; análise estatística
comparativa de uso das coleções e da ferramenta e continuidade no aprimoramento de novos
recursos.
O serviço de descoberta, assim configurado, se constituirá em uma ferramenta
estratégica para a Rede Sirius, pois ratificará o perfil inovador da Rede de bibliotecas na
prestação de serviços informacionais de qualidade, e para a Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, ao contribuir com a excelência acadêmica.

Referências
BENTO, Filipe Manuel dos Santos. Serviços de descoberta e redes sociais: os novos
“Bibliotecários de Referência”?: novos papéis para os profissionais de informação, neste
novo paradigma e no contexto do modelo de ensino preconizado por Bolonha. Slideshare.

4598

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4600

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Fonseca, Fernanda Maria Lobo da, Andrade, Leila Cristina Rodrigues de</text>
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                <text>Descreve o processo técnico de implantação do serviço de descoberta, denominado Descubra, na Rede Sirius – Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, utilizando a solução EBSCO Discovery Service (EDS). Ressalta a importância do serviço de pesquisa integrada para a comunidade acadêmica. Apresenta resultados parciais desse processo, ilustrando-os com as telas customizadas, e as estratégias empregadas para a sensibilização dos colaboradores como agentes incentivadores do uso da ferramenta como principal fonte de acesso aos recursos informacionais disponíveis. Tece recomendações para a administração e manutenção do serviço, visando a sua consolidação e credibilidade.</text>
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/62/6595/SNBU2014_081.pdf</src>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS
NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS.

Maira Nani França

RESUMO
Apresenta pesquisa de mestrado, em andamento, referente à gestão de bibliotecas
universitárias identificando desafios e possibilidades, especificamente na área de inovação
tecnológica, a fim de elaborar uma proposta de construção das possíveis tendências. Analisa o
resultado de levantamento realizado nas páginas eletrônicas das 27 bibliotecas universitárias
federais das capitais brasileiras e de três bibliotecas universitárias estaduais do estado de São
Paulo, em que foram avaliadas 25 categorias dos avanços tecnológicos disponíveis aos
usuários e divulgados na web. Compara os resultados com a realidade vivenciada no Sistema
de Bibliotecas (SISBI) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apresenta algumas de
suas inovações tecnológicas implementadas e em fase de implantação, nos últimos seis anos.
Com base nos resultados obtidos indica como as bibliotecas universitárias estão em relação ao
uso das tecnologias da comunicação e informação.
Palavras-Chave: Tecnologia da Comunicação e Informação; Biblioteca universitária Inovação tecnológica; Gestão de Biblioteca universitária; Biblioteca universitária Planejamento.

ABSTRACT
This study provides master's research, in progress, concerning the management of university
libraries identifying challenges and opportunities, specifically in the area of technological
innovation in order to develop a proposal for construction of possible trends. It also analyzes
the results of survey carried out on the electronic pages of the 27 federal university libraries in
Brazilian capitals and three other university libraries in the state of São Paulo, where were
assessed 25 categories of technological advances available to the users and posted on the web.
It compares the results with the reality experienced in the Federal University of Uberlandia
(UFU) Library System (SISBI) and presents some of its technological innovations
implemented and under implementation, in the last six years. Based on the results obtained
indicates how university libraries are in relation to the use of information and
communications technologies.
Keywords: Information and Communications Technologies. University library Technological innovation. University library manangement. University library - Planning.

1118

�1 INTRODUÇÃO
A evolução tecnológica crescente na chamada Sociedade da Informação tem
impactado diretamente no uso, processamento, armazenamento e apropriação da informação.
De certo modo, todos os setores que tem a informação como ativo acabam por ser
modificados nesse cenário convergente, multimídia e tecnológico. Com as bibliotecas
universitárias não foi diferente. Para atender as demandas dos usuários, passaram a perceber a
crescente necessidade em utilizar recursos tecnológicos. Se por um lado a tecnologia auxilia
em processos mais dinâmicos, interativos e participativos, por outro, revela a fragilidade de
muitas bibliotecas universitárias e cria resistências, mal uso e falta de habilidade na operação
dos recursos. Diante dessas mudanças impostas pelas Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC), esse trabalho apresenta parte da pesquisa de mestrado, em andamento,
sobre gestão e planejamento de bibliotecas universitárias, especificamente um estudo sobre as
tendências tecnológicas implementadas nestes ambientes, com objetivo de fornecer subsídios
para construção das novas configurações necessárias ao atendimento dos usuários da chamada
“sociedade da informação”, que se consolida no interior das universidades.
Neste sentido, um dos percalços cotidianamente enfrentados é o fato de não existir um
padrão definido para gestão de bibliotecas universitárias, em especial nesta era de grandes e
rápidas mudanças no campo das TIC. Fato este evidenciado por algumas medidas
administrativas no SISBI/UFU, com adoção de novas tecnologias realizadas sem um
planejamento prévio, em razão de demandas pontuais de curto prazo e de projetos isolados,
que, embora representem avanços significativos, impactaram desfavoravelmente em áreas
fundamentais, tais como: a) gestão de pessoas: comprometimento e engajamento profissional,
treinamento e motivação; b) planejamento de ações internas de médio e longo prazos; c)
utilização dos recursos públicos; d) aproveitamento dos talentos da própria universidade,
especificamente na área de Tecnologia da Informação; e) comunicação interna e externa, etc.
Neste cenário, ao se observar a administração do SISBI/UFU, percebem-se, nos
diversos segmentos, as transformações advindas dos avanços tecnológicos disponíveis nos
dias atuais, especialmente no ambiente universitário, que têm causado impactos no pensar e
agir das bibliotecas. Com este trabalho, objetiva-se elencar as TIC utilizadas e divulgadas nas
páginas eletrônicas de bibliotecas universitárias federais, estaduais e do SISBI, demonstrando
o potencial inovador, interativo e dinâmico que as bibliotecas universitárias potencializam.

1119

�2 REVISÃO DE LITERATURA
No processo de construção do conhecimento, as bibliotecas, ao tratar, armazenar,
organizar, sistematizar e facilitar o acesso e a recuperação da informação, como agente de
transformação social, constituem elemento essencial para o desenvolvimento das atividades
de ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica, ou seja, contribuem para o progresso da
ciência em sua forma ampla. Para que este processo se realize, as incertezas e fragilidades
individuais devem dar lugar à segurança e ao espírito coletivo obtido pelo aprimoramento
técnico e do desenvolvimento das habilidades individuais que, alinhados de forma harmônica
aos princípios, regras e objetivos das bibliotecas, resultam no desenvolvimento do sistema
como um todo, pois o homem não se desenvolve de forma isolada, mas coletivamente.
A universidade é considerada um ambiente propício e privilegiado para a produção e
difusão deste conhecimento. Segundo Ohira (1998, p. 66) “por intermédio das atividades de
ensino, pesquisa e extensão, as universidades se voltam para a criação, a produção de
conhecimento, e a busca do saber”. Werthein (2000) destaca que o setor público está à frente
de iniciativas que visam o desenvolvimento da “sociedade da informação”, interagindo com
as forças sociais locais, gerando assim um processo de transformação social. A universidade,
para atender as demandas e expectativas informacionais da comunidade interna e externa,
precisa oferecer a melhor infraestrutura e os melhores serviços; que estão relacionados
diretamente com a qualidade da equipe, ou seja, à qualificação do pessoal.
Werthein (2000) alerta que um dos grandes desafios advindos do avanço tecnológico é
o de identificar o papel que estas inovações podem desenvolver no processo educacional e
definir como utilizá-las para facilitar uma efetiva aceleração do processo de ensino e
aprendizagem; o fator-chave do futuro será a capacidade de a universidade, e em especial, sua
biblioteca, assimilar os novos desafios, remover os obstáculos que as impedem de atender as
necessidades de seus usuários (CUNHA, 2000) e buscar a melhoria continuada.
As bibliotecas universitárias têm vivenciado uma revolução interna, com a
implementação de tecnologias que visam facilitar o acesso e a disseminação da informação,
tornando-as mais dinâmicas. A fim de acompanhar as novas tendências e aprimorar a
qualidade dos serviços informacionais e tecnológicos buscando a excelência, cabe aos
gestores das unidades informacionais buscar novos modelos organizacionais como
implementação de planejamento tático e operacional, gestão participativa, parcerias e
principalmente a gestão do conhecimento.
Castro (2005, p. 15) define a gestão do conhecimento como

1120

�[...] um processo dinâmico e cíclico que envolve todos os processos da
organização, procurando mapear os conhecimentos da organização, ligandoos com seus processos essenciais que, direcionados pela sua estratégia,
buscam um melhor desempenho organizacional, o desenvolvimento dos seus
produtos e serviços, sua qualidade, a gestão de clientes, entre outros.

Pela gestão do conhecimento é possível lançar um novo olhar na gestão das mudanças
culturais e comportamentais, possibilitando um ambiente propício para criação, uso,
compartilhamento de informação e transferência de conhecimento.
Neste contexto é fundamental que a missão, as metas e os objetivos da biblioteca
estejam alinhados e sejam coerentes com a missão, os princípios, as diretrizes, os objetivos
estratégicos, as políticas, o planejamento e a gestão da instituição de ensino superior na qual
está vinculada. Como exemplo, destaca-se a inserção da biblioteca universitária como uma
das metas a compor o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), responsável por
desenvolver o sistema de gestão do conhecimento da universidade.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Com o objetivo de identificar as TIC que as bibliotecas universitárias públicas
divulgam aos seus usuários foi realizado, na primeira quinzena de março de 2014, um
levantamento nas páginas eletrônicas das 27 bibliotecas universitárias federais das capitais
brasileiras, de três bibliotecas universitárias estaduais paulistas94 e do SISBI/UFU, sendo
avaliados, na oportunidade, os avanços tecnológicos disponíveis aos usuários, divulgados por
estas unidades informacionais na web95.
Foram definidas 25 categorias de análise de acordo com as inovações tecnológicas
planejadas, executadas e em fase de implantação no SISBI/UFU96 nas duas últimas gestões
(2009-2012 e 2013-2016), sendo: Software de gerenciamento de bibliotecas, Busca integrada,
Aplicativos em dispositivos móveis, Sistema de gestão de solicitação de aquisição de material
informacional, Empréstimo de netbooks, e-readers e tablets, Sistema de autoempréstimo,
Sistema de autodevolução, Scanner planetário, Sistema de gestão de Empréstimo entre
Bibliotecas, Comutação bibliográfica, Sistema gerador de ficha catalográfica, Rede sem fio,
94 Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) e Universidade de Campinas
(Unicamp). Estas estão nos rankings de melhores universidades do país e de países emergentes e também estão
situadas na região sudeste, portanto inseridas na mesma realidade econômica e social vivenciada pela UFU.
95 A pesquisa não foi realizada na página eletrônica específica de cada biblioteca setorial pertencente a um
mesmo Sistema de Bibliotecas. Neste caso a análise foi realizada no site da biblioteca central ou do Sistema de
Bibliotecas como um todo, conforme direcionado pela página da universidade em questão.
96 Composto por seis bibliotecas universitárias, uma escolar e uma especializada (hospitalar). Três das seis
bibliotecas universitárias estão instaladas nas cidades de Ituiutaba (MG), Patos de Minas (MG) e Monte
Carmelo (MG) e as demais (universitárias, escolar e especializadas) na cidade de Uberlândia, sede da UFU.

1121

�Computadores destinados ao acesso à internet, Capacitação virtual, Tecnologias assistivas,
Bases de dados (acesso restrito), E-books, Iniciativas de acesso aberto à informação científica
(Biblioteca Digital de Teses e Dissertações, Repositório Institucional e Portal de Periódicos
da instituição), Sistema eletrônico de segurança, Sistema eletrônico de gestão do acervo,
WebTV, Frequently Asked Questions (FAQ), Redes sociais, Atendimento via chat e
Videoconferência.
Adotou-se como metodologia a análise dos dados coletados nos sites das bibliotecas
federais e estaduais, seguida da análise comparativa dos dados como o SISBI/UFU, que além
de identificar os resultados de uma mesma categoria nos três grupos de biblioteca, possibilitou
o registro histórico das inovações tecnológicas implantadas no SISBI no período analisado.

4 RESULTADOS FINAIS
De acordo com os dados apresentados no Quadro 1, pode-se observar como os
recursos tecnológicos são utilizados nas bibliotecas universitárias públicas (federal e estadual
paulista).

Quadro 1: Sumarização dos resultados obtidos na coleta de dados
Categoria/Biblioteca
1

2

27 federais

3 estaduais

SISBI/UFU

Virtua

Software

de

Pergamun (48,1%), Sophia

Aleph

gerenciamento

de

(11,1%),

Sophia (33,3%)

Aleph (7,4%),

bibliotecas

Outros (33,4%)

Busca integrada

UnB

(Pergamun)

UFRJ (Aleph)

Unesp

(66,6'%)

e

USP

Não divulgado

(Aleph)
Unicamp (Sophia)

3

4

Aplicativos

em

Não divulgado

(Virtua)

em

UFRN (Sigaa)

Sistema de gestão de

UFS e UFSC (Pergamun) ,

solicitação de aquisição

UnB (form. eletr.), UNIFAP

específico

de

e UFAL

pelo SISBI e CTI/UFU)

material

Empréstimo

netbooks,

implantação
Não divulgado

( exclusivo p/

(softw are

SIGAMI

desenvolvido

coord.)
de

e-readers e

UFSC

-

30

netbooks

Não divulgado

(empréstimo por 3h)

Sistema

100

netbooks,

150

por 7 dias)
UnB, UFPI, UFMG, UFES

Não divulgado*

3 equipamentos

Não divulgado

Não divulgado*

2 equipamentos

autoempréstimo
7

Sistema autodevolução

e­

readers, 50 tablets (empr.

tablets
6

MozGo

dispositivos móveis

informacional
5

UFBA e UFPE (Pergamun)

1122

�8

Scanner planetário

Não divulgado*

Não divulgado*

3 equipamentos

9

Sistema de gestão de

UFRJ (gestão da rede de

USP

Virtua (EIB e EEB em

EEB

EEB

online

do

estado

do RJ)

(SophiA)
10

(controle
de

todo

estudo)

SIBi)

Comutação

95,4% disponibiliza

COMUT e 40,9% SCAD

COMUT e SCAD.sserviço

bibliográfica

Destacam-se: UFRN (divulga autosserviço do

e disponibiliza formulário

IBICT) e UFRGS (disponibiliza formulário de

de pedido

pedido na página)
11

Sistema

gerador

de

ficha catalográfica

12

Rede sem fio

Softw are específico: UFMT,

Softw are

UFPA, UFRGS. Form. eletr.:

específico:

UnB e UNIFAP

Unicamp

20% divulga

Não divulgado*

Não divulgado

Divulga Rede sem fio (W i­
Fi)

13

14

Computadores

50% divulga.

destinados ao acesso à

disponibilizam

internet

Universidades

100 PC)

Capacitação virtual

6,6% divulga. Destacam-se: Unifesp (capacitação

Disponibiliza os tutoriais

do Pubmed, aos alunos de pós-graduação, via

de

plataforma

(atualmente elaborados no

programa

Destacam-se: UFAL e UFPI que
o

Espaço

Moodle)
de

e

Digital

UFSC

capacitação

com

Santander

(disponibiliza
agenda

de

treinamentos e tutoriais de normalização, bases de

Divulga o espaço como
Ilhas de pesquisa (mais de

visita

orientada

Prezi), pesquisa em bases
de dados e normalização

dados e ferramentas)
15

Tecnologias assistivas

33,3% divulga. Softw ares e recursos citados:

Disponibiliza:

D o svo x ,

D osvox, O pen B ook, Jaw s, Zoom Text, TGD P oro,

D Sp eech ,

W invox p/ a transliteração de textos para o Braille,

M onitvox ,

softw are leitor de tela de uso livre e p/ aumento de

Raquel,

tela. Serviços: leitura de doc. e gravação de textos

impressora Braille e lupas

acadêmicos. Destaca-se: USP que disponibiliza

eletrônicas

K M P layer ,

NVDA,

Voz

W inam p ,

audiolivros do vestibular em formato D A IS Y e o
aplicativo Ispeech (audio) da Science D irect
16

Bases de dados (acesso

Todas divulgam o Portal

Todas divulgam a

Economática,

restrito)**

Capes.

assinatura

N axos

92,6%

divulga

de

M usic

JSTOR,
L ib ra ry

e

assinatura de outras bases.

centenas de bases

UpToD ate (acesso dentro

Mais

de dados

da universidade)

assinadas:

Coleção,
UpToD ate,

ABNT
P ro Q u est ,

vLex,

E brary,

L yell C ollection, Springer,
R T O nline , etc. Destacam-

se: UFSC (ca. 20 bases ) e
UnB (mais de 10).

1123

�17

E-books**

44% divulga. Coleções mais

Todas divulgam o

Springer,

acesso a coleções

assinadas:
Atheneu,

Ebrary,

e-books.

de

lEEExplore, Zahar, Ebsco,

Destacam-se:

etc.

Unicamp

Destacam-se:

UFSC

(quase

(nove coleções) e UFRGS

500.000 títulos) e

(oito

USP

(200.000

títulos),

incluindo

coleções).

A

disponibiliza

UnB

biblioteca

Não divulgado

digital exclusiva para livros

gratuitos

eletrônicos produzidos pela

assinados

e

comunidade universitária
18

Iniciativas

Biblioteca

78% divulga . Destacam-se:

Todas

Biblioteca Digital de Teses

de

Digital de

UnB (Biblioteca Digital e

disponibilizam

e Dissertações da UFU

Teses

Sonora, Biblioteca Digital de

Destacam-se:

(BDTD/UFU)

e

Unesp (C@pelo -

4.000 títulos)

Objetos

TCC e a C@thedra

acesso

aberto

à

e

informaçã

Disserta­

Teses

o

ções

Repositório

científica

e

Monografias
de

Digitais de Aprendizagem) e

-

UFRR,

UFSC

Dissertações), USP

disponibilizam acesso aos

(Biblioteca Digital

TCC nas bibliotecas digitais

da

e/ou

Intelectual)

UFRN

e

repositórios

institucionais

Teses

(mais

de

é

um

e

Produção
e

Unicamp
(Biblioteca Digital
da Unicamp)

Repositóri

48% disponibiliza. Destaca-

Nenhuma

delas

o

se: UFRGS que divulga em

adota

Institucio­

sua página a extinção da

terminologia RIem

nal (RI)

BDTD, em agosto de 2008,

substituição

e sua substituição pelo RI

complementação às

a

O

RI/UFU

espelhamento

da

BDTD/UFU.

ou

bibliotecas digitais
Todas divulgam os

UFU:

Periód. da

periódicos

Eletrônicos (25 títulos)

Instituição

eletrônicos de sua

Portal

de

52% disponibiliza

Periódicos

instituição
19

Sistem a eletrônico

de

Não divulgado

Não divulgado

3 portais, 274.000 tarjas p/
livros, partituras,

segurança

DVD;

CD e

7 ativadores,

12

desativadores, 7 pads, 6
bookchecks
20

Sistema eletrônico

de

Não divulgado

Não divulgado

274.000 etiquetas RFID e 2

1124

�leitores digital (DLA),

gestão do acervo

Não divulgado

6 monitores

21

W ebTV

UFSC

22

FAQ

36,6% disponibiliza. Destaca-se: UFSC (separa

Disponibiliza este serviço

perguntas por área e disponibiliza e-mail específico

com perguntas agrupadas

para o envio de dúvidas não atendidas)

por área afins

53,3% disponibiliza. Tw itter (39%), F a ceb o o k

Tw itter e F a ceb o o k

23

Redes sociais

(36%), Youtube (8%),

D elicious (5,5%), F lickr

(5,5%), Linkedin (2,5%) e O rkut (2,5%). Outros:
G oogle B ookm ark, Share, R S S e ícones com opções

de imprimir, salvar em pdf e/ou enviar por e-mail.
Destacam-se: UFRJ e UnB (disponibiliza os Tweets
da unidade), a UnB (disponibiliza o espaço BCE no
F acebook ) e a USP (relaciona as respectivas redes

sociais e recursos tecnol. de compartilhamento de
informações de cada biblioteca)
24

Atendimento via Chat

Apenas a UFMG divulga.

Não divulgado*

Não divulgado

Não divulgado

2 conjuntos

Informa que a ferramenta é
exclusiva
usuários

p/apoiar
do

Portal

os
de

Periódicos
25

Videoconferência

Não divulgado

* Estas tecnologias foram encontradas em algumas das bibliotecas setoriais, porém será considerado como não
divulgado, uma vez que a informação não está registrada na fonte oficial de coleta de dados deste levantamento.
** 36% das federais divulga a disponibilização de acesso online às fontes de informação assinadas, à comunidade
acadêmica, a qualquer horário, lugar e computador conectado à internet. Formas de acesso remoto: 44,4% Virtual
Network Private (VPN); 22,2% Comunidade Acadêmica Federada (CAFe), serviço provido pela Rede Nacional de
Ensino e Pesquisa (RNP); 22,2% não especifica a forma e 11,1% informa conexão doméstica. Dentre as bibliotecas
das universidades estaduais, a Unicamp divulga a possibilidade de acesso remoto às bases de dados, periódicos
eletrônicos, e-books e periódicos da Capes, via VPN.

Fonte: As autoras.

Na categoria Software de gerenciamento de acervo, nas bibliotecas universitárias
federais foram identificados os seguintes: Pergamum (48,1%) o mais popular, encontrado em
todas as regiões do país, sendo sua maior concentração nas regiões centro-oeste e nordeste,
SophiA (11,1%) utilizado nas regiões centro-oeste e sul, Aleph (7,4%) encontrado na região
sudeste e sul e Sigaa (7,4%) na região nordeste. Na região nordeste foram identificados os
softwares Argonauta (3,7%) e Sab (3,7%) e, na região norte o Sigu (3,7%). Em quatro
bibliotecas (14,8%) não foi possível identificar os softwares utilizados considerando que uma

1125

�delas não possui uma página específica com catálogo online (região norte) e as demais,
mesmo disponibilizando o catálogo online não foi possível identificar ou encontrar
informação referente à categoria pesquisada. Nas bibliotecas universitárias estaduais foram
identificados os softwares Aleph (66,6%) e SophiA (33,3%) (Quadro 1). O SISBI/UFU
iniciou seu processo de automação em janeiro de 1994, e atualmente utiliza o software Virtua,
da Visionary Technology in Library Solutions (VTLS), implantado em fevereiro de 2005, que
é um sistema integrado e modular, multiusuário que gerencia os serviços automatizados de
catalogação, consulta, circulação e controle estatístico. Este software também possibilita a
autogestão nos serviços de renovação e reserva de material informacional, o envio eletrônico
de notificações de disponibilidade/expiração de reservas, bem como das notificações
antecipadas de vencimento dos empréstimos. Comparado às 30 bibliotecas pesquisadas o
SISBI/UFU é a única biblioteca que utiliza o Virtua. No final de 2013, o SISBI/UFU adquiriu
a nova interface web do Virtua, denominada CHAMO que proporciona aos usuários consulta
online ao catálogo do acervo, em um ambiente mais amigável e facilita a recuperação da
informação pelo recurso de refinamento de busca por filtros.
A Busca integrada, categoria de análise considerada uma tendência no Brasil, é um
diferencial que as bibliotecas universitárias, ainda de maneira tímida, estão disponibilizando
aos seus usuários. Também conhecido como Discovery Service ou Serviço de Descoberta este
recurso é uma ferramenta que permite acesso de maneira rápida às fontes de informação
(catálogo de acervo, bibliotecas digitais, repositório institucionais, periódicos eletrônicos,
bases de dados referenciais e de texto completo, e-books, entre outros) em uma única
plataforma, com objetivo de facilitar a recuperação da informação pelo usuário. No
levantamento realizado, apenas duas bibliotecas universitárias federais divulgam, no site, a
oferta deste serviço: Universidade de Brasília (UnB), através do software Pergamun e a
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por intermédio do software Aleph. Por outro
lado, todas as bibliotecas estaduais pesquisadas já disponibilizam este recurso, sendo a
Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP), pelo Aleph e a
Universidade de Campinas (Unicamp), pelo SophiA. No SISBI/UFU estudos estão em
andamento a fim de analisar a viabilidade da disponibilização deste recurso pela VTLS.
Quanto a categoria Aplicativos em dispositivos móveis, as bibliotecas da
Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
divulgam na página de seu catálogo (software Pergamun) o acesso online para aparelhos
móveis (smartphones, Ipad, tablet). Pelo software de bibliotecas Sigaa também é possível
acessar a biblioteca através de um dispositivo móvel, como divulgado no site da biblioteca da

1126

�Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Por outro lado, nenhuma das três
bibliotecas estaduais divulga este tipo de serviço. Em fevereiro de 2014, foi definido um
grupo de estudo no SISBI/UFU, para parametrização do MozGo, aplicativo de biblioteca para
dispositivos móveis, da VTLS, que os usuários podem baixar a partir do iOS App Store ou
Android Market e que permite maior agilidade nas atividades de pesquisa, renovação e
reserva de livros, administração da conta, visualização e localização de itens por bibliotecas,
além da possibilidade de divulgação de informações a respeito das bibliotecas do sistema e de
seus diversos eventos, bem como acesso a mapas, canal de perguntas e submissão de
comentários, por intermédio de iPhones., iPods, Androids, iPads, smartphones, etc.
Outra categoria analisada nas bibliotecas pesquisadas foi o Sistema de gestão de
solicitação de aquisição de material informacional. A maioria (66,6%) (Quadro 1) não cita
como acontece o processo de solicitação, mas foi possível identificar que muitas delas ainda
utilizam recursos manuais como disponibilização de tabelas em processadores de texto, como
Word, ou em planilhas, como o Excel, para que o docente preencha e envie a demanda por e­
mail ao Setor de Aquisição da Biblioteca. As bibliotecas da Universidade Federal de Sergipe
(UFS) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgam que a solicitação de
aquisição deve ser realizada pelo software Pergamun, utilizado por estas unidades
informacionais. A biblioteca da UnB disponibiliza em sua página um formulário eletrônico
para solicitação de compras e as bibliotecas da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e
da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) disponibilizam um link com acesso exclusivo
para que os coordenadores de curso realizem o pedido de compras de livros. Um número
significativo de softwares de gerenciamento de bibliotecas não oferece um módulo de seleção
e aquisição de material informacional com todas as funcionalidades necessárias para atender a
demanda das bibliotecas universitárias públicas. Aliado a este fato, o crescimento exponencial
da demanda de aquisição de material informacional, advindo do REUNI e do Plano de
Expansão da UFU frente à inconsistência e defasagem tecnológica dos sistemas utilizados,
levou o SISBI/UFU, em parceria com Centro de Tecnologia da Informação (CTI) da
universidade, a iniciar, em outubro de 2009, o desenvolvimento de um software, para atender
a demanda de aquisição de material informacional e recebimento de doações, objetivando a
formação do acervo das bibliotecas do SISBI, denominado SIGAMI. Em novembro de 2010
foi implantado o primeiro módulo deste sistema integrado, denominado “Solicitação”.
Na categoria Empréstimo de netbooks, e-readers e tablets, das bibliotecas
pesquisadas, identificou-se que apenas a UFSC divulga que disponibiliza 30 netbooks para à
comunidade universitária na modalidade de empréstimo por três horas. O SISBI/UFU

1127

�disponibilizou, a partir de setembro de 2013, 100 netbooks, distribuídos entre as seis
bibliotecas universitárias de acordo com o número de cursos ofertados em cada campi , na
modalidade de empréstimo domiciliar, pelo prazo de três dias, como projeto piloto. Em
fevereiro de 2014 foram adquiridos 150 e-readers Kobo Aura e 50 tablets Samsung Galaxy e
o prazo de empréstimo destes equipamentos foi ampliado para sete dias e foram também
disponibilizados os serviços de renovação e reserva.
O Sistema de autoempréstimo, categoria de análise, permite ao usuário maior
agilidade no atendimento e na retirada de material informacional da biblioteca. Na pesquisa
realizada,

identificou-se

que

quatro bibliotecas

federais

divulgam

o

serviço

de

autoempréstimo em sua respectiva página eletrônica: UnB, Universidade Federal do Piauí
(UFPI), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal do Espírito
Santo (UFES). Não foi identificada a divulgação deste serviço em nenhuma das páginas
eletrônicas das bibliotecas universitárias estaduais. O SISBI/UFU disponibiliza equipamentos
de autoempréstimo da empresa 3M na Biblioteca Central Santa Mônica, Biblioteca Setorial
Umuarama e Biblioteca Setorial Ituiutaba, sendo uma unidade em cada biblioteca.
Por sua vez, o Sistema de autodevolução, outra categoria, é realizado em
equipamento que permite aos usuários a devolução de obras, sem a necessidade de entrar nas
dependências da biblioteca. Este serviço fica disponível 24 horas, permitindo que a devolução
do material informacional seja realizada mesmo que a biblioteca esteja fechada para o
público. Não foi identificada a divulgação deste serviço em nenhuma das páginas
pesquisadas, tanto nas bibliotecas universitárias federais, quanto nas estaduais. O SISBI/UFU
disponibiliza aos usuários equipamento de autodevolução da empresa 3M nas Bibliotecas
Central Santa Mônica (uma unidade, com sete carrinhos, três sorters , um classificador e um
controlador) e na Biblioteca Setorial Umuarama (uma unidade, com três carrinhos, um sorter
e um classificador). Cabe destacar que o SISBI/UFU é a primeira biblioteca universitária
federal a disponibilizar o sistema de autodevolução no país9
79899.
O Scanner planetário é um equipamento que converte textos e imagens impressas
em imagens digitais. Nesta categoria, nenhuma das bibliotecas universitárias pesquisadas
disponibilizou, em suas páginas eletrônicas, informação sobre este serviço. Em agosto de
2013, o SISBI/UFU adquiriu, com verba disponibilizado pela Pró-reitoria de Planejamento e
97 Constantemente a Coordenação da Divisão de Informatização do SISBI/UFU avalia a relação
empréstimo/demanda, destes equipamentos nas bibliotecas e redimensiona a distribuição, se necessário.
98 Separador de livros.
99 A primeira universidade a disponibilizar o sistema de autodevolução no país foi a Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a UFU, a segunda. Cf. http://blog.crb6.org.br/boletim/bibliotecada-universidade-federal-de-uberlandia-tera-sistema-de-autodevolucao-24-horas/.

1128

�Administração (PROPLAD), dois scanners planetários100 para livros, Zeta Confort, com
compensador de lombadas, da empresa alemã Zeutschel, que foram disponibilizado à
comunidade acadêmica, na Biblioteca Central Santa Mônica (Setor de Referência e Seção de
Multimeios), em dezembro de 2013. Após digitalização do documento o arquivo pode ser
impresso, enviado por e-mail, salvo em pendrive ou encaminhado para a função “Siga Me”,
que possibilita o download via FTP e colabora com a sustentabilidade101.
Outra categoria analisada foi o Sistema de gestão de Empréstimo entre Bibliotecas
(EEB), tanto entre bibliotecas de um mesmo sistema, quanto entre suas unidades e outras
bibliotecas, sejam nacionais e do exterior. Das bibliotecas pesquisadas, mais da metade
(59,9%) não divulga este serviço. As formas de divulgação e gestão do serviço de EEB
disponibilizadas nas páginas das bibliotecas pesquisadas apresentam-se na seguinte
proporção: 13,3% não especifica a forma de solicitação; 10% disponibiliza formulário em
editor de texto ou planilhas; 10% solicitação eletrônica e sistema de gestão automatizado;
3,3% disponibiliza formulário para impressão e informa bibliotecas cadastradas e 3,3%
informa que a solicitação deve ser realizada por e-mail. Nesta categoria merecem destaque a
UFRJ que realiza e divulga a gestão da rede de EEB do estado do Rio de Janeiro, a
Universidade Federal do Paraná (UFPR) que divulga que a gestão do EEB (interno e externo)
é realizada por intermédio do software SophiA e a USP que realiza o gerenciamento online do
EEB em seu Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi). Nas bibliotecas da UFU está em fase de
testes o gerenciamento do Empréstimo InterBibliotecas (EIB) do Sistema por intermédio do
software Virtua. Como uma das etapas preliminares deste projeto, em dezembro de 2013 foi
implantada a devolução de livros em qualquer uma das bibliotecas do Sistema e como etapa
final pretende-se implantar a autogestão dos Empréstimos Entre Bibliotecas (EEB) nacionais
e estrangeiras também pelo software da biblioteca, como já acontece na UFPR.
Na categoria Comutação bibliográfica a grande maioria das bibliotecas (73,3%) faz
divulgação deste serviço em suas páginas eletrônicas. Dentre as formas de comutação
divulgadas, verifica-se a predominância do COMUT (95,4%) sobre o Serviço Cooperativo de
Acesso a Documentos (SCAD) (40,9%). Destacam-se nesta categoria as bibliotecas da UFRN
100 Em fevereiro de 2014, o SISBI/UFU recebeu mais um equipamento, contemplado no Edital n° 27/2013 - PróEquipamentos Institucional da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES), tendo o Programa de Pós-Graduação em Direito Público da UFU apresentado a proposta em nome
do SISBI. Este equipamento foi adquirido para o projeto de digitalização das teses e dissertações defendidas
antes de setembro de 2005, a fim de compor a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD/UFU) e do
Repositório Institucional (RI/UFU) da instituição, cuja execução teve início em março de 2014.
101 Com a finalidade de preservar os direitos autorais o SISBI/UFU disponibilizou, antes do procedimento de
digitalização, um texto de conscientização do usuário a este respeito e na página digitalizada é incorporada na
parte central do documento, sob forma de marca d’água, informação sobre o direito autoral.

1129

�que informa ao usuário a possibilidade de autoatendimento no serviço de comutação do
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e a biblioteca da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que disponibiliza formulário de pedido
na sua página, a fim de agilizar a solicitação deste serviço. O SISBI/UFU oferece os serviços
de COMUT e SCAD online, desde 1998; disponibiliza em sua página os formulários para
solicitação por tipo de documento e ainda divulga informações do autoatendimento do
COMUT, via IBICT.
Outra categoria analisada é a disponibilização de um Sistema gerador de ficha
catalográfica na página das bibliotecas. Das unidades pesquisadas, constata-se que 73,3%
divulga a oferta do serviço de compilação de ficha catalográfica, nas seguintes proporções e
particularidades: 31,8% não especifica a forma de solicitação; 18,2% disponibiliza software
específico; 13,6% disponibiliza formulário em editor de texto, que deve ser enviado à
biblioteca para confecção da ficha; 13,6% indica que o usuário deve ir à biblioteca para
solicitar o mesmo; 9,1% orienta como a ficha deve ser elaborada e exige que a mesma seja
enviada à biblioteca para aprovação; 9,1% disponibiliza formulário eletrônico e 4,5%
orienta como a ficha deve ser elaborada. Destacam-se nesta categoria as bibliotecas da
Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), da Universidade Federal do Pará (UFPA), da
UFRGS e da Unicamp que divulgam a disponibilização de software específico para
elaboração de fichas catalográficas e as bibliotecas da UnB e UNIFAP que disponibilizam
formulário eletrônico, em suas páginas, para este fim, utilizando-se, respectivamente, das
ferramentas GoogleDocs e WordPress. O SISBI/UFU divulga a elaboração de fichas
catalográficas para dissertações e teses dos Programas de Pós-Graduação da universidade,
bem como para livros, periódicos, anais de eventos e outros documentos a serem publicados
pela Editora da UFU (EDUFU) ou Unidades Acadêmicas da universidade.
Outra categoria analisada, que visa facilitar o acesso à internet pelos usuários, é a
disponibilização de Rede sem fio. Das bibliotecas universitárias federais pesquisadas somente
20% divulga em suas páginas a disponibilização do serviço de internet sem fio, nas mais
diversas nomenclaturas

. Nesta categoria destaca-se a UFES que divulga a Eduroam

, uma

rede sem fio internacional, de acesso restrito, disponibilizada em caráter experimental. Não
foi identificada a divulgação deste serviço em nenhuma das páginas das bibliotecas
universitárias estaduais pesquisadas. O SISBI/UFU, desde junho de 2010, disponibiliza o
serviço de Rede sem fio (Wi-Fi) à comunidade acadêmica e o divulga em sua página.1023
102
103

Internet Wi-Fi, Conexão sem fio (Wireless), Acesso a internet (Rede sem fio) e Wireless.
Mais informações acesse: http://www.bc.ufes.br/eduroam.

1130

�Na categoria Computadores destinados ao acesso à internet foi analisada a
divulgação da disponibilização de acesso à internet em terminais específicos para pesquisa e
constatou-se que 50% das bibliotecas divulga este serviço, que recebe os mais diversos
nomes, tais como: Laboratório de acesso digital, Laboratório de informática, Sala de internet,
Sala de pesquisa online, Sala multimídia, Acesso a internet, Internet gratuita, Webroom,
Espaço digital para pesquisas acadêmicas e Pesquisa na web. Destacam-se as bibliotecas da
UFAL e UFPI que disponibilizam o Espaço Digital Santander Universidades104, com objetivo
de ampliar o acesso ao mundo digital. As políticas de uso variam de biblioteca para biblioteca
englobando, tempo de acesso, sistema operacional e restrição de acesso (grupo, endereços). O
SISBI/UFU, desde setembro de 2008, disponibiliza e divulga em seu site este serviço com o
nome de “Ilha de pesquisa”. Nos computadores destas ilhas105, em algumas bibliotecas, está
instalado o sistema operacional Windows e em outras, Linux e não há temporizador para
administrar o tempo de uso. Em consonância com o inciso X, do art. 24, da lei 12.965/2014,
mais conhecida como Marco Civil da Internet, que em seu capítulo IV apresenta a “prestação
de serviços públicos de atendimento ao cidadão de forma integrada, eficiente, simplificada e
por múltiplos canais de acesso” (BRASIL, 2014) como uma das diretrizes da atuação do
poder público no desenvolvimento da internet no Brasil, o SISBI/UFU, em suas ilhas de
pesquisa, permite acesso livre à internet. Este serviço está disponível tanto para a comunidade
acadêmica como para a comunidade externa.
Outra categoria analisada foi Capacitação virtual. Este serviço não é disponibilizado
por 26,6% das unidades pesquisadas e 66,6% divulga apenas a oferta de treinamento
presencial. Por outro lado, 6,6% (Quadro 1) das bibliotecas divulga em suas páginas, além dos
treinamentos presenciais, os virtuais, destacando a Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp) que oferece capacitação no banco de dados do Pubmed, aos alunos de pósgraduação, via plataforma Moodle e a UFSC que disponibiliza um programa de capacitação
com agenda de treinamentos e tutoriais de normalização, bases de dados e ferramentas. O
SISBI/UFU disponibiliza em sua página, desde março de 2010, além de informações a
respeito dos agendamentos para treinamento presenciais, os tutoriais de visita orientada,
atualmente elaborados no Prezi, pesquisa em bases de dados (Medicina baseada em
evidências, ScinFinder Web e Web of Science) e normalização (artigos científicos, citações,
trabalhos acadêmicos, projeto de pesquisa e referências).1045

104 Parceria firmada entre o Banco Santander e a universidade. Atualmente há 35 salas digitais espalhadas em
todo o país. Cf. http://www.santanderuniversidades.com.br/Paginas/IESEspacoDigital.aspx.
105 Até dezembro de 2013, o SISBI/UFU disponibilizava 53 equipamentos para seus usuários.

1131

�Quanto às Tecnologias assistivas106 apenas 33,3% das bibliotecas divulga a oferta
destes serviços e utilizam-se de diferentes denominações para identificar este espaço 107 . Os
softwares e recursos citados foram Dosvox, Open Book, Jaws, Zoom Text, TGD Poro, Winvox
para a transliteração de textos para o Braille, software leitor de tela de uso livre e para
aumento de tela, além dos serviços de leitura de documentos e gravação de textos acadêmicos.
Uma destas bibliotecas divulga que sua infraestrutura está adaptada à utilização de portadores
de necessidades especiais e destaca-se nesta categoria a biblioteca da USP que disponibiliza
audiolivros do vestibular em formato DAISY e o aplicativo Ispeech (audio) da Science Direct.
O SISBI/UFU disponibiliza aos seus usuários, na Seção de Multimeios da Biblioteca Central
Santa Mônica, os seguintes softwares e recursos: Dosvox, DSpeech, KMPlayer (KMultimdia
Player), Monitvox, NVDA (NonVisual Desktop Access), Voz Raquel (SAPI 5 - Speech
Application Programming Interface), Winamp e lupas eletrônicas. Para melhor atender os
deficientes da comunidade acadêmica, o SISBI, desde 2004, é parceiro do Núcleo de Ensino,
Pesquisa, Extensão e Atendimento em Educação Especial (CEPAE) da universidade.
Na categoria Bases de dados (acesso restrito) 92,6% das bibliotecas universitárias
federais pesquisadas divulga este recurso informacional em suas páginas. Dentre elas apenas
36% divulga a disponibilização de acesso online às fontes de informação assinadas, à
comunidade acadêmica, a qualquer horário, lugar e computador conectado à internet. As
diferentes formas de acesso remoto às bases de dados foram apresentadas na seguinte
proporção: 44,4% Virtual Network Private (VPN); 22,2% Comunidade Acadêmica Federada
(CAFe), serviço provido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP); 22,2% não
especifica a forma e 11,1% informa conexão doméstica. Todas as bibliotecas das
universidades federais que disponibilizam este tipo de informação divulgam acesso ao Portal
de Periódicos da Capes. Destaca-se nesta categoria a biblioteca da UFRGS que além do Portal
Capes, divulga a assinatura de quatro títulos estrangeiros de periódicos e de um jornal
eletrônico. As bases de dados de acesso restrito mais assinadas são: ABNT Coleção,
ProQuest, UpToDate, vLex, Ebrary, Lyell Collection, Springer, RT Online, entre outras.
Destacam-se também, a biblioteca da UFSC que assina aproximadamente 20 bases de dados e
a biblioteca da UnB que assina mais de 10. Nas bibliotecas universitárias estaduais
pesquisadas, todas as três divulgam o acesso ao Portal de Periódicos das Capes, nos
computadores que estejam ligados a universidade, porém destaca-se a Unicamp que1067
106 São produtos e serviços que visam facilitar o desenvolvimento de atividades de pessoa com deficiência,
ampliar sua habilidade funcional e promover sua independência e inclusão na vida social.
107 Sala PNE (Portadores de Necessidades Especiais), Laboratório para deficientes visuais com novas
tecnologias, Sala inclusiva e também, Ambiente de Acessibilidade Informacional (AAI).

1132

�disponibiliza à comunidade acadêmica a possibilidade de acesso residencial remoto às bases
de dados, periódicos eletrônicos, e-books e periódicos da Capes, via VPN. Neste grupo, não
serão especificadas as bases de dados mais assinadas considerando a existência de centenas
delas apresentadas nas páginas consultadas.

O SISBI/UFU divulga em sua página

quatro bases de dados de acesso restrito: Economática, JSTOR, Naxos Music Library e
UpToDate, além da disponibilização de acesso ao Portal de Periódicos da Capes. Estes
recursos podem ser acessados em qualquer computador dos Campi da UFU, via IP
institucional, não sendo ainda o acesso remoto.
Avaliando a categoria E-books, constatou-se que 44% das bibliotecas universitárias
federais pesquisadas divulga este recurso em suas páginas. As coleções mais assinadas são:
Springer, Atheneu, Ebrary, IEEExplore, Zahar, Ebsco entre outras. Nesta categoria destacamse a biblioteca da UFSC que divulga nove coleções e a biblioteca da UFRGS que
disponibiliza oito. A UnB disponibiliza uma biblioteca digital exclusiva para livros
eletrônicos produzidos pela comunidade universitária. Nas bibliotecas universitárias estaduais
pesquisadas, todas divulgam o acesso a coleções de e-books. Nesta modalidade destacam-se a
biblioteca da Unicamp que divulga a disponibilização de quase 500.000 títulos e a biblioteca
da USP que disponibiliza acesso a quase 200.000 títulos, incluindo gratuitos e assinados. O
SISBI/UFU ainda não assina nenhuma coleção de e-books.
A categoria Iniciativas de acesso aberto à informação científica avalia três
subcategorias: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), Repositório Institucional
(RI), Portal de Periódicos da Instituição. Na subcategoria BDTD, 78% das bibliotecas
universitárias federais pesquisadas divulga este recurso em suas páginas. Destaca-se a
biblioteca da UnB que disponibiliza a Biblioteca Digital e Sonora (BDS) criada para atender
as demandas dos deficientes visuais, a Biblioteca Digital de Teses e Monografias (BDM) que
disponibiliza os trabalhos de conclusão de cursos dos alunos de graduação e especialização e
o Repositório de Objetos Digitais de Aprendizagem (RODA) que divulga os materiais
educacionais da universidade. Além da UnB, as bibliotecas da Universidade Federal de
Roraima (UFRR), UFRN e UFSC disponibilizam acesso eletrônico aos Trabalhos de
Conclusão de Cursos (TCC) em suas bibliotecas digitais e/ou repositórios institucionais.
Quanto a subcategoria Repositório Institucional (RI)

, 48% das bibliotecas federais

disponibiliza este novo sistema de informação, com destaque para a UFRGS que divulga em108

108 No final de 2008, o IBICT lançou edital com objetivo de dar condições (equipamentos, software e
treinamento) para construção e implantação de Repositórios Institucionais nas universidades e institutos de
pesquisa públicos.

1133

�sua página a extinção da BDTD, em agosto de 2008, e sua substituição pelo RI. Na
subcategoria Periódicos eletrônicos da instituição, 52% das bibliotecas federais disponibiliza
esta fonte de informação com as mais diversas nomenclaturas109. Nas bibliotecas das
universidades estaduais pesquisadas, todas disponibilizam Bibliotecas Digitais. A biblioteca
da Unesp divulga duas bibliotecas digitais distintas, a C@pelo para TCC e a C@thedra para
Teses e Dissertações, já a USP disponibiliza a Biblioteca Digital da Produção Intelectual
(BDPI) responsável pela disseminação da produção científica, acadêmica, técnica e artística
resultante das pesquisas desenvolvidas na universidade e a Unicamp divulga a Biblioteca
Digital da Unicamp, cujo objetivo é disseminar as Teses e Dissertações, TCC, eventos,
hemeroteca, revistas eletrônicas, produção técnico científica, coleções especiais, obras raras
da universidade. Nenhuma dessas bibliotecas adota a terminologia Repositório Institucional
em substituição ou complementação às bibliotecas digitais. Todas as bibliotecas deste grupo
divulgam os periódicos eletrônicos de sua instituição sob diversas nomenclaturas110. O
SISBI/UFU disponibiliza em sua página a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFU
(BDTD/UFU)111123, desde setembro de 2005, com objetivo de divulgar os resultados da
produção técnico-científica, gerados pelos programas de pós-graduação da universidade. Em
fevereiro de 2014, o SISBI foi contemplado com um scanner planetário, no Edital n° 27/2013
- Pró-Equipamentos da CAPES, adquirido com o objetivo de digitalizar todas as teses e
dissertações defendidas na universidade, antes de setembro de 2005. Em março do mesmo
ano este projeto foi iniciado. Em abril de 2014 a coleção de teses e dissertações disponíveis na
BDTD ultrapassou 4.000 títulos. Quanto ao Repositório Institucional, em janeiro de 2010, a
UFU foi contemplada pelo edital IBICT/FINEP com equipamentos, softwares e treinamentos
para implantação e manutenção do RI. Em agosto de 2011, o RI/UFU foi implantado,
permitindo a ampliação da visibilidade e do acesso à produção científica, especificamente das
Teses e Dissertações defendidas na universidade (espelhamento da BDTD

). O SISBI/UFU

também disponibiliza em sua página o link “UFU: Periódicos Eletrônicos” que remete aos 25
títulos de periódicos eletrônicos da universidade

, e em parceria com a EDUFU, orienta os

editores de periódicos UFU na normalização de suas publicações.
109 “Portal de periódicos acadêmicos da ...”, “Portal de periódicos da ...”, “Periódicos eletrônicos da
universidade”, “Revistas eletrônicas”, “Periódicos da ...”, “Portal de revista científica da ...” e “Portal de
periódicos científicos publicados pela ...”
110 “Periódicos ...”, “Portal de revistas” e “Revistas eletrônicas”.
111 Criada pela portaria R n° 1225, de 9/11/2004.
112 Avalia-se a possibilidade de exclusão da BDTD e manutenção apenas do Repositório Institucional,
considerando a escassez de pessoal. Atualmente não há migração automática de dados e a equipe do
SISBI/UFU, insere os dados manualmente nos dois sistemas, o que categoriza um reserviço.
113 Mais informações acesse: http://www.bibliotecas.ufu.br/periodicos-ufu.

1134

�O uso de tecnologia em bibliotecas aplica-se também na categoria Sistema eletrônico
de segurança. Nenhuma das bibliotecas pesquisadas divulga informação deste recurso em
suas páginas eletrônicas. O SISBI/UFU, visando assegurar a saída de material informacional
somente mediante autorização, foi contemplado na Chamada Pública MCT/FINEP/CTINFRA-PROINFRA 01/2008114 e adquiriu o Sistema de detecção para segurança e proteção
do acervo da empresa 3M. A partir de julho de 2011, os portais (sistema antifurto) foram
instalados na Biblioteca Central Santa Mônica, Biblioteca Setorial Umuarama e Biblioteca
Setorial Educação Física. Além do portal de segurança do acervo a Biblioteca Central Santa
Mônica e a Biblioteca Setorial Umuarama possuem em suas entradas um portal (sistema
antifurto) para controle das chaves dos guarda-volumes.
Outra categoria analisada neste estudo é a divulgação do Sistema eletrônico de gestão
do acervo utilizado pelas bibliotecas. Nenhuma das bibliotecas pesquisadas divulga este tipo
de informação em seu site. É importante ressaltar que trata-se de uma tecnologia para
organização e conferência do acervo, o que justificou sua definição como categoria de estudo.
Entretanto, sua divulgação para a comunidade acadêmica não é necessária por ser uma
atividade interna e rotineira, embora seus benefícios sejam reais e essenciais para o usuário. O
SISBI/UFU adquiriu em julho de 2011115 o DLA, leitor digital portátil e manual, que
identifica os dispositivos RFID afixados nos materiais informacionais das bibliotecas do
sistema e desde abril de 2014 divulga este recurso em sua página. Este equipamento permite a
localização rápida da atual posição do item nas estantes e o local mais apropriado para que
determinada obra seja armazenada e, facilita a realização do inventário do acervo
Outra categoria pesquisada é uma tecnologia de comunicação, a WebTV. A Capes
disponibiliza às instituições que participam do Portal de Periódicos um sistema de televisão
pela internet. Neste veículo, além de treinamentos no uso do Portal, é transmitida uma
programação com notícias e informações de interesse da comunidade acadêmica, produzidas
tanto pela Capes, quanto pela instituição. Das bibliotecas pesquisadas apenas a UFSC divulga
este recurso em sua página. Em fevereiro de 2010, a UFU aderiu ao projeto WebTV da Capes.
Dos monitores instalados na universidade seis foram alocados nas bibliotecas universitárias
do SISBI/UFU, a partir de fevereiro de 2011. A produção do percentual de conteúdo que o
114 Este projeto possibilitou a aquisição de 274.000 tarjas (dispositivos eletromagnéticos) para livros, partituras,
CD e DVD; três portais (sistema anti-furto), sete ativadores, doze desativadores, 274.000 etiquetas RFID
(dispositivos de radiofrequência), um leitor digital, sete pads (estação de processamento). Cf.
http://www.unb.br/administracao/decanatos/dpp/resultados/PROINFRA2008_RESULTADO_FINAL.pdf.
115
Chamada Pública MCT/FINEP/CT-INFRA-PROINFRA 01/2008. No projeto inicial estava prevista a
aquisição de apenas um equipamento, no entanto foi possível adquirir duas unidades com aditivo de contrato
(25% do valor inicial atualizado do contrato, cf. Lei 8.666, de licitação).

1135

�SISBI pode veicular na CapesWeb TV é realizada pelas próprias bibliotecas, sendo a gestão
deste projeto de responsabilidade da Pró-reitoria de Pós-graduação (PROPP) e da Diretoria de
Comunicação (DIRCO) da universidade.
Ainda como tecnologia de comunicação, foi analisada a categoria FAQ, conhecido
também como Perguntas mais frequentes. Nesta categoria verificou-se que 36,6% das
bibliotecas pesquisadas disponibiliza este recurso em suas páginas, com destaque para a
biblioteca da UFSC que separa suas perguntas por área11617 e ainda disponibiliza e-mail
específico para que o usuário encaminhe sua dúvida, caso a mesma não tenha sido atendida. O
SISBI/UFU, desde fevereiro de 2010, disponibiliza em sua página este serviço. Na medida em
que novas questões são levantadas, selecionam-se as de maior frequência, que passam a fazer
parte desta lista. Como na UFSC, as perguntas do SISBI estão ordenadas por áreas

, com a

finalidade de facilitar e agilizar a pesquisa pelo usuário.
Na categoria Redes sociais constatou-se que 53,3% (Quadro 1) das bibliotecas
disponibiliza em seus sites estas tecnologias de comunicação para divulgação de seus
produtos e serviços, apresentados com as respectivas frequências: Twitter (39%), Facebook
(36%), Youtube (8%), Delicious (5,5%), Flickr (5,5%), Linkedin (2,5%) e Orkut (2,5%).
Além destas redes sociais, foram identificados os seguintes recursos tecnológicos de
compartilhamento de informação: Google Bookmark, Share, RSS e ícones com as opções de
imprimir informações da página, salvar em pdf e/ou enviar por e-mail. Destacam-se nesta
categoria as bibliotecas universitárias federais da UFRJ e da UnB que disponibilizam na tela
principal de suas páginas os Tweets da unidade, sendo que a UnB também disponibiliza o
espaço BCE no Facebook; também destaca-se a biblioteca universitária estadual da USP, que
relaciona as bibliotecas de seu sistema com suas respectivas redes sociais e recursos
tecnológicos de compartilhamento de informação. Nesta categoria,

o SISBI/UFU

disponibiliza em sua página o Twitter da biblioteca, desde novembro de 2009 e a página no
Facebook, desde outubro de 2010. Nestas estruturas sociais virtuais são divulgadas notícias
relacionadas às bibliotecas do sistema, a universidade e as bibliotecas em geral, campanhas
educativas e projetos, novos serviços, fontes de informação e de pesquisa, tutoriais, etc.
Outra tecnologia de comunicação, definida como categoria de análise é o
Atendimento via chat. Das bibliotecas pesquisadas apenas a biblioteca da UFMG
disponibiliza esta ferramenta que é utilizada exclusivamente para apoiar os usuários do Portal

116 Aquisição, Base de dados, Catalogação, Doação, Empréstimo, Capacitação, Intercâmbio, Pergamum,
Periódicos, Referência, Normalização, Ensino a distância, Outros.
117 Circulação &amp; Empréstimo, Referência, Aquisição e processamento técnico, Administrativo.

1136

�de Periódicos da própria universidade. Ampliando os descritores de pesquisa nos mecanismos
de busca foi possível identificar que algumas bibliotecas setoriais da Unesp e da USP
oferecem este serviço. Porém, esta informação não foi encontrada na página principal da
Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) da Unesp e do SIBi USP, fonte de informação
oficial definida para coleta de dados desta pesquisa. No SISBI/UFU, apesar deste serviço
estar como plano de ação desta gestão, o mesmo ainda não está disponibilizado aos usuários.
A categoria Videoconferência não foi identificada na página de nenhuma das
bibliotecas universitárias federais e estaduais pesquisadas, com exceção do SISBI/UFU que
recebeu esta tecnologia e a disponibiliza na sala de treinamento de duas de suas bibliotecas:
Biblioteca Central Santa Mônica e Biblioteca Setorial Umuarama desde fevereiro de 2014,
quando também passou a divulgá-la em sua página. Os equipamentos de videoconferência
permitem a comunicação em tempo real entre pessoas que estão em lugares diferentes.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Dentre as bibliotecas universitárias federais pesquisadas, o Sistema de Bibliotecas da
UFSC destacou-se, nas categorias analisadas no Quadro 1, o que resultou em sua definição
como objeto de estudo. Por seu turno, dentre as estaduais, definiu-se como objeto de estudo a
Biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciências, de Marília, considerando que neste campus
estão lotados os cursos de graduação em Biblioteconomia e o Programa de Pós-graduação em
Ciência de Informação, que recebeu conceito 6 na última avaliação da CAPES.
De acordo com os dados do CTI/UFU a página do SISBI é a segunda mais acessada da
universidade

, o que comprova sua importância como fonte de informação para as

comunidades interna e externa à academia. Neste sentido, a homepage de uma biblioteca,
configura-se como uma TIC essencial para gestão e divulgação de seus produtos, serviços,
espaços, entre outros, pois nesta sociedade da informação o conhecimento ou não da própria
existência da instituição e ou de seu acervo, principalmente pelo perfil de usuário desta nova
geração de “nativos digitais”, ocorre por meio da web118119. Portanto, é fundamental que seus
sites sejam constantemente atualizados, e permitam a rápida visualização e recuperação das
informações demandadas. Os resultados obtidos, além de responder ao propósito inicial de
definição das unidades a serem pesquisadas para o mestrado, possibilitaram uma reflexão

118 Média de 50.000 acessos mensais.
119 Em decorrência da metodologia adotada no presente trabalho, não foi possível coletar dados em uma das
bibliotecas universitárias federais, uma vez que a mesma não possui página própria, identificando-se apenas
uma pequena menção desta unidade informacional na página da universidade.

1137

�analítica do conteúdo da página do SISBI/UFU, com ações de melhoria, como a criação do
link “Tecnologias (TIC)”120 e criaram novas perspectivas de estudo.
Com base na análise dos resultados obtidos foi possível identificar evolução e
adaptação das bibliotecas universitárias em relação ao uso das TIC a fim de melhor atender as
necessidades informacionais de seus usuários. Planejar a unidade informacional, visualizar o
futuro, definir o caminho para se alcançar os objetivos propostos, são possibilidades advindas
da gestão do conhecimento, que podem instrumentalizar os gestores a posicionarem as
bibliotecas no contexto administrativo das universidades, considerando a relevância e o valor
dos serviços que oferecem, de forma que não só acompanhem as inovações, mas que sejam
prioritárias na alocação de recursos orçamentários e, nas palavras de Maciel (1995, p. 1),
consolidem-se como “nutriz[es] do processo de geração do conhecimento”.

6 REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n° 12.965, de 23 abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e
deveres para o uso da Internet no Brasil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 abr. 2014.
Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm&gt;.
Acesso em: 2 maio 2014.
CASTRO, Gardenia de. Gestão do conhecimento em bibliotecas universitárias: um
instrumento de diagnóstico. 2005. 434 f Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2005.
CUNHA, Murilo Bastos. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010.
Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 29, n. 1, p. 71-80, jan./abr. 2000.
MACIEL, Alba Costa. Instrumentos para gerenciamento de bibliotecas. Niterói: EDUFF,
1995.
OHIRA, Maria Lourdes Blatt. Por que fazer pesquisa na Universidade? Revista ABC:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 3, n. 3, p. 65-76, 1998.
WERTHEIN, Jorge. A sociedade da informação e seus desafios. Ciência da Informação,
Brasília, DF, v. 29, n. 2, p. 71-77, maio/ago. 2000.

120 Cf. http://www.bibliotecas.ufu.br/node/170.

1138

�</text>
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                <text>Apresenta pesquisa de mestrado, em andamento, referente à gestão de bibliotecas universitárias identificando desafios e possibilidades, especificamente na área de inovação tecnológica, a fim de elaborar uma proposta de construção das possíveis tendências. Analisa o resultado de levantamento realizado nas páginas eletrônicas das 27 bibliotecas universitárias federais das capitais brasileiras e de três bibliotecas universitárias estaduais do estado de São Paulo, em que foram avaliadas 25 categorias dos avanços tecnológicos disponíveis aos usuários e divulgados na web. Compara os resultados com a realidade vivenciada no Sistema de Bibliotecas (SISBI) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apresenta algumas de suas inovações tecnológicas implementadas e em fase de implantação, nos últimos seis anos. Com base nos resultados obtidos indica como as bibliotecas universitárias estão em relação ao so das tecnologias da comunicação e informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CRIAÇÃO DE UM CURSO A DISTANCIA PARA CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS
QUANTO A ESTRUTURAÇÃO E NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS
ACADÊMICOS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO SBI/IFSC-USP
Maria Helena Di Francisco
Ana Mara Prado
Maria Cristina Dziabas
Sabrina di Salvo Mastrantonio
Luciana Brasil Martinez
Maria Neusa Azevedo
Vilma Del Grossi Coutinho
Caio Cesar Nascimento Moreira
RESUMO
A criação de um curso a distância, utilizando o ambiente virtual de aprendizagem Moodle,
tem como finalidade capacitar e orientar os alunos de graduação e pós-graduação quanto à
normalização e estruturação de trabalhos acadêmicos, de acordo com as normas da ABNTAssociação Brasileira de Normas Técnicas. O curso a distância foi estruturado em 4 módulos
e cada um deles possui tópicos específicos, sem aulas presenciais, que englobam informações
sobre elaboração de referências, citações em documentos, normalização e estrutura de
trabalhos acadêmicos e gerenciador de referências. A avaliação de cada módulo é composta
por exercícios específicos relacionados a cada assunto tratado nos tópicos. A equipe do
Serviço de Atendimento ao Usuário da Biblioteca é responsável pela atualização do conteúdo
e tutoria. A biblioteca já possui uma boa experiência com a capacitação de usuários no
formato de aulas presenciais, ministradas em algumas disciplinas do curso de graduação e
pós-graduação do Instituto de Física de São Carlos - IFSC da Universidade de São Paulo USP, desde 2004. Como resultado desta experiência, em 2013, resolvemos ampliar a oferta
desta capacitação, por meio da criação de um curso a distância para atender maior número de
usuários, pois a educação a distância tornou-se um instrumento valioso no ensino, oferecendo
flexibilidade nos horários, especificidade nos conteúdos, sem reduzir a qualidade da
aprendizagem.
Palavras-chave: Educação à distância; Bibliotecas universitárias; Capacitação de usuários.

ABSTRACT
The creation of a distance course using the virtual learning environment Moodle aims to
empower and guide undergraduate and postgraduate students regarding the standardization
and structuring of academic papers in accordance with the standards of ABNT - Brazilian
Association of Technical Standards. The distance learning coursewas structured in 4 modules
and each one has specific topics without regular classes which include information on
preparing references, citations in documents, standardization and structure of academic papers

4168

�and references manager. The evaluation of each module consists of specific exercises related
to topics in each subject matter. The staff at the Care Center User Library is responsible for
updating the content and mentoring. The library already has a good experience with the
training of users in face- taught in some subjects of the undergraduate and postgraduate
students of the Institute of Physics of São Carlos format - IFSC , University of São Paulo USP since 2004 .As a resultof this experience, in 2013 wedecided to expandthe provisionof
thistraining, through the creationofa distance courseto meetmore users, as distance
educationhas becomea valuable toolin teaching, offeringflexibility inschedules,
specificityincontent, without reducingthe quality of learning.
Keywords: Distance education; University libraries; Users training.

1 Introdução
O Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Física de São Carlos - SBI/IFSC
possui um Programa de Capacitação de Usuário, denominado PCU, cujo objetivo é a
orientação do aluno no uso das fontes de informação e normalização de documentos
científicos por meio de aulas presenciais. O programa também abrange visita orientada à
biblioteca; recepção de calouros; apresentação dos serviços e produtos oferecidos pela
biblioteca; treinamentos para o acesso as bases de dados; capacitação para normas da ABNT
sobre: estruturação e normalização de trabalhos acadêmicos, citações em documentos,
elaboração de referências e resumos. Para uma efetiva aplicação do programa de capacitação,
estabelecemos parcerias com alguns docentes, que disponibilizam algumas de suas aulas para
que possamos ministrar os treinamentos. Isto tem nos proporcionado bons resultados, um
deles foi a oportunidade de organizarmos juntamente com um docente a “Semana da Escrita
Científica do IFSC”, um evento de grande interesse para a comunidade local e externa,
atraindo aproximadamente 300 participantes/ano. O evento é composto por palestras,
minicursos e oficinas e este ano terá sua quinta edição. Com isso, conseguimos uma
aproximação bastante satisfatória com os docentes e alunos, cumprindo nosso papel de agente
de informação e fazendo com que nossos serviços e produtos sejam mais divulgados e
valorizados.
Resolvemos então, a partir destas experiências presenciais até o momento, criar um
curso a distância sobre “Estruturação e Normalização de Trabalhos Acadêmicos”, com o
objetivo de complementar a capacitação tradicional, sem o intuito de substituí-la. Para tal, o
conteúdo até então utilizado, foi complementado e adaptado para um ambiente virtual de
aprendizagem,

lotado na plataforma Modular

Object-Oriented Dynamic Learning

Environment(Moodle), que é um software livre, amplamente utilizado por educadores e

4169

�alunos de todo o mundo. O público alvo são os alunos de graduação, que chegam a
Universidade sem conhecimento das normas técnicas para elaboração dos seus relatórios,
resumos, pôsteres, trabalhos de conclusão de curso (TCC), entre outros. Pretendemos também
auxiliar os alunos de pós-graduação, norteando-os quanto à utilização das normas técnicas
para a elaboração de dissertações, teses e artigos científicos.

2 Revisão de literatura
Os serviços oferecidos pelas bibliotecas, bem como a infraestrutura de gestão do
acervo bibliográfico vem passando por reestruturações significativas, devido aos avanços
conquistados pelo desenvolvimento da tecnologia. Neste cenário, uma nova gama de
atividades é oferecida aos usuários pelos profissionais da informação. (OLIVEIRA et al.,
2013)
Marcada pelas novas tecnologias da informação e comunicação (TICs), as bibliotecas
desempenham não somente o papel de guardar e preservar, mas também de disponibilizar a
informação, e a Educação a Distância (EaD) vem bem de encontro à isso. Analisando a
história das bibliotecas, vemos que em cada período, tal como as distintas gerações de EaD,
elas também estão ligadas a suportes e técnicas que lhes dão características próprias, no
decorrer do tempo, conceituando-as de acordo com sua época.(SANTOS FILHO;
GIANNASI-KAIMEN, 2009)
Antônio (2013) aponta a tendência dos programas de capacitação e treinamento de
usuários, o qual visa capacitar os usuários quanto ao uso dos recursos informacionais
disponíveis, migrarem para os ambientes de aprendizagens virtuais, como o Moodle, de forma
a atingir maior público e aproveitar as novas ferramentas de comunicação e interatividade
destes ambientes. Costa et al. (2012), no mesmo sentido, alerta que a crescente demanda pela
EaD tem feito com que as universidades revisem seus cursos, investindo e adaptando-os à
nova realidade - onde conhecimento e inovações tecnológicas avançam rapidamente - o que se
estende às bibliotecas, na oferta de serviços e produtos aos seus usuários.
Simão Neto (2002) ressalta que, para a melhor compreensão das escolhas em relação
às tecnologias, mídias e metodologias utilizadas em um curso a distância, é importante
considerarmos algumas expectativas e objetivos. Para tal, apresenta uma lista com as
expectativas e desejos mais comuns em relação à EaD:
1. Vencer distâncias
2. Reduzir o custo
3. Reduzir o tempo de estudo

4170

�4. Ampliar escolhas
5. Facilitar o acesso
6. Diversificar o espaço
7. Aumentar a colaboração
8. Mudar as formas de ensinar e aprender
Dependendo do objetivo e do público alvo pretendido, faz-se a escolha e uso dos
meios e recursos tecnológicos mais adequados.
Na modalidade EaD, o aluno é co-responsável pelo seu processo de aprendizagem, por
meio do desenvolvimento de competências, habilidades, atitudes e hábitos de estudo, bem
como pela construção de conhecimento. Além disso, o aluno pode escolher o tempo e o local
que lhe forem adequados, sem a participação em tempo integral de um professor. Por sua vez,
o educador (professor e/ou tutor) atua como mediador deste processo a distância, em presença
física ou virtual, participando do processo de aprendizagem do aluno e o orientando a se
organizar com os prazos, permanecendo atento às necessidades sociais e dos saberes de cada
disciplina. (LIMA, 2014)
Baseado nas expectativas citadas por Simão Neto (2002) e na nova tendência de
criação de cursos EaD mencionada por Costa et al. (2012), estruturamos o curso aqui descrito.
Optamos por utilizar a plataforma Moodle que é um software livre que pode ser baixado,
customizado e utilizado sem custos. Segundo Alencar et al. (2011), o Moodle, assim como
qualquer outro Learning Management System (LMS), permite ao professor gerenciar um curso
a distância, que engloba as etapas de planejamento, implementação e gestão do aprendizado a
distância. A plataforma funciona como um apoio didático online, uma vez que disponibiliza
ao professor a escolha de ferramentas como fóruns, chat, diários, dentre outras que se
enquadram dentro do objetivo proposto para a disciplina. Também proporciona um espaço de
aprendizagem dinâmico, baseado na colaboração mútua dos participantes, cooperativismo,
compartilhamento de materiais, pesquisas, coletas e revisão de tarefas, avaliação e registro de
notas.

3 Materiais e métodos
O curso em questão é ministrado sob a modalidade à distância, desenvolvido no
ambiente virtual de aprendizagem do CISC - Centro de Informática de São Carlos da
Universidade de São Paulo, que utiliza a plataforma Moodle.

4171

�O ambiente Moodle foi configurado para atender às necessidades do curso. Além do
conteúdo teórico, dividido em módulos, algumas ferramentas foram escolhidas para auxiliar a
comunicação entre tutores e alunos, são elas:
Fórum de notícias: pode ser utilizado para comunicação de assuntos gerais, como divulgação
de eventos que possam ser de interesse aos alunos do curso, mas também pode tratar de
assuntos da disciplina, como abertura de um novo tópico ou módulo do curso (Figura 1).
Fórum de discussão: ferramenta de interação assíncrona, permitindo que os alunos discutam
um tema ou tirem suas dúvidas. O fórum de discussão quando utilizado como fórum de
dúvidas, propicia aos alunos exposição de suas dúvidas aos tutores e ao mesmo tempo,
compartilham com os colegas, que podem ajudá-los a esclarecer ou aprender com as respostas
dos tutores (Figura 2).
Chat: interação síncrona (isto é, em tempo real) entre tutores e alunos ou mesmo entre os
alunos. Possibilita que o atendimento às dúvidas ou dificuldades, ou até mesmo discussões
sobre determinado assunto, aconteçam de forma mais dinâmica (Figura 3).

Figura 1 - Fórum de notícias

Fonte: ENSINO...

4172

�Figura 2 - Fórum de discussão

Fonte: ENSINO..
Figura 3 -Chat

Fonte: ENSINO...

3.1 Estrutura do curso
O coteúdo do curso foi dividido em 4 módulos, sendo os módulos 1, 2 e 3 sobre as
normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas e o módulo 4 trata
especificamente do Gerenciador de Referências EndNote Basic da Thomson Reuters
(Figuras4 e 5). Cada um dos módulos foi dividido em tópicos e foram propostos exercícios
relativos aos respectivos assuntos abordados. O intuito desta subdivisão foi facilitar a
assimilação do conteúdo e a proposta de exercícios visa o acompanhamento do aprendizado

4173

�pelos tutores, bem como as dificuldades enfrentadas pelos alunos neste processo. Os módulos
1 e 2 do curso já estão disponíveis no ambiente virtual. Os demais módulos estão em fase de
elaboração e a previsão para disponibilizá-los é o segundo semestre de 2014.

Figura 4 - Página inicial do curso

Fonte: ENSINO.

Figura 5-Módulo 1 Elaboração de Referências

Fonte: ENSINO...

4174

�Módulo 1 - Elaboração de Referências
Este módulo tem como objetivo geral orientar os alunos na elaboração de referências
de acordo com as normas da ABNT NBR 6023.
Os objetivos específicos são:
a) ressaltara importância da normalização na elaboração de documentos e fornecer
subsídios para que os alunos reconheçam os elementos essenciais e complementares que
possibilitam a identificação individual de um documento (Tópico 1);
b) apresentar a sequência padronizada dos elementos das referências nas diferentes
normas e orientar, em relação à norma ABNT, sobre as regras gerais de apresentação das
referências, quanto ao formato e ordenação das mesmas (Tópico 2);
c) detalhar os elementos das referências, apresentando as variações possíveis para cada
um deles, facilitando ao aluno a identificação dos mesmos (Tópico 3);
d) orientar a elaboração de referências de diferentes tipos de documentos, fornecendo
modelos e exemplos variados (Tópico 4);
Módulo 2 - Citação
O objetivo geral deste módulo é apresentar as características oficiais para a criação de
citações em todos os tipos de documentos, nos quais seja necessário o emprego das Normas
da ABNT NBR 10520 - Citações em documentos.
Os objetivos específicos são:
a) apresentar a norma que rege a citação em documentos,ressaltando a importância em
mencionar a fonte consultada na elaboração de trabalhos acadêmicos, para dar credibilidade
ao mesmo, bem como evitar o plágio (Tópico 1);
b) descrever e exemplificar os diferentes tipos de citação (Tópico 2);
c) comentar sobre alguns casos específicos de citação, bem como detalhar o
significado e aplicação das expressões latinas (Tópico 3);
d) orientar quanto aos diferentes tipos de sistemas de chamada, autor-data e numérico,
comentando sobre as vantagens e desvantagens de cada um deles (Tópico 4)
Módulo 3-Apresentação de trabalhos acadêmicos
Este módulo está em fase de elaboração pela equipe responsável e nele serão tratados
os conceitos gerais dos trabalhos acadêmicos, tais como: regras gerais de apresentação (fonte,
espacejamento, margem, paginação, numeração progressiva, listas de figuras, tabelas,
símbolos, sumário, anexos, apêndices e sistemas de chamada: numérico e autor-data, etc...). O
objetivo é auxiliar os alunos na estruturação e organização das suas dissertações, teses, TCCse
na submissão dos artigos científicos, tendo com base a norma da ABNT NBR

4175

�14724:Informação e documentação - Trabalhos acadêmicos -Apresentação. Um trabalho bem
estruturado permite uma leitura mais coesa e facilidade na obtenção de informações dentro do
documento e isso se dá pela padronização das informações segundo a norma mencionada.
Módulo 4-Gerenciador de Referências
Outro módulo, ainda em fase de elaboração, é o do gerenciador EndNote Basic
desenvolvido pela Thomson Reuters e disponível para toda comunidade USP, que permite
armazenamento, organização das referências recuperadas nas bases de dados e possibilita a
inclusão de citações e referências na elaboração de um texto. Seu conteúdo envolve ainda o
gerenciamento de pastas, compartilhamento com outras pessoas com permissão para leitura

ou edição, verifica a duplicidade de referências, padronização segundo as normas
internacionais e nacional, além do armazenamento dos arquivos PDFs e figuras recuperados.
O principal objetivo na utilização dos gerenciadores de referências é facilitar a gestão das
referências, propiciando a otimização no desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos, bem
como, a padronização das referências conforme o estilo adotado pelas Instituições.Para cada
um dos módulos, um conjunto de exercícios foi sugerido para fixação do conteúdo. Dentre as
opções do Moodle, foram utilizados dois tipos de exercícios:
Tarefa: o aluno deve postar um documento, como resposta a atividade proposta (Figura 6).
Questionário: o aluno deve escolher uma opção de resposta entre as sugeridas, a partir de
uma questão objetiva (Figura 7).
Para cada uma das atividades propostas,foi configurada a edição de notas que pode ser
automática, quando a atividade for um questionário, por exemplo, ou adicionada pelo tutor,
quando for uma atividade do tipo tarefa (Figura 8).

Figura 6 - Modelo de exercício: tarefa

4176

�Figura 7 -Modelo de exercício: questionário
H o m e P a g e ► M eus cursos ► E S T R U T U R A Ç Ã O E N O R M A L IZ A Ç Ã O DE TR A B A L H O S A C A D Ê M IC O S ► M O D U L O 1 - EL A B O R A Ç Ã O DE R E F E R Ê N C IA S ► E xercidos tópico 2 ► V isu alizaç ão prévia

Navegação do
questionário

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Id entifiq u e a norm a correspondente às seguintes referendas:

r**ereo

\&lt;r.

Andrade C. T. etal. (2013). Photodynamic therapy for non-melanoma skin
cancer. In: P. Vereecken (Ed.). Highlights in skin cancer, (pp. 233-248).
Rijeka: Intech.

^cdiquesoon

|Navegação

ANDRADE, C. T. et al. Photodynamic therapy for non-melanoma skin
cancer. In VEREECKEN, P., ed. Highlights in skin cancer. Rijeka: Intech,
2013. p. 233-248.

Configurações
Andrade CT, et al. Photodynamic therapy for non-melanoma skin cancer.
In: Vereecken P, editor. Highlights in skin cancer. Rijeka: Intech, 2013. p.
233-248.

ANDRADE, C. T. et al. Photodynamic therapy for non-melanoma skin
cancer. In: VEREECKEN, P. (Ed.) Highlights in skin cancer. Rijeka: Intech,
2013. p. 233-248.

Escolher

▼

Fonte: ENSINO....

Figura 8 - Relatório de notas

Fonte: ENSINO...

4177

�A equipe do Serviço de Atendiment ao Usuário da Biblioteca é responsável pela
manutenção, atualização do conteúdo e tutoria. Foi contratado um bolsista com recursos da
Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP através do Programa Aprender com
Cultura e Extensão, para estudar os recursos e ferramentas disponíveis na plataforma, e fazer
a customização, com o objetivo de atender as necessidades relativas à disponibilização de
conteúdos, acompanhamento da participação de alunos, execução de tarefas, chats para
contatar os tutores responsáveis por cada módulo e avaliações.
Contamos com o apoio de alguns alunos do IFSC e estagiários do curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de São Carlos (escolhidos de forma aleatória), para
os testes dos dois módulos já prontos, pois apesar das revisões feitas pela própria equipe,
algumas sugestões e críticas foram apontadas por eles e corrigidas pela equipe responsável.

4 Resultados parciais
A criação deste curso foi uma oportunidade de aprendizado também para a equipe
envolvida, uma vez que nos proporcionou o conhecimento do funcionamento da plataforma
Moodle (inserção de conteúdos, funcionalidades e customização). Até o presente momento, os
módulos 1 e 2 do curso já foram finalizados e avaliados pelos alunos mencionados no item 3 e
disponibilizados no ambiente virtual. Os demais módulos estão em fase de elaboração, com
previsão de disponibilização para o segundo semestre de 2014.
A experiência na construção deste curso foi desafiadora para a equipe responsável,
pois exigiu a disposição de repensar e ampliar o método de capacitação, até então presencial,
para virtual. Tivemos também que fazer o exercício de nos colocarmos no papel do aluno e
refletir qual a melhor maneira de abordar os assuntos, pois o aluno deverá ter capacidade de
compreender e responder aos exercícios propostos de acordo com o entendimento absorvido
ao ler o conteúdo descrito em cada tópico.

5 Considerações Finais
Entendemos que investir nesse formato educacional foi extremamente benéfico, uma
vez que a EaD possibilita que as variáveis tempo e local sejam administradas pelos alunos de
acordo com seu ritmo, os quais podem gerenciar seu processo de aprendizagem.
Além disso, a sala de aula virtual permite um atendimento personalizado, por meio da
possibilidade de maior interação entre tutores e alunos.
Acreditamos que a criação deste curso, na modalidade EaD, possa atender uma
demanda maior de alunos, com a oportunidade de se beneficiarem com informações

4178

�relevantes sobre estruturação e normalização de trabalhos acadêmicos, informações estas, que
podem auxiliar no desenvolvimento de suas pesquisas e trabalhos acadêmicos.
Em uma segunda etapa, pretendemos buscar parcerias com alguns docentes do IFSC
para que esse curso seja utilizado como uma ferramenta de capacitação dentro de suas
disciplinas e também propormos à Comissão de Graduação do IFSC, que o mesmo faça parte
da grade curricular do IFSC como uma disciplina optativa.
Esperamos que esta iniciativa abra oportunidades para o desenvolvimento de outros
cursos e treinamentos oferecidos pela biblioteca, conforme a demanda de interesse e novas
necessidades dos usuários.

6 Referências
ALENCAR, A. S. et al. O Moodle como ferramenta didática. In: CONGRESSO NACIONAL
UNIVERSIDADE, EAD E SOFTWARE LIVRE, 2., 2011, Belo Horizonte. Anais... Belo
Horizonte: UFMG, 2011. v 2, n. 2, p. 1-5.
ANTONIO, A. D. A biblioteca universitária no contexto da educação a distância. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. A n a is . São Paulo: FEBAB, 2013. v.25, p.
1456-1467.
COSTA, M. E. O. et al. Sistema de bibliotecas da UFMG: criação de um setor de apoio às
bibliotecas

pólos

da

EAD.

In:

SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado. A n a is . Porto Alegre: UFRGS, 2012. p. 1-12.
ENSINO a distancia do CISC: estruturação e normalização de trabalhos acadêmicos. 2014.
Disponível em: &lt;ead.cisc.usp.br/course/view.php?id=14&gt;. Acesso em: 14 abr.2014.
LIMA, V. S. As raízes e singularidades da EaD. Disponível em:
&lt;http://sembarreirasparaeducar.blogspot.com.br/2008/10/httpwwweducacaoadistanciaorgbrsit
e.html.&gt; Acesso em: 12 abr. 2014.
OLIVEIRA, J. P. et al. Aprimoramento profissional e EAD no Sistema de Bibliotecas da
UFMG: aplicabilidade do Moodle e Camtasia Studio na capacitação virtual. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. A n a is . São Paulo: FEBAB, 2013. v. 25, p.
2903-2913.
SANTOS FILHO, J. M.; GIANNASI-KAIMEN, M. J.Biblioteca digital como recurso
informacional no ensino superior a distância (EaD): uma análise das instituições de ensino

4179

�superior (IESs) credenciadas para programas de EaD na região Sul do país. Informação &amp;
Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 19, n.3, p. 87-97, set./dez. 2009. Disponível em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/2390/3129&gt;. Acesso em: 08 abr. 2014.
SIMÃO NETO, A. Planejando EAD: uma tipologia das formas de educação a distância com
base nos meios utilizados e no grau de interação entre os agentes. Colabor@, v. 1, n. 4, p. 51­
68, maio 2002.
Disponível

em:

&lt;http://pead.ucpel.tche.br/revistas/index.php/colabora/article/viewFile/33/31&gt;. Acesso em: 10
abr.2014.

4180

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A criação de um curso a distância, utilizando o ambiente virtual de aprendizagem Moodle, tem como finalidade capacitar e orientar os alunos de graduação e pós-graduação quanto à normalização e estruturação de trabalhos acadêmicos, de acordo com as normas da ABNTAssociação Brasileira de Normas Técnicas. O curso a distância foi estruturado em 4 módulos e cada um deles possui tópicos específicos, sem aulas presenciais, que englobam informações sobre elaboração de referências, citações em documentos, normalização e estrutura de trabalhos acadêmicos e gerenciador de referências. A avaliação de cada módulo é composta por exercícios específicos relacionados a cada assunto tratado nos tópicos. A equipe do Serviço de Atendimento ao Usuário da Biblioteca é responsável pela atualização do conteúdo e tutoria. A biblioteca já possui uma boa experiência com a capacitação de usuários no formato de aulas presenciais, ministradas em algumas disciplinas do curso de graduação e pós-graduação do Instituto de Física de São Carlos - IFSC da Universidade de São Paulo – USP, desde 2004. Como resultado desta experiência, em 2013, resolvemos ampliar a oferta desta capacitação, por meio da criação de um curso a distância para atender maior número de usuários, pois  a educação a distância tornou-se um instrumento valioso no ensino, oferecendo flexibilidade nos horários, especificidade nos conteúdos, sem reduzir a qualidade da aprendizagem. </text>
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                    <text>XVIII SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIOS DIGITAIS INSTITUCIONAIS: UM VIÉS PELA LEI DE ACESSO À
INFORMAÇÃO

Izabel Mota Franco
Ariadne Chloe Furnival

RESUMO
No Brasil, a preocupação com o acesso aberto data de 2005, com o Manifesto Brasileiro de
Apoio ao Acesso Livre; em 2011, ganha um impulso com a Lei de Acesso à Informação (Lei
n° 12.527, de 18 de novembro de 2011) que instituiu um novo regime de gerenciamento,
divulgação e acesso às informações públicas, estimulando a cultura da transparência. As
instituições procuram disponibilizar o acesso às informações de todo tipo que geram:
produção científica, tecnológica e cultural. Isso deveria incluir também a Literatura Cinzenta,
constituída por relatórios técnicos de pesquisa, publicações governamentais, traduções
avulsas, preprints e a literatura originada de encontros científicos, como os anais de
congressos. A presente pesquisa centraliza-se na questão da viabilidade e da ampliação do
conceito de Repositório Institucional (RI), para algo que abrange todo tipo de produção da
organização, disponibilizando a produção científica, técnica e cultural, juntamente com a
produção da comunidade funcional da instituição. Dessa forma, atende também à Lei de
Acesso à Informação. O intuito da pesquisa foi de levantar e apontar potenciais subsídios para
a elaboração de uma política de RI que contemplasse essa visão mais ampla. Para tanto, foi
realizado um estudo de caso numa Instituição de Ensino Superior, operacionalizando-o por
meio de uma pesquisa bibliográfica e documental, além de realizar 13 entrevistas
semiestruturadas. Para a análise dos dados, optou-se pela técnica de análise de conteúdo
baseada nos fundamentos de Bardin (2010). O resultado esperado deste estudo se concretizará
numa sistematização de conceitos e argumentos que possam subsidiar a formulação de uma
política de RI que abranja a necessidade da maior divulgação e disseminação da informação
científica dentro e fora da comunidade científica quanto da informação gerada na instituição
para o público em geral.
Palavras-chave: Repositório Institucional; Acesso Aberto; Lei de Acesso à Informação;
Literatura Cinzenta; Informação pública.

ABSTRACT
In Brazil, interest in open access dates from 2005 with the Brazilian Manifesto of Support for
Open Access, and gets a boost in 2011 with the Law on Access to Information (Law no.
12.527/ 18/11/2011) which ushered in a new system of management, dissemination and
access to public information, encouraging a culture of transparency. From the Law's

1709

�promulgation, institutions seek to provide access to information of all kinds that they produce:
scientific, technological and cultural outputs. This should also include Grey Literature which
is made up of technical research reports, government publications, translations, preprints and
literature originating in scientific meetings such as conference proceedings. The research here
presented focusses on the question of the feasibility of broadening the concept of Institutional
Repository (IR) to one that covers every type of the organization's output, providing access to
scientific, technical and cultural production alongside that of the institution's administrative
community, thereby complying with the Law on Access to Information. The aim of the
research was to collect and identify potential inputs for the development of a policy for an RI
which embraces this broader concept. Thus, a case study in a higher education institution was
conducted by means of bibliographic and document research, in addition to conducting 13
semi-structured interviews. For data analysis, the technique of content analysis based on the
precepts of Bardin (2010) was used. The expected outcome of this study will be the
systematization of concepts and arguments that can support the formulation of an RI policy
covering the need for greater disclosure and dissemination of scientific information within
and beyond the scientific community, as well as of information generated in the institution for
the general public.
Keywords: Institutional Repository; Open Access; Law on Access to Information; Grey
literature; Public information.

INTRODUÇÃO
Todo conhecimento científico produzido nas universidades precisa ser disseminado, e,
com a tecnologia da informação e comunicação (TIC) nesta última década, está ocorrendo
uma reforma no sistema de comunicação científica. As mudanças mais claras na comunicação
científica ocorreram na comunicação informal entre os pesquisadores, o que transparece a
rápida difusão das redes eletrônicas nos últimos anos; porém, também houve alterações na
comunicação formal que faz uso de canais formais - referindo-se a periódicos, livros, obras
de referência, revisões de literatura, biografias, relatórios técnicos e outros.
Neste contexto surgem os Repositórios Institucionais (doravante denominados RIs).
Os RIs podem contribuir como ferramenta de apoio, tornando visível toda a produção
científica das universidades e instituições de pesquisa. Nesse processo de comunicação
científica, segundo Crow (2002), os RIs podem ser indicadores tangíveis de qualidade de uma
universidade e demonstrar a relevância científica, social e econômica de suas atividades de
pesquisa, aumentando a visibilidade, o status e o valor público da instituição. Os RIs
promovem o acesso livre à literatura científica e acadêmica, contribuindo para mudanças no
sistema de comunicação científica.
Os repositórios surgiram com o propósito de preservação da memória e visibilidade
institucional, porém esses ambientes não precisam ser obrigatoriamente científicos. Eles

1710

�foram criados com esse objetivo, mas podem ser desenvolvidos com fins administrativos
(visando a comunidade funcional), de acordo com Carmago e Vidotti (2009). O termo
comunidade funcional não tem uma definição formalizada, e no contexto deste estudo optouse pelo seguinte entendimento: comunidade funcional refere-se ao conjunto de funcionários
ou servidores públicos que atuam cada qual em sua função, com interesses comuns
administrativos, na organização de informações geradas em suas instituições.
Para reforçar esse movimento em benefício da disseminação da produção científica e
também do acesso às informações gerais que estão contidas nas atividades administrativas das
universidades públicas, foi instituída a Lei de Acesso à Informação (LAI), Lei n° 12.527, de
18 de novembro de 2011191. O objetivo original da LAI está focado em todos os órgãos
públicos, mas de certa forma pode reforçar o movimento em benefício da disseminação da
produção científica pelo viés do acesso às informações gerais que estão contidas nas
atividades administrativas das universidades públicas. No entendimento de que muitas
atividades-fim são a pesquisa, o ensino e a extensão, deve-se atentar também a muitas que não
são atividades-fim, mas que são extremamente importantes para que as ações aconteçam a
contento no processo final das pesquisas.
Considerando o direito de acesso dos cidadãos às informações públicas, não se pode
ignorar o fato de que muitos documentos estão incluídos na chamada Literatura Cinzenta
(LC) e são gerados pelos Três Poderes da União (Estados, Distrito Federal e Municípios), por
empresas estatais e universidades. No dizer de Almeida (2000, p. 37), a LC é o
[...] conjunto de documentos, independentemente de sua tipologia e suporte,
ou formato, impresso ou eletrônico, emitidos por centros universitários de
pesquisa, empresas, indústrias, sociedades acadêmicas, públicas e privadas,
sem intenção de ser publicados e que são de vital importância na
transferência do conhecimento.
A referida literatura abrange os produtos gerados das atividades da comunidade
funcional (servidores públicos, técnicos administrativos), as publicações governamentais, as
traduções avulsas, os preprints, as dissertações, as teses e a literatura originada de encontros
científicos, como os anais de congressos.
Este estudo visou contribuir com possíveis apontamentos para elaboração de diretrizes
que possam auxiliar na criação de políticas para RIs em Instituições de Ensino Superior
(doravante IES), e dentre os objetivos mais especificamente procurou: levantar e mapear os

191 Disponível em: &lt; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm&gt;.

1711

�conceitos de RIs; identificar as principais políticas adotadas em RIs no Brasil; levantar e
apontar potenciais subsídios para a elaboração de uma política de RI, que o contemple com
um conceito mais amplo; analisar como o estabelecimento da LAI impactará nas iniciativas
de se instituir um RI em Acesso aberto nas IES.
Apresentamos implicações centralizadas na questão da viabilização e da ampliação do
conceito de Repositório Institucional como algo que abrange a organização e a
disponibilização da produção científica, juntamente com a produção da comunidade funcional
das Instituições de Ensino Superior (IES). Assim, essa produção pode também atender à Lei
de Acesso à informação, conexa à transparência do retorno dos investimentos públicos.
O estudo se concretizará numa sistematização de conceitos e argumentos que possam
subsidiar a formulação de uma política de RI que abranja tanto a necessidade da maior
divulgação e disseminação da informação científica dentro da comunidade científica e para o
público em geral, quanto da informação pública para as mesmas comunidades.

REVISÃO DE LITERATURA
É sabido que o cenário da comunicação científica se transformou completamente em
razão da Iniciativa de Arquivos Abertos (OAI, na sigla em inglês) e do Movimento OA (Open
Access); assim, há de se observar alguns aspectos em ambas instâncias, como considera Freire
(2011, p. 70):
a)
A Iniciativa de Arquivos Abertos está centralizada num escopo
puramente tecnológico, ou seja, na criação de ferramentas e arranjos
estruturais para acomodar arquivos digitais;
b)
O Movimento de Acesso Aberto busca a conscientização dos
cientistas e demais atores envolvidos no processo de construção e
disseminação do conhecimento científico para os benefícios que essas novas
tecnologias trazem para o processo de comunicação científica e
consequentemente para o avanço da ciência.
Outros autores também desenvolveram estudos sobre o Acesso Aberto. Dentre eles,
citamos: Prosser (2003); Batista (2007); Suber (2010); Harnad (2011); Furnival (2012).
Existem várias percepções em relação aos conceitos de RIs. Em meio a essas, destacase a definição de Lynch (2003), segundo a qual o Repositório Institucional é um conjunto de
serviços que uma universidade oferece aos membros de sua comunidade para a gestão e
disseminação de materiais digitais que, criados pela instituição, reforçam a importância do
compromisso organizacional com a administração, organização e distribuição desses materiais
e o acesso a eles, incluindo a preservação em longo prazo.

1712

�As definições são diversas, no entanto alguns autores contribuíram com estudos
relacionados a essa temática: Raym Crow (2002); Ware (2004); Café et al. (2003); Costa e
Leite (2006); Viana, Márdero Arellano e Shintaku (2006); Mueller (2007); Kuramoto (2008);
Pavão (2010); Rosa (2011); e Leite, Amaro, Batista e Costa (2012).
Existe uma intersecção, embora implícita, entre RIs e a LAI, pelo fato de que essa Lei
ajuda a reforçar esse movimento em benefício da disseminação e do acesso às informações
gerais que são geradas por universidades públicas e contidas nas suas atividades
administrativas (essas informações são o que se denomina LC).
Moura e Moraes (2012) e Gruman (2012) compartilham que a LAI assegurará o
direito fundamental de acesso à informação pública, ainda que a transparência e o acesso não
garantam a eficácia do funcionamento da máquina pública; pelo contrário, sua ausência é
garantia de mau uso dos recursos públicos. Considerando o direito de acesso dos cidadãos às
informações públicas, não se pode ignorar o fato que muitas dessas informações se encontram
na LC e são ignoradas na maioria dos RIs. O sistema SIGLE

, o sistema GreyNet

e

autores como Gomes (2003), Torres Ramírez (1994), Población (1997) e Funaro (2006)
realizaram estudos em favor da LC.

MATERIAIS E MÉTODOS
Utilizou-se a pesquisa bibliográfica adotando-se a coleta de dados sistematizada, de
acordo com um rol de termos entendidos como pontos-chave. Juntamente com a pesquisa
bibliográfica foram realizadas entrevistas semiestruturadas na cidade de São Carlos (SP), com
stakeholders19213194 de uma IES no processo da disseminação das informações nela geradas.
Nessas entrevistas estão incluídos docentes, um especialista na análise e disseminação de
informações e gestores técnicos administrativos envolvidos de alguma forma com RIs.
Contendo sete questões, a entrevista teve como propósito obter a percepção de vários aspectos
em relação aos RIs. Na etapa da pesquisa de campo seguiu os seguintes passos: elaboração do
roteiro de entrevista semiestruturada; pré-teste; submissão do projeto ao Comitê de Ética;
apresentação do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE); convite aos
entrevistados por e-mail; e realização das entrevistas e transcrições delas. No procedimento
para a análise dos dados - ainda em andamento - utilizou-se a técnica de análise de conteúdo

192 Disponível em:&lt; SIGLE (System for Information on Grey Literature in Europe) Input: how to make yourgrey
documents available through SIGLE. http://www.konbib.nl/sigle/input.htm&gt;
193 Sistema de Informação sobre Literatura Cinzenta na Europa. Disponível em:&lt;http://www.greynet.org/&gt;
194 Stakeholders são definidos como pessoas ou grupos que têm interesses legítimos em aspectos substantivos ou
processuais na atividade da instituição ou organização (DONALDSON; PRESTON, 1995).

1713

�de Bardin (2010). Essa técnica busca analisar o que está explícito no texto, para assim obter
indicadores que permitam fazer inferências. Com as entrevistas transcritas, realizou-se uma
pré-análise, com o intuito de identificar e categorizar trechos e a contagem na ponderação da
frequência. Criou-se um quadro com padrão de cinco colunas contendo elementos para
elaboração da análise de conteúdo da entrevista: a) Categoria; b) Subcategoria; c) Unidade de
registro; d) Unidade de contexto; e) Enumeração. Dessa forma, foram adotados os seguintes
sinais para a ponderação da frequência de opinião: (+) positivo; (-) negativo; (0) neutro.

RESULTADOS PARCIAIS
A amostra aqui discutida é parcial em razão de a pesquisa estar em andamento. No no
discurso dos entrevistados dessa amostra, percebeu-se uma postura favorável aos RIs; no
entanto, em algumas questões que envolvem esse tema aparecem alguns aspectos em que os
entrevistados se posicionaram neutros e negativamente. Ao se adotar o método de análise de
conteúdo, compreende-se a percepção da frequência de opiniões dessa modalidade; nas
questões da entrevista procuramos abranger os seguintes aspectos: 1) Responsabilidade pela
implementação e manutenção do Repositório Institucional (RI); 2) Políticas de submissão; 3)
Conteúdo; 4) Padrões; 5) Sociedade. Foram emitidas somente as opiniões de dois
entrevistados em cada uma das sete questões, totalizando 14 opiniões, como mostra a tabela a
seguir:
Tabela 1: Ponderação da frequência de opinião
Questão

Frequência

N° 1

++

N° 2

+0

N° 3

++

N° 4

0+

N° 5

+-

N° 6

++

N° 7

0+

Fonte: do autor

A abordagem qualitativa utilizada na análise de conteúdo permitiu a compreensão do
tratamento dos dados. O resultado parcial da pequena amostra das entrevistas gerou algumas
considerações e conhecimento na temática do RI.

1714

�Contudo, enfatiza-se a intersecção dos RIs com a Lei de Acesso à Informação
considerada na categoria Conteúdo (inclusão de documentos); a frequência de opiniões
demonstrou-se favorável à inclusão de documentos gerados nas atividades-fim que fazem
parte da Literatura Cinzenta, ou seja, relatórios administrativos, pareceres, atas, projetos e
documentos relacionados à memória, e à preservação digital, mas com a ressalva que, se
forem incluídos, esses documentos devem estar ordenados dentro de comunidades e coleções
no RI.

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Retomando o problema alusivo à possibilidade da ampliação do conceito de RI como
algo que abrange a organização e a disponibilização da produção científica, juntamente com a
produção da comunidade funcional das IES, procuramos por meio das análises realizadas e
nos referenciais teóricos resposta para essa indagação. Alguns objetivos foram atingidos
parcialmente e a próxima etapa do estudo será o cumprimento de um cronograma proposto dentre as atividades está a continuação da tabulação das entrevistas e o prosseguimento de
outras etapas da pesquisa.
A partir da breve abordagem do acesso aberto, pode-se afirmar que os modos abertos
de disseminar a pesquisa científica são o futuro da comunicação científica, senão o presente.
As ferramentas utilizadas na gestão do conhecimento científico - como os RIs - podem e
devem ser também empregadas quanto à gestão da LAI. O movimento em favor de a LC se
tornar mais visível ganhará mais adeptos conforme a importância do seu acesso for
amplamente divulgada para o público em geral, particularmente dentro do contexto da LAI
hoje vigente no Brasil.
Espera-se que o estudo em andamento possa despertar uma apreciação de que o tema
aqui em pauta consolide os esforços dos movimentos em favor da disseminação aberta da
informação de todos os tipos, e não exclusivamente das pesquisas científicas, assim
contribuindo como um passo a mais para a democratização das relações governamentais com
a sociedade.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>No Brasil, a preocupação com o acesso aberto data de 2005, com o Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre, em 2011, ganha um impulso com a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011) que instituiu um novo regime de gerenciamento, divulgação e acesso às informações públicas, estimulando a cultura da transparência. As instituições procuram disponibilizar o acesso às informações de todo tipo que geram: produção científica, tecnológica e cultural. Isso deveria incluir também a Literatura Cinzenta, constituída por relatórios técnicos de pesquisa, publicações governamentais, traduções avulsas, preprints e a literatura originada de encontros científicos, como os anais de congressos. A presente pesquisa centraliza-se na questão da viabilidade e da ampliação do conceito de Repositório Institucional (RI), para algo que abrange todo tipo de produção da organização, disponibilizando a produção científica, técnica e cultural, juntamente com a produção da comunidade funcional da instituição. Dessa forma, atende também à Lei de Acesso à Informação. O intuito da pesquisa foi de levantar e apontar potenciais subsídios para a elaboração de uma política de RI que contemplasse essa visão mais ampla. Para tanto, foi realizado um estudo de caso numa Instituição de Ensino Superior, operacionalizando-o por meio de uma pesquisa bibliográfica e documental, além de realizar 13 entrevistas semiestruturadas. Para a análise dos dados, optou-se pela técnica de análise de conteúdo baseada nos fundamentos de Bardin (2010). O resultado esperado deste estudo se concretizará numa sistematização de conceitos e argumentos que possam subsidiar a formulação de uma política de RI que abranja a necessidade da maior divulgação e disseminação da informação científica dentro e fora da comunidade científica quanto da informação gerada na instituição para o público em geral.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO EM BIBLIOTECAS DE ARTE: O USO NA
REDARTE/RJ

Klara Martha Wanderley Freire

RESUMO
O estudo tem como objetivo identificar os sistemas de classificação documentária utilizados
em cada Unidade de Informação componente da Rede de Bibliotecas e Centros de Informação
em Arte no Estado do Rio de Janeiro (REDARTE/RJ), bem como descobrir se na visão
particular do classificador destas organizações o sistema de classificação utilizado mostra-se
adequado aos propósitos de representação dos assuntos do acervo de sua unidade. Para tal,
utiliza-se de questionário disponibilizado via web. No referencial teórico versa sobre a
organização da informação e do conhecimento e o ato da classificação. Por fim, exibe seus
resultados, sendo, com mais da metade, a CDD a mais utilizada dentre as bibliotecas da Rede
e a opinião, quanto à adequação do sistema à representação dos itens do acervo, demonstrou
ser positiva quando da utilização da CDU e de sistema próprio. Quanto à utilização da CDD,
nem todos concordaram com sua total efetividade na representação.

Palavras-Chave: Sistemas de Classificação. Bibliotecas de Arte. Classificação Decimal de
Dewey. Classificação Decimal Universal. Organização da Informação e do Conhecimento.
ABSTRACT
The study aims to identify the documentary classification systems used in each unit of the
Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de Janeiro
(REDARTE/RJ), as well as find out if, in the particular view of the unit’s
classifiers, the classification system used proves to be adequate for the subjects representation
purposes in their collection. To this end, we use a questionnaire made available via
web. The theoretical framework discusses about the organization of information and
knowledge and the act of classification. Finally, it displays its results: CDD is the most used
among REDARTE/RJ libraries. Librarian's opinion about the adequacy of the items
representation proved to be positive when using the UDC and personal systems. Regarding
the DDC use, not everyone agreed with its overall effectiveness in representation.

Keywords: Classification Systems. Art Libraries. Dewey Decimal Classification. Universal
Decimal Classification. Organisation of Information and Knowledge.

3736

�1 INTRODUÇÃO
Já inerente ao ser humano há a necessidade de organizar, dar ordem , a fatos,
situações, elementos. Ajuntam-se coisas por suas diferenças e semelhanças, na tentativa de
que façam sentido umas junto às outras, seguindo determinado critério de organização.
Deste modo, pode-se dizer que é da natureza humana o ato de classificar.
“A [...] arte de classificar [é] tão antiga quanto a humanidade” (DAHLBERG, 1979).
O homem classifica, desde sempre e o faz para uma posterior recuperação daquilo que foi

ordenado. Esta necessidade contínua faz da classificação uma disciplina atemporal e
essencial. Classificar é preciso!
O termo “classificar” nasce do latim classis, nome dado à divisão de grupos do povo
romano. Zedler, no ano de 1733, em seu Universal Lexicon, cunha o termo utilizando-se de
duas palavras latinas classis e facere para expor uma divisão de apelações do Direito Civil.
Apenas ao final do século XVIII, passa a ser aplicada para ordenação das ciências
(PEIDADE, 1983).
De acordo com Souza (2010, p.13), classificação “é o processo de reunir coisas, ideias
ou seres, em grupos, de acordo com seu grau de semelhança” . Na área de Documentação, as

classificações bibliográficas são hoje chamadas documentárias e “tiveram suas origens
[...] na classificação dos conhecimentos humanos, tendo sido Platão o primeiro a agrupá-los
segundo bases filosóficas. A classificação mais conhecida é a de Aristóteles, discípulo de
Platão” (BARBOSA, 1969 apud SOUZA, 2010, p.13).
São vários os sistemas de classificação documentária existentes, dentre eles, os
principais apontados na literatura da área são: a Expansive Classification, de Charles Ammi
Cutter, Library of Congress Classification (LCC), Brown e sua Subject Classification, Bliss e
a Bibliographie classification, Colon Classification do matemático indiano Ranganathan, a
Decimal Classfication, de Melvil Dewey e a Classificação Decimal Universal de Paul Otlet e
Henri La Fontaine. “Os sistemas mundialmente mais utilizados são: a Classificação Decimal
de Dewey (CDD), e a Classificação Decimal Universal (CDU)” (GASPAR; REIS, 2010, p.1).
Devido à popularidade de aplicação, a CDD e CDU deverão ter destaque nesta
pesquisa, assim sendo, é importante mencionar que a CDD é um sistema geral de organização
do conhecimento continuamente atualizada para acompanhar as transformações pelas quais as
ciências passam; é utilizada em 138 países, dos quais alguns deles (mais de sessenta nações)
usam o sistema para organizar sua bibliografia nacional; foi traduzida para mais de 30
idiomas. Concebida por Melvil Dewey em 1873, foi publicado pela primeira vez apenas em
1876. Inicialmente, esta classificação dividia os livros em grandes categorias, logo após

3737

�começa a alocá-los em categorias distribuídas de forma fixa e física nas estantes. Então,
Dewey decide atribuir números decimais para representar o assunto de cada livro não mais
obedecendo à ordem física. A classificação se desenvolve, como dito anteriormente, até os
dias atuais (MITCHELL; VIZINE-GOETZ, 2009).
A CDU, por sua vez, surge a partir da 19° edição da CDD. O Manual Du Repertoire
Bibliographique Universal, ou Classificação de Bruxelas, fora desenvolvida pelos belgas Paul
Otlet e Henri La Fontaine “no intuito de criar um meio de controle e identificação
bibliográfica”, publicada de 1904 a 1907. Já sua segunda edição, vem somente em 1927, com
o título Classification Decimale Universelle (edição francesa). No ano de 1933 publicam a
Edição - Padrão Internacional, a chamada Máster Reference File. Dos anos 1934 a 1948, foi
publica-se a 3° edição em alemão. Sua língua oficial é o inglês (ANDRADE; BRUNA;
SALES, 2011, p.37). De acordo com o site do UDC Consortium, que detém os direitos sobre
a CDU, ela é utilizada em mais de 130 países e publicada em mais de 40 línguas (UDC
CONSORTIUM, c2013).
Diversos como os sistemas de classificação, são os tipos de Unidades de Informação
(U.I.) que fazem uso destes. O site do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas ([2013?])
preconiza que “o tipo de uma biblioteca é determinado pelas funções e serviços que oferece,
pela comunidade que atende, e pelo seu vinculo institucional.” O SNBP nomeia nove tipos,
sendo eles: Biblioteca pública; Biblioteca pública temática; Biblioteca comunitária; Ponto de
Leitura; Biblioteca Nacional; Biblioteca Escolar; Biblioteca Universitária; Biblioteca
Especializada e Biblioteca/Centro de Referência.
Agrupando alguns dos tipos de bibliotecas acima citados, a Rede de Bibliotecas e
Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de Janeiro (REDARTE/RJ) “é uma rede de
instituições com acervos na área de arte no Rio de Janeiro e em Niterói. Seu objetivo principal
é facilitar o acesso à informação disponível em um conjunto expressivo e representativo de
acervos em arte” (REDE DE BIBLIOTECAS E CENTROS DE INFORMAÇÃO EM ARTE
NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, c2013). A rede é composta, atualmente, por 31
bibliotecas427 - que serão conhecidas ao longo do estudo - que unem-se em trabalho
cooperativo, em prol da disseminação de informação em arte.*31

427 A fonte principal de informação para a construção deste trabalho é o site da Rede. Porém, o sítio eletrônico
encontra-se desatualizado, contando 34 bibliotecas e disponibilizando a informação de apenas 30. Entretanto,
através de conversas via e-mail com a presidente da REDARTE/RJ, descobriu-se que hoje integrariam a rede 31
unidades. Dessas, uma ainda encontra-se inoperante por estar em fase de processamento de seu material e duas
fazem parte de universidade privada atualmente descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC). Assim, das
31 bibliotecas, serão alvo da pesquisa apenas 28 destas. É importante salientar que este foi o quadro
encontrado quando da realização da pesquisa nos meses de janeiro e fevereiro de 2014; o estudo aqui relatado é

3738

�Tendo cada uma destas U.I. um tipo de público a atender, um tipo de material a tratar,
objetivos diversos, e uma série de peculiaridades, torna-se uma curiosidade e uma necessidade
saber quais, dentre os principais sistemas de classificação documentária, são de fato utilizados
para o trabalho de classificação, atividade esta realizada há séculos pelos bibliotecários para
localização de seus livros nas estantes do acervo. Assim sendo, é objetivo geral deste trabalho
conhecer os sistemas de classificação das 28 unidades ativas da rede supracitada e a visão
dos bibliotecários sobre o assunto. Como objetivos específicos, pretende levantar os sistemas

utilizados, bem como saber se, na visão particular do bibliotecário inquirido, os sistemas
escolhidos atendem aos propósitos de representação dos assuntos do acervo de sua
unidade.
O presente estudo, do ponto de vista dos procedimentos técnicos, caracteriza-se como
uma pesquisa de campo. Possui natureza básica, sem aplicação imediata e caráter quantitativo.
Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva (PRODANOV; FREITAS, 2013).
Admitem-se como hipóteses que, de acordo com a literatura da área, as classificações mais
utilizadas mundialmente são a CDD e a CDU. Por observação, sabe-se que no Brasil o
sistema mais utilizado é a CDD e a maioria dos bibliotecários concorda que, por estar mais
familiarizada com ela, a mesma atenda aos objetivos de representação dos assuntos de seu
acervo. Assim, acredita-se que as bibliotecas participantes da REDARTE/RJ, em sua maioria,
façam uso da Classificação de Dewey e os profissionais sintam-se satisfeitos com a aplicação
desta. São essas hipóteses que o presente estudo tenta confirmar ou refutar.
Encontrar uma resposta para essas questões, neste caso particular da REDARTE/RJ,
pode se mostrar relevante para influenciar positivamente a escolha de um sistema de

classificação adequado para uma unidade a ser criada na mesma área de assunto. Além disso,
é importante deixar registrado, através dos resultados que esta pesquisa pretende alcançar até o presente momento não há nenhuma outra do gênero com enfoque na REDARTE/RJ que sistemas são utilizados a fim de cooperar com o trabalho colaborativo desenvolvido
entre as bibliotecas da rede, dentre outras providências que podem surgir desta proposta de
estudo.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O quadro a seguir, deverá guiar o estudo aqui apresentado:

baseado em monografia de pós-graduação latu sensu levado à banca examinadora pela autora em maio deste
mesmo ano.

3739

�Quadro 1 - Representação Documentária

Fonte:(DODEBEI, 2002, p. 43 apud OLIVEIRA; ARAUJO, 2012, p. 21, grifo nosso).

Os elementos em destaque serão o foco da revisão de literatura. Assim, a

Classificação Bibliográfica (ou Classificação Documentária), que é um instrumento para
executar a representação do conhecimento e também uma linguagem documentária deverão
ter maior atenção. O campo teórico-metodológico a ser discutido será a organização do

conhecimento (ou informação)

. É relevante mencionar que, como bem colocado por

Soares e Lunardelli (2013), a representação da informação (ou representação documentária) é
um aspecto prático da organização da informação.
O clássico Dicionário Aurélio (2010, p. 1518) possui o seguinte verbete para

ORGANIZAR :
organizar [Do fr. Organiser.] V.t.d. 1. Constituir o organismo de;
estabelecer as bases de; ordenar, arranjar; dispor. 2. Dar às partes de (um
corpo)a disposição necessária para as funções a que ele se desina. 3. Adm.
Alocar recursos, ordenar tarefas e atribuir responsabilidades de modo a
possibilitar o cumprimento dos objetivos da organização. P. 4. Tornar
definitiva uma organização; constituir-se; formar-se.428

428 Na literatura de Ciência da Informação, vários autores fazem uso do termo “organização da informação”
enquanto outros, tratando do mesmo assunto, utilizam “organização do conhecimento”. Este trabalho não
pretende discutir a questão da diferenciação entre os termos. Aqui os dois deverão ser entendidos como
sinônimos. Brascher e Café, ainda no ano de 2008, com artigo submetido ao IX Encontro Nacional de Pesquisa
em Ciência da Informação, mostram a falta de consenso entre os estudiosos da área sobre esses conceitos
(BRASCHER; CAFÉ, 2008).

3740

�Nos domínios da Ciência da Informação, Café e Sales (2010, p. 118), definem
organização da informação como “um processo de arranjo de acervos tradicionais ou
eletrônicos realizado por meio da descrição física e de conteúdo (assunto) de seus objetos
informacionais” . Segundo esses mesmos autores, a descrição física, a dita representação
descritiva, ocorre através da catalogação, tendo como resultado do processo um documento ou
suporte físico representado utilizando-se normas e formatos padronizados, como o Código de
Catalogação Anglo-Americano (AACR2).

Já a descrição do assunto, a representação

temática, dentre outras denominações encontradas na literatura, é feita a partir da
classificação, indexação e resumo ou condensação documental. Será essa a definição aqui
considerada.
Nesta mesma linha de raciocínio, Fujita (2003), citada por Fujita, Rubi e Boccato
(2009, p. 21, grifo nosso), apontam que
a organização da informação compreende as atividades e operações do
tratamento da informação, envolvendo para isso o conhecimento teórico e
metodológico disponível tanto para o tratamento descritivo do suporte
material da informação quanto para o tratamento temático de conteúdo
da informação. O tratamento descritivo refere-se propriamente à
catalogação, ou seja, à representação descritiva da forma física do
documento (autor, título, edição, casa publicadora, data, número de páginas
etc.). O tratamento temático, em bibliotecas, diz respeito ao assunto tratado
no documento, ou seja, compreende a análise documentária como área
teórica e metodológica que abrange as atividades de classificação,
elaboração de resumos, indexação e catalogação de assunto,
considerando as diferentes finalidades de recuperação da informação.
Assim, “verifica-se na literatura que o tratamento da informação consiste em dois
processos dicotômicos, distintos entre si, porém dependentes um do outro” (SOUSA;
ALMEIDA, 2012, p. 24).
Sobre esse assunto, bem define Guimarães (2009, p. [105], grifo nosso),
Especificamente no âmbito da organização da informação, atividade de
natureza eminentemente mediadora, dois universos de descortinam: o
primeiro, ligado ao acesso físico aos documentos e o segundo, de natureza
mais complexa, voltado para o acesso ao conteúdo informational [...] Podese dizer, assim, que a distinção entre tais abordagens reside na busca do o
que (materialização) e do sobre o que (teor) que convivem no âmbito do
documento.
O processo de natureza mais complexa de representação do conteúdo informational
sobre o qual discorre o autor refere-se à representação temática da informação, feita através da
classificação, indexação e condensação mencionadas acima nas palavras de outros autores.
Quanto à natureza mediadora, muitos estudiosos da área chamam atenção para o fato de que a

3741

�organização do conhecimento, feita através da representação documentária, como qualquer
representação, não é o próprio documento, não é a própria informação em si, mas um elo, uma
ponte, entre aquilo que se busca e o usuário. A esse respeito Sousa (2013, p. 132), na
introdução de seu artigo, menciona que
A abordagem da representação temática no contexto das bibliotecas parte da
premissa de investigação que a ligação entre documento e usuário é
estabelecida pela informação documentária, que perfaz a representação
temática. Assim, o trajeto da informação até a sua representação no catálogo,
abrangendo todos os itens que compõem o acervo, é entendida como parte
enlaçada pelo tratamento ou organização da informação.
Claramente, a grande importância da organização se dá pelo fato de que se precisa
encontrar rapidamente aquilo que se procura. De nada adianta uma ordenação falha na
recuperação. A organização só cumpre o seu papel se o ato de encontrar as informações se
realiza de forma efetiva, uma vez que “nós organizamos porque precisamos recuperar”
(TAYLOR, 2004, p. 1 apud VICTORINO; BRÀSCHER, 2009).
A respeito das classificações, Pereira e outros (2009), mencionam a existência de três
tipos:
A classificação social é aquela intrínseca ao ser humano, fazendo parte de
sua natureza. É algo que constitui a personalidade de uma pessoa, atuando
diariamente para a organização mental dela. Por isso, elas podem classificar
apenas o que lhe interessam. A classificação filosófica é uma classificação
mais elaborada e sofisticada, voltada para a definição e hierarquização do
conhecimento humano. Já a classificação bibliográfica se preocupa com a
organização e a disposição física de documentos, visando com isso, a sua
recuperação. Busca ordenar, para arquivar e ter acesso ao documento em
estantes ou nos arquivos.
“Em qualquer processo de sistematização do conhecimento nas mais diversas
necessidades de busca de informação, a Classificação é a principal atividade envolvida”
(SOUZA, 2012). Classificar é um talento inato ao ser humano. Desde criança, o homem
organiza, sobretudo categoriza/classifica as coisas a sua volta, a fim de distingui-las entre si.
Carlan (2010, p. 67, grifo nosso), sobre o talento natural do homem para a
categorização/classificação/organização dos objetos a sua volta, frisa que
A classificação é um processo mental que está incorporado ao nosso
cotidiano, desde quando temos consciência e armazenamos algum
conhecimento. Enquanto fenômeno social, as pessoas classificam
intuitivamente as coisas, o tempo todo. Com isso, a proposta inicial da
classificação é facilitar as operações da mente quando se percebe e guarda na
memória as características dos objetos em questão.

3742

�Para Campos, Gomes e Oliveira (2013, grifo nosso) citando também Sayers (1955, p.

7),
Organização do Conhecimento pode ser definida como a condição de
representação do conhecimento para propósitos específicos. Como o próprio
nome denota, organizar um dado domínio implica em classificar, separar
por semelhanças e diferenças, estabelecer relações de identidade, de
similaridade e de associações e expressar tais relações através de classes de
conceitos, visando um processo de aprendizagem e de compreensão mental
em princípio: “A classificação é primariamente uma operação mental.
Somente agregamos coisas em uma determinada ordem quando esta ordem
se encontra em nossa mente, nós não podemos arranjar coisas em uma ordem
que não existe em nossa mente. É este processo mental que é o verdadeiro
significado de classificação.”
Concordando com o exposto, Silva e Lima (2011, p. 306, grifo nosso), pregam que
A categorização é uma atividade cognitiva fundamental. Representa uma
função essencial nos processos de memória, linguagem, raciocínio e
resolução de problemas. É uma atividade que ocorre sempre que dois ou
mais objetos, seres ou acontecimentos diferentes são agrupados devido a
certa semelhança ou parecença entre si.
Logo, compreende-se que o ato de classificar faz parte da cognição humana, algo que
o homem necessita fazer para manter uma relação com o mundo e se comunicar com ele,
numa constante troca. Percebe-se, também, a linha tênue - quiçá inexiste! - entre organização
do conhecimento e classificação. Classificar, categorizar é organizar!

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A busca do referencial teórico deu-se em bases online e publicações impressas da área,
sendo realizada nas línguas portuguesa e inglesa. Uma vez que os estudos de representação do
conhecimento são de grande escopo e os termos para referir-se ao assunto são diversos, na
busca

serão

utilizadas

Documentária/Bibliográfica”,

apenas

as

seguintes

“Representação

palavras-chave:

Temática”,

“Classificação

“Organização

do

Conhecimento/Informação”, “ Sistema de classificação”, “Classificação Decimal de Dewey”,
“Classificação Decimal Universal” e “Biblioteca de Arte”, esta última combinada com as
citadas anteriormente, utilizando-se o plural - quando couber - como alternativa para
recuperação de mais informações, por meio de buscas simples e avançada, adotando outras
estratégias caso se mostre necessário. A pesquisa priorizou publicações produzidas nos anos
de 2009 a 2013; eventualmente, foram usados clássicos da área.
O cenário do estudo será as bibliotecas da REDARTE/RJ, das componentes apenas 28
serão avaliadas pelos motivos já expostos na introdução. Tem-se como sujeitos do estudo

3743

�qualquer profissional bibliotecário atuante nas bibliotecas-cenário. Para levantamento dos
dados propostos nos objetivos foi utilizado um questionário online enviado aos participantes,
com 3 perguntas fechadas e uma aberta, sendo elas:

- Qual a sua Unidade de Informação?

- Qual sistema de classificação é utilizado em sua Unidade de Informação?
( ) CDD ( ) CDU ( ) Outro:_____________ .

- Acredita que este sistema atende às necessidades de representação do conhecimento, no
momento da tarefa de classificação, dos itens pertencentes ao acervo?
( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte

- Justifique sua resposta.

Por ter natureza fortemente quantitativa, a análise dos dados coletados deu-se
utilizando uma ferramenta eletrônica de cálculo de dados e construção de gráficos que serão
apresentados nos resultados da pesquisa.

4 RESULTADOS FINAIS
No quadro a seguir, são apresentadas as bibliotecas componentes da REDARTE/RJ e
seus respectivos sistemas de classificação

3744

�Tabela 1 - Bibliotecas da REDARTE/RJ e sistemas de classificação utilizados
B IB L IO T E C A

SIST E M A

B IB L IO T E C A
M useu de A rte C ontem porânea
de N iterói (M A C de N iterói).
D ivisão de T eoria e P esquisa

SIST E M A

CDD

CDD

C asa D aros. B iblioteca

CDD

C C BB

CDU

C C JF

CDD

M useu de H istória e A rte do Rio
de Janeiro. B iblioteca (antigo
M useu do Ingá)
PU C -R J. D ivisão de B ibliotecas e
D ocum entação

C entro N acional de F olclore e
C ultura P op u lar . B iblioteca
A m adeu A m aral

U E R J. C entro de E ducação e
H um anidades. B iblioteca B

CDU

CDU

CDU

FU N A R T E . C ED O C

CDD

U ER J. E scola Superior de
D esenho Industrial (ESD I).
B iblioteca
U FF. B iblioteca C entral do
G ragoatá

CDU

E SP M Rio

Próprio429

U FR J. E scola de B elas A rtes.
B iblioteca Prof. A lfredo Galvão

CDD

G oethe-Institut Rio de
Janeiro. B iblioteca
IB E U . B iblioteca

CDD

U FR J. E scola de M úsica.
B iblioteca A lberto N epom uceno

CDD

IPH A N . P aço Im perial.
B iblioteca P aulo Santos

CDU

CDD

IPH A N . B ib lioteca N oronha
Santos

CDD

U FR J. F aculdade de A rq u itetu ra
e U rbanism o. B iblioteca Lucio
C osta
U FR J. F aculdade de Letras.
B iblioteca José de A len car

Instituto C ervantes do R io de
Janeiro. B ib lioteca José
G arcia N ieto

CDU

U N IC A R IO C A . B iblioteca
A rnaldo N iskier

CDD

M A M Rio de Janeiro.
B iblioteca

CDD

U N IR IO . B iblioteca Setorial do
C entro de Letras e A rtes

CDD

M inC . IB R A M . M useus
C astro M aya. B iblioteca

CDD

U niverC idade. D ireção G eral de
B ibliotecas. B iblioteca

X

M inC . IB R A M . M useu
H istórico N acional. B iblioteca

CDD

U niverC idade. B iblioteca da
U nidade Ipanem a

X

M inC . IB R A M . M useu
N acional de B elas A rtes.
B iblioteca, M ed iateca A raújo
P orto A legre
M inC . IB R A M . M useu V illa­
Lobos. B iblioteca

CDD

CDD

CDD

CDD

M useu de A rte do Rio. B iblioteca

X
Própria430

Fonte: Elaboração própria.
429 Segundo a biblioteca, o sistema próprio seria uma mistura de CDD e CDU.
430 A bibliotecária responsável pela resposta do questionário explica que o sistema utilizado funciona da seguinte
forma: os livros são classificados de acordo com seu tema e, dentro dos temas, recebem número sequencial por
ordem de chegada ao acervo. Como o acervo é focado na vida de Villa-Lobos (História do Rio, Modernismo,
Educação Musical, Instrumentos Musicais etc.), a biblioteca torna-se extremamente especializada.

3745

�Gráfico 1 - Sistemas de classificação utilizados pelas Unidades de Informação da
REDARTE/RJ

Fonte: Elaboração própria.

Respondendo às questões levantadas quando do início da pesquisa, foi comprovado
que as bibliotecas da REDARTE/RJ utilizam, em sua maioria (68%, o que equivale a 19
unidades), a Classificação Decimal de Dewey. Com um percentual bastante baixo aparece a
Classificação de Bruxelas (25% ou 7 unidades). Apenas 7% (2 unidades) utilizam outros
sistemas, apontados por elas como próprios - algumas vezes baseados em sistemas existentes,
como o caso do Instituto Goethe. Nenhuma faz uso de outras classificações apresentadas na
literatura da área.
Neste estudo não foi perguntado o motivo pelo qual determinado sistema foi
escolhido, porém nota-se que muitas vezes a escolha de um sistema pode estar ligada a razões
externas às vontades e objetivos de cada unidade. Por exemplo, na REDARTE/RJ há 4
bibliotecas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), todas coordenadas pelo
Sistema de Bibliotecas e Informações da UFRJ (SibI/UFRJ). Utilizam a CDD, entretanto, é
provável que a escolha deste sistema específico tenha surgido do órgão de coordenação, não
cabendo às unidades uma análise para a eleição de um sistema que poderia - ou não - melhor
servir à representação dos assuntos do acervo. O que acontece também com as duas U.I.s
pertencentes à Rede Sirius, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

3746

�Gráfico 2 - Opinião dos bibliotecários sobre a efetividade da classificação utilizada para
representação do conhecimento dos itens no acervo.

Fonte: Elaboração própria.

De maneira geral, os bibliotecários das bibliotecas componentes da REDARTE/RJ
mostram-se satisfeitos com a representação feita através dos sistemas que utilizam (75%). O
restante da porcentagem, 25%, apresenta satisfação parcial em relação ao assunto.
Muitos bibliotecários, quando da justificava de suas respostas, mencionaram a
existência de outros tipos de materiais - uma das características marcantes de uma biblioteca
especializada - e a inadequação dos sistemas CDD ou CDU para tal suporte. A maioria
costuma utilizar sistemas próprios para organizar DVDs, VHSs, catálogos dentre outros
materiais especiais típicos de bibliotecas de arte. A apresentação desses motivos colaborou
para a parcialidade dos vinte e cinco por cento apresentados acima.
Também foi apontada a adequação dos sistemas para melhor atender à representação;
como na Faculdade de Letras da UFRJ, que à notação da CDD um elemento para
diferenciação de autores é adicionado. A biblioteca do MAC, na cidade de Niterói, também
faz uso de um recurso de diferenciação para artistas. A do IBEU, em alguns itens - não foram
mencionados quais tipos -, utiliza classificação alfanumérica própria para facilitar a
localização por parte dos usuários. Nos resultados ora avaliados, os bibliotecários que
classificam através da CDD e mencionaram o atendimento apenas parcial da representação de
seu acervo por meio deste esquema, são claros ao afirmar que têm dificuldades em ser mais
específicos utilizando esse sistema de estrutura mais rígida que a CDU.
Por boa parte dos respondentes do questionário, tanto aqueles que fazem uso da CDD
quanto os que usam CDU, foi citada a possibilidade de criação de outras classes mais
específicas dentro destes sistemas por mostrarem uma hierarquia bem estruturada. Todavia,

3747

�essa qualidade foi principalmente mencionada pelos que utilizam CDD. A característica
“flexibilidade” foi apontada por uma das bibliotecas que representa seus itens utilizando a
CDU. De fato, a Decimal Universal, sendo um esquema facetado, analítico-sintético
apresenta-se mais flexível.

Tabela 2 - Quantidade de bibliotecários que utilizam CDD e acreditam que o sistema
atende plenamente às necessidades de representação do acervo:____________________
Bibliotecários que utilizam CDD
Acredita que o sistema atende às demandas
de representação da informação dos itens
de seu acervo
19
12
Fonte: Elaboração própria.

Tabela 3 - Quantidade de bibliotecários que utilizam CDU e acreditam que o sistema
atende plenamente às necessidades de representação do acervo:
Bibliotecários que utilizam CDU
Acredita que o sistema atende às demandas
de representação da informação dos itens
de seu acervo
7
7
Fonte: Elaboração própria.

Tabela 4 - Quantidade de bibliotecários que utilizam sistema próprio e acreditam que o
mesmo atende plenamente às necessidades de representação do acervo:
Bibliotecários que utilizam sistema próprio Acredita que o sistema atende às demandas
de representação da informação dos itens
de seu acervo
2
2
Fonte: Elaboração própria.

Nas tabelas acima, ao interpretar os dados, é interessante notar que nem todos os
bibliotecários que utilizam a CDD acreditam piamente que a mesma atenda totalmente a
representação temática de seus itens. Dos 19 que utilizam a classificação de Dewey, 7
responderam que ela atenderia apenas EM PARTE. Já para os que fazem uso da CDU, todos
concordaram que ela atende plenamente. De acordo com a literatura, a CDU seria mais
apropriada para a classificação de bibliotecas focadas em determinado assunto, ou seja,
especializadas. Inclusive, essa característica da CDU é apontada em um dos questionários por
bibliotecária que atua em unidade especializada. Por outra bibliotecária também atuante em
biblioteca especializada, porém fazendo uso da CDD, foi mencionada a dificuldade em
representar a área de artes, tão cheia de especificidades.

3748

�Gráfico 3 - Comparação entre as opiniões sobre a efetividade da representação temática
dos sistemas pelos bibliotecários da REDARTE/RJ

Fonte: Elaboração própria.

É relevante salientar que a concordânciada efetividade do sistema utilizado entre os
bibliotecários que classificam por meio da CDU mostrou-se superior a dos que usam CDD
(como mostra o gráfico 3), tornando uma das crenças iniciais deste estudo falha. Mesmo
sendo comprovado que em sua maioria as bibliotecas da REDARTE/RJ utiliza a CDD, nem
todos os bibliotecários afirmam sua total efetividade na representação dos itens. O total
atendimento da representação por parte da CDD foi citado principalmente por bibliotecas
universitárias e mencionado o fato de serem mais abrangentes e não precisarem da
especificidade que um sistema como a CDU ofereceria. Em um dos questionários, o
conhecimento da ferramenta também foi citado como um ponto para acreditar que o esquema
utilizado atende às necessidades do acervo.
Das 2 unidades que utilizam sistemas próprios notou-se que os profissionais
concordam que as classificações atendem perfeitamente a representação temática do acervo,
bem como sua recuperação. Talvez essa resposta deva-se ao fato de que foram desenvolvidos
tendo em vista um determinado contexto, atendendo às peculiaridades manifestadas pela
comunidade de usuários e modus operandi de cada unidade.

3749

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas que compõe a REDARTE/RJ disseminam informações na área de artes,
porém, é importante salientar que muitas dessas U.I.s não são especializadas em arte no
sentido em que a escassa literatura sobre o assunto preconiza. Assim, a visão de cada
biblioteca, suas funções e atividades, de acordo com sua tipologia, pode ser um fator a
influenciar a escolha de determinado sistema de classificação. Pode-se considerar, pelo
apresentado neste estudo, que não existe um sistema de classificação certo ou errado, apenas
mais ou menos indicado para cada objetivo/propósito.
A existência de outros suportes além de livros a serem representados e classificados é
uma questão importante na adoção de um sistema de classificação. Neste estudo, observou-se
a utilização de sistemas próprios para a ordenação de DVDs, VHSs e afins. Na tentativa de
explorar ao máximo as possibilidades dos sistemas, os bibliotecários adicionam outros
recursos às notações, mesmo quando não se trata de materiais especiais. Notou-se também
que, no caso das bibliotecas da REDARTE/RJ, sistemas próprios tendem a satisfazer, já que
foram desenvolvidos tendo em vista um determinado contexto. Todos os bibliotecários que
utilizam CDU para classificação de seus acervos concordaram que o esquema atende
plenamente à representação de seus itens, o que não ocorreu com a CDD.
De fato, os sistemas mais utilizados na amostra pesquisada são CDD e CDU, nesta
ordem, não sendo diferente do que é visto na literatura e observado pelos profissionais da
área. Realmente, a Classificação de Bruxelas e, principalmente, o sistema de Dewey parecem
predominar na representação temática das bibliotecas brasileiras.
É importante ressaltar que a aplicação dos questionários foi direcionada a universo
muito pequeno e restrito de bibliotecários. Portanto, isso é apenas uma pequena amostra de
opiniões dos muitos profissionais atuantes em U.I.s por todo Brasil, trata-se de uma
porcentagem reduzidíssima. Aqui foi investigada a opinião individual do bibliotecário sobre o
sistema que utiliza, o que pode levar a respostas tendenciosas, entretanto serve de guia para a
visão dos classificadores diante do uso dos sistemas que acompanham suas tarefas
diariamente.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <description>The topic of the resource</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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              <description>An account of the resource</description>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>O estudo tem como objetivo identificar os sistemas de classificação documentária utilizados em cada Unidade de Informação componente da Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de Janeiro (REDARTE/RJ), bem como descobrir se na visão particular do classificador destas organizações o sistema de classificação utilizado mostra-se adequado aos propósitos de representação dos assuntos do acervo de sua unidade. Para tal, utiliza-se de questionário disponibilizado via web. No referencial teórico versa sobre a organização da informação e do conhecimento e o ato da classificação. Por fim, exibe seus resultados, sendo, com mais da metade, a CDD a mais utilizada dentre as bibliotecas da Rede e a opinião, quanto à adequação do sistema à representação dos itens do acervo, demonstrou ser positiva quando da utilização da CDU e de sistema próprio. Quanto à utilização da CDD, nem todos concordaram com sua total efetividade na representação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SN0BU 2014

O
SERVIÇO DE REFERÊNCIA E A EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS FRENTE ÀS
NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇAO E DA COMUNICAÇÃO: um estudo na
Biblioteca Central da UFMA
Tatiana Cotrim Serra Freire
Kelia Rachel Alves da Silva
Maria Stela Martins Veloso
RESUMO
Analisa a forma como o serviço de referência da Biblioteca Central da Universidade Federal
do Maranhão (UFMA) desenvolve as atividades de educação de usuários tendo em vista a
implementação das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Trata-se de
uma pesquisa de cunho qualitativo que utilizou como instrumento de coleta de dados
entrevistas semiestruturadas com os bibliotecários do Setor de Referência. Os resultados
revelaram que o referido setor desenvolve atividades de educação de usuários somente com os
alunos recém-chegados na universidade. Constata que a falta de interesse dos usuários é um
dos principais fatores que contribui para a não efetividade das ações planejadas e conclui que
há necessidade de conquistar o usuário estabelecendo um canal de comunicação eficaz deste
com o Setor de Referência.
Palavras-chave: Educação de usuários; Serviço de referência; Biblioteca universitária;
Tecnologias da informação e da comunicação; Sistemas de informação.

ABSTRACT
Examines how the reference service of central library of Universidade Federal do Maranhão
develops activities of user education with a view to implementation of new Information
Technologies and Communication (TICs). It is a qualitative study that used as instrument to
data collection semi structured interviews with librarians of reference sector. The results
revealed that the sector develops educational activities only with the news students of the
university. Notes that the lack of interest of the users is a factor that contributes to the planned
actions do not become effective and concludes that is necessary to conquer the user
establishing a channel of effective communication with the sector this reference.
Keywords: User education; Reference service; University library; Information technologies
and communication; Information systems.

3335

�1 INTRODUÇÃO
O advento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) ocasionou mudanças
significativas nos hábitos de uso da informação nas bibliotecas universitárias, impulsionandoas a buscarem processos de modernização de suas estruturas, assim como maior otimização na
prestação de serviços à comunidade usuária.
Diante disso, a educação de usuários tem se tornado imprescindível à medida em que
viabiliza a comunicação e a interação entre bibliotecário e usuário. Por isso, não basta apenas
ter acesso as TICs, sobretudo, é preciso saber utilizá-las eficazmente.
Neste contexto, a Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
vem disponibilizando, cada vez mais, produtos e serviços por meio da implementação das
TICs. Por esse motivo, esta pesquisa pretende identificar a forma como a Biblioteca Central
vem desenvolvendo atividades voltadas para a educação de usuários no que diz respeito à
integração usuário/TICs/bibliotecário, visando estabelecer um canal de comunicação que
permita oferecer um serviço mais ágil de busca e uso da informação.

2 REVISÃO DE LITERATURA

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) causaram importantes
mudanças para as bibliotecas, especialmente as universitárias, pois à medida que foram se
expandindo, novos recursos informacionais foram sendo criados e incorporados às
bibliotecas, trazendo inovações em seus suportes informacionais e em suas estruturas,
“passando do pergaminho ao CD-ROM, das fichas perfuradas ao catálogo online, das estantes
em madeira às bases e bancos de dados.” (RIBEIRO, 2011, p. 1).
O aumento exponencial da informação científica, fato também relacionado com o
desenvolvimento das TICs, provocou um grande acúmulo de novos conhecimentos, fazendo
com que as bibliotecas adotassem diferentes suportes informacionais para armazenamento,
tratamento e disseminação da informação. Esta nova conduta da biblioteca rompeu com um
dos maiores paradigmas existentes nessas instituições: a posse da informação, que antes era
resguardada e restrita a poucos leitores, começa a ceder espaço para movimentos cuja
finalidade é promover o acesso daqueles (CUNHA, 2000; SOUTO, 2004).
No Brasil, as primeiras experiências relacionadas à educação de usuários iniciaram-se
em 1955 com a bibliotecária Terezine Arantes Ferraz, a qual instaurou os primeiros cursos de
orientação de usuários para a pesquisa bibliográfica em bibliotecas universitárias (OTA,
1990). Ao longo do tempo e de acordo com a finalidade, a educação de usuários passou a

3336

�receber outras denominações, tais como orientação, treinamento, formação, ensino,
aprendizagem (MENDES; PEREIRA, 2008; OTA, 1990).
A educação de usuários pode ser entendida como um processo onde o usuário adquire
comportamentos adequados em relação à utilização da biblioteca e desenvolve habilidades
necessárias para a interação permanente com os sistemas informatizados (BELLUZZO,
1989).
Os programas destinados à educação de usuários podem ser classificados em formais e
informais: os formais podem ser treinamentos, capacitações etc. e os informais ou não
institucionais, que surgiram com a evolução das tecnologias e a grande demanda pela
informação, são desenvolvidos online por meio da educação à distância (DIAS; PIRES, 2004;
MELLO et al., 1999).
Para Oliveira e Bertholino (2000), a educação de usuários é importante porque tem
uma relação direta com o uso eficaz que estes usuários podem fazer da biblioteca, evitando
assim a subutilização das mesmas e dos centros de informação.
Na opinião de Garcêz e Rados (2002), a gestão e o planejamento bibliotecário voltado
para a educação de usuários tornam-se ainda mais importante pelo fato das formas
tradicionais de aquisição de informação estarem sendo substituídas pelos formatos online,
pelos downloads e pelas pesquisas científicas desenvolvidas nas bibliotecas universitárias,
sendo que as pesquisas realizadas por meio das ferramentas de busca da internet precisam
avançar para a utilização dos portais e bases de dados referenciais de periódicos.
No entanto, enfatiza-se aqui que a educação de usuários para o uso da informação
mediada pelas TICs não deve se preocupar apenas com o saber-fazer e com o tecnicismo, mas
também em promover o uso eficaz da informação online e dos sistemas de informação
adotados pelas bibliotecas. Para Cunha et al. (2005), a capacitação dos usuários para o uso das
TICs é o primeiro passo para que se possibilite a inserção destes na cultura digital.
A dificuldade em localizar a informação mediada por essas novas tecnologias pode
revelar uma falta de habilidade em lidar com as ferramentas, fato que pode ser observado no
dia a dia do usuário na biblioteca: grande volume de informações recuperadas, demora na
localização do material identificado na busca, informações não relevantes ou que não
correspondem ao que este usuário procura, entre outros.
Nesse contexto, Souto (2004) comenta a necessidade de desenvolver projetos de
educação de usuários, pelo fato de uma grande quantidade de informação encontrar-se
disponível em meio eletrônico, dificultando o acesso daqueles que não possuem o domínio
das formas, das técnicas e métodos de acesso. Este pensamento também é compartilhado por

3337

�Bax (1997), que afirma que a grande quantidade de coleções de dados interligados por redes
de computadores está longe de implicar em acessibilidade natural e sem esforço por parte dos
usuários.
Cunha (2000) destaca que, mesmo com os mecanismos de busca disponíveis na
internet, muitos usuários ainda necessitam do apoio do bibliotecário para otimizarem suas
navegações. Há também uma quantidade crescente de clientes que desejam aprender a ir
direto às fontes de informação.
O mesmo acontece com os sistemas de informação adotados pelas bibliotecas. Como
afirma Bax (1997), desde a década de 1980, com o advento da microinformática, as interfaces
dos sistemas informacionais têm conseguido obter sucesso quanto ao provimento de
facilidades para a manipulação de objetos, mas o crescente aumento, tanto da complexidade
como de dados disponíveis nos sistemas, acabou tornando essa manipulação direta
insuficiente.
No entanto, alguns autores têm demonstrado que as bibliotecas universitárias estão se
preocupando mais com a funcionalidade do sistema adotado ou com a sua infraestrutura do
que com a chegada da informação até o usuário. Figueiredo (1987) e Mello et al. (1999)
afirmam que, atualmente as bibliotecas escolhem os seus sistemas de informação baseando-se
na lei do menor esforço, isto é, os sistemas são escolhidos muito mais em função de seu
acesso físico ou da facilidade no uso, do que por conter a informação que será útil ao usuário.
Esta lei também é aplicada aos usuários quando buscam a informação, pois “muitas vezes o
usuário só reconhece uma necessidade de informação quando os meios de satisfazê-la estão
acessíveis”. (ALMEIDA; AITA, 2009, p. 236).
Para Garcêz e Rados (2002, p. 46):
Os gerenciadores de informações estão muito preocupados em conceituar
bibliotecas, nomeando-as das mais variadas formas, de acordo com suas
características. Porém, o que os usuários realmente querem é que suas
expectativas sejam atendidas, não lhes importando [...] se a biblioteca é
virtual, eletrônica, digital, convencional e assim por diante. E, se estas
mídias não estiverem integradas, sempre existirão falhas na prestação dos
serviços, e o atendimento às expectativas dos usuários não terá a qualidade
esperada.

Quanto aos sistemas de informação das bibliotecas, Figueiredo (1987, p. 76) destaca
que, em muitas bibliotecas, “após o estabelecimento do serviço de informação, pouco esforço
é desprendido para promovê-lo e para atrair os usuários, e para avaliar a eficiência no uso dos
serviços/produtos que estão sendo oferecidos.”

3338

�A educação de usuários apresenta-se, portanto, como o meio encontrado pelas
bibliotecas para suprir a lacuna que separa a informação do usuário. Educá-lo para o uso
eficaz da informação mediada pelas novas tecnologias significa prepará-los para serem
capazes de desenvolverem aptidões necessárias para localizar e recuperar a informação de que
realmente necessitam, diminuindo o tempo entre a busca e a localização de tal informação.
Entende-se, portanto, que a educação de usuários tem como objetivo principal
maximizar o uso da informação pelo usuário, pois o ciclo informacional só tem suas
eficiência e eficácia garantidas quando este usuário apresenta aptidão em recuperar a
informação de que realmente necessita.
Daí a importância da biblioteca universitária voltar sua gestão para a educação do
usuário, de modo que o ciclo da busca, recuperação e uso da informação realmente alcance o
resultado esperado.
A melhoria da qualidade dos serviços disponibilizados para os usuários de uma
biblioteca universitária é esperada com a implementação de novas tecnologias, as quais, além
de possibilitarem o aumento da produtividade, facilita a armazenagem, a recuperação e a
disseminação da informação, bem como a colaboração entre bibliotecas de qualquer lugar do
mundo.
Ao longo dos anos, as atividades das bibliotecas vêm evoluindo juntamente com o
avanço das tecnologias. Cunha (2000, p. 75) comenta sobre esses avanços:
A passagem dos manuscritos para a utilização de textos impressos, o acesso
a base de dados bibliográficos armazenados nos grandes bancos de dados, o
uso do CDROM e o advento da biblioteca digital, no final dos anos 90,
altamente dependente das diversas tecnologias de informação, demonstram
que, nos últimos 150 anos, as bibliotecas sempre acompanharam e venceram
os novos paradigmas tecnológicos.

As tecnologias provocaram alterações em todos os setores das bibliotecas e no
desenvolvimento das técnicas praticadas na instituição. O setor de referência é um dos que
mais tem sofrido mudanças ao longo dos tempos, tanto pela implementação de novos serviços
como pela reformulação dos que já existem. Diante desse panorama, cabe ao serviço de
referência expandir suas fronteiras para além do balcão de atendimento e da coleção de
referência. Por isso, o compartilhamento de recursos deve ser a nova tônica de tal serviço na
biblioteca.
A inclusão das novas tecnologias na área de referência das bibliotecas expande o
universo de busca à medida que potencializa o atendimento das necessidades informacionais
da clientela e provoca uma significativa mudança no perfil de seus usuários. Com uma

3339

�comunidade usuária mais atuante, mais preparada e, consequentemente, mais exigente, muda
a fisionomia do serviço de referência.
Atualmente, cada vez mais as buscas informatizadas fazem parte do cenário do serviço
de referência, alterando substancialmente a imagem que o usuário tem da biblioteca. São
inúmeros os buscadores ou motores de busca (search engines) nacionais e internacionais
disponíveis na internet (Yahoo, Google Acadêmico, Hotbot, Inktomi, Infoseek,, Bookmark’s,
Excite, Metaminer, Radaruol, Ask, Prossiga etc.), bem como inúmeras são as bibliotecas
virtuais nas mais diversas áreas e com os mais diversos serviços, dentre eles os repositórios
institucionais, os portais de periódico eletrônico, os e-books, o correio eletrônico, a
transferências de arquivos, as listas de discussão etc., todos sempre com ênfase na World
Wide Web (WWWou simplesmente Web), uma verdadeira cadeia de informações.
Diante dessa proporção, é preciso saber garimpar a informação, pois, segundo Souza
(1997, p. 101), “[...] não existe ferramenta perfeita. É nesta perspectiva que se insere o papel
do profissional da informação cuja competência técnica poderá superar as deficiências que o
uso inadequado de ferramentas digitais pode representar ao resultado da busca de informações
na internet.”
Entretanto, entende-se que a internet não é uma estrutura perfeita, acabada, visto que
os processos de busca apresentam ainda muitas falhas, tais como: oferta excessiva de dados,
informações equivocadas, falta de informação, carência de precisão etc.
Nesse sentido, Cunha (1999, p. 83), acrescenta que, “devido à precariedade dos
mecanismos ou ferramentas de busca utilizadas para recuperar informações relevantes, ainda
há muita coisa que o intermediário da informação precisa fazer.”

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para analisar a forma como o serviço de referência da Biblioteca Central da UFMA
desenvolve as atividades de educação de usuários tendo em vista a implementação das novas
Tecnologias da Informação e da Comunicação, optou-se por uma pesquisa descritiva de
cunho qualitativo, onde foi utilizado como instrumento de coleta de dados um questionário
com perguntas abertas e fechadas, aplicado a 06 (seis) bibliotecários do Setor de Referência.
Foram escolhidos os profissionais responsáveis pelo setor pelo fato de que, segundo
Rostirolla (2006, p. 30), “o setor de referência de uma biblioteca universitária é o local onde o
usuário busca orientações e auxílio dos bibliotecários para satisfação de suas necessidades de
informação.”

3340

�4 RESULTADOS FINAIS
Para melhor alcance dos objetivos da pesquisa, optou-se, primeiramente, por
caracterizar o público potencial da Biblioteca Central e os profissionais que realizam o
atendimento no Setor de Referência.

4.1 Caracterização do público e dos profissionais
Após análise dos dados coletados, evidenciou-se que a grande maioria dos usuários da
biblioteca é dos cursos de graduação.
No tocante às pessoas que trabalham na Biblioteca, identificou-se que as atividades do
serviço de referência são desenvolvidas por 04 (quatro) bibliotecários especialistas, 02 (dois)
bibliotecários com mestrado, 01 (um) técnico administrativo de nível médio e 28 (vinte e oito)
bolsistas. Entretanto, destaca-se que o bibliotecário é o profissional capacitado para o
atendimento no referido setor por ter, de acordo com Terra (2001, p. 71), "conhecimento,
competências e habilidades necessárias para informar sobre o uso da biblioteca, sobre os
produtos bibliotecários disponíveis, sobre a coleção de referência e sobre a própria
biblioteca."

4.2 Desenvolvimento de programas que habilitem os usuários para utilizarem os serviços
e recursos disponibilizados pela Biblioteca
Perguntados sobre se a Biblioteca Central desenvolve algum programa ou atividade
que capacite os usuários para utilização dos produtos, serviços e recursos informacionais,
90% dos entrevistados responderam que sim. Entretanto percebeu-se que estas se restringiam,
na maioria das vezes, a visitas orientadas e palestras.

4.3 Aspectos a serem priorizados nos programas de educação de usuários
Perguntou-se para os sujeitos se eles consideravam necessária a educação de usuários
e que aspectos deveriam ser priorizados nos treinamentos. Todos os entrevistados
responderam positivamente à primeira questão justificando que apenas uma minoria dos
usuários da Biblioteca consegue ser independente na utilização dos recursos tecnológicos,
enquanto a grande maioria não consegue satisfazer suas necessidades informacionais,
solicitando quase sempre o auxílio do funcionário que se encontra no balcão de referência.
Os sujeitos consideram que, nos treinamentos, devem ser priorizadas orientações para
a utilização eficaz das ferramentas tecnológicas disponibilizadas e orientações para busca do

3341

�material bibliográfico no acervo, tendo em vista que a biblioteca recebe usuários com perfis
diferenciados, conforme enumerados por Carvalho (2008, p. 89):
a) os experientes: usuários de bibliotecas que, pelo hábito de utilizar seus serviços
frequentemente, encontram exatamente o que procuram, ou quando precisam de ajuda,
conseguem formular perguntas com clareza;
b) os com objetivos definidos, mas com dificuldades de expressão: são os grupos de
usuários que sabem o que querem, mas não conseguem expressar adequadamente suas
palavras;
c) os inexperientes: grupos de usuários que não têm certeza - clareza, quanto ao que
precisam.
De acordo com esse pensamento, Garcêz e Rados (2002, p. 47) complementam:
As bibliotecas acadêmicas, para competir no mercado, devem flexibilizar suas
operações de serviços e, com isto, ampliar sua faixa de mercado, ou seja, elas
devem possuir operações diferenciadas para cada tipo de usuário (eficácia),
uma vez que estes possuem necessidades e expectativas individualizadas.

Assim, compreende-se que são necessárias algumas habilidades para que os usuários,
independentemente da categoria, consigam recuperar a informação em qualquer formato, de
forma rápida, precisa e eficaz.
Corroborando com esse pensamento, Bertholino (1999), afirma que os usuários
precisam conhecer as estratégias de busca para obter resultados relevantes. E é nesse contexto
que se insere o bibliotecário de referência, que é o profissional capacitado para orientar e
treinar sua comunidade acadêmica de forma simples e objetiva a utilizar os recursos
disponíveis.

4.4 Existência de programas de educação de usuários
Com esta pergunta, procurou-se investigar a existência de programas de educação de
usuários na biblioteca, porque, segundo Rostirolla (2006), a educação de usuários é valiosa
para ensinar uma comunidade de usuários a ser mais produtiva, reflexiva e capaz de explorar
mais eficientemente a informação.
Apenas dois dos entrevistados consideram que a biblioteca não realiza educação de
usuários, contrapondo-se aos demais, que afirmam que apesar da pouca expressividade, as
atividades de educação de usuários estão presentes no dia a dia da biblioteca.

3342

�Em se tratando da existência de um programa específico de educação de usuários,
identificamos, por meio das entrevistas, que os bibliotecários realizam formalmente algumas
atividades de educação de usuários (visitas orientadas e palestras) e, outras vezes, de maneira
informal, de acordo com as necessidades apresentadas no momento do atendimento.
Portanto, em linhas gerais, as conversas com os sujeitos da pesquisa deixaram claro o
reconhecimento da importância dos programas de educação de usuários, o que nos leva a
inferir que os profissionais entrevistados têm conhecimento dos benefícios e das melhorias
que podem advir com o desenvolvimento desses programas, que, de acordo com o
pensamento de Belluzzo (1989, p. 48) devem partir de
Ações planejadas e desenvolvidas continuamente, de acordo com as
características e necessidades do usuário para que a biblioteca seja um
instrumento educativo facilitador da interiorização de comportamentos
adequados ao uso eficiente de seus recursos informacionais e da interação
permanente com os sistemas de informação.

Corroboramos com o pensamento de Belluzzo (1989), acreditando que no âmbito
universitário, a educação de usuários tem grande representatividade para a comunidade
acadêmica como um todo, pois é no ambiente da biblioteca que eles devem encontrar o apoio
bibliográfico que irá suprir suas necessidades de informação e/ou de pesquisa.

4.5 Existência de um planejamento voltado para programas de educação de usuários
Conforme declarado nas entrevistas, existe um planejamento voltado para o
desenvolvimento das atividades de educação de usuários destinado somente aos alunos
ingressantes na universidade. Entretanto 70% dos profissionais entrevistados afirmaram que
há um total desinteresse dos alunos em participar nessas atividades, fator que influencia na
falta de estímulo dos bibliotecários.
Mesmo considerando os fatos citados, acredita-se que há, no meio acadêmico, o
interesse em utilizar os recursos disponíveis na rede. Desse modo, cabe à biblioteca
empenhar-se em oferecer treinamentos e capacitações à sua comunidade, visto que, no atual
contexto onde predominam as tecnologias da informação, esses usuários tornam-se também
cada vez mais exigentes com a qualidade dos serviços oferecidos, fazendo, segundo Cuenca,
Noronha e Alvarez (2008, p. 11), com que “as bibliotecas busquem cumprir seu papel
educacional, apoiando as atividades institucionais e centrando seus serviços nas necessidades
informacionais de seus usuários.”

3343

�Baseado nisso, entende-se que a biblioteca universitária deve gerir com competência a
educação de usuários, analisando seus interesses e dificuldades, para então habilitá-los para
utilizar os serviços e produtos oferecidos, inclusive orientando-os quanto às estratégias que
compõem o processo de busca e recuperação da informação. Assim a biblioteca estará
cumprindo seu verdadeiro papel que é:
[...] estar voltado para o ensino e à pesquisa e aos serviços prestados à
comunidade ‘em função do atendimento das necessidades e solicitações’ da
comunidade como um todo e, especialmente, da comunidade acadêmica,
proporcionando a esta o acesso imediato ao conhecimento e à informação.
(BELLUZZO, 1989, p. 74).

Assim, a biblioteca funcionará não somente como um ambiente de apoio ao processo
ensino-aprendizagem, mas também contribuirá para a inserção do usuário no universo da
pesquisa acadêmica.

4.6 Avaliação dos programas de educação de usuários
Questionados sobre como avaliavam os programas de educação de usuários, os dados
demonstram que 30% dos entrevistados consideram razoável a educação de usuários da
Biblioteca Central e os outros 60% avaliam como fraco. Os sujeitos consideram que a grande
demanda

de

usuários

na

referida

biblioteca

sobrecarrega

os

profissionais

e,

consequentemente, influencia na ineficácia dos programas de educação de usuários.
Diante do exposto e baseado em estudos de alguns autores, infere-se que a realidade
da Biblioteca Central da UFMA é a mesma da maioria das bibliotecas universitárias
brasileiras, as quais passam ainda por um processo de adaptação para atender a demanda
dessa nova sociedade da informação que surgiu com o acelerado avanço das tecnologias.
Atualmente,
as
bibliotecas
universitárias
brasileiras
convivem
constantemente com problemas estruturais e organizacionais, com
orçamento reduzido e pessoal insuficiente. Esta situação lamentável
obrigatoriamente influencia negativamente na gestão da informação
armazenada e no modo como as instituições produzem, obtêm, distribuem e
usam a informação e o conhecimento, sendo os recursos tecnológicos o
instrumento facilitador deste processo. (MIGUEL; AMARAL, 2008, p. 3).

Nesse contexto de mudanças os recursos tecnológicos precisam ser democratizados.
Entretanto, para isso, é necessário que haja uma adequação de infraestrutura física e
tecnológica nas bibliotecas universitárias; da mesma forma, os profissionais que nelas
trabalham precisam ter uma nova postura diante dos desafios que se apresentam.

3344

�[...] a explosão informacional, ampliada pelas tecnologias de informação e
da comunicação, criou inúmeras barreiras de acesso á informação com o
número ilimitado de falta de informação e falta de competência dos usuários
da informação, perante as novas ferramentas de acesso disponíveis.
(CARVALHO, 2008, p. 99).

Portanto, para que sejam transpostas as barreiras no uso dos sistemas informacionais, a
gestão da biblioteca precisa primeiramente entender a importância da interação do usuário
com os sistemas, a fim de evitar a subutilização das tecnologias, e, então, elaborar estratégias
e procedimentos focados na capacitação para utilização das ferramentas disponíveis. Daí
espera-se que o bibliotecário, que está na linha de frente no atendimento a esse usuário, tenha
não somente competência, mas também, e principalmente, esteja ciente do seu papel enquanto
orientador no uso dos sistemas de informação e/ou executor da pesquisa.
Nesse sentido Tarapanoff et al. (1997), considera que os bibliotecários são os
mediadores entre o mundo digital e o real, cabendo a eles portanto garantir a comunicação e a
satisfação do usuário no momento do uso das necessidades informacionais.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As TICs trouxeram avanços para todos os serviços bibliotecários e promoveram
mudanças em todos os setores das bibliotecas e, principalmente, em seus setores de
referência.
A sociedade atual exige uma renovação das bibliotecas universitárias e dos
profissionais da informação, visto que os usuários têm uma nova postura, são mais exigentes,
não tem tempo a perder e requerem uma busca de informação de forma segura e precisa.
Nesse sentido, Ferreira et al. (2006, p. 25) comenta:
A chamada Sociedade da Informação demanda um novo modelo de
biblioteca universitária. Ele imprime novas formas de desenvolvimento de
serviços; pressupõe uma biblioteca com profissionais capacitados para
interagir com as fontes de informação on-line, além de dispor de uma
infraestrutura compatível com expansão da informação em meio digital, que
proporcione aos usuários a interação com as fontes de informação on-line
como suporte de aprendizagem e pesquisa.

Dessa forma, torna-se necessário que as atividades desenvolvidas pela biblioteca
visem à plena utilização da informação em qualquer que seja o seu suporte. A biblioteca
universitária, enquanto principal vetor de disseminação da informação no meio científico,
precisa acompanhar todo esse processo evolutivo de inovação tecnológica e adequar seus

3345

�serviços e produtos visando possibilitar ao usuário cada vez mais o uso dos recursos
informacionais contemporâneos.
O profissional da informação, frente a essas mudanças, deve estar preparado para
executar as atividades que surgem a cada dia, utilizando novas ferramentas e desenvolvendo
novas metodologias. O bibliotecário deve, portanto, inovar suas práticas, com o objetivo de
otimizar o uso dos recursos informacionais disponibilizados na biblioteca, focando não
somente o processo de busca e acesso à informação, mas também a criação de uma
infraestrutura de pesquisa e o desenvolvimento de programas para a capacitação dos usuários.
Assim, se antes a atividade do bibliotecário era restrita apenas aos limites físicos de
uma biblioteca ou de uma coleção, hoje, com a difusão das tecnologias, os serviços da área de
informação devem transpor as barreiras físicas e institucionais, pois o usuário também deixa
de ser passivo e passa a ser interativo.
Nesse contexto, uma das funções desse profissional frente às mudanças é participar da
construção do conhecimento de seus usuários e, para isso, precisa ser diferenciado, ter
dinamismo e não estar restrito ao universo de quatro paredes de uma biblioteca.
À luz das respostas obtidas, conclui-se que as atividades de educação de usuários na
Biblioteca Central da UFMA são desenvolvidas de forma quase imperceptível, provavelmente
pelo fato do público alvo restringir-se aos alunos recém-chegados na universidade, e também
pela falta de interesse dos usuários em participar dos treinamentos, ou mesmo pela falta de
iniciativa dos profissionais. Todos esses fatores podem ter gerado um círculo vicioso de
acomodação.
Diante desse contexto, acredita-se que os profissionais que estão à frente do Setor de
Referência da Biblioteca Central devem desenvolver uma gestão focada primeiramente em
uma política de divulgação dos serviços oferecidos pela biblioteca e, adotar uma postura próativa em relação à comunidade acadêmica, buscando reconquistar aqueles usuários que, por
algum motivo, se afastaram pela falta de habilidade para utilizar as novas tecnologias, ou
conquistar aqueles que ainda não conhecem os serviços e produtos disponibilizados,
estabelecendo um canal de comunicação eficaz entre os dois.
Após conquistas e reconquistas, o bibliotecário de referência deverá utilizar
metodologias adequadas para capacitar esses usuários para o uso correto dos recursos
informacionais disponibilizados pela Biblioteca Central, pois é essencial que o usuário tenha
habilidades para satisfazer suas necessidades informacionais de forma autônoma.
Daí a importância do planejamento de um programa sistematizado de educação de
usuários que trará benefícios tanto para os que disponibilizam quanto para aqueles que

3346

�utilizam os produtos e serviços da Biblioteca Central. Para o sucesso desse programa, o
planejamento deve levar em consideração as características e as necessidades informacionais
daqueles que utilizam tais produtos e serviços.
Com o usuário capacitado, será suprida uma lacuna existente entre este e os materiais
disponibilizados na biblioteca universitária. Assim, a biblioteca universitária deixará de ser
vista pelo velho paradigma de guarda e conservação do acervo para ser reconhecida como de
espaço de apropriação do conhecimento e gerenciamento de acesso à informação.
Diante de tal realidade, sugerem-se algumas ações que, se desenvolvidas poderão
constituir instrumentos fundamentais para otimizar os serviços oferecidos no serviço de
referência:
a) promoção de mudanças não somente na estrutura física e organizacional da
biblioteca, mas e, principalmente, na ampliação e na gestão de seus serviços;
b) disponibilização de recursos que possibilitem a recuperação da informação de
forma a atender às necessidades de seus usuários;
c) desenvolvimento de atividades que estimulem a utilização dos recursos digitais,
possibilitando aos usuários uma maior compreensão das suas características e
aplicabilidade;
d) desenvolvimento de programas de educação de usuários voltados para alunos de
graduação e pós-graduação visando capacitá-los para o uso das ferramentas
informacionais disponíveis na biblioteca;
e) disponibilização de um número maior de bibliotecários para o Setor de Referência,
que consiga atender a demanda de usuários.
Enfim, acredita-se que o cenário atual exige dos gestores das bibliotecas uma reflexão
e principalmente uma revisão dos métodos adotados de forma que possam assegurar aos seus
usuários a oferta de produtos e serviços de excelência que proporcionem as mesmas facilidade
e flexibilidade no acesso à informação.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O serviço de referência e a educação de usuários frente às novas recnologias da informação e da comunicação: um estudo na Biblioteca Central da UFMA</text>
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                <text>Freire, Tatiana Cotrim Serra, Silva, Kelia Rachel Alves da, Veloso, Maria Stela Martins</text>
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                <text>Analisa a forma como o serviço de referência da Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) desenvolve as atividades de educação de usuários tendo em vista a implementação das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo que utilizou como instrumento de coleta de dados entrevistas semiestruturadas com os bibliotecários do Setor de Referência. Os resultados revelaram que o referido setor desenvolve atividades de educação de usuários somente com os alunos recém-chegados na universidade. Constata que a falta de interesse dos usuários é um dos principais fatores que contribui para a não efetividade das ações planejadas e conclui que há necessidade de conquistar o usuário estabelecendo um canal de comunicação eficaz deste com o Setor de Referência. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS FÍSICAS EM EDUCAÇÃO VIRTUAL: UMA VERDADE
INCONVENIENTE, UMA OBSERVAÇÃO PERTINENTE.
Fabiane Freitas
Yaciara Mendes Duarte
Claudio Gottschalg Duque
RESUMO
O estudo teve como objetivo examinar as atuais exigências do Ministério da Educação (MEC)
para as bibliotecas presenciais, dos cursos de educação a distância, e a real necessidade da
existência de acervos físicos, conforme as especificações do MEC, para os discentes desta
metodologia. Para isso, foi feito uma revisão bibliográfica sobre a metodologia de ensino a
distância, bibliotecas universitárias e as normas para as bibliotecas presenciais. Para verificar
a utilização destes acervos, foi feito um estudo de caso em duas unidades de informação
voltadas para o público de EAD. Esta averiguação foi efetuada a partir de entrevistas com os
gestores das unidades e análise de dados dos sistemas de circulação de materiais da
instituição. A observação prática realizada mostrou que a proposta de acervos físicos,
conforme feita atualmente, não condiz com a realidade e com o intuito do ensino a distância.
Pode-se concluir, neste caso, que os critérios de avaliação, propostos pelo MEC, não
contemplam as peculiaridades existentes na modalidade, focando-se mais na realidade
presencial e abstendo-se, em alguns casos, das ferramentas que disponibilizam conteúdos em
meio digital. Esta situação pode ser levada para o contexto de outras universidades e se tornar
mais uma fonte de reflexão dentro da realidade de outros cursos e instituições.
Palavras-Chave: Biblioteca presencial. Educação a distância. Biblioteca universitária.
Normas do Ministério da Educação.
ABSTRACT
The study aimed to examine the current requirements of the Ministry of Education (MEC) for
physical libraries, distance education courses, and the real need of the existence of physical
collections, specified by the MEC for the students of this methodology. For this, we made a
literature review on the methodology of distance education, university libraries and standards
for physical libraries. To verify the use of these collections, we made a case study in two units
of information geared for the public DE. This investigation was conducted through interviews
with unit managers and analysis of movement of material systems of the institution. The
practical observation has disclosed that the proposed physical collections, as currently done, is
not consistent with reality and with the aim of distance education. It can be concluded in this
case that the evaluation criteria proposed by MEC, do not contemplate the peculiarities
existing in the modality, focusing more on face reality and refraining, in some cases, the tools
that deliver content in digital media . This can be taken into the context of other universities
and become a source of reflection within the reality of other courses and institutions.
Keywords: Libraries. Distance learning. Academic library. Ministry of Education and
Culture regulations.

4138

�Introdução

A utilização de novas tecnologias para o auxílio da educação formal não é novidade.
Nas últimas duas décadas os brasileiros, de maneira geral, testemunharam grandes mudanças
sociais, advindas de uma economia mais forte e mais liberal, o que propiciou a facilitação ao
acesso a produtos e serviços diretamente relacionados à Comunicação Mediada por
Computador (CMC). Devido a isto, o Brasil hoje tem mais linhas habilitadas de telefones
celulares que habitantes (ANATEL, 2013) (e consequentemente, principalmente devido aos
preços dos aparelhos com acesso a Web e os preços dos serviços Web cobrados pelas
operadoras, mais usuários da Web do que proprietários de computadores pessoais). Esta
prosperidade socioeconômica influenciou de maneira positiva e rápida o contexto educacional
brasileiro. A difusão desses dispositivos permitiu que os educadores e pesquisadores
acadêmicos se atentassem para este fato e passassem a se utilizar destes recursos
informacionais no auxílio da educação formal.
A busca, identificação e consulta de material didático-pedagógico, tais como livros,
apostilas, manuais etc. é obrigação tanto do docente quanto do discente. Ao docente cabe
orientar, indicar, “ensinar o caminho das pedras” e ao discente de hoje cabe pró-atividade,
maior independência das escolhas/sugestões dos docentes e até mesmo um olhar mais crítico
e mais especificista com relação ao material necessário para a sua titulação,
independentemente do nível em que este discente se encontre.
Vários estudiosos, educadores e pesquisadores, que trabalham com Educação a
Distância (EAD) tanto do ponto de vista prático quanto teórico, discordam em vários aspectos
relacionados a utilização de novas tecnologias na educação, porém, todos concordam que a
EAD pode e deve se apropriar de alguns aspectos da educação tradicional para o
enriquecimento da experiência didático-pedagógica deste “novo” aluno, que também é um
usuário mais “ostensivo” das CMCs enquanto aluno.

1 Educação a distância (EAD)

A comunicação humana tende a ser direcionada para a maximização da relevância e,
com isso, todo estímulo ostensivo que pode e deve ser utilizado pelo emissor/comunicador
(intenção informativa e comunicativa) pressupõe-se ótimo. O estímulo tem que ser relevante o
suficiente para que mereça o esforço de processamento da recepção/audiência e tem que ser
compatível com as habilidades e preferências do emissor/comunicador. A relevância é

4139

�diretamente proporcional à relação entre a inferência por parte da recepção/audiência e o
efeito cognitivo, que deve ser positivo, advindo desta inferência. Portanto, quanto menor a
ostensividade do

emissor/comunicador e quanto maior a inferência positiva da

recepção/audiência, mais relevante é o estímulo, consequentemente mais eficiente e eficaz é a
comunicação (SPERBER; WILSON, 1995).
A EAD tende a exacerbar o problema da comunicação humana, entretanto, ela é fruto
dos avanços tecnológicos que proporcionaram mudanças em diversos setores, entre eles,
também na área de educação. Para atender as novas necessidades da sociedade foram
necessárias algumas rupturas na educação tradicional, e com isso fez mister repensar a
comunicação professor/aluno. O aparecimento de novas mídias, a Internet e o acesso mais
rápido e fácil às informações se tornaram atributos da educação de hoje, mas os educadores,
os professores em geral, ainda apresentam problemas com relação à utilização das CMCs
enquanto ferramental profissional (AFONSO; GOTTSCHALG-DUQUE, 2014).
A atual conjuntura política e econômica encontrou na modalidade de ensino a
distância um atrativo financeiro viável, que atendesse as exigências pedagógicas, para a
educação de nível superior. Com o auxílio das novas tecnologias da informação e
comunicação, esta modalidade começou a satisfazer as atuais necessidades de ensino das
pessoas adultas (PRETI, 1998).
Com a dificuldade das pessoas em transitarem nas grandes cidades, o tempo
demandado no trabalho, com a família e demais atividades, a EAD se tornou uma ferramenta
ideal. O indivíduo que deseja estudar, vê nesta metodologia uma possibilidade de organizar
sua grade horária e evitar grandes deslocamentos. Nunes (1994, p. 7), considera “um recurso
de incalculável importância como modo apropriado para atender a grandes contingentes de
alunos de forma mais efetiva que outras modalidades e sem riscos de reduzir a qualidade dos
serviços oferecidos em decorrência da ampliação da clientela atendida".
A maior parte das definições de EAD ressalta a distância física entre professores e
alunos, independente se a forma de contato seja por meio de suporte eletrônico ou não. Para
Moore (1973) ela é um conjunto de métodos de aprendizado onde professores e alunos estão
em espaços distintos, podendo ser por meio impresso, eletrônico ou outro, sem o intermédio
humano. Alguns autores vão além das questões da distância entre as pessoas e os métodos de
ensino, chegam a ressaltar a organização do sistema, como Peters (1994). Ele concatena a
EAD com a produção industrial e a divisão do trabalho, comparando a mecanização e divisão
de tarefas deste período, com a metodologia, automação e processos do ensino a distância.

4140

�No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, 1996), em seu artigo 80,
ampara legalmente a EAD e coloca sobre a responsabilidade do Poder Público o incentivo do
desenvolvimento e veiculação de seus programas de ensino. Já o Decreto n° 5.622 de 2005,
regulamenta e estabelece as diretrizes do artigo 80, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(BRASIL, 2005). Nele, a educação a distância é definida como:
[...] modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos
processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e
tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos.

A maioria das pessoas associa a EAD apenas às novas tecnologias. Porém, esta
metodologia é mais antiga do que muitos imaginam. No Brasil, já existiam cursos por
correspondência antes de 1900, de acordo com anúncios em jornais de circulação no Rio de
Janeiro, do qual ofereciam cursos profissionalizantes. Já na década de 70 surgiu o primeiro
curso da Open University inglesa, responsável por popularizar a EAD. Nos Estados Unidos,
há relatos de experiências com este método, desde o século XIX. (LITTO; FORMIGA, 2013).
Em períodos anteriores outros instrumentos eram utilizados para este processo, como o envio
de correspondências. Com os avanços tecnológicos, como a fibra ótica, as redes de
computadores e televisão a cabo, houve uma popularização e diminuição de custos
(MORAES, 2010).
A EAD, tanto “antiga” quanto “nova”, prima por ofertar todo o material didático
necessário para o aluno obter a certificação. Os Alunos recebiam/recebem o material didático
organizado pelo professor, entretanto, devido as novas tecnologias, os recursos didáticopedagógicos permitem que este material seja similar ou até mesmo superior ao ofertado em
cursos presenciais e pode até mesmo superar a relação de contato presencial existente em sala
de aula, visto que a comunicação via email e/ou chat permite um contato direto e unívoco
entre aluno e professor e/ou aluno e tutor.
No final da década de 90 surgiram grandes sistemas de educação a distância para o
nível superior. Começando pela Europa, e, posteriormente, Canadá e Estados Unidos, para
depois ser difundida nos demais países tidos como desenvolvidos e muitos em
desenvolvimento também (GUIMARÃES, 1996). Na mesma década, a inserção da
informação online também foi essencial para a evolução do método.
O Brasil, há décadas, também desenvolve programas de EAD, entre eles podemos
ressaltar o Projeto Minerva, 1970, o Telecurso de 2° Grau , 1978, o Telecurso 2000 ,1995, a
TV Escola ,1996, e o Consórcio Interuniversitário de Educação Continuada a Distância -

4141

�Brasilead, 1993, constituído, na década de 90, por 53 instituições públicas de nível superior
(PRETI, 1998). “Em 2012, alcançou-se a incrível marca de 5.772.466 matriculados em cursos
de EAD no país. Neste mesmo ano, em relação a 2011, houve um aumento de 52,5% no
número de matrículas na modalidade EAD” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013, p. 21).
Em pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas e Administração da Educação, a
partir dos Pareceres do Conselho Nacional de Educação e Portarias do Ministério da
Educação, foi constatado que atualmente existem 251 instituições de ensino superior
credenciadas para programas de educação à distância, no Brasil. A maior parte delas,
localizadas na Região Sudeste. No Distrito Federal, constam apenas sete instituições deste
caráter (INSTITUTO DE PESQUISAS E ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO, 2014).
Hoje, com as facilidades de acesso à Internet, os novos aparelhos eletrônicos, o baixo
custo de armazenamento da informação, novas plataformas, a web 2.0/3.0, dentre outras
evoluções, permitem que em muitas regiões do mundo, altere-se a forma de abordagem que os
professores utilizam para a comunicação com os alunos. A nova ordem social e econômica,
mais os avanços tecnológicos, propiciam um ambiente favorável a EAD. Contudo, se essas
inovações tecnológicas geram olhares somente voltados para os meios de transmissão da
proposta e não para os objetivos pedagógicos e aos sujeitos/alunos a serem atendidos, a
qualidade do ensino fica comprometida (PRETI, 1998). Não se pode pensar primeiramente na
tecnologia a ser utilizada, é preciso ter em foco que a meta principal é o aprendizado.
Há muitas razões para observar atentamente os diferentes processos
de evolução da EAD. Uma delas é a percepção de que há mais de um
caminho para essa evolução - diferentes modelos, com diferentes
contextos, diferentes padrões de dificuldade na implementação e na
aceitação (difusão) (MORAES, 2010, p.30).

O uso das tecnologias de informação necessita ser reformulado para o ensino a
distância. É importante que os alunos saibam utilizar os recursos da melhor forma possível
(BLATTMANN, 2001), o que muitas vezes não ocorre em nosso país. As diferenças regionais
e a má qualidade no ensino básico interferem diretamente no desempenho futuro desses
alunos. Muitos deles tiveram pouco ou nenhum contato com ferramentas digitais e outros não
possuem um grau de conhecimento necessário para fazer parte de um método de ensino mais
autônomo. (MORAN, 2009)
Além dos problemas com o uso da tecnologia, tanto por parte dos cursos à distância
quanto pelos alunos, também existem outras dificuldades. No Brasil a transmissão dos

4142

�conteúdos de EAD tem custos elevados. O Código Brasileiro de Comunicações prevê que esta
transmissão seja mais barata para o ensino a distância, contudo isto não ocorre. A tarifação
para a educação é praticamente a mesma de páginas eletrônicas de outras naturezas. Outro
ponto negativo do qual tem muita relação com este trabalho, é a necessidade de desenvolver
atividades em polos presenciais, como encontros e avaliações (OLIVEIRA, 2009). Partindo
do pressuposto que a EAD serve, entre outras razões, justamente para evitar o deslocamento
dos indivíduos, a avaliação e a prestação de outros serviços à distância, desta modalidade, se
fazem necessários para que a proposta do método esteja de acordo com seus objetivos.
O Censo EAD.BR, realizado no ano de 2012, apresentou os principais obstáculos do
ensino de EAD, em pesquisa realizada em todo o território nacional. Entre eles, os mais
destacados foram a resistência dos educadores e educandos à modalidade, os desafios
organizacionais das instituições e, o mais destacado, a evasão de educandos. Em 2012 a
evasão dos alunos de cursos tidos como completos à distância, e não disciplinas isoladas, foi
de 11,74%. Entre os principais motivos para a evasão foram citados a falta de tempo para o
estudo, custo financeiro e, o que chama muita atenção, a falta de adaptação à metodologia
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013).
O crescimento do número de alunos também mostrou uma diferenciação do seu
respectivo perfil nos últimos anos. Há pouco tempo, cerca de 10 anos, a média de idade dos
alunos era de 40 anos de idade. Em 2012, o decréscimo da idade média dos alunos foi tão
significativo que 50% deles estavam na faixa etária de 18 a 30 anos. Além desta mudança,
também foi detectado que a maior parte da população é formada por pessoas do sexo
feminino, representada por 55% do contingente. Como era esperado, notou-se que grande
parte dos estudantes acumulam os estudos e a jornada de trabalho: “[...] a maior porcentagem
ficou com os alunos de pós-graduação, com 84,53% [...] e 89,69% nos não corporativos”
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013, p. 94). São alunos
que muitas vezes não têm condições de frequentar uma faculdade todos os dias, mas mesmo
assim, buscam a ascensão profissional. Ao contrário dos cursos presenciais, onde os alunos
têm dificuldade em organizar seu tempo, e dos quais, de acordo com Cunha:
[...] as faculdades e universidades estão centradas no corpo docente.
Os professores decidem o que lecionar, como, quando, e onde o
aprendizado ocorrerá. Os estudantes precisam viajar até o campus
para aprender; precisam vencer os obstáculos burocráticos do
vestibular, das limitações nas ofertas de disciplinas e dos rígidos
horários escolares (CUNHA, 2000, p.73).

4143

�Ainda há preconceito no país com a utilização desta modalidade, mas já há consciência
que para se atender todas as regiões do Brasil, este tipo de ensino se faz necessário. É notável
que a EAD já influencia também os cursos presenciais. Cada vez mais estes usam seus
métodos para flexibilizar a necessidade da presença física dos professores e alunos. Em uma
sociedade mais conectada é possível alcançar uma aprendizagem participativa e integrada
onde haja a manutenção de vínculos afetivos, com o apoio da tecnologia.

2 Bibliotecas universitárias

A educação brasileira construída em diferentes etapas, conta com diferentes formas de
apresentar a biblioteca e seus suportes de informação, já que estes também se adaptam às
diversas necessidades informacionais e realidades dos seus usuários.
A educação básica tem como propósito a partir da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) os
seguintes princípios:

“desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum

indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e
em estudos posteriores” (BRASIL, 1996).
A biblioteca para o público da educação básica desenvolve habilidades de leitura e
fomenta a investigação e a pesquisa escolar. No contexto do ensino superior, esse papel se
transforma para atender as demandas científicas que esta etapa educacional requer.
Segundo o artigo 227 da Constituição Federal, as universidades “gozam de autonomia
didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao
princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (BRASIL, 1988).
Neste caso, a biblioteca universitária tem um papel de apoio às atividades de pesquisa
e de apoio a aprendizagem profissional. Segundo Cunha (2010):
As bibliotecas universitárias são organizações complexas, com múltiplas
funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram
desenvolvidos ao longo de décadas. No entanto, o seu propósito fundamental
permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar acesso ao conhecimento. Esse
acesso ao conhecimento é que irá permitir que o estudante, o professor e o
pesquisador possam realizar suas aprendizagens ao longo da vida.

O acesso à informação é premissa fundamental para a construção de conhecimento
dentro das instituições de ensino superior. A partir deste câmbio entre as informações, alunos,
docentes e pesquisadores, é que se percebem as mudanças e os progressos científicos nas
diversas áreas do conhecimento.

4144

�De acordo com Machado (2009, p. 30), a importância da biblioteca universitária é
crucial para a construção do saber e ferramenta para o trabalho científico:
Elas [as bibliotecas universitárias] estão sempre buscando a melhoria e o
aumento dos seus acervos, seja através da aquisição de manuscritos, revistas,
obras de referências, assinaturas eletrônicas, bases de dados,
desenvolvimento de bibliotecas virtuais, digitais e eletrônicas, blogs,
comunidades, ou quaisquer outras formas de fixação do pensamento.

Como as tecnologias da informação e a Internet provocam, a todo momento, intensas
mudanças no processo de aprendizado e na própria forma de acesso a informação, é
necessário que os professores se adaptem à essas novas tecnologias (AFONSO;
GOTTSCHALG-DUQUE, 2014). Os acervos que subsidiam as pesquisas encontram-se de
diferentes formas e suportes, não sendo mais apenas o livro como fonte de pesquisa no
contexto universitário. O acervo virtual é composto de Objetos de Aprendizado (OAs), que se
encontram disponibilizados em Repositórios de Objetos de Aprendizado (ROAs), que
desempenham um papel preponderante no desenvolvimento do alunado (AFONSO;
GOTTSCHALG-DUQUE, 2014).
A biblioteca universitária, buscando acompanhar as crescentes transformações no
ambiente tecnológico, acadêmico e educacional, também alterou a sua estrutura, produtos e
serviços para atender a comunidade que cada vez é mais exigente.
As bibliotecas começam a se transformar: nota-se uma preocupação
crescente em atender o usuário com o máximo de rapidez e eficiência, maior
preocupação com o acesso à informação em detrimento da posse do
documento, minimizando-se as limitações de tempo e espaço na busca da
informação. As coleções e os serviços foram complementados com novos
formatos e novas versões, tudo isso, certamente, facilitado pela utilização
das novas tecnologias (MARCONDES; MENDONÇA; CARVALHO,
2006).

A biblioteca física também precisa ter meios para atender este público conectado, mas
necessitante de informações de qualidade, com a confiabilidade que o acervo físico
proporciona. Neste caso, uma biblioteca digital/virtual não é apenas a disponibilização de
links ou livros digitais. É necessário refletir sobre aspectos relacionados à acessibilidade,
interatividade, confiabilidade dos conteúdos, dentre outros.
Alguns autores abordam um hibridismo para os serviços oferecidos pelas bibliotecas.
Segundo Garcéz e Rados (2002, p. 45) a “biblioteca híbrida deve integrar o acesso a
diferentes tecnologias para o mundo da biblioteca digital e através de diferentes mídias. [...]

4145

�deve refletir o estado transacional da biblioteca, que hoje não pode ser completamente
impressa nem completamente digital”.
De acordo com o Stantards for Distance Learning Library Services (SDLS),
desenvolvido pela Association of College &amp; Ressearch Library (ACRL, 2008), a biblioteca
universitária para atender o seu público EAD deve trabalhar com os seguintes aspectos:
serviços de referência e orientação online, programas de treinamento, recursos informacionais
que atendam demandas fora do ambiente físico da biblioteca, auxilio com equipamentos e
recursos digitais, parceria com outras bibliotecas, entrega rápida de documentos, dentre
outros.
Mueller (2000) argumenta que ainda existe uma grande dificuldade no oferecimento
dos serviços aos alunos de ensino à distância. É preciso um planejamento do sistema de
informação, não tão somente a extensão dos serviços tradicionais.
Para Garcez e Rados (2002, p. 47) este usuário off campus, deve ter acesso à
informação da seguinte forma:
O processo de acesso à informação, para o usuário off campus, inicia-se via
Internet, correio eletrônico, telefone e fax, ou mesmo localmente em
bibliotecas consorciadas; o usuário efetua a busca por informação, que pode
ser pormeio de acesso às bases de dados, como biblioteca híbrida (digital e
local), isto é, fontes internas e/ou catálogos Opac local (Online Public
Access Catalogue) (telnet/web) e Copac (Curl Online Public Access
Catalogue), recursos remotos da Web e canais informais, que estão
disponibilizados no home site das bibliotecas acadêmicas;escolhe a(s)
base(s) e efetua a pesquisa e obtém a informação.

Portanto, entende-se que são diferentes suportes necessários para disponibilizar
informação de qualidade para este usuário real, mas não físico. É necessário preocupar-se com
as maneiras de deixa-lo sempre informado com os novos serviços e produtos da biblioteca.
A ACRL (2008) afirma que esta modalidade de ensino dá a oportunidade aos
bibliotecários de mudarem os paradigmas de suas práticas profissionais, onde a postura
protecionista e tecnicista se transforma em uma atuação dinâmica, com geração de conteúdos
informacionais e de serviços cada vez mais rápidos e direcionados às necessidades específicas
de seus usuários.

3 Normas do MEC: histórico, critérios de avaliação e aplicabilidade

Dentre os critérios avaliativos dos cursos presenciais e a distância, diversos aspectos
são considerados para a mensuração da qualidade dos cursos. A biblioteca também passa por

4146

�avaliação, já que compõe como parte da nota a ser atribuída aos cursos superiores. O
Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP) ficaram responsáveis pelo acompanhamento dos cursos presenciais e
a distância.
Com a criação do Sistema Nacional da Educação Superior (SINAES) instituído pela
Lei 10.861 de 14 de abril de 2004, estabeleceram-se diretrizes de avaliação dos cursos
superiores.
Até chegar aos modelos atuais de avaliação, muitas modificações foram feitas. O
primeiro modelo foi instituído em 1977, com a avaliação da pós-graduação pela Coordenação
de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES), embora outras iniciativas tenham
aparecido na década de 50 e 60 como, por exemplo, o plano ATCON e do relatório Pereira
Matos, no período militar, contudo, buscando uma forma de controle das instituições
(ZANDAVALLI, 2009).
Também tivemos como critérios avaliadores o Relatório do Grupo Executivo para a
Reformulação do Ensino Superior (GERES) em 1986, Programa de Avaliação das
Universidades Brasileiras (PAIUB) em 1993, que foram se adaptando até chegar a forma atual
de avaliação (ZANDAVALLI, 2009).
A avaliação em EAD é bastante similar a avaliação presencial, onde se verifica os
seguintes aspectos: concepção de educação e currículo; sistemas de comunicação; material
didático; avaliação; equipe multidisciplinar; infraestrutura de apoio; gestão acadêmicoadministrativa; sustentabilidade financeira. (BRASIL, 2007).
Para as bibliotecas, os requisitos mínimos para atender aos usuários e à legislação são:
[...] possuir acervo atualizado, amplo e compatível com as disciplinas dos
cursos ofertados. Seguindo a concepção de amplitude de meios de
comunicação e informação da educação a distância, o material oferecido na
biblioteca deve ser disponibilizado em diferentes mídias. É importante,
também, que a biblioteca esteja informatizada, permitindo que sejam
realizadas consultas on-line, solicitação virtual de empréstimos dos livros,
entre outras atividades de pesquisa que facilitem o acesso ao conhecimento.
Além disso, a biblioteca deve dispor em seu espaço interno de salas de
estudos individuais e em grupo (BRASIL, 2007).

O que se observa que apesar do curso ser a distância, ainda se exige um espaço físico
pelo MEC. Mesmo que um acervo virtual atualizado seja disponibilizado à comunidade
acadêmica, contando com diversos recursos midiáticos digitais para complementar tal
modalidade de ensino, ainda sim é necessário um ambiente nos polos presenciais.

4147

�Nos indicadores de avaliação, foca-se ainda nas quantidades mínimas por aluno, sem
contemplar para critérios avaliativos outros recursos midiáticos como parte do acervo da
biblioteca. Encontra-se na parte de Tecnologias da Informação e Comunicação o seguinte
indicador:
São recursos didáticos constituídos por diferentes mídias e tecnologias,
síncronas e assíncronas, tais como ambientes virtuais e suas ferramentas,
redes sociais e suas ferramentas, fóruns eletrônicos, blogs, chats, tecnologias
de telefonia, teleconferências, videoconferências, TV convencional, TV
digital e interativa, rádio, programas específicos de computadores
(softwares), objetos de aprendizagem, conteúdos disponibilizados em
suportes tradicionais (livros) ou em suportes eletrônicos (CD, DVD,
Memória Flash, etc.), entre outros (BRASIL, 2007).

Embora as avaliações sejam parte do controle de qualidade das instituições de ensino
superior, existem críticas às atuais práticas, pois, argumenta-se que a avaliação é parcial e não
contextualizada às diversas realidades existentes no Brasil.

4 Estudo de caso: bibliotecas físicas em EAD

Para consolidar as informações teóricas do artigo e ponderar a situação dos alunos de
EAD em relação à utilização das bibliotecas presenciais, foi feito um estudo de caso em uma
instituição, localizada no Distrito Federal, no mês de Abril do ano 2014. Para este trabalho,
não foi autorizada a divulgação da razão social desta organização. Por isso, para uma melhor
compreensão do texto, ela será identificada como Instituição X.
A Instituição X é uma organização de renome, presente em grande parte do território
nacional. No Distrito Federal ela possui 3 unidades voltadas para cursos presenciais de
graduação e pós-graduação. Além disto, também há mais 26 outras unidades, conhecidas
como polos, para cursos de aprendizado a distância, de graduação e pós-graduação, no próprio
Distrito Federal, em diferentes estados e também em outros países.
Para a obtenção dos dados foi realizada uma entrevista aberta com o gestor e um dos
coordenadores da biblioteca desta empresa. Ambos são bibliotecários com vasta experiência
em bibliotecas universitárias. São habituados a realizar o acompanhamento das visitas de
avaliação de cursos presenciais e a distância, efetuadas pelo Ministério da Educação, no que
tange as bibliotecas. Além das entrevistas, foi realizado um levantamento estatístico do uso de
duas bibliotecas presenciais, uma no Distrito Federal e outra na cidade de Anápolis,
localizada no estado de Goiás.

4148

�Todos os polos de EAD da Instituição X possuem biblioteca presencial, conforme
exigência do Ministério da Educação, inclusive os polos situados em outros países. Por fazer
parte de uma série de associações com outras organizações, as bibliotecas presenciais da
Instituição X ficam situadas em dois tipos de espaço físico, são eles: escolas e faculdades de
organizações associadas. A Instituição X aproveita o convênio firmado com outras empresas
para utilizar o ambiente de suas respectivas bibliotecas presenciais, já existentes em outras
cidades. A única localidade que não utiliza do convênio para dispor da biblioteca presencial é
o Distrito Federal, pois nele já possui uma biblioteca para os alunos de cursos presenciais da
Instituição X.
A vantagem de se utilizar bibliotecas de outras empresas já existentes nas cidades em
que iniciará um polo EAD é que o custo para implantação é bem menor. Tanto no que se
refere aos recursos humanos, que serão aproveitados deste local já existente, quanto aos
recursos materiais, dos quais também serão aproveitados. A desvantagem é que, como
algumas vezes a empresa associada não é uma organização de nível superior e também não
atende os mesmos cursos do polo de EAD da Instituição X, situado naquela localidade, não há
uma adequação ideal dos serviços da biblioteca para o tipo de usuário específico da
Instituição X.
Em relação ao acervo, a Instituição X envia os materiais bibliográficos, em suporte
impresso (livros e periódicos), para os seus polos de EAD, onde estão as bibliotecas de
organizações associadas. Estes materiais são adquiridos conforme as requisições de cada um
dos cursos de EAD, obedecendo as exigências do Ministério da Educação. Além dos
materiais impressos, a Instituição X possui um rico acervo digital, formado por livros e
revistas eletrônicas, bases de dados e repositórios. Contudo, de acordo com as informações
repassadas na entrevista, os avaliadores do Ministério da Educação se atêm, na maioria das
vezes, apenas aos livros impressos, dando pouca visibilidade aos periódicos e materiais
digitais. O gestor e coordenador entrevistados relataram que mesmo sendo avaliação de
cursos a distância, o foco dado pelos avaliadores é mesmo na contagem de materiais do
acervo presencial, mais especificamente, do acervo de livros impressos.
Quanto a utilização destes acervos pelos alunos de EAD, ambos entrevistados
disseram que, de acordo com suas percepções, o uso é muito baixo. Para comprovar esta
informação foi realizado um levantamento estatístico no sistema da biblioteca de dois polos
de ensino a distância. Informações como quantidade de empréstimo, alunos e número de
exemplares foram comparadas para fazer este levantamento.

4149

�Primeiramente, na biblioteca da localidade Distrito Federal, foram obtidos os seguintes
dados: em um universo de 3.500 alunos de EAD foram realizados 82 empréstimos do acervo
físico, de janeiro a abril de 2014; no universo de 14.000 estudantes do método presencial,
foram realizados mais de 200.000 empréstimos do acervo físico, de janeiro a abril de 2014.
Na biblioteca da cidade de Anápolis obteve-se os seguintes dados: em 8 anos de
existência da biblioteca deste polo, apenas 1 empréstimo foi realizado. Atualmente, constam
26 alunos matriculados e 796 exemplares na biblioteca presencial. Contudo, durante este
período de oito anos, com certeza, o número de alunos excede a contagem atual de 26
estudantes. Como neste polo em Anápolis não há aluno da metodologia presencial, não foi
feito um comparativo entre as duas informações.
Quando questionado aos entrevistados se a falta de utilização por parte dos alunos de
EAD poderia ser por ausência de divulgação dos serviços da biblioteca, eles disseram que não
é este o problema. Já que a divulgação é feita de três formas. A primeira, realizada no
primeiro encontro presencial obrigatório dos estudantes, no mesmo dia em que eles recebem
informações de como utilizar as ferramentas de aprendizagem e todos os serviços da
Instituição X. Neste encontro, há um momento reservado apenas para explicar a utilização dos
serviços da biblioteca. A segunda, por meio do site da instituição. A última, por meio da
divulgação de materiais impressos e mensagens eletrônicas que são enviadas aos estudantes.
Uma segunda questão levantada aos entrevistados quanto a falta de uso da biblioteca
presencial foi a acessibilidade física e digital pelos alunos de EAD. Em relação a
acessibilidade física, o gestor e o coordenador informaram que as bibliotecas ficam em locais
acessíveis. Quanto a acessibilidade das ferramentas digitais que auxiliam os alunos de EAD a
conhecer o acervo, foi informado que a maior parte delas ficam em locais bem visíveis, de
fácil acesso e que são de uso simples. Contudo, há algumas exceções de conteúdos e
assinaturas voltados apenas para este público específico que, de acordo com os entrevistados,
poderiam ficar em locais com mais visibilidade na página da instituição.

5 Conclusão

A partir do exposto no aspecto teórico e prático deste artigo, pode-se observar que os
critérios de avaliação propostos pelo MEC, não contemplam as peculiaridades existentes na
modalidade de ensino a distância, focando-se mais na realidade presencial. Os aspectos
tecnológicos necessários e as questões subjetivas dos estudantes em relação a interação com
as plataformas oferecidas pelas unidades de informação não entram no rol avaliativo. Com

4150

�isso, os dados sobre os rendimentos e satisfação dos usuários em relação aos recursos são
imprecisos.
Na observação prática realizada na Instituição X foi verificado que as exigências
cobradas na avaliação do MEC não condizem com o perfil dos alunos de EAD, tal como foi
explicitado acima. Os acervos presenciais não são utilizados de forma eficaz e não existe um
acompanhamento do uso dos recursos digitais.
Tal distanciamento percebido entre a legislação e a realidade encontrada neste estudo,
gera inquietações a respeito do papel da biblioteca universitária presencial e seu desafio para
ser de fato um recurso informacional para o aluno virtual. Com isso, surgem questionamentos
a respeito aos critérios estabelecidos e as reais necessidades de um público tão especifico.
O papel do bibliotecário diante desta nova modalidade é ir de encontro aos objetivos
da EAD. Esta, que visa facilitar o acesso ao ensino de forma a evitar o deslocamento dos
estudantes e também proporcionar maior autonomia na aprendizagem. A biblioteca necessita
oferecer recursos condizentes a esta proposta, mantendo a qualidade e disponibilidade de
conteúdos que acrescente insumos ao progresso intelectual de seus clientes.
É necessário ter critérios de avaliação diferenciados a cada uma das metodologias
educacionais: presencial e EAD.

Avaliar cada metodologia de acordo com as suas

especificidades, focando, no caso presencial, o acervo físico, o ambiente e seus demais
recursos. Na perspectiva virtual, mensurar, com mais propriedade os recursos digitais, como a
qualidade das bases de dados, materiais digitais como e-book e periódicos eletrônicos, além
do suporte ao aluno na sua interação com as plataformas disponibilizadas pela biblioteca.

6 Referências

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O estudo teve como objetivo examinar as atuais exigências do Ministério da Educação (MEC) para as bibliotecas presenciais, dos cursos de educação a distância, e a real necessidade da existência de acervos físicos, conforme as especificações do MEC, para os discentes desta metodologia. Para isso, foi feito uma revisão bibliográfica sobre a metodologia de ensino a distância, bibliotecas universitárias e as normas para as bibliotecas presenciais. Para verificar a utilização destes acervos, foi feito um estudo de caso em duas unidades de informação voltadas para o público de EAD. Esta averiguação foi efetuada a partir de entrevistas com os gestores das unidades e análise de dados dos sistemas de circulação de materiais da instituição. A observação prática realizada mostrou que a proposta de acervos físicos, conforme feita atualmente, não condiz com a realidade e com o intuito do ensino a distância. Pode-se concluir, neste caso, que os critérios de avaliação, propostos pelo MEC, não contemplam as peculiaridades existentes na modalidade, focando-se mais na realidade presencial e abstendo-se, em alguns casos, das ferramentas que disponibilizam conteúdos em meio digital. Esta situação pode ser levada para o contexto de outras universidades e se tornar mais uma fonte de reflexão dentro da realidade de outros cursos e instituições.</text>
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SNBU 2014

A GESTÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL DE PERIÓDICOS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Fabiane Führ
Karolayne Costa Rodrigues de Lima
Paula Carina de Araújo
Suzana Zulpo Pereira
RESUMO
Apresenta a importância da produção científica na universidade, dos repositórios
institucionais e da atuação dos bibliotecários em equipes multidisciplinares para promover a
comunicação do conhecimento produzido na universidade, por meio de portais e/ou
bibliotecas digitais. Tem como objetivo geral relatar a experiência da equipe de gestão da
Biblioteca Digital de Periódicos da Universidade Federal do Paraná (BDP/UFPR) com
relação à reestruturação e gestão da BDP/UFPR. Descreve o histórico, equipe, ações
realizadas e a agenda de ações futuras. Relata as dificuldades encontradas, o reconhecimento
institucional alcançado e recomenda a formação de uma equipe multidisciplinar que atue
exclusivamente na gestão da BDP/UFPR.
Palavras-Chave: Comunicação científica; Periódico científico; Periódico eletrônico;
Repositório institucional; Atuação do bibliotecário; Biblioteca Digital de Periódicos da
UFPR.
ABSTRACT
It presents the importance of scientific production at the university, institutional repository
and librarians work in multidisciplinary teams to promote communication of knowledge
produced at the university through portals and/or digital libraries. It aims to report the
Management Team’s experience with Biblioteca Digital de Periódicos of Universidade
Federal do Paraná (BDP/UFPR) related to its restructuring and management. It describes the
history, team, actions performed and an future actions agenda. It narrates the difficulties
founded, the institutional recognition achieved and recommends the creation of a
multidisciplinary team that works exclusively with the BDP/UFPR management.
Keywords: Scientific comunication; Scientific Journal; Eletronic Journal; Institutional
repository; Librarian work; Biblioteca Digital de Periódicos da UFPR.

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�1 INTRODUÇÃO
O movimento Open Access Iniciative contribuiu para dar visibilidade à produção
científica das Instituições de Ensino Superior (IES) eliminando barreiras físicas (acesso aos
documentos) e financeiras (sem cobrança de taxas para leitores), mas, mantendo a integridade
do trabalho do autor e direito à devida citação conforme a licença adotada por cada periódico
(MACHADO, 2007).
Juntamente com este movimento, a oferta de diversos softwares Open Source auxiliou
para a expansão da publicação eletrônica e fortalecimento da comunicação da ciência, criando
assim uma demanda por equipes multidisciplinares para trabalhar na gestão de portais de
periódicos e bibliotecas digitais, o que proporciona mais um campo de atuação para o
bibliotecário. Neste novo cenário, o bibliotecário pode auxiliar na criação e gestão de portais,
na tomada de decisões junto aos editores, orientações e capacitações quando ao fluxo
editorial, criação e padronização de publicações científicas, atualização de softwares,
indexação, entre outras atividades.
Diante deste contexto, os portais de periódicos científicos das universidades propiciam
a recuperação e o compartilhamento das informações e contribuem para o processo da
comunicação científica, por meio do gerenciamento e da preservação de conteúdos digitais. A
Biblioteca Digital de Periódicos da Universidade Federal do Paraná (BDP/UFPR), que é o
tema deste trabalho, atua como um canal para a divulgação da produção científica da
instituição visando a qualidade dos periódicos nela hospedados, o desenvolvimento e a
democratização ao acesso à pesquisa científica, por meio do acesso aberto.
Portanto, apresenta-se como objetivo deste trabalho relatar a experiência da equipe de
gestão da BDP/UFPR, formada por servidores do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da
Universidade Federal do Paraná (UFPR), quanto a reestruturação da biblioteca digital,
estabelecimento de diretrizes, suporte às equipes editoriais quanto ao uso do software Open
Journal Systems (OJS), fluxo editorial, indexação dos periódicos, entre outras atividades. É
uma pesquisa qualitativa e descritiva baseada em um relato de experiência da equipe de
gestão da BDP/UFPR.
Acredita-se que compartilhar esse tipo de experiência é essencial para contribuir com
outras instituições de ensino que estão em processo de criação de seus repositórios
institucionais de forma a apresentar boas práticas e dificuldades encontradas. Além disso,
torna-se possível rever os processos e, se necessário, melhorar o modelo de gestão e a forma
de prestar suporte aos atores envolvidos com o fluxo editorial na instituição, etc.
Cabe destacar que o trabalho da equipe de gestão da BDP/UFPR teve início a partir da

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�participação dos envolvidos em eventos da área, como os workshops promovidos pela
Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC). O compartilhamento de experiências
com os profissionais que já trabalhavam com periódicos eletrônicos em instituições como a
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Pontifícia Universidade Católica do
Paraná (PUC/PR) também foi essencial para dar segurança à atuação junto à BDP/UFPR.
A importância de disseminar o uso de softwares livres para editoração eletrônica, a
divulgação da produção científica em acesso aberto, especialmente, em instituições públicas,
e a necessidade de instituir a criação de equipes multidisciplinares com a participação do
bibliotecário são os principais fatores que levaram as autoras a compartilhar sua experiência
por meio deste relato.
Acredita-se, conforme afirmado por Garrido e Rodrigues (2010, p. 68), que o modelo
em que apenas um editor é o responsável por toda a publicação, muito comum nas
universidades, já está ultrapassado. É imprescindível a criação de espaços institucionais que
ofereçam às equipes editoriais o suporte nas questões relativas ao fluxo editorial, segurança na
gestão da tecnologia e outros serviços, padronização da identidade visual e divulgação da
produção científica da instituição.
O relato está dividido em quatro capítulos. Seguindo esta introdução, é exposto o
referencial teórico onde são discutidos os seguintes temas: produção científica, repositórios
digitais e o papel do bibliotecário junto ao processo de comunicação da produção científica.
No terceiro capítulo é apresentado o objetivo, histórico e equipe envolvida com a BDP/UFPR,
além das ações já realizadas pela equipe e a proposta de ações futuras. Por fim, são
apresentadas as considerações finais.

2 PRODUÇÃO CIENTÍFICA, REPOSITÓRIOS DIGITAIS E O PAPEL DO
BIBLIOTECÁRIO
Produzir ciência é um dos principais objetivos das universidades, porém, se a mesma
não for divulgada e disseminada para a comunidade científica, esse esforço é em vão. Os
processos de comunicação da ciência produzida se utilizam de canais formais e informais de
informação e são estes canais que tornam possível a divulgação de pesquisas realizadas no
meio acadêmico. Os canais informais possuem menor custo e permitem que a pesquisa seja
divulgada de forma rápida. Entretanto, a utilização de canais formais de comunicação permite
que os resultados de pesquisas atinjam um público ainda maior, propicia o armazenamento e a
recuperação da informação e evita que ocorram redundâncias de pesquisas e resultados, além
de utilizar métodos que permitem a avaliação da informação antes da publicação, o que dá

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�maior credibilidade ao que está sendo publicado.
Segundo Fujino et al. (2007, p. 206),
são várias as alternativas possíveis para a divulgação da produção gerada
pelos pesquisadores. Dependendo das diversas formas de divulgação, o
conhecimento gerado será mais ou menos acessível à comunidade, isto é,
os recursos utilizados poderão ou não propiciar melhores condições para
sua identificação e obtenção.
A divulgação da produção científica gerada pelos pesquisadores pode ocorrer através
dos seguintes canais de comunicação científica (ARAÚJO, 1998, p. 29-31 citado por COSTA,
2008):
a) canais informais: nos quais há contato interpessoal, como: reuniões, trocas de
correspondências institucionais, técnicas e científicas, visitas técnicas, entre outras.
b) canais formais: apresentam informações comprovadas por meio de estudos, como:
documentos institucionais, técnicos e científicos, livros, periódicos científicos, obras de
referência, entre outras.
c) canais semi-formais: há utilização simultânea de canais formais e informais, como:
eventos acadêmicos, técnico-científicos e profissionais e desenvolvimento de pesquisas
científicas.
d) canais supra-formais: utilizam Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), como:
documentos, livros e periódicos eletrônicos, Internet, websites especializados de busca,
documentos compartilhados por meio da Internet, bases de dados, bibliotecas digitais, portais
de informação científica, e-mails institucionais, técnicos e científicos, entre outros.
Entre tantos canais disponíveis para a divulgação da produção científica, um dos mais
utilizados no meio acadêmico é o periódico científico, também denominado revista científica.
De acordo com Weitzel (2006, p. 84) “a revista científica tornou-se o principal marco da
constituição da estrutura da comunicação científica, pois surgiu dessa necessidade genuína de
trocas de experiências científicas dos cientistas dos tempos modernos”.
Para dar credibilidade ao processo de comunicação da ciência, a revista
científica sustenta-se no princípio da validação do mérito e do método
científico pela comunidade científica, ou seja, só o que é revisado e aprovado
pelos pares deve ser publicado, num processo conhecido como revisão por
pares (peer review). (GONÇALVES; RAMOS; CASTRO, 2006, p. 165).
Assim, todos os resultados publicados nos periódicos científicos são validados, o que
torna os resultados apresentados ainda mais relevantes para o meio acadêmico. Os periódicos
científicos, por muito tempo, eram distribuídos apenas de forma impressa, porém com a
crescente utilização das TICs,

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�[...] o mercado de publicação científica começa a se deslocar na direção da
publicação eletrônica num ritmo muito rápido [...]. A ruptura com o modelo
impresso em prol das formulações digitais abre possibilidades
extraordinárias para a comunicação científica, libertando, definitivamente, as
publicações acadêmicas dos limites bidimensionais e autocontidos do texto,
inaugurando novas formulações de apresentação e interoperabilidade e,
sobretudo, estabelecendo novos padrões de cooperação e interatividade em
favor da geração de novos saberes. (SAYÃO, 2008, p. 168).
O mercado da publicação científica de forma digital obteve um enorme impulso com o
Movimento de Acesso Livre, que por sua vez, impulsionou a criação e utilização de
repositórios digitais. Esse movimento surgiu das dificuldades enfrentadas pela comunidade
acadêmica para acessar informações científicas produzidas mundialmente. Isso acontece,
principalmente, porque muitos artigos e trabalhos científicos, financiados por instituições
públicas, são publicados em periódicos científicos de acesso restrito e pagos, o que implica
em custos com assinaturas e outros fatores que influenciam negativamente a produção e
divulgação da ciência.
O movimento do acesso livre à literatura científica propõe duas estratégias
para alcançar seus objetivos: 1) via verde: 2) via dourada. A via verde referese ao auto-arquivamento, pelos autores ou seus representantes, de uma cópia
de seus papers em um repositório, institucional ou temático, de acesso livre.
A via dourada refere-se à publicação de artigos em revistas científicas de
livre acesso. (KURAMOTO, 2007, p. 152).
Dessa forma, diversas iniciativas têm sido desenvolvidas, como Open Archives
Initiative (OAI) que estabelece “padrões tecnológicos e ideais que se integram ao processo
visando a facilitar o acesso à informação científica por parte da comunidade científica”.
(KURAMOTO, 2007, p. 150).
Kuramoto (2008, citado por Garrido e Rodrigues, 2010, p. 58) salienta que o acesso
livre se tornou viável por meio da utilização de
pacotes de software Open Source para construção de repositórios digitais
(OJS, E-prints, OCS, Dspace, Fedora, CDSware, SEER) orientando assim o
uso de padrões e protocolos, tendo em vista soluções que busquem
interoperabilidade entre os periódicos, repositórios e as bibliotecas digitais .
Os repositórios têm se tornado uma importante ferramenta para as IES, pois permitem
que as mesmas se posicionem perante os movimentos OAI e Open Access (OA), bem como
fortalecem a participação da comunidade, fornecendo o conhecimento necessário para
participar do fluxo informacional inerente à comunicação científica (FERREIRA, 2008).
Centenas de bibliotecas digitais de periódicos e portais de periódicos científicos têm sido
criados utilizando estes softwares disponíveis no mercado, e a sua utilização permite que

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�inúmeras pessoas tenham acesso a informação de qualidade, pois “a informação digital pode
ser rapidamente acessada em todo o mundo, copiada para preservação, armazenada e
recuperada rapidamente”. (CUNHA, 2008, p. 05).
Além disso, as bibliotecas digitais e os portais:
Contribuem para o aumento da visibilidade e do valor público das
instituições, servindo como indicador tangível da sua qualidade, e
contribuem para os sistemas de comunicação científica, expandindo o acesso
aos resultados da investigação e assumindo o apoio aos editores e a
responsabilidade da disseminação e preservação dos periódicos da
instituição. (RODRIGUES; FACHIN, 2010, p. 38).
Os portais de periódicos apresentam algumas características que lhe são próprias,
como centralização de informações, padronização de produtos (periódicos científicos) e
segurança de dados. As instituições que adotam os portais devem estar atentas à
responsabilidade pela preservação dos dados e dos tipos de arquivos utilizados. Além disso,
há a necessidade de ofertar cursos de capacitação, dar suporte, estabelecer padrões a serem
seguidos e refletir sobre novos serviços que podem ser necessários aos envolvidos nos
processos de gestão e manutenção dos portais (GARRIDO; RODRIGUES, 2010). Percebe-se
que equipes multidisciplinares são fundamentais para a gestão adequada dos portais de
periódicos e de bibliotecas digitais e isso inclui a presença de bibliotecários, analistas de TI,
professores, revisores, web designers, entre outros.
A atuação de bibliotecários não se resume única e exclusivamente a área técnica de
serviços ofertados em bibliotecas. As habilidades, competências e atitudes requeridas aos
profissionais da informação têm-se ampliado constantemente e atividades ligadas à
organização e prestação de serviços aos usuários recebem incremento com tarefas como
planejamento, processos de coleta, processamento e disseminação da informação. Assim, o
conhecimento e utilização das novas TIC’s auxiliam o profissional da informação no
desenvolvimento de habilidades ligadas à criação de bibliotecas digitais e virtuais,
implementação e gestão de portais de periódicos eletrônicos, entre outras.
Contar com a participação de bibliotecários nas equipes de editoração de periódicos
abre novas oportunidades aos profissionais da informação, pois
a editoração é então uma das possibilidades que o bibliotecário pode e deve
se enquadrar levando em consideração que as revistas científicas são hoje o
meio de comunicação científica mais eficaz graças ao acesso remoto às
informações. As publicações e os artigos científicos crescem a cada dia
aumentando a demanda por informações, tornando indispensável o manejo
com as novas tecnologias. (MAIMONE, TÁLAMO, 2008, p.317).

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�Maimone e Tálamo (2008) destacam ainda que: i) manter-se atualizado; ii) trabalhar
em equipe e em rede; iii) demonstrar conhecimento de outros idiomas; iv) demonstrar
capacidade de negociação e capacidade empreendedora e v) demonstrar proatividade, são
competências essenciais para os bibliotecários que pretendem atuar na área de editoração
científica.
Estar atualizado com o que há de novo em relação a hardwares e softwares é
primordial para aqueles que trabalham com periódicos científicos, já que os mesmos estão
sempre apresentando novidades que podem otimizar os processos de editoração, diagramação,
publicação e alcance da produção científica.
A habilidade para trabalhar em equipe nos serviços editoriais é uma característica
extremamente importante na gestão de portais de periódicos e/ou de bibliotecas digitais, já
que há muito trabalho a ser feito. O fluxo editorial apresenta uma rotina extremamente
complexa, com estabelecimento de cronogramas e atendimento dos prazos, a necessidade de
determinar uma rotina de atividades e aprimorá-la em caso de necessidade é fundamental para
o bom andamento dos trabalhos.
Conhecer e dominar outros idiomas facilita a realização de tarefas ligadas à
editoração, como por exemplo, a tradução e disponibilização de artigos em outros idiomas, a
operação do sistema para os periódicos que publicam em mais de um idioma e também para
atender as necessidades internas desses periódicos. É essencial ainda para que possam ser
conhecidas inovações relativas à editoração científica que, geralmente, surgem inicialmente
nos Estados Unidos e Europa.
A capacidade de negociação associada a capacidade empreendedora auxilia em tarefas
como checagem dos manuscritos, no qual é necessário avaliar o cumprimento de normas do
periódico, atendimento dos prazos de revisão, encaminhamento dos originais para
diagramação e posterior disponibilização do material dentro dos prazos necessários à
publicação e distribuição da revista, atendendo as demandas de assinaturas, permutas,
doações, entre outras. Essas características também possibilitam a atuação em outras frentes
ligadas à informação científica periódica, como por exemplo a indexação em bases de dados
nacionais e internacionais, possibilitando maior visibilidade do periódico (MAIMONE,
TÁLAMO, 2008).
A capacidade de negociação também é essencial ao prestar suporte para a equipe
editorial, pois é preciso orientar o andamento do fluxo editorial, mas também o uso correto do
software de gestão. Ao estabelecer diretrizes para a criação e manutenção das publicações nos
portais ou bibliotecas digitais é necessário conscientizar os editores e suas equipes sobre a

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�importância dessas regras para o bom andamento dos trabalhos e para a disseminação da
informação.
Empreender, bem como, demonstrar proatividade, são características importantes para
aquele que deseja diversificar sua linha de atuação, como por exemplo, atuar na gestão de
bibliotecas digitais de periódicos ou portais de periódicos institucionais, pois é uma área de
atuação que exige disciplina, grande esforço e a busca pela inovação para possibilitar a
divulgação do conhecimento produzido pela instituição de forma a potencializar o seu uso
para que novo conhecimento seja criado seguindo um círculo de produção da ciência.
Para isso é preciso visar a padronização e melhoria de um conjunto de periódicos,
observando os pontos fortes e fracos, bem como as oportunidades e ameaças. Dessa forma,
torna-se possível buscar subsídios para tomar as melhores decisões em relação a
administração dos periódicos participantes do portal, seja por meio de ações junto aos
editores, como educação continuada, atualização de softwares, normalização de informações,
etc.
Percebe-se que as atividades ligadas à comunicação e produção científica oferecem
grandes possibilidades para os profissionais da informação dispostos a atuar nas diversas
áreas que os periódicos científicos demandam, para isso é necessário estar atento às
oportunidades e possibilidades que este mercado oferece.
Sabe-se que a produção científica permeia todas as atividades acadêmicas. Nesse
contexto, os repositórios digitais surgiram para possibilitar maior visibilidade para o
conhecimento produzido pelas instituições, além de possibilitar seu armazenamento e
preservação. A gestão de acervos é atribuição do bibliotecário desde que essa profissão
surgiu, com os acervos digitais não poderia ser diferente. É primordial contar com esse
profissional no processo de editoração científica, entretanto, cabe destacar que ele deve fazer
parte de uma equipe multidisciplinar que pode agregar muito valor a esse trabalho.

3 BIBLIOTECA DIGITAL DE PERIÓDICOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
PARANÁ (BDP/UFPR)
A Biblioteca Digital de Periódicos da Universidade Federal do Paraná (BDP/UFPR) é
um repositório digital que tem como objetivo reunir, organizar e disseminar a produção
científica periódica editada pela instituição. Estabelece como premissa a divulgação científica,
por meio do acesso aberto à produção, buscando aumentar a visibilidade da UFPR como
instituição científica.
Atualmente, a BDP/UFPR é composta por 57 periódicos científicos das diversas áreas

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�do conhecimento e todos seguem a política de acesso aberto. A “Educar em Revista” e a
“Revista da ABRALIN” são os periódicos com maior conceito na avaliação do Qualis da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), estão no estrato
A1. Outros seis periódicos foram classificados no estrado A2 e dez deles no estrato B1, os
mais importantes da classificação do Qualis da CAPES.
Neste capítulo serão apresentados o histórico, a equipe, as ações de gestão da
BDP/UFPR já realizadas e as ações futuras.

3.1 HISTÓRICO

A BDP/UFPR, anteriormente denominada Sistema Eletrônico de Revista (SER) da
UFPR foi criada a partir da parceria entre quatro setores da universidade em 2004: o Sistema
de Bibliotecas (SiBi), o Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) do
Departamento de Informática da UFPR, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
(PRPPG) e a Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (PROPLAN).
Inicialmente, a PRPPG/UFPR ficou responsável pelo SER/UFPR que estava vinculado
ao Programa Institucional de Apoio à Publicação de Periódicos Científicos, regulamentado
pela Resolução 32/04-CEPE. Este programa representa o “[...] mecanismo que fomenta e gere
a política institucional da UFPR em relação aos seus periódicos científicos” (UFPR, 2013,
p.1), ele ainda está em vigor e tem como objetivos:
I- apoiar financeiramente a publicação dos periódicos ligados
institucionalmente à UFPR; II- apoiar tecnicamente a publicação dos
periódicos ligados institucionalmente à UFPR; III- garantir a qualidade dos
periódicos ligados institucionalmente à UFPR; IV - divulgar e garantir a
circulação dos periódicos ligados institucionalmente à UFPR, seja por meio
de permuta, distribuição ou doações ou em acesso aberto por meio da
Biblioteca Digital de Periódicos da UFPR; V- reunir esforços dispersos que
permitam uma otimização dos recursos destinados à publicação dos
periódicos ligados institucionalmente à UFPR; VI- ampliar a visibilidade da
UFPR por meio dos periódicos eletrônicos vinculados a ela. (UFPR, 2004,
p.1; UFPR, 2013, p.1).
Os editores trabalharam praticamente sozinhos, de 2004 à 2012, quando cabia à
PRPPG o apoio financeiro por meio de editais, ao C3SL o suporte técnico para o uso do
software. Entretanto, a falta de pessoal para trabalhar exclusivamente com o SER/UFPR, não
atendia às necessidades dos editores, pois a PRPPG disponibilizava apenas um servidor para
auxiliar com os possíveis problemas. A participação do SiBi/UFPR, se limitava a ter um
representante no Conselho de Editores que discutia questões relativas à permuta dos

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�periódicos com outras instituições, devido à falta de servidores naquele momento.
Tendo em vista que o conjunto de periódicos editados pela UFPR representa a
produção científica da universidade e a gestão de acervos bibliográficos é responsabilidade
dos bibliotecários, em agosto de 2012 teve início a negociação para que o SiBi/UFPR
assumisse a parte que lhe cabia no apoio aos editores científicos e para a gestão da Biblioteca
Digital. Isso foi possível devido ao recebimento de novos servidores pelas vagas do Programa
REUNI e pela iniciativa de alguns servidores que se interessavam pelo trabalho de editoração
científica.
Dando prosseguimento às novas negociações, a Resolução 22/13-CEPE foi publicada
no dia 26 de abril de 2013 e alterou a Resolução 32/04-CEPE que estabelece o Regimento do
Programa Institucional de Apoio à Publicação de Periódicos Científicos da Universidade
Federal do Paraná. Nessa nova resolução foram inseridas as novas responsabilidades de cada
um dos atores envolvidos com a publicação periódica científica da UFPR, especialmente, a do
SiBi/UFPR.

3.2 A EQUIPE DE GESTÃO DA BDP/UFPR

Uma proposta de gestão da BDP/UFPR foi apresentada para a direção do SiBi/UFPR e
para o Conselho de Editores Científicos da UFPR vinculado à PRPPG, em agosto de 2012. A
proposta previa ações que seriam realizadas pela nova equipe, bem como o papel de cada ator
envolvido no processo. A proposta foi aceita e a equipe iniciou imediatamente o suporte aos
editores científicos por telefone, e-mail e pessoalmente.
Uma grande conquista para a equipe de gestão da BDP/UFPR foi a contratação de um
estagiário da área de Ciência da Computação e, posteriormente, de uma analista de
Tecnologia da Informação (TI) que foi chamada por meio de concurso público em 2013. A
analista trabalha exclusivamente com as questões técnicas relativas às Bibliotecas Digitais da
UFPR, inclusive a BDP/UFPR e recebe o auxílio do estagiário. Atualmente, é a analista quem
presta suporte à equipe de gestão com relação às questões técnicas que possam influenciar o
uso do OJS, bem como a atualização de versões, migrações, etc. Nesse mesmo ano, mais dois
bibliotecários também passaram a compor a equipe.
Atualmente, a equipe de gestão da BDP/UFPR é composta por cinco bibliotecários,
um estagiário da área de Ciência da Computação e um analista de TI. Entretanto, apenas o
estagiário e o analista estão envolvidos em tempo integral com o OJS e DSPACE. Os
bibliotecários atuam em diferentes bibliotecas no serviço de referência e informação,

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�formação e desenvolvimento de coleções e como coordenadores de bibliotecas. A medida que
o trabalho avança, percebe-se mais e mais a necessidade de uma equipe para trabalhar
exclusivamente com a gestão da biblioteca digital.
Além da equipe de gestão da BDP/UFPR, composta por servidores do SiBi/UFPR,
outros atores estão envolvidos em todo o processo de editoração científica dos periódicos da
UFPR. Na Resolução 32/04-CEPE já estavam previstas as ações de cada um deles, entretanto,
com as mudanças ocorridas que foram descritas no histórico, algumas atribuições foram
alteradas e/ou adicionadas a partir da Resolução 22/13-CEPE. Portanto, no Quadro 1 são
apresentadas as atribuições de cada um dos envolvidos.

Quadro 1 - Atribuições dos atores envolvidos com o fluxo editorial dos Periódicos
Científicos da UFPR
ATORES

ATRIBUIÇÕES

- indicar os representantes para compor o Conselho de Editores;
- deliberar os critérios estabelecidos anualmente pelo Conselho para credenciar os
periódicos que participarão do Programa Institucional de Apoio à Publicação de
Periódicos Científicos da instituição e aprová-los;
- aprovar a aplicação desses critérios, ratificando a lista de periódicos credenciados
Assembleia
para participação no Programa;
- definir anualmente as diretrizes gerais de aplicação dos recursos do Programa;
- aprovar a prestação de contas anual;
- deliberar sobre as diretrizes para a admissão e permanência dos periódicos na
BDP/UFPR.

Conselho

Editores

- estabelecer anualmente os critérios de credenciamento, encaminhando-os à
Assembleia para deliberação e aprovação;
- divulgar, após aprovação pela Assembleia, os critérios de credenciamento;
- aplicar os critérios estabelecendo anualmente a lista de periódicos credenciados,
encaminhando-a à Assembleia para deliberação e aprovação;
- divulgar, após aprovação pela Assembleia, a lista de periódicos credenciados;
- definir os critérios de aplicação dos recursos oriundos do orçamento, do Fundo de
Desenvolvimento Acadêmico (FDA) e de outros programas acadêmicos
assemelhados, encaminhando-os à Assembleia para deliberação e aprovação;
- gerenciar a aplicação dos recursos do Programa de acordo com a definição da
Assembleia;
- receber da Coordenação e analisar a prestação de contas anual, encaminhando-a à
Assembleia para deliberação e aprovação;
- estabelecer, a partir de proposta elaborada pelo SiBi, as diretrizes para admissão e
permanência dos periódicos na BDP/UFPR, encaminhando-as à assembleia para
deliberação e aprovação; e
- apreciar e aprovar as diretrizes de atribuição de identificador persistente para os
artigos dos periódicos, formuladas pelo SiBi.
- realizar os trabalhos editoriais que garantam a qualidade acadêmica dos periódicos;
- encaminhar projetos às agências de fomento nacionais e estaduais;
- quando optar por fazer uso do apoio técnico da Editora, entregar os originais de cada

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�fascículo à Editora no primeiro mês do período correspondente à sua publicação para
que o periódico se mantenha estritamente atualizado; e
- aprovar os serviços necessários para a confecção do periódico; e
- adequar o periódico científico, sob sua responsabilidade, às diretrizes para admissão
e permanência na BDP/UFPR.

Editora

PRPPG

SiBi

C3SL

- compor a Coordenação do Programa, juntamente com a PRPPG;
- dar apoio técnico para a produção dos periódicos, elaborando em parceria com a
PRPPG os processos licitatórios para sua revisão e programação visual, bem como
fiscalizando os contratos; e
- fazer a distribuição do periódico nos termos acordados com cada editor.
- compor a Coordenação do Programa, juntamente com a Direção da Editora UFPR;
- representar o Programa junto à Administração Superior, negociando a dotação
orçamentária anual que complemente os recursos obtidos junto às agências de
fomento para o funcionamento do Programa;
- representar o Programa junto ao Comitê Gestor do FDA, ou de outros programas
acadêmicos assemelhados, negociando a destinação de recursos suplementares aos
conseguidos junto às agências de fomento que permitam o funcionamento do
Programa;
- apoiar os Editores na elaboração de projetos e no encaminhamento de prestação de
contas junto às agências de fomento à pesquisa;
- cadastrar os periódicos institucionais que poderão requerer seu credenciamento
anual e cujo editor possa compor a Assembleia; e
- proporcionar, junto com a Editora da UFPR, estrutura física gerencial para o
programa.
- elaborar Diretrizes para admissão e permanência dos periódicos na BDP/UFPR, e
submetê-las ao Conselho do Programa;
- criar e manter leiaute e identidade visual para a BDP/UFPR, de acordo com o
manual de marcas da UFPR;
- elaborar Diretrizes de Atribuição e Identificação Persistente para os artigos dos
Periódicos e submetê-los ao Conselho do Programa;
- gerenciar a atribuição do Identificador Persistente para os artigos dos periódicos;
- assistir os editores quanto:
a) ao uso de ferramentas OJS - “Open Jomal System”;
b) à mediação com o suporte de tecnologia da informação;
c) à normalização dos periódicos;
d) à atribuição do International Standard Serial Number (ISSN);
e) à orientação dos procedimentos no OJS;
f) à configuração, inclusão e alteração dos periódicos;
g) à indexação em bases nacionais e internacionais;
h) padronização de identidade visual.
- catalogar e indexar os títulos de periódicos e artigos disponíveis na BDP/UFPR,
possibilitando sua recuperação por meio do catálogo eletrônico da Biblioteca.
- gerenciar hardwares e softwares da BDP/UFPR;
- gerenciamento da segurança e preservação dos arquivos digitais;
- atualização e migrações de software da plataforma OJS.

Fonte: Adaptado das Resoluções 32/04-CEPE e 22/1-CEPE

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�Com a publicação da Resolução 22/13-CEPE o SER passou a se chamar Biblioteca
Digital de Periódicos da Universidade Federal do Paraná (BDP/UFPR). Essa mudança
aconteceu porque a UFPR já possuía outras coleções de teses, dissertações, monografias,
livros e vídeos que são armazenados e disponibilizados no Repositório Digital Institucional,
que abriga as demais bibliotecas digitais do SiBi/UFPR.
Uma vez formada a equipe e estabelecidas as responsabilidades de cada um dos
envolvidos, a equipe de gestão passou a desenvolver ações importantes que representam os
primeiros passos para auxiliar na melhoria do fluxo editorial dos periódicos científicos da
UFPR, bem como para a expansão da visibilidade da produção científica da instituição para o
mundo todo. Essas ações serão descritas nas próximas seções.

3.3 AÇÕES REALIZADAS

Ao assumir a gestão da BDP/UFPR, a equipe elaborou um plano de trabalho para
definir os objetivos, como alcançá-los e o tempo para executar cada etapa. Por meio de
reuniões, e-mails e até mesmo em encontros informais eram levantados e definidos os pontos
que deveriam ser abordados e a prioridade de cada um.
Abaixo estão descritas as ações realizadas até o momento:
a) Diagnóstico: foi elaborado um check list para identificar o uso que estava sendo feito da
ferramenta OJS, as necessidades dos editores e a realidade dos 53 periódicos hospedados na
BDP/UFPR em 2013. Foi verificado se havia informações sobre o escopo, equipe editorial,
políticas de seção, sistema de avaliação, diretrizes para autores e normas de submissão.
Também foi verificada a periodicidade, Qualis, bases em que o periódico estava indexado,
ISSN e se o periódico também é disponibilizado impresso. Nesse caso, fez-se uma
comparação para verificar se os números estavam atualizados na BDP/UFPR.
b) Diretrizes da BDP/UFPR: considerou-se necessário elaborar um documento que
norteasse o ingresso de novos periódicos e também critérios para permanência na BDP/UFPR,
o que é fundamental para melhorar a qualidade dos periódicos. Para tanto, foram consultados
documentos de outras instituições e literatura sobre o tema. O documento foi elaborado pela
equipe de gestão e levado para reunião do Conselho onde o assunto foi deliberado e,
posteriormente, o documento foi encaminhado à Assembleia na qual foi aprovado em abril de
2013.
c) Diretrizes para atribuição do Digital Object Identifier (DOI): tem como objetivo
nortear a atribuição do DOI aos documentos dos periódicos científicos hospedados na

79

�BDP/UFPR. Nesse documento foram elencados os critérios utilizados pelo SiBi/UFPR para a
formação do prefixo DOI, os requisitos que os periódicos devem cumprir para receber a
atribuição, bem como determinar a responsabilidade de cada um dos envolvidos no processo
de aquisição, atribuição e manutenção do DOI aos periódicos da BDP/UFPR. A aprovação
dessas diretrizes seguiu os mesmos trâmites das diretrizes gerais da BDP/UFPR.
d) Cursos de capacitação: em setembro de 2013 a equipe da BDP/UFPR realizou o I Curso
de Capacitação Open Journal Systems (OJS) que contou com a participação de 29
representantes das equipes editoriais dos periódicos científicos hospedados na BDP/UFPR. O
objetivo foi apresentar a equipe, suas atribuições e também verificar o nível de conhecimento
e uso do software pelos editores. Verificou-se que nem todos utilizavam o fluxo editorial
completo, o que ocasionou muitos problemas. Por isso, começara a ser oferecidas oficinas
individuais para essas equipes com o objetivo de sanar dúvidas específicas, mostrar o
funcionamento do sistema, os papéis existentes, como ocorre o fluxo editorial e, dessa forma,
incentivar o uso do software na íntegra.
e) Capacitação da equipe de gestão da BDP/UFPR: para melhorar o suporte aos editores, o
grupo participou de cursos sobre o OJS e DOI. Também manteve contato com a equipe de
Periódicos da UFSC e participou de outros eventos relacionados à editoração científica.
f) Suporte aos editores: desde que a equipe assumiu a gestão, inúmeros atendimentos foram
feitos por telefone, e-mail e pessoalmente para esclarecer dúvidas diversas relacionadas à
editoração. Essa ação é uma parte essencial do trabalho realizado pela equipe, pois
representou um grande diferencial para os editores e suas equipes, o que agiliza o processo de
publicação dos fascículos e melhora a qualidade dos periódicos científicos.
g) Participação em eventos para compartilhar experiências: a equipe foi convidada para
compartilhar suas experiências no II Encontro Universitário de Editoração Científica
realizado em setembro de 2012 (Curitiba), quando apresentou o papel do bibliotecário no
processo de editoração científica. Também participou do III Ciclo de Debates Periódicos
UFSC em Florianópolis, SC, quando apresentou o histórico da BDP/UFPR e sua experiência
até aquele momento na gestão da biblioteca digital.
h) Atualização da versão do OJS: a BDP/UFPR utiliza o OJS baixado diretamente do
Public Knowledge Project (PKP) e não a versão traduzida pelo Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). A implantação em 2004 foi com a versão
2.2.4.0 e em 2013 houve a migração para a versão 2.4.2.0. Essa ação foi realizada pela
analista de TI com o auxílio da equipe do C3SL, do estagiário e de uma das bibliotecárias. A
atualização da versão trouxe diversos benefícios ao uso do sistema, como maior velocidade no

80

�acesso, agilidade das funções no fluxo editorial, publicação em mais de um idioma e a
correção de bugs do sistema.

3.4 AÇÕES FUTURAS

A primeira etapa do plano de trabalho da equipe de gestão consistiu na elaboração de
um diagnóstico dos periódicos no antigo SER e, posteriormente, reorganização destes dentro
da BDP/UFPR. Este diagnóstico teve como função verificar a quantidade de revistas no
Portal, seu caráter institucional, identificar se a publicação estava ativa ou suspensa, bem
como compreender a forma pela qual a ferramenta era utilizada pelos editores. Com base
neste diagnóstico a equipe verificou as principais medidas a serem adotadas na reorganização
dos periódicos. Ato seguinte, a equipe elaborou um plano de trabalho para atender às grandes
demandas dos editores quanto aos conflitos no uso da ferramenta e demais rotinas de
publicação.
Com a primeira etapa cumprida, a equipe de gestão estabeleceu uma agenda de ações
futuras visando demais melhorias na BDP/UFPR, são elas:
a) Atribuição do Digital Object Identifier (DOI) para cada item publicado pelos
periódicos: Conforme Brito, Guedes e Shintaku (2013, p. 05), qualquer propriedade
intelectual pode receber a atribuição do DOI. Livros, capítulos de livros, periódicos, artigos,
gráficos, áudios, vídeos, imagens e softwares podem receber o identificador persistente. Pois,
“oferece infraestrutura para ligar os usuários aos conteúdos dispostos pelos editores,
gerenciando a comunicação entre eles”. A opção pela adoção ao DOI deu-se devido a
compatibilidade de identificação da estrutura conforme os tipos de objetos publicados pelas
revistas e também devido a ampla utilização deste tipo de recurso para localização e
identificação de objetos digitais na web tanto por editoras nacionais quanto internacionais de
publicação periódica.
b) Criação de identidade visual da BDP/UFPR: o layout da página principal utiliza um dos
templates básicos do pacote OJS e cada revista utiliza um template diferente para suas
páginas. A proposta inicial é elaborar uma identidade visual padronizada para a BDP/UFPR,
compreendendo a criação de um logotipo, tipografias, código de cores e demais elementos
representativos de marca, considerando os padrões web nacionais e internacionais de
acessibilidade do ISO Standards e W3C. No momento, está em estudo a organização de uma
parceria com o Departamento de Design da UFPR para a elaboração da identidade visual da
BDP/UFPR.

81

�c) Estruturação de um calendário anual de oficinas e cursos de capacitação: as oficinas e
cursos de capacitação seriam elaborados em datas pré-determinadas e abertos à todas as
equipes editoriais. Os cursos de capacitação abordariam o uso da plataforma OJS (atribuições
de cada ator no sistema, fluxos de publicação, diagramação, etc), normalização dos
periódicos, melhores práticas de publicação científica e suporte quando às exigências da
Capes e demais indexadores científicos.
d) Criação de uma incubadora para as publicações: uma dificuldade percebida pela equipe
durante os trabalhos foi o desnivelamento entre as publicações já existentes na BDP/UFPR e
os novos periódicos que já entraram seguindo as Diretrizes de Entrada e Permanência na
BDP/UFPR. Nesse sentido, outra ação futura é a criação de uma incubadora para as
publicações que visará o investimento na melhoria da qualidade tanto das publicações novas
(que precisam adequar-se às Diretrizes), quanto das publicações já incorporadas à BDP/UFPR
e que, no entanto, necessitam de revisão e adequação. A criação da incubadora servirá
também como laboratório de treinamentos para auxiliar na formação das equipes editoriais. A
proposta se baseia na experiência da equipe do Serviço de Periódicos, do Sistema de
Bibliotecas da UFSC.
e) Programa Permanente de Capacitação para a equipe de gestão: outro destaque da
agenda de ações futuras é elaborar um programa permanente de capacitação e atualização da
equipe de gestão da BDP/UFPR, de forma a proporcionar atendimento de substancial
qualidade aos editores e, consequentemente, promover as publicações da UFPR.
Por mais que esta seja uma agenda de ações futuras, a capacitação constante das
equipes editoriais e a atribuição do identificador persistente DOI são ações que serão
constantes, pois buscam viabilizar e divulgar a produção científica institucional, de forma a
atender uma das funções básicas da ciência na transformação social. Sabe-se que ao longo da
trajetória da equipe, novas demandas surgirão, entretanto, cada vez mais a equipe estará
preparada para cumprir sua função de prestar apoio aos editores e gerenciar a biblioteca
digital.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando o pensamento de Madureira e Vilarinho (2010), segundo o qual os
bibliotecários deveriam expandir suas áreas de atuação para fora das paredes físicas das
bibliotecas, talvez hoje, seja possível dizer que, de fato, o bibliotecário está a cumprir seu
papel de profissional da informação devido à amplitude do rol de atividades que este executa
diariamente. O crescimento constante de serviços online e repositórios digitais oriundos da

82

�demanda da sociedade num mundo líquido e veloz requer mais dos profissionais, fazendo
com que estes quebrem a resistência no trabalho com diversos suportes informacionais,
fomentem sua criatividade, sejam flexíveis, e inovadores. As TICs oferecem ao bibliotecário a
oportunidade de atuar em diversas frentes virtuais, por meio do qual aplica os conhecimentos
oriundos da sua formação profissional no atendimento às demandas informacionais nos
diversos meios, suportes, sistemas, plataformas e comunidades.
Outro aspecto interessante advindo do projeto foi observar a alteridade na forma como
os bibliotecários eram 'vistos' dentro da Universidade. Se no início das atividades os olhares
eram desconfiados e os créditos ofertados somente para os profissionais de informática, o
resultado atual é o destaque para a função dos bibliotecários, pois, através de todas as
atividades realizadas junto aos editores e professores, observamos as progressões na forma de
tratamento e o entendimento por parte de todos os profissionais envolvidos de que os
bibliotecários podem sim (e devem) colaborar na elaboração e gestão de produtos e serviços
de informação, não se limitando às atividades tradicionais de uma biblioteca física
universitária.
O envolvimento desta equipe no suporte às atividades da BDP/UFPR proporcionou a
todos os envolvidos melhor conhecimento da Universidade e seus processos. Conforme
avançaram os contatos com o Conselho de Editores e Pró-Reitorias, foi possível entender o
funcionamento de diversas instâncias departamentais e legais, ambas fundamentais para a
reorganização da biblioteca digital.
As dificuldades que a equipe de gestão percebeu se referiam, principalmente, ao tempo
dos procedimentos burocráticos na aprovação de alterações nas resoluções e a insuficiência de
recursos financeiros nos editais de apoio à publicação científica periódica. Assim, cabe
destacar ainda a necessidade de investimentos constantes da Universidade na formação
continuada dos bibliotecários, analistas de sistemas e demais profissionais envolvidos com a
gestão e editoração de periódicos científicos, sendo fundamentais o investimento em cursos,
palestras, seminários, oficinas de capacitação e a participação em eventos relacionados à essa
área.
A partir desse relato e consequente reflexão, percebe-se que muito foi feito para
reestruturar a BDP/UFPR e estabelecer novos padrões para o futuro. O trabalho está
caminhando muito bem e tem recebido o devido reconhecimento da instituição. Entretanto,
para que essa atuação possa avançar cada vez mais, recomenda-se a formação de equipe
exclusiva para atuar na gestão da BDP/UFPR, a exemplo de outras universidades,
considerando que as demais atribuições dos membros da equipe impedem uma imersão

83

�integral no que tange às crescentes exigências no padrão de qualidade das publicações
científicas, auditorias nos sistemas no suporte às equipes editoriais.

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85

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta a importância da produção científica na universidade, dos repositórios institucionais e da atuação dos bibliotecários em equipes multidisciplinares para promover a comunicação do conhecimento produzido na universidade, por meio de portais e/ou bibliotecas digitais. Tem como objetivo geral relatar a experiência da equipe de gestão da Biblioteca Digital de Periódicos da Universidade Federal do Paraná (BDP/UFPR) com relação à reestruturação e gestão da BDP/UFPR. Descreve o histórico, equipe, ações realizadas e a agenda de ações futuras. Relata as dificuldades encontradas, o reconhecimento institucional alcançado e recomenda a formação de uma equipe multidisciplinar que atue exclusivamente na gestão da BDP/UFPR.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GRUPO DE BIBLIOTECÁRIOS EM CIÊNCIAS DA SAÚDE: CRIAÇÃO E AÇÕES
DESENVOLVIDAS
Vânia Martins Bueno de Oliveira Funaro
Vilma Fernandes
RESUMO
A criação do Grupo de Bibliotecários em Ciências da Saúde teve como mentora a
bibliotecária Vilma Aparecida Fernandes, do Hospital Ana Costa S.A - Santos (SP). O Grupo
de Bibliotecários em Ciências da Sáude é um grupo virtual. Desenvolve ações para elaborar e
compartilhar boas práticas em biblioteconomia, na área de ciências da saúde. O grupo acredita
que compartilhando as boas práticas da área, irá facilitar e melhorar a qualidade dos serviços
prestados pelos bibliotecários em ciências da saúde, resultando melhores oportunidades de
negociação de salários junto a instituição e o fortalecimento da profissão. O grupo de
bibliotecários em ciências da saúde tem como foco a integração dos profissionais. A união e a
troca de experiências dos bibliotecários em ciências da saúde agrega valor e gera o
fortalecimento da profissão.
Palavras-Chave: Bibliotecários da área da saúde; Fortalecimento da profissão de
bibliotecários; Comunicação on line; Comunicação virtual; Grupo de Bibliotecáriaos em
Ciências da Saúde.
ABSTRACT
The group of Health Science Librarians were criated by Vilma Aparecida Fernandes from the
Hospital Ana Costa S.A - Santos (SP). This is a virtual group committed in sharing good
practices in Library sciences área. The group assumes that actions of sharing good practices,
will further and improve the quality of services provided by the Health sciences librarians,
besides favouring the vindications with the patron institution concerning salaries as well as
concur for the professional strengthening. The group also focus the professional integration.
The union and experiencies exchange among the Health sciences librarians will add value
and will contribute for the professional strengthening.
Key words: Health Science librarians; Professional strengthening; On-line communication;
Virtual communication; Health Science librarians group.

1 INTRODUÇÃO
A iniciativa da criação de um grupo de bibliotecários em ciências da saúde surgiu em
2013, quando Vilma Aparecida Fernandes, bibliotecária do Hospital Ana Costa (Santos-SP),
detectou a inexistência de um grupo de bibliotecários em saúde no Brasil.

2798

�Sua primeira ação foi contatar os bibliotecários da área de saúde que integram a rede
BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) e fez o convite objetivando a criação do grupo de
bibliotecários médicos/clínicos.
Seu maior desafio foi romper a barreira da distância utilizando, assim, a comunicação
virtual. Foi elaborada uma lista com os nomes dos profissionais que aceitaram o convite. A
etapa seguinte constituiu-se no encaminhamento de um e-mail para que esses profissionais
inserissem seus dados pessoais e profissionais. Acrescente-se que os profissionais desta lista
inicial convidaram outros bibliotecários da área de saúde que participavam de suas redes de
contatos e que não estavam cadastrados na rede BVS. O interesse em participar do grupo foi
grande e o retorno ágil. Assim, surgiu o Grupo (ANEXO A).
A tecnologia da informação é um aliado na comunicação do Grupo, rompendo a
barreira da distância geográfica.
A primeira reunião virtual foi na sala de bate-papo do BOL. A primeira discussão foi
sobre a nomenclatura que seria utilizada pelos profissionais do grupo: bibliotecários
médico/clínicos, bibliotecários médicos, bibliotecários clínicos, bibliotecários da informação
em saúde, cientistas da saúde, bibliotecários em ciências da saúde? Tendo como embasamento
as informações sobre o assunto na literatura, foi decidido utilizar a nomenclatura
bibliotecários em ciências da saúde por atender às necessidades do Grupo. Desde então, o
Grupo começou a estruturar-se e escolheu o e-mail como meio de comunicação para quebrar a
barreira da distância. Atualmente, o grupo utiliza várias formas de comunicação virtual:
skype, fórum, formulário eletrônico e correio eletrônico. Todas as decisões do grupo são
discutidas de maneira aberta e democrática através de votação, como por exemplo, o próprio
nome do Grupo e o design do Logotipo.
O grupo tem como objetivo reunir as experiências e ideias para desenvolver trabalhos
que possam auxiliar os bibliotecários da área de saúde, agilizando suas tarefas, melhorando e
aperfeiçoando técnicas, somando e compartilhando conhecimentos e experiências e,
consequentemente, fortalecendo a profissão.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Os cursos de biblioteconomia no Brasil formam bibliotecários que podem atuar em
qualquer área do conhecimento humano porém, Beraquet já em 1981 ressaltava que
como muitas outras profissões, a Biblioteconomia precisa criar
subespecialidades segundo as diferentes clientelas e os modos como a
informação é utilizada, assim como os distintos métodos e ferramentas
usados para a efetiva gestão e disseminação dessa informação.

2799

�“Portanto, as especializações da área são, sem dúvida, fundamentais para o
desenvolvimento contínuo do profissional desde que esteja de acordo com sua área de
atuação” (MOREIRA, 2008, p. 15).
O papel que o bibliotecário desempenha nos diversos setores da sociedade faz com
que o mesmo possa atuar em áreas específicas e, dependendo do contexto, pode ter
denominações diversificadas, como por exemplo “bibliotecário clínico”, sugerida por Moreira
(2008) e “bibliotecário médico”, sugerida por Azevedo e Beraquet (2010).
Moreira (2008, p. 18), em seu trabalho de conclusão de curso, teve como um dos
objetivos “identificar as características e habilidades do profissional da informação
bibliotecário, que atua na área da saúde no Brasil”.
Quanto às habilidades, o autor identificou na literatura as seguintes: gostar da área
médica; facilidade no relacionamento interpessoal e trabalho em equipe; criatividade; aptidão
para o ensino; excelência na comunicação oral e escrita; conhecimento do cenário clínico em
que está envolvido e dos termos comuns à área médica; saber criar uma estratégia de busca
que compreenda o problema formulado e, capacidade de fazer uma avaliação crítica da
literatura.
Em 2011, Funaro, Vergueiro e Moreiro Gonzales verificaram as habilidades e
competências de bibliotecários da área da saúde, em Madrid. Estas competências foram
elaboradas durante a IV Reunión de Directores de Escuelas de Bibliotecolgía del Mercosur,
em Montevidéo-Uruguay (PROGRAMA, ACUERDOS Y RECOMENDACIONES, 2000
apud VALENTIM, 2004), e compreenderam: Competência em Comunicação e Expressão;
Competência Técnico Científicas; Competências em Gestão e Competências Social e Política.
Alentejo (2013) aborda a qualidade da informação oferecida pelos bibliotecários da
área da saúde, em bibliotecas universitárias, por considerar de extrema importância a atuação
destes profissionais em uma área de interesse global (a saúde). A pesquisa verificou a
avaliação desta qualidade sob a ótica do usuário da informação. O autor concluiu (p. 311):
[...] a qualidade da informação em saúde mediada pela biblioteca
universitária forma um conjunto complexo de elementos sociais,
operacionais e tecnológicos pelos quais, de um lado se deseja obter a
informação que contenha atributos e atendam às especificidades de usuários
da biblioteca, por outro, a implantação eficiente de recursos para que a
mediação e a apropriação da informação em saúde possam permitir aos
usuários atribuir o valor dos meios que se obtém a informação bem como a
qualidade do que lhe entregue pela biblioteca.

2800

�3 AÇÕES
O grupo traçou algumas necessidades e ações para serem desenvolvidas como forma
de concretização do grupo. Algumas foram finalizadas e outras estão em andamento.

•

Ações Finalizadas

a)

Descrição do cargo

Denominação do Cargo: Bibliotecário em Ciências da Saúde
Sumário: Os bibliotecários em Ciências da Saúde são profissionais com conhecimento
especializado em recursos de informação de alta qualidade na área da Saúde.
Requisitos do Cargo: Bacharel em Biblioteconomia.
Habilitação Profissional: Registro no Conselho Regional de Biblioteconomia, conforme lei n.°
9.674, de 26 de junho de 1998.
Qualificações Administrativas
1. Compreensão das terminologias em Ciências da Saúde, bem como das políticas de Saúde
vigentes (nacional e internacional), problemas e tendências que impactam as tecnologias em
Saúde (equipamentos, drogas etc.).
2. Reconhecimento das necessidades dos profissionais da Saúde, diretamente envolvidos ou
não com o paciente.
3. Gerenciamento das tecnologias que impactam no ambiente da biblioteca na área da Saúde.
4. Habilidade e competência em gestão.
5. Visão estratégica e prospectiva.
6. Conhecimento em gestão da qualidade.
7. Habilidade em criação e desenvolvimento de projetos.
8. Capacidade de comunicação.
9. Flexibilidade e motivação a mudanças.
10. Capacidade em formar parcerias e alianças.
Qualificações Técnicas
1. Conhecimento avançado de internet e de softwares de gerenciamento de biblioteca e
também de disponibilização do acervo científico adquirido em suporte eletrônico ou digital.
2. Capacidade para gerenciar a informação sobre Saúde.
3. Conhecimento dos serviços e das fontes de informação em Saúde.
4. Compreensão dos métodos de investigação científica.

2801

�5. Competências em recuperação da informação e em técnicas de busca.
6. Capacidade de analisar e filtrar literatura pesquisada em bases de dados para respostas
específicas.
7. Competências em tecnologias da informação e comunicação.
8. Domínio das bases de dados especializadas na área da Saúde.
9. Domínio e competência de terminologias da área da Saúde.
10. Habilidade técnica nos processos informacionais (seleção, aquisição, catalogação,
circulação e disseminação).
11. Domínio na elaboração das estratégias de busca.
12. Habilidade de ensino e orientação, a fim de capacitar os usuários a desenvolverem seus
trabalhos técnicos e científicos.
13. Habilidade em procurar, filtrar e fornecer melhores evidências para as decisões na área da
Saúde.
14. Conhecimentos de grupos editoriais especializados da área da Saúde para facilitar o
acesso e a recuperação da informação.
15. Habilidade para lidar com os processos burocráticos e institucionais, que dificultam a
transferência da informação.
16. Conhecimento de estatística e epidemiologia.
17. Conhecimento das normas de editoração nacionais e internacionais na área da Saúde.
18. Habilidade para orientação na elaboração e publicação de trabalhos e artigos científicos.
19. Conhecimento detalhado das normas e legislação para assessorar ou criar um Editora
Institucional (publicações seriadas ou monografias).
20. Domínio de idiomas.
Funções
1. Gerenciar unidades, redes e sistemas de informação em Ciências da Saúde, tanto presencial
quanto virtual (à distância).
2. Organizar, controlar e fazer a manutenção do acervo e de suportes eletrônicos e digitais.
3. Criar e executar políticas de desenvolvimento de coleções impressas ou eletrônicas, que
atendam todos os aspectos da missão da instituição.
4. Elaborar e analisar relatórios mensais de desempenho dos recursos e serviços para auxiliar
nas tomadas de decisões de novas aquisições e ou processos.
5. Auxiliar nos projetos institucionais que demandem pesquisas em bases de dados nacionais
e internacionais para geração de indicadores.

2802

�6. Dar assessoria para criar uma Editora Institucional, selecionando os profissionais para
atuação exclusiva nessa área.
7. Colaborar na editoração de periódicos científicos, livros e outras publicações institucionais,
providenciando seu registro de ISBN e ISSN.
8. Participar com a equipe multidisciplinar dos projetos de ensino à distância (e-learning) e
desenvolver produtos de e-learning para uso da biblioteca.
9. Colaborar com a construção e o desenvolvimento de bases de dados e de sistemas de
gerenciamento da informação na área da Saúde, incluindo materiais relevantes para
disseminação da informação de qualidade na área da Saúde e geração de novos
conhecimentos.
10. Participar de reuniões nas Instituições Federais, Estaduais e Municipais, ou de
organizações (nacional ou internacional), que determinam as normativas de condutas e
informação na área da Saúde
11. Identificar as necessidades de informação dos profissionais para tomada de decisões em
Saúde, com base em práticas baseadas em evidências, e orientar sobre as metodologias e
estratégias para obtenção das melhores evidências em Saúde.
12. Auxiliar ativamente, orientando o profissional da Saúde, na realização de pesquisas
bibliográficas, por meio de livros especializados, periódicos, bases de dados eletrônicas e
internet, buscando respostas e estudos relevantes a cada caso/assunto estudado.
13. Cooperar no diagnóstico e na escolha do tratamento, realizando a busca e a triagem da
informação relevante, e fornecendo, de forma rápida e confiável, estudos publicados e
resultados de ensaios, dando suporte às decisões dos médicos e dos demais integrantes da
equipe, para uma prática clínica eficaz e de qualidade.
14. Disseminar (quando possível, em parceria com o Departamento de Comunicação da
Instituição) novas publicações (incluindo clipping da mídia em geral) por diferentes canais de
comunicação sobre Saúde aos usuários.
15. Elaborar produtos de informação em meio eletrônico ou impresso (bibliografias,
catálogos, DSI etc.).
16. Atender aos usuários nas consultas e nos empréstimos de materiais bibliográficos, visando
satisfazer às necessidades de cada um deles.
17. Auxiliar na estruturação de processos e desenvolvimentos de projetos que visem à
organização da informação na área da Saúde.
18. Capacitar e orientar os usuários sobre o melhor uso das unidades de informação e seus
recursos.

2803

�19. Prestar serviços de informação on-line.
20. Orientar os usuários na confecção e normatização de trabalhos acadêmicos, na citação e
elaboração das referências bibliográficas, de acordo com as normas específicas da área da
Saúde.
21. Realizar a Catalogação na Fonte para trabalhos de mestrado, doutorado, especialização e
demais publicações.
22. Auxiliar na melhoria e no desenvolvimento de novos sistemas de recuperação da
informação para facilitar e agilizar a busca das melhores informações para clínicos, pacientes
e famílias.
23. Promover intercâmbio entre bibliotecas da área da Saúde.
24. Participar de reuniões institucionais cooperando com/para a gestão e disseminação da
informação.
25. Executar outras tarefas de mesma natureza e nível de complexidade associadas ao
ambiente organizacional.
26. Gerar conhecimento para demais colegas da área da Saúde, contribuindo com trabalhos
científicos para publicação em revistas especializadas em Biblioteconomia e Informação.
27. Orientar os profissionais de Saúde e pesquisadores sobre a participação em redes
científicas mundiais, divulgando e promovendo o conhecimento científico.
28. Promover/criar cursos de atualização científica, treinamentos ou pós-graduação lato sensu
com enfoque em Biblioteconomia em Saúde, Produção Científica ou Pesquisa Bibliográfica,
tanto para profissionais da informação como para profissionais de Saúde.
Deveres
1. Ter domínio das fontes de informação em Ciências da Saúde.
2. Ter conhecimento das ferramentas utilizadas para busca de informação em Ciências da
Saúde.
3. Disponibilizar a melhor informação em Ciências da Saúde para os usuários da biblioteca.
4. Prestar atendimento de qualidade aos estudantes e profissionais da área das Ciências da
Saúde.
5. Zelar pelo patrimônio técnico e científico da instituição.
6. Focar em resultados, sempre se pautando pela ética e pelo compromisso e organização.
b)

Envio de proposta à CAPES, solicitando que todos os bibliotecários em ciências da

saúde tivessem acesso total e gratuito ao portal de periódicos. Não houve interesse por parte
da CAPES, MEC e MS no atendimento a esta solicitação. O Grupo continuará tentando novos
contatos.

2804

�c)

Formação de equipes especializadas no grupo de bibliotecário em ciências da saúde

para facilitar e agilizar o desenvolvimento dos trabalhos. Cinco equipes foram formadas:
a. Equipe de Administração: administrar a comunicação entre o grupo;
b. Equipe de Pós Graduação: desenvolver conteúdo do curso de pós-graduação
(nível especialização) EAD;
c. Equipe de Redação/publicação de artigos: redigir publicações (artigos de
revistas, livros, capítulo de livros, trabalhos a serem apresentados em eventos e
outros), com as tendências das necessidades de informação na área da saúde;
d. Equipe de Representantes em eventos: apresentação de trabalhos em eventos e,
e. Equipe de TI: manter e desenvolver tecnologias que possam melhorar a
comunicação entre o grupo e a plataforma para o curso EAD.
d) Logotipo
•

Ações em Desenvolvimento

a)

Análise SWOT

O termo SWOT é a junção em inglês de elementos para análise estratégica, a saber
(ANÁLISE SWOT, [201-]:
Strenghts (Pontos fortes): vantagens internas da empresa em relação às concorrentes;
Weaknesses (Pontos fracos): desvantagens internas da empresa em relação às concorrentes;
Opportunities (Oportunidades): aspectos positivos que podem fazer crescer a vantagem
competitiva;
Threats (Ameaças): aspectos negativos que podem comprometer a vantagem competitiva.

A finalidade de se fazer análise SWOT envolvendo os bibliotecários em ciências da
saúde é conhecer este profissional, identificar os pontos fracos e fortes, as ameaças e

2805

�oportunidades, ou seja, fazer uma análise de cenário (ou análise de ambiente). Esta análise
será aplicada entre os integrantes do grupo e usada como base para gestão e planejamento
estratégico do grupo de bibliotecários em ciências da saúde.

b)

Pesquisa salarial (formulário)
Objetivo: desenvolver um formulário on-line para coleta de dados sobre o salário dos

bibliotecários em ciências da saúde. Atualmente, o grupo colocou em prática um projeto
piloto de um formulário eletrônico sobre pesquisa salarial. Este projeto piloto está sendo
aplicado entre os participantes do Grupo de Bibliotecários em ciências da Saúde.
Futuramente, todos os bibliotecários em ciências da saúde terão acesso ao formulário da
pesquisa salarial do bibliotecário em ciências da saúde. A ideia é atuar junto aos órgãos
competentes para reivindicar por piso salarial destes profissionais.

c)

Criar curso de pós-graduação (Lato Sensu) em ciências da saúde (EAD)
Desenvolver um curso de pós-graduação (Lato Sensu) em ciências da saúde

direcionado aos profissionais de unidades de informação que atuam na Saúde. A
especialização de Informação e Documentação em Unidades de Informação de Saúde tem
por finalidade, aprimorar profissionais para pesquisa e gestão da informação científica e
tecnológica da Saúde, contribuindo no desempenho da produção, organização, reflexão,
análise, tomada de decisão e acesso ao ambiente informacional de cunho científico,
educacional e tecnológico com foco na área de saúde. As necessidades informacionais dos
usuários da saúde requerem aptidões específicas dos bibliotecários/ cientistas da informação,
nesse contexto a especialização irá capacitar os profissionais que atuam nessa área.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do atual contexto, para que o grupo possa colaborar com os bibliotecários em
Ciências da Saúde, ampliando o número de profissionais, requer que a manutenção do
processo de troca de conhecimento entre seus membros seja mantido, minimizando assim as
barreiras geográficas. É importante que o grupo de bibliotecários em ciências da saúde
mantenha a adesão contínua de profissionais de todo o país, crescendo e consolidando-se.
Assim poderá colaborar na geração de boas práticas em biblioteconomia, especialmente na
área de ciências da saúde. O compartilhamento das experiências e conhecimentos irá agregar
muita relevância e reconhecimento profissional.

2806

�Ressaltamos ainda que a adesão de novos bibliotecários é de suma importância, pois
possibilita a ampliação da visão e do exercício profissional; a diversidade é sumamente
importante e provocadora. Cada componente do grupo representa um diferente cenário de
atuação, porém todos têm em comum o desejo de trabalhar pela saúde com eficiência e
eficácia.
A literatura aponta a publicação frequente de artigos em revistas nacionais e,
principalmente internacionais, cujos relatos abordam o bibliotecário atuante na área da saúde.
A criação e o fortalecimento de um Grupo nesta área vem a contribuir para que a
disseminação da informação possa atingir mais usuários. Acreditamos que a formação de uma
rede social de profissionais com os mesmos objetivos independe da distância geográfica
quando aliada a novas tecnologias de acesso e contato. Assim nos direcionamos somando as
tecnologias da informação a nosso ideal de Bibliotecários cientes de que nossa atuação pode
fazer diferença na saúde da população.

6 REFERÊNCIAS
ALENTEJO, E. S. Qualidade da informação em saúde mediada pelas bibliotecas
universitárias no Brasil e na Alemanha. 2013. 363 f. Tese (Doutorado em Ciência da
Informação) - Faculdade de Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, DF,
2013.

Disponível

em:

http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/14694/1/2013 EduardoDaSilvaAlenteio.pdf. Acesso
em: 13 mar. 2014.
ANÁLISE

SWOT.

Disponível

em:

http://colegio.cesusc.edu.br/arquivo/unimestre15/materialprof/7000609/adm est aula swot e benchmanrking.doc Acesso em: 13 abr. 2014
AZEVEDO, A. W.; BERAQUET, V. S. M. Formação e competência informacional do
bibliotecário médico brasileiro. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, Campinas, v. 7, n. 2, p.

199-218, jan./jun. 2010. Disponível em:

http://www.sbu.unicamp.br/seer/ois/index.php/rbci/article/view/448/306. Acesso em: 10 mar.
2014.
BERAQUET, V. S. M. The development and significance of the core curriculum in archives,
library and information studies. 1981. Tese (Doutorado) - Loughborough University of
Technology, Loughborough, 1981.
FUNARO, V. M. B. O.; VERGUEIRO, W.; MOREIRO GONZÁLES, J. A. Competências e
habilidades dos profissionais da informação em saúde (Madrid - Espanha). In: CONGRESSO

2807

�BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA,

DOCUMENTAÇÃO

E

CIÊNCIA

DA

INFORMAÇÃO, 24., 2011, Maceió. Anais... Maceió: FEBAB, 2011. CD-ROM.
MOREIRA, F. C. Bibliotecário clínico: convergências para o desenvolvimento profissional.
2008. 75 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Biblioteconomia) - Faculdade
de Biblioteconomia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2008.

ANEXO A - Lista dos participantes do grupo de bibliotecários em ciências da saúde,
divididos por equipe de trabalho
Equipes

TI

PG

Integrantes

Antonio Pedro de Melo Maricato, amaricato@pucsp.br
Cynthia Brasil, cynthiabrasil@hospcancer-icc.org.br;
brasil cynthia@yahoo.com.br
Erika Hayashi, erika.hayashi@hc.fm.usp.br
Fabiana de Oliveira Silva, fabianas@dirbi.ufu.br
Izabel Alves Merlo, mizabel@ghc.com.br ; mizabel.13@gmail.com
Janaina Lopes da Motta, mebib@me.ufrj.br; janaina@me.ufrj.br
Juliana Akie Takahashi, julytkbr@usp.br
Marcelo Barbosa, marcelo.barbosa@emilioribas.sp.gov.br
Sandra Alves de Moraes, saalves@saude.sp.gov.br
Suely Francisco, biblioteca@accamargo.org.br;
suely.francisco@accamargo.org.br
Tatiana Messias, tati.mfcosta@gmail.com
Vanessa Alves Zagatto, vzagatto@gmail.com

Camila Gomes da Rocha, camila.rocha@hc.fm.usp.br
Daniele Masterson, danimasterson@yahoo.com.br
Eliethe Xavier de Albuquerque, eliethe.albuquerque@unasp.edu.br
Erika Hayashi, erika.hayashi@hc.fm.usp.br
Izabel Alves Merlo, mizabel@ghc.com.br ; mizabel.13@gmail.com
Juliana Takahashi, julytkbr@usp.br
Letícia Krauss, lprovenzano@into.saude.gov.br; leticiakraussp@gmail.com
Luciana Vitalino de Oliveira Camelo, lcamelo@saocamilo-sp.br
Luciene Dias Cavalcanti, lucavalcante.bibl@gmail.com
Marcelo Barbosa, marcelo.barbosa@emilioribas.sp.gov.br
Maria Aparecida Espada Mendez, mariemendez21@yahoo.com.br
Michele do Nascimento, michelenascimento@acm.org.br;
michelenascimento.biblio@gmail.com
Nilma Maria Nunes Varjão, nilma.varjao@incor.usp.br;
nilmavarjao@gmail.com
Regina de Almeida, reginaalmeida@unirio.br
Rosemeire Rocha Pinto, rose.rocha@gmail.com
Sandra Alves de Moraes, saalves@saude.sp.gov.br

2808

�Simone Velame da Silva Rios, simone.velame@hsr.com.br;
simonevelame@vahoo.com.br
Vanessa Alves Zagatto, vzagatto@gmail.com
Vânia M. B. de Oliveira Funaro vaniamar@usp.br
Cássia Costa Rocha Daniel de Deus, cassiacdeus@gmail.com
Eliethe Xavier de Albuaueraue, eliethe.albuaueraue@unasp.edu.br
Janaina Lopes da Motta, mebib@me.ufrj .br; ianaina@me.ufri .br
Maria José de Jesus Carvalho,mikarval@usp.br
Vânia M. B. O. Funaro, vaniamar@usp.br

RE

R/PA

ADM

Andreia Manhani Chorro, andreia.chorro@hvcnet.com.br; amchorro@vahoo.com.br
Cássia Costa Rocha Daniel de Deus, cassiacdeus@gmail.com
Douglas Rios, douglascuiaba@gmail.com
Edna T. Rother, biblio@einstein.br
Janeti Bombini, biblioteca@apmpiracicaba.com.br
Luciana da Silva Meira, luci meira@vahoo.com.br
Luciene Dias Cavalcanti, lucavalcante.bibl@gmail.com
Luciene Maria da Costa, biblioteca@fcclrio.org.br
Maria José de Jesus Carvalho, mikarval@usp.br
Michele
do
Nascimento,
michelenascimento@acm.org.br;
michelenascimento.biblio@gmail.com
Rita de Cassia Ortega Borges, biblioteca@hsl.org.br
Rosimeire Aparecida de Alencar, bibliotecahmlmb09@gmail.com
Rosy Mara Oliveira, rosvoliveira@unipac.br; rosvoliveirasidr@gmail.com
Sonia Regina Fernandes Arevalo, sonia.arevalo@fcmsantacasasp.edu.br
Tânia Maria de Carvalho Frigo, tfrigo@lpcc.org.br
Vânia M. B. O. Funaro, vaniamar@usp.br
Vânia
Medeiros
Ribeiro
Urbanski,
biblioteca@ideau.com.br
;
vania.udesc@gmail.com
Vilma Aparecida Feliciano de Jesuz, vilma@uel.br
Ana Cristina Chagas, ana.chagas@hemoam.am.gov.br; ninachagas06@uol.com.br
Andressa da Costa Santos Souza, andressa.santos@hc.fm.usp.br
Eliane Silva, biblioteca@portalmedico.org.br; eliane.medeiros@portalmedico.org.br
Flavio Rodrigo Cichon, flavio.cichon@hc.fm.usp.br
Selma Dias da Cruz, selma@sedes.org.br
Vilma
Fernandes,
bibcs@hotmail.com;
vilfernandes@hotmail.com
;
vilma.fernandes@anacosta.com.br

Legenda:
ADM = Administração
R/PA = Redação/publicação de artigos
RE = Representantes em eventos
PG = Pós-graduação
TI = Tecnologia da Informação

2809

�</text>
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                <text>A criação do Grupo de Bibliotecários em Ciências da Saúde teve como mentora a bibliotecária Vilma Aparecida Fernandes, do Hospital Ana Costa S.A – Santos (SP). O Grupo de Bibliotecários em Ciências da Sáude é um grupo virtual. Desenvolve ações para elaborar e compartilhar boas práticas em biblioteconomia, na área de ciências da saúde. O grupo acredita que compartilhando as boas práticas da área, irá facilitar e melhorar a qualidade dos serviços prestados pelos bibliotecários em ciências da saúde, resultando melhores oportunidades de negociação de salários junto a instituição e o fortalecimento da profissão. O grupo de bibliotecários em ciências da saúde tem como foco a integração dos profissionais. A união e a troca de experiências dos bibliotecários em ciências da saúde agrega valor e gera o fortalecimento da profissão.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DE USUÁRIOS: ANÁLISE DO MÉTODO DOS ARTIGOS INDEXADOS
NA BASE DE DADOS LISA

Vânia Martins Bueno de Oliveira Funaro
Adriana Maria de Souza

RESUMO
Estudo de usuários com finalidade de analisar os artigos de periódicos indexados na base de
dados Library and Information Science Abstract (LISA). Foram recuperados 46 artigos, dos
quais 44 foram analisados por estarem disponíveis online na data da coleta de dados. A
metodologia mais utilizada nos estudos de usuários foi o questionário (48%). Os estudos
foram divididos em categorias e a com maior incidência foram as voltadas para os recursos
eletrônicos disponibilizados pelas bibliotecas. Observou-se a importância destes estudos
mediante o tecnologia disponível tanto para os usuários como para as bibliotecas.
Palavras-chave: Estudo de usuários; Análise metodológica; Artigos científicos; Bibliotecas
universitárias; Base de dados LISA.
ABSTRACT
User studies with the purpose to analyze the articles of journals indexed in the database
Library and Information Science Abstracts (LISA). It were recovered 46 articles, of which 44
were analyzed by they are available online on the date of data collection. The most commonly
used approach in user studies was the questionnaire (48%). The studies were divided into
categories and with greater incidence were the ones focused on the electronic resources
available through libraries. It was noted the importance of these studies by the technology
available to both users and libraries.
Keywords: User studies; Methodological analysis; Scientific articles; Academic libraries;
LISA database.

1 INTRODUÇÃO
No momento em que a tecnologia é vivida com muita intensidade em todos os
segmentos da sociedade, os bibliotecários precisam elaborar estudos de usuários para detectar
as reais necessidades de busca e uso da informação atualizada e, principalmente, confiável.
A biblioteca torna-se um espaço além da consulta, pesquisa e empréstimo para se
tornar um lugar de convivência social e acadêmica e interação tecnológica. Deve assim,

2668

�disponibilizar tecnologias adequadas para a comunicação com o usuário, de acordo com a
área de atuação e os recursos eletrônicos existentes.
O objetivo deste trabalho é buscar, na literatura, artigos científicos que abordam
estudo de usuários em bibliotecas universitárias, para a análise da metodologia utilizada para
estes estudos.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Os estudos de usuários, em sua maioria, foram realizados a partir da metade da década
de 40 do século passado. Dois eventos marcaram a preocupação em estudos voltados aos
usuários: 1948 - Conferência da Royal Society e 1958 - Conferência Internacional de
Informação Científica, onde foram apresentados vários trabalhos sobre estudos de usuários.
Sanz-Casado (1994, p. 31) define estudos de usuários como
[...] el conjunto de estúdios que tratan de analizar cualitativamente y
cuantitativamente los hábitos de información de los usuários, mediante la
aplicación de distintos métodos, entre ellos los matemáticos principalmente estadísticos - a su consumo de información.
Segundo Figueiredo (1994) os estudos de usuários se configuraram em uma mudança
significativa onde as bibliotecas tomaram atitudes mais ativas e dinâmicas, pois havia um
estudo que diagnosticava as necessidades dos usuários o que permitiu o desenvolvimento de
serviços novos como, por exemplo, serviços de alerta.
As aplicações dos estudos de usuários incluem: conhecer os hábitos e necessidades de
informação dos usuários, assim como detectar as mudanças que vão surgindo; avaliar os
recursos dos centros de informação; medir a eficácia dos centros de informação; adequar o
espaço; avaliar o sistema nacional de informação; conhecer a estrutura e dinâmica dos
pesquisadores e facilitar a realização de cursos de formação de usuários (SANZ-CASADO,
1994).
Com o passar dos anos e a crescente utilização das tecnologias de informação, os
estudos de usuários se tornaram mais ágeis na aplicação de técnicas e análises qualitativas e
quantitativas destes estudos.
Ao verificar o termo “estudos de usuários” na Base de Dados Referencial de Artigos
de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), pode-se observar que estes estudos
continuam sendo elaborados por diversos tipos de biblioteca e enfocam diversos tópicos

2669

�como: utilização de fontes de informação; uso de periódicos; mediação da informação; gestão
pública, entre outros.
Silva e Sampaio (2013) discutiram sobre os usuários e os não-usuários da informação
com ênfase em como estão caracterizados os usuários e não-usuários no Brasil, quais os
problemas que norteiam os vários tipos de bibliotecas e seus possíveis limites no processo de
atuação e, em como a biblioteca pode atuar a partir da abordagem sócio interacionista. Este
estudo compreendeu de uma revisão bibliográfica a partir de diálogos com a literatura de
estudo de usuários, bibliotecas e epistemologia da Ciência da Informação. Os autores
concluíram que é na atuação sócio interacionista que a biblioteca pode visualizar o usuário de
múltiplas maneiras conferindo autonomia a comunidade de usuários para dialogar, expor e
construir informação.
Partindo do pressuposto que o usuário é o núcleo da biblioteca, este deve estar
sempre presente na gestão da biblioteca, seja na disseminação da informação ou na utilização
do espaço físico para que possa encontrar conforto ergométrico e informação confiável,
disponível para suas necessidades, sejam elas quais forem.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A base de dados LISA (Library and Information Science Abstract) foi utilizada para a
recuperação dos artigos que abordam o tema estudo de usuários em bibliotecas universitárias.
Esta base de dados resume e indexa atualmente mais de 440 periódicos de mais de 68
países e em mais de 20 idiomas diferentes. A cobertura de assuntos inclui todos os aspectos
da biblioteconomia, usuários de biblioteca, recuperação da informação e assuntos correlatos
(LISA, 2014).
A base de dados é de acesso regulamentado, portanto, disponível para as instituições
que fazem a assinatura para disponibilizá-la via intranet ou, VPN (Virtual Private Network),
mediante login e senha para os usuários vinculados as instituições assinantes.

3.1 Estratégia de busca
A estratégia de busca utilizada para recuperação dos artigos, compreendeu na
utilização dos termos em “Assunto principal (todos) - SU”, na busca avançada. A base
oferece a consulta de assuntos da terminologia de indexação na base, propiciando uma busca
mais direta do assunto desejado.
Embora a interface esteja na língua portuguesa, os termos de busca precisam ser em
inglês. Portanto, a estratégia compreendeu os seguintes termos:

2670

�“user studies” AND (“university libraries” OR “academic libraries”)

A lógica booleana utilizada para a elaboração de buscas em bases de dados são
importantes, principalmente quando do uso de termos semelhantes como “bibliotecas
universitárias” e “bibliotecas acadêmicas”.
A figura 1 ilustra a página de busca avançada, permitindo a seleção do campo a que se
quer buscar a informação tais como assunto, autor, palavras do título, do resumo, etc.
Figura 1 - Página de busca avançada da base de dados LISA

3.2 Fator de inclusão
Os artigos a serem analisados deveriam estar disponíveis em texto completo, no
momento da busca (20 de março de 2014). Os artigos não disponíveis foram descartados da
análise.

3.3 Software auxiliar
Após a obtenção dos resultados, os artigos foram exportados para o gerenciador de
referências EndNoteBasic, disponibilizado gratuitamente pela Thomson Reuthers. Este
software auxilia “os usuários na elaboração de artigos científicos, permitindo a importação de

2671

�referências a partir de pesquisas elaboradas nas bases de dados do ISI e de outras bases”
(GARCIA, 2013, p. 5), além de outras facilidades:
Facilidades do software:
- Ferramenta de busca on-line;
- Permite a importação das referências diretamente das inúmeras bases
de dados;
- Gerencia as referências: (cria até 500 pastas, verifica duplicidades,
edita referências, inclui notas);
- Gera bibliografias de acordo com estilos específicos para publicação;
- Insere automaticamente citações e formata bibliografias no
Microsoft Word através da funcionalidade CWYW (Cite While You
Write Plug In);
- Compartilha as informações selecionadas com outros usuários do
EndNote Basic;
- Armazena até 50.000 referências;
- Permite armazenar arquivos atachados (PDF, Word, etc) até 2 GB;
- Não requer instalação;
- Não elimina a necessidade da correção das referências.

Uma das maiores facilidades, na utilização deste software, é quando da citação de
autores no texto, no qual este, automaticamente, acrescenta a referência no final do texto,
eliminando a etapa de verificação de que todos os autores citados nos textos estão
relacionados nas referências.

4 RESULTADOS
Dos 46 artigos resultantes da estratégia de busca, 44 foram utilizados para a análise
(Anexo A). Dois deles foram descartados por não estarem disponíveis para download, no
momento da busca.

4.1 Análise dos artigos
Os artigos foram analisados de acordo com a Metodologia utilizada para a elaboração
do estudo de usuários.

2672

�4.1.1 metodologia
As metodologias utilizadas pelos autores foram divididas nas seguintes categorias:
- Entrevista (artigos: 03, 04, 07, 14, 25)
Procedimento genérico de coleta de dados no qual ocorre a presença física
ou a distância do pesquisador e do sujeito entrevistado. Envolve, portanto,
quatro elementos básicos: o entrevistador, o entrevistado, o ambiente
(natural ou controlado) e o meio (pessoal, por telefone, etc.) através do qual
ocorre a entrevista (APPOLINÁRIO, 2004, p. 70).
- Grupo focal (artigos: 12 e 36)
“Modalidade de pesquisa qualitativa criada pelo sociólogo norte-americano Robert
King Merton na qual os dados são coletados a partir de uma situação na qual um grupo de, em
média, 12 sujeitos discute intensamente um determinado assunto” (APPOLINÁRIO, 2004, p.
106).
- Observação (artigo: 34)
“Método de coleta de dados que pressupõe a existência de um observador que utilize
determinada técnica ou método de observação (como, por exemplo, a observação casual,
direta, simulada, sistemática, participante etc.)” (APPOLINÁRIO, 2004, p. 144)
- Outros (artigos: 06, 20, 30, 35, 44)
Nesta categoria inserem-se outras metodologias, tais como: seleção aleatória de
usuários para participarem da pesquisa; avaliação de home pages; uso do Modelo de
Tecnologia de Desempenho Humano, fórum aberto na universidade para analisarem o espaço
físico da biblioteca, assim como os recursos eletrônicos, Learning Commons Library.,
conhecidos como espaços não-convencionais para dar suporte a novos estilos e tendências de
aprendizagem (individual ou coletiva), projetados para a convivência e socialização,
ambientes ricos em tecnologia, variedades e diferentes modos de interação de acordo com o
interesse e desejo dos usuários.
- Planilha de dados (artigos: 26 e 42)
A biblioteca desenvolveu uma planilha para anotar a utilização, pelos usuários, dos
novos serviços de referências disponibilizados eletronicamente.
- Questionário (artigos: 01, 02, 03, 05, 04, 07, 08, 09, 13, 15, 16, 17, 19, 21, 22, 23, 24, 31,
32, 33, 37, 38, 39, 41)
“Tipo de instrumento de pesquisa que consiste num conjunto de perguntas escritas que
devem ser respondidas pelos sujeitos (APPOLINÁRIO, 2004, p. 168).

2673

�- Revisão de Literatura (artigos: 11 e 40)
Levantamento e análise criteriosa e sistemática dos resultados e conclusões
de outras pesquisas acerca de determinado tema. Os estudos de revisão de
literatura (ou revisão bibliográfica, como também são conhecidos)
organizam, comparam e resumem outras pesquisas e são extremamente úteis
quando um pesquisador necessita realizar uma rápida avaliação de
determinado campo de pesquisa com seus principais autores
(APPOLINÁRIO, 2004, p. 173).
- Softwares (artigos: 10, 18, 27, 28, 29, 43)
Desenvolvimento de softwares para a coleta de dados de uso de serviços eletrônicos.
- Entrevista e Questionário sumultâneamente (artigos: 03, 04, 07)

4.1.2 tipos de estudos
•

Avaliação da biblioteca/serviços/produtos

- Identificação de problemas de desempenho humano em biblioteca universitária em relação
ao learning commons;
- Determinar o impacto da biblioteca a partir da perspectiva do aluno - uso de recursos físicos
e eletrônicos, serviço de referência e local físico;
- Avaliação do suporte das bibliotecas na utilização de gerenciadores de bibliografias;
- SERVQUAL como método para a avaliação da qualidade de serviços prestados em
bibliotecas universitárias;
- Realização de teste para a avaliação da utilização do Resource Description and Access
(RDA) pelos alunos de pós-graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação da
Universidade Dominicana, em oposição ao uso do Código de Catalogação Anglo-Americano,
2a edição revista (AACR2);
- Avaliação das preferências e percepções dos usuários em termos de novas práticas de
empréstimos (e-book reader/Kindle).
•

Divulgação da biblioteca

- Construção de um aplicativo móvel para divulgar a biblioteca (vídeos) para smartphones.

•

Hábito de leitura

- Verificar o hábito de leitura acadêmica dos alunos e as coleções da biblioteca.
•

Participação de usuários em decisões na biblioteca

- Participação de alunos no desenho da nova home Page;

2674

�- Grupos de foco para engajamento dos usuários na determinação de interesses e
necessidades, visando o aumento da satisfação destes com os serviços e produtos prestados.
•

Uso da biblioteca

- O que os alunos usam/buscam na biblioteca;
- Utilização dos novos serviços de referência;
- Uso da biblioteca da meia noite às 2h;
- Análise do estudo de usabilidade do espaço físico e virtual da biblioteca;
- Utilização de livros impressos e e-books da coleção de reserva;
- Utilização do Marketing de Relacionamento (corpo docente/discente e bibliotecários) para a
promoção do uso da biblioteca e de seus recursos.
•

Uso de recursos eletrônicos pelos usuários

- Uso do catálogo online e impresso - objetivo do uso do catálogo e método de busca de livro
nas bibliotecas;
- Análise de busca por informação: ferramentas de busca na web e OPAC;
- Verificação do padrão de busca no catálogo online da biblioteca;
- Identificar o comportamento de busca em bases de dados, dificuldades e expectativas quanto
ao auxílio da biblioteca nas buscas;
- Usabilidade remota do acervo da biblioteca digital;
- Uso de ferramentas digitais para uso de fontes primárias de informação;
- Abordagem da importância da análise quantitativa e qualitativa do uso de recursos
eletrônicos em bibliotecas universitárias;
- Verificação do comportamento dos usuários na busca por informação;
- Utilização do site da biblioteca pelos dispositivos móveis dos alunos;
- Uso de mídias sociais para pesquisa e estudo na universidade;
- Uso de periódicos eletrônicos;
- Mapeamento da utilização dos vários recursos eletrônicos disponíveis, como: finalidade,
impacto, importância, problemas, aceitação e satisfação por parte dos usuários;
- Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação em processos de ensino-aprendizagem;
- Aplicação e medição do uso de podcast em bibliotecas universitárias e públicas, com foco
em seus objetivos e características;
- Verificar a forma de busca pelos usuários nas OPACs e na web e, suas reações quando não
encontram a informação na OPAC;
- Identificação da finalidade das buscas nas OPACs.

2675

�A figura 2 mostra a porcentagens de cada método utilizado na elaboração de estudo de
usuários.
FIigura 2 - Utilização (em porcentagem) de métodos nos estudos de usuários

Fonte: As autoras

Legenda:
E = Entrevista
GF = Grupo de Foco
Ob = Observação
Ou = Outros
P = Planilha de dados
Q = Questionário
RL = Revisão de Literatura
S = Software
EQ = Entrevista e Questionário simultaneamente
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estudos de usuários fazem parte da gestão administrativa em bibliotecas que visam
atingir um alto grau de qualidade e satisfação no atendimento aos usuários de informação.
Acrescente-se a isto, uma equipe capacitada e comprometida com o atendimento e
desenvolvimento de produtos e serviços voltados às necessidades e aos interesses dos
usuários. A divulgação de estudos feitos em várias universidades, como as que foram
encontradas nos artigos selecionados para análise, mostram a preocupação dos bibliotecários
em cada vez mais verificarem quais as expectativas dos usuários em relação ao que a
biblioteca pode oferecer no intuito de se tornar um ambiente de ensino e aprendizagem, lazer
e interação entre seus usuários e colaboradores, uma vez que, a tendência na

2676

�contemporaneidade é que esses espaços sejam locais de inovação e criatividade constantes,
nos quais conhecimento e comunicação possam interagir em objetivos e interesses profícuos a
todos os envolvidos.
Estudos voltados para a utilização de recursos eletrônicos foram os que tiveram maior
incidência entre os estudos. Isto é bastante natural e esperado na atual e emergente Sociedade
da Informação e do Conhecimento, devido ao grande número de equipamentos eletrônicos
pessoais adquiridos pelas pessoas e os vários aplicativos que podem ser utilizados pela
biblioteca na comunicação com os seus usuários.
Outra situação bastante comum é a verificação do comportamento do usuário quando
da busca pela informação: onde buscam, como buscam e para que buscam. Com posse destas
necessidades e interesses, os bibliotecários podem adequar o ambiente físico e eletrônico para
atrair e fidelizar seus usuários.
Com toda a tecnologia disponível na busca de informação, dentro e fora das
bibliotecas, cada vez mais os bibliotecários devem manter-se atualizados e elaborando estudo
de usuários para uma melhor adequação da biblioteca aos interesses destes.
O questionário foi o método mais utilizado pelos bibliotecários. Esta é uma tendência
muito grande nas várias áreas do conhecimento quando se quer utilizar um instrumento de
coleta de dados, principalmente com a facilidade de formulários eletrônicos como o
SurveyMonkey, por exemplo.
Este instrumento atinge um número maior de pessoas e não há a necessidade do
entrevistador presencialmente. Deve-se ter em mente que, ao pesquisar um estudo desta
natureza, o público deverá ser motivado e sensibilizado da importância deste, pois acarretará
em melhoria em todos os níveis dos serviços, produtos, espaços físicos, entre outros para os
próprios usuários de biblioteca.

6 REFERÊNCIAS
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conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2004.
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ANEXO A - Lista dos artigos analisados quanto à metodologia utilizada nos estudos de
usuários
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <elementText elementTextId="71368">
                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71369">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An account of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71370">
                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                  <text>UFMG</text>
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              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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                  <text>Evento</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                  <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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    </collection>
    <itemType itemTypeId="8">
      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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              <elementText elementTextId="75491">
                <text>Estudo de usuários: análise do metódo dos artigos indexados na Base de Dados LISA</text>
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                <text>Estudo de usuários com finalidade de analisar os artigos de periódicos indexados na base de dados Library and Information Science Abstract (LISA). Foram recuperados 46 artigos, dos quais 44 foram analisados por estarem disponíveis online na data da coleta de dados. A metodologia mais utilizada nos estudos de usuários foi o questionário (48%). Os estudos foram divididos em categorias e a com maior incidência foram as voltadas para os recursos eletrônicos disponibilizados pelas bibliotecas. Observou-se a importância destes estudos mediante o tecnologia disponível tanto para os usuários como para as bibliotecas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CONFLITOS NO AMBIENTE DE TRABALHO DE UMA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA: RELATO DE CASO

Fabiene Letizia Alves Furtado

RESUMO
Relata a experiência na elaboração de um projeto de intervenção sobre os conflitos
interpessoais em uma equipe de trabalho de uma Biblioteca Universitária. Os conflitos
existem desde o surgimento da humanidade, porém, muitas vezes, não são tratados de forma
adequada, costumam ser ignorados ou reprimidos. Dessa maneira, a abordagem do conflito
dependerá de fatores como sua natureza, motivos, abrangência e consequências.
Primeiramente, investigou-se os fundamentos teóricos concernentes ao tema, em seguida,
demonstrou-se os objetivos propostos pela pesquisa, assim como a metodologia utilizada.
Finalmente, conclui-se que mediar uma situação de conflito é uma tarefa complexa e uma
habilidade indispensável para um gestor.
Palavras-Chave: conflitos; conflitos interpessoais; administração de conflitos; mediação de
conflitos.

ABSTRACT
Describe the experience in developing an intervention project on interpersonal conflicts in a
work team to a University Library. The conflicts existed since the beginning of humanity,
however, often they aren't treated rightly, are ignored or repressed. Thus, the conflict
approach will depend on factors such as its nature, motives, extent and consequences. First of
all, was investigated the theoretical foundations about the subject, next step, demonstrated the
objectives proposed by the study, as well as the methodology used. Finally, it is concluded
that mediate a conflict is a complex task and an essential skill in a manager.
Keywords: conflicts; interpersonal conflicts; conflict management; mediation of conflicts.

INTRODUÇÃO
Cada ser humano é único e carrega em si um conjunto de crenças, valores e
experiências, responsáveis pelas diferenças individuais que podem levar a algum tipo de
conflito. Este é um processo natural, próprio das relações humanas, que se dá quando uma
parte - que pode ser um indivíduo, um grupo ou uma organização - entra em desacordo com
outra parte.

Uma determinada Biblioteca Universitária apresenta situações cotidianas de

conflito que, além de causar problemas internos, prejudicam diretamente o desempenho desta

933

�organização, comprometendo assim, a qualidade dos serviços prestados. A partir da
observação, captar, registrar e mapear (em um diário de campo) momentos de conflitos nesta
equipe de trabalho.

REVISÃO DE LITERATURA
De acordo com Nascimento (2002, p.47), “os conflitos existem desde o início da
humanidade, fazem parte do processo de evolução dos seres humanos e são necessários para o
desenvolvimento e o crescimento de qualquer sistema familiar, social, político e
organizacional”. No entanto, durante certo período, a ausência de conflitos nas organizações
era considerada como sinal positivo que assinalava um ambiente harmonioso. Neste caso, o
conflito era reflexo de comportamentos e sentimentos negativos, considerados prejudiciais ao
bom relacionamento entre as pessoas e, consequentemente, ao bom funcionamento das
organizações. Assim sendo, há diferentes posicionamentos frente ao conflito que pode ser
simplesmente evitado ou pode ser visto como oportuno e transformado em algum benefício
para os indivíduos e organizações. Porém, nem todo conflito é construtivo. Alguns são
prejudiciais e precisam de conciliação ou mediação.

2.1

O conflito
O conflito é inerente às relações humanas. Está presente no cotidiano das pessoas,

seja no meio familiar, no convívio social ou no ambiente de trabalho. Robbins (2009) define
o conflito como um processo que se inicia a partir do momento em que uma pessoa tem
consciência que a outra pessoa pode afetar, negativamente, algo que esta primeira considera
importante.

2.2

Diferentes abordagens sobre o conflito
Na literatura, existem algumas teorias que tentam definir o conflito, porém, não há

um conceito determinado. Além de ser plural e de pouco consenso, a definição de conflito
sofreu diversas influências ao longo do tempo, no que diz respeito às teorias da administração.
De acordo com Robbins (2005), há três abordagens distintas sobre o conflito e suas
consequências (FIGURA 1). Na abordagem tradicional, entre 1930 e 1940, a existência de
conflito era um forte indício de que algo estava errado, por isso, deveria ser evitado. Na
abordagem de relações humanas, no final de 1940 até meados de 1970, o conflito passou a ser
visto como algo natural, que não pode ser evitado e por isso deve ser apenas aceito.

934

�Atualmente, na visão interacionista, a falta de conflito é um sinal de apatia. Um ambiente
demasiadamente harmonioso corre grande risco de se tornar apático e insensível à
necessidade de mudança e inovação.

ABORDAGENS

VISÁO

POSTURA

FIGURA 1 - Transições na conceituação de conflito.
Fonte: Adaptado de Robbins (2005).

2.3

A natureza do conflito
Quanto à natureza, Robbins (2005) divide os conflitos em duas categorias

antagônicas. De um lado, os conflitos funcionais, de caráter construtivo, apoiam os objetivos
da organização e melhoram seu desempenho. Do outro lado, os conflitos disfuncionais são de
caráter destrutivo e prejudicam o desempenho da organização. O que diferencia o primeiro do
segundo é o tipo de conflito, que pode ser de tarefa (relacionado com o conteúdo e objetivos
do trabalho), de relacionamento (relações interpessoais) e de processo (maneira como o
trabalho é realizado). Níveis reduzidos de conflito de processo e níveis de baixo a moderados
de conflitos de tarefas são funcionais. No entanto, na maioria das vezes, os conflitos de
relacionamento se revelam disfuncionais.

2.4

Níveis de conflito
Além disso, o conflito pode se manifestar em diferentes níveis de abrangência. Os

conflitos podem ser intrapessoal (conflito interno), interpessoal (conflito entre pessoas),
intragrupal (conflito dentro do grupo) ou intergrupal (conflito entre grupos).

935

�2.5

O processo do conflito interpessoal
O processo de desencadeamento dos conflitos interpessoais pode ser dividido,

sinteticamente, em quatro estágios, conforme Nascimento e Sayed (2002). Na fase inicial
desse processo, no conflito latente, há condições precedentes que elevam o potencial de
deflagração do sentimento de rivalidade entre as pessoas. Na fase do conflito percebido, a
divergência é notada por pelo menos uma das partes envolvidas. A terceira fase, representada
pelo conflito sentido, é marcada pela presença de forte envolvimento emocional dos
indivíduos. A última etapa, do conflito manifesto, é a fase do confronto explícito, na qual pelo
menos uma das partes envolvidas no processo demonstra claramente sua postura e
comportamento. Neste estágio de interação, os conflitos ganham visibilidade através de
declarações, ações e reações por partes dos envolvidos na desavença e pode resultar em ações
diversas, como, por exemplo, retraimento, disputa, oposição ou de busca de uma solução para
o problema vivenciado. Contudo, o conflito interpessoal surge primeiro como um conflito
interno, uma vez que,
[...] a impossibilidade de reconhecer a legitimidade das demandas do outro e,
especialmente, de reconhecer a ilegitimidade de suas próprias pretensões e
julgamentos, apontam para a existência de uma dinâmica de dimensão
inconsciente, que impede o sujeito de olhar para si e para o outro de forma
mais próxima ao real, estabelecendo a empatia e reconhecimento necessários
à solução do conflito (FREITAS, 2010, p.11).
Robbins (2005) apresenta cinco intenções primárias frente à administração dos
conflitos (FIGURA 2):
■

Acomodar-se (não afirmativa e cooperativa): quando uma das partes coloca

seus interesses de lado e os interesses da outra parte em primeiro plano, procurando apaziguar
o conflito.
■

Colaborar (afirmativa e cooperativa): baseado na solução “ganha-ganha”, as

partes envolvidas buscam, através da cooperação, o benefício mutuo, que atenda ambas as
partes;
■

Competir (afirmativa e não cooperativa): neste caso, prevalece a estratégia

“ganha-perde”, pois uma parte consegue o que quer em detrimento dos desejos da outra parte;
■

Conceder (entre as duas dimensões): também conhecida como estratégia

compromisso, ocorre quando ambas as partes estão dispostas a abrir mão de algum interesse
que satisfaça parcialmente a todos os envolvidos na desavença. Neste caso, não há vencedores
ou vencidos;
■

Evitar (não afirmativa e não cooperativa): é uma situação extrema, na qual os

936

�envolvidos fingem não perceber a existência de um conflito e esperam que ele, por si só, se
dissolva. É uma condição “perde-perde”, pois ambas as partes ficam insatisfeitas.

Estratégias de Negociação
Alta
Acomodação
Perde-Ganha

Colabor ativa
Ganha-Ganha
Compromisso

Importância de
Rdadonamaito

Evitar
Perde-Perde

Baixa
Baixa

Competitiva
Ganha-Perde

Importância de
Resultados

-►

Alta

FIGURA 2 Estratégias de negociação
Fonte: ZURDO, 2012, p. 2.

2.6

Consequências do conflito
Robbins (2005) faz uma análise dos resultados dos conflitos interpessoais e

subdivide suas consequências em duas categorias. As consequências funcionais dos conflitos
surgem de situações de níveis baixos a níveis moderados de conflitos de tarefa ou de processo
e não incluem os conflitos de relacionamento. De acordo com Chiavenato (2004), o conflito
construtivo gera diversos benefícios para a pessoa, para o grupo e para a organização, uma
vez que desperta a atenção para os problemas, estimula energias produtivas, fortalece
sentimentos de identidade e, principalmente, o conflito testa a balança do poder. Para este
autor, as consequências disfuncionais dos conflitos desencadeiam sentimento de frustração,
hostilidade e ansiedade, aumentam a coesão grupal e desviam energias para ele mesmo. Em
situações extremas, o conflito pode paralisar e até ameaçar potencialmente a existência de um
grupo.

MATERIAIS E MÉTODOS
O universo desta pesquisa foi a equipe de trabalho de uma Biblioteca Universitária.
Para este estudo de caso, realizou-se uma pesquisa aplicada, descritiva de abordagem
qualitativa, segundo os critérios apresentados por Gil (2008).

Trata-se de uma pesquisa

aplicada, pois não busca o desenvolvimento de teorias de valor universal, mas parte de um
referencial teórico sobre determinado assunto para tentar entender a natureza e a fonte dos
problemas humanos e a partir dos conhecimentos obtidos através de uma realidade

937

�circunstancial. Descritiva, pois teve como principal objetivo observar, descrever e classificar
o comportamento dos trabalhadores de Biblioteca Universitária frente as situações
conflituosas. Qualitativa, pois, com base no referencial teórico e através de uma breve análise
dos comportamentos dos observados, buscou-se uma interpretação e atribuição de
significados a esta realidade. Quanto à modalidade, utilizou-se a pesquisa bibliográfica, pois
tanto a fundamentação teórica quanto a metodologia do presente trabalho foi feita a partir de
uma vasta investigação em livros, artigos científicos e outras fontes sobre o assunto aqui
abordado.

RESULTADOS
Para melhor elucidar a metodologia proposta, foram explicitados dois casos de
situações conflituosas, ocorridas nesta biblioteca universitária. Em ambos os casos, nota-se
que os conflitos surgiram por motivos de competição entre os colegas de trabalho e,
principalmente, por parte de um membro do grupo direcionado ao gestor. Ficou evidente
também, que em ambos os casos, o gestor assume o papel de mediador. No primeiro caso,
houve colaboração e as partes de entenderam. No segundo caso, uma das partes optou por
evitar a outra, na tentativa de suprimir o conflito.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Independente de o conflito ser funcional ou disfuncional é notável que a discussão
em torno desse assunto mereça especial atenção, por ser algo inerente às relações humanas,
presente no cotidiano das pessoas, dos grupos e das organizações. Quando se tenta ignorar ou
reprimir sua existência, o conflito tende a crescer e agravar-se e sua repercussão pode ser
prejudicial para todos os envolvidos. A mediação do conflito é uma tarefa complexa, além de
ser capaz de reconhecer sua natureza, abrangência e processo dinâmico, exige certa habilidade
do gestor em lidar com as dimensões afetivas que o envolvem.

REFERÊNCIAS
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos: o capital humano das organizações. 8. ed.
São Paulo: Atlas, 2004. p. 376-382.
FREITAS, Carla Martins de. A dinâmica projetiva no contexto da mediação de conflitos
interpessoais. 2010. Monografia (Especialização em Psicologia Analítica) - Pontifícia
Universidade

Católica

do

Paraná,

Curitiba,

2010.

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GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
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comportamento organizacional. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. cap. 12, p.
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ZURDO, Maura Mazzeo. Métodos e técnicas de negociação. 2012. Disponível em: &lt;
http://www.sustentare.net/upload/entrance quis/20071009045443.pdf &gt;.

Acesso em: 3 jul.

2012.

939

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                <text>Furtado, Fabiene Letizia Alves</text>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>UFMG</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2014</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Relata a experiência na elaboração de um projeto de intervenção sobre os conflitos interpessoais em uma equipe de trabalho de uma Biblioteca Universitária. Os conflitos existem desde o surgimento da humanidade, porém, muitas vezes, não são tratados de forma adequada, costumam ser ignorados ou reprimidos. Dessa maneira, a abordagem do conflito dependerá de fatores como sua natureza, motivos, abrangência e consequências. Primeiramente, investigou-se os fundamentos teóricos concernentes ao tema, em seguida, demonstrou-se os objetivos propostos pela pesquisa, assim como a metodologia utilizada. Finalmente, conclui-se que mediar uma situação de conflito é uma tarefa complexa e uma habilidade ndispensável para um gestor.</text>
              </elementText>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MUDANÇA DE CULTURA PARA O AUTOARQUIVAMENTO - PLANEJAMENTO
PARA IMPLANTAÇÃO

Cássia Adriana de Sant'Ana Gatti
Dilnei Fátima Fogolin
Sandra Manzano de Almeida
RESUMO
O objetivo deste trabalho é apresentar o projeto desenvolvido junto ao curso “Gestão eficaz
de projetos: transformando ideias em resultados” que deverá ser implantado como piloto em
um dos cursos de pós-graduação da Universidade, visando incorporar o processo de
autoarquivamento à rotina de seus pesquisadores, docentes e alunos. Em face ao crescente
aumento da produção acadêmica e a necessidade de tornar essa produção disponível as
Universidades têm adotado os Repositórios Institucionais como modelo para essa
disponibilização. Como a UNESP optou por recuperar em duas bases de dados a produção de
sua comunidade acadêmica para dar início ao repositório, precisa agora implantar o
autoarquivamento junto à essa comunidade.
Palavras-chave: Gestão de projetos; Repositório Institucional; Autoarquivamento - mudança
de cultura

ABSTRACT
The aim of this paper is to present a project developed in the course “Effective Project
management : transforming ideas in results”, that will be introduced in one of the University’s
graduate courses in order to incorporate the self-archiving process to the routines of its
researchers, faculty and students. Due to the increasing of academic production and the need
of becoming it available, Universities have been taking the Institutional Repository as model
of this availability. As Unesp have chosen to retrieve its academic production from two
databases in order to start its Institutional Repository, there is now a need to establish the self­
archiving for best results.
Key words: Project Management; Iinstitutional repository; Selfarchive - cultural change

1 INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos da informação e comunicação trouxeram inúmeras mudanças
no processo de disseminação da produção científica os quais facilitaram a introdução e
disponibilização de conteúdos informacionais em formato digital, como teses e dissertações
produzidas nas universidades brasileiras.

1323

�A crescente produção científica, no meio acadêmico, o número de alunos existentes e
ingressantes nos cursos de pós-graduação, a importância que as universidades desempenham
no cenário nacional e internacional contribuem para que os Repositórios Institucionais (RIs)
venham assumir a responsabilidade em difundir e disseminar essa produção, em consonância
com as modernas tecnologias de transferência do conhecimento.
Os produtores do conhecimento científico são os agentes fornecedores do material que
deverá

ser

disponibilizado

digitalmente

pelos

Repositórios

Institucionais.

O

autoarquivamento tem sido uma opção para submissão da produção científica nas bases de
dados das bibliotecas digitais de teses e dissertações.
Desta maneira a Unesp, em função da inauguração do seu Repositório Institucional,
está repensando a sua forma de disponibilizar o texto completo de teses e dissertações
utilizando o autoarquivamento, contrariamente do que vem sendo realizado até o momento e,
para tanto, é necessário transformar a cultura que existe atualmente na comunidade acadêmica
unespiana.
Este trabalho é resultado das atividades desenvolvidas pelas autoras durante o curso in
company na Unesp, intitulado “Indicadores de desempenho: Gestão eficaz de projetos:
transformando ideias em resultados”, ministrado por Randal Victor Gibbin, da Empresa
Integração - Escola de Negócios, quando tivemos que nos basear em situações reais e
passiveis de mudança, necessárias para implantação de um projeto, em que uma ideia
evoluísse para um resultado realizável, justificando a temática do trabalho.

2 REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
Segundo Assis (2013), os repositórios surgem como sistemas de informação de acesso
aberto com o objetivo de maximizar a disseminação e visibilidade dos resultados de pesquisas
científicas. Entretanto, para chegarmos a um conceito de repositórios institucionais é
importante desfazermos alguns mal-entendidos a respeito de bibliotecas digitais e repositórios
institucionais.
Para entendermos melhor a diferença entre Biblioteca Digital e Repositório
Institucional, Leite (2009, p. 21) discorre que:
todo repositório institucional de acesso aberto pode ser considerado um tipo
de biblioteca digital, mas nem toda biblioteca digital pode ser considerada
um repositório institucional. (...) repositórios institucionais de acesso aberto
à informação científica lidam exclusivamente com a produção intelectual de
uma instituição. Portanto, não se prestam à aquisição e ao armazenamento de
conteúdos externos à instituição ou conteúdos de outra natureza (...), como
pode ser o caso de bibliotecas digitais.

1324

�Os Repositórios Institucionais vêm beneficiar os pesquisadores, bibliotecários e outros
usuários em relação ao armazenamento, recuperação e acesso à informação eletrônica, a qual
deve estar disponível em tempo real, e independente da localização dos interessados que
procuram cada vez mais o acesso on-line às fontes de informação.
As competências que se exigem de um autor/pesquisador para manusear, acessar, lidar
com as informações contidas em documentos digitais/eletrônicos, são diferentes das que se
exigiam em uma era de informação tradicional.
À medida que se intensificam essas mudanças, aumentam as responsabilidades das
universidades, na formação contínua da comunidade acadêmica, para que se familiarizem com
o ambiente eletrônico/digital e com o processo de autoarquivamento.
De acordo com Vicentini (2004) a integração e interoperabilidade entre os recursos de
informação em ciência e tecnologia envolvem um aporte intenso em termos de tecnologias de
informação e comunicação, protocolos e padronização.
A falta de padrões para disponibilização e pesquisa de informações científicas na
Internet, levou à criação do Open Archives Initiative - OAI (Iniciativa dos Arquivos Abertos)
e ao desenvolvimento de um protocolo com o intuito de oferecer simplicidade e eficiência na
tarefa de unificar as consultas a bases de dados científico-acadêmicas.
O

movimento de acesso aberto foi consolidado pela Declaração de Budapest, em 2001.

A Budapest Open Access Iniciative - BOAI teve por objetivo convocar a comunidade
científica e as instituições para liberarem o acesso à produção científica, eliminando assim
barreiras que impossibilitam o acesso (ASSIS, 2013).
Anteriormente a OAI, o usuário/autor escrevia seus documentos (artigos, teses, etc),
enviava-os para uma revisão e aguardava a sua publicação. Após a publicação, para acessá-lo
era necessário dirigir-se à biblioteca e localizá-lo. Com a nova tecnologia proporcionada pela
OAI, o próprio autor pode imediatamente, depositar o arquivo em uma base de dados e o
documento torna-se disponível quase imediatamente para consulta pela comunidade.
Segundo Triska; Café (2001), o autoarquivamento refere-se ao direito de o próprio
autor enviar o seu texto para publicação sem intermédio de terceiros. Interoperabilidade é a
capacidade de um sistema de se comunicar com outro sistema. Para um sistema ser
considerado interoperacionalizado é muito importante que ele trabalhe com padrões abertos.
Apesar dos mandatos de autoarquivamento em acesso aberto terem uma história de
menos de dez anos, mais de três centenas de instituições, agências de financiamento e outros
programas acadêmicos de todo o mundo implementaram políticas exigindo dos pesquisadores

1325

�o autoarquivamento dos resultados de suas pesquisas em repositórios (XIA et al, 2012 apud
ASSIS, 2013).
Ainda, de acordo com Assis (2013):
É preciso esforço e discussões para a implantação de uma política de sucesso
de autoarquivamento. As instituições devem disponibilizar materiais de
apoio e treinamento para que os pesquisadores se sintam confortáveis com o
sistema. Mais que realizar o depósito, as instituições devem se preocupar em
repassar para seus pesquisadores a filosofia e a relevância do movimento de
acesso aberto à informação científica, fazendo com que os seus
pesquisadores se tornem conscientes da importância do autoarquivamento.

3 REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNESP
Para melhor entendimento, vamos contextualizar a forma que atualmente as teses e
dissertações produzidas na Unesp são gerenciadas e disponibilizadas.
A Unesp, por meio da Coordenadoria Geral de Bibliotecas - CGB, órgão que viabiliza
o funcionamento sistêmico da Rede de Bibliotecas da Unesp, compartilha a produção
científica gerada na Unesp, e disponibiliza o texto das Dissertações e Teses, dos Programas de
Pós-graduação no Site para a Biblioteca Digital com acesso no Portal da Coordenadoria Geral
de Bibliotecas - CGB, www.unesp.br/cgb.
Atualmente, ao receber os arquivos eletrônicos das dissertações e teses, as Secretarias
de Pós-Graduação (SPG), checam se as mídias estão devidamente identificadas com nome do
autor e Campus de origem; verificam se todas as informações da autorização foram
preenchidas e se a mesma foi assinada pelo autor, e, se necessário, a SPG orienta o aluno para
as devidas correções.
Após esses procedimentos a SPG encaminha para a biblioteca, o arquivo juntamente
com o termo de autorização, os quais, via malote, são encaminhados para a equipe da
Coordenadoria Geral de Bibliotecas - Marilia, para realizar todo o processo para a devida
disponibilização na Biblioteca Digital C@thedra.
Uma vez que a UNESP já dispunha de um repositório (Acervo Digital), optou-se por
utilizar tal ambiente para abrigar os dados do Repositório Institucional. De acordo com
informação encontrada no próprio Repositório:
O Repositório Institucional UNESP tem por objetivo armazenar, preservar,
disseminar e possibilitar o acesso aberto, como bem público global, à
produção científica, acadêmica, artística, técnica e administrativa da
Universidade. Em sua implantação, o Repositório Institucional UNESP teve
por objetivo contemplar a produção científica dos pesquisadores da UNESP
publicada no período de 2008 a 2012 e indexada na base de dados Web of
Science. Após a realização desse objetivo, passaram a ser inseridos os
artigos dos pesquisadores da UNESP publicados no período de 1977 a 2013
em periódicos da SciELO, artigos estes que, em razão de sua licença,

1326

�puderam ter seus textos completos armazenados e disponibilizados no
Repositório, favorecendo, assim, o acesso aberto à produção científica da
Universidade. Atualmente, os esforços da equipe do Repositório
Institucional UNESP têm sido direcionados para a inserção da produção
científica não contemplada nas etapas anteriores (Web of Science e
SciELO), estendendo, assim, a cobertura do Repositório de modo a
representar a produção da Universidade e de seus pesquisadores.
(REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNESP. Apresentação)

O Repositório Institucional da Unesp utiliza a plataforma DSpace 3.1 , e adotou-se
para a descrição de documentos digitais o padrão de metadados Dublin Core e protocolo
OAI/PMH utilizado internacionalmente na troca de dados em iniciativas de acesso aberto,
permitindo a interoperabilidade com outros bancos de dados; permite aos autores e equipes
das bibliotecas, estrutura para autoarquivamento da produção científica da Unesp.
Com um ambiente já propício para o início desta necessidade e aproveitando a
oportunidade para elaboração de um projeto, como resultado das atividades de um curso
oferecido pela Instituição, as autoras se propuseram a planejar uma forma de divulgar e
conscientizar os autores para o autoarquivamento. É o que se apresenta a seguir.

4 PROJETO - PLANEJAMENTO
Segundo OLIVEIRA (1999), o estabelecimento de projetos proporciona ao executivo
condições de identificar e operacionalizar os planos de ação que a empresa irá desenvolver
com o objetivo de alcançar os resultados esperados e enfocados pelo planejamento
estratégico.
Portanto, a administração de gestão por meio de projetos firma-se em um modo
eficiente e eficaz de alcançar, dentro de um determinado prazo, objetivos e resultados
otimizando, de forma predeterminada, o uso de recursos humanos, materiais e financeiros.
Ao se decidir pela elaboração de um projeto, uma instituição deve levar em
consideração a razão principal da ideia proposta, qual a melhoria a ser realizada, pois poderá
ser necessário ajustes no decorrer da execução para atender a demanda e será vital para o
entendimento do valor que o projeto trará à instituição.
Para melhor condução no desenvolvimento do projeto é necessário fazer alguns
nivelamentos com o grupo gestor e traçar um roteiro para o planejamento, como:
1

- identificar e entender a justificativa, o valor, o legado do projeto. Nesta etapa é

vital entender qual é o valor que será agregado à Instituição para servir de parâmetros, caso
seja necessário alguma alteração;

1327

�2 - mapear os stakeholders, que são as partes interessadas do projeto - áreas
influenciadas e beneficiadas, corpo de diretores, usuários do projeto;
3 - Definir os marcos (milestones) de cada etapa do projeto - irão delimitar e indicar
as etapas concluídas e servirá para a definição de estratégia de execução;
4 - Definir as entregas (deliverables) de cada etapa do projeto - definir o que deve ser
produzido e entregue;
5 - Estruturar o ciclo de vida do projeto;
6 - Determinar as restrições do projeto - irão limitar as opções do projeto, como,
escopo, tempo e custo;
7 - registrar todos os passos de discussão. (GIBBIN, [2013]; SILVA, 2013)
Neste sentido recomenda-se não detalhar excessivamente o projeto para que seja
possível os ajustes ao longo do tempo e acompanhar todo o processo, do planejamento à
avaliação, por meio do seu ciclo de vida, PDCA (Plan, Do, Check, Act) do início até o final,
que compreende:
- iniciação - nesta fase é definido e autorizado, em parte ou em todo, o projeto;
- planejamento - definição e refinamento dos objetivos e planejamento do curso das ações
necessárias para o cumprimento do escopo;
- execução - complementação do projeto para finalizar as especificações do projeto, e;
- encerramento - formalização do resultado do projeto.
Todas as fases devem ser eficazmente acompanhadas e monitoradas para identificar
variâncias entre o planejado e o executado, estabelecendo-se ações corretivas ao longo do
processo.
Das áreas de conhecimento necessárias para gerir um projeto, citadas no Guia dos
conhecimentos sobre a administração de projetos (Guide to the Project Management Body of
Knowledge - PMBOK), elaborado pela Project Management Professional - PMI, foram
usadas a tríplice de restrições - escopo, tempo e custo. (PMBOK, 2012; MAXIMIANO,
2002)
Na gestão de projeto é imprescindível, para se ter uma probabilidade maior de êxito, a
aplicação de ferramentas e técnicas especificas para que se cumpra todas as metas e ações
estabelecidas e na busca de melhoria no desempenho organizacional, foi adotada a abordagem
da Project Management Professional - PMI, que se trata da credencial mais importante e
reconhecida em gerenciamento de projetos.
Desta forma, com a aplicação das variadas ferramentas e técnicas de forma integrada
tem-se uma possibilidade maior de transformar ideias em resultados e consequentemente a

1328

�visualização do projeto, do início ao fim, para uma avaliação mais adequada da proposta
inicial.
Após a definição da ideia e escopo, foi estabelecido, para a formalização e
planejamento das ações do projeto, o seguinte roteiro e aplicação das ferramentas de
gerenciamento:
A - IDEIA - Refletir sobre o valor, legado do projeto e qual a melhoria esperada nos
indicadores.
Trabalho Desenvolvido:
Título: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
Contexto: Portaria CAPES obrigando os programas de pós-graduação a disponibilizarem
texto completo das teses/dissertações produzidas na universidade.
Foco: Avaliação dos programas
Idéia: Identificar os gaps dos canais de comunicação utilizados pelas bibliotecas e pela CGB.
•

Solicitação do gabinete para agilizar o trâmite e permitir o acesso ao texto completo

•

Repensar o fluxo atual

•

Dificuldade em detectar o gargalo

•

Planejar um novo trâmite

Fluxo atual:
- Aluno - defesa e entrega do arquivo digital e autorização
- Seção de pós-graduação - homologação
- Biblioteca - catalogação de registros bibliográficos
- CGB - disponibilização do texto completo

B - ESCOPO - deve ser alinhada com o sponsor, que no caso da Unesp será com o
Gabinete do Reitor, que viabilizará o projeto com o apoio político e financeiro.
Trabalho Desenvolvido
Necessidade de inserir uma nova cultura na comunidade acadêmica para o autoarquivamento
Valor/legado
- Visibilidade da universidade
- Melhor classificação no ranking internacional
- Tornar-se uma universidade de classe mundial
Mapeamento dos influenciados
Beneficiados: UNESP, Programas de pós-graduação, Comunidade científica

1329

�Consultados: Instituições internacionais, instituições internacionais, Gabinete do Reitor, PróReitoria de Pós-Graduação, Seção de Pós-Graduação, Programa de Pós-Graduação
Resistentes: Equipe da CGB, Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Seção de Pós-Graduação,
Programa de Pós-Graduação, Autor

Tabela 1 - Etapas de desenvolvimento do projeto
Etapa
Desenvolvimento do material de treinamento
Divulgação
Pós-graduação,
Bibliotecas,
Orientadores (corpo docente)
Capacitação
Divulgação para os autores/alunos

Entrega
Tutorial (virtual), apostila (impresso), folder
Palestras (apresentação), folders, mala direta
Capacitação Pós-graduação e Bibliotecas
Palestras, folders, mala direta, redes sociais,
mídia interna (jornal, homepage) brindes
(pastas, lápis, canetas, mouse pads, banners

Fonte: os Autores

C - EAP - WBS - diagrama de rede PERT/COM
A Estrutura Analítica de Projeto - EAP /WorkBreakdown Structure - WBS, feita logo
no início do projeto, é uma representação gráfica do escopo do projeto, parecida com um
organograma, onde é feita a decomposição do projeto em ciclo de vida, subfases do projeto e
atividades, fornecendo uma visão clara do seu escopo. Excelente para demonstrar os diversos
níveis apresentados.
É necessário determinar a duração das atividades e na prática recomenda-se que cada
etapa não ultrapasse 1 mês de execução para que seja possível ter a validação dos
steakholders e fazer rearranjos, se necessário. Importante, também, trazer para a fase de
elaboração da EAP pessoas com conhecimento sobre o assunto para opinar, mesmo que não
seja da equipe que está gerenciando o projeto.
Nesta fase é possível detectar o caminho crítico (o mais longo) e perceber onde estão
os pontos que merecem uma atenção maior, quais as atividades que podem gerar atraso na
data de conclusão do projeto.
Durante o curso a EAP foi elaborada utilizando os blocos autoadesivos.
Com a WBS pronta, é gerado o Diagrama de rede (PERT/COM) que se configura no
melhor método para visualizar a relação de dependência entre as atividades e,
consequentemente, definir a logica de execução do trabalho.
Com esta ferramenta concluída inicia-se a construção da Carta de Gantt

1330

�Trabalho Desenvolvido:

EAP DO PROJETO
1.

Desenvolvimento do material de treinamento

1.1

Desenvolvimento do folder (15 dias)

1.2

Desenvolvimento da apostila (20 dias)

1.3

Desenvolvimento do tutorial (20 dias)

2.

Divulgação Pós-Graduação e Bibliotecas

2.1

Realização da apresentação (01 dia)

2.2

Distribuição do folder (01 dia)

2.3

Envio da mala direta (01 dia)

3.

Capacitação

3.1

Desenvolvimento da capacitação para Pós-Graduação e Biblioteca (01 dia)

4.

Divulgação para a comunidade/alunos

4.1

Distribuição do material para a comunidade (30 dias)

5.

Avaliação do Projeto Piloto

5.1

Compilação de dados (01 dia)

5.2

Elaboração de relatório (02 dias)

SEQUENCIAMENTO DAS ATIVIDADES
5.1
2.2

2.3-

4.1
5.2

D - CRONOGRAMA DE GANTT

Esta fase é usada para melhor visualizar o progresso de cada etapa do projeto
permitindo controlar e avaliar todos os recursos utilizados do que foi previsto e o realizado
detectando um possível atraso no andamento das ações.

Trabalho Desenvolvido:
CRONOGRAMA DE PROJETO (Gantt)

1331

�Tabela 2 - Cronograma Gantt
1
1.1
1.2
1.3
2
2.1
2.2
2.3
3
3.1
4
4.1
5
5.1
5.2

I

____________________________________________________________________

5

10

15

20

25 30

35

40

45

50

"■

56

Fonte: os Autores

E - PLAN FUP (FOLLOW UP)
A planilha de acompanhamento do projeto permite revisar todas as metas de execução,
geradas a partir das atividades descritas na Carta de Gantt. (GIBBIN, [2013]).
É planejada para visualizar sempre as 4 primeiras semanas do projeto e conforme for
avançando, a semana seguinte é inserida, fazendo girar o PDCA, para verificação e tomada de
decisões. É importante uma reunião semanal para avaliação para que se detectem os
imprevistos e metas não cumpridas, ajustar e colocar para semana seguinte. È preciso muita
atenção para não comprometer a última semana.

Trabalho Desenvolvido
Tabela 3 - Planilha de acompanhamento
EAP
1

W2
Arte/prova (gráfica)

W3
Impressão

W4

2

Elaboração capítulos

Revisão

3
4

Elaboração/des.
Elaboração texto

Elaboração
capítulos
Elaboração des.

5

Estrutura textual

Aplicação e revisão

W5
Apresentação
pósgraduação e biblioteca
Envio
folder
pósgraduação e biblioteca
Envio mala direta
Capacitação
pósgraduação e biblioteca
Distribuição do material

Fonte: os Autores

1332

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
A implantação de projeto em uma organização é imprescindível para que os problemas
sejam solucionados e os desafios enfrentados; porém, o seu sucesso está vinculado a um bom
gerenciamento das metas e ações planejadas e seu objetivo maior proporcionar um legado à
instituição.
É importante assinalar que o uso de ferramentas para o controle e os ajustes, ao longo
da execução, são necessários, bem como o perfeito envolvimento da equipe e dos principais
stakeholders.
Este projeto é uma proposta que, antes de ser implantada, será apresentada ao Comitê
Gestor da Politica do Repositório Institucional Unesp, para análise da viabilidade de
implantação na Instituição.

6 REFERÊNCIAS
ASSIS, T. B. Análise das políticas de autoarquivamento nos repositórios institucionais
brasileiros
e
portugueses.
Disponível
em
&lt;http://www.revistas.usp.br/incid/article/viewFile/69329/pdf 15 &gt;. Acesso em: 12 maio 2014
GIBBIN, R.V. Indicadores de desempenho: gestão eficaz de projetos: transformando ideias
em resultados. [São Paulo]: Integração Escola de Negócios, [2013]. (Apostila)
LEITE, F. C. L. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica brasileira:
repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília: IBICT, 2009.
MAXIMIANO, A.C.A. Administração de projetos: como transformar ideias em resultados.
2.ed. São Paulo: Atlas, 2002.
OLIVEIRA, D. P. R. de. Planejamento estratégico: conceitos, metodologias, práticas. 14. ed.
rev. São Paulo: Atlas, 1999. p.225
PMBOK. A Guide to the Project Managemente Body of Knowledge (PMBOK GUIDE). 5.ed.
PMI-Project Management Institute, 2013.
REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNESP.
Apresentação. Disponível em:
&lt;http://repositorio.unesp.br&gt;. Acesso em: 13 de maio de 2014.
SILVA, E.C da; GIL. A.C. Inovação e gestão de projetos: os “fins” justificam os “meios”.
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de biblioteca digital no contexto da Universidade utilizando-se de software livre. Disponível
em: &lt; http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=1198 &gt; Acesso em: 20
abril.2014.

1333

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O objetivo deste trabalho é apresentar o projeto desenvolvido junto ao curso ―Gestão eficaz de projetos: transformando ideias em resultados‖ que deverá ser implantado como piloto em um dos cursos de pós-graduação da Universidade, visando incorporar o processo de autoarquivamento à rotina de seus pesquisadores, docentes e alunos. Em face ao crescente aumento da produção acadêmica e a necessidade de tornar essa produção disponível as Universidades têm adotado os Repositórios Institucionais como modelo para essa disponibilização. Como a UNESP optou por recuperar em duas bases de dados a produção de sua comunidade acadêmica para dar início ao repositório, precisa agora implantar o autoarquivamento junto à essa comunidade.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA:
um estudo de caso

Gabriela Giacumuzzi
Eliane Lourdes da Silva Moro
Lizandra Brasil Estabel
RESUMO
0 estudo verifica como ocorre a acessibilidade arquitetônica e física e acessibilidade de
mobiliário e equipamentos em uma biblioteca de uma Universidade Pública Federal no Estado
do Rio Grande do Sul. Apresenta o conceito de biblioteca universitária e biblioteca acessível
para embasamento teórico. Desenvolve uma pesquisa exploratória com abordagem qualitativa
e utiliza uma lista de verificação chamada Instrumento de Avaliação das Condições de
Acessibilidade em Bibliotecas e observação para obter os dados necessários para a análise das
condições de acessibilidade presentes na biblioteca do estudo. Aponta os quesitos de
acessibilidade arquitetônica e física em seus ambientes que são atendidos ou não pela
biblioteca. Conclui que o respeito à legislação brasileira e o atendimento às diretrizes das
Normas Brasileiras Técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas são fundamentais
para que as bibliotecas sejam acessíveis para todas as pessoas.

Palavras-Chave: Acessibilidade; Biblioteca Universitária; Biblioteca Acessível.
ABSTRACT
The study notes how the architectural and physical accessibility and accessibility of furniture
and equipment in the library of the public university of Rio Grande do Sul. Introduces the
concept of university library and accessible library for theoretical basement. Develops an
exploratory qualitative research and uses a checklist called Instrument of Avaliation of
Conditions Accessibility in Libraries and observation to obtain the data necessary to analyze
the accessibility conditions present in the study library. Points which questions of
architectural and physical accessibility in their environments that are serviced by the library or
not. Concludes that compliance with Brazilian legislation and compliance with standards of
the Brazilian Technical Standards of Brazilian Association of Technical Standards are
fundamental to the libraries to be accessible to all people.
Keywords: Accessibility; University Library; Accessible Library.
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho apresenta os resultados obtidos na pesquisa realizada em 2013 sobre a
acessibilidade arquitetônica e acessibilidade de mobiliário e equipamentos realizado em uma
Biblioteca Central de uma Universidade Federal no Estado do Rio Grande do Sul.

678

�O Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que
cerca de 23,9% da população brasileira, autodeclara-se pessoa com deficiência. Este dado
demonstra a necessidade das bibliotecas, inclusive as bibliotecas universitárias, tornarem-se
ambientes acessíveis proporcionando o acesso de todos.
Devido à inclusão das pessoas com deficiência na Educação, muitos deles têm
alcançado a Educação Superior e, consequentemente, transformam-se em usuários de
bibliotecas universitárias. Esta nova realidade torna necessário que os bibliotecários planejem
e propiciem os ambientes e os serviços das bibliotecas acessíveis. No entanto, para isso se faz
necessário que os bibliotecários conheçam como ocorre a acessibilidade e a inclusão das
pessoas com deficiência nas bibliotecas, dentre elas as bibliotecas universitárias.

2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS ACESSÍVEIS
As bibliotecas universitárias estão vinculadas às Instituições de Ensino Superior (IES),
local onde o conhecimento científico é vivenciado e construído constantemente. Sendo assim,
torna-se objetivo das bibliotecas universitárias fornecerem o suporte informacional para o
ensino, a pesquisa e a extensão para que a construção de conhecimento seja efetiva nas
universidades, pois como afirma Machado e Blattmann (2011, p. 10),

As universidades são responsáveis pela transmissão e construção do saber
teórico e científico e a formação de indivíduos críticos e reflexivos. As
pesquisas fazem parte da rotina no ambiente universitário, dominando a
produção de ideias, a criatividade, o conhecimento e as informações.
É na biblioteca universitária que docentes, discentes e pesquisadores terão acesso à
informação em diferentes suportes, além de contar com profissionais especializados para
serem mediadores entre a informação e suas necessidades informacionais. Giacumuzzi (2012,
p. 2) afirma que a biblioteca universitária,

[...] tem como função disponibilizar o acesso à informação para a
comunidade acadêmica e servidores da universidade. E contribuir para a
pesquisa e extensão acadêmica. O acervo é especializado e voltado para
atender as necessidades informacionais dos discentes e docentes dos cursos
de graduação ou pós-graduação que são oferecidos pelas universidades e
faculdades, além de quando solicitada atender o público externo se sua
política permitir.
A biblioteca universitária além de ser um local de disseminação da informação, deve
ser um local de fomento do conhecimento, e para que isso ocorra, deve ser um lugar aberto

679

�para receber a todos e acolher as diferenças. De acordo com Ferreira e Cianconip (2011, p.
154),
Por ser a biblioteca universitária um espaço de interação, ensino,
aprendizagem, acesso e troca de informação deve ser destinado a atender a
todas as pessoas, independente das condições ou limitações que elas possam
apresentar, como forma de inclusão social.
Para que a inclusão social ocorra nas bibliotecas universitárias, é necessário que elas
se transformem em bibliotecas acessíveis. A acessibilidade em bibliotecas beneficia a todos
que fazem uso dela, e garante que aqueles que antes não poderiam ter acesso ao espaço físico
ou à informação, tenham este acesso garantido promovendo a inclusão social. Uma biblioteca
acessível,
[...] é um espaço que permite a presença e proveito de todos, e está preparada
para acolher a maior variedade de público possível para as suas atividades,
com instalações adequadas às diferentes necessidades e em conformidade
com as diferenças físicas, antropométricas e sensoriais da população.
(FERRÉS, 2008, p. 36).
Além da acessibilidade arquitetônica e física nos espaços da biblioteca, o bibliotecário
também deve ser um profissional acessível e promotor da inclusão social, conforme é
apontado no Código de Ética da IFLA para Bibliotecários e Outros Profissionais da
Informação (2012) que diz,

Para promover a inclusão e erradicar a discriminação, os bibliotecários e
outros profissionais da informação asseguram que o direito de acesso à
informação não pode ser negado e que serviços equitativos são fornecidos
para qualquer pessoa de qualquer idade, nacionalidade, crença política,
condição física ou mental, gênero, descendência, educação, renda, condição
imigratória ou de asilo, situação matrimonial, origem, raça, religião e
orientação sexual. (IFLA, 2012, p. 3).
Sendo assim, a inclusão social é promovida na biblioteca, dentre outros aspectos, por
meio da acessibilidade arquitetônica, pois uma biblioteca acessível permite que todos possam
entrar na biblioteca e circular em seus ambientes com autonomia e segurança.

3 METODOLOGIA
A metodologia adotada para o desenvolvimento deste trabalho foi uma pesquisa
exploratória com abordagem qualitativa. De acordo com Gil (2010, p. 27), pesquisas
exploratórias:

680

�[...] são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo
aproximativo, acerca de determinado fato. Este tipo de pesquisa é realizado
especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil
sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis.
O estudo averiguou como ocorre a acessibilidade arquitetônica em uma biblioteca
universitária, no que se refere ao atendimento à legislação brasileira sobre acessibilidade
arquitetônica e acessibilidade no mobiliário e equipamentos.
A coleta de dados foi feita por meio de dois instrumentos: a observação simples e um
instrumento de avaliação de acessibilidade em bibliotecas, o checklist, elaborado por Nicoletti
(2010). Devido à abordagem do estudo, utilizaram-se somente duas partes do documento,
referentes à Acessibilidade Arquitetônica e Acessibilidade de Mobiliário e Equipamentos do
Instrumento de Avaliação das Condições de Acessibilidade em Bibliotecas.

4 ACESSIBILIDADE NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
A biblioteca universitária estudada está localizada no andar térreo de um prédio da
Universidade, localizada no Bairro Farroupilha em Porto Alegre, e próxima ao centro da
cidade.
A biblioteca atende a comunidade acadêmica da Universidade composta por discentes
e docentes de cursos de graduação e programas de pós-graduação, além de pesquisadores e
extensionistas da comunidade universitária. Também é a Biblioteca Central da universidade,
com função de orientar as demais bibliotecas que fazem parte do sistema de bibliotecas.

4.1 ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA
A acessibilidade arquitetônica consiste na eliminação das barreiras arquitetônicas dos
ambientes, que são “Qualquer elemento natural, instalado ou edificado que impeça a
aproximação, transferência ou circulação no espaço, mobiliário ou equipamento urbano.”
(ABNT, 2004, p. 2).
Na análise deste Estudo os tópicos observados abordaram os quesitos que fazem parte
dos

aspectos

da

acessibilidade

arquitetônica,

mais

especificamente

o

entorno

e

estacionamento da biblioteca, a entrada, os espaços internos, pisos, capachos, forrações,
carpetes e tapetes, desníveis, degraus, escadas fixas, rampas e corrimãos, corredores e
sanitários.

681

�4.1.1 Entorno e Estacionamento da Biblioteca
Para chegar até a biblioteca, o usuário percorre um trajeto de sua casa até a biblioteca.
E quando pensamos na acessibilidade do entorno, devemos considerar o local que a biblioteca
está localizada e seus arredores, levando em consideração o trajeto que o usuário percorre
para chegar até a biblioteca.
A Biblioteca Central (BC) está localizada em Porto Alegre -RS, onde o transporte
coletivo público possui ônibus adaptados nas linhas, contudo o tempo de espera é superior ao
tempo das linhas comuns. No entorno da BC há pontos de embarque/desembarque de
passageiros, e dos pontos até a entrada da biblioteca não há barreiras arquitetônicas que
impossibilitem os usuários de chegar até a biblioteca.
A calçada no entorno do Câmpus está em boas condições, ou seja, sem buracos e em
bom estado de conservação, além de possuir piso tátil. Dentro do Câmpus também há
sinalização tátil em alguns locais, mas até chegar à biblioteca o usuário com deficiência visual
não terá acesso ao piso tátil em todo o trajeto.
O prédio onde a BC está localizada possui duas entradas, e na entrada principal há um
degrau que impossibilita a entrada de pessoas com deficiência física ou com mobilidade
reduzida. A segunda entrada, que é alternativa, não está numa rota que excede em seis vezes a
trajetória da entrada principal, fato que seria considerado inacessível. Nesta segunda entrada
há uma rampa para o acesso de pessoas com deficiência física ou com mobilidade reduzida.
O estacionamento é exclusivo para pessoas com vínculo com a Universidade e possui
cerca de 400 vagas. Destas vagas cerca de doze são reservadas para pessoas com deficiência e
vinte e quatro para idosos. Todas as vagas estão sinalizadas e em rotas acessíveis. A vaga de
estacionamento em rota acessível deve estar perto da porta de entrada dos prédios, o que
acontece no Câmpus.

4.1.2 Entrada da Biblioteca
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da Norma Técnica
Brasileira (NBR) 9050/2004 que trata de acessibilidade arquitetônica especifica alguns
obstáculos existentes nas portas de entrada que podem impossibilitar o acesso de pessoas com
deficiência física ou com mobilidade reduzida, e indica que os lugares que possuem tais
obstáculos devem oferecer entrada alternativa para estas pessoas. Alguns destes obstáculos
são: degraus, escadas, portas giratórias, dispositivos de acionamento manual e catracas.
A BC não possui nenhum desses obstáculos. A entrada é por meio de uma porta de
vidro que é acessível para a entrada de todos, pois seu vão é maior que 0,80m, sua altura

682

�superior a 2,10m e sua área livre de aproximação está de acordo com o orientado pela NBR
9050/2004, ou seja, 1,20m no sentido da entrada e 1,50m no sentido de saída de área livre.
A NBR 9050/2004 também orienta que as portas devem ter um revestimento opaco na
parte inferior da porta numa altura de até 0,40m e resistente a impactos que podem ser
causados com acessórios de mobilidade. A BC não possui esse revestimento, mas possui uma
barra metálica na parte inferior da porta que não atinge a altura de 0,40m do piso como pode
ser verificada na Figura 1.

Figura 1 - Porta de Entrada da biblioteca

Fonte: GICUMUZZI, 2013.

A NBR 9050/2004 aponta que a opção mais acessível de maçaneta é a do tipo
alavanca, como pode ser observado na Figura 1, a porta da BC não possui maçaneta deste
tipo. Entretanto, a maçaneta está instalada numa altura acessível entre 0,90m e 1,10m de
altura do piso.
As portas de vidro devem estar indicadas como elemento arquitetônico por meio de
uma faixa em toda sua largura e devem ser sinalizadas por piso tátil, desta forma, não se torna
inacessível para pessoas com deficiência visual. Estes quesitos não são atendidos pela BC, e
apesar do batente da porta e os cartazes fixados pode ocorrer que a porta passe despercebida

683

�por pessoas com baixa visão. Sendo assim, a BC atende a maioria dos quesitos referente à
entrada da biblioteca.

4.1.3 Espaços Internos da Biblioteca
Dentro da biblioteca, a acessibilidade arquitetônica também é importante para que o
usuário possa circular nos ambientes da biblioteca, e consiga se orientar dentro destes
ambientes. Por isso, becos e áreas sem uso devem ser evitados, inclusive em corredores de
estantes, tais quesitos são atendidos pela BC.
A iluminação e cores utilizadas da biblioteca, também são fatores que interferem na
acessibilidade. A BC possui um único comando que liga toda a iluminação da biblioteca,
entre os ambientes não há desníveis de iluminação que poderiam causar a desorientação de
pessoas com baixa visão.
As cores utilizadas são claras, não havendo contraste com cores. Dessa forma, alguns
elementos arquitetônicos podem não ser identificados por pessoas com baixa visão. A BC
atende parcialmente os quesitos referentes às cores da biblioteca, devido à predominância de
cores claras com pouco contraste entre si.
A BC possui rota acessível em todos os ambientes da biblioteca, e possui área de livre
circulação, aonde é possível circular duas pessoas e cadeirantes fazerem manobras com a
cadeira em 180° em quase todos os ambientes. Em alguns locais há espaços mais estreitos,
mas é possível a circulação de um cadeirante em todos os espaços. O mobiliário da BC
também está distribuído de forma que não atrapalhe a locomoção das pessoas.
A BC não possui bebedouro ou telefone público suspenso, mas possui um armário
guarda-volumes que não é totalmente acessível aos usuários. O guarda-volumes é feito de
duas fileiras de pequenos armários, e a fileira mais próxima do chão não está numa altura
acessível, para isso, todos os armários deveriam estar numa altura entre 0,40m e 1,20m do
piso.
Dessa forma, a BC atende parcialmente os quesitos de acessibilidade dos espaços
internos da biblioteca.

4.1.4 Pisos, Capachos, Forrações, Carpetes e Tapetes
A acessibilidade no piso da biblioteca depende que forme uma superfície regular,
firme, estável, sem trepidações e enrugamentos, e antiderrapante. Estes quesitos são atendidos
pela BC, pois seu piso possui tais características.

684

�A estabilidade no piso contribui para que o usuário se sinta seguro ao caminhar, e a
regularidade impede que haja desníveis que podem atrapalhar a locomoção de pessoas que
utilizam acessórios de mobilidades, tais como cadeira de rodas, muletas, andadores, entre
outros.
A BC não possui forrações e carpetes em seus ambientes, e só possui um capacho na
entrada da biblioteca. Entretanto, este capacho compromete a circulação dos usuários, pois se
encontra em rota acessível na entrada, e sua altura excede o mínimo permitido pela ABNT
que é 5mm.

4.1.5 Desníveis, Degraus, Escadas Fixas, Rampas e Corrimãos
Os desníveis devem ser evitados para não comprometer a acessibilidade arquitetônica
dos ambientes. Na referida Biblioteca os desníveis são evitados nos ambientes por isso estes
quesitos não foram analisados, bem como rampas, pois a biblioteca não possui nenhuma.
Entretanto, foram analisados os quesitos de escadas fixas e corrimãos na única escada
existente dentro da biblioteca. A escada da BC leve ao segundo piso, local de serviço com
entrada restrita aos funcionários. Esta escada não atende aos quesitos orientados pela NBR
9050/2004 pois sua largura e as dimensões de seus degraus são inferiores às medidas
indicadas na Norma além de não possuir sinalização.
A NBR 9050/2004 indica que os espelhos dos degraus devem medir entre 0,16m e
0,18m, os pisos entre 0,28m e 0,32m, e a largura da escada deve ser superior à 1,20m. Este
problema de acessibilidade na escada, afeta os funcionários da biblioteca já que não há
nenhuma rota acessível associada à escada.
Os corrimãos da escada da BC são quadrados, mas apresentam boa empunhadura e
estão firmemente fixados à parede e são feitos de material rígido. A NBR 9050/2004 dá
preferência aos corrimãos redondos, mas apesar disso os corrimãos são acessíveis, pois
também estão afastados da parede numa distância de 4,0cm e estão fixados numa altura entre
0,70m e 0,92m do piso.
A BC não atende aos quesitos de acessibilidade em sua escada por não possuir
prolongamento nos corrimãos no início e no fim da escada, e pelo fato da escada não possuir
as medidas mínimas para ser considerada acessível. No entanto atende aos quesitos nos
ambientes que não possuem nenhum tipo de desnível.

685

�4.1.6 Corredores e Sanitários
Corredores acessíveis são aqueles que possuem largura mínima de acordo com sua
extensão, e estão livres de obstáculos que possam prejudicar a mobilidade como jarros de
vegetação, expositores de livros, cadeiras avulsas, entre outros. As medidas de largura mínima
são orientadas pela NBR 9050/2004, conforme apresentado no Quadro 1.

Quadro 1 - Extensão do Corredor e sua Largura M ínima Correspondente

Extensão do Corredor

Largura Mínima do Corredor

Corredor até 4,0m

0,90m

Corredor até 10,0m

1,20m

Corredor superior a 10,0m

1,50m

Fonte: ABNT, 2004.

Os corredores da BC possuem largura mínima de acordo com a extensão do corredor,
sendo acessíveis neste quesito. Mas devido à arquitetura da biblioteca, há colunas dispostas ao
longo dos corredores conforme demonstrado na Figura 2.

Figura 2 - Colunas no Corredor da Biblioteca

Fonte: GICUMUZZI, 2013

Apesar da existência de colunas, a BC evita outros obstáculos que possam prejudicar a
mobilidade de seus usuários e funcionários. Quanto ao sanitário acessível, a BC não possui

686

�sanitários dentro da biblioteca, mas há sanitários acessíveis dentro do prédio, onde está
localizada.

4.2 ACESSIBILIDADE DE MOBILIÁRIO E EQUIPAMENTOS
A acessibilidade de mobiliário e equipamentos envolve os tópicos analisados do
balcão de atendimento, mesas ou superfícies para trabalho, leitura e/ou estudo, computadores/
terminais de consulta e, finalmente as estantes.

4.2.1 Balcão de Atendimento ao Usuário
A BC possui um balcão de atendimento logo na entrada da biblioteca, ou seja, o
balcão está localizado em rota acessível, pois não há nenhuma barreira física ou arquitetônica
impedindo o acesso ao mesmo.
O balcão para ser acessível deve atender alguns quesitos de acessibilidade, e nem
todos os quesitos são atendidos pela BC. O balcão é acessível quanto a sua cor, pois seu
revestimento é opaco, evitando reflexos que podem desorientar pessoas com baixa visão.
Outro quesito de acessibilidade atendido é referente à altura do balcão, pois está entre 0,73m e
0,90m de altura do piso, possibilitando que usuários em cadeira de rodas ou com nanismo
consigam interagir e manter contato visual com os atendentes no balcão.
Apesar de atender todos estes quesitos, o balcão não possui acessibilidade total para as
pessoas em cadeira de rodas, pois não permite a aproximação frontal com a cadeira.

4.2.2 Mesas ou Superfícies para Trabalho, Leitura e/ou Estudo
A BC possui mesas redondas e retangulares para grupos e individuais em seu espaço
para utilização dos usuários. As mesas estão distribuídas em rota acessível, o que torna
possível que mesmo usuários com acessórios de mobilidade, consigam ter acesso. Ao redor
das mesas há faixa livre de circulação possibilitando manobras com cadeira de rodas para o
acesso às mesas. Esta área deve medir no mínimo 0,90m. Além da faixa livre para circulação,
todas as mesas permitem a aproximação frontal dos usuários em cadeiras de rodas, pois suas
alturas inferiores são maiores que 0,73m do piso. Mesmo assim, a altura das mesas é
confortável para os usuários, sendo que todas estão entre 0,75m e 0,85m de altura do piso.
Outros quesitos referentes à acessibilidade das mesas na biblioteca, dizem respeito ao
seu revestimento que deve ser opaco para evitar reflexos e possuir cadeiras flexíveis ao
deslocamento. Ambos quesitos são atendidos pela BC, pois suas mesas são opacas e suas

687

�cadeiras não estão fixas no chão. Entretanto, as mesas retangulares não possuem ângulos
arredondados para evitar acidentes.

4.2.3 Computadores/ Terminais de Consulta
A BC possui acessibilidade no mobiliário dos computadores e em seus equipamentos.
As mesas possibilitam a aproximação frontal de um usuário em cadeira de rodas, e seu
mobiliário é ajustável de maneira simples e com tolerância ao erro.
Os periféricos do computador podem ser substituídos por componentes adaptados e
são flexíveis para serem afastados ou aproximados ao usuário. Somente a tela e a torre dos
computadores são fixas. Os botões de liga/desliga e os dispositivos dos computadores estão
em altura acessível aos usuários entre 0,40m e 1,20m de altura do piso, permitindo o alcance
manual.
Dessa forma a BC atende os quesitos de acessibilidade de mobiliário e equipamento
referente aos computadores para consulta disponibilizados aos usuários.

4.2.4 Estantes
A NBR 9050/2004 orienta sobre a disposição das estantes nas bibliotecas, indicando
que as estantes devem estar afastadas numa largura mínima de 0,90m possibilitando que uma
pessoa em cadeira de rodas possa circular entre as estantes. Este quesito de acessibilidade é
parcialmente atendido pela BC.
As estantes da BC estão afastadas entre si numa distância de 0,90m, porém nas
extremidades das estantes há barras metálicas que diminuem a distância no início e final de
cada estante. Outro quesito atendido parcialmente pela BC é referente à altura da disposição
dos livros nas estantes. De acordo com a NBR 9050/2004, os livros devem estar distribuídos
na altura máxima de 1,20m para que assim fiquem ao alcance manual dos usuários. N a BC, as
estantes possuem livros dispostos numa altura superior à 1,20m do piso.
Apesar destes quesitos parcialmente atendidos, a BC atende os quesitos sobre os
corredores entre as estantes, pois a cada 15m de corredor é necessária uma área de circulação
que permita a manobra de cadeiras de rodas. Na BC há áreas de circulação entre os
corredores, permitindo que usuários em cadeira de rodas possam manobrar e circular com
autonomia na biblioteca.

688

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas universitárias para que possam contribuir efetivamente na transmissão e
construção de conhecimento nas universidades, precisam oferecer ambientes acessíveis para
seus usuários. E isso ocorre por meio da acessibilidade arquitetônica e acessibilidade de
mobiliário e equipamentos nas bibliotecas. A acessibilidade arquitetônica e de mobiliário e
equipamentos é uma exigência legal que as bibliotecas devem cumprir, e a NBR 9050/2004
serve como norteador das orientações de acessibilidade para que o ambiente seja acessível.
De acordo os dados analisados, é possível concluir que a BC da Universidade é uma
biblioteca acessível, pois atende a maioria dos quesitos de acessibilidade em seu ambiente
dessa forma contribuindo para que todos tenham acesso à biblioteca e, consequentemente,
acesso à informação e à inclusão social.

REFERÊNCIAS

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edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
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690

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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O estudo verifica como ocorre a acessibilidade arquitetônica e física e acessibilidade de mobiliário e equipamentos em uma biblioteca de uma Universidade Pública Federal no Estado do Rio Grande do Sul. Apresenta o conceito de biblioteca universitária e biblioteca acessível para embasamento teórico. Desenvolve uma pesquisa exploratória com abordagem qualitativa e utiliza uma lista de verificação chamada Instrumento de Avaliação das Condições de Acessibilidade em Bibliotecas e observação para obter os dados necessários para a análise das condições de acessibilidade presentes na biblioteca do estudo. Aponta os quesitos de acessibilidade arquitetônica e física em seus ambientes que são atendidos ou não pela biblioteca. Conclui que o respeito à legislação brasileira e o atendimento às diretrizes das Normas Brasileiras Técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas são fundamentais para que as bibliotecas sejam acessíveis para todas as pessoas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

OS DEZ TÍTULOS DE PERIÓDICOS CIENTÍFICOS INTERNACIONAIS MAIS
CITADOS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECONOMIA NO
PERÍODO DE 1981-2009 SEGUNDO O FATOR DE IMPACTO
Carla Daniella Teixeira Girard
Erik André de Nazaré Pires
Cristiane Marina Teixeira Girard

RESUMO
Apresenta o contexto de periódicos científicos (histórico, conceitos, funções entre outros),
também descreve sobre a Ciência da Informação e Biblioteconomia. Aborda alguns critérios
de avaliação de periódicos científicos existentes na literatura, e através deles analisa como os
mesmos foram adotados em diferentes estudos. Identifica os principais periódicos de Ciência
da Informação e Biblioteconomia presentes na Web o f Science, segundo o fator de impacto,
analisando sua descrição, temática e sua continuidade. Utilizou-se para descrever os títulos o
CCN, o portal de periódicos da Capes, o site da própria publicação seriada e a base em
questão. Revela a realidade na pesquisa científica em âmbito internacional referente a
periódicos científicos, e importância deste trabalho para agregar valor para a área.
Palavras-chave: Periódicos científicos. Critérios de avaliação. Ciência da Informação.
Biblioteconomia.

ABSTRACT
It approaches the context of scientific journals (history, concepts, functions, etc.), also
describes on Information Science and Library Science. Discusses some criteria for evaluating
scientific journals in the existing literature, and through them looks like they have been
adopted in different studies. Identifies the main journals of Information Science and Library
Science in Web of Science gifts, according to the impact factor, analyzing your description,
theme and continuity. Was used to describe the CCN titles, the journal portal Capes, the site
of serial publication itself and the base in question. Reveals the reality in scientific research at
the international level regarding scientific journals, and importance of this work to add value
to the area.
Keywords: Scientific journals. Evaluation criteria. Information Science. Librarianship.

4382

�1 Introdução
Os periódicos científicos desde seu surgimento constituem um dos principais
suportes de comunicação da ciência entre pesquisadores, estudantes, entre outros.
Consolidam-se como um dos veículos disseminadores de informações que apresentam
elementos essenciais para divulgação e evolução da ciência, também considerado eficiente,
devido sua publicação periódica, por sua produção e disseminação estar vinculada a diversas
atividades de pesquisa. Este recurso também proporciona a recuperação e mantém o público
atualizado sobre as informações científicas e tecnológicas, caracterizam e diferenciam as
áreas do conhecimento.
O periódico com o passar dos anos foi se consolidando no meio científico e assim
evoluindo, adaptando-se as novas necessidades de interatividade e de informações para a
comunidade científica, considerando os avanços tecnológicos, e se permitindo ser mais
acessível em diversos formatos, inclusive eletrônico aumentando a sua disponibilidade e
importância na ciência.
A avaliação dos periódicos é uma necessidade organizacional identificada na
literatura, seja para atingir metas de qualidade da produção científica, seja para justificar o
processo de disseminação da informação.
O periódico científico sustenta-se no propósito da validação do mérito e do método
científico, ou seja, no qual um artigo tem que ser analisado e aprovado pelos pares para ser
publicado, em um processo conhecido por revisão de pares (peer review). Além dessa
primeira abordagem de avaliação, muitos critérios foram idealizados e usados para avaliar e
selecionar periódicos, que foram desenvolvidos por instituições produtoras de bases de dados
e agências de pesquisa e de ciência e tecnologia, para avaliação em um contexto completo.
Assim, esse estudo visa abordar o modo como os periódicos científicos estão sendo avaliados
dando ênfase na qualidade, contribuindo para a divulgação do conhecimento e para o
aprimoramento da produção científica.
O presente trabalho tem como objetivo identificar os periódicos científicos
internacionais da área de Ciência da Informação e Biblioteconomia indexados na Web o f
Science, segundo o critério de fator de impacto. Além disso, pretende-se destacar a
importância do JCR e do fator de impacto, como critério de avaliação de periódicos,
apresentar os diversos critérios de avaliação de periódicos e mostrar a relevância da avaliação
dos periódicos para a produção científica.

4383

�2 Metodologia

Foi realizado uma pesquisa descritiva para demonstrar a situação em que se
encontram as publicações científicas existentes na área de Ciência da Informação e
Biblioteconomia. Pesquisa exploratória, por ser um estudo novo, na Faculdade de
Biblioteconomia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Também estudo qualitativo
porque investigou o nível de qualidade dos periódicos dessa área segundo os critérios
avaliativos adotados para as publicações presentes na Web o f Science. Utilizou o JCR a fim de
coletar informações sobre fator de impacto.
Em relação aos procedimentos, primeiramente, foi feito uma seleção e exame do
material bibliográfico referente ao assunto proposto, considerando assim uma pesquisa do tipo
bibliográfica, porque apresentou uma análise por meio do referencial teórico expondo os
principais trabalhos científicos sobre avaliação de qualidade e fundamenta o estudo de
publicações científicas.
Posteriormente, pesquisou-se no JCR os títulos mostrados de periódicos na área da
Ciência da Informação e Biblioteconomia, os quais foram pesquisados por meio do fator de
impacto, através do ranking de periódicos do JCR, analisando sua posição, sua descrição e
quais mudaram de título.
A pesquisa obedeceu as seguintes etapas:
a) obtenção dos títulos obteve-se a relação dos títulos de Ciência da Informação e
Biblioteconomia com a seguinte estratégia: acessou-se a base Web o f Science, com os
seguintes passos: addicional resources; science watch; scy-bytes archive; apareceu o período
de 2008 a 2011, foi feito uma busca em cada mês de um determinado ano desse período, e foi
encontrada a relação mais recente na área em questão referente a agosto de 2010.
Com a relação dos títulos passou-se a etapa seguinte: b) descrição dos títulos: usouse para descrever o CCN, que é um catálogo de acesso público a periódicos nacionais e
internacionais cujas coleções encontram-se em bibliotecas brasileiras. O portal de periódicos
da Capes que reúne conteúdo científico. Com o uso do site do próprio periódico científico. E
também através da Web o f Science, por meio dos seguintes passos:
1- Select a Database;
2- Journal Citation Repourts;
3- selecionar Search for a specific journal e clicar em submit;

4384

�4-

aparece uma tela que realiza Journal seach, pesquisando sobre o periódicos

através do título ou de outros elementos.
Posteriormente, com a identificação do titulo aparece sua descrição e seu fator de
impacto, esses instrumentos são importantes para identificar: data inicial, país de origem, se
cessou e/ou mudou de título.
c) apresentou-se as três colunas com os periódicos que destacam-se por suas citações
e posteriormente, foi feito o desmembrado das colunas da direita para a esquerda e realizou-se
uma comparação entre elas no período de 1981 a 2009 para verificar títulos emergentes, os
que não são mais citados, quais continuam sendo publicados e, finalmente os dez mais citados
em Biblioteconomia e Ciência da Informação segundo o fator de impacto em 2009.

3 Referencial teórico
Os periódicos são recursos importantes para produção do conhecimento contribuindo
para a disseminação da informação científica, para a evolução da ciência e da tecnologia.
Conforme aborda Dias (2006, p. 51):

[...] Os periódicos constituem um importante canal no âmbito da
comunicação formal: em muitas áreas, como nas ciências naturais, exatas e
da vida, são indubitavelmente o principal; em outras, como nas ciências
sociais e humanas, dividem com os livros esse posto, sendo muitas vezes
suplantado por esses [...]
Observando a etimologia da palavra o termo “periódico” é de origem latina
denominada de periodus, cujo significado é espaço de tempo. E no latim temos a palavra
publicação que vem de publicatione, no qual é o ato ou efeito de publicar. Nesse sentido,
percebemos que o periódico foi idealizado para publicar informações com uma necessidade
de frequência regular (FACHIN; HILLESHEIM, 2006, p. 19-20).
Meadows (1999, p. 8) suplementa esse sentido do termo periódico com a seguinte
afirmação:
[...] Entrou em uso comum na segunda metade do século XVIII e se refere a
qualquer publicação que apareça a intervalos determinados e contenha
diversos artigos de diferentes autores. Para tornar ainda mais confusa à
questão, a palavra serial [seriado ou publicação seriada] apareceu no século
XIX para designar qualquer publicação editada em partes sucessivas e
conexas. Em geral, journals (e magazines) são periódicos, mas
principalmente em humanidades há publicações seriadas que desempenham
muitas das funções de um journal. Essas flutuações dos significados das
palavras não são exclusivas da língua inglesa. Em alemão, por exemplo, os
primeiros journals eram muitas vezes designados pela palavra Zeitung. Esta

4385

�veio posteriormente a ser mais associada com jornais e, a partir do século
XIX, a palavra Zeitschrift passou a ser preferida nos títulos de revistas
científicas.
Assim, compreende-se que periódicos são publicações seriadas devido à sua
abrangência, a indicação numérica e sua atribuição de ser destinada a continuidade.
Entretanto, os periódicos apresentam características próprias, como serem feitos em partes ou
fascículos, reunido sobre um título, editado seguindo intervalos regulares, composto por
numeração progressiva ou cronológica, com o propósito de ser contínuo, artigos assinados por
autores, e sob a direção de editores para avaliação e orientação do seu conteúdo.
Machlup et al (1978 apud STUMPF, 1998, p. 2-3):
Dividem os periódicos em dois grandes grupos, de acordo com o tipo de
leitores a que se destinam: os dedicados aos leitores gerais e não
especializados, são os “magazines”, em inglês, e os dedicados aos leitores
especialistas em determinadas áreas ou interessados no tratamento
intelectualizado de um assunto, são os “journals”. Isto significa que os
“magazines” são entendidos como publicações que apresentam contribuições
não científicas, enquanto os “journals” são, por definição, publicações
científicas. Em português, na falta de termos mais apropriados, os
“magazines” são conhecidos por revistas e os “journals” podem ser
denominados tanto por “revistas científicas” quanto por “periódicos
científicos”.
Destacam-se como as principais funções dos periódicos científicos são:

x

Registro público do conhecimento, pois este recurso permite o registro e a

preservação do conhecimento elaborado pelo homem;

x

Função social, pois permite que os responsáveis por sua produção (autores,

editores, etc) tenham reconhecimento e por contribuir com o acesso do conhecimento
à sociedade;

x

É um canal de comunicação que promove a integração entre os pesquisadores,

e serve para o desenvolvimento científico da área e do país em que se insere;

x

Fundamentação da ciência “certificada”, pois a produção do conhecimento

científico é avaliado para posterior publicação, recebendo aval da comunidade
científica;

x

Serve como arquivo ou memória científica do conhecimento;

Assim, percebe-se que os periódicos científicos são de suma importância, porque é
um veículo de comunicação onde aborda a produção do conhecimento e a divulgação do
mesmo, tornando-o reconhecido os autores e os outros responsáveis por sua produção.

4386

�Também servindo para abordar novas vertentes de pesquisas, além de outras peculiaridades
permitindo consolidar o desenvolvimento da ciência.
Conforme Machado (1996, p. 74):
[...] a função de documentar a produção acadêmica e datá-la, de modo a
constituir uma espécie de memória dos momentos mais importantes de
determinado campo do saber. Em geral, é com base na documentação das
revistas que se pode avaliar o pioneirismo de uma pesquisa ou precisar o
momento em que uma questão foi formulada pela primeira vez. [...]

Usando por base nos estudos de Yamamoto (2002), Ferreira e Kryzanowski (2003),
Fachin e Hillesheim (2006); Gonçalves, Ramos e Castro (2006), Bonfá et al (2006) e Palheta
(2007) . Estes autores levantaram na literatura alguns tipos de critérios existentes para análise
de avaliações de periódicos, no qual serão explanados a seguir:
Quanto ao critério de publicação, temos:
Tempo de publicação ou de existência - número de anos que o periódico vem
sendo publicado. Os periódicos mais antigos são mais valorizados.
Regularidade da publicação - um dos critérios mais importantes na avaliação dos
periódicos científicos, pois divulga a correspondência entre o ultimo número de fascículo
publicado e a data da devida entrega do periódico a comunidade científica. Serão
consideradas regulares as publicações que se enquadram com a sua periodicidade proposta
segundo seus regulamentos. Por exemplo, uma revista quadrimestral deverá ter entregue os
quatro números referentes ao ano 2011 e os dois primeiros números de 2012.
Periodicidade - este indica o fluxo da produção científica, atrelando à área
específica adotada pelas publicações periódicas. Recomenda-se que o periódico seja no
mínimo quadrimestral, e dependendo da área pode ser trimestral.
Quanto ao critério de autoridade/gestão editorial, temos:
Comissão executiva - grupo de pessoas analisam questões administrativas e
políticas do periódico. Os nomes dos que fazem parte desse grupo ficam listados nas
primeiras páginas com a denominação de Comissão Editorial, ou devendo constar em uma
listagem dos cargos do quadro executivo (editor, editores associados ou assistentes, secretário,
tesoureiro).

4387

�Editor responsável - responsável técnico da publicação indicado nas primeiras
páginas do periódico.
Diversidade do Conselho Editorial/Científico (reconhecida contribuição na
área) - este composto do Conselho Editorial no grupo de pesquisadores, eleito ou escolhido,
prestando assistência ao editor a tomar decisões sobre os manuscritos a serem publicados. Os
nomes completos dos participantes devem ter os respectivos cargos e vinculação institucional.
Podendo ser consultado com frequência e formado por profissionais reconhecidos nas áreas
nos quais o periódico publica.
Abrangência

geográfica

do

Conselho

Editorial/Científico

(reconhecida

contribuição na área) - o Conselho Editorial deve ser composto por pesquisadores com três
ou mais instituições de pelo menos duas unidades da federação, além daquele de origem do
periódico.
Consultores externos - por pelo menos uma vez por ano, os periódicos devem
publicar uma lista com os pesquisadores externo ao Conselho Editorial, consultados durante o
processo editorial dos manuscritos.
Critérios de arbitragem - detalhes informando aos autores potenciais sobre como
ocorre o processo editorial no qual seu manuscrito será submetido.
Quanto aos critérios de elementos telemáticos, temos:

Os elementos telemáticos são formatos e recursos tecnológicos usados na elaboração de
periódicos científicos on-line. Esse critério busca contribuir como controle de acesso, difusão
e com as ferramentas interativas. No Brasil, não existe norma que respalde esses elementos.
Como constatam Fachin e Hillesheim (2006, p. 128) pois, basearam-se nas recomendações
ergonômicas e de usabilidade do Laboratório de Utilizabilidade da Informática (LablUtil).

Quanto aos critérios editoriais de avaliação, temos:

Como anteriormente descrito no texto o sistema de avaliação da produção científica
que são o sistema de arbitragem (peer review ou refere system) usa o sistemático de árbitros
no assessoramento dos manuscritos referente à sua aceitação quando submetidos para
publicação (PALHETA, 2007, p. 570).

4388

�A transformação do print - o relato impresso, sem a competente avaliação
dos pares - em publication - manuscritos legitimados pela leitura crítica dos
pares, mediante avaliação institucionalizada e assinada por revisores
competentes - dá início ao processo processo de avaliação (Zuckermann;
Merton, 1971 apud Pessanha, 1998,p. 226).

Atualmente é cada vez mais essencial a preocupação da qualidade da produção
científica tanto trabalhando com a forma como com o conteúdo, assim a avaliação se dedica
ao controle com a ética. Então, alguns periódicos adotam códigos de ética para estabelecer o
comportamento dos pesquisadores no emprego dos papéis de autores, avaliadores e editores.
Como aborda. Pessanha ( 1998, p.228):
[...] o sistema de avaliação da literatura científica envolve,além dos aspectos
de forma e conteúdo, problemas éticos. Apesar das conhecidas críticas, o
sistema de arbitragem desempenhou, e vem desempenhando,um papel
crucial no desenvolvimento da ciência [...]

Dois personagens na avaliação são essenciais os: autores e avaliadores. O primeiro
responsável pelo início e fim do processo do trabalho científico e o segundo assessoria esse
processo.

Quanto aos critérios de avaliação de adotados por bases de dados e pelo Qualis, temos:

Neste trabalho foram selecionados as principais bases de dados bibliográficas, de
texto completo, de citações e de periódicos, com diferentes áreas do conhecimento e
informam seus critérios e procedimentos adotados na seleção.(GONÇALVES, RAMOS,
CASTRO, 2006).
No âmbito internacional destaca-se a Embase (Excerpta Medica), Eric (Education
Resources Information Center), LILAS (Literatura Latino-Americana e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde), Medline (Index Medicus e bases especializadas), PsyCinf,
Sociological Abstracts, ScieElo-Scientific Electronic Library Online, Science Citation
Indexes, Journal Citation Reports e Web o f Science, do Institute for Sientific Information
(Thomson ISI) e Latindex. No âmbito nacional destaca-se o programa Qualis-Capes e o
programa de Auxílio a Publicações científicas - CNPq.

4389

�Com este levantamento percebe-se o critério mais usado é a seleção para indexação
do conteúdo científico e depois seguem outros critérios. Como mostra o quadro a seguir:
Quadro 1 - Resumo com os critérios de avaliação de periódicos pelas bases de dados.
Per
iod
icid
ade

EMBASE
ERIC
LILACS
MEDLINE
PsycInfo
Sociologica
l Abstracts
SciElo1
Thomson
ISI2
Latindex3

Du
raç
ão

X
X
X

X

X
X

X

X

X

No
rm
aliz
açã
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X
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X
X

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bal
ho
edit
ori
al
X

Ind
exa
ção

Endo
geNia

Bib
lio
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Co
nte
údo

tria

X
X
X

X

X

X
X

X

X

X
X

X

X

X

X
X
X
X
X
X
X
X

Re
vis
ão
por
par
es
X
X
X
X
X

Cor
po
edi
ori
al

X
X
X

X
X

X
X

X

X

X

X

Fonte: Gonçalves, Ramos e Castro (2006, p. 180).
*somente para análise de permanência
1 Base de dados de texto completo e de citações
2 Base de dados de citações
3 Base de dados de revistas

Foi necessária uma explanação mais ampla do Qualis/ Capes devido sua presença
constante nos textos sobre avaliação de periódicos científicos. O Qualis/Capes é considerado
um veiculo de divulgação da produção científica evidenciando a publicação de títulos
nacionais com base na circulação local, nacional e internacional; os periódicos que
apresentam textos completos e os de acesso gratuito. Expressa através de conceitos a analise
dos periódicos científicos. Como esclarece Souza e Paula (2002 apud GONÇALVES;
RAMOS e CASTRO, 2006, p. 183):
O Programa Qualis (http://www.capes.gov.br/) é parte do sistema de
avaliação dos programas de pós-graduação conduzindo pela CAPES, e tem
como objetivo classificar as revistas utilizadas para a divulgação da
produção intelectual de docentes e alunos de pós-graduação, a fim de
enquadrar as publicações em categorias indicativas de sua qualidade
científica (A, B e C) e âmbito de circulação (local, nacional, internacional),
de acordo com critérios definidos por uma comissão de área, formada por
especialistas da comunidade.

4390

�Acredita-se que o princípio do fator de impacto (FI) começou por volta de 1955,
sendo expresso em um artigo na Science por Eugene Garfield, mas só após algum tempo
passou a ser mais difundido. Como esclarece em Sthehl (2005, p. 20): Contudo, foi no início
da década de 60 que, na prática, o FI foi utilizado como instrumento de avaliação de
qualidade das publicações. Garfield e Irving H. Sher (1963) [...].
Este desde seu surgimento proporciona através de seus índices de citações o acesso
às pesquisas no ISI impresso, em CD-ROM ou pela internet. Trabalha selecionando
periódicos de diversas áreas do conhecimento, impressos ou eletrônicos, visando manter uma
cobertura internacional dos periódicos da maior importância e influência. Os periódicos
passam constantemente por revisões, a fim de assegurar o padrão de qualidade e a relevância
dos títulos indexados pela base. Estes procedimentos de seleção e revisão são realizados por
profissionais especializados em sua área de atuação, e também contam com o auxílio de
consultores externos, quando necessário (GONÇALVES; RAMOS; CASTRO, 2006, p. 182).
Um dos modos de análise de periódicos científicos considerados por muitos é o
número de citações, esta servindo de evidência de que periódico está sendo lido e seus artigos
são considerados e causam influência perante a comunidade científica. Para que os usuários
façam uma comparação entre as publicações científicas, e conhecerem aquelas de maior
importância em uma determinada área temática.
Esse tipo de avaliação tomando por base, o fator de impacto das publicações
científicas é fundamentado no campo da bibliometria e cientometria com a análise de citações
de artigos e cada vez mais está difundido nas comunidades científicas.
Segundo Tague-Sutcliffe (1992, p. 1 apud STREHL, 2005, p. 19):

Bibliometria é o estudo dos aspectos quantitativos da produção,
disseminação e uso da informação registrada. Desenvolve padrões e
modelos matemáticos para medir esses processos, usando seus resultados
para elaborar previsões e apoiar tomadas de decisão. Cientometria é o
estudo dos aspectos quantitativos da ciência como uma disciplina ou
atividade econômica. A cientometria é um segmento da sociologia da
ciência, sendo aplicada no desenvolvimento de políticas científicas. Envolve
estudos quantitativos das atividades cientítificas, incluindo a publicação e,
portanto, sobrepondo-se à biblionmetria.

O pesquisador Eugene Garfield, atualmente considerado um dos fundadores da
bibliometria e da cienciometria, responsável pela criação do fator de Impacto. Este firmou-se
como recurso básico para avaliação das publicações científicas em diversas instâncias, sendo
calculado anualmente por meio do Institute of Scientific Information (ISI) para os periódicos
presentes em sua base de dados, e publicado pelo Journal Citation Reports (JCR) com base na

4391

�razão entre o número de citações no presente ano de um periódico e o os últimos dois anos e
os artigos (itens fontes) publicados pelo periódico nesses dois anos.
Este procedimento pode ser entendido como (THOMSON REUTERS, [200-?]):

O fator de impacto é uma medida da frequência em que a média dos artigos
de uma revista foram citados em um determinado ano ou período. É um dos
instrumentos de avaliação fornecidos por Thomson Reuters Journal Citation
Reports ® ( JCR ®).anual Journal Citation Reports fator de impacto é uma
relação entre as citações e últimos itens citáveis publicados: fator de impacto
de uma revista é calculado dividindo-se o número das citações do ano
corrente pela fonte de itens publicados em uma revista durante os dois anos
anteriores.
O fator de impacto, criado com o objetivo de desenvolver a seleção dos periódicos a
serem indexados pelo ISI. Este é considerado conforme a disciplina ou área temática do
periódico. Os periódicos são distribuídos de acordo com o número de citações que recebem e
seu fator de impacto. Segundo (FEREIRA, 2005, p. 284), esse fator pode ser entendido como:
^

a medida da influência de uma publicação, a partir das citações de artigos que

ela recebe ao longo de um espaço de tempo e num dado universo de revistas.
^

medida do valor relativo na curva de citações de revistas de determinada área

do conhecimento.
O fator de impacto é calculado, dividindo-se o número de citações que uma revista
recebe para artigos publicados nos dois, três ou cinco anos anteriores ao ano em cálculo pelo
número de artigos publicados nos mesmos anos. Estudos recorrendo à bibliometria,
cientrometria ou infometria também possibilitam melhor compreensão sobre o universo
documental aos editores e revistas. Como pode se observar pela figura 1 abaixo:

Tabela 1. Fórmula de cálculo do Fator de Impacto anual
FI do ano X = N° de citações do periódico obtidas nos dois
anos anteriores
artigos (substanciais*) publicados nos dois anos anteriores
Fonte - Ruiz, Grego e Braile (2009,p. 274).

O indicador fator de impacto estar relacionado com diversas variáveis, que
caracterizam os diversos campos do conhecimento, mostrando as diferenças entre as áreas
como: circulação do periódico, números de artigo por autores, identificação das áreas de

4392

�pesquisas, entre outras. Considera-se as principais variáveis do FI a obsolescência e a
densidade dos artigos (STREHL, 2005).

Quadro 2- Exemplo do cálculo de fator de impacto do periódico Nature em 1998.
Periódico:
Fator de Impacto:
N0de citações recebidas em 1998
Para os artigos publicados em:

Nature
28,833
1996
1997
96+97
1996
1997
96+97

N0de artigos publicados em:
Cálculo:
Citações recebidas/Número de artigos

27,999
24,505
52,504
885
936
1.821

52.504/1.821
=28,833

Fonte - Journal Citation Reports (apud STREHL, 2005, p. 21).

Outros indicadores publicados no JCR apresentam características para esse quesito,
que são (STREHL, 2005, p. 22):
49. a velocidade com que os novos conhecimento são incorporados à literatura, medida
pelo ISI por meio do índice de citação imediata (ICI);
50. o ritmo de envelhecimento da literatura, representando a meia-vida (MV) das
citações.

Através da citação imediata (ICI) entende-se como o número de vezes que um artigo
de

um

determinado

periódico

quando

citado

no

decorrer

do

seu

ano

de

publicação.(JOURNAL CITATION REPORTS apud STREHL, p. 22).
Percebemos a vida média (MV) de suas citações. Isto significa que o periódico chegou à
metade de sua vida útil no meio científico.
Através da vida média também pode proporcionar a indicação da influência dos
periódicos presentes no ISI, mesmo que sejam menos difundidos que o fator de impacto. A
densidade de uma publicação periódica pode ser definido com o número obtido pelas
referências citadas por artigos de um determinado periódico. (STREHL, 2005, p 23 e 25).
A Ciência da Informação é um campo do conhecimento muito recente, portanto sua
estruturação

apresenta-se

em

construção.

Existem

diversas

abordagens

sobre

a

conceitualização do que seria essa nova área do conhecimento. Podemos demonstrar alguns
conceitos na literatura.
Para Borko (1968 apud OLIVEIRA, 2005, p. 16) a Ciência da Informação pode ser
entendida como a área que atua investigando as propriedades e o comportamento

4393

�informational, e facilitando o processo de acesso e uso da informação. Oliveira (2005, p. 16)
entende como um campo voltado para questionamentos científicos e à prática profissional,
buscando evidências a comunicação do conhecimento humano em seu contexto social,
cultural, institucional ou individual da utilização e suas necessidades informacionais.
Para o (CNPq. AVALIAÇÃO E PERSPECTIVA, 1983, p. 52 apud OLIVEIRA,
2005, p. 17):
Ciência da Informação designa o campo mais amplo, de propósitos
investigativos e analíticos, interdisciplinar por natureza, que tem por objetivo
o estudo dos fenômenos ligados à produção, organização, difusão e
utilização de informações em todos os campos do saber.

Enquanto a Biblioteconomia vem da palavra biblioteca origina-se do termo grego
Bibliotheke, fruto da junção das palavras gregas, que são biblio e teca, cujos sentidos,
respectivamente, livro e depósito. Considera-se assim a biblioteca como um depósito de livros
(CUNHA, 1997 apud SANTOS, 2010, p. 1). Como é um espaço de preservação dos
conhecimentos gerados pela humanidade a partir de diferentes sociedades.
Analisando o contexto histórico das Bibliotecas, percebemos que sua história
acompanha a história da escrita e o modo de armazenamento do conhecimento. Sabe-se de
relatos sobre bibliotecas na Antiguidade, destacou-se nesse período a Biblioteca de
Alexandria. Enquanto na Idade Média, existiam as bibliotecas dos mosteiros, de ordens
religiosas, as de universidade e as particulares.
Desde seu surgimento até meados do tempo da renascença as bibliotecas estavam
vinculadas com a imagem com o objetivo de salvaguardar os acervos, geralmente
pertencentes a eruditos (sacerdotes, membros da religiosos, figuras da elite), onde seu acesso
era restrito ao grande público. A partir da invenção da imprensa por Gutenberg em 1452, o
cenário referente à biblioteca modificou-se a produção e o armazenamento do conhecimento.
Possibilitando a democratização das informações, fazendo aumentar a importância da
biblioteca. (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005, p. 33).
No Brasil a sua origem começa a partir da presença de ordens religiosas enviadas ao
país. Como aborda Araújo e Oliveira (2005, p. 34):

No Brasil, as primeiras bibliotecas foram criadas por ordens religiosas. A
ordem dos jesuítas foi a mais atuante. Em 1549, fundou a Companhia de
Jesus, organização que objetivava catequizar índios e colonos. Nas escolas
daquela Companhia os padres criavam bibliotecas que, aos poucos, se
tornaram as melhores e mais numerosas.[...]

4394

�A Ciência da Informação e a Biblioteconomia possuem áreas de atuação muito
próximas, só que essas duas áreas apresentam paradigmas diferenciados. As duas áreas
precisam atuar juntas para a disseminação de informações, compondo novos conhecimentos.

4 Análise de dados

A partir da consulta na Web o f Science, foi extraído o quadro que apresenta o ranking
dos periódicos referentes à Ciência da Informação e Biblioteconomia abaixo:

Quadro 3 - Títulos mais citados em vinte e oito anos.
Ran
k
1
2

3

4

5

2009 Impact Factor

Impact 1981-2009

Impact 2005-09

MIS
Quarterly
(4.49)
J. American Medical Informatics
Association
(3.97)
Journal of Computer-Mediated
Communication
(3.64)
Journal
of
Informetrics
(3.38)

MIS
Quarterly
(10.33)
J. American Medical
Informatics Association
(6.20)
Information
Systems
Research
(5.31)
Annual
Review
of
Information Science &amp;
Technology
(5.09)
Annual
Review
of Journal
of
Health
Information Science &amp; Technology Communication
(2.93)
(4.17)
Information
Management
(4.11)

&amp;

6

Int.
J.
Computer-Supported
Collaborative
Learning
(2.69)

7

J.
American
Society
for Journal of Management
Systems
Information Sci. &amp; Technology Information
(2.30)
(3.86)
Information
&amp;
Management Scientometrics
(2.28)
(3.43)

8

9

10

J.
of the
Information
(2.25)
Scientometrics
(2.17)

Association
for Journal of Informetrics
Systems (3.24)
J. American Society for
Information
Sci.
&amp;
Technology
(3.14)

MIS
Quarterly
(41.81)
Knowledge Acquisition
(31.57)
Information
Systems
Research
(27.93)
Int. J. of Geographical
Information
Systems
(18.33)
Journal of the American
Society for Information
Science
(15.92)
Annual
Review
of
Information Science &amp;
Technology
(13.05)
Journal of Management
Information
Systems
(11.49)
Int. J. of Computer &amp;
Information
Sciences
(11.21)
Journal
of
Documentation
(10.84)
Information
&amp;
Management
(9.69)

Fonte - Sci-Bytess, 2010.

4395

�De acordo com o quadro acima descrito foi necessário desmembrar as colunas para
melhor análise e descrição dos periódicos, primeiramente foi verificado os títulos no ranking
nos últimos vinte oito anos.

Quadro 4 - Relação e descrição dos títulos de impacto de 1981-2009.
Rank
1

2

3

4

5

6

7

8

Impact 1981-2009
MIS Quarterly
(41.81)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1977
Knowledge Acquisition
(31.57)
- País de origem: Inglaterra
- Data inicial: 1989
Information Systems Research (27.93)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1990
Int. J. of Geographical Information Systems
(18.33)
- País de origem: Inglaterra
- Data inicial: 1987
Journal of the American Society for Information
Science (15.92)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1950
Annual Review of Information Science &amp;
Techonology (13.05)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1966
Journal of Managemente Information Systems
(11.49)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1984
Int. J. of Computer &amp; Information Sciences (11.21)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1972

Observações

Absorvido por: International Journal of
Human Computer Studies

Absorv. por: International Journal of
Geographical Information Science

Cont. por: Journal of the American
Society for Information Science and
Techonology

Cont. por: International Journal of
Parallel Programming

9

Journal of Documentation (10.84)
- País de origem: Inglaterra
- Data inicial: 1945
10
Information &amp; Management
(9.69)
- País de origem: Holanda
- Data inicial: 1977
Fonte - Adaptação da autora com base nas informações no Portal da Capes, CCN e ISI Web of Knowledge.

Através das informações do quadro 7 podemos comparar o fator de impacto de 2005­
09 com os títulos de 1981-2009.

4396

�Quadro 5 - Comparação dos títulos com fator de impacto e descrição de 2005-09 e os títulos de 19812009.
Rank
Impact 1981-2009
Impact 2005-09
Observações
Observações
1

MIS Quarterly
(10.33)
J. American Medical
Informatics
Association (6.20)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1994

Mesma posição

3

Information Systems
Research (5.31)

Mesma posição

4

Annual Review of
Information Science &amp;
Technology
(5.09)

No período
1981-2009
estava na 6a
posição

5

Journal of Health
Communication (4.17)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1996

Título novo

6

Information &amp;
Management (4.11)

No período
1981-2009
estava na 10 a
posição

7

Journal of
Management
Information Systems
4(3.86)

Mesma posição

8

Scientometrics (3.24)
- País de origem:
Holanda
- Data inicial: 1978
Journal of Informetrics
(3.24)
- País de origem:
Holanda
- Data inicial: 2007
J. American Society
for Information Sci. &amp;
Technology
(3.14)

Título novo

2

9

10

Título novo

Título novo

No período
1981-2009
estava na 6a
posição

MIS Quarterly
(41.81)
Knowledge
Acquisition
(31.57)

Information
Systems Research
(27.93)
Int. J. of
Geographical
Information
Systems
(18.33)
Journal of the
American Society
for Information
Science
(15.92)
Annual Review of
Information
Science &amp;
Technology
(13.05)
Journal of
Management
Information
Systems
(11.49)
Int. J. of Computer
&amp; Information
Sciences
(11.21)
Journal of
Documentation
(10.84)

Information &amp;
Management
(9.69)

Mesma posição
Mudou de título e
não consta no
período 2005-09

Mesma posição

Mudou de título e
não consta no
período 2005-09

Mudou de título e
no período 2005-09
foi para 10 a posição

No período 2005­
2009 para 4 a
posição

Mesma posição

Mudou de título e
não consta no
período 2005-09
Título que não
consta no período
2005-09

No período 2005­
2009 para 6 a
posição

Fonte - Adaptação da autora com base nas informações no Portal da Capes, CCN e ISI Web
of Knowledge.

4397

�De acordo, com os dados encontrados no quadro 6, também foi realizada a análise o
fator de impacto dos títulos de 2005-09 e o impacto de 2009.

Quadro 6 - Comparação dos títulos com fator de impacto 2005-09 e impacto e a descrição de
títulos de 2009.
Rank

Impact 2009

1

MIS
Quarterly Mesma posição
(4.49)
J. American Medical Mesma posição
Informatics
Association (3.97)

MIS
Quarterly Mesma posição
(10.33)
J. American Medical Mesma posição
Informatics
Association (6.20)

Journal of Computer- Título novo
Mediated
Communication(3.64)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1995
Journal of Informetrics No período 2005-09
(3.38)
estava na 9 a
posição

Information Systems
Research (5.31)

Título que não
consta no período
2009

Annual Review of
Information Science
&amp;
Technology
(5.09)
Annual Review of No período 2005-09 Journal of Health
Information Science &amp; estava na 4 a Communication
Technology
posição
(4.17)
(2.93)
Int. J.
Computer- Título novo
Information
&amp;
Supported
Management (4.11)
Collaborative
Learning(2.69)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 2006

No período 2009
para 5 aposição

J. American Society for
Information Sci. &amp;
Techonology
(2.30)
Information
&amp;
Management
(2.28)
J. of the Association
for
Information
Systems
(2.25)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 2000

No período 2005-09 Journal
of
estava na 10 a Management
Information Systems
posição
(3.86)
No período 205-09 Scientometrics
(3.43)
estava 6 a posição

Título que não
consta no período
2009

Scientometrics
(2.17)

No período 2005-09 J. American Society
estava na 8 a for Information Sci.
posição
&amp; Technology
(3.14)

2

3

4

5

6

7

8
9

10

Observações

Título novo

Impact 2005-09

Observações

Título que não
consta no período
2009
No período 2009
para 8 aposição

No período 2009
para 10 aposição

Journal
of No período 2009
Informetrics (3.24)
para 4 aposição

No período 2009
para 7 aposição

Fonte - Adaptação da autora com base nas informações no Portal da Capes, CCN e ISI Web
of Knowledge.

4398

�Seguindo a sequência, das informações referentes ao quadro 6, foi feito a
comparação do fator de impacto dos títulos dos períodos de 2009 e o de 1981-09, mostrando
através dos dados os novos títulos existentes, os títulos permanentes na mesma colocação e
os que transitaram de posição e os que não constam no ano de 2009.

Quadro 7 - Comparação dos títulos com fator de impacto 2009 e impacto de 1981-2009.
Rank

Impact 2009

1

MIS
Quarterly Mesma posição
(4.49)
J. American Medical Título novo
Informatics Association
(3.97)

2

3

4

5

Observações

Impact 1981-09

Observações

MIS
Quarterly Mesma posição
(41.81)
Knowledge
Título que não
Acquisition
consta no período
(31.57)
2009

Information Systems Título que não
Research
consta no período
(27.93)
2009
Journal of Informetrics Título novo
Int. J. of Geographical Título que não
(3.38)
Information Systems consta no período
(18.33)
2009
Annual
Review
of No período 1981­ Journal
of
the Mudou de título e
Information Science &amp; 09 estava na 6
American Society for no período 2009
Technology
posição
Information Science foi para 7
(2.93)
(15.92)
posição
Int.
J.
Computer- Título novo
Annual Review of No período 2009
Supported Collaborative
Information Science foi para 5
Learning(2.69)
&amp;
Technology posição
(13.05)
J. American Society for No período 1981­ Journal
oi Título que não
Information Sci.
&amp; 09 estava na 5
Management
consta no período
Techonology
posição
Information Systems 2009
(2.30)
(11.49)
Information
&amp; No período 1981­ Int. J. of Computer &amp; Título que não
Management
09 estava na 10
Information Sciences consta no período
(2.28)
posição
(11.21)
2009
J. of the Association for Título novo
Journal
o1 Título que não
Information
Systems
Documentation
consta no período
(2.25)
2009
(10.84)
Journal of Computer- Título novo
Mediated
Communication(3.64)

a

a

6

a

7

a

8

a

9

10

Scientometrics
(2.17)

Título novo

Information
&amp; No período 2009
Management
para 8 posição
(9.69)
Fonte - Adaptação da autora com base nas informações no Portal da Capes, CCN e ISI Web of
Knowledge.
a

Através da análise das informações extraídas constatou-se a permanência do título
MIS Quarterly na primeira posição durante esses vinte e oito anos, sendo publicado há 36

4399

�anos. E o mais antigo é o Journal of the American Society for Information Science, a partir de
2001 denominado Journal of the American Society for Information Science and Techonology
com 63 anos de publicação e que continua no ranking. Os títulos em sua maioria são
originados dos Estados Unidos da América. Outro dado importante e o surgimento de títulos
de origem holandesa, o Journal of Informetrics, o Scientometrics e Information &amp;
Management. Na análise verificou-se a publicação de todos os títulos, todos continuam sendo
publicados mesmo aqueles que não encontram-se mais no ranking.
Outros títulos surgiram no decorrer do tempo, que são, Journal American Medical
Informatics Association, Journal of Computer-Mediated Communication, Journal of
Informetrics, International Journal Computer-Supported Collaborative Learning, Journal of
the Association for Information Systems e Scientometrics na análise do período de 1981 a
2009.
Titulos novos apareceram para representar novas temáticas emergentes, por exemplo,
o Journal of Computer-Mediated Communication, International Journal Computer-Supported
Collaborative Learning e Journal of the Association for Information Systems referente a
coluna dos títulos com maior fator de impacto em 2009 como pode ser observado abaixo.

Quadro 8 - Títulos da coluna com maior fator de impacto em 2009.
Rank
1

2009 Impact Factor
MIS Quarterly
(4.49)
2
J. American Medical Informatics Association
(3.97)
3
Journal of Computer-Mediated Communication
(3.64)
4
Journal of Informetrics
(3.38)
5
Annual Review of
Information Science &amp; Technology
(2.93)
6
Int. J. Computer-Supported Collaborative Learning
(2.69)
7
J. American Society for Information Sci. &amp;
Technology
(2.30)
8
Information &amp; Management
(2.28)
9
J. of the Association for Information Systems
(2.25)
10
Scientometrics
(2.17)
Fonte - Adaptação da autora segundo informações da Thomson Reuters, 2013.

4400

�Os dados presentes nos quadros anteriormente mostrados referente à descrição dos
periódicos podem ser consultados no apêndice contendo mais informações dos mesmos.

5 Considerações finais
Os periódicos científicos são um importante veículo da comunicação formal.
Percebe-se pelo seu conceito, histórico e características o quanto contribuiu e ainda contribui
para o de desenvolvimento da ciência. Deve-se principalmente por assumirem inúmeras
funções, tais como registro público do conhecimento, dando reconhecimento aos autores e
disseminando informações. Fazendo com que as atividades científicas sejam disponibilizadas
de forma rápida e eficaz.
Devido a uma crescente produção científica e a facilidade de acesso as publicações
científicas, sentiu-se a necessidade de criar mecanismos que permitissem a avaliação dos
periódicos científicos, para evitar o plágio em produções, a falta de padronização e a
irregularidade entre outros. Visando contribuir com a qualidade da produção científica.
Existem diversos critérios existentes na literatura com a finalidade de avaliar as
publicações científicas, destacam-se: normalização, circulação, periodicidade, fator de
impacto entre outros. Utilizados por vários autores para analisar a produção científica.
Geralmente, esses quesitos avaliativos são criados e usados por agências de pesquisa e de
ciência e tecnologia, por instituições produtoras de bases de dados, órgãos no geral
responsáveis pelo fomento do conhecimento científico.
O critério evidenciado neste trabalho é o fator de impacto pertencente a Web o f
Science do Institute for Scientific Information (ISI), medindo a frequência dos artigos de um
periódico que foi citado em um determinado período. Através do acesso a Web o f Science, no
Sci-Bytes, identificamos os principais títulos científicos segundo o fator de impacto. Mas, para
análise foi necessário escolher uma área específica, nesse caso o estudo baseou-se na
produção de 2009 dos títulos da Ciência da Informação e Biblioteconomia, pois destacam-se
pelo seu foco na disseminação de informações.
Observou-se que os 10 títulos com maior impacto no período de 1981-2009,
demonstrou a permanência do MIS Quarterly na primeira colocação nesses vinte e oito anos
de avaliação de fator de impacto. Mostrando, que os títulos, como por exemplo: Knowledge
Acquisition, International Journal Geographical Information Systems, International Journal
o f Computer &amp; Information Sciences e Journal o f Management, estes atualmente não
apresentam quantidade de citações substanciais para estar no ranking. Identificando os títulos

4401

�novos que apareceram indicando novas áreas de pesquisa, que são, Journal o f ComputerMediated Communication,

International Journal Computer-Supported Collaborative

Learning, Journal o f the Association for Information Systems, Journal o f Informetrics e
Scientometrics.
Encerra-se este trabalho, com a expectativa que o mesmo possa permitir uma melhor
compreensão dos periódicos científicos para a ciência contemporânea. Pois o periódico
científico é um importante veículo para a produção científica. E mostrar o quanto é necessário
realizar avaliações partindo de vários critérios para manter a qualidade da produção e
contribuir para o desenvolvimento da ciência.

Referências
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origem das bibliotecas. In: OLIVEIRA, Marlene de (Org.). Ciência da Informação e
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4404

�</text>
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                </elementTextContainer>
              </element>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <name>Title</name>
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                <elementText elementTextId="71368">
                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
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            <element elementId="49">
              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="71369">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="41">
              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71370">
                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
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            <element elementId="39">
              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USABILIDADE E ACESSIBILIDADE NOS ESPAÇOS VIRTUAIS DAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS FEDERAIS BRASILEIRAS PARA USUÁRIOS
SURDOS
Claudiana Almeida de Souza Gomes
Marcia Heloisa Tavares de Figueredo Lima

RESUMO
Trata da temática que inclusão do surdo em ambientes virtuais e dos padrões de
acessibilidade e usabilidade como essenciais para o exercício do direito à informação deste
cidadão. Para tanto aborda questões relacionadas à aquisição da linguagem da leitura, do
domínio da escrita, da alfabetização e do letramento para enfatizar a dificuldade encontrada
por este usuário nos ambientes tanto físicos quanto virtuais. Aborda o conceito de direito à
informação co-relacionando com o direito ao acesso a documentos de cunho público, bem
como todo tipo de informação contida em espaços físicos ou não, e que não tenham caráter
sigiloso. Aponta para os ambientes virtuais das bibliotecas federais brasileiras a fim de
verificar pelas recomendações de acessibilidade e heurísticas de usabilidade, se estes
ambientes informacionais proporcionam uma interação com a interface de seus sites que
permitam navegabilidade deste tipo de usuário. Enfoca a questão da legislação como princípio
norteador para que o surdo exerça seus direitos de acesso e uso à informação em todos os
setores de cunho público. O recorte foi realizado nos sistemas de bibliotecas universitárias
federais que agrupem em seu site, todas as unidades de informação das Universidades
Federais pesquisadas, a fim de para mapear se este espaço atende às recomendações e padrões
que permitam o acesso e navegação para inclusão do usuário surdo nos espaços acadêmicos
virtuais.
Palavras-chave: Bibliotecas Universitárias
informação. Direitos dos surdos.

.Acessibilidade.

Usabilidade.

Direito

à

ABSTRACT
It's a thematic of the inclusion of the deaf in virtual environments and standards of
accessibility and usability as essential to the exercise of the right to information of this citizen.
For that addresses issues related to language acquisition of reading, the domain of writing,
literacy and literacies to emphasize the difficulty encountered by this user in both physical
and virtual environments. Discusses the concept of right to information co-relating with the
right to access public documents imprint, as well as all kinds of information in physical space
or not, and have not confidential. Points to the virtual environments of the Brazilian federal
libraries to check the accessibility guidelines and usability heuristics, if these information
environments provide an interaction with the interface of your sites that allow this type of
user navigation. Focuses on the question of law as the guiding principle for the Deaf exercise
their rights of access and use of information in all areas of a public nature. The clipping was
performed in systems that involve federal university libraries on your site, all information

3874

�units of Federal Universities surveyed, in order to map up this space meets the
recommendations and standards enabling access and navigation to include deaf user
academics in virtual spaces.
Keywords: University Libraries. Accessibility. Usability. Right to information. Rights of the
Deaf.

1 Introdução
O tema em que se insere o presente trabalho, diz respeito ao direito de acesso para
surdos em bibliotecas universitárias federais por meio de seus espaços virtuais, considerandose o direito de acesso como uma das manifestações do direito à informação (LIMA et al,
2012, p.6).
A percepção da ausência de profissionais devidamente preparados para o atendimento a
usuários surdos, assim denominado na literatura, por se tratar de indivíduo sem resíduo
auditivo ou com surdez severa ou profunda, (FALCÃO, 2010) em órgãos públicos, chamou à
atenção para as fontes que tratam o assunto para que essa investigação tomasse corpo. As
bibliotecas universitárias devem estar preparadas para atender às reais necessidades de
informação desses cidadãos, não somente pela imposição da lei e dos decretos que visam o
acesso aos ambientes físicos e virtuais às informações. Os órgãos públicos por força da lei,
devem viabilizar o acesso á informação através de sítios na internet obedecendo aos requisitos
descritos na Lei de Acesso para que o cidadão possa acessar o que lhe interessa de qualquer
lugar, de forma clara e com eficiência (BRASIL, 2011).
De acordo com o artigo 5°, §XIV da CF/88 “é assegurado a todos o acesso à
informação...” (BRASIL, 1988). O surdo também está inserido neste universo, apesar de suas
limitações sensoriais e aprendizado diferenciado. Esta discussão visa demonstrar que tais
limitações podem ser amenizadas com o uso da tecnologia. Conforme a literatura que trata do
tema de aprendizagem do surdo. Rosa e Cruz (2001,p.43) ratificam a opinião segundo a qual a
Internet é um instrumento de inserção do surdo na sociedade, pois propicia uma interação que
não é encontrada, algumas vezes, na relação física surdo-ouvinte por conta das barreiras
comunicacionais da língua de ambos. Além dos problemas de ordem social e econômica que
impedem esses excluídos de obter acesso às tecnologias de informação (custo do
equipamento, gastos com provedores, tarifas de eletricidade, etc.), outro problema também
pode mantê-los à margem do processo inclusivo de construção do conhecimento conforme

3875

�atesta Garnham434 (2000) citado por Mattos e Santos (2009, p.122) que é: “[...]a capacidade
de compreensão dos conteúdos gerados pela Internet e pelos equipamentos de TIC [...].”.
Incluir não significa apenas mensurar que tais usuários são capazes de compreender
plenamente os conteúdos oferecidos somente porque estão diante de um computador com
acesso à Internet. (MATTOS; SANTOS, 2009). A leitura do mundo no universo do surdo
passa por aparatos mediadores, para que este não só compreenda, mas também produza
conhecimento. Essa mediação pode utilizar não só símbolos que traduzam os conceitos do
mundo escrito, como criar linguagens artificiais que facilitem a comunicação entre os grupos.
De acordo com Dorziat (1995, p.34) existem várias metodologias de comunicação para
os indivíduos surdos, entre elas, a mais conhecida é linguagem gestual-visual: “Os sinais
como uma língua propriamente dita, são associados, pela maioria das pessoas da comunidade
surda. Essa língua é fluente entre os surdos [...]”
Dias (2006, p.111) menciona que: “Por definição, acessibilidade é uma categoria de
usabilidade”. Portanto, a avaliação dos sites das bibliotecas universitárias federais brasileiras
englobará tanto a usabilidade quanto a acessibilidade, pois conforme autora citada, ambos
estão interligados tecnicamente. “Um software ou site que não é acessível a uma determinada
pessoa tão pouco pode ser considerado eficaz, eficiente ou mesmo agradável a essa pessoa.”
A mudança de paradigma tecnológico traz consigo também novas práticas de leitura e
escrita. A passagem das formas orais de transmissão pedagógica para o escrito foi lenta, em
contra partida , da escrita em papel para uma escrita na tela, a passagem tem sido mais rápida
na contemporaneidade, ambas geram novas formas de leitura, de abordagem do escrito
(FRADE, 2006).
Alguns autores como Roger Chartier se debruçam sobre o aspecto social das práticas de
leitura e escrita, ora destacando o sentido revolucionário destas, ora enfatizando a
permanência de novos artefatos que influenciam em nossas práticas de leitura e escrita. Em
contrapartida, Pierre Levy435

(2004

apud Frade, 2006) aponta para as conseqüências

cognitivas que essas novas tecnologias trazem consigo com a estrutura do hipertexto gerando
novos gêneros textuais e a introdução de uma cultura digital.
O uso da tecnologia nos faz repensar em novos lugares e modos de aprendizagem, de
alfabetização. Mas até que ponto todos os problemas referentes à alfabetização tradicional

434 GARNHAM, N. La Sociedad de la Información como ideologia: Una crítica. Artículo publicado en el libro.
Primer foro de las comunicaciones: Desafios de la Sociedad de la Información em América Latina y Europa,
UNICOM / Lom Ediciones, Santiago de Chile, 2000. p. 57-68.
435 LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: 34, 2004.

3876

�seriam solucionados com a ajuda da tecnologia? Decodificar o texto na tela será suficiente
para que o indivíduo seja letrado?
A discussão pertinente acerca dos termos: alfabetização e letramento, para alguns
autores, passa pelo processo social da escrita e da leitura. Para Soares (2002), letramento é um
estado que vai além do saber ler e escrever. Trata-se, segundo a autora, do uso social da
escrita no papel, apesar de sua etimologia remeter a idéia de letra escrita.
Não basta somente dominar a técnica ou aprender o sistema de escrita - que remete ao
conceito de alfabetização, conhecer as letras - é necessária uma participação nas práticas
sociais que envolvem a cultura escrita e a construção de conhecimentos a partir destas.
Somente o aprendizado do sistema de escrita sem uma integração com valores e
sociabilidades, não garante a inserção do sujeito no contexto social conforme atesta Frade
(2006, p.61): “E como essas práticas não se disseminam igualmente para todos, constatamos,
cada vez mais, o fenômeno da exclusão”.
De forma análoga, nas sociedades que utilizam a escrita, o analfabetismo está
relacionado com a falta de domínio e aprendizagem do sistema de escrita da linguagem. Isso
pressupõe a compreensão do funcionamento de um sistema, bem como sua relação com a
pauta sonora dos signos deste sistema - manifestação oral. (SOARES, 2002)
Sendo assim, as tecnologias alteram o modo como nos relacionamos com a escrita e a
leitura, Frade (2006, p.68) reforça: “Em síntese, podemos dizer que, para cada alteração nas
tecnologias de escrita, deveríamos pensar em novos gestos e possibilidades cognitivas e, por
extensão, em novas pedagogias”.
Na atualidade, os entusiastas (e mesmo os críticos) das novas tecnologias defendem a
posição de que os aparatos tecnológicos transformaram a relação entre cultura linguagem e
escrita. Através do uso de recursos multimídias é possível mesclar várias formas de
comunicação, criando uma terceira, híbrida - oral, visual e escrita: “Contar com a
simultaneidade de recursos, como o oral, o escrito e a imagem fixa e em movimento, talvez
seja uma grande novidade[...] possível de ser materializada na tela com as múltiplas
linguagens de que dispomos (FRADE, 2006, p.81).
O uso da imagem fixa, com o apoio de legendas, já era bem utilizado em textos
impressos e sua convergência com o texto narrado, propicia ao leitor, o desenvolvimento
cognitivo oriundo dos primórdios do aprendizado pautado em uma leitura oralizada pelo
mestre para fixação do texto pelo aprendiz, um “ouvinte exclusivo” - daí a palavra exclusivo
remeter aos dois sentidos - o de totalidade e o de exclusão. Segundo os autores que assim
pensam como Chartier (1999), a tecnologia não rompeu, mas transformou os novos modos de

3877

�ler e escrever em superficies multifacetadas, diminuindo o esforço físico e intelectual do
sujeito leitor.
No tocante à desigualdade de pessoas com deficiência, a história não os tratou como
seres em igualdade de condições com os outros indivíduos. Alguns relatos históricos são
impressionantes sob o ponto de vista da sociedade moderna em relação ao tratamento que o
surdo recebia no seio de diversas civilizações. Na Grécia, berço da democracia, eles eram
recomendados a se unirem a outros na mesma situação (surdos) e que seus filhos não fossem
criados. Em caso de guerra, esses “inúteis” deveriam morrer para dar salvaguarda a sobrevida
dos “perfeitos”. O código de Manu (códigos de preceitos), não dava aos surdos direitos
sucessórios por conta da “deformidade” física igualando-os aos loucos. Na Índia antiga,
pessoas deficientes eram atiradas no rio Ganges. A eutanásia também foi utilizada para a
“purificação” da nação alemã durante o regime nazista, que eliminava os deficientes, velhos e
loucos (NOVAES, 2010).
Hoje, apesar de notar-se uma evolução, afinal ninguém mais mata uma pessoa por ser
surda ou a envia primeiro à guerra, os deficientes atualmente são tratados de forma
assistencialista, sem o devido cuidado por sua integridade intelectual e capacidade criativa.
Para se estabelecer a comunicação entre a comunidade surda e seus pares, bem como os
ouvintes, foi necessário o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) através
da Lei Federal 10.436, de 24 de abril de 2002, assinada, pelo então, presidente Fernando
Henrique Cardoso. Esta Lei discorre sobre o uso de LIBRAS no País, reconhecendo-a como
meio legal de comunicação e expressão, só assim, o surdo pode aprender em seu próprio
idioma. Três anos depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva regulamentou a referida lei
pelo Decreto 5.626, de 22 de dezembro de 2005. No capitulo 8, artigo 26 e parágrafo 1° do
decreto fica claro que o poder público, empresas concessionárias de serviços públicos e os
órgãos da administração pública federal, direta e indireta, devem garantir às pessoas surdas o
tratamento diferenciado, por meio do uso, difusão, tradução e interpretação de LIBRAS,
realizados por servidores e empregados capacitados para essa função. O parágrafo primeiro
registra: “As instituições de que trata o caput devem dispor de, pelo menos, cinco por cento
de servidores, funcionários e empregados capacitados para o uso e interpretação de LIBRAS”.
Como vemos, o Estado vem implementando diretrizes legais para tornar mais acessível
a informação a esse tipo de cidadão.

Nossa preocupação gira em torno das diretrizes

estabelecidas de forma legal, enquanto manifestação de políticas públicas, se estas geram
ações práticas no cotidiano dos órgãos públicos, mais particularmente, na biblioteca
universitária. Se leis existem para garantir o acesso do cidadão com deficiência, então como

3878

�órgãos públicos ainda carecem de pessoal especializado? E nos ambientes virtuais, as
instituições estão preparadas para atender e orientar esse tipo de usuário? Partindo da
afirmativa, baseada na literatura que trata do tema de comunicação do surdo, de que este
indivíduo necessita de uma linguagem diferenciada para compreender determinados
conteúdos, chegamos a seguinte questão: os sites das bibliotecas estão adequados ao universo
deste usuário?
A informação tem sido referida como primordial para a inserção do ser humano como
cidadão na fruição das oportunidades que são oferecidas pela cidade e o Estado de acordo
com Souza (2007, p.13):
A capacidade de obter informação e gerar conhecimento é atualmente um
fator fundamental a toda a comunidade, pois se apresenta como ferramentas
indispensáveis à efetividade da cidadania fundamentada no poder que a
informação tem para a atual sociedade.

Sendo assim, a inexistência e/ou inadequação de mecanismos eficientes para a inclusão
do usuário surdo nas instituições sociais torna-o, de certo modo, um ser vivente - não
qualificado para viver em uma comunidade política - na concepção de Agamben (2002, p.9),
uma pessoa reduzida à mera existência biológica: “zoé, que exprimia o simples fato de viver
comum a todos os seres vivos (animais, homens e deuses)" contra uma "bíos, que indicava a
forma ou maneira de viver própria de um indivíduo ou de um grupo”.
O surdo aprende mais lentamente em um mundo predominantemente escrito, por e estar
em desvantagem em relação ao ouvinte pois não recebe a mesma quantidade de estímulos
para que articule o pensamento e forme os conceitos (CAMPBELL, 2009). Com a inclusão do
surdo na escola regular e também, no ensino superior, o problema da compreensão dos
conteúdos se agravou, os motivos são óbvios: nem todas as escolas possuem intérprete de
LIBRAS, e a maioria dos professores não está preparada para este tipo de aluno.
O histórico da educação de surdos foi de fato permeado de atos institucionais que em
nada melhorava a visão estigmatizada de um ser inferior aos demais, considerados como
“normais”.
Para Foucault (2001, P.81) eram considerados anormais todos que não se enquadravam
em um modelo proposto pela sociedade. Deveriam ser curados para voltarem ao convívio
social ou serem punidos com o rigor da lei por atos hediondos (monstruosos) praticados
contra um sistema de normas já estabelecido. Veiga-Neto (2012, p.73) menciona a partir das
reflexões Foucaultianas, que a anormalidade teve até certo ponto características peculiares
que a credenciou como modelo negativo e positivo das instâncias de poder. Ao mesmo tempo

3879

�em que excluem o anormal em dois casos distintos: o monstro - o indivíduo normal - que
infringiu a norma da lei e o pestifero - o enfermo - sendo este último curável e por isso, está
fora do âmbito jurídico, ao contrário do monstro que deve ser afastado do convívio social.
Embora ambos sejam anormais. Entretanto, estão debaixo de uma mesma norma: “O normal
e o anormal, estando previstos pela norma, são casos da norma, isto é, estão na norma, sob
uma mesma norma.” Um se localiza em uma noção jurídica, enquanto o outro, na noção
médica. (FOUCAULT, 2001). O surdo se encaixa na descrição de anormalidade foucaultinana
do curável por isso, as ações advindas da médica para torná-lo “aceitável” aos padrões de
“normalidade” impostos pela sociedade.
No espaço virtual esse quadro não muda muito, se este indivíduo tem dificuldade de
leitura, imagine na Web, que é um espaço predominantemente escrito? Por isso é necessário,
que assim como os ambientes físicos necessitam de um intérprete, os espaços virtuais também
devem criar meios para que o conteúdo seja compreensível para este tipo de usuário.
Não se trata apenas de criar mecanismos de acesso, mas também, analisar as práticas
sociais no decurso do ciclo informacional. Partimos da reflexão do ambiente físico e
identificamos uma lacuna na atenção para minorias na prestação de serviços. Em um mundo
em que as Tecnologias de informação e comunicação ampliam o ambiente de vivência e
convivência do cidadão. Nossa reflexão, dirigir-se-á para a preocupação de que haja também
ambientes virtuais acessíveis, nos quais o acesso seja possível e o cidadão obtenha a
informação de que necessita.
As bibliotecas universitárias acompanham o ritmo desses sistemas de processamento e
gerenciamento da informação, com foco em uma recuperação cada vez mais eficiente. Sua
virtualização visa apresentar

ao usuário remoto seus serviços bem como auxiliá-lo na

recuperação mais precisa da informação e na utilização eficiente de suas fontes para pesquisa
através de seu site, promovendo acessibilidade para que pessoas com necessidades especiais,
possam usufruir dos serviços e produtos de informação através de interfaces amigáveis e
utilizáveis.
O objetivo deste trabalho foi investigar quantas e quais bibliotecas de universidades
federais brasileiras aplicam as recomendações internacionais de acessibilidade sugeridos pelo
World Wide Web Consortium (W3C) para Web 2.0 e padrões de usabilidade para facilitar a
navegação em seus sites pelo cidadão surdo. Os objetivos específicos

voltaram-se

a

quantificar absoluta e relativamente as bibliotecas de universidades federais brasileiras que
disponibilizam sites acessíveis; identificar quais as bibliotecas de universidades federais
brasileiras que disponibilizam sites acessíveis a surdos; analisar as interfaces com base nos

3880

�padrões de acessibilidade e usabilidade dos sites considerados acessíveis em uma amostra
delimitada do conjunto de bibliotecas de universidades federais brasileiras que possuem
somente um site para todo o sistema de bibliotecas.

2 Revisão de Literatura
Foram utilizadas para a fundamentação do trabalho, fontes da área de Educação que
tratam a aquisição da linguagem pela criança surda, as dificuldades de leitura e escrita como
também a evolução dos suportes e a discussão sobre letramento e alfabetização. Dentro dessa
discussão, foram levantadas também questões sobre a legislação vigente e suas implicações
na vida do cidadão surdo. Também foi consultada a literatura que ressalta os conceitos
metodológicos sobre usabilidade e acessibilidade, bem como as técnicas de avaliação e
problemas de interação na interface homem-computador agregadas as recomendações de
acessibilidade para surdos em ambientes virtuais de aprendizagem, baseadas no trabalho de
Abreu (2010) e no W3C, para avaliação dos sites das bibliotecas universitárias federais
brasileiras.

3 Materiais e Métodos
Para a elaboração da pesquisa, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com uma
abordagem interdisciplinar, com possibilidades de diálogo entre os campos da Ciência da
Informação, da Informática, do Direito e Educação. O aporte foi transversal de maneira que o
estudo teve um caráter teórico bibliográfico sobre temas específicos como as recomendações
de acessibilidade, os padrões de usabilidade, o direito de acesso advindas de outras áreas,
como a Informática e a Educação, porque a própria cobertura temática interdisciplinar da
Ciência da Informação assim permite e necessita. Em um segundo momento, foi necessária
uma abordagem de cunho teórico-experimental com o objetivo de analisar a acessibilidade e
usabilidade como pontos principais para o exercício do direito à informação no contexto
virtual. Dentro deste contexto, foi realizado um levantamento dos sistemas de bibliotecas
universitárias federais brasileiras que possuem um site para seu sistema de bibliotecas através
de navegação e verificação pelo pesquisador. Os dados foram transcritos formulário para
identificação das instituições que se encontravam nessa situação. O formulário para a
avaliação das heurísticas baseado nas pesquisas de Nielsen (1993), nos estudos de usabilidade
de Dias (2006) e Torrezan (2009). Este foi aplicado na segunda fase da pesquisa para avaliar a
usabilidade dos sites dos sistemas baseado nas dez (10) heurísticas de usabilidade de Nielsen.
Esse instrumento de coleta para a avaliação heurística foi construído à luz da literatura que

3881

�trata do tema de usabilidade, baseado em Dias (2006), Torrezan (2009) e Nielsen (1993);
(2007)436. O recurso de Breadcrumbs (“migalhas de pão”) foi inserido na lista do formulário,
por ser considerado por Torrezan (2009, p.39) como um item utilizado com mais freqüência
pelos usuários de sites para uma navegação mais eficiente. Sua estruturação se desenvolveu
da seguinte forma: relação das heurísticas de usabilidade, relação dos recursos a serem
verificados no site, comentários do avaliador e nível de satisfação. Em relação ao nível de
satisfação do avaliador, foi atribuída uma escala de pontuação baseado no modelo de Nielsen
(2005) apud Pereira (2011, p.60) que vai de 0 (zero) à 3. Pela característica da pesquisa de
apenas verificar e não corrigir os problemas encontrados nos sites, foco específico da escala
de pontuação em Engenharia de Sistemas, optou-se por uma pontuação mais simplificada, em
que zero (0) significa que o recurso não atende a heurística correspondente, um (1) atende à
heurística descrita e dois (2) atende parcialmente a recomendação descrita no formulário. Em
uma última fase do trabalho, foi feita a avaliação das recomendações de acessibilidade do
W3C adaptadas para o usuário surdo, conforme trabalho de Abreu (2010, p.37). A adaptação
se deu em razão da generalidade das recomendações do W3C, direcionadas para vários tipos
de usuários com dificuldades diversas. Ambas as verificações se completam, pois mesmo que
elementos de acessibilidade façam parte da interface de alguns sites pesquisados, a utilização
correta ou não desses ambientes, dependerá da facilidade no uso por quem navega.

4 Resultados Parciais/Finais
O levantamento foi realizado com 63 universidades federais brasileiras, de acordo com
o site do Ministério da Educação. Foram encontradas 51 Instituições Federais de Ensino
Superior com site que agrega todas as unidades informação de seus sistemas de bibliotecas, o
que representou um percentual de 89% do total pesquisado. Os resultados das verificações de
acessibilidades nos sistemas selecionados, foram baseados no trabalho de Abreu (2010) que
adaptou das recomendações do W3C, oito (8) recomendações de acessibilidade para usuários
surdos em sites na web a saber: Transcrição de textos para arquivos de MP3, Equivalentes
textuais para conteúdo visual, documentos adaptados para Libras-Português, Tutorial em
vídeo legendado ou "avatar" em Libras, descrição de vídeos com legendas simplificadas ou
em LIBRAS, divisão da informação em pequenos blocos com linguagem simples, opção de
informação Libras-Português transcrito ou em LIBRAS e, finalmente, se o site possui algum
aplicativo tradutor em LIBRAS.

436 NIELSEN, J. ; LORANGER, H. - Usabilidade na web. Rio de Janeiro : Elsevier, 2007.

3882

�Dentre os 51 sistemas pesquisados, somente sete (7), foram selecionados pois
atenderam pelo menos a duas (2) recomendações de acessibilidade: "Equivalentes textuais
para conteúdo visual" e "Divisão da Informação em Pequenos blocos de linguagem simples".
Do restante dos sistemas da pesquisa, vinte e cinco (25), atenderam

a somente uma

recomendação. Enquanto que, os outros dezenove (19), não contemplaram nenhuma
recomendação em suas interfaces. Foram descartadas para a avaliação de usabilidade,
realizado posteriormente, dois sistemas de bibliotecas, um da Região Sul e outro da Região
Sudeste, por apresentarem poucos links e/ou comandos, bem como a necessidade de login e
senha para acesso a determinadas áreas, o que inviabilizou a navegação naquele momento. A
avaliação heurística de usabilidade, foi realizada através de formulário estruturado com as dez
(10) recomendações segundo Nielsen (1993) para a construção e utilização de sites:
Visibilidade do estado atual do sistema, Compatibilidade do sistema com o mundo real,
Controle e liberdade do usuário, Consistências e padrões, Prevenção de erros,
Reconhecimento ao invés de memorização, Flexibilidade e eficiência no uso, Projeto estético
e minimalista, Diagnostica e corrige erros e Ajuda e documentação. A interface do site do
sistema de bibliotecas da universidade federal de ciências da saúde de porto alegre (UFCSPA)
foi a que demonstrou através da avaliação de usabilidade, ser o site mais utilizável conforme
as heurísticas. Entretanto, sua interface é essencialmente escrita, o que conforme a literatura
que trata do desenvolvimento da linguagem no surdo, pode prejudicar a navegação já que
este tipo de usuário utiliza da Linguagem de Sinais para compreender o mundo.

5 Considerações Parciais/Finais
Nos dias atuais é fato que, as tecnologias nas áreas de comunicação e informação têm
provocado mudanças no desempenho das atividades das bibliotecas e conseqüentemente na
política de prestação de serviços exigindo uma nova postura do profissional da informação.
Apesar de todas as previsões sobre a extinção do livro e da própria biblioteca, este espaço tem
sobrevivido e agregado a seu rol de serviços, bases de dados, novos suportes e ambientes de
informação através da rede mundial de computadores. Não serão as tecnologias que trarão o
fim nas bibliotecas, estas mudarão seu perfil e a cada dia, ampliarão seu leque de atividades.
Contudo, apesar da maioria dos sistemas de bibliotecas pesquisados atenderem as
heurísticas de usabilidade que são de certa forma, utilizáveis para usuários ouvintes, pode-se
observar que o surdo não foi privilegiado na construção de interfaces compatíveis com suas
necessidades. Somente sete sistemas em um universo de cinqüenta e um, apresentaram duas
recomendações de acessibilidade. Porém não basta somente delegar responsabilidades à

3883

�tecnologia, o domínio e compreensão da linguagem nos ambientes virtuais é primordial para o
uso e acesso, e isso, passa pela educação, que também é um direito a ser garantido através de
ações públicas promovidas pelo Estado para a inclusão do cidadão surdo.

6 REFERÊNCIAS
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alfabetização com libras. Dissertação (Mestrado) em Ciência da Computação. UFMG, 2010.
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_______. Decreto n. 5.626 de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24
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no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 e no § 2o do art. 216 da
Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei
no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá
outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 18 nov. 2011. Disponível em : &lt;
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                <text>Trata da temática que inclusão do surdo em ambientes virtuais e dos padrões de acessibilidade e usabilidade como essenciais para o exercício do direito à informação deste cidadão. Para tanto aborda questões  à aquisição da linguagem da leitura, do domínio da escrita, da alfabetização e do letramento para enfatizar a dificuldade encontrada por este usuário nos ambientes tanto físicos quanto virtuais. Aborda o conceito de direito à informação co-relacionando com o direito ao acesso a documentos de cunho público, bem como todo tipo de informação contida em espaços físicos ou não, e que não tenham caráter sigiloso. Aponta para os ambientes virtuais das bibliotecas federais brasileiras a fim de verificar pelas recomendações de acessibilidade e heurísticas de usabilidade, se estes ambientes informacionais proporcionam uma interação com a interface de seus sites que permitam navegabilidade deste tipo de usuário. Enfoca a questão da legislação como princípio norteador para que o surdo exerça seus direitos de acesso e uso à informação em todos os setores de cunho público. O recorte foi realizado nos sistemas de bibliotecas universitárias federais que agrupem em seu site, todas as unidades de informação das Universidades Federais pesquisadas, a fim de para mapear se este espaço atende às recomendações e padrões que permitam o acesso e navegação para inclusão do usuário surdo nos espaços acadêmicos virtuais. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: RELATO
DE EXPERIÊNCIA

Nilzete Ferreira Gomes
Merabe Carvalho Ferreira da Gama

RESUMO
Relata a experiência da elaboração do planejamento estratégico na Biblioteca central da
Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), que tem vivenciado profundas
transformações resultantes de seu crescimento e ampliação. Faz uma síntese das etapas pelas
quais o Planejamento Estratégico foi desenvolvido nesta biblioteca, caracterizando-o como
um elemento de gestão que possibilitou à unidade de informação prever seu futuro, traçar
metas para seu crescimento e melhorar o desempenho de seu papel na tríade ensino, pesquisa
e extensão.
Palavras-Chave:
bibliotecário.

Bibliotecas

universitárias.

Planejamento

estratégico.

Planejamento

ABSTRACT
Relates the experience of developing the strategic planning in the central library of a Federal
Rural University of Amazonia (UFRA), that has experienced profound changes resulting from
their growth and expansion. Provides an overview of the steps Strategic Planning was
developed in this library, characterizing it as an element of management that allowed the unit
of information to predict your future, set goals for their growth and create ways to better play
their role in teaching triad, research and extension.
Keywords: University libraries. Strategic planning. Library planning.
1 INTRODUÇÃO
O Planejamento estratégico (PE) é uma importante ferramenta de gestão, uma vez que
possibilita prever o futuro, permitindo à organização se antecipar diante de ameaças e
oportunidades (BARBALHO, 1997; CHIAVENATO; SAPIRO, 2003; ALMEIDA, 2005).
Assim, ele se apresenta como atividade essencial na gestão de bibliotecas universitárias, que
são instituições consideradas como canais fundamentais de disseminação da informação
científica.
Contudo, a atividade de planejar é uma tarefa pouco executada pelos bibliotecários, os
quais tendem a considerá-la uma perda de tempo, fator este que influencia os gestores de

1515

�bibliotecas a não planejarem (ALMEIDA, 2005). Desse modo, o presente relato, busca
contribuir com a prática do planejamento em bibliotecas universitárias, ao descrever as
experiências da biblioteca central da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), na
elaboração de seu PE.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O cenário competitivo atual impõe às organizações uma série de exigências e
comportamentos em busca de maior lucratividade e destaque no mundo corporativo. Neste
contexto, o PE se configura como um elemento norteador para a organização indicando as
respostas para questões tais como: onde estamos, onde queremos ir, onde podemos chegar,
quais os caminhos a percorrer, dentre outras.
Desse modo, planejar de forma estratégica é indispensável na gestão das Bibliotecas
universitárias, pois estas instituições são instrumentos de apoio à universidade, agem na tríade
ensino, pesquisa e extensão e também estão inseridas em um ambiente competitivo, visto que
também concorrem por recursos, na maioria das vezes, escassos (ALMEIDA, 2005).
Neste contexto, o PE se apresenta como uma ferramenta de apoio contribuindo para a
melhoria dos serviços prestados a comunidade acadêmica, pois garante à biblioteca condições
de traçar caminhos para o alcance das finalidades e metas estabelecidas.
Barbalho (1997, p. 30) corrobora nesse sentido, ao afirmar que o PE é um “processo
utilizado para o estabelecimento de objetivos alinhados com as políticas, metas e princípios,
bem como os fatores de relevância do meio ambiente organizacional, levando-se em conta o
ambiente externo”.
Ademais, Chiavenato e Sapiro (2003) entendem que o PE deve formular estratégias
organizacionais baseadas no seu ambiente de atuação, as quais devem se relacionar com os
objetivos estratégicos de médio e longo prazo, que atingem diretamente a direção ou a
viabilidade da instituição, maximizando assim os resultados e diminuindo as falhas com a
utilização dos princípios de eficiência, eficácia e efetividade.
Nesse sentido, a elaboração do PE envolve a utilização de conceitos como: missão
institucional, objetivos estratégicos, metas, políticas, diretrizes, estratégias e análise ambiental
externa e interna (NASCIMENTO et al., 2014), além de visão de negócios, análise de grupos
de influência (stakeholders), formalização do plano e auditoria de desempenho e reavaliação
estratégica (CHIAVENATO; SAPIRO, 2003). O conjunto dessas etapas converge para atingir
objetivos estratégicos, por meio de estratégias e ações para alcançá-los, pois se observa uma
perspectiva futura, verificando as oportunidades e ameaças que estão em torno da instituição.

1516

�Cumpre ressaltar ainda, a importância de se controlar e avaliar o PE, porque ele é um
processo contínuo e que demanda revisão e reavaliação constantes, dadas as mudanças que se
apresentam tanto nos ambientes interno quanto externo das organizações (ALMEIDA, 2005;
MACIEL; MENDONÇA, 2000).
Nesse aspecto é fundamental que as bibliotecas universitárias possuam a cultura de
planejar seu futuro, visando contribuir para os objetivos estratégicos da Universidade e
direcionando recursos para a consecução destes objetivos, obtendo melhores resultados em
suas atividades e cumprindo seu papel de apoio à universidade no tripé ensino, pesquisa e
extensão.

3 METODOLOGIA
O presente estudo é descritivo e consiste em um relato de experiência. Para Gil (2008)
o relato de experiência se caracteriza como uma ferramenta da pesquisa descritiva, que busca
expressar uma reflexão acerca de uma ação ou conjunto de ações que abordam uma situação
vivenciada em um contexto profissional e que tem relevância para a comunidade científica.
Desse modo, este relato se propõe a descrever os procedimentos utilizados por uma
biblioteca universitária, no segundo semestre de 2012, na elaboração de seu primeiro PE,
previsto para ser executado entre 2013 e 2017. A biblioteca estudada possui cerca de 4.000
usuários cadastrados. Seu acervo tem acesso restrito sendo composto por livros, periódicos,
teses, dissertações e multimeios. Funciona por um período de doze horas ininterruptas de
segunda a sexta-feira, com o apoio de oito bibliotecárias, sete servidores de nível médio e sete
estagiários.

4 RESULTADOS
A Universidade na qual a biblioteca, objeto deste relato, está vinculada, tem
vivenciado profundas transformações, dados os investimentos na criação de novos campi e
cursos, além da contratação de mais funcionários, o que, por conseguinte, tem gerado um
aumento no número de usuários que passam a demandar não somente uma ampliação, mas
também melhorias nos serviços prestados pela mesma.
Assim, a elaboração deste PE surgiu a partir da preocupação dos bibliotecários da
instituição, sobre o futuro da biblioteca diante desse cenário de mudanças. Desse modo, duas
bibliotecárias foram designadas pela chefia da biblioteca para coordenar o PE. A partir da
leitura inicial de bibliografias da área de planejamento, estabeleceram-se nove etapas pelas
quais o PE seria construído, relatadas a seguir:

1517

�• Apresentação do Planejamento aos servidores da biblioteca: etapa inicial, na
qual todos os servidores da unidade de informação foram convidados para uma reunião, onde
lhes foram apresentadas noções sobre o PE, a importância dessa ferramenta para a biblioteca,
bem como a metodologia proposta para a elaboração do mesmo.
• Declaração da missão e visão da biblioteca: nesta etapa, procurou-se, construir a
missão e visão da biblioteca, em consonância com a missão e visão de futuro da própria
universidade, dada a importância dos objetivos da unidade estarem alinhados ao da instituição
a qual pertence.
• Análise SWOT: etapa na qual ocorreram duas análises: a do ambiente externo e do
ambiente interno. Possuía como objetivo conhecer o cenário do qual a biblioteca faz parte e
realizar uma análise das oportunidades e ameaças do ambiente externo, além das forças e
fraquezas do ambiente interno. A sistemática utilizada nessa etapa foi baseada na literatura e
adaptada conforme a realidade da biblioteca, conforme segue abaixo.
A análise do ambiente externo possuiu dois momentos: no primeiro, os servidores
foram convidados a refletir sobre quais seriam as oportunidades e ameaças da biblioteca,
diante das circunstâncias atuais; no segundo, realizou-se uma avaliação da unidade de
informação, sob a ótica dos seus clientes.
Por sua vez, para a análise do ambiente interno construiu-se um formulário no qual as
dimensões que envolvem o funcionamento da biblioteca foram divididas em cinco grandes
tópicos: Serviços, Acervo, Pessoal, Infraestrutura e Políticas. O tópico Serviços possuía 17
variáveis, Acervo 6, Pessoal 5, Infraestrutura 10 e Políticas 8.
Os respondentes foram orientados a classificar cada uma das variáveis em “ponto
forte” para aquelas as quais satisfazem os usuários e tem pouco a melhorar; e em “ponto
fraco” para as que apresentam falhas, reclamações e geram imagens negativas da biblioteca,
tendo muito a melhorar.
•

Construção dos objetivos estratégicos: posterior à análise SWOT apresentou-se

o resultado do diagnóstico aos servidores da biblioteca, que iniciaram a construção dos
objetivos estratégicos tendo por base os dados desta análise, a missão e a visão da biblioteca.
•

Construção das estratégias: definido os objetivos, a próxima etapa foi a de

construção das estratégias para alcançá-los. Para este fim, os participantes receberam um
formulário no qual havia duas colunas: na primeira, constava cada um dos objetivos a serem
atingidos e a segunda convidava o servidor a propor estratégias capazes de atenderem aos
objetivos descritos. Os dados coletados por meio dos formulários para a construção das

1518

�estratégias foram tratados por análise de conteúdo (BARDIN, 2009) e apresentado aos
servidores.
•

Análise das estratégias: nesta etapa, um mediador leu em voz alta para os

presentes, os objetivos e as estratégias. A cada estratégia lida, os participantes com base em
seu conhecimento e experiência sobre a Universidade e a biblioteca opinavam se a mesma
atendia ao objetivo, era exequível e o prazo (médio e longo) no qual a mesma seria executada.
Após o consenso entre os participantes as decisões tomadas pelo grupo deram origem ao
Plano de Estratégias, que foi concluído na próxima etapa.
• Elaboração do Plano de Estratégias: esta etapa concluiu a elaboração do Plano,
definindo a forma de execução da estratégia e os responsáveis pela execução. A figura 1
apresenta um exemplo do formulário utilizado nesta etapa.

Figura 1 - Formulário utilizado na etapa de elaboração do plano das estratégias
Objetivo estratégico 1:
Estratégias

Prazo de execução da estratégia
Médio

Estratégia 1
Estratégia 2
Estratégia 3
Fonte: As autoras.

Como
executada?

será Quem
executará?

Longo

X
X

• Implantação do plano: iniciada há aproximadamente um ano, atualmente passa
por avaliação que perdurará durante toda a execução do planejamento, verificando seu
cumprimento e o atendimento das estratégias.
• Avaliação do plano: será executada após um ano de implantação do plano de ação,
sendo revisto a cada seis meses, a partir daquele período. Atualmente, ocorreu uma única
avaliação e seus resultados serão descritos a seguir.
Na primeira avaliação deste PE, priorizou-se analisar somente o alcance das
estratégias de médio prazo, deixando as de longo para a avaliação seguinte. Observou-se, que
houve uma proximidade entre os valores das ações de médio prazo já executadas (53%) e das
ações a realizar (47%). Verificou-se ainda, que dentro das áreas de serviços e políticas foram
alcançadas mais estratégias, em relação às outras áreas (acervo, pessoal e infraestrutura),
conforme apresentado no quadro 1.

1519

�Quadro 1 - Ações de curto prazo realizadas
Dimensões

Ações realizadas (%)

Serviços

61,5 %

Acervo

41,2 %

Pessoal

40,1%

Infraestrutura

40,1%

Políticas

60, 0 %

Fonte: As Autoras.

Constatou-se que o menor desenvolvimento nessas áreas está relacionado com a
consecução de recursos humanos, financeiros e materiais. Desse modo, as estratégias não
alcançadas foram reajustadas tendo em vista o seu cumprimento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observou-se que é fundamental para as bibliotecas a cultura de planejar, pois a
elaboração deste PE revelou a esta biblioteca o cenário na qual está inserida, por meio da
análise dos ambientes interno e externo. Esse conhecimento permitiu à mesma agir em prol do
futuro, traçar metas para seu crescimento e criar formas de melhor desempenhar seu papel na
tríade ensino, pesquisa e extensão.
Embora, em um primeiro momento, a elaboração do PE tenha sido vista com
resistência pelos servidores, pois a consideravam um trabalho complexo e que demandaria
muito tempo, tem-se percebido durante o processo, que planejar otimizou as ações da
biblioteca, e o tempo investido no planejamento tem sido recuperado, uma vez que a
biblioteca atua de forma planejada e não improvisada. Ademais, após o início da execução do
PE, já é possível perceber um sutil avanço da biblioteca em quesitos outrora estagnados.

6 REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. C. B. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed.
Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2005.
BARBALHO, C. R. S. Planejamento estratégico: uma análise metodológica. Informação &amp;
Informação, Londrina, v. 2, n. 1, semestral 1997.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2009.

1520

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Ciência da Informação&#13;
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOQUÍMICA: blog como ferramenta de
difusão de informações
Verônica de Souza Gomes
Margarete Gomes Borba

RESUMO
A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica em junho de 2013 disponibilizou na internet
o seu blog, com o objetivo de criar um canal de comunicação e de tornar mais visível os seus
produtos e serviços dentro e fora do âmbito acadêmico em que está inserida. O blog é uma de
muitas ferramentas, e tem se tornado um grande aliado das bibliotecas no que diz respeito à
rapidez com que as informações são compartilhadas e o alcance que tem atingido.
Palavras-Chave: Blog; Fonte de informação; Biblioteca.

ABSTRACT
The geochemistry graduate library provided its blog on the internet in July 2013. The service
has the objective of creating a communication channel making its products and services more
visible both inside and outside the academic context in which it is inserted. The blog is one of
many resourceful communication tools, and it has become a great ally of the libraries with
regard to the speed with which information is shared and the range that it has achieved.
Keywords: Blog; Information source; Library.

1 Introdução
Com os avanços tecnológicos a internet se tornou uma grande aliada da sociedade da
informação, por ser uma ferramenta de fácil acesso, com ampla informação, por disponibilizar
com rapidez os conteúdos e para um número de pessoas que impressiona (PAIVA; SANTOS,
2012). Em meio a essas mudanças surgiram às redes sociais que modificou a forma como as
informações são compartilhadas. E consequentemente houve o desenvolvimento da Web 2.0
que proporcionou uma maior interação dos usuários com os sites.
Conforme Cipriani (2008) blog é uma página de internet fácil de implementar, acessar
e manusear. É muito utilizado para divulgar coisas pessoais (diário) ou informações/serviços

4088

�de uma instituição. Ainda resalta que “os blogs fazem o papel de catalisador de notícias ou
fatos relevantes. São um verdadeiro canal de marketing boca-a-boca”.
Na atual sociedade se nota a preocupação do bibliotecário em estar inserido no
universo da comunicação em rede, acompanhar as evoluções tecnológicas. Deste modo, a
Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ) tem se preocupado com a divulgação e
usabilidade do seu acervo, assim como dos seus serviços. A partir daí surgiu à necessidade da
criação/implantação de um canal de comunicação entre a BGQ e a comunidade acadêmica do
Programa de Pós-Graduação em Geoquímica da Universidade Federal Fluminense (UFF) - e
a criação de um blog é o nosso objetivo.

2 Revisão de Literatura
Para Blattmann e Silva (2007) cada vez mais tem surgido espaços que possibilitam a
maior interação dos usuários, onde podem fazer modificações nos conteúdos e criar novos
ambientes hipertextuais. Tudo isso devido ao novo modelo de Internet, ou seja, a Web 2.0, e
foi desta forma que surgiu o blog, uma das muitas ferramentas como portais, sites, Facebook,
chats, existentes nesse novo ambiente.
Mas o que é Web 2.0? Existem diversas definições, mas uma nova concepção tem
colocado como sendo um espaço de colaboração, interação e participação comunitária.
Se antes a Web era estruturada por meio de sites que colocava, todo o
conteúdo on-line, de maneira estática sem oferecer a possibilidade de
interação aos internautas, agora é possível criar uma conexão por meio das
comunidades de usuários com interesses em comum, resultando do uso da
plataforma mais aberta e dinâmica. (BLATTMANN; SILVA, 2007, p. 299).

Também não existe uma definição precisa para o que seja um blog, mas ele se tornou
uma ferramenta de comunição com grande importância. Segundo Malini (2008, p. 34), o
surgimento do blog se deu a partir de 1997 com a terminologia weblog, intitulado pelo norteamericano Jorn Barger para se referir ao seu jornal online Robot Wisdom. E o “ termo era um
acrônimo derivado das palavras web e log (diário ou bloco de anotações) e expressava um site
que hiperligava páginas interessantes encontradas na internet.'’”
Segundo Santos e Rocha (2012) “os blogs são conteúdos digitais onde se publicam
textos (posts) sobre assuntos variados em ordem cronológica. Podem apresentar outros
recursos de multimídia como vídeos, áudio, fotografias e músicas”. De início os blogs
funcionavam mais como diários eletrônicos. A partir de 2001 eles passaram a ter um caráter
mais informativo. Cada vez mais popularizado, ele vem sendo aperfeiçoado, e adquirindo

4089

�diferentes funções e classificações do tipo: educacionais, corporativos e organizacionais,
profissionais, entre outras.
Nesse contexto, essas inovações devem ser inseridas no cotidiano das bibliotecas, pois
permite a ampliação da disseminação e uso da informação, além de se tornar um grande canal
de comunicação entre diversas pessoas e países. A biblioteca deve se reinventar, modernizar a
democratização da informação, criar um ambiente de colaboração com os seus usuários.
Contudo, segundo Paiva e Santos (2012) deve-se ter cuidado com o conteúdo/informação a
ser exposto, as fontes de informação devem ser confiáveis, “[...] o que está muito mais a cargo
de instituições [...]”, que acaba atribuindo aos conteúdos à qualidade de informação científica.
De acordo com Primo (2008) o blog da Biblioteca Universitária costuma ser
classificado como profissional do tipo informativo cujos
[...] posts deste blog individual voltam-se principalmente para a divulgação
de textos sobre a área de atuação do profissional e/ou para a
reprodução/reescrita de notícias sobre tal tema encontradas em outros
lugares. Dependendo da freqüência de publicação e das novidades relatadas,
estes blogs podem se tornar material de referência e atualização para um
determinado segmento. (PRIMO, 2008, p. 6).

Vale ressaltar que o blog não substitui a página web da empresa, pois essas contêm
informações catalogadas onde só é possível uma consulta e não uma interatividade, diferente
do blog. Deste modo ele pode ser uma ferramenta a mais na reinvenção das bibliotecas.

3 Materiais e Métodos
A princípio a iniciativa de se criar um blog para a BGQ partiu de uma funcionária (a
autora) ao perceber a necessidade da biblioteca estar mais interagida com a comunidade do
Programa de Geoquímica - um dos mais tradicionais cursos de Pós-Graduação na área de
geociências do Brasil, tendo sido implementado em 1972 na UFF.
A biblioteca busca reunir toda a produção científica do Programa de Geoquímica.
Deste modo entendemos que tudo que for adquirido pela biblioteca e os seus serviços devem
não apenas ser divulgados para que os usuários tenham conhecimento e haja mais
visibilidade, mas que estejam disponíveis no próprio blog quando possível, buscando agilizar
o acesso às informações.
Em novembro de 2012 começou o processo de criação do blog. Inicialmente foi feito
um levantamento na internet de documentos que falassem de como desenvolver e utilizar um
blog. Foram selecionados trabalhos de eventos, artigos de periódicos e livros, além da parte
bibliográfica buscou-se experiências de colegas de trabalho e visitas em blogs de bibliotecas

4090

�universitárias, tanto da própria instituição como de outras. Dentro das pesquisas realizadas foi
visto qual serviço de hospedagem para blogs estaria sendo empregado, por se tratar de uma
instituição sem fins lucrativos o mesmo teria que ser gratuito e também de fácil manuseio, já
que a equipe nunca trabalhou em uma ferramenta desse tipo.
A princípio duas pessoas estariam responsáveis pelo layout e gerenciamento. Depois
do layout pronto os demais estariam ajudando com relação à descrição de alguns tópicos no
blog e também com relação às postagens, auxiliando na busca de notícias do dia-a-dia.

4 Resultados Parciais/Finais
Os estudos e pesquisas realizados, além de trazer mais conhecimentos sobre o tema,
também ajudou no desenvolvimento do trabalho. Aproveitando que a biblioteca já possuía
uma conta de email no Google e optou-se por utilizar o serviço de hospedagem do Blogspot,
com versão em português, os serviços são gratuitos e não é complicado de usar. O
conhecimento de uma estagiária em programas de computadores como o Photoshop também
nos auxiliou bastante em relação ao layout do blog.
No processo de criação do blog tivemos que definir alguns itens importantes no
desenvolvimento e na edição do mesmo (PAIVA, 2012):
Propósito - criar um canal de comunicação entre a BGQ e comunidade acadêmica.
Público alvo - em princípio toda a comunidade do Programa de Pós-Graduação em
Geoquímica, mas concluímos que podemos ir além.
Postagens - primeiro identificar fontes de informação para compartilhar notícias
científicas ou do dia-dia referentes às linhas de pesquisa do curso, noticiar acontecimentos
que abranjam a Biblioteca e a Universidade, dente outras notícias do tipo - cursos e concursos
abertos.
Disponibilizar - os serviços oferecidos pela biblioteca, às fontes de informação e sites
interessantes da área, divulgar as novas aquisições, relacionar a produção científica
anualmente (tornando também acessível por meio de um link), tutoriais, abertura de sugestões
e comentários, entre outros.
O blog da BGQ só ficou pronto para divulgação em 28 de junho de 2013 devido às
limitações de pessoal para o desenvolvimento do mesmo e os trabalhos paralelos. A
divulgação foi feita por email para o sistema de bibliotecas da UFF, para professores e alunos
do Programa de Geoquímica, colocou-se cartazes na biblioteca e na sua entrada, e também
pusemos uma imagem do blog com o endereço como papel de parede nos computadores

4091

�utilizados pelos usuários. A figura 1 mostra como ficou o blog da Biblioteca de PósGraduação em Geoquímica.

l-igura 1: Pagina do blog da BCQ

Biblioteca de Pós-GraduaçSo
em Geoquímica ^

M f C atálogo

Fonte: http://bgqulF.blogspot.com. hiV

Após divulgação recebemos elogios dos professores e alunos do Programa de
Geoquímica, pois o blog tornou-se mais um meio de comunicação do curso, não só para a
comunidade acadêmica da UFF, mas também para o mundo. Servindo assim como um meio
de ampliar a visibilidade do curso e possibilitar o acesso a produções dos mesmos.

5 Considerações Parciais/Finais
Nos dias atuais a tecnologia é uma grande aliada das bibliotecas, principalmente
quando se quer ter rapidez na disseminação da informação, além de atingir um público bem
maior em um curto espaço de tempo. E a cada dia tem crescido o número de bibliotecas que
vem utilizando o blog e outras ferramentas em prol de compartilhar informações.
Verificou-se que a implementação do blog na BGQ trouxe os resultados que
esperávamos, de ser um canal de comunicação da biblioteca com a comunidade acadêmica. E
já de início tivemos a participação da comunidade, solicitando algumas inclusões no blog. E é
isso que queremos, que os usuários se expressem, participem, sejam com comentários,
inserção de links, sugestões. Pois só assim poderemos oferecer serviços com maior qualidade
e mais adequados as suas reais necessidades.

4092

�Contudo apesar dos elogios e participações ainda é preciso aperfeiçoar alguns tópicos,
pois faltou uma especificidade maior das fontes de informação para serem utilizadas nas
postagens. Assim, o próximo passo é fazer: um levantamento das fontes de onde poderemos
selecionar notícias e uma avaliação de usabilidade. Com o propósito de que o blog venha
fazer a diferença e não seja apenas mais um no mundo da internet.

6 Referências
BARROS, Moreno Albuquerque de. Blogs e bibliotecários. In: ENCONTRO NACIONAL
DOS ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, CIÊNCIA E
GESTÃO DA INFORMAÇÃO, 27., 2004, Recife. Anais... Recife, 2004. Disponível em:
&lt;

http://eprints.rclis.org/bitstream/10760/9300/17blogs_e_bibliotec%C3%A1rios.pdf

&gt;.

Acesso em: 05 maio 2014.
BLATTMAN, Ursula; SILVA, Fabiano Couto Corrêa da. Colaboração e interação na Web 2.0
e Biblioteca 2.0. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 12, n.
2, p. 191-215, jul./dez., 2007.
CIPRIANI, Fabio. Blog corporativo. 2. ed. São Paulo: Novatec, 2008. 201 p.
MALINI, Fábio. Por uma genealogia da blogosfera: considerações históricas (1997 a 2001).
Lugar Comum, Rio de Janeiro, n. 23-24, p. 33-47, 2008.
PAIVA, Eliane Bezerra; SANTOS, Edilene Toscano Galdino. O blog como ferramenta para
dinamizar o uso das fontes de informação na biblioteca universitária. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado. Anais...
Gramado, 2012.
PRIMO, Alex. Blogs e seus gêneros: Avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em
língua portuguesa. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO,
33., 2008, Natal. Anais..., Natal: Intercom, 2008.
SANTOS, Ester Laodiceia; ROCHA, Suely Margareth da. Estudo da usabilidade e avaliação
da qualidade do blog Bibliojurídica, da Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade
Federal de Minas. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
17., 2012, Gramado. Anais... Gramado, 2012.
SILVA, Edson Souza. As mídias sociais no sistema de bibliotecas da PUC-Rio: uma
experiência. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17.,
2012, Gramado. Anais... Gramado, 2012.

4093

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SNBU 2014

PROTEÇÃO DO CONHECIMENTO E INOVAÇÃO: MOTIVAÇÕES E
TENDÊNCIAS NO UNIVERSO ACADÊMICO

Adriana Aguillera Gonçalves
Maria Inês Tomaél

RESUMO
A Universidade é notoriamente reconhecida como fonte de geração e disseminação de
conhecimentos. A inovação, por sua vez, decorre de conhecimento científico, que ao ser
patenteado, garante os direitos dos atores envolvidos quanto à apropriação indevida do
conhecimento, possibilita o compartilhamento seguro e contribui para o desenvolvimento
tecnológico. Com essa abordagem, o presente estudo procurou identificar se os pesquisadores
estão sensibilizados para a proteção do conhecimento e a forma de disseminação de uma nova
tecnologia, visando ao surgimento de inovações no meio acadêmico. Para alcançar esse
objetivo, foi desenvolvida uma pesquisa descritiva de caráter qualitativo por meio do estudo
de caso envolvendo pesquisadores que solicitaram patentes no período de 2008 a 2010 e
gestores de uma Agência de Inovação de uma Universidade do Paraná. A técnica de coleta de
dados empregada foi a entrevista. Para o tratamento das informações coletadas, utilizou-se da
Técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados revelam que pouca importância é dada pelos
participantes para a proteção do conhecimento. Além disso, falta preparo e conhecimento dos
professores acerca do processo de patenteamento. Quanto à preferência dos pesquisadores na
disseminação de uma nova tecnologia, ficou evidente que o artigo científico é o mecanismo
de divulgação mais utilizado pelos participantes. Com esses resultados foi possível identificar
que a cultura da propriedade intelectual ainda se mostra ínfima no universo estudado, sendo
que no lugar desta, é evidenciada a cultura do livre compartilhamento de ideias e
conhecimentos, a qual contribui para um cenário de resistência a inovação no meio
acadêmico.
Palavras-Chave: Proteção
Universidades; Patentes.

do

Conhecimento;

Inovação;

Propriedade

Intelectual;

ABSTRACT
University is well recognized as a source for generating and disseminating knowledge.
Innovation derives from scientific knowledge. When such knowledge is patented it assures the
rights of the involved agents concerning to misappropriation, allows secure sharing, and
eventually contributes to technological development. By this approach, the present study
aimed at identifying whether the researchers are aware of the knowledge protection and the
way of spreading of a new technology aiming at the emergence of innovation in the academic
environment. To achieve this goal, it was developed a descriptive qualitative research through
a case study involving researchers, who had requested patents from 2008 to 2010, and the
managers of an Innovation Agency from a University in the State of Paraná. Interview was

432

�employed as the data collection technique. In order to treat the information collected, the
technique of content analysis was used. The results reveal that scant attention is paid to
knowledge protection by the participants of the research. In addition, the teachers have a lack
of training and knowledge regarding the patenting process. It was clear that the scientific
article is the most important dissemination mechanism used by participants. Through these
results, it was possible to identify that intellectual property culture is still very small in this
arena. The results also show that the culture of free sharing of ideas and knowledge is
prevalent. Thus, it contributes to a scenario for the resistance to innovation in the academic
environment.
Keywords: Protection of Knowledge; Innovation; Intellectual Property; Universities; Patents.

1 INTRODUÇÃO
A construção dos conhecimentos gerados nas universidades deve passar por um
significado maior do que o avanço da ciência e formação profissional. O papel dos
pesquisadores é crucial, haja vista que para a realização de pesquisas, é importante que se
tenha como ponto de partida as necessidades da comunidade em que a universidade está
inserida, procurando, com isso, não só mecanismos de resolução para problemas existentes,
mas, sobretudo, utilizar os conhecimentos obtidos para melhorar de certa forma a qualidade
de vida das pessoas em todos os âmbitos.
Hoje a palavra inovação é falada, discutida e refletida por diversos segmentos de
atividades e na sociedade como todo. Parece, ainda, que a inovação tem uma definição
sinônima ou complementar a de muitos outros conceitos vistos no processo de inovação, tais
como: invenções, criações, novas ideias, produtos e serviços novos e/ou melhorados, etc. Há,
ainda, alguns que acreditam que a inovação se trata apenas do desenvolvimento de algo novo
ou a renovação de produtos, serviços ou processos.
Partindo da premissa de que inovação não se faz sem conhecimento, e que
conhecimentos de valor subsidiam todo o processo inovativo, tem-se, nas universidades, um
ambiente propício para o processo de inovação, levando-se em consideração que através de
sua missão, a qual mescla o ensino, a pesquisa e extensão, a construção do conhecimento e
sua disseminação podem ser direcionadas para fins mais práticos, potencializando o
surgimento de inovações no cenário extremamente competitivo do mercado vigente.
No Brasil, as universidades são as maiores geradoras de ciência e tecnologia, o que se
comprova com o elevado número de publicações científicas, porém nem sempre suas criações
são protegidas, deixando de gerar renda para a instituição, para o pesquisador e, em última
análise, para o país. Tal assertiva denota o paradigma ainda existente nas universidades da
ínfima transformação do conhecimento em inovações tecnológicas (BUYS, 2002).

433

�Os princípios que permeiam o meio acadêmico acabam por “estimar mais os efeitos de
reputação das publicações em jornais e revistas científicas do que o número de aplicações
para patentes”. O processo de patenteamento é visto como burocrático, que “levam a um
atraso para revelação dos resultados de pesquisas” (HAASE; ARAÚJO; DIAS, 2005, p. 348).
Os referidos autores ainda enfatizam que falta conhecimento aos pesquisadores sobre as
“possibilidades de proteção e exploração da propriedade intelectual”. Essas questões,
obstáculos aparentemente intransponíveis, influenciam negativamente na inclinação da
comunidade científica para aderir à cultura da propriedade intelectual, que tem na proteção do
conhecimento o principal viés para a geração de inovações.
Neste contexto, esta pesquisa teve como objetivo identificar se os pesquisadores estão
sensibilizados para a proteção do conhecimento e a forma de disseminação de uma nova
tecnologia, visando ao surgimento de inovações no meio acadêmico. Para tanto, foi
desenvolvida uma pesquisa descritiva de caráter qualitativo por meio do estudo de caso
envolvendo pesquisadores que solicitaram patentes no período de 2008 a 2010 e gestores de
uma Agência de Inovação de uma Universidade no Estado do Paraná. A coleta de dados foi
realizada por meio de entrevistas. Já para o tratamento das informações coletadas, utilizou-se
da Técnica de Análise de Conteúdo, técnica que possibilitou a identificação do cenário
vigente em relação aos objetivos apresentados.

2 A PROTEÇÃO DO CONHECIMENTO E A INOVAÇÃO NO MEIO ACADÊMICO
Salutar e em constante transformação é a função e missão das universidades nos
âmbitos educacional, social, cultural e econômico. No período medieval, suas atividades
primavam essencialmente pela transmissão dos conhecimentos, ou seja, o ensino. A partir da
revolução industrial, as universidades começaram a intensificar ações que possibilitassem
uma maior interação entre o ensino, a pesquisa e o setor produtivo, favorecendo, por
conseguinte, a construção e a difusão de novos conhecimentos junto à sociedade, elementos
estes essenciais para o desenvolvimento social, cultural e tecnológico de um país.
Etzkowitz (1998, p. 833) argumenta que as universidades, no século XIX, passaram
pela Primeira Revolução Acadêmica, período esse que ficou marcado pela introdução da
pesquisa junto às tradicionais atividades de ensino. Posterior a essa fase, a comercialização do
conhecimento proveniente das pesquisas desenvolvidas na universidade começou também a
ganhar visibilidade, incorporando assim na sua missão a função de corroborar para o
desenvolvimento econômico e social na sociedade vigente. Essa última fase é conhecida
como a Segunda Revolução Acadêmica, que, por meio da capitalização do conhecimento,

434

�favorece a aproximação das universidades com o setor produtivo, incumbindo assim a
universidade de se tornar um agente econômico de desenvolvimento.
A Segunda revolução

acadêmica circunda uma missão orientada para o

desenvolvimento social e econômico e pode ser considerada uma função adicional de grande
importância, na qual a ciência e a capitalização do conhecimento despontam como “motores
alternativos de crescimento econômico” (SERRÃO et al., 2006, p. 2).
Para Mora (2006, p. 123), “a universidade se vislumbra não apenas como uma
geradora de conhecimento, ainda que não a única, como também uma empresa a serviço das
necessidades de formação e desenvolvimento tecnológico” na sociedade do conhecimento.
Nessa perspectiva, as universidades adquirem nova relevância, agregando sobre si outros
valores interdependentes à missão de ser uma das principais fontes para gerar conhecimento,
devendo atuar também como polos de transmissão do conhecimento, da ciência e da
tecnologia.
Portanto, é importante que as universidades se preocupem com a gestão da
propriedade intelectual, que, ao proteger o conhecimento, possibilita resguardar os direitos do
autor/inventor sobre suas criações e sugestionar diretamente a explicitação dos conhecimentos
envolvidos, atendendo, dessa forma, a dois propósitos: a proteção visando à inovação; e a
disseminação do conhecimento.
O inventor e/ou titular do conhecimento protegido terá condições de resguardar os
seus direitos sobre suas criações, como por exemplo: proibir terceiros, sem o seu
consentimento, de produzir, utilizar, vender ou importar a sua invenção, modelo de utilidade
ou desenho industrial; impedir que terceiros reproduzam ou imitem a sua marca; tomar
medidas contra aqueles que estejam fabricando, importando, exportando, vendendo, expondo,
oferecendo a venda ou mantendo em estoque produto que apresente falsa indicação
geográfica; entre outros (ARAÚJO et al., 2010).
As patentes atendem a estas necessidades protegendo os direitos do inventor/autor,
maximizando a geração de novos conhecimentos por meio da divulgação de informações
técnicas, incentivando, portanto, a inovação. A lógica implícita nas patentes é estimular o
investimento em invenções e inovações e a disseminação de informações tecnológicas
(PATENTS, 1996).
Amadei e Torkomian (2009, p. 10) afirmam que “a patente é um título de recompensa
ao inventor”, se registrada, possibilita muito mais segurança nas negociações entre ele e a
parte interessada na aquisição de uma tecnologia, passível de ser aplicada em algum setor
industrial.

435

�Em relação ao conteúdo da patente, pode-se dizer que representa uma preciosa fonte
de informação tecnológica que oferece vantagens inestimáveis para geração de novas
tecnologias (GARCIA, 2006). Além de proteger o inventor, a patente facilita a geração de
novas invenções por terceiros, levando o seu próprio titular a prosseguir inventando para se
manter a frente de seus competidores. A propriedade temporalmente limitada e o interesse
público da informação divulgada acabam por tornar a patente um instrumento estratégico de
promoção do desenvolvimento tecnológico (MACEDO; BARBOSA, 2000). O monopólio
temporário, visto muitas vezes como impedimento da livre circulação do conhecimento, se faz
indispensável no processo de inovação.
Para gerar inovação, a ciência se faz imprescindível, tendo em vista que novas
tecnologias se desenvolvem por meio de intensas pesquisas e, por outro lado, o
desenvolvimento de novos produtos tendo como aporte novas tecnologias só terá efetivo
sucesso mercadológico ao se tornar uma inovação.
Todas essas abordagens possibilitam um entendimento explícito do atual papel das
universidades como organizações estimuladoras e fomentadoras de pesquisas e ações voltadas
não só para o desenvolvimento da ciência, como também para o desenvolvimento de
produtos, processos e serviços que melhoram a qualidade de vida dos indivíduos e
possibilitam a competitividade das organizações, elevando assim os conceitos de
desenvolvimento econômico de um setor local, cidade ou país.

2.1 Produção Científica x Patenteamento Acadêmico
A cultura que ainda vigora na academia em relação à produtividade está apoiada na
quantidade de publicação, que, por sua vez, estabelece hierarquia entre autores e
universidades (GARCIA, 2006). O enfoque dado mais especialmente para a quantidade de
publicações pode estar atrelado a outros aspectos dessa cultura vigente, como o fato de que as
universidades “são geralmente mais focadas no compartilhamento do que na proteção”.
(BOGERS, 2011, p. 104, tradução nossa). Os critérios de premiação e de argumento estão
vinculados a:
[...] publicação de artigos científicos, na orientação de teses e dissertações,
na participação em conselhos departamentais e demais instâncias de decisão
da universidade, conferindo-se pouco ou quase nenhum mérito à cooperação
com empresas em projetos de desenvolvimento ou ao depósito de patentes
[...]. (FUJINO; STAL; PLONSKI, 1999).

436

�Sabe-se que a produção científica brasileira tem proporcionado ao país despontar
como uma força emergente e de grande potencial no cenário acadêmico mundial. Contudo,
percebe-se que ainda há uma descrença na concepção de transformar o conhecimento e as
criações científicas em produtos palpáveis. Embora este cenário esteja mudando, ainda é
frágil a cultura da propriedade intelectual nos ambientes acadêmicos, ou seja, pouco se realiza
em direção a proteção do conhecimento para concretizar a inovação (GEUS, 2010;
CHERUBINI, 2009).
Galembeck e Almeida (2005, p. 1002) trazem à tona essa problemática, dizendo que
embora o Brasil “tenha sido um dos primeiros países a aderir às convenções internacionais de
patentes, e embora haja patenteadores brasileiros importantes no cenário internacional”, o
tema da propriedade intelectual é ainda desconhecido por grande parte dos pesquisadores
brasileiros.
Neste âmbito, Garcia (2006, p. 219) destaca que mesmo onde o conhecimento está em
ascensão e a proteção incentivada, o número de patentes depositadas é pequeno. Lembra ainda
que “a cultura da patente não é difundida amplamente, apesar dos esforços para implantar
núcleos descentralizados de estímulo à propriedade industrial nos institutos de pesquisa e nas
universidades”.
Vale ressaltar que o processo de proteção e comercialização dos resultados de
pesquisas acadêmicas se deu no início do século 20, quando “algumas universidades e
laboratórios públicos de pesquisa dos EUA realizaram suas primeiras atividades de
patenteamento” (OLIVEIRA, 2011, p. 1). No Brasil, a atividade de patenteamento por parte
das universidades brasileiras é bem recente, tendo ocorrido o primeiro registro em 1979, pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (PÓVOA, 2008).
Nos Estados Unidos, uma das medidas que alavancou significativamente o
patenteamento acadêmico foi a aprovação da Lei Norte americana Bayh-Dole Act em 1980,
que de acordo Póvoa (2008, p. 80), teve como finalidade incentivar a comercialização de
descobertas acadêmicas patenteáveis, possibilitando “que resultados de pesquisas financiadas
por fundos federais fossem patenteados em nome das universidades dos pesquisadores sem
precisar negociar com a agência financiadora, o que simplificou o processo para as
universidades”.
A administração do sigilo nas universidades deve se tornar uma realidade que vai além
das políticas públicas de incentivo à inovação. Até então, os pesquisadores, pela tradição
acadêmica de livre circulação de ideias, não estão acostumados a guardar informações e, às
vezes, sem perceber, revelam questões de caráter sigiloso se considerarmos a proteção de

437

�resultados passíveis de registro de patentes. As publicações dos resultados de pesquisas ou
mesmo algum tipo de divulgação em eventos temáticos comprometem todo o processo, além
de disponibilizar os resultados a concorrentes cada dia mais especializados em gestão de
informações disponíveis nas universidades em todo o mundo (RODRIGUES JÚNIOR et al.,
2000).
No ambiente acadêmico, as finalidades e vantagens das patentes devem ganhar
visibilidade. Além dos incentivos ao desenvolvimento tecnológico, a patente acaba
desempenhando um papel de encorajamento à pesquisa científica, à disseminação do
conhecimento prático e econômico, à criação de novos mercados e à satisfação das
necessidades latentes dos consumidores (FERREIRA; GUIMARÃES; CONTADOR, 2009).
No Brasil, as universidades públicas superaram as empresas em solicitações de
patentes junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. A Universidade que mais tem
se destacado é a Unicamp. Sabe-se também que a porcentagem de participação das
universidades brasileiras é de 59%. Entre os anos de 2001 e 2008, as universidades
solicitaram 1.359 patentes e as empresas 933 (DAGNINO; SILVA, 2009).

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa enquadrou-se como descritiva de caráter qualitativo. O método de
investigação empregado foi o Estudo de Caso. Segundo Gil (2007), esse método promove a
ampliação de conhecimentos sobre o universo selecionado por meio do estudo de
característica das populações. Além disso, possibilita a identificação de diferentes contextos e
os fatores divergentes e convergentes entre esses, trazendo maior qualidade para os resultados
da pesquisa.
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com nove pesquisadores que
solicitaram patentes no período de 2008 a 2010, com o Diretor Geral e o Coordenador de
Propriedade Intelectual de uma Agência de Inovação de uma Universidade no Estado do
Paraná.
Para o tratamento das informações coletadas, utilizou-se da técnica de análise de
conteúdo, que possibilita “inferências confiáveis de dados e informações com respeito a
determinado contexto, a partir dos discursos escritos ou orais de seus atores e/ou autores”.
Além disso, é levado em consideração, não só a “descrição dos conteúdos”, mas esses
associados ao contexto, viabilizando inferências sobre as circunstâncias na sua totalidade
(MARTINS; THEÓPHILO, 2009, p. 98). Os dados e as informações foram analisados de

438

�forma qualitativa, por tema, permitindo, dessa forma, o delineamento das motivações e
tendências para a proteção do conhecimento e inovação no universo acadêmico.

4 MOTIVAÇÕES E TENDÊNCIAS PARA A PROTEÇÃO DO CONHECIMENTO E
INOVAÇÃO NO ÂMBITO ACADÊMICO: RESULTADOS DE PESQUISA
O desenvolvimento de pesquisas científicas culmina muitas vezes em resultados que
podem levar a transformação de bens intangíveis em tangíveis. No entanto, conhecimentos
aplicáveis na produção de bens e serviços devem ser protegidos antes da sua disseminação,
com vistas a propiciar a inovação.
Nesse sentido, a sensibilização para a proteção do conhecimento poderá gerar efeitos
positivos, quando a comunidade científica passar a compreender efetivamente os benefícios
da proteção do conhecimento. Com essa preocupação, buscou-se verificar se os entrevistados
dão importância para a questão da proteção do conhecimento, bem como para a sua
transformação em produtos palpáveis, o que possibilita a inovação.
Nos relatos há divergências sobre a valorização da proteção do conhecimento no meio
acadêmico. Há pesquisadores que concordam veementemente que a proteção do
conhecimento deve ser realizada como uma possibilidade de gerar inovação e estratégia de
captação de recursos. Por outro lado, há outros que pensaram nesta possibilidade somente
após a repercussão da disseminação da pesquisa. Há ainda alguns que, em função da cultura
existente do livre compartilhamento de ideias, não conseguem visualizar esta possibilidade
por acreditarem que a inovação só é possível mediante a proposição de algo inédito.
A Pesquisadora “J” demonstrou acreditar na proteção do conhecimento como
estratégia de garantia dos direitos de propriedade intelectual, ao relatar que considera
importante a referida ação, no entanto entende que ao realizar a proteção não se tem a garantia
de que o proposto se torne uma inovação. A participante ainda pondera que se a maioria dos
professores entendesse essa importância, o número de patentes no Brasil seria acrescido
substancialmente.
No que tange a proteção como estratégia de captação de recursos, o Pesquisador “C”
se mostra incisivo quanto ao valor que dá à realização de pesquisas que gerem recursos
financeiros. Com esta concepção, ele enfatiza que não desenvolve pesquisas que não deem
retorno financeiro e por essa razão prima pelo sigilo das pesquisas, desde sua concepção,
transmitindo esses valores inclusive para os seus alunos.
Contrário à opinião do Pesquisador “C”, o Pesquisador “F” salienta que a
Universidade pesquisada é uma instituição mantida pelo poder público, sem fins lucrativos.

439

�No entendimento do Pesquisador “F”, os docentes já são pagos para gerar pesquisas com
cunho inovador, sendo complicado, portanto, esperar mais retorno financeiro com o
conhecimento gerado. Ele pondera que deve haver uma avaliação criteriosa nesse sentido.
A cultura da resistência à inovação no meio acadêmico é reforçada pelo Pesquisador
“G” quando ele se refere à valorização excessiva da publicação de artigos científicos. No
entanto, ele faz questão de salientar que seu foco nunca foi publicar artigos, mas sim gerar
inovação. Assim como o Pesquisador “C”, ele entende que a cultura da proteção do
conhecimento para a inovação deve ser embutida na formação do aluno, ao justificar: “Eu
acho que consigo uma coisa muito melhor com os alunos por meio da geração de inovações
do que pela publicação de trabalhos, por isso não tenho vontade nenhuma de sentar e publicar
um trabalho”.
Em outras declarações, percebeu-se que o start para solicitar a patente ocorreu após a
disseminação da pesquisa. A Pesquisadora “B” em conjunto com sua orientanda, falando
sobre a experiência do pedido de patente, afirmou: “Nós não demos importância para o
trabalho, quando minha orientanda começou a ver os outros interessados, disse: tem alguma
coisa errada [...] todo mundo falava em patentear”. A orientanda da Pesquisadora “B” ainda
ressaltou que um tio dela havia lhe falado que ela era é louca de não ter tentado patentear, haja
vista o interesse de todo mundo na pesquisa, coroada inclusive com um prêmio na ocasião.
Tal afirmação aponta que a principal razão que levou as participantes a pensarem em proteger
a pesquisa foi a repercussão do trabalho.
Assim como a Pesquisadora “B” e sua orientanda, o Pesquisador “E” relatou que
iniciou o projeto de pesquisa sem pensar em sua proteção. Narrando sua experiência disse:
Eu iniciei o projeto de pesquisa, que era de inovação tecnológica, sem
procurá-los [Agência de Inovação], eu fui procurá-los no meio do caminho,
falando que eu tinha resultados interessantes e isso me estimulava a
realmente pedir a patente. Ai eles fizeram a pesquisa, viram que não tinha
nada igual, me pediram as informações e montaram o processo.
O Pesquisador “H” considera importante proteger o conhecimento, argumentando que
existe na universidade pesquisas que podem agregar em sua essência produtos inovadores,
mas que muitas vezes acabam se perdendo em decorrência da falta de preocupação dos
docentes com a proteção do conhecimento. Cabe registrar que apesar do participante deixar
implícito que acredita no potencial da proteção do conhecimento, ele demonstra, em outro
momento, não estar muito convicto sobre isso, ao dizer “[...] eu acho que o pesquisador na

440

�Universidade pesquisada já está mais atento para este aspecto agora, não é o meu caso, mas é
um pessoal bem antigo com uma vasta produção [...]”.
Acredita-se que a crença positiva quanto à transformação do conhecimento em
produtos palpáveis pressupõe a compreensão da importância de se proteger este conhecimento
para favorecer a inovação. Quando inqueridos sobre a possibilidade de transformar o
conhecimento em produtos palpáveis, os entrevistados apresentaram opiniões distintas. Uma
parcela enfatizou que acredita ser possível e importante. Outros pesquisadores salientaram
dúvida, argumentando que a missão da universidade não deve estar atrelada à produção de
produtos para comercialização, e sim à formação do aluno.
A Pesquisadora “D” se mostrou favorável à transformação do conhecimento em
produto palpável. Sobre isso ela diz: “É uma linha que eu tenho trabalhado e que realmente é
viável, principalmente na área das engenharias, e a área que eu trabalho, que é materiais, é
uma área que te dá mais possibilidade de fazer esta transformação [...]”.
O Pesquisador “C” também compartilha da opinião da pesquisadora “D” ao declarar:
“Sou radicalmente a favor! É um pouco da minha formação também, além de pensar muito
nessa parte, sempre gostei de fazer ciência básica”. O pesquisador faz questão de salientar
também que a pesquisa básica se faz importante por possibilitar a identificação de um
conhecimento aplicável.
O Pesquisador “G” apresenta uma visão totalmente empreendedora ao afirmar: “Essa
parte, eu não preciso ser sensibilizado, já está dentro do sangue”. O Pesquisador “E”, tendo a
mesma percepção, justifica: “É importante, a gente faz pouco isso e devia fazer mais”.
Os pesquisadores que demonstraram insegurança na questão da transformação do
conhecimento em produtos palpáveis lembraram que a principal missão da universidade é a
formação do aluno e não o desenvolvimento de produtos passíveis de comercialização. Sobre
isso, o Pesquisador “F” explicou: “[...] eu acho que transformar conhecimento em produto
palpável, sem dúvida, é importante, mas no meu entendimento não é a maior missão de uma
universidade, a missão maior de uma universidade é formação de recursos humanos [...]”.
Alguns autores como Sales (2009) e Mora (2006) acreditam que a missão da
universidade vai além da formação de recursos humanos. Para Sales (2009, p. 322), “a
universidade deve se conscientizar da sua missão no desenvolvimento da ciência e
tecnologia”. Na mesma perspectiva, Mora (2006, p. 123) destaca que a universidade deve
atuar como uma “[...] empresa a serviço das necessidades de formação e desenvolvimento
tecnológico”.

441

�As barreiras para inovação no meio acadêmico se estendem aos quesitos da proteção e
transformação do conhecimento em produtos palpáveis. Muitos acreditam que inovação só é
possível mediante a obtenção de conhecimento expressamente inédito, conforme salientou a
orientanda da Pesquisadora “B”: “Eu acredito que é possível transformar o conhecimento em
produtos palpáveis, embora eu ainda esteja com aquele ranço de que para a universidade, para
o país, se for alguma coisa mais de ponta, realmente é mais importante”.
A Pesquisadora “J” destaca que é muito difícil conseguir apresentar algo inédito, relata
que trabalhou 39 anos na Universidade pesquisada, que já no início da sua carreira como
docente teve a oportunidade de fazer mestrado e na sequência doutorado, mas que as três
patentes que solicitou, duas em parceria, tiveram origem em experiências pessoais. Sobre isso,
ela afirmou: “Surgiu mais da experiência, do conhecimento, da vivência, porque não é fácil
você introduzir um novo produto no mercado”.
Quanto à valoração da inovação no meio acadêmico, a Pesquisadora “D” entende
como algo positivo a inovação gerada por intermédio da universidade, ressaltando a
finalidade principal da inovação: “Eu acho que a geração do produto pode interferir em algo
da comunidade com uma melhoria, que é fundamental [...]”.
O Pesquisador “I” também se manifesta favorável à inovação no meio acadêmico,
contudo destaca que para isso é necessário que as oportunidades sejam criadas e que as
necessidades da sociedade sejam levadas em consideração. Essa inquietação é revelada pelo
pesquisador quando ele diz: “Qual a necessidade da população para essa descoberta, se o povo
precisa de um fusquinha e não de um Lamborghini?”. A declaração do pesquisador permitenos inferir que nem sempre as pesquisas no meio acadêmico são decorrentes de necessidades
vigentes da sociedade, como sustentam Conceição e Bocchino (2010) ao ressaltarem que
apesar das universidades possuírem um significativo potencial de conhecimento, formado por
pesquisadores e especialistas, em muitos casos, estes trabalham aquém de suas competências
e geralmente desconectados das prioridades da sociedade.
A importância da proteção do conhecimento para propiciar a inovação no meio
acadêmico é reconhecida por parte dos participantes, no entanto a ação de proteger o
conhecimento não é vista como necessária pela maioria. Segundo o Pesquisador “C”, a
universidade ainda está engatinhando nesse sentido, há ainda um grande preconceito da
categoria com pessoas que trabalham com a inovação, sendo esse preconceito agravado ainda
mais quando pesquisas são realizadas em parceira com a iniciativa privada.

442

�4.1 Disseminação de Nova Tecnologia: Publicar ou Patentear?
Os meios de divulgação mais utilizados pelos pesquisadores para a publicação dos
resultados de suas pesquisas foram investigados. Além disso, os entrevistados foram
inqueridos quanto à aceitação em postergar a publicação dos resultados de suas pesquisas com
vistas a realizar o pedido de patente.
Dos dez pesquisadores, sete afirmaram utilizar como principal veículo de
comunicação o artigo científico. Quanto à patente, ela aparece como canal prioritário de
disseminação na opinião de três pesquisadores. Os eventos aparecem em segundo plano na
visão de quase todos os participantes, excetuando a visão de um pesquisador, que os colocou
como última opção.
Categoria de produção científica mais bem avaliada pelos órgãos de avaliação de
pesquisa e pós-graduação, os artigos científicos são os meios mais utilizados para
comunicação científica. Expondo com intrepidez essa realidade, o Pesquisador “F” registra:
“[...] infelizmente a única regra que nos mede é o número de artigos publicados, se você tem
isso ai, pronto, você está no céu, é o que funciona pra gente [...]”. A Pesquisadora “B”
também manifesta sua aflição nesse sentido, quanto relata: “[...] se eu não publico, eu não sou
ninguém, sou um lixo [...]”. As afirmações nos levam a inferir que professores altamente
produtivos atraem mais respeito e são consequentemente mais valorizados.
A orientanda39* da Pesquisadora “B” atesta o exposto quando argumenta:
[...] tudo o que eu consegui até hoje profissionalmente foi graças à
publicação do artigo, e esse caminho me trouxe muitas coisas boas, talvez se
eu tivesse ficado esperando a patente, não sei quanto tempo, para começar
daí a divulgar, eu não sei como seria para a minha vida profissional.
No entanto, percebe-se que a entrevistada está equivocada em relação ao processo de
patenteamento ao dizer que não poderia ter divulgado nada até hoje em virtude da espera pela
concessão da patente. A participante demonstrou desconhecimento, tendo em vista que após
requerer a patente o proponente pode prosseguir com a disseminação dos resultados da
pesquisa, tendo asseguradas as expectativas de direito de propriedade intelectual do inventor
(FEDERMAN, 2010; MOREIRA; ANTUNES; PEREIRA JÚNIOR, 2004).
Outras opiniões levantadas denotam alguns aspectos negativos em relação ao foco
excessivo da comunidade científica para com os artigos científicos. Esse enfoque é acentuado
pela Pesquisadora “B”, que relatou:
39A Pesquisadora “B” aceitou conceder entrevista mediante a participação de sua orientanda de mestrado.

443

�[...] tem professor que acha que é máquina de publicar, eu não sou assim,
então você acaba não dando boa aula porque está focado na publicação, e
isso não é correto. Eu acho que a publicação é o coroamento ou resultado de
um trabalho que você fez, e qual é esse trabalho? Formar aluno como eu
disse, gerar conhecimento para depois vir a publicação [...].
A Pesquisadora “J” acredita que a publicação numerosa de artigos científicos não
traduz o conhecimento do professor na sua integridade. Sobre isso, ela relata que foi
pesquisadora produtividade do CNPq durante 4 anos, mas devido ao montante de atividades e
em função da exigência extrema de publicações em quantidade não conseguiu manter o
benefício. A pesquisadora ainda revelou: “[...] tem pessoas que só se preocupam com isso, é
só índice de impacto, artigo científico, eu acho que isso não mostra o conhecimento do
professor, tanto é que nós temos o livro, que também não dá tanta pontuação”.
Os eventos são citados por quase toda a população envolvida como segundo canal de
divulgação de pesquisas, com exceção do Pesquisador “I”, que prioriza, após a publicação de
artigos, os capítulo de livros ou mesmo livros.
As patentes, por sua vez, quase não são valoradas como canal de disseminação, haja
vista a demora na sua tramitação. Essa desvantagem é abordada por dois entrevistados. Para a
Pesquisadora “D”, a patente seria um canal de disseminação interessante dentro de algumas
áreas, no entanto ela afirma: “o sistema é lento”.
Concordando com o exposto, a orientanda da Pesquisadora “B” menciona: “Eu acho
que a patente em longo prazo é mais interessante do que o artigo científico, mas a gente
precisa correr”. Ela justifica sua posição ao destacar que a publicação de artigos a ajudou
indiscutivelmente a agregar valor ao seu currículo, que por sua vez possibilitou, na sua
concepção, sua aprovação no doutorado e na seleção para Professor temporário na
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR. A participante sustentou sua
insatisfação dizendo: “[...] e a patente continua rodando, rodando”.
O Pesquisador “F” menciona que a patente é preterida inclusive pelos Gestores de
Graduação e Pós-Graduação da Universidade. Sobre essa rejeição ele expõe: “A patente tem
praticamente o mesmo peso, mas ainda os nossos administradores de pesquisa e pósgraduação da universidade não sacaram isso”. Ele revela que a cobrança é extrema em relação
aos artigos e as patentes são ignoradas.
A divulgação pública da invenção antes do depósito do pedido de patente pode
comprometer o processo de patenteamento e a futura comercialização da invenção ao
disponibilizar informações muitas vezes sigilosas a interessados (FEDERMAN, 2010;

444

�RODRIGUES JÚNIOR et al., 2000). Nesse sentido, os participantes foram indagados quanto
à aceitação em postergar a publicação dos resultados de suas pesquisas, objetivando realizar
previamente o pedido de patente. Dos dez pesquisadores, sete participantes concordam em
postergar a publicação dos resultados de suas pesquisas em prol da elaboração do pedido de
patente, levando-se a inferir que os participantes compreendem o risco que o período de graça
pode trazer para o inventor.
Nesse aspecto, vale a pena destacar a declaração do Pesquisador “E”, ao justificar:
“[...] É por uma boa causa, até porque se você está desenvolvendo algo, não tem como ficar
ultrapassado, ou então você está desenvolvendo algo que outro também está e você tem uma
competição contra o relógio [...]”. Já o Pesquisador “F” faz uma interessante observação
quanto à necessidade de postergação da publicação de resultados de pesquisas: “Eu até já fiz
isso, só que não sei se é necessário, viu. Hoje em dia você manda um trabalho para uma
revista e o tempo de demora pra publicar está empatando com a patente [...]”. O entrevistado
faz referência a essa demora na publicação de artigos em revistas de grande impacto.
A Pesquisadora “J” afirma que as agências de fomento e avaliação deveriam rever os
critérios de pontuação para a produção científica e tecnológica. No entendimento da
participante, uma mudança voltada para igualizar o máximo possível o peso de pontuação
para essas categorias poderá incentivar sobremaneira a comunidade científica na busca de
patentes.
Com esse espectro, a participante “J” acredita ser importante que as universidades, de
forma geral, realizem atos que visem também à sensibilização de gestores de pesquisa e pósgraduação e de quem de direito, quanto à patente e seus benefícios, deixando explícito que
não só o artigo deve ter valor. Sobre isso, ela enfatiza que não é dada nenhuma importância
para as patentes, “[...] é o valor mínimo, é só pra quem gosta e tem tempo. Até os professores,
os pesquisadores pensariam diferente”.
Dado esse contexto, é perceptível que o desencadeamento de uma cultura favorável à
proteção da propriedade intelectual e inovação depende de fatores que transpõem os muros da
universidade. Internamente, o cenário ainda é marcado por uma forte postura individual,
poucos conhecem e vislumbram os objetivos fins da proteção do conhecimento, que, no
mínimo, favorece todos os envolvidos no processo e oportuniza que o conhecimento seja
legitimamente reconhecido e aplicado como estratégia de crescimento para o país.

445

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estabelecimento de uma cultura voltada para a proteção do conhecimento no âmbito
acadêmico urge por uma sensibilização e conscientização maior dos pesquisadores quanto ao
potencial da Universidade não só como fonte de conhecimento, mas, sobretudo, como
geradora de conhecimentos passíveis de serem transformados em bens comercializáveis,
potencializando a inovação no universo acadêmico. Além disso, a cultura do livre
compartilhamento de ideias e conhecimentos deve ser sucumbida, priorizando a proteção do
conhecimento por meio da patente, como estratégia de proteção, e ao mesmo tempo, de
disseminação.
Nesta perspectiva, a Universidade pode ser vislumbrada com a missão que transpõe a
singular formação de alunos, na qual as pesquisas podem ser desenvolvidas tendo como
aporte as necessidades da sociedade, possibilitando que os conhecimentos gerados por meio
do ensino, pesquisa, e extensão sejam articulados em prol do desenvolvimento tecnológico do
país.
Os resultados revelam que os participantes da pesquisa não estão sensibilizados para a
proteção do conhecimento, já que pouca importância é dada para esta ação. É manifesto um
cenário divergente quanto à valorização da proteção do conhecimento, no qual oscilam
opiniões que contemplam esta iniciativa como um meio de geração de inovações, outras
apontam este ato como uma estratégia exponencial de captação de recursos, e por fim, há
ainda os que vislumbram a inovação sob a ótica da proposição de algo inédito. Não obstante,
a transformação do conhecimento em produtos palpáveis também não é um paradigma
comum entre os pesquisadores, haja vista que alguns consideram que a principal missão da
Universidade está voltada para a formação do aluno e não a produção de bens para
comercialização.
A cultura existente culmina com as ações de disseminar, compartilhar o conhecimento
livremente e quase não patentear. Neste aspecto, o artigo científico é o mecanismo mais
lembrado pelos pesquisadores para a disseminação do resultado de suas pesquisas, seguido
dos eventos, que aparecem como segunda alternativa. Já a patente é lembrada pela minoria
como canal prioritário de disseminação.
É notória a falta de preparo e conhecimento dos professores acerca do processo de
patenteamento. Com efeito, infere-se que programas de sensibilização e disseminação da
cultura da propriedade intelectual e inovação devem ser urgentemente estudados e
implantados na Universidade pesquisada, com vistas a remodelar a cultura vigente dos

446

�pesquisadores no que diz respeito às formas de disseminação e utilização do conhecimento,
bem como sua proteção, potencializando o surgimento de inovações.
O olhar apenas para a quantidade de publicações deve ser minimizado, principalmente
quando se trata da publicação de resultados de pesquisas que envolvem um sigilo ou segredo
industrial. Por outro lado, outras formas de avaliação/pontuação para os currículos dos
docentes/pesquisadores nas universidades devem ser repensadas e discutidas, talvez por meio
de novas políticas de desenvolvimento de planos de carreiras, nas quais o fruto das pesquisas
realizadas seja considerado como elemento mais importante, incentivando-os a direcionar,
quando possível, suas pesquisas para resolução de problemas mais pontuais na sociedade,
agregando assim melhorias imagináveis para o desenvolvimento social e econômico junto ao
desenvolvimento da ciência.

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                <text>A Universidade é notoriamente reconhecida como fonte de geração e disseminação de conhecimentos. A inovação, por sua vez, decorre de conhecimento científico, que ao ser patenteado, garante os direitos dos atores envolvidos quanto à apropriação indevida do conhecimento, possibilita o compartilhamento seguro e contribui para o desenvolvimento tecnológico. Com essa abordagem, o presente estudo procurou identificar se os pesquisadores estão sensibilizados para a proteção do conhecimento e a forma de disseminação de uma nova tecnologia, visando ao surgimento de inovações no meio acadêmico. Para alcançar esse objetivo, foi desenvolvida uma pesquisa descritiva de caráter qualitativo por meio do estudo de caso envolvendo pesquisadores que solicitaram patentes no período de 2008 a 2010 e gestores de uma Agência de Inovação de uma Universidade do Paraná. A técnica de coleta de dados empregada foi a entrevista. Para o tratamento das informações coletadas, utilizou-se da Técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados revelam que pouca importância é dada pelos participantes para a proteção do conhecimento. Além disso, falta preparo e conhecimento dos professores acerca do processo de patenteamento. Quanto à preferência dos pesquisadores na disseminação de uma nova tecnologia, ficou evidente que o artigo científico é o mecanismo de divulgação mais utilizado pelos participantes. Com esses resultados foi possível identificar que a cultura da propriedade intelectual ainda se mostra ínfima no universo estudado, sendo que no lugar desta, é evidenciada a cultura do livre compartilhamento de ideias e conhecimentos, a qual contribui para um cenário de resistência a inovação no meio acadêmico.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECA DO COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UFRJ: CONSTRUINDO
OBJETOS DE AFETO PARA ALÉM DOS MUROS

Ana Lúcia Gonçalves
Leni Rodriguez Perez Fulco
Tatyanne Christina Gonçalves Ferreira Valdez
RESUMO
O trabalho trata de uma parceria bem sucedida da Biblioteca do Colégio de Aplicação da
Universidade Federal do Rio de Janeiro com o Colégio Estadual Ignácio Azevedo do Amaral
e com a Escola Municipal Shakespeare. O objetivo se configura em uma proposta de
integração das bibliotecas escolares e da sala de leitura no projeto pedagógico das escolas
parceiras, visando um trabalho integrado de formação de leitores e orientação à pesquisa
escolar, voltado para a literatura e para a ciência da informação. Pretende-se estabelecer um
diálogo entre a comunidade acadêmica do CAp/UFRJ e instituições parceiras com vistas à
construção de uma proposta que atenda ao perfil de cada uma. A fundamentação teóricometodológica consistiu da importância da leitura na formação de leitores críticos, bem como a
contribuição da pesquisa escolar no processo de aprendizagem. Estas duas ações reforçam o
papel da biblioteca escolar no contexto educacional, como parte integrante do currículo
escolar. A metodologia utilizada compreendeu os conceitos do SenseMakinge dos Princípios
da Incerteza. O público alvo do estudo foi de alunos das três escolas, composto pelas séries
iniciais do ensino fundamental (1° ao 5° ano) com vistas à formação de leitores, e de alunos
do ensino médio regular e curso normal visando à orientação no uso e busca de fontes, assim
como a normalização da pesquisa documental. Observou-se que as atividades de fomento à
leitura e à pesquisa escolar no interior da biblioteca permitiu que este ambiente se tornasse
uma ferramenta fundamental no processo de ensino-aprendizagem.

Palavras-Chave:Biblioteca Escolar; Formação de Leitores; Pesquisa Escolar.

ABSTRACT
The study looks at a successful partnership between the library of “Colégio de
AplicaçãodaUniversidade Federal do Rio de Janeiro” (CAp/UFRJ - a school associated with
the
Federal University
of Rio
de Janeiro)
and two
other schools “ColégioEstadualIgnácioAzevedo do Amaral” and “Escola Municipal Shakespeare” . The
objective is to create a proposal for how to integrate school libraries and reading rooms with
the pedagogical projects of partner schools. The aim is to integrate the development of
reading and the conductance of research on literature and information science. The purpose is
to establish a dialogue between the academic community of CAp/UFRJ and partner
institutions with a view to building a proposal that benefits both parties. The theoreticalmethodological foundation consisted of the importance of reading in the formation of critical
readers as well as the contribution of conducting research on the process of learning. These

2237

�two things re-enforce the role of the school library, in an educational context, as an integral
part of the school curriculum. The methodology used included the concepts of Sense Making
and the Principals of Uncertainty. The first subjects of the study were students in grades 1 to 5
who attended two schools. Here the focus was the development of readers. The second group
to be studied were students of the other type of school (“ensinomédio regular” and “curso de
formação de professores”). Here the focus was how students searched out and used resources,
as well as the normalization of document based research. It was noted that activities for
developing reading and conducting research inside the library allowed this environment to
become a fundamental tool in the process of teaching/learning.

Keywords: School Library; Readers Formation; School Research.

1 INTRODUÇÃO
A biblioteca é um espaço muito importante em uma instituição de ensino, pois tem
como objetivo complementar o currículo escolar, promovendo atividades relacionadas à
leitura, o que traduz em um maior estreitamento comunidade escolar. Por disponibilizar
materiais informacionais e culturais, contribui para o processo de aprendizagem e ensino.
Assim a missão da Biblioteca do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de
Janeiro(CAp/UFRJ) tem por finalidade a fomentação da leitura e da escrita, possibilitando
formar alunos intelectualmente, culturalmente e socialmente.
Os colégios de Aplicação das Universidades Federais foram criados a partir do
Decreto-lei 9.053 de 12 de março de 1946 que cria os ginásios de aplicação das Faculdades
Nacionais de Filosofia. Deste modo, a biblioteca do Colégio de Aplicação da UFRJ surge em
maio de 1948 para atender a formação didática dos alunos da graduação. Como parte
integrante da universidade, a biblioteca do CAp/UFRJ tem como fundamento prioritário
atender o tripé: ensino, pesquisa e extensão. Desta maneira, a biblioteca inserida neste
contexto tem como propósito oferecer produtos e serviços que atendam essas demandas
indispensáveis de uma comunidade acadêmica.

1.1 Objetivos
Este trabalho pretende relatar a experiência ocorrida no projeto de extensão da
biblioteca do CAp/UFRJ, intitulado “Biblioteca Escolar e Projeto Pedagógico: uma proposta
de integração em escolas da rede pública”, realizado no ano de 2013, compreendendo três
instituições de ensino, uma municipal (Escola Municipal Shakespeare), outra estadual
(Colégio Ignácio Azevedo do Amaral) e uma federal (Colégio de Aplicação da UFRJ).Para
esta consolidação, este projeto tem por finalidade a integração dos discentes (ensino

2238

�fundamental, médio e graduação), docentes e servidores técnico-administrativos, promovendo
a ampliação para a comunidade externa.
O projeto visa dentre seus objetivos despertar o interesse pela leitura visando a
formação de alunos leitores com maior senso crítico e reflexivo focado nas temáticas
trabalhadas pelos professores responsáveis pelo 1° ano do ensino fundamental, assim como
pela disciplina Oficina da Palavra que compreende as turmas do 2° ao 5° ano. No que
concerne a atividade de extensão voltada para a mediação de leitura na Escola Municipal
Shakespeare, esta contou com a sugestão e colaboração da coordenadora pedagógica e dos
professores da disciplina de língua portuguesa compreendendo as turmas do 1° ao 5° ano.
Vale ressaltar que o projeto contempla alunos do 1° ano do ensino médio, do Colégio
de Aplicação e alunos do curso de formação de professores (antigo Normal) do Colégio
Estadual Ignácio Azevedo do Amaral que se beneficiarão de um suporte importante para suas
atividades futuras como docentes, permitindo que ganhem autonomia na pesquisa de temas
para suas aulas e capacitando-os de modo a se tornarem cada vez mais independentes na
busca e no uso de informações.
Verifica-se que o projeto supracitado tem como base a função educativa da biblioteca,
como um espaço indispensável para o processo de aprendizagem da comunidade discente,
evidenciando a responsabilidade social dos profissionais que lidam com a informação
(WERSIG, 1993).

1.2 Justificativa
Observa-se que o envolvimento das crianças do ensino fundamental das escolas
parceiras em torno dos debates de textos da literatura infanto-juvenil permite a divulgação de
obras, através da presença de um contador de história, de modo a incentivar a troca de
reflexões e experiências entre as escolas. Este processo possibilita o enriquecimentodo
repertório literário da sala de leitura da Escola Municipal Shakespeare, propiciando um
intercâmbio entre os seus alunos e os do CAp, de tal modo que durante o ano sejam oferecidas
atividades entre ambas instituições.
Este cenário de troca de ideias e esforços reforça o que os sociólogos chamam de
'grupos portadores de conhecimento' sobretudo, mas não exclusivamente, pequenos grupos de
contato direto, e de 'instituições geradoras de conhecimento', entendidas como grupos de
indivíduos que se encontram regularmente em vista de objetivos comuns (BURKE, 2012,
p.12). É de interesse do projeto, possibilitar que os estudantes da Escola Municipal

2239

�Shakespeare frequentem a Biblioteca do CAp, tendo inclusive durante um período o direito ao
empréstimo de publicações.
No que se refere ao ensino médio, verifica-se que a maior dificuldade evidenciada
pelos alunos diz respeito à pesquisa em bases de dados e à identificação da fidedignidade da
informação disponível na internet. Pretende-se traçar estratégias de orientação da pesquisa
escolar, nos mais variados suportes informacionais como apoio às atividades curriculares. De
acordo com Espinet (2003 apud FIALHO; MOURA, 2005), a competência informacional
trata de um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que capacitam e permitem aos
indivíduos interagir de forma efetiva com a informação, seja para a resolução de problemas, a
tomada de decisões ou o aprendizado ao longo da vida265.
O projeto tem ainda por finalidade construir um intercâmbio permanente de
professores, estudantes e bibliotecários, de modo a propiciar um canal de diálogo constante e
lançar as bases para a implantação do compartilhamento entre bibliotecas escolares do Estado
do Rio de Janeiro, pautado no Compartilhamento entre Bibliotecas de Instituições de Ensino
Superior do Estado do Rio de Janeiro (CBIES). Este grupo existe há treze anos e é constituído
de um grupo de bibliotecas afiliadas de instituições públicas e privadas e instituições de
ensino e pesquisa.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A biblioteca é um espaço indispensável em uma instituição de ensino, pois
desempenha um importante papel no processo ensino-aprendizagem através de atividades que
compreendem a promoção da leitura e a pesquisa escolar. Deste modo, destaca-se a função
educativa da biblioteca que contribui de maneira significativa na formação do educando.
Bernadete Campello é uma autora de referência sobre o assunto e através de um estudo
buscou identificar o papel da biblioteca escolar no âmbito do ensino básico no Brasil. Neste
estudo a pesquisadora concluiu que a função educativa da biblioteca escolar compreende três
aspectos: a leitura, a pesquisa escolar a cultura, eos mesmos possuem características que
devem ser analisadas a fim de aperfeiçoar essas instituições, especificamente o seu papel
pedagógico(CAMPELLO, 2003).
O aspecto pedagógico da biblioteca escolar no Brasil pode ser evidenciado por
Lourenço Filho membro do movimento Escola Nova que preconizava a valorização do
indivíduo como ser livre, ativo e social. Neste contexto o foco da atividade escolar não é
265FIALHO, Janaina Ferreira; MOURA, Maria Aparecida. A formação do pesquisador juvenil. Perspect. Ciênc.
Inf., Belo Horizonte, v.10, n.2, p. 194-207, jul./dez. 2005.

2240

�representado pelo professor e pelos conteúdos concluídos pelas disciplinas, mas sim pelo
aluno considerado um ser dinâmico, repleto de curiosidades acerca do que está acontecendo
ao seu redor (CAMPELLO, 2003). Segundo esta perspectiva,para Lanzi e Ferneda (2011, p.
1055)
aprender é mais do que recuperar a informação,depende de interações no
contexto da aprendizagem, da informação ou material disponível,
dasferramentas e das características cognitivas individuais dos estudantes.
Pode-se acrescentar o aspecto cognitivista Piagetiano, onde segundo Parra (1983 apud
LANZI; FERNEDA, 2011, p. 105 5)266:
Educar consiste,de forma geral, em provocar o desequilíbrio na mente do
educando, de maneira compatível com seu nívelde desenvolvimento, de
modo que, ao procurar o reequilíbrio, ele se reestrutura cognitivamente e
aprende.
Uma das preocupações inerentes à pesquisa escolar refere-se a dispersão do
conhecimento sobretudo na internet. Apesar da disseminação do conhecimento e de sua
difusão através, sobretudo das ferramentas de busca, tais como o Google (cujo papel é
localizar itens por meio de palavra-chave), terem propiciado que a informação de maneira
global se tornasse mais acessível, vale lembrar que nem sempre esta informação tem uma
natureza fidedigna. Por esta razão faz-se imprescindível um trabalho de conscientização junto
ao público-alvo que se deseja atingir através deste projeto, para que este se torne capaz de
identificar as fontes relevantes e pertinentes aos assuntos que estejam buscando, reforçando a
importância que estas fontes sejam confiáveis. Conforme ressalta Burke (2012, p. 342):
A wikipédia oferece um exemplo claro de uma outra tendência recente
importante - a reflexividade. As discussões sobre a sociedade do
conhecimento ressaltam o aumento da capacidade da sociedade para agir
sobre si mesma, a constante revisão de práticas sociais à luz do
conhecimento sobre essas práticas.
É neste contexto social que a responsabilidade do bibliotecário escolar é ampliada para
atender as exigências de uma sociedade cada vez mais conectada. Segundo esta perspectiva,
os autores Lanzi, Vidotti e Ferneda (2012, p.3) afirmam que

266LANZI, Lucirene Andréa Catini; VIDOTTI, Silvana Aparecida Borsetti Gregório; FERNEDA, Edberto.
Tecnologias de informação e comunicação dinamizando a biblioteca escolar. In: ENCONTRO NACIONAL DE
PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 13., Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Fiocruz, 2012.

2241

�é necessário elaborar alternativas pedagógicas inovadoras que respondam as
exigências de uma sociedade democrática, em um contexto dominado pelas
novas tecnologias, motivando as crianças e os jovens a aprenderem, mesmo
que de maneira informal, utilizando para isso os suportes mais instigantes
para essa geração conectada em ambientes digitais.
O reequilíbrio pode ser interpretado e compreendido como a substituição de um estado
damente, que se encontra num primeiro momento com poucas informações acerca de uma
temática para umestágio de maior domínio e conhecimento do assunto estudado. Podemos
acrescentar a essa abordagemduas outras que de certa forma se coadunam. A primeira é de
Dervin (1986) que através de suametodologia denominada SenseMaking, ressalta a
transformação que ocorre na pesquisa escolarna medidaem que o aluno ultrapassa os seus
vazios cognitivos e os supera através do acesso às fontes informacionais.
De maneira similar Kuhlthau (2010) através do princípio da incerteza reforça o
paradigma de que somentepor intermédio das informações assimiladas, o estado de um
indivíduo passa de dúvida para uma maiorsegurança e satisfação no domínio de uma área do
conhecimento humano.
Neste sentido, o bibliotecário pode ser de fundamental relevância no processo de
formação do leitor na medida em que este atua como facilitador do uso de fontes da
informação, nos mais variados meios, cumprindo também o papel de mediador da leitura
(GUIMARÃES; BARREIRA, 2013). No conjunto de competências, o profissional precisa
identificar dois tipos de leitura: a poética, recreativa e de lazer; e a leitura informativa, cujo
papel é dar suporte a pesquisa escolar (CAMPELLO, 2003). Segundo a autora, a biblioteca
não se caracteriza mais como um depósito de livros, mas como “laboratório de
aprendizagem”, onde os alunos podem atuar de acordo com os seus potenciais para alterar o
seu estado de conhecimento do objeto investigativo.
Conforme destaca Petit (2009, p. 58) “a capacidade de estabelecer com os livros uma
relação afetiva, emotiva e sensorial, e não simplesmente cognitiva” parece ser de fato uma
escolha decisiva no trabalho de encontro com a oralidade. Ainda conforme a autora a
biblioteca se constitui de um ambiente propício para que contadores de histórias possam
estabelecer um contato estreito com os alunos, de modo a promover o interesse pela leitura da
coleção disponível na mesma. É neste contexto que os mediadores reconhecem o seu papel na
formação do gosto pela leitura, através da escolha bastante refletida de obras que possam
alavancar o processo de apropriação e interpretação dos textos.
De acordo com Campello (2003) o aspecto cultural também deve ser evidenciado nas
ações educativas promovidas pela biblioteca. Desta maneira, deve contribuir para diminuir a

2242

�distância cultural entre o aluno e o meio social no qual este se encontra, como também
cooperar com o desenvolvimento cultural da comunidade discente e com o desenvolvimento
do gosto pelo crescimento educacional e cultura (DUARTE, 1998; TARAPANOFF, 1982;
VÁLIO, 1990 apud CAMPELLO,

2003)267.Estas ações se desenvolvem na biblioteca do

CAp/UFRJ através do evento “ Semana da Biblioteca” que na sua sexta edição ocorrida de 28
de março a 11 de abril possibilitou o enriquecimento do repertorio literário e cultural.
No que se refere a esse contexto, foram promovidas contações de histórias contando
com a presença de oficineiros, bibliotecários e bolsistas da graduação. Um dos exemplos
ocorridos este ano para ilustrar a ampliação do conhecimento do aluno foi propiciado através
da escolha do livro “O gato da biblioteca” de KenjiMiyakawa e GorohTabata. Os alunos após
a contação da história tiveram a chance de vivenciar o aprendizado da técnica de “Kirie”
(colagem tipicamente japonesa) desenvolvida pelo autor GorohTabata. Deste modo, foi
proposto aos alunos criarem os seus próprios desenhos a partir do contato com esta arte. Um
outro exemplo a ser destacado, foi a escolha do livro “A menina que roubava livros” de
MarkusZusak, apresentado para as turmas do 4° ano. Em função do livro ressaltar o período
da 2° Guerra Mundial em especial o Nazismo, a biblioteca propôs uma parceria com a
professora de História, para que a mesma fizesse uma contextualização deste momento, o que
facilitou o processo de compreensão da história por ocasião da contação realizada pela
bolsista pós-graduanda de literatura infanto-juvenil. Por conta do êxito deste evento e da
experiência acumulada ao longo dos anos, a biblioteca foi motivada a multiplicar este trabalho
para outra instituição de ensino fundamental. No tocante a formação de coleções, a biblioteca
aceita sugestões dos alunos para compor o seu acervo, e a divulgação deste é feita através do
mural, da lista de discussão e do facebook. No que se refere ao ambiente digital, aquele que
disponibiliza a notícia e aquele que recebe passam a utilizar as redes sociais como um espaço
de socialização, interação e compartilhamento (RECUERO, 2009 apud ARANTES;
BORTOLIN, 20 13)268.
O bibliotecário, bem como os demais profissionais que atuam em bibliotecas, deve
atuar como interpretes da realidade, decodificando conteúdos disponíveis em diversos

267CAMPELLO, Bernadete. A função educativa da biblioteca escolar no Brasil: perspectivas para seu
aperfeiçoamento. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIENCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2003,
Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: Escola de Ciência da Informação da UFMG, 2003.
268ARANTES, Fernanda Mecking; BORTOLIN, Sueli. Compartilhei! A mediatização na rede social online por
meio da oralidade. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14.,
Florianópolis. Anais...Florianópolis: UFSC, 2013.

2243

�suportes, com o desafio de ser um agente social, educador e mediador (OLINTO, 2010). Essa
versatilidade precisa estar alinhada ao ambiente no qual ele está inserido.
Espera-se

contribuir com

a formação intelectual

e cultural

dos

estudantes,

agregando“conteúdos da cultura que precisam ser transmitidos às novas gerações [...]
utilizando os documentos, o aluno constrói seu próprio conhecimento e assume a posição
crítica que visa torná-lo um cidadão consciente, participativo e transformador” (STUMPF,
1987, p. 75 apud CAMPELLO,2003,p. 20)269.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia compreenderá duas etapas específicas. A primeira se refere à
apresentação de histórias daliteratura infanto-juvenil com a presença de contadores para o
ensino fundamental do Colégio de Aplicaçãoe da Escola Municipal Shakespeare, utilizando a
metodologia do SenseMaking, construída por Dervin(1986) e aplicada por Gonçalves em
2009. Esta metodologia possibilita aos alunos emitirem suas opiniões,perspectivas ou pontos
de vista através do diálogo com os professores envolvidos no projeto, acumular
oconhecimento

recebido

que

propiciará

mudanças

de

interpretação

e

de

sentido

posteriormente àapresentação das obras da literatura infanto-juvenil. Burke (2012) acrescenta
que indivíduos têm interesses, conhecimentos distintos e que por esta razão observam
determinados fenômenos também deuma forma diferenciada.
A segunda etapa, direcionada ao ensino médio do Colégio de Aplicação e doColégio
Ignácio Azevedo do Amaral utilizará a metodologia desenvolvida por Kuhlthau (2010),
queapresenta o princípio da incerteza, onde se verifica que ao longo da pesquisa escolar
sentimentosmúltiplos são vivenciados pelos estudantes. Para muitos educadores a pesquisa é
uma forma do alunoparticipar ativamente da busca e da construção de um maior
conhecimento de um assunto, assimilandoideias e desta maneira facilitando a aprendizagem.
Mas, muitas vezes a pesquisa escolar tem causadoinsatisfação entre os docentes que reclamam
que os alunos copiam longos trechos das enciclopédias.Para ratificar essa afirmação Campello
(2010 apud FULCO, 2012, p. 14)

269CAMPELLO, Bernadete. A função educativa da biblioteca escolar no Brasil: perspectivas para seu
aperfeiçoamento. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIENCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2003,
Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: Escola de Ciência da Informação da UFMG, 2003.

2244

�expõe que embora ninguémesteja satisfeito com a maneira como a pesquisa
escolar vem sendo desenvolvida nas escolas, ela ainda éum meio adequado
para levar os alunos a trabalhar com autonomia em assuntos de seu interesse,
aaprender a usar variadas fontes de informação e a mobilizar habilidades que
poderão ser transferidas paraoutras situações de aprendizagem,
possibilitando o que Demo (2007 apud FULCO, 2012, p.14) chama de
reconstrução doconhecimento270.
Para que uma pesquisa escolar seja elaborada de maneira adequada são necessários
trêselementos básicos: a existência de um assunto que não esteja contemplado no livro
recomendado peladisciplina; localização e uso de fontes de informação dos mais variados
suportes e apresentação dosresultados obtidos; que se traduz numa compilação das
informações assimiladas, descrevendo aperspectiva ou o ponto de vista (foco) escolhido pelo
estudante.
A questão da motivação dos alunos éoutro aspecto enfatizado pela autora. Esta não
deve ser pautada essencialmente numa avaliação formal,como instrumento acadêmico que
mede o que o aluno assimilou. Mas por outro lado, uma motivação denatureza interna,
provocando o interesse e a escolha do estudante, no escopo da disciplina trabalhada,pode ser
bem mais sucedida, em termos de significados pessoais na sua bagagem acadêmica. O fato
deque os estudantes vão aprender algo novo desempenha um grande desafio e interesse. O
início dotrabalho de pesquisa normalmente ocorre fora da biblioteca, nas dependências da sala
de aula. Todavia afamiliaridade com a coleção da biblioteca e o bom entrosamento com os
profissionais que trabalham namesma podem auxiliar na seleção de assuntos a partir do
conhecimento das fontes disponíveis. Destaforma o bibliotecário passa a ser um importante
aliado do professor por ter domínio das fontes que possamcontribuir para a elaboração da
pesquisa.
A parceria entre este profissional e o professor se faz presente,não somente no que se
refere às normas exigidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT,esfera de
domínios dos bibliotecários, que podem inclusive dar uma exposição acerca das mesmas,
comoainda acrescentar a importância da identificação das fontes, para que fique explícito de
onde aquela ideiafoi retirada. O bibliotecário pode ainda neste estágio elencar os termos de
busca, apresentando avariedade de material, com propósito de auxiliar na busca pelo foco da
pesquisa. Como parte integrante do projeto foi apresentada uma palestra sobre o ensino na
busca de fontesdocumentais e a normalização das mesmas.
270FULCO, Leni Rodriguez Perez. A pesquisa escolar como facilitadora na produção do conhecimento na
Biblioteca do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro-Trabalho de Conclusão de
Curso (Especialização em Formação de Leitores), Faculdades Integradas de Jacarepaguá, Rio de Janeiro, 2012.
43p.

2245

�4 RESULTADOS PARCIAIS
Os resultados parciais foram elaborados a partir do desdobramento das atividades
realizadas do 1° ao 5° ano na Escola Municipal Shakespeare e do trabalho de pesquisa e
normalização com os alunos do 1° ano do Ensino Médio do Colégio de Aplicação da UFRJ
(CAp/UFRJ). A seguir faremos um breve relato de cada uma dessas atividades.
Nas turmas de primeiro ano do ensino fundamental, o foco do trabalho foi a respeito
da sustentabilidade e meio ambiente. Para isso convidamos a equipe de produção SpaSophia:
Cultura e Arte, para a realização da oficina “Valentin, o menino verde na Lagoa” . Na turma
1101 os alunos aprenderam a pintar desenhos do Valentin, utilizando materiais recicláveis,
através da pigmentação natural, como terra, espinafre, beterraba e açafrão. O personagem
Valentin ensinou sobre a importância da preservação da natureza e as formas de contribuir
para uma cidade mais limpa. Os alunos criaram seus próprios desenhos, utilizando os
materiais de pigmentação natural. A outra turma, 1103, produziu uma atividade a respeito da
criação de Valentin como boneco, utilizando outros produtos recicláveis tais como caixas de
pasta de dente, palitos de sorvete e jornal. O trabalho foi feito em etapas, primeiramente
emendaram a cabeça do boneco (bolinha de isopor) ao corpo (caixa de pasta de dente), depois
os braços foram encaixados com palitos de sorvete no tronco do boneco e folhas de papel
higiênico foram utilizadas para forrar a caixa. Após estas etapas, os alunos pintaram todo o
boneco com tintas de pigmentação naturais.
As turmas de segundo ano contaram com a participação de uma bibliotecária e
contadora de histórias que apresentou a personagem da Boneca Taty. Ela utilizou um
instrumento japonês chamado “Kamishibai”, que é uma espécie de teatro ilustrado em papel
utilizado para contar histórias, e com ele contou algumas histórias para as crianças. Ao
término da atividade a boneca Taty retirou de sua caixa de brinquedos um objeto chamado
“pau de chuva”, um instrumento indígena que ao mexer faz um barulho de chuva; interagindo
com os alunos nas atividades de perguntas e respostas sobre as histórias contadas.
As turmas de terceiro e quarto ano receberam a visita dos Tapetes Contadores de
História, um grupo de contadores que há 15 anos trabalha com contação de histórias através
de tapetes confeccionados artesanalmente, e os próprios tapetes são “livros” e “cenários”
dessas histórias. Uma das práticas desse grupo é recontar histórias da tradição oral, brasileira
e de outras nacionalidades. Na Escola Municipal Shakespeare os alunos tiveram contato com
histórias como a história de João, um conto brasileiro, inspirado no livro de Luiz Câmara
Cascudo, contos tradicionais do Brasil; “Malena”, um presente que a equipe ganhou da
escritora argentina Claudia Make; “João Bobo”, de Ana Maria Machado; histórias recontadas

2246

�do livro “O ofício do contador de histórias”; um conto popular peruano chamado “El
bagrecico”; e um conto africano, intitulado “a galinha que subiu até o céu” . Os alunos tiveram
contato com histórias culturalmente diversas, enriquecendo assim seu repertório literário.
As turmas de quinto ano fizeram uma visita a biblioteca do CAp/UFRJ, onde houve
uma apresentação com a bibliotecária a respeito da biblioteca e de sua história. Após a
apresentação, a bibliotecária e coordenadora do projeto de extensão, apresentou a história de
“Dewey, um gato entre livros”, de Vicki Myron. Com a história se passa numa biblioteca e
uma de suas temáticas é a importância dos livros, foi feito um exercício a respeito da estrutura
de um livro, a saber: capa, contracapa, lombada, ficha catalográfica, folha de rosto e falsa
folha de rosto.
Para o primeiro ano do Ensino Médio do Colégio de Aplicação/UFRJ foi feito um
trabalho de pesquisa junto à disciplina de Literatura. A obra escolhida para ser trabalhada foi
o romance de Daniel Defoe, intitulado Robinson Crusoé. Foi escolhida uma turma dentre as
três existentes, e esta turma foi dividida em quatro grupos. Cada grupo trabalhou uma questão
do livro, a partir de uma temática sugerida pelo professor. Foram estabelecidas quatro
temáticas: sobre a trajetória de Robinson Crusoé (refazer a trajetória das viagens de Robinson
Crusoé no mapa mundi, e demarcar a localização aproximada da Ilha do Desespero (Ilha de
Robinson Crusoé)); sobre a comparação do livro com os filmes (fazer uma analogia com os
filmes Náufrago e Las aventuras de Robinson Crusoé, relacionando as muitas diferenças
entre o livro e os filmes, selecionando trechos presentes nos dois objetos); sobre a
comparação das edições (localizar a primeira edição do Robinson Crusoé, e selecionar as três
edições do livro existentes na biblioteca do CAp, destacando os aspectos intrínsecos e
extrínsecos da obra); e sobre o contexto histórico (contextualizar o tempo histórico da
narrativa, registrando as condições históricas da Inglaterra na época em que a história se
passa). A fim de auxiliar na elaboração dos trabalhos o professor ministrou uma aula sobre o
livro, discutindo um pouco sobre os quatro temas propostos. Uma licencianda utilizou em sua
regência a obra de Defoe, comparando a Ilha do Desespero com a Ilha dos Amores, presente
na epopeia Os Lusíadas, de Luiz de Camões. Os trabalhos de pesquisa foram orientados pelas
bolsistas da biblioteca, a partir de encontros presenciais e online. Foi realizada uma aula de
normalização com o objetivo de mostrar aos alunos a importância da Associação Brasileira de
Normas Técnicas, de modo a produzir o trabalho formatado a partir das regras dessas normas.

2247

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O projeto de extensão, “Biblioteca Escolar e Projeto Pedagógico: uma proposta de
integração em escolas da rede pública”, da Biblioteca do CAp/UFRJ, possibilitou uma
integração produtiva no âmbito acadêmico, cultural e social dos segmentos docentes,
discentes e técnicos das instituições envolvidas.
No que se refere ao ensino fundamental, tanto o Colégio de Aplicação da UFRJ quanto
a Escola Municipal Shakespeare tiveram as suas atividades cumpridas dentro do prazo de
execução, com bastante êxito. Estas ações resultaram em mudanças relacionadas à formação
de leitores e cidadãos críticos. A proposta consistiu também, conscientizar os docentes da E.
M. Shakespeare (que só dispõe de uma sala de leitura) sobre a importância da promoção da
leitura como parte integrante das atividades de aprendizagem.
No que concerne ao ensino médio, o trabalho desenvolvido com o 1° ano foi bastante
profícuo tanto na orientação da pesquisa escolar quanto na apresentação das normas técnicas
da ABNT. No que se refere a pesquisa escolar, o bibliotecário tem como parte de suas tarefas
o compromisso de capacitar os alunos na busca e no uso de fontes de informação, ensinando
as habilidades necessárias para lidar com os diferentes suportes da informação. No que se
referea internet, a preocupação do profissional se refere a conscientizar os alunos o uso de
fontes confiáveis e fidedignas. A acessibilidade é outro fator que merece destaque no âmbito
das bibliotecas escolares. Para tal é necessário uma boa rede de infraestrutura física e lógica,
bem como a presença de bons equipamentos para tornar este espaço mais dinâmico e ampliar
as possibilidades múltiplas de produção do conhecimento.
No que se refere ao Colégio de Aplicação, especificamente para os alunos do 1° ano
do CAp, a parceria com professor de literatura foi de fundamental importância para a pesquisa
sobre a obra Robinson Crusoé, de Daniel Defoe. As bolsistas do curso de português e
respectivas literaturas foram essenciais na eficácia desta atividade, resultando trabalhos de
excelência relacionados ao conteúdo. A ação contou ainda com uma aula sobre normalização
de trabalhos acadêmicos, ministrada pela bibliotecária e coordenadora do projeto e pelas
bolsistas, para os alunos do CAp e do Colégio Ignácio Azevedo do Amaral. Paralelamente foi
elaborado um manual com regras de normalização de documentos (formatação, referências e
citações), de acordo com a ABNT, para subsidiar a parte formal da pesquisa.
Espera-se através deste projeto, motivar os alunos na busca e uso das informações para
resolver questões acadêmicas, mas, sobretudo suprir as necessidades do seu dia a dia para
solução de problemas. Este fato possibilitará que os alunos exerçam seu papel como cidadãos

2248

�integrantes de uma sociedade com direitos e deveres a serem vivenciados em sua prática de
desenvolvimento social.

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2250

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Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Biblioteca do Colégio de Aplicação da UFRJ: construindo objetos de afeto para além dos muros</text>
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                <text>Gonçalves, Ana Lúcia, Fulco, Leni Rodriguez Perez, Valdez, Tatyane Christina G. Ferreira</text>
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                <text>O trabalho trata de uma parceria bem sucedida da Biblioteca do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro com o Colégio Estadual Ignácio Azevedo do Amaral e com a Escola Municipal Shakespeare. O objetivo se configura em uma proposta de integração das bibliotecas escolares e da sala de leitura no projeto pedagógico das escolas parceiras, visando um trabalho integrado de formação de leitores e orientação à pesquisa escolar, voltado para a literatura e para a ciência da informação. Pretende-se estabelecer um diálogo entre a comunidade acadêmica do CAp/UFRJ e instituições parceiras com vistas à construção de uma proposta que atenda ao perfil de cada uma. A fundamentação teóricometodológica consistiu da importância da leitura na formação de leitores críticos, bem como a contribuição da pesquisa escolar no processo de aprendizagem. Estas duas ações reforçam o papel da biblioteca escolar no contexto educacional, como parte integrante do currículo escolar. A metodologia utilizada compreendeu os conceitos do SenseMakinge dos Princípios da Incerteza. O público alvo do estudo foi de alunos das três escolas, composto pelas séries iniciais do ensino fundamental (1° ao 5° ano) com vistas à formação de leitores, e de alunos do ensino médio regular e curso normal visando à orientação no uso e busca de fontes, assim como a normalização da pesquisa documental. Observou-se que as atividades de fomento à leitura e à pesquisa escolar no interior da biblioteca permitiu que este ambiente se tornasse uma ferramenta fundamental no processo de ensino aprendizagem. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

INCENTIVO À LEITURA DE OBRAS LITERÁRIAS POR MEIO DO QR CODE

Maria Carolina Gonçalves
Thais Mariano Cunha
RESUMO
O Quick Response Code (QR Code) é um código de barras bidimensional utilizado para os
mais diversos fins em diferentes segmentos da sociedade. Diante de sua funcionalidade,
desenvolveu-se o projeto “A biblioteca em suas mãos: o uso do QR Code”, pretendendo
incentivar a leitura, oferecer acesso alternativo às obras literárias clássicas por meio de
dispositivos móveis; promover o marketing da Biblioteca; divulgar o uso desta ferramenta e
obter maior interatividade entre usuário e biblioteca, o projeto disponibilizou marcadores de
páginas com QR Code direcionando para links de 50 obras literárias disponíveis no Portal do
Domínio Público, do Ministério da Educação. O projeto teve como público-alvo a
comunidade interna (discentes, docentes, servidores e terceirizados) e comunidade externa.
Após aplicação de questionário fechado a respeito da iniciativa, obteve-se índice de aprovação
muito satisfatório, tendo sido questionado qual nota, de 0 a 10, o projeto merecia, obteve-se
média 9,3. Ao término do projeto, destaca-se que houve êxito no oferecimento de acesso as
obras literárias por meio de dispositivos móveis com o uso do QR Code, pois o fato dos
usuários poderem acessar livros em qualquer lugar foi bem recebido pelos entrevistados e
também os incentivou a conhecer a Biblioteca pessoalmente.
Palavras-Chave: Incentivo à leitura; Tecnologia; QR Code.

ABSTRACT
The Quick Response Code (QR Code) is a two-dimensional barcode used for different
purposes in different segments of society. Ahead of its functionality, was being developed the
project " The library in your hands: the use of QR Code", aiming to encourage reading, offer
alternative access to classic literary works through mobile devices, promote the marketing of
the Library, promote the use of this tool and get greater interactivity between user and library.
The project has provided bookmarks with QR Code directing to links for 50 literary works
available in the Portal do Domínio Público, of the Ministério da Educação. The project's
target audience the internal community (students, teachers, servants and contractors) and
external community. After application of questionnaire about the initiative, gave very
satisfactory rate. At the end of the project, it is emphasized that there was success in providing
access to literary works through mobile devices using the QR Code, because the fact that
users can access books anywhere was well received by respondents and encouraged they to
know the library in person.
Keywords: Encourage reading; technology; QR Code.

4300

�1 INTRODUÇÃO

Os avanços tecnológicos trazem novos desafios para o contexto das bibliotecas. No
entanto, não devemos considerar esta situação como uma ameaça, e nem vê-la como um
problema, mas devemos ter a concepção que as tecnologias permitem que as Bibliotecas
tenham oportunidade de se adaptar às novas demandas de nossos usuários. O Quick Response
(QR Code) é uma ferramenta que possibilita nos ajudar a melhorar a relação entre Biblioteca,
obras literárias e seus usuários.
O código QR Code, sigla em inglês para "resposta rápida", é um código de barras
bidimensional e o seu funcionamento consiste em capturar a imagem do código com a câmera
fotográfica do smarthphone e tablet. Esse código, após a decodificação, passa a ser um trecho
de texto e/ou um link, que irá redirecionar o acesso ao conteúdo publicado em algum site.
Atualmente, os QR Codes já são utilizados em revistas, propagandas, exposições e
rótulos para guardar endereços (URLs), além de disponibilizar informações detalhadas de
diversos produtos. Diante de sua funcionalidade, o uso do QR Code no âmbito das bibliotecas
justifica-se na possibilidade de promover a leitura de obras literárias mediante uma tecnologia
gratuita.
Diante da funcionalidade gratuita dos códigos QR Code, a Biblioteca Comunitária
elaborou um projeto de extensão intitulado “A Biblioteca em suas mãos: o uso do QR Code”,
que teve apoio financeiro da Pró-Reitoria de Extensão. O objetivo do projeto foi incentivar a
leitura de obras clássicas literárias por meio de dispositivos móveis, seja smartphone e/ou
tablet, utilizando para tanto um novo paradigma de código de barras, o QR Code.
Este artigo tem por objetivo demonstrar como integrar tecnologia ao ambiente da
biblioteca traz benefícios e se configura em uma ferramenta para o incentivo a leitura e a
promoção da imagem de bibliotecas.
Os objetivos específicos do projeto foram os seguintes:
•

Oferecer acesso alternativo às obras literárias clássicas por meio de dispositivos
móveis;

•

Divulgar o uso da ferramenta do QR Code;

•

Promover o marketing da Biblioteca;

•

Obter maior interatividade entre usuário e Biblioteca.
No contexto do nosso projeto, o código QR Code direcionava o link de 50 obras

literárias disponíveis no Portal do Domínio Público, do Ministério da Educação.

4301

�Este projeto foi implementado entre os meses de outubro a dezembro de 2013, pelas
duas bibliotecárias e contou com a participação de cinco bolsistas. O público-alvo foi tanto a
comunidade interna (docentes, discentes, servidores e terceirizados) como a comunidade
externa (população de São João da Boa Vista).

2 REVISÃO DE LITERATURA

O surgimento do código de barras, facilitou os processos de identificação de produtos
e pagamento de faturas no mundo todo e, consequentemente, otimizou o fluxo de
informações. Entretanto, atualmente há um novo paradigma que aparece para revolucionar o
acesso a informação, trazendo uma nova visão para o mundo tecnológico, é a evolução do
código de barras, o qual é denominado como QR Code (Quick Response - Resposta Rápida)
(OKADA; SOUZA, 2011)
Apesar de terem se popularizado somente nos últimos anos, os QR Codes surgiram há
20 anos, em 1994. Eles foram desenvolvidos pela empresa japonesa Denso-Wave, uma
empresa do grupo Toyota, e apareceram com a finalidade de facilitar a identificação das
partes de carros nas fábricas e também o processo de logística como um todo. Eles são uma
espécie de evolução dos códigos de barras tradicionais, ordenando as informações em uma
matriz de duas dimensões. Com isso, eles são capazes de armazenar até 100 vezes mais dados
e caracteres do que os tradicionais códigos de barras. (KARASINSKI, 2014).
O QR Code armazena diversas informações, sob a forma de links, sites, número de
telefone e texto. As informações são guardadas quer na vertical, quer na horizontal e pode ser
lida a partir de qualquer direção. A criação dos códigos QR Codes pode ser feita mediante
ferramentas de gerador disponível gratuitamente na web.
Para realizar a leitura do QR Code, é necessário ter instalado no smartphone ou tablet,
programa específico para seu aparelho. Feito isso, basta aproximar a câmera do dispositivo
móvel do código. Quase instantaneamente, o usuário será direcionado para o link, foto, mapa,
etc. (BERNARDO, 2011).
Uma das vantagens do QR Code é que ele dispensa a necessidade de se digitar
endereços da web, tarefa não muito fácil em muitos celulares. Então, literalmente, é só iniciar
o aplicativo de leitura, apontar o celular para um QR Code para que o conteúdo adicional seja
exibido no navegador de internet.

4302

�Figura 1: Formato do QR Code

Fonte:

http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/201105/entenda-o-que-sao-os-qr-codes-

codigos-li dos-pelos-celul ares.html

Com as inúmeras aplicações deste conceito pode-se constatar que o seu uso na
educação será de grande importância, pois revolucionará a forma como estudantes poderão
entrar em contato com informações de forma rápida e prática, como por exemplo, e
principalmente em lugares voltados para a educação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Os materiais utilizados para a divulgação dos códigos QR Code foi por meio de 50
marcadores de páginas. Cada marcador de página tinha um código QR Code que direcionava
para o download de uma obra literária. No verso do marcador de páginas constava o título da
obra, o autor e a sinopse da obra a qual o código QR Code direcionava, bem como o telefone,
o endereço, o blog e o facebook da Biblioteca.
Também foram confeccionados cartazes A3 com instruções de como utilizar o QR
Code e também com códigos direcionando para o site, o blog e facebook da Biblioteca e para
as obras literárias. Esses cartazes foram disponibilizados na Academia de Letras da cidade e
também nos ônibus de linha municipal, abrigos de ônibus e terminal rodoviário urbano.
Para iniciar o projeto, decidiu-se pela seleção de 50 obras literárias clássicas que estão
em domínio público e disponíveis gratuitamente na internet. Criou-se códigos QR Code para
disponibilizar o download destas obras à comunidade interna e externa.
A divulgação interna foi realizada a partir de cartazes afixados nos murais da escola e
da Biblioteca por meio das redes sociais e blog da Biblioteca e pelo site institucional do
campus.
Para a divulgação externa do projeto, foram enviados dois ofícios para a Prefeitura
Municipal da cidade. O primeiro Oficio n° 242/2013, referente à solicitação de autorização

4303

�para a divulgação do projeto na praça central, entre os dias 09 e 11 de dezembro de 2013. O
segundo Oficio N° 243/2013 enviado ao Setor de Trânsito da Prefeitura Municipal - SETRAN
referente à autorização para afixar cartazes de divulgação do projeto nos ônibus urbanos,
abrigos de ônibus e no terminal municipal da cidade no período de 09 de dezembro a 09 de
fevereiro de 2014. Em relação ao ofício 243/2013 a Prefeitura encaminhou à SETRAN ofício
188/13 para confirmar autorização da divulgação do projeto de extensão.
A divulgação do projeto foi realizada nos dias 10 e 12 de dezembro de 2013 na praça
central da cidade. Durante a divulgação, os transeuntes eram convidados a conhecer o projeto
e responder o questionário. Nesta oportunidade eram entregues os marcadores de páginas,
folhetos explicativos da Biblioteca e o jornal da Instituição. Embora não previsto no projeto
inicial, os marcadores de páginas também foram distribuídos em semáforos e disponibilizados
em três livrarias da cidade.
Para avaliar como o projeto foi recebido pela comunidade externa, foi elaborado um
questionário fechado com 10 perguntas com o objetivo de pesquisar se a população tinha
conhecimento da Instituição e da Biblioteca e obter as opiniões dos munícipes sobre a
importância da tecnologia QR Code como ferramenta para incentivar à leitura de obras
clássicas de literatura e a avaliação geral do projeto.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS

Os questionários foram impressos e entregues à população ao passar pela tenda de
divulgação.
Foram recolhidas 115 entrevistas no total, sendo a primeira pergunta: “Você conhece a
nossa Instituição de Ensino?”. Dentre as respostas recolhidas, 31 responderam não conhecer a
instituição de ensino. Das 83 restantes, 52 pessoas conheciam a Instituição de Ensino por
meio de algum aluno ou funcionário, 5 através da televisão, 3 através do jornal, 3 da internet,
19 não responderam por qual meio conhecem a Instituição de Ensino e 2 respostas em branco.
A segunda pergunta realizada na entrevista foi se os entrevistados conheciam a
Biblioteca Comunitária. Dentre as respostas recolhidas, 74 entrevistados disseram não ter o
devido conhecimento e 2 respostas estavam em branco. O restante dos entrevistados disse que
conhecem a biblioteca, sendo que 21 conheceram através de algum aluno ou funcionário e 18
não responderam por qual meio conhecem a biblioteca.
Na terceira pergunta “Você frequenta bibliotecas? ”, 54 pessoas responderam que não
têm este hábito e 61 disseram que sim.

4304

�Gráfico 1: Frequência em Bibliotecas
Porcentagem de pessoas aue frequentam
bibliotecas
53%

47%

Sim
Não

Fonte: Elaboração pelas autoras

Referente à quara pergunta: “Você tem hábito de leitura? ” 35 entrevistados disseram
que não possuem o hábito de ler e 80 disseram que sim, destes, 49 leem até dez livros por ano,
13 de onze a vinte, 3 de vinte e um a trinta, 1 de trinta e um a quarenta, 2 de quarenta e um a
cinquenta, 1 de noventa e um a cem e 11 não responderam. Com isso, obtiveram-se os
gráficos 3 e 4 abaixo:

Gráfico 2: Bibliotecas Citadas
Hábito de Leitura
30%

Sim
70%

Não

Fonte: Elaboração pelas autoras

Gráfico 3: Livrs lidos anualmente por pessoa

Fonte: Elaboração pelas autoras

4305

�Na quinta perguta os entrevistados foram questionados se acessam ou não internet via
celular. 39 pessoas não acessam e 76 acessam.
Com o interesse de divulgar o projeto de extensão, na sexta pergunta “Você conhece a
tecnologia QR Code?”, 51 pessoas afirmaram ter o conhecimento da tecnologia e 64
desconhecem. Destas respostas obteve-se o seguinte gráfico:

Gráfico 4: Conhecimento do QR Code

Fonte: Elaboração pelas autoras

Com intuito de s ter um retorno quanto à opinião da população sobre o motivo do
projeto, foi perguntado se os entrevistados consideravam o uso do marcador de página com o
QR Code um incentivo à leitura. Dos 115 entrevistados, 113 responderam que sim, o
marcador teria papel importante no incentivo à leitura, e 2 disseram que não. Tendo estes
dados em mãos, foi feito o seguinte gráfico:

Gráfico 5: Marcador: incentivo à leitura

4306

�Segue abaixo os mdelos de marcadores de página do projeto

Figura 2: Marcador: incentivo à leitura

Fonte: Elabração pelas autoras

Ao serem questionados se utilizariam os QR Codes disponíveis nos marcadores de
página, 91 entrevistados afirmaram que sim. 24 dos entrevistados disseram que não, muitos
deles por não terem acesso a dispositivos móveis. O seguinte gráfico mostra esta relação:

Gráfico 6: Utilização dos QR Codes
0%

Utilização dos QR Codes
21%

0%
Sim
79%

Fonte: Elaboração pelas autoras

4307

�Como o projeto tabém tinha como objetivo a divulgação da biblioteca como
comunitária para a população, os entrevistados foram questionados se teriam interesse ou não
em frequentar a biblioteca após o conhecimento do projeto. Dos entrevistados, 91 disseram
que sim e 24 disseram que não. Estes dados deram origem ao gráfico abaixo:

Gráfico 7: Interesse da população em frequentar a biblioteca

Fonte: Elaboração pelas autoras

A última perguna feita aos entrevistados foi quanto à que nota eles dariam ao projeto,
de 0 a 10. Sendo 0 ruim e 10 ótimo. Dos 115 entrevistados, 71 deram nota dez, 22 deram nota
nove, 15 nota oito, 4 nota sete, 1 nota seis e 2 deram nota cinco. Com as respostas foi feito o
seguinte gráfico:

Gráfico 8: Classificação do Projeto

Classificação do projeto
3% 1%2%

Fonte: Elaboração pelas autoras

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS

Ao término do projeto de extensão “A Biblioteca em suas mãos: o uso do QR Code”,
podemos destacar que houve êxito no oferecimento de acesso as obras literárias por meio de
dispositivos móveis, smarthphones e tablets, com o uso do QR Code, pois o fato dos usuários

4308

�poderem acessar livros em qualquer lugar foi bem recebido pelos municipes entrevistados e
também os incentivou a conhecer a Biblioteca pessoalmente.
Os Marcadores de Páginas com QR Code, que permitem o download de obras
clássicas de literatura, foram a ferramenta utilizada para o incentivo à leitura. Todos os links
disponibilizados em QR Code foram vinculados à ferramenta do Google url shortener, desta
forma é possivel obter dados de quantidade de downloads feitos por dia, total de downloads,
plataformas utilizadas pelo usuário e pais de download. Assim, obtém-se maior controle dos
resultados do projeto, que serão acompanhados pelo coordenador e equipe ao longo de ano de
2014.
Constatou-se que a Biblioteca não era conhecida pela maioria dos entrevistados,
apesar de conhecerem a Instituição de Ensino, e que tão pouco sabiam que ela era aberta à
comunidade. Entretanto, o projeto serviu ao propósito de divulgar essas informações a
comunidade externa, bem como de divulgar a possibilidade de frequentar a Biblioteca e se
tornarem usuários, o que foi bem recebido pelos entrevistados, uma vez a maioria respondeu
que, após conhecer o projeto, gostariam de conhecer pessoalmente a Biblioteca.
Apesar da maioria dos entrevistados não terem o costume de frequentar bibliotecas, o
indice daqueles que consideram ter hábito de leitura foi alto. Foi apreendido informalmente
pelos bolsistas e equipe que os entrevistados, embora gostem e tenham hábito de leitura, não
frequentam a Biblioteca principalmente pelo desconhecimento da existência da mesma e pela
posição geográfica da Biblioteca, situada em um bairro periférico.
Há um desconhecimento da tecnologia QR Code entre os entrevistados, a despeito da
maioria acessar internet pelo celular. Neste ponto, cumpriu-se o objetivo de divulgar a
tecnologia QR Code, uma vez que a maioria dos entrevistados considerou-a uma boa forma
de incentivar a leitura e irão utilizar os códigos disponibilizados pelo projeto.
Finalmente, o indice de aprovação do projeto foi muito satisfatório, tendo sido
questionado qual nota, de 0 a 10, o projeto merecia, obteve-se média 9,3. Outro indicador
positivo foi o fato do contato do Presidente da Câmara Municipal da cidade vizinha, que após
tomar conhecimento do projeto se interessou em implementá-lo na Câmara dos Vereadores.
O projeto possui fundamental valia para a comunidade, pois possibilitará o
conhecimento da Biblioteca e o incentivo à leitura de obras clássicas literárias, de forma
rápida e moderna pela tecnologia QR Code.
Acredita-se que foi uma experiência muito enriquecedora para todos os envolvidos e,
diante da aprovação da maioria dos entrevistados, pretende-se dar continuidade ao projeto no

4309

�próximo ano, para divulgar os acervos de livros técnicos do Campus, bem como implantar o
projeto na Câmara Municipal da cidade vizinha.
A realização do projeto nos mostrou que há necessidade das Bibliotecas em adaptar-se
às novas tecnologias para oferecer serviços de qualidade e ampliar o acesso à informação para
a sua comunidade. A tecnologia QR Code surge para inovar as comunicações e divulgações
de informação, tendo em vista o rápido crescimento e acesso aos smartphones e tablets pela
população. Neste sentido, o uso do QR Code no projeto de extensão “A biblioteca em suas
mãos” permitiu o oferecimento do acesso rápido aos serviços da Biblioteca e tornou-se uma
ferramenta com praticidade para a divulgação da Biblioteca e incentivo à leitura de obras
clássicas de literatura.

6 REFERÊNCIAS

BERNARDO, Leonam. Aprenda a usar o QR Code. Veja São Paulo. 2011. Disponível em:
&lt;http://vejasp.abril.com.br/materia/como-usar-qrcode&gt;. Acesso em: 16 mai. 2014.
KARASINSKI, Lucas. O que significa cada quadrado de um QR Code? Tecmundo. 2013.
Disponível

em:

&lt;http://www.tecmundo.com.br/qr-code/37372-o-que-significa-cada-

quadrado-de-um-qr-code-.htm&gt;. Acesso em: 16 mai. 2014.
OKADA, S. I.; SOUZA, E. M. S. de. Estratégicas de marketing digital na era da busca.
Revista Brasileira de Marketing, São Paulo, v. 10, n. 1, p 46-72. jan. /abr. 2011.

4310

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O Quick Response Code (QR Code) é um código de barras bidimensional utilizado para os mais diversos fins em diferentes segmentos da sociedade. Diante de sua funcionalidade, desenvolveu-se o projeto "A biblioteca em suas mãos: o uso do QR Code", pretendendo incentivar a leitura, oferecer acesso alternativo às obras literárias clássicas por meio de dispositivos móveis, promover o marketing da Biblioteca, divulgar o uso desta ferramenta e obter maior interatividade entre usuário e biblioteca, o projeto disponibilizou marcadores de páginas com QR Code direcionando para links de 50 obras literárias disponíveis no Portal do Domínio Público, do Ministério da Educação. O projeto teve como público-alvo a comunidade interna (discentes, docentes, servidores e terceirizados) e comunidade externa. Após aplicação de questionário fechado a respeito da iniciativa, obteve-se índice de aprovação muito satisfatório, tendo sido questionado qual nota, de 0 a 10, o projeto merecia, obteve-se média 9,3. Ao término do projeto, destaca-se que houve êxito no oferecimento de acesso as obras literárias por meio de dispositivos móveis com o uso do QR Code, pois o fato dos usuários poderem acessar livros em qualquer lugar foi bem recebido pelos entrevistados e também os incentivou a conhecer a Biblioteca pessoalmente.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA E FORMAÇÃO DE TÉCNICO EM
BIBLIOTECONOMIA: UMA PROPOSTA PARA O INSTITUTO FEDERAL DO
PARANÁ
Vivaldo Cordeiro Gonçalves

RESUMO
Este trabalho reflete sobre o propósito da lei n° 12.244, de 24 de maio de 2010 que dispõe
sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país em dez anos. Propõe
a modalidade de educação à distância para colaborar na necessária formação de profissional
habilitado para compor a equipe especializada para gerenciar estas diversas bibliotecas que
serão criadas. Apresenta uma proposta de formação técnica em biblioteconomia na
modalidade de educação à distância e sugere um currículo básico. Salienta a intenção de
propor o curso ao Conselho Superior- CONSUP, do Instituto Federal do Paraná- IFPR, que já
oferta cursos através dessa modalidade e da expectativa que após ser apreciada pelos
conselheiros do IFPR, a instituição possa oferecer vagas para a primeira turma no ano de
2015.
Palavras-Chave: Educação à distância; Curso
Universalização das bibliotecas; Lei n. 12.244;

Técnico;

Auxiliar

de

biblioteca;

ABSTRACT
This paper reflects on the purpose of Law No. 12,244, of May 24, 2010 which provides for
the universalization of libraries in educational institutions of the country in ten years.
Proposes the modality of distance education to collaborate in the training required for a
qualified professional to compose a specialized team to manage these various libraries that
will be created. Presents a proposal for technical training in librarianship in the modality of
distance education and suggests a basic curriculum. Emphasizes the intention to propose the
course CONSUP Superior Council, the Federal Institute of Paraná-IFPR, already offering
courses through this mode and the expectations after being assessed by counselors IFPR, the
institution can offer places for the first class in the year , 2015.
Keywords: Distance education. Technical Course. Law n° 12.244/2010. Universalization of
libraries.
1 INTRODUÇÃO
A universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país em dez anos,
determinado pela lei 12.244/2010, foi uma grande conquista para sociedade, pois
proporcionará uma maior democratização de acesso à espaços, serviços e materiais de

2579

�cultura, lazer e informação em geral. Por conseguinte foi também uma conquista de
profissionais e entidades da área como o bibliotecário e os conselhos regionais e federais,
que continuamente trabalham no sentido de oferecer e fomentar a leitura e cultura através
das bibliotecas. A lei foi fundamental, pois é um instrumento legal e com prazo
determinado para que o poder público federal, estadual e municipal somam esforços no
sentido de propor politicas públicas e verbas para atender um grande número de
instituições de ensino que ainda não desfrutam de uma biblioteca para seus alunos. Além
da implantação das bibliotecas e o respectivo acervo, será necessário também alocar o
profissional bibliotecário que como indica a lei deve ser o responsável para gestão
administrativa das bibliotecas. Neste contexto a formação de profissionais como o
bibliotecário e o técnico em biblioteconomia deverá ser ampliada para atender essa grande
demanda. Para Motta (1998) “Uma das preocupações básicas do administrador de
biblioteca, dever ser o desenvolvimento de seu pessoal”. Logo, para o poder público além
da implantação das bibliotecas deverá também incentivar a formação do profissional
qualificado de biblioteconomia. Neste sentido a educação à distância é uma alternativa
para ajudar na ampla formação da educação profissional em Biblioteconomia. O Instituto
Federal do Paraná - Câmpus Curitiba, além de diversos cursos presenciais, oferece
também diversos cursos na modalidade à distância, e o Curso Técnico em Biblioteconomia
foi um dos cursos que foram cogitados para ser oferecidos em reunião do Conselho
Superior da instituição em 2013. Pelo exposto, justifica a proposta para criação do Curso
Técnico em Biblioteconomia à distância no Instituto Federal do Paraná / IFPR. que será
baseado nos cursos já existentes como o Curso Técnico em Biblioteconomia presencial do
Instituto Federal do Rio Grande do Sul / IFRS - Câmpus Porto Alegre que teve sua
primeira turma em 2010. Justifica-se também a discussão para regularização do
profissional de Técnico em Biblioteconomia, visto que os poucos cursos de
Biblioteconomia existentes no país, não serão suficientes para atender a grandiosa
demanda.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Apesar revogada pela resolução n.° 28 de 14 de agosto de 2000, buscamos, apenas
para definição a resolução, do CFB n° 455/1998, que legalizava o exercício das atividades
de Técnico em Biblioteconomia:

2580

�Técnico em Biblioteconomia é todo profissional de nível médio que
na esfera pública ou privada, executa os trabalhos de rotina de
biblioteca, centro de documentação e/ ou informação, sala de
leitura, de estudo e outros espaços que tenham como suporte da
informação livros, documentos em geral e outros meios
tecnológicos, visando ao tratamento, disseminação e a recuperação
de informações, pesquisas e desenvolvimento.

E que para sua habilitação perante os Conselhos Regionais de Biblioteconomia
como Técnico em Biblioteconomia, deverá ser portador de certificado ou diploma de
ensino médio em Curso Técnico em Biblioteconomia, conferido por estabelecimento
oficial reconhecido. São competências específicas almejadas: Saber ouvir, Participar do
planejamento e desenvolvimento de projetos de serviços, auxiliar no atendimento direto
aos usuários, Promover e fomentar a informação através de mídias sociais, auxiliar na
promoção de e eventos culturais, Prestar serviços de auxiliares de processamento técnico
de preparo dos diversos materiais, utilizando princípios e técnicas de aquisição,
tombamento, representação descritiva, conservação de materiais, inserção de dados em
bases eletrônicas e preparo físico dos materiais para circulação, auxiliar na gestão
administrativa da biblioteca.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O ensino na modalidade à distância está crescendo muito e ganhando preferência,
confiança e credibilidade de alunos e empregadores. Cada vez mais os profissionais estão
qualificados e preparados e proporcionando uma relação de ensino aprendizagem mais
eficaz, além disso, diversas novidades tecnológicas estão possibilitando o uso de
excelentes ferramentas de disseminação, mediação de informações e conhecimento. O
Instituto Federal do Paraná - Câmpus Curitiba já atua com o ensino à distância com
parcerias com governo federal, estaduais e municipais, portanto já possui estrutura para
ofertar o curso de Técnico em Biblioteconomia. O Curso deverá ser oferecido em três
semestres com estágio obrigatório no último como no mínimo 160 horas. O projeto
curricular inicial oferecerá disciplinas de:
Primeiro semestre: Introdução à biblioteconomia, Redação Técnica, Literatura aplicada à
biblioteconomia, Lógica, Organização de materiais e arquivos físicos e digitais,
Preservação e Conservação de acervos I, Introdução à gestão de biblioteca, Pesquisa
booleana e mídias sociais.

2581

�Segundo Semestre: Introdução à organização e o tratamento da informação, Inglês
Instrumental, Preservação e Conservação de acervos II, Literatura Aplicada à
Biblioteconomia II, Língua Portuguesa I, Introdução à construção de página WEB.
Terceiro Semestre: Introdução à Metodologia da Pesquisa e Orientação ao acesso e uso
da informação, Comunicação intra e interpessoal, Saúde e Trabalho, Técnicas de
atendimento ao público, Língua Portuguesa -II,

Contação de Histórias, Psicologia

educacional, Língua Brasileira de Sinais (Libras) e Estágio Curricular Obrigatório.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A presente proposta além de já ter sido cogitada para ser oferecida na modalidade à
distância no IFPR, foi endossada e apoiada pelo Conselho Regional de Biblioteconomia do
Paraná- CRB/9, na pessoa da sua então presidente Maria Marta Siena e da professora e
coordenadora do Curso de Técnico em Biblioteconomia do Instituto Federal do Rio Grande
do Sul - Câmpus Porto Alegre, Lizandra Brasil Estabel. Ainda neste ano de 2014, a
proposta será encaminha em forma de processo de criação de curso ao Conselho de
Pesquisa e Extensão do IFPR - CONSEP para análise, ajustes (caso necessário). e
encaminhamento votação ao Conselho Superior - CONSUP com a intenção de ser
oferecida no ano de 2015.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Além das obrigações profissionais diretas o profissional bibliotecário deve
promover e fomentar o acesso à boa formação dos futuros colegas para uma melhor
atuação em prol da área e de toda sociedade. Espera-se e recomenda-se que a relevante e
importante proposta da oferta de Curso Técnico em Biblioteconomia na modalidade à
distância, possa lograr êxito o mais breve possível, e que a profissão seja reconhecida e
devidamente regulamentada, promovendo e ampliando uma formação técnica de qualidade
para colaborar com a lei de universalização das bibliotecas e maior e melhor acesso à
informação para mais cidadãos.

6 REFERÊNCIAS
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA: Bibliotecário e o Técnico em
Biblioteconomia: Legislação. Recife, 1998, p.56-59.

2582

�CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. CFB Resolução n. 28, de 14 de
agosto

de

2002.

Revoga

a

resolução

n.

455/1998.

Disponível

em;

http://www.cfb.org.br/institucional.php?codigo=7. Acesso em 19 de maio de 2005.
ESTABEL, Lizandra Brasil; FLACH, Angela; SILVA, Magali Lippert da. Projeto
Pedagógico do Curso Técnico em Biblioteconomia. Porto Alegre: IFRS, 2010.
MOTTA, Scheila Fernandes; KRAEMER, Ligia Leindorf Bartz; Treinando o Auxiliar de
Biblioteca: noções básicas sobre relacionamento interpessoal, Curitiba: ABPR, 1998.

2583

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Educação à Distância e Formação de Técnico em Biblioteconomia: uma proposta para o Instituto Federal do Paraná</text>
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                <text>Este trabalho reflete sobre o propósito da lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010 que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país em dez anos. Propõe a modalidade de educação à distância para colaborar na necessária formação de profissional habilitado para compor a equipe especializada para gerenciar estas diversas bibliotecas que serão criadas. Apresenta uma proposta de formação técnica em biblioteconomia na modalidade de educação à distância e sugere um currículo básico. Salienta a intenção de propor o curso ao Conselho Superior- CONSUP, do Instituto Federal do Paraná- IFPR, que já oferta cursos através dessa modalidade e da expectativa que após ser apreciada pelos conselheiros do IFPR, a instituição possa oferecer vagas para a primeira turma no ano de 2015.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DESAFIOS NA IMPLANTAÇÃO DO MODELO DE ACESSO ABERTO

Isabel Grau

Resumo: O modelo de Acesso Aberto (Open Access ou OA) tem grande impacto na estrutura
e no fluxo da comunicação científica. Seus benefícios à disseminação do conhecimento
produzido no âmbito científico e acadêmico vêm acompanhados de enormes desafios na
implantação do modelo. O trabalho discorre sobre esses desafios, detendo-se especialmente
na análise de Jean-Claude Guédon sobre o OA na estrutura estratificada e competitiva da
ciência quando diante de questões políticas e econômicas.
Palavras-chave: Acesso Aberto. Open Access. Comunicação científica. Repositórios
institucionais.
Abstract: The Open Access model (OA) has a huge impact in the structure and flow of
scientific communication. The benefits OA brings to the dissemination of the knowledge
originated in scientific and academic instances face enormous challenges when the model is
implemented. This text addresses these challenges, mainly using Jean-Claude Guédon’s
analysis about OA in the stratified and competitive structure of science when in the face of
political and economic issues.
Keywords: Open Access. Scientific communication. Institutional repositories.
1 INTRODUÇÃO
É um ideal da Biblioteconomia facilitar e ampliar o acesso ao conhecimento
registrado, propiciando ao usuário o maior acesso possível a esses registros, assim como sua
preservação. Hoje, esse ideal está fortemente ligado à evolução das tecnologias da informação
e comunicação eletrônicas, uma realidade em diversos setores da vida social, inclusive os que
lidam com educação e com a produção de conhecimento.
A estrutura do ciclo da comunicação científica e o papel de seus atores sofreram
alterações com a incorporação dessas tecnologias (WEITZEL, 2006, p. 53). Uma dessas
alterações é o acirramento da presença de intermediários na disseminação das informações,
como os editores científicos. Na prática, estes se tornaram detentores dos direitos de acesso à
produção acadêmica, dominando os fluxos de distribuição dos registros e colhendo grandes
lucros ao cobrar pelo acesso ao produto dos pesquisadores, que o cedem gratuitamente
(WEITZEL, 2006, p. 62). Uma das consequências é o alto custo da assinatura dos periódicos

241

�científicos. O aumento desenfreado desse custo provocou uma crise e levou instituições e
pesquisadores a buscar alternativas a esse cenário monopolista (LEITE, 2009).
Esse movimento levou ao chamado Acesso Aberto (Open Access ou OA), um modelo
de grande impacto na estrutura e no fluxo da comunicação científica. Ele integra soluções
tecnológicas a sistemas de licenciamento, legitimação e preservação da produção científica,
aumentando seu acesso, visibilidade e impacto e diminuindo desigualdades em sua produção,
disseminação e acesso (SWAN, 2012). Os repositórios institucionais, que agregam e
disponibilizam a produção de uma instituição ou área temática, são exemplos de OA.
A par de seus benefícios para o avanço da ciência, a dimensão e a complexidade do
OA tornam difícil uma implementação eficaz. Entre outros elementos, deve-se: determinar
bem seu objetivo e escopo; estudar a melhor abordagem em seu uso; definir seus serviços;
instaurar políticas para seu funcionamento (de acordo com políticas institucionais, nacionais e
globais); estabelecer infraestrutura de rede e hardware; escolher formatos e aplicativos;
desenhar metadados, fluxos de submissão, pós-submissão e depósito de documentos; calcular
seus custos; estabelecer sistemas de licenciamento e Copyright; atribuir responsabilidades e
treinar participantes e usuários; envolver as comunidades-alvo; manter sistemas de
preservação e backup de dados e metadados; estabelecer sistemas de interoperabilidade e
conversão; garantir sua sustentabilidade, alimentação, acesso e avaliação; construir
indicadores; e trabalhar em redes cooperativas (IBICT, 2011; HUNTER; DAY, 2005; LEITE,
2009; SWAN, 2012).
Mas, primeiramente, os bibliotecários e outros profissionais envolvidos no trabalho
com o OA devem ter em conta questões mais amplas sobre o movimento na estrutura e no
fluxo da comunicação científica.

2 DESAFIOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DO OA
Guédon (2010) aborda essas questões, começando pela relação do OA com o poder na
ciência. Nesta, embora a cooperação seja importante, o campo científico é, “em essência, o
espaço em que os cientistas concorrem pelo monopólio da autoridade científica” (GUÉDON,
2010, p. 23). Mas não apenas os cientistas estão em disputa. Na era da “economia do
conhecimento”, o saber científico está envolvido com grandes interesses econômicos, como o
de servir de base para o desenvolvimento de produtos e serviços em todas as áreas da
atividade humana; assim, esconder ou desvelar certas informações é estratégico e apoia ou
prejudica o desenvolvimento de empresas e países, influindo em sua posição predominante ou
periférica. Ao mesmo tempo, isso também ocorre com a própria atividade de circulação do

242

�conhecimento científico, em si um negócio que movimenta grandes cifras. O periódico
científico, órgão preferencial de divulgação na ciência, é resultado de uma trama de contatos e
interesses. Constar nele implica obter posições de poder, prestígio e visibilidade, determina a
progressão de carreiras, influi na autoridade de indivíduos e grupos em seu campo de
conhecimento, e é uma “vitrine” em que os cientistas monitoram internacionalmente os
progressos uns dos outros (portanto, age no sistema de concorrência científica). O nível
internacional dessa concorrência exige uma hierarquia das publicações, cujos critérios acabam
se sobrepondo aos do nível nacional.
Guédon mostra como esse panorama levou à criação de monopólios e cartéis na
circulação global da informação. Eles são impulsionados por instrumentos como o Science
Citation Index (SCI), que impõe critérios de ordem de importância sobre o que seria a
representação mais justa e verossímil da ciência central, critérios aceitos em nível
internacional, que não necessariamente se prendem à qualidade do artigo ou periódico e que
favorecem a produção dos países ricos. Cria-se um núcleo de periódicos de elite, muito caros
e nos quais é quase impossível editar.
Para poder ingressar nesse circuito e ter pontuação e impacto em suas áreas de
atuação, os pesquisadores concordam em ceder seus direitos autorais aos editores dos
periódicos, que decidem quem e quais assuntos serão disseminados, vendem os periódicos a
preços absurdos e impõem embargos a seu acesso. Mas, geralmente, a produção desse
conhecimento é subsidiada pelos governos, que tornam a pagar pelas assinaturas; ao final, o
dinheiro público paga aquele conhecimento várias vezes. Segundo Guédon (2010), ocorre um
desequilíbrio na oferta e no acesso à informação e, por conseguinte, uma divisão entre ciência
predominante e ciência periférica: a dos países ricos e centrais e a do “resto”.
O Movimento de Acesso Aberto pretende ser uma alternativa a esse sistema,
criando “concorrência no contexto das publicações científicas com o fim de pressionar os
preços” (GUÉDON, 2010, p. 46), discutindo a disseminação e o acesso à informação
científica fora das amarras desse monopólio, e procurando alterar a circulação do
conhecimento científico de modo a que seja mais igualitária. No entanto, chegar a esse
objetivo não é fácil; como explica Guédon (2010, p. 22), “as discussões advindas do avanço
do Movimento de Acesso Aberto envolvem muitos atores diferentes, cada um com ponto de
vista particular”. Pesquisadores, instituições, países, empresas, todos têm seus interesses neste
jogo, não necessariamente de acordo com o OA.
Lidar com a lógica e a estrutura que imperam no controle das publicações científicas é
o primeiro desafio, pois o sistema está instalado e tem a aceitação da comunidade científica.

243

�Esta parece ter concedido às editoras legitimidade para estabelecer as normas do que é
considerado científico. É necessário que o OA seja reconhecido como agente legítimo no
processo de certificação da produção científica, e várias alternativas têm sido pensadas para
atender este desafio (MUELLER, 2006, p. 33-34). Já os editores dizem ser imprescindíveis
por oferecer diversos serviços, entre eles a avaliação por pares e um sistema mundial de
circulação dessa informação, além de tratamentos quantitativos (como o fator de impacto) que
se tornam medidas de avaliação e de qualidade (e que nem sempre atendem os interesses dos
países periféricos). A proteção dos direitos autorais, de acesso e da integridade do texto
também é alegada pelos editores, embora seja mais de seu interesse do que do interesse dos
autores, que se importam mais em ter a produção divulgada e creditada (MUELLER, 2006, p.
34).
Para Guédon (2010), o papel secundário e de alimentação da ciência central adotado
pela ciência periférica é outro desafio. Temas importantes em um país pobre podem não
interessar à ciência centrista; o pesquisador do primeiro abre mão do tema, para poder
publicar no conjunto de periódicos bem qualificados pelo SCI; assuntos de interesse local
ficam a descoberto pela mesma razão. Países pobres investem em pesquisas que nem sempre
são prioritárias, mas que estão “na moda” ou que geram dados de interesse dos países ricos,
que incentivam sua publicação. Utilizar sistemas de OA abre uma possibilidade para que tudo
isto seja combatido, internacionalizando a pesquisa do modo que mais interessar ao país
periférico, evitando seu isolamento e fortalecendo suas redes locais.
A questão linguística é outro problema. A própria falta de consenso sobre a tradução
de Open Access para o português revela uma imprecisão terminológica que pode causar
fragilidade na análise de contextos e resolução de problemas. A predominância do inglês no
cenário científico mundial é incentivada pelo cartel dos periódicos, pois facilita a
internacionalização dos negócios, mas é um fator de exclusão tanto da produção em outros
idiomas, especialmente os periféricos, quanto de acesso para quem não sabe inglês.
Uma das dificuldades para implantar o Acesso Aberto é que ele pretende combater os
abusos das assinaturas dos periódicos mas, obviamente, tem seus custos, e alguns autores até
questionam sua viabilidade. Há duas abordagens de modelo de negócios: a Via Dourada
(GoldRoad) e a Via Verde (Green Road). Na primeira, propõe-se a criação de títulos já em
OA ou a transformação dos existentes em OA. Os custos de produção seriam pagos na
produção (pelo autor ou, mais comumente, pelo órgão que fomenta a pesquisa), não mais pelo
leitor, ou por subsídio público. O problema é que onerar o autor só transfere o custo do leitor
para o autor e pode inviabilizar a publicação do trabalho. Algumas editoras comerciais estão

244

�adquirindo bases em OA e cobram muito caro do autor por sua edição; além do aporte
financeiro, usam o OA para ampliar o acesso a suas coleções, aumentando seu índice de
citações e, portanto, seu prestígio. Segundo Stuart Shieber, do Office for Scholarly
Communication da Harvard University, evitando-se que os autores paguem e transferindo-se
o custo para as universidades, apenas as instituições “no topo” pagariam mais neste modelo
do que no modelo usual de assinaturas. Para esse autor, o Acesso Aberto é viável e desejável,
mas depende do pagamento dos custos pelas agências de pesquisa e pelas universidades
(SHIEBER, 2011). Guédon (2010) cita o portal SciELO como prova de que a Via Dourada
funciona, embora financiamentos públicos não sejam globalmente disseminados.
Já a Via Verde é a abordagem do autoarquivamento, mais comum em repositórios
institucionais, que reúnem documentos produzidos nas instituições e geralmente são
administrados por suas bibliotecas. Porém, Guédon (2010, p. 50) afirma que “somente uma
pequena proporção de autores, talvez 10% a 15%, arquiva espontaneamente seus artigos ou
consegue alguém para fazê-lo”. Em estudo sobre o repositório institucional da Universidade
de Coimbra, Miguéis (2010) comenta o baixo índice de autoarquivamento no R.I. Para
superar o problema, as bibliotecas precisam esclarecer seus usuários da importância do
autoarquivamento para o aumento da circulação da informação e sua visibilidade, vencendo
hábitos e valores que o comprometem. Há defensores da Via Verde que defendem sua
obrigatoriedade, por se tratar de um retorno ao investimento público alocado na pesquisa16.
Isso vem sendo feito em muitas universidades; sem compromisso institucional, os repositórios
não crescem. O uso das duas Vias é desafiador para cobrir custos ou povoar repositórios,
depende de apoio governamental e interfere no poder e na obtenção de lucro das grandes
editoras, mas diminui a desigualdade entre usuários centristas e periféricos quanto à
publicação e ao acesso à informação (GUÉDON, 2010).
O prestígio, a autoridade, a visibilidade e o índice de impacto proporcionados pela
publicação em títulos pagos e indexados são obstáculos para o fortalecimento do OA. O fator
de impacto das revistas de Acesso Aberto, mais recentes, ainda não é comparável com o das
revistas de assinatura (SHIEBER, 2011). No entanto, para a produção de cientistas de países
em desenvolvimento, o OA é um meio de obter acessibilidade, visibilidade, reconhecimento e
aumento no índice de citações . Guédon (2010, p. 60-61) cita diversas iniciativas de sucesso
nesses países. Mas comenta que os repositórios institucionais, como estão, são mais uma
“vitrine” institucional do que ajuda eficaz ao pesquisador. Deve-se melhorar os metadados
16 O SciELO também é lembrado pelo autor como modelo de possível convergêrcia entre as duas Vias.
17 O que deve ter dito Guédon ao saber que o SciELO firmou parceria para representar o ISI a partir de 2014?

245

�(como os que indicam a revisão por pares) e os mecanismos de busca, explorar a mineração
de dados para agregar valor aos repositórios (especialmente os temáticos), criar mecanismos
de mensuração mais de acordo com as necessidades locais, e trabalhar em parceria com outros
repositórios, inclusive internacionais.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estabelecimento do OA é um desafio, pois interfere em muitos interesses
estratégicos, políticos e comerciais e depende da mudança da infraestrutura da comunicação e
de hábitos da comunidade científica, além do apoio de órgãos públicos e organizações
supranacionais. O sonho da democratização do conhecimento e de que a produção local teria
mais visibilidade e penetração internacional não é fácil de alcançar. É necessário não apenas
conscientizar os pesquisadores da utilidade do OA, como criar mecanismos de viabilizá-lo
financeiramente e confirmá-lo dentro do sistema de consenso e legitimação da produção
científica.
Mas o OA é inovador por sacudir o cartel das grandes editoras e a estrutura de poder
na comunicação científica, criando outros centros de validação dessa produção, minando a
divisão entre ciência predominante e ciência periférica e proporcionando visibilidade a esta,
dando-lhe instrumentos para estabelecer suas políticas e interesses. Um aumento da circulação
de conhecimentos é benéfico para a excelência e o avanço científicos, pois permite que
pesquisas e descobertas sejam submetidas ao escrutínio de mais pesquisadores, legitimandoas ainda mais e reforçando sua qualidade. O OA também auxilia na preservação digital a
longo prazo e acelera e facilita a publicação. Assim, o OA pode colaborar para o avanço da
ciência e para um retorno mais justo para a sociedade do investimento público em pesquisa e
tecnologia.

REFERÊNCIAS

GUÉDON, Jean-Claude. Acesso aberto e divisão entre ciência predominante e ciência
periférica. In: FERREIRA, Sueli Mara; TARGINO, Maria das Graças. Acessibilidade e
visibilidade de revistas científicas eletrônicas. São Paulo: Ed. Senac, 2010. p. 21-77.
HUNTER, Philip; DAY, Michael. Institutional repositories, aggregator services and
collection development. Bath: University of Bath, 2005. 13 p. (ePrints UK supporting study,
2). Disponível em: &lt;http://eprints-uk.rdn.ac.uk/project/docs/studies/coll-development/colldevelopment.pdf&gt;. Acesso em: 7 set. 2012.

246

�INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA (IBICT).
Rede Cariniana: Rede Brasileira de Serviços de Preservação Digital. [Brasília, 2011].
Disponível em: &lt;http://cariniana.ibict.br&gt;. Acesso em: 7 ago. 2013.
LEITE, Fernando César Lima. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação
científica brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília: IBICT, 2009.
Disponível em: &lt;http://eprints.rdis.org/13776A/RI_-_Fernando_Leite.pdf&gt;. Acesso em: 9
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MIGUEIS, Ana et al. Desenvolvimento e gestão do Estudo Geral: repositório da produção
científica da Universidade de Coimbra. In: CONFERÊNCIA LUSO-BRASILEIRA DE
ACESSO

ABERTO,

1.,

2010,

Braga.

[Anais

eletrônicos...]

Disponível

em:

&lt;https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/14216&gt;. Acesso em: 15 dez. 2012.
MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. A comunicação científica e o movimento de acesso
livre ao conhecimento. Ciência da Informação, Brasilia, v. 35, n. 2, p. 27-38, maio/ago. 2006.
Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v35n2/a04v35n2.pdf&gt;. Acesso em: 7 set. 2012.
SHIEBER, Stuart. Is an open-access future impossible? São Paulo, 7 out. 2011. Palestra
proferida no Congresso SIBiUSP 30 anos: o futuro do conhecimento universal.
SWAN, Alma. Policy guidelines for the development andpromotion o f open access. Paris:
UNESCO,

2012.

Disponível

em:

&lt;http://unesdoc.unesco.org/images/0021/002158/215863e.pdf&gt;. Acesso em: 13 jan. 2013.
WEITZEL, Simone. O papel dos repositórios institucionais e temáticos na estrutura da
produção científica. Em Questão, Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 51-71, jan./jun. 2006.
Disponível em: &lt;http://seer.ufrgs.br/EmQuestao/article/view/19&gt;. Acesso em: 2 fev. 2013.

247

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                <text>O modelo de Acesso Aberto (Open Access ou OA) tem grande impacto na estrutura e no fluxo da comunicação científica. Seus benefícios à disseminação do conhecimento produzido no âmbito científico e acadêmico vêm acompanhados de enormes desafios na implantação do modelo. O trabalho discorre sobre esses desafios, detendo-se especialmente na análise de Jean-Claude Guédon sobre o OA na estrutura estratificada e competitiva da ciência quando diante de questões políticas e econômicas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CURSO DE EXTENSÃO PARA UTILIZAÇÃO DE RECURSOS INFORMACIONAIS
DISPONIBILIZADOS PELO SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANA (UFPR)
Josefina Aparecida Soares Guedes

RESUMO
Apresenta um relato de experiência sobre a oferta de curso piloto de extensão no âmbito do
Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O Objetivo do
curso foi capacitar a comunidade acadêmica para utilização dos recursos informacionais
disponibilizados no Portal da Informação do SiBi/UFPR. Foram ofertadas dez vagas, sendo
duas para servidores da Instituição. As inscrições foram efetuadas mediante preenchimento de
formulário eletrônico disponibilizado na página principal do Portal da Informação do SiBi. O
curso incluiu módulos com aulas expositivas e dialogadas, com material de apoio para os
participantes e módulos de atividades práticas em microcomputadores, além de uma visita
orientada na Biblioteca do Setor de Ciências Biológicas. A carga horária total foi de 8 horas,
distribuídas no período de 18 a 20 de setembro de 2013, no horário noturno. Ao final do
curso os participantes avaliaram o evento, sendo verificado que o material proposto foi
considerado excelente pela totalidade dos participantes,;_a maioria dos participantes
considerou que o conteúdo proposto teve aplicabilidade nos seus estudos e que houve boa
recepção aos integrantes do curso; a divulgação do curso foi apontada como um ponto frágil
e quanto ao local do evento não houve uma predominância de julgamento. Considerando estes
resultados recomenda-se a oferta sistemática de cursos de extensão no âmbito do SiBi/UFPR,
com melhor direcionamento de questões relacionadas a divulgação e local do evento.
Palavras-chave: Curso de Extensão. Recursos de Informação. Bases de dados Científicas.
Sistema de Bibliotecas da UFPR. Bibliotecário educador/mediador.
ABSTRACT
It presents an experience report on the provision of pilot extension course within the Library
of System (SiBi) of the Federal University of Paraná (UFPR). The objective of the course was
to train the academic community for use of the information resources available on the website
of Information Portal / UFPR. Ten vacancies, two for the Institution servers were offered.
Submissions were made by filling out an electronic form available on the main page of the
Portal. The course included modules with dialogued and expository lessons, with
accompanying materials for participants and practical activities on microcomputers modules,
plus a guided tour at the Library of Biological Sciences. The total workload was 8 hours,
spread over the period 18 to 20 September 2013, in the evening hours; At the end of the
course participants rated the event, confirmed that the proposed material was considered
excellent by all participants; most of the participants considered that the proposed content had
applicability in their studies and there was good reception to course’s members; dissemination
of the course was identified as a weakness and there wasn’t predominance of judgment for the

2479

�location event. Considering these results it is recommended to systematically offer
coursework within the SiBi/UFPR with better targeting issues related to divulgation and local
of the course.
Keywords: Extension Course; Information Resources; Scientific data bases. Library System
UFPR. Librarian Teacher/Mediator.

1 INTRODUÇÃO
O princípio norteador da Universidade é a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e
extensão, conforme determina o art. 207 da Constituição Brasileira. Estes três pilares
merecem tratamento igualitário por parte das instituições de ensino superior e constituem a
base da formação acadêmica (BRASIL, 1988).
Durante a formação acadêmica, o conhecimento não é assimilado apenas em sala de
aula, mas também por meio de participação do discente em projetos de extensão que
promovem contato com a comunidade científica e oferecem uma base teórica para a formação
(ASSIS; BONIFÁCIO, 2011).
A atividade de extensão envolve a oferta de diferentes eventos tais como seminários,
cursos, oficinas, entre outros, que têm por objetivo aprofundar ou ampliar o conhecimento
difundido em sala de aula. Tais atividades propiciam a prática do saber assimilado,
ultrapassando os limites da ciência técnica, possibilitando a troca de experiências e
conhecimentos entre discentes e comunidade (UNIVERSIDADE, 2011).
A pesquisa acadêmica constitui uma parte essencial do processo de ensino e
aprendizagem que deve ser constantemente suscitada no meio acadêmico. Neste contexto, as
bibliotecas são responsáveis pela preservação e atualização das fontes de informação nos
diferentes formatos e também pela oferta de serviços de disseminação do conhecimento.
Com a evolução da Engenharia da Computação e a possibilidade de manipulação de
objetos digitais na Web, foi possível criar acervos digitais, mantendo-se repositórios e bancos
de dados científicos. O conteúdo destes repositórios é alimentado mediante participação de
diferentes editores que disponibilizam acervos contendo periódicos científicos online para
fundamentar pesquisas e propiciar novo conhecimento.
Na UFPR, além do Portal de Periódicos da Capes, o Portal da Informação do SiBi
dispõe de diferentes materiais que podem se utilizados para subsidiar as pesquisas
acadêmicas. Os repositórios permitem acesso direto a inúmeras bases de dados e periódicos
científicos que agilizam e otimizam a busca bibliográfica. Entretanto, é preciso saber como
localizar uma base de dados relevante em determinada área e também como pesquisar

2480

�adequadamente em cada interface. Neste contexto, o bibliotecário faz o importante papel de
mediador, quer seja na localização de fontes, bem como na orientação quanto às técnicas de
recuperação da informação.
Considerando que a formulação e implantação de atividades de extensão universitária
estão norteadas por ações interdisciplinares e interprofissionais (NOGUEIRA, 2000), os
bibliotecários também podem ampliar suas funções educadoras propondo cursos de extensão
universitária.
Este artigo apresenta o relato de experiência sobre o curso de extensão piloto proposto
como uma das ações da Comissão de Estudos de Usuários do SiBi/UFPR e que teve por
objetivo capacitar a comunidade acadêmica no uso de recursos informacionais voltados para a
área biomédica.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A extensão universitária é considerada como o resultado de um processo social que
teve início em 1930 delineada com o objetivo de gerar saber e atualização aos discentes. A
partir da década de 1980, a extensão passou a ser vista como um espaço de reflexão crítica
que deveria colaborar para clarear o conhecimento e nortear as ações da Universidade
(LOBATO; ABRANCHES; RODRIGUES, 2012).
Após a publicação da Lei n°. 9.394 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB), em 1996, foi incumbida à universidade o papel de fornecer ensino, pesquisa e
extensão, segundo princípios constitucionais de indissociabilidade do ensino, tornando
obrigatória a inserção deste tripé na grade curricular dos cursos e nos projetos pedagógicos
das universidades públicas braseileiras (LOBATO ABRANCHES; RODRIGUES, 2012).
Serrano (2011) destaca que a extensão universitária promove uma transformação da
sociedade e da própria cultura universitária, na medida em que se articula com ensino e
pesquisa. A atividade de extensão está relacionada com a difusão do saber produzido no
interior da universidade e, portanto, possui uma estreita relação com a produção do
conhecimento. A democratização do conhecimento acadêmico pela troca de saberes
sistematizados entre a academia e a população, possibilita o confronto do acadêmico com a
realidade da comunidade, propiciando reflexão entre teoria e prática a partir de ações
interdisciplinares.
De acordo com a Política Nacional de Extensão Universitária, formulada em 2012, a
extensão está diretamente associada a um processo interdisciplinar, educativo, cultural,
científico e político, que deve promover tanto a transformação da Universidade enquanto

2481

�organismo acadêmico, mas também dos setores sociais que com ela interagem. A extensão
integra ensino e pesquisa como um processo acadêmico e constitui também um elo entre a
Universidade e a Sociedade (BRASIL, 2012).
Na UFPR, a atividade de extensão é de responsabilidade da Pró-Reitoria de Extensão e
Cultura (PROEC), que orienta e dá suporte para o desenvolvimento de programas, projetos e
cursos de extensão, além da oferta de bolsas para desenvolvimento de projetos. A estrutura de
funcionamento da Pró-Reitoria inclui também um Comitê Assessor de Extensão (CAEX) e
um sistema automatizado para submissão de propostas de extensão (SIGEU) (PROEC, 2014).
Na página da PROEC, é possível consultar editais internos e externos, normas,
documentos e formulários para apoio ao desenvolvimento de programas, projetos ou cursos,
além de uma seção para prestação de serviço ao extensionista. Inclui, ainda, links para acesso
a publicações sobre a temática da extensão, tais como a Revista Extensão em Foco que é uma
publicação da PROEC/UFPR. Esta estrutura favorece a inserção de atividades de extensão em
diversos cursos e áreas de atuação da Instituição (PROEC, 2014).
De acordo com Nogueira (2000), o eixo que direciona as atividades de extensão
universitária é composto pela combinação de especialização e visão holista que podem ser
materializados pela interação de modelos, conceitos e metodologias oriundos de várias
disciplinas e áreas do conhecimento, assim como pela construção de alianças intersetoriais,
interorganizacionais e interprofissionais. Neste contexto, as bibliotecas e bibliotecários podem
ser vistos como atores da Educação, a serviço da comunidade acadêmica, ofertando e
promovendo cursos de extensão universitária.
A associação entre Educação e Conhecimento surgiu no tempo das antigas civilizações
do Egito, Babilônia e Alexandria, onde o professor, o mestre, o educador, desempenhava o
“fazer bibliotecário”, dentro de uma perspectiva de guardião e organizador. A
Biblioteconomia surge, então, como consequência do trabalho da educação, alicerçada por um
arcabouço de técnicas e práticas voltadas para a organização do conhecimento bem como para
facilitar o acesso à informação (SOUZA, 1993).
Entretanto, as funções do bibliotecário não se limitaram à guarda e organização do
conhecimento, pois, também estavam envolvidos em atividades em que a educação era o
elemento norteador (SOUZA, 1993). Sendo assim, além das atividades administrativas e
técnicas que envolvem seleção, aquisição, processamento e preparação de fontes de
informação, o bibliotecário precisa capacitar-se para exercer suas funções educativas
(LITTON, 1974).

2482

�No final do século XIX, Melvin Dewey, citado por Silva, 1986, p.7, já compartilhava
este novo olhar da Biblioteconomia que vislumbrava a importância do bibliotecário como
educador, conforme ilustra o trecho abaixo:
Foi-se o tempo em que a biblioteca se parecia com um museu e o
bibliotecário era um catador de ratos entre livros embolorados e os visitantes
olhavam com olhos curiosos tomos e manuscritos antigos. Agora a biblioteca
é como uma escola, e o bibliotecário é, no mais alto sentido, um professor, e
o visitante é um leitor entre livros como um trabalhador entre suas
ferramentas (SILVA, 1986, p.7).

A visão do bibliotecário como mediador entre a informação e o usuário, também foi
ressaltada por Ortega e Gasset (1967). Neste contexto, o valor do profissional estaria
associado à missão de proporcionar acesso do usuário ao conhecimento, auxiliando a tomada
de decisão e também, como educador, uma vez que investe na educação do usuário com a
finalidade de torná-lo cada vez mais independente e autônomo no acesso e na busca por
informações.
Na atualidade, ensino e biblioteca são instrumentos interdependentes, ambos tendo
como objetivo primordial, o continuo crescimento cultural e o enriquecimento do saber
elaborado (SILVA, 1995). O professor pode orientar a busca de informação, assim como o
bibliotecário pode e deve orientar o usuário quanto aos dados que vai acumulando. Desta
forma, as ações de professores e bibliotecários são complementares e ambos têm a
incumbência de orientar a busca do conhecimento de modo crítico e reflexivo (MILANESI,
1986).
No contexto acadêmico, a biblioteca constituiu uma extensão da sala de aula e ao
bibliotecário cabe a função de motivador da leitura e pesquisa, bem como a de mediador entre
a informação e o usuário, contribuindo para a construção e melhoramento do processo de
ensino e aprendizagem (TARGINO, 1997). Sendo assim, a oferta de curso de extensão
universitária tendo o bibliotecário como ator do processo educativo muito contribui para a
consolidação do triple em que a universidade se fundamenta.
Para que o bibliotecário exerça seu papel de agente educativo faz-se necessário
autoconscientização, capacitação profissional, sensibilidade e empatia, além de disposição
para um aprendizado contínuo (SANTOS, 1996; MILANESI, 1986; TARGINO, 1997). Isto
porque a integração da biblioteca no programa educativo universitário, com o intuito de
facilitar o uso das fontes de informação, requer também contínuo aprimoramento do

2483

�bibliotecário tendo em vista a constante atualização das bases de dados e das tecnologias de
informação e comunicação.
O Sistema de Bibliotecas (SiBi) da UFPR é composto atualmente por 18 bibliotecas
que oferecem à comunidade universitária, bem como ao público em geral, recursos de
informação em Ciência e Tecnologia como subsídio para a construção de conhecimento em
diversas áreas de atuação da Universidade. Além do controle e disponibilização de recursos
informacionais, são objetivos do SiBi também divulgar, promover o acesso e orientar o uso de
fontes de informação (PORTAL, 2014). Desta forma, as bibliotecas estão inseridas no tripé
que fundamenta a academia, participando continuadamente no processo de ensino, pesquisa e
extensão, contribuindo para o aprimoramento dos processos de pesquisa, criação científica e
desenvolvimento de competências e habilidades.
Dentre as ações do SiBi/UFPR que possuem um estreitamento com atividades de
extensão destaca-se o Programa de Educação Continuada de Usuário que tem por objetivo
“potencializar o uso dos recursos informacionais, produtos e serviços ofertados pelo SiBi para
a comunidade acadêmica, inclusive usuários deficientes” (PROGRAMA, 2013, p.4). Inseridas
neste rol de atribuições destacam-se aquelas ações voltadas para a orientação quanto ao uso
das bases de dados disponíveis no Portal de Informação do SiBi e também no Portal de
Periódicos da Capes.
A cada semestre, os bibliotecários participam de aulas inaugurais a convite das
coordenações de curso para apresentar os produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas.
Este serviço é prestado também mediante solicitação dos professores com o objetivo de
propiciar maior detalhamento sobre os recursos e especificidades dos produtos de informação
conforme a área dos cursos da Instituição.
Orientações quanto ao uso de bases de dados são, ainda, rotineiramente ofertadas em
orientações individuais nas bibliotecas. A intenção de ofertar cursos de extensão sobre bases
de dados surgiu como uma forma de ampliar e aprofundar as atividades do Programa de
Educação Continuada de Usuário do SiBi/UFPR.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A descrição da proposta, execução e avaliação do curso de extensão estão descritos a
seguir.

2484

�3.1 Trâmites de abertura, divulgação e inscrição para o curso
A iniciativa de propor um curso de extensão no SiBi surgiu a partir da necessidade
ofertar serviços de informação com maior carga horária e maior aprofundamento de questões
relacionadas à pesquisa bibliográfica.
Considerando a estrutura existente na UFPR para propostas de curso de extensão,
partiu-se para coleta de informações a respeito do trâmite administrativo junto à PROEC.
Ciente dos procedimentos necessários iniciou-se o cadastramento do curso no sistema SIGEU,
delineando objetivos, justificativas, conteúdo programático, público alvo, número de vagas,
carga horária e demais informações necessárias. Após a aprovação do curso nas instâncias
cabíveis procedeu-se a divulgação do evento.
A divulgação foi feita mediante cartazes fixados na biblioteca, cantina e entrada de
alunos. Foram encaminhados também e-mail para os professores e demais servidores do Setor
divulgando o evento.
As inscrições foram feitas mediante preenchimento de formulário eletrônico
disponível na página principal do Portal da Informação do SiBi. Foram ofertadas 10 vagas,
sendo 2 reservadas para servidores da Instituição.

3.2 Objetivos, público alvo e fontes abordadas
O curso de extensão teve por objetivo orientar a pesquisa em bases de dados
disponíveis no Portal da Informação da UFPR voltados para a área Biomédica. O curso foi
ministrado na Biblioteca do Setor de Ciências Biológicas da UFPR, tendo como público alvo
acadêmicos do ciclo básico da área biomédica que frequentam aulas e utilizam os laboratórios
do referido setor.
A área biomédica é fortemente caracterizada pelo desenvolvimento de pesquisa básica
e aplicada, o que requer acesso ao conhecimento de base, bem como a conteúdos atualizados
(CAMPANA, 1999). Para subsidiar as pesquisas bibliográficas na área estão disponíveis
diversas bases de dados de acesso público ou a partir de vínculo institucional.
No Portal de Periódicos Capes estão disponibilizadas várias fontes de pesquisa para
levantamento bibliográfico na área biomédica, sendo importante conhecer aquelas mais
relevantes. As bases de dados abordadas no curso de extensão foram: PubMed, Portal BVS,
Access Medicine, OMIM, Primal Picture, Drugdex, Methods in Enzimology, Reaxys,
Biological Abstracts, e as bases multidisciplinares Scopus, Web of Science.

2485

�3.3 Estrutura, conteúdo programático e material de apoio
O curso incluiu módulos com aulas expositivas e dialogadas, com material de apoio
para os participantes e módulos de atividades práticas em microcomputadores, além de uma
visita orientada na Biblioteca do Setor de Ciências Biológicas. A carga horária total foi de 8
horas, distribuídas no período de 18 a 20 de setembro de 2013, no horário noturno.
Os temas abordados incluíram Estrutura do SiBi: bibliotecas, normas, regulamentos,
acervo físico e digital, produtos e serviços oferecidos; Biblioteca digital; Fontes de
informação: Bases de dados de acesso público e de acesso restrito; Bases de dados da área de
Saúde; Portal de Periódicos Capes; orientações quanto ao acesso remoto e recomendações
para pesquisa bibliográfica nas bases de dados.
O conteúdo foi explanado mediante apresentação de eslaides no programa Microsoft
Powerpoint, intercalada com o acesso direto nas bases de dados via Web, a fim de
exemplificar os conteúdos abordados. Ao final dos dois primeiros módulos foram propostos
exercícios para fixação do conteúdo explanado que foram executados por cada participante
em microcomputadores individuais. Todos os participantes do curso receberam cópia
impressa da lista de exercícios e do conteúdo dos eslaides como material de apoio.
No último módulo foi efetuada uma visita orientada na Biblioteca a fim de apresentar
as seções e serviços bem como os servidores que prestam atendimento. Ao final da visita, foi
solicitado aos participantes o preenchimento de um formulário de avaliação do evento,
contendo os seguintes quesitos: alcance dos objetivos propostos, conteúdo, carga horária,
qualidade do material apresentado, recepção, divulgação, local do evento.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Os resultados da avaliação dos sete participantes que concluíram todos os módulos
propostos e que realizaram a avaliação estão ilustrados no Gráfico 1.
A qualidade do material foi considerada excelente pela totalidade dos participantes. A
maioria (71%) dos participantes considerou que foram atingidos os seus objetivos em relação
ao curso e que o conteúdo proposto teve aplicabilidade nos seus estudos. Em relação à
recepção no início e durante o curso foi também bem avaliada por boa parte (57%) dos
participantes. Quanto à divulgação do evento, apenas 10% considerou o curso bem divulgado.
Com relação ao local do evento não houve uma predominância de julgamento por parte dos
participantes.

2486

�Gráfico 1 - Avaliação do curso piloto de extensão universitária do SiBi/UFPR

Diante dos resultados, cosiderou-se que o curso foi bem avaliado e atingiu os objetivos
propostos. Questões relacionadas à divulgação e local do evento necessitam de melhor
direcionamento a fim de elevar a qualidade do curso.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Considerando a importância das fontes de informação para pesquisa acadêmica,
verifica-se que a Biblioteca não pode ficar à margem do processo educativo. Além da
aplicação de técnicas e práticas inerentes de organização e disseminação do conhecimento, a
Biblioteca precisa fortalecer seu vínculo natural com a Educação, promovendo ações
integradas no âmbito do triple, ensino, pesquisa e extensão, que fundamenta a existência da
universidade. Tal fato se materializa pela oferta de serviços de informação que podem ser
desenvolvidos no formato de cursos de extensão, consolidando assim, a função do
bibliotecário enquanto educador e mediador do processo de ensino e aprendizagem.
A avaliação positiva atribuída ao curso piloto de extensão promovido pelo SiBi/UFPR
pelos seus participantes, reafirma a importância da oferta sistemática deste tipo de atividade.
Considerado a grande diversidade de áreas de atuação e cursos ofertados pela UFPR, acreditase que há uma vastidão de oportunidades para oferta de cursos de extensão voltados para a
área de capacitação quanto ao uso de recursos de informação.
Cabe ao SiBi/UFPR, aproveitar estes espaços, articulando ações conjuntas para
viabilização de cursos de extensão. O fortalecimento do Programa de Capacitação Continuada
de Usuários e também de equipes de bibliotecários é fundamental para a concretização de
ofertas de atividades de extensão. O desenvolvimento de equipes de bibliotecários para

2487

�exercerem habilidades e capacidades educativas é também imprescindível para que estes
atuem como mediadores do conhecimento.

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Projeto

político

pedagógico

institucional

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Universidade de Brasília. Brasília: UnB, 2011.

2489

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Apresenta um relato de experiência sobre a oferta de curso piloto de extensão no âmbito do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O Objetivo do curso foi capacitar a comunidade acadêmica para utilização dos recursos informacionais disponibilizados no Portal da Informação do SiBi/UFPR. Foram ofertadas dez vagas, sendo duas para servidores da Instituição. As inscrições foram efetuadas mediante preenchimento de formulário eletrônico disponibilizado na página principal do Portal da Informação do SiBi. O curso incluiu módulos com aulas expositivas e dialogadas, com material de apoio para os participantes e módulos de atividades práticas em microcomputadores, além de uma visita orientada na Biblioteca do Setor de Ciências Biológicas. A carga horária total foi de 8 horas, distribuídas no período de 18 a 20 de setembro de 2013, no horário noturno. Ao final do curso os participantes avaliaram o evento, sendo verificado que o material proposto foi considerado excelente pela totalidade dos participantes, a maioria dos participantes considerou que o conteúdo proposto teve aplicabilidade nos seus estudos e que houve boa recepção aos integrantes do curso, a divulgação do curso foi apontada como um ponto frágil e quanto ao local do evento não houve uma predominância de julgamento. Considerando estes resultados recomenda-se a oferta sistemática de cursos de extensão no âmbito do SiBi/UFPR, com melhor direcionamento de questões relacionadas a divulgação e local do evento.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MEMÓRIA TÉCNICO-CIENTÍFICA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DO PODER
EXECUTIVO DE MINAS GERAIS: NOTAS DE PESQUISA
Roger De Miranda Guedes

RESUMO
Apresenta os primeiros avanços de um projeto de pesquisa em execução pela Fundação João
Pinheiro (FJP) no qual se tem desenvolvido as ações de mapeamento e recuperação do acervo
identificado como a memória técnico-científica da extinta biblioteca da Secretaria de Estado
de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (SEPLAG). Explora a condição de memória e de
literatura cinzenta, que caracteriza grande parte das coleções ditas memória técnico-científica,
para contextualizar as iniciativas de preservação e disponibilização da produção intelectual da
FJP e demais entidades estatais. Procurou-se reunir informações e notabilizar a história de
formação do acervo da referida memória técnico-científica, doada à FJP, com o desígnio de
revelar um pequeno fragmento do panorama histórico da produção científica em Minas
Gerais.
Palavras-Chave: Memória técnico-científica. Literatura cinzenta. Preservação digital. Minas
Gerais.

ABSTRACT
It
presents
the first
steps of
a research
project implemented
by
the João
Pinheiro Foundation (FJP) in which the actions of mapping and recovery of assets identified
as a technical-scientific memory of the defunct library of the State Secretariat of Planning
and Management Minas Gerais (SEPLAG) have been developed. It explores the memory
condition and gray
literature,
which characterize
much of
the
technical
and
scientific collections of said memory to contextualize the efforts of preservation and
availability of intellectual production of the FJP and other state entities. An attempt was made
to gather
information and annotate
the history of
the
gathering
of the
aforementioned technical-scientific memory collection donated to the FJP, for the purpose of
revealing a small fragment of the historical panorama of the scientific production in Minas
Gerais.
Keywords: Technical-scientific memory. Gray literature. Digital preservation. Minas Gerais.

1 INTRODUÇÃO
A informação científica enquanto recurso fundamental para a comunicação de
conhecimentos é insumo para o progresso científico de uma sociedade. Sua estrutura apoia-se
na relação entre o tempo passado e o momento contemporâneo da ciência com o propósito de

370

�legitimação dos saberes, isto é, sua condição de comunicar descobertas, resultados, fatos,
fenômenos, etc. exige um encadeamento do que está vindo à luz com o discurso científico
(avanços e contribuições) já sedimentado, seja fortalecendo-o ou contrapondo-o.
Compreendida como um construto social a informação “jamais se tornaria possível
sem o ‘espaço de contato’ entre o passado e o presente; capaz de significá-la através dos
diferentes cenários políticos, sociais e econômicos” (PIMENTA, 2013, p. 152). Partimos
dessa concepção de informação para discorrermos sobre a sua correlação com o conceito de
memória, mais precisamente, o de memória científica.
A memória é uma representação social carregada de significados pertencente ao
abstrato individual ou coletivo que no transcurso do tempo manifesta o que se entende por
informação. Para Le Goff (2003, p. 476) a importância do papel da memória se evidencia com
a evolução das sociedades na segunda metade do século XX quando o pensamento acerca da
história ultrapassa a noção de culto público estendendo-se “a montante enquanto reservatório
(móvel) da história, rico em arquivos e em documentos/monumentos, e a aval, eco sonoro (e
vivo) do trabalho histórico”.
Recorremos aqui a um aspecto da memória que contempla sua concretude e
formalidade que é a memória científica preservada em artefatos de informação denominados
documentos. Quer estejam dispostas sob um enfoque que privilegie determinada área do
conhecimento ou com base na história das instituições, as coleções de documentos
denominadas memória científica são insumos fundamentais para retratar a história da ciência.
Neste ensaio apresentamos os primeiros avanços de um projeto de pesquisa em
execução pela Fundação João Pinheiro (FJP), financiado pela Fundação de Amparo à
Pesquisa do estado de Minas Gerais (Fapemig), no qual se tem desenvolvido as ações de
mapeamento e recuperação do acervo identificado como a memória técnico-científica da
biblioteca da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG) de Minas Gerais que,
desativada em 2011, teve seu acervo bibliográfico doado à FJP. Para isso buscamos nos
orientar pelas categorias de conhecimento que perpassam as áreas da ciência da informação,
biblioteconomia, história entre outras que tomam o documento e suas particularidades como
um objeto de estudo.
Optamos por explorar a condição de literatura cinzenta que caracteriza grande parte
das coleções ditas memória técnico-científica para contextualizar as iniciativas de preservação
e disponibilização da produção intelectual da FJP resultante de suas atividades e demais
entidades estatais. Procuramos reunir informações e esmiuçar a história de formação do

371

�acervo da memória técnico-científica doada à FJP com o desígnio de revelar um pequeno
fragmento do panorama histórico da produção científica em Minas Gerais.

2 LITERATURA CINZENTA E MEMÓRIA CIENTÍFICA
O contingente de informação governamental de domínio público se insere em uma
categoria de informação livremente acessível e utilizável, porém nem toda informação de
domínio público é derivada do setor público e nem toda informação governamental é de
domínio público (FIGURA 1). Conforme Uhlir (2006, p. 28), a informação governamental de
domínio público “é aquela parcela da informação do setor público que é publicamente
acessível e cuja utilização não infringe quaisquer restrições de segurança nacional, nem
qualquer direito legal ou obrigação de confidencialidade”.
Uhlir (2006) expõe que a informação governamental de domínio público ainda pode
ser classificada quanto a sua natureza administrativa ou não-administrativa, isto é, se são
informações inerentes às atividades de gestão dos órgãos públicos (procedimentos
administrativos, normas internas, contratos, legislações, etc.) ou se são informações
provenientes da atividade funcional dos órgãos (informações comerciais, culturais, técnicas,
científicas, estatísticas, geográficas, turísticas, etc.). Também pode ser classificada quanto ao
seu potencial de interesse e audiência, ou seja, se tal informação é de importância para grupos
de pessoas e comunidades específicas ou para a sociedade em geral. A informação
governamental de domínio público ainda pode ser classificada pelo seu valor econômico, que
é normalmente destinada a mercados específicos do setor público e do privado.

Figura 1 - Informação governamental de domínio público

Fonte: Elaborada pelo autor.

372

�No caso da memória técnico-científica de uma instituição esta poderia ser
caracterizada a partir de diferentes categorias. Entretanto uma coleção documental
denominada memória técnico-científica no âmbito do setor público é normalmente
reconhecida por se tratar de informação não-administrativa resultante das atividades de
determinadas entidades públicas podendo ser alvo de interesse de grupos particulares ou do
público em geral, também podem apresentar um alto valor econômico e influenciar a tomada
de decisões da esfera pública e privada.
Outro aspecto muito importante da memória técnico-científica - e pelo qual o
mencionado projeto de pesquisa procura-se orientar - é a sua caracterização como literatura
cinzenta, termo historicamente utilizado para se referir aos documentos semipublicados,
produzidos nos âmbitos governamental, acadêmico, comercial e da indústria (GOMES;
MENDONÇA; SOUZA, 2000, p. 97). São recursos de informação não comercializados,
havendo pouca probabilidade de serem adquiridos através das fontes de vendas de
publicações.
Com o avanço das tecnologias dedicadas à comunicação e à informação, o conceito de
literatura cinzenta vem se atualizando, sendo que um atributo persistente é a sua distribuição
não comercial. Atualmente a literatura cinzenta é reconhecida como sinônimo de uma
multiplicidade de documentos produzido nos contextos governamental, acadêmico,
empresarial e industrial - tanto em formato impresso ou eletrônico - protegidos por direitos
de propriedade intelectual e de qualidade suficiente para serem coletados e preservados em
diretórios científicos (SCHOPFEL, 2010 apud MARTÍNEZ-MÉNDEZ; LÓPEZ-CARRENO,
2011).
Assim, dentre as novas possibilidades de promover e ampliar o acesso aos documentos
desta natureza estão os serviços de informação em rede que mediam a consulta e facilitam a
distribuição de conteúdos - são geralmente conhecidos por bibliotecas e repositórios digitais.
Orientando-se por essa estratégia de disseminação de informação científica a
Fundação João Pinheiro instituiu em 2009 a Biblioteca Digital do Estado de Minas Gerais26
que se dedica reunião e preservação da informação técnico-científica produzida na esfera
estatal. Esta se assume, então, como o sistema de informação mais adequado nas atuais
circunstâncias para destinação do acervo da memória técnico-científica da biblioteca da
SEPLAG.

26 www.bibliotecadigital. mg. gov.br

373

�3 PRODUÇÃO CIENTÍFICA DE MINAS GERAIS:

MEMÓRIA TÉCNICO-

CIENTÍFICA DAS INSTITUIÇÕES
Uma das medidas tomadas em reformas administrativas da esfera pública é a
reorganização das estruturas governamentais para se adequarem às atribuições, necessidades e
funcionamento da gestão pública. Desdobram-se dessas reformulações a criação, a fusão e a
extinção de órgãos bem como a mudança de hierarquia, nomenclatura e natureza institucional.
Dentre as implicações decorrentes destas remodelações citamos o desafio da gestão
documental - geralmente há grandes prejuízos quanto a transferência, salvaguarda, descarte,
organização e acesso aos documentos e publicações das instituições dissolvidas ou
incorporadas.
Compõem os fundos documentais das instituições públicas a produção intelectual
originada de suas atividades, muitas vezes essa produção apresenta um caráter técnicocientífico e possui um valor informacional de grande importância para as comunidades
acadêmica, científica, industrial, etc. e para a sociedade em geral. Caracterizados como a
memória técnico-científica das instituições essas coleções de documentos são alocadas
fisicamente nas bibliotecas, arquivos e centros de documentação.
Assim, a partir do momento que em que o órgão é extinto, sua biblioteca, arquivo e
outros repositórios de memória também são extintos. “Teoricamente, todo o seu patrimônio
deveria ser incorporado a outro órgão governamental, mas frequentemente é quase impossível
determinar seguramente com quem ficou a responsabilidade da guarda dos acervos”
(BIBLIOGRAFIA..., 1987, não paginado).
Esta é uma situação recorrente no contexto da máquina estatal, a cada nova
reestruturação administrativa o patrimônio bibliográfico e histórico sofre sérias e irreversíveis
perdas. Muitos acervos e fundos bibliográficos são negligenciados ou recebem o mínimo de
importância no transcurso do redimensionamento de órgãos e entidades públicas.
Além de implicações legais, a inadvertência com este patrimônio representa prejuízos
à comunicação científica e, sobretudo, à história da ciência uma vez que as coleções
denominadas memória técnico-científica denotam o legado da evolução científica e da
geração de conhecimento no setor público.
De acordo com Sayão (1996) é possível pensar nas bibliotecas especializadas, bases de
dados, acervos temáticos e demais sistemas de informação científica como recursos que
cumprem o papel de memória dos saberes científicos, nesse sentido podemos considerar a
memória técnico-científica de uma instituição contribuindo e, talvez exercendo um papel
nuclear, na constituição do traçado histórico da ciência.

374

�Por esta razão muitas são as iniciativas de promover e ampliar o acesso a estes acervos
por meio de serviços de informação estabelecidos em plataformas digitais que possibilitam a
difusão dos conteúdos pela Internet. Muitos destes se caracterizam por sistemas organizados
que fornecem recursos - tecnológicos e humanos - a partir dos quais se torna possível a
preservação e acesso à coleções de documentos ou informações estruturadas.
Nesta perspectiva, o principal propósito do mapeamento e regaste de coleções de
memória técnico-científica, no âmbito dos projetos executados pela Fundação João Pinheiro,
é a preservação e a disponibilização de seus conteúdos, mediante serviços de informação, para
a sociedade civil - com ênfase nas comunidades científicas.

3.1 O PASSADO NAS BIBLIOTECAS: ARQUEOLOGIA DO CONHECIMENTO
CIENTÍFICO EM MINAS GERAIS
Tendo esse contexto como pano de fundo a Fundação João Pinheiro, preocupada com
o destino da memória técnico-científica produzida pelas entidades públicas da administração
direta de Minas Gerais, vem trabalhando no resgate e salvaguarda de acervos bibliográficos
de instituições estaduais extintas ou remodeladas que tiveram suas bibliotecas e centros de
documentação desativados.
A Biblioteca Professora Maria Helena de Andrade é o centro responsável por reunir e
realizar os procedimentos necessários para a disponibilização destes acervos ao público. Ela
integra a estrutura organizacional da Fundação João Pinheiro, subordinando-se diretamente à
presidência. Sua conformação é composta pelo setor de referência, pelo Centro de Referência
da Biblioteca Digital do Estado de Minas Gerais, pelo núcleo de editoração e pelo setor de
arquivo da instituição.
Possui um acervo concentrado nas áreas das ciências sociais aplicadas, em especial
nos domínios da administração, demografia, economia e planejamento urbano e regional. A
biblioteca oferece aos servidores e alunos da Fundação João Pinheiro serviços de informação
necessários ao desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão, mas também atende
demandas de toda a sociedade - desde consultas locais até pedidos de pesquisadores do
exterior.
Por se tratar de uma biblioteca especializada que atende e é depositária da produção
intelectual de uma instituição de pesquisa prolífica, a quantidade e a natureza dos itens de
informação decorrentes das atividades da instituição é relativamente alta. Desse modo, além
de um vasto acervo circulante a biblioteca também é a responsável por gerir coleções
especiais que merecem cuidados e atenção diferenciados.

375

�Dentre tais coleções está a Memória Técnico-Científica da Fundação João Pinheiro,
um acervo composto em sua maioria por relatórios de pesquisa resultantes de projetos de
investigação realizados na instituição e em outros órgãos estaduais que foram extintos e que
tiveram seu acervo bibliográfico doado para a FJP.
Dessa maneira, essa coleção deixa de ter uma característica de memória
exclusivamente institucional, e passa a representar uma importante parte da memória
científica do Estado de Minas Gerais, uma vez que tais recursos bibliográficos retratam os
rigorosos estudos, levantamentos, pesquisas e coletas de dados no âmbito do estado que
subsidiaram o planejamento e as ações para o desenvolvimento de diversos setores da
sociedade.
A absorção de tais coleções pela biblioteca remete à questão da reminiscência da
ciência em determina época e contexto possibilitando o seu delineamento identitário, já que
ao incorporar outros acervos uma biblioteca conserva a lembrança das que a precederam,
(JACOB, 2008). Nesse entendimento, realiza-se através desta iniciativa uma tarefa na qual a
arqueologia do conhecimento científico produzido em Minas Gerais cruza-se com a ânsia por
acesso livre e irrestrito das informações governamentais de domínio público.
Como exemplo de coleções bibliográficas tem-se o caso do patrimônio bibliográfico
da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte
(Plambel) - criada em 1974 e dissolvida em 1996, foi responsável pela elaboração de estudos,
diagnósticos e planos de urbanização de alto nível metodológico e técnico (TONUCCI
FILHO, 2010) - e o acervo da biblioteca desativada da Secretaria de Estado de Planejamento
e Gestão de Minas Gerais (SEPLAG) - criada em 2003, é responsável pelo estabelecimento e
condução de políticas de gestão que norteiam a ação das demais entidades estatais (MINAS
GERAIS, 2014).
Sendo que a coleção relativa à produção intelectual da Plambel já se encontra
incorporada à memória técnico-científica da FJP - disponível na Biblioteca Digital do Estado
de Minas Gerais - e o acervo da SEPLAG está em processo de incorporação - razão do
referido projeto.
No caso da SEPLAG esse acervo de memória técnico-científica não é uma produção
institucional uma vez que em sua missão e objetivo operacional não enquadra atividades de
pesquisa. Na verdade sua memória técnico-científica é uma herança de agrupamentos
institucionais e entidades anteriores que se fundiram ao órgão de coordenação central vigente
de cada época - atualmente o papel da SEPLAG.

376

�Esta é uma informação que consideramos relevante para se tomar nota uma vez que,
ao ser incorporado à memória técnico-científica da FJP, sem a reconstituição da história de
formação original deste acervo seria mais complexo remontar às suas origens. Assim, a partir
de fontes bibliográficas e orais, buscamos estruturar as informações que nos levaram ao
conhecimento das instituições produtoras do conhecimento técnico-científico que originaram
a memória técnico-científica da biblioteca da SEPLAG.

3.2 O CASO DA MEMÓRIA TÉCNICO-CIENTÍFICA DA SEPLAG
Um efeito direto das incisivas políticas de planejamento do desenvolvimento
econômico regional da década de 1960 em Minas Gerais foi desenvolvimento acelerado da
produção científica classificada como literatura cinzenta - um reflexo evidente do
investimento em estudos, levantamento de dados e pesquisas no mais diversos setores da
sociedade.
Destaca-se neste cenário a produção bibliográfica do Conselho Estadual de
Desenvolvimento (CED) que tinha como uma de suas funcionalidades “institucionalizar,
progressivamente, o sistema de planejamento como técnica de administrar e governar,
visando ao desenvolvimento econômico e bem-estar social” (MINAS GERAIS, 1966). Assim,
com uma atuação pautada no discurso do planejamento econômico regional (BARABOSA,
2012) o CED foi responsável pela execução de diversos projetos e programas para a
promoção do desenvolvimento social e econômico no estado que originaram uma vasta
produção bibliográfica - como constatado ao analisar o acervo da memória técnico-científica
da biblioteca da SEPLAG.
Dessa forma, foi determinado como ponto de partida para a pesquisa das origens do
acervo o histórico administrativo do CED. Sua criação, em 20 de abril de 1966 durante o
governo de Israel Pinheiro, substituiu a extinta Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Econômico, criada em 1951 durante o governo de Juscelino Kubitscheck (MINAS GERAIS,
1963).
Segundo consta na legislação consultada, o patrimônio do CED teria sido tombado e
redistribuído pela Secretaria de Estado de Recursos Humanos e Administração (SERHA).
Não foi possível determinar se esse patrimônio era composto também de relatórios, livros ou
periódicos, mas existe a grande possibilidade de desde essa época já existia um acervo
documental que mais tarde faria parte da biblioteca da SEPLAG com as transferências e
remanejamentos (MINAS GERAIS, 1966; 1972).

377

�Faziam parte

da

SERHA também

os

acervos

do Instituto Estadual

de

Desenvolvimento de Recursos Humanos (IEDRHU), que quando foi extinto já incorporava
parte da estrutura da Secretaria de Estado de Recursos Humanos e Administração. A SERHA
também teria recebido um pequeno conjunto de documentos referente a funcionários e,
aparentemente, de pouca importância do extinto Banco Minas Caixa. Após a dissolução da
CED, foi criada em 22 de abril de 1975, durante o governo de Rondon Pacheco, a Secretaria
de Estado e Planejamento e Coordenação Geral (SEPLAN), que incorporou a estrutura e
patrimônio da instituição anterior (MINAS GERAIS, 1975).
Durante muitos anos a biblioteca da SEPLAN foi considerada uma das mais
importantes do governo do Estado, contando com uma forte estrutura administrativa. Em
2003, durante o governo de Aécio Neves, a SEPLAN se dissolve e torna-se SEPLAG. Todo o
acervo é transferido para a biblioteca formada na recente instituição, cuja mesma biblioteca
durou até 2010, com a extinção desta, gerada principalmente pela mudança da estrutura
governamental do Estado de Minas Gerais para a Cidade Administrativa.
Em 2011, o acervo da antiga biblioteca da SEPLAG foi requisitado e doado para a
Fundação João Pinheiro onde, atualmente, passa por um processo de análise, tratamento
técnico e preservação.

QUADRO 1 - Instituições produtoras e receptoras do acervo da memória técnico-científica da
biblioteca da SEPLAG
Instituição

CED: Conselho Estadual do
Desenvolvimento

Instituto Estadual de Estatística
SERHA: Secretaria de Estado
de Recursos Humanos e
Administração
SEPLAN: Secretaria de Estado
e Planejamento e Coordenação
Geral

Observações
Criada em 20 de abril de 1966. Lei n° 4.133
Fixou as diretrizes de ação do Governo e constitucionalizar
progressivamente, o sistema de planejamento como técnica de
administrar e governar, visando ao desenvolvimento econômico e
bem estar social. Suas funções eram planejar, coordenar, orientar e
controlar a ação governamental, no âmbito da administração
centralizada e da descentralizada.
Fazia parte do CED. Suas funções eram planejar, coordenar, coletar,
criticar, apurar, sistematizar, analisar, interpretar e divulgar os dados
relativos aos fenômenos físico-demográficos econômicos, sociais,
culturais e político-administrativos.
Criada em 04 de outubro de 1963. Lei n° 2.877
Propor e executar política de administração de recursos humanos,
material, patrimônio, transporte oficial, serviços gerais e as relativas
à modernização administrativa e a saúde ocupacional.
Criada em 22 de abril de 1975. Decreto 28136, de 31/05/1988
Competiu a SEPLAN coordenar o sistema de planejamento, o
orçamento e a modernização administrativa, bem como a execução e
respectivo acompanhamento dos planos
estaduais
de
desenvolvimento.

378

�Extinto em 27 de maio de 1996. Lei n° 12.159 Art.5
O Instituto Estadual de Desenvolvimento de Recursos Humanos IEDRHU: Instituto Estadual de IEDRHU, órgão autônomo, subordinado à Secretaria de Estado de
Desenvolvimento de Recursos Recursos Humanos e Administração, tem por finalidade planejar,
organizar, dirigir, coordenar, executar e controlar as atividades de
Humanos
avaliação,
acompanhamento, recrutamento, seleção
e
desenvolvimento de recursos humanos.
Extinta em 24 de Agosto de 1998. Decreto n° 39.835 Art.1
Minas Caixa: Caixa Econômica Como banco em geral, tinha por funções depositar capital em formas
do Estado de Minas Gerais
de poupança, financiar automóveis e casas, trocar moedas
internacionais, realizar pagamentos, entre outros.
Criada em 29 de Janeiro de 2003. Lei Delegada 63
SEPLAG: Secretaria de Estado A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão tem como objetivo
coordenar, formular, executar e avaliar políticas que visem o
e Planejamento e Gestão
desenvolvimento econômico, social e institucional de Minas Gerais.
Criada em 12 de dezembro de 1969. Lei n° 5399
É uma entidade do governo de Minas Gerais de apoio técnico à
Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão e demais sistemas
FJP: Fundação João Pinheiro
operacionais do Estado. Atua nas áreas de ensino de graduação,
especialização e mestrado em Administração Pública, avaliação de
políticas públicas e na produção de indicadores estatísticos,
econômico-financeiros, demográficos e sociais.
Fonte: Adaptado de Fundação .íoão Pinheiro (2013).

Em posse dessas informações buscamos sintetizar quais foram as instituições que
produziram ou receberam acervos - compostos por coleções de memória técnico-científica - e
que foram transferidos e remanejados ao longo das décadas. O Quadro 1 apresenta cada uma
destas instituições, suas atuações e as legislações que determinam seu início ou extinção no
sistema governamental do Estado de Minas Gerais.
Em posse deste apanhado histórico acerca da formação da memória técnico-científica
da biblioteca da SEPLAG constatamos que o acervo doado à FJP surgiu basicamente de duas
instituições, SEPLAN e SEHRA, que foram incorporados a biblioteca da SEPLAG com a
dissolução e fusão dos dois órgãos. Por sua vez, tanto o acervo da SEPLAN e da SERHA se
constituíram majoritariamente a partir da produção técnico-científica do CED e de seus
órgãos subordinados.

4 BREVES CONSIDERAÇÕES
Segundo Le Goff (2003, p. 477), a memória é um elemento fundamental do que se
reconhece por “identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades
fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje”.
Nessa perspectiva, entendemos que as coleções documentais denominadas memória
técnico-científica tem a importante função de retratar a história da ciência e da técnica de um

379

�contexto determinado, elas permitem acompanhar a evolução do conhecimento e do progresso
científico e cultural, contribuem também para a formação da identidade de instituições e da
própria sociedade.
Diante da grande importância e valor para a sociedade, o referido projeto em execução
oportuniza o empreendimento de esforços frente ao mapeamento, resgate, preservação e
ampliação do acesso à esses acervos. Desse modo, buscou-se apresentar neste ensaio os
primeiros levantamentos de informação que permitissem a caracterização e desenvolvimento
da identidade da memória técnico-científica da biblioteca da SEPLAG. Espera-se, assim, que
tal levantamento subsidie as próximas ações do projeto e seja um ponto de apoio para novos
aclaramentos e progressos acerca da história da ciência e da técnica em Minas Gerais.

REFERÊNCIAS
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Subsecretária de Biblioteca, 1987. Resenha de: PASSOS, Edilenice J. L.; CHAMARELLI,
Marilúcia. Ciência da Informação, Brasília, v. 22, n. 1, 1993.
FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. Centro Referência da Memória Técnica das Instituições
Públicas do Poder Executivo do Estado de Minas Gerais - 1a etapa: relatório quadrimestral n°
1. Belo Horizonte, 2013.
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CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B. V.; KREMER, J. M. (Org.). Fontes de informação para
pesquisadores eprofissionais. Belo Horizonte, Ed. UFMG, 2000. p. 97-103.
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livros no Ocidente. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 2000. p. 9-17.
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gris en la época 2.0. E lprofesional de la información, 2011, nov./dic., v. 20, n. 6, p. 621-626.
MINAS GERAIS. Lei 4133, de 20 de abril de 1966. Extingue a secretaria de estado do
desenvolvimento econômico, cria o conselho estadual do desenvolvimento e dá outras
providências.

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Horizonte,

1966.

Disponível

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&lt;http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.
______. Lei 2877, de 04 de outubro de 1963: Dispõe sobre a reestruturação administrativa do
estado

e

dá

outras

providências.

Belo

Horizonte,

1963.

Disponível

em:

&lt;http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.

380

�______. Decreto 14323, de 04 de fevereiro de 1972. Regulamenta o Conselho Estadual Do
Desenvolvimento.

Belo

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1972.

Disponível

em:

&lt;http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.
______. De c r e t o 17112,

de

22

d e a b r il d e

1975. Dis p õ e

s o b r e a e s t r u t u r a b á s ic a d a

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTADUAL E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

BELO HORIZONTE, 1975.

Disponível em: &lt;http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Institucional. 2014.
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digital. In: ALBAGLI, Sarita (Org.). Fronteiras da ciência da informação. Brasília: Ibict,
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Informação, Brasília, v. 25, n. 3, p. 314-318, set./dez. 1996.
SCHOPFEL, Joachim. Towards a Prague definition of grey literature. In: TWELFTH INTL
CONF ON GREY LITERATURE: transparency in grey literature: grey tech approaches to
high tech issues. Praga. Dec. 2010. Proceedings... Praga, 2010. apudMARTINEZ-MÉNDEZ,
F. J.; LÓPEZ-CARRENO, R. El sinsentido de hablar de literatura gris en la época 2.0. El
profesional de la información, 2011, nov./dic., v. 20, n. 6, p. 621-626.
TONUCCI FILHO, João Bosco Moura. Dois momentos do planejamento metropolitano em
Belo Horizonte: um estudo das experiências do PLAMBEL e do PDDI-RMBH. 2012. 235 f.
Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
UHLIR, Paul F. Diretrizes políticas para o desenvolvimento e a promoção da informação
governamental de domínio público. Brasília: UNESCO, 2006. 69 p.

381

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Memória técnico-científica das Instituições Públicas do Poder Executivo de Minas Gerais: notas de pesquisa.</text>
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                <text>Apresenta os primeiros avanços de um projeto de pesquisa em execução pela Fundação João Pinheiro (FJP) no qual se tem desenvolvido as ações de mapeamento e recuperação do acervo identificado como a memória técnico-científica da extinta biblioteca da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (SEPLAG). Explora a condição de memória e de literatura cinzenta, que caracteriza grande parte das coleções ditas memória técnico-científica, para contextualizar as iniciativas de preservação e disponibilização da produção intelectual da FJP e demais entidades estatais. Procurou-se reunir informações e notabilizar a história de formação do acervo da referida memória técnico-científica, doada à FJP, com o desígnio de revelar um pequeno fragmento do panorama histórico da produção científica em Minas  Gerais.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA REGIONAL DO CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DE RONDONÓPOLIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE
MATO GROSSO
Alexandre Oliveira de Meira Gusmão
Camila Lindomar Mendonça Lopes Santana
Arthur Balbino Ribeiro
RESUMO
Avalia o desempenho qualitativo dos serviços e das condições ambientais da Biblioteca
Regional sob a ótica de seus clientes. Adotou-se uma pesquisa descritiva, baseada em estudo
de caso, com a partir de uma amostra de 251 (duzentos e cinqüenta e um) questionários
aplicados a usuários que estavam nos recintos da Biblioteca Regional entre os meses de
janeiro e fevereiro de 2014. Foi identificado que os entrevistados estão satisfeitos quanto às
condições do prédio, equipamentos de informática, limpeza, ambiente de leitura individual e
em grupo, silêncio, conforto ambiental, iluminação interna e conservação do acervo. Porém
demonstraram insatisfação em relação à acessibilidade e sinalização. A maioria dos
entrevistados possuem dificuldades em consultar os catálogos, localizar periódicos (revistas e
jornais) e localizar livros nas estantes. Foram sugeridas melhorias como mais tomadas
elétricas para notebooks, atualização constante do acervo e do conforto em geral: cadeiras
confortáveis, mesas maiores para trabalho em grupo, aumentar a quantidade de guardavolumes, melhoria na iluminação e ar condicionado. Concluiu-se que a Biblioteca Regional
estar exposta a diversas variáveis passíveis de avaliações as quais influenciam decisivamente
seus serviços, contudo, a BRR teve uma boa avaliação tanto do servicescape quanto de seus
serviços.
Palavras-Chave:
Rondonópolis.

Biblioteca

universitária,

Avaliação

dos

serviços,

Servicescape,

ABSTRACT
Evaluate the qualitative performance of services and environmental conditions of the
Regional Library from the perspective of their customers was assessed. Evaluation is a very
important tool for the management of organizations, being a facilitator in decision making, it
is possible through the institutional planning covering human resources, physical space,
operation, infrastructure, security in environmental conditions, services to be defined
provided, profile and user satisfaction. In this context, the university library is an institution
that does not escape the evaluation process. The study was conducted from a descriptive
research methodology with a case study from a sample of 251 (two hundred fifty -one)
questionnaires with users who were in the precincts of the Regional Library during the
months of January and February, 2014. The study objective was achieved and it can be
concluded that the relationship between library users and tends to be favored by deploying

848

�marketing techniques to promote existing products and services in this institution, providing
that their operation is more efficient and meets with greater quality demands of users.
Keywords: University library, Services evaluate, Servicescape, Rondonópolis.

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Regional (BRR) do Campus Universitário de Rondonópolis da
Universidade Federal de Mato Grosso é uma instituição que oferece suporte ao ensino,
pesquisa e extensão aos cursos de graduação e pós-graduação. Mantêm serviços de consulta e
empréstimo de livros, orientação aos usuários no uso dos recursos de informação,
levantamentos bibliográficos, entre outros.

A BRR prima por presta serviços e ofertar

produtos de informação com qualidade e que propicie satisfação aos seus clientes e nesta
perspectiva a avaliação dos serviços e produtos é essencial para garantir o sucesso de todo
processo organizacional.
Ao compreende a importância das condições ambientais da biblioteca e sua influencia
na qualidade dos serviços e na percepção da clientela, o presente estudo se fundamenta na
seguinte indagação: Qual o nível de desempenho dos serviços e das condições ambientais da
Biblioteca Regional do Campus Universitário de Rondonópolis da Universidade Federal de
Mato Grosso?

Para responder esta indagação adotou-se por objetivo geral avaliar o

desempenho dos serviços e produtos, bem como das condições ambientais da BRR sob a ótica
de seus clientes. Os objetivos específicos foram:
a) traçar o perfil dos clientes da BRR;
b) definir os fatores considerados positivos e/ou negativos pelos clientes em relação aos
serviços e produtos de informação;
c) mapear as condições ambientais passíveis de mensuração.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Sanz Casado (1994, p.29) argumenta que “a função primordial de uma biblioteca
universitária é facilitar o estudo e a pesquisa dos membros de sua própria instituição”
[tradução do autor]. Para isto, deve fornecer base bibliográfica e documentária para auxiliar as
atividades científicas e acadêmicas, bem como divulgar o conhecimento criado por seus
discentes e docentes.

849

�A biblioteca universitária deve estar sempre atenta às mudanças tecnológicas e
educacionais que ocorram na sociedade, procurando adaptar e melhorar seus produtos e
serviços, bem como capacitar seus clientes para a melhor manipulação dos sistemas de
informação, a fim de cumprir seu objetivo de oferecer suporte informacional ao ensino,
pesquisa e extensão.
Quanto aos serviços ofertados por uma organização, Fitzsimmons e Fitzsimmons
(2005, p.44) argumentam que “O pacote de serviços é definido como um conjunto de
mercadorias e serviços que são fornecidos em um ambiente”. No caso específico das
bibliotecas universitárias, o pacote de serviços é um conjunto de bens e serviços oferecidos
por estas e que possuem características que são percebidas pelo cliente, tais como:
a) instalações de apoio - como a localização, se a biblioteca é acessível por
transporte público, a qualidade do mobiliário, iluminação e temperatura,
adequação do prédio;
b) bens facilitadores - com a carteirinha da biblioteca que facilita o empréstimo e
serve como comprovante estudantil;
c) informações - como o serviço de referência, o serviço de reserva de livros
disponível no site da biblioteca onde o usuário solicita a reserva de um livro que
não está disponível no momento;
d) serviços explícitos - treinamento dos funcionários, atualização profissional dos
funcionários, site da biblioteca, meios de contato com a biblioteca;
e)

serviços implícitos - como um excelente serviço e atendimento, segurança,
ambiente tranquilo e o conforto.

Os serviços oferecidos pela biblioteca universitária devem ser estabelecidos de
acordo com as necessidades particulares de cada universidade e considerar (ARANDA;
FLORINDA, 2003):
a)

amplos horários ao longo do ano - o horário de funcionamento das bibliotecas
universitárias deve cobrir pelo menos o calendário letivo acadêmico;

b) empréstimo - permite ao usuário fazer empréstimos de itens do acervo e usar
dentro ou fora da biblioteca por um período especifico;
c)

serviço de referência e de informação - responder as perguntas ou pedidos de
informação, dos mais simples aos mais complexo, independente dos meios ou
recursos utilizados para alcançar o objetivo;

850

�d) comutação bibliográfica - permite a aquisição de cópias de documentos técnicociêntíficos disponíveis nos acervos de outras principais bibliotecas nacionais e
internacionais;
e) visitas orientadas - visa apresentar a biblioteca e demonstrar os serviços
oferecidos ao cliente, contribuindo para que sejam utilizados de maneira
eficiente e eficaz;
f)

serviço de alerta - Os usuários recebem e-mail informando quais materiais estão
com vencimento próximo, em atraso e as reservas disponíveis, ou a indicação
das novas aquisições da biblioteca;

g) elaboração de fichas catalográficas - elaborada na biblioteca de acordo com as
normas internacionais do Código de Catalogação Anglo-Americano (AngloAmerican Cataloging Rules - AACR2);
h) normatização bibliográfica - fornecer, de acordo com a disponibilidade,
orientação na normatização de trabalhos técnico-ciêntíficos.
Quanto à estrutura, a biblioteca universitária deve ser grande o suficiente para
suportar o acervo bibliográfico e oferecer espaço necessário para que os clientes possam
utilizar os serviços com comodidade e satisfazer necessidades futuras. Para isto é relevante
considerar as condições do ambiente para obter maior conforto para o acervo, para os clientes
e funcionários, com o respectivo controle de temperatura do ambiente, da iluminação, da
ventilação e acústica.

Faulkner-Brown (1997 apud RIBEIRO, 2006, p.20) relata que os

edifícios das bibliotecas devem reunir os seguintes atributos:

•

Flexível: refere-se à possibilidade de alterações futuras no layout
da biblioteca conforme suas necessidades.

•

Compacto: um edifício compacto é aquele que facilita a
circulação dos usuários, funcionários e materiais do acervo,
possibilitando a diminuição das distâncias a serem percorridas,
economizando tempo e deslocamento.

•

Acessibilidade: indica que o acesso ao prédio e ao acervo deve
ser fácil, sem a necessidade de muitas sinalizações e letreiros.

•

Ampliação: está relacionada à estrutura física da biblioteca e sua
localização, esta deve ser feita de modo a causar o mínimo de
transtorno aos usuários, funcionários e serviços oferecidos.

851

�•

Variedade: diz respeito à capacidade das dependências da
biblioteca em abrigar os diversos tipos de acervos, pessoas e
serviços.

•

Organização: permite que os acervos estejam dispostos e
ordenados de forma acessível e de fácil compreensão.

•

Conforto: determina quais as condições ambientais que devem
ser respeitadas, tanto para o bem-estar das pessoas, como para a
preservação do acervo. O conforto abrange a adequação da
temperatura, umidade, ventilação, iluminação e acústica.

•

Segurança: está relacionada às medidas adotadas para a
prevenção de incêndios, inundações e furtos.

Economia: ser

construída e mantida com recursos mínimos, materiais,
financeiros e humanos.
•

Economia: resulta em um prédio que permita fácil manutenção e
conservação com o mínimo de recursos materiais, financeiros e
humanos.

A satisfação dos funcionários e clientes também está visivelmente relacionada às
condições ambientais da biblioteca como: a iluminação, a temperatura, o som, o cheiro, os
espaços/funções que tratam de equipamentos como computadores, impressoras, os móveis
como mesas, cadeiras, estantes, os sinais e símbolos que podem ser uma sinalização de um
espaço específico, de proibido fumar, de comunicar normas. Estas influências do espaço
físico são reconhecidas como servicescape e geram perspectivas e comportamentos distintos
nos funcionários e clientes (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005).
O termo servicescapes refere-se ao uso da evidencia física para projetar ambientes e
serviços, este modelo reconhece que o ambiente da empresa pode afetar igualmente clientes e
funcionários. Desse modo a biblioteca deve ser projetada para satisfazer as necessidades dos
clientes internos e externos dentro de seus limites. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005, p. 224)
argumentam que:
Devido ao fato de o ambiente físico trazer consigo uma resposta emocional e
influenciar o comportamento, o projeto da instalação do serviço pode moldar
intencionalmente o comportamento dos participantes para apoiar as metas da
organização.

852

�Quando se desenvolve um servicescape bem idealizado, logo se estimula um
comportamento de influência mútua tanto por parte dos funcionários que assumem o
compromisso e o desejo de permanecer na biblioteca quanto dos clientes que exploram o
serviço e retornam.

Para que uma biblioteca tenha clientes satisfeitos ela deve ter

funcionários satisfeitos. De acordo com Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005, p. 224): “O
servicescape é projetado para provocar a interação social entre clientes e empregados e junto
a eles”.
O planejamento do espaço físico feito incorretamente pode causar à biblioteca
transtornos como falta de lugar e iluminação adequados para estudos, causar evasão dos
clientes, bem como afetar o desempenho dos funcionários.
Sob as perspectivas anteriores são realizadas avaliações que propiciam a constatação
de possíveis riscos, como perdas financeiras e prejuízos à imagem da instituição; bem como,
permitem controlar e melhorar a qualidade dos processos e a identificação das modificações
ou adequações necessárias aos procedimentos e rotinas executadas, visando a sua
padronização, agilidade, melhor controle e eficácia dos serviços e produtos ofertados.
A avaliação é uma ferramenta para a gestão de organizações e um instrumento
facilitador da tomada de decisão. Com os resultados dela é possível diagnosticar e planejar as
dimensões de: recursos humanos, espaços físicos, funcionamento, infraestrutura, segurança
condições ambientais, serviços prestados, perfil e satisfação dos clientes. Lancaster (1996,
p.1) afirmava que “uma avaliação é feita não como um exercício intelectual, mas para reunir
dados úteis para atividades destinadas a solucionar problemas ou tomar decisões”.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo foi realizado a partir de uma pesquisa do tipo descritiva, tendo como foco
a Biblioteca Regional do Campus Universitário de Rondonópolis (BRR) da Universidade
Federal de Mato Grosso, desenvolvido a partir de uma amostra formada por 251 clientes da
BRR que estavam nos recintos da Biblioteca Regional entre os dias 27 de janeiro a 26 de
fevereiro de 2014. Como instrumento de coleta de dados foi utilizado um questionário com o
total de 20 (vinte) perguntas, onde 19 (dezenove) eram fechadas e 1 (uma) era aberta.

4 APRESENTAÇÃO DO RESULTADOS
4.1 Perfil dos clientes
Quanto à análise de gênero, detectou-se que 55,38% dos entrevistados eram do sexo
feminino e 44,62% do sexo masculino, propiciando fazer generalizações para ambos os

853

�gêneros. Quanto à categorização: 90,44% eram discentes da UFMT/CUR; a comunidade
externa e os técnicos representaram respectivamente 1,2%; os docentes representaram 0,4%;
enquanto que 6,77% não informaram a qual categoria pertencia.
Dentre os discentes: 17,13% eram da Engenharia Agrícola e Ambiental; 6,77% da
Enfermagem; 5,58% das Ciências Econômicas; 4,78% da Biblioteconomia e 4,3%
Administração. Os demais entrevistados acumularam 23,51% da frequência e eram oriundos
dos cursos de História, Psicologia, Matemática, Geografia, Ciências Contábeis, Ciências
Biológicas, Letras, Pedagogia, Sistemas de Informação e Informática. Enquanto que 3,19%
não informaram a quais cursos pertenciam.
Identificou-se também que 38,64% dos entrevistados frequentavam a biblioteca uma
vez por mês; 5,98% de 15 em 15 dias; 11,16% compareciam uma vez por semana; 20,32%
frequentavam até 3 vezes por semana e 23,90% indicaram ir à biblioteca todos os dias.
A maioria dos entrevistados (69,32%) frequentava a Biblioteca para estudar com o
material da própria biblioteca; 54,58% para realizar trabalho em grupo; 52,19% para pegar
material emprestado; 49,80% utilizam para pesquisar; 47,41% afirmaram que era para estudar
com o próprio material, 10,76% para fotocopiar livros e revistas, 1,99% para assistir aula e
0,40% dos entrevistados não responderam à pergunta.

A biblioteca, para muito dos

entrevistados, assume a função explícita de dar o suporte necessário para o desenvolvimento
de suas atividades acadêmicas.
Dentre os produtos e serviços mais conhecidos identificou-se o empréstimo de livros
(97,61%); a reserva de livros (34,66%); a fotocópia (19,12%) e o empréstimo especial de
revistas (18,73%). Desse modo, detecta-se que o empréstimo de livros é o serviço mais
conhecido da BRR.

4.2 Avaliação dos Produtos e Serviços
Quanto à utilização dos serviços da BRR, identifica-se que 82,87% dos entrevistados
já utilizaram o empréstimo domiciliar e que 67,73% utilizaram o serviço de consulta local.
Os

serviços

de

levantamento

bibliográfico

e

orientação

bibliográfica

obtiveram

respectivamente 19,52% e 10,76% das indicações. Enquanto que apenas 0,40% dos
entrevistados, utilizaram, respectivamente, o serviço de acesso à internet e os computadores
da BRR. Estes indicadores apresentam o empréstimo de livros como o principal serviço
demandado na BRR.
Quanto às fontes de informação, identificou-se que os livros especializados são as
fontes mais consultadas (85,66%); as obras de referência (dicionários, enciclopédias entre

854

�outros materiais) obtiveram 25,50% das indicações. Enquanto que a utilização de periódicos
obteve a indicação de 21,51% dos entrevistados.
A maioria (80,88%) dos entrevistados utilizava os livros para realizarem trabalhos
acadêmicos; 43,43% para acompanhar as explicações em sala de aula; 13,55% para realizar
atividades fora da universidade. Enquanto que os livros eram utilizados para lazer por 5,58%
dos entrevistados.

A partir das respostas, identifica-se que os livros são instrumentos

fundamentais para formação do discente, sendo utilizado principalmente para a elaboração de
trabalhos acadêmicos.
Quanto ao processo de recuperação da informação no catálogo eletrônico da BRR, o
qual é realizado por intermédio de pesquisa no sistema Pergamun, detectou-se que 71,72%
dos entrevistados avaliaram o processo como ótimo ou bom; Porém, (51,79%) dos
entrevistados indicaram terem alguns nível de dificuldade em fazer pesquisas no OPAC.
A maioria dos entrevistados afirmou ter dificuldade para localizar os periódicos
(revista e jornais) nas estantes.

Enquanto que 43,43% indicaram terem dificuldades em

localizar os livros. Este dois indicadores expressam que a dificuldade na localização de
periódicos e livros é recorrente aos entrevistados e para suprir esta carência a BRR poderia
ministrar treinamento e visita orientada nas semanas iniciais de aulas.
Quanto à presença da bibliografia indicada pelos professores no acervo da biblioteca, a
maioria dos entrevistados (60,96%) afirmou que quase sempre encontrava; enquanto que
27,49% sempre encontravam o material indicado pelo professor na BRR; 9,16% raramente
encontravam; 1,20% nunca encontravam e 1,20% não responderam a questão. Vários motivos
podem influenciar esta situação: a pouca quantidade de exemplares no acervo, a indicação ao
discente por parte do professor de títulos de livros não existentes no acervo da BRR e a
omissão daqueles professores que não solicitam a aquisição de livros.
Quanto aos treinamentos de usuários e as visitas orientadas, detectou-se que 22,71%
dos entrevistados avaliaram os mesmos como ótimos; 40,64% classificaram-nos como bons;
enquanto que 22,31% avaliaram como regulares e 8,37% avaliaram como ruins.

A

reestruturação, divulgação e a oferta regular desses serviços pode viabilizar uma melhor
avaliação dos mesmos.
Para 41,83% dos entrevistados os computadores do laboratório de informática da BRR
são ótimos; para 34,26% os equipamentos são bons; enquanto que 23,91% classificaram-nos
como regulares ou ruins. Mesmo com a maioria dos entrevistados avaliado os equipamentos
de informática como bons e ótimos é importante ressaltar que os equipamentos devem sempre
estar atualizados e fornecer acesso à internet de qualidade.

855

�4.3 Avaliação do Servicescape
As condições gerais do prédio da BRR foram consideradas ótimas por 49,40% dos
entrevistados; 35,06% avaliaram com boas; 7,57% avaliaram como regulares e 5,97%
avaliaram como ruins, os demais entrevistados não responderam.
Quanto à limpeza na BRR, a mesma foi avaliada como ótima e boa respectivamente
por 41,43% e 47,41% dos entrevistados; enquanto que 7,17% assinalaram que era regular e
0,40% responderam que era ruim e 3,59% dos entrevistados não responderam. Apesar de a
BRR funcionar nos três turnos a equipe de limpeza cuida da BRR apenas nos períodos
matutino e vespertino, porém as reclamações advêm decorrentes da atitude de alguns clientes
menos atentos à limpeza que jogam papel picotado sob a mesa ou no chão, situação que causa
desconforto aos demais clientes.
A acessibilidade na BRR é avaliada como ótima por 1,59% dos entrevistados; 24,30%
avaliaram como boa; 26,29% avaliaram como regular e 23,11% como ruim. Enquanto que
21,91% dos entrevistados afirmaram desconhecer o critério e 2,39% não responderam.
Apesar dos investimentos em acessibilidade, 49,40% dos entrevistados avaliaram como
regular e ruim a acessibilidade existente nas dependências da BRR.
O conforto ambiental na BRR foi avaliado como ótimo e bom por respectivamente
36,25% e 38,25% dos entrevistados, enquanto que 13,94% avaliaram como regular e 9,16%
como ruim e 2,4% não responderam. Há de salientar que a BRR é climatizada, com exceção
apenas da área de circulação para empréstimo.
Quanto ao silêncio, a maioria dos entrevistados (70,12%) avaliou o controle do
silêncio na BRR como bom ou ótimo. Em geral, nas áreas do acervo (livros e periódicos), o
ruído é identificado com facilidade porque possui diversas mesas de estudo em grupo, nas
quais sempre estão grupos de discentes estudando e fazendo pesquisa. Contudo o maior
barulho é decorrente dos transeuntes que passam pelos Setores conversando e sorrindo alto.
A iluminação interna da biblioteca foi avaliada como ótima e boa por 74,1% dos
entrevistados, enquanto que para 25,9% era regular ou ruim. A BRR é muito bem iluminada
por janelões que deixam entrar a luz solar e por um sistema de iluminação artificial, contudo
em algumas épocas é possível identificar lâmpadas queimadas e falta das mesmas no estoque
da UFMT, provocando déficit na iluminação da BRR.
Os ambientes de leitura e de estudo individual e em grupo foram avaliados por 72,9%
dos entrevistados como ótimos ou bons. Contudo o mobiliário da BRR foi aprovado por
30,68% dos entrevistados.

856

�Detectou-se também que a sinalização interna na BRR foi considerada deficiente por
65,34% dos entrevistados. O serviço de guarda volumes foi avaliado como ótimo ou bom por
73,61% dos entrevistados; enquanto que o mural/quadro de avisos foi avaliado como ótimo ou
bom por 58,96% dos entrevistados. A atualização mais frequente do mural pode proporcionar
maior interação com os usuários e melhorar sua avaliação.
O atendimento presencial realizado pelos servidores e estagiários da BRR foi
considerado bom e ótimo por 66,93% dos entrevistados. Sendo necessária a execução de
treinamentos periódicos com os funcionários para melhorar a qualidade do atendimento.
Detectou-se também que 39,84% dos entrevistados afirmaram ter uma relação interpessoal
com os funcionários da BRR classificada com boa ou ótima, enquanto que 56,97%
classificaram como regular, um grupo de 0,40% e 1,59% dos entrevistados afirmaram
respectivamente terem uma relação ruim ou péssima.

4.4 Sugestões dos Clientes
Finalizando as entrevistas, identificou-se que 9,96% dos entrevistados sugeriram
melhorar o conforto ambiental na biblioteca; 9,16% indicaram que é necessário melhorar e
aumentar a quantidade de tomadas elétricas para notebooks; 8,76% sugeriram que o acervo
seja frequentemente atualizado; 7,97% sugeriram que as cadeiras deveriam ser trocadas por
outras confortáveis; 6,77% sugeriram intensificar a ofertar de treinamentos para os usuários a
fim de facilitar a localização dos documentos nas estantes; 6,37% sugeriram aumentar o
acervo de livros; 5,98% sugeriram promover campanhas para aumentar o silêncio na BRR de
maneira a melhorar a concentração nos estudos; enquanto que 5,58% sugeriram melhorias no
atendimento pessoal.
Três itens obtiveram a mesma porcentagem (4,38%): disponibilizar mais exemplares;
providenciar maior quantidade de mesas para estudo e ampliar a infraestrutura do acervo.
Consta ainda que 3,98% dos partícipes indicaram aumentar a quantidade de guarda-volumes;
3,19% deram como sugestão a melhoria na qualidade da internet; enquanto que a melhoria na
acessibilidade e no conforto na biblioteca obtiveram respectivamente 2,39% das indicações;
1,59% sugeriram que deveria ser ampliado o horário de funcionamento da BRR aos sábados e
1,20% sugeriram melhorias no sistema de climatização e iluminação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Foram encontradas dificuldades na aplicação dos questionários, pois muitos discentes
demonstraram resistência para responder as perguntas argumentando estarem com pouco

857

�tempo por ser final de semestre. Contudo este obstáculo foi superado e conseguimos cumprir
o objetivo principal.
As Fontes mais utilizadas pelos clientes da BRR são os livros especializados. Os livros
são instrumentos fundamentais para formação do discente, sendo utilizados na elaboração de
trabalhos, em sala de aula e fora da universidade, além de serem utilizados como ferramenta
para o lazer.
Quanto à infraestrutura, no que diz respeito às condições do prédio, equipamentos de
informática, limpeza, ambiente de leitura individual e em grupo, silêncio, conforto ambiental,
iluminação interna e conservação do acervo, foram identificados que os entrevistados são
críticos e reconhecem os aspectos positivos e negativos.
Em relação aos serviços de recuperação da informação, guarda-volumes; horário de
funcionamento; atendimento pessoal; mural (quadro de avisos) e visitas orientadas, detectouse que há a necessidade de melhorar esses serviços.
A maioria dos entrevistados possui dificuldades em consultar os catálogos, localizar
periódicos (revistas e jornais). Mas, ao mesmo tempo a maioria dos entrevistados também
afirmou encontrar o material indicado e atualizado para a disciplina.
Conforme os entrevistados, há melhorias que deveriam ser implementadas pela UFMT e
pela BRR a fim de melhorar seus serviços e o ambiente trabalho. Dentre elas citamos:
a) Melhoria e mais tomadas elétricas para notebooks;
b) Atualização constante do acervo;
c)

Conforto em geral: cadeiras confortáveis, mesas maiores para trabalho em
grupo, aumentar a quantidade de guarda-volume, melhoria na iluminação e ar
condicionado;

d) Melhoria na acessibilidade;
e) Treinamento para os funcionários;
f)

Divulgação da visita orientada nas coordenações de cursos;

g) Aumento de número de exemplares já adquiridos;
h) Silêncio: Um número relevante de entrevistados declaram-se incomodados,
justificando atrapalhar o estudo com a falta de silêncio frequentemente.
i)

Ampliação da infraestrutura da biblioteca;

j)

Estender o horário de funcionamento aos sábados;

Há de se conscientizar que a relação entre biblioteca e clientes tende a ser
beneficiada pela implantação de técnicas de marketing que promovam os produtos e serviços

858

�existentes nessa instituição.

Enquanto que para obter um funcionamento da BRR mais

eficiente e com maior qualidade deve ser explorada a capacitação funcional dos recursos
humanos.
Finalizando, temos que argumentar que esta pesquisa também apresenta subsídios à
elaboração de um plano de ações para a Biblioteca Regional de Rondonópolis da
Universidade Federal de Mato Grosso.

6 REFERÊNCIAS
ARANDA, Mayari; FLORIANA, Elisa. Planificacion de edifícios. 2003. 32f. Tese (Facultad
de Letras y Ciencias Humanas) - Programa inicial de ampliación del local de la Biblioteca Universidad Nacional Mayor de San Marcos, San Marcos, 2003. Disponível em:
&lt;http://ateneo.unmsm.edu.pe/ateneo/bitstream/123456789/2489A/Manyari_Aranda_Elisa_Fl
oriana_2003.PDF&gt;. Acesso em: 14 out. 2012.
FITZSIMMONS, J. A; FITZSIMMONS, M.

J.

Administração de Serviços: operações,

estratégia e tecnologia da informação. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Trad. Antonio Agenor Briquet de
Lemos. Brasília : Briquet de Lemos, 1996.
RIBEIRO, Cira Adriana Martins. A Biblioteca Central da UFRGS: estudo de suas condições
de conforto ambiental. 2006. 49f. (Monografia) -

Graduação em Biblioteconomia,

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.

Disponível em:

&lt;http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/17600/000717764.pdf7sequenceM
&gt;. cesso em: 14 out. 2012.
SANZ CASADO, E. Manual de estudios de usuarios. Madrid: Fundación Germán Sánchez
Ruipérez, 1994.

859

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Avaliação dos serviços da Biblioteca Regional do Campus Universitário de Rondonópolis da Universidade Federal de Mato Grosso.</text>
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                <text>Gusmão, Alexandre Oliveira de Meira, Santana, Camila Lindomar Mendonça Lopes, Ribeiro, Arthur Balbino </text>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="74176">
                <text>Avalia o desempenho qualitativo dos serviços e das condições ambientais da Biblioteca Regional sob a ótica de seus clientes. Adotou-se uma pesquisa descritiva, baseada em estudo de caso, com a partir de uma amostra de 251 (duzentos e cinqüenta e um) questionários aplicados a usuários que estavam nos recintos da Biblioteca Regional entre os meses de janeiro e fevereiro de 2014. Foi identificado que os entrevistados estão satisfeitos quanto às condições do prédio, equipamentos de informática, limpeza, ambiente de leitura individual e em grupo, silêncio, conforto ambiental, iluminação interna e conservação do acervo. Porém demonstraram insatisfação em relação à acessibilidade e sinalização. A maioria dos entrevistados possuem dificuldades em consultar os catálogos, localizar periódicos (revistas e jornais) e localizar livros nas estantes. Foram sugeridas melhorias como mais tomadas elétricas para notebooks, atualização constante do acervo e do conforto em geral: cadeiras confortáveis, mesas maiores para trabalho em grupo, aumentar a quantidade de guardavolumes, melhoria na iluminação e ar condicionado. Concluiu-se que a Biblioteca Regional estar exposta a diversas variáveis passíveis de avaliações as quais influenciam decisivamente seus serviços, contudo, a BRR teve uma boa avaliação tanto do servicescape quanto de seus serviços.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTILOS DE APRENDIZAGEM DOS BIBLIOTECÁRIOS CONCURSEIROS:
ESTUDO COM OS INSCRITOS NA PLATAFORMA BIBLIOTECONOMIA PARA
CONCURSOS
Gustavo Henn
Geysa Flávia Câmara de Lima
RESUMO
Este artigo apresenta a pesquisa realizada com Bibliotecários inscritos no curso
Biblioteconomia para Concursos modalidade à Distância, com o objetivo de conhecer os
estilos que predominam na aprendizagem de ambos os participantes. A teoria dos Estilos de
Aprendizagem adotada (Honey e Mumford,1989; Alonso, 1994; Portilho, 1993, 2009), indica
quatro estilos: ativo, reflexivo, teórico e pragmático. Como instrumento de coleta de dados
utilizou-se o questionário CHAEA - (Cuestionario Honey-Alonso de Estilos de Aprendizaje)
enviado a 1674 alunos, tendo 205 respondidos. Enquanto perfil 60% possuem pós-graduação
e 40% são alunos de graduação ou graduados em Biblioteconomia. O Estilo de Aprendizagem
predominante foi o reflexivo, com 32%. Depois o estilo ativo, 26% e o estilo teórico 24%. Por
fim, o estilo pragmático, com 18%. Acredita-se que a identificação do estilo predominante de
aprendizagem auxilia autores e conteudistas de cursos EAD na área de Biblioteconomia, a
desenvolverem seus objetos de aprendizagem levando em conta os estilos de aprendizagem
dos alunos.
Palavras-Chave: Estilos de Aprendizagem; Biblioteconomia - Concursos; Biblioteconomia EAD; Aprendizagem.

ABSTRACT
This article presents a survey of librarians enrolled in the course for Library Contests Distance
mode, aiming to meet the learning styles that predominate in both participants. The theory
adopted Learning Styles (Honey and Mumford, 1989; Alonso, 1994; Portillo, 1993, 2009),
indicates four styles: active, reflective, theoretical and pragmatic. As an instrument of data
collection used the questionnaire CHAEA - (Cuestionario Honey-Alonso Styles Aprendizaje)
sent to 1674 students, with 205 responded. Profile while 60% have graduate and 40% are
undergraduates or graduates in librarianship. The Learning Style was predominantly
reflective, with 32%. After the active style, 26% and 24% theoretical style. Finally, the
pragmatic style with 18%. It is believed that the identification of the predominant learning
style helps authors and content-distance education courses in the field of librarianship, to
develop their learning objects taking into account the learning styles of students.
Keywords: Learning styles; Librarianship - Contest; Librarianship - Elearning; Learning.

4240

�1 Introdução

O estudo dos processos que envolvem as práticas de ensino e aprendizagem tem sido
objeto de preocupação de pesquisadores e teóricos há várias décadas, tanto na busca de
alternativas facilitadoras para o desencadear do próprio processo de aprendizagem, quanto
para o desvendar dos mecanismos e das práticas educativas que produzem o sucesso ou o
fracasso da aprendizagem.
Sabemos que as pessoas diferem umas das outras em vários aspectos, uns mais visíveis
e outros nem tanto, como é o caso da aprendizagem. Cada um de nós é um ser único. Por isso,
não podemos compreender como as pessoas aprendem somente baseando-nos em teorias de
educação, a maioria delas, tratando a aprendizagem como um processo vivenciado por todos
da mesma maneira.
Elas procuram o que todos temos em comum quando aprendemos. Não se trata de
negar as valiosas contribuições destas teorias para uma compreensão mais geral dos processos
de aprendizagem, mas queremos ir além, procuramos entender no que diferimos uns dos
outros quando aprendemos, para assim poder desenvolver objetos e metodologias de
aprendizagem mais adequadas a fim de otimizar o aprendizado para cada indivíduo.
A consciência da existência dos vários tipos de estilos de aprendizagem permite gerar
estratégias para o desenvolvimento da aprendizagem organizacional. Saber o que faz com que
o indivíduo aprenda com maior facilidade, proporciona a possibilidade de capacitações
específicas e centradas no indivíduo. A formação de grupos homogêneos facilita o
desenvolvimento de programas de capacitação. A heterogeneidade possibilita que haja uma
diversidade salutar ao desenvolvimento organizacional, como em uma reunião de
planejamento, quanto mais formas diferentes de pensar, melhor será desenvolvido, pois mais
situações serão abordadas.
Diante deste cenário, este artigo busca mapear os estilos de aprendizagem dos
Bibliotecários que estão inscritos na plataforma Biblioteconomia Para Concursos
(http://biblioteconomiaparaconcursos.net), tendo em vista o aumento de vagas em concursos
públicos no mercado brasileiro para Bibliotecários.

2 Revisão de Literatura

Os seres humanos têm diferentes estilos de aprendizagem, ou seja, características e
preferências quanto à forma de se apropriar das informações, processá-las e construir novos

4241

�conhecimentos. A competência em uma determinada atividade depende, muitas vezes, da
habilidade em dosar esses diferentes estilos. Por exemplo, há profissionais que são inovadores
e absorvem a realidade de uma forma quase aleatória. Outros tendem a ser metódicos,
observadores e reflexivos. No entanto, desenvolver o equilíbrio entre estilos antagônicos de
aprendizagem é uma forma de proporcionar maiores chances de adaptação às situações do dia
a dia ou às exigências do trabalho.
Existem diversas formas de aprender. Cada indivíduo possui seu estilo próprio de
aprender algo novo. A variedade desses estilos exige diversidade de métodos e de
instrumentos para identificá-los. Dessa forma, são vários os testes para identificar o estilo de
aprendizagem de uma pessoa. A principal utilidade desses testes é auxiliar o estudante e o
professor no desenvolvimento de estratégias voltadas para o correto estilo de aprendizagem.
Embora o aprendizado também ocorra sem que cada estilo de aprendizagem seja atendido,
pesquisas revelam que a qualidade do aprendizado é potencializada quando o ambiente, os
métodos e os recursos utilizados estão alinhados com o estilo de aprendizagem de cada
indivíduo (ADU-FEBIRI, 2002). Os estilos de aprendizagem servem como indicadores
relativamente estáveis de como os alunos percebem, interagem e respondem a seus ambientes
de aprendizagem (AMARAL; BARROS, 2014).
Os estilos de aprendizagem se definem como preferências pessoais características na
forma de um indivíduo processar informação, sentimentos e comportamentos em situações de
aprendizagem (FELDER, 2002; AMARAL e BARROS, 2014). Diversos modelos foram
elaborados para estudos de estilos de aprendizagem, começando a ganhar força na década de
1970, com os trabalhos de Rita e Keneth Dunn, em 1977.
Nas décadas seguintes, os estudos sobre estilos de aprendizagem se consolidaram com os
trabalhos de David Kolb, em 1981; Bert Juch, em 1987; Honey e Munford, em 1988; Felder e
Silverman em 1988, e mais recentemente, Butler em 2003 (KURI, 2004; LINDEMANN,
2008). Os modelos de estilos de aprendizagem classificam os estudantes quanto a sua inserção
nas escalas relativas à maneira pelas quais eles preferem perceber e processar as novas
informações e experiências (KURI, 2004).
Os estilos de aprender não implicam níveis de habilidades, capacidade ou inteligência.
Não existem estilos bons ou maus (SANTOS; AMADI ; OLIVEIRA, 2005).
Alguns estudos mostram que os estilos de aprendizagem não são construtos estáveis,
definidos e permanentes. Nesse sentido, Cardoso (2007) aponta que eles podem ser alterados
conforme o ambiente, a experiência de vida e as características das atividades exercidas. A
preferência por um estilo é apresentada pelo aluno no momento de aprendizagem em que está

4242

�situado, sem a intenção de se apresentar como uma previsão infalível do seu comportamento,
já que os estilos não indicam as suas capacidades de aprendizado. (SILVA; WECHSLER,
2010).
Ainda que a bibliografia existente seja muito ampla e não se tenha um verdadeiro
consenso entre os pesquisadores, é possível agrupar os marcos teóricos sobre os estilos de
aprendizagem em duas grandes categorias: os que aproximam estilos de aprendizagem e
estilos cognitivos do indivíduo e os fundamentam em aspectos psicológicos; e os que
percebem estilos de aprendizagem ligados ao processo de aprendizagem, e sustentam suas
teorias em aspectos da pedagogia (PUPO; TORRES, 2009).
Conceitualiza-se a expressão “estilos de aprendizagem” como a forma específica na
qual o resultado do desenvolvimento da personalidade se manifesta na combinação de
componentes afetivos, cognitivos e metacognitivos durante o processo de interiorização da
experiência histórico-social; aquele que tem um caráter consciente e relativamente estável
para aprender a sentir, pensar e agir (AGUILERA, 2007).
Para a caracterização dos perfis de estilos de aprendizagem, Aguilera (2007) utilizou 3
dimensões:
Dimensão cognitiva: explica a partir de qualidades, particularidades e funções dos
processos psíquicos, as preferências dos estudantes para utilizar determinadas estratégias de
aprendizagem e constitui a base para o desenvolvimento de hábitos, habilidades e
capacidades;
Dimensão afetiva: expressa as relações que o estudante estabelece no processo de
aprendizagem, de acordo com suas necessidades e expercativas futuras. Nela está a
motivação, a força emocional e o seu papel orientador no funcionamento da personalidade;
Dimensão metacognitiva: permite compreender como o estudante mede e regula seu processo
de aprendizagem através de estratégias que garantam sua expressão consciente. Nela se
encontra principalmente o nível de desenvolvimento que alcança a autovalorização.
Conforme Alonso, Gallego e Honey (2002) os estilos de aprendizagem fazem
referência às preferências e tendências altamente individualizadas de cada pessoa. As
especificações dos estilos proposta pelos autores são mais refinadas e foi pensado no contexto
educacional (MARTINS, 2009).
Ainda segundo Alonso, Gallego e Honey (2002), os estilos de aprendizagem podem
ser:
O Estilo Ativo corresponde a sujeitos que adoram estar atualizados, já que são
ansiosos por informações atuais, são falantes e não suportam ficar parados muito tempo

4243

�ouvindo comentários por horas sem interagir. Gostam de discussões em grupo e inovações na
realização de atividades, conseguem resolver com facilidade problemas e sabem lidar com
competições em grupos, tem criatividade nas representações de papéis, palestram e dialogam
com muita habilidade.
O Estilo Reflexivo predomina nos sujeitos que preferem detalhar dados estudados
reunindo informações, pois costumam ser ponderados nas observações e suas conclusões são
refletidas antes da ação. Por serem prudentes eles têm ritmos próprios e peculiares e por isso
compartilham opiniões com outros, visando sempre investigar as informações antes de
concluir algo.
O Estilo Teórico predomina nos sujeitos que são mais questionadores e estão sempre
curiosos em saber a explicação de tudo. Os teóricos gostam de comprovar algo a partir de
métodos e estudos mais complexos; por serem metódicos gostam de clareza em seus
objetivos.
O Estilo Pragmático predomina nos sujeitos que conseguem descobrir técnicas para
sua aprendizagem diária, pois são curiosos em descobrir técnicas novas e experimentá-las
para confirmar se são eficientes e tem validade. Por serem diretos e objetivos em suas ações
preferem se concentrar em questões práticas e que sejam validadas.
Para quem se prepara para concursos, estudar com qualidade é fundamental, posto que
o tempo é um adversário a ser enfrentado em duas frentes: pouco tempo disponível para
estudos, por conta de ocupação com trabalho, família, por um lado, e curto intervalo de tempo
para estudos para uma prova específica, que ocorrem, em geral, 2 meses depois de publicado
o edital do concurso (DOUGLAS, 2005).
Dessa forma, os candidatos a cargos públicos, podem ganhar qualidade e velocidade
na aquisição de conhecimentos caso conheçam os seus estilos de aprendizagem. Quanto mais
o indivíduo tiver uma variedade de formas de assimilação de conteúdos, melhor ele vai
conseguir aprender e construir conhecimentos, preparando-se para as exigências do mundo
atual (AMARAL; BARROS, 2014). O correto entendimento do estilo de aprendizado, pode
proporcionar ao estudante um aprendizado exponencial (SILVA, 2008).
Outro fator de aprendizado que pode ser determinante para uma aprovação é a história
individual do candidato. Castelar et al (2009) encontraram que a
[...] alta renda familiar, escolaridade acima do ensino médio, ser oriundo de
região metropolitana, ter cursado o ensino médio em escola privada e ser
jovem, são fatores que contribuem para aumentar a chance de passar no
concurso.

4244

�Quem faz parte deste grupo tem, segundo os autores, 41 (quarenta e uma) vezes mais
chances de ser aprovado.

3 Materiais e Métodos

Esta pesquisa é descritiva, porque somente mostra a questão dos estilos de
aprendizagem e os elementos que permeiam esse processo a partir das tecnologias.
Para a realização desta pesquisa o instrumento selecionado foi o Questionário de
Estilos de Aprendizagem - CHAE, de Cué, Rincon e Garcia (2009).
O questionário CHAEA, permite identificar e graduar os estilos de aprendizagem,
evidenciando o estilo predominante em cada estudante. Existem quatro estilos de
aprendizagem que podem ser identificados por meio do questionário CHAEA, são eles: Ativo,
Reflexivo Teórico e Pragmático (ALONSO; GALLEGO, 2002). O estilo Ativo é animador,
improvisador, descobridor, espontâneo, temerário; o Teórico, metódico, lógico, objetivo,
crítico, estruturado; o Reflexivo, ponderado, consciente, receptivo, analítico, exaustivo, e o
Pragmático, experimentador, prático, direto, eficaz, realista (BARROS et al, 2010).
O CHAEA foi escolhido por ser o mais bem acabado, ao nosso ver, como se fosse uma
consolidação de vários outros testes anteriores, uma vez que Honey e Mumford estudaram os
estilos de aprendizagem de Kolb, e Catalina Alonso desenvolveu os estudos de Honey e
Munford, adaptando-as ao campo educativo (MARTINS, 2009).
O CHAEA é um questionário extenso, de 80 questões. Existe uma versão menor,
chamada de CHAEA32 (HERNANDEZ; ALONSO, 2013), porém por ser muito recente e
ainda não dispor de bibliografia extensa, preferimos utiliar o CHAEA tradicional baseado em
Cué, Rincon e Garcia (2009). Esperamos em alguns anos poder aplicar o CHAEA32.
A pesquisa foi realizada com uma população caracterizada por: graduados e pósgraduados em Biblioteconomia.
Desenvolvemos o questionário no Google Docs e enviamos por email a todos os
cadastrados na plataforma Biblioteconomia Para Concursos. Foram enviados 1674
questionários e tivemos 205 respondentes com questionários válidos. Nossa coleta
compreendeu o período de 20/10/2013 a 20/11/2013.

4 Resultados Parciais/Finais
Analisando os dados demograficamente, tivemos 88% dos respondentes do sexo
feminino e apenas 12% do sexo masculino. 53% dos respondentes tem entre 26 e 35 anos.

4245

�40% dos respondentes moram na região Sudeste, 19% em São Paulo. 60% dos respondentes
possuem pós-graduação, especialização, mestrado ou doutorado. Apenas 15% dos
respondentes considera seu conhecimento de lingua inglesa bom ou ótimo, enquanto que 53%
o consideram ruim ou muito ruim. 73% consideram seus conhecimentos de Internet como
Bom ou Ótimo. 76% dos respondentes estão atuando no mercado de trabalho na área de
Biblioteconomia.
Sobre os dados acima, pode-se dizer que mostram que apesar de ter aumentado o
número de homens, a Biblioteconomia ainda é uma profissão dominada por mulheres. Porém,
mais importante que isso, evidencia-se algo que várias pesquisas apontam, que as mulheres
gostam mais de estudar do que os homens.
A faixa etária entre 26 e 35 anos é a faixa etária normal de quem quer se estabelecer
profissionalmente, e também a faixa em que as pessoas estão se formando (54% dos
entrevistas concluiu o curso há menos de 5 anos).
A Região Sudeste é que tem mais espaços de atuação para os bibliotecários, por isso
também consideramos como esperado o número de respondentes atuando nessa região.
O que surpreendeu foi ter 60% dos respondentes com pós-graduação. Isso, a nosso ver,
corrobora que o tempo de estudo aumentou, mas os empregos no setor privado não valorizam
isso, de modo que o concurso público acaba se tornando bastante atraente para os pósgraduados. Isso só poderia ser confirmado com mais pesquisas. Pode-se considerar haver
facilidade e incentivo para a educação continuada, já que boa parte das universidades federais
e estaduais que ofertam o curso de graduação em Biblioteconomia também oferecem cursos
de pós-graduação. Outrossim, o aprendizado contínuo faz com que as pessoas busquem
sempre estudar, logo fazem vários cursos.
Por outro lado, é preciso dizer que, as pós-graduações não preparam para concurso.
Afinal de contas, esse não é o objetivo delas. Assim, quanto mais cedo se decidir estudar para
concursos, ou não, é melhor.
Apenas 15% deram notas 4 ou 5 para o seu domínio do inglês. Ao passo que 73%
consideram seus conhecimentos de Internet bom ou ótimo. Para o desenvolvimento do
aprendizado em cursos baseados em tecnologia e para o aprendizado contínuo em geral, onde
as principais fontes estão em inglês, é fundamental ter um bom nível de inglês e um bom nível
de uso de Internet. Do contrário perde-se muito conteúdo ou por não ser capaz de entender ou
por não ser capaz de encontrar. E isso pode resultar num abismo entre os competentes (aqui,
entendidos como os que são capazes de fazer buscas e ler conteúdos em inglês) e os não
competentes.

4246

�No curso, procuramos sempre referenciar fontes interessantes e temos materiais em
português de Portugal e em espanhol. Porém, já houve casos de encontrarmos uma resposta
para uma dúvida apenas em um documento em inglês. Por sorte, a aluna interessada dominava
o idioma. Mas vários outros alunos tiveram acesso apenas à nossa tradução de parte do texto.
O estilo predominante foi o estilo reflexivo, com 32%. Depois o estilo ativo, 26% e o
estilo teórico, 24%. Por fim, o estilo pragmático, com 18%.
O resultado de predominância do estilo reflexivo consideramos normal, pois vários
que lemos, com estudantes universitários, apontavam para esse estilo. Mas ficamos felizes,
pois, este também parece ser um estilo de aprendizagem que aproveita bem um curso online
(FREITAS; CARVALHO, 2013), com vários recursos, vários objetos de aprendizagem, onde
é fundamental a reflexão antes do uso. Então estudar primeiro para depois usar o
conhecimento. Em outras palavras, estudar por vários objetos de aprendizagem para só então
ir praticar, ou seja, resolver questões e provas.
Os que tem forte influência do estilo ativo tendem a ir primeiramente resolver as
questões e as provas, sem ter estudado tanto. Isso prejudica o aprendizado, pois quando se
acerta se acredita que sabe o assunto, não estuda mais; se erra, não é capaz de identificar onde
errou, pois não estudou.
Este é o geral. Porém, quando começamos a fazer uma análise a partir de dados
demográficos, encontramos alguns pontos. Quando analisamos apenas os pós-graduados, que
constituiram um total de 110 respostas válidas das 176, encontramos uma variação para baixo
do estilo pragmático (caiu de 18 para 15%) e um aumento no estilo ativo, também de 3 pontos
percentuais (de 26 para 29%). Quando fechamos apenas nos profissionais que atuam na área,
cai ainda mais o estilo pragmático (de 18 para 13%) enquanto o estilo ativo sobe de 26 para
30%. É curioso esse aumento somente no estilo ativo, pelos “perigos” desse estilo apontados
acima. Os estilos reflexivo e teórico não sofrem mudança no percentual total quando
separamos os grupos por formação acadêmica e entre os que atuam na área de
biblioteconomia. No entanto, quando confrontamos apenas os dados de quem está atuando na
área e é pós graduado, tivemos um aumento do estilo reflexivo para 36% das pessoas (4
pontos acima da média) e um aumento do estilo teórico para 30%.

5 Considerações Parciais/Finais

A pesquisa mostrou que os Bibliotecários que se preparam para concursos tem, em sua
maioria, pós-graduação. Esses anos de estudos, embora a pesquisa não possa comprovar,

4247

�tendem a fortalecer o Estilo Reflexivo, que foi o mais indicado. O Estilo Reflexivo favorece
bastante o aprendizado para concursos, e, talvez, o próprio formato do curso tenha ajudado a
chegar nesse resultado. O que poderia ser comprovado se a pesquisa tivesse sido respondida
apenas por quem já fez o curso Biblioteconomia Para Concursos.
O estilo pragmático foi o menos apontado, o que pode ser uma surpresa em
comparação com a profissão de bibliotecário, que é vista por muitos como uma profissão
pragmática. Estudos futuros sobre estilos de aprendizagem com bibliotecários em outras
abordagens podem ajudar a entender melhor isso.
Julgamos que esta pesquisa cumpriu seu objetivo ao identificar os estilos de
aprendizagem dos bibliotecários que estudam para concursos. Mais estudos são necessários
para um melhor aproveitamento desta bem como de outras pesquisas. Também sugerimos o
uso de outros métodos de estilos de aprendizagem, para poder ampliar esse espectro da
aprendizagem do bibliotecário.
Esperamos que esta pesquisa auxilie os autores e conteudistas de cursos EAD na área
de biblioteconomia, para que possam desenvolver seus objetos de aprendizagem levando em
conta os estilos de aprendizagem dos bibliotecários. Se esta pesquisa servir para isso, terá
servido para além do que se propôs.

6 Referências

ADU-FEBIRI. Productive diversity in the classroom: practicing the theories of differences in
learning styles National University of Singapore. CDTL Brief, n.5, v.6, p. 3-5, 2002.
AMARAL,S. F. do; BARROS, D. M. V. Estilos de aprendizagem no contexto educativo de
uso

da

tecnologias

digitais

interativas.

Disponível

em

&lt;http://lantec.fae.unicamp.br/lantec/pt/tvdi_portugues/daniela.pdf&gt;. Acesso em 22 maio 2014.
AGUILERA, E. Las investigaciones sobre los estilos de aprendizaje y sus modelos
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&lt;http://www.uned.es/revistaestilosdeaprendizaie/numero4/Artigos/lsr4articulo2.pdf&gt;. Acesso
em: 5 abr. 2014.
ALONSO, C. G. ; GALLEGO, D. Aprendizaje y ordenador. Madrid: Dykinson; 2002.
BARROS, D. M. V.; GARCIA, C. A.; AMARAL, S. F. Estilo de uso do espaço virtual.
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4250

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este artigo apresenta a pesquisa realizada com Bibliotecários inscritos no curso Biblioteconomia para Concursos modalidade à Distância, com o objetivo de conhecer os estilos que predominam na aprendizagem de ambos os participantes. A teoria dos Estilos de Aprendizagem adotada (Honey e Mumford,1989, Alonso, 1994, Portilho, 1993, 2009), indica quatro estilos: ativo, reflexivo, teórico e pragmático. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se o questionário CHAEA - (Cuestionario Honey-Alonso de Estilos de Aprendizaje) enviado a 1674 alunos, tendo 205 respondidos. Enquanto perfil 60% possuem pós-graduação e 40% são alunos de graduação ou graduados em Biblioteconomia. O Estilo de Aprendizagem predominante foi o reflexivo, com 32%. Depois o estilo ativo, 26% e o estilo teórico 24%. Por fim, o estilo pragmático, com 18%. Acredita-se que a identificação do estilo predominante de aprendizagem auxilia autores e conteudistas de cursos EAD na área de Biblioteconomia, a desenvolverem seus objetos de aprendizagem levando em conta os estilos de aprendizagem dos alunos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MAPEAMENTO TEMÁTICO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO PROGRAMA DE
PÓS-GRADUAÇÃO EM HEBIATRIA DA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO:
ESTUDO CIENTOMÉTRICO E PROSPECTIVO
Cláudia Maria Alves Henriques
Manoel Paranhos da Silva

RESUMO
Tem como objetivo a elaboração do mapeamento temático do Programa de Mestrado em
Hebiatria da Universidade de Pernambuco - UPE, através de um estudo cientométrico e
análise prospectiva de seus resultados. Foram analisadas cinquenta e duas dissertações, das
quais foram extraídas cento e trinta e sete palavras-chave de seus resumos. Desse quantitativo,
elencaram-se os quinze descritores mais usados, sendo todos eles categorizados por temática.
Concluiu-se que o perfil do Mestrado de Hebiatria da UPE apresenta como foco maior
estudos sobre qualidade de vida do adolescente e sexualidade do adolescente assuntos
propensos a se expandirem nos próximos anos.
Palavras-Chave: Mapeamento Temático; Produção Científica; Cientometria; Hebiatria;
Análise de Conteúdo.

ABSTRACT
Aims at preparing the thematic mapping of the Master's Degree in Adolescent Medicine of
University of Pernambuco - UPE, through a scientometric study and prospective analysis of
its results. Fifty-two essays were analyzed, of which one hundred thirty-seven were extracted
keywords in their resumes. This quantitative, grouped up the fifteen most commonly used
descriptors, all of which are categorized by topic. It was concluded that the profile of the
Master's Degree in Adolescent Medicine of University of Pernambuco - UPE has focused
most studies on quality of life of adolescents and adolescent sexuality likely to expand in the
coming years subjects.
Keywords: Thematic Mapping; Scientific Production; Scientometrics; Adolescent Medicine;
Content Analysis.

1 INTRODUÇÃO
Sabe-se do compromisso que a universidade tem no sentido de gerar conhecimento e
direcioná-lo à sociedade. Os três grandes pilares de sua atuação são constituídos pelo ensino,
pesquisa e extensão. Também a evolução do ensino, da pesquisa e da extensão nas

364

�universidades contribui para o desenvolvimento do país nos níveis tecnológico, social,
econômico, cultural e ambiental.
Faz-se neste estudo um mapeamento temático da produção científica do Programa de
Pós-Graduação em Hebiatria da Universidade de Pernambuco. O Programa tem como
principal objetivo gerar conhecimentos através de pesquisas inovadoras, com caráter
interdisciplinar, com vistas à formação de professores com o olhar da pesquisa e produção de
conhecimentos para atender as novas diretrizes curriculares dos cursos de Graduação na área
de Saúde, através do estudo dos determinantes de Saúde na Adolescência.
Tomou-se como ponto de partida a análise temática da produção acadêmica deste
curso, abrangendo os anos de 2005, período de início de suas atividades, até 2013, limite que
a pesquisa considerou para analisar os trabalhos defendidos. A pesquisa tem como proposta a
análise do mapeamento temático através da verificação e do uso de descritores presentes no
vocabulário estruturado do DeCS - Descritores em Ciências da Saúde, criado pela
BIREME/BVS - Biblioteca Virtual em Saúde, bem como a análise das tendências de pesquisa
desenvolvidas neste curso.
Com os resultados desta pesquisa, espera-se concorrer para o fomento da produção e
do progresso científico, bem como visualizar condições favoráveis para otimização do curso
de Hebiatria da UPE.

2 REVISÃO DE LITERATURA
É incontestável o valor que as produções acadêmicas e científicas exercem sobre as
práticas profissionais, econômicas e até mesmo para o desenvolvimento da própria ciência.
Sendo de fundamental importância também para a sociedade, pois é através do conhecimento
produzido dentro das universidades que a sociedade encontra o progresso científico e
tecnológico.
Para Freire e Souza (2010, p. 112), “a produção científica constitui-se em uma análise
mais ampla num instrumento de prestação de contas, uma vez que permite a universidade
mostrar à sociedade, os resultados, a pertinência e a relevância de suas ações.” É um contrato,
uma relação de contraprestação, onde o conhecimento gerado na Universidade encontra a sua
finalidade na sociedade, e os problemas da sociedade geram as discussões acadêmicas. A
sociedade financia e o retorno social deve ser uma condição obrigatória.
Os estudos sobre a produção acadêmica e científica de uma instituição revelam o
desempenho de seu corpo docente e discente diante das urgências sociais. Definem também a

365

�postura peculiar destes pesquisadores que buscam a solução de problemas através de sua
reflexão e pesquisa.
Analisar e medir esse esforço é possível através da Cientometria - ciência que tem
como principal atribuição a medição do progresso científico, no intuito de tornar mais eficaz a
distribuição de recursos e investimentos na ciência. Para Silva e Bianchi (2011, p. 2), a
Cientometria é o “estudo da mensuração do progresso científico e tecnológico e que consiste
na avaliação quantitativa e na análise das inter-comparações da atividade, produtividade e
progresso científico”.
Estudos de medição da produção do conhecimento acadêmico são de grande vantagem
paras as universidades, uma vez que se analisa o desenvolvimento da produção científica
dessa instituição através de seus cursos e ainda permitem traçar as tendências de pesquisa para
o futuro. “Trata-se, desse modo, não apenas de quantificar e constatar, mas de atribuir sentido
aos dados, qualificando-os para que possam ter melhor uso em políticas de ciência e
tecnologia (C&amp;T)”. (SANTOS; KOBASHI, 2009, p. 159).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa se configura como um estudo de caso e análise cientométrica, com
abordagem quantitativa, das dissertações defendidas no Programa de Pós-Graduação em
Hebiatria da Universidade de Pernambuco, com objetivo de realizar um mapeamento temático
da produção científica deste curso.
Para o levantamento dos dados da pesquisa foram analisadas cinquenta e duas
dissertações defendidas no Programa entre os anos de 2005 a 2013. Foram elencadas todas as
palavras-chave utilizadas nos resumos destes trabalhos.
Para a análise dos dados, observou-se o uso das quinze palavras-chave mais utilizadas
pelos mestrandos (Tabela 1) e confirmadas no vocabulário estruturado do DeCS - Descritores
em Ciências da Saúde, criado pela BIREME/BVS. Por fim essas quinze palavras-chave foram
agrupadas por assuntos de mesma temática. Dessa forma se deu o exame dos temas mais
recorrentes e a análise da propensão de pesquisas para os próximos anos (Tabela 2).

4 RESULTADOS PARCIAIS
O Programa de Pós-Graduação em Hebiatria da UPE iniciou suas atividades em 2005
e, até o momento da realização desta pesquisa, tem cinquenta e duas dissertações defendidas.
Esse número pequeno de publicações se deve ao fato do Programa formar turmas apenas a
cada dois anos e também por ter uma temática de viés recente.

366

�Dos cinquenta e dois resumos avaliados, foram extraídas cento e trinta e sete palavraschave, das quais foram selecionadas as quinze mais citadas (Tabela 1).

Tabela 1 - Descritores mais citados
Palavra-chave

Quantidade

Adolescente

31

Adolescência

9

Relacionamento Familiar

7

Qualidade de vida

6

Prevalência

6

Obesidade

6

Atividade motora

5

Sexualidade

4

Comportamento sexual

4

Gravidez na adolescência

4

Saúde do adolescente

3

Transtornos da articulação 3
temporomandibular
Métodos contraceptivos

3

Fatores de risco

3

Violência

2

Pelo fato do curso de Hebiatria ter como objeto de estudo o adolescente, percebe-se
que em sua produção científica as temáticas mais estudadas pelos mestrandos referem-se à
“adolescente” e “adolescência”. Mesmo assim, outros temas também aparecem em suas
produções, como é o caso de “relacionamentofamiliar” e “qualidade de vida”.
Após essa análise, optou-se pelo agrupamento dos assuntos de mesma temática por
conta da dispersão e da incidência de diferentes termos apresentados na Tabela 1, mas com
assuntos correlatos, resultando no mapeamento temático do curso de Hebiatria e na análise da
propensão de pesquisas para os próximos anos (Tabela 2).

367

�Tabela 2 - Descritores agrupados por temática
Palavra-chave

Quantidade

Qualidade de vida

20

Sexualidade

15

Relacionamento Familiar

7

Prevalência

6

Transtornos da articulação 3
temporomandibular
Fatores de risco

3

Violência

2

Para efeito de análise dos descritores agrupados, optou-se por ignorar as palavraschave “adolescente ” e “adolescência” por serem descritores que apenas repetem a temática
principal do Programa, uma vez que o curso tem como objeto de estudo o adolescente. Dessa
maneira, revela-se uma predominância de estudos direcionados para a “qualidade de vida” do
adolescente, seguido da temática “sexualidade ”.
Ainda de acordo com a Tabela 2, e levando em consideração uma avaliação
prospectiva, percebe-se que as temáticas “qualidade de vida” e “sexualidade” poderão ser
bastante exploradas nos próximos anos.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Verifica-se a importância de estudos que busquem a compreensão do progresso
científico de uma Instituição de Ensino Superior através do mapeamento temático da sua
produção científica.
Esta pesquisa revela que o Programa de Pós-Graduação em Hebiatria da UPE possui
um perfil de pesquisa voltado para estudos sobre sexualidade e qualidade de vida do
adolescente, demonstrando também atenção com pesquisas sobre relacionamento familiar e
estudos de prevalência, observando-se a incidência de doenças nesse grupo específico da
população.
Lançando um olhar prospectivo sobre o curso, observa-se a possibilidade de
investigações direcionadas à qualidade de vida e sexualidade do adolescente, em vista não só
da quantidade de repetições dos termos, como também a variedade de descritores relativos a
essas temáticas.

368

�6 REFERÊNCIAS

FREIRE, Isa Maria; SOUZA, Alexandre Pereira. Revista Pesquisa Brasileira em Ciência da
Informação e Biblioteconomia - PBCIB: um mapeamento temático da produção científica à
luz da análise de conteúdo. Informação &amp; Informação, Londrina, v. 15, n. 2, p.110-128, jul.
2010. Semestral.
SANTOS, Raimundo Nonato Macedo dos; KOBASHI, Nair Yumiko. Bibliometria,
cientometria, infometria: conceitos e aplicações. Tendências da Pesquisa Brasileira em
Ciência da Informação, Brasília, v. 2, n. 1, p. 155-172, 2009.
SILVA, José Aparecido da; BIANCHI, Maria de Lourdes Pires. CIENTOMETRIA: A
MÉTRICA DA CIÊNCIA. Paidéia, v. 11, n. 20, p.5-10, 2001.

369

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Mapeamento temático da produção científica do Programa de Pós-graduação em Hebiatria da Universidade de Pernambuco: estudo cientométrico e prospectivo.</text>
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                <text>Henriques, Cláudia Maria Alves, Silva, Manoel Paranhos da </text>
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                <text>Tem como objetivo a elaboração do mapeamento temático do Programa de Mestrado em Hebiatria da Universidade de Pernambuco - UPE, através de um estudo cientométrico e análise prospectiva de seus resultados. Foram analisadas cinquenta e duas dissertações, das quais foram extraídas cento e trinta e sete palavras-chave de seus resumos. Desse quantitativo, elencaram-se os quinze descritores mais usados, sendo todos eles categorizados por temática.  Concluiu-se que o perfil do Mestrado de Hebiatria da UPE apresenta como foco maior estudos sobre qualidade de vida do adolescente e sexualidade do adolescente assuntos propensos a se expandirem nos próximos anos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USO DE FERRAMENTAS COLABORATIVAS EM TRABALHO COLETIVO
Célia Regina Inoue
Cristina Marchetti Maia
Silvia Nathaly Yassuda
Ana Paula Rímoli Oliveira
Vânia Aparecida Marques Favato
João Josué Barbosa
Terezinha Cristina Baldo Vernaschi
Maria Irani Coito Laura
Odette Dorta Jardim
Micheli Antonia Oshima
RESUMO
Este trabalho traz a experiência do Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais da
Universidade Estadual Paulista na utilização de ferramentas de tecnologias de informação e
comunicação (TICs) para o atendimento às suas finalidades e construção do conhecimento
num ambiente virtual, usando ferramentas colaborativas disponíveis na Web 2.0. Aborda o
aprendizado no decorrer do processo, o desenvolvimento das competências e a criação deste
trabalho diante da limitação dos recursos financeiros. Dentre as ferramentas utilizadas
destacam-se o uso do Skype, Videoconferência, E-mail, Google Drive e Facebook, que
possibilitaram uma maior interação de comunicação entre os membros. Os resultados foram
satisfatórios, possibilitando melhor aprendizado no uso das tecnologias, encurtando
distâncias, reduzindo custos e trabalho em equipe em tempo real.
Palavras-chave: Tecnologia da informação e comunicação; Trabalho coletivo; Ambiente
virtual; Ferramenta colaborativa.

ABSTRACT
This paper describes the practice of Universidade Estadual Paulista’s Group of Studies on
Documental Technical Standards using Technologies of Information and Communication
tools to meet its purposes and to build knowledge in a collaborative virtual environment. It
refers to the learning during the process, the development of skills and its own creation before
the limited budget resources. The used tools were: Skype, Video Conference, E-mail, Google
Drive and Facebook that enabled greater interaction among the group members. The results
were satisfactory as there was better learning in the use of technologies of information and
communication taking advantage of its many benefits.
Keywords: Technology of Information and Communication; Collaborative Work; Virtual
Environment; Collaborative Tools.

4637

�1 Introdução

O presente trabalho, fruto de uma equipe, foi elaborado utilizando as tecnologias de
informação e comunicação (TICs) e ferramentas colaborativas que armazenam informações
para visualização e interação em grupo, com objetivo de apresentar a experiência de um
trabalho coletivo com o uso da Web 2.0. A aplicabilidade destas ferramentas viabiliza o
trabalho a distância entre os membros do Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais
da Universidade Estadual Paulista (Unesp), destacando a organização do trabalho e as ações
que têm sido desenvolvidas pelo grupo.
Considerando a evolução tecnológica e a dispersão dos membros do grupo em
diferentes cidades, algumas delas bem distantes entre si, buscou-se uma solução
contemporânea em sua forma tradicional de organização do trabalho, criando um ambiente
virtual favorável para a dinâmica de trabalho em equipe, trazendo agilidade na comunicação e
respostas, baixo custo, superando as barreiras físicas e financeiras da instituição.
As tecnologias de informação e comunicação (TICs) estão inseridas atualmente no
contexto das bibliotecas universitárias brasileiras, como consequência do avanço tecnológico
e democratização no acesso às tecnologias. Dentre as vantagens do ambiente virtual estão a
facilidade na comunicação e o compartilhamento de informações, viabilizando a criação de
conteúdo, transpondo as fronteiras físicas (DIAS; BELLUZO, 2003).
Os recursos da Web 2.0 proporcionam um ambiente de interação em que o usuário,
além de ser instruído a construir seu próprio conhecimento, torna-se produtor e consumidor de
conteúdos interativos. Este novo perfil de usuário tem incorporado as tecnologias multimídias
baseadas em Web aos serviços de bibliotecas, que, ao utilizar os recursos da Web 2.0 ficaram
conhecidos como Biblioteca 2.0 (MANESS, 2007).
Como resultado da explosão e crescente aumento no uso de tais recursos, de acordo
com Silva e Lopes (2011), os computadores e a internet deixaram de ser uma tecnologia de
processamento da informação para se transformar em instrumento de aprendizagem,
comunicação e colaboração. Cada usuário pode ser, ao mesmo tempo, emissor e produtor de
mensagens num processo de comunicação em ambiente virtual, compartilhando com outros
indivíduos os mesmos interesses e necessidades.
A interação do grupo é realizada através de ambiente virtual, com auxílio das TICs e
ferramentas colaborativas disponíveis para este fim: E-mail, Skype, Google Drive, Facebook e
Videoconferência.

4638

�A Rede de Bibliotecas da Unesp é constituída por 34 Bibliotecas, distribuídas em 24
cidades do interior paulista e é tecnicamente subordinada à Coordenadoria Geral de
Bibliotecas (CGB). Sua estrutura organizacional fundamenta-se no tripé ensino, pesquisa e
extensão, sendo uma de suas atribuições oferecer subsídio e suporte técnico para todas as
bibliotecas da rede. O sistema de gestão constitui-se por grupos de trabalhos temáticos para
discussão e elaboração de ações visando suprir as necessidades informacionais da Rede.
Atualmente são seis grupos de trabalho: Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais,
Grupo de Estudo da Produção Científica, Grupo de Acessibilidade, Grupo de Catalogação,
Grupo de Competência Informacional e Grupo de Estudo de Terminologia.
O grupo de Normas Técnicas Documentais é constituído por 10 bibliotecários de
diferentes unidades universitárias, localizadas nas seguintes cidades: Araçatuba, Araraquara,
Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Ilha Solteira, Marília, Presidente Prudente e Rio Claro.
As reuniões presenciais foram substituídas por videoconferências estimuladas pela
universidade com suporte e facilidade nos agendamentos, disponibilização de salas próprias,
adequadas e padronizadas. A utilização das redes sociais como ferramenta de comunicação
agiliza as discussões e cada membro utiliza o suporte que está disponível, seja celular, tablets,
computadores etc.
Os documentos em análise são discutidos, construídos, avaliados e disponibilizados
em arquivos nas nuvens e elaborados com a participação de todos. O grupo tem atualmente
dentro de seu planejamento, uma importante meta que é a atualização do trabalho
“Normalização Documentária para a Produção Científica da Unesp: normas para apresentação
de referências segundo a NBR 6023:2002 da ABNT”, que resultará num produto que
atenderá a todas as bibliotecas da universidade, o qual está sendo elaborado coletivamente
num arquivo virtual. A evolução dos trabalhos é visível para todos os membros a qualquer
momento ou necessidade. O atendimento do grupo à rede de bibliotecas da Unesp é realizado,
majoritariamente, à distância em ambiente virtual, com auxílio das ferramentas disponíveis
para este fim, quais sejam: e-mail e Skype.
As ferramentas colaborativas utilizadas serão caracterizadas, destacando-se sua
importância na execução das tarefas, elaboração de materiais, reuniões e atendimento às
dúvidas das bibliotecas da Unesp, bem como as vantagens e as facilidades que elas
proporcionam.
Justifica-se a elaboração deste trabalho, tendo em vista que esta prática é adotada por
outras instituições, entre pesquisadores na comunidade científica, inclusive pelos outros
grupos de estudo da rede de bibliotecas da Unesp. No entanto, o diferencial está na dinâmica

4639

�desenvolvida pelo Grupo de Normas Técnicas Documentais, pois apesar da grande quantidade
de recursos tecnológicos disponíveis, o grande desafio foi a escolha e o aprendizado das
ferramentas adequadas para o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho que suprisse
as necessidades do grupo, considerando os tipos de atividades que são desenvolvidas e as
formas de acesso às tecnologias.

2 Revisão de Literatura

Neste tópico, as ferramentas colaborativas serão contextualizadas dentro do ambiente
virtual, com uma abordagem para a Web 2.0, destacando-se a evolução das tecnologias de
informação e comunicação (TICs). O Grupo Técnico de Normas Documentais da Unesp será
caracterizado, assim como os membros do grupo, dentro das gerações Baby boomer, X e Y
com ênfase na manipulação das TICs para o trabalho coletivo do grupo.

2.1 Ferramentas colaborativas e Web 2.0 como forma de comunicação

As tecnologias de informação e comunicação (TICs) trouxeram grandes contribuições
para a sociedade. O uso das TICs influenciaram as formas de comunicação oral e escrita,
causando grandes impactos na sociedade, de acordo com Kenski (2010, p. 28) “[...] baseados
no uso da linguagem oral, da escrita e da síntese entre som, imagem e movimento, o processo
de produção e o uso desses meios compreendem tecnologias específicas de informação e
comunicação, as TICs.”.
Para Villas e Macedo-Soares (2008) a nomenclatura vem aos poucos entrando no
vocabulário dos profissionais das áreas usando-se o termo tecnologia da informação (TI) que
substitui o termo informática.
No âmbito educacional, as TICs propõem métodos de ensino e aprendizagem com o
uso de ferramentas digitais que contribuem para a otimização no processo comunicacional em
tempo real e com custos reduzidos; portanto essas tecnologias são hoje indispensáveis para o
compartilhamento de informação e conhecimento, como relata Schons, Ribeiro e Battisti
(2008, p. 7):
Como parte desse contexto, os ambientes utilizam dispositivos variados de
interface gráfica e recursos multimídia, possibilitando a formação de um espaço
para a reflexão coletiva, contribuindo para a criação de novos conhecimentos.
Tais ambientes, a partir de sua capacidade de interação e colaboração vieram
preencher uma lacuna existente na comunicação interpessoal entre os atores que
participam do processo de ensino e aprendizagem: professor, tutor e aluno.

4640

�Contrapondo o conceito de uma via de mão única, onde as informações são
propagadas apenas em um sentido (um para um ou um para muitos), a Web 2.0
determina um novo conceito, estabelecendo a comunicação de muitos para
muitos.

Nas organizações, as TICs possibilitam um maior conhecimento do ambiente externo e
interno, destacando-se em um mercado cada vez mais competitivo (PASSOS; SILVA, 2012).
Essas mudanças na forma de comunicação são consequências das evoluções tecnológicas que
a sociedade vivencia, nas quais o comportamento também sofre mudanças e o imediatismo se
torna evidente na vida das pessoas. Segundo Silva (2013, p. 72) as TICs podem ser vistas
como ferramentas que permitem e facilitam a interação entre as pessoas, “[...] ao mesmo
tempo em que as TICs são objetos de consumo são também ferramentas de trabalho que
modificam a relação do homem com a máquina e aceleram o processo de socialização das
inovações [...].”
Tais ferramentas são denominadas colaborativas, pois são recursos facilitadores
utilizados no ambiente virtual para criação de conteúdo coletivo e trocas de informações,
tornando-se um local de encontro entre as pessoas dentro das organizações. São realidades
distantes geograficamente e ao mesmo tempo próximas virtualmente, onde a produtividade e
a economia caminham juntas (CUNHA, 2003 apud SCHEINPFLUG; TOREZAN, 2005).
Desta forma, a internet se fortalece cada vez como meio de comunicação, possibilitando que
as pessoas trabalhem e construam conteúdos em conjunto, produzindo informações no
ciberespaco, e como consequência da evolução das TICs, surgem constantemente novas
ferramentas para a colaboração virtual.
Ferramentas colaborativas são softwares que auxiliam no desenvolvimento de
tarefas realizadas por um grupo, o qual busca, por meio do trabalho coletivo,
cumprir um projeto ou um objetivo em comum. A partir da produção coletiva
proporcionada por tais ferramentas, é possível compreender que novas formas
de cooperação, construção do conhecimento, inteligência coletiva e atividades
de colaboração podem ser potencializadas. (BRASIL, [201-?]).

Com o avanço tecnológico e com tanta rapidez na evolução das formas de
comunicação, os bibliotecários são constantemente bombardeados pela tecnologia, devendo,
portanto, conhecer e fazer uso dos recursos disponíveis, visando a inovação e aprimoramento
dos seus trabalhos. Além disso, de acordo com Belluzo (2010, p. 31), em razão do baixo custo
e fácil acesso, a Internet tem sido utilizada como infraestrutura, “[...] num novo ambiente
organizacional, fundamentalmente baseado no ambiente digital.” Desta forma as bibliotecas
têm se adaptado a evolução das ferramentas, criando e aprimorando novos serviços e formas

4641

�de trabalho sendo fundamental para isso que os bibliotecários estejam dispostos a enfrentar
novas experiências para ter o domínio das novas ferramentas, aproveitando as oportunidades
que surgem no mundo virtual.
Para os autores Zagari e Serra (2005, p. 155) “O indivíduo se articula com outros
indivíduos através da tecnologia, em comunidades virtuais de interesses específicos, repetindo
um modelo de sociabilidade já existente, que separa e agrega, agora numa dinâmica dominada
pela tecnologia das redes”.
As ferramentas colaborativas disponíveis na Web 2.0 permitem a criação de ambientes
com interação espaço-temporal possibilitando a troca de informação, conhecimento, com
flexibilidade e agilidade. Portanto, são ambientes onde os usuários são protagonistas e
criadores. O conceito de Web 2.0 surgiu em 2004, mais dinâmica e interativa, ocorrendo à
criação, seleção e troca de conteúdos em plataformas abertas. Os arquivos disponíveis nas
nuvens são acessíveis a qualquer momento e as atualizações ou alterações são realizadas
automaticamente; desta forma, a Web 2.0 pode ser entendida como uma consequência da
expansão da web de prática comunicativa para um espaço colaborativo, de interação e
participação comunitária (BLATTMAN; SILVA, 2007, p. 197).
Criar, participar e compartilhar são ações que o usuário da web 2.0 pode fazer
com a mesma facilidade com que pode comprar uma revista em uma livraria. A
interação é o novo lema da web e os sítios estão cada vez mais participativos,
deixando que a opinião do usuário decida o rumo a ser tomado pelos
administradores. (JESUS; CUNHA, 2012, p. 113).

A comunicação influenciada pela tecnologia tem características próprias e
diferenciadas, rompendo padrões e criando novas formas de se comunicar, de forma dinâmica
e inovadora:
A tecnologia digital rompe com as formas narrativas circulares e repetidas da
oralidade e com o encaminhamento contínuo e sequencial da escrita e se apresenta
como um fenômeno descontínuo, fragmentado e, ao mesmo tempo, dinâmico,
aberto e veloz. Deixa de lado a estrutura serial e hierárquica na articulação dos
conhecimentos e se abre para o estabelecimento de novas relações entre conteúdos,
espaços, tempos e pessoas diferentes. (KENSKI, 2010, p. 32).

A interatividade que a comunicação tecnológica trouxe, quebra barreiras geográficas
fazendo com que grupos que tenham interesses em comum troquem informações e se
comuniquem em tempo real:

4642

�[...] a comunicação mediada por computadores possibilita o diálogo em tempo
real, reunindo pessoas com os mesmos interesses em conversa interativa
multilateral, por escrito. Respostas adiadas pelo tempo podem ser superadas com
facilidade, pois as novas tecnologias de comunicação oferecem um sentido de
instantaneidade que derruba as barreiras temporais [...]. (CASTELLS, 2009, p.
553).

Portanto, o compartilhamento de informações com o uso de ferramentas
comunicacionais aliadas às tecnologias, trouxe um impacto positivo na sociedade, criando
novas formas de interação social em ambientes distintos com resultados promissores. O
ambiente virtual tornou-se também social, local este destinado à troca de informações e
geração de conhecimento, bem como um ambiente de aprendizagem no campo educacional.

2.2 Grupo de Normas Técnicas Documentais da Unesp

O Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais da Unesp foi criado em 2001,
constituído por doze bibliotecários das diversas áreas do conhecimento e tendo como
atribuição, analisar, padronizar, orientar, divulgar, atualizar e elaborar normas de
documentação da produção científica da Unesp, e, ainda, estabelecer intercâmbio com grupos
de trabalhos semelhantes de outras Instituições de Ensino Superior (IES) e com a Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
O grupo teve como primeiro trabalho a organização de uma publicação, com modelos
baseados na NBR 6023: 2002, a partir das demandas existentes detectadas pela rede de
bibliotecas. Esse trabalho foi realizado a partir de uma divisão de tarefas, e algumas reuniões
presenciais para discussão e deliberação do documento. Nesse primeiro trabalho, a
comunicação principal foi o correio eletrônico, além de telefones fixos.
Hoje o Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais da Unesp é constituído
por dez bibliotecários de diversas localidades e unidades e tem como responsabilidade o
atendimento às questões de normalização técnica de documentação, relacionadas às mais
variadas normas vigentes, com ênfase nas da ABNT, utilizadas pela comunidade acadêmica
da Unesp. Além disso, em conjunto com a CGB, o grupo é responsável por promover a
educação continuada do profissional bibliotecário da rede de bibliotecas da Unesp.
Nesses anos o trabalho do grupo foi evoluindo e alterando seus componentes, num
processo dinâmico, e, a partir do aparecimento das novas tecnologias de informação e
comunicação, foram sendo incorporadas novas formas de comunicação e dinâmicas de
trabalho, permitindo que cada membro possa ficar em sua sala ou escritório, sendo

4643

�desnecessário o deslocamento a grandes distâncias, gerando economia para a instituição, com
relação a transportes, diárias e tempo.

2.3 Uso de tecnologias pelas gerações baby boomer, X, Y e Z

As diferentes ferramentas foram paulatinamente incorporadas pelo grupo de trabalho,
composto por diversas gerações, majoritariamente pertencentes às gerações baby boomer, X,
alguns da Y e Z, que são descritas por Carvalho (2012).
Surgida após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Geração Baby Boomer é constituída
por pessoas que se caracterizam por gostarem de um emprego fixo e estável. No trabalho,
valorizam o tempo de serviço, preferem ser reconhecidas pela sua experiência à sua
capacidade de inovação, se adaptam facilmente nos ambientes organizacionais e o ponto de
interesse é a competitividade e sucesso profissional.
A Geração X surge em meados da década de 60 estendendo-se até o final dos anos
1970; portanto, surge já fazendo uso dos recursos tecnológicos. No meio profissional a
Geração X é caracterizada atualmente por certas resistências em relação a tudo que é novo,
além de apresentar insegurança em perder o emprego para pessoas mais novas e com mais
energia. As pessoas da geração X são pragmáticas, sensatas e independentes.
A Geração Y surge na década de 80. Os indivíduos dessa geração presenciaram os
maiores avanços na tecnologia, possuem capacidade em fazer várias atividades ao mesmo
tempo, como ouvir música, navegar na internet, ler os e-mails. Vivem em busca de novas
tecnologias, estão sempre conectados, compartilham fotos e informações pessoais entre várias
outras que, em tese, não atrapalham os seus afazeres profissionais. A Geração Y está inserida
num contexto em que as distâncias foram diminuídas pelas novas tecnologias, como a internet
e a videoconferência. São ambiciosos, prezam o reconhecimento e a identificação de seu
talento e capacidade, além de desejarem rápida evolução na carreira.
A Geração Z, os nativos digitais , também conhecidos por Geração Digital, são grupos
de indivíduos nascidos a partir de 1991; na maioria, não imaginam sua existência sem
computador ou celular, desde cedo convivem com os mais diversos equipamentos eletrônicos,
pois já nasceram em rede.
O conhecimento do grupo foi se consolidando com o auxílio das gerações mais novas,
a geração Y e os nativos digitais, a geração Z, internos e externos ao grupo, corroborando
com Carvalho (2012, [p.1]).

4644

�[...] a empresa do futuro se apresentará como aquela que será capaz de
conciliar diferentes gerações em um mesmo ambiente de trabalho, extraindo o
que cada profissional tem de melhor e equilibrando os potenciais individuais
em função do bem estar coletivo.

Algumas dificuldades foram superadas gradativamente pelas diversas gerações no uso
das ferramentas colaborativas.

3 Materiais e Métodos

A seguir são apresentadas as ferramentas colaborativas utilizadas no processo de
comunicação pelo Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais.
A primeira ferramenta utilizada foi a mais simples, fácil e já tradicional de se usar, o
correio eletrônico. O e-mail surgiu com o aparecimento da internet, foi criado por Ray
Tomlinson, um programador dos Estados Unidos em 1971 e significa electronic mail (correio
eletrônico) (KARASINSKI, 2009). Com o aumento na velocidade da internet e melhoria na
interface, o e-mail passou a ser utilizado também no trabalho, pois se tornou o meio mais ágil,
simples e de baixo custo para comunicação principalmente a longa distância. Originalmente
criado apenas para troca de mensagens, atualmente os e-mails possuem grande capacidade de
armazenamento de documentos, filtros e diversas funções que o complementam como editor
de texto, organização em pastas e chat.
Foi criado um endereço único institucional para o grupo em que, quando uma
mensagem é enviada, todos os membros recebem em seus endereços institucionais
individuais. Inicialmente foi utilizada esta ferramenta para detectar as demandas relativas a
normas técnicas documentais, tais como sugestões, dúvidas, questionamentos etc. O E-mail
ainda permanece como principal meio de comunicação entre os membros, bem como para
atendimento de dúvidas dos bibliotecários da rede de bibliotecas. A partir dessas questões
enviadas está sendo elaborada uma lista de perguntas frequentes, a Frequently Asked
Questions (FAQ) que serão disponibilizadas no site da CGB.
Na sequência do trabalho, foi elaborado um questionário utilizando-se a ferramenta
formulário do Google Drive. O Google Drive é um serviço de armazenamento de arquivos
que permite o acesso de qualquer lugar em diversos tipos de dispositivos eletrônicos,
permitindo a sincronização de arquivos do computador com a nuvem a partir do download do
Google Drive no dispositivo (GOOGLE, [2014?]). Os tipos de arquivos que podem ser
armazenados são os mais diversos, como documentos, folhas de cálculo e apresentações. O

4645

�Drive se destaca pela colaboração, pois permite o compartilhamento dos arquivos para grande
número de pessoas e a alteração dos documentos simultaneamente.
Foi criada uma conta no Google Drive para armazenar todos os documentos do grupo,
textos pertinentes, atas, questionários etc., organizados em pastas virtuais, e um arquivo de
trabalho disponibilizado de forma que cada membro pudesse participar, atualizando, incluindo
sugestões e interagindo em tempo real. Essa ferramenta tornou possível a realização do
trabalho a distância de forma conjunta pelos 10 integrantes do grupo, incluindo a elaboração
deste artigo e a exploração de novas ideias, usadas com vistas ao desenvolvimento do manual
de normas de documentos que deverá ser lançado futuramente. O aprendizado no uso desta
ferramenta foi heterogêneo no grupo, construído paulatinamente, considerando as diferentes
gerações e habilidades individuais dos membros.
Outro importante recurso do Drive é o formulário que permite a criação de
questionários para publicação na web ou envio por e-mail para usuários do google, que
podem inclusive editá-lo. A facilidade está na tabulação dos dados, pois as planilhas e
gráficos são gerados automaticamente.
O questionário, criado a partir do formulário do Google Drive, foi enviado para todas
as bibliotecas da universidade com o intuito de coletar informações sobre os serviços
realizados em cada Biblioteca da universidade, quanto a interesse em treinamentos, recursos
didáticos e metodológicos utilizados e tecnologias utilizadas para divulgação e atendimentos
na padronização da normalização documentária. Após a compilação dos dados e para a
descrição e representação gráfica dos dados coletados, foram elaboradas planilhas eletrônicas
e gráficos para melhor entendimento e visualização, utilizando-se o recurso do próprio
Google Drive. Essa atividade visou a compilação dos principais materiais sobre normalização
elaborados pelas bibliotecas da Unesp para inseri-los no site da CGB, com o objetivo de
padronizar e facilitar a consulta pelas bibliotecas e pela comunidade.
Para as reuniões de trabalho foi adotado o uso do sistema de videoconferência da
universidade, aproximando os 10 membros do grupo pertencentes a unidades em diferentes
localidades (Figura 1) e agilizando o planejamento de trabalho, as dúvidas, as deliberações e
divisões de tarefas.

4646

�Figura 1- Unidades que compõem o Grupo

Fonte: Mapa disponível no site da Universidade Estadual Paulista (2014), adaptado por
Cristina Maia.

As salas de videoconferência da Unesp foram construídas para a realização de
reuniões à distância com o intuito de diminuir os gastos com número de viagens de
funcionários da instituição. As salas são equipadas com microfones, monitores, câmera, mesa
e cadeiras. Com relação ao seu funcionamento:
Todos os equipamentos funcionam integrados a um sistema de automação,
esse mecanismo liga todos os componentes, dispensando a presença de um
técnico durante reunião. Foram adquiridos equipamentos para criação de 37
salas, o calendário das reuniões é controlado pela Assessoria de Informática
da Reitoria e pode visualizado na intranet do site da Universidade Estadual
Paulista - Unesp
(UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, 2011,
[p.1]).

Esta ferramenta está sendo amplamente utilizada pela universidade como recurso para
reuniões a distância em substituição às presenciais. O agendamento central é feito pela reitoria
através de um sistema online, com uma agenda pública de fácil acesso. Os agendamentos são
realizados pelo grupo com antecedência, seguindo o planejamento anual de reuniões definido
no início de cada ano, buscando conciliar a disponibilidade dos membros com a agenda dos
sistemas das unidades e da reitoria. Essa ferramenta tornou possível a realização do trabalho a
distância, de forma conjunta, e, associada ao uso do Skype nas reuniões, explorou-se novas
ideias, resultando no avanço de alguns trabalhos já realizados e de outros ainda em
desenvolvimento.
O Skype é uma ferramenta que surgiu em 2003 e desde 2011 pertence à Microsoft.
Atualmente é um dos recursos mais utilizados para comunicação via internet, pois possui

4647

�algumas funções gratuitas como chamadas com vídeo e voz para outro usuário Skype,
compartilhamento de arquivos, como vídeos e documentos, chat e compartilhamento de tela.
Além disso, possui funções pagas como chamadas nacionais e internacionais para telefones
celulares e fixos. (SKYPE, c2014). Para uso do Skype é necessário fazer uma instalação e
criar uma conta de usuário gratuitamente pelo site oficial. O Skype é, atualmente,

a

ferramenta mais utilizada para as reuniões do grupo , pois permite que cada membro
permaneça em sua sala de trabalho, proporcionando comodidade e agilidade na comunicação.
Criou-se, também, um grupo secreto no Facebook para comunicações diversas como
reuniões e envio de links de informações e novidades da área de normas para documentação,
alcançando a todos com facilidade e interatividade, acesso a qualquer momento nos diferentes
tipos de dispositivos, como celulares, tablets, notebooks. O Facebook é uma rede social,
criado por Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz e Chris Hughes, lançado em 2004 na
universidade americana de Harvard, cujo primeiro objetivo era estabelecer uma rede de
contatos dos novos universitários e que atualmente funciona através de perfis pessoais e
comunidades em que somente pessoas pertencentes à mesma rede possam ver ou partilhar
informações (RECUERO, 2009, p. 172). Atualmente o Facebook é a rede social mais
conhecida e possui milhões de internautas conectados. Para ter acesso é necessário criar um
perfil ou página e a partir daí adicionar amigos, fotos, criar eventos, inserir notícias e
mensagens.

4 Resultados Finais

As formas de comunicação e as ferramentas que o grupo escolheu para utilizar
trouxeram agilidade no andamento dos trabalhos, tornando-os visíveis e interativos. Ganhouse instantaneidade na comunicação entre os membros bem como no tempo de resposta ao
atendimento das dúvidas de normalização apresentadas ao grupo pelos bibliotecários da Rede
de Bibliotecas. A necessidade de redução dos custos com as reuniões presenciais foi a razão
que levou o grupo a optar pelo uso das novas tecnologias de informação, o que resultou em
agilidade para o atendimento às demandas e na geração de novas informações e produtos para
a Rede de Bibliotecas da Unesp.
Durante o processo foi necessário o desenvolvimento de competências no uso das
ferramentas escolhidas, num aprendizado construído em conjunto, aproximando e unindo os
membros.

4648

�O termo competência está relacionado à capacidade de bem realizar uma
tarefa, ou seja, de resolver uma situação complexa. Para isso, o indivíduo
deverá dispor de recursos necessários para serem mobilizados, com vistas a
resolver a situação na hora em que ela se apresenta.(COELHO, 2011, p. 172).

Considerando a definição acima, visando superar problemas já expostos, as vantagens
do uso de tecnologias e a adoção da forma de trabalho a distância proporcionaram o
desenvolvimento de competências técnicas de informática relacionadas ao uso das TICs pelo
grupo, por meio da prática e aplicação no ambiente organizacional. Além disso, foram
desenvolvidas competências comportamentais, pois tal forma de trabalho tem permitido que o
grupo desenvolva qualidades como criatividade, paciência e flexibilidade no trabalho em
equipe.
Portanto, o Grupo aprendeu a trabalhar junto no ambiente virtual em diferentes
horários, usando as ferramentas separadamente ou de forma combinada, permitindo superar
as distâncias físicas, agilizar decisões, escrevendo e compartilhando informações em tempo
real, pois as novas tecnologias permitem que se modifique a forma de trabalhar podendo
manter-se em comunicação permanentemente e à distância (RICCARDI et al., 2009). Foram
diversos momentos de estudo, tentativas e exploração das ferramentas, tanto individual como
coletivamente, pois alguns membros do grupo apresentaram dificuldade quanto à
manipulação de algumas ferramentas, como edição de documentos no Google Drive e uso do
Skype. Com relação ao Drive, houve dificuldades desde o acesso à conta no gmail como
localizar o documento para a revisão. No que se refere ao Skype, os problemas foram mais
relacionados ao áudio, sincronização de horários e pontualidade.
Podemos constatar que a comunicação com o uso de ferramentas tecnológicas
propiciou uma série de vantagens para o grupo de trabalho. A experiência nos mostrou que
trabalhar em ambientes virtuais com o uso de ferramentas colaborativas requer novas formas
de relacionamentos e interação social, sendo uma nova tendência nas organizações que traz
inúmeros benefícios. Dessa forma, foi possível constatar um crescimento considerável do
Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais em relação aos encontros e reuniões, aos
trabalhos desenvolvidos, e, à participação dos membros no trabalho em equipe.

5 Considerações Finais

O uso das tecnologias permitiu uma nova forma de trabalho em rede, e, o ambiente
virtual propiciou a construção da aprendizagem coletiva, resultando na colaboração e

4649

�contribuição entre os membros e, ainda, no desenvolvimento de competências na utilização de
novas ferramentas.
É fundamental que o profissional da informação esteja disposto a trabalhar em equipe,
ter disposição em aprender, buscar constantemente e compartilhar informações no ambiente
de trabalho, visando o aprimoramento profissional, acompanhando a evolução da internet e
sua transição para a terceira geração. Também denominada web 3.0, a terceira geração surgiu,
segundo Gil (2014), na passagem de uma Sociedade da Informação para a Sociedade do
Conhecimento; a web 3.0 também é conhecida como Web Semântica, em contexto em que há
uma humanização das TICs, otimizando o uso dos recursos tecnológicos. Sendo assim, para a
continuidade desta forma de trabalho, é imprescindível haver um ambiente colaborativo, e
ainda, avaliar as ferramentas utilizadas à medida que surjam novas tecnologias pelo
dinamismo das mudanças, das necessidades e rotinas de trabalho e que, sobretudo, auxiliem
no desenvolvimento de novos produtos.

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                <text>Este trabalho traz a experiência do Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais da Universidade Estadual Paulista na utilização de ferramentas de tecnologias de informação e comunicação (TICs) para o atendimento às suas finalidades e construção do conhecimento num ambiente virtual, usando ferramentas colaborativas disponíveis na Web 2.0. Aborda o aprendizado no decorrer do processo, o desenvolvimento das competências e a criação deste trabalho diante da limitação dos recursos financeiros. Dentre as ferramentas utilizadas destacam-se o uso do Skype, Videoconferência, E-mail, Google Drive e Facebook, que possibilitaram uma maior interação de comunicação entre os membros. Os resultados foram satisfatórios, possibilitando melhor aprendizado no uso das tecnologias, encurtando distâncias, reduzindo custos e trabalho em equipe em tempo real. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ETIQUETDO MOVIL: UNA EXPERIENCIA EN EL AREA ACADEMIA Y DE
EXTENSIÓN UNIVERSITARIA

Ester Magali Ivañez
Belén Echevarria
Adriana Brum

RESUMEN
Si nos preguntamos qué hace posible que mejoren los indicadores de desarrollo en un país,
entre las repuestas, esta la política de generación de conocimiento avanzado y su
incorporación a las actividades “socialmente valiosas”. Los acontecimientos afirman que la
universidad esta conectada a esta generación de conocimiento y vinculada al desarrollo
regional.
Para revertir la centralización histórica, la Universidad invirtió en la
descentralización y se crearon los Centros Universitarios en el interior del país. Las
bibliotecas asumen en estos Centros un rol preponderante en el fortalecimiento de la
investigación, extensión y enseñanza. Las Regiones Noroeste y Noreste, abarcan los
territorios de Tacuarembó, Rivera, Salto, Paysandú, Río Negro y Artigas, siendo este último
compartido por ambas regiones. En un esfuerzo de integración regional trabajan en proyectos
enfocados en la mejora y modernización de los servicios, implementando códigos QR en las
bibliotecas y en proyectos de extensión.
Palabras CLAVE: Telefonia Movil; Etiquetado Movil; Alfabetizacion Informacional; Libros
Electronico
ABSTRACT
If we ask ourselves what makes rises values of development indicators of a country, we may
mention knowledge generation policies and incorporating socially valuable activities. Facts
reaffirm that the university is closely connected to that knowledge generation as to regional
development. The University has made huge efforts in order to reverse its historical
centralized structure, which was at last a restriction to development. For that reason,
University facilities have been created in strategic places of the country, associated with
geographical, economical and social criteria. In those mentioned facilities, libraries assume a
transcendental role potentiating the realisation of the three university functions: teaching,
research and service. Both North - Eastern and North - Western regions, which include the
departments of Tacuarembó, Rivera, Paysandú, Salto, Río Negro and Artigas, are working in
proposals that aim the improvement and development of those library services, creating QR
code systems and in extension projects.
Keywords: CELL PHONE; MOBILE TAGGING; INFORMAL LITERACY; EBOOKS

2709

�INTRODUCCION
Datos recabados por el Instituto Nacional de Estadística, muestran un crecimiento en
el acceso de los uruguayos a las nuevas tecnologías. Existe actualmente una computadora
personal en 59,1% de los hogares, el 45,1% cuenta con conexión a Internet, el 74 lo hacen a
través de banda ancha y 32,1% a través de banda ancha móvil.
El 44% de quienes utilizan internet desde su celular afirman tener un Smartphone (eran 36%
en 2012). Esto es un 14% del total de usuarios de internet, o sea unas 370.000 personas (eran
120.000 en 2012)
La propensión a usar internet entre los que tienen acceso en el celular aumenta
significativamente a menor edad, particularmente en el segmento 20-29 años.
Para las zonas rurales la llegada de la telefonía móvil ha significado una disminución en la
brecha de acceso a las telecomunicaciones. Para Uruguay es interesante considerar no sólo el
uso de teléfonos celulares y SMS, que es quizás la aplicación más universal, otros
dispositivos, servicios y formas de conectarse pueden ser aprovechadas (teléfonos
inteligentes, GPS, etc.). La banda ancha móvil, por ejemplo, promete acercar Internet a los
espacios donde hasta ahora había sido inviable.

1. SITUACIÓN DE LA UNIVERSIDAD DE LA REPÚBLICA (UDELAR)
La UDELAR es la única universidad pública del país y sus actividades se han
concentrado en Montevideo. Una expansión de la enseñanza terciaria únicamente en la región
metropolitana limita el desarrollo de aspectos estratégicos para el país.
Durante la mayor parte de la historia del Uruguay se reforzó el centralismo en
Montevideo que también se expresó en una concepción y una práctica educativa centralista.
La Universidad se instaló y funcionó en Montevideo por casi dos siglos, pero esta realidad
está cambiando debido a la globalización de la economía, a las ventajas naturales y a la
incorporación de tecnologías como la base del desarrollo nacional.
En este contexto, la Universidad de la República, desde 2005, ha adoptado una línea
estratégica de expansión territorial hacia el interior del país, con el objetivo de abatir la
inequidad geográfica y social en el acceso a la educación superior. En el 2007, el Consejo
Directivo Central, propuso la construcción de tres Centros Universitarios Regionales
(CENUR) en las zonas Este, Noreste y Litoral oeste del país.
La creación de los Centros Regionales se inscribe en una estrategia de expansión
territorial a partir de las sedes ya existentes.

2710

�"La universidad está embarcada en crear lo que se llaman Centros Universitarios
Regionales, estos centros tendrán un claustro y un consejo directivo regional propio son algo
"novedoso" e "histórico"

para la Udelar. En un período de tres a cinco años estos centros,

que se especializan en carreras vinculadas al desarrollo local, serán independientes.
En 1969 se funda el Centro Universitario Paysandú (CUP) con el cometido de acercar
la Universidad a una población del interior. Actualmente, se han conformado tres Centro
Regionales (CENUR).
El desarrollo de estos Centros con lleva a la mejora de productos y servicios de la
Biblioteca. La biblioteca del CENUR NOROESTE, en su sede del Centro Universitario de
Paysandú (CUP) y la biblioteca del CENUR NORESTE con su sede en el Centro
Universitario de Rivera (CUR) están implementando el etiquetado móvil (códigos QR) ya que
consideran son el enlace más rápido entre el usuario y la información. Los códigos QR es una
herramienta de la tecnología móvil fácil de usar, de generar y sin costo alguno.
En una primera etapa se han colocado estratégicamente en: Centro de Estudiantes,
mostrador de información y estacionamiento. Son utilizados como geo localizadores, como
una herramienta de ayuda para que los estudiantes conozcan los horarios, instalaciones,
normas de la biblioteca y servicios que se ofrecen. Debido a la gran recepción por parte de los
estudiantes, se planificó la segunda etapa y se desarrollaron códigos QR que se han colocados
en la sala de estudio, dando información a de cómo usarlas y cuáles son las políticas de
préstamo. También en los lomos de los libros, que tienen el índice de consulta más alto, con la
información de su contenido y en las estanterías por áreas temáticas con los enlaces web a
paginas de repositorios donde acceden a tesis, publicaciones y libros en open access.
En el entorno de la biblioteca universitaria y con las posibilidades que nos ofrecen los
códigos QR a la hora de ofrecer información, son una herramienta de marketing y de soporte a
la alfabetización informacional.

1.2 Centro Universitario del Noroeste
La Región de influencia del Centro incluye los Departamentos de Paysandú, Río Negro Salto,
Soriano y Artigas así como parte del Litoral argentino, habiendo integrado ciudades como
Colón y Concepción del Uruguay que cuenta con vasta tradición universitaria. Se conjugan
aquí la realidad urbana y rural y viven más de 200.000 personas.

324 Dr. Mario Clara. Centro Universitario de Rivera: un ejemplo de la apertura de cabeza de la Udelar con
respecto a la educación en el interior. http://www.espectador.com/sociedad/275673/centro-universitario-derivera-un-ejemplo-de-la-apertura-de-cabeza-de-la-udelar-con-respecto-a-la-educacion-en-el-interior#

2711

�1.2.1 Centro Universitario de Paysandú
El Centro Universitario fue fundado en 1969 como Casa de la Universidad, por
iniciativa de egresados locales y docentes de la Estación Experimental “M.A.Cassinoni”
Se fundó como centro de extensión con el cometido principal de difundir en el medio
actividades culturales y acercar la Universidad a una población del interior. Desde comienzo
de los 80 y hasta la década del 90 se recorre una etapa de radicación de servicios
universitarios, apuntándose principalmente a descentralizar opciones educativas. Así, en 1979
comienza a funcionar la Escuela de Tecnología Médica. En 1987 comienza en la carrera de
Veterinaria y en 1989 se inicia, en conjunto con la Universidad de Entre Ríos, la Escuela
Binacional de Obstetricia, única experiencia binacional de América Latina. Otras carreras
universitarias se fueron instalando en el CUP: Psicología, Odontología, Trabajo Social. En
2002, por último comienzan a dictarse cursos de la Escuela Nacional de Bellas Artes En el
2006 se abren dos opciones de formación: Tecnólogo Mecánico y Tecnólogo Químico, y las
carreras de Bibliotecología y Archivología. A su vez se incorpora a la Universidad el Instituto
de Educación Física.

1.2 Centro Universitario del Noreste
La Región Universitaria Noreste es la más grande del Uruguay, está conformada por
parte del departamento de Artigas, todo el departamento de Rivera, por el departamento de
Cerro Largo y el departamento de Tacuarembó.

1.3.1 Centro Universitario de Rivera
Además de un destino turístico y productivo, Rivera es un polo educativo gracias a la
existencia del Centro Universitario de Rivera (CUR), una institución dependiente de la
Universidad de la República (Udelar) a la que asisten más de 1.500 estudiantes buena parte de
ellos brasileños que se forman en 11 tecnicaturas y licenciaturas diferentes.

2. LA WEB MOVIL Y SUS USOS
Según los datos aportados por el Grupo Radar en su informe sobre el perfil del
internauta uruguayo, concluye que “la penetración de internet vuelve a crecer luego de dos
años de estancamiento, impulsada principalmente por el ingreso a la Web de nuevos usuarios
de NSE” Este nuevo crecimiento de la penetración de internet, que nos coloca a la cabeza en
América Latina, se debe a la conjunción de varios factores:

2712

�La explosión de la venta de Smartphone y los planes de internet para celulares a bajo
costo;
El efecto multiplicador del Plan Ceibal;
El plan Universal Hogares de Antel
La instalación de la fibra óptica en muchos barrios de Montevideo y localidades del
Interior.
Los lugares de conexión no han variado significativamente desde 2012, a excepción de
los dispositivos móviles (celulares y tablets) que pasaron de 20% a 33% de penetración, La
propensión a usar internet entre los que tienen acceso en el celular aumenta muy
significativamente a menor edad particularmente en el segmento 20-29 años. El 44% de
quienes utilizan internet desde su celular afirman tener un Smartphone, (eran 36% en 2012).
Esto es un 14% del total de usuarios de internet, o sea unas 370.000 personas (eran 120.000
en 2012). Un 31% tiene internet en el celular y lo usa (+71% en un año). Los principales usos
que le dan éstos a internet en el celular son las redes sociales (83%), el mail (51%), el chat
(51%) y los juegos (25%).

2.1 La tecnología móvil y las bibliotecas
La tecnología móvil ha crecido incondicionalmente por lo que está modificando los
hábitos de lectura y consumo de información. Las bibliotecas no pueden permanecer
indiferentes a estos cambios, tienen que innovar y acompañar el crecimiento de la tecnología
ofreciendo nuevos productos y mejorando los existentes. En este proceso es fundamental
tener en cuenta que no se trata de tecnología sino de contenidos. Trasciende a éstos la
tecnología y afecta la cadena de trasmisión como las bibliotecas, las editoriales, la prensa, las
librerías y los autores.
En este universo las bibliotecas nos planteamos qué tipo de información y servicios
puede ofrecer a través de los dispositivos móviles.
Los dispositivos móviles son “aparatos portátiles desde los que se puede acceder a la
web y diseñados para ser usados en movimiento”. (Nkeze, Pearce y Womer, 2007)
Los Smartphone y tablets pueden combinar funciones como cámara de fotos, geo
localización, con una interacción multi táctil y la convergencia de funciones. Redunda en un
acceso a la información más cómodo para el usuario
Según Nielsen (2011), el navegar desde un Smartphone por un sitio web aumenta
considerablemente la usabilidad y se traduce en un acceso a la información más cómodo para
el usuario.

2713

�El uso de la tecnología móvil permite establecer un vínculo directo entre lo presencial
y lo digital utilizando los códigos QR y lo que llamamos realidad aumentada. La creación de
un código QR se puede realizar gracias a los generadores que existen en la web y muchos de
ellos a muy bajo costo o ninguno. Es una tecnología fácil de ser aplicada, lo que realmente
genera dificultades es el uso que hacemos de esta herramienta.
Según Arroyo-Vázquez deberíamos considerar dos principios: Uno es ofrecer un
servicio de utilidad que cumpla una función y otro es proporcionar una “experiencia óptima”
a quien lea el código y esto supone conocer sus necesidades y su entorno.
Gutiérrez (2012) manifiesta que “las ventajas de usar el código QR es que el acceso a
la información es rápido y el mundo físico se mezcla con el mundo digital instantáneamente”

2.2 Códigos QR (Quick Response)
Los QR son códigos bidimensionales que permiten almacenar información digital,
URL, SMS, texto, imágenes, números de teléfonos, enviar un correo electrónico, acceder a
textos, mapas, documentos, entre otros.
La información se obtiene escaneando el código desde el dispositivo, el software,
previamente instalado, descifra, de forma rápida y sencilla, la información contenida en el
QR.
Los códigos QR son fácilmente identificables por su forma cuadrada y por los tres
cuadros ubicados en las esquinas superiores e inferior izquierda.

2.2.1 Generación
La generación de códigos QR, se realiza de una manera sencilla, mediante cualquiera
de las páginas que existen para crearlos y de forma gratuita. Algunas de las más conocidas
son: Kaywa, Zxing Project, Treelogic, Delivr, GOQR, etc.

2.2.2 Funcionamiento
El código QR se puede leer a través de cualquier lector de códigos de barras y
mediante cámaras de teléfonos móviles y tablet. Para ello necesitamos instalar antes una
aplicación específica.
En el caso de los teléfonos móviles inteligentes es necesario tener conexión a internet
e instalar cualquier aplicación de carácter gratuito.

2714

�2.2.3 Características
El código QR contiene información en ambas direcciones (verticalmente y
horizontalmente) a diferencia de los tradicionales códigos de barra, que tan sólo son capaces
de almacenar información en una dirección. Por este motivo, la capacidad de almacenamiento
es mayor en el caso del código QR (7.089 caracteres numéricos o 4.296 alfanuméricos).
El código tiene la capacidad de corregir errores. Se pueden restaurar los datos si parte
del código está dañado o manchado. Existen varios niveles de corrección de errores, pudiendo
llegar a restaurar hasta el 30 % de la información perdida debido a la suciedad, deterioro del
código, etc.
Puede ser leído a alta velocidad desde todas las direcciones (en 360°). Esto es debido
a que posee unos patrones que permiten detectar la posición del código. Así, aunque es
necesario mantener una línea de visión directa entre el código y el lector la posición de la
etiqueta no es crítica, a diferencia de los códigos de barras.

2.2.4 Utilidades
Aunque el desarrollo inicial de los Códigos QR tenía como objetivo principal su
utilización en la industria automotriz, hoy la posibilidad de leer códigos QR desde teléfonos y
dispositivos móviles permite su uso en múltiples planos como pueden ser: Publicidad,
campañas de marketing, diseño gráfico, papelería corporativa (tarjetas de visita, catálogos),
Internet, Webs, blogs y en servicios de la biblioteca.

2.2.5 Usos en las Bibliotecas
En los registros bibliográficos del catálogo en línea incorporar en el “OPAC” junto al
registro bibliográfico de cada documento, un código QR que brinde información de su
localización y su disponibilidad, para que mediante una aplicación móvil el usuario lea este
código y le facilite futuros trámites bibliotecarios y de gestión bibliográfica.
Para enlazar recursos digitales: en las colecciones de las bibliotecas universitarias
existen documentos impresos que tienen una versión digital, se les puede dar mayor
visibilidad a estos, colocando un código QR en el documento impreso, que mediante la
cámara de un dispositivo móvil acerca al usuario de una forma rápida al documento digital.
Para datos de contacto en la entrada de la biblioteca universitaria se puede colocar un
código QR para contactar personal o servicios bibliotecarios, almacenando datos como:
números de teléfonos, correo electrónico, direcciones de mensajería instantánea, entre otros.

2715

�2.2.6 Ventajas del código QR
Facilita el acceso rápido a las versiones adaptadas para móvil de sitios webs o perfiles
sociales de la biblioteca (blogs, twitter, Facebook, etc.),
Complementa la información de carteles, paneles explicativos, directorios (con enlace
a un mapa de situación), derivando a la dirección web sobre el evento o servicio en cuestión,
Acceso a sistemas de ayuda o referencia bibliográfica mediante SMS,
Se puede localizar físicamente en las estanterías, permite acceder a los libros
electrónicos que se encuentran disponibles sobre una materia concreta en esa estantería
Insertados en los registros bibliográficos del catálogo en línea, puede facilitar el
manejo de esta información. Y al contrario, pegándolos al libro físico, a través del móvil se
puede tener acceso a la información en el catálogo sobre esa obra,
Descargar archivos de sonido con audio-guías de cada planta de la biblioteca y diseñar
nuevos estilos de visitas guiadas.
2.2.7 Desventajas del código QR
Necesidad de contar con conexión a internet
Para obtener un byte de información se necesitan 8 símbolos, mientras que en
Microsoft tag se necesitan 4 de diferentes colores

3. ETIQUETADO MOVIL EN LA BIBLIOTECA DEL CUP Y CUR
El etiquetado se está implementando en diferentes áreas y servicios de la biblioteca.
En la primera etapa se han utilizado para:
Datos de contacto, información sobre horarios y servicios y reglamento de la
biblioteca
Colocación del código en el lomo o en la cubierta del libro, proporciona información
adicional del recurso, conectando al recurso bibliográfico, sitio web, Facebook, reseña de
autor, etc.
En la formación de usuarios: Se ubican estratégicamente con explicaciones de dónde
se encuentran los libros y datos de la colección, dar a conocer las instalaciones, la forma de
búsqueda en una estantería abierta, en la sala de máquinas e informa sobre el método de
reserva y las condiciones de uso.
Geo localización: cómo llegar a la biblioteca, plano de la misma.
Enlace a documentos a texto completo.
Acceso a listado de las nuevas adquisiciones.
Actividades de extensión

2716

�4. LA BIBLIOTECA EN TU BOLSILLO: DEL ESTANTE AL

DISPOSITIVO

MÓVIL. CUR
Los códigos QR se propagan rápidamente en diferentes sectores de la sociedad, los
vemos en la calles, en folletos, lo usan empresas, supermercados, televisión, en soporte digital
o en otra superficie.
En la ciudad de Rivera el Municipio coloco cartelería en Plaza públicas con código
QR con la información sobre las actividades del Patrimonio derivando a la dirección web
sobre el evento.
La popularización de los Smartphone nos brinda la oportunidad de convertir la ciudad
en una gran biblioteca pública.
Los objetivos propuestos en este proyecto son:
Potenciar la valorización de los autores en la construcción de la memoria histórica de
la sociedad fronteriza, preservar y difundir sus obras, facilitando la trasmisión a las
generaciones futuras.
Utilizar las nuevas tecnologías para incentivar la lectura
Esta propuesta inicial pretende recoger la obra literaria de autores riverenses y santanenses,
artículos resultantes de investigaciones realizadas en la Frontera Brasil - Uruguay que reflejan
la identidad y realidad cultural, el acervo de imágenes de los autores y las composiciones
musicales resultantes de su obra y convertir la ciudad en un espacio lleno de libros. Quiénes
pasen por esta frontera no podrán hacerlo sin leer un libro.
¿Cómo definir los autores que incluiremos en esta propuesta inicial? Consideramos los
siguientes aspectos para definir los autores que incluiremos:
Los referentes de la cultura fronteriza de los cuales no se han editado más sus obras,
consideramos autores fronterizos para este trabajo, a los nacidos en la frontera Rivera Livramento.
La producción literaria que contenga: los temas, las descripciones, los sentimientos y
el lenguaje que represente el universo fronterizo.
Los autores cuyas composiciones demuestran un análisis social, relacionando la
historia y la literatura.
Los autores nacidos entre 1900 y 1950
Las obras en códigos QR serán distribuidas en plazas y espacios públicos de la frontera
Rivera - Livramento y en comercios y restaurantes.

En las plazas estarán impresos en

carteleria y en las instituciones públicas, en los comercios y restaurantes, en adhesivos.

2717

�Al inicio de esta propuesta se propone los siguientes autores: Agustín R Bisio; Olynto
M Simoes (Riverenses) y Arlindo Coitihno.
Se solicita a los herederos de los autores los derechos para digitalizar y poner a
disposición en la web la obra o parte de la misma al Centro Universitario de Rivera,
Universidad de la República y además a los autores de artículos o trabajos realizados sobre las
obras y sus derivaciones como canciones y registros fotográficos. Se generan espacios de
difusión del proyecto en Centros Educativos, Ministerio de Educación y Cultura, Ministerio
de Turismo, Asociación de Comercios y Free Shop, ONG.
Las obras digitalizadas serán alojadas en la web de la Biblioteca del Centro
Universitario de Rivera.
Este proyecto está en implementación y será medido el impacto con un contador de
accesos a las obras a través de la web.
Se planifica incrementar a los seis meses de iniciado el proyecto la oferta de
contenidos con más títulos y formatos (por ejemplo videos y música). Los libros que se
ofrecerán en la segunda etapa serán textos disponibles y compartidos en la red, como son el
Proyecto Gutenberg, entre otros.

5. CONCLUSIONES
Los códigos QR son una herramienta de la tecnología móvil fácil de usar, de generar
y sin costo alguno. La irrupción de estos dispositivos (notebook, tablets, lectores audio o de
libros digitales, los diversos tipos de teléfonos móviles) en la sociedad, ha planteado la
posibilidad real de usarlos como vínculo con el usuario.
Estos dispositivos comparten la ligereza y facilidad de transporte, la posibilidad de
conexión inalámbrica y la autonomía energética. Los jóvenes los utilizan según sus propios
intereses desde edades cada vez más tempranas, por lo que cada día es más necesario que nos
adaptemos a las tecnologías que utilizan nuestros usuarios.
La aplicación de las TIC a la gestión bibliotecaria permite la creación de nuevos
servicios de valor añadido, siendo uno de los más beneficiados la comunicación con el
usuario. La generalización de los dispositivos móviles, la adopción de redes wifi en los
campus universitarios, nos abren un campo de experimentación y mejora que debemos
explotar.

2718

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GREGORY.

¿Qué

está

pasando

con

el

interior? Disponible en:

&lt;http://www.cci.edu.uy/blogs/gregory-randall/%C2%BFqu%C3%A9-est%C3%A1- pasandoen-el-interior&gt; Acceso: abril 2014
SCOTTISHLIBRARY
Project:

UK

AND

INFORMATIONCOUNCIL

academic

libraries

going

(SLIC).

mobile.

The

M-Library

Disponible

en:

&lt;http://mlib.blog.com/files/2011/09/The-M-Library-Project-UK-Academic-Libraries-GoingMobile.pdf.&gt; Acceso: marzo 2014

2720

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Etiqueta Movil: una experincia en el area academica y de extensión universitaria</text>
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                <text>Si nos preguntamos qué hace posible que mejoren los indicadores de desarrollo en un país, entre las repuestas, esta la política de generación de conocimiento avanzado y su incorporación a las actividades ―socialmente valiosas‖. Los acontecimientos afirman que la universidad esta conectada a esta generación de conocimiento y vinculada al desarrollo regional. Para revertir la centralización histórica, la Universidad invirtió en la descentralización y se crearon los Centros Universitarios en el interior del país. Las bibliotecas asumen en estos Centros un rol preponderante en el fortalecimiento de la investigación, extensión y enseñanza. Las Regiones Noroeste y Noreste, abarcan los territorios de Tacuarembó, Rivera, Salto, Paysandú, Río Negro y Artigas, siendo este último compartido por ambas regiones. En un esfuerzo de integración regional trabajan en proyectos enfocados en la mejora y modernización de los servicios, implementando códigos QR en las bibliotecas y en proyectos de extensión.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PORTAL DA CAPES COMO FERRAMENTA DE
PESQUISA

Josemara Brito de Jesus

RESUMO
Esse trabalho teve como objetivo relatar a importância dos treinamentos do portal de
periódicos da CAPES como ferramenta de busca e recuperação da informação, na UFRB. O
método utilizado foi uma pesquisa-ação, onde as pessoas envolvidas no processo investigativo
participam com um projeto de ação. Os cursos têm sido ministrados em duas etapas, com
certificação. Os treinamentos tem possibilitado o acesso a um conteúdo de qualidade
confiável à produção dos trabalhos acadêmicos. Um dos principais problemas observados
refere-se a alunos graduandos egressos de escolas públicas, que não possuem conhecimento
com a linguagem cientifica, bem como das bases de dados. O treinamento apresentou uma
baixa aceitação por parte do corpo docente, discente e técnico. Logo, sugere-se a elaboração
de pesquisa de satisfação de usuários e não usuários do Portal, a fim de obter maiores
informações referentes ao número tão reduzido de público participante, e a inclusão da
biblioteca nos eventos científicos na UFRB, levando como sugestão o curso da CAPES.
Palavras-chave: 1 Portal de periódicos da CAPES; 2 Treinamento; 3 Satisfação; 4
Bibliotecas universitárias.
ABSTRACT
This study aimed to tell the importance of the Capes Scientific Journals Portal as a tool to
search and recovering of information, in the UFRB. The method utilized was an action
research, where the people involved in the investigative process participate with an action
project. The courses have been ministered in two stages, with certification. The trainings have
allowed the access to a trustworthy quality content to the production of academic works. One
of the main problems observed refer to graduating students, egressed from public schools,
which do not have knowledge with the scientific language, as well about data bases. The
training presented a low acceptance from the professoriate, student body and administrative
staff .Hence, it is suggested the elaboration of a satisfaction survey for users and non-users of
the portal, in order to obtain more information related to the diminished public, and the
inclusion of the library in scientific events in the UFRB, carrying as suggestion the course of
CAPES.
Keywords: 1 Capes Scientific Journals Portal; 2 Training; 3 Satisfaction; 4 University
libraries

4475

�1 Introdução

Na era da tecnologia, a pesquisa digital é um instrumento necessário pela diversidade
de alternativas de busca da informação nos variados segmentos do conhecimento (REIS,
2005; SOUZA, 2011). Beaver (2001) afirma que a colaboração científica compreende grandes
equipes de trabalho, o acréscimo da produtividade por processamento simultâneo e
desenvolvimento de diversos projetos, além da constituição de novos pesquisadores.
O conteúdo das bases de dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES) é avaliado periodicamente, e por esta razão, representa uma fonte de
pesquisa confiável aos pesquisadores das diversas áreas do conhecimento.
Nesse sentido, a questão norteadora do presente relato, foi: Qual a importância do
treinamento para utilização do portal de periódicos da CAPES aos alunos da Universidade
Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)? Para resolução dessa pergunta, esse trabalho teve
como objetivo relatar a experiência da importância dos treinamentos do portal de periódicos
da CAPES como ferramenta de busca e recuperação da informação, na UFRB, Campus
Universitário de Cruz das Almas, nos dois últimos anos.
A UFRB foi criada em 2006, possui 7 centros de ensino distribuídos em 6 cidades do
Recôncavo Baiano, sendo o Campus universitário de Cruz das Almas o local onde a pesquisa
está sendo executada. Este Campus compreende dois Centros de ensino: Centro de Ciências
Agrárias e Ambientais e Biológicas (CCAAB), com cerca de 9 cursos e o Centro de Ciências
Exatas e Tecnológicas (CETEC) com aproximadamente 6 graduações, além de contar com
Programas de Pós-Graduação em ambos os centros, totalizando 26 cursos.
Visto essa gama de usuários justifica-se a realização deste trabalho, Yamamoto (2002)
colabora afirmando que a evolução da massa de informação e seus problemas atribuem, à
comunidade científica, a responsabilidade de vistoria e domínio da produção com a finalidade
de determinar um padrão de qualidade adequado função de disseminação desse conhecimento,
sendo o periódico científico mais importante.

2 Revisão de Literatura

As dinâmicas de produção científica e de inovação tecnológica vêm nos últimos dez
anos sofrendo grandes mudanças. As concepções atuais a respeito das atividades científicas
surgiram da divergência dos pesquisadores com os velhos conceitos dominantes no campo
científico (NOWOTNY et al, 2003). A pesquisa colaborativa explora uma área temática ou

4476

�um projeto particular com finalidade de inovar ou solucionar um problema tecnológico, e que
demandem

atividades

como

pesquisa

básica,

pesquisa

aplicada,

desenvolvimento

experimental ou engenharia, resultando em novas ciências, realizada coletivamente (PIRRÓ,
2000).
Já a pesquisa digital é uma ferramenta indispensável na era da tecnologia, pois oferece
uma infinidade de opções de busca e recuperação da informação nas diversas áreas do
conhecimento. Facilitando a mediação usuário/informação e acelerando a produção científica,
além de diminuir seu custo (REIS, 2005; SOUZA, 2011). Para MONTEIRO (2005) o Portal
de periódicos da CAPES, assinado pelo governo federal para as instituições de ensino
superior (IES), como também outras instituições privadas que se disponham a pagar por
alguns conteúdos, representa valiosa ferramenta de pesquisa para estas.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) surgiram um leque de
possibilidades para exame de redes sociais e, por conseguinte, de redes de colaboração em
ciência, tecnologia e inovação (CT&amp;I) (BALANCIERI, 2005). E a comunicação científica é
um fator importante do conhecimento científico, apresentando mesma importância da
pesquisa em si, surgindo assim, a pesquisa colaborativa que depende da comunicação entre
pesquisadores (MEADOWS, 1999).
Segundo Yamamoto (2002) a crescente demanda de pesquisas realizadas e sua
divulgação em meio eletrônico tem exigido da CAPES uma padronização cada vez mais
acirrada no controle de qualidade das publicações. A segurança em suas informações,
certamente corrobora para maior procura de seu conteúdo.
Reis (2005) salienta que acessar o conteúdo de uma base de dados nem sempre se
constitui tarefa fácil, principalmente quando o usuário lida com diversas possibilidades de
busca e recuperação. Logo:
de posse da informação (artigo) relevante para o desenvolvimento de sua
pesquisa, o pesquisador fará a leitura e análise das informações contidas no
documento. Para que o conhecimento se desenvolva no pesquisador é
necessária uma transferência desta informação para o mesmo, e uma
conjuntura de apropriação desta informação pelo pesquisador. (MARTINS,
2005, 80p.).

De acordo Cummings e Kieser (2005) o diálogo entre os pesquisadores permite à
concepção de ideias novas, melhora a produção do conhecimento, auxilia o estimulo de
ferramentas e infraestrutura para realização da pesquisa, visando o treinamento de cientistas e
técnicos, como também o entendimento público do uso da ciência.

4477

�3 Materiais e Métodos

O método utilizado para o desenvolvimento do trabalho foi uma pesquisa-ação que de
acordo, com Baldissera (2001) corresponde a uma ação por parte das pessoas envolvidas no
processo investigativo, resultando em um projeto de ação social ou resolução de problemas
coletivos. Realizado a pesquisa, essa é apresentada em forma de relato de experiência, que
segundo Polit e Hungler (1995) é realizada por uma analise e compressão de variáveis
relevante sobre o indivíduo ou seus problemas, onde o pesquisador é um observador passivo
ou ativo, relatam de modo objetivo e claro suas observações.
Inicialmente alguns professores e bibliotecária que propuseram a parceria à Direção da
biblioteca para treinar, os alunos de iniciação científica, do Programa Jovem Talentos e,
estendendo-se o convite à Coordenação do Mestrado, os alunos da Pós-graduação. Os
materiais utilizados para treinamento são: slides do conteúdo, planilha Excel com exercícios
propostos, folder com a programação Datashow, retroprojetor. Os treinamentos ocorrem no
laboratório de informática, no qual cada aluno interage com um computador.
Os cursos têm sido ministrados em duas etapas, de 8 horas, em semanas alternadas,
com certificação para os alunos que concluírem. Na primeira semana o usuário conhece as
ferramentas do portal, e cria uma conta individual; em seguida são apresentadas as
modalidades de busca e refinamento das pesquisas; na segunda semana os usuários conhecem
as bases de dados, de acordo as necessidades de cada grupo, interagem com as ferramentas de
busca, realizando pesquisas que serão avaliadas pelos professores; ao finalizar tiram dúvidas e
avaliam o curso.
O conteúdo programático do curso é constituído de uma exposição acerca do Portal de
periódicos da CAPES, suas especificidades e na sequência a parte prática. Esta divisão tem
com objetivo oferecer ao usuário um panorama geral da missão do Portal e sua importância
para comunidade científica.

4 Resultados Parciais

Os treinamentos tem possibilitado o acesso a um conteúdo de qualidade confiável à
produção dos trabalhos acadêmicos. A falta de experiência com a pesquisa cientifica, mostra
que um dos principais problemas observados com o público acadêmico, principalmente os
alunos de graduação, egressos de escolas públicas, é que eles não possuem conhecimento da
linguagem cientifica, não conhecem as bases de dados, e não sabe o que é artigo científico e,

4478

�muito menos, como reconhecer um periódico especializado. A grande maioria recorria ao
Google ou, na melhor das hipóteses, iam à biblioteca pública quando necessitavam realizar
trabalhos escolares.
Os grupos são compostos de no máximo 15 alunos objetivando um bom
aproveitamento, sendo que as bases de dados mais procuradas até o momento são: ESA,
Wiley, Gale, EBSCO, BioOne, ICE, Alexander Street Press e o guia de referência EndNot.
Os cursos mais treinados são: Ciências exatas e tecnológicas, Engenharia Sanitária e
Ambiental, Gestão de cooperativas, Medicina veterinária, Mestrado em Ciências Agrárias e
Defesa animal, Mestrado em Gestão e Políticas Públicas e segurança Social e Artes visuais.
A multidisciplinaridade dos cursos ofertados pela instituição exige do profissional
bibliotecário a interação com vários tipos de conteúdos, e isto, certamente o impulsiona para o
conhecimento mais detalhado da dinâmica das bases e, consequentemente com a diversidade
de usuários a serem treinados.
A experiência com os alunos de Pós-graduação tem sido mais produtiva, pois alguns já
atuam em grupos de pesquisa na UFRB, ou em outros Centros de pesquisa. As dificuldades
que eles encontram se refere ao uso de palavras-chave na recuperação do conteúdo no portal
para confecção ou finalização de seus projetos de pesquisa, com o idioma, interface das bases,
refinamento das pesquisas. Observa-se que os públicos são distintos e suas motivações para
uso do Portal também.

5 Considerações Parciais

O portal da CAPES é uma ferramenta de mediação e precisa ser utilizado de forma
objetiva, pois só fornecerá o conteúdo compatível com a forma como pesquisamos, e por esta
razão, há meios de refinar a busca no material localizado. Neste contexto os treinamentos de
usuários para uso da ferramenta se constitui papel fundamental das bibliotecas das IES e
centros de pesquisa, principalmente para a pós-graduação.
Existe uma baixa aceitação por parte do corpo docente, discente e técnico, no que se
refere aos treinamentos periódicos do Portal, pois, num total de 26 cursos apenas 7 participam
efetivamente dos treinamentos, salientando que o curso de Artes visuais não faz parte do
Campus de Cruz das Almas e, sim de outro Centro de ensino.
Propõe-se a realização de futuros treinamentos e sensibilização do corpo docente
com o intuito de buscar outras parcerias para novos trabalhos. Os dados parciais sugerem a
elaboração de pesquisa de satisfação de usuários e não usuários do Portal, a fim de obter

4479

�maiores informações referentes ao número tão reduzido de público participante e a inclusão
da biblioteca nos eventos científicos na UFRB, levando como sugestão o curso da CAPES
como forma de capacitação dos pesquisadores.

6 Referências
BALANCIERI, R. Análise de redes de pesquisa em uma plataforma de gestão em ciência
e tecnologia: uma aplicação à Plataforma Lattes. 2004. 110f. Dissertação (Mestrado)Universidade Federal de Santa Catarina, 2004.
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MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília, 1999.
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&lt;http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde arquivos/4/TDE-2008-10-07T145623Z3216/Publico/2005 RoseCleideMMonteiro,pdf.&gt; Acesso em: 15 abr. 2014.
NOWONTY, H.; SCOTT, P.; GIBBONS, M. (2001) Re-thinking science: knowledge and
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4481

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>Esse trabalho teve como objetivo relatar a importância dos treinamentos do portal de periódicos da CAPES como ferramenta de busca e recuperação da informação, na UFRB. O método utilizado foi uma pesquisa-ação, onde as pessoas envolvidas no processo investigativo participam com um projeto de ação. Os cursos têm sido ministrados em duas etapas, com certificação. Os treinamentos tem possibilitado o acesso a um conteúdo de qualidade confiável à produção dos trabalhos acadêmicos. Um dos principais problemas observados refere-se a alunos graduandos egressos de escolas públicas, que não possuem conhecimento com a linguagem cientifica, bem como das bases de dados. O treinamento apresentou uma baixa aceitação por parte do corpo docente, discente e técnico. Logo, sugere-se a elaboração de pesquisa de satisfação de usuários e não usuários do Portal, a fim de obter maiores informações referentes ao número tão reduzido de público participante, e a inclusão da biblioteca nos eventos científicos na UFRB, levando como sugestão o curso da CAPES. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PUBLICAR ARTIGOS EM REVISTAS BRASILEIRAS EM CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO: UMA ANÁLISE ENTRE O TEMPO DE SUBMISSÃO E
ACEITAÇÃO DOS MANUSCRISTOS
Ivone Job
Ana Gabriela Clipes Ferreira
Ana Maria Mattos
Sônia Regina Zanotto
RESUMO
Este é um trabalho de caráter descritivo exploratório que apresenta uma reflexão sobre um dos
indicadores de gestão editorial de revistas científicas na área da Ciência da Informação: o
tempo de publicação dos artigos científicos. Os dados empíricos desta pesquisa estendeu sua
ação a três publicações: Transinformação, Informação &amp; Sociedade: estudos e Perspectivas
em Ciência da Informação; selecionados por serem classificadas com extrato Qualis A1
(triênio 2010-2012). Os indicadores propostos são as datas de submissão e de publicação dos
artigos no intuito de verificar a agilidade do fluxo editorial e na perspectiva de acompanhar os
padrões de qualidade estabelecidos pela produção das revistas. Foram analisados 274 artigos
com tempo médio de publicação de 237,82 dias, mínimo 0 (zero) e máximo de 1.051 dias.
Consideramos a análise desse indicador importante porque dá transparência ao processo
aumentando a visibilidade e a credibilidade das revistas brasileiras.
Palavras-chave: Comunicação científica. Periódicos científicos. Bibliometria.

ABSTRACT
This is a descriptive exploratory study that reflects on one of the indicators of editorial
management of scientific journals in the field of Library and Information Science: the time of
publication of scientific articles. The empirical data of this research has extended its action to
three scientific journals: Transinformação, Informação &amp; Sociedade: estudos and
Perspectivas em Ciência da Informação; which were selected because they are classified as
A1 stratum Qualis (2010-2012). The proposed indicators are the dates of submission and
publication of articles in order to verify agility editorial flow and the prospect of follow
established quality standards for the production of scientific journals. We analyzed 274
articles with an average time of publication of 237.82 days, minimum of 0 (zero) days and a
maximum of 1,051 days. We consider the analysis of this indicator important because it gives
transparency to the process by increasing the visibility and credibility of Brazilian journals.
Keywords: Scientific communication. Scientific journals. Bibliometry.

3584

�1 INTRODUÇÃO
O processo de avaliação por pares é o crivo da qualidade nas publicações científicas.
Em meio a um número crescente de artigos submetidos às revistas, em contraponto com a
necessidade em publicar resultados, faz-se que, cada vez mais, seja indispensável certificação
da qualidade da informação.
Se por um lado, o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs)
possibilitou uma migração em massa de revistas científicas para o meio digital, bem como o
surgimento de novos títulos, as mesmas TICs dificultam o encaminhamento de originais aos
pareceristas. Seja pelo número elevado de artigos, seja pelo número de especialistas no campo
de conhecimento específico. Mendes e Marziale (2001) afirmam que nas áreas de pesquisa
emergentes o número de pesquisadores experientes é restrito. Sendo o documento de mais de
uma década atrás, é possível inferir que atualmente existe dificuldade em localizar
especialistas na área do conhecimento que possam avaliar manuscritos é uma etapa complexa
do processo editorial.
Como uma das consequências, observam-se revistas com números atrasados e artigos
com tempo de aprovação elevado que prejudicam sua indexação nas bases de dados mais
visadas. Outro resultado do tempo elevado para aceitação e publicação de artigos são os dados
defasados prejudicando o andamento do ciclo da comunicação científica.
Durante a construção da sociedade moderna, principalmente por causa das TICs, a
percepção do tempo e do espaço tem se alterado. Vergara e Vieira (2005, p. 116) asseveram
que a dimensão tempo-espaço é uma categoria bastante útil para a compreensão das
organizações, “pois é no tempo-espaço que estruturas, processos, tomadas de decisão,
modelos de gestão, tecnologias, poder, enfim as tradicionais categorias de análise ocorrem.”
O objetivo principal desse artigo é a análise do tempo entre o recebimento e aceitação
de artigos nas revistas científicas em Ciência da Informação que se destacam por sua
qualidade sendo classificados pelos pesquisadores da área como Qualis A1 no triênio 2010­
2012 (CAPES, 2013). Paralelamente a esse objetivo, serão tecidas considerações acerca do
atual estado do processo editorial das revistas brasileiras, com foco em Ciências Sociais
Aplicadas. Os objetivos específicos são:
• verificar as médias de dias entre submissão e publicação dos artigos em cada
revista;
• estabelecer uma média entre as revistas;
• informar os prazos de avaliação a que são submetidos os manuscritos;

3585

�• observar a moda e os dados discrepantes em cada revista (máxima e mínima)
identificando esses artigos e as possíveis causas destas excepcionalidades; e
• comparar o percentual de submissões, rejeições e aceites anuais em cada revista e
no conjunto das três revistas analisadas.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Um indicador importante para a avaliação da gestão editorial de revistas é a declaração
de prazos recepção/revisão/aceitação/publicação dos artigos (DELGADO-LÓPEZ-CÓZAR;
RUIZ-PÉREZ; JIMÉNEZ-CONTRERAS, 2006). São critérios de qualidade analisados pelas
bases de dados ao examinar as revistas, por se entender que revelam uma transparência
quantificável, não somente quando tornam públicas essas datas, mas quando utiliza
estatísticas sobre as taxas de submissão, aceitação e rejeição dos manuscritos que recebem e
as disponibilizam para os autores e leitores.
Raramente encontra-se uma revista que declare seus prazos para revisão e, se os
declaram, às vezes não os cumprem. Na maioria, as revistas, incluem as datas de recepção e
aceitação em seus artigos. Para ilustrar apresentam-se na Tabela 1 os tempos médios do
processo editorial de revistas em Educação Física e Esportes em que o menor tempo entre a
recepção do manuscrito e sua publicação foi de um pouco mais de 1 ano (12,18) e o maior
prazo foi de 1 ano e meio (18,44):

Tabela 1: Tempo médio, em meses, consumidos no processo editorial
TEMPO MÉDIO (mês)
REVISTA
RECEPÇÃO/ACEITAÇÃO

ACEITAÇÃO/PUBLICAÇÃO

RECEPÇÃO/PUBLICAÇÃO

Motriz

8,95 (±4,14)

3,24 (±2,19)

12,18 (±3,77)

Movimento

5,58 (±3,09)

-

-

RPD

12,03 (±8,02)

4,80 (±1)

16,83 (±8,12)

RIMCAFD

8,29 (±5,77)

10,15 (±4,84)

18,44 (±5,94)

Fonte: VILLLAMÓN et al., 2012, p. 284

Em geral, autores observam os prazos do processo editorial para decidir em qual
revista vão publicar. Não pode haver demora na publicação dos resultados quando se
considera o ineditismo das descobertas. Além disso, os investigadores dependem da
publicação de suas pesquisas, pois necessitam pontuar continuamente sua produção científica.
Os intervalos entre a recepção, o aceite e a publicação de um artigo permitem conhecer a

3586

�atualidade de um estudo e, em caso de conflito, estabelecer prioridades nas descobertas
científicas. O tempo transcorrido entre esses momentos pode resultar também em indicativo
da gestão e eficácia dos processos editoriais.
Não obstante, os editores devem cuidar para que a redução dos prazos não se realize
em detrimento da qualidade da avaliação (ALLEONI, 2012). De fato, períodos longos entre a
recepção e a aceitação definitiva podem dever-se ao fato de o artigo ter sido devolvido uma
ou várias vezes, ao autor para sua modificação, seguindo as recomendações dos revisores. Em
qualquer caso, se as revistas mostram recorrentemente extensos períodos entre o aceite e a
publicação há que atribuir-se à política editorial, que provoca uma defasagem entre o número
de artigos aceitos e sua capacidade de publicação conforme os fascículos que editam a cada
ano.
A questão de tempo está associada a outro problema do autor: mais importante do que
sobre o que se está pesquisando é a pergunta qual o Qualis da revista em que devo publicar?
Desde o primeiro artigo que alunos de mestrado e doutorado no Brasil escrevem são
orientados a optar primeiro pelo extrato Qualis. “Assim, o problema da função e relevância
social das pesquisas científicas, bem como as questões sobre que conhecimento e para qual
formação tornam-se secundárias priorizando a preocupação onde publicar e quanto vale.”
(KUNZ, 2012, p. 9).
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) trabalha
com uma classificação para revistas científicas, o WebQualis, que na área de Ciências Sociais
Aplicadas I (CSAI) envolve três campos do conhecimento: Comunicação, Ciências da
Informação e Museologia. Portanto toda a produção acadêmica técnica e científica dos cursos
pertencentes a esses três campos adota como critério de classificação de suas revistas
científicas os estratos A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C (CAPES, 2013), sendo o ranking do
Journal Citation Reports (JCR) requisito mínimo para o alcance de classificação nos estratos
superiores (A1 e A2).
No momento da avaliação da produção científica do corpo docente e discente dos
programas de pós-graduação esses estratos são ponto chave. A partir da classificação dada a
cada revista científica, a CAPES atribui um valor quantitativo aos artigos de acordo com o
WebQualis em que a publicação ocorre, indo de 100 pontos para aqueles publicados em A1 a
cinco pontos aqueles publicados em B5 e nenhum ponto sendo atribuído às publicações em
revistas em estrato C (CAPES, 2013).
Há críticas a esse sistema brasileiro de avaliação, usado por todas as áreas, além de
outros critérios bibliométricos associados, exatamente por se apoiar em critérios unicamente

3587

�quantitativos para avaliação dos programas de pós-graduação: o cientista que mais publica é
mais produtivo, sem se levar em conta a qualidade do que ele escreve; o pesquisador mais
citado é considerado um notável, mesmo quando são usadas formas de aumentar o número de
citações que leva a vantagens no momento de receber subvenções de fontes financiadoras, etc.
E assim, esta forma de avaliação leva-nos a perceber o conhecimento científico como
mercadoria. É esta a regra que está posta para avaliar produção científica no Brasil, enquanto
alternativas melhores e talvez mais justas sejam propostas.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para esta pesquisa, de natureza descritiva exploratória, selecionaram-se as revistas da
área de Ciências Sociais Aplicadas I que publicam artigos em Ciência da Informação
classificadas pela CAPES com Qualis A1 no último triênio (2010-2012). Após consulta na
base WebQualis, as revistas selecionadas foram: Transinformação, Informação &amp; Sociedade:
estudos e Perspectivas em Ciência da Informação. As revistas selecionadas apresentam Fator
de Impacto em 2011 e 2012 no JCR (Tabela 2).

Tabela 2: Fator de Impacto 2011 e 2012 no JCR
TÍTULO

FI (2011)

FI (2012)

Transinformação

0.083

0.167

Informação e Sociedade: estudos

0.015

0.155

Perspectivas em Ciência da Informação

0.106

0.101

Fonte:

http://admin-

apps.webofknowledge.com.ez45.periodicos.capes.gov.br/JCR/JCR?RQ=LIST_SUMMA
RY_JOURNAL

Comparando-se o Fator de Impacto de 2011 e 2012 as revistas selecionadas revelaram
um comportamento que pode ser considerado positivo: a Transinformação o dobrou, a
Informação a Sociedade: estudos o aumentou dez vezes, e as Perspectivas em Ciência da
Informação apresentou uma queda insignificante. A seguir, são apresentados um breve
histórico e a descrição das revistas objeto deste estudo.
A revista Transinformação415 (e-ISSN 2318-0889, ISSN 0103-3786) é editada
quadrimestralmente pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas desde 1989. Sua
415 http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/index

3588

�proposta editorial é publicar artigos nos campos científicos da Ciência da Informação,
Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia suas subáreas e interfaces. Encontra-se indexada
nas bases de dados Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Web o f Science, JCR Social
Science, Scopus, Latindex e CLASE. O conselho editorial é composto de membros
pesquisadores de várias instituiçoes nacionais e internacionais. Os manuscritos submetidos à
revista passam por um processo de avaliação quanto ao seu mérito e conveniência de
publicação. É feita uma pré-análise por editores e conselheiros que avaliam se os manuscritos
têm originalidade, pertinência, qualidade acadêmica e relevância para os campos de
conhecimento cobertos pelo escopo da revista. Caso sejam considerados inadequados ou de
prioridade científica insuficiente, os manuscritos podem ser rejeitados nesta pré-análise. Os
manuscritos aprovados serão encaminhados para o processo de avaliação pelos pares, no
sistema blind review, por dois revisores ad hoc selecionados pelos editores. Em caso de
desacordo, o artigo será enviado a um terceiro avaliador. Um dos revisores poderá ser
escolhido por indicação dos autores. Caso haja algum conflito de interesse por parte dos
revisores, o Comitê Editorial encaminhará o manuscrito a outro revisor ad hoc. Depois deste
processo os autores recebem uma comunicação sobre a situação do manuscrito: aprovação,
recomendação de nova análise ou recusa.
Informação &amp; Sociedade: estudos (I&amp;S)416, (e-ISSN 1809-4783), é uma publicação
vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal
da Paraíba (PPGCI/UFPB). Divulga trabalhos de contribuição para o desenvolvimento de
novos conhecimentos entre pesquisadores, docentes, discentes e profissionais em Ciência da
Informação, Biblioteconomia e áreas afins, proporcionando a reflexão sobre estes temas no
Brasil e no mundo. Também publica sistematicamente, os resumos das dissertações aprovadas
no PPGCI/UFPB. A política editorial da I&amp;S adota a estrita revisão por pares e vem sendo
publicada ininterruptamente desde 1991. A I&amp;S está indexada em Web o f Science, LISA,
INFOBILA, CLASE, LATINDEX, DOAJ e OAister.
Perspectivas em Ciência da Informação (PCI)417 (e-ISSN 1981-5344; ISSN 1413­
9936) é uma revista de periodicidade trimestral editada desde 1996 pela Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/UFMG). É continuação da Revista
da Escola de Biblioteconomia da UFMG, publicada entre 1972 e 1995. Tem como objetivo a
divulgação da produção intelectual realizada nas áreas de Ciência da Informação,

416 http://www.ies.ufpb.br/ois2/index.php/ies
417 http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci

3589

�Biblioteconomia, Arquivologia, Comunicação, Administração e Tecnologia da Informação.
Sua versão on-line pode ser lida em dois canais: na SciELO e no Portal de Periódicos
da UFMG. A PCI utiliza o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER). O corpo
editorial é composto por um editor, conselho editorial com membros exclusivamente da
ECI/UFMG e conselho consultivo com membros de instituições nacionais e internacionais.
Além da SciELO está indexada nas bases DOAJ, INFOBILA, INSPEC, International
Bibliographie der Rezensionen Wissenschaftlicher Literatur/International Bibliographie of
Book, Reviews o f Scholarly Literature, ISI Web o f Knowledge, Latindex, LISA, Library
Literature, PASCAL e Scopus.
A PCI publica artigos originais, relatos de pesquisa, estudos teóricos, revisões de
literatura, relatos de experiências, traduções e resenhas. Na coleta de dados se observou a
presença de resumos de teses e dissertações defendidas na ECI/UFMG. Os trabalhos são
encaminhados a três membros do conselho editorial e consultivo. A avaliação é realizada no
sistema blind review (PERSPECTIVAS..., 2014).

3.1 COLETA DE DADOS
Os dados empíricos foram coletados diretamente nos artigos das revistas publicados
nos últimos três anos completos, independente da revista estar sendo publicada em dia ou com
atraso. Foram coletadas as datas de submissão e aceitação, desconsiderando-se as datas
intermediárias. A coleta foi realizada no período de 01 e 06 de abril de 2014. O resultado da
coleta foi o seguinte:
a) Transinformação: aceita cinco tipos de publicações: Original, Revisão, Ensaio,
Comunicação e Tradução. Somente Original e Comunicação não são publicados “a
convite” e serão objetos desta investigação. Foram coletados três anos completos,
nove edições: 2011 23(1-3), 2012 24(1-3) e 2013 25(1-3), totalizando 53 artigos.
b) I&amp;S: também foram coletados três anos completos, nove edições: 2011 21(1-3),
2012 22(1-3) e 2013 23(1-3), totalizando 113 artigos. Descartou-se 15 artigos por
não apresentarem as datas de avaliação e o número especial publicado em 2012.
Restaram para a análise, 98 artigos entre Artigos de revisão, Memórias Científicas
Originais, Relatos de Pesquisa, Relato de experiência, Comunicações de
Trabalhos/Pesquisas em Andamento.
c) PCI: Foram coletados três anos completos, doze edições: 2011 16(1-4), 2012 17(14) e 2013 18(1-4) totalizando 135 artigos. Todavia, 12 artigos foram excluídos por

3590

�não conterem data ou estar incompleta ou ainda incorreta. Para a análise, portanto,
foram considerados 123 artigos.
Buscou-se também, no menu das revistas analisadas, a seção de “Estatísticas”
oferecida pelo sistema SEER adotado pelas três revistas, para auxiliar nas avaliações de
submissão, rejeição e aceite de manuscritos.

3.2 TRATAMENTO DOS DADOS
Após a coleta de dados, organizados em planilha eletrônica, foi necessária a revisão
dos mesmos. Nem todos os artigos continham a data de recebimento e aceitação e em outros a
data estava imprecisa ou incompleta (como, por exemplo, ano 201, não sendo possível indicar
o intervalo de tempo entre o recebimento e a aceitação). Estes dados foram desconsiderados
na pesquisa. As demais datas, como artigo recebido e aceito no mesmo dia, foram
considerados, bem como edições inteiras com a mesma data de aceitação dos diversos artigos
da publicação. Provavelmente esses não foram avaliados pelos pares, podem ter sido
avaliados somente pelo comitê editorial ou foram realizados a convite, apesar de não
mencionar esta exceção no artigo.
Quanto a esclarecimentos de prazos de avaliação na seção de instruções aos autores ou
em outra parte das revistas, não foram localizados. A seção de estatísticas somente está
disponível na PCI.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
No total, após a limpeza dos dados, foram tabulados 274 artigos das três revistas
(Tabela 3).

Tabela 3: Número de artigos examinados por revista
TÍTULO

# ARTIGO

(%)

Transinformação

53

19,35

Informação e Sociedade: estudos

98

35,76

Perspectivas em Ciência da Informação

123

44,89

TOTAL

274

100

Fonte: Dados da pesquisa

3591

�Organizados e tratados os dados, os resultados indicam que a média de dias entre
recebimento de todas as revistas é de 237,82 dias. O intervalo máximo entre recepção e
aceitação foi de 1.051 dias. Já o intervalo mínimo foi de 0 (zero) dias. Na PCI, a média foi de
308,33 dias, sendo o máximo intervalo de tempo apontando na coleta 1.051 dias e o intervalo
mínimo de 15 dias. I&amp;C apresentou a média de 195,4 dias, tendo o intervalo máximo de
tempo 529 dias e o mínimo de 0 (zero) dias. A revista Transinformação, menor amostra do
conjunto, apresenta a menor média: são 157,13 dias entre a submissão e a aceitação do artigo.
O intervalo máximo foi 531 dias e o mínimo 10 dias. Ilustram-se os resultados a seguir na
Tabela 4.

Tabela 4: Intervalo médio, mínimo e máximo (dias) entre recebimento e publicação
INTERVALO (dias)
REVISTA
MÉDIA

MÍNIMO

MÁXIMO

Amostra total (três revistas, 274 artigos)

237,82

0

1.051

Informação &amp; Sociedade: estudos

195,40

0

529

Perspectiva em Ciência da Informação

308,33

15

1.051

Transinformação

157,13

10

531

Fonte: dados da pesquisa

O artigo que levou quase três anos (1.051 dias) para ser publicado na PCI, Reflexões
epistemológicas no contexto do Orkut: ética da informação, sociabilidade, liberdade e
identidade, de autoria de Marcos Antonio Alexandre Bezerra e Eliany Alvarenga de Araújo,
submetido em 2008 e publicado em 2011, é um típico exemplo da defasagem de informação
que um artigo pode ter por questões do processo editorial. Quando o artigo foi publicado em
2011, o Orkut, criado em 2004, já estava sendo substituído por seus usuários pelo Facebook,
que em 2012 atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos

.

Os intervalos máximos de submissão da I&amp;S e da Transinformação podem ser
considerados próximos, assim como estão próximos os intervalos mínimos da revista
Perspectivas em Ciência da Informação e Transinformação. Os dados podem ser mais bem
visualizados no Gráfico 1.

418 http://www1.folha.uol.com.br/tec/2012/10/1163808-facebook-mostra-o-raio-x-de-1-bilhao-de-usuarios.shtml

3592

�Gráfico 1: Intervalo médio, mínimo e máximo (dias) entre recebimento e publicação

Fonte: Dados da pesquisa

As médias ano a ano (201-2013) na amostra contendo as três revistas (274 artigos)
apontaram que, embora 2012 apresente uma diminuição do intervalo, em 2013 o intervalo
volta a aumentar (Gráfico 2):

Gráfico 2: Intervalo entre recebimento e aceitação em dias, por ano

011

:012

013

276,73

179

232,48

Fonte: Dados da pesquisa

Durante a coleta de dado, constatou-se que todas as revistas estavam em dia com a
periodicidade. Um dos critérios para a indexação de revistas científicas em determinadas
bases de dados, bem como sua permanência, é justamente a periodicidade regular.
Apesar de ter publicação regular, a média de tempo entre a submissão e a publicação
pode ser considerada alta. E alguns intervalos entre a submissão e aceitação dos artigos são
elevados: 1.051 dias foi o maior tempo da amostra, mas é possível observar outros intervalos

3593

�altos. Quando a demora é de mais de um ano, os dados da pesquisa a serem publicados no
artigo podem ficar defasados, tornando aquela publicação pouco atraente para os leitores e,
inclusive, receber menos citações em comparação com pesquisas publicadas com assuntos
relevantes e atuais.
Na Transinformação o artigo com menor tempo entre submissão e publicação foi
Evaluación de sitios web de postgrados biomédicos en Espana de autoria de María-Dolores
Olvera-Lobo, María Aguilar-Soto e Elvira Ruiz-de-Osma afiliadas a Universidad de Granada,
escrito em língua espanhola submetido, avaliado e publicado em dez dias em 2012. Por outro
lado, o artigo com maior tempo entre submissão e publicação, 531 dias, foi Documentary
languages and knowledge organization systems in the context of the semantic web de 2013,
escrito em inglês por Marilda Lopes Ginez de Lara, professora da USP. Observou-se durante a
coleta que a grande maioria dos artigos é publicada em língua portuguesa, muito embora as
revistas aceitem e publiquem artigos em inglês e espanhol. Ou seja, trata-se de artigos out
liners e diferenciados que esta análise não alcança os motivos para a diferença no tempo
decorrido entre a submissão e publicação dos dois extremos (mínimo e máximo). A moda na
revista Transinformação, três artigos, tem um intervalo de tempo entre a submissão e a
publicação igual a 149 dias.
Na Informação e Sociedade: estudos, o artigo recebido em 02/10/2011 e aceito para
publicação em 21/03/2013, configurando 529 dias para a publicação foi Elementos
tecnológicos de edição, manipulação e uso de livros digitais; escrito por Wagner Junqueira
Araújo, Robéria de Lourdes de Vasconcelos Andrade, Fabíola Mota de Moraes e Janiele
Lopes dos Santos. Já o artigo Curadoria digital: um novo patamar para preservação de dados
digitais de pesquisa de Luis Fernando Sayão e Luana Farias Sales, recebido e aprovado no
memsmo dia: 22/02/2012.
Pavan e Stumpf (2009, p. 82) questionaram editores sobre o tempo médio que um
artigo leva para ser avaliado (desde a submissão pelo autor até a decisão final) em revistas da
Ciência da Informação:
[...] quatro editores indicaram um período de até quatro meses e outro
informou um período que pode levar mais de quatro meses, não
especificando o tempo. Um editor não assinalou nenhuma das opções da
questão. Castro, Negrão e Zaher (1996) encontraram em periódicos da área
da saúde tempo médio semelhante ao das revistas de Ciência da Informação.
O tempo entre a avaliação inicial do trabalho, a avaliação pelos consultores e
a aprovação ou rejeição verificado pelas pesquisadoras foi em torno de
quatro meses.

3594

�Nas publicações analisadas neste estudo, todas as médias foram superiores a quatro
meses de espera para a publicação. Outras informações seriam importantes para se realizar
uma análise profunda da questão de tempo na gestão editorial, tais como uma seção de
estatísticas da revista e informações aos pesquisadores sobre o tempo provável de avaliação.
Nas revistas analisadas neste estudo somente a PCI abre sua estatística como mostra a Tabela
5.
Esta estatística é gerada automaticamente pelo sistema SEER e é decisão do editor
torná-la acessível, ou não. Deve-se levar em consideração que para o SEER gerar todos esses
dados, o fluxo editorial deve passar pelo editor e que os índices de aprovação e rejeição se
referem também a manuscritos submetidos nos anos anteriores, porque alguns levam mais de
ano para obterem seu resultado. Portanto, a tabela não fecha em 100%. Observa-se que o
fluxo é em média de 200 submissões/ano e o sistema de avaliação utilizado pela revista é peer
review. Cada manuscrito exigirá, no mínimo, dois avaliadores, um volume de trabalho para
um corpo de pareceristas extremamente grande. Pensemos que esses mesmos avaliadores o
são também em outras revistas da área. Portanto, julgar matematicamente, não resolve o
problema. É necessário um conjunto de esforços entre os pesquisadores que fazem a ciência
funcionar e uma gestão editorial preparada para tal envergadura.

Tabela 5: Estatísticas do fluxo de gestão dos manuscritos da PCI, período 2012 a 2014
OCORRÊNCIA

2012

2013

2014

Edições publicadas

4

4

1

Itens publicados

72

39

8

Total de submissões

199

195

58

Avaliados pelos pares

81

59

8

74 (91%)

58 (98%)

8 (100%)

7 (9%)

1 (2%)

0

Tempo de avaliação

136

64

0

Tempo até a publicação

164

136

0

Aceito
Rejeitado

Fonte: Dados retirados da seção de estatística da Perspectivas em Ciência da
Informação
anos
2012-2014.
Disponível
em:
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/about/statistics?statisticsYear=2014.
Acesso em: 21 abr. 2014.

3595

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao finalizar este trabalho podemos afirmar que atingimos alguns objetivos propostos:
o objetivo principal em que analisamos o tempo entre o recebimento e aceitação de artigos nas
revistas PCI, Transinformação e I&amp;S, classificados pelos pesquisadores da área como Qualis
A1 no triênio 2010-2012. Quanto aos objetivos específicos tivemos oportunidade de verificar
as médias de dias entre submissão e publicação dos artigos em cada revista; estabelecer uma
média entre as revistas; informar os prazos de avaliação a que são submetidos os manuscritos;
observar a moda e os dados discrepantes em cada revista (máximo e mínimo) identificando
esses artigos e as possíveis causas destas excepcionalidades.
No entanto, o objetivo de comparar o percentual de submissões, rejeições e aceites
anuais em cada revista e no conjunto das três revistas analisadas não foi atingido. As revistas
estudadas não disponibilizam estas estatísticas, com exceção para a PCI. Esta informação
seria de extrema utilidade para os gestores e pesquisadores. A editoração de revistas têm
muitas etapas, da submissão à publicação do original, que podem comprometer sua eficiência
no tempo-espaço.
Geralmente se atribui a rotina mais delicada e morosa na avaliação de um original a
revisão pelos pares (peer review). Nesta etapa, a ausência de uma maior sistematização e a
falta de um treinamento formal para a execução da revisão levou Araújo (2012, p. e32) a
escrever mais de vinte sugestões práticas para uma atuação mais “proficua e eficiente para a
revisão.” Por outro lado, a normalização do manuscrito, etapa que deveria ser cumprida a
priori pelos autores, requer muitas vezes um retrabalho ao corpo editorial, dado o
desconhecimento das normas por parte dos pesquisadores para comunicar adequadamente os
resultados de suas pesquisas (RODRIGUES, LIMA, GARCIA, 1998).
Outros estudos reportaram problemas semelhantes. Pavan e Stumpf (2009, p. 78)
tiveram dificuldades em obter dados e informações com os editores de revistas de Ciência da
Informação. Afirmaram ser até compreensível que: “os editores não desejem tornar públicas
determinadas informações, mas ao mesmo tempo fica a impressão de que algo importante do
processo está sendo ocultado.” Considera-se principalmente que a visibilidade do processo e a
confiança nas revistas ficam abaladas com a falta de informações aos pesquisadores.
Villamón et al. (2012) em estudo com cinco títulos de revistas de Educação Física e
Esportes brasileiras e espanholas verificaram que somente uma revela o prazo aproximado de
resposta aos autores: em torno de 4 meses e mais 12 meses para a publicação (Tabela 1). Os
autores consideram essencial a informação de prazos do processo na hora de selecionar o
destino de seus artigos seja porque a publicação dos resultados não pode demorar-se pela

3596

�natureza e alcance do trabalho ou porque os pesquisadores precisam creditar continuamente
sua produção científica. E também, em casos de conflito de ineditismo, essas datas são
essenciais para estabelecer os achados científicos. Além disso, revelar e cumprir prazos é um
indicativo de eficácia de gestão nos processos editoriais.
Job (2013) entrevistou editores de revistas brasileiras e eles manifestaram a
dificuldade em obter dentro do tempo solicitado os pareceres dos avaliadores aos manuscritos
das revistas, até por isso não expõem os dados estatísticos. Geralmente os avaliadores têm de
2 a 3 semanas para responderem, mas esquecem, então são lembrados e, às vezes, respondem
que não estão em condições de realizar a tarefa. Novo avaliador é designado e mais três
semanas se vão. Ocorrem outros problemas apontados pelos editores que atrasam o processo
de resposta: precisam editar pareceres porque há “grosserias, problemas, equívocos teóricos,
preconceito teórico, então a gente lê tudo, compõe os pareceres e faz a devolução” [...] ou
“que não dá para passar para o autor, têm pareceres que são muito complicados, não tem nada
e nenhum subsídio que garanta uma rejeição de um artigo porque não tem um parecer na
prática” (p. 112). Consideram como solução profissionalizar as equipes editoriais e efetuar
pagamento aos avaliadores por parecer.
Serra, Ferreira, Fiates (2008) observam que na maioria das revistas da área de
administração há demora de pareceres e alto índice de rejeição, em torno de 90%,
independente do Qualis a que pertencem. A situação decorrente é a grande dificuldade para os
pesquisadores escoarem suas produções e apontam quatro problemas e causas relacionados
com a avaliação de artigos acadêmicos: avaliação de qualidade questionável, infração aos
direitos do autor, processo de revisão muito longo e ausência de feedback do trabalho para os
avaliadores (p. 6). O feedback seria desejável mas incorreria em maior dispêndio de tempo no
trabalho dos editores que geralmente, possuem uma pequena equipe, nos casos das revistas
brasileiras.
Mueller (1999) é taxativa: a ciência brasileira se reflete nas revistas científicas que
edita e nossos cientistas, a exemplo de seus colegas estrangeiros, dão prioridade as revistas de
maior prestígio e circulação para enviar os seus manuscritos, ou seja, as revistas científicas
internacionais. Contrariando Mueller (1999), e apesar da demora na publicação, o estudo de
Mattos (2011) revela a preferência dos autores, no caso doutores em Administração formados
pela UFRGS, por publicarem seus trabalhos em revistas científicas indexadas nacionais. O
que se percebe, entretanto, é a importância do tempo-espaço na eficiência da gestão
administrativa da revista científica, quem sabe, passando a ser gerenciada profissionalmente o
que poderá qualificá-la mais e mais.

3597

�As revistas que foram objeto desta pesquisa são notadamente reconhecidas na Ciência
da Informação pela qualidade de seus artigos. Esta afirmativa é corroborada e ilustrada pelo
Fator de Impacto que elas apresentam (Tabela 2), pela classificação Qualis A1 no último
triênio (2010-2012) e pela indexação em conceituadas bases de dados. Dessa forma, os
pesquisadores terão uma tendência em publicar seus resultados nestas revistas, com o intuito
de ter visibilidade e, como consequência, há um crescimento de submissões de artigos e
sobrecarga de trabalho de avaliação para os pareceristas.
Como sugestão para diminuir a tempo entre a submissão e a publicação de originais
propomos a profissionalização das pessoas envolvidas na gestão editorial de uma forma geral.
Apesar de a avaliação ser duplamente e às cegas torna-se necessário valorizar os bons
avaliadores, atentos aos prazos e ágeis em avaliar, bem como formar ou instruir novos
avaliadores. Esta recomendação se deve a notória dificuldade em se encontrar especialistas
conforme o avanço da ciência. Mendes e Marziale (2001) afirmam que o crescimento das
revistas científicas não absorve o número de revisores especializados em determinadas áreas na enfermagem, no caso do editorial da Revista Latino-Americana de Enfermagem, de autoria
de Mendes e Marziale (2001) - e, consequentemente, não atendem a demanda e o ritmo
desejados numa publicação periódica. King e Tenopir (1998) dizem que os atrasos na
publicação são, em sua maioria, por causa da intervenção humana, incluindo a edição,
revisão, entre outros. Assim, finalizamos reconhecendo a importância da avaliação por pares,
fundamental para a ciência, bem como a complexidade e a demanda de tempo que o trabalho
exige.

REFERÊNCIAS
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Avaliação

trienal

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Documento

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3600

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Publicar artigos em Revistas Brasileiras em Ciência da Informação: uma análise entre o tempo de submissão e aceitação dos manuscritos</text>
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                <text>Job, Ivone, Ferreira, Ana Gabriela Clipes, Mattos, Ana Maria, Zanotto, Sônia Regina</text>
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                <text>Este é um trabalho de caráter descritivo exploratório que apresenta uma reflexão sobre um dos indicadores de gestão editorial de revistas científicas na área da Ciência da Informação: o tempo de publicação dos artigos científicos. Os dados empíricos desta pesquisa estendeu sua ação a três publicações: Transinformação, Informação &amp; Sociedade: estudos e Perspectivas em Ciência da Informação, selecionados por serem classificadas com extrato Qualis A1 (triênio 2010-2012). Os indicadores propostos são as datas de submissão e de publicação dos artigos no intuito de verificar a agilidade do fluxo editorial e na perspectiva de acompanhar os padrões de qualidade estabelecidos pela produção das revistas. Foram analisados 274 artigos com tempo médio de publicação de 237,82 dias, mínimo 0 (zero) e máximo de 1.051 dias. Consideramos a análise desse indicador importante porque dá transparência ao processo aumentando a visibilidade e a credibilidade das revistas brasileiras.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

COMPORTAMENTO INFORMACIONAL NAS PESQUISAS JURÍDICAS: O USO
DA INTERNET
Eliane Maria da Silva Jovanovich
Linete Bartalo
RESUMO
Apresenta os resultados de uma pesquisa que teve o objetivo de verificar na área jurídica a
influência do uso da internet pelos alunos do curso de pós-graduação em Direito, quanto à
capacidade em buscar as informações para aprendizagem e desenvolvimento profissional.
Para as informações disponíveis na web investigou-se quanto essas ferramentas tecnológicas
estão presentes no cotidiano desse grupo. Um questionário em escala Likert com base nos
padrões de competência informacional para o ensino superior, criado em 2000 pela
Association of College and Research Libraries (ACRL) foi aplicado a 55 participantes. Os
resultados demonstraram como os advogados se comportam ao lidar com a informação e
quais são suas habilidades diante de situações no processo informacional. Dentre as variáveis
pesquisadas, o enfoque foi para a busca da informação utilizando a internet. As médias
obtidas apontaram para uma frequência de comportamento considerada de alta intensidade,
sugerindo que os participantes dominam as atividades de busca da informação através da
internet. Este grupo especializado na área jurídica possui habilidades para identificar suas
necessidades informacionais, efetuar o processo de busca e avaliar as informações para o uso,
utilizam as ferramentas com muita habilidade, porém ainda existe certa dificuldade na
obtenção das informações.
Palavras-Chave: Information Literacy. Comportamento informacional. Competência
informacional. Busca da Informação - Internet.
ABSTRACT
Presents the results of a survey that aimed to verify the legal field the influence of Internet use
by students of postgraduate studies in law, for the ability to seek information for learning and
professional development. To the information available on the web was investigated as these
technological tools are present in this group everyday. A Likert scale questionnaire based on
information literacy standards for higher education, created in 2000 by the Association of
College and Research Libraries (ACRL) was applied to 55 participants. The results showed
how lawyers behave when dealing with the information and what are your skills in situations
in information process. Of the variables studied, the focus was on the search for information
using the internet. The averages indicated a frequency of behavior considered high intensity,
suggesting that participants dominate the activities of information search over the internet.
This group specialized in the legal field has skills to identify their information needs, making
the search process and evaluate the information for use, use the tools skillfully, but there is
still some difficulty in obtaining information.
Keywords: Information Literacy. Information behavior. Information literacy. Search
Information - Internet.
1 INTRODUÇÃO

2395

�O comportamento informacional envolve as atividades de busca, compreensão,
processamento cognitivo, uso e transferência da informação. As pessoas motivadas a buscar
novos conhecimentos, são levadas por uma necessidade, por um desejo, pelo prazer ou em
alguns casos pelo simples fato de quererem estar informadas.
Muitos tipos de documentos utilizados na área jurídica estão disponíveis na internet,
encontramos doutrinas, jurisprudências, súmulas, acórdãos, entre outros. Diante dessa
realidade surgiu o interesse em conhecer o comportamento informacional dos alunos que
estão na pós-graduação com relação à utilização das mídias existentes. A questão estabelecida
para alcançar esta meta foi: Esses profissionais possuem competências individuais e
habilidades suficientes para buscar as informações que necessitam na web?
Uma das autoras desta pesquisa trabalha na Biblioteca Setorial do Escritório de
Aplicação de Assuntos Jurídicos (BSEAAJ), é especialista em Direito e vivencia no cotidiano
a inserção das tecnologias, das mídias e de novas ferramentas da internet, além de observar as
formas com que estes alunos, enquanto usuários de informação e tendo esta biblioteca à
disposição, buscam informações para satisfazer suas necessidades informacionais.
Nesse contexto ampliou-se o interesse inicial em estudar o comportamento
informacional desse grupo, pois sempre buscam informações pontuadas, legislações
específicas, jurisprudências, súmulas, julgados, e muitas dessas informações estão disponíveis
na web em periódicos eletrônicos, sites de tribunais, sites jurídicos, bases de dados
especializadas, blogs, etc. Assim, novas perguntas foram levantadas: como os futuros
advogados que cursam a especialização se comportam na busca pela informação? Será que
houve uma mudança de comportamento e isso pode dificultar ou facilitar as pesquisas no
âmbito profissional?
Esse estudo teve o objetivo de analisar o comportamento informacional dos alunos
do curso de Especialização em Direito Civil e Processo Civil da Universidade Estadual de
Londrina quanto ao uso das tecnologias no processo de busca por informações. Na
formulação das questões que compuseram o questionário para coletar os dados, levou-se em
consideração os padrões de competência informacional para o ensino superior, criados em
2000 pela Association of College and Research Libraries (ACRL).

2 REVISÃO DE LITERATURA
A era da informação alterou o comportamento social dando origem a indivíduos com
comportamento informacional diferenciado, gerado por esta nova sociedade do conhecimento.
Hoje com as informações acessíveis através da internet, qualquer pessoa conectada a rede tem

2396

�ao seu dispor milhares de informações, porém esse volume imensurável exige que se tenha
um comportamento e competência informacional, quanto mais competência informacional os
indivíduos tiverem, maior será o seu sucesso nas buscas por informação.
Estudar o comportamento das pessoas na busca e uso da informação é algo que
acontece desde a década de 50 conforme destaca Choo (2003). A informação jurídica é a base
para a tomada de várias decisões de profissionais da magistratura. Diferente das demais
informações, a informação jurídica é composta por três diferentes fontes: a Legislação, a
Doutrina e a Jurisprudência.
A particularidade da informação jurídica atua fortemente nos ambientes jurídicos, é
uma informação consistente, de credibilidade e de mudança contínua, e em alguns casos
momentânea. Miranda (2004, p. 138) diz que “A informação jurídica é elemento
imprescindível para que se alcancem os objetivos no âmbito jurídico”.
O desenvolvimento de habilidades para o uso da informação tem um grande
impacto

no desempenho

do

estudante,

pois

fortalece

sua capacidade de acessar,

selecionar, avaliar e incorporar a informação. Conforme Perrenoud (2000, p. 65)
Toda competência individual constrói-se, no sentido de que não se pode
transmiti-la, de que só pode ser treinado, nascer da experiência e da reflexão
sobre a experiência, mesmo quando existem modelos teóricos, instrumentos
e saberes procedimentais. No domínio em questão, as competências a
construir não são inteiramente identificadas, porque os dispositivos de
diferenciação ainda são bastante sumários, frágeis e limitados.
A era da informação alterou o comportamento social originando indivíduos com
comportamento informacional gerado por esta nova sociedade do conhecimento.Na afirmação
de Coelho (2011, p.172) considera-se que
[...] já não é possível sobreviver na sociedade pautada na informação e no
conhecimento, que exige o aprendizado ao longo da vida, sem estar
preparado adequadamente para encontrar a informação, quer ela seja
proveniente de computador, livro, biblioteca, agência governamental, filme
ou qualquer outro recurso possível, e saber utilizá-la adequadamente.
Deste modo o texto da ACRL (2000, p. 2) diz que para uma pessoa ser considerada
competente em informação, deve ser capaz de
Determinar a extensão de sua necessidade informacional; Acessar a
informação de que precisa efetiva e eficientemente; Avaliar as informação e
suas fontes criticamente; Incorporar a informação selecionada a sua base de
conhecimentos; Usar a informação eficazmente para cumprir um propósito
específico; Entender os problemas e questões econômicas, legais e sociais
que se relacionam com o uso da informação e acessar e usar a informação
ética e legalmente.

2397

�Bresnick (1988) evidenciou as necessidades informacionais dos advogados,
ressaltando que elas são recorrentes. Eles trabalham com um universo muito grande de
informações, que envolve diversos assuntos das mais diversas áreas.
Ainda segundo o autor, os advogados necessitam de informações encontradas não
somente em fontes primárias e secundárias de recursos legais, mas também em grande
quantidade de outras fontes, como bases de dados que cubram assuntos relacionados ao
meio ambiente, por exemplo, à segurança, assuntos técnicos e científicos variados.
Bartalo e Marcondes (2009, p. 5), destacam que o
[...] comportamento informational engloba os estudos de necessidade, busca
e uso da informação bem como os estudos sobre competência informational.
O usuário geralmente busca informação quando identifica necessidades de
informação, sejam elas de natureza profissional, pessoal, social, de lazer ou
quando tem um problema a resolver e, para tanto faz uma interação com um
sistema de informação. Para ter sucesso nesta busca, o que conta é a sua
competência informational.
Com a inserção das tecnologias e da internet no cotidiano das pessoas, o
comportamento informational acabou sofrendo algumas modificações, principalmente no
processo de busca e obtenção das informações.
Na área jurídica o número de sites existentes é incalculável, muitas bases de dados
especializadas estão disponíveis gratuitamente o que facilita a apropriação das informações,
exigindo que o profissional da área jurídica desenvolva habilidades na esfera digital e adquira
muitas outras competências principalmente com interface na informática.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A população que participou dessa pesquisa foram os alunos do curso de PósGraduação Lato Sensu em Direito Civil e Processo Civil da Universidade Estadual de
Londrina. Para a coleta dos dados, utilizou-se de um questionário com 23 perguntas que foi
aplicado presencialmente para garantir que todos respondessem, pois os alunos estavam
entrando em período de férias e por isso descartou-se o pela internet.
O instrumento de coleta de dados foi baseado nos cinco padrões de competência
informacional estabelecidos pela American Libray Association (1989), e adaptados de
forma a alcançar os objetivos da pesquisa.
O questionário foi aplicado aos 54 alunos após assinarem o “Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido do Participante”, posteriormente foi feito a análise dos dados, sendo
comparadas às respostas uma a uma, seguida da conclusão da pesquisa. Utilizou-se a escala

2398

�de Likert em algumas questões com o objetivo de mensurar a frequencia do comportamento e
é utilizada comumente em pesquisas e sondagem.
A escala Likert é a variação mais frequentemente usada da escala de
classificação somatória que por sua vez consiste de afirmações que
expressam atitudes favoráveis ou desfavoráveis em relação ao objeto de
interesse. (COOPER, 2003, p. 202).
Essa escala é utilizada para medir a frequência de atitudes dos inquiridos perguntandolhes em que medida estão de acordo ou desacordo com uma afirmação em particular ou uma
declaração. Uma escala típica poderá ser "Totalmente de acordo, de acordo, não estou
seguro/indeciso, discordo, totalmente em desacordo.” Escala Likert é um das mais populares
(e confiáveis) maneiras de fazer isso.
Pesquisa semelhante foi feita por Bartalo, Di Chiara e Contani (2013) que optaram
por um instrumento em escala Likert, cujos resultados numéricos representam o grau de
intensidade de frequência dos comportamentos dos estudantes, e considerando que as médias
poderiam variar de 0 a 4, foi convencionada uma categorização para as intensidades obtidas,
conforme quadro abaixo:
Q uadro 1 - Categorias de intensidade de frequência de comportamento
F R E Q U Ê N C IA

IN T E N SID A D E

Media menor que 1,00
Dc 1,10 a 2,00
Dc 2,10 a 3,00
D e3,J0a4,0

Baixa
Moderada
Alta
Altíssima

Fonte: Bartalo, Di Chiara e Contani (2013, online)

As respostas obtidas por meio do

questionário aplicado presencialmente foram

transpostas para uma planilha do software Excel e calculadas as médias por participante e
por variáveis (grupo de questões que compôs cada objetivo).
O questionário utilizado nesta pesquisa foi formulado para alcançar o objetivo
proposto, qual seja, conhecer o comportamento informacional desta comunidade e foi assim
composto: questões de número 1 a 6, para definir o perfil dos alunos com questões referentes
à formação acadêmica e informações profissionais; questões de número 7 a 10 para verificar
se os alunos identificavam suas necessidades informacionais; questões 11 a 20, conhecer o
uso que se faz da informação; questões de número 21 a 23 coletar informações específicas
sobre o uso da internet nas pesquisas.

2399

�4 RESULTADOS
Considerando que o comportamento informacional é o modo com que as pessoas
lidam com a informação nas atividades de identificar, obter e usar tanto na vida pessoal
quanto profissional, esse estudo investigou com que frequência os participantes se comportam
informacionalmente na busca pela informação através da web.
O comportamento informacional, bem como a competência informacional de cada
indivíduo é que vai nortear todo o desenvolvimento de suas atividades. Assim que uma
necessidade informacional é identificada, o processo a ser seguido na busca das informações
para suprir tal necessidade são os elementos importantes na sociedade da informação.
Os advogados necessitam de informações o tempo todo, justamente pelo tipo de
atividade que exercem, pois as informações se desatualizam com muita rapidez, tornando-se
obsoletas em muitos casos, requerendo um certo grau de competência para buscar, localizar e
usar as informações atualizadas e de qualidade.
Os participantes demonstram ter consciência das suas necessidades de informação,
quando a questão é a pesquisa acadêmica, eles asseveram uma clareza de suas necessidades
informacionais que surgem diante de uma situação pontuada, o que

foi considerável e

relevante no desenvolvimento de suas pesquisas.
Com relação à busca da informação, estamos falando da atividade de buscar e
interagir, onde verificamos que os participantes buscam informações primeiramente em
acervos particulares, o que é comum na área jurídica. Um outro recurso que utilizam na busca
pela informação são as bases de dados jurídicas e a internet, pois hoje a recuperação de
informação dá-se na maioria das vezes através da internet, em bases de dados, o que requer
maior domínio da tecnologia para acessar e obter informações.
Num universo de informações, selecionar materiais de qualidade é uma ação freqüente
no dia a dia dos pesquisados. Constatou-se que eles sabem usar as informações obtidas,
inclusive as retiradas da Internet, pois adotam os cuidados necessários para avaliar as
informações obtidas na Web.
Os resultados mostram que os advogados não possuem dificuldades no processo de
busca e obtenção da informação, porém um dado interessante é que os pesquisados utilizam
algumas fontes de informação da internet e o buscador mais utilizado é o Google, tanto para
suas pesquisas acadêmicas quanto para elaborar seus processos de trabalho.
Na pesquisa acadêmica, um número expressivo dos pesquisados afirmaram que
recorrem como primeiro local para fazer pesquisas o site do Google, posteriormente um

2400

�número menor utiliza o site do Superior Tribunal de Justiça e na seqüência o Supremo
Tribunal Federal acessado por uma minoria entre os pesquisados.
Para preparar seus processos, petições de trabalho, os sites mais utilizados são o do
Superior Tribunal de Justiça e o site do Supremo Tribunal Federal, ambos utilizados por
quase metade dos pesquisados e o Google aparece em terceiro lugar utilizado por um grupo
menor.
É importante ressaltar que o fato das informações estarem disponíveis na internet não
quer dizer que são informações confiáveis e o buscador Google por mais “eficiente” que seja
deve sempre ser questionado com olhar criterioso quanto aos seus resultados de pesquisa, é
sempre importante averiguar de onde as informações estão sendo retiradas.
Considera-se que de modo geral a população estudada tem competência para proceder
a busca, localizar e fazer uso das informações jurídicas disponíveis na internet, para ampliar
seus conhecimentos e satisfazer suas necessidades informacionais.
É preciso ressaltar que os discentes possuem níveis de competência em alguns
aspectos, porém algumas questões ainda precisam ser melhor trabalhadas, principalmente com
relação ao uso de sites e bases de dados.
A área do Direito possui peculiaridades específicas das demais áreas do conhecimento
e essas fontes de informações jurídicas ocupam um papel importantíssimo na elaboração e
desenvolvimento das ações peticionadas pelos advogados. Afinal a informação se atualiza,
porém não perde o seu valor.
O profissional bibliotecário que atua na área jurídica precisa estar engajado e motivado
a propiciar ações que favoreçam o comportamento informacional frequentemente, levando ou
não à competência informacional no processo de necessidade, busca e uso da informação,
verificando sempre a questão de obsolescência da informação jurídica.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Essa pesquisa oportunizou traçar o perfil do comportamento informacional dos alunos
de Pós Graduação em Direito em relação ao uso da internet e contribuiu para verificar as
habilidades do grupo, corroborando positivamente para novas pesquisas na área jurídica.
Que esses estudos voltados para a área jurídica sirvam de aporte para bibliotecários
que atuam em unidades jurídicas, bibliotecas, escritórios e demais pesquisadores para futuros
estudos sobre o comportamento informacional dos advogados, bem como as habilidades na
identificação das necessidades, busca e uso das informações, revelando a competência
informacional desses profissionais.

2401

�6 REFERÊNCIAS
ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES. Information Literacy
competency

for

higher

education.

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2402

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Documentação&#13;
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                <text>Apresenta os resultados de uma pesquisa que teve o objetivo de verificar na área jurídica a influência do uso da internet pelos alunos do curso de pós-graduação em Direito, quanto à capacidade em buscar as informações para aprendizagem e desenvolvimento profissional. Para as informações disponíveis na web investigou-se quanto essas ferramentas tecnológicas estão presentes no cotidiano desse grupo. Um questionário em escala Likert com base nos padrões de competência informacional para o ensino superior, criado em 2000 pela Association of College and Research Libraries (ACRL) foi aplicado a 55 participantes. Os resultados demonstraram como os advogados se comportam ao lidar com a informação e quais são suas habilidades diante de situações no processo informacional. Dentre as variáveis pesquisadas, o enfoque foi para a busca da informação utilizando a internet. As médias obtidas apontaram para uma frequência de comportamento considerada de alta intensidade, sugerindo que os participantes dominam as atividades de busca da informação através da internet. Este grupo especializado na área jurídica possui habilidades para identificar suas necessidades informacionais, efetuar o processo de busca e avaliar as informações para o uso, utilizam as ferramentas com muita habilidade, porém ainda existe certa dificuldade na obtenção das informações.
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SNBU 2014

RELATO DE EXPERIÊNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO REPOSITÓRIO
INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

Vera Lucia Scotto Leite
Vanessa Abreu Dias
Marcia Petinga Irala
Marcos Paulo Anselmo de Anselmo
Doris Souza Santana
Andreia Carvalho Pereira
Dayse Beatriz Juliano Pestana

RESUMO
O presente trabalho trata-se de um relato de experiência da implantação do Repositório
Institucional da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Este tem como principal
objetivo contribuir com informações pertinentes a respeito da preservação da memória e
identidade institucional através da sua produção intelectual, buscando o aumento da
visibilidade e do valor público da instituição via Internet. Para tanto, em um primeiro
momento foi realizado o levantamento bibliográfico acerca do assunto abordado e em uma
fase seguinte, ocorreram seis atividades principais as quais possibilitaram a preservação da
memória institucional da UNIPAMPA. Pelo repositório institucional mostrar-se de suma
importância para uma universidade em expansão, que está construindo sua imagem e
credibilidade, buscou-se implementar um RI na UNIPAMPA, pretendendo intervir e dar
resposta a duas questões estratégicas que as universidades enfrentam: contribuir para o
aumento da visibilidade da instituição, servindo como indicador tangível da qualidade dessa
universidade e demonstrando a relevância científica; contribuir para a reforma do sistema de
comunicação científica, expandindo o acesso aos resultados da investigação, aumentando a
competição e reduzindo o monopólio das revistas científicas, o que se traduz como economia
para as universidades e seus usuários.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias; Repositório Institucional; Preservação digital.

ABSTRACT
The present paper is an experience report of the Institutional Repository implantation at the
Federal Pampa University (UNIPAMPA). It has as main objective to contribute with
important information about memory preservation and institutional identity through its
intellectual work, trying to increase the visibility and the public value of the institution trough
out the internet. In the first moment, a literature review was made, in another moment, six
different activities occurred that helped with the institutional memory preservation of
UNIPAMPA. As the institutional repository is a great instrument to a new university which is
building its image and credibility, an IR was implemented at UNIPAMPA to try to intervene

4469

�and give a response to two different strategic questions faced by the universities: the
contribution to the visibility growth of the institution, helping as an indicator of the its quality
and demonstrating the its scientific relevance; the contribution to the reform of the scientific
communication system, expanding the access of the investigation results, increasing the
competition and, at the same time, decreasing the scientific magazines monopoly, resulting in
a cost-cutting to the universities and its users.
Keywords: University Libraries; Institutional Repository; Digital Preservation

1. INTRODUÇÃO
A Universidade Federal do Pampa - Unipampa - faz parte do programa de expansão
das universidades federais no Brasil. Originária de um Acordo de Cooperação Técnica entre o
Ministério da Educação, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade
Federal de Pelotas (UFPel), que previa a ampliação do Ensino Superior na metade sul do
estado do Rio Grande do Sul. O Sistema de Bibliotecas da Unipampa - SISBI - é composto
pela Coordenação de Bibliotecas e pelas bibliotecas dos 10 campi da universidade,
abrangendo as cidades de Alegrete, Bagé, Caçapava do Sul, Dom Pedrito, Itaqui, Jaguarão,
Santana do Livramento, São Borja, São Gabriel e Uruguaiana.
O presente trabalho tem como objetivo principal mostrar o processo de implantação do
repositório institucional na Universidade Federal do Pampa. Através do repositório será
possível, o qual tem como objetivos específicos:
I. Coletar, organizar, preservar, disseminar e dar acesso ao conhecimento produzido
pelo corpo docente, técnico-administrativo e discente através de novas maneiras de
armazenagem e recuperação da informação;
II. Disponibilizar e divulgar o conhecimento gerado no âmbito da Universidade
Federal do Pampa (Unipampa);
III. Apresentar os critérios que norteiam a inclusão de teses e dissertações em meio
eletrônico;
IV - Abordar a expansão dos tipos de documentos a serem incluídos, visando ampliar
e qualificar a recuperação de informações;
V. Abordar a evolução dos suportes da memória, bem como a “biblioteca sem
fronteiras, sem paredes”;
VI. Facilitar o acesso às publicações.

4470

�2. REVISÃO DE LITERATURA
A preservação digital dos documentos e sua disponibilidade a qualquer pessoa é uma
grande preocupação. Por isso, inúmeras universidades, centros de pesquisa, institutos,
bibliotecas, entre outros, dispõem de repositórios digitais próprios visando facilitar o acesso
livre à informação.
Em seu trabalho Institutional repositories: essential infrastructure for scholarship in
the digital age, Lynch (2003) aponta dois tipos de repositórios digitais, a saber: temáticos que
são aqueles com foco em área do conhecimento específico e os institucionais: coleções que
capturam e preservam a produção intelectual de universidades e/ou comunidades. Crow
(2002) ainda elenca os repositórios digitais, como um conjunto de serviços que uma
universidade oferece aos membros de sua comunidade, com o objetivo de gerenciar e
disseminar materiais digitais criados pela instituição e membros da comunidade (LYNCH,
2003).
Para tanto:
é fundamental a participação de uma equipe multidisciplinar formada de
bibliotecários, analistas de informação, administradores de arquivos,
administradores de departamentos e da instituição, pesquisadores e pessoal
envolvido com a política universitária. (CAFÉ et al, 2003, p.4).

Segundo Lynch, os repositórios institucionais, de uma maneira geral, “[...] são
sistemas de informação que servem para armazenar, preservar, organizar e difundir os
resultados (a produção científica) de uma dada instituição, utilizando um software”. No
mesmo sentido, Kuramoto (2006) os vê como “[...] um conjunto de serviços oferecidos por
uma instituição aos membros de uma comunidade para a gestão e disseminação da sua
produção técnico-científica em meio digital”. E por fim, Crow (2002), os considera como
“[...] arquivo digital de produtos intelectuais criados por uma comunidade de pesquisadores,
estudantes e professores de uma instituição”.
A compreensão dos repositórios institucionais está ligada a percepção da “[...]
manifestação visível da importância emergente da gestão do conhecimento na educação
superior”. Nesse sentido, é válido ressaltar as palavras de Crow (2002, p.XX), onde os
repositórios institucionais constituem “[...] um sistema global de repositórios distribuídos e
interoperáveis que fundamentam um novo modelo de publicação científica”.

4471

�3. METODOLOGIA E ESTRATÉGIA DE AÇÃO

Para a implantação do RI foram utilizadas seis atividades:
1. Política de tratamento de direitos autorais: nesta atividade é definida a política de
tratamento dos direitos autorais dos objetos digitais disponibilizados no repositório. A
atividade é de realização conjunta com a Consultoria Jurídica da universidade. Uma ideia
inicial indica que somente serão disponibilizados os objetos criados sob licença Creative
commons ou aqueles que tenham autorização expressa de divulgação assinada pelo autor.
2. Política de tratamento dos objetos digitais: nesta atividade são definidos os formatos
de objetos que poderão ser armazenados no repositório, e definidas as formas de conversão
para objetos que não estejam nestes formatos. Inicialmente são priorizados tipos de arquivo
abertos que permitam a representação de documentos de maneira independente de aplicativo,
de hardware e de sistema operacional. Formatos compactados podem ser utilizados, desde
que não apliquem em grande perda de qualidade. Dentre os tipos de arquivos aceitos estão
enquadrados arquivos do tipo PDF, PNG, MP3 e MP4. Não são aceitos arquivos em formato
proprietário, tais como: DOC, XLS, PPS e WAV.
3. Política de tratamento de metadados: esta atividade é definida a política de
tratamento dos metadados. Foi escolhida como padrão da biblioteca a definição Dublin Core,
sendo também definidos os elementos obrigatórios para os metadados dos objetos
armazenados no repositório digital.
4. Criação da infraestrutura da Biblioteca Digital: nesta atividade foi definida a
estrutura em termos de hardware e software para atender as necessidades do repositório
digital. Foi selecionada a ferramenta DSPACE, integrada com o sistema de gerenciamento de
banco de dados PostgreSQL, funcionando sobre o sistema operacional Linux.
5. Configuração da estrutura: nesta atividade foram definidos os parâmetros
configuráveis da ferramenta DSPACE. A estrutura das comunidades é apresentada
detalhadamente a seguir. Também está sendo realizada a adaptação do layout da ferramenta
para que esteja de acordo com a identidade visual da universidade.
6. Treinamento dos usuários: nesta atividade foram definidos os treinamentos a serem
ministrados para capacitação de uso da biblioteca digital. Foi definida a oferta de dois cursos,
com público-alvo diferenciado, sendo o primeiro para os administradores do sistema, e o
segundo para os usuários finais. Os treinamentos estão baseados em vídeo-aulas.
A figura 1 detalha a sequência das atividades executadas durante a implementação da
biblioteca digital.

4472

�Figura 1: Descrição do processo de implementação da Biblioteca Digital

Fonte: Da autora.

A fim de organizar os documenos do repositório digital da Unipampa, sua estrutura
está dividida em 5 comunidades principais, conforme mapa mental apresentado na figura 2:
Figura 2: Mapa da estrutura de comunidades do repositório digital da Unipampa.

Fonte: Da autora.

Trabalhos de conclusão decurso, que será subdividida em duas outras comunidades:
graduação e pós-graduação. A área de graduação é dividida em uma comunidade para cada
um dos cursos de graduação da instituição. Já a comunidade de pós-graduação é subdividida
em comunidades de acordo com as áreas de conhecimento da CAPES. Esta diferenciação é
feita porque enquanto os cursos de graduação tendem a serem ofertados por muitos anos, as
especializações, muitas vezes, são ofertadas uma única vez. A criação de uma comunidade
para cada curso de especialização tenderia a multiplicar a quantidade de comunidades, muitas
delas com um conjunto reduzido de trabalhos de conclusão de curso.
Teses e dissertações, que será subdividida de acordo com as áreas da CAPES.
Produção intelectual, que será subdividida em artigos em revistas, propriedade
intelectual, livros e capítulos de livro e artigos em anais de conferências. Esta subdivisão
segue exatamente a implementada no currículo lattes, que é uma ferramenta amplamente
disseminada na ciência brasileira.

4473

�Eventos Unipampa, que será subdividida em mostras de ensino, mostras de iniciação
científica e seminários. Salienta-se que estes eventos são os que não possuem garantia de
periodicidade. Anais de eventos regulares serão armazenados no portal de publicações
seriadas da universidade, implementado na ferramenta Open Journal System (OJS).
Arquivo, cuja finalidade é de manter o histórico da instituição em formato multimídia,
incluindo principalmente documentos, fotos, áudio e vídeo.
4. RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS
A preservação vem sendo amplamente disseminadas e adotadas em diversos
segmentos culturais, os quais têm consciência de que somente por meio deste trabalho
preventivo se efetuará a consolidação da salvaguarda do acervo em ambientes digitais.
As novas tecnologias prometem satisfazer as tarefas tradicionais de armazenamento,
organização e acesso em bibliotecas, não apenas no que diz respeito a documentos
manuscritos ou impressos, mas informações em variados suportes. Os recursos tecnológicos
apresentam vantagens, como a economia de espaço e facilidades de leitura, ao reunir
documentos dispersos em um mesmo local. Assim, diante de várias soluções tecnológicas
atualmente oferecidas, cabe aos profissionais da informação (bibliotecários) avaliar as
possíveis vantagens e desvantagens das opções disponíveis no mercado, como também sua
eficácia para o atendimento aos usuários, visando a democratização da informação.

5. REFERÊNCIAS
CAFÉ, Lígia et al. Repositórios institucionais: nova estratégia para publicação científica na
rede. Disponível em: &lt;http://dspace.ibict.br/dmdocuments/ENDOCOM_CAFE.pdf&gt;. Acesso
em: 20 abr. 2014.
CROW, R. The case for institutional repositories: a SPARC position paper. [S.l.]: The
Scholarly Publishing and Academic Resource Coalition, 2002. Disponível em:
&lt;http://www.arl.org/sparc/IR/ir.html&gt;. Acesso em: 10 maio. 2014.
KURAMOTO, H. Os open archive e as políticas públicas para a informação científica. In:
SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS DIGITAIS, 3., 2005, São Paulo. [Anais
eletrônicos...].
Disponível
em:
&lt;http://bibliotecascruesp.usp.br/bibliotecas/APRESENT/Helio_Kuramoto.ppt&gt;. Acesso em: 2
out. 2012.
LYNCH, C. A. Institutional repositories: essential infrastructure for scholarship in the digital
age. ARL Bimonthly Report, n. 226, feb. 2003:1-7. no. 226 (February 2003): 1-7.
Disponível em: http://www.arl.org/resources/pubs/br/br226/br226ir.shtml. Acesso em: 23 out.
2012.

4474

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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MODERNIZAÇÃO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O REUNI COMO
FORTALECIMENTO DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO NA UFPE

Adelaide Maria de Lima
Giane da Paz Ferreira Silva
Maria Marinês Gomes Vidal
Susyleide Gomes de Brito

RESUMO
As Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) nos últimos cinco anos foram
contempladas com recursos do Governo Federal provenientes do Programa de Apoio a Planos
de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). O objetivo do Reuni foi
promover mudanças estruturais e pedagógicas nas instituições, visando dar à população maior
acesso ao ensino superior público e de qualidade. Nessa perspectiva, no âmbito das
instituições de ensino, foi ampliada a oferta de vagas, criados novos cursos e novas unidades
acadêmicas. Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), cabe destaque aos
investimentos feitos na modernização das bibliotecas no período de 2008 a 2012 e que são
objetivos deste estudo. A pesquisa realizada foi de caráter exploratório, utilizando como
metodologia o estudo de caso para apresentar os resultados das ações do Reuni no
fortalecimento das políticas de informação na UFPE. Na etapa da coleta de dados, foram
realizadas pesquisas documentais a partir de relatórios e de sites institucionais, além de
depoimentos e entrevista com o gestor responsável pela implementação e acompanhamento
do Programa na Universidade. O resultado da pesquisa apontou significativas mudanças nas
bibliotecas, sobretudo do ponto de vista estrutural, da oferta de serviços, atualização das
coleções, aumento do capital intelectual e consolidação das ações das unidades interiorizadas.
A experiência do Reuni foi condição sine qua non para comprovar que o sucesso de uma
política pública depende do seu direcionamento, transparência e comprometimento de todos
os atores sociais envolvidos no processo.
Palavras-Chave: Biblioteca Universitária; Sistema de Bibliotecas da UFPE; Reuni;
Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.

ABSTRACT
The Federal Higher Education Institutions (IFES) were awarded in the last five years with
funds of the Federal Government originated in the Programme of Support to Plans of Re­
structuration and Expansion of the Federal Universities (Reuni). The aim of Reuni was to
promote structural and pedagogical changings in the institutions, in order to give to people a
greater access to a satisfactory public higher education. On this perspective, in the ambit of
the education institutions, vacancy offering was widened, and new courses and academic units
were created. In the Federal University of Pernambuco (UFPE), it is worth mentioning the

1303

�investments made in the modernization of the libraries in the period of 2008 to 2012, which
are the aims of this study. The research is exploratory, using case study as its methodology to
present the results of the actions of Reuni in the strengthening of information politics in
UFPE. In the stage of data collection, documentary researches were made from reports,
institutional sites, testimonials, and from an interview with the manager responsible for the
implementation and supervision of the Programme in the University. The result of the
research pointed out important changes in the libraries, especially on the structural point of
view, like job offering, collection update, raise of intellectual capital, and consolidation of
actions in the countryside units. The Reuni experience was a sine qua non to prove that the
success of a public policy depends on its direction, transparency, and commitment of every
stakeholder involved in the process.
Keywords: University Library; Library System of UFPE; Reuni; Programme of Re­
structuration and Expansion of Federal Universities.

1 INTRODUÇÃO
O crescimento e avanço das bibliotecas da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE) sem dúvida tiveram momentos marcantes na sua trajetória desde a criação da
Biblioteca Central na década de 70, e a instalação do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB),
em meados de 80, resultando na formação de uma rede de bibliotecas setoriais por área de
conhecimento. (LIMA, 2011). No final da década de 80, foram criados novos prédios de
bibliotecas na UFPE e ampliado o acervo bibliográfico, com recursos provenientes do
Ministério da Educação e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (MEC/BIB). Cabe
destaque a construção dos novos prédios das bibliotecas dos Centros de Ciências Sociais
Aplicadas, Ciências da Saúde e Tecnologia e Geociências.
Na década de 90, houve na instituição um aumento de investimento em treinamento e
capacitação nas áreas de gestão e tecnologia, tendo em vista que com a mudança do século, o
advento da internet exigiria um direcionamento para treinamento e capacitação em novas
tecnologias, publicações eletrônicas e bases de dados, sobretudo, para os profissionais da área
de informação. No contexto geral, essa realidade conduzia os profissionais a uma
preocupação em preparar as bibliotecas para o que seria, na visão de Cunha (2000), a
biblioteca universitária brasileira em 2010, ou seja, a chamada biblioteca do futuro.
Dentro desta conjuntura, no início dos anos 2000, caracteristicamente, o país
atravessava uma crise na educação, sobretudo no ensino superior, o que concorreu para que
em 2005 o Governo Federal lançasse o Projeto de expansão e interiorização do ensino
superior no país. Dentre as instituições de ensino, a UFPE foi contemplada com a implantação

1304

�de dois novos campi no interior do Estado, um no Agreste, no município de Caruaru e outro
na Zona da Mata, no município de Vitória de Santo Antão.
No processo de implementação e consolidação destas novas unidades, o Programa de
Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) teve forte
impacto e participação, pois além da interiorização promoveu mudanças profundas no
Sistema Integrado de Bibliotecas da UFPE (SIB/UFPE).
Nesta perspectiva, o objetivo desse relato visa apresentar um panorama das
contribuições do Reuni ao SIB/UFPE no período de 2008-2012, no qual se observou avanço e
crescimento nesse curto período de tempo, em todas as unidades do Sistema.
No decorrer deste trabalho serão apresentados os aspectos que mereceram destaque,
tais como a melhoria dos indicadores de avaliação dessas bibliotecas pelo MEC, o
crescimento do acervo bibliográfico, a qualificação e aumento de pessoal, a infraestrutura
física de equipamentos e mobiliários, acrescidos ainda de itens como reforma e construção de
novos prédios de bibliotecas.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Para um maior entendimento do tema, antes de contextualizar o Programa de Apoio a
Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) em nível nacional, é
importante ressaltar o cenário mundial do final da década de 90, que já apontava para grandes
mudanças e transformações decorrentes das mais diversas áreas de atuação. Tais questões
perpassavam a área econômica, social, política, de gestão, financeira e tecnológica,
alcançando também a estrutura governamental e afetando diretamente instituições como as
universidades.
No sentido de acompanhar essa tendência, no contexto geral, as universidades
buscaram renovar suas práticas de atuação e gestão repensando seu papel. Do mesmo modo, a
dinâmica atual da sociedade exige que o Estado repense sua forma de ação e controle,
transformando-se em facilitador de práticas que promovam a eficácia e eficiência. (ARAÚJO;
PINHEIRO, 2010). No que concerne ao ensino superior, é essencial a adoção de políticas
públicas, considerando que estas são definidas com o objetivo de indicar ações, metas e
planos do governo para proporcionar o bem-estar da sociedade. (SEBRAE, 2008). Dentre as
políticas públicas praticadas no âmbito das universidades destaca-se a política de informação,
que Silva (1991) define como um conjunto de ações e decisões orientadas para preservar e
reproduzir ou para mudar e substituir um regime de informação, podendo ser implícitas ou
explícitas quando formalmente registradas.

1305

�Como forma de alavancar algumas políticas para as instituições de ensino superior foi
criado o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (Reuni) pelo Decreto N° 6.096 de 24 de abril de 2007 (BRASIL, 2007) buscando
criar condições para a ampliação do acesso e permanência na universidade, no nível de
graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes
nas universidades federais. O Reuni é uma das ações integrantes do Plano de
Desenvolvimento da Educação (PDE) em reconhecimento ao papel estratégico das
universidades federais para o desenvolvimento econômico e social. (BRASIL, 2009). Dessa
forma, os princípios do PDE foram muito importantes, pois fortaleceram o programa e
concorreram para sua expansão.
As principais diretrizes do Reuni, de acordo com o artigo 2° do Decreto N° 6.096 de 24
de abril de 2007, se constituíram em:
I.

redução das taxas de evasão, ocupação de vagas ociosas e aumento de vagas de
ingresso, especialmente no período noturno;

II.

ampliação da mobilidade estudantil, com a implantação de regimes curriculares e
sistemas de títulos que possibilitem a construção de itinerários formativos, mediante o
aproveitamento de créditos e a circulação de estudantes entre instituições, cursos e
programas de educação superior;

III.

revisão da estrutura acadêmica, com reorganização dos cursos de graduação e
atualização de metodologias de ensino-aprendizagem, buscando a constante elevação
da qualidade;

IV.

diversificação das modalidades de graduação, preferencialmente não voltadas à
profissionalização precoce e especializada;

V.
VI.

ampliação de políticas de inclusão e assistência estudantil; e
articulação da graduação com a pós-graduação e da educação superior com a educação
básica.
A partir das diretrizes citadas fica evidente a intenção do Programa Reuni em

fortalecer toda a estrutura universitária, promovendo assim uma revolução no ensino superior
ao possibilitar, dentre outras coisas, a democratização de seu acesso. Segundo informações
disponíveis no site do Ministério da Educação (MEC), constata-se que no primeiro relatório
do Programa há uma ênfase para adesão de todas as universidades federais. Esse indicador só
vem a confirmar sua importância como política pública, conforme citação abaixo:

1306

�A adesão da totalidade das universidades existentes no ano de criação do
Reuni atesta o forte interesse despertado pelo Programa que preconiza, em
seu conceito fundador, a ideia da expansão com reestruturação das
instituições federais de ensino superior, abrindo espaço para oportunidades
de inovação e de aumento da qualidade da educação superior pública.
(BRASIL, 2009).
A UFPE figura dentre as primeiras instituições que aderiram ao Reuni, entretanto,
inicialmente sua adesão ocorreu mediante alguns entraves para sua viabilização, que serão
vistos mais adiante.

2.1 O Reuni como fortalecimento das políticas de informação na UFPE
A UFPE como uma das dez melhores universidades do país segundo o Ranking da
Folha de São Paulo (RANKING, 2013), atualmente oferece 99 cursos de graduação
presenciais, cinco cursos de graduação na modalidade a distância e 128 cursos de pósgraduação stricto sensu, sendo 69 mestrados acadêmicos, dez mestrados profissionais e 49
doutorados, além de 79 cursos de pós-graduação lato sensu. (UFPE, 2014a).
Todavia, em 2005 esses números eram bem diferentes, pois cerca de 30% dos atuais
cursos de graduação não existiam. Na época, a Universidade, seguindo a orientação do MEC,
conjuntamente com a grande maioria das universidades do país, entendeu que para dar um
grande salto de qualidade ao ensino, pesquisa e extensão, necessitava urgentemente criar um
projeto que envolvesse toda a comunidade acadêmica.
Sob esse olhar, em 2007, o então reitorado deu início no âmbito da universidade a uma
série de debates envolvendo pró-reitores, diretores de centros acadêmicos e diretores dos
órgãos suplementares para apresentar o que seria o Programa de Apoio a Plano de
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Tal medida concorreu para
que todos os gestores apresentassem projetos de melhoria baseados nos objetivos do Reuni.
O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (Reuni) tinha por objetivo principal ampliar o acesso e a permanência na educação
superior, promovendo sua expansão e interiorização a partir da adoção de uma série de
medidas com o foco na retomada do crescimento do ensino superior e público, como
esclarece o documento do Ministério da Educação (MEC):
As universidades federais submeteram suas propostas ao Reuni com ênfase
especial na interiorização que, em conjunto com a oferta de cursos de
formação de professores, ampliação de vagas nos cursos existentes,
inovação e novos formatos de cursos de graduação representam pontos
fundamentais para a mudança do panorama atual do ensino superior no
Brasil. (BRASIL, 2009).

1307

�Inicialmente, houve certa resistência por parte de alguns alunos e professores, que
entendiam e argumentavam que a adesão ao Reuni seria um passo para a quebra do tripé
ensino-pesquisa-extensão e, consequentemente, perda de autonomia e ameaça à qualidade do
ensino. (ADUFEPE, 2007). Na época, houve alguns manifestos, tais como a ocupação do
prédio da reitoria pelos alunos, reivindicando a revogação da adesão ao Programa Reuni
votada e aprovada no Conselho Universitário em 26 de outubro de 2007. (UFPE, 2007a).
Naquela conjuntura, o projeto de expansão da UFPE já tinha sido iniciado em 2005 e
2006, respectivamente, com a criação dos campi Caruaru e Vitória de Santo Antão. Para a
consolidação desses campi, foi extremamente importante a inserção da UFPE no Reuni,
iniciativa fundamental para a universidade, que passou a incorporar uma das ações integrantes
do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) em reconhecimento ao papel estratégico
das universidades no desenvolvimento social, político e econômico do país.
Com o objetivo de avançar, implementar e consolidar o Plano Estratégico
Institucional (PEI) que corresponde à visão, missão, valores, objetivos e tópicos estratégicos
na UFPE (UFPE, 2003), bem como o Projeto Pedagógico Institucional (PPI), o processo de
elaboração de um plano de expansão e reestruturação da universidade aconteceu de forma
compartilhada. A base do Reuni foi a compreensão das limitações da instituição buscando
atender a uma demanda histórica da sociedade com relação ao aumento da oferta de vagas no
ensino superior público e com qualidade.
No intuito de promover o Reuni na instituição, o Projeto teve como diretrizes gerais
fortalecer a UFPE, enquanto instituição pública de ensino superior do Brasil, através da
expansão e reestruturação dos cursos de graduação, da renovação pedagógica, da mobilidade
estudantil, do aperfeiçoamento dos programas de assistência estudantil e do crescimento da
pós-graduação, articulada com o ensino da graduação. (UFPE, 2007b).
Nos cinco anos de execução do Reuni, foram visíveis os avanços e mudanças na UFPE
no sentido de torná-la uma instituição mais ágil, moderna e preparada para atender às
demandas da comunidade universitária e da sociedade em geral.
Na tabela abaixo, é possível observar o crescimento de cursos, de concessão de bolsas
estudantis e aumento de vagas na UFPE após o Reuni.

1308

�Tabela 1 - Situação da universidade no período do Reuni 2007-2012.
ANO

CURSOS DE BOLSAS
VAGAS
GRADUAÇÃO ESTUDANTIS

2007
75
2012
102
Fonte: UFPE (2013)

2.609
5.175

5.285
6.812

CURSOS DE
PÓSGRADUAÇÃO
162
175

2.1.1 Modernização das bibliotecas da UFPE
As bibliotecas universitárias desempenham um papel fundamental no ensino superior
por contribuírem ativamente no processo de avaliação e reconhecimento dos cursos, além de
exercerem forte influência na formação dos usuários. Na UFPE, o Sistema Integrado de
Bibliotecas é composto por treze unidades, sendo uma biblioteca central; onze setoriais e
uma biblioteca do Colégio de Aplicação.
Durante o projeto Reuni, as bibliotecas tiveram participação ativa na comissão
gestora do Projeto sendo representadas pela direção do SIB. Coube ao SIB a
responsabilidade de aglutinar os projetos apresentados pelas diversas unidades do Sistema,
transformando-os em um projeto coletivo. As demandas das unidades do Sistema poderiam
ser de espaço físico, equipamentos, mobiliários ou quaisquer outros itens considerados
necessários para avançar na qualidade dos serviços. Desta forma, itens como a ampliação de
espaço exigiam o envio do projeto arquitetônico, porém a maioria das bibliotecas não
dispunha de projeto dessa natureza. Para tanto, foi necessário desenvolver um trabalho em
equipe com os arquitetos da Prefeitura da Cidade Universitária da UFPE para juntos
elaborarem os projetos de ampliação, reforma ou construção.
A partir dos projetos arquitetônicos foram aplicados os recursos da tabela 2, para
ampliação e reforma das bibliotecas visando melhorar a infraestrutura física e a
acessibilidade.

1309

�Tabela 2- Recursos aplicados na ampliação e reforma das bibliotecas da UFPE (2008-2013) 157
Descrição da Unidade
Biblioteca Central (BC)
Biblioteca do Centro de Ciências Sociais Aplicadas
(BIBCCSA)
Biblioteca do Centro de Artes e Comunicação (BIBCAC)
Biblioteca do Centro de Ciências da Saúde (BIBCCS)
Biblioteca do Centro de Educação (BIBCE)
Biblioteca do Centro de Ciências Jurídicas (BIBCCJ)
Biblioteca do Centro de Tecnologias e Geociências
(BIBCTG)
Biblioteca do Centro de Ciências Biológicas (BIBCCB)
Biblioteca do Centro Acadêmico de Vitória (BIBCAV)
Fonte: UFPE (2014b)

Valor da Obra Quantidade
em (m2)
1.869.164,79 5.452,38
210.226,18
90.800,57
358.246,84
134.928,84
12.505,88

1.667m2
1.039,67m2
1.821,74m2
853,43m2
1.170m2

298.666,60
211.149,15
1.188.451,76

1.750m2
1.070,08m2
1.040,00 m2

Em 2009, foram iniciadas as reformas em praticamente todas as bibliotecas setoriais
culminando com as inaugurações dos prédios no período de 2010 a 2013. As bibliotecas
contempladas foram: Biblioteca Central, Biblioteca do Centro de Ciências Biológicas,
Biblioteca do Centro de Artes e Comunicação, Biblioteca do Centro de Ciências Sociais
Aplicadas, Biblioteca do Centro de Educação, Biblioteca do Centro de Tecnologias e
Geociências, Biblioteca do Centro de Ciências da Saúde e a Biblioteca do Centro Acadêmico
de Vitória. Somente a Biblioteca do Centro de Ciências Jurídicas não finalizou a reforma por
entraves burocráticos, já que se trata de um prédio histórico tombado pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAM).
Buscando modernizar as bibliotecas, foram renovados em qualidade e quantidade o
mobiliário e os equipamentos, principalmente no que se refere à aquisição de computadores e
sistema de refrigeração para todo o Sistema. Destaca-se a aquisição de computadores, splits,
estantes com sinalização, cadeiras longarinas com pranchetas, dentre outros equipamentos e
mobiliários. A partir dessa ação, as bibliotecas foram transformadas em ambientes mais
confortáveis para o estudo. (UFPE, 2010). O objetivo foi oferecer melhorias nas condições de
atendimento à comunidade acadêmica, proporcionando conforto ambiental, acessibilidade, e
padronização do ambiente. Essa concepção ocorreu em sintonia com o conceito de que as
unidades de informação são espaços de leitura, estudo e pesquisa e, consequentemente,
necessitam oferecer aos usuários ambientes confortáveis e propícios ao desenvolvimento de
suas atividades.
157 Algumas reformas foram concluídas em 2013 ainda com recursos provenientes do Reuni.

1310

�Para viabilizar esses aspectos, a elaboração dos projetos arquitetônicos considerou os
conceitos de conforto ambiental e acessibilidade, englobando o controle interno de
temperatura, umidade, ventilação e boa iluminação, pois, segundo Ribeiro (2006), a
iluminação deve ter por objetivo evitar o ofuscamento, reflexo, sombras e contrastes em
excesso.
A escolha do piso das bibliotecas foi outro ponto discutido e, com base em Ribeiro
(2006), partiu-se da compreensão da importância de critérios como a não exalação de
poluentes, a não contribuição para a poluição na biblioteca, além de ser impermeável ou
resistente à água.
Alguns ambientes tiveram que ser padronizados, tais quais: balcão de empréstimos, já
adaptados à acessibilidade; definição de espaço entre as estantes para permitir a circulação de
cadeirantes; instalação de piso tátil para facilitar a circulação de usuários com dificuldade
visual nos principais acessos das bibliotecas; e colocação de portas com medidas
padronizadas para tornar os espaços acessíveis e funcionais. Todas as intervenções
relacionadas seguiram as recomendações de Fonseca Júnior (2012), quando afirma que a
acessibilidade é o meio de proporcionar ao deficiente ou pessoa com mobilidade reduzida
condição necessária para a utilização do que lhe é de direito. Por sua vez, autores como Prado
(2003) complementam que um ambiente com acessibilidade atende, diferentemente, a uma
variedade de necessidades dos usuários, tornando possível uma maior autonomia e
independência.
O aspecto segurança do acervo também foi contemplado no Reuni com a renovação
dos sistemas de detecção e alarme, pois como afirma Lima (1998), o homem ainda é um dos
agentes biológicos que não tem sido objeto de políticas de conservação e manutenção de
acervo. Sob esse olhar, foram renovados todos os equipamentos para a segurança do acervo,
como as antenas antifurtos e os magnetizadores/desmagnetizadores.
O crescimento e atualização do acervo são pontos estratégicos para as bibliotecas
universitárias por permitirem oferecer informações mais próximas da sua demanda, por essa
razão Evans (2000 apud SANTOS, 2013, p.2) considera que o desenvolvimento de coleções
é um processo de identificação das fortalezas e fraquezas das coleções de uma biblioteca.
Isto ocorre em termos das necessidades dos usuários e dos recursos da comunidade, na
tentativa de corrigir fraquezas existentes, se houver.

Nesta perspectiva, o projeto

contemplou o crescimento e a atualização do acervo pela possibilidade de contribuir para
consolidar a modernização das unidades de informação. O acervo das bibliotecas em seus
vários suportes tiveram acréscimos em quantidade e qualidade no período de 2008 a 2012,

1311

�como observado na tabela 3. A aquisição de acervo foi baseada em critérios que priorizaram
a atualização das bibliografias básicas e complementares dos cursos. Esta ação possibilitou
uma aquisição baseada em sugestões atualizadas fortalecendo o acervo e concorrendo para
uma melhor avaliação das bibliotecas pelo MEC.

Tabela 3- Quantidade total de títulos e exemplares de livros do SIB.
ANOS
TÍTULOS EXEMPLARES
168.695
305.690
2008
208.550
440.015
2012
Fonte: PERGAMUM158 (2008-2012)

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Pesquisa de caráter exploratório, realizada a partir de entrevista, análise documental de
relatórios e projetos institucionais elaborados pelas diversas unidades do Sistema de
Bibliotecas da UFPE, no período de 2007 a 2012. Os dados foram obtidos junto às treze
bibliotecas que compõem o SIB/UFPE e a partir de informações coletadas no Sistema
Pergamum, além de sites institucionais e outros documentos eletrônicos.
Com o objetivo de contribuir para a discussão sobre o tema, procedeu-se a um
levantamento inicial sobre o Reuni como política do Governo Federal no sentido de
reestruturar e expandir as universidades públicas no país. Em seguida, optou-se por
contextualizar o Reuni na UFPE e sua contribuição para expansão e modernização das
bibliotecas na universidade a partir de sua adesão e implementação.

4 RESULTADOS FINAIS
A iniciativa do Governo Federal com a criação do Reuni e em contrapartida, a
decisão da administração central da UFPE em aderir ao Programa concorreram para
alavancar o crescimento da Universidade nos últimos cinco anos. Entretanto, é importante
destacar as várias contribuições realizadas no âmbito da universidade pelos diversos setores
com seus respectivos projetos de melhorias para promover a expansão física, acadêmica e
pedagógica da instituição. Sem dúvida alguma, todas as ações oriundas do Reuni tiveram
como foco diminuir as desigualdades sociais no país. Essa ação na UFPE ocorreu através da
criação de 88 novos cursos de graduação; ampliação de 1.518 vagas nos cursos de graduação
existentes; oferta de cursos noturnos com foco especial para as licenciaturas; concursos para

158 Sistema de automação do SIB/UFPE.

1312

�docentes e técnico-administrativos; investimentos em bolsas de assistência estudantil
visando minimizar a evasão; construção de novos prédios e reforma e ampliação dos campi
do interior.
Atualmente, os dados demonstram que o investimento do Reuni na interiorização
contribuíram para a consolidação dos campi. O Centro Acadêmico de Vitória (CAV) oferece
dois cursos de mestrado, seis cursos de graduação e conta com 1.378 alunos, 106 residentes,
além de 124 professores permanentes, 25 docentes substitutos e 68 servidores técnicoadministrativos. (REYNALDO, 2014). Quanto ao Centro Acadêmico do Agreste (CAA) são
dez cursos de graduação, quatro cursos de pós-graduação e conta com 4.600 alunos, além de
220 professores e 100 servidores técnico-administrativos. (LEÃO, 2013).
No tocante às unidades do SIB, as reformas físicas realizadas proporcionaram o
aumento do número de usuários internos e externos utilizando as novas salas de estudo em
grupo, cabines de estudo individuais e serviços oferecidos nas salas de pesquisa em bases de
dados e acesso à internet. Ainda com relação ao Sistema Integrado de Bibliotecas, atualmente
o acervo é de cerca de 300 mil títulos e mais de um milhão de exemplares. A equipe técnica é
formada por aproximadamente 257 técnicos e colaboradores, dentre eles bibliotecários,
assistentes e bolsistas. A partir do Reuni houve um aumento no número de servidores nas
bibliotecas, com a contratação de 15 novos bibliotecários e nove auxiliares administrativos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As dificuldades iniciais de viabilização do Reuni na UFPE foram muitas,
principalmente no quesito obras, que geraram atrasos devido à divergência de projetos,
condições climáticas e entraves burocráticos. Entretanto, esses entraves e dificuldades não
impediram que os objetivos gerais da UFPE fossem atingidos. Tais resultados podem ser
vislumbrados na ampliação do número de vagas, contratação de mais professores e técnicoadministrativos, construção de novos prédios e salas de aula, reestruturação e ampliação de
espaços físicos, como também aprimoramento e implementação de recursos pedagógicos e de
mobilidade estudantil.
No tocante ao Sistema de Bibliotecas da UFPE, as ações realizadas pelo Reuni
transformaram a realidade tanto do ponto de vista da renovação de espaços, serviços,
acervos, equipamentos e mobiliários, quanto da ampliação do número de bibliotecários nos
campi de Recife, Caruaru e Vitória de Santo Antão.

1313

�6 REFERÊNCIAS

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1314

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Disponível em:

&lt;http://ruf.folha.uol.com.br/2013/rankinguniversitariofolha/&gt;. Acesso em: 16 dez. 2013.
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Biblioteconomia e Comunicação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre,
2006. Disponível em: &lt;www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/17600/000717764.pdf?&gt;.
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Biblioteca do Instituto Federal do Rio de Janeiro-Campus Nilópolis. In: CONGRESSO
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Informação &amp; Sociedade, João Pessoa, v. 1, n. 1, p. 8-13, jan./dez. 1991. Disponível em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/ois2/index.php/ies/article/view/18/1332&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
UFPE. Contra o Reuni: blog do movimento contra o Reuni na UFPE. [Recife], 2007a.
Disponível em: &lt;http://ocupaufpe.blogspot.com.br/&gt;. Acesso em: 17 abr. 2014.
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em:

&lt;http://www.ufpe.br/ufpenova/index.php?
option=com content&amp;view=article&amp;id=99&amp;Itemid=178&gt;. Acesso em: 19 jan. 2014.
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Disponível

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&lt;http://www.ufpe.br/proplan/images/Planejamento Estrategico Institucional-UFPE.pdf&gt;.
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2007b.

Disponível

em:

&lt;http://www.ufpe.br/proacad/images/Reuni/reuni 16abril2008 versao mec.pdf&gt;. Acesso em:
19 jan. 2014.
UFPE. Biblioteca Central. Relatório Anual do Sistema de Bibliotecas da UFPE. Recife,
2010.
UFPE. Pró-Rreitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (Proplan). Coordenadoria de
Informações Gerenciais (GIG). Indicadores institucionais da UFPE 2007 - 2012. [Recife],
2013. Disponível em:&lt;http://www.ufpe.br/proplan/images/pdf/ind inst 07 12.pdf&gt;. Acesso
em: 17 dez. 2013.
UFPE. Pró- Reitoria para Assuntos Acadêmicos. Diretoria de Informação Gerencial e
Infraestrutura Acadêmica - DIGI. [Planilha] Reforma e ampliação das instalações físicas
do Sistema de Bibliotecas da UFPE, Convênio 134/2007. [mensagem pessoal]. Mensagem
recebida por &lt;Adelaide.lima@yahoo.com.br&gt; 28 abr. 2014b.

1316

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) nos últimos cinco anos foram contempladas com recursos do Governo Federal provenientes do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). O objetivo do Reuni foi promover mudanças estruturais e pedagógicas nas instituições, visando dar à população maior acesso ao ensino superior público e de qualidade. Nessa perspectiva, no âmbito das instituições de ensino, foi ampliada a oferta de vagas, criados novos cursos e novas unidades acadêmicas. Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), cabe destaque aos investimentos feitos na modernização das bibliotecas no período de 2008 a 2012 e que são objetivos deste estudo. A pesquisa realizada foi de caráter exploratório, utilizando como metodologia o estudo de caso para apresentar os resultados das ações do Reuni no fortalecimento das políticas de informação na UFPE. Na etapa da coleta de dados, foram realizadas pesquisas documentais a partir de relatórios e de sites institucionais, além de depoimentos e entrevista com o gestor responsável pela implementação e acompanhamento do Programa na Universidade. O resultado da pesquisa apontou significativas mudanças nas bibliotecas, sobretudo do ponto de vista estrutural, da oferta de serviços, atualização das coleções, aumento do capital intelectual e consolidação das ações das unidades interiorizadas. A experiência do Reuni foi condição sine qua non para comprovar que o sucesso de uma política pública depende do seu direcionamento, transparência e comprometimento de todos os atores sociais envolvidos no processo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

IMPLANTAÇÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL DA PRODUÇÃO INTELECTUAL E
CIENTÍFICA DA UNICAMP: UM NOVO FORMATO DE DIVULGAÇÃO DA
PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE
Gislaine Melo de Lima
Elisangela de Moura
Alessandra Karyne Clemente de Souza Neves
Luíz Atílio Vicentini
Regiane Alcantara Eliel
Oscar Eliel
Keite Aparecida Duarte
Daniela Feijó Simões
RESUMO
O presente trabalho relata a experiência da Unicamp, na implantação do seu Repositório
Institucional (RI), Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp
(BDPIC). O desenvolvimento do projeto que teve parceria com o Conselho de Reitores das
Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP) tem como objetivo desenvolver uma
metodologia para implementação de repositórios institucionais universitários, com base em
padrões internacionais de interoperabilidade e acessibilidade da produção intelectual e
científica produzida na universidade. A primeira etapa, que foi considerada entendimento do
sistema, construção do repositório, tratamento dos dados piloto e lançamento do RI, foi
concluída com sucesso dentro do período determinado. Muito trabalho ainda tem para ser
desenvolvido, mas é importante considerar os passos que foram iniciados e dar continuidade
ao projeto, visando sempre à melhoria das atividades e a confiabilidade das informações
publicadas, para crescimento da BDPIC. Deve-se ter como premissa a relevância de um
repositório institucional como um canal para disseminação do conhecimento científico e
intelectual produzido na universidade.
Palavras-Chave: Repositórios institucionais - Experiência; Repositórios institucionais Bibliotecas universitárias; Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp;
Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas.
ABSTRACT
This paper reports the experience of Unicamp, in implementing its Institutional Repository
(IR), Digital Library Production Intellectual and Scientific Unicamp (BDPIC). The
development project had partnered with the Council of Rectors of State Universities Pauline
(CRUESP) aims to develop a methodology for implementation of university institutional
repositories based on international standards for interoperability and accessibility of
intellectual and scientific production in college. The first step, which was considered
understanding of the system, construction of the repository, processing of data and pilot
launch of RI, was successfully completed within the given period. Much work still has to be

4266

�developed, but it is important to consider the steps that were initiated and continue the project,
always improving the activities and the reliability of the information published, BDPIC
aiming for growth. Should be premised on the importance of an institutional repository as a
channel for dissemination of scientific and intellectual knowledge produced in the university.
Keywords: Institutional repositories - Experience; Institutional repositories - Academic
libraries; Digital Library of Intellectual Production and Scientific Unicamp; Council of
Rectors of Universities State Paulistas

1 Introdução

A distância não tem sido um problema para a comunicação, devido às facilidades que
a internet tem proporcionado. Conversas em tempo real via chat ou em vídeo conferência, são
algumas das vantagens do desenvolvimento tecnológico, o que permite a aproximação das
pessoas independente de qual parte do mundo elas estejam.
Na comunicação científica, tão importante quanto à comunicação informal, é a
comunicação formal, através do registro escrito de pesquisas que estão sendo realizadas e os
seus resultados, sejam estes positivos ou não. A disseminação dessas informações
possibilitam descobertas importantes, como a cura para determinadas doenças e o avanço de
diversas áreas, como a medicina, agricultura entre outras.
Nos últimos anos, o número de publicações em revistas científicas cresceu,
aumentando a produção científica e intelectual dentro das universidades, meio em que mais
ocorre o desenvolvimento de pesquisas. Isso tem gerado uma massa de informação, que
necessita ser reunida, tratada e disseminada para a comunidade acadêmica e sociedade em
geral.
Diante dessa realidade, têm surgido os Repositórios Institucionais (RI) como meio
para disseminar informação e ainda preservar a memória institucional. Além disso, os
repositórios tem sido fonte de análises de sistemas de classificação de universidades, como o
Webometrics Ranking o f World Univesities, que objetiva melhorar a presença das
universidades e instituições de pesquisa na web e promover a publicação em acesso aberto dos
resultados científicos. Essa é uma forma de verificar a visibilidade e o impacto das
publicações realizadas mundialmente.
A Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp (BDPIC) nasceu
com o propósito de reunir, integrar e publicar a produção científica das três universidades
estaduais de São Paulo, tendo como objetivo de desenvolver uma metodologia para

4267

�implementação de repositórios institucionais universitários, com base em padrões
internacionais de interoperabilidade e acessibilidade da produção intelectual e científica
produzida na Unicamp.
A BDPIC foi desenvolvida em regime de incubadora a partir da plataforma já
desenvolvida para o RI da Universidade de São Paulo (USP). Esse trabalho foi realizado pelo
Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) em parceria com o Sistema Integrado de
Bibliotecas (SIBI) da USP. Esta estratégia possibilitou que a equipe de tecnologia do SBU
pudesse iniciar o desenvolvimento do RI e adquirir conhecimento de uma plataforma ainda
não utilizada na Unicamp. (VICENTINI, 2013).
No dia 06 de outubro de 2013, foi lançado o RI Unicamp, com o Repositório da
Produção Científica do CRUESP, na abertura da Conferência Luso Brasileira de Acesso
Aberto (CONFOA), realizado na Biblioteca Brasiliana da USP.

Figura 1: Interface BDPIC Unicamp
Busca Integrada -^ flU E S P

#4
'V *'

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BD PIC
B ib lio te c a D ig ita l d a P r o d u ç ã o I n te le c tu a l e C ie n tific a d a U n ic a m p

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Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp

□
Busca avançada

Todo o repositório
Unidades Unicamp
Datada publicação
Autor
Titula
Assunto
Tino de acesse
Aoéncia de Fomento

A Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp tem por objetivo reunir e disseminar a produção intelectual, acadêmica e cultural da universidade e preservar sua
memória institucional, além de contribuir para ampliar a visibilidade da instituição e dos seus pesquisadores em âmbito nacional e internacional.
O desenvolvimento dessa Biblioteca Digital está sendo realizado em parceria entre os Sistemas de Bibliotecas da UNICAMP, U SP e U NESP e, conta com o apoio das P ró Reitorias de
Pesquisa das três instituições e da F APESP.
O software de gerenciamento utilizado na estruturação da Biblioteca Digital é o Dspace - Digital Repository System (projeto colaborativo da MIT Libraries e a Hewlett-Packard Company),
desenvolvido para possibilitar a criação de repositórios digitais com funções de captura, distribuição e preservação. É um software de código fonte aberta que fornece facilidades para o
gerenciamento de acervo digital, utilizado para implementação de repositórios institucionais.

Submissões recentes
Directed and elliptic flow of charged particles in C u plus C u collisions at root s(NN)-22.4 GeV
Agakishiev, G ; Aggarwal, M. M.; Ahammed, 1:,Alakhverdyants, A. V.; Alekseev, I.; Alford, J.; Anderson, B. D.; Anson, C . D.; Arktiipkin, D.; Averichev, G . S.; Balewski, J.; Beavis, D. R ;

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Data de publicação
Tipo de acesso
Agência de Fomento

Behera, N. K.; Bellwied, R.; Betancourt, M. J.; Betts, R. R.; Btiasin, A.; Bhati, A. K.; Bichsel, H.; Bieltik, J.; Bielcikova, J.; Bland, L. C.; Bordyuztiin, I. G.; Borowski, W.; Bouchet, J.; Braidot, E.;
Brandîn, A. V.; Bridgeman, A.; Brovko, S. G.; Bruna, E.; Bueltmann, S.; Bunzarov, I.; Burton, T. P.; Cai, X. 1:, Caines, H.; Sanchez, M. Calderon de la Barca; Cebra, D.; Cendejas, R.;
Cervantes, M. C.; Chaloupka, P.; Chattopadhyay, S.; Chen, H. F.; Chen, J. H.; Chen, J. Y.; Chen, L ; Cheng, J.; Chem ey, M.; Chikanian, A.; Choi, K. E.; Christie, W.; Chung, P.; Codrington,
1/1. J. M.; Corliss, R.; Cramer, J. G.; Crawford, H. J.; Cui; Leyva, A. Davila; De Silva, L C.; Debbe, R. R.; Dedovfch, T. G.; Deng, J.; Derevschikov, A. A.; Derradi de Souza, R.; Didenko, L ;
Djawotho, P.; Dogra, S. M.; Dong, X.; Drachenberg, J. L ; Draper, J. E.; Du, C . M.; Dunlop, J. C.; Efimov, L G.; Elnimr, M.; Engelage, J.; Eppley, G.; Estienne, M.; Eun, L ; Evdokimov, 0.;
Fatemi, R.; Fedorisin, J.; Fersch, R. G.; Filip, P.; Finch, E.; Fine, V.; Fisyak, Y.; Gagliardi, C. A.; Gangadharan, D. R.; Geurts, F.; Ghosh, P.; Gorbunov, Y. N.; Gordon, A.; Grebenyuk, 0 . G.;
Grosnick, D.; Gupfa, A.; Gupta, S.; Guryn, W.; Haag, B.; Hajkova, 0.; Hamed, A.; Han, L. -X.; Harris, J. W.; Hays-Wehle, J. P.; Heinz, M.; Heppelmann, S.; Hirsch, A.; Hjort, E ; Hoffmann, G.

Estatística

W.; Hofman, D. J.; Huang, B.; Huang, H 1:, Humanic, T. J.; Huo, L ; Igo, G.; Jacobs, P.; Jacobs, W . W.; Jena, C.; Jin, E ; Joseph, J.; Judd, E. G.; Kabana, S.; Kang, K.; Kapitan, J.; Kauder, K.;

Veras estatísticas de uí

Ke, H. W.; Keane, D.; Kechechyan, A.; Kettler, D.; Kikola, D. P.; Kiryluk, J.; Kisiel, A.; Kizka, V.; Klein, S. R.; Knospe, A. G.; Koetke, D. D.; Koflegger, T.; Konzer, J.; Korait, I.; Koroleva, L ;
Korsch, W.; Kotchenda, L.; Kouchpil, V.; Kravtsov, P.; Krueger, K.; Krus, M.; Kumar, L ; Lamont, M. A. C.; Landgraf, J. M.; LaPointe, S.; Lauret, J.; Lebedev, A.; Lednicky, R.; Lee, J. H.;
Leight, W.; LeVine, M. J.; Li, C ; Li, L ; Li, N.; U , W.; Li, X ; Li, X ; Li, Y.; Li, Z. M.; Lima, L M.; Usa, M. A.; Liu, F ; Liu, H.; Liu, J.; Ljubicic, T.; Llope, W. J.; Longacre, R. S.; Lu, Y.; Lukashov, E
V.; Luo.X.; Ma, G. L ; Ma, Y. G.; Mahapatra, D. P.: Majka, R.; Mail, 0 . L; Manweiler, R.; Margetts, S.; Markert, C.; Masui, H.; Matîs, H. S.; McDonald, D.; McShane, T. S.; Meschanin, A.;

H RSS2.0
§3 Atom

Milner, R.; Minaev, N. G.; Mioduszewski, S.; Mitrovski, M. K.; Mohammed, Y.; Mohanty, B.; Mondai, M. M.; Morozov, B.; Morozov, D. A.; Munhoz, M. G.; Mustafa, M. K.; Naglis, M.; Nandi, B. K.:
Nayak, T. K.; Nogach, L V.; Nurushev, S. B.; Odyniec, G.; Ogawa, A.; Oh, K.; Ohlson, A.; Okorokov, V.; Oldag, E. W.; Oliveira, R. A. N.; Oison, D.; Pachr, M.; Page, B. S.; Pal, S. K.; Pandit,
Y.; Panebratsev, Y.; Pawlak, T.; Pei, H.; Peitzmann, T.; Perkins, C.; Peryt, W.; Pile, P.; Planinic, M.; Ploskon, M. A.; Pluta, J.; Plyku, D.; Poljak, N.; Porter, J.; Poskanzer, A. M.; Potukuchi, B. V.
K. S.; Powell, C . B.; Prindle, D.; Pruneau, C.; Pruthi, N. K.; Pujahari, P. R.; Putschke, J.; Qîu, H.; Raniwala, R.; Raniwala, S.; Ray, R. L.; Redwine, R.; Reed, R.; Ritter, H. G.; Roberts, J. B.;
Rogachevskiy, 0 . V.; Romero, J. L ; Ruan, L.; Rusnak, J.; Sahoo, N. R.; Sakrejda, I.; Salur, S.; Sandweiss, J.; Sangafine, E.; Sarkar, A.; Schambach, J.; Scharenberg, R. P.; Schaub, J.;

Fonte: http://uncamp.sibi.usp.br/

2 Revisão de Literatura

4268

�A ciência sempre buscou disseminar seus resultados de pesquisas, buscando alguma
melhoria, evolução e desenvolvimento para sociedade. Sabe-se que os pesquisadores por meio
de suas pesquisas, tem o compromisso de publicar esses resultados para se legitimar, e isso só
ocorre quando divulgado, analisado e comprovado por seus pares. Esse processo é conhecido
como comunicação científica.

Segundo Meadows, a comunicação científica é descrita como sendo:
[...] essência do conhecimento científico, sendo tão vital quanto a própria
pesquisa, pois a esta não cabe reivindicar com legitimidade este nome
enquanto não houver sido analisada e aceita pelos pares. Isso exige
necessariamente que seja comunicada. (MEADOWS, 1999, p. VII).

No decorrer dos tempos, a comunicação científica sofreu grande impacto na forma de
divulgação e acesso das fontes de informações científicas. Essas mudanças propiciaram
grandes avanços, expandindo a forma de comunicação, divulgação e acesso a qual é possível
verificar através da história: em 1895 os belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine, preocupados
com o controle bibliográfico universal, decidiram montar em Bruxelas o Instituto
Internacional de Bibliografia; em 1951 surge o termo recuperação da informação, criado por
Calvin Mooer, o qual não se preocupa apenas com o suporte físico, mas com a recuperação e
o acesso à informação; em 1960 começa uma nova linha chamada de ciência nova que
estudamos no dias de hoje como Ciência da Informação e por fim em 1990 com o advento da
Web (Word Wide Web)

cresce o volume de informação

surgindo as Tecnologias da

Informação e Comunicação (TICs).
Com a introdução das TICs, remodelaram as formas de divulgação da comunidade
acadêmica, sobretudo, na forma de publicar e acessar resultados de suas pesquisas, assim
propiciando uma evolução no fluxo de comunicação.
Weitzel afirma que:
[...] a partir da última década do século XX este cenário tem se modificado e
está em pleno estágio de reorganização dos processos e produtos da
comunicação científica, por meio da adoção das tecnologias de informação e
comunicação, e da consolidação de algumas iniciativas, principalmente a
Iniciativa de Arquivos Abertos e o Movimento de Acesso Livre. (WEITZEL,
2006, p. 52).

4269

�Em meio a este fato, surge a questão do controle dessas informações por parte dos
editores, onde ficam com total controle e uso das publicações. Buscando mudanças na cultura
de submissão e divulgação das pesquisas científicas, iniciativas por parte da comunidade
acadêmica foram adotadas, em prol de um Movimento Aberto, onde cientistas buscam novas
formas de divulgação e acesso a essas fontes.
Segundo Leite (2009), a partir desse propósito, o pesquisador Stevan Harnad criou
duas estratégias de ação: a implantação da via dourada e a implantação da via verde. A via
dourada diz respeito à produção e ampla disseminação de periódicos eletrônicos de acesso
aberto na rede. Ao publicarem em periódicos de acesso aberto, os pesquisadores
potencializam a comunicação científica, já que esta via possibilita a ampliação do diálogo
entre os seus pares. Por outro lado a via verde trata-se da criação de repositório institucional
para a organização e disseminação da produção científica das instituições de pesquisa.
Sendo assim, Batista et al. (2007) descreve que as manifestações surgiram em defesa
de um modelo que garantisse o Acesso Livre à Informação e Conhecimento Científico. A
iniciativa de Open Archives iniciou-se por meio da Convenção de Santa Fé (EUA, 1990),
onde Open Archives Initiative (OAI), define os princípios básicos de acesso aberto à produção
científica. Pois sua missão é contribuir para transformação da comunicação científica, tem
como objetivo, definir aspectos técnicos e de suporte organizacional de uma estrutura de
publicação científica aberta.
A partir deste marco, houve diversas ações em todo mundo, focados nos mesmos
princípios. Em meio a essas iniciativas, demais países demonstraram apoio, disseminando
essa filosofia. Dentre eles: Budapeste (2002), Bethesda e Berlin (2003). No Brasil houve
apoio do Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Cientifica (2005),
Declaração de Florianópolis (2006), Carta Aberta à SBPC (2006) e o Projeto de Lei
1120/2007.
O Budapest Initiative Open Access (BOAI) define acesso aberto como:
Disponibilidade gratuita da informação na Internet pública, para que
qualquer usuário a possa ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, com a
possibilidade de buscar ou relacionar todos os textos destes artigos. Revisar
a informação, indexá-la, usá-la como dado para software, ou utilizá-la com
qualquer outro propósito legal, sem empecilhos financeiros, legais ou
técnicos, diferentes do fundamental de ter acesso à própria Internet.
(BOAI, 2014)

4270

�Com essas mudanças, foram ampliadas as formas de divulgação dessas fontes e em
meio ao intenso fluxo informacional gerado, surgiu à necessidade de agrupamento dessas
informações, de forma precisa e confiável.
Desta forma, os Repositórios surgiram no contexto do Acesso Livre, servindo a
sociedade, fomentando e ampliando o acesso a publicação científica, sem custos e barreiras.
Para Viana, Márdero Arellano e Shintaku (2005, p. 3) “repositório digital é uma forma
de armazenamento de objetos digitais que tem a capacidade de manter e gerenciar material
por longos períodos de tempo e prover o acesso apropriado”.
Desta forma, essa ferramenta mantém a memória do material intacta, administra para
usos futuros, preserva o conteúdo, sem restrições legais. E, disponibilizando essas fontes,
contribui para democratização do conhecimento.
De acordo com Leite et al. (2012) os repositórios podem ser categorizados como:
institucionais, temáticos/ disciplinares, de teses e dissertações. No caso deste projeto, foi
implantado o uso do Repositório Institucional de Acesso Aberto porque lida com a produção
científica de uma determinada instituição.
Leite complementa ainda que:
Um repositório institucional de acesso aberto constitui um serviço de
informação científica - em ambiente digital e interoperável - dedicado ao
gerenciamento da produção científica e/ou acadêmica de uma instituição
(universidades ou institutos de pesquisa). Comtempla a reunião,
armazenamento, organização, preservação, recuperação e, sobretudo, a
ampla disseminação da informação científica produzida na instituição.
(LEITE et al, 2012, p. 7)

Outro aspecto levantado por Leite (2009) refere-se que os repositórios institucionais
possuem uma função de gerenciar a informação científica desenvolvida nas atividades de
ensino e pesquisa, e oferecem suporte as mesmas. Sendo assim traz uma série de benefícios
que são percebidos por diferentes segmentos com foco nos pesquisadores, administradores
acadêmicos, universidades e comunidade científica.

■ Pesquisadores: visibilidade de suas descobertas científicas; facilidade de gestão da
produção científica; ambiente seguro; facilidade de identificação; endereço eletrônico
simples; aumento de citações; diminuição da possibilidade de plágio; oferta de
indicadores do impacto dos resultados; Incentiva outros pesquisadores; acesso por
meio de qualquer dispositivo WEB; melhora o entendimento sobre direitos autorais;
supre as demandas das agências de fomentos.

4271

�■ Administradores acadêmicos: oportunidades para o arquivamento e preservação dos
trabalhos em formato digital; termômetro das atividades de pesquisa; facilita a
pesquisa interdisciplinar; reduz a duplicação de registros; automatiza tarefas e a coleta
de metadados por outras fontes.
■ Universidades: aumenta a visibilidade, reputação e prestígio da instituição; maximiza
a eficiência e o compartilhamento de informações; melhora a precisão e completude
dos registros dos documentos acadêmicos da instituição; facilita o gerenciamento dos
direitos de propriedade intelectual da instituição; reduz custos de gestão da informação
científica; ferramenta de marketing; contribui para o processo de avaliação das
atividades de pesquisa; oferece flexibilidade e possibilidade de integração com outros
sistemas de gestão e disseminação da produção científica institucional; contribui para
a missão e valorização da instituição no que diz respeito à transparência, à liberdade
de discurso e à igualdade.
■ Comunidade científica: contribui para a colaboração na pesquisa, por meio da
facilitação de troca livre de informação científica; contribui para o entendimento
público das atividades e esforços de pesquisa; reduz custos (ou pelos menos direciona
sua realocação) associados com assinaturas de periódicos científicos; favorece a
colaboração em escala global na medida em que explicita resultados de pesquisa e põe
autores em evidência.
Partindo dessa premissa, segundo Vicentini,
A criação de um sistema de informação que reúne, preserva, divulga e
permite o acesso à produção intelectual e acadêmica da comunidade
universitária, fez com que a Unicamp por meio de seu Sistema de
Bibliotecas, no ano de 2002 viesse a implantar a sua Biblioteca Digital, com
ênfase nas dissertações e teses, proporcionado o acesso aberto a essa
produção acadêmica local, nacional e internacional sendo 100% das teses
defendidas na universidade e outros documentos. (VICENTINI, 2013, p. 1).

Diante dessa experiência já obtida pelo Sistema de Biblioteca da Unicamp, foi
proposta a criação do Repositório Institucional BDPIC.

2.1 Software DSpace

Para a implantação do RI Unicamp, optou-se por utilizar o software DSpace, fruto do
resultado de pesquisas entre Massachusetts Institute o f Technology (MIT) e a HP em 2002.
Trata-se de um software open source que implementa um repositório digital aberto e permite

4272

�o gerenciamento de grande quantidade de conteúdo e diversos formatos, contribuindo para o
aumento da acessibilidade e visibilidade dos conteúdos digitais que indexa. A arquitetura é
modular permitindo integração de recursos locais e customizações.
O desenvolvimento e suporte técnico do DSpace se dá em comunidade
internacional composta principalmente por analistas de bibliotecários da
área. Além disso, a segurança se dá pela interfase WEB, baseado em
tecnologia XML e JAVA com as páginas montadas através de conversores
XSL/XSLT e folhas de estilo CSS. O controle de acesso para usuário e
grupos de usuários passa por níveis de permissões sincronizados com as
etapas de workflow. O arquivamento de texto completo ocorre em sistemas
de arquivo distribuídos - SRBs. (VICENTINI, 2013, p. 7).

Portanto, vê-se a importância da criação dos repositórios institucionais, pois a pesquisa
que é gerada na universidade gera inovação científica e tecnológica, e o produto final será
inserido para beneficio da sociedade.
Podemos afirmar que iniciativas estão sendo tomadas por parte da Comunidade
Científica, pelo Órgão Nacional Ciência e Tecnologia, pelas Agências de Fomento, pelos
profissionais Bibliotecários que estão se atualizando neste novo contexto da informação
digital, e as bibliotecas mais preparadas visam contribuir com o trabalho desses autores na
produção científica do nosso país. Além disso, “estabelecer um repositório institucional indica
que biblioteca está mudando seu papel de custódia para contribuir ativamente na mudança de
modelo da comunicação científica” (VIANA, MÁRDERO ARELLANO, SHINTAKU, 2005,
p. 7). Essas mudanças estreitam os laços da biblioteca com a universidade, atrai olhares e
investimentos, contribui para valorização profissional, além de contribuir ativamente no
desenvolvimento da instituição.
No entanto, para que os repositórios institucionais consigam alcançar as suas metas, é
de primordial importância envolver os pesquisadores e utilizadores neste inovador sistema de
comunicação científica, pois a participação dos mesmos é fundamental para a manutenção do
repositório, pois assim como cooperam com o fornecimento de conteúdo dos repositórios,
também necessitam colocar à informação técnica científica de outras instituições aí
disponibilizada. Concordando com Marques, Maio (2006) para que possa haver este
compromisso por parte dos autores no auto arquivamento da sua produção intelectual, é
necessário conscientizá-los para a importância deste sistema de comunicação científica, quer
para o desenvolvimento e progresso da própria ciência nos seus diversos campos
disciplinares, como também o seu potencial contributo para a distinção e valorização do seu
trabalho a nível institucional, nacional ou internacional.

4273

�3 Materiais e Métodos
3.1 Coleta de dados
O tipo de material selecionado para compor o início do repositório, foram artigos
publicados em revistas científicas, que tivessem autores da universidade em parceria com
autores da USP e/ou UNESP, somente do ano de 2012.
Para a busca dos artigos e coleta dos dados referenciais, foi utilizada como ferramenta
a Base Web of Science (WOS), da Thomson Reuters, cujo acesso a universidade possui
através da assinatura realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES). A escolha desta base sucedeu-se, por esta indexar um número vasto de
periódicos científicos nacionais e principalmente internacionais, tornando a grande em
conteúdo referencial multidisciplinar.
Foi utilizada a seguinte estratégia de busca no WOS para recuperação dos artigos,
conforme apresenta figura abaixo:

Figura 2: Web of Science - interface de pesquisa

Fonte: http://apps.webofknowledge .com/

A partir dessa estratégia foi recuperado o total de 752 artigos com autores da Unicamp
e USP, e a mesma estratégia utilizada com a UNESP recuperou 204 artigos. Os dados foram
extraídos em maio de 2013.

4274

�Dessa coleta foi utilizado como piloto, os 752 registros de autoria Unicamp e USP,
devido ao fato de ser a amostra maior e atender a quantidade mínima estabelecida, que foi de
700 registros para o início. Além desse critério, necessitaria de mais tempo para trabalhar com
as duas listas, por isso, o tempo também foi outro critério considerado.
Os dados foram exportados do WOS direto para o formato (.txt), e convertidos para
(.xls). Após a conversão para Excel, verificou-se que os dados não estavam com entradas
padronizadas, e antes das informações serem publicadas no repositório, as listas tiveram que
passar por um pré-tratamento.
Houve um aumento na quantidade de registros publicados como piloto, que deveu-se a
parceria com a USP, que cedeu uma lista com 1197 registros semi-prontos, em que havia
autoria da USP com Unicamp de anos anteriores a 2012. Essa lista necessitou a separação dos
autores internos, que estavam como sendo USP e do acréscimo das informações de unidade e
departamento. Dessa quantidade 6 registros foram retirados da lista por não conter autores da
Unicamp.

3.2 Tratamento da Informação

Nesta etapa do trabalho, a equipe discutiu sobre quais dados que deveriam constar no
repositório das três universidades e sobre quais metadados deveriam ser padronizados, para
que não houvesse problemas no momento de fazer a integração dos sistemas em uma única
plataforma.
Os metadados básicos selecionados para compor o repositório foram:
■ Autor institucional
■ Autores (pesquisadores)
■ Título do artigo
■ Imprenta;
■ Resumo;
■ Assunto;
■ Direito de acesso;
■ Origem do registro;
■ Agência financiadora (quando houver)

Outras informações foram utilizadas, e para estas tendo sido criadas um metadados,
como exemplo, o endereço Digital Object Identifier (DOI).

4275

�Considerando a data limite para o lançamento do repositório CRUESP, foi priorizado
o tratamento de informações que eram imprescindíveis conterem no momento da publicação,
pois estava atrelada a estrutura do Dspace. Uma dessas informações eram as unidades e
departamentos aos quais os autores da Unicamp estavam vinculados na universidade quando
feita a publicação do artigo no periódico. Alguns artigos possuíam a informação, porém como
já mencionado anteriormente, as listas exportadas não estavam com as informações
completas.
Após serem estudadas as possibilidades de como deveriam ser colhidas tais
informações, verificou-se que todo o trabalho deveria ser realizado manualmente, ou seja,
dever-se-ia procurá-las em fontes de informações, que até o momento eram desconhecidas.
Com o intuito de ganhar tempo e minimizar esforços, foi considerado que tais dados seriam
coletados somente do primeiro autor dos “autores internos” de cada artigo, pois não seria
possível fazer a ligação da unidade e departamento de todos os autores vinculados à Unicamp
nesse primeiro momento.

Figura 3: Estrutura de unidades e departamentos no Space

BDPIC
fcbbmci
hodaçto SadKTsal
Dujial da

• Cmteia da Bmcaasp

sÇwircftCwMftiniMSwKtttfuitm-CCSBt

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*

«EogtàidlFÿxÿj•füffl11il

Fonte: http://unicamp.sibi.usp.br/community-list

4276

�As fontes de informação utilizada para consulta e coleta dos dados foram:
■ Lista do setor de recursos humanos com nome completo dos docentes,
unidades e departamentos da Unicamp aos quais estavam vinculados;
■ Currículo Lattes;
■ Home Page das faculdades e institutos da Unicamp;
Os artigos que possuíam a informação, mesmo que incompleta, de unidade
(comunidade) e/ou departamento (coleção), tiveram os seus registros trabalhados logo de
imediato, pois necessitava de ser feita a busca de apenas parte da informação.
Com relação aos metadados padrão (autor, título, resumo, palavras-chave, entre
outras), não houve alterações nessa etapa.

3.3 Direitos de acesso

Uma questão de grande importância para o andamento do repositório foi à análise da
política de restrição das revistas/editores. Tal análise é imprescindível que seja realizada,
certificando-se de que não ocorra nenhuma infração contra a lei dos direitos autorais ao
realizar a publicação dos arquivos dos textos completos dentro do repositório.
Para checar essa política, foi utilizado o Sherpa Romeo, um serviço da University of
Nottinghan, atualmente financiado pelo Joint Information Systems Committee (JISC), que
disponibiliza informação atualizada sobre a política de restrição relacionada ao pré-print
(artigo antes da submissão em revista), pós-print (artigo aceito pela revista, após
modificações) e PDF do editor (artigo publicado na revista), e sobre a possibilidade ou não de
publicação na íntegra em repositórios institucionais.
Após a verificação das revistas em que os artigos que constavam na lista foram
publicados, chegou-se a definição de três categorias de acesso para o repositório:
■ Aberto - artigos de revistas/editor com acesso livre, como a Scielo;
■ Fechado - revistas/editor comerciais que não permitem a publicação dos artigos em
repositório;
■ Restrito (IP Unicamp) - revistas/editor comerciais e associações científicas que
permitem a disponibilização dos artigos somente dentro da instituição;

Dentro da quantidade total de publicação, que foi de 1947 registros:
■ 337 - abertos; com texto completo para download;
■ 760 - fechados; sem texto completo;

4277

�■ 850 - restritos; download permitido apenas para usuários vinculados a
Unicamp, necessitando de autenticação de login e senha institucional para
acesso.

4 Resultados Parciais/Finais

Nessa primeira etapa de entendimento do sistema, construção do repositório e
tratamento dos dados para o lançamento, foi concluída com sucesso dentro do período
determinado, que foi de 6 meses.
A BDPIC foi lançada com o total de 1947 registros publicados, que em comparação
com o número de publicações que ainda há de ser realizada, a quantidade é baixa, entretanto,
pode-se considerar o resultado positivo pelo curto período, contando desde o conhecimento da
ferramenta, estruturação, coleta de dados, tratamento e lançamento do repositório.
Os dados que entraram no sistema tiveram o tratamento mínimo das informações e a
estrutura do RI Unicamp seguiu o mesmo padrão da USP, a equipe considerou que
modificações relacionadas a essas áreas deveriam ser deixadas para serem adequadas nas
futuras etapas.
O trabalho de tratamento da informação e a análise de política de acesso são as
atividades que levam maior tempo para serem realizadas, pois necessita da busca de
informação manualmente. Outro fator de atraso ocorreu com as fontes de informação que
foram utilizadas para consulta, por em alguns momentos estarem com a página fora do ar, ou
então não conterem a informação procurada. Nesses casos, foi necessário aguardar o
funcionamento da página, ou descobrir uma nova fonte que pudesse haver a informação
necessária.

5 Considerações Parciais/Finais

Muito trabalho ainda tem para ser desenvolvido, mas é importante considerar os
passos que foram iniciados e dar continuidade ao projeto, visando sempre à melhoria das
atividades, a confiabilidade das informações publicadas, para crescimento da BDPIC. Deve-se
ter como premissa a relevância de um repositório institucional como um canal para
disseminação do conhecimento científico e intelectual produzido na universidade.
Para conclusão desse artigo, façamos algumas considerações:

4278

�Tendo a realidade de que atualmente a plataforma da BDPIC esta hospedada no
servidor da USP, a migração do repositório para a Unicamp é um dos objetivos principais
nessa próxima etapa. Para isso, a coordenação do SBU se mobilizou junto aos órgãos
competentes, explanando a questão atual do repositório e sobre a necessidade de aquisição
dos equipamentos necessários para a migração. Após a devida análise, a solicitação foi
autorizada.
Foi criado um Grupo de Trabalho, composto atualmente pelos autores deste artigo,
com a finalidade de trabalhar na estruturação, gerenciamento BDPIC, e treinamentos que
deverão ser realizados para a comunidade interna da universidade, principalmente as
bibliotecas, sobre o funcionamento e uso do RI.
Um ponto importante para as próximas etapas é a definição das políticas de acesso do
RI Unicamp, assim como a criação de toda a documentação necessária (manuais,
procedimentos, relatórios), a fim de formalizar o uso e trabalho dos produtos e serviços que
serão oferecidos através do repositório.
A padronização dos dados dos registros que já estão publicados e dos que irão entrar
na BDPIC, e a estruturação das entradas para cada tipo de documento que serão publicados, é
de grande importância para a recuperação e organização das informações, além de permitir a
interoperabilidade dos metadados com outros sistemas.
A realização da catalogação analítica, no Sophia, software de gerenciamento do
catálogo da Unicamp (Base Acervus), é um trabalho que também será priorizado no
andamento do repositório. Considera-se importante a recuperação da informação através do
catálogo, além da visibilidade ao repositório.
A migração das teses e dissertações da Biblioteca Digital da Unicamp, para a BDPIC,
é outra atividade que pretende ser realizada. Entende-se a importância da reunião de toda a
produção científica da universidade numa única plataforma para disseminação da informação,
acesso e análises de medição. Além da migração, esta sendo estudada a viabilidade da
inserção do Digital Object Identifier (DOI) nas teses e dissertações defendidas na
universidade. Esse serviço permitirá a localização e divulgação dos trabalhos, com um link
seguro e valor agregado.

6 Referências
BAPTISTA, Ana Alice et al. Comunicação científica: o papel da Open Archives Initiative no
contexto do acesso livre. Enc. Bibl: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., Florianópolis, n. esp., 1°
sem., p. 1-17, 2007.

4279

�UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Biblioteca Digital da Produção
Intelectual

e

Científica

da

Unicamp

-

BDPIC.

2014.

Disponível

em:

http://unicamp.sibi.usp.br/. Acesso em: 25 abr. 2014
BUDAPESTE INITIATIVE OPEN ACCESS.

Prologue: The Budapest Open Access

Initiative after 10 years. Disponível em: &lt;http://www.budapestopenaccessinitiative.org/boai10-recommendations&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
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produção científica. 2012. Disponível em: &lt;http://livroaberto.ibict.br/handle/1/703 &gt;. Acesso
em: 22 abr. 2014.
LEITE, Fernando César Lima. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação
científica brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília: IBICT, 2009.
120p.
MARQUES, Amélia Maria; MAIO, Silvia Raque da Silva. Repositório institucionais. 2006.
Disponível

em:

&lt;http://repositoriosdigitais.web.simplesnet.pt/PDF'S/Artigo%20%20Repositorios%20Instituci
onais.pdf&gt;. Acesso em: 30 abr. 2014.
MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos, 1999. 268 p.
SHERPA ROMEO. Políticas de copyright e de auto-arquivo de editores. 2014. Disponível
em: &lt; http://www.sherpa.ac.uk/romeo/?la=pt&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
VIANA, C. L. M.; MÁRDERO ARELLANO, M. A.; SHINTAKU, M. Repositórios
institucionais em ciência e tecnologia: uma experiência de customização do Dspace. In:
PROCEEDINGS SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS DIGITAIS, 3., 2005,
São Paulo. Anais... São Paulo. Disponível em: &lt; http://eprints.rclis.org/7168/1/viana358.pdf&gt;.
Acesso em: 25 abr. 2014.
VICENTINI, Luiz Atilio. Repositório institucional da Unicamp (Biblioteca digital da
produção intelectual e científica da Unicamp): desenvolvimento e implantação na Unicamp,
Unicamp, 2013.
WEITZEL, Simone da Rocha. O papel dos repositórios institucionais e temáticos de estrutura
da produção científica. Em Questão, Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 51-71, jan./jun. 2006.

4280

�</text>
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                <text>O presente trabalho relata a experiência da Unicamp, na implantação do seu Repositório Institucional (RI), Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp (BDPIC). O desenvolvimento do projeto que teve parceria com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP) tem como objetivo desenvolver uma metodologia para implementação de repositórios institucionais universitários, com base em padrões internacionais de interoperabilidade e acessibilidade da produção intelectual e científica produzida na universidade. A primeira etapa, que foi considerada entendimento do sistema, construção do repositório, tratamento dos dados piloto e lançamento do RI, foi concluída com sucesso dentro do período determinado. Muito trabalho ainda tem para ser desenvolvido, mas é importante considerar os passos que foram iniciados e dar continuidade ao projeto, visando sempre à melhoria das atividades e a confiabilidade das informações publicadas, para crescimento da BDPIC. Deve-se ter como premissa a relevância de um repositório institucional como um canal para disseminação do conhecimento científico e intelectual produzido na universidade. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O CRM NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS: PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO
NA BIBLIOTECA CENTRAL DO CEFET/RJ
Lívia da Fraga Lima
Rogerio Atem de Carvalho

RESUMO
Apresenta uma proposta de implementação do Customer Relationship Management (CRM) na
Biblioteca Central do CEFET/RJ, a partir do Modelo DDI e do Modelo dos Quatro Pilares do
CRM. A metodologia utilizada foi o estudo de caso e, para tanto, foram coletados dados por
meio de aplicação de questionário específico aos usuários da referida biblioteca, na tentativa
de se identificar os pontos fortes e fracos e, por consequência, as oportunidades de melhorias
em termos de gestão do relacionamento com o cliente no âmbito da biblioteca objeto do
estudo. Foi realizado amplo levantamento bibliográfico para identificar os trabalhos que mais
poderiam contribuir com a elaboração da proposta em questão. Os resultados evidenciaram
que é possível que, por meio do CRM, as bibliotecas adotem o foco no usuário e que muitos
dos elementos de CRM já são contemplados pelo sistema de gerenciamento de acervos
adotado pela Biblioteca Central do CEFET/RJ à luz dos modelos abordados. Constatou-se
que, com a adoção do CRM, as bibliotecas poderão atingir maior satisfação de seus usuários e
excelência operacional.

Palavras-Chave: Marketing de relacionamento; CRM; Gestão estratégica de bibliotecas.
Estudo de usuários.
ABSTRACT
This paper presents a proposal for implementing Customer Relationship Management (CRM)
in the Central Library of CEFET / RJ as the DDI Model and Model of the Four Pillars of
CRM. The methodology used was the case study and, therefore, data through application specific questionnaire to the users of that library, in an attempt to identify the strengths and
weaknesses were collected and, therefore, opportunities for improvements in management of
customer relationships within the library object of study. Extensive literature survey was
conducted to identify studies that could contribute most to the development of the proposal.
The results showed that it is possible that, through CRM, libraries adopt the focus on the user
and that many of the elements of CRM are already covered by the collections management
system adopted by the Central Library o f CEFET / RJ in the light of the models. It was found
that, with the adoption of CRM , libraries can achieve higher user satisfaction and operational
excellence.

Keywords: Relationship marketing; CRM; Strategic management of libraries; Study users.

3128

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas em nossa sociedade atual, a sociedade da informação, precisam se
reinventar e se utilizar de novas e modernas formas de gestão, uma vez que hoje enfrentam a
concorrência da Internet, a qual oferece uma enorme quantidade de informação e, por
questões de facilidade e comodidade, é muito mais fácil as pessoas buscarem as informações
que necessitam na rede do que nas bibliotecas que, até então, exerciam com de maneira
monopolizada a função de disponibilizar a informação.
Muitos bibliotecários acreditam saber o que seus usuários desejam sem a necessidade
de consultá-los ou, então, acreditam que a “caixa de sugestões” é suficiente para identificar os
desejos e as necessidades dos usuários. No entanto, as bibliotecas necessitam buscar formas e
modelos que possibilitem avanços e desenvolvimento na forma de gestão de seus processos,
estrutura e serviços e ir além da “caixa de sugestão” para identificar tais desejos e
necessidades, o que tem sido imperativo no alcance daqueles avanços (FINGER; CASTRO;
COSTA, 2007).
Nesse contexto, a implementação do Customer Relationship Management (CRM) seria
uma alternativa para que as bibliotecas conseguissem alcançar com êxito os seus objetivos,
conhecendo exatamente as necessidades de seus usuários, a fim de atendê-los da maneira
adequada, oferecendo serviços de informação de qualidade. A saber: atendimento das
necessidades informacionais de seus usuários, melhoria da qualidade dos serviços oferecidos
e melhoria da relação entre bibliotecas e usuários. Ressalta-se que a Tecnologia da
Informação (TI) é uma aliada nesse processo, pois procura viabilizar a operacionalização das
estratégias e dos processos de CRM.
Face ao exposto, o presente artigo, transpor os conceitos do CRM do contexto
empresarial para o contexto das bibliotecas, tem como objetivo apresentar uma proposta para
implementação do CRM na Biblioteca Central do Centro Federal de Educação Tecnológica
Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), a partir do Modelo DDI e do Modelo dos Quatro
Pilares do CRM. Dessa maneira, contribui fundamentalmente para o fortalecimento teórico
dos estudos de Biblioteconomia voltados para a gestão estratégica de bibliotecas e gestão do
relacionamento com o cliente/usuário, disseminando tais conhecimentos e formas de
aplicação. Assim, servirá como um instrumento de apoio às bibliotecas que desejam implantar
o CRM.
Acredita-se que trabalhar as concepções das bibliotecas, sejam elas acadêmicas,
universitárias, especializadas, dentre outras, com base nas necessidades e nas relações com

3129

�seus clientes pode contribuir muito para o desenvolvimento das organizações às quais estão
vinculadas, conforme salientam Finger, Castro e Costa (2007).
Além

das

contribuições

apresentadas,

este

estudo

justifica-se

também

pela

originalidade de seu enfoque e pela contribuição social do mesmo, pois, ao implementar o
CRM em bibliotecas, estas se preocuparão mais com o acesso aos materiais do acervo por
parte de seus usuários e atuarão de maneira mais incisiva na disseminação do conhecimento, o
que, sem dúvida, servirá de base para uma melhor atuação do bibliotecário brasileiro.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A melhoria dos processos internos das bibliotecas, no que tange à agilidade e
eficiência, e dos serviços oferecidos aos clientes/usuários constitui um verdadeiro desafio. De
fato, acaba por ser um verdadeiro desafio para as bibliotecas que, ainda hoje, se preocupam
muito com as questões técnicas inerentes à organização de acervos em detrimento das
questões de acesso dos materiais pelo usuário, em função das necessidades reais de cada um
deles, exatamente conforme Silva (2003, p. 63) afirmou:
Normalmente, quando se prende a minúcias técnicas e aos “esotéricos”
sistemas de classificação, o bibliotecário não enxerga nem mesmo as
necessidades mais urgentes da comunidade a que serve. Preocupado em
conferir os dez ou doze dígitos que compõem a notação de classificação da
obra em preparo técnico, o bibliotecário não percebe que ela é esperada
ansiosamente por inumeráveis leitores. Porém, somente quando estiver
devidamente encerrado o processamento técnico é que o livro ficará à
disposição dos usuários. Aí talvez já seja tarde demais...
Contudo, a fim de atender às pressões com vistas ao avanço e desenvolvimento em
sua forma de gestão, tanto de processos, como estrutura e serviços, diversas Bibliotecas
Universitárias (BUs) têm buscado novas formas e modelos que possibilitem alcançá-los
(FINGER; CASTRO, 2004). Por esse motivo, atualmente, o bibliotecário gestor tenta
acompanhar as novas tendências e paradigmas administrativos, tentando adaptá-los à
realidade da biblioteca (NEVES; SOUZA; LUCAS, 2006).
O marketing se apresenta como solução para esse caso, no entanto, o marketing de
relacionamento se apresenta como uma melhor solução em relação ao marketing tradicional, o
qual está em fase de declínio. Para as bibliotecas que, conforme foi mencionado
anteriormente, muitas das vezes parecem desconsiderar o seu cliente/usuário bem como suas
reais necessidades, a adoção do marketing de relacionamento viria a propiciar melhores

3130

�desempenhos e resultados, uma vez que procura criar um bom relacionamento da empresa
com os clientes, identificando suas reais necessidades e atendendo-as de maneira satisfatória.
Peppers e Rogers (1997, p. 85) afirmam que:
O marketing de relacionamento era a maneira de fazer negócios antes da
Revolução Industrial, antes dos produtos de massa e antes da grande mídia.
Os proprietários de um armazém, banco, barbearía ou estábulo pensavam em
seu negócio basicamente em termo de “participação do cliente”. O lojista
era, antes do século XX, um executivo de marketing de relacionamento que
cuidava dos clientes como indivíduos. Ele carregava o banco de dados na
cabeça.
Segundo Vavra (1993)

existem uma

série

de termos para marketing

de

relacionamento, tais como: marketing com banco de dados (database marketing), marketing
individualizado, micromarketing, marketing personalizado, marketing one to one, marketing
de retenção, marketing de frequência,

marketing de relacionamento,

marketing de

segmentação, marketing integrado, marketing interativo, marketing de diálogo, marketing de
currículo e marketing de nichos. No entanto, marketing de relacionamento será o termo
adotado na presente pesquisa.
No marketing de relacionamento a empresa interage com o cliente de maneira a
segmentá-los e diferenciá-los, oferecendo produtos de acordo com as necessidades e os
desejos de cada tipo de cliente. Assim, a empresa busca um relacionamento de longo prazo
baseado na confiança e na lealdade junto a seus consumidores finais.
O marketing de relacionamento tem três componentes-chave identificados por Vavra
(1993). São eles: qualidade, serviços ao cliente e pós-marketing. Trata-se de uma abordagem
da administração estratégica. Ele é usado como uma opção para as organizações que tem o
lucro por objetivo, o que não é o caso das bibliotecas. Contudo, Oliveira (1998, p. 174), ao
fazer uma revisão da literatura internacional, ressalta que “enquanto alguns possam questionar
a aplicabilidade dos princípios administrativos à gerência de bibliotecas, uma questão está
bem

clara:

instituições

sem

fins

lucrativos

estão

ativamente

adotando

práticas

administrativas” . Dessa forma, Oliveira e Pereira (2003, p. 27) afirmam que para as unidades
de informação “uma maneira de tentar ‘sobreviver’ é se articular em termos de marketing de
seus produtos/serviços, por meio do marketing de relacionamento” .
O CRM, enquanto filosofia de gestão, é criado a partir da identificação da
necessidade de centralização no cliente pelas empresas, por essa razão, diversas empresas
começaram a se voltar para a melhoria do seu relacionamento com seus clientes.

3131

�Autores que abordam o CRM o definem de formas variadas. Alguns o definem como
uma filosofia, outros como uma estratégia de negócio, outros ainda como uma ferramenta
tecnológica. Existem, inclusive, autores que apresentam outras definições, no entanto, nesta
pesquisa considera-se apenas as três definições iniciais mencionadas. O que é um consenso
entre todos eles é que o CRM é uma abordagem da administração estratégica e faz parte do
marketing de relacionamento.
Valls, Souza e Beretta (2011) apresentam o CRM como estratégia gerencial,
enunciando a seguinte definição:
A Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM) é uma estratégia
empresarial que coloca o cliente como elemento central dos processos do
negócio, entendendo e antecipando suas necessidades com o objetivo de
atendê-las da melhor forma. A implantação do CRM embora esteja ligada à
utilização de soluções tecnológicas, é muito mais ampla do que isso, pois
envolve toda a filosofia e práticas gerenciais de produtos e serviços voltados
ao cliente, objetivando processos e padrões bem definidos e mensuráveis.
(VALLS; SOUZ; BERETTA, 2011, p. 14).
A definição apresentada pelo Gartner Group é a seguinte:

CRM é uma estratégia de negócio voltada ao entendimento e à antecipação
das necessidades dos clientes atuais e potenciais de uma empresa. Do ponto
de vista tecnológico, o CRM envolve capturar os dados do cliente ao longo
de toda a empresa, consolidar todos os dados capturados interna e
externamente em um banco de dados central, analisar os dados consolidados,
distribuir os resultados dessa análise aos vários pontos de contato com o
cliente através de qualquer ponto de contato com a empresa. (PEPPERS;
ROGERS, 2004, p. 48).
De acordo com as definições de CRM apresentadas, pode-se definir os estudos de
usuários como a primeira tentativa no campo da Biblioteconomia de se realizar a gestão do
relacionamento com o cliente, pois, de acordo com as definições apresentadas por Figueiredo
(1994), constituem uma ação necessária para que a biblioteca identifique exatamente as
necessidades e desejos de seus clientes e os transforme em demanda de produtos e serviços de
informação, com vistas a apoiar o desenvolvimento de coleções.
Greenberg (2010), afirma que a TI oferece subsídios para operacionalização das
estratégias e processos de CRM, tendo importância fundamental para que a organização possa
interagir com seus clientes, criando diversos canais de contato, processando informações e
transformando-as em conhecimento.

3132

�De acordo com os autores Newell (2000), Valls, Souza e Beretta (2011), o CRM
promove a fidelização de clientes, ao melhorar a qualidade dos serviços oferecidos pela
organização, bem como a relação destas com aqueles, conforme mencionam Finger e Castro
(2004).
Peppers e Rogers (2004) propõem quatro passos básicos para um processo de
implementação de um programa de CRM: identificar, diferenciar, interagir e personalizar.

Identificar: consiste na identificação dos clientes da organização, coletando o maior
número possível de dados. É fundamental identificar os clientes para que se possa estabelecer
uma boa relação com eles, caso contrário a relação fica comprometida. Desta forma, é
necessário conhecer os clientes individualmente, com riqueza de detalhes. Uma vez que é
feita uma boa identificação, é possível que haja reconhecimento deles em todos os pontos de
contato.

Diferenciar: após identificar os clientes, é possível diferenciá-los a fim de que a
empresa possa priorizar seus esforços. Essa diferenciação pode ser feita de duas maneiras:
pelo nível de valor para sua empresa e pelas necessidades que têm de produtos e serviços de
sua empresa. Uma vez que são estabelecidas as diferenciações, a empresa pode direcionar e
priorizar seus esforços no sentido de aproveitar os clientes de maior valor, bem como
personalizar seu comportamento baseado nas necessidades individuais de serviços pelos
clientes.

Interagir: consiste na interação da empresa com seus clientes. A empresa deve
estabelecer uma boa interação com estes últimos, buscando, a partir da mesma, a melhoria de
qualidade de seus serviços/produtos. Isso significa estabelecer quais as melhores formas de
interação e comunicação com os clientes, em função de custo e preferência, bem como
analisar quais as formas mais úteis em termos de retorno de informação sobre o cliente e seu
comportamento. Uma interação eficaz ajuda a fortalecer as relações com os clientes.

Personalizar: ao conhecer os clientes individualmente na fase da identificação, é
possível personalizar os serviços/produtos da empresa para cada um deles a fim de melhor
atendê-los. Personalizar é uma forma que a empresa encontra para se adaptar às necessidades
individuais expressas pelo cliente.
Madruga (2010, p. 97) desenvolveu uma metodologia, que chamou de DDI, para
implementar a visão de CRM nas organizações e que, segundo ele, é a etapa que deve ser
antecedente aos investimentos em CRM em termos de solução tecnológica, as quais são
descritas a seguir:

3133

�1. Discutir :
a) O planejamento estratégico para ser orientado ao cliente;
b) A estrutura organizacional das áreas de contato com o cliente;
c) As estratégias, os processos e procedimentos de negócios para serem alinhados
com a nova visão;
d) O foco da organização e a relação com clientes e fornecedores.

2. Descartar:
a) Crenças enraizadas que colocam o cliente como o “mal necessário”;
b) Atitudes gerenciais que levam o subordinado a dependência e falta de autonomia.
c) A ideia de que uma boa propaganda resolve todos os problemas de
relacionamento e satisfação dos clientes;
d) A crença de que o marketing é sinônimo exclusivamente de criatividade e
inimigo de controles internos e externos que beneficiam os clientes.

3. Integrar :
a) A visão dos sistemas legados com novos sistemas;
b) Todos os processos e interface que influenciam de alguma maneira os clientes;
c) Os pontos de contato com o cliente, seja em que mídia ou região for;
d) Treinar as pessoas com a nova visão e com o novo ambiente de mudança para
que reajam favoravelmente.

Assim, face às definições apresentadas para CRM, conclui-se que ele pode propiciar
um melhor atendimento ao cliente/usuário e, consequentemente, uma mudança na própria
gestão de bibliotecas, com um melhor alcance de seus objetivos. Afinal, o bibliotecário
precisa entender que para sobreviver ele tem que sair da cômoda posição de receptor e
executor e assumir o papel de protagonista nessa história.
Nesse contexto, sabendo-se que as bibliotecas podem ser beneficiadas com a
utilização de novas e modernas formas de gestão, o CRM se constitui como uma ferramenta
estratégica do marketing de relacionamento, cujo foco está no gerenciamento das relações
entre as organizações e os seus clientes atuais e potenciais. Assim, a implementação do CRM
nas bibliotecas colaboraria para o alcance de seus objetivos de suprir as necessidades
informacionais dos seus clientes, melhorando a qualidade dos serviços oferecidos e a relação
entre bibliotecas e usuários.

3134

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a realização do estudo adotou-se dois métodos de investigação: estudo de caso e
revisão de literatura. Na realização do estudo de caso foi aplicado o instrumento chamado de
Escala de Relacionamento com Clientes (ERC), criado e validado por Rozzett e Demo (2010)
a fim de mensurar o grau de relacionamento entre empresas e seus clientes. O universo
trabalhado correspondeu ao total de usuários da Biblioteca Central do CEFET/RJ que
possuíam cadastro ativo até a data de 31/01/2014, totalizando 2.006 usuários até a data de
10/09/2013, data de início da aplicação do questionário. Não foi selecionada nenhuma
amostra para a aplicação do questionário e, portanto, o questionário foi enviado para todos os
usuários mencionados, compreendendo estudantes de ensino médio/técnico, estudantes do
ensino pós-médio, estudantes da graduação, estudantes do curso de tecnólogo, estudantes da
pós-graduação, professores e servidores técnico-administrativos. O envio do questionário foi
feito por e-mail e a taxa de retorno foi de, aproximadamente, 23,7% (476 respondentes).

Para a revisão de literatura, foi realizado levantamento bibliográfico de fontes que
pudessem subsidiar a discussão por meio da análise bibliográfica dos materiais encontrados
nas buscas. As buscas foram feitas em catálogos de bibliotecas e na Internet, em mecanismos
de busca como Google e Google Acadêmico; em bancos de teses e dissertações de
instituições específicas e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD); na
base Scopus, do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES) e na Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Dessa forma, os
tipos de publicações envolvidos para a formulação da base teórica deste estudo foram os
seguintes: livros, artigos científicos e trabalhos apresentados em eventos da área de
Biblioteconomia e Documentação.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A proposta a ser apresentada foi feita com base no Modelo DDI, de Madruga (2010),
e no Modelo dos Quatro Pilares do CRM, de Peppers e Rogers (2004), com o objetivo de
melhor atender aos seus usuários, investindo na qualidade de seus produtos e serviços e na
construção de um relacionamento mais próximo dos usuários, otimizando a satisfação dos
mesmos. Salienta-se que os dados coletados por meio do questionário aplicados aos usuários
da biblioteca contribuíram consideravelmente para a elaboração da proposta, uma vez que foi
possível identificar os pontos fracos e fortes e as oportunidades de melhorias em termos de
gestão do relacionamento com o cliente no contexto da biblioteca em questão.

3135

�Modelo DDI
Discutir: o planejamento estratégico da biblioteca para ser orientado ao usuário; a
estrutura organizacional das áreas de contato com o usuário, redesenhando os processos de
atendimento; as estratégias, processos e procedimentos do setor para serem alinhados com a
nova visão; o foco da biblioteca e a relação com usuários e fornecedores; o processamento
técnico para que seja acelerado o processo de inclusão de obras e que seja dada preferência de
inclusão no sistema aos livros que são mais procurados; formação de um grupo
multidisciplinar formado pelo bibliotecário, por um analista de sistemas e por um
programador, de acordo com Lucas e Souza (2007); e uma nova forma de recompensa a fim
de incentivar os colaboradores a desenvolverem relacionamentos com os usuários.
Descartar: crenças enraizadas que colocam o usuário como o “mal necessário”;
atitudes gerenciais que levam o subordinado a dependência e falta de autonomia; a ideia de
que uma boa propaganda resolve todos os problemas de relacionamento e satisfação dos
clientes/usuários; a crença de que marketing é sinônimo exclusivamente de criatividade e
inimigo de controles internos e externos que beneficiam os clientes; a ideia que o
bibliotecários tem de pressupor o que o usuário deseja, sem ao menos consultá-los; a ideia de
que todo usuário tem pleno conhecimento sobre o uso da biblioteca; a ideia de que a
biblioteca, por ser necessária para os alunos, não precisa realizar ações de marketing.
Integrar: todos os processos e interface que influenciam de alguma maneira os
usuários; os pontos de contato com o cliente, seja em que mídia ou região for: telefone, e­
mail, Terminal Web, dentre outros; treinar as pessoas com a nova visão e com o novo
ambiente de mudança para que reajam favoravelmente; o sistema de cadastro utilizado pela
biblioteca com outros sistemas da instituição, permitindo um olhar mais amplo sobre os
usuários.

Modelo dos Quatro Pilares
Os quatro passos apresentados por Peppers e Rogers (2004) são passos sequenciais.
No entanto, de acordo com a figura apresentada, no momento da interação, pode resultar em
informações que impliquem na identificação do usuário, voltando para o primeiro passo
(identificar) e refazendo, se necessário for, as políticas e os parâmetros estabelecidos
(diferenciar), para então, personalizar o serviço ou produto. Na Figura 1, as setas com
preenchimento na cor preta indicam o sentido do fluxo da informação referente a cada passo.
Já as setas com sombreamento da cor cinza indicam a sequência dos passos envolvidos na
implementação do CRM.

3136

�Figura 1: Processo de CRM na Biblioteca Central doCEFET/RJ

Fonte: A autora (2013)

O sistema de gerenciamento de acervos (Sophia)
Entre a implementação da visão de CRM e a implementação do CRM de fato, tem
um ínterim que corresponde ao período em que deve ser escolhida a tecnologia, ou seja, o
sistema de CRM que será utilizado. Para tanto, Madruga (2010) estabelece as etapas para se
contratar uma solução de CRM. Neves, Souza e Lucas (2006) fundamentaram teoricamente a
relação dos quatro pilares do CRM (identificar, diferenciar, interagir e personalizar) com os
módulos usuário dos softwares utilizados na administração de BUs. De maneira similar,
buscou-se verificar quais elementos de CRM são contemplados pelo sistema utilizado pela
biblioteca. Verificou-se que muitas das funções apresentadas na proposta são contempladas
pelo sistema utilizado pela biblioteca à luz do modelo dos Quatro Pilares do CRM, de Peppers
e Rogers (2004). Dessa forma, verificou-se que o Sophia cumpre a função de um software de
CRM à luz do Modelo dos Quatro Pilares e do Modelo DDI.

3137

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Os resultados evidenciaram que é possível às bibliotecas acadêmicas adotarem o foco
no usuário, por meio do CRM. Assim, a adoção do CRM por aquelas implica na maior
satisfação dos usuários, uma vez que, de acordo com o presente estudo, foi demonstrado que é
possível eliminar críticas relativas aos vários aspectos da biblioteca, seja em relação ao
atendimento, acervo, infraestrutura, dentre outros.
Verificou-se que o sistema de gerenciamento adotado pela Biblioteca Central do
CEFET/RJ, à luz dos modelos do Modelo dos Quatro Pilares do CRM e do Modelo DDI,
cumprem a função de um software voltado para o CRM. Já em relação às técnicas e
tecnologias de data warehouse e data mining, que devem ser utilizadas no desenvolvimento
de um software de CRM, não se pode afirmar que ele cumpre a função de sistema de CRM,
pois não foi analisado tal aspecto. De modo que, caso a biblioteca opte pela implementação de
um sistema próprio de CRM, será necessário fazer um planejamento e orçamento antes de
qualquer tipo de ação para implementação do marketing de relacionamento e da infraestrutura
de CRM.
Outro ponto importante e que foi apresentado na revisão de literatura em relação ao
CRM é que não se trata de uma iniciativa que tem que ser implementada como um bloco
único. Além de ser possível, é indicado que essa iniciativa seja implementada aos poucos,
como, por exemplo, a algum processo específico, com poucos clientes, avançando
gradualmente à medida que a cultura vai sendo assimilada pela organização e os resultados
vão sendo comprovados. Afinal, uma vez convencida de sua filosofia, a organização pode,
aos poucos, começar a modificar seu comportamento em relação aos clientes. Assim, a
realização do teste-piloto se deu com esse propósito.
Na transposição dos conceitos do CRM do contexto empresarial para o contexto das
bibliotecas e unidades de informação, verificou-se que o marketing como filosofia gerencial
para as unidades de informação ainda não venceu o medo de seus bibliotecários e/ou gestores.
Desse modo, a adoção do marketing por bibliotecas ainda hoje não é visto como um
imperativo para o funcionamento das mesmas. No entanto, tal adoção se justifica por tornar as
bibliotecas mais eficazes na obtenção de seus objetivos.
É interessante implementar o CRM em bibliotecas, não pelo retorno financeiro,
conforme acontecem quando da sua implementação em empresas, mas para atingir maior
satisfação dos usuários e excelência operacional. Além disso, possibilita maior interação da
biblioteca com o cliente para melhor atender suas necessidades de uso e acesso à informação,

3138

�melhoria nos serviços oferecidos e na tomada de decisão, por permitir melhor planejamento e
qualidade das mesmas.

6 REFERÊNCIAS
FIGUEIREDO, N. M. Estudos de uso e usuários da informação. Brasília: IBICT, 1994.
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�PEPPERS, D.; ROGERS, M. CRM Series: Marketing 1 to 1. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo:
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3140

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                <text>Apresenta uma proposta de implementação do Customer Relationship Management (CRM) na Biblioteca Central do CEFET/RJ, a partir do Modelo DDI e do Modelo dos Quatro Pilares do CRM. A metodologia utilizada foi o estudo de caso e, para tanto, foram coletados dados por meio de aplicação de questionário específico aos usuários da referida biblioteca, na tentativa de se identificar os pontos fortes e fracos e, por consequência, as oportunidades de melhorias em termos de gestão do relacionamento com o cliente no âmbito da biblioteca objeto do estudo. Foi realizado amplo levantamento bibliográfico para identificar os trabalhos que mais poderiam contribuir com a elaboração da proposta em questão. Os resultados evidenciaram que é possível que, por meio do CRM, as bibliotecas adotem o foco no usuário e que muitos dos elementos de CRM já são contemplados pelo sistema de gerenciamento de acervos adotado pela Biblioteca Central do CEFET/RJ à luz dos modelos abordados. Constatou-se que, com a adoção do CRM, as bibliotecas poderão atingir maior satisfação de seus usuários e excelência operacional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SALÃO DE LEITURA DA BIBLIOTECA NILO PEÇANHA DO IFPB CAMPUS
JOÃO PESSOA: uma questão de leitura, formatos e suportes
Lucrécia Camilo Camilo de Lima

RESUMO
Estudo realizado com os usuários do Salão de Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha (BNP), do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), campus João Pessoa,
com o objetivo de investigar as necessidades de informação dos usuários reais da referida
biblioteca, no que se refere a tipos de suportes e formatos de leitura, tendo em vista o novo
contexto de leitura virtual e os novos modelos de suportes/formatos, com a web e as novas
tecnologias da informação e comunicação. A metodologia aplicada foi estudo de caso com a
técnica de questionários com perguntas objetivas e subjetivas. Tivemos como base os
assuntos: necessidades de informação, formatos e suportes de informação para a leitura,
leitura e bibliotecas universitárias. Resultados apontam que a predominância no gênero dos
usuários reais do Salão de Leitura da BNP, foi o sexo masculino. E, na categoria técnicos e
superior, os que mais responderam as questões da pesquisa foram os cursos técnicos e
superiores: os técnicos com 50% e superior com 38%, o menor índice foi para os cursos da
categoria tecnológicos, com 12%. E as faixas etárias que obtiveram um maior índice foram:
13 a 18 anos e 18 a 25 anos, para os cursos técnicos e cursos superiores, respectivamente.
Entre as preferências dos usuários reais por suportes/formatos de leitura: os livros impressos e
as leituras através da web obtiveram um maior índice. Pretende-se através desse estudo
colaborar para que a BNP, possa planejar e tomar decisões assertivas na seleção, aquisição
de livros e formatos/suportes de leitura, conforme as necessidades demandadas nessa
pesquisa, a fim de tornar os serviços com eficiência e buscar a satisfação dos usuários da
BNP.
Palavras-Chave: Necessidades informacionais. Estudo de usuários. Formato de leitura.
Suporte de leitura. Biblioteca universitária.
ABSTRACT
Study conducted with users in the Hall Library's reading Nilo Peçanha ( BNP ) , of the
Federal Institute of Education , Science and Technology of Paraiba ( IFPB ) , Joao Pessoa
campus , aiming to investigate the information needs of real users of that library, in respect to
media types and formats of reading , given the new context of virtual reading and new types
of media / formats , with the Web and new technologies of information and communication .
The methodology was applied to the case study technique questionnaires with objective and
subjective questions . We are building upon the issues : information needs, and information
media formats for reading and academic libraries . Results indicate that the prevalence in the
genre of real users of the lecture hall of the BNP , was the male. And in technical and higher
category were most likely answered the survey questions : technicians with 50 % and above
38% , the lowest rate for the courses was the technological category , with 12 % . And that

3670

�age group had the highest rates were: 13-18 years and 18-25 years, for the technical courses
and higher, respectively courses . Between the preferences of actual users for media / reading
formats : printed books and readings through the Web had the highest index. Through this
study we intend to cooperate so that the BNP can plan and make assertive decisions in the
selection , purchase of books and formats / media read as the needs required , in this research ,
in order to render the services efficiently and seek satisfaction users of the BNP.
Keywords : informational needs . User's study. Reading format . Support reading. University
library.

1 INTRODUÇÃO
A internet é considerada por muitos como um dos grandes fenômenos do
desenvolvimento das sociedades humanas. Como tipos móveis de Gutenberg
ou a televisão, ela também altera as relações econômicas, sociais, políticas e
culturais. Hoje, já não se trata de ser contrário ou favorável a este fato, mas
compreendê-lo e utilizar o seu potencial informacional hospedado nas redes
interativas multimídias internacionais (CUNHA, 2010, p. 148).

O contexto atual das

bibliotecas universitárias demonstram o poder das novas

tecnologias - quem adquire conhecimento e sabe manusear essas novas ferramentas e
suportes torna-se imbuído de poder, pois o conhecimento/saber gera poder. As bibliotecas
possuem responsabilidade

educativa e social para com os usuários e um dos objetivos é

disseminar a informação, ou seja, fazer movimentar a informação e atender as buscas
oriundas dos usuários - estudantes, funcionários, professores e pesquisadores. Ao
disponibilizar documentos/material adequados aos estudos e pesquisas, ela estar cumprindo
seu papel educativo. Geralmente, as bibliotecas universitárias dispõem de uma extensa lista
de produtos e serviços de informação para que os usuários possam estudar no próprio
recinto, ou até mesmo em outros locais através da internet. As bibliotecas dependendo da
categoria em que estejam - escolar, pública, especializada

ou universitária, simples ou

sofisticada todas tem seu papel educativo e social. Resgatam história, nos âmbitos: local,
regional no país e global. Nos últimos anos estamos vivenciando muitas mudanças - antes os
livros, revistas e demais veículos de leitura somente estavam disponíveis de forma impressa.
No entanto, atualmente, existem uma vastidão de formatos e suportes para se fazer uma
leitura, e, como

seria difícil ou para melhor dizer impossível imaginar a aquisição do

saber/conhecimento sem a presença de livros para através da leitura chegar a informação
desejada. O que dizer dos leitores/usuários de bibliotecas ou unidades de informação diante de
uma imensidão de recursos informacionais? O que é mais interessante? A leitura com livros
impressos ou em outros formatos? ou seja, como esses usuários preferem fazer as suas buscas

3671

�por informação : através de livros convencionais ou com outros novos formatos? Quais são
as preferências informacionais? Em termos de formatos para leitura? O que preferem ler livros impressos, ou a leitura através da Web, E-Books, CD-Rom, Smartfones, Tablet...etc.?
Através desses

questionamentos decidimos

desenvolver esse estudo, observando essas

questões - para saber quais as necessidades informacionais dos usuários reais do Salão de
Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
da Paraíba, campus João Pessoa.
A Biblioteca Nilo Peçanha é considerada universitária por atender aos cursos
superiores nas categorias: licenciatura, bacharelado e tecnológicos. Todavia, ela também
oferece seus produtos e serviços a outras modalidades de cursos técnicos: nas modalidades
integrados e subsequentes, além de atender aos alunos dos cursos PROEJA - uma modalidade
de educação de jovens e adultos e a Pós-Graduação Lato Sensu e Stricto Sensu:
especialização, mestrado e doutorado. Com

esse estudo pretendemos verificar os

questionamentos ora levantados. O IFPB, disponibiliza cursos

nas categorias: técnico,

superior e tecnológico. Esse Instituto foi instituído através da Lei 11.892 de 29 de dezembro
de 2008,

de Centro Federal de Educação e Tecnologia para Rede Federal de Educação

Profissional e Científica, e concebidos em 2008, possui perfil diferenciados pois,

em uma

mesma Instituição, oferece diferentes modalidades de ensino, reformulados. Eles são dotados
dos seguintes objetivos estabelecidos pela Lei ora citada, através do art. 7°, que estabelece:

Ministrar Educação Profissional, Tecnológica e Técnica de nível médio,
ministrar, em nível de Educação superior: a) cursos superiores de tecnologia;
b) cursos de licenciatura; c) cursos de bacharelado e engenharia, visando à
formação de profissionais para os diferentes setores da economia e áreas do
conhecimento; d) cursos de pós-graduação lato sensu de aperfeiçoamento e
especialização, visando à formação de especialistas nas diferentes áreas do
conhecimento; e) cursos de pós-graduação stricto sensu de mestrado e
doutorado, que contribuam para promover o estabelecimento de bases
sólidas em Educação, Ciência e Tecnologia, com vistas ao processo de
geração e inovação tecnológica (BRASIL, 2008, apud LIMA; ALMEIDA,
2013).

2 CONTEXTO DA PESQUISA
O contexto da pesquisa foi o Salão de leitura localizado no piso superior da Biblioteca
Nilo Peçanha do IFPB, campus João Pessoa, ao lado do Acervo geral, possui mesas e
cadeiras adequadas com ambiente climatizado para estudo individual e em grupo. O acervo
geral é constituído por livros técnicos, didáticos, literatura, artes,

religião, entre outros

assuntos do conhecimento humano, totalizando 27.000 exemplares. O acervo é formado por

3672

�livros impressos, periódicos; obras de referências e a produção acadêmica: TCC, dissertação e
tese de doutorado além de possuir materiais em CD-Rom e DVD, uma base de dados de
livros - Ebrary e um Portal de periódicos da CAPES. O ambiente é composto de: recepção,
guarda volumes, empréstimo, salão de estudo, sala de computadores, hall de exposição, salão
de leitura, cabines para estudo individual, setor de coleções especiais, processamento da
coleção, assistência ao usuário, e o acesso é livre até as estantes. Com essa pesquisa pretendese descobrir quais as preferências informacionais no tocante a: suportes informacionais de
leitura, cujo objetivo é descobrir quais são as preferências de informação dos usuários reais da
BNP, a pesquisa foi realizada no Salão de leitura, com os usuários reais in loco. O IFPB,
campus João Pessoa oferece a sua clientela os seguintes cursos, de acordo com o quadro 1, a
seguir:

Quadro 1 - Cursos disponibilizados pelo IFPB, campus João Pessoa, ao público
Categoria

Cursos

Cursos
superiores
tecnologia

de

Cursos
superiores
de
licenciatura
Cursos
superiores
de
bacharelado
Cursos
técnicos
integrados
Cursos
técnicos
subsequentes
Pós-Graduação
Lato

Sensu
Pós-Graduação
Sensu

Stricto

Automação industrial, Construção de Edifícios, Design de
Interiores,
Geoprocessamento, Gestão Ambiental,
Gestão
Comercial, Negócios Imobiliários, Redes de Computadores,
Sistemas para internet, Sistemas de Telecomunicações.
Química e Letras a distância com habilitação em português
Administração, Direito e Engenharia Elétrica
Contabilidade, Controle Ambiental, Edificações, Eletrônica,
Eletrotécnica, Mecânica e Instrumento Musical
Edificações, Eletrônica, Eletrotécnica, Equipamentos Biomédicos,
Instrumento Musical, Mecânica, Secretariado, PROEJA
Aperfeiçoamento e Especialização.
Mestrado e Doutorado.

Fonte: www.ifpb.edu.br

3 NECESSIDADES INFORMACIONAIS

A compreensão das necessidades de cada indivíduo em relação à informação
é complexa e se modifica constantemente. O conhecimento do usuário é a
base
da orientação e da concepção dos serviços de informação,
considerando suas características, atitudes, necessidades e demandas. Esses
serviços devem ser planejados de acordo com os usuários e a comunidade a
ser atingida, com a natureza de suas necessidades de informação e seus
padrões de comportamento na busca e no uso da informação, de modo a
maximizar a eficiência de tais serviços (DIAS; PIRES, p.7, 2013).

3673

�Essa compreensão dessas necessidades dos usuários em relação à informação realmente,
como bem expressa a autora acima - é complexa e difícil, pois, há mudanças constantemente
nos usuários, e saber o que o usuário realmente quer torna-se tarefa complicada pois requer
dos gestores conhecimento dessas necessidades, e não vislumbramos outro modo de conhecer
a não ser, realizando estudos. A palavra necessidade segundo o Dicionário de Aurélio quer
dizer privação dos bens necessários, indigência, pobreza, passar por privações e o verbo
necessitar explora melhor o que queremos expressar sobre necessidade: sentir necessidade
de; exigir, reclamar, precisar de algo, ter necessidade ou obrigação de. No contexto da
biblioteca, os usuários precisam de material para fazer suas pesquisas e as suas necessidades
são por livros, revistas, acesso a internet e o de melhor que unidade de informação possua
para poder cumprir suas tarefas escolares ou algo mais, além do que imaginamos. Traduzir
essas necessidades torna-se

tarefa

difícil sem o conhecimento dessas preferências por

informação que eles possuem. Como afirma Ranganathan (1931), na sua primeira Lei da
Biblioteconomia - ‘os livros são para usar’

significa dizer que os livros/materiais das

bibliotecas devem estar em conformidade com as necessidades dos seus usuários, para que
haja uso, porque a biblioteca somente tem sentido se seus produtos/ serviços tiverem alguma
utilidade, ou seja, se forem usados.
E o que é necessidade? Entende-se por necessidade a carência por informação que o
usuário demonstra e quer adquirir para realizar suas tarefas escolares ou não. Eles podem
querer informação além dos muros escolares. Assim, existe a internet para sanar essas
necessidades. Atualmente, os usuários além de procurar informação dentro da biblioteca,
podem fazer suas pesquisas de qualquer lugar, e usar formatos e suportes diversos até
mesmo de um telefone mais sofisticado como um Smartfone. Em questão de segundos ele faz
um giro virtual ao mundo através da Web, por qualquer suportes/formatos que chegue até a
informação, pois, as novas tecnologias estão aí para isso - facilitar o acesso a informação.
Sendo assim, as bibliotecas também precisam dispor dessas novas tecnologias para não
estacionar e ficar sem poder atender aos usuários - peça fundamental de uma unidade de
informação.

3674

�Quadro 2 - Tipologia das necessidades de informação
Tipos de Necessidades

Descrição

Do conhecimento
Da ação

Necessidade derivada do desejo de saber.
Derivada de necessidades materiais exigidas para realizar
atividades humanas, profissionais e pessoais: trabalhar ir de
um lugar a outro, comer, dormir, reproduzir-se.
É um estado de privação de alguma satisfação básica. Em
relação à informação, a necessidade é definida como a
procura de informação para satisfazer uma necessidade
específica.
São carências por satisfações específicas para atender a essas
necessidades mais profundas. Desejo é o que o indivíduo
gostaria de ter, podendo ou não coincidir com as suas
necessidades.
São desejos por produtos específicos que são respaldados pela
habilidade e disposição de comprá-los; pode ser negativa,
inexistente, latente, declinante, irregular, plena, excessiva e
indesejada.
É definido como o que o indivíduo realmente utiliza em
matéria de informação, podendo ou não ter sido expresso.

Da necessidade humana

Dos desejos

Das demandas

Do uso

Fonte: Le Coadic (1996).

E o que é dizer do termo preferência informacional? Preferência é o ato ou efeito de
preferir, predileção; enquanto que o verbo preferir quer dizer dar primazia, escolher, ter
predileção por, preferível, preferido, preferente conforme o Dicionário de Aurélio. Quando
entramos no contexto dos usuários; entende-se que são as preferências que eles possuem por
livros, revistas e outros formatos e suportes de leitura, ao pesquisar. A preferência de leitura
em formatos convencionais ou não, é pessoal. Depende do gosto do leitor, cada leitor possui
uma forma diferente de escolher. Em se tratando de preferência informacional, significa que
são as escolhas feitas por usuários na busca da informação. Para melhor entendimento dos
termos usados nesse estudo e, mais precisamente termo - usuário real, a seguir alguns termos
para facilitar a compreensão:
a) Usuário - é um indivíduo que utiliza ou desfruta de algum serviço coletivo, ligado ao
público ou particular. Para a Biblioteconomia é todo aquele que solicita ou utiliza o serviço ou
produto de informação de uma biblioteca.
b) Usuários reais ou efetivos - são os usuários conhecidos que realmente utilizam os produtos
e serviços da unidade de informação.
c) Usuários potenciais - são formados pelo total de usuários que não utilizam os serviços de
uma unidade de informação, mas podem utilizar algum dia.
d) Estudos da comunidade - de acordo com Dias e Pires (2013) o termo comunidade é
utilizado quando se quer referir ao público que frequenta ou poderia frequentar a biblioteca

3675

�pública. Para a biblioteca universitária a comunidade são os corpos docente, discente e
funcionários. Para Vergueiro (1989), a comunidade não é constituída somente de usuários
reais, mas inclui todos os usuários potenciais, ou seja, os usuários que ainda não utilizam os
serviços da biblioteca, mas um dia poderão utilizar esses serviços.

3.1 Suportes e formatos
Como estamos discorrendo nesse estudo sobre preferências informacionais em termos
de leitura e suportes/formatos para se chegar a informação começamos a tratar dos principais
significados dos termos usados nesse ensaio a começar por suportes e formatos atuais,
preferências e necessidades de leitura. Pois, a compreensão desse estudo depende do
conhecimento dos significados de alguns termos ligados a pesquisa como por exemplo:
documento o que é Documento? é todo registro material de informação. Sendo assim, por
mais diversificados que sejam os documentos, costumam apresentar elementos com
características comuns tais como: suporte, forma, formato, gênero, espécie, tipo e contexto de
produção. Esses elementos possuem definições técnicas que embora parecidos, existem
diferenças em cada expressão, assim definidos conforme o quadro 3, abaixo:

Quadro 3 - Elementos Característicos dos Documentos
Elemento

Definição Técnica

Exemplo

Suportes

Material sobre o qual as informações são
registradas.
Estágio de preparação e de transmissão de
documentos.
Configuração física de um suporte, de acordo com
a natureza e o modo como foi confeccionado.

Fita magnética, filme de nitrato,
papel.
Original,
cópia,
minuta,
rascunho.
Caderno, cartaz, diapositivo,
folha, livro, mapa, planta, rolo
de filme, [impresso, CD-Rom,

Forma
Formato

Gênero

Configuração que assume um documento de
acordo com o sistema de signos utilizado na
comunicação de seu conteúdo.

Espécie

Configuração que assume um documento de
acordo com a disposição e a natureza das
informações nele contidas.
Configuração
que
assume
uma
espécie
documental, de acordo com a atividade que a
gerou.

Tipo

DVD, internet].
Documentação
audiovisual,
documentação
fonográfica,
documentação
iconográfica,
documentação textual.
Boletim, certidão, declaração,
relatório.
Boletim de ocorrência, boletim
de frequência e rendimento
escolar, certidão de nascimento,
certidão de óbito, declaração de
bens, declaração de imposto de
renda, relatório de atividades,
relatório de fiscalização.

Fonte: Dicionário de terminologia arquivista, 1996.

3676

�Há autores que defendem a continuação dos livros impressos nas estantes da
biblioteca. Todavia existem os estudiosos que são contrários e acham que o fim dos livros
impressos está se aproximando. O livro impresso é extremamente adequado a finalidade que
foi originalmente concebido. É um objeto prático e não precisa de qualquer fonte externa de
energia, com exceção da leitura à noite. É portátil, facilitando sua remoção de um lugar para
outro. Além disso, é importante reconhecer que as tecnologias computacionais, ao invés de
prejudicar a produção de livros, torna-os mais eficientes. Esses são alguns argumentos para a
permanência do livro. Como afirmam Crawford e Gorman (1995, p. 18), “ os livros são o
resultado de uma tecnologia altamente refinada - a impressão - desenvolvida por vários anos
e que obteve maior custo-efetividade e tornou-se mais apropriada pela tecnologia de
computador de hoje”. Quando passa para a questão do armazenamento o documento
eletrônico ganha do impresso, no custo a opção mais econômica de produção é no formato
eletrônico. Existem várias variáveis que necessitam de estudos, pois esses novos formatos,
assim como os impressos possuem seguidores a favor ou não. Como esse estudo trata das
preferências de suportes/formatos de leitura, os resultados dirão quais são os preferidos pelos
leitores do Salão de Leitura da BNP, se através dos formatos eletrônicos ou nos formatos
impressos - o estudo irá revelar.

3.2 Leitura
Ler é adquirir conhecimento e vislumbrar novos horizontes. É tomar posse do saber, e
gerar poder. Pois ao ler, estamos adquirindo conhecimento que pode transformar vidas. Com a
leitura ampliam-se as chances de conseguir vencer na vida: pessoal, profissional , acadêmica,
dentre outras. Pois ela pode direcionar um indivíduo para o que é melhor, dependendo da
forma como é adquirida.
A leitura era considerada como um simples meio de receber uma mensagem
importante. Atualmente, define-se o ato de ler, por si mesmo, como um processo mental de
vários níveis, que contribui para o desenvolvimento do intelecto - pois é um dos meios mais
eficazes do desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade. Ela é uma maneira
exemplar de se chegar a aprendizagem, ou seja, quando você ler - automaticamente, estar
gerando conhecimento e aprendendo (BAMBERGER, 1977).
Ao ler você não está apenas decifrando códigos, mas entendendo as ideias e as
mensagens contidas em um texto; mais do que isso, atribuindo sentido às palavras escritas e
impressas, conforme o entendimento de cada leitor, dando a interpretação pessoal do que leu.

3677

�4 MATERIAIS E MÉTODOS
Nessa pesquisa tivemos como população alvo os usuários reais do Salão de Leitura da
Biblioteca Nilo Peçanha, do IFPB, campus João Pessoa, ou seja, usuários que estavam
presentes e utilizando seus produtos e serviços no referido recinto, dos Cursos: Técnicos,
Superiores e Tecnológicos. A metodologia que desenvolvemos nesse estudo de usuários foi
estudo de caso, com a técnica - questionário e as questões de cunho objetivo e subjetivo onde
averiguamos as necessidades / as preferências informacionais desses usuários em relação aos
suportes/formatos, ou seja, as ferramentas usadas para leitura: livros impressos, via CD-Rom,
via WEB, dentre outros; categoria dos cursos: técnico, superior e tecnológicos; o quantitativo
de usuários por categoria de cursos que fizeram parte da pesquisa e a faixa etária. Os
questionários foram aplicados em um período delimitado de 15 dias, nos horários: manhã e
tarde, durante o mês de março de 2014, no Salão de Leitura com os usuários reais. Foram
distribuídos 130 questionários apenas 111 responderam, ficando 19 sem responder.

5 RESULTADOS
Para a construção dos dados dessa pesquisa foram utilizados os seguintes
instrumentos: questionários com dados quantitativos e qualitativos

dos cursos técnicos,

tecnológicos e superiores que participaram da pesquisa, e os temas abordados para base dessa
análise foram os dados: Preferências de leitura por formatos e suportes, Categoria dos cursos,
Gênero dos usuários e a Faixa etária.

Gráfico 1 - Categoria dos Cursos dos usuários reais da BNP

De acordo com o gráfico1 acima a categoria dos cursos dos usuários reais do Salão de
Leitura da BNP, campus João Pessoa que fizeram parte desse estudo são: cursos técnicos com
50% dos usuários reais que responderam aos questionários aplicados, em segundo lugar com

3678

�38% os usuários dos cursos superiores e os tecnológicos tiveram o menor índice com 12% de
presença nesse estudo.

Gráfico 2 - Gênero dos Usuários reais da BNP (Cursos Técnicos)420

De acordo com os dados o gráfico 2 acima 51 % dos usuários reais do Salão de Leitura
da BNP, campus João Pessoa dos Cursos técnicos, pertencem ao sexo masculino e 49%, são
do sexo feminino.

Gráfico 3 - Gênero dos Usuários reais da BNP (Cursos Superiores)421

O gráfico acima apresnta os resultados da pesquisa sobre os gêneros masculino e
feminino, dos usuários reais do Salão de Leitura da BNP, Cursos superiores 52% fazem parte
do sexo masculino e 48% do sexo feminino.

420 Técnico: Contabilidade, Controle ambiental, Edificações, Eletrônica e Eletrotécnica.
421 Superior: Bacharelado em Engenharia Elétrica, Bacharelado em Administração e Licenciatura em Química.

3679

�Gráfico 4 - Gênero dos Usuários reais da BNP (Cursos Tecnológicos)422

Fonte: pesquisa da autora

Neste gráfico 4 observmos o quesito gênero, referente aos usuários reais do Salão de leitura
da BNP, na categoria Cursos tecnológicos, 64 % dos usuários pertencem ao sexo masculino e
para o sexo feminino apenas 36 %.

Gráfico 5 - Faixa etária dos Usuários reais da BNP (Cursos Técnicos)

O gráfico acima mostra faixa etária dos usuários reais do Salão de Leitura da BNP,
referente aos cursos técnicos, 80% dos usuários pesquisados estão inseridos na faixa etária
com idade de 13 a 18 anos e 20% são da faixa etária de 18 a 25 anos. Isso faz-nos
compreender que nessa categoria de cursos os alunos em sua maioria pertencem a faixa etária
menor, ou seja, estão concentrado na primeira faixa etária.

422 Tecnológico: Geoprocessamento, Gestão Ambiental, Redes de computadores e Construção de Edifícios.

3680

�Gráfico 6 - Faixa etária dos Usuários reais da BNP (Cursos Superiores)

B 13 a 18 anos
B 18 a 25 anos
M 25 a 35 anos
B 35 a 40 anos
B 40 a 45 anos
U Acima de 45

Fonte: pesquisa da autora

Nesse gráfico 6, os usurios reais do Salão de Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha, do
IFPB, campus João Pessoa dos cursos superiores estão concentrados na faixa etária com idade
entre 18 a 25 anos com um percentual de 64% e, em segundo lugar apresenta-se a faixa etária
com idade de 25 a 35 anos com 24%, As faixas etárias 13 a 18 anos e 35 a 40 anos obtiveram
5% cada, somando 10% e faixa etária de 40 a 45 anos 2%. Restante das alternativas não
pontuaram.

Gráfico 7 - Faixa etária dos usuários reais da BNP (Cursos Tecnológicos)

Nesse gráfico dos aluno dos Cursos tecnológicos os usuários reais da faixa etária com
maior índice foi a idade de 18 a 25 anos, com 50%. A faixa etária de 25 a 35 anos obteve o
índice de 36%. Enquanto que as faixas etárias de 35 a 40 anos e 40 a 45 anos, tiveram um
mesmo percentual somando 14%. Para a idade de acima de 45 anos não houve registro.
Conclui-se que nesses cursos tecnológicos os alunos, em sua maioria pertencem às faixas
etárias de 18 até 35 anos.

3681

�Gráfico 8 - Preferências por leitura em formatos e suportes (Cursos Superiores)

Fonte: pesquisa da autora

O gráfico 8

, mstra as preferências de leitura dos cursos superiores. Na alternativa

‘Livro impresso o curso de Bacharelado em Engenharia Elétrica registrou seu maior índice
72,70%, seguido de ‘Documentos em base de dados da Instituição’ com 18, 30%, e por
último ficou ‘Periódicos eletrônicos’ com 9%. No curso de Bacharelado em Administração o
item ‘Livros impressos’ ficou com a maior percentagem 50%, seguido da alternativa ‘leitura
através da Web’ 16,60%, no suporte ‘Documentos da Base de dados da Instituição’ apenas
9,20%. Periódicos eletrônicos 7,60%, ‘Anais em meio eletrônico’ 3,70% e na alternativa ‘Não
opinou/não sabe’1,80%. Nas demais alternativas do curso de Administração não aconteceu
preferências por formatos. Para o curso de Licenciatura em Química o maior percentual
registrado foi em ‘Livros impressos’ 33,40%. ‘Periódicos impressos e leitura através da Web’
com 26,60, cada perfazendo um total de 53,20%, para o curso de Química. ‘Periódicos
impressos e Anais impressos’ obtiveram 6,70% cada, somando 13,40%. Observa-se que os
maiores índices para esses cursos superiores partiram das alternativas para leitura em: Livros
impressos , através da Web, Periódicos impressos e Documentos em base de dados da
Instituição. As alternativas ‘Documentos em CD-Rom e Outros’ não consta percentual. A
seguir as preferências de leitura dos cursos Tecnológicos, no gráfico 9, abaixo.

423 Os dados desse estudo foram computados separadamente e lançados no gráfico. Após a Soma dos dados por
cada curso chega-se a percentagem total de 100%, nos gráficos 8, 9 e 10.

3682

�Gráfico 9 - Preferências por leitura em formatos e suportes (Cursos Tecnológicos)

Fonte: pesquisa da autora
O gráfico 9 refere-se as preferências de leitura em suportes/formatos dos usuários reais
no Salão de Leitura da BNP dos cursos tecnológicos: Geoprocessamento, Gestão Ambiental,
Redes de Computadores e Construção de Edifícios. O curso de Tecnologia em
Geoprocessamento obteve seu maior índice para a alternativa de leitura formato ‘Livros
impressos’ com 100% de preferência. O curso de Tecnologia em Gestão Ambiental chegou a
46,20% na alternativa ‘Livros impressos’ seu melhor índice. No suporte “através da Web” a
preferência foi de 30,70%. Nos Itens ‘periódicos impressos, ‘Periódicos eletrônicos’ e ‘Anais
em meio eletrônico’ obtiveram índices iguais de 7,70%, a soma dos três é igual a 23,10%.
Demais alternativas de leitura não foram pontuados. No Curso de Tecnologia em Redes de
Computadores o maior índice foi para ‘Livros impressos’ com 60% na preferência de leitura,
nos itens: ‘Através da Web” e ‘Outros’ 20% cada, totalizando 40%. Os demais suportes não
pontuaram nas preferências. No curso Tecnologia em Construção de Edifícios o índice mais
alto e único foi para Livros impressos 100%. Os maiores índices de preferências de leitura
para essa categoria de cursos tecnológicos ficaram com os ‘Livros impressos’ e ‘Através da
Web’.
Gráfico 10 - Preferências por leitura em formatos e suportes (Cursos Técnicos)

Fonte: pesquisa da autora

3683

�O gráfico 10 acima, mostra os resultados do estudo realizado no Salão de Leitura, da
BNP dos cursos técnicos de: Contabilidade, Controle ambiental, Edificações, Eletrônica e
Eletrotécnica. O maior índice para o curso Técnico em Contabilidade foi de 53,40% para
‘Livros impressos’, seguido por ‘Através da Web’ com 46,60%. O curso técnico em Controle
ambiental o maior percentual foi para ’Livros impressos’ com 65%, ‘Através da Web’ 15%,
‘Periódicos impressos’ com o índice de 10%. ‘Periódicos eletrônicos’ e ‘Anais em meio
eletrônico’ obtiveram menor índice 5% cada, totalizando 10%, no referido curso de Controle
ambiental. No curso de Edificações a preferência de leitura pontuou ‘Livros impressos’ com
50%, enquanto que ‘Através da Web ficou com o segundo lugar 37,60%. ‘Periódicos
impressos e Periódicos eletrônicos’ com 6,20% cada, somando 12,40%. O curso técnico em
Eletrônica na preferência de leitura para ‘Livros impressos’ a percentagem foi de 62,50% e
‘Através da Web 37,50%. No curso técnico em Eletrotécnica o maior índice 50%, para o
formato ‘Livros impressos,’ seguido do item ‘Através da Web com 32,30%, ‘Periódico
impresso’ com 7,20%, as alternativas: ‘Periódicos impressos’, ‘Anais impressos’ e
‘Documentos em base de dados da Instituição’ obtiveram o índice de 3,50% para cada,
totalizando 10,50%.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A leitura está presente em todo o universo educacional e a biblioteca dentro deste
contexto, precisa incentivar o hábito de leitura nos seus usuários, não apenas no recinto da
biblioteca, mas além das suas paredes, através da web em suportes convencionais ou não,
para cumprir seu papel diante da comunidade. Gerando leitores aprendizes e formadores de
opinião. Sendo assim, ela precisa ser vista como disseminadora de informação e garantir seu
lugar no espaço educacional, criando formas de atrair os usuários através da divulgação dos
serviços e produtos de informações que ela abriga para os usuários reais ou em potencial.
Tendo em vista o rumo em que o estudo foi direcionado, observa-se que

os

suportes/formatos de leitura preferidos pelos os usuários do Salão de leitura da BNP,
concentraram-se no livro impresso e a pesquisa através da web. Apesar de atualmente existir
estudiosos que defendem a extinção do livro impresso, nota-se que se depender dos usuários
reais do Salão de Leitura da BNP, eles continuarão a existir competindo com outros
formatos/suportes. Pretende-se através desse estudo contribuir com a BNP, para que as suas
decisões sejam assertivas, e atendam as necessidades dos usuários nos seguintes tópicos:
■ Planejamento
■ Tomadas de decisão

3684

�■ Seleção de livros
■ Aquisição de livros impressos e com outros formatos/suportes.

7 REFERÊNCIAS
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Cajado. São Paulo: Cultrix; Brasília: INL, 1977, 117 p.
BRASIL. Lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica, e de outras providências. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 30 de dez. 2008.
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Chicago and London: American Library Association, 1995.
CUNHA, Murilo Bastos da. Manual de fontes de informação. Brasília: Briquet de Lemos /
Livros, 2010. 182p.
DIAS, Maria Matilde Kronka; PIRES, Daniela. Uso e usuários da informação. São Carlos:
EdUFScar, 2013.(Série apontamentos).
DICIONÁRIO de terminologia arquivística. São Paulo: AAB-SP, 1996.
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Janeiro: Nova Fronteira, 2002, 1838p.
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Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
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LIMA, Lucrécia Camilo de; ALMEIDA, Ivanise Andrade de Melo. Necessidades
informacionais dos servidores da Biblioteca Nilo Peçanha do IFPB, campus João Pessoa:
buscando competências. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24., 2013. Florianópolis, SC.
Anais...

Florianópolis,

SC:

FEBAB,

2013.

Disponível

em:&lt;

http://www.xxvcbbd.Febab.org.br/&gt;. Acesso em: 15 fev. 2014.
VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Desenvolvimento de coleções. São Paulo:
Polis; APD, 1989.(Coleção Palavra-chave, 1).

3685

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Salão de Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha do IFPB Campus João Pessoa: uma questão de leitura, formatos e suportes</text>
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                <text>Estudo realizado com os usuários do Salão de Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha (BNP), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), campus João Pessoa, com o objetivo de investigar as necessidades de informação dos usuários reais da referida biblioteca, no que se refere a tipos de suportes e formatos de leitura, tendo em vista o novo contexto de leitura virtual e os novos modelos de suportes/formatos, com a web e as novas tecnologias da informação e comunicação. A metodologia aplicada foi estudo de caso com a técnica de questionários com perguntas objetivas e subjetivas. Tivemos como base os assuntos: necessidades de informação, formatos e suportes de informação para a leitura, leitura e bibliotecas universitárias. Resultados apontam que a predominância no gênero dos usuários reais do Salão de Leitura da BNP, foi o sexo masculino. E, na categoria técnicos e superior, os que mais responderam as questões da pesquisa foram os cursos técnicos e superiores: os técnicos com 50% e superior com 38%, o menor índice foi para os cursos da categoria tecnológicos, com 12%. E as faixas etárias que obtiveram um maior índice foram: 13 a 18 anos e 18 a 25 anos, para os cursos técnicos e cursos superiores, respectivamente. Entre as preferências dos usuários reais por suportes/formatos de leitura: os livros impressos e as leituras através da web obtiveram um maior índice. Pretende-se através desse estudo colaborar para que a BNP, possa planejar e tomar decisões assertivas na seleção, aquisição de livros e formatos/suportes de leitura, conforme as necessidades demandadas nessa pesquisa, a fim de tornar os serviços com eficiência e buscar a satisfação dos usuários da BNP.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INSERÇÃO DO LIVRO ELETRÔNICO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Mírian Cristina de Lima
Leonilha Maria Brasileiro Lessa

RESUMO
Este estudo visa retratar de forma ampla a realidade de uma Biblioteca Universitária com
relação à inserção dos livros eletrônicos, contextualiza sobre o livro digital e o papel do
bibliotecário. Tem como objetivo analisar o contexto, compreender os processos de aquisição,
os modelos de negócio, as formas de divulgação e o comportamento dos bibliotecários.
Utilizamos o método descritivo para configurar este relato de experiência, embasado em um
levantamento bibliográfico. Nas considerações finais observa-se que a inserção dos livros
eletrônicos é um processo inevitável e que a biblioteca e os bibliotecários devem se adaptar e
atualizar com base nas mudanças.
Palavras-Chave: Livro eletrônico. Biblioteca Universitária. Competência informacional.

ABSTRACT
This study aims to portray broadly the reality of a University Library regarding the integration
of electronic books, digital and paper contextualizes the role of the librarian. Our goel is to
analyze the context, to understand the processes of acquisition, business models, the forms of
dissemination and the behavior of the librarians. We use the descriptive method to illustrate
this case study, based on a bibliographical survey. In the final considerations it is observed
that the integration of electronic books is an inevitable process and that the library and
librarians must adapt and update based on changes.
Keywords: Electronic book. University Library. Information literacy.

1 Introdução
As novas tecnologias estão alterando nossas atividades, nossa visão de mundo e a
forma como interagimos. Tratada por alguns como necessidades básicas, as tecnologias e a
conexão com a Internet estão cada vez mais presentes em pequenas ações do cotidiano: como
pagar uma conta, receber o resultado de um exame, fazer compras, etc. Diante deste novo
cenário globalizado, onde as informações podem ser acessadas de todos os lugares e ao

4035

�mesmo tempo, as bibliotecas universitárias estão tendo que se reinventar para acompanhar
estas mudanças, rompendo definitivamente a barreira do ambiente estático.
Algumas bibliotecas estão percebendo uma queda no número de empréstimos e no
acesso de usuários a biblioteca, neste momento os bibliotecários devem buscar formas de se
aproximarem dos usuários, ofertando outros produtos e serviços, não mais só os livros físicos.
Ainda é mágica a sensação de encontrar na biblioteca o livro desejado, mas há também
uma frustração ao descobrir que todos estão emprestados. Este é um momento propício para
conquistar um novo leitor para o mundo digital, informando que a instituição oferece livros
digitais.
A decisão pelo livro eletrônico oferece muitas vantagens os usuários, como: a
praticidade do acesso através de dispositivos móveis; a quebra de barreiras geográficas, o
usuário não precisa se deslocar fisicamente até a biblioteca; disponibilidade de acesso a obra
24 horas por dia, 7 dias por semana; o usuário não tem uma cota máxima de livros que podem
ser emprestados; não se preocupar com renovações e muito menos em pagar multa por atraso.
Todavia este processo também apresenta desvantagens, problemas no acesso, falta de
comunicação com relação aos títulos que são inseridos ou retirados da plataforma, etc. Muitos
pontos ainda devem ser discutidos pela classe biblioteconômica, que com certeza terá grandes
desafios pela frente.
Durante algum tempo as bibliotecas universitárias encontraram dificuldade em ter
acesso a propostas de negócio de livros digitais acadêmicos em português. Quando as
primeiras propostas apareceram era nítida a confusão e as dúvidas com relação ao produto que
estava sendo oferecido e aos modelos de negócio, como o preço a ser cobrado seria calculado
e como estes livros eletrônicos seriam acessados. Os editores nacionais estavam cautelosos
com relação a possível perda de vendas dos livros físicos e as possíveis facilidades da
pirataria digital, eles não conseguiam vislumbrar ou entender o novo cenário tecnológico que
estava se construindo.
Hoje o mercado de livros digitais está em pleno processo de expansão, neste contexto
são as bibliotecas universitárias que estão passando por um processo de adaptação à nova
realidade, pois a inserção dos e-books revoluciona também atividades que por muitos anos
ficaram engessadas, como o processo de aquisição.
Se a biblioteca está mudando os profissionais da informação também mudarão, eles
devem rever suas competências e procurar ampliá-las em prol deste movimento.
Esta pesquisa de cunho descritivo surgiu do desejo de explicar algumas situações a
partir da prática de uma biblioteca universitária como relação à seleção, aquisição e

4036

�divulgação dos livros eletrônicos. Os dados empíricos apresentados neste trabalho têm como
objetivo fomentar os estudos sobre a inserção dos livros eletrônicos nas bibliotecas
universitárias, levantando pontos de discussão como: os modelos de negócio impostos, o
modelo de gestão das bibliotecas, problemas com relação à interface das plataformas de
acesso aos livros digitais, às práticas dos bibliotecários neste contexto e as formas de
divulgação para comunidade acadêmica.

2 Revisão de Literatura
O livro eletrônico
Não se pode falar sobre livro eletrônico sem citar Vannevar Bush que é considerado o
precursor do hipertexto através do seu projeto Memex. Segundo Cunha (2008, p. 4): “[...]
Bush previu um sistema parecido com o hipertexto, e o MEMEX - que seria um computador
provido com um banco de dados, contendo a literatura técnico-científica necessária ao
exercício profissional do pesquisador moderno[..]”.
Existem muitas teorias controversas com relação ao precursor dos e-books, mas na
realidade o que realmente tornou esta utopia possível foi o surgimento da Internet esta nova
mídia que é capaz de efetuar a junção entre massividade e interatividade promovendo ao seu
redor uma revolução no próprio conceito de comunidade e cenário comunicacional.
Chartier (1999, p. 134) “Com o texto eletrônico, enfim, parece estar ao alcance de
nossos olhos e de nossas mãos um sonho muito antigo da humanidade, que se poderia resumir
em duas palavras, universalidade e interatividade.”
Este dinamismo apresentou uma nova possibilidade ou um novo caminho como canal
de divulgação científica. A conexão entre computadores diferentes, com sistemas
operacionais diversos, possibilitando a troca de arquivos, a discussão de resultados,
visualização de pesquisas em andamento, informações sobre novas publicações, etc.
Neves (2004, p. 1) afirma: “O advento do fenômeno chamado INTERNET veio
provocar uma verdadeira revolução no ordenamento das coisas no mundo da informação e do
conhecimento”.
A comunicação digital pode ser através de textos, som, imagens e suas múltiplas
combinações, o que nos remete ao hipertexto. Segundo Levy (1993): “[...]um hipertexto é um
conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos
ou partes de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser
hipertextos.”

4037

�Neste contexto surge o livro eletrônico, também denominado livro digital, e-livro ou e­
book, um novo recurso informacional que está ganhando cada vez mais espaço,
principalmente por algumas características específicas, como: a facilidade do acesso através
da web, por dispor de várias extensões/formatos e ser compatível com dispositivos eletrônicos
como: notebooks, tables, smartphones, e-readers, etc.
Vasileiou, Hartley e Rowley (2012, tradução nossa) relatam que: “E-books
representam um desafio interessante para bibliotecas acadêmicas, e há muitas perguntas sobre
a gestão da introdução e desenvolvimento de coleções e-books e serviços.”
Com parcimônia foram surgindo iniciativas que visavam o acesso aberto às coleções
de livros através da internet, entretanto estas ações se dedicavam a livros já em domínio
público e obras com licença creative commons, o interesse das bibliotecas universitárias vão
além

das obras literárias, buscam as obras científicas e acadêmicas relacionadas

principalmente às bibliografias das disciplinas.

O perfil do bibliotecário
Se o acesso à informação está mudando os profissionais da informação devem aceitar
as mudanças e adaptar-se fazendo com que a profissão não se torne obsoleta. O fato do
usuário não se dirigir fisicamente a biblioteca em busca de uma obra, não diminuirá o trabalho
do bibliotecário, pois a importância da profissão está em saber organizar, selecionar e
disseminar a informação, independente do suporte.
Jesuz e Jovanovich (2013, p. 1) afirmam que:“O impresso e o digital aparecem juntos
como opções diferentes e complementares na aquisição de informação e conhecimento. As
publicações eletrônicas têm apresentado várias possibilidades de acesso, o que faz com que as
bibliotecas revejam novas maneiras de acesso à informação, incluindo esses novos suportes.”
A criação de uma biblioteca digital tem características semelhantes à biblioteca
convencional, o objetivo é facilitar o acesso aos recursos informacionais. Segundo Serra e
Silva (2013): “Este recurso propicia discussões não apenas culturais relacionadas à leitura
impressa ou na forma digital, mas nas descobertas e modificações na gestão das unidades de
informação que o bibliotecário deve proporcionar.”
São múltiplas as tarefas que devem ser realizadas pelos profissionais da informação,
dentre elas: análise dos recursos e das interfaces, a interoperabilidade das plataformas dos
livros eletrônicos, avaliação dos títulos, etc. Este panorama exige do bibliotecário o
desenvolvimento da competência informacional, também denominada information literacy.

4038

�[...] a competência informacional está no cerne do aprendizado ao longo da
vida. Ela capacita as pessoas em todos os caminhos da vida para buscar,
avaliar, usar e criar a informação de forma efetiva para atingir suas metas
pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais. É um direito humano básico
em um mundo digital e promove a inclusão social em todas as nações
(INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS
AND INSTITUTIONS, 2005)

Serão exigidas novas habilidades destes profissionais, ele passará a ser instrutor, pois
capacitará os usuários através de treinamentos para utilização do acervo digital. A ALA
(American Library Association) define uma pessoa competente em informação como:
[...] capaz de reconhecer quando precisa de informação e possuir habilidade
para localizar, avaliar e usar efetivamente a informação [...]. Em última
análise, pessoas que tem competência informacional são aquelas que
aprenderam a aprender. Essas pessoas sabem como aprender, porque sabem
como a informação está organizada, como encontrar a informação e como
usar a informação, de tal forma que possam aprender com elas. (ALA, 1989)

3 Materiais e Métodos
Esta pesquisa explicativa visa retratar de forma ampla a realidade uma biblioteca
universitária com relação à inserção dos livros eletrônicos, o maior objetivo é analisar o
contexto, compreender os processos e o comportamento dos bibliotecários, através de um
relato de experiência.

4 Resultados Parciais/Finais
Há um longo caminho para que os livros eletrônicos sejam disponibilizados pelas
bibliotecas universitárias, ele é iniciado pelas inúmeras visitas dos vendedores com diversas
ofertas, não existe uma padronização com relação aos modelos de negócio, os fornecedores
apresentam propostas com formas diferentes de calcular o valor das obras digitais/plataforma,
alguns calculam pelo número de usuários reais, na prática, o vendedor solicita o número de
alunos matriculados nos cursos que ele considera atender com a sua coleção digital, outros
fornecedores solicitam o número total de alunos da instituição para definir um valor da
proposta, entende que todos são potenciais usuários da plataforma ofertada. Os valores ainda
não são os almejados pelas instituições, pois no caso modelo de assinatura o que está sendo
adquirido é a licença para o uso, ou seja, o livro eletrônico não é da biblioteca. Já o livro
físico é incorporado ao acervo e passa ser um patrimônio da instituição, por isto os valores
das obras digitais deveriam se repensados de forma justa.

4039

�Nos últimos anos houve um aumento na oferta, principalmente com relação a
plataformas com títulos em português, novas empresas surgiram e outras que não trabalhavam
com estes recursos passaram a trabalhar, todavia o curto espaço de tempo e a sede pelo
mercado fez com que vendedores fossem lançados no mercado para oferecer algo que nem
mesmo eles conheciam. O primeiro contato nem sempre trazia boas impressões, pois
perguntas relativamente básicas no meio biblioteconômico e tecnológico não são respondidas
pelos vendedores. Muitas vezes estas perguntas são respondidas através dos acessos as
plataformas durante os testes, leituras de artigos, participação em eventos da área e dos
diálogos com os pares de outras bibliotecas universitárias. Neste ponto do processo os
bibliotecários com competência informacional e experiência em bases de dados digitais
conseguem se destacar.
Mediante a inserção dos livros eletrônicos na biblioteca alguns pontos são passivos de
discussão:
1. Não há seleção dos títulos por parte da biblioteca, ou seja, o acervo digital nem sempre
atende todas as expectativas dos usuários/bibliotecários. Títulos sem grande expressividade
fazem parte dos pacotes, enquanto os livros base para alguns cursos da graduação/pósgraduação não estão inseridos. Conforme Serra (2012, p. 6): “Normalmente os pacotes são
formados por títulos que são definidos pelos editores, onde as obras na versão impressa já
apresentaram vendagem significativa, porém encontram-se estabilizadas, representando um
baixo risco no montante das vendas.”
2. Cláusulas contratuais definem que pode haver inserção, retirada e atualização de títulos,
mediante aviso prévio, esta comunicação muitas vezes é falha. O que compromete trabalhos
como os de análise das bibliografias das disciplinas em uma IES. O MEC informa em seu
“Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação presencial e a distância” atualizado em
maio de 2012, informa que os cálculos relativos aos critérios de análise da bibliografia básica
(BB) são diferenciado para as bibliotecas que possuem acervo virtual (pelo menos 1 título
virtual por unidade curricular), alterando assim a proporção de alunos por exemplar físico.
Além do constante investimento de manutenção do acervo, ao renovar os
pacotes, a biblioteca está efetuando um pagamento contínuo para garantir o
acesso aos e-books que já possui, na forma de um aluguel permanente paga-se para utilizar a obra, porém ela não pertence ao acervo e pode ser
retirada da coleção caso não seja concretizada a renovação ou fique
indisponível pelo distribuidor. (SERRA, 2012, p. 6)

3. Como as bibliotecas acabam assinando/comprando com vários fornecedores para conseguir
um acervo digital mais diversificado depara-se com alguns problemas de ordem prática, como

4040

�por exemplo: os trâmites jurídicos (contratos mal elaborados, com cláusulas que só garantem
os direitos dos fornecedores e não os dos clientes e os problemas técnicos da plataformas.
Para ilustrar este relato de experiência citou-se o caso de uma biblioteca universitária.
A biblioteca sempre teve como prioridade a compra/assinatura de livros eletrônicos em
português. A primeira experiência foi um contrato no modelo compra perpétua, o fornecedor
ofereceu pacotes de títulos por área do conhecimento, optou-se por 99 títulos, de duas
editoras. A plataforma de acesso oferece poucos recursos e tem como condição a visualização
dos títulos não assinados apenas como demonstração, fato que frustra os usuários, os
fornecedores acreditam que esta é uma forma de induzir novas compras.
A forma de visualização dos livros é definida pelos editores, um disponibiliza os livros
em e-pub (permitindo apenas seleção de pequenos trechos) e o outro em pdf (downloads e
impressões liberadas).
Dentre os formatos mais comuns de e-books estão o PDF, que necessita do leitor
Acrobat Reader, o formato HTML precisa de um navegador de Internet para ser aberto e o epub já é o formato especifico para os livros digitais.
Em 2012 uma nova proposta surgiu, o modelo de negócio ofertado foi um contrato de
assinatura. Neste caso os títulos não poderiam ser escolhidos; o acesso é realizado pela
plataforma do fornecedor; o pacote inclui todos os títulos da base, todavia a inserção e
exclusão de títulos. A plataforma apresenta alguns recursos interessantes, como: interface
amigável, divisão das obras por áreas do conhecimento, recursos de busca simples e
avançada, acesso multiusuários, estante de favoritos, anotações, marcadores, aplicativo para
tablets, compatibilidade com programas de acessibilidade, impressão de até 50% da obra
mediante compra de cotas e desconto na compra de livros físicos.
Em 2013 mais uma coleção foi assinada no modelo assinatura, ela oferece recursos
parecidos com a segunda plataforma, mas disponibiliza um número maior de títulos, a
vantagem da impressão sem custos, compartilhamento de comentários/ marcações com
amigos, utilização do web-app, expressão utilizada para explicar a plataforma se adequa a
qualquer dispositivo sem a necessidade do usuário baixar o aplicativo.
Ainda no ano de 2013 uma quarta base foi avaliada, também no modelo de assinatura,
muitos títulos atendiam às disciplinas, a plataforma é esteticamente atrativa e oferece vários
recursos. Começamos com o trial, processo comum durante a análise das bases, os
fornecedores/representantes liberam temporariamente a plataforma para que os bibliotecários
possam realizar testes, divulgar internamente entre docentes e discentes para colher opiniões,
etc. Após meses de avaliação e a autorização da instituição optamos por assinar mais uma

4041

�base de e-books, o objetivo era ampliar o “catálogo” de obras digitais. Como nos processos
anteriores os analistas da informação começaram efetivamente a trabalhar na implantação,
pois sempre optamos pelo acesso direto dos usuários as plataformas pela área de acesso
restrito a comunidade acadêmica da instituição, evitando assim o desgaste dos usuários em
criar contas e definir senhas para acessar cada base. Durante a implantação percebeu-se o
tempo de resposta da base dentro da interface da instituição era de quase 30 segundos (o que
não é aceitável no ambiente virtual), este problema logo foi exposto ao fornecedor que
contratou uma empresa para melhorar o acesso, meses se passaram e o problema não foi
sanado. Levando a instituição a difícil decisão de rescindir o contrato, os fornecedores não
questionaram a decisão e logo após o fato a vendedora admitiu que eles não estavam
preparados tecnologicamente para disponibilizar todos os títulos virtuais, que as assinaturas
anteriores eram de poucos títulos.
Esta experiência foi desgastante para os participantes, mas ótimas lições foram
retiradas, o grau de exigência e detalhamento dos requisitos durante os processos de análise
ficaram mais rigorosos. Hoje também há o entendimento, adquirido pela prática, que durante
as negociações todas as promessas são feitas pelos vendedores, mas que nem sempre são
cumpridas.
O gráfico a seguir mostra o crescimento do número de títulos adquiridos pela
biblioteca citada, neste relato após as assinaturas dos contratos.

Gráfico 1: Crescimento do número de títulos eletrônicos na biblioteca

Fonte: Dados da pesquisa.

4042

�Devido ao crescimento o acervo digital sugiram novas atividades, pois além do
gerenciamento acervo físico, os bibliotecários devem gerenciar o acervo digital. Para isto o
profissional da informação deve começar a avaliar os modelos de negócio, recursos e as
formas de acesso, após a assinatura as questões são outras, inicia-se o trabalho de análise dos
títulos, como as bibliotecas universitárias são regidas pelos instrumentos do MEC.
Uma das primeiras iniciativas foi a verificação dos títulos digitais, se estavam nas
bibliografias básicas e complementares das disciplinas ofertados pela instituição, estudo feito
por disciplina, curso e centro; quais obras já existem em formato físico na biblioteca; a
terceira atividade é a sugestão de livros digitais no momento da solicitação das compras dos
livros físicos, atualização de bibliografias, etc. Podemos visualizar no gráfico a seguir um
exemplo de mapeamento por centro do número de títulos que atendem as bibliográficas básica
ou complementar. São eles CCS- Centro de Ciências da Saúde, CCT- Centro de Ciências
Tecnológicas, CCG- Centro de Ciências da Comunicação e da Gestão, CCJ- Centro de
Ciências Jurídicas.

Gráfico 2: Porcentagem dos títulos que atendem as disciplinas por Centro

Fonte: Dados da pesquisa.

Como outros recursos d biblioteca temos o interesse de quantificar o uso, para isto
dependemos dos fornecedores, já que as plataformas não disponibilizam recursos
administrativos para bibliotecas, dos três fornecedores citados apenas um envia regularmente
os relatórios, os outros, mesmo com frequentes solicitações demoram a enviar. O que
inviabiliza estudos quantitativos mensais.

4043

�Como as bibliotecas universitárias estão cada vez mais buscando ampliar as coleções
digitais e cada fornecedor/empresas oferecem os conteúdos em interfaces próprias surgiram
no mercado as “ferramentas de descoberta” que preconizam a possibilidade de unificar
através de uma interface a busca em todas as bases disponibilizadas pela biblioteca (físicas e
digitais), para isto o fornecedor da ferramenta necessita que os metadados dos documentos
eletrônicos sejam enviados, formando assim um grande banco de dados, as bibliotecas que
dispõe destas ferramentas ativam as bases dos editores primários

na sua conta de

administrador, resgatando assim os dados e em alguns casos redirecionando o usuário para o
documento na íntegra.

O problema é que este diálogo ainda está em fase inicial e

categoricamente só está acontecendo por imposição dos clientes, as bibliotecas universitárias.
Quando uma biblioteca universitária opta por um recurso como os livros eletrônicos
gera muita expectativa na comunidade acadêmica, por isto várias ações devem ser realizadas
de divulgação devem ser realizadas, com o objetivo de informar. Como estratégia utilizada
pela instituição podemos citar a técnica do “3C’s” (comunicar, conscientizar e capacitar):
comunicar os recursos através dos canais internos oferecidos pela instituição, conscientizar a
comunidade de que estes recursos fazem parte da mudança de paradigmas tecnológicos e
capacitar através dos treinamentos ofertados pela biblioteca.

5 Considerações Parciais/Finais
São otimistas as previsões feitas para os livros eletrônicos, as futuras gerações poderão
desfrutar mais ainda desta forma de acessar as informações, afinal as novas tecnologias estão
trazendo cada vez mais adereços, como: redes de alta velocidade, dispositivos compactos e
sofisticados, etc.
Chartier (1999) relata a importância da aceitação das mudanças por parte das
bibliotecas: “Aquela biblioteca que der um passo nesse processo irá renascer. As que
conservarem alguma visão idílica do passado correrão grande risco e terão tão pouca
oportunidade de serem reconhecidas como instituições sociais necessárias.”
Este artigo se propôs a mostrar a realidade de uma instituição de ensino superior,
através de um relato direto e sincero de experiências positivas e negativas da inserção dos
livros eletrônicos. De todos os modelos disponíveis no mercado consideramos a assinatura
mais viável, pois neste caso os clientes tem uma voz ativa para exigir melhorias nas
plataformas. Solicitações feitas aos fornecedores que oferecem o modelo de compra perpétua
parecem em vão, não percebemos interesse em apresentar novas soluções para problemas
existentes.

4044

�Percebe-se atualmente uma articulação de várias instituições em prol da criação de
grupos de trabalho para discussão, dentro os pontos abordados estão: a forma como os livros
eletrônicos estão sendo ofertados (compra perpétua, acesso, assinatura, etc); o tipo de formato
(pdf, html, e-pub, etc);

patrimoniamento dos itens adquiridos por assinatura/compra;

plataformas e estatísticas de uso.
Alguns temas citados neste artigo merecem aprofundamento em publicações futuras,
dentre eles: a competência informacional por parte dos profissionais da biblioteconomia no
que tange aos novos recursos (bases de dados de periódicos e livros eletrônicos) oferecidos
pelas bibliotecas universitárias e as ferramentas de descoberta. Objetivando auxiliar
profissionais de outras instituições, que estão iniciando o processo de inserção dos livros
eletrônicos em suas bibliotecas.
Conclui-se que no cerne da universidade, berço da produção científica, ambiente do
espaço crítico e de reflexão, o livro eletrônico encontra um terreno para criar raízes e para se
fortalecer.

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4046

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este estudo visa retratar de forma ampla a realidade de uma Biblioteca Universitária com relação à inserção dos livros eletrônicos, contextualiza sobre o livro digital e o papel do bibliotecário. Tem como objetivo analisar o contexto, compreender os processos de aquisição, os modelos de negócio, as formas de divulgação e o comportamento dos bibliotecários. Utilizamos o método descritivo para configurar este relato de experiência, embasado em um levantamento bibliográfico. Nas considerações finais observa-se que a inserção dos livros eletrônicos é um processo inevitável e que a biblioteca e os bibliotecários devem se adaptar e atualizar com base nas mudanças.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

UMA PROPOSTA DE UNIVERSIDADE CORPORATIVA PARA A UNIVERSIDADE
FEDERAL DA BAHIA: POSSIBILIDADES PARA A BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA
Samir Elias kalil Lion
Carlos Alberto Ramos Bispo dos Santos
Magno Alves Fernandes
José Carlos Sales dos Santos
Levi Alã Neves dos Santos
Vagna Vidal Felicio
RESUMO
Propõe a criação da Universidade Corporativa da Universidade Federal da Bahia - UC/UFBA
como ferramenta efetiva no desenvolvimento de seus recursos humanos. Trata-se de um
estudo de caso que utilizou questionários como instrumento de coleta de dados, aplicados aos
servidores da Coordenação de Desenvolvimento Humano da Universidade Federal da Bahia CDH/UFBA. Conclui que o órgão responsável pelo desenvolvimento humano na
Universidade Federal da Bahia (CDH/UFBA) não se comporta como universidade corporativa
- UC, mas sim como o clássico departamento de Treinamento e Desenvolvimento existente
nas organizações. Conclui também que a criação de uma Universidade Corporativa para a
Universidade Federal da Bahia - UC/UFBA pode se constituir em uma ferramenta efetiva no
desenvolvimento de seus recursos humanos, incluindo os que laboram no Sistema de
Bibliotecas da UFBA, sugerindo, portanto, que a Coordenação de Desenvolvimento Humano
da Universidade Federal da Bahia seja transformada na Universidade Corporativa da
Universidade Federal da Bahia - UC/UFBA.
Palavras-Chave:
Universidade
corporativa;
Treinamento
e
desenvolvimento;
Desenvolvimento humano; Biblioteca universitária; Sistema de bibliotecas.

ABSTRACT
Proposes the creation of Corparate University of the Federal University of Bahia as a effective
tool in developing their human resources. This is a case study with questionnaires as a tool for
data collection, applied to the employees of the Coordination of Human Development of
Federal University of Bahia. Concludes that the agency responsible for human development at
the Federal University of Bahia (CHR/UFBa) does not behave like Corporate University, but
like the classic department of Training and Development that exists in organizations. Also
concludes that the creation of a Corporate University for the Federal University of Bahia UC/UFBa may constitute an effective tool in the development of its human resources,
including those who work in the Library System of UFBa, suggesting therefore that the
Coordination of Human Development of the Federal University of Bahia must be transformed
into the Corporate University of the Federal University of Bahia - UC/UFBa.
Keywords: Corporate university; Training and development; Human development;
University library; Library system.

1623

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias não existem sozinhas ou isoladas, estão inseridas em um
ambiente maior - a universidade, e são por ela influenciadas. (VERGUEIRO, 2007). Gomes e
Lion (2012) salientam que nas bibliotecas tradicionais grande parte das atividades depende
dos recursos humanos e que o fator humano é igualmente essencial mesmo em ambientes
digitais. Por isso se faz necessários refletir sobre uma possível criação de uma Universidade
Corporativa para a Universidade Federal da Bahia - UC/UFBA como ferramenta efetiva no
desenvolvimento de seus recursos humanos, inclusive os profissionais da informação que
laboram no Sistema de Bibliotecas da UFBA. Assim, o objetivo geral é propor a criação da
Universidade Corporativa da Universidade Federal da Bahia - UC/UFBA como ferramenta
efetiva no desenvolvimento de seus recursos humanos. E como objetivo específico: avaliar se
a Coordenação de Desenvolvimento Humano da Universidade Federal da Bahia CDH/UFBA se comporta como universidade corporativa ou como departamento de
Treinamento e Desenvolvimento - T&amp;D.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Já em 2001, Alperstedt (2001) chamava a atenção para a definição do que seja
Universidade Corporativa - UC. Pois, naquele momento, por ser um assunto incipiente e
necessitado de uma consolidação de sua definição, era preciso distinguir aquilo que vinha
sendo intitulado de universidades corporativas das universidades corporativas de fato. Em
2005, já havia um crescente movimento de implementação delas. Um ponto comum em
diversos autores desta área (Alperstedt, 2001; Brandão, 2005; Amaral, 2003; Knijnik, 2001), é
que as universidades corporativas privilegiam fundamentalmente, mas não somente, a
formação estratégica de desenvolvimento de competências essenciais ao negócio das
organizações, direcionando as competências individuais da força de trabalho para a
competência organizacional. “As universidades corporativas responsáveis pelo processo de
desenvolvimento de pessoas [...], assumiram, em muitos casos, um papel tão significativo
que, em várias empresas, a área ou departamento de recursos humanos passou a gravitar em
torno de suas universidades corporativas”. (ALPERSTEDT, 2001, p. 161). Nos Estados
Unidos, de 1998 até 1999, as UCs cresceram de 400 para quase 2000 instituições (MEISTER,
1999). No Brasil, em 2006, tais instituições só estavam presentes em poucos órgãos públicos:
BNDES, Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal (BRANDÃO, 2005). Isso
talvez explique em parte a não criação da Universidade Corporativa - UC da Universidade
Federal da Bahia - UFBA (UC/UFBA). Ou seja, talvez os órgãos públicos tenham uma baixa

1624

�percepção para a importância do modelo de universidade corporativa nas suas políticas de
recursos humanos, mas, mesmo assim, têm investido em questões relativas ao Ensino
Corporativo. Por isso, foi criado um órgão que está subordinado à Pró-Reitoria de
Desenvolvimento de Pessoas na Universidade Federal da Bahia: a Coordenação de
Desenvolvimento Humano - CDH/UFBA. Este “tem como missão a promoção do
desenvolvimento humano do corpo funcional da UFBA em suas diversas dimensões e adota
como pressuposto a necessidade de integrar ações voltadas à melhoria dos processos de
trabalho, ao desenvolvimento pessoal de cada servidor e ao desenvolvimento organizacional”.
(UFBA, 2011, p.6). O que parece que não vem ocorrendo na UFBA, pois as ações da CDH
são insipientes e pouco eficientes, além de estarem dispersas e descontinuadas pela UFBA.
Por isso a criação de uma UC traria uma vantagem importantíssima para a UFBA, a de que na
UC é fomentada a formação estratégica de desenvolvimento de competências essenciais ao
negócio das organizações, ou seja, é fomentado um direcionamento das competências
individuais da força de trabalho para a competência organizacional. Assim, existem
distinções entre UC e a função de treinamento e desenvolvimento - T&amp;D.

UNIVERSIDADE CORPORATIVA

T&amp;D

DISTINÇÕES ENTRE UNIVERSIDADE CORPORATIVA E T&amp;D
Em geral oferecem os treinamentos necessários ao melhoramento do desempenho da força de
trabalho na linha de produção, desempenho este dentro de um contexto especifico e com
tópicos que possam rapidamente ser apreendidos e aprendidos.
Trabalham mais com as habilidades técnicas imediatamente necessárias ao trabalho, com um
enfoque mais mecanicista voltado para a linha de produção.
Estão intimamente imbricados no organograma da organização, de modo que seus serviços
visam exclusivamente os funcionários.
Oferecem soluções de aprendizagem para cada negócio dentro da empresa, de forma contínua
e principalmente alinhavadas aos objetivos organizacionais e à visão de futuro.
Além de abarcarem as habilidades técnicas, trabalham os conceitos de cultura organizacional,
onde estão inclusos a missão, valores e cultura da corporação e da indústria em que a
organização opera, bem como os valores e cultura dos fornecedores, clientes e concorrentes,
por serem elementos formadores das competências básicas do negócio.
Possuem uma logomarca que as identifica, o que tem grande impacto na percepção junto aos
usuários, os catálogo de cursos fortalecem ainda mais a sensação de sua solidez e missão.
Esse conjunto faz com que os usuários tenham a impressão de estarem em um ambiente
universitário, com a presença de um corpo docente formado por instrutores da própria
organização e professores contratados externamente, cursos em bases modulares, entre
outros.
São operadas, em muitos casos, como uma unidade de negócio, gozando de certa autonomia
em sua missão, e isso possibilita a extensão de seus serviços a outros stakehouders, como
clientes, fornecedores, franqueados etc.
Há a possibilidade de prestação de serviços educacionais aos funcionários, diretamente ou em
parceria com instituições de ensino, na forma de cursos contínuos de capacitação voltados
para as necessidades organizacionais, cursos de especialização, mestrado e doutorado com a
conferição de diplomas de forma independente
Quadro 1 - Distinções entre universidade corporativa e T&amp;D.

1625

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O universo da pesquisa se constituiu de todos os servidores que laboram na
Coordenação de Desenvolvimento Humano da Universidade Federal da Bahia - CDH/UFBA,
que totalizam 29 pessoas. E a amostra foi constituída por 19 servidores de diversos setores da
CDH/UFBA, onde foi possível coletar os dados. O instrumento de coleta de dados foi um
questionário que contém dois grupos de afirmativas/perguntas, conforme Tabelas 1 e 2. A
coleta de dados se deu com a aplicação de 19 questionários junto aos servidores da
Coordenação de Desenvolvimento Humano - CDH/UFBA nos seguintes dias 01/3/2013,
04/3/2013, 05/3/2013, 13/3/2013 e 14/3/2013. A análise dos dados foi feita utilizando o
programa Excel e apresentados em uma distribuição de frequências simples.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Todas as afirmativas das Tabelas abaixo foram formuladas a partir do Quadro 1.

Concordo
parcialmente
Concordo
totalmente

Discordo
parcialmente

Discordo
totalmente

Tabela 1 - Distribuição percentual dos aspectos voltados para a Universidade Corporativa - UC.
Não
tenho
opiniã
o
AFIRMATIVAS
forma
da/
Não
sei
A CDH oferece curso de doutorado.
84% 0%
0%
11%
A CDH estende seus serviços a outros stakehouders, como
fornecedores, estudantes da UFBA, comunidade, estudantes de 53% 16% 26%
outras IFEs etc.
A CDH goza de certa autonomia em sua missão.
11% 21% 5%
O CDH possui um corpo docente já formado/consolidado.

47%

A CDH oferece serviços educacionais aos servidores, diretamente ou
5%
em parceria com instituições de ensino.
A CDH tem autonomia para conferir diplomas.
5%

0%

21%

11% 21%

5%
42
%
21
%
21
%
47
%
32
%

5%

16%

26%

0%

21%

42%

5%

37%

5%

0%

0%

5%

0%

5%

11%

32
%

0%

21%

0%

Os cursos oferecidos pelo CDH trabalham os conceitos de cultura
11% 5%
organizacional, tais como missão da UFBA, valores da UFBA,

47%

16
%

A CDH é operada como uma unidade de negócio dentro da UFBA.
O CDH possui catálogo de cursos que oferece.
A CDH oferece curso de mestrado.

Outras Universidades Federais participam dos cursos oferecidos pelo
5%
CDH.
A CDH oferece cursos de especialização.
79%

To
tal

5%

100
%

0%

100
%

100
%
100
11%
%
100
42%
%
100
26%
%
100
21%
%
100
11%
%
100
95%
%
100
47%
%
100
0%
%
100
21%
%
21%

1626

�cultura e importância de outras IFES (Instituições Federais de
Ensino Superior).
O CDH possui uma logomarca que a identifica.
Os estudantes e a comunidade da UFBA participam dos cursos
oferecidos pelo CDH.
As soluções de aprendizagem levam em consideração a visão de
futuro da UFBA.
Os fornecedores da UFBA participam dos cursos oferecidos pelo
CDH.
As soluções de aprendizagem estão alinhadas aos objetivos
organizacionais da UFBA.
As soluções de aprendizagem são oferecidas de forma contínua.

16% 0%

11%

5%

11%

5%

0%

0%

11%

32%

16% 21%

0%

0%

11%

11%

11%

16%

Os temas dos cursos são pensados sob a perspectiva de unidades de
74% 0%
21%
negócio.
A CDH oferece soluções de aprendizagem para cada atividade
11% 11% 11%
dentro da UFBA.
28%

TOTAL

7%

18%

32
%
37
%
11
%
32
%
58
%
42
%
5%
58
%
28
%

100
%
100
42%
%
100
79%
%
100
0%
%
100
32%
%
100
21%
%
100
0%
%
100
11%
%
100
19%
%
42%

Os cursos promovidos pelo CDH são oferecidos exclusivamente para
5%
os servidores da UFBA.
A CDH é subordinada a um órgão da UFBA.
5%
Os cursos oferecidos pelo CDH são voltados para o desenvolvimento
de habilidades técnicas imediatamente necessárias à execução do
trabalho.
Os conteúdos dos cursos são pensados de forma a serem
rapidamente/facilmente aprendidos
A CDH oferece cursos de treinamento necessários ao melhoramento
do desempenho da força de trabalho da UFBA, dentro das atividades
cotidianas
Os cursos abordam contextos voltados para as especificidades de cada
setor/órgão/departamento da UFBA.
TOTAL

Não
tenho
opiniã
o
forma
da/
Não sei

11% 21%

Concordo
parcialmente
Concordo
totalmente

Discordo
parcialmente

AFIRMATIVAS

Discordo
totalmente

Tabela 2 - Distribuição percentual dos aspectos voltados para o Treinamento e Desenvolvimento T&amp;D..

To
tal

42
%
26
47%
%

100
%
100
%

21%

5%

16%

26% 0%

21%

32%

21
%

100
%

42% 5%

37%

5%

11
%

100
%

0%

0%

5%

0%

95
%

100
%

5%

5%

11%

3%

5%

12%

47
%
39
40%
%

100
%
100
%

32%

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Conclui-se que o órgão responsável pelo desenvolvimento humano na UFBA (CDH)
não se comporta como uma Universidade Corporativa (Tabela 1), mas sim como o clássico
departamento de Treinamento e Desenvolvimento existente nas organizações (Tabela 2).

1627

�6 REFERÊNCIAS
ALPERSTEDT, Cristiane. Universidades corporativas: discussão e proposta de uma
definição. In: Revista de Administração Contemporânea. Vol.5, no.3, p.149-165. Dez 2001.
Disponível em:&lt; http://www.scielo.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/&gt;. Acesso em: 30 out. 2012.
AMARAL, H. H. O. Educação corporativa e suas dimensões: estudo exploratório sobre as
políticas e práticas de empresas brasileiras. 2003.
BRANDÃO, Giselle Reis. Gestão de pessoas e as universidades corporativas: dois lados da
mesma moeda?. In: Revista de Administração de Empresas. Vol.46, no.2, p.22-33. Jun 2006.
Disponível

em:&lt;

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S003475902006000200003&amp;lng=pt
&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 5 nov. 2012.
GOMES, H.F.; LION, S.E.K. Praticas Gestoras na Biblioteca Universitária. SEMINÁRIO
NACIONAL DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS - SNBU, 2012, Gramado. Anais...
Recife: SNBU, 2012.
KNIJNIK, D. Universidade corporativa: uma perspectiva de aperfeiçoamento da abordagem
de T&amp;D adotada pela Gerdau S.A. 2001. Dissertação (Mestrado Profissional em
Administração) - PPGA/ UFRGS. Porto Alegre.
MEISTER, J. Educação corporativa: a gestão do capital intelectual através das
universidades corporativas. São Paulo: Makron Books, 1999.
VERGUEIRO, W. O olhar do cliente como fator de qualidade para a gestão de bibliotecas
universitárias: estudos de caso em instituições brasileiras. In: Anais XIX CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO 1, Centro de eventos da
PUCRS.

1628

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Uma proposta de Universidade Corporativa para a Universidade Federal da Bahia: possibilidades para a Biblioteca Universitária.</text>
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                <text>Propõe a criação da Universidade Corporativa da Universidade Federal da Bahia – UC/UFBA como ferramenta efetiva no desenvolvimento de seus recursos humanos. Trata-se de um estudo de caso que utilizou questionários como instrumento de coleta de dados, aplicados aos servidores da Coordenação de Desenvolvimento Humano da Universidade Federal da Bahia – CDH/UFBA. Conclui que o órgão responsável pelo desenvolvimento humano na Universidade Federal da Bahia (CDH/UFBA) não se comporta como universidade corporativa – UC, mas sim como o clássico departamento de Treinamento e Desenvolvimento existente nas organizações. Conclui também que a criação de uma Universidade Corporativa para a Universidade Federal da Bahia – UC/UFBA pode se constituir em uma ferramenta efetiva no desenvolvimento de seus recursos humanos, incluindo os que laboram no Sistema de Bibliotecas da UFBA, sugerindo, portanto, que a Coordenação de Desenvolvimento Humano da Universidade Federal da Bahia seja transformada na Universidade Corporativa da Universidade Federal da Bahia – UC/UFBA</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PADRÕES DE RECURSOS HUMANOS PARA O SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Raquel Alexandre de Lira
Milene Miguel do Vale
Célia Regina Simonetti Barbalho

RESUMO
Apresenta resultado parcial do estudo realizado nas oito Bibliotecas Setoriais (BS) do Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM) com o objetivo de
definir padrões mínimos de recursos humanos (RH) para essas unidades de informação,
visando garantir a qualidade dos serviços desenvolvidos por cada unidade. A pesquisa é
caracterizada como exploratória por propor padrões mínimos de RH e serviços para as BS da
UFAM, documental por pesquisar em documentos internos e relatórios do SISTEBIB e
descritiva por contextualizar o SISTEBIB/UFAM. A revisão da literatura permitiu levantar o
estado da arte referente ao objeto em estudo, a qual teve embasamento em diversos autores
com destaque para Sampaio et al.(2000) e Carvalho (1995).
Palavras-Chave: Biblioteca Universitária; Recursos Humanos; Serviços em Bibliotecas
Universitárias.

ABSTRACT
Presents partial results of the study conducted in the eight libraries Sector (BS) of the Library
System of the Universidade Federal do Amazonas in order to set minimum standards of
human resources (HR) for these units of information in order to ensure the quality of the
services performed by each unit. The research is characterized as exploratory for proposing
minimum standards of HR and services for the BS at UFAM is also documentary and
descriptive by search reporting internal and documents of the SISTEBIB too by
contextualizing the SISTEBIB / UFAM. The literature review had as a theoretical basis
several authors, highlighting Sampaio et al. (2000) and Carvalho (1995), to understand the
state of the art to the object of study.
Keywords: University Library; Human Resources; Services in University Libraries.

1 INTRODUÇÃO
Com o crescimento das organizações, cujo ambiente de atuação se vê ampliado pela
globalização e a sofisticação da tecnologia, a tarefa de administrar uma instituição tem sofrido
pressão para proporcionar respostas rápidas e competentes de modo a oportunizar maior

1484

�visibilidade aos produtos e serviços oferecidos e, por conseguinte, promover a geração de
benefícios à instituição.
O êxito da organização está pautado na constituição de uma ação estratégica, o que,
para Mintzberg (2003) implica na definição de uma direção, na necessidade de focar os
esforços, de criar um conceito para a organização e, principalmente, proporcionar consistência
nas decisões tomadas.
Com efeito, as estruturas organizacionais possuem um importante papel no resultado
final das organizações e para Motta (2002) na medida em que se alteram as condições sociais,
econômicas e políticas, também vão se modificando a maneira de analisar e conceber a
organização do trabalho e da produção.
A concepção moderna preconiza que não existe, em princípio, uma melhor maneira de
se estruturar uma organização a qual, como qualquer outro elemento organizacional, deve ser
considerada também um instrumento gerencial dinâmico e passível de variações, que possui
regras e procedimentos para atender as exigências quanto ao seu desempenho, variando em
seu grau de complexidade em função do alcance de seus processos e decisões.
Indubitavelmente, uma organização é a coordenação planejada das atividades para a
consecução de algum propósito ou objetivo comum, explícito por meio da divisão de trabalho
e funções, por meio de uma hierarquia de autoridade e responsabilidade (SCHEIN, 1982).
A análise do funcionamento das organizações, visando examinar as questões inerentes
ao seu desempenho, é própria a qualquer ambiente produtivo seja qual for a sua natureza, o
que implica em entender que o estudo das diferentes estruturas dinâmicas e configurações
organizacionais, tornam possível compreender o funcionamento de instituições como a
biblioteca. Ao mesmo tempo permite analisar os fluxos existentes e a forma como tais
aspectos poderão contribuir para identificar problemas com os quais a biblioteca atualmente
se vê confrontada. Para além de oferecer uma resposta à necessidade de encontrar um modelo
organizacional que melhore o funcionamento das bibliotecas, é importante refletir sobre como
estão sendo operadas às mudanças ambientais que a envolvem e de que forma os modelos
organizacionais estão adaptados a essa realidade.
As bibliotecas universitárias são projetadas para fomentar o ensino, a pesquisa e a
extensão contribuindo para a eficácia institucional. A obtenção da qualidade na prestação
desses serviços deve ser um processo contínuo e a comunidade acadêmica é ator fundamental
para o reconhecimento da atuação da biblioteca. Nesse sentido, a satisfação ou não das
necessidades dos usuários pode determinar seu prestígio. Hoje, a biblioteca é avaliada em

1485

�função dos serviços que presta e não mais por meio da dimensão de suas coleções, sendo
elemento norteador em sua avaliação o que ela faz e não o que ela tem.
Uma das maiores dificuldades na administração das bibliotecas universitárias
brasileiras é a debilidade no estabelecimento de padrões de recurso humanos para essas
organizações. Diante disso, este estudo buscou dimensionar o número de profissionais
necessários para o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas
(SISTEBIB/UFAM), por meio da escolha de padrões mínimos, de maneira que sirvam de
subsídios para o planejamento, execução e avaliação das atividades técnico administrativas,
possibilitando a melhoria continua dos serviços disponibilizados pelo Sistema.

2 PADRÕES DE RECURSOS HUMANOS PARA BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Os recursos humanos que atuam nas bibliotecas universitárias é fator preponderante
para proporcionar boa qualidade na prestação de serviços. Por isso, este aspecto deve estar
alinhado e em consonância com as atividades e o número de usuários potenciais que cada
instituição dispõe. Pode-se afirmar que estabelecer o quantitativo de recursos humanos para as
bibliotecas universitárias não é simples, principalmente em instituições públicas que
dependem das políticas governamentais para criação de cargos e funções.
O estabelecimento de padrões para bibliotecas universitárias tem merecido atenção
especial dos bibliotecários, tanto em nível nacional como internacional. Isso é comprovado
por documentos elaborados por organizações como a American Library Association e a
International Federation o f Library Associations (1987, 1979,1988,1989, 2011), bem como a
inclusão do tema nos I e II Plano Nacional de Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior
(1986, 1990).
As pessoas representam o sistema social interno da organização. Cada individuo com
suas necessidades, valores, competências, conhecimento, energia mental e física, torna o
ambiente de trabalho dinâmico e único. As organizações existem em função das pessoas e
para servi-las, e não o contrário.
As bibliotecas universitárias para funcionar com eficiência e eficácia necessitam de
uma equipe de funcionários qualificados para desempenhar as atividades inerentes ao
ambiente de ensino, pesquisa e extensão. Neste sentido, Sampaio et. al. (2000), no estudo
sobre padrões mínimos de recursos humanos, recomendam que uma biblioteca universitária
necessita atuar com um bibliotecário para cada trezentos usuários potenciais e dois a três
auxiliares para cada um profissional da biblioteconomia. Reforçando esse princípio, Barcelos
e Gomes (2004) argumentam que o quadro de pessoal auxiliar deve ser de dois auxiliares por

1486

�bibliotecário e estes deverão se incumbir de tarefas operacionais, tais como: atendimento no
setor de empréstimo, preparo do material para integrar a coleção, reposição de livros e
periódicos nas estantes, dentre outros.
Para Porto (2013), bibliotecários e auxiliares devem estar envolvidos nas atividades
que são realizadas na unidade de informação, ambos exercendo funções distintas. O autor
afirma ainda, que uma biblioteca precisa do apoio técnico de estatísticos, administradores,
analistas de sistemas, especialistas em informática (software e hardware), arquitetos,
engenheiros, advogados entre outros. Para melhor compreensão dos padrões sugeridos por
este estudo, se faz necessário contextualizar o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
do Amazonas.

3 CONTEXTUALIZAÇAO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO AMAZONAS ((SISTEBIB/UFAM)
O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM)
foi criado em 12 de setembro de 1974. É um órgão suplementar subordinado diretamente à
Reitoria, composto por uma Biblioteca Central com cinco divisões, oito bibliotecas setoriais
na capital (Manaus) e cinco no interior do Estado, as quais respondem administrativamente a
Unidade do Interior e tecnicamente a Biblioteca Central.
O Sistema de Bibliotecas da UFAM tem como missão: “Promover o acesso a
informação para subsidiar o ensino, a pesquisa e a extensão contribuindo para a formação de
cidadãos e o desenvolvimento da Amazônia” (SISTEBIB, 2013). A Figura 1 apresenta a
estrutura organizacional do SISTEBIB/UFAM.
Figura 1 - Estrutura organizacional projetada pelo Regimento Interno
Divisão de
Aquisição e
Seleção

Divisão de
Bibliotecas
Setoriais
Diretoria do
Sistema de
Bibliotecas

Serviço de
De se nvolvimento
do Acervo
Serviço de
registro
Serviço de
Bibliotecas
Setoriais

Divisão de
Documentação

Serviço de
Infromação e
Divulgação

Divisão de
Intercâmbio

Serviço de Livros e
Monografias

Divisão de
ro cessa m e nto de
Dados
Divisão de
Restauração e
Conservação

Multimeios
Serviço de
Periódicos

Fonte: Regimento Interno, 1996.

1487

�A administração do SISTEBIB/UFAM é parcialmente centralizada, e cada divisão tem
suas atribuições específicas, segundo o regimento são:
a. Biblioteca Central (BC) - órgão suplementar responsável pela administração do
SISTEBIB;
b.

Divisão de Intercâmbio (DI) - responsável pelo estabelecimento de programas de
intercâmbio com entidades nacionais e internacionais;

c. Divisão de Seleção e Aquisição (DSA) - responsável pelo controle e supervisão
das atividades relacionadas aos processos de aquisição e de incorporação ao
patrimônio da UFAM de todo material informacional;
d. Divisão de Processamento Técnico da Informação (DPI) - responsável pela
coordenação, execução e controle do processamento técnico de todo material
informacional e de sua inserção no sistema de gerenciamento da utilização do
acervo;
e. Divisão de Documentação (DD) - responsável pelo planejamento, supervisão e
avaliação das atividades desenvolvidas pelo Serviço de Informação e Divulgação
bem como pela reunião, organização e preservação da memória documental da
UFAM;
f. Divisão de Bibliotecas Setoriais (DBS) - responsável pela coordenação,
supervisão e avaliação das Bibliotecas Setoriais. É a esta divisão que as oito
bibliotecas setoriais da capital, objeto deste estudo, estão subordinadas.
Consideram-se Bibliotecas Setoriais (BS) aquelas localizadas nas Unidades
Acadêmicas e em Órgãos Suplementares onde prestam serviços. Todas estão
destinadas a atender a comunidade universitária (alunos de graduação, pósgraduação e servidores), instaladas conforme disposto:
-

-

Biblioteca Setorial da Escola de Enfermagem de Manaus (BSEEM);
Biblioteca Setorial da Faculdade de Direito (BSFD);
Biblioteca Setorial da Faculdade de Tecnologia (BSFT);
Biblioteca Setorial de Ciências da Saúde (BSCS);
Biblioteca Setorial do Curso de Farmácia (BSCF);
Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN), que a partir de 2001, constitui-se da
junção do acervo das Bibliotecas Setoriais da Faculdade de Educação
(BSFACED), da Faculdade de Estudos Sociais (BSFES) e Setorial do Instituto
de Ciências Humanas e Letras (BSICHL);
Biblioteca Setorial do Setor Sul (BSSS);
Biblioteca Setorial do Museu Amazônico (BSMA).

1488

�Das oito bibliotecas setoriais da capital, cinco funcionam doze horas e três dez horas
diárias, ininterruptamente, de segunda a sexta-feira. O horário de funcionamento das
bibliotecas setoriais é organizado de acordo com a demanda de usuários e quantitativo de
recursos humanos existentes.
As bibliotecas setoriais estão localizadas próximas às unidades acadêmicas, agrupando
seus acervos por áreas de conhecimento referentes às temáticas as quais estão destinadas a
prestar seus serviços.
Em todo o Sistema a única que teve seu espaço planejado e construído para
contemplar as diversas atividades de uma biblioteca foi a Setorial de Ciências da Saúde. No
entanto, apesar de ser oficialmente constituída de cinco pavimentos, ocupa hoje apenas dois,
sendo os demais ocupados pela Biblioteca Central e setores da Faculdade de Ciências
Farmacêuticas. As demais funcionam em espaços improvisados e inadequados, além de que,
não possuem concepções arquitetônicas para atender portadores de necessidades especiais e
uma área de convivência para os servidores. As áreas destinadas ao acervo, salão de leitura,
salas de estudo em grupo e individual são totalmente insuficientes em decorrência do aumento
da demanda de usuários criada pelos novos cursos oferecidos pela Universidade a partir do
Reuni.
O quadro de recursos humanos das Bibliotecas Setoriais da Universidade Federal do
Amazonas é composto por vinte e três bibliotecários, dos quais vinte e um possuem
especialização e dois são apenas graduados, seis auxiliares administrativo, dos quais três são
graduados, dois possuem ensino médio completo e um é universitário, vinte e sete estagiários
do ensino médio e nove bolsistas de graduação. O Quadro 1 apresenta a distribuição de
recursos humanos por biblioteca setorial.
Quadro 1 - Recursos humanos das Bibliotecas Setoriais
Bibliotecas

Bibliotecários

BSSS
BSSN
BSFT
BSFD
BSCS

04
05
04
02
04

BSCF
01
BSEEM
02
BSMA
01
TOTAL
23
Fonte: Biblioteca Central, 2014

Auxiliar
Administrativo
01
02
01

Estagiários
(ensino médio)
5
7
5
3
2

Bolsistas
(graduação)
01
01
02
04

01
01
06

2
3
27

1
9

1489

�Ao analisar-se o Quadro 1, é possível identificar que a quantidade de estagiários e
bolsistas é superior ao número de servidores, evidenciando a carência de profissionais de
nível de apoio, fato gerador de problemas no atendimento aos usuários, uma vez que a
rotatividade desses colaboradores é grande.
Para melhor compreensão do exposto, o Quadro 2 apresenta o quantitativo de usuários
potenciais por biblioteca setorial .

Quadro 2 - Quantidade de usuários potenciais por biblioteca setorial em 2013
Bibliotecas

Usuários potenciais

BSSS

2191

BSSN

7263

BSFT

7186

BSFD

711

BSCS

887

BSCF

213

BSEEM

257

BSMA

-

TOTAL

15.708

Fonte: SIE, 2013
Após análise dos dados apresentados e tomando por base o padrão estabelecido por
Sampaio et al. (2000), constata-se que o número de bibliotecários e auxiliares é insuficiente
para demanda dos serviços e atendimento dos usuários. Os autores recomendam ainda, que
durante o funcionamento da biblioteca esta deverá contar sempre com a presença de um
bibliotecário, pois segundo Carvalho (1995, p.148) “[...] a biblioteca deve ter um número e
uma variedade suficiente de pessoal para desenvolver, organizar e manter as coleções, serviço
de referência e informação para satisfazer às necessidades da universidade”.
É importante ressaltar que, contratar estagiários e bolsistas como estratégia para suprir
as necessidades de pessoal, pode se tornar um problema, quando esta prática passa a ser a
única política de recomposição de recursos humanos.
Segundo Góis (2009) esta prática resolve o problema imediato de carência de pessoal,
porém, causa estresse para os bibliotecários e para o gestor, que constantemente tem que
recompor sua equipe de trabalho, capacitando-a em função das constantes faltas e desistências
deste tipo de colaborador.

1490

�Com base nos critérios recomendados por Sampaio et al. (2000), Vale (2012)
dimensionou a necessidade de RH das Bibliotecas Setoriais da UFAM, fazendo um
comparativo referente ao quantitativo de RH existentes e necessários nas BS. O Quadro 3
aponta este comparativo.

Quadro 3 - Quantidade de Profissionais existentes e necessários
Bibliotecários
Bibliotecas

Auxiliares
Comparação entre

Existentes

Necessário Existentes Necessários

(a)

s (b)

(a)

(b)

aeb

BSSS

02

05

01

10

-12

BSSN

05

19

0

38

-52

BSFT

01

05

02

10

-12

BSFD

02

03

0

06

-07

BSCS

05

05

01

10

-09

BSCF

02

03

01

06

-06

BSEEM

02

03

0

06

-07

BSMA

02

01

01

02

00

TOTAL

21

44

06

88

Fonte: Vale, 2012
De acordo com a proposta de Vale (2012), o Sistema de Bibliotecas da UFAM
necessitaria contratar vinte e três bibliotecários e oitenta e dois auxiliares. É importante
ressaltar que o dimensionamento de pessoal proposto levou em consideração todos os serviços
inerentes a biblioteca, desde o processamento técnico até o serviço de referência
disponibilizado nas bibliotecas setoriais.
O SISTEBIB/UFAM adota o sistema de livre acesso, fator que permite ao usuário
maior contato com a informação e favorece a busca e o encontro fortuito com o saber
armazenado. As bibliotecas setoriais da UFAM disponibilizam diversos serviços à
comunidade universitária dentre eles:
a) cadastramento de usuários - serviço direcionado somente a comunidade interna da
UFAM (discentes de graduação e pós-graduação, docentes e técnicos administrativos);
b) circulação de material bibliográfico (empréstimo domiciliar, renovação e reserva de
livros para empréstimo) - somente para usuários cadastrados;

1491

�c) consulta local de livros, periódicos, folhetos, teses, e monografias (para a comunidade
em geral);
d) treinamento informal de usuários no uso da Biblioteca;
e) comutação bibliográfica;
f) venda de material instrucional do Programa PALTEX/OPAS/OMS - convênio que
permite aos alunos da área de saúde adquirir material didático com desconto;
g) acesso

ao

Sistema Pergamum

online -

permite

consulta ao acervo

do

SISTEBIB/UFAM, renovação e reserva de material para empréstimo.
Constata-se, por meio da relação acima, que os serviços oferecidos são os mínimos
que poderiam ser ofertados por uma biblioteca universitária, fato que tem contribuído para
fortalecer uma visão negativa a respeito da importância da biblioteca na vida acadêmica, uma
vez que a produção de conhecimento no ambiente das universidades aponta para a
necessidade da disseminação e uso do conhecimento gerado.
Targino (2006, p.185) afirma que, “[...] a introdução de serviços não convencionais
tanto concorre para a biblioteca acompanhar o desenvolvimento científico e tecnológico como
para mudar a sua imagem de organismo estático e passivo”. A autora elenca ainda alguns
serviços, além do empréstimo e consulta dos acervos, que são considerados inerentes a uma
biblioteca universitária:
a) levantamento bibliográfico (com acervo próprio, em obras de referência, em
bases de dados, no espaço cibernético);
b) tradução;
c) disseminação seletiva da informação (de diferentes modalidades);
d) fornecimento de fotocópias;
e) exposições variadas;
f) cursos de extensão;
g) cursos de idiomas estrangeiros;
h) feiras de livros novos e usados;
i) apoio às gráficas / editoras universitárias na preparação das edições;
j) normalização de trabalhos finais de cursos de graduação e de pós-graduação,
além de outros documentos elaborados por docentes e discentes e quaisquer
novas atividades demandadas pela comunidade.
A biblioteca universitária como organismo vivo, tem de acompanhar a evolução das
necessidades de informação da comunidade a qual serve.

1492

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Diante dos dados expostos, a atual diretoria do Sistema de Bibliotecas da UFAM,
criou um grupo de trabalho (GT) para avaliar e determinar os padrões quantitativos e
qualitativos mínimos de recursos humanos, bem como de serviços para cada Biblioteca
Setorial do Sistema. Para o levantamento das necessidades de pessoal e de serviços, o
principal instrumento utilizado foi o planejamento estratégico participativo do SISTEBIB para
ano de 2014, o que permitiu identificar as principais deficiências e oportunidades de cada
biblioteca setorial. A revisão da literatura proporcionou conhecer o estado da arte referente ao
objeto de estudo. A pesquisa caracteriza-se como exploratória por propor padrões mínimos de
recursos humanos e serviços para as bibliotecas setoriais da UFAM, documental por pesquisar
em documentos internos e relatórios do SISTEBIB e descritiva por contextualizar o
SISTEBIB/UFAM.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O estabelecimento de padrões de recursos humanos para bibliotecas universitárias é
instrumento importante para administração destas, entretanto são necessárias algumas
condições para que estes sejam aplicados e produzam os resultados almejados.
Após análise dos padrões mínimos de recursos humanos para bibliotecas
universitárias encontrados na literatura especializada, optou-se pela recomendação de
Sampaio et al. (2011), com algumas adaptações:
a) um

bibliotecário

gestor,

responsável

por

administrar

os

serviços

disponibilizados à comunidade acadêmica;
b) um bibliotecário de referência para cada seiscentos usuários potenciais;
c) um bibliotecário responsável pela coleção de periódicos;
d) dois auxiliares administrativos para cada bibliotecário.
Vale ressaltar que durante o período de funcionamento da biblioteca setorial deverá ter
sempre a presença de um bibliotecário, sendo recomendável que eles possuam no mínimo
especialização.
Com a adoção destes padrões as bibliotecas setoriais do SISTEBIB/UFAM terão suas
deficiências relacionadas à pessoal sanadas. O Quadro 4 apresenta quantitativo de recursos
humanos por Biblioteca Setorial.

1493

�Quadro 4 - Quantitativo de Recursos Humanos necessários por Biblioteca Setorial
BIBLIOTECAS

BIBLIOTECÁRIOS AUXILIARES

BSSS

6

12

BSSN

14

28

BSFT

9

18

BSFD

3

6

BSCS

4

8

BSCF

2

4

BSEEM

2

4

BSMA

2

4

TOTAL

42

84

No Quadro 4, está exposto o quantitativo de recursos humanos recomendado para as
Bibliotecas Setoriais da UFAM, vale ressaltar que as BSCF e BSEEM, não atendem ao
padrão mínimo de usuários potenciais recomendado pela pesquisa, ou seja, um bibliotecário
de referência para cada seiscentos usuários, portanto, as referidas setoriais irão dispor de um
Bibliotecário Gestor e um de Referência, o qual também ficará responsável pelo setor de
periódicos da Biblioteca Setorial.
A BSMA, por sua particularidade de se constituir como suporte ao órgão suplementar
Museu Amazônico e não a uma unidade acadêmica, não foi possível aferir a quantidade de
usuários potencis, pois esta setorial disponibiliza apenas consulta local do seu acervo,
portanto o estudo recomenda um Bibliotecário Gestor e um de referência.
Também com base na literatura, se propõe padrões mínimos de serviços e produtos a
serem oferecidos à comunidade acadêmica da UFAM pelas bibliotecas setoriais, além dos já
oferecidos regulamente,
a) visita guiada;
b) orientação aos usuários em normalização técnica de documentos;
c) comutação bibliográfica;
d) treinamento de usuários;
e) boletim de novas aquisições;
f) disseminação seletiva da informação;
g) levantamento bibliográfico (com acervo próprio, em obras de referência, em
bases de dados);

1494

�h) exposições variadas;
i) feiras de trocas de livros;
j) desenvolvimento de estratégias de marketing;
k) estudos de usuários;
l) avaliação dos serviços prestados;
m) avaliação periódica do acervo.
Ressalta-se ainda a necessidade do gestor de cada biblioteca setorial manter estreita
relação com as coordenações dos cursos atendidos, a fim de acompanhar suas reais
necessidades de informação, pois esta relação implicará no alcance do objetivo fim da
biblioteca que é dar suporte ao processo de ensino, pesquisa e extensão.
Com a adoção dos padrões mínimos de RH e serviços propostos, recomenda-se a
distribuição de funções de acordo com o Quadro 5.

Quadro 5 - Distribuição de funções

Bibliotecário gestor

Bibliotecário de Referência

Bibliotecário responsável pela coleção de
periódicos

Auxiliares

a) planejamento, organização e controle
dos serviços disponibilizados;
b) desenvolvimento de estratégias de
marketing;
c) estudos de usuários;
d) avaliação dos serviços prestados;
e) avaliação periódica do acervo.
f) treinamento de usuários ;
g) visita guiada;
h) orientação
aos
usuários
em
normalização técnica de documentos;
i) comutação bibliográfica;
j) consulta local de livros, folhetos,
teses, e monografias (para a
comunidade em geral);
k) levantamento bibliográfico;
l) exposições variadas.
m) consulta local de periódicos;
n) comutação bibliográfica;
o) boletim de novas aquisições da
biblioteca;
p) disseminação seletiva da informação;
q) pesquisa em base de dados.
r) cadastramento de usuários;
s) circulação de material bibliográfico
(empréstimo domiciliar, renovação e
reserva de livros para empréstimo).

1495

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O estudo da recomendação de padrões mínimos para as bibliotecas setoriais da UFAM
possibilitou a análise da distribuição atual dos Recursos Humanos, como também, visualizar
os diversos serviços disponibilizados por cada setorial, além de identificar a carência na oferta
de produtos e serviços que são de responsabilidade dessas unidades.
Sendo uma organização em constante desenvolvimento a biblioteca depende, dentre
outras exigências, do seu desempenho aprimorado para que este ocorra de forma sustentável.
Portanto, sugere-se que as bibliotecas, após uma auto-avaliação, adotem parâmetros
construídos de acordo com as suas necessidades, objetivos, recursos e limitações, e que estes
não sejam simples metas intangíveis e frias, fixadas somente por um elemento externo. Mas,
sobretudo, sejam indicadores de esforços despendidos em direção a um desenvolvimento
factível e gradual que, acima de tudo, estejam voltados para o benefício da comunidade
acadêmica.
Para que esses padrões de RH cumpram seu objetivo de otimizar o desempenho das
bibliotecas setoriais, é necessário que a utilização desses, seja realizada com competência do
gestor, sendo imprescindível levar em consideração a formação e perfil dos bibliotecários.

6 REFERÊNCIAS
BARCELOS, Maria Elisa Americano do Sul; GOMES, Maria Lúcia Barcelos Martins.
Preparando sua biblioteca para avaliação do MEC. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal, RN. Anais... Natal: UFRN, 2004. 1
CD-ROM.
CARVALHO, M. C. R. de. Estatísticas e padrões para o planejamento e avaliação de
bibliotecas universitárias. Brasília: MEC. SESU. PNBU, 1995.
GÓIS, Maria Josineide Silva. Mensuração de desempenho nas organizações: a gestão de
indicadores na Biblioteca de Ciências Humanas da UFC. Fortaleza: UFC, 2009. Dissertação
(Mestrado em Políticas Públicas e Educação Superior) - Universidade Federal do Ceará,
Fortaleza, 2009.
MINTZBERG, H. Criando organizações eficazes: estrutura em cinco configurações. São
Paulo: Atlas, 2003.
MOTTA, Paulo Roberto. Gestão contemporânea: a ciência e a arte de ser dirigente. Rio de
Janeiro: Record, 2002.

1496

�PORTO, Odimar José Ferreira. Gestão de bibliotecas: Avaliação estrutural das bibliotecas do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - IFAM. 2013. 105f.
Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Faculdade de Tecnologia, Universidade
Federal do Amazonas, Manaus, 2013.
SAMPAIO, Maria da Penha Franco et al. Padrões mínimos de recursos humanos para o
Sistema de Bibliotecas e Arquivos da Universidade Federal Fluminense. In: SEMINARIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITARIAS, 11., Florianópolis, 2000. Anais...
Florianópolis: UFSC, 2000.
SCHEIN, Edigar H. Psicologia organizacional. 3. ed. Rio de Janeiro: Prentice - Hall do
Brasil, 1982.
STANDARDS for university libraries. College &amp; Research Libraries, v. 40, n. 3, p. 101­
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Research Libraries, v. 49, n. 6, p. 343-350, June 1988.
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STANDARDS for libraries in higher education. Approved by the ACRL Board of
Directors, october 2011, Chicago, Illinois, 2011.
TARGINO, Maria das Graças. Olhares e fragmentos: cotidiano da biblioteconomia e ciência
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UNIVERSIDADE DO AMAZONAS. Biblioteca Central. Regimento do Sistema de
Bibliotecas da Universidade do Amazonas. Manaus: UA, 1996.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS. Biblioteca Central. Manaus: UFAM,
2014.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS. Sistema de Bibliotecas. Planejamento
estratégico do SISTEBIB. Manaus: UFAM, 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS. Sistema de Informação para o Ensino.
Manaus: UFAM, 2013
VALE, Milene Miguel. Indicadores de desempenho para o Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM). 2012.

104f. Dissertação

(Mestrado em Engenharia de Produção) - Faculdade de Tecnologia, Universidade Federal do
Amazonas, Manaus, 2012.

1497

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Apresenta resultado parcial do estudo realizado nas oito Bibliotecas Setoriais (BS) do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM) com o objetivo de definir padrões mínimos de recursos humanos (RH) para essas unidades de informação, visando garantir a qualidade dos serviços desenvolvidos por cada unidade. A pesquisa é caracterizada como exploratória por propor padrões mínimos de RH e serviços para as BS da UFAM, documental por pesquisar em documentos internos e relatórios do SISTEBIB e descritiva por contextualizar o SISTEBIB/UFAM. A revisão da literatura permitiu levantar o estado da arte referente ao objeto em estudo, a qual teve embasamento em diversos autores com destaque para Sampaio et al.(2000) e Carvalho (1995)</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

FORMULÁRIO ELETRÔNICO DE AQUISIÇÃO DE LIVROS PARA O SISTEMA
DE BIBLIOTECAS DA UECE

Francisco Leandro Castro Lopes
Ana Néri Barreto de Amorim
Lúcia Maria Oliveira da Silva
Antônio Leandro Martins Filho
RESUMO
Trata da inserção de um formulário eletrônico que agilize o processo de aquisição de livros,
facilitando a formação e o desenvolvimento de coleções. Assim, conceituando e apontando a
importância de uma ferramenta como essa. Tendo o objetivo de mostrar como esse tipo de
formulário pode ser utilizado para seleção e indicação de compra de livros pelos professores.
A partir disso, no interesse de entender a existência do mesmo para o Sistema de Bibliotecas
da Universidade Estadual do Ceará (SIBUECE). Desta forma, utilizamos o método dialético
para discutir a importância do assunto e o presente trabalho traz uma revisão de literatura,
feito através da pesquisa documental, enfatizando por que se resolveu adotar um formulário
digital para a aquisição de material bibliográfico pela Universidade Estadual do Ceará
(UECE).
Palavras-Chave: Formulário eletrônico; Desenvolvimento de coleções; Aquisição de livros.

ABSTRACT
It inserting an electronic form that streamlines the process of acquiring books, facilitating the
formation and development of collections. Thus, conceptualizing and emphasizing the
importance of a tool like this. Taking the purpose to show how such a form can be used for
selection and appointment of purchasing books for teachers. From this, in the interest of
understanding the existence of the same for the Library System of the State University of
Ceara (SIBUECE). Thus, we used the dialectical method to discuss the importance of the
subject and this paper presents a literature review, done by desk research, emphasizing why
they decided to adopt a digital form for the purchase of library materials by State University
of Ceara (UECE).
Keywords: Electronic form; Collection development; Purchase of books.

2754

�1 INTRODUÇÃO
Através do Formulário Eletrônico, é admissível a criação de documentos
personalizados e exclusivos. O sistema é indicado principalmente para impressão de holerites,
faturas, boletos, malas diretas, entre outros tipos
A ideia da construção do formulário em formato digital surgiu a partir da necessidade
de tornar mais ágil o pedido de compra de livros, o mesmo foi desenvolvido pelo assistente
administrativo e graduando em Ciência da Computação com o apoio de conteúdo e
normalização da bibliotecária Lúcia Oliveira, ambos são funcionários da Biblioteca Central
(BC) da UECE.
O formulário serve para possibilitar a otimização no processo de aquisição, antes era
pedido que as coordenações do curso da Universidade entrassem em contato com seus
professores para que os mesmos tivessem que sugerir os títulos, mais relevantes, que assim
viessem a contribuir com os estudos e pesquisas dos alunos, porém muitas vezes se tornava
algo impossível, pois muitos desses docentes não estavam presentes em sala de aula, estando
de férias ou afastados do exercício da profissão por Mestrado ou Doutorado, e por outras
circunstâncias.
Por isso a importância de se criar este formulário online que pudesse ser preenchido a
qualquer momento e que tivesse a possibilidade de atender a demanda. Já que o pedido de
compra de livros é algo que pode acontecer a qualquer momento.
A partir da coleta de arquivos salvos como listas de sugestões prontas vem facilitar o
trabalho do bibliotecário na hora de escolher obras que venham fazer parte do acervo da
instituição e para o crescimento do ensino e pesquisa.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Desenvolvimento de coleções: aquisição
Uma política de desenvolvimento de coleções é processo fundamental para formação
do acervo, levando sempre em consideração os objetivos institucionais e a coleção a ser
formada. “Além disso, as necessidades de atender às novas expectativas e níveis de exigências
dos usuários, a otimização de recursos humanos e de equipamentos, a explosão bibliográfica
exponencial, a racionalização de espaço físico, entre outros fatores, [...]” (Brasil, 2009, p. 5).
O acervo se desenvolve através dos seguintes procedimentos, compra, doação e
permuta. No caso do material bibliográfico adquirido através do processo de compra, “são
identificados e selecionados por meio de vários instrumentos de solicitação de novos títulos”
(Brasil, 2009, p.28).

2755

�Então precisasse ter cuidado especial na seleção de itens para a biblioteca, em se
tratando da aquisição que,
é , mais exatamente, um meio para concretização de decisões da seleção,
meio este que deve buscar a maximização dos resultados, para isso
estabelecendo um fluxo administrativo suficientemente linear e controlado,
de modo a evitar estrangulamentos ou duplicações; isto vai exigir não
somente um trabalho de registro e controle, tanto dos pedidos como dos
materiais adquiridos, mas também, a utilização de formulários adequados
que permitam identificar claramente os materiais selecionados
(VERGUEIRO, 1989, p. 63-64).

Quando se usa um Formulário, como o de formato eletrônico passasse a ter um
instrumento fundamental na política e desenvolvimento de coleções com agilização e controle
automatizado na aquisição de itens bibliográficos.
Portanto é importante tomar devidas precauções e se utilizar instrumentos que venham
contribuir para uma melhor seleção do material bibliográfico a ser obtido e inserido pelas
bibliotecas.

2.2 O uso do formulário eletrônico
Um formulário eletrônico se destaca por várias vantagens como transmitir segurança,
praticidade e diminuir custos.
Seu objetivo é bastante fácil e prático. O mecanismo tem como objetivo diminuir a
dúvida sobre informações ou conteúdos que poucos serão usados, além de trazer também a
possibilidade de impressão sobre demanda de documentos mais específicos.
Essa solução funciona com um software que grava os dados com interface direto nas
impressoras ou multifuncionais, com isso, é possível armazená-los de modo instantâneo,
seguro, prático e econômico. Para imprimir, basta preencher os campos indispensáveis que o
programa irá mostrar assim o documento estará padronizado de acordo com as necessidades.

2.3 O formulário eletrônico do SIBUECE

A administração da Biblioteca Central com o intuito de melhorar seus serviços no que
se refere à aquisição de livros, lança na data de (28/08/2013), um formulário eletrônico
intitulado “Sistema de Bibliotecas da UECE: página online para sugestões de livros”. A
referida tabela é autoexplicativa de fácil acesso e preenchimento. Para isso basta entrar na
página da biblioteca: www.uece.br/biblioteca e em SERVIÇOS clicar no item “Sugestões de

2756

�Livros para Compra”. Imediatamente o sistema solicita “Informar a senha correta” que
por medida de segurança, já que a tabela está online no site da BC, poderá ser utilizada por
pessoas indevidamente. Esta senha será fornecida somente aos os professores, coordenadores
e diretores de curso e/ou alguém de confiança dos mesmos, como secretária, que irá alimentar
o referido formulário.
O feedback ocorre através de e-mails dos responsáveis pelo processo que estejam
armazenados no Google, sendo dispostas em planilhas, que são geradas após o preenchimento
da cada formulário feito, assim os dados e informações apurados são enviados, isso tudo é
possível a partir do momento que o solicitante do pedido entra com uma senha geral e logo
depois finaliza o preenchimento.
Esta medida foi pensada com o objetivo de melhor organizar as listas para as compras
de livros e não surpreender os solicitantes com a feitura destas na última hora como sempre
acontece, causando desconforto para os interessados: Direção dos Centros e Faculdades da
UECE e SIBUECE.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Estando o formulário na página da biblioteca, pode-se ao longo do tempo,
calmamente, alimentá-lo com a bibliografia desejada. Precisa-se, contudo, esclarecer alguns
pontos:
•

A senha para acesso ao formulário será encaminhada aos usuários responsáveis por
esse processo;

•

Após preenchimento total do formulário eletrônico, no último item, clica-se em
“ENVIAR”. Sua sugestão, automaticamente, será anexada a uma planilha Excel, que
terá

acesso

permitido

à bibliotecária

responsável

pelo

Setor

Técnico

e

encaminhamento das mesmas à Célula de Compras - DA, desta instituição;
•

Bom saber: Todos os “Diretores dos Centros e Faculdades” serão avisados do prazo
final do preenchimento dos formulários e do valor direcionado a cada biblioteca
(Central, Humanidades e as 6 (seis) unidades restantes) através da página da
Biblioteca no site acima mencionado e após autorização;

•

Não existe um prazo para a compra destes livros listados. Os arrolamentos dos
mesmos estarão a sua disposição e os senhores poderão preenchê-los dia a dia, mas
somente serão encaminhados à Célula de Compra quando liberada a verba e
autorizada à compra pelo Reitor desta universidade;

2757

�•

Lembrar que: Se a lista ultrapassar o limite do valor disponibilizado para o seu
respectivo Centro, ela será atendida de acordo com a prioridade informada para os
livros que foram
cadastrados. Os livros que não forem contemplados ficarão no banco de dados da
biblioteca e serão beneficiados em uma próxima aquisição e liberação de recursos
financeiros;

•

Caso haja antecipação de pedidos e completos os formulários em tempo hábil, a
bibliotecário(a) recolherá os dados, dentro dos valores destinados a cada Centro e
Faculdade, fazendo pesquisa de preços pela internet e criando lista por ordem
alfabética de autor, título e editora;

•

Assim feito, será providenciado cópias em papel, CD - Rom e Ofício, encaminhados
pela Diretora do SIBIUECE a Célula de Compras para os tramites legais de aquisição;

•

A partir de então toda informação dos livros adquiridos, ou não, dentre sua solicitação,
ficarão sobre o cargo da Célula de Compras;

•

As obras requerentes ao chegarem à UECE serão entregues ao Setor de Patrimônio DEMAP, para carimbo, registro e destino. Esta é a última etapa deste processo de
investimento;

•

Informamos ainda que são aceitas sugestões e para tirar dúvidas. Ligue para: (85)
3101.9688.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Até o momento se encontra disponível, em fase de testes, nosso formulário eletrônico
no website da biblioteca, http://www.uece.br/biblioteca/, na aba Sugestões de Livros para
Compra. Lá, professor(a) Informa, cuidadosmente, todos os dados do livro desejado,
observando que existem campos obrigatórios (*) e deve-se realizar um preenchimento para
cada livro a sugerir, porém baseado nas normas da ABNT ao digitar uma sugestão, para assim
poder enviá-la para a Biblioteca.
Foram recebidas um total de 3 (três) listas em planilhas com sugestões de títulos para
compra, enviado por alguns docentes, mas espera-se que o uso desse método seja
intensificado com os futuros treinamentos de uso do mesmo, pois no único treinamento
fornecido só compareceram 3 (três) professores, contudo a biblioteca sempre está a disposição
para agendá-lo e também.

2758

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Sabe-se que o desenvolvimento de coleções é um trabalho minucioso de pesquisa de
mercado, valores e demanda, principalmente quando se trata da parte de aquisição de livros,
muitas vezes demorado, mas esperasse que através do uso de um formulário eletrônico desse
vem se tornar mais rápido a escolha dos títulos que farão parte dos acervos das bibliotecas do
SIBUECE..
Nesse fato, é esperado que através da obtenção de planilhas com títulos apontados
pelos próprios docentes da Universidade, tudo isso venha se concretizar.

6 REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Política de desenvolvimento de coleções da Biblioteca do
Ministério da Saúde. 2.ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
SUGESTÕES DE LIVROS PARA COMPRA DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UECE.
Disponível

em:

&lt;http://www.uece.br/biblioteca/dmdocuments/solicitacoes livros.pdf&gt;.

Acesso em: 11 abr. 2014.
VERGUEIRO, Valdomiro. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis, 1989.

2759

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Formulário eletrônico de aquisição de livros para o Sistema de Bibliotecas da UECE</text>
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                <text>Lopes, Francisco Leandro C., Amorim, Ana Néri Barreto de, Silva, Lúcia Maria O. da, Martins Filho, Antônio Leandro </text>
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                <text>Trata da inserção de um formulário eletrônico que agilize o processo de aquisição de livros, facilitando a formação e o desenvolvimento de coleções. Assim, conceituando e apontando a importância de uma ferramenta como essa. Tendo o objetivo de mostrar como esse tipo de formulário pode ser utilizado para seleção e indicação de compra de livros pelos professores. A partir disso, no interesse de entender a existência do mesmo para o Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual do Ceará (SIBUECE). Desta forma, utilizamos o método dialético para discutir a importância do assunto e o presente trabalho traz uma revisão de literatura, feito através da pesquisa documental, enfatizando por que se resolveu adotar um formulário digital para a aquisição de material bibliográfico pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROPOSTA PARA O ESTABELECIMENTO DOS FUNDAMENTOS
ORGANIZACIONAIS DA BIBLIOTECA DA FACULDADE DE
BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
GRANDE DO SUL (FABICO/UFRGS): RELATO DE EXPERIÊNCIA
Miriam Moema Loss

RESUMO
Apresenta uma proposta para o estabelecimento dos norteadores institucionais para a
Biblioteca da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS), através da declaração do negócio, visão, missão e da
declaração dos valores. Tem como base teórica o planejamento estratégico situacional.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; Planejamento estratégico situacional.

ABSTRACT
Submission of a proposal for the establishment of institutional guidelines for the university
library, through the declaration of the business, vision, mission and values statement, based
on theoretical situational strategic planning.
Keywords: University library. Situational strategic planning.

1 INTRODUÇÃO
Os fundamentos organizacionais de uma instituição falam muito sobre ela. Dizem
respeito a sua direção, ao rumo que tomam na sociedade em que está inserida, sua
competência, suas aspirações, suas metas, suas origens e principalmente sobre suas
responsabilidades.
São elementos essenciais para o bom andamento das atividades dentro da organização,
norteiam as decisões, direcionam as ações, indicam uma direção, uma meta, um objetivo a ser
alcançado. É a lei maior da instituição e é por ela que todas as atividades devem ser
conduzidas.
Com base nessa ideia, tenta-se situar a Biblioteca da Faculdade de Biblioteconomia e
Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS), num contexto

1586

�organizacional, com a finalidade de propor os elementos que vão dizer sobre sua atuação,
aquilo que faz e se interessa em fazer (seu negócio), onde ela pretende chegar sem prazo
determinado (sua declaração de visão), os critérios que utiliza para a tomada de decisões (sua
declaração de valores) e o seu papel em relação aos diferentes públicos com quem se
relaciona (sua missão).
Inicialmente será apresentado um breve histórico do setor, seguindo-se da abordagem
teórica do planejamento estratégico e, em seguida, passa-se para a proposta dos norteadores
estratégicos

que poderão,

inicialmente,

identificar a Biblioteca

como um todo.

Posteriormente se fará uma análise do ambiente externo e interno, tentando levantar as
oportunidades e ameaças, os pontos fortes e pontos fracos identificados no ambiente, propon­
do ações para minimizar ou neutralizar as ameaças, aproveitar as oportunidades, intensificar
os pontos fortes e reduzir os pontos fracos.

2

UM

POUCO

DA

HISTÓRIA

DA

BIBLIOTECA

DA

FABICO

A Biblioteca do Curso de Biblioteconomia da UFRGS, denominada, na época, Escola
de Biblioteconomia e Documentação, iniciou seu funcionamento em 1959, junto à Faculdade
de Ciências Econômicas. A partir da reforma universitária de 1970, a Escola passou a
denomi-nar-se Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação abrigando os cursos de
Biblioteconomia e Jornalismo. Em 1972 passou a ocupar o espaço que hoje se encontra: o
quarto andar do pré-dio da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, integrando o
Sistema de Bibliotecas da UFRGS (SBUFRGS),

passando, desta forma , a ter novas

competências e responsabilidades perante a comunidade acadêmica.
Em 1987 sofreu uma ampliação no seu espaço físico, passando de uma área de 135m2
para 311,84m2.
Atualmente, em vias de ampliar novamente sua área física, ambiciona criar novos
setores para qualificar ainda mais seus serviços e seu acervo, além de oferecer aos seus
usuários uma melhor infraestrutura de pesquisa.
O acervo, composto basicamente de material impresso das áreas específicas dos cursos
de graduação (Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia, Relações Públicas, Publicidade e
Propaganda e Jornalismo) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação,
se apresenta em boas condições de uso e armazenagem. Estão presentes no acervo, materiais
especiais como CDs, DVDs, microfilmes, microfichas, documentos eletrônicos.
O acervo de livros conta, atualmente, com cerca de 30 mil volumes e o de periódicos
com 518 títulos, em suas áreas específicas e afins.

1587

�Nessa coleção, estão presentes obras históricas valiosas principalmente das áreas de
Biblioteconomia e de Comunicação que já não são de uso corrente nos cursos de graduação e
pós-graduação. Esse material foi inicialmente identificado e contabilizado para compor uma
coleção específica para pesquisas históricas das áreas.
A Biblioteca investe na área de conservação do acervo corrente e das obras de caráter
histórico, quando estas são passíveis de pequenas intervenções.

3 O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO SITUACIONAL
O planejamento em unidades de informação, como salienta Maria Cristina Almeida,
normalmente realiza-se nos níveis operacional (o que fazer e como fazer) e intermediário
(planejamento tático), mas não significa dizer que não possa ser estratégico, levando em
consideração os problemas e limitações e as vantagens ou forças propulsoras do ambiente e da
instituição (ALMEIDA, 2005).
Desta forma, reorganizar as ações, discutir os problemas, levantar as possibilidades de
mudanças, prever novas ações visando um futuro determinado, pode ser uma oportunidade de
melhorar substancialmente os serviços prestados pelas bibliotecas. Não se limitar a somente
executar funções

repetitivamente

sem

estabelecer

objetivos,

metas,

deixando

os

acontecimentos atropelarem as ações, levando a uma direção desconhecida e incerta.
O planejamento, visto estrategicamente, não é outra coisa senão a ciência e a arte de
construir maior governabilidade aos nossos destinos, enquanto pessoas, organizações ou
países. O planejamento estratégico exige constante revisão de objetivos, reavaliação constante
em função das mudanças no ambiente da organização. É a possibilidade das organizações se
adaptarem às constantes mudanças, propiciando seu desenvolvimento integrado ao contexto
no qual atuam. (MACIEL ; MENDONÇA, 2000).
O Planejamento Estratégico Situacional (PES), proposto pelo economista chileno
Carlos Matus, Ministro da Economia do Governo Allende (1973), é a versão do planejamento
estratégico para instituições públicas,

[...] com princípios e visões filosóficas sobre a produção social, com a
liberdade humana e o papel dos governos, governante e governados. A
análise de problemas, a identificação de cenários, a visualização de outros
atores sociais, a ênfase na análise estratégica são elementos fundamentais e
diferenciadores do PES em relação a outros métodos de planejamento.
(TONI, 2004)

1588

�As questões relativas às relações de poder entre atores sociais são a base dominante
da proposta, na qual o poder pode ser compartilhado, pois todas as etapas do planejamento
são realizadas com a participação de todos os trabalhadores do setor, denominados de atores.
O planejamento é situacional porque indica como cada ator explica a realidade, a partir
do seu posto de observação: cada um vê e explica a realidade de forma diferente, atuando de
forma diferente sobre ela. O ator, inserido na situação, explica a realidade sobre o seu ponto
de vista.
A proposta é de que haja um engajamento global focado nos objetivos da
organização, na sua missão, visão e nos seus valores expressos.
Na metodologia de aplicação do PES, se apresentam quatro momentos distintos:
a) Momento Explicativo: momento em que o ator planeja, identifica e
seleciona os problemas estratégicos, montando os fluxos de explicação
dos mesmos com suas respectivas cadeias causais, selecionando aquelas
que julga fundamentais - chamadas de Nós Críticos, como centros
práticos de ação, constrói a Árvore de Resultados a partir de uma
Situação-Objetivo definida pelo grupo. Como os demais atores possuem
capacidades diferenciadas de planejamento, a explicação da realidade
implica em diferentes graus de governabilidade sobre o sistema social.
Substitui o antigo diagnóstico;
b) Momento Operacional ou Normativo: ações ou projetos concretos são
propostos sobre cada Nó Crítico - as chamadas Operações do Plano,
definindo para cada operação os recursos necessários, os produtos
esperados e os resultados previstos, construindo cenários possíveis nos
quais o plano será executado, analisando a trajetória do conjunto das
operações em cada cenário e - a partir disto - tentar diminuir a
vulnerabilidade do Plano;
c) Momento Estratégico: análise dos atores sociais envolvidos no plano,
seus interesses, motivações e poder em cada uma das operações
previstas e cenários imaginados, definir a melhor estratégia possível
para cada trajetória traçada, estabelecendo um programa direcional para
o plano, construindo assim a viabilidade estratégica para atingir a
Situação-Objetivo;
d) Momento Tático-Operacional: debate sobre as formas organizativas,
a cultura organizacional e o modus operandi da organização de modo a

1589

�garantir a execução do plano. Neste momento devem ser encaminhados
os seguintes temas: funcionamento da agenda da direção, sistema de
prestação de contas, participação dos envolvidos, gerenciamento do
cotidiano, sala de situações e análise sistemática da conjuntura.

Mais

do que resolver problemas, o Planejamento Estratégico Situacional,
promove um intercâmbio de problemas, fazendo com que problemas
mais complexos e de menor governabilidade cedam lugar a outros
menos complexos e de maior governabilidade.

O PES é um método que pressupõe constante adaptação a cada situação concreta onde
é aplicado. Entretanto, os principais momentos tendem a utilizar instrumentos metodológicos
parecidos.

4 UMA PROPOSTA INICIAL DE PRINCÍPIOS NORTEADORES
A definição dos princípios norteadores de uma organização deve ser realizada em
conjunto com o grupo de trabalhadores, com a finalidade de saber, de cada um, como veem o
setor no qual trabalham, no sentido de obter reflexões efetivamente válidas acerca das suas
impressões sobre a sua organização. São questões do tipo como projetam a imagem da
organização para daqui a dez anos, como ela estaria no futuro, como gostaria de ver essa
mesma organização no futuro. Essas questões, levadas dessa forma, podem trazer grandes
resultados no sentido de unificar a ideia do propósito da organização entre os que nela
executam suas atividades, em todos os níveis hierárquicos.
O negócio, a visão, a missão e os valores são os principais norteadores estratégicos
que vão direcionar a instituição. Sobre esse conjunto de elementos serão adotados os con­
ceitos apresentados por Roger Born, em sua obra Construindo o planejamento estratégico.
O negócio determina o escopo da atuação da organização: aquilo que ela faz e se inte­
ressa em fazer com a finalidade de possuir um foco. Deve gerar concentração de esforços.
(BORN, 2007).
A visão dá conta de onde a organização quer chegar. Supera a perspectiva temporal,
não estabelecendo prazos, limites, constitui-se em algo a ser perseguido por todos que a
compõem. Ela orienta, organiza e desafia. (BORN, 2007).
Valores: são normas que determinam o sistema de priorização nas tomadas de decisão.
Determinam uma unidade de conduta que vai formar a cultura organizacional. São as normas

1590

�de conduta que a organização considera mais importantes no relacionamento com os públicos
interno e externo. Formarão a ética empresarial. (BORN, 2007).
A missão representa seu papel em relação aos diferentes públicos com quem se
relaciona. Parte da necessidade de realizar algo, de determinada forma, para alguém, como
caminho único para se chegar onde se deseja. Deve expressar com detalhes o papel da
organização em relação a cada um dos vários públicos com os quais realiza trocas. (BORN,
2007, p. 53).
Assim, por se constituir em uma metodologia participativa, envolvendo todas as
pessoas que compõem a equipe de trabalho, apresenta-se uma proposta inicial do que poderia
ser o começo de um debate com o restante da equipe, sobre os princípios norteadores da
Biblioteca da Fabico / UFRGS.

4.1 O Negócio
A Biblioteca da Fabico constitui-se numa biblioteca setorial especializada nas áreas de
Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e Comunicação, voltada especificamente para a
comunidade universitária,

principalmente

alunos

da graduação

e pós-graduação

e

professores, no sentido de oferecer acesso ao acervo bibliográfico e digital dessas áreas.
Pretende satisfazer a necessidade de informação do seu usuário, nas áreas específicas
do seu acervo.Também disponibiliza seu acervo para o público em geral, interessado na
informação oferecida.
A única biblioteca de Porto Alegre a dispor de acervo na área de Biblioteconomia e
Arquivologia, define assim o seu negócio:
Acesso à informação especializada nas áreas de Biblioteconomia, Arquivologia,
Museologia e Comunicação.

4.2 A Visão
A proposta de visão para a Biblioteca, amparada na sua situação particular, atender
também ao Curso de Biblioteconomia, pode ser assim formulada:

A Biblioteca da Fabico quer se constituir em uma biblioteca universitária modelo,
amparada nas mais avançadas técnicas para o atendimento ao usuário, no uso das
novas tecnologias para os serviços de disseminação da informação e das mais
modernas técnicas utilizadas na conservação e armazenamento do acervo
bibliográfico e digital.

1591

�4.3 A Declaração de Valores
Os valores que alicerçam o relacionamento da equipe da Biblioteca da Fabico com
seus usuários, colegas de trabalho, fornecedores e público em geral e os princípios que
norteiam o trabalho, são:

Agir com integridade e responsabilidade;
Atender as pessoas com respeito, agilidade e cordialidade;
Estimular a parceria e a cooperação com outras unidades de informação das áreas;
Valorizar habilidades individuais;
Melhorar e inovar continuamente;
Trabalhar em equipe e com transparência;
Facilitar o acesso ao acervo, oferecendo auxílio individualizado ao usuário.

4.4 A Missão
4.5
A missão da Biblioteca da Fabico, em relação aos seus diferentes públicos,
pode ser definida da seguinte maneira:

Oferecer à comunidade universitária a bibliografia completa dos programas de
ensino das disciplinas ministradas nos cursos de graduação e pós-graduação,
possibilitando o desenvolvimento pleno das atividades de ensino, pesquisa e
extensão na Unidade. Atuar como depositária da produção bibliográfica gerada por
professores,

funcionários

técnico-administrativos

e

alunos

da

Unidade.

Preservar a memória das áreas das Ciências da Informação e da Comunicação,
presente no acervo da Biblioteca, oferecendo um panorama das várias fases da
história dessas áreas para pesquisadores e para as futuras gerações de
profissionais, sendo reconhecida como referência para estudantes e pesquisadores
que buscam conhecer a história das áreas das Ciências da Informação e da
Comunicação.

5 ANÁLISE DO AMBIENTE EXTERNO
Conhecer o ambiente onde a Biblioteca atua é essencial para a compreensão dos
cenários em que ela está inserida, possibilitando a melhor utilização das oportunidades e a
neutralização das ameaças. (BARBALHO ; BERAQUET, 1995).

1592

�Na análise do ambiente externo, pode-se determinar ou vislumbrar oportunidades que
auxiliarão no desenvolvimento da Biblioteca e as ameaças que poderão impedir o crescimento
ou a manutenção dos serviços prestados.
Desta forma, podemos listar as seguintes oportunidades, que favorecem e interagem
positivamente com a Biblioteca:
a) carência, na cidade, de material de pesquisa nas áreas de Biblioteconomia e
Arquivologia;
b) política de atualização e ampliação periódica do acervo dos cursos de
graduação através de investimentos do Ministério de Educação;
c) oferecimento periódico de cursos de capacitação e qualificação para o corpo
técnico-administrativo, pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas;
d) localização física do prédio que abriga a Biblioteca, em área de fácil acesso;
e) estar na programação de ampliação do espaço físico da Faculdade;
f) estar na previsão de ampliação do quadro de pessoal, podendo receber mais um
profissional bibliotecário para compor a equipe;
g) contar com uma sala específica para os trabalhos de conservação preventiva e
pequenos reparos no acervo bibliográfico;
h) contar com o apoio da Direção da Unidade;
i) ampliação do atendimento na comutação bibliográfica com o uso do meio
eletrônico.

As ameaças que de alguma forma, poderão impedir o crescimento ou a manutenção
dos serviços prestados pela Biblioteca, são:
a) mudança na administração da Unidade;
b) novos investimentos em áreas de tecnologia por parte do Ministério da
Educação em

detrimento da manutenção da atualização de acervos

impressos;
c) ausência de orçamento suficiente para dar continuidade aos serviços.

6 ANÁLISE DO AMBIENTE INTERNO
O ambiente interno é analisado com base num exame minucioso do desempenho da
Biblioteca no que ela faz de melhor (pontos fortes) e nas dificuldades que reconhecidamente
apresenta

na

realização

das

tarefas

(pontos

fracos).

1593

�Na análise minuciosa do desempenho da Biblioteca, podemos enumerar os pontos
fortes do trabalho nas seguintes áreas:

Acervo:
a) obras impressas em bom estado de conservação;
b) obras em quantidade suficiente de exemplares para o atendimento aos cursos
de graduação;
c) qualidade reconhecida do acervo;
d) conservação preventiva, restauração e acondicionamento do acervo corrente e
histórico;
e) ser a única Biblioteca em Porto Alegre, e a primeira em volume de acervo do
Estado, da área de Biblioteconomia e Arquivologia;
f) possuir um ótimo acervo na área de Comunicação, sendo procurado por alunos
e professores de outras instituições de ensino da área;
g) maior acervo na área de Biblioteconomia do Estado do Rio Grande do Sul;
h) única Biblioteca que reúne acervo das áreas de Arquivologia, Biblioteconomia
e Museologia no Estado do Rio Grande do Sul.

Infraestrutura/Instalações físicas:
Orientação solar do ambiente é muito boa, muitas vezes não necessitando da luz
artificial.
Recursos humanos:
a) entrosamento da equipe;
b) bom relacionamento com a Direção;
c) proximidade com o poder decisório da Unidade;
d) capacitação às funções realizadas;
e) oportunidades e motivação para a educação continuada;
f) bom relacionamento com a Chefia do Sistema de Bibliotecas da
Universidade.

Serviços prestados:
a) divulgação dos serviços prestados aos usuários reais e potenciais;
b) agilidade e rapidez no atendimento à comutação bibliográfica.

1594

�Os pontos fracos, reconhecidamente identificados pela equipe, podem ser assim
estabelecidos nas áreas a seguir:
Atendimento aos usuários:
a) setor de referência não estruturado ou inexistente;
b) baixa frequência de usuários na Biblioteca após a implantação do serviço de
renovação via web.
Recursos humanos:
a) quantidade inadequada de bibliotecários e auxiliares, para o porte da
Biblioteca;
b) carência de pessoal técnico-administrativo para a equipe da Biblioteca, que
atue no turno da noite.

Infraestrutura/instalações físicas:
a) mobiliário para estudo inadequado para os usuários;
b) mobiliário para trabalho inadequado para os funcionários;
c) acesso a portadores de deficiência nos corredores entre as estantes;
d) climatização do ambiente;
e) inexistência de cabines de estudo para trabalhos em grupo;
f) falta de local adequado para atender às consultas ao acervo histórico;
g) inexistência de equipamentos de proteção individual para proporcionar uma
consulta segura ao acervo histórico;
h) sinalização do ambiente interno e externo.

Acesso ao Acervo:

a) difícil acesso aos documentos históricos;
b) inexistência de equipamento para o acesso à coleção de microfilmes.
Comunicação:
a) página na web pouco atrativa e interativa;
b) inexistência de um canal de comunicação eficiente com o usuário;
c) carência de notícias atualizadas sobre a Biblioteca na página da web;
d) ausência de políticas formalizadas para as diversas rotinas da Biblioteca.

Na análise geral do ambiente interno, pode-se inferir diretamente sobre os pontos

1595

�fracos, que possam ser minimizados e que não envolvam grandes mudanças muito menos
investimento de recursos.
Desta forma, alguns pontos fracos, podem ser minimizados de imediato.
Atendimento aos usuários: estruturar um serviço de referência baseado nas apresen­
tações / instruções no uso das bases de dados e da Biblioteca como um todo, oferecendo esse
serviço ao Programa de Pós-Graduação e aos dois Departamentos, para que os professores
comuniquem

aos

seus

alunos.

Oferecer aos usuários um ambiente adequado para consulta às bases de dados e ao Ca­
tálogo online da Biblioteca, solicitando à Direção computadores novos e um espaço específi­
co para treinamentos e capacitação informacional.
Infraestrutura / instalações físicas: renovar e melhorar a sinalização do ambiente
interno da Biblioteca, utilizando os serviços do Grupo de Criação do curso de Publicidade e
Propaganda com os recursos disponíveis na Faculdade.
Acesso ao acervo: verificar junto ao Setor de Patrimônio da Universidade, a existên­
cia de algum equipamento leitor de microfilme que esteja em funcionamento e que possa ser
transferido para a Biblioteca.
Comunicação: a modernização da homepage da Biblioteca, mantendo-se na estrutura
atual, incluindo notícias, imagens do ambiente e da equipe, vídeos com visita virtual e orien­
tação no uso do acervo e no acesso às bases de dados e documentos como regimento, regula­
mento de empréstimo, normas e procedimentos com relação aos seus serviços e produtos, e os
manuais e rotinas de trabalho.
Essas ações independem de recursos e de projetos específicos para que se concretizem,
desta forma pode-se incrementar e minimizar alguns pontos fracos da Biblioteca

7 QUESTÕES ESTRATÉGICAS
Nessa etapa, o planejamento estratégico pretende reunir as análises realizadas e, em
conjunto com a missão e com os demais princípios norteadores, definir as questões que unirão
essas premissas no sentido de identificar o papel que a Biblioteca terá no futuro.
Diante disso, reunindo os pontos fortes como aliados e tentando transformar os pontos
fracos em fortes, levando em consideração as oportunidades e neutralizando as ameaças, póde-se elencar as seguintes questões:
a)

Como estruturar um setor de referência ágil, moderno e eficaz para que possa
divulgar melhor o acervo da Biblioteca e proporcionar maior frequência na sua
sede?

1596

�b) Como estruturar o setor histórico da Biblioteca a fim de que possa oferecer
acesso fácil ao acervo?
c)

Como melhorar o acesso ao acervo a portadores de deficiência?

d) Como ampliar o quadro de funcionários para atuar na Biblioteca no turno da
noite?
e) De que forma a Biblioteca poderá oferecer um canal de comunicação com o
usuário?
f)

Como implementar os manuais das rotinas da Biblioteca?

g) De que forma tornar o ambiente mais atrativo e com condições de conforto
adequadas ao público e aos funcionários?

8 PROPOSTAS ESTRATÉGICAS
Para minimizar os pontos fracos, fortalecendo os fortes, ultrapassando os obstáculos e
aproveitando as oportunidades, definir-se-á, a seguir, algumas alternativas de ações para cada
uma das questões propostas anteriormente.
No Planejamento Estratégico Situacional (PES), cada um desses problemas, formam o
que, no Momento Explicativo, Carlos Matus denominou nós críticos. São pontos de maior
sensibilidade para a mudança, que constituirão o alvo das ações para o enfrentamento do pro­
blema (MATUS apud TONY, 2004).
Para Carlos Matus, esse momento foi chamado de Momento Normativo, no qual serão
apresentadas as propostas de ações para cada nó crítico apontado, a saber:

Quadro 1 - Nós críticos e ações observadas na Biblioteca da Fabico
Nós críticos

Momento Normativo (Ações)

Atendimento aos usuários
a) setor de referência não estruturado /inexistente;
b) baixa frequência de usuários na Biblioteca após a
implantação do serviço de renovação via web.

1. Estabelecer uma linha de trabalho voltada mais
para o uso da coleção do que para o seu
processamento
técnico.
2. Propor um plantão de referência, de 5 horas
semanais, entre os bibliotecários existentes na
Biblioteca, atuando no turno de maior frequência de
usuários.

Recursos humanos
a) quantidade inadequada de bibliotecários e
auxiliares, para o porte da Biblioteca;
b) carência de pessoal técnico-administrativo para a
equipe da Biblioteca, que atue no turno da noite.

3. Justificar junto a Direção da Unidade e do
SBUFRGS da necessidade de um auxiliar
administrativo e de mais um bibliotecário, para atuar
nos turnos tarde e noite, utilizando também como
argumento, a criação de um novo curso de graduação
na Unidade.

Aproveitar
Infraestrutura / instalações físicas
a) mobiliário para estudo inadequado para os usuários; Biblioteca

a

ampliação

do
e

espaço

físico da
propor:

1597

�b) mobiliário para trabalho inadequado para os
funcionários;
c) acesso a portadores de deficiência nos corredores
entre as estantes;
d) climatização do ambiente;
e) inexistência de cabines de estudo para trabalhos em
grupo;
f) falta de local adequado para atender às consultas ao
acervo histórico;
g) sinalização do ambiente interno e externo.

4. a mudança do mobiliário para móveis ergonômicos
e mais confortáveis, tanto para o usuário, quanto
para os funcionários
5. a climatização do ambiente, através da execução
de um projeto de refrigeração moderno e de baixo
consumo
de
energia;
6. a redistribuição das estantes ampliando o espaço
entre elas, favorecendo o acesso a pessoas portadoras
de necessidades especiais, em decorrência da
separação do acervo considerado histórico do acervo
corrente.

Acesso ao Acervo
a) difícil acesso aos documentos históricos;
b) inexistência de equipamento para o acesso à coleção
de microfilmes.

Partindo da possibilidade de ampliação do espaço
físico
da
Biblioteca,
7. planejar a criação de um setor com o acervo
histórico, composto de ambiente de consulta e do
fornecimento
de equipamentos de proteção
individual para o usuário / pesquisador.

Comunicação
a) página na web pouco atrativa e interativa;
b) inexistência de um canal de comunicação eficiente
com o usuário;
c) carência de notícias atualizadas sobre a Biblioteca
na página da web;
d) ausência de políticas formalizadas para as diversas
rotinas da biblioteca.

8. Modernizar a homepage da Biblioteca, oferecendo
mais informações, incluindo vídeo, imagens e
documentos como regimento, regulamento de
empréstimo, manuais e políticas das rotinas de
trabalho.

Fonte: da autora

A viabilidade da execução dessas ações vai compor o Momento Estratégico, que se
constituirá numa análise minuciosa e criteriosa da motivação de cada ator no interesse pela
ação, identificando, através de uma matriz denominada por Carlos Matus de Matriz AtoresMotivações, na qual estão expressos os índices de motivação de cada ator em relação às ações
(MATUS, 1996).
A motivação de apoio, segundo Carlos Matus, “[...] sintetiza a convergência do inte­
resse e do valor [...]’’ podendo ser fraca ou forte (MATUS, 1996, p.106). Desta forma, podese atribuir os seguintes índices: motivação Alta (A), Média (M) ou Baixa (B). Quanto ao
interesse pelo sucesso da ação, ele pode ser contrário, simbolizado pelo sinal de menos (-),
favorável, pelo sinal de adição (+) ou neutro, simbolizado pelo zero (0), no qual a combina­
ção baixa motivação (B) e interesse negativo (-) indicam a intenção de oposição (MATUS,
1996).
Os atores envolvidos na execução das ações podem ser assim identificados: Direção
da Faculdade, Direção do SBUFRGS e a equipe de trabalho da Biblioteca formada por
funcionários e bolsistas. Os atores terão uma motivação diferenciada para cada tipo de ação.
Desta forma, pode-se apresentar a seguinte matriz:

1598

�Quadro 2 - Matriz atores / motivações da Biblioteca da Fabico
Atores / Ações
Direção da Faculdade

Ação 1, 2 Ação 3
A0
A+

Ação 4-6 Ação 7
A+
A+

Ação 8
M0

Direção do SBUFRGS
Funcionários

A+
A+

A+
A+

M0
A+

M+
A+

M0
M0

Bolsistas
Fonte: da autora

M0

M0

M+

M0

A+

O plano

será viabilizado

a partir das

ações

que poderão

ser implementadas

independentemente do início das obras de ampliação do espaço físico da Biblioteca. São
aquelas previstas inicialmente para minimizar os pontos fracos, citados na análise do
ambiente interno. Essas ações teriam sua viabilização imediata. As demais ações seriam
concretizadas, segundo o cronograma a seguir:

Quadro 3 - Cronograma de execução das ações
Ações / Prazo de execução

2. sem 1.
sem. 2. sem. 1. sem. 2. sem.
2014
2015
2015
2016
2016

1. Estabelecer uma linha de trabalho voltada mais para o
uso da coleção do que para o seu processamento técnico.
2. Propor um plantão de referência, de 5 horas semanais,
entre os bibliotecários existentes na Biblioteca, atuando
no turno de maior frequência de usuários.

X

3. Justificar junto a Direção
da Faculdade e do
SBUFRGS da necessidade de um auxiliar admi­
nistrativo e de mais um bibliotecário, para atuar nos
turnos tarde e noite, utilizando também como argu-mento,
a criação de um novo curso de graduação na Faculdade.

X

4. Adquirir móveis ergonômicos e mais confortáveis,
tanto para o usuário quanto para os funcionários.

X

5. Solicitar um projeto de refrigeração moderno e de baixo
consumo de energia.

X

6. Redistribuir as estantes ampliando o espaço entre elas,
favorecendo o acesso a pessoas portadoras de
necessidades especiais, em decorrência da separação do
acervo considerado histórico do acervo corrente.

X

7. Planejar a criação de um setor com o acervo histórico,
composto de ambiente de consulta e do fornecimento de
equipamentos
de
proteção
individual
para
o
usuário/pesquisador.
8. Modernizar a homepage da Biblioteca.

X

X

Fonte: da autora

1599

�9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Numa unidade de informação vinculada a uma instituição pública, o planejamento
nem sempre consegue ser efetivo. Na maioria das vezes não se consegue executar o que foi
previsto para um determinado período. Sendo assim, o planejamento para a nossa instituição,
que está vinculada a uma unidade de ensino, que por sua vez está vinculada a uma hierarquia
administrativa dispersa na qual as questões de poder tornam-se determinantes na execução de
determinado objetivo,

que dependem de políticas públicas gerais e estas, por sua vez, de

incentivos do governo para serem efetivamente estabelecidas, torna-se, na maioria das vezes,
incerto e por vezes inadequado. As instituições públicas estão na dependência da aprovação
de orçamentos, planos financeiros, verbas direcionadas para determinado setor da economia
do país, deixando muitas vezes as áreas da educação e da cultura de fora dos grandes
investimentos. No caso das bibliotecas universitárias, a Comissão Brasileira das Bibliotecas
Universitárias consegue, de alguma forma manter vigília sobre os investimentos na área,
propondo alternativas e ações diretamente ligadas a melhoria em geral das bibliotecas
universitárias.
Tendo claramente definidos os princípios norteadores, mesmo que de forma
embrionária, damos início a uma tentativa de aplicação do Planejamento Estratégico
Situacional em uma biblioteca.
A determinação do negócio da Biblioteca, sua visão, sua declaração de valores e
finalmente sua missão, orientam a equipe num rumo único facilitando a tomada de decisões e
direcionando as ações propostas.
Desta forma, essa proposta se constituiu somente num exercício para tentar, quem sabe
um dia, propor essa metodologia de trabalho para a equipe, pois como foi visto, a equipe
como um todo deve ter parte ativa e atuante na elaboração de um plano estratégico deste
porte.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Cristina Barbosa de. Planejamento de bibliotecas e serviços de
informação. 2.ed.rev.ampl. Brasília: Briquet de Lemos Livros, 2005.
BARBALHO, Célia Regina Simonetti ; BERAQUET, Vera Silva Marão.

Planejamento

estratégico para unidades de informação. São Paulo: POLIS/APB, 1995.
BORN, Roger. Construindo o planejamento estratégico. Porto Alegre: Sulina, 2007.
MACIEL, Alba Costa; MENDONÇA, Marília Alvarenga Rocha.

Bibliotecas como

organizações. Rio de Janeiro: Interciência, 2000.

1600

�MATUS, Carlos.

Estratégias políticas: chimpanzé, Maquiavel e Gandhi.

São Paulo:

Fundap, 1996.
TONI, Jakson de.
Acadêmico,

O que é planejamento estratégico situacional.

Maringá,

PR,

n.32,

jan.

2004.

Revista Espaço

Disponível

em:

&lt;http://www.espacoacademico.com.br/032/32ctoni.htm&gt;. Acesso em 21 maio 2014.

1601

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                <text>Proposta para o estabelecimento dos fundamentos organizacionais da Biblioteca da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FABICO/UFRGS): relato de experiência.</text>
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                <text>Apresenta uma proposta para o estabelecimento dos norteadores institucionais para a Biblioteca da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS), através da declaração do negócio, visão, missão e da declaração dos valores. Tem como base teórica o planejamento estratégico situacional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

VALORAÇÃO DE ACERVO COM BASE NO GERENCIAMENTO DE RISCOS: UM
EXERCÍCIO NO ACERVO DA BIBLIOTECA DA FACULDADE DE
BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
GRANDE DO SUL (FABICO/UFRGS)
Miriam Moema Loss
Ismael Maynard Bernini

RESUMO
Relata a experiência de valoração do acervo de uma biblioteca universitária brasileira, como o
primeiro passo na abordagem da metodologia do gerenciamento de riscos, como parte do
Projeto de Extensão Conservação de Acervos: gerenciamento ambiental e estudos sobre
desastresno âmbito do gerenciamento de riscos, da UFRGS.Fornece um panorama sobre
alguns aspectos da Biblioteca, acerca do seu histórico, contexto administrativo e
principalmente da valoração inicial do seu acervo. Apresenta o resultado da avaliação do
acervo com gráficos e tabelas,como forma de possibilitar o aproveitamento da metodologia
outros acervos da Universidade.
Palavras-Chave:Conservação preventiva; Gerenciamento de riscos; Acervo; Biblioteca
universitária.
ABSTRACT
Reports the experienceof valuation of the collections in a brazilianuniversity library, as the
firststep inthe methodologyof risk managementapproachas part of theExtended Project
Conservation o f the Collections: environmental managementanddisasterstudieswithin therisk
management, in theUFRGS. Providesan overview ofsome aspects of thelibrary, about
theirhistorical,administrative
contextand
especiallythe
initialvaluation
ofits
collections.Presents the resultsof thereviewof the valuationwith graphs andtables, in order to
make possible the useof the methodologyto other collectionsof the University.
Keywords Preventive conservation; Risk management; Collections; University library.

1 Introdução
Esse exercício consiste em um dos estudos que compõe oProjeto de Extensão
Conservação de Acervos: gerenciamentoambiental e estudos sobre desastresno âmbito do
gerenciamento de riscos, coordenado pela Professora Doutora Jeniffer Alves Cuty, do

3887

�Departamento de Ciências da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(DCI/UFRGS) e pela Conservadora Lorete Matos, da Biblioteca Central da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (BC/UFRGS), cujo objetivo é propiciar um aprimoramento da
metodologia de diagnóstico de conservação em consonância com o Gerenciamento de Riscos,
em acervos de arquivos, bibliotecas e museus ligados à UFRGS. O

propósito

desse

documento é fornecer um panorama sobre alguns aspectos da Biblioteca da Faculdade de
Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), acerca do seu histórico, contexto administrativo e
principalmente da valoração inicial do seu acervo, visando o gerenciamento de riscos e o
futuroaproveitamento da metodologia para profissionais que atuem em outros acervos da
Universidade.
Por se constituir na primeira etapa do processo de gerenciamento de riscos, o contexto
da instituição onde o acervo está armazenado é necessário para que se tenha um completo
entendimento da instituição e seus ambientes, interno e externo, do acervo e do
gerenciamento em si,proporcionando um panorama geral do processo.

2 Gerenciamento de riscos em coleções
Todas as atividades de uma organização envolvem certo grau de risco. Segundo a
norma da ABNT, “risco é o efeito da incerteza nos objetivos”, sendo efeito definido como um
desvio em relação ao esperado, podendo ser positivo ou negativo(ASSOCIAÇÃO..., 2009,
p.1).
Asorganizações gerenciam o risco, identificando-o, analisando-o e, em seguida,
avaliando-o. Ao longo de todo este processosistemático e lógico, elas comunicam e consultam
partes interessadas, monitorando e analisando criticamenteo risco bem como os controles que
o modificam, a fim de assegurar que nenhum tratamento adicional seja necessário.
Para isso, é necessário o estabelecimento de princípios que precisam ser atendidos
para tornar a gestão de riscos eficaz.
O gerenciamento de riscos pressupõe a implantação de um processo de gestãocontínuo
na organização e o apoio e envolvimento de todos os seus segmentos. Segundo a norma
técnica australiana e neo-zelandesa, esse processo é constituído por cinco etapas sequenciais,
e duas contínuas:
a) estabelecimento do contexto:onde os riscos serão gerenciados;
b) identificação dos riscos de forma sistemática e abrangente;
c) análise dos riscos :quantificar sua magnitude, ou seja, sua probabilidade
de ocorrência e o impacto esperado;

3888

�d) avaliação dos riscos:decidir quais riscosserão tratados e com que
prioridade;
e) tratamento dos riscos identificados como prioridade para reduzi-los a
níveis aceitáveis.

As duas etapas contínuas e necessárias ao sucesso do gerenciamento de riscos são a
consulta e comunicação com todas as partes interessadas e o monitoramentoe revisão de todo
o processo. (STANDARDS AUSTRALIA, 2004 apud HOLLÓS; PEDERSOLI JR., 2009).
Ao estabelecer o contexto da organização, seu ambiente, interno e externo,seus
objetivos, as pessoasenvolvidas e a diversidade dos critérios de riscos, a organização
estabelece o processo de gerenciamento de riscos que poderá revelar e avaliar a natureza e a
complexidade de seus riscos. (ASSOCIAÇÃO..., 2009).
Por se constituir na primeira etapa do processo de gerenciamento de riscos, o contexto
da instituição onde o acervo está armazenado é necessário para que se tenha um completo
entendimento da instituição e seus ambientes, interno e externo, do acervo e do
gerenciamento em si, proporcionando um panorama geral do processo.

3 Um pouco de história: estabelecendo o contexto
A Biblioteca iniciou suas atividades em 29 de setembro de 1959, na então Escola de
Biblioteconomia e Documentação junto à Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS.
Somente em 23 de agosto de 1966 foi conferida a autonomia da Escola de Biblioteconomia,
desvinculando-se administrativamente da Faculdade de Ciências Econômicas. A partir de
então a Biblioteca passa a existir de fato, mesmo que ainda instalada no prédio da Faculdade
de Ciências Econômicas, contigua à Biblioteca da Faculdade de Ciências Econômicas.
Com a reforma universitária de 1968

, o curso de Biblioteconomia, sediado na

Faculdade de Ciências Econômicas, e o curso de Jornalismo,proveniente da então Faculdade
de Filosofia, Ciência e Letras, unem-se formando a Faculdade de Biblioteconomia e
Comunicação - Fabico, ocupando sua sede atual.
Em 1972 a Biblioteca é instalada no quarto andar do então novo prédio sede, onde
permanece até hoje, sendo seu acervo constituído pelas partes respectivas do acervo da
Biblioteca da Faculdade de Ciências Econômicas e Biblioteca da Faculdade de Filosofia. No
decorrer das décadas seguintes, a Biblioteca passou por diversas mudanças de espaço físico,
437Decreto n° 62.997, de 16 dejulho de 1968. Disponível em: &lt;http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/19601969/decreto-62997-16-julho-1968-404329-publicacao-1-pe.html&gt;. Acesso em: 22 ago. 2011.

3889

�layuot, equipe, mas também na qualidade de seu acervo bem como em seus serviços e
produtos.
O espaço ocupado pela Biblioteca não foi planejado para essa finalidade, sendo
adaptado, no decorrer dos anos, conforme a necessidade de crescimento do acervo. Desta
forma,em 1986, quando da primeira ampliação de espaço, foram a ele agregadas duas áreas de
uso comum do prédio (banheiros masculino e feminino) e a área de circulação (corredores),
além de duas salas de aula. Assim a área da Biblioteca passou de 135m

para 311,84m

ocupando as alas leste, oeste e sul do prédio.
A distribuição desse espaço foi se dando de acordo com a necessidade e com a
disponibilidade de recursos da época. Assim, existe no recinto da Biblioteca, um banheiro de
uso interno, com cerca de 26m , que foi o banheiro feminino do andar. O banheiro masculino
serve atualmente como sala de reserva técnica ou depósito de material bibliográfico, estando
lá armazenadas coleções inteiras de periódicos de caráter histórico, coleções não-correntes,
devidamente acondicionadas com papel neutro e identificadas por titulo e ano.

A

porta

principal de acesso à Biblioteca foi instalada no corredor do andar, outra área anexada
posteriormente, avançando mais 5m da área de circulação do prédio.

Em

2003,

a

Biblioteca inicia a ocupação de mais um espaço do andar: a sala destinada a funcionar como
Laboratório de Conservação e Restauro do então Departamento de Biblioteconomia,que
estava ociosa. A Biblioteca passou a utilizar essa sala como oficina de pequenos reparos e
preservação de acervo, onde são executadas as atividades referentes à manutenção e
conservação do seu acervo.Nessa sala trabalha um servidor da Biblioteca, devidamente
treinado nas técnicas de conservação e pequenos reparos, auxiliado por bolsistas. Lá são
executados serviços de reforço na estrutura física de livros e periódicos e pequenos reparos no
acervo impresso danificado pelo uso.
A partir de 2006, a Biblioteca começou a adotar uma linha de trabalho voltada para a
prevenção, de forma que todo e qualquer material que venha a ser incorporado ao acervo,
passe pelo setor para ser preparado de forma a resistir ao uso contínuo e permanecer por mais
tempo sem sofrer qualquer tipo de intervenção na sua estrutura física.

Atualmente

conta

com obras especializadas, atuais e históricas, das áreas de Arquivologia, Biblioteconomia,
Museologia, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda,Jornalismo e áreas afins.
Para melhor compreender a realidade atual e as carências, a Figura 1, ilustra o espaço
ocupado pela Biblioteca no quanto andar do prédio, assinalado em amarelo.

3890

�Figura 1 - Representação do espaço físico atual da iblioteca da Fabico (em amarelo).

Fonte: Dados da pesquisa.

A área ocupada pela Biblioteca corresponde aproximadamente a 55% da área total do
quarto andar do prédio da Faculdade, como pode ser observado na figura acima. Com a
conclusão da próxima reforma passaria a ocupar praticamente a totalidade da área, com
exceção das áreas de circulação e hall dos elevadores. Esta nova área servirá para área de
consulta e salas de estudo (individual e em grupo).

3 As Coleções
Segundo Adriana Cox Hollós e José Luiz Pedersoli Jr,
[...] um programa eficaz de preservação documental implica em um
conhecimento detalhado do acervo sob a guarda de uma determinada
instituição, de seu(s) valor(es) e uso(s), bem como dos riscos de deterioração
e perda de valor a que está sujeito. (HOLLÓS; PERDERSOLIJR., 2009,
p.73).

Nessa etapa, serão descritos e categorizados os itens que compõem o acervo, incluindo
a identificação daqueles que seriam os mais importantes para a instituição, aqueles que
definem a sua identidade, assim como outras categorias de importância relativa no acervo.
Com a definição de importância relativa é possível distribuir o valor total de um
acervo entre os itens que o compõem, como os mais importantes, os de importância acima
da média, e aqueles de importância mediana. (MATTOS, 2013)438.

438 Documento eletrônico.

3891

�Jayme Spinelli e José Luiz Pedersoli Jr. indicam os seguintes aspectos a serem
ponderados na valoração do acervo, em resposta a situações de emergência:
S
S
S
S
S
S

Valor econômico ou raridade do documento;
Ser insubstituível;
Valor especial para o cumprimento da missão ou objetivos da instituição;
Valor científico;
Importância para o país, cidade ou região;
Documentos com o selo Memória do Mundo. (SPINELLI;
PEDERSOLIJR., 2011, p.99).

O acervo da Biblioteca da Fabico está composto basicamente de material impresso das
áreas específicas dos seis cursos de graduação (Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia, e
Comunicação, com suas três habilitações: Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e
Jornalismo) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação. Além do
material impresso, também estão presentes no acervo,materiais especiais como CDs, DVDs,
VHS, microfilmes, microfichas e documentos eletrônicos.
Outras áreas complementares também se encontram representadas no acervo. São elas:
Administração, Cinema, Filosofia, Fotografia, História, Literatura, Marketing, Metodologia
da Pesquisa, Semiologia, Sociologia, Turismo, entre outras.
O acervo de livros, atualmente com cerca de 14.777 títulos (29.991 volumes) e o
acervo de periódicos, com 518 títulos, estão divididos da seguinte forma, nas áreas específicas
dos cursos de graduação:
S

Arquivologia: 417 títulos de livros; 12 títulos de periódicos;

S

Biblioteconomia e Ciência da Informação: 2.154 títulos de livros;150
títulos de periódicos;

S

Comunicação:5.297 títulos de livros; 235 títulos de periódicos;

S

Museologia:192 títulos de livros;

S

Outras áreas: 6.717 títulos de livros; 113títulos de periódicos.

8 títulos de periódicos;

As coleções estão armazenadas em estantes de aço, face dupla, de acesso livre aos
usuários, estando separados por tipo de material: livros, periódicos, livros de referência,
periódicos de referência, teses e dissertações, trabalhos de conclusão de curso impressos. Em
arquivos de aço, de pastas suspensas, encontra-se a coleção de folhetos, também de acesso
livre aos usuários. Em um armário de aço, fechado, no balcão de atendimento, encontram-se
os CDs, DVDs e algumas fitas em VHS.

3892

�Os itens, tanto de livros quanto de periódicos, considerados de pouca consulta ou de
caráter histórico, foram retirados do acervo geral e dispostos em uma sala denominada
inicialmente de reserva técnica ou depósito. Nesse ambiente foram armazenados livros e
periódicos, em estantes de aço, face simples, ao longo das paredes. Os livros estão em ordem
de classificação, como no acervo geral, e a coleção de periódicos, em ordem alfabética de
título e cronológica, devidamente acondicionados em pacotes de papel neutro e com a
indicação do título e período da coleção. Os jornais ou revistas de caráter histórico foram
acondicionados em pastas ou caixas em polionda e devidamente identificados. Esses itens não
estão disponíveis para empréstimo, somente para consulta eventual e mediante solicitação.
Ainda existe parte desse material armazenado junto ao acervo corrente, aguardando
nova avaliação ou desbastamento. No momento a sala de reserva técnica ou depósito
encontra-se com sua capacidade esgotada.
Futuramente, com a nova reforma da Biblioteca, pretende-se disponibilizar o acesso,
mesmo que restrito, a esse acervo, em ambiente adequado de armazenagem, proporcionado
um panorama das várias fases da história das áreas da Arquivologia, Biblioteconomia,
Comunicação e Museologia para pesquisadores e para as futuras gerações de profissionais.
Essa coleção seria denominada Histórica (H) contendo publicações relevantes para as
áreas da Arquivologia, Biblioteconomia, Comunicação e Museologia, através do tempo.
Inicialmente essa coleção está constituída pelos seguintes itens:
a) publicações de autores renomados das áreas em questão;
b) publicações históricas da e sobre a Fabico;
c) materiais de divulgação ou informativos produzidos no âmbito da
Fabico, por alunos e/ou professores;
d) toda a produção intelectual do corpo docente e técnico da Fabico;
e) trabalhos de conclusão de discentes dos cursos de graduação e pósgraduação da Fabico (TCCs, dissertações e teses);
f) coleção de convites de formatura dos cursos de graduação em
Biblioteconomia e Comunicação;
g) coleção de revistas em quadrinhos do Tintin;
h) coleção de jornais e revistas considerados históricos por sua pequena
circulação ou por se tratar de marcos do jornalismo brasileiro.
O grupo de bibliotecários da Biblioteca, levantou itens que julgou importantes, tanto
pelo seu caráter histórico quanto pela relevância para as áreas, com a finalidade de se tentar

3893

�atribuir valor a eles. Esses itens foram pesquisados em acervos de outras bibliotecas, arquivos
e museus no Brasil.
As instituições pesquisadas, além da UFRGS, foram: Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul, Fundação Universidade do Rio Grande, Universidade de São Paulo,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Biblioteca
Nacional, Arquivo Nacional, Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, Universidade
do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade
Federal da Bahia, Universidade Federal Fluminense.
Do resultado das pesquisas nos acervos, constatou-se que a Biblioteca da Fabico tem,
em seu acervo, itens que não foram localizados em qualquer outra biblioteca de instituição
pública ou privada de ensino das suas áreas específicas.
Esses itens, inicialmente serão considerados de grande valor, seja pela sua ausência em
outras bibliotecas ou arquivos, seja pelo caráter histórico do seu conteúdo, relevante para o
desenvolvimento ou estudo da área do conhecimento em questão.
Assim, diante do conjunto geral do acervo da Biblioteca da Fabico, podemos inferir
que um percentual desse acervo, pode ser considerado muito relevante ou valioso e que pode
ser considerado importante na análise da valoração da coleção.
No Gráfico 1, está representado, por títulos, o acervo de livros das áreas dos cursos
de graduação da Fabico.

Gráfico 1 - Coleção de livros do acervo da Biblioteca da Fabico separados por área
dos cursos de graduação
Livros (títulos)
417; 3%

2.154; 15%

6.717; 45%

5.297; 36%

Arquivologia
Biblioteconomia
Comunicação
Museologia
Outras áreas

192; 1%

Fonte: Dados da Biblioteca

Com base no Gráfico 1 pode-se verificar a grande concentração de títulos presentes no
acervo da área geral Comunicação (36%), em contraponto às áreas da Arquivologia,

3894

�Biblioteconomia e Museologia, que somadas não chegam a 20% do acervo total de livros.
Somente por esse aspecto pode-se inferir que essas áreas conhecidamente de baixo índice de
publicações, podem ser consideradas inicialmente com algum valor, nem que seja pela
ausência de similares no mercado editorial. Constituem-se de publicações de baixa tiragem e
sem novas edições ou atualizações, sendo de difícil reposição ou aquisição no mercado. São
em sua maioria editadas por associações de classe, pequenas editoras ou ainda órgãos
públicos.
A área de Biblioteconomia por representar a área mais antiga na constituição do acervo da
Biblioteca, possui maior quantidade de títulos. As duas outras áreas, Arquivologia e
Museologia, por se tratar de cursos relativamente recentes, com menos de 20 anos de
existência na instituição, ainda estão em fase de formação de acervo.

Ainda assim, as

publicações foram levantadas para avaliação.
No Gráfico 2, a representação da coleção de periódicos, por títulos, separados pelas
áreas de concentração dos cursos de graduação.

Gráfico 2 - Coleção de títulos de periódicos do acervo da Biblioteca da Fabico separados por
área dos cursos de graduação
Periódicos (títulos)
12; 2%
113; 22%
8 2%

235; 45%

150; 29%

Arquivologia
Bibioteconomia
Comunicação
Museologia
Outras áreas

Fonte: Dados da Biblioteca

Da mesma forma que oslivros, a coleção de periódicos da área geral Comunicação é
muito maior do que as demais, levando a confirmar a ideia de que por si só essas
publicações,que não se encontram disponíveis no comércio, podem ser consideradas de
relativo valor para a instituição.

3895

�Nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação, cuja quantidade de títulos é de
2.154, os livros constituem o maior contingente de itens que foram considerados com algum
valor para o acervo. Destacou-se cerca de 35% desse acervo para ser avaliado quanto à
disponibilidade em outras bibliotecas ou arquivos e também no mercado. Entre eles
encontramos as publicações de eventos da área, ocorridos no Brasil e no Rio Grande do Sul,
sendo itens não disponíveis em qualquer outra biblioteca. Esses foram considerados de grande
valor, seguidos de outros itens de valor médio ou ainda baixo, conforme o Gráfico 3.
Uma publicação especificamente que foi editada em 1985, pela Associação RioGrandense de Bibliotecários, alusiva aos 35 anos do Curso de Biblioteconomia da UFRGS,
também foi tratada como obra de grande valor, por não ter sido localizada em nenhuma outra
instituição.
Quanto aos periódicos da área, apenas um título fez parte do levantamento: Palavrachave, periódico editado pela Associação de Paulista de Bibliotecários. Título não encontrado
em nenhuma das bibliotecas pesquisadas, somente na Biblioteca Nacional, mas com a coleção
incompleta. Os demais títulos da área foram considerados de médio valor para o acervo.
Na área da Comunicação, os periódicos constituíram o maior contingente de itens
valorados, sendo na sua maioria jornais editados em períodos específicos da história da
imprensa e da comunicação brasileiras, assim como títulos estrangeiros de períodos históricos
da década de 1960 e do início do século XX. São 21 títulos, a saber:
Y

ActualitéPublicitaire

Y

Cadernos de Jornalismo (Porto Alegre)

Y

Cadernos de Jornalismo (Rio de Janeiro)

Y

Cadernos de Jornalismo e Comunicação

Y

Coojornal

Y

O Estado do Rio Grande

Y

Guia de Filmes

Y

Hora do Povo

Y

L ’Illustration

Y

Movimento

Y

Opinião

Y

O Pasquim

Y

O Pasquim21

Y

O Planeta Diário

Y

O Rio Grande Semanal

3896

�S

Paralelo (Porto Alegre)

S

Pato Macho

S

Publicidade Brasileira

S

Realidade

S

Seleções

S

Utopia.

Além desses periódicos, foi incluída a coleção dos veículos-laboratório do Curso de
Comunicação da UFRGS: o jornal denominado Três por Quatro e a revista intitulada
Sextante, ambos de periodicidade semestral, oriundos de disciplinas de final de curso da
ênfase Jornalismo, do curso de Comunicação Social.
Uma obra da área de rádio foi considerada de grande valor, pois sua presença não foi
localizada em nenhuma das bibliotecas e arquivos pesquisados. Ela trata de esquetes de
radionovela.
No Gráfico 3, estão representados os tipos de publicações consideradas de grande
valor, pelo fato de se tratar de materiais produzidos na instituição, teses, dissertações e
trabalhos de conclusão de curso, assim como documentos produzidos pelo corpo docente e
técnico da Faculdade, constituindo a produção intelectual e os documentos produzidos por
alunos no âmbito da Fabico.

Gráfico 3 - Acervo considerado de valor alto da Biblioteca da Fabico

3897

�A produção da instituião também foi considerada muito valiosa, por estar toda
concentrada na Biblioteca da Fabico, repositório institucional da produção docente da
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Esse acervo está assim distribuído:
a) 2.394 TCCs, sendo 946 impressos ou somente em arquivo eletrônico na
Biblioteca (CD-ROM);
b) 244 teses e dissertações do Programa de Pós-Graduação em
Comunicação e Informação (PPGCom);
c) 4.505 itens da produção intelectual da Faculdade entre livros folhetos,
trabalhos apresentados em eventos, artigos de periódicos, entre outros.
Com base nesse levantamento inicial, pode-se apresentar a distribuição percentual do
valor do acervo por tipo de material e área de abrangência, considerando como base o acervo
geral da Biblioteca da Fabico que consta de 30.642 títulos entre livros, periódicos, teses,
dissertações, TCCs, folhetos, CDRs, DVDs.
No Gráfico 4, está demonstrada a distribuição de valor no acervo geral da Biblioteca
da Fabico, incluindo todos os materiais. Essa distribuição foi considerada globalmente, sendo
passível de análise mais detalhada futuramente, com base em outros critérios de pesquisa bem
como da avaliação de especialistas e docentes da instituição.

Gráfico 4 - Valoração geral do acervo da Biblioteca da Fabico
Valoracão serai do acervo da Biblioteca da Fabico ÍDor
título)

6.119; 20%
Alto
17.169; 56%

7.354; 24%

Médio
Baixo

Fonte: Dados da Biblioteca

3898

�Considerando esse exerício de valoração do acervo, pode-se preliminarmente
identificar, através do quadro abaixo, os critérios de determinação de valor do acervo da
Biblioteca da Fabico.

Quadro 1 - Quantificação preliminar da importância relativa dos títulos do acervo da
Biblioteca da Fabico

Categoria
de Valor

Descrição da coleção

Quantidade
de títulos

Jornais e periódicos de caráter
histórico e que simbolizam
marcos na área da imprensa e da
comunicação
brasileira
e
estrangeira.

21

Livro da área de Museologia
sendo considerado a primeira
publicação da área no Brasil.

1

Livros da área de Arquivologia
não localizados em outras
bibliotecas.

3

Livros da área Biblioteconomia.

348

Contribuiçãode
cada categoria
para o valor total
da coleção (%)

Contribuiçãode
cada item para
o valor total da
coleção (%)

ALTO

de

15

Periódico
da
área
Biblioteconomia não localizada
a coleção completaem outras
bibliotecas.

1

Livros da área
Comunicação.

geral

Produção
intelectual
docentes
e técnicos
Faculdade.

dos
da

4.505

Publicações da Faculdade.

35

Teses e dissertações defendidas
no PPGCom.

244

TCCs impressos

946

SUBTOTAL ITENS VALOR ALTO

20%

6.119

20%

0,003

3899

�Categoria de
Valor

MÉDIO

Descrição da coleção

Quantidade
de títulos

Livros da área Arquivologia,

117

Livros da área Biblioteconomia.

810

Livros
da
Comunicação

1.735

área

geral

Livros da área Museologia.

51

Periódicos do acervo da área
Arquivologia

9

Periódicos do acervo da área
Biblioteconomia.

62

Periódicos do acervo da área
geral Comunicação.

75

Periódicos do acervo da área
Museologia

5

Demais títulos do acervo das
áreas específicas dos cursos

4.363

Categoria de
Valor

Descrição da coleção

Quantidade
de títulos

Demais títulos de livros do
acervo das áreas correlatas.
Livros da área Arquivologia,
Livros
da
Comunicação

área

Contribuiçãode
cada item para
o valor total da
coleção (%)

24%

7.354

SUBTOTAL ITENS VALOR MÉDIO

Contribuiçãode
cada categoria
para o valor total
da coleção (%)

24%
Contribuiçãode
cada categoria
para o valor total
da coleção (%)

0,003
Contribuiçãode
cada item para
o valor total da
coleção (%)

4.252

234

geral
4.550

Livros da área Museologia.
104

BAIXO

Periódicos do acervo da área
Arquivologia

4

Periódicos do acervo da área
Biblioteconomia.

125

Periódicos do acervo da área
geral Comunicação.

135

Periódicos do acervo da área
Museologia

4

Outros títulos
do acervo
incluindo livros, periódicos e
demais materiais

7.761

SUBTOTAL ITENS VALOR BAIXO
TOTAL GERAL DO ACERVO

17.169
30.642

56%

56%
100

0,003

3900

�Com os dados reunidos no quadro 1, pode-se dizer que grande parte do acervo da
Biblioteca da Fabico (56%), de acordo com esse estudo preliminar, pode ser considerado de
baixo valor, por se tratar de material que, no momento da avaliação, foi considerado de fácil
reposição.

4 Considerações finais
Essa análise deve ser revista e reavaliada, com base na consulta a especialistas das
áreas de concentração do acervo e também em uma pesquisa mais aprofundada dos itens que
compõe a coleção.
As instituições responsáveis pela salvaguarda de acervos, devem ter a exata
consciência da sua missão perante as gerações futuras, no sentido de preservar a história e
manter o patrimônio cultural, de certa forma, íntegro, com a menor perda de valor possível.
Esse exercício serviu como uma primeira avaliação do acervo com base no seu valor,
constituindo-se em uma atividade de grande complexidade, pois requer o conhecimento
aprofundado dos itens presentes no acervo e uma total sintonia com as áreas específicas
representadas no acervo.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Gestão de riscos: princípios e
diretrizes. Rio de Janeiro, 2009. (ABNT ISO 31000/2009).
HOLLÓS Adriana Cox; PEDERSOLI JR.,José Luiz.Gerenciamento de riscos: uma
abordagem interdisciplinar. Jornal Acesso, Salvador, v.3, n.1, p. 72-81, abr. 2009.
MATTOS, Lorete. Conservação de acervos UFRGS: estabelecendo o contexto. Porto
Alegre, 2013.
Disponível em: http://conservacaoufrgs.wordpress.com/propostas-paraencontros/Acesso em: 12 maio 2014.
OGDEM, Sherelyn (Ed.). Administração de emergências. Rio de Janeiro: CPBA, 2001.
SCHREINER, Heloisa Benetti. Sistema CALCO/UFRGS Automação na Biblioteca Central
da UFRGS. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 8, n. 12, jul./dez. 1980. p. 113.
SPINELLI JUNIOR, Jaime. Introdução à conservação de acervos bibliográficos:
experiência da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: FBN, 1995. p. 37.
TRINKLEY, Michael. Considerações sobre preservação na construção e reforma de
bibliotecas: planejamento para preservação. 2. Ed. Rio de Janeiro: CPBA, 2001. p. 16.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Relatório: reitorado do Prof.
ElyseuPaglioli: 13 de agosto de 1952 a 13 de abril de 1964. Porto Alegre: Gráfica da URGS,
[1964?].

3901

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Valoração de acervo com base no gerenciamento de riscos: um exercício no acervo da Biblioteca da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ( FABICO/ UFRGS)</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="76407">
                <text>Relata a experiência de valoração do acervo de uma biblioteca universitária brasileira, como o primeiro passo na abordagem da metodologia do gerenciamento de riscos, como parte do Projeto de Extensão Conservação de Acervos: gerenciamento ambiental e estudos  sobre desastresno âmbito do gerenciamento de riscos, da UFRGS.Fornece um panorama sobre alguns aspectos da Biblioteca, acerca do seu histórico, contexto administrativo e principalmente da valoração inicial do seu acervo. Apresenta o resultado da avaliação do acervo com gráficos e tabelas,como forma de possibilitar o aproveitamento da metodologia outros acervos da Universidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE MICROBIOLOGIA PAULO DE GÓES/UFRJ
COMO ESPAÇO DA EXPOSIÇÃO “UM OLHAR MEMORIALISTA SOBRE A
CIÊNCIA”: UM RELATO SOBRE BENS CULTURAIS.
Ana Paula Atve Louzada
Ana Cristina Pinho Oliveira Roque
Andrea Caroli Pestana
RESUMO
Objetiva-se identificar a biblioteca do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG) da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) como espaço de cultura organizacional com a
apresentação da exposição “um olhar memorialista sobre a ciência” que se refere às
comemorações do centenário do professor Paulo de Góes. A exposição fundamenta-se na
pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida a partir do levantamento de fontes orais,
impressas e fonográficas das memórias do professor do IMPG. A partir das informações
arroladas é realizado um trabalho de integração com artefatos, placas, quadros e fotografias do
IMPG e seu fundador. A atividade busca dar sentido à trajetória profissional de Paulo de Góes
e de sua relação com a construção do Instituto, do qual foi também diretor. Tomando essa
produção como patrimônio cultural, a exposição é estruturada nas seguintes estações: estantes
com certificados e diplomas; mesas de exposição com objetos tridimensionais, documentos
imagéticos e administrativos e totens com o resumo da vida e obra desse mestre. As duas
primeiras estruturas são temporárias, entretanto os totens em poliestireno são permanentes
com finalidade de tornar sempre presente as memórias de Paulo de Góes. A biblioteca da
unidade é escolhida como proposta de difusão dessa cultura material, pois é lugar de
memória, de preservação e de divulgação de uma produção científica da UFRJ. O relato
verifica que essa atividade cultural torna-se importante para operar mudanças intelectuais. O
resultado da exposição possibilita desdobramentos que visam à lembrança permanente e a
valorização do patrimônio cultural de um grupo social.
Palavras-Chave: Bibliotecas. Memória. Preservação. Patrimônio cultural. Cultura material.

ABSTRACT
Purpose is to identify the library of Instituto de Microbiologia Paulo Goes (IMPG), Federal
University of Rio de Janeiro ( UFRJ ) as space organizational culture with the presentation of
the exhibition "A memoirist look about science ," which refers to the celebration of the
centennial Paulo de Goes teacher . The exhibition is based on documentary and bibliographic
research, developed from a survey of oral, print and phonographic Memories teacher IMPG
sources. From the information enrolled is an accomplished work of integration with artifacts,
plaques, paintings and photographs of IMPG and the founder. The activity seeks to give
meaning to the professional career of Paulo Goes and its relation with the building of the
Institute, which was also a director. Taking this production as cultural heritage, the exhibition
is structured in the following stations: bookshelves with certificates and diplomas; Exposure

1770

�tables with three-dimensional objects, pictorial and administrative documents and totems with
the summary of the life and work of this master. The first two structures are temporary, but
the totems of polystyrene are permanent with purpose of making ever-present memories of
Paul Goes. The library unit is chosen as proposed dissemination of this material culture, for
there the place of memory, preservation and dissemination of UFRJ'S scientific production.
The report notes that this cultural activity becomes important to operate intellectual changes.
The result of exposure allows developments aimed at permanent remembrance and
appreciation of the cultural heritage of a social group.
Keywords: Libraries. Memory. Preservation. Cultural heritage. Material culture

1 INTRODUÇÃO
Intimamente ligado à noção de aprendizagem, a memória não é apenas fator
relacionado à armazenagem de dados e informações, mas também a métodos mnemônicos,
desenvolvidos com objetivos pedagógicos. A memória-hábito é caracterizada pelo exercício
de repetição e atenção até a fixação da aprendizagem com objetivos de transformá-la em
hábito, enquanto a memória do tipo imagem-lembrança nos traz à consciência momentos
únicos, pessoais e singulares da vida dos indivíduos por meio de caráter evocativo.
Em todas as sociedades, os indivíduos detêm uma grande quantidade de informações
no seu patrimônio genético, portanto, antes de ser falada ou escrita, existe uma linguagem
armazenada sob a forma de informações em nossa memória. A partir de um comportamento
narrativo, um ato mnemônico fundamental, se dá uma função social, ou seja, a comunicação a
outrem de uma informação, na ausência do acontecimento ou do objeto que constitua o seu
motivo. Isto significa dizer que a memória pode ultrapassar os limites físicos do nosso corpo
para ser entreposta em diferentes formatos ou lugares, graças à utilização de imagens ou
linguagens faladas ou escritas.
A memória pode ser alvo de manipulação instigada pelo jogo do poder das classes
sociais. Assim vemos os “esquecimentos” e os “silêncios”, em determinados momentos
históricos, que são reveladores de um maquinismo político, portanto é importante, durante o
estudo da memória histórica, considerar as diferenças sociais entre as sociedades da memória
oral e as memórias escritas, quanto ao momento crucial de transição da oralidade à escrita. Os
meios sociais e comunidades de experiências podem ser documentados a partir de variadas
lembranças que possibilitam a construção de uma história. O documento aplica-se à memória
coletiva da história em sua forma científica. O material constante da memória é formado pelos
documentos, resultados de ação cultural mnemônica topográfica, monumental e simbólica que
podem ser escritos, ilustrados, transmitidos por som, imagem, ou em qualquer outro formato.

1771

�Os fenômenos da memória não são mais do que os resultados de sistemas dinâmicos de
organização e existem na medida em que a organização os mantém ou reconstitui.
Memórias vividas no interior necessitam de suportes exteriores, daí a necessidade de
criar lugares que mantenham vivas as memórias. Bibliotecas, museus, santuários,
monumentos, tratados, processos, medalhas e placas são testemunhos das diferentes épocas.
Apresenta-se o espaço de modo a vivenciar um sentimento, uma lembrança. Os
lugares de lembranças podem ser materiais quando topográficos, monumentais e simbólicos.
Os lugares de história são aqueles onde se procuram criadores e denominadores de uma
memória coletiva. E o espaço é a condição sine qua non da memória e um referencial na
história.
Enquanto o tempo de memória é indefinido e simples, sem datas e/ou cronologia
precária, o tempo histórico define-se a partir de cronologia específica, que determinam datas
simbólicas, de acontecimentos e de biografias. A busca em registrar a memória sob o ponto de
vista social pode ser entendida como um esforço de recuperação do passado pela memória
individual ou coletiva.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nas diferentes iniciativas de
preservação da memória de suas unidades acadêmicas culminou na década de 2000 com
publicações sobre acervos que se encontravam em diversos locais da Universidade
necessitando de processo de catalogação e recuperação. Foi o caso da recuperação de livros,
documentos e quadros da Faculdade de Medicina que suscitou em seu corpo docente o desejo
de implantação do Museu da Medicina, no entanto devido a seu alto custo, ocorre a natural
orientação para o modo virtual. Desse modo os temas memória e preservação foram
colocados em pauta no Conselho Universitário da UFRJ (CONSUNI). Como resultado
observou-se pequenas iniciativas em suas diferentes Unidades, como por exemplo: a
revitalização do Museu Dom João da Escola de Belas Artes/UFRJ que se integra, a partir de
2006, às bibliotecas de Belas Artes, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e a do Instituto
de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional. Funciona no 7° andar do prédio da Reitoria; o
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) no bloco G do Centro de Ciências em
Saúde/UFRJ onde funciona, há cerca de 10 anos, o Espaço Memorial Carlos Chagas Filho
(EMCCF), um lugar que abriga o acervo de objetos e equipamentos antigos do professor
Chagas Filho; e a Biblioteca Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ que em
meados de 2004 incorpora ao seu acervo, a coleção com cerca de 10 mil volumes de livros e
documentos em diversos suportes do historiador Afonso Carlos Marques dos Santos,
professor titular da cadeira de teoria e metodologia da história do Instituto de Filosofia e

1772

�Ciências Sociais. Essas unidades cumprem o importante papel de preservar suas memórias
institucionais, possibilitando a pesquisa referente à história e a especialidade de cada
Instituição.
Seguindo esse percurso, o Instituto Professor Paulo de Góes fez o movimento de
reunir o seu material de memória que se encontrava depositado em seus vários departamentos
e nas Instituições parceiras como Fiocruz e Museu da Imagem e do Som.
Impulsionado pelas comemorações do centenário de Paulo de Góes, uma equipe
multidisciplinar iniciou o trabalho de captação de material que pudesse contar a história do
Instituto, bem como de seu mentor Paulo de Góes. O caminho percorrido por Paulo de Góes,
médico e renomado microbiologista é importante registro da história educacional e de
produção científica do Rio de Janeiro, caracterizando-se como importante patrimônio
documental a ser lembrado, preservado e divulgado.
A trajetória profissional do Professor Paulo de Góes até a fundação do Instituto de
Microbiologia, que hoje leva o nome do Professor, nos permite entender o estabelecimento da
Microbiologia no Estado do Rio de Janeiro. Góes vivenciou o confronto entre diferentes
modelos do fazer microbiológico, empenhou-se na formação de novos quadros profissionais,
lutou pelas cátedras, pela criação de laboratórios, reformulou currículos e criou cursos.
O fundador do Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), faria 100 (cem) anos se vivo estivesse. Episódios
comemorativos ocorreram dentro do Instituto de Microbiologia, com o objetivo de exaltar a
memória de um dos expoentes das Ciências da Saúde na Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ). Interessa-nos apresentar as ações relacionadas à exposição “Um olhar
memorialista sobre a Ciência”, bem como avaliar os resultados do evento que culminou as
comemorações em homenagem ao Professor e fundador do Instituto de Microbiologia.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Para Halbwachs (1990) a memória é um fenômeno coletivo e social submetido a
flutuações, transformações e mudanças constantes, mas com pontos imutáveis, que
impossibilitam mudanças na história coletiva. Para o autor os elementos constituídos de
memória são os acontecimentos vividos pessoalmente ou pelo grupo ao qual a pessoa se sente
pertencer, os personagens, em que se aplica a ideia de pessoas encontradas diretamente ou
indiretamente em um espaço-tempo e finalmente os lugares, os lugares de memória
relacionados a uma lembrança que pode ser pessoal ou não ter até mesmo um apoio no tempo
cronológico. Esses critérios colaboram para a construção da memória, seja consciente ou

1773

�inconscientemente. A memória é base para a história, pois onde existe uma história, há muitas
memórias.
Para melhor percepção relativa aos conceitos de memória e história, citamos Nora
(1993) que indica que a história é o resgate do passado de modo incompleto e problemático
daquilo que não existe mais, que demanda análise crítica, enquanto a memória é fenômeno
atual, age no que foi vivido e eterniza o presente. A história representa fatos distantes a partir
do passado por operação intelectual, mas se utiliza das referências culturais coletivas. História
e memória são assim elementos inseparáveis, pois a história se constrói por meio dos
paralelos da memória.
A memória coletiva de um grupo identifica-se no quadro espacial, não há gênero de
atividade coletiva que não tenha relação com o lugar e o lugar recebe a marca de cada grupo
que passou por aquele espaço. As ações dos grupos estão marcadas no espaço do Instituto
Professor Paulo de Góes de alguma forma: em uma construção, em monumentos, por escrito,
em uma rotina e até nas práticas de laboratório. Através do meio que nos cerca é possível
recuperar o passado, o espaço que ocupamos nos permite reconstruir algumas lembranças e a
maioria do grupo evoca lembranças dentro desse quadro espacial.
De acordo com Gonçalves (1988, p.266):
Objetos de vários tipos são apropriados e visualmente dispostos em museus e
em instituições culturais com a função de representar determinadas
categorias culturais: os primitivos, o passado da humanidade, o passado
nacional. etc. Os chamados patrimônios culturais podem ser interpretados
como coleções de objetos móveis e imóveis. Através dos quais é definida a
identidade de pessoas e de coletividade como a nação, o grupo étnico etc.

Pierre Nora (1993) aponta que patrimônio considerado propriedade transmitida pelos
ancestrais pode ser o patrimônio cultural de um país com uma concepção de que nada pode
escapar ao registro, preservação e lembrança. Esse comportamento parece ser uma
emergência da memória, pois a dinâmica da contemporaneidade transita entre a aceleração da
comunicação e acesso a informações versus o esquecimento constante, dado este que ocorre
justamente pelo mesmo motivo: a aceleração de informações. O esquecimento é condição de
possibilidade da lembrança e outra face da memória.
Em relação ao conceito de patrimônio, podemos inferir que é espaço também de luta
pelos poderes simbólicos, lugar em que relações objetivas se estabelecem entre determinados
agentes da sociedade com significações entre o passado e o presente. A conservação, a
preservação e o rememorar são condições daquilo que se deseja para um grupo social

1774

�específico. Através da posse de seu patrimônio cultural ou cultura, o indivíduo coletivo define
sua identidade.
Pollack (1992) entende que a memória não é algo passado, é fenômeno que traz em si
o sentimento de continuidade e torna-se fator principal para o entendimento de sentimento de
identidade. Por identidade compreende-se a base e o essencial presente em todos os seres
humanos, aquilo que pode diferi-los entre si e torná-los únicos. A memória surge como
garantia de nossa identidade, e por consequência a identidade de uma sociedade.
No seu viés mnemônico o Instituto de Microbiologia constitui-se um espaço de
memória, tendo assumido a sua materialidade desde o Hospital dos Alienados, primeiro polo
dos estudos de microbiologia da UFRJ, datado de 1950 até o que se conhece hoje como
Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes. Analisados sob o ponto de vista
arquitetônico, funcional e demográfico, o primeiro guarda em seus espaços físicos: imagens,
monumentos e outros itens que fazem referência à figura de Paulo de Góes. O segundo possui
registros de construção: fotografias e imagens dos locais físicos nos quais funcionou o
Instituto de Microbiologia. O demográfico pelos grupos multiprofissionais que por lá
passaram e que ainda passam que, além da convivência com Paulo de Góes, são testemunhas
de fatos que ocorreram no espaço e de outras recordações que os lugares do Instituto lhes
trazem.
Nos fins do século XIX e início do século XX ocorreram grandes progressos na luta
contra doenças endêmicas, descobertas de micróbios, modos de transmissão, soros e vacinas.
Em nosso século, tais modificações representam para as Ciências Microbiológicas, progressos
biológicos e sociais, com desdobramentos nas áreas tecnológica, industrial e de alimentos.
Paulo de Góes torna-se responsável pela garantia da vitalidade profissional na área
microbiológica, graças a sua atuação direta na Universidade e no sentido mais amplo no
Estado, estendida a todo país.
A exposição “um olhar memorialista sobre a ciência” é um mergulho nos primórdios
do ensino da microbiologia, passando por diferentes instalações, até a atual localização no
prédio do Centro de Ciências em Saúde jogando um foco de luz sobre uma vida dedicada à
Ciência e à difusão do conhecimento em microbiologia na Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Inserido neste contexto ao longo da elaboração das atividades referentes à exposição,
identifica-se também a biblioteca do Instituto como lugar de memória, pois é espaço
fundamental na preservação e armazenamento das fontes documentais necessárias à
construção histórica de um grupo social.
Silveira (2010, p.69) assim entende quando afirma que:

1775

�É o que acontece com as bibliotecas, especialmente com as públicas, cuja
função social está diretamente ligada à missão de preservar, organizar e
disseminar os elementos culturais e os saberes concebidos pela ação racional
dos homens. Enquanto “lugares de memória”, as bibliotecas tendem a
reafirmar os saberes e torná-los móveis, traduzíveis, permutáveis.

As bibliotecas e os profissionais nela inseridos são para Milanesi (2002) os
responsáveis por se manter viva a memória da humanidade através da busca daquilo que foi
guardado e o de guardar o que foi registrado. Essa memória requer reunião, organização e
meios para disseminação, com vista a um amplo uso por parte de todos aqueles que
contribuem para sua formação. Junto a museus e arquivos, as bibliotecas são consideradas
lugares de memória da humanidade em que a perspectiva da memória é salvaguardar
materialmente a memória de um povo, de uma cidade ou de um país, a fim de preservar a
memória escrita, os pensamentos e as experiências.
As bibliotecas são sistemas formais de informações detentoras dos patrimônios
culturais que refletem a memória e a identidade dos integrantes da sociedade. Através do
processo mnemônico mantêm-se atuantes as vivências passadas, expressas por meio de
componentes de uma cultura material. Essa cultura possui significância pelo estabelecimento
de relações entre grupos e seus meios sociais: construções, documentos e artefatos. Esses
signos dão sentido às práticas culturais e informacionais.
A biblioteca do Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes é lugar de
memória e espaço para exposição “um olhar memorialista sobre a ciência”. Nesse contexto, a
biblioteca desenvolve a consciência para a importância da preservação de memória e se torna
espaço educativo para a divulgação de seus bens culturais.
A biblioteca, na atualidade, constitui-se de espaço para disseminação da informação,
para constituição dessa nova proposta cultural está implícito o seu papel de instituição
cultural. Como instituição cultural e educativa, a biblioteca deve possuir a vocação para a
sustentabilidade de projetos que ampliem o acesso ao conhecimento por meio de diferentes
formas de manifestação (CALVANTE, 2010).
Segundo Dudziak (2001, p.102):
A consonância entre as atividades desenvolvidas pela biblioteca e os
programas de ensino, pesquisa e extensão implementados pelas instituições
educacionais é o fator que determina o seu real sentido. Essa consonância é
alcançada por meio do entendimento das estruturas curriculares, bem como a
interação com a comunidade e integração ao modelo político-educacional
almejado pela instituição. A clareza com relação aos objetivos e às
atividades pertinentes à biblioteca, como serviço de informação que é, dentro
de sua comunidade, também fatores determinantes nessa integração.

1776

�Nesse caso, incluiu-se a uma biblioteca universitária dedicada a formação científica
pela difusão dos repositórios de memória da produção intelectual à memória coletiva das
experiências culturais históricas do Instituto de Microbiologia. A biblioteca do Instituto
propôs-se atender ao imperativo de sua comunidade quanto à inquietação com a preservação e
a difusão de uma memória institucional às futuras gerações da Universidade.
Ao se integrar às ações relativas às comemorações do centenário Professor Paulo de
Góes, a biblioteca do Instituto engaja-se em uma experiência educacional diferenciada e
torna-se agente ativo aos processos de ensino-aprendizagem, pesquisa e extensão. O trabalho
realizado para a exposição reflete o esforço da biblioteca em ser uma instituição cultural
capaz de provocar transformações no corpo institucional através da descoberta de ações que
levam ao nascimento do Instituto de Microbiologia e da força que o ensino dessa ciência
apresenta na contemporaneidade.
“Um olhar memorialista sobre a ciência” foi uma aposta que a equipe
multiprofissional elaborou com objetivo de promover maior interação dos usuários com a
memória do Instituto nos seus diversos formatos de representação funcional e simbólica,
confirmando o total alinhamento entre sua vocação oficial e a necessidade de responder a
demandas contemporâneas que dão novas dimensões a esse espaço. Buscou-se pesquisar,
dispor e despertar o interesse pelo patrimônio cultural do Instituto que pudesse promover ao
final, uma mudança intelectual. A memória aqui se enraíza e se dissemina no concreto, na
imagem, no objeto, no gesto e no espaço.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
“Um olhar memorialista sobre a ciência” contou com a coordenação de três
profissionais de nível superior do Instituto de Microbiologia: duas bibliotecárias e uma
historiadora. Também houve a participação de uma profissional de comunicação, lotada na
Coordenadoria de Relações Institucionais e Articulações com Sociedade - CRIAR/ Reitoria
da UFRJ. Para inicio dos trabalhos a equipe contatou a família para uma conversa inicial
referente a elementos biográficos pessoais de Paulo de Góes e colegas de profissão que na
convivência com o professor, colaboraram com informações que puderam agregar valor a
certificados, placas, diplomas, quadros, imagens, fotografias e outros artefatos.
Paralelo a essas ações, houve buscas documentais ao Fundo Paulo de Góes
salvaguardado na Instituição Fiocruz/RJ e nas próprias bibliotecas da UFRJ por meio dos
Anais do Instituto de Microbiologia, publicação idealizada por Paulo de Góes e originada por
volta dos anos 50 durante a fundação do referido Instituto. Outras informações foram

1777

�coletadas com base em extenso levantamento documental, referenciado em fontes de
conteúdo histórico, jornalístico, científico e arquivo fonográfico nas Instituições: Museu da
Imagem e do Som, Biblioteca Nacional, nos acervos da Imprensa em geral e no livro “O
centenário do Professor Paulo de Góes *1913 +1982, lançado durante as comemorações. A
partir do levantamento e obtenção das fontes a equipe se propôs a planejar, criar, executar,
viabilizar e divulgar as ações relativas à exposição, culminância do centenário de Paulo de
Góes.
Os resultados desta investigação foram documentos, objetos imagéticos e fotográficos
categorizados no espaço da Biblioteca do Instituto nos seguintes formatos de apresentação:
1) Estantes - Duas disponibilizando os diplomas e os certificados pertencentes a Paulo
de Góes, referentes a cursos nas áreas de Medicina e Microbiologia na antiga Universidade do
Brasil e atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de placas de homenagem ao
diretor do Instituto.
2) Mesas expositivas -- Três mesas em madeira com tampos de vidro protetores,
emprestados pelo Centro de Filosofia e Ciências Humanas/UFRJ em que se dispuseram
objetos pertencentes à família relacionados ao fundador: livro com temática escravocrata de
autoria de seu avô paterno, fotografias de formatura em medicina e de catedrático em
farmácia e enfermagem, artefatos relacionados ao Instituto de Microbiologia: caneta, portatinteiro, agendas de compromissos anuais e documentos e fotografias relacionados a sua
condição de adido científico na Embaixada do Brasil em Washington, Estados Unidos.
3) Totens em poliestireno - Foram confeccionados três totens tridimensionais em
formato de prisma, com 1,80 X 0,90 cm. Os totens contêm imagens, fotografias e textos
subdivididos nas seguintes temáticas: Vida: biografia; Obra: Currículo; Origem: histórico e
atuação acadêmica do Instituto de Microbiologia. Os textos foram elaborados cuidadosamente
pela equipe e integrados às imagens no Programa Microsoft em formato Word.

O

departamento de Web designers da editora gráfica da Universidade converteu o material em
programa especifico para ser posteriormente plotado por uma gráfica contratada pela Direção
do Instituto.
Aberta a comunidade acadêmica, a exposição ocorreu na Biblioteca do Instituto de
Microbiologia, durante o horário de expediente: das 8 às 17 horas, no período de 8 a 11 de
outubro de 2013. A exposição reuniu um público de aproximadamente 130 pessoas.
As bibliotecárias e a historiadora se responsabilizaram pela divulgação da exposição
entre a comunidade acadêmica. Foram produzidos cartazes para serem aficionados nos murais

1778

�do Centro de Ciências em Saúde da Universidade, banners distribuídos no próprio Instituto e
na página principal do site do Instituto.
Como ponto de avaliação, a equipe apontou a necessidade de criação de um espaço de
memória, possibilitando as novas gerações conhecer e revisitar os marcos históricos do
Instituto, com desdobramento para implementação de espaço cultural na Biblioteca.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Até o momento foram realizadas duas exposições de “um olhar memorialista da
ciência”. A primeira aconteceu dentro da Biblioteca do Instituto devido à comemoração do
centenário e a segunda ocorreu na Biblioteca Central do Centro de Ciências da Saúde (CCS),
durante o fim do segundo semestre de 2013, como uma atividade de extensão relacionada à
temática saúde. A intenção é que a exposição percorra as Bibliotecas da Farmácia e
Enfermagem. Como propósito secundário pensou-se na elaboração de um circuito histórico
memorial da exposição em diferentes locais da Universidade.
A equipe do Banco de Imagens da UFRJ fotografou, filmou a exposição e entrevistou
o Diretor do Instituto Alexandre Rosado. No momento, a profissional de comunicação junto à
equipe do Banco de imagens elaboram o briefing e a edição das filmagens e fotografias que
resultarão em um vídeo do evento a ser disponibilizado no Portal do Instituto e no Banco de
Imagens da UFRJ.
Em comum acordo, Direção do Instituto e Biblioteca consideraram viável a
disponibilização de um espaço físico da biblioteca como local de preservação e representação
cultural dos marcos de memória relativos ao Instituto de Microbiologia/UFRJ. Pretende-se
ainda apresentar à comunidade do Instituto o espaço da biblioteca como local de referência
para o desenvolvimento de atividades culturais e porque não entretenimento, fatores
imprescindíveis para a sociedade em geral.
A Biblioteca do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes inovou em 2013, apostando
em atividades de cunho memorialista, o que comprova ser este um território de valorização do
conhecimento por meio de uma atividade diferenciada.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A exposição “um olhar memorialista sobre a ciência” é evento comemorativo que se
firma na composição de fotos, documentos institucionais e objetos pessoais do acervo Paulo
de Góes. Procura-se através desse evento, resgatar a lembrança coletiva de uma memória que
se baseia em imagens, paisagens, pequena biografia e experiências vividas pelo eminente

1779

�cientista. Entende-se que estas recordações não podem ficar restritas às lembranças de amigos
e familiares do professor, mas devem se difundir e constituir propriedade permanente do
cotidiano de estudantes e profissionais da área.
Bibliotecas não se definem apenas como lugares onde se organizam e preservam
insumos físicos que retratam a memória de um segmento social, devem ser também espaços
de socialização e de práticas culturais. Instituições assim se transmutam em locais que buscam
o despertamento científico para que sua memória, caracterizada por patrimônios materiais,
adquiram força, legitimem-se e se propaguem na Sociedade. A divulgação das atividades
científicas de uma Instituição é também atividade de preservação de um grupo social.
Nestes termos, pretende-se evidenciar é que a biblioteca do Instituto de Microbiologia
Professor Paulo de Góes se configura como um lugar que mantém íntima relação com os
universos da memória e do patrimônio, e que, por esta razão, deve participar ativamente de
todas as etapas que garantem sua preservação, sua organização e sua socialização.
A Biblioteca do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, dentro do cenário
universitário cumpre diariamente o papel de suporte à infraestrutura bibliográfica e
documental a sua comunidade acadêmica, sendo indispensável no processo de pesquisa,
estudo e na produção de conhecimento. Sobretudo, no contexto das comemorações do
centenário funcionou também como um centro de armazenamento, classificação do saber
acumulado e principalmente de irradiação de informação em um formato mais criativo de
atuação. A exposição potencializou o espaço da biblioteca e ofereceu ao Instituto mais um
local de difusão cultural e entretenimento.

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1781

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A Biblioteca do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes/UFRJ como espaço da exposição "um olhar memorialista sobre a ciência": um relato sobre bens culturais.</text>
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                <text>Objetiva-se identificar a biblioteca do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) como espaço de cultura organizacional com a apresentação da exposição ―um olhar memorialista sobre a ciência‖ que se refere às comemorações do centenário do professor Paulo de Góes. A exposição fundamenta-se na pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida a partir do levantamento de fontes orais, impressas e fonográficas das memórias do professor do IMPG. A partir das informações arroladas é realizado um trabalho de integração com artefatos, placas, quadros e fotografias do IMPG e seu fundador. A atividade busca dar sentido à trajetória profissional de Paulo de Góes e de sua relação com a construção do Instituto, do qual foi também diretor. Tomando essa produção como patrimônio cultural, a exposição é estruturada nas seguintes estações: estantes com certificados e diplomas, mesas de exposição com objetos tridimensionais, documentos imagéticos e administrativos e totens com o resumo da vida e obra desse mestre. As duas primeiras estruturas são temporárias, entretanto os totens em poliestireno são permanentes com finalidade de tornar sempre presente as memórias de Paulo de Góes. A biblioteca da unidade é escolhida como proposta de difusão dessa cultura material, pois é lugar de memória, de preservação e de divulgação de uma produção científica da UFRJ. O relato verifica que essa atividade cultural torna-se importante para operar mudanças intelectuais. O resultado da exposição possibilita desdobramentos que visam à lembrança permanente e a valorização do patrimônio cultural de um grupo social.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CATALOGAÇÃO DE PARTITURAS NA BIBLIOTECA DA ECA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA

Marina Marchini Macambyra
Sarah Lorenzon Ferreira

RESUMO
A catalogação de partituras, a partir dos conceitos propostos pelo RDA, passará por mudanças
significativas. O objetivo deste trabalho é apresentar uma nova proposta de representação
descritiva de partituras para o Banco de Dados Bibliográficos da USP, utilizando os campos
Medium of performance e Gênero/Forma do formato MARC, incorporando ao processo o
conhecimento de catalogação de documentos musicais da Biblioteca da ECA. Diante da
insuficiência das normas e regras utilizadas para a descrição dos documentos musicais, as
normas internacionais têm passado por revisões sistemáticas com foco no usuário. A partir da
revisão de literatura sobre documentação musical, apresentamos as características específicas
para a descrição de obras musicais. Como resultado são apresentadas principais dificuldades
do mapeamento dos campos da base de dados Acorde para o formato MARC, e as soluções
encontradas dentro dos campos recentemente criados e ou atualizados pela Library of
Congress. São explicadas as futuras aplicações do tesauro Library of Congress Genre/Form
for Library and Archival Material (LCGFT) e do vocabulário Library of Congress Medium of
Performance Thesaurus for Music (LCMPT), previstas para 2015.
Palavras-Chave: Catalogação de partituras; Meio de expressão; Assunto; Gênero/forma;
Biblioteca da ECA/USP; Formato MARC.

ABSTRACT
The cataloging of music scores, from the concepts proposed by the RDA, will undergo
significant changes. This paper presents a new proposal for description of scores for the
Banco de Dados Bibliográficos da USP, using the Medium of performance and Genre /
MARC format fields. The specific features of the bibliographic description of musical works
are discussed. The main difficulties of mapping the fields of database Acorde to MARC
format and the solutions proposed recently by the Library of Congress are presented. The
Library of Congress Genre / Form for Library and Archival Material (LCGFT) and the
Library of Congress Thesaurus Medium of Performance for Music (LCMPT), planned for
2015, are explained.
Keywords: Cataloging of music; Scores; Medium of performance; Subject indexing; Genre /
Form; Library of ECA/USP; MARC format.

2336

�1 INTRODUÇÃO
Desde sua inauguração oficial, em 1970, a Biblioteca da Escola de Comunicações e
Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) tem se dedicado a formar acervo destinado a
atender aos cursos de artes oferecidos pela Escola, cujas necessidades específicas de
informação não poderiam ser supridas unicamente por documentos textuais. Assim, para
apoiar as atividades de ensino e pesquisa do curso de música, começaram a ser formadas
coleções de discos e partituras musicais.
Hoje o acervo de partituras já conta com mais de 20.000 peças musicais de diversos
períodos, da música medieval à contemporânea, cobrindo ampla gama de formações
instrumentais. Destacam-se, na coleção, os manuscritos de música sacra mineira recolhidos
por professores da Escola nas cidades de Ayuruoca, Brasópolis e Campanha, as obras de
Henrique Oswald, Fructuoso Vianna, Fúrio Franceschini e Lycia de Biase Bidart, que incluem
manuscritos autógrafos e edições raras, além da obra completa de Gilberto Mendes, doada
pelo compositor.
Os profissionais que deram início, ainda nos primeiros anos da década de 1970, à
organização do acervo de partituras, se depararam com o problema do descompasso entre os
padrões de catalogação então existentes e as necessidades reais de informação do músico e do
pesquisador da área. Os primeiros ensaios de catalogação, elaborados após a realização de
pesquisas entre bibliotecas de música de vários países, não foram considerado adequados
pelos alunos e professores de música (MILANESI, 1997). A partir dessa descoberta, o foco
do trabalho se deslocou para os usuários do serviço e começaram a ser desenvolvidas normas
para catalogação de partituras que, mesmo obedecendo aos princípios básicos de organização
da informação usados em bibliotecas, procuram falar a linguagem do pesquisador da área de
música (RECINE; MACAMBYRA, 2006).
Em 1998 a Biblioteca da ECA lançou a primeira versão destinada à distribuição
pública de seu manual de catalogação de partituras - atualizada em 2010 - no qual descreve a
metodologia de trabalho cujos pontos altos são: a descrição e a indexação do meio de
expressão, ou seja, os instrumentos, vozes, grupos vocais e instrumentais para os quais foram
escritas as obras musicais; e as regras detalhadas para uniformização dos títulos, incluindo a
ordem dos elementos constitutivos (RECINE; MACAMBYRA, 2010).
O processamento das partituras sempre foi automatizado, nunca existiu um catálogo
em fichas. Em 1978, quando foi criada a primeira base de dados para catalogação de partituras
da Biblioteca da ECA, a USP ainda não possuía um banco de dados para cadastrar seu acervo,
e os detalhes do formato MARC para música ainda estavam sendo trabalhados. Os registros

2337

�desse primeiro catálogo foram migrados, em 1991, para uma base de dados em Micro-ISIS
que recebeu o nome de Acorde e desde 2000 está acessível pelo website da Biblioteca da
ECA 277
Na Universidade de São Paulo, o Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) é
responsável pela manutenção do Banco de Dados Bibliográficos da USP (Dédalus), que adota
o formato MARC, e poderia, em princípio, conter registros de partituras. Entretanto, o
conteúdo da base Acorde, até o momento da redação deste texto, ainda não foi migrado para o
Dédalus. Embora a possibilidade técnica exista desde 1996, quando foi implantado o software
Aleph pela Universidade de São Paulo, a questão não entrou na lista de prioridades do
Sistema Integrado de Bibliotecas da USP antes de 2013.
Uma das dificuldades técnicas do processo de migração são as diferentes concepções
existentes entre a metodologia de descrição de partituras da Biblioteca da ECA e o formato
MARC, utilizado pelo banco Dédalus. Até recentemente faltavam no formato campos
fundamentais para descrição do documento musical, notadamente o meio de expressão,
introduzido apenas em abril de 2012, pela Library o f Congress.
Tendo como ponto de partida as atualizações ocorridas no processo de catalogação de
obras musicais, este artigo tem como objetivo apresentar uma nova proposta de representação
descritiva de partituras no Dédalus, utilizando os campos Medium o f performance e
Gênero/Forma do formato MARC e incorporando ao processo o conhecimento de catalogação
de documentos musicais da Biblioteca da ECA.

2. REFERENCIAL TEÓRICO
Na era do catálogo impresso o grau de controle utilizado na catalogação dos materiais
era muito alto, principalmente porque o ‘ponto de acesso principal’ das fichas era identificado
e definido pelo catalogador. A própria terminologia utilizada, “entrada principal” e “entrada
secundária” teve origem nos catálogos impressos. Nos dias atuais, com os catálogos online, a
recuperação pode ocorrer por palavras de todo registro bibliográfico. Mas, este tipo de
recuperação da informação pode ser uma ‘faca de dois gumes’, pois a busca por palavras em
‘todos os campos’ do registro não é controlada, podendo retornar informações incompletas
ou resultados enganosos. Embora os catálogos online tenham removido os limites impostos
pelos pontos de acesso das fichas manuais, muitos catalogadores ainda seguem as regras das
Anglo American Cataloging Rules, second edition (AACR2). Segundo Boyd (2005), os

277 http://www.eca.usp.br/biblioteca-bases/acorde/search.htm

2338

�catálogos online são uma mistura de cabeçalhos controlados e não controlados: índices com
entradas padronizadas para nomes e títulos, mas com palavras-chave não controladas para as
outras informações do registro bibliográfico.
As regras da AACR2 “são baseadas em suposições pragmáticas, onde os catalogadores
iniciam o processo de descrição e escolha dos pontos de acesso com o objeto físico em mãos”
(BOYD, 2008, p.26). Atualmente temos que lidar com mídias digitais e com a World Wide
Web, e, muitas vezes o documento em mãos não é autodescritivo, exigindo mais
conhecimento e destreza do catalogador para entender o documento em mãos. Essas
mudanças motivaram a Joint Steering Committee, responsável por manter a AACR2, a revisála.
No contexto da documentação musical, Assunção (2005) constata em sua pesquisa a
insuficiência das normas e regras utilizadas para a descrição dos documentos musicais.
Segundo a autora, as regras de catalogação para música utilizadas nas bibliotecas são muito
generalistas. Em contrapartida, Assunção (2005) vislumbra novas perspectivas para o
tratamento desses documentos, pois as normas internacionais para descrição bibliográfica têm
sido alvo de revisões sistemáticas onde o foco está sendo o usuário. Esta mudança se deve,
principalmente, às novas possibilidades trazidas pelas tecnologias associadas ao ambiente
eletrônico.
A partir da revisão de literatura sobre documentação musical descrevemos, a seguir, as
características específicas para descrição de obras musicais segundo especialistas da área, as
normas existentes e as novas perspectivas para a catalogação de partituras visando o
desenvolvimento sistemas de busca mais eficientes para a recuperação de documentos
musicais. Smiraglia (1997), por exemplo, considera a catalogação de partituras um desafio,
pois determinar os pontos de acesso de uma obra musical pode ser complicado e confuso para
quem não está fundamentado na bibliografia da área de música.
Segundo Gentili-Tedeschi (2004), a principal característica da música escrita, ou seja,
da partitura, é ser tocada. Enquanto atividade artística, a música é uma arte imaterial que só
tem existência real quando é executada e os documentos musicais (sejam estes notações
musicais ou gravações sonoras) não passam, na verdade, de sinais, de instruções para sua
execução (caso da música impressa), ou para a sua reprodução através de um aparelho de
leitura (ASSUNÇÃO, 2005).
As obras musicais apresentam algumas características típicas que as diferenciam dos
documentos literários, pois a música escrita é muito mais complexa do que um texto escrito.
A concepção de “unidade literária”, comum às monografias, é entendida de forma diferente

2339

�nas obras musicais, pois cada interpretação, cada variação e cada transformação podem
constituir uma “expressão” distinta da “obra” musical, ou dar lugar a uma nova “obra”
musical, consoante o grau de modificação envolvido (ASSUNÇÃO, 2005).
Outra característica da obra musical, que a distingue do documento textual, diz
respeito ao título uniforme. Assunção (2005) explica que o título uniforme das obras musicais
é um dos principais instrumentos de organização do catálogo e destina-se a identificar uma
obra de forma clara e inequívoca, independentemente das formas como possa ser descrita
bibliograficamente, associando-a univocamente a um autor. Na maior parte das vezes, os
pontos de acesso das obras musicais são definidos a partir dos cabeçalhos de compositores,
geralmente em conjunto com um título uniforme, e dos intérpretes, mas também podem ser
feitos pelos cabeçalhos de editores, compiladores, títulos e séries.
Segundo Gentili-Tedeschi (2004), as questões relacionadas ao controle de autoridade
vão além do controle do título uniforme da obra musical, envolvendo elementos como o meio
de expressão, a forma musical, o número de opus, o número da editora, o arranjador, etc. De
acordo com o autor, a preocupação em se normalizar os títulos uniformes vem desde a criação
do Code International de catalogage de la musique, publicado pela International Association
o f Music Libraries (IAML), na década de 1950. Nesta época, as regras de catalogação já
prescreviam que no título uniforme, os termos genéricos deveriam ser escritos no idioma da
agência catalogadora. Uma sinfonia, por exemplo, será apresentada como Symphonie ou
Symphony; um concerto para violino poderá ser descrito como Violinknzert ou Concert für
Geige, dependendo do idioma falado pela agência catalogadora. Neste sentido, o controle de
autoridade e a padronização do título uniforme são fundamentais.
A transcrição do título de uma partitura, por exemplo, não é suficientemente relevante
para se encontrar e identificar determinada obra musical. Isso ocorre porque os documentos
musicais possuem características únicas, como por exemplo a indicação dos instrumentos e
vozes que serão usados para executar a música - seu meio de expressão.
O incipt musical também deve ser considerado na descrição das obras musicais, para
distinguir diferentes expressões da mesma obra. Gentili-Tedeschi (2004) recomenda que o
incipt musical seja introduzido nos sistemas automatizados como uma imagem ou como um
conjunto de dados codificados, mas, no segundo caso, seria necessário configurar a interface
de pesquisa para que esses dados possam ser recuperados.
A identificação, descrição e recuperação do meio de expressão - questões centrais na
organização de partituras - não tiveram um tratamento adequado pelas regras de catalogação
convencionais nem pelas bases de dados das bibliotecas. Não havia um campo específico para

2340

�essa informação no formato MARC, pois o meio de expressão era registrado nos campos para
título e assunto tópico. A utilização do conceito de meio de expressão como assunto é
bastante questionável, visto que não se pode considerar que a partitura de um concerto para
violino, por exemplo, seja um documento sobre violino.
A noção de assunto das obras musicais é complexa. Por ser uma arte eminentemente
abstrata, a possibilidade de se exprimir um conteúdo musical por palavras não pode ir muito
além da forma, do gênero e da expressão (ASSUNÇÃO, 2005). Qual seria então o assunto da
música? Svenonius (1994) entende que, embora o tema ou frase melódica possa ser
considerado assunto da obra musical, o termo “assunto” está sendo usado com sentido
diferente de quando pensamos no assunto de um texto científico.
Um músico brinca com temas musicais, da mesma forma em que um artista brinca
com formas e linhas ou um poeta com as palavras. Os elementos desse léxico
funcionam mais com brinquedos do que como ferramentas. Seria incorreto dizer que
uma peça musical representa esses brinquedos no sentido de se referir a eles ou falar
a respeito deles. (SVENONIUS, 1994, p.605).
Neste sentido, Assunção (2005) afirma a importância de se ter uma boa linguagem de
indexação para obras musicais. A autora explica que as peculiaridades da terminologia
musical, as sutilezas das classificações por forma e gênero, a sua variabilidade no tempo e no
espaço, têm impedido que se constituíssem bons sistemas de análise e descrição de conteúdo
para os documentos musicais. A música, complementa Assunção (2005), tem todo um aparato
técnico que consiste de códigos escritos, não verbais, nem dependentes da língua e
terminologias específicas. Assim, veremos mais adiante que é possível fazer a representação
descritiva das partituras identificando essas características únicas, mas essas informações
precisam ser indexadas numa base de dados para que possam ser recuperadas. Portanto, é
fundamental que se desenvolvam sistemas de busca eficientes para a recuperação de
documentos musicais.
Dentre as principais normas e regras utilizadas para a catalogação de documentos
musicais, podemos citar: a International Standard Bibliographic Description for Printed
Music - ISBD(PM), utilizada para a descrição de documentos musicais impressos; o
Répertoire International des Sources Musicales - RISM, destinado à identificação de
manuscritos musicais, concebido inicialmente para se fazer o inventário de fontes musicais,
não tendo propriamente a função de catalogação.
Mas as regras de catalogação, assim como os sistemas de busca da informação, estão
mudando rapidamente, pois é muito difícil, a partir das normas descritas acima, estabelecer

2341

�com clareza a relação entre obras musicais e suas distintas “expressões”, ou a relação entre
várias obras musicais. O Resource Description &amp; Access (RDA), por exemplo, é um novo
padrão para catalogação de documentos, concebido para o mundo digital, baseado nos
modelos conceituais Functional Requirements for Bibliographic Records (FRBR) - publicado
em 1998, e Functional Requirements for Autority Data (FRAD) - publicado em 2000, ambos
desenvolvidos pela International Federation o f Library Association and Institutions (IFLA).
Velluci (c2007) considera o modelo conceitual FRBR um passo importante para o
entendimento das complexidades do universo bibliográfico musical, oferecendo aos catálogos
de documentos musicais a habilidade de separar as entidades Obra, Expressão, Manifestação e
Item, facilitando a identificação e o agrupamento de materiais relacionados. Para a autora, os
catalogadores de música anteciparam o modelo ao distinguirem a Obra do Item. A
metodologia de catalogação da Biblioteca da ECA, que enfatiza a necessidade de registrar os
dados da obra, ainda que não constem do item que está sendo catalogado, exemplifica a
afirmação de Velluci (2007).
A abordagem feita pelos FRBRs é abrangente e estruturada para a própria análise do
documento, centrando-a no usuário da informação musical. Os FRBRs, assim como a
atualização do código de catalogação para o RDA e a criação de novos tesauros, como o
Music Genre/Form da Library of Congress, nos faz olhar para as normas já existentes de outra
forma e nos estimula a querer aperfeiçoar cada vez mais nossos catálogos. Serão apresentadas,
a seguir, as novas perspectivas para a catalogação das partituras a partir do formato MARC.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Ao trabalhar com obras musicais deve-se entender sua natureza, ou seja, como ela
pode existir de forma abstrata, separadamente da sua forma física. Essa dicotomia do
‘conteúdo versus suporte’ é patente para os profissionais acostumados a catalogar obras
musicais. Trabalhar com música impressa significa saber que uma obra poderá ter arranjos
diferentes para diferentes instrumentos ou vozes, ou seja, distintas ‘expressões’. E os usuários
que buscam por obras musicais precisam encontrar as diferentes ‘expressões’ e
‘manifestações’ da obra. Essas informações, afirma Velluci (1998), precisam estar presentes
nos catálogos das bibliotecas.
Assim, a complexidade para se tratar obras musicais, de acordo com Assunção (2005,
p. 46), envolve um conjunto de problemas relacionados com:

2342

�- a natureza da obra musical: a sua natureza intrínseca, enquanto ‘unidade literária’ na
multiplicidade das suas ‘expressões’ e a sua natureza extrínseca, enquanto produto de uma
atividade artística (criativa ou executante);
- os aspectos técnicos da sua representação, ou seja, da impossibilidade de se exprimir
um conteúdo musical por palavras, mas sim descrevendo sua forma, gênero e meio de
expressão;
- a sua potencial utilização: para execução, para estudo e para investigação.
O desenvolvimento deste artigo foi balizado pelo estudo da literatura sobre tratamento
do documento musical, com destaque para Assunção (2005), Boyd (2005, 2008), Smiraglia
(1997), Gentili-Tedeschi (2004), Velluci (1998, 2007), Music Library Association (2012) e
Library of Congress (2012). De posse desse referencial, foi realizada a análise do formato
MARC, a partir da documentação enviada pela Divisão de Música e Divisão de Políticas e
Padrões da Library o f Congress

, com esclarecimentos de como o novo campo MARC 382

será utilizado na catalogação das partituras, a partir de 2015. Depois dessa última atualização
do formato, foi possível realizar o mapeamento completo dos campos da base Acorde para o
MARC, incluindo a descrição do meio de expressão.

4 RESULTADOS
A catalogação de partituras, a partir dos conceitos propostos pelo RDA, passará por
mudanças que afetarão diretamente os catalogadores, a começar pela definição dos pontos de
acesso para recuperação de partituras, que passarão a incluir a forma musical e o meio de
expressão. A base Acorde conta com listas de termos bastante detalhadas e já testados para
essas categorias de informação, que possibilitam recuperação da informação satisfatória para
os usuários da área de música. É, portanto, imprescindível que a mudança para o formato
MARC não cause perda de qualidade nesse aspecto.
Abaixo, são descritas as categorias de informação presentes na base Acorde que
apresentaram mais dificuldades no mapeamento para o formato MARC, e as soluções
encontradas dentro dos campos recentemente criados e ou atualizados pela Library of
Congress.

278 Documentação recebida via e-mail, em abril de 2014: - Descriptive Cataloging Manual - 382 Medium o f
performance; - Provisional best practices for using LCMPT.

2343

�a)

Meio de expressão

O meio de expressão é um atributo singular para música, pois os usuários buscam
frequentemente obras musicais para um determinado instrumento ou voz, sem um compositor
ou peça musical em mente.
Na base Acorde o meio de expressão é registrado em dois campos específicos: um
para descrição em forma de nota, outro para registro dos termos controlados para busca. Essa
informação, nos catálogos da Library o f Congress e WorldCat

, por exemplo, nunca foi

descrita de forma clara e distinta dos outros campos do registro bibliográfico. Observa-se
atualmente a descrição do meio de expressão em campos MARC/AACR2 para título (130,
240, 7XX), assunto tópico/gênero (650/655), codificada no campo 048 (número de
instrumentos musicais ou voz) ou em campos como 008/18-19 e 047 (forma de composição).
Para resolver essa questão, em abril de 2012 a Library o f Congress implantou o campo
MARC 382 - Medium o f Performance, cujo uso efetivo nos catálogos da Library o f Congress
está previsto para 2015. Quando isso ocorrer, os instrumentos e vozes (meio de expressão)
descritos atualmente no campo 650 serão movidos para o campo 382.
Esse campo ainda não está definido na estrutura do Dédalus, mas durante o processo
de discussão da migração dos registros da base Acorde, ficou decidida sua inclusão.

b)

Gênero/forma

“Assunto” é um conceito problemático para as obras musicais, pois, geralmente
música não tem assunto, e sim forma, gênero e instrumentação. Na base Acorde, o campo
assunto é preenchido quase sempre com termos de gênero ou forma, jamais com assuntos
tópicos.
A lista de cabeçalhos de assunto da Library o f Congress (LCSH) inclui, em sua
estrutura, cabeçalhos que representam o gênero/forma de obras musicais concomitantemente
com o meio de expressão, no mesmo campo - por exemplo, Sonatas (Trombone e órgão);
Concertos (Baixo, Clarinete, Trompa, Flauta) - ou cabeçalhos que representam o meio de
expressão sozinho. Esta estrutura de cabeçalho pode, às vezes, não ser útil para o pesquisador
que estiver mais interessado em encontrar uma partitura para uma combinação específica de
instrumentos ou vozes, independentemente da forma musical.
Até recentemente esses cabeçalhos foram preenchidos nos campos para assuntos
tópicos, ou seja, no campo 650 (registros bibliográficos) e no campo 150 (registros de
279O WorldCat é um catálogo em linha gerido pelo Online Computer Library Center e considerado o maior
catálogo em linha do mundo. Foi criado no ano 1971.

2344

�autoridade). Mas, a Library o f Congress está trabalhando no desenvolvimento do tesauro
Library o f Congress Genre/Form for Library and Archival Material (LCGFT), que irá separar
dos assuntos tópicos os cabeçalhos de gênero/forma, que passarão a ser codificados no campo
655 (registros bibliográfico) e no campo 155 (registro de autoridade).
Desde 2010, a Library o f Congress, em conjunto com o Bibliographic Control
Committee, Subject Access Subcommittee, da Music Library Association estão trabalhando no
desenvolvimento do Library o f Congress Medium o f Performance Thesaurus for Music
(LCMPT). O LCMPT é um vocabulário de termos para descrever os instrumentos, vozes, etc.,
ou seja, o meio de expressão das obras musicais. O vocabulário, que está em pleno
desenvolvimento, possui atualmente 802 termos, que serão utilizados no campo 382 dos
registros bibliográficos do formato MARC.
A implantação final do tesauro LCGFT e do vocabulário LCMPT está prevista para
2015. Com isso, os cabeçalhos da LCSH para obras musicais deixarão de ser utilizados em
novas catalogações e, o campo 650 (para preenchimento dos assuntos gênero/forma e meio de
expressão) será descontinuado. Uma sonata para flauta e contínuo que é atualmente
catalogada assim:
382 01 $$a flauta $$a continuo $$a lcmpt
650 #0 $$a Sonatas (flauta e continuo)
passará a ser catalogada assim:
382 01 $$a flauta $$acontínuo $$2 lcmpt
655 #7 $$a Sonatas. $$2 lcfgt.

Os campos 382 e 655, juntos, substituirão o campo 650.
Segundo Stephen Yusko

, da Divisão de Música da Library o f Congress e Janis L.

Young, da Divisão de Políticas e Padrões da LC:
- Ambos os campos (650 e 382) poderão ser utilizados simultaneamente, em qualquer
registro bibliográfico;
- Muitos sistemas automatizados de bibliotecas estão se preparando para indexar o
campo 382, assim, o campo 650 será desnecessário;

280 y u s k O, Atephen. LCMedium o f Performance Thesaurus, 382, and guidance [mensagem pessoal]. 2014.
Mensagem recebida por &lt;syus@loc.gov&gt; em 02 abr. 2014.
YOUNG, Janis. LCMPT - MARC Field for registration o f subjects [mensagem pessoal]. 2014. Mensagem
recebida por &lt;javo@loc.gov&gt; em 01 abr. 2014.

2345

�- Com a implementação do tesauro de gênero e forma pelo LCFGT (previsto para
2015), esta informação será cadastrada no campo 655. Para o controle de autoridade, esta
informação será cadastrada no campo 155;
- Os termos do vocabulário de meio de expressão (LCMPT) serão inseridos no campo
382 do registro bibliográfico. Para o controle de autoridade, serão cadastrados no campo 162.

c)

Data de composição

A data em que foi composta a obra musical é uma informação relevante e bastante solicitada
pelo usuário de música. Na metodologia de catalogação da Biblioteca da ECA, sempre que a
informação pode ser identificada, é registrada junto ao título da música. No modelo FRBR é
um dos atributos da entidade Obra, mas, até o momento da redação deste trabalho, não
conseguimos identificar uma solução adequada na estrutura do formato MARC para essa
questão.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Além das questões da catalogação, é necessário atenção à interface de busca do
Dédalus. Para que a busca de partituras atenda de forma satisfatória às necessidades dos
usuários do acervo, alguns ajustes mínimos, porém importantes, ainda devem ser feitos, entre
os quais: o meio de expressão precisa constar da lista de campos para busca; deve ser
configurada a busca pelo campo Gênero / Forma separadamente do campo assunto tópico.
A abordagem pioneira do tratamento de partituras da Biblioteca da ECA fica evidente
quando observamos que as inovações propostas atualmente no cenário da catalogação
internacional já eram parte de sua metodologia há muito tempo. Também o foco nas
necessidades do usuário, mesmo princípio que orientou a criação do modelo FRBR, é uma
prática adotada na Biblioteca da ECA desde os primórdios da organização de seu acervo de
partituras.

Proposta da nova planilha MARC para a catalogação de partituras no Dédalus
Com a migração da base Acorde para o Dédalus, mudanças significativas deverão ser
realizadas no formato da planilha MARC para catalogação de partituras utilizada atualmente.
Apresentamos abaixo, em destaque, os campos que deverão ser acrescentados e/ou alterados.

2346

�Tabela 1 - Planilha para catalogação de partituras (formato MU)
Campo MARC
Subcampo MARC
LDR
LDR/05: n
LDR/06: c
LDR/07: m
LDR/08 e LDR/09: #
LDR/17: I
LDR/18: a
[007]
[008]

LDR/19: #
[007/00=q]
[007/01=u]
[008/06=s ou p]
[008/07-10] e [008/11-14]
[008/15-17]
[008/18-19] =verificar tabela
[008/20]= |
[008/21]= |
[008/22]= #
[008/23]=r ou |
[008/24-29]=#
[008/30-31]=#
[008/32] e [008/34]=#
[008/331=|
[008/35-37]=zxx

024 2#
041 ##

[008/38]=#
[008/39]=d
$a

$a
$b

Descrição
Status do registro: novo registro
Tipo de registro: partitura
Nível bibliográfico: monográfico
Tipo de controle e Esquema de caracteres:
[branco]
Nível de catalogação: Completo, usado pelas
bibliotecas cooperantes OCLC
Formato catalogação descritiva: Parte da
descrição é feita conforme normas AACR2
Ligação de registro: [branco]
Categoria do material: Notação musical
Designação do material: não especificado
Tipo de data: data conhecida/provável
Data 1 e Data 2
Lugar de publicação
Forma de composição. Para múltiplas formas
usar o código 'mu'
Formato da música
Partes da música (especificar: parte instrumental
e voz, só instrumental, só voz, etc.)
Público alvo: não especificar
Forma do item (r= reprodução impressa regular,
impressão legível como uma fotografia; |= sem
tentativa de codificar)
Material complementar
Texto literário para gravação sonora
Indefinido
Transposição e arranjo
Idioma: Geralmente a partitura não tem texto,
assim, usar zxx. O idioma dos textos do título,
notas, etc deverão ser indicados no campo 041,
subcampos a, d, e, j e k.
Registro modificado: [branco]
Fonte de catalogação: está default
International Standard Music Number (ISMN)
OBSERVAÇÃO CAMPO 041: 1) Este campo
é obrigatório, mas o subcampo '$a' NÃO!!! Pois,
se a partitura (ou gravação) não tiver texto
cantado ou falado, deverá ser utilizado o código
ZXX (que deverá ser acrescentado na tabela de
códigos de idioma). Usar UND para vocalizes,
zumbidos e outros textos sem palavras ou
quando consistir de texto sem sentido. 2)
Partituras de música instrumental não deverão
ter o subcampo '$a', pois a língua se refere às
instruções de performance. Assim, o subcampo
que deverá ser preenchido será o $g, ou o $m
Código do idioma da faixa de texto / som ou
título separado
Código do idioma do sumário ou resumo

2347

�$d
$e
$f
$g
$h
$j
$k
$m

047 ##

$n
$2
$6
$8
$a

048 #7

$2=marcmusperf
$a

100 1
245 1
246 1
260
300
382

$2=marcmusperf
$a
$a$b$c
$a$b$c
$a$b$c
$a$b$c$e

$a
$b
$d
$n

Código do idioma do texto cantado ou falado
Código Língua libretos
Código do idioma do índice
Código da língua de outro material que não
acompanha libretos
Código do idioma de origem
Código do idioma de legendas ou legendas
Código da língua de traduções intermediárias
Código do idioma de origem que não
acompanham libretos
Código Língua libreto originais
Fonte de código
Linkage
Número ligação Campo e sequência
Código da forma de composição musical
(mesmo código preenchido na posição [008/1819] - tabela pré-definida dos códigos).
Número de instrumentos ou vozes (campo
utilizado quando o meio de expressão está
explícito e pode ser facilmente identificado). A
LC possui uma tabela de códigos que é possível
adaptar para os instrumentos utilizados pela
ACORDE. Assim, cada código de instrumento
de um registro da ACORDE equivalerá a um
subcampo $a. O preenchimento da quantidade
de instrumentos não será possível, a não ser nos
casos de registros que possuam os códigos para
Duo, Trio, Quarteto, Quinteto, Sexteto, Octeto e
Noneto.
Compositor
Título, subtítulo e descrição da responsabilidade
Formas variante do título
Dados de publicação
Descrição física
382 - Medium of Performance (Meio de
expressão) - campo utilizado para manifestações
(o meio instrumental, vocal e/ou outra
performance incorporada), ou obras e expressões
(o instrumento, vocal, e/ou outra expressão para
o qual uma obra musical foi originalmente
escrita ou para os quais a expressão musical é
escrita ou executada. Pode ser usado para
diferenciar obras musicais ou expressões com o
mesmo título.
Sugestão: criar tabela de instrumentos/vozes,
para serem inseridos por tabela (Ctrl+F3), de
forma controlada.
Meio de expressão
Solista
Instrumentos duplicados
Número de intérpretes para o mesmo meio de

2348

�$p
$s
$v
$0

490 0
500
505 8
655

$2
$6
$8
$a
$a
$a
$a$z$7

700 1
773
856

$a$4$6
$t
$u
$z

$3
Fonte: Elaborada pelas autoras, 2014.

expressão
Meio de expressão alternativo
Total de intérpretes
Notas
Número de controle do registro de autoridade ou
número padronizado
Fonte do termo
Ligação
Campo de ligação e número seqüencial
Série/coleção
Notas gerais
Nota de conteúdo
Assunto Gênero/Forma (não indexamos os
gêneros ou estilos musicais, como barroco,
clássico, romantismo, etc., porque não são
formas de acesso solicitadas por nossos usuários,
que procuram, prioritariamente, por autor e meio
de expressão. Além disso, a informação gênero
ou estilo raramente está explícito na partitura,
causando um problema: enquadrar cada obra
dentro de um estilo, tarefa difícil até para
especialistas em música).
Autor de texto, Arranjador, Transcrição, etc.
Fonte
Nome do arquivo que contém o incipit musical,
a descrição detalhada da obra e o arquivo
sonoro.
Preencher automaticamente com a informação:
"Descrição, incipit e arquivo sonoro"
Especificação do material

REFERÊNCIAS
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uma abordagem à luz da evolução normativa. 2005. Dissertação (Mestrado) - Universidade
de Évora, Évora, 2005.
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54

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2350

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A catalogação de partituras, a partir dos conceitos propostos pelo RDA, passará por mudanças significativas. O objetivo deste trabalho é apresentar uma nova proposta de representação descritiva de partituras para o Banco de Dados Bibliográficos da USP, utilizando os campos Medium of performance e Gênero/Forma do formato MARC, incorporando ao processo o conhecimento de catalogação de documentos musicais da Biblioteca da ECA. Diante da insuficiência das normas e regras utilizadas para a descrição dos documentos musicais, as normas internacionais têm passado por revisões sistemáticas com foco no usuário. A partir da revisão de literatura sobre documentação musical, apresentamos as características específicas para a descrição de obras musicais. Como resultado são apresentadas principais dificuldades do mapeamento dos campos da base de dados Acorde para o formato MARC, e as soluções encontradas dentro dos campos recentemente criados e ou atualizados pela Library of Congress. São explicadas as futuras aplicações do tesauro Library of Congress Genre/Form for Library and Archival Material (LCGFT) e do vocabulário Library of Congress Medium of Performance Thesaurus for Music (LCMPT), previstas para 2015. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USO DE UM APLICATIVO COMO FERRAMENTA DE REGISTRO E SOLUÇÃO
DE PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES DAS
BIBLIOTECAS UNISUL
Cristiane Salvan Machado
Adriano Pires
Tatyane Barbosa Philippi

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência no processo de criação do suporte
centralizado de informações geradas pelos colaboradores das bibliotecas da Unisul no uso dos
sistemas tecnológicos da biblioteca. Procurou-se atender de forma integrada tanto os
colaboradores, atendentes diretos dos usuários das bibliotecas, como também os analistas de
sistemas que dão suporte técnico e também aos usuários das bibliotecas. Tanto para os
colaboradores como analistas de sistemas este aplicativo facilitou a notificação formal e
registro de necessidades de solução e dificuldades na utilização dos sistemas tecnológicos, no
acompanhamento do processo de solução e no recebimento de feedback além de oportunizar
mais interação e comunicação entre as partes.
Palavras-Chave: Atendente; Usuário de biblioteca; Analista de sistema; Registro de
dificuldades; Erro de sistema; Encaminhamento de solução; Feedback.

ABSTRACT
This work aims to present the experience of process creating the centralized support of
information generated by employees of libraries Unisul in the use of technological systems in
the library. We search to attend integrated form the employees, direct assistants of library
users, as well as systems analysts who provide technical support, and too users of libraries.
Both for employees as systems analysts this application facilitated the formal notification
needs and recording solution and difficulties in the use of technological systems, monitoring
the solution process and receiving feedback plus to opportunity more interaction and
communication between the parties.
Keywords: Attendant; User library; System analyst; Registration difficulties; System error;
Routing solution; Feedback.

4653

�1 INTRODUÇÃO
A estrutura organizacional da Biblioteca Universitária (BU) da Universidade do Sul de
Santa Catarina (Unisul) envolve a Coordenação das Bibliotecas na Pró-Reitoria de Operações
e Serviços Acadêmicos e as Bibliotecas dos Campi de Tubarão, Grande Florianópolis e
UnisulVirtual e suas unidades ou polos de apoio ao ensino à distância distribuídos em todo o
território nacional, totalizando em mais de 70 bibliotecas e envolvendo mais de 100
colaboradores.
Para que a BU Unisul pudesse ampliar seus serviços e manter a estrutura física
descentralizada possibilitando o gerenciamento do acervo e tratamento da informação entre
seus três campi, no ano de 2000, foi implantado software de gestão de bibliotecas.
A comunicação aos analistas de sistemas sobre as necessidades de melhoria e/ou de
dificuldades de operação do sistema da biblioteca eram feitas pelos colaboradores, aqui
denominados usuários internos, por meio do correio eletrônico (e-mail) e telefone. Esta
prática dificultava o gerenciamento aos atendimentos, pois o correio eletrônico consiste em
um meio básico de envio e recebimento de mensagens, ele não funciona como um banco de
dados estruturado para gestão de informações, tornando impossível efetuar o gerenciamento
eficiente das solicitações enviadas.
O grande fluxo de informações diárias no atendimento das bibliotecas impulsionou a
criação da ferramenta “Controle de Ocorrências” o que viabilizou aos usuários internos e aos
analistas de sistemas a troca de informações de forma rápida e segura além de centralizar os
atendimentos às solicitações realizadas.
Especificando ainda mais o Controle de Ocorrências temos também a oportunidade de
identificar no fluxo dos processos os ajustes necessários para qualificar o atendimento e/ou
serviços oferecidos pela biblioteca, com o acompanhamento do desenvolvimento das
atividades dos colaboradores e na apresentação do nível de dificuldade destes na interação
com os recursos tecnológicos disponíveis nela, por meio das estatísticas geradas pela
ferramenta.
Com esta ferramenta implementada a biblioteca procurou estabelecer no dia a dia uma
comunicação eficaz com todos os colaboradores sobre seu uso, visando à otimização e difusão
das informações e, com isso, melhorar o gerenciamento das informações registradas na
aplicação.

4654

�2 REVISÃO DE LITERATURA
O crescimento e o desenvolvimento acelerado de descobertas nas áreas de
telecomunicações e computação impulsionam a crescente diversificação das tecnologias de
informação e comunicação (TIC’s). Estas TIC’s simplificam e facilitam a relação
usuário/profissional

diminuindo

significativamente

as

dificuldades

presentes

nos

procedimentos diários de toda a instituição.
O uso das tecnologias da informação forçou uma revolução nos processos
desenvolvidos nas bibliotecas, possibilitando que as rotinas passassem a ser mais eficientes e
eficazes, do mesmo modo, tornaram o fluxo de informação mais dinâmico. Porém, “necessitase acompanhar as alterações, isto é apreender constantemente, e providenciar novos rumos na
gestão da informação e [saber que] esses fluxos são influenciados principalmente pelo uso da
Internet e seus recursos.” (REIS; BLATTMANN, 2004, p. 2).
Em consonância com a afirmativa de Reis e Blattmann (2004) temos a necessidade
evidenciada no trabalho aqui descrito, em que a inovação traz consigo de forma proeminente a
busca por ajustes, inclusive de ordem comportamental.
Não basta a mecanização da execução de atividades por parte dos colaboradores da
biblioteca, pois mesmo o movimento sincronizado é passível de melhoria contínua em âmbito
processual. Têm-se então que manter um sistema de análise de desempenho, não somente
baseado no tempo dedicado pelo colaborador na execução das atividades, mas também nos
resultados alcançados.
De acordo com Reis e Blattmann (2004, p. 9):
A importância dos processos no trabalho aumenta à medida que as empresas
agregam pessoas com competências, habilidades e atitudes diferenciadas no
manuseio de novas tecnologias para buscar melhorias na produtividade e na
competitividade centrada no desenvolvimento, na criação e na manutenção
de produtos e ou serviços qualitativos prestados ao usuário.
Além disso, Pimenta (2004, p. 29) afirma que, a valorização da comunicação no
ambiente de trabalho incrementa a criação, a sistematização e a socialização de
conhecimentos

dos

colaboradores.

Acrescentando

que,

“máquinas

excelentes

sem

funcionários competentes e conscientes para utilizá-las e preservá-las não funcionam ou
duram pouco”.
Sendo assim, o uso da TIC’s nos permite incrementar serviços em bibliotecas, mas,
sobretudo, muda hábitos com relação à comunicação entre as pessoas permitindo o acesso e
compartilhamento de informações.

4655

�Com a centralização das questões em um único lugar se pode dizer que de forma
básica temos condições de lidar com o raciocínio baseado em casos. Para Wangenheim e
Wangenheim (2003) o valor está em poder recuperar situações já resolvidas em uma base de
casos e por meio de similaridades, quando necessário, encontrarem a solução adequada.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Por se tratar de um relato de experiência vivido no âmbito da Unisul, destacamos que
o método aplicado é empírico, pois não é resultado de um estudo. Descrevemos aqui a
vivência sobre as necessidades particulares das bibliotecas da Unisul, levando em
consideração seu regulamento interno, os padrões biblioteconômicos previamente definidos e
o regimento da Universidade.
O público alvo foram todos os colaboradores que atuam nas bibliotecas da Unisul,
envolvendo mais de 100 pessoas, com diferentes níveis de instrução e de responsabilidade no
desenvolvimento das atividades de trabalho.
O sistema de Controle de Ocorrências, inicialmente, foi utilizado pelos colaboradores
da biblioteca da Pedra Branca como piloto da implementação do projeto. Para tanto, criou-se
um passo a passo aos colaboradores para que pudessem inserir as ocorrências e acompanhar
seus resultados.
Após o período de experimentação da plataforma foram realizados ajustes pelos
analistas de sistemas, sugeridos pelos colaboradores da biblioteca da Pedra Branca, de modo a
atender com êxito o controle de ocorrências inseridas com vistas às necessidades da biblioteca
para então ser disponibilizada aos demais funcionários dos campi e unidades.
O Controle de Ocorrências é uma solução customizada pela Unisul, baseada no
software open Source “MyHelpdesk”. Ele usa como sistema operacional o Linux, aplicação
WEB o PHP versão 5.2.13 e como banco de dados o MySQL versão 5.1.48.
O

acesso

a

esta

ferramenta

se

dá

pelo

endereço

eletrônico

http://aplicacoes.unisul.br/atendimentobu/. Cada um dos colaboradores recebe uma senha
pessoal de acesso restrito com diferentes perfis de uso da ferramenta. Os analistas de sistemas
tem perfil de administradores da ferramenta, utilizando de todos os recursos que ela dispõe.

4656

�Figura 1 - Tela para cadastro das solicitações de atendimento na ferramenta Controle
de Ocorrências.
U NISUL-U niversldade d o Sul d e S a n ta C a ta r in a

Controle de
Ocorrências

BIBl IO T E CA U N IV I RSWj

Administração

[Hom e]

[Logout]

Gestão das Ocorrências
• Criar Ocorrência
• Ocorrências para Mim
• Ocorrências que Criei
• Ocorrências dos Meus
Grupos
• Procurar Ocorrência
Gestão de Usuários
•
•
•
•
•
•

Ver Contatos
Ver Escritórios
Adicionar Contato
Adicionar Escritório
Lista de Endereços
Procurar Contato

• Alterar Perfil
• Meus Registros Horários
• Minhas Estatísticas

Grupo:

i

Contato:

i

Prioridade:
Plataforma:

1

m
m
3

pc M

Técnico:

i

Contato:

i

Estado:

i
i

Categoria:

Titulo:

ti

m
-i
m

1

Descrição:

I

Mais Detalhes | | Criar Ocorrênciã~| | Limpar~|

Base de Conhecimento
• VerFAQs
• Procurar FAQs
ATI - Assessoria de Tecnologia da Informação

Fonte: Controle de Ocorrências, 2014.

Para o cadatro das solicitações os colaboradores das bibliotecas selecionam o item
“criar ocorrência” e informam os seguintes dados: grupo (identifica a qual dos sistemas se
refere à solicitação), técnico (pode direcionar a um analista de sistemas específico ou a um
grupo, indicando no display abaixo para envio de notificação por correio eletrônico sobre a
nova solicitação cadastrada), contato (identifica de qual biblioteca e qual é o nome do usuário
que cadastra a solicitação, indicando no display abaixo para envio do registro de notificação
por correio eletrônico sobre a nova solicitação cadastrada), prioridade (sinaliza o nível de
prioridade do atendimento à solicitação, variando entre baixa, média, alta e crítica), estado
(apresenta o status da solicitação, variando entre aberta, em andamento, aguardando resposta
do solicitando, aguardando resposta de terceiros, em espera ou encerrada/concluída),
categoria (identifica o serviço oferecido pela biblioteca a que se refere à solicitação), título
(denomina o título da solicitação, no qual recomenda-se usar palavra-chave que descreva em
parte o assunto da solicitação), descrição (detalhamento descritivo da solicitação, indicando a
melhoria, sugestão ou problema). Além do preenchimento dos dados mencionados
anteriormente o usuário tem a opção de inserir arquivo que pode auxiliar no atendimento à
solicitação.
No menu de administração estão listadas as demais funções e filtros de pesquisa e
gestão da ferramenta e, além disso, todas as instruções de uso estão inclusas como FAQs,
listado no menu da própria ferramenta. Os colaboradores podem acompanhar e visualizar suas

4657

�solicitações, por meio da opção histórico e ainda ao longo do seu atendimento complementar
com mais informações utilizando a opção editar.
A ferramenta também permite gerar dados estatísticos extraídos pelo próprio sistema
agrupando informações pela biblioteca em que o colaborador está vinculado, por categoria de
atendimento em que a solicitação foi cadastrada, por nível de prioridade ou ainda pelo tempo
médio em que demorou a conclusão no atendimento à solicitação do usuário do aplicativo.
O cruzamento das informações para visualização dos indicadores é estruturado pelos
analistas de sistemas de acordo com as necessidades do gestor e suas pretensões de aplicação.

Figura 2 - Estatística do número de ocorrências por status de atendimento de acordo
com o nível de prioridade e do status por categoria, no período de 16/08/2006 a 16/05/2014.

Fonte: Controle de Ocorrências, 2014.

Vale ressalar que, não houve resistência da parte dos colaboradores em utilizar o
sistema, porém foi importante o apoio das gerências para que o mesmo fosse inserido na
cultura dos processos diários da biblioteca. A possibilidade de gerarmos estatísticas que
contribuíssem para o aprimoramento dos serviços da biblioteca foi um grande motivador para
o uso desta ferramenta. A otimização do tempo também é um fator importante que contribui
na sua utilização.
Ocorrências criadas podem ser reativadas, caso o problema se repita sem a
necessidade de relatar o caso novamente, ou seja, os “cases” são compartilhados. Como um
diferencial, para cada ocorrência criada ou alterada, a aplicação envia um e-mail do tipo alerta
para a pessoa que criou/alterou a ocorrência e para o atendente.

4658

�4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados alcançados com aplicação desta ferramenta demonstraram que os
objetivos propostos foram atendidos, uma vez que há um ambiente centralizado para registro
e solução de problemas apontados por todos os colaboradores das bibliotecas da Unisul,
melhorando o desenvolvimento de suas atividades.
É notório afirmar de que os indicadores aqui apresentados ao serem amplamente
analisados apontam forças e fraquezas no uso dos sistemas de gerenciamento dos serviços da
biblioteca, assim como oportunidades e ameaças para nortear o seu planejamento estratégico.
Os resultados avaliados pelas estatísticas do Controle de Ocorrências podem gerar a
melhoria contínua nos processos executados nas bibliotecas, um fator primordial para a busca
na qualidade dos serviços oferecidos aos usuários. Por meio destes indicadores também
podemos perceber as necessidades de capacitação aos colaboradores no uso dos sistemas
tecnológicos da biblioteca.
As incidências demonstram se o meio de comunicação utilizado para disseminação das
informações referentes ao cotidiano das bibliotecas está sendo eficiente, o qual os
colaboradores conseguem entender as orientações e aplicá-las de maneira produtiva no seu dia
a dia.

REFERÊNCIAS
PIMENTA, Maria Alzira. Comunicação empresarial. 4. ed. rev. e ampl. Campinas: Alínia,
2004.
REIS, Margarida Maria de Oliveira; BLATTMANN, Ursula. Revista. Gestão de processos em
bibliotecas. Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v .1, n.2, p.1­
17,

jan./jun.2004.

Disponível

em:

&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/viewFile
/292/171&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.
WANGENEHEIM, Christiane Gresse von; WANGENEHEIM, Aldo von. Raciocínio
baseado em casos. Barueri: Manole, 2003.

4659

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência no processo de criação do suporte centralizado de informações geradas pelos colaboradores das bibliotecas da Unisul no uso dos sistemas tecnológicos da biblioteca. Procurou-se atender de forma integrada tanto os colaboradores, atendentes diretos dos usuários das bibliotecas, como também os analistas de sistemas que dão suporte técnico e também aos usuários das bibliotecas. Tanto para os colaboradores como analistas de sistemas este aplicativo facilitou a notificação formal e registro de necessidades de solução e dificuldades na utilização dos sistemas tecnológicos, no acompanhamento do processo de solução e no recebimento de feedback além de oportunizar mais interação e comunicação entre as partes.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES DA FURG: O
AUTOARQUIVAMENTO COMO UMA PROPOSTA DE CONSOLIDAÇÃO
ENQUANTO FONTE DE PRESERVAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DA PESQUISA
CIENTÍFICA
Vania da Costa Machado

RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo propor um novo processo para o depósito de teses e
dissertações na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Rio
Grande (BDTD-FURG), a partir da utilização da funcionalidade de autoarquivamento. Em um
primeiro momento foi traçado o panorama da atual situação da BDTD-FURG, a partir da
realização de um levantamento de dados com vistas a identificar o percentual das teses e
dissertações inseridas na BDTD-FURG em relação ao número de titulados nos cursos de pósgraduação stricto sensu da FURG. Com base no diagnóstico realizado, pôde-se perceber que
apenas 44,1% das dissertações e 50,7% das teses defendidas, respectivamente, nos cursos de
mestrado e doutorado da FURG, entre os anos de 2006 e 2012, foram inseridas na BDTDFURG. Dessa forma, 55% dos trabalhos defendidos durante esse período deixaram de ser
inseridos na BDTD-FURG, pois não acompanhavam cópia digital. Como consequência ao
baixo percentual de teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG, a FURG ocupava, em
2012, apenas o 54° lugar no ranking nacional de inserções na BDTD. Acredita-se que esse
panorama está relacionado ao fato da entrega do exemplar em formato digital ser facultativa e
também à morosidade do processo de envio dos trabalhos à biblioteca para inserção. Propõese, então, uma nova configuração do processo de depósito das teses e dissertações na BDTDFURG, a partir da utilização da funcionalidade de autoarquivamento, bem como a elaboração
de portaria que estabeleça a obrigatoriedade desse depósito.
Palavras-Chave: Bibliotecas digitais. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações.
Universidade Federal do Rio Grande. Autoarquivamento.

ABSTRACT
This paper aims to propose a novel process for the deposit of theses and dissertations in the
Digital Library of Theses and Dissertations at Federal University of Rio Grande (BDTDFURG), from the use of self-archiving functionality. At first was drawn the panorama of the
current situation of BDTD-FURG based on the realization to survey data in with objective to
identify the percentage of theses and dissertations inserted in the BDTD-FURG in relation to
the number of students receiving the title in the courses of postgraduate of FURG. Based on
the diagnosis made, it can be noticed that only 44.1% of the dissertations and 50.7% of the
theses defended in the context of post-graduate programs of FURG, between the years 2006
and 2012, were included in the BDTD - FURG. Thus, 55 % of defended jobs during this
period are no inserted into BDTD-FURG because no digital copies accompanying. As a

4100

�consequence of the low percentage of theses and dissertations inserted in BDTD-FURG, the
FURG occupied in 2012, only the 54th place in the national ranking of BDTD insertions. It is
believed that this situation is related to the fact the delivery of the digital copy be optional and
also with the delay in the process of the jobs were sent to the library for insertion. Then
proposes a new configuration for the deposit process of theses and dissertations in BDTDFURG, from the use of self-archiving functionality, as well as the preparation of an regulation
that establishes the obligation of the deposit.
Keywords: Digital library of theses and dissertations. Federal University of Rio Grande. Self­
archiving.

1 Introdução
Para Meadows (1999, p. 161), “a realização de pesquisas e a comunicação de seus
resultados são atividades inseparáveis”. Segundo ele, a comunicação científica é tão
importante para a ciência quanto a própria pesquisa, pois a “esta não cabe reivindicar com
legitimidade este nome enquanto não houver sido analisada e aceita pelos pares. Isso exige,
necessariamente, que seja comunicada.” (MEADOWS, 1999, p. vii).
Além disso, ainda de acordo com Meadows (1999), o processo de geração e
acumulação do conhecimento é também baseado na comunicação, pois envolve a divulgação
de informações sobre a própria pesquisa em contrapartida ao recebimento de informações
sobre outros trabalhos que estejam sendo desenvolvidos.
Teses e dissertações constituem-se em uma preciosa fonte de informação para o
desenvolvimento da pesquisa e realimentação desse ciclo de geração e acumulação do
conhecimento. São consideradas um tipo de literatura cinzenta, visto que não são editadas
comercialmente, o que dificulta tanto o acesso a essas obras quanto sua preservação
(CAMPELLO; CEDÓN; KREMER, 2003; PAVÃO et al., 2004). Na grande maioria das
vezes, principalmente por questões de falta de espaço físico para seu armazenamento, essas
obras possuem apenas um exemplar disponível no acervo das bibliotecas. Com o uso
contínuo, acabam se deteriorando, além de ficarem expostas a situações de não devolução do
material, furto de páginas ou mesmo de toda a obra e, por ser um material não editado, sua
reposição no acervo torna-se bastante difícil.
Com a evolução e a proliferação das tecnologias de comunicação, que viabilizou a
publicação eletrônica de documentos e a disponibilização de textos integrais, as bibliotecas
digitais passaram a ser importantes mecanismos de preservação desses documentos, uma vez
que não sofrem desgaste com o manuseio e ficam armazenados e preservados digitalmente.
Além disso, as bibliotecas digitais são, também, segundo Cruz et al. (2004, p. 2), "entidades

4101

�capazes de vencer as limitações espaço-temporais naturais impostas a objetos físicos (livros,
estantes, salas, prédios), permitindo novas sistemáticas de trabalho e oportunidades”.
Seguindo essa tendência, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade
Federal do Rio Grande (BDTD- FURG)462 foi implementada, a partir do Consórcio Nacional
de Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia (IBICT), com o objetivo de armazenar, disponibilizar e preservar as
teses e dissertações produzidas na Universidade. No entanto, percebeu-se que um número
bastante elevado de teses e dissertações deixam de ser inseridas na BDTD-FURG, pois não há
a exigência da entrega de uma cópia das teses e dissertações em formato digital. Além disso,
também foi observado que o processo de envio desses documentos para a inserção na BDTDFURG é bastante moroso e acarreta uma demora bastante acentuada entre a defesa do trabalho
e sua disponibilização on-line.
A partir destas constatações e tendo em vista a importância da BDTD-FURG enquanto
fonte de preservação, disponibilização e divulgação da atividade científica da Universidade,
buscou-se realizar um diagnóstico da atual situação dos depósitos das teses e dissertações na
BDTD-FURG, com vistas a propor ações para otimizar o processo de depósito desses
documentos e, consequentemente, elevar o percentual de inserções, almejando 100% de
depósitos.

2 Revisão de Literatura
Para Murilo Bastos Cunha (2008, p. 50), a biblioteca digital “armazena documentos e
informações em formato digital em sistema automatizado, geralmente em rede, que pode ser
consultado a partir de terminais remotos”, constituindo-se na
combinação de uma coleção de objetos digitais (repositório), descrições
desses objetos (metadados), o conjunto de usuários e os sistemas que
oferecem vários serviços, como captação, indexação, catalogação, busca,
recuperação, provisão, arquivamento e preservação de dados ou
informações. (CUNHA, M., 2008, p. 50).
A criação de bibliotecas digitais de teses e dissertações ampliou sobremaneira a
possibilidade de acesso a esses documentos, além de contribuir com seu armazenamento e
preservação, pois oferece aos pesquisadores acesso remoto sem restrições físicas de espaço e
tempo, ubiquidade, facilidade de pesquisa, baixo custo e “uma variedade de serviços que
permitirão aos usuários tirar melhor proveito dos dados representados, organizados e
disponibilizados em mídia eletrônica” (CRUZ et al., 2004, p. 2).

462 http://www.argo.furg.br/?BDTD

4102

�Segundo Pacheco e Kern (2001), citando pesquisa realizada por Lawrence, artigos
disponíveis on-line são mais citados do que os não disponíveis. Dessa forma, a
disponibilização de trabalhos nessas bibliotecas digitais traz benefícios tanto para os
pesquisadores, que têm suas pesquisas divulgadas mundialmente, aumentando sua
visibilidade entre seus pares e comunidade científica, bem como para a instituição de ensino à
qual ele está vinculado, pois esta tem a oportunidade de expor a qualidade das pesquisas que
produz.
Nessa perspectiva, o desenvolvimento da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
(BDTD)463 pelo IBICT, representou um significativo avanço em termos de tratamento da
informação em seus diversos meios e formatos, de disponibilização da produção científica
brasileira e de ampliação de acesso aos recursos informacionais. Além disso, segundo
Jacqueline de Araújo Cunha (2009, p. 105),
do ponto de vista da memória científica, o consórcio nacional das
Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações é de extrema importância visto
que ela proporciona a efetivação de sua função social. Transforma a grande
massa documental, de trabalhos de teses e dissertações, antes estocada no
acervo das bibliotecas universitárias, em recursos informacionais com
maiores possibilidades de uso, trazendo ao público um rico acervo
informacional, cujo valor científico foi atestado através do crivo de uma
banca examinadora.
A BDTD é um projeto coordenado pelo IBICT, "que integra os sistemas de
informação de teses e dissertações existentes nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras
e também estimula o registro e a publicação de teses e dissertações em meio eletrônico",
proporcionando

maior visibilidade

da

produção

científica nacional

(INSTITUTO

BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2010).
Seu percussor foi uma base de dados cooperativa, implantada pelo IBICT em 1995,
que integrava referências bibliográficas de teses e dissertações de 17 instituições de ensino
superior e contava, à época, com cerca de 121 mil registros. Com a proliferação de
tecnologias que viabilizam a publicação eletrônica de documentos e seguindo uma tendência
mundial, em janeiro de 2001, o IBICT constituiu um grupo de estudos com especialistas de
diversas instituições, entre elas, Bireme, CNPq, USP, PUC-Rio e UFSC, com o objetivo de
analisar questões relativas à disponibilização dos textos completos de teses e dissertações na
Internet e, a partir dessas análises, elaborar a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações. A partir desses estudos, foram desenvolvidos o Padrão Brasileiro de Metadados
de Teses e Dissertações (MTD-BR) e o Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e
463 http://bdtd.ibict.br/

4103

�Dissertações (TEDE) (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E
TECNOLOGIA, 2010).
Para as instituições que já possuíam suas bibliotecas digitais de teses e dissertações, o
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (2010) promoveu a integração
dessas à BDTD Nacional através da implementação da camada do Protocolo OAI-PMH em
seu repositório, gerando, dessa forma, registros de metadados compatíveis com o padrão
MTD-BR. Para as instituições que não possuíam bibliotecas digitais de teses e dissertações, o
IBICT distribuiu, gratuitamente, um pacote tecnológico contento o Sistema TEDE já
implementado, o MTD-BR, a camada do Protocolo OAI-PMH, metodologia de implantação,
manuais operacionais e de usuário, documentação e treinamento, o que possibilitou a
implementação da biblioteca digital nas instituições de ensino e pesquisa e sua integração à
BDTD Nacional.
A metodologia desenvolvida pelo IBICT para publicação das teses e dissertações
oferece duas modalidades de alimentação: o autodepósito ou autoarquivamento, onde,
seguindo o modelo Open Archives464, o próprio autor faz o registro e o upload de sua tese ou
dissertação e a biblioteca fica responsável somente pela conferência e publicação das
informações registradas, diminuindo, dessa forma, o número de profissionais necessários para
realização das submissões; e o depósito centralizado nas bibliotecas das instituições, no qual
as bibliotecas ficam responsáveis por obter, em parceria com as secretarias dos programas de
pós-graduação, a autorização dos autores, registrar os metadados e fazer os uploads dos textos
integrais das teses e dissertações, o que requer um número maior de profissionais treinados, já
que todos os procedimentos de submissão são feitos pelos profissionais das bibliotecas
(KURAMOTO, 2006).
A tecnologia de coleta automática de metadados (harvesting), utilizada pela BDTD,
funciona da seguinte forma: os dados inseridos pelas bibliotecas digitais das instituições de
ensino e pesquisa, que fazem parte Consórcio Brasileiro de Teses e Dissertações, alimentam
uma base centralizada (BDTD Nacional), que é, por sua vez, objeto de coleta por outros
provedores de serviços, em especial pelo sistema da Networked Digital Library of Theses and
Dissertations (NDLTD)465, uma organização internacional dedicada a disponibilizar textos

464 “O modelo Open Archives é um conjunto de padrões, protocolos e ideais para o estabelecimento de
interoperabilidade entre dois ou mais repositórios digitais. Um dos padrões estabelecido nesse modelo é o OAIPMH - Open Archives Initiative Protocol fo r Metadata Harvesting. Trata-se de um protocolo para realizar a
coleta de metadados dos registros de um repositório” (KURAMOTO, 2006a).
465 http://www.ndltd.org/

4104

�completos de teses e dissertações de diversas instituições distribuídas em vários países.
(INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2010).
Em termos gerais, a BDTD promove não só maior visibilidade da produção
científica e tecnológica brasileira no contexto nacional e internacional, mas
também gera capacitação nacional nas tecnologias de informação e
comunicação usadas para implementação de bibliotecas digitais. Ao usuário
final, além das funcionalidades tradicionais de acesso integrado aos
conteúdos de teses e dissertações defendidas no Brasil, o portal permite
maior interação com os seus usuários mediante a disponibilização de novos
produtos, tais como serviços especiais: estante digital, serviço de alerta,
gerenciador de repositórios e indicadores de produção e de pesquisa.
(INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E
TECNOLOGIA, 2010).
Nesse contexto, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal
do Rio Grande (BDTD-FURG) foi criada no dia 18 de julho de 2006, a partir da inserção das
primeiras 30 teses e dissertações com texto integral, seguindo recomendação do IBICT. Entre
as 29 instituições participantes do workshop para implantação da BDTD, realizado em
Brasília no período de 04 a 12 de abril de 2006, a FURG foi a 4a instituição a cumprir o prazo
o que garantiu o kit tecnológico recebido através de doação do IBICT no referido treinamento.
Em 2013, a BDTD-FURG passou a funcionar de forma integrada ao Sistema de
Administração de Bibliotecas ARGO e, a partir dessa integração, novas funcionalidades
foram criadas pelo Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da FURG, dentre elas:
a) a busca integrada na BDTD e no catálogo online do Sistema de Bibliotecas (SiB),
permitindo, dessa forma, que em uma única busca, o usuário recupere tanto as teses
e dissertações disponíveis no acervo físico da biblioteca quanto em meio digital;
b) a exibição do número mensal de downloads e de visualizações de cada tese ou
dissertação;
c) a visualização do número de downloads por país;
d) a possibilidade de autoarquivamento.
Desde a sua criação, as submissões das teses e dissertação na BDTD-FURG são
realizadas na Biblioteca Central de acordo com o seguinte procedimento:
a) o aluno pós-graduando entrega uma cópia digital, em formato pdf, da versão final
da sua tese ou dissertação à secretaria do programa de pós-graduação e preenche o
Termo de Autorização para Publicação de Teses e Dissertações Eletrônicas na
BDTD-FURG466;
b) a secretaria do programa de pós-graduação envia à Biblioteca Central a cópia da
466 Disponível em: http://www.biblioteca.furg.br/images/stories/Termo_de_Autorizao_BDTD.pdf

4105

�dissertação em meio digital juntamente com o Termo de Autorização para
Publicação de Teses e Dissertações Eletrônicas na BDTD-FURG preenchido pelo
autor;
c) a Biblioteca Central recebe as cópias digitais das teses e dissertações enviadas pelos
programas de pós-graduação e procede a inserção dos metadados, o upload do texto
completo, quando assim o autor permitir, a publicação online dos trabalhos.
Esse trâmite de envio das teses e dissertações para a inserção na BDTD-FURG,
somado à inexistência de uma regulamentação interna da Universidade que torne obrigatório a
entrega em meio digital desses trabalhos, visando sua posterior inserção, torna o processo de
alimentação da BDTD-FURG bastante lento e pouco eficiente. Vários projetos de divulgação
e conscientização da importância de inserção de teses e dissertações na BDTD-FURG foram
realizados desde a sua implementação, no entanto, não foram obtidos resultados satisfatórios.
Dessa forma, tendo em vista a relevância da BDTD-FURG enquanto fonte de
divulgação da produção científica da Universidade, foi realizada uma pesquisa que buscou
identificar o percentual das teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG em relação ao
número de titulados nos cursos de pós-graduação stricto sensu da FURG, para que, a partir
desse diagnóstico, tenha-se um panorama efetivo da situação da BDTD-FURG para que ações
possam ser propostas.

3 Procedimentos metodológicos
De acordo com o critério de classificação proposto por Appolinário (2006), o presente
trabalho caracteriza-se como um estudo de caso, realizado a partir de uma pesquisa
documental, de natureza quantitativa e qualitativa.
Para efetivação do diagnóstico pretendido, foi realizado um levantamento estatístico
das inserções de teses e dissertações na BDTD-FURG entre os anos de 2006 e 2012 e
solicitado, junto à Diretoria de Pós-Graduação (DIPOSG), dados relativos às titulações
ocorridas, durante esse mesmo período, no âmbito dos programas de pós-graduação stricto
sensu da FURG.
Após a coleta dos dados, verificou-se, através de cálculos de percentagem, a proporção
entre o número de titulados e o número de teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG.
Além disso também foi analisado o período entre a data de defesa do trabalho e sua
publicação na BDTD-FURG, afim de identificar a lentidão desse processo.

4106

�4 Análise dos resultados
A partir dos dados coletados e compilados na tabela 1, podemos perceber que somente
44,1% do total de dissertações de mestrado defendidas no período de 2006 a 2012 foram
inseridas na BDTD-FURG. Dentre os cursos de mestrado oferecidos até o ano de 2012 pela
FURG, apenas os cursos de mestrado em Enfermagem e em Educação em Ciências: Química
da Vida e Saúde tiveram 100% dos trabalhos defendidos inseridos na biblioteca digital.
Através da tabela 1 e do gráfico 1, nota-se que, dentre os dezessete467 cursos, cinco
não tiveram nenhuma dissertação inserida na BDTD-FURG, sendo eles os cursos de mestrado
em Ciências da Saúde, Ciências Fisiológicas - Fisiologia Animal Comparada, Gerenciamento
Costeiro, Física, e Modelagem Computacional. Além destes, outros quatro cursos (Engenharia
e Ciências de Alimentos, Geografia, História da Literatura e Oceanografia Física, Química e
Geológica) tiveram entre uma e cinco dissertações inseridas, não ultrapassando o percentual
de 10% dos trabalhos defendidos.
Tabela 1 - Relação percentual entre o número de titulados por curso de mestrado da FURG e número
de dissertações inseridas na BDTD/FURG, no período de 2006 a 2012.______________________
Curso (ano de criação)

Titulados Dissertações BDTD

60
26
Aquicultura
38
24
Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais (2005)
79
Ciências da Saúde (2004)
57
Ciências Fisiológicas - Fisiol. Animal Comparada (1999)
Educação (2012)
126
117
Educação Ambiental (1993)
26
26
Ed. em Ciências: Química da Vida e Saúde (2005)
Enfermagem (2000)
97
97
Engenharia de Computação (2012)
87
05
Engenharia e Ciências de Alimentos (1995)
45
21
Engenharia Oceânica (1994)
01
Física (2010)
41
01
Geografia (2006)
08
Gerenciamento Costeiro (2010)
79
02
História da Literatura (2001)
Mestrado Profissional em História (2012)
Mestrado Profissional em Matemática (2010)
31
Modelagem Computacional (2006)
72
51
Oceanografia Biológica (1980)
49
03
Oceanografia Física, Química e Geológica (1995)
41
40
Química Tecnológica e Ambiental (2005)
TOTAL
937
413
Fontes: Diretoria de Pós-Graduação - DIPOSG - FURG
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD/FURG - 04/2013
Plano de Desenvolvimento Institucional FURG 2007-2010
Nota: Sinal convencional utilizado:
Dado
numéricos
igual
a
zero
não
resultante

%
43,3
63,2
92,8
100,0
100,0
5,7
46,7
2,4
2,5
70,8
6,1
97,6

44,1

de

arredondamento.

467Até dezembro de 2012 existiamvinte e um cursos de mestrado na FURG, no entanto, quatro foram criados
entre os anos 2010 e 2012 e, por isso, ainda não haviam titulados.

4107

�Gráfico 1 - Comparativo entre o número de titulados nos cursos de mestrado da FURG e as dissertações
inseridas na BDTD-FURG, no período de 2006 a 2012
40
41

Química Tecnológica e Ambiental
Oceanografia Física, Química e Geológica
Oceanografia Biológica
Modelagem Computacional
■' 2

História da Literatura
Gerenciamento Costeiro

79
J 8

Geografia
Física

■ Dissertações
inseridas na BDTD

01
21

Engenharia Oceânica

■ Titulados

Engenharia e Ciências de Alimentos
Enfermagem
Ed. em Ciências: Química da Vida e Saúde

______________ 26

26

117

Educação Ambiental
0

Ciências Fisiológicas - Fisiol. Animal Comparada

0

Ciências da Saúde

79

.

24

Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais
Aqüicultura

é
0

20

38
60
------------------- ----------- ------------------- -------------------- -------------------- }
40
60
80
100
120
140

Em relação aos cursos de doutorado (tabela 2 e gráfico 2), apenas 50,7% das teses
defendidas entre os anos de 2006 e 2012 foram inseridas na BDTD-FURG. Os cursos de
Doutorado em Educação Ambiental, Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde e
Enfermagem enviaram 100% de seus trabalhos defendidos para inserção na BDTD-FURG e
quatro cursos (Aquicultura, Ciências Fisiológicas - Fisiologia Animal Comparada, Engenharia
e Ciências de Alimentos e Oceanografia Física, Química e Geológica) em um universo de
oito468 cursos de doutoramento oferecidos pela FURG até 2012, não tiveram nenhum de seus
trabalhos inseridos na BDTD-FURG.

468 Até dezembro de 2012 existiam onze cursos de doutorado na FURG, no entanto, três deles foram criados
entre os anos 2010 e 2012 e, por isso, ainda não haviam titulados.

4108

�Tabela 2 - Relação percentual entre o número de titulados por curso de Doutorado da FURG
e número de teses inseridas na BDTD/FURG, no período de 2006 a 2012.
Titulados Teses BDTD
Curso (ano de criação)
09
Aquicultura (2007)
Ciências da Saúde (2010)
Ciências Fisiológicas - Fisiol. Animal Comparada (2005) 15
29
29
Educação Ambiental (2005)
07
Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde (2009) 07
Enfermagem (2009)
05
05
27
Engenharia e Ciências de Alimentos (2004)
História da Literatura (2011)
37
33
Oceanografia Biológica (1992)
17
Oceanografia Física, Química e Geológica (2004)
Química (2012)
TOTAL
146
74
Fontes: Diretoria de Pós-Graduação - DIPOSG - FURG
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD/FURG (04/2013)
Plano de Desenvolvimento Institucional FURG 2007-2010
Nota: Sinal convencional utilizado:
- Dado numéricos igual a zero não resultante de arredondamento.

%
100,0
100,0
100,0
89,2
50,7

Gráfico 2 - Comparativo entre o número de titulados nos cursos de
doutorado da FURG e as teses inseridas na BDTD-FURG, no período de 2006
a 2012
Oceanografia Física, Química e Geológica
Oceanografia Biológica

37

Engenharia e Ciências de Alimentos
Enfermagem
Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde
Educação Ambiental
Ciências Fisiológicas - Fisiol. Animal Comparada
Aquicultura
0

10

Teses inseridas na BDTD

20

30

40

■ Titulados

No gráfico 3, a grande diferença entre o número total de titulados nos cursos de pósgraduação stricto sensu da FURG e o número de trabalhos inseridos na BDTD-FURG fica
bastante visível e preocupante, 55% dos trabalhos defendidos no âmbito dos cursos de

4109

�mestrado e doutorado da FURG, entre os anos de 2006 e 2012, não foram inseridos na
BDTD-FURG, deixando de serem disponibilizados remotamente, em nível mundial.

Como consequência ao baixo percentual de teses e dissertações inseridas na BDTDFURG, a instituição ocupa apenas o 54° lugar no ranking nacional de inserções na BDTD
(Quadro 1), enquanto que, se a totalidade dos trabalhos defendidos fossem inseridos, a FURG
poderia estar ocupando uma melhor colocação.

Quadro 1 - Indicadores nacionais de produção da BDTD por instituição de defesa, em
14/02/2012.
Instituição
1 - UNICAMP
2 - USP
3 - UFRGS
4 - PUC-SP
5 - UFMG
6 - UFPE
7 - PUC-Rio
8 - UNB
9 - UFSCAR
10 - PUCRS
11 - UFRN
12 - UFSM
13 - UFV
14 - UFU

Doutor
12496
12580
4094
2197
1796
1276
1370
1227
1313
861
694
477
861
320

Mestre
23121
19118
11677
6541
5180
5383
4619
4209
2721
2721
2874
2867
2096
2233

Total
35617
31698
15771
8738
6976
6659
5989
5436
4034
3582
3568
3344
2957
2553

4110

�15 - INPE
16 - UFBA
17 - UERJ
18 - ITA
19 - UFC
20 - UEL
21 - UFG
22 - UFLA
23 - UFPB
24 - UFSC
25 - UPM
26 - Unifesp
27 - UCB
28 - UFRRJ
29 - BDTD
METODISTA
30 - UFAL
31 - UDESC
32 - PUCPR
33 - UFJF
34 - UNIVALI
35 - UFRPE
36 - UCG
37 - UFMS
38 - UFS

653
447
441
349
324
212
278
485
246
478
96
453
22
224

1629
1736
1556
1555
1435
1477
1314
1103
1202
873
1206
671
1039
784

2282
2183
1997
1904
1759
1689
1592
1588
1448
1351
1302
1124
1061
1008

149

834

983

84
1
6
45
11
165
4
36
33

868
942
867
821
808
652
803
752
741

952
943
873
866
819
817
807
788
774

Instituição

Doutor

Mestre

Total

39 - UNIOESTE
40 - FURB
41 - UNISINOS
42 - IBICT
43 - UFMA
44 - UFES
45 - PUC Campinas
46 - UNIFOR
47 - UFOP
48 - UFPEL
49 - UECE
50 - UEPG
51 - UCDB
52 - UCS
53 - UFPA

7
0
78
622
23
19
84
1
36
116
31
0
2
8
25

642
649
561
8
592
588
470
553
502
396
460
405
377
356
335

649
649
639
630
615
607
554
554
538
512
491
405
379
364
360

54 - FURG

31

313

344

55 - Unisantos
56 - UNICAP
57 - FECAP
58 - EST
59 - Uninove

0
0
0
45
3

295
291
280
231
267

295
291
280
276
270

-

4111

�60 - INPA
51
211
262
61 - UNOESTE
0
235
235
0
228
228
62 - UNIVATES
63 - UCPEL
4
214
218
64 - Fiocruz
93
105
198
65 - FAMERP
90
103
193
156
157
66 - Ibmec São Paulo 1
67 - UNG
1
138
139
68 - UTP
0
135
135
69 - EG FJP
0
133
133
70 - UAM
0
130
130
71 - UFGD
10
120
130
72 - LNCC
52
66
118
73 - UFF
28
90
118
74 - CDTN
0
101
101
75 - UNICID
0
97
97
76 - IPT / Cenatec
0
91
91
87
91
77 - UNICENTRO 4
0
89
89
78 - UNITAU
79 - UEPB
0
79
79
80 - UFERSA
8
70
78
81 - DEP
29
46
75
82 - UTFPR
4
68
72
83 - UNAERP
10
59
69
0
66
66
84 - UNIFENAS
85 - UFTM
14
51
65
Fonte: IBICT - http://bdtdj.ibict.br/inc icadores/graficoRS.isp? cod1=&amp;cod2=&amp;cod3

Outro problema enfrentado é a demora no envio das teses e dissertações às bibliotecas
do SiB. Em alguns casos, o período entre a defesa do trabalho e o seu envio à biblioteca pelos
programas de pós-graduação chega a ser de dois anos. Durante esse período, esses trabalhos
deixam de ser disponibilizados, acarretando prejuízo tanto para autores, que deixam de ter
suas pesquisas acessadas e citadas em outros trabalhos, quanto para pesquisadores externos,
que deixam de ter acesso a essas preciosas fontes de informação.

5 O autoarquivamento como proposta
A partir do diagnóstico realizado, são sugeridas ações com vistas a modificar o
panorama vigente, almejando a inserção de 100% das teses e dissertações defendidas no
âmbito dos programas de pós-graduação da FURG e buscando facilitar e agilizar o processo
de depósito desses documentos na BDTD-FURG.

4112

�A exigência da entrega de um exemplar em formato digital das teses e dissertações
produzidas pelos programas de doutorado e mestrado reconhecidos, consta na Portaria n° 013,
de 15 de fevereiro de 2006, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES), artigo 1, parágrafo 1: “os programas de pós-graduação exigirão dos pósgraduandos, a entrega de teses e dissertações em formato eletrônico, simultânea à
apresentação em papel”, para divulgação e acesso público às dissertações e teses, por meio da
Internet. A divulgação desses documentos, além de servir para fins de acompanhamento e
avaliação destinados à renovação periódica dos reconhecimentos dos cursos de pósgraduação, também possibilita que a sociedade tenha acesso rápido, fácil e livre de barreiras
geográficas ao conhecimento gerado na universidade e subsidiado por recursos advindos da
própria sociedade.
Embasados pela Portaria n° 013/2006 da CAPES, propomos a elaboração, pela PróReitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESP), de ato normativo que torne obrigatório,
além da entrega do exemplar impresso, o depósito na BDTD-FURG de uma cópia em meio
digital das teses e dissertações defendidas no âmbito dos cursos de pós-graduação stricto
sensu da FURG.
Para facilitar e agilizar o processo de inserção e disponibilização desses documentos,
propomos a utilização da funcionalidade de autoarquivamento, disponível na BDTD-FURG
após a sua integração ao Sistema de Administração de Bibliotecas ARGO.
A criação e utilização da nova funcionalidade de autoarquivamento eliminará o
demorado e ineficiente trâmite de inserção atual, formando um novo fluxo de procedimentos
(quadro 2), agilizando sobremaneira o processo de submissão na BDTD, pois o próprio autor
faz o registro dos metadados, o upload do arquivo de sua tese ou dissertação e o aceite do
termo de publicação no Sistemas FURG469, não sendo mais necessário que o programa de
pós-graduação envie uma cópia em meio digital para a biblioteca. Em casos de pesquisas que
envolvam patentes ou necessitem de exclusividade para publicação em periódicos científicos,
serão disponibilizados apenas os metadados ou partes dos trabalhos (introdução,
metodologia), o texto completo do documento permanecerá retido até a data informada pelo
autor para publicação on-line.

6 O "Sistemas FURG" constitui-se em um conjunto integrado de vários sistemas, desenvolvidos pelo Núcleo de
Tecnologia de Informação da FURG, que gerenciam diversos processos da Universidade, dentre eles estão: o
Sistema Acadêmico, Sistema de Recursos Humanos, Sistema de Patrimônio, Sistema Financeiro, Sistema de
Administração de Bibliotecas ARGO, Sistema de Emissão de Documentos, etc.

4113

�Sendo assim, o depósito de trabalhos na BDTD-FURG seguiria o fluxo descrito abaixo
e explicitado no quadro 2:
a) autodepósito da tese ou dissertação: através do seu perfil de discente no Sistemas
FURG, o autor declara concordar e autorizar a publicação de seu trabalho na
BDTD-FURG, insere os metadados do trabalho e faz o upload do arquivo com o
texto completo ou parte dele, no caso em que envolva registro de patente ou
ineditismo na publicação;
b) envio de e-mail ao orientador: o sistema envia automaticamente um e-mail ao
orientador solicitando a ele que dê ciência à tese ou dissertação;
c) ciência do orientador: o orientador, através de seu perfil de docente no Sistemas
FURG, irá analisar o referido trabalho e, estando esse de acordo com o homologado
pela da banca examinadora, irá referendá-lo. Caso o trabalho apresente problemas, o
orientador, através do sistema, deverá remeter o registro de volta ao autor
informando quais os problemas encontrados, para que as correções possam ser
executadas. O registro ficará disponível para a análise e ciência do orientador por
dez dias, se dentro desse período o orientador não realizar o procedimento, a
biblioteca poderá fazer a publicação do trabalho mesmo sem o aval do professor
orientador;
d) envio de e-mail à coordenação do programa de pós-graduação: após a análise
do orientador, o sistema envia automaticamente um e-mail ao coordenador do
programa de pós-graduação, solicitando a ele que dê ciência à tese ou dissertação;
e) ciência do coordenador: o coordenador, através do seu perfil no Sistemas FURG,
irá analisar o referido trabalho e, estando esse de acordo com o homologado pela
banca examinadora, irá referendá-lo. Caso o trabalho apresente problemas, o
coordenador, através do sistema, deverá remeter o registro de volta ao autor
informando quais os problemas encontrados, para que as correções possam ser
executadas. O registro ficará disponível para a análise e ciência do coordenador por
dez dias, se dentro desse período o procedimento não for realizado, a biblioteca
poderá fazer a publicação do trabalho mesmo sem o aval do coordenador do
programa de pós-graduação;
f) conferência dos metadados e publicação: o Sistema de Bibliotecas irá proceder a
análise dos metadados e as possíveis correções necessárias. Caso sejam detectados
maiores problemas nos metadados ou no arquivo depositado, a biblioteca poderá
enviar o trabalho de volta ao autor, via sistema, indicando os problemas a serem

4114

�corrigidos. Estando os metadados de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo
Padrão Brasileiro de Metadados de Teses e Dissertações (MTD2-BR), o arquivo
inserido pelo autor será convertido para o formato pdf, caso esteja em outro
formato, e protegido contra alterações. Será realizada uma consulta ao catálogo do
SiB e, se a tese ou dissertação já estiver incorporada ao acervo físico da biblioteca,
seu registro na BDTD-FURG será vinculado ao seu registro no ARGO, permitindo,
dessa forma, que durante a pesquisa o usuário recupere os dois formatos
disponíveis. Ao final, será realizada a publicação do trabalho e a liberação do
acesso, conforme especificado pelo autor.

6 Considerações finais
A partir do panorama traçado, fica evidente o baixo percentual de depósitos realizados
na BDTD-FURG. Atribuímos esse baixo percentual, principalmente, ao processo de depósito
atualmente em vigor, bastante moroso e ineficiente.
Acreditamos que a adoção da funcionalidade de autoarquivamento irá trazer maior
dinâmica e eficiência ao processo, solucionando os dois grandes problemas que hoje impedem
um maior desenvolvimento da BDTD-FURG, que são o baixo número de trabalhos inseridos
e a demora no envio desses trabalhos às bibliotecas do SiB. Além disso, as etapas que
envolvem a análise e validação dos dados pelo orientador e pelo coordenador do curso,
garantem maior confiabilidade e legitimidade aos documentos disponibilizados.
Outro ponto importante é que a BDTD-FURG funcionará de forma integrada ao
Sistema Acadêmico da FURG, fornecendo informações a este último no momento da
disponibilização da tese ou dissertação, de forma a garantir um maior controle das
submissões.
Dessa forma, entendemos que a elaboração de ato normativo, que torne o depósito das
teses e dissertações na BDTD-FURG um requisito para obtenção do grau, aliado à
implantação e utilização do processo de autoarquivamento, é fator preponderante para que se
alcance a meta almejada de inserir, na BDTD-FURG, 100% das teses e dissertações
defendidas na Instituição, modificando, dessa maneira, o panorama vigente e elevando a
visibilidade da produção científica da Universidade.

4115

�Quadro 2 - Fluxograma do processo de autoarquivamento de teses e dissertações na BDTD-FURG
Envio
automático de
e-mail para o

Autoarquivamento da
tese ou dissertação

Prazo de 10 dias

O arquivo é
devolvido ao

Orientador
analisou os

aluno, com a
identificação do(s)
problema(s)

Não

dados?

Envio automático
de e-mail para o
coordenador

I
Coordenador

Não

-------- ►

analisou os
dados?

Prazo de 10 dias

\

^ Sim
O arquivo é
devolvido ao aluno,
com a identificação

Não

Sim

Os dados

◄------- ^

estão ok?

do(s) problema(s)

Coordenador

Não

analisou os
dados?

^Sim
Valida dos dados

O arquivo é
devolvido ao

1

Não

aluno, com a
identificação
do(s)

Conferência dos
metadados, formato do

Os
metadados
estão ok?

arquivo e proteção do
documento.

^ Sim
Disponibilização da
Pesquisa
no ARGO

-►

O material já
existe no

Não
Publicação

relação dos trabalhos
publicados na BDTDFURG para o Sistema
Acadêmico

^ im

Legenda
Aluno de pós-graduação
Orientador

Vincular ao registro
do ARGO

Coordenador do PPG
Processo automatizado Sistemas FURG
Biblioteca

Início/Fim
Pontos de Decisão

4116

�7 Referências
APPOLINÁRIO, Fabio. Metodologia da ciência: filosofia e prática da pesquisa. São Paulo:
Thomson, 2006.
BRASIL. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior. Portaria n° 013, de 15 de fevereiro de 2006. Institui a divulgação digital das teses e
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4118

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O presente trabalho tem por objetivo propor um novo processo para o depósito de teses e dissertações na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Rio Grande (BDTD-FURG), a partir da utilização da funcionalidade de autoarquivamento. Em um primeiro momento foi traçado o panorama da atual situação da BDTD-FURG, a partir da realização de um levantamento de dados com vistas a identificar o percentual das teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG em relação ao número de titulados nos cursos de pósgraduação stricto sensu da FURG. Com base no diagnóstico realizado, pôde-se perceber que apenas 44,1% das dissertações e 50,7% das teses defendidas, respectivamente, nos cursos de mestrado e doutorado da FURG, entre os anos de 2006 e 2012, foram inseridas na BDTDFURG. Dessa forma, 55% dos trabalhos defendidos durante esse período deixaram de ser inseridos na BDTD FURG, pois não acompanhavam cópia digital. Como consequência ao baixo percentual de teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG, a FURG ocupava, em 2012, apenas o 54º lugar no ranking nacional de inserções na BDTD. Acredita-se que esse panorama está relacionado ao fato da entrega do exemplar em formato digital ser facultativa e também à morosidade do processo de envio dos trabalhos à biblioteca para inserção. Propõe-se, então, uma nova configuração do processo de depósito das teses e dissertações na BDTD-FURG, a partir da utilização da funcionalidade de autoarquivamento, bem como a elaboração de portaria que estabeleça a obrigatoriedade desse depósito. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RECURSO, DESCRIÇÃO E ACESSO - RDA: BREVE DESCRIÇÃO

Raildo de Sousa Machado

RESUMO
Expõe a forma que as mudanças nos suportes informacionais alteraram o ambiente das
bibliotecas e como os serviços oferecidos pelas bibliotecas precisaram adequar-se a forma de
os catalogar. O objetivo geral que norteou a construção do presente trabalho buscou analisar a
necessidade e o desenvolvimento da norma internacional de catalogação, a RDA (Recurso:
Descrição e Acesso). Os objetivos específicos deram corpo a este trabalho e procurou estudar
as mudanças nos suportes informacionais que motivaram a revisão do AACR2 e
consequentemente o nascimento da RDA. Analisar o surgimento e os principais objetivos da
RDA, o novo código de catalogação; Conceituar os modelos de registros, Functional
Requeriments for Bibliographic Records (FRBR) e Functional Requeriments for Authority
Data (FRAD), que fundamentaram a construção da RDA desenrolaram os objetivos
específicos. O desenvolvimento deste trabalho se deu por meio de pesquisa bibliográfica, por
ter estudado as principais obras publicadas sobre o assunto proposto, sendo livros, artigos de
periódicos, sites na Internet. Utilizou-se, também, a pesquisa exploratória que, por meio da
pesquisa bibliográfica, proporcionou maior familiaridade com as obras que tratam do assunto
abordado, além de traduções para o português de relatórios e artigos referentes a RDA.
Palavras-chave: Recurso Descrição e Acesso - RDA. Códigos de catalogação. Catalogação
descritiva.
ABSTRACT
Exposes the way that changes in informational media altered the environment of libraries and
how the services offered by the libraries needed to adapt to the shape of the catalog. The
general objective that guided the construction of the present study was to examine the need
and development of international cataloging standard, RDA (Resource: Description and
Access). Specific objective gave substance to this work and sought to study changes in
informational media that prompted the revision of AACR2 and hence the birth of the RDA.
Analyze the rise and the main objectives of the RDA, the new cataloging code; Conceptualize
models of records, Functional Requeriments for Bibliographic Records (FRBR) and
Functional Requeriments for Authority Data (FRAD), which underlie the construction of
RDA unfolded specific objective. The development of this work was given by means of
literature, having studied the major works published about the proposed subject, with books,
journal articles, and websites. It was also used the exploratory research through the literature
search resulted in a greater familiarity with the works that deal with the subject matter, as well
as translations into Portuguese reports and articles concerning the RDA.
Keywords: Resource: Description and Access - RDA. Cataloging codes. Descriptive
cataloging.

3607

�1 INTRODUÇÃO
As ferramentas criadas pelo homem desde os tempos pré-históricos, sempre visavam
uma forma de simplificar os trabalhos por eles desenvolvidos, e à medida que foram sendo
criadas outras necessidades também foram surgindo e exigindo que novas formas de
instrumentos, ou instrumentos adequados às necessidades, fossem estudadas, criadas, testadas
e aplicadas. E isso ocorreu durante todo o processo do desenvolvimento humano. Foi assim
com as formas de registrar informação, evoluindo do tempo em que eram fixadas nas paredes
das cavernas até chegar aos tempos das mais altas tecnologias.
A catalogação descritiva, como um dos serviços de uma Unidade Informacional (UI),
não deixou de ser modificada e a cada período foi adequando-se às novidades. Com o
ambiente eletrônico estas mudanças foram ainda mais intensas.

2 A EVOLUÇÃO DOS SUPORTES INFORMACIONAIS
A necessidade do homem de registrar as observações que tinha ao seu redor o levou a
experimentar várias ferramentas como suportes para os registros. Vários autores relacionam
uma série destes suportes que foram, e outros que ainda são, usados com a intenção de
perpetuar informações, destacando que o ser humano sempre usou o que tinha a sua
disposição, empregando para isso pedra, materiais inorgânicos e orgânicos à base de tintas
vegetais e minerais, como a argila, ossos, conchas, marfim, folhas de palmeiras, bambu,
metal, cascas de árvores, madeira, couro, papiro, velino, pergaminho, seda, o papel e mais
recentemente, o meio digital.
As páginas “de Gutenberg”, com o passar do tempo, aos poucos foram tendo que
dividir espaço com o texto imaterial. E da mesma forma que ocorreram grandes mudanças
com a chegada da imprensa, assim acontece com os formatos atuais, acarretando alterações
não só nos suportes informacionais, mas, também, na disposição do ambiente, nas técnicas de
tratamentos dos materiais e na maneira de sua disponibilização.
As tecnologias trazidas por Gutenberg deram um novo rumo aos suportes já que
proporcionaram maior agilidade nas impressões contribuindo assim para uma mediação mais
intensa da informação, tornando o livro mais acessível aos diferentes setores da sociedade.
Foi neste ambiente de transformações que se deu início a chamada “explosão da informação”,
que alterou significativamente o universo informacional.
Com o resultado dessas significativas mudanças ocorridas nos suportes informacionais
é impossível que a forma de armazenar, selecionar, recuperar e disseminar as informações
contidas nesses suportes continue inalterada. Essa decorrência cria novas necessidades que

3608

�exigem que as antigas regras modifiquem-se e entrem em harmonia com as realidades atuais
das UI, adequando-se o suporte, o ambiente, os usuários e o profissional, à nova era da
informação.

3 FRBR E FRAD: BREVE ESTUDO
3.1 FRBR
Longe de se impor como um código de catalogação, os FRBR são base para a
construção de padrões, regras e formas de códigos, orientando na estruturação destes códigos.
Os FRBR são um modelo conceitual. A esse respeito Mey e Silveira (2009, p. 17)
esclarecem que “modelo” pode ser considerado “como representação de algo; conceitual
implica a modelagem de coisas, processos ou abstrações, de forma a sintetizar e sistematizar
sistemas teóricos ou fenômenos com vistas à aplicação”, reforçando assim, o estabelecimento
dos FRBR não com a finalidade de se tornarem normas catalográficas, mas de orientarem a
construção destas.
Com foco nas necessidades dos usuários, tanto o usuário final como o profissional
catalogador, os FRBR propõem-se a relacionar dados das entidades de forma que estes dados
auxiliem, eficientemente, a recuperação e acesso aos suportes informacionais por parte dos
consulentes. Com esse objetivo, os FRBR buscam o que os usuários têm como necessidades e
usam os dados que são estratégicos para a recuperação. Santos e Corrêa (2009, p. 31-32)
descrevendo os FRBR, acentuam que “o documento estabelece conceitos novos incluindo
metadados (visando facilitar a inclusão e a navegação dos dados no meio digital), que,
futuramente, darão origem ao novo Código Internacional de Catalogação, cujo objetivo
principal será a satisfação do usuário”, ratificando o objetivo de servir de auxilio aos usuários,
tanto o usuário final como o catalogador.
Os FRBR trabalham com quatro tarefas básicas usadas pelos consulentes na busca por
um conteúdo. São apresentadas pela International Federation of Library Associations and
Institutions (IFLA) (1998, p. 82, tradução nossa):
•

•

•

Encontrar entidades que correspondam aos critérios de busca formulados
pelo usuário (isto é, localizar tanto uma única entidade quanto um
conjunto de entidades num arquivo ou base de dados como resultado de
uma busca que empregue um atributo ou uma relação da entidade);
Identificar uma entidade (isto é, confirmar que a entidade descrita
corresponde à entidade procurada, ou distinguir entre duas ou mais
entidades com características similares);
Selecionar uma entidade que seja apropriada às necessidades do usuário
(isto é, escolher uma entidade que atenda aos requisitos do usuário no

3609

�•

que se refere a conteúdo, formato físico, etc., ou recusar uma entidade
que seja inadequada para as necessidades do usuário);
Adquirir ou obter acesso à entidade descrita (isto é, adquirir uma
entidade por meio de compra, empréstimo, etc., ou ter acesso
eletronicamente a uma entidade por meio de uma conexão em linha com
um computador remoto).

Estas quatro tarefas formam o ponto de partida usado pelos FRBR com objetivo de
tornar os suportes recuperáveis de forma fácil e objetiva proporcionando aos usuários
satisfação em suas buscas. No entanto, Denton (2007, p. 42, tradução nossa) esclarece que, na
verdade, as
tarefas dos usuários são descendentes dos Objetos de Cutter. Por exemplo,
encontrar um livro do qual o autor seja conhecido torna-se encontrar todas as
manifestações que englobam as obras que determinada pessoa física ou
jurídica é responsável e encontrar uma manifestação particular quando o(s)
nome (s) de pessoa(s) e/ou corporação seja(m) conhecido(s).

O autor supracitado enfatiza ainda que apesar da forte ligação das “tarefas do usuário”
com os “objetos de Cutter”, os FRBR são mais extensos por não limitar o usuário,
permitindo-o fazer uma busca por qualquer um dos atributos de qualquer entidade.
Resultado de um exame dos requisitos funcionais dos registros bibliográficos, os
FRBR foram aprovados em 1997 pelo Standing Committee on Cataloging da IFLA, como
relatório final e teve sua publicação em 1998 (OLIVER, 2011). Na introdução do Functional
Requirements for Bibliographic Records: Final Report (IFLA, 1998) fica evidente as demais
razões que motivaram a sua construção. Dentre essas razões pode-se destacar a questão do
crescimento da catalogação cooperativa ou compartilhada, que se tornou uma necessidade que
começou a contar com a força das novas tecnologias que deram impulso para a aplicação da
catalogação compartilhada. A própria demanda causada pela chegada das novas tecnologias
formaram fatores que também influenciaram no exame feito pela IFLA na catalogação prática
e teórica em âmbito internacional, exame este que deu resultado aos FRBR.
Um ponto decisivo para a elaboração dos FRBR foi a questão dos custos com a
catalogação que seria resolvida com a redução “pela minimização de duplicatas de
catalogação” (IFLA, 1998, p. 1, tradução nossa). Neste sentido, vale ainda resaltar a intenção
da IFLA em propor um modelo que simplificasse a elaboração de códigos catalográficos e,
consequentemente, o processo catalográfico, apoiando o surgimento das mutações acarretadas
pela constante inovação das tecnologias buscando assim “acomodar mudanças emanadas das
emergentes novas formas de publicações eletrônicas e os adventos de acesso a recursos
informacionais em rede” (IFLA, 1998, p. 1, tradução nossa).

3610

�3.2 FRAD
O FRAD é uma extensão dos FRBR, porém com ênfase nos dados de autoridades.
Adotou os nomes Functional Requirements and Numbering for Authority Records
(FRANAR), Functional Requirements for Subject Authority Records (FRSAR) e finalmente,
Functional Requirements for Authority Data (FRAD) que ainda está em fase de
desenvolvimento.
Os Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade, como os FRBR, usam tarefas de
usuários e repetem algumas das entidades, mas com foco nos dados de autoridade. De acordo
com Mey e Silveira (2009, p. 39) ficaram assim divididas e conceituadas:
•

•
•

•

Encontrar uma entidade ou conjunto de entidades correspondentes a
um critério determinado, ou explorar o universo de entidades
bibliográficas utilizando seus atributos e relações;
Identificar uma entidade ou validar a forma do nome a ser usado
como ponto de acesso controlado;
Situar uma pessoa, uma entidade coletiva, uma obra etc. em
determinado contexto; esclarecer a relação entre duas ou mais pessoas,
entidades coletivas, obras etc. e um nome pelo qual esta pessoa,
entidade coletiva etc. é conhecida;
Justificar indicando a fonte na qual se baseia o ponto de acesso
controlado, a razão da escolha do nome ou de sua forma pelo criador
do dado de autoridade.

Situar e justificar são as novidades apresentadas pelos dados de autoridade e visam
não apenas conhecer a autoridade, mas, também, explicar por meio de bases autorizadas as
formas que se apresentam. As entidades também receberam acréscimos para suprir as
necessidades exigidas pelos dados de autoridades com significações próprias.
Assim como os FRBR, o FRAD objetiva relacionar os atributos das entidades para
facilitar a busca por parte dos usuários, além de servir de referencial tanto para catalogadores
como para o desenvolvimento de novas regras e novos códigos de catalogação.

3.3 Os FRBR, o FRAD e a RDA
Os modelos FRBR e o FRAD serviram de base para a construção da RDA por terem
uma grande aceitação por agências catalogadoras e por terem se estabelecido como
importantes modelos conceituais para a catalogação.
Oliver (2011, p. 17) enfatiza que “estes modelos moldaram a estrutura da RDA e
influenciaram a linguagem empregada nas instruções”. Desta forma não há como usar a RDA
sem um conhecimento prévio dos conceitos aplicados nos FRBR e FRAD. A autora frisa

3611

�ainda que ao analisar as relações colocadas pela RDA ficam claras a sua ligação com tais
modelos conceituais.

4 RECURSOS: DESCRIÇÃO E ACESSO (RDA)
As alterações causadas pelas novas tecnologias tiveram sua relevância no final do
século XX, relevância essa que levou, no início do século XXI, à revisão dos Princípios
Internacionais de Catalogação. Estes princípios, mais conhecidos como Princípios de Paris,
objetivaram auxiliar a normalização internacional na catalogação, sendo o primeiro passo
relevante para a padronização da catalogação. Os resultados das revisões, que se tornaram
necessárias em vista do corrente uso dos On-line Public Access Catalogs (OPACs), estão
materializados na Declaração de Princípios Internacionais de Catalogação (IFLA, 2009),
lançado pela IFLA, em 2009, sucede e expande o âmbito dos Princípios de Paris dando um
panorama geral das normas de catalogação em âmbito internacional, estabelecendo diretrizes
para o serviço catalográfico e definindo regras a serem usadas na construção de códigos de
catalogação. A IFLA (2009, p. 2), neste documento, deixa claro que os princípios deliberados
“aplicam-se a registros bibliográficos e de autoridade e a catálogos correntes de bibliotecas.
Os princípios podem também ser aplicados a bibliografias e outros ficheiros (arquivos) de
dados criados por bibliotecas, arquivos, museus e outras comunidades”, expandindo assim o
número de instituições que serão beneficiadas com esses Princípios. O centro dos princípios
está em oferecer maior facilidade de utilização dos catálogos pelo usuário.
Várias ações ocorreram, e ocorrem, no âmbito biblioteconômico objetivando
acompanhar e usufruir dos benefícios das tecnologias disponíveis, adequando-se a elas para
melhor desenvolver atividades dentro das UIs e buscando atender da melhor maneira possível
o usuário, traçando metas para que os códigos sejam de fácil uso e estejam de acordo com o
que busca a comunidade que o utiliza.
Como parte destas ações, em 2004 deu-se início as revisões do Código de Catalogação
Anglo-Americano, 2a edição, (AACR2) tendo como alvo torná-las compatíveis e capazes de
atender os catálogos em linha e padronizar o registro de novos suportes, porém sem deixar de
lado os antigos, presentes nas Uls antes da revolução das novas mídias, uma vez que o
AACR2 foi desenvolvido para catálogos em ficha, destinadas à catalogação de livros,
periódicos e demais materiais impressos e físicos. Ainda que os materiais impressos tenham
sido a base para o desenvolvimento do AACR deixaram de ser predominantes nas bibliotecas,
tendo, inclusive, que dividir espaço com suportes não físicos, não palpáveis. Oliver (2011, p.
3) aponta que “embora regras destinadas a outras mídias hajam sido enxertadas no código,

3612

�nunca houve uma metodologia coesiva e logicamente coerente da descrição de conteúdo,
mídia e suporte” deixando, desta forma, com que os novos suportes de conteúdos ficassem
desprovidos de regras que os catalogassem e tornassem seu acesso possível. Knight (2010, p.
2, tradução nossa) enfatiza que as necessidades da revisão do AACR2
culminou na Conferência Internacional para os Princípios e
Desenvolvimento Futuro das AACR realizado em Toronto, em 1997. Alguns
dos problemas que esta conferência focou foi melhorar o tratamento de uma
série de recursos, questões entre o conteúdo intelectual e o suporte deste
conteúdo e a função das regras de catalogação no ambiente online.

Buscando, assim, uma adequação bem como uma ampliação das regras, com o intuito
de acomodar as novas mídias. Esta revisão resultaria no AACR3, que tinha como responsável
o Joint Steering Committee for Revision o f AACR. Mey e Silveira (2009, p. 90) ressaltam que
“a revisão provocou mudanças substanciais e acarretou, em 2005, o desenvolvimento de um
sucessor do AACR2, a RDA”. Sob o encargo agora do Joint Steering Committee for
Development o f RDA, esta norma salta os limites anglo-americanos e pretende consolidar-se
como uma norma internacional, visto que contou com a cooperação de vários códigos
nacionais, observando suas aplicações e necessidades regionais, permitindo sua flexibilidade e
seu uso internacional.
Modesto (2008) define a RDA como uma
proposta de padrão sucessora ao AACR2 [...], seu desenvolvimento
caracteriza-se por uma mudança na direção de ser um código internacional
(ou de aceitação global), que diferentemente do atual (em uso), não se regule
por regras rígidas, mas por diretrizes de ampla aplicação, e com foco
centrado no usuário e nas suas necessidades de informação.

Sendo assim, as regras rigorosas do AACR2 darão lugar a uma norma que se propõe
oferecer padrões de fácil utilização e que adequa-se à realidade de todas as bibliotecas.

4.1 Objetivos iniciais da RDA
Os objetivos norteiam a construção da RDA, focando os ambientes que a usará bem
como cobrir as necessidades atuais e futuras do serviço catalográfico. Além de ter sido
desenvolvida com a pretensão de tornar-se uma norma internacional, a RDA foi criada para o
ambiente digital, uma vez que a revolução das novas tecnologias alterou os formatos em que
se encontram os conteúdos, bem como a forma de elaborar e utilizar os catálogos.
Quanto a essas alterações, Oliver (2011, p. 2) enfatiza que

3613

�não somente por causa da rápida proliferação de novos tipos de publicações,
novas formas de conteúdo e novos suportes de conteúdo, mas também
porque a passagem para um ambiente de rede em linha alterou
qualitativamente a maneira como a biblioteca e seus usuários realizam suas
atividades.

A biblioteca, que tem o perfil de seus usuários modificado, exige agora que sejam
desenvolvidas atividades que condigam com o ambiente que o usuário vivencia dentro e fora
da UI, atendendo assim, por meio dos OPACs e otimizando os serviços prestados e
relacionando-os com as novidades tecnológicas. Assim, a RDA, baseando-se nos FRBR e nos
FRAD, traz a proposta de oferecer registros que se relacionam entre si, bem como com os
seus autores - sejam eles pessoa, família ou corporação e suas variantes quanto à forma de
apresentação do nome - título, título equivalente em outra língua e, até mesmo, a forma de
escrita da obra.
A RDA busca abranger não apenas o ambiente digital, mas também descrever os
materiais já presentes na biblioteca, diga-se, os materiais impressos, sem deixar de trazer
proposta para os futuros suportes que ainda farão parte da vida dos usuários e que serão
exigidos nas UIs. Oliver (2011, p. 3) confirma isso ao dizer que a RDA “oferece os princípios
e as instruções para registro de dados de recursos hoje conhecidos e os que ainda venham a
ser desenvolvidos”.
Mas o objetivo que mais tem chamado a atenção é que esta norma foi desenvolvida
pensando no usuário e na barreira existente entre ele e a informação, traçando o caminho para
a remoção dessa barreira, levando-o à obtenção do conteúdo desejado, independente do
suporte.
O Joint Steering Committee for Development o f RDA - JSC/RDA (2009a, p. 2) define
recurso como um objeto, palpável ou não, capaz de armazenar informação e indica os passos
para que este recurso chegue ao usuário. Parafraseando o modelo conceitual dos FRBR, o
JSC/RDA (2009a, p. 2, tradução nossa) diz que a descoberta de recurso engloba as seguintes
tarefas do usuário:
•
•
•
•

Encontrar - para encontrar recursos que correspondam à pesquisa inicial do usuário;
Identificar - para confirmar que este recurso descrito corresponde ao recurso
solicitado, ou distinguir entre dois ou mais recursos com características similares;
Selecionar - para selecionar um recurso que seja apropriado ao que o usuário precisa;
Obter - para adquirir ou acessar o recurso descrito.

Logo, a RDA oferece subsídio ao usuário para que encontre o recurso desejado e uma
vez encontrado que seja avaliado, devendo aceitar ou descartar; se aceito, deve selecionar o

3614

�recurso que lhe seja mais favorável e então obtê-lo, por compra, empréstimo ou consulta.
Desta forma, a RDA se estabelece como uma norma que atende as necessidades catalográficas
dos catalogadores, mas baseando-se nas necessidades e formas de o usuário ter acesso a
informação.

4. 2 Objetivos da RDA
Os objetivos que regem o desenvolvimento da RDA foram elaborados com a intenção
de fazer com que determinado RECURSO - seja ele impresso ou não, palpável ou não - fosse
DESCRITO pelo catalogador e ACESSADO pelo usuário de maneira simples e eficiente.
Definir recurso, descrição e acesso, será de grande valia para se estabelecer os objetivos
regentes da RDA.
Os recursos antes eram as próprias obras, livros, periódicos, etc. que compunham os
acervos. Hoje, no entanto, voltando ao sentido mais real da palavra, os recursos funcionam
como o meio entre a informação e o usuário, independentemente de formato. A descrição é
uma prática utilizada por catalogadores para, como o nome já diz, descrever os recursos
informacionais individualizando-os, tornando-os singulares quando comparados a outros
recursos registrados nas UIs. O acesso é o fim, é o momento em que se dá o desfecho do
trabalho de se descrever o recurso, que uma vez descrito poderá ser acessado por meio dos
catálogos, fazendo útil o recurso e satisfeito o usuário.
A seguir serão expostos os objetivos conforme foram colocados pelo JSC/RDA
(2009a), destacando-se que estes objetivos norteiam as regras da norma internacional.
•

Abrangência - determina que as normas e as instruções devam compreender
todos os conteúdos que os catálogos representam;

•

Consistência - exige que as normas e as instruções sejam consistentes em sua
criação, evitando contradições;

•

Claridade - veta a ambiguidade nas normas e instruções, exigindo simplicidade
e clareza na sua elaboração;

•

Racionalidade - não permite a arbitrariedade e requer racionalidade na
elaboração de suas normas e instruções;

•

Circulação - determinante para os novos recursos, exige que as normas e
instruções sejam desenvolvidas objetivando cobrir a variedade, a natureza e as
características dos recursos e conteúdos atuais e futuros;

3615

�Compatibilidade - as normas e as instruções devem obedecer aos princípios
internacionais de catalogação;
•

Adaptabilidade - as normas e as instruções devem ser adaptáveis a
necessidades especificas de diversas comunidades, sendo desta forma uma
norma aberta a novas mudanças;

•

De uso fácil e eficiente - determina que as normas e as instruções sejam fácies
sem deixar de serem eficientes, visando otimizar a utilização pelo usuário.

Tais objetivos deixam clara a intenção que a RDA tem de tornar-se uma norma
elaborada pensando no usuário, além de procurar ser uma norma compreensiva capaz de
propor regulamentos para continuar descrevendo os recursos existentes, mas focando na
velocidade com que a tecnologia tem evoluído e se inserido nas UIs e transformando, suportes
e conteúdos informacionais. O objetivo “circulação” é o grande diferencial em relação ao
AACR2, pois, além de continuar oferecendo regras para o registro de impressos, auxilia os
suportes atuais e futuros, permitindo que futuras grandes alterações na norma sejam
dispensáveis.
4. 3 Princípios da RDA
São os princípios que estabelecem as regras que fundamentam a RDA. Neles fica claro
a linha básica que a norma deve seguir, sempre focalizando o usuário e o ambiente digital.
Os princípios estabelecidos pelo Joint Steering Committee for Development o f RDA
indicam os elementos básicos que regem a construção da norma, indo da generalidade à
especificidade, exigindo que a norma cumpra os seus objetivos. Os princípios, ratificando os
objetivos, abordam a necessidade de se descrever um recurso de tal forma que o seu acesso
seja fácil e eficiente, potencializando a recuperação por parte do usuário.
O JSC/RDA (2009a) estabelece que a norma internacional deve obedecer ao princípio
da
•

Generalização - as normas e instruções básicas devem cobrir os diversos
recursos informacionais, este princípio deve ser aplicado, também, aos pontos
de acesso, nomes e títulos;

•

Especificidade -

as normas e instruções devem tratar os recursos

individualmente, quanto ao tipo específico de conteúdo, nome, título e a
relação feita entre eles;

3616

�•

Não redundância - inibe as repetições dispensáveis, tonando a RDA uma
norma prática, objetiva;

•

Terminologia - estabelece que as normas e instruções da RDA devem estar
ligadas aos termos e conceitos dos FRBR e dos FRAD;

•

Estrutura de referência - determina que cada norma e instrução precisa ter
relação com as normas e instruções gerais, bem como localizar as que são de
relevância para suas aplicações.

O princípio da generalização expõe que basicamente as orientações devem atingir
todos os suportes, sendo que os vários tipos de pontos de acesso devem obedecer a este
princípio. Mesmo com princípio geral, a norma exige a individualização dos itens, os tratando
como únicos em relação a seus pontos de acesso, evitando assim as reproduções e
redundâncias, que fazem com que os catálogos fiquem inchados tornando com que o processo
de recuperação seja confuso e impreciso. O princípio da terminologia é o que dá sustento
para a RDA ser uma norma de uso internacional, por ter suas diretrizes intimamente ligadas
aos modelos conceituais FRBR e FRAD, que visam uma normalização da prática de registros
de suportes e conteúdos. A estrutura de referência faz com que a norma seja altamente
coerente, possibilitando o uso de instruções especificas para registros que exijam tal
especificidade.
4.4 O AACR2 e a RDA: algumas mudanças
Como mencionado anteriormente, a RDA se preocupa com as necessidades do
usuário, por esse motivo adota características que visam o melhor uso pelo consulente. De
outro lado tem-se o AACR2 que em decorrência de algumas regras inflexíveis limita a
representação de elementos importantes no processo de busca de uma obra, como por
exemplo, a descrição de uma obra com mais de três autores, o que será visto a seguir com a
regra dos três.
Serão apresentadas, também, algumas mudanças que modificam diretamente naquilo
que o catalogador acostumou-se a fazer ou descrever. Destaca-se a questão de:
a) regra dos três: a RDA parte do princípio em que uma obra que tenha mais de três
autores pode ser recuperada por qualquer um dos autores e não apenas pelo principal
ou primeiro citado. Determina que a entrada principal seja pelo primeiro autor citado e
os demais registrados como pontos de acesso secundários.

3617

�b) título essencial: no AACR2 descreve-se o título, subtítulo e outras informações sobre o
título, a RDA descreve somente o essencial, ou seja, o título principal. Opcionalmente
as demais informações sobre este podem ser acrescentadas.
c) datas: como cita Oliver (2011, p. 72), “a RDA apresenta elementos de dados
específicos para cada tipo de data: data de publicação, data de produção, data de
fabricação, data de copyright”.
4. 5 Laços com o AACR2
Apesar de algumas necessidades não serem mais providas pelo AACR2, como a
inextensibilidade para a descrição de novos recursos, a comunidade catalográfica não deixa de
reconhecer o quanto determinadas bases ainda são de extrema importância para o desempenho
da prática da catalogação.
Em sua apresentação o AACR2 - Revisão de 2002 -, Ann Huthwaite, Presidente do
Joint Steering Committee for Revision (JSC), deixa claro que o Comitê se esforçará para que
novas revisões sejam feitas para suprir as necessidades surgidas com os novos suportes
informacionais.
Estou confiante de que o JSC, juntamente com Committee o f Principals fo r
AACR, continuará a fazer uma abordagem estratégica para planejar a
evolução do código, e como resultado tornará viável um padrão para
descrição bibliográfica a acesso no futuro (HUTHWAITE, 2005, p. xxvii).

Como a pretensão inicial era a revisão do AACR2 que resultaria no AACR3, é
indissociável a relação da RDA com o AACR2. O novo código toma algumas das bases do
AACR2, permitindo, inclusive, que ambientes usem a RDA sem prejuízos quanto aos
materiais já registrados utilizando o AACR2.
O JSC/RDA (2009b, p. 1, tradução nossa) deixa claro que a RDA foi “construída em
fundações estabelecidas pelo Código Anglo-Americano de Catalogação” e as alterações
ficaram por conta das necessidades exigidas pelas tecnologias que mudaram não só o
ambiente das bibliotecas, mas, também, arquivos, museus, editoras, etc., locais em que a RDA
pretende subsidiar.
Oliver (2011, p. 46) destaca que “a RDA introduz mudanças significativas, porém
continuam existindo vínculos importantes entre AACR2 e RDA”, mostrando desta forma que
o novo código propõe ser uma continuidade do AACR2, no entanto, com um nome diferente
que objetiva sair da atmosfera dos países criadores e alcançar a comunidade internacional. A
autora supracitada expõe ainda que a estrutura de administração da RDA é a mesma que do
AACR2 e apesar da mudança do nome de Joint Steering Committee for Revision o f AACR

3618

�para Joint Steering Committee for Development o f RDA, é, basicamente, este mesmo Comitê
que terá a responsabilidade das revisões futuras da RDA, as entidades reponsáveis pelo
JSC/RDA são: American Library Association; Autralian Committee on Cataloguing; British
Library; Canadian Committee on Cataloguing; Chartered Institute o f Library and
Information Professionals (CILIP) e Library o f Congress (LC); mais uma forte ligação com o
AACR2 são as, já citadas anteriormente, bases que foram utilizadas na construção da nova
norma, que pelo excelente desempenho da antiga norma, bem como o fato de ter sido usado
para orientar a catalogação em diversos países, indo além do ambiente Anglo-Americano,
proporcionou alicerces importantes e solidificados para o estabelecimento do código
internacional; outra ligação que cabe destaque é quanto às instruções, a RDA apresenta novas
diretrizes, mas algumas presentes no AACR2 são de tamanha importância que não poderiam
deixar de ser aproveitadas; a compatibilidade dos registros é outra ponte entre as normas,
sendo um beneficio para as UI que já usavam o AACR2 e que passarão a adotar os padrões da
RDA, sendo assim o serviço catalográfico adaptar-se-á facilmente as normas de descrição
acrescidas; vale destacar ainda que a nova norma é, na verdade, o resultado de uma revisão
profunda da antiga norma em que se propunha melhorá-la fazendo com que os desfalques
gerados com a chegada das novas tecnologias fossem habilmente supridos com as alterações
resultantes na RDA.
Os laços ficam evidentes também no conteúdo da RDA que em alguns pontos remete
ao que correspondia anteriormente no AACR2, como pode ser visto na figura 6 que mostra
uma tabela no lado esquerdo que permite ver os itens do AACR2 e a que corresponde na
RDA.
Figura 1 - AACR na RDA

Fonte: ALA (2010).

3619

�4. 6 Funcionalidade
Com o foo no ambiente digital, a RDA apresenta uma estrutura flexível e extensível
que visa cobrir todos os suportes, tanto antigos como novos, presentes nas UI.
A nova norma traz padrões, baseados no AACR2, porém criados para dar apoio aos
suportes e aos catálogos online, proporcionando uma forma de apresentar os registros de
forma para que sejam de fácil acesso (FUSCO, 2011, p. 35).
O JSC/RDA (2009b, p. 1-2, tradução nossa) destaca que

os modelos FRBR e FRAD fornecem a RDA uma estrutura subjacente que
tem o escopo necessário para apoiar a cobertura completa de todos os tipos
de conteúdo e mídia, a flexibilidade e extensibilidade necessária para
acomodar novas características de recursos emergentes, e a adaptabilidade
necessária para a produção de dados para funcionar dentro de uma vasta
gama de ambientes tecnológicos.

Com isso a nova norma expande sua área de atuação, sem deixar de atender os
suportes já existentes nas UIs no momento da implantação da RDA. Sua função flexível
permite a tolerância de se aplicar as normas de registros aos suportes que as exigem, detalhar
os dados do registro quando estes se mostrarem necessários. Já a função extensível atende a
questão das frequentes mudanças, que com o surgimento dos novos suportes informacionais
não se fará necessária uma nova revisão da norma, mas apenas o uso da abertura para os
novos suportes informacionais. Tal afirmação também deixa claro o intento de se tornar uma
norma não usada apenas em bibliotecas, mas pretende alcançar os ambientes que lidem com
informação, mesmo que não seja informação para fins de pesquisa.

4. 6. 1 Acesso à RDA
A figura 2 mostra a tela inicial da RDA que pode ser acessada no endereço
http://access.rdatoolkit.org/ na qual se visualiza à esquerda, o sumário. Conforme explica
Silva et al. (2012, p. 116), a RDA “é composta por 38 capítulos, sendo que o capítulo 0 é a
introdução; 10 seções, nas quais se encontram 37 capítulos; e 13 apêndices”. Ainda segundo
os autores, determinados capítulos ainda não estão inteiramente desenvolvidos, mas o capítulo
divulgado serve como base para o aprimoramento futuro.

3620

�Figura 2 - tela inicial da RDA.

Fonte: ALA (2010).
Ou pode ser adquirida o obra imressa nos seguintes endereços:
•

http://www.rdatoolkit.org/subscribe

•

http://www.alastore.ala.org/detail.aspx?ID=3065

•

http://www.cla.ca/source/Orders/index.cfm?secti
on=Shop&amp;task=3&amp;CATEGORY=PUBSRDA&amp;P
RODUCT TYPE=SALES&amp;SKU=10931R

•

http://www.facetpublishing.co.uk/title.php?id=74
94&amp;category code=910

Figura 3 - R

R D A
Fonte: ALA (2010).

4. 7 Pretensão internacional
A RDA tem como países responsáveis os Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá e
a Austrália, porém isso não significa que seja de uso apenas destes países. Como dito
anteriormente, um dos motivos para a mudança do nome de AACR3 para RDA é justamente

3621

�tirar o foco do ambiente Anglo-Americano, fazendo com que a norma tome proporções mais
extensas que o AACR2 que mesmo adotando esse nome tornou-se o código usado em vários
países que não faziam parte o grupo responsável.
Segundo Oliver (2011, p. 8) “para que uma norma tenha credibilidade e seja aceita, é
importante que esteja em harmonia com as normas internacionais vigentes e compartilhe o
mesmo entendimento quanto à natureza e uso dos dados bibliográficos”. Logo, a ligação da
RDA com os Princípios de Paris, que são princípios aceitos no mundo catalográfico e que
norteiam as normas de catalogação, bem como os FRBR e FRAD que também são altamente
aceitos pelas agências catalogadoras e que proveem a nomenclatura e conceitos da sociedade
universal de catalogação permitem que a RDA seja uma substituta do AACR2. O comitê
organizador procurou ouvir os grupos, comissões e bibliotecas de diferentes nacionalidades
que usam o AACR2, não deixando de ouvir também aqueles que trabalham com códigos
próprios na intenção de fazer com que a RDA fosse apropriada para o uso em contexto
internacional.
A International Standard Bibliographic Description (ISBD) também tem sua parcela
de contribuição para fazer da RDA uma norma internacional. Criada pela IFLA, a ISBD
auxilia a criação de descrição bibliográfica e expõe os elementos necessários para a descrição
de um recurso. E por ser aceita internacionalmente, a ISBD segue como uma das normas que
subsidiaram o desenvolvimento do código internacional.
O propósito de se firmar como uma norma usada em âmbito internacional terá
continuidade conforme a RDA for sendo usada e as novas atualizações tornarem-se
necessárias. Nesse processo futuro a norma se estabelecerá como referencial de catalogação
universal.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As novas tecnologias trouxeram uma nova forma de fazer, reproduzir, armazenar e
utilizar a informação registrada em suportes que foram mudando conforme as alterações
ocorridas no meio em que estão inseridas. Neste contexto, tornou-se necessária a avaliação
dos formatos de suportes usados em bibliotecas e como é imprescindível que sejam feitas
adequações à novos suportes, bem como aos serviços desenvolvidos e prestados pelas UIs.
O catálogo, como um dos principais atingidos pela chegada das novas tecnologias,
teve suas formas de apresentação e sua estrutura alteradas dos catálogos em ficha de papel
para os automatizados, expandindo assim sua área de alcance.

3622

�As próprias regras usadas na catalogação, em âmbito mundial, sentiram a necessidade
de se ajustarem as mudanças e usufruírem dos benefícios oferecidos pela nova forma de
ordenar os registros bibliográficos dentro dos catálogos. Os antigos Princípios de Paris, de
1961, passaram por alterações para servirem aos novos públicos surgidos e com as suas
necessidades.
Esses temas outrora tratados, objetivaram formar um pano de fundo para o
estabelecimento de uma nova forma de catalogar não mais apenas livros, mas, também, novos
suportes e novos conteúdos que tem em si registrada algum tipo de informação útil a alguém
em algum lugar; lugar este que se torna cada vez menos distante se a forma de catalogar usa
de maneira eficiente as ferramentas que tem a seu dispor.
Diante de tantas mudanças é evidente que o principal instrumento de auxílio à
catalogação usado atualmente, o AACR2, passasse por revisões que expandisse seu campo de
abrangência, e servisse de apoio para a descrição dos suportes que estão constantemente
alterando-se. E como o AACR2, por sua importante contribuição a catalogação, deixou de ser
usado apenas no ambiente Anglo-Americano, passando a ser adotado em vários países, fez-se
necessária a mudança, também, no nome para RDA.
É neste contexto que surge a RDA com seus objetivos, seus princípios, sua estrutura
focada no usuário, o principal interessado nos serviços prestados pelas bibliotecas. O presente
trabalho teve como objetivo traçar o caminho de códigos até a chegada da RDA, justificando
os meios que levaram ao seu desenvolvimento. O estudo aplicado permitiu fazer um breve
plano de fundo da catalogação, dos catálogos e dos códigos, evidenciando a forma como a
comunidade catalográfica mundial se esforçou no sentido de estabelecer regras que
padronizassem os registros de dados bibliográficos e permitissem, inclusive, o intercâmbio
desses dados, contribuindo assim para uma catalogação cooperativa entre diversos países.
O estudo dos modelos conceituais FRBR e FRAD, que são a base da RDA,
proporcionou melhor entendimento do funcionamento da norma, bem como o importante
auxílio que estes modelos prestam ao serviço catalográfico e o desenvolvimento de novos
códigos.
Diante disso, verifica-se que a biblioteca, como um ambiente em constante
crescimento, como enfatiza Ranganathan (2009) em sua quinta lei da Biblioteconomia, não
deve e nem pode se fechar as mudanças causadas pelas novas tecnologias e tão pouco deixar
de usar em seu benefício e em benefício dos usuários toda a adição que estas novidades
trazem.

3623

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
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                <text>Expõe a forma que as mudanças nos suportes informacionais alteraram o ambiente das bibliotecas e como os serviços oferecidos pelas bibliotecas precisaram adequar-se a forma de os catalogar. O objetivo geral que norteou a construção do presente trabalho buscou analisar a necessidade e o desenvolvimento da norma internacional de catalogação, a RDA (Recurso: Descrição e Acesso). Os objetivos específicos deram corpo a este trabalho e procurou estudar as mudanças nos suportes informacionais que motivaram a revisão do AACR2 e consequentemente o nascimento da RDA. Analisar o surgimento e os principais objetivos da RDA, o novo código de catalogação, Conceituar os modelos de registros, Functional Requeriments for Bibliographic Records (FRBR) e Functional Requeriments for Authority Data (FRAD), que fundamentaram a construção da RDA desenrolaram os objetivos específicos. O desenvolvimento deste trabalho se deu por meio de pesquisa bibliográfica, por ter estudado as principais obras publicadas sobre o assunto proposto, sendo livros, artigos de periódicos, sites na Internet. Utilizou-se, também, a pesquisa exploratória que, por meio da pesquisa bibliográfica, proporcionou maior familiaridade com as obras que tratam do assunto abordado, além de traduções para o português de relatórios e artigos referentes a RDA.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CONTRIBUIÇÃO DA BIBLIOTECA SETORIAL DA FACULDADE DE DIREITOUFAM PARA A FORMAÇÃO DE SEUS USUÁRIOS
Raquel Santos Maciel
Raimundo Martins de Lima
Lúcia Martins Pereira de Oliveira

RESUMO
Apresenta e reflete sobre os resultados da avaliação processada junto ao acervo de livros da
Biblioteca Setorial da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM),
focando especialmente para os aspectos cobertura dos assuntos, média de duplicação, idade
das obras e satisfação dos usuários. Adotando uma perspectiva crítica, objetivou levantar
dados quantitativos e qualitativos para subsidiar a elaboração da proposta de Política de
Formação e Desenvolvimento de Coleções do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
do Amazonas (Sistebib-UFAM), tendo em vista a melhoria da sua atuação junto à
comunidade atendida. Têm-se como princípios os estudos de Souza (2013), Ortega y Gasset
(2006), Weitzel (2006), Mischiati e Valentim (2005) e Mueller (1984) no que se refere ao
comportamento ético na prestação de serviços, ao processo de formação e desenvolvimento de
coleções e à natureza jurídica dependente das bibliotecas, já que nenhuma biblioteca é
independente para se autodefinir e autoprover-se, estando as suas existências, estruturações e
funcionamentos subordinados à missão e objetivos da instituição que a criou e ao perfil
sociocultural da comunidade de usuários a qual se destina ou que atende. De natureza
explicativa, utilizou-se de formulário, questionário e da base de dados Pergamum-UFAM para
a coleta de dados. Seus resultados evidenciaram a incompletude e a baixa média de
duplicação do acervo, insatisfação dos usuários quanto aos serviços de circulação, bem como
a baixa ocorrência dos títulos indicados nas bibliografias básica e complementar das
disciplinas da estrutura curricular do Curso de Direito nessa base de dados. Conclui que a não
observância de uma política de desenvolvimento de coleções e a consequente aleatoriedade
dos processos de seleção e a ausência sistemática de processos avaliativos foram as principais
causas desses resultados.
Palavras-chave: Universidade Federal do Amazonas. Biblioteca universitária. Formação e
desenvolvimento de coleções. Ética profissional.

ABSTRACT
Presents and reflects on the evaluation results processed by the collection of books of the
Sector Library of the Law School of the Federal University of Amazonas (UFAM), focusing
particularly on the aspects of coverage issues, mean doubling the old works and user
satisfaction. Adopting a critical perspective, aimed to raise quantitative and qualitative data to
support the development of the proposed Training and Development of Collections of the

918

�Library System of the Federal University of Amazonas (Sistebib-UFAM) Policy, with a view
to improving their performance with the community served. Have been as principles studies
of Souza (2013), Ortega y Gasset (2006), Weitzel (2006), Mischiati and Valentine (2005) and
Mueller (1984) in regard to ethical behavior in the provision of services, the process training
and development of collections and the dependent libraries of legal, since no library is
independent to self-definition and self-providing, with their stocks, structuring and
subordinates runs the mission and goals of the institution that created it and the sociocultural
profile of the user community which is intended or serving. Of an explanatory nature, we used
form, questionnaire and database Pergamum-UFAM for data collection. Their results showed
the incompleteness and low average doubling of the collection, dissatisfaction of the users
regarding the movement of services and the low occurrence of securities referred to in
bibliographies of basic and complementary disciplines in the curriculum structure of the
College of Law in this database. Concludes that failure of a collection development policy
and the consequent randomness of the selection process and the lack of systematic evaluation
processes were the main causes of these results.
Keywords: Federal University of Amazonas. University library. Training and development of
collections. Professional ethics.

1 INTRODUÇÃO

Ao iniciar-se o projeto de reformulação dos princípios, diretrizes e critérios da Política
de Formação e Desenvolvimento de Coleções do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Amazonas (Sistebib-UFAM) tomou-se como fundamento as premissas sugeridas
por Lima (2014) para orientar os processos de organização, estruturação e funcionamento das
bibliotecas, aplicáveis a qualquer tipologia.
A primeira premissa afirma que nenhuma biblioteca encontra em si mesma razão para
existir, formar e desenvolver coleções, oferecer serviços e manter-se viva na sociedade, pois
nenhuma é autônoma ou independente da instituição que a criou. Implica que a existência de
toda biblioteca está vinculada à possibilidade de contribuição efetiva para o alcance dos
objetivos da instituição onde a mesma está instalada e para o atendimento das necessidades
informacionais dos indivíduos que constituem a sua comunidade de usuários e a sociedade em
geral. Justificação que se ajusta ao pensamento de Butler (1963), para quem o conhecimento
só ganha significado quando, após ser adquirido, é reelaborado e retorna para a sociedade em
forma de bem cultural. E também se alinha ao pensamento de Ricoeur (1991), na medida em
que, para ele, a dimensão social humana contempla uma relação de interação e dependência
com o outro. Por onde se entende que o indivíduo só alcança verdadeiramente os seus
objetivos quando os associa ao alcance dos objetivos dos outros indivíduos.

919

�A segunda premissa considera que a biblioteca deve ser sempre analisada, em relação
à cultura da sociedade por ela servida, como uma instituição que evolui com o seu ambiente.
As bibliotecas são sempre resultado das condutas e atitudes dos indivíduos que as concebem e
as fazem funcionar e daqueles que integram a sua comunidade de usuários. O exercício das
suas responsabilidades técnicas, políticas e sociais evolui ou cristaliza-se em conformidade
com a variação das formas e conteúdos que tais condutas e atitudes revelam cotidianamente,
pois são elas as bases estruturantes das transformações socioculturais, econômicas e políticas
que ocorrem na sociedade. Compreensão que se associa ao pensamento de Egan (1978), para
quem a biblioteca é um organismo social que influencia e é influenciada pela sociedade que a
envolve. Por isso a sua estruturação e desenvolvimento refletem o estágio de desenvolvimento
social, econômico e político da sociedade na qual está inserida e os acontecimentos operados
e manifestos nos seus ambientes internos e externos são determinantes para o que a biblioteca
será e para as contribuições que poderá ou não oferecer a essa mesma sociedade.
A terceira premissa assegura que toda biblioteca contribui para a formação cultural de
um povo, ainda que nem sempre essa contribuição favoreça a democratização da cultura, o
pensamento crítico e a emancipação desse mesmo povo. Este entendimento está diretamente
vinculado aos conceitos de formação e semiformação cultural, da maneira como apropriados
por Adorno (2010). A formação cultural contempla um ciclo de aquisição de informações e de
geração de conhecimentos condicionado pela maneira como os indivíduos interagem com a
produção e a reprodução de conhecimentos na sociedade. É esse ciclo que dá profundidade e
qualifica as suas formações e as suas práticas sociais. Já a semiformação abrange as práticas
socioculturais de pouco alcance e pertinência, geradoras de conhecimentos que restringem as
ações dos indivíduos que, reduzidos em suas capacidades intelectuais de compreensão e
contextualização dos conhecimentos e saberes com os quais se veem envolvidos, se limitam a
se ajustarem às realidades socioculturais e políticas. Trata-se de uma formação que contempla
a realidade, mas não a altera.
Processos estruturantes também respaldados nos ensinamentos de Mischiati e
Valentim (2005) e Souza (2013), na medida em que sugerem a existência obrigatória da
vinculação da estruturação dos serviços e produtos ambientados nas bibliotecas ao perfil
sociocultural da comunidade por ela atendida. Aspectos também relacionados com a postura
ética projetada para o profissional bibliotecário, no sentido da racionalização das suas ações
visando o bem do outro, pois na dinâmica existencial do ser humano os papéis de demandante
e demandado alternam-se.

920

�Ainda como fundamentos, tem-se a revisão de literatura de Suzana Mueller (1984)
acerca da evolução dos papéis da biblioteca e as discussões sobre sua natureza jurídica
dependente, pois as bibliotecas são criadas por uma instituição para contribuir com o alcance
dos seus objetivos e o cumprimento de sua missão. Ademais, os estudos de Vergueiro (1989)
e Weitzel (2006) contribuíram para os esclarecimentos sobre o processo de formação e
desenvolvimento de coleções.
Com base nesses pressupostos, a Divisão de Seleção e Aquisição da Biblioteca Central
(DSA-BC) realizou a avaliação do acervo de livros da Biblioteca Setorial da Faculdade de
Direito, da Universidade Federal do Amazonas (BSFD-UFAM), cujos resultados são
apresentados neste artigo. Justifica-se a escolha por esse campo de estudo por conta do
resultado negativo na última avaliação pelo Exame Nacional de Desempenho de Alunos
(Enade) do Curso de Direito-UFAM e as reivindicações da comunidade acadêmica para a
apresentação de soluções que possam melhorar os indicadores do referido curso. Dentre os
aspectos apontados como insuficientes estava o acervo de livros da BSFD-UFAM.
O artigo estrutura-se, inicialmente, por uma abordagem teórica acerca da ética
profissional, da natureza jurídica das bibliotecas e do processo de formação e
desenvolvimento de coleções, em seguida apresenta os resultados da investigação e suas
conclusões.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A ética profissional

Ortega y Gasset (2006) explica que as profissões são constituídas a partir de
necessidades prementes da sociedade, quando um determinado ofício ou trabalho torna-se
imprescindível para o desenvolvimento individual e coletivo. Conforme essa resolução, os
indivíduos deixam de guiar suas funções baseados em interesses pessoais e passam a
prevalecer os interesses coletivos.
Ainda segundo esse autor, ao assumir uma profissão o ser humano compromete-se a
seguir o que a sociedade espera dele,

desindividualizando-se e assumindo sua

responsabilidade social perante uma comunidade específica. Para o profissional bibliotecário
sua atuação diz respeito à identificação, tratamento, armazenamento e disseminação da
informação, conforme as necessidades informacionais da comunidade a que serve. E esse
insumo, a informação, é indispensável no fomento às transformações sociais, políticas,
econômicas e culturais de uma sociedade.

921

�A ética profissional, considerada nesta pesquisa, equivale à busca em distanciar-se da
concepção de “realidade imoralista”, termo Nietzschiano explicado por Souza (2013) que
significa ruptura com os desígnios da “dignificação profissional e pessoal”. Ao contrário, uma
atuação ética deve voltar-se para o compromisso social direcionado à coletividade em busca
de seu desenvolvimento (MISCHIATI; VALENTIM, 2005).
Sem adentrar em discussões mais complexas sobre ética ou moral, pretende-se um
entendimento mais filosófico e crítico do trabalho bibliotecário e menos operacional,
enxergando a biblioteca universitária a partir da sua inter-relação com a instituição que a cria,
a universidade, e, portanto, a partir do seu compromisso social para o desenvolvimento do
ensino, da pesquisa e da extensão.
A atuação ética sugerida está situada nas concepções do querer bem, tanto pessoal
como coletivo, na busca por valores do bem e da virtude, relativos às ações humanas. Um
comportamento capaz de discernir entre o bem e o mal e agir para a melhoria contínua do
ambiente (MISCHIATI; VALENTIM, 2005). Significa que os indivíduos, revestidos em suas
profissões, podem agir no sentido de contribuir para o desenvolvimento da sociedade como
um todo.
Os estudos de Souza (2013) apontam, a partir dos discursos filosóficos, que a
racionalidade humana é capaz de supor os resultados das ações individuais. Dessa forma,
valores como honestidade, lealdade, solidariedade e respeito são tomados como base para as
atividades de prestação de serviços, visando o bem da coletividade.
Esse comportamento ético pode ser refletido nas atividades mais operacionais do
trabalho bibliotecário, dentre as quais o processo de formação e desenvolvimento de coleções,
pois a sua instrumentalização depende, em grande medida, da participação efetiva de toda
comunidade atendida. No caso específico desta pesquisa, os três segmentos da universidade:
docentes, discentes e técnico-administrativos. Isso decorre a partir do conhecimento do outro
e de suas aspirações pessoais, intelectuais e coletivas, buscando uma interação efetiva livre de
preconceitos e permeada pelo respeito mútuo (MISCHIATI; VALENTIM, 2005).

2.2 A natureza jurídica das bibliotecas

A revisão de literatura de Mueller (1984) sobre a evolução dos papéis desempenhados
pelas bibliotecas e a responsabilidade social do bibliotecário, elenca os estudos de diversos
autores que buscam determinar uma filosofia para a biblioteconomia. Essas discussões são
esclarecedoras no sentido de identificar a natureza jurídica das bibliotecas, mesmo que sejam,

922

�em sua maioria, relativas às bibliotecas públicas, pode-se, perfeitamente, trazer essas
discussões para o ambiente das bibliotecas universitárias.
Foi a partir de 1930, com estudiosos oriundos da Escola de Pós-Graduação em
Biblioteconomia da Escola de Chicago, que o compromisso social das bibliotecas ficou mais
evidente. Seus estudos evidenciaram a responsabilidade das bibliotecas perante indivíduos e
grupos sociais, pois essa “agência social” lida com um insumo - a informação - que se bem
utilizado pode permitir transformações sociais, políticas, econômicas e culturais. Para esses
estudiosos, a informação só pode exercer o seu papel transformador quando é apreendida pelo
indivíduo e, por meio dele, retorna à sociedade.
O essencial desses estudos é a identificação da natureza jurídica dependente das
bibliotecas, pois uma biblioteca é criada por uma instituição para contribuir com seus
objetivos e sua missão. Dessa forma, as bibliotecas têm nas diretrizes existenciais de seu
ambiente os parâmetros fundamentais para a sua estruturação e funcionamento, pois não
encontram em si mesmas razão para existir e nem condições para se autossuprir.
Portanto, é imprescindível o entendimento sobre as finalidades da universidade - as
quais estão vinculadas às atividades de ensino, pesquisa e extensão - para a adequada
estruturação das bibliotecas universitárias, principalmente no que se refere ao processo de
formação e desenvolvimento de coleções, além do conhecimento acerca das necessidades
informacionais dos usuários.

2.3 O acervo das bibliotecas universitárias

As bibliotecas universitárias têm nos objetivos institucionais e nas necessidades
informacionais de seus usuários os parâmetros ideais para sua estruturação e funcionamento.
Sendo a universidade o reduto do ensino, da pesquisa e da extensão, essas não se realizem
sem o acesso irrestrito à informação, insumo laboral de toda e qualquer biblioteca.
Um passo imprescindível para a estruturação e funcionamento das bibliotecas, e mais
especificamente das bibliotecas universitárias, é o processo de formação e desenvolvimento
de coleções (PFDC). Essa atividade precisa ser pautada por políticas específicas, as quais
devem apresentar diretrizes e critérios para os procedimentos de seleção, aquisição, avaliação
e desbastamento de acervos - etapas do PFDC. Essas políticas podem evitar que os acervos
estejam desconectados dos interesses informacionais da comunidade a que serve, pois serão
embasadas no perfil dos cursos superiores e de seu público-alvo (WEITZEL, 2006).

923

�Conforme os estudos de Vergueiro (1989) e Weitzel (2006), pode-se afirmar que o
processo de formação e desenvolvimento de coleções é constituído das seguintes etapas:
seleção, aquisição, avaliação e desbastamento.
A etapa de seleção consiste em definir os conteúdos que farão parte dos acervos.
Nessa etapa é imprescindível a participação da comunidade acadêmica - docentes, discentes,
técnico-administrativos - com o intuito de refletir, da maneira mais conveniente possível, os
objetivos institucionais na formação e no desenvolvimento dos acervos. O mais adequado é a
constituição de Comissões de Seleção com representantes dos três segmentos da universidade
para procederem à seleção.
A etapa de aquisição é a materialização das decisões tomadas na seleção. Pode se dar
por meio de compra, doação ou permuta. O bibliotecário de aquisição irá identificar e agir
para agregar os itens escolhidos na seleção, identificando os trâmites burocráticos
institucionais, dotações orçamentárias, além de acompanhar os processos conforme sua
natureza.
Após a formação dos acervos, em períodos regulares, a etapa de avaliação é necessária
para verificar se as coleções ainda mantêm coerência com os objetivos inicialmente definidos,
pois o processo de formação e desenvolvimento de coleções caracteriza-se como um processo
cíclico que deve acompanhar a dinâmica institucional. Dessa forma, sua instrumentalização
não prescinde do estudo da comunidade, - em seus aspectos culturais, sociais, econômicos e
quantitativos - do diagnóstico institucional - cursos, objetivos, ementas/bibliografias - e da
avaliação dos acervos já existentes. A avaliação contribui, em outras palavras, para a análise
da medida de desempenho da biblioteca em relação à formação de seus usuários
(LANCASTER apud WEITZEL, 2006).
Como consequência da avaliação, podem ocorrer o desbastamento ou o descarte,
processos que ajudam a biblioteca a manter sua função de mediadora entre a informação e as
necessidades informacionais de seus usuários. O desbastamento consiste na retirada de
documentos bibliográficos para outros espaços, em decorrência da necessidade de
preservação, restauração ou descarte. O descarte significa a retirada definitiva de itens do
acervo e sua conseqüente baixa dos arquivos, após a identificação de sua inadequação aos
objetivos inicialmente propostos (WEITZEL, 2006).
Além das políticas específicas, os documentos de avaliação de cursos de Bacharelado
e Licenciatura do Ministério da Educação (MEC) são instrumentos indispensáveis para
orientar o processo de formação e desenvolvimento de coleções, pois apresentam - dentre

924

�outros aspectos - um caráter quantitativo que contribui para a definição da média de
duplicação (quantidade de exemplares) dos acervos de bibliotecas universitárias.
Dessa forma, a avaliação do acervo da Biblioteca Setorial da Faculdade de DireitoUFAM é imprescindível nesse momento em que tramita uma proposta de política de
formação e desenvolvimento de coleções para o Sistebib-UFAM, além de contribuir para a
adequada conformidade dos acervos com os objetivos institucionais e as necessidades
informacionais de seu público-alvo.

3

MATERIAIS E MÉTODOS

Caracteriza-se essa investigação como exploratória-descritiva e quali-quantitativa, pois
buscou-se conhecer o acervo da Biblioteca Setorial da Faculdade de Direito, da Universidade
Federal do Amazonas (BSFD-UFAM), descrevendo-o com base em dados qualitativos e
quantitativos para subsidiar as ações decorrentes.
Dessa forma, o local pesquisado foi o acervo de livros da BSFD-UFAM em seus
aspectos de cobertura (assuntos), média de duplicação (quantidade de exemplares) e data de
publicação, utilizando-se, nessa etapa, formulário padrão. O questionário com perguntas
abertas, fechadas e de múltipla escolha foi enviado a 555 (amostra) alunos regularmente
matriculados no Curso de Direito-UFAM por e-mail, com o objetivo de aferir suas impressões
sobre os serviços de consulta local e empréstimo domiciliar. A terceira etapa consistiu na
pesquisa das bibliografias, básica e complementar, constantes no Projeto Pedagógico do
Curso de Direito (PPC) junto à base de dados Pergamum-UFAM.
Os dados coletados foram analisados no software Excel para definir as quantidades,
porcentagens e elaborar tabelas e gráficos.

4 RESULTADOS FINAIS

O Sistebib-Ufam utiliza, para os seus processos técnicos de classificação, a
Classificação Decimal Universal (CDU) em sua edição de 2007. Na CDU as classes
principais relativas à área do Direito priorizadas nesta investigação estão no intervalo de 34 a
349 (SILVA, 2007).
Na primeira etapa da coleta de dados, foram identificados 5.435 títulos do intervalo
escolhido. No que se refere à cobertura do acervo (assuntos), a análise revelou a maior
incidência de títulos nas classes: 34, 342, 343, 347 e 349, com ênfase na classe 347 - Direito

925

�civil com 2.075 títulos ou 38% da coleção, conforme a Tabela 1. As demais classes tiveram
quantidades de títulos muito baixas ou não existiam na coleção como, por exemplo, a classe
348 - Direito eclesiástico.
Tabela 1 - Cobertura do acervo da BSFD-UFAM
Classe
34
340
341

Descrição

Direito. Jurisprudência
Direito em geral.
Direito internacional.
Direito público. Direito constitucional. Direito
342
administrativo.
343
Direito criminal.
344
Direito penal especial. Direito militar, naval, aéreo.
346
Direito econômico.
347
Direito Civil.
349
Direito do Trabalho.
Total de títulos
Fonte: dados da pesquisa.

Títulos
1230
145
143

Porcentagem
23%
3%
3%

646

12%

667
21
17
2075
491
5.435

12%
0%
0%
38%
9%
100%

Com relação à data de publicação das obras (Tabela 2), a investigação revelou as
maiores ocorrências nas décadas de 2000, 1990-1999, 1980-1989, 1960-1979 com 34% das
obras com data entre 2000-2013. Pode-se inferir, com base na data de publicação, que o
acervo é relativamente novo.
Tabela 2 - Idade do acervo da BSFD-UFAM
Período (décadas)
0000-1899
1900-1919
1920-1939
1940-1959
1960-1979
1980-1989
1990-1999
2000
s/d
Total de títulos

Títulos
22
39
36
472
828
712
1163
1996
167
5.435

Porcentagem
0%
1%
1%
9%
15%
13%
22%
36%
3%
100%

Fonte: dados da pesquisa.

A quantidade de títulos da classe 34 analisada foi de 5.435 com 9.075 exemplares,
revelando uma média de duplicação de 1,66 exemplares por título. As diretrizes do Ministério
da Educação (MEC), ainda em vigor, orientam que para um curso de nível superior alcançar
um “conceito 5”, dentre outros requisitos, é necessário que sua biblioteca apresente um (01)
exemplar para até seis (06) alunos matriculados em cada turma (BRASIL, 2010). Em 2012 o

926

�MEC publicou novo instrumento para orientar a estruturação dos cursos superiores. Em
relação à média de duplicação do acervo este documento determina que para um “conceito 5”
os títulos da bibliografia básica precisam apresentar a proporção de um (01) exemplar para
menos de cinco (05) vagas anuais, pretendidas/autorizadas (BRASIL, 2012). Portanto, inferese que a média de duplicação do acervo estudado dificilmente irá atender satisfatoriamente as
demandas para os serviços de consulta local e empréstimo domiciliar, visto a disponibilização
de 126 vagas anuais para o curso de Direito-UFAM (UNIVERSIDADE..., 2009).
A segunda etapa da investigação consistiu no envio de questionário com perguntas
abertas, fechadas e de múltipla escolha aos alunos regularmente matriculados no curso de
Direito-UFAM. O total de alunos matriculados é de 692, dos quais 555 tinham endereço
eletrônico (e-mail) cadastrado junto ao Registro Acadêmico da UFAM, aos quais o
questionário foi enviado. Desses, obteve-se 84 respostas perfazendo um percentual de 15%. O
objetivo do questionário foi aferir a qualidade dos serviços de consulta local e empréstimo
domiciliar.
Conforme as respostas obtidas, a maioria dos alunos está dividida entre os turnos
vespertino e noturno 43% e 42%, respectivamente.
Os alunos foram indagados acerca de sua frequência à BSFD-UFAM. Os dados
revelam uma baixa frequência, visto a maioria ter respondido: uma vez por semana, conforme
o Gráfico 1.
Gráfico 1 - Frequência à BSFD-UFAM

No que se refere à recuperação física, os alunos apontaram que de cada dez (10) livros
procurados na BSFD-UFAM a maior ocorrência não ultrapassa a dois (02) livros recuperados,
conforme o Gráfico 2.

927

�Gráfico 2 - Recuperação física

Fonte: dados da pesquisa.
Os alunos indicaram, como causa da repressão de demanda, a não existência do título
no acervo, seguida pela baixa média de duplicação (quantidade de exemplares), conforme
Gráfico 3.
Gráfico 3 - Causas da repressão de demanda

Fonte: dados da pesquisa.
A pergunta de número 6 indagou qual o quantitativo de livros recuperados e lidos se
adequavam aos objetivos de busca. O resultado revelou as maiores incidências entre 2 e 1
livros com adequação de conteúdos, conforme Gráfico 4.
Gráfico 4 - Adequação de conteúdos

928

�Em relação à causa da inadequação, a maioria dos alunos respondeu que essa se dá
pela desatualização e pouco aprofundamento dos assuntos, conforme Gráfico 5.
Gráfico 5 - Causas da inadequação

A última pergunta abordou os alunos acerca de sua opinião sobre a medida da
contribuição da BSFD-UFAM para a sua formação acadêmica ou profissional, o resultado
revelou que os usuários creditam ao espaço físico essa medida, conforme o Gráfico 6.
Gráfico 6 - Medida da contribuição da BSFD-UFAM para a formação de seus usuários

Fonte: dados da pesquisa.
A BSFD-UFAM possui acesso livre às estantes, mas, apesar disso, não houve registro
de programas para treinamento de usuários no uso dos recursos da biblioteca. Isso é
evidenciado a partir das respostas sobre a disponibilização de alguma orientação formal. A
maioria dos respondentes - 94% - afirmou não ter recebido qualquer orientação formal, mas
houve umas poucas respostas abertas que apontaram, por exemplo, —
...na verdade é sempre
um ‘se vire’...”, —
...em relação aos locais de utilização de livros e bolsas nas dependências da
biblioteca...” —
...a antiga bibliotecária conversou comigo sobre as regras de uso da biblioteca

929

�quando fiz minha primeira inscrição...”, “...recebí informações bastante esclarecedoras
quando pedi orientações sobre os livros emprestados no período de greve...”.
Infere-se, pelos discursos, que não há programas de treinamento que possam contribuir
para a adequada mobilidade dos usuários em meio às informações disponibilizadas pela
biblioteca estudada, isso também é observado em falas informais, pelos corredores da
universidade, quando alguns alunos dizem não entender “aqueles números todos” que estão
no catálogo. Eles devem estar se referindo às intermináveis subdivisões possibilitadas pela
CDU no processo de classificação.
A última etapa da coleta de dados foi a pesquisa das bibliografias básica e
complementar constantes do Projeto Pedagógico do Curso de Direito, em vigor desde 2009,
junto à base de dados Pergamum-UFAM. As referências pesquisadas correspondem a 51
disciplinas obrigatórias, 5 de formação prática e 10 optativas. O total de referências é de 759
títulos, dos quais foram encontrados na base do Sistema Pergamum-UFAM 389 títulos,
perfazendo um percentual de 51,25%. Isso pode justificar a indicação dos alunos, que
responderam ao questionário, sobre a “não existência do título no acervo” como causa da
baixa recuperação física dos livros procurados, visto o percentual significativo de títulos
inexistentes no acervo da BSFD-UFAM.

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da avaliação do acervo de livros da Biblioteca Setorial da Faculdade de
Direito da Universidade Federal do Amazonas pode-se inferir que a inexistência de uma
política de formação e desenvolvimento de coleções - com princípios, critérios e diretrizes
bem definidos - pode contribuir para a aleatoriedade dos processos de seleção, aquisição e
avaliação dos acervos. Isso incorre em incompletude na cobertura, baixa média de duplicação,
má qualidade dos serviços de consulta local e empréstimo domiciliar e baixos índices de
títulos constantes do Projeto Pedagógico do Curso na base de dados Pergamum-UFAM.
A reflexão acerca desses resultados pode contribuir para uma postura diferenciada do
profissional bibliotecário e seu questionamento acerca do seu papel em meio às relações
humanas, sociais, políticas e culturais, sobretudo unindo ao seu trabalho mais pragmático a
construção de um pensamento mais filosófico e crítico no intuito de atuar no sentido de sua
desindividualização e na contribuição do alcance dos objetivos institucionais.

930

�Dessa forma, pretende-se com essa pesquisa subsidiar a elaboração da Política de
Formação e Desenvolvimento de Coleções para o Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Amazonas e ser um caminho para mudanças de paradigmas excessivamente
pragmáticos da profissão de bibliotecário.

6 REFERÊNCIAS

ADORNO, Theodor W. Teoria da semiformação. In: PUCCI, Bruno; ZUIN, Antônio A. S.;
LASTÓRIA, Luiz A. Calmon Nabuco (Orgs.). Teoria crítica e inconformismo: novas
perspectivas de pesquisa. Campinas, SP: Autores Associados, 2010. p. 7-40.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Instrumento de avaliação de cursos de
graduação presencial e à distância. Brasília, DF: MEC, 2012.
BUTLER, Pierce. An introduction to library science. 2. ed. Illinois: The University of
Chicago Press, 1963.
EGAN, Margaret. The library and social structure. London: Clive Bingley, 1978.
LIMA, Raimundo Martins de. A biblioteca nas escolas púbicas municipais de Manaus
(2001/2010): prática social a serviço da emancipação ou da barbárie? 2014. 235 f. Tese
(Doutorado em Sociedade e Cultura na Amazônia). Instituto de Ciências Humanas e Letras.
Universidade Federal do Amazonas. Manaus, 2014.
MISCHIATI, Ana Cristina; VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Reflexões sobre a ética e a
atuação profissional do bibliotecário. Transinformação, Campinas, v. 17, n. 3, p. 209-220,
set./dez., 2005.
MUELLER, Suzana P. M. Bibliotecas e sociedade: evolução da interpretação de função e
papéis da biblioteca. R. Esc. Bibliotecon. UFMG, Belo Horizonte, 13(1):7-54, mar. 1984.
ORTEGA Y GASSET, José. Missão do bibliotecário. Brasília: Briquet de Lemos Livros,
2006.
RICOEUR, Paul. O si-mesmo como um outro. Campinas: Papirus, 1991.
SILVA, Odilon Pereira da (Org.); IBICT. Classificação Decimal Universal: CDU. 2. ed.
Padrão Internacional em Língua Portuguesa. Brasília, DF: IBICT, 2007. 2 v.
SOUZA, Francisco das Chagas de. Valor e sentido do código de ética do CFB (Conselho
Federal de Biblioteconomia) [CE-CFB] para o bibliotecário brasileiro atuante em
biblioteca universitária. 2013. 186 p. Relatório de Pesquisa (Pós-Doutorado em Ciência da
Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista “Júlio de
Mesquita Filho” - UNESP, Marília, São Paulo.

931

�UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS. Faculdade de Direito. Projeto Pedagógico
do Curso de Direito. Manaus, 2009.
VERGUEIRO, W. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis, 1989.
WEITZEL, Simone da Rocha. Elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções
em bibliotecas universitárias. Rio de Janeiro: Interciência. Niterói: Intertexto, 2006.

932

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Maciel, Raquel Santos, Lima, Raimundo Martins de, Oliveira, Lúcia Martins Pereira de </text>
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                <text>Apresenta e reflete sobre os resultados da avaliação processada junto ao acervo de livros da Biblioteca Setorial da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), focando especialmente para os aspectos cobertura dos assuntos, média de duplicação, idade das obras e satisfação dos usuários. Adotando uma perspectiva crítica, objetivou levantar dados quantitativos e qualitativos para subsidiar a elaboração da proposta de Política de Formação e Desenvolvimento de Coleções do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (Sistebib-UFAM), tendo em vista a melhoria da sua atuação junto à comunidade atendida. Têm-se como princípios os estudos de Souza (2013), Ortega y Gasset (2006), Weitzel (2006), Mischiati e Valentim (2005) e Mueller (1984) no que se refere ao  ético na prestação de serviços, ao processo de formação e desenvolvimento de coleções e à natureza jurídica dependente das bibliotecas, já que nenhuma biblioteca é independente para se autodefinir e autoprover-se, estando as suas existências, estruturações e funcionamentos subordinados à missão e objetivos da instituição que a criou e ao perfil sociocultural da comunidade de usuários a qual se destina ou que atende. De natureza explicativa, utilizou-se de formulário, questionário e da base de dados Pergamum-UFAM para a coleta de dados. Seus resultados evidenciaram a incompletude e a baixa média de duplicação do acervo, insatisfação dos usuários quanto aos serviços de circulação, bem como a baixa ocorrência dos títulos indicados nas bibliografias básica e complementar das disciplinas da estrutura curricular do Curso de Direito nessa base de dados. Conclui que a não observância de uma política de desenvolvimento de coleções e a consequente aleatoriedade dos processos de seleção e a ausência sistemática de processos avaliativos foram as principais causas desses resultados. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A PESQUISA DE CLIMA ORGANIZACIONAL COMO FERRAMENTA DE
GESTÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: ESTUDO SOBRE A
MOTIVAÇÃO NA BIBLIOTECA DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS "A" DA UERJ.
Rinaldo Cavalcante Magallon

RESUMO
O objetivo deste trabalho é analisar o clima organizacional da Biblioteca de
Tecnologia e Ciências "A" (CTC/A) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sob
o ponto de vista da dimensão motivação. Empregou-se, como metodologia, a revisão de
literatura e o estudo quantitativo através de entrevista estruturada com a aplicação de um
questionário. Os resultados apresentam grau elevado de satisfação dos pesquisados sobre as
relações com o ambiente de trabalho, tanto as interpessoais quanto as com a chefia. Grau
insatisfatório tanto às expectativas profissionais de carreira, quanto à relação potencialidade
individual e complexidade do trabalho. Observou-se grau moderado de satisfação em relação
à limpeza do setor, à remuneração e aos recursos de infraestrutura. Conclui-se que, no período
pesquisado, a biblioteca CTC-A da UERJ apresentava uma equipe relativamente motivada
com ressalvas para que seja realizada uma reflexão sobre determinados aspectos no futuro
deste ambiente, pois apesar dos pontos positivos averiguados, também há necessidades a
serem atendidas nas áreas de limpeza, infraestrutura e adequação funcional. Realizações que
dependem em grande parte de atitude gerencial e sensibilização de unidades de apoio e de
promoção inter-relacionadas à biblioteca dentro da Universidade.
Palavras-Chave: Clima Organizacional; Gestão Pública; Bibliotecas Universitárias.
ABSTRACT
The objective of this work is to analyze the organizational climate of the Library
Technology and Science "A" ( CTC/A ) of the State University of Rio de Janeiro (UERJ)
from the point of view of motivation dimension. It was used as a methodology, a literature
review and quantitative study using a structured interview with a questionnaire. The results
showed a high degree of satisfaction of respondents on relations with the working
environment, both interpersonal as those with leadership. Grade unsatisfactory to both
professional career expectations as to the relative individual potential and job complexity.
There was moderate degree of satisfaction with the cleaning sector, remuneration and
infrastructure resources. We conclude that in the studied period, the CTC-A library UERJ had
a relatively motivated staff with reservations to reflect on certain aspects to be performed in
the future of this environment, as ascertained despite the positives, there also needs to be
assisted in the cleaning, infrastructure and functional adequacy. Achievements that depend
largely on managerial attitude and awareness of support units and interrelated to the library
within the University promotion.
Keywords: Organizational climate; Public Management; University Libraries.

632

�1 INTRODUÇÃO
Atualmente observa-se uma tendência de modernização da administração pública com
a aplicação de instrumentos de análise, controle e prospecção nos processos de gestão pública
em busca de melhores resultados sob forte influência de modelos de sucesso amplamente
discutidos no contexto das empresas privadas.
O processo de mudança na busca de uma administração pública moderna, isto é,
transformar o status quo em um ambiente de gestão pública onde ferramentas fossem
aplicadas tal como ocorre nas empresas privadas, pressupõem-se entender a cultura
organizacional estabelecida por longos anos na história da formação daquele ambiente
administrativo.
Brescancini (2004), em seu artigo, comenta:
Edgard Schein - uma das referências mais citadas no meio acadêmico para o
tema da cultura organizacional - considera a cultura como um modelo de
pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu no
processo de aprendizagem, a fim de lidar com problemas de adaptação
(externa) e integração (interna). Uma vez que tenham funcionado
suficientemente bem para serem considerados válidos, tais pressupostos são
ensinados aos demais membros da organização como a maneira certa de se
perceber, pensar e sentir em relação àqueles problemas.
Dentre as diversas ferramentas de gestão, temos a pesquisa de clima organizacional,
como uma das mais importantes para a inciativa de conhecer e de gerar subsídios para ações
gerenciais de mudança e de reorganização em busca de melhores resultados.
Segundo Tagliocolo e Araújo (2007):
A pesquisa de clima é uma ferramenta que mede a percepção das pessoas em
relação ao seu ambiente de trabalho. É importante conhecer esta percepção,
pois o sentimento que as pessoas têm sobre a empresa tem um impacto
profundo sobre como e quanto trabalham. Ao responder uma pesquisa de
clima, os colaboradores têm a possibilidade de refletir esta interação entre as
características pessoais e organizacionais.
Rizzatti, Rizzatti Junior, Sartor e Bona (2007) conceituam e relacionam os dois
conceitos de forma clara:
Cultura e clima organizacional tangenciam-se mutuamente em diversos
aspectos. No entanto, enquanto cultura organizacional influencia na
formulação de missão, estratégia de crescimento e no estabelecimento de
diretrizes de qualidade dos serviços prestados, clima organizacional
possibilita descrever o comportamento organizacional, enquanto
identificação dos aspectos que mais influenciam na percepção dos problemas
institucionais.

633

�Ao se pensar um estudo de clima organizacional de um setor dentro de uma instituição
pública, imagina-se que se está avaliando uma micro representação do universo como um
todo e nele incluídos as questões de cultura organizacional.
O objetivo deste artigo é analisar o clima organizacional da Biblioteca de Tecnologia e
Ciências A (CTC/A) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sob o ponto de
vista da dimensão motivação tal como abordado no texto de Tagliocolo e Araújo (2007).

2 A Biblioteca CTC/A da UERJ e a dimensão motivação
A CTC/A integra a Rede de Bibliotecas UERJ (Rede Sirius) composta por vinte e três
bibliotecas distribuídas nos Campi da Universidade. O acervo bibliográfico é composto de
mais de 15 mil exemplares referentes às áreas de Estatística, Matemática, Ciências
Computacionais, Ciências Atuariais, Biologia Animal e Vegetal, Ecologia e Zoologia.
Atualmente conta com 12 funcionários, sendo duas estagiárias de biblioteconomia, quatro
bibliotecários, sendo um deles o coordenador, e seis agentes técnicos universitários. A equipe
trabalha distribuída em dois turnos para cobrir o horário de funcionamento da biblioteca que é
de 8 as 21 horas, de segunda à sexta feira.
A equipe passou por uma renovação na virada do ano de 2011 para 2012, na qual
cinco funcionários novos entraram para substituir a saída de outros cinco funcionários.
Destes, três são oriundos do último concurso ocorrido em 2010 e os demais por transferência
interna, que juntos aos remanescentes formam um grupo heterogêneo do ponto de vista do
tempo enquanto servidor da Universidade, em idade e em formação acadêmica, o que
aumenta a tarefa do gestor em mantê-los motivados no exercício de suas funções.
Dentro de uma estrutura organizacional a função do gestor depende do resultado
coletivo de sua equipe, neste cenário diversos fatores corroboram para o alcance das metas
institucionais ou simplesmente para que aquele setor funcione de forma satisfatória. Para
Cavalcanti et al. (2006) é necessário prestar atenção na questão motivação, pois o
desempenho individual, por maior que seja o investimento em treinamentos e em cursos, não
renderá, no trabalho, o necessário sem que o indivíduo esteja motivado a realizá-lo.
Por motivação entende-se “uma energia uma tensão, uma força, ou ainda, um impulso
interno aos indivíduos” (TAGLIOCOLO; ARAÚJO, 2007), pressupondo um estado de
espírito fundamental para o exercício profissional em instituições públicas, estruturas
comumente referenciadas como desgastantes, de estruturas arcaicas e gestões conservadoras.
No contexto da UERJ observa-se que as bibliotecas da Rede Sirius, apesar de
exercerem serviços essenciais para o apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária,

634

�são vítimas de sua natureza enquanto atividade meio da estrutura organizacional, preterida
comumente por investimentos em laboratórios de pesquisa e modernização da infraestrutura
dos espaços de ensino e por repasses irregulares de cotas do orçamento da universidade. Esta
instabilidade prejudica um planejamento que favoreça o desenvolvimento das coleções e a
modernização do parque tecnológico e da infraestrutura das bibliotecas. Os maiores aportes
financeiros em infraestrutura ocorreram, nos últimos dez anos, oriundos de órgãos de fomento
à pesquisa e estão diretamente relacionados à capacidade dos gestores de cada biblioteca em
captá-los, isto é, representa um trabalho descontextualizado de uma política orçamentária
institucional, o que gera uma evolução desigual entre as bibliotecas.
Neste sentido a posição situacional das bibliotecas da UERJ tende a não contribuir
para a motivação de seus funcionários, cabendo ao gestor identificar os fatores,
principalmente internos, haja vista a cultura observada, que possam nutrir uma motivação
positiva para o exercício das atividades necessárias ao alcance das metas institucionais.
Com base em duas variáveis apontadas e relacionadas à motivação por Tagliocolo e
Araújo (2007), “Relacionamento intrapessoal” e “a organização cria estímulos para motivar o
funcionário (percepções)”, buscou-se na literatura modelos

de questionários

que

contemplassem uma pesquisa sobre motivação sob estes alicerces. Não foi encontrado
nenhum modelo pronto ou totalmente adequado ao escopo do trabalho, contudo foi possível
aproveitar e adaptar questões encontradas em diversos trabalhos pesquisados, como os de
Peres (2012), Luz (2001), Bispo (2006), e Henandez e Melo (2003).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada buscou nas relações do grupo de funcionários da Biblioteca
CTC/A os dados que permitissem a análise do clima organizacional do setor.
Optou-se por trabalhar com o método quantitativo por considerá-lo rápido, objetivo e
preciso, e o instrumento escolhido para a coleta de dados foi a entrevista, que segundo
RICHARDSON (1999), pode ser estruturada ou não estruturada. A estruturada também
conhecida como questionário foi escolhida, pois se considerou adequada às condições de
tempo e de oportunidade para a realização da pesquisa. Uma entrevista estruturada é
composta por perguntas pré-formuladas, também conhecida como entrevista dirigida, cujas
perguntas serão respondidas através de alternativas, geralmente sucintas, que de antemão já
devem conter a possível resposta do entrevistado.
Neste sentido elaborou-se um questionário com quatorze perguntas e três opções de
resposta padrão para cada questão (Anexo 1), direcionadas para os temas: relações

635

�interpessoais, percepções e expectativas individuais, relacionamento com a chefia imediata e
infraestrutura de trabalho. Posteriormente realizou-se a análise exploratória com os dados
levantados.
Após a aplicação do questionário em toda a equipe da biblioteca, foi realizada a
mensuração dos resultados e verificadas as interações entre as variáveis com apoio dos
softwares Excel da empresa Microsoft e Statistica da empresa StatSoft, sob orientação da
equipe Solução Estatística Junior do Instituto de Matemática e Estatística da UERJ para
aplicação de métodos estatísticos no intuito de calcular as probabilidades de ocorrência das
células internas da tabela de contingência que apresenta os cruzamentos das questões
submetidas aos respondentes. Estas associações permitiram aferir dimensões referentes à
motivação da equipe da CTC/A.
A tabulação foi construída em função dos cruzamentos entre duas perguntas que
objetivavam a mesma abordagem temática. Atribuiu-se o número 1 para resposta afirmativa
(SIM), o número 2 para a opção em que o funcionário não foi tão contundente (ÀS VEZES) e
o número 3 para resposta negativa.

4. Resultados

Na análise individual das questões, Tabela 1, destacou-se a satisfação da equipe em
cem por cento de duas apurações, perguntas 6 e 7, que tratam da percepção sobre a relação
com o ambiente como um todo. Fator importante para motivação individual além de
contribuir para fortalecer o grupo de pessoas enquanto equipe.
A apuração das perguntas 1, 4 e 14 também chamaram atenção, pois os resultados
demonstram elevado grau de satisfação da equipe na questão do relacionamento interpessoal e
com a chefia. Ainda que seja possível perceber a questão hierárquica organizacional
harmoniosa, a pergunta 2 revela ainda uma insegurança na colocação de opiniões por parte da
equipe.
Duas questões, perguntas 8 e 10, também chamaram a atenção, pois revelaram baixo
índice de satisfação 33,3% e 16,7%, respectivamente. Estas são as que tratam das expectativas
profissionais e da relação potencialidade individuais com complexidade do trabalho, Neste
conjunto de questionamentos, na primeira pergunta houve uma distribuição entre as opções de
respostas da equipe, apontando uma concentração de repostas na opção “às vezes” (41,7%).

636

�Tabela 1 - Distribuição percentual dos funcionários segundo questões acerca do clima

organizacional por percentual das respostas.
SIM
QUESTÕES
1. A chefia da Biblioteca divulga informações
91,7
importantes para que você realize seu trabalho?
3. Você está satisfeito quanto ao treinamento que
58,3
recebeu para desempenhar suas funções?
4. Você acha que suas opiniões e contribuições são
91,7
reconhecidas pela chefia?
5. Considera sua remuneração adequada para a
33,3
função exercida?
6. Recomendaria a biblioteca como um bom lugar
100,0
para se trabalhar a uma pessoa próxima?
100,0
7. O clima de trabalho de sua equipe é bom?
8. Acredita que irá satisfazer suas expectativas
33,3
profissionais na Biblioteca?
9. Os recursos (equipamentos e mobiliários) são
16,7
suficientes para realizar um trabalho com qualidade?
10. Você executa trabalhos complexos e que
permitem utilizar todo o seu potencial?
11. Você gosta do trabalho que realiza na biblioteca? 66,7
12. A organização (sinalização, materiais de apoio e
75,0
espaços físicos) da biblioteca é adequada?
33,3
13. A limpeza da biblioteca é adequada?
14. No seu setor as pessoas se relacionam de forma
91,7
amistosa e educada?

ÀS VEZES

NÃO

8,3

-

33,3

8,3

-

8,3

16,7

50,0

-

-

-

-

41,7

25,0

83,3

0,0

41,7

58,3

33,3

0,0

16,7

8,3

33,3

33,3

8,3

-

Na pergunta 10, nenhum dos pesquisados respondeu afirmativamente, sendo que as
respostas concentraram-se entre “às vezes” e “não”. Infere-se para dois fatos: a empresa
pública quando comparada às empresas do mesmo segmento do mercado está aquém na
infraestrutura, na tecnologia e no investimento em recursos humanos. Neste cenário, as
bibliotecas universitárias se apresentam defasadas até entre bibliotecas universitárias de outras
instituições da mesma esfera administrativa. O outro fato é a realidade da administração
pública, onde os funcionários, em busca de estabilidade, abriram mão, na época de seus
concursos, a concorrer a cargos equivalentes as suas áreas e graus de formação e escolaridade
respectivamente.
Independente das causas, o preocupante para o gestor, ao se deparar com estes
resultados, está na afirmativa de que o subaproveitamento leva a estagnação do indivíduo e
consecutivamente não contribui para elevar sua motivação.

637

�Nas demais apurações observaram-se variações da satisfação que sinalizam a curto e
longo prazo fatores que podem prejudicar a dimensão pesquisada na gestão da biblioteca.
Dentre elas destacaram-se:
• A limpeza do setor, serviço realizado de forma terceirizada por uma empresa
contratada pela Universidade e apresentando diversos vícios administrativos em
detrimento do longo tempo de contrato em constante manutenção e renovação de
vínculo;
• O treinamento adequado na qual há dificuldade de contratar instrutores compatíveis
com as ferramentas utilizadas no dia a dia, pois a grande maioria, é exclusiva por
serem desenvolvidos pela própria universidade, e especializadas por se tratarem de
ferramentas comerciais voltados para bibliotecas;
• A remuneração, onde há uma defasagem salarial de mais de 60% na Universidade;
• Os recursos e a organização, incompatíveis com as exigências oriundas da demanda
local.
Buscou-se obter as probabilidades condicionais em função dos cruzamentos de
questões, da mesma temática.
Segundo Pinheiro (2009) entende-se por probabilidade condicional a probabilidade de
ocorrer um evento A, dado que tenha ocorrido um evento B, ambos do espaço amostral
(respostas do questionário). Calcula-se a ocorrência em função do evento B e não em função
do espaço amostral. A probabilidade marginal (ou "probabilidade simples") corresponde a
ocorrência de cada evento.
Na construção para aferir a interatividade das questões 2 e 4, “Você se sente seguro
em dizer o que pensa em seu ambiente de trabalho?” e “ Você acha que suas opiniões e
contribuições são reconhecidas pela chefia?, o cruzamento gera as frequências observadas
apuradas em função das respostas dos participantes, Tabela 2.

Tabela 2 - Interação entre as questões 2 e 4
Questão 2
Sim
%
Às vezes
%
Total
%

Questão 4
Sim
Não
6
100,00 5
1
83,33
16,67
11
1
91,67
8,33

Total
6
100,00
6
100,00
12
100,00

638

�Na interação destas questões, todos os seis funcionários que se sentem seguro em dizer
o que pensa em seu ambiente de trabalho, também acham que suas opiniões e contribuições
são reconhecidas pela chefia. Os seis restantes que ainda estão temerosos em externar suas
opiniões, acham que ainda não tiveram reconhecimento quando expressam opiniões e
contribuições.
Na interatividade das questões 9 e 12, “Os recursos são suficientes para realizar um
trabalho com qualidade?” e “A organização da biblioteca é adequada?”, apresentado na
Tabela 3, o cruzamento gera as frequências observadas e apuradas em função das respostas
dos participantes, conforme Tabela 4. Dois participantes que acham que a organização da
biblioteca é adequada, também concordaram que os recursos são suficientes para realizar um
trabalho com qualidade, mas em relação aos 12 funcionários, este indicador corresponde a
16,67% (2/12). A probabilidade condicional 7 para 10, corresponde a interpretar que 10 dos
que julgam que “'Às vezes” os recursos são adequados, 7 ainda aprovam a organização da
biblioteca.

Tabela 3 - Interação entre as questões 9 e 12
Questão 9
Sim
Às vezes
Total

Questão 12
Sim
2
100,00%
7
70,00%
9
75,00%

Às vezes
2
20,00%
2
16,67%

Não
1
10,00%
1
8,33%

Totals
2
100,00%
10
100,00%
12
100,00%

O cruzamento das perguntas 8 e 9, “Acredita que irá satisfazer suas expectativas
profissionais na Biblioteca?” e “Os recursos são suficientes para realizar um trabalho com
qualidade? “, apresentado na Tabela 4, objetiva a associar recursos financeiros e satisfação
pela opção laboral em uma Biblioteca Universitária.

639

�Tabela 4 - Interação entre as questões 8 e 9

Questão 8
Sim
%
Às vezes
%
Não
%
Total
%

Questão 9
Sim
2
50,00
2
16,67

Às vezes
2
50,00
5
100,00
3
100,00
10
83,33

Total
4
100,00
5
100,00
3
100,00
12
100,00

Em relação à crença de satisfazer expectativas profissionais na Biblioteca CTC/A, dois
dentre os quatro que estão neste contexto, dois tenham a convicção que os recursos podem ser
considerados convenientes, estes perfazem 16,17% em relação a todos os que estão lotados
nesta Unidade Administrativa. Os cinco que ainda não estão convictos na satisfação
profissional, todos julgam que nem sempre os recursos são suficientes. Finalmente, os três
que possam se frustrar nesta ocupação, também creem que os recursos podem atender as
necessidades de operacionalidade de uma biblioteca que atende a uma demanda expressiva de
universitários.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos dados não levou em consideração os fatores extrínsecos, isto é, as forças
externas à pessoa, cuja realidade pode afetar sua motivação profissional (como por exemplo,
alimentação e família), e sim as necessidades intrínsecas ao seu ambiente de trabalho.
Ao considerar o comportamento interpessoal, as percepções e as expectativas
individuais, o relacionamento com a chefia e à infraestrutura de trabalho, pretendeu-se
examinar como estes fatores influenciavam a equipe da biblioteca CTC/A e se através dos
resultados seria possível verificar o grau de motivação presente no ambiente de trabalho.
Os resultados apontam para uma equipe relativamente motivada, mas com ressalvas
para que seja feito uma reflexão sobre determinados aspectos no futuro deste ambiente, pois
apesar de haver sinergia entre a equipe e uma boa relação hierárquica, também há
necessidades a serem atendidas nas áreas de limpeza, infraestrutura, treinamento,
compatibilidade funcional em relação às atividades realizadas e remuneração. Os dois últimos
aspectos configuram-se com os mais complexos na busca de solução, pois dependem da
política de seleção de pessoal, que tem por base a legislação brasileira e a eficácia do setor de

640

�recrutamento da Universidade e por último da conjuntura política e econômica do estado em
prover salários compatíveis com a média praticada no mercado.
Em relação às demais áreas cuja satisfação não alcançaram resultados ideais, é
possível realizar mudança organizacional, pois dependem em grande parte de:
•

atitude gerencial em buscar maior envolvimento da equipe no desenvolvimento
das tarefas locais, respeitando os atributos no fazer coletivo, percebendo e
valorizando a diversidade dos indivíduos e amenizando na subjetividade da
liderança as frustrações causadas na equipe pelo exercício de suas funções
administrativas e;

•

sensibilização de unidades de apoio e de promoção inter-relacionadas à biblioteca
dentro da Universidade.

Logo, é imprescindível o contínuo investimento em conhecimento voltado para gestão
de pessoas para aprimorar a percepção da singularidade da equipe e compreender os fatores
que contribuem e prejudicam a motivação dos indivíduos, como também o contínuo uso de
ferramentas administrativas, tal como a utilizada neste estudo, para avaliação do ambiente de
trabalho.
Quanto às dificuldades no desenvolvimento do trabalho, destacam-se a coleta dos
dados, pois apesar da pesquisa trabalhar com um universo de 12 entrevistados levou-se
quatros dias para se obter a totalidade das respostas, superando a expectativa inicial de um dia
e a aplicação da metodologia estatística, na qual observou-se a necessidade de conhecimento
especializado para validar cientificamente os resultados.
Diante dos resultados, sugere-se ampliar a pesquisa para as demais bibliotecas da
UERJ, inserindo novas dimensões de estudo e condicionando os perfis funcionais dos
entrevistados. O espaço amostral poderia suscitar o uso de outras metodologias de análise e a
observação de novos eventos que corroborassem com a direção da Rede Sirius na reflexão de
suas estratégias gerenciais.

6 REFERÊNCIAS

BISPO, Carlos Alberto Ferreira. Um novo modelo de pesquisa organizacional. Revista
Produção, São Paulo, v. 16, n. 2, p. 258-273, maio/ago. 2006. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/prod/ v16n2/06.pdf&gt;. Acesso em: 4 ago. 2014.

641

�BRESCANCINI, Ana Maria. Insatisfeito, Satisfeito, Motivado. SP.Gov., v. 1, n.2, out. 2004.
CAVALCANTI et al. Liderança e motivação. Rio de Janeiro: FGV, 2006.
HERNANDEZ, José Augusto

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MELO, Flávia Monteiro.

O clima

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Organ.

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Disponível

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&lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S198466572003000100002&amp;script=sci arttext&gt;. Acesso em: 4 ago. 2014.
LUZ, Janine Pacheco. Metodologia para análise de clima organizacional: um estudo de
caso para o Banco do Estado de Santa Catarina. Dissertação (Mestrado) -Universidade de
Santa

Catarina.

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2001.

Disponível

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&lt;http://www.scribd.com/doc/6090966/37-Pesquisa-de-Clima-Banco-Do-Estado-de-SantaCatarina-Metodol&gt;. Acesso em : 4 ago. 2014.
OLIVEIRA, Anderson Muniz de. A Influência do Clima Organizacional na motivação dos
servidores da Fundação Alfredo Da Matta. Dissertação (Mestrado) - Fundação Getúlio
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Janeiro,

2008.

Disponível

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&lt;http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/ 10438/3468/muniz.pdf?sequence=1&gt;.
Acesso em: 10 dez. 2012.
PERES, Teresa Cristina Oliveira. Ferramentas do endomarketing para avaliar e propor
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&lt;http://www.sbu.unicamp.br/ seer/ois/index.php/rbci/article/view/516/pdf 16&gt;. Acesso em: 5
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PINHEIRO, João Ismael D. et al. Estatística básica: a arte de trabalhar com dados. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2009.
RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1999.
TAGLIOCOLO, Claudinéia; ARAÚJO, Geraldino Carneiro de. Clima organizacional: um
estudo sobre as quatro dimensões de análise. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM
GESTÃO

E

TECNOLOGIA,

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2007,

Artigos.

2007.

Disponível

em:

&lt;http://www.aedb.br/seget/artigos07/439 SEGeT%20-%20Clima%20Organizacional.pdf&gt;.
Acesso em: 20 nov. 2012.

642

�Anexo 1 - Caderno de pesquisa de clima organizacional
Instruções de preenchimento
Você está recebendo o questionário Pesquisa de Clima Organizacional e um cartão resposta.
Seu preenchimento é muito fácil.
1) Esta pesquisa tem por objetivo conhecer sua opinião sobre diferentes aspectos de nossa
biblioteca. Queremos, com os resultados, melhorar a qualidade do nosso ambiente de
trabalho. Por isso, sua participação é muito importante para nós.
2) Não escreva seu nome no formulário e nem no cartão resposta.
3) Leia com atenção cada pergunta e use de toda sinceridade ao responder.
4) Assinale com um “X” a resposta que você escolher somente no cartão resposta.
Caderno de Pesquisa de Clima
1. A chefia da Biblioteca divulga informações importantes para que você realize seu trabalho?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
2. Você se sente seguro em dizer o que pensa em seu ambiente de trabalho?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
3. Você está satisfeito quanto ao treinamento que recebeu para desempenhar suasfunções?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
4. Você acha que suas opiniões e contribuições são reconhecidas pela chefia?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
5. Considera sua remuneração adequada para a função exercida?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
6. Recomendaria a biblioteca como um bom lugar para se trabalhar a uma pessoa próxima?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não

643

�7. O clima de trabalho de sua equipe é bom?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
8. Acredita que irá satisfazer suas expectativas profissionais na Biblioteca?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
9. Os recursos (equipamentos e mobiliários) são suficientes para realizar um trabalho com
qualidade?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
10. Você executa trabalhos complexos e que permitem utilizar todo o seu potencial?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
11. Você gosta do trabalho que realiza na biblioteca?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
12. A organização (sinalização, materiais de apoio e espaços físicos) da biblioteca é
adequada?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
13. A limpeza da biblioteca é adequada?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não
14. No seu setor as pessoas se relacionam de forma amistosa e educada?
a) Sim
b) Às vezes.
c) Não

644

�Anexo 2- Cartão resposta

Cartão resposta
O pções
Q u e stõ e s

A

B

C

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14

645

�</text>
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                </elementTextContainer>
              </element>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71369">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="41">
              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="71370">
                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>A pesquisa de clima organizacional como ferramenta de gestão em bibliotecas universitárias: estudo sobre a motivação na Biblioteca de Tecnologia e Ciências "A" da UERJ.</text>
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              <elementText elementTextId="74053">
                <text>Magallon, Rinaldo Cavalcante</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>O objetivo deste trabalho é analisar o clima organizacional da Biblioteca de Tecnologia e Ciências "A" (CTC/A) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sob o ponto de vista da dimensão motivação. Empregou-se, como metodologia, a revisão de literatura e o estudo quantitativo através de entrevista estruturada com a aplicação de um questionário. Os resultados apresentam grau elevado de satisfação dos pesquisados sobre as relações com o ambiente de trabalho, tanto as interpessoais quanto as com a chefia. Grau insatisfatório tanto às expectativas profissionais de carreira, quanto à relação potencialidade individual e complexidade do trabalho. Observou-se grau moderado de satisfação em relação à limpeza do setor, à remuneração e aos recursos de infraestrutura. Conclui-se que, no período pesquisado, a biblioteca CTC-A da UERJ apresentava uma equipe relativamente motivada com ressalvas para que seja realizada uma reflexão sobre determinados aspectos no futuro deste ambiente, pois apesar dos pontos positivos averiguados, também há necessidades a serem atendidas nas áreas de limpeza, infraestrutura e adequação funcional. Realizações que dependem em grande parte de atitude gerencial e sensibilização de unidades de apoio e de promoção inter-relacionadas à biblioteca dentro da Universidade.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTATÍSTICAS DE USO DOS RECURSOS 2.0 DISPONÍVEIS NA BIBLIOTECA DA
UNESP - CAMPUS DE RIO CLARO

Cristina Marchetti Maia
Regina Maria Seneda
Flávia Maria Bastos
Josimeire Moura da Silva

RESUMO
Este trabalho tem por objetivo apresentar e analisar os dados de usabilidade dos usuários ao
consultarem os tutoriais e apresentações disponibilizadas nos canais de comunicação da
biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro, nas plataformas ISSUU e Youtube. Para seu
desenvolvimento foi realizada uma breve revisão de literatura com intuito de fundamentar o
uso das ferramentas tecnológicas visando a ampliação e visibilidade dos serviços disponíveis
nas bibliotecas para os usuários. Com base na literatura também foi possível elaborar uma
análise descritiva das plataformas Youtube e ISSUU utilizadas pela biblioteca. Após esta
análise foram coletados os dados produzidos durante a interação dos usuários com o conteúdo
disponível nas plataformas, sendo possível identificar quais foram os conteúdos com maior e
menor número de visualizações. Os dados foram extraídos de acordo com cada plataforma e
seus respectivos períodos. Como resultados foi possível identificar e apresentar os conteúdos
disponíveis para acesso, bem como, o quantitativo de visualizações por parte dos usuários.
Desta forma, a partir da apresentação e análise dos dados, foi possível identificar o interesse e
a necessidade dos usuários por um atendimento e suporte virtual, em função do crescente
número de visualizações para os diversos conteúdos disponibilizados nas plataformas ISSUU
e Youtube.
Palavras-Chave: Serviço de referência; Web 2.0; Youtube; ISSUU.

ABSTRACT
The aim of this paper is to present and analyse the usability data from users of tutorials and
presentations available at Unesp - Campus de Rio Claro Library’s media on ISSUU and
Youtubeplataforms. A brief literature review was undertaken in order to justify the use of
technological tools aiming at expansion and visibility of the available services to the library’s
users. Based on literature, it was also possible to develop a descriptive analysis of Youtube
and ISSUU plataforms used by the library. Then the data produced during the interaction
between users and content were collected. It was also possible identify the items with the
highest and lowest number of visualizations. The data were collected in accordance with each
plataform and their respective periods. The results are: the identification of available contents
and the number of visualizations. It was also possible to identify the users’ interests and the

2604

�need of virtual support because o f the increasing number of visualizations of several contents
available on ISSUU and Youtubeplataforms.

Keywords: Reference service; Library Web 2.0; Youtube; ISSUU.

1 Introdução
Ao longo dos anos, com o avanço das tecnologias, as bibliotecastêm reestruturado o
modelo do serviço de referência, promovendo atendimento e suporte virtual, mediado pelas
tecnologias 2.0, com o objetivo de atender um novo perfil de usuário. Sobre o papel da
biblioteca universitária:
As bibliotecas universitárias são organizações complexas, com múltiplas
funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram
desenvolvidos ao longo de décadas. No entanto, o seu propósito fundamental
permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar acesso ao conhecimento. Esse
acesso ao conhecimento é que irá permitir que o estudante, o professor e o
pesquisador possam realizar suas aprendizagens ao longo da vida. (CUNHA,
1999).
Desta forma, é fundamental que a biblioteca facilite o acesso à informação, tanto na
forma presencial ou virtual, criando serviços e produtos confiáveis e de qualidade, de acordo
com as expectativas do usuário.
A Diretoria Técnica de Biblioteca e Documentação (DTBD) da Universidade Estadual
Paulista (Unesp), câmpus de Rio Claro, teve seu início em 1957, com a Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (FAFI). O início das atividades foi em 1958, com os
cursos de História Natural, Geografia, Matemática e Pedagogia e em 30 de janeiro de 1976 foi
criada a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” que, entre outras,
incorporou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro.
Constantemente

são oferecidas capacitações

direcionadas para a comunidade

acadêmica em geral e comunidade externa nas modalidades individuais, grupos pequenos e de
até 50 pessoas. No ano passado foram capacitados na modalidade presencial 348 usuários e
mais 368 alunos ingressantes nas recepções no início do ano. Na modalidade presencial, os
cursos oferecidos referem-se a bases de dados, normas da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT), gerenciador de referências (EndNote Web, Mendeley e Zotero) ou
ferramenta antiplágioTurnitin. Além disso, são realizadospelos bibliotecários da Seção de
Referência, atendimentos individuais (presenciais, virtuais ou por telefone)que totalizaram
cerca de 1.500 atendimentos em 2013.

2605

�Visando fornecer suporte às capacitações e orientações, bem como atender aos
usuáriosimpossibilitados de comparecer à biblioteca, são disponibilizados vários tutoriais e
apresentações no site da biblioteca. O material disponibilizado também possibilita tornar os
usuários mais independentes para realizar atividades de pesquisa e elaboração de seus
trabalhos, além de facilitar o trabalho do bibliotecário, que pode despender de mais tempo
para fornecer atendimentos diferenciados à comunidade acadêmica.
As plataformas escolhidas para disponibilizar os materiais elaborados foram Youtube
(para vídeos) e ISSUU (para apresentações), pois são recursos gratuitos com acesso irrestrito
e de fácil manutenção. Além disso, a biblioteca também possui perfis no facebook
(https://www.facebook.com/biblioteca.rioclaro)

e

um

blog

(http://bibliotecaunesprc.wordpress.com/), recentemente criado.
Atualmente há vários estudos sobre tecnologias 2.0 em bibliotecas, porém a área
carece de trabalhos sobre o resultado do uso de tais recursos os quais podem ser mensurados a
partir de dados do próprio site, como quantidade de visualizações do arquivo,tornando-os
confiáveis e reais. Essa avaliação é muito importante, pois permite direcionar alguns serviços,
criar e aperfeiçoar os materiais já existentes, adequando-os às necessidades do usuário e ao
tipo de orientação.
O presente trabalho tem por objetivo apresentar as estatísticas de uso dosmateriais
disponibilizados nos canais da biblioteca da Unesp- câmpus de Rio Claro nas plataformas
ISSUU e Youtube. Portanto, consideramos relevante o presente estudo, pois ele nos oferece
um feedback destes serviços e comprovam a necessidade da sua existência para atender
usuários cujo perfil está cada vez mais tecnológico e autônomo.

2 Revisão de Literatura

Cada biblioteca tem suas características e peculiaridades cujo objetivo principal deve
ser sempre o usuário. Desta forma, a informatização das bibliotecas e evolução das
ferramentas e suportes têm proporcionado uma mudança gradual nos diversos produtos e
serviços oferecidos aos usuários.
Aplicativos no celular, ícones na tela do computador, tablets, netbooks facilitam e
agilizam o acesso de recursos pelo usuário e a Web 2.0 oferece ferramentas que possibilitam a
construção e criação coletiva; novas formas surgem por meio da etiquetagem constituindo-se
em links de um amplo hipertexto, que possibilita novas maneiras de organizar e recuperar
dados. (SANTOS, 2013).

2606

�Com as oportunidades e ferramentas disponíveis atualmente,faz-se necessário seu uso
e aplicação para benefício do usuário e facilitador da biblioteca, interagindo assim a todo o
momento e em qualquer lugar. Esta “maximização de ferramentas e recursos” precisa ser
deliberadamente usada e vista, a busca pela informação tem uma trajetória a qual deve ser
eficiente e sua resposta deve ser “chamativa” e de fácil acesso, constituindo assim uma tarefa
a ser realizada.
Nas universidades é possível e justo reconhecer que consideráveis recursos e
ferramentas tecnológicas vêm sendo aplicados, talvez não na mesma
proporção em termos de aquisição de obras a qual é mais freqüente, mas sim
para aquisição, renovação de serviços e de métodos de trabalho.
(MIRANDA, 2006).
Uma nova biblioteca coloca-se disposta a enfrentarestes novos desafios, com uma
postura colaborativa e mais acessível, sustentada pelo processo comunicacionalonde o acesso
à informação predomina com uma estrutura mais personalizada e funcional.

2.1 Avaliação de produtos e serviços

A internet proporciona um espaço virtual onde é possível a interação dos usuários de
bibliotecas para os produtos e serviços disponibilizados online. Para a disponibilização e
avaliação deste uso,as ferramentas gratuitas têm sido utilizadas nas bibliotecas universitárias,
as quais são objeto de estudo deste trabalho.
Avaliação pressupõe a existência de propósitos definidos e, para tanto, é necessário
um conjunto do mesmo, tendo valor os dados quantitativos ou qualitativos em relação a um
padrão ou meta específica.
Segundo Lancaster:
UM DICIONÁRIO comum definiria avaliação como o 'ato de medir o valor'
de uma atividade ou objeto. Entretanto, autores que tratam do tema da
avaliação provavelmente serão mais precisos. Alguns afirmam que avaliação
é um ramo dapesquisa - a aplicação do 'método científico' para determinar,
por exemplo, a qualidade do desempenho de um programa. Outros destacam
seu papel no processo decisório: a avaliação reúne dados necessários para
determinar quais dentre várias estratégias alternativas parecem ter mais
probabilidade de obter um resultado almejado. E ainda outros consideram a
avaliação como componente essencial da administração - mais exatamente,
os resultados da avaliação podem ajudar o administrador a alocar recursos de
modo mais eficiente. (LANCASTER, 1996, p.1).
Método de coleta de dados é sinônimo de informação, uma ferramenta que se usa para
avaliação, estudo e levantamento de dados com fins próprios. Sendo assim, para selecionar

2607

�uma abordagem que melhor atenda os propósitos do mesmo, dependerá de seu critério, como
a quantidade e exatidão dos dados, o custo e o tempo de sua obtenção. Algumas ferramentas
oferecidas para divulgação de produtos e ou serviços já oferecem recursos para mensurar os
resultados da sua utilização, facilitando para quem produziu avaliar como está sendo o uso
desta ferramenta.

2. 2 Plataformas utilizadas pela biblioteca: Youtube e ISSUU

Com relação às tecnologias utilizadas para a criação dos materiais e para os vídeos,
atualmente é utilizado Screencast-O-Matic e a ferramenta Powtoon, versão gratuita.

No

ISSUU são colocadas as apresentações em Power Point e PDF (apostila de curso), enquanto
que os vídeos são disponibilizados no site Youtube e possuem como conteúdo, serviços da
biblioteca, acesso aos catálogos e alguns recursos do processador de texto Office Word para
formatação de trabalhos. A maioria dos materiais disponibilizados nos canais foi elaborada
pela equipe da biblioteca, porém outros itens foram inseridos, pois considerou-se o conteúdo
pertinente. Tal descrição será feita no item Resultados.
O Youtube é uma plataforma gratuita de vídeos da empresa Google, criada em 2005, e
permite que qualquer pessoa crie um perfil, insira, acesse e compartilhe o conteúdo. Uma das
características do Youtube é a criação de um canal, que funciona como um perfil público,
possibilitando o envio de vídeos e organização dos materiais. Tal recurso é utilizado por
pessoas físicas, mas principalmente por organizações na divulgação de seus produtos e
serviços.
Para postar um vídeo, o responsável deve atentar-se às políticas do canal, pois
constantemente o conteúdo é revisto pela equipe responsável e os vídeos podem ser
removidos ou sujeitos a penalidades. (YOUTUBE, [20--]). Esse recurso foi escolhido pela
biblioteca, pois é o site mais popular de vídeos, gratuito, aceita vários formatos e atende às
demandas da biblioteca, que são tutoriais curtos. Além disso, o Youtube permite que o
usuário assine um determinado canal e receba constantemente as atualizações.
O ISSUU é uma plataforma de apresentações digitais que possui cerca de 15 milhões
de publicações, 25.000 novas publicações a cada dia e 80 milhões de acessos mensais.
(ISSUU, c2014). A biblioteca utiliza a versão gratuita e a vantagem desse recurso é a forma
de apresentação do material em formato de livro, o que facilita a leitura e permite que, por
meio de um cadastro rápido, o conteúdo seja convertido para PDF gratuitamente.
Inicialmente, era utilizado o site Slideshare, porém com o tempo tal recurso foi substituído

2608

�pelo ISSUU e tem sido mantido desde 2012. A disponibilização de materiais em forma de
apresentação é importante, pois não é todo tipo de conteúdo e orientação que pode ser
convertido em vídeo, e vice-versa, desta forma, ambos complementando-se.
Desta forma, a inserção dos materiais nos respectivos sites, torna o acesso dinâmico,
rápido e interativo. Outro ponto forte em comum para o usodesses sites é que ambos
permitem a inclusão de tags para descrever o assunto, facilitando a localização do material
desejado. O uso das duas plataformas visa atender aos dois perfis de usuários, do mais
tradicional, que muitas vezes prefere uma apresentação com uma forma estática ao mais
tecnológico, que busca com mais frequência tutoriais em forma de vídeo.

3 Materiais e Métodos

Para a coleta dos dados foi utilizado recursos do próprio site, que já fazem a contagem
automaticamente; posteriormente esses dados foram analisados, verificando quais foram os
conteúdos com maior e menor número de visualizações. As plataformas possuem diversas
opções de relatório, no entanto aqui serão apresentadasas características essenciais e
informações mais relevantes para este estudo:
ISSUU- menuSVatistics no ícone principal. Permite gerar relatórios semanais, mensais
ou selecionando um período específico, com no máximo de 6 meses (para usuário free). O
serviço possui atualização diária e permite a visualização também em formato de gráfico e
mapas. Segundo informações do site os dados apresentados no relatório de acessos são:
•

Data de publicação;

•

Impressions, que consiste na contagem do número de vezes que a publicação
foi exibida, seja no momento de upload ou simples abertura do arquivo;

•

Reads, que consiste na contagem das pessoas que efetivamente consultaram o
material e que dedicaram um tempo na publicação. Portanto, para a elaboração
das estatísticas, consideramos somente a coluna Reads, pois foi considerada a
mais real. Importante ressaltar que, segundo informações do site, o simples
movimento de deslizar as páginas no arquivo não conta como uma leitura e sim
como uma impressão;

•

Tempo médio de leitura, que consiste no tempo médio que os leitores gastam
nas publicações e quantidade de downloads.

Conteúdo em inglês.

2609

�Youtube - é utilizada a ferramenta Analyticsque fornece informações mais detalhadas
e permite selecionar o período desejado, inclusive pode ser todo o período, desde a inserção
do vídeo.
•

Seção Desempenho: representa a quantidade total de visualizações dos vídeos,
estimativa de minutos assistidos e inscrições;

•

Seção Envolvimento: possui a avaliação dos usuários, compartilhamentos,
entre outros; e a relação dos vídeos que mostra um ranking com os 10 vídeos
organizados de acordo com o número de visualizações e minutos assistidos.

Conteúdo em português.

4 Resultados Finais

A seguir serão apresentados os dados coletados referente a dois períodos (período 1 e
2), nas plataformas ISSUU e Youtube, respectivamente.

4.1 ISSUU
•

Nome do Canal: UNESP - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
(Figura 1)

•

Site: http://issuu.com/bibliotecaunesprc

•

Quantidade de apresentações: 19

•

Apresentações criadas pela biblioteca: 10. As nove apresentações sobre a ferramenta
Turnitin foram criadas pela empresa responsável.

•

Criação do perfil: nov. 2012

2610

�Figura 1 - Canal da biblioteca no ISSUU

UNESP - Universidade Estadual Paulista "Julio de
Mesquita Filho"

Rio Claro, Brazi

www.rc.unesp.br/btolioteca/

i — •»! i w w i m sou

Referências - ABNT NBR

Instrutor - PeerMark questões

6023: 2002
U N E S P - U n iv e rsid ad e
E sta d u a l P a u lis ta "Júlio d e

U N E S P - U n iv e rsid ad e
E s ta d u a l P a u lis ta "Jubo d e

o rie n ta ç ã o p a ra
d e se n v o lv im e n to d e
r e f e r ê n c ia s d e a c o r d o c a m a
n o rm a ABNT 6 0 2 3 d e 2 0 0 2

P a sso a p a sso de com o o
in stru to r rea b za a s q u e s tõ e s
p a ra o P eerm artc

Apostila Normas ABNT
U N E S P - U n iv e rsid a d e
E s ta d u a l P a u lis ta "Juiio d e
A p o stila e la b o ra d a p e lo s
b ib lio tec ário s d a ST R A U O d a
U n e sp - c a m p u s d e Rio
C laro.

Instrutor/Professor Inicio
U N E S P - U n iv e rsid a d e
E sta d u a l P a u lis ta "Juiio d e
P a s s o a p a s s o n ic ia l d o
in stru to r n o Tumitin

Instrutor - PeerMark
U N E S P - U n iv e rsid ad e
E s ta d u a l P a u lis ta "Jubo d e

Instrutor - Rubricas no
GradeMark
U N E S P - U n iv e rsid ad e
E s ta d u a l P a u lis ta "Jubo d e

Fonte: ISSUU ([2014])
Período 1: de 09 nov. 2013 a 30 abr. 2014319
Total de visualizações no período: 4016 (Figura 2)
Figura 2- Visualizações no ISSUU: período 1

Turnitin- Tarefas iniciais
Turnitin- Peermark questões
Tutorial Word 2003
EndNote Web: acesso
Bases de dados e indicadores
Zotero
Mendeley
Tutorial Word 2007
Apostila Normas ABNT
Citações
Formatação de Trabalhos
Referências

Fonte: Elaborado pelos autores (2014) adaptado de ISSUU ([2014])

319Como mencionado em Materiais e Métodos, o sistema fornece os dados dos últimos 6 meses,
gratuitamente.

2611

�Período 2: de 01 jan. 2014 a 30 abr. 2014
Total de visualizações no período: 2775 (Figura 3)
Figura 3- 10 maiores visualizações no ISSUU: período 2

Fonte: Elaborado pelos autores (2014) adaptado de ISSUU ([2014])
4.2 Youtube
•

Nome do Canal: BibliotecaUnespRC (Figura 4)

•

Site: http://www.youtube.com/user/BibliotecaUnespRC?feature=mhsn

•

Quantidade de apresentações: 39

•

Apresentações criadas pela biblioteca: 39

•

Criação do perfil: jan. 2011

Figura 4- Canal da biblioteca no Youtube

B ib lio te c a U n e s p R C

5-3 -Z3zz~s

Aouarda/y&gt;os sua visíhx.
C o n ta te -n o s
stra u d
(1 9 )

e s p .b r

I Parthenon: http://’Mrw.Parthenon.biblio
Tutorial Parthenon: http://youtu.be/flL.9tBWosRU
Tutonas de EEB: http //youtu be/3rudfq7qz2k
http //youtu be/sCgcpGpbgNY

134

w w w .rc.unesp.br/biblioteca
C an ais e m
n a IMBUB
P a rth e n o n - B u s c a In te g ra d a da R ed e d e B ib lio te c a s U ne sp

C an ais p o p u la re s
n o YouTube

Fonte: Youtube ([2014])

2612

�Período 1: de 05/01/2011 à 30/04/2014
Total de visualizações no período: 48.522 (ver Figura 5)
Ao selecionar um período, a ferramenta do Youtube mostra somente os dados dos 10 vídeos
mais visualizados.
Figura 5- 10 maiores visualizações no Youtube: período 1

7) Turnitin: Relatório de originalidade
Como solicitar a ficha catalográfica
EndNote Web: Busca online de referências
EndNote Web: Criando uma conta
1) Turnitin: Tela inicial e primeiros passos
EndNote Web: Como gerar listas de referências
EndNote Web: Importando referências
Como juntar arquivos pdf
Como converter documento word para pdf
Como configurar margens espelhos
0

5000

10000

15000

20000

25000

Fonte: Elaborado pelos autores (2014) adaptado de Youtube ([2014])

Período 2: de 01 jan. 2014 à 30 abr. 2014
Total de visualizações no período: 4.576 (ver Figura 6)
Figura 6- 10 maiores visualizações no Youtube: período 2

Como acessar os e-books disponibilizados na Unesp

1 56

Mendeley Video Aula

I 62

EndNote Web: Busca online de referências

t 68
1 113

Como juntar arquivos pdf
Como converter documento word para pdf

1 202

Bem vindo!

1 212

Como inserir a ficha catalográfica usando o Merge..

1 227

t 41)5

EndNote Web: Como gerar listas de referências

4 53

EndNote Web: Importando referências
Como configurar margens espelho
0

500

1.000

1.500

2.000

2.500

Fonte: Elaborado pelos autores (2014) adaptado de Youtube ([2014])

2613

�5 Considerações Finais

A utilização destes recursos 2.0 são facilitadores para os usuários e estão presentes no
dia a dia o que tornar essencial a atenção para o seu uso oferecendo o acesso rápido e fácil às
informações importantes e necessárias. Portanto,

é fundamental que o profissional

bibliotecário acompanhe o surgimento de novas tecnologias e modernização das ferramentas e
seja criativo para a manutenção desses suportes.
Os recursos da Web 2.0 oferecem um leque de opções para o bibliotecário
chegar até o usuário sem que ele esteja no espaço físico da biblioteca. Mas,
para que esses recursos sejam inseridos no serviço de referência de modo
adequado é de suma importância que o profissional adquiram e desenvolvem
habilidades e competências relacionadas a estes recursos. (PEREIRA;
CARVALHO, 2012, p. 120).
As plataformas utilizadas demonstraram-se acessíveis para elaboração desse trabalho
e, apesar de diversas opções de relatórios, as informações selecionadas apresentaram os
resultados de uma forma clara, permitindo analisar e avaliar os materiais já existentes.
O número de visualizações, como mostrado nas figuras acima, são representativos e
justifica a importância desse trabalho nas bibliotecas, além de tornar visível para todosum dos
trabalhos que tem sido desenvolvido nas bibliotecas atualmente. Um exemplo de visibilidade
é a pesquisa no Google pelo título “como configurar margens espelhos” em queum dos vídeos
do canal aparece na página inicial dos resultados.
Ambas as plataformas, ISSUU e Youtube apresentam grande número de acessos,
sendo que o canal do Youtube possui quase o dobro de visualizações se verificado no período
de janeiro a abril de 2014. Acredita-se que, além deste canal possuir o dobro da quantidade de
materiais, os vídeos são mais rápidos de consultar, gerando assim, um número maior de
visualizações. Com relação aos materiais, segue o resumo dos mais consultados:
ISSUU:
•

Apresentações sobre normas da ABNT. Além das apresentações individuais sobre as
normas de citações, referências e trabalhos acadêmicos, a apostila, que é um
compilado dessas normas, ocupa o terceiro lugar no ranking e mesmo assim foi
inserida quase dois anos depois da criação do canal. Atualmente esse material é
enviado para outras instituições mediante solicitações destas.

Youtube:
•

Material sobre formatação explicando alguns recursos do processador de texto Office

2614

�Word ocupa os primeiros lugares. Mesmo não sendo atribuição do bibliotecário, são
desenvolvidos materiais e orientações na área de informática, tendo em vista a
dificuldade que os alunos possuem com relação ao uso das ferramentas do
processador. Além disso, o número elevado de visualizações valida tal realidade;
•

Gerenciadores de referências ocupam boa posição, provavelmente em consequência do
crescimento das capacitações realizadas, necessitando, portanto, de consulta posterior
do material;

•

Instruções sobre os recursos do catálogo Athena e da busca integrada Parthenon (como
renovação, buscas, entre outros), pois à medida que são implantados novos produtos,
deve-se ter a preocupação de fornecer orientações quanto ao seu uso. Vale ressaltar
que esses vídeos apesar de inseridos posteriormente possuem grande número de
visualizações.
Dessa forma, destaca-se a importância da constante avaliação de produtos e serviços

em uma unidade de informação por meio da apresentação de estatísticas de uso, pois são de
grande relevância para nortear atividades e comprovar a importância do trabalho das
bibliotecas no meio acadêmico.

6 Referências
CUNHA, M. B. da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da

Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 255-266, set./dez. 1999. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v28n3/v28n3a3.pdf&gt;. Acesso em: 22 abr. 2014.
ISSUU. AboutIssuu . c2014. Disponível em: &lt;http://issuu.com/bibliotecaunesprc&gt;. Acesso
em: 22 abr. 2014.
ISSUU. UNESP- Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho” . [2014].
Disponível em: &lt;http://issuu.com/bibliotecaunesprc&gt;. Acesso em: 22 abr. 2014.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília, DF: Briquet de Lemos/
Livros, 1996.
MIRANDA, A. Biblioteca universitária no Brasil: reflexões sobre a problemática. [19-].Disponível em:
&lt;http://www.antoniomiranda.com.br/ciencia_informacao/BIBLIOTECA_UNIVERSITARIA
_.pdf&gt; Acesso em: 24 abr. 2014.
PEREIRA, E. do N.; CARVALHO, A. V. A Web 2.0 no serviço de referência: análise do uso
nas bibliotecas das universidades federais do nordeste brasileiro. Informação &amp; Informação,

2615

�Londrina, v. 17, n. 3, p. 102-124, set./dez. 2012.
Disponível
em:&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewFile/13000/pdf&gt; Acesso
em: 12 maio 2014.
SANTOS, H. P. Etiquetagem e folksonomia: o usuário e sua motivação para organizar e
compartilhar informação na Web 2.0. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v.18, n.2, p. 91-104, abr./jun. 2013. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v18n2/07.pdf&gt; Acesso em: 23 abr. 2014.
YOUTUBE. BibliotecaünespRC . [2014]. Disponível em:
&lt;https://www.youtube.com/user/BibliotecaUnespRC?feature=mhsn&gt;. Acesso em 22 abr.
2014.
YOUTUBE. Sobre o Youtube . [20--]. Disponível em:
&lt;https://www.youtube.com/yt/about/pt-BR/&gt; . Acesso em 22 abr. 2014.

2616

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este trabalho tem por objetivo apresentar e analisar os dados de usabilidade dos usuários ao consultarem os tutoriais e apresentações disponibilizadas nos canais de comunicação da biblioteca da Unesp – Câmpus de Rio Claro, nas plataformas ISSUU e Youtube. Para seu desenvolvimento foi realizada uma breve revisão de literatura com intuito de fundamentar o uso das ferramentas tecnológicas visando a ampliação e visibilidade dos serviços disponíveis nas bibliotecas para os usuários. Com base na literatura também foi possível elaborar uma análise descritiva das plataformas Youtube e ISSUU utilizadas pela biblioteca. Após esta análise foram coletados os dados produzidos durante a interação dos usuários com o conteúdo disponível nas plataformas, sendo possível identificar quais foram os conteúdos com maior e menor número de visualizações. Os dados foram extraídos de acordo com cada plataforma e seus respectivos períodos. Como resultados foi possível identificar e apresentar os conteúdos disponíveis para acesso, bem como, o quantitativo de visualizações por parte dos usuários. Desta forma, a partir da apresentação e análise dos dados, foi possível identificar o interesse e a necessidade dos usuários por um atendimento e suporte virtual, em função do crescente número de visualizações para os diversos conteúdos disponibilizados nas plataformas ISSUU e Youtube.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA SOB O IMPACTO DA MÍDIA DIGITAL: O CASO
DO PORTAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL
DO RIO GRANDE DO NORTE
Maria Aniolly Queiroz Maia
Thiago Rodrigues Dantas
Clediane de Araújo Guedes
Maria da Conceição Queiroz Maia
Samya Maria Queiroz Maia,
Leandro Luis de Almeida Cunha

RESUMO
Aborda o Ciberespaço como a inserção das pessoas no mundo virtual e digital. Trata a
cibercultura como uma cultura desenvolvida a partir dos novos comportamentos sociais
oriundos da internet. Explana sobre a comunicação científica na mídia digital com abordagem
nas revistas científicas eletrônicas. Enfoca o portal de periódicos eletrônicos da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte como uma ferramenta que possibilitou a produção e
divulgação da informação científica. Enfatiza a criação de revistas científicas como uma
tendência social, considerando baixos custos na tiragem dos exemplares. Objetiva abordar a
criação de revistas científicas em formato digital como uma nova tendência social. A
metodologia utilizada adotou como procedimentos para o seu desenvolvimento, pesquisas
bibliográficas e eletrônicas. Conclui que dentre as vinte e duas revistas, treze foram criadas
efetivamente na mídia digital Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte.
Palavras-Chave: Comunicação científica; Mídia digital; Revistas eletrônicas; Portal de
Periódicos Eletrônicos; Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
ABSTRACT
Addresses the Cyberspace as the integration of those virtual and digital world. It cyberculture
as a culture developed from the new coming of the internet social behaviors. Explains the
scientific communication in the digital media approach in electronic scientific journals.
Focuses on the e-journal portal of the Universidade Federal do Rio Grande do Norte as a tool
that enabled the production and dissemination of scientific information. Emphasizes the
creation of scientific journals as a social trend, considering the low cost of the copies run.
Aims to approach the creation of scientific journals in digital format as a new social trend.
The methodology adopted as procedures for its development, and electronic bibliographic
searches. Concludes that among the twenty-two journals, thirteen were actually created in
digital media Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte.
Keywords: Scientific communication; Digital media; Electronic journals; Portal of Electronic
Journals; Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

3965

�1 Introdução
A sociedade atual vivencia constantes mudanças no que concernem as formas de
comunicação utilizadas pelos indivíduos. Existem diversas maneiras de se comunicar e uma
delas é através da comunicação científica. Um dos meios utilizados para possibilitar a
comunicação científica diz respeito á divulgação de informações através das revistas
científicas em formato digital. Nesse sentido, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN) desenvolveu o Portal de Periódicos Eletrônicos que possibilita a pesquisa das
produções científicas publicadas nos periódicos dessa instituição.
O Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN atualmente abriga vinte e duas revistas
científicas eletrônicas, onde treze dessas revistas já se desenvolveram na mídia digital.
Nesse sentido, este trabalho propõe expor a tendência de criação de revistas científicas
em formato digital. Como procedimentos metodológicos foram desenvolvidos pesquisas
bibliográficas e eletrônicas, e análise de bases de dados para efetivação do estudo de caso.
Este último, em função de se querer interpretar a realidade particular das revistas que
integram o portal.

2 Cultura no ciberespaço
O ciberespaço é um termo de origem americana, desenvolvido em 1984, pelo escritor
William Gibson em seu romance de ficção científica Neuromancien. No livro, o termo
Ciberespaço designa o universo das redes digitais. A partir desse romance, o termo foi
imediatamente empregado pelos usuários e criadores de redes digitais (RIBEIRO et al.,
[200_?]).
Nesse contexto a sociedade adquire novos comportamentos, em decorrência deste
espaço. Esses comportamentos estão relacionados à cultura do ciberespaço, conhecida como
cibercultura.
A cibercultura corresponde à forma sociocultural que surge da relação simbiótica entre
a sociedade, a cultura e as tecnologias de base micro-eletrônica que se desenvolveram com a
convergência das telecomunicações com a informática na década de 70 (LEMOS; CUNHA,
2003).
As informações disponibilizadas pela internet garantem aos usuários uma maior
rapidez, no tocante ao limite de tempo e espaço. Isso contribui para a minimização de custos,
com relação ao deslocamento de um indivíduo.

3966

�2.1 Comunicação científica na mídia digital
A comunicação científica pode ser definida como o conjunto de atividades associadas
à produção, disseminação e uso da informação, desde o momento em que o cientista concebe
uma ideia para pesquisar, até que a informação acerca dos resultados seja aceita como
constituinte do conhecimento científico (MIRANDA, 1996). Trata-se de um processo que
envolve o pesquisador e a comunidade científica, que por sua vez faz uso dessa informação
para beneficiar a sociedade e possibilitar novos estudos científicos.
A comunicação situa-se no próprio coração da ciência. É para ela tão vital
quanto à própria pesquisa, pois a esta não cabe reivindicar com legitimidade
este nome enquanto não houver sido analisada e aceita pelos pares. Isso
exige, necessariamente, que seja comunicada. Ademais, o apoio às
atividades científicas é dispendioso, e os recursos financeiros que lhes são
alocados serão desperdiçados a menos que os resultados das pesquisas sejam
mostrados aos públicos pertinentes. Qualquer que seja o ângulo pelo qual a
examinemos, a comunicação eficiente e eficaz constitui parte essencial do
processo de investigação científica. (M EADOW S, 1999, p.7).

Nessa perspectiva, a comunicação científica pode ser entendida como um canal
onde é possível a divulgação da ciência pelos seus pares, independente de seus suportes.
A comunicação científica está diretamente relacionada à divulgação de informações
científicas, estas que por sua vez poderão estar armazenadas em revistas científicas que
utilizam mídias digitais.
Os periódicos científicos em mídia digital são canais de divulgação da informação
científica, promovendo acesso à informação em intervalos de tempo cada vez menores. Além
de garantir maior visibilidade à pesquisa e ao pesquisador.

2.2 Periódicos científicos eletrônicos
Os periódicos científicos surgiram no século XVII como uma evolução do sistema
particular e privado de comunicação que era realizado através de cartas enviadas pelos
homens de ciência (Galileu, Kepler, Copérnico e Francis Bacon) e seus amigos, relatando
suas descobertas mais recentes (STUMPF, 1994). Anteriormente, a ciência era feita por
filósofos, que faziam uso da argumentação de dedução para explicar determinados fenômenos
naturais.
Os periódicos científicos eletrônicos são publicações continuadas indefinidamente,
apresentam procedimentos de controle de qualidade dos trabalhos publicados, e
disponibilizam o texto completo através de acesso online. Os mesmos podem ter (ou não)
uma versão impressa ou em outro tipo de suporte (OLIVEIRA, 2006).

3967

�3 Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN é uma ferramenta que abriga as revistas
científicas eletrônicas da Instituição, de modo a garantir maior visibilidade da produção
científica da comunidade acadêmica. Trata-se de um ambiente que promove a editoração e
gestão de informações científicas, garantindo maior comodidade ao usuário e visibilidade à
produção científica.
A ferramenta que o Portal utiliza, corresponde ao Sistema Eletrônico de Editoração de
Revistas (SEER), que por sua vez é uma ferramenta eletrônica de editoração de revistas
traduzida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), a partir
da versão do Open Journal Sistem (OJS).
Trata-se de um projeto da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), em parceria com
a Editora da UFRN (EDUFRN), Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ), Pró-Reitoria de PósGraduação (PPG), Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e o Departamento de Ciência da
Informação (DECIN), tendo em vista a necessidade de abrigar em um único ambiente
eletrônico as publicações científicas da UFRN, de modo a garantir maior visibilidade desta
produção.
Atualmente o Portal abriga vinte e dois periódicos científicos eletrônicos, conforme
descrição a seguir:
Quadro 1: Lista de Periódicos que integram o Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN
Art Research Journal______________________________________________________________
Bagoas - Estudos gays: gêneros e sexualidades______________________________________________
Imburana: revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses________________

Journal o f Surgical And Clinical Research
Mneme - Revista de Humanidades_________________________________________________________
Princípios: Revista de Filosofia____________________________________________________________
Revista Ambiente Contábil________________________________________________________________
Revista Brasileira de Inovação Tecnológica em Saúde________________________________________
Revista Constituição e Garantia de Direitos_________________________________________________
Revista Cronos__________________________________________________________________________
Revista de Fisioterapia Respiratória e CardioVascular________________________________________
Revista de Turismo Contemporâneo________________________________________________________
Revista Direito E-nergia__________________________________________________________________
Revista Educação em Questão_____________________________________________________________
Revista Extensão e Sociedade_____________________________________________________________
Revista Inter-Legere______________________________________________________________________
Revista Odisseia_________________________________________________________________________
Revista Porto____________________________________________________________________________
Revista PublICa_________________________________________________________________________
Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação_____________________________________
Sociedade e Território____________________________________________________________________
Vivência: Revista de Antropologia_________________________________________________________

Fonte: Elaborado pelo autor

3968

�Desse total de 22 (vinte e dois) periódicos que integram o Portal de Periódicos Eletrônicos
da UFRN, 13 (treze) revistas nasceram efetivamente no Portal de Periódicos Eletrônicos da
instituição. Conforme descrição abaixo:

Quadro 2: Lista de Periódicos que integram o Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN
desenvolvidos efetivamente em formato digital
Art Research Journal,_____________________________________________________________
Imburana: revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses_____________

Journal o f Surgical And Clinical Research____________________________________________
Mneme - Revista de Humanidades________________________________________________________
Revista Constituição e Garantia de Direitos________________________________________________
Revista de Fisioterapia Respiratória e CardioVascular______________________________________
Revista de Turismo Contemporâneo______________________________________________________
Revista Direito E-nergia_________________________________________________________________
Revista Extensão e Sociedade____________________________________________________________
Revista Inter-Legere_____________________________________________________________________
Revista PublICa_________________________________________________________________________
Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação___________________________________
Sociedade e Território___________________________________________________________________

Fonte: Elaborado pelo autor

Nessa perspectiva observa-se uma tendência social no que se refere ao
desenvolvimento de revistas em formato digital, sejam elas de caráter científico ou não. Para
tanto, acredita-se que os novos comportamentos de usuários, que por sua vez estão cada vez
mais antenados no que concerne ao acesso às informações através da rede mundial de
computadores (internet), gastos na editoração de uma revista em formato digital, levando em
consideração principalmente os altos custos com a tiragem dos periódicos, são justificativas
para a construção dos periódicos em formato eletrônico.

3.1 Materiais e Métodos
Utilizou-se de pesquisa acadêmica teórica documental e análise de base de dados para
efetivação de um estudo de caso.

3.2 Resultados Parciais/Finais
Observou-se uma tendência na produção da comunicação científica em mídias digitais,
no universo de periódicos científicos, com recorte no Portal de Periódicos Eletrônicos da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

3969

�4 Considerações Parciais/Finais
O ciberespaço e as mídias digitais possibilitaram a comunicação científica um nicho
de produção acadêmica em constante desenvolvimento. Os portais de periódicos científicos
eletrônicos assumiram o papel de divulgadores de revistas científicas eletrônicas em todo
país, facilitando assim a comunicação científica no mundo. Podemos constatar com recorte no
Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN, uma forte tendência de criação de novos
periódicos em formato digital, visto sua grande expansão e “baixo custo”, assim como a
facilidade de acesso e a globalização mundial e eletrônica no acesso a informação.

5 Referências
LEMOS, A. ; CUNHA, P. (Orgs). Olhares sobre a cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2003.
MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Tradução de Antonio Agenor Briquet de
Lemos. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.
MIRANDA , D. B. O periódico científico como veículo de comunicação: uma revista de
literatura. Ciência da Informação. Brasília, v.25, n.3,

1996. Disponível em: &lt;

http://www.ibict.br/cionline&gt; Acesso em: 27 abr. 2014.
OLIVEIRA, E. B. P. M. Uso de periódicos científicos por docentes e pós-graduandos do
Instituto de Geociências da USP. 2006. 139f. Dissertação (Mestrado em Ciência da
Informação) - Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
PORTAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS DA UFRN. [2010]. Disponível em: &lt;
http://periodicos.ufrn.br/&gt;. Acesso em: 01. maio. 2014.
RIBEIRO, et al. Informação e ciberespaço. Belo Horizonte, [200_?].
STUMPF, I.R.C. Revistas universitárias: projetos inacabados. 1994. 302f. Tese (Doutorado
em Ciências da Comunicação) - Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 1994.

3970

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A comunicação científica sob impacto da mídia digital: o caso do portal de periódicos eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte</text>
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                <text>Aborda o Ciberespaço como a inserção das pessoas no mundo virtual e digital. Trata a cibercultura como uma cultura desenvolvida a partir dos novos comportamentos sociais oriundos da internet. Explana sobre a comunicação científica na mídia digital com abordagem nas revistas científicas eletrônicas. Enfoca o portal de periódicos eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como uma ferramenta que possibilitou a produção e divulgação da informação científica. Enfatiza a criação de revistas científicas como uma tendência social, considerando baixos custos na tiragem dos exemplares. Objetiva abordar a criação de revistas científicas em formato digital como uma nova tendência social. A metodologia utilizada adotou como procedimentos para o seu desenvolvimento, pesquisas bibliográficas e eletrônicas. Conclui que dentre as vinte e duas revistas, treze foram criadas efetivamente na mídia digital Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A CONTRIBUIÇÃO DO SISTEMA PERGAMUM NA GESTÃO DA POLÍTICA DE
DESENVOLVIMENTO DOS ACERVOS DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Osvaldêmia Maria Maia
Virgínia Bentes Pinto

RESUMO
O uso das tecnologias eletrônicas e digitais de informação e de comunicação é uma
constatação, tanto no contexto individual, como coletivo e, igualmente das organizações
educacionais, industriais e comerciais, sejam elas públicas ou particulares. No ambiente
das bibliotecas de um modo geral e nas universitárias em particular, também não é
diferente, cada vez mais essas organizações incorporam tais tecnologias na elaboração de
seus produtos e na execução de seus serviços, visando atender melhor aos seus
usuários/clientes internos e externos. Nesse sentido, definimos como objetivo geral
investigar a contribuição das informações produzidas pelos Módulos do Sistema
Pergamum no processo gerencial do sistema de biblioteca da UFC no que respeita a
tomada de decisão por parte dos gestores dessas bibliotecas, quanto ao processo de
gerenciamento dos critérios da política de desenvolvimento do acervo. Os resultados do
estudo confirmam que a maioria dos gestores utilizam as informações que os Módulos do
Sistema Pergamum oferecem para o gerenciamento do sistema como um todo e,
particularmente, no que diz respeito às Políticas de Desenvolvimento do Acervo.
Considera-se que os objetivos propostos foram atingidos no que respeita à contribuição do
Sistema Pergamum para o gerenciamento das Políticas de Desenvolvimento de Coleções
do Sistema de Bibliotecas da UFC.
Palavras-chave: Política de Desenvolvimento de Acervos; Gestão de bibliotecas
Universitárias; Tecnologias da Informação e da Comunicação.
ABSTRACT
The use of electronic technologies and digital information and communication is a fact,
both within individual and collective, and also the educational, industrial and commercial,
whether public or private. In general, the libraries and the universities indoors particularly,
is not different, increasingly these organizations incorporate such technologies in
developing its products and the performance of its services in order to better serve its users
/ customers internal and external. In this sense, defined as main objective to investigate the
contribution of information produced by the modules of the system management process in
Pergamum library system of UFC with respect to decision making by managers of these
libraries, the management process of policy criteria development of the acquis. The study
results confirm that most managers use the information that the System Modules
Pergamum offer to manage the system as a whole and particularly in respect of the
Collection Development Policy. It is considered that the proposed objectives were

558

�achieved as regards the contribution of Pergamum system for management of collection
development policies of the Library System of the UFC.
Keywords: Development Policy of the collections; Management university libraries;
Information technology and communication.
INTRODUÇÃO
Os avanços acelerados das novas tecnologias digitais na sociedade atual têm
provocado mudanças que em transformações significativas tanto na produção de bens e
serviços no cotidiano das organizações, também nas diversas áreas de conhecimentos e no
cotidiano dos indivíduos. Tais avanços tecnológicos constituem o alicerce do que podemos
chamar revolução informacional, cuja contribuição concorre para uma nova configuração
de uma nova sociedade denominada de sociedade da informação ou do conhecimento.
Miranda (2000, p. 80) ressalta que “um dos principais indicadores do
desenvolvimento da sociedade da informação é a penetrabilidade das tecnologias da
informação na vida diária das pessoas e no funcionamento e transformação da sociedade
como um todo.”
Quando se fala em Tecnologia da Informação (TI) entende-se que cada vez mais o
uso de hardware, software, tecnologias de armazenamento e comunicação conectados em
rede são importantes nas organizações para agregar valor aos bens e serviços, produzindo,
coletando,

processando,

armazenando

e

disseminando

dados

e

informações,

independentemente de unidades, departamentos ou setores onde estão sendo incorporadas.
As bibliotecas são sistemas que sempre mantiveram vínculo de dependência com as
tecnologias para processamento, armazenamento e disseminação de informação.
Reportando-nos especificamente ao Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do
Ceará (SBU/UFC), verifica-se que, ao longo de sua trajetória, os softwares utilizados
tinham por finalidade agilizar os seus processos de gestão da informação.
Tentando acompanhar as práticas de gestão moderna, atualmente o SBU/UFC
utiliza o software Pergamum, um sistema que foi desenvolvido pela Pontifícia
Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e contempla as principais funções de uma
biblioteca desde a aquisição ao empréstimo, funcionando de forma integrada, com o
objetivo de atender as necessidades de serviços de bibliotecas universitárias. Essas
bibliotecas, a exemplo de outras, necessitam de sistemas de gerenciamento que tenham
como requisito a capacidade de integrar todos os módulos do sistema, emitindo relatórios e

559

�estatísticas com dados e informações relevantes para a tomada de decisões, com a
finalidade de melhorar a oferta de serviços.
O presente estudo aplica a filosofia62 do uso das Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC) nas tomadas de decisões e dos critérios da política de desenvolvimento
do acervo do Sistema de Bibliotecas da UFC e mais precisamente relacionada à
contribuição do Sistema Pergamum para esse fim. Nesse sentido, define como objetivo
geral investigar a contribuição das informações produzidas pelos Módulos do Sistema
Pergamum no processo gerencial do Sistema de bibliotecas da UFC no que respeita a
tomada de decisão por parte dos gestores dessas bibliotecas, quanto ao processo de
gerenciamento dos critérios da política de desenvolvimento do acervo. Especificamente
pretende-se: a) identificar que módulos do Sistema Pergamum produzem informações
compatíveis com os critérios da política de aquisição; b) averiguar se as informações
produzidas pelo Sistema Pergamum permitem acompanhar qualitativamente o acervo:
quanto à pertinência, quantidade e atualização; c) investigar se o uso das informações
produzidas pelo módulo relatório do Sistema Pergamum contribuem tanto para tomada de
decisão na aquisição de novos títulos quanto para a elaboração da política de aquisição do
acervo no âmbito do Sistema de Bibliotecas da UFC.

AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NA GESTÃO DE POLÍTICAS DE
DESENVOLVIMENTO DO ACERVO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
As transformações econômicas e políticas os âmbitos da atividade humana e têm
sido abordados por teóricos das diversas áreas do conhecimento. Esse novo cenário recebe
várias denominações: Era da Informação, Sociedade Pós-industrial, Era Virtual, Sociedade
da Informação, Sociedade do Conhecimento ou ainda “sociedade em rede”, denominação
empregada por Castells (1999).
À medida que o tempo passa, novas técnicas e métodos para produzir, organizar,
controlar, armazenar e preservar registros de conhecimento vêm sendo criadas e aplicadas
pelo homem. Porquanto, torna-se necessária uma revisão ampla de conceitos básicos, bem
como uma nova contextualização das unidades de documentação, sejam bibliotecas ou
outras. Tal necessidade apresenta-se como um desafio constante aos profissionais
bibliotecários sendo de capital importância para a busca da adequação de processos
biblioteconômicos às tecnologias emergentes. Segundo Santos (2008, p. 18) “a informática

62 Expressão utilizada para expressar uma ideia sobre determinado assunto ou tema.

560

�tem exercido uma influência fundamental no funcionamento das bibliotecas e serviços de
informação”.
Para Turbam, Rainer e Potter (2003), a TIC é um conjunto de recursos dedicados ao
armazenamento, ao processamento e à comunicação da informação, organizados
normalmente em sistemas de informação baseados em computadores, capazes de executar
um conjunto de tarefas de componentes tecnológicos, não se restringindo aos
equipamentos (hardware), programas (software) e comunicação de dados. A esse respeito
Lancaster (1994), o uso dos computadores nas bibliotecas permitiu que várias operações
internas fossem automatizadas, tornando o acesso às fontes de informação em formato
eletrônico, mais acessível aos usuários. Conforme analisa Gomes e Barbosa (2010), as
bibliotecas universitárias adotaram o uso intensivo das TIC, visto que além da existência
física as bibliotecas também já existem no ambiente digital e virtual. Nessa nova
modalidade elas se apresentam como um conjunto de mecanismos eletrônicos, voltados a
facilitar a rapidez no atendimento a demanda de informação, interligando recursos e
usuários com objetivos comuns de localização e armazenamento dos documentos,
permitindo ao usuário encontrar um caminho mais fácil nessa gama de recursos
disponibilizados.
Os reflexos gerados pelo uso das TIC, paulatinamente, acrescidos à produção
científica crescente em todas as áreas do conhecimento, geram demanda de permanente
avaliação das atividades da biblioteca, tendo por objetivo o alinhamento da prestação de
serviços com os interesses da comunidade acadêmica. Do mesmo modo, o perfil do
profissional bibliotecário deve ser repensado com o propósito de torná-lo apto a gerenciar
os crescentes recursos de informação, online, ora disponíveis. Nessa perspectiva e
seguindo o pensamento de Puerta; Amaral; Gracioso (2010) percebe-se que os impactos
dessas tecnologias têm afetado bastante as bibliotecas contribuindo e criando
oportunidades para o desenvolvimento dos serviços oferecidos e exigindo novas
reconfigurações, inclusive e com a incorporação dos recursos das plataformas virtuais e
das redes sociais - Web 2.0.

Software de gerenciamento de sistemas de bibliotecas universitárias
A intensificação e a velocidade do desenvolvimento das TICS, pelo menos a partir
das quatro ultimas décadas do século XX, tem exercido grande influência no
funcionamento das bibliotecas universitárias. Tanto é que já existem inúmeros trabalhos
que apontam nessa direção exaltando que a informatização das bibliotecas resultou no

561

�aumento da eficiência, cooperação, padronização e melhoria na elaboração de produtos e
execução de serviços.
Atualmente, é impossível imaginar qualquer biblioteca que não utilize uma
variedade de tecnologia como ferramenta de trabalho na chamada “era da informação”.
Cunha (2000, p.75) chama atenção afirmando que no ano de 2010 a totalidade ou a maioria
da “totalidade das bibliotecas universitárias estará automatizada e muitas delas serão
bibliotecas totalmente digitais”. Por isso elas “necessitarão de mais recursos financeiros
para a provisão de equipamentos mais potentes e modernos. Desse modo, as tecnologias
servem também para auxiliar na qualidade da educação e no bem-estar social.
Para acompanhar o desenvolvimento das tecnologias da informação, os modelos de
software foram sendo atualizados, desenvolvidos e modernizados visando atender às
necessidades informacionais das bibliotecas e estas não poderiam deixar de se adequar à
nova sociedade e aos novos usuários que, em consequência de uma sociedade voltada para
informação, passaram a desejar um atendimento mais rápido e dinâmico. Destaca-se entre
essas tecnologias o Software Pergamum.

O Software Pergamum
O software Pergamum é um sistema de gerenciamento de bibliotecas que foi
desenvolvido em 1995 pela Divisão de Processamento de Dados da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná. O Sistema contempla as principais funções de uma
Biblioteca tais como: aquisição, catalogação, circulação, DSI (disseminação seletiva da
informação), empréstimo entre bibliotecas, informações dos usuários, processo gerencial,
controle de publicações seriadas e catálogo em linha de acesso público (OPAC), em
conformidade com os padrões e normas internacionais, funcionando de forma integrada, da
aquisição ao empréstimo.
Conforme Gomes (2005, p. 43), o Sistema Pergamum tem abrangência nacional e
sede na cidade de Curitiba (PR). O objetivo da construção do software é aproveitar as
principais ideias de cada instituição a fim de mantê-lo atualizado e atuante no mercado,
tornando-o capaz de gerenciar qualquer tipo de documento, atendendo desde
Universidades, Faculdades, Centros de Ensino Fundamental e Médio, assim como
empresas, órgãos públicos e governamentais. Em 1999, foi instalada a Rede Compartilhada
do Sistema Pergamum formada por todos os clientes desse software, tendo como
finalidade promover a cooperação e intercâmbio de serviços entre as bibliotecas
integrantes do sistema.

562

�De

acordo

com

o manual

online

do Pergamum,

disponível

no

site

http://www.pergamum.pucpr.br/redepergamum/site_servico_rede_pergamum/manuais.php
.Esse sistema está estruturado em nove módulos com as seguintes rotinas básicas:
1) Módulo Parâmetros - Visa fornecer o controle das configurações do Sistema.; 2)
Módulo Aquisição - Controla o processo de seleção e aquisição de materiais bibliográficos
através de doação, permuta e compra; 3) Módulo Catalogação - Responsável pelo
cadastro, recuperação e o controle de diversos materiais bibliográficos; 4) Modulo
Circulação - Tem por finalidade realizar o controle dos processos de circulação dos
materiais previamente cadastrados no módulo de catalogação; 5) Módulo Relatórios - Este
Módulo permite controlar a qualidade da alimentação do sistema, acompanhar e quantificar
as atividades desenvolvidas e serviços prestados pela biblioteca. Gera diversos relatórios,
bem como informações quanto a: títulos mais emprestados; títulos nunca emprestados;
títulos mais reservados; 6) Consulta ao Catálogo - Módulo de pesquisa realizada por
palavras ou termos, sendo considerada qualquer palavra integrante do autor, título, assunto
ou termo livre; 7) Modulo Internet - Apresenta a consulta ao catálogo através da pesquisa
por autor, título e assunto; 8) Modulo Usuários - Este módulo apresenta os procedimentos
utilizados para o controle de usuários; 9) Módulo Diversos - Possibilita armazenar as
funções que não estão totalmente relacionadas em outros módulos, mas precisam de
relatórios.
Sob essa ótica, a fim de acompanhar a evolução tecnológica as bibliotecas e os
centros de informação necessitam cada vez mais de softwares de gerenciamento de
bibliotecas para dar agilidade aos serviços de rotinas (emissão de relatórios, listagens e
estatísticas) de modo a auxiliar os gestores nas tomadas de decisão.

GESTÃO DA INFORMAÇÃO PARA A UMA EFICAZ TOMADA DE DECISÃO
A gestão da informação (GI) surge como uma modalidade de gestão, para atender
as exigências advindas da enorme produção e registro de conhecimentos oriundos do
acelerado desenvolvimento cientifico e tecnológico. Esse conceito aparece por volta dos
anos de 1960 quando a informação torna-se um recurso que deve ser gerido com a
utilização de um “conjunto de políticas coerentes que possibilitem o fornecimento de
informação relevante, com qualidade suficiente, precisa, transmitida no local certo, no
tempo correto, com um custo apropriado e facilidades de acesso por parte dos utilizadores
autorizados.” (BRAGA, 1993, p.113).

563

�O objetivo da gestão da informação é apoiar a política da empresa de forma global.
Para tanto, Zorrinho (1995, p. 146) sinaliza que gerir a informação é decidir o que vai ser
feito, tendo por base a informação e também decidir o que fazer sobre informação que se
tem em mãos. Assim, gerir a informação “É ter a capacidade de selecionar em um
repositório de informação disponível, aquela que é relevante para uma determinada decisão
e, também, construir a estrutura e o design desse repositório”. Em outra análise Zorrinho
(1995, p.20), argumenta que a Gestão da Informação “é uma função que conjuga a gestão
do sistema de informação e do sistema informático de suporte com a concepção dinâmica
da organização num determinado contexto envolvente". Baseado nessa afirmação percebese que a utilização da TI permite que as organizações processem as informações relevantes
de forma mais efetiva contribuindo para o aumento da qualidade e rapidez do processo de
tomada de decisão. Para tanto, a tecnologia exerce um papel importante tanto na
comunicação e armazenamentos de dados, e dos conhecimentos como na integração dos
tomadores de decisão. Esse autor, diz ainda que “[...] gerir pela informação é condicionar a
base genética de evolução da organização através da acção sobre os padrões de leitura do
ambiente interno e externo”. (ZORRINHO, 1991, p. 21). Agindo assim, têm-se
ferramentas para tomar decisões com maior acerto e melhor controle das organizações.
Por seu turno, Arroteia (2008, p. 329) argumenta que na gestão da informação é
necessário se reunir um conjunto de propriedades sobre a informação que foi recolhida, a
saber: relevância da informação, pois nem tudo o que foi recolhido interessa ao tomador de
decisão; temporalidade, ou seja, toda a informação recolhida precisa ser datada e
contextualizada temporalmente; fiabilidade; quer dizer “ a informação deve ser recolhida,
tratada e divulgada” seguindo-se critérios científicos e de qualidade; controle, ter atenção a
veracidade e fiabilidade da informação recolhida”
De acordo com Moresi (2000), a gestão efetiva de uma organização requer a
percepção objetiva e precisa dos valores da informação e do sistema de informação. Deve­
se perceber a informação pertencendo a dois domínios: no primeiro, ela tende às
necessidades de uma pessoa ou grupo e pode ser classificado em valor de uso, de troca, de
propriedade e de restrição. Nesse caso, a disponibilidade deve satisfazer os seguintes
requisitos: ser enviada à pessoa ou ao grupo certo, na hora e local precisos, na forma
correta. No segundo domínio, a própria organização deve-se interrogar a respeito da
determinação do valor da informação relacionado ao seu processo decisório.
Os novos modelos de gestão da informação pressupõem que a tomada de decisão
seja baseada no maior número de informações possíveis. O gerenciamento da informação

564

�tem se tornado um grande desafio também para as bibliotecas universitárias, que buscam
fortalecer-se como instituições produtivas, eficazes e competitivas, capazes de subsidiar
com qualidade a tríade ensino, pesquisa e extensão. Mais do que o acervo, a BU necessita
gerenciar o acesso à informação proporcionada aos seus usuários.

A gestão no desenvolvimento de coleções (DC)
A formação dos acervos de bibliotecas que antes parecia uma atividade simples,
cada vez mais foi se tornando mais complexa a ponto de os pesquisadores das áreas de
Biblioteconomia e de Ciência da Informação, refletirem sobre modelos de planejamento e
desenvolvimento de coleções que começaram a surgir na década de 70 nos Estados Unidos.
É senso comum entre os bibliotecários e os teóricos que escrevem sobre o assunto,
que para a preparação de política é imprescindível ter conhecimento de alguns dados para
apreciação tais como: o estado da coleção atual; quais as áreas de maior interesse; as
necessidades informacionais dos usuários a ser servida; o conhecimento dos objetivos da
universidade em que a biblioteca está inserida. O DC também sofre influência do uso das
TIC, que propiciam a formação de coleções com uma ampla diversidade de tipologia,
promove a automatização de várias etapas do processo e facilita a interação entre
bibliotecários e usuários. Com a internet a biblioteca poderá aumentar consideravelmente o
número de usuários, dada a facilidade de disponibilização de conteúdos digitais. Com a
biblioteca digital, a atual revolução tecnológica apresenta novas oportunidades de
mudanças, ou seja, este é o momento de se mover para além dos aspectos relativos como a
biblioteca universitária adquire e processa os materiais.
É desejável que a comunidade, na medida possível, participe da gestão da biblioteca
o que é ratificado pelos estudiosos do assunto quando afirmam que a responsabilidade da
decisão no processo de seleção não deve ser responsabilidade exclusiva do bibliotecário,
mas também da comunidade usuária. Para tanto deve haver um canal permanente de
comunicação entre os diversos atores envolvidos nesse processo, tornando mais
democrático e participativo o gerenciamento da biblioteca.
A qualidade do acervo estará diretamente proporcional à parcela de títulos da lista
que ele contempla. Isso posto podemos afirmar que o catálogo automatizado é uma fonte
de informação riquíssima, visto que utiliza-se de ferramentas de análise, tais como, a
bibliometria automatizada onde é possível criar indicadores sobre o uso da coleção e
construir um perfil de forma individualizada de cada usuário membro e da comunidade
(AMARAL, 2006).

565

�A política de desenvolvimento de coleções em Bibliotecas universitárias
As bibliotecas universitárias têm como função prover a infraestrutura bibliográfica,
documentária e informacional para apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão da
universidade e atender as necessidades informacionais dos usuários, membros da
comunidade acadêmica (TARAPANOFF, 1981). Para atender as necessidades de
informação de seus usuários, deve esforçar-se em garantir a eficiência e a eficácia de seus
serviços e produtos, através da adoção de uma política de formação e desenvolvimento do
acervo e de acessibilidade ao documento desejado.
Desse modo o desenvolvimento de coleções é um dos processos inerentes à gestão
de bibliotecas cujas metas e objetivos devem ser consistentes e alinhadas com a missão da
instituição a que se insere. Suportes para o estabelecimento de política de desenvolvimento
de coleções constituem, portanto, importante documento para fundamentar as decisões de
planejamento, orçamento, seleção e aquisição de material bibliográfico para dar a coleção
um perfil compatível com a natureza e abrangências exigidas pelas atividades
desenvolvidas pela instituição.
Segundo Vergueiro (1989), a política de desenvolvimento de coleções irá funcionar
como parâmetro que contribuirá na tomada de decisão dos bibliotecários em relação a
escolha do material a ser adicionado ao acervo e à própria administração dos recursos
informacionais. Nesse sentido, Vergueiro (2010, p.12) recomenda que “[...] todas as
bibliotecas iniciem o processo de seleção com considerações abrangentes, que são depois
refinadas e adequadas a cada uma delas em particular. Essas considerações vão se referir
ao assunto, ao usuário, ao documento em si e a seu preço”. A definição dos assuntos ou
áreas de estudo de interesse da instituição bibliotecária é outro critério que merece atenção
do bibliotecário. A escolha certa será aquela que uma vez definida sobressaia-se pelos
benefícios que vier a proporcionar a comunidade usuária. Cada acervo por suas
peculiaridades deve desenvolver sua política de desenvolvimento próprio podendo
inspirar-se em outros modelos preservando, todavia, sua identidade. Os critérios de seleção
abordados pelo mesmo autor são: autoridade, precisão, imparcialidade, atualidade e
cobertura/tratamento,

conveniência,

idioma,

estilo,

relevância/interesse,

estilo,

característica física, aspectos especiais, contribuição potencial e custo.
O procedimento destinado à obtenção dos documentos, isto é, a efetivação das
tomadas de decisões durante a seleção envolve dois elementos básicos: orçamento e
alocação de recursos.

566

�Sendo o desbastamento um processo pelo qual se exclui do acervo, partes de coleções,
títulos e exemplares para descarte, remanejamento ou restauração a fim de garantir o
equilíbrio do crescimento racional do acervo é natural que haja uma preocupação com esse
aspecto. O descarte é a atividade que mais gera polêmica na biblioteca, uma vez que,
representa a retirada total e definitiva do acervo ou de parte dele.
No que tange ao remanejamento, observam-se os mesmos procedimentos
verificados em relação ao descarte, porém com a devida atenção quanto ao destino do
material a ser descartado, isto é, se será armazenado em um depósito ou encaminhado para
doação. Quanto a avaliação da coleção, podemos dizer que é um processo utilizado para
determinar o valor e adequação da coleção, frente às necessidades dos usuários,
possibilitando elencar diretrizes quanto a aquisição, acessibilidade e ao descarte.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa é de natureza exploratória sendo o estudo empírico realizado por meio
de um questionário aplicado a 18 gestores do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Ceará, que estão envolvidos com a Política de Desenvolvimento dos Acervos.
O questionário foi feito na ferramenta do Google Docs e buscou colher informações sobre
o uso dos Módulos do Sistema Pergamum, nos critérios da política de desenvolvimento
dos acervos.
Foram encaminhados, por e-mail, 18 questionários, sendo 17 (dezessete) para os
gestores de cada biblioteca setorial do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do
Ceará, tanto nos campi de Fortaleza, como do interior. Sendo 1 (um) desses direcionado ao
diretor do Sistema de Bibliotecas. Os questionários foram enviados no dia 07 de novembro
de 2011 e aguardamos o retorno por um período de 30 dias. Como não obtivemos o retorno
esperado, mantivemos contatos telefônicos com todos os gestores a fim de solicitar, mais
uma vez a sua colaboração. Vale salientar que dentre as bibliotecas consultadas, 2 (duas)
não responderam o questionário, justificando que isso não foi possível, por que o Sistema
Pergamum ainda não estava instalado nessas unidades.
Para a análise quantitativa e tabulação dos dados observados foi utilizada a
ferramenta Google Docs, que permite a elaboração de questionário eletrônico, planilha
para armazenar as respostas, bem como a apresentação dos gráficos para serem utilizados
nessa análise.

567

�ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÂO DOS RESULTADOS
Considerando que esse estudo, aplica a filosofia do uso das Tecnologias da
Informação e Comunicação (TIC) na tomada de decisões e dos critérios das Políticas de
Desenvolvimento do Acervo do Sistema de Bibliotecas da UFC e mais precisamente
relacionada à contribuição do Sistema Pergamum para esse fim, buscamos através da
análise e discussão dos dados apurados responder ao seguinte questionamento: Qual é a
contribuição das informações produzidas pelos Módulos do Sistema Pergamum para
as tomadas de decisões dos gestores no âmbito das políticas de desenvolvimento de
acervos do Sistema de Bibliotecas da UFC?
Para melhor entendimento e compreensão vejamos algumas considerações acerca
da Política de Desenvolvimento do Acervo do SBU da UFC, relacionando-as com os
resultados observados na nossa pesquisa a fim de garantir o processo gerencial,
contribuindo para a melhoria da gestão das Bibliotecas Setoriais da UFC, orientando assim
as decisões dos seus gestores. Para tanto, organizamos nossas análises tendo por base as
seguintes categorias: conhecimento da Política do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Ceará (SBU-UFC); identificação e uso das informações fornecidas pelos
Módulos do Sistema Pergamum para tomada de decisões na Política de Desenvolvimento
do Acervo. Estabelecidas essas categorias e visando manter a confidencialidade dos
gestores, adotamos para cada um deles a letra G seguida de uma ordem numérica.
A) Conhecimento da Política do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do
Ceará (SBU/UFC)
Como já explanado existe, de fato e de direito, uma Política de Desenvolvimento de
Acervo no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC). No entanto,
nosso interesse aqui era saber se os gestores conhecendo essa Política fazem uso dos
critérios estabelecidos para a aquisição de títulos. Assim, oferecemos, no questionário, um
rol de opções contendo os principais critérios (Adequação às unidades curriculares,
Títulos mais reservados, Títulos mais emprestados, Atualidade da obra, Área de
conhecimento) e solicitamos-lhes que assinalassem aqueles que eles, normalmente,
adotam. Além disso, também colocamos a opção outras, a fim de ver se além dessas que
são consideradas as fundamentais, eles ainda utilizam outros.
As respostas deixam claro que, todos os gestores, adotam pelo menos três dos
critérios instituídos na referida política. No entanto, nenhum gestor apontou todos os
critérios. Porém, com relação a observância aos títulos mais reservados e mais
emprestados houve unanimidade por parte dos sujeitos da pesquisa (vejam-se a Tabela-1)

568

�Tabela - 1 : Critérios para Política de Aquisição

CRITÉRIOS
PARA
A
POLÍTICA DE AQUISIÇÃO

NÚMERO DE
RESPOSTAS

PERCENTUAL
(%)

Adequação aos Programas
das disciplinas dos Cursos
Títulos mais reservados

15

94

16

100

Títulos mais emprestados

16

100

Atualidade da obra

11

69

Área de Conhecimento

3

19

Outros

2

13

Fonte: Pesquisa de opinião realizada com os gestores

Conforme pode ser observado na tabela-1, o critério relativo a adequação aos
programas das disciplinas dos cursos, que era de se esperar que fosse adotado por todos,
não o foi, um dos gestores não apontou tal critério. Isso de certa forma nos instiga, pois,
em nosso entendimento, uma aquisição de material bibliográfico ou documental deve
priorizar, antes de qualquer coisa, os programas de disciplinas dos cursos, inclusive no
âmbito da pós-graduação e para cursos recém-criados.
Ainda analisando a tabela-1, no que tange à atualidade da obra, de acordo com os
gestores entrevistados, 11(69%) dos 16, não apontaram esse critério como um dos mais
relevantes para a aquisição do acervo. Consideramos que o dado percentual aqui apontado
é bastante alto o que é preocupante, afinal, como não levar e conta a atualização do acervo,
em um ambiente que pela própria natureza busca estar na “ponta” em termos do que está
sendo publicado nas áreas de conhecimentos. Ora, é de se esperar que o acervo de
bibliotecas universitárias, principalmente, esteja atualizado para oferecer maior qualidade
às pesquisas que estão sendo feitas na universidade.
Quanto à área de conhecimento, conforme a Tabela-1, podemos perceber que
apenas 3 gestores (19%), reconhecem esse critério como relevante para a política de
aquisição de títulos. No entanto, verificamos que como houve unanimidade no critério de
títulos mais emprestados e este critério, conforme o item i, da política da UFC, já
contempla o número de consultas/empréstimo por área de conhecimento, em nossa
interpretação, talvez tenha influenciado no baixo índice de respostas positivas dos gestores
para esse critério. Dois gestores (13%) ainda, escolherem o item outros, conforme a

569

�Tabela-1, e apontaram que também adotam como critérios os cursos que estão sendo
avaliados pelo MEC, e as sugestões de professores e alunos como critérios importantes
para a aquisição de novos títulos a serem adquiridos e incorporados ao acervo das BU,
desde que comprovada à relevância das mesmas e havendo disponibilidade de recursos.
B) Identificação e uso das informações fornecidas pelos módulos do sistema
pergamum para tomada de decisões na política de desenvolvimento do acervo
Devido a termos incluído nessa categoria vários aspectos do estudo empírico,
tomamos a decisão dividi-la em quatro subcategorias:
b.1: uso dos dados fornecidos pelo módulo relatório do software Pergamum
para auxiliar na tomada de decisão na aquisição de novos títulos.
Pela nossa experiência na gestão de processamento técnico e estudando o Sistema
Pergamum observamos que ele possui nove (09) módulos em sistema integrado, sendo um
deles denominado “Módulo Relatório”. Como já discutido em (cf.32) esses módulos
apresentam dados que são de grande valia para apoiar as tomadas de decisão na aquisição
de novos títulos. Tendo esse conhecimento, perguntamos aos gestores se eles utilizam os
dados do “Módulo Relatório” para auxiliar na tomada de decisão para aquisição de novos
títulos. A maioria deles (87%) respondeu afirmativamente.
Tabela - 2: Uso dos dados do Módulo Relatório para Aquisição de Títulos

RESPOSTAS

N° GESTORES

PERCENTUAL

SIM

13

87%

NÃO

3

13%

Fonte: Pesquisa de opinião realizada com os gestores

De certo modo, nos surpreendemos em relação aos 13% dos gestores que
responderam negativamente. Pois, através do “Módulo Relatório” é possível identificar os
títulos mais reservados, mais emprestados, menos emprestados, verificar a área de
conhecimento que mais tem livros e as que têm menos. Isso deveria ser um dado a mais
para os gestores tomarem decisões, pois, além dos bibliotecários eles também têm acesso a
essas informações e assim estariam diretamente, assumindo seu papel de tomador de
decisões, evitando desperdícios na aquisição. De posse da lista de novas aquisições enviada
pelos professores, os gestores verificam a existência ou não daqueles títulos, se são
disponíveis e se tem exemplares suficientes para atender a demanda. Somente após essa
checagem é que o material poderá ser adquirido. Então, por que será que ainda existem

570

�gestores que não fazem uso dessa ferramenta? Talvez isso possa ser explicado por duas
razões. A primeira delas pode estar relacionada ao desconhecimento ou alguma resistência
ao manuseio desse módulo para aquisição de novos títulos. Enquanto que a segunda razão
pode estar associada ao hábito de fazer aquisição tomando por base somente a lista enviada
pelos professores, perdendo assim a oportunidade de assumir o seu papel de gestor.
Quanto aos que responderam “não”, dois justificaram suas respostas. O primeiro
alega que naquele momento não dispunha do sistema informatizado na biblioteca em que
atua, o segundo continua adotando seu método manual e o terceiro alega não tomar
decisão.
.

b.2: Contribuição das informações dos Módulos do Sistema Pergamum para o

acompanhamento quanto a quantidade, pertinência e atualização do acervo
É de esperar que um sistema de gerenciamento de bibliotecas seja capaz, entre
outras coisas, de oferecer informações úteis referentes à quantidade, pertinência e
atualização do acervo. Os “módulos” do Sistema Pergamum atendem essas exigências.
Justamente por isso, solicitamos aos gestores que apontassem se utilizam as informações
produzidas por esse sistema para acompanhar o acervo quanto à pertinência, quantidade e
atualização. Dos gestores participantes da pesquisa, 15 (94%) afirmaram que sim, enquanto
que somente 1 deles (6%) disse não utilizar essas informações.
Tabela - 3: Contribuição dos dados do Pergamum para Acompanhamento do Acervo

RESPOSTAS
DOS
GESTORES
Identificação
das
Necessidades dos Usuários
Acompanhamento
da
Quantidade de Exemplares
Atualização

NÚMERO
RESPOSTAS
1

DE

PERCENTUAL
6%

7

44%

4

25%

Pertinência

4

25%

Empréstimos/Reservas

2

13%

Fonte: Pesquisa de opinião realizada com os gestores

Conforme a Tabela-3, os relatórios do Sistema Pergamum são gerados no intuito de
identificar as necessidades da comunidade universitária e assim, atualizar o acervo,
oferecendo suporte informacional de qualidade para o ensino, pesquisa e extensão e que as

571

�informações disponibilizadas pelo referido sistema permitem aos gestores acompanhar o
comportamento do acervo quanto a quantidade de exemplares disponibilizados, atualização
e pertinência com as áreas de conhecimento que as bibliotecas atendem.
b.3: Utilização das informações dos Módulos do Sistema Pergamum para elaborar
políticas de aquisição do acervo no Sistema de Bibliotecas
Tomando por base, que os Módulos do Sistema Pergamum fornecem dados quanto
à pertinência, quantidade e atualidade dos acervos, e que esses elementos são de
fundamental importância para a elaboração de políticas de aquisição de coleções,
entendemos que seria natural que os gestores das BCs-UFC fizessem uso desses módulos.
Dos gestores participantes da pesquisa, 11 (69%), declararam utilizar as
informações dos módulos do Pergamum para elaborar políticas de aquisição do acervo no
sistema de bibliotecas, quanto ao filtro de busca, aquisição de livros, quantidade de
exemplares, empréstimos/reservas e atualidade do acervo, o que pode ser observado, na
tabela-4.
Tabela - 4: Utilização dos Módulos do Pergamum para Elaboração de Políticas

RESPOSTAS

NÚMERO DE RESPOSTAS

PERCENTUA
L

Filtros de Busca

5

31%

Aquisição de Livros

2

13%

4

26%

Atualidade

3

19%

Empréstimos/Reservas

6

38%

Quantidade

de

Exemplares

Fonte: Pesquisa de opinião realizada com os gestores

Conforme ilustrado pela tabela-4, justifica-se que através das informações
oferecidas pelo Sistema Pergamum, utilizando filtros de busca, é possível obter
informações que nortearão a tomada de decisão no processo de aquisição de títulos ou
ainda para realizar aquisição de livros que a Biblioteca disponibiliza em quantidade
insuficiente para os cursos que estão em processo de avaliação ou que tenham obtido nota
insatisfatória em avaliações anteriores. Outro ponto importante baseado na pesquisa quanto
a política de aquisição, é que através do Pergamum se sabe se a quantidade de exemplares

572

�é satisfatória, considerando o número de reservas e a idade do acervo. Por outro lado, 31%
(5) dos gestores entrevistados responderam “não” a esse critério. Vale salientar que,
embora exista uma Política de Desenvolvimento de Acervo consolidada, essa ação é
dinâmica e fexível, podendo e devendo ser alterada conforme as necessidades dos usuários
e novas demandas surgidas.
b.4: Reconhecimento dos Módulos do Sistema Pergamum que são compatíveis com
os critérios da política de aquisição.
Indagamos os gestores quais os “módulos” que são mais utilizados como fonte de
informação para sugestão de aquisição e se eles são compatíveis com os critérios da
política de aquisição. As respostas apresentadas na tabela-4, foram variadas e, em muitos
casos repetidas, justamente por isso, os resultados percentuais ultrapassam a 100%:
“módulo relatório” (93%), “módulo catalogação” (50%) “módulo internet” (13%).
Tabela - 5: Módulos do Pergamum compatíveis com critérios da Política de Aquisição

RESPOSTAS

NÚMERO DE RESPOSTAS

PERCENTUA
L

Módulo Internet

2

13%

Módulo catalogação

8

50%

Módulo Relatório

15

93%

Fonte: Pesquisa de opinião realizada com os gestores

Conforme os dados da tabela-5, a grande maioria dos gestores destaca o “Módulo
Relatório” como o mais utilizado nesse critério. Esses resultados podem ser, justamente,
porque ele é o módulo que fornece informações sobre vários aspectos: os títulos mais
reservados, mais emprestados e menos emprestados; em forma de referência bibliográfica;
área de CIRCULAÇÃO DE MATERIAS.
Embora o Módulo Catalogação tenha sido o segundo mais indicado por 8 gestores
(50% dos entrevistados), alguns apontaram esse módulo conjuntamente com o Módulo
Relatório.
Ainda sobre o reconhecimento dos Módulos do Sistema Pergamum que são
compatíveis com os critérios da política de aquisição, 2 gestores (13%) indicaram o
Módulo Internet, conforme a seguir “Módulo consulta internet” (G-16), “Módulo consulta
internet” (G-6).

573

�Essa quantidade de indicação pequena de respostas pode ser explicada porque esse
módulo parece ser voltado muito mais para o usuário externo, embora ofereça várias
indicações que poderiam ser utilizadas pelos gestores, como critérios que são compatíveis
com as políticas de aquisição de acervo, por exemplo: total de empréstimos, reservas,
consultas internas, consultas e exibições em listas do site, entre outras informações.

CONCLUSÃO
Considerando o importante papel que a Biblioteca Universitária representa na vida
da sociedade em geral, e da acadêmica mais especificamente, constatamos que ela é a
responsável pela gestão das informações e dos materiais que registram o conhecimento da
área afim. É ela também que vai criar uma relação entre esse saber e as pesquisas que são
práticas constantes nas universidades, definindo e possibilitando que os caminhos sejam
cada vez mais ágeis e relevantes, usando, para isso, todas as ferramentas que as tecnologias
hoje permitem.
Portanto, as bibliotecas universitárias necessitam de gestão competente e de
tecnologias que sejam concebidas como recursos para apoiar a tomada de decisão e o
processo de planejamento, sem perder de vista que esta é um subsistema da universidade e
deve ser incluída nas políticas públicas educacionais. Baseado nesse pressuposto elas
devem realizar uma administração competente, elaborando estratégias audaciosas e
modernas tecnologias para que se eleve a qualidade dos serviços prestados à comunidade
acadêmica e à sociedade brasileira.
Consideramos que os gestores, em sua maioria fazem uso das informações
oferecidas pelo sistema em suas tomadas de decisão e que o presente estudo atingiu ao
objetivo proposto no que respeita à contribuição do Sistema Pergamum para o
gerenciamento do Sistema de Bibliotecas da UFC, fato confirmado pela resposta dos
gestores ao questionário proposto ratificando a importância do referido sistema como
importante ferramenta no processo gerencial de suas bibliotecas.
Diante dos resultados comprovamos que os Módulos do Sistema Pergamum
oferecem informações muito importantes para o gerenciamento do sistema como um todo.
Inferimos, ainda, que a contribuição do Sistema Pergamum é relevante, pois disponibiliza
informações úteis a fim de que os gestores tomem decisões seguras e confiáveis quanto aos
critérios da política de desenvolvimento do acervo.
Acreditamos que os resultados de nossa pesquisa poderão ser de grande valia, não
somente no âmbito da Universidade Federal do Ceará, mas também, para as instituições

574

�que fazem da rede Pergamum, para os desenvolvedores de softwares de gerenciamento de
bibliotecas e ainda para aqueles interessados pelo tema de avaliação no âmbito de políticas
de desenvolvimento de acervos utilizando-se das ferramentas tecnológicas de informação e
de comunicação.
Recomendamos que os gestores devem se envolver cada vez mais com a política de
desenvolvimento do acervo, bem como, apropria-se das técnicas para um correto uso das
ferramentas tecnológicas para esse fim, especialmente o Sistema Pergamum, visto ser uma
ferramenta tecnológica que pode garantir a qualidade no processo gerencial de uma
biblioteca sem que os recursos humanos envolvidos estejam devidamente preparados e
mobilizados para essa finalidade.

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Aveiro: Universidade de Aveiro, 2008.
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576

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A contribuição do Sistema Pergamum na gestão da Política de Desenvovimento de Acervos do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará.</text>
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                <text>Maia, Osvaldêmia Maria, Pinto, Virgínia Bentes </text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>O uso das tecnologias eletrônicas e digitais de informação e de comunicação é uma constatação, tanto no contexto individual, como coletivo e, igualmente das organizações educacionais, industriais e comerciais, sejam elas públicas ou particulares. No ambiente das bibliotecas de um modo geral e nas universitárias em particular, também não é diferente, cada vez mais essas organizações incorporam tais tecnologias na elaboração de seus produtos e na execução de seus serviços, visando atender melhor aos seus usuários/clientes internos e externos. Nesse sentido, definimos como objetivo geral investigar a contribuição das informações produzidas pelos Módulos do Sistema Pergamum no processo gerencial do sistema de biblioteca da UFC no que respeita a tomada de decisão por parte dos gestores dessas bibliotecas, quanto ao processo de gerenciamento dos critérios da política de desenvolvimento do acervo. Os resultados do estudo confirmam que a maioria dos gestores utilizam as informações que os Módulos do Sistema Pergamum oferecem para o gerenciamento do sistema como um todo e, considera-se que os objetivos propostos foram atingidos no que respeita à contribuição do Sistema Pergamum para o gerenciamento das Políticas de Desenvolvimento de Coleções do Sistema de Bibliotecas da UFC.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CRIAÇÃO DE UM FORMULÁRIO ELETRÔNICO PARA BUSCA AUTOMÁTICA
NO CATÁLOGO COLETIVO NACIONAL (CCN)

Fabiano Domingues Malheiro
Cláudia Denise Dias Zibetti
Alessandro Moreno Baladón
RESUMO
O presente trabalho teve como objetivo principal dinamizar a busca de títulos e coleções de
periódicos, utilizando dados do Catálogo Coletivo Nacional (CCN). Pela grande quantidade
de solicitações de artigos de periódicos científicos encaminhados à biblioteca, pensou-se em
aperfeiçoar este serviço e também oferecer aos usuários a possibilidade de localizar o título e
sua coleção com agilidade, criando um formulário eletrônico, que está disponível no site da
biblioteca, onde se solicitam os dados para um Webservice que recebe como entrada o
International Standard Serial Number (ISSN), consulta o CCN e devolve os dados do
periódico no formato JavaScript Object Notation (JSON). Após o retorno dos dados, o campo
título é preenchido, os campos ano e coleção são apresentados automaticamente para a
escolha do usuário. Utilizando para isso, uma ferramenta em um script
Hypertext Preprocessor (PHP) que usa a biblioteca cURL para fazer requisições Hypertext
Transfer Protocol (HTTP) ao site desejado.

Palavras-Chave: Comutação Bibliográfica. CCN. Formulário de captação de dados.

ABSTRACT
This study aimed to apply dynamics to the search of titles and journal collections, using
informations from the national collective catalog (CCN). The large number of requests for
journal articles sent to the library, we thought about improving this service and also to offer
users a possibility to locate the title and their collection quickly, creating an electronics form
which is available on the library website where data are request to a Webservice which
receives the International Standard Serial Number (ISSN), consultation the CCN and returns
the periodical data in JavaScript Object Notation (JSON) form. After returning the data, the
field title is completed, the field collection and year are automatically presented to the user's
choice. Using for this, a tool in a Hypertext Preprocessor (PHP) script which uses the cURL
library to make requests Hypertext Transfer Protocol (HTTP) to the desired site.
Keywords : Switching Bibliographical. CCN. Form data capture.

940

�1 INTRODUÇÃO
A necessidade de se localizar as produções científicas tradicionalmente publicadas em
revistas, os altos custos dessas publicações impressas para os investigadores e para as
bibliotecas de instituições brasileiras, tornaram crítica à aquisição para quem necessitava ter e
dar acesso às informações contidas nos periódicos científicos. Foram esses motivos que
deram origem então ao CCN (Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas) com
acesso público criado em 1954. Desde 1994, após passar por várias modificações, esse
catálogo está disponibilizado online e reúne informações sobre as coleções de publicações
seriadas nacionais e estrangeiras disponíveis nas bibliotecas brasileiras. Essas bibliotecas, que
compõem a rede CCN, atuam de maneira cooperativa sob a coordenação do Instituto
Brasileiro de Ciência e Tecnologia. Os objetivos do catálogo coletivo são difundir, identificar
e localizar publicações seriadas existentes no país; estabelecer políticas de aquisição de
coleções; padronizar a entrada dos títulos conforme critérios internacionais; promover o
intercâmbio entre bibliotecas, por meio do COMUT.
O serviço de comutação COMUT foi instituído inicialmente junto à Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela Portaria n° 456, de 05 de agosto
de 1980 do Ministério da Educação e Cultura. Desde então, passou a ser um serviço essencial
prestado em bibliotecas universitárias. “O COMUT permite que qualquer pessoa solicite e
receba, por intermédio de uma biblioteca que seja cadastrada no programa, cópias de artigos
publicados em periódicos técnico-científicos (revistas, jornais, boletins, etc.), teses, capítulos
de livros e anais de congressos.” (CEDÓN, 2005). O principal objetivo do COMUT é facilitar
o acesso ao documento requerido nas tarefas de pesquisa, ensino e gerenciamento
independentemente de sua localização, mediante a celebração de convênios de prestação de
serviços com Bibliotecas-Base (depositárias) e fornecedores de textos completos (editores,
livreiros, bases de dados de texto completo etc.), sob a perspectiva de um sistema de
comutação bibliográfica descentralizado. Esse serviço foi intensificado devido à necessidade
de acessibilidade aos periódicos científicos. As bibliotecas recebem milhares de solicitações
de COMUT por ano e observando estes dados, começou-se a desenvolver uma forma de
agilizar este serviço, de maneira que o próprio usuário solicitante pudesse saber quais anos,
volumes e números estão disponíveis no CCN no momento em que realizam a solicitação,
evitando assim, erros no preenchimento dos dados.

941

�2 REVISÃO DE LITERATURA
Antes do século XVII a comunicação entre os cientistas era feita através de
correspondências ou enviadas às agremiações científicas. Quando surgem os periódicos
científicos, esses passam a ter um importante papel como veículo de comunicação e registro
das descobertas dos estudiosos de um determinado assunto. Como bem explicitado abaixo:
Os periódicos foram, desde seus primórdios, importantes canais de
publicação de notícias científicas. No século XIX, expandiram-se e
especializaram-se, vindo a realizar importantes funções no mundo da
ciência. Ao publicarem textos, os estudiosos registram o conhecimento
(oficial e público), legitimam disciplinas e campos de estudos, veiculam a
comunicação entre os cientistas e propiciam ao cientista o reconhecimento
público pela prioridade da teoria ou da descoberta. (FREITAS, 2006, p.54).
Essa forma de se comunicar descobertas científicas ainda permanece válida até os dias
atuais. Os periódicos ainda são o meio mais procurado para se publicar estudos e apresentam
um grau de muita importância no cenário da ciência. Atualmente estamos vivenciando uma
transição do suporte papel para o suporte eletrônico em vários tipos documentais. E com os
periódicos científicos não poderia ser diferente. O acesso até os mesmos, também foi
evoluindo de maneira que muitos títulos já são disponibilizados na íntegra em websites e em
alguns portais. Esses benefícios só foram possíveis devido a forte influência da informática
sobre a biblioteconomia e Ciência da Informação. Como bem evidenciado a seguir:

As bibliotecas - ou outras unidades de informação - têm, basicamente, duas
finalidades principais: a) atender às necessidades dos seus usuários e b)
procurar facilitar o acesso, de forma rápida e ótima, à informação por eles
solicitada (...). A informática tem sido uma disciplina fundamental na
evolução das áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação,
principalmente pelo emprego das chamadas Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICS) (RUSSO, 2010, p.71).
Uma tecnologia comumente utilizada em empresas para integração de sistemas,
permitindo diferentes aplicações é a Webservice. Através desse recurso é possível interagir
sistemas desenvolvidos em plataformas diferentes, tendo compatibilidade e linguagem própria
que é traduzida para a linguagem universal no formato XML. Apoiando-se nessa descoberta e
pretendendo trazer agilidade, eficiência e segurança, nas solicitações de COMUT, foi criado
um formulário eletrônico para facilitar a recuperação de informações oriundas do CCN.
Através dessa ferramenta os dados podem ser expostos de forma segura para o usuário.

942

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O método adotado neste trabalho, foi sendo desenvolvido a partir de testes realizados
pelos funcionários de uma Biblioteca que se utilizaram de uma ferramenta em um script PHP
que usa a biblioteca cURL para fazer requisições HTTP ao site do CCN. O código PHP
recebe como entrada o ISSN da publicação. O primeiro script gerado teve como objetivo
verificar a viabilidade técnica de se obter dados automáticos do CCN, bem como o tempo de
resposta e o volume de dados retornados na consulta. Para testar basta acessar o site:
http://www.bibliodonto.br00.tk/comut.php?issn=0363-6771. O exemplo mostra as páginas
percorridas ao pesquisar o ISSN 0363-6771, o tempo de acesso e o volume total de dados
baixados.
O primeiro script PHP foi aplicado em um grupo de dez periódicos escolhidos de
forma a obter um conjunto heterogêneo de teste, com coleções, assuntos e volumes de dados
variados. O tempo total de acesso a cada periódico e o volume de dados retornados estão
apresentados na Tabela 1 e Gráfico 1.

Tabela 1 - Tempo de acesso e volume de dados para os periódicos de teste
D o w n lo a d
IS S N

T em p o (s)

(B)

0001-3765 Anais da Academia Brasileira de Ciencias

19,9

998409

1414-4522 Biotecnologia ciencia &amp; desenvolvimento

15,7

501828

0008-6568 Caries research

10,52

206583

0020-6539 International dental journal (Bristol)

9,1

183557

0894-8275 American journal of dentistry

8,42

135745

0022-0345 Journal of Dental Research

6,4

293005

0029-

5,7

130828

0287-4547 Dental materials journal

5,62

55698

1462-6446 The Chinese journal of dental research

5,4

45753

0028-8047 New Zealand dental journal

4,92

112404

845X

T ítu lo

Scandinavian Journal of dental research

943

�Gráfico

1

Download
(B)

Tempo

de

acesso

(Segundo)

VS

Volume

de

dados

(Byte)

1000000
800000
600000
400000
200000
0
0

5

10

15

20

25

Tempo de acesso (s)

4 RESULTAOS PARCIAIS/FINAIS
O volume de dados retornados foi constante para cada acesso ao mesmo periódico,
porém o tempo de acesso pode variar significativamente em uma rede. Isso se deve aos picos
de tráfego de pacotes de dados nos diversos nós da rede e picos de processamento do servidor
WEB. Os testes com o primeiro script PHP demonstraram que é viável obter dados
automáticos do CCN com um tempo aceitável de acesso de até 30 segundos para os
periódicos com maior volume de dados e um tempo compreendido entre 5 e 10 segundos para
a maior parte dos periódicos.
O segundo script gerado teve como objetivo extrair as informações do periódico, das
coleções e das Bibliotecas do CCN, retornando a consulta de forma automática. Para testar
basta acessar o site: http://www.bibliodonto.br00.tk/comut2.php
O exemplo demonstra um campo de texto onde deve ser digitado um ISSN. Ao
pressionar o botão “Procurar”, as informações do periódico, das bibliotecas e da coleção são
apresentadas em uma matriz de dados.
O terceiro script gerado tem como objetivo extrair os anos, volumes e fascículos
disponíveis de um determinado periódico de dentro do campo coleção na matriz de dados
obtida após a consulta e filtragem dos dados obtidos no CCN.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Este trabalho é de caráter cooperativo e somente tem a pretensão de ser um facilitador.
Tendo como foco principal agilizar a prestação de um serviço através de uma importação
simultânea dos dados disponibilizados pelo CCN, para localizar um título de periódico,
identificando volumes, fascículos e a instituição que possui o material que irá ser solicitado
cópia, fazendo o intercâmbio de forma simples e rápida.

944

�6 REFERÊNCIAS

CEDÓN, Beatriz Valadares et al. Sistemas e redes de informação. In: OLIVEIRA, Marlene de
(Coord.). Ciência da Informação e Biblioteconomia : novos conteúdos e espaço de atuação.
Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2005. cap. 4, p.61- 95.
FREITAS, Maria Helena. Considerações acerca dos primeiros periódicos científicos
brasileiros. Ciência da Informação, Brasília, v. 35, n. 3, p. 54-66, set./dez. 2006.
OLSON,

Philip

et

al.

Manual

do

PHP.

Disponível

em:

&lt;

http://www.php.net/manual/pt_BR/&gt; Acesso em: 13 mai. 2014.

______ .

Manual

do

PHP:

biblioteca

client

URL.

Disponível

em:

&lt;http://www.php.net/manual/pt_BR/book.curl.php&gt; Acesso em: 13 mai. 2014.
RUSSO, Mariza. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Rio de Janeiro:
E-papers, 2010. 178 p.
SANTOS, Lívia Renata; OLIVEIRA, Nivaldo de; SILVA, Marina Cajaíba da. Comutação
bibliográfica e as novas tecnologias de comunicação e informação: uma convivência pacífica?
Disponível em:

&lt; http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/642/pdf_5 &gt; Acesso em: 24

abr. 2014.
TANENBAUM, Andrew S. Redes de Computadores. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. 945 p.

945

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Criação de um formulário eletrônico para busca automática no Catálogo Coletivo Nacional (CCN)</text>
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                <text>Malheiro, Fabiano Domingues, Zibetti, Cláudia Denise Dias, Badalón, Alessandro Moreno </text>
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                <text>O presente trabalho teve como objetivo principal dinamizar a busca de títulos e coleções de periódicos, utilizando dados do Catálogo Coletivo Nacional (CCN). Pela grande quantidade de solicitações de artigos de periódicos científicos encaminhados à biblioteca, pensou-se em aperfeiçoar este serviço e também oferecer aos usuários a possibilidade de localizar o título e sua coleção com agilidade, criando um formulário eletrônico, que está disponível no site da biblioteca, onde se solicitam os dados para um Webservice que recebe como entrada o International Standard Serial Number (ISSN), consulta o CCN e devolve os dados do periódico no formato JavaScript Object Notation (JSON). Após o retorno dos dados, o campo título é preenchido, os campos ano e coleção são apresentados automaticamente para a escolha do usuário. Utilizando para isso, uma ferramenta em um script Hypertext Preprocessor (PHP) que usa a biblioteca cURL para fazer requisições Hypertext Transfer Protocol (HTTP) ao site desejado.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

INVENTÁRIO DO PERFIL TIPOLÓGICO, POR MEIO DO TESTE QUATI, DE
FUNCIONÁRIOS QUE TRABALHAM EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO

Cicilia Conceição de Maria

RESUMO
Esta pesquisa realizou-se em uma unidade de informação e teve como objetivo avaliar a
correspondência entre o perfil tipológico de personalidade, levantado por meio do teste
QUATI. Teve como requisito as funções profissionais desempenhadas por um grupo de 21
funcionários, os quais foram distribuídos nas seguintes funções: bibliotecários, analista de
sistema, técnicos em biblioteconomia e auxiliares em biblioteconomia. A pesquisa é de
natureza qualitativa. Como resultado, verificou-se que oito participantes apresentam a
introversão como característica determinante de personalidade; e, os outros treze
participantes, caracterizam-se pela atitude de Extroversão.
Palavras-chave: Personalidade; perfil tipológico; unidades de informação, Quati.
ABSTRACT
This research took place in an information unit and aimed to evaluate the correspondence
between the typological profile personality, through the test QUATI, and requirements of the
professional functions performed by a group of 21 employees, who were distributed in the
following roles: librarians, system analyst, library technicians and assistants in library. The
research is qualitative in nature. As a result, it was found that eight participants have
introversion characteristic determinant of personality, and the other thirteen participants,
characterized by the attitude of Extraversion.
Key words: Personality; typological profile, librarian, QUATI.

INTRODUÇÃO
As Unidades de Informação ou bibliotecas existem desde que o homem sentiu
necessidade de registrar e armazenar informações. Eram denominadas “casas de vida”. No
Brasil, as bibliotecas surgiram com a vinda dos jesuítas, ou seja, com a colonização
portuguesa (Fonseca, 1979).
As

bibliotecas

universitárias

surgiram

concomitantemente

às

universidades

brasileiras, em meados de 1960, com a missão de propagar as atividades universitárias de
ensino, pesquisa e extensão. Ela não é simplesmente um departamento em uma universidade,
e sim um laboratório, o local essencial para o desenvolvimento científico e tecnológico.

1240

�Nessa época (1960), a educação brasileira sofria constante intervenção do regime
militar e, sobretudo, influências educacionais externas. Atualmente, as bibliotecas coexistem
com a universidade na função de ensino, pesquisa e extensão, sendo proeminentemente um
instrumento educacional e pedagógico fora das salas de aula e componentes essenciais do
sistema educacional.
As bibliotecas são também intituladas Unidades de Informação. Podemos denominálas organizações no sentido empresarial, visto que são compostas pela estrutura
organizacional (divisões dos setores), por recursos humanos (pessoas), recursos materiais
(mobiliário), recursos financeiros (custos) e bens intangíveis (pessoas, sistemas integrados de
bibliotecas, informações contidas nos diversos materiais bibliográficos, etc.).
Conforme Chiavenato (1995), As Unidades de Informação/bibliotecas podem ser
alocadas no ramo de atividades de empresas de prestação de serviços. Podemos afirmar,
portanto, que as bibliotecas fornecem serviços especializados para uma clientela específica.
Logo, para a eficácia do seu desempenho, necessitam de profissionais capacitados para a
execução desses serviços.
Essa necessidade incorre em um questionamento: investir somente em novas
tecnologias e equipamentos de última geração é suficiente para que as bibliotecas se tornem
precursoras do desenvolvimento científico e tecnológico? Parece fundamental que o
autoconhecimento das pessoas que trabalham em Unidades de Informação/ bibliotecas pode
vir contribuir em beneficio da ciência e das pesquisas. Neste sentido vemos que os estudos de
personalidades muito contribuíram com o comportamento organizacional nas empresas.
Os tipos Psicológicos Junguianos em linhas gerais baseiam-se : definir estilos
cognitivos; como o indivíduo aborda a vida; à maneira que o indivíduo toma consciência do
mundo; o processo pelo qual o mesmo toma consciência das informações que chegam a ele,
bem como as conclusões que mesmo solidifica de seu mundo (ZACHARIAS,2003)
Com relação à personalidade, Jung (2011;v.6) considera dois tipos gerais de atitudes,
tais como: o introvertido e o extrovertido; o primeiro refere-se ao indivíduo a libido deslocase de fora para dentro, proporcionado o mesmo focar sua atenção no próprio mundo interno
de impressões, emoções, pensamentos e sentimentos. As pessoas de atitudes introvertidas
orientam-se por fatores subjetivos. O extrovertidos a libido dirigem a energia psíquica de
dentro para fora delas, direcionando aos objetos, pessoas e eventos objetivos. Os objetos e o
meio externo tem predominância sobre os aspectos subjetivos da suas experiências.
Acreditamos

que

este

estudo

propiciará

aos

gestores

de

unidades

de

1241

�informação/biblioteca, uma avaliação pessoal e um diagnóstico a respeito da locação dos
recursos humanos em bibliotecas universitárias, partindo da Teoria da Psicologia Analítica.
Este trabalho tem como objetivo analisar os tipos psicológicos conforme a teoria de
personalidade de Carl Gustav Jung (1875-1961), correlacionando os respectivos tipos
psicológicos levantados com os requisitos da função laboral desempenhada. Assim, seria précondição para uma melhor adaptação do funcionário à função, que os tipos caracterizados
pela extroversão atuassem em atividades de contato com o publico, e os colaboradores com
características de personalidade introvertidas atuassem em atividades burocráticas internas da
unidade de informação.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 - BIBLIOTECAS / UNIDADES DE INFORMAÇÃO
As bibliotecas no Brasil surgiram com as ordens religiosas dos Beneditinos,
Franciscanos e Jesuítas. Porém, o marco inicial foi a Biblioteca Nacional, proveniente da
Biblioteca Real da ajuda, criada por D. João I, rei de Portugal.
Segundo Castro (1998), as primeiras obras de origem da Biblioteca Real chegaram ao
Brasil por força das pressões políticas, com a invasão das tropas francesas de Junot à família
Real de Portugal.
Em 1810, na ordem Terceira do Carmo, foi instalada a primeira biblioteca, entretanto,
as condições para conservação do material eram desfavoráveis, com ventilação incipiente.
Foi Camilo de Monteserrate (1818) que teve a primeira preocupação em instalar o
acervo num ambiente arejado que evitasse a proliferação de ácaros e anobiídios que poderiam
danificar os livros. (CASTRO, 1998)
Em 1879 a biblioteca divide-se em três seções: impressos, cartas geográficas,
manuscritos e estampas, com um quadro de pessoal definido, tal como: “bibliotecário, três
chefes de seção, três oficiais, um secretario, oito auxiliares, um guarda e um porteiro“.
(CASTRO, 1998, p.33). Nessa época começa a ter-se um componente organizacional.
Em meados de 1911, ocorre mais uma mudança na estrutura organizacional da
biblioteca Nacional, a partir do Decreto 8.835 de 11 de junho, é dividida em quatro seções:
impressos (livros, folhetos, publicações periódicas, músicas impressas e impressos avulsos);
manuscritos (obras de paleografia e diplomática); estampas (desenhos, chapas, fotografia,
iconografia); moedas e medalhas (cédulas, vales, obras numismáticas e filatelia). (CASTRO,
1998)

1242

�O quadro de funcionários era formado por: diretor geral, 3 bibliotecários diretores de
seção, 5 sub-bibliotecários, diretor das moedas e medalhas, 14 amanuenses, porteiros,
eletricista e encadernador. (CASTRO, 1998)
Em 1950 com a criação do IBBD (Instituto Brasileiro de Bibliotecas e Documentação)
começa uma grande discussão sobre as diversas formas de organização do material na
biblioteca. Na Europa e na Bélgica essa discussão ocorreu nos fins do século XIX, quando
teve o processo de preocupação com a indexação, resumos informativos e indicativos. Aqui
traçamos sucintamente

—
flashs” da gênese das bibliotecas no Brasil e, em seguida

apresentamos as fases importantes para as bibliotecas.
No período de 1879-1928 as bibliotecas/unidades de informação vivem um momento
de formação clássica, sob uma perspectiva humanista, isso porque na época as bibliotecas
tinham influência francesa e humanista.
De 1929 a 1939, os trabalhos existentes em bibliotecas sofrem influência americana e
deixam de lado a perspectiva humanista, passando para um estádio pragmático, com uma
visão mais tecnicista. Dessa forma, o sistema decimal de classificação - CDD absorveu todas
as bibliotecas brasileiras.
A partir do ano de 1940 até 1961, a UNESCO influi fortemente no desenvolvimento
das bibliotecas com a criação do IBBD (Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação).
O atual IBICT (Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia) surgiu a partir da sugestão da
UNESCO à Fundação Getúlio Vargas, com intuito de estabelecer no Brasil um centro
nacional de bibliografia. Concomitante ao IBICT surge também o CNPQ. Hoje o IBICT, tem
como intuito democratizar a informação, por meio de implantação de revistas eletrônicas,
software para desenvolvimento de bibliotecas, catálogo coletivo de publicações seriadas
(CCN), assim como o programa de comutação bibliográfica (COMUT) e a Biblioteca Digital
Brasileira de Teses e Dissertação (BDTD) (CASTRO,1998).
Em meados de 2005, o IBICT alia-se a projetos para inclusão social no que diz
respeito à aprendizagem informacional e digital. As bibliotecas brasileiras, principalmente as
que existem por conta dos cursos de graduação, não sobrevivem sem a parceira do IBICT,
uma vez que os serviços de comut, ccn interferem também na avaliação do curso de
graduação pelo MEC (CASTRO, 1998).
Hoje, as unidades de informações e bibliotecas passam por um processo de
transformação das variáveis contextuais intrínsecas e extrínsecas. De um lado, se inserem
num processo retrospectivo de guardiã do conhecimento humano, de outro lado surgem

1243

�situações emergentes como: bibliotecas digitais e virtuais, repositórios institucionais e
bibliotecas com papel social (MARIA, 2003).
As bibliotecas hoje não são apenas depositárias do conhecimento humano, mas
também propulsoras de bens intangíveis, que contribuem efetivamente com o ensino,
pesquisa, extensão e desenvolvimento, com as informações confiáveis para o mundo sóciopolítico e econômico. As Unidades de Informação/bibliotecas solidificam-se na missão de
gerar um bem intangível para a pesquisa, e, consequentemente, para a sociedade.

2.1 TRABALHO E PERSONALIDADE HUMANA
As organizações do trabalho caracterizam-se como um agrupamento de pessoas que
desempenham funções diferentes e que concorrem para a consecução de um único objetivo
organizacional: gerar maior produtividade e maiores lucros.
Portanto, as pessoas representam o diferencial que determina o sucesso ou insucesso
de uma organização. Assim, conhecer seus colaboradores, do ponto de vista profissional e
psicológico, passa a ser uma necessidade da própria sobrevivência das organizações. Muitos
são os autores e teorias que se dedicam a essa complexa tarefa: conhecer o ser humano por
intermédio do levantamento do seu perfil de personalidade.
Entre os autores que estudaram acerca da personalidade está Jung (1875-1961): que
afirma: “Atingir a personalidade não é tarefa insignificante, mas o melhor desenvolvimento
possível da totalidade de um individuo determinado”(JUNG, 1981, p.182)..
Essa totalidade não é algo quantificável, pois são considerados aspectos biológicos,
sociais e psíquicos.
A personalidade é a realização máxima da índole inata e
especifica de um ser vivo em particular. Personalidade é a obra
a que se chega pela máxima coragem de viver, pela afirmação
absoluta do ser individual e pela adaptação, a mais perfeita
possível, a tudo que existe de universal e tudo isto aliado à
máxima liberdade de decisão própria” (JUNG, 1981, p.182).

Para Jung a personalidade se desenvolve no decorrer da vida, a partir, de germes, cuja
interpretação é difícil ou até impossível; somente pela nossa ação é que se torna manifesto
quem somos de verdade.
Somos como o sol que alimenta a terra e produz tudo o que há
de belo, dede estranho e de mau; somos também como as mães
que carregam no seio a felicidade desconhecida e o sofrimento.
De inicio não sabemos o que está contido em nós, que feitos
sublimes ou que crimes, que espécie de bem ou mal. Somente o
outono revela o que a primavera produziu, e somente a tarde
manifesta o que a manhã iniciou. (JUNG, 1981, p183).

1244

�Nessa citação ele faz analogia da mãe grávida com as estações do ano, o autor coloca a
personalidade como potência do ser em si. A natureza jamais se deixa impressionar por
conselhos dados com boa intenção. Somente algo que obrigue atuando como causa é que
move a natureza, e também a natureza humana. Sem haver necessidade, nada muda e menos
ainda a personalidade humana. A personalidade é resultado das primeiras experiências
primordiais, como também é o que o individuo se fez acerca das relações com os outros, sua
historia pessoal e das memórias vigentes em seu inconsciente coletivo.
Para Jung(1875-1961) a personalidade saudável é quando há adequação do individuo
às suas práticas diárias. A adequação consciente relacionada ao poder da destinação interior
interfere precisamente na saúde do individuo.
O autor afirma: “A formação da personalidade, a realização completa da vontade vital
inata em todo o individuo. O homem desprovido de amor ao destino (amor fati) é o
neurótico”. O individuo que não tem consciência do que realmente é não saberá para onde seu
destino o irá conduzir, pois se encontra numa atitude de vítima perante a sua história pessoal.
(JUNG, 1981, p.196)
Jung acrescenta: ”A voz interior é a voz de uma vida mais plena e de uma consciência
mais ampla e abrangente”. O formar-se da personalidade equivale a um aumento da
consciência, ou seja, viver pela vida acordado ou sob auspício do desejo do outro, sem obter
para si a consciência de si mesmo, ou seja, do seu processo de individuação. (1981, p.197)

.2.2 ATITUDES: EXTROVERSÃO E INTROVERSÃO
2.2.1 EXTROVERSÃO
Para Jung existem dois tipos básicos de atitudes que os indivíduos apresentam em
sociedade: atitudes de Introversão ou Extroversão
Atitude, para a teoria da psicologia junguiana , significa a direção que a energia
psíquica ou a libido toma mediante as representações do mundo externo de fatos, pessoas e
coisas. Quando direcionada ao objeto externo denominamos de atitude extrovertida.
Os autores Haall; Nordby (1993) e Zacharias (2003) são unânimes em relatar que a
atitude extrovertida direciona para o ambiente externo, limitando-se ao mundo externo e suas
exigências. As pessoas dirigem a energia psíquica de dentro para fora delas, focando o
mundo de objetos, pessoas e eventos objetivos. Essas pessoas orientam-se de acordo com o
ambiente externo, de forma que o objeto e suas características têm predominância sobre os

1245

�aspectos subjetivos das experiências, ou seja, o interesse esta voltado para o mundo externo, o
qual explica o campo de ação das pessoas com atitude de extroversão.
“O extrovertido se preocupa com as interações com as pessoas e as coisas. Dá a
impressão de ser mais ativo e amistoso e de se interessar pelas coisas que o cercam” ( HALL;
NORDBY, 1993, p.85).
Segundo Zacharias (2003, p.13) a pessoa com atitude extrovertida comunica-se melhor
falando do que escrevendo. Ele comenta que o extrovertido “tende a ser mais generalista do
que especialista, conseguindo passear sobre vários assuntos sem, contudo, aprofundar-se em
qualquer um deles”.
Atitude consciente do extrovertido consiste em estar atraído pelo objeto externo.
Porém, sua atitude inconsciente apresenta caráter introvertido. As pessoas orientam-se de
acordo com o ambiente externo, suas características têm predominância sobre os aspectos
subjetivos da experiência de vida. O extrovertido saudável é aquele que atua mais
intensamente num mundo com maior estimulação externa.

2.2.2 INTROVERSÃO
Atitudes básicas da extroversão e da introversão constituem uma dimensão de seu
sistema de classificação, o qual se faz a partir de duas palavras chaves: objetivo e subjetivo. A
primeira diz respeito ao mundo que está fora do indivíduo e que o cerca; um mundo de
pessoas, costumes, convenções, de instituições políticas, econômicas e sociais, de condições
físicas. A segunda refere-se à subjetividade e designa o mundo interior, o mundo privado.
Para Jung (2011), Hall; Norby (1993) o introvertido se diferencia do extrovertido por
não orientar-se para um dado objeto, mas por fatores subjetivos, interessa-se pela exploração e
análise de seu mundo interior. Entre as características das pessoas introvertidas estão a
introspecção e a preocupação com os próprios assuntos internos. Tais pessoas podem parecer
aos outros distantes, anti-sociais e reservadas.
Destarte, atitude introvertida orienta-se pela estrutura psíquica, dada, em principio,
pela hereditariedade, que é uma grandeza inerente ao sujeito. Contudo, não se deve identificála simplesmente com o eu do sujeito, o que aconteceria pelas expressões acima, mas ela é a
estrutura psíquica do sujeito antes de qualquer desenvolvimento de um eu.

2.2.3 FUNÇÕES PSICOLÓGICAS
Para Hall e Nordby (1993) e Zacharias (2003) as funções psicológicas são:
pensamento, sentimento, sensação e intuição.

1246

�O pensamento consiste no exercício de associar idéias umas com as outras para
aproximação de um conceito geral. Isto é, a função racional que procura compreender as
coisas. As pessoas que possuem essa função buscam um padrão impessoal da realidade, o
julgamento se encontra não em valores pessoais e sim em padrões universais.
Já na função sentimento, as decisões aceitas ou rejeitadas partem do pressuposto do
sentimento agradável ou desagradável, estando ligado à dimensão valorativa das pessoas e
não necessariamente às emoções. O valor pessoal interfere no julgamento. São pessoas que
valorizam as relações interpessoais, apreciam a história e os costumes dos povos com os quais
convivem.
A sensação e intuição são denominadas funções irracionais, pois são sensoriais e se
constituem pela estimulação dos órgãos dos sentidos. Essa via de receber as informações do
ambiente externo através dos sentidos faz com que as pessoas que as recebem aceitem a
realidade posta e real e aprendam com a prática.
A função intuição é uma experiência imediata, entretanto não passa pelo órgão da
sensação, surge de um insight, ou ainda denominada percepção extra-sensorial. Os indivíduos
dessa via entendem os “significados, as relações e as possibilidades futuras da informação
recebida, utilizando percepção global em detrimento da compreensão das partes que a
compõem, tentam captar os padrões gerais que norteiam uma situação” (ZACHARIAS, 2003,
p17).
As funções psicológicas se inter-relacionam com as atitudes e a partir da história
pessoal, isto é, do inconsciente pessoal, da realidade social e das construções dos arquétipos
humanos, tais funções vão sendo solidificadas e cada indivíduo paulatinamente tende a
desenvolver-se a partir das experiências da vida.

3 MÉTODOS
A pesquisa é de natureza qualitativa, cujo delineamento se fez a partir da aplicação do
Inventário de Personalidade denominado QUATI.

3.1 PROCEDIMENTOS:
Primeiramente, contatou-se

o responsável da instituição, pedindo que o mesmo

autorizasse a aplicação do teste nos funcionários. Após seu consentimento e a emissão da
carta correspondente (Anexo 1), iniciou-se a aplicação do teste QUATI.

1247

�3.1 PARTICIPANTES
Os participantes da pesquisas foram bibliotecários, analista de sistema, técnico em
biblioteconomia, auxiliar de biblioteconomia. Escolhemos pessoas que atuam no atendimento
ao público, o qual denominamos de serviço externo; e pessoas que atuam nos setores internos
(preparação do material bibliográfico, indexação de periódicos, restauração e aquisição de
materiais) da unidade de informação.
Antes dos participantes responderem o QUATI, foi necessário assinatura do termo de
consentimento livre e esclarecido, o qual zela pela obediência dos preceitos éticos na pesquisa
com seres humanos, no que se refere ao sigilo quanto à identidade do participante e à
liberdade de adesão voluntária ao estudo. Esse protocolo assegura aos participantes que os
dados serão utilizados apenas para o estudo e também que a divulgação dos dados será para
fins acadêmicos ou cientifico.

3.3 INSTRUMENTO
O Questionário de Avaliação Tipológica (QUATI) foi desenvolvido no Brasil, no
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, sob orientação da Professora Doutora
Anna Mathilde Pacheco e Chaves desde 1989, com tipologia junguiana, e resultou na
construção de um inventário dirigido à realidade brasileira, levando em consideração a
cultura. Esse teste pode ser aplicado a pessoas que tenham concluído o ensino fundamental,
individual ou em grupo. No nosso caso aplicamos sob forma individual. Para correção temos:
caderno do teste e folhas de respostas, que são os crivos de correção. O crivo R1, avalia
atitude, que pode ser extrovertida ou introvertida. O Crivo R2 avalia as funções perceptivas
(intuição ou sensação) e o Crivo R3 as funções avaliativas (pensamento e sentimento). O
limite de tempo é de 45 minutos. O teste é publicado pela editora Vetor, localizada em
Cubatão no Estado de São Paulo.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dos 21 funcionários, sujeitos desta pesquisa, que submeteram-se ao teste QUATI,
oito classificaram-se com foco de atenção a Introversão e 13 participantes com o foco de
atenção a atitude de extroversão. Elucidamos o resultado no gráfico abaixo

1248

�4.1 ATITUDES: INTROVERSAO E EXTROVERSAO

1 GRÁFICO 1 : ATITUDES

Fonte: questionário aplicado em outubro de 2011

A atitude dentro da perspectiva do QUATI significa a direção da energia psíquica ou
da libido, ou seja, na atitude introvertida o foco é as representações internas, isto é a
subjetividade. Do total de participantes do teste QUATI, chegamos ao seguinte percentual:
62% atitude extrovertida e 38% com atitude introvertida.

TABELA 1 : PERFIL ATITUDE INTROVERTIDA DO STAFF DA UNIDADE DE
INFORMAÇÃO

PARTICIPANTES

FUNÇÃO

Atitude:introvertido

SERVIÇO

Participante 1

Analista de Sistema

Introvertido

Interno

Participante 2

Técnico

Interno

Interno

em

Biblioteconomia
Participante 3

Bibliotecário

Introvertido

Externo

Participante 4

Aux. Administrativo

Introvertido

Externo

Participante 5

Bibliotecário

Introvertido

Interno

Participante 6

Auxiliar Adminstrativo

Introvertido

Externo

Participante 7

Técnico

Introvertido

Externo

Introvertido

Externo

de

Biblioteconomia
Participante 8

Bibliotecário

Na tabela acima, verificamos que existem pessoas com atitude Introvertida atuando
nos serviços internos, serviços esses que exigem atenção para trabalhos que possuem menor
contato com o público em geral, porém exigem um grau maior para classificação do

1249

�material bibliográfico, indexação de periódicos nos bancos de dados e programas de
software para otimização dos recursos bibliográficos.
Dos participantes entrevistados, as funções em que se observa uma relação com o
tipo de serviço e atitude de personalidade, são: analista de sistema, técnico em
biblioteconomia e bibliotecário. Por outro lado, mostra pessoas com atitude introvertida
trabalhando nos serviços externos, que exigem maior contato com o público, tais como:
treinamento de otimização para os serviços existentes na unidade de informação, cujas
funções são: dois bibliotecários, dois auxiliares administrativos e um técnico em
biblioteconomia.

GRÁFICO 2 : ATITUDE PRINCIPAL: INTROVERSÃO

Dessa fora, chegamos aos percentuais: 62% com atitude introvertida atuando no
atendimento público e 38% trabalhando no setor interno.
Na atitude extrovertida, ao contrário da atitude introvertida, a energia psíquica ou da
libido concentra o foco de atenção no mundo externo de fatos, pessoas e coisas. O contato
com o público, o atendimento, os treinamentos, palestras quando necessários propiciam que
os leitores possam adentrar e conhecer os recursos informacionais existentes.

1250

�TABELA 2 : ATITUDE EXTROVERTIDA DO STAFF DA UNIDADE DE
INFORMAÇÃO
PARTICIPANTES
FUNÇÃO
TIPO
SERVIÇOS
PSICOLOGICO
Participante 1
Bibliotecário
Extrovertido
Interno
Participante 2

Bibliotecário

Extrovertido

Diretoria

Participante 3

Bibliotecário

Extrovertido

Interno

Participante 4

Técnico em Biblioteca

Extrovertido

Externo

Participante 5

Técnico em Biblioteca

Extrovertido

Externo

Participante 6

Bibliotecário

Extrovertido

Interno

Participante 7

Bibliotecário

Extrovertido

Interno

Participante 8

Auxiliar Administrativo

Extrovertido

Externo

Participante 9

Bibliotecário

Extrovertido

Externo

Participante 10

Bibliotecário

Extrovertido

Interno

Participante 11

Tecnico em Biblioteca

Extrovertido

Externo

Participante 12

Tec. Ass. Universitários

Extrovertido

Externo

Participante 13

Tec. Biblioteca

Extrovertido

Interno

O resultado da pesquisa demonstrou que dos treze profissionais pesquisados, há
pessoas que apresentam atitudes de extroversão alocadas no serviço interno, cujas funções
são: cinco bibliotecários e um técnico em biblioteconomia. As funções que parecem
adequada ao setor trabalhado são: dois bibliotecários, quatro técnicos em biblioteconomia e
um auxiliar de biblioteconomia.
O gráfico apresenta o percentual de pessoas com atitude extrovertida atuando nos
setores internos e externos.

GRÁFICO 3 : ATITUDE PRINCIPAL: EXTROVERSÃO

1251

�Destarte temos pessoas com atitude extrovertida atuando em serviços burocráticos com
pouco acesso ao público.

GRAFICO 4: FUNÇÃO PRINCIPAL

15

Fonte: qustionário QUATI aplicado em outubro 2011

A função principal é a forma que a informação chega ao indivíduo, podendo ser por
sensação ou intuição. Entretanto, nessa pesquisa os resultados foram funções racionais
(sentimento e pensamento) funções irracionais (sensação e intuição).

GRAFICO 5: FUNÇÃO AUXILIAR

FUNÇÃO AUXILIAR
12

11

SENSAÇAO

INTUIÇÃO

SENTIMENTO

PENSAMENTO

Fonte: qustionário QUATI aplicado em outubro 2011

Na função auxiliar temos: 52% de pessoas classificadas na função irracional, Sensação,

1252

�23% como intuição, 14% sentimento e 0,9% pensamento.
Destarte, no manual para os tipos psicológicos QUATI, apenas dois perfis são ideais
para atuar em unidades de informação, são os tipos indicados pelo autor Zacharias (2003) I Ss
Ps (Introvertido Sensação e Pensamento) e E Ps Ss.(Extrovertido, Pensamento e Sensação).
Os perfis que encontramos foram: I St Ss (Introvertido, Sentimento e Sensação); I St
In (Introvertido, Sentimento e Intuição); I Ss St, (Introvertido, Sensação e Sentimento); E St
Ss (Extrovertido, Sentimento e Sensação) E Ss St (Extrovertido Sensacao e Sentimento) ; E In
St (Extrovertido Intuição e Sentimento).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta pesquisa verificamos que o número de pessoas com atitude extrovertida é bem
maior que as pessoas com atitude introvertida.
Neste sentido, parece óbvio que os funcionários sejam alocados no seu respectivo
setor, a fim de que cada funcionário possa estar mais adequado em reciprocidade ao seu perfil
de personalidade. Com isso, sucessivamente, os profissionais apresentam maior qualidade de
vida no trabalho e certamente prestarão serviços de melhor qualidade à comunidade.
Dessa forma, os serviços ofertados à população serão mais eficientes, a instituição
melhora sua imagem perante a sociedade, pois com um atendimento melhor os usuários
ficarão satisfeitos e haverá menos reclamações.
A unidade de informação/biblioteca terá um clima melhor, com um ambiente mais
agradável para se visitar e procurar os serviços, cumprindo

assim sua função sócio-

educacional, a qual se faz por meio da transmissão do conhecimento, com o incentivo à
leitura e à educação. Certamente isso contribuirá para a formação de um povo mais culto e,
sobretudo, para o desenvolvimento do país e de uma sociedade mais humana.
Fica, contudo, uma lacuna, isto é, verificar a possibilidade de um estudo sobre novas
funções profissionais que sejam inseridas no teste QUATI, tais como a inserção dos tipos
psicológicos encontrados em nossa pesquisa que atuam em unidades de informação.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério de Educação. Lei n.9.131, de 24 de novembro de 1995, decreto n.2026,
10 de outubro de 1996, e lei n.9.394 de 20 de dezembro de 1996, de diretrizes e bases da
educação nacional. Disponivel em: http:www.mec.gov.br. Acesso em 20 jun. 2011

1253

�CASTRO, CESAR AUGUSTO. Um olhar distanciado para velhos objetos: a constituição
do campo da biblioteconomia no brasil nos anos 50 e 60: questões educacionais. Tese
(doutorado em Educação). São Paulo: USP, 1998.
CHIAVENATO, Idalberto. Vamos abrir um novo negócio?. São Paulo : Makron Books,
1995.
CHIAVENATO, Idalberto. Motivando a equipe de trabalho. In.: _____. Gerenciando
pessoas: o passo decisivo para a administração participativa. 3. ed. rev. amp São Paulo :
MAKRON Book do Brasil, 1994a. p.165-181.
CHIAVENATO, I. A motivação humana. In :_____. Recursos humanos. 3.ed. São Paulo:
Atlas, 1994b. p.65-77.
_____. Introdução geral da administração. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
FONSECA, Edson Nery da. A biblioteconomia brasileira no contexto mundial. Rio de
Janeiro: Tempo brasileiro, 1979. 112p.
HALL, Calvin S.; NORDBY, Vernon J. Introdução à Psicologia Junguiana. São Paulo:
Cultrix, 1993.
JUNG, C. G. Sobre o vir-a-ser da personalidade. Viena: Centro de Integração e
Desenvolvimento, 1932. (Palestra de Jung feita na União Cultura).
______. Tipos psicológicos. Trad. Alvaro Cabral. Petropolis,RJ: Vozes,2011. Obras
completas; v;6.
______.O eu e o inconsciente. 16. Ed. São Paulo:Vozes,2000.
MARIA, Cicilia Conceição. Motivação dos bibliotecários de IES: sob a perspectiva de
Maslow. . 2003, 130f. Dissertação (Mestrado em Biblioteconomia e Ciência da
Informação) -Departamento de pós-graduação, Pontifícia Universidade Católica de
Campinas.
ZACHARIAS, J. J. de M. QUATI: questionário de avaliação tipológica. São Paulo: vetor,
2003

1254

�APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO.
O projeto de pesquisa: inventário do perfil tipológico, através do teste quati, de
funcionários que trabalham em unidades de informação.
Esta pesquisa foi realizada pela Aluna de Psicologia:

, Acadêmica do Curso de

Graduação em Psicologia da Faculdade Ingá - UNINGÁ, e supervisionada pela Professora
Para

a

coleta

de

dados

dessa

pesquisa,

será

realizada

através de entrevista individual, utilizando o QUATI Ressaltamos que nos procedimentos
metodológicos estão a obediência aos preceitos éticos implicados na pesquisa com seres
humanos, que incluem o sigilo quanto à identidade do participante, a liberdade de adesão
voluntária ao estudo e a garantia da utilização dos dados para fins específicos desse estudo.
Após, as transcrições serão descartadas.
Eu,______________________________________________________________ ,

fui

informado (a) que não sofrerei nenhum tipo de prejuízo de ordem psicológica ou física e que
meu nome será mantido em sigilo. Concordo com a divulgação dos dados para fins
acadêmicos ou científicos, desde que seja mantida em sigilo a minha identidade. Estou
também ciente de que poderei desistir de participar do presente estudo a qualquer momento,
portanto, após ter lido e entendido as informações deste termo e deste projeto, CONCORDO
VOLUNTARIAMENTE, em participar do mesmo.
Agradeço sua colaboração e fica estabelecido o compromisso de notificação do
andamento e dos resultados desta pesquisa.

Data:_____ /______ /_____

N om e_______________________________

RG.:_________________________

Assinatura do participante da pesquisa_____________________________________

1255

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Esta pesquisa realizou-se em uma unidade de informação e teve como objetivo avaliar a correspondência entre o perfil tipológico de personalidade, levantado por meio do teste QUATI. Teve como requisito as funções profissionais desempenhadas por um grupo de 21 funcionários, os quais foram distribuídos nas seguintes funções: bibliotecários, analista de sistema, técnicos em biblioteconomia e auxiliares em biblioteconomia. A pesquisa é de natureza qualitativa. Como resultado, verificou-se que oito participantes apresentam a introversão como característica determinante de personalidade, e, os outros treze participantes, caracterizam-se pela atitude de Extroversão.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO EM PARTITURAS MUSICAIS: UM
ESTUDO DE CASO DA BIBLIOTECA JOAQUIM CARDOZO DO CENTRO DE
ARTES E COMUNICAÇÃO DA UFPE
Andréa Carla Melo Marinho
Alice Maria Dos Santos Costa
Maria Valéria Baltar De Abreu Vasconcelos
Francisco Arrais Nascimento
RESUMO
A partitura pode ser definida como uma "forma de música escrita ou impressa que abriga todo
um conjunto de elementos da notação musical, de maneira a representar visualmente a
coordenação musical, garantindo com maior ou menor precisão a sua execução". Assim
percebe-se a necessidade de um tratamento temático especifico que dê ao material a devida
representação e visibilidade para uma melhor recuperação da informação contida nos
documentos. O estudo tem por objetivo discutir o processo de reestruturação do acervo de
partituras da Biblioteca Joaquim Cardozo (BJC), no âmbito da representação descritiva e
temática dos documentos. Para tanto se fez uso de pesquisa exploratória sob a forma de
estudo de caso, apoiado em estudo bibliográfico sobre o tratamento da informação em
partituras musicais do acervo da BJC. Percebe-se a partir da literatura na área de ciência da
informação que apesar da evolução nos processos de organização da informação existem
ainda dificuldades que emergem no contexto do tratamento da informação em obras especiais,
tais como as partituras musicais.
Palavras-Chave: Organização da informação; Tratamento da informação; Recuperação da
informação; Partituras; Obra musical.
ABSTRACT
The score can be defined as a "form of music written or printed that houses a whole set of
elements of musical notation, in order to visually represent the musical coordination, ensuring
more or less precisely its implementation." Thus we see the need for a specific thematic
treatment that gives the material proper representation and visibility for better retrieval of
information contained in the documents. The study aims to discuss the process of
restructuring the collection of scores Library Joaquim Cardozo (BJC), under the descriptive
and thematic representation of the documents. For both made use of exploratory research in
the form of case study, supported by bibliographic study on the processing of information in
the sheet music collection of BJC. It is noticed from the literature in the field of information
science that despite the developments in the process of organizing information there are still
difficulties that arise in the context of information processing in special works, such as
musical scores.
Keywords: Information organization; Information treatment; Information retrieval; Sheet
music; Musical work.

3350

�1 INTRODUÇÃO
Os processos de organização da informação se desenvolvem à medida que os
documentos se apresentam em diferentes meios e suportes. Sendo assim, os instrumentos
utilizados para a descrição física e temática desses documentos exigem uma atualização para
atender essa demanda de tratamento da informação de acordo com as peculiaridades de cada
suporte e natureza da informação.
Nesse tocante ao adentrarmos o universo do tratamento de documentos especiais que
compõem os acervos de instituições de ensino e/ou especializadas, a exemplo das partituras
musicais, que apresentam características específicas no que se refere ao conteúdo e
apresentação dos elementos descritivos, emergem problemas em sua aplicação tanto com
relação a técnicas quanto a tecnologias. Segundo Carvalho e Cavalcanti (2011):
Alguns autores revisados afirmam a extrema subjetividade da indexação no trato
documental da partitura em virtude de sua natureza não bibliográfica e não textual,
cuja complexidade quando identifica características e estruturas musicais
pertinentes ao movimento estilístico da obra, suscitam discussões em torno da
conceituação e identificação exata das formas e estruturas musicais, inclusive entre
músicos e pesquisadores. Todavia, deve-se ter em mente que tais elementos são
termos consolidados pela Musicologia380, e, portanto, referem-se à maneira como a
comunidade musical lê e dialoga a sua informação.
Assim, os profissionais da informação que atuam em acervos musicais enfrentam
algumas dificuldades na organização desses documentos devido às suas especificidades, que
suscitam uma maior discussão a respeito dos elementos de análise e representação dessas
estruturas para fins de disponibilização das coleções.
Dessa forma, percebe-se a necessidade de um diálogo mais próximo com os usuários
dessa informação, no caso os músicos, para compreender melhor a estrutura desses
documentos e verificar de que maneira se dá o processo de busca e recuperação desses
documentos nos sistemas de informação.
No âmbito das instituições de ensino, esses usuários são os alunos e professores dos
cursos de música, que além das partituras, buscam os documentos textuais que fundamentam
a prática de sua atividade artística e acadêmica, bem como a produção do conhecimento.
Sendo assim, a Biblioteca Universitária tem como missão organizar, disseminar e gerenciar a
informação para fins de recuperação dos documentos pela comunidade acadêmica,
contribuindo com o ensino, a pesquisa e a extensão.

380 A musicología auxilia nesse contexto interdisciplinar ao apontar os aspectos da estética analítica da
composição musical e suas representações sociais.

3351

�No caso da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Sistema Integrado de
Bibliotecas (SIB) é composto de treze Bibliotecas, sendo uma Biblioteca Central (BC), dez
Bibliotecas setoriais lotadas nos Centros Acadêmicos e duas Bibliotecas nos campi avançados
situados nas cidades de Vitória de Santo Antão e Caruaru.
A Biblioteca Joaquim Cardozo (BJC) faz parte do Centro de Artes e Comunicação
(CAC), composto pelos departamentos de Arquitetura e Urbanismo, Artes Visuais, Ciência da
Informação, Comunicação Social, Design, Expressão Gráfica, Letras, Música e Teoria da
Arte. Seu acervo é composto de livros, periódicos, material multimídia, obras raras e
partituras musicais, que se constitui como o objeto dessa pesquisa.
A BJC teve sua origem na Escola de Belas Artes (EBA), onde funcionavam os Cursos
de Arquitetura, Escultura e Pintura. (BARBOSA, 2014). A mesma foi regida pelo Decreto n°
19.852 de 11 de abril de 1931, o mesmo que regulamentou o funcionamento da Escola de
Belas Artes do Rio de Janeiro. Esse decreto foi alterado pelo de n° 22.897 de 6 de julho de
1933. Consta em Ata que a fundação e inauguração da EBA aconteceram em 29 de março e
20 de agosto de 1932 respectivamente e seu fundador e diretor interino por dois anos foi o
artista plástico e professor Vicente Murillo La Grega (CAMARA, 1984).
Em 1960 foi fundado o Curso de Bacharelado em Música da EBA da Universidade do
Recife, que funcionava em um prédio em frente à Escola. Em 1972 o Curso de Licenciatura
em Música da UFPE foi criado, começou a funcionar em 1973, autorizado através do Parecer
n° 2154/78, de 5 de julho de 1978 e reconhecido pelo Decreto n° 82.167, de 24 de agosto de
1978, publicado no Diário Oficial da União.
No ano de 1975 deu-se a fundação do CAC, resultante da junção da Escola de Belas
Artes de Pernambuco, da Faculdade de Arquitetura do Recife, do Departamento de Letras e
do Curso de Biblioteconomia. Durante os anos de 1976 a 1977 o Curso de Licenciatura em
Música passou a fazer parte do Curso de Licenciatura em Educação Artística, de acordo com
a Resolução n° 23/73, que pertencia ao Departamento de Teoria da Arte e os alunos poderiam
optar por fazer habilitação em música, mas em 1978 foi reaberto o Curso de Licenciatura em
Música vinculado ao Departamento de Música

.

O acervo do Curso de Música da EBA passou a fazer parte da UFPE e inicialmente foi
depositado na BC e posteriormente, na BJC, conhecida como Biblioteca do CAC e a coleção

381 As informações referentes à fundação do Curso de Música foram retiradas do Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Música, em dezembro de
2008.

3352

�de partituras foi incorporada ao acervo da biblioteca, onde passou a receber tratamento
técnico, bem como os cuidados de conservação e preservação de tais documentos.
Sendo assim, a pesquisa tem como objetivo geral discutir o processo de reestruturação
do acervo de partituras da Biblioteca Joaquim Cardozo, no âmbito da representação descritiva
e temática dos documentos e se desdobram como objetivos específicos:
•

Estabelecer elementos essenciais para a recuperação da informação;

•

Disponibilizar o acervo através da Rede Pergamum;

•

Possibilitar o empréstimo de partituras a comunidade acadêmica;

•

Manter a preservação da coleção de partituras da instituição.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Segundo Sadie (1997, p. 702) a partitura é definida como sendo uma "forma de música
escrita ou impressa que abriga todo um conjunto de elementos da notação musical, de maneira
a representar visualmente a coordenação musical, garantindo com maior ou menor precisão a
sua execução". A informação da tipologia pode ser redigida na capa ou folha de rosto sendo a
segunda a principal fonte de informação dos dados descritivos do documento.
Ainda segundo o autor, a depender do tipo de obra e escolha da forma de execução,
temos tradicionalmente cinco formatos de publicação:
•

Partitura regente;

•

Partitura miniatura;

•

Partitura aberta;

•

Redução para piano;

•

Partitura condensada.

A partir da identificação dessas peculiaridades percebe-se a necessidade de um
tratamento temático especifico que dê ao material a devida representação e visibilidade para
uma melhor recuperação da informação contida nas partituras.
Assim, segundo Guimarães (2008), partindo da concepção social, materializada e
cíclica do conhecimento, o foco recai sobre a busca pela compreensão, organização e
representação desse conhecimento para torná-lo disponível a um número maior de pessoas.
Nessa perspectiva, podemos entender que o conteúdo nas partituras musicais pode
caracterizar-se enquanto informação que precisa ser organizada para uma melhor recuperação.

3353

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho em questão trata-se de uma pesquisa exploratória sob a forma de estudo de
caso, apoiado em estudo bibliográfico sobre o tratamento da informação em partituras
musicais do acervo da BJC.
A coleção de partituras da BJC está localizada na sala da Coleção Especial da Unidade
de Informação, é constituído de 2434 títulos e 3480 exemplares, além de 88 títulos e 95
exemplares de songbooks

e o acesso é realizado no local. Faz parte desta coleção obras de

grandes compositores clássicos; dentre elas, obras completas de Mozart, Bach, Beethoven;
algumas raras como as de Villa-Lobos e Carlos Gomes.
O processo de aquisição é por meio de doações de professores e ex-alunos da
instituição e algumas partituras são adquiridas por compra através da Biblioteca Central. Uma
vez que são consideradas como documentos frágeis devido à quantidade reduzida de páginas e
do papel fino, que, com o manuseio constante, podem ser danificadas em pouco tempo, o seu
acondicionamento recebe uma atenção especial. Algumas são encadernadas, outras estão
encapadas com papel alcalino branco ou em capas de cartolina. As encadernadas estão
armazenadas em estantes e as encapadas em armários verticais.
Com o decorrer do tempo a coleção de partituras foi passando por várias mudanças em
seu processo de organização e armazenamento. No princípio as partituras não tinham nenhum
preparo técnico e eram armazenadas em caixas apropriadas para folhetos, o que ocasionou
danos a estrutura de tal acervo, como se pode observar na ilustração abaixo:
Figura 1: Acondicionamento do acervo de partituras da BJC na década de 1990

Fonte: Acervo dos autores
382 Livro impresso com tablaturas e/ou partituras instrumentais, de uma ou mais bandas, ou músicos. Na maioria
das vezes, porta um conteúdo oficial, que pode ter sido escrito pelo próprio compositor das músicas, ou até
revisto pelo mesmo.

3354

�Em um segundo momento deu-se início ao tratamento técnico da coleção sob a forma
de fichas impressas. Ressalta-se que nem todo acervo estava catalogado.
Na década de 1990 foi aplicada uma nova técnica de organizar a coleção de partituras
na BJC. As mesmas passaram a ser ordenadas por meio de um arranjo, compreendido da
seguinte forma:
1. Identificava-se a letra inicial do sobrenome do compositor;
2. Acrescia-se a sigla PP, referente a Partituras e Partes;
3. Em seguida era acrescido um número de ordem de aquisição do item pela
biblioteca. Tal número era composto por cinco algarismos para dar margem ao
registro.
Exemplo: B/PP0001 - B/PP0002, a primeira partitura era de Bach e a segunda de
Beethoven e assim sucessivamente. Foi identificado que tal arranjo não era consistente para a
recuperação dos documentos, tanto na pesquisa como na localização das partituras, pois
apresentava uma inconsistência na distinção de alguns documentos gerando falha de registro.
Na última década compreendeu-se que tal organização dessa coleção era ineficiente,
uma vez que apresentava o problema citado anteriormente e com isso deu-se lastro a uma
abertura dialógica entre os profissionais da unidade de informação com relação a uma
proposta de reorganização do acervo.
Tal abertura contribuiu para a inserção de profissionais da área de música no processo
de organização de tal acervo de partituras. A partir do “Projeto Acervo Musical” do
Departamento de Música da UFPE em parceria com os profissionais da informação da BJC
foi elaborado um aperfeiçoamento do preparo técnico desse material.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O Projeto Acervo Musical teve início no ano de 2012 e conta com uma equipe
multidisciplinar composta por uma professora do Departamento de Música que coordena o
projeto dando suporte informacional em relação às características desse tipo de material, por
dois alunos do Curso de Música que são responsáveis pela identificação dos elementos
constitutivos da partitura e preenchimento das planilhas de metadados e uma bibliotecária,
responsável pela revisão das planilhas e classificação, catalogação e indexação dos
documentos no sistema de automação da instituição.
A reestruturação da coleção de partituras compreende duas etapas:
1. Higienização e acondicionamento da coleção;
2. Tratamento técnico da coleção (classificação, catalogação e indexação).

3355

�Na primeira etapa os documentos foram submetidos ao processo de varredura (limpeza
mecânica com trincha macia), triagem dos volumes que necessitaram de intervenções
posteriores, segundo normas e padrões recomendados, e usando material adequado e de boa
qualidade. A forma de arquivamento existente era em pastas de polietileno, o que não era
adequado, pois danificava as partituras com o tempo. O acondicionamento atual é feito em
capas com papel alta alvura na gramatura adequada.
Na segunda etapa foi definida a utilização do Sistema de Classificação Decimal de
Dewey (CDD) para a localização dos documentos no acervo. Como já foi citado, não havia
um critério de classificação das partituras por assunto e sim por ordem de chegada. A partir
da análise dos profissionais de música juntamente com os profissionais da informação se pode
identificar por meio da simbologia musical (notas) presente na partitura a finalidade
instrumental para que a mesma se destina, ou seja, para qual instrumento se destina. Dessa
forma é determinado o número de classificação do documento conforme a tabela abaixo:

Figura 2: Tabela de classificações atribuídas às partituras.
CÓDIGO
ASSUNTO
780
Música
782
Música vocal
782.1
Ópera
782.5
Vozes mistas
782.6
Vozes femininas
782.7
Vozes infantis
782.8
Vozes masculinas
783
Música para solista
784
Música para orquestra
784.2
Orquestras sinfônicas
¡784.9
Banda de Música (Charanga)
786
Teclado e percussão
786.2
Pianos e clavicórdio
786.4
Cravos
786.5
Órgão
786.7
Instrumento eletrônico
786.8
Percussão
787
Instrumentos de corda
787.2
Violinos
787.3
Viola
787.4
Violoncelo
787.5
Contrabaixo
787.9
Harpas
788
Instrumento de sopro
¡788.3
Flauta
788.7
Saxofones
Fonte: elaborado pelos autores.

3356

�A catalogação on-line do acervo segue o Código de Catalogação Anglo-Americano
(AACR2) e é feita por meio da inserção dos metadados no Sistema Pergamum/PUC Paraná, o
qual o Sistema de Bibliotecas da UFPE faz parte.
A Catalogação de partituras na BJC é feita de acordo com os campos do formato
MARC 21 adotado pelo Sistema, tendo como base as catalogações já existentes na Rede
Pergamum, além de consultar o catálogo de partituras da Biblioteca Nacional (BN) e o
catálogo da Library of Congress (LC). Os metadados utilizados são:
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;

Nome do compositor
Título principal
Sub-título (se houver)
Indicação de responsabilidade
Edição
Imprenta (local: editora, ano)
Descrição física
Série
Notas
Conteúdo
Assuntos
Entradas secundárias (nome do autor, organizador, compilador, arranjador e títulos
secundários).
De acordo com Perota (1997) após o título principal acrescenta-se a designação geral

do material “música” entre colchetes e no campo de descrição física registra o número de
unidades físicas do item e a designação específica do material e o número de páginas entre
parênteses mais o número de partes (se houver).
Antes de alimentar o sistema com os dados acima citados são registrados em uma
planilha elaborada pela equipe do Projeto Acervo Musical da BJC, tal planilha serve como
instrumento de descrição e controle dos registros, bem como as definições e peculiaridades
dos dados desse tipo de material com o auxílio dos profissionais de música que compõem a
equipe do projeto, conforme a figura a seguir:

3357

�Figura 3: Planilha de metadados para inserção no sistema

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
BIBLIOTECA JOAQUIM CARDOSO/DEPARTAMENTO DE MÚSICA
Autor (compositor)
N
Título
Subtítulo
Cidade
Editora

.

Ano
N° de Páginas
N° de Chapa ou
N° de Editor

Nota Geral

Nota de Conteúdo (título da
música e seu código, Ex:
Kassation in G, KV 63).

Assunto
Obs: incluir o período
Instrumento
Gênero musical
Tonalidade musical
N° de Chamada
N° de Acervo
PROJETO O ACERVO MUSICAL DA BJC: UM ESTUDO INTRODUTORIO

Fonte: Projeto Acervo Musical vinculado ao Departaento de Música da Universidade
Federal de Pernambuco - UFPE
Após todo o processo de tratamento temático e descritivo da informação, são geradas
pelo Sistema Pergamum as seguintes etiquetas: composta com lombada, código de barra
composto e etiqueta de aquisição.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Percebe-se a partir da literatura na área de Ciência da Informação que apesar da
evolução nos processos de Organização da Informação existem ainda dificuldades que
emergem no contexto do tratamento da informação em obras especiais, tais como as partituras
musicais.
Assim o trabalho em questão contribui para a discussão no âmbito da organização de
acervos musicais no país, uma vez que não há uma padronização nos procedimentos com
relação ao tratamento da informação musical. Ressalta-se que o acervo analisado ao receber
um tratamento adequado se tornou mais organizado, facilitando a localização das partituras, o
que se reflete em uma melhor recuperação da informação pela comunidade acadêmica da
instituição, bem como contribui para a comunicação e visualização dessa informação a

3358

�potenciais usuários fora da instituição, uma vez que o acervo é disponibilizado por meio da
Rede Pergamum, sistema automatizado de bibliotecas disponível on-line.

6 REFERÊNCIAS
BARBOSA, Virginia. Escola de Belas Artes de Pernambuco. Recife, 2009. Disponível em:
&lt; http://basilio.fndai.gov.br/pesquisaescolar&gt;. Acesso em: 24 abr. 2014.
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3359

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O tratamento da informação em partituras musicais: um estudo de caso da Biblioteca Joaquim Cardozo do Centro de Artes e Comunicação da UFPE</text>
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                <text>Marinho, Andréa Carla Melo, Costa, Alice Maria dos Santos, Vasconcelos, Maria Valéria Baltar de A., Nascimento, Francisco Arrais</text>
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                <text>A partitura pode ser definida como uma "forma de música escrita ou impressa que abriga todo um conjunto de elementos da notação musical, de maneira a representar visualmente a coordenação musical, garantindo com maior ou menor precisão a sua execução". Assim percebe-se a necessidade de um tratamento temático especifico que dê ao material a devida representação e visibilidade para uma melhor recuperação da informação contida nos documentos. O estudo tem por objetivo discutir o processo de reestruturação do acervo de partituras da Biblioteca Joaquim Cardozo (BJC), no âmbito da representação descritiva e temática dos documentos. Para tanto se fez uso de pesquisa exploratória sob a forma de estudo de caso, apoiado em estudo bibliográfico sobre o tratamento da informação em partituras musicais do acervo da BJC. Percebe-se a partir da literatura na área de ciência da informação que apesar da evolução nos processos de organização da informação existem ainda dificuldades que emergem no contexto do tratamento da informação em obras especiais, tais como as partituras musicais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PLANEJAMENTO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: REVISANDO
CONCEITOS PARA MUDAR CONCEPÇÕES E PRÁTICAS

Raimunda Ramos Marinho
Djalda Maracira Castelo Branco Muniz

RESUMO
Estudo sobre a dificuldade do exercício da prática do planejar dentro do ambiente da
Biblioteca Universitária. Busca fortalecer a compreensão de conceitos e uso adequado dos
meios do planejamento. Explicita o significado básico de termos tais como: Planejamento,
plano, projeto dentre outros. Relaciona a vivência de Bibliotecários e dos espaços para o
leitor, estabelece relação entre os conceitos e os registros de experiências. Analisa a Gestão da
Biblioteca Universitária e seus serviços com base na teoria da Gestão do Conhecimento e suas
propostas inovadoras para melhoria do desempenho bibliotecário e melhoria da qualidade dos
serviços. Baseado no modelo apresentado pelas teorias da administração em estudos do
comportamento organizacional e da qualidade, identificou-se elementos e requisitos para
compor um referencial que auxilie a implementar a qualidade e inovação, na gestão de
Bibliotecas Universitárias e, principalmente, em motivar e adaptar os recursos humanos,
capacitando-os a utilizar melhor os recursos da biblioteca. Desenvolvido para servir como
base conceitual para auxiliar aos bibliotecários a empreender, com foco em otimizar os
recursos disponíveis através das práticas sugeridas. Concluímos com a constatação da
existência, na biblioteca universitária pesquisada, de elementos prescritivos e normativos da
teoria da administração, de modo que os resultados apresentam rotinas da prática de serviços
biblioteconômicos nos parâmetros aceitáveis.
Palavras-chaves: Biblioteca universitária.
Administração de bibliotecas.

Planejamento.

Gestão

do

conhecimento.

ABSTRACT
Study on the difficulty of the practice exercise of planning within the Federal University of
Maranhão Central Library environment. It seeks to strengthen concepts understanding and
proper planning media use. Explains the basic meaning of terms such as: planning, plan,
design and others. Relates the Librarians experience establishing a relationship between
concepts and experience records. Analyzes the University Library management and its
services based on the Knowledge Management theory and its innovative proposals for
improving the librarian and improving the services quality performance. Based on the model
presented by management theories in organizational studies behavior and quality, identify
elements and requirements to compose a benchmark that helps to fulfill the quality and
innovation in the management of University Libraries and mainly motivate and adapt human
resources, training them to make better library use resources. Developed to serve as a
conceptual basis to assist librarians to undertake; focused on optimizing the resources
available through the suggested practices. We conclude that it is necessary to enhance the

1440

�services provision and create a confidence climate, self-discipline and responsibility among
employees and customers, suppliers. We conclude with the finding, studied in the university
library, prescriptive and normative elements of management theory so that the results are of
practical service routines librarianship within acceptable parameters.
Keywords: University library. Planning. Knowledge management. Libraries administration.

1 INTRODUÇÃO
O planejamento dentro do contexto das Bibliotecas Universitárias, na tessitura atual
de mudança social, é influenciado principalmente, para o capital e para o lucro mediados pelo
fervor tecnológico; permite a administração de biblioteca na perspectiva do planejamento
estratégico, para se antecipar às situações de mudanças. Assim, é possível superar barreiras,
explorar alternativas que aumentarão a habilidade futura da biblioteca em responder
flexivelmente. Com tal visão e planejamento, os administradores de biblioteca podem criar
uma biblioteca viável e significativa no futuro, o que leva ao seguinte questionamento como a
Biblioteca Universitária lida com as dificuldades do ato de planejar?
Neste artigo objetiva-se apresentar algumas ideias básicas e concepções a respeito de
planejamento estratégico, de modo a estabelecer um entendimento sobre a filosofia dessa
ferramenta, seus desdobramentos, planos e projetos. Dessa maneira, tenciona-se subsidiar
bibliotecários em suas funções de gestor de bibliotecas para que, mediante a adoção dessa
prática possa realizar uma gestão competente baseada em ações objetivadas.
Este trabalho tem como elemento norteador a seguinte pergunta: o que é preciso
necessário saber para fazer o planejamento de uma organização? Ou, de modo mais pontual, o
que é preciso para realizar o planejamento em biblioteca?
Inicialmente, buscou-se identificar, conhecer, ou mesmo definir a missão e a visão
organizacional, agregando-se alguns questionamentos importantes sobre o planejamento, tais:
Por quê? Como? Para quê? Quando? Sobre esses aspectos, Chiavenato (1997) coloca que:
“[...] planejar é definir os objetivos e escolher, antecipadamente, o melhor curso de ação para
alcançá-los”. Assim sendo, com vistas a obter-se os resultados pretendidos, buscamos
conhecer a opinião dos discentes e demais usuários, da BC - UFMA, no que diz respeito
estrutura e organização da instituição, para assim verificar suas visões a respeito do
conhecimento sobre o uso do planejamento para a biblioteca selecionada visando aferir a
eficácia do planejamento para a mesma. Analisamos também, qual a compreensão dos
usuários da BC acerca do planejamento e em que medida este os afeta em forma de serviços.

1441

�Para subsidiar a elaboração da opinião de profissionais bibliotecários, bem como dos
usuários da BC, desenvolveu-se uma pesquisa de opinião no contexto da Biblioteca Central
do Campus do Bacanga da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que é administrada
pelo Núcleo Integrado de Bibliotecas- NIB. Chama-se a atenção para o fato de a biblioteca
constituir-se uma instituição, o que faz com que a mesma necessite-estabelecer metas a serem
cumpridas, para que seu trabalho tenha não somente continuidade, mas efetividade, o que faz
com que o planejamento seja reconhecido como imprescindível.
Considera-se para tanto, que o planejamento estabelece a melhor forma de executar
tarefas dentro da instituição, e para tanto, o mesmo deve englobar as necessidades de todos
que estão a ela envolvidos.
Assim sendo, as tarefas exercidas pela instituição devem atender e serem dirigidas por
pessoas adequadas e qualificadas, aptas e executá-las. Para tanto, isso, o funcionário que irá
executar a tarefa deve ter conhecimento da mesma e com ela identificar-se, para que o serviço
seja feito da melhor forma.
Observou-se no primeiro momento que a biblioteca escolhida como campo de estudo e
pesquisa constitui-se ótima opção para atuação do discente de Biblioteconomia, pois se trata
de uma biblioteca universitária com amplo espaço físico, e uma boa estrutura no que se refere
às dependências assim como sua máquina administrativa e organizacional, o que fez com que
a mesma fosse considerada relevante para a pesquisa proposta.

2 DO ACREDITAR AO ATO DE DESENVOLVER O PLANEJAMENTO
A importância do planejamento para a administração é aplicável, para toda e
qualquer organização, por ser o processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre
recursos e objetivos, visando ao melhor funcionamento de instituições, organizações e outras
atividades humanas. Como explica Oliveira (2007)"[...] planejar é pensar sobre aquilo que
existe, sobre o que se quer alcançar, com que meios se pretende agir”, concebendo-se nesse
contexto, que o ato de planejar constitui-se processo de reflexão, uma tomada de decisão
sobre a ação para previsão de necessidades, ou de futuras dificuldades e racionalização de
emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis, objetivando a concretização
de objetivos, em prazos determinados e etapas definidas, a partir dos resultados das
avaliações.
Entende-se assim que é necessário conhecer o conceito dos termos plano, projeto e
planejamento e os princípios que norteiam a temática do planejamento de modo a eliminar

1442

�possibilidades descontextualizadas de ação,

conjunturas equivocadas de demandas

inesperadas, sob o pretexto, de que não há tempo ou condição de planejar.
Práticas ainda muito presentes em bibliotecas utilizam-se do fazer baseado na teoria do
acerto e erro, ou comumente segue o planejamento institucional, que não inclui ou
desconhece o diagnóstico situacional desta unidade, resultando em desgaste do profissional
bibliotecário e da própria unidade. Os gestores, em muitos casos, reconhecem a importância e
os conceitos do planejamento, mas relutam em desenvolvê-los ou aplicá-los, tanto pela falta
de conhecimento das metodologias e sistemáticas de operacionalização, quanto pela carência
de pessoal devidamente qualificado na formulação dos planos que favorecem a permanência
das práticas instintivas, onde prevalece o empirismo gerencial.
Não basta, no entanto, reconhecer a importância do ato de planejar; é necessário
produzir efeitos positivos que tragam visibilidade organizacional para a biblioteca. Sob essa
orientação e com enfoque adequado praticado a partir de uma visão holística da realidade
interna e externa, o entendimento da dinâmica social que naturalmente envolve o contexto
informacional e as bibliotecas oferecerá uma lógica centrada no real e nos atores. No âmbito
das bibliotecas universitárias, essa identificação situacional se relaciona diretamente com o
funcionamento do ensino superior, C&amp;T, bem como da formação profissional.
A partir de então, se apresenta o processo de tomada de decisões, se corporificando de
modo normativo e como peças documentais o plano, que se constitui a formalização dos
diferentes momentos desse processo, configurando-se, portanto, num registro escrito,
apresentado sob a forma de um documento orientado para resultados.
Em nível mais detalhado e específico, o termo projeto, assim como o termo plano,
também possui um caráter de sistematização da ação e, nesse sentido, a definição de projeto
traz consigo a ideia de lançar-se adiante (Oliveira, 2007), de algo a construir, trazendo à luz
aspectos

importantes

como

objetivos,

metas,

estruturas,

recursos,

controle

e

acompanhamento, resultados previstos. O projeto pode estar vinculado à noção de
detalhamento de uma determinada ação a ser desenvolvida a partir do plano elaborado. Nesse
sentido, o projeto consistiria na sistematização de uma parte ou de uma atividade prevista no
plano a ser implementado.
Mais especificamente, o planejamento é o desenvolvimento de um programa para a
realização de um objetivo e metas organizacionais, visando atingir uma situação desejada de
modo mais eficiente e efetivo, com concentração de esforços e recursos pela organização. É
uma atividade inerente ao processo administrativo, que ocorre de modo constante e flexível,
gerada a partir de situações verificadas no momento. Nessa tessitura apresentada, o

1443

�planejamento proporciona a base de uma ação efetiva que vem a desaguar em uma melhor
capacidade de administrar e atingir os objetivos da organização.
O planejamento define onde se pretende chegar, o que deve ser feito, quando, como e
em que sequência. Assim como também afirmam Stornner e Freeman (1995) para os quais o
planejamento possui funções básicas e vitais para a organização: é através do planejamento
que a organização determina seus objetivos e define os meios para alcança-los.
Para que o planejamento ocorra é importante ressaltar a necessidade de considerar a
estrutura da instituição, a sua cultura, os seus valores, as crenças básicas, hábitos e padrões de
comportamento que são aceitos e compartilhados pelos membros da organização, como
também a tecnologia disponível e o ambiente.
Pode-se assim dizer que o planejamento reflete os acontecimentos ocorridos no
passado, sendo resultado da contribuição de inúmeros precursores, transformando-se num
planejamento mais competitivo.

2.1 Planejamento Em Bibliotecas Universitárias
A Biblioteca Universitária surgiu pela criação do ensino superior, ocorrido a partir
do século XII na Europa, um prolongamento das ordens eclesiásticas, de que são exemplo as
de Paris (Teologia), Salermo (Medicina) e Bolonha (Direito) e que tinham como objetivo
apoiar o desenvolvimento dos estudos. (Martins, 1998). Nesse período, a Europa vivia um
momento de desenvolvimento com as descobertas de novas técnicas, o comércio em expansão
e as classes universitárias. As bibliotecas despontaram então, como um local de importância,
pois reuniam o material bibliográfico necessário ao desenvolvimento acadêmico.
Para Lück et al. (2003) as universidades e bibliotecas “são agências sociais
organizadas com a missão de servir à sociedade enquanto instâncias criadoras,
propulsoras[...], estimuladoras e facilitadoras[...] dos conhecimentos,” evidenciando-se assim,
sua importância na construção de saberes.
Parafraseando Araújo (1996), aponta-se a universidade enquanto estrutura
administrativa, um sistema político, um centro científico, uma academia, um foco cultural e
uma fonte de valores; ou seja uma estrutura de muitas complexidades. A biblioteca de uma
universidade tem grande importância para toda a instituição, porque está ligada aos objetivos
do chamado tripé universitário: ensino, pesquisa e extensão. As Bibliotecas Universitárias
contribuem de maneira fundamental para a disseminação e propagação do conhecimento nas
universidades. Destacam-se quando comparadas a outras bibliotecas nos quesitos de prestação
de serviços, recursos humanos, recursos financeiros compatíveis com as necessidades

1444

�informacionais dos usuários. São agentes transformadoras da sociedade, atuando no cenário
da unidade de informação e propiciando aos usuários as informações desejadas, de maneira
qualificada.

As bibliotecas universitárias devem operar com vistas a buscar constante
aprimoramento de seu desempenho. A explosão documentária, a
fragmentação acelerada do conhecimento, o alto custo dos materiais
informacionais exigem cada vez mais, que adotem métodos e procedimentos
administrativos capazes de contribuir para atuação eficaz em função dos
objetivos organizacionais. (OLIVEIRA, 1994, p.18)

As unidades de informação após a segunda guerra mundial, devido a explosão
informacional tiveram que se aprimorar para suprir a demanda de materiais informacionais
que foram sendo publicados, as bibliotecas universitárias desdobram esforços para elaborar
procedimentos administrativos para potencializar o objetivo de preservar e disseminar
informação científica.
Na atualidade, as bibliotecas universitárias têm direcionado o foco de sua
preocupação para o desempenho, suscitando analise em relação a questões de metodologia de
planejamento e avaliação de bibliotecas universitárias, reconhecendo as dificuldades e a
mensuração da eficácia e dos benefícios.
Essas unidades de informação no nível superior de ensino desenvolvem o seu mercado
organizacional quando colocam o produto - “informação” à disposição na universidade em
troca do benefício que o uso e o consumo desse produto irão proporcionar: de forma direta, ao
desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão e, indiretamente, permitindo
que a universidade cumpra sua missão e honre seu compromisso com a sociedade. Sendo o
maior centro de recursos informacionais à comunidade discente das universidades, a
biblioteca universitária represente papel de agente de transferência da informação, tendo com
o suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão na universidade, culminando no
processo de desenvolvimento do país.
O planejamento estratégico, nas Bibliotecas Universitárias, surge como uma
ferramenta para solucionar os problemas que as mesmas enfrentam na atualidade, pois se
adéqua melhor às constantes mudanças sociais e econômicas que afetam as organizações. Para
Pacheco (1994) sendo a informação um recurso estratégico de que dispõem as organizações
para o aumento de sua vantagem competitiva, é importante que todos os níveis de estrutura
organizacional possam compartilhar recursos, para uma visão integrada e completa de sua
gestão. Para Barbalho (1997) a Unidade de informação não existe como um órgão isolado; ele

1445

�está sempre subordinado a uma instituição maior, necessitando conhecer as estratégias
institucionais adotadas e sob elas elaborar o planejamento.

O planejamento orienta a biblioteca como uma organização, define sua
missão, desenvolve seu pessoal e determina como as necessidades de
informação de sua clientela serão satisfeitas. A maior parte do planejamento
(e sua implementação) impele para o futuro. (SILVEIRA, 1987, p.18)

Observa-se assim que a prática do planejamento direciona para a implementação da
qualidade na prestação de serviços em bibliotecas universitárias, prescinde de um diagnóstico
preciso da realidade dessa instituição. É um excelente recurso para tomada de decisões,
programação, controle e avaliação de atividades, e necessita, portanto, estar inserido dentro da
política institucional na missão e nas estratégias da organização da qual fazem parte,
significando a integração da Unidade de informação aos processos do ambiente da
organização maior, em conformidade com as necessidades de informações que impliquem em
um desenvolvimento eficaz.
Lima (1996, p. 9) comenta a respeito do planejamento estratégico, discorrendo que

O planejamento estratégico, por isso torna-se fundamental na medida em que
o mesmo favorece a discussão da missão, dos objetivos, das políticas, das
estratégias e dos mecanismos de controle e avaliação [...] A utilização do
plano estratégico é importante para as estratégias é importante para as
bibliotecas, mesmo com as restrições que se pode observar, pelo fato do
mesmo estabelecermos elos entre os meios e os fins.

Verifica-se assim, a importância do planejamento estratégico no contexto do trabalho
realizado nas bibliotecas. Por esta razão, as bibliotecas universitárias devem estar sempre
atentas às mudanças, já que toda mudança traz ameaças e oportunidades, sendo essas últimas,
são desafios a serem superados. Nesse contexto, deve ser analisado cuidadosamente o
ambiente interno e externo, aproveitadas as oportunidades e afastadas as ameaças, para que se
identifique em que medida a mudança contempla a estratégia atual, implicando em
modificações que trarão melhorias.

3 METÓDO DE PESQUISA
O diagnóstico institucional corresponde à busca e verificação do alinhamento da
organização com os recursos existentes, visando identificar pontos fracos e fortes. Ele
contribui para se aprimorar a visão global da organização, oferecendo subsídios para melhor
aproveitar as oportunidades e descobrir em meio aos recursos existente, como ultrapassar

1446

�dificuldades, para manter a competitividade e o sucesso da organização. Partilha-se neste
artigo, do pensamento de Petrochi, apud Lima (2010), quando diz que “[...]o diagnóstico
reúne informações básicas de análise de mercado, das oportunidades e ameaças, dos atrativos
turísticos e dos pontos fortes e fracos do destino”. Nesse sentido, elaborou-se o que
chamamos de radiografia do diagnóstico da biblioteca e de seu sistema de gestão, o que
possibilitou o desenvolvimento dentro de uma abordagem geral de todo o contexto da gestão,
visando ainda ter focos específicos, relativos aos processos que predominam em Bibliotecas
Universitárias. Escolheu-se o diagnóstico por nos permitir uma visão global, bem como pelo
fato do mesmo evidenciar a articulação orgânica da instituição, ou mesmo de u problema
específico que esta se encontra, resultando em mais agilidade para superar os obstáculos e
também, um melhor direcionamento dos seus esforços.
Apoia-se o posicionamento de Lima (2009), quando o mesmo afirma que o
“diagnóstico organizacional é um conjunto de fatores externos, organizacionais e individuais
que precisam ser investigados para que se conheçam a real situação de uma empresa”.
Evidencia-se assim, o uso das informações e a possibilidade de tirar conclusões através do
diagnóstico para se compreender a realidade da deficiência ou eficiência, para que se descubra
se uma empresa está mal ou bem, se está eficiente em relação a seus fins, sendo este
diagnóstico específico para a avaliação ampla da instituição investigada. Chiavenato (2006),
outro teórico da área, em que fundamenta-se esta análise, afirma que a “[...] análise dos dados
colhidos, passa-se a sua interpretação e diagnóstico: procura-se identificar preocupações e
problemas, suas consequências, estabelecer prioridades e estabelecer os alvos e objetivos".
A finalidade, portanto, do diagnóstico organizacional é o estabelecimento de uma
compreensão amplamente partilhada e de um sistema baseado nessa compreensão, para
determinar se uma mudança é desejável.
Nesse sentido, elaboramos e aplicamos questionário junto a usuários que
frequentaram a biblioteca no horário de 09h às 13h do dia 21 de novembro de 2013, sendo
entrevistados (em sua totalidade discentes) escolhidos aleatoriamente. Objetivou-se, por meio
desse instrumento, conhecer a opinião dos alunos acerca da estrutura e organização da
instituição, para assim verificar suas visões a respeito do conhecimento sobre o uso do
planejamento por esta biblioteca e eficácia dele na mesma, tendo como aporte a pesquisa
bibliográfica, assim como da coleta de dados, via entrevista livre, aos bibliotecários e
questionário aos clientes.

1447

�Nossa analise se substanciou com foco no diagnóstico organizacional, da entrevista
aos funcionários e no questionário aos usuários, onde se pode identificar pontos fracos e
fortes que se apresenta no decorrer deste trabalho.

3.1 O Planejamento no setor administrativo da BC- UFMA (Núcleo Integrado de
Bibliotecas - UFMA)
Como já mencionado anteriormente, o diagnóstico visa à verificação do alinhamento
estratégico da organização com os recursos existentes para se descobrir os pontos fracos e
fortes, para conseguirmos obter melhor forma de aproveitar as oportunidades, dentro das
vulnerabilidades, descobrindo dentro dos recursos existentes ultrapassar as dificuldades e
aumentar tanto competitividade como o sucesso da organização que no nosso caso em tela é a
Biblioteca Central da UFMA. Partilhamos do pensamento de Petrocchi quando diz que: "O
diagnóstico reúne informações básicas da análise de mercado, das oportunidades e ameaças,
dos atrativos turísticos e dos pontos fortes e fracos do destino". (PETROCCHI apud LIMA,
2010).
A Biblioteca Central do Campus da Universidade Federal do Maranhão é uma
importante opção para atuação do discente de biblioteconomia em formação, pois se trata de
uma biblioteca universitária com amplo espaço físico e uma boa estrutura no que se refere a
suas dependências assim como sua máquina administrativa e organizacional.
A Biblioteca apresenta todos os setores necessários para a prática e aprendizado do
aluno, como: Setor de Formação de Coleções e Setor de Formação de Coleções Periódicas;
Setor de Processamento Técnico (catalogação, classificação, indexação, preparação de
documentos para circulação); Setor de Circulação (empréstimo, devolução e renovação de
livros);

Acervo;

Serviços

Técnicos; Biblioteca Digital;

Comutação

Bibliográfica;

Encadernação e restauração e Materiais Especiais.

4 O PLANEJAMENTO NO SETOR ADMINISTRATIVO DA BC-UFMA (Núcleo
Integrado de Bibliotecas - UFMA)
Ficou evidente através dos dados obtidos nas entrevistas que grande parte do
planejamento feito nos últimos anos se desdobra no prédio da Biblioteca Central que está em
construção, que a princípio foi pensado para suprir as necessidades dos bibliotecários e
principalmente dos usuários. Assim, o usuário é o principal beneficiário do planejamento que
vem sendo feito ao longo dos anos, o planejamento administrativo cumprido pelos produtos e
serviços oferecidos. E que todo o planejamento foi realizado com antecedência, acompanhado

1448

�de controle sistemático, além de plano orçamentário dos gastos que serão realizados com a
compra de materiais como livros e outros.
A gestora entrevistada aponta a modernização como diferencial em relação a outras
bibliotecas, pois há zona Wi-Fi livre para os usuários. A administração tem como complicador
atual, o quadro de funcionários reduzido, pois alguns funcionários estão afastados para a pósgraduação. No entanto, entende-se que esse afastamento é necessário, pois a capacitação do
corpo técnico trará, no futuro, mais benefícios a Biblioteca.

4.1 O Planejamento no processamento técnico da Biblioteca Central da Universidade
Federal do Maranhão (UFMA)
Em relação à gestão do processamento técnico, há preocupação de, além do tratamento
do acervo, codificá-lo para uma melhor localização das obras pelos usuários no momento de
recuperação do documento. Nesse setor, as fragilidades são relacionadas às demandas de
processamento e número de funcionários. O planejamento inexiste, apenas sendo
administradas rotinas cotidianas, como organização de escalas e metas de produção a serem
cumpridas pela equipe. O processamento técnico trabalha, delimita e organiza suas ideias com
base no planejamento feito pela administração da biblioteca e nisso dividem as suas
atividades; visando sempre melhorias e contribuindo para o funcionamento da Biblioteca, de
forma a agrupar a maior quantidade de informações para o usuário e recuperação da
informação.
O processamento técnico é o setor que trata os títulos, a fim de codificá-los para uma
melhor localização no acervo e ajudar os usuários no momento de recuperação do documento,
com base nisso foi feito uma entrevista com a Bibliotecária Gilvane Carvalho Ferreira, foi
possível fazer as seguintes analises:
Neste setor tivemos a estatística de que foram processados cerca de 1. 700 livros no
mês de outubro, número esse que pode variar; esta é uma realidade correspondente a 6
servidores, mas esses números são oscilantes, mas mantém-se uma média em torno desse
número. O planejamento deste setor é feito pelos servidores bibliotecários que organizam uma
escala e metas a serem cumpridas pela equipe, um bibliotecário é responsável para fazer o
planejamento somente de materiais estrangeiros.
O Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) é o software
utilizado para processar, fazer o controle do material processado e também o espaço para o
usuário fazer a sugestão de títulos, o SIGAA agiliza bastante o processo, pois é um sistema
que compacta varias funções tornando-se assim mais prático e de fácil manuseio, mas por

1449

�outro lado por este mecanismo possuir tantas funções juntas no momento em que acontece
algum problema técnico como a queda de energia e de internet, todo o serviço é atrasado por
não haver outros mecanismos com tais funções e por este setor ser dependente de outros, e de
outras atividades.
O processamento técnico trabalha, delimita e organiza suas ideias com base no
planejamento feito pela Instituição, e nisso dividem as suas atividades; visando sempre
melhorias e contribuindo para o funcionamento da Biblioteca, de forma a agrupar a maior
quantidade de informações para o usuário e recuperação da informação.
Observamos que o processamento técnico da Biblioteca Central da UFMA é um setor
que corresponde às necessidades de processamento, mas que precisa de alguns ajustes quando
se diz respeito a metas a serem alcançadas, pois ele é o responsável pelo processamento dos
títulos de todas as bibliotecas, o que centraliza muito o trabalho e aumenta a demanda, sendo
uma atividade difícil de cumprir metas e exigências.

4.2 O Planejamento no setor de desenvolvimento de acervo da Biblioteca Central da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Para que seja estabelecida uma forma de planejamento para um acervo é necessário
que seja estabelecida etapas características gerais nos processos de arquivos, bibliotecas e
instituições gerais que contem acervo e a aplicação de todos os conceitos da instituição.
Acerca da experiência no planejamento de Acervo da Biblioteca Central da
Universidade Federal do Maranhão, a entrevista feita ao Bibliotecário Carlos Wellington
Soares Martins, responsável pelo setor da referida Biblioteca. Para se chegar a um conceito,
necessita-se entender primeiramente o que é planejamento, e para Almeida apud Strehl (2005)
planejamento “é um processo continuo, permanente e dinâmico, que fixa os objetivos, detalha
as etapas para atingi-los e prevê os recursos necessários para sua consecução”.
Segundo o entrevistado a primeira coisa a ser estabelecida em um planejamento é a
definição dos objetivos, onde na biblioteca estudada, os objetivos se fixam em atender as
necessidades do corpo docente e discente da instituição, entender as necessidades dos
usuários e coletar o maior número de informações possíveis desses usuários para se
estabelecer critérios e metas a serem adotadas. Depois de todas as coletas de dados e analise
dos resultados, parte-se para a elaboração do plano para tomadas de decisões e previsão de
possíveis acontecimentos. O bibliotecário acrescentou ainda sobre a importância do
planejamento “[...] o setor de acervos depende de uma constituição maior para a tomada de

1450

�decisões e elaboração de seu planejamento, planejamento maior da instituição, e é
inteiramente ligado a ela sendo, assim, dependente da mesma”.
O planejamento deve adotar etapa a serem trabalhadas, que são elas: O
estabelecimento das providências para a execução do plano, acompanhamento e controle da
execução do plano em relação aos objetivos traçados e avaliação do sucesso do plano. Na
Biblioteca estudada, segundo o entrevistado, é um processo que passa por varias etapas,
primeiro vem à inserção do ciclo de compra, depois a pesquisa desses materiais, para saber se
ainda estão a venda, caso não estejam deve-se providenciar materiais semelhantes para a sua
substituição e assim suprir com as necessidades dos usuários. Após essa etapa, entra-se em
contato com a coordenação do curso para saber se as compras desses materiais são mesmo
necessárias, como a resposta da coordenação dá-se inicio ao processo de compra dos materiais
selecionados. Quando o material chega à biblioteca, é encaminhado para o processamento
técnico e depois é distribuído para a biblioteca especifica dos campi relativo e central.
O acervo é composto por materiais pertinentes aos Projetos Políticos Pedagógicos dos
cursos de graduação, pós-graduação, ensino a distância, etc., da Universidade Federal do
Maranhão, tendo que atender a toda à demanda da instituição. Atende-se por meio da
biografia básica e complementar estabelecida pelo Ministério da Educação (MEC), onde tem
que ter uma quantidade X de livros referentes a uma quantidade Y de alunos ingressantes de
cada curso. O acervo também é formado por sugestões feitas pelos professores de cada área.
No que se refere às prioridades da Biblioteca, a formação e implantação de acervo dos
campi do interior do estado estão em destaque no momento, porque estão em fase de
crescimento e são relativamente novos. Alguns deles são Licenciatura em Ciências Humanas
e Licenciatura em Ciências Naturais. Mas mesmo com essas prioridades, continua-se
trabalhando nos materiais novos dos cursos já implantados. A formação do acervo também é
feita pela sugestão de alunos e tem tempo determinado para essas sugestões no (SIGAA), mas
é necessário que haja a comprovação da pertinência desses materiais.
Na conservação e preservação do acervo, no momento o que se tem na instituição é
um setor de pequenos reparos, até porque os materiais da biblioteca são relativamente novos,
não tendo necessidade de um laboratório super equipado para conservação e preservação. A
biblioteca faz o processo de higienização, onde é contratada uma equipe que começa a
trabalhar com os campi do interior, passa para as setoriais e termina na biblioteca central, fora
a higienização feita pelos servidores constantemente e a climatização do ambiente que ajuda
na conservação dos materiais.

1451

�4.3 O Planejamento no Setor de Referencias da Biblioteca Central da Universidade
Federal do Maranhão (UFMA)
O serviço de referencia parafraseando Almeida Júnior (1999) é o local dentro da
Biblioteca onde se dá a relação entre a informação e o interesse do usuário; é o momento e
que se procura satisfazer as necessidades informacionais do usuário, enfim, é quando todo o
trabalho da biblioteca se completa, ou seja, é o cartão postal dessa Unidade de Informação,
por tanto, visa atender as necessidades cognitivas dos usuários e saciar a ânsia informacional
deste. O serviço de referencia deve, para sua melhor eficácia, ser planejado e dotado de um
treinamento específico, de acordo com o caráter de cada unidade.
O serviço de referência comporta quatro linhas de atuação, segundo Macedo (1990):
1) a Referencia propriamente dita; 2) Orientação formal ao usuário; 3) Disseminação da
informação; 4) Divulgação da Informação.
Fazer o planejamento baseado nessas linhas de atuação deve ser realista e de acordo
com os recursos financeiros, materiais e pessoais disponíveis na organização, visando a
auxiliar nas ações e tomada de decisões que serão realizadas pelos responsáveis pelo serviço,
ressaltando que deve sempre ser compatível com o objetivo estabelecido pela instituição e
com a comunidade que irá atender.
O planejamento do setor de referencia da Biblioteca Central da UFMA que conta com
um quadro funcional composto por: 7 bibliotecários documentalistas, 4 assistentes
administrativos, 3 bolsistas supervisionados e 12 bolsistas de outras áreas. A equipe trabalha
nos turnos matutino, vespertino e noturno, de segunda a sexta feira. Perguntamos se o número
disponível de funcionários e bolsistas trabalhando no setor era adequado ao fluxo de usuários,
a resposta foi que a quantidade de funcionários era suficiente para a demanda de atividades
realizadas pelo setor.
O serviço de referencia é a assistência pessoal, especializada, dada pelo bibliotecário
ao usuário que deseja obter informação específica para seus estudos. As linhas de atuação do
deste serviço segundo Macedo (1990)
Em relação ao planejamento para o setor de recursos humanos, há um grande interesse
e uma significativa assiduidade por parte dos funcionários que exercem suas atividades no
setor de referencia e sempre que possível estão buscando capacitação por meio de cursos,
congressos e seminários de profissionais, visando crescimento profissional e adotando novas
praticas para melhoria dos serviços prestados

1452

�Observamos que a maior parte dos bibliotecários do setor entrevistados que trabalham
no setor, possui domínio em idiomas estrangeiros, entre os quais se destaca a língua inglesa,
além disso, alguns possuem fluência em língua espanhola e em francês.
Em relação a forma como é realizada a divulgação das bases de dados, os funcionários
informaram que esta é realizado por meio do site da instituição (UFMA), folhetos, cartazes
deixados nos murais, email.Dentre as formas de ajuda mais solicitadas para os funcionários
que trabalham no setor de referencia, se destacam a orientação de busca aos materiais
informacionais, consulta ao sistema, normalização de trabalhos, orientação sobre referências.
Quanto a forma de encaminhamento de questões para pesquisa, os usuários se dirigem
com maior frequência ao balcão de informações solicitar auxilio para os funcionários do setor
de referencia, sendo que o uso de formulários para fazer essa mesma solicitação quase não é
utilizado.
O planejamento inclui prestar ajuda aos usuários na utilização de ferramentas de
busca, os funcionários do setor de referencia informaram que sempre ajudam, mostrando aos
usuários por meio de treinamentos, como utilizar as ferramentas de busca e seus recursos para
otimizar e potencializar as pesquisas. Para o feedback com os usuários quanto aos serviços
prestados por meio de sugestões, que são utilizadas para o planejamento de novas atividades e
também para avaliação do trabalho dos profissionais.

4.4 Os usuários e a visão destes em relação com relação ao planejamento da BC-UFMA
Buscar a qualidade de um produto através do planejamento não é a mesma coisa que
buscar a qualidade em um serviço, embora sejam próximos no que diz respeito ao resultado
desejado. Para obtermos respostas sobre a qualidade dos serviços e produtos prestados pela
Biblioteca Central da UFMA, frutos do planejamento da administração, foram distribuídos
questionários de forma aleatória para alguns usuários, notou-se que os usuários se sentem
satisfeitos em alguns itens e outros insatisfeitos de acordo como mostra a pesquisa. As três
variáveis abordadas no questionário foram: a estrutura, serviços e produtos e finalmente
atendimento que foram separados em subitens em que compõem a biblioteca.
Em estrutura, foram analisadas as vertentes espaço, salas de estudo, acesso de usuários
com necessidades especiais a começar por estes todos foram dados com insatisfação na qual
as respostas foram à pequena quantidade de salas para uma grande quantidade de alunos.
A segunda variável: serviços e produtos que foram os postos de devolução, recepção,
balcão de empréstimo, serviços via internet e serviços de referência estes itens foram dados

1453

�como satisfeitos, pois os respondentes gostaram dos serviços e produtos oferecidos pela
Biblioteca Central da UFMA.
Agora quanto a variável atendimento que são: clareza e rapidez no atendimento e
horário de atendimento, o resultado foi satisfatório, porém, pediram melhorias e uma
quantidade maior de funcionários para atender o pessoal que, visto que o número de usuário é
bem maior em relação ao quantitativo de funcionários e o funcionamento da mesma aos
sábados.
No entanto, diante dos resultados obtidos através dos questionários pode-se dizer que a
biblioteca deve se adequar a quantidade de usuários que utilizam os seus serviços e produtos e
que é necessário investir na estrutura. Observou-se que tem um bom atendimento, porém
alguns usuários desejam atendimento aos sábados.
Com base nas observações feitas nos setores estudados, chegou-se a resposta da
seguinte questão, então como deve ser feito um planejamento, no ambiente da Biblioteca
Universitária, diante de muitas possibilidades e recursos informacionais de que a
administração da Biblioteca dispõe? Torna-se e é fundamental a questão da assertividade em
relação aos objetivos da Biblioteca Universitária.
O usuário acadêmico, ou não, busca na qualidade dos serviços bibliotecários o fator
diferencial, a chave para respostas disponíveis. É necessário “enxugar” as questões
operacionais, visualizar as possíveis alternativas de que dispomos através da gestão do
conhecimento, o bibliotecário gestor tem que utilizar a tecnologia da informação e a inovação
a favor da qualidade dos serviços bibliotecários oferecidos. Se muitas das vezes as
necessidades não são tão claras e elucidativas ou a visão organizacional é fragmentada pela
multiplicidade das atribuições ou planejamento é insuficiente. Por isso é preciso ter bem
claros os conceitos de plano, planejamento e projeto a medida que dispomos de técnicas,
conceitos formais destes, podemos criar o diferencial que precisamos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Finaliza-se o trabalho elogiando o planejamento bem claro e evidente, bem como a
existência de elementos prescritivos e normativos, de modo que os resultados apresentam
rotinas da prática de serviços biblioteconômicos. Foi sentida a ausência de participação no
pensar e elaborar o planejamento organizacional de outros colaboradores e funcionários.
Conseguiu-se notar que é preciso potencializar a prestação dos serviços e criar um clima de
confiança, autodisciplina e responsabilidade entre os funcionários, clientes, fornecedores que
resultem no esperado ambiente de qualidade máxima no local de trabalho.

1454

�Percebeu-se que se houver aumento na motivação e coesão grupal, conscientização
dos integrantes da equipe, despertar da alegria, maior interesse e boa vontade no desempenho
das diversas tarefas que são executadas na Biblioteca Central renderão acontecimentos
frutíferos no futuro. Foi-nos mostrado e concluiu-se que, principalmente, há muita diferença
em gerenciar com as pessoas e não as pessoas. O despertar o espírito crítico dos funcionários,
fazendo com que ele seja aproveitado de forma benéfica e muito bem canalizado, pode
contribuir para o crescimento da organização estudada. Essas transformações incidiriam sobre
o clima organizacional, gerariam maior coragem, determinação e ousadia para a tomada de
decisões na biblioteca.
Apesar de ter-se percebido que há características de uma gestão participativa no
âmbito interno, dando a oportunidade de contribuição de funcionários, dos docentes, discentes
e da cúpula maior da hierarquia acadêmica, notou-se a ausência de envolvimento, de forma
ainda mais efetiva e direta, dos usuários, beneficiando-os com o que foi mais solicitado entre
os pesquisados: a abertura da biblioteca central aos sábados. Cabe ressaltar, porém, que resta
muito a ser feito, pois grande parte do que foi planejado estrategicamente será executado no
novo prédio que está em fase de construção, e possui uma estrutura mais adequada aos
anseios da comunidade acadêmica.
Observou-se que o ritmo de trabalho que foi constatado, ainda se apresenta como o
mais adequado para as condições e o momento atual da Biblioteca. Considerando os planos
percebidos da atual gestão, acredita-se que os objetivos propostos poderão ser atingidos,
implementando a parte inicial como concretude necessária para a futura consagração a ser
alçada no novo prédio a ser inaugurado. Considerando questão estratégica para a melhoria da
qualidade dos serviços de informações, produtos e do ambiente de trabalho, o conjunto dos
projetos do Núcleo de Bibliotecas Integradas, uma vez implantado, deverá contribuir para
elevar o posicionamento da UFMA no cenário acadêmico nacional, agregando à própria
Universidade a efetividade necessária para atender às crescentes demandas das atividades de
ensino, pesquisa e extensão que tanto anseia por desenvolver com qualidade.
As atividades desempenhadas colaboraram para o amadurecimento profissional do
aluno, pois este teve a oportunidade de implementar toda gama de conhecimento teórico
adquirido ao longo de sua jornada acadêmica, além de vivenciar na prática o ambiente
profissional de sua área, adquirindo experiência e visão para mercado de trabalho.

1455

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Estudo sobre a dificuldade do exercício da prática do planejar dentro do ambiente da Biblioteca Universitária. Busca fortalecer a compreensão de conceitos e uso adequado dos meios do planejamento. Explicita o significado básico de termos tais como: Planejamento, plano, projeto dentre outros. Relaciona a vivência de Bibliotecários e dos espaços para o leitor, estabelece relação entre os conceitos e os registros de experiências. Analisa a Gestão da Biblioteca Universitária e seus serviços com base na teoria da Gestão do Conhecimento e suas propostas inovadoras para melhoria do desempenho bibliotecário e melhoria da qualidade dos serviços. Baseado no modelo apresentado pelas teorias da administração em estudos do comportamento organizacional e da qualidade, identificou-se elementos e requisitos para compor um referencial que auxilie a implementar a qualidade e inovação, na gestão de Bibliotecas Universitárias e, principalmente, em motivar e adaptar os recursos humanos, capacitando-os a utilizar melhor os recursos da biblioteca. Desenvolvido para servir como base conceitual para auxiliar aos bibliotecários a empreender, com foco em otimizar os recursos disponíveis através das práticas sugeridas. Concluímos com a constatação da existência, na biblioteca universitária pesquisada, de elementos prescritivos e normativos da teoria da administração, de modo que os resultados apresentam rotinas da prática de serviços biblioteconômicos nos parâmetros aceitáveis. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O LIVRO RARO NA BIBLIOTECA CENTRAL ZILA MAMEDE

Tércia Maria Souza de Moura Marques
Kalline Bezerra da Silva Flor
Renata Jovita Granze de Oliveira

RESUMO
Apresenta a coleção de obras raras da Biblioteca Central “Zila Mamede” - BCZM, unidade
suplementar da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Constitui-se em um relato de
experiência que objetiva por um lado, apresentar os critérios de raridade adotados pela
Instituição para classificação de raridade e/ou preciosidade, por outro apresentar uma
metodologia para execução do tratamento da coleção no que concerne a sua conservação e
preservação, visto que o livro raro, entendido como objeto cultural de disseminação do
conhecimento é, também, valorizado como objeto de memória, através do qual é possível
recuperar os conhecimentos desenvolvidos ao longo da história da humanidade. Assim, a
investigação é conduzida gradativamente, revelando questionamentos a respeito do tratamento
apropriado que deve ser aplicado e quais argumentos legitimam uma obra como rara, única ou
preciosa. Sugere que é fundamental atentar para as atividades realizadas com uma equipe
adequada, com uma interpretação bibliológicamente encorpada e sensível, em que não se
predomine a premissa de “velho, antigo, portanto raro”.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Obras Raras; Critérios de raridade bibliográfica.

ABSTRACT
This paper presents the rare books collection of The “Zila Mamede” Central Library (BCZM),
a supplementary unit of the Federal University of Rio Grande do Norte (UFRN). It consists of
an experience report which aims, on one hand, present the criteria of rarity adopted by the
Institution; on the other hand, this study aims to present a methodology for the execution of
the treatment of the collection, concerning its conservation and preservation. The rare book,
understood as a cultural object of dissemination of knowledge, is also valued as a memoir
object through which it is possible to retrieve the knowledge developed throughout the history
of mankind. Thus, this investigation is conducted gradually, revealing questions about the
proper treatment and what arguments justify a book as rare, unique or precious. It suggests
that it is fundamental to notice the activities carried out by a proper team, with a
bibliologically sturdy and sensitive, in which being "old" does not equal being rare.
Keywords: University library; Rare books; Criteria of bibliographical rarity.

3163

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Central “Zila Mamede” - BCZM, unidade suplementar da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, tem um acervo informacional constituído, segundo
dados fornecidos pelo Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas - SIGAA, no
dia 23 de abril de 2014 por trezentos e cinquenta e oito mil, oitocentos e quarenta e oito
volumes que começou a ser formado a partir da junção dos acervos das primeiras escolas e
faculdades de ensino superior que, em conformidade com Souza (1984) foram: Escola de
Serviço social de Natal ( instalada em 2 de junho de 1945 por iniciativa da Ação Católica,
especialmente pela Juventude Feminina Brasileira de Natal), Faculdade de Farmácia e
Odontologia de Natal (criada por Decreto-Lei Estadual n° 682, de 3 de fevereiro de 1947),
Faculdade de Direito de Natal (Lei Estadual n° 149, de 15 de agosto de 1949), Faculdade de
Medicina de Natal (Decreto Estadual n° 37.931, de 20 de setembro de 1955), Faculdade de
Filosofia de Natal (Decreto Federal n° 40573, de 18 de dezembro de 1956 e da Escola de
engenharia de Natal (Lei Estadual n° 2.045, de 11 de setembro de 1957), nessa ordem, bem
como da aquisição nos anos de 1974 a 1978 de sete bibliotecas particulares a saber: prof.
Othon de Oliveira, Prof. Edgar Barbosa, Prof. Ewerton Cortês, Prof. José Bonifácio, Dr.
Gerardo Dantas Barreto, Prof. Américo de Oliveira Costa e Dr. Oswaldo Lamartine de Farias
(UNIVERSIDADE,1979, p.126-130).
Ao darmos inicio aos estudos da coleção de raridades da Biblioteca Central “Zila
Mamede” identificamos que a mesma contém obras com mais de 300 anos, sendo a mais
antiga o Castrioto Lusitano. Parte I. Entrepresa, e restauração de Pernanbuco, &amp; das
Capitanias confinantes. Varios e bellicos sucçcessos entre Portuguezes e Belgas. Acontecidos
pello discurso do vinte e quatro annos, e tirados de noticias, relações e memorias certas.
Oferecido a João Fernandes Vieira Castrioto Lusitano e por elle dedicados ao Principe D.
Pedro. Lisboa, na Impressão de Antonio Craesbeeck de Mello, obra de Rafael de Jesus,
datada de 1679. Trata-se, segundo o Manual bibliographico portuguez de livros raros,
clássicos e curiosos, coordenado por Ricardo Pinto de Matos de 1878 (p. 332), “de livro raro
e estimado”.
Além do Castrioto Lusitano e do Manual bibliographico portuguez, a Biblioteca
Central “Zila Mamede” organizou uma coleção intitulada obras raras, formada por 1213
volumes em livros, 9 títulos de periódicos com 346 fascículos e 4.332 folhetos de cordel,
armazenados em um espaço amplo, mas que ainda necessita de adequações em sua estrutura
física, no que concerne as condições de acondicionamento da coleção (iluminação, umidade,
entre outros), bem ainda em suas áreas de leitura, e de tratamento técnico da coleção.

3164

�Esse conhecimento preliminar suscita algumas inquietações - existem em meio ao
acervo circulante obras de estimado valor histórico e cultural e, portanto, que precisam de
tratamento diferenciado? Foi estabelecido critérios de raridade para subsidiar a recolha de
obras das coleções circulante e de desbaste para guarda na coleção de obras raras? Foi
sistematizada alguma metodologia para tratamento da coleção com vistas a sua conservação?
Essas inquietações se avolumam na medida em que conhecemos o acervo de obras raras e o
acervo circulante da Biblioteca Central “Zila Mamede”, nesse último identificamos, mesmo
em uma avaliação superficial, obras raras, sejam por sua data de publicação ou pelo seu
conteúdo.
Assim, torna-se premente a necessidade da realização de estudos que venham a
responder tais questionamentos, bem como que possa viabilizar uma avaliação de toda a
coleção circulante com vistas à identificação de obras com características de raridade e/ou
preciosidade para constituir a sua coleção de obras raras e com isso garantir um
acondicionamento adequado com vistas a sua conservação e preservação, bem como a sua
divulgação, acessibilidade e uso uma vez que o livro raro pode representar o resgate de uma
fase histórica ou nos apresentar um conhecimento que nos faça compreender o presente.

2 O QUE É UMA OBRA RARA?
Na tentativa de definir o que seja “obra rara” nos apropriamos inicialmente do trabalho
de Koni (2010) e da aproximação que a mesma faz entre monumento e obra rara. Para essa
aproximação ela nos apresenta o conceito de monumento segundo Riegl (2008, p. 23), para
quem monumento é toda obra criada pelo homem com o objetivo de conservar presente e viva
na consciência das gerações futuras a lembrança, uma ação ou destino. Podemos imprimir
esse conceito à obra rara, no nosso estudo especificamente ao livro raro? Se pensarmos que o
homem, através do livro pode expressar todas as suas descobertas a muitas gerações futuras,
possibilitando o entendimento histórico e ainda o desenvolvimento de novos conhecimentos,
sim.
Recorremos ainda a Cambi (1999, p.35) que nos diz que “a história é o exercício da
memória realizada para compreender o presente e para nele ler as possibilidades de futuro a
construir, a escolher, a tornar possível”.
Então o livro raro, entendido como objeto cultural de disseminação do conhecimento
humano, passa a ser também valorizado como objeto de memória, uma vez que através dele é
possível recuperar os conhecimentos educacionais, históricos, religiosos, literatos, científicos

3165

�e técnicos desenvolvidos ao longo da história da humanidade. O livro então carrega a história
da evolução humana, a resgata e, também, a projeta para o futuro.
Conceituado livro raro, surge uma nova inquietação - como reconhecer um livro raro,
um objeto de memória? recorremos desta feita, aos conhecimentos de Pinheiro (2001) e
através dela vimos que para pensarmos na construção de critérios de raridade é preciso ter
claro 3 conceitos fundamentais: raro, único e precioso, para quem raro “é aquilo que é raro
em qualquer lugar do mundo”, havendo, portanto um consenso; único - único exemplar
conhecido no mundo e precioso - as coleções importantes para uma instituição, particular.
Pinheiro (2001) nos esclarece ainda, que tão fundamental quanto os conceitos é termos
uma metodologia de trabalho rigorosamente detalhada e para tanto nos sugere cinco aspectos
para observação das obras: limite histórico, aspecto bibliológico, valor cultural, pesquisa
bibliográfica e características do material e ao que nos parece são esses os aspectos
norteadores dos critérios utilizados pela Biblioteca Nacional do Brasil e, por conseguinte
foram adotados pela Biblioteca Central “Zila Mamede”.

3 CRITÉRIOS DE RARIDADE PARA A BIBLIOTECA CENTRAL “ZILA
MAMEDE” - BCZM
Para a constituição dos seus critérios de raridade e/ou preciosidade a Biblioteca
Central “Zila Mamede” lançou mão, a princípio, dos critérios internacionalmente
reconhecidos e amplamente divulgados pela Biblioteca Nacional do Brasil, que tem sede no
Rio de Janeiro, entendendo que essa instituição é a guardiã da memória cultural e intelectual
do Brasil, portanto paradigma na temática. Os critérios de raridade e/ou preciosidade ficam
assim entendidos:
• Primeiras impressões (século XV ao XVI) - equivalente ao Limite histórico apontado por
Pinheiro (2001)
Em meados do século XV, como escreveu Lucien Febvre (2000), surgiu o tipo móvel
fabricado em metal que “revolucionaria a produção de livros”, uma vez que mudaria todo um
processo produtivo, sendo a Bíblia de Gutenberg ou a Bíblia de 42 linhas, a primeira
publicação impressa por volta do ano de 1455.
Os demais livros impressos até 1500, denominados Incunábulos - livro impresso nos
primeiros tempos da imprensa com tipos móveis (não manuscrito) mantiveram alguns
costumes dos manuscritos uma vez que continuaram iniciando as suas obras com Incipit que
significa “aqui começa”, contendo muitas vezes o nome do autor e o título da obra; o Explicit
- “aqui termina”, informação que aparece no final dos primeiros livros, fornecendo, algumas

3166

�vezes, o nome do autor e o título da obra. Outras características mantidas dizem respeito à
manutenção do uso de caracteres góticos, de textos compactos e em duas colunas, do largo
uso de abreviaturas, de iluminuras - adornos, de xilogravuras, da ausência da paginação (às
vezes folheados), do emprego de glosas (comentários feitos nas margens do livro), registros,
assinaturas, reclamos, grandes formatos (in-folio), texto em latim (3/4 das obras), livros
litúrgicos (a maioria), literatura antiga e obras jurídicas (1/10 da produção), com a utilização
de papel fabricado a base de trapo, e portanto, apresentando as seguintes características:
grosso, desigual e de cor amarelada. Tudo isso segundo a Biblioteca Nacional ([2000])
justifica “o critério cronológico já determinar a raridade da obra”(grifo nosso).
• Impressões dos séculos XVII e XVIII
Os séculos XVII e XVIII se destacam pela industrialização do processo produtivo do
livro na Europa, pelo aparecimento de grandes nomes da literatura mundial como Cervantes,
Shakespeare, Molière e outros, e, pela instalação do estabelecimento oficial para tipógrafos,
gravadores, impressores como exemplo a Typographie Royale (França), Oficina da
Universidade de Oxford (Inglaterra); Oficina dos Plantin (Antuérpia) e dos Elzevieres
(Holanda).
• Brasil, Século XIX
No Brasil a produção gráfica se desenvolve a partir do Segundo Reinado razão pela
qual, a exemplo da Biblioteca Nacional estendemos o conceito de obra rara até 1841. Essa
decisão se justifica na medida em que se confirma que a tipografia oficial no Brasil data de 13
de maio de 1808 com a criação da Impressão Régia, por D. João VI, em que o primeiro
documento impresso no Brasil - um folheto com a Relação dos despachos publicados na corte
pelo expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros - foi produzido no Rio de
Janeiro, em 13 de maio de 1808 na Impressão Régia.
Até a Independência do Brasil em 1822 a Impressão Régia mantinha o monopólio da
imprensa no Rio e Janeiro, mesmo que a partir do ano de 1811 tenha iniciado a expansão da
tipografia no Brasil com a primeira tipografia particular estabelecida na Bahia. A partir desse
feito outras províncias em conformidade com a Biblioteca Nacional passam a adquirir os seus
prelos: Bahia em 1811, Pernambuco em 1815, Paraíba em 1817, Pará em 1822, Ceará em
1824, São Paulo e Rio Grande do Sul em 1827, Goiás em 1830, Santa Catarina e Alagoas em
1831. O Rio Grande do Norte, em particular, recebeu seu primeiro prelo da província do
Recife no ano de 1832, no entanto as publicações oficiais continuaram a ser impressas em
Olinda, Estado de Pernambuco até o ano de 1878. (HALLEWELL, 1985, p.121).

3167

�• Edições especiais (de luxo para bibliófilos) - São as edições elaboradas segundo o modelo
de livros antigos, que utilizam papel de boa qualidade, folhas soltas em cadernos, ilustradas
artesanalmente por algum artista de renome, geralmente in folio e colocadas em caixas, com
tiragem limitada e podendo ter a assinatura do autor.
Uma obra pode também ser avaliada como rara pelo seu valor extrínseco:
encadernações em couro, pergaminho, veludos, gravadas a ouro, com filetes e seixas
douradas, etc. Segundo Mello (apud GONÇALVES, 2008) a história da encadernação começa
junto a história do livro, a partir da necessidade de proteger os pesados códices e
pergaminhos. Contudo, foi se desenvolvendo ao longo dos séculos trazendo em cada período
um estilo próprio sendo por ele reconhecido. Segundo a Associação Brasileira de
Encadernação e Restauro as principais características das encadernações ao longo dos tempos
são:
Séculos VIII - XI
Encadernações em pele de cervo, porco e tecido. Cabeceado de alinhavo, sendo as capas de
madeira grosseira. Guardas ausentes ou uma de pergaminho. Cortes aparados. Decoração
simples.
Séculos XII - XIII
Cobertura de antílope, couros tingidos e pergaminho. Costura sobre nervos. Pranchas de
madeira como capas. Lombadas achatadas ou ligeiramente arredondadas. Cabeceado em
ponto de seleiro. Cortes aparados. Títulos sobre os cortes. Guardas de pergaminho. Decoração
mais variada, com fechos.
Séculos XIV - XV
Livros menos imponentes. Surgem novas técnicas e materiais. Passagem do pergaminho ao
papel. Utilizam-se vaqueta, carneiro e porco. Meia encadernação (fim do século XV).
Encadernações de tecidos (sedas-brocados). Costura sobre nervos. A lombada começa a
arredondar-se. Nervos salientes, em geral duplos marcados na pele. Cabeceado trançado de fio
ou tirinhas de pele. Guardas de pergaminho ou papel branco. Surgem os cortes decorados,
dourados ou coloridos para manuscritos. Decoração com filetes ou ferrinhos estampados a
frio. Placas, cantoneiras e fechos.
Século XVI
Aparecem as encadernações de pequenos formatos. Estilos da renascença, incluindo as
encadernações Aldinas. Coberturas de tecido até 1530. Aparecimento do marroquim tingido
de várias cores nas encadernações de luxo a partir de 1537. No final do século aparecem as
encadernações flexíveis em pergaminho. Costura de nervos marcados e banda de pergaminho

3168

�reforçando o entrenervo da cabeça e do pé. Desaparecimento das pranchas de madeira como
capas. Papelões compostos de papéis contra-colados. Cortes aparados, dourados ou cinzelados
para encadernações de grandes ornamentos. Lombada pouco decorada, sem título, depois
florões e título incompleto. Capas estampadas a frio. Aparição das dourações.
Século XVII
Cobertura de pergaminho, pele de carneiro, marroquim e vaqueta para encadernações de luxo.
Costura sobre nervos simples ou duplos. Lombada com banda de pergaminho reforçando o
lombo. Cabeceado em cores. Guardas brancas até 1640, depois coloridas, penteado fino em
sete cores. Capas de cartões rígidos feitos com várias camadas de papéis. Cortes aparados,
pintados nas cores vermelho ou azul e dourados para as encadernações de luxo. Decoração no
início, com riqueza de ornatos, depois, de excessiva sobriedade no final da época de Luiz
XIV.
Século XVIII
Cobertura em couro. Meia encadernação para os livros comuns no final do século. Marroquim
para as encadernações de luxo. Costura entre nervos. Lombada com nervos longos no final do
século. Cabeceado de várias cores. Guardas de seda ou couro. Papéis de cores variadas. Capas
de papelões de várias camadas. Cortes tingidos de vermelho, às vezes marmorizados e
dourados para os de luxo. Títulos inteiros no final do século. Algumas encadernações com
mosaicos. Surge a decoração com estampagem ou impressão com placa matriz, substituindo
os ferros avulsos.
Século XIX
Aparecimento da encadernação industrial, cartonagem simples ou à Bradel, capa solta. De
1830 a 1850, expande-se a encadernação francesa, com reflexos em Portugal e no Brasil.
Aparecimento da costura sobre cadarços. Nervos falsos. Cortes marmorizados combinando
com as guardas. Cortes dourados nas encadernações de luxo.
Século XX
Encadernações em couros diversos, percalina (tecido recoberto com resina não plástica
colorida). Durante a Semana de Arte Moderna (11-18 de fevereiro de 1922), surgem florões e
estilos de encadernações alusivos ao evento. Encadernações meia cana/canaleta, início do
século, muito resistente e lombo quadrado para folhas soltas, final do século, resistência e
abertura deixando a desejar.
Pinheiro (2001, p. 30) define outros aspectos que equivalem ao valor cultural das
obras raras:

3169

�• Edições clandestinas
As obras são consideradas Clandestinas por motivos morais, religiosos, políticos ou
por pirataria editorial. No Brasil até 1808 todo livro publicado seria considerado clandestino,
pois até essa data obras compostas no Brasil deveriam ser publicadas na Europa ou manteremse na forma manuscrita.
• Edições de tiragens reduzidas
São edições em papel especial, numerados e geralmente assinadas. Podem incluir a
indicação do proprietário para o exemplar numerado. Pode ocorrer a utilização de tipos
diferentes de papel numa mesma edição e para cada tipo é dada uma nova numeração. São,
enfim, edições limitadas com um número específico de exemplares, geralmente reduzidos.
• Exemplares com anotações manuscritas de importância, incluindo dedicatórias;
Obras que tragam dedicatórias dos autores das obras, de reis, de governantes ou
autógrafos de celebridades, bem como comentários sobre o conteúdo da obra.
• Obras esgotadas.
Edições consagradas esgotadas e não reeditadas.

Pinheiro (2001, p. 31) ainda aponta outras características de valor cultural:
Assuntos tratados à luz da época em que foram pensados e escritos;
Obras científicas que datam do período inicial de ascensão daquela ciência;
Histórias de descobrimentos e de colonização;
Teses; obras impressas em circunstâncias pouco convenientes a esta arte, tais
como guerra, seca, fome ...
Memórias históricas de família nobres e usos e costumes;
Edições censuradas, interditadas e expurgadas;
Obras “desaprecidas”, face às contingências do tempo e da sorte;
Edições contrafeitas358 e emissões;
Edições príncipes, primitivas e originais;
Edições populares, especialmente romances e folhetos literários, panfletos,
papéis impressos, folhas volantes;
Edições de artífices renomados e/ou considerados na história das artes que
representam tais como tipógrafos, impressores, editores, desenhistas,
pintores, gravadores;
Edições de clássicos, assim considerados nas histórias das literaturas
específicas.

Como visto anteriormente, Pinheiro (2001, p. 31) ainda aponta dois aspectos a serem
observados no estudo de raridades - a pesquisa bibliográfica e as características do exemplar.
Para o primeiro, a autora destaca que é preciso pesquisar nas fontes de informação
bibliográficas, buscando as seguintes características na obra:
358 O mesmo que divergentes, mas com a nítida intenção de assemelhá-las.

3170

�a) unicidade e rareza, sob o ponto de vista de bibliógrafos, bibliófilos e
especialistas no assunto da obra;
b) preciosidade e celebridade, referindo-se àquelas obras mais procuradas
por bibliófilos - por quaisquer razões - e/ou mais estudadas por eruditos;
c) curiosidade - referindo-se àquelas obras em que o assunto foi tratado de
maneira “sui generis” ou de apresentação tipográfica incomum;
d) nas fontes de informação comerciais, que vão avaliar, em espécie, cada
unidade bibliográfica - o preço passa a ser indicador de “raridade”.

No que se refere a características do exemplar Pinheiro (2001, p. 32), lista os aspectos
que se referem a elementos acrescentados a unidade bibliográfica em período posterior a sua
publicação, como:
Marcas de propriedade: ex-libris359, super-libris360, assinaturas indicado que
aquele exemplar pertenceu a um conjunto bibliográfico de personalidade
famoso e/ou importante, marcas de fogo;
Marcas de artífices/comerciantes renomados e/ou considerados no mercado
livresco, tais como encadernadores, restauradores, livreiros, etc;
Dedicatórias de/a personalidades famosas e/ou importantes.

Pinheiro (2001, p.32-33) ao apontar uma metodologia para determinação de critérios
de raridade afirma que não quis determinar princípios irremovíveis e que partiu da premissa
de que não existe uma realidade objetiva e que suposições devem adequar-se ao contexto, ao
momento crítico e a uma situação particular.
A Biblioteca Nacional, por sua vez coloca que outros critérios, adequados aos
interesses específicos de bibliotecas e/ou colecionadores, podem e devem ser acrescidos,
contudo, enfatiza que a classificação de qualquer obra dentro destes padrões, exige um apoio
bibliográfico.
Assim, tendo como base os argumentos de Pinheiro e da Biblioteca Nacional, a
Biblioteca Central “Zila Mamede” optou por estabelecer alguns critérios que chamou de
“Critérios Institucionais” que, doravante descrevemos.

3.1 Critérios Institucionais
Em conformidade com Hallewell (1985, p.121) o Rio Grande do Norte, recebeu o seu
primeiro prelo, da Província do Recife no ano de 1932, continuando as publicações oficiais
sendo impressas em Olinda/PE até o ano de 1878. Assim, amparado nas pesquisas de
Hallewel (1985), ficou definido que as obras impressas no Rio Grande do Norte até início do

359ex libris - marcas de propriedades que identificam uma personalidade ou coleção documentando e
comprovando sua origem
360 Super-libres - marca de propriedade de um livro gravada na encadernação da obra.

3171

�século XX, ano de 1901 serão tratadas e acondicionadas como raridade. Marca-se assim,
como raro os primeiros 23 anos de publicação impressa no Rio Grande do Norte.
As Publicações da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como os relatórios
de gestão, as publicações da Editora e outros;
Port-fólios com lâminas soltas - pois essas possuem valor estimável no mercado
livreiro, uma vez que despertam interesse não só em colecionadores, mas também em
decoradores de ambientes. Estar em obras raras implica, portanto garantir a segurança desse
acervo;
Miniaturas - por serem em geral manufaturas;
Folhetos e panfletos por serem representativos de época e cultura, como por exemplo,
a Literatura de Cordel e panfletos de movimentos literários e políticos.
Proposto os critérios para nortear à avaliação e a seleção de obras do acervo da
Biblioteca Central “Zila Mamede” em suas coleções circulante, desbaste e de referência, o
passo seguinte, foi pensar os procedimentos para tratamento dessas obras visando o seu
adequado acondicionamento, bem como sua conservação, preservação e principalmente a sua
disseminação.

4 CONSTRUINDO UM MANUAL DE PROCEDIMENTOS
Cientes do valor cultural das obras sob a sua guarda, foram adotados alguns
procedimentos técnicos e específicos, voltados prioritariamente à conservação e preservação
das obras: tombamento e identificação da coleção, tratamento técnico, crescimento da
coleção, tratamento para conservação, restauração e preservação, bem ainda o atendimento ao
usuário.

Tombamento e identificação das obras raras
O tombamento das obras é feito através do Sistema Integrado de Patrimônio,
Administração e Contratos (SIPAC), o qual gera um termo de responsabilidade constando os
números de patrimônio para cada bem, especificação do documento, forma de aquisição,
fornecedor, preço e respectivas quantidades.
Na identificação das obras são realizados os procedimentos de preenchimento das
informações extraídas do Termo de Responsabilidade com utilização de grafite. (Em se
tratando de obra rara ou preciosa não deverá ser usado carimbo, nem tão pouco tinta para a
escrita das informações). Concluídas essas atividades, as obras são encaminhadas à
Coordenadoria de Processos Técnicos para fins de execução do tratamento técnico dos bens.

3172

�Tratamento técnico: análise descritiva e temática
As atividades de catalogação e classificação são realizadas por meio do Sistema
Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas, possibilitando aos usuários a busca e
recuperação de informações sobre o acervo de obras raras seja por autor, título ou assunto,
através do catálogo on-line disponível no site da biblioteca: www.bczm.ufrn.br.
As obras raras ou preciosas seguem os padrões de catalogação adotados pela
Biblioteca Central “Zila Mamede”, sendo todo o tratamento técnico das mesmas executados
pela Coordenadoria de Processos Técnicos, cabendo ao bibliotecário responsável pela coleção
preencher o campo 590 (notas locais), quando necessário.
Na avaliação das obras são identificadas as características de raridade ou preciosidade
das obras que justifiquem a sua armazenagem na sala de obras raras. Para tanto, são usados os
critérios de raridade proposto, bem ainda o glossário elaborado pela equipe de obras raras, o
manual do encadernador do Instituto do Emprego e Formação Profissional de Coimbra, entre
outras fontes consideradas pertinentes.
Faz-se necessário, também, uma pesquisa nos acervos raros de outras instituições:
Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), Real Biblioteca Espanhola, Biblioteca
Nacional da França, Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca Nacional de Londres,
Biblioteca do Congresso Norte-Americano, universidades brasileiras para citar algumas.
Entretanto, a preparação final é executada na Sala de Obras Raras. Esse procedimento
envolve inicialmente à limpeza folha a folha da obra, na fixação na fita de papel Ph neutro das
etiquetas de identificação e de código de barras, na conferência das anotações técnicas no
verso da folha de rosto e, em seguida, no encaminhamento da obra para armazenagem no
acervo.

Arranjo e organização das estantes
A organização do acervo de obras raras é realizada por assunto, de acordo com a
Classificação Decimal Universal (CDU), estruturada em tabelas principais e auxiliares,
possibilitando o agrupamento das obras por área de conhecimento. As obras estão separadas
por tipo de material - Obras de Referência, Livros, Periódicos, Folhetos de Cordel.
Para o arranjo das estantes é seguida a ordem de arquivamento vertical dos símbolos
da CDU, a qual se baseia na progressão do geral para o particular.

3173

�Tratamento para conservação, preservação e restauração
Os cuidados com a coleção visam a sua conservação e preservação, haja vista entender
que a capacidade de resistir à ação mecânica sobre livros e documentos, esta diretamente
relacionada com as condições ambientais em que esses materiais são manuseados e
acondicionados.
Dentre os agentes de degradação de acervos documentais, os agentes biológicos,
notadamente insetos (tisanuros representado pela família das traças (peixe de prata);
ortópteros - representados pela família dos besouros - e isópteros representado pela família
dos cupins), fungos e roedores, constituem certamente ameaças sérias devido aos danos que
podem gerar, por vezes irreparáveis. Em razão disso, vigilância e controle de proliferação
devem constituir um cuidado permanente dentro da política de preservação do acervo.
Com vistas à garantia da conservação, preservação e restauração das obras que
constituem o acervo de obras raras e preciosas da Biblioteca Central “Zila Mamede”, foi
definida uma rotina que se inicia com a higienização folha a folha das obras, usando, sempre,
equipamento de proteção individual (luvas, máscara e óculos).
Esse procedimento consiste em limpar com pincel adequado, toda a obra (capas,
lombos, cortes e folhas) sempre no sentido da margem inferior para a superior. Ressalta-se a
necessidade de extremo cuidado na execução desse procedimento, pois o emprego de força
excessiva poderá danificar as obras, visto que, em geral chegam a sala de obras raras já
fragilizadas pelo desgaste natural do tempo, do modo inapropriado de guarda ou pelo mal uso.
Durante a limpeza, observar a existência ou não de vestígios de broca - furos, rasgos
nas páginas, cadernos ou folhas soltas, e registrar no formulário Ficha de Avaliação das Obras
Raras e Preciosas.
Ainda com o intento de conservação e preservação das obras, orienta-se que as
mesmas sejam, a cada três meses, movimentadas, afastadas umas das outras, para que assim
circule o ar e se evite a proliferação de insetos.

3174

�DICAS PARA LIMPEZA EM BIBLIOTECAS______________________________
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Retire os livros, uma prateleira por vez, em pilhas de 30 a 40 cm e coloque sobre uma
mesa longe da estante[...]
Coloque as pilhas com a lombada do livro voltada para a esquerda, e conforme vai
limpando cada pilha coloque-os com a lombada voltada para a direita, o que permite
não modificar a ordem em que estavam.
Comece sempre pela prateleira superior da estante e vá descendo.
Com uma trincha (pincel largo e chato) macia, retire a poeira dos cortes (3 lados do
livro). Sempre que usar o pincel ou a trincha faça-o em direção contrária à pessoa.
Abra o livro e passe a trincha junto ao lombo, no interior das capas.
Com um pano seco, limpe o lado externo das capas e da lombada.
Oxigene o livro, folheando-o por inteiro e depois dê uma batida leve sobre a mesa para
retirar o pó que tenha ficado e também para verificar se há pó produzido por broca ou
cupim.
Durante todo o processo observe bem se o livro não tem brocas, nem outros insetos.
Tire o pó das estantes e se forem de madeira jamais use lustra móveis, nem outros
produtos, cuja química danifica o papel.
Reponha os livros nas estantes sem apertá-los e nunca os encoste ao fundo das estantes.
Se o ambiente é úmido, coloque atrás tampinhas ou pires com sílica gel e/ou use um
desumificador de ar.
O ideal é repetir todo este processo a cada 6 meses ou fazê-lo em rodízio._____________

Fonte: Araújo (2010, p. 7).

Ao término da limpeza, se forem observados danos às obras, essas deverão ser
encaminhadas à Coordenadoria de Processos Técnicos para providências junto ao Setor de
Restauração.
Para a manutenção de um ambiente adequado a conservação do acervo, faz-se
necessária também à higienização da área física conforme procedimentos descritos a seguir:
Limpeza das estantes: trimestralmente, nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. Esta
deverá ser executada pela equipe de apoio sob o acompanhamento e orientação do
responsável pela sala de obras raras. A limpeza deverá ser feita com a utilização de pano
úmido, em mistura de água e álcool. Para tanto, os livros deverão ser cuidadosamente
retirados das prateleiras e colocados em carrinhos. Em seguida, mediante a certeza de que as
prateleiras estejam completamente limpas e secas os livros deverão ser inseridos nas estantes,
após também passarem por uma limpeza individual, externa.
Limpeza dos livros: trimestralmente, concomitante a limpeza das estantes, utilizando
espanador ou pano seco nas áreas externas dos documentos.
Limpeza do piso: diária, com utilização de mope de algodão ou aspirador. Jamais limpar as
áreas de acervo com utilização de vassouras.
Limpeza das janelas e portas: semanal, com utilização de flanela e álcool ou outro produto
apropriado para esse fim.

3175

�Limpeza do ar condicionado: quinzenalmente, mediante limpeza dos filtros com água
corrente. A revisão geral do equipamento deverá seguir as cláusulas do contrato de
manutenção vigente na Universidade.
Ainda visando à conservação e preservação das obras faz-se necessário o controle da
iluminação, tanto natural, quanto artificial, e também, a umidade relativa do ar que deverá ser
mantida em 45%, conforme recomendação da Biblioteca Mário de Andrade. Ademais, torna­
se imprescindível um bom acondicionamento das obras em suportes apropriados conforme
orientações dos modelos apresentados por Araújo (2010).
Restauração
Em vistoria periódica, ou durante a higienização das obras, seja no recebimento das
mesmas ou durante as rotinas de trabalho, ao ser identificada obras com necessidade de
restauro, essas deverão ser encaminhadas a Coordenadoria de Processos Técnicos, Setor de
Restauração, acompanhado de relatório em que conste: número de sistema, número de
registro, referência, descrição do dano, bem como a orientação a Coordenadoria de Processos
Técnicos. Imprescindível, também, informar no Sistema Integrado de Gestão de Atividades
Acadêmicas a transferência de setores da obra.
Atendimento ao Usuário
As obras que constituem o acervo de obras raras e preciosas da Biblioteca Central
“Zila Mamede”, não são de livre acesso, mas estão disponíveis para a consulta local, não
sendo permitido o empréstimo (domiciliar, especial ou para fotocópia). A consulta as obras
somente é feita dentro do espaço “sala de obras raras”, obedecendo o horário de
funcionamento da biblioteca e com a presença de um servidor.
Aos usuários é fornecido o documento solicitado, bem como luvas e máscaras, e ainda,
as instruções quanto ao manuseio adequado das obras: não marcar às páginas; não rabiscar;
não se apoiar sobre o documento; não forçar a encadernação; não recolocar o material na
estante.
É facultado ao usuário a possibilidade de fazer fotografia das obras, desde que não use
o dispositivo Flash. Entretanto, não é permitida a fotocópia das obras.
O atendimento a visita programada deverá ser realizada com agendamento prévio
junto ao Setor de Informação e Referência. Os visitantes serão encaminhados até a sala de
Obras Raras onde receberão informações quanto às especificidades da coleção bem como os
critérios para o acesso e uso das obras.

3176

�Exposição de obras raras
As obras da coleção de raridades e/ou preciosidades poderão ser utilizadas nas
exposições internas da Biblioteca Central “Zila Mamede”, desde que em mobiliário adequado
e levando-se em consideração os critérios de segurança, conservação e preservação,
estabelecidos por um comitê da National Information Standards Organization (NISO).
O uso das obras da coleção em exposições externas somente serão liberadas mediante
documento de autorização da direção da Biblioteca Central “Zila Mamede” e em consonância
com os trâmites legais vigentes na instituição.
Inventário da coleção
O inventário da coleção deverá ser realizado anualmente, de preferência no mês de
dezembro. A metodologia adotada será executada mediante o levantamento da coleção a partir
da impressão da “listagem geral do acervo” gerado pelo Sistema Integrado de Gestão de
Atividades Acadêmicas, na aba Relatórios, para posterior conferência nas estantes.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As inquietações apresentadas no início desse trabalho como visto, foram em parte
sanadas: a Biblioteca Central “Zila Mamede” possui uma proposta de critérios de raridade,
que embora ainda não tenha sido aprovada, tem norteado o trabalho de avaliação das obras
que constituem sua coleção de obras raras. Ao mesmo tempo, um manual das rotinas a serem
desenvolvidas na sala de obras raras, com vistas, principalmente, a conservação e preservação
das obras sob a sua guarda foi escrito e aprovado. Contudo, falta ainda, em parceria com a
equipe de bibliotecários estabelecer uma rotina de avaliação das coleções circulante e de
desbaste, principalmente, para fins de identificação de obras raras ou preciosas para a guarda
apropriada.
Trabalhar com obras raras, portanto, exige conhecimento da história do livro, mas
também experiência com a atividade, pois como nos aponta Pinheiro (2005 apud
RODRIGUES; CALHEIROS; COSTA, [200-?]) não basta o conhecimento dessa História,
pois, tão importante quanto, é a convivência diária com livros raros, uma vez que o “ver” e o
“tocar” o livro raro, rotineiramente, irá favorecer a revelação contínua de aspectos
bibliológicos, muitas vezes, não indicados na literatura.
Portanto, é importante capacitar toda a equipe de bibliotecários para que estejam aptos
a identificar no acervo, obras com características de raridade, esquecendo a premissa “velho,
antigo, portanto raro”. Sugerimos então, como fundamental, a constituição de uma equipe de

3177

�obras raras, para que essa mantenha o contato diário e rotineiro de avaliação o que, por
conseguinte proporcionará o olhar bibliológico apurado necessário para a atividade.

6 REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Diná Marques Pereira. Introdução às técnicas de acondicionamento e
higienização de livros raros e especiais: atividades da Oficina de Conservação da Divisão de
Coleções Especiais. Belo Horizonte: Biblioteca Universitária, Sistema de Bibliotecas/UFMG,
Divisão de Coleções Especiais, 2010.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENCADERNAÇÃO E RESTAURO. Breve histórico da
encadernação: principais características das encadernações ao longo dos séculos. Disponível
em: &lt;www.aber.org.br.&gt;. Acesso em: 15 de maio de 2014.
BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Divisão de Obras Raras. Planor. Critérios de raridade
[e] Catálogo Coletivo do Patrimônio Bibliográfico Nacional - CPBN: séculos XV e XVI.
Rio de Janeiro: FBN, [2000]. 1 CD-ROM : il. son., color. Sistema requerido: Windows 95.
Compact Disc. Sonopress: 17595/00.
CAMBI, Franco. História da pedagogia. Tradução de Àlvaro Lorencine. São Paulo: UNESP,
1999.
GONÇALVES, Edmar Mores. Estudo das estruturas das encadernações de livros do
século XIX na coleção Rui Barbosa: uma contribuição para a conservação-restauração de
livros raros no Brasil. Belo Horizonte, 2008. 100 f. Dissertação (Mestrado em Belas Artes) Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.
HALLEWELL, Laurece. O livro no Brasil (sua história). Tradução de Maria da Penha
Villalobos e Lólio Lourenço de Oliveira. São Paulo: EDUSP, 1985.
INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL. Manual de encadernação.
Coimbra: CEARTE, 2007. Disponível em: &lt;http://opac.iefp.pt&gt;. Acesso em: 6 nov. 2012.
JESUS, Raphael de. Castrioto lusitano. Lisboa: Antônio Craesbeeck de Mello, 1679.
MATOS, Ricardo Pinto de (Coord). Manual bibliographico portuguez de livros raros,
clássicos e curiosos. Porto: Portuense, 1878.
OGDEN, Sherelyn (Ed.). Meio ambiente. Tradução Elizabeth Larkin Nascimento, Francisco
de Castro Azevedo. 2. ed. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2001.
PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz Pinheiro. Que é livro raro? uma metodologia para
o estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença, 1989.
RODRIGUES, Alessandra Hermógenes; CALHEIROS, Maria Fernandes; COSTA, Patrícia
da Silva. Análise bibliológica de livros raros: a preservação ao “pé da letra”, [200-?].

3178

�Disponível em: &lt;http://www.bn.br/planor/documentos/ARTIGOS/AnaliseBibliologica.pdf&gt;.
Acesso em: 11 de nov. 2011.
SOUZA, Itamar de. Universidade para que? Para quem? Natal: Clima, 1984.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Relatório: Administração
Domingos Gomes de Lima 1975/1979. Natal: Editora Universitária, 1979.
______. Regulamento do Sistema de Bibliotecas da UFRN. Natal: UFRN, 2013.

3179

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                <text>Apresenta a coleção de obras raras da Biblioteca Central ―Zila Mamede‖ - BCZM, unidade suplementar da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Constitui-se em um relato de experiência que objetiva por um lado, apresentar os critérios de raridade adotados pela Instituição para classificação de raridade e/ou preciosidade, por outro apresentar uma metodologia para execução do tratamento da coleção no que concerne a sua conservação e preservação, visto que o livro raro, entendido como objeto cultural de disseminação do conhecimento é, também, valorizado como objeto de memória, através do qual é possível recuperar os conhecimentos desenvolvidos ao longo da história da humanidade. Assim, a investigação é conduzida gradativamente, revelando questionamentos a respeito do tratamento apropriado que deve ser aplicado e quais argumentos legitimam uma obra como rara, única ou preciosa. Sugere que é fundamental atentar para as atividades realizadas com uma equipe adequada, com uma interpretação bibliológicamente encorpada e sensível, em que não se predomine a premissa de ―velho, antigo, portanto raro‖.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

IMPLANTAÇÃO DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA UNIRIO: DESAFIOS E
PERSPECTIVAS

Patrícia dos Santos Caldas Marra

RESUMO
Analisa o panorama atual do Portal de Periódicos da UNIRIO, visando à manutenção da
qualidade dos periódicos de acesso aberto da universidade, através da análise de indicadores
de qualidade, que envolveu a elaboração de um diagnóstico situacional das revistas, a partir
das informações disponíveis no site de cada revista. No levantamento, realizado em maio de
2014, constatou-se a existência de 16 (dezesseis) revistas de diferentes áreas do
conhecimento, cadastradas no Portal. A análise das dos indicadores revelou que grande parte
dos periódicos científicos da UNIRIO, presentes no Portal, têm seguido os padrões de
qualidade. No entanto, é importante ressaltar que, ainda, há aspectos significativos que
necessitam ser revistos e aprimorados pelos editores, para que esses periódicos possam atingir
padrões nacionais e internacionais de qualidade.
Palavras-Chave: Periódicos científicos eletrônicos; Acesso Aberto à literatura científica;
Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER); Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro (UNIRIO); Qualidade de periódicos.

ABSTRACT
Analyzes current landscape of Portal de Periódicos da UNIRIO, in order to maintain the
quality of open access journals of the University, through the analysis of quality indicators,
which involved the development of a situational diagnosis of journals, from the information
available at each site journals. In the survey, conducted in May 2014, it was found that there
are sixteen (16) journals of different areas of knowledge, registered in the Portal. The analysis
of indicators revealed that the majority of scientific journals UNIRIO present in Portal, have
followed the standards of quality. However, it is important to note that, although there are
significant issues that need to be reviewed and improved by the editors, that these journals can
achieve national and international quality Standards.
Keywords: Scholarly and scientific electronic journals; Open Access to scientific literature;
Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER); Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro (UNIRIO); Journals quality.

319

�1 INTRODUÇÃO
A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) é uma instituição de
direito público integrante do Sistema Federal de Ensino Superior. A universidade originou-se
a partir da criação, em 1969, da Federação das Escolas Isoladas do Estado da Guanabara
(FEFIEG). Porém, com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975, a
FEFIEG passou a denominar-se Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de
Janeiro (FEFIERJ). Em 1979, a FEFIERJ foi institucionalizada com o nome de Universidade
do Rio de Janeiro. Por fim, em 2003, a Lei n° 10.750 alterou o nome da universidade para
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
A UNIRIO atua nas áreas de Ensino de Graduação nas modalidades Presencial e a
Distância, Pós-Graduação Stricto Sensu e Lato Sensu, Pesquisa e Extensão e é regida por um
estatuto, que dispõe, dentre outros aspectos, sobre a missão, os princípios e o objetivo da
Universidade. Sua estrutura organizacional divide-se nos seguintes órgãos: I) Conselhos
Superiores; II) Reitoria; III) Centros Acadêmicos; IV) Unidades Suplementares. Para nortear
as ações desenvolvidas em âmbito acadêmico, a UNIRIO conta com um Plano de
Desenvolvimento Institucional (PDI).
A visão institucional da UNIRIO está diretamente ligada ao reconhecimento da
Universidade como instituição de referência na produção e difusão de conhecimento
científico, tecnológico, artístico e cultural. Sendo um dos seus objetivos institucionais a
produção, difusão e preservação do saber em todos os campos do conhecimento.
A ideia de produção e difusão de conhecimento, presente na visão e nos objetivos da
universidade, pode ser observada, também, na missão do Sistema de Bibliotecas da UNIRIO
(UNIBILI) que é fornecer apoio informacional ao desenvolvimento das atividades de ensino,
pesquisa, extensão considerando todos os campos de atuação da UNIRIO. Para tanto, deve
cuidar do patrimônio informacional da universidade, selecionando, adquirindo, processando,
tornando disponível e garantindo o acesso e a preservação dessa informação, esteja ela
registrada em qualquer tipo de suporte.
O conhecimento científico produzido no âmbito da universidade, geralmente, é
externalizado na forma de trabalhos de conclusão de curso, monografias, dissertações, teses,
relatórios de pesquisa, artigos científicos, entre outros tipos de publicações. É comum que as
universidades tenham periódicos científicos vinculados aos seus programas de pós-graduação,
graduação, núcleos de pesquisas e laboratórios, como forma de publicar resultados de
pesquisas científicas.

320

�Para garantir a difusão do conhecimento científico, a UNIRIO implantou seu portal de
periódicos eletrônicos de acesso aberto com a o objetivo de reunir e divulgar
as revistas científicas produzidas na Universidade, que utilizam o Sistema Eletrônico de
Editoração de Revistas (SEER).
Assim, tendo em vista a complexidade das atividades de implantação e consolidação
de um portal de periódicos eletrônicos, o presente trabalho apresenta um estudo de caso do
Portal de Periódicos da UNIRIO , com o objetivo de expor os aspectos envolvidos no seu
gerenciamento, bem como os desafios e perspectivas e, dessa forma, contribuir para que
instituições congêneres possam refletir a estrutura e o papel dos seus portais de periódicos
com base nessa experiência.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 O PERIÓDICO CIENTÍFICO ELETRÔNICO
A informação científica, em sua maioria, é produzida em universidades e centros de
pesquisa, por docentes, discentes e pesquisadores. Porém, tão importante quanto desenvolver
uma pesquisa, é divulgar os seus resultados, daí a grande relevância das revistas científicas.
As revistas científicas surgiram na metade do século XVII, no âmbito das sociedades
científicas europeias. Em 1665, foram publicados o Journal des Sçavans e o Philosophical
Transactions o f the Royal Society o f London. De acordo com Stumpf (1996, p. 2) o Journal
des Sçavans influenciou o desenvolvimento das revistas dedicadas à ciência geral, sem
comprometimento com uma área específica, enquanto que o Philosophical Transactions se
tornou modelo das publicações das sociedades científicas.
Alguns séculos se passaram desde o seu surgimento, no entanto, o periódico científico
desempenha um papel essencial no processo de comunicação da ciência, sendo reconhecido,
ainda hoje, como o principal canal formal para a publicação das pesquisas científicas.
Diversas mudanças ocorreram ao longo dos séculos, como por exemplo, a utilização
maciça das novas tecnologias de comunicação, que tem provocado impactos no fluxo da
informação científica. De acordo com Pisciotta (2006, p. 125) “estão estabelecidas três
categorias básicas de comunicação científica na atualidade: comunicação formal, comunição
informal e comunicação eletrônica”. Tanto a comunicação formal como a comunição
informal, são impactados pela comunicação eletrônica. Como exemplo de tal impacto, temos:

23 http://www.seer.unirio.br/

321

�a) Ferramentas de comunicação formal em ambiente eletrônico: periódicos
científicos eletrônicos, livros eletrônicos, teses e dissertações disponibilizadas
online, anais eletrônicos de encontros científicos, entre outros.
b) Ferramentas de comunicação informal em ambiente eletrônico: correio
eletrônico, listas de discussão, videoconferências, chats, entre outros.
Sondak e Schwarz podem ser considerados os idealizadores do periódico científico em
formato eletrônico, pois ambos tiveram a ideia de fornecer arquivos que poderiam ser lidos
por meio de computadores para as bibliotecas e por meio de microficha para os assinantes
individuais (LANCASTER 1995, p. 520). De acordo com Kling e MCKim (1999) o conceito
de periódico eletrônico abrange diversas categorias, desde os híbridos disponíveis nos dois
formatos - em que o impresso se prolonga até o meio eletrônico, trazendo para o novo suporte
uma tradição já construída, como também os exclusivamente eletrônicos.
Oliveira (2006), apresenta diversos conceitos de periódicos científicos eletrônicos,
preconizados por alguns autores, que no Quadro 1 foram organizados cronologicamente, para
facilitar a visualização da evolução do conceito.

Quadro 1 - Conceitos de periódicos científicos eletrônicos
A no

A u to r

1992

B om bak et al.

1994

U niversity
N ebraska

1995

H arrison; Stephen

1995

L ancaster

1999

Gom es

2003

Dias

2003

Cruz et al.

C on ceito

of

“publicação cujo m eio prim ário de envio para assinantes é através de
arquivo de com putador” .
“publicação eletrônica com texto com pleto, que pode incluir im agens, e
pretende ser publicado indefinidam ente” .
“periódicos acadêm icos que são disponibilizados através da Internet e
suas tecnologias associadas”
“periódico criado para o m eio eletrônico e disponível apenas nesse
form ato” .
“quaisquer publicações que tenham a intenção de disponibilizar artigos
científicos de form a subsequente ou continuada (não interrom pida, em
intervalos regulares ou não) e que adotam algum a form a de
procedim ento de controle de qualidade (não necessariam ente avaliação
prévia) em m eio eletrônico” .
“um m aterial inform ativo científico, que foi transform ado ou criado
para padrões passíveis de publicação da W orld Wide Web, e nela
disponibilizada” .
“aquele que possui artigos com texto integral, disponibilizados via
rede, com acesso on-line, e que pode ou não existir em versão im pressa
ou em qualquer outro tipo de suporte” .

Fonte: Adaptação de (OLIVEIRA, 2006).

Ao analisar os Quadro 1, é possível afirmar que os autores que melhor caracterizam o
real conceito de periódicos científicos eletrônicos são Gomes (1999) e Cruz et al. (2003), por

322

�apresentarem definições mais abrangentes e por destacarem questões como o controle de
qualidade adotado pelas publicações eletrônicas e o fato de que pode ou não existir em versão
impressa de uma determinada revista eletrônica.
Dentro deste contexto, é importante mencionar que há dois tipos de periódicos
científicos eletrônicos, os que são de acesso aberto, ou seja, que não necessitam do pagamento
de assinatura para ter acesso ao seu conteúdo e os que são de acesso restrito, ou seja, têm seu
acesso liberado mediante pagamento de assinatura. Por esses últimos, geralmente, são
cobrados altos valores por partes editoras de periódicos científicos, valores esses que são
vistos como uma barreira ao desenvolvimento científico.

2.2 MOVIMENTO DE ACESSO ABERTO E A VIA DOURADA
Muitos são os obstáculos enfrentados pela comunidade científica mundial na
disseminação da informação técnico-científica. Dificuldades que pesquisadores têm em
publicar os resultados de suas pesquisas em periódicos científicos. Dificuldades no acesso à
informação científica, visto que o acesso a muitos periódicos é feito mediante pagamento de
assinaturas. Porém, segundo Tomaél (2008, p. 124), a disseminação das tecnologias de
informação e de comunicação, sobretudo a partir das décadas de 1980 e 1990, proporcionou à
comunidade científica instrumentos e condições para iniciar um processo de insurgência
contra as injustiças do sistema comercial de publicações científicas.
Nesse contexto de avanços tecnológicos, surge, na década de 1990, o Movimento de
Acesso Aberto (Open Access Movement - OA), com objetivo de ampliar a visibilidade dos
resultados de pesquisas científicas. O movimento foi uma reação, de alguns membros
comunidade científica internacional, aos altos custos cobrados pelas editoras comerciais,
favorecida pelo avanço do periódico científico eletrônico.
O início do século XXI foi marcado pela criação de declarações que e impulsionaram
a trajetória e o avanço do Open Access, dentre as quais estão a Budapest Open Access
Iniciative (BOAI) (2002); a Bethesda Statement on Open Access Publishing, (2003); a Berlin
Declaration on Open Access to Knowledge in the Sciences and Humanities, (2003),
denominadas “Declarações BBB”.
A BOAI, definiu duas estratégias básicas com o objetivo de dar visibilidade à produção
científica, a via verde (green road) baseada no autoarquivamento, em repositórios digitais, de
pré-prints ou de pós-prints e a via dourada (golden road), fundamentada no sistema
tradicional de comunicação científica, ou seja, na revisão pelos pares (peer-review), propõe a
implantação de periódicos científicos de acesso aberto (TOMAEL, 2008, p. 127).

323

�A via dourada representou um grande benefício para a comunidade científica. Em
tempos de avanços tecnológicos e de convergência de mídias, observa-se um aumento
significativo no número de revistas científicas eletrônicas, principalmente de acesso aberto,
que em sua maioria, utilizam sistemas dinâmicos para o gerenciamento de suas publicações.
Existem no mercado diversos softwares que realizam essa tarefa e que são adaptados e
customizados para atenderem às necessidades de cada revista científica.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT),
customizou o Open Journal Systems (OJS), software de gerenciamento e publicação de
revistas eletrônicas, desenvolvido pelo Public Knowledge Project (PKP), da University o f
British Columbia, surgindo, assim, em 2003, o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas
(SEER). Utilizado por diversos periódicos nacionais, das mais diversas áreas do
conhecimento, o SEER é uma ferramenta contempla ações essenciais à automação das
atividades de editoração de periódicos científicos. Recomendado pela CAPES, o processo
editorial no SEER permite uma melhoria na avaliação da qualidade dos periódicos e uma
maior rapidez no fluxo das informações. (IBICT, 2014).
O SEER, de acordo com descrição encontrada em seu sítio na Internet, é um software
livre e que pode ser utilizado por qualquer tipo de instituição, seja ela pública ou privada,
desde que mantenha uma revista eletrônica com um fluxo editorial consistente.
Diversas mudanças ocorreram no processo de editoração de periódicos científicos,
desde a submissão de artigos até a publicação da revista, com a utilização da Internet.
Certamente, as principais diferenças observadas com a adoção do processo de submissão
eletrônica de artigos científicos, estão relacionadas à maior agilidade que é dada ao fluxo das
submissões e revisões e ao aumento da visibilidade da informação científica brasileira.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, que têm como
objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema a fim de torná-lo mais explícito ou
de construir hipóteses, além de proporcionar o aprimoramento de ideias. Dessa forma, a
metodologia escolhida está baseada na utilização de técnicas de pesquisa bibliográfica. De
acordo com Gil (1996) a pesquisa de caráter bibliográfico é desenvolvida a partir de material
já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.
O estudo apresenta o panorama atual do Portal de Periódicos da UNIRIO, a partir da
elaboração de um diagnóstico situacional das revistas, visando à manutenção da qualidade dos
periódicos de acesso aberto da universidade, através da análise de critérios para avaliação da

324

�qualidade. No levantamento, realizado em maio de 2014, constatou-se a existência de 16
(dezesseis) revistas de diferentes áreas do conhecimento, cadastradas no Portal.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O Portal de Periódicos da UNIRIO é uma demanda da comunidade acadêmica da
universidade e uma ação do grupo de trabalho instituído pela da reitoria, responsável pelo
planejamento e desenvolvimento da Biblioteca Digital da UNIRIO. O objetivo do Portal é
reunir e divulgar os periódicos científicos eletrônicos vinculados aos programas de pósgraduação, graduação, núcleos de pesquisas e laboratórios oficialmente reconhecidos pela
universidade. Para realizar a gestão das publicações periódicas, o Portal utiliza o SEER/OJS
como recurso tecnológico que auxilia nos processos vinculados às atividades de editoração
científica.
A história do Portal de Periódicos remonta o ano de 2007 quando, a universidade
instalou a primeira versão do SEER/OJS. Até 2011 diversas atividades foram empreendidas
para a consolidação do Portal, como a hospedagem das revistas; realização de cursos de
capacitação para os bibliotecários e os editores; criação do Conselho Editorial (CE) do Portal;
reuniões do CE com os editores; estabelecimento da política do Portal. Porém, com a falta de
pessoal, o Sistema de Bibliotecas não pôde continuar gerenciando o Portal, que passou a ser
gerido pela Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC).
Em 2013, com o ingresso de novos bibliotecários no quadro de funcionários da
universidade, o Sistema de Bibliotecas reassumiu, a partir do segundo semestre, o
gerenciamento do Portal, com o objetivo de oferecer aos editores apoio técnico e
especializado à edição de periódicos eletrônicos.
Atualmente a estrutura do Portal de Periódico da UNIRIO é comporta por: Conselho
Editorial; Coordenação; Suporte Técnico; e Editores. O Conselho Editorial estabelece as
políticas que orientarão o funcionamento do Portal, enquanto que a Coordenação é o órgão
responsável pelo seu gerenciamento e está vinculada ao Sistema de Bibliotecas. O Suporte
Técnico é oferecido pela Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação e tem como
responsabilidade o apoio à Coordenação. Por fim, os Editores são responsáveis pela
editoração e publicação dos periódicos. Nesse contexto, cada membro dessa estrutura tem
suas atribuições para que o Portal possa atingir seus objetivos.
Com o propósito de conferir visibilidade aos periódicos editados na UNIRIO, foi
realizado no primeiro semestre de 2014, o diagnóstico situacional das 16 revistas hospedadas
no Portal. A escolha dos indicadores que fizeram parte do diagnóstico teve por base os

325

�critérios apresentados por Braga e Oberhofer (1982); Krzyzanowski e Ferreira (1998); além
de itens identificados pelos gestores do Portal como relevantes para a qualidade de um
periódico, por serem assuntos contemporâneos e que estão intimamente relacionados à
temática da qualidade de periódicos.
Braga e Oberhofer (1982) adaptaram o modelo de avaliação de periódicos científicos
da UNESCO para a realidade brasileira e propuseram a adoção de indicadores como:
normalização; duração; periodicidade; indexação; distribuição; colaboração; autoridade; e
divisão do conteúdo. As autoras apontam duas funções básicas de um periódico: a função
memória (arquivamento do conhecimento) e a função disseminação (transmissão ampla de
idéias). Na função disseminação estão principalmente os indicadores de qualidade: duração,
periodicidade, regularidade, indexação, difusão e autoridade. Enquanto que a metodologia
utilizada por Krzyzanowski e Ferreira (1998), baseada em Braga e Oberhofer (1982),
considera a avaliação do desempenho (forma) e mérito (conteúdo) das publicações periódicas.
O diagnóstico situacional das revistas hospedadas no Portal de Periódicos UNIRIO foi
realizado a partir da análise de suas páginas, com o objetivo de fornecer um panorama geral
da situação destas quanto aos seguintes aspectos: conselho editorial; periodicidade; duração;
diretrizes para autores; informações acerca do processo de avaliação pelos pares; resumo
explicativo da revista da página inicial do site; ISSN; atribuição do Document Object
Identifier (DOI)

aos artigos; declaração de direito autoral; utilização das licenças Creative

Commons ; tipos de trabalhos aceitos para a publicação; idiomas aceitos para publicação;
política de acesso aberto; indexação.
A análise das características revelou que grande parte dos periódicos científicos da
UNIRIO, presentes no Portal, têm seguido os padrões de qualidade relacionados ao conselho
editorial; periodicidade; duração; diretrizes para autores; informações acerca do processo de
avaliação pelos pares; resumo explicativo da revista da página inicial do site; ISSN; política
de acesso aberto; declaração de direito autoral; tipos de trabalhos aceitos para a publicação; e
idiomas aceitos para publicação.
No entanto, a análise dos critérios referentes à atribuição do DOI e utilização das
licenças Creative Commons, revelou que grande parte das revistas ainda não adotou essas
práticas. Acerca da indexação, constatou-se que poucas revistas estão indexadas em bases de
24 O DOI é um padrão de identificação persistente de objetos digitais que facilita a localização e o acesso aos
documentos digitais na Internet, assegurando os direitos autorais de conteúdos digitais como, por exemplo, livros
e artigos de periódicos, ao atribuir um número exclusivo a todo e qualquer material publicado.
25 A Creative Commons é uma organização não governamental sem fins lucrativos que disponibiliza licenças
flexíveis para obras intelectuais, atribuídas pelo próprio autor à sua obra, facilitando as questões concernentes
aos direitos autorais na perspectiva do acesso aberto à informação científica.

326

�dados nacionais e internacionais, fato preocupante, visto que a indexação confere visibilidade,
acessibilidade e confiabilidade aos periódicos, já que essas bases fazem uso de diversos
critérios de qualidade para a aceitação e manutenção de novos títulos de periódicos.
Portanto, é importante ressaltar que, ainda, há aspectos significativos que necessitam
ser revistos e aprimorados pelos editores, para que esses periódicos possam atingir padrões
nacionais e internacionais de qualidade. Tal constatação ressalta a necessidade da intervenção
da equipe da BC, responsável pelo gerenciamento do Portal, para orientar na correção de
falhas, melhorando assim a qualidade das revistas, o que irá conferir maior visibilidade a
essas publicações.
Após o gerenciamento do Portal ter sido retomado pela equipe da BC e com os
resultados do diagnóstico situacional das revistas, algumas ações foram empreendidas, tais
como: atualização da versão do SEER/OJS, que estava desatualizado desde 2011; atualização
da Política do Portal de Periódicos da UNIRIO; realização de reunião com os bibliotecários
do Sistema, com o objetivo de integração das Bibliotecas Setoriais ao processo de Indexação
e auxílio na atribuição do DOI; realização de reuniões individuais com os editores do
periódicos, com o objetivo de apresentar o diagnóstico situacional das revistas e solicitar aos
mesmos, que, com o auxílio da equipe do Portal, se alinhem aos indicadores de qualidade
apontados na pesquisa no prazo de 2 (dois) meses; início das ações para a assinatura do
Acordo de Cooperação Técnica, com o objeto de implementar a Caixa (software)
LOCKSS na UNIRIO, de forma a permitir sua integração à Rede Brasileira de Serviços
de Preservação Digital (CARINIANA), do IBICT.
O Portal tem por objetivo conferir visibilidade às revistas científicas da UNIRIO,
alinhando-as aos padrões de qualidade nacionais e internacionais, e também dessa forma
contribuir para alcançar os objetivos do PDI (2012-2016) de incentivar a internacionalização
da produção científica, bem como qualificar os periódicos científicos da UNIRIO (indexação
internacional).
Para atingir tais objetivos, a equipe da BC responsável pelo Portal realizará as
seguintes atividades continuadas: monitor as novas versões do SEER/OJS, com o objetivo de
manter o Portal atualizado e em Funcionamento; monitorar as revistas, com o objetivo de
identificar se as mesmas estão obedecendo aos padrões estabelecidos pelo Conselho Editorial
de periódicos eletrônicos da universidade; oferecer apoio técnico aos editores dos periódicos.
A seguir são apresentas as perspectivas e as atividades que serão empreendidas pela
equipe que gerencia o Portal:
•

Realizar reuniões mensais com os editores;

327

�•

Promover palestras expositivas para que os editores saibam da importância dos
indicadores de qualidade apontados no estudo;

•

Implantar fóruns de discussão onde usuários (editores e equipe da BC) poderão trocar
informações e esclarecer dúvidas;

•

Realizar cursos de capacitação tanto para os bibliotecários, como para os editores;

•

Implementar estatísticas de uso do Portal e incentivar os editores para que, também
realizem essa ação em suas revistas;

•

Implantar a Incubadora de Periódicos - um ambiente interdisciplinar dotado de
capacidade técnica, e de infraestrutura para amparar as publicações novas e os projetos
de novas publicações que quiserem utilizar participar do Portal;

•

Elaborar documentação de apoio aos editores (manuais de normalização e de
atribuição do DOI, por exemplo);

•

Ampliar a divulgação do Portal para a comunidade acadêmica, por meio de palestras
de divulgação realizadas no início de cada semestre letivo;

•

Ampliar a equipe responsável pelo gerenciamento do Portal; e

•

Inserir o Portal nas redes sociais com o objetivo de disponibiliza um canal para
divulgar notícias relacionadas aos periódicos.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O periódico eletrônico trouxe novos pontos que devem ser observados. Por um lado,
facilitou e ampliou a visibilidade na comunicação de artigos científicos, por outro trouxe
novos desafios aos editores científicos. Portanto, é importante que haja profissionais
preparados para o processo editorial dentro das comissões editorais de modo a assegurar a
qualidade dos conteúdos publicados, sempre seguindo os parâmetros balizados pela tradição e
legitimidade do impresso. É fato que a qualidade de uma publicação está no seu conteúdo,
mas também é fato que características extrínsecas e intrínsecas contribuem para sua
consolidação e credibilidade.
A visibilidade é condição essencial para o desenvolvimento editorial, isto porque as
revistas buscam construir reputação de qualidade e credibilidade nas suas áreas; o que
representa serem indexadas em índices de importância nacional e internacional, e para tanto,
questões que envolvem critérios de qualidade tornam-se determinantes.
Na da perspectiva do Movimento de Acesso Aberto há, também, a preocupação em
como lidar com os documentos digitais, visto que são constantemente ameaçados por

328

�problemas como a obsolescência do hardware, a obsolescência do software e a fragilidade de
suporte.
Com o estudo foi possível perceber que a UNIRIO precisa se empenhar mais no
tratamento do seu conjunto documental digital. A primeira medida e talvez a mais importante,
para reverter essa situação é a definição e a implantação de uma Política Institucional de
Preservação Digital, pois esta política garantirá a preservação dos documentos digitais ao
longo do tempo, bem como a autenticidade dos mesmos.
O primeiro passo rumo à preservação digital foi dado com entrada da UNIRIO na
Rede Cariniana, ação que garantirá a preservação e o acesso a longo prazo aos artigos
científicos publicados nas revistas do Portal de Periódicos da UNIRIO.

6 REFERÊNCIAS

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técnicos brasileiros. Revista Latinoamericana de Documentación, v. 2, n. 1, 1982.
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em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v32n2/17032.pdf&gt;. Acesso em: 18 mar. 2014.
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GOMES, S. H. A. Inovação tecnológica no sistema formal de comunicação científica: os
periódicos eletrônicos nas atividades de pesquisa dos acadêmicos de cursos de pós-graduação
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KRZYZANOWSKI, R. F.; FERREIRA, M. C. G. Avaliação de Periódicos Científicos e
Técnicos Brasileiros. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, p. 165-175, mai./ago.
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&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-

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LANCASTER, F. W. The evolution of electronic publishing. Library Trends, Urbana, v. 43,

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&lt;https://www.ideals.illinois.edu/bitstream/handle/2142/7981/librarytrendsv43i4c_opt.pdf7seq
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OLIVEIRA, E. B. P. M. Uso de periódicos científicos eletrônicos por docentes e pósgraduandos do Instituto de Geociências da USP. 2006. 139 f. Dissertação (Mestrado) Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo.
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330

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Analisa o panorama atual do Portal de Periódicos da UNIRIO, visando à manutenção da qualidade dos periódicos de acesso aberto da universidade, através da análise de indicadores de qualidade, que envolveu a elaboração de um diagnóstico situacional das revistas, a partir das informações disponíveis no site de cada revista. No levantamento, realizado em maio de 2014, constatou-se a existência de 16 (dezesseis) revistas de diferentes áreas do conhecimento, cadastradas no Portal. A análise das dos indicadores revelou que grande parte dos periódicos científicos da UNIRIO, presentes no Portal, têm seguido os padrões de qualidade. No entanto, é importante ressaltar que, ainda, há aspectos significativos que necessitam ser revistos e aprimorados pelos editores, para que esses periódicos possam atingir padrões nacionais e internacionais de qualidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A CATALOGAÇÃO E SUAS NECESSIDADES DE ADAPTAÇÕES

Sheila Guimarães Martins

RESUMO
Inscreve-se no escopo deste artigo revisar a literatura concernente à história da catalogação
desde seus primórdios até os dias atuais. Busca-se, com isso, identificar a sua necessidade de
adaptação à realidade sociocultural ao longo da história, mostrando como a explosão
informacional no mundo atual exige uma catalogação mais flexível e dinâmica, uma vez que o
volume de conhecimento produzido e seu registro em meio digital tornou-se uma forma de
democratização da informação de modo que o acesso é mais facilitado, comparado ao que era
praticado nos primórdios da história dos registros do conhecimento. Para isso, em primeiro
momento, estudar-se-á o início da catalogação e suas origens, perpassando relatos históricos a
respeito da necessidade de padronização. Por fim, será abordada a contextualização dos
catálogos à realidade atual.

Palavras-Chave: História da Catalogação; Recuperação da Informação; Organização da
informação.

ABSTRACT
Falls within the scope of this article to review the literature concerning the history of
cataloging from its beginnings to the present day. The aim is, therefore, identify their need to
adapt to the sociocultural reality throughout history, showing how the information explosion
in today's world requires a more flexible and dynamic cataloging, since the volume of
information produced and its registration in the midst digital has become a form of
democratization of information so that access is easier compared to what was practiced in the
early history of the records of knowledge. For this first time study will be the beginning of
cataloging and its origins, passing historical accounts about the need for standardization.
Finally,the context will be addressed catalogs to the current reality.

Keywords: History of Cataloguing; Information Retrieval; Organization of information.

1 INTRODUÇÃO
O catalogo é uma ferramenta de organização, na qual são descritas informações sobre
o suporte informacional e seu conteúdo para que o mesmo seja posteriormente recuperado, se
constituindo assim um instrumento de recuperação da informação. Daí a sua importância para

1852

�a história, pois contribui para que os conhecimentos gerados não se percam. Por isso, torna-se
necessário conhecer a sua história e suas necessidades de adaptação ao contexto sociocultural
do mundo atual, pois com o advento da internet e “ [...] a difusão de seu uso ampliou a
necessidade de acessar, de forma rápida e precisa, informações armazenadas em banco de
dados gigantescos” (BRANSKI, 2004, p. 71). Consequentemente, foi necessário que os
catálogos como instrumento de recuperação se renovassem para atender a nova demanda.
A necessidade de aprimoramento dos catálogos já era vista em 1890 pelo bibliotecário
Panizzi, que ao dar início a reforma do catálogo do Museu Britânico, afirma que “ [...] o
objetivo principal de um catálogo de biblioteca é ajudar os consulentes a achar os livros que
desejam no menor tempo possível” (BATTLES, 2003, p. 64).
O catálogo sempre fez parte da história da sociedade, uma vez que esse instrumento de
recuperação da informação foi desenvolvido na biblioteca, a qual, por sua vez, segundo
Thompson citado por Ferraz (1991), se inter-relaciona com a sociedade, sendo essa história
ilustrada fisicamente no desenvolvimento dos prédios das bibliotecas.
No início, as bibliotecas eram abrigadas em palácios e templos; depois, nos
mosteiros e catedrais. Logo após, refletiam o orgulho e aspirações nacionais,
tornando-se monumentais e grandiosas. Agora, com o advento da
democracia, o prédio da biblioteca está se tornando uma espécie de palácio
do povo (THOMPSON apud FERRAZ, 1991, p. 94).
Como a biblioteca precisou adaptar-se ao contexto sociocultural, deixando de ser um
ambiente para os catedráticos e para se tornar um lugar de livre acesso ao conhecimento, não
seria diferente com os catálogos que são voltados ao atendimento às demandas dos usuários
das bibliotecas.
Com o intuito de conhecer e entender as mudanças ocorridas no que tange a
organização e recuperação da informação por meio dos catálogos, foi realizada uma revisão
bibliográfica buscando o conhecimento de alguns autores da área de ciência da informação.

2 ORGANIZAÇAO DA INFORMAÇÃO
Ao longo da história da humanidade se desenvolveram várias formas de registro do
conhecimento, utilizando os mais diversos tipos de suportes que foram evoluindo como a
argila, a madeira, as pedras, o papiro, o pergaminho, o papel e até os atuais suportes
eletrônicos, computadores, e-books, hipertextos e diversos formatos de documentos digitais,
como blog’s, revistas eletrônicas etc.

1853

�[...] Desde os antigos filósofos, a busca por estabelecer ou chegar a uma
concepção de mundo, uma leitura própria do mundo, da vida, das coisas, ou
mesmo, do sentido da natureza, do homem e das coisas, implicava em por
meio do conhecimento organizar e sistematizar percepções da realidade. A
Organização do conhecimento desde Aristóteles experimentou sucessivas
formas de ordenação e classificação; estas influenciadas pelo contexto
(tempo e forma). Assim tanto a evolução do conhecimento, dos artefatos e
engenhocas humanas produziram valores e especificidades de uso/aplicação
até chegarmos ao recorte informação. (GOMES; CAMPOS; GUIMARÃES;
2010, p. 2).
A necessidade de organização desses registros já era sentida desde a antiguidade, com
o então advento da imprensa de Gutenberg em meados do século XV, que dava início à
explosão bibliográfica com a possibilidade de reprodução em série do conhecimento
registrado, com isso a invenção da imprensa possibilitou um maior acesso à informação
podendo

democratizar

o

conhecimento

registrado.

Desde

então,

aumentou-se

exponencialmente o volume de publicações. Neste contexto, surge a necessidade de uma
forma de controlar e recuperar esses registros.
A respeito da organização dos novos formatos de registros do conhecimento
Dziekaniak (2010) ressalta que

[...] Tradicionalmente, no âmbito das bibliotecas, a disponibilização da
informação ocorre através de representações, denominadas desde a década
de 1990 de metadados, novo rótulo dado pelos profissionais da tecnologia da
informação (e rapidamente incorporado pela Biblioteconomia), para campos
representativos da descrição de uma obra, principalmente acerca do seu
título, autor(es), local de publicação, editora, data de publicação, assunto(s)
de que trata a obra e o seu resumo. (DZIEKANIAK, 2010, p. 46)

3 EVOLUÇÃO DOS CATÁLOGOS
Juntamente às primeiras bibliotecas surgiram os catálogos, que se constituíam como
simples relações ou inventários dos acervos, como foi o caso das bibliotecas da Mesopotâmia
e Alexandria.
A catalogação é utilizada desde os primórdios da humanidade, como instrumento de
recuperação da informação, e a necessidade de organização já era valorizada nas bibliotecas
da Mesopotâmia no século VII a.C. Segundo Battles (2003), no governo de Assurbanipal II,
foi organizada uma biblioteca na antiga cidade de Nínive, que abrigava 25 mil placas de
argila.

1854

�[...] Ao que parece, a biblioteca era altamente organizada. As placas
componentes de uma mesma obra eram reunidas num único bloco, no qual
se punha um rótulo identificador do conteúdo. Havia também um catálogo
registrando os títulos das obras e o número de placas de que cada uma era
composta. Outros arquivos e bibliotecas espalhados pela Mesopotâmia
exibiam níveis igualmente elevados de organização. Havia repositórios em
que as placas eram guardadas em cestas numeradas, com os títulos gravados
nas bordas da argila para facilitar a identificação (BATTLES, 2003, p. 31).
A primeira iniciativa de um catálogo metódico, digna de registro foi em Alexandria,
onde o bibliotecário Calímaco, escreveu sumários, ou Pinakes, uma bibliografia crítica de 120
volumes, que catalogava toda a vasta coleção da literatura grega guardada na biblioteca em
ordem alfabética. Com esse catálogo a biblioteca de Alexandria definiu uma nova concepção
a respeito do valor do conhecimento
O objetivo era reunir tudo o que estivesse disponível, desde manuscritos da
Ilíada, ou de Os trabalhos e os dias, de Hesíodo, até as mais obscuras
listagens de comentários falaciosos às obras de Homero, além de obras
incorretamente atribuídas a Homero, obras que denunciavam essas falsas
atribuições e refutações dessas denúncias. Ao patrocinar esse objetivo, os
ptolomeus confirmavam a intuição essencialmente alexandrina de que o
conhecimento é um bem, uma mercadoria, uma forma de capital a ser
adquirido e entesourado (BATTLES, 2003, p. 36)
À medida que houve a evolução dos registros do conhecimento, também surgiu à
necessidade dos catálogos se aprimorarem, e se adaptarem a necessidade de cada contexto
histórico.
Segundo Ferraz (1991) na Idade Média houve pouco desenvolvimento na área da
catalogação, a não ser tentativas de listas inventariais. A respeito desse período, Battles
(2003) observa que a produção de catálogos consumiam recursos preciosos

Num tempo em que superfícies escritas eram valiosos artigos produzidos a
duras penas, não era de se esperar que alguém fosse gastar energias na
produção de um instrumento periférico. Tipicamente, o catálogo limitava-se
a listar apenas os volumes encadernados da biblioteca, cada um deles
podendo conter duas, três e até mesmo oito obras individuais (BATTLES,
2003, p. 77).
Com o advento da Renascença, culminaram mudanças nas bibliotecas, como a
expansão da biblioteca de Sorbonne, em Paris, com o rápido crescimento dos códices de
forma qualitativa e quantitativa, o que exigiu uma melhor forma de organização e acesso a
esse material, surgindo, em 1290, a elaboração do primeiro catálogo geral de Sorbonne.

1855

�Diferentemente das bibliotecas da Idade Média que se preocupavam com a ordem
racional, onde imperava a mentalidade de que “o Universo é um todo harmonioso” cujas
partes estão inter-relacionadas, na biblioteca de Sorbonne houve a preocupação em elaborar a
ordem alfabética como instrumento de organização uma vez que os números de livros na
faculdade aumentavam de forma expressiva.
Vale ressaltar que, ao longo da história surgiram necessidades distintas de desenvolver
catálogos que pudessem servir de forma mais efetiva a recuperação do material informacional.

[...] no século XV, a ordem racional do conhecimento e a ordem arbitrária do
alfabeto estavam imobilizadas numa trégua instável. Por volta do século
XVIII, porém, o crescimento contínuo das coleções tornou os velhos
catálogos inutilizáveis. O novo tipo traria consigo o triunfo da arbitrariedade,
com um catálogo inteiramente alfabético, despido da ficção racional de uma
divisão por assuntos (BATTLES, 2003, p. 84).
Diante do aumento da produção do conhecimento, os métodos de recuperação da
informação já não eram tão eficientes, surgindo assim novas ferramentas que pudessem
atender às demandas, a respeito dessa realidade Manguel (2006) observa

Seja em Alexandria, Bagdá ou Roma, essa massa de palavras em expansão
acaba por exigir sistemas de classificação que lhe abram espaço para
crescimento, fronteiras móveis que a salvem das limitações do alfabeto ou da
inutilidade sob o peso excessivo dos itens numa mesma categoria
(MANGUEL, 2006, p. 56).
Depois da revolução da imprensa, acontecimentos históricos como a Reforma
Protestante, a Revolução Francesa, e a expansão das universidades, a partir dos séculos XIX e
XX, culminaram em um vertiginoso crescimento de produção científica, exigindo assim um
novo molde de organização da informação, pois as listas inventariais já não eram suficientes
para a recuperação desse material informacional.
Segundo Martinho (2010) a origem pragmática dos estudos de catalogação é vista a
partir dos trabalhos de Panizzi, Jewett e Cutter.
Quando a catalogação toma uma posição de importância na sociedade científica
surgem estudos voltados para essa área. Barbosa (1978) comenta que por volta de 1839
acontecia um movimento conhecido como a Batalha das Regas, no qual acontecia o
desenvolvimento das discussões sobre a padronização de diretrizes para a formulação de um
catálogo.

1856

�Anthony Panizzi, bibliotecário do Museu Britânico, um dos precursores das regras
catalográficas, elaborou junto com seus colaboradores um conjunto com 91 regras de
catalogação denominado Rules fo r the compilation o f the catalog, que teve sua aprovação em
1841. Esse conjunto de regras deu início a uma série de discussões entre bibliotecários
ingleses, influenciando as regras posteriores. Barbosa (1978) destaca que as principais
características desse conjunto de regras são: a valorização da página de rosto, com a escolha
do cabeçalho de entrada de um autor e a introdução do conceito de autoria coletiva. Embora
criticado, a ideologia de Panizzi era facilitar o acesso ao conhecimento por parte dos usuários,

[...] seu trabalho era inspirado por um impulso democrático, como ele deixa
claro nesse relatório. ‘Eu quero que o estudante pobre tenha os mesmos
recursos que o homem rico deste reino para satisfazer sua vontade de
aprender, desenvolver atividades racionais, consultar autoridades nos
diversos assuntos e aprofundar-se nas investigações mais intricadas. Acho
que o governo tem a obrigação de dar a esse estudante a assistência mais
generosa e desprendida possível.’ Para Panizzi, o humilde catálogo da
biblioteca deveria ser muito mais que uma listagem e poderia ser até mais
que um simples guia para o conhecimento. Ele o via como um instrumento
para a transformação da sociedade. (BATTLES, 2003, p. 133)
Logo após a revolucionária batalha das regras, em 1853, Chargles C. Jewett publicou
para a Smithsonian Institution dos Estados Unidos um código contendo 33 regras, com base
nas regras de Panizzi, enfatizando as obras de autoria coletiva e autores que usavam
pseudônimos. Com uma visão mais ampla, Jewett esboçava uma catalogação cooperativa e
dizia “ [...] que um livro deveria ser catalogado uma única vez, a fim de que o tempo
despendido por uma biblioteca na catalogação de uma obra não tornasse a onerar não só essa
mesma biblioteca, com também a qualquer outra” (CUNHA, 1979, p. 8).
Segundo Cunha (1979), Jewett viu seu sonho se realizar com a união da Biblioteca do
Congresso dos EUA (Library o f Congress) e a Comissão de Catalogação Cooperativa da
Associação Americana de Bibliotecários (ALA).
Em 1876 a Rules a printed dictionary catalog, foi publicado o segundo código de
catalogação norte-americano sob a autoria de Charles Ammi Cutter. De acordo com Piedade
(1983), tal obra ainda é referência para estudiosos de catalogação,
[...] Cutter idealiza as regras para um catálogo dicionário, preconizando
assim a sistematização de regras para o estabelecimento de entrada de
cabeçalhos, obra que se tornou num clássico da catalogação e da área de
representação. Os princípios estabelecidos por Cutter nortearam
grandemente a construção de outros instrumentos da representação e ainda
hoje após mais de um século muitos desses princípios continuam atuais
(MARTINHO, 2010, p. 27).

1857

�Com vistas à economia de tempo, surge a catalogação cooperativa, com o objetivo de
que o “trabalho” fosse feito uma única vez, já que o progresso socioeconômico exigia uma
dinâmica cada vez mais rápida e precisa. Para atender esta precisão torna-se necessária a
padronização dos registros bibliográficos, possibilitando que as informações contidas em
diferentes catálogos possam ser compartilhadas da mesma forma, permitindo a troca de ideias
e experiências entre os bibliotecários.

4 PADRONIZAÇÃO DOS CATÁLOGOS
A padronização dos catálogos não se constitui especificamente em tornar todos os
catálogos únicos e iguais, mas sim criar mecanismos normativos para os registros
bibliográficos na elaboração dos mesmos, contemplando a descrição dos formatos físico e
temático do material informacional.
A Conferência Internacional sobre Princípios de Catalogação promovida pela

International Federation o f Library Associations and Institutions (IFLA), realizada em Paris
em 1961, segundo Cunha (1979), foi um divisor na história da catalogação, pois esta
formalizou as discussões sobre uniformização das descrições para registros catalográficos.
Com base na referida Conferência de Paris, foi publicado em 1967 o novo código
Catalogação como Anglo-American Cataloging Rules (AACR) em duas versões, uma norteamericana e outra britânica que
[...] obedecendo a um conjunto internacionalmente aceito de princípios,
lançou os alicerces que possibilitariam o intercâmbio de dados
bibliográficos. Foi o primeiro passo num processo de normalização.
(OLIVER, 2011, p. 8).
Ainda na década de 1960, em paralelo às discussões de normalização de regras
catalográficas, também já eram desenvolvidos estudos voltados para automação de registros
de catalogação, pela Library o f Congress (LC).
Os resultados do estudo permitiram excelentes respostas científicas. As
principais recomendações foram automação dos registros de catalogação,
compilação de uma listagem principal que permitira a criação de um
segundo registro que daria o resumo de qualquer obra, uma tabela de
conteúdo, permitindo ao usuário determinar a pertinência da obra para sua
pesquisa. A partir de 1990 todo o conteúdo da LC poderia ser introduzido no
computador. O estudo ignorou completamente o usuário neste contexto de
automação. Todavia o resultado principal do trabalho foi o estabelecimento
do padrão MARC, inicialmente como uma unidade a parte do processamento
técnico (OSBORN, 1991 apud MARTINHO, 2010, p. 51).

1858

�O formato MARC foi desenvolvido com o objetivo de adaptar as regras catalográficas
ao meio digital, se constituindo em um padrão para entrada e manipulação de informações
bibliográficas

em

computador,

permitindo

que

os catálogos

automatizados possam

compartilhar seus registros fazendo migração de dados, uma vez que tal formato padroniza o
conteúdo dos campos e suas posições, tendo como base as regras estabelecidas pela AACR.
Assim como as demais produções resultantes de estudos de catalogação o MARC teve
suas mudanças ao longo do tempo. “Em 1968, surge o MARC II, desenvolvido novamente
pela cooperação entre a British Library e a LC. Cerca de 20 formatos MARC diferentes foram
desenvolvidos ao longo dos anos 70” (MARTINHO, 2010, p. 51).
Em 1969 o comitê de catalogação da IFLA promoveu uma Reunião Internacional de
Especialistas em Catalogação, em Copenhague, onde surgiram discussões sobre a criação da
ISBD (Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada). Segundo Rius (2009) desde o
início, até os dias de atuais, a ISBD tem grande importância para à Comunidade Bibliotecária
Internacional, uma vez que se constitui em um instrumento essencial para a formulação e
comunicação normalizada de informação bibliográfica.
Em 1970, foi elaborado o primeiro esboço da SBD (Descrição Bibliográfica
Normalizada), em 1971, aconteceu a publicação preliminar da International Standard

Bibliographic Description (ISBD) com o acréscimo do “I” (International), ampliando para o
âmbito internacional, também neste mesmo ano foi acrescentado o “M” entre parênteses
evidenciando à descrição bibliográfica de monografias. No entanto, naquele contexto
histórico a descrição bibliográfica para monografias já não era o suficiente para contemplar a
descrição dos novos suportes informacionais, tais como periódicos e multimeios, gerando
questionamentos entre vários países sobre a funcionalidade da ISBD (M). Diante disto a IFLA
promoveu uma reunião intitulada como “Revision M eeting ’, em 1973.
De acordo com Cunha (1979), após aceita internacionalmente a ISBD (M) foi
estendida para outros tipos de materiais bibliográficos,

Foram estabelecidos Grupos de Trabalho constituídos de bibliotecários com
ampla experiência na catalogação de determinado tipo de material, para a
elaboração de ISDBs especializadas. Desse modo já foram editadas: a a
ISBD (S) para publicações seriadas, agora em edição “standard” publicada
em 1977, a ISDB (NBM) para “no book materials” = multimeios, lançada
em 1977, a ISBD (G) = geral, também publicada em 1977 com a finalidade
de servir de base para todas as ISDBs que vieram a ser elaboradas (CUNHA,
1979, p. 11).

1859

�Novamente o contexto histórico-socioeconômico teve grande influência para as
mudanças na representação da informação, com a preocupação em minimizar o tempo perdido
na elaboração de catálogos e também na recuperação dos materiais.
Em 1978, foi publicada a AACR2, com a incorporação das ISBDs, segundo Mey
(2003) “a partir de 1997 vem sofrendo mudanças em seu enfoque: o cerne da representação
desloca-se do item para o usuário, visando permitir-lhe as tarefas de encontrar, identificar,
selecionar e obter uma ‘entidade’ adequada a seus propósitos” (MEY, 2003, p. 1)
Com o intento de adaptar-se às necessidade informacionais dos usuários, de acordo
com Silveira (2007), foi realizado em 1990 o Seminário sobre Registros Bibliográficos em
Estolcomo,

sendo apresentadas,

em

1997, recomendações de um nível básico de

funcionalidade e requisitos básicos para a elaboração dos registros, resultando posteriormente
à publicação dos FRBR (Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos)
Em conjunto com os FRBR foi criado como extensão o modelo FRAD (Requisitos
Funcionais para Dados de Autoridades),
[...] e ambos constituem uma forma de compreender o universo
bibliográfico. Identificam as tarefas que os usuários devem empreender
durante o processo de descobrimento dos recursos e demonstram como
diferentes tipos de dados bibliográficos e de autoridade servem de suporte à
execução bem-sucedida dessas tarefas. Os modelos FRBR e FRAD
proporcionam uma base teórica e logicamente coerente para que sobre ela se
construa uma prática de descobrimento de recursos que seja melhor para o
usuário (OLIVER, 2011, p. 1).
Os FRBR tratam-se de modelos conceituais, cujos requisitos tiveram como base “ [...]
as tarefas genéricas realizadas pelos usuários: encontrar, identificar, selecionar e obter”
(SILVEIRA, 2007, p. 3), buscando o foco no usuário, o que difere das ISBDs, tem o acervo
como objeto principal.
Fazendo um comparativo entre FRBR e as ISDBs, Silveira (2007) ressalta que
As ISDBs surgiam para atender os novos tipos de suportes, a medida que
novos suportes surgiam eram desenvolvidas novas normas. Com os FRBR,
essa passividade em esperar surgir um novo suporte, para depois resolver os
problemas da descrição oriundo desse suporte, é substituído pela próatividade em resolver os problemas da descrição ainda existentes,
independente do suporte da informação. [...] (SILVEIRA, 2007, p. 11).
Segundo a IFLA (2013), uma nova fase para as ISBDs se deu após o estabelecimento
dos Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR), quando foi publicada em
2007 uma edição preliminar e, posteriormente em 2011, a publicação da International

1860

�Standard Bibliographic Description (ISBD), Consolidated Edition, a qual reuni todas as
ISBDs especializadas.
Ao longo da história da catalogação, foram identificados vários padrões utilizados,
voltados para o atendimento à recuperação da informação e às necessidades dos usuários e,
com a evolução da tecnologia da informação, também novas metodologias de tratamento da
informação, a exemplo do Resource Description and Access (RDA).
O avanço das tecnologias propiciou às bibliotecas a conversão retrospectiva
de catálogos manuais em catálogos automatizados mediante cópia de
registros catalográficos em formato legível por computador elaborado por
outras bibliotecas e que a continuidade desse processo de cópia pode ser
garantida dentro de um contexto de cooperação entre bibliotecas que
disponibilizam gratuitamente seus registros desde que seja utilizado o
mesmo formato de metadados e de transferência de dados remota. (FUJITA;
BOCCATO; RUBI, 2010, p. 24).
Projetada para um ambiente digital, a RDA veio para atender as tecnologias atuais,
uma vez que os códigos e as regras de catalogação existentes voltadas para o impresso já não
atendiam a nova demanda, sendo mais flexível e adaptável às informações dos suportes
digitais.
A RDA, ao mesmo tempo que mantém uma forte relação com a AACR2, também se
difere da mesma, uma vez que se baseia em uma estrutura teórica que define a forma, a
estrutura e o conteúdo.
Apesar de ser uma inovação no campo da catalogação trazendo novos rumos e novos
paradigmas que partem do físico para o digital, acompanhando a dinâmica do mundo
informacional atual, de acordo com Oliver (2011) a RDA está harmonizada com dois modelos
conceituais: os FRBR e os FRAD, estes desenvolvidos na década de 1990.
Para melhor compreender a RDA recorremos a definição de Oliver (2011) que diz ser
sua finalidade
[...] servir de suporte à produção de dados robustos ou “bem-formados”,
dados que possam ser gerenciados com o emprego tanto das tecnologias
atuais quanto das estruturas de bases surgidas recentemente e das tecnologias
futuras. A RDA é uma norma de “conteúdo’. A RDA responde à pergunta:
“Qual o dado que devo registrar e como devo registrá-lo?”. Ela define os
elementos necessários à descrição e ao acesso, e oferece instrumentos sobre
como formular o dado a ser registrado em cada elemento (OLIVER, 2011, p.
2).
Assim como os FRBR e os FRAD, a RDA “trata-se de uma norma projetada para
focar a atenção no usuário e nas tarefas eu ele executa no processo de descobrimento de
recursos.” (OLIVER, 2011, p. 2).

1861

�Nota-se que em meio aos vários e estudos e questionamentos para melhor adaptação
aos recursos informacionais e à necessidade de recuperação dos mesmos, logo a RDA com
sua proposta de um escopo ampliado, busca atender a padronização da descrição dos dados e
ao mesmo tempo o apoio às tarefas do usuário durante a busca de informação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A trajetória histórica da catalogação passa por várias fases, nas quais os catálogos são
aprimorados e adaptados às necessidades de cada contexto socioeconômico e cultural, uma
vez que a biblioteca deixa de ser privilégio para poucos para se tornar a difusora dos registros
do conhecimento e, posteriormente, com o avanço da tecnologia, assim como a informação
deixa o suporte físico para o suporte digital, a biblioteca juntamente com as regras
catalográficas também passam a habitar esse novo ambiente.
Através de revisão de bibliografia, foi visto que os catálogos sofreram mudanças, mas
ainda assim mantiveram seu objetivo de recuperação da informação, mesmo sendo as
adaptações algumas vezes radicais e revolucionárias, como a última, dos suportes físico e
digital, foi constatado que tiveram como base estudos desenvolvidos anteriormente.
Desta forma, pode-se concluir que os catálogos foram se moldando às necessidades,
com aprimoramentos e a mudança do paradigma do acervo para o foco no usuário.

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1863

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                <text>Inscreve-se no escopo deste artigo revisar a literatura concernente à história da catalogação desde seus primórdios até os dias atuais. Busca-se, com isso, identificar a sua necessidade de adaptação à realidade sociocultural ao longo da história, mostrando como a explosão informacional no mundo atual exige uma catalogação mais flexível e dinâmica, uma vez que o volume de conhecimento produzido e seu registro em meio digital tornou-se uma forma de democratização da informação de modo que o acesso é mais facilitado, comparado ao que era praticado nos primórdios da história dos registros do conhecimento. Para isso, em primeiro momento, estudar-se-á o início da catalogação e suas origens, perpassando relatos históricos a respeito da necessidade de padronização. Por fim, será abordada a contextualização dos catálogos à realidade atual. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO
DA BIBLIOTECA DE NUTRIÇÃO E ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL FLUMINENSE
Andréia Pereira de Araújo Matos

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo relatar as estratégias de capacitação de usuários e divulgação
de serviços, realizadas pela Biblioteca de Nutrição e Odontologia da Universidade Federal
Fluminense a partir do ano de 2012. Após a realização de uma pesquisa empírica, através do
método da observação, foi identificado o baixo uso, por parte dos usuários, dos serviços
disponíveis na biblioteca e das bases de dados científicas na web. A observação foi realizada
por um período de seis meses e após o diagnóstico, foram criadas estratégias de melhoria
baseadas nos conceitos de competência informacional, planejamento e marketing. As ações,
detalhadas no conteúdo do presente trabalho, geraram mudanças significativas e melhoraram
a interação entre o usuário e a biblioteca. Conclui-se que as bibliotecas universitárias
precisam estar atentas ao nível de competência informacional de seus usuários e criar
estratégias que fortaleçam seu papel de apoiar as atividades de pesquisa e ensino da
universidade em que estão inseridas, através de um trabalho focado nas necessidades
específicas da comunidade a que atende.
Palavras-Chave: Capacitação de usuários;
universitárias; Marketing.

Competência informacional; Bibliotecas

ABSTRACT
This paper aims to report the strategies of user training and dissemination of services
performed by the library of Nutrition and Dentistry at Universidade Federal Fluminense from
2012. After conducting an empirical research through observation method it was identified
low use of services available in the library and scientific databases on the web by users. The
observation was carried out for a period of six months and after diagnosis, improvement
strategies, based on the concepts of information literacy, planning and marketing, were
created. The actions, detailed in the content of this paper, have generated significant changes
and improved interaction between the user and the library. It is concluded that university
libraries need to be alert to the level of information literacy of their members and develop
strategies to strengthen their role in supporting the activities of research and teaching
university in which they operate, through work focused on the specific needs of the
community that they serve.
Keywords: Training of users; Information literacy; University libraries; Marketing.

2320

�1 INTRODUÇÃO
O presente panorama de atuação do bibliotecário requer deste profissional, além de
suas capacidades técnicas tradicionais, a aquisição de novas competências que assegurem a
qualidade de seu desempenho. Algumas dessas competências estão relacionadas ao
conhecimento de novas tecnologias de comunicação, organização e disseminação da
informação e novos paradigmas na capacitação e orientação ao usuário.
A preocupação cada vez maior com a capacitação do usuário, assim como o
crescimento dos estudos sobre competência informacional ganham notória relevância quando
se trata de biblioteca universitária, visto que esta traz consigo o dever de apoiar as atividades
de ensino e pesquisa no âmbito da instituição em que está inserida e, portanto, possui usuários
com necessidades específicas e que estão buscando e processando uma enorme gama de
informações durante todo o período em que permanecem ligados à universidade.
Este trabalho visa relatar a experiência na capacitação de usuários, as estratégias de
melhoria na interação usuário-informação-biblioteca e os impactos causados pelas novas
práticas adotadas a partir de 2012 pela Biblioteca de Nutrição e Odontologia da Universidade
Federal Fluminense (UFF), localizada no campus do Valonguinho em Niterói-RJ e fundada
em 1992. Atualmente, a biblioteca conta com um acervo de cerca de 2000 títulos de livros,
174 títulos de periódicos e 400 trabalhos de conclusão de curso, entre dissertações e teses, nas
áreas de Nutrição, Odontologia e Saúde, atendendo em média 1200 usuários por mês, entre
alunos e professores da UFF, além da comunidade externa.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
A discussão deste trabalho gira em torno dos preceitos teóricos da competência
informacional, marketing de serviços, planejamento em bibliotecas e o papel educacional das
bibliotecas. Como referencial teórico em marketing de serviços, foi utilizado o estudo de
Amaral (2008), em que a autora destaca a importância da promoção dos recursos disponíveis
em uma unidade de informação e os problemas que a não utilização das técnicas de marketing
pode gerar. Dentro de planejamento de serviços em bibliotecas, foi analisado Almeida (2005),
em que a autora expõe as questões conceituais envolvidas no processo de planejamento em
bibliotecas e fornece elementos para estratégias de diagnóstico e avaliação de serviços.
Outra vertente dessa discussão se refere à competência informacional, tema que tem
sido mais amplamente discutido no Brasil nos últimos anos, visto que é um problema
emergente da área, devido à complexidade dos tempos atuais, em que informação é ‘poder’, e

2321

�ao crescimento constante dos recursos de comunicação via web e a necessidade de
qualificação dos usuários na localização e uso de informação em qualquer setor da sociedade.
Os principais estudos sobre competência informacional a definem como a capacidade
de entender uma necessidade de informação, saber localizar as fontes de informação de
maneira eficaz para sanar tal necessidade, utilizar estratégias de busca eficientes e transformar
a informação encontrada em conhecimento. Dentre os autores brasileiros que tratam a
temática, destacam-se os trabalhos de Dudziak (2001, 2003), em que a autora defende o papel
educacional das bibliotecas e sua importância no desenvolvimento da competência
informacional dos estudantes, indicando que as bibliotecas devem aliar suas ações às
propostas pedagógicas das instituições em que estão inseridas, fortalecendo suas relações com
o corpo docente e tendo participação ativa no currículo escolar, especialmente no caso de
bibliotecas universitárias.
Ainda sobre o conceito de competência informacional, destacou-se o trabalho de
Hatschbach e Olinto (2008, p. 26), que esclarece:
O desenvolvimento de habilidades para o uso da informação tem um grande
impacto no desempenho do estudante, pois fortalece sua capacidade de
acessar, selecionar, avaliar e incorporar a informação. Essa competência vai
agir ativamente no processo de assimilação, criação e transmissão do
conhecimento, elementos-chave para o crescimento intelectual.
Os conceitos pincelados acima guiaram o desenvolvimento deste trabalho e têm
auxiliado as ações desenvolvidas na biblioteca, com vistas à educação e capacitação dos
usuários.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A Biblioteca de Nutrição e Odontologia da UFF identificou a necessidade de mudança
em suas práticas a partir do ano de 2011, após a equipe perceber o baixo conhecimento dos
usuários sobre os serviços oferecidos pela biblioteca e a dificuldade que eles demonstravam
no uso do catálogo online e na busca por informação científica na web.
Após essa percepção inicial, decidiu-se realizar uma pesquisa empírica através do
método da observação direta, realizando algumas abordagens e conversas informais com os
usuários para identificar o nível de conhecimento e utilização dos recursos oferecidos pela
biblioteca, como o catálogo online, o serviço de comutação bibliográfica, as bases de dados
na área da saúde, o Portal de Periódicos Capes, o blog e o site da biblioteca.

2322

�A observação foi realizada da seguinte maneira: durante os momentos de empréstimo
ou durante o serviço de referência, perguntava-se ao usuário qual era a frequência de
utilização do site, blog, catálogo online da biblioteca e os demais recursos já mencionados,
além de se observar a familiaridade do usuário com o catálogo e o Portal Capes, quando este
realizava a busca nesses recursos utilizando os computadores da biblioteca.
A observação foi realizada com usuários de diferentes níveis de especialização
(graduação, pós-graduação e docência) durante um período de 6 (seis) meses por toda a
equipe de funcionários da biblioteca, tendo sido observados cerca de 200 usuários.
Após esse período, a equipe se reuniu para discutir os resultados da observação e
buscar soluções para o diagnóstico encontrado.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A observação realizada demonstrou que a maioria dos usuários abordados não
utilizava os serviços e nem mesmo os conhecia. O ponto mais grave foi verificar que alunos
em processo de conclusão da graduação, do mestrado e doutorado nunca haviam utilizado o
catálogo online das bibliotecas da universidade. Verificou-se também que muitos docentes da
própria instituição não conheciam alguns dos serviços disponíveis na biblioteca. Percebeu-se,
portanto, um grande distanciamento entre o usuário e a biblioteca e o enorme prejuízo
acadêmico que isso poderia estar gerando.
A partir dessa percepção, foram pensadas estratégias de marketing de serviços e
capacitação dos usuários. Foram estabelecidas as seguintes ações, que foram postas em
prática a partir do primeiro semestre de 2012 e permanecem até os dias atuais:
a) Aula introdutória aos ingressantes dos cursos de Nutrição e Odontologia, com
explicações sobre os principais recursos oferecidos pela biblioteca e instruções quanto
ao uso do catálogo online, do Portal Capes e das principais bases de dados na área da
saúde;
b) Criação de tutoriais para o uso do catálogo e do Portal Capes;
c) Criação do folder da biblioteca a ser distribuído a todos os usuários e visitantes,
contendo as informações básicas sobre os serviços prestados pela biblioteca, sites
relevantes nas áreas de Nutrição e Odontologia e um espaço destacado para o catálogo
online, o site da biblioteca e o blog;
d) Criação de panfletos que ficam espalhados pelos espaços da biblioteca, contendo
orientações para uso do catálogo e do portal Capes.

2323

�e) Participação constante dos bibliotecários em eventos voltados aos alunos
ingressantes na universidade, para divulgação da biblioteca entre os calouros;
f) Curso sobre a plataforma EndNote aos alunos de especialização, mestrado e
doutorado;
g) Envio mensal de e-mails a todos os usuários, inclusive os docentes e as
coordenações dos cursos, contendo as novas aquisições do acervo, notícias sobre
cursos e eventos em suas áreas de interesse e as atualizações do site e do blog.

Após a concretização de todas as ações propostas, verificou-se uma significativa
melhora na utilização dos serviços. Uma boa parcela dos usuários já utiliza o catálogo online,
o que trouxe agilidade aos serviços de empréstimo e referência. Grande parte também
conhece o Portal Capes e o utiliza em suas pesquisas, o que diminuiu a demanda pelo serviço
de comutação bibliográfica, uma vez que na maioria dos casos, os próprios usuários
conseguem localizar gratuitamente os documentos de que necessitam. As estatísticas de
acesso ao blog aumentaram e os pedidos de orientação no uso de bases de dados na área da
saúde têm crescido consideravelmente, visto que, com a ampla divulgação dessas bases, os
usuários tomam conhecimento de sua existência e desejam utilizar melhor os recursos
oferecidos por elas.
Vale ressaltar que os resultados mencionados acima são parciais e frutos de
observação diária feita pela equipe da biblioteca. A introdução dessas ações trouxe e continua
trazendo melhorias visíveis, mas que a longo prazo precisam de nova avaliação e diagnóstico.
Pretende-se, futuramente, realizar uma pesquisa mais aprofundada, através de questionários e
entrevistas semi-estruturadas com os usuários, a fim de identificar problemas e necessidades
específicas, que fogem ao método da observação.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O acesso eficiente à informação pelo usuário deve ser o objetivo final de qualquer
unidade de informação. Em bibliotecas universitárias, esse ponto possui relevância ainda
maior, uma vez que os usuários dessa tipologia de biblioteca têm demandas informacionais
específicas e um alto grau de especialização.
A experiência da Biblioteca de Nutrição e Odontologia da UFF confirma a
necessidade de mudança de paradigmas. Através de um trabalho focado no usuário, foi
possível perceber grande aumento na utilização dos recursos disponíveis e consequentemente
a melhoria do desempenho acadêmico do usuário.

2324

�Em vista disso, o bibliotecário que desenvolve seu trabalho em instituições de ensino
superior necessita se atualizar incessantemente, dando atenção especial à divulgação dos
serviços oferecidos pela biblioteca e à educação e capacitação de seu usuário, ou seja, deve
auxiliá-lo a desenvolver sua competência informacional, visto que a biblioteca universitária
tem um papel educacional inegável.

6 REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. Planejamento de bibliotecas e serviços de
informação. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2005.
AMARAL, S.A. Marketing da informação: entre a promoção e a comunicação integrada de
marketing. Informação &amp; Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 18, n. 1, p. 31-44, 2008.
Disponível em: &lt; http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1636/1637&gt;. Acesso
em: 22 abr. 2014.
DUDZIAK, Adriana Elizabeth. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da
Informação, Brasília, v. 32, n.

1, p. 23-35, jan./abr. 2003. Disponível em: &lt;

http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/123&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana. A Information Literacy e o papel educacional das bibliotecas.
2001. 187 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) - ECA,USP, São Paulo,
2001. Disponível em: &lt; www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27143/tde.../Dudziak2.pdf&gt;.
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HATSCHBACH, Maria Helena de Lima; OLINTO, Gilda. Competência em informação:
caminhos percorridos e novas trilhas. Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 20-34, jan./jun. 2008. Disponível em: &lt;
http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/64/78&gt;. Acesso em: 11 abr. 2014.

2325

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                <text>Este trabalho tem como objetivo relatar as estratégias de capacitação de usuários e divulgação de serviços, realizadas pela Biblioteca de Nutrição e Odontologia da Universidade Federal Fluminense a partir do ano de 2012. Após a realização de uma pesquisa empírica, através do método da observação, foi identificado o baixo uso, por parte dos usuários, dos serviços disponíveis na biblioteca e das bases de dados científicas na web. A observação foi realizada por um período de seis meses e após o diagnóstico, foram criadas estratégias de melhoria baseadas nos conceitos de competência informacional, planejamento e marketing. As ações, detalhadas no conteúdo do presente trabalho, geraram mudanças significativas e melhoraram a interação entre o usuário e a biblioteca. Conclui-se que as bibliotecas universitárias precisam estar atentas ao nível de competência informacional de seus usuários e criar estratégias que fortaleçam seu papel de apoiar as atividades de pesquisa e ensino da universidade em que estão inseridas, através de um trabalho focado nas necessidades específicas da comunidade a que atende.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA NA REVISTA ELETRÔNICA DE
ADMINISTRAÇÃO: MAPEAMENTO E ANÁLISE
Ana Maria Mattos
Evelin Stahlhoefer Cotta
Jaqueline Insaurriaga Silveira
RESUMO
Objetiva-se mapear e analisar o processo de submissão e publicação na Revista de
Administração de Empresas (REAd) de 2003 até 2013, pretendendo descrever o perfil e o
comportamento dos autorese de sua produção científica (gênero, frequência, idioma do artigo,
palavras-chave, temas de pesquisa, afiliação e área geográfica). Na ciência em geral, a
literatura aponta o crescimento da publicação de artigos coassinados, e tem sido destaque a
ocorrência de estudos bibliométricos no campo das Ciências Administrativas. Os resultados
revelaram que nos artigos submetidos à REAd: a autoria múltipla se encontra em uma
tendência de aumento; é alta a frequência de autores que publicaram uma única vez; a taxa de
colaboração se aproxima de 50%; os autores mais frequentes são afiliados a universidades do
Rio Grande do Sul; há uma maior atividade de autores do sexo masculino e uma tendência de
crescimento das autoras; a região brasileira com mais publicações é a Sudeste; as palavraschave mais utilizadas foram estratégia, comportamento do consumidor, tecnologia da
informação, inovação e empreendedorismo; cerca de 60% das palavras-chave foram utilizadas
uma única vez; e que da submissão à aprovação um artigo levou, em média, 430 dias em
2012. Conclui-se que os objetivos específicos propostos foram atingidos e se recomenda, a
partir dos resultados, a manutenção da justificativa para artigos com cinco autores ou mais, o
incremento na publicação de artigos não oriundos do Brasil, a versão para a língua inglesa dos
artigos com mais acessos ou muito citados escritos em língua portuguesa, a adoção de um
controle de vocabulário para melhorar a recuperação dos artigos por assunto e a identificação
dos gargalos nas etapas de submissão à publicação para que o processo ganhe agilidade.
Palavras-chave: Comunicação científica. Revista científica. Produção científica.

ABSTRACT
Our goal is to map and analyze the process of submission and publication in the Revista de
Administração de Empresas (REAd) to 2003 until 2013, intending to describe the profile and
behavior of authors and their scientific output (genre, language of article, keywords, research
topics, affiliation and geographical area). In general science, the literature indicates the
growth of the publication of articles co-authored, and has been featured occurrence of
bibliometric studies in the field of Administration, Management and Business. The results
revealed that the articles submitted to REAd: the multiple authorship is in an upward trend;
there is a high frequency of authors who published only once; rate collaborative approaches
50%; the most frequent authors are affiliated with universities of Rio Grande do Sul; there is

42

�an increased activity of male authors and a growing tendency of female authors; the Brazilian
region with more publications is the Southeast; the keywords most used werestrategy,
consumer behavior, information technology, innovation and entrepreneurship; about 60 % of
the keywords were used only once; and that submitting an article to the approval takes on
average 430 days in 2012. We conclude that the specific objectives proposed have been met
and recommended, from the results, maintaining the justification for articles with five or more
authors, the increase in the publication of articles not from Brazil, a version for the English
language to the articles with more hits or too cited written in Portuguese language, the
adoption of a control vocabulary to improve the recovery of articles by subject; and
identifying bottlenecks in steps of submission to publication for the process to gain agility.
Keywords: Science communication. Science journals. Scientific production.

1 INTRODUÇÃO
No século XV, paralelamente ao advento da imprensa no ocidente, o sistema postal foi
aperfeiçoado e os pesquisadores começaram a utilizar estes serviços para se comunicar.
Surgiramassim, os jornais e boletins de notícias impressos, que serviram de modelo para a
revista científica. As cartas de conteúdo científico, antes manuscritas e destinadas a um
público reduzido, passam a ser impressas e distribuídas para vários pesquisadores com
interesse comum, por via postal (MEADOWS, 1999).
Foi neste cenário que surgiu na Europanoséculo XVII, a revista científica como a
entendemos hoje e “a partir dessa época, pode-se passar a encarar a ciência como uma
atividade social organizada” (ZIMAN, 1981, p. 63). Nota-se que a edição de revistas
científicas ao longo do tempo, bem como os produtos gerados por elas (artigos, abstracts e
bibliografias), aumentouemquantidade, fenômeno este que obedece à lei do crescimento
exponencial (PRICE, 1976a, 1976b).Nos dias de hoje a computação trouxe a possibilidade da
publicação eletrônica dos documentos científicos e facilitou seuresgate por meio da
automação dos sistemas de recuperação da informação.
Desde 1995, a Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS) publica a REAd: Revista Eletrônica de Administração, pioneira da área na
América Latina com acesso livre e gratuito. A partir de 2007 a REAd se tornou quadrimestral,
e em 2011, passou a integrar a Coleção SciELO e foi classificada como B1 pela CAPES.
Desde dezembro de 2012 suas edições têm sidopublicadas utilizando o software SEER, e os
artigos anteriores, publicados em outra plataforma, estão sendo agregados ao novo software.

43

�Às vésperas de completar 20 anos, aREAd tem como escopo os temas relativos à gestão das
organizações que reflitam o estado da arte para o desenvolvimento da Administração1.
No intuito de colaborar na investigação sobre a produção científica brasileira no
campo da Administração, e se considerando a REAd um canal de comunicação formal
reconhecido pelo campo, justifica-se a realização deste estudo visto que sua elaboração
possibilitará mapear o que tem sido pesquisado e publicado na REAda fim de revelar autores,
assuntos, locais e instituições que a elegeram para publicar, bem como os prazos de
recebimento, aprovação e publicação do processo de submissão de artigos.Sob esse enfoque,
ao estudar os artigos publicados na REAdde 2003 a 2013, têm-se como objetivos específicos:
a) quantificar os artigos de autoria única e múltipla, suas respectivas trajetórias ao
longo do recorte temporal, bem como a taxa de colaboração almejando caracterizar
o conjunto de autores que submetem artigos à REAd;
b) revelar os autores que publicaram,aspirandodescrevê-lospor gênero e frequência;
c) discriminar as publicações por área geográfica e afiliação objetivando distinguir os
artigos produzidos no exterior e no Brasil, bem como sua distribuição nos estados
brasileiros por região;
d) apontar o idioma dos artigos pretendendo sinalizar as preferências dos autores;
e) identificar as palavras-chaves e os temas mais abordados visando identificar
suasdistribuições; e
f) constatar

os

prazos

entre

a

submissão,

aprovação

e publicação

dos

manuscritosexpondo o tempo de espera a que os autores são submetidos.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
O trabalho em equipe é intrínseco à atividade científica desde os primórdios da
ciência, entretanto uma crescente especialização e internacionalização vêm ocorrendo nas
últimas décadas. Nos dias de hoje, a afirmação pública da autoria serve de base para o
funcionamento do sistema de recompensas acadêmicas: incorpora o empreendimento
acadêmico e é moeda no "negócio da ciência". É a institucionalização do publishorperish
(CRONIN, 2001; CONCEIÇÃO, 2008; WATERS, 2006).
O aumento na publicação de artigos em coautoria é um fato e apesar das limitações da
coautoria para medir a colaboração, ela incorpora as vantagens de ser invariável, confiável,
prática e barata, além de acomodar amostras muito grandes com resultados estatisticamente

1Maiores detalhes em http://seer.ufrgs.br/index.php/read/index

44

�mais significantes. Se houver mais de um autor, o documento científico é coassinado, e caso
os autores sejam afiliados a instituições diferentes, o documento é considerado
institucionalmente coassinado(MALTRÁS BARBA,

2003; PERIANES-RODRÍGUEZ;

OLMEDA-GÓMEZ; MOYA-ANEGÓN, 2010).
Pesquisadores analisaram trabalhos em coautoria publicados nos anais de eventos da
área de Administração realizados no Brasil de 2001 até 2010. A análise permitiu aos autores
asseverar que "a coautoria em Administração é uma realidade acadêmica brasileira, seguindo
o que acontece em outras áreas de conhecimento e em outros países" (ESPARTEL et alii,
2011, p. 24).
De fato, o aumento na frequência de estudos bibliométricos publicados no campo da
Ciência Administrativa vem chamando a atenção dos pesquisadores (TEIXEIRA;
IWAMOTO; MEDEIROS, 2013). Foram utilizadas variadas abordagens na produção destas
pesquisas, tais como: investigar os estudos bibliométricospublicados em diversos documentos
(TEIXEIRA; IWAMOTO; MEDEIROS, 2013), estudar uma revista científica específica
(RIBEIRO; CIRANI; FREITAS, 2013), averiguar os aspectos ligados aos padrões de
produtividade e de cooperação dos pesquisadores de um assunto (ROSSONI; HOCAYENDA-SILVA, 2009) ou descrever a produção científica sobre um tema (SILVA; CAMPOS
FILHO, 2008).
Percebe-se uma tendência crescente de estudos específicos sobre a produção científica
brasileira no campo da Administração, como por exemplo, a edição de um volume sobre o
assunto da Revista de Administração de Empresas (2013) com a intenção de atualizar um
livro publicado em 2005: Produção Científica em Administração no Brasil: o estado da arte.

3 MÉTODO
O método eleito para esta investigação foi a Bibliometria. Desenvolve-se aqui um
estudo microbibliométrico ou bibliométrico em microescala por investigar apenas uma revista
científica específica. O material empírico utilizado são osonze volumes (de 2003 até 2013)
que foram publicados no sistema SEER/UFRGS com a numeração completa da REAd. Os
dados foram coletados em fevereiro de 2014 e totalizam 412 artigos e 981 autores. Os 412
artigos analisados encontram-se distribuídos entre autorias única e múltipla.
Identificou-se até o sexto autor dos artigos estudados ficando de fora somente os 13
coautores do artigo com 19 autores publicado em 2004, o qual explica em nota de rodapé que
o mesmo é resultado do trabalho final de um curso de mestrado em Administração da
Coppead, sendo assim, de coautoria de todos os alunos inscritos.

45

�Assim, um total de 981 autores foi discriminado pelo nome, afiliação, gênero e
localização geográfica (estado brasileiro ou país estrangeiro).
Para apurar a taxa de colaboração, foram excluídos os artigos de autoria única e aquele
escrito por 19 autores, visto que foi uma ocorrência excepcional e se todos os autores deste
artigo tivessem suas afiliações identificadas poderiam gerar uma distorção. Feito isso,
aplicou-se a fórmula ao subconjunto de 756 autores distribuídos em 176 afiliações, que
escreveram, em conjunto, 357 artigos, chegando a uma taxa de colaboração de 49,29%.
número de afiliações
x 100
numero de documento

TC = — --------— p

A REAd aceita artigos escritos em inglês, espanhol e português. Apesar desta
possibilidade a maioria dos artigos foi escrito em língua portuguesa, alguns em inglês e
apenas quatro em espanhol.
Não obstante a recomendação dos editores de no máximo cinco palavras-chave para o
resumo havia 38 artigos sem resumos, e consequentemente sem palavras-chaves. Por outro
lado, alguns artigos tinham até sete palavras-chave. Foram coletadas 1.627 palavras-chave e
as que eventualmente se encontravam somente em outro idioma foram traduzidas para o
português.
Verificaram-se os assuntos mais abordados na REAd por grandes subdisciplinas da
Ciência Administrativa a partir da leitura e análise dos 412 resumos ou do próprio artigo.
Pretendendo-se ter um parâmetro para comparação, utilizou-sea classificação por temas mais
abordados descritos na Revista de Administração e Inovação em artigo publicado por Ribeiro,
Cirani e Freitas (2013). Além dos temas propostos pelos autores acrescentou-se o tema
Finanças.
Para constatar o tempo ocorrido entre a submissão e a publicação dos manuscritos
foram tabuladas as datas de recebimento, de aprovação e de publicação registradas nos
próprios artigos. A partir desta tabulação foi calculado o número de dias corridos entre a etapa
de recebimento e de aprovação e a etapa de recebimento e de publicação.

4 MATERIAL E ANÁLISE
Dentre os volumes da REAd analisados de 2003 a 2013, destaca-se que de 2003 até
2006 houve um crescimento na frequência de artigos publicados por volume, entretanto, a

46

�partir de 2007 quando a revista tornou-se quadrimestral, diminui consideravelmente a
frequência de artigos publicados por volume.
Nos 412 artigos pesquisados, distribuídos entre autorias única e múltipla, observa-se
que 50% dos artigos possuem dois autores e artigos com até quatro autores representam quase
97%.Nota-se que dois artigos com seis autores foram publicados em 2005 e 2007.
A frequência de artigos por ano e autorias única e múltipla pode ser observada a
seguir. (Tabela 1).

Tabela 1 - Frequência de artigos por ano e autorias única e múltipla
FRE&lt; UEN CIA I&gt;E AUTOR] S
ANO

1

2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
TOTAL

2

3

14
24
5
14
31
11
7
23
21
8
32
18
4
16
14
4
19
6
2
20
6
1
16
6
0
9
7
0
9
9
0
8
7
54
207 110
13,1 50,2 26,7
(% )AUTORES
1
4
0
I
(%) 13,1 63,3 90,0
5
5
AUTORES
1
Fonte: Elaborado pelas autoras

4

5

6

3
3
4
2
3
0
2
1
2
2
6
28

0
0
4
0
1
1
0
1
2
1
0
10

0
0
1
0
1
0
0
0
0
0
0
2

19

0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0,2
6,80 2,43 0,49
4
96,8 99,2 99,7
100
4
7
6

ARTIGOS
ANO
46
60
60
60
39
30
30
25
20
21
21
412

POR (%)
ARTIG
OS
11,17
14,56
14,56
14,56
9,47
7,28
7,28
6,07
4,85
5,10
5,10
100

100

A trajetória das autorias única a múltipla pode ser mais bem observada no Gráfico 1. A
curva decrescente da frequência de artigos escritos em autoria múltipla revela-se semelhante.
A autoria única declina ao longo do período estudado chegando à zero a partir de 2011.

47

�Gráfico 1 - Trajetória das autorias única e múltipla

Fonte: Elaborado pelas autoras

Cerca de um terço dos autores (34,66%) publicaram mais de uma vez na REAd. Entre
eles se destacam Gabriel Sperandio Milan e Deonir De Toni respectivamente com nove e sete
artigos cada um, seguidos por Henrique Mello Rodrigues de Freitas e Paulo Sérgio Ceretta
com seis artigos cada um. Publicaram na revista uma única vez, 641 autores (Tabela 2).

Tabela 2 - Frequência autoria única e múltipla
AUTOR

# FREQUÊNC][A
AUTORES
ARTIGOS
(A)
(B)
1
9
1
7

x (%)

I
(%)

9
7

0,92 0,92
0,71 1,63

6

12

1,22 2,85

5
4
3

20
52
48

96

2

192

641

1

641

2,04 4,89
5,30 10,19
4,89 15,09
19,5 34,66
7
65,3
100
4
100

Gabriel Sperandio Milan
Deonir De Toni
Henrique M. R. Freitas e Paulo Sérgio 2
Ceretta
4
4 autores diferentes
13
13 autores diferentes
16
16 autores diferentes
92 autores diferentes
641 autores diferentes
TOTAL
Fonte: Elaborado pelas autoras

(A)
(B)

981

48

�A distribuição dos autores por gênero revela uma maior atividade de autores do sexo
masculino que do sexo feminino. Na distribuição dos artigos publicados por área geográfica,
de acordo com a afiliação dos autores, identificaram-se 96% de publicações oriundas do
Brasil.Os 4% de publicações oriundas do exterior encontram-se pulverizadas em 13 países:
França, Espanha, USA, Argentina, México, Índia, Portugal, Suécia, Alemanha, Canadá,
Colômbia, Noruega e UK (Gráfico 2).

Gráfico 2 - Distribuição dos artigos por país

Fonte: Elaborado pelas autoras

Os 944 autores com afiliação geográfica pertencente ao Brasil encontram-se
distribuídos em 17 unidades da federação e em todas as regiões, com destaque para a região
Sudeste que representa mais de 40% das publicações. Todavia, o percentual de autoras em
relação aos autores, com exceção das regiões norte e nordeste, fica em torno de 60%
indicando uma considerável atividade de pesquisa realizada pelo sexo feminino (Tabela 3).

49

�Tabela 3 - Frequência de autoria por gênero e área geográfica
ÁREA GEOGRÁFICA
CENTRO-OESTE
NORDESTE
NACIONAL
NORTE
SUDESTE
SUL
ESTRANGEIRO
TOTAL
Fonte: Elaborado pelas autoras

(F)
15
45
0
156
131
10
357

(M)
25
102
4
258
208
27
624

TOTAL
40
147
4
414
339
37
981

(%)
4,08
14,98
0,41
42,20
34,56
3,77
100

(F)/(M)
0,60
0,44
0
0,60
0,63
0,37
0,57

Identificaram-se os autores afiliados a instituições do Rio Grande do Sul (250) como
os mais frequentes entre os documentos estudados (Gráfico 3).

Gráfico 3 - Distribuição dos artigos por estado/região

Fonte: Elaborado pelas autoras

Destacam-se na Tabela 4 as instituições que publicaram onze ou mais artigos no
período pesquisado. Foram tabuladas 166 diferentes afiliações declaradas pelos autores. As
instituições que mais publicaram na REAd foram UFRGS e USP. Entre as instituições
estrangeiras a que mais publicou foi a Université Pierre Mendès da França com quatro
ocorrências. Apenas 37 autores são afiliados a instituições de fora do Brasil.

50

�Tabela 4 - Frequência de afiliação dos autores

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

#
FREQ.
113

Universidade de São Paulo

107

Universidade de Fortaleza
Universidade Federal de Lavras
Universidade Federal de Santa Maria
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Fundação Getúlio Vargas
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Universidade de Caxias do Sul
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Pernambuco
Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Universidade de Brasília

31
31
31
30
29
29
28
24

11,5
2
10,9
1
3,16
3,16
3,16
3,06
2,96
2,96
2,85
2,45

24
21
20
19

2,45
2,14
2,04
1,94

48,62
50,76
52,80
54,74

Universidade Federal de Minas Gerais

16

1,63

56,37

INSTITUIÇÃO

#
FREQ.

(%)

16
14
14
14
14
12
12
11
321

1,63
1,43
1,43
1,43
1,43
1,22
1,22
1,12
32,7
2
100

INSTITUIÇÃO

Continuação,
Universidade Federal do Paraná
Universidade Federal de Campina Grande
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal Fluminense
Universidade Regional de Blumenau
Universidade Federal da Bahia
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade Federal do Ceará
Outras instituições
TOTAL
Fonte: Elaborado pelas autoras

981

(%)

I
(%)
11,52

REGIÃO

22,43

SUDESTE

25,59
28,75
31,91
34,96
37,92
40,88
43,73
46,18

NORDESTE
SUDESTE
SUL
SUDESTE
SUDESTE
SUDESTE
SUL
SUL
SUDESTE
NORDESTE
NORDESTE
CENTROOESTE
SUDESTE
Continua...
REGIÃO

I
m
58,00
59,43
60,86
62,28
63,71
64,93
66,16
67,28
100

SUL

SUL
NORDESTE
SUL
SUDESTE
SUL
NORDESTE
NORDESTE
NORDESTE

Embora exista a recomendação dos editores da REAd para a utilização de no máximo
cinco palavras-chave para o resumo, observou-se 38 artigos sem resumos, e por conseguinte
sem palavras-chaves. No entanto, alguns artigos tinham até sete palavras-chave. Dentre os
artigos analisados, foram coletadas 1.627 palavras-chave e as que por ventura se encontravam
somente em outro idioma foram traduzidas para o português.

51

�Tabela 5 - Frequência de palavras-chave
PALAVRA-CHAVE
Estratégia
Comportamento do consumidor
Tecnologia da informação
Inovação
Empreendedorismo
Agronegócios, competências, competitividade e varejo.
Marketing e vantagem competitiva
Gestão, gestão do conhecimento, responsabilidade social e
sustentabilidade.
Educação a distância, gestão ambiental, inovação tecnológica,
marketing de relacionamento e organizações.
Administração, aprendizagem, aprendizagem organizacional,
avaliação, capital intelectual, comprometimento organizacional,
desempenho, internet, mudança, motivação, mudança, pequenos
negócios, recursos humanos, relacionamentos e sistemas de
informação.
Cadeia carnes, confiança, conhecimentos, cultura, cultura
organizacional, desenvolvimento local, internacionalização, logística,
meio ambiente, pequenas e médias empresas, pequenas empresas,
redes, resistência, responsabilidade social corporativa, satisfação,
supermercados, trabalho e valor.
Alianças estratégicas, ambiente institucional, análise de clusters,
análise de investimentos, BalancedScorecard, cadeia de suprimento,
canais de distribuição, comprometimento, consumidores, controle,
decisões, desempenho organizacional, educação, eficiência de
mercado, ensino superior, ética, etnografia, exportação, finanças
comportamentais, gestão de pessoas, gestão social, governança
corporativa, habilidades, indicadores, jogos de empresas, lealdade,
mercado de capitais, mercados emergentes, metodologia,
organização, pesquisa, políticas públicas, preço, propriedade
intelectual, qualidade de vida no trabalho, racionalidade,
reestruturação produtiva, relacionamentos interorganizacionais,
relações de trabalho, risco, tecnologia, telecomunicações, terceiro
setor e turismo.
96 palavras diferentes
965 palavras diferentes
TOTAL
Fonte: Elaborado pelas autoras

# FREQ.
(A)
1
1
1
1
1
4
2

# USO
(B)
24
19
17
16
10
9
8

(A) x
(B)
24
19
17
16
10
36
16

4

7

28

5

6

30

14

5

70

18

4

72

44

3

132

96
965

2
1

192
965
1.627

A partir da leitura e análise dos 412 resumos ou do próprio artigo, verificaram-se os
assuntos mais abordados na REAd por grandes subdisciplinas da Ciência Administrativa. Por
parâmetro de comparação utilizou-se a classificação por temas mais abordados descritos na
Revista de Administração e Inovação em artigo publicado por Ribeiro, Cirani e Freitas
(2013), acrescentando-se o tema Finanças aos temas propostos pelos autores. (Tabela 6).

52

�Tabela 6 - Temas mais abordados na REAd - 2003/2013
TEMAS/ANO

200 200 200 200 200 200 200 201 201 201 201 TOT
3 4 5 6
7 8 9 0
1 2 3 AL

Modelos de gestão

9

13

8

16

10 2

3

4

3

6

3

77

Marketing

4

7

8

9

2

5

1

3

5

7

5

56

Finanças

2

3

2

6

4

4

9

3

2

0

3

38

Estudos setoriais e tecnologia 2

6

7

8

1

4

3

4

1

0

0

36

Gestão do conhecimento

6

10

8

1

3

1

1

0

3

0

0

33

Ensino e pesquisa

4

3

4

2

3

1

1

6

1

2

4

31

Organização e de negócios

5

4

5

2

2

1

0

0

0

3

3

25

Tecnologia e competitividade 5

6

5

2

2

2

1

2

0

0

0

25

Empreendedorismo e PMEs

1

2

3

3

5

3

1

0

2

1

0

21

Sustentabilidade

4

2

2

2

2

2

4

0

1

0

1

20

Redes organizacionais

2

1

3

2

0

2

3

2

0

1

1

17

Gestão de projetos

0

1

1

3

0

2

1

1

1

1

0

11

0

2

3

4

0

1

0

0

0

1

11

1

0

0

1

1

1

0

0

0

0

5

1

0

1

0

0

0

0

1

0

0

4

Transnacionalização
do
0
capital
Política e gestão de ciência e 1
tecnologia
Incubação
e
parques 1
tecnológicos
Inovação e cultura

0

0

1

0

0

0

0

0

0

0

0

1

Economia industrial

0

0

1

0

0

0

0

0

0

0

0

1

60

60

39

30

30

25

20

21

21

412

TOTAL
46 60
Fonte: Elaborado pelas autoras

%
18,
69
13,
59
9,2
2
8,7
4
8,0
1
7,5
2
6,0
7
6,0
7
5,1
0
4,8
5
4,1
3
2,6
7
2,6
7
1,2
1
0,9
7
0,2
4
0,2
4
100

Nota-se que modelos de gestão é o tema mais comumente abordado, contemplado em
todos os volumes estudados, vindo ao encontro do escopo da REAd anteriormente descrito.
Marketing também é um tema frequentemente utilizado, seguido por finanças, estudos
setoriais e tecnologia. O total destes equivale a mais de 50% de todos os temas tabulados.
Percebe-se uma relação dos temas em destaque com as linhas de pesquisa dos autores
que mais publicaram, conforme o currículo Lattes: Gabriel Sperandio Milan pesquisa
estratégia corporativa, estratégia de marketing, marketing de relacionamento, satisfação,

53

�retenção e lealdade de clientes e serviços; e Deonir De Toni estuda imagem de produto e
preço, estratégia de precificação e desempenho organizacional (Tabela 2).
Dos 412 artigos estudados somente 107 (26%) apresentavam estas informações: 20 de
2009 e todos os de 2010 até 2013. A média anual de dias da primeira etapa, da segunda etapa
e do processo completo tem diminuído (Gráfico 4).

Gráfico 4 - Média anual de dias de processamento dos artigos

Fonte: Elaborado pelas autoras

Da submissão à aprovação do artigo o prazo mais frequente é de até dois anos. Depois
de aprovado o artigo pode levar até três anos para ser publicado. Considerando-se todo o
processo, da submissão à publicação, o prazo mais frequente de publicação dos artigos é de
até quatro anos (Tabela 7).

Tabela 7 - Prazo ocorrido entre os processos de submissão, aprovação e publicação
PRAZO

SUBMISSÃO/
APROVAÇÃO

Até
anos
Até

6

Até
anos
Até

4

5

3

# FREQUENCIA DE ARTIGOS
APROVAÇÃO/
SUBMISSÃO/
PUBLICAÇÃO
PUBLICAÇÃO

0

0

6

0

0

16

0

2

44

12

63

29

33

6

9

6

Até
2
68
anos
27
Até 1 ano
TOTAL 107
Fonte: Elaborado pelas autoras

107

107

54

�Price (1976a) assevera que o aumento da colaboração na ciência resulta em mais
artigos em autoria múltipla e a realidade o confirma. Os periódicos científicos sobre saúde
coletiva, por exemplo, têm apresentado um aumento no número de autores por artigo ao longo
dos anos (CAMARGO JÚNIOR; COELI, 2012). No campo da Ciência da Informação, há um
aumento gradativo no percentual de artigos em coautoria, mas este ainda se encontra próximo
do percentual de artigos em autoria única, cerca de 50% (VILAN FILHO; SOUZA;
MUELLER, 2008). Lopes e Costa (2012) encontraram uma tendência ao aumento da
produção em coautoria entre pesquisadores da área de Educação.
Com os dados coletados neste estudo foi possível identificar curvas decrescentes nos
dois tipos de autoria, com a diferença que nos artigos de autoria múltipla, de dois a quatro
autores, as curvas terminam entre seis e oito ocorrências em 2013, enquanto na autoria única a
curva vem terminando em zero ocorrênciadesde 2011. Este resultado nos permite afirmar que
os artigos submetidos à REAd no período estudado se encontram em uma tendência
deaumento da produção e publicaçãode artigos em autoria múltipla.
Artigos em colaboração tendem a ter maior visibilidade, e a Revista de Administração
de Empresas comprova isso ao divulgar, há quatro anos, algumas informações editoriais
evidenciando que os artigos mais visitados são os de autoria múltipla (REVISTA..., 2013).
Quando se coloca uma lupa sobre os autores, a frequência dos que publicaram apenas uma
vez na REAd, cerca de 65%, pode ser considerada alta. Porém, apesar da não submissão de
novos artigos por cerca de 2/3 dos autores, a taxa de colaboração das publicações estudadas se
apresentou perto de 50%. A maioria dos artigos ter até quatro autores pode ser reflexo da
solicitação de uma justificativa, feita pelos editores da REAd, para manuscritos com cinco
autores ou mais, revelando-se uma boa prática.
Outro fato que chama a atenção é que os autores mais frequentes são afiliados a
universidades do Rio Grande do Sul, o Estado mais constante em publicaçõesna região Sul:
Milan e De Toni são afiliados à Universidade de Caxias do Sul, Freitas à Universidade
Federal do Rio Grande do Sul e Ceretta à Universidade Federal de Santa Maria. Os dados da
Revista de Administração de Empresas (2013) também apontam uma maioria de autores
pertencentes a instituições de ensino nacionais.
Percebe-se uma maior atividade de publicação de artigos por autores do sexo
masculino, contudo quando se observa o percentual de autoras em relação ao percentual de
autores, elas representam quase 60% deles, podendo sugerir uma tendência de crescimento,
pois este índice se destaca em três regiões do Brasil: Centro-oeste, Sudeste e Sul.

55

�As análises da Revista de Administração de Empresas (2013) revelam 68% de artigos
de autoria proveniente do Sudeste do Brasil, 15% de outras regiões brasileiras e 17% de
outros países. Nos dados que observamos na REAd, 96% dos artigos são oriundos do Brasil e
apenas 4% de outros países da Europa, Ásia, América do Norte e América do Sul. Na REAd,
a região brasileira com mais publicações também é a Sudeste (42%), seguida pela região Sul
(35%). As instituições que mais publicaram na REAd foram a UFRGS, Universidade de São
Paulo e Universidade de Fortaleza, uma de cada região das mais frequentes na tabulação dos
dados, respectivamente Sul, Sudeste e Nordeste.Tendo em vista os resultados encontrados
pode-se recomendar o incremento da publicação de artigos oriundos do exterior na revista.
O idioma de preferência utilizado nos artigos investigados é o português, apesar de a
revista aceitar manuscritos em outro idioma. Recomenda-se a publicação de mais artigos,
principalmente em inglês. Esta providência pode proporcionar uma melhor inserção da revista
na comunidade de pesquisa internacional. Artigos com muitos acessos, ou muito citados, e
escritos em língua portuguesa poderiam ser versados para a língua inglesa.
Para facilitar a tabulação das informações, as palavras-chave dos artigos em outro
idioma foram traduzidas para o português. A ordenação dos dados apresentou como mais
frequentes cinco palavras: estratégia, comportamento do consumidor, tecnologia da
informação, inovação e empreendedorismo. O volume de palavras utilizadas uma única vez
como palavras-chave (965, quase 60%) chama a atenção. Esta dispersão atrapalha a
recuperação da informação. Recomenda-se o uso de um controle de vocabulário para uma
melhor recuperação dos artigos por assunto.
O tema mais abordado na publicação no período propostoémodelos de gestão,
contemplado em 77 artigos, ou 18,69% dos 412 artigos, mostrando o foco do periódico no
escopo proposto. Este número é reforçado pela palavra-chave estratégia, uma das cinco mais
utilizadas. O mesmo acontece com marketing, utilizado em 56 artigos e abrangido pela
palavra-chave comportamento do consumidor. Com a diminuição do número de artigos
publicados a partir de 2010 constatou-setambémuma menor dispersão de artigos por tema. A
média de artigos com temas diferentes publicados de 2003 a 2009 é de 13 temas. Esta média
cai para oito a partir de 2010 e talvez demonstre uma tendência a não dispersão temática.
Sob a perspectiva dos temas mais abordados na REAd coletou-se dados de 2003 até
2013. Entretanto, quando se observa somente os artigos publicados de 2006 até 2012, período
de observação da pesquisa de Ribeiro, Cirani e Freitas (2003), encontrou-se na REAd 225
artigos para serem comparados com os 216 publicados na Revista de Administração e
Inovação. Nesta comparação, somente dois temas tem coincidência de percentual: ensino e

56

�pesquisa (cerca de 7%) e tecnologia e competitividade (cerca de 4%). Dois dos temas não são
abordados pela REAd neste período: inovação e cultura e economia industrial.
A Revista de Administração de Empresas (2013) apresenta uma média de dias no
processo de avaliação de manuscritos até a sua aprovação. Desde 2005 o processo tem levado
até menos de dois anos (609 dias em 2008) e em 2012 este prazo foi reduzido para 216 dias.
Nos dados coletados na REAd referentes a etapa inicial, da submissão à aprovação, foi
encontrada a média 430 dias em 2012, ou seja, o dobro de tempo da Revista de Administração
de Empresas. Recomenda-se fortemente que o processo como um todo ganhe agilidade. Podese, por exemplo, identificar os gargalos da primeira etapa (tempo para avaliação pelos
revisores, prazo de devolução de artigos aceitosesujeito a correções, etc.) e também acelerar a
segunda e última etapa, inclusive ampliando a quantidade de artigos publicados por número
ou diminuindo a periodicidade da publicação para bimensal.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a conclusão deste estudo se pretende colaborar com informações para a
comunidade científica do campo da Ciência Administrativa, tendo em vista o evidente
interesse que os estudos sobre a produção científica brasileira no campo têm despertado. Os
objetivos específicos foram plenamente contemplados e permitiram mapear e analisar tanto o
processo de submissão quanto o perfil e o comportamento dos autores que publicaram na
REAd nestes últimos onze anos. Os resultados tabulados nos permitiram, inclusive, apontar
algumas sugestões no intuito de colaborar para o melhoramento da publicação.
Resumindo, e de acordo com a tabulação e análise dos dados, os autores que publicam
na REAd são, na sua maioria, do sexo masculino e afiliados a instituições brasileiras
localizadas na região Sudeste. Entretanto, os autores mais produtivos são brasileiros ligados a
instituições de ensino superior da região Sul do país e as autoras representam cerca de 1/3 da
amostra revelando uma considerável atividade de pesquisa. Os artigos escritos em autoria
múltipla se apresentam como a opção dos autores. O tempo ocorrido entre a submissão e a
publicação do artigo se revelou moroso. São escassas as publicações oriundas do exterior e a
maioria dos artigos é escrito em português. O tema mais abordado nos artigos pesquisados é
modelos de gestão, coerente com o escopo da REAd.

57

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58

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59

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Objetiva-se mapear e analisar o processo de submissão e publicação na Revista de Administração de Empresas (REAd) de 2003 até 2013, pretendendo descrever o perfil e o comportamento dos autorese de sua produção científica (gênero, frequência, idioma do artigo, palavras-chave, temas de pesquisa, afiliação e área geográfica). Na ciência em geral, a literatura aponta o crescimento da publicação de artigos coassinados, e tem sido destaque a ocorrência de estudos bibliométricos no campo das Ciências Administrativas. Os resultados revelaram que nos artigos submetidos à REAd: a autoria múltipla se encontra em uma tendência de aumento, é alta a frequência de autores que publicaram uma única vez, a taxa de colaboração se aproxima de 50%, os autores mais frequentes são afiliados a universidades do Rio Grande do Sul, há uma maior atividade de autores do sexo masculino e uma tendência de crescimento das autoras, a região brasileira com mais publicações é a Sudeste, as palavraschave mais utilizadas foram estratégia, comportamento do consumidor, tecnologia da informação, inovação e empreendedorismo, cerca de 60% das palavras-chave foram utilizadas uma única vez, e que da submissão à aprovação um artigo levou, em média, 430 dias em 2012. Conclui-se que os objetivos específicos propostos foram atingidos e se recomenda, a partir dos resultados, a manutenção da justificativa para artigos com cinco autores ou mais, o incremento na publicação de artigos não oriundos do Brasil, a versão para a língua inglesa dos artigos com mais acessos ou muito citados escritos em língua portuguesa, a adoção de um controle de vocabulário para melhorar a recuperação dos artigos por assunto e a identificação dos gargalos nas etapas de submissão à publicação para que o processo ganhe agilidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSO ABERTO E DIREITOS AUTORAIS: DESAFIOS PARA OS
PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO
Miriam de Cássia do Carmo M. Mattos
Márcia Silveira Kroeff
RESUMO
Este artigo é um ensaio de fundamentação para projeto de pesquisa em elaboração. Tem como
objetivo relacionar de forma crítica os temas “Acesso Aberto à Informação Científica” e
“Direitos autorais”, ambos na perspectiva da atuação do profissional da informação. Trata-se
de uma revisão bibliográfica, tendo como base, na temática dos direitos autorais, o “Dossiê
Copia Sur: Problemas econômicos, políticos e ideológicos del copyright”, publicado em 2006
pelo grupo de pesquisa “CopySouth” (GPCS), que é formado por diferentes universidades no
mundo, e conta com a participação de estudantes ativistas pela reforma do direito autoral,
sendo este é apresentado ao longo do texto. Em Acesso Aberto (Open Access) a revisão
aborda pesquisas de teóricos do Brasil e em nível internacional da área como: Bjork; Guedon;
Meadows, Willinsky, Abadal, Sayão, Rodrigues entre outros. Faz-se uma análise dos conflitos
existentes entre os direitos autorais e acesso aberto ao conhecimento, à informação e à cultura,
todos direitos fundamentais previstos na Constituição brasileira. Pontua e debate algumas
questões que afetam diretamente a vida profissional dos bibliotecários e cientistas da
informação. Conclui-se com reflexões de alternativas para o cumprimento de sua principal
missão, a mediação da informação através da organização e disseminação da mesma para toda
a sociedade, fazendo indicações para a pesquisa proposta.
Palavras-Chave: Direitos autorais; Acesso Aberto; Open Access; Ciência da Informação;
Profissional da Informação.
ABSTRACT
This article attempts to give reasons for the research project in progress. Aims to critically
relate the topics "Open Access to Scientific Information "and" Copyright ", both from the
perspective of the role of the information professional. This is a literature review , based on
the theme of the picture, the "Dossier Copy Sur: economic, political and ideological problems
del copyright", published in 2006 by the research group "CopySouth" (GPCS) , which is
formed by different universities in the world , and with the participation of student activists
for reform of copyright, and this is shown throughout the text. In OA (Open Access)
addresses the review of theoretical research in Brazil and internationally area as Bjork;
Guedon; Meadows, Willinsky, Abadal , Sayão, Rodrigues among others. Makes an analysis
of the existing conflicts between copyright and open access to knowledge, information and
culture, all fundamental rights under the Brazilian Constitution. Scores and discuss some
issues that directly affect the lives of professional librarians and information scientists. It
concludes with reflections of alternatives for fulfilling its primary mission, the mediation of

104

�information through the organization and dissemination of the same to the whole society,
making signs for the proposed research.
Keywords: Copyright ; Open Access ; Open Access ; Information Science ; Information
Professional .

1 INTRODUÇÃO
Assuntos como ‘acesso aberto’ e ‘direitos autorais’ são contemporâneos e ambos
influenciam diretamente os profissionais da informação. Neste sentido, é perceptível a
necessidade de aprofundamento do assunto, principalmente no que se refere aos impactos e
consequências de leis e acordos institucionalizados na atuação dos profissionais da
informação, com ênfase nos bibliotecários.
Através de revisão bibliográfica este ensaio se divide em três partes. Na primeira,
intitulada “Acesso aberto à informação: luta entre Davi e Golias”, aborda-se o tema acesso
aberto, apresentando as críticas dos autores ao sistema dominante do acesso pago e restrito à
informação científica. Na segunda parte, intitulada “Direitos autorais, direitos dos
autores?”, apresenta-se de forma resumida o “Dossiê CopySouth (Sul global): Problemas
econômicos, políticos e ideológicos del Copyright ”, buscando refletir sobre algumas questões
abordadas neste dossiê, principalmente aquelas referentes ao capítulo intitulado De cómo el
copyright impide a los bibliotecarios proporcionar servicios a sus usuários. Focamos nossa
atenção à pergunta: Como o cientista da informação brasileiro deveria responder aos
problemas e conflitos apresentados pelas leis de direito autoral? Nesta perspectiva, na terceira
parte, intitulada “Acesso aberto e direito autoral: impactos para profissionais da
informação”, Com o objetivo de relacionar de forma crítica os dois temas na perspectiva da
atuação do profissional da informação, discutiu-se alguns aspectos de possíveis confrontos
legais e morais associados às tecnologias e ao acesso social à informação, tecemos algumas
considerações que subsidiarão o projeto de pesquisa em elaboração.

105

�2 REVISÃO DE LITERATURA
ACESSO ABERTO: luta entre Davi e Golias5

Acesso livre não é um sonho idealista, mas um
objetivo que procura harmonizar as necessidadesde
um sistema de comunicação economicamente
sustentável com as necessidades intelectuais. Trata-se
de um modelo que representa um sistema de
distribuição de inteligências, é uma forma de dizer
como é possível fazer melhor uso de todas as mentes
do mundo. (GUÉDON, 2004).

Em tempos de internet e de constantes novidades tecnológicas, vivemos profundas
transformações nas relações sociais.

Surge a sociedade em rede, com destaque para a

comunicação e produção de conhecimento. Barreto (2012, p. 15) entende que “a sociedade em
rede permite partilhar o saber para se ter uma sociedade do conhecimento compartilhada,
porque cada indivíduo entra no universo tecnológico das redes interligadas trazendo sua
cultura, suas memórias cognitivas e sua odisseia particular”.
Neste contexto o conhecimento socialmente produzido tem diferentes dinâmicas,
dentre elas a científica.
A dinâmica científica, aqui entendida como prática científica concretiza-se, segundo
Stoleroff e Patrício (1995), “em resultados, ou seja, patentes, que registram um processo, um
produto ou um artefato, textos que servem para divulgar uma descoberta e/ou uma inovação,
ou os serviços que respondem a encomendas.” Dessa forma, a produção científica é
inegavelmente fruto da pesquisa científica. Assim sendo o conhecimento científico é produto
da ciência, dado a conhecer por meio da produção científica.
Lourenço (1997, p. 25) define produção científica como “toda produção documental,
independente do suporte desta - papel ou meio magnético - sobre um determinado assunto de
interesse de uma comunidade científica específica, que contribua para o desenvolvimento da
ciência e para a abertura de novos horizontes de pesquisa”.
No mundo capitalista a produção e o conhecimento científico transformam-se em
mercadorias, gerando grandes lucros para empresas que monopolizam seu acesso. Neste
sentido, a referência à luta entre Davi e Golias é uma analogia à luta daqueles que defendem o
5 [...] Mas, todos os israelitas estavam com medo de Golias, porque era muito grande. Tinha uns 3 metros de
altura, e tinha outro soldado para carregar-lhe o escudo. Alguns soldados foram contar ao Rei Saul que Davi
queria lutar contra Golias. Mas, Saul disse a Davi: ‘Não pode lutar contra este filisteu. Você é apenas rapaz, e ele
foi toda a vida soldado. [...] Então, Davi correu para Golias. Tirou uma pedra da bolsa, colocou-a na funda e
atirou-a com toda a força. A pedra atingiu Golias bem na cabeça, e ele caiu morto! - Luta entre Davi e Golias.
Histórias bíblicas

106

�acesso aberto da produção científica, reforçando a possibilidade de construírem-se alternativas
que alterem o status quo do conhecimento científico.

SEMPRE FOI ASSIM? SEMPRE SERÁ ASSIM?
Segundo Barreto (2012) O livre fluxo da informação, a adequada distribuição
(equitativa) do conhecimento produzido pela humanidade tem sido sonho de diversos homens
em diversas épocas. Sendo as organizações sociais aquelas que primeiro se ocuparam com a
inclusão pelo conhecimento.
Criada em 1603, a Academia de Lince (Accademia de Lincei) foi a pioneira. “a meta
das primeiras academias era o de possibilitar a qualquer pessoa do povo saber o que era
ciência e como eram feitas as descobertas científicas [...] em suas reuniões o que se praticava
geralmente era a realizações de experimentos para que os leigos as vissem”. Barreto (2012, p.
17) Formava-se assim a consciência da importância da troca de informações entre os
pesquisadores que, de forma oral ou por meio de correspondências, relatavam suas pesquisas
a outros estudiosos e à sociedade. As experiências relatadas podiam ser testadas e
aperfeiçoadas por outros interessados, realimentando o processo de pesquisa e gerando novos
conhecimentos científicos.

Com a aplicação do Método Científico, consolidado no século XVII,
ampliou-se a comunicação e registro da informação científica em
consequência surgem os primeiros veículos de informação científica: os
periódicos. As revistas científicas, em seu sentido moderno, nasceram na
segunda metade do século XVII, em Londres/Inglaterra (Philosophical
Transactions o f the Royal Society,) e em Paris/França (Journal des Sçavans).
(MEADOWS, 1999). Juntamente com o surgimento dos periódicos a criação
da Encyclopédie, editada por Jean Le Rond dAlembert e Denis Diderot que
contou com a contribuição de Voltaire, Rousseau e Montesquieu. Publicada
na França, no século XVIII - volumes finais em 1772, foi vista como a
destruição das superstições para o acesso ao conhecimento humano.
(BARRETO, 2012, p. 18).

O surgimento dos periódicos deu-se porque os livros já não atendiam mais a
velocidade de troca de informações exigida no campo das ciências, além da necessidade de
comunicação, de modo mais eficiente para uma clientela crescente e interessada em novas
realizações. Fez-se necessário assim um veículo de informação mais rápido e atualizado.
Corazza e Duarte (1984) enfatizam o importante papel desempenhado pelas revistas
científicas no contexto da divulgação científica e afirmam que, a publicação é produto

107

�indispensável da atividade científica, sendo através dela que o pesquisador comunica o
resultado de seu trabalho.
Com o passar dos séculos, por conta da evolução tecnológica, a produção e a
divulgação científica sofreram modificações, o registro das informações deixou de ser
meramente impresso para existir em meio digital, além de ter seu acesso ampliado em função
da internet.
No entanto ressalta-se que a enciclopédia e as revistas (sec. XVII e XVIII) foram as
primeiras redes do saber acumulado (embora com conexões fixas) e denotam claramente que
a preocupação com o acesso ao conhecimento livre e para todos não surgiu com a internet.
No meio científico, o aparecimento de revistas eletrônicas impulsionou o acesso à
informação, que antes passavam por um longo período até serem impressas e chegarem às
mãos dos pesquisadores. Meadows (1999) afirma que a quantidade de informação em
circulação se ampliou, bem como sua forma de apresentação.
Para Guedon (2001), a propriedade intelectual surgiu com intuito de proteger o
comércio dos textos impressos contra a imitação e a pirataria, que se equiparava a propriedade
exclusiva e perpétua concedida para a terra.

Segundo o autor, o direito autoral surgiu

inicialmente como uma recompensa e proteção temporária concedida pela República ao
cidadão,

contrariando princípios norteadores do conhecimento científico,

como a

democratização do saber. Ao relacionar a disseminação do conhecimento científico com os
conceitos iniciais

de propriedade intelectual,

esse

processo foi

descaracterizado,

comprometendo a democratização do saber. Com o avanço das tecnologias digitais, novos
debates surgiram e novas sanções do comércio de revistas científicas passaram a restringir seu
acesso.
Para Guedon (2001), nos últimos 50 anos os editores conseguiram transformar revistas
acadêmicas tradicionais em um empreendimento editorial promissor, “um grande negócio
com altas taxas de lucros”. Neste sentido, Guedon (2001) apresenta algumas questões que nos
fazem refletir: Qual é a base real por trás dessa capacidade surpreendente? Para benefício de
quem? Quais as fases de transição que podemos esperar? Qual é a fonte de seu poder? Como
pode ser subvertido?
Para Sayão (2010) também há muitas perguntas que ainda devem ser respondidas. Isto
porque a definição de um modelo é ameaçada por incertezas que tornam o desenvolvimento
de estratégias de arquivamento extremamente difíceis. Algumas questões que estão em pauta
são sob a perspectiva da biblioteca, entre elas:

108

�Quais são os direitos de acesso permanente ao material já pago,
principalmente quando a biblioteca suspende a assinatura do periódico? O
que acontece quando o editor retira um trabalho eletrônico do acesso on-line,
ou se afasta do negócio, ou torna, por outro motivo qualquer, o acesso
inviável? Quem vai assegurar que os arquivos vão manter a sua usabilidade?
E quem vai pagar por isso? (SAYÃO, 2010, p. 9)

Questionamentos como os de Guedon e Sayão impulsionam o debate sobre o
movimento de acesso aberto (Open Access, em inglês). O encarecimento das assinaturas dos
periódicos e a dificuldade das bibliotecas em adquirí-las reforçam o movimento. Segundo
Abadal, et al. (2010) apud Rodrigues e Oliveira (2012) na América e em alguns países do sul
da Europa as motivações do apoio ao acesso aberto são similares e diferindo em parte do
Canadá e Estados Unidos, pois ganham especificidades como: publicações em outras línguas
que não o inglês, à falta de periódicos, por não terem indústria editorial forte e tendem a
investir menor porcentagem do PIB em pesquisas.
Nesse contexto, defensores do acesso livre, de diversos países, principalmente aqueles
em desenvolvimento passam a questionar o formato e o lucro das grandes empresas, indicar e
promover modelos alternativos para comunicação científica, como repositórios digitais,
fazendo frente às dificuldades mencionadas. Esses modelos alternativos desencadearam a
mudança do sistema tradicional de comunicação científica. O debate ganhou força também
por parte de alguns governos com iniciativas e incentivos a fim de intervir em favor do acesso
aberto e da publicação paralela de artigos publicados em periódicos baseados em assinatura.
Neste sentido o Governo Federal do Brasil arca com os custos e disponibiliza o Portal
de Periódicos da Capes6, um instrumento de política pública para subsidiar o acesso ao
conhecimento científico. O Portal constitui-se hoje em um dos maiores acervos mundiais
nesse setor e é atualmente o principal mecanismo para o apoio bibliográfico às atividades de
pesquisa no Brasil. (CAPES, 2010). Outra importante ação do Governo é a participação do
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT - no apoio à
disseminação do uso de arquivos/repositórios de acesso aberto.
Nota-se assim que há certo consenso no pensamento dos cientistas da informação
sobre a importância em disponibilizar a produção científica abertamente e sem restrições,
sendo que uma das tarefas atuais é o convencimento aos autores e editores dos principais
periódicos da área em usar essas ferramentas.

6 O Portal foi criado em 2000, no âmbito do Programa de Apoio à Aquisição de Periódicos Eletrônicos (PAAP),
e gerido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

109

�Segundo Rodrigues e Oliveira (2012) ao mesmo tempo em que tem aumentado o
número de títulos de periódicos, tem crescido também, principalmente na última década,
estudos sobre periódicos digitais. Gerando um debate sobre a via Verde (depósito de artigos já
publicados em periódicos, em repositórios temáticos ou institucionais) e a via Dourada
(periódicos em acesso aberto), dando origem a novos modelos de publicação. Porém, Brown
(2010) apud Rodrigues e Oliveira (2012), ressalta que esse debate que tem sido aquecido pela
paixão, provém de contextos diferenciados, demandando assim estudos que sejam
baseados em evidências. (grifo nosso)
Para Bjork (2007), são muitos os argumentos a favor e contra o acesso aberto. Alguns
afirmam que é moralmente errado, grandes editoras terem o monopólio do acesso, obtendo
lucros excessivos, sendo que a produção foi - na sua maioria - financiada pelos governos.
Outros defendem que os lucros sejam utilizados para apoiar as sociedades científicas e a
utilização das receitas para apoiar outras revistas. Já os professores pesquisadores estão
preocupados com o aumento de seus custos no modelo de autor-pagador.
Ainda sob a ótica de Bjork (2007), embora uma série de estudos empíricos sobre os
efeitos econômicos de acesso aberto tenham sido realizados, é difícil comparar os resultados
de tais estudos, uma vez que são muitas vezes medidos os diferentes aspectos do processo
global. Assim, o autor defende a necessidade de estruturar modelos de processo de
comunicação científica em geral, que possa ser usados como base para comparação e
integração dos resultados de diferentes estudos.
Considerando a ciência da informação como via estratégica para a disseminação e
aquisição coletiva e/ou individual de conhecimento, os profissionais da informação
precisam

refletir

se

prosseguirão

defendendo

a priorização

às

necessidades

informacionais de seus usuários ou se cederão à mercantilização da informação e da
cultura.
Rodrigues e Oliveira (2012, p. 6) entendem que os “periódicos científicos de Acesso
Aberto beneficiam a sociedade como um todo, eliminando as barreiras de preço dos
periódicos aos leitores e tornando a comunicação entre os pesquisadores mais rápida”.
Acreditamos que a primeira opção é a correta. E, neste sentido, cabe também aos profissionais
da informação buscar maior participação da sociedade civil organizada, instituições de ensino
e pesquisa, sociedades científicas, editores científicos e das agências de fomento. Espaços que
possam contribuir para aperfeiçoamento do sistema de acesso aberto, bem como defender
mecanismos de controle social e transparência sobre as políticas públicas ligadas a tais temas.

110

�DIREITOS AUTORAIS, DIREITOS DOS AUTORES?
“Palabras utilizadas como soluciones mágicas’, que, cuando se
usaban para tratar de resolver cuestiones sociales,
simplemente se convertían com frecuencia en sinsentidos o
‘desvaríos trascendentales”. (FÉLIX COHEN, p. 355 2004
apud STORY, 2006, p. 177).

A partir de uma análise do “El Dossier Copia / Sur: Problemas económicos, políticos e
ideológicos del Copyright (derecho de autor) en el Sur global ” , buscamos refletir sobre
algumas das questões abordadas, principalmente aquelas referentes ao capítulo intitulado “De
cómo el Copyright impide a los bibliotecários proporcionar servicios a sus usuarios”.
Focamos nossa atenção à pergunta: “Como o cientista da informação brasileiro deveria
responder aos problemas e conflitos apresentados pelas leis de direito autoral?”. Nesta
perspectiva, discutimos alguns aspectos de possíveis confrontos legais e morais associados às
tecnologias e ao acesso social à informação.

UM POUCO SOBRE O "DOSSIÊ COPYSOUTH”
Documento denso, crítico e reflexivo, o “Dossiê CopySouth”, revela as controvérsias
que rodeiam as leis de Direitos Autorais em diversos países. O documento denuncia os
benefícios dos países desenvolvidos do Norte em relação aos países em desenvolvimento do
Sul, visto que os primeiros, através das multinacionais, já possuem uma porcentagem
esmagadora da propriedade intelectual mundial. Neste sentido, o dossiê destaca as crescentes
imposições e pressões institucionais internacionais na perspectiva de cerceamento do
Copyright.
Foi publicado em 2006 na língua inglesa, através de mídia eletrônica, pelo grupo de
pesquisa “CopySouth” (GPCS), que é formado por diferentes universidades no mundo, e
o

conta com a participação de estudantes ativistas da reforma do direito autoral.78

7 Disponível em inglês e espanhol em www.copysouth.org e espanhol http://eprints.rclis.org/11451/
8 Escrito y publicado por el Grupo de Investigacion Copia/Sur compuesto - Alan Story (Reino Unido), Colin
Darch (Sudafrica), Debora Halbert (EE.UU.), Adam Mannan (Reino Unido), Akalemwa Ngenda (Zambia),
Beatriz Busaniche (Argentina), Denise Nicholson (Sudafrica), Federico Heinz (Argentina),Jennifer de Beer
(Sudafrica), Norah Mugambi (Kenya), Joost Smiers (Holanda), Jose Antonio Torres Reyes (Mexico), Juan
Publio Triana Cordovi (Cuba), Lawrence Liang (India ), Maud Stephan (Libano), Roberto Verzola (Filipinas),
Ronaldo Lemos (Brasil), Shishir Kumar Jha (India), Zapopan Martin Muela-Meza (Mexico), Carlos Affonso
Pereira de Souza (Brasil), Papa Toumane Ndiaye (Senegal), Majid Yar (Reino Unido),y Teresa Hackett
(Irlanda). Editores:Alan Story (Reino Unido), Colin Darch (Sudafrica), Debora Halbert (EE.UU.)

111

�Cuando en 2006 fue publicado en medios electrónicos el Dossier Copia Sur
(The Copy/South Dossier) su contenido fue resenado ampliamente en todo el
mundo, tanto entre intelectuales y acadêmicos, así como entre grupos de
resistencia cultural y promotores de los derechos culturales. Para finales de
2007, es decir en menos de dos anos, la versión electrónica en inglês llegó a
ser mencionada en más de 7.000 sitios de Internet y la obra en PDF y RTF
ha sido copiada gratuitamente por miles de internautas vinculados a
actividades muy diversas, además de La distribución gratuita del ejemplar en
papel. Ese interês que se ha generalizado en todos los continentes tiene que
ver con un viejo problema de exclusión intelectual, que sufre la mayor parte
de la población, en una era de comercialización omnipresente. (EL
DOSSIER COPIA / SUR, 2007, p. 9)

Mediante esses fatores em 2007 foi traduzido e publicado tambêm em espanhol,
apoiado pelo governo da Venezuela9. O documento original foi editado por, Alan Story, Colin
Darch, y Debora Halbert. Em 2009 e 2010 o documento foi apresentado e discutido no
Brasil10.
Ao fazer uma avaliação crítica ao Copyright e seu impacto nos países do Sul global, o
Dossiê apresenta exemplos sobre os resultados sociais negativos nestes países, afirmando a
necessidade da ampliação do livre acesso ao conhecimento, à proteção das culturas locais e à
diversidade cultural. O documento aponta barreiras impostas à sociedade escamoteadas nas
ideologias que sustentam as políticas culturais hegemônicas, que impedem o amplo acesso à
cultura, à informação e ao conhecimento.
Direitos de acesso ao conhecimento, à informação e à cultura são elementos essenciais
para o desenvolvimento da sociedade. Entretanto, estes direitos muitas vezes entram em
conflito com as leis de direitos autorais, devido às restrições impostas pelas mesmas, que se
justificam por um suposto direito do autor.
Os direitos autorais visam estimular uma determinada prática social que ê o
incremento da atividade criativa do homem para o desenvolvimento econômico, cultural e
tecnológico da sociedade. Porêm, segundo Carboni,

9 Atravês do Serviço Autônomo de Propriedade Intelectual (no âmbito do Ministêrio do organismo Poder
Popular para as Indústrias Leves e Comêrcio da República Bolivariana da Venezuela, MPPILCO - SAPI.
10 Alan Story, veio ao Brasil em 2009, ministrando, juntamente com a professora Nanci Odone a disciplina
—
Tópicos Especiais - Infopolítica: Tópicos Contemporâneos sobre Propriedade Intelectual &amp; Direito
Autoral e sua Aplicação no Contexto das Tecnologias Eletrônicas de Informação e Comunicação’, na pósgraduação em Ciência da Informação da UNESP. Neste contexto que passamos a conhecer o documento e
analisá-lo. em 2010 no Rio de Janeiro, Story tambêm participou da 3a Conferencia Internacional sobre Direito
Autoral, realizada com o apoio do IBICT.

112

�As transformações sociais advindas, principalmente, das novas tecnologias,
levaram a uma mudança de função do direito de autor: de mecanismo de
estímulo à produção intelectual, ele passou a representar uma poderosa
ferramenta da indústria dos bens intelectuais para a apropriação da
informação enquanto mercadoria, ocasionando uma redução da esfera da
liberdade de expressão e se transformando em um obstáculo a formas mais
dinâmicas de criação e circulação de obras intelectuais. (CARBONI, 2006,
p. 229).

Neste sentido, de acordo com Carboni, a função social do direito de autor, que deveria
promover o desenvolvimento econômico, cultural e tecnológico mediante a concessão de um
direito exclusivo para a utilização e exploração de determinadas obras intelectuais por certo
prazo, passa a ser centralizada e direcionada para fins de beneficiar financeiramente um grupo
muito seleto de pessoas que, sem nada criar, se utiliza de estruturas proporcionadas pelo
capital para vender e lucrar sobre produções científicas e culturais. Muitas vezes inclusive
sobre obras financiadas com recursos públicos.
Hoje o interesse da indústria dos bens intelectuais move todo um processo de
alargamento do objeto de proteção do direito de autor e de prolongamento do seu prazo de
proteção. É por essa razão que o direito de autor mascara o fato de funcionar como uma
poderosa ferramenta da indústria do entretenimento e da informação e não do sujeito-autor,
que se vê na condição de ter que abrir mão de seus direitos em prol dessa indústria, para que a
mesma possa auferir lucro com a comercialização da sua obra.
Lemos (2005) observa que, durante o século XX, a propriedade intelectual propiciava
razoavelmente o equilíbrio entre os direitos autorais e os interesses da sociedade. A partir da
década de 1990, no entanto, os direitos decorrentes da criação passaram a ser encarados como
“propriedade” absoluta. A Lei se tornou o principal instrumento de mudança, ampliando
substancialmente o poder dos detentores de propriedade.
Existem diversos acordos internacionais quanto à proteção de direitos autorais e
direitos conexos, como: a Convenção de Berna para Proteção de Obras Literárias e Artísticas
(1886); a Convenção de Roma para Proteção de Intérpretes e Executantes, Produtores de
Fonogramas e Organizações de Rádio-Difusão (1961); o Tratado de Direito Autoral da WIPO
(Organização Mundial de Propriedade Intelectual - 1996) e o Tratado de Execuções,
Interpretações e Fonogramas da WIPO (1996). O Acordo da Organização Mundial de
Comércio (WTO) sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relativos ao
Comércio (TRIPS), de 1994, é o primeiro acordo multilateral de propriedade intelectual
relativo ao comércio (ABARZA; KATZ, 2002 apud LIMA, 2006, p. 7).

113

�Os referidos instrumentos internacionais e a legislação dos países indicam uma
preocupação crescente das nações em proteger os aspectos patrimoniais decorrentes da
exploração comercial de obras intelectuais. Principalmente os grandes países exportadores
destes bens passaram a desejar uma proteção mais severa aos seus produtos. Esse movimento
explicita, nas negociações internacionais, uma tendência que visa atrelar os “direitos de
propriedade intelectual” apenas com o aspecto econômico.
Iniciativas recentes defendem novos instrumentos para excluir os bens culturais e
serviços das regras do comércio internacional. Discute-se a inclusão de itens que promovam a
expressão e a diversidade cultural. Entre essas iniciativas pode-se citar a Declaração Universal
sobre a Diversidade Cultural, da Unesco, de 2002, que afirma:
Frente às mudanças econômicas e tecnológicas atuais, que abrem vastas
perspectivas para a criação e a inovação, deve-se prestar uma particular
atenção à diversidade da oferta criativa, ao justo reconhecimento dos direitos
dos autores e artistas, assim como ao caráter específico dos bens e serviços
culturais que, na medida em que são portadores de identidade, de valores e
sentido, não devem ser considerados como mercadorias ou bens de consumo
como os demais. (UNESCO, 2002).

São vários os eventos promovidos pelas mais diversas instituições com objetivo de
mostrar que a propriedade intelectual pode ser trabalhada de forma interdisciplinar e
intersetorial, num esforço de busca coletiva e solidária de enfrentamento dos modelos que
regulam a produção e a apropriação do conhecimento. Muitos eventos contribuem no debate
sobre as implicações dos direitos autorais para o acesso ao conhecimento, à saúde, à
segurança alimentar, especialmente por tais demandas constituírem carências notadamente
dos países tecnologicamente dependentes. Entre eles podemos citar o seminário “Propriedade
intelectual, interfaces e desafios”, promovido em 2007, no Rio de Janeiro, pela REBRIP Rede Brasileira pela Integração dos Povos, formada por movimentos sociais, ONGs e
entidades profissionais que se preocupam com as negociações de comércio internacional e sua
influência sobre os direitos e as condições de vida da população brasileira e buscam
alternativas que assegurem esses direitos. (REIS, et al, 2007).
No âmbito internacional isso também ocorre. Exemplos são práticas como o Creative
Commons,
Responsável por uma forma de direito autoral que disponibiliza um conjunto
de licenças para áudio, imagem, vídeo, texto e educação permitindo a
autores e criadores de conteúdo intelectual como músicos, cineastas,
escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas, cientistas, educadores e outros,
indicarem à sociedade, de maneira fácil e padronizada, com textos claros e
baseados na legislação vigente, sem intermediários, sob que condições suas
obras podem ser usadas, reusadas. (ARAYA; VIDOTTI, 2009, p. 47).

114

�Outro exemplo é o Copyleft, que defende modificações nos princípios do direito
autoral com a utilização de software livre; entre outros que têm capitaneado a discussão sobre
a necessidade de flexibilização dos instrumentos da propriedade intelectual na nova ordem
global. Argumenta-se que a proteção excessiva da criação geraria muitos entraves ao
surgimento de novas criações, inclusive prejudicando a diversidade cultural.
Atualmente verifica-se um conflito constitucional no Brasil entre o direito individual
do autor de proteção à sua obra e o direito da sociedade ao acesso à informação, cultura e
educação, de fundamental importância para o desenvolvimento econômico, cultural e
tecnológico da nação.
Segundo Carboni (2005), a crescente ampliação das obras protegidas pelo direito de
autor, impulsionada pelos interesses da indústria de bens intelectuais, e propiciada pelo rol
meramente exemplificativo da Convenção de Berna e das legislações internas dos países
signatários, levou a certa banalização do objeto da proteção autoral, já que o que importa hoje
é proteger o chamado “conteúdo comercializável”, seja ele obra ou não. Com isso, expande-se
a proteção do direito de autor para obras que, em princípio, não a justificariam, como é o caso
do software e das bases de dados, passando a proteger o investimento que, afinal, acaba por
beneficiar apenas a empresa, “sendo que a tutela foi estruturada com finalidade diversa,
distorcendo todo o regime legal”. (CARBONI, 2005).
Frente ao atual debate sobre direitos autorais, e como visto pela breve exposição
acima, cabe aos profissionais da informação participar ativamente dessa discussão e buscarem
um posicionamento político que melhor respalde sua atuação profissional e seu papel de
mediadores na sociedade da informação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo constitui-se de uma revisão da literatura especializada, apresentada em
formato de ensaio, relacionando dois temas: Acesso aberto à informação e Direitos autorais.
Teve início em 2010, sendo interrompido por três anos e em 2014 retomada em parceria
científica a fim de compor um projeto de pesquisa. Realizou-se pesquisa bibliográfica
principalmente em artigos científicos de autores conceituados buscando abranger o conjunto
de publicações relevantes presentes nas ementas das disciplinas de pós-graduação afins, na
área de Ciência da Informação.

115

�4 RESULTADOS PARCIAIS

ACESSO ABERTO E DIREITOS AUTORAIS: impactos para profissionais da informação

O que é ser bibliotecário hoje? Esta pergunta sugere uma
resposta tão flexível quanto às adaptações que este profissional
deve exercer para direcionar o sucesso de sua carreira. (SILVA,
2005).
A maior parte dos profissionais da informação vêm acompanhando e buscando
alternativas para sua atuação profissional frente ao avanço das tecnologias e a influência das
mesmas junto aos seus usuários. Na área social, estes mesmos profissionais passam a adaptar
seus serviços aos debates sobre multiculturalismo, biblioteca escolar, diversidade cultural,
inclusão digital, acessibilidade e usabilidade aos deficientes. Ou seja, os profissionais devem
preocupar-se, cada vez mais com o acesso social à informação, ao conhecimento e à cultura
em todos os níveis de sua intervenção. Nestes diversos âmbitos, o acesso à informação
científica e as leis de direitos autorais passam a influenciar diretamente, mesmo que às vezes
de forma velada, e a dificultar - até mesmo impedir - serviços oferecidos pelos profissionais
da informação aos seus usuários. Vejamos alguns exemplos.

SOFTWARES E SERVIÇOS DE BASES DE DADOS, UTILIZADOS PELAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Com o objetivo de atender aos seus pesquisadores e manterem-se com boa
conceituação junto à sociedade e aos órgãos que as avaliam institucionalmente, as
universidades compram softwares e pagam significativos recursos financeiros para o acesso a
produções científicas nacionais e internacionais das mais diversas áreas do conhecimento
contidas em Bases de Dados privadas. Em sua maioria, as pesquisas que compõem tais bases
são financiadas com recursos públicos.
Diferentemente da aquisição de revistas cientificas impressas, que ao serem
compradas são facilmente incorporadas ao acervo das instituições, as Bases de Dados são
apenas licenças, restringindo diversos serviços antes oferecidos com a versão impressa, como
a comutação - serviço de solicitação de fotocópias e/ou empréstimo de documentos - entre
bibliotecas -, como também limitação de acessos e impressões das mesmas. Segundo Story,

En las bibliotecas de aquellos países menos desarrollados con una moderna
infraestructura de ICT (Infraestructuras Comunes de Telecomunicaciones),
tales como Suráfrica, Brasil o la India, los problemas surgen cada vez más a

116

�partir de las capas de protección de la propiedad intelectual que se
superponen al derecho de autor o Copyright. Estas incluyen los términos y
condiciones de los contratos de acceso a las bases de datos comerciales
(denominados normalmente licencias), así como los dispositivos
tecnológicos tanto de software como de hardware y las nuevas leyes que
criminalizan cualquier clase de elusión de dichos dispositivos (leyes
antielusión). Este problema afecta todas las bibliotecas del mundo, pero tiene
un impacto desproporcionado sobre los países en vías de desarrollo, ya que
probablemente no dispongan de fondos para pagar licencias suplementarias,
y puede que no tengan capacidad para negociar mejores condiciones de
licencia o hacer lobby (es decir, cabildear, N. del E.) para conseguir mejores
leyes de propiedad intelectual . (STORY, 2006, p.104).

REDES SOCIAIS E COMPARTILHAMENTO
Jovens no mundo todo trocam seus arquivos de música, filmes, vídeos, pelo
computador. Como criminalizar toda uma cultura nova, do compatilhamento da duplicação,
da difusão? Araya e Vidotti (2009, p. 47) registram que, segundo a Federação Internacional
da Indústria Fonográfica, 95% dos downloads são ilegais. Os autores apresentam, também,
dados do Ibope/NetRatings onde 46% dos internautas brasileiros acessam sites e serviços de
downloads ilegais. Registram, ainda, que, segundo a Federação do Comércio do Estado do
Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), apenas 5% dos brasileiros não recorrem à pirataria por medo
de punição.
O que fazer quando a lei entra em conflito direto com a atuação do bibliotecário e o
seu papel de disseminador da informação? Os profissionais da informação que vêem nascer e
crescer uma nova geração de usuários virtuais e digitais, que ampliam as redes sociais da
internet, que criam, compartilham informações, músicas, filmes entre outros, de forma ágil e
fácil, também vêem uma ampliação das leis de direitos de autor e são apontados com o dever
moral de vigiar o cumprimento destas leis em seus espaços de trabalho. Os poucos debates na
área sobre o assunto apontam apenas as conseqüências e cuidados a serem tomados para não
infringir as leis. Mas o que está ocorrendo em nível nacional e internacional é o
questionamento dessas leis e da forma como elas estão sendo utilizadas. Quem está errado, os
usuários ou a legislação?

COPIAS PARA FINS EDUCATIVOS, DE PRESERVAÇÃO E ACESSO A
DEFICIENTES
Diferentemente de outros países, a legislação brasileira sobre direitos autorais permite,
embora não quantifique, cópias de “pequenos trechos” de obras para fins educativos. Também
há brechas, no Brasil, para a tradução de obras inteiras para o Braile. No entanto, a abertura

117

�para a aquisição de obras para fins educativos, de preservação e acesso a deficientes pára ai. E
isto prejudica principalmente as instituições públicas de ensino, na perspectiva de
assegurarem aos seus usuários acesso à informação, à cultura e ao conhecimento, pois não
possuem a mesma capacidade financeira das instituições privadas de ensino para aquisição de
obras protegidas.
Tais situações perpassam o cotidiano de todo profissional da informação. Resta saber
se, diante das leis de direitos autorais e seus impactos sobre o exercício de profissões e
mesmo sobre as necessidades dos usuários, serão ou não agentes passivos no cumprimento de
tais leis. Se a opção for a de ter voz ativa sobre este processo, o horizonte de debate e
proposição de alternativas será promissor.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
[...] as principais instituições do direito de propriedade intelectual,
forjadas no século XIX com base em uma realidade social
completamente distinta da que hoje presenciamos, permanecem
praticamente inalteradas. (LEMOS, 2005).
Se o conhecimento é qualificado, o mundo merece conhecê-lo sem ter
de pagar por isso. (WILLINSKY, 2012).

A prioridade dos profissionais da informação é satisfazer as necessidades
informacionais de seus usuários. Estes viram na evolução tecnológica, particularmente com o
advento da internet e possibilidade de acesso e disseminação de novas fontes de
conhecimento e surgimento de uma nova cultura de compartilhamento, a perspectiva de
democratização da informação. E viram, por outro lado, tais perspectivas serem cerceadas por
legislações estabelecidas antes do advento das novas tecnologias e agora revigoradas ou
“atualizadas”.
Se por um lado a evolução tecnológica ampliou a possibilidade de acesso à
informação, por outro, leis como as de direitos autorais e as bases de acesso restrito
privatizam tal possibilidade. De quebra, colocam em xeque a própria função social do
profissional da informação, mas, fundamentalmente, reduzem a informação e a cultura à
condição de mercadoria.
Tal situação vem despertando um debate internacional sobre os direitos de propriedade
intelectual, o acesso aberto à informação e os processos decisórios sobre acordos comerciais
multilaterais e bilaterais e ajustes de legislações internas dos países. Vem, também,
propiciando a emergência de movimentos sociais contestatórios a esta “nova ordem”.

118

�Willinsky (2006) afirma que apenas 20% de todos os artigos de pesquisa estavam em
acesso aberto, e muitos deles disponíveis apenas como manuscritos auto-arquivados em sites
pessoais dos autores, apesar de muitos jornais estarem experimentando modelos de maior
acesso, como a oferta de acesso aberto a uma pequena seleção de artigos disponíveis
gratuitamente. Enquanto isso, as taxas de inscrição revista continuam a crescer, prendendo os
orçamentos das bibliotecas e restringindo a circulação.
Num passado recente, as editoras, assim como as gravadoras, tinham a função de fazer
o conhecimento chegar ao público. Essa mediação era necessária, pois envolvia um complexo
sistema de produção, distribuição, logística, planejamento e também custos de estocagem,
além das parcelas de participação dos varejistas e distribuidores. Hoje, as tecnologias de
informação e comunicação quebraram essa cadeia que havia entre o produtor/autor e o
leitor/consumidor.
No caso da literatura acadêmica, a difusão da obra e seu impacto são fundamentais
para o autor. Raros são os autores que realmente ganham algum dinheiro das editoras. Em
geral, pesquisas que custaram dezenas ou centenas de milhares de dólares, financiados pelos
contribuintes, podem ter seus direitos entregues de forma praticamente gratuita para uma
editora. A edição de tais obras raramente passa dos mil exemplares - sendo que o do autor é
muitas vezes cobrado a parte ou o total dos custos para publicar. Alguns livros são impressos
apenas uma única vez. Além disso, uma editora pode fechar, vender os direitos ou
simplesmente perder o interesse na obra - mesmo assim, retendo os direitos.
Logo, cabe perguntar: “Como o cientista da informação brasileiro deveria responder
aos problemas e conflitos apresentados?” Poder-se-ia simplesmente cumprir a lei e esperar
um posicionamento institucional sobre o assunto. Ou ainda fechar os olhos para os debates
que estão ocorrendo.
Entendemos que tal postura equivaleria ao comportamento do avestruz diante de uma
situação de perigo. Ao contrário, o momento exige dos profissionais da informação
participação ativa de aprofundamento do debate e tomada de posição política diante dos
desafios que estão colocados. E tais desafios não se resumem aos aspectos meramente
corporativos que tal debate encerra. O centro dos questionamentos é a garantia do direito
social à informação.

119

�6 REFERÊNCIAS

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122

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este artigo é um ensaio de fundamentação para projeto de pesquisa em elaboração. Tem como objetivo relacionar de forma crítica os temas "Acesso Aberto à Informação Científica" e "Direitos autorais", ambos na perspectiva da atuação do profissional da informação. Trata-se de uma revisão bibliográfica, tendo como base, na temática dos direitos autorais, o "Dossiê Copia Sur: Problemas económicos, políticos e ideológicos del copyright‖, publicado em 2006 pelo grupo de pesquisa ―CopySouth” (GPCS), que é formado por diferentes universidades no mundo, e conta com a participação de estudantes ativistas pela reforma do direito autoral, sendo este é apresentado ao longo do texto. Em Acesso Aberto (Open Access) a revisão aborda pesquisas de teóricos do Brasil e em nível internacional da área como: Bjork, Guedon, Meadows, Willinsky, Abadal, Sayão, Rodrigues entre outros. Faz-se uma análise dos conflitos existentes entre os direitos autorais e acesso aberto ao conhecimento, à informação e à cultura, todos direitos fundamentais previstos na Constituição brasileira. Pontua e debate algumas questões que afetam diretamente a vida profissional dos bibliotecários e cientistas da informação. Conclui-se com reflexões de alternativas para o cumprimento de sua principal missão, a mediação da informação através da organização e disseminação da mesma para toda a sociedade, fazendo indicações para a pesquisa proposta.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL: O CASO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
Simone Assis Medeiros
Patrícia Aparecida Ferreira

RESUMO
Dentre os temas que permeiam o campo das políticas públicas no Brasil, observa-se uma
preocupação do Estado em relação às políticas públicas de acesso aberto à produção científica
por intermédio de suas instituições federais de ensino superior. O Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em parceria com a Financiadora de Estudos e
Projetos (FINEP), vem apoiando as universidades e instituições de pesquisas na
implementação de Repositórios Institucionais (RIs), com a finalidade de promover o acesso e
a divulgação da produção científica brasileira. Com intuito de viabilizar o depósito das
publicações nos repositórios, o IBICT recomenda às instituições que também desenvolvam
uma Política Institucional de Informação (PII) que torne obrigatório o depósito da produção
científica por parte dos pesquisadores nos RIs. A implementação de um RI prevê atividades
que vão desde a escolha do software que será utilizado até a elaboração das políticas que
regerão o funcionamento do repositório. O artigo tem como objetivo descrever o processo
implantação do RIUFLA a partir de um projeto piloto na Universidade Federal de Lavras
(UFLA). Trata-se de uma pesquisa descritiva, o método utilizado foi o estudo de caso e a
coleta de dados usou-se observação participante. Conclui-se que, a experiência do projeto
piloto foi positiva, pois, permitiu compreender não só questões operacionais do RIUFLA,
como também o envolvimento dos pesquisadores. Além disso, foi possível detectar as
primeiras barreiras e limitações do RIUFLA e buscar ações para corrigi-las para
implementação nos demais departamentos.
Palavras-Chave: Repositório Institucional 1; Política Institucional de Informação 2; Acesso
aberto 3.

ABSTRACT
Among the themes that permeate the field of public policies in Brazil, there is a concern of the
state in relation to the public policy of open access to scientific production through its federal
institutions of higher education. The Brazilian Institute of Information in Science and
Technology (IBICT), in partnership with the Financier of Studies and Projects (FINEP), has
been supporting universities and research institutions in the implementation of Institutional
Repositories (IRs), in order to promote access to and dissemination Brazilian scientific
production. In order to facilitate the deposit of publications in repositories, IBICT also
recommends that institutions develop a Policy Corporate Information (PII) that mandating the
deposit of scientific literature by researchers in the IRs. The implementation of an IR provides
activities ranging from choosing the software that will be used to drafting policies that govern
the operation of the repository. The article aims to describe the process of deployment
RIUFLA from a pilot project at the Federal University of Lavras (UFLA). This is a

4281

�descriptive research, the method used was the case study and data collection was used
participant observation. It is concluded that the experience of the pilot project was positive,
therefore allows us to understand not only the RIUFLA operational issues, as well as the
involvement of researchers. Furthermore, it was possible to detect the early barriers and
limitations RIUFLA actions and seek to correct them for implementation in other
departments.
Keywords: Institutional Repository 1; Institutional Information Policy 2; Open Access 3.

1 Introdução

Nos últimos anos, com novas tendências globais, o conhecimento e a informação
tornaram-se fatores críticos para o desenvolvimento e a realização de mudanças,
principalmente na área das tecnologias de comunicação e informação (TICs), as quais têm
afetado grande parte da sociedade.
Apesar das vantagens promovidas pela tecnologia, o processo de comunicação
científica ainda enfrenta muitas barreiras. Um dos problemas encontrados é que somente uma
pequena parcela da produção científica é conhecida na própria instituição e fora dela, devido a
problemas como os altos custos das assinaturas dos periódicos, indexação em bases de dados
e o idioma.
Associado a esta questão, o Acesso Aberto (Open Access - AO) aparece como solução
para

uma

nova

comunicação

científica

colaborativa,

juntamente

com

veículos

complementares, tais como as revistas de acesso aberto e os repositórios digitais.
Esse Movimento pelo Acesso Aberto à Informação Científica permite que usuários
leiam, façam download, copiem, distribuam, imprimam, pesquisem links ou textos completos
de artigos, sem barreiras econômicas, legais ou técnicas na internet (BONGIOVANI;
GOMEZ; MIGUEL, 2012; CASSELA; MORANDO, 2012; XIA, 2012).
A utilização de repositórios é apontada pelos estudiosos na área como principal
solução para o acesso aberto, visto que surgiram como alternativa ao tradicional sistema de
comunicação científica, visando dar acesso imediato e amplo a trabalhos de investigação
resultantes de atividades científicas. Neste cenário, as universidades despontam como
instituições essenciais para na produção do conhecimento científico e constitui um campo
fértil para a aplicação e o estudo da gestão do conhecimento (LEITE, 2009). Dessa forma, as
universidades devem ficar atentas a atribuições importantes sobre acesso, controle, produção e

4282

�distribuição do conhecimento. Assim, a implantação de RIs pelas universidades pode ser vista
como uma oportunidade de mudanças deste panorama.
Segundo Costa e Leite (2009), os repositórios podem ser subdivididos em três tipos: a)
repositórios disciplinares ou temáticos que tratam da produção intelectual de áreas do
conhecimento em particular; b) repositórios de teses e dissertações, que lidam exclusivamente
com teses e dissertações e c) repositórios institucionais (RIs), dedicados à produção
intelectual de uma instituição, especialmente universidades e institutos de pesquisa.
Devido às facilidades promovidas pelo uso das TICs e a promoção do acesso livre,
alguns países estão implementando Políticas de Informação Científica com o propósito de
estimular a divulgação de pesquisas que forem financiadas com recursos públicos. Assim, em
2007, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) articulou um
projeto junto ao Deputado Rodrigo Rollemberg para a submissão do projeto de lei atualmente
denominado PLS 387/2011, com o propósito de reforçar e dar respaldo às iniciativas de
acesso livre no Brasil. Aderente a este projeto, em 2008, o IBICT em parceria com a
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), lançou um edital para distribuir às universidades
e instituições de pesquisa públicas brasileiras, kits tecnológicos com o objetivo de viabilizar a
implantação de RIs.
Tendo em vista o apoio destes órgãos e as experiências positivas de várias
universidades, no Brasil e no mundo, quanto à implantação de RIs, a Universidade Federal de
Lavras (UFLA) também se insere neste contexto do acesso livre, buscando a implantação do
seu RI, o qual trará vários benefícios para a comunidade acadêmica, como visibilidade da sua
produção científica e impacto dos resultados das suas pesquisas para a sociedade.

2 Repositório Institucional
A ciência é composta por um conjunto de atores, denominado comunidade científica,
que, segundo Costa (2006), inclui “os pesquisadores, os bibliotecários, os provedores de
acesso à internet, os centros de computação, editores, agências de fomento, etc.”. Esta
comunidade científica definiu que os periódicos científicos (ou revistas científicas) seriam o
canal para a divulgação dos resultados de suas pesquisas. Assim, desde a sua criação, o
periódico científico aparece como principal instrumento para a difusão da informação
científica, tendo sido criado com o objetivo de acelerar o processo de disseminação e dar
visibilidade aos resultados das pesquisas (MIRANDA; PEREIRA, 1996).

4283

�Contudo, a aparente estabilidade do sistema de comunicação científica mundial foi
abalada quando estourou a chamada crise dos periódicos, em meados da década de 1980. O
ponto principal da crise foi à impossibilidade de as bibliotecas universitárias e de pesquisas
americanas continuarem a manter suas coleções de periódicos e a corresponder a uma
crescente demanda de seus usuários (MUELLER, 2006). Esta crise foi consequência da
excessiva elevação nos preços das assinaturas de periódicos científicos, o que dificultou o seu
acesso por parte de pesquisadores de várias partes do globo terrestre. A crise dos periódicos
durou algumas décadas, mas, com o uso das tecnologias, foram se desenvolvendo e se
aprimorando novas formas de disponibilizar o conhecimento cientifico. Um dos grandes
avanços tecnológicos na comunidade cientifica foi à criação dos periódicos científicos
eletrônicos.
Em consequência das dificuldades encontradas pela comunidade científica mundial no
acesso à informação científica, surgiram várias ações, buscando maximizar as formas de
divulgação da comunicação científica. Dentre eles inserem-se os movimentos da “filosofia
aberta”, como a Iniciativa dos Arquivos Abertos (Open Archives Initiative - OAI) e o
Movimento de Acesso Livre a Informação (Open Access Movement - OA). A filosofia aberta
baseia-se nos conceitos de “[i] software aberto (ou livre), para o desenvolvimento de
aplicações em computador; [ii] arquivos abertos, para a interoperabilidade em nível global; e
[iii] acesso aberto - questão mais polêmica - para a disseminação ampla e irrestrita de resultados da pesquisa
científica” (COSTA, 2006, p. 40).
Os principais manifestos em favor do acesso livre foram a Declaração de Budapeste, a
Declaração de Bethesda, a Declaração de Berlim, o Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso
Livre à Informação Científica no Brasil e o projeto Creative Commons, entre outros. As
primeiras iniciativas de repositórios de acesso aberto ocorreram nos anos 1990. Em 1991, em
Los Alamos, Novo México, EUA, surgiu o primeiro repositório digital de pré-prints ArXiv.org -, desenvolvido no laboratório de física coordenado pelo físico Paul Ginsparg
(MARCONDES; SAYÃO, 2009).
O desenvolvimento de repositórios institucionais surgiu como uma nova estratégia que
permitiu que as universidades assumissem o papel de editoras, modernizando os processos de
publicação e divulgando a produção acadêmica em conteúdo digital.
Para Rodrigues et al. (2004, p. 1), a criação de RI visa dar resposta a duas questões
estratégicas que as universidades enfrentam. São elas:

4284

�a) contribuir para o aumento da visibilidade, estatuto, imagem e “valor”
público da instituição, servindo como indicador tangível da qualidade dessa
universidade e demonstrando a relevância científica, econôm ica e social das
suas atividades de investigação e ensino;
b) contribuir para a reforma do sistema de comunicação científica,
expandindo o acesso aos resultados da investigação, reassumindo o controle
acadêmico sobre a publicação científica, aumentando a competição e
reduzindo o monopólio das revistas científicas, o que se pode traduzir
também em economias para as universidades e as bibliotecas que as servem.

No entanto, como ressaltam Cullen e Chawner (2011), apesar dos argumentos
apresentados quanto aos benefícios significativos com a implantação de RI, tanto para o
pesquisador individual como para a instituição, as evidências sugerem que as comunidades
acadêmicas ainda resistem e têm sido lentas para responder devidas algumas barreiras como
classificação na faculdade, o número de publicações, habilidades técnicas, idade, etc., (KIM,
2011).
De acordo com Xia et al. (2012), devido à falta de motivação suficiente para o
autoarquivamento em RIs, criou-se a necessidade de uma política de mandato, ou seja, de
depósito obrigatório. Este requisito vem sendo aplicado no mundo todo, sendo viabilizado
como fator de sucesso dos RIs. Esta política é contextualizada no próximo tópico.

3 Política Institucional de Informação

Dentre as questões cruciais na implantação de um RI, Kuramoto (2009) destaca a
importância do estabelecimento de políticas que garantam o autodepósito, por parte dos
pesquisadores da instituição. Buscando auxiliar as instituições na formulação e na
implementação dessa política, o IBICT propôs um modelo de política494 com base na proposta
de Harnad (2006), onde prevê a não obrigatoriedade do depósito de documentos que estão sob
contrato de direitos autorais restritivos que impeçam a sua livre divulgação ou que contenham
informações passíveis de serem patenteadas, respeitando, assim, a legislação de direitos
autorais. Esse modelo recomenda que, antes da fase de implantação do RI seja realizada a
definição da política que vai assegurar as ações e as decisões que irão nortear a implantação e
o desenvolvimento do repositório.
Esta política deve conter os objetivos, as diretrizes, as práticas e as intenções
organizacionais que servem para fortalecer as decisões locais (TOMAÉL; SILVA, 2007).

494 O modelo de política é citado por Kuramoto (2009, p. 213-214). Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ufba/473/3/implantacao_repositorio_web.pdf&gt;. Acesso em: 12 fev. 2014.

4285

�Ainda deverá assegurar a realização do projeto, auxiliando na tomada de decisões e na
definição de rotinas e responsabilidades que venham garantir o funcionamento do RI.
Apesar da importância de formular e implementar uma política de informação no
contexto das universidades e institutos de pesquisa, para garantir o acesso e a disseminação da
produção científica dessas instituições, ainda existem poucas políticas instituídas no Brasil.
Em pesquisa realizada por Boso (2011) e por meio de pesquisa realizada no Registry
of Open Access Repositories Mandatory Archiving Policies (ROARMAP), foram
identificadas as seguintes instituições federais que têm essa política: Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio Grande (FURG) Universidade
Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, (UTFPR). Além das federais, foram
identificadas outras instituições que mantêm políticas institucionais, como a Escola Nacional
de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), a Universidade Municipal de São Caetano do Sul
(USCS), a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Santo André (FSA).
Segundo Kuramoto (2009), nas instituições de ensino superior em que foram
estabelecidos mandatos ou políticas, tornando obrigatórios o registro e o depósito das teses e
dissertações, houve evolução e crescimento de suas respectivas bibliotecas. No entanto, nas
instituições que não tiveram essa preocupação, as bibliotecas digitais continuam estagnadas.
Dessa forma, segundo o autor, verifica-se a importância de se estabelecer uma política ou
mandato obrigatório na instituição. Caso contrário, a iniciativa de registro desta produção
corre sério risco de fracassos.

4 Metodologia

Busca-se, neste trabalho, descrever o processo de formulação da política do
Repositório Institucional da Universidade Federal de Lavras (RIUFLA) e a implementação a
partir de um projeto piloto.
Quanto ao método de pesquisa, este consiste em um estudo de caso que, segundo
Stake (1994), compreende a escolha de um determinado objeto a ser estudado, que pode ser
uma pessoa, um programa, uma instituição, uma empresa ou um determinado grupo de
pessoas que compartilham o mesmo ambiente e a mesma experiência.

4286

�Para a coleta de dados, foi utilizada a observação participante, visto que a
pesquisadora participa do processo de planejamento e implementação da Política Institucional
de Informação e do Repositório Institucional da UFLA. Segundo Martins e Theóphilo (2009)
a observação participante é uma técnica de pesquisa para coleta de informações, onde o
pesquisador torna-se parte integrante de uma estrutura social, e na relação face a face com os
sujeitos da pesquisa realiza a coleta de informações, dados e evidências.

5 Resultados

Nesta seção são apresentados os resultados da pesquisa, os quais foram estruturados de
acordo com o objetivo proposto.

5.1 Formulação e implementação da política do RI: caso UFLA

Atualmente, o IBICT vem atuando na promoção da popularização da informação
científica e tecnológica, com projetos voltados para o movimento do acesso livre ao
conhecimento.
Na perspectiva de promover o desenvolvimento de recursos e a infraestrutura de
informação em ciência e tecnologia para a produção, a socialização e a integração do
conhecimento científico-tecnológico, o IBICT, em parceria com a FINEP, lançou o edital de
chamada FINEP/PCAL/XBDB, no intuito de apoiar projetos de implantação de RI nas
instituições públicas (federais, estaduais e municipais) de ensino e pesquisa, de modo a
possibilitar o registro e proporcionar maior visibilidade e disseminação da produção científica
dessas instituições.
A política aplicada pelo IBICT traçou as normas e a forma de operacionalização dos
RIs pelas instituições de ensino e pesquisa, cabendo especificamente a estas instituições o
compromisso de viabilizar as ações necessárias à implantação, as quais podem formular
diretrizes específicas de acordo com a instituição, desde que essas não sejam contraditórias
com a política traçada pelo IBICT que, em síntese, procura sustentar a execução da
implantação do RI de forma efetiva seguindo instruções do edital.
Nesse contexto de difusão do conhecimento, no qual as instituições de ensino e
pesquisa devem adotar instrumentos para uma maior visibilidade da sua produção científica,
de modo a promover a gestão do conhecimento científico e assegurar a preservação de seus

4287

�documentos, a UFLA identificou, em 2011, uma oportunidade para participar dessa política
desenvolvida pelo IBICT.
A UFLA, como instituição centenária de ensino, pesquisa e extensão, sempre foi
grande produtora de conhecimento científico, mas carecia de formas de divulgação mais
aprimoradas dessa produção para a comunidade acadêmica, bem como para a sociedade.
A universidade já tinha implementado, antes de 2011, algumas iniciativas para ampliar
a divulgação dos resultados das suas pesquisas científicas. Em 2005, por meio da Portaria no
13, da Capes, de 15 de fevereiro de 2006, a Biblioteca Universitária da UFLA implantou a
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), um dos primeiros passos para tornar
acessível sua produção científica, diante da necessidade de geração e de divulgação de
conhecimentos, bem como também uma forma de prezar pela transparência dos recursos
públicos que financiam as atividades da instituição. Entretanto, essa ação ainda não foi
suficiente para a promoção da difusão de todo o conhecimento produzido pela universidade,
carecendo, assim, de uma iniciativa que pudesse alargar a divulgação das suas produções
científicas.
Visando ampliar a forma de divulgação da produção acadêmica da UFLA, em
dezembro de 2011, por meio de um projeto de mestrado profissional em administração
pública, a autora, lotada na Biblioteca Universitária da UFLA, por meio de um projeto, aderiu
ao edital FINEP/PCAL/XBDB.
Para tanto, foi realizado um levantamento dos dados referentes à série histórica de sua
produção científica, abrangendo o período de 2007/2011, entre artigos, dissertações e teses,
relação de revistas e de livros publicados, cursos de pós-graduação, levantamento de bolsistas
de produtividade e um projeto com a proposta de um cronograma de implantação do
repositório, encaminhando-se ainda, um termo de compromisso institucional, assinado pelo
reitor, com os requisitos obrigatórios citados anteriormente. Quanto à formulação da PII,
exigida pelo órgão, como não havia tempo hábil para aprovação, o IBICT abriu uma exceção
quanto ao prazo, para o posterior envio deste documento.
Embora não houvesse a certeza de contemplação da UFLA com essa política,
procedeu-se à formulação da PIIUFLA, com base no modelo disposto por Kuramoto (2010) e
pela análise das políticas de outras instituições.
Conforme já relatado, a construção de um RI envolve três etapas: planejamento,
implantação e funcionamento - que são interdependentes e constituídas de atividades que
devem ser cumpridas, a fim de que a iniciativa de construção do RI seja bem sucedida (LEITE
et al., 2012). Pautada nessa orientação, a autora propôs o projeto do RIUFLA, dando início à

4288

�elaboração das etapas de planejamento e da implementação, que representam as fases cruciais
para a existência e o seu funcionamento efetivo, e que, posteriormente, subsidiariam a
avaliação do mesmo.
O planejamento do RI foi formulado com base em Leite (2009) e Leite et al. (2012) e
nas diretrizes traçadas pelo IBICT. Algumas etapas do planejamento do RIUFLA foram
descritas na formulação da PIIUFLA, a qual passou, posteriormente, pela avaliação e
aprovação da Comissão Técnica da Biblioteca Universitária da UFLA.
Segundo Leite (2009), a fase de planejamento do repositório institucional é essencial e
deve ser trabalhada em função das seguintes questões expostas na Figura 1.
Figura 1: Etapas para o planejamento e a implantação do repositório

Fonte: Leite (2009, p. 39.

Como o projeto de implantação do RI na UFLA foi realizado mediante a adesão ao
edital FINEP/PCAL/XBDB, os custos de implantação não foram determinados, pois a linha
de apoio foi o kit tecnológico, de forma que os custos foram com recursos humanos e
treinamento. Inicialmente, dentro dessa fase, por meio de portaria da Diretoria da Biblioteca
Universitária da UFLA, constituiu-se a equipe técnica responsável pelo gerenciamento do RI,
formada por cinco profissionais, entre bibliotecários, assistentes administrativos e técnicos em
informática. Após a formação desta equipe, todas as decisões e etapas para a implantação do
RIUFLA eram decididas em conjunto com a autora.
Definida a equipe técnica, foi necessário tomar decisões sobre os procedimentos e
estabelecer as regras de funcionamento do repositório, bem como a definição daquilo que
seria oferecido aos membros da comunidade. Dessa forma, foi necessária a definição do
planejamento de serviços, dos objetivos, além de determinar os documentos que seriam
aceitos. Dessa forma, foram definidos os objetivos do RIUFLA, os conteúdos passíveis de
depósito, os principais usuários e as responsabilidades da Biblioteca.

4289

�O RIUFLA, como um sistema eletrônico que armazena a produção intelectual da
UFLA em formato digital e permite a busca e a recuperação para seu posterior uso, tanto
nacional quanto internacional, pela rede mundial de computadores, tem como principais
objetivos:
a) divulgar toda e qualquer produção intelectual da UFLA, ressalvados os casos de obras
protegidas por contrato de direito de propriedade intelectual ou que contenham
invenções ou modelos de utilidade passíveis de patenteamento, nos termos da
legislação aplicável;
b) garantir, facilitar e ampliar o acesso à produção intelectual, observada a legislação que
rege e disciplina a matéria;
c) potencializar o intercâmbio da UFLA com outras instituições;
d) preservar a produção intelectual da Universidade;
e) subsidiar a gestão de investimentos em pesquisa na Universidade.
Para se concretizar os objetivos propostos, foi necessário que a equipe do RIUFLA
definisse as responsabilidades da biblioteca no gerenciamento do repositório, os quais estão
previstos na PIIUFLA. Dessa forma, ficou determinado que cabe à Biblioteca Universitária da
UFLA a adoção, o desenvolvimento e a manutenção do RIUFLA, como também:
a) aprimorar e apoiar o desenvolvimento de subsistemas de registros de informações,
uma vez que sejam do âmbito da produção intelectual, e demais informações geradas
pela UFLA;
b) criar normas que orientem os departamentos e setores da UFLA sobre o registro e o
depósito da produção intelectual e demais informações geradas pela instituição,
oriundas de atividades nelas desenvolvidas;
c) orientar a organização do conjunto de informações institucionais referentes à produção
intelectual e demais informações geradas pela UFLA;
d) orientar o desenvolvimento de bases de dados que atuam como repositórios
institucionais, agregando informações;
e) orientar sobre o sistema de coleta e divulgação de dados, garantindo a qualidade destes
e a compatibilidade das séries históricas.
Outra etapa importante do planejamento do RI foi à definição dos tipos de documentos
e seus formatos. Esta proposta também foi sugerida por meio da PIIUFLA e avaliados e
aprovados pela Comissão Técnica da Biblioteca da UFLA. Com base na produção acadêmica
da UFLA, estabeleceram-se, inicialmente, os seguintes documentos passiveis de depósito no
RI:
a) artigos publicados em revista científica, na qual haja processo de seleção por meio de
revisão por pares;
b) artigos/trabalhos publicados em eventos científicos, nos quais haja processo de seleção
por meio de revisão por pares;
c) dissertação e tese, após avaliação por banca específica;
d) livros ou capítulos de livros, após avaliação por banca específica da editora;

4290

�e) patentes, desde que não haja cláusula de confidencialidade;
f) resumos de trabalhos, aprovados para apresentação em eventos acadêmico-científicos.
Outros trabalhos poderão ser incluídos no RI, de acordo com as demandas dos
departamentos, mas após passar por análise da equipe técnica do RI. Por outro lado,
estabeleceu-se, por meio da PIIUFLA, que alguns documentos não estarão disponíveis no
repositório, devido a questões legais.
Observada a legislação pertinente, toda a produção intelectual gerada pela UFLA
poderá ser depositada integralmente no RI, o que deve ser realizado imediatamente após a sua
aprovação para publicação, exceto nos seguintes casos:
a) quando caso fortuito impossibilitar o depósito imediato, o autor ou o coautor terão um
prazo máximo de até seis meses, da data de publicação da produção, para depositá-la
no RI;
b) quando se tratar de livros ou capítulos de livros, artigos publicados em revistas
científicas com fins comerciais ou que tenham restrições contratuais relativos a
direitos autorais, ou documentos cujos conteúdos integrem resultados de pesquisas
passíveis de serem patenteadas, ficam desobrigados de depósito integral e imediato no
RIUFLA.
Após a fase do planejamento, iniciou-se a fase da implementação do RI na UFLA, a
qual estava condicionada à aprovação da PIIUFLA e às fases de implantação do projeto
piloto.
A aprovação da PIIUFLA estava condicionada á avaliação de atores da comunidade
universitária, tais como os Conselhos Universitários e a Procuradoria. Esta política foi
encaminhada, pela autora, à Comissão Técnica da Biblioteca da UFLA para análise e
aprovação e, posteriormente,

enviada aos Conselhos

Superiores da universidade.

Primeiramente, foi encaminhada para apreciação no Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e
Extensão (CEPE) que, após apreciação, encaminhou à Procuradoria, para proceder a uma
análise jurídica, ficando neste setor de março a novembro de 2012. A avaliação da
procuradoria demandou um período de tempo extenso, pois, segundo o procurador, os
próprios contornos da política, como direitos autorais, propriedade intelectual, entre outras
questões, levavam à necessidade de uma análise mais profunda.
Após algumas modificações na PII, ela foi desmembrada em duas políticas, a política
de criação do RIUFLA e a PIIUFLA. Em novembro de 2012, a procuradoria encaminhou a
política para o Conselho Universitário (CUNI) e a PII foi aprovada com previsão de revisão
para 180 dias, previsto para maio de 20 13495.

495 Política Institucional de Informação da UFLA. Disponível em: &lt;
http://www.ufla.br/documentos/arquivos/082_13112012.pdf&gt;.

4291

�Em observância à determinação do edital e visando garantir o depósito das publicações
no RI por parte dos pesquisadores, a PIIUFLA foi proposta como sendo de caráter
obrigatório, não sendo aprovada em sua primeira proposição ao CUNI. Provavelmente, a
desaprovação deu-se em virtude ao desconhecimento dessa política e do próprio repositório,
pois naquele momento os atores responsáveis pela análise e aprovação da política
desconheciam o assunto e não houve tempo para divulgação. Quando ocorrer esta revisão,
pretende-se a aprovação da política como obrigatória, pois ela já está sendo divulgada na
universidade.
Vale ressaltar que, no projeto encaminhado ao IBICT, foi definido que a implantação
se iniciaria de forma gradual e setorizada, para, posteriormente, abranger toda a instituição.
Essa decisão deu-se em função das recomendações de Leite (2009) de que a implantação do
repositório passe por um período de atividade experimental, visando identificar as principais
dificuldades operacionais, para, posteriormente, realizar o lançamento oficial na instituição.
Dessa forma, optou-se pelo Departamento de Administração e Economia (DAE), devido ao
vínculo acadêmico da pesquisadora.
Em agosto de 2012, o IBICT encaminhou e-mail informando que a UFLA tinha sido
contemplada com o kit tecnológico e que o mesmo iria ser entregue em outubro, em Brasília,
no I Encontro de Iniciativas do IBICT para a Visibilidade da Ciência Brasileira. Em outubro
de 2012, duas bibliotecárias participaram do referido evento e retiraram o kit tecnológico.
Tendo conhecimento das dificuldades que seriam encontradas na implantação com o
recebimento do kit tecnológico e o início da implantação do repositório, foi necessário definir
os próximos passos para que o projeto piloto fosse implementado. Nesse passo, foram
definidas as políticas, a configuração do sistema, a definição de metadados, a definição de
comunidades e de coleções, os documentos que seriam criados para o projeto piloto, ou seja,
todas as atividades que iriam ao encontro de sua concretização.
Devido ao desconhecimento da operacionalização do sistema, os desafios e as
dificuldades relatadas na literatura também foram enfrentados pela equipe técnica do
RIUFLA. As principais dificuldades enfrentadas foram quanto à elaboração da política de
funcionamento do RI, à capacitação da equipe, às questões relacionadas com a infraestrutura
tecnológica, à definição dos metadados e às questões de direitos autorais.
Associada a essa questão, destaca-se a baixa iniciativa do IBICT em oferecer
treinamento às instituições implementadoras do RI, o que também pode ser considerado como
um fator limitante na implantação do RIUFLA. A equipe da Biblioteca Universitária da
UFLA teve muitas dúvidas operacionais, que somente foram sanadas porque a equipe da

4292

�Universidade Federal de Brasília (UnB) se propôs a ajudar, prestando auxílio por meio de e­
mail e de telefone. Além disso, a equipe envidou esforços em pesquisas pela internet, em que
foram obtidos dois manuais que auxiliaram nesse primeiro momento da implantação, o
Manual de Treinamento da UNB 496 e o Manual do Usuário da Universidade de São Caetano
do Sul497. No andamento da implantação do RI, o IBICT enviou um guia para o
gerenciamento de repositórios digitais criados em Dspace, que subsidiou na implantação da
política em conjunto com os manuais citados.
Quanto à plataforma utilizada para abrigar o repositório, foi utilizado o software
Dspace, que é referência mundial para a implantação de repositórios, devido às suas inúmeras
funcionalidades. O uso do DSpace permite estruturar a informação do repositório, conforme a
estrutura organizacional da instituição, de modo a identificar departamentos, setores, escolas
por meio de comunidades e de coleções (PAVÃO et al., 2008).
Dessa forma, o RIUFLA foi estruturado a partir de comunidades, subcomunidades e
coleções. As comunidades são os departamentos, as subcomunidades os programas de pósgraduação e, dentro de cada comunidade e subcomunidades, suas respectivas coleções. Para o
projeto piloto, foram definidos apenas três tipos de coleções; nas comunidades foram criadas
as coleções para artigos publicados em periódicos, em livros e em capítulos de livros e
trabalhos apresentados em eventos. Para as subcomunidades foram criadas as coleções de
dissertações e teses. Foram criadas 19 comunidades e suas respectivas subcomunidades e
coleções. Futuramente, caso a equipe técnica do RIUFLA resolva inserir as monografias ou
trabalhos de conclusão de curso, para cada departamento deverão ser criadas as
subcomunidades para os cursos de graduação, com suas respectivas coleções.
Após a criação das comunidades e subcomunidades, a próxima etapa foi a definição
dos metadados dos documentos que deveriam ser contemplados no projeto piloto. O Dspace
já vem configurado com um formulário único para todo tipo de documento, cabendo a cada
instituição usar este formulário ou definir um formulário próprio para cada tipo de publicação.
Uma reunião com a equipe técnica foi realizada e devido às características e aos tipos de
informações em cada documento optou-se pelo uso de um formulário para cada tipo de
documento. Assim definiu-se os metadados para cada formulário e a parte da configuração foi
realizada pelo TI.

496 Disponível em: &lt;http://listas.IBICT.br/pipermail/l_repositorios/attachments/20100809 /f9a0939a/attachment0001.pdf&gt;.Acesso em: 17 nov. 2013.
497 Disponível em: &lt;http://repositorio. uscs.edu.br/Manual_RI-USCS.pdf&gt;. Acesso em: 17 dez. 2013.

4293

�Esta tarefa mostrou-se bastante complexa e despendeu bastante tempo por parte da
equipe da Biblioteca da UFLA. Os metadados foram definidos e podem ser vistos no Quadro

Quadro 1: Descrição dos metadados utilizados no RIUFLA
METADADOS
ARTIGO
PERIÓDICOS

TRABALHOS /
EVENTOS

LIVRO

CAPÍTULO DE
LIVRO

DISSERTAÇÃO
TESE

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hor - Autor

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uthor - Autor

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- Resumo/Abstract
dc.description
Informações adicionais

dc.rights

dc.language.iso
Idioma
dc.rights

-

dc.type

Fonte: Elaborado pe a autora a partir dos metadados do Dublin Core.
O conteúdo do RI é muito importante, mas isso não basta para que este instrumento de
promoção e de divulgação do conhecimento seja eficiente e bem utilizado. Um site bem
configurado, com um layout atrativo, pode chamar a atenção do usuário e mantê-lo
interessado na página. O Dspace já vem com uma configuração padrão, no entanto, é
importante que a instituição trabalhe no visual, de acordo com os objetivos e a estrutura do

4294

�repositório. Dessa forma, a equipe técnica solicitou a confecção do logo do RI para a
Assessoria de Comunicação da UFLA.
Em seguida, definiram-se as políticas de gerenciamento do RI, especificando o tipo de
arquivamento (quem, o quê, quando, quanto) e as licenças. Estas políticas foram expressas em
um documento que busca auxiliar no processo de submissão/depósito do RI. Este documento
é denominado Orientações para uso do repositório institucional da Universidade Federal de
Lavras, que pode ser consultado no site do RIUFLA498.
Em virtude da exoneração do servidor técnico-administrativo da área de informática e
do tempo estipulado pelo IBICT de funcionamento do repositório de até três meses, ficou
definido que, para o projeto piloto, os arquivos seriam depositados pela equipe técnica do
RIUFLA, abrangendo apenas os artigos publicados em revistas. Dessa forma, foi realizado
um levantamento bibliográfico no Lattes, das publicações dos 50 docentes do DAE. O
depósito foi realizado pelos artigos claramente com licenças definidas pelos editores. Deste
levantamento, apenas 132 artigos tinham a Licença Creative Commons e puderam ser
depositados no RI. Em janeiro, após o provimento de cargo de TI por outro servidor técnicoadministrativo, deu-se andamento na configuração da plataforma.
Após a expansão do projeto nos demais departamentos, o depósito ficará sob a
responsabilidade dos autores vinculados à UFLA, como determina as Resoluções CUNI n° 82
e n° 83 e a correção dos metadados, pela equipe técnica do repositório. Como contempla a
PIIUFLA, os artigos científicos publicados a partir de 2013 e outras publicações poderão ser
depositadas no RI até o prazo máximo de seis meses, a partir da data de sua publicação.
O lançamento oficial do RIUFLA no DAE aconteceu no dia 22 de fevereiro de 2013,
na assembléia departamental em que foi apresentado o repositório. Esta apresentação teve
como objetivo mostrar a configuração do sistema, as etapas para a submissão dos documentos
e esclarecer dúvidas operacionais. Vale destacar que um número expressivo de professores
desse departamento naquele momento ainda desconhecia a estrutura e o funcionamento do RI
e fizeram várias ponderações, no sentido de que eles reconheciam a importância desse
instrumento para divulgação e arquivamento das publicações científicas produzidas na UFLA,
entretanto, questionaram a questão do autodepósito, pois, como docentes, eles já têm muitas
atribuições, tornando-se, assim, inviável assumir o depósito das publicações no RI.
O projeto piloto no DAE pode ser considerado como uma estratégia que foi hábil para
implementar a política do repositório da UFLA, pois subsidiou avaliações sobre as principais
498 Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.UFLA.br/wordpress/wp-content/uploads/
orienta%C3%87%C3%95es-para-uso-do-reposit%C3%93rio-institucional-da-UFLA.pdf&gt;.

4295

�limitações operacionais e a resistência dos professores em realizar o autodepósito. Esta pode
ser considerada como o principal obstáculo a ser superado, visto que já se passaram mais de
um ano do lançamento do RIUFLA no DAE e poucos docentes realizaram o depósito de suas
publicações. A conscientização dos docentes em relação ao depósito voluntário é, portanto,
um quesito chave na implementação do RIUFLA e deve ser trabalhado continuamente na
comunidade universitária.
Após a implantação do projeto piloto, divulgou-se uma nota para a página institucional
da UFLA, em que toda a comunidade acadêmica da universidade foi convidada a participar do
repositório, realizando o depósito de suas publicações. Além disso, a equipe técnica elaborou
um plano de divulgação nas assembleias dos demais departamentos, o qual iniciou no mês de
março/2013 com termino em agosto/2013, a divulgação foi feita em dezesseis departamentos.
Outras iniciativas foram promovidas, como envio de e-mails para os pesquisadores, notícias
vinculadas na página da Biblioteca, na página da UFLA e a criação de perfil nas redes sociais,
como Facebook e Twitter.
Em síntese, as principais etapas e atividades desenvolvidas para a implantação do
RIUFLA podem ser visualizadas no Quadro 2.
Quadro 2: Fases da implantação do projeto piloto

1a fase
(dezembro/2011
dezembro/2012

a

2a fase
(novembro/2012
janeiro/2013

a

3a fase
(dezembro/2012
fevereiro/2013)

a

4 a fase

(janeiro/2013
fevereiro/2013)

a

5a fase

(março
agosto/2013)

a

Confecção do projeto
Definição da equipe técnica e competências necessárias
Formulação da PII, definindo políticas de conteúdo, acesso, direitos autorais,
preservação digital, etc.
Encaminhamento da PII para os órgãos competentes, para apreciação e
aprovação
Definição do departamento do projeto piloto
Definição de comunidades, subcomunidades e coleções
Levantamento bibliográfico da produção científica dos docentes/pesquisadores
do departamento do projeto piloto no Currículo Lattes
Instalação e configuração do DSpace no servidor
Verificação dos requisitos técnicos e operacionais
Definição do logotipo
Realização de testes na plataforma
Criação de comunidades, subcomunidades e coleções
Definição dos metadados
Treinamento da equipe
Definição das políticas de gerenciamento do RI
Definição das licenças
Alimentação das coleções
Ações de promoção e divulgação do projeto no departamento piloto
Recuperação da informação
Acesso aos documentos
Uso da informação
Ampliação nos demais departamentos
Divulgação do RI nos meios de comunicação e nas assembleias departamentais

Fonte: Elaborado pela autora (2013).

4296

�Na UFLA, o repositório ainda está em fase de desenvolvimento e, devido ao pouco
tempo de implantação, ainda é muito cedo para apresentar resultados concretos. Mas, como
resultado parcial é possível perceber que a implantação trará vários benefícios para a
instituição. Pode-se relatar que, com pouco tempo de implantação, a equipe já esta auxiliando
três instituições que estão iniciando a implantação do repositório, a Universidade Federal de
Alfenas (UNIFAL), a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e o Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas, em São João del-Rei.

6 Considerações Finais

No presente estudo, procurou-se compreender o caso de implementação do RI na
UFLA. Para tanto, foi necessário discorrer sobre o processo de formulação dessa política,
descrevendo a proposta do IBICT e as diretrizes que as instituições devem seguir para
implementar o repositório institucional.
Como estratégia para iniciar a implementação, realizou-se um projeto piloto em um
departamento da instituição, o qual foi uma experiência positiva, que permitiu compreender
não só questões operacionais do RIUFLA, como também o envolvimento dos pesquisadores.
Assim, em nível menor, de um departamento, foi possível detectar as suas primeiras
limitações e buscar corrigi-las, o que facilitará a implementação nos outros departamentos. As
ações que visam à implementação e à continuidade do RI na UFLA recai sobre as questões de
obrigatoriedade do depósito, a conscientização de seus pesquisadores e um plano efetivo de
divulgação. Além disso, após a implementação foi possível verificar que questões gerais
norteadas pela política do IBICT foram assumidas pela UFLA.

Referências

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acceso abierto de los investigadores argentinos. Un estudio basado en los datos de la encuesta
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Informação)-Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.

4297

�CASSELA, M.; MORANDO, M. Fostering new roles for librarians: skills set for repository
managers: results of a survey in Italy. Liber Quarterly, Munich, Alemanha, v. 21, n. 3/4, p.
407-408,

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Dentre os temas que permeiam o campo das políticas públicas no Brasil, observa-se uma preocupação do Estado em relação às políticas públicas de acesso aberto à produção científica por intermédio de suas instituições federais de ensino superior. O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vem apoiando as universidades e instituições de pesquisas na implementação de Repositórios Institucionais (RIs), com a finalidade de promover o acesso e a divulgação da produção científica brasileira. Com intuito de viabilizar o depósito das publicações nos repositórios, o IBICT recomenda às instituições que também desenvolvam uma Política Institucional de Informação (PII) que torne obrigatório o depósito da produção científica por parte dos pesquisadores nos RIs. A implementação de um RI prevê atividades que vão desde a escolha do software que será utilizado até a elaboração das políticas que regerão o funcionamento do repositório. O artigo tem como objetivo descrever o processo implantação do RIUFLA a partir de um projeto piloto na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Trata-se de uma pesquisa descritiva, o método utilizado foi o estudo de caso e a coleta de dados usou-se observação participante. Conclui-se que, a experiência do projeto piloto foi positiva, pois, permitiu compreender não só questões operacionais do RIUFLA, como também o envolvimento dos pesquisadores. Além disso, foi possível detectar as primeiras barreiras e limitações do RIUFLA e buscar ações para corrigi-las para implementação nos demais departamentos.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O
BALANCEAD SCORECARD E SUA APLICAÇÃO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS: O CASO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA
UFLA
Assis Simone Medeiros
Roberto Magalhães
Nivaldo Oliveira
RESUMO
O artigo tem como objetivo elaborar uma proposta de adaptação do BSC a ser aplicada na
Coordenadoria de Atendimento ao Usuário da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras
(UFLA), buscando melhorias no desempenho de suas atividades. Discorre-se sobre o
planejamento estratégico em bibliotecas universitárias e descreve a metodologia do BSC e sua
aplicação em bibliotecas. Faz-se uma contextualização do ambiente que serviu como objeto
deste estudo, a seguir, realiza-se uma análise SWOT para identificar quais seriam principais
pontos fracos e fortes, ameaças e oportunidades. Por fim, passa-se a aplicação do BSC,
definindo-se, ainda, os objetivos estratégicos, indicadores, metas, e ações estratégicas para
reduzir os pontos fracos identificados pela análise SWOT. Como técnica de pesquisa, adota-se
uma abordagem qualitativa, utilizando-se de revisão bibliográfica e pesquisa exploratória. O
método de coleta de dados adotado foi à entrevista estruturada. Quanto aos resultados, os
principais pontos identificados foram quanto a espaço físico insuficiente, falta de mobiliário e
dificuldades de adaptação dos servidores às mudanças. Os principais pontos fracos
identificados foram devido a grande demanda gerada pelos novos cursos ofertados e
estudantes recém ingressados na universidade. Conclui-se que para que a proposta de BSC na
Biblioteca Universitária da UFLA seja efetivada, será necessário compromisso com a
mudança de seus líderes, e o contínuo apoio administrativo da alta administração.
Palavras-Chave: Planejamento de Bibliotecas; Balanced Scorecard; Análise SWOT.

ABSTRACT
The article aims to develop a proposal for adapting the BSC to apply the Coordination of Care
User Library, Federal University of Lavras, seeking improvements in the performance of their
activities. It talks about strategic planning in academic libraries and describes the BSC
methodology and its application in libraries. It is a contextualization of the environment that
served as study object, then its hold a SWOT analysis to identify what are the main strengths
and weaknesses, threats and opportunities. Finally, you enter the BSC, even if defining
strategic objectives, indicators, targets, and strategic actions to reduce the weaknesses
identified by the SWOT analysis. As a technique for research adopts a qualitative approach,
using a literature review and exploratory research. The method of data collection used was the
structured interview. As for the results, the main points were identified as insufficient space,
lack of furniture and difficulties in adjusting their servers changes. The main weaknesses
identified were due to overwhelming demand generated by the new courses offered and

1334

�students recently entered the university. It is concluded that for the proposed BSC UFLA in
the University Library to be honored will be necessary commitment to change their leaders,
and ongoing administrative support of senior management.
Keywords: Planning library; Balanced Scorecard; SWOT analysis.

1 INTRODUÇÃO
Ao longo dos anos, as instituições públicas depararam com a crescente necessidade de
aprimorar sua forma de atuação utilizando-se de diferentes estratégias para otimizar seu
desempenho e recorrendo muitas vezes às práticas gerenciais adotadas com maior ênfase pelo
setor privado. No entanto, por apresentarem características próprias, tais como rígida
hierarquia e observância a rotinas operacionais, há o imperativo de se adotar estratégias
específicas para o setor público, ao invés de aplicar os modelos desenvolvidos para a
iniciativa privada.
O Balanced Scorecard (BSC) é uma das metodologias estratégicas de avaliação e
medição de desempenho utilizada em larga escala no setor privado que tem ganhado cada vez
mais adeptos no setor público. O BSC orbita em torno de missão de uma organização e suas
metas, além de avaliar o seu desempenho a partir de perspectivas diferentes. Baseando-se nas
cinco perspectivas do BSC (financeira, cliente, processos internos, aprendizado e
crescimento), torna-se possível determinar as relações que a organização desenvolverá com
seus parceiros, fornecedores e comunidade para demonstrar um bom aproveitamento perante
seu público alvo e, como consequência, resultados financeiros satisfatórios.
Há na literatura casos exitosos da aplicação do BSC em universidades públicas, pois,
uma vez que não possui fins lucrativos, refletem os investimentos por elas recebidos em
serviços de extrema qualidade percebidos pela sociedade. Por estarem inseridas nesse
contexto, as bibliotecas universitárias também podem obter êxito quando aplicados seus
princípios. A aplicação deste estudo se deu na Coordenadoria de Atendimento aos Usuários
da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras.
O tema justifica-se devido à necessidade de se tentar levantar quais as deficiências do
setor para se buscar mais eficiência na prestação de serviços, uma vez que a Coordenadoria
estaria mais próxima ao atendimento da comunidade acadêmica. O artigo tem como objetivo
elaborar uma proposta de adaptação do BSC a ser aplicada no setor alvo do estudo, buscando
melhorias no desempenho de suas atividades.

1335

�No primeiro momento, discorre-se sobre o planejamento estratégico em bibliotecas
universitárias. Após, passa-se a exposição sobre a metodologia do BSC e sua aplicação na
Administração Pública. No tópico posterior, faz-se uma contextualização do ambiente que
serviu como objeto deste estudo, abordando aspectos como seu histórico, estrutura física,
processos e serviços, apontando-se, ainda, sua missão, visão e valores. A seguir, realizou-se a
análise SWOT para identificar quais seriam os principais pontos fracos e fortes, ameaças e
oportunidades. Por fim, passa-se a aplicação do BSC, definindo, ainda, os objetivos
estratégicos, indicadores, metas e ações estratégicas para reduzir os pontos fracos
identificados pela análise SWOT.

2 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Diante do cenário atual e as constantes mudanças nos ambientes econômico, social,
tecnológico e político, conseguir antever-se e preparar-se é essencial, pois isso possibilita as
organizações enfrentar e aproveitar as ameaças e as oportunidades encontradas nesses
ambientes. Devido a esse quadro e as novas exigências do mercado, o planejamento
estratégico tem sido muito abordado nas organizações, tornando-se um dos grandes temas da
alta administração, assim como a gestão estratégica que engloba esse processo de
planejamento.
O mundo em que as bibliotecas têm operado mudou drasticamente nas últimas
décadas, principalmente com a evolução da Sociedade da Informação e das tecnologias. Com
isso, as atividades de prestação de serviços das bibliotecas vêm se diversificando diante desse
cenário, fazendo com que o planejamento também deva ser aplicado nessas instituições. No
entanto, segundo Almeida (2009, p. 7) “em muitas bibliotecas ou serviços de informação, essa
função não é exercida, ou não é de forma rigorosa ou adequada”. Ainda segundo este autor, a
principal justificativa seria a falta de tempo, porém, o tempo empregado no processo de
planejamento certamente é menos e mais produtivo do que o tempo perdido com processos
improvisados.
Como salienta Almeida (2009, p. 1) “a administração hoje é vista como um processo
cíclico, cujas funções são intimamente relacionadas em interação dinâmica, em que o
planejamento precede todas as demais funções”. Embora, na prática, todas as funções se
integrem, é o planejamento que estabelece os objetivos para o esforço do grupo. Segundo
Davok e Pereira (2011, p. 328),

1336

�O planejamento diz respeito a pensar antecipadamente os objetivos e as
ações institucionais, e a definir os procedimentos e métodos a serem
seguidos para: (i) obter e aplicar recursos; (ii) alcançar objetivos; e (iii)
avaliar o alcance dos objetivos de maneira formativa e, se necessário, usar de
ações corretivas em relação aos planos estabelecidos no decorrer do
processo.

As organizações devem empregar o planejamento para execução das suas atividades,
buscando alcançar melhores resultados. Para isso, é importante que o planejamento não seja
apenas um acontecimento, mas um processo permanente e dinâmico (ALMEIDA, 2009).
Segundo Almeida (2009), por meio do planejamento é possível fixar objetivos, definir
as linhas de ação, detalhar as etapas para atingi-los e prever os recursos necessários a
consecução desses objetivos. Dessa forma, decisões planejadas ajudam a dar estabilidade à
organização e consequentemente criam um ambiente mais equilibrado e mais produtivo.
A biblioteca não pode melhorar o seu desempenho futuro quando seu desempenho
atual não é mensurável, nem pode encontrar problemas e desenvolver programas que levam a
excelência do serviço no futuro. Para isso, é essencial fazer um diagnóstico para avaliar sua
estrutura como um todo. A avaliação na prática é um processo catalisador de mudanças, mas
para que seja bem sucedido, deve ser possível e desejável para a organização. Segundo
Almeida (2009), avalia-se para aprimorar a qualidade de serviços, programas e projetos para
que se possam evitar erros e não apenas remediá-los.
Segundo Rossi e Freeman (1989) apud por Almeida (2009), a avaliação permite: a)
verificar a adequação da unidade de informação às metas da organização e às necessidades
dos usuários; b) verificar o grau de cumprimento dos objetivos com vista à sua eficácia; c)
verificar a adequação de alocação de recursos; d) monitorar: acompanhar determinado
programa ou serviço do ponto de vista da eficácia e da eficiência; e) verificar o impacto de
determinado serviço ou atividade implementada (avaliação voltada para os benefícios); f)
testar programas inovadores; g) aprimorar determinados serviços e atividades para manter
níveis de desempenho; h) decidir sobre a continuidade ou descontinuidade de programas.
Atendo-se a essas características, é possível perceber a importância da avaliação para
aprimoramento de planos e concretizar mudanças em qualquer instituição.
Outro fator de êxito para o planejamento é observar o contexto no qual a instituição
está inserida, pois a biblioteca como unidade integrante da universidade não deve desenvolver
suas práticas gerenciais como peça autônoma. Para que os objetivos, a missão e a visão da
biblioteca sejam efetivados, é essencial que as ações de planejamento estejam também
alinhadas com a instituição na qual está inserida. Como expõe Lubisco (2002, p. 2),

1337

�o cumprimento dos objetivos e missão de uma universidade dependem da
parcela de contribuição que compete à biblioteca, da mesma forma que o
cumprimento dos objetivos da biblioteca depende do seu nível de
participação no planejamento da instituição.
Por conseguinte, o planejamento da universidade deverá alinhar-se ao do órgão ao
qual está hierarquicamente subordinado. Concluindo com as palavras de Matus (1993), “o
planejamento deve ser baseado na busca pela solução de problemas, definindo estes como
uma situação indesejável que possa sofrer ajuste ou modificação, por intermédio da atuação
de um agente decisor ou ator”.

3 BALANCEAD SCORECARD (BSC)
O Balanced Scorecard (BSC) é uma metodologia de medição e avaliação de
desempenho desenvolvida pelos professores da Harvard Business School, Robert Kaplan e
David Norton, no ano de 1992. Esse modelo gerencial exprime os objetivos estratégicos de
uma organização em um conjunto de indicadores de desempenho que buscam equilíbrio entre
indicadores externos e medidas internas.
De acordo com Kaplan e Norton (1996), o BSC tem as medidas financeiras como um
de seus indicadores, uma vez que estes contam os acontecimentos passados, e as
complementa com novos vetores que impulsionam o desempenho futuro. Os objetivos do
BSC derivam da visão e estratégia da organização, focalizando o desempenho organizacional
sob quatro perspectivas: financeiras, do cliente, dos processos internos e de aprendizado e
crescimento.
Por meio destas perspectivas são determinadas as relações que a organização
desenvolverá com seus parceiros, fornecedores e com a comunidade para demonstrar um bom
aproveitamento perante seu público alvo e, como consequência, resultados financeiros
satisfatórios. Para Atkinson et al. (2000, p. 594) “[...] o balanced scorecard requer e reflete um
sistema de planejamento inclusivo e que entenda como os processos da empresa contribuem
com os objetivos primários da empresa.”
Carvalho e Azevedo (2001) consideram que o BSC deverá basear-se nas seguintes
características: a) transformar a missão e a estratégia em objetivos e indicadores organizados
em quatro perspectivas; b) permitir uma estrutura e uma linguagem de comunicação da
missão e da estratégia; c) informar os empregados sobre as causas do êxito presente e futuro,
por meio da utilização de indicadores; d) utilizar os indutores de atuação para justificar a

1338

�consecução dos objetivos financeiros; e) complementar os indicadores de atuação passada
com os indutores de atuação futura.
A seguir, tem-se a descrição das quatro perspectivas do BSC, as quais compõem um
conjunto lógico e interligado, com seus objetivos e indicadores estabelecendo relações de
recíprocas formando um fluxo ou diagrama de causa e efeito que se inicia na perspectiva do
aprendizado e crescimento e termina na perspectiva financeira.
1. Perspectiva financeira: para Kaplan e Norton (1997), o BSC utiliza a perspectiva
financeira, pois seria relevante para analisar as consequências econômicas das ações
aplicadas na organização. Essa perspectiva permite mensurar os resultados que se tem
obtido, além das necessidades para seu crescimento. Para sua avaliação, podem ser
considerados, dentre outros, indicadores como retorno sobre o investimento, acréscimo de
receitas e lucratividade. A perspectiva financeira deve estar aliada à estratégia da empresa,
servindo como referência para as demais perspectivas, numa relação de causa e efeito;
2. Perspectiva cliente: as empresas determinam livremente em qual segmento de
mercado desejam atuar. Para Kaplan e Norton (1997), a perspectiva de clientes possibilita
que as empresas direcionem seus objetivos para aquele seguimento-alvo, levando em conta
as medidas essenciais de resultado relacionadas aos clientes - satisfação, fidelidade,
retenção, captação, lucratividade. As empresas que não levam em consideração tal
perspectiva correm o risco de perderem o mercado para seus concorrentes;
3. Perspectiva processos internos: nessa perspectiva, são avaliadas as inúmeras
atividades desenvolvidas pela empresa, fazendo-se uma análise dos processos internos
críticos, dos quais haja necessidade de melhorias. Busca-se focar nos processos internos que
representem maior impacto na satisfação dos clientes e no alcance dos objetivos financeiros,
por isso, há quem defenda que essa perspectiva deva ser realizada após a análise das duas
perspectivas anteriores. Nesse processo, é indispensável a participação dos funcionários da
empresa, já que, segundo Kaplan e Norton (1997), as ideias que permitem melhorar os
processos e o desempenho para os clientes cada vez mais emanam dos funcionários de linha
de frente, que se encontram mais próximos dos processos internos e dos clientes da
organização;
4. Perspectiva de aprendizado e crescimento: os objetivos delineados nessa
perspectiva proporcionam a infraestrutura necessária para a consecução dos objetivos
identificados nas demais perspectivas. Kaplan e Norton (1997) apontam que seriam três as
principais categorias de indicadores para essa perspectiva: a capacidades dos funcionários; a
capacidades dos sistemas de informação; e a motivação, empowerment e alinhamento.

1339

�Defende-se, ainda, que o processo de aprendizagem assume relevante papel nesse ambiente
de constantes mudanças, pois possibilita rever e adaptar as estratégias frente a novas
oportunidades ou ameaças que possam surgir.
O BSC se mostra uma relevante ferramenta para esclarecer as indagações e
necessidades das empresas. Fica claro que a análise conjunta das quatro perspectivas
possibilita uma compreensão da verdadeira situação como um todo, permitindo uma visão
sistêmica da organização e do ambiente em que ela atua.
Embora o BSC tenha sido um modelo concebido inicialmente para as organizações
privadas, pode ser facilmente adaptado para a realidade das organizações públicas. Por ser o
objeto de estudo do presente artigo, com a implantação do BSC na Coordenadoria de
Atendimento ao Usuário, faz-se necessária uma adaptação das perspectivas para esta
realidade.

3.1 BSC aplicado às Bibliotecas Universitárias
Com o passar dos anos, o setor público se viu obrigado a fazer uma análise de seus
resultados, de seu desempenho, além de melhorar a transparência de seus atos, o que refletiu
em melhoria de sua forma de atuação. Dentro das estratégias adotadas, tem-se buscado
algumas práticas gerenciais da iniciativa privada, tais como o BSC.
Na literatura são apresentadas inúmeras vantagens da utilização do BSC na
Administração Pública. Azúa (1998) apud Ribeiro (2005, p. 121) menciona as seguintes:
a) Favorece a transparência da gestão pública, o que agrada aos cidadãos,
mas preocupa os políticos;
b) Desenvolve-se uma cultura mais empreendedora na gestão pública;
c) Equilibra a gestão pública entre a ação de curto prazo e a gestão de
longo prazo.
Desta maneira, fica claro que o setor público pode, e deve, se espelhar no modelo
adotado pela iniciativa privada, porém, com ressalvas, já que os objetivos almejados são
diferentes. Enquanto a iniciativa privada busca aumentar seus lucros, o setor público tem na
função social o seu objetivo principal. Por esta razão, Marini (1996, p. 21) afirma que “o
importante é fazer as apropriações e adaptações necessárias no sentido de dotar a
administração pública de um modelo que, efetivamente a ajude cumprir com suas
finalidades—.Não haveria, assim, uma obrigatoriedade da aplicação das quatro perspectivas do
BSC em instituições públicas (cliente, aprendizado e crescimento, processos internos e
finanças).

1340

�Conforme Ghelman e Costa (2006, p. 3)
O que importa é a aplicação da metodologia, adotando-se um sistema enxuto
de medição, baseado nas diferentes perspectivas do negócio, refletindo as
diretrizes do futuro e o posicionamento competitivo da organização,
integrando a gestão e servindo como seu principal instrumento de gestão
estratégica.

Há inúmeros exemplos na literatura em que as organizações públicas customizaram o
BSC para se adequar a sua realidade. Em algumas organizações, notou-se a necessidade de
reformular a relação assumida entre a perspectiva financeira com as demais, tal como ocorre
na Biblioteca Universitária da UFLA, devido sua gestão estar caracterizada pela falta de
orçamento próprio e autonomia financeira.
Dessa forma, tornou-se necessária a alteração das quatro perspectivas básicas
apresentadas por Kaplan e Norton (1997), para se adequar ao objetivo de uma Instituição de
Ensino Superior, na qual a Biblioteca Universitária está inserida, o qual está relacionado a
questões de caráter social, e não à maximização de lucro. Diante desse contexto, a perspectiva
do cliente assume papel de destaque, ao topo, em detrimento a perspectiva financeira que é
suprimida. Em seu lugar, ganha notoriedade a perspectiva social, devido à relevância e
alcance dos resultados obtidos pelas Bibliotecas Universitárias.
Confirmando esse pensamento, Ribeiro (2005) diz que o desempenho de uma
instituição sem fins lucrativos, além de ser medido com base em aspectos financeiros,
satisfação dos clientes, processos internos e aprendizagem e crescimento, deve também ser
medido sob a ótica da perspectiva social.
O resultado social pode ser observado no retorno que a sociedade obtém da instituição,
por meio do desenvolvimento dos seus programas e projetos. A Biblioteca inserida no
contexto da Universidade lhe dá suporte nas atividades de ensino, pesquisa e extensão,
garantindo o alinhamento entre a Biblioteca e o plano estratégico da Universidade. Com isso,
eleva o nível cultural da sociedade, produz, sistematiza e socializa o conhecimento, fazendo
com que as pessoas habilitadas, obtenham melhores retornos dos seus conhecimentos e,
consequentemente, melhora na qualidade de vida da população do seu meio (MÜLLER,
2001).

1341

�Fonte: Adaptado de RibeiA L 05).

Com a is Dlantação do BSC, as perspC B ^ M E ' combinadas para produzir uma
avaliação “equilibrada” da Biblioteca que poderá perceber em que situação encontra-se
naquele momento, como também as características dos valores que a ajudarão no seu futuro
desempenho.

4. A Biblioteca da Universidade Federal de Lavras159
A Biblioteca da Universidade Federal de Lavras teve seu início no Centro Histórico da
Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL). De maneira simples, mas já com o objetivo
de contribuir com os estudantes de agronomia daquela época. Atualmente, conta com um
acervo de 240.000 exemplares composto de monografias, folhetos, periódicos, materiais de
multimídia, dissertações, teses, obras de referência e livros, com predominância na área
agrícola, organizados em 5.200 m .
O sistema utilizado para o gerenciamento da informação e serviços técnicos da
biblioteca é o Sistema Pergamum. Esse sistema integra as funções de catálogo e empréstimo e
está instalado em ambiente web, trazendo ao usuário diversos benefícios, como buscas,
reservas, renovação de empréstimo, consulta ao histórico pessoal via Internet. Os conteúdos
digitalizados ou eletrônicos e o acesso à informação pela Internet ou Intranet são uma
inquietação muito importante, considerando que o acesso à informação por essas vias
reduzem os custos e o tempo para aquisição de conhecimento.
159 Dados retirados do site da Biblioteca da UFLA com algumas modificações. Disponível em:
&lt;http://www.biblioteca.UFLA.br/?page_id=92&gt;. Acesso em: 10 fev. 2014.

1342

�A Biblioteca Universitária da UFLA tem como finalidade dar acesso à informação e
para isso é importante e indispensável que se estabeleça a troca de informação entre pessoas, a
consulta direta ao acervo impresso de obras tradicionais ou por meio virtual graças às
maravilhas das novas formas de tecnologia e canais de comunicação.
Para se realizar com sucesso um planejamento estratégico, é necessário conhecer a
visão e a missão da empresa, pois o planejamento começa com a definição de metas e da
missão da organização, ambas são influenciadas pela análise do ambiente.

4.1 Missão e a visão
Segundo Prado (2002, p. 8) “o sucesso de um empreendimento está no seu propósito
principal, naquilo que está definido na sua missão e visão, na sua definição estratégica”. Por
isso, é determinante que organizações tanto públicas como privadas definam o seu propósito
por meio da sua missão e visão, buscando ser bem sucedida no cenário de atuação.
Segundo Viotto (2008, p. 18), “definir a missão é um dos pontos mais importantes no
desenvolvimento de um plano estratégico porque ela estabelece o propósito ou as razões para
a existência da organização, do ponto de vista de sua utilidade para os clientes”. Segundo ele,
para analisar e especificar a missão é preciso que se procure dar respostas às questões: a) o
que a organização está fazendo agora? b) qual sua utilidade para os clientes? c) em que
negócio estamos? d) quem são nossos clientes? e) que necessidades estamos atendendo? f)
que papéis estamos cumprindo?
Respondendo a estas questões, será mais fácil para a organização definir de fato seu
propósito em consonância com os objetivos que deverá atender seus clientes. Além de definir
a missão da organização, é essencial que seja definida sua visão, buscando o direcionamento
da organização conforme o que ela aspira se tornar a longo prazo.
Segundo Chiavenato (2000, p. 50), “a visão é a imagem que a organização define a
respeito do seu futuro, ou seja, o que ela pretende ser”. Este conceito remete ao conceito de
objetivos organizacionais. As bibliotecas, sendo organizações sem fins lucrativos, são
organizadas em torno de um bem geral da sociedade, sua missão deve ser clara e alinhada
com os objetivos da instituição a qual esta inserida.
A Biblioteca Universitária da UFLA tem como missão adquirir, disponibilizar e
difundir recursos de informação impressos e eletrônicos de qualidade a docentes, alunos,
pesquisadores e funcionários, buscando consolidar-se como referência na sua área de atuação,
obtendo reconhecimento pela satisfação dos usuários e na excelência de suas atividades.

1343

�Tem como visão ser órgão de excelência reconhecida nos âmbitos nacional e
internacional, nas diversas áreas, com um acervo valioso e atualizado, em consonância com a
pesquisa mais avançada da pós-graduação. Ser um espaço de difusão e incentivo da produção
bibliográfica e cultural do Brasil.

4.2 Valores
De acordo com Niven (2002, p. 77) “os valores são os princípios atemporais que
orientam uma organização. Eles representam as crenças mais profundas dentro da organização
e são demonstradas por meio dos comportamentos do dia-a-dia de todos os funcionários”.
A Biblioteca Universitária da UFLA tem como valores: a) satisfação do usuário; b)
qualidade dos serviços e produtos; c) competência profissional; d) cooperação para a
divulgação da informação científica, tecnológica e artística da universidade.

5 Análise SWOT
Neste trabalho, optou-se por fazer uma ligação entre a análise SWOT e o BSC. De
acordo com Costa (2006, p. 69):

Ligar o BSC ao planejamento estratégico é criar uma ferramenta de gestão
da estratégia da empresa. Durante algum tempo, toda a mensuração de
resultados vinculados ao planejamento estratégico das organizações era
focado em indicadores e medidas financeiras, fato que mudou
consideravelmente com a chegada do BSC e sua vinculação a análise da
empresa ou do negócio sobre as duas óticas (interna e externa) e as quatro
perspectivas.

Pois, segundo Kaplan e Norton (1996, p. 76) “o BSC permite aos gestores uma forma
de garantir que todos os níveis da organização possam entender a estratégia de longo prazo e
que os objetivos tanto departamentais e individuais estão alinhados com ele“.
O planejamento estratégico é um processo de análises e decisões compreendendo a
análise do ambiente interno (pontos fortes e fracos), a análise do ambiente externo (ameaças e
oportunidades),

também

denominadas

análise

S.W.O.T

(Strengths,

Weaknesses,

Opportunities, Threats), possibilitando um diagnóstico da situação atual e uma definição do
ponto a que se pretende chegar, fundamentando, assim, a elaboração da missão e das
estratégias que levem ao alcance de vantagens futuras (NASCIMENTO, 2009).

1344

�Segundo Nascimento (2009), a análise SWOT é uma ferramenta utilizada na análise
de cenário ou de ambiente, sendo usada como base para a gestão e o planejamento estratégico
de uma corporação ou empresa. Ela é dividida em dois momentos:
a) Análise interna: observa o microambiente, identificando pontos fortes e fracos da
instituição. As forças e fraquezas são determinadas pela posição atual da empresa e se
relacionam a fatores internos;
b) Análise externa: observa o macroambiente, identificando oportunidades e ameaças
mercadológicas, de forma a antecipar o futuro em função dos fatores externos, que devem ser
conhecidos / monitorados com frequência para evitar as ameaças e usufruir das oportunidades.
Com aplicação dessa ferramenta, é possível conhecer sua situação e fazer um balanço
de suas forças internas e fraquezas comparando-as com as oportunidades e ameaças presentes
do ambiente externo.

Por meio da identificação desses fatores, a biblioteca poderá

desenvolver ações estratégicas, buscando que os pontos fortes sejam utilizados, as
oportunidades sejam apoiadas, os pontos fracos eliminados e as ameaças neutralizadas. No
quadro a seguir, é possível analisar esses fatores dentro do contexto da Coordenadoria de
Atendimento ao Usuário e os principais serviços oferecidos e a infraestrutura existente.

Quadro 1: Matriz SWOT da Biblioteca Universitária da UFLA
COORDENADORIA DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO
ATIVIDADES: Empréstimo, devolução, reserva, renovação, e consulta ao material
bibliográfico
ANÁLISE INTERNA
PONTOS FORTES

ANÁLISE EXTERNA

PONTOS FRACOS AMEAÇAS

OPORTUNIDADES

Recuperação automatizada;
Realização de treinamentos dos usuários quanto ao uso da biblioteca e Portal de Periódicos
Capes;
Acesso do usuário à internet e bases de dados nacionais e internacionais;
Maior visibilidade do acervo via internet;
Software integrado de funções (Pergamum);
Reserva e renovação via internet;
Instalações adequadas para deficientes físicos;
Estrutura tecnológica de qualidade;
Orientação aos usuários nos trabalhos acadêmicos;

1345

�Qualificação dos servidores.
Poucas iniciativas para promoção da leitura à comunidade acadêmica e de Lavras;
Falta de divulgação dos serviços oferecidos aos portadores de necessidades especiais;
Falta de interação entre BU e comunidade Lavrense;
Espaço físico insuficiente para as demandas informacionais;
Dificuldades dos servidores de se adaptarem às mudanças;
Falta de um sistema eletrônico de segurança que controle a saída do acervo por magnetização
ou rádio frequência;
Climatização, iluminação e ventilação inadequadas;
Barreiras de servidores com relação à utilização de novas tecnologias;
Mobiliário insuficiente para atender as demandas dos usuários, como mesas, cadeiras, etc.
Danos ao acervo;
Vários servidores em via de aposentadoria;
Existência de biblioteca em outro departamento, sem vínculo com a BU;
Sistemas não interligados entre os departamentos (Pergamum, SIG, DRCA);
Novas demandas dos usuários;
Insuficiência de recursos orçamentários para atendimento dasdemandas existentes.
Atividades de promoção da leitura;
Captação de recursos para aquisição de obras, por meio de projetos (Agências de fomento);
Uso de canais de comunicação internos e externos como mídias sociais, TV, rádio e outros;
Incentivos externos e internos para capacitação de servidores;
Parcerias

com

outras

instituições,

pelo

Sistema

de

Comutação

Bibliográfica

(SCAD/BIREME) e pelo Consórcio Sul Sudeste de Minas Gerais;
Revisão do PDI UFLA (2011-2015);
Nova vinculação da Biblioteca no organograma da UFLA (Assessoria para Desenvolvimento
Acadêmico / Reitoria);
Criação de novos cursos dentro da instituição;
Incentivo público e privado à pesquisa.

Após a análise, tendo em vista o objetivo do artigo, é proposta a adaptação do BSC à
Coordenadoria de Atendimento ao Usuário, visando desenvolver ações estratégicas para
minimizar ou resolver os principais pontos fracos encontrados no setor.

1346

�6 REALIZANDO O BSC
Para a aplicação do BSC é necessário definir os seguintes passos:
a)

Objetivos estratégicos: para Horváth e Partners (2003), a determinação dos objetivos

estratégicos para cada perspectiva será o ponto de partida para todas as atividades, durante a
elaboração do Balanced Scorecard. Ainda segundo estes autores, os objetivos estratégicos
formam o “coração” do BSC e não os seus indicadores. Kaplan e Norton (1997) acrescentam
que os objetivos estratégicos devem traduzir a estratégia da organização e devem permitir o
estabelecimento de relações causa efeito entre as várias perspectivas. Assim, a qualidade dos
objetivos estratégicos influenciará de forma clara a qualidade de todo o BSC.
b)

Indicadores e metas: segundo a International Organization for Standardization em sua

norma UNE 50-137 (2000), o propósito dos indicadores de desempenho para bibliotecas é
fornecer ferramentas para avaliar a qualidade e a eficácia dos serviços prestados por uma
biblioteca e outras atividades que poderiam ser tomadas, e para avaliar a eficiência dos
recursos alocados aos serviços atribuídos à biblioteca. Segundo as palavras de Gil (1992), um
indicador pode ser considerado um “termômetro” para a alta administração, com capacidade
para identificar, externamente à organização e o comportamento dos clientes. Destaca ainda
que o indicador tem um ciclo de vida, e isso deve ser considerado para que reflita a realidade
organizacional. Após a definição dos indicadores, torna-se necessária a proposição de metas
com o propósito de se fixar períodos de tempo para a realização dos objetivos propostos pela
organização. De acordo com Oliveira (2001, p. 78), “meta corresponde aos passos ou etapas,
perfeitamente quantificados e com prazos para alcançar os desafios e objetivos.”
c)

Ações estratégicas: segundo Spudeit e Führ (2011), a partir do planejamento é possível

definir ações e metas a serem alcançadas pelas unidades de informação na busca por
resultados eficazes na gestão. Buscando atender as necessidades dos clientes se orientando
principalmente pelo atendimento ao usuário, pois é ele que mostrará as oportunidades de
melhorias.

7 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Segundo Yin (2010, p. 22), “o estudo de caso é a pesquisa preferida quando
predominam questões dos tipos “como?” e “por quê?”, ou quando o pesquisador detém pouco
controle sobre os eventos e ainda quando o foco se concentra em fenômenos da vida real”.
Este trabalho é um estudo de caso desenvolvido na Coordenadoria de Atendimento ao
Usuário da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras (UFLA), uma instituição de ensino

1347

�superior federal. O artigo tem como objetivo elaborar uma proposta de adaptação do BSC a
ser aplicada no setor alvo do estudo, buscando melhorias no desempenho de suas atividades.
Como técnica de pesquisa adotou-se uma abordagem qualitativa, utilizando-se de
revisão bibliográfica e pesquisa exploratória. O método de coleta de dados adotado foi a
entrevista estruturada. Conforme Selltiz (1995), a entrevista é uma das técnicas de coleta e
dados mais utilizada no âmbito das ciências sociais. Enquanto técnica de coleta de dados, a
entrevista é bastante adequada para a obtenção de informações acerca do que as pessoas
sabem, crêem, esperam, sentem ou desejam, pretendem fazer, fazem ou fizeram, bem como
acerca das suas explicações ou razões a respeito das coisas precedentes.
Na primeira etapa por meio da análise SWOT, foi realizado um levantamento dos
pontos fracos e fortes, das ameaças e das oportunidades da Coordenadoria de Atendimento ao
Usuário da Biblioteca Universitária da UFLA, referente à prestação de serviços e sua
infraestrutura. Esses dados foram levantados a partir de uma entrevista com o diretor da
seção, o Bibliotecário/Documentalista, que achou suficiente levantar esses dados apenas com
esta entrevista, dada a experiência profissional do servidor, além de apresentar um perfil
dinâmico, inovador, proativo e possuir uma visão no todo dos serviços e da infraestrutura da
Biblioteca.
A partir dos dados obtidos e tendo em vista a proposta de implantação do BSC na
Biblioteca Universitária da UFLA, buscou-se por meio dos pontos fracos encontrados, fazer
uma ligação entre os objetivos estratégicos, as metas, os indicadores e ações estratégicas
tendo como escopo incidir na tomada de decisões, na correção de falhas, na melhora dos
serviços, possibilitando as mudanças necessárias para que a biblioteca tenha uma gestão
eficiente e eficaz. É importante destacar que com a adesão da UFLA ao programa Reuni,
houve uma grande demanda gerada pelos novos cursos ofertados e estudantes recém
ingressados na universidade, o que seria a maior causa dos pontos fracos identificados. Para
cada ponto fraco encontrado, definiu-se o objetivo estratégico, a meta, o indicador e as ações
estratégicas, alinhados respectivamente a cada perspectiva.

Quadro 2: BSC da Biblioteca Universitária da UFLA
PERSPECTIVAS

PONTO FRACO

OBJETIVO ESTRATÉGICO

META

INDICADOR AÇÕES ESTRATÉGICAS
RESPONSABILIDADE
SOCIAL

Poucas iniciativas para promoção da leitura junto à comunidade acadêmica e

de Lavras

1348

�Promover o incentivo à leitura
Definir 10 escolas do município de Lavras para visitação à Biblioteca da UFLA na
semana do Livro

Integração de atividades de incentivo à leitura com escolas do

município de Lavras e região
Promover a Semana do Livro e da Biblioteca com a participação de alunos das escolas
municipais, estaduais e particulares da cidade
Falta de divulgação dos serviços oferecidos aos portadores de necessidades especiais.
Promover a inclusão social de deficientes
Ministrar palestras de conscientização e
informação sobre inclusão

Aumento do número de usuários portadores de necessidades

especiais à Biblioteca da UFLA
Realizar a divulgação para a comunidade Lavrense sobre a estrutura disponível para
portadores de necessidades especiais
Pouca interação entre BU e comunidade

Proporcionar

a

acessibilidade

informacional
Ministrar palestras sobre os serviços disponíveis à comunidade pela biblioteca
Aumento do número de usuários não pertencentes à comunidade acadêmica na
Biblioteca da UFLA Divulgar a comunidade sobre a possibilidade de utilização das
dependências/acervo pela comunidade
CLIENTES

Espaço físico insuficiente para as demandas informacionais

adequar a estrutura física visando atender as demandas

Ampliar

e

Aumentar o espaço físico em x

metros Ampliação da estrutura física do espaço de estudo individual na Ala I, II, III e térreo
Solicitar a ampliação da área física da Biblioteca
Climatização, iluminação e ventilação inadequadas
Promover maior conforto e melhores condições de uso do ambiente
por lâmpadas adequadas e instalar % de ventiladores
Biblioteca

Substituir %

Estruturação das dependências da

Climatizar e iluminar a biblioteca, visando o conforto dos usuários, aliado aos

padrões de preservação do acervo
Mobiliário insuficiente para atender as demandas dos usuários, como mesas e cadeiras
Promover maior conforto e melhores condições de
Adquirir % de novas mobílias

estudos para os usuários

Estruturação do mobiliário

Adquirir

novos

mobiliários, como mesas e cadeiras

1349

�PROCESSOS INTERNOS

Falta de um sistema eletrônico de segurança que controle a saída

do acervo por magnetização ou RFID

Desenvolver uma infraestrutura inovadora e

eficaz para apoiar os serviços da biblioteca
Compra de um sistema de segurança até 2013

Aquisição e modernização dos

equipamentos
Adquirir equipamentos que garantam a segurança do acervo

APRENDIZADO E CRESCIMENTO

Dificuldades dos servidores de se adaptarem as

mudanças
Desenvolver nos servidores capacidade de inovação e a busca de mudanças
Capacitação, qualificação e atualização de % dos servidores da Biblioteca da UFLA
Atualização dos servidores para desempenharem novos serviços Participação

dos

servidores técnicos da biblioteca em cursos de motivação e atualização
Barreiras de servidores com relação à utilização de novas tecnologias
Buscar a atualização e o aperfeiçoamento contínuo de recursos humanos, visando o
aprimoramento das atividades e serviços oferecidos aos usuários Capacitação, qualificação e
atualização de % dos servidores da Biblioteca da UFLA
Capacitação e atualização dos servidores

Capacitação dos servidores para se adaptar

às novas tecnologias

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste artigo discutiu-se o BSC como uma metodologia para planejamento estratégico
para as bibliotecas universitárias. Pelo diagnóstico realizado na Coordenadoria de
Atendimento ao Usuário da Biblioteca Universitária da UFLA, por meio da análise SWOT,
foi possível detectar por meio do ambiente em que esta inserida seus pontos fracos e fortes,
suas ameaças e oportunidades.
Os principais pontos identificados foram quanto a espaço físico insuficiente, falta de
mobiliário e dificuldades de adaptação dos servidores às mudanças. É importante salientar
que a biblioteca enquanto assume um papel de suporte a universidade quanto ao ensino,
pesquisa e extensão, sempre recebeu apoio da alta administração, com investimentos para
ampliação física, tecnológica, mobiliários e acervo bibliográfico.
O que se observa no contexto atual, é que os principais pontos fracos identificados
foram devido à grande demanda gerada pelos novos cursos ofertados e estudantes recém
ingressados na universidade. Dessa forma, percebe-se com esta avaliação, que ações

1350

�estratégicas já são demandadas visando novos investimentos principalmente quanto à
ampliação física. Tendo em vista o objetivo deste artigo, procurou-se desenvolver por meio da
ferramenta BSC a criação do modelo apresentado, o qual pode ser aplicado futuramente,
visando melhorias no setor.
No decorrer do texto, vimos que apesar dos grandes benefícios que podem ser
alcançados com o planejamento, algumas organizações ainda resistem. Para que a proposta de
BSC na Biblioteca Universitária da UFLA seja efetivada, será necessário compromisso com a
mudança de seus líderes e o contínuo apoio administrativo da alta administração.
Ainda, para aplicação do BSC, as bibliotecas devem adaptá-lo as suas próprias
necessidades, realidades e contexto. Tanto o BSC como várias outras ferramentas de
planejamento só serão eficientes se forem aplicadas e utilizadas corretamente. Após a coleta e
análise dos dados, é imperativo que os gerentes usem esses dados para conduzir mudanças
estratégicas. Se nenhuma ação for tomada, então o programa BSC perderá credibilidade e
tornar-se-á um exercício em vez de uma ferramenta de trabalho. Além disso, tanto a criação
como a implementação do BSC precisa ser conduzido de cima para baixo e de baixo para
cima para encontrar um equilíbrio.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. C. B. de. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed., rev. e
ampl. Brasília: Briquet de Lemos, 2009.
ATKINSON, A. A. et al. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2000.
CARVALHO, C. M. T.; AZEVEDO, G. M. do C. Balanced Scorecard - Sistema de
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O artigo tem como objetivo elaborar uma proposta de adaptação do BSC a ser aplicada na Coordenadoria de Atendimento ao Usuário da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras (UFLA), buscando melhorias no desempenho de suas atividades. Discorre-se sobre o planejamento estratégico em bibliotecas universitárias e descreve a metodologia do BSC e sua aplicação em bibliotecas. Faz-se uma contextualização do ambiente que serviu como objeto deste estudo, a seguir, realiza-se uma análise SWOT para identificar quais seriam principais pontos fracos e fortes, ameaças e oportunidades. Por fim, passa-se a aplicação do BSC, definindo-se, ainda, os objetivos estratégicos, indicadores, metas, e ações estratégicas para reduzir os pontos fracos identificados pela análise SWOT. Como técnica de pesquisa, adota-se uma abordagem qualitativa, utilizando-se de revisão bibliográfica e pesquisa exploratória. O método de coleta de dados adotado foi à entrevista estruturada. Quanto aos resultados, os principais pontos identificados foram quanto a espaço físico insuficiente, falta de mobiliário e dificuldades de adaptação dos servidores às mudanças. Os principais pontos fracos identificados foram devido a grande demanda gerada pelos novos cursos ofertados e estudantes recém ingressados na universidade. Conclui-se que para que a proposta de BSC na Biblioteca Universitária da UFLA seja efetivada, será necessário compromisso com a mudança de seus líderes, e o contínuo apoio administrativo da alta administração.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AÇÕES DE EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFC:
RUMO Á COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO

Ana Cristina Azevedo Ursulino Melo
Eliene Gomes Vieira do Nascimento
Isabela da Rocha Nascimento
Kléber Lima dos Santos
Islânia Castro Teixeira da Silva
Raimundo Nonato Ribeiro dos Santos
Vanessa Pimenta Rodrigues

RESUMO
Apresenta as ações voltadas para a competência em informação desenvolvidas pela Comissão
de Educação de Usuários do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. Utiliza
a metodologia participativa da pesquisa-ação, como base para as atividades desenvolvidas. Os
resultados apontam enfaticamente para o trabalho cooperativo e intervencionista em torno da
competência em informação, contribuindo para o melhoramento do processo de busca e uso
da informação dos usuários na Universidade Federal do Ceará.
Palavras-chave: Educação de Usuários. Bibliotecas Universitárias. Competência em
Informação.
ABSTRACT
Presents the actions to information literacy developed by the Users Education Committee of
the Library System of the Universidade Federal do Ceará. Uses participatory action research
methodology as a basis for the activities. The results indicate emphatically to the cooperative
and interventionist work around information literacy, contributing to the improvement of the
search and use of information from users at the Universidade Federal do Ceará.
Keywords: Users education. University libraries. Information literacy.

1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA
Na sociedade atual, com o uso das tecnologias digitais de informação e
comunicação, os usuários têm cada vez mais um papel ativo no processo de busca e
organização da informação que atendam às suas necessidades pessoais, culturais e

2080

�profissionais. Ademais, a biblioteca e o bibliotecário são fundamentais para que este usuário
possa usufruir de todas as oportunidades que essas tecnologias oferecem no acesso à
informação.
Considerando a biblioteca universitária uma rica fonte de informação e de grande
importância no processo de ensino-aprendizagem, um grupo de bibliotecários do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) elaborou em 2010 um projeto para
realização do “Curso Biblioteca Pra Quê Te Quero?: iniciação à pesquisa e ao uso de recursos
informacionais”.
O Curso tinha como objetivo: capacitar os discentes recém-ingressos da UFC na
elaboração de pesquisas e o uso da biblioteca dentro da sua atividade discente. Seu conteúdo
foi elaborado em quatro módulos, a saber: apresentação do Sistema de Bibliotecas da UFC,
Fontes de informação, Introdução à metodologia da pesquisa e Normalização de trabalhos
acadêmicos.
Após a primeira edição do curso e com outras possibilidades vislumbradas de
atividades para seus usuários, a Biblioteca Universitária, órgão responsável pela direção do
Sistema de Bibliotecas da UFC, criou no mesmo ano de 2010, a Comissão de Educação de
Usuários (CEU).
A Biblioteca Universitária da UFC adota um modelo de gestão participativa,
constituído por Comissões Especializadas. O objetivo das Comissões Especializadas é:
[...] descentralizar as decisões, elas têm por objetivo diagnosticar e analisar
as necessidades de mudanças para a solução de problemas técnicos e
estruturais [...] de maneira científica, aprofundando questões relativas ao
fazer cotidiano, com ênfase especial à produção de conhecimentos e à
atuação em face do paradigma do acesso livre á informação científica.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÀ, 2014).

Nesse cenário, o objetivo da CEU é formalizar/institucionalizar as ações de
capacitação de usuários, indo além dos treinamentos oferecidos pelas bibliotecas,
desenvolvendo uma política de educação de usuários no Sistema de Bibliotecas e promovendo
a competência em informação na Universidade.

2 EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS E COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
A sociedade contemporânea (por vezes chamada “da informação”, “do
conhecimento”, “em rede”) demanda de seus profissionais o desenvolvimento de habilidades
para melhor uso e proveito da informação. Diante desta exigência a aprendizagem continuada

2081

�e independente é uma característica fundamental para qualquer profissional. De acordo com
Belluzzo (2005), na era da informação e do conhecimento as pessoas devem possuir alto grau
de compreensão no que diz respeito às competências para gerir e usar a informação.
As bibliotecas universitárias têm papel fundamental no processo educacional,
atuando na promoção dos recursos informacionais para o ensino e aprendizagem na educação
superior e no apoio à pesquisa. Assim, especialmente as bibliotecas universitárias vêm
desenvolvendo programas de educação de usuários para promover habilidades relacionadas
com a localização, seleção, acesso e utilização da informação. Segundo Fleming (1990, p. 9),
educação de usuários refere-se a:
[...] programas de instrução, educação e exploração oferecidos pelas
bibliotecas aos seus usuários para capacitá-los a fazer um uso mais eficaz,
eficiente e independente das fontes de informação, recursos e serviços que
estas bibliotecas oferecem.

A expressão Educação de Usuários tem sido utilizada desde os anos 70 na
literatura especializada em Biblioteconomia e Ciência da Informação, ás vezes também
encontrada sob outras expressões associadas a essas ações em bibliotecas tendo o usuário
como centro do processo de aprendizado: orientação bibliográfica, instruções sobre o uso da
biblioteca, treinamento de usuários (CAREGNATO, 2000). Não é objetivo desse trabalho
adentrar nas discussões sobre a terminologia, mas tornar público o modelo desenvolvido na
UFC de ações de Educação de Usuários para a promoção da competência em informação.
Dudziak (2001), avaliando o papel do Bibliotecário, verifica mudanças nas ações
do profissional como intermediário da informação, mediador do conhecimento e educador.
Como mediador, o Bibliotecário ensina o usuário a utilizar determinados recursos e
ferramentas informacionais, possibilitando desde a busca até a recuperação dos documentos
de interesse.
A Biblioteconomia e a Ciência da Informação, no que diz respeito ao
comportamento do usuário no processo de busca pela informação, têm tomado por base, para
fundamentar esses estudos, a Competência em Informação, área que tem observado bastantes
estudos nas últimas décadas e rica pela interdisciplinaridade com outras áreas, as quais
podemos citar, a educação, a psicologia, a comunicação, as ciências sociais e a informática.
Competência em informação, do inglês information literacy, refere-se ao
“Conjunto de competências que uma pessoa possui para identificar a informação, manipular
fontes de informação, elaborar estratégias de busca e localizar a informação, bem como
avaliar as fontes de informação” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 10).

2082

�Para a American Library Association (1989): “Para ser competente em
informação, a pessoa deve reconhecer quando precisa de informação e possuir habilidade para
localizar, avaliar e usar efetivamente a informação”. Na percepção de Belluzzo (2005) sobre
competência em informação, o destaque é no contexto educacional, focalizando o indivíduo e
a aprendizagem contínua na direção do desenvolvimento de competências para o domínio do
universo informacional e consequente sucesso na sociedade da informação.
Belluzzo (2005) analisa a competência em informação de acordo com três
concepções: a) digital - concepção com ênfase na Tecnologia da Informação e da
Comunicação; b) informação propriamente dita - concepção com ênfase nos processos
cognitivos; c) social - concepção com ênfase na inclusão social, consistindo em uma visão
integrada de aprendizagem ao longo da vida e exercício de cidadania.
Importante ressaltar que essas concepções estão imbricadas, de modo que a
competência em informação adquire abordagem variada, a partir de um processo crítico de
aprendizagem informacional que não se esgota na apreensão de habilidades e técnicas de uso
da informação. Neste sentido, numa perspectiva social, a aprendizagem em informação é
condição e subsídio para a prática crítica dos indivíduos no meio social.
Nesse sentido, abordamos a competência em informação neste trabalho como
elemento fundamental relacionado à formação de pessoas com espírito crítico, capazes de
acionar conhecimentos e habilidades voltadas para as suas necessidades de informação em
qualquer ambiente. Inclui aprendizado ao longo da vida e habilidade para atuar efetivamente
na sociedade da informação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Cientificamente, este estudo baseia-se na metodologia participativa da pesquisa-ação,
concebida por Thiollent (2011, p. 8) como um “conjunto de procedimentos para interligar
conhecimento e ação”, visando extrair da ação novos conhecimentos que irão transformar a
situação-problema. O método da pesquisa-ação consiste essencialmente em elucidar
problemas sociais e técnicos, cientificamente relevantes, reunindo os pesquisadores, os
membros da situação-problema e outros atores e parceiros interessados na transformação da
realidade, formulando respostas sociais, educacionais, técnicas e/ou políticas adequadas.
Assim, a pesquisa-ação é orientada em função de objetivos de transformação. Como
vantagem, a pesquisa-ação oferece aos pesquisadores e ao grupo de participantes os meios de
se tornarem capazes de responder com maior eficiência aos problemas da situação em que
vivem, em particular sob a forma de diretrizes da ação transformadora.

2083

�A pesquisa-ação pressupõe “uma forma de ação planejada de caráter social,
educacional,

técnico

ou

outro”

(THIOLLENT,

2011,

p.

14),

fundamentando

metodologicamente as ações de educação de usuários desenvolvidas pela Comissão de
Educação de Usuários do Sistema de Bibliotecas da UFC.

4 RESULTADOS
A Comissão de Educação de Usuários do Sistema de Bibliotecas da UFC atua no
desenvolvimento de ações de educação de usuários, voltadas para a competência em
informação da comunidade acadêmica, ofertando cursos, treinamentos e ferramentas que
auxiliem os usuários no desenvolvimento de sua aprendizagem, de forma independente e
autônoma. As ações são construídas a partir de reuniões periódicas dos bibliotecários
membros da CEU, onde é possível planejar e discutir as ações já firmadas, bem como
apresentar propostas que dinamizem o processo de uso da informação na pesquisa acadêmica
e científica. Listamos no Quadro A, a seguir, as atividades desenvolvidas pela Comissão:

Quadro A - Ações de Educação de Usuários desenvolvidas na UFC.
TREINAMENTOS/EVENTOS
Ação
Projeto
Descobrindo
Biblioteca

Objetivo

Periodicidade

Estabelecer
um Semestral
a primeiro contato entre
os novos alunos da
UFC e a Biblioteca.

Treinamento de Orientar os alunos que
Normalização
estão elaborando suas
monografias,
dissertações e teses,
quanto à padronização
de seus trabalhos de
acordo com as normas

Semestral
(também
ocorrendo sob a
demanda
dos
cursos)

Descrição
Apresentação do Sistema de
Bibliotecas
da
UFC
(regulamento;
serviços
ofertados; acervo; catálogo on­
line; autoatendimento (Meu
Pergamum);
Campanha
de
Preservação do Acervo.
As Coordenações de curso e
diretorias
de
unidades
acadêmicas podem solicitar
apresentações para sua Semana
de
Recepção,
através
de
agendamento junto à biblioteca
setorial que atende a seu curso.
Carga horária: 1 hora - 2 horas
(de acordo com a demanda)
Apresentação dividida em três
módulos:
Normalização
de
trabalhos
acadêmicos,
Elaboração de Citações e
Elaboração de referências.
Carga horária: 3 horas

2084

�da ABNT.
o Anual
Maratona
do Promover
Conhecimento
desenvolvimento
de
habilidades
relacionadas à busca,
acesso e utilização de
informações
para
construção
do
conhecimento.
Treinamentos em
bases de dados
especializadas

Apresentação de ferramentas e
fontes de informação acadêmica
(Portal de Periódicos da CAPES,
bases de dados especializadas).

Sob demanda

CURSO
Curso Biblioteca
Pra
Quê
Te
Quero?: iniciação
à pesquisa e ao
uso de recursos
informacionais

Capacitar os discentes Semestral
no uso dos recursos
informacionais e na
elaboração de trabalhos
acadêmicos.

Conteúdo programático:
Fontes de informação oferecidas
pela BU (Biblioteca Digital de
Teses
e
Dissertações,
Repositório Institucional, Portal
de Periódicos da CAPES), Uso
da internet na pesquisa científica
e Normalização de trabalhos
acadêmicos.
Carga horária: 16 horas.

Fonte: Elaborado pelos autores (2013).

Além dessas ações, também foram desenvolvidos Tutoriais como guias rápidos para
demandas específicas dos usuários, disponíveis na página da Biblioteca Universitária da
Universidade Federal do Ceará. Já foram publicados cinco tutoriais: Pesquisa básica no
Catálogo online; Pesquisa na BDTD; Acesso remoto via CAFe ao Portal de Periódicos da
CAPES; Como localizar livros na estante; Guia para submissão de teses e dissertações na
BDTD.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas universitárias devem estar preparadas para oferecer serviços de
qualidade para a promoção e desenvolvimento da competência em informação, tão
fundamental na conjuntura atual. Assim devem oferecer serviços de educação de usuários,
com objetivos que englobem sua promoção, de seus serviços e das fontes de informação nos
contextos acadêmico e científico.
O trabalho cooperativo realizado pela CEU mostra-se bastante eficaz neste sentido,
identificando demandas, fazendo parcerias com professores, construindo ferramentas de

2085

�acesso à informação e intensificando capacitações e treinamentos cujo objetivo visa à
melhoria no processo de busca e uso da informação científica.

REFERÊNCIAS
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Presential Comittee on Information Literacy. Final
Report.

Chicago,

1989.

Disponível

em:

&lt;http://www.ala.org/ala/acrl/acrlpubs/whitepapers/presential.htm #importance&gt;. Acesso em:
18 ago. 2013.
BELLUZZO, Regina Célia Baptista. Competências na era digital: desafios tangíveis para
bibliotecários e educadores. In: Educação Temática Digital, Campinas, v. 6, n. 2, p. 27-42,
jun. 2005.
CAREGNATO, Sônia Elisa. O desenvolvimento de habilidades informacionais: o papel das
bibliotecas universitárias no contexto da informação digital em rede. Revista de
Biblioteconomia e Comunicação, Porto Alegre, v. 8, p. 47-55, jan./dez. 2000.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de
Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana. A information literacy e o papel educacional das
bibliotecas. 2001. 187 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação e Documentação)
- Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
FLEMING; H. (Ed). User education in academic libraries. London: The Library
Association Record, 1990.
THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
UNIVERSIDADE

FEDERAL

Especializadas

de

DO

Estudo.

CEARÁ.

Biblioteca

Fortaleza,

Universitária.

[2014].

Comissões

Disponível

em:

&lt;http://www.biblioteca.ufc.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=402&amp;Itemid=
26&gt;. Acesso em: 22 abr. 2014.

2086

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Apresenta as ações voltadas para a competência em informação desenvolvidas pela Comissão de Educação de Usuários do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. Utiliza a metodologia participativa da pesquisa-ação, como base para as atividades desenvolvidas. Os resultados apontam enfaticamente para o trabalho cooperativo e intervencionista em torno da competência em informação, contribuindo para o melhoramento do processo de busca e uso da informação dos usuários na Universidade Federal do Ceará.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MUDANÇAS E DESAFIOS NA BIBLIOTECA DO SEBRAE RJ: UM ESTUDO DE
CASO
Leandro Pacheco de Melo
Thalita Oliveira da Silva Gama
Karolyne Sousa Amaral
RESUMO
Aborda a trajetória do Centro de documentação e Informação (CDI) na empresa Sebrae/RJ,
analisando os desafios e mudanças ocorridas ao longo dos seus 16 anos de existência.
Fundamenta-se em teóricos da área da biblioteconomia como Cortez, Maciel, Almeida e
Amaral. Buscando-se enfatizar o planejamento de espaço físico, planejamento estratégico e o
papel do bibliotecário nessas mudanças. Chega-se ao resultado de uma nova identidade visual
para a biblioteca, um novo espaço físico e novos serviços e produtos. Concluí-se que ainda há
muito que fazer para tornar essa biblioteca especializada uma fonte de pesquisa, como um
repositório para os materiais gerados pelo Sebrae. Além disso, buscamos que o acervo
armazenado no CDI seja conhecido de todos os possíveis interessados, pesquisadores e
potenciais empreendedores.
Palavras-Chave: Empreendedorismo. Biblioteca especializada. Estudo de caso.

ABSTRACT
Discuss the history of the Center for Documentation and Information (CDI) in company
Sebrae/RJ, analyzing the challenges and changes over its 16 years of existence. It is based on
theoretical area of bibliotheconomy as Cortez, Maciel, Almeida and Amaral. Seeking to
emphasize the physical space planning, strategic planning and the role of the librarian in these
changes. You get to the result of a new visual identity for the library, a new space physical
and new services and products. It is concluded that there is still much to do to come this
specialized library source of research as a repository for materials generated by Sebrae. In
addition to searching the collection stored in the CDI is known to all potential stakeholders,
researchers and potential entrepreneurs.
Keywords: Entrepreneurship. Specialized library. Study of case

1 INTRODUÇÃO
Trata da história do Centro de Documentação e Informação (CDI) do Serviço de
Apoio às Micro e Pequenas empresas do Estado do Rio de Janeiro (SEBRAE/RJ), trajetória e
desafios atuais. O objetivo principal é mostrar como uma equipe motivada e empenhada
consegue superar obstáculos e transformar a realidade de uma biblioteca e também oferecer
nossa experiência e vivência a outros profissionais. Justifica-se, por entendermos que o estudo

2980

�de caso é essencialmente um instrumento pedagógico que deve servir para o aprendizado de
como agir em situações reais e quais podem ser as consequências das ações empregadas.
Desde sua fundação como Centro de Assistência Gerencial do Estado do Rio de
Janeiro (CEAG/RJ), em 12 de maio de 1977, até os dias atuais, o SEBRAE/RJ vem atuando
para fomentar o desenvolvimento e a competitividade das micro e pequenas empresas.
Em 1997, a crescente demanda por informação por parte dos clientes do SEBRAE/RJ
a necessidade de resgatar e registrar a memória institucional, fez com que se montasse uma
estratégia para implantação de um CDI que foi inaugurado em 1998, cujo objetivo era
contribuir para a formulação da nova imagem do SEBRAE/RJ, junto ao cliente.
Os objetivos específicos do CDI eram dar agilidade e confiabilidade às informações no
atendimento ao cliente da Rede de Balcões, disponibilizar as bases de dados do SEBRAE/NA
e disponibilizar, pela Intranet, serviços de informação como: clipping, sumários correntes,
Disseminação Seletiva da Informação (DSI). Em 2008, foi gerado um retrato estratégico dos
pontos fortes e fracos da Unidade, conforme descrito abaixo:

Quadro 1: Retrato estratégico do CDI (2008)
PO NTO S FO RTES

PO NTO S FRACOS

Credibilidade

Estrutura física e de pessoal

Expertise no tratamento da informação
Pesquisas fundamentadas em fontes fidedignas
Adequação de conteúdos para o cliente
Reconhecimento dos clientes internos e externos

Pessoal insuficiente
Alta rotatividade de estagiários, que executam
tarefas fundamentais
Burocracia na contratação de terceirizados
Espaço físico pequeno para a demanda

E sp írito de eq u ip e

In teg ra çã o com ou tras áreas

Equipe coesa, respeito e entendimento entre as Pouca visibilidade do CDI nas áreas internas, que
pessoas
não demandam solicitações por desconhecimento
da utilidade do setor, de seus produtos e serviços
Informações e decisões compartilhadas por toda A comunicação interna rígida na instituição
equipe
impacta no desenvolvimento de produtos e
serviços
F oco n o clien te

A m ea ça s

Os produtos e serviços são desenvolvidos com Não trabalhar em rede com as demais Unidades
base na demanda dos clientes
de Informação do Sistema SEBRAE espalhadas
pelo país
As demandas dos clientes são atendidas, Risco de aprimorar, divulgar, gerar novas
independentemente de sua complexidade e demandas e não ter estrutura para atendê-las
origem (nenhuma pergunta sem resposta)
Agregação de valor às informações oferecidas Contratação, pelas áreas internas, de serviços
aos clientes
externos que dizem respeito à expertise do CDI
Fonte: Consultora externa Pérola Akrman

2981

�2 REVISÃO DE LITERATURA
Segundo Cortez (1987) o CDI é a unidade responsável pelas atividades que envolvem
a organização, memória e difusão da documentação produzida pela instituição mantenedora,
por estímulos a produção de documentos de natureza técnica que registram o conhecimento
adquirido por experiências (relatórios técnicos, normas, etc.) e pela padronização de materiais
bibliográficos produzidos pela instituição.
Ações foram adotadas e com o passar do tempo, muitas foram ajustadas para que o
CDI alinhasse seu foco. Em 2013, uma total renovação na equipe ocorreu, possibilitando um
diagnóstico mais neutro quanto à sua atuação, papel e infraestrutura dentro do SEBRAE/RJ.
Com o intuito de dar início a uma nova etapa no CDI, montou-se um plano de
marketing que teve por objetivos analisar o mercado, promover e divulgar os produtos e
serviços do CDI para o público externo e interno, conquistar e manter os clientes e tornar a
biblioteca reconhecida no mercado. E como propôs Almeida (2009) “a criação de novos
serviços em unidades existentes pode implicar a necessidade de adaptação ou ampliação de
espaço, a fim de garantir condições adequadas a seu desenvolvimento com qualidade”, e essa
necessidade realmente surgiu após esse levantamento.
Atualmente, somos o acervo mais especializado em empreendedorismo no Estado do
Rio de Janeiro e devemos utilizar isso a nosso favor, tanto para os clientes externos quanto
para os internos. Nesta nova fase que o CDI se encontra, estamos buscando chegar a esse
nível de espaço físico, inteligente e adequado às necessidades dos usuários e da equipe.

3 Materiais e Métodos

O plano de marketing propôs:
Estratégias gerais para o cliente interno:
•

Apresentação do CDI nas ambientações dos novos colaboradores e estagiários;

•

Folheto com as informações mais importantes sobre os direitos e deveres do usuário,
sobre os serviços oferecidos e sobre as formas de acesso ao nosso catálogo;

•

Marca página;

•

Cartazes de divulgação nos Escritórios regionais do SEBRAE e em locais estratégicos;

•

Campanha de incentivo à leitura;

•

Criação de um acervo de literatura;

•

Assinatura de jornais;

2982

�•

Ampliação das assinaturas de revistas;

•

Criação de uma embalagem personalizada para o envio dos malotes.

Para o cliente externo:
•

Anúncio na TV corporativa buscando incentivar os clientes que esperam atendimento
a conhecerem melhor o CDI;

•

Produzir folder divulgando o CDI e seus serviços para serem entregues na abertura ou
no decorrer dos treinamentos ministrados no SEBRAE/RJ;

•

Construção de uma página no site do SEBRAE/RJ contendo informações básicas
sobre o CDI, como horário de funcionamento, produtos e serviços.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Algumas iniciativas foram tomadas pelos bibliotecários que atuam no CDI, como uma forma
de impulsionar os serviços do CDI. Dentre estas iniciativas, foi proposta a criação de uma
identidade visual da biblioteca, com o intuito de personalizar os serviços prestados e ampliar
o reconhecimento da biblioteca perante o cliente interno e externo. Como produto final deste
projeto, foi elaborada uma logo marca que pode ser observada na figura a seguir:

Centro de
Documentação e
Informação

Figura 1 : Logo marca do CDI

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Como pode ser obervado, o marketing é uma ferramenta essencial para delinear a
promoção dos serviços de informação de uma unidade de informação. Do ponto de vista
sistêmico, o plano de marketing embasa as diretrizes no âmbito organizacional, constituindo
como uma atitude ou filosofia de ação administrativa, que busca entender e preencher as
necessidades informacionais dos usuários (SILVEIRA; GONTIJO, 1987).

2983

�A metodologia de mobilização e incentivo para maior valorização da biblioteca
inserida no contexto de uma organização é uma das funções desempenhas pelo profissional
bibliotecário. No entanto, é de fundamental importância o apoio da alta administração da
organização para que esta mudança cultural de uso efetivo da biblioteca ocorra.
Pretende-se no futuro estruturar um convênio com universidades oferecendo nosso
acervo aos alunos, através de empréstimo entre biblioteca, ampliando mais ainda nosso
objetivo de tornar os materiais gerados pelo SEBRAE/RJ e armazenados no CDI conhecidos
de todos os possíveis interessados, pesquisadores e potenciais empreendedores.
6 Referências
AMARAL, Sueli Angélica do. Marketing: abordagem em unidades de informação. Brasília:
Thesaurus, 1998.
AMARAL, Sueli Angélica do. Promoção: o marketing visível da informação. Brasília:
Brasília Jurídica, 2001.
ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. Planejamento de bibliotecas e serviços de
informação. 2.ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2005.
MACIEL, Alba Costa ; MENDONÇA, Marília Alvarenga Rocha. Bibliotecas como
organizações. Rio de Janeiro: Interciência; Niterói: Intertexto, 2000.
CENTRO DE ASSISTÊNCIA GERENCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Ata de
constituição da sociedade civil Centro de Assistência Gerencial do Estado do Rio de
Janeiro - CEAG/RJ. Rio de Janeiro, 12 de maio de 1977. (Documento manuscrito).
CORTEZ, Maria Tereza. Centro de documentação. 2. ed. São Paulo: M. T. Cortez, 1987.
GRECO, Simara Maria de Souza Silveira (Coord.). Empreendedorismo no Brasil: relatório
executivo: 2012.

Curitiba: IBQP, 2012. (Global Entrepreneurship Monitor - GEM).

Disponível em: &lt;http://www.ibqp.org.br/img/projetos/downloads /arquivo_ 201305 0211404
3.pdf&gt;. Acesso em: 15 abr. 2013.
SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO ESTADO DO RIO DE
JANEIRO. Estatuto social: nova redação aprovada pelo Conselho Deliberativo em 13 de
outubro de 1997. Rio de Janeiro, 1998.
SILVEIRA, Amélia; GONTIJO, Marília Salgado (Orgs ). Marketing de bibliotecas e
serviços de informação: textos selecionados. Brasília: IBICT, 1987.

2984

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Mudanças e desafios na Biblioteca do Sebrae RJ: um estudo de caso</text>
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                <text>Melo, Leandro Pacheco, Gama, Thalita Oliveira da Silva, Amara, Karolyne Sousa</text>
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                <text>Aborda a trajetória do Centro de documentação e Informação (CDI) na empresa Sebrae/RJ, analisando os desafios e mudanças ocorridas ao longo dos seus 16 anos de existência. Fundamenta-se em teóricos da área da biblioteconomia como Cortez, Maciel, Almeida e Amaral. Buscando-se enfatizar o planejamento de espaço físico, planejamento estratégico e o papel do bibliotecário nessas mudanças. Chega-se ao resultado de uma nova identidade visual para a biblioteca, um novo espaço físico e novos serviços e produtos. Concluí-se que ainda há muito que fazer para tornar essa biblioteca especializada uma fonte de pesquisa, como um repositório para os materiais gerados pelo Sebrae. Além disso, buscamos que o acervo armazenado no CDI seja conhecido de todos os possíveis interessados, pesquisadores e potenciais empreendedores.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

QUALIDADE NO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: O CASO DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA
CENTRAL DA UECE
Thelma Marylanda Silva de Melo
Virgínia Bentes Pinto

RESUMO
Tem-se como objetivo avaliar a qualidade dos serviços disponibilizados pelo setor de
referência da Biblioteca Central da Universidade Estadual do Ceará (UECE), aos estudantes
dos cursos de pós-graduação strictu sensu. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório,
de natureza quantiqualitativa. Na estratégia de pesquisa foi usado o estudo de caso. A coleta
de dados foi feita, mediante questionário semiestruturado. Diagnosticou-se que os estudantes
desconhecem os serviços oferecidos pelo setor. Espera-se que a UECE utilize esses resultados
a fim de proporcionar alternativas com relação à biblioteca central, de modo geral, pois, com
a expansão dos novos cursos de graduação e pós-graduação, é de esperar que nas ações de
planejamento da universidade a biblioteca seja efetivamente contemplada.

Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Qualidade do serviço de referência; Avaliação de
serviços.
ABSTRACT
Thus, this research aims to evaluate the quality of the services provided by the reference
sector of the Central Library from the Universidade Estadual do Ceará (State University of
Ceara/UECE), to the strict sensu. This is an exploratory and also qualitative and quantitative.
In the research strategy it was used the case study. Data collection was done through a semi­
structured questionnaire. It was diagnosed in the results that the students do not know the
services offered in the sector. It is hoped that this university to use these results in order to
provide alternatives concerning the central library, in general, because of the expansion of
new undergraduate and graduate courses, it is expected that the planning activities of the
university library is effectively addressed.

Keywords: University library; Reference services quality; Services evaluation.

1 INTRODUÇÃO
O século XX promoveu mudanças profundas nas organizações. Para agilizar esse
processo, as empresas precisaram se apoiar em técnicas administrativas, no sentido de garantir
a lucratividade.

3601

�Na literatura especializada nacional, na área da Ciência da Informação, o termo
“qualidade” vem ganhando força, sendo muito extenso os relatos e experiências adquiridas
por meio da obtenção da qualidade (VALLS; VERGUEIRO, 2006).
Hoje, a qualidade é fator essencial para que as empresas sobrevivam, sendo perseguida
por grande parte das organizações. São diversos pontos de vistas exigindo investimento em
informação científica e tecnológica em diversos suportes, dando aos clientes serviços e
produtos que satisfaçam as necessidades competitivas de um mercado cada vez mais
globalizado.
Conforme as considerações expostas, o objetivo da pesquisa é avaliar a qualidade dos
serviços oferecidos pelo setor de referência da Biblioteca Central Prof. Antônio Martins Filho,
da Universidade Estadual do Ceará (UECE), aos estudantes dos Cursos de Pós-Graduação
desta universidade, a partir de uma política pública de informação para o setor cujo problema
é: De que modo está sendo avaliada a qualidades desses serviços para esses estudantes?
Como justificativa, destaca-se a importância deste trabalho pelo fato de perceber que
as mudanças que veem ocorrendo na sociedade contemporânea exigem o atender os usuários
com qualidade, visando a satisfação e avaliação dos serviços prestados a comunidade
acadêmica.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Segundo Bentes Pinto (1993, p. 133), “a qualidade está merecendo destaque cada vez
mais acentuado na sociedade atual, principalmente no que diz respeito ao fornecimento de
produtos e serviços abrangendo também as próprias condições de vida.” Porém, obter qualidade
total não é somente melhorar o desenvolvimento sociopolítico, técnico e econômico das nações,
mas fundamentalmente a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos (BENTES PINTO, 1993).
Partindo dessa premissa, as bibliotecas, em geral, vivem em constante evolução, no
âmbito tecnológico e gerencial e, nas universitárias, não poderia ser diferente, porque buscam
melhorias para garantir um ambiente satisfatório aos usuários, visto que, o produto é a
informação, que cada dia se transforma em termos de atualização e evolução de conceitos,
hábitos e procedimentos da sociedade atual.
No Brasil, os primeiros relatos sobre a aplicação da qualidade nos serviços de
informação surgiram em meados da década de 1990 com alguns trabalhos pioneiros acerca da
temática praticados nas indústrias. Em destaque: Areco (1992), Belluzzo e Macedo (1993),
Bentes Pinto (1993), Rocha e Gomes (1993), Rocha Filho (1995), Silva et al. (1995),
Vergueiro (1995), Barbalho (1996), Valls e Vergueiro (2006). Portanto, como podemos

3602

�observar, foi nas escolas e faculdades de Biblioteconomia, hoje Ciência da Informação, que o
tema da qualidade em bibliotecas ganhou notoriedade, por meio de estudos e análises teóricas
desenvolvidas, segundo corrobora Valls e Vergueiro (2006).
Melhorar a qualidade dos serviços de informação nas bibliotecas universitárias
implica, hoje, deixar seu usuário satisfeito com a qualidade do que lhe é oferecido,
preocupação esta prioritária, por parte dos bibliotecários que administram os serviços e
treinam seu “s ta ff para satisfazer clientela, conquistando reconhecimento perante a
comunidade universitária. Nesta perspectiva, Belluzzo e Macedo (1993, p. 124) afirmam: “o
interesse pela qualidade em serviços de informação em bibliotecas universitárias surgiu como
resultado da preocupação com a questão do treinamento de recursos humanos em bibliotecas
universitárias” .
A literatura sobre a qualidade dos serviços ofertados pelas bibliotecas demonstra que o
foco da atenção se deslocou dos processos (sistemas) para os usuários (BEZERRA, 2010).
Hoje as avaliações geridas pelas bibliotecas universitárias buscam obter a percepção do
usuário em relação a todas as dimensões que compõem o sistema biblioteca.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Neste estudo, foi adotada a pesquisa de caráter exploratório, que proporciona uma
visão geral de determinado fato, na qual o pesquisador terá contato com a realidade e,
segundo Severino (2007, p. 123), “busca apenas levantar informações sobre um determinado
objeto, delimitando assim um campo de trabalho mapeando as condições de manifestação
desse objeto.” Utilizou a pesquisa exploratória, tendo em vista, proporcionar maior
familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito e por se caracterizar em
um estudo de caso da biblioteca ora em estudo.
Na estratégia de pesquisa, adotou-se a postura metodológica do estudo de caso. O
mesmo pode ser sobre indivíduos, instituições, comunidade etc.” (GIL, 1999).
O campo de realização do estudo foi a Biblioteca Central (BC) Professor Antônio
Martins Filho, da Universidade Estadual do Ceará. O instrumento de coleta de dados
constituiu-se de um questionário semiestruturado. A utilização do questionário serviu para
avaliar a opinião dos respondentes com relação ao objetivo proposto.
A pesquisa empírica foi realizada com os estudantes dos Cursos de Pós-Graduação Stricto
Sensu, do Campus do Itaperi da UECE, selecionados de modo intencional, em função dos cursos
presentes no Campus do Itaperi. A coleta de dados foi realizada com a aplicação, por meio
eletrônico, dos questionários, de acordo com o número ofertado de vagas dos mestrados e

3603

�doutorados do Campus do Itaperi da UECE. A pesquisadora recebeu 50 questionários, dos
quais foi possível realizar análises estatísticas cabíveis. Esses questionários foram enviados
durante os meses de novembro e dezembro de 2011.
Após o levantamento dos dados, foram estes organizados em gráficos e tabela, quando
foi realizada uma análise quantitativa. Fez-se, ainda, a análise qualitativa, compreendendo
uma realidade específica e investigando um fenômeno atual dentro do seu real contexto. Os
dados foram processados na planilha eletrônica EXCEL.

4 RESULTADOS FINAIS
Visando a uma melhor compreensão dos resultados, adotou-se, para cada fala dos
sujeitos da pesquisa, letras maiúsculas seguidas de algarismos arábicos, conforme ilustrado a
seguir: Mestrandos (M1 a M43) e Doutorandos (D1 a D50).
O propósito primordial desta pesquisa é avaliar a qualidade dos serviços oferecidos
pelo setor de referência da Biblioteca Central Prof. Antônio Martins Filho, da UECE, pelos
estudantes dos cursos de pós-graduação strictu sensu desta universidade, visando a uma
proposta de política pública de informação.
Notamos, no Gráfico 1, que 48% dos respondentes disseram “sim”, ou seja,
consideram os serviços relevantes às suas necessidades acadêmicas, isto é, o que eles
conhecem, satisfaz o que é procurado para suas atividades. Os 46% restantes responderam
“não”, afirmando que alguns dos serviços são limitados e desatualizados, longe do desejável
em relação à quantidade, qualidade e variedade. Estes fatores são observados nos relatos
abaixo:
“o pouco acesso às bases de dados.” (M6)
“falta de organização e planejamento da biblioteca em geral, inclusive, esse setor.”
(M5)
“periódico impresso, desatualizado e não corrente para pesquisa.” (M4)
“demora na abertura dos setores, áudio, vídeo e no levantamento bibliográfico.”
(M2)

Outros participantes apontaram desconhecer os produtos e serviços oferecidos pela
BC, como pode ser observado nos depoimentos
“desconheço os serviços do setor.” (M27)
“não sei só visitei” (M34)
“pouco utilizei a biblioteca da UECE” (M46)

Essas respostas nos dão uma pista da necessidade de se pensar em um planejamento de
marketing, de modo a visibilizar as ações da BC junto à comunidade acadêmica da UECE.

3604

�Reconhecemos que os treinamentos de usuários, feitos sempre no inicio de cada semestre, são
uma forma de divulgação. No entanto, devido a não continuidade deles ao longo do semestre,
em razão da deficiência de pessoal para esta atividade, é de se esperar que os usuários nem se
dêem conta de que esses serviços existem, continuamente, na BC.

Gráfico 1 - Os serviços oferecidos no atendimento pelo setor de referência da BC

5 CONSIDERAÇÕS FINAIS
O presente diagnóstico revelou que os estudantes desconhecem alguns dos serviços
oferecidos pelo setor de referência e seu uso para o estudo e a pesquisa. Portanto, nesse
aspecto, percebe-se a necessidade da promoção dos serviços oferecidos pelo setor, visto que a
maioria dos respondentes desconhece o serviço de referência. Ainda neste quesito, foi
colocada a falta de treinamento para o uso de ferramentas auxiliares da recuperação da
informação, no que diz respeito aos serviços oferecidos.
Acredita-se que o serviço de referência das bibliotecas, em especial as universitárias,
seja a porta de entrada para os usuários, pois iria direcioná-los em suas consultas locais ou
remotas e no uso dos recursos informacionais. E que, sem a avaliação, etapa que possibilita a
melhoria dos serviços e produtos e promove a qualidade que faz a diferença entre o que o
serviço oferece e o que de fato o cliente anseia desse serviço, não se teria, de fato, a satisfação
do usuário.
Nesta perspectiva e ainda como resultado da pesquisa, recomenda-se:
a) aumento e atualização do acervo bibliográfico pertinente as obras de referência
b) envolvimento da administração superior com a biblioteca no processo de aplicação
da qualidade e avaliação dos serviços/produtos;
c) estabelecimento de melhorias contínuas dos produtos e serviços a serem prestados.

3605

�Espera-se ainda, que este trabalho possa fornecer contribuições para todos aqueles que
se interessam pelo tema “serviço de referência” e, também, para que a UECE utilize esses
resultados a fim de proporcionar alternativas com relação à biblioteca central, de modo geral,
pois, com a expansão dos novos cursos de graduação e pós-graduação, é de se esperar que nas
ações de planejamento da universidade a biblioteca seja efetivamente contemplada..

6 REFERÊNCIAS
ARECO, A. M. B. Qualidade total: a nova aspiração bibliotecária. In: CONGRESSO DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO

E

CIÊNCIA DA

INFORMAÇÃO

E

ENCONTRO NACIONAL EM INFORMAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO JURÍDICA, 4.,
1992, São Paulo. Anais... São Paulo: APB, 1992, p. 98-103.
BARBALHO, C. R. S. Gestão pela qualidade: referencial teórico. Transinformação,
Campinas, v. 8, n. 3, p. 97-120, set./dez. 1996.
BELLUZZO, R. C. B.; MACEDO, N. D. de. A gestão da qualidade em serviços de
informação: contribuição para uma base teórica. Ci. Inf., v. 22, n. 2, p. 124-32, maio/ago.
1993.
BENTES PINTO, V. Informação: a chave para a qualidade total. C. Inf., Brasília, v. 22, n. 2,
p. 133-137, maio/ago. 1993.
BEZERRA, N. A. Avaliação da qualidade dos serviços das bibliotecas universitárias

segundo os usuários discentes. Dissertação (Mestrado Profissional em Políticas Públicas e
Gestão da Educação Superior)-Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2010.
GIL. A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. 206 p.
ROCHA, E. C.; GOMES, S. H. de A. Gestão de qualidade e unidade de informação. Ciência

da informação, Brasília, v. 22, n. 2, p. 142-153, maio/ago. 1993.
ROCHA FILHO, J. Q. da. Qualidade total em serviços de informação: o caso da siderúrgica
nacional. In: INFOIMAGEM, 1995, São Paulo. Anais... São Paulo: CENADEM, 1995.
SILVA, A. M. dos S. et al. O plano da gestão da qualidade e sua implantação na rede de

bibliotecas UNESP : relato de uma experiência. São Paulo: APB, 1995 (Ensaios APB, n. 24).
VALLS, V. M.; VERGUEIRO, W. de C. S. A gestão da qualidade em serviços de informação
no Brasil: uma nova revisão de literatura, 1997 a 2006. Perspectiva em Ciência da

Informação, Brasília, v. 11, n. 1, p. 118-137, jan./abr. 2006.
VERGUEIRO, W. Gestão da qualidade em bibliotecas públicas: o difícil caminho para as
instituições brasileiras. São Paulo: APB, 1995. (Ensaios APB, n. 25).

3606

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Tem-se como objetivo avaliar a qualidade dos serviços disponibilizados pelo setor de referência da Biblioteca Central da Universidade Estadual do Ceará (UECE), aos estudantes dos cursos de pós-graduação strictu sensu. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, de natureza quantiqualitativa. Na estratégia de pesquisa foi usado o estudo de caso. A coleta de dados foi feita, mediante questionário semiestruturado. Diagnosticou-se que os estudantes desconhecem os serviços oferecidos pelo setor. Espera-se que a UECE utilize esses resultados a fim de proporcionar alternativas com relação à biblioteca central, de modo geral, pois, com a expansão dos novos cursos de graduação e pós-graduação, é de esperar que nas ações de planejamento da universidade a biblioteca seja efetivamente contemplada.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS NECESSÁRIAS À ATUAÇÃO DOS
BIBLIOTECÁRIOS GESTORES DE PESSOAS NAS BIBLIOTECAS DA REDE
FEDERAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA.
Aline Rodrigues de Lima Mendes
Virgínia Bentes Pinto

RESUMO
A pesquisa teve como propósito identificar as competências essenciais dos bibliotecários
gestores de pessoas nas bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional Científica e
Tecnológica, buscando responder ao seguinte questionamento: quais são as competências
essenciais que o bibliotecário precisa ter para assumir a função como gestor de pessoas nas
bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica? Teve como
objetivo identificar, na visão dos bibliotecários-gestores, as competências essenciais para sua
atuação na gestão de pessoas nas bibliotecas da Rede EPCT. Para tanto, se buscou
embasamento teórico sobre competências, competências essenciais (core competences),
gestão de pessoas e bibliotecas universitárias. A pesquisa, quanto aos objetivos foi
classificada como exploratória, com abordagem qualiquantitativa, sendo o levantamento de
dados feito mediante questões semiestruturadas (abertas e fechadas). Quanto ao ambiente, é
classificada como de campo, sendo que o método de sustentação das análises se fundamenta
na abordagem estruturalista. Responderam ao questionário 42 bibliotecários gestores de
pessoas o que corresponde a 9,56% do universo da pesquisa, que é 439 bibliotecários. A
análise dos dados e a discussão dos resultados demonstram que as competências essenciais
necessárias para subsidiar as práticas da gestão de pessoas pelos bibliotecários nas bibliotecas
da Rede EPCT, apontadas por esses profissionais são: gestão de pessoas, liderança, trabalho
em equipe, fazer biblioteconômico (práticas do bibliotecário), comunicação, relacionamento
interpessoal, responsabilidade, visão holística e compromisso.
Palavras-Chave: Competências essenciais. Gestão de pessoas. Bibliotecário gestor de
pessoas.

ABSTRACT
The research aimed to identify the core competencies of people managers librarians in the
libraries of the Federal Network of Vocational Science and Technology, seeking to answer the
following question: what are the essential skills that librarians need to have to take on the role
as manager of people the libraries of the Federal Network of Scientific and Technological
Vocational Education? Aims to identify, in the view of librarians, managers, core
competencies for their role in managing people in libraries EPCT Network. To this end, we
sought theoretical foundation in skills, essential skills (core competencies), people
management and academic libraries. Research as to the objectives was classified as
exploratory, with qualitative and quantitative approach, with data collection done by semi­
structured questions (open and closed). For the environment, it is classified as a field, and the

897

�method of support of the analyzes is based on structuralist approach. 42 managers answered
the questionnaire librarians of people which corresponds to 9.56% of the survey, which is 439
librarians. Data analysis and discussion of the results demonstrate that the essential skills
needed to support the practices of people management by librarians in the libraries of EPCT
Network, pointed out by these professionals are: people management, leadership, teamwork,
do librarianship (practices librarian), communication, interpersonal relationships,
responsibility, commitment and holistic vision.
Keywords: Core competence. People management. Librarian manager of people.

1 INTRODUÇÃO
As mudanças advindas do avanço científico e tecnológico, principalmente oriundas do
aparecimento das tecnologias eletrônicas e digitais de informação e comunicação, alteraram a
dinâmica das organizações e das pessoas, pois introduziram a ideia de desterritorialização,
bem como expandiram o conceito de globalização e gestão, o que será tratado com
profundidade no próximo item.

Esse fato, além de se concretizar consubstancialmente,

possibilita outras perspectivas, tanto do ponto de vista das tecnologias como também em
estudos acerca da gestão de pessoas nas organizações.
Baseando-nos em Nunes (2006), entendemos que o termo gestão configura-se como
conjunto de atividades com o intuito de utilizar os recursos da organização de maneira eficaz
com a finalidade de atingir determinados objetivos. Já a gestão de pessoas, para Fleury
(2002), é entendida como a união de políticas e práticas determinadas pela organização, que
visa dar orientação ao comportamento das pessoas em suas relações no ambiente onde
trabalham.
Ora, se vivemos em uma sociedade cujas mudanças de paradigmas se efetivam em
todos os campos de saberes, naturalmente, também, deparamos novas opções referentes à
gestão de pessoas, independentemente de serem organizações públicas ou privadas,
industriais, comerciais ou de prestação de serviços educacionais e culturais, como é o caso,
por exemplo, das bibliotecas universitárias, mesmo que tenham características escolares. A
temática concernente à gestão de pessoas trazida para as organizações, instituições, no caso
aqui as bibliotecas, é de fundamental importância para ajuntar valor ao trabalho dos
profissionais da informação - bibliotecários - que lidam com sua equipe de trabalho
diariamente, mediando conflitos e estabelecendo relações positivas com essas pessoas,
sensibilizando-as para que suas ações venham ao encontro de objetivos comuns, tanto para
elas - as pessoas - quanto para a instituição na qual estão inseridas. Portanto, esse profissional

898

�precisa atuar com a devida competência, de modo a trazer resultados positivos na prestação de
serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas onde atuam como gestores.
Tomando por base as reflexões de Fleury (2002), entende-se por competência a
capacidade de o ser humano fazer algo com determinada qualidade, em tempo hábil e com
certo grau de complexidades. É, pois, observando esses aspectos que esta pesquisa se insere e
busca responder ao seguinte questionamento: quais são as competências essenciais que o
bibliotecário precisa ter para assumir a função como gestor de pessoas nas bibliotecas da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT)?
A motivação para pesquisar esse tema surgiu em 2009, quando estávamos assumindo
coordenação de geral de cinco bibliotecas escolares de uma instituição de ensino localizada
em Fortaleza-CE. Nessa nossa experiência em gerenciar uma equipe bastante diversificada de
pessoas, desde aquelas que possuíam graduação em Biblioteconomia, até os “menores
aprendizes” que atuavam nessas bibliotecas, deparamos problemas advindos da complexidade
do ser humano no cotidiano do seu trabalho. Notamos que não estávamos com preparo para
lidar com questões de conflitos entre a equipe e outros originários da relação entre os
colaboradores e os usuários dessa rede de bibliotecas.
O objetivo geral deste escrito consiste em identificar na visão dos bibliotecáriosgestores, as competências essenciais para sua atuação na gestão de pessoas nas bibliotecas da
Rede EPCT. Para isso, definiu-se como objetivos específicos: verificar, junto aos
bibliotecários gestores, a percepção sobre as competências essenciais necessárias para
subsidiar as práticas da gestão de pessoas nas bibliotecas da Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT), e averiguar se os bibliotecários gestores
de pessoa fazem uso de alguma técnica ou ferramenta da administração na gestão de suas
equipes de trabalho.
Os campos de pesquisa para o estudo empírico foram as bibliotecas da Rede Federal
de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT), em 38 institutos federais
com 366 unidades (campi), atuando em todos os estados do Brasil, dentre os quais estão os
institutos federais, as universidades tecnológicas, os CEFETS e as escolas técnicas vinculadas
às universidades. A Rede EPCT, tem início em 1909, com a criação das escoas de Aprendizes
e Artífices, pelo presidente da República, na época, Nilo Peçanha. Essas escolas, se tornaram,
em seguida escolas técnicas federais (ETFs), quando posteriormente surgiram os centros
federais de educação profissional e tecnológica (CEFETs).

82 http://redefederal.mec. gov.br

899

�2 DISCUTINDO COMPETÊNCIA NO ÂMBITO DA GESTÃO DE PESSOAS
2.1 Algumas considerações sobre competência
O termo competência surgiu na década de 1970, quando teóricos franceses iniciaram
estudos acerca da competência, definida como qualificação no processo de educação
profissional e técnica (FARIAS; BELLUZZO, 2012).
Em 1973, David McClelland publicou um trabalho intitulado Testing for Competence
Rather than Inteligence (Teste de competência no lugar de inteligência). Nesse momento,
tem-se o início das considerações sobre competência nas áreas da Psicologia e Administração.
Esse artigo foi considerado um divisor de águas no que se refere ao desenvolvimento de
pessoal. De acordo com Soares e Andrade (2010), McClelland trabalhava para o Governo dos
Estados Unidos e realizava seleções para o Departamento do Estado, onde criou um método
para avaliar as pessoas. Ele identificava as variáveis de competências sem discriminação de
gênero, etnia ou condição social, pois os testes de QI (coeficiente de inteligência) tinham
problemas pelo fato de não serem capazes de predizer o sucesso das pessoas e ainda gerava
preconceitos.
Para Perrenoud (1999, p. 28). "uma competência pressupõe a existência de recursos
mobilizáveis, mas não se confunde com eles, pois se acrescenta aos mesmos ao assumir sua
postura em sinergia com vistas a uma ação eficaz em determinada situação complexa".
Segundo Brito, Carlos e Avelino (2007, p. 58), “uma competência essencial é um
conjunto de habilidades e tecnologias que permite a uma empresa oferecer um determinado
benefício ao cliente”. Para ser considerada uma competência, dita “específica”, da
organização, uma habilidade precisa passar por três etapas: o seu valor ser percebido pelos
clientes; diferir da concorrência e ser capaz de se expandir.
Na perspectiva das três dimensões da competência, que são: o saber (conhecimentos),
o saber fazer (habilidades), e o saber ser (atitudes), o professor Amaral (2006), desenvolveu
um modelo para mapear os conhecimentos, habilidades e atitudes, com o intuito de
estabelecer a gestão de pessoas por competências em inteligência competitiva, melhorando
continuamente, onde a evolução é necessária. Neste modelo, mapeou 45 habilidades, 25
atitudes e 19 conhecimentos, conforme, a saber:
a)

45 Habilidades: Aprender com as experiências; Apresentação de resultados;

Capacidade de análise; Capacidade de obtenção de informações não publicadas; Capacidade
de reconhecer padrões e de extrair implicações dos dados; Capacidade de redação;
Capacidade de síntese; Compreender tipos psicológicos; Considerações dos modelos mentais
dos decisores na apresentação dos resultados; Destreza com as fontes; Discernir; Disposição

900

�para viajar com frequência; Entrevistar; Equilíbrio emocional; Extrair dados relevantes;
Extrair implicações estratégicas; Foco nos resultados; Gerar explicações consistentes dos
fatos; Gerar recomendações de acordo com a análise; Gerenciar a coleta de informações;
Gerenciar fontes de informação; Identificação e uso de fontes convencionais; Identificação e
uso de fontes criativas; Influência; Interpretação de dados; Intuição; Julgamento; Lidar com
ambiguidades, conflitos e dados incompletos; Liderança; Negociação; Organização e
planejamento;
Organizar dados coletados; Organiza equipes; Pensamento analítico; Percepção de sinais
fracos; Perspicácia; Pontualidade; Raciocínio estratégico; Raciocínio lógico; Reconhecer
anomalias de informação; Relacionamento com pessoas chave; Resolução de problemas;
Saber ouvir; Saber quando parar a análise; Trabalhar com resultados intangíveis sem
frustração; Trabalhar sobre pressão; Uso de redes de contatos; Versatilidade; Visão de futuro;
Visão global.
b)

25 Atitudes: Agilidade; Assertividade; Confiabilidade; Cooperação; Criatividade;

Curiosidade; Detalhista; Diplomacia; Discrição; Empatia; Estar constantemente atento às
informações: monitorar o ambiente baseado nas questões a serem respondidas; Ética;
Flexibilidade; Humildade; Iniciativa; Motivação; Observação; Otimismo; Percepção;
Perfeccionismo; Perseverança; Proatividade; Respeito; Senso crítico; Seriedade.
c)

19 Conhecimentos: Conduzir auditorias de inteligência; Contra inteligência;

Estratégia organizacional; Estrutura de poder da organização; Ferramenta de groupware;
Fontes de informação; Inteligência competitiva; Línguas estrangeiras; Mecanismos de troca
de informações na organização e no setor industrial; Metodologia científica; Métodos e
técnicas de análise; Métodos, técnicas e ferramentas de coleta; Organização da informação;
Planejamento; Relatórios; Setor industrial; Técnicas de entrevista; Tecnologia da informação;
Terminologia do setor.
Todas essas dimensões estão diretamente relacionadas ao gerenciamento no âmbito
das bibliotecas. Por isso, entendemos que o comportamento humano e a equidade no
gerenciamento das relações de trabalho com as equipes de trabalho é uma tarefa bastante
desafiadora para os bibliotecários no gerenciamento das pessoas, pois os seres humanos são
dinâmicos, ou seja, estão em constantes mudanças comportamentais, é preciso o máximo de
cautela para evitar os desgastes das relações interpessoais no ambiente de trabalho.

901

�2.2 Gestão de pessoas e bibliotecas universitárias
A gestão de pessoas é mais uma inovação que busca trazer novos olhares no que diz
respeito ao humano nas organizações. Chiavenato (2005) defende a “gestão de pessoas com as
pessoas”, e nesse modelo, ganham o gestor, a organização e as pessoas, pois, por meio de uma
gestão envolvendo a participação das pessoas no processo, estas poderão se tornar uma
vantagem competitiva para o ambiente de trabalho.
Senge (1990, p. 154), defende que o hábito e a prática são determinantes para o
domínio pessoal, “Todos nós dominamos uma grande variedade de técnicas e habilidades que
aprendemos através do ‘treinamento’ do subconsciente. Uma vez aprendidas, elas passam a
ser tão automáticas, tão ‘subconscientes’, que nem percebemos quando as executamos”.
As bibliotecas universitárias são organizações de apoio às instituições de ensino
superior, cooperando para a melhoria da tríade ensino, pesquisa e extensão.

Considerada um dos pilares da vida acadêmica, as bibliotecas
universitárias têm por função essencial subsidiar as atividades de ensino, de
pesquisa e de extensão desenvolvidas nas universidades, mediante a provisão
de recursos informacionais seletivos, diversificados e organizados.
(SILVEIRA, 2009, p. 127).
No âmbito dos institutos federais (IFs), as bibliotecas têm características diferentes,
pois são consideradas como mistas, haja vista que atendem tanto os cursos de nível superior,
como também aqueles de nível médio, por exemplo, os concomitantes, integrados ao ensino
médio, subsequente, EJA/PROEJA.
As bibliotecas estão vivendo uma fase de mudança da sua natureza, dos objetivos dos
seus serviços e da sua relação com a comunidade. Os atuais suportes em que estão inseridas
as informações e as novas rotinas administrativas obrigam as bibliotecas a lançarem outra
visão sobre seus objetivos. As bibliotecas universitárias (BUs) “ofertam o acesso e uso da
informação à toda a comunidade acadêmica [...], ademais, contribuem para a construção do
conhecimento, aplicação da inovação e do desenvolvimento social”. (ROSSI, 2012, p. 2).
No ambiente das bibliotecas de instituições públicas de ensino, as mudanças
significativas que vêm ocorrendo, principalmente com a utilização das novas tecnologias da
informação e comunicação (NTICs) e também com as atuais técnicas administrativas, que têm
sido desafiadoras, exigindo novos comportamentos e ações dos gestores envolvidos com essas
organizações. Em adição, têm-se os contextos relevantes da política, economia e sociedade,
que rompem com “velhos” paradigmas, trazendo muitos desafios para as organizações

902

�envolvidas com o processo do âmbito da educação. A informação, a qualidade dos serviços
ofertados e os usuários passaram a somar às atividades das técnicas da Biblioteconomia, antes
consideradas muito importantes. O bibliotecário, cuja preocupação era voltada para a guarda
dos acervos com a visão nova,

[...] deve acompanhar as tendências de administração e de gestão de
pessoas, a fim de que possa tomar decisões mais adequadas, pois a teoria
constitui-se em um apoio para o processo na prática, ele deve ter
conhecimentos atualizados e procurar informação para sua própria
capacitação e capacitar sua equipe de acordo com as necessidades que
surgem, e até mesmo para se prepararem para as exigências futuras.
(ALVES, 2004, p. 48).
O conhecimento é destacado como fator que tem o intuito de garantir “condições para
um desenvolvimento humano sustentável” (CARVALHO, 2004, p. 77), aumentando
significativamente o papel das bibliotecas e dos bibliotecários nas organizações, ambos
fornecendo uma base informacional para a educação, que se configura como pilar para a
produção de saberes. Desse modo,
[...] a universidade e a biblioteca refletem-se. Uma medida da qualidade de
uma instituição de ensino superior é a excelência de sua biblioteca. Ela,
talvez, possa ser considerada a determinante da qualidade. Não é possível a
existência de uma universidade de nível alto erguida sobre uma biblioteca
com acervo ridículo, pessoal incompetente e espaço inadequado.
(MILANESE, 1983, p. 72).
As bibliotecas devem estar preparadas para enfrentar as exigências impostas pelos
modelos atuais da educação, pelas necessidades informacionais da sociedade, que tem a
informação como seu insumo primordial. Esta realidade exige destas organizações uma
atitude dinâmica e de eficiência no modo como estão sendo gerenciadas. As bibliotecas, assim
como qualquer outra instituição, devem ser administradas como um negócio, portanto, devem
traçar estratégias para alcançar seus objetivos (MACIEL; MENDONÇA, 2006).
As BUs contribuem com o desenvolvimento, tanto no plano pessoal, como
educacional de seus usuários, contribuindo para a capacitação da comunidade universitária.
Em consequência, os egressos dos cursos poderão produzir serviços melhores, refletindo
beneficamente na sociedade.

903

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foi realizada uma busca exploratória, que, de acordo com Gil (1999, p. 43), “tem
como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em
vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos
posteriores”.
Quanto à natureza, a pesquisa se caracteriza com abordagem qualiquantitativa. No
concernente ao ambiente, é classificada como de campo, pois, na concepção de Marconi e
Lakatos (2009, p. 188), “é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou
conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma
hipótese, que se queira comprovar, ou ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre
eles”.
O método quanto aos procedimentos foi o estruturalista, de Lévi-Strauss, pois, para
Marconi e Lakatos (2009, p. 93),

[...] parte da investigação de um fenôm eno concreto, eleva-se a seguir ao
nível abstrato, por interm édio da constituição de um m odelo que represente o
objeto de estudo, retornando por fim ao concreto, dessa vez com o um a
realidade estruturada e relacionada com a experiência do sujeito social.

O instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário, optou-se por utilizar
esse instrumento, pois de acordo com Cervo, Bervian e Silva (2007, p. 53), “o questionário é
a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com mais exatidão o que se
deseja”.
O universo da pesquisa é composto pelos 439

bibliotecários dos campi da Rede

Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT) cadastrados no
grupo de discussão da Comissão Brasileira de Bibliotecas das Instituições da Rede Federal de
Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CBBI), instituída em 08/10/2011 por
votação em sessão plenária do VI Fórum Nacional de Bibliotecários dos Institutos Federais,
em Petrolina, PE. Desse total de 439 enviados, foram devolvidos somente 42 questionários
respondidos. Portanto, a pesquisa foi feita com uma amostra de 9,56% total de bibliotecários
gestores de pessoas, pertencentes à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica, o que foi considerado pelos parâmetros estatísticos amostra válida.
Com suporte nos dados recolhidos, constatamos nos campi que devolveram o
questionário, que seis respondentes não identificaram o Campus a que pertencem. De acordo
83 Dado atualizado em 17/10/ 2013, de acordo com o presidente da CBBI e moderador do grupo de discussão.

904

�com os campi, percebemos a diversidade de regiões que colaboraram com a pesquisa. Essa
diversidade foi de fundamental importância, pois, assim, pôde-se ver, com os resultados das
outras questões, que alguns problemas enfrentados por um bibliotecário gestor de pessoas em
um campi é bem parecido e às vezes idêntico ao de outro bibliotecário de outra região do País.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O propósito da presente pesquisa foi identificar as competências essenciais que o
bibliotecário precisa ter para assumir a função de gestor de pessoas nas bibliotecas da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT).
Responderam ao questionário 42 bibliotecários gestores de pessoas o que corresponde
a 9,56% do universo da pesquisa que é 439 bibliotecários.

Gráfico 1 - Formação acadêmica

G ra d u ç ã o
10%

M e s tra d o
■ G ra d u ç ã o

22%

■ E sp e cia liza ç ã o
E s p e cia liza ç ã i &gt;

■ M e s tra d o

68%

Fonte: Dados da pesquisa.

A busca pela titulação de maior nível é uma realidade no País, e no caso das
Instituições Federais essa realidade é cada vez mais acentuada. Fato que pode ser atribuído
tanto, pela melhora da atuação profissional como também pelo fato do Serviço Público
Federal fornecer a progressão dos servidores por qualificação84. Afinal, de acordo com o grau
que se tem, por exemplo, especialização é proporcionado 30% sobre o vencimento básico,
mestrado 52% e doutorado 75%. Logo, é de se esperar que esses profissionais, mesmo que
84 Tabela disponível no site do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e
Tecnológica (SINASEFE). www.sinasefe.org.br

905

�não tenham como projeto a continuidade dos estudos, quando se trata de conseguir uma
vantagem salarial, busquem cada vez mais a educação continuada.
Pelo fato do objeto desse estudo contemplar as competências essenciais para os
bibliotecários gestores de pessoas e por ser de certa forma já uma pratica se acreditar que
aqueles com mais tempo de serviços poderiam ser mais competentes naquilo que exercem,
buscou-se saber o tempo que os participantes da pesquisa tinham exercendo a função de
gestores das bibliotecas em que atuam.
Constatamos que a predominância de tempo de gestão na biblioteca é de 2 a 5 anos de
experiência na gestão de bibliotecas (35%). Isso pode ser o resultado da expansão da política
de implantação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede
EPCT) que proporcionou a abertura de concursos e muitos profissionais recém-graduados ou
pós-graduados assumissem esses cargos.
Sabe-se que na área da Administração existem inúmeras técnicas e ferramentas para
subsidiar o exercício da gestão, de uma maneira geral, a exemplo de: análise SWOT, gestão
por competência, Feedback, planejamento estratégico e Coaching. Todas essas técnicas e
ferramentas estão sendo cada vez mais aperfeiçoadas e outras estão surgindo na perspectiva
de melhorar cada vez mais a gestão. Então, buscou-se saber se os bibliotecários investigados
faziam uso dessas ferramentas no seu cotidiano de trabalho no ambiente biblioteca. Para
tanto, solicitamos-lhes que indicassem na paleta de opções aquelas que eles mais utilizam.
A técnica de Feedback, foi a mais indicada, com a 35% seguida planejamento
estratégico (32%), conforme aponta o Gráfico 2.
Gráfico 2 - Uso de técnica ou ferramenta da administração para a gestão da equipe

906

�O Feedback que se sobressaiu na pesquisa é algo que, de certa forma, nos
surpreendeu, haja vista que esperávamos a indicação de outras técnicas e ferramentas mais
modernas que as organizações estão adotando, justamente para melhorar o desempenho das
pessoas no exercício prático de seu trabalho, como, por exemplo: gestão por competência,
coaching e mentoring e que foram apresentadas no capítulo sobre a gestão das competências.
Tal resultado pode proceder do cotidiano de trabalho dos bibliotecários, talvez em razão de as
equipes serem muito pequenas no âmbito das bibliotecas, pelo menos é o que se observa,
empiricamente. Não se pode esquecer, entretanto, de que, como defende Gramigna (2002, p.
129), o Feedback “deve ser entendido como um processo de ajuda e estímulo para a mudança
de comportamento e/ou para a aquisição e o desenvolvimento de competências, contribuindo
para o aprimoramento da performance”.
Nossa intenção, com essa categoria, era realmente colher impressões sobre o
conhecimento que os bibliotecários que assumem a função como gestores de pessoa têm sobre
as competências necessárias para tal função. Isto porque, pela sua experiência de ter assumido
tal função sem se sentir com a competência suficiente para exercê-la, enfrentou dificuldades
ao lidar com as complexidades dos seres humanos e da própria cultura organizacional. Então,
foi perguntado aos bibliotecários quais as competências para assumir a função como gestor de
pessoas. Como se tratava de uma questão aberta; foram apresentadas inúmeras respostas.
As respostas relativas a essa questão foram bem variadas, desde aquelas concernentes
ao conhecimento em gestão de pessoas até o compromisso. Para melhor visualização desses
resultados, organizamos conforme os conceitos que mais apareceram sobre competências,
essências para a gestão de pessoas e que estão no Gráfico 3.
O mapeamento das competências que os bibliotecários afirmam possuir é fundamental
para que possam superar os desafios advindos do ambiente organizacional que a Rede EPCT
proporciona. Com esse entendimento claro das competências essenciais necessárias aos
bibliotecários gestores de pessoas, eles estarão aptos a elaborar uma definição de quais
deverão ser seus conhecimentos, habilidades e atitudes para que as desenvolvam cada vez
mais no exercício da sua função. Com isso, suas equipes de trabalho também conseguirão
definir seus atributos de competência (conhecimentos, habilidades e atitudes), de modo que a
Rede EPCT possa de desenvolver cada vez mais, pois as capacidades de cada membro da
equipe serão aplicadas na organização e estas poderão contribuir de forma eficiente, eficaz e
com efetividade na execução dos trabalhos.

907

�Gráfico 3 - Competências essenciais

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo mostrou que, na percepção dos bibliotecários da Rede EPCT sobre as
competências essenciais necessárias para subsidiar suas práticas da gestão de pessoas, aquelas
concernentes a Gestão de pessoas, Liderança, Trabalho em equipe, Fazer biblioteconômico,
Comunicação,

Relacionamento

interpessoal,

Responsabilidade,

Visão

holística

e

Compromisso foram as que mais se evidenciaram. Tal resultado demonstra que esses
profissionais, de certa forma, têm o entendimento acerca do assunto tratado e de seu papel na
qualidade de gestores dessas tarefas.
Tratando-se do objetivo de averiguar se o uso de alguma técnica ou ferramenta da
administração na gestão de suas equipes de trabalho, sobrou a evidência de que eles se
apropriam de tais mecanismos no exercício da função que ocupam. Conforme os resultados
da análise dos dados, sobressaem-se: Feedback, Gestão por competências, Planejamento
estratégico, Análise SOWT.
Constatamos ainda, nesta pesquisa que o bibliotecário gestor de pessoas deve usar
competências para embasar a sua função relativamente a sua equipe de trabalho. A gestão de
pessoas nas bibliotecas da Rede EPCT tem fundamental importância e o desenvolvimento de
competências essenciais necessárias para atuar na complexidade de um ambiente
organizacional é a peça - chave nesse processo.

908

�Assim, consideramos que o resultado da pesquisa empírica trouxe respostas ao
problema de pesquisa e que seus objetivos foram atingidos, haja vista que os bibliotecários
(gestores) sabem que competências precisam ter para assumir sua função junto às bibliotecas
da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT), embora
tenha ficado evidente a ideia de que nem todas as competências do Glossário de atributos de
competências para inteligência competitiva, da autoria de Amaral (2006), tenham sido
apontadas.

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910

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A pesquisa teve como propósito identificar as competências essenciais dos bibliotecários gestores de pessoas nas bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica, buscando responder ao seguinte questionamento: quais são as competências essenciais que o bibliotecário precisa ter para assumir a função como gestor de pessoas nas bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica? Teve como objetivo identificar, na visão dos bibliotecários-gestores, as competências essenciais para sua atuação na gestão de pessoas nas bibliotecas da Rede EPCT. Para tanto, se buscou embasamento teórico sobre competências, competências essenciais (core competences), gestão de pessoas e bibliotecas universitárias. A pesquisa, quanto aos objetivos foi classificada como exploratória, com abordagem qualiquantitativa, sendo o levantamento de dados feito mediante questões semiestruturadas (abertas e fechadas). Quanto ao ambiente, é classificada como de campo, sendo que o método de sustentação das análises se fundamenta na abordagem estruturalista. Responderam ao questionário 42 bibliotecários gestores de pessoas o que corresponde a 9,56% do universo da pesquisa, que é 439 bibliotecários. A análise dos dados e a discussão dos resultados demonstram que as competências essenciais necessárias para subsidiar as práticas da gestão de pessoas pelos bibliotecários nas bibliotecas da Rede EPCT, apontadas por esses profissionais são: gestão de pessoas, liderança, trabalho em equipe, fazer biblioteconômico (práticas do bibliotecário), comunicação, relacionamento interpessoal, responsabilidade, visão holística e compromisso.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PANORAMA DE AQUISIÇÃO DAS BASES DE DADOS VIRTUAIS DAS
UNIVERSIDADES FEDERAIS DO BRASIL
Suenia Oliveira Mendes
Maria Rosivalda da Silva Pereira
RESUMO
Aquisição de material informacional virtual no Brasil. O estudo objetivou identificar as bases
de dados virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas
Bibliotecas Universitárias pela Internet. A pesquisa foi descritiva quantitativa e os dados
foram coletados nos websites das Bibliotecas de 63 Universidades Federais no período entre
10 de fevereiro e 10 de março de 2014. Para análise dos dados, utilizou-se de estatísticas
descritivas. A pesquisa identificou que a maioria das Universidades (63,5%) compra base de
dados, 50,7% das bibliotecas universitárias assinam entre duas e quatro bases de dados,
69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a
Coleção de normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a mais assinada.
Destaca-se a necessidade de discussões sobre a interação entre os serviços e produtos
oferecidos pelas bibliotecas em face dos recursos eletrônicos.
Palavras-chave: Bases de dados virtuais. Bibliotecas Universitárias. Aquisição de material
informacional virtual.

ABSTRACT
Acquisition of virtual informational material in Brazil. The study aimed to identify the virtual
databases purchased by the Brazilian Federal Universities and University Libraries provided
by the Internet . The research was descriptive and the data were collected from the websites of
libraries from 63 Universities in the period between February 10 and March 10, 2014. For
analysis, we used descriptive statistics. The research identified that most universities (63.5 %)
buy database, 50.7 % of the studied university libraries subscribed two to four databases,
69.2% offer remote access, the Southeast region is that more acquires database, a collection of
standards from the Brazilian Association of Technical Standards is the most signed and the
amount of sectoral variables, distance education courses, ranking the best Brazilian
universities and purchasing relationship between the bases was not significant. It’s important
for new discussion the interaction between the services and products offered into libraries.
Keywords: Virtual Databases. University Libraries. Acquisition of Virtual informational
material.

4411

�1 Introdução
As Universidades Federais, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e a
disponibilização de materiais informacionais por meio das Bibliotecas Universitárias se
adequam às novas demandas de consumo informacional e às ofertas do mercado editorial. E
qual é o impacto das mudanças tecnológicas nas Universidades Federais na oferta de
materiais informacionais para sua comunidade acadêmica?
Mediante de tal questionamento, o trabalho objetiva identificar as bases de dados
virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas
Bibliotecas Universitárias pela Internet. Dessa forma, (re)orientando a oferta de materiais
informacionais virtuais disponibilizados pelas Bibliotecas a partir de um contexto de
adaptação tecnológica e Institucional relacionado aos parâmetros de tomadas de decisões
entre os entes públicos.
Não é objetivo deste trabalho, discorrer sobre diferenças de tecnologias (impressa e
digital) ou denominações (eletrônica ou virtual). Portanto, utiliza-se o termo Bases de Dados
Virtuais para aqueles materiais de coleções de informação científica disponibilizados aos
seus compradores - usuários Institucionais - por meio da Internet podendo fazer download,
imprimir ou somente realizar a leitura em tela.
O artigo está dividido em tópicos que evidenciam os métodos e técnicas utilizados no
fazer da pesquisa, na literatura sobre o tema, nos resultados e reflexões que permitem inferir e
verificar convergências e divergências dos achados da investigação possibilitando a discussão
do panorama encontrado.

2 Questões sobre e-books e bases de dados eletrônicas em bibliotecas
As bibliotecas universitárias têm sido celeiro dos acontecimentos que marcam a
comunicação científica, tanto como repositório de informações, como principal difusor de
informações científicas pertinentes aos objetivos institucionais de construção e disseminação
de conhecimentos.
As bases de dados, primeiramente em versões impressas (Chemical Abstracts,
Biological Abstracts, Medline etc.) ganharam versões em linha, que fortaleceram a
recuperação da informação, e possivelmente, o seu uso. No Brasil, certamente a maior
democratização de acesso a bases de dados eletrônicas deu-se com a inserção do Portal de
Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em
todas as universidades federais e posteriormente nos institutos de pesquisa e em outras
instituições que atendam aos pré-requisitos estabelecidos para acesso.

4412

�Naturalmente, a evolução da ciência, do conhecimento e de seus registros em diversos
suportes apresenta novos desafios às bibliotecas universitárias brasileiras: lidar com os
diversos suportes, mas principalmente, com as questões gerenciais que envolvem esse
material, como a decisão sobre o que comprar, como comprar e, principalmente, como
disponibilizar aos usuários esses recursos informacionais, de forma a otimizar o recurso
investido.
McGarry (1999), teórico que escreveu sobre a interação entre a tecnologia das
comunicações e as facetas do contexto informacional, menciona que
A convergência da tecnologia, da informática com as comunicações afeta a
criação, gestão e uso da informação de modo inédito desde a introdução da
imprensa. [...] O recurso das redes está se tornando um meio de publicação
formal; isto é verdade principalmente na área das pesquisas acadêmicas e
industriais. A convergência de tamanha diversidade de usuários terá um
unificador sobre o estado de díspar da indústria e das profissões da
informação. (MCGARRY, 1999, p. 122, 124).
A pluralidade de formatos para registrar o conhecimento humano traz às bibliotecas
novos desafios relacionados à compra e ao acesso da informação. A questão contratual tem
sido ponto de discussão no Brasil e no exterior. Silva (2013) enfatiza a popularização dos e­
books e da aquisição e disponibilidade desses materiais em bibliotecas, dadas as suas
especificidades. O autor destaca que a aquisição de e-books deve ser feita com bastante
atenção, uma vez que entre as suas desvantagens, apresentam-se questões como o alto custo,
as restrições de editores (direitos autorais) e a exclusão digital, que em alguns casos, podem
superar as grandes vantagens trazidas pela ausência de barreiras de tempo e espaço.
As bases de dados são uma realidade nas bibliotecas universitárias brasileiras, seja
pela iniciativa já consolidada pelo Portal de Periódicos da Capes, seja pela iniciativa própria
de seguir o mercado editorial. No entanto, estudos relacionando um diagnóstico sobre esse
cenário nas bibliotecas universitárias brasileiras ainda são incipientes, talvez pelo pouco
tempo em que o mercado editorial brasileiro vem se diversificando e consolidando com um
catálogo mais diversificado em formato e com produtos virtuais.
Sousa e Vanz (2013) ao fazerem o levantamento de uso de e-books assinados por uma
biblioteca universitária brasileira, na área de Ciências da Saúde, tentaram identificar as
aplicações quanto ao uso, as dificuldades apontadas pelos usuários e as sugestões para a
melhoria do serviço. Encontrou que o idioma (Inglês), predominante na base de dados de e­
books analisada, foi apontado como um dos entraves para o uso da informação eletrônica
disponibilizada pela biblioteca, e ainda, que preferem utilizar livros impressos como principal

4413

�fonte de informação para as atividades acadêmicas, seguidos da internet, dos canais informais
de comunicação científica (professores e colegas), e ainda, que preferem utilizar os artigos
científicos eletrônicos a livros no mesmo formato.
Um dos pontos destacados na pesquisa de Sousa e Vanz (2013) é a disponibilidade de
ferramentas que possibilitam o uso de livros eletrônicos, como leitores de e-books e
computadores portáteis. Dentre aqueles que dispõem desses equipamentos, o uso dos e-books
é maior que entre aqueles que não os possuem. Esse dado chama a atenção para a
disponibilidade, além da informação eletrônica, dos recursos que possam torná-la disponível.
No entanto, destacam Souza e Vanz (2013), que ao comparar o acesso de um material
disponível em formato eletrônico, e o acesso ao mesmo em formato impresso disponível na
biblioteca, ficou o eletrônico com maior quantidade. Aqui, cabe a ressalva de que o material
eletrônico pode, em tese, ser utilizado simultaneamente por mais de um usuário, ao passo que
o impresso, não; assim, um material bibliográfico com poucos exemplares, e disponível
também em formato eletrônico, tratando-se de um item básico de alguma disciplina,
inevitavelmente, o eletrônico irá superar o uso do impresso, uma vez que este tem limitações
de quantidade simultânea de acesso.
Em um levantamento realizado na Universidade do Kansas, por Waters et al. (2014)
sobre as preferências de uso entre livros impressos e e-books, há o apontamento, que naquela
realidade, os livros impressos são mais populares que os formatos eletrônicos disponíveis,
sendo que apenas 33% dos respondentes apontam ter uma leitura mais frequente desse tipo de
material e mesmo assim, ainda preferem o material impresso (das 19 áreas pesquisadas,
apenas em três houve a preferência por e-books).
Das razões sobre o uso de material eletrônico, na pesquisa de Waters et al. (2014), foi
apontado que o relevante para a área não está disponível nesse formato, que os usuários têm
dificuldade de encontrá-los e ainda, que não têm consciência se o material está disponível no
formato eletrônico. Outro apontamento de destaque se refere às limitações de cópia, de
impressão (mesmo no formato eletrônico, a impressão é um fator importante) e as
dificuldades de leitura em tela.
Observa-se que ainda são poucos os estudos aplicados no Brasil sobre essa questão.
Ainda não se tem levantamentos expressivos que forneçam um panorama sobre a assinatura
de bases de dados nas bibliotecas universitárias, principalmente de e-books, as questões que
as levam a assinar, tais como a ampliação de unidades informacionais descentralizadas,
aumento de cursos de Educação à Distância (EAD), uma realidade nas universidades federais,

4414

�e ainda os resultados do uso desse material nas bibliotecas que já têm assinaturas extra-Portal
de Periódicos da Capes.

3 Metodologia
Para atingir o propósito deste estudo foi utilizada, como parâmetro, a pesquisa
descritiva quantitativa nas informações contidas nos websites das Bibliotecas das 63
universidades federais brasileiras investigadas sobre a existência ou não de assinaturas de
bases de dados virtuais diferentes daquelas fornecidas por meio do Portal Periódicos Capes.
Os dados foram coletados no período entre 10 de fevereiro e 10 de março de 2014.
Informa-se que uma das Bibliotecas Universitárias consultada não possui página na Internet.
Esta informação foi reafirmada pela ouvidoria da Instituição.
Para a análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva para caracterizar o cenário
em que se encontram as bibliotecas e sobre a assinatura das bases, calculou-se o Coeficiente
de Pearson a fim de encontrar relação entre essas assinaturas com: a existência de bibliotecas
setoriais, e com o acesso remoto a esses recursos informacionais.

4 Resultados
Encontrou-se que 63,5% das Universidades pesquisadas, além do Portal de Periódicos da
Capes, assinam bases de dados virtuais e disponibilizam-nas por meio dos websites das suas
bibliotecas conforme demonstrado no bibliotecas por aquisição de bases .

Gráfico 2 — Frequência de bibliotecas p or aquisição de bases de dados,
2014.

Fonte: Dados da pesquisa.

4415

�Teve-se que 36,5% das bbliotecas pesquisadas não assinam nenhuma base de dados. Destacase que 19% delas assinam uma base de dados e apenas 12,7% das bibliotecas assinam seis ou
mais bases. A maioria, das bibliotecas (50,7%), assina entre duas e quatro bases.
Verificou-se, então, que grande quantidade das bibliotecas pesquisadas busca ter mais
recursos informacionais além daqueles já disponibilizados de forma homogênea a todas as
unidades federais. Essa informação desperta interesse por destacar que bibliotecas têm
necessidades próprias, nem sempre atendidas pelas ofertas realizadas através de portais de
acesso coletivo, exemplo do Portal de Periódicos da Capes, que contribuem para aumentar a
oferta de informações especializadas entre os integrantes das universidades federais e outras
instituições de ensino e pesquisa, mas que não é suficiente para atender a demandas
intrínsecas dessas instituições.
Convém destacar, que assim como o material informacional já costumeiro de
bibliotecas, como impressos, os materiais virtuais requerem estudos adequados que visem a
otimização dos recursos empregados. Quando se trata de material bibliográfico, uma das
questões que se torna visível é a limitação de espaço físico, algo não competente para os
virtuais. No entanto, questões sobre como a biblioteca irá tornar esse material disponível aos
seus usuários devem ser pertinentes no momento da escolha da base de dados, bem como do
tipo de contrato que está sendo realizado.
Outra questão que se pode levantar sobre as bases de dados virtuais refere-se ao acesso
e à disponibilidade aos usuários. Assinar uma base de dados, em instituições públicas, implica
em investimentos de recursos públicos, de que se exige um retorno, sendo refletido como
fonte de qualidade das ferramentas de informação postas à disposição da comunidade
pesquisadora. Desta forma, ter uma infraestrutura adequada para se utilizar essas ferramentas
é indispensável para o seu uso, como por exemplo, possibilitar o acesso remoto, o empréstimo
de equipamentos para uso, espaços específicos nas bibliotecas com a finalidade de acesso a
bases de dados, dentre outras ferramentas que possam facilitar o uso do material eletrônico.
Quando se fez a análise “se haveria alguma relação entre ter bibliotecas setoriais e a
assinatura de bases de dados eletrônicas”, utilizou-se o Coeficiente de Correlação Pearson e
encontrou-se uma relação positiva entre a assinatura de bases de dados e a existência de
bibliotecas setoriais, bem como entre a “assinatura e a disponibilidade de acesso remoto”
desse material, embora em uma correlação menos significativa que a anterior.
Esse resultado já era esperado, uma vez que documentos eletrônicos disponíveis em
rede podem ser acessados simultaneamente, quebrando a barreira de espaço/tempo, o que

4416

�otimiza os acervos de instituições que têm várias setoriais, principalmente, quando estão
geograficamente distantes.
A segunda questão, relacionando a assinatura e o acesso remoto também era esperado,
visto que os recursos eletrônicos online sugerem, em sua estrutura, a possibilidade do acesso
remoto. Embora, conforme demonstrado no das bibliotecas.

Fonte: Dados da , ainda haja um grande percentual de bibliotecas que, ainda, não oferecem
esse serviço.

Gráfico 3 —Acesso remoto das bibliotecas.

Fonte: Dados da pesquisa.

Observou-se, que 69,2% as bibliotecas que assinam bases de dados oferecem acesso
remoto aos seus usuários, para o recurso informacional adquirido. Dessas bibliotecas, foi
identificado a disponibilidade de rede remota por meio do proxy, da virtual private network
(VPN), e de senhas dos sistemas acadêmicos. As demais 30,8% oferecem o acesso restrito aos
ambientes físicos das instituições. A disponibilidade e identificação do material eletrônico foi
apontado no estudo de Waters et al. (2014) como fatores dificultadores do uso de material
eletrônico na Universidade do Kansas, aliados à facilidade de uso das plataformas e à
dificuldade de descoberta do material eletrônico.

4417

�Ao se pesquisar qual a base de dados mais assinada entre as bibliotecas das
universidades federais brasileiras, teve-se que a coleção das normas da ABNT é a mais
frequente, conforme os mais assinadas pelas bibliotecas d.

Gráfico 4 —Bases de dados mais assinadas pelas bibliotecas de universidade
federais brasileiras.

Fonte: Dados da pesquisa.

A Coleção da ABNT está pesente em 31,75% das bibliotecas analisadas. Das
bibliotecas que assinam essa base de dados, em média, adquirem pelo menos mais uma base
de dados.
Dentre estas, destaca-se também, que o Portal da Pesquisa é a presença mais frequente,
seguida pela Springer e pela Ebrary. Observa-se, assim, que não se encontra um padrão de
assinaturas por áreas do conhecimento ou de idiomas, na assinatura de bases de dados virtuais
para as bibliotecas, em complemento ao Portal de Periódicos da Capes. Apenas três delas
assinam somente a ABNT.

4418

�Ao realizar a análise por Região geográfica, tem-se que a distribuição das aquisições de
materiais eletrônicos segue algo semelhante ao acesso do Portal de Periódicos da Capes,
conforme demonstrado no compradas por Região e equiparação .

Gráfico 5 —Base de dados compradas por Região e equiparação ao acesso ao
Portal de Periódicos da Capes.

Fonte: Dados da pesquisa e Capes (2001, 2002, 2003 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009,
2010, 2011, 2012).

A região Sudeste é a que apresenta o maior número de bibliotecas com assinaturas de
bases de dados. Ao fazer a comparação com as estatísticas de acesso ao portal de Periódicos
da Capes, observa-se que, também, essa região é a que apresenta o maior número de acessos a
esse Portal. Para as demais regiões, segue a mesma ordem entre a proporção de acesso ao
Portal de Periódicos da Capes e a assinatura de outras bases de dados eletrônicas.
Infere-se que a regra de equiparação é a habilidade já existente pelos usuários das
Universidades Federais sobre o acesso aos conteúdos virtuais disponibilizados pelo Portal de
Periódicos da Capes.
Deve-se pensar que as demandas atuais tenderão a mudar, pois a geração virtual (Hi
Tech) ainda está chegando nas Universidades brasileiras visto a Internet ter chegado no Brasil
no final da década de 90. Isto é, as pessoas que nasceram a partir do ano de 2000 ainda estão

4419

�chegando nas Instituições de Ensino Superior com suas demandas de uso específicas, desta
forma, as gerações atuais estão se adequando ao que o mercado oferece.
A globalização do consumo fez com que o Brasil se adaptasse e começasse a oferecer
livros virtuais comerciais em português para as Instituições de Ensino Superior no final da
primeira década do século XXI. Exemplo são os e-books das Editoras Zahar, Atheneu e Paper
vendidas no Brasil pela DotLib, o portal Minha Biblioteca e Biblioteca 3.0 entre outros.
Salgado (2009) analisou o impacto das novas tecnologias na indústria editorial brasileira e
verificou a existência de segmentos diferenciados entre os leitores relacionados ao perfil
demográfico, hábitos de leitura e de compra de livros, experiência com novas tecnologias,
preferências e propensão de migração para uma nova plataforma.
O que se pode afirmar, até o exato momento, é que o uso dos materiais virtuais
oferecidos pelas Universidades está se adequando as ofertas do mercado que começam a
atender aos projetos políticos de curso no idioma em português e a demanda dos
pesquisadores.
Em suma, a Figura 1 demonstra que das Universidades Federais investigadas, 63,5%
compram materiais virtuais, e a sua distribuição nas cinco regiões brasileiras. O Sudeste
possui o maior quantitativo de IES que compram bases de dados virtuais.

Figura 1 - Panorama das Bases de dados compradas pelas Universidades Federais do Brasil.

Fonte: Dados da Pesquisa.

A Figura 1 mostra que a isponibilização do acesso remoto e as bibliotecas setoriais

4420

�mostraram relação com a compra de base de dados e as IES por meio das bases oferecem
vários materiais (livros, jornais, revistas, normas entre outros).
O acesso remoto está ligado diretamente ao conceito de acessibilidade que envolve
aspectos de espaço físico, social, digital, isto é, a possibilidade e condição de alcance para
utilização do que se oferece por todos os cidadãos (TORRES; MAZZONI; ALVES, 2002).
Isso significa romper a barreira do espaço e do tempo transformando-os de singular para
plural (espaços e tempos) é disponibilizar, no caso das bases virtuais, a informação de que se
precisa no momento da necessidade de quem precisa.
Sobre a diversidade de materiais disponíveis, em especial, aos livros, Thompson
(2005) fala que o livro tem se adequado aos interesses manufatureiros e que existe um
aumento paralelo de acervos e catálogos virtuais comercializados para as IES em comparação
aos impressos. Exemplo desta situação é a adequação dos materiais informacionais e das
Instituições Federais de Educação brasileiras aos padrões mercadológicos e de demanda do
consumidor (pesquisadores).
A adequação justifica-se pela regulamentação, de 2012, adotada pelo Ministério da
Educação por meio do instrumento de avaliação de cursos de graduação presencial e a
distância do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(BRASIL, 2012) que diz os padrões a serem adotados pelas IES brasileiras nos cursos
ofertados. O instrumento ampliou as possibilidades de materiais informacionais (impressos,
virtuais entre outros) que alicerçam a comunidade acadêmica na construção do
conhecimento.
Assim, fica cada vez mais próxima a ideia de convivência pacífica entre o impresso e
o virtual, em uma realidade mais centrada no usuário e no atendimento de suas necessidades
informacionais, como sempre foi o objetivo da biblioteca universitária.

5 Considerações Finais

A pesquisa com o objetivo de identificar as bases de dados virtuais compradas pelas
Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas Bibliotecas Universitárias por
meio da Internet teve como destaque que a maioria das Universidades pesquisadas (63,5%)
compram bases de dados, 50,7% das bibliotecas estudadas assinam entre duas e quatro bases,
69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a
Coleção de normas da ABNT é a mais assinada.

4421

�Os achados mostram o panorama brasileiro de compra de bases de dados e várias
reflexões surgem, como é o caso do serviço de comutação bibliográfica que está sendo
afetado visto que, em via de regra, o contratado restringe o fornecimento de cópia por contrato
ou por plataforma de disponibilização do material, assim, os materiais, que poderiam ser
atendidos por comutação bibliográfica, se perdem. Permeiam, também, as questões como o
empréstimo entre bibliotecas, que tanto auxiliam pesquisadores no atendimento de suas
necessidades de informação.
Outra inquietação foi identificar que algumas bases foram compradas por praticamente
todas as Instituições - caso da coleção de normas da ABNT -, dessa forma, o questionamento
é: como otimizar o gasto público diante de interesses comuns? Talvez, a resposta já se tenha,
como é o exemplo dos consórcios entre entes federados, ou mesmo, o Portal de Periódicos da
Capes com vínculo ao Ministério da Educação e sua estratégia de aquisição pautada em
consórcio o que se deve fazer é um maior diálogo entre as Instituições parceiras, pois o Portal
poderia solicitar a mensuração de uso das bases adquiridas por compra a fim de verificar a
viabilidade para aquisição ao seu acervo.
Ressalta-se que, ainda, não se tem registros de avaliação qualitativa dos materiais
virtuais assinados pelas bibliotecas universitárias, principalmente, nos cursos de graduação,
que por seu grande número nas universidades se tornam prioridades na aquisição dos recursos
informacionais.
Poucos estudos brasileiros relacionam o uso desses materiais assinados pelas
bibliotecas, o que se identifica como uma lacuna de pesquisa que pode direcionar as
aquisições em outras instituições, e servir como argumento para a manutenção de assinatura
ou ampliação de compra, nas unidades que já dispõem desses recursos.
Outra lacuna percebida foi a ausência de estudos passíveis de identificar se o material
eletrônico já disponibilizado se encontra em concorrência ou complemento às coleções já
existentes, servindo de apoio à ampliação dos catálogos de bibliotecas como acréscimo de
exemplares aos já existentes.
Para futuras pesquisas complementares, sugere-se estudos de usabilidade e de
marketing do material eletrônico já disponível nas bibliotecas, e o espaço por ele ocupado na
vida acadêmica das Universidades.

4422

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Panorama de aquisição das bases de dados virtuais das Universidades Federais do Brasil</text>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>Aquisição de material informacional virtual no Brasil. O estudo objetivou identificar as bases de dados virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas Bibliotecas Universitárias pela Internet. A pesquisa foi descritiva quantitativa e os dados foram coletados nos websites das Bibliotecas de 63 Universidades Federais no período entre 10 de fevereiro e 10 de março de 2014. Para análise dos dados, utilizou-se de estatísticas descritivas. A pesquisa identificou que a maioria das Universidades (63,5%) compra base de dados, 50,7% das bibliotecas universitárias assinam entre duas e quatro bases de dados, 69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a Coleção de normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a mais assinada. Destaca-se a necessidade de discussões sobre a interação entre os serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas em face dos recursos eletrônicos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E FOTOGRAFIA: A RECORRÊNCIA DO TERMO
PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA BASE DE DADOS LISA
Roseane Souza de Mendonça
Willian Lima Melo
Fábio Assis Pinho

RESUMO
Sendo um dos alicerces para o desenvolvimento humano, a informação é de natureza
subjetiva e constitui-se em matéria prima do conhecimento. Ao apresentar qualidades
documentais, a fotografia consegue fornecer informações ao seu usuário. O estudo em questão
configura-se como uma pesquisa exploratória, de procedimento documental com revisão de
literatura, voltado a identificar o tratamento temático da fotografia na produção científica da
área da CI indexada na base LISA. Para o desenvolvimento do trabalho e para melhor
enquadrar os 144 documentos recuperados em categorias específicas foram utilizados
conceitos e teorias de autores alusivos à organização do conhecimento, documentação,
imagem fotográfica, ciência e comunicação científica. Mesmo ficando evidenciada a
necessidade de uma taxonomia que auxiliasse o melhor tratamento documental presente no
estudo, foi possível abstrair, sumariamente, a utilização da fotografia na produção científica e
posicionar-se diante o exposto.
Palavras-Chave: Fotografia; Ciência; Comunicação Científica.

ABSTRACT
Being one of the foundations of human development, information has a subjective nature and
constitutes the basis of knowledge. Since it shows documental qualities, photography is
capable to provide information for its users. The present study is an exploratory research,
made by documental procedures and literature review. It seeks to estimate the uses of
photography’s thematic treatment in the scientific production published at the LISA database.
Concepts and theories about the knowledge organization, documentation, photographic
images, science and scientific communication were used as a way to develop the present
subject and frame the 144 retrieved documents in specific categories. Even though the need of
taxonomy was a way to improve the documental treatment at this study, it was possible to
abstract summarily the uses of photography in the scientific communication process and to
have a position about what was exposed.
Keywords: Photography; Science; Scientific Communication.

211

�INTRODUÇÃO
A informação é a base para o desenvolvimento da humanidade, ela é de natureza
subjetiva e independente de conceito, utilidade, suporte, forma, entendimento, está em toda
parte e, por consequência, constitui-se em matéria prima do conhecimento, conhecimento esse
que se efetua pela permanente troca de informação. Dentro da Ciência da Informação (CI), há
uma pluralidade de significação para o termo, em geral, seu entendimento acontecerá de
acordo com seu uso e finalidade. Para efeito da presente pesquisa, trabalhar-se-á com o
conceito de Le Coadic (2004, p.4) ao definir informação como “um conhecimento inscrito
(registrado) em forma escrita (impressa ou digital), oral ou audiovisual, em um suporte”,
observando-se assim a materialidade da informação e chegando à fotografia como documento,
portanto, passível de tratamento dentro de um Sistema de Informação.
Historicamente, a fotografia constitui-se como meio de comunicação da humanidade,
assim como a escrita, agindo como importante fator de interação do homem com o mundo, ela
nasce com o status de testemunho do real, mas conforme Lima (1988), desde sua origem
carrega uma dupla condição: de linguagem e forma de expressão. A condição de linguagem se
daria em decorrência da sua primeira origem que veio da Grécia e surgiu na França que
definiu fotografia como a arte de escrever com a luz (foto=luz, grafia=escrita), e a condição
de expressão deu-se em consequência de sua origem oriental, onde é definida como reflexo da
realidade (fotografia = sha-shin), tornando-a uma forma de expressão visual. No domínio da
representação visual, Smit (1996) a define como documento iconográfico, estando o termo
imagem abrangendo os documentos iconográficos ou de ilustrações.
No campo da documentação, Paul Otlet, em 1934, já ampliava a ideia de documento
para além dos livros, e classificava a fotografia considerando-a “a mais importante forma de
representação gráfica da documentação.” (BUCCERONI; PINHEIRO, 2009, p.130). No
contexto da CI a fotografia tem sido analisada como “documento e informação no âmbito da
representação e recuperação da informação fotográfica e de soluções de arquivamento e
preservação.” (BUCCERONI; PINHEIRO, 2009, p.129). É no Traité de Documentation
(OTLET, 1934 apud RABELLO; GUIMARÃES, 2006) que se encontra a ampliação do
conceito de documento, antes restrito aos livros. Os diferentes formatos e suportes poderiam
então ser considerados como documentos. Através do registro, a informação e o
conhecimento conseguem ser materializados, ganham a oportunidade, mesmo não garantida,
de perpetuar-se no tempo. A evolução humana proporcionou a existência de várias
possibilidades de materialização da informação e a percepção sensorial dessa pode acontecer
de diversas maneiras. A diversidade de registros em diferentes suportes é a abreviatura da

212

�necessidade da Organização do Conhecimento (OC) para a Ciência da Informação (CI), que,
trabalhando numa perspectiva pragmática sócio-cognitiva, preocupa-se com o uso da
informação, informação essa que também se encontra na fotografia.
Uma imagem fotográfica quando é construída está permeada de técnica, cultura,
estética e ideologias, e deve ser entendida na sua complexidade epistemológica. Desvinculada
da trama sociocultural, a história da fotografia pontuava em seu início certa falta de
preocupação com conceitos teóricos, enfatizava mais a questão da técnica e da estética,
entretanto, com o passar do tempo foi necessário buscar conhecimentos científicos que
atestassem a fotografia como objeto e meio de conhecimento e com suas potencialidades de
usos e aplicações (KOSSOY, 2007). Com uma trajetória que registrou algumas mudanças de
paradigmas, principalmente as do início do séc. XX, a fotografia, no séc. XXI ganha cada vez
mais sentido no cotidiano das pessoas, bem como no contexto científico.
A fotografia ativa a memória, as lembranças, os sentidos e desperta sentimentos e é
inegável que sua utilização social é cada vez mais abrangente, sendo veiculada por diversos
canais. Contudo, no âmbito da ciência, surge uma indagação: Como a fotografia tem sido
apropriada na produção científica? A fim de responder tal inquietação o presente trabalho traz
inicialmente um breve contexto da fotografia conceituando-a como documento, objeto da
Organização do Conhecimento (OC). Consecutivamente, é visto um abreviado panorama da
comunicação científica, levantando ali relações transversais entre fotografia e comunicação
científica. Perto da finalização será demonstrado o tratamento temático dado pelos autores que
visou identificar a utilização da fotografia na produção científica validada pelos pares,
objetivo primeiro no presente estudo.
A compreensão da informação num determinado domínio possibilita apreender os
conceitos que são formados nesse campo, estabelecendo relações de significação. Dentro da
OC, pode-se ter o Tratamento Descritivo da Informação (TDI) e o Tratamento Temático da
Informação (TTI), os dois estão na ambiência do ciclo de operações documentais sendo
diferenciados pelos princípios de uso sindético. É o TTI que se preocupa com os aspectos
intrínsecos, ou seja, quais são os assuntos inerentes à determinada forma, sendo o princípio
utilizado no presente estudo.

2 BREVE PANORAMA SOBRE A HISTÓRIA E USOS DA FOTOGRAFIA
Pode-se projetar um mundo sem imagens? Provavelmente não, afinal, mesmo que o
ser humano esteja privado de sua visão, ainda assim, ele conseguirá elaborar imagens mentais.
É o que Santaella e Noth (2010) chamam de Domínio imaterial (imagens na nossa mente),

213

�onde as imagens aparecem como visões, fantasias, imaginações, esquemas, modelos ou, em
geral, como representações mentais a fim de representar, informar, direcionar o indivíduo.
Nesse âmbito estão as imagens fotográficas que são utilizadas em suas diversas
formas, tanto para documentar quanto para comunicar, pois, constituem-se em representações
de algo e são originárias da imaginação, fundamental para a compreensão de suas mensagens.
Historicamente a fotografia transita na sociedade como representação do ser humano
no mundo, desde os retratos do séc. XIX para fins científicos até as ações mais corriqueiras do
dia a dia. Contudo, seu panorama tem mudado com o tempo e a fotografia passou por
transformações drásticas: de ilustração em livros ao estudo como meio comunicacional e
transformador na sociedade imagética do séc. XXI.
Nos primórdios, a imagem fotográfica, foi definida como retrato do real, concorrendo
com a pintura durante muito tempo. Após uma considerável evolução no modo de ver a
imagem, hoje se tem uma compreensão multidisciplinar da fotografia (KOSSOY, 2007).
Nascida numa época em que a sociedade se modificava econômica, cultural e socialmente, a
fotografia era essencialmente plural. Tal característica está nos diversos usos e funções
exercidos pela mesma: como documento, como reprodutora da arte, na comunicação de
massa, como instrumento político e de denúncia social, como também interlocutora na
comunicação do conhecimento.
É na década de 80, que se observa no Brasil um aumento considerável do interesse
pela fotografia como fonte de pesquisa e por seus recursos potenciais de leitura das imagens.
Deste modo, constata-se que pensar a fotografia é ultrapassar uma observação despretensiosa
e enveredar pela análise da comunicação e informação visual, considerando que a fotografia é
uma linguagem visual que possui estrutura narrativa e sintaxe própria.
Em dois séculos de existência a fotografia sofre mudanças substanciais em seus
paradigmas, no início do séc. XX configurava-se na expressão do belo, da natureza e das
pessoas. Seu caráter indicial revelava que o referente existiu e era passível de ser registrado e
memorizado, refletindo-se em uma fotografia de caráter documental; seu sentido era o
fotografado, o punctum de Barthes. Visão corroborada por Sontag quando dizia que era
importante a não intervenção do fotógrafo, preterindo a ele relatar a realidade e não ser seu
intérprete ou crítico ou denunciador. (SONTAG apud MANINI, 2009).
Na metade do séc. XX a fotografia enfatiza o autor, a intervenção subjetiva é a
principal marca, caracteriza-se assim uma fotografia autoral, onde o fotógrafo registra a partir
da sua percepção/concepção ideológica, o que evidencia uma credibilidade aparente. No
início do séc. XXI, com a explosão do digital, questiona-se a realidade da fotografia devido às

214

�possibilidades de manipulação, há assim um momento de fragilidade da imagem digital em
tempos de virtualidade e transitoriedade.
Hoje, a ciência comunica seus resultados fazendo uso das tecnologias existentes e
acompanha a mudança de postura do seu usuário/pesquisador. Nesse sentido, “a ciência
continua a utilizar cada vez mais a fotografia como instrumentação da pesquisa, como
memória de dados, como meio de comunicação dos resultados aos seus públicos.” (RIBEIRO,
1993, p.3). É esse conhecimento que difundido pela comunicação científica adquire valor e
contribui para o avanço da ciência. Vejamos a seguir como se dá a comunicação científica.

3 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
Numa perspectiva kantiana, a explicação dos acontecimentos/objetos reside na
existência da razão, ainda assim, o homem depende antes da sua própria sensibilidade
(ANDRADE, 2012). O fator sensitivo humano, auxiliado pela razão, torna o indivíduo capaz
de investigar tudo àquilo que o cerca (natural/físico/emocional), capacitando-o a entender
toda representação da ação fenomenológica ou da própria existência humana (BRAGA;
GUERRA; REIS, 2010). A existência do ser e suas relações lógicas é o pressuposto da
ontologia. O homem, dotado de razão e sensível a invasão de informações sugeridas pela
existência dos fenômenos, torna-se assim elemento de ação racional.
Ao afirmar que “não há, realmente, pensamento isolado, na medida em que não há
homem isolado”, Freire (1977, p. 66) consegue demonstrar a necessidade da dialógica para a
construção do conhecimento. A comunicação, quando eficaz, sugere reciprocidade,
recomenda ao seu receptor a atividade, e não a exclusiva passividade, como afirmava a
clássica Teoria da Comunicação/Informação desenvolvida por Shannon e Weaver
(RÜDIGER, 2011). Praticando a dialética, processo que se inicia a partir do confronto de
juízos diferentes, Platão, influente filósofo grego, conseguia endossar a ideia da necessidade
comunicacional para a construção do saber. Esse método era capaz de separar as opiniões
pessoais (dóxa) do conhecimento (epistéme), Platão doutrinava tais práticas na Academia,
pois acreditava que isso era capaz de elevar a alma do mundo sensível ao mundo das ideias
(BRAGA; GUERRA; REIS, 2008).
Seguindo o apresentado, percebe-se claramente o quanto é fundamental para a
construção do conhecimento a comunicação. Ao proporcionar o debate, consegue-se alcançar,
ou tenta-se, valores de juízo mais concretos. Explicitando um entendimento formal de
conhecimento, Rabello e Guimarães apontam o mesmo como produto, necessidade e dínamo
social e demonstra as seguintes direções:

215

�1) o conhecimento é um produto social, uma necessidade social, e um
dínamo social; 2) o conhecimento se realiza a partir da informação e ao
socializar-se se transforma em informação; 3) a estrutura e a
comunicação
do conhecimento formam um sistema aberto; 4) o
conhecimento deve ser organizado para seu melhor aproveitamento
individual e social; 5) existem ‘n’ formas possíveis de organizar o
conhecimento; 6) toda organização do conhecimento é artificial, profissional
e determinista; 7) o conhecimento se registra sempre em documentos, como
conjunto organizado de dados disponíveis, e admite usos indiscriminados; 8)
o conhecimento se expressa em conceitos, e se organiza mediante sistemas
de conceitos; 9) os sistemas de conceitos se organizam para fins científicos,
funcionais ou de documentação; e 10) as leis que regem a organização de
sistemas de conceitos são uniformes e previsíveis, e se aplicam por igual a
qualquer área disciplinar (BARITÉ, 2001 apud RABELLO; GUIMARÃES,
2006, p.11).

Referente ao item 7, segundo Meyriat (1981), o documento é o objeto que oferece
suporte à informação, tem o potencial pra comunicar e é durável. Contextos históricos fizeram
da escrita um dos meios mais populares e acessíveis de absorção do conhecimento, porém, a
conceituação de “documento” não é exclusiva a este tipo de suporte e técnica (papel/escrita).
Em resumo, pode-se assumir a postura diante de um documento entendendo-o como o registro
da atividade humana, como representante de significados, como fator de inúmeras
possibilidades comunicativas, como suporte, como registro do pensamento individual ou
coletivo etc., como por exemplo, a fotografia.
É válido que todo documento tenha autoria (mesmo quando o autor não é
identificado), e, por mais trivial que possa parecer tal afirmação, ela é suficientemente válida
para o início de atividades relativas ao entendimento do próprio documento. Percebem-se na
figura autoral diversas informações, implícitas ou explícitas, elas representam a sensibilidade
humana diante de sua própria existência e interação com seu meio, concebem ainda o reflexo
de uma época, de uma cultura, enfim, de uma representação de mundo (fenômenos). A
percepção destas informações eleva a qualidade do trabalho referente à estruturação de dados
representativos. Vickery (1999) e Gnoli (2012) obtêm êxito ao clarificar bem a ideia de que o
conhecimento é acrescido em etapas e que, graças a este processo, ele carregará estigmas de
gênese.
O conhecimento é adquirido e difundido pela troca de informações, que enseja a
comunicação. No processo de comunicação humana, a linguagem é o que relaciona os seres
com o mundo porque comunicar é fazer saber, participar, pôr em contato etc. O objetivo da

216

�Ciência é sistematizar um pensamento sobre determinado fenômeno, oportunizar a troca de
ideias entre os pares e efetivar o registro do referido conhecimento.
O registro documental consegue assegurar a continuidade do conhecimento, afinal a
exposição do pensamento através da linguagem (em seus diversos formatos) o torna suscetível
ao exame. Em entrevista, Popper (1981, p.68) foi questionado sobre a possível diferença entre
o conhecimento intelectual de um pensamento não expresso e um registrado, segundo ele:

Existe uma diferença importante quando exprimimos nosso pensamento por
palavras ou, melhor ainda, por escrito [registro]. Desta forma o pensamento
se torna acessível à crítica. Anteriormente os nossos pensamentos
constituíam uma parte de nós mesmos. Poderíamos ter dúvidas, mas
teríamos podido criticá-las da mesma forma que podemos criticar uma
afirmação expressa verbalmente ou, melhor ainda, um relatório por escrito.
Portanto, há, pelo menos, um significado importante de ‘conhecimento’
objetivo: ‘conhecimento’ no sentido de ‘teoria formulada verbalmente, que
se expõe à crítica’. A isso chamo de ‘conhecimento em sentido objetivo’.
Nele se integram os conhecimentos científicos. Este conhecimento está
localizado nas nossas bibliotecas e não nas nossas cabeças.

Ainda recorrendo a conceitos sobre formalidade e informalidade no processo de
comunicação científica, encontra-se na obra de Meadows (1999) um referencial bastante
interessante. Para o autor, o conceito de comunicação científica informal está muito ligado à
questão do efêmero, sendo mais contextual, a informalidade no processo de comunicação
científica estaria “[...] sendo posta à disposição apenas de um público limitado.”
(MEADOWS, 1999, p.7). É válida a lembrança da não existência de um total conceito díspar
entre o processo de comunicação formal e informal, afinal ambas são expressões intelectuais
e, por vezes, registradas. Sendo assim, para Meadows (1999) o que mais difere um processo
do outro não são características totalmente antagônicas, mas sim o simples fator expositivo:
enquanto a informal possui um público limitado (o que a caracteriza como efêmera, segundo
o autor) a formal é determinada pela exposição “[...] por longos períodos de tempo para um
público amplo.” (MEADOWS, 1999, p.7).
São transversais, em tom de complementariedade, as opiniões de Popper (1981) e
Meadows (1999). Nas entrelinhas, percebe-se a necessidade do desenvolvimento embrionário
da ciência sendo a comunicação a responsável por nutrir esse processo. Inicialmente, o
constructo científico é realizado com cautela e pontuais privações, a limitação da exposição a
pares, por vezes, é necessária. Em síntese, sobre o sistema circulatório dos fatos científicos,
Latour (2001, p.117) demonstra que “é impossível, por definição, dar uma descrição geral de
todos os laços surpreendentes e heterogêneos que explicam o sistema circulatório da ciência

217

�encarregados de manter vivos os fatos científicos.” Ainda assim, é clarificado na obra
supracitada a evolução processual do conhecimento, do patamar da informalidade para a
formalidade exigida pelo status da ampla divulgação do conhecimento científico.
Em resumo, os canais dos quais se valem a Ciência para ensejar a comunicação podem
ser formais e informais. A formalidade é estabelecida pela escrita, constituída pelas
publicações primárias, secundárias e terciárias. Enquanto a informalidade acontece pela via
oral, que se dá através das Conferências, Seminários, conversas interpessoais, mensagens
eletrônicas, dentre outros. (ALVES, 2011).
A presente pesquisa concentrar-se-á no canal formal de divulgação da ciência através
dos periódicos, obtidos em Base de Dados, especificamente, a base escolhida foi a Library
and Information Science Abstracts (LISA). A escolha é fortalecida pelo o que aponta Sayão
(1996, p.314) ao concluir “que as bases de dados são os repositórios dos conhecimentos
consensuais gerados pela ciência moderna, constituindo, dessa forma, a memória da ciência
oficialmente aceita.”

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa exploratória, de procedimento documental com revisão de
literatura, que levanta a produção científica sobre Fotografia na LISA. A pesquisa foi
realizada em dezembro de 2013. A escolha da referida Base deu-se por ser a mesma elaborada
para profissionais da informação e por ser uma ferramenta internacional com publicação em
mais de 68 países. Com atualização quinzenal, a LISA atualmente possui resumos de mais de
440 periódicos com publicações em mais de 20 idiomas.
Optou-se por utilizar o termo em inglês (photography) para uma maior recuperação
por ser uma Base internacional. A escolha do termo Fotografia em detrimento de Imagem
deu-se por ser mais específico, uma vez que Imagem abrange os documentos iconográficos ou
de ilustrações, conforme se esclareceu no início do trabalho.
A estratégia utilizada recuperou 144 documentos pesquisados com o termo
Photography na opção Resumo e a prioridade Revisado por pares ativa. A escolha por
Resumo deu-se em virtude de ser uma Base de resumos e por, segundo Lakatos e Marconi
(1992, p.72), o resumo ser “a apresentação concisa e frequentemente seletiva do texto,
destacando-se os elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais ideias do
autor da obra.” Entende-se que a escolha do item Revisado por pares endossaria o caráter
científico presente nos documentos recuperados.

218

�No primeiro momento após a pesquisa e recuperação dos documentos, procedeu-se a
tradução do título, resumo e palavras-chave, sendo os documentos dispostos em um quadro e
numerados consecutivamente. A etapa seguinte foi analisar um a um e criar as categorias,
sendo gerado um segundo quadro que dispõe da categoria e cada trabalho correspondente com
sua respectiva numeração.
Na sistematização e análise dos dados utilizou-se, na análise temática, a categorização
de Bardin (2011) que tem como objetivo fornecer uma representação sintetizada dos dados
brutos.

A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos
de um conjunto por diferenciação e, em seguida, por reagrupamento segundo
o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos. As categorias
são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades
de registro, no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico,
agrupamento esse efetuado em razão das características comuns destes
elementos. (BARDIN, 2011, p.147).

Individualmente, cada documento foi disposto em apenas uma categoria, restringindo
assim a representação do mesmo. Nesse estágio da pesquisa, foi necessária a recorrência à
Organização do Conhecimento para melhor identificação e análise qualitativa do objeto de
pesquisa nos documentos recuperados, como bem tratam Rabello e Guimarães (2006, p.2-5):

A Organização do Conhecimento (OC), enquanto uma área de estudos,
muito tem contribuído para investigações em Ciência da Informação (CI), no
âmbito da qual tem sido, por vezes, considerada como ‘espinha dorsal’,
principalmente por trazer reflexões teóricas acerca das concepções e
métodos que caracterizaram a atividade mediadora entre a produção e o uso
do conhecimento. [...] Segundo Hjnrland (2003), em uma perspectiva
pragmática e sócio-cognitiva, a OC, no âmbito da Ciência da Informação, é
um conceito amplo que tem como significado, particularmente, a
organização da informação em registros bibliográficos, incluindo índices de
citação, texto completo e Internet.

As categorias escolhidas seguem elencadas no quadro abaixo com a respectiva
quantidade de documentos encontrados.

219

�Quadro 1: Categorias
CATEGORIA
Acervo de Bibliotecas
Alfabetização visual
Arquivos fotográficos
Banco de dados de imagem
Direitos autorais
Empresa de fotografia
Entrevista com editores de revista de fotografia
Fotografia aérea
Fotografia como adendo
Fotografia corporativa (comunicação corporativa)
Fotografia digital
Fotografia e design gráfico
Fotografia médica
Fotografia na internet
História da fotografia
Informação social
ISO/TC46 - Informação e Documentação
Resenha / Ensaio
Sobre fotógrafos
Temática para patentes
Fonte: Os autores.

QUANTIDADE
28
05
10
01
03
01
01
10
33
02
07
01
05
06
06
11
01
10
02
01

Para um melhor entendimento do que cada categoria abarcou, seguem as descrições
abaixo:
Acervos de Biblioteca: essas pesquisas trataram sobre livros de fotografia, fotografias
na composição dos acervos, criação de metadados, processamento técnico e conservação;
papel do gestor de imagens; também sobre Bibliotecas multimídias e de Arte.
Alfabetização visual: os trabalhos usavam a fotografia como ferramenta de pesquisa,
ensino, identidade e cultura para crianças e adolescentes.
Arquivos fotográficos: são trabalhos que envolveram toda a gerência e implantação
de arquivos, preservação de negativos, utilização dos arquivos visuais para pesquisas, as
diretrizes dentro do arquivo em relação à fotografia, assim como coleções em galerias.
Banco de dados de imagem: recuperou documentos que tratam de gestão e
recuperação de dados de imagem.
Direitos autorais: esses trabalhos trataram tanto da utilização das imagens feitas pela
Instituição (Biblioteca, Arquivo etc.), como direitos de autor/fotógrafo na França e na GrãBretanha.

220

�Empresa de fotografia: a pesquisa trata das funções comuns, atividades e registros de
empresas comerciais de fotografia.
Entrevista com editores de revista de fotografia: traz uma entrevista com Editores
da Revista IMAGEM.
Fotografia aérea: agrupou os estudos sobre fotografia aérea propriamente dita assim
como Fotografia de satélite e Espacial.
Fotografia como adendo: estudos que utilizaram a fotografia e/ou o visual como
complemento da informação escrita, para ratificar informações, no sentido de acrescentar
dados, como acessório mesmo.
Fotografia corporativa: estudo que enfatiza o visual como parte da estratégia
competitiva da empresa, assim como a utilização da fotografia como meio comunicacional.
Fotografia digital: os trabalhos envolveram desde gestão, preservação, digitalização
de imagens digitais até a criação de taxonomia bilíngue para descrição de tais imagens.
Fotografia e design gráfico: diz respeito à utilização da fotografia pelos estudantes de
design, no que se refere aos acordos de licenciamento que regem o uso de fotografias de ações
e oferece um panorama das agências de fotografia.
Fotografia médica: estudos que utilizam o conteúdo da fotografia como parte da
avaliação clínica dos pacientes e no diagnóstico (caso da Dermatologia), nessa categoria
também estão pesquisas com fotografia infravermelha.
Fotografia na internet: compreendeu trabalhos que suscitaram assuntos relacionados
à pornografia infantil, uso do Flickr, Fotoblogs e compartilhamento de imagens via web.
História da fotografia: abordam assuntos da história da fotografia em diferentes
países, surgimento e uso do daguerreótipo.
Informação social: considerou os trabalhos que colocavam a fotografia em foco, que
analisaram fotos, evidenciando assim, o comportamento humano, social e as transformações
históricas, bem como os que trabalharam a fotografia como informação valendo-se de técnicas
visuais e fotográficas (como exemplo a etnografia).
ISO/TC46: é o Comitê Técnico "Informação e Documentação" da International
Standard Organization que tem como objetivo desenvolver técnicas de reprodução de
documentos: fotocópia, fotografia, micrografia, etc.
Resenha / Ensaio: alguns trabalhos apresentavam resenha ou ensaio sobre livros de
fotografia.
Sobre Fotógrafos: tratam de pesquisas sobre a vida de fotógrafos e habilidades
profissionais (a exemplo do Fotojornalismo).

221

�Temática para patentes: analisou patentes de texto completo com cobertura em
alguns temas, dentre eles a fotografia digital e sensores de imagem.
A partir dessa categorização pode-se observar como estão distribuídos os estudos
referentes à fotografia e obter alguns resultados que se encontram descritos no próximo
tópico.

5 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A pesquisa em questão preteriu conhecer a utilização e circulação da fotografia na
produção científica. As categorias que obtiveram quantitativos a partir de 05 (cinco)
documentos estão elencadas no gráfico abaixo para análise.

Gráfico 1: Quantitativo por categoria

Observa-se a partir do gráfico que as categorias Acervo de Bibliotecas e Fotografia
como adendo constituem o maior percentual da pesquisa, refletindo que há sim uma inserção
da fotografia na área de documentação e informação, mas sua utilização ainda é de
complementaridade, de acessório. Ao mesmo tempo em que socialmente ela é ponto de
partida para reflexões sobre comportamento humano e as transformações históricas, tanto do
ponto de vista da arquitetura das cidades, do registro de hábitos, como ferramenta de ensino e
denúncia, o que ficou refletido na categoria Informação social, também bem pontuada.
Infere-se que há um reconhecido valor da comunidade científica que atesta a fotografia
como auxílio na documentação e compreensão do mundo natural. Contudo, a interpretação de
sua utilização ainda não é muito precisa, por exemplo, alguns documentos recuperados

222

�constavam, no resultado final da busca, uma representação (fotografia) que diferia realmente
do corpus intelectual ali registrado, assim, partindo-se então para um contexto muito maior
que diz respeito à OC, no tocante a criação de conceitos, classificação e indexação.
Percebeu-se a necessidade de aprofundamento na pesquisa, utilizando ferramentas da
OC como tesauros, taxonomias, linguagens documentárias, dentre outros. O resultado final
contribui para a compreensão do status da fotografia como um agente mediador na
comunicação científica, mas há um longo caminho a se percorrer para que ferramentas sejam
criadas viabilizando seu uso e representação. A falta de uma taxonomia referente à fotografia
foi um dos entraves que limitou o desdobramento das categorias.

6 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O mapeamento aqui realizado pretendeu identificar o uso da fotografia na produção
científica na expectativa de estabelecer seu papel como documento, como informação
materializada.
No que se refere à fotografia foi possível perceber certa imprecisão na descrição e
representação em um sistema de Organização do Conhecimento, o que não inviabiliza, mas
dificulta a pesquisa e o reconhecimento da realidade sobre o tema. Observou-se uma alocação
da fotografia em diversas temáticas, mas ainda é necessária sua consolidação como área de
estudo dentro da Ciência como um todo e na CI em particular, nesse caso específico
possibilitará sua leitura e descrição, bem como a criação de tesauro, taxonomia e conceitos
para uma melhor indexação.
Quando a imagem era situada na sua condição de apenas ilustração de textos e
apêndice da história e passou, conforme Kossoy (2007), para uma condição de fonte
iconográfica preciosa, de papel cultural capaz de transformar realidades, preconizava-se assim
a inserção da fotografia na Ciência como ferramenta de estudo e pesquisa. Contudo, ao
pesquisar sobre fotografia e como está sendo sua utilização na produção científica, observouse uma dispersão, fato natural para um documento que precisa ser representado, mas que traz
em sua essência a dificuldade de ser inteligível. Afinal, pode suscitar interpretações diversas
de acordo com o interlocutor.
Essa constatação inter-relaciona-se com a produção, uma vez que uma imagem quando
é construída está permeada de técnica, cultura, estética e ideologias, e deve ser entendida na
sua complexidade epistemológica. Entretanto, há a constatação da sua popularização com sua
utilização consolidada em diversas áreas do conhecimento, como Sociologia, Antropologia,

223

�História, dentre outras, que já utilizam rotineiramente a fotografia em suas pesquisas, ainda
que como adendo.

7 REFERÊNCIAS

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Informação. DataGramaZero - Revista de Informação, v.12, n.3, jun. 2011.
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moderna, volume 1: convergência de saberes. 3.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
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universo-máquina. 3.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
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João Pessoa: [s.n.], 2009. p.127-142.
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documental dimensions in Knowledge Organization. Knowledge Organization, v.39, n.4,
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KOSSOY, Boris. Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. 2.ed. Cotia, SP: Ateliê
Editorial, 2007. 174p. il.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Almeida. Metodologia do trabalho
científico. 4.ed. rev. ampl. São Paulo: Atlas, 1992. 214p.
LATOUR, Bruno. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos
científicos. Tradução: Gilson César Cardoso de Sousa. Bauru, SP: EDUSC, 2001.
LE COADIC, Yves-François. A Ciência da Informação. Tradução de Maria Yêda F. S. de
Filgueiras Gomes. 2.ed. Brasília: Briquet de Lemos, 2004. 124p.
LIMA, Ivan. A fotografia é a sua linguagem. 2.ed. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1988.
120p. il. (Coleção Antes, Aqui e Além).

224

�MANINI, Miriam Paula. Aspectos informacionais do tratamento de documentos fotográficos
tradicionais e digitais. In: FREIRE, Gustavo Henrique de Araujo (Org.). E-Book do
Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. João
Pessoa: Ideia: Editora Universitária, 2009. 1 Cd-rom.
MEADOWS, A. J. A comunicação cientifica. Tradução de Antonio Agenor Briquet de
Lemos. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1999. 268p.
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RABELLO, Rodrigo; GUIMARÃES, José Augusto Chaves. A relação conceitual entre
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225

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Comunicação científica e fotografia: a recorrência do termo para a construção do conhecimento na Base de Dados LISA.</text>
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                <text>Mendonça, Roseane Souza de, Melo, Willian Lima, Pinho, Fábio Assis </text>
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                <text>Sendo um dos alicerces para o desenvolvimento humano, a informação é de natureza subjetiva e constitui-se em matéria prima do conhecimento. Ao apresentar qualidades documentais, a fotografia consegue fornecer informações ao seu usuário. O estudo em questão configura-se como uma pesquisa exploratória, de procedimento documental com revisão de literatura, voltado a identificar o tratamento temático da fotografia na produção científica da área da CI indexada na base LISA. Para o desenvolvimento do trabalho e para melhor enquadrar os 144 documentos recuperados em categorias específicas foram utilizados conceitos e teorias de autores alusivos à organização do conhecimento, documentação, imagem fotográfica, ciência e comunicação científica. Mesmo ficando evidenciada a necessidade de uma taxonomia que auxiliasse o melhor tratamento documental presente no estudo, foi possível abstrair, sumariamente, a utilização da fotografia na produção científica e posicionar-se diante o exposto. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CAPTAÇÃO DE RECURSOS POR PROJETO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS UFPR: Relato de experiência

Angela Pereira de Farias Mengatto
Sandra Inara Altero Marquetti
RESUMO
O estudo relata a experiência do Sistema de Bibliotecas (SIBI) da Universidade Federal do
Paraná (UFPR) na captação de recursos financeiros, por meio de projetos apresentados ao
Fundo de Desenvolvimento Acadêmico (FDA), para investir na ampliação de acervo,
modernização de mobiliário e aquisição de equipamentos. De 2009 a 2013 foram aprovados
43 projetos, totalizando R$ 560.347,18, beneficiando 10 bibliotecas.
Palavras-chave: Captação de recursos financeiros. Gestão de projetos.

ABSTRACT
The article reports the experience of Parana Federal University's Library System in collecting
financial resources through projects presented to the Fund of Academic Development, in
order to invest in the expansion of the collections, in the modernization of the furniture and in
the acquisition of equipment. In the years of 2009 to 2013, 43 projects were approved, adding
up to R$ 560.347,18, benefiting 10 libraries.
Keywords: Obtaining financial resources. Projects Management.

1 INTRODUÇÃO
O Sistema de Bibliotecas da UFPR (SIBI), criado em 1973, é constituído por
uma sede administrativa (Biblioteca Central) e 17 bibliotecas universitárias, localizadas em
Curitiba, Palotina, Jandaia do Sul, Pontal do Paraná e Matinhos, totalizando 18 bibliotecas.
A Biblioteca Central é um órgão suplementar, vinculado diretamente à Reitoria,
encarregado de coordenar e supervisionar as atividades de todo o SIBI. Às Bibliotecas
Setoriais compete oferecer à comunidade universitária serviços bibliográficos e de informação
especializados, como suporte aos programas acadêmicos. (UFPR. SIBI, 2014).
O orçamento do SIBI conta com recursos provenientes do governo federal. Os
recursos são aplicados de acordo com a previsão anual, baseado em planejamento estratégico,

873

�visando garantir o atendimento e a manutenção do acervo, serviços e produtos ofertados à
comunidade universitária.
Empenhados em aumentar as fontes de auxílio para investir na ampliação de acervo e
promover outras benfeitorias nas bibliotecas, a equipe do SIBI tem submetido projetos, ao
Fundo de Desenvolvimento Acadêmico (FDA) da Universidade Federal do Paraná para
alocação de recursos.
É fundamental destacar também, a cooperação de coordenadores e professores na
submissão de projetos para complementação de recursos para aquisição de material
bibliográfico, principalmente destinados aos cursos novos.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A alocação de recursos para realização de ações expansivas, no âmbito de instituições
públicas é complexo, pois o processo é burocrático e lento, tornando necessário o empenho
dos gestores e outros agentes envolvidos.

É preciso conhecer e buscar as atividades de

fomento para a formulação, estruturação e acompanhamento de projetos que visem à captação
de recursos financeiros.
Gurgel e Rodrigues (2011) apontam a falta de orçamento próprio e de autonomia na
gestão das bibliotecas universitárias públicas e, nos últimos tempos, acompanhada pela
explosão da informação e multiplicidade de suportes informacionais, o que a obriga a buscar
formas gerenciais compatíveis com tantos desafios.
Silva (2009) em sua pesquisa menciona que em relação à questão financeira,
principalmente das bibliotecas de instituições de ensino superior, um dos problemas é a falta
de destinação orçamentária e salienta que:
As bibliotecas ainda são unidades suplementares, ou seja, dependem dos
recursos destinados pelas universidades e, principalmente, da capacidade de
negociação do gestor da biblioteca ou do sistema de bibliotecas em
convencer os reitores da importância da realização de projetos, compra de
equipamentos, atualização do sistema de segurança, mudança de software
etc. (SILVA, 2009, p. 94-95).
Neste sentido, Reed-Scott citado por Schimidt et al. (1991, p. 210), alerta para a
"necessidade dos bibliotecários conhecerem mais e aprenderem mais sobre os mecanismos de
orçamentos; familiaridade com os procedimentos contábeis; entendimento claro do processo
orçamentário e da própria instituição".

874

�Portanto, cabe aos gestores viabilizar mudanças e melhorias no desempenho gerencial,
principalmente planejar, prover e distribuir recursos de acordo com as necessidades da
biblioteca. Entra aqui também o perfil do gestor empreendedor e criativo, buscando fontes de
recursos para desenvolver ações que fortaleçam a manutenção de acervos, bem como a
promover melhorias no ambiente, garantindo a aplicação dos recursos de maneira qualitativa e
quantitativa a fim de atender as expectativas da comunidade.

3 O FUNDO DE DESENVOLVIMENTO ACADÊMICO - FDA
O Fundo de Desenvolvimento Acadêmico (FDA) foi instituído pela Resolução no
11/99 do Conselho de Administração e Planejamento (COPLAD) e tem como objetivo geral a
concessão de apoio financeiro a propostas que visem ao desenvolvimento do Ensino, da
Pesquisa e/ou da Extensão na UFPR. (UFPR. Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e
Finanças, 2014). Conta com recursos provenientes de taxas relativas a cursos de
especialização, das atividades de prestação de serviços, consultorias entre outros.
O programa é anual e dividido em duas categorias: Demandas de Fluxo Contínuo e de
Fluxo Programado.

As propostas devem ser alinhadas de acordo com as seguintes

modalidades: 1 - Pesquisa; Inovação; Ensino de Pós-Graduação; 2 - Ensino de Graduação e
de Educação Profissional e Tecnológica; 3 - Extensão e Cultura.
As propostas, enviadas ao FDA são selecionadas e avaliadas por um Comitê Gestor,
que contemplam os projetos que obtiveram nota igual ou superior a 7,0 considerando o mérito
das propostas, incluindo-se o atendimento aos editais e a expectativa de contribuição para
ensino, pesquisa e extensão.

3 METODOLOGIA
Foi realizada uma pesquisa documental no arquivo interno da Seção de Aquisição da
Biblioteca Central (BC) e nos relatórios online da Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e
Finanças (PROPLAN), com o objetivo de identificar e analisar as seguintes variáveis relativas
às bibliotecas contempladas com recursos provenientes do FDA.
-Categoria proponente (docente ou bibliotecário);
- Tipo de objeto/material adquirido;
- Valor do recurso aprovado;
- Qual a biblioteca beneficiada.

875

�4 RESULTADOS
No período de 2009 a 2013, foram contemplados 43 projetos através do FDA para o
Sistema de Bibliotecas da UFPR, no valor total de R$ 560.347,18 (Quadro 1).

QUADRO 1 - PROJETOS SUBMETIDOS AO FDA - UFPR - 2009 - 2013.

A no

P ro p o n en te

D escriçã o /o b jeto

D ocen te

Material
bibliográfico
(R$)

Mobiliário,
Equipamento,
outros (R$)

T otal R $

204.473,71

21.040,16

225.513,87

101.761,72

26.152,36

127.914,08

113.597,78
12.000,00
18.390,00
450.223,21

24.246,64
17.150,50
21.534,31
110.123,97

137.844,42
29.150,50
39.924,31
560.347,18

B ib lio tecá rio

2013

9

3

2012

7

2

2011
2010
2009
Total
Fonte:

10
5
1
2
2
2
29
14
As autoras (2014).

B ib lio teca *

BC, ET, HE,
JU, SD, PA
CT, ET, HE,
PA,
BL, CT, ET,
HE, JU, LIT,
SB, SD
HE, JU, SB
BC, CT, HE
10

* Sigla das Bibliotecas (Apêndice A)

Em 2013 foram aprovados 12 projetos, sendo 9 de docentes e 1 de bibliotecário
relativos a acervo nas bibliotecas ET, HE, JU e PA somando R$ 204.473,71 e 2 projetos de
bibliotecários para compra de equipamento de digitalização na biblioteca BC e mobiliário da
seção de circulação na biblioteca SD no total de R$ 21.040,16.
Em 2012 foram contemplados 9 projetos, sendo 7 de docentes no total de R$
101.761,72 destinado a acervo nas bibliotecas CT, ET, HE e PA. De bibliotecários foram 2
projetos para a aquisição de mobiliário nas bibliotecas ET e HE totalizando R$ 26.152,36.
Em 2011 foram 15 projetos aprovados, 10 de docentes e 2 de bibliotecários com
ênfase à atualização da bibliografia básica e complementar nas bibliotecas CT, ET, HE, JU,
LIT e SD, somando R$ 113.597,78. Outros 3 projetos de bibliotecários, foram para compra
de ativador e desativador do sistema de segurança da biblioteca BL, equipamentos para o
laboratório de acessibilidade na biblioteca CT e computadores para usuários na biblioteca SB
no valor de R$ 24.246,64.

876

�Em 2010 foram apresentados 3 projetos, sendo 1 de docente referente a acervo na
biblioteca HE no valor de R$ 12.000,00 e 2 de bibliotecários para compra guarda-volumes da
biblioteca JU e mobiliário para a biblioteca SB com o total de R$ 17.150,50.
Em 2009 foram aprovados 4 projetos, 2 de docentes relativos a material bibliográfico
nas bibliotecas CT e HE dispondo de R$ 18.390,00, 2 de bibliotecários para aquisição de
guarda-volumes na biblioteca HE e compra de material de encadernação para a biblioteca BC
no total de R$ 21.534,31.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os recursos captados pelos 43 projetos contemplados pelo Fundo de Desenvolvimento
Acadêmico (FDA), no período de 2009 a 2013, totalizaram um montante de R$ 560.347,18
destinados a 10 bibliotecas do SIBI. O aporte financeiro viabilizou a inclusão de 4.074
exemplares no acervo, ofertando a atualização e diversificação da informação. Possibilitou a
compra de equipamentos e a modernização de mobiliários melhorando o ambiente interno e o
leiaute das bibliotecas.
Participar da elaboração de projetos vem exigindo nova postura dos bibliotecários, que
precisam adquirir conhecimentos sobre os procedimentos de orçamento e licitação no âmbito
das instituições públicas, e despertando o lado empreendedor e criativo dos envolvidos. As
normas de acessibilidade e de ergonomia foram consultadas e auxiliarão na escolha e
aquisição de mobiliário e equipamentos visando maior conforto e qualidade no ambiente de
trabalho e atendimento de demandas da comunidade, inclusive de usuários com necessidades
especiais.

6 REFERÊNCIAS
GURGEL, N. M. C.; RODRIGUES, M. V. Biblioteca universitária e ensino superior: em
busca de um alinhamento estratégico. Revista EDICIC, v.1, n.3, p.211-228, Jul./Sep. 2011.
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&lt;file:///C:/Users/Biblioteca_13/Downloads/61-247-1-PB%20(1).pdf

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SCHMIDT, S. et al. Alocação de recursos para aquisição de livros para o Sistema de
Bibliotecas da UFPE. Ciência da Informação, Brasília, v. 20, n. 2, p. 209-216, jul./dez.
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&lt;

file:///C:/Users/Biblioteca_13/Downloads/1268-6951-1-

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877

�SILVA, E. M. A influência das políticas de informação científica e tecnológica para as
bibliotecas universitárias. 114 p. Dissertação (Mestrado) - Ciência da Informação. Centro de
Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal da Paraíba, 2009. Disponível em: &lt;
http://eprints.rclis.org/14433

/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o_CI_-

EDILENE_MARIA_DA_SILVA.pdf &gt;. Acesso em: 23 abr. 2014.
UFPR. Portal de Informação. Sistema de Bibliotecas. Curitiba, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.portal.ufpr.br/&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
UFPR. Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças. PROPLAN. FDA- Arquivo.
Disponível

em:

&lt;http://www.proplan.ufpr.br/portal/rel atv/relatorio de atividades 2012-

parcial.pdf&gt;. Acesso em: 20 abr. 2014.

APÊNDICE A

Sigla

Bibliotecas SIBI-UFPR

AG

Biblioteca de Ciências Agrárias

BC

Biblioteca Central

BL

Biblioteca de Ciências Biológicas

CA

Biblioteca do Campus Cabral

CEM

Biblioteca do Centro de Estudos do Mar

CF

Biblioteca de Ciências Florestais e da Madeira

CH

Biblioteca de Ciências Humanas

CT

Biblioteca de Ciência e Tecnologia

EF

Biblioteca de Educação Física

ET

Biblioteca de Educação Profissional e Tecnológica

JU

Biblioteca de Ciências Jurídicas

JS

Biblioteca do Campus Jandaia do Sul

LIT

Biblioteca da UFPR Litoral

PA

Biblioteca do Campus de Palotina

RB

Biblioteca do Campus Rebouças

SA

Biblioteca de Ciências Sociais Aplicadas

SB

Biblioteca de Ciências da Saúde - Sede Botânico

SD

Biblioteca de Ciências da Saúde

878

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O estudo relata a experiência do Sistema de Bibliotecas (SIBI) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na captação de recursos financeiros, por meio de projetos apresentados ao Fundo de Desenvolvimento Acadêmico (FDA), para investir na ampliação de acervo, modernização de mobiliário e aquisição de equipamentos. De 2009 a 2013 foram aprovados 43 projetos, totalizando R$ 560.347,18, beneficiando 10 bibliotecas. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRODUÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA O GERENCIAMENTO DE OBRAS
ESGOTADAS EM ACERVOS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Rosa Maria Apel Mesquita
Cleusa Pavan
Riovaldo Alves de Mesquita

RESUMO
Analisa 84 livros esgotados (25%), dentre 336 referenciados nos planos de ensino de
disciplinas oferecidas pelo Instituto de Física/UFRGS no primeiro semestre de 2013. Verifica
que a Biblioteca possui 58 livros do número total de esgotados, dentre esses 22 também estão
disponíveis no SBUFRGS. A disponibilidade das obras esgotadas em sebo on-line, em outro
idioma e em versão eletrônica foi, respectivamente, 46, 19 e 1. Em relação às obras esgotadas,
considera-se que estudos desse tipo auxiliam o bibliotecário na formação e desenvolvimento
do acervo em bibliotecas universitárias.
Palavras-Chave: Política de desenvolvimento
universitária. Planos de ensino.

de

coleções.

Aquisição.

Biblioteca

ABSTRACT
This paper analyzes 84 out-of-print books, among 336 books referenced in the curriculum of
courses offered by the UFRGS Institute of Physics in the first semester of 2013. It was found
that the Institute of Physics library has 58 titles of the out-of-print books and, among these, 22
are also available in other libraries at UFRGS. The number of out-of-print titles available in
used books online stores, the availability of editions in other languages and the availability in
electronic version was respectively 46, 19 and 1. Studies like this help librarians to manage
and develop college libraries.
Keywords: Collection development policy. Acquisiton. University library. Educational plans.

1 INTRODUÇÃO
Dentre seus muitos desafios, as bibliotecas universitárias precisam atender às
necessidades informacionais dos professores e alunos em relação às bibliografias dos cursos
de graduação, desenvolvendo um acervo de livros e de outros materiais consonante com os
projetos pedagógicos. Equacionar orçamentos insuficientes para a manutenção do acervo e

3551

�demandas de usuários em um número cada vez maior é uma tarefa que acompanha muitos
bibliotecários no Brasil, principalmente do setor público.
O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (REUNI) do Governo brasileiro provocou esse aumento de discentes e docentes nas
bibliotecas universitárias, com a criação de novos cursos ou ampliação de vagas em cursos
existentes. No ano de 2010, o Instituto de Física (IF) da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS) reformulou o curso de graduação em Física, criando quatro ênfases
(Pesquisa Básica, Materiais e Nanotecnologia, Física Computacional e Astrofísica), e criou o
curso de Engenharia Física, em parceria com a Escola de Engenharia. Esse tipo de mudança
reforça a necessidade de um monitoramento frequente do acervo das bibliotecas, a fim de
verificar se o mesmo possui a bibliografia referenciada nos planos de ensino das disciplinas
ministradas pelos professores.
A Biblioteca do IF integra o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (SBUFRGS) que utiliza o BiblioGrad (STREHL et al., 2011) para a gestão de
verbas destinadas à compra de livros em papel para os cursos de graduação, considerando os
planos de ensino de cada disciplina. A Biblioteca Central distribui os recursos para as
bibliotecas setoriais, separadamente entre títulos nacionais e estrangeiros, conforme o valor
médio de toda a lista de livros do SBUFRGS.
De posse de dados observados em estudo anterior de Mesquita e Pavan, (2012),
percebeu-se a necessidade de aprofundar alguns aspectos relacionados às obras esgotadas
comercialmente, a fim da Biblioteca antecipar-se às necessidades da comunidade de usuários,
listar os títulos para serem adquiridos por doação ou permuta, estabelecer prioridades para a
encadernação e o restauro, comunicar a situação de não comercialização das obras aos
professores e monitorar essa situação.
Portanto, o objetivo principal deste trabalho é analisar os livros referenciados nos
planos de ensino (PE) de disciplinas oferecidas no primeiro semestre de 2013 pelo IF que
estão esgotados na editora. Os objetivos específicos são verificar a situação dessas obras
quanto:
a. ao tipo de bibliografia;
b. a quantidade de disciplinas que as referenciam;
c. a quantidade de publicações nacionais e estrangeiras;
d. à disponibilidade da versão eletrônica;
e. à disponibilidade de edição em outro idioma;
f. à disponibilidade em sebo on-line;

3552

�g. à temporalidade;
h. à área do conhecimento;
i. à disponibilidade em outra biblioteca do SBUFRGS;
j. à situação na Biblioteca:
- quantidade de itens;
- tipo de status de circulação e de processamento técnico.
Como consequência deste trabalho, algumas diretrizes sobre as obras esgotadas serão
elaboradas para incluir na Política de Desenvolvimento de Coleções (PDC) da Biblioteca do
IF.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
Muitas questões permeiam o trabalho do bibliotecário responsável pela aquisição de
livros, entre elas: o custo elevado em determinadas áreas do conhecimento, como ciência e
tecnologia; a publicação frequente de novas edições sem mudanças significativas no texto; a
disponibilidade de versão eletrônica e novos modelos de compra; a manutenção do núcleo
básico de títulos; a captação de recursos financeiros e o atendimento da necessidade dos
usuários. Por tudo isso, é essencial que o bibliotecário, como gestor, reúna e sistematize
informações que o ajudarão nessas questões diárias e na tomada de decisão.
De acordo com Maciel e Mendonça (2006, p. 14), a tomada de decisão é “[...] o
processo de identificação de um problema específico e a seleção de uma linha de ação para
resolvê-lo ou para aproveitar uma oportunidade.”.
Ferreira e Oliveira (1989) consideram que as decisões bem-sucedidas requerem
habilidade do administrador, sendo a qualidade da informação o fator mais significativo que
dependerá essa habilidade. Corroboram Maciel e Mendonça (2006) ao indicar que a
informação reduz a incerteza ao tomar decisões e é um denominador comum às funções
administrativas de planejamento, organização, direção e avaliação.
O bibliotecário tem como fonte regular de informações para a aquisição de livros o
próprio sistema automatizado que controla a circulação de documentos e o cadastro de
usuários. Outras informações não são rapidamente obtidas, mas precisam ser coletadas. As
formas de coleta podem ser por meio da realização de estudos bibliométricos e estudos de
usuários; do acompanhamento das políticas governamentais e institucionais; da verificação de
lançamento de editais voltados para algum aspecto que pode interessar às bibliotecas, do
acompanhamento da situação comercial da obra no mercado editorial, e do estudo dos
projetos pedagógicos dos cursos de graduação, dentre outras.

3553

�Estudar os planos de ensino e a bibliografia indicada pelos professores demonstra-se
ser uma necessidade para alavancar o desenvolvimento e a formação de coleção em
bibliotecas universitárias. Cassin et al. (2004) verificaram a disponibilidade, nas bibliotecas
da Universidade de São Paulo (USP), da bibliografia básica do curso de graduação em
Engenharia de Produção Mecânica, da Escola de Engenharia de São Carlos. Cristianini e
Moraes (2006) readequaram o acervo para os cursos de graduação da área de Ciências da
Computação, a partir dos programas das disciplinas.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC, 2008), ao realizar um
levantamento da bibliografia de 13 cursos de graduação de universidades públicas e privadas,
detectou que 34% de livros, em média, não estavam disponíveis nas bibliotecas, sendo que
44% desses sequer encontravam-se à venda. Em 2012, o mesmo Instituto repetiu o
levantamento com duas universidades paulistas (USP e PUCSP) e os números encontrados
foram: os títulos indisponíveis nas bibliotecas somam 17,5% na primeira universidade e
16,3% na segunda; e desses títulos 46,2% e 30,8%, respectivamente, também não foram
encontrados no mercado editorial (IDEC, 2012). Em outra pesquisa foi verificada uma
variação de 26% a 31% de publicações esgotadas utilizadas nos PE em cursos de graduação
(CRAVEIRO, MACHADO E ORTELLADO, 2008). Para os autores, esse percentual
surpreende por dois fatos: a falta de acesso pelos alunos a um quarto desses livros e o
mercado editorial não voltar seu olhar para reedição e reimpressão dos livros técnicocientíficos.
Para corroborar, o relatório Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro
(CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO, 2013), da Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE/USP), encomendado pela Câmara Brasileira
do Livro (CBL) e pelo Sindicato dos Editores de Livros (SNEL), revelou que as reimpressões
sofreram queda de 2,93% (37,78 mil exemplares reimpressos em 2011 e 36,68 mil, em 2012).
Assim, os bibliotecários que concentram esforços em produzir e analisar informação
possuem mais subsídios para auxiliar a tomada de decisão na aquisição de materiais e na
avaliação do acervo. Dias e Andrade (2012) lembram que as unidades de informação
competem por recursos, demandas e interesses, sendo a gestão da informação essencial para a
administração dessas unidades ao necessitar de justificativas para investimentos.
Esses investimentos costumam ser escassos nas instituições públicas. Elaborar uma
previsão orçamentária permite planejar os investimentos para alcançar os objetivos
estipulados para o acervo, além da biblioteca ter maior credibilidade e possibilidades de
negociação (Andrade; Vergueiro, 1996).

3554

�Por fim, compete aos bibliotecários avaliar constantemente o acervo e manter lista de
compra atualizada para suprir as necessidades curriculares, apoiando as atividades de ensino
nas universidades.

3 METODOLOGIA
Este estudo bibliométrico teve por objeto os 84 livros esgotados no mercado editorial
do total de 336 citados nos PE de 100 disciplinas ofertadas pelo IF no primeiro semestre de
2013. A coleta foi realizada em dezembro de 2013, sendo os dados tabulados em planilhas
eletrônicas do programa MSEXCEL® e apresentados na próxima seção em forma de tabelas.
Para verificar a situação comercial, a existência da obra em outro idioma e em versão
eletrônica, consultou-se os sites da Livraria Cultura e Amazon. O site das editoras, quando
existente, foi acessado para confirmar a informação em caso de dúvidas.
Quanto à disponibilidade das obras em sebo on-line, optou-se por consultar o site da
Estante Virtual, pois é um portal que reúne sebos e livreiros do Brasil, apresentando mais de
11 milhões de livros usados, seminovos e novos (ESTANTE VIRTUAL, 2014).
Abaixo, encontra-se a definição dos termos empregados no estudo:
a. Tipo de bibliografia: três categorias empregadas nos PE denominadas de
Bibliografia Básica Essencial (BBE), Bibliografia Básica (BB) e Bibliografia
Complementar (BC);
b. Temporalidade: data de publicação da obra;
c. Status de circulação e de processamento técnico: categorias utilizadas pelo
SBUFRGS e adotadas pela Biblioteca do IF. São três status: Regular
(empréstimo por 7 ou 14 dias, de acordo com categoria do usuário); Consulta
local (empréstimo por 3 horas ou fim de semana) e Encadernação.

4 RESULTADOS
Muitas editoras responsáveis pela publicação dos livros analisados não estão mais
presentes no mercado ou formaram novo grupo editorial, por meio de aquisições,
incorporações ou parcerias. Essas alterações causam dificuldades para a obtenção de
informações sobre a comercialização das obras. Outra constatação é quanto à falta de
informações nos catálogos on-line das editoras sobre a situação comercial dos títulos. Esse
problema gera a necessidade de contato pela Biblioteca, porém, algumas vezes, a solicitação
por informações não é atendida, dificultando a atualização da listagem de livros para
aquisição.

3555

�A Tabela 1 apresenta a quantidade de obras referenciadas nos PE, conforme a origem
da publicação (nacional ou estrangeira) e a possibilidade de aquisição (esgotada ou não
esgotada). Verifica-se que, dos 336 livros, 84 (25%) encontram-se esgotados. Em estudo
anterior, Mesquita e Pavan (2012) observaram que o percentual de obras esgotadas nos PE de
84 disciplinas foi 14,3%. Ou seja, no presente estudo a proporção de obras não disponíveis
para compra é quase o dobro daquela encontrada em 2012.
Desagregando-se o total por origem de publicação, verifica-se que as obras publicadas
no Brasil representam 38,1% do total, mas mais da metade dos títulos esgotados. Além disso,
um terço das obras nacionais encontra-se esgotada. Os percentuais de obras esgotadas pode
ser um indicador da necessidade de identificar alternativas às obras indicadas nos PE, para
que a Biblioteca atenda às demandas do projeto pedagógico dos cursos de graduação do IF.
Tabela 1
Obras referenciadas nos planos de ensino, conforme a origem da
Situação
Nacionalidade

Total
N ã o e s g o ta d a

E s g o ta d a

N úm ero de obras
E stra n g e ira
N a c io n a l
T o ta l

167

41

208

85

43

128

252

84

336

P ercentual por situação de esgotada
E stra n g e iro

80,3

19,7

100,0

N a c io n a l

66,4

33,6

100,0

T o ta l

75,0

25,0

100,0

E stra n g e iro

66,3

48,8

61,9

N a c io n a l

33,7

51,2

38,1

100,0

100,0

100,0

P ercentual por nacionalidade

T o ta l

Fonte: Tabulacão dos autores.

Das cem disciplinas que apresentam bibliografia, 45 referenciam pelo menos uma das
84 obras esgotadas. A Tabela 2 mostra a distribuição das obras esgotadas, conforme o número
de vezes que foram referenciadas e o Tipo de bibliografia em que foram classificadas pelos
docentes. O total geral na Tabela é de 85, porque uma obra foi classificada em uma disciplina
como BB e em outra como BC, sendo contada duas vezes. Constata-se que, das 85

3556

�classificações em que as obras foram enquadradas, 76 tiveram apenas uma citação, seis foram
citadas duas vezes e três obras foram citadas três vezes, totalizando 97 citações.
Tabela 2
Frequência de citações de obras esgotadas nos planos de ensino,
Frequência de
citação

Tipo de Bibliografia
BBE

1

BB

Total
BC

Uma

13

42

21

76

Duas

1

4

1

6

Três

0

2

1

3

Total

14

48

23

85

Fonte: Tabulação dos autores.

Quanto à disponibilidade de versão eletrônica, apenas entre as publicações
estrangeiras foi encontrada uma obra. Tal título está sob responsabilidade da Academic Press,
do grupo Elsevier, que costuma oferecer diversos recursos on-line com conteúdo científico
(ACADEMIC PRESS, 2007). Para Gustavo Mello (2012, p. 450): "[...] a expectativa é de que
os livros digitais ainda vão demorar a configurar uma parcela significativa do mercado
brasileiro." Entretanto, conforme informações apresentadas pelo autor, no mercado britânico e
americano, a comercialização de livros digitais aumenta em ritmo superior a dos livros
impressos.
A Tabela 3 apresenta a origem da publicação, a disponibilidade em mais de um idioma
e a oferta da obra em sebo on-line, conforme o tipo de bibliografia em que a obra foi
classificada. Em relação à origem, observa-se equilíbrio nos números entre estrangeira (42) e
nacional (43) por Tipo de bibliografia. Quanto à disponibilidade em outro idioma, foram
encontradas somente 19 publicações (5 BBE, 13 BB e 1 BC). No portal da Estante Virtual
localizou-se 11 obras como BBE, 25 BB e 10 BC.
A relação de obras esgotadas que possuem publicação em outro idioma será repassada
aos docentes responsáveis pelas disciplinas para que eles estudem se a substituição da obra no
PE é possível. Quanto às obras disponíveis para comercialização no site Estante Virtual, será
investigado pelas bibliotecárias as possibilidades de captação de recursos que permitam a
aquisição de livros usados.

3557

�Tabela 3

Tipo de Bibliografia conforme a origem da publicação, a
Tipo de Bibliografia
Item
BBE
BB
BC
Total
Origem
Estrangeira

3

21

18

42

Nacional

11

27

5

43

Total

14

48

23

85

Outro idioma
Não

9

35

22

66

Sim

5

13

1

19

Total

14

48

23

85

Sebo on-line
Não

3

23

13

39

Sim

11

25

10

46

Total

14

48

23

85

Fonte: Tabulacão dos autores.

Conforme observa-se na Tabela 4, próximo da metade dos livros possuem data de
publicação até o ano de 1979 (41 obras de 84). O livro com a data mais antiga de publicação é
1953 e o mais atual é 2011. As obras publicadas nas duas últimas décadas merecem
acompanhamento, pois podem ser objeto de nova edição na forma impressa ou eletrônica.
Tabela 4
Obras esgotadas, agrupadas por ano de
Período

Q uantidade de obras

Frequência

Acumulado

1953 a 1959

5

5

1960 a 1969

11

16

1970 a 1979

25

41

1980 a 1989

15

56

1990 a 1999

15

71

2000 a 2009

8

79

2010 a 2011

5

84

Total
Fonte: Tabulacão dos autores.

84

Os assuntos de que os livros tratam são apresentados a seguir em ordem decrescente
de ocorrência (Tabela 5). Aquele com o maior número é Física Geral, seguido de Astronomia
e Matemática, com 21, 17 e 10 ocorrências, respectivamente. Esses três assuntos representam
48 do total de 84 obras analisadas. Os demais assuntos apresentaram um até oito ocorrências.

3558

�Tabela 5

Obras esgotadas, agrupadas por área de
Á rea de conhecim ento

Frequência

F ÍS IC A G E R A L

21

A S T R O N O M IA

17

M A T E M Á T IC A

10

EDUCAÇÃO

8

H IS T Ó R IA D A CIÊN CIA

7

M E C Â N IC A Q U Â N T IC A

5

E N G E N H A R IA E LÉTR IC A

4

CO M PU TA ÇÃ O

2

F ÍS IC A N U C L E A R

2

G EO FÍSIC A

2

Ó T IC A

2

B IO E N G E N H A R IA

1

F ÍS IC A D A M A T E R IA C O N D E N S A D A

1

SO C IO L O G IA D A C IÊN C IA

1

T E R M O D IN Â M IC A

1
84

Total Geral
Fonte: Tabulação dos autores.

Na Tabela 6 apresenta-se a disponibilidade das obras na Biblioteca do IF e no
SBUFRGS. Das 84 obras esgotadas, a Biblioteca possui em seu acervo 58, sendo que 22
também estão disponíveis no SBUFRGS. Trazem maior preocupação para o gerenciamento
do acervo e para o atendimento das necessidades dos alunos, as 26 publicações não
disponíveis na Biblioteca e, dentre elas, as 11 não existentes no SBUFRGS.
Tabela 6

Situação das obras

SBU FRG S
E x iste n tes

Biblioteca IF

Total

N ã o e x is te n te s

22

36

58

N ã o e x is te n te s

15

11

26

Total

37

47

84

E x iste n tes

Fonte: Tabulação dos autores.

A frequência das obras na Biblioteca do IF pode ser visualizada na Tabela 7. São 42
obras com status Regular, indicando a necessidade de alteração do status de empréstimo para
Consulta local de no mínimo um exemplar. Outras duas obras possuem status Consulta Local.

3559

�A combinação de status ocorreu da seguinte forma: quatro obras Regular e Consulta local;
uma Consulta local e Encadernação; três Regular e Encadernação e três Regular, Consulta
local e Encadernação.
A combinação adequada para a Biblioteca é manter pelo menos um exemplar com
status Consulta local. Em relação às obras identificadas com o status Encadernação, é
prioritário encaminhar os exemplares para conserto.
Tabela 7
Frequência das obras na Biblioteca do IF, por
Status de circulação e processamento técnico
Status
R e g u la r

Frequência
45

C o n s u lta lo cal

2

E n c a d e rn a ç ã o

0

R e g u la r e C o n s u lta lo cal

4

E n c a d e rn a ç ã o e C o n s u lta local

1

R e g u la r e E n c a d e rn a ç ã o

3

R e g u la r, C o n s u lta lo ca l e E n c a d e rn a ç ã o

3

N enhum

26

Total

84

Fonte: Tabulação dos autores.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O custo elevado das publicações técnico-científicas acarreta à maior parte dos
universitários certa dependência do acervo disponível nas bibliotecas. Ao mesmo tempo, o
acervo das bibliotecas não atende à demanda dos discentes em sua totalidade.
Sabe-se que os planos de ensino elaborados pelos docentes, para guiar o ensino da
matéria em sala de aula, apresentam as leituras obrigatórias para a aprendizagem e a formação
de novos profissionais. São nesses instrumentos do professor que os bibliotecários devem
nortear a compra de livros para os cursos de graduação, formando o núcleo de obras
necessárias para o ensino.
O percentual de 25% de obras esgotadas, entre aquelas referenciadas nos PE de
disciplinas analisadas, é significativo por conta da impossibilidade de aquisição de novos
exemplares para atender aos alunos. Deve-se ressaltar que a Biblioteca do IF possui 58 obras
entre as esgotadas e o SBUFRGS 15.
Os resultados deste estudo permitem delinear diretrizes para a PDC da Biblioteca do
IF no que se refere às obras esgotadas usadas pela graduação, entre elas: manter no mínimo

3560

�um exemplar com o status de empréstimo Consulta local, enviar prioritariamente para o
serviço de encadernação os exemplares retirados do acervo; adquirir pelo menos um exemplar
da obra em outro idioma e manter lista atualizada da situação comercial dos títulos.
Ainda, pretende-se verificar com o docente responsável pela disciplina a possibilidade
de substituição da obra esgotada por outro título ou pela mesma obra em outro idioma,
quando existir. Os dados de circulação (números de empréstimo e reserva na Biblioteca)
deverão ser coletados para análise. Outra tentativa de contato com as editoras, caso sejam
ativas, será realizada para questionar sobre a existência de projetos de reedição de títulos
esgotados ou de publicação de nova edição.
Considera-se que investigações dessa natureza são relevantes para a formação do
acervo, pois torna o bibliotecário pró-ativo no processo de aquisição de livros e atenua o
problema das obras esgotadas e referenciadas nos PE.

REFERÊNCIAS
ACADEMIC

PRESS.

Trusted

scholarly

excellence.

2007.

Disponível

em:

&lt;http://booksite.elsevier.com/brochures/academicpress/&gt;. Acesso em: 31 jan. 2014.
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NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13. Natal, 2004. Anais... Natal, 2004.
1 CD-ROM
CRAVEIRO, G.; MACHADO, J.; ORTELLADO, P. (Coord.) O mercado de livros técnicos
e científicos no Brasil: subsídio público e acesso ao conhecimento. São Paulo: GPOPAI,
2008. Disponível em: &lt;http://www.gpopai.usp.br/relatoriolivros.pdf&gt;. Acesso em: 15 mar.
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CRISTIANINI, G. M. S; MORAES, J. de S. Política de desenvolvimento de coleções para os
cursos de graduação: a proposta do instituto de ciências matemáticas e de computação da
USP. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 14. Salvador,
2006. Anais... Salvador, 2006. 1 CD-ROM

3561

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em unidades de informação.

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SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS, 17. Gramado, 2012. Anais... Gramado, 2012. p. 2253-2268. Disponível
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VIRTUAL.

Quem

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Rio

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Disponível

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3562

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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                  <text>UFMG</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Produção de informação para o gerenciamento de obras esgotadas em acervos de bibliotecas universitárias</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Mesquita, Rosa Maria Apel, Pava, Cleusa, Mesquita, Riovaldo Alves de</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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            <name>Publisher</name>
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                <text>Analisa 84 livros esgotados (25%), dentre 336 referenciados nos planos de ensino de disciplinas oferecidas pelo Instituto de Física/UFRGS no primeiro semestre de 2013. Verifica que a Biblioteca possui 58 livros do número total de esgotados, dentre esses 22 também estão disponíveis no SBUFRGS. A disponibilidade das obras esgotadas em sebo on-line, em outro idioma e em versão eletrônica foi, respectivamente, 46, 19 e 1. Em relação às obras esgotadas, considera-se que estudos desse tipo auxiliam o bibliotecário na formação e desenvolvimento do acervo em bibliotecas universitárias.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AS REDES SOCIAIS DE LEITURA COMO INSTRUMENTOS AUXILIARES DE
SELEÇÃO DE MATERIAIS: UMA EXPERIÊNCIA COM A REDE SOCIAL SKOOB

Lucilene Cordeiro da Silva Messias

RESUMO
Apresenta um relato de experiência baseado no uso das redes sociais de leitura como
instrumentos auxiliares de seleção, em especial, livros de literatura nacional e estrangeira a
compor o acervo de uma Biblioteca Universitária. A formação e o desenvolvimento de
coleções em bibliotecas se configuram como operações estratégicas, sendo que a atividade de
seleção contribui diretamente para os impactos negativos ou positivos de uma coleção. Os
instrumentos auxiliares de seleção são imprescindíveis aos profissionais que desempenham
essa atividade, pois auxiliam na divulgação da publicação pertinente e oferecem pistas para a
seleção dos materiais mais condizentes as necessidades da comunidade. As redes sociais de
leitura surgem nesse contexto como mecanismos menos formais e parciais de divulgação. A
consulta ao Skoob proporciona uma avaliação global e menos restritiva da literatura adquira
pela biblioteca da Unesp/Bauru, que desde 2010 utiliza esse espaço para complementar a
decisão. Por meio de observação informal é possível constatar que o acervo literário da
Biblioteca tem sido bastante consultado, o que de certa forma, reforça o sucesso no
procedimento de seleção a compor o acervo literário, sustentando também a pertinência das
redes sociais de leitura como fontes de consulta no processo de seleção.
Palavras-chave: Instrumentos auxiliares de seleção; Desenvolvimento de coleções; Redes
sociais; Leitura.
ABSTRACT
Presents an experience report based on the use of social networking read auxiliary instruments
as possible selection of information materials , particularly books of national and international
literature to a university library . The formation and development of collections in libraries
are configured as strategic operations , and the activity of selection directly contributes to the
negative or positive impacts of a collection . Auxiliary tools selection are essential for
professionals who perform this activity , as they help in the dissemination of the relevant
publication and offer clues for the selection of more suitable materials community needs .
Social networks arise in the context of reading and less formal mechanisms and partial
disclosure , since the indications , evaluations and reviews contained within are the result of
voluntary expressions of individuals who represent the interests of the major publishers . A
consultation with Skoob , specific community for readers, have provided a more
comprehensive and less restrictive rating literature acquires the Technical Library and
Documentation Division , which since 2010 uses this space to complement the decision .
Through informal observation it is clear that the literature collection of the Library have been
very requested , which somehow reinforces the success in the selection decision and the

2165

�materials composing the literary collection procedure , also supporting the relevance of social
networks reading as sources of advice in the selection process .
Keywords: Auxiliary selection instruments; Collection development; Social networks;
Reading.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias consistem em espaços de integração e aprendizagem,
organizadas no intuito de dar suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão, por meio
de coleções racionalmente desenvolvidas, visando o equilíbrio entre a demanda e a oferta da
informação. Nesse sentido, a gestão de coleções configura-se como uma das atividades mais
importantes no planejamento das unidades de informação, formando a base para o
cumprimento dos objetivos institucionais.
O desenvolvimento de coleções é um processo permanente que integra de forma
sistemática as atividades de seleção, aquisição, avaliação, desbastamento e descarte de
materiais, mantendo o acervo alinhado as necessidades de informação da comunidade usuária.
Para Vergueiro (1989, p. 96)
O desenvolvimento de coleções é um trabalho de planejamento, interrupto e
cíclico que serve a uma determinada comunidade, uma atividade rotineira
das bibliotecas que passa por várias etapas, é um processo homogêneo que se
desenvolve em todas as bibliotecas de acordo com os objetivos de cada uma.
Entretanto, muitas vezes, sua execução está pautada apenas na intuição, inexistindo
um documento formal, ou seja, uma política, capaz de direcionar e dar continuidade ao
processo, o que de certa forma, compromete a qualidade e a coerência na composição do
acervo. De acordo com Lima e Figueiredo (1984) a política de desenvolvimento de coleções é
um conjunto de normas e diretrizes que buscam determinar ações, descrever estratégias,
estabelecer instrumentos e delimitar critérios para facilitar a tomada de decisões na
composição do acervo, em sintonia com os objetivos institucionais e as necessidades
informacionais dos seus usuários.
O aquecimento do mercado editorial tem proporcionado à expansão da literatura
científica e convencional, impondo aos profissionais da informação uma nova rotina de
trabalho pautado na triagem e na seleção. A restrição não é apenas financeira, mas, sobretudo
física. Assim como é improvável que as bibliotecas disponham de investimentos suficientes
para a aquisição de todas as publicações disponíveis no mercado, também é improvável dispor
de uma estrutura física capaz de armazená-las. A qualidade de uma biblioteca não pode ser

2166

�mensurada com base no volume do acervo, mas na disponibilidade de informações relevantes
a comunidade a que se destina.
De todas as etapas expressas no processo de composição do acervo, a atividade de
seleção tende a exigir um conjunto maior de atributos dos profissionais envolvidos, tais como:
análise crítica, espírito investigativo e conhecimento da comunidade. A seleção criteriosa de
títulos permitirá o crescimento equilibrado, racional e coerente da coleção. Para Ranganathan
(2009) a seleção é uma atividade que ocorre diariamente, onde os itens selecionados estão de
acordo com as exigências dos usuários, do movimento editorial e dos recursos disponíveis.
É nessa etapa que os profissionais utilizam os instrumentos auxiliares de seleção, pois,
com o acelerado movimento editorial é improvável manter-se atualizado acerca de toda
literatura publicada na área de interesse, sendo necessário recorrer-se aos catálogos de
editores, encartes de lançamentos, anúncios, bibliografias e resenhas críticas.
Vergueiro (1997, p. 72) reforça essa ideia ao discorrer que “por intermédio deles, os
bibliotecários poderão obter informações referentes à existência de itens específicos, e ter
acesso a uma estimativa de qualidade dos documentos”. Apesar da quase inexistência de
estudos envolvendo os instrumentos auxiliares de seleção, é por intermédio deles que os
profissionais apresentam condições de acompanhar os lançamentos da área de interesse e
avaliar a importância das publicações. As bibliografias, resenhas críticas, materiais
promocionais de editoras e os catálogos em geral são fontes valiosas de consulta.
Atualmente, os profissionais da informação dispõem de um vasto material para
fundamentar as suas escolhas. A internet oferece acesso rápido e fácil a maior parte das
fontes, sendo que as mais tradicionais são os catálogos de editores e as resenhas publicadas
em revistas especializadas. Entretanto, esses guias muitas vezes se mostram vagos e
tendenciosos por representar aos interesses de grandes editoras e corporações.
Os blogs de leitura, as mídias sociais e mais recentemente as comunidades específicas
para leitores representam mecanismos mais autênticos, imparciais e abrangentes para auxiliar
a fundamentar a seleção de materiais de informação por meio das avaliações e resenhas
realizadas pelos próprios leitores.
A comunidade brasileira Skoob é específica para leitores, e apresenta uma interface
bastante amigável, onde os usuários podem organizar os livros e as leituras em estantes
virtuais nas seguintes categorias: “lidos”, “lendo”, “abandonou”, “resenhas” e “avaliou”. O
usuário é estimulado a participar ativamente da comunidade, interagindo com outros leitores e
opinando sobre as obras por meio das diversas ferramentas que a comunidade oferece.

2167

�O leitor ao explicitar preferências e aversões literárias, mesmo de modo inconsciente
desencadeia ações de mediação da informação, minimizando a influência dos filtros
tradicionais como editores e críticos. Silva e Lopes (2011) corroboram com a ideia ao afirmar
que
A Internet, em especial, quando possibilita a divulgação de ideias e
informação por qualquer pessoa gera mudanças nos processos tradicionais de
comunicação e modifica a relação entre os autores-editores-bibliotecasleitores colocando em cheque a cadeia tradicional de transferência de
informação.
Acreditamos que a internet, ao facilitar o fluxo e a troca de informação entre os
leitores, minimiza a influência dos grupos comerciais, amparando e auxiliando o profissional
da informação a fundamentar a seleção e a composição do acervo que seja de interesse
comum.
Nesse sentindo, apresentamos a experiência da Divisão Técnica de Biblioteca e
Documentação da UNESP/Bauru, que desde 2010 utiliza a rede social Skoob para consultar
impressões de leitura e avaliações de títulos que pretende adquirir para compor o acervo
literário da unidade. A biblioteca apresenta uma característica bastante particular, além de dar
suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão, apóia iniciativas e projetos de incentivo
à leitura, procurando investir constantemente na revitalização e dinamização do acervo
literário da unidade.
A seleção de obras literárias tende a ser um pouco mais abrangente e menos específica
que a dos materiais de informação que compõem a coleção da biblioteca. Apesar de ser uma
biblioteca universitária com um público mais ou menos homogêneo, o acervo de literatura
tende a ser um pouco mais diversificado de modo a atender não somente os universitários,
docentes e pesquisadores, mas também os servidores técnicos administrativos e os alunos do
Colégio Técnico Industrial de Bauru.
O leitor literário mesmo apresentando características semelhantes como gênero e faixa
etária tende a apresentar interesses diversos, o que sugere a aquisição de obras variadas, desde
os clássicos aos contemporâneos. Nesse sentido, o Skoob através de suas ferramentas permite
a troca de impressões entre os leitores sobre as obras e oferece informações bastante
interessantes em relação ao universo literário, sendo uma boa fonte de consulta.
Após verificar os instrumentos tradicionais de seleção, como os catálogos de editoras e
as resenhas literárias, para a inclusão das obras na lista desiderata, realizamos uma consulta
mais abrangente no Skoob no intuito de monitorar as impressões de leitura e as avaliações de
determinados títulos, momento este que reafirmamos ou não o nosso interesse na aquisição ou

2168

�modificamos a posição das prioridades. De modo geral, acreditamos que essas comunidades
de leitura são importantes fontes de consulta ao bibliotecário, pois além de apresentar dados
técnicos sobre as obras apresentam também opiniões particulares de diversos leitores, atuando
também como um termômetro literário.
Por meio de observação informal é possível afirmar que o acervo literário tem sido
bastante requisitado, acreditamos que em parte, isso se deve a aquisição de obras mais atuais e
condizentes aos interesses dos usuários, indicando que os procedimentos para a seleção têm
gerado bons resultados, incluindo a consulta a rede social Skoob.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A estruturação de uma biblioteca independente da tipologia, escolar, universitária,
pública ou especializada, depende da composição do seu acervo. Ao processo que permeia a
gestão de coleções denominamos “Formação e desenvolvimento de coleções” que integra uma
série de atividades articuladas, tendo como premissa à utilização de um documento formal
norteador de todo o processo, ou seja, a “A política de desenvolvimento de coleções”. De
acordo com Miranda (APUD MIRANDA, 2007, p. 5) “desenvolver coleções implica em
sistematizar e criar procedimentos para seleção, aquisição, avaliação e desbastamento do
acervo”. Vergueiro (1993) afirma que:
De uma maneira geral, o desenvolvimento de coleções irá incluir a
avaliação das necessidades dos usuários, a avaliação da coleção atual, a
determinação da política de seleção, a coordenação da seleção de itens, o
"desbastamento" e armazenagem de partes da coleção e o planejamento para
compartilhamento de recursos.
A seleção é um processo decisório, intelectual e que envolve estudos e pesquisas de
modo a embasar as decisões acerca dos materiais a compor o acervo. Essas decisões devem
considerar os interesses e as necessidades dos usuários bem como os recursos financeiros
disponíveis e a qualidade técnica do material. Segundo Figueiredo (1991) este processo
quando bem executado

garantirá que a qualidade e o tamanho da coleção estejam em

concordância com as necessidades informacionais dos usuários. Na biblioteca universitária a
seleção é realizada em parceria com o corpo docente, sendo um pouco mais direcionada, de
modo a contemplar os conteúdos dos planos de ensino e as exigências do MEC.
Considerando o fluxo contínuo da produção bibliográfica, a atividade de seleção
também compreende o uso dos instrumentos auxiliares de seleção, que dentre outras funções,
permite aos envolvidos no processo decisório acompanhar os lançamentos ou publicações do
mercado.

2169

�Em princípio, os instrumentos auxiliares circunscrevem-se mais às obras de
referência, como bibliografias, diretórios ou mesmo catálogos de editoras,
mas na prática são todos os materiais, em qualquer suporte, que possa
oferecer subsídios para a decisão da seleção. (VERGUEIRO, 1997, p. 72)
Os instrumentos auxiliares permitem a identificação e o conhecimento das obras, dos
preços, de sua raridade e também o julgamento de seu valor intrínseco e extrínseco. Dentre os
instrumentos auxiliares de seleção ou fontes de seleção, podemos destacar: catálogos de
editores; encartes de lançamentos, anúncios; catálogos de obras publicadas em um país;
bibliografias e listas de matérias recomendados; lista de reserva e resenhas críticas. A
adequação dos instrumentos auxiliares a uma biblioteca específica vai depender do que se
pretende, portanto, as bibliotecas detêm certa liberdade no momento de selecionar as fontes de
consulta mais adequadas. De acordo com Vergueiro (1989, p. 44)
[...] para obter conhecimento a respeito dos materiais de interesse da
biblioteca lançados no mercado, o recurso a instrumentos auxiliares parece
ser uma tarefa indispensável. Esta tarefa, por seu lado, será também muito
influenciada pelo tipo de biblioteca em que ocorra, pois a utilidade ou não
de uma fonte de seleção será determinada, em grande medida, pela
finalidade do trabalho.
Complementando essa afirmação Vergueiro (1997) ressalta que em bibliotecas
públicas e escolares recebem maiores benefícios com a utilização de catálogos de editoras,
resenhas publicadas em jornais e revistas de circulação geral, bem como a consultas regulares
a bibliografia nacional. Por sua vez, as bibliotecas universitárias e especializadas
provavelmente precisarão ter acesso a bibliografias especializadas, inclusive resenhas
publicadas em periódicos científicos de sua área de atuação. Catálogos de editoras são
utilizados no mundo inteiro como instrumentos auxiliares de seleção em todos os tipos de
biblioteca.
A internet, além de facilitar o acesso as fontes de consulta tradicionais, tais como os
catálogos de editores e bibliografias que migraram para essa plataforma, sugere a utilização
de novas fontes, menos formais e restritivas, tais como blogs, redes sociais e comunidades
sociais de leitura.
Obviamente essas fontes menos convencionais devem ser utilizadas com cautela para
a seleção de obras especializadas, visto que os conteúdos não passam pelo crivo de
especialistas, entretanto e principalmente, para a seleção de obras de literatura, podem ser
uma fonte de consulta bastante útil, pois refletem as impressões e as avaliações dos próprios
leitores.

2170

�Os catálogos de editoras são fontes de consulta bastante útil para a seleção de obras de
literatura, entretanto, eles são extremamente parciais pelo caráter mercadológico, e raramente
oferecem mecanismos de avaliação. Por sua vez, as comunidades específicas para leitores,
representam um canal bastante autêntico e imparcial de consulta, pois refletem a opinião dos
próprios leitores, apresentando uma gama maior de informações, tais como: edição, preço,
resenha e avaliação. Dentre essas comunidades de leitura na internet, destacamos o Skoob,
que se configura como uma rede de leitura brasileira, criada em 2009 por Lidenberg Moreira.
Segundo Mendonça Filho (2013, p. 3):
O Skoob é uma rede social brasileira de leitores, onde os usuários, ou os
skoobers, interagem uns com outros a partir de suas leituras em comum. O
skoober devidamente cadastrado no site pode criar um a estante virtual de
livros e marcá-los como “lido”, “lendo”, “vai ler”, “relendo” ou
“abandonou”; avaliar os lidos de uma a cinco estrelas e produzir resenhas.
Ao skoober é também oferecida a possibilidade de marcar os livros da sua
estante virtual como “favoritos”, “tenho”, “desejados”, “emprestados”,
“troco” e quais ele estabeleceu como “meta” de leitura para o ano.
Por ser uma rede de colaboração, além de oferecer informações técnicas das obras, tais
como: título, autor, número de páginas, edições, editora, ano e ISBN, dispõem de mecanismos
de avaliação, resenhas, espaço para a troca de livros e a possibilidade de debates sobre temas
específicos relativos à leitura, livros e leitores. Quando realizado a busca por determinado
título, ele apresenta as diversas edições correspondentes e as informações equivalentes a cada
uma das edições, tal como demonstra a figura abaixo.

Figura 1 - Apresentação das edições de uma obra no Skoob
Principal / Livras / Persuasão / Grupos
| Início I

R esenhas | Leitores || Edições || Sim ilares | Grupos || Debates || V ideos || Editar

Persuasão

Edições
Cadastradas
Caso não encontre ao
lado a edição que deseja,
você pode gl cadastrá-la.

Edição: 1

Edição: 1

Editora Livraria Civilização
Editora
ISBN:9789722636254

Editora: ZAHAR
ISBN 8537808350

Editora: Landmartc
ISBN 9788580700176

Páginas: 240

Ano: 2012
Páginas: 360
Tradutor: Fernanda Abreu

Ano: 2012
Páginas: 208
Tradutor: Fabio Cyrino

Duplicada?
Detalhes / Editar

Duplicada?
Detalhes / Editar

Duplicada?
Detalhes / Editar

Edição: 1

Edição: 1

Edição: 0

Editora: Martin Claret

Editora: L&amp;PM

Editora: BestBolso

ISBN:9788572328791
Ano: 2012

ISBN: 9788525422163
Ano: 2011

ISBN: 9788577992683
Ano: 2011

Páginas: 310
Tradutor: Roberto Leal

Páginas: 256
Tradutor: Celina

Páginas: 256
Tradutor: Mariana Menezes

Ano: 2013

Portocarrero

Neumann

Duplicada7
Detalhes / Editar

Duplicada?
Detalhes / Editar

Duplicada?
Detalhes / Editar

Edição: 1

Edição: 1

Edição: 1

Editora: Martin Claret

Editora: Martin Claret

Editora: boot.it

ISBN: 9788572328050
Ano: 2010
Páginas: 162

ISBN 9788572327954
Ano: 2010

ISBN 9789896281168
Ano: 2009

Páginas: 241

Páginas: 236

Tradutor: Roberto Leal

Tradutor: Roberto Leal

Tradutor: Ana Ribeiro

2171

�Ao selecionar um título specífico é possível ter acesso a uma diversidade de
informações, tais como: quantidade de pessoas que leram, que estão lendo, que vão ler, que
estão relendo e as que abandonaram a leitura; verificar a quantidade de resenhas disponíveis
para o título, bem como a avaliação geral dos leitores numa escala de 1 a 5 estrelas e as obras
relacionadas.
A vantagem de se utilizar o Skoob em relação ao catálogo de editoras é que ele agrega
em um único espaço informações que o leitor só teria acesso isoladamente, isso representa
uma economia no tempo de pesquisa tanto no que se refere aos dados técnicos quanto aos
aspectos qualitativos.

Figura 2 - Apresentação de um título no Skoob

A utilização do Skoob com fonte de consulta para a seleção de obras literárias se
justifica pela relativa imparcialidade e a amplitude de informações disponíveis na plataforma,
entretanto, a decisão não pode estar baseada somente nas avaliações realizadas pelos leitores,
a comissão deverá considerar outros aspectos que atendam as necessidades da instituição.

2172

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
A Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação do Campus de Bauru se configura
como uma biblioteca universitária, atendendo docentes e discentes da Faculdade de Ciências,
Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação e Faculdade de Engenharia, além dos
servidores técnicos administrativos e os alunos do Colégio Técnico Industrial “Prof. Isaac
Portal Roldán”.

Por estar vinculada à universidade, a biblioteca está estruturada de

modo a apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão acadêmica, entretanto, apresenta
um diferencial: envolve-se diretamente em atividades de incentivo à leitura.
A leitura literária em âmbito universitário é uma prática pouco estimulada, visto que a
prioridade recai sobre a leitura de cunho técnico e científico. O acervo por não dispor de verba
específica para sua manutenção geralmente encontra-se subtilizado devido às más condições
físicas e cronológicas das obras.
Na Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação do Campus de Bauru essa
realidade tem sido transformada por meio de ações que prevê a aquisição mínima anual de
alguns lançamentos literários. Essa prática reforça o compromisso da biblioteca em estimular
a formação de leitores em diversos âmbitos. A leitura é a base para a formação do leitor
proficiente, pois amplia seu repertório e diversifica suas vivências. Sendo assim, a leitura de
variados textos por parte dos universitários é altamente recomendável, inclusive a leitura
literária.
A seleção de obras literárias tem se tornado uma prática cada vez mais difícil diante da
diversidade das publicações disponíveis no mercado e a heterogeneidade do público-alvo que
devido as diferentes aspirações exige a aquisição de gêneros e estilos variados, o que sugere
muito equilíbrio pra não ultrapassar o orçamento mínimo destinado a compra desses
materiais.
Para apoiar a decisão nos apoiamos nas principais fontes de consulta para esse tipo de
material: os catálogos de editoras e os periódicos que divulgam a lista dos mais vendidos e as
resenhas. Entretanto, a parcialidade das fontes sugere uma prática de pesquisa mais apurada,
incluindo as observações e a troca de informação com diversos leitores. Em um exemplo
clássico é possível observar a parcialidade nas informações divulgadas pelas editoras e as
informações disponíveis nas redes sociais de leitura.

2173

�Figura 3 - Sinopse do livro Crepúsculo no site da editora Intrínseca

Ao consultar a sinopse do ivro “Crepúsculo” na editora Intrínseca é possível verificar
que a narrativa não se limita a representar o conteúdo da obra, mas expressa claramente juízo
de valor, sugerindo que a trama é extraordinária, visto que o interesse é claramente comercial.
Entretanto, ao consultar a mesma obra no Skoob é possível verificar que ela está longe
de ser esse sucesso de crítica, dividindo claramente as opiniões, inclusive a primeira resenha,
que geralmente é a mais comentada, classifica a obra como patética, recebendo 668 curtidas.
Embora a obra seja um sucesso em termos de avaliação (68.820) a média geral de
classificação ficou em 3.7.

2174

�Figura 4 - Resenha do livro “Crepúsculo no Skoob

O Skoob funciona como um ermômetro para medir a receptividade das obras. O que
não significa que estamos sugerindo que a decisão seja baseada apenas nesse indicativo, mas
não podemos negar a sua relevância como fonte de consulta, principalmente para obras que
não são muito divulgadas na mídia.
O uso do Skoob como instrumento de seleção não substitui as fontes tradicionais como
os catálogos e os periódicos, apenas complementa a decisão. Inclusive temos utilizado a rede
social como fonte de consulta principalmente quando a obra não é muito divulgada, o que
muitas vezes, desestimula a aquisição. Geralmente depois de consultar a lista desiderata
recorremos a avaliação dessas obras na rede social pra reforçar a decisão.
O Skoob foi um dos indicativos utilizados pela biblioteca na aquisição de alguns
títulos já consagrados e outros desconhecidos do grande público, mas que foram bem
avaliados na rede social e confirmados pela quantidade de empréstimos que receberam na
biblioteca. Considerando que a maior demanda de empréstimos ainda é pelos livros técnicos
científicos, ponderamos a média de 20 empréstimos por título um bom índice para os livros de
literatura adquiridos no final de 2011.

2175

�Tabela 1 - Títulos adquiridos em 2011 e o total de empréstimos
Título
O diário do diabo - Nicholas D. Satan

N.
de
empréstimos
33

O caderno azul - James A. Levine

20

O céu vai ter que esperar - Cally Taylor

21

A garota dos pés de vidro - Ali Shaw

24

O morro dos ventos uivantes - Emily Bronte

22

Jogos vorazes - Suzane Collins

47

Morangos mofados - Caio Fernando Abreu

39

O menino do pijama listrado - John Boyne

63

Bonequinha de luxo - Truman Capote

33

Consideramos o Skoob um instrumento de seleção bastante útil pra complementar a
decisão acerca das obras literárias a compor o acervo. Essa prática permite uma decisão mais
assertiva, pois é possível verificar uma consulta razoável ao acervo literário, indicando que as
recentes aquisições têm despertado o interesse dos usuários e a aprovação dos usuários.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O uso dos instrumentos auxiliares de seleção é imprescindível no processo de
desenvolvimento de coleções. Em relação à aquisição de obras literárias, a utilização da rede
social Skoob como fonte de consulta nos parece bastante útil, visto que fornece informações
técnicas que identifica o item e avaliação geral realizada pelos membros da rede que indica a
receptividade da obra.
Desde 2011 utilizamos o Skoob para complementar a decisão sobre as obras literárias
a compor o acervo e desde então o resultado tem sido satisfatório. Por ser uma biblioteca
universitária não apresenta tradição no empréstimo de obras de literatura. Entretanto, essa
realidade tem sido transformada com a aquisição mínima de alguns títulos literários
anualmente.
Ainda que considerado irrelevante se comparado ao número de empréstimos
realizados pelas bibliotecas públicas e comunitárias, o resultado geral dos empréstimos das
obras literárias adquiridas em 2011 e 2012 pela biblioteca, tem sido extremamente
satisfatória, visto que a demanda ainda é pelo empréstimo de obras técnicas e científicas.
Em 2011 foram adquiridos 25 títulos literários dentre obras já consagradas e outras
desconhecidas. É importante ressaltar que embora a decisão não tenha sido baseada somente

2176

�na consulta realizada ao Skoob, ainda assim, foi um instrumento bastante eficaz para o
fornecimento de elementos importantes que confirmasse o interesse e relevância dos títulos.
Somando o empréstimo dos 25 livros temos a totalidade de 341 empréstimos, o que indica o
interesse e aprovação dos títulos adquiridos pelos usuários. Em 2012 foram adquiridos 26
títulos, totalizando 206 empréstimos. Em apenas 2 anos, os 51 títulos totalizaram 547
empréstimos, o que para nós expressa o sucesso no processo de seleção das obras literárias.
Ainda que ausente de pesquisas de opinião que indique a aprovação da leitura pelos
usuários, considerando que muitos dos empréstimos estão baseados em indicações realizadas
pelos próprios colegas, esse índice total de empréstimo nos sugere um bom índice de
receptividade.
A internet e as redes sociais são desenvolvidas para diferentes fins e propósitos e é
importante observar como essas plataformas de comunicação podem auxiliar na rotina
profissional do bibliotecário. Além de possibilitar um canal mais estreito de comunicação
com os parceiros e os usuários, as redes sociais de leitura atuam também como instrumentos
auxiliares de consulta, facilitando a atividade do profissional bibliotecário

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
É impossível dissociar a rotina dos profissionais bibliotecários ao uso das tecnologias
da informação. A rede online é um importante canal de comunicação e imprescindíveis dos
profissionais, principalmente aqueles que apresentam a informação como a matéria-prima.
O surgimento das redes sociais baseadas no compartilhamento e na colaboração tem
restringido a atuação dos filtros tradicionais de censura, ampliando os canais de comunicação
relativamente imparciais.
Os profissionais bibliotecários em sua rotina diária utilizam diferentes instrumentos
auxiliares de seleção que obedecem aos movimentos do mercado editorial e estão vinculados
a interesses mercadológicos. O surgimento da rede social de leitura Skoob representa um
atalho ao controle e a manipulação tendenciosa de alguns catálogos de editores, permitindo
que os profissionais tenham acesso a informações técnicas e de receptividade das obras
literárias.
O Skoob representa uma fonte de consulta complementar e relevante para embasar a
decisão acerca das obras literárias a compor o acervo, atuando como um termômetro da
receptividade das obras literárias e fornecendo as informações técnicas sobre as obras. É,
portanto, uma ferramenta de divulgação e troca de informações literárias bastante útil ao

2177

�profissional bibliotecário devendo ser devidamente explorada e monitorada de modo a
auxiliar na rotina do profissional envolvido com o universo literário.

6. REFERÊNCIAS
FIGUEIREDO, N. M. Metodologias para a promoção do uso da informação: técnicas
aplicadas particularmente em bibliotecas universitárias e especializadas. São Paulo: Nobel,
1991.
LIMA, R. C. M. de; FIGUEIREDO, N. M. Seleção e aquisição: da visão clássica à moderna
aplicação de técnicas bibliométricas. Ciência da Informação, Brasília, v.13, n.2, p.137-150,
jul./dez. 1984.
MENDONÇA FILHO, S. A. de. Práticas de letramento digital no Skoob. In: SIMPÓSIO
HIPERTEXTO E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO, 5., 2013, Recife. Anais eletrônicos...
Recife: UFPE, 2013. Disponível em: &lt; http://nehte.com.br/simposio/anais/Anais-Hipertexto2013/PR%C3%81TICAS%20DE%20LETRAMENTO%20DIGITAL%20NO%20SKOOB.pd
f&gt;. Acesso em: 10 maio 2014.
MIRANDA, A. C. C. de. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas universitárias, Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 4, n. 2, 2007. Disponível em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/367/246&gt;. Acesso em: 25
abr. 2014.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2009.
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DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação, v. 12, n. 2, abr. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.dgz.org.br/abr11/Art_04.htm. Acesso em: 13 abr. 2014.
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recursos informacionais, Ciência da Informação, v. 22, n. 1, 1993. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/issue/view/56&gt;. Acesso em: 25 abr. 1993
VERGUEIRO, W. Seleção de Materiais de Informação: princípios e técnicas. 2. ed. Brasília,
DF: Briquet de Lemos, 1997.

2178

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                <text>Apresenta um relato de experiência baseado no uso das redes sociais de leitura como instrumentos auxiliares de seleção, em especial, livros de literatura nacional e estrangeira a compor o acervo de uma Biblioteca Universitária. A formação e o desenvolvimento de coleções em bibliotecas se configuram como operações estratégicas, sendo que a atividade de seleção contribui diretamente para os impactos negativos ou positivos de uma coleção. Os instrumentos auxiliares de seleção são imprescindíveis aos profissionais que desempenham essa atividade, pois auxiliam na divulgação da publicação pertinente e oferecem pistas para a seleção dos materiais mais condizentes as necessidades da comunidade. As redes sociais de leitura surgem nesse contexto como mecanismos menos formais e parciais de divulgação. A consulta ao Skoob proporciona uma avaliação global e menos restritiva da literatura adquira pela biblioteca da Unesp/Bauru, que desde 2010 utiliza esse espaço para complementar a decisão. Por meio de observação informal é possível constatar que o acervo literário da Biblioteca tem sido bastante consultado, o que de certa forma, reforça o sucesso no procedimento de seleção a compor o acervo literário, sustentando também a pertinência das redes sociais de leitura como fontes de consulta no processo de seleção.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROGRAMA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE PRESERVAÇÃO DE ACERVOS: a
experiência da Biblioteca Central Cesar Lattes - UNICAMP
Fernanda Cristina Festa Mira
Isabela Nascimento Pereira
RESUMO
A preservação dos livros nas bibliotecas universitárias é essencial para a manutenção da
pesquisa e do ensino. Pensando nessa questão a Biblioteca Central Cesar Lattes implementou
o Programa de Conscientização Sobre Preservação de Acervos. Através da organização de
oficinas visou orientar seus funcionários, estagiários e bolsistas sobre os perigos e cuidados
com os acervos. As oficinas dividiram-se em duas partes: uma teórica com a apresentação dos
fatores de deterioração dos acervos e pequenas medidas que podem evitar danos as obras e a
segunda parte foi uma visita técnica ao laboratório de conservação da Diretoria de Coleções
Especiais e Obras Raras. Diante da receptividade dos participantes pretendemos expandir essa
experiência às demais bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Unicamp.
Palavras-Chave: Preservação de acervos. Capacitação profissional. Fatores de deterioração.

ABSTRACT
With regard to maintaining research and teaching, book preservation remains essential in the
context of university libraries. Aimed at this issue, the Cesar Lattes Central Library of
Unicamp has created the Programa de Conscientização sobre Preservação de Acervos
[“Collections Preservation Awareness Program”]. This program corresponds to the
organization of workshops to library employees, interns and scholarship holders about the
danger and care towards book collections. The workshops were divided into two parts: one
theoretical part (presentation about factors of deterioration of books and measures on avoiding
damage to collections), along with a practical part (technical visitation to the conservation lab
of the Administration of Special Collections and Rare Books at Unicamp). Considering the
receptibility of the participants, we intend to diffuse this experience to the remaining libraries
of Unicamp Library System (SBU) in the future.
Keywords: Preservation of collections. Professional training. Factors deterioration.

1 INTRODUÇÃO
Extrair dados deste ou daquele documento, deste ou daquele livro, interpretar uma
imagem, seja ela fotográfica ou tridimensional, são alguns dos atos que compõem a pesquisa
científica, mas, para tal é necessário que haja um suporte material capaz de sustentar as
informações. A procura por um determinado livro somente ocorre porque a informação

3563

�contida nele é importante ou interessa àquele que o procura, mas havendo grandes danos ao
papel, tanto o manuseio quanto a leitura podem ser comprometidos.
O principal vetor de degradação dos acervos é o próprio homem. Os descuidos e
acidentes, muitas vezes ocasionados pela falta de informação, podem comprometer livros e
documentos: janelas esquecidas abertas em dia de chuva; limpezas inadequadas de prateleiras,
livros e pisos; livros remendados com fitas adesivas; o ato de comer ou beber sobre os livros
ou dentro dos acervos, etc. Estes são apenas alguns poucos exemplos do que pode acontecer.
Entretanto, através da criação e incentivo de projetos que envolvam a educação para a
conservação e preservação pode-se retardar a degradação dos materiais bibliográficos.
Através de uma orientação adequada sobre cuidados básicos com acervos, o
funcionário, pesquisador ou usuário também passa a ser um agente facilitador. Existem
medidas extremamente simples que podem evitar grandes danos aos documentos, basta que
haja orientação e boa vontade. Não comer ou beber dentro dos acervos; fazer vistorias
periódicas para verificar se não há infestação de insetos; cuidados com a limpeza do
ambiente; não retirar os livros da prateleira pegando-os pela lombada; acomodar
adequadamente os livros nas prateleiras e outras tantas atitudes que podem contribuir para a
longevidade de livros e documentos.
Comprometida com a conservação dos acervos da Unicamp, a Diretoria de Coleções
Especiais e Obras Raras da Biblioteca Central Cesar Lattes413, no segundo semestre de 2012,
iniciou o Programa de Conscientização Sobre Preservação de Acervos, com o slogan
“Preservação, compartilhe essa ideia!”. O objetivo deste programa foi orientar e
conscientizar os funcionários sobre o manuseio e preservação do material bibliográfico.
O programa incluiu uma exposição de obras deterioradas pelo mau uso, a confecção de
um mural e de um folder com dicas de preservação, além de oficinas de conservação
direcionadas especialmente aos funcionários da Biblioteca Central Cesar Lattes e Biblioteca
da Área de Engenharia e Arquitetura.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Frequentemente as bibliotecas associam a noção de conservação aos livros e
documentos raros ou antigos, esquecendo-se das obras contemporâneas.

413 A Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL) integra o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), o qual é
composto de 27 bibliotecas, sendo uma central, uma de área e as demais alocadas nas Unidades de Ensino e
Pesquisa e Centros e Núcleos. No prédio da BCCL encontram-se alocadas a coordenação do SBU e a Biblioteca
da Área de Engenharia e Arquitetura (BAE).

3564

�Mas eu penso que a noção de conservação deve ser ainda estendida, e isso
por várias razões. Antes disso precisaria saber o que distingue um livro
antigo de um livro moderno, pois aonde está a fronteira? No limite se
poderia dizer que, não há livro antigo, nem livro moderno, mas um objeto
que se chama livro, e que esta em evolução constante, desde há cinco
milênios. Entretanto conserva-se esta distinção, porque é cômoda, mas
devemos reconhecer que a fronteira pode variar muito, dependendo do ponto
de vista em que nos colocamos (LABARRE, 1991, p. 26-27).

Pensando na conservação do acervo circulante da Biblioteca Central Cesar Lattes, a
Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras resolveu promover uma oficina de
Conservação para funcionários, estagiários e bolsistas.
Segundo Manual... (2005) os fatores de degradação se dividem em quatro grupos:
•

•
•

•

Agentes físicos:
o Iluminação;
o Temperatura e Umidade Relativa.
Agentes químicos:
o Poluição atmosférica.
Agentes biológicos:
o Fungos;
o Insetos;
o Roedores.
Agentes humanos:
o Manuseio;
o Condições construtivas.

Spinelli (2007) acrescenta a esses fatores dois outros que são as características
constitutivas do papel e as catástrofes, como inundações e incêndios.
Já Callol (2013) divide os fatores de deterioração entre internos e externos. Os
internos, denominados “vícios inerentes”, dizem respeito às qualidades inerentes ao material,
como por exemplo, a qualidade da polpa utilizada, da cola, dos aditivos químicos, da acidez,
da presença de composto metálicos etc. “Estes fatores não podem ser controlados, pois o livro
ou o documento, uma vez elaborados, não podem ter modificados seu método e sua forma de
elaboração” (CALLOL, 2013, p. 28). Entre os fatores externos a autora destaca: umidade
relativa, temperatura, poluição atmosférica, processos e tratamentos inadequados, desastres e
atos de vandalismo; e ainda afirma que:
“Estes fatores, segundo a natureza dos agentes produtores do dano, normalmente se
classificam em químicos, biológicos e ecológicos (Vaillant; Valentín, 1996). Sobre eles

3565

�podemos atuar e podemos modificá-los, estabelecendo as condições adequadas, de acordo
com os requisitos dos materiais constituintes.” (CALLOL, 2013, p. 29).
Para este trabalho discutiremos apenas as características extrínsecas de deterioração,
considerando os agentes físicos, químicos, biológicos e humanos, e apresentando algumas
recomendações apresentadas pelos autores mencionados.

Agentes físicos
Iluminação
A luz visível, natural ou artificial, e as radiações ultravioleta e infravermelha são
prejudiciais aos acervos, pois contribuem no processo de oxidação do papel. Como
consequência o papel sofre descoloração, amarelecimento ou escurecimento; além do
esmaecimento das cores das tintas, encadernações e ilustrações. “Qualquer exposição à luz,
mesmo por breve período de tempo, causa danos, e esses danos são cumulativos e
irreversíveis, já que as reações iniciadas pelo efeito da luz continuam a ocorrer mesmo depois
de removida a causa.” (MANUAL..., 2005, p. 22).
As recomendações para sanar essa questão são o uso de cortinas, persianas, brisesoleil, películas protetoras em janelas e lâmpadas. Esses recursos amenizam a exposição à luz
e também contribuem para o controle da temperatura do ambiente.

Temperatura e Umidade Relativa
A umidade relativa (UR) corresponde a “relação percentual entre a quantidade de
vapor de água presente no ar de um ambiente, a uma determinada temperatura, e a quantidade
máxima de vapor de água que o ar desse ambiente pode conter, na mesma temperatura.”
(Manual..., 2005, p. 24). A umidade pode ser proveniente de infiltrações, do entorno, caso
esteja próximo a rios, lagos ou outra fonte de água, ela também interfere na temperatura do
local.
Equipamentos de ar condicionado e desumidificadores podem ser utilizados,
entretanto seu uso deve ser contínuo, isto é, 24h por dia, sete dias por semana. O uso apenas
durante o horário de funcionamento, quando funcionários e usuários estão no local, sendo
tudo desligado ao fim do expediente, pode ocasionar flutuações de umidade e temperatura e
isso facilita a proliferação de fungos e bactérias, além do ataque de insetos.
De acordo com Spinelli (2007) o ideal é que a temperatura esteja entre 20 a 22°C e a
UR entre 50 e 60%.

3566

�Agentes químicos
Poluição atmosférica e _poeira
Alguns gases, provenientes da queima de combustíveis, de ceras aplicadas sobre o
pisos e móveis, ou outros produtos químicos podem sofrer uma reação química e acelerar o
processo de envelhecimento do papel, por exemplo. Por isso, é importante tomar cuidado com
os produtos de limpeza utilizados para limpeza do ambiente em que se encontra o acervo.
A poeira também é danosa aos acervos, pois ela funciona como um abrasivo, uma lixa,
que pode comprometer tanto o miolo do livro quanto sua encadernação. O acúmulo de poeira
torna o ambiente sujo e propicia o aparecimento de inseto e a proliferação de fungos e
bactérias.
Nesse caso a recomendação é manter o ambiente higienizado, com boa ventilação e
tomar cuidado com entradas e saídas próximas a ruas, avenidas, estacionamentos etc.

Agentes biológicos
Fungos e bactérias
Segundo Callol (2013) os fungos também são conhecidos como “mofos” ou “fungos
bolorentos” e crescem sobre qualquer substrato que ofereça os nutrientes necessários ao seu
desenvolvimento, o que inclui papel, adesivos, couro, têxteis e outros suportes orgânicos.
As condições para seu desenvolvimento são as seguintes: pH entre 4 e 6; UR superior a 70%;
temperatura próxima ou superior a 30°C. As oscilações desses parâmetros também favorecem
a proliferação dos fungos.
Já as condições ideais para o desenvolvimento das bactérias são: pH neutro, entre 7-8;
temperatura entre 25°C e 37°C, sendo que algumas espécies podem suportar 0°C ou
temperaturas superiores a 45°C; algumas podem excretar substâncias ou excrementos sobre a
superfície dos materiais. No entanto, em condições desfavoráveis algumas bactérias podem
entrar num período de latência até que as condições ideais reapareçam. Na forma de esporos
as bactérias também podem ser transportadas pelo vento e permanecer no estado de latência.
Por isso, o controle ambiental é de fundamental importância. Acervos e ambientes
devem ser higienizados periodicamente; vistoria a procura de fontes de umidade e água
também devem ser frequentes; além de orientação adequada aos funcionários.

3567

�Insetos
•

Traças (Tisanuro)

A forma mais comum em acervos é a Lepisma saccharina, L., conhecidas também
como traça-dos-livros ou peixe de prata. Vive em lugares úmidos; tem hábitos noturnos;
durante o dia se abrigam em caixas de papelão, gavetas, livros etc.; alimenta-se de materiais
que contenham amido, de constituintes do papel e tecidos de algodão; por precisarem de
pequenas quantidades de proteínas também se alimentam de insetos mortos e colas de origem
animal; produz desgastes superficiais e irregulares. (CALLOL, 2013).

•

Cupins (Isópteros)

Existem várias espécies, mas destacam-se dois grupos que são altamente prejudiciais
aos acervos: cupins subterrâneos e cupins de madeira seca. Os primeiros alojam-se em raízes
de árvores próximas aos edifícios e madeiras estruturais. Os segundos instalam-se nos acervos
através dos móveis de madeira ou da construção de galerias nas paredes. Ambas espécies
vivem em colônias e gostam de lugares escuros, o que dificulta sua detecção, e podem causar
imensos danos aos acervos. (CALLOL, 2013; MANUAL..., 2005).

•

Broca (Coleópera)

O seu período larval é o mais danoso, pois fazem furos de forma irregular e galerias
superficiais. A fêmea adulta coloca seus ovos que eclodem liberando as larvas, as quais
começam a cavar galerias. As larvas crescem a medida que vão cavando, o que torna
crescente o diâmetro das galerias.

•

Piolho-de-livro (Corrodentia)

Alimentam-se de fungos e restos de insetos mortos. Causa danos aos adesivos do
papel. Por ser muito pequeno é de difícil detecção.
•

Baratas (Blattoidea)

Gostam de ambientes úmidos; escondem-se da luminosidade; tem hábitos noturnos;
atacam papel, adesivos, gomas, couros e pergaminhos; “produzem desgastes superficiais com
contornos irregulares e, ocasionalmente, manchas esbranquiçadas e buracos com forma de
vírgula nos suportes. As manchas são produzidas pelo líquido fecal destes insetos.”
(CALLOL, 2013, p. 38).

3568

�Roedores
Os ratos não utilizam o papel como fonte de alimento, mas sim como substrato na
construção de seu ninho.
Recomendações _para _prevenção de agentes biológicos
•
•
•
•
•
•
•

Verificação e limpeza adequada de pisos, estantes e mobiliários;
Inspeção constante dos acervos e dos mobiliários de madeira;
Evitar o uso de caixas de papelão ou de madeira, especialmente se estiverem
apoiadas diretamente sobre o chão;
Remoção diária do lixo antes do horário noturno;
Fechar frestas e rachaduras em pisos, batentes e paredes;
Tampar ralos e esgotos;
Proibir a ingestão de comidas e bebidas no acervo e em áreas próximas.

Agente Humano
O homem pode causar danos irreversíveis aos acervos. O manuseio e armazenamento
inadequados como o uso de clipes metálicos, fitas adesivas, cópias Xerox, etc, são apenas
algumas das causas. Para evitar alguns danos causados pelo homem elencamos algumas
recomendações:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•

Não comer próximo aos acervos a fim de evitar atrair insetos e roedores;
Em dias de chuvas os funcionários devem orientar os usuários sobre o uso de
sacos plásticos para evitar a umidade;
Caso seja necessário utilizar fotocopiadoras ou digitalizadoras evite forçar a
lombada dos livros;
Tomar cuidado com livros de grande formato, já que sua estrutura é mais
frágil;
Não molhar os dedos com saliva para virar as páginas, pois além de estragar o
papel pode ser prejudicial a sua saúde;
Não usar fitas adesivas para reparar os livros;
Os livros que estiverem com capas soltas devem ser amarrados com cordão de
algodão e jamais utilizar elásticos;
Evitar carimbos e etiquetas e quando não for possível tomar cuidado para não
encobrir informações e colocá-los de ponta cabeça, por exemplo;
Usar sempre marcadores de páginas apropriados. Lápis, clipes ou outros
objetos não são apropriados;
Nunca retirar os livros da estante puxando-os pela lombada;
Cuidado ao colocar ou retirar livros dos carrinhos de transporte;
Evitar anotações sobre os livros para não deixar marcas em sua capa;
Não apoiar braços e cotovelos sobre os livros.

3569

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
A Unicamp através da Agencia para a Formação Profissional da Unicamp - AFPU414
criou o Programa de Excelência no Atendimento ao Cliente - PEAC, cujos objetivos são:
Desenvolver os fundamentos da Excelência no Atendimento ao Público; Promover o resgate
de conceito de valor e de respeitabilidade do serviço público; Promover a compreensão do
conceito de visão sistêmica e buscar a conscientização do profissional, como agente
transformador de seu contexto; Desenvolver a comunicação e habilidades no relacionamento
interpessoal; Estimular a integração entre equipes e lideranças para implantação e manutenção
de padrões de atendimento específicos, conforme as diretrizes de excelência; Aprofundar
estudos junto aos trabalhadores da área de saúde da Unicamp acerca da Política Nacional de
Saúde.
O curso foi realizado no primeiro semestre de 2012 e dele surgiu a proposta da
elaboração de um folder com dicas de preservação, com a finalidade de iniciar uma campanha
de conscientização de professores, alunos, funcionários e demais usuários das bibliotecas da
universidade. Como forma de divulgação, os folders são entregues durante as visitas guiadas
realizadas pela comunidade interna e externa a Universidade, aos alunos que participam do
Programa Ciência e Arte nas Férias, aos novos funcionários da Universidade durante a
Oficina de Ingressantes e demais eventos.

Capa do folder

414 Agência é responsável pelo planejamento e execução das ações institucionais destinados ao desenvolvimento
e qualificação de servidores técnicos administrativos ao apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão,
incluindo órgãos e unidades da Universidade. Disponível em: &lt;http://www.afpu.unicamp.br/a-afpu.php&gt;.

3570

�Dicas de Preservação:
Em dias de chuva redobre os cuidados! Atenção com sombrinha
ou guarda-chuva molhados dentro de bolsas e mochilas. E lembre-se,
não é guarda-chuva para proteger a sua cabeça!
Não apoie o cotovelo sobre livros ou revistas.
Não coma próximo aos livros ou dentro da biblioteca, pois restos de
comida atraem insetos. As baratas também gostam de papel!
tome cuidado com os alimentos dentro da mochila e junto com livros
e cadernos.
Muito cuidado, não molhe o dedo com saliva para virar as páginas, pois além de
estragar o papel pode ser perigoso para a sua saúde.
Use sempre marcadores de página apropriados. Lápis, clipes ou outros
objetos não são adequados, também não dobre o canto da página,
pois isso estraga o livro.
(

C)

Ao emprestar ou consultar livros de grande formato tenha cuidado, porque eles
geralmente são pesados e sua estrutura é frágil.
Não use qualquer tipo de fita adesiva para "consertar” os
livros, pois sua cola pode estragar ainda mais o papel.
Não faça anotações ou rabisque os livros que são de uso público, mesm o'
que a lápis. As anotações que são importantes para você podem não ser
para outro usuário.
Caso seja necessário tirar cópia de capítulo de livro tenha cuidado, jamais force a
abertura dele, pois a encadernação pode ser comprometida.
Cuidado ao colocar ou retirar os livros de estantes ou carrinhos.
LEMBRE-SE
Cada livro danificado é um investimento perdido, pois outros livros poderiam ser
comprados.
O livro danificado hoje pode fazer falta amanhã!

Partes internas do folder

Dando continuidade à campanha de conscientização iniciamos, no segundo semestre
de 2012, o Programa de Conscientização Sobre Preservação de Acervos, com o slogan
“Preservação, compartilhe essa ideia!”. O objetivo foi orientar e conscientizar os
funcionários, estagiários e bolsistas sobre o manuseio e preservação do material bibliográfico
da BCCL e BAE.
As oficinas ocorreram no mês de setembro de 2012 e contaram com a participação de
48 funcionários, entre técnicos, bibliotecários, estagiários e bolsistas, divididos em seis
turmas, entre os períodos da manhã e tarde, isso para que todos pudessem participar.
As oficinas foram estruturadas em duas partes, uma teórica e outra de visitação ao
laboratório de conservação. Durante a exposição teórica foram abordados os fatores físicos,
biológicos, químicos e humanos de degradação dos acervos, sempre acompanhados de dicas

3571

�do que fazer para evitá-las. Também foi aberto um espaço para que os participantes tirassem
suas dúvidas ou apresentassem exemplos vivenciados.
Depois de participarem da apresentação teórica os presentes eram convidados a
conhecer o laboratório. Certamente que muitos já o conheciam, afinal todos os presentes eram
colegas de trabalho, mas a ideia era que o fizessem a partir de outra perspectiva. O intuito da
visita foi mostrar que os livros que precisam de alguma intervenção percorrem um longo
processo, que vai desde a higienização até a reencadernação. Foram apresentados os
equipamentos, ferramentas, materiais, equipamentos de proteção individual, enfim todo o
necessário para o trabalho de colocar o livro novamente em condições de uso.

Outro produto fruto do programa foi a elaboraçãod um mural, produzido em acrílico
adesivado, para ser afixado nas áreas de acervo.

4 RESULTADOS

3572

�A receptividade e interesse dos partcipantes foram surpreendentes porque, para muitos deles,
o assunto parecia ser algo complexo, que envolvia conhecimentos técnicos e equipamentos
específicos, no entanto através da oficina perceberam que pequenas ações inseridas na rotina
de trabalho podem fazer toda a diferença.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esperamos que com essas oficinas os participantes desenvolvam uma consciência sobre os
cuidados com os livros, e também pretendemos estendê-las ao Sistema de Bibliotecas da
Unicamp no intuito de que as pessoas compartilhem esses conhecimentos com outros
profissionais e usuários.

6 REFERÊNCIAS
CALLOL, Milagros Vaillant. Biodeterioração do patrimônio histórico documental:
alternativas para sua erradicação e controle. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências
Afins; Fundação Casa de Rui Barbosa, 2013.
CASSARES, Norma Cianflone. Como Fazer Conservação Preventiva em Arquivos e
Bibliotecas. São Paulo: Arquivo do Estado e Imprensa Oficial, 2000. 80 p. Disponível em:
&lt;http://www.arquivoestado.sp.gov.br/saesp/texto_pdf_14_Como%20fazer%20conservacao%
20preventiva%20em%20arquivos%20e%20bibliotecas.pdf&gt;. Acesso em : jul. 2012.
LABARRE, Albert. Razões e Finalidades da Conservação. Boletim do Centro de Memória
Unicamp, Campinas, v. 3, n. 5, p. 25-35, jan./jun. 1991.
MANUAL de conservação preventiva de documentos: papel e filme. São Paulo: Universidade
de São Paulo, 2005.
MILLEVSKI, R. J. Manual de pequenos reparos em livros. 2°. ed. Rio de Janeiro: Projeto
de Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, 2001. Vol.13.
SPINELLI JUNIOR, Jayme. Conservação de acervos bibliográficos e documentais. Rio de
Janeiro, RJ: Fundação Biblioteca Nacional, 1997.

3573

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Programa de conscientização sobre preservação de acervos: a experiência da Biblioteca Central Cesar Lattes- UniCamp</text>
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                <text>A preservação dos livros nas bibliotecas universitárias é essencial para a manutenção da pesquisa e do ensino. Pensando nessa questão a Biblioteca Central Cesar Lattes implementou o Programa de Conscientização Sobre Preservação de Acervos. Através da organização de oficinas visou orientar seus funcionários, estagiários e bolsistas sobre os perigos e cuidados com os acervos. As oficinas dividiram-se em duas partes: uma teórica com a apresentação dos fatores de deterioração dos acervos e pequenas medidas que podem evitar danos as obras e a segunda parte foi uma visita técnica ao laboratório de conservação da Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras. Diante da receptividade dos participantes pretendemos expandir essa experiência às demais bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Unicamp.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

LEITURA NO CAMPUS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE JUIZ DE FORA
Isabela Baião Mol
Lívia Ferreira Coutinho Alonso
Adriana Aparecida de Oliveira
Carmorinda Antônia de Sousa Ferreira

RESUMO
Relata as ações do "Projeto Leitura no Campus", desenvolvido pela Universidade Federal de
Juiz de Fora através da parceria firmada entre a Pró-Reitoria de Cultura, o Laboratório de
Alfabetização do Curso de Pedagogia e o Centro de Difusão do Conhecimento, sendo este o
órgão responsável pela gestão do sistema de bibliotecas da UFJF. Tem como objetivos
principais o incentivo à leitura, a disseminação do conhecimento, acesso a informação, a
interação social, a integração entre a comunidade externa e a universidade, bem como uma
forma de promoção e incentivo do uso da biblioteca. Acontece uma vez por mês nas
dependências do Campus da UFJF, seguindo um cronograma de datas amplamente divulgado.
Além da disponibilização de acervo para leitura, oferece atividades como contação de
histórias, correio literário, leitura mediada, oficina de leitura. O caráter lúdico surge como
elemento chave para atrair as crianças. Apresenta sucesso de público e ótima aceitação da
comunidade.
Palavras-Chave: Incentivo à leitura; Disseminação da informação; Recreação cultural;
Extensão universitária; Interação social.
ABSTRACT
Reports the actions of the "Campus Reading Project" developed by the Federal University of
Juiz de Fora through the partnership between Dean of Culture, the School of Education and
the Center for Dissemination of Knowledge, which is the body responsible for managing the
the library system UFJF. Has as main objectives the encouragement of reading, knowledge
dissemination, social interaction, integration between the university and the external
community, and is a way of promoting and encouraging the use of the library. It happens once
a month on campus UFJF, following a widely publicized schedule dates. Offers activities
including stand up, storytelling, literary post, mediated reading, reading workshop. The ludic
character emerges as key to attracting younger audiences. Presents great success of public and
community acceptance.
Keywords: Reading; Dissemination of information; Cultural recreation; University extension;
Social interaction.

2885

�1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta um relato de experiência que ocorre na Universidade
Federal de Juiz de Fora. A Pró-reitoria de Cultura em parceria com o Laboratório de
Alfabetização do Curso de Pedagogia UFJF e o Centro de Difusão do Conhecimento
desenvolve um projeto intitulado “Leitura no Campus”.
Sabe-se que a capacidade de ler está intimamente ligada à motivação. Desta forma, foi
pensado o projeto “Leitura no Campus”, que visa transformar a leitura infantil em algo
divertido, propondo um espaço livre e agradável para que as crianças escolham os livros que
mais lhes interessam, estabelecendo, assim, uma relação de prazer e liberdade com a
literatura.
Este projeto tem como objetivo geral incentivar o hábito da leitura de forma
descontraída. Os objetivos específicos são: transformar a leitura em um momento de interação
entre pais e filhos e integrar a comunidade ao espaço da UFJF.
Acredita-se que estar inserido em um ambiente cujo prazer pela leitura é partilhado,
mesmo para as crianças que ainda não dominam a palavra escrita, é essencial para o
desenvolvimento do futuro leitor.
Neste trabalho, primeiramente, serão apresentados alguns aspectos teóricos sobre o
incentivo a leitura e sobre o ato de ler. A seguir é descrito o relato de experiência do projeto
“Leitura no Campus” na UFJF. Por fim, são expressas algumas considerações finais.

2 INCENTIVO A LEITURA
Desenvolver o hábito pela leitura é um processo constante e deve ser incentivado pelos
familiares. É fundamental que a prática da leitura seja realizada de forma prazerosa e não
como um dever. De acordo com Abramovich (1994, p 148), a “cobrança nunca foi passaporte
ou aval pra vontade, descoberta ou pro crescimento de ninguém”.
O convívio com a leitura estimula a curiosidade, a criatividade, e a concentração.
Desta forma, a leitura como forma de lazer auxilia na aprendizagem da criança. Machado
(2001, p. 70) argumenta que “[...] a formação do gosto de ler começa muito cedo, já na
família, através das cantigas folclóricas, da literatura infantil oral (tão esquecida hoje em dia)
e do contato com os livros, criando atitudes positivas em relação à leitura”.
Observa-se que o ato de ler passa a ser lúdico para a criança, mesmo não sabendo ler,
a leitura por outra pessoa e o ato de escutar as histórias estimula a mente infantil. Yunes
(1984, p. 21) relata que “[...] o hábito de leitura se inicia antes que a criança aprenda a ler:

2886

�neste paradoxo se registra a decisiva influência do contar/ouvir histórias, para uma relação
satisfatória com o universo da ficção”.
A criança fica estimulada pelos mistérios das letras, tudo que é novo para a idade
infantil se torna um atrativo. Por isso, deve-se contar histórias, para que ela ganhe gosto pelo
ainda desconhecido, que poderá tornar-se um bem preciso no desenvolver de sua vida. Cunha
(1989, p. 50). afirma que “no princípio de sua vida, a criança vê o livro como um brinquedo e
não menos interessante do que os outros. Alguma coisa de mágico e encantador envolve o
decifrar do desenho das palavras e a criança ama decifrar esses mistérios”.
Observa-se que a leitura deva ser incentivada como um prazer para a criança não como
uma obrigação ou exigência. Deve estimular o gosto pela leitura ensinando relacionar a
história com a realidade.
Sobre isto Hoffmann (1996) relata a importância dos educadores incentivarem a
leitura de forma mais aprofundada, além do decifrar das letras. A leitura deve ser incentivada
pelo desejo do conhecer e do desvelar o desconhecido do mundo ainda a ser descoberto pela
criança.

3 O ATO DE LER
A literatura é um meio de acesso a informação, estimula o conhecimento e desenvolve
o senso crítico. É através dela que os homens manifestam suas angústias e desejos, ou seja
expressam seus sentimentos.
De acordo com Abramovich (1994, p.24) “Uma das atividades mais fundantes, mais
significativas, mais abrangentes e suscitadoras dentre tantas outras é que decorre do ouvir
uma boa história, quando bem contada.”
O ato de a criança ouvir ou ler uma história gera inquietações neste pequeno ser, que é
capaz de dialogar, discutir, questionar, desconfiar sobre a narrativa, realizando interações com
suas diversas referências interiores e exteriores.
Freire apresenta o caráter social da leitura na relação da criança com mundo e com as
palavras escritas, associando o seu contexto com o outro cenário. Assim, “a leitura da palavra,
da frase, da sentença, jamais significou um ruptura com a “leitura” do mundo. Com ela, a
leitura da palavra foi a leitura da ‘palavramundo’ ”. (FREIRE, 2008, p.15)
De acordo com os preceitos de Abramovich (1994, p. 17)

2887

�É através de uma história que se podem descobrir outros lugares, outros
tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica... É ficar
sabendo história, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc.
Sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de
aula.
Por meio da leitura a criança desenvolve a criatividade, a imaginação, além de facilitar
a alfabetização e servir como base para as demais disciplinas.

4 PROJETO “LEITURA NO CAMPUS”
O projeto Leitura no Campus é desenvolvido pela Pró-reitoria de Cultura em parceria
com o curso de Pedagogia da UFJF e o Centro de Difusão do Conhecimento. A primeira
edição foi realizada no dia 13 de outubro de 2013, tendo duas edições subsequentes no mesmo
ano, no estacionamento do centro de vivência da Universidade Federal de Juiz de Fora. Neste
ano de 2014 o projeto continua exercendo sua atividades. A proposta é a realização do evento
uma vez por mês, preferencialmente aos domingos, durante o período letivo da universidade.
A divulgação ocorre através de flyer, da página do evento no facebook, de visitas em escolas
públicas e particulares de Juiz de Fora e no site da UFJF.
O campus da UFJF propicia o desenvolvimento deste projeto, já que é um espaço no
qual as pessoas utilizam para exercer atividades físicas, como caminhadas; atividades
familiares como passeios, piqueniques; entre outras atividades de lazer.
Os livros são pendurados nas árvores com elásticos como se fossem frutos e em varais
com pregadores decorados, o espaço é enfeitado com laços coloridos e em torno são
espalhados tapetes, almofadas e redes para o conforto dos leitores, incentivando a prática da
leitura em um ambiente que integra diversão e natureza.
A proposta é multiplicar os títulos propiciando a diversidade que estimula o gosto pela
leitura. O acervo que atende o projeto é selecionado de forma criteriosa pela equipe do
Laboratório de Linguagem e além de histórias que instigam a imaginação e incentivam a
prática da leitura recreativa, contém livros com ilustrações e capas atraentes e muitas vezes
em formatos diferenciados. Uma coleção de gibis também foi disponibilizada
No projeto, estão cadastradas 12 bolsistas que auxiliam as crianças nas leituras, na
exploração dos livros e nas outras atividades. Enquanto as crianças saboreiam as delícias dos
contos de fadas entre outros clássicos da literatura, os adultos podem ler as revistas e jornais
que também são oferecidos como entretenimento. Para agregar os pais ao projeto, a partir da
segunda edição foi oferecida uma área de leitura para eles com revistas semanais e jornais do
dia.

2888

�O público é bem variado, desde crianças menores, adolescentes, adultos jovens até
idosos. É uma opção de diversão e aprendizado para toda família. Para tornar o dia ainda mais
atrativo são oferecidas atividades lúdicas que variam entre contadores de histórias, correio
literário, oficinas, material para desenhar e colorir, BookCroossing. A programação conta
também com roda de histórias cantadas com violão e instrumentos de percussão, teatro com
fantoches, sessões de bate-papo com autores e ilustradores de literatura infantil.
A ludicidade é usada como forma de atrair as crianças para o evento, aproximando-as.
dos livros. Assim, o contador de história tem uma grande importância em despertar o interesse
das crianças pelos livros através da oralidade.
Segundo Abramovich (1994, p. 17)
É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes, como
a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a
insegurança, a tranquilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente
tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve.
Sabemos que a oralidade nada possui de imprecisão e desordem, abordar a questão da
fala e escrita é mencionar modalidades diferentes da língua, não existe prioridade neste
sentido. A verdade é que elas se mesclam, como é o caso do correio literário, pois possuem
características tanto da fala quanto da escrita.
É através da linguagem que o ser humano se expressa, interferindo na realidade social,
relacionando-se com o outro e, assim, influenciando-o por meio de seu discurso. Acreditamos
que o projeto pode despertar o prazer pela leitura transformando essas crianças em leitores
capazes, contribuindo assim no seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O sucesso do projeto Leitura no Campus comprova que mesmo nos dias de hoje, em
meio a toda tecnologia, o livro não perdeu o seu lugar... o prazer em folhear... em ouvir uma
boa história.
O desenvolvimento do projeto através da parceria entre a Pró-reitoria de Cultura, o
curso de Pedagogia da UFJF e o Centro de Difusão do Conhecimento é considerado
importante devido a união de diferentes setores para o fortalecimento do projeto. Para a
Biblioteca é uma excelente oportunidade de expandir um dos seus objetivos, ou seja,
favorecer a leitura, para além de seu espaço físico habitual. Como ressalta Caldin (2005, p.
164):

2889

�Em um mundo em constantes mudanças, globalizado, não cabem mais os
procedimentos ditos tradicionais. O bibliotecário tem de largar seu papel
passivo, de mero processador técnico de livros e desempenhar um papel
ativo: agente de mudanças sociais.
Acredita-se que o projeto auxilia a criança na construção da relação entre o mundo
imaginário e o real, contribuindo assim para a sua formação, aprendendo a respeitar as
diferenças e a convivência com o outro.

6 REFERÊNCIAS
ABRAMOVICH, F. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1994.
CALDIN, Clarice Fortkamp. A função social da leitura na literatura infantil. Encontros
Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação. Florianópolis, n.15,
2003. Disponível em: &lt;http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/147/14701505.pdf&gt;. Acesso
em: 20 abr. 2014.
CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura infantil: teoria e prática. 9. ed. São Paulo:
Ática, 1989.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 49a ed. São
Paulo: Cortez, 2008.
HOFFMANN, Rosemira da Silva. A aprendizagem da criança pela leitura. Florianópolis:
UFSC, 1996
MACHADO, T. C. A formação do aluno leitor. 2001. 161 f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia de Produção) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001.
YUNES, Eliana (coord.). A leitura e a formação do leitor: questões culturais e pedagógicas.
Rio de Janeiro: Antares, 1984.

2890

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                <text>Relata as ações do "Projeto Leitura no Campus", desenvolvido pela Universidade Federal de Juiz de Fora através da parceria firmada entre a Pró-Reitoria de Cultura, o Laboratório de Alfabetização do Curso de Pedagogia e o Centro de Difusão do Conhecimento, sendo este o órgão responsável pela gestão do sistema de bibliotecas da UFJF. Tem como objetivos principais o incentivo à leitura, a disseminação do conhecimento, acesso a informação, a interação social, a integração entre a comunidade externa e a universidade, bem como uma forma de promoção e incentivo do uso da biblioteca. Acontece uma vez por mês nas dependências do Campus da UFJF, seguindo um cronograma de datas amplamente divulgado. Além da disponibilização de acervo para leitura, oferece atividades como contação de histórias, correio literário, leitura mediada, oficina de leitura. O caráter lúdico surge como elemento chave para atrair as crianças. Apresenta sucesso de público e ótima aceitação da comunidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INSERÇÃO DE LIVROS ELETRÔNICOS EM UMA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA: O RELATO DE EXPERIENCIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
DE SANTA MARIA
Marinez Moral Montana
Marisa Severo Correa

RESUMO
Este trabalho contextualiza através da análise de fontes bibliográficas e relato de experiência a
temática da inserção dos livros eletrônicos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Essa elucidação tem por objetivo mostrar o processo metodológico adotado pela Biblioteca
Central da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na tomada de decisão de aplicar
recursos orçamentários nos modelos de negócios de livros eletrônicos. Inicialmente o relato
descreve a UFSM em sua estrutura educacional e geográfica. Expõe o Sistema de Bibliotecas
e o funcionamento referente à formação e desenvolvimento das coleções, com ênfase na
aquisição centralizada. Apresenta conceitos sobre livros eletrônicos e os modelos de negócios
disponíveis no mercado. Destaca a metodologia adotada. Relata o processo de inserção da
temática na instituição e aponta os resultados finais.
Palavras-Chave: Livros Eletrônicos; Universidade Federal de Santa Maria; Gestão de
Recursos.

ABSTRACT
This work contextualizes through the analysis of literature sources and reporting experience
the theme of integration of electronic books in the Universidade Federal de Santa Maria
(UFSM). This elucidation is to show the methodological process adopted by the Central
Library of the Federal Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), in making the decision
to apply budgetary resources in the business models of electronic books. Initially the report
describes UFSM in their educational and geographical structure. Exposes the Library System
and operation relating to the formation and development of the collections, with an emphasis
on centralized acquisition. Presents concepts about electronic books and business models
available on the market. Highlights the methodology adopted. Describes the process of
insertion of thematic in the institution and indicate final results.
Keywords: Electronics Books; Universidade Federal de Santa Maria; Resource Management.

4024

�1 Introdução

A partir das facilidades advindas com o acesso às redes de comunicação, mudanças
significativas ocorreram nas formas de produção, disseminação e aplicação do saber.
Atualmente, a transmissão do conhecimento se propaga independentemente das estruturas
tradicionais de fontes de informação. Suportes eletrônicos oriundos dos avanços tecnológicos
ocupam espaço gradativamente maior no mercado. Alternativas foram lançadas em termos de
estruturas e possibilidades de acesso, exigindo das bibliotecas, uma reformulação em seus
métodos de gerenciamento, visando à inserção dessas novas tecnologias.
Dentre as alternativas tecnológicas na área de disseminação do conhecimento surgiu o
livro eletrônico, uma ferramenta que ultrapassa barreiras físicas e que estabelece novos
desafios e discussões. Segundo Reis e Rozado (2013, p.1), “O livro digital é um desses
produtos inovadores gerados pela sociedade, agora denominada de sociedade da informação”.
Estar inserido nesse novo contexto informacional é preocupação permanente das bibliotecas
universitárias das instituições de ensino superior. Estudos e planejamento são necessários para
superar os desafios que o tema requer.

Assim também nas Bibliotecas da Universidade

Federal de Santa Maria essa temática está sendo debatida.
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está localizada no centro geográfico
do estado do Rio Grande do Sul, distante 290 km da capital do estado, Porto Alegre. Foi
criada em 14 de dezembro de 1960. O corpo discente é constituído de 29.101 estudantes, em
todas as modalidades de ensino. O quadro de pessoal conta com 4.395 servidores, incluindo
1.847 docentes do ensino superior, docentes de educação básica, técnica e tecnológica e 2.815
técnico-administrativos em educação. (UNIVERSIDADE..., [2014?])
A UFSM oferece 332 cursos, nas modalidades presencial e a distância, sendo 150
cursos de graduação, 140 de pós-graduação, 9 de ensino médio, e 33 pós-médio, distribuídos
nos campi dos municípios de Santa Maria, Silveira Martins, Frederico Westphalen e Palmeira
das Missões. O campus central localiza-se em Santa Maria. (UFSM..., 2012)
A atual estrutura estabelece a constituição de dez Unidades Universitárias: Centro de
Artes e Letras (CAL), Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), Centro de Ciências
Rurais (CCR), Centro de Ciências da Saúde (CCS), Centro de Ciências Sociais e Humanas
(CCSH), Centro de Educação (CE), Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), Centro
de Educação Superior Norte/RS (CESNORS), Centro de Tecnologia (CT) e Unidade
Descentralizada de Educação Superior da Universidade Federal de Santa Maria em Silveira

4025

�Martins/RS (UDESSM). Além disso, a Instituição possui três unidades de educação básica,
técnica e tecnológica: o Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM), o Colégio
Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria e o Colégio Agrícola de Frederico
Westphalen (CAFW). (UFSM..., 2012)
O Sistema de Bibliotecas da UFSM é constituído de uma Biblioteca Central e 12
Bibliotecas Setoriais, totalizando 13 bibliotecas, sendo 9 em Santa Maria e 4 nas demais
localidades.
A aquisição de material bibliográfico para todas as bibliotecas é centralizada na
Biblioteca Central e executada pela Divisão de Aquisição que administra e gerencia o
orçamento da Universidade destinado à formação e desenvolvimento das coleções. Devido ao
elevado número de sugestões de bibliografia enviadas, os recursos orçamentários são
insuficientes para o atendimento integral dos pedidos, necessitando assim estabelecer
prioridades no atendimento. Essa prioridade é definida para atender inicialmente as
solicitações docentes, as bibliografias básicas e complementares dos cursos novos e as
bibliografias dos cursos que apresentem alterações nos projetos político pedagógicos.
Os títulos selecionados para inclusão nos processos de compra originam-se nas
sugestões enviadas pela comunidade universitária mediante formulário acessado na página da
Biblioteca na Internet.

O preenchimento do formulário e posterior envio estão

permanentemente disponíveis.
O propósito desse artigo é descrever a experiência da Biblioteca Central da UFSM, na
tomada de decisão de aplicar recursos orçamentários nos modelos de negócios de livros
eletrônicos. Essa decisão gerou análises e estudos, visando atender as necessidades e
expectativas de oferecer novos suportes tecnológicos de pesquisa à comunidade universitária.

2 Revisão de Literatura

O conhecimento foi perpetuado ao longo da história da humanidade por meio de
diferentes formatos. As formas de acesso à informação foram sendo alteradas e com o auxilio
da tecnologia, houve a inserção de novas ferramentas. As bibliotecas não ficaram à margem
dessas mudanças e atualmente a disseminação do conhecimento conta com um suporte a mais,
denominado livro eletrônico.
Segundo Cavalcanti e Cunha (2008), livro eletrônico ou livro digital é um material que
foi transformado para a forma eletrônica, ou inicialmente criado em meio digital. De acordo

4026

�com Reis e Rozado (2013), a leitura de um livro eletrônico ou também chamado de e-book **,
pode ser feita através de diferentes suportes como: tablet,*notebook*, smartphone*, e-readers
(leitores de livros eletrônicos), celular, entre outros.
Os autores Duarte et al. (2013; p.2) apud Wilson e Landoni (2001), trazem um
conceito mais extensivo sobre o assunto
a definição de livros eletrônicos engloba três diferentes aspectos, a saber: a)
dispositivos de hardware que permitem aos leitores acessarem conteúdos; b)
aplicações de software, usadas para visualizar conteúdo online e; c) o
conteúdo que é visualizado através de um dispositivo de hardware ou de
aplicações de software.
Apesar de o livro digital atualmente estar em ampla ascensão e ser caracterizado como
uma novidade tecnológica em termos de suporte a informação, segundo Silva (2013, p.3)
apud Procópio (2010), o assunto “vem sendo discutido desde os anos 1990, embora seu
mercado tenha ganhado força no fim da primeira década do século XXI. Contudo, para os
usuários em geral, o formato ainda é uma novidade”. Ao que tudo indica os e-books são
ferramentas que terão cada vez mais espaço no mercado editorial.
Os modelos de negócios apresentados pelos editores são diversificados e visam tornar
os produtos interessantes às instituições, além de manter a proteção contra a distribuição
indevida e garantir os seus lucros. Nesse trabalho será abordada a aquisição de e-books por
compra perpétua e a assinatura.
A compra perpétua se caracteriza como a aquisição permanente do material e segundo
Nascimento (2013, p.1) “o e-book adquirido passa a ser de propriedade da biblioteca, como se
fosse um exemplar impresso”. As instituições podem adquirir através da compra, coleções
fechadas de livros eletrônicos, ou escolher título a título, sendo essa última forma semelhante
à aquisição de livros impressos. Os materiais são disponibilizados para os usuários,
geralmente por meio de acesso on-line a uma página do fornecedor. Muitos editores já
oferecem a opção de inserção do endereço no catálogo eletrônico da biblioteca, o que
possibilita acesso ao material diretamente do sistema da unidade de informação. “Por não
prover à editora controle do uso e por ser altamente suscetível à distribuição ilegal, os custos

* e-books: abreviação em inglês do termo eletronic book que significa - Livro eletrônico.
* Tablet - Computador portátil de pouca espessura e com tela sensível ao toque.
* Notebook - computador portátil, espécie de laptop com peso de cerca de 2 kg
* Smartphone - É um telefone celular e a expressão significa telefone inteligente em português, possui sistema
operacional.
* On-line - conectado direto ou remotamente a um computador e pronto para uso.

4027

�para aquisição permanente são, frequentemente, muito onerosos e acarretam em baixo
interesse pelas bibliotecas” (SERRA, 2013, p.8).
Na modalidade de compra perpétua, as bibliotecas precisam tomar certas precauções
para se certificar que o acesso ao material adquirido por compra será realmente mantido.
A fim de garantir que os e-books adquiridos sob esse modelo sejam
realmente de acesso perpétuo, é necessário avaliar como o fornecedor
pretende manter o acesso a longo prazo. Assim, o contrato ou licença de uso
deve ter cláusulas que preveem o que ocorre se o formato atual do livro se
tornar obsoleto, ou se o fornecedor sair do mercado ou perder o direito de
distribuir algum título. (NASCIMENTO, 2013, p.3)
Em qualquer das formas de aquisição identificam-se aspectos positivos e negativos.
No caso específico da compra perpétua, uma desvantagem se refere à edição, pois a aquisição
corresponde a edição específica, não havendo atualizações automáticas. Como vantagem
pode-se elencar a disponibilização do título para toda a comunidade acadêmica, sem a
necessidade de adquirir mais exemplares do mesmo título, como nas edições impressas.
Analisando essa forma de aquisição, pode-se considerar que é mais apropriada para as áreas
do conhecimento em que a necessidade de atualização dos conteúdos é menos imediata, não
havendo a necessidade de lançamentos anuais de novas edições.
O modelo assinatura é outra forma de aquisição amplamente divulgada pelos editores.
No padrão compra o material se torna do cliente, já no caso das assinaturas, as bibliotecas
alugam o acesso aos conteúdos por um período de tempo (SILVA, 2013).
Atualmente, existe a opção de assinatura de pacotes fechados, ou seja, a assinatura
refere-se ao acesso das coleções na íntegra, sem escolha de títulos individualmente. Uma das
desvantagens desse sistema fechado, conforme Serra (2012, p.6) é que “muitas vezes as obras
ofertadas são substituídas do pacote, o que desagrada aos bibliotecários, pois o controle da
coleção disponível a seus usuários passa a ser gerenciado pelos editores e provedores de
conteúdo”. Contudo, pelas análises de propostas de fornecedores, alguns já disponibilizam
assinaturas, onde o cliente escolhe os títulos que deseja que façam parte de seu pacote,
tornando as coleções assinadas personalizadas de acordo com as demandas e contribuindo
assim para a formação gerenciada das coleções das bibliotecas (FAGUNDES, 2012). Os
contratos firmados podem ser anuais, bianuais ou de período maior. Essa determinação de
período de tempo vai de acordo com o recurso disponível para investimento nas assinaturas
(NASCIMENTO, 2013).
É importante refletir sobre o tipo de material disponibilizado pelos fornecedores em
seus pacotes. Segundo Serra e Silva (2012, p.12):

4028

�Normalmente os pacotes são formados por títulos que são definidos pelos
editores, onde as obras na versão impressa já apresentaram vendagem
significativa, porém encontram-se estabilizadas, representando um baixo risco
no montante das vendas. Desta forma, a versão do livro no formato digital não
causará impacto negativo na receita da editora, caso as vendas eletrônicas não
se confirmem.
No modelo assinatura, as instituições não são proprietárias dos conteúdos, o que
constitui uma desvantagem, pois, assim que a assinatura não é renovada todo o conteúdo fica
indisponível. Segundo Serra (2013, p.6), “Algumas instituições podem considerar esta prática
não interessante, pois o investimento anual será alto, não representando um crescimento do
patrimônio da biblioteca”. Alguns editores oferecem em seus modelos, as atualizações das
edições pertencentes à coleção de forma automática e sem nenhum custo adicional para o
assinante, assim como acréscimos de títulos durante o período de assinatura.
Os modelos de negócios e os custos oferecidos pelas empresas que trabalham com e­
books não seguem um padrão. É importante que cada biblioteca universitária que planeje se
tornar adepta desta ferramenta avalie as necessidades da instituição a qual está inserida, e
escolha o modelo que melhor satisfaça as demandas existentes e a disponibilidade de recursos
financeiros.

3 Materiais e Métodos
A metodologia utilizada neste trabalho é baseada inicialmente em revisão de
bibliografia sobre o assunto, a fim de fornecer fundamentação teórica acerca do tema. Além
disso, foi considerado paralelamente o conhecimento empírico, ou seja, elaborado a partir da
experiência de trabalho da Divisão de Aquisição e de questões pertinentes à instituição.

4 O processo de inserção de livros eletrônicos no Sistema de Bibliotecas da UFSM

A crescente oferta de títulos de livros disponíveis como e-book, que segundo
Nascimento (2013, p.1) “é um livro cujo conteúdo é apresentado de forma digital”. Essa
situação aliada a outros fatores gerou por parte da Divisão de Aquisição da Biblioteca Central
da UFSM, análise criteriosa para a tomada de decisão de quais títulos e de que forma
disponibilizar esse novo formato à comunidade acadêmica. A diversidade de editoras e tipos
de negócios utilizados para comercialização no Brasil, demonstra que o mercado ainda esta
tentando adaptar-se aos interesses tanto dos editores, quanto dos usuários finais.

4029

�A partir de 2008 com a aplicação do Programa de Reestruturação das Universidades
(REUNI) na UFSM, houve a criação de novos cursos, bem como a ampliação de vagas nos
cursos já existentes. Essas ações foram possíveis graças a recursos garantidos pelo referido
Programa. Todo o aporte financeiro previsto contemplou os anos de 2008 a 2012, totalizando
5 anos. Após a conclusão do Programa, fez-se necessário a manutenção dos acervos
bibliográficos atualizados, considerando a intensa produção bibliográfica em todas as áreas do
conhecimento, tanto dos cursos novos quanto dos cursos já existentes. A partir de 2013, com
o término do repasse de recursos extras, o orçamento da Biblioteca destinado à aquisição de
material bibliográfico permaneceu com a parcela representativa no orçamento geral da
Universidade idêntica ao período anterior ao Reuni e tendo uma comunidade mais numerosa
para atender.
A inserção dos livros eletrônicos na UFSM teve início, com a identificação da
demanda desses suportes na instituição. Alguns fatores internos da instituição foram
considerados relevantes para a decisão de aplicar recursos nessa nova tecnologia, tais como:
•

Necessidade de aquisição de inúmeros exemplares de um mesmo título para atender as
diversas unidades da Instituição, localizados em municípios distintos, em vista de que
cursos idênticos são oferecidos em mais de um local;

•

Aplicação de recurso na compra de muitos exemplares de um mesmo título para
atender turmas de alunos numerosas; (FAGUNDES, 2012)

•

Espaço físico limitado para o crescimento da coleção, fato comum em diversas
bibliotecas do sistema;

•

Averiguação da existência de títulos nacionais solicitados pela comunidade acadêmica
na versão impressa, também disponibilizada no mercado no formato de e-book;

•

Verificação da existência de títulos de livros nacionais nas bibliotecas da UFSM que
apresentam número expressivo de empréstimos e reservas e que se encontram
disponíveis no formato eletrônico.
A ideia inicial para inserção de livros eletrônicos na coleção bibliográfica da UFSM

foi a de escolher um curso com carências de material impresso no acervo disponível. Essa
proposta definiu como escolha o curso de Meteorologia, e se iniciaram consultas para
encontrar modelos de negócios que atendessem especificamente as características desse curso.
Ao desenvolver o tema, porém, ficou claro que o processo de aquisição dos livros
eletrônicos na instituição teria que obedecer a uma metodologia. A partir do conjunto de

4030

�necessidades identificadas foi feito um estudo sobre o tema, utilizando fontes bibliográficas
disponíveis.
A partir dos estudos, surgiram as primeiras decisões em relação aos tipos de materiais
que seriam adequados para melhor responder as demandas. A primeira decisão foi de
abandonar a idéia de atender cursos em separado e tentar adquirir produtos que abrangessem o
maior número de áreas relacionadas aos cursos oferecidos pela instituição.
O segundo passo foi em relação ao idioma dos materiais, para o primeiro ano de
experiência o português foi definido com o intuito de facilitar o processo de adaptação da
comunidade acadêmica e incentivar o uso desse novo suporte. Dentre os outros critérios
desejados estava o acesso simultâneo ilimitado, o acesso remoto em qualquer horário e bases
com relatórios de estatísticas de uso. Além disso, surgiu o interesse de oferecer de forma on­
line as normas técnicas.
O estudo dos modelos de negócios disponíveis no mercado brasileiro foi o terceiro
passo na ação continuada. Esse estudo consistiu de consultas a páginas na internet, contatos
por telefone e e-mail e também apresentação de produtos por parte dos fornecedores e
editores de livros eletrônicos.
A outra etapa do processo constituiu-se na análise das propostas dos modelos
apresentados à universidade. Um comparativo entre as demandas da instituição e os modelos
de negócios apresentados foi realizado, com o intuito de analisar as propostas comerciais e
identificar a que melhor se adequava as necessidades da universidade. A continuação da
inserção dos materiais ocorreu com o período de testes gratuitos de produtos préselecionados.
A fase final ocorreu com a negociação após a seleção do modelo assinatura de livros
eletrônicos de bases com conteúdo em português, com acesso simultâneo ilimitado e que
atendessem a várias áreas do conhecimento. Foram assinadas duas bases de livros eletrônicos
e parte de uma base de normas técnicas de acordo com a disponibilidade existente de recurso.

5 Resultados Parciais/Finais
Após as análises e estudos pertinentes ao tema, foi decidido pela aplicação dos
recursos inicialmente em e-books em português. O formato de negócio escolhido restringiu-se
a modalidade de assinatura com acessos simultâneos ilimitados, 24 h por dia.

4031

�Foram escolhidos e assinados três contratos que permitem acesso a livros e materiais
eletrônicos, com empresas distintas. Destas, duas com acesso através de login* e senha,
possibilitando assim, consulta ao material fora do ambiente da Universidade, e uma assinatura
de normas técnicas com acesso permitido somente nos equipamentos da Universidade, ou
seja, através do Internet Protocol (IP)* das máquinas. As assinaturas tiveram início a partir de
janeiro e fevereiro de 2014.
Os contratos apresentaram situações diferenciadas para os títulos negociados, que são:
•

Um dos contratos possibilitou o acesso a normas técnicas nacionais, com
escolha de 100 títulos de interesse para os diversos cursos da Universidade;

•

Outra escolha recaiu sobre uma coleção de cerca de 4.200 títulos em português
de editoras conhecidas e referenciais no mercado brasileiro e de caráter
multidisciplinar. A assinatura prevê a disponibilidade total da coleção, sem
possibilidade de escolha e com inclusão frequente de títulos;

•

E por fim, um contrato com escolha de 14 títulos referentes a área da saúde.

6 Considerações Parciais/Finais
Considera-se como próximas atividades, o estudo e análise das estatísticas de
utilização dos títulos disponibilizados eletronicamente, fundamentando assim adequações que
se fizerem necessárias para as escolhas efetuadas. Paralelamente, encaminhamentos estão
sendo direcionados à administração central da Universidade na tentativa de aumentar
gradativamente à parcela do orçamento geral destinado a atualização dos acervos
bibliográficos.
Além disso, durante o ano corrente proceder-se-á consultas de opinião aos usuários do
sistema de bibliotecas, verificando a aceitação do novo serviço. Iniciativas de divulgação para
promover o acesso dos materiais disponibilizados como e-books já estão incorporados aos
treinamentos na instituição.
Concluindo essa abordagem, salienta-se a importância das bibliotecas manterem-se
atentas as novas tendências e serviços que as redes de comunicação possibilitam,
acompanhando e atendendo as necessidades de seu público alvo.

*
*

Login - Código com o qual um usuário se identifica para acessar o servidor de uma rede.
Internet Protocol - Protocolo de comunicação da Internet.

4032

�7 Referências
CAVALCANTI, C.; CUNHA, M.D. Dicionário de biblioteconomia e arquivologia.
Brasília: Briquet de Lemos, 2008, 451 p.
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Universidade

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4033

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Disponível

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4034

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A inserção de livros eletrônicos em uma biblioteca universitária: o relato de experiência da Universidade Federal de Santa Maria</text>
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                <text>Este trabalho contextualiza através da análise de fontes bibliográficas e relato de experiência a temática da inserção dos livros eletrônicos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Essa elucidação tem por objetivo mostrar o processo metodológico adotado pela Biblioteca Central da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na tomada de decisão de aplicar recursos orçamentários nos modelos de negócios de livros eletrônicos. Inicialmente o relato descreve a UFSM em sua estrutura educacional e geográfica. Expõe o Sistema de Bibliotecas e o funcionamento referente à formação e desenvolvimento das coleções, com ênfase na aquisição centralizada. Apresenta conceitos sobre livros eletrônicos e os modelos de negócios disponíveis no mercado. Destaca a metodologia adotada. Relata o processo de inserção da temática na instituição e aponta os resultados finais. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MEDIAÇÃO E TECNOLOGIA NOS DOCUMENTOS DO MEC, DA ABECIN E NA
LAI

Marielle Barros de Moraes

RESUMO
As tecnologias tornaram-se a base da sociedade contemporânea e passaram a transformar a
economia, a sociedade, a ciência, o trabalho, bem como a cultura e, por consequência, o
universo do ensino-aprendizagem. As tecnologias estão sendo inovadas a cada dia e em todos
os tipos de atividades cotidianas, profissionais e educacionais, o que, no decorrer do processo
histórico das sociedades, vem alterando também os processos mediacionais. Neste sentido,
buscamos analisar como os conceitos de mediação e de tecnologia estão inseridos nos
documentos do Ministério da Educação (MEC), da Associação Brasileira de Educação em
Ciência da Informação (ABECIN) e na Lei de Acesso à Informação (LAI) e, para tanto,
procedemos à Análise de Conteúdo desses documentos. Nos três documentos analisados a
tecnologia ainda é vista em sua forma instrumental, fato este que deságua não apenas nos
documentos formativos, como os da ABECIN e do MEC, mas também nos que trata de
algumas perspectivas de atuação profissional, como o faz a LAI. Em relação à mediação, esta
ainda é vista em sua acepção tradicional, muito embora esses documentos levem em conta as
acepções contemporâneas envolvendo a apropriação e uso das Tecnologias de Informação e
de Comunicação. Outra questão que se sobressai nesses documentos é que a formação de
bibliotecários, arquivistas e museólogos passa a ser vista em sua perspectiva transdisciplinar,
híbrida, uma vez que os três profissionais estão aptos a lidar com as questões cobertas pela
LAI e os documentos formativos possuem uma linguagem semelhante em relação à formação
dos três profissionais.
Palavras-Chave: Mediação. Tecnologia. Formação dos profissionais da informação. Atuação
dos profissionais da informação. Lei de Acesso à Informação.
ABSTRACT
The technologies have become the basis of contemporary society and transformed the
economy, society, science, work, culture, as well the universe of teaching and learning. The
technologies are being innovated every day and in all kinds of usual, professional and
educational activities, which, in the course of the historical process of societies has also been
changing the mediational processes. In this sense, we analyze how the concepts of mediation
and technology are included in the document of the Ministry of Education (MEC), in the
document of the Association of Education in Information Science (ABECIN) and the Law on
Access to Information (LAI), and for this, we use the Content Analysis of these documents. In
the three documents reviewed the technology is still seen in its instrumental form, a fact
which occurs not only in the formative documents such as the ABECIN and MEC, but also in
documents that address some prefessional perspectives, such as LAI. With regard to
mediation, it still seen in its traditional sense, although these documents take into account the

1669

�contemporary meanings involving the appropriation and the use of Information Technologies
and Communication. Another issue that stands out in these documents is that the training of
librarians, archivists and museum curators is seen in its transdisciplinar perspective, hybrid.
These professionals are able to work with the issues covered by the LAI. The training
documents have similar language regarding the formation of three professionals.
Keywords: Mediation. Technology. Training of information professionals. Performance of
information professionals. Law on Access to Information.
1 INTRODUÇÃO
Não podemos negar que as tecnologias tornaram-se a base da sociedade
contemporânea, transformando a economia, a sociedade, a ciência, o trabalho, bem como a
cultura e, por consequência, o universo do ensino-aprendizagem. Este fato demanda que os
sujeitos saibam manejar as mais diversas tecnologias, como forma de os mesmos se inserirem
na sociedade. Todavia, como é sabido, não basta apenas saber manejar os mais diversos tipos
de tecnologias existentes, mas também, saber como ser protagonista diante de uma sociedade
regida pela informação.
Todas as sociedades, em todas as suas eras, são regidas por informação, conforme
afirmara Mattellart (2006); todavia, como acrescenta Capurro e Hjorland (2007, p. 149), o que
torna a informação tão significativa na contemporaneidade é a sua natureza digital, a qual é
baseada no sistema binário. O fato de a informação tomar por base os dígitos para automatizar
o conhecimento não é algo novo. A primeira descrição conhecida de um sistema numérico
binário foi do matemático indiano Pingala, no século III a. C., quem representou os números
de 1 a 8 com a sequência de 0 e 1. George Boole utilizou esse sistema binário em 1854,
criando a álgebra booleana, a qual foi fundamental para o desenvolvimento da moderna
computação. Francis Bacon, em 1605, criou um alfabeto bilateral, um sistema alfabético
binário, baseado em a e b, diferentemente da criptografia atual, a qual é baseada em 0 e 1.
Leibniz propôs uma linguagem universal, baseado na aritmética binária, de 0 e 1, como o
atual sistema.
No entanto, foi o consórcio bem sucedido entre a informação e as tecnologias no
período do pós-Segunda Guerra Mundial, que fez com que a sociedade, a partir daquele
momento, passasse a ser denominada de Sociedade da Informação. Este conceito data dos
anos de 1970, com Marc Porat (1977), ano em que Daniel Bell (1977) afirma que a
informação é a nova força motriz da sociedade contemporânea. Essa sociedade descrita por
Daniel Bell é denominada por ele de Pós-Industrial e está pautada em cinco dimensões: 1)
Econômica- ocasionando a passagem de uma economia de bens para uma de serviços; 2)

1670

�Distribuição ocupacional-: preeminência da classe profissional e técnica; 3) Princípio Axialconhecimento como fonte de inovação; 4) Orientação futura será realizada pelo controle da
tecnologia; 5) Mudança na forma da tomada de decisões. Enquanto Daniel Bell (1977)
concentra-se nos aspectos mais econômicos, Masuda (1982) além dos econômicos, também se
detém nos aspectos educacionais e afirma que, na Sociedade da Informação, a educação será
liberada das escolas formais e adequada às habilidades de cada indivíduo, sendo que a
principal forma de ensino será a autoeducação.
Desta feita, podemos perceber que as tecnologias estão sendo inovadas a cada dia e em
todos os tipos de atividades cotidianas, profissionais e educacionais, o que, no decorrer do
processo histórico das sociedades, vem alterando, também, os processos mediacionais. Se
num primeiro momento, a principal forma de mediação era a interação face a face; não
demorou muito para que as interações mediadas e as quase-interações mediadas passassem a
ser tão realizadas entre os homens, quanto a face a face. Este fato altera também a atuação dos
profissionais, que têm por principal objetivo de sua práxis profissional a mediação da
informação, a saber, os bibliotecários, os arquivistas e os museólogos.
Diante deste contexto é que se apresenta a seguinte questão: como os conceitos de
mediação e de tecnologia estão inseridos nos documentos do Ministério da Educação (MEC),
da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN) e na Lei de
Acesso à Informação (LAI)?
Este trabalho foi elaborado em três partes principais. A primeira onde discutimos as
relações entre mediação e tecnologia. Na segunda parte refletimos sobre esses conceitos no
âmbito da prática dos profissionais da informação. A última é a parte empírica deste trabalho,
onde procedemos às análises de conteúdo dos documentos do MEC, da ABECIN e da LAI.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Mediação e Tecnologia: Relações 189
O conceito de mediação é oriundo latim mediare que significa estar no meio, se
interpor. Em nossas primeiras buscas acerca do conceito no campo da Filosofia encontramos
o dicionário de Zarader (2007, p. 365), o qual afirma que a primeira formalização do conceito
de mediação foi realizada por Aristóteles em seu Organon e significava as diferentes relações
lógicas que são possíveis entre proposições distintas designadas sob o termo de silogismo. A
primeira proposição e a conclusão seriam mediatizadas pela segunda, que é o meio-termo, o

189 As discussões aqui realizadas tomaram por base a dissertação de mestrado defendida por Moraes (2012).

1671

�qual instaura um laço de implicação lá, onde as duas proposições parecem independentes.
Portanto, a partir das duas primeiras proposições, denominadas de premissas, pode-se deduzir
uma conclusão, o que nos leva a intuir que a primeira conceitualização do termo mediação já
partiu do âmbito da linguagem humana, do seu discurso.
A primeira forma de mediação do homem consigo mesmo e com o mundo, foi
realizada por meio da interação face a face. Portanto, a língua e o espaço social foram os
primeiros mediadores. Para Rodrigues (2000, p. 84) mediação é o “processo de interlocução
ou de interação entre os membros de uma comunidade, pelo qual se estabelece, alimentam ou
restabelecem laços de sociabilidade, constituindo, assim, o mundo da vida. A linguagem e a
ação comum são os fatores privilegiados de mediação”.
Outra forma de mediação cultural é o próprio espaço social, no qual se organizam e se
estruturam as expressões de pertença das quais os atores se reclamam no espaço social.
Aquilo que percebemos no espaço social, que foi modificado pelo homem, faz parte de sua
cultura, produzindo aquilo que Floris (1995) denomina de mediações sociais; ou seja,
processos de interpenetração e de trocas mútuas de diferentes formas de organização social
dos homens uns com os outros. Ainda há a concepção de Rasse (2000), quem vê a mediação
como saber-fazer, como práticas profissionais.
Antes do advento das TIC predominava a mediação através da interação face a face;
contudo, a partir da segunda metade do século XV, novos meios informativos e
comunicativos surgem, como por exemplo, a invenção da imprensa, os jornais, o rádio, o
telefone, etc., fazendo aparecer novas formas de sociabilidade, sem a necessidade de haver
uma presença física. Essas novas mídias vêm ocasionando profundas transformações nas
formas de interação humana e, por consequência, das mediações. Desta feita, Thompson
(2002) classifica três tipos de situação interativa criadas pelos meios de comunicação:
“interação face a face”, “interação mediada” e “quase-interação mediada”.
Na interação face-a-face o fluxo de comunicação tem mão-dupla: um sujeito fala, o
outro responde, e assim por diante; ou seja, ambos são emissores e receptores de informação.
Segundo Thompson (2002), o intercâmbio de informação e o conteúdo simbólico sofrem uma
profunda mudança com as inovações tecnológicas (imprensa e, posteriormente, meios
eletrônicos): as interações face a face cedem cada vez mais espaço para as interações
mediadas e as quase-interações mediadas- as relações que as pessoas estabelecem com os
conteúdos dos meios. Para ele, as pessoas passam a considerar cada vez mais outras fontes de
informação, além das pessoas com as quais interagem diretamente no cotidiano: “a criação e a

1672

�renovação das tradições são processos que se tornam sempre mais interligados ao intercâmbio
simbólico mediado” (THOMPSON, 2002, p. 82).
Na interação mediada está implicado o uso de um meio técnico (papel, fios elétricos,
ondas eletromagnéticas) que possibilitam a transmissão da informação e conteúdo simbólico
para indivíduos situados remotamente no espaço, no tempo, ou em ambos. As interações
mediadas fornecem aos participantes poucos dispositivos simbólicos para a redução da
ambiguidade na comunicação. Por isso, as interações mediadas têm um caráter mais aberto do
que as interações face-a-face. Estreitando as possibilidades de deixas simbólicas, os
indivíduos têm de se valer de seus próprios recursos para interpretar as mensagens
transmitidas (THOMPSON, 2002, p. 79).
Na quase-interação mediada, o fluxo da informação tem sentido único, ou seja, o leitor
de um livro, o ouvinte de um rádio, ambos recebem a forma simbólica, mas não exigem uma
resposta direta e imediata, pois interagem com o conteúdo do meio. Por isso, ela é definida
como quase-interação. Nela, as formas simbólicas são produzidas para um número indefinido
de receptores potenciais. Para Thompson (2002, p. 79), esse tipo de interação são aquelas
“relações sociais estabelecidas pelos meios de comunicação de massa (livros, jornais, rádio,
televisão, etc.)”. Ou seja, a quase-interação mediada é aquela que os homens estabelecem com
os conteúdos dos meios; portanto, ela não tem um receptor-alvo, mas vários receptores e não
precisa de um feedback do receptor, daí o fato de ela ser denominada de quase-interação.
Na contemporaneidade, estamos cada vez mais midiatizados pelas várias Tecnologias
de Informação e de Comunicação de que dispomos; tecnologias estas que vêm provocando o
reordenamento do tempo e do espaço da comunicação de informações. Muitos denominam
esse processo de globalização econômica, mesmo reconhecendo que os processos de
globalização possam remontar ao século XVII, com as primeiras formas de telégrafo, ou até
mesmo ao século XV, com as grandes navegações, portanto:

[...] embora as origens da globalização da comunicação possam remontar ao
século XIX, este processo é, entretanto, tipicamente um fenômeno do século
XX. Pois foi durante este século que o fluxo de comunicação e informação
em escala global se tornou uma característica regular e penetrante na vida
social (THOMPSON, 2002, p. 143).

Com o desenvolvimento das TIC o mundo parece cada vez mais próximo de uma
aldeia global. O desenvolvimento dos sistemas de cabo para a transmissão eletrônica da
informação codificada, o uso de satélites para comunicação a longa distância e o uso de
métodos digitais aumentou de forma bastante intensa o volume de informações processadas,

1673

�armazenadas

e

recuperadas.

Em

virtude

do

distanciamento

espaço-temporal,

o

desenvolvimento dos meios técnicos separa a interação social do local físico, de tal maneira
que as pessoas podem interagir umas com as outras mesmo que elas não partilhem uma
situação espaço-temporal comum.
Continuando nessa perspectiva mais técnico-humanista acerca das mediações,
traçaremos um diálogo com Miège (2009) quem, num sentido mais próximo a Castells
(2010), afirma que a internet seria a nova infraestrutura da sociedade e que se disseminaria
alhures, por meio das TIC e das conexões wi-fi e, também, por meio das nanotecnologias.
Assim sendo, este fato constituiría uma nova era denominada de “tecnológica e biométrica”.
Portanto, o referido autor afirma que, devido ao fato de não ser possível separar essas
tecnologias contemporâneas do fator social e das mais variadas mediações que são
estabelecidas entre ambos; então, ele propõe que se qualifique como sociotécnicas, termo este
que inclui as ferramentas, os dispositivos e os serviços associados, bem como os processos
inovativos (MIÈGE, 2009, p. 26).
Tecnologia é outro conceito bastante polissêmico, assim como o de mediação e está
diretamente ligado aos processos de mediação de informação e de cultura. Veraszto (2008)
classifica sete concepções existentes acerca da utilização do conceito de tecnologia, quais
sejam:
1) Concepção Intelectualista: a tecnologia seria um conhecimento prático, derivado direta e
exclusivamente do desenvolvimento do conhecimento teórico científico através de
processos progressivos e acumulativos, onde teorias cada vez mais amplas substituem as
anteriores.
2) Concepção Utilitarista: considera a tecnologia como sinônimo de técnica. Segundo um
sentido elementar se pode considerar a técnica como um conjunto de conhecimentos
(habilidades e competências) eficazes, que o homem desenvolveu ao longo dos tempos
para melhorar sua maneira prática de viver.
3) Concepção de Sinônimo de Ciência: considera a tecnologia como Ciência Natural e
Matemática, com as mesmas lógicas e mesmas formas de produção e concepção.
4) Concepção Instrumental: entende a tecnologia como simples ferramentas ou artefatos
construídos para uma diversidade de tarefas.
5) Concepção de Neutralidade: afirma que a tecnologia não é nem boa nem má. Seu uso é
que pode ser inadequado.
6) Concepção do Determinismo Tecnológico: considera a tecnologia como sendo autônoma,
que evolui por si mesma, seguindo, de forma natural, sua própria inércia e lógica de

1674

�evolução, desprovida do controle dos seres humanos. Um dos âmbitos onde essa ideia
mais teve influência foi a ficção científica.
7) Concepção de Universalidade: entende a tecnologia como sendo algo universal. Um
mesmo

produto,

serviço

ou

artefato

poderia

surgir

em

qualquer

local

e,

consequentemente, ser útil em qualquer contexto (GORDILLO; GALBARTE, 2002 apud
VERASZTO, 2008, p. 72). E Gómez (2001 apud VERASZTO, 2008, p. 72) acrescenta
que esta concepção dá a ideia de que a mesma tecnologia não tem seu uso modificado se
inserida em outro contexto.

Ademais todas essas concepções, o certo é que as tecnologias contribuem para a
transformação das culturas, uma vez que, a partir das suas mais diversas apropriações, as
quais vão depender do contexto social de uso, elas podem ser maléficas ou benéficas. Este
fato também ocorre com as tecnologias digitais, uma vez que as TIC podem ser usadas tanto
para a aproximação e reaproximação dos povos e das culturas, quanto para promover cada vez
mais o apartheid social; pode servir tanto para veicular informações fidedignas, quanto para
veicular informações sem veracidade. E é neste contexto das mediações das informações que
se encontra a figura do arquivista, do bibliotecário e do museólogo, profissionais que têm por
essência do seu fazer as práticas da mediação da informação.

2.1.1 Mediação e Tecnologia na prática profissional dos profissionais da informação

Vários autores já trataram acerca do termo Profissional da Informação, tais como
Tarapanoff (1997), Almeida Júnior (2000), Valentim (2000), Belluzzo (2011), dentre outros
autores. No entanto, este ainda é um termo cujos delineamentos do perfil desse profissional
ainda não foi realizado. Para alguns autores, este termo é sinônimo apenas de Bibliotecário;
para outros, acrescenta-se ainda os arquivistas e os museólogos, e ainda existe uma terceira
categoria que compreende os profissionais da informação como todo e qualquer profissional
que tenha a informação como insumo básico do seu fazer, o que amplia ainda mais o espectro
desse termo.
Belluzzo (2011, p. 70) define quais as competências e habilidades dos profissionais da
informação encontradas na literatura especializada,

quais

sejam:

1) Definição e

implementação de metodologias para a determinação da informação e do conhecimento
necessário ao cumprimento da missão e dos seus objetivos, com base no sentido de
comunidade;

2) Identificação da informação e do conhecimento necessários ao

1675

�desenvolvimento tanto dos processos como dos procedimentos de cada atividade a ser
desenvolvida; 3) Previsão e organização das formas de captação e criação do conhecimento;
4) Seleção das fontes externas para a obtenção da informação necessária ao desenvolvimento
das estratégias e práticas de negócio adequadas ao mercado onde se insere; 5) Integração da
informação externa com aquela produzida na própria organização; 6) Implementação de
formas de difusão dos conhecimentos gerados para o compartilhamento em equipe e em rede
(BELLUZZO, 2011, p. 70).
Além de todas essas competências e habilidades, percebemos, na literatura da área,
que cada vez mais as questões relacionadas à mediação da informação e da cultura estão
presentes como práticas inerentes da profissão dos arquivistas, bibliotecários e museólogos.
Um autor que se debruça na problemática da mediação da cultura e da informação é
Almeida (2008), para quem a perspectiva da mediação se generalizou, atribuindo-se o papel
de mediador ao profissional da informação (seja ele denominado bibliotecário, arquivista,
museólogo ou outra definição profissional). Por outro lado,
A ideia de mediação acaba por cobrir coisas tão diferentes entre si, que vão
das velhas concepções de “atendimento ao usuário” à atividade de um agente
cultural em uma dada instituição - museu, biblioteca, arquivo, centro cultural
-, à construção de produtos destinados a introduzir o público num
determinado universo de informações e vivências (arte, educação, ecologia,
por exemplo), à elaboração de políticas de capacitação ou de acesso às
tecnologias de informação e comunicação, etc. Desse modo, um a definição
consensual de mediação parece impraticável: sempre contextualizada, tornase um conceito plástico que estende suas fronteiras para dar conta de
realidades muito diferentes entre si (ALMEIDA, 2008, p. 3).

Outro autor que utilizou e analisou o conceito de mediação em relação à
Biblioteconomia e à Ciência da Informação foi Almeida Júnior (2009, p. 92), o qual afirma
que a mediação da informação é “toda ação de interferência- realizada pelo profissional da
informação-, direta ou indireta; consciente ou inconsciente; singular ou plural; individual ou
coletiva; que propicia a apropriação de informação que satisfaça, plena ou parcialmente, uma
necessidade informacional”. Nesta conceituação de Almeida Júnior (2009) ainda está presente
a figura do intermediário da informação, mas, e quando esse intermediário não existe? É nesse
sentido que Lévy (2000 apud SILVA; LOPES, 2011) fala de desintermediação da informação,
ou seja, é um processo de busca de informação em que não se encontra mais a figura do
intermediário e a informação chega ao usuário sem passar por uma espécie de “filtro”.
Portanto, as discussões acerca dos processos de desintermediação da informação e de cultura
ainda são bastante incipientes, haja vista que nem mesmo os processos de mediação estão
bem delineados para os mediadores. Esses processos de desintermediação da informação são

1676

�recentes e parecem ser tendências na contemporaneidade, haja vista cada um ser autor e
receptor de seu próprio texto.
A partir das discussões até aqui realizadas é que analisamos a inserção dos conceitos
de mediação e de tecnologia documentos do MEC, da ABECIN e na LAI. Em relação às DCN
do MEC não analisamos as semelhanças e diferenças entre as diretrizes dos três cursos, uma
vez que este trabalho já foi realizado por Moraes (2013).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A forma de consecução deste trabalho, primeiramente, envolveu a Pesquisa
Exploratória, de cunho Bibliográfica, acerca dos temas da Mediação e Tecnologia, utilizandonos, principalmente, de livros e artigos, os quais foram buscados no Portal de Periódicos da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e na Biblioteca da
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).
De posse das teorias, passamos para a análise do material empírico, quais sejam: os
documentos relativos à formação dos arquivistas, bibliotecários e dos museólogos elaborados
pelo Ministério da Educação e pela Associação de Educação em Ciência da Informação, bem
como da Lei de Acesso à Informação, a qual, pelo seu conteúdo, propicia a ampliação dos
espaços de trabalho dos bibliotecários, arquivistas e museólogos, assim como os outros dois
documentos citados. Esses documentos estavam disponíveis livremente na Internet.
A análise dos dados foi feita por meio do método da Análise de Conteúdo, a qual, para
Berelson (1954 apud BARDIN, 2011, p. 24) “é uma técnica de investigação que tem por
finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa [mas também qualitativa] do
conteúdo manifesto da comunicação”. Assim sendo, tanto “pode-se aplicar a uma grande
diversidade de materiais, como permite abordar uma grande diversidade de objetos de
investigação: atitudes, valores, representações, mentalidades, ideologias, etc.” (LAVILLE;
DIONNE, 1999, p. 214).
Portanto, a partir do levantamento teórico realizado, partimos para a análise de
conteúdo acerca dos temas mediação e tecnologia nos documentos citados, como forma de
vislumbrar algumas possibilidades de atuação dos profissionais da informação, para além das
fronteiras já delimitadas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Para melhor visualização dos dados, inserimos as Diretrizes Curriculares Nacionais
(DCN) do MEC, no Quadro 1.

1677

�ÁREA
B ib lio tec o n o m ia

P E R F IL

C O M P E T Ê N C IA S E H A B IL ID A D E S

A formação do bibliotecário supõe o desenvolvimento G erar p ro d u to s a p artir d os co n h ecim en to s ad q u irid o s e d iv u lg á -lo s ; F o rm u la r e
de determinadas competências e habilidades e o ex ecu ta r p olíticas in stitu cio n a is; E la b o ra r, co o rd en a r, ex ecu ta r e a valiar p lan os,
domínio dos conteúdos da Biblioteconomia. Além de p rogram as e p ro je to s ; Utilizar racionalmente os recursos disponíveis; D esen v o lv er e u tilizar
p rep a ra d o s p a ra en fren ta r com p ro ficiên cia e n ovas te c n o lo g ia s ; T rad u zir as n ecessid a d es de in d iv íd u o s, gru p os e co m u n id a d es nas
cria tiv id a d e

os

p ro b lem a s

de

su a

p rá tica resp ectiv a s áreas de a tu a çã o ; D esen v o lv er ativid ad es p ro fissio n a is a u tô n o m a s, de m o d o a

p r o fissio n a l ,

produzir e difundir conhecimentos,
refletir criticamente sobre a realidade que os envolve,
buscar aprimoramento contínuo e observar padrões
éticos de conduta, os egressos dos referidos cursos
deverão ser capazes de atuar junto a instituições e
serv iço s q u e d em a n d em in terv en çõ es de n atu reza e
a lca n ce

v a ria d o s:

bibliotecas,

cen tros

de

d o cu m en ta çã o ou in fo rm a çã o , cen tros cu ltu rais,
serv iço s ou redes de in fo rm a ç ã o , ó rg ã o s de gestão

o rien ta r, dirigir, assesso ra r, p resta r co n su lto ria , rea liza r p erícia s e em itir la u d o s técn ico s
e

p a rec ere s;

R esp o n d er

a

d em an d as

sociais

tra n sfo rm a çõ es tecn o ló g ica s q ue caracterizam

de

in fo rm a çã o

p ro d u zid a s

p elas

o m u n d o c o n te m p o râ n eo . Interagir e

agregar valor nos processos de geração, transferência e uso da informação, em todo e qualquer
ambiente; Criticar, investigar, propor, planejar, executar e avaliar recursos e produtos de
informação; Trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza; Processar a informação
registrada em diferentes tipos de suporte, mediante a aplicação de conhecimentos teóricos e
práticos de coleta, processamento, armazenamento e difusão da informação; Realizar pesquisas
relativas a produtos, processamento, transferência e uso da informação.

do p a trim ô n io cu ltu ra l etc.
A rq u iv o lo g ia

O arquivista ter o domínio dos conteúdos da Identificar as fronteiras que demarcam o respectivo campo de conhecimento; G erar p rod u tos
Arquivologia e esta r p rep a ra d o p a ra en fren ta r com a p a rtir dos con h ecim en to s ad q u irid os e d iv u lg á -lo s ; F o rm u la r e ex ecu ta r p olíticas
p ro ficiê n c ia e cria tiv id a d e os p ro b lem a s de sua in stitu cio n a is; E la b o ra r, co o rd en a r, ex ecu ta r e a valiar p la n o s, p ro g ra m a s e p r o je to s ;
p rá tica p ro fissio n a l, p a rticu la rm en te as que D esen v o lv er e u tiliza r n ovas te cn o lo g ia s ; T ra d u zir as n ecessid a d es de in d iv íd u o s, grupos
d em a n d em in terv e n ç õ es em arquivos , cen tros de e co m u n id a d es nas resp ectiv a s áreas de a tu a çã o ; D esen v o lv er ativid ad es p ro fissio n a is
d o cu m en ta çã o ou in fo rm a çã o , cen tros cu ltu rais, au tô n o m a s, de m od o a orien tar, d irigir, a ssesso ra r, p resta r co n su lto ria , realizar p erícias
serv iço s ou redes d e in fo rm a çã o , ó rg ã o s de gestão e em itir la u d o s técn ico s e p a rec ere s; R esp o n d er a d em an d as de in fo rm a çã o p ro d u zid a s
do p a trim ô n io cu ltu ra l.

p elas tra n sfo rm a çõ es q ue caracterizam o m u n d o co n te m p o râ n eo . Compreender o estatuto
probatório dos documentos de arquivo; Identificar o contexto de produção de documentos no
âmbito de instituições públicas e privadas; Planejar e elaborar instrumentos de gestão de
documentos de arquivo que permitam sua organização, avaliação e utilização; Realizar
operações de arranjo, descrição e difusão.

Continua

1678

�ÁREA
M u seo lo g ia

P E R F IL

C O M P E T Ê N C IA S E H A B IL ID A D E S

A formação do museólogo supõe o domínio dos conteúdos Identificar as fronteiras que demarcam o respectivo campo de conhecimento ; G erar p ro d u to s a p artir
da Museologia e a p rep a ra ç ã o p ara en fren ta r com dos co n h ecim en to s ad q u irid o s e d iv u lg á -lo s ; Desenvolver e aplicar instrumentos de trabalho
p ro ficiê n c ia e cria tiv id a d e os p ro b lem a s de su a p rática adequados; F o rm u la r e ex ecu ta r p o lítica s in stitu cion ais; E la b o ra r, co o rd en a r, ex ecu ta r e avaliar
p ro fissio n a l, e sp ec ia lm e n te, a q u eles q u e d em an d em p la n o s, p ro g ra m a s e p rojetos; D esen v o lv er e u tiliza r n ovas te c n o lo g ia s ; T ra d u zir as n ecessid a d es
in terv en çõ es em museus, cen tro s de d ocu m en ta çã o ou de in d iv íd u o s, gru p os e co m u n id a d es n as resp ectiv a s áreas de atu ação; D esen v o lv er ativid ad es
in fo rm a ç ã o , cen tros

cu ltu ra is, serviços

ou

redes

in fo rm a ç ã o , órg ã o s de g estão do p a trim ô n io cu ltu ral.

de p ro fissio n a is au tô n o m a s, de m o d o a orien tar, d irigir, assesso ra r, p resta r co n su lto ria , realizar
p erícia s

e

em itir

lau d os

té cn ico s

e

p areceres;

R esp o n d er

a

d em an d as

de

in form ação

d eterm in ad as p elas tra n sfo rm a çõ es q ue caracterizam o m u n d o c o n te m p o râ n eo . Compreender o

Museu como fenômeno que se expressa sob diferentes formas, consoante sistemas de pensamento e
códigos sociais; Interpretar as relações entre homem, cultura e natureza, no contexto temporal e
espacial; Intervir, de forma responsável, nos processos de identificação, musealização, preservação e
uso do patrimônio, entendido como representação da atividade humana no tempo e no espaço; Realizar
operações de registro, classificação, catalogação e inventário do patrimônio natural e cultural; Planejar
s desenvolver exposições e programas educativos e culturais.
Q uadroi- Diretrizes Curriculares Nacionais do MEC para os cursos de Arquivo^ ogia, Biblioteconomia e Museologia.
Fonte: Pesquisa do autor.

1679

�Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, em relação às DCN, o que diferencia a
formação dos arquivistas, dos bibliotecários e dos museólogos é o que se refere ao paradigma
custodial, ou seja, que esses profissionais atuam em arquivos, bibliotecas e museus. Se
atentarmos para o texto das diretrizes, a maior parte do seu conteúdo é igual para os três
cursos, o que evidencia uma dificuldade em diferenciar, fora do paradigma custodial, a
atuação dos três profissionais, principalmente, no que concerne às suas atividades como
mediadores

infoculturais.

Em relação ao conceito de Tecnologia presente nas DCN infere-se que o mesmo está
muito mais voltado a uma concepção instrumental da tecnologia; ou seja, como uma
ferramenta para auxiliar uma diversidade de tarefas, muito embora cite que os profissionais da
informação devem responder a demandas sociais de informação produzidas pelas
transformações tecnológicas que caracterizam o mundo contemporâneo. Podemos perceber
no texto das DCN que pouco é tratada a questão das tecnologias, mesmo que saibamos que
elas são constituintes da sociedade contemporânea (apresentando-se também em seu formato
digital), também considerada uma Sociedade da Informação. Por outro lado, as DCN inserem
no final do texto que os conteúdos relativos à Tecnologia poderão estar inseridos nos
currículos de forma transversal.
Uma questão que podemos enfatizar refere-se a que a prática dos bibliotecários em si
pode ser considerada como tecnológica, ou como tecnologia, dependendo da concepção que
tecnologia que venhamos a tomar como verdade de argumentação. No entanto, essa
concepção seria instrumental, uma vez que teria a tecnologia como ferramenta para resolver
determinado problema e, nesse caso, as linguagens de representação do conhecimento
utilizadas pelos arquivistas, bibliotecários e museólogos são tecnologias.
Em relação à mediação, percebemos no decorrer das nossas discussões, que as práticas
dos arquivistas, bibliotecários e museólogos sempre foram práticas mediacionais. No texto
das DCN, percebemos que a mediação é vista tanto em seu caráter técnico, como social,
muito embora o caráter técnico, conforme a concepção de Rasse (2000) predomine no texto
das DCN, a saber, a concepção de mediação como práticas profissionais.
O que o texto do MEC sugere para a formação dos bibliotecários é que este saiba
produzir e difundir conhecimentos; traduzir as necessidades de indivíduos, grupos e
comunidades nas respectivas áreas de atuação; processar a informação registrada em
diferentes tipos de suporte, mediante a aplicação de conhecimentos teóricos e práticos de
coleta, processamento, armazenamento e difusão da informação e realizar pesquisas
relativas a produtos, processamento, transferência e uso da informação. Todos estes tipos de

1680

�conhecimentos estão relacionados à concepção de mediação, tal qual analisada por Rasse
(2000), ou seja, de saberes-fazer, de práticas profissionais. No entanto, o sentido mais social
de mediação e de tecnologia, pouco ou nada é utilizado no texto analisado.
Já em relação à formação do arquivista, o texto é ainda mais tecnicista, e não cita que
o arquivo possui um caráter tanto probatório, mas, sobretudo, histórico da organização e da
sociedade na qual ele está inserido. Afirma-se que uma das competências e habilidades do
arquivista é planejar e elaborar instrumentos de gestão de documentos de arquivo que
permitam sua organização, avaliação e utilização e realizar operações de arranjo, descrição
e difusão. Também não fala do arquivista enquanto um mediador cultural. O mesmo ocorre
nas diretrizes da Museologia, pois as DCN estão mais voltadas para o caráter técnico da
formação desses profissionais; por outro lado, cita o museu como um espaço educativo e
cultural,

o

que

leva

em

conta

uma

concepção

mais

social

de

mediação.

Em relação às recomendações da ABECIN analisamos os sete documentos
elaborados para a formação dos profissionais da informação, conforme o Quadro 2 a seguir:

ABECIN 1

Projeto Pedagógico e Avaliação da Graduação: referências para a renovação e
ressignificação do ensino em Biblioteconomia/Ciência da Informação

ABECIN 2

Avaliação da Graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação: bases
conceituais, metodológicas e princípios do processo avaliativo

ABECIN 3

Diretrizes para a Construção de Indicadores de Qualidade para a Avaliação de
Cursos de Graduação de Biblioteconomia e Ciência da Informação

ABECIN 4

Avaliação do Processo Formativo na Área de Biblioteconomia/Ciência da
Informação: documento referencial

ABECIN 5

I Seminário Pedagógico ABECIN “Gestão da Informação”

ABECIN 6

Auto-avaliação do Ensino no Brasil desde a perspectiva da Pesquisa, Extensão
e Gestão: contribuição para um modelo de avaliação das escolas de
Biblioteconomia e Ciência da Informação do Mercosul

ABECIN 7

Oficina pedagógica - Região Sudeste: (re)construção das práticas pedagógicas
no processo de ensino-aprendizagem em Ciência da Informação

Quadro 2- Lista dos documentos elaborados pela ABECIN
Fonte: Pesquisa do autor.

1681

�As propostas da ABECIN em relação à avaliação estão em consonância com a
perspectiva da mediação analisada por Lamizet e Silem (1967), sendo este fato corroborado
quando se afirma que essa perspectiva, do ponto de vista pedagógico, aponta para uma
ruptura com as práticas tradicionais de ensinar e aprender (currículos estruturados sob a
lógica teoria-prática), dando lugar privilegiado à prática do aluno, onde o estímulo à
curiosidade, à busca de solução de problemas, ao despertar de interesses, à criatividade na
solução de problemas, deverão ser perseguidos. Portanto, são propostas educacionais para os
cursos de Biblioteconomia que pressupõem, principalmente, um aluno que seja um sujeito
interagente no processo de ensino-aprendizagem e não aquele aluno que recebe passivamente
os conteúdos da educação. Nesse sentido, a educação proposta é mediação no sentido dado à
palavra por Lamizet e Silem (1967), ou seja, uma prática educativa que não apenas transfere,
mas que media os conteúdos da educação, que busca sua a significação e apropriação por
parte dos sujeitos do processo educacional, o que vai ao encontro das propostas de Paulo
Freire (1981) para educação.
Uma educação voltada para o exercício da cidadania é buscada pela ABECIN e este
fato pode ser visualizado quando a mesma afirma que, contrapondo-se a esta visão de
conhecimento como resultado e produto, há hoje uma tendência para ver e entender o
conhecimento como processo, o que exige do aluno e do professor capacidades e
competências diferentes. Para o aluno, solicita, ao invés de memorização, capacidade de
interpretação, de julgamento de sentido e de relação com o social e o vivido. Para os
professores, exige pensar práticas pedagógicas que levem os alunos a fazer aproximações
com o real, interpretá-lo e, através de suas ações, como sujeitos históricos, transformá-lo,
atribuindo-lhe um novo sentido e significado. Percebendo o conhecimento como processo, a
indicativa da ABECIN percebe-o como um elo entre os alunos e o professor. Neste sentido, o
conteúdo acerca de mediação que está presente na proposta da ABECIN está relacionada com
a conceituação de mediação de Rasse (2000) para quem a mediação também é trabalhos,
práticas profissionais, técnicas e saber-fazer.
As indicativas afirmam que os cursos devem oferecer disciplinas de formação geral,
específica e de natureza instrumental para capacitar o egresso, numa perspectiva de
formação integral, para atuar com competência, de modo a responder às demandas sociais,
mais especificamente, como gestor e mediador da informação, por meio das disciplinas
associadas às quatro áreas curriculares, considerando o nível específico de formação.
Podemos inferir desta indicativa que ela contempla o bibliotecário enquanto um mediador,
uma vez que, atuando nesta perspectiva, o mesmo pode ser um interagente na inclusão dos

1682

�socialmente excluídos, principalmente, a partir de um maior delineamento acerca de quais
seriam as práticas de mediação da informação. Para tanto, torna-se necessário discutir quais
são as atividades de mediação do bibliotecário e tentar minimamente delimitá-las, conforme
aponta Almeida (2008).
Outra questão a se colocar é em relação ao papel do bibliotecário no que concerne Pa
mediação e acesso à informação, ou seja, como o bibliotecário pode atuar nas questões de
mediar, de fazer veicular as informações verdadeiras para que o cidadão tenha conhecimento
de quando uma informação não é verdadeira. Com a proliferação das mídias, que nos
assediam nas mais diversas formas, o bibliotecário poderia atuar como um filtro entre essas
informações e os mais diversos segmentos sociais. É nesse sentido que a ABECIN afirma que
isso lhes pressupõe clareza no reconhecimento da dimensão social da profissão, bem como
uma atuação solidária - e não apenas competitiva, tal como tem induzido a ideologia
hegemônica- voltada para modificar o meio onde atua, de modo a buscar reduzir
desigualdades. Portanto, a pedra-de-toque é definir com clareza os novos horizontes da
formação e da atuação do bibliotecário diante do novo contexto informacional. Para a
efetivação desta ação, é necessário delinear um novo pensar acerca da prática e da formação
dos bibliotecários na contemporaneidade, como forma de que a responsabilidade social do
bibliotecário não seja pautada apenas no cuidado com o seu acervo como outrora. Para tanto,
a ABECIN afirma que os cursos de Biblioteconomia devem capacitar o egresso, numa
perspectiva de formação integral, para atuar com competência, de modo a responder às
demandas sociais, mais especificamente como gestor e mediador da informação, por meio
das disciplinas associadas às quatro áreas curriculares, considerando o nível específico de
formação.
A partir da última diretriz supracitada, percebemos que há uma maior preocupação da
ABECIN não apenas com as questões concernentes à organização da informação, mas
também, com os aspectos ligados à mediação da informação e ao acesso à informação, o que
nos fez analisar também a Lei de Acesso à Informação, Lei 12527, de 18 de novembro de
2011, a qual está diretamente ligada à atuação dos profissionais da informação.
A Lei de Acesso à Informação tem por diretrizes: I - observância da publicidade como
preceito geral e do sigilo como exceção; II - divulgação de informações de interesse público,
independentemente de solicitações; III - utilização de meios de comunicação viabilizados
pela tecnologia da informação; IV - fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência
na administração pública; V - desenvolvimento do controle social da administração pública
(BRASIL, 2011). Podemos observar que a referida Lei, assim como os documentos do MEC e

1683

�da ABECIN possuem uma visão mais ampliada e híbrida da atuação dos profissionais da
informação. Ao lermos as diretrizes da LAI e os outros documentos que analisamos até aqui,
muitas vezes, não define quem é esse profissional da informação, se é o arquivista, o
bibliotecário ou o museólogo e a inserção dos conceitos de mediação e de tecnologia no
âmbito desses documentos contribuem ainda mais para hibridizar essa atuação.
Os conceitos de mediação e tecnologia estão inseridos no âmbito da LAI, sendo que o
que há de inovador na Lei é que a informação tem de estar disponível para os cidadãos
independentemente de solicitações, haja vista ser um direito do cidadão. Assim sendo, não
apenas os documentos em nível governamental, mas também de instituições públicas, tais
como os arquivos, bibliotecas, museus públicos, inclusive aqueles que estão inseridos nas
universidades públicas. Sendo assim, especificamente, as bibliotecas universitárias, têm um
papel essencial no cumprimento da LAI, uma vez que, dentre outros documentos, as teses e
dissertações, muitas vezes, recebem diretamente financiamento público, bem como os
projetos dos professores. A LAI, em suma, possibilita ao cidadão saber o que está sendo feito
nas mais diversas instituições públicas, principalmente, porque estas instituições sobrevivem
em sua maior parte com financiamento público.
Desta feita, a LAI, no Cap. 1, Art. 4, entende por Tratamento da Informação como o
conjunto de ações referentes à produção, recepção, classificação, utilização, acesso,
reprodução,

transporte,

transmissão,

distribuição,

arquivamento,

armazenamento,

eliminação, avaliação, destinação ou controle da informação (BRASIL, 2011). Todas essas
são ações que, ao fim, visam elaborar procedimentos para a mediação e acesso à informação
pela sociedade, tanto da forma tradicional, quanto na sua forma mais contemporânea, com o
auxílio das TIC. Além disso, essa descrição de tratamento da informação feito pela Lei, pode
ser aplicada tanto em relação a arquivos, quanto a bibliotecas e museus.
A Lei ainda prevê as formas de mediação das informações para os cidadãos, quando
afirma no Art. 7o O acesso à informação de que trata esta Lei compreende, entre outros, os
direitos de obter: I - orientação sobre os procedimentos para a consecução de acesso, bem
como sobre o local onde poderá ser encontrada ou obtida a informação almejada (BRASIL,
2011). Portanto, a LAI insere a perspectiva da mediação da informação para os cidadãos,
mediação esta que sempre foi a práxis dos profissionais da informação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do que o trabalho tentou despertar podemos inferir algumas reflexões
conclusivas. Os conceitos de mediação e de tecnologia estão inseridos nos documentos do

1684

�MEC, da ABECIN e na LAI, porém, ainda como forma de saberes-fazer e de práticas
profissionais essencialmente. Mediação é uma prática essencial dos bibliotecários, arquivistas
e museólogos, práticas que advém da Antiguidade e que se estende até a contemporaneidade,
de forma mais ampliada, com a emergência das TIC.
Nos três documentos podemos perceber que a tecnologia ainda é vista em sua forma
instrumental, fato este que deságua não apenas nos documentos formativos, mas também nos
que tratam da atuação profissional, como é o caso da LAI. Em relação a esta última,
percebemos que ela veio contribuir de forma mais efetiva para afirmar que o principal
objetivo de toda e qualquer prática dos profissionais da informação, tais como bibliotecários,
arquivistas e museólogos é a mediação da informação para a sociedade, principalmente, num
momento em que se torna cada vez mais difícil classificar se os documentos são arquivísticos,
biblioteconômicos ou museológicos, uma vez que eles já nascem em forma de fluxos na rede.
Foram estas questões que percebemos em toda a análise de dados desta pesquisa, ou
seja, que as tecnologias ainda são, em sua maioria, utilizadas na sua concepção utilitarista e
não numa perspectiva mais social, o que vai desaguar no conceito de mediação também.
No que concerne às DCN percebemos que a hibridização dos fazeres profissionais se
torna cada vez mais visível, tanto neste documento do MEC que data de 2001, quanto na LAI
que é de 2011. Portanto, não são apenas as práticas em si que foram transformadas com as
TIC, mas também os documentos do âmbito da educação superior, como as DCN do MEC e
as indicativas da ABECIN e também, no âmbito legal e de atuação profissional, como a LAI.
Daí, a importância de se colocar em suspensão a atual formação dos profissionais da
informação, a qual está sendo efetivada no formato disciplinar, para vislumbramos novos
modelos formativos para esses profissionais, modelos esses que venham ao encontro das
demandas do momento contemporâneo.

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1686

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art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a
Lei no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e
dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder
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1687

�Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)- Escola de Comunicações e Artes,
Universidade

de

São

Paulo.

São

Paulo,

2012.

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1688

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                <text>As tecnologias tornaram-se a base da sociedade contemporânea e passaram a transformar a economia, a sociedade, a ciência, o trabalho, bem como a cultura e, por consequência, o universo do ensino-aprendizagem. As tecnologias estão sendo inovadas a cada dia e em todos os tipos de atividades cotidianas, profissionais e educacionais, o que, no decorrer do processo histórico das sociedades, vem alterando também os processos mediacionais. Neste sentido, buscamos analisar como os conceitos de mediação e de tecnologia estão inseridos nos documentos do Ministério da Educação (MEC), da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN) e na Lei de Acesso à Informação (LAI) e, para tanto, procedemos à Análise de Conteúdo desses documentos. Nos três documentos analisados a tecnologia ainda é vista em sua forma instrumental, fato este que deságua não apenas nos documentos formativos, como os da ABECIN e do MEC, mas também nos que trata de algumas perspectivas de atuação profissional, como o faz a LAI. Em relação à mediação, esta ainda é vista em sua acepção tradicional, muito embora esses documentos levem em conta as acepções contemporâneas envolvendo a apropriação e uso das Tecnologias de Informação e de Comunicação. Outra questão que se sobressai nesses documentos é que a formação de bibliotecários, arquivistas e museólogos passa a ser vista em sua perspectiva transdisciplinar, híbrida, uma vez que os três profissionais estão aptos a lidar com as questões cobertas pela LAI e os documentos formativos possuem uma linguagem semelhante em relação à formação dos três profissionais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SANÇÃO NA DEVOLUÇÃO: UMA PRÁTICA DE CARÁTER SOCIAL E
EDUCATIVO
Thais Cristiane Campos de Moraes

RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo discutir o mecanismo de sanção na devolução de
documentos agregados a programas educativos, além de divulgar a prática de caráter social
dessa temática realizada na Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de Agricultura
“Luiz de Queiroz” (ESALQ). A metodologia consistiu de um estudo sobre o tema e
benchmarking com outras bibliotecas universitárias. Foi desenvolvido um projeto
denominado “Semana do Perdão”, que constituiu na promoção de uma campanha de
conscientização e recuperação do material em atraso, utilizando como caráter educativo
doações de leite. O resultado foi alcançado, considerando a realização da campanha e a
recuperação de 52,3% dos materiais em atraso, num total de 168 obras, além de arrecadar 98
litros de leite que foram doados a uma entidade social. Os resultados permitiram ainda
visibilidade externa e repercussão positiva à imagem da DIBD, sinalizada como uma prática
de sucesso a ser seguida. Cabe ressaltar que as mudanças e os desafios ocorridos nas
bibliotecas obrigam os seus profissionais a um questionamento e a uma avaliação quanto aos
serviços prestados, com vista a ações e atitudes educativas frente ao cenário social
contemporâneo.
Palavras-chave:
Sanção;
Suspenção em bibliotecas; Formação profissional;
Responsabilidade social

ABSTRACT
This paper propose to discuss about penalty mechanism in returning documents aggregated
educational programs, and promote social pratice of this theme realized at the Divisão de
Biblioteca (DIBD) in Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ). The
methodology consisted of a study about the theme and benchmarking with other libraries
university. Was developed a project called "Semana do Perdão" to promote an awareness
campaign and recovery of overdue materials, using donations of milk as education character .
The result was achieved considering the realization of campaign and 52.3% recovery of
material in arrears, a total of 168 books, in addition to collect 98 liters of milk were given a
social entity. The results also allowed external visibility and positive impact on the image of
DIBD, signalized as a successful practice to be followed. It is noteworthy that the changes
and challenges occurring in libraries require their professionals to questioning and a review
about the services provided in order to actions and attitudes against the contemporary social
scene.
Keywords: Penalty; Suspension in libraries; Professional formation; Social responsibility

3686

�1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo geral discutir o mecanismo de sanção na
devolução de documentos agregados a programas educativos, além de divulgar a prática de
caráter social dessa temática realizada na Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ).
O empreendedorismo social como prática a ser desenvolvida pelas bibliotecas
enquadra-se na reflexão sobre a importância de estarmos atentos a necessidades e
oportunidades que consolidam o papel social das bibliotecas perante os novos desafios da
sociedade contemporânea.
Nesse contexto, foi desenvolvido pela DIBD um projeto denominado “Semana do
Perdão” que constituiu na promoção de uma campanha de conscientização e recuperação do
material em atraso. A proposta visou contribuir com a política de responsabilidade social da
instituição, de modo a apoiar e beneficiar entidades sociais em ações voluntárias.
O trabalho se justifica uma vez que permitiu conscientizar os usuários da importância
da pontualidade na devolução do material emprestado, utilizando doações de leite como
caráter educativo, e não meramente punitivo. Possibilitou aos usuários inadimplentes, a
regularização da pendência referente à devolução das obras na Biblioteca da ESALQ de modo
a liberá-los para uso dos serviços de Empréstimo Unificado, COMUT e EEB.
Os objetivos específicos foram: recuperar os materiais bibliográficos com devolução
em atraso, permitindo a disponibilidade das obras para outros usuários que tenham interesse
no documento; aproveitar os benefícios da campanha de “anistia” em prol da responsabilidade
social; proporcionar vantagens ao usuário para regularizar sua situação com a biblioteca,
reforçando a importância do cumprimento do regulamento e alertando sobre os compromissos
assumidos.
Além de contribuir com o debate sobre a temática, iniciativas como esta buscam
evidenciar o papel da biblioteca na formação de futuros profissionais não apenas no âmbito do
desenvolvimento acadêmico e da pesquisa, mas também no desenvolvimento ético e social de
seus usuários.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A busca por referências bibliográficas sobre a temática permitiu identificar a quase
inexistência de abordagens nessa frente de trabalho, levantando a hipótese de que há pouca
motivação dos profissionais da área em discutir a sanção na devolução de documentos aliados
a programas educativos.

3687

�Partindo do princípio que a universidade tem um efeito transformador na sociedade, é
um espaço de formação e produção de conhecimento, também deve formar cidadãos capazes
de reforçar a importância de sua atuação na sociedade, o cumprimento de direitos e deveres,
promovendo ações educativas para a construção da cidadania.
Assim, projetar novas ações a serviço da comunidade, somando esforços e
estimulando parcerias em todos os níveis e áreas de conhecimento, pode ser um processo que
leva à compreensão de que a questão social com a qual nos deparamos no momento atual
pode ser amenizada através dos caminhos da ciência.
Em paralelo, Souza (2013) enfatiza que
a biblioteca universitária deve atuar não apenas como facilitadora
do acesso à informação, mas também como co-participe no
processo de formação de profissionais capazes de compreender e
exercitar a ética, a experiência coletiva e a cidadania.

Em se tratando de bibliotecas brasileiras, Santos et al. (2013) enfatiza que “é muito
comum a adoção da suspensão do usuário dos serviços da biblioteca quando esses atrasam na
devolução de documentos que tomam por empréstimo”.
Entretanto, parece que muitos profissionais se esquecem que a biblioteca tem uma
“razão de ser” que precisa estar acima dos demais interesses. Souto (2005) comenta que “a
principal razão de existência de uma Unidade de Informação consiste em permitir que a
informação circule e não apenas esteja à disposição dos usuários”.
Para Souto (2005), ainda que a biblioteca dentro de um ambiente acadêmico exista
para auxiliar o processo de ensino aprendizagem, como fica o impedimento de utilizar seus
serviços quando o aluno atrasa o livro? “Será que essa deve ser a preocupação de um
bibliotecário? Será que é assim que ele se tornará um cidadão consciente?”
Com uma visão mais abrangente Souza (2013) crê que
uma atitude educativa frente o expediente da sanção e a outras
demandas passíveis de ação da biblioteca universitária poderá
corroborar com a missão da universidade, despertando na
consciência da comunidade a qual serve o sentido de
responsabilidade para com o patrimônio público.

Para o autor, a questão maior é a necessidade de educar:
uma vez que a realidade demonstra que na cultura brasileira há
séria fragilidade de educação para o uso correto do patrimônio
público e da consciência de responsabilidade social devida por
cada cidadão, independente da classe social e do poder econômico
do sujeito, no caso o usuário.

3688

�Nesse paralelo, Santos et al. (2013) comenta a realidade dos profissionais
bibliotecários e aborda “à carência de empenho para formação continuada e a formação de
competências para o desenvolvimento de reflexões críticas, capazes de elaborar programas
educativos que envolvam a comunidade”.
Para Souza (2013), a concepção de valor e sentido das práticas de trabalho do
profissional da informação tem sua origem nas diretrizes de atuação da categoria, com uma
concepção ainda tecnicista, sinalizando a necessidade de cada bibliotecário refletir sobre o
pensamento coletivo.
Segundo Santos et al. (2013):
os profissionais da informação começam a perceber que a
relação biblioteca e usuário não podem limitar-se à simples
prática mecânica de receber e emprestar documentos, punir os
que não cumprem as regras ou prestar informações automáticas
sem qualquer comprometimento com a sua educação global.
Tais argumentos validam a iniciativa do desenvolvimento do projeto apresentado
denominado “Semana do Perdão”, promovendo a conscientização dos usuários e a
recuperação do material em atraso. Permite criar cidadãos conscientes de seu papel na
sociedade, tendo em vista a responsabilidade social. Além disso, é possível constatar a visão
alargada dos profissionais nas demandas exigidas e nos novos papéis do bibliotecário frente
às constantes mudanças.
Este cenário reflete parte da realidade com o qual os profissionais da informação tem
que conviver e necessariamente transformar. O debate acerca do tema possibilita estimular a
reflexão, principalmente sobre o comportamento em nosso campo de atuação e o papel que
nele desempenhamos. Segundo Souto (2005), quanto mais consciência tivermos de nosso
verdadeiro papel na sociedade e da responsabilidade social, maior será a possibilidade de
conseguirmos modificar nossa postura profissional.

3 MATERIAL E MÉTODOS
A metodologia utilizada iniciou com um estudo sobre o assunto e benchmarking com
outras bibliotecas universitárias, de modo a agilizar o procedimento por meio da aplicação
customizada de práticas de sucesso de organizações similares.
Para o desenvolvimento do projeto foi realizado um planejamento, constituído por
ações, equipes, prazos e meta, conforme ilustrado na tabela 1.

3689

�Tabela 1 - Descrição das ações do projeto
Ação Atividade
1

2

Equipe

Datas

% Status

Planejamento: realizar benchmarking, definir Campanha
(projeto piloto) e equipe, estabelecer critérios /metodologia/
divulgação e formato para pesquisa de satisfação
(viabilidade da proposta) para se tornar sistêmica.
Encaminhar à divulgação já elaborada e os meios de
comunicação de interesse (público alvo) ao Processo
responsável.

3
Realizar a Campanha na DIBD e aplicar a pesquisa de
satisfação aos usuários participantes
4
Compilar os dados da pesquisa de satisfação e apresentar os
resultados do projeto piloto à gerente de Projetos.

O período definido para a campanha inicialmente foi aleatório, porém houve a
possibilidade em atrelar de forma estratégica ao evento “Semana do Livro e da Biblioteca”,
considerando a possibilidade de uma maior circulação de usuários na biblioteca.
A campanha foi direcionada aos usuários inscritos na DIBD de modo que trocassem a
sua suspensão (prevista no regulamento) por doação de leite. A regra foi aplicada para a
suspensão de material(is) devolvido(s) em atraso(s) e para o desbloqueio da suspensão já
aplicada nas bibliotecas da ESALQ, no período da campanha, sendo considerado doação de 1
litro de leite integral para cada material em atraso.
A participação na campanha foi voluntária, ou seja, o usuário poderia optar pela
suspensão padrão.
Para o bom andamento e gerenciamento do projeto, foram utilizadas algumas
ferramentas de controle. Dentre elas:
• Materiais para controle estatístico dos participantes na campanha (Figura 1):

Estatística - Semana do Perdão na DIBD (29/10 a 06/11/13)

Selecione a Categoria
No.USP / Quantidade Devolução de Desbloqueio
ID
de doação
material
em suspensão
atraso
aplicada

Data

de Observação
já

/
/

Figura 1 - Estatísti ca de controle

3690

�• Pesquisa sobre a proposta da “Semana do Perdão” para avaliar o impacto ocorrido
sobre a estratégia adotada (Figura 2):

Figura2 -P esquisade opinião sobr e a campanha
C om o soube da C a m panha?
Faceb ook

C a rta z e s

I- ! B a lc ã o d e e m p ré stim o

E -m a il

C o le g a s

O u tro s :____________________________________

V o c ê a c h a q u e a “S e m a n a do p e rd ã o ” d e v e ria a c o n te ce r a n u a lm e n te ?
S im

N ão

O q u e v o c ê pre feriria d o a r?
I- ! Leite

A lim e n to n ão p e re cív e l

O u tro s :_________________________

C a s o já te n h a a tra s a d o na d e v o lu ç ã o d e m aterial, q u a l o p rin cipal m otivo ?
E s q u e c im e n to d a d a ta d e d e v o lu ç ã o

I

I D e s c o n h e c ia a “R e n o v a ç ã o o n lin e ”

E x e m p la r ú n ico e co m b a stan te p ro cu ra p e lo s a lu n o s
|~~| O u tro s :____________________________________

•Informações para divulgação no site da DIBD (Figura 3):

Figura 3 - Conteúdo do site da DIBD

3691

�• Conteúdo paa divulgação nos diversos meios de comunicação: facebook, e-mail
ACOM, Twitter, cartazes (Figura 4):

Figura 4 - Cartaz de divulgação
Está com material atrasado na Biblioteca?
Bloqueado para fazer empréstimo?

Participe da Semana do Perdão
D e 29/10 a 01/11/2013, o s u su á rios in scritos nas
B ib lioteca s d a E S A L Q (Central e L E S ) po derão tro car sua
su s p e n sã o por d o a çã o d e leite.

• Tutorial de apoo na operacionalização da rotina para orientar a equipe no subsistema
de Circulação do Aleph.
• Espaço adequado para armazenamento das doações.

Durante a fase de desenvolvimento do projeto foi prevista a análise de riscos, cuja
finalidade foi identificar as ameaças mais prováveis de ocorrência, analisando as
vulnerabilidades encontradas na organização e possibilitando a tomada de decisão em relação
as suas soluções ou redução de ocorrências.
Desse modo, o principal risco identificado e que poderia impactar no sucesso do
projeto foi em relação a não aceitação dos usuários quanto a proposta da campanha realizada.
E o maior desafio para o alcance do objetivo proposto foi idealizar e promover algo
atraente de modo a proporcionar vantagens aos usuários para que ocorresse a devolução das
obras em atraso, aliando a responsabilidade social.

4 RESULTADOS
Esta atividade, desenvolvida como um projeto piloto, foi incorporada a sistemática da
DIBD e será adotada pelo “Processo Atendimento e Orientação ao Usuário” anualmente.
A meta desse projeto foi alcançada, uma vez que houve a realização da campanha e a
recuperação de 52,3% (88) dos materiais em atraso, num total de 168 obras, sendo os
indicadores e metas representados na figura 5.

3692

�Figura 5 - Indicadores e metas

A campanha obteve omo resultado 98 litros de leite que foram doados tanto para a
troca de suspensão, como voluntariamente por outros usuários que aprovaram a proposta.
Pela parceria já existente com a DIBD, as doações foram encaminhadas ao CACC Centro de Apoio a Crianças com Câncer, localizado em Piracicaba. A entidade atende
portadores de neoplasia (câncer) e doenças hematológicas, sem condições financeiras
(total/parcial), oferecendo suporte na alimentação, medicação, fraldas, leite, suplementos e
complementos alimentares, entre outros, proporcionando uma melhor qualidade no tratamento
de seus pacientes.
A pesquisa realizada junto aos usuários no balcão de atendimento demonstrou que a
campanha teve um impacto positivo, sendo aceita por 100% dos respondentes (152 pessoas) e
sinalizada por eles como uma iniciativa que deveria ocorrer anualmente, bem como a proposta
para a realização da campanha mensalmente (2 pessoas) e semestralmente (1 pessoa).
Através da pesquisa foi possível identificar quais dos formatos de divulgação obteve
maior alcance aos usuários, evidenciada no gráfico 1.

3693

�Gráfico 1 - Canal de divulgação
66

Balcão de
em préstim o

E-mail

Cartazes

Facebook

Colegas

Os usuários respoderam também sobre a preferência pelo tipo de doação a ser feita,
em campanhas dessa natureza, representada no gráfico 2.

Gráfico 2 - Preferência pelo tipo de doação

100

leite

a lim ento não perecível

Estraificando essa pergunta, houve ainda outras observações dos respondentes, como:
- Alimento e Leite = 14 pessoas
- Leite, Alimento e Outros (leite em pó) = 6 pessoas
- Leite e Outros (“qualquer coisa”) = 2 pessoas
- Sabonete e pasta de dente = 1 pessoa

A pesquisa permitiu ainda detectar qual o principal motivo dos atrasos na devolução
de material, conforme apresentado no gráfico 3.

3694

�Gráfico 3 - Motivo do atraso na devolução
88

27

20

13
4

Esquecim ento da

Nunca atrasaram

Exem plar único e

D esconhecia a

data de devolução

m aterial

com bastante

"renovação on-

procura

line"

O utros

Estratiicando a opção “Outros” motivos de atraso na devolução, temos: “Para terminar
a leitura”; “Prazo curto”; “Viagem sem acesso à internet”; “Esqueci-me da renovação on­
line”; “Livro foi roubado junto com a mochila”; “Não possuir computador e deixar para
última hora”; “Viagem”, “Queria ficar mais tempo com o livro”, “Esquecimento do material
em outro Estado”.
Comentários, sugestões e elogios também foram registrados na pesquisa pelos
usuários, tanto da campanha, quanto de ordem técnica e operacional do empréstimo, o que
demonstra sucesso da proposta realizada:
• “Excelente a iniciativa! Acredito inclusive que poderia ser maior a relação de troca,
como 3 litros de leite por material atrasado, tenho essa posição em face do grande número de
dias de punição que serão perdoados”.
• “Muito bom, adorei a iniciativa, poderia ser realizado mais vezes”.
• “Essa campanha deveria acontecer todo o tempo, ajudaria muitas instituições”.
• “Ótima campanha”.
• “No site do DEDALUS poderia ter um tutorial explicando todas as operações que
são possíveis realizar no site”.
• “O sistema está enviando e-mail de aviso somente 1 vez (7 dias antes) depois já é
enviado o e-mail da cobrança”.
Os resultados permitiram ainda visibilidade externa e repercussão positiva à imagem
da DIBD com a proposta da “Semana do Perdão”. A divulgação através do facebook à

3695

�comunidade, aos profissionais da área e às outras bibliotecas, obteve inúmeros elogios e um
alcance em mais de 1750 pessoas que “curtiram” a campanha e a compartilharam como uma
prática de sucesso a ser seguida.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As mudanças e os desafios ocorridos nas bibliotecas obrigam os seus profissionais a
um questionamento e a uma avaliação quanto aos serviços prestados. O mesmo se passa com
os papéis desempenhados pelos bibliotecários que devem refletir sobre a natureza, os
objetivos e a missão das bibliotecas, os seus conhecimentos, competências e papel
profissional, tendo em vista ações e atitudes educativas frente ao cenário social
contemporâneo.
Além de alcançar o objetivo proposto na recuperação das obras em atraso e na
conscientização dos usuários quanto ao uso do patrimônio público, o projeto contribuiu
também com a política de responsabilidade social da DIBD, uma vez que resultou no
desenvolvimento de ações éticas e socialmente responsáveis voltadas à comunidade,
despertando nos usuários a consciência da cidadania.
Entretanto, convergindo com a proposta de Santos et al. (2013), observou-se que é
necessário o debate sobre a questão da sanção por atraso na devolução de documentos,
elaborando um modelo coerente e educativo.
Pretende-se compartilhar esse projeto e a metodologia utilizada (proposta,
procedimentos, ferramentas utilizadas e resultados) com o Sistema de Bibliotecas da USP
(SIBi) de modo a propor uma campanha sistêmica para as bibliotecas da USP, considerando
que ações integradas podem ser um ótima estratégia para a transformação da situação atual,
incorporando tais práticas no cotidiano das bibliotecas.

REFERÊNCIAS
SANTOS, S.M.D. et al. Biblioteca universitária e sanção por atraso na devolução de
documentos: punir ou educar: qual é o projeto? In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013,
Florianópolis. Anais... Disponível em: &lt;http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1614&gt;.
Acesso em: 22 abr. 2014.
SOUTO, L.F. O profissional da informação em tempos de mudanças. Campinas: Ed.
Alínea, 2005. 102 p.

3696

�SOUZA, F.C. de. Valor e sentido do código de ética do CFB (Conselho Federal de
Biblioteconomia) [CE-CFB] para o bibliotecário brasileiro atuante em biblioteca
universitária: relatório de pesquisa. Marília: UNESP, Faculdade de Filosofia e Ciências,
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, 2013. 186 p. Disponível em:
&lt;http://eprints.rclis.org/18817/7/relatorio%20cientifico%20FINAL.pdf&gt;. Acesso em: 12 abr.
2014.

3697

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente trabalho tem como objetivo discutir o mecanismo de sanção na devolução de documentos agregados a programas educativos, além de divulgar a prática de caráter social dessa temática realizada na Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ). A metodologia consistiu de um estudo sobre o tema e benchmarking com outras bibliotecas universitárias. Foi desenvolvido um projeto denominado "Semana do Perdão", que constituiu na promoção de uma campanha de conscientização e recuperação do material em atraso, utilizando como caráter educativo doações de leite. O resultado foi alcançado, considerando a realização da campanha e a recuperação de 52,3% dos materiais em atraso, num total de 168 obras, além de arrecadar 98 litros de leite que foram doados a uma entidade social. Os resultados permitiram ainda visibilidade externa e repercussão positiva à imagem da DIBD, sinalizada como uma prática de sucesso a ser seguida. Cabe ressaltar que as mudanças e os desafios ocorridos nas bibliotecas obrigam os seus profissionais a um questionamento e a uma avaliação quanto aos serviços prestados, com vista a ações e atitudes educativas frente ao cenário social contemporâneo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO APLICADA A BIBLIOTECAS DIGITAIS DE
TESES E DISSERTAÇÕES: análise da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações do IBICT
Kelly Cristiane Santos MORAIS
Gercina Ângela Borém de Oliveira LIMA

RESUMO
O objetivo geral desta pesquisa de mestrado, que se encontra em andamento, é analisar o
conjunto e a estrutura de dados de uma biblioteca digital, e extrair e avaliar as contribuições
preconizadas da Arquitetura da Informação, face às abordagens provenientes da
Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Seus objetivos específicos são: a) avaliar as
contribuições da Arquitetura da Informação, para melhorar o planejamento de bibliotecas
digitais de teses e dissertações; b) mapear os problemas da Arquitetura da Informação da
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações; c) propor uma Arquitetura da
Informação para a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, baseada nos
fundamentos teóricos e metodológicos da Biblioteconomia e Ciência da Informação, para
facilitar o processo de organização e recuperação da informação neste espaço digital. O tipo
de pesquisa é exploratório e aplicado, e faz uso da revisão bibliográfica como percurso
metodológico. Espera-se que esse trabalho possa contribuir para a melhoria do website da
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT e também refletir sobre a
aplicação do conceito de Arquitetura da Informação em bibliotecas digitais.
Palavras-chave: Biblioteca Digital; Arquitetura da Informação; Organização e Representação
da Informação.
ABSTRACT
The overall purpose of this Master’s research, which has been developed, is to analyze the
data structure and the set of a digital library and extract and evaluate the Information
Architecture proposed contributions, compared to approaches from, the Library and
Information Science. The paper specific objectives are: a) to evaluate the contributions of
Information Architecture to improve digital library of theses and dissertations planning; b ) to
map the problems of the Information Architecture of the Brazilian Digital Theses and
Dissertations Library; c ) to propose an Information Architecture of the Brazilian Digital
Theses and Dissertations Library based on the theoretical foundations and methodological of
the Library and the Information Science, to facilitate the organization process and retrieval of
information in this digital space. The type of research is exploratory and applied, makes use
of literature review and methodological approach. It is hoped the research will contribute to
the improvement of the IBICT Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations website
and also to reflect on the application of the concept of Information Architecture for digital
libraries.
Keywords: Digital Library; Information Architecture; Organization and Representation of
Information.

4047

�1 INTRODUÇÃO
Com a sofisticação dos recursos tecnológicos, principalmente com a invenção do
computador, houve a necessidade de estudar outras formas de organização, de tratamento e de
recuperação da informação, para facilitar a sua disponibilização no meio digital. Isso porque
os novos recursos tecnológicos trouxeram outros canais, meios e suportes para armazenar e
disseminar as informações. Entre eles, pode-se citar: as bibliotecas digitais, a Internet e a
Web. A biblioteca digital utiliza-se dos recursos tecnológicos para armazenar e disponibilizar
suas informações, facilitando principalmente o acesso remoto aos documentos digitais pelos
usuários, através da Internet. A Internet modificou a forma de disponibilizar e acessar a
informação, uma vez que “recursos informacionais que anteriormente, apesar de acessíveis
por redes, eram sistemas ilhados, podem, na Internet, ser oferecidos de maneira integrada”
(CENDÓN, 2007, p. 276). Com a criação da World Wide Web por Tim Berners-Lee, a
Internet ganhou um impulso e surgiu um novo meio de comunicação de massa, que nas
últimas décadas foi espalhado rapidamente pelo mundo, e desencadeou uma nova forma de
disseminar a informação, a Web.
Embora esses novos recursos favoreçam o acesso e a transmissão da informação, a
falta de planejamento na construção e manutenção de um espaço informacional digital pode
ocasionar o insucesso do ambiente. Os usuários podem ficar perdidos durante a busca por
informações e/ou considerarem difícil à utilização desse espaço, optando por outros sistemas
de informação. Para melhorar a eficácia e eficiência dos websites, a Arquitetura da
Informação tem sido apontada na literatura como uma área que pode auxiliar nos processos de
planejamento informacional, organização e estruturação das informações.
Face ao exposto, o objetivo geral desta pesquisa de mestrado, que se encontra em
andamento, é analisar o conjunto e a estrutura de dados de uma biblioteca digital, e extrair e
avaliar as contribuições preconizadas pela Arquitetura da Informação, face às abordagens
provenientes da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Os objetivos específicos da
pesquisa consistem em: avaliar as contribuições da Arquitetura da Informação para melhorar
o planejamento de bibliotecas digitais de teses e dissertações; mapear os problemas da
Arquitetura da Informação da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações; propor
uma Arquitetura da Informação para a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações,
baseada nos fundamentos teóricos e metodológicos da Biblioteconomia e Ciência da
Informação, para facilitar o processo de organização e recuperação da informação neste
espaço digital.

4048

�2 REVISÃO DE LITERATURA
As bibliotecas digitais de teses e dissertações ocupam um espaço importante dentro da
história das bibliotecas digitais (BDs), uma vez que o formato digital permitiu uma maior
divulgação das teses e dissertações, promovendo a disseminação das pesquisas acadêmicas.
Essas iniciativas facilitam o acesso e a interlocução entre os grupos de pesquisas e evitam a
duplicação delas, além de facilitar o acesso dessas informações para a sociedade em geral.
Porém, assim como as bibliotecas tradicionais, para serem construídas, as BDs devem
ser planejadas, para efetivamente atender à necessidade informacional do seu público
potencial. O planejamento visa produzir conhecimento sobre a biblioteca que se pretende
implantar ou reformular, e define a estrutura para sua construção/reformulação, assim como
planeja e gerencia o seu ciclo informacional. A falta de planejamento em BDs pode favorecer
a desorientação do usuário durante a navegação no ambiente informacional, causando-lhe o
sentimento de estar perdido diante da complexidade do hipertexto que requer algum princípio
de ordem para acessá-lo (VIDOTTI, SANT’ ANA, 2006).
A Arquitetura da Informação (AI) nasceu do desejo de arquitetar as informações para
facilitar a compreensão e a recuperação da informação pelos usuários, através da elaboração
de projetos para criação e reformulação de espaços de informação. Com o tempo, surgiram
abordagens que aplicam esse conceito em ambientes informacionais digitais. Atualmente é
uma das áreas que estuda a organização da informação no espaço digital, utilizando-se de
conceitos advindos da Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação
(ROBREDO, 2008).
Existem várias definições para AI na literatura da área. Assim, não existe uma
definição única e compartilhada pelos teóricos; pelo contrário, a AI se apresenta como um
termo ambíguo, com múltiplas visões e aplicações (GUTÍERREZ, 2010).
Para fins desta pesquisa, será utilizada a abordagem de Rosenfeld e Morville (2006),
que aplica a AI para construção de websites, e o entendimento de que a AI é a combinação
articulada de cinco componentes que irão formar o website:
•

Sistema de organização: faz a organização do website através do agrupamento e
categorização das informações;

•

Sistema de rotulação: preocupa-se em representar os conceitos presentes no website;

•

Sistema de navegação: tem por função mostrar para o usuário em que local ele está
navegando dentro do website. Indica também o caminho que ele deve percorrer para
chegar até o local que está procurando;

4049

�•

Sistema de busca: é projetado para permitir a recuperação da informação, por meio da
especificação das perguntas, que podem ser realizadas pelo usuário e as respostas a
serem obtidas;

•

Tesauro, Vocabulário controlado e Metadados: auxiliam e interligam todos os demais
sistemas (RESEFELD; MORVILLE, 2006).
A escolha dessa definição como diretriz para esta pesquisa é pelo fato dos autores

estudarem a aplicação da AI em ambientes digitais no contexto da Ciência da Informação, e
também por oferecerem uma metodologia para construção de websites.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa é do tipo exploratório e aplicado. Quanto à forma de abordagem, é de
cunho qualitativo, especificamente classificado como um estudo de caso. Optou-se por esse
método para entender como a AI deve ser aplicada na construção e reformulação de
bibliotecas digitais de teses e dissertações.
O universo da pesquisa será o website da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações (BDTD), do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT), que tem por objetivo disponibilizar o registro bibliográfico e a publicação eletrônica
de teses e dissertações existentes nos acervos das instituições de ensino superior (IES)
brasileiras. Para alcançar os objetivos da pesquisa, seguiu-se o seguinte percurso
metodológico:
Na primeira etapa, realizou-se o levantamento bibliográfico sobre os principais temas
que embasam essa pesquisa: Bibliotecas Digitais, Organização e Representação da
Informação e Arquitetura da Informação. Essa consulta foi realizada nas grandes bases de
dados da Ciência da Informação e áreas correlatas, como: Portal CAPES, Library Information
Science Abstracts (LISA), Annual Review o f Information Science and Technology (ARIST),
Journal o f the American Society for Information Science and Technology (JASIST), nas
bibliotecas digitais de teses e dissertações de diferentes instituições e em revistas nacionais.
Os critérios para a seleção do material bibliográfico utilizados nesta pesquisa foram assuntos
pertinentes às temáticas principais de obras nos idiomas português, espanhol e inglês.
Na segunda etapa, realizou-se a leitura da literatura bibliográfica, compreensão da
Arquitetura da Informação e os elementos que a compõe.
Na terceira etapa, realizou-se a coleta de dados a partir da observação direta não
participante do website da BDTD, no qual foi analisada a disposição das informações no
ambiente, de modo a verificar a presença e ausência dos elementos da AI, de acordo com o

4050

�modelo de Arquitetura da Informação para bibliotecas digitais, desenvolvido na pesquisa de
Camargo (2004).
Na quarta etapa, será realizada a avaliação da AI do website da BDTD. O website vai
ser avaliado a partir de uma abordagem qualitativa, de acordo com os pressupostos da
Arquitetura da Informação. Será feita a análise crítica dos elementos da AI encontrados na
coleta de dados, do ponto de vista se o uso desses elementos aproxima-se ou afasta-se das
orientações teórico-metodológicas. A avaliação também verificará possíveis ausências dos
elementos da AI e o impacto que isso provoca para o website, de acordo com as orientações
teórico-metodológicas.
Os procedimentos metodológicos adotados foram: 1) Levantamento bibliográfico; 2)
Fundamentação teórica - metodológica; 3) Coleta de dados; 4) Análise de dados e proposta de
melhorias na AI da BDTD.

4 RESULTADOS PARCIAIS
As pesquisas realizadas em bases de dados para o levantamento bibliográfico
retornaram vasta literatura sobre os assuntos Biblioteca Digital e Organização e
Representação da Informação. No entanto, para o assunto Arquitetura da Informação,
observaram-se poucos trabalhos científicos publicados. Deve-se ressaltar que este número é
ainda menor para abordagens que estudam a Arquitetura da Informação em BDs.
A revisão de literatura aponta que, através da avaliação de usabilidade de um website,
é possível levantar problemas e buscar soluções que culminarão em suas possíveis
remodelações. Nessa perspectiva, a literatura demonstra também que essa reformulação deve
ser feita sob a ótica da Arquitetura da Informação, que deve estruturar e organizar websites
para ajudar os usuários a satisfazerem suas necessidades de informação de forma efetiva.
Portanto, a satisfação do usuário na utilização de um website está ligada a Arquitetura da
Informação (LIMA, 2012).
Durante a coleta de dados realizada através do acesso à BDTD foram encontrados
elementos pertencentes a todos os sistemas da arquitetura da informação. Por outro lado,
foram observados problemas com alguns elementos, como falhas de hipertexto, rótulos
ambíguos e usabilidade inconsistente. Também foram identificadas ausências de elementos
importantes como mapa do site, breadcrumbs e taxonomias.
Espera-se que, através da avaliação crítica dos dados coletados, se possa propor uma
melhoria da Arquitetura da Informação da BDTD. Além disso, a pesquisa pretende explorar o
conceito de Arquitetura da Informação aplicada a bibliotecas digitais de teses e dissertações,

4051

�buscando refletir as particularidades desse ambiente informacional e quais componentes e
elementos da AI devem ser utilizados para construção e reformulação desse tipo de biblioteca.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Estudos realizados na Ciência da Informação apontam a importância da reflexão e
utilização da Arquitetura da Informação para construção e reformulação de espaços
informacionais digitais. Espera-se que essa pesquisa possa contribuir para a reflexão de
possíveis soluções para organização da informação em ambiente digital, especificamente na
aplicação da Arquitetura da Informação como metodologia para construção de websites de
bibliotecas digitais de teses e dissertações.

6 REFERÊNCIAS
CAMARGO, Liriane Soares de Araújo de. Arquitetura da Informação para biblioteca
digital personalizável. 2004. 142 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista. Marília. 2004.
CENDÓN, Beatriz Valadares. A Internet. In: CAMPELLO, Bernadete Santos; CENDÓN,
Beatriz Valadares.; KREMER, Jeannette Marguerite. [orgs]. Fontes de informação para
pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: UFMG, 2007. p. [275]-300.
GUTIÉRREZ, Mario Pérez - Montoro. Arquitectura de la información em entornos web.
Gijón: Trea, 2010. 404 p.
LIMA, Izabel França de. Bibliotecas digitais: modelo metodológico para avaliação de
usabilidade. 2012. 242 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte. 2012.
ROBREDO, Jaime. et. Al. Reflexões sobre fundamentos da Arquitetura da Informação. In:
Encontro Nacional de Ciência da Informação e Biblioteconomia, 9.,2008, São Paulo. Anais...
São Paulo: Universidade de São Paulo, 2008.
ROSENFELD, Louis; MORVILLE, Peter. Information architecture for the World Wide
Web. 3. ed. Sebastopol: O’Reilly, 2006. 504 p.
VIDOTTI, Silvana Aparecida Borsetti Gregorio; SANT’ANA, Ricardo Gonçalves. Infra estrutura tecnológica de uma biblioteca digital: elementos básicos. IN: Marcondes, C.H.;
Kuramoto, H.; Toutain, L.B.; Sayão, L.[orgs.] Bibliotecas Digitais: Saberes e Práticas. 2.ed.
Salvador: UFBA, 2006. 77 - 93.

4052

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                <text>Arquitetura da informação aplicada a bibliotecas digitais de teses e dissertações: análise da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do IBICT</text>
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                <text>O objetivo geral desta pesquisa de mestrado, que se encontra em andamento, é analisar o conjunto e a estrutura de dados de uma biblioteca digital, e extrair e avaliar as contribuições preconizadas da Arquitetura da Informação, face às abordagens provenientes da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Seus objetivos específicos são: a) avaliar as contribuições da Arquitetura da Informação, para melhorar o planejamento de bibliotecas digitais de teses e dissertações, b) mapear os problemas da Arquitetura da Informação da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, c) propor uma Arquitetura da Informação para a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, baseada nos fundamentos teóricos e metodológicos da Biblioteconomia e Ciência da Informação, para facilitar o processo de organização e recuperação da informação neste espaço digital. O tipo de pesquisa é exploratório e aplicado, e faz uso da revisão bibliográfica como percurso metodológico. Espera-se que esse trabalho possa contribuir para a melhoria do website da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT e também refletir sobre a aplicação do conceito de Arquitetura da Informação em bibliotecas digitais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BV-FAPESP: UM MODELO DE BIBLIOTECA VIRTUAL PARA
DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À INFORMAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL

Thais Fernandes de Morais
Fabiana Andrade Pereira
Rosaly Favero Krzyzanowski
Inês Maria Morais Imperatriz

RESUMO
Este relato de experiência tem como objetivo apresentar a Biblioteca Virtual da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (BV-FAPESP) que tem a missão de divulgar
informações sobre as bolsas e auxílios à pesquisa financiados pela FAPESP, em todas as áreas
do conhecimento, para a sociedade civil.A BV-FAPESP é um importante instrumento que
visa contribuir para a democratização do acesso, da disseminação de informação e de
conhecimento aos cidadãos. Esse modelo vai de encontro às exigências da Lei Federal de
Acesso à Informação, n° 12.527, de 18 de novembro de 2011, que assegura ao cidadão, o
direito fundamental de acesso à informação pública. A Lei regulamenta a divulgação de
informações disponíveis nas instituições públicas, consolidando assim o regime democrático
brasileiro ao ampliar a participação do cidadão na gestão pública.
Palavras-Chave:Lei Federal de Acesso à Informação; Biblioteca Virtual; Agência de
fomento; Democratização do acesso à informação.

ABSTRACT
This experience report aims to present the Virtual Library of the São Paulo Research
Foundation (VL-FAPESP) whose mission is to disseminate information on the scholarships
and research grants awarding by FAPESP, in all areas of knowledge, to civil society. The VLFAPESP is an important tool that aims to contributing to the democratic access, dissemination
of information and knowledge to citizens. This model meets the requirements of the Federal
Law on Access to Information, No. 12,527 of November 18, 2011, which guarantees to
citizens the fundamental right of access to public information. This Law rules the
dissemination of information in public institutions, thus consolidating the Brazilian
democratic regime in broadening citizens’ participation in public administration.
Keywords: Federal Law on Access to Information; Virtual Library;Funding agency;
Democratic access to information.

1656

�INTRODUÇÃO
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é uma das
principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica do Brasil. Com autonomia
garantida por lei, está ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e
Tecnologia do Governo do Estado de São Paulo. Anualmente, recebe 1% do total da receita
tributária do estado de São Paulo, e seu escopo essencial é apoiar e financiar a pesquisa
científica e tecnológica por meio de bolsas e auxílios que contemplam todas as áreas do
conhecimento (FAPESP, 2014).
Por este motivo, faz parte de sua missão divulgar aos cidadãos paulistas suas ações na
utilização dos recursos públicos. A FAPESP, com foco na divulgação científica, tem como
objetivo fundamental colaborar para difusão do conhecimento à sociedade civil e científica,
em São Paulo, no Brasil e no exterior(FAPESP, 2013).
Para atingi-los, a Fundação disponibiliza informações sobre os auxílios e bolsas, por
ela apoiados, em diferentes canais de divulgação, sendo eles, o Portal, a Agência de notícias, a
revista Pesquisa FAPESP e a Biblioteca Virtual (BV-FAPESP) - http://www.bv.fapesp.br/,
uma importante ferramenta em ambiente on-line que contribui para a democratização do
acesso, disseminação de informação e de conhecimento científico aos cidadãos.
A Biblioteca Virtual da FAPESP (BV-FAPESP) inaugurada em 2005, desenvolvida
pelo Centro de Documentação e Informação, utiliza modernos recursos da tecnologia de
informação, com adoção de regras e padrões internacionais de tratamento da informação, em
especial, os metadados estruturados que subsidiam a organização dos conteúdos em meio
digital (BIBLIOTECA VIRTUAL DA FAPESP, 2014).
Dessa forma, a BV-FAPESP apresenta informações referenciais, tais como os títulos,
resumos, assuntos, entre outras informações relevantes, referentes às bolsas e auxílios
financiados, concedidos nas diversas modalidades oferecidas à comunidade científica do
estado de São Paulo, configurando-se como fonte primária de divulgação da pesquisa apoiada
pela Fundação.
Na FAPESP essa ferramenta contribui para colocar em prática a Lei de Acesso à
Informação (LAI), n° 12.527, de 18 de novembro de 2011, que garante ao cidadão o direito
fundamental de acesso às informações que estão sob a guarda das instituições públicas
brasileiras. A Lei determina como deve ocorrer a difusão de informações disponíveis nas
instituições públicas, consolidando assim o regime democrático brasileiro ao ampliar a
participação do cidadão na gestão pública (BRASIL, 2011).

1657

�O objetivo deste trabalho é demonstrar que a BV- FAPESP pode ser utilizada como
um modelo de gestão da informação, para facilitar o armazenamento, organização, tratamento,
disseminação e acesso à informação de caráter público. Por não apresentar barreiras físicas,
pode ser consultada de qualquer local, a qualquer momento, permitindo que a sociedade civil
tome conhecimento das atividades científicas desenvolvidas no estado de São Paulo com
apoio da FAPESP, reforçando os aspectos presentes na regulamentação definida pela LAI.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Segundo a Lei (Art. 1°, incisos I e II), todas as esferas da administração do Estado
brasileiro, incluindo as fundações públicas, caso da FAPESP, devem disponibilizar suas
informações à sociedade. O acessodeve ser proporcionado por meios de comunicação,
mecanismos e ferramentas viabilizados pela tecnologia da informaçãopara facilitar sua
localização de forma objetiva, transparente, clara, atualizada e em linguagem de fácil
compreensão.Verifica-se ainda, na referida Lei, procedimentos que se destinam a assegurar o
direito fundamental de acesso à informação e, entre eles,inclui-se a importância do tratamento
da informação (Art. 3°, inciso V) (BRASIL, 2011).
Com base nesse aspecto, as bibliotecas se configuram, por natureza, como
intermediária entre a informação pública e o cidadão, fato este enfatizado por Milanesi
(2012):
As bibliotecas, com as ferramentas necessárias, poderão formar uma rede
com milhares de pontos-portas para o conhecimento-importantes para que a
lei seja letra viva, pois ela é um marco histórico que separa a indiferença da
participação, o individualismo da cidadania.
Ao absorver as funcionalidades oferecidas pelas tecnologias da informação, as
bibliotecas e os centros de documentação agregam valor à sua missão socializadora do
conhecimento. Para tanto, são necessários ajustes constantes às novas demandas dos usuários,
tanto no tratamento dos registros de informação, como no atendimento ao público, facilitando
e tornando os conteúdos cada vez mais acessíveis à sociedade (ARBOIT; BUFREM, 2011).
De acordo com Sayão (2008-2009, p.8-9) as bibliotecas com serviçoson-linee
operando via internet possuem potencialidades na busca e recuperação da informação,
podendo ser utilizadas também, como um recurso estratégico englobando novos contextos,
como a pesquisa científica, cidadania, governo, educação, entre outros. Essas bibliotecas, por
cumprirem o paradigma de acesso onipresente, podem disponibilizar as informações em

1658

�qualquer hora ou lugar, intensificando o “conceito de compartilhamento de recursos”
(SAYÃO, 2008-2009, p. 15)
Para Silvaet al. (2012) é possível observar que há “no contexto do poder público, a
preocupação recorrente da sociedade contemporânea pelo acesso amplo e irrestrito às
informações públicas”. Os autores também mencionam que essas informações podem ser de
interesse coletivo ou individual, porém a utilização das mesmas está ligada diretamente à
transparência das ações e atividades desenvolvidas pelos órgãos públicos.
Estando disponível na web, a BV-FAPESP é atualmente visitada diariamente e, dessa
forma, poderá beneficiar os cidadãos brasileiros com as informações armazenadas em suas
bases de dados.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O levantamento bibliográfico preliminar foi realizado com o intuito de identificar o
status quo sobre o tema da pesquisa, caracterizado pela democratização do acesso à
informação pública. Para tanto, foram referenciadas diversas fontes de informação: artigos
científicos, trabalhos apresentados em eventos da área de Ciência da Informação, textos
divulgados em jornais e sites especializados. Durante o levantamento das informações
percebeu-se que este assunto não apresenta muitas fontes publicadas, pois as instituições
públicas estão se adequando às recentes demandas geradas a partir da publicação da Lei de
Acesso à Informação e analisando quais ferramentas, dentre elas, as bibliotecas virtuais e
digitais, são mais adequadas para o tratamento, organização e divulgaçãodas informações.
O trabalho pretende mostrar a experiência do uso da biblioteca virtual pelo Centro de
Documentação e Informação no que tange a democratização do acesso à informação de
caráter público.A pesquisa realizada é qualitativa, descritiva, bibliográfica e apresenta um
relato de experiência sobre conteúdo, serviços e páginas disponibilizadas na BV-FAPESP que
podem servir como suporte às instituições públicas no cumprimento dos ditames da LAI,
através de produtos e serviços acessíveis, sem barreiras físicas, pelos cidadãos brasileiros.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A BV-FAPESP disponibiliza em suas páginas informações com valor agregado, e isso
contribui para reforçar a visibilidade dos conteúdos disponíveis nas interfaces públicas de
acesso à informação.
Além dos registros referenciais de auxílios de pesquisa e bolsas, outros produtos
compõem o sistema de informação da BV-FAPESP, sendo eles: páginas de pesquisadores;

1659

�mapas e gráficos que ilustram o apoio da FAPESP no estado de São Paulo e no exterior;
páginas de acordos e convênios nacionais e internacionais, páginas das instituições-sede de
pesquisa; tabela de áreas do conhecimento e páginas de assuntos.
Vale mencionar ainda, a inserção de informações referenciais provenientes da
literatura científica e acadêmica, produzida a partir das bolsas e auxílios à pesquisa apoiados
pela FAPESP. Essas informações, migradas automaticamente para a BV-FAPESP, são
obtidas nas bases de dados Web of Science,Scientific Eletronic Library OnLine (SciELO) e
outras fontes, como as bibliotecas digitais de dissertações e teses de universidades e centros
de pesquisa no estado de e São Paulo.
Os dados estatísticos demonstram um crescimento exponencial anual de uso da BV,
seja por visitas diretas ao Portal da FAPESP, ou via buscadores na web, tais como Google e
Google Scholar. Em agosto de 2012, a BV recebeu mais de 10 mil acessos em um único dia.
Essas e demais ações tornaram a BV-FAPESP mais visível no Brasil e no exterior
(ALISSON, 2012).
Para demonstrar como a BV-FAPESP pode ser referência em eficiência na
disseminação da informação pública, destaca-se como resultado em 2013, mais de 4 milhões
de acessos, oriundos de 211 países, com destaque para Portugal, Estados Unidos, Índia e
Reino Unido.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A partir do conteúdo que disponibiliza, do valor agregado às informações existentes
nas bases de dados, da quantidade de páginas acessadas e da qualidade dos dados consultados,
podemos concluir que a BV-FAPESPé uma ferramenta eficiente de gestão de informação de
grande importância na difusão do conhecimento científico paulista para a sociedade brasileira
e estrangeira, tornando públicas as informações científicas oriundas de bolsas e auxílios
apoiados, que antes ficavam restritas aos sistemas administrativos e internos da Fundação.
A BV-FAPESP vem registrando o interesse de outras fundações de amparo à pesquisa
do Brasile instituições de ensino e pesquisa para compartilhar o sistema de informação e o
know-how com vistas à formação de uma rede de informação sobre projetos e bolsas apoiados
por essas fundações e a literatura resultante desses auxílios. Ao mesmo tempo, auxilia a
FAPESP no cumprimento das determinações definidas na LAI, que reforça a necessidade de
acesso democrático e público à sociedade civil, pois o cidadão que acessa informações de seu
interesse tem melhores condições de conhecer e buscar outros direitos essenciais, como saúde,
educação e benefícios sociais.

1660

�6 REFERÊNCIAS
ALISSON, E. Biblioteca Virtual da FAPESP registra recorde de visitação. Agência FAPESP,
São Paulo, 28 ago. 2012. Disponível em: &lt;http://agencia.fapesp.br/16100&gt;. Acesso em: 01
ago. 2014.
ARBOIT, A. E.; BUFREM, L. S. O enfoque social dos novos conceitos de biblioteca: análise
da produção periódica nacional do campo da ciência dainformação. In: CONGRESSO
BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA,

DOCUMENTAÇÃO

E

CIÊNCIA

DA

INFORMAÇÃO, 24., 2011, Maceió. Anais eletrônicos... Maceió: CBBD, 2011. Disponível
em:

&lt;http://www.febab.org.br/congressos/index.php/cbbd/xxiv/paper/download/509/230&gt;.

Acesso em: 01 ago. 2014.
BIBLIOTECA VIRTUAL DA FAPESP. A Biblioteca Virtual. São Paulo: FAPESP, 2014.
Disponível em: &lt;http://www.bv.fapesp.br/pt/76/a-biblioteca-virtual/&gt;. Acesso em: 03 abr.
2014.
BRASIL. Lei Federal de Acesso à Informação n° 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula
o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 e
no § 2o do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de
1990; revoga a Lei no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de
janeiro de 1991; e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do
Brasil,

Brasília,

DF,

18

de

nov.

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2011.

Disponível

em:

&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/ ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm&gt;. Acesso em: 03
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FAPESP. Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo. Criação e Estruturação
da FAPESP. São Paulo: FAPESP, 2014. Disponível em: &lt;http://www.fapesp.br/28&gt;. Acesso
em: 03 abr. 2014.
FAPESP. Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo. Relatório de Atividades
2012.

São

Paulo:

FAPESP,

2013.

Disponível

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&lt;http://www.fapesp.br/publicacoes/relat2012 completo.pdf&gt; Acesso em: 03 abr. 2014.
MILANESI, L. Informação pública e as bibliotecas. Folha de S. Paulo, São Paulo, 02 jul.
2012.
Opinião.
Disponível
em:
&lt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/52178informacao-publica-e-as-bibliotecas.shtml&gt;. Acesso em: 01 ago. 2014.
SAYÃO, L. F. Afinal, o que é biblioteca digital? Revista USP, São Paulo, n. 80, p. 6-17,
dez./fev. 2008-2009.
SILVA, T. E. et al. Acesso à informação: ações e estratégias da Câmara dos Deputados
para atender à Lei 12.527/2011. Brasília: Câmara dos Deputados, 2012. 13 p. Disponível
em: &lt;http://www2.camara.leg.br/responsabilidade-social/edulegislativa/educacao-legislativa1/posgraduacao/grupo-de-pesquisa-e-extensaogpe/projetos/Projeto GPE 06.12 Terezinha Acesso Informaosemdadospessoais.pdf&gt;.
Acesso em: 01 ago. 2014.

1661

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                <text>Morais, Thais Fernandes de, Pereira, Fabiana Andrade, Krzyzanowski, Rosaly Favero, Imperatriz, Inês Maria Morais</text>
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                <text>Este relato de experiência tem como objetivo apresentar a Biblioteca Virtual da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (BV-FAPESP) que tem a missão de divulgar informações sobre as bolsas e auxílios à pesquisa financiados pela FAPESP, em todas as áreas do conhecimento, para a sociedade civil.A BV-FAPESP é um importante instrumento que visa contribuir para a democratização do acesso, da disseminação de informação e de conhecimento aos cidadãos. Esse modelo vai de encontro às exigências da Lei Federal de Acesso à Informação, nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, que assegura ao cidadão, o direito fundamental de acesso à informação pública. A Lei regulamenta a divulgação de informações disponíveis nas instituições públicas, consolidando assim o regime democrático brasileiro ao ampliar a participação do cidadão na gestão pública</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AÇÃO CULTURAL E COMUNITÁRIA NA BIBLIOTECA UFPR LITORAL DO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
(UFPR)
Fernando Cavalcanti Moreira
Maikon Patrick Garcia
Romilda Aparecida Santos
RESUMO
O presente trabalho relata a experiência de desenvolvimento de atividades culturais na
biblioteca do Sistema de Bibliotecas, da Universidade Federal do Paraná. Intervenções
culturais como sarau e gibiteca foram realizadas através de um projeto formativo, com o
auxílio dos colaboradores da biblioteca e de bolsistas contratados especialmente para o
projeto. Os resultados preliminares apontam que as atividades desenvolvidas foram bem
recebidas pela comunidade atendida pela biblioteca, além de estimular o uso do acervo
bibliográfico por parte dos usuários.
Palavras-Chave: biblioteca universitária; ação cultural; sarau; gibiteca.

ABSTRACT
This paper reports the experience of developing cultural activities in the library of the Sistema
de Bibliotecas (SiBi), from the Universidade Federal do Paraná (UFPR). Interventions such as
cultural soirée and comics library were performed through a formative project, with the
assistance of the library staff and fellows hired specifically for the project. Preliminary results
indicate that the activities were well received by the community served by the library, in
addition to encouraging the use of bibliographic by users.
Keywords: university library; cultural action; soiree; comics library.

1 INTRODUÇÃO
Com o intuito de formalizar as ações culturais já promovidas pela Biblioteca do Setor
Litoral da UFPR, a equipe de colaboradores da unidade elaborou um projeto formativo,
submetido ao Programa de Benefícios Econômicos para Manutenção aos estudantes de
graduação

e

ensino

profissionalizante

da UFPR

com

fragilidade

econômica

-

PROBEM/UFPR, coordenado pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis - PRAE/UFPR.
O presente projeto formativo se baseia no entendimento de que a ação cultural é um
conjunto de técnicas sociais que, aplicadas com métodos pedagógicos participativos, podem

2013

�gerar ações educativas, informativas, complementares e lúdicas, pois a biblioteca tem
compromisso pedagógico, científico e também cultural. Nesse sentido, a biblioteca tem o
papel de promotor de ação cultural que pode despertar nos estudantes o reconhecimento da
importância da ação cultural e educativa no âmbito desta unidade de informação e da
realização de atividades culturais que visem à transformação social.
De acordo com Milanesi (1997, p.127):
A informação é o fio e a cultura, o tecido. A coletividade tece. A elaboração
dessa tessitura é, enfim, a construção do homem que pensa com a própria
cabeça e sabe o que importa para si e para o meio onde vive.
Com base nesses princípios, são objetivos do projeto realizar ações de caráter cultural
e comunitário no âmbito da Biblioteca UFPR Litoral atraindo o usuário-leitor, além de manter
um canal de interlocução que amplie efetivamente o acesso e uso das publicações do acervo.
Para que isto ocorra, as seguintes ações serão realizadas: estudo do acervo bibliográfico e
demais recursos informacionais da unidade, relacionando-os com atividades formativas e
artísticas; elaboração de uma agenda cultural que privilegie os cursos da UFPR Litoral e as
tradições culturais do Litoral do Paraná; fomento à leitura e à democratização do acesso à
biblioteca universitária.
Dessa maneira, entende-se que o Projeto Político-Pedagógico da UFPR Litoral prevê e
incentiva a formação cultural do aluno, especialmente, com o olhar voltado para a leitura
crítica da realidade. Sendo assim, este projeto se alinha aos princípios do Setor Litoral e do
Sistema de Bibliotecas - SiBi/UFPR. O horizonte intelectual do aluno irá se abrir para a inter,
multi e transdisciplinaridade.
Sobretudo ao utilizar o acervo bibliográfico e outros serviços e produtos da biblioteca
para estudar e promover ações culturais e educativas, pretende-se despertar no aluno/bolsista
o desejo da leitura, - consequentemente - a transferência do prazer pela leitura para os demais
usuários da Biblioteca UFPR Litoral.
Busca-se também, aguçar o aluno/bolsista quanto à pesquisa de informações nas mais
variadas fontes existentes na biblioteca. Pois, de acordo com Barreto (1994, p.3):
a informação, quando adequadamente assimilada, produz conhecimento,
modifica o estoque mental de informações do indivíduo e traz benefícios ao
seu desenvolvimento e ao desenvolvimento da sociedade em que vive.
Tal afirmativa vem ao encontro de um dos objetivos principais do Projeto PolíticoPedagógico que busca, através da informação, alterar positivamente a realidade dos

2014

�indivíduos e, através deles, agregar valor ao desenvolvimento científico, econômico,
ecológico e cultural.
Diante disso, e levando-se em conta que “o homem social novo se forma ao mesmo
tempo em que constrói a nova sociedade” (LUKÁCS, 2007, p. 63), preparar os alunos da
UFPR Litoral de hoje, é um passo fundamental para aperfeiçoar a sociedade litorânea de
amanhã.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
A implantação do projeto formativo seguiu um roteiro pré-estabelecido pelo
PROBEM/UFPR, no qual era necessário apresentar descrição, objetivo, justificativa,
metodologia, atividades a serem desenvolvidas pelos bolsistas, perfil do bolsista e localização
e turno das atividades.
Seguindo esses critérios, o projeto foi elaborado pela Chefia da Biblioteca UFPR
Litoral (na época o Bibliotecário Fernando Cavalcanti Moreira), que repassou para os demais
colaboradores da unidade complementarem o texto com sugestões e correções. Isto feito, o
projeto foi apresentado ao PROBEM/UFPR, com o Chefe da Biblioteca como coordenador e
os demais membros da equipe como supervisores colaboradores.

2.1 Perfil e Atividades dos Bolsistas
Para o desenvolvimento do projeto, contou-se com o auxílio de dois bolsistas na
realização das seguintes atividades:
•

Conhecer e compreender a estrutura e funcionamento da Biblioteca UFPR Litoral para
estar apto a desenvolver as atividades do projeto;

•

Pesquisar o perfil dos usuários da Biblioteca UFPR Litoral, incluindo a comunidade
interna e externa;

•

Estudo e proposição de atividades culturais, a partir dos cursos oferecidos na UFPR
Litoral e da história e tradições culturais do litoral paranaense;

•

Estudo de possibilidades de promoção da Biblioteca UFPR Litoral e seu acervo, a
partir de ações culturais de caráter comunitário;

•

Auxílio no estudo e realização de exposições educativas relacionadas às áreas de
conhecimento dos cursos ofertados na UFPR - Setor Litoral;

•

Auxílio no estudo e realização de exposições artísticas sobre a história e tradições
culturais do litoral paranaense;

2015

�•

Estudo de linguagem apropriada para divulgação de atividades culturais, visando a
aproximação com a comunidade litorânea;

•

Auxílio no planejamento e acompanhamento de atividades de fomento à leitura, como
Gibitecas e Saraus.

Para cumprir tais atividades, foram recrutados bolsistas matriculados no curso de
Licenciatura em Artes e Licenciatura em Linguagem e Comunicação, sendo requisitos
considerados indispensáveis: conhecimento básico de informática; atenção e disciplina;
disposição para auxiliar no desenvolvimento de ações educativas e culturais para o público.
Com a aprovação e definição dos bolsistas, partiu-se para a fase de desenvolvimento
do projeto formativo, cumprindo as seguintes etapas:

•

Estudo, sugestão, discussão e decisão sobre a ação cultural e comunitária a ser
ofertada;

A princípio, limitaram-se as atividades culturais na oferta de saraus temáticos e gibitecas.

•

Pesquisa e planejamento de ação cultural e comunitária;

Esta etapa se refere a composição da atividade. Quando se trata de um sarau, é necessário
realizar pesquisa bibliográfica sobre o tema; organizar o material bibliográfico para
apresentação no sarau; definir data, horário e localização; decoração do espaço; entre outras
atividades. No caso das gibitecas, é preciso explorar e estudar a coleção de gibis da biblioteca
para definir se o evento terá uma temática específica dentro dos quadrinhos ou se a temática
será livre, bem como o público-alvo. Além de definir data, horário e localização; decoração
do espaço; entre outras atividades.

•

Divulgação;

A divulgação dos eventos é realizada através do Portal da Informação do SiBi/UFPR
(www.portal.ufpr.br), das redes sociais da biblioteca (Blog, Facebook e Twitter) e de cartazes
fixados nos principais murais do Setor Litoral da UFPR.
•

Execução.

2016

�3 RESULTADOS PARCIAIS
As atividades foram desenvolvidas durante o segundo semestre do ano de 2013.
Buscou-se atrair um público o mais diversificado possível, envolvendo a comunidade interna
e externa à universidade. Para o desenvolvimento dos saraus estabeleceu-se uma parceria com
o projeto de extensão “Minha Universidade Lê”, coordenado pelos professores Elisiani
Vitoria Tiepolo e Luiz Everson da Silva. Foram realizados encontros mensais, sempre com
um tema definido para o encontro.
Também foi realizada uma gibiteca com a temática “super-heróis”, em Novembro de
2013. A gibiteca ocorreu nas dependências da Biblioteca UFPR Litoral e contou com a
participação de diversas crianças e adolescentes de escolas da região.
Maiores informações sobre os eventos realizados podem ser visualizados na “Tabela
1”, apresentada a seguir.

Tabela 1: eventos ofertados pela Biblioteca no Segundo semestre de 2013
Data

Carga
Horária

Evento

27/08/13

1h

Sarau “Toca Raul”

24/09/13

1h

Sarau “Legião Urbana”

Público alvo
Comunidade
Universitária/externa
Comunidade
Universitária/externa

Número de
Participant
es
50
65

Sarau “Legião Urbana” 60
Comunidade externa
FAFIPAR
Sarau “100 Anos Vinícius Comunidade
29/10/13 1h
100
de Moraes”
Universitária/externa
Comunidade
26/11/13 1h
50
Sarau “Cartola”
Universitária/externa
Comunidade
29/11/13 14h
150
I Gibiteca - Marvel X DC
Universitária/externa
Fonte: Re atório Anual 2013 do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Paraná
24/10/13

1h

(SiBi/UFPR)

4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Os eventos realizados pela biblioteca durante o período apresentado nos resultados
parciais foram bem recebidos pela comunidade acadêmica que compareceu e participou dos
saraus e da gibiteca. Além disso, as atividades culturais estão estimulando o maior uso do
acervo bibliográfico por parte dos usuários.

2017

�Sobretudo, nota-se que o projeto está cumprindo o seu maior objetivo ao despertar nos
alunos de ambiente de ensino superior o senso crítico e zelo pela história e tradições culturais
do litoral paranaense, através de ações culturais e comunitárias criando, desta forma, uma
ponte entre o mundo acadêmico e a vida das comunidades locais, que permite a integração do
estudante ao litoral do Paraná, em um processo de constante e intensa descoberta que apenas a
riqueza da vivência possibilita.

5 REFERÊNCIAS
BARRETO, A. de A. A questão da informação. São Paulo em Perspectiva. 1994, vol.8, n.4,
p.3-8.

Disponível

em:

&lt;http://www.seade.gov.br/produtos/spp/v08n04/v08n04_01.pdf&gt;.

Acesso em: 18 mar. 2013.
LUKÁCS, G. O jovem Marx e outros escritos de filosofia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ,
2007.
MILANESI, L. A casa da invenção: biblioteca centro de cultura. São Caetano do Sul: Ateliê,
1997.

2018

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Ação cultural e comunitária na Biblioteca UFPR Litoral do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).</text>
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                <text>Moreira, Fernando Cavalcanti, Garcia, Maikon Patrick, Santos, Romilda Aparecida</text>
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                <text>O presente trabalho relata a experiência de desenvolvimento de atividades culturais na biblioteca do Sistema de Bibliotecas, da Universidade Federal do Paraná. Intervenções culturais como sarau e gibiteca foram realizadas através de um projeto formativo, com o auxílio dos colaboradores da biblioteca e de bolsistas contratados especialmente para o projeto. Os resultados preliminares apontam que as atividades desenvolvidas foram bem recebidas pela comunidade atendida pela biblioteca, além de estimular o uso do acervo bibliográfico por parte dos usuários.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

IMPLANTAÇÃO DO SERVIÇO DE DIGITALIZAÇÃO DE DOCUMENTOS NO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
(UFPR)

Fernando Cavalcanti Moreira
Gabriela Debas dos Santos

RESUMO
Apresenta o processo de implantação de um novo serviço no Sistema de Bibliotecas (SiBi) da
Universidade Federal do Paraná (UFPR). O serviço em questão tem como objetivo facilitar o
acesso à informação, permitindo a digitalização de documentos das bibliotecas que compõem
o sistema, respeitando a lei do direito autoral. Resultados preliminares apontam que o serviço
está sendo bem aceito pela comunidade acadêmica e que o número de solicitações de
digitalizações de documentos cresceram com a formalização e divulgação do serviço.
Sobretudo, enfatiza a importância de se oferecer serviços digitais para adequar os serviços
oferecidos pelas bibliotecas às novas tecnologias de informação e comunicação.
Palavras-Chave: biblioteca universitária; digitalização de documentos; implantação de
serviços.
ABSTRACT
Presents the process of implementing a new service at the Sistema de Bibliotecas (SiBi) from
the Universidade Federal do Paraná (UFPR). The service in question is aimed at facilitating
access to information, allowing scanning documents of libraries that compose the system
respecting the copyright law. Preliminary results indicate that the service is being well
accepted by the academic community and the number of requests for scans of documents
grew with the formalization and promotion of the service. Especially emphasizes the
importance of providing digital services to tailor the services offered by libraries new
technologies of information and communication.
Keywords: university library; document scanning; deployment of services.

1 INTRODUÇÃO
O serviço de referência e informação das bibliotecas vem se readequando às novas
Tecnologias de Informação e Comunicação - TIC há algum tempo. Nas bibliotecas de países
desenvolvidos é comum a oferta de serviços de digitalização de documentos de diversas

2844

�formas, porém, no Brasil, mediante pesquisa realizada nos sites de bibliotecas universitárias
(qual estudo), este tipo de serviço é oferecido por um pequeno número de universidades.
O serviço de digitalização de documentos é disponibilizado pelo Sistema de
Bibliotecas - SiBi/UFPR e permite que trechos de livros, periódicos, teses e dissertações
sejam digitalizados e encaminhados para os usuários solicitantes, sem deixar de obedecer a
Lei de Direitos Autorais, n° 9.610.
A demanda para implantar o serviço de digitalização de documentos nas bibliotecas do
SiBi/UFPR surgiu da necessidade de adequar o serviço de referência e informação às novas
necessidades dos usuários. Dessa forma, cria-se uma nova forma de atendimento, além de
adequar os serviços oferecidos pelo SiBi às novas tecnologias e práticas utilizadas nas
bibliotecas. Com a implantação do serviço, acredita-se que o número de usuários atendidos
pelas bibliotecas do SiBi possa, em pouco tempo, aumentar significativamente, além de ser
um serviço que possibilita que a informação seja entregue ao usuário de forma rápida e eficaz.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
Apresenta-se aqui um relato de experiência da implantação do serviço de digitalização
nas bibliotecas do SiBi/UFPR, a qual ficou sob a responsabilidade da Comissão de Serviço
de Referência e Informação (SRI) bem como os procedimentos para tal.

2.1 Comissão de Serviço de Referência e Informação
A maioria dos projetos e ações desenvolvidas no SiBi/UFPR são realizadas a partir das
Comissões de Trabalho do SiBi e com esse serviço não foi diferente. A Comissão de SRI tem
como objetivo padronizar para todo o SiBi/UFPR os serviços de atendimento e produtos
disponibilizados aos usuários, buscando otimizar os já oferecidos, assim como a criação de
novos serviços e produtos. De forma mais específica, a Comissão de SRI foi criada para dar
maior atenção aos serviços online, atendendo a esta demanda crescente dos usuários por
serviços de acordo com as novas tecnologias.
Participam como membros da comissão um representante de cada biblioteca do
SiBi/UFPR, sendo um coordenador - responsável por manter ativo o canal de comunicação
entre os integrantes, além de agendar as reuniões e coordenar os trabalhos.

2.2 Procedimentos para implantação do serviço de digitalização de documentos
No caso da implantação do serviço de digitalização foram promovidas reuniões entre
os componentes da Comissão de SRI para debater sobre a viabilidade de implantação do

2845

�serviço no SiBi/UFPR. Com a aprovação, foram definidos os procedimentos para o
desenvolvimento da digitalização de documentos como parte do atendimento nas bibliotecas
do SiBi/UFPR, sendo:

•

Levantamento dos equipamentos de digitalização nas bibliotecas setoriais
Com o objetivo de tomar conhecimento da atual estrutura que as unidades do

SiBi/UFPR teriam para atender a este serviço, o coordenador da comissão enviou e-mail para
os integrantes verificarem em suas bibliotecas se havia equipamento de scanner e a
quantidade; qual o modelo desse aparelho e se atendia a atual demanda da unidade.
Diante das repostas obtidas com o levantamento, a Divisão Administrativa da
Biblioteca Central da UFPR realizou a compra de cinco equipamentos de digitalização
(Scanner Modelo Fi - 6230z), para as bibliotecas que apresentaram maior defasagem.

•

Elaboração do regulamento e condições de utilização do serviço
A segunda etapa foi a determinação de condições para a utilização do serviço por parte

dos usuários. Buscou-se determinar critérios que contemplassem, prioritariamente, a
legislação do direito autoral. A seguir, apresenta-se o regulamento elaborado e que já está
disponível no Portal da Informação do SiBi/UFPR (http://www.portal.ufpr.br).

Regulamento e Condições de utilização do Serviço de Digitalização
1.

A reprodução e digitalização de documentos pertencentes ao acervo das Bibliotecas

do SiBi/UFPR só serão permitidas quando não acarretar danos aos documentos, vedadas a
reprodução de documentos pessoais e, nos termos do que dispõe a Lei n° 9.610, de 19 de
fevereiro de 1998, de obras no seu todo;
2.

Os pedidos podem ser feitos apenas para uso pessoal e são limitados a um único

capítulo, quando se tratar de livros. Solicitações de digitalização para vários capítulos de um
único livro não serão atendidas.
3.

Para solicitar o serviço de digitalização os usuários devem atender aos seguintes

critérios de vinculação à UFPR:
•

Ser docente;

•

Ser aluno de programa de pós-graduação na UFPR (presencial ou EAD);

•

Estar no último ano de graduação ou em período de finalização do trabalho de

conclusão do curso na UFPR (presencial ou EAD).

2846

�2.a Ao solicitar o serviço o usuário deverá comprovar o seu vínculo com a UFPR de
acordo com o acima exposto.
4.

Com o intuito de assegurar que todas as solicitações de digitalização sejam atendidas,

as bibliotecas poderão criar prazos para o fornecimento do conteúdo digital, de acordo com
a relação de pedidos pendentes na unidade. Para mais informações, consulte a sua
biblioteca.
5.

As bibliotecas também poderão disponibilizar equipamentos de digitalização para os

usuários que não puderem aguardar o atendimento do serviço, respeitando os direitos
autorais e os critérios de vínculo com a instituição citados neste regulamento.

Com as bibliotecas prontas para formalizar a oferta do serviço de digitalização de
documentos e o regulamento aprovado, o serviço foi implantado e divulgado no Portal da
Informação do SiBi/UFPR. Portanto, nas próximas linhas, são apresentados os resultados
parciais obtidos com a oferta deste novo serviço.

3 RESULTADOS PARCIAIS
O incentivo da Direção do SiBi/UFPR, a adesão das bibliotecas setoriais e o uso de
novas tecnologias foram fatores favoráveis a implantação do serviço.
Observa-se que a demanda para o serviço de digitalização de documentos nas
bibliotecas já existia e, de certa forma, já era atendida por algumas bibliotecas setoriais de
maneira informal. Assim, a implantação do serviço formalizou e padronizou a oferta de uma
atividade já desenvolvida no SiBi/UFPR, atingindo um primeiro resultado: a disponibilização
de mais um serviço online pelas bibliotecas.
Desde a implantação do serviço (Setembro/2013) até a escrita deste trabalho,
passaram-se poucos meses. Ainda assim, foi possível notar crescimento nas solicitações de
digitalização de documentos nas bibliotecas e maior satisfação por parte dos usuários, que
passaram a ser atendidos de forma mais ampla e rápida.
Estatísticas sobre o uso do serviço estão sendo compiladas mês a mês e poderão ser
apresentas em resultados finais de um trabalho futuro.

4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
A implantação de um serviço em bibliotecas universitárias que compõem um sistema é
uma tarefa árdua que demanda tempo e capacidade de entender a rotina de trabalho em cada

2847

�unidade, porque as especificidades de cada biblioteca influencia na forma como o serviço
deve ser oferecido e de como pode ser recebido pelos usuários.
Pode-se constatar, também, que a oferta de serviços que usam as novas tecnologias de
informação e comunicação são desejados e bem vistos pelos usuários. Com a disponibilização
de mais serviços online, a imagem da biblioteca universitária se renova para a comunidade
acadêmica.
Sobretudo, o constante esforço para a desburocratização do acesso a informação é um
dever das bibliotecas e que pode ser alcançado a partir de um olhar mais aprofundado para as
novas necessidades dos seus usuários.

5 REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação
sobre

direitos

autorais

e

dá

outras

providências.

Disponível

em:

&lt;

http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/leis/l9610.htm&gt;. Acesso em: 05 Maio 2014.
DIGITALIZAÇÃO

de

documentos.

Disponível

em:

&lt;http://www.portal.ufpr.br/servico documentos.html&gt;. Acesso em: 05 Maio 2014.

2848

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta o processo de implantação de um novo serviço no Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O serviço em questão tem como objetivo facilitar o acesso à informação, permitindo a digitalização de documentos das bibliotecas que compõem o sistema, respeitando a lei do direito autoral. Resultados preliminares apontam que o serviço está sendo bem aceito pela comunidade acadêmica e que o número de solicitações de digitalizações de documentos cresceram com a formalização e divulgação do serviço. Sobretudo, enfatiza a importância de se oferecer serviços digitais para adequar os serviços oferecidos pelas bibliotecas às novas tecnologias de informação e comunicação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E O COMPARTILHAMENTO DE
INFORMAÇÕES: UM BREVE ESTUDO EM PORTUGAL E NO NORDESTE DO
BRASIL
Ana Roberta Sousa Mota

RESUMO
O estudo tem por objetivo principal analisar, com base na literatura especializada em
bibliotecas universitárias e redes sociais, como está ocorrendo o uso das Tecnologias Digitais
nas Bibliotecas Universitárias para disseminar informações. Aborda conceitos de informação,
biblioteca universitária, redes sociais e tecnologia da informação e comunicação. Enfatiza a
importância das novas tecnologias de comunicação e informação para disseminação de
informações relativos a produtos e serviços de uma biblioteca. A metodologia empregada
baseou-se na investigação bibliográfica e levantamento em sítios de bibliotecas, na internet,
que utilizam redes sociais. Pretende-se obter um panorama do uso de redes sociais em
bibliotecas brasileiras e portuguesas e propor o uso dessa tecnologia e nova forma de se
relacionar para determinar ações visando inovar os serviçoes e atender as necessidades
informacionais dos usuárioses com a maior objetividade e precisão.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Redes Sociais; Tecnologia da Informação e
Comunicação.

1 Introdução
Com a criação da internet os serviços das bibliotecas se modificaram e a proporção da
explosão bibliográfica acresceu à medida que as tecnologias de comunicação se
desenvolveram. A grande rede mundial ampliou as possibilidades de comunicação e
investigação, Guimarães (2005, p. 159) ressalta que “com a introdução World Wibe Web, a
internet se tornou um dos principais recursos de comunicação no mundo atual.” Enquanto
Souto (2003, p. 74) afirma que “com o uso do computador a literatura científica aumentou nos
últimos anos. As facilidades de acesso permitidas pela internet contribuíram para o aumento
dessa produção científica”. Tais fatores contribuíram para a proliferação de: textos, artigos,
livros

digitais,

resenhas,

relatórios,

pré-prints, teses,

dissertações,

chats,

e-mails,

videoconferências e sites, além dos multimédias, definidos pela APDSI (2007) como

3943

�“tecnologias da informação que permitem a utilização simultânea de vários tipos de dados
digitais (textuais, visuais e sonoros) no interior de uma mesma aplicação ou de um mesmo
suporte” o mesmo tempo em que a internet facilitou o acesso à informação e a comunicação
tornou também à medida e a organização deste conteúdo um desafio para sociedade.
A apresentação deste contexto fez com que muitos questionassem sobre a permanência
das bibliotecas, devido às facilidades que a tecnologia proporciona, porém, comungamos com
Cunha (2007) ao afirmar que as bibliotecas sempre acompanharam e venceram os novos
paradigmas tecnológicos, e o papel das bibliotecas de armazenar, disponibilizar e facilitar o
acesso à informação ampliou-se para o ambiente virtual, fazendo com que as mesmas se
adaptem as mudanças e aperfeiçoem os serviços oferecidos.
A relevância das informações para o desenvolvimento social e organizacional é
notória por toda sua ênfase na sociedade contemporânea. A utilização adequada de
informações que circulam nas instituições configura-se em um contexto e representa uma
vantagem competitiva, além de se inserir no desenvolvimento estratégico. Inovações
tecnológicas e diversas possibilidades de comunicação têm contribuído para a interação entre
ambientes, indivíduos e informações, permitindo maior coesão e alcance de resultados
desejados.
O desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e os novos
meios de disseminação da comunicação científica, disponíveis na web, representam para as
instituições de ensino uma das principais vitrines para divulgação da produção científica
institucional e de seus investigadores. Tendo como principio a web como plataforma, a
criação da web 2.0 em 2004 (O’REILLY, 2005 apud BRITO, 2011), considerada como a
segunda geração de comunidades e serviços, vem proporcionando a criação de ferramentas
multimídias de grande relevância na comunicação. Blogs, fóruns de discussão, wikis, sistemas
RSS, redes sociais dentre outros, vem reforçando ainda mais a importância do espaço virtual
como canal informal de comunicação científica. De acordo com Primo (2007), a web 2.0
potencializa as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações,
expandindo assim os espaços para a integração entre os participantes deste processo, pois os
utilizadores de bibliotecas podem tanto modificar quanto criar novos conteúdos e novos
ambientes hipertextuais.
No ambiente universitário, as bibliotecas estão aderindo cada vez mais as TIC como
ferramenta de disseminação do conhecimento e dos serviços oferecidos à comunidade
acadêmica. Nessa perspectiva, algumas das redes sociais, disponíveis na web 2.0, como o

3944

�Twitter, Facebook, LinkedIn e Slideshare tem se configurado de grande relevância na
disseminação de informações e serviços oferecidos para a comunidade acadêmica.
Adentrando ao contexto acadêmico, sabe-se que é uma realidade a utilização de redes
sociais como recurso didático nos processos de ensino, investigação e extensão. No entanto,
como afirma Brito (2011), num mundo onde a informação é produzida e disponibilizada de
forma significativa em meio eletrônico, esse recurso ainda não é explorado de forma integral.
Nesse ambiente de mudanças tecnológicas, atribuindo autonomia aos investigadores e
observando as atividades desenvolvidas nas bibliotecas universitárias que iremos verificar a
inserção dos novos paradigmas de Informação e Comunicação em Plataformas Digitais e
vislumbrar um pouco de como as bibliotecas universitárias estão inserindo a promoção e
utilização de produtos e serviços, através das redes sociais?

2. A Biblioteca Universitária em um espaço interativo
Falar em biblioteca universitária é falar em organizar, dispor e disseminar
informações, para tanto, faz-se necessário compreender um pouco sobre o conceito de
informação, entendido por Silva e Ribeiro (2002, p. 37) como um “Conjunto estruturado de
representações mentais e emocionais codificadas (signos e símbolos) e modeladas com/pela
interacção social, passíveis de serem registradas num qualquer suporte material e, portanto,
comunicadas de forma assíncrona e multi-direccionada” a informação é o insumo básico da
biblioteca, através dela ocorre o desenvolvimento de produtos e serviços em uma biblioteca,
Mangue afirma que a biblioteca universitária é focalizada como um sistema de comunicação
da informação,
no qual os registros são adquiridos, representados e organizados com a
finalidade de torná-lo acessível aos utilizadores; um sistema orgânico de
atividades que envolvem a produção e registros de conhecimentos, recursos
materiais e humanos necessários para servir de suporte às funções básicas
em instituições de nível superior. Elas são sistemas abertos de produção e
transmissão de conhecimento para atender às demandas sociais (Mangue,
2007, p.28).

As bibliotecas universitárias são consideradas um dos pilares da vida acadêmica, sua
função principal é a de “subsidiar as atividades de ensino, de investigação e de extensão
desenvolvidas nas universidades, mediante a provisão de recursos informacionais seletivos,
diversificados e organizados.” (SILVEIRA, 2009, p. 127). Durante séculos as bibliotecas tem
sido, como afirma Cunha (2000), “o ponto focal da universidade, com suas coleções
impressas preservando o conhecimento da civilização”. Atualmente a informação está

3945

�disponível em formas variadas, tais como: textos, gráficos, sons, algoritmos, simulações de
realidades virtuais, distribuídas em redes computacionais, acessível a uma maior quantidade
de pessoas, que ultrapassa à academia. A materialidade das informações produzidas em
universidades é vista em livros, dissertações, teses, artigos de periódicos, patentes e outros
documentos produzidos por seus docentes, alunos e investigadores.
As bibliotecas também contribuem para a construção do conhecimento ao prover
acesso, dinamizar, socializar, divulgar essa produção e também disponibilizar instrumentos
que facilitem o acesso, o uso da informação nas diversas áreas do conhecimento humano. As
plataformas digitais, definidas por Ramos (2013) como “Sistemas de suporte ao registro,
processamento, transformação e comunicação de informação em formato digital, constituídos
por dispositivos tecnológicos, hardware e/ou software, online ou offline, e por procedimentos
organizacionais e funcionais adequados a contextos de utilização e a usuários específicos” são
um marco para as bibliotecas e exige do bibliotecário habilidades e competência para uso das
TIC em plataformas digitais, são essenciais aos bibliotecários, principalmente os de referência
deverão conhecer as novas tecnologias, transformando o instrumental da referência tradicional
para as bibliotecas se tornarem competitivas ao mercado informacional, possibilitando o a
disponibilização de informação com valor agregado. Um novo comportamento é exigido aos
bibliotecários, o de mediador entre serviços em plataformas digitais e os usuários, Silva
(2010, p.25) afirma que a mediação é destinada, em especial, aos
info-incluídos e os born digital ou nativos da internet. Os serviços de
informação multiplicaram-se e complexificaram-se até se instalarem na
internet e, aqui, a função mediadora de comunicação no espaço social e a
função mediadora institucional, com as estratégias comunicacionais
específicas dos respectivos actores e agentes, não desapareceram, nem
tendem, necessariamente, a desaparecer, mas podem transformar-se e
coexistir com um emergente novo tipo de mediação - deslocalizada ou
dispersa (na internet/redes conexas), institucional, colectiva, grupal, pessoal
e até anónima, interactiva e colaborativa. Possíveis traços caracterizadores,
entre os quais importa destacar a interação e os processos colaborativos,
sociais, de participação cívica, espontânea e militante.

Diante do contexto apresentado pelas novas TIC em plataformas digitais, é de extrema
importância que as bibliotecas se adaptem e seus profissionais se aperfeiçoem para oferecer
novos serviços, onde Ferreira (2012, p. 4) denomina “high touch (serviço de referência
personalizado), refere-se à interacção humana e a “transacções” interpessoais que se efectuam
entre o utilizador e o bibliotecário de referência e serviço high tech (serviço de referência
eletrônica)”. Assim, o conflito existente no passado entre a cultura da tecnologia (fria,
impessoal, ameaçadora) e a cultura da biblioteca (reconfortante, pessoal) poderá deixar de

3946

�fazer sentido. A implementação dessas novas tecnologias pode proporcionar novos desafios,
consequentes do crescimento exponencial de recursos disponibilizados, recentes necessidades
identificadas, aumento das expectativas dos usuários, múltiplas formas de comunicação, mas
principalmente novas oportunidades, levando a redefinir seu papel na sociedade da
informação.

2.1. As redes sociais digitais em bibliotecas universitárias

O ser humano é um ser, essencialmente social, quando pequenino, ainda na barriga da
mãe já utiliza algumas formas de se comunicar, ao nascer já vêm ao mundo se comunicando,
através do ato de chorar, ao longo da vida, as relações humanas são feitas baseada na troca,
sejam de palavras, gestos ou olhares estamos sempre em contato com o outro. Ao longo da
vida integramos a sociedade através das ligações familiares, de estudo (na escola) e de
trabalho, assim dá-se as relações, criam-se os laços e os círculos. Na web não é diferente e
com o aparecimento da Web 2.0 definida como
a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das
regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais
importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para
se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando
a inteligência coletiva O'Reilly (2006, p.1) .

Falar em redes é trazer Castells (1999) para a discussão de uma sociedade globalizada,
onde os fluxos definem o espaço. Compreendemos as portas do século XXI, a dimensão
global inédita desses fluxos de capital, de pessoas, da política e, mais importante, da
tecnologia e da informação, Castells influenciou novas noções decorrentes de uma
reestruturação organizacional da sociedade, que viriam a se tornar chaves explicativas para a
contemporaneidade. Inovador em suas teses, é dele o conceito de Estado-Rede. Para o teórico,
o mundo mudou, desfazendo-se a estratificação vertical que caracterizaria o estado das coisas
no mundo o qual conhecíamos até pouco tempo atrás, rumo a uma tendência de
horizontalidade nas relações sociais, econômicas e culturais entre os homens.
Diante da lógica organizacional, localizada em torno do espaço de fluxos mais
diversos, apresentam-se redes flexíveis e moles ao invés de cadeias verticais duras; nós
tenazes ao invés da concentração da informação e do desenvolvimento em centros rígidos de
agrupamento. O conceito definido por Castells (1999) indica, nesse novo estado de coisas,
princípios como “desterritorialidade”, autoridade institucional compartilhada, assimetria

3947

�reconhecida, relações inter-nodais, descentralização articulada de gestão, flexibilidade no
gerenciamento, subsidiariedade e horizontalidade. Decorre da concepção de Estado-Rede a
idéia de que é possível, em termos práticos, a estruturação do não-estruturável, preservando a
inovação e propiciando os saltos de desenvolvimento. O desenvolvimento é explícito e é fácil
observamos uma mudança de comportamento entre as pessoas e consequentemente nas
instituições e nas bibliotecas universitárias.
De acordo com Castells (1999, p.46) uma característica importante da sociedade
informacional, ainda que não esgote todo o seu significado é, “a lógica de sua estrutura
básica em redes, o que explica o uso do conceito de 'sociedade em rede”. Ao surgir a
sociedade em rede torna-se possível o desenvolvimento das novas tecnologias da informação
que, “agruparam-se em torno de redes de empresas, organizações e instituições para formar
um novo paradigma sociotécnico” (Castells, 1999, p.77) cujos aspectos centrais, representam
a base material da sociedade da informação.
Portanto, Castells aborda cinco aspectos centrais do novo paradigma: a informação é
matéria-prima; as novas tecnologias penetram em todas as atividades humanas; a lógica de
redes em qualquer sistema ou conjunto de relações usando essas novas tecnologias; a
flexibilidade de organização e reorganização de processos, organizações e instituições; e, por
fim, a crescente convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado,
conduzindo a uma interdependência entre biologia e microeletrônica (Castells, 1999, p. 78).
A aplicação da ideia do uso das tecnologias web 2.0 aos serviços e coleções das
bibliotecas tem sido classificada como Biblioteca 2.0. O termo “Biblioteca 2.0 foi concebido
em 2005 por Michael Casey, em seu blog LibraryCrunch, podendo ser aplicado além dos
serviços e inovações tecnológicas” (Maness, 2007, p. 44). Em seguida, outros bibliotecários
iniciaram uma investigação conceitual do significado da Biblioteca 2.0, considerando-se a
existência de controvérsias acerca da definição e de sua importância relativa. Maness (2007,
p. 44), apresenta sua definição em 2006, como “a aplicação de interação, colaboração, e
tecnologias multimídia baseadas em web para serviços e coleções de bibliotecas baseados em
web”. E acrescenta a teoria quatro elementos fundamentais: é centrada no utilizador; oferece
uma experiência multimídia; é socialmente rica; e é comunitariamente inovadora. Portanto,
entendemos que a biblioteca 2.0 é uma comunidade virtual focada no utilizador,
possibilitando dinamismo e interatividade para criar, localizar e compartilhar informações on­
line, através do uso da tecnologia e das plataformas digitais. É cada vez mais crescente o
número de ferramentas disponíveis na web que utilizam o paradigma da informação e
comunicação em plataformas digitais. A seguir, alguns exemplos do tipo de ferramenta e de

3948

�como elas podem ser aproveitadas para promoção e disponibilização de serviços e produtos
em uma biblioteca universitária:
Blogs e Microbloggings são páginas onde são publicados pequenos artigos contendo
informações, ideias, notícias, de forma cronológica por uma ou várias pessoas. Combina
texto, imagens, links, websites e mídias. Possibilitam maior interação que o website
tradicional por haver inclusão de mensagens em forma de comentários. Para Maness (2007, p.
47) os “blogs são novas formas de publicação”. Nas bibliotecas universitárias podem ser
utilizados para comunicação com os usuários para informar sobre novos aquisições, divulgar
serviços/produtos, dicas de investigação, de leitura etc. Os microbloggings são blogs com
textos curtos. O Twitter pode ser utilizado como exemplo e permite aos usuários o envio de
mensagens curtas, com até 140 caracteres. Nas bibliotecas podem ser utilizados para efetuar
contato direto com os usuários, fornecer informações gerais, divulgar eventos, investigações,
acervos, clubes de leitura, de forma resumida.
Wikis é uma ferramenta de escrita colaborativa que possibilita a criação de página web
aberta cujo objetivo é o de publicar a informação colaborativamente, onde o utilizador poderá
publicar e modificar o que está disponível. Como exemplos de aplicações dessa ferramenta
destaca-se a enciclopédia online Wikipédia, os livros e textos didáticos Wikibooks, os
dicionários Wiktionaires (BLATTMANN; SILVA, 2007). Nas bibliotecas podem ser
utilizadas para que o utilizador participe na elaboração de conteúdos, em projetos, na
capacitação de usuários, em salas on-line de estudo em grupo.
Alimentadores RSS (Really Simple Sindication) é uma ferramenta da web para
capturar automaticamente e distribuir conteúdos de websites, especialmente aqueles que são
atualizados frequentemente. O RSS permite ao utilizador assinar somente o conteúdo
selecionado conforme a sua necessidade, recebendo as informações automaticamente, sem
consultar os websites de origem para conhecer as ultimas informações. Nas bibliotecas podem
ser utilizados para atualizações sobre novidades no acervo, novos serviços, novos conteúdos
nas bases de dados (MANESS, 2007, p. 48).
Etiquetas (tags) é uma ferramenta que permite ao utilizador indexar de forma informal
e pessoal, com o uso de palavras-chave, o conteúdo de seu interesse (imagem, vídeo, blog,
livro) para facilitar a investigação e a recuperação da informação. Nas bibliotecas as tags
possibilitam aos usuários a criação de cabeçalhos de assunto para a fonte de informação que
tiverem em mãos (MANESS, 2007, p. 48).
Mensagens instantâneas/Chats é uma tecnologia que possibilita a comunicação em
tempo real entre as pessoas e a interação. Nas bibliotecas podem ser utilizadas para

3949

�disponibilizar serviços de referência por bate-papo, onde é possível a comunicação síncrona
entre bibliotecário e utilizador. Servem para divulgação de produtos e serviços, tirar dúvidas.
É o contato direto com o utilizador.
Redes sociais são uma tecnologia que permite a reunião de pessoas para compartilhar
dados pessoais, perfis ou interesses em comum. MySpace e Facebook são redes populares
para perfis pessoais. O Delicious permite o compartilhamento de recursos web. O Flickr
possibilita aos usuários compartilhamento de imagens. LibraryThing permite que os usuários
cataloguem, compartilhem e recomendem livros entre si, através de blogs, da adição de tags
em seus livros (MANESS, 2007). Redes sociais são definidas por Marteleto e Tomael (2005)
“modo como as diferentes instituições ou campos sociais se estruturam e determinam as ações
e representações dos sujeitos sociais”, elas enfatizam as relações entre as diversas unidades de
interação originaram-se na sociologia, na psicologia social e na antropologia (prisma multi e
interdisciplinar); surge a partir da Sociometria, nos anos 30. Atores e suas ações são vistos
como interdependentes e não como unidades independentes e autônomas, as relações entre os
atores são canais para transferência de recursos. Nas bibliotecas todas essas redes sociais
disponíveis em plataformas digitais podem ser utilizadas para aumentar a visibilidade da
instituição na web, permitir a formação de grupos com interesses comuns à biblioteca
universitária, a instituição ou a grupos de investigação científica, serve como leitura e
investigação, além de compartilhar informações e dinamizar os serviços oferecidos por uma
biblioteca universitária.
Os sítios de compartilhamento nos permitem o compartilhamento de conteúdos, a
exemplo o YouTube que permite a disponibilização de vídeos e o SlideShare para slides. Nas
bibliotecas podem ser utilizados para compartilhar vídeos e slides sobre a biblioteca e sobre a
instituição, além de promover as atividades realizadas e disponibilizar tutoriais.

3. O Caminho percorrido

O trabalho investigativo apoiou-se na literatura existente acerca da informação,
comunicação, novos paradigmas da informação e comunicação em plataformas digitais e
redes sociais. Realizamos uma pesquisa bibliográfica na internet com o uso da B-ON
(Biblioteca do Conhecimento Online), Google acadêmico e sítios de revistas eletrônicas
especializadas para o levantamento de conceitos e teorias acerca dos temas abordados.
Posteriormente, realizamos um levantamento das principais universidades no Nordeste
do Brasil e em Portugal, através do Google encontramos 9 (nove) Universidades Federais no

3950

�Brasil e 9 (nove) Universidades em Portugal. A saber são elas, no Brasil: Universidade
Federal do Piauí, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal da
Paraíba, Universidade Federal do Maranhão, Universidade Federal da Bahia, Universidade
Federal de Alagoas, Universidade Federal do Ceará e Universidade Federal de Sergipe; em
Portugal: Universidade do Porto, Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra,
Universidade de Évora, Universidade do Minho, Universidade do Algarve e Universidade
Católica Portuguesa.
A partir daí, navegou-se nos sítios das bibliotecas dessas universidades para identificar
a existência de links para redes de compartilhamento de informações, chamadas neste trabalho
de redes sociais. A seguir, discutiremos sobre o que encontramos nestes sítios de bibliotecas
de universidades brasileiras e portuguesas e quais redes sociais utilizadas por estes espaços de
organização e disponibilização de informações que visam subsidiar os investigadores na
construção do conhecimento.
Vale salientar que a investigação levou em consideração apenas as informações
disponibilizadas na página oficial das bibliotecas das universidades acima citadas, haja vista a
característica de institucionalização e o reconhecimento científico das informações ali
disponibilizadas.

4. As bibliotecas universitárias e as redes sociais no Nordeste do Brasil e em Portugal

Em nossa investigação através da web, encontramos e elegemos 18 universidades para
investigação, no Brasil escolhemos as Universidades Federais do Nordeste e em Portugal as
Universidades mais conceituadas. Neste momento ao entrar nos sítios das bibliotecas eleitas
para investigação, procuramos identificar links que reportavam a redes sociais e demais sítios
de compartilhamento de informações em textos, vídeos e imagens. A seguir apresentaremos o
Quadro 1 com o resultado encontrado.

3951

�Quadro 1 - Ferramentas de compartilhamento de informações utilizadas em bibliotecas
universitárias
U n iv ersid a d e

S ítio

F erra m en ta
w eb 2.0

Universidade Federal do Piauí (Brasil)
Universidade Federal da Paraíba (Brasil)

http://www.ufpi.br/bccb
http://www.biblioteca.ufpb.br

Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (Brasil)

http://www.bczm.ufrn.br/site

Universidade Federal de Permanbuco
(Brasil)
Universidade Federal do Maranhão
(Brasil)
Universidade Federal da Bahia (Brasil)

http ://www.ufpe.br/sib

Nenhuma
Twitter,
facebook
youtube
Twitter,
facebook
flickr
Nenhuma

http://www.biblioteca.ufma.br

Nenhuma

http://www.sibi.ufba.br

Universidade
(Brasil)
Universidade
Universidade
Universidade
Universidade

http ://www .sibi.ufal .br

Twitter
youtube
Nenhuma

Federal

de

Alagoas

Federal do Ceará (Brasil)
Federal de Sergipe (Brasil)
do Porto (Portugal)
de Aveiro (Portugal)

Universidade de Coimbra (Portugal)
Universidade de Évora (Portugal)

Universidade do Algarve (Portugal)
Universidade do Minho (Portugal)
Universidade de Lisboa (Portugal)

Universidade da Madeira (Portugal)

Universidade dos Açores (Portugal)

e

e

e

http://www.biblioteca.ufc.br
http ://bibliotecas.ufs.br
http ://biblioteca.up.pt
http://www.ua.pt/sbidm/biblioteca/

Nenhuma
Twitter
Nenhuma
Twitter,
facebook,
youtube, blog e
slideshare
http ://www.uc.pt/sibuc
Youtube
Twitter,
http ://www.bib.uevora.pt/
facebook,
Google + e RSS
e
http ://www.ualg.pt/home/pt/content Facebook
flickr
/bibliotecas-1
Twitter,
http ://www .sdum .uminho.pt/
facebook e RSS
Twitter,
http ://www.ulisboa.pt/home facebook
e
page/viver/bibliotecas-e-livrarias/
youtube
http://www3.uma.pt/Sectores/SDA/ Nenhuma
index.php?IDM=PT&amp;menu item=
2
http ://www .sdoc .uac .pt/
RSS

Fonte: dados da pesquisa, 2013

O quadro 1 nos demonstra um total de 27 ambientes de compartilhamento de
informações, percebe-se também que das 18 universidades investigadas 7 (sete) não têm rede
social em plataforma digital para compartilhamento de informações das bibliotecas, enquanto
11 (onze) utilizam algum mecanismo para compartilhar informações via redes sociais na web.
Abaixo apresentamos as ferramentas utilizadas nas bibliotecas.

3952

�Gráfico 1 - Ferramentas utilizadas pelas bibliotecas

■ Twitter
■ Face book
■ Youtube
■ Flickr
■ RSS
■ SlideShare
■ Blog
■ Google +

Fonte: dados da pesquisa, 2013.

No gráfico 1 notase que o twitter é a rede social mais utilizada, sendo identificada em
8 (oito) universidade, seguida pelo facebook com 7 (sete) universidades a utilizar e youtube
com 5 (cinco) universidades usando-o. Flickr e RSS também são utilizados por duas
universidades e o Slideshare, Google + e o blog são usados pela biblioteca de uma
universidade. Como vimos, com o advento das tecnologias da informação e comunicação os
serviços tem se expandido cada vez mais para os ambientes digitais. Os dados acima
apresentados nos fazem refletir sobre a inserção das redes sociais nas bibliotecas
universitárias, é cedo para afirmar, mas parece ser uma tendência que as bibliotecas utilizem
estas ferramentas de compartilhamento, principalmente pelo fato de estar onde seu utilizador
está.
Dando continuidade a nossa análise, com base nas informações coletadas e
apresentadas no quadro 1 e no gráfico 2, podemos afirmar que as bibliotecas de universidades
portuguesas utilizam mais as redes sociais do que as bibliotecas de universidades da região
nordeste do Brasil, das 9 (nove) bibliotecas portuguesas apenas duas não utilizam as redes
sociais, enquanto no nordeste do Brasil 5 (cinco) das 9 (nove) bibliotecas consultadas não
utilizam nenhum tipo de rede social digital disponível em seus sítios oficiais.

3953

�Gráfico 2 - Utilização de redes sociais

Fonte: dados da pesquisa, 2013.

Ainda refletindo obre o que encontramos na investigação, no gráfico 2, percebe-se que
a Universidade de Aveiro e a Universidade de Évora estão à frente na utilização das redes
sociais, ambas utilizam 4 (quatro) tipos de redes sociais, seguidas pelas Universidade Federal
da Paraíba, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade de Lisboa e
Universidade do Minho com 3 (três) redes sociais. Ainda analisando, identificamos a
Universidade Federal da Bahia e a Universidade do Algarve com 2 (dois) tipos de redes
sociais, enquanto a Universidade Federal de Sergipe, Universidade de Coimbra e a
Universidade dos Açores fazem uso de um tipo de rede social.
Diante desse panorama podemos afirmar que as redes sociais estão chegando às
bibliotecas universitárias e em Portugal mais vastamente do que no Brasil e nos leva a refletir
se é uma questão cultural, algum tipo de resistência, falta de habilidades e competências dos
bibliotecários responsáveis pelas bibliotecas ou alguma restrição institucional? Questões

3954

�como essas nos enveredam a investigar mais, principalmente sobre os reflexos das redes
sociais na vida de seus usuários.
A utilização de novos recursos da Web acelera o processo de socialização da
informação e em espaços mais interativos e participativos. O incentivo ao trabalho
cooperativo fornecido por recursos que podem criar o ambiente necessário para mudar a
forma de acessar, obter, criar e publicar informações em diferentes setores, principalmente
nos educacionais e sociais.
As bibliotecas universitárias devem ampliar suas fronteiras e vislumbrar possibilidades
de inovar suas atividades a partir do aumento na utilização e exploração e TIC, especialmente
da web. Atitudes pró-ativas para oferecer e disponibilizar informações institucionais de
produtos e serviços, implantação de novas ações de comunicação com seus usuários. É
necessário analisar e discutir o potencial dessas tecnologias e estabelecer estratégias para seu
gerenciamento e implementação. Repensar a prestação de serviços/produtos oferecidos
tradicionalmente e fornecer outros que facilitem a vida do utilizador para que ele tenha acesso
e esteja capacitado para utilizar a biblioteca e seus recursos informacionais na sua totalidade,
independente de seu local físico, bem como esteja instrumentalizado para o uso das novas
tecnologias para torná-los independentes na busca de informações. Porém, oferecer estes
novos produtos e serviços é algo que necessita de recursos humanos, materiais, financeiros,
tecnológicos disponíveis.

5. Algumas considerações

As conclusões desta investigação não findam por aqui. Porém, o exercício ora
explicitado em forma de artigo, nos fez refletir sobre questões que merecem um maior
aprofundamento. Com a evolução das bibliotecas e advento de TIC as bibliotecas
universitárias têm se inserindo paulatinamente nos novos paradigmas da informação e
comunicação em plataformas digitais, algumas de forma pró-ativa utilizando as redes sociais
para disponibilizar maior acesso as informações a própria biblioteca. Percebemos que ainda
existem lacunas a serem preenchidas, principalmente, pelo fato de muitas bibliotecas não estar
inseridas nesses espaços de compartilhamento de informações. Percebe-se que informações
têm sido geradas e distribuídas em maior escala. Textos, imagens e vídeos são produzidos em
larga escala e disponibilizados com um clique, seja pelo computador ou pelos dispositivos
móveis. Acredita-se que, diante deste contexto, as bibliotecas universitárias não podem ficar

3955

�distantes de tal realidade e para que elas se insiram neste meio é preciso uma pró-ação do
bibliotecário e das instituições a quem estão ligados. É preciso perceber que os usuários estão
circulando nestes novos espaços e é lá que a biblioteca também deve estar para auxiliá-lo e
motivá-los ao compartilhamento de informações produzidas. Deve haver uma maior interação
entre a biblioteca universitária e o usuário para que ambos percebam que a troca é um
caminho que trará o diferencial competitivo. No mundo globalizado que vivemos esta troca é
necessária e para tanto se pressupõe que a vinculação de recursos de intermediação interativa
da informação possibilitadas pelo avanço das plataformas interativas, reconhecidas como web
2.0, possa não só aproximar os usuários dos serviços/produtos de informação promovidos pela
biblioteca, mas também retroalimentará o próprio sistema de informação na medida em que,
ao utilizar esses recursos interativos, usuário e bibliotecário também estarão produzindo novas
informações que fazem parte da constituição da própria Biblioteca. Investigações recentes
realizadas em âmbito nacional e internacional demonstram que estes recursos interativos 2.0
ainda são pouco utilizados no Brasil e nossa investigação constata essa afirmação, fatores
tecnológicos, humanos e sociais estão atrelados a isto. Entretanto, nos espaços em que estes
recursos estão sendo inseridos tem ocorrido maior aproximação e apropriação do usuário
sobre os conhecimentos buscados na Biblioteca.
Diante do que refletimos, sugerimos que as bibliotecas ofereçam além de serviços
locais, outros tipos de serviços que facilitem a vida do usuário, dando-lhe autossuficiência, já
que atualmente muitos recursos informacionais estão distribuídos e disponíveis em rede.
Portanto, o bibliotecário deve estar onde o usuário está, buscando o diálogo presencial e/ou
virtual com o usuário para interpretar-lhe os meios, as formas de acesso à informação,
vislumbrando sempre atender a necessidade informacional do usuário. O diálogo será o que
diferenciará e marcará a qualidade dos serviços/produtos disponibilizados pela biblioteca aos
usuários de bibliotecas em plataformas digitais ou fisicamente.

6. Referências

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Sociedade

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                </elementTextContainer>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A biblioteca universitária e o compartilhamento de informações: um breve estudo em Portugal e no nordeste do Brasil</text>
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                <text>Mota, Ana Roberta Sousa</text>
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                <text>O estudo tem por objetivo principal analisar, com base na literatura especializada em bibliotecas universitárias e redes sociais, como está ocorrendo o uso das Tecnologias Digitais nas Bibliotecas Universitárias para disseminar informações. Aborda conceitos de informação, biblioteca universitária, redes sociais e tecnologia da informação e comunicação. Enfatiza a importância das novas tecnologias de comunicação e informação para disseminação de informações relativos a produtos e serviços de uma biblioteca. A metodologia empregada baseou-se na investigação bibliográfica e levantamento em sítios de bibliotecas, na internet, que utilizam redes sociais. Pretende-se obter um panorama do uso de redes sociais em bibliotecas brasileiras e portuguesas e propor o uso dessa tecnologia e nova forma de se relacionar para determinar ações visando inovar os serviçoes e atender as necessidades informacionais dos usuárioses com a maior objetividade e precisão. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO NOS SERVIÇOS DE INFORMAÇÕES AO
CIDADÃO - SICs

Graziella Silva Moura
Fátima Gomes Lima
Maria Carmo Paiva
RESUMO
O artigo tem por objetivo ressaltar a importância do bibliotecário para compor o Serviço de
Informações ao Cidadão - SIC, serviço disponível em todos os órgãos e entidades do poder
público, e instituído pela Lei de Acesso a Informação - Lei 12.527/2011. Considerando a
competência adquirida na formação superior deste profissional que atua como agente
mediador entre a informação e o usuário, e os requisitos apontados na cartilha de acesso à
informação desenvolvida pela Controladoria Geral da União, é possível concluir que o
profissional formado em biblioteconomia está apto para ser incluído no processo de
construção e atendimento dos SICs. A medida é necessária para garantir a eficiência do
serviço prestado, e é justificada ao longo deste trabalho, conforme levantamento bibliográfico
realizado para construção do mesmo.
Palavras-Chave: Lei de Acesso à Informação; Serviço de Informações ao cidadão - SIC;
Bibliotecário.
ABSTRACT
This article aims to highlight the importance of the librarian to compose the Citizens
Information Systems - SICs, which is a service available in all government organs and
agencies, and established by the Access to Information Act - Act 12.527/2011. Considering
the expertise gained during the formation of this professional, who acts as a mediator between
the information and the user, and, furthermore, the requirements indicated in the booklet of
access to information developed by the Comptroller General, it can be concluded that a
professional with a degree in library science is able to be included in the SICs supply and
service processes. This is such a necessary measure in order to ensure the efficiency of
service, and is justified throughout this work, as a bibliographical survey for construction o f it
states.
Keyword: Acess to Information Act; Citizens Information Systems - SICs; Librarian.

1 INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos da sociedade apresentam, cada vez, mais uma aceleração
globalizada nos meios de informação. Estar “antenado” e “conectado” 24 horas por dia torna-

1689

�se “padrão” nos dias de hoje. O que muitos desconhecem, talvez, é a atuação por trás dos
bastidores, de profissionais - especificamente neste caso, de bibliotecários, como suporte na
interpretação, codificação e apresentação desta informação no processo dinâmico do
desenvolvimento social do país.
O papel do profissional bibliotecário há muito saiu da esfera documental para a gestão
de serviços informacionais e seus produtos. Falta ainda, para um maior reconhecimento, uma
abertura de mercado com uma abrangência de larga escala, como também maior capacitação e
formação técnica que possibilite a estes profissionais, trabalhar em conjunto com outros
profissionais da área, mantendo, porém, sua competência específica, ou seja, ordenar,
sintetizar e estruturar a informação de forma representativa para que possa ser recuperada de
forma rápida e atenda eficazmente às necessidades do usuário.
A lei de acesso à Informação veio para garantir o direito do cidadão e para tal, foram
criados os Serviços de Informações ao Cidadão (SICs), desta forma, os bibliotecários
alcançaram uma posição estratégica na gestão da informação. Bibliotecários são profissionais
gabaritados para selecionar, organizar e recuperar a informação e podem atuar como
mediadores da informação e, dessa forma, desempenhar seu papel de cidadão participando da
construção do saber e do conhecimento. Garantindo, assim, o acesso a todo e qualquer
usuário, e oferecendo ao mesmo, as ferramentas de pesquisas necessárias para alcançar o
direito fundamental à informação.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O acesso à informação é considerado um direito humano fundamental, de acordo com
Fonseca é na Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, que o mesmo encontra
sua primeira formulação mais precisa, e está contemplado no art. 19 que afirma:
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o
que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de
procurar,
receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias,
por qualquer meio de expressão. (grifo do autor) (LAFER, 1991, p. 241
apud FONSECA, 1999)
No Brasil, a aprovação da Lei 12.527 de 18 de novembro de 2001, a Lei de acesso à
informação representa um avanço para a consolidação da democracia brasileira. Ao garantir
que o cidadão tenha acesso às informações públicas, excetuando-se aquelas classificadas
como sigilosas, deu-se um importante passo em direção ao reconhecimento de um direito

1690

�fundamental e ao pleno exercício da cidadania. O capítulo I da Constituição Brasileira de
1989, que trata dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, no inciso XXXIII do artigo 5
assegura esse direito:
Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestados no prazo da
lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (BRASIL, 1988).
A Lei de acesso à informação obriga os órgãos públicos considerarem a publicidade
como regra e o sigilo como exceção, regulamentando o direito à informação, garantido pela
Constituição Federal. De acordo com a Controladoria Geral da União (2011 p. 10) a nova
legislação vale para a administração direta e indireta de todos os poderes e entes federativos, e
teve origem em debates no âmbito do Conselho de Transparência Pública e Combate à
Corrupção, órgão vinculado à CGU. A Lei foi discutida e votada pelo Congresso Nacional
entre 2009 e 2011. No que concerne à transparência pública, uma iniciativa de grande
importância foi o lançamento do Portal da Transparência do Governo Federal, em 2004. Onde
o cidadão obtém informações atualizadas sobre orçamento, recursos públicos e sua aplicação
direta. Ainda conforme a CGU (2011, p. 14), para garantir o cumprimento da Lei 12.527,
além do estabelecimento de procedimentos, normas e prazos, faz-se necessário a criação, em
todos os órgãos e entidades do poder público de um Serviço de Informações ao Cidadão.
Para atender à legislação, o governo desenvolveu alguns programas de políticas
públicas, como o Portal da Transparência e mais recentemente os SICs - Serviços de
Informações ao Cidadão.
A informação, insumo essencial a qualquer organização, tem, no mundo
globalizado, um papel fundamental. A vida atual exige que os indivíduos
sejam informados o tempo todo: necessitam conhecer notícias, fatos,
instruções, padrões, regras de procedimentos, normas, estatísticas, etc. Mas,
é necessário não esquecer que o mais importante não é a quantidade de
informação disponível, e sim a sua qualidade. Esta qualidade significa
informações íntegras, atualizadas, precisas e no tempo certo para a tomada
de decisões. Dispor informações com qualidade pressupõe inteligência, ou
seja, habilidade para transformar a imensa massa de dados das organizações
em informações consistentes, isto é, com valor agregado (CUNHA, 2003).
O bibliotecário lida com o processo de disseminação da informação. “Isto significa dar
aos cidadãos informações sobre os seus direitos e deveres, aos estudantes informações que
possibilitem a realização de suas pesquisas, que esclareçam dúvidas, que despertem a
curiosidade” (CUNHA, 2003).

1691

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada para consecução deste trabalho é de nível exploratório, tendo
como finalidade, segundo Gil (1999, p. 43); desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e
ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis
para assuntos posteriores.
A pesquisa exploratória direciona o estudo a partir do levantamento bibliográfico e
análise de documentos, ferramentas que caracterizam este tipo de pesquisa, e que foram
utilizadas na elaboração do presente artigo. Para tanto, buscou-se embasamento em livros,
artigos científicos e nas legislações que regem a Lei de Acesso à Informação.

4 RESULTADOS PARCIAIS: O PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO NOS SERVIÇOS DE
INFORMAÇÕES AO CIDADÃO - SICs
Cada órgão do poder público deverá contar com um Serviço de Informações ao
Cidadão (SIC), em local com condições apropriadas para atendimento e orientação ao
público, com recursos humanos qualificados a prestarem tal serviço. O SIC ficará encarregado
de protocolizar documentos e requerimentos de acesso à informação, orientar sobre os
procedimentos de acesso (indicando data, local e modo em que será feita a consulta) e
informar sobre a tramitação de documentos.
As informações devem ser repassadas pelo SIC ao solicitante, de acordo com os
prazos estabelecidos. A resposta é imediata quando a mesma estiver disponível, ou em até 20
dias, prorrogáveis por mais 10 dias. Não é necessário que o cidadão justifique o pedido,
apenas que se identifique. O serviço de busca e fornecimento das informações é gratuito,
exceto o fornecimento de cópias de documentos.
O advento da tecnologia ao final do século XX proporcionou mudanças no fazer
bibliotecário. O livro, outrora, objeto de trabalho do profissional de biblioteconomia, tornouse apenas mais um dos suportes da ferramenta informação. Informação e conhecimento
passaram a ser diferenciais competitivos, elevando o ser humano ao status de capital
intelectual.
A demanda informacional fez surgir a necessidade de se estabelecer competências
para trabalhar com informação; é a chamada competência informacional, que exige do
profissional particularidades tais como, conhecimento e habilidades no trato com a
informação.
De acordo com Miranda:

1692

�O conceito de informação evolui na medida da evolução do conceito de
consciência coletiva de uma sociedade. É nesse sentido que a prestação de
serviços bibliotecários deveria ser considerada, embora essa dimensão de
importância nem sempre seja visualizada. (1995)
Nesta perspectiva, o bibliotecário é o profissional responsável por conectar ideias e
pessoas (sociedade), auxiliando o usuário a formular seus questionamentos, e lhe retornar com
as respostas para suas indagações.
A necessidade do usuário por informação pode vir de qualquer fonte, seja ela pública
ou privada. Na esfera pública as medidas de transparência da informação adotadas pelo
Governo através da Lei 12.527, “estabelecem procedimentos para que a Administração
responda a pedidos de informação ao cidadão” (CGU, 2011). Tais solicitações são atendidas
pelos SICs. O Serviço de Informação ao Cidadão deve disponibilizar a informação de forma
transparente e concisa, a linguagem dos dados deve ser clara, e o conteúdo acessível para as
pessoas com deficiência.
O bibliotecário é o profissional habilitado, por formação acadêmica, para o
desenvolvimento de processos de classificação, indexação, recuperação e disseminação da
informação, atividades fundamentais na construção dos SICs. Por ser o elo entre a informação
e o usuário, o profissional em biblioteconomia é um agente com conhecimento técnico para
atuar neste segmento, sobretudo no entendimento das ferramentas de busca.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Na tentativa de garantir o acesso à informação pública, o Governo Federal criou os
SICs - Serviços de Informações aos Cidadãos, que devem funcionar em todos os órgãos e
entidades do poder público. Cabe aos SICs protocolar e orientar as solicitações dos usuários.
B uscou- se neste artigo enfatizar o papel do bibliotecário como agente mediador da
informação. Pela competência profissional, já desenvolvida na academia, defendeu-se a ideia
de que o bibliotecário é de suma importância no atendimento aos usuários por meio do
Sistema de Informações ao Cidadão. E mais até, visto que a informação disponibilizada é
antes de tudo, classificada e indexada para posterior disseminação, atividades essas inerentes
à formação em Biblioteconomia, utilizar este profissional no processo de organização da
informação, e na disponibilização da mesma, assegura à instituição a qualidade no
atendimento ao público. Porém, frente ao atual cenário da chamada Sociedade da Informação,
é imprescindível ao bibliotecário a busca constante por atualização e capacitação, sem as

1693

�quais se torna inviável acompanhar os avanços tecnológicos que dinamizam os meios de
acesso à informação.

6 REFERÊNCIAS
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INFO' 97. Anais... Havana: [s.n.], 1997.
AMARAL, Sueli Angelica do. Serviços bibliotecários e desenvolvimento social: um desafio
social. Revista Ciência da Informação, v. 24, n. 2. 1995.
ARAÚJO, E. A.; DIAS, G. A. A atuação profissional do bibliotecário no contexto da
sociedade da informação: os novos espaços de informação. In: OLIVEIRA, M. (Org.).
Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. Belo
Horizonte: Ed. UFMG, 2005.
BENTO, N.; ANTUNES, A. M. S. Uma proposta de sistema de gerenciamento de
informações

estratégicas

para

indústrias

em

evolução.

Revista

Eletrônica

de

Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, n. 21, p. 1-15, 2006. Disponível
em: &lt;http://www.encontros-bibli.ufsc.br/Edicao 21/bento.pdf&gt;. Acesso em: 29 jan. 2007.
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Lei 12.527, de 18 de novembro de 2011. Brasília, DF: CGU, 2011.
BRASIL. Lei n° 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto
no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 e no § 2o do art. 216 da
Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei
no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá
outras providências. Disponível em: &lt; http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/ ato20112014/2011/lei/l12527.htm&gt; . Acesso em: 09 maio 2014.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações - CBO.
2002. Disponível em: &lt;http://www.mtecbo.gov.br/&gt; . Acesso em: 21 out. 2007.
CUNHA, Miriam Vieira da. O Papel Social do Bibliotecário. Revista Eletrônica de
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FONSECA, M aria Odila. Informação e direitos humanos: acesso às informações
arquivísticas. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 28, n. 2, maio/ago. 1999. Disponível
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1694

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                <text>O artigo tem por objetivo ressaltar a importância do bibliotecário para compor o Serviço de Informações ao Cidadão – SIC, serviço disponível em todos os órgãos e entidades do poder público, e instituído pela Lei de Acesso a Informação – Lei 12.527/2011. Considerando a competência adquirida na formação superior deste profissional que atua como agente mediador entre a informação e o usuário, e os requisitos apontados na cartilha de acesso à informação desenvolvida pela Controladoria Geral da União, é possível concluir que o profissional formado em biblioteconomia está apto para ser incluído no processo de construção e atendimento dos SICs. A medida é necessária para garantir a eficiência do serviço prestado, e é justificada ao longo deste trabalho, conforme levantamento bibliográfico realizado para construção do mesmo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A REPRESENTAÇÃO DO CONCEITO DE “UNIDADES DE INFORMAÇÃO” EM
TESES E DISSERTAÇÕES
Deise Parula Munhoz
Clériston Ribeiro Ramos
RESUMO
Será apresentada a pesquisa referente ao conceito de unidades de informação, entendendo que
este possui diferentes concepções, associados a área do conhecimento estudada. Foram
levantadas dissertações e teses de diversas áreas do conhecimento, onde tiveram como
resultado diferentes tipos de acepções do termo. Faz-se necessário, portanto, um estudo mais
aprofundado, alinhando a área do conhecimento, de forma a perceber as peculiaridades das
unidades de informação de forma mais completa.
Palavras-Chave: Unidades de Informação; Estudos de dissertações e teses; Análise de
conteúdo.
ABSTRACT
Research in the concept of units of information will be presented, considering that this has
different conceptions associated with knowledge area studied. Dissertations and theses from
different areas of knowledge, which resulted in different meanings of the term have been
raised. It is necessary, therefore, further study, aligning the area of knowledge, in order to
understand the peculiarities of the information units more completely.
Keywords: Information units; Studies of dissertations and theses; Content analysis.

1 INTRODUÇÃO
Atualmente, um termo para designar bibliotecas, arquivos, centros de documentação,
dentre outros, que vem se consolidando na área de Ciência da Informação, que é “unidades de
informação”. Este termo vem sendo consolidado, no entanto, é preciso refletir acerca das suas
origens, os autores e as correntes teóricas que estão incutidas neste conceito. Portanto, o
presente trabalho teve como objetivo, clarificar o conceito de unidades de informação,
originadas de dissertações e teses.

100

�2 REVISÃO DE LITERATURA
São diversas as conceituações da unidades de informação, na Ciência da Informação,
para Tarapanoff (1997) as principais unidades de informação são bibliotecas, arquivos
públicos e os museus, dentre outros. No entanto há diversas outras concepções, conforme
veremos ao longo deste trabalho.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Como forma de identificar o conceito de unidades de informação, foram investigadas
as dissertações e teses, na Base de Dissertações e Teses (BDTD), do Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (BDTD), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação. O modelo da BDTD/IBICT visa possibilitar dar “visibilidade a produção científica
nacional” (IBICT, 2006). Na busca avançada, foi utilizando o termo “unidades de
informação”, no campo de busca “resumo”. Ao todo foram recuperados 31 trabalhos, sendo
esses, o universo da pesquisa. Como forma de análise dos resultados, a técnica utilizada foi a
“Análise de conteúdo”, que subsidiou a apresentação dos conceitos, distribuídos em
categorias (BARDIN, 2011).
A seguir serão apresentados de forma mais detalhada a análise os resultados.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Do total de 31 trabalhos recuperados na busca da BDTD, 2 foram desconsiderados por
não apresentarem o seu conteúdo. Vale destacar que alguns destes trabalhos possuíam acesso
completo, outros somente referências e outros não possuíam nenhum acesso. Os trabalhos
recuperados foram relativamente recentes, conforme veremos a seguir:

Tabela - Período dos trabalhos levantados
Período

Ocorrências

1990 a 1999

2

2000 a 2009

16

2010 a 2013

11

Total

29

Fonte: Os autores (2014).

Como observado, os trabalhos levantados são relativamente recentes, tendo sua maior
ocorrência, no período que abrangeu a década de 2000 a 2009.

101

�Foram ao todo, recuperadas 23 dissertações e 6 teses, de diversas instituições de todo
Brasil, em diversas áreas, de Física a Ciência da Informação, passando pela Linguística e
Medicina.
No que se refere as bases teóricas do conceito de unidades de informação, foi criada
uma tag cloud, com os autores mais citados nos trabalhos pesquisados.
Figura - Tag cloud4dos autores mais citados

Fonte: Os autores (2014).

Como é possível perceber as autores Sueli Angelica do Amaral e Kira Tarapanoff
foram as autoras mais citadas no momento em que queriam se referir a conceituação do
termo.
Finalmente, no que se refere ao conceito do termo “Unidades de Informação”,

Gráfico - Concepção do termo “Unidades de informação”

4 Em tradução livre, significa “nuvem de etiquetas”.

102

�A partir do gráfico é possível perceber as diferentes conceituações das unidades de
informação guarda relação direta com a áre do conhecimento que ela está relacionada, sendo
na Ciência da Informação e na Linguística possuiram maior ocorrência.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Ainda que se tenha se realizado um estudo inicial, foi possível perceber as diferentes
acepções do termo “unidade de informação”, indo desde a concepção na questão da
Linguística, passando pela Ciência da Informação, enquanto sinônimo para bibliotecas e
também no sentido amplo, abarcando outras instituições, tais como arquivos, museus, dentre
outros. Faz-se necessário, portanto, um estudo mais aprofundado, alinhando a área do
conhecimento, de forma a perceber as peculiaridades das unidades de informação de forma
mais completa.

6 REFERÊNCIAS
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011. p. 38.
INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA - IBICT.
A

BDTD.

O

que

é

a

BDTD.

Disponível

em:

&lt;http://bdtd.ibict.br/a-

bdtd?showall=1&amp;limitstart=&gt;. Acesso em: 6 maio 2014.
TARAPANOFF, Kira. Perfil do profissional da informação no Brasil; diagnóstico de
necessidades de treinamento e educação continuada. Brasília: IEL/DF,1997.

103

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                <text>Será apresentada a pesquisa referente ao conceito de unidades de informação, entendendo que este possui diferentes concepções, associados a área do conhecimento estudada. Foram levantadas dissertações e teses de diversas áreas do conhecimento, onde tiveram como resultado diferentes tipos de acepções do termo. Faz-se necessário, portanto, um estudo mais aprofundado, alinhando a área do conhecimento, de forma a perceber as peculiaridades das unidades de informação de forma mais completa.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DE USO DA COLEÇÃO DE LIVROS ELETRÔNICOS COMO BASE
ESTRATÉGICA DE MARKETING

Carlos Alberto Souza do Nascimento Junior

RESUMO
O estudo de uso é uma técnica amplamente utilizada na avaliação de acervos, encontrando-se
nesta prática muitos princípios do marketing, o qual vem sendo aplicado na busca do
aperfeiçoamento de produtos e serviços. A fim de verificar quem são os usuários reais das
bases de dados de livros eletrônicos da EBSCO assinadas pela Universidade Federal do Pará
(UFPA), a presente pesquisa objetiva aplicar o estudo de uso a um acervo eletrônico como
base para criar estratégias de marketing que garantam o melhor aproveitamento dos recursos
investidos na tecnologia em questão. Caracteriza-se como descritiva e aplicada, utilizando a
metodologia do estudo de uso para mapear, por meio de um relatório de uso por título, as
áreas mais acessadas, de acordo com a Tabela de Áreas do Conhecimento do CNPq;
relacionando as faculdades, institutos e núcleos com interesse nessas áreas para definir quais
unidades e subunidades devem ser objeto de estudos de marketing pelo Sistema de
Bibliotecas da UFPA (SIBI/UFPA). Conclui que as áreas com menor número de acessos são
as Ciências Agrárias e a área Outros. Propõe que se utilize, como estratégia de marketing, o
estudo de usuários para medir o nível de conhecimento, interesse e autonomia no uso da
informação eletrônica, e, a partir deste estudo, a promoção, que inclui divulgação e
treinamentos.
Palavras-Chave: Estudo de uso. Marketing. Livros eletrônicos. EBSCO. Universidade
Federal do Pará.
ABSTRACT
The use study is a widely used technique in collections evaluation, laying in this practice
many principles of marketing, which has been applied in the pursuit for products and services
improvement. In order to verify who are the real users of EBSCO electronic books databases
signed by Universidade Federal do Pará (UFPA), this research aims to apply the use study to
an electronic collection as a basis to define marketing strategies to ensure a better use of the
resources invested in this technology. It is characterized as a descriptive and applied research,
using the use study methodology to map, through a title usage report, the most accessed areas,
according to CNPq's knowledge areas table; relating the colleges, institutes and centers with
interest in those areas to determine which units and subunits shall be subject of marketing
studies by the Sistema de Bibliotecas of UFPA (SIBI/UFPA). Concludes that the areas with
fewer accesses are the Agricultural Sciences and the area Others. Suggests, as a marketing
strategy, to apply a user study to measure the levels of knowledge, interest and autonomy in
the use of electronic information, and, then, the promotion techniques, which include
dissemination and training on the databases.
Keywords: Use study. Marketing. Electronic books. EBSCO. Universidade Federal do Pará.

2656

�1 INTRODUÇÃO
O Sistema de Bibliotecas (SIBI) da Universidade Federal do Pará (UFPA) busca estar
sempre conectado aos seus usuários a fim de lhes oferecer melhores serviços e produtos,
acompanhando o avanço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Isso inclui a
formação dos acervos eletrônicos, que mais recentemente passaram a incluir o acesso aos e­
books ou livros eletrônicos, que ganham cada vez mais espaço no mercado editorial brasileiro.
Todavia, a experiência tem mostrado que são necessários esforços a fim de capacitar os
usuários no uso de ferramentas informacionais eletrônicas, e o planejamento de ações neste
sentido se percebe imprescindível, principalmente em redes como o SIBI/UFPA, que atende a
uma comunidade composta, de acordo com os dados mais recentes, por mais de 45 mil
usuários (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ, 2012, não paginado).
Após um ano de assinatura de bases de livros eletrônicos da EBSCO, notou-se o
crescimento no número de acessos, questionando-se quem são os usuários que já utilizam a
base. Essa indagação deu origem à presente pesquisa, a qual objetiva aplicar o estudo de uso a
um acervo eletrônico como base para criar estratégias de marketing que garantam o melhor
aproveitamento dos recursos investidos na tecnologia em questão. Para tanto, busca mapear o
uso dos acervos eletrônicos por área de conhecimento, relacionando as áreas às faculdades,
institutos e núcleos dos campi da capital; identificar as áreas de conhecimento mais acessadas
e as menos utilizadas; e sugerir ações de marketing que possibilitem a difusão da informação
em meio eletrônico.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O livro eletrônico ou e-book não é realmente uma novidade. Em 1993, Landoni (apud
ROSETTO, 1997, p. 4) analisava algumas das definições discutidas à época para o termo,
embora sua origem remeta ao ano de 1945 (DZIEKANIAK, 2010, p. 84). Ao longo dos anos,
porém, e com a evolução das tecnologias, tornou-se possível a leitura de documentos
eletrônicos tanto em aparelhos desenvolvidos especificamente para este fim, denominados e­
readers, como também em diversos outros dispositivos portáteis, como os smartphones, além,
é claro, dos computadores pessoais.
Atualmente, a informação não somente é disponibilizada em meio eletrônico, como
nele é produzida. E isso não se restringe aos livros, mas engloba todo tipo de documento,
como artigos, relatórios, teses, dissertações etc., às vezes também denominados como e­
books. Para a presente pesquisa, contudo, considera-se livro eletrônico ou e-book somente os

2657

�livros publicados em formato eletrônico ou digitalizados para que possam ser acessados,
remota ou localmente, em um dispositivo digital.
Já no que tange ao marketing, embora tenha sido originalmente desenvolvido para
atender a uma demanda do setor privado, suas técnicas passaram a ser utilizadas em diversos
setores sociais, incluindo as bibliotecas, tendo em vista que objetiva orientar o fluxo de
produtos e serviços até o consumidor final de forma satisfatória (BAPTISTA; COSTA;
VIANA NETA, 2009, p. 85; ANGELO; ZIVIANI, 2011, p. 2). A American Marketing
Associaton (2004 apud AMARAL, 2008, p. 31) define marketing como “[...] um conjunto de
processos que envolvam a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem
como a administração do relacionamento com eles [...]”.
Diversas ações de marketing têm sido usadas em bibliotecas nos últimos tempos,
algumas delas chegando a incluir o marketing em sua estrutura organizacional, como é o caso
da UFPA (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ, 2009). Essa absorção do marketing
pelas bibliotecas tem levado bibliotecários interessados no assunto a desenvolver ações e
estratégias que agreguem valor à informação. Amaral (2008, p. 34) lista algumas atividades
de marketing que podem ser aplicadas às bibliotecas, dentre elas a promoção, “com o
propósito de fazer conhecer e efetivar o uso ou adoção de um produto, idéia, comportamento
ou serviço”.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Segundo a classificação proposta por Vergara (2006, p. 46), as pesquisas devem ser
classificadas quanto aos fins e quanto aos meios. Neste modelo, a presente pesquisa
caracteriza-se como descritiva e aplicada. Quanto aos meios, utilizou-se metodologia própria
da Biblioteconomia, o estudo de uso, definido por Vergueiro (1988, p. 106) como “aqueles
que se iniciam a partir de um grupo de materiais da biblioteca e então começam a investigar
qual o seu uso ou quanto de uso eles tiveram”.
O universo desta pesquisa é composto pelos títulos disponibilizados nas bases de
dados da EBSCO assinadas pela UFPA, tomando-se os 630 títulos acessados como amostra
para o cumprimento dos objetivos. Sabendo-se que o acesso à base só é possível nas
imediações da Universidade Federal do Pará por meio da identificação por IP do dispositivo,
compreende-se que os sujeitos da pesquisa são aqueles que integram a comunidade
universitária que frequenta os campi da Universidade. Dessa forma, as ações aqui propostas
têm como público-alvo os usuários do próprio SIBI-UFPA, principalmente no que tange ao
alunado de graduação dos campi de Belém.

2658

�A coleta de dados foi feita a partir de um relatório de uso por título, gerado pelo
agregador (EBSCO), compreendendo o período de setembro de 2012 a junho de 2013. Após
exclusão de 70 títulos duplicados, os mesmos foram classificados de acordo com a Tabela de
Áreas do Conhecimento do CNPq

, e então tabuladas por tipo de acesso (Total de acessos ao

texto, Acesso online ao texto completo, Download do texto completo e Acesso ao resumo).

4 RESULTADOS
Na representação dos dados coletados, demonstrada no Gráfico 1, nota-se que,
enquanto as Ciências Exatas e Naturais são as mais consultadas na base de dados, com um
total de 285 acessos ao texto completo e 345 acessos a resumos, as Ciências Agrárias são as
que apresentam menor demanda, com apenas 3 acessos ao texto completo (2 consultas online
e 1 download), seguidas da área Outros, que representa quantidades semelhantes, com 4
acessos a textos completos (2 online e 2 downloads) e 10 resumos.
Gráfico 1: Acessos às bases de e-books (EBSCO) pela UFPA (set. 2012-jun. 2013)
1901ral
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral

■ Total de acessos ao texto completo

1900ral

■ A cesso online ao texto completo

1900ral

■ Download do texto completo

1900ral

■ Consulta ao resumo

Fonte: Do autor.

Assim, deacordo com procedimento anterior para relacionar as faculdades, institutos e
núcleos323 às áreas do conhecimento, podemos concluir que as unidades e subunidades nas
quais o SIBI/UFPA deve, inicialmente, concentrar suas atividades de marketing são: Núcleo
de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural, Núcleo de Meio Ambiente, Núcleo de Altos

322 D isponível em: http://memoria.cnpq.br/areasconhecimento/index.htm.
323 Análise feita a partir das informações disponibilizadas no site http://www.ufpa.br.

2659

�Estudos Amazônicos, Instituo de Ciências Biológicas, Faculdade de Engenharia Sanitária e
Ambiental, Faculdade de Engenharia Naval e Faculdade de Biblioteconomia.
Propõe-se as seguintes ações de marketing voltadas para este público: a) estudo de
usuários, para medir o nível de conhecimento, interesse e autonomia que os mesmos possuem
no que diz respeito à utilização da informação eletrônica; e b) promoção das bases assinadas
pela UFPA, incluindo divulgação e treinamentos com o objetivo de demonstrar ao usuário
quais os recursos das bases e como utilizá-los de maneira eficiente, de acordo com os
resultados obtidos no estudo de usuários.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A gestão de bibliotecas tem evoluído com a Administração. É inegável a importância
de se conhecer o usuário final para que a ele se ofereça produtos e serviços de qualidade, que
atendam aos seus interesses e necessidades. As técnicas e atividades de marketing podem ser
ferramentas valiosas quando bem aplicadas, e algumas das práticas da Biblioteconomia
correspondem a esse objetivo. A pesquisa realizada demonstra o quanto são importantes as
estatísticas de uso, orientando na tomada de decisão e no planejamento de atividades que
visem aumentar a satisfação do usuário.
Mas, o estudo de uso é somente uma das etapas para que se chegue a uma conclusão
sobre a utilização de uma coleção. Verificar quem são os usuários reais de uma biblioteca ou
de um grupo de materiais leva a muitos outros questionamentos - e os não-usuários?, por que
não acessam as bases?, eles conhecem as bases?, seu conteúdo lhes interessa?, ou deixam de
acessá-las devido a alguma dificuldade?, que dificuldades?... A partir das respostas a essas e
outras perguntas, será possível fazer os ajustes necessários para que os recursos da biblioteca
sejam bem utilizados, assim como justificáveis, valorizando não somente a informação e seus
produtos, como, também, o próprio bibliotecário.

6 REFERÊNCIAS
AMARAL, Sueli Angelica. Marketing da informação: entre a promoção e a comunicação
integrada de marketing. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 18, n. 1, p. 31­
44,

jan./abr.

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Disponível

em:

&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/1636/1637&gt;. Acesso em: 16 maio
2014.

2660

�ANGELO, Edna da Silva; ZIVIANI, Fabricio. Marketing informacional em unidades de
informação. DataGramaZero: Revista de Informação, v. 12, n. 3, ago. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=18471&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.
BAPTISTA, Sofia Galvão; COSTA, Maíra Murrieta; VIANA NETA, Maria Altair Vilanova.
Marketing para promoçaõ de produtos e serviços de informação: estudo de caso da biblioteca
da Presidência da República. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação,
Campinas,

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n.

2,

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jan./jun.

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&lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=10600&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.
DZIEKANIAK, Gisele Vasconcelos. Considerações sobre o e-book: do hipertexto à
preservação digital. Biblos: Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, v. 1,
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jul./dez.

2010.

Disponível

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&lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=16400&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.
ROSETTO, Marcia. Os novos materiais bibliográficos e a gestão da informação: livro
eletrônico e biblioteca eletrônica na América Latina e Caribe. Ciência da Informação, v. 26,
n. 1, 1997. Dispnível em: &lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=8751&gt;. Acesso em:
16 maio 2014.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. Conselho Universitário. Resolução n. 666, de 2 de
abril de 2009 CONSAD: Órgãos Suplementares: Sistema de Bibliotecas - SIBI, Biblioteca
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&lt;http://bc.ufpa.br/site/images/DocumentosPDF/regimentoBC2009.pdf&gt;. Acesso em: 17 maio
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VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 7. ed.
São Paulo: Atlas, 2006.
VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Estudos de uso e de usuários como instrumentos
para diminuição da incerteza bibliográfica. Revista da Escola da Biblioteconomia da
UFMG, Belo Horizonte, v.

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1, p.

104-118, mar.

1988. Disponível em:

&lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=13640&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.

2661

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                <text>Estudo de uso da coleção de livros eletrônicos como base estratégica de marketing</text>
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                <text>O estudo de uso é uma técnica amplamente utilizada na avaliação de acervos, encontrando-se nesta prática muitos princípios do marketing, o qual vem sendo aplicado na busca do aperfeiçoamento de produtos e serviços. A fim de verificar quem são os usuários reais das bases de dados de livros eletrônicos da EBSCO assinadas pela Universidade Federal do Pará (UFPA), a presente pesquisa objetiva aplicar o estudo de uso a um acervo eletrônico como base para criar estratégias de marketing que garantam o melhor aproveitamento dos recursos investidos na tecnologia em questão. Caracteriza-se como descritiva e aplicada, utilizando a metodologia do estudo de uso para mapear, por meio de um relatório de uso por título, as áreas mais acessadas, de acordo com a Tabela de Áreas do Conhecimento do CNPq, relacionando as faculdades, institutos e núcleos com interesse nessas áreas para definir quais unidades e subunidades devem ser objeto de estudos de marketing pelo Sistema de Bibliotecas da UFPA (SIBI/UFPA). Conclui que as áreas com menor número de acessos são as Ciências Agrárias e a área Outros. Propõe que se utilize, como estratégia de marketing, o estudo de usuários para medir o nível de conhecimento, interesse e autonomia no uso da informação eletrônica, e, a partir deste estudo, a promoção, que inclui divulgação e treinamentos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POLITICAS DE DESENVOLVIMENTO DE ACERVO ELETRÔNICO E DIGITAL
NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO NORDESTE
Aline Vieira Nascimento
Eliene Gomes Vieira do Nascimento
RESUMO
O estudo apresenta a atual situação das políticas de desenvolvimento de acervos eletrônicos
nas bibliotecas universitárias públicas do nordeste do país. Aborda a elaboração e o
estabelecimento de políticas de desenvolvimento de acervos nas bibliotecas universitárias,
bem como se as mesmas contemplam os acervos eletrônicos. Discute a importância deste tipo
de acervo na atual realidade das comunidades acadêmicas, bem como os requisitos
necessários para constituir uma política que contemple os diversos tipos de materiais
informacionais disponíveis nas bibliotecas universitárias.
Palavras-Chave: Desenvolvimento de acervo. Políticas de Informação. Biblioteca
Universitária. Acervo Eletrônico. Acervo Digital.
ABSTRACT
The study presents the current situation of the development policies of electronic holdings in
public university libraries in the northeast. Discusses the development and establishment of
development policies of collections in university libraries, as well as whether they include the
electronic holdings. Discusses the importance of this type of collection in the current reality
of academic communities, as well as the requirements necessary to constitute a policy that
addresses the various types of informational materials available in university libraries.
Keywords: Collection development. Information policies. University library. Electronic
collections. Digital collections.

1 INTRODUÇÃO
Com o avanço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) um número
considerável de instituições passou por mudanças substanciais e, mesmo aquelas que ainda
não conseguiram incorporar essas alterações em suas atividades, trouxeram para o seu eixo
norteador a necessidade de se reinventar, em decorrência da explosão tecnológica.
Neste cenário, apresenta-se a instituição biblioteca universitária com a atividade de
Desenvolvimento de Coleções, que trabalha essencialmente com planejamento e gestão de

3446

�documentos, como foco principal desta discussão. Nessa concepção, Dias, Silva e Cervante
(2013, p. 49), argumentam que,
Com o avanço das TIC, é fundamental inferir que as atividades que envolvem
o Desenvolvimento de Coleções transformaram-se substancialmente e ao
modelo, por ela empregada, foram adicionados elementos resultantes
dessa explosão tecnológica, como, por exemplo, os documentos
eletrônicos. Esse tema tem sido amplamente discutido na literatura nacional e
internacional.

Com base nessa afirmação, evidencia-se a necessidade de mais reflexões por parte dos
gestores de biblioteca universitária na tarefa de elaboração de politica de desenvolvimento de
acervo. Não esquecendo que o importante é que reflita a necessidades dos usuários a qual ela
serve, e a busca por estratégias para torna-la efetiva na atualização de fontes de informação
digital e eletrônica. Atualmente, trabalhamos com demandas de informações impressas,
digitais e eletrônicas, todas essas fontes têm diferentes características quanto à aquisição,
armazenamento e avaliação.
Nesta perspectiva, este estudo surgiu da necessidade de atualização da política de
acervo do sistema de bibliotecas da Universidade Federal do Ceará-UFC, tendo como base
teórica o desenvolvimento de coleções e acervos eletrônicos (MIRANDA, 2007; WEITZEL,
2002, 2006; VERGUEIRO, 1989) e o levantamento da realidade das Bibliotecas de
Instituições de ensino superior situadas no nordeste, partindo da mesma realidade sócio
econômica e educacional que a UFC está inserida.
Com esse propósito, traçamos como objetivo verificar se as políticas de
desenvolvimento de coleção das bibliotecas destas instituições, já explicitadas e
disponibilizadas em seus respectivos sites, dão ênfase aos acervos eletrônico e digital, já que o
desenvolvimento de coleção tem como principal finalidade selecionar e disponibilizar fontes
de informação, atuais e retrospectivas de forma planejada e estratégica para suprir às
demandas informacionais da comunidade usuária, e aqui de forma particular o
desenvolvimento de coleção das bibliotecas universitárias que conforme definição de Miranda
(2007, p.17),
Dever ser um processo ininterrupto permanecendo em constante evolução. No
entanto, é necessário elaborar uma política de desenvolvimento da coleção que
conglomere os objetivos dos planos de ensino da instituição, no tocante a
englobar a literatura básica e complementar, com a finalidade de subsidiar a
tomada de decisão no processo de seleção, considerando todos os fatores
relevantes aos interesses da comunidade acadêmica, como também avaliar a
coleção periodicamente para preservar a qualidade e a idoneidade do cervo.

3447

�2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Desenvolvimentos de Coleções e Novas demandas Informacionais
A necessidade e importância do processo de desenvolvimento de coleções para a
organização do conhecimento é reconhecido desde a antiguidade, e sua evolução é
proveniente de acontecimentos históricos como: a) a explosão bibliográfica que proporcionou
reflexões a cerca de novas metodologias para atender uma nova demanda voltada ao acesso à
informação; b) O advento da internet suscitando a explosão informacional que faz emergir
novas possibilidades e conflitos a serem administrados pelo profissional bibliotecário
(WEITZEL, 2002).
Esses acontecimentos históricos são analisados por Weitzel (2002, p.66), nessa
perspectiva,
Assim como o fenômeno da explosão bibliográfica delineou cenário
favorável ao florescimento da área de desenvolvimento de coleções,
alterando o paradigma centrado no armazenamento para o acesso, o advento
da Internet, que num primeiro momento legitima esse novo modelo,
reproduz hoje a explosão informacional em meio digital de modo
instantâneo. Esse novo fenômeno suscita, por um lado, questionamento a
respeito da perenidade das coleções digitais disponíveis na Internet e sua
influência no conhecimento científico consagrado. Por outro, reforça a
importância do processo de desenvolvimento de coleções enquanto
instrumento para identificar, selecionar e categorizar o conhecimento
registrado disperso no mundo da informação.

Com base na reflexão de que o desenvolvimento de coleção de qualquer unidade de
informação está inserido em um contexto histórico e, que seu desenvolvimento e critérios
servem como instrumentos de organização do conhecimento, evidencia-se a necessidade de
perceber todas as particularidades inerentes a fatores como missão da instituição e as
demandas inerentes à área. Nesse sentido, buscamos na literatura científica as características
institucionais das bibliotecas universitárias.

2.2 Desenvolvimento de Coleções em bibliotecas Universitárias
Desenvolvimento de coleções é um assunto que tem bastante relevância na literatura
referente às bibliotecas universitárias, porém, em meio eletrônico, esta ainda é uma literatura
que requer ser explorada e que se desenvolve lentamente.
De acordo Nascimento e Santos (2012) gerenciar coleções é um trabalho que requer
um conjunto de parcerias, principalmente nas bibliotecas universitárias, que passa pela
administração da instituição, pelo usuário que irá utilizar as bibliografias até chegar ao seu
objetivo, que é disponibilizar a informação, evitando assim que haja um abarrotamento no

3448

�acervo. Para isto se faz necessário uma política de desenvolvimento de coleções. Para
Vergueiro (1989, p. 4) esta abordagem é entendida como composto por vários componentes: o
uso, conhecimento e biblioteconomia. Segundo Tarapanof (1981) a função da biblioteca
universitária é prover a infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional para apoiar
as atividades da universidade e atender as necessidades informacionais dos usuários, membros
da comunidade acadêmica.
Para Klaes (1991, p.221) a atividade de desenvolvimento de coleções constitui um
processo criterioso de expansão e atualização de acervos para atender às demandas da
comunidade universitária. Para isso, se faz necessárias elaborações de políticas de
informações que norteiem a atividade de desenvolvimento de coleções. É finalidade das
políticas de informação coordenar ações que visam integrar as bibliotecas à realidade
educacional e administrativa da universidade, implementando políticas de planejamento,
fomento à pesquisa, gerenciamento das tecnologias e desenvolvimento de coleções e serviços
de informação.
Uma das funções que mais necessita de atenção no gerenciamento de uma biblioteca
universitária é o desenvolvimento de coleções. O objetivo desse processo é incorporar às
bibliotecas a política educacional e administrativa da universidade, bem como, dar apoio aos
programas de ensino, pesquisa e extensão, incentivando a produção técnico-científica e
artística dessas instituições. Deste processo depende a formação, o desenvolvimento racional
e equilibrado do material de informação que irá subsidiar efetivamente as necessidades
informacionais da comunidade universitária. Deve-se considerar também que esta temática
tem sido destacada na literatura como uma das mais importantes atividades intelectuais do
bibliotecário, muito embora a mesma literatura reporte a dificuldade de tornar a teoria a uma
prática sistemática.
Atualmente as bibliotecas universitárias vêm atualizando seu acervo não apenas com
materiais impressos. Outros tipos de materiais vêm conquistando a usabilidade dos usuários,
isso implica que as bibliotecas universitárias terão também que administrar o
desenvolvimento de diversos tipos de acervos: o impresso, o digital e o eletrônico. Para isso,
se faz necessário à elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções que observe
questões relativas ao: a) tipo de material que será inserido no acervo (se trata de material
impresso, eletrônico ou digital); b) a condição física deste material (se for impresso), ou ainda
o formato (para documentos eletrônicos, dependendo do formato a informação correrá o risco
de se tornar inacessível), e a licença de uso (para documentos digitais); c) a importância do
material para as diversas áreas do conhecimento inerentes à comunidade universitária; e d) o

3449

�momento ideal para retirar esse material do acervo (no caso do documento digital muitas
informações acabam se tornando obsoletas e continuam circulando na rede, sem nem um
controle por parte do gestor).

2.2.1 Acervo digital e eletrônico
O avanço tecnológico trouxe para as bibliotecas a necessidade de aquisição não apenas
de materiais impressos, mas também documentos disponíveis em diversos suportes
eletrônicos. Segundo Cunha (2000) “as necessidades informacionais da sociedade determinam
as aplicações do conhecimento provocado nas universidades e essa gama de atividades
certamente tem reflexos na biblioteca universitária, especialmente no acervo e na provisão de
produtos e serviços”. Nesse sentido, se faz necessário a inserção do material eletrônico na
realidade acadêmica, nos seus diversos formatos e disponibilidade de forma que sejam
recuperáveis em qualquer ambiente virtual, assim sejam solicitados, como se refere Paul Otlet
(1934) em seu “Traité de La Documentacion” no qual afirma ser o conhecimento algo
transcendente ao local que o abriga e buscava possibilitar o acesso universal ao conhecimento
registrado.
Para Weitzel, o acervo digital (2002 p. 65) possui duas características que lhes são
fundamentais: a grande capacidade de armazenamento e a facilidade de manipulação de
dados.
Entende-se por acervo digital aquele que, depois de publicado, registrado e
disponibilizado, pode ser acessado em meio virtual ou eletrônico, podendo ser constituído por
diversos tipos de materiais informacionais

. Lerox (2007, p.3) diz que o acervo digital é

composto por documento digitalizados disponíveis em texto integral. Em relação ao acervo
eletrônico, este é caracterizado como todo material informacional publicado, registrado e
disponível em diversos dispositivos de hardware

, podendo ser acessados em máquina que

possua entradas USB, HDMI ou CD e DVD. Como também é definido pelo Glossário da
Câmara Técnica do Documento Eletrônico em que o “documento eletrônico é uma unidade de
registro de informações, acessível por meio de um equipamento eletrônico”.
De acordo com o Manifesto da IFLA para Bibliotecas Digitais as coleções digitais são
criadas, geridas e disponibilizadas de tal forma a serem facilmente e economicamente
disponíveis para uso de uma comunidade definida ou um conjunto de comunidades (IFLA,

391 Materiais informacionais no universo de uma biblioteca universitária podem ser descritos como: livros, sejam
eles impressos ou e books; periódicos; folhetos;
392 Dispositivos de hardware são os cds, dvds, pendrives, hd externos e similares.

3450

�2011). Porém, este tipo de coleção ainda não se configura como algo a ser articulado pelos
“programas, cursos e seus respectivos coordenadores, quando da elaboração de suas
bibliografias básicas, ou mesmo faz parte das estratégias do desenvolvimento de coleções nas
bibliotecas” (ASHCROFT E WATTS, 2004, p. 285).
Atualmente os e books ou “livro eletrônico” é o tipo de material que constituem a
maior parte dos acervos digitais, e a aquisição deste tipo de material requer, por parte dos
bibliotecários, atenção no que tange à licença, direitos de uso, e tempo de uso, pois muitas
coleções adquiridas pelas instituições funcionam como um consórcio em que o direito de
acesso é adquirido por meio de licenças para uso por tempo limitado. Como descrito nas
palavras de San Jose Pacios,
Os bibliotecários têm agora que analisar produtos, levando em consideração
a qualidade do conteúdo proposto, não apenas em relação às necessidades
dos utilizadores, mas também em relação ao seu preço e para o nível de
controlo existente sobre os produtos que está sendo assinando (SAN JOSE E
PACIOS 2005).

Dessa forma, o bibliotecário deverá atentar-se não somente para a usabilidade do
acervo eletrônico e digital, mas também para o tempo em que o livro estará disponível para
uso e seu custo-benefício.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa se desenvolveu a partir da análise das políticas de desenvolvimento de
acervos das bibliotecas universitárias de instituições públicas de ensino superior do nordeste
do Brasil, disponibilizadas na internet. Inicialmente foram elencadas as instituições de ensino
superior no nordeste e posteriormente foi analisado cuidadosamente o sítio dessas instituições,
a fim de encontrar uma página da biblioteca ou a política de desenvolvimento de acervos da
instituição. Após esta análise, foram recolhidas todas as políticas existentes e entre elas as que
contemplam os acervos digitais e eletrônicos com o auxilio de um protocolo. Baseado no
referencial teórico evidenciou-se critérios utilizados nas políticas para desenvolvimento de
acervos eletrônicos e digitais.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Após levantamento, através da internet, das bibliotecas universitárias pesquisadas,
constataram-se as que disponibilizam suas políticas de desenvolvimento de coleções no
nordeste do Brasil, e as que não disponibilizam, conforme mostra o quadro 1:

3451

�QUADRO 1- Bibliotecas universitárias e suas políticas de desenvolvimento de acervo
CEARÁ
U niversidade F ederal do
C eará
(UFC)
U niversidade F ederal de Integração
L uso-A fro-B rasileira (U N IL A B )
Instituto F ederal do C eará (IFCE)
U niversidade F ederal do C ariri
ALAGOAS
U niversidade F ederal de A lagoas
(U FA L)
Instituto F ederal de A lagoas (IF AL)
B A H IA
U niversidade F ederal da
B ahia
(U FBA )
Instituto F ederal da B ah ia (IFBA)
U niversidade F ederal do R ecôncavo
da B ah ia (U FR B)

P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

http://www.biblioteca.ufc.br/ima2es/stories/arquivos/bibliotecaunive
rsitaria/politicadedesenvolvimentodoacervo.pdf
http://www.unilab.edu.br/wpcontent/uploads/2012/09/Instru%C3%A7%C3%B5es-parapreenchimento-das-planilhas.pdf
Não foi encontrado
Não foi encontrado
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Não foi encontrado
Não foi encontrado
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

http://www.sibi.ufba.br/sites/default/files/Politica%20Forma%C3%
A7%C3%A3o%20Desenvolvimento%20Colecoes.pdf
Não foi encontrado
Não foi encontrada uma política, mas critérios para doação de livros.

U niversidade F ederal do V ale do São
F rancisco
MARANHÃO
U niversidade F ederal do M aranhão
(U FM A )
Instituto
F ederal
do
M aranhão
(IFM A )
P A R A ÍB A
U niversidade F ederal da P araíb a
(U FPB)
Instituto F ederal da P araíb a (IFPB)

Possui um documento com todos os serviços e inclui a aquisição de
material informacional.

U niversidade F ederal de C am pina
G rande (U FC G )
PERNAM BUCO
Instituto F ederal de E ducação Cs. e
T ecnologia de P ernam buco (IFPE)
U niversidade
F ederal
de
P ernam buco (U FPE)
U niversidade
F ederal
R ural
de
P ernam buco (U FR PE)
P IA U Í
U niversidade
F ederal
do
P iau í
(U FPI)
Instituto F ederal do P iau í (IFPI)
R IO G R A N D E D O N O R T E
U niversidade F ederal do Rio G rande
do N orte (U FR N )
Instituto F ederal do Rio G rande do
N orte (IFR N )
U niversidade F ederal R ural do Sem iÁ rido (U FER SA )
SE R G IPE
U niversidade F ederal de Sergipe
(UFS)
Instituto F ederal de Sergipe (IFS)

Não foi encontrada

P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Possui um termo de doações de materiais informacionais
Não foi encontrada
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Possui apenas um termo de doação
Não foi encontrada

P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Não foi encontrada
Possui um termo de doação
Não foi encontrada
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

http://www.ufpi.br/bccb/index/pa2ina/id/5469
Não foi encontrada
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Encontra-se dentro do regimento
Não foi encontrada
Não foi encontrada
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Não foi encontrada
Não foi encontrada

Fonte: elaboração dos pesquisadores

3452

�O resultado da pesquisa realizada na internet mostrou que das 25 bibliotecas
universitárias encontradas, apenas 16% (Gráfico 1) destas possuem uma política de
desenvolvimento de coleções estabelecida, contra 84% de bibliotecas universitárias que não
possuem uma política desenvolvida ou em desenvolvimento.
Gráfico 1 - Bibliotecas que possuem política de desenvolvimento de acervo
Politicas de Desenvolvimento de Acervos no Nordeste do
Brasil
Ceará
Alagoas
33,30%

Bahia

50%

Maranhão
Paraíba
50%

Pernambuco

25%

Piauí
Rio Grande do Norte

Fonte: elaboração dos pesquisadores
Das 21 biblioecas restantes 23,80% (Gráfico 2) possuem em sua página virtual um
termo de doação de materiais informacionais e uma nota explicativa pontuando a forma como
é realizada, na respectiva instituição, a compra de livros.

Gráfico 2 - Bibliotecas que possuem termo de doação na página virtual
Bibliotecas que possuem termo de doação na página virtual
0% 0,00%

0%

Ceará
Alagoas

33%
50%

Bahia
Maranhão
Paraíba

33%

Pernambuco
Piauí
50%

Rio Grande do Norte
Sergipe

Fonte: elaboração dos pesquisadores

3453

�Com base nas nformações encontradas nos sítios das bibliotecas universitárias das
instituições federais de ensino superior e elencadas nos resultados do gráfico 1, elaborou-se
um segundo protocolo com o objetivo de analisar as referidas políticas, conforme ilustra o
quadro 2 a seguir:

Quadro 2 - Protocolo de Análise das Políticas de Desenvolvimento
UNIVERSIDADE

ESTRUTURA DA POLÍTICA EM
QUE
ETAPA
ACERVO
DE DESENVOLVIMENTO DE APARECE
COLEÇÃO
ELETRÔNICO
E
DIGITAL

Universidade Federal do Possui uma política estruturada A política não contempla
baseada na missão da instituição e como se desenvolve o acervo
Ceará (UFC)

Universidade Federal de
Integração
Luso-AfroBrasileira (UNILAB)
Universidade Federal da
Bahia (UFBA)

que abrange a seleção de todo
tipo de material bibliográfico,
aquisição, desbastamento e a
participação
da
comunidade
acadêmica na aquisição de
material informacional. A política
está em fase de reavaliação.
A política se desenvolve baseada
na aquisição de livros de qualquer
formato e língua e conta com a
participação
de
toda
a
comunidade acadêmica.
A política se desenvolve baseada
na missão da instituição e
contempla o processo de seleção;
aquisição;
desbastamento;
avaliação da coleção; revisão da
política de desenvolvimento de
coleção em todos os tipos de
formato, seja eletrônico e digital

Universidade Federal do Intitulada “política de aquisição
de livros”, abrange a compra,
Piauí (UFPI)
doação e permuta e cita alguns
critérios utilizados na aquisição
por compra, bem como de onde
provêm os recursos financeiros.

digital e eletrônico, nem
específica quais critérios são
utilizados para a compra de e
book, periódicos e outros
tipos de materiais.

Menciona a compra de livros
eletrônicos,
mas
não
estabelece critérios para a
mesma.
Para as bibliotecas, constitui
em importante ponto de
mudança o acesso às redes
de informações, internet, e­
books e bases de dados.
Percebe-se a preocupação
com
acervo
digital
e
eletrônico em todas as etapas,
porém não orienta nenhuma
especificidade
para
esse
material, usa-se o mesmo
critério
do
material
convencional.
Em nenhum momento é
mencionado no documento o
acervo em formato eletrônico
e digital.

Fonte: elaboração dos pesquisadores

Foi constatado que, das políticas analisadas, três mencionam em algum momento que
possuem em seu acervo documentos eletrônicos e/ou digitais, mas não estabelecem critérios
específicos para esse tipo de material, e em duas delas fica subentendido que o processo é o

3454

�mesmo utilizado para livros impressos. Na política de desenvolvimento da Universidade
Federal da Bahia - UFBA é contemplado o estabelecimento de critérios para inserção de
documentos nos repositórios digitais. Estes critérios são importantes visto que, na atual
realidade das bibliotecas universitárias, os repositórios estão sendo implantados e os seus
acervos vêm crescendo sem o devido controle bibliográfico. Outra observação a ser registrada
é que nas bibliotecas que possuem o termo de doação na sua página, o termo não contempla a
aquisição de diversos tipos de materiais informacionais, mas que na relação dos serviços os
diversos tipos de material bibliográfico são contemplados, como por exemplo: cd, dvd,
folhetos, etc.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
As políticas de desenvolvimento de acervos surgiram para evitar o crescimento
desordenado dos documentos e orientar os profissionais nas decisões a serem tomadas no
decorrer da atualização dos acervos. Weitzel (2006, p.18) enfatiza que as políticas de
desenvolvimento são “um instrumento importante para desencadear o processo de formação e
desenvolvimento de coleções, constituindo-se num documento formal elaborado pela equipe
responsável pelas atividades que apoiam o processo de desenvolvimento de coleções como
um todo”.
Nesse sentido, refletimos sobre a importância de se estabelecer uma política de
desenvolvimento de acervos dentro da biblioteca universitária, que por sua vez são
consideradas peças fundamentais na concretização da missão da Universidade, ajudando-a a
cumprir as atividades de pesquisa, ensino e extensão. Dessa forma, a biblioteca universitária
deverá estar sempre alerta aos avanços tecnológicos no que tange ao acesso à informação.
Os documentos eletrônicos e digitais devem ter atenção parecida com a desprendida
aos documentos impressos e com o diferencial que estão disponíveis em formatos variados,
nesse sentido Al Fadhli e Johnson (apud Dias, Silva e Cervantes 2012) corroboram afirmando
que “é essencial um planejamento amplamente difundido, muito semelhante a política de
planejamento impresso", visto que os documentos em meio eletrônico e digital possuem uma
vida útil menor que os documentos impressos, pelo fato de que as informações estão
crescendo aceleradamente.
O estudo nos mostrou que esse ainda é um assunto deficiente para as bibliotecas
universitárias e instituições de ensino superior do nordeste, e que precisa ter maior atenção,
mas que ao mesmo tempo, o acervo eletrônico e digital é algo que está sendo descoberto pelos
gestores em informação, e na medida em que os acervos são demandados pelos usuários, cabe

3455

�aos gestores identificar e explorar novas metodologias e ações para se efetivar o acesso à
informação de forma qualitativa. Recomendamos que na elaboração de uma política de
desenvolvimento para acervos eletrônicos e digitais, seja dada a devida atenção para o
descarte e desbastamento desse material que também se torna obsoleto, mas que permanece
por um período longo disponível na internet. Para isso é imprescindível que as políticas de
desenvolvimento de acervo estejam em constante avaliação para que sejam atualizadas na
medida em que for necessário.

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3457

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                <text>O estudo apresenta a atual situação das políticas de desenvolvimento de  acervos eletrônicos nas bibliotecas universitárias públicas do nordeste do país. Aborda a elaboração e o estabelecimento de políticas de desenvolvimento de acervos nas bibliotecas universitárias, bem como se as mesmas contemplam os acervos eletrônicos. Discute a importância deste tipo de acervo na atual realidade das comunidades acadêmicas, bem como os requisitos necessários para constituir uma política que contemple os diversos tipos de materiais informacionais disponíveis nas bibliotecas universitárias.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O USO DO FACEBOOK COMO FERRAMENTA DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA

Debora Do Nascimento
Hebe de Deus Freire
Joana Ceia Costa
Leticia Aparecida de Araújo
RESUMO
O “serviço de referência” tem o objetivo de auxiliar os usuários na recuperação da informação
poupando-lhes tempo e agilizando seu acesso a elas. Esse processo pode ser mais eficaz
através dos recursos tecnológicos como o Facebook, em evidência na sociedade atualmente.
Este trabalho surgiu da necessidade de aproximação na relação Biblioteca/usuário e da
possibilidade de oferecer uma alternativa de comunicação com o serviço de referência da
Biblioteca. Partindo da observação de que a maioria dos usuários utiliza frequentemente as
redes sociais, pretende-se avaliar se a relação entre o serviço de referência e os usuários pode
ser aprimorada através delas. Serão propostas, a partir daí, formas de aproximação do usuário
com a biblioteca universitária e seus serviços. Esta avaliação será contínua devido à
intermitência deste tipo de recurso e das relações com seus usuários.
Palavras-Chave: Serviço de referência virtual; redes sociais na internet; Facebook.

ABSTRACT
The reference service aims to help users recover information, saving time and speeding up
their access to them. This process may be more effective through technologic resources as
Facebook, so broadly used in society nowadays. This research came from the need of a closer
library-user relation and from an opportunity of providing the user with an alternate way of
communicating with the library reference service. Due to the fact that most of the users
frequently access social networks, the intention is to recognize whether the interaction
between user and the library reference system can be improved through social networking or
not. Then, ways to make the relation between the user and the library and its services closer
will be proposed. This evaluation shall be constantly made, due to how unstable these
services’ relations with their users are.
Keywords: Virtual reference service; internet social networks; Facebook.

1 INTRODUÇÃO
“O serviço de referência de uma biblioteca é aquela parte do sistema que se incube
particularmente da tarefa de guiar o leitor no uso da biblioteca e, sobretudo, no

3373

�aproveitamento dos recursos” (PLACER, 1968, p.22). Embora o autor mencione os recursos
locais do acervo, utilizamos aqui o conceito de recursos de forma mais ampla, englobando
todas as ferramentas e serviços disponibilizados na biblioteca bem como as competências dos
bibliotecários de referência. Atualmente, esses novos recursos - em sua maioria - são
relacionados às ferramentas tecnológicas advindas da internet e seus derivados.
Segundo Castells (2006, p.89), “em fins da década de 1990, o poder da comunicação
da Internet, juntamente com os novos progressos em telecomunicações e computação
provocaram mais uma grande mudança tecnológica”. Esse poder influenciou claramente as
bibliotecas e unidades de informação, como podemos observar através da implantação de
processos de automação e modernização de acervos, rotinas, catálogos etc. em grande parte
das instituições de informação, culminando no que hoje é chamado de bibliotecas híbridas que possuem acervos físicos tradicionais e acervos e/ou recursos digitais, eletrônicos e
virtuais.
Esse poder da comunicação, aliado aos recursos oferecidos pela internet, resultou no
aumento gradativo das interações interpessoais mediadas pela internet. Entre esses recursos,
os que mais se popularizaram mundialmente nas últimas décadas foram os espaços virtuais de
interação denominados redes sociais. Dentre eles, o que mais tem chamado atenção e ganhado
espaço é o Facebook.
O Facebook surgiu em 2004 e segundo a página oficial brasileira da rede “a missão do
Facebook é dar às pessoas o poder de compartilhar informações [...]. Milhões de pessoas
usam o Facebook para [...] conhecer mais as pessoas com quem você se relaciona”
(FACEBOOK, 2004), ou seja, a intenção da rede é criar vínculos maiores em relações sociais
pré-existentes. Cavalcante e Silva (2013) ressaltam que “as redes sociais na internet devem
ser utilizadas de maneira efetiva alcançando visibilidade na weV\ Pensando nisso, a
Biblioteca de Rio das Ostras decidiu criar uma página no facebook.
A Biblioteca de Rio das Ostras é uma das 26 unidades que compõem o Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense, e situa-se no interior do Estado do Rio de
Janeiro, em um dos antigos polos (hoje campi) que integram o projeto de interiorização da
Universidade.
A página da Biblioteca no facebook foi criada com a intenção de atender a crescente
demanda de estreitamento no relacionamento da Biblioteca com seus usuários. Dentre as

3374

�razões do aumento desta demanda destacamos como principais a defasagem da equipe de
funcionários e a entrada crescente de alunos especialmente em consequência do Reuni

.

O Reuni foi instituído pelo Decreto n° 6.096, de 24 de abril de 2007, denominado
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
(BRASIL, 2007). Tem como objetivo a expansão da educação superior buscando ampliar o
acesso e a permanência no nível de graduação na educação superior no país. Algumas de suas
metas mais importantes, como a diminuição da evasão, ocupação das vagas ociosas e
especialmente o aumento das vagas de ingresso sobrecarregaram as universidades e os
serviços prestados aos alunos.
Dentro desse contexto, o presente texto tem como objetivo descrever a fase inicial da
experiência do Projeto “Bibliotecas e Mídias Sociais”, nascido a partir do trabalho final (com
tema de mesmo nome) do Curso de Capacitação em Gestão Universitária, ministrado pela
Universidade Federal Fluminense e que ainda está em andamento. O projeto tinha como
objetivo geral avaliar a relação entre o serviço de referência e as mídias sociais na biblioteca
de Rio das Ostras, verificando seu impacto na utilização dos serviços pelos usuários. Nesta
primeira fase, queremos verificar de que forma o facebook pode estreitar as relações entre a
instituição, principalmente entre o serviço de referência e seus usuários. Posteriormente,
pretendemos analisar quais serviços podem ser oferecidos aos usuários através dessa
ferramenta, investigando os interesses e necessidades dos usuários.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A defasagem de um corpo técnico suficiente para atender rapidamente as demandas
dos usuários poderia ser parcialmente suprida se parte das “questões de referência”,
especialmente as “consultas de caráter administrativo e de orientação espacial” (GROGAN,
2001, p.37), fossem sanadas antes da chegada do usuário à biblioteca visto que são
normalmente pontuais e de natureza simples. Ressaltamos aqui a utilização do termo “serviço
de referência” não como um setor da unidade, mas sim como descrito por Grogan no sentido
de “assistência efetivamente prestada ao usuário que necessita de informação” (2001, p.50).
Essa assistência não necessita ser presencial, uma vez que atualmente os recursos
tecnológicos possibilitam uma comunicação quase tão rápida e eficiente “pois, permitindo um
rápido intercâmbio de informações, o serviço de referência tirará vantagem disso se estiver
conectado com outros serviços de referência...” (ACCART, 2012, p. 133).

386 O projeto duplicou o número de ingressantes em algumas instituições, segundo site do Mec.

3375

�O serviço de referência pode ser considerado como o caminho mais curto entre a
informação e o usuário.
Nunca é demais repetir que entre o bibliotecário de referência e o livro não
existe qualquer conexão inevitável e eterna. A substância do serviço de
referência é a informação e não determinado artefato físico. (GROGAN,
2001, p. 29).

Um dos conceitos chave que norteiam o projeto é o de mediação da informação. Como
mediadores, temos o dever de levar ao usuário à informação desejada da forma mais eficiente
possível, poupando-o, inclusive, do deslocamento desnecessário e ampliando nossa área e
forma de atuação e utilizando as ferramentas mais confortáveis, desde que estejam
disponíveis.
Uma das origens do conceito de mediação (ou intermediação) está no
desenvolvimento das tecnologias da informação que permitem orientar de
forma diferenciada os serviços. Os campos de atuação dos profissionais da
informação se ampliaram consideravelmente (ACCART, 2012, p.15).

Não há aqui a pretensão de criar um serviço de referência virtual altamente
especializado, e sim minimizar dificuldades de acesso às informações referentes à Biblioteca e
diminuir a sobrecarga no atendimento presencial.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma investigação onde se pretende avaliar se a relação entre o serviço de
referência e os usuários pode ser aprimorada através do uso das redes sociais, em especial o
Facebook.
Será realizado um levantamento das seguintes questões, através de observação in loco
e questionários [aplicados tanto presencial quanto virtualmente] e direcionados aos usuários
reais e potenciais da Biblioteca:
•
Os recursos oferecidos pela universidade atendem a demanda do serviço de
referência da biblioteca?
•
O Facebook pode ser utilizado para suprir uma possível defasagem de recursos
no contato com o usuário?
•
Essa pode ser uma ferramenta utilizada para aumentar o contato entre o usuário
e a biblioteca?
•
O usuário tem interesse na utilização do Facebook como meio de comunicação
com a biblioteca?
•
É possível que esse recurso seja utilizado por outras bibliotecas do sistema da
Universidade?

3376

�4 RESULTADOS PARCIAIS
A página da Biblioteca no facebook foi criada em maio de 2012 e desde então tem
passado por diversas análises sobre o conteúdo publicado, o conteúdo mais curtido e os
conteúdos mais visualizados, bem como os horários de maior acesso. Pouco mais de 7% do
total atual de usuários da página já entrou em contato por mensagem para esclarecimento de
dúvidas, solicitação de serviços e contato em geral com a Biblioteca. A interação na página
varia entre 10% e 50% dependendo do horário e dos cursos para os quais as postagens são
direcionadas. Por ser uma Biblioteca multidisciplinar, atendendo a seis cursos de interesses
diversos (dois das áreas tecnológicas, três de humanas e uma de saúde), a relevância de
postagens para os usuários costuma ficar na proporção de 25% a 40% para cada usuário, se
somarmos as postagens especializadas aos gerais (de interesse comum: leitura, conteúdos
online, notícias da universidade etc.). Há uma interação maior dos usuários das áreas
tecnológicas do que das áreas de humanas. Cada curtida de usuário aumenta em 100% o
alcance inicial básico, com alguns usuários chegando a aumentar em 300% o alcance de uma
postagem.
Os longos períodos de greve desde a criação da página dificultaram a manutenção da
mesma e interação dos usuários, visto que são longos períodos com pouca ou nenhuma
postagem, aonde a interação muitas vezes foi inexistente.
Notamos que, em relação aos conteúdos mais visualizados e compartilhados, as
informações da Universidade e calendários despertam maior interesse. As informações
voltadas para as áreas de graduação ainda têm pouca visualização e um número insignificante
de “curtidas”, o que significa que ainda necessita ser adequada ao público. As fotos são
recordistas tanto em comentários quanto em curtidas.
Observando em um prazo maior de que maneira o Facebook pode estreitar as relações
com a instituição, principalmente entre o serviço de referência e seus usuários, pretendemos
propor formas de aproximação desse usuário com a biblioteca e seus serviços. O projeto
deverá ser continuado, analisando sistematicamente os serviços que poderão ser oferecidos
aos usuários através dessas ferramentas e investigando os interesses e necessidades dos
usuários.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Através da análise dos dados que serão colhidos no questionário e da avaliação da
interação dos usuários pelo facebook, pretendemos mensurar as expectativas geradas com a
utilização desta rede, sua eficiência e eficácia em relação à comunicação entre o usuário e a

3377

�biblioteca, se seu uso promoveu melhoria nessa comunicação e quais os instrumentos
necessários ao aprimoramento contínuo do uso dessa ferramenta no âmbito da Biblioteca.

6 REFERÊNCIAS
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Brasília (DF):
Briquet de Lemos, 2012.
BRASIL. Ministério da Educação. Decreto n. 6.096, de 24 de abril de 2007. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6096.htm&gt;.

Acesso

em: 03 ago. 2014.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
CAVALCANTE, Caroline Pazini; SILVA, José Fernando Modesto da. O uso do facebook por
bibliotecas públicas localizadas na cidade de São Paulo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis, SC, Anais do
CBBD, Florianópolis, SC, 2013. Disponível em: &lt; file:///E:/SNBU%202014/1285-1298-1PB.pdf&gt;. Acesso em: 03 ago. 2014.
CRUZ, Ruleandson do Carmo. Redes sociais virtuais: premissas teóricas ao estudo em ciência
da informação. TransInformação, Campinas, v. 22, n. 3, p. 255-272, set./dez. 2010.
GROGAN, Dennis. A prática do serviço de referência. Brasília (DF): Briquet de Lemos,
2001.
FACEBOOK.

Facebook

Brasil.

Página

oficial

[online],

2004.

Disponível

em:

&lt;https://www.facebook.com/FacebookBrasil/info&gt;. Acesso em: 03 ago. 2014.
PLACER, Xavier. Técnica do serviço de referência. Rio de Janeiro: Associação Brasileira
de Bibliotecários, 1968.
TOMAEL, Maria Inês. Redes de conhecimento. DataGramazero: Revista de Ciência da
Informação, v. 9, n. 2, abr. 2008. Disponível em: http://www.dgz.org.br/abr08/Art_04.htm
Acesso em: 10 mar. 2014

3378

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                <text>O "serviço de referência" tem o objetivo de auxiliar os usuários na recuperação da informação poupando-lhes tempo e agilizando seu acesso a elas. Esse processo pode ser mais eficaz através dos recursos tecnológicos como o Facebook, em evidência na sociedade atualmente. Este trabalho surgiu da necessidade de aproximação na relação Biblioteca/usuário e da possibilidade de oferecer uma alternativa de comunicação com o serviço de referência da Biblioteca. Partindo da observação de que a maioria dos usuários utiliza frequentemente as redes sociais, pretende-se avaliar se a relação entre o serviço de referência e os usuários pode ser aprimorada através delas. Serão propostas, a partir daí, formas de aproximação do usuário com a biblioteca universitária e seus serviços. Esta avaliação será contínua devido à intermitência deste tipo de recurso e das relações com seus usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REDE SOCIAL: DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO E SERVIÇO DE
REFERÊNCIA NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE
Edson Cordeiro do Nascimento
Vania Ferreira da Silva
Maria Wellita Bezerra dos Santos Bastos
Elisabeth da Silva Araújo

RESUMO
Relata como o uso de uma rede social facilita a comunicação com os usuários, servindo
também como vitrine para outros serviços da Biblioteca. Através do estudo de caso foi
possível identificar demandas e definir a melhor forma de atuação do bibliotecário de
referência, criando um espaço mais interativo e participativo, despertando no usuário o papel
de colaborador nesse novo ambiente.
Palavras-Chave: Rede social; Biblioteca; Usuários; Comunicação.

ABSTRACT
Report how the use of a social networking facilitates the communication with users, and can
alert for other services of the Library. By a case study we can identify demands and define the
better way to librarian procedure, creatings an interactive and participative space, and induces
the user for the role of cooperator at this new environment.
Key-words: Social networking; Library; User; Communication

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias estão cada vez mais se atualizando no que diz respeito às
novas tecnologias de comunicação e informação, tentando desenvolver competências para
atender as necessidades de seu público, através do uso de canais de comunicação que
ofereçam rápido acesso e atendimento às necessidades de informação de seus usuários.
Os estudos sobre redes sociais na CI surgem, no Brasil, a partir do final dos
anos 90, associados, como em outros domínios de conhecimento, aos
processos advindos da globalização econômica e da mundialização cultural
no contexto da ampliação da comunicação e dos fluxos informacionais
mediados pelas novas tecnologias. (MARTELETO, 2010, p.33).

3626

�A biblioteca universitária tem como missão atender a comunidade acadêmica nas suas
atividades de ensino, pesquisa e extensão, oferecendo serviços de informação. Nesse processo
é importante que a biblioteca esteja em diálogo com seu público.
As redes sociais além de serem ferramentas de fácil acesso à informação criam um
processo dinâmico de trocas, criando elo entre instituições e seus usuários.
Esse trabalho tem como objetivo demonstrar como o uso estratégico de uma rede
social (Facebook) tem cooperado para a divulgação e melhoria dos serviços e produtos
oferecidos pela Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Além
disso, apreciar como o uso das redes sociais proporciona um melhor diálogo da Biblioteca
com seus usuários, identificando seu perfil e suas demandas.
Para alcançarmos os objetivos desse trabalho, a metodologia utilizada foi o estudo de
caso. Como ferramenta, utilizamos os registros gerados pelo Facebook da Biblioteca através
da coleta de dados e atendimentos realizados na rede social.

2 ANALISANDO O USO DO FACEBOOK DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE
A partir de 2012, o planejamento para melhoria dos serviços da Biblioteca Central da
UFRPE passou a ter como um dos focos principais criar ferramentas para melhor
comunicação e interatividade da Biblioteca com a comunidade acadêmica da UFRPE.
No primeiro momento, criamos o perfil da Biblioteca Central da UFRPE no Facebook,
que teve como objetivo central disponibilizar aos usuários informações como: horário da
biblioteca, serviços, capacitações e comunicados. Até então, esses comunicados só eram
feitos através do setor de comunicação, que publicava essas informações na página
institucional da UFRPE. Devido ao grande fluxo no setor de comunicação, nem sempre as
informações eram divulgadas em tempo hábil e ficavam pouco tempo em destaque no site
oficial. Além disso, esse canal não nos oferecia a possibilidade de troca com os usuários. A
partir dessa necessidade de melhor divulgação dos comunicados e das ações da Biblioteca,
que adentramos nesse universo Web 2.0.
Em maio de 2012 disponiilizamos o perfil da Biblioteca Central da UFRPE e
começamos a divulgar informações sobre seus serviços e funcionamento. Passamos também a
analisar a interação dos usuários com nosso novo canal de comunicação. Dessa forma, o
usuário assume o papel de colaborador e o bibliotecário de agente social e interacionista
(VIEIRA; CARVALHO; LAZZARIN, 2008, p. 3).

3627

�Figura 1 - Imagem do Facebook da Biblioteca.

Fonte: As autoras, 2014.

No final de maio e começo de junho, verificamos que os usuários da Biblioteca
Central da UFRPE começaram a interagir com o perfil da Biblioteca Central da UFRPE no
Facebook para tirar dúvidas ou fazer críticas sobre os serviços da Biblioteca e dessa forma,
geraram uma maior demanda para o Serviço de Referência Online, “Certamente está próximo
o tempo em que a referência Web será indistinguível da referência face-a-face; bibliotecários
e usuários verão e escutarão uns aos outros, e compartilharão telas e arquivos.” (MANSESS,
2007, p. 47).
No primeiro mês de uso do perfil da Biblioteca no Facebook recebemos em torno de
30 atendimentos online, em sua maioria sobre os serviços da Biblioteca e consultas. Os
exemplos que seguem nos fizeram entender a necessidade dos usuários por um serviço de
referência online e, por sua vez, como aponta Maness (2007), a necessidade dos usuários
participarem da criação do seu conteúdo.

Dúvidas/Interações
Boa tarde! Mesmo com a greve, as multas estão sendo computadas normalmente?
Porque esqueci minha senha da biblioteca, quando achei minhas anotações com a
senha eu já estava com os 3 títulos vencidos, tentei regularizar minha situação
mas não consegui. Grata desde já pela atenção, Usuário 1.

3628

�(Usuário falando sobre um Projeto da Biblioteca, o Troca de saberes, que oferece
palestras com profissionais das áreas correlatas com a UFRPE)
Quando será que vai ocorrer um novo conjunto de palestras sobre a área de
Biologia (licenciatura)? Usuário 2.
Olá, estava fazendo intercambio e voltei durante a greve. Como faço para poder
pegar livros novamente? Estou matriculado como intercambista, afinal o primeiro
semestre ainda não acabou. Posso usar uma declaração do coordenador do
curso? Estou numa situação especial pois estive 2 anos fora da Rural em
intercâmbio. Usuário 3.
Boa Tarde, pode me tirar uma duvida a respeito do acervo disponível ?
vocês tem obras de ficção tbm ou somente obras didaticas ? Usuário 4.
Como faço pra reservar um livro? Não consigo fazer isso. Usuário 5.
A universidade oferece bolsa para os alunos dentro da Biblioteca? Usuário 6.
Pessoal, bom dia! Ouvi falar uma vez que o COMUT da BC da UFRPE faz uma
ponte entre artigos científicos PAGOS e os alunos da instituição. Alguém poderia
me informar melhor esse procedimento? Como não tive acesso a uns artigos, pois
são pagos, gostaria de comprá-los. Aí é que entra a BC, pois pelo que ouvi ela faz
essa compra para os alunos. Alguém sabe dizer? Usuário 7.
(Usuário falando sobre o acesso a Biblioteca Digital)
Consegui configurar o proxy, muito simples. O catálogo é realmente extenso.
Parabéns pela iniciativa. Acho que o NTI ou alguém um dos cursos de informática
poderia

providenciar

Eu mesmo faria,

um

vídeo

didático

de

auxílio.

se tivesse tempo. Não leva 1min para configurar.

Uma sugestão: Poderiam fazer um documento explicando como funcionam os
downloads/empréstimos e fixar no site da universidade. Usuário 8,

As mensagens apresentadas ocorreram de forma síncronas (com interação no batepapo) e assíncrona (com mensagens nos posts da biblioteca). Segundo Maness (2007) é
importante essa forma de comunicação numa Biblioteca 2.0, pois

3629

�as redes sociais permitem que bibliotecários e usuários não somente
interajam e também compartilhem e também transformem recursos
dinamicamente em um meio eletrônico; assim sendo os usuários podem criar
vínculos com a rede das bibliotecas universitárias, ver o que outros usuários
têm em comum com suas necessidades de informação, baseado em perfis
similares, demografias, fontes previamente acessadas e um grande números
de dados que os usuários fornecem. (MANSESS, 2007, p. 50).

Redes sociais de Bibliotecas devem ser usadas para interação do usuário com o
Bibliotecário, produzindo um fluxo de informação que seja demandada de ambas as partes, a
fim de que as relações não sejam apenas de recepção, ou mesmo que o Facebook da
Biblioteca torne-se apenas um mural.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando o Facebook da Biblioteca Central da UFRPE podemos considerar que sua
implantação, embora tenha sido inicialmente para fins de comunicação, nos alertou para
necessidade de entender que o usuário necessitava de mais uma ferramenta para serviços de
referência, além de um espaço para interagir com a Biblioteca. Assim, criamos também uma
Fanpage no Facebook, a fim de oferecer uma visibilidade maior de nossas publicações, e
oferecer ao usuário outro canal de interação com a Biblioteca.
Percebemos também, com a criação da página do Facebook, que muitos usuários
criam seus conteúdos e disponibilizam na página da Biblioteca para interação com outros
usuários, em sua maioria relativos a cursos, congressos, e outras demandas da Universidade.
Dessa forma, realinhamos nosso objetivo com a criação do Facebook, entendendo que,
para além de um mural de comunicação, o mesmo deve ser um espaço de interação e
colaboração entre usuários e biblioteca.

4 REFERÊNCIAS
MANESS, Jack M. Teoria da biblioteca 2.0: web 2.0 e suas implicações para as bibliotecas.
Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 17, n.1, p. 43-51, jan./abr., 2007.
MARTELETO, R. Redes sociais, mediação e apropriação de informações: situando campos,
objetos e conceitos na pesquisa em Ciência da Informação. Pesquisa Brasileira em Ciência
da Informação, Brasília, v.3, n.1, p.27-46, jan./dez. 2010.
VIEIRA, D. V.; CARVALHO, E. B. de; LAZZARIN, F. A. Uma Proposta de modelo
baseado na Web 2.0 para as bibliotecas das Universidades Federais. In: ENCONTRO
NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIADA INFORMAÇÃO, 9., 2008, São Paulo.
Anais...
São
Paulo,
2008.
Disponível
em:
&lt;http://www.bax.com.br/teaching/courses/bibliotecasdigitais/referencias/PROPOSTA.pdf&gt;.
Acesso em: 03 mar. 2014.

3630

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Rede Social: disseminação da informação e serviço de referência na Biblioteca Central da UFRPE</text>
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                <text>Nascimento, Edson Cordeiro do, Silva, Vania Ferreira da, Bastos, Maria Wellita Bezerra dos S., Araújo, Elisabeth da Silva</text>
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                <text>Relata como o uso de uma rede social facilita a comunicação com os usuários, servindo também como vitrine para outros serviços da Biblioteca. Através do estudo de caso foi possível identificar demandas e definir a melhor forma de atuação do bibliotecário de referência, criando um espaço mais interativo e participativo, despertando no usuário o papel de colaborador nesse novo ambiente.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O GRAU DE SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFES
EM RELAÇÃO AOS SERVIÇOS E INFRAESTRUTURA OFERECIDOS

Francisca Ivanizia Nascimento

RESUMO
O trabalho analisa a satisfação dos usuários da Biblioteca Central da Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES) com os serviços e a infraestrutura disponibilizada. Utiliza a pesquisa
de campo do tipo qualitativa - descritiva como abordagem metodológica e a técnica de
questionário estruturado com 8 perguntas para coleta de dados com vistas a identificar,
inicialmente, as características do usuário da unidade da informação e, na sequência, avaliar a
sua satisfação em três áreas de atuação da biblioteca: os serviços remotos, os serviços
presenciais e a infraestrutura existente. Os resultados obtidos referem-se à população
pesquisada, portanto, um tipo de conhecimento restrito a este público e limitado às suas
condições de generalização. Estas limitações não retiram as qualidades da presente pesquisa,
visto ser capaz de revelar, a partir de um extrato ou segmento de usuários, certa perspectiva
do fenômeno estudado. Conclui que, de modo geral, os usuários mostraram-se satisfeitos com
os serviços prestados e com a infraestrutura disponível.

Palavras-chave: Satisfação de Usuários. Biblioteca Universitária - Serviços. Biblioteca
Universitária - Infraestrutura.
ABSTRACT
Analyzes user satisfaction of the Central Library of the Universidade Federal do Espírito
Santo (UFES) with the services and infrastructure available. Uses field research as a
methodological approach and technique o f structured questionnaire to collect data that sought
initially to identify the characteristics of user information and drive the following, to evaluate
their satisfaction in three areas of the library: services remote, in-person services and existing
infrastructure. The results refer to the surveyed public, so a kind of knowledge restricted to
this audience and limited to their conditions of generalization. These limitations do not negate
the qualities of this research, since it is able to reveal, from an extract or user segment, certain
perspective of the phenomenon studied. Concludes that, in general, users were satisfied with
the services provided and the available infrastructure.

Keywords: User Satisfaction . University Library - Services . University Library Infrastructure.

1411

�1 INTRODUÇÃO
No intuito de acompanhar a evolução da tecnologia, os serviços prestados na Biblioteca
Universitária estão mudando. Nesse contexto, desenvolver um estudo em que se busca
identificar o grau de satisfação dos usuários com os serviços prestados e com a infraestrutura
apresentada pela Biblioteca Central, proporciona o levantamento de informações para se
conhecer não apenas a satisfação desses usuários em outro tipo de estudo, mas identifica
também pontos de excelência, que podem se tornar modelos de aplicação em outros setores.
Na opinião de Tarapanoff (1982, p. 84).

Bons serviços garantem a sobrevivência da biblioteca universitária, mas a
biblioteca precisa estar constantemente alerta para melhorar os seus serviços,
porque estes, em retorno, darão um valor maior de troca à biblioteca com o
seu meio ambiente. Melhores serviços podem significar melhores
orçamentos que, por sua vez, geram um novo ciclo de eventos, que é
representado pela relação: insumo-transformação-produto, este processo é
essencial à vida da organização.
O mapeamento e a identificação de eventuais necessidades de investimento, assim como o
aperfeiçoamento dos serviços, infraestrutura física, material, equipamentos e mobiliários têm
como objetivo maior a realização de um diagnóstico de uma unidade da informação, focando,
em primeiro lugar, o bem estar dos usuários. Essa avaliação visa conhecer os serviços
oferecidos pela biblioteca, a fim de fazer recomendações e sugestões à instituição que servem
de base para esse trabalho. Gesteira (2005, p. 50) afirma que:

A biblioteca tem mudado de função, passando de espaço onde se armazenam
os patrimônios filosóficos e científicos da sociedade para as futuras
gerações, preservando-os do perecimento, para se transformar em local de
convívio, inspiração, apoio e formação dos que desejam o mundo, a ciência e
as artes.
A autora nos mostra que as atuais bibliotecas não são meras depositárias de livros e sim, um
setor responsável pela organização, gestão, disseminação e transmissão de conhecimentos aos
usuários que dela se utilizam, proporcionando contínua atualização a essas pessoas. A
satisfação desses usuários passa desde a qualidade do serviço a ele ofertado até a estrutura do
prédio que abriga a biblioteca. Ferreira (1980, p. 70) relata que “ [...] a questão de recursos
orçamentários é, geralmente, tida como ponto crítico das bibliotecas universitárias
brasileiras” .

1412

�Frente ao orçamento escasso e demandas variadas, o conhecimento preciso das necessidades
dos usuários se torna importante para o estabelecimento de prioridades no momento da gestão
da unidade de informação. Desse modo, o desenvolvimento de pesquisas de satisfação se
mostra relevante ao propiciar a utilização otimizada dos poucos recursos disponíveis com a
canalização dos esforços para áreas identificadas nos trabalhos como as mais urgentes.
Do ponto de vista metodológico, o problema delimitado constitui como objeto de estudo os
usuários da Biblioteca Central da UFES. Trata-se de um objeto que se apresenta como um
fenômeno contemporâneo e inserido em um contexto de vida real, portanto sob nosso parecer,
um fenômeno passível de ser estudado.

1.2 OBJETIVOS GERAL E ESPECÍFICOS

1.2.1 Geral
Analisar a satisfação dos usuários da Biblioteca Central da UFES quanto aos aspectos que
envolvem a avaliação dos serviços e a infraestrutura desta Unidade de Informação.

1.2.2 Específicos
- Verificar o grau de satisfação dos usuários com a infraestrutura física da Biblioteca Central;
- Verificar o grau de satisfação dos usuários com os serviços prestados de forma remota (on

line) e presencial (in loco) pela Biblioteca Central;
- Recomendar melhorias nos serviços e infraestrutura da Biblioteca Central da UFES.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Após a explosão bibliográfica no início da década de 1940, fortalecida pelo uso de
tecnologias existentes à época, iniciou-se o processo de conhecimento do perfil dos usuários
na área tradicional da Biblioteconomia.
Esses trabalhos eram compostos por estudos que tinham como alvo os usuários e as
necessidades de informação ou usos da informação, que deram origem às pesquisas que
contribuíram para o estabelecimento da teoria do Comportamento Informacional, difundido a
partir da década de 1970 (SILVA; NEVES; GOMES, 2013, p. 25). Para Araújo (1995, p.3), a
informação nos dias de hoje tem recebido uma considerável atenção, motivada, sobretudo,
pela grande produção científica nos meios acadêmicos.

1413

�A importância da informação é resumida por Sagan em uma única frase:
“informação e alimento [ar, aí compreendido] são as condições necessárias à
sobrevivência do ser humano”. A informação, na verdade, é indispensável
para toda e qualquer atividade humana, sendo, cada vez mais, vista como
uma força importante e poderosa a ponto de dar origem a expressões como:
sociedade da informação, explosão da informação, era da informação,
indústria da informação, revolução da informação, sociedade pós-sociedade
da informação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a coleta de dados e posterior tratamento das informações pretendidas, mostrou-se
necessário um estudo preliminar, que demandou a realização de uma pesquisa bibliográfica
para se estabelecer um referencial teórico para o levantamento de informações e
conhecimento acerca do assunto. Com base nesta pesquisa, foi possível conhecer
investigações existentes sobre a temática proposta e elaborar uma revisão de literatura que
serviu de base teórica para o desenvolvimento das etapas seguintes do presente estudo.

Na sequência do estudo, realizou-se uma análise documental com vistas a conhecer as normas
de funcionamento, características e organograma da Biblioteca Central da UFES, fase que
subsidiou a decisão de se segregar a pesquisa de satisfação em quatro categorias: qualificação
do usuário, satisfação com serviços remotos, presenciais e infraestrutura.

A próxima etapa dos trabalhos constitui-se na realização da pesquisa de campo do tipo
qualitativa - descritiva, na qual foi confeccionado um questionário estruturado com oito
questões: 4 perguntas buscavam identificar o usuário, 3 avaliavam as listas de serviços
presenciais, remotos e infraestrutura em “totalmente satisfeito”, “satisfeito”, “insatisfeito” e
“totalmente insatisfeito”, enquanto que à última questão permitia ao respondente deixar um
comentário, sugestão ou reclamação. Por fim, passou-se a análise dos fatos observados,
avaliando o grau de satisfação desses usuários com os serviços remotos, presenciais e com a
infraestrutura existente, sendo os resultados apresentados na forma de gráficos.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Foram entregues 130 questionários, dos quais 119 foram devolvidos, obtendo-se um índice de
retorno de 91% para a análise dos resultados. Debatidas as principais avaliações item por
item, parte-se para uma análise macro dos temas a que a pesquisa se dirigiu. Em que pese
algumas atividades, equipamentos e instalações serem classificados como insatisfatórios em

1414

�uma avaliação individualizada, conclui-se que, de uma forma geral, os pesquisados avaliaram
positivamente os serviços e a infraestrutura da Biblioteca Central da UFES.
Ao somarmos as proporções daqueles que se manifestaram satisfeitos e totalmente

satisfeitos quanto aos serviços remotos percebe-se que, a avaliação geral desse tema atingiu
uma aprovação superior a 80%, segundo os resultados dispostos no Gráfico 1.

Gráfico 1 - Avaliação geral dos serviços remotos (on line)

Totalmente
Satisfeito
2 1,62%

I Satisfeito
61,47%

I Totalmente
Insatis feito
3,24%

Ins atis feito
13,68%

Fonte: Produzido pela autora durante a pesquisa.

Quanto à avaliação geral dos serviços presenciais (in loco) constata-se que quase 80%
dos informantes consideraram que essas atividades são prestadas de forma positiva (79,14%),
nos moldes da análise diagramada no Gráfico 2 a seguir.

Gráfico 2 - Avaliação geral dos serviços presenciais (in loco)
■ Totalm ente
Satis feito
16 ,9 1 %

Sa tisfeito
6 2 ,2 3 %

■ T o ta l^ en te
In sa tisfeito
4 ,3 3 %

■ In satisfeito
16 ,5 4 %

Fonte: Produzido pela autora durante a pesquisa.

Por fim, o resultado da avaliação geral da infraestrutura (Gráfico 3) confirma os
resultados parciais obtidos por meio da análise individual de seus aspectos e apontam para

1415

�uma parcela um pouco maior de insatisfação dos usuários. Neste tema, a satisfação dos
respondentes não superou a marca de 66%.

Gráfico 3 - Avaliação geral da infraestrutura

Fonte: Prduzido pela autora durante a pesquisa.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A presente pesquisa buscou levantar a satisfação dos usuários da Biblioteca Central da UFES
quanto a serviços inerentes a sua atividade e em relação à atual infraestrutura. Durante a
distribuição dos questionários, houve uma relativa procura por parte dos usuários em
responder a pesquisa e apresentar sugestões. O fato pode ser medido pelo elevado índice de
retorno do questionário, na faixa de 91% (devolução de 119 dos 130 distribuídos), e pela
rápida obtenção do número mínimo de respostas (um dia), demonstrando-se assim, o interesse
dos frequentadores em auxiliar na melhoria dos trabalhos da biblioteca.

Paralelamente à identificação da satisfação dos usuários, os resultados da pesquisa também
permitiram identificar serviços que são por eles desconhecidos e que, por conseguinte, estão
sendo pouco utilizados, como o elevador (76,07%), a reserva do auditório (73,50%), o

treinamento no portal CAPES (73,50%), a sala de obras raras (70,09%), o acervo de vídeos e
DVDs (68,38%), sala de multimeios (60,68%), a visita orientada (59,83%), a base de dados
de teses e dissertações (56,41%) e a comutação bibliográfica (56,41%). Para esses casos,
propõe-se uma maior divulgação das suas utilidades e do benefício que esses serviços e
infraestrutura podem trazer ao usuário. Nesse sentido, o uso do sítio da biblioteca e a fixação
de cartazes e informativos são ferramentas que podem ser utilizadas para uma maior
disseminação dessas informações.

1416

�O questionário trouxe a possibilidade do respondente apresentar sua sugestão, reclamação e
comentário por meio de uma questão aberta. Entre os serviços on line, a maioria das sugestões
relacionou-se, de alguma forma, com o serviço de empréstimo, cujo pedido principal buscava
a ampliação do número de exemplares a serem emprestados. Também foram apresentadas
sugestões voltadas à melhoria do serviço com internet sem fio.

Os serviços in loco receberam um maior número de reclamações que os serviços on line e a
ênfase esteve em torno da cortesia e postura dos funcionários e no serviço de auto

empréstimo. Em suma, os respondentes desejam a melhoria no atendimento prestado pelos
profissionais da biblioteca e a reativação do equipamento que permite a realização do
empréstimo pelos próprios usuários.

A infraestrutura foi o tema que mais suscitou sugestões, reclamações e comentários. A

climatização foi o aspecto mais citado e as menções demonstravam uma insatisfação quanto a
temperatura e sensação térmica no interior das instalações. A iluminação e a copiadora,
também foram criticadas. Destaca-se o desejo de aumento do número de tomadas,
possivelmente para fonte de alimentação de dispositivos móveis essenciais ao estudo, como

tabletes, netbooks e notebooks. Por fim, questões envolvendo o nível de ruído/barulho
interno, a limpeza, a segurança, o mobiliário (mesas e cadeiras) e as cabines de estudo foram
relatadas.

6 REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Vania Maria Rodrigues Hermes de. Sistemas de informação: nova abordagem
teórico-conceitual.

Ci.

Inf.,Brasília,

v.

24,

n.

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20Maria&amp;middleName=Rodrigues%20Hermes%20de&amp;lastName=Ara%C3%BAjo&amp;affiliatio
n=&amp;country=&gt;. Acesso em: 6 ago. 2013.
FERREIRA, Lusimar Silva. Bibliotecas universitárias brasileiras: análise de estruturas
centralizadas e descentralizadas. São Paulo: Pioneira, 1980.
GESTEIRA, Ivana Aparecida Lins. A biblioteca e os novos modos de convivência social. In:
________ . Os espaços convencionais e alternativos de leitura. Salvador: ICI/UFBA, 2005.
Disponível em: &lt;http://planeta.terra.com.br/educacao/biblioteca/manifesto.htm&gt;. Acesso em:
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1417

�SILVA, Andréia Santos Ribeiro; NEVES, Dulce Amélia Brito; GOMES, Maria Yêda F. S. de
Figueiras. Avaliação da biblioteca escolar para o desenvolvimento de competências
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&lt;http://revistas.fFclrp.usp.br/BEREV/article/viewFile/228/pdf&gt;. Acesso em: 7 ago. 2013.
TARAPANOFF, Kira. A biblioteca universitária vista como uma organização social. In:
MACHADO, U. D. (Ed.). Estudos Avançados em Biblioteconomia e Ciência da

Informação. Brasília: ABDF, 1982. v.1, p.73-92.

1418

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>O trabalho analisa a satisfação dos usuários da Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) com os serviços e a infraestrutura disponibilizada. Utiliza a pesquisa de campo do tipo qualitativa – descritiva como abordagem metodológica e a técnica de questionário estruturado com 8 perguntas para coleta de dados com vistas a identificar, inicialmente, as características do usuário da unidade da informação e, na sequência, avaliar a sua satisfação em três áreas de atuação da biblioteca: os serviços remotos, os serviços presenciais e a infraestrutura existente. Os resultados obtidos referem-se à população pesquisada, portanto, um tipo de conhecimento restrito a este público e limitado às suas condições de generalização. Estas limitações não retiram as qualidades da presente pesquisa, visto ser capaz de revelar, a partir de um extrato ou segmento de usuários, certa perspectiva do fenômeno estudado. Conclui que, de modo geral, os usuários mostraram-se satisfeitos com os serviços prestados e com a infraestrutura disponível.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DA PARAÍBA: ESTUDO SOBRE O NÍVEL DE SATISFAÇÃO DOS SEUS
USUÁRIOS
Genoveva Batista Nascimento
Rosana Amâncio Pereira
Dulce Amélia Brito Neves

RESUMO
O Serviço de Referência de uma unidade de informação é um dos mais importantes serviços
prestados aos usuários, um serviço humanista onde o tratamento deve ser de alta presteza,
permitindo que eles adquiram informações sobre o uso de serviços e produtos da unidade.
Esta pesquisa objetiva analisar o nível de satisfação dos usuários da Biblioteca Central da
Universidade Federal da Paraíba - UFPB, campus I João Pessoa, quanto ao serviço de
referência desta. O universo da pesquisa é composto por 30 (trinta) usuários escolhidos de
forma aleatória. Como instrumento da pesquisa, utilizou-se o questionário. Trata-se, portanto,
de uma pesquisa de caráter descritivo e exploratório, tendo abordagens quantitativas e
qualitativas. Os resultados obtidos indicam que os usuários da Biblioteca Central são, em sua
maioria, estudantes de graduação do sexo feminino com idade de até 25 anos, dos cursos de
Engenharia de Alimentos, Engenharia Mecânica, Farmácia e Biblioteconomia, vão à
biblioteca a fim de realizar pesquisa acadêmica, de duas a três vezes por semana. Obtiveramse afirmações positivas referentes à ajuda prestada pelo bibliotecário de referência. Conclui-se
que os usuários desconhecem parte dos serviços prestados pela Biblioteca Central e que, para
a melhoria destes serviços é imprescindível que sejam feitas divulgações dos mesmos, além
de colocar à frente funcionários mais dinâmicos. Para um bom funcionamento de uma
biblioteca, não basta haver um acervo atualizado: é preciso que haja funcionários dedicados e
capacitados para caminhar para uma evolução do saber. O serviço de referência precisa
interagir com o usuário, só assim o nível de satisfação do mesmo com o serviço estará cada
dia mais elevado.
Palavras-chave: Serviço de referência. Satisfação do usuário. Biblioteca Central da
Universidade Federal da Paraíba.
ABSTRACT
The Reference Service is an unit of information is one of that is most important services
provided to users, an humanist service where treatment should be more agility, allowing them
acquire information about the use of services and library products. This research, exploratory
and descriptive use quantitative and qualitative approaches, aims to analyse the level of
satisfaction of users of the Central Library of the Federal University of Paraíba campus of
João Pessoa, as to the reference of this service. Survey consists of thirty (30) members chosen

3315

�at random. The instrument was used questionnaire. The results indicate that users of the
Central Library are mostly graduate females aged up to 25 years , the courses of Food
Engineering , Mechanical Engineering , Pharmacy and Librarianship, that go to the library in
order to perform academic research , two to three times per week. Obtained positive
statements concerning aid provided by the reference librarian. It is concluded that users are
unaware of the services provided by the Central Library and to the improvement of these
services is essential that disclosures thereof are made, and put forward more dynamic staff .
For correct operation of a library, not just be an updated library : there must be dedicated and
able to walk to a development of knowledge workers . The referral service must interact with
the user , just so the level of satisfaction with the service will be even higher every day.
Key-words: Reference Service. User satisfaction library. Central Library of the Federal
University of Paraíba

1 INTRODUÇÃO
Toda biblioteca busca como resultado final a satisfação do usuário e para isso é
necessário que haja um retorno da instituição/usuário e usuário/instituição em relação ao
serviço de referência prestado. Assim, é importante que as instituições utilizem os resultados
dos estudos realizados sobre a satisfação dos usuários, neste âmbito, objetivando melhorias e
tomadas de decisão em geral. De acordo com Xavier e Belluzzo (1996, p. 3):

Qualquer Biblioteca pretende atingir como meta final à satisfação do
usuário, sendo o ponto convergente dos serviços, meios e fins o atendimento
com eficiência e eficácia. O ponto final da transferência da informação é o
chamado Serviço de Referência e da sua qualidade depende o
reconhecimento e valorização da biblioteca por uma sociedade que precisa
de informação para o seu avanço social, cultural, científico e tecnológico.

Ademais, cresce a cada dia o número de serviços de informação oferecidos pelas
instituições. Contudo, é necessário que as bibliotecas verifiquem se o seu cliente/usuário está
satisfeito para não correr o risco de perdê-lo. E tão importante quanto oferecer um serviço é
saber se o mesmo foi realizado com presteza. O usuário é, portanto, a pessoa mais indicada
para julgar a qualidade do serviço que recebe, pois ele é o elemento chave na instituição já
que todos os serviços são realizados em função dele. Essa satisfação pode ser medida de
várias formas desde que a unidade consiga identificar se a necessidade informacional do seu
usuário foi sanada ou não.
O serviço de referência é “[...] uma atividade essencialmente humana, que atende a
uma das necessidades mais profundamente arraigadas da espécie, que é o anseio de conhecer
e compreender” (GROGAN, 1995, p.22).

3316

�Visto que uma das atividades mais importantes da biblioteca é a assistência pessoal
prestada pelo bibliotecário aos usuários em busca de informação, a pesquisa visa avaliar como
este serviço está sendo desempenhado na Biblioteca Central da Universidade Federal da
Paraíba - Campus I, João Pessoa - PB. Assim, a questão que norteia nossa pesquisa é “A
Biblioteca Central oferece um serviço de referência satisfatório para os seus usuários?”.
Destarte, esta pesquisa tem como intuito contribuir para a área da Biblioteconomia,
disseminando sobre os serviços de referência oferecidos pela Biblioteca Central da UFPB a
comunidade acadêmica, professores, servidores entre outros, através do olhar dos seus
usuários. Visa, também, apresentar informações que fomentem a elaboração de outras
pesquisas semelhantes por outros pesquisadores.

2 ESTUDO DE USUÁRIOS: uma breve revisão
De acordo com Choo (2003), o estudo de usuários é uma temática que vem sendo
pesquisada desde a década de 40 por bibliotecários e/ou administradores de centros de
informação, laboratórios, etc. que precisavam de dados para planejar seus serviços.
A partir daquele momento, tais estudos passaram por diversas e diferentes fases
durante o século passado:
Inicialmente, no final da década de 40, os estudos de usuário tinham como objetivo
agilizar e aperfeiçoar serviços e produtos prestados pelas bibliotecas. Estes estudos
restringiram-se à área de Ciências Exatas. Na década de 50 intensificam-se os estudos sobre o
uso da informação entre grupos específicos de usuários, abrangendo já, as Ciências Aplicadas.
Só na década de 60 é que se enfatiza o comportamento dos usuários; surgindo estudos de
fluxo da informação, canais formais e informais. Os tecnólogos e educadores começam a ser
pesquisados. Já na década de 70, a preocupação maior passa a ser o usuário e a satisfação de
suas necessidades de informação, atendendo a outras áreas do conhecimento tais como:
humanidades, ciências sociais e administrativas. Datam dessa década, os primeiros trabalhos
na literatura especializada sobre o tema. A partir de 80, os estudos estão voltados à avaliação
de satisfação e desempenho.
De acordo com a evolução natural, a cada década foram aparecendo novos estudos na
área. Estudos esses cada vez mais aprofundados, sem perder a essência, que é identificar as
necessidades dos usuários. Diante dessas novas descobertas vieram os diversos conceitos de
Estudos de Usuários na visão de vários estudiosos.
De acordo com Figueiredo (1991, p. 24):

3317

�Os estudos de usuários se baseiam em técnicas usadas nas ciências sociais
para observar ou questionar os usuários dos sistemas de informação com o
objetivo de entender as suas necessidades, preferências, opiniões e
avaliações a respeito de serviços que a eles são oferecidos.

Além disso, Figueiredo (1979, p. 87) explica que as descobertas nos “resultados dos
estudos de usuários, embora não usualmente generalizáveis, oferecem, contudo uma visão
ampla dos problemas e tendências dos usuários na consulta das bibliotecas e/ou de suas
coleções”.
Portanto, estudos de usuários são estudos realizados para identificar as necessidades e
os desejos dos usuários de uma determinada biblioteca, no intuito de satisfazer essas
necessidades e aumentar, nesses usuários, o grau de questionamento em relação aos serviços
que lhes são oferecidos e para realizar melhorias na forma como essas informações estão
sendo disponibilizadas.
Pode-se perceber ainda, que o estudo de usuários pode ser utilizado como uma
ferramenta importantíssima para a administração das unidades de informações, a fim de
prestarem seus serviços aos usuários de forma satisfatória e com qualidade.

2.1 Usuários da informação
Pode-se dizer que o usuário é a razão de existir de uma biblioteca, pois
para eles estão direcionados todos os serviços desta. Segundo Guinchat e Menou (1994), o
usuário é um elemento fundamental de todos os sistemas de informação, visto que a única
justificativa das atividades deste sistema é a transferência de informação entre dois ou mais
interlocutores distantes no espaço e no tempo.
Ainda de acordo com os autores supracitados, o usuário é um agente essencial na
concepção, avaliação, enriquecimento, adaptação, estímulo e funcionamento de qualquer
sistema de informação. Ele é um fator dinâmico, mas pode ser também, um fator de
resistência se desconhece os mecanismos da informação e se retém informações.
Dessa forma, pode-se entender que usuário da informação é todo e qualquer sujeito
que possui necessidades informacionais e procuram supri-las na biblioteca ou em outro
ambiente que possa satisfazê-las.
Uma vez que para Moraes, o usuário da informação é aquele que é favorecido e, para
Sanz Casado, ele já é usuário pelo simples fato de necessitar da informação, Chocen
diferencia usuário de consumidor da informação, onde o usuário é o que obtém a informação

3318

�nos sistemas de informação descritos por Moraes e passa a ser consumidor ao se apropriar e
utilizar dessa informação.
Tendo em vista todas as abordagens feitas pelos autores, conclui-se que usuário da
informação é o indivíduo que busca a informação, e que faz uso de espaços nas unidades de
informação, para suprir suas necessidades informacionais, lembrando que o usuário da
informação não é apenas aquele que faz uso da leitura para conseguir a informação que
deseja, mas, também, o que utiliza qualquer serviço oferecido como suporte informacional em
uma unidade de informação.
O usuário é um agente essencial na concepção, avaliação, enriquecimento, adaptação,
estímulo e funcionamento de qualquer sistema de informação (GUINCHAT; MENOU, 1994).
O termo usuário pode ser encontrado nas obras literárias ainda como consulentes ou
clientes. Consulente foi um termo bastante utilizado, porém, aos poucos, foi caindo em
desuso. Clientes, por sua vez, é uma visão mais voltada para a questão administrativa, que vê
o usuário como aquele que adquire algo.
Silva (2006, p. 23, grifo nosso) explica que existe uma ampla classificação dos
usuários em várias categorias, especificando-as como:
a) Usuários reais: são aqueles indivíduos que utilizam frequentemente os
serviços de informação;
b) Usuários potenciais: são aqueles indivíduos a quem se destinam os
serviços de informação;
c) Usuários internos: são aquelas pessoas, grupos ou entidades que estão
subordinadas administrativamente ou metodologicamente à mesma
gestão que a unidade de informação;
d) Usuários externos: são aquelas pessoas, grupos ou entidades que não
estão subordinadas administrativamente ou metodologicamente à
mesma gestão que a unidade de informação;
e) Clientes: são aqueles indivíduos que pagam por um produto ou
serviço, trazendo em si uma relação monetária mercantil.

Essas definições são importantes e primordiais para conhecer melhor todas as
categorias dos usuários, saber diferenciá-los e poder identificá-los com mais facilidade,
principalmente quando o foco do trabalho é conhecer o perfil, necessidades e satisfação dos
usuários que frequentam a biblioteca.

3 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
A história das bibliotecas acompanha a história da escrita e do registro do
conhecimento humano.

3319

�A origem da palavra biblioteca vem do grego Biblion+tcheka, tal termo quando
traduzido, biblioteca seria a junção de biblio = livro com teca = caixa, logo seria uma “caixa
de livros”. Esse termo foi bastante utilizado, pois só se tinha uma noção de biblioteca apenas
como espaço físico.
Com o passar dos anos, esse termo foi evoluindo juntamente com a formação, as
práticas e ações dos bibliotecários. Atualmente a biblioteca é vista por muitos teóricos como
sinônimo de inclusão informacional, pois possui um papel muito importante que é o de guarda
da memória coletiva e disseminação da informação.
Existem vários tipos de bibliotecas: elas podem ser escolares, universitárias,
especializadas, comunitárias e infantis; algumas dessas podendo ser de iniciativa pública ou
privada.
Este trabalho se detém à Biblioteca Universitária (BU) que, como o próprio nome já
fala, é vinculada a uma Instituição de Ensino Superior (IES), podendo ser pública ou privada.
A biblioteca universitária está a serviço dos estudantes, docentes e técnicos, ou seja,
tem como principal função atender às necessidades informacionais da comunidade acadêmica,
quanto ao ensino, pesquisa e extensão, por isso precisa oferecer boa qualidade nos seus
serviços, pois, para que a universidade tenha um bom desenvolvimento, ela depende da
excelência desses serviços.
A biblioteca universitária tem como missão a transmissão do conhecimento,
participando, de forma ativa, intracurricular, dando suporte para o ensino, pesquisa e
extensão. Visam também promover a toda comunidade universitária o acesso, consulta e
recuperação de informação especializada e atualizada, em harmonia com as necessidades e
exigências da formação educacional superior (LIMA, 2013, p.18).
A biblioteca universitária, em seu organograma, é dividida pela diretoria
administrativa e por divisões/setores que fornecem variados serviços aos usuários. Um desses
serviços é o de Referência, o qual será abordado, com ênfase, por se tratar do objeto de
pesquisa deste trabalho.

4 O SERVIÇO DE REFERÊNCIA
O Serviço de Referência (SR) de uma unidade de informação é um dos mais
importantes serviços prestados aos usuários, por se tratar de um serviço que dá as boas vindas
ao usuário. É a porta de entrada da biblioteca, permitindo que ele adquira informações sobre o
uso dos serviços e produtos da unidade.

3320

�Silva e Araújo (2008), falam do Serviço de Referência, como setor ou seção muito
importante, pois é o responsável por executar os serviços fins da biblioteca, atende
diretamente os usuários e requer pessoal capacitado.
Para Maciel e Mendonça (2008, p. 33, grifo nosso), o serviço de referência:
Compreende todas as atividades voltadas, direta ou indiretamente à
prestação de serviços ao usuário. Inclui a divulgação de informações
gerais sobre a biblioteca, como endereço, horário de funcionamento, assim
como as específicas, voltadas para um segmento pré-determinado. Promove
o uso do sistema e de seus recursos e, para isso, desenvolve atividades de
treinamento pessoal da clientela na utilização do acervo, catálogos, bases e o
acesso às bibliotecas virtuais. Realiza e orienta as atividades de pesquisa
escolar e documental. Incentiva eventos, tais como as noites de autógrafos,
palestras, exposições e conferências. Estimula a hora-do-conto, as feiras e
trocas de livros, os varais de cordel, etc.

No tocante ao atendimento do usuário, pode-se dizer que os serviços mais procurados
são por orientação quanto: aos estudos e às pesquisas; ao uso dos catálogos de busca; ao uso
das obras de referência.
Segundo Figueiredo (1992), a função de referência/ informação é considerada como a
mais significativa prestada pelo profissional bibliotecário, já que é através dela que a
biblioteca se manifesta ao usuário. É pelo setor de referência/ informação que se realiza a
transferência de informação necessária ao usuário para o seu estudo/ pesquisa.
Da mesma forma, expõe Guinchat e Menou (1994, p. 347), “a difusão da informação é
a razão de ser das unidades de informação e deve ser sua preocupação principal”.
Acredita-se que este serviço se acentua em importância no contexto das bibliotecas
universitárias, uma vez que são destinadas a atender às necessidades de estudo, consulta e
pesquisa de professores e alunos universitários (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005).
Pode-se assim entender que o serviço de referência através de uma estrutura bem
definida atua como suporte para as atividades de Ensino/ Pesquisa/ Extensão da universidade
(FIGUEIREDO, 1992).

5 O PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA
Visto que o Serviço de Referência tem que ser dinâmico e é de extrema importância
em unidade de informação torna-se necessária a presença de um profissional qualificado que
possa interagir e entender as necessidades do usuário de maneira satisfatória.
De acordo com Figueiredo (1991, p.54),

3321

�Para o fornecimento de serviços de referência/informação as bibliotecas
precisam manter pessoal capacitado, não somente para bem atuar com base
num bom relacionamento na equipe de trabalho, mas, principalmente, com o
usuário, a quem devem prestar serviço de maneira competente, tanto
profissionalmente como do ponto de vista individual.

Entende-se que o Bibliotecário de referência tem a função de promover o acesso às
mais variadas fontes de informação. Para desenvolver uma atividade na qual está face a face
com o usuário, é necessário que possua habilidades e competências que devem ser
desenvolvidas para facilitar o acesso à informação pelo usuário.
Figueiredo (1991) evidencia que para estabelecer a equipe que trabalhará com esse
serviço, se devem fazer alguns questionamentos e se preocupar com o tamanho da demanda
desse serviço, pessoal adequado para atender aos grupos particulares de usuários bem como
para se trabalhar individualmente.
O papel do bibliotecário, segundo Dudziak (2001), se resume em três enfoques: como
intermediário da informação, como mediador do conhecimento e como educador.
Recomenda-se ao bibliotecário utilizar além das habilidades técnicas no
manuseio e instrução do acervo que a biblioteca possui, conhecer e empregar
os aspectos fundamentais nas relações humanas, tais como: acessibilidade, a
auto-imagem positiva, reservar tempo suficiente para a entrevista, ser
paciente e amistoso, demonstrar sem superioridade que domina os
instrumentos de acesso às questões (CHAGAS, 2000, p. 5).

Conforme Silva (2006 p. 48): “O trabalho deste profissional caracteriza-se pela
comunicação formal ou informal no sentido de orientar, seja pelo contato direto e pessoal ou
por mecanismos que possibilitam o acesso à informação solicitada”.
Segundo Grogan (1995, p. 22):

Se os bibliotecários de referência se empenhassem em lembrar
constantemente a si próprios que o que estão fazendo não é simplesmente
fornecer informações, mas atender a essas necessidades cognitivas, isso
serviria para neutralizar uma tendência, amiúde censurada, de que parecem
dar mais atenção à consulta do que ao consulente. Efetivamente é preciso
possuir conhecimentos bibliográficos e proficiência para fazer as busca, a
fim de fornecer uma resposta tecnicamente competente [...].

Maciel e Mendonça (2008), revelam que os usuários atendidos pelo bibliotecário de
referência possuem mais chances de melhor aproveitarem o acervo de uma biblioteca, do que
o fariam sem esse auxílio, daí a importância da presença desse profissional.

3322

�Para tanto, se faz necessário lembrar que estão desempenhando uma atividade
essencialmente humana e lidar com pessoas é bem diferente das atividades técnicas. Ás vezes
o usuário deixa de frequentar uma unidade de informação não por falta de êxito na busca, mas
pela forma como foi tratado pelos bibliotecários. Faz-se necessário que o bibliotecário de
referência seja atencioso e disposto a ajudar.
Ainda segundo Grogan (1995, p. 60, grifo nosso):
É impossível estudar qualquer aspecto do processo de referência sem estar
informado do quanto o mesmo depende inevitavelmente para seu êxito dos
atributos pessoais do bibliotecário. Isso implica não os dotes profissionais,
como intimidade com as fontes de referência ou domínio das técnicas de
busca informatizadas, uma vasta cultura geral ou até mesmo a experiência
em lidar com os consulentes, mas aqueles atributos pessoais humanos,
inatos ou adquiridos, como simpatia, criatividade, confiança e outros
mais.
Sendo assim, é muito importante que o administrador conheça o perfil do bibliotecário
antes de indicá-lo para essa função, como também é preciso que o bibliotecário faça uma
autocrítica com relação à sua prestação de serviço aos usuários.

6 A BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA: O
AMBIENTE DA PESQUISA
Segundo informações extraídas do sítio da Biblioteca Central da UFPB

, a biblioteca

foi criada no ano de 1961 no Regimento da UFPB, mas só a partir de 11 de agosto de 1967 foi
que surgiram os primeiros passos para sua criação efetiva no campus de João Pessoa. O
projeto para estruturação intitulado como "Teoria da Biblioteca Central" foi elaborado pelo
renomado professor universitário e bibliotecário Edson Nery da Fonseca.
A construção foi iniciada, mas não foi concluída. Foi instalada provisoriamente numa
pequena sala do Instituto de Matemática, passando para a Biblioteca da Escola de Engenharia;
posteriormente foi transferida para o prédio da antiga Faculdade de Educação e, por fim, para
um edifício anexo ao da reitoria.
No final de 1976 teve início todo o processo de estruturação e implantação da
Biblioteca Central, a partir da junção do acervo das treze Bibliotecas Setoriais.
Partindo então para a contratação de bibliotecários, atualização do acervo de livros e
periódicos, elaboração e aprovação do regulamento do Sistema de Bibliotecas, criação de
novos serviços, automação dos técnicos, entre outros, culminando com a construção do prédio
definitivo da Biblioteca Central com uma área construída de 8.500m2.
379Disponível em: http://www.biblioteca.ufpb.br/. Acesso em: 06 de Out. 2013.

3323

�Em 1980 o regulamento do Sistema de Bibliotecas foi aprovado pelo Conselho
Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE).
A Biblioteca Central está localizada no campus I da UFPB em João Pessoa - PB. É a
maior biblioteca universitária do estado e o mais importante espaço de informação e
orientação aos diversos segmentos universitários e à comunidade em geral.
Possui a missão de dar suporte informacional aos programas de ensino, pesquisa e
extensão da UFPB. Seu funcionamento é de segunda à sexta-feira das 07h30 min. às 22h e aos
sábados das 8h às 13h.

6.1 O Serviço de Referência na Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba
O Setor de Referencia está localizado no térreo da BC a aproximadamente 20 (vinte)
metros da entrada da biblioteca, a função primordial do seu trabalho é a informação direta ao
usuário. Não tem muita informação formal sobre este setor. O mesmo tem os relatórios
internos que não podem ser divulgados e também o regimento da Biblioteca.
O setor oferece à comunidade universitária serviços relacionados à educação, cultura e
pesquisa, na promoção de exposições.
De acordo com o Regimento Interno da Biblioteca central - UFPB, no seu Art. 26
onde constam as seguintes competências e atribuições das seções da Divisão de Serviços ao
Usuário - DSU no parágrafo I, que fala da seção de referência - SER. a) auxiliar os leitores
na aquisição do conhecimento dos métodos mais efetivos de utilização do material existente
na BIBLIOTECA CENTRAL servindo de parâmetro para o SISTEMOTECA dos serviços
que estas põem à sua disposição, ajudando-os a conhecer, outrossim, o alcance e caráter das
bibliotecas;b) elaborar normas gerais e rotinas específicas para execução do serviço de
referência;c) colaborar com a Seção de Seleção e com a Seção de Intercâmbio na seleção do
material a ser adquirido por compra, permuta ou doação, especificamente em relação às obras
de referência; d) manter atualizadas as coleções de referência;e) promover a publicidade das
coleções e dos serviços prestados pela BIBLIOTECA CENTRAL e SISTEMOTECA;f)
programar e organizar exposições, audições e conferência;g) fornecer informações solicitadas
pessoalmente, por telefone ou por correspondência;h) localizar documentos solicitados;i)
coletar estatísticas organizadas pelas seções e em colaboração com a Assessoria, elaborar a
estatística geral;j) executar outras atividades pertinentes aos serviços de referência.

3324

�7 METODOLOGIA
Pesquisa de cunho descritivo, tendo as abordagens quanti-qualitativa para análise dos
dados. Através da pesquisa quantitativa, conjugada com a qualitativa, é possível obter,
quantitativamente, dados numéricos e, qualitativamente, conceitos, atitudes e opiniões dos
entrevistados sobre o problema pesquisado. Busca uma explicação objetiva baseada em
descrição e manipulação estatística.
Os sujeitos da pesquisa correspondem a trinta (30) usuários da Biblioteca Central da
Universidade Federal da Paraíba, que se dispuseram a participar da pesquisa respondendo o
questionário, instrumento para coleta dos dados. Os pesquisados foram informados sobre o
objetivo da pesquisa.
A ferramenta de coleta de dados escolhida para a pesquisa, direcionada aos usuários da
biblioteca, foi o questionário, composto de doze (12) questões, sendo três (03) abertas e nove
(09) fechadas, abordando o perfil do usuário, grau de satisfação e uso da biblioteca.

8 RESULTADOS DA PESQUISA
Os questionários foram codificados e numerados como U1, U2, U3, correspondente a
usuário 1, usuário 2, usuário 3 e assim consecutivamente, como forma de preservar a
identidade de cada pesquisado. Depois de codificados os questionários, os dados foram
tabulados e os resultados obtidos originaram os gráficos.
Na primeira questão traçou-se o perfil do usuário da biblioteca, a partir das variáveis:
sexo, faixa etária e categoria de usuário.
Quanto ao sexo, as respostas revelam que dos 30 usuários que responderam ao
questionário, 57% (cinquenta e sete por cento) são do sexo feminino e 43% (quarenta e três
por cento) do sexo masculino. Acredita-se que o número de usuários do sexo feminino seja
maior que o de sexo masculino em vista de sua predominância entre os alunos da graduação
ativos da UFPB no campus de João Pessoa, representando 52, 67% (cinquenta e dois vírgula
sessenta e sete por cento) (UFPB, 2013).
Os dados relativos à idade revelam que 77% (setenta e sete por cento) dos sujeitos têm
até 25 anos e 23% (vinte e três por cento) estão entre 25 e 35 anos. Nenhum dos sujeitos tem
mais de 35 anos.
Acredita-se que seja pelo fato de a maioria dos jovens ainda não ter adentrado ao
mercado de trabalho, tendo seu tempo mais livre e, assim, utilizando-o na biblioteca para
pesquisas e estudos.

3325

�Quanto à categoria dos usuários, as respostas revelam que 93% (noventa e três por
cento) são alunos da graduação; 3,5 % (três e meio por cento) são funcionários e 3,5% (três e
meio por cento) são estudantes de pós-graduação. Nenhum professor ou usuário da
comunidade externa respondeu ao questionário.
Quanto aos alunos de graduação, responderam ao questionário 01 (um) de
Administração, 01 (um) de Arquitetura, 03 (três) de Biblioteconomia, 01 (um) de Educação
Física, 01 (um) de Enfermagem, 04 (quatro) de Engenharia de Alimentos, (01) um de
Engenharia de Materiais, 04 (quatro) de Engenharia Mecânica, 03 (três) de Farmácia, 01 (um)
de Filosofia, 02 (dois) de Física, 02 (dois) de Odontologia, 01 (um) de Pedagogia, 02 (dois) de
Química Industrial e 01 (um) de Serviço Social.
Quanto aos estudantes de pós-graduação, teve 01 (um) de Economia. Quanto aos
funcionários, teve apenas 01 (um), sendo o mesmo Bibliotecário da biblioteca setorial de
Bananeiras.
Observa-se, assim, que prevalece o número de graduandos que se utilizam da BC.
Volta-se à questão do tempo livre destes usuários. Os pós-graduandos geralmente estão
inseridos no mercado de trabalho e não dispõem de tanto tempo disponível quanto aqueles,
bem como os funcionários e professores, que, segundo a pesquisa, raramente utilizam os
serviços oferecidos e/ou do espaço da BC.
Quando indagados sobre os motivos que os levam a visitarem a biblioteca, as respostas
mostram que 63% (sessenta e três por cento) dos usuários vão à biblioteca apenas para fazer
pesquisa acadêmica, 10% (dez por cento) vão apenas para ler ou por entretenimento e 7%
(sete por cento) responderam que vão por outros motivos como (estudos, projetos de extensão
e estágio). O total de 20% (vinte por cento) dos usuários marcou mais de uma opção, 10%
(dez por cento) vão à biblioteca tanto para pesquisa acadêmica quanto para ler por
entretenimento, 7% (sete por cento) tanto por pesquisa acadêmica quanto por outros motivos e
3% (três por cento) vão para ler por entretenimento, entre outras coisas.
Grande parte dos usuários utiliza o espaço da BC para estudos e realização de
pesquisas acadêmicas, portanto verificou-se a importância da qualidade e atualização do
acervo, além do ótimo atendimento ao usuário se tornando um ambiente propício e agradável
também para leitura e entretenimento.
Na questão sobre a frequência dos usuários à biblioteca, os dados mostram que 40%
(quarenta por cento) dos usuários vão à biblioteca de duas a três vezes por semana; 27%
(vinte e sete por cento) vão todos os dias; 17% (dezessete por cento) vão uma vez por mês;

3326

�10% (dez por cento) não costumam visitar a biblioteca; 3% (três) visitam uma vez por
semana; e 3% (três) a visitam de 15 em 15 dias.
Assim, pode-se inferir que a biblioteca possui uma frequência de uso elevada, já que a
maioria dos usuários, 40% (quarenta por cento) costuma visitá-la de duas a três vezes por
semana e 27% (vinte e sete por cento) visita diariamente, por ter um bom serviço de
atendimento ao usuário, além de ótimo relacionamento com os leitores e usuários da
biblioteca, amplas e cômodas instalações, propiciando bom espaço de leitura e também
agradável para descanso, apesar de a biblioteca não ser um espaço destinado ao descansar e
sim, para estudos e pesquisas.
Quanto as principais atividades que fazem quando vão à biblioteca. As atividades
predominantes entre os usuários foram as de pesquisa, uso do espaço para estudo e realização
de trabalhos, realização de empréstimo/devolução de livros.
Na questão em que pergunta se usuários têm conhecimento de que a biblioteca tem um
Setor de Referência (balcão de informação ao usuário), constatou-se através das respostas dos
pesquisados que 83% (oitenta e três por cento) conhecem o serviço e apenas 17% (dezessete
por cento) não o conhecem.
Acredita-se que falta uma maior divulgação quanto aos serviços oferecidos pela
Biblioteca dado o número de usuários que não têm conhecimento destes.
Quanto à ajuda recebida pelo serviço de referência, em suas buscas na biblioteca, os
resultados apontam que 67% (sessenta e sete por cento) dos usuários já foram ajudados por
meio do SR da BC-UFPB, e que 33% (trinta e três por cento) responderam que não.
Dos sujeitos da pesquisa, 33% (trinta e três por cento) dos usuários nunca foram
ajudados pelo bibliotecário de referência. Acredita-se que parte deles seja os 17% (dezessete
por cento), dos sujeitos da pesquisa, que anteriormente disseram não conhecer esse serviço e
os outros 16% (dezesseis por cento) preferem ter autonomia na busca, como alterar o sistema
de busca se necessário, confiar mais na própria busca, sem opiniões de terceiros ou por já
conhecer a biblioteca.
Os usuários que responderam afirmativamente na questão anterior, ainda fora
indagados sobre o êxito na ajuda recebida pelo SR. Os dados demonstram que, 90% (noventa
por cento) dos usuários que foram ajudados pelo SR tiveram êxito e 10% (dez por cento) não.
Tal porcentagem revela um índice elevado de eficiência no serviço de referência. No
entanto, é preciso aumentar sua eficiência, pois 10% dos usuários que já foram atendidos pelo
SR não obtiveram êxito na ajuda. Esse resultado mostra alguma ineficiência do serviço que
deve ser melhorado.

3327

�Os usuários atribuíram uma nota ao SR da BC, onde a nota 0 (zero) seria para
atendimento péssimo; 01 (um) ruim; 02 (dois) regular; 03 (três) bom; 04 (quatro) para ótimo
e 05 (cinco) quando o considerar excelente.
Pode-se observar que 28% (vinte e oito por cento) dos usuários deram nota quatro,
pois consideram o serviço muito bom; 24% (vinte e quatro por cento) deram nota dois, por
considerar o serviço como regular; 17% (dezessete por cento) deram nota três, por considerar
bom; 14% (quatorze por cento) deram nota um, por considerar ruim; 10% (dez por cento)
deram nota cinco, por considerá-lo excelente; e 7% (sete por cento) dos pesquisados deram
nota zero, por considerarem péssimo.
No geral, pode-se destacar o atendimento ao usuário como muito bom, visto que o
maior percentual obtido com os dados da pesquisa foi de 28%(vinte e oito por cento) dos
usuários. Isso é o reflexo da busca pelos profissionais que realizam esse serviço, em garantir
um ótimo atendimento e prestação de serviços aos usuários.
Buscando saber se o usuário conhece os serviços oferecidos pela BC-UFPB, tais
como: a) serviço de referência, b) empréstimo, c) serviço de renovação on-line, d) acesso ao
portal da CAPES, e) Serviço do COMUT- Comutação Bibliográfica e f) Serviço de
normalização de publicações e orientação quanto ao uso das Normas da ABNT, cada letra
com quatro alternativas: Conheço e utilizo com frequência, conheço e utilizo vez em quando,
conheço e não utilizo e, não conheço.
Notou-se que 73% (setenta e três por cento) responderam que conhecem o SR e
utilizam vez em quando; 20% (vinte por cento) conhecem, mas não o utilizam e 7% (sete por
cento) não o conhecem. Assim, constatou-se que os números são positivos, mas carecem de
uma melhora, tendo em vista que 7% (sete por cento) ainda não conhecem o SR, e, apesar de
ser um número relativamente pequeno, é, também, um número considerável.
Quanto ao empréstimo, 53% (cinquenta e três por cento) conhecem-no e utilizam-no
com frequência; 40% (quarenta por cento) conhecem-no e utilizam-no de vez em quando e
7% (sete por cento) o conhecem, mas não o utilizam. Observou-se uma diferença gritante
quanto aos dois serviços pesquisados, tendo em vista que todos têm conhecimento da
existência do serviço de empréstimo. Outra diferença é que, enquanto os 7% (sete por cento)
do SR são consideráveis, os 7% (sete por cento) que não utilizam o serviço de empréstimos é
um número razoável.
Percebeu-se que 43% (quarenta e três por cento) dos usuários responderam que
conhecem e utilizam com frequência o serviço de renovação eletrônica; 30% (trinta por cento)
conhecem e utilizam vez em quando; 20% (vinte por cento) conhecem e não utilizam e 7%

3328

�(sete por cento) não o conhecem. Um dado importante a ser observado é o fato de 7% (sete
por cento) dos usuários da BC não terem, sequer, conhecimento da existência de um serviço
oferecido pela biblioteca. É preciso que haja uma maior divulgação de todos os serviços
oferecidos pela mesma.
Quanto ao conhecimento e uso da sala de acesso ao portal da CAPES, 40% (quarenta
por cento) dos usuários responderam que conhecem e utilizam vez em quando; 30% (trinta
por cento) conhecem e não utilizam; 27% (vinte e sete por cento) não conhecem e 3% (três
por cento) conhecem e utilizam com frequência. É grande o número de usuários que,
simplesmente, não conhecem este serviço que tem uma importância significativa para a
biblioteca. O Portal da CAPES se mostra um serviço de alta qualidade, que dá ao cliente da
biblioteca a opção de buscar outro meio de pesquisa que não o livro propriamente dito, de
buscar um meio pelo qual, talvez, a informação esteja mais atualizada e de buscar, ainda, uma
informação comparada com outros países. O volume de periódicos, da base de dados do portal
CAPES é significativo.
Quanto ao conhecimento e uso do serviço de comutação bibliográfica, as informações
demonstram que 73% (setenta e três por cento) dos usuários não o conhecem; 14% (quatorze
por cento) conhecem, mas não o utilizam; e 13% (treze por cento) conhecem e o utilizam vez
em quando. Outro dado que nos chama a atenção é o desconhecimento do COMUT. Apesar
de não ser um serviço muito utilizado pelos usuários, o seu desconhecimento é injustificável.
Pode haver serviços que não sejam muito utilizados pelos usuários, mas não se justifica o
serviço não ser conhecido.
A partir dos dados obtidos sobre o conhecimento e uso do serviço de normalização de
publicações e orientação quanto ao uso das normas da ABNT, observou-se que 57%
(cinquenta e sete por cento) dos usuários não o conhecem; 23% (vinte e três por cento)
conhecem e não o utilizam; 17% (dezessete por cento) conhecem e o utilizam vez em quando
e 3% (três por cento) conhecem e utilizam com frequência. Este se caracteriza como outro
serviço bastante relevante e que, lamentavelmente, não é conhecido por mais da metade
daqueles que frequentam a BC. É um número alarmante que necessita de mudanças. O serviço
ora mencionado é utilizado a todo o instante, ainda que não seja prestado pela BC,
demonstrando assim, sua importância. A falta de conhecimento da existência deste é
justificada pela ausência de política de divulgação que deveria ser desenvolvida dentro e fora
da BC.
Quanto ao atendimento prestado pelo bibliotecário de referência, os resultados da
pesquisa mostram o total de 40% (quarenta por cento) dos usuários o considerou bom; 27%

3329

�(vinte e sete por cento) o consideraram médio; 13% (treze por cento) consideram-no ruim;
13% (treze por cento) consideram ótimo, e 7% (sete por cento) desconhecem o serviço. Ao
que observou-se, os percentuais foram bem divididos, onde a maioria dos questionados têm
uma boa impressão do serviço ora oferecido. Entretanto, faz-se mister melhorar tal serviço a
ponto de ao menos um maior número de consulentes tomarem conhecimento deste serviço
que carrega consigo uma carga de indispensabilidade.
O SR é um serviço em construção junto à biblioteca. As vulnerabilidades do serviço
devem ser consideradas para melhorar o trabalho e construir um elo entre profissional e o
usuário, para que o profissional possa suprir a necessidade de informação do usuário.
Adiante, para identificar do que os usuários mais sentem falta, perguntou-se o que
falta no SR da BC - UFPB para ser considerado um serviço satisfatório para seus usuários.
Foi quase que unânime a questão da divulgação do serviço, além da boa vontade dos
funcionários que ali estão para prestarem o mesmo; aproximação com o usuário, além de um
número maior de funcionários mais capacitados.
A falta de orientação é uma das principais vulnerabilidades apontadas por alguns
usuários. Isso deve ser tomado como base para um processo de capacitação de alguns
funcionários. Um processo de reeducação de alguns profissionais deve ser elaborado com um
plano estratégico de marketing para a ampliação do serviço com atenção para suprir a
necessidade de informação do usuário como principal objetivo.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir das informações obtidas, através da colaboração dos usuários da Biblioteca
Central da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, os resultados apontaram que os usuários
da biblioteca são, em sua maioria, estudantes de graduação do sexo feminino, com idade de
até 25 anos, dos cursos de Engenharia de Alimentos, Engenharia Mecânica, Farmácia e
Biblioteconomia, e que a maioria vai à biblioteca para pesquisa acadêmica, de duas a três
vezes por semana, tem o conhecimento do SR e já foi ajudado pelo bibliotecário de referência,
onde teve êxito na busca, considerando o serviço de regular a ótimo, sendo que uma pequena
parte o considera péssimo.
Ao analisar o nível de satisfação do usuário com o serviço de referência detectou-se
um bom nível de satisfação dos usuários que o utilizam, pela capacidade de suprir a
necessidade de informação de grande parte dos usuários com restrições por parte de alguns
funcionários identificados pelos entrevistados que não têm estímulo para o serviço. Portanto,

3330

�deve-se abrir o espaço para aqueles que gostam da área tornando o trabalho mais dinâmico
para melhor atender ao usuário.
Quanto ao conhecimento e uso dos serviços, grande parte dos usuários conhece e
utiliza de vez em quando o serviço de referência; conhece e utiliza com frequência o
empréstimo; conhece e utiliza com frequência o serviço de renovação on-line; conhece e
utilizam, de vez em quando, o portal da CAPES; não conhece o serviço de comutação
bibliográfica e, não conhece o serviço de normalização de publicação e orientação quanto às
normas da ABNT. Quanto ao atendimento pelos bibliotecários de referência a maioria o
considera de médio a bom.
Desta forma, importa-se dizer que, para a melhoria destes serviços é imprescindível
que sejam feitas divulgações dos mesmos, além de colocar à frente funcionários capacitados.
É relevante mencionar que, para um bom funcionamento de uma biblioteca, não basta haver
um acervo atualizado; é preciso que hajam funcionários dedicados e capacitados para
caminhar para uma evolução do saber. Assim, como os livros não chegam sozinhos às suas
estantes, alguns usuários não encontram suas desejadas informações sem a intermediação de
um profissional com boa vontade em atendê-lo e um bom serviço para oferecê-lo.
Portanto, os usuários precisam de maior atenção por parte do serviço de referência
identificando quando o pesquisador necessita de ajuda na busca, seja ela feita no catálogo de
busca, seja nas estantes buscando a informação na qual ele precisa encontrar. Dessa forma, a
proatividade deve ser uma característica fundamental para o desenvolvimento de um SR que
supra a necessidade informacional. No caso da biblioteca da UFPB, a identificação dos
funcionários desse serviço é importante para que o pesquisador saiba a quem buscar ajuda
durante sua pesquisa. Essa já é uma boa alternativa para a realidade da instituição, visto que
essa foi uma das vulnerabilidades encontradas no serviço de referência.
Propõe-se que seja elaborado um plano de marketing para uma melhor divulgação dos
serviços oferecidos pela BC para seus usuários. Dentro os serviços que precisam ser
melhorados está o SR pela identificação de algumas vulnerabilidades do serviço; pois, a real
satisfação dos usuários depende do planejamento adequado para oferta dos produtos e
serviços das unidades de informação, assim como um curso de capacitação voltada para a área
psicológica dirigido aos bibliotecários de referência. Conforme ressalta Grogan, na revisão de
literatura, é imprescindível lembrar que o SR é, antes de tudo, uma atividade humana e, lidar
com pessoas nem sempre é fácil. O SR precisa interagir com o usuário. Só assim, o nível de
satisfação do mesmo com o serviço estará cada dia mais elevado.

3331

�O apoio institucional é importante para melhorar o SR por meio da autoavaliação
como instrumento de satisfação do funcionário através da busca de novos conhecimentos e da
ampliação à assistência ao pesquisador fornecendo a informação necessária à satisfação do
usuário. A capacitação é uma forma de amplitude do conhecimento e, aliada a experiência
pode se tornar uma ferramenta de crescimento do trabalho voltando-se para a necessidade do
usuário.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O serviço de referência da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba: estudo sobre o nível de satisfação dos seus usuários</text>
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                <text>Nascimento, Genoveva Batista, Pereira, Rosana Amâncio, Neves, Dulce Amélia Brito</text>
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                <text>O Serviço de Referência de uma unidade de informação é um dos mais importantes serviços prestados aos usuários, um serviço humanista onde o tratamento deve ser de alta presteza, permitindo que eles adquiram informações sobre o uso de serviços e produtos da unidade. Esta pesquisa objetiva analisar o nível de satisfação dos usuários da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, campus I João Pessoa, quanto ao serviço de referência desta. O universo da pesquisa é composto por 30 (trinta) usuários escolhidos de forma aleatória. Como instrumento da pesquisa, utilizou-se o questionário. Trata-se, portanto, de uma pesquisa de caráter descritivo e exploratório, tendo abordagens quantitativas e qualitativas. Os resultados obtidos indicam que os usuários da Biblioteca Central são, em sua maioria, estudantes de graduação do sexo feminino com idade de até 25 anos, dos cursos de Engenharia de Alimentos, Engenharia Mecânica, Farmácia e Biblioteconomia, vão à biblioteca a fim de realizar pesquisa acadêmica, de duas a três vezes por semana. Obtiveramse afirmações positivas referentes à ajuda prestada pelo bibliotecário de referência. Conclui-se que os usuários desconhecem parte dos serviços prestados pela Biblioteca Central e que, para a melhoria destes serviços é imprescindível que sejam feitas divulgações dos mesmos, além de colocar à frente funcionários mais dinâmicos. Para um bom funcionamento de uma biblioteca, não basta haver um acervo atualizado: é preciso que haja funcionários dedicados e capacitados para caminhar para uma evolução do saber. O serviço de referência precisa interagir com o usuário, só assim o nível de satisfação do mesmo com o serviço estará cada dia mais elevado.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA QUE QUEREMOS!

Gesialdo Silva do Nascimento
Hugo da Silva Carlos
Luis Rodrigo Tiago de Mesquita
Marciléia Aparecida de Paula
Maria do Carmo Cardos Kersnowsky
Tatiana Hyodo

RESUMO
O presente trabalho trata da experiência, em andamento, do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do ABC- (SisBi) no desenvolvimento do projeto “A Biblioteca que
queremos” . Um projeto proposto à equipe do (SisBi) e que conta com a parceria de outras
áreas da Universidade em sua elaboração e execução. Nosso objetivo principal é o de melhor
conhecer nossa comunidade a partir de sua percepção sobre produtos e serviços prestados
pelas bibliotecas do sistema. Já nossos objetivos específicos são a busca de um maior
envolvimento da comunidade nas ações do sistema de bibliotecas e o nosso enquadramento
no Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade, haja vista que tal plano
prescreve esse tipo de participação do sistema de bibliotecas. Inicialmente nos valemos de
uma revisão bibliográfica para situarmos nosso trabalho na literatura da área de
biblioteconomia e posteriormente escolhemos como caminho metodológico a abordagem
qualitativa para a elaboração de um diagnóstico seguido de um questionário avaliativo,
utilizando a técnica “Grupo Focal”, realizado com grupos representativos da comunidade.
Estamos seguindo o cronograma de encontros, sendo o primeiro realizado com os
funcionários do sistema (servindo de teste-piloto), de tal forma que já obtemos dados parciais
importantes para a elaboração do questionário avaliativo.

Palavras-Chave: Grupo focal; Comunidade acadêmica; Biblioteca universitária; Avaliação
qualitativa.
ABSTRACT
This work is about the experience, in progress, o f the Library System of Universidade Federal
do ABC (SisBi) in the development of the project " The library that we want ." A project
proposed to the Sisbi team and has a partnership with other areas of the University in its
design and implementation. Our main goal is to better understand our community from their
perception about products and services provided by system libraries. Have our specific
objectives are to seek greater community involvement in the actions of the library system and
our environment in the Institutional Development Plan of the University , given that such a
plan prescribes this kind of participation of the library system .Initially we followed a review
of literature to situate our work in the literature of library and later chosen as the
methodological approach of qualitative approach to making a diagnosis followed by an
evaluation questionnaire , using the technique " Focus Group " held with groups

535

�representative of the community. We are following the schedule of meetings , the first held
with officials of the system ( serving as pilot testing ) , so that now we get important partial
data for the preparation of the evaluation questionnaire.

Keywords: Focus group; Academic Community; University Library; Qualitative evaluation.

1 INTRODUÇÃO
As mudanças são constantes e necessárias. Assim, buscando melhor conhecimento
sobre as expectativas da nossa comunidade, o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
do ABC

(UFABC),

por iniciativa

de

seus bibliotecários

propôs um

projeto

de

desenvolvimento de um questionário avaliativo, precedido de um diagnóstico via técnica de
Grupo Focal (hibrido). Nosso primeiro passo foi à revisão de literatura, por meio da qual
identificamos a metodologia que melhor atenda nossa proposta de abordagem qualitativa. Este
trabalho confere especial destaque à participação de membros de nossa comunidade através
das categorias que a representam: alunos, professores, funcionários técnicos administrativos e
funcionários terceirizados, de modo a diagnosticar através de sua participação o panorama
atual das bibliotecas que “ [...] deve ser vista como uma organização, como uma empresa, a
maioria das vezes, com fins não lucrativos, com resultados programados e avaliados
constantemente”. (Maciel 2006, p.7).
Tem-se como objetivo principal conhecer nossa comunidade, sua ideia de biblioteca e
também objetivar um maior envolvimento da comunidade nas ações do Sistema de
Bibliotecas, além do enquadramento do (SisBi), na estrutura administrativa da universidade.
Para (Gonçalves 2013 p. 79) que busca em Pinheiro (1982) uma intepretação para “os
estudos de necessidades e uso da informação tem compreendido algumas classificações que
variam de acordo com diferentes fatores, componentes e metodologias” .

Nossa questão

principal foi como garantir a participação de nossa comunidade na elaboração do diagnostico
situacional dos nossos produtos e serviços?

A biblioteca, na organização ou comunidade na qual está inserida, deve atuar
como um agente de disseminação da informação passando, assim, a ser
identificada e reconhecida como elemento importante que traz retorno e faz
jus aos recursos nela investidos. (Leitão, 2005, p. 16).
Entendendo este processo como uma oportunidade de se estabelecer contato com os
usuários e estreitar laços na concepção de nosso sonho de biblioteca ideal, participativa,
referência e fonte de estimulo ao desenvolvimento das competências individuais necessárias

536

�em nossa complexa sociedade. Nossa motivação foi buscar a compreensão da estrutura
administrativa onde nosso sistema está inserido. Procedemos à leitura do plano de
desenvolvimento institucional da Universidade Federal do ABC (UFABC) 2013-2022. Após
leitura foi identificado que a biblioteca não tinha relações estruturais com o tripé de
sustentação da universidade que é o ensino, a pesquisa e a extensão, assim propomos este
projeto.

1.1 Objetivo principal:
Melhor conhecer nossa comunidade a partir de sua percepção sobre produtos e
serviços prestados pelas bibliotecas do sistema.

1.2 Objetivos específicos:
Integração e maior envolvimento da comunidade nas ações do sistema de bibliotecas.
Enquadramento do Sistema de Bibliotecas da UFABC no Plano de Desenvolvimento
Institucional da Universidade.

2

MÉTODOS
O escopo metodológico deste projeto é avaliativo exploratório, buscando na literatura

ferramentas com enfoque viável para a avaliação das praticas administrativas do Sistema de
Biblioteca, almejando uma investigação social inserido na vida real e alteração do contexto
para melhoria da relação (experiência vivida), com a comunidade que atendemos. Assim
utilizamos técnicas de grupo focal que para Gomes e Barbosa (1999, p.1) “é um grupo de
discursão informal e de tamanho reduzido, com o propósito de obter informações de caráter
qualitativo em profundidade”, sendo que para os autores (1999, p.1) “o objetivo principal de
um grupo focal é revelar as percepções dos participantes sobre os tópicos em discursão” .
Obtendo dados qualitativos de nossa realidade, houve uma evolução da pesquisa qualitativa,
segundo Chizzotti (2010, p.48) “marcada por rupturas mais que por progressão cumulativa,
abriga tensões teóricas subjacentes, cada vez mais inovadoras que a distanciam de teorias,
praticas e estratégias únicas de pesquisa” .
Leitão, ainda afirma que:
Os dados fundamentais que o grupo de foco produz são transcritos dos
grupos de discussão. A marca registrada dessa ferramenta é o uso explicito
da interação do grupo para produzir dados e insights, cuja relevância seria
relativizada sem a interação encontrada em um grupo. (LEITÃO, 2005, p.
60).

537

�No mesmo caminho Widdows (1991, p. 352, tradução nossa) nos diz: “ [...] muitas
vezes é melhor usar grupo focal como um complemento para outros estudos obtendo
conhecimentos que podem ser testados e utilizados em trabalhos futuros” .
Holanda (2006, p. 364) afirma que:

Se partirmos da ideia de unidade indissolúvel entre o metodológico e o
epistemológico, ou seja, entre a produção e elaboração do conhecimento e as
diversas formas deste conhecimento, veremos que a investigação qualitativa
não se define instrumentalmente, mas epistemologicamente, apoiada no
processo de construção do conhecimento.
Ele também defini a investigação qualitativa a partir da inclusão da subjetividade no
próprio ato de investigar, e pela visão da abrangência do fenômeno pesquisado.
Para completar nosso modelo (hibrido) utilizamos elementos escritos para ajudar no
desenvolvimento da atividade:

O uso da escrita, sob essa perspectiva, apresentaria variação espacial e
temporal, atendendo a diferentes propósitos das relações interpessoais.
Muitas das generalizações que têm sido feitas sobre os impactos da escrita,
no entendimento de Street (1984), não são sustentáveis como relações
causais - o letramento sendo concebido como condição suficiente ou
necessária para alguns estágios de desenvolvimento. Segundo ele, há outros
fatores implicados nessa discussão: condições político-econômicas,
estruturas sociais e ideologias locais. (CERUTTI-RIZZATTI, 2008 p.7).
Finalizando o processo utilizamos também a filmagem para que os observadores após
a realização da atividade possam consultar o material gravado que também vai subsidiar a
elaboração do questionário na próxima fase do projeto.
Como nosso projeto tem abordagem avaliativa qualitativa com escopo exploratório,
buscamos em autores como os acima citados as ferramentas com enfoques viáveis para a
avaliação do Sistema de Bibliotecas seguindo os seguintes procedimentos:
1.

reuniões periódicas entre os bibliotecários e departamentos envolvidos para
estabelecer as diretrizes do plano;

2.

escolha dos grupos focais segmentados por categoria de usuário;

3.

definição de um mediador;

4.

definição da data de pré-teste;

5.

elaboração de logística de organização do encontro;

6.

encontro com gravação por câmeras e mediação;

7.

transcrição das falas;

538

�8.

avaliação dos discursos pelos envolvidos no projeto;

9.

diagnóstico;

10.

elaboração do questionário;

11.

aplicação do questionário;

12.

após coleta de dados do questionário partiremos para as ações específicas para
alcançarmos nossos objetivos.

3 RESULTADOS PARCIAIS
O levantamento dos dados preliminares ainda não permite conclusões, mas projeções
de tratamento desses dados por meio da utilização das técnicas de análise do conteúdo, numa
abordagem exploratória que já fornecem um panorama do desafio que será concluir nosso
projeto e alcançar nossos objetivos. Para tal foi estabelecido um roteiro compreendendo três
perguntas, a saber:
1.

O que é biblioteca para você?

2.

Em relação à biblioteca da Universidade Federal do ABC (UFABC), o que vê
de bom, de ruim e o que pode melhorar?

3.

Como você vê a biblioteca da Universidade Federal do ABC (UFABC), no
futuro?

Sendo que para a segunda pergunta foi apresentado para o moderador uma nuvem de
conceitos que fariam parte de um segundo momento sendo trabalhada a sua resposta.

FIGURA 1 : nuvem de conceitos.
Biblioteca virtual - Cordialidade - Rapidez - Receptividade - Excelência
- Recibos - Protocolos - Catálogo - Carimbos - Regras - Regulamentos
- Espaço físico - Comunicação biblioteca comunidade - Comunicação
comunidade biblioteca - Comunicação visual - Serviços - Iluminação Conforto térmico e acústico - Acessibilidade - O que falta? - Sistema
de busca - Bases de dados - Portal Capes - Livros eletrônicos Atendimento - Acervo -qualidade
.

Fonte: desenvolvida pelos membros da equipe do projeto

539

�4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Seguindo o cronograma de encontros, o primeiro foi feito com os funcionários do
sistema (servindo de teste-piloto), escolhidos aleatoriamente deste já tiramos dados
importantes para a elaboração do questionário avaliativo. Para (Alvarez, 2007, p. 2318) “para
o tratamento dos dados foram utilizados técnicas de analise de conteúdo numa abordagem
exploratória, baseadas em trabalhos de pesquisa qualitativas” . É importante para corrigimos
os problemas encontrados e partir para a organização do segundo encontro. No que se refere à
metodologia aplicada neste projeto, acredita-se que tenha sido adequada e pertinente, face aos
resultados que estamos alcançando sobre o conhecimento de nossa comunidade sobre nossos
serviços.
Ao analisar a literatura biblioteconômica verificamos que nosso projeto se enquadra
numa demanda crescente de esforços no Brasil, direcionados à avaliação de bibliotecas
universitárias no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e
que em posse dos dados, quando encerra-se o projeto se terá ferramentas importantes para
tomada de decisão que acarretará na melhoria dos serviços do nosso Sistema de Bibliotecas.

5 REFERÊNCIAS

ALVAREZ, Maria do Carmo Avamilano; et al. Saúde reprodutiva: uma contribuição para
avaliação de biblioteca virtual. Caderno saúde pública . Vol. 23, n.10, pp.2317-2326, 2007.
Disponível em: &lt;http://www.scielosp.org/pdf/csp/v23n10/07.pdf&gt;.

Acesso em: 02

maio

2014.
BRASIL. Fundação Universidade Federal do ABC. Plano de desenvolvimento institucional

da

Universidade

Federal

do

ABC

(UFABC)

2013-2022 .

Disponível

http://pdi.ufabc.edu.br/wp-content/uploads/2013/06/PDI_UFABC_2013-2022.pdf &gt;.

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&lt;

Acesso

em 30 abr. 2014.
CERUTTI-RIZZATTI, Mary E.; EUZÉBIO, Michelle D.; GOULART, Anderson J.
Psicolingüística aplicada: categorização dos usos da escrita, letramento e inserção social.

ReVEL .

Vol.

6,

n.

11,

2008.

Disponível

em:

&lt;

http://www.revel.inf.br/files/artigos/revel_n_psicolinguistica_aplicada.pdf.&gt;. Acesso em: 01
de mai. 2014.
CHIZZOTTI, Antônio. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. 3 ed.
Petrópolis: Vozes, 2010.

540

�GONÇALVES, Ana Lúcia Ferreira. Gestão da informação na perspectiva do usuário:
subsídios para uma politica em biblioteca universitária. Niterói: Intertexto, 2013.
GOMES, Maria Elasir S.; BARBOSA, Eduardo F. A técnica de grupos focais para obtenção
de

qualitativos .

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Educativa.

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Disponível

em:

&lt;http://www.tecnologiadeprojetos.com.br/banco_objetos/%7B9FEA090E-98E9-49D2-A6386D3922787D19%7D_Tecnica%20de%20Grupos%20Focais%20pdf.pdf&gt;. Acesso em: 30 de
jul. 2014.
HOLANDA, Adriano. Questões sobre pesquisa qualitativa e pesquisa fenomenológica.

Analise

Psicológica .

Vol.

24,

n.

3,

2006.

P.

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Disponível

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&lt;http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v24n3/v24n3a10.pdf &gt;. Acesso em: 30 de jul. 2014.
LEITÃO, Bárbara Júlia Menezello. Avaliação qualitativa e quantitativa numa biblioteca

universitária: grupos de foco. Niterói: Interciência, 2005.
MACIEL, Alba Costa; MENDONÇA,

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organizações. Rio de Janeiro: Interciência, 2006.
STREET, B. Literacy in theory and practice. Cambridge: CUP, 1984.
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&lt;

file:///C:/Users/biblioteca_ufabc/Downloads/crl_52_04_opt.pdf&gt;. Acesso em: 01 maio 2014.

541

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Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>O presente trabalho trata da experiência, em andamento, do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do ABC- (SisBi) no desenvolvimento do projeto ―A Biblioteca que queremos‖. Um projeto proposto à equipe do (SisBi) e que conta com a parceria de outras áreas da Universidade em sua elaboração e execução. Nosso objetivo principal é o de melhor conhecer nossa comunidade a partir de sua percepção sobre produtos e serviços prestados pelas bibliotecas do sistema. Já nossos objetivos específicos são a busca de um maior envolvimento da comunidade nas ações do sistema de bibliotecas e o nosso enquadramento no Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade, haja vista que tal plano prescreve esse tipo de participação do sistema de bibliotecas. Inicialmente nos valemos de uma revisão bibliográfica para situarmos nosso trabalho na literatura da área de biblioteconomia e posteriormente escolhemos como caminho metodológico a abordagem qualitativa para a elaboração de um diagnóstico seguido de um questionário avaliativo, utilizando a técnica ―Grupo Focal‖, realizado com grupos representativos da comunidade. Estamos seguindo o cronograma de encontros, sendo o primeiro realizado com os funcionários do sistema (servindo de teste-piloto), de tal forma que já obtemos dados parciais importantes para a elaboração do questionário avaliativo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REDES SOCIAIS E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: estudo exploratório em
bibliotecas de instituições públicas de ensino superior de Fortaleza
Isabela da Rocha Nascimento
Osvaldo de Souza

RESUMO
Neste trabalho tem-se por objetivo saber se as bibliotecas de instituições de ensino superior
públicas de Fortaleza estão utilizando as ferramentas de rede social da Internet e identificar
quais redes sociais estão sendo utilizadas. Apresentam-se os conceitos de biblioteca
universitária e redes sociais. A pesquisa é de caráter exploratório com abordagem quantitativa
e qualitativa. A técnica de coleta de dados utilizada foi a aplicação de um questionário às
bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, Instituto Federal de Educação e Ciência e
Tecnologia do Estado do Ceará. Constata-se que a maioria das bibliotecas utilizam as redes
sociais, entretanto, seu uso é feito com bastante dificuldade, principalmente pela falta de
recursos humanos e de planejamento no uso das redes sociais. Entende-se que as redes sociais
são importantes ferramentas de comunicação e interação entre as bibliotecas e seus usuários,
mas que necessita de planejamento e treinamento por parte dos bibliotecários para melhor uso
destes recursos.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Redes Sociais.

ABSTRACT
In this work we are focused in understanding how Public Libraries, for undergraduate and
graduate courses of Fortaleza city, are making use social network on Internet. We also
identified the social networks they typically using. We present concepts of this kind of
Library and social networks in general. We used an exploratory research and numerical and
subjective analysis of data gathering from the research. In the field we applied forms in order
to receive answers for our investigation. Our locus was composed by Libraries from: Federal
University of Ceará, Federal Institute of Education and Science and Technology of Ceará. We
realized that almost all Libraries usually make use of social networks, however, their
approach is not suitable, partially explained by absence of training, planning and human
resources. In our conclusion, we emphasize that social networks are relevant tools for
Libraries and their communication and publicity strategies, but it still requiring planning,
training and support, in order to give for their respective librarians, all technical knowledge
involved.
Keywords: University Library. Social Networks.

4451

�1 INTRODUÇÃO

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) trouxeram um grande impacto
para a vida em sociedade, impacto esse que é percebido nas diversas atividades realizadas
pelo homem, seja no trabalho, no lazer, nas relações entre os indivíduos e na maneira como
esses se comunicam. A partir da utilização dessas tecnologias, novas formas de sociabilidade
são criadas e recriadas através das novas formas de interação, novos hábitos sociais, novas
identidades. As relações sociais entre os indivíduos deixaram de ocorrer estritamente face a
face, em local e tempo definido. As relações sociais tornaram-se independentes de espaço e
tempo determinado, passaram a serem mediadas pelo computador, através da internet.
(MORIGI; PAVAN, 2004).
Assim como os diversos setores da sociedade, as bibliotecas em sua maioria utilizaram
e utilizam as TIC para aperfeiçoarem os serviços já oferecidos e para criar novos serviços para
seus usuários. Sobre os serviços encontrados em bibliotecas disponíveis a partir das TIC,
Morigi e Pavan (2004, p. 122) afirmam que:
[...] foram encontrados serviços de referência on-line, acesso a bases de
dados gerais e especializadas, entre a prestação de outros serviços. Além
disso, tais unidades de informação disponibilizam a informação nos
diferentes suportes (impresso e eletrônico), possuem o sistema de catálogo
on-line, e algumas mantêm paralelamente o tradicional catálogo de fichas,
porém este instrumento não é mais atualizado. Elas realizam os serviços de
processamento técnico da informação, como classificação, catalogação e
indexação. Os materiais são adquiridos mediante compra, doação ou
permuta. (MORIGI; PAVAN, 2004, p. 122).

Corroborando com essa ideia, Aguiar e Silva (2010) afirmam que o uso das TIC em
bibliotecas universitárias trata-se de uma evolução natural desses ambientes de conhecimento
acadêmico, pois as bibliotecas progrediram do manejo dos catálogos manuais, para o uso de
sistemas bibliográficos automatizados e, deixaram de divulgar conteúdos impressos em
murais institucionais para agora possuírem homepages.
As bibliotecas possuem a possibilidade de ofertarem, através das plataformas
tecnológicas presentes na geração web 2.0, novas formas de tratamento, organização,
disseminação e recuperação de informações, e de interação com seus usuários.
No Brasil mais de 94 milhões de pessoas possuem acesso à internet, sendo que mais de
67 milhões delas utilizam o Facebook, atualmente a maior rede social do planeta. No Twitter
o Brasil é um dos países mais ativos o que faz com que a língua portuguesa seja uma das mais

4452

�faladas no serviço de microblogs; é também o segundo colocado em número de blogs e
domina diversas outras plataformas da web 2.0, segundo Cipriani (2011).
A inquietação para realização desta pesquisa surgiu a partir de uma das disciplinas do
curso de especialização em Tecnologias Aplicadas ao Tratamento, Recuperação e Gestão da
Informação, do Departamento de Ciências da Informação da Universidade Federal do Ceará,
mídias de acesso, no qual um dos temas que foi apresentado nos chamou a atenção: Mídias
Sociais. A inquietação também é decorrente de utilizarmos as redes sociais no ambiente de
trabalho, uma biblioteca universitária, para divulgar os serviços da organização, e nos
comunicarmos com os usuários que estão inseridos neste meio.
As mídias sociais são sites na Internet construídos para permitir a criação colaborativa
de conteúdo, a interação social e o compartilhamento de informações em diversos formatos
(TELLES, 2011). As mídias sociais podem influenciar decisões, perpetuar ou destruir marcas,
fazem parte de uma revolução poderosa. Tal termo é muitas vezes confundido com o termo
redes sociais, entretanto, eles não têm o mesmo significado. Rede social é uma categoria das
mídias sociais. A seguir apresentamos a definição de redes sociais na visão de Telles (2011, p.
18):
Sites de relacionamentos ou redes sociais são ambientes cujo foco é reunir
pessoas, os chamados membros, que, uma vez inscritos, podem expor seu
perfil com dados como fotos pessoais, textos, mensagens, vídeos, além de
interagir com outros membros, criando listas de amigos e comunidades
(Facebook, Orkut, MySpace). Twitter, youtube, slideshare e redes sociais
são as mídias sociais. (TELLES, 2011, p. 18).

Aguiar e Silva (2010) afirmam que os estudantes universitários utilizam a internet e os
sites de redes sociais cotidianamente, e que aqueles fazem parte da realidade da comunidade
acadêmica. Considerando o grande alcance e uso das redes sociais atualmente, levantamos os
seguintes questionamentos: As bibliotecas universitárias públicas do Estado do Ceará estão
utilizando as redes sociais? Quais as redes sociais utilizadas? Quais conteúdos são publicados
pelas bibliotecas? Quais as barreiras que impedem que sejam implementadas redes sociais nas
bibliotecas?
As Bibliotecas Universitárias (BU) vem ao longo do tempo acompanhando as
modificações que acontecem na sociedade, relativos ao processo de evolução tecnológica.
Devido à necessidade desse acompanhamento, instigam-se a tornarem-se atuantes e continuar
em sintonia com um público ativo. Dessa forma, as bibliotecas tentam conseguir uma nova
postura no uso de informações, tecnologia e dos processos de comunicação existentes.

4453

�O estudo sobre as redes sociais em BU se faz importante, pois as redes sociais
contribuem na comunicação, integração, troca de informações entre indivíduos, e por que não,
entre bibliotecas e usuários, bibliotecas e bibliotecas, e mesmo usuários e usuários, enfim,
todos que participam de alguma rede social.

O objetivo do trabalho

Limita-se nosso objetivo a proceder a uma análise a respeito do uso das redes sociais
por bibliotecas de universidades públicas de Fortaleza. Tal objetivo desdobra-se nos seguintes
objetivos específicos:
a) identificar quantas bibliotecas universitárias de Instituições de Ensino Superior
Públicas de Fortaleza utilizam redes sociais;
b) identificar as redes sociais utilizadas;
c) identificar e analisar os principais obstáculos que impedem a implantação de redes
sociais nas bibliotecas;
d) verificar se os bibliotecários dessas instituições conhecem as redes sociais e sabem
utiliza-las;
e) verificar a importância atribuída as rede sociais pelos bibliotecários.

2 REVISÃO DE LITERATURA

A seguir apresentam-se a definição de bibliotecas universitárias, bem como seu
público alvo e objetivos. Em seguida, abordam-se os conceito de redes sociais e ferramentas
de redes sociais, por fim, apresentam-se alguns tipos de redes sociais da internet.

2.1 Bibliotecas Universitárias

Segundo Gomes e Barbosa (2003 apud FEIJÓ, 2009), na atualidade, a missão das
bibliotecas universitárias é prover, disseminar e transferir informação de modo a tornar viável
a plena atuação da universidade em suas ações de ensino, pesquisa e extensão, e
principalmente dar suporte ao funcionamento dos cursos de graduação e pós-graduação e a
produção e disseminação de conhecimento e tecnologia.

4454

�As bibliotecas universitárias tem papel fundamental na construção, organização e
disseminação do conhecimento produzido na universidade, já que elas devem dar suporte às
atividades de ensino, pesquisa e extensão, além de armazenar, organizar e disseminar
informações para a comunidade acadêmica e sociedade em geral, através de seu acervo, seja
impresso ou em meio digital, através dos serviços prestados.
A Biblioteca Universitária é conceituada no Dicionário de Biblioteconomia e
Arquivologia como:
A que é mantida por uma instituição de ensino superior e que atende às
necessidades de informação dos corpos docente, discente e administrativo,
para apoiar tanto as atividades de ensino quanto as de pesquisa e extensão.
Pode ser uma única biblioteca ou várias organizadas como sistema ou rede.
(CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 53).

As bibliotecas universitárias, segundo Carvalho (1981, p. 1 apud MIRANDA 2010, p.
62) são as “[...] bibliotecas de Instituições de Ensino Superior (IES), quer sejam de
instituições privadas, estaduais ou federais, destinadas a suprir as necessidades informacionais
da comunidade acadêmica.”.
O público alvo da biblioteca universitária é formado pelos discentes, docentes,
técnicos-administrativos e gestores da instituição. No caso de instituições públicas, pode-se
incluir também a comunidade em geral. Os objetivos desse órgão devem estar alinhados aos
pilares das Instituições de Ensino Superior, que são o ensino, a pesquisa e a extensão e devem
acompanhar a evolução tecnológica a fim de promover os melhores serviços aos seus
usuários.
Para Mattos e Pinheiro (2006) os objetivos da biblioteca universitária devem agregar
ao papel tradicional das bibliotecas acadêmicas de pesquisa, de adquirir e preservar material
bibliográfico impresso, ao papel inovador de incorporar as novas tecnologias de informação e
comunicação, procurando:
a) selecionar, tratar e armazenar tanto publicações impressas quanto outros
tipos de materiais;
b) disponibilizar acesso e busca de informação por meios eletrônicos e
digitais, de forma remota e segura;
c) criar novos formatos de disseminação da informação;
d) treinar seus usuários para o uso das novas tecnologias;
e) manter constante atualização na identificação de novas tecnologias
necessárias à melhoria dos serviços prestados e às necessidades dos usuários,
entre outros. (MATTOS; PINHEIRO, 2006, p. 5).

4455

�Com a invenção do computador e o advento da Internet a rotina de trabalho do
bibliotecário foi alterada, o processo de comunicação entre os bibliotecários e os usuários das
bibliotecas, bem como o processo de busca e acesso as informações foram modificados.
Aguiar (2012) afirma que o conceito de biblioteca mudou de acesso ao acervo para
acesso a informação, a partir do desenvolvimento das TIC. Nesse contexto, em que boa parte
das informações são veiculadas na Internet, os estudantes de hoje, que crescem em meio
digital, a biblioteca deve procurar estar onde seus usuários estão, e manter uma maior
interação com estes através dos recursos que a Internet oferece, dentre eles, as redes sociais.

2.2 Redes Sociais

Uma das principais necessidades do ser humano é a socialização. As redes sociais
sempre estiveram presentes na realidade humana. Ramalho (2010) nos diz que somos um
animal social e que desde a antiguidade procuramos nos agrupar a fim de aumentarmos nossas
chances de sobrevivência, compreendendo assim a nossa necessidade de proteção, obtenção
de alimentos, expansão de laços pessoais e/ou afetivos e ensejo de procriação.
Ao longo do tempo, esta realidade não mudou. Onde quer que exista um grupo de
indivíduos interligados por alguma relação em comum, pode-se considerar que exista uma
rede social. Ramalho (2010) cita inclusive o relacionamento existente entre membros de uma
tribo, que se reuniam em torno de uma fogueira para compartilharem os acontecimentos do
dia e na Idade Média, a missa de domingo, momento em que as pessoas podiam se socializar.
Telles (2011) coloca que a ideia de rede social começou a ser utilizada há cerca de um
século para designar um conjunto complexo de relações entre membros de um sistema social
em diferentes dimensões.
O que acontece no momento atual é que com o advento da internet as redes sociais
passaram a ter maior intensidade, já que as possibilidades de conexões e capacidade de
compartilhamento de informações foram ampliadas, e as barreiras de tempo e territorial foram
diminuídas.
O surgimento da internet ocasionou diversas modificações para a sociedade. Uma
dessas mudanças é a possibilidade de sociabilização e expressão através das ferramentas de

4456

�comunicação mediadas pelo computador, ferramentas estas, que para Recuero (2011)
proporcionam a construção, interação e comunicação entre atores509 na rede de computadores.
Recuero (2011) coloca que o advento da comunicação mediada pelo computador está
modificando os modos de organização, identidade e organização social. Para a autora, essa
comunicação não só permitiu que os sujeitos se comunicassem, mais ampliou a capacidade de
conexão, e possibilitou a criação e manifestação de redes nesses espaços, as redes sociais
mediadas pelo computador.
Na visão de Recuero (2011, p. 24) uma rede social pode ser conceituada como “[...]
um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas
conexões (interações ou laços sociais).”.
Redes sociais referem-se a um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras
entidades sociais) conectadas por relacionamentos sociais, motivados pela amizade e por
relações de trabalho ou compartilhamento de informações e, por meio dessas ligações, vão
construindo e re-construindo a estrutura social. (TOMAÉL; MARTELETO, 2006).
Pode-se então afirmar que redes sociais tratam-se da relação entre um conjunto de
pessoas e seus laços sociais, sejam estes quais forem, em um determinado ambiente, seja
físico ou digital.

2.2.1 Ferramentas de redes sociais

Ferramentas de rede social na Web na visão de Aguiar (2012, p. 53) são “[...] os
recursos que vêm surgindo, juntamente com a nova geração Web, e que apresentam as
características de rede social, ou são apropriadas por seus atores para esse fim.”.
Rede social na Web é uma das terminologias utilizadas para tratar deste assunto,
utiliza-se também: redes sociais da internet; redes sociais virtuais; redes sociais da Web 2.0.
Redes sociais na Internet colaboram para a integração, interligação entre as pessoas
por meio do compartilhamento de informações e da comunicação, em um processo dinâmico
de troca de conteúdos. São formadas por um processo dinâmico de trocas de informações.
Para Pontes e Santos (2011, p. 4) o conteúdo do que é postado nas redes sociais são “[...]
encarados como o próprio combustível que garante a existência do grupo.”. Cipriani (2011, p.
5) coloca que as redes sociais são:
509 Recuero (2011, p. 25) define atores como as pessoas envolvidas na rede que se analisa, são o primeiro
elemento da rede social, e atuam de forma a moldar as estruturas sociais, através da interação e da constituição
dos laços sociais.

4457

�[...] um dos tipos de ferramentas oferecidas pela plataforma web 2.0 e que
constituem um dos melhores e mais conhecidos exemplos de mídia social.
Facebook, Orkut, MySpace, Twitter são os exemplos mais populares de
redes sociais, que podem ser definidas como qualquer plataforma que
permita às pessoas se conectarem mantendo listas estáveis ou não de
relacionamentos para interagir com outras pessoas. (CIPRIANI, 2011, p. 5).

As redes sociais da internet são ambientes que tem como objetivo agrupar, reunir
pessoas, que depois de inscritos, podem apresentar seu perfil com informações pessoais, como
fotos, textos, mensagens, vídeos, além de interagir com outros membros do grupo,
compartilhar informações, trocar ideias. Atualmente é difícil encontrar um jovem que não
possua perfil em alguma rede social da internet, sobre isso nos fala Cipriani (2011):
Os blogs, microblogs como o Twitter, redes sociais como Orkut e Facebook,
wikis, sites de compartilhamento de fotos e vídeo e fóruns de discussão
amplificaram a capacidade de todas as pessoas para se comunicar entre si e
buscarem um pouco mais longe e com grandes facilidades a resposta para
suas perguntas ou atendimento para suas necessidades individuais. Essa
mudança trouxe consigo um significado novo para o individualismo. Mais
do que antes, para tudo o que o homem deseja expressar, ser e tiver vontade
de fazer acontecer, ele encontra espaço amplo para expressar suas escolhas e
uma pequena barreira para que ela se espalhe: apenas o acesso à internet. O
universo das mídias sociais é um aglomerado de indivíduos se expressando
livremente (ao menos até certo ponto) e se relacionando sem limites, e isso
está trazendo grandes impactos para a nossa sociedade. Governos, leis,
religiões, empresas, culturas e valores estão encarando todos os dias novas
consequências desse mundo conectado e é evidente que não sabemos como
lidar com isso. (CIPRIANI, 2011, p. 2).

Após este breve aporte teórico a respeito dos principais termos relacionado a este
artigo, quais sejam: bibliotecas universitárias e redes sociais, a seguir apresentam-se os
materiais e métodos utilizados na pesquisa.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Segundo Gil (2011) a pesquisa é o processo formal e sistemático de desenvolvimento
do método científico e tem como objetivo encontrar respostas para problemas, mediante a
utilização de procedimentos científicos.
Quanto ao nível de pesquisa, o presente estudo pode ser classificado como
exploratório, pois busca-se uma melhor compreensão acerca do problema enunciado na
introdução deste trabalho através da revisão de literatura e da pesquisa.
Quanto ao delineamento da pesquisa pode-se afirmar que se trata de uma pesquisa
bibliográfica, pois foi feita a partir de material já elaborado, como livros e artigos científicos.

4458

�Gil (2011) coloca que a pesquisa bibliográfica tem como vantagem o fato de o pesquisador
poder ampliar seus conhecimentos sobre determinados fenômenos de forma mais ampla do
que quando se pesquisa diretamente. Este tipo de pesquisa tem como finalidade aproximar o
pesquisador do objeto estudado, pois ele passa a ter conhecimento do que já foi escrito, dito
ou filmado sobre o tema da pesquisa.
Pode-se dizer também que a pesquisa é um estudo de caso, pois caracteriza-se pelo
estudo de um ou poucos objetos, no caso a biblioteca universitária e as redes sociais,
possibilitando conhecimentos acerca corpus objetivado.
Para Yin (2005, p. 32 apud GIL, 2011, p. 58) o estudo de caso refere-se a “[...] um
estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade,
quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas [...]”.
Quanto ao instrumento de coleta de dados utiliza-se o questionário, constituído por
uma série de perguntas abertas, fechadas e perguntas de múltipla escolha. Optou-se por
elaborar o questionário no modelo de formulário eletrônico do Google Docs. O questionário
foi enviado por e-mail para um responsável em cada uma das bibliotecas setoriais.
Quanto ao método e a forma de abordar o tema, a presente pesquisa pode ser
classificada como quantitativa e qualitativa, pois em algumas questões analisam-se os dados
de forma quantitativa, enquanto noutras analisam-se as informações coletadas de modo não
quantitativo.

3.1 Universo da Pesquisa

Como universo da pesquisa, escolhemos as bibliotecas universitárias de Instituições de
Ensino Superior públicas de Fortaleza: Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade
Estadual do Ceará (UECE) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
(IFCE), este último atende a alunos de cursos técnicos e também de graduação, por este
motivo o incluímos na pesquisa.
A escolha dessas bibliotecas se deu devido à importância de suas respectivas
instituições no Estado do Ceará, para o desenvolvimento do Estado, bem como por termos
conhecimento de que os estudantes universitários são usuários reais e potenciais das redes
sociais.

4459

�As bibliotecas universitárias da UFC e UECE são coordenadas por um órgão central,
que tem como objetivo dar suporte, apoio às bibliotecas para consecução de seu objetivo
maior, que é o de dar suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão das instituições.
O Sistema de Bibliotecas da UFC é coordenado pela Biblioteca Universitária e
compreende doze bibliotecas em Fortaleza e cinco no interior do Estado. Tendo como missão:
Organizar, preservar e disseminar a informação para a produção do
conhecimento, dando suporte às atividades educacionais, científicas,
tecnológicas e culturais da Universidade Federal do Ceará, possibilitando o
crescimento e o desenvolvimento da Instituição e da sociedade.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÀ, c2013).

As bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas da UFC, em Fortaleza são:
Biblioteca de Ciências da Saúde; Biblioteca de Ciências e Tecnologia; Biblioteca de Ciências
Humanas; Biblioteca do Curso de Arquitetura; Biblioteca do Curso de Física; Biblioteca do
Curso de Matemática; Biblioteca da Faculdade de Direito; Biblioteca da Faculdade de
Economia, Administração, Atuária e Contabilidade; Biblioteca do Instituto de Ciências do
Mar (Labomar); Biblioteca de Pós-Graduação em Economia; Biblioteca de Pós-Graduação
em Economia Agrícola; Biblioteca de Pós-Graduação em Engenharia.
Na UECE o sistema de bibliotecas é coordenado pela Biblioteca Central. Sua
finalidade é oferecer informações técnico-científicas,

armazenada e/ou gerada na

Universidade, à comunidade acadêmica, através de seus acervos e instalações, como suporte
aos programas de Ensino, Pesquisa e Extensão da UECE. O sistema de bibliotecas da UECE
tem como missão “Possibilitar suporte de informações às atividades educacionais, científicas,
tecnológicas e culturais da UECE e da Sociedade Cearense.” Compõem o sistema, oito
bibliotecas, duas em Fortaleza e seis no interior do Estado.
Em Fortaleza as bibliotecas que compõem o Sistema são: Biblioteca Central
(Biblioteca Prof. Antônio Martins Filho) e Biblioteca do Centro de Humanidades.
O IFCE possui apenas uma biblioteca em Fortaleza, a Biblioteca Engenheiro Waldyr
Diogo de Siqueira, e por isso não possui um órgão central que a coordene, como na UECE e a
UFC. Sua missão é ser “[...] um centro de informação capaz de dar suporte ao ensino,
pesquisa e extensão e promover a democratização do conhecimento.” (INSTITUTO
FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO CEARÁ, c2013).
Desta forma, realizaremos a pesquisa em um total de dezesseis bibliotecas, treze da
Universidade Federal do Ceará, duas da Universidade Estadual do Ceará e uma do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia.

4460

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS

A partir dos coletados e tratados, fizemos uma análise quantitativa e qualitativa das
respostas, levando em consideração os objetivos propostos na pesquisa.
Inicialmente quantificou-se a quantidade de respostas obtidas no questionário, e
quantas bibliotecas das instituições pesquisadas participaram da pesquisa. Dos treze
questionários enviados para as bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) obteve-se
o retorno de doze questionários; foram recebidos dois questionários enviados para as
bibliotecas da Universidade Estadual do Ceará (UECE), e não foi obtido retorno quanto ao
questionário enviado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
(IFCE).
Verificou-se em quais redes sociais o participante da pesquisa possui perfil social.
Constatou-se que todos os participantes possuem perfil em pelo menos uma rede social. No
Quadro 1 listam-se as redes sociais utilizadas pelo bibliotecário respondente de cada
biblioteca e através Gráfico 1 evidenciam-se quais as redes sociais mais e menos utilizadas. O
Facebook é a rede social mais utilizada e todos os respondentes o utilizam. Outras redes,
entretanto, não são utilizadas por nenhum dos bibliotecários que responderam a pesquisa,
dentre elas o LibraryThing e o MySpace.

Quadro 1 - Redes sociais em que o participante possui perfil pessoal
BU1
BU2
BU3
BU4
BU5
BU6
BU7
BU8
BU9
BU10
BU11
BU12
BU13
BU14

Facebook
Facebook,
Facebook,
Facebook,
Facebook,
Facebook.
Facebook,
Facebook,
Facebook,
Facebook.
Facebook,
Facebook,
Facebook,
Facebook,

Orkut
Twitter, Blog, Flickr, Youtube, Pinterest
Twitter, Orkut, Flickr, Foursquare, Skoob, Youtube.
Twitter, Orkut, MySpace, Youtube.
Orkut.
Twitter, Orkut, Youtube.
Linkedin.
Orkut, Youtube.
Twitter, Orkut.
Orkut.
Twitter, Orkut.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados da Pesquisa

4461

�Gráfico 1 - Redes sociais em que o participante posui perfil pessoal.
□ Facebook
□ Twitter
□ Orkut
□ Blog
□ Delicious
□ Flickr
□ Foursquare
□ LibraryThing
□ MySpace
□ Skoob
□ Youtube
□ Outro

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados da Pesquisa

A partir de uma lista de opções de redes sociais, procura-se identificar quais redes
sociais os bibliotecários das instituições pesquisadas não conheciam. Constatou-se que as
redes sociais LibraryThing e Skoob são as redes sociais menos conhecidas pelos
bibliotecários.
Considerando-se que atualmente não basta possuir perfil em uma rede social, é
necessário também saber usar e procurar explorar seus recursos, procurou-se saber se as redes
sociais são utilizadas de maneira satisfatória. A maioria dos respondentes (nove) acreditam
que utilizam bem as redes sociais em que possuem perfil pessoal.
Como um dos objetivos da pesquisa é o de saber quantas bibliotecas universitárias
públicas de Fortaleza utilizam redes sociais, passou-se a pergunta relativa ao uso que a
biblioteca faz uso de alguma das redes sociais da Internet. A maioria das bibliotecas (nove)
afirma que utilizam alguma rede social, enquanto cinco bibliotecas não utilizam nenhuma
rede social.
Apesar de não ter-se obtido retorno do questionário enviado para a Biblioteca do IFCE
e de uma das Bibliotecas da UFC, realizamos um busca na Internet, através do Google, e em
duas redes sociais da Internet, Facebook e Twitter, e constatou-se que as duas bibliotecas que
não responderam ao questionário possuem pelo menos uma rede social, a Biblioteca do IFCE
possui um perfil no Facebook e a biblioteca da UFC possui um blog relacionado ao curso que
atende.

4462

�Pode-se então afirmar que as bibliotecas estão buscando integrar as novas tecnologias,
novas formas de comunicação e integração com seus usuários no dia a dia, através do uso das
redes sociais, sejam quais forem estas redes.
Perguntou-se tanto aos bibliotecários das unidades de informação que utilizam redes
sociais quanto as que não utilizam, quais seriam os obstáculos à implantação de redes sociais
em bibliotecas universitárias. Para alguns bibliotecários a falta de pessoas para manter a
atualização constante das redes sociais é o principal obstáculo, como podemos visualizar no
Quadro 2 .

Quadro 2 - Obstáculos à implantação de redes sociais em Bus
BU2
BU7
BU10

BU12
BU13

Falta de pessoal que possa estar acessando e/ou atualizando dados constantemente.
Não sei responder.
É importante ver que o profissional bibliotecário de instituições de ensino superior
precisa estar preparado para o bom uso dessa riqueza informativa de forma
inteligente e responsável, a fim de atender as necessidades de todos e contribuir
efetivamente na formação do cidadão.
Definição de escopo e disponibilidade de pessoal.
Basicamente falta de pessoal para manter o serviço.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados da Pesquisa

Para outros profissionais os obstáculos são a aversão e até mesmo desinteresse dos
colegas de classe em colaborar na manutenção das redes sociais, o que em alguns casos, acaba
por sobrecarregar a única pessoa que se dispõe a fazer. Sabe-se que em empresas há estudos e
especialistas que trabalham exclusivamente o assunto mídias e redes sociais, de forma a
agregar valor a sua marca e conquistar clientes, entretanto nas bibliotecas isto não ocorre, não
há um profissional para trabalhar exclusivamente as redes sociais. Então o bibliotecário
acumula ao seu trabalho a função de também gerir uma rede social. Interessante também a
opinião da BU5:
Na minha sincera opinião, não estamos preparados para utilizar todos os
recursos que as redes oferecem. Até mesmo por não conhecer, nem saber a
melhor maneira de utilizá-la (quando e como). Assim, acho que não
conseguimos utilizar bem essas ferramentas (esgotando todos os seus
recursos). Muitas empresas contratam profissionais especialistas somente
para trabalhar as redes sociais para seus clientes ou futuros clientes. (BU5).

A opinião da BU5 nos leva a observar mais um obstáculo que as bibliotecas enfrentam
no uso dos recursos das mídias sociais, a falta de treinamento para o uso dessas ferramentas,

4463

�já que na maioria das vezes a implantação das redes sociais é feita sem nenhum planejamento
e de forma intuitiva pelos profissionais.
Sobre o questionamento da importância do uso das redes sociais na visão dos
bibliotecários das bibliotecas universitárias, verificou-se que apenas uma biblioteca, BU9, não
considera o uso das redes sociais importantes em bibliotecas, e justifica sua resposta da
seguinte forma: “afirmando que ainda não sabemos o que fazer com elas, somente
reproduzimos o que é publicado em outros sites, coloco ainda que quando soubermos inovar,
construir conteúdos é que as redes sociais farão sentido no contexto das BUs.”. Para as
demais bibliotecas as redes sociais possuem grande importância, por seu um meio de
comunicação entre a biblioteca e seus usuários, pela possibilidade de divulgar notícias e
serviços da biblioteca, dando uma maior visibilidade a biblioteca. Além disso, as redes sociais
são utilizadas para que o usuário possa interagir com a biblioteca e vice-versa.
Questionou-se também aos bibliotecários quais benefícios eles acreditam que são
proporcionados pelo uso das ferramentas de redes sociais em bibliotecas.
A BU13 coloca que a obtenção e troca de informações e divulgação dos serviços
oferecidos são os principais benefícios do uso das redes sociais em BUs. Para a BU14 “[...] o
grande benefício é a popularização da imagem da biblioteca, diminuindo as distâncias e
aproximando a biblioteca da comunidade.” A BU3 afirma que ao utilizar as redes sociais, as
bibliotecas universitárias desmistificam a imagem ranzinza e inerte que possuem. A utilização
de redes sociais pelas bibliotecas universitárias possibilita que essas ultrapassem seu espaço
físico e integrem-se, interajam na rede, participando assim do cotidiano dos universitários,
que estão inseridos no contexto das redes sociais.
Quando perguntados se desejam integrar alguma rede social neste ano, três dos cinco
bibliotecários cujas bibliotecas não participam de redes sociais responderam que não,
enquanto dois afirmaram ter interesse em criar uma conta da biblioteca no Facebook. Quanto
aos que já possuem redes sociais, a maioria também não tem interesse em integrar outra rede
social em 2013. Apenas quatro possuem interesse em participar de mais alguma rede social.
Identificar as redes sociais utilizadas pelas bibliotecas universitárias públicas de
Fortaleza foi um dos objetivos propostos na pesquisa. Sabendo que das bibliotecas que
responderam a pesquisa nove utilizam redes sociais, buscou-se então saber quais seriam essas
redes sociais. O Facebook e o Twitter são as ferramentas de redes sociais mais utilizadas pelas
bibliotecas, ambos utilizados por sete bibliotecas.
Sobre as informações veiculadas nas redes sociais destas bibliotecas observou-se que
são informações sobre o funcionamento, serviços da biblioteca, relacionadas ao(s) curso(s)

4464

�que a biblioteca atende, aquisições de novas publicações; e há também informações sobra a
Universidade a qual a biblioteca pertence, dicas culturais.
Os responsáveis por divulgar informações nas redes sociais das bibliotecas geralmente
são os próprios bibliotecários e /ou assistentes administrativos. No caso das bibliotecas que
participaram da pesquisa, a maioria das informações é publicada pelo bibliotecário. A
responsabilidade pelo que é publicado nas redes sociais é compartilhada em oito das nove
bibliotecas.
Quanto as dificuldades encontradas na manutenção, utilização das redes sociais,
alguns dos entrevistados apontaram que a maior dificuldade é a atualização destas redes e a
oferta de boas notícias, esta dificuldade está relacionada à outra, citada pelos profissionais, a
escassez de recursos humanos, já que os bibliotecários tem como prioridade outros serviços
da biblioteca, o que dificulta a atualização da rede, bem como a criação de conteúdos próprios
para elas. Apenas em uma resposta, da BU14, foi afirmado que não há dificuldade, “Não, a
equipe que mantêm as redes sociais possuem domínio sobre a ferramenta.”.
Quanto aos desafios no uso das ferramentas de rede social, percebeu-se que a maioria
das bibliotecas, apesar de reconhecer que existem desafios, não planeja como vencer essa
barreira. Apenas duas bibliotecas elencaram os desafios vivenciados e a forma como planejam
melhorar, vencer os desafios enfrentados.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS

As bibliotecas universitárias vêm acompanhando a evolução das tecnologias de
informação e comunicação, buscando integrar os recursos possíveis as suas atividades. Com a
evolução dessas tecnologias e o surgimento da Internet as formas de comunicação foram
sendo modificadas, não sendo mais necessário o ambiente físico para que as pessoas troquem
informações. As informações podem ser trocadas, compartilhadas em meio digital.
Formam-se então, redes sociais da Internet, em que as pessoas podem criar perfis,
conhecer pessoas novas, adicionar pessoas que já conhecem. As bibliotecas podem e devem
integrar-se a essas redes como forma de comunicar-se, integrarem-se com seus usuários, tão
presentes nessas redes.
Através deste trabalho pode-se constatar que a maioria das bibliotecas universitárias
públicas de Fortaleza está utilizando pelo menos uma rede social da Internet. As redes sociais
mais utilizadas são o Facebook e o Twitter, que inclusive são as redes sociais mais utilizadas
atualmente.

4465

�Os obstáculos que impedem a implantação de redes sociais em bibliotecas é a
necessidade de atualização constante destas redes aliada a falta de profissionais, e
profissionais qualificados para esta atividade, além do desinteresse de alguns profissionais em
utilizar as redes sociais, por não considerá-las como recurso importante para as bibliotecas.
Verificou-se que os bibliotecários que participaram da pesquisa possuem perfil pessoal
em pelo menos uma rede social, entretanto, desconhecem outras redes sociais, como o
LibraryThing e Skoob, que são redes sociais para o compartilhamento de críticas, opiniões
sobre livros, elaboração de resenhas, etc.
Os bibliotecários que participaram da pesquisa consideram as redes sociais
importantes, pois estas dão maior visibilidade à biblioteca, além da possibilidade de
divulgação dos produtos e serviços da biblioteca. Ainda constituem um importante meio de
comunicação entre a biblioteca e usuário, proporcionando interação entre a instituição e os
indivíduos.
Como contribuições modestas desse trabalho ao campo, além das conclusões
expressas nas linhas anteriores, relacionamos a identificação de quantas bibliotecas
universitárias públicas de Fortaleza utilizam redes sociais; o mapeamento e a identificação de
quais as redes sociais utilizadas por essas bibliotecas; a identificação e análise dos principais
obstáculos que impedem a implantação de redes sociais nas bibliotecas; a verificação se se os
bibliotecários destas instituições, participantes da pesquisa, conhecem as redes sociais e
sabem utiliza-las; e por fim a verificação do nível de importância atribuída as rede sociais
pelos bibliotecários.
A partir deste trabalho, vislumbram-se novos questionamentos que podem ser
pesquisados em futuros trabalhos: as bibliotecas estão utilizando de forma adequada às redes
sociais? Qual a visão do usuário sobre as redes sociais das bibliotecas, o que eles acham do
conteúdo que as bibliotecas postam? O que eles gostariam que fossem disponibilizados pelas
bibliotecas? As bibliotecas utilizam alguma ferramenta métrica para contabilizar o alcance de
suas redes sociais?
Enfim, são muitos questionamentos que podem ser trabalhados futuramente.

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4468

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                <text>Redes sociais e bibliotecas universitárias: estudo exploratório em bibliotecas de instituições públicas de ensino superior de Fortaleza</text>
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                <text>Neste trabalho tem-se por objetivo saber se as bibliotecas de instituições de ensino superior públicas de Fortaleza estão utilizando as ferramentas de rede social da Internet e identificar quais redes sociais estão sendo utilizadas. Apresentam-se os conceitos de biblioteca universitária e redes sociais. A pesquisa é de caráter exploratório com abordagem quantitativa e qualitativa. A técnica de coleta de dados utilizada foi a aplicação de um questionário às bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, Instituto Federal de Educação e Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará. Constata-se que a maioria das bibliotecas utilizam as redes sociais, entretanto, seu uso é feito com bastante dificuldade, principalmente pela falta de recursos humanos e de planejamento no uso das redes sociais. Entende-se que as redes sociais são importantes ferramentas de comunicação e interação entre as bibliotecas e seus usuários, mas que necessita de planejamento e treinamento por parte dos bibliotecários para melhor uso destes recursos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RANGANATHAN E A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO: QUANDO A
BIBLIOTECONOMIA E O DIREITO SE ENCONTRAM

José Antônio Pereira do Nascimento

RESUMO
Trabalho de análise da Lei 12.527/2011, Lei de Acesso à Informação, sob a égide das cinco
Leis da Biblioteconomia, proposta por Ranganathan em 1931. Faz breve contextualização da
Lei, explanando alguns princípios e conceitos jurídicos, com destaque para o Princípio da
Publicidade. Explora todos os capítulos da Lei de Acesso à Informação, indica outras normas
correlatas, inserindo em sua discussão revisão da literatura acerca das cinco Leis de
Ranganathan. Explora resumidamente as implicações e ajustes da prática biblioteconômica
para atendimento à Lei referida, com algumas indicações e sugestões direcionadas,
principalmente, ao profissional bibliotecário atuante em bibliotecas ou similares de órgãos
públicos.
Palavras-chave: Lei de Acesso à Informação (Brasil). Publicidade (Direito). Ranganathan.

ABSTRACT
Analytical work of the Brazilian Law 12.527/2011, Access to Information Act, under the
aegis of the Five Laws of Library Science proposed by Ranganathan, in 1931. Previews
contextualization of Law, explaining some principles and legal concepts, emphasizing the
principle of Publicity. Explores all chapters of the Access to Information Act by inserting in
its scope the Five Laws of Ranganathan. Finally, briefly explores the implications of Library
Science practice for compliance with the Act, with some pointers and suggestions directed to
librarians working in public agencies libraries.
Keywords: Access to Information Act (Brazil). Publicity (Law). Ranganathan.

1 INTRODUÇÃO
O trabalho que ora se apresenta é o resultado de um exame detalhado da Lei
12.527/2011 e de revisão de literatura sobre as cinco Leis de Ranganathan. Voltada para o
profissional bibliotecário, a análise da Lei de Acesso à Informação foi realizada amparada nas
cinco Leis da Biblioteconomia, propostas por Ranganathan em 1931. Perseguiu-se o método
da comparação, utilizando-se, principalmente, de fontes primárias de informação, como os
textos legais e a publicação original de Ranganathan. Não obstante, foram utilizados

1695

�publicações de autores consagrados da Ciência do Direito para explanações advindas dessa
área do conhecimento, bem como textos relacionados não somente à Biblioteconomia em si,
mas, de forma mais abrangente, à Ciência da Informação.
O trabalho foi dividido em três partes: a primeira, contextualizando a própria de Lei de
Acesso à Informação em relação ao princípio jurídico da Publicidade, explanando cada
capítulo e realizando comentários . A segunda parte do trabalho faz uma revisão das leis de
Ranganathan, comparando-as com a Lei 12.527/2011. Na terceira parte, são apresentadas
algumas indicações e sugestões para o bibliotecário atuante em bibliotecas e órgãos públicos
adaptar-se ao cenário imposto pelo advento da nova legislação de acesso a informações
públicas.

2 A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO: CONTEXTUALIZAÇÃO
Antes de se começar a falar da Lei de Acesso à Informação, faz-se necessário
contextualizá-la dentro do cenário do Direito Público, que é o ramo da Ciência Jurídica que
trata das obrigações e deveres do Estado e da relação deste com seus próprios entes, bem
como com as pessoas, de um modo geral. Não se confunde, portanto, com o Direito Privado,
que rege, por sua vez, a relação entre os civis, pessoas físicas e/ou jurídicas.
Abarcado pelo Direito Público está o Direito Constitucional, o Direito Financeiro e
Tributário, o Direito do Trabalho, o Direito Penal, o Direito Processual e o Direito
Administrativo. Este último, que é o ramo do Direito que regula a função administrativa do
Estado, independentemente de ser ela exercida ou não pelo Poder Executivo, compreende um
conjunto de normas e princípios do Direito Público Interno, que regula a organização e
atividade da Administração Pública, e as relações que se dão entre esta e os particulares.
Também regula as relações entre os Poderes e seus órgãos, bem como seu controle.
Quando se fala em Poderes, há de se entender que se trata dos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, cada um exercendo suas funções pertinentes e de forma
independente, porém harmônicas entre si. Para que suas atividades sejam exercidas, os
Poderes se dividem em órgãos (uma biblioteca, por exemplo), que não passam de simples
repartições de atribuições, executadas e personificadas por seus agentes (MELLO, 2013, p.
144).
Agentes públicos são todas as pessoas vinculadas ou não ao Estado que prestam
serviços a este, de forma permanente ou ocasional. Dessa forma, um bibliotecário concursado
ou contratado pelo Estado, mesmo que temporariamente, se torna um agente público. Como
tal, o bibliotecário estará submetido às regras do Direito Administrativo, bem como a seus

1696

�princípios. Alguns destes regramentos, no que concerne à Lei de Acesso à Informação, são o
que se intenta abordar neste artigo.
Conforme lembra Lenza (2013, p. 1.370), as pessoas naturais podem fazer tudo o que
a lei não proíbe. Por sua vez, a Administração Pública, personificada pelos seus agentes
públicos, só poderá fazer o que a lei determinar ou permitir, atuar segundo a lei, nunca além
dela, exacerbando sua esfera de atuação, e nunca contra a lei - eis, o princípio da Legalidade,
a que todos os bibliotecários, na qualidade de agentes públicos, estão sujeitos.
Outros princípios, por coincidência, também cinco, como as Leis de Ranganathan,
regem a Administração Pública e estão dispostos no artigo 37 da Constituição da República
de 1988:
A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
(BRASIL, 1988).

2.1 O Princípio da Publicidade
Para este trabalho, não se abordará a discussão de todos os princípios da
Administração Pública, mas tão somente o da Legalidade, explicitado resumidamente no item
anterior, e o Princípio da Publicidade, que é o princípio corolário da Lei de Acesso à
Informação.
Para Lenza (2013, p. 1.375) o Princípio da Publicidade está muito ligado à
transparência, que é um direito da sociedade e um dever do Estado. Esse princípio rege a
divulgação dos atos administrativos, ou seja, todas as ações do Estado devem se tornar
públicas, exceto em alguns casos extremos: segurança nacional, investigações sigilosas ou
atos que envolvam a privacidade, como por exemplo, processos judiciais relativos à família
ou menores de idade.
No artigo 5° da Constituição da República se dispõe que todos são iguais perante a lei,
norma esta que define um Estado de Direito, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Inclusive, no inciso XXXIII do mesmo
artigo, está disposto que todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da
sociedade e do Estado.

1697

�O artigo 37 da Constituição da República expressamente inseriu o Princípio da
Publicidade no ordenamento jurídico brasileiro. Este princípio foi regulamentado pela
importante lei de número 12.527, sancionada em 18 de novembro de 2011, que regulamenta o
acesso à informação sob a guarda do Estado, que é sempre pública, como regra, sendo
exceção a restrição de acesso. Mello (2013, p. 118), referindo-se ao Princípio da Publicidade,
ressalta muito bem que “na esfera administrativa o sigilo só se admite, a teor do art. 5°,
XXXIII, precipitado, quando ‘imprescindível à segurança da Sociedade e do Estado’”. Isso
quer dizer que, mesmo anteriormente à entrada em vigor da Lei 12.527/2011, a Constituição
da República de 1988 já previa o acesso à informação pública no Brasil.

2.2 Lei 12.527/2011: A Lei de Acesso à Informação do Brasil
Como exposto anteriormente, a referida Lei 12.527/2011 veio regulamentar o
Princípio da Publicidade, expresso no artigo 37 da Constituição da República que previa, em
seu parágrafo 3°, que uma lei disciplinaria as formas de participação do usuário na
Administração Pública Direta e Indireta, regulando, especialmente, o acesso dos usuários a
registros administrativos e a informações sobre atos de governo, desde que observado o
disposto no artigo 5°, incisos X e XXXIII da mesma Carta Magna.
Não obstante o artigo 37, por vezes mencionado, também no artigo 216 da
Constituição da República foi estabelecido que cabe à Administração Pública, na forma da lei,
a gestão da documentação governamental e as providências para franquear sua consulta a
quantos dela necessitem. Eis, portanto, uma grande responsabilidade para o profissional
bibliotecário, na qualidade de agente público. O bibliotecário deverá realizar a gestão
documental, bem como garantir ao público acesso a documentos e informações sob sua
guarda.
A Lei 12.527/2011 alterou, ainda, a Lei 8.112/1990, que dispõe sobre o regime
jurídico dos servidores públicos federais, revogou a Lei 11.111/2005, que regulamentava a
parte final do disposto no inciso XXXIII do caput do artigo 5° da Constituição da República,
mencionado acima, e revogou o capítulo V da Lei 8.159/1991, que dispõe sobre a política
nacional de arquivos públicos e privados.
Para subsidiar legalmente o profissional bibliotecário, lista-se abaixo outras normas do
direito brasileiro pertinentes à gestão de informações do Poder Público:
a) Decreto 7.845, de 14/11/2012 (Regulamenta procedimentos para credenciamento de
segurança e tratamento de informação classificada em qualquer grau de sigilo, e
dispõe sobre o Núcleo de Segurança e Credenciamento);

1698

�b) Decreto 7.724, de 16/05/2012 (Regulamento da Lei 12.527/2011);
c) Decreto 4.915, de 12/12/2003 (Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo SIGA).
d) Lei 9.507, de 12/11/1997 (Acesso à informação e habeas data).
e) Lei 8.159, de 08/01/1991 (Arquivos públicos e privados. Acesso. Sigilo).
f) Constituição da República de 1988, art. 5° (Proteção à intimidade, à vida privada e à
honra. Dano moral. Direito à informação).
Uma vez descrito o contexto e normas que subsidiam o assunto ora tratado, passa-se a
algumas minúcias da Lei 12.527/2011.
A Lei de Acesso à Informação está estruturada e dividida em seis capítulos. No
primeiro capítulo, se apresentam as disposições gerais, onde se reafirma ser o acesso à
informação um direito fundamental, o que já em 1998, Gorman (1998, p. 23) definiu como
sua quarta nova Lei da Biblioteconomia - Proteção do livre acesso ao conhecimento.
É interessante ressaltar, contudo, que as disposições da referida Lei se aplicam, no que
couber, às entidades privadas sem fins lucrativos que recebam, para realização de ações de
interesse público, recursos públicos diretamente do orçamento ou mediante subvenções
sociais, contrato de gestão, termo de parceria, convênios, acordo, ajustes ou outros
instrumentos congêneres.
No artigo 5o da Lei 12.527/2011 se dispõe que é dever do Estado (subdividido em
órgãos, personificados por seus agentes públicos, que muitas das vezes são profissionais
bibliotecários), garantir o direito de acesso à informação que será franqueada, mediante
procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil
compreensão.
No segundo capítulo, a Lei dispõe sobre o acesso a informações, efetivamente, e sua
divulgação. Destaca-se, contudo, que, embora a observância da publicidade seja um preceito
geral e o sigilo é exceção, o acesso à informação não compreende as informações referentes a
projetos de pesquisa e desenvolvimento científicos ou tecnológicos cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.
Determina o texto legal que a informação solicitada por qualquer cidadão deve ser
providenciada em 20 dias e, se a resposta não for satisfatória, ele poderá recorrer a esferas
superiores do órgão público demandado.
Se, por acaso, a informação solicitada não for disponibilizada devido ao extravio de
algum documento, o cidadão deverá ser informado e poderá requerer à autoridade competente
a imediata abertura de sindicância para apurar o desaparecimento da respectiva

1699

�documentação. No que tange a documentação de responsabilidade do profissional
bibliotecário, este deverá estar atento, pois, verificado o extravio, o responsável pela guarda
da informação extraviada deverá, no prazo de 10 dias, justificar o fato e indicar testemunhas
que comprovem sua alegação.
É dever dos órgãos públicos promover, independentemente de requerimentos, a
divulgação em local de fácil acesso, no âmbito de suas competências, de informações de
interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas. Assim sendo, onde não há
ainda uma biblioteca, arquivo ou centro de documentação, deverá ser criado um local
adequado (ainda que virtual) para divulgação e acesso de informações de interesse do público
em geral, pois, para cumprimento das exigências da Lei de Acesso à Informação, os órgãos
públicos deverão utilizar todos os meios de que dispuserem, sendo obrigatória a divulgação de
informações públicas em sítios oficiais na Internet.
Para o caso de disponibilização de informações na Internet, os órgãos públicos
deverão, por exigência da própria Lei 12.527/2011, atender, entre outros, aos requisitos de
conter ferramenta de pesquisa de conteúdo, divulgar em detalhes os formatos utilizados para
estruturação da informação, garantir a autenticidade e a integridade das informações
disponíveis, manter atualizadas as informações disponíveis para acesso e adotar as medidas
necessárias para garantir a acessibilidade de conteúdo para pessoas com deficiência. Muito
trabalho poderá ser gerado se a Lei for efetivamente aplicada e com a devida seriedade que
requer o assunto.
No capítulo terceiro da Lei, que trata dos procedimentos de acesso à informação, o
acesso é subdividido em ativo e passivo. A forma ativa de acesso à informação é aquela em
que a prestação de informações de interesse público é realizada por parte dos órgãos públicos
independentemente de solicitação de qualquer pessoa, a chamada transparência ativa. A forma
passiva, por seu turno, é aquela em que as informações são disponibilizadas mediante
solicitação de acesso de algum cidadão a qualquer informação ou documento. De qualquer
forma, em observação à Lei 12.527/2011, o pedido de informações deve ser facilitado através
de um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), instituído pela própria Lei.
Além das formas ativa e passiva previstas na Lei, há previsão, como já mencionado,
de recurso à esfera superior do órgão público, em caso de negativa da disponibilização de
informação ou mesmo sobre a classificação de restrição atribuída a algum documento. Se, de
qualquer forma, for negado o acesso à informação por órgão público do Poder Executivo
Federal, neste caso, o requerente poderá recorrer à Controladoria-Geral da União.

1700

�No capítulo quarto da Lei são tratados os casos de restrição de acesso à informação, ou
seja, aquelas que poderão ser classificadas como ultrassecretas, secretas ou reservadas.
As ultrassecretas possuem prazo de restrição de acesso de 25 anos, renovável por mais
25. A secreta possui prazo de restrição de 15 anos, não renovável, e a reservada possui prazo
de cinco anos, não renovável. Assim, o prazo máximo para que um documento seja mantido
em sigilo é de 50 anos.Após a finalização dos prazos acima referidos, o acesso aos
documentos é automaticamente liberado, sem restrição. Durante esse interregno, o órgão
detentor de informação sigilosa deverá controlar o acesso e a divulgação, assegurando a sua
proteção, conforme regulamentado no Decreto 7.845, de 14 de novembro de 2012, que dispõe
sobre procedimentos e medidas a serem adotados para o tratamento de informação sigilosa de
órgãos públicos do Executivo Federal, com o intuito de protegê-la contra perda, alteração
indevida, acesso, transmissão e divulgação não autorizada.
Para os profissionais que interagem com relatórios e documentos públicos, seja para
tratamento técnico, seja somente para sua custódia, se infere que há também a obrigação de
resguardar o sigilo.
No que tange a informações pessoais, o tratamento deve ser feito de forma
transparente e com respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas,
sendo seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo, pelo prazo máximo de
100 anos a contar da data de sua produção.
Conforme disposto no capítulo quinto da Lei de Acesso à Informação, caso o agente
público, incluindo-se bibliotecários que estiverem atuando como tal, se recuse a fornecer
informação requerida, divulgar ou permitir a divulgação, acessar ou permitir acesso indevido
à informação sigilosa ou informação pessoal, entre outros, poderá responder por infrações
administrativas, que deverão ser apenadas, no mínimo, com suspensão, podendo ainda
responder por improbidade administrativa, bem como regulamentos disciplinares das Forças
Armadas para os profissionais que trabalharem no âmbito militar.
Na esfera do Poder Executivo Federal, a regulamentação específica da Lei de Acesso à
Informação ocorreu com a publicação do Decreto 7.724, em 16 de maio de 2012, que
estabeleceu os procedimentos para a garantia do acesso à informação pública e para a
classificação de informações que deveriam estar sob restrição de acesso nos órgãos do
governo federal.

1701

�3

AS

LEIS

DE

RANGANATHAN:

RELEMBRANDO

OS

PRINCÍPIOS

BIBLIOTE CONÔMICOS
Uma vez analisada a Lei 12.527/2011, inicia-se uma breve revisão das Leis de
Ranganathan e sua comparação com a referida norma. As Leis de Ranganathan, para este
autor, nunca perdem a contemporaneidade, eis que sempre simples, precisas e basilares.
Quando se pensa em acesso à informação como direito fundamental, determinado no Brasil
em 1988 pela Constituição da República e regulamentado em 2011 pela Lei 12.527, verificase a visão de futuro do bibliotecário Shiyali Ramamrita Ranganathan, que em 1931,
determinou que Books are for use (Os livros são para usar) (RANGANATHAN, 1931, p.
26). E mais de 50 anos depois, em 1984, Rajagopalan e Rajan (apud FIGUEIREDO, 1999, p.
130) atualizaram as leis de Ranganathan, explicitando que a informação é para o uso e que
esta seria a primeira lei da Ciência da Informação. Leiter (1996, p. 72) alerta que a primeira
Lei da Biblioteconomia muitas vezes é violada na prática e no uso das bibliotecas, como, por
exemplo, quando se criam coleções com acesso restrito. Lembre-se, porém, que pela Lei de
Acesso à Informação, tem-se como diretrizes a observância da publicidade como preceito
geral e do sigilo como exceção, bem como a ação de divulgação de informações de interesse
público, independentemente de solicitações.
Para Figueiredo (1999, p. 130-131), a segunda Lei de Ranganathan sugere que as
necessidades dos solicitantes de informação devem ser satisfeitas em seus requisitos
específicos. Este entendimento vai ao encontro de Ranganathan (1931, p. 80-134), que dizia
Books for all (Livros para todos), livros para homens e mulheres, para ricos e pobres, para
letrados e analfabetos. Pode-se atualizar essa segunda Lei de acordo com o sugerido por
Rajagolan e Rjan (apud FIGUEIREDO, 199, p. 130) como “a cada usuário sua informação”,
ou, a cada cidadão a informação de seu interesse, pois segundo a Lei 12.527/2011, em seu
artigo 10, qualquer interessado poderá apresentar pedido de acesso a informações para os
órgãos e entidades públicos por qualquer meio legítimo, devendo o pedido conter a
identificação do requerente e a especificação da informação requerida. A Lei em referência
determina que os órgãos e entidades do poder público devem viabilizar alternativa de
encaminhamento de pedidos de acesso a informações por meio de seus sítios oficiais na
Internet. São, ainda, legalmente vedadas quaisquer exigências relativas aos motivos
determinantes da solicitação de informações de interesse público. Para Ranganathan (1931, p.
135), livros para poucos escolhidos sempre existiram desde que os livros começaram a ser
escritos, no entanto, o conceito de informação para todos é um novo conceito, ou, ao menos
era novo em 1931, portanto não se pode negar o livre acesso à informação em pleno Século

1702

�XXI. Essa segunda Lei de Ranganathan é o princípio que trata da questão fundamental de
acesso à informação (LEITER, 1996, p 73).
Quando se parte para explicitar a Lei de Acesso à Informação à luz da terceira Lei de
Ranganathan, este autor ficou tentando, admite-se, criar ressalvas a ela. Ao pesquisar,
entretanto, a literatura biblioteconômica e a doutrina jurídica, fazendo uma leitura
pormenorizada da Lei e do Decreto 7.724, de 16 de maio de 2012, que regulamenta, no
âmbito do Poder Executivo Federal, os procedimentos para a garantia do acesso à informação,
percebeu-se que Ranganathan quando escreveu Every book its reader (A cada livro seu leitor)
(1931, p. 258-259), ele já fora explicando o sistema de livre acesso às estantes, nos quais os
leitores deveriam examinar os livros com tanta liberdade quanto em sua própria biblioteca
privada. Dessa forma, ao se deparar com esta afirmação o autor concluiu que a informação é
dita pública porque ela é de todos os cidadãos, e o sentimento deve ser aquele de propriedade
da informação como se ela fosse destes. Como se fosse, não. Ela o é. Todo o poder emana do
povo, é o que diz o parágrafo primeiro do artigo primeiro da Constituição do Brasil, logo
qualquer informação gerada pelo Poder Público deve ser do povo e para o povo.
Verificou-se que o Decreto acima mencionado criou um capítulo específico sobre
transparência ativa e em seu artigo 7° determinou que fosse dever dos órgãos públicos
promover, independente de requerimento, a divulgação de informações produzidas ou
custodiadas de interesse público em seus sítios na Internet, tais como sua estrutura
organizacional, competência, legislação aplicável, principais cargos e seus ocupantes,
programas, projetos, ações, repasses ou transferências de recursos financeiros, licitações
realizadas e em andamento, além de contratos firmados.
Obviamente, nenhuma dessas orientações causou tanta celeuma quanto a obrigação de
informar remuneração e subsídio recebidos por ocupante de cargo, posto, graduação, função e
emprego público, incluindo auxílios, ajudas de custo, jetons e quaisquer outras vantagens
pecuniárias. Para se entender o porquê dessa norma é preciso compreender outro princípio,
não da Biblioteconomia, mas da Ciência do Direito, que é o princípio da supremacia do
interesse público sobre o interesse privado (MELLO, 2013, p. 99). Para atender a este
princípio, o Poder Público, por representar o interesse público, pode designar, através de lei,
os cidadãos a certas obrigações e, se assim o é, não seria diferente para seus próprios agentes
públicos.
Com isso, visando atender ao Princípio da Supremacia do Interesse Público, se conclui
que disponibilizar subsídios e remunerações de agentes públicos não viola o direito à
privacidade.

1703

�Diante deste cenário, a Lei 12.527/2011 determinou que o acesso a informações
públicas fosse assegurado mediante a criação de um Serviço de Informações ao Cidadão
(SIC) nos órgãos do poder público para atender, orientar, informar e protocolizar documentos
e requerimentos de acesso a informações, o que se assemelha a um serviço de referência que é
prestado completamente fora da biblioteca, semelhante ao preconizado por Grogan (1995, p.
31). Isso vai ao encontro da interpretação quanto à terceira Lei de Ranganathan de que
bibliotecários são também responsáveis por providenciar guias e instruções sobre o processo
de pesquisa da instituição (LEITER, 1996, p. 73). No dizer de Grogan (1995, p. 16) o serviço
de referência inclui tanto funções informacionais quanto instrucionais.
Obviamente, o acesso a informações não é, sob a égide da Lei de Acesso à
Informação, tarefa exclusiva de bibliotecários. Esses, contudo, devem sempre estar
estrategicamente atentos ao que acontece a seu redor, pois “o perfil ideal do profissional
bibliotecário é contingencial ao ambiente e à sociedade onde atua” (SANTOS, 2000, p. 116) e
muitas vezes as informações solicitadas através do SIC podem estar localizadas em
repertórios informacionais sob sua custódia ou gestão.
Ranganathan (1931, p. 287-288) descreve que sua quarta Lei talvez não seja tão óbvia
quanto as anteriores. Gorman (1998, p. 21) afirma que ela é um processo mais complicado do
que aparenta, pois são notórios os exemplos de sítios na Internet que disponibilizam
informações ativamente para o público, porém de forma confusa, que não atendem ao
princípio de Ranganathan que visa imprimir maior agilidade ao serviço prestado ao usuário.
As informações devem ser disponibilizadas de forma organizada, clara, óbvia e convidativa,
para evitar o desperdício de tempo do usuário em busca das informações de seu interesse
(LEITER, 1996, p. 73). Para Figueiredo (1999, p. 131) “a quarta lei traz o imperativo de
desenvolver mecanismos para que o fluxo de informação assegure maior rapidez e eficácia”.
Pensando-se no Save the time o f the reader (Economize o tempo do leitor), verifica-se
que o Decreto 7.724/2012, que regulamenta, no âmbito do Poder Executivo Federal190, os
procedimentos para a garantia do acesso à informação, determina em seu artigo segundo que
os órgãos e as entidades do Poder Executivo Federal assegurarão às pessoas naturais e
jurídicas o direito de acesso à informação e que este será proporcionado mediante
procedimentos objetivos e ágeis.
Na Lei 12.527/2011, por sua vez, foram assegurados alguns prazos que, de certa
forma, respeitam a esse princípio de se poupar o tempo do cidadão. O mais importante está
190 Ressalte-se que cada ente federativo, União, estado ou município, pode regulamentar a Lei 12.527/2011
dentro de sua esfera de atuação.

1704

�em seu artigo 11, que determina que o órgão do Poder Público deve autorizar ou conceder o
acesso imediato à informação disponível e que não o sendo possível de imediato, deverá
disponibilizar a informação em prazo não superior a 20 dias. Outros prazos estão também
definidos, no tocante aos recursos e ao prazo da vigência das classificações de restrição de
acesso, que sempre é uma exceção, como já mencionado anteriormente.
Por fim, sobre sua última Lei, Ranganathan descreveu que, enquanto as quatro
primeiras leis indicavam o espírito que deveria caracterizar a gestão e a administração das
bibliotecas, a quinta Lei deveria ser o princípio que norteia o planejamento e a organização
das bibliotecas (RANGANATHAN, 1935, p. 326). Diante dessa afirmação é que os
profissionais envolvidos com a biblioteca deverão pensar e planejar como atender ao artigo 71
do Decreto 7.724/2012, que determina que os órgãos do Poder Público adequem suas políticas
de gestão da informação e promovam os ajustes necessários aos processos de registro,
processamento, trâmite e arquivamento de documentos e informações.
Dessa forma, vislumbra-se que as bibliotecas, como órgãos colecionadores, deverão
estar mais atentas à seleção e à aquisição de materiais e informações produzidas pelos órgãos
onde se inserem; os arquivos, como órgãos receptores, deverão estar atentos a políticas que
centralizem seus acervos, ou pelo menos à gestão integrada destes, e os centros de
documentação deverão estar atentos às duas modalidades, porque possui as características de
colecionar ou referenciar, segundo considerações de Bellotto (2004, p. 38).

4 IMPLICAÇÕES DA PRÁTICA BIBLIOTECONÔMICA PARA ATENDIMENTO À
LEI
O profissional da informação deve analisar, planejar,

organizar a coleta,

processamento, armazenamento e recuperação da informação e disponibilizá-la a seu usuário.
Dessa forma, o bibliotecário deverá observar o que dispõe a Lei de Acesso à
Informação, anteriormente apresentada, no intuito de que, dentro de suas atividades, o acesso
às informações seja amplamente facilitado e disponibilizado com precisão e agilidade,
respeitando-se, não somente o texto legal, mas também as cinco Leis de Ranganathan, e assim
estará realizando seu trabalho efetivamente com qualidade.
A negativa de acesso às informações, objeto de pedido formulado aos órgãos públicos,
quando não fundamentada, sujeitará o responsável a medidas disciplinares nos termos do
artigo 32 da Lei 12.527/2011, como já explicitado anteriormente.
Bertazzi (2011, p. 25), antes da promulgação da Lei 12.527/2011, já alertava que
dificuldades poderiam existir no processo de execução das determinações legais, no que se

1705

�referisse à atuação do agente público, possivelmente gerando resistências à implementação da
Lei, bem como no impacto da própria Lei nas rotinas deste profissional. Três anos depois
ainda é possível observar empiricamente a necessidade de adaptação das instituições para que
a lei seja atendida com plenitude, principalmente pelos agentes públicos que “além de cumprir
com suas tarefas e atividades do dia a dia, ele deve, concomitantemente, produzir informações
sobre o trabalho desenvolvido” (BERTAZZI, 2011, p.30)
Haverá de se fazer um planejamento adequado visando à demanda crescente, pois A
library is a growing organism (A biblioteca é um organismo em crescimento). Como
Ranganathan (1931, p. 326) descreveu, a biblioteca cria novos serviços, dispensa serviços e
práticas em desuso, muda de tamanho e toma novas formas.
Com o advento da Lei de Acesso à Informação, a própria organização da instituição
pode ser afetada “uma vez que para que certos documentos ou informações possam ser
disponibilizados é preciso rever processos e procedimentos normalmente relegados a segundo
plano” (BERTAZZI, 2011, p 30).
Acontece, porém, que organizar os documentos e informações não é, de maneira
alguma, uma obrigação nova. O Decreto 4.073/2002, que regulamenta a Lei 8.159/1991, por
exemplo, em seu artigo 18 determina que:
Em cada órgão e entidade da Administração Pública Federal será constituída
comissão permanente de avaliação de documentos, que terá a
responsabilidade de orientar e realizar o processo de análise, avaliação e
seleção da documentação produzida e acumulada no seu âmbito de atuação,
tendo em vista a identificação dos documentos para guarda permanente e a
eliminação dos destituídos de valor. (BRASIL, 2002)

Talvez, não devam ter os profissionais bibliotecários que ter receio em adotar uma
política de acesso à luz da Lei 12.527/2011, pois, ainda que para isso tenha que se optar por
novas práticas, o pensar e o agir devem ser os de sempre, de dar acesso e uso a documentos e
informações dos quais o profissional da informação é guardião. Na conclusão do estudo de
Bertazzi (2011), ele discorre que para o atendimento à necessidade de dar acesso às
informações públicas é preciso:

[...] novos quadros ou, no mínimo, capacitação técnica dos responsáveis pelo
[sic] produção e disponibilização da informação. A produção de informação
precisará ser disponibilizada ao público de maneira compreensível e
acessível demandará novos esforços e competências, novos processos e
procedimentos, como por exemplo, a criação de bancos de dados e de
indicadores, bem como da formatação da informação para disponibilização
em diversos formatos. (BERTAZZI, 2011, p. 35)

1706

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluindo, mesmo que haja muito por se fazer, há que se compreender que
respeitando-se as cinco Leis de Ranganathan e adaptando-as como fizeram J. S. Rajagopalan e
T. N. Rajan, Michael Gorman, Richard Leiter e tantos outros, os profissionais bibliotecários
estarão sempre no estado da arte da Biblioteconomia e oferecendo qualidade em suas
atividades do dia a dia, utilizando de forma inteligente a tecnologia para melhoria contínua
dos serviços, como estabelece Gorman (1998, p. 23) em sua terceira Lei da Biblioteconomia
moderna. E assim conseguirão, sem maiores dificuldades, atuar em conformidade com a Lei
de Acesso à Informação.

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1707

�BRASIL. Lei n° 11.111, de 5 de maio de 2005. Diário Oficial [da] República Federativa do
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1708

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                <text>Trabalho de análise da Lei 12.527/2011, Lei de Acesso à Informação, sob a égide das cinco Leis da Biblioteconomia, proposta por Ranganathan em 1931. Faz breve contextualização da Lei, explanando alguns princípios e conceitos jurídicos, com destaque para o Princípio da Publicidade. Explora todos os capítulos da Lei de Acesso à Informação, indica outras normas correlatas, inserindo em sua discussão revisão da literatura acerca das cinco Leis de Ranganathan. Explora resumidamente as implicações e ajustes da prática biblioteconômica para atendimento à Lei referida, com algumas indicações e sugestões direcionadas, principalmente, ao profissional bibliotecário atuante em bibliotecas ou similares de órgãos públicos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Blotecas Universitárias
SNBU 2014

MAPEAMENTO DE PROCESSOS EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: O
CASO DA BIBLIOTECA DO ATERRADO
Rosiane Pedro do Nascimento

RESUMO
O presente artigo aborda a identificação e o mapeamento dos processos no projeto
denominado Faperj 2012, que tinha como objetivo angariar verbas para a compra de livros
para a Biblioteca do Aterrado de Volta Redonda. Dessa forma, a pesquisa se desenvolveu em
etapas, onde: na primeira, uma revisão de literatura dos temas abordados (gestão de processos,
gestão de processos em bibliotecas universitárias, metodologia BPM(Business Process
Management) e software BizAgi), na segunda parte a aplicação prática da metodologia BPM,
tendo como produto principal a árvore de processos e os fluxos modelados do macroprocesso
em foco e também dos principais processos, utilizando o software BizAgi. A identificação e a
modelagem permitiu visualizar as etapas executadas e a responsabilidade de cada ator nas
diversas atividades. Por fim, conclui que a atividade de mapeamento fortalece o processo de
submissão de projetos para órgãos de fomento, tornando seu detalhamento mais claro e
objetivo e facilitando a sua aprovação por instâncias superiores.
Palavras-Chave: gestão de processos. bibliotecas universitárias. Business Process Modeling

ABSTRACT
This article discusses the identification and mapping of processes in the project called Faperj
2012 which aimed to raise funds to purchase books for the Aterrado Library of Volta
Redonda . Thus, the research has developed in stages : first, a literature review of the topics
covered ( process management , process management in university libraries , methodology
BPM ( Business Process Management ) software BizAgi ), in the second part practical
application of BPM methodology with the main product tree processes and modeled flows
macroprocess in focus and also the main proceedings, using BizAgi software . The
identification and modeling helped visualize the steps performed and the responsibility of
each actor in the various activities . Finally, it concludes that the mapping activity strengthens
the process of submitting projects for funding agencies, making its most clear and objective
detailing and facilitating its adoption by higher courts .
Keywords: process management . university libraries . Business Process Modeling

2907

�1 INTRODUÇÃO
Calcadas em três pilares: o ensino, a pesquisa e a extensão, as universidades atuais têm
como objetivo formar profissionais que estejam atentos às mudanças da modernidade, e que
além de serem técnicos em suas áreas de atuação, também sejam geradores de conhecimento.
A partir dessas premissas, as bibliotecas universitárias têm como missão prover
subsídios informacionais que atendam tanto as demandas atuais, como principalmente os
objetivos das universidades onde estão inseridas. Assim, foi criada em março de 2011 a
Biblioteca do Aterrado de Volta Redonda (BAVR) da Universidade Federal Fluminense
(UFF). Esta unidade de informação atende aos cursos do campus do Aterrado, que é composto
pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), com os cursos de Administração,
Administração Pública, Ciências Contábeis, Direito e Psicologia e também pelo Instituto de
Ciências Exatas (ICEx), com os cursos de Física, Matemática e Química.
Criado com recursos do REUNI, esse novo campus da Universidade Federal
Fluminense, localizado as margens do rio Paraíba do Sul, está em fase de implantação e
expansão, pois seus cursos estão no momento no seu 4a ano, com pretensão de mais ofertas de
cursos e consequentemente de vagas. A UFF vem nos últimos anos aproveitando-se das
políticas governamentais para a Educação, para se consolidar como uma das maiores
universidades expansionistas do país, criando e aumentando sua participação em várias
cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro.
Em consequência desses fatos, a Biblioteca do Aterrado acompanha essa fase de
implantação e expansão e no momento oferece como serviço: o empréstimo de livros e amplo
espaço de estudos, com acessibilidade para portadores de deficiência física.
A importância da gestão de processos voltada para uma unidade de informação, e
basicamente que este tipo de organização já tem no seu escopo um caráter muito sistemático,
ou seja, em bibliotecas universitárias, os seus setores já funcionam em forma de processos
organizacionais, onde um dá suporte ao outro.
Dessa forma, a motivação para este estudo tem como o fato da BAVR estar sendo
implantada sem um planejamento prévio e com isso o objetivo principal desse trabalho é
identificar e mapear os processos existentes num projeto específico e futuramente identificar,
mapear, documentar e analisar todas as etapas do trabalho da biblioteca, consequentemente
propor melhorias.
A pesquisa seguirá as seguintes etapas: identificar os processos de trabalho, mapear
esses processos e modela-los. Usará a metodologia BPM (Business Process Modeling) e
como ferramenta de modelagem o software BizAgi.

2908

�Para nortear a execução da pesquisa, se utilizará os macroprocessos, processos e
subprocessos e atividades propostas por Maciel e Mendonça (2006) para bibliotecas. A
pesquisa será do tipo bibliográfica, estudo de caso com pesquisa de campo, e terá caráter
metodológica-aplicada.
O trabalho se dividirá em três etapas, na primeira será a pesquisa bibliográfica sobre a
gestão por processos e a gestão por processo em bibliotecas universitárias, além de mostrar a
metodologia BPM e a ferramenta BizAgi. No segundo momento se abordará o campo de
estudo, no caso a Biblioteca do Aterrado, com a apresentação e discussão dos resultados da
pesquisa de campo. Em última etapa, serão abordadas as contribuições e percepções da
realização da pesquisa, assim como sugestões de melhoria para esta unidade de informação.
Espera-se que essa pesquisa seja norteadora para a criação de políticas e manuais de
serviços para unidade pesquisada, além de ser um primeiro passo para o mapeamento dos
processos de outras unidades da Superintendência de Documentação da Universidade Federal
Fluminense (SDC/UFF), permitindo assim a criação de indicadores únicos, que facilitará a
tomada de decisão pelas chefias.

2 GESTÃO POR PROCESSOS: DEFINIÇÃO E ASPECTOS HISTÓRICOS
A definição mais básica do que é um processo se configura como uma atividade que
tem entradas e saídas e geram produtos. Sempre tem começo e fim e vem da engenharia
industrial seus fundamentos teóricos, muito por causa da mentalidade fabril. Dever ser
considerado também que toda atividade de uma empresa faz parte de um processo
(GONÇALVES, 2000a) e que envolve pessoas, procedimentos e tecnologia.
Para Humpherey (2003 apud BARBARÁ, 2008, p.143) a definição de processos se
baseia em três partes: a primeira seria um conjunto de passos para consecução de uma tarefa,
a segunda é a descrição suficiente de detalhes que possa ser consistentemente usado e a
terceira seria os processos que auxiliam no planejamento e na execução de um serviço.
Além da definição acima, encontramos outra definição mais clara sobre processos, que
é “Processo: um conjunto de ações ordenadas e integradas para um fim produtivo especifico,
ao final do qual serão gerados produtos e/ou serviços informações” (BARBARÁ, 2008)
Para finalizarmos a parte de conceitos, temos ainda a definição de processo por
importantes instituições e órgãos regulatórios (MARANHÃO; MACIEIRA, 2010, p.13)
como:
•

Norma NBR ISSO 9000: 2000: conjunto de atividades inter-relacionadas ou
interativas que transforma insumos (entradas) em produtos (saídas).

2909

�•

Integration Definition for Modeling of Process - IDEF0: conjunto de atividades,
funções ou tarefas identificadas, que ocorrem em um período de tempo e que
produzem algum resultado.

•

Business Process Management - BPM: um processo de negócio é uma sequência de
atividades (ou tarefas) que ao serem executadas transformam insumos em um
resultado com valor agregado.

•

Gespública: qualquer atividade ou conjunto de atividade que toma input (insumos)
adiciona valor a ele e fornece um output (produto/serviço) a um cliente especifico.
A partir da análise das definições acima, verificamos que três delas falam da entrada e

saída de insumo que geram uma atividade, nas outras quatro como sequência de atividades
bem coordenadas que também geram produtos/serviços. Assim sendo, podemos auferir que
para este trabalho a definição de processo utilizada será de uma atividade coordenada que tem
entradas e saídas, e que geram produtos ou serviços.
Os processos surgem de uma mudança de modelo das empresas, que durante muito
tempo tiveram uma preocupação voltada para suas atividades fabris, mas que mudaram seu
foco para atividades mais intelectuais (GONÇALVES, 2000b).
Essa mudança surge quando as empresas passam a deixar de pensar por funções e
começam a usar os processos como forma de organização das atividades da empresa, ou seja,
deixam de ter uma hierarquia vertical, para uma horizontal e os motivos pra isso vemos na
citação abaixo:
A gestão por processos organizacionais difere da gestão por funções
tradicional por pelo menos três motivos: ela emprega objetivos externos, os
empregados e recursos são agrupados para produzir um trabalho completo e
a informação segue diretamente para onde é necessária, sem o filtro da
hierarquia (Stewart, 1992). O sucesso da gestão por processos está ligado ao
esforço de minimizar a subdivisão dos processos empresariais.
(GONÇALVES, 2000b, p.12)

Essa mudança de mentalidade começa com Taylor e perpassa as três gerações de
racionalização do trabalho, que são: primeira, a proposta clássica da Engenharia de Produção,
a segunda geração é a visão de Racionalidade do Trabalho que está baseada na racionalidade
humana, sob influência do behaviourismo, e por último, a terceira geração, a Teoria
Comportamental de Simon (VALLE, PEIXOTO, 2008 apud BARBARÁ, 2008).
Essas gerações se convergem até a chegada do TCQ (Total Quality Control), ou o
chamado “modelo japonês”, que tem como ênfase os seguintes aspectos, propostos em Valle e
Peixoto (2008):

2910

�•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•

a focalização na satisfação do cliente;
o desenvolvimento de uma cadeia estável de fornecedores;
o conceito de cliente/fornecedor interno;
a valorização das pessoas;
a descentralização do planejamento;
o uso do método PDCA - Plan, Do, Check and Act;
o uso de sete técnicas elementares de apoio à identificação, análise e solução de
problemas;
a preocupação em sempre fundamentar as ações em fatos e dados;
a busca de uma melhoria contínua;
a separação entre “gerência da rotina” e “gerência das melhorias”;
garantia de qualidade;
o desdobramento da função qualidade;
o trabalho de equipe.
O modelo japonês foi um forte influenciador para a criação de normas de qualidade,

que por sua vez, influenciou os prêmios de qualidade, sendo um dos mais importantes o
Prêmio Deming do Japão. Outros países também aderiram este conceito e criaram suas
próprias normas e prêmios de qualidade, inclusive o Brasil.
Tudo isso contribui para o desenvolvimento da gestão de processos, pois é um dos
requisitos básicos das normas de qualidade, ter processos identificados e mapeados, para
poder ter maior controle de qualidade nas empresas.
A gestão de processos envolve algumas etapas que segundo Maranhão e Macieira
(2010, p. 31) configura como um ciclo completo da abordagem por processos, que é
composto por:
1. Identificar os processos de trabalho
2. Mapear os processos de trabalho
3. Modelar os processos de trabalho (redesenho)
3.1 Definir os registros
3.2 Definir os indicadores (objetivos e metas)
3.3 Elaborar e implementar as normas
4. Implementar os processos de trabalho
5. Medir/Avaliar os processos de trabalho
6. Melhorar os processos de trabalho
Essas etapas constituem um método para a aplicação da gestão de processos nas
empresas e seu aproveitamento deve ser voltado para as necessidades dos clientes.
A gestão de processos deve ser vista como uma estratégia que as empresas têm para
melhorar as atividades que agreguem, e ao mesmo tempo, identificar aquelas que podem ser

2911

�eliminadas ou modificadas, sendo que tudo isso é uma forma de ter uma estrutura organizada,
voltadas para os reais objetivos da empresa, consequentemente para as necessidades dos
clientes, “nesse sentido, a empresa é uma coleção dos fluxos de valor voltados à satisfação
das expectativas de um determinado grupo de clientes” (GONÇALVES, 2000a, p.13).
Mas tudo isso é possível de acordo com a competência da coordenação que executa a
gestão por processos, pois segundo Gonçalves (2000b, p.13) “a essência da gestão de
processos é a coordenação das atividades realizadas na empresa, (Gonçalves, 1997a), em
particular aquelas executadas por diversas equipes de diversas áreas”.
Há uma forma de classificar os processos, avaliando se eles são organizacionais ou de
negócios. Os processos organizacionais são os chamados de trabalho corrente, que envolve
pessoas, procedimentos, recursos e tecnologia. Já os processos de negócio se constitui de
cinco elementos (LIN et al, 2002 apud BARBARÁ, 2008, p.145) que são: clientes, atividades,
criação de valor para os clientes, atividades operantes por humanos ou máquinas e unidades
organizacionais que são responsáveis por todo o processo, ou então definido como:
Os processos de negócio ou de cliente (business processes) são aqueles que
caracterizam a atuação da empresa e que são apoiados por outros processos
internos, resultando no produto ou serviço que é recebido por um cliente
externo (Gonçalves, 2000). (GONÇALVES, 2000b)

Em Gonçalves (2000a) são propostos cinco tipos de processos: fluxo de material,
fluxo de trabalho, série de etapas, atividades coordenadas e mudança de estudo. Cada tipo de
processo dever ser gerenciando de forma diferente, por isso a importância de conhecê-los e
identificar os tipos existentes.
Para esta pesquisa, entende-se que o processo estudado será do tipo fluxo de trabalho,
pois segundo a definição de Gonçalves, tem início e final claros, atividades discretas e
sequência de atividades, pois a pesquisa irá modelar as etapas do processo de aquisição e
disponibilização de material provindos de projetos, e com isso criar um fluxo de trabalho para
este processo.

2.1 Gestão por processos em bibliotecas universitárias
As bibliotecas universitárias (BU) são tipos de unidades de informação, que tem como
principal característica ser uma organização que dá suporte informacional aos alunos,
professores e pesquisadores de uma universidade (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2011, p. 37).
A BU é vista dentro da universidade como um subsistema, e que é fortemente
influenciada e com bastante interação com outros setores, pois seu funcionamento atende aos

2912

�objetivos e finalidades da universidade a qual está inserido (FLECK, 2004, p. 21 apud VALE;
BARBALHO, 2012, p.2).
Além de a BU pertencer a um sistema, ela é um sistema, que congrega outros sistemas,
e são esses sistemas que formam os processos. Os sistemas são formados por macroprocessos,
que por sua vez são formados por processos, que é união de subprocessos, e que por fim é a
junção de várias atividades. Abaixo um quadro adaptado do artigo de Vale e Barbalho (2012,
p. 10) que sobre influência do livro de Maciel e Mendonça (2006), mostra os macroprocessos,
processos e subprocessos dentro de bibliotecas.
Quadro 1 - Macroprocessos, processos e subprocessos de uma biblioteca
M a c ro p ro ce sso s

Formação, desenvolvimento
organização das coleções

P ro cesso s

e

Formação
desenvolvimento
coleções

Organização de coleções

Dinamização do uso das coleções

Referência

Circulação

Reprodução

Função gerencial

Planejamento

Organização
Direção

Controle

S u b p ro cesso s

de
de

Planejamento e elaboração de
políticas
Seleção
Aquisição
Avaliação
Desbastamento
Descarte
Registro
Classificação
Catalogação
Indexação
Preparo físico
Armazenamento
Exposição
Conservação
Preservação
Atualização das bases de dados
Atendimento ao usuário
Levantamento bibliográfico
Normalização técnica
Treinamento
Desenvolvimento
de
estratégias de marketing
Disseminação da informação
Serviços de alerta
Inscrição de usuários
Empréstimo
Consulta
Comutação
Análise e reflexão
Decisão e montagem
Ação
Revisão ou crítica
Estrutura
Decisão
Coordenação
Supervisão
Avaliação

Fonte: Adaptado de VALE; BARBALHO, 2012.

2913

�Ao analisarmos o quadro apresentado percebe-se certa analogia dos macroprocessos
propostos para bibliotecas com os processos propostos pela Gespública (MARANHÃO;
MACIEIRA, 2010, p.16), que são os processos de apoio, finalístico e gerenciais,
respectivamente, o que demonstra a caracterização da biblioteca universitária como uma
organização, e sendo assim dever ser administrada como tal.
A gestão de bibliotecas por processos serve para dirigir trabalhos internos e serviços
aos usuários, com vistas a uma melhoria dos seus processos, produtos e serviços (OLIVEIRA;
AMARAL, 2012, p. 5). Para Robredo (1999/2000, p.555) existem quatro princípios básicos
para a gestão de processos em bibliotecas, que são:
• o que se gerencia é a informação, o resto é decorrência;
• a gestão por processos deve ser centrada no usuário;
• todo processo deve gerar resultados, produtos ou serviços que atendam às necessidades reais
dos usuários finais, e cada etapa do processo deve gerar resultados que servem de insumo à
etapa seguinte;
• na gestão por processos, somente são centralizados o planejamento e a decisão.
Portanto, consideramos que a gestão de processos aplicados a bibliotecas é a melhor
maneira de gerir este tipo de organização, pois sua especificidade organizacional auxilia e
muito este tipo de gestão. Além do mais, permite uma revisão constante de seus processos e
consequentemente, das melhorias na execução das atividades e tarefas, pois como diz
Ranganathan, na sua quinta lei para a biblioteconomia, a biblioteca é uma organização em
crescimento e dessa forma ela é sempre dinâmica e mutável.

2. 2 Metodologia BPM e a ferramenta BizAgi
Metodologia é uma forma de passar do estado atual (As-Is), passando pela idealização
do melhor cenário (Should be) até a implementação mais adequada (To be) (ALMEIDA
NETO, 2008, p. 218). Dentro da gestão de processos ela constrói um modelo de representação
do negócio e sua construção permite as organizações visão do comportamento-mapeamento
dos processos.
A metodologia assim como a gestão por processos possui etapas, que são: análise de
requisitos, construção do modelo, análise de processos, simulação, reengenharia (redesenho),
documentação e divulgação. Estes ciclos se constituem em uma gestão de processos.
(ALMEIDA NETO, 2008, p. 218)

2914

�Existem inúmeras metodologias de modelagem de processos, mas no presente artigo
iremos utilizar a Business Process Management (BPM) que traduzida significa Gestão de
processos de negócio, que é o foco desta pesquisa.
O modelo BPM tem uma notação própria de modelagem de processos, a chamada
Business Process Modeling Notation (BPMN), é um padrão que oferece uma notação
compreendida e usada em diversos tipos de processos, apesar de seu escopo ser voltado para a
modelagem de processos de negócio (BRACONI; OLIVEIRA, 2012).
Seus elementos de modelagem se baseiam na descrição de atividades, evento, gateway
e conectores e cada um tem um elemento de identificação gráfico.
Existem ferramentas específicos que fazem a modelagem de processos utilizando a
metodologia BPM e a notação da BPMN, e nesta pesquisa será utilizada o software BizAgi.
Segundo Almeida Neto (2006) utilização de uma ferramenta de modelagem e importante, por
que dentre outras coisas, faz a construção de diagramas bem elaborados, analisa o
comportamento dos processos e documentar o negócio.
A ferramenta da BizAgi é um software de modelagem de processos, que permite
modelar todos o ciclo de processos proposto no BPM e utilizando a notação BPMN.
A escolha tanto da metodologia quanto da ferramenta de modelagem ocorreu em
virtude do tipo de processo que será estudado, que é o processo de aquisição de material
bibliográfico com verbas externas, ou seja, financiadas por órgãos de fomento (FAPERJ, por
exemplo) ou por emendas parlamentares, pois esse tipo de aquisição é feito pela equipe da
biblioteca, ao contrário da aquisição do sistema de bibliotecas, onde apenas indicamos os
títulos, mas não participamos diretamente do processo de aquisição.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para Vergara (2009, p.41) existem dois critérios para definir o tipo de uma pesquisa,
que é quanto aos fins e quanto aos meios. No trabalho proposto, a pesquisa quanto aos fins
será metodológica-aplicada, pois será utilizado e aplicado parte da metodologia BPM e
quanto aos meios será um estudo de caso com pesquisa de campo, já que a analise será feita
diretamente no local de trabalho da autora, numa determinada situação.
O universo da pesquisa será uma biblioteca universitária, com a amostragem de 12
pessoas, que são quatro bibliotecárias, três assistentes em administração, quatro bolsistas e um
professor. A coleta de dados será feita por entrevista, observação e da própria experiência da
autora, pois realiza parte das atividades do macroprocesso estudado.

2915

�A metodologia aplicada será BPM e como ferramenta de modelagem o software
BizAgi. Os problemas que podem ocorrer na pesquisa é o fato da biblioteca está sendo
implantada sem um planejamento prévio, ou seja, os processos são feitos de acordo com as
necessidades e com isso pode surgir futuramente outras demandas, além disso, é a primeira
vez que este macroprocesso estudado é realizado, o que torna inédito a execução de algumas
atividades, e que após este estudo, poderemos verificar e corrigir, qualquer erro cometido.

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Ter o conhecimento de como é feito os processos, é fundamental dentro de
organizações, mesmo em organizações de cunho público, onde é possível rever situações e
realizá-las de forma mais eficiente, e com isso obter economia de recursos. Este foi o primeiro
projeto feito pela BAVR para obter recursos financeiros e com isso, se esperar que a partir
deste estudo, as próximas execuções de projetos deste tipo, seja mais bem executadas.
Antes de falarmos da pesquisa em si, primeiro temos que abordar a estrutura
organizacional da BAVR. A biblioteca é dividida em cinco setores: o administrativo, o de
referência, o de circulação, o de processamento técnico e o de desenvolvimento de coleções.
Dessa forma, veremos na árvore de processo que a execução do projeto Faperj 2012, tem
atividades em todos estes setores, ou seja, de alguma forma, cada setor contribui na execução
das tarefas e com isso e de suma importância que todos os funcionários estejam alinhados.
Esta é uma das características da gestão de processos, onde a organização deste tipo de
gestão deve ser baseada na questão de grupos e não em tarefas individuais. Com isso,
percebemos que desde a chefia que realiza a compra de livros, até o estagiário que repara o
material para processamento técnico, é importante que todos da equipe tenham conhecimento
do significado que a boa execução do processo, trará benefícios para o setor.
Começando a falar da pesquisa em si, o primeiro passo, seguindo nossa metodologia,
foi identificar processos, subprocessos e tarefas. Essa identificação só foi possível depois de
findado todos os processos desta pesquisa, onde pudemos então saber quais etapas foram
feitas. Dessa forma abaixo segue o produto da identificação dos processos, que é a árvore de
processos, apresentado em forma de quadro.

2916

�Quadro 2 -Árvore de Processos do macroprocesso Projeto Faperj 2012
M a cro p ro cesso

P ro cesso

S u b p rocesso

Projeto Faperj 2012

O projeto

Elaboração do projeto
de acordo com o edital

A tiv id a d es

Submissão do projeto
no site da FAPERJ
Depois da aprovação,
aguardar a liberação da
verba
Pré-aquisição

Enviar para livreiros
(Milare, SBS, Livraria
Veredas) listagem de
livros
Receber orçamento e
comparar os preços
Elaborar listagens de
compra de acordo com o
melhor preço
Enviar listagens para
compra
Receber os livros e
conferir com NFs e com
listagem enviada
Envia
NFs
para
pagamento ao professorcoordenador
Receber comprovante de
Pagamento

Aquisição efetiva

Tombamento
livros

dos

Solicitação
tombamento
CAP/PREUNI

Tombamento

Recebimentos
documentos
e

de
ao

Elaborar
Termo
de
Transferencia e entrega
de Bens da Faperj
Envia o termo para o
professor-coordenador
assinar e também para o
diretor do instituto do
qual o professor está
subordinado
Elabora memorando
Envia NFs e o termo
assinado via memorando
para
o
setor
de
tombamento
Realiza o processo de
tombamento

Elabora o ofício e o
termo
de
responsabilidades
dos
bens
de Recebe o ofício de
da tombamento dos bens

2917

�identificação
patrimonial

Recebe e assina o termo
de responsabilidade dos
bens
Envia o oficio para o
professor-coordenador
anexar a documentação
de prestação de contas
Realiza a identificação do
número patrimonial nos
livros

Tratamento técnico

Preparo do material
para
processamento
técnico

Processamento técnico

Disponibilização
acervo

do

Coloca tarja magnética e
escrever OK na etiqueta
de tombo
Carimbar anverso da
folha de rosto e página 33
Colar ficha de livro
Separa os livros por
curso e colar etiqueta
correspondente
Classificar
Indexar
Catalogar
Inserir dados no base de
dados Pergamum
Elaborar e colar etiquetas
de barra e lombada
Vistoriar o livro
Colocar o livro na estante
Informar aos usuários a
disponibilização
no
acervo dos livros novos

Prestação de contas

Preparar documentação
para
prestação
de
contas
Prestar contas junto a
Faperj

Fonte: Elaborado pelo autor, 2014."

Conforme analisamos a árvore, vemos que não só dos setores da biblioteca é composto
a execução do projeto, além da instituição Faperj, outro setor que faz parte deste processo, é
o setor de Patrimônio, pois conforme exigência da Faperj, todos os livros adquiridos tem que
está tombados. Além disso, apesar da compra se feita pela chefia da biblioteca, todos os
pagamentos tinham que ser realizados pelo professor-coordenador do projeto, o que envolve
mais um setor da universidade. Então de uma forma geral, foram envolvidos neste processo

2918

�quatro esferas: a Faperj, a BAVR, o setor de Patrimônio, e o professor-coordenador,
reafirmando a questão da realização das tarefas em grupo dentro da gestão de processos.

Na figura 1 vemos como funcionou o fluxo dos processos do Projeto Faperj.
Figura 1 - Processos do Projeto Faperj.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2014.

Vemos acima de orma esquemática a execução dos processos do projeto. De forma
geral, tudo começa com a elaboração do projeto, que foi realizado pela comissão de biblioteca
da BAVR, formada por bibliotecárias, professores e alunos. Após a submissão e aprovação do
projeto, e realizada a compra do material, depois o tombamento dos livros, o tratamento
técnico e por fim a prestação de contas. Esses cinco processos são os que compõem o
macroprocesso Projeto Faperj 2012.
Cada um deles, como vemos na figura é executado seguindo um caminho préestabelecido pelo edital da Faperj, ou seja, para que não tenhamos rejeição na prestação de
contas, o que acarreta sanções ao professor-coordenador e a BAVR, alguns etapas são
fundamentais que ocorram. Essas etapas são a aquisição, o tombamento e o tratamento
técnico. Dessa forma, iremos demonstrar como foi realizado o fluxo de cada uma também
utilizando o software BizAgi.
Como vimos no quadro 1, a aquisição é um subprocesso do processo de
Desenvolvimento de coleções, ou seja, e uma parte de um processo que é composto por seis
etapas. Dentro do serviço público, existem leis específicas para realização de aquisição, e na
questão de livros não é diferente, normalmente é feito uma licitação entre vários livreiros,
para realizar a compra naquele que tiver o menor preço. Neste caso, isso não é necessário,
pois as verbas são depositadas em uma conta corrente em nome do professor-coordenador e
este pode realizar a compra em qualquer estabelecimento que forneça uma nota fiscal.

2919

�Mas para realizar a compra do maior número possível de itens, pois no projeto
apresentamos um orçamento em torno de R$234.000,00, mas fomos contemplados com R$
150.000,00 optamos dentro da comissão de bibliotecas de realizar a compra com livreiros que
o sistema de bibliotecas da UFF realiza as compras de livros normalmente. Com isso,
enviamos uma lista de livros, que era composto da bibliografia básica dos cursos para dois
livreiros, comparamos os preços, e realizarmos a compra com o livreiro que tinha o menor
preço, no caso de livros estrangeiros, isso não foi possível, pois só um dos livreiros fornecia
este tipo de material.
Abaixo visualizarmos o fluxo deste processo. Dever ser observado que ter o controle
do que se compra como o que chega efetivamente na biblioteca é fundamental, pois como
veremos a seguir todos os itens são incorporados ao patrimônio da universidade, e não pode
haver discrepâncias no que está na nota fiscal, com o que de fato chegou à biblioteca.

Figura 2 - Processo de Aquisição de livros

Fonte: Elaborado pelo autor, 2014.

Passando para oprocesso de tombamento, que é uma das etapas fundamentais no edital
da Faperj, este processo é uma forma de garantir que as verbas ganhas serão de fato utilizadas
para qual foi feito o projeto. Essa etapa envolve o setor de patrimônio, que possui uma
Instrução de Serviço(01/2012) específica para o tombamento de bens com verbas da Faperj.
Essa é a parte mais burocrática de todo macroprocesso, mas que garante a
documentação para a realização da prestação de contas, que é o oficio do setor, informando a
Faperj qual valor gasto na compra de todos os itens. Outro documento gerado neste processo é
o termo de responsabilidades dos bens, que informa o número patrimonial de cada livro, que
serve para averiguações do Tribunal de Contas da União (TCU), numa possível inspeção.

2920

�Figura 3 - Processo de Tombamento de livros

Fonte: Elaborado pelo autor, 2014.

Finalizado o prcedimento acima, o livro dever passar obrigatoriamente pelo tratamento
técnico da biblioteca, que é realizado em todos os outros livros. Essa é como as outras etapas
já citados, um item obrigatório que aparece no edital, pois todos os livros adquiridos com
estas verbas devem estar informatizados e com acesso livre para os estudantes.

Figura 4 - Processo de Tratamento técnico

Fonte: Elaborado pelo autor, 2014.

O tratamento ténico consiste em prepara o livro para ir para estante, ou seja, ser
utilizado pelos alunos, que dentro de uma biblioteca universitária é uma dos itens avaliados
pelo MEC em suas avaliações. Assim é importante que no momento da classificação,

2921

�indexação e catalogação, seja feito de forma criteriosa e de acordo com as necessidades dos
usuários.
Vemos na figura 4 que este processo termina quando informamos aos alunos que os
livros estão disponíveis, esta é uma forma de promover o livro e consequentemente sua
utilização, para que os esforços empregados em todo o macroprocesso não sejam em vão.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O macroprocesso estudado Projeto Faperj 2012 é um exemplo prático de obtenção de
recursos fora do âmbito da universidade e de seus recursos oficiais. A falta de recursos dentro
da esfera pública é algo que já se tornou comum, por isso é muito importante os editais de
órgãos de fomento, pois são através deles que se podem obter recursos financeiros.
A escolha deste projeto específico foi para que na realização dos próximos projetos,
através da escolha da metodologia, pudéssemos realizar de forma mais eficiente e isto só foi
possível que além da visualização da estrutura do macroprocesso, as figuras apresentadas
mostram como ocorreu cada etapa, cada fluxo de trabalho.
Com isso, se resulta que primeiro: projeto como este são realizados em grupo, dessa
forma, saber o papel de cada um é fundamental, assim como seus métodos ou etapas próprios,
como o setor de patrimônio que possui instruções especificas, ou a própria Faperj que já no
edital tem diretrizes que precisam ser seguidas. Isto só corrobora para a questão de que a
gestão de processos deve ser feita em grupos e não individualmente, mas onde cada um tem
sua própria responsabilidade.
Ainda com relação às responsabilidades, a modelagem do macroprocesso e de seus
processos permitiu a visualização do cada setor realizou, o que não ficava muito nítido na
árvore de processos.
Um segundo resultado, é a questão voltada para a gestão, na revisão de literatura e o
método empregado permitiu ver que bibliotecas universitárias devem se utilizar de elementos
da gestão na execução de suas tarefas, ou seja, não é possível apenas o conhecimento
especifico na área de biblioteconomia para realizar as atividades de um macroprocessos como
esse, também se faz necessário conhecer sobre administração e suas funções como
planejamento, organização, direção e controle.
Esta foi uma primeira experiência na questão de gestão de processos, mesmo sem a
aplicação de todas as fases da metodologia, pode-se perceber que é um caminho para a
realização de uma gestão baseada na qualidade, onde os próximos passos serão a aplicação de
toda a metodologia dentro dos setores da biblioteca e consequentemente a criação de suas

2922

�normas de serviços, além disso, o conhecimento adquirido deve ser repassado para as outras
unidades do sistema de bibliotecas, com o intuito de promover a gestão de processos e suas
vantagens dentro do sistema.

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2924

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <name>Coverage</name>
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                <text>O presente artigo aborda a identificação e o mapeamento dos processos no projeto denominado Faperj 2012, que tinha como objetivo angariar verbas para a compra de livros para a Biblioteca do Aterrado de Volta Redonda. Dessa forma, a pesquisa se desenvolveu em etapas, onde: na primeira, uma revisão de literatura dos temas abordados (gestão de processos, gestão de processos em bibliotecas universitárias, metodologia BPM(Business ProcessManagement) e software BizAgi), na segunda parte a aplicação prática da metodologia BPM, tendo como produto principal a árvore de processos e os fluxos modelados do macroprocesso em foco e também dos principais processos, utilizando o software BizAgi. A identificação e a modelagem permitiu visualizar as etapas executadas e a responsabilidade de cada ator nas diversas atividades. Por fim, conclui que a atividade de mapeamento fortalece o processo de submissão de projetos para órgãos de fomento, tornando seu detalhamento mais claro e objetivo e facilitando a sua aprovação por instâncias superiores.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

OS CIBORGUES INTERPRETATIVOS E SUAS RELAÇÕES COM A INCLUSÃO
SOCIODIGITAL: estudo sociométrico em uma biblioteca universitária
Barbara Coelho NEVES,
Makson REIS

RESUMO
Este pôster apresenta o relato de uma pesquisa em andamento sobre as relações dos ciborgues
interpretativos com a inclusão digital no âmbito da biblioteca universitária. O objetivo visa
perceber se o profissional responsável das bibliotecas universitárias está preparado para agir
como ciborgue interpretativo, agindo em prol da promoção da inclusão sociodigital dos
usuários. O método utilizado é descritivo, sendo um estudo de caso com levantamento, com
técnica de coleta de dados realizada a partir da aplicação de teste sociométrico. Os resultados
esperados apóia-se na visão introspectiva do profissional da biblioteca universitária com
relação a sua situação social, na auto avaliação de sua posição no grupo. Assim, encontram-se
neste texto o caminho metodológico, o quadro teórico e os resultados parciais do estudo.
Palavras-Chave: Ciborgues interpretativos; Inclusão sociodigital; Biblioteca Universitária;
Teste sociométrico.

ABSTRACT
This poster/paper presents an account of a research being conducted on the relationship of
interpretive cyborgs with digital inclusion within the university library. The objective seeks to
understand whether the professional responsibility of university libraries is prepared to act as
interpretive cyborg, acting for the promotion of inclusion sociodigital users. The method used
is descriptive, with a case study of a survey, with technical data collection performed from the
application of sociometric test. The expected results relies on introspective vision of
professional university library with respect to their social situation, self assessment of its
position in the group. Thus, in this text are the methodological, theoretical framework and the
partial results of the study.
Keywords: Interpretive cyborgs; Sociodigital inclusion; University Library; Sociometric test.

1 Introdução
A utilização de tecnologia pela sociedade, sobretudo o computador, faz com que as
pessoas busquem pelo acréscimo de habilidades para viver nesta sociedade da informação.
A inclusão sociodigital facilita o acesso ás tecnologias de informação e comunicação,
e está inteiramente relacionada, no mundo atual, com os direitos fundamentais à informação.

4405

�Percebe-se sua convergência com as relações sociais, políticas e econômicas, definindo
características que corroboram com as expectativas de cidadania.
Com a inclusão sociodigital, as bibliotecas passaram a agregar o acesso a diferentes
fontes de informação, buscando atender as novas perspectivas do usuário. O advento da
Internet tem transformado os serviços das unidades de informação. Novos serviços estão
sendo introduzidos, modificando gradualmente a interatividade entre o profissional da
informação e o usuário.
Desse modo, as bibliotecas foram conduzidas a fazerem uma flexibilização do
trabalho, tornando-se necessária a renovação do perfil profissional do bibliotecário. A
atualização do perfil desse profissional é sine qua non para interagir com o novo perfil do
usuário. É impreterível para o bibliotecário, adequar-se aos atuais aparatos tecnológicos
implementadas no ambiente informacional.
Novos aparatos tecnológicos, com destaque para as tecnologias de informação e
comunicação (TIC), têm feito cada vez mais parte do universo bibliotecário, sendo inevitável
às necessidades da biblioteca. O bibliotecário torna-se sujeito destas inovações, sendo
influenciado pelas mass medias. Este movimento que vem acontecendo nos ambientes
informacionais tem se convencionado chamar de ciborgue interpretativo.
Trata-se de uma nova perspectiva para os sujeitos que lidam necessariamente com as
tecnologias e a informação para aumento da performance individual, coletiva e do meio
ambiente. Sendo aqueles com o corpo vivendo com conexões e redes, e se potencializando
para as novas interpretações de si e com outros ciborgues interpretativos.
Com a mordenização da unidade de informação e os novos serviços prestados ao
usuário, tanto a biblioteca quanto o bibliotecário tornaram-se plugados pelo processo de
ciborguização do corpo e do espaço, tendo a inclusão sociodigital como um potencial para
melhorar o acesso à informação, amplificando o acesso ao saber.
Diante disso, questiona-se como se dão as relações de inclusão digital dos ciborgues
interpretativos em uma biblioteca universitária?
Este trabalho abrange os estudos sociométricos em uma biblioteca universitária,
consistindo na análise do profissional bibliotecário acerca de compreendê-lo como um
ciborgue interpretativo perante o uso das tecnologias e suas relações com os usuários da
instituição. O resultado esperado visa perceber se o profissional responsável das bibliotecas
universitárias está preparado para agir como ciborgues interpretativo, agindo em prol da
promoção da inclusão sociodigital dos usuários.

4406

�2 Revisão de Literatura
A tecnologia tem seu desenvolvimento ao longo do tempo, por sujeitos
transformadores, influenciados por suas relações sociais e culturais. Os sujeitos precisam
interagir com a tecnologia compreendendo-a como um organismo estruturante e influenciador
da sociedade. “Há tecnologia onde quer que um dispositivo, aparelho ou máquina for capaz de
encarnar, fora do corpo humano, um saber técnico.” (SANTAELLA, 2004, p.153).
O uso das tecnologias vem criando, em muitos momentos, um hibrido entre homem e
máquina, e também suscita uma condição humana - o processo de virtualização e de
configuração de várias redes. (COUTO; SOUZA; NEVES, 2013). E é essa hibridigização
tanto física, quanto subjetiva (psicossocial) que surge o movimento ciborgue.
Em seu manifesto sobre ciborgue, Haraway, Kunzru e Tadeu colocam questões acerca
da interpretação destas tecnologias pelo ser humano, através de suas transformações culturais
com os meios de comunicação em massa. São instituídos os indivíduos “ciborgues
interpretativos” que, por meio de exigências sociais, são afetados pelas tradições culturais de
uma sociedade.
O ciborgue interpretativo “[...] se constitui pela influência dos mass medias [...]”
(LEMOS, 2008, p.172), estando relacionados com a massificação das redes e seu uso, sendo
influenciados pelo mecanismo de inserção da grande massa de indivíduos no contexto da
sociedade. De acordo com Santaella (2004, p.33), os ciborgues são todos aqueles “[...] em
estado de prontidão conectando-se entre nós e nexos, num roteiro multissequencial e
labiríntico que ele próprio a construir ao interagir com o nós entre palavras, imagens,
documentação, músicas, vídeos, etc.”.
Acredita-se que a discussão sobre os ciborgues interpretativos potencializam a
reflexão sobre a inclusão sociodigital, pois esses ciborgues têm sua capacidade física e
intelectual aumentada pelo o uso de tecnologias.
Compreende-se por inclusão sociodigital, na perspectiva de Neves (2011), não como
um conceito, mas sim um movimento, fortemente influenciado por um discurso político
envolto em uma série de elementos que apontam perspectivas que se baseiam em propostas
voltadas para o acesso, treinamento ou formação.
As bibliotecas têm sido apontadas como espaços que favorecem as ações de inclusão
digital. Sejam por conferir segurança a infraestrutura, sejam por possuírem profissionais que
lidam com a informação e capacitados para lidar com as demandas informacionais dos
usuários.

4407

�Entende-se que nesse eixo é possível perceber associações entre o profissional
bibliotecário e a definição de ciborgue interpretativo. Acredita-se que é nesse contexto de
inclusão sociodigital das bibliotecas universitárias que se visualiza o bibliotecário como
ciborgue interpretativo que precisa, inclusive, lidar com as demandas de outros sujeitos com
níveis variados com relação ao uso das TIC como as que ele próprio experimenta.

3 Materiais e Métodos
Dentro do diagrama da multidisciplinaridade da ciência da informação, o estudo
aborda aspectos da Administração de Sistemas de Informação, bibliometra e Informação
Cultura e Sociedade.
A abordagem metodológica desse estudo é quali-quantitativa, tendo como método a
pesquisa descritiva, segundo o objetivo que se propõe, pois visa descrever características de
determinada população ou fenômeno. De acordo com a seleção de métodos aplicáveis aos
trabalhos oriundos da Ciência da Informação (MUELLER, 2007), a metodologia de pesquisa
compreende em estudo de caso e levantamento, com aplicação de técnica de coleta de dados a
partir de critérios do teste sociométrico.
O estudo sociométrico consiste na elaboração de perguntas, sendo realizada a
tabulação das respostas e elaboração do sociograma. Essa atividade vem sendo realizada a
partir da elaboração de representações gráficas ou pictóricas da tabulação sociométrica dos
bibliotecários. A técnica sociométrica e o sociograma (que é a sua representação gráfica)
admitem verificar como se apresentam as relações sociais no ambiente de trabalho, distinguir
os líderes aceitos e a associação das pessoas, que neste caso compreende-se como situações
propícias à inclusão sociodigital.
O ambiente (campo) desse estudo é a biblioteca universitária e os sujeitos da pesquisa
são principalmente os bibliotecários, sendo que a contextualização apresentará, quando
necessário, elementos da relação entre estes e os usuários. Este eixo será perseguido pelo
método sociométrico, procurando observar as potencialidades da unidade de informação para
inclusão sociodigital.
O instrumento de coleta de dados será o questionário sociométrico. O procedimento de
coleta será o teste de percepção sociométrica, subgrupo do teste sociométrico que, de acordo
com Alues (1974), visa o levantamento das posições que os sujeitos componentes
selecionados percebem possuir em relação ao grupo.

4408

�4 Resultados Parciais/Finais
De acordo com Alues (1974), existe uma característica especial que justifica a grande
difusão do teste sociométrico. Esta característica é a admirável versatilidade e universalidade
de sua aplicação. Desse modo, essa técnica vem sendo utilizada para fornecer preciosas
informações sobre a estrutura psicossocial do grupo de bibliotecário de uma biblioteca
universitária.
Este estudo está em fase de aplicação e levantamento de dados e seu resultado parcial
percebe pontos de atração (escolha) e repulsa (rejeição) no seio do grupo social que vem
sendo aplicado. O próximo passo é analisar os elementos que impulsionam estas relações
nessa estrutura social.

5 Considerações Parciais
Este pôster apresentou o percurso do estudo sobre ciborgues interpretativos e suas
relações com a inclusão sociodigital no contexto da biblioteca universitária. A ideia foi
circunstanciar brevemente o objeto de estudo, por meio das principais reflexões do quadro
teórico e empírico, como também a condução do quadro metodológico realizado até o
momento.
Um dos aspectos mais relevantes deste estudo é a aplicação de uma metodologia
pautada no teste sociométrico, para identificar as percepções do bibliotecário enquanto
ciborgue interpretativo que precisa participar de maneira ativa no processo de inclusão
sociodigital. As considerações parciais deste trabalho vislumbram que o poder de “atração”
(quando o bibliotecário é escolhido pelo usuário como agente mediador de inclusão
sociodigital) lhe confere posição de destaque no grupo que está inserido. O passo seguinte é
analisar os primeiros resultados, visando identificar o que impulsiona o bibliotecário nas
relações com outros ciborgues interpretativos (usuários) e a auto percepção desses
profissionais no âmbito da inclusão sociodigital.

6 Referências

ALUES, Danny J. O teste sociométrico: sociogramas. Porto Alegre: Globo, 1974.
COUTO, E.S.; SOUZA, J.S.; NEVES, B. Coelho. Acepções de tecnologia: ciborgues
interpretativos e cultura digital. Artefactum - revista de estudos em linguagem e tecnologia,
Ano v, n° 1, maio 2013.

4409

�HARAWAY,

Donna;

KUNZRU,

Hari;

TADEU,

Tomaz

(Org.). Antropologia

do

ciborgue: As vertigens do pós-humano. 2. ed. Belo Horizonte: Autentica Editora, 2000. 119
p.
LEMOS, André. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto
Alegre: Sulina, 2008.
MEY, Tim. Pesquisa social: questões, métodos e processos. Porto Alegre: Artméd, 2004.
MUELLER, Suzana P. M. (Org.). Métodos para a pesquisa em Ciência da Informação.
Brasília: Thesaurus, 2007.
NEVES, B. Coelho. Mediação da informação para agentes sociodigitais: o salto. Ciência da
Informação, Brasília, DF, v. 40 n. 3, p.413-424, set./dez. 2011.
SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à
cibercultura. São Paulo: Paulus, 2004.
VERGARA, Sylvia C. Métodos de coleta de dados no campo. São Paulo: Atlas, 2009.

4410

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            <name>Coverage</name>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2014</text>
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                <text>Este pôster apresenta o relato de uma pesquisa em andamento sobre as relações dos ciborgues interpretativos com a inclusão digital no âmbito da biblioteca universitária. O objetivo visa perceber se o profissional responsável das bibliotecas universitárias está preparado para agir como ciborgue interpretativo, agindo em prol da promoção da inclusão sociodigital dos usuários. O método utilizado é descritivo, sendo um estudo de caso com levantamento, com técnica de coleta de dados realizada a partir da aplicação de teste sociométrico. Os resultados esperados apóia se na visão introspectiva do profissional da biblioteca universitária com relação a sua situação social, na auto avaliação de sua posição no grupo. Assim, encontram-se neste texto o caminho metodológico, o quadro teórico e os resultados parciais do estudo.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE
PERNAMBUCO

Susimery Vila Nova
Ursula Blattmann
Raimundo Nonato Macedo dos Santos
RESUMO
Os repositórios institucionais nas Instituições de Ensino Superior apresentam a preservação de
documentos e disponibilizam o acesso aos conteúdos digitais oriundos da produção científica.
Compete aos gestores da informação e documentação estabelecerem políticas institucionais
para a coleta, preservação, disponibilidade e acesso à informação. O objetivo deste trabalho é
especificar a construção de um repositório institucional e paralelamente estabelecer uma
política de informação utilizando recursos de infra-estrutura tecnológica existentes e conciliar
com as demandas dos usuários. Entre as etapas desenvolvidas para instalação e
operacionalização do Repositório Institucional da Universidade Federal de Pernambuco
podem ser destacadas: a) conhecer quais experiências deram certo utilizando a relação dos
repositórios apoiados pelo projeto FINEP/IBICT e a relação disponível na Federação de
Repositórios Educa Brasil; b) estudar as políticas de sete repositório de Instituições Federais
de Ensino Superior; c) instalação do software e capacitação da equipe técnica; d)
encaminhamento de ações incluindo a Política de Informação para viabilizar o repositório
institucional de acesso aberto da produção científica da Universidade Federal de
Pernambuco. Trata-se de estudo descritivo, pautado na pesquisa exploratória e documental,
realizada entre os meses de julho de 2013 a maio de 2014. Entre os resultados, apontam-se:
análise de iniciativas brasileiras e internacionais de repositórios institucionais e de bibliotecas
digitais de acesso aberto; análise das políticas de informação implantadas de sete repositórios
brasileiros de instituições de ensino superior; planejamento da implantação: cronograma,
especificação do software padrão, sua instalação e capacitação técnica; estabelecimento da
tipologia documental para realização do povoamento; e, o esboço da política de informação
para a coleção de conteúdos digitais da produção acadêmica e técnica da Universidade
Federal de Pernambuco. Entre as conclusões pode-se destacar a importância de conhecer as
experiências brasileiras; o trabalho em equipe e a capacitação nas tecnologias do DSPACE, e
a visibilidade da produção científica.
Palavras-Chave: Documento digital. Política de informação.
Universidade Federal de Pernambuco - produção científica.

Repositório

digital.

ABSTRACT
Institutional repositories in High Education Institutions have the preservation of documents
and provide access to digital content originating from the scientific literature. It is up to
managers of information and documentation establishing institutional policies for the

4496

�collection, preservation, availability and access to information. The objective of this work is
to specify the construction of an institutional repository and establish a parallel information
policy to using information resources existing technological infrastructure and service to users
demands. Show the steps to developed for installation and operation of the Institutional
Repository of the Federal University of Pernambuco: a) know what experiences have worked
using the supported by FINEP / IBICT; b) use available information from the Educa Brazil
Federation Repositories; c ) study the policy repository seven Federal Institutions of Higher
Education; d) software and training of crew installation; e) implementation of actions
including the Information Policy to permit open access institutional repository of scientific
production at the Federal University of Pernambuco. This is a descriptive study, based on
exploratory hand-ons and documentary research, conducted between July 2013 until May
2014. Some results are pointed: Analysis of Brazilian and international initiatives of
institutional repositories and open access digital libraries; analysis of policies implemented
information repositories seven Brazilian higher education institutions; deployment planning:
schedule , the standard specification software, its installation and technical training ;
establishment of documental typology for completion of the settlement ; and the outline of the
information policy for the collection of digital content of academic and technical production
of the Federal University of Pernambuco. Some conclusions about the findings: the
importance of knowing the Brazilian experiences on Institutional Repositories; teamwork and
training of the DSPACE technologies, and incriease Federal University of Pernambuco
scientific production.
Keywords: Digital document. Information policy. Digital repository. Federal University of
Pernambuco - scientific production.

1 Introdução
Os repositórios institucionais nas Instituições de Ensino Superior representam a a
preocupação e ação para a preservação e acesso aberto de documentos.
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) cuida da sua produção científica
desde a década de 1970, com a criação da seção especial denominada Produção Intelectual da
UFPE (PIU) na Biblioteca Central (BC). Essa seção objetivava reunir, armazenar e guardar
toda a produção científica e intelectual impressa dos pesquisadores e professores da
instituição. Devido às mudanças de gestão e de prioridades, durante o passar dos anos, a
respectiva seção foi sendo relegada, e se encontra inativa e muitas obras armazenadas
precisam receber tratamento especial de restauração - considerando as inadequadas condições
climáticas da região nordeste (temperatura e umidade) para a preservação do papel. (LIMA;
SILVA; RODRIGUES, 2011).
O contexto da UFPE em meados de 2014 pode ser expressada em termos numéricos:
três campi; 12 centros acadêmicos; na graduação são 99 cursos presenciais e seis na
modalidade em distância; 129 programas de pós-graduação stricto sensu (69 mestrados

4497

�acadêmicos, 10 mestrados profissionalizantes e 49 doutorados); no primeiro semestre de 2014
estavam matriculados 33.616 alunos; o quadro docente apresenta 2.140 professores; e, 4.144
servidores técnicos administrativos. A respeito da produção técnico e científica entre o
período de 2003-2010 foram: 8651 publicações periódicas, 837 livros, 3.026 capítulos de
livros e 10.880 artigos em anais; 4.626 dissertações de mestrado e 1.117 teses. Observa-se até
o ano de 2010 o pedido 80 de registro de patentes. (UFPE, 2014)
A literatura internacional apresenta diversas iniciativas a respeito dos repositórios
institucionais. O tema repositório institucional aparece em relatos de experiência, no caso a
Universidade do Minho com o relato de Rodrigues (2005) e divulgador do acesso aberto
(KURAMOTO, 2009). Também em relatório de gestão 2011-2013, Ferreira (2014) aponta a
importância do acesso aberto, das bases de dados e de bibliotecas digitais para preservação,
recuperação e acesso da produção científicae da memória cultural. E paralelamente a
capacitação de bibliotecários em ferramentas bibliometricas, no caso o “Vantage Point” em
qual na primeira etapa foram 18 bibliotecários e na segunda 60.
Observa-se no cenário internacional a tend~encia da Curadoria Digital, com cuidado
da diversidade aplicada a gestão documental. Por exemplo, o Repositório da Universidade do
Porto (UNIVERSIDADE DO PORTO, c2007-2012) com o tratamento para Repositório
Aberto, 33.004 registros e 33 tipos de documentos; o Repositório temático com 32.858
registros e 118 tipos de documentos e o Repositório de Dados.
A questão da preservação digital é tratada como objeto de estudos e tratamento
profissional por bibliotecários, arquivistas, museologos, equipe técnica de tecnologia da
informação e comunicação. A tendência visa facilitar o acesso aberto aos conteúdos digitais
oriundos da produção científica e técnica de toda comunidade acadêmica, além de gerar
visibilidade institucional.
O presente estudo aponta etapas para estabelecer uma política de informação ao
repositório institucional da Universidade Federal de Pernambuco. Utilizam-se de estudos
teóricos realizados em universidades brasileiras (WEBER; BLATTMANN, 2008; VARGAS,
2009; BOSO, 2011; LIMA; SILVA; RODRIGUES, 2011; BLATTMANN, BAHIA; SILVA;
2011; PIRES, 2011; COCCO 2012; CORRÊA; PIRES; MORAES; MIRANDA, 2012;
RIBEIRO JÚNIOR; PEREIRA; ASSIS et al., 2012) para fundamentar e contextualizar a
importância dos repositórios nas Instituições de Ensino Superior no sentido de preservação da
documentação, a recuperação e uso da informação disponibilizada. Apresentam-se realizadas
para construir um repositório e paralelamente estabelecer uma política de informação

4498

�utilizando recursos de infra-estrutura tecnológica existente e conciliar com as demandas dos
usuários.

2 Revisão de Literatura
Entre a necessidade e realização concreta de criar um repositório institucional para
uma instituição de ensino superior, Boso (2011) analisa todas as 97 instituições federais de
ensino superior no Brasil e concentra-se na análise das políticas das mesmas. No seu estudo,
observa que no ano de 2011 que 23 IFES mantinham repositórios e apenas 7 (sete)
apresentam as políticas instituídas (documentação das mesmas está anexa no estudo e também
está descrita a tramitação nas devidas instancias hierarquicas de cada instituição).
Enquanto Cocco (2012) investigou os repositórios institucionais de acesso aberto dos
países Ibero-Americanos e observou que 82,7% (de 180 cadastrados no Registry o f Open
Access Repositories ) foram desenvolvidos por universidades. Conclui em seu estudo que
36,8% (32) têm as bibliotecas e centros de documentação e informação como responsáveis
pelo gerenciamento e 83,9% (73) utilizam o software DSpace, e registraram mais de 119 tipos
de coleções, sendo que 6,7% (8) das coleções são publicações de caráter cientifico, para o
depósito dos documentos 58,6% (51) utilizam o processo de auto-arquivamento pelos autores.
Também observam-se repositórios institucionais temáticos apresentado por Ferrari
(2012) na área de esporte e lazer. Nota-se que em instituições podem co-existirem mais
repositórios devido a infra-estrutura disponível oriunda de projetos no caso LaboMídia/UFSC
com o apoio da Rede CEDES/Ministério do Esporte, mencionado no estudo de Ferrari. Citase o exemplo do Repositório Institucional da Universidade Federal de Santa Catarina, que está
registrado no Directory o f Open

Access Repository - Open DOAR

( para localizar

determinado repositório de acesso aberto use a URI http://www.opendoar.org/find.php ). Em
23 de maio de 2014, estavam registrados 2.263 repositórios, sendo 2.206 institucionais.
Referente ao Brasil existiam 84 repositórios registrados, sendo 67 institucionais.
No site do Serviço Experimental Federação Educa Brasil existe a ação integradora de
repositórios em “disponibilizar uma infraestrutura nacional para confederação de repositórios
de objetos de aprendizagem (OA) visando o reuso de OAs a partir de um único ponto de
busca.”

(FEDERAÇÃO EDUCA BRASIL, 2010-2014) O sistema de busca (

http://feb.ufrgs.br/feb/index ) tem como objetivo facilitar a recuperação dos metadados dos
diversos repositórios. São 12 instituições parceiras, totalizando 16 repositórios em
funcionamento.

4499

�O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (2014) mantem o site
“Acesso Livre Brasil” (URI http://acessolivrebrasil.wordpress.com/repositorios-brasileiros/ )
no sentido de facilitar a busca da informação referente ao acesso livre. Apresenta um mapa
para identificar os repositórios ativos apoiados pelo projeto FINEP/IBICT. Devido as
alterações frequentes na internet os gestores do ambiente mencionam sua atualização
frequente.
Nota-se paralelamente a preocupação da arquivologia brasileira em estabelecer
diretrizes que enfocam o elo da cadeia de preservação da documentação arquivística. No site
do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ, 2014) esta a resolução n. 39 de 29 de abril de
2014, a qual “estabelece diretrizes para

Estabelece diretrizes para a implementação de

repositórios digitais confiáveis para a transferência e recolhimento de documentos
arquivísticos digitais para instituições arquivísticas dos órgãos e entidades integrantes do
Sistema Nacional de Arquivos - SINAR”. Também estão disponíveis no site do CONARQ os
documentos

do

projeto

InterPARES

:

as

Diretrizes

do

Preservador

http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/media/ip2 preservador siteip3.pdf.pdf

)

e

(
as

Diretrizes do Produtor: a elaboração e manutenção de materiais digitais: diretrizes para
indivíduos ( http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/media/ip2 produtor siteip3.pdf.pdf ).
Desta maneira, sabemos que na equipe interdisciplinar é necessário o trabalho conjunto e a
soma de esforços para obter sucesso na gestão da documentação e informação digital, a base
de todo repositório institucional.

3 Materiais e Métodos
Trata-se de estudo descritivo, pautado na pesquisa exploratória e documental, método
de pesquisa participante, realizada no retomada das atividades cessadas desde 2011. A partir
de agosto de 2013 criou-se um Grupo de Trabalho Repositório Institucional na UFPE, o qual
conta com uma equipe multidisciplinar. Gradativamente são realizados testes, e o esboço da
política de informação.
A instalação do DSpace, versão 3.1, foi efetuada no servidor do Núcleo de Tecnologia
da Informação da UFPE na URI: http://repositorio.ufpe.br , o endereço foi registrado no
ROAR, e estão sendo realizados oficinas e testes no respectivo ambiente.
Entre as etapas desenvolvidas para instalação e operacionalização do Repositório
Institucional da Universidade Federal de Pernambuco podem ser destacadas:
a)

conhecer quais experiências deram certo utilizando a relação dos repositórios

apoiados pelo projeto FINEP/IBICT;

4500

�b) verificar a relação disponível na Federação de Repositórios Educa Brasil;
c) estudar as políticas de sete repositório de Instituições Federais de Ensino Superior;
d) instalar o software e capacitar a equipe técnica;
e) encaminhaminhar ações incluindo a Política de Informação para viabilizar o
repositório institucional de acesso aberto da produção científica da Universidade Federal de
Pernambuco no intuito de incrementar sua visibilidade perante a comunidade acadêmica.
A pesquisa-ação estimula o compartilhar informações e documentos. Em traçar
reflexões e ações conjuntas. E o aprendizado coletivo propicia oportunidades aos envolvidos e
a gestão administrativa envolve a adoção de medidas que possam atender ao contexto político,
social, educacional e tecnológico existente. As mudanças ocorrem rapidamente e quando um
projeto desta natureza estagna é necessário voltar ao princípio, às etapas realizadas, entender
mudanças ocorridas, muitas vezes pessoas da equipe foram substituidas (aposentadorias,
transferencia de setor, alteração do interesse no projeto, entre outros motivos). E assim, novas
versões do software estão disponibilizadas e relatos de experiências são somados e
possibilitam uma história aparentemente sem-fim. O ideal da equipe é manter o repositório
institucional disponível e acessível no ambiente 24/7 , isto é, 365 dias operando on-line e com
o mínimo de off-line. A seguir apresentamos os resultados parciais.

4 Resultados Parciais
Conforme a proposta de Política de Informação na UFPE (no Apêndice I), apresentada
em reunião ao Pró-Reitor de Pesquisa, as atividade continuam com o Grupo de Trabalho do
Repositório Institucional (GT RI) , destinados a escrever a política do RI:
Susimery Vila Nova - Bibliotecária - SeGIC
Maria Dalva Nunes - Bibliotecária - Biblioteca Central
Telma Arruda - Bibliotecária - Biblioteca Central
Nathália Sena - Bibliotecária - Biblioteca Central
Shirly Pimentel - Bibliotecária - Biblioteca Central
Ana Cláudia Gouveia - Bibliotecária - Biblioteca Central
Andréa Marinho - Bibliotecária - Centro de Artes e Comunicação
Eliabe Bernardo - Técnico - Campus Acadêmico de Vitória
Consultores internos
Marcos Galindo Lima - Prof. Departamento Ciência da Informação e Secretário de
Gestão da Informação da SeGIC
Edilene Maria da Silva - Profa. Departamento Ciência da Informação

4501

�Evaldo Rosas - Bibliotecário - Especialista em informática
Os testes com o DSpace versão 3.1, iniciaram em meados de julho de 2013, junto à
equipe do Núcleo de Tecnologia da Informação da UFPE.
O kit do FINEP/IBICT (KURAMOTO, 2009) foi recebido pela UFPE. Relatado no
artigo de Lima, Silva e Rodrigues (2011), apresentado no CTC 2011 pelas duas professoras
do Departamento de Ciência da Informação da UFPE. Devido a problemas técnicos e
políticos o respectivo projeto não prosseguiu e ficou estagnado (2011-2013). As atividades
foram retomadas no início de 2014 (http://www.liber.ufpe.br/ctcm/anais/).
A capacitação realizada no evento “Iniciativas de Acesso Aberto

à Informação

Científica, coordenado pelo IBICT” em 19/10/2012. Nesse evento, a UFPE chegou a receber
um certificado de reconhecimento.
Estão previstas cursos e oficinas na primeira quinzena de setembro e outubro de 2014.
O propósito dos mesmos é capacitar multiplicadores e fomentar a cultura organizacional na
preservação e acesso aberto a informação produzida na UFPE.

5 Considerações Parciais/Finais
A cultura organizacional referente ao acesso livre / aberto começa ganhar forças e em
2014 com a realização do curso “Vantage Point”, e realização do 4. Encontro Brasileiro de
Bibliometria e Cientometria” são destaques no sentido de compreender os indicadores de
visibilidade que se pode direcionar.
O processo da cultura organizacional torna-se gradativo e a participação em eventos de
grandeza nacional e internacional visa aproximar-se das discussões, efetuar trocas de
experiências e dirimir dúvidas fortifica a tomada de decisão em dar continuidade ao processo
de implantação do Repositório Institucional na UFPE.
Espera-se que seja dado continuidade ao projeto de preservação da documentação e
informação institucional produzida. Após a aprovação da política de informação nas
instancias da UFPE serão elaborados relatos e divulgados para socializar as etapas
concretizadas, dificuldades encontradas e problemas solucionados.

6 Referências
BLATTMANN, Ursula; BAHIA, Eliana Maria dos Santos; SILVA, Luiza Helena Goulart.
Repositórios institucionais e seu impacto na produção do conhecimento. In: Valéria Martim
Valls; Waldomiro Vergueiro.

(Org.).

Tendências contemporâneas na gestão da

informação. São Paulo: Editora Sociologia e Política, 2011. p. 109-124.

4502

�BOSO, Augiza Karla. Repositórios de Instituições Federais de Ensino Superior e suas
políticas: análise sob o aspecto das fontes informacionais. 2011. 150 f. Dissertação (Mestrado
em Ciência da Informação) - Curso de Pós-graduação em Ciência da Informação,
Universidade Federal

de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. Disponível em:

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http://pgcin.paginas.ufsc.br/files/2010/10/BOSQ-Augiza-Karla.pdf &gt;. Acesso em: 20 abr.
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COCCO, Ana Paula. Repositórios institucionais de acesso aberto : análise do cenário nos
países ibero-americanos. Florianópolis, 2012. 196 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade
Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação. Disponível em: &lt; http://www.tede.ufsc.br/teses/PCIN0084-D.pdf &gt;.
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CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS (CONARQ). Resolução n. 39, de 29 de abril de
2014. Estabelece diretrizes para implantação de repositórios digitais confiáveis para a
transferência e recolhimento de documentos arquivísticos digitais para instituições
arquivísticas dos órgãos e das entidades integrantes do Sistema Nacional de Arquivos SINAR. [Publicado no Diário Oficial da União, Edição n° 81, de 30 de abril de 2014 - Seção
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CORREA, Tatiane Priscila Pinto; PIRES, Elisangela Mota; MORAES, Maria Helena
Machado de; MIRANDA, Angélica Conceição Dias. Implementação do Repositório
Institucional FURG: uma visão através do catálogo decisório de autores. Revista ACB, v. 17,
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Humanas e da Informação, Curso de Biblioteconomia, Rio Grande, 2011. Disponível em: &lt;
http://bdtccs.furg.br:8080/bdtccs-jspui/handle/1/28 &gt;. Acesso em: 10 jan. 2014.
FERRARI, Rodrigo Duarte. Gestão da informação e conhecimento em esporte e lazer : o
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de

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TECHNOLOGY, CULTURE AND MEMORY, STRATEGIES FOR PRESERVATION
AND INFORMATION ACCESS, 1., Anais... Recife : UFPE, 2011. 9p. Disponível em: &lt;
http://www.liber.ufpe.br/ctcm/anais/anais ctcm/17 pesq reposit UFPE.pdf &gt;. Acesso em: 23
abr. 2014.
OPEN DIRECTORY OF OPEN ACCESS REPOSITORIES. Search or browse for
Repositories. United Kingdom: University of Nottigham, c 2006-2014. Last updated: 23 May
2013. Disponível em: &lt; http://www.opendoar.org/find.php &gt;. Acesso em: 23 maio 2014.

4504

�PIRES, Elisângela Mota. Repositórios institucionais: características através da visibilidade.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) - Universidade Federal do
Rio Grande, Instituto de Ciências Humanas e da Informação, Curso de Biblioteconomia, Rio
Grande, 2011. Disponível em: &lt; http://bdtccs.furg.br:8080/bdtccs-jspui/handle/1/27 &gt;.
Acesso em: 10 jan. 2014.
REDE NACIONAL DE ENSINO E PESQUISA (RNP). Federação de Repositórios Educa
Brasil. Porto Alegre: UFRGS, 2010-2014. Disponível em: &lt; http://feb.ufrgs.br/feb/index &gt;
RIBEIRO JÚNIOR, Divino Inácio; PEREIRA, Ana Maria; ASSIS, Gláucia de Oliveira; et al..
Implementação do Repositório Digital do Projeto “Memória Cientificada FAED”. Revista
ACB,

v.

17,

n.

1,

p.

152-173,

2012.

Disponível

em:

&lt;

http://revistaacb.emnuvens.com.br/racb/article/view/824 &gt;. Acesso em: 18 abr. 2014.
RODRIGUES, Eloy. Concretizando o acesso livre à literatura científica: o repositório
institucional e a política de auto-arquivo da Universidade do Minho. Cadernos BAD, v. , n. 1,
p. 21-33, 2005. Disponível em: &lt; http://eprints.rclis.org/11046/1/CadBAD105 Rodrigues.pdf
&gt; e &lt; http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/cadernos/article/view/819/818 &gt;. Acesso em:
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SAYÃO, Luis et al. Implantação e gestão de repositórios institucionais : políticas, memória,
livre acesso e preservação / organizadores. Salvador : EDUFBA, 2009. 365 p. il. Disponível
em: &lt; https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ufba/473/3/implantacao repositorio web.pdf &gt;.
Acesso em: 15 abr. 2014.
VARGAS, Graziela Mônaco. Repositórios institucionais em universidades: estudo de
relatos de casos. 2009. 83f. Monografia (Bacharel) - Universidade Federal do Rio Grande do
Sul,

Porto

Alegre,

2009.

Disponível

em:

&lt;

http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/22714/000740403.pdf?sequence=1

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Acesso em: 10 jan. 2014.
UNIVERSIDADE DO PORTO. Repositório da Universidade do Porto. Porto [Portugal].
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. UFPE em números. Recife : UFPE,
2014.

Disponível

em:

&lt;

http://www.ufpe.br/ufpenova/index.php?option=com content&amp;view=article&amp;id=43&amp;Itemid=
191 &gt;. Acesso em: 22 maio 2014.
WEBER, Claudiane; BLATTMANN, Ursula. Dspace como repositório digital na
organização. Revista ACB, v. 13, n. 2 , p. 467-485,

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http://revistaacb.emnuvens.com.br/racb/article/view/593/694 &gt;. Acesso em: 15 abr. 2014.

4505

�APENDICE I - Minuta da Política do Repositório Institucional da Universidade Federal
de Pernambuco

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

Minuta da Reslução N°xx, de xx de xxxx de 2014
Estabelece a Política do Repositório
Institucional da Universidade Federal de
Pernambuco.

TÍTULO 1-POLÍTICA DO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL Anísio Brasileiro
de Freitas Dourado, delegou à Secretaria de Gestão da Informação da Universidade Federal
de Pernambuco por portaria normativa N°25, de 23 de Dezembro de 2011 o poder de
gerenciar atividades de assessoramento, estabelecimento de políticas públicas, definição e
acompanhamento de processos e procedimentos de informação e comunicação no âmbito
interno e externo da UFPE. O Secretário de Gestão da Informação e Comunicação, Décio
Fonseca, considerando o que prevê o At. 1° da portaria e o Art. 6°, tendo ouvido o Comitê
Gestor do repositório Institucional, doravante, neste documento, denominado de RI designado
pela portaria_______d e ________ de 2014, reconhecendo e a importância da implementação
de ações que garantam o armazenamento, organização, disseminação e acesso às produções
intelectual e científica desta Instituição - constituída de resultados de pesquisa veiculados em
meios de comunicação científica que tenham revisão por pares, bem como fontes primárias de
pesquisa, livros, palestras, materiais de áudio e vídeo, dentre outros descriminados no Art.3,
parágrafos I e II desta resolução e considerando a necessidade de:
-

Preservar a produção científica desta Instituição;

-

Ampliar a visibilidade da produção científica desta Instituição;

-

Potencializar o intercâmbio desta Instituição com outras instituições;

-

Acelerar o desenvolvimento de suas pesquisas;

-

Democratizar o acesso à sua produção científica;

-

Facilitar o acesso à informação científica de uma forma geral;

-

Otimizar a gestão de investimentos em pesquisa nesta Instituição.

4506

�RESOLVE: Criar o Repositório Institucional da UFPE.
OBJETIVOS
Art. 1. São objetivos do RI:
56. Apoiar a disseminação da produção bibliográfica dos professores pesquisadores da
UFPE;
57. Maximizar o acesso, o uso, a visibilidade e o impacto da produção científica da UFPE;

58. Povoar/alimentar o RI da UFPE com publicações científicas dos docentes e discentes
da graduação, pós-graduação e pesquisadores colaboradores;
59. Proporcionar meios de acompanhamento da produção científica da UFPE.

Art. 2. Assim, para atender a estas necessidades, a Secretaria de gestão da Informação e
Comunicação da UFPE estabelece:
^ A Biblioteca Central desta instituição fica encarregada do desenvolvimento e
manutenção do repositório institucional;
^ O RI/UFPE desenvolvido e alimentado pela nossa comunidade científica institucional
(docentes, pesquisadores, colaboradores pesquisadores e alunos de graduação e pósgraduação) é de livre acesso;
^ O RI deve terá capacidade de integração com sistemas nacionais e internacionais,
observando-se o uso de padrões e protocolos de integração, em especial aqueles
definidos no modelo Open Archives;
^ A comunidade científica institucional deverá publicar os artigos de sua autoria ou coautoria, preferencialmente, em publicações periódicas científicas de acesso livre ou que
façam constar em seus contratos de publicação o depósito dos artigos publicados no RI
da UFPE;
^ O depósito citado no item anterior deve ser realizado imediatamente após a
comunicação de sua seleção para publicação na revista científica (VERSÃO PÓSPRINT). Em caso de impossibilidade de depósito imediato, o autor e/ou o co-autor terá
um prazo máximo de 6 (seis) meses da data de publicação do referido artigo para
depositá-lo no RI;
^ Na impossibilidade de disponibilização do conteúdo, devido à(s) cláusula(as)
contratual(ais) mantidas pelo autor com a(s) revista(s) onde o trabalho foi publicado, o
depósito será feito, porém apenas os metadados serão disponibilizados no RI; (Ex.:
resumo, palavras-chave e referências). Portanto, fica obrigatório o depósito no RI dos

4507

�artigos publicados em revistas científicas. Porém É FACULTATIVO aos autores a
LIBERAÇÃO do ACESSO ao TEXTO COMPLETO desses artigos em casos que os
editores estabeleçam em seus contratos com os autores cláusulas impeditivas;
^

Fica desobrigado de depósito no RI, os livros ou capítulos de livros que tenham
restrições contratuais relativas a direitos autorais;

^

Ficam obrigados depositar no RI os documentos cujo conteúdo integra resultados de
pesquisas passíveis de serem patenteados ou de serem publicados em livros ou capítulos
de livros que serão publicados com fins comerciais, porém ficam desobrigados de
liberar o acesso livre a estes artigos;

^ Todos os documentos que não se enquadrem nos itens VII e publicados em veículos de
comunicação científica com revisão por pares, a exemplo de artigos publicados em
eventos ou outros, por avaliação de uma banca de especialistas, devem ser depositados
no RI;
^ De maneira a facilitar o povoamento do RI, as unidades/departamentos podem
promover o depósito da produção científica desta Instituição, mediante autorização dos
autores da referida produção, seja efetuando a entrada de cada documento no RI ou
importando os dados já registrados de outros repositórios.

DESCRIÇÃO DO MATERIAL DEPOSITADO
Art. 3. Os materiais que podem ser depositados:
^ Teses, dissertações, TCC’s, artigos de periódicos (pre-print e post-print), artigos de
eventos, livros, materiais didáticos produzidos pelos professores, e-books, vídeo,
áudio,

imagens

e material

de

laboratório

considerados

fontes

primárias,

palestras/conferências proferidas pelos professores.
^ Professores da UFPE podem incluir no RI materiais de autoria própria desenvolvidos
para fins didáticos, como apostilas, apresentações, estudos de casos e demais
materiais.

DOS COMITÊS DELIBERATIVO E GESTOR
Art. 4. O Comitê deliberativo é composto dos seguintes membros:
I - Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação (SeGIC);
II - Direção da Biblioteca Central;
III - 01 representante do Departamento de Ciência da Informação;

4508

�A gestão do RI fica a cargo do Comitê Gestor, composto pelos seguintes membros:
I - 01 Representante da Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação;
II - 02 Representantes do Núcleo de Tecnologia da Informação
II - Grupo de Trabalho Repositório Institucional como representante do Sistema
Integrado de Bibliotecas da UFPE;
III - 01 representante de cada Centro para campanhas divulgativas e consultas

Cabe ao Comitê Gestor:
- elaborar e revisar as políticas de funcionamento do RI;
- aprovar as diretrizes operacionais;
- divulgar o RI nos respectivos centros;
- estimular e sensibilizar docentes e discentes a depositar sua produção no RI;
- resolver questões e casos omissos no regulamento do repositório;
- sensibilizar professores e discentes para o depósito;
- Verificar as condições do material auto-arquivado;
VIII.- Prestar serviços e treinamentos aos usuários para o uso do sistema, autoarquivo e
pesquisa.

Parágrafo único. Os mandatos dos representantes mencionados no Art.4 são de dois anos,
podendo ser reconduzidos por mais dois.

DIRETRIZES PARA DEPÓSITO E ACESSO À PRODUÇÃO
Art. 5. A política institucional de informação baseia-se no princípio do depósito imediato e
modalidades de acesso, isso implica que os professores e pesquisadores da Instituição devem
depositar a sua produção, porém fica facultada a forma de acesso, conforme alínea IV do art.
2.
Parágrafo único: As disposições sobre o depósito e o tipo de material estão consignadas nas
alíneas de I a X do art. 2.
^

Todas as unidades orgânicas (faculdades, centros de pesquisas e departamentos)
devem se comprometer na divulgação das práticas e das políticas de auto-arquivo e
depósito da produção científica;

^

O depósito da produção técnica, científica e documental no RI será realizado pelas
unidades produtoras, mediante autorização dos autores, seja efetuando a entrada de
cada documento no RI ou importando os dados já registrados em outros repositórios.

4509

�CRIAÇÃO DE REPOSITÓRIOS TEMÁTICOS
Art. 6. Os departamentos e/ou cursos de pós-graduação poderão criar seus repositórios para
depositar outros tipos de materiais que não estão contemplados no RI. Para que estes
repositórios possam se comunicar com o RI é necessário que adotem os padrões do software
livre: o uso do protocolo OAI-PMH.
•

Para migração de bancos de dados para o RI é necessário que tenha o protocolo OAIPMH (Open Access Iniciative - Protocol Metadada Havesting). Independente do
software adotado.

POLÍTICA DE ESTÍMULO PARA DEPÓSITO NO RI
Art. 7. Fica a cargo da Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação apresentar à
Reitoria a proposta de criação de premiação ou outro tipo de mecanismo para estimular o
autoarquivamento da produção pelos próprios departamentos.
Art. 8. A preservação digital do RI, dar-se-à pelo método de análise de risco.
Para o cumprimento desta política, esta Instituição estabelecerá mecanismos de estímulo,
assim como ações de integração que possibilitem evitar duplicações de esforços. Além disso,
a implementação desta política poderá suscitar a elaboração, discussão, regulamentação e
estabelecimento de políticas e mecanismos específicos de forma a garantir a plena
alimentação do repositório institucional e, por conseguinte, a preservação da produção
científica institucional.

Esta Política Institucional de Informação entrará em vigor a partir da data de sua publicação.

Reitor,

Recife,

4510

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Os repositórios institucionais nas Instituições de Ensino Superior apresentam a preservação de documentos e disponibilizam o acesso aos conteúdos digitais oriundos da produção científica. Compete aos gestores da informação e documentação estabelecerem políticas institucionais para a coleta, preservação, disponibilidade e acesso à informação. O objetivo deste trabalho é especificar a construção de um repositório institucional e paralelamente estabelecer uma política de informação utilizando recursos de infra-estrutura tecnológica existentes e conciliar com as demandas dos usuários. Entre as etapas desenvolvidas para instalação e operacionalização do Repositório Institucional da Universidade Federal de Pernambuco podem ser destacadas: a) conhecer quais experiências deram certo utilizando a relação dos repositórios apoiados pelo projeto FINEP/IBICT e a relação disponível na Federação de Repositórios Educa Brasil, b) estudar as políticas de sete repositório de Instituições Federais de Ensino Superior, c) instalação do software e capacitação da equipe técnica, d) encaminhamento de ações incluindo a Política de Informação para viabilizar o repositório institucional de acesso aberto da produção científica da Universidade Federal de Pernambuco. Trata-se de estudo descritivo, pautado na pesquisa exploratória e documental, realizada entre os meses de julho de 2013 a maio de 2014. Entre os resultados, apontam se: análise de iniciativas brasileiras e internacionais de repositórios institucionais e de bibliotecas digitais de acesso aberto, análise das políticas de informação implantadas de sete repositórios brasileiros de instituições de ensino superior, planejamento da implantação: cronograma, especificação do software padrão, sua instalação e capacitação técnica, estabelecimento da tipologia documental para realização do povoamento, e, o esboço da política de informação para a coleção de conteúdos digitais da produção acadêmica e técnica da Universidade Federal de Pernambuco. Entre as conclusões pode-se destacar a importância de conhecer as experiências brasileiras, o trabalho em equipe e a capacitação nas tecnologias do DSPACE, e a visibilidade da produção científica.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO ESPAÇO SOCIAL: INFORMAÇÃO,
CULTURA, LAZER E CONVIVÊNCIA REUNIDOS

Valéria Aparecida Moreira Novelli

RESUMO
As bibliotecas universitárias estão atualmente associadas à ideia de informação e tecnologias,
porém, estes itens estão relacionados diretamente a máquinas/computadores e muitas vezes o
lado humano nem sempre é “cuidado” com a devida atenção. Essa realidade desafia o
bibliotecário a buscar uma constante evolução de sua prática profissional e a promoção de
atividades de ação cultural pode ser uma das respostas a esse desafio. Dessa forma, os
objetivos desta pesquisa são investigar e identificar a percepção da comunidade acadêmica do
Instituto de Química (IQ), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Araraquara (SP) sobre as
atividades culturais e lúdicas enquanto possibilidade de interação e integração entre as
pessoas e apresentar uma proposta de Programa de Ação Cultural. A metodologia utilizada foi
a pesquisa descritiva, incluindo a coleta de dados específicos, através de um questionário,
postado no Google.docs. O universo da pesquisa foi constituído por alunos de graduação,
alunos de pós-graduação, docentes e servidores técnico-administrativos do IQ/UNESP. Como
resultado, constatou-se que a comunidade dessa amostra está aberta e receptiva quanto a
realização e participação em atividades culturais e lúdicas; valorizando-as enquanto
possibilidade de interação e integração entre as pessoas. Assim, o estudo possibilitou a
obtenção de subsídios para a elaboração de uma proposta de Programa de Ação Cultural a ser
desenvolvido pela Biblioteca, propiciando que essa se torne também um espaço de cultura,
lazer e convivência.
Palavras-chave: Ação cultural; Atividades lúdicas; Biblioteca universitária; Convivência;
Espaço social.
ABSTRACT
University libraries are currently associated with the idea of information and technologies,
due to the internet, but all these questions are directly related the machines/computers and
often the human side is not always "careful" with due attention. This reality challenges
librarians to seek a constant evolution of their professional practice and the promotion of
cultural action activities may be one answer to this challenge. Thus, the objectives of this
research are to investigate and identify the perception of the academic community of the
Institute of Chemistry (IQ), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Araraquara (SP) about
cultural and recreational activities while the possibility of interaction and integration among
the people and present a proposal for a Cultural Action Program. The methodology used was
descriptive research, including specific data collection, conducted through a questionnaire
posted on Google.docs. The research sample consisted of undergraduate students, graduate
students, professors and administrative technical servers from IQ/UNESP. As a result, it was
found that the community of this sample is open and receptive as the achievement and

1845

�participation in cultural and leisure activities, they valuing them as a possibility of interaction
and integration among the people. Thus, the study enabled us to obtain grants for the
preparation of an outline of a proposal for a Cultural Action Program being developed by the
Library; providing that this also becomes a space for culture, leisure and living.
Keywords: Cultural Action; Recreational activities; University library; Coexistence; Social
space.
1 INTRODUÇÃO
Atualmente, a ideia associada às bibliotecas universitárias diz respeito à informação e
tecnologia, em decorrência da internet, fontes de informação on-line, serviços informatizados
e cooperativos (comutação bibliográfica, empréstimo entre bibliotecas, etc.) e outros itens de
fundamental importância para a respectiva existência e prestação de serviços. Porém, todos
estes quesitos estão relacionados diretamente à máquinas/computadores e muitas vezes o lado
humano nem sempre é “cuidado” com a devida atenção. Isso também pode ser decorrente de
questões mais prementes no dia a dia dessas instituições, que demandam tempo e ações
direcionadas, como o paradigma do acesso às fontes de informação e não mais da respectiva
posse; a mudança comportamental dos usuários que estão cada vez mais independentes e
virtuais para resolverem suas necessidades informacionais; o uso eficaz e eficiente dos
recursos informacionais disponíveis; a readequação ou ampliação das instalações físicas; e a
oferta de serviços/produtos que contemple as diferentes gerações de usuários, desde os mais
velhos até os mais jovens.
A Biblioteca do Instituto de Química (IQ), Universidade Estadual Paulista (UNESP),
Araraquara (SP) realiza anualmente desde 2000, a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca,
instituída pela Coordenadoria Geral de Bibliotecas, com o objetivo de divulgar a Biblioteca e
seus recursos informacionais. Na programação do IQ para as Semanas já realizadas, foram
incluídas também atividades culturais, como poesia, dança, música, teatro, artesanato,
culinária e oficinas diversificadas, tendo como monitores e participantes da comunidade
acadêmica, e pessoas da comunidade externa (artesãos e artistas da cidade, Associação dos
Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE, Instituto dos Cegos Santa Luzia, etc.) , com o
intuito de “colorir” esse período na Unidade, já que o dia a dia é “exato”, repleto de
“obrigações”, horários e assim por diante. Essas iniciativas sempre tiveram bastante aceitação
da comunidade do IQ, sendo prazeroso, tanto organizá-las como realizar o acompanhamento
da participação das pessoas.

1846

�Ademais, identifica-se a problemática relacionada às relações interpessoais no
trabalho, envolvendo a integração e interação das pessoas, que foi abordada em dois projetos
elaborados no IQ, um pelas Diretorias de Serviço, e o outro pelos Supervisores de Seção.
Diante do panorama vislumbrado acima, e considerando que as atividades culturais e
lúdicas podem ser vistas como possibilidades de interação e integração, indaga-se:como a
Biblioteca poderia contribuir nesse cenário? Seria através da promoção de atividades culturais
e lúdicas voltadas para a comunidade acadêmica, de forma mais regular, ao invés de
anualmente? Isto poderia gerar benefícios para o dia dessas pessoas?
Nessa perspectiva, os objetivos desta pesquisa são investigar e identificar a percepção
da comunidade acadêmica do IQ/UNESP sobre as atividades culturais e lúdicas enquanto
possibilidade de interação e integração entre as pessoas e apresentar uma proposta de
Programa de Ação Cultural a ser desenvolvido pela Biblioteca.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Cunha (2000) considera que, através dos séculos, as bibliotecas tem sido o ponto focal
da universidade, com suas coleções impressas e em outros variados formatos, preservando o
conhecimento da humanidade.Assim, pode-se constatar que possibilitar acesso ao
conhecimento é a sua essência e esse acesso propiciará que os alunos, os docentes e os
pesquisadores possam efetuar sua aprendizagem ao longo da vida (CUNHA, 2010). Dessa
forma, a biblioteca para ser efetivamente um espaço de informação precisa cultivar a sua
relação com os usuários, a fim de que eles possam neste espaço buscar e encontrar a
informação necessária para lhes possibilitar participarem do ciclo dinâmico da produção e uso
da informação.
Ao unir arte, ludicidade e biblioteca,será possível ter informação, conhecimento,
cultura e lazer juntos, numa provocação de admiração e inspiração nas pessoas, pois, a arte
ensina a “sentir”, humaniza (CARANI, 2000).
A oferta de atividades culturais e lúdicas, valorizando a diversidade de manifestações
artístico-culturais locais e regionais, pode incentivar o uso do espaço da biblioteca e tê-lo
também como um espaço aberto ao lazer, revitalizando ou transformando o conceito de
biblioteca universitária, como sendo um local mais dinâmico e interativo, que oportunize o
diálogo com a comunidade (ANDRETTI, 2011; CABRAL, 1999). Dessa maneira, a
biblioteca se tornará um ambiente de convivência, aberta à expressividade das pessoas e
comprometida com o interesse de seus usuários.

1847

�Nesse sentido, o bibliotecárioterá como papel a mediaçãoe aproximação especialmente
junto à sua comunidade acadêmica etambémjunto àcomunidade externa, mediante a criação
de “oportunidades” que propiciemo desenvolvimento da expressão daspotencialidades
individuais.
A partir da concepção das atividades expressivas(atividades lúdicas e atividades de
arte-educação) apresentada por Pereira (2007, 2008), pode-se inferir que a promoção e
realização de atividades culturais e lúdicas, nos ambientes organizacionais, pode ter uma
intenção “cuidadora” e “curativa”, por meio das quais as pessoas poderão se expressar de
forma livre, unindo razão e emoção, mesmo que os benefícios gerados sejam mais
momentâneos; e isto será um diferenciador nesses lugares, contribuindo para um ambiente
mais harmonioso e saudável.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada foi a pesquisa descritiva, tendo como objeto de investigação
os “Talentos da Casa”, definidos nesse estudo, como habilidades pessoais, dos membros da
comunidade acadêmica do Instituto de Química/UNESP, envolvendo artesanato, culinária,
escultura, fotografia, música, pintura, poesia, dança e outras.
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário, em versão
eletrônica, postadonoGoogle.docs, composto por oito questões relacionadasao tema proposto.
Os dados foram coletados no período de 07 a 11 de novembro de 2012.
O universo da pesquisa foi constituído por alunos de graduação, alunos de pósgraduação, docentes e servidores técnico-administrativos do IQ/UNESP (1.350 membros);
destes, 30 integrantes responderam o questionário.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os dados coletados por meio do questionário eletrônico elaborado paraesse estudo
foram quantificados e analisados para identificar a percepção dacomunidade acadêmica do IQ
de Araraquara sobre as atividades em grupoenquanto possibilidade de interação e integração
entre as pessoas.
A primeira questãoestá relacionada às categorias dos usuários.Entre elas, a categoria
mais participativa em relação ao quantitativo existente/respondentes foi a de docentes,
seguidapelos servidores técnico-administrativos, alunos de pós-graduaçãoe

alunos

de

graduação. Assim, pode-se inferir que as categorias “permanentes” da Instituição, os docentes

1848

�e os servidores, foram mais receptivas em relação à temática abordada, talvez em decorrência
do tempo e experiência vivenciados na Instituição.
Na segunda questão identificou-se que 30% dos respondentes tem interesse em
mostrar algum “talento” próprio à comunidade do IQ.
Através da terceira questão verificou-se que 20% das pessoas manifestaram disposição
para ministrar oficinas, envolvendo atividades como música, dança, alongamento, artesanato e
vegetarianismo.
A quarta questão identificou que todos os respondentes participariam e/ou assistiriam
atividades culturais envolvendo os “Talentos da Casa”, o que demonstra um alto grau de
aceitação dessas pessoas diante desse tipo de iniciativa.
A importância da realização de atividades envolvendo os “Talentos da Casa”,
enquanto contribuição paraa interação e integração das pessoas da comunidade acadêmica, foi
identificada pela quinta questão e considerada unânime entre os respondentes (100%).
Ainda sobre essa importância, averiguou-se pela sexta questão, que os três benefícios
gerados pelas atividades envolvendo os “Talentos da Casa pontuados como mais relevantes
pelos participantes foram: “um ambiente de trabalho mais humanizado” (77%), depois
“manter ativo o contato entre as pessoas” (63%) e “a valorização do potencial humano”
(60%).Além das nove opções previamente listadas, as pessoas também indicaram outros itens
que consideraram como benefícios, demonstrando assim a valorização da aproximação das
pessoas e da dimensão afetiva no ambiente institucional.
Na sequência, por meio da sétima questão, foi indagado se as pessoas desenvolviam,
conheciam ou já ouviram falar de alguma pesquisa e/ou trabalho do IQ que considerassem
interessante que a população do bairro soubesse e fosse divulgado. Dentre os respondentes,
23% deles apresentaram indicações,sendo: ginástica laboral; Grupo Alquimia (Teatro do IQ para divulgação da Química); Centro de Ciências; Trabalhos adaptados do Projeto de
Extensão “Palestra na Escola”; CUCA (Curso preparatório para os vestibulares); feira de troca
de livros; trabalhos relacionados com poluição ambiental; trabalhos sobre produtos naturais e
seus benefícios para saúde.
Ademais, foram investigadas pela oitava questão, as sugestões de atividades que o IQ
poderia realizar, como contribuição para a interação e integração de seus alunos, docentes e
servidores, totalizando indicações de 27% dos respondentes, dentre as quais a música obteve
grande destaque.
Diante do panorama observado, constata-se que a comunidade acadêmica do IQ dessa
amostra, está aberta e receptiva quanto a realização e participação em atividades culturais e

1849

�lúdicas, desenvolvidas pelos “Talentos da Casa” e grupos externos, e as valorizam enquanto
possibilidade de interação e integração entre as pessoas, o que demonstra que a Biblioteca
pode contribuir para que isto aconteça.
Assim, são apresentadas algumas sugestões de atividades culturais e lúdicas
contempladas na proposta de Programa de Ação Cultural a ser desenvolvido pela Biblioteca,
incluindo também a organização/parceria da comunidade acadêmica para se criar condições
para a interação e integração das pessoas do IQ e a manifestação de suas expressividades.
Entre estas atividades destacam-se:divulgação de livros de literatura existentes na Biblioteca;
sarau e varal literário; café filosófico;música na Biblioteca;exposições artísticas, culturais e
científicas;feira

de troca

do livro;comemoração

de

datas

simbólicas;projeção

de

filmes/cineclube;debates/palestras com escritores, artistas e pesquisadores; oficinas com os
“Talentos

da

Casa”;realização

de

jogos

culturais;disponibilização

de

jogos

educativos;gincanas solidárias temáticas, como “Limpeza do corpo” (produtos de higiene
pessoal), etc.; e outras sugeridas no questionário.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa efetuada neste estudo possibilitou identificar que a comunidade acadêmica
do IQ/UNESP possui uma percepção positiva sobre as atividades culturais e lúdicas enquanto
possibilidade de interação e integração entre as pessoas; bem como forneceu subsídios para a
elaboração deuma proposta de Programa de Ação Cultural, a ser desenvolvido pela Biblioteca
do Instituto de Química/UNESP.
Nessa perspectiva, será possível que essa Biblioteca se torne também um espaço mais
prazeroso, atraente, dinâmico; oportunizando o diálogo com a comunidade acadêmica e
também contribua para que o IQ/UNESP, Araraquara seja mais vivo e pulsante, por meio de
um ambiente mais humanizado.

6 REFERÊNCIAS
ANDRETTI,

C.

R.

Encanto

dos jogos.

In:

CONGRESSO

BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DAINFORMAÇÃO, 24., 2011,
Maceió.

[Anais].

Disponível

em:

&lt;http://febab.org.br/congressos/index.php/cbbd/xxiv/paper/view/70/705&gt;. Acesso em: 13 jul.
2012.
CABRAL, A. M. R. Ação cultural: possibilidades de atuação do bibliotecário. In: VIANNA,
M. M.; CAMPELLO, B.; MOURA, V. H. V. Biblioteca escolar: espaço de ação pedagógica.

1850

�Belo Horizonte: EB/UFMG, 1999. p. 39-45. Seminário promovido pela Escola de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais e Associação dos Bibliotecários de
Minas Gerais,1998, Belo Horizonte.
CARANI, M. Arte e biblioteca: uma combinação perfeita! Revista ACB: Biblioteconomia
em Santa Catarina, Florianópolis, v. 5, n. 5, p. 168-184, 2000.
CUNHA, M. B. da.Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010.
Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 1, p. 71-89, jan./abr. 2000.
CUNHA, M. B. da. A biblioteca universitária na encruzilhada. DataGramaZero, Rio de
Janeiro,

v.

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Disponível

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&lt;http://www.datagramazero.org.br/dez10/Art_07.htm&gt;. Acesso em: 21 abr. 2011.
PEREIRA, L. H. P. Bioexpressão: uma proposta pedagógica para a formação do educador.
Vertentes, São João del Rei, n. 29, p. 208-221, jan./jun. 2007.
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prática pedagógica. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 34, n. 1, p. 151-166, jan./abr. 2008.

1851

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                <text>As bibliotecas universitárias estão atualmente associadas à ideia de informação e tecnologias, porém, estes itens estão relacionados diretamente a máquinas/computadores e muitas vezes o lado humano nem sempre é ―cuidado‖ com a devida atenção. Essa realidade desafia o bibliotecário a buscar uma constante evolução de sua prática profissional e a promoção de atividades de ação cultural pode ser uma das respostas a esse desafio. Dessa forma, os objetivos desta pesquisa são investigar e identificar a percepção da comunidade acadêmica do Instituto de Química (IQ), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Araraquara (SP) sobre as atividades culturais e lúdicas enquanto possibilidade de interação e integração entre as pessoas e apresentar uma proposta de Programa de Ação Cultural. A metodologia utilizada foi a pesquisa descritiva, incluindo a coleta de dados específicos, através de um questionário, postado no Google.docs. O universo da pesquisa foi constituído por alunos de graduação, alunos de pós-graduação, docentes e servidores técnico-administrativos do IQ/UNESP. Como resultado, constatou-se que a comunidade dessa amostra está aberta e receptiva quanto a realização e participação em atividades culturais e lúdicas, valorizando-as enquanto possibilidade de interação e integração entre as pessoas. Assim, o estudo possibilitou a obtenção de subsídios para a elaboração de uma proposta de Programa de Ação Cultural a ser desenvolvido pela Biblioteca, propiciando que essa se torne também um espaço de cultura, lazer e convivência.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DE USUÁRIO DA BIBLIOTECA DO INSTITUTO FEDERAL DO
TRIÂNGULO MINEIRO - CAMPUS PATROCÍNIO: RELATO DE CASO

Fernanda Faustino Nogueira Nunes
Márcia Aparecida Belotti

RESUMO
Os estudos de necessidades e usos da informação integram a literatura da ciência da
informação, oferecendo estratégias que norteiam a prática profissional do bibliotecário, no
sentido de identificar as reais necessidades de seu público. Pesquisas evidenciam que os
estudos de usuários passaram a fazer parte do planejamento bibliotecário, sendo consideradas
importantes ferramentas para a gestão das unidades de informação, por meio do diagnóstico
para a melhoria dos serviços, avaliando-se acervos, catálogos, periódicos, disposição física
das estantes, dos programas de instrução bibliográfica, entre outros. O estudo realizado na
Biblioteca do IFTM Câmpus Patrocínio tratou de maneira qualitativa os dados obtidos através
da aplicação de questionários aos alunos do Curso Superior Tecnólogo em Análise e
Desenvolvimento de Sistemas. Analisou-se a satisfação dos alunos, considerando-os como
usuários reaise suas necessidades. Investigou-se também a não utilização, considerando uma
maioria de alunos, a fim de identificar as causas reais. Sabe-se que os professores assumem
papel importante na promoção e utilização da Biblioteca. Verificou-se nesse aspecto, que os
professores do Câmpus incentivam o uso da biblioteca em suas atividades docentes. A
pesquisa possibilitou identificar como os alunos percebem o acervo, pertinência ao curso
ofertado, acesso, espaço físico da Biblioteca do IFTM Câmpus Patrocínio. Concluiu-se que há
uma necessidade premente de se realizar ações para a melhoria do atendimento da biblioteca,
bem como criar políticas de acesso e incentivo à utilização, afim de melhorar as estatísticas
dos que não fazem uso.
Palavras-Chave: Estudo de usuário; Biblioteca IFTM Câmpus Patrocínio;Curso Superior
Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas; Acervo Bibliográfico.

ABSTRACT
Studies of information needs and uses part of the literature of information science, offering
strategies that guide the professional practice of librarianship, to identify the real needs of
your audience. Research studies show that users have become part of the library planning, are
considered important tools for the management of information units, through the diagnosis for
the improvement of services, assessing collections, catalogs, journals, physical arrangement
of shelves, the bibliographic instruction programs, among others . The study conducted at the
Library of IFTM Campus Sponsorship treated in a qualitative manner the data obtained
through the application of questionnaires to students Technologist Degree in Systems

2694

�Analysis and Development , student satisfaction , considering them as potential users and
their real needs . We also evaluated non-use, considering a majority of students in order to
identify the real causes . We know that teachers play an important role in the promotion and
use of the library . It was found in this respect that the teachers Campuses encourage library
use in their classes . This research allowed us to identify how students perceive the acquis
relevant to the course offered , access, physical space of the library IFTM Campus
Patrocínio.It was concluded that there is an urgent need to carry out actions to improve the
care of the library, as well as create access policies and incentive to use in order to improve
the statistics of those who do not use.
Keywords: User study; Library IFTM Campus Patrocinio; Superior Travel Technologist
Analysis and Systems Development; library collection

1 Introdução
Com o surgimento dos Institutos Federais, criados pela Lei 11892/08 de 29 de
dezembro de 2008, as bibliotecas ou unidades de informação, inseridas nessas Instituições
representam um papel fundamental na formação e consolidação da Educação Profissional
Técnica e Tecnológica, apresentando-se como recurso didático-pedagógico imprescindível.
Acrescenta-se a isso, a importância que estas assumem na formação e construção científica e
tecnológica dos usuários e de toda a instituição.
O Câmpus Patrocínio, vinculado ao Instituto Federal do Triângulo Mineiro iniciou
suas atividades em 2009, por meio de uma parceria realizada entre a Prefeitura Municipal de
Patrocínio e o IFTM resultando na criação, em agosto de 2009, de um Pólo de ensino do
Instituto Federal de Ciência e Educação do Triângulo Mineiro instalado na cidade de
Patrocínio, onde seria ofertado o curso Técnico em Informática. Evidenciando-se o sucesso do
Pólo, em 2010 houve a transformação para Câmpus Avançado, o que passou a caracterizar
uma estrutura hierárquica e financeira vinculada ao Câmpus Uberaba, permitindo a
reivindicação para abertura de novos cursos. Em fevereiro de 2010, dois novos cursos foram
iniciados; técnico em Contabilidade e Eletrônica e, superior tecnólogo em Análise e
Desenvolvimento de Sistemas (ADS). As instalações iniciais contavam com a seguinte
infraestrutura: 5 salas de aula, 3 laboratórios de informática, 1 anfiteatro para 250 pessoas, 1
sala de reprografia, 1 laboratório de nutrição, 1 sala de secretaria, 1 sala de direção, 1 sala de
coordenação, 1 sala de professores. Considerando a demanda crescente dos cursos e a
alocação dos futuros alunos, em 2012 houve a liberação de recurso para a construção de mais
um bloco de sala, sendo 01 destinada à implantação da Biblioteca. Em 2013, por autorização
deliberada pelo Ministério da Educação, o Câmpus Avançado Patrocínio, passou para a
denominação de Câmpus, porém, com ordenação financeira realizada pelo Câmpus Uberaba.

2695

�Atualmente, o Câmpus se encontra em franca expansão, com implantação de novos cursos
superiores, oferta do Ensino Médio Integrado ao Técnico e Educação à distância.
A biblioteca foi inaugurada em março/2013, constituindo um acervo bibliográfico,
atualizado para atender à demanda dos cursos Técnicos em Informática, Eletrônica e
Contabilidade e superior ADS. No mesmo ano, recebemos a Comissão de Avaliação do MEC,
para aprovação do Curso Superior em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, o que agilizou
ainda mais o processo de restruturação do espaço físico, adequando às exigências da
Comissão. Apesar de contarmos com o programa para informatização do Acervo GNUTECA,
por falta de tempo hábil, a biblioteca não foi informatizada, sendo penalizada pelos
avaliadores. Contudo, ressalta-se a coerência do acervo bibliográfico com as bibliografias
básicas e complementar discriminadas no Projeto Pedagógico do Curso.
Dentro desse contexto, a biblioteca foi considerada pela comunidade uma grande
conquista. Com a abertura, a procura pelos serviços foi significativa, sobretudo pelos alunos
do ADS, que passaram a realizar empréstimos domiciliares. Anteriormente, precisavam
recorrer à internet ou outras bibliotecas, a fim de realizarem suas pesquisas bibliográficas. No
primeiro semestre do ano de 2013, apenas 01 servidor, Bibliotecário-Documentalista, atendia
toda a demanda dos cursos, que até então eram ofertados nos períodos vespertino e noturno.
No 2° semestre de 2013, mais um servidor passou a atender aos alunos, considerando o
aumento da demanda de cursos ofertados, sendo 06 turmas do curso superior Tecnólogo em
Análise e Desenvolvimento de Sistemas, 02 turmas de Técnico em Contabilidade, e 01 turma
do Técnico em Eletrônica.
Observou-se que os alunos do curso superior, procuravam a biblioteca com maior
frequência, em relação aos demais alunos. Um número significativo de alunos utilizava a
biblioteca para estudo.
Importante considerar que além de cumprir seu papel de guardiã do acervo
bibliográfico da instituição e oferecer recursos informacionais em variados suportes a
biblioteca tem papel social e humanístico, pautado no atendimento de suma qualidade.
Reforçando a revisão dos papéis desempenhados pela biblioteca, é função precípua do
profissional da informação prestar serviços de qualidade e atentar quanto a oferta de produtos
que atendam às necessidades informacionais do usuário, levando-se em consideração que as
necessidades de informação mudam com o passar do tempo. Daí a importância de se realizar
tais estudos periodicamente.
Os estudos de usuários constituem uma ferramenta metodológica indispensável aos
bibliotecários, para o planejamento e avaliação dos serviços. Tais estudos partem de uma

2696

�postura tecnicista para uma atenção maior com o usuário da informação, ou seja, ênfase nos
objetivos.
Nesse aspecto, a proposta desta pesquisa é visualizar a questão da utilização da
biblioteca pelos usuários, considerando impacto da ausência desta, como apoio às atividades
discentes, tendo como objeto os alunos do curso Superior Tecnólogo em Análise e
Desenvolvimento de Sistemas e investigar a não utilização por uma parte de alunos, se
desconhecem a existência da biblioteca, ou conhecendo, se utilizam de outras fontes. Esta
pesquisa também será importante para estreitar o relacionamento entre aluno/biblioteca,
melhorando o canal de comunicação entre as partes envolvidas no processo.

2 Revisão de literatura
Segundo Cunha (1982) o estudo de usuários engloba aspectos multidisciplinares e não
é tão simples definir seu escopo. Na literatura biblioteconômica que trata dessa temática, é
identificada uma diversidade de definições. Wilson-Davis apud Bastos (1982) considera as
seguintes definições, que mais se aproximam do contexto, consideradas como mais
completas:
- “estudo sobre as fontes que comunicam mensagens através de canais aos receptores (S.
Herner&amp; M. Herner);
- estudo de quem diz o que para alguém através de que meios e com que efeito (Peter Mann);
- estudo de quem demanda (ou necessita, ou recebe) o que de alguém e para que (WilsonDavis)”.
O termo estudo de usuário surgiu em 1960. Anteriormente, esteve incluído dentro de
um grande assunto denominado “levantamento bibliográfico” (librarysurvey). Segundo Line
(1967) apud Cunha (1982) levantamento bibliográfico é “coleção sistemática de dados
concernentes a bibliotecas, suas atividades, operações, pessoal, uso e usuário, num dado
tempo ou período de tempo”.
Ao traçar a evolução histórica dos levantamentos bibliográficos, Lancaster (1973)
apud Cunha (1982), afirma que a pesquisa pioneira remonta do ano de 1876, quando o
relatório Publiclibreries in the United States divulgou fatos e dados estatísticos sobre as
bibliotecas públicas norte-americanas.
Considerando o contexto, as pesquisas de usuários foram se transformando de uma
simples descrição para uma postura mais analítica e avaliativa. Pesquisas evidenciam que os
estudos de usuários passaram a fazer parte do planejamento bibliotecário, sendo consideradas
importantes ferramentas para a gestão das unidades de informação, por meio do diagnóstico

2697

�para a melhoria dos serviços, avaliando-se acervos, catálogos, periódicos, disposição física
das estantes, dos programas de instrução bibliográfica, entre outros. Figueiredo (1994) afirma
que estudos de usuários são importantes canais de comunicação estabelecidos entre usuários e
a biblioteca. De acordo com Lancaster (2004, p. 1), os estudos partiram da compreensão dos
usuários para a compreensão dos usos para, destes, identificar e medir os fatores relacionados
com os acervos, os catálogos, os programas de instrução bibliográfica. Na concepção de Dias
(2004, p. 11) “o estudo de usuários é uma investigação que objetiva identificar, e caracterizar,
os interesses, as necessidades e os hábitos de uso de informação de usuários reais e/ou
potenciais de um sistema de informação”. Tais definições permitem consolidar o
relacionamento entre Bibliotecário e usuários reais, ou seja, os que utilizam a biblioteca e seus
serviços, bem como atrair os usuários potenciais.
Nesse sentido, os estudos passaram a ser utilizados para se obter mais conhecimento
sobre as fontes, os serviços e os sistemas de informação, norteando ações para auxiliar na
previsão de demandas e alocação de recursos impactando na melhoria dos serviços prestados.

3 Materiais e métodos
Pesquisar requer investigação e estudo sistêmico de uma realidade em observação.
Busca-se encontrar respostas para um determinado problema, conhecer ou aprofundar um
determinado tema. Segundo Andrade (2010, p. 117), pesquisa é o conjunto de procedimentos
sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para
problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos.
A pesquisa desenvolvida caracteriza-se como bibliográfica e estudo de caso, onde se
avaliou por meio da aplicação de questionários, a questão da utilização da Biblioteca do
IFTM Câmpus Patrocínio, compreendendo desta forma, um estudo de usuários. Determinarse-á como universo da pesquisa os alunos do curso Superior de Análise de Desenvolvimento
de Sistemas e professores que ministram disciplinas no referido curso. A técnica de coleta de
dados utilizada foi aplicação de questionários impressos aos alunos regularmente
matriculados, durante todo o mês de outubro/2013. Os questionários foram estruturados com
perguntas abertas e fechadas. Foram entregues formulários distintos, para se determinar os
usuários reais, ou seja, os que utilizam os serviços da biblioteca e um questionário comum a
todos os alunos, a fim de se identificar dentre este público, os alunos que não utilizavam a
biblioteca e o porquê.
Os dados de alunos matriculados no período, informação repassada setor de Cadastro e
Registro Acadêmico (CRCA) correspondiam a 112 alunos. No entanto, o número de alunos

2698

�frequentes era de aproximadamente 90. Foram aplicados um total de 75 questionários, do 1°
ao 6° períodos, 22 questionários aos alunos que utilizavam de fato os serviços da biblioteca, e
9 questionários aos professores do referido curso. Todos analisados com o objetivo de
identificar o perfil do nosso aluno. Os resultados serão apresentados a seguir, por meio de
gráficos.

4 Resultados parciais/finais
No primeiro momento, procurou-se identificar a questão da utilização da biblioteca, e
sua frequência, considerando os usuários reais. Observa-se no Gráfico 1, que um número
significativo de alunos responderam nunca terem utilizado a biblioteca. Diante das respostas
encontradas quanto à não utilização, exemplificado no Gráfico 2 o número de alunos que não
possui hábito de frequentar bibliotecas é pequeno. Em contrapartida, observa-se que muitos
alunos preferem internet à utilização da biblioteca. Quanto à utilização de livros e outros
materiais disponíveis em casa, não houve registro desta opção. Quanto à frequência de
utilização, como pode ser verificado no gráfico 3, é significativo o índice de alunos que
disseram frequentar a biblioteca às vezes, contrapondo-se com as outras respostas, o que
identifica a falta de hábito por parte da maioria dos alunos.
Avaliando-se tais dados, pode-se justificar a baixa utilização, em virtude da falta de
sinalização adequada, ausência de políticas de divulgação mais efetiva. É de suma
importância se avaliar tal questão, pois identifica e reporta-nos se os alunos reconhecem a
biblioteca como essencial e indispensável no desenvolvimento das atividades acadêmicas.

Gráfico 1: Utilização da Biblioteca

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

2699

�Gráfico 2:Quanto à utilização efetiva

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Gráfico 3 - Frequência de utilização

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Gráfico 4: Quanto à necessidade de utilização

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Em relação à necessidade de utilização, atentamos quanto à necessidade do uso. Neste
aspecto, procurou-se observar os principais motivos para que eles utilizassem a biblioteca. A

2700

�maior parte dos alunos respondeu que utilizava os serviços da biblioteca, sobretudo os
empréstimos, sempre quando tinham atividades para serem realizadas, com o apoio do livro.
Com relação à questão “Quando preciso estudar para a realização de provas” vários alunos
responderam à mesma; quanto à outra questão “Para aprofundar meus conhecimentos” houve
um número significativo de respostas. Contudo, a opção “Não utilizo”, foi alarmante, e
novamente reforça a importância de se realizarem campanhas de utilização e marketing
bibliotecário.
Posteriormente, procurou-se identificar dentre os usuários reais se as necessidades
estavam sendo atendidas.

O gráfico 5, demonstra a questão da utilização e auxílio da

biblioteca quanto à aquisição de informações e aprofundamento do conhecimento dos alunos.
Dentre os 22 questionários aplicados, 19 usuários responderam sempre e 3 responderam às
vezes, podendo-se comprovar que o nível de satisfação é alto, quanto aos materiais
disponibilizados na biblioteca.

O gráfico 6, demonstra o atendimento às necessidades

informacionais: 17 alunos responderam que os livros sempre atendem suas necessidades
informacionais. 5 alunos, responderam Às vezes. No gráfico 7, os usuários reais foram
questionados se os livros disponíveis na biblioteca estavam sendo úteis para sanar dúvidas
sobretudo nas disciplinas com maior grau de dificuldade. Dentre as respostas obtidas: 19
responderam Sempre e 3 usuários responderam Às vezes.

Gráfico 5: Usuário real

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

2701

�Gráfico 6: Atendimento quanto às necessidades informacionais

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Gráfico 7 -Quanto à utilização dos livros

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Em relação às respostas abertas obtidas do questionário aplicado aos alunos
considerados usuários reais, percebeu-se uma satisfação quanto à questão da interferência
positiva no conhecimento e avanço no processo de aprendizagem frente à utilização da
biblioteca, conforme respostas ilustradas abaixo:

“Maiorfacilidade na obtenção do conhecimento”;
“Com a vinda/implantação da biblioteca, tornou-se mais fácil assimilar disciplinas mais
teóricas. A biblioteca oferece suporte às atividades práticas”;
“Nenhuma transformação interferiu negativamente em meus conhecimentos; e sim
positivamente houve uma interferência positiva, pela boa organização e agilidade na procura
do livro”;

2702

�“A biblioteca me ajudou a eliminar dúvidas e também adquirir conhecimentos adicionais ”;

“Com o uso da biblioteca, foi possível obter informações mais aprofundadas sobre o
conteúdo visto e sala”;
“Facilidade de entendimento em novos estilos de linguagens abordadas no curso”;
“Referente à disciplina de algoritmos, utilizei alguns livros para resolver exercícios e
aprimorar os conhecimentos adquiridos em sala”;
“Com a biblioteca ativa, posso pegar livros emprestados e tirar muitas dúvidas que às vezes
a internet não supre ”;
“O acervo conta com obras diferentes para ao mesmo tema. Isto possibilita ter opiniões e
visões diferentes que ajudam a preencher as lacunas que zeram dúvidas”;
Ao serem questionados sobre a importância do uso da biblioteca para melhoria de
sua formação profissional, obtiveram-se as seguintes respostas:
“Aprofundar em áreas que tenho maior interesse e vocação”;
“A bibliotecafonte de informação útil e confiável que vou precisar ”;
“Adquirir conhecimento e conseguir apreender sem estar dentro de uma sala de aula”;
“Extremamente relevante. O auxílio é fundamental para o crescimento profissional”;
“Extrema importância; a leitura e a busca a aprendizado são essenciais para um bom futuro
profissional e nos livros encontro facilidades para isso ocorra”.

No segundo momento da pesquisa, procurou-se verificar a questão da utilização pelos
professores. Entende-se que o professor é um grande motivador no incentivo ao hábito da
leitura, bem como a utilização da Biblioteca aos alunos. Os questionários foram aplicados
para 9 docentes do curso ADS. Ao serem questionados sobre a utilização da biblioteca do
Câmpus, 8 responderam positivamente, conforme ilustrado no Gráfico 8 e 1 docente, apenas,
respondeu não pelo fato de utilizar a internet. No gráfico 9, o qual representa as razões ou
motivos para a utilização, 7 docentes responderam que utilizam o serviço de empréstimo de
livros. Neste sentido, pressupõe-se que há uma efetiva utilização por parte dos professores
entrevistados.

2703

�Gráfico 8: Utilização da Biblioteca

Fonte: Elaborado pela autora, 2014

Gráfico 9: Razões para utilização

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Gráfico 10: Razões para não utilizá-la

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Em relação ao questionamento sobre o conhecimento da bibliografia do curso e sua
disponibilização na biblioteca, todos os professores responderam positivamente (Gráfico 11).
Importante ressaltar que apesar de a biblioteca estar em fase de informatização, foi
encaminhada uma listagem contendo todo o acervo bibliográfico. Sobre a participação na
Política de Desenvolvimento e Atualização do Acervo, 5 professores afirmaram que
participam do processo, 4 professores responderam negativamente ao questionamento.

2704

�Gráfico 11: Conhecimento sobre a bibliografia disponível

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Gráfico 12: Participação na Política de Desenvolvimento e Atualização do Acervo

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Os Gráficos 13 e 14 ilustram as respostas obtidas sobre a importância da biblioteca no
processo de ensino aprendizagem dos alunos e se há o incentivo quanto à utilização efetiva
Dentre os 9 professores questionados, 7 responderam imprescindível e 2 muito útil,

em

relação ao primeiro e 8 disseram incentivar a utilização da biblioteca.

Gráfico 13: Importância da Biblioteca

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

2705

�Gráfico 14: Incentivo ao hábito da leitura e utilização da Biblioteca

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

Finalmente, os docentes foram questionados sobre a forma do incentivo. Analisando
este aspecto da pesquisa, e considerando os materiais disponíveis na Biblioteca, percebeu-se a
otimização dos serviços da biblioteca, pelos professores, indicando livros constantes na
bibliografia básica, disponíveis na Biblioteca bem como aplicando avaliações e trabalhos aos
alunos, conforme representado no Gráfico 15.

Gráfico 15: Como se dá o incentivo

Fonte: Elaborado pela autora, 2014.

5 Considerações parciais/finais
O presente estudo foi relevante para a verificação da utilização da biblioteca do
Câmpus Patrocínio, pelos alunos do ADS. Identificamos que a mesma, não é satisfatória, pois
o número de usuários que dela fazem uso ainda é ínfimo em relação ao quantitativo de alunos
regularmente frequentes. Em contrapartida, observou-se um índice alto de utilização por parte
dos professores.
Para que haja melhoria no atendimento pelos usuários potenciais, medidas pontuais
serão propostas como ampliação do horário de funcionamento, melhoria na sinalização da

2706

�biblioteca e divulgação dos serviços prestados, por meio da criação de blogs ou redes sociais,
promoção de eventos culturais, treinamento de usuários.
A biblioteca é parte integrante do processo educativo. Contudo, muitas vezes não é
reconhecida como tal. Este trabalho representa um ponto de partida para que o profissional
bibliotecário trace estratégias para buscar novos usuários reais, e para um despertar da
importância da biblioteca no ambiente escolar. Outros estudos serão aplicados visando incluir
os demais alunos dos outros cursos. Os resultados serão apresentados em outro momento.

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Os estudos de necessidades e usos da informação integram a literatura da ciência da informação, oferecendo estratégias que norteiam a prática profissional do bibliotecário, no sentido de identificar as reais necessidades de seu público. Pesquisas evidenciam que os estudos de usuários passaram a fazer parte do planejamento bibliotecário, sendo consideradas importantes ferramentas para a gestão das unidades de informação, por meio do diagnóstico para a melhoria dos serviços, avaliando-se acervos, catálogos, periódicos, disposição física das estantes, dos programas de instrução bibliográfica, entre outros. O estudo realizado na Biblioteca do IFTM Câmpus Patrocínio tratou de maneira qualitativa os dados obtidos através da aplicação de questionários aos alunos do Curso Superior Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Analisou-se a satisfação dos alunos, considerando-os como usuários reaise suas necessidades. Investigou-se também a não utilização, considerando uma maioria de alunos, a fim de identificar as causas reais. Sabe-se que os professores assumem papel importante na promoção e utilização da Biblioteca. Verificou-se nesse aspecto, que os professores do Câmpus incentivam o uso da biblioteca em suas atividades docentes. A pesquisa possibilitou identificar como os alunos percebem o acervo, pertinência ao curso ofertado, acesso, espaço físico da Biblioteca do IFTM Câmpus Patrocínio. Concluiu-se que há uma necessidade premente de se realizar ações para a melhoria do atendimento da biblioteca, bem como criar políticas de acesso e incentivo à utilização, afim de melhorar as estatísticas dos que não fazem uso.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MEDIAÇÃO DOCUMENTÁRIA NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ESTUDO
COMPARATIVO BRASIL/FRANÇA
Martha Suzana Cabral Nunes
Kátia de Carvalho
Viviane Couzinet
RESUMO
Este trabalho teve como objetivo compreender a realidade das bibliotecas universitárias na
França e no Brasil. Com base no atual contexto internacional que promete a "sociedade da
informação", o estudo aqui proposto compreende uma pesquisa exploratória, a qual busca
esclarecer os respectivos contextos entre os dois países a fim de analisar os primeiros
elementos de um estudo comparativo sobre a mediação no âmbito das bibliotecas
universitárias francesas e brasileiras. Este projeto faz parte de uma pesquisa de doutorado que
envolve uma universidade brasileira e um laboratório francês e se baseia em uma rede de
pesquisadores franco-brasileiros ligados a instituições de ensino e pesquisa nos dois países e
criada a partir de pesquisas em ciências humanas e sociais.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; informação; mediação; treinamento de usuários.

ABSTRACT
This study aimed to understand the reality of university libraries in France and Brazil. Based
on the current international context that promises "information society", the study proposed
here comprises an exploratory research, which seeks to clarify the respective contexts
between the two countries in order to analyze the first elements of a comparative study on
mediation in context of university libraries in France and Brazil. This project is part of a
doctoral research, which involves a Brazilian university and a French laboratory and relies on
a network of French-Brazilian researchers linked to research and educational institutions in
the two countries and created from research in the humanities and social.
Keywords: University Library; information; mediation; training users.

1 INTRODUÇÃO
A formação de usuários das bibliotecas compreende uma das missões dos profissionais
da informação. Na França ela suscita numerosas pesquisas em Ciência da Informação e
Comunicação, mas também no campo da Educação. Tais pesquisas demonstram, a partir da
observação de coortes de estudantes, que a inserção nos cursos universitários de atividades

2925

�voltadas para a iniciação em recuperação e uso da informação foi fator de sucesso entre eles.
(COULON, 1993).
A American Library Association (ALA) produziu recomendações para destacar as
seções de aprendizagem nas bibliotecas que servem como modelo ou inspiram os
bibliotecários em escala internacional, mas que são aplicadas de maneiras diversas. Ora, no
contexto atual onde se pretende uma “sociedade da informação”, mantêm-se a confusão entre
acesso generalizado feito pelas redes digitais e a prática da exploração da informação. Que
esperam as autoridades universitárias dos profissionais da informação, bibliotecários e
documentalistas, produtores de ferramentas intermediárias (análises, catálogos)? Qual
mediação documentária esses últimos asseguram aos usuários? Como se configuram nas
universidades os espaços de mediação documentária como as bibliotecas?
Essa problemática preliminar serve para explorar tais questionamentos com o objetivo
de compreender a realidade das bibliotecas universitárias na França e no Brasil a fim de
elaborar uma hipótese geral que orienta uma pesquisa de doutorado em Ciência da
Informação. Tal pesquisa deverá precisar, a posteriori, o modelo francês de formação dos
usuários para compará-lo com o modelo brasileiro. Esta investigação, donde a parte
exploratória se apresenta aqui, inscreve-se nas temáticas de pesquisa da rede Mediação e Usos
Sociais dos Saberes e Informação (MUSSI) de pesquisadores franco-brasileiros em
cooperação com o Laboratório de Estudos e de Pesquisa Aplicada em Ciências Sociais da
Universidade e do Instituto de Tecnologia Paul Sabatier (LERASS/UPS-IUT), e o Programa
de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia
(PPGCI/UFBA).
Após precisar os conceitos empregados e ter descrito o contexto dos dois países em
questão, uma apresentação do conjunto de dados pesquisados até o momento nos documentos
oficiais, para esta fase preliminar, servirá para aprofundar o questionamento e para definir o
fio condutor da pesquisa.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Informação, documento e Ciência da Informação
Segundo o Dictionnaire encyclopédique de l ’information et de la documentation o
termo informação é definido como “o registro do conhecimento com o objetivo de sua
transmissão” (CACALY et al., 1997, p.297, tradução nossa). Essa definição implica que esse
conhecimento esteja inscrito sobre um suporte e dotado de uma representação capaz de
reproduzir o real de maneira simbólica.

2926

�A informação é considerada como elemento fundamental da sociedade da informação
e do conhecimento, cuja importância é ressaltada por impulsionar o desenvolvimento
econômico e social, agregando valor a quem a possui, seja pessoa física ou jurídica. Porém, a
essa visão sobre a informação vem sendo agregada outra que advém de pesquisas e estudos
que a consideram não como elemento isolado, mas como pertencente ao processo
comunicacional, o qual mobiliza diferentes elementos, processo este que está inserido num
contexto social, que é dinâmico e que tem modificado também o perfil dos profissionais da
informação.
Para Jean Meyriat, um dos fundadores da Ciência da Informação e Comunicação (SIC)
na França, a informação é um “connaissance transmise et acquise, constitutive de savoirs”. O
autor destaca o valor comunicacional da informação e sua importância para a pesquisa em
SIC, por considerar o processo no qual ela se insere que leva à aquisição de conhecimentos
não apenas num movimento mecânico, mas por meio dos sentidos que nela estão implicados e
que são decifrados pelos atores na comunicação. Diferentemente de renseignement
(informação), cuja utilidade é imediata, Meyriat aponta para a utilidade durável da
informação, indispensável por definir como o conhecimento será adquirido. (MEYRIAT,
1981).
Conforme Senie-Demeurisse e Couzinet, a noção de informação apresenta-se sob duas
vertentes: uma voltada para a ótica da prática profissional, e outra como o conjunto de
conhecimentos a serem transmitidos. Baseando-se em Jean Meyriat, as autoras destacam o
conceito de informação e seu valor comunicacional, pois, em sua visão, a informação não tem
nenhum efeito se não for efetivamente apreendida. Ela deve ser capaz de modificar o saber de
quem a recebe, seja implícita ou explicitamente. (SENIE-DEMEURISSE; COUZINET, 2011,
p.21)
Ao discutir o passado, o presente e o futuro da noção de informação, Rafael Capurro
(2008) analisa etimologicamente a origem do termo, identificando uma dimensão passada,
cuja época reporta-se à Grécia antiga e aos filósofos gregos, demonstrando a importância da
ontologia e epistemologia grega para o entendimento do termo informação. Nesta etapa, a
informação está ligada não apenas aos discursos orais, mas também aos documentos oficiais
escritos e de acesso público. Para demarcar a informação no tempo presente, o autor aponta o
surgimento da sociedade da informação a partir da segunda guerra mundial, destacando a
informação como um elemento fundamental para o funcionamento da sociedade, da mesma
forma que o capital, o trabalho e as matérias primas. Nessa perspectiva, a informação é o novo
motor da sociedade, e daí decorre o sentido objetivo empregado à informação na era moderna

2927

�(tempo presente). Para o futuro, a noção de informação ainda requer uma maior
sustentabilidade, principalmente considerando a apropriação dada a este conceito pela Ciência
da Informação. Para tanto, ele destaca o princípio da recursividade introduzido por Sócrates
como fundamental para a noção atual de informação. Destaca também, o conceito de
mensagem, e em especial as mensagens digitais e o perigo de restringir o conceito de
informação apenas como recurso necessário para a transmissão de mensagens.
Em se tratando do documento, Paul Otlet o compreende como “o suporte de uma certa
matéria e dimensão [...] ao qual são apresentados os signos representativos de dados
intelectuais”. (OTLET, 1989, p. 211, tradução nossa).
Já Meyrat (1981, p. 143, tradução nossa) define documento como um “objeto que
suporta a informação, que serve para comunicá-la, e que é durável”. Nessa definição, é
possível identificar dois aspectos intrínsecos: um que trata o documento como suporte em sua
dimensão material, e o outro que o insere no processo comunicacional, a partir do conteúdo
que ele porta, ou seja, a informação.
Desta forma, é no âmbito da Ciência da Informação que a informação e o documento
ocupam lugar de destaque por estarem presentes no processo comunicacional. Para gerar
conhecimento, a informação requer que alguém lhe dê sentido, lhe transforme de um estado
latente para um estado ativo propício à apropriação de conteúdos. Esse processo, que se dá
por meio da comunicação, realiza-se a partir de mecanismos que são capazes de promover a
mediação da informação, daquele que a criou para aquele que dela necessita. Analisando
sobre esse ponto de vista, vê-se a importância do profissional da informação e da biblioteca
universitária na construção do conhecimento individual e coletivo por meio da mediação
documentária, a qual será explorada conceitualmente a seguir.

2.2 Mediação Documentária
A mediação implica em intervenção, e aparece nos dicionários ligada ao ato ou efeito
de mediar, termo também utilizado no jargão do Direito para significar as situações que
envolvem intervenção judicial.
Na Ciência da Informação, a discussão sobre a mediação tem se inserido no bojo das
mudanças pelas quais esse campo vem observando, principalmente relativas às preocupações
de profissionais e pesquisadores com os estudos de usuários. Essas mudanças, segundo
Couzinet, convergem para a análise de vários aspectos, como a formação profissional, o
fortalecimento das associações profissionais e dos veículos de difusão das pesquisas, dentre
eles as revistas científicas, como espaços de mediação híbrida onde circulam profissionais e

2928

�pesquisadores em busca de fortalecimento para suas atividades. Observa-se, assim, uma
mudança de paradigma, o qual caminha agora para identificar o usuário como ator no seu
contexto de aprendizagem e pesquisa, transpondo-se um paradigma centrado no sistema
propriamente dito para outro paradigma orientado para o indivíduo, destacando a capacidade
do usuário em selecionar a informação e tratá-la, e relacioná-la com outro conjunto de
conhecimentos, e por fim, construir sua própria cultura da informação. (COUZINET, 2008).
Uma das correntes que trata sobre a mediação foi fundada por Reuven Feuerstein. Para
ele, a mediação ocorre a partir de um processo de interação entre o mediador e o mediado,
mas levando em consideração os aspectos cognitivos que envolvem esses dois sujeitos,
integrando as experiências de mundo, mas também a aprendizagem mediada. Conforme
Souza:
A aprendizagem mediada é o caminho pelo qual os estímulos são
transformados pelo mediador, guiado por suas intenções, intuições, emoções
e cultura. O mediador seleciona os estímulos mais apropriados, filtra-os,
elabora esquemas, amplia alguns, ignora outros. É por meio desse processo
de mediação que a estrutura cognitiva da criança adquire padrões de
comportamento que determinarão sua capacidade de ser modificada.
(SOUZA, 2004, p.41)
Ampliando a proposta de aprendizagem Piagetiana, a qual é considerada como
“aprendizagem direta” por ocorrer a partir da resposta do homem aos estímulos do ambiente
de maneira incidental, Feuerstein propõe um esquema de aprendizagem não incidental, que
parte da relação interpessoal entre os sujeitos, onde o mediador possui um papel primordial na
experiência de aprendizagem do mediado, pois ele “[...] seleciona, assinala, organiza e planeja
o aparecimento do estímulo, de acordo com a situação estabelecida por ele e com a meta de
interação desejada.”. (SOUZA, 2004, p.40).
No esquema que Feuerstein propõe para a mediação, “[...] o mediador aparece em dois
momentos: primeiramente entre o estímulo (S) e o organismo (O) e depois entre o organismo
(O) e a resposta (R)”. Desse modo, a mediação combina as experiências adquiridas com a
interação ao ambiente, mas também é decorrente da aprendizagem mediada. (SOUZA, 2004,
p.39)
Essa aprendizagem pode ser desenvolvida em diferentes ambientes, assim como nas
bibliotecas, onde a interação do bibliotecário com o usuário se faz necessária para a plena
disseminação da informação, papel preponderante na atuação desse profissional.
Régimbau (2011) descreve a mediação como um dos conceitos fundamentais do
domínio da Ciência da Informação, como uma conjunção de etapas utilizadas no processo de

2929

�recuperação da informação. Ampliando a noção que considera a mediação como um
movimento mecânico entre emissor e receptor, o autor explora o conceito de mediação
documentária, sublinhando que ele é compreendido no processo de comunicação e que ele
tem por objeto o utilizador, as ideias, o contexto técnico, o conteúdo e a prática (social e
econômica). Neste sentido, ele explica a importância de Otlet a partir de 1934, o qual deu ao
documento seu valor social.
Tratando a informação em sua esfera documentária, Courbières destaca que a
abordagem documentária na Ciência da Informação não se constrói dissociando-se a noção de
signo e significado que envolve a informação, mas envolve a representação que permeia o
processo de comunicação documentária, o qual é capaz de transformar a informação
midiática, mesmo em sua interface virtual, em informação especializada. (COURBIÈRES,
2010)
Esses autores e outros, que têm lançado seu olhar sobre o documento e sua função
social, estabelecem uma ligação direta com a mediação. Assim, o papel do profissional da
informação é colocado em evidência por sua capacidade de conduzir, por meio de sua prática
profissional, o processo de mediação.
Como a mediação documentária intervém na formação dos usuários das bibliotecas
universitárias? Podemos perceber práticas de mediação diferentes entre Brasil e França? Para
responder a essas questões é preciso definir o contexto no qual ela se desenvolve nesses dois
países e definir como esse assunto será explorado.

2.3 Bibliotecas universitárias
Ao longo da sua história, as bibliotecas foram evoluindo e adaptando-se às mudanças
que estabeleceram suas características e seu papel social. Elas estão ligadas historicamente ao
desenvolvimento humano e social, e neste sentido também exercem uma importante tarefa
para a mediação da informação, acompanhando não apenas a evolução da produção escrita e
da circulação do conhecimento, mas também a evolução tecnológica que favorece o processo
comunicacional.
No âmbito das bibliotecas, as classificações são variadas, e dentre elas estão as
bibliotecas universitárias. Elas são ligadas a instituições de ensino superior, e estão voltadas a
atender às necessidades de todos os membros da comunidade acadêmica da qual fazem parte,
mas num processo dinâmico, onde cada uma de suas atividades não é desenvolvida de
maneira estática e mecânica, mas com o intuito de agir interativamente para ampliar o acesso
à informação e contribuir para a missão da universidade.

2930

�Segundo Otlet uma biblioteca universitária se destina aos estudantes, aos professores,
aos especialistas e aos pesquisadores. Além delas, as bibliotecas científicas se organizam
dentro de institutos de pesquisa. (OTLET, 1989, p.341, tradução nossa).
As bibliotecas universitárias foram sendo criadas à medida que as primeiras
universidades foram surgindo desde o fim do século XI, tais como as de Bolonha, Paris e
Oxford. Porém, segundo Barbier (2013, p. 88), elas não forneciam os serviços necessários aos
alunos e mestres, que muitas vezes usavam as bibliotecas das abadias e das escolas
monásticas, como as bibliotecas das ordens dos Dominicanos e dos Franciscanos, a fim de
atender suas necessidades.
Segundo Santos, Gomes e Duarte, a biblioteca é um espaço de interação, próprio para
o desenvolvimento intelectual dos membros da comunidade acadêmica na medida em que:
[...] favorece o processo dialógico entre sujeitos, seja em um mesmo
momento histórico, com os debates e trocas de informações que podem
ocorrer em seus espaços físicos e/ou virtuais, ou ainda em tempos históricos
distintos, quando os usuários da informação têm acesso aos conhecimentos
registrados. (SANTOS; GOMES; DUARTE, 2014)
Nesta perspectiva, as bibliotecas universitárias favorecem a aprendizagem dos
estudantes, não apenas oferecendo o conhecimento que está acumulado nos diversos
documentos os quais ela administra, mas também a partir de ações concretas que visam
otimizar o desenvolvimento de estudantes e de equipes de pesquisadores no espaço
informacional, através de ações de ensino e aprendizagem.
Santos destaca que as bibliotecas universitárias funcionam mais do que simples
espaços de busca de informação, mas em todas as etapas de sua atividade está implícito o
objetivo de “favorecer o crescimento social e cognitivo dos sujeitos”. Desta forma, seja
através da organização, representação, disseminação e uso da informação, as bibliotecas
universitárias facilitam o acesso à informação e contribuem para que os sujeitos que a buscam
possam se apropriar dos recursos informacionais que ela gerencia. (SANTOS, 2012).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Este trabalho apresenta uma pesquisa de doutorado sanduíche que vem sendo
desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade
Federal da Bahia (PPGCI/UFBA) e no Laboratório de Estudos e de Pesquisa Aplicada em
Ciências Sociais da Universidade e do Instituto de Tecnologia Paul Sabatier (LERASS/UPSIUT).

2931

�Caracteriza-se como pesquisa exploratória e documental, que se utiliza nesta fase de
documentos escritos, primários e secundários, consultados em bases de dados e centros de
documentação no Brasil e na França.
Prevê a realização de entrevistas em Serviços Comuns de Documentação na França e a
aplicação, posterior, de questionários junto às bibliotecas universitárias brasileiras.

4 RESULTADOS PARCIAIS
4.1 Contexto das bibliotecas universitárias francesas
A tradição francesa para as bibliotecas ligadas às universidades data do antigo regime.
Todavia, a expressão “biblioteca universitária” foi utilizada a partir do século XIX e seus
primeiros regulamentos foram estabelecidos em 1855.
Segundo Casseyre e Gaillard, as primeiras bibliotecas universitárias francesas foram
oficialmente criadas por decisão ministerial de 18 de março de 1855, que instituiu uma
biblioteca central em cada universidade, denominada de biblioteca da academia, e com o
objetivo de reagrupar em um só espaço as bibliotecas especiais das diferentes faculdades. Em
1886, outra decisão ministerial substituiu a anterior prevendo a criação de um regulamento
geral das bibliotecas universitárias, cujo texto contemplava seu orçamento, a comissão da
biblioteca, o regime de aquisições, o serviço de leitura, o empréstimo a domicílio e entre
bibliotecas. Tais características forneceram as bases para as bibliotecas universitárias ao longo
do século XX, até 1962. (CASSEYRE; GAILLARD, 1992, p.7-8)
Em 1945, ano da criação da Direction des bibliothèques de France et de la lecture
publique (DBLP), o gerenciamento das bibliotecas passou a ser realizado por um escritório da
Direção de Ensino Superior, e a DBLP disponibilizava os meios e pessoal responsáveis por
desenvolver uma política no domínio das bibliotecas e da leitura pública.

(CASSEYRE;

GAILLARD, 1992, p.8)
Em 1968, a Lei Faure (n. 68-978 de 12 de novembro de 1968) promoveu uma reforma
no âmbito das universidades, onde foi priorizada a autonomia universitária e criado o
Conselho Universitário, do qual passaram a participar representantes dos estudantes, dos
técnicos, e outros membros da comunidade universitária interna e externa. Essa lei favoreceu
igualmente a integração das atividades de ensino e de pesquisa. Para atingir seus objetivos de
elaboração e transmissão do conhecimento, do desenvolvimento da pesquisa e da formação
dos homens, as universidades deveriam oferecer condições para gestão dos Serviços Comuns
(SC) em diferentes unidades de ensino e pesquisa. Tais serviços estavam diretamente

2932

�relacionados com as bibliotecas universitárias e foram alvo de mudanças realizadas
posteriormente pela Lei Savary. (FRANCE, 1968)
A lei Savary n. 84-52 de 26 de janeiro de 1984 foi marcada pela criação da noção de
serviço público de ensino superior que visou reagrupar os diferentes cursos e fixar quatro
missões: formação inicial e contínua, pesquisa científica, difusão da cultura científica e
técnica, cooperação internacional. Nela também se constata a ênfase na organização de
Serviços Comuns, que sejam capazes de assegurar a organização das bibliotecas e dos centros
de documentação nas universidades, o desenvolvimento da formação permanente, o
acolhimento, a informação e orientação dos estudantes, além da exploração de atividades
industriais e comerciais. (FRANCE, 1984).
Mas, tratando-se especificamente das bibliotecas universitárias francesas, dois
decretos são importantes: o decreto 85-694 de 4 de julho de 1985 e o decreto 2011-996 de 23
de agosto de 2011. O primeiro, baseado na lei Savary, estabeleceu os parâmetros da atividade
do Serviço Comum de Documentação (SCD), criado por deliberação estatutária do Conselho
de Administração da Universidade a fim de colocar em prática a política documentária do
estabelecimento. O segundo decreto, referindo-se ao Código de Educação, prevê que as
bibliotecas universitárias contribuam para as atividades de formação e de pesquisa do ensino
superior. As bibliotecas universitárias devem, assim, colocar em prática a política
documentária da instituição e, por conseguinte, preocupar-se não somente com o acolhimento
dos usuários, mas também em adquirir, gerir e transmitir os documentos e os recursos de
informação ao seu público. (FRANCE, 2010, 2011)
Além disso, elas devem permitir o desenvolvimento dos recursos documentários
digitais, incentivar aos usuários a participar de atividades culturais, científicas e técnicas da
universidade, promover a cooperação entre as bibliotecas e formar os usuários para utilização
de novas técnicas de acesso à informação científica e técnica.
Porém, um dos documentos mais impactantes para a modernização das bibliotecas
universitárias francesas é o relatório conhecido como Rapport Miquel, originalmente
denominado “Les bibliothèques universitaires” e publicado em 1989 a partir do trabalho de
uma comissão dirigida por André Miquel344 e endereçado ao Ministro da Educação Superior
Lionel Jospin durante o governo de François Mitterand, cuja política mostrava-se a favor das
bibliotecas universitárias e da construção da futura Biblioteca Nacional da França.

344
André Miquel era historiador e recebeu de Leonel Jospin a missão de coordenar uma comissão de
universitários e profissionais das bibliotecas para realizar um panorama da situação das bibliotecas universitárias
francesas e propor soluções aos problemas encontrados. (NEZET, 2009)

2933

�Neste documento, destaca-se a situação caótica na qual se encontravam as bibliotecas
universitárias francesas, considerando-se que havia problemas generalizados e de toda ordem,
principalmente relacionados aos baixos investimentos orçamentários, à carência em relação à
aquisição de obras e formação de coleções, ao quantitativo de pessoal por estudante, aos
horários de abertura das bibliotecas, e espaços disponíveis por estudante. “La situation
d ’ensemble des bibliothèques universitaires s ’est extrêmement dégradée : saturation complète
des capacitès d ’accueil, focntionement des services de plus en plus fondé sur des expédients,
horaires d ’ouverture très insuffisants". (NEZET, 2009).
Todos os problemas que foram detectados pela comissão demonstravam o atraso em
que a França se encontrava em relação a outros países europeus e demandavam medidas
urgentes que pudessem reverter essa situação no curto prazo. Porém, mesmo com a
implantação de planos de construção de bibliotecas ao longo da última década do século XX e
a partir do século XXI (alguns desses planos denominavam-se U2000), observava-se ainda
um progresso lento (NEZET, 2009). Essas observações foram decisivas para a modernização
das bibliotecas universitárias francesas, como será analisado mais adiante.
Uma tipologia particular é atribuída às bibliotecas universitárias francesas. Assim,
conforme o Decreto n. 2011-996, art. 4, “toda biblioteca ou todo centro de documentação da
universidade tem vocação a ser integrado em um serviço comum”. Isso significa que nas
instituições de ensino superior, uma biblioteca é dita integrada ao SCD se seu pessoal e seu
orçamento dependem diretamente deste serviço, e por consequência, da universidade.
(FRANCE, 2011)
Segundo o mesmo artigo do decreto 2011-996, os outros centros de documentação da
universidade que não são a ela integrados são considerados associados ao serviço comum
(SCD). Assim, uma biblioteca associada participa do SCD e de sua política documentária para
acesso a suas coleções e seu catálogo comum, mas depende de um componente da
universidade, que pode ser um instituto de pesquisa ou um laboratório. (FRANCE, 2011)

4.2 Contexto da Biblioteca Universitária Brasileira
No Brasil, a evolução educacional é marcada pela influência advinda da colonização
portuguesa, assim como das correntes pedagógicas que foram se adaptando à realidade da
sociedade brasileira ao longo do tempo. A legislação educacional, acompanhando essa
dinâmica, moldou no século XX o modelo educacional brasileiro, que hoje se apresenta a
partir da oferta de cursos em todo o território nacional, seja em nível de ensino básico, que

2934

�compreende o ensino infantil, fundamental e médio, ou do ensino superior, englobando a
graduação e a pós-graduação.
As bibliotecas começaram a ser criadas no Brasil a partir do período colonial nos
colégios dos jesuítas. A chegada da família real Portuguesa em 1808 ao Rio de Janeiro
marcou um período importante: o príncipe D. João VI trouxe consigo a Biblioteca Real
Portuguesa, instalando-a no Rio de Janeiro, criando, assim, a primeira biblioteca real do
Brasil, atualmente conhecida como Biblioteca Nacional (BN), assim como as academias de
ensino superior, que visavam atender às necessidades de pessoas para ocupar os cargos
públicos. Para formação de seu quadro profissional, organizou-se em 1911 na BN o primeiro
curso para formação de bibliotecários no Brasil.
Ao longo do século XX várias iniciativas foram tomadas visando a elevar o nível de
formação educacional brasileiro como um dos projetos da república. Assim, foram
empreendidas reformas educacionais que visavam aumentar o nível de instrução da população
e para isso foram criadas as primeiras universidades, a exemplo da Universidade de Manaus
em 1909 e da Universidade do Rio de Janeiro em 1920, a qual passou a denominar-se
Universidade do Brasil em 1937, e com elas a criação de suas bibliotecas universitárias.
Uma maior expansão das Bibliotecas Universitárias deu-se a partir do final da década
de 1960 quando ocorreu também o boom da criação de muitas universidades a partir da
junção de faculdades isoladas. Elas passaram a constituir-se como bibliotecas centrais, e
absorveram os acervos das bibliotecas de cada faculdade dispostos num grande prédio, mas ao
longo do tempo, nesse processo de desenvolvimento e crescimento, passaram igualmente a
enfrentar problemas estruturais, tais como a falta de estrutura física e administrativa, a falta de
profissionais capacitados para desenvolvimento dos processos técnicos, principalmente
relativos aos serviços de seleção e referência, dentre outras (MIRANDA, 2006).
Ao fim do século XX, a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (BRASIL, 1996), em seu Capítulo IV, trata dos objetivos, modalidades e critérios
relativos ao ensino superior, destacando que ele deve “encorajar o trabalho de pesquisa e
investigação científica visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e a criação e
difusão da cultura, e assim desenvolver uma compreensão de homem e do meio onde ele
vive”. Para atender esse objetivo, dentre outros, os estabelecimentos de ensino superior,
públicos e privados, deveriam organizar suas bibliotecas mantendo-as à disposição da
comunidade acadêmica, e por isso, a contribuição da biblioteca para a missão da universidade
colocou-se em ordem de relação direta.

2935

�Assim, observa-se que as bibliotecas universitárias têm um papel importante na
difusão do conhecimento, na ampliação do acesso à informação e no apoio à promoção do
ensino e da pesquisa.
O Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), criado por Decreto Presidencial
n.520 de 13 de maio de 1992 como um órgão subordinado diretamente a Fundação Biblioteca
Nacional (FBN), define a biblioteca universitária como uma instituição ligada a uma unidade
de ensino superior, seja pública ou privada, com o objetivo de “apoiar as atividades de ensino,
pesquisa e extensão por meio de seu acervo e dos seus serviços. Atende alunos, professores,
pesquisadores e a comunidade acadêmica em geral.”. (SNBP, s/d)
Conforme Anzolim e Serman (2006), a biblioteca universitária é um órgão que atua
em instituições de ensino superior com a finalidade de oferecer “suporte informacional,
complementando as atividades curriculares dos cursos, oferecendo recursos para facilitar a
pesquisa científica”.
A Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) é responsável no Brasil
por organizar um banco de dados com informações relativas às bibliotecas universitárias
brasileiras. Ela foi criada em 1987 durante a realização do V Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU), após algumas tentativas institucionais de criação de
organismos exclusivamente voltados para o debate a respeito da Biblioteca Universitária, tais
como o Programa Nacional de Bibliotecas Universitárias (PNBU), em 1986, e o Programa
Nacional de Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior (PROBIB), ambos extintos em
1995. (RUSSO, 2003).
A CBBU, vinculada à Federação Brasileira de Bibliotecários, Cientistas da Informação
e Instituições (FEBAB), possui como missão “a elaboração de diagnósticos da situação das
BUs brasileiras, com a finalidade de mapear suas características e disponibilidades visando à
intensificação de intercâmbio e de programas cooperativos entre elas.”. (RUSSO, 2003). Para
tanto, ela organiza uma base de dados denominada BIBES, a qual disponibiliza atualmente
uma relação de 606 bibliotecas universitárias, desde bibliotecas centrais ou setoriais de
instituições de ensino federais, estaduais, institutos federais de tecnologia, vinculados às
universidades públicas ou privadas.
As bibliotecas universitárias são organizadas e dirigidas por bibliotecários, bacharéis
em Biblioteconomia formados em instituições de ensino superior brasileiras, conforme a Lei
N° 9.674, de 25 de Junho de 1998 (BRASIL, 1998), e seu acervo é construído visando atender
às demandas de informação para produção de conhecimento pelos diferentes agentes, sejam
professores, pesquisadores, alunos da graduação ou da pós-graduação.

2936

�Cada Biblioteca Universitária, seja pública ou privada, organiza-se usando como
parâmetro os critérios de avaliação institucional definidos pelo Sistema Nacional de Educação
Superior (SINAES) criado pela Lei n° 10.861, de 14 de abril de 2004 (BRASIL, 2004). Tratase de um sistema responsável pela avaliação das instituições, cursos e estudantes do ensino
superior, considerando os aspectos que giram em torno de eixos principais, tais como o
ensino, a pesquisa, a extensão, a responsabilidade social, o desempenho dos alunos, a gestão
da instituição, o corpo docente, as instalações. Ele avalia, também, as bibliotecas
universitárias, onde são observados critérios como recursos humanos, política de coleções,
estrutura física, recursos de informação e comunicação, serviços aos usuários, dentre outros
aspectos.
Carvalho (2008) analisou o perfil de 96 bibliotecas universitárias brasileiras e concluiu
que a maioria dessas unidades a nível nacional adota uma postura democrática de atendimento
a usuários, porém ainda possui muitos entraves a serem superados, como o quantitativo de
recursos humanos, pois apesar da maior parte possuir o mínimo de 4 bibliotecários para cada
grupo de 10.000 alunos, há muitas bibliotecas com apenas um profissional, o que representa
uma preocupação para o desenvolvimento contínuo dos serviços dessas unidades. Dentre
esses serviços está a educação de usuários, pois alguns problemas são apontados pelos
gestores das bibliotecas como obstáculos tais como a insuficiência de recursos humanos para
dar conta de atividades de aprendizagem junto ao público.
Outrossim, discute-se não apenas o aspecto quantitativo, mas o papel social do
bibliotecário na sociedade da informação, assim como as competências que ele deve
desenvolver para trabalhar eficazmente com a mediação. Trata-se, conforme Carvalho (2002),
de um “humano multifacetado”, cuja formação exige um perfil adequado à transformação no
mundo do trabalho e às exigências de mercado, que alteraram sobremaneira a caracterização
desse profissional, em especial com a difusão das tecnologias da informação.
Observa-se que ainda são muitos os desafios que vivenciam as bibliotecas
universitárias, considerando-se que as discussões desenvolvidas nas esferas acadêmica e
profissional nem sempre encontram eco junto aos poderes públicos, tanto em relação a
investimentos como a continuidade de políticas públicas que deem maior suporte às
bibliotecas universitárias.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Após esta breve descrição da história e das características das bibliotecas
universitárias brasileiras e francesas, é possível identificar as similitudes e as diferenças. O

2937

�denominador comum é a localização em um estabelecimento de ensino e pesquisa, donde sua
missão é fornecer as informações necessárias ao desenvolvimento das atividades de base da
comunidade universitária.
Pode-se, neste estado exploratório, precisar alguns parâmetros a observar. Entretanto,
os documentos disponíveis nos dois países não são idênticos. Para a França um relatório
encomendado pelo Ministério do Ensino Superior e da pesquisa, publicado em janeiro de
2010, apresenta os resultados de um estudo comparativo conduzido entre 26 bibliotecas
universitárias. O corpus estudado se divide da seguinte maneira: 14 bibliotecas são
estrangeiras (11 da Europa, 2 dos Estados Unidos e 1 do Canadá) e 13 são francesas. O
objetivo desse estudo era analisar como a avaliação pode se inserir na avaliação internacional
das universidades. Foram analisados, a partir desse estudo de caso, aspectos diversos tais
como os meios a disposição, os serviços propostos e as estratégias. Pode-se dizer, em resumo,
que as despesas destinadas pelas universidades a sua biblioteca variam de 1,5 a 6,5% de seu
orçamento total. Para algumas, o destaque em relação às despesas documentárias quanto ao
volume de aquisições mostra que esta não é uma despesa prioritária. Por exemplo, no caso das
bibliotecas francesas da Universidade de Sorbonne e da Biblioteca Nacional e Universitária
de Strasbourg, não mais de 100 euros por ano e por estudante são destinados. (FRANCE,
2010)
Porém, muitas questões ainda restam postas: qual o orçamento que as grandes
universidades do Brasil, país emergente, reservam a suas bibliotecas? Como esse orçamento é
dividido entre elas? Pode-se comparar os modos de funcionamento das bibliotecas
universitárias entre os dois países? Como os profissionais são formados para sua missão?
Como eles a preenchem? Além das denominações, bibliotecário, técnico de biblioteca,
documentalista, quais especialidades recobrem cada estatuto? Sabe-se, por exemplo, que
existe na França uma divisão entre o bibliotecário, mais voltado para a conservação, e o
documentalista, mais voltado para a indústria, a pesquisa e a formação. Como essas diferenças
se traduzem na função profissional no Brasil? Quem se encarrega e como é desenvolvida a
formação dos usuários?
Pode-se dizer que este tema, tal como se apresenta, em sua dimensão comparativa, é
rico de questionamentos. É possível interrogar o modelo francês e o brasileiro a fim de
perceber o que os diferencia e lhes dá sua identidade própria. Assim, pode-se definir como
hipótese geral que a maneira de integrar a biblioteca ao seio da universidade, se ela é ligada a
condições financeiras, depende da história e da cultura universitária na qual ela se insere.
Percebe-se que ela está fortemente dependente do contexto nacional, entendido como seu

2938

�desenvolvimento econômico e demográfico e precisa de capacidades de adaptação
importantes. Isso tem consequências sobre a formação dos profissionais e sobre sua
implicação para a mediação e a formação dos usuários. É possível analisar que agora o
bibliotecário pode ser considerado como um ator importante na formação dos estudantes e
que sua preparação deve estar voltada para uma sociedade de matriz informacional e de
compartilhamento de saberes. São as hipóteses que estão ainda em análise.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Nunes, Martha Suzana Cabral, Carvalho, Kátia de, Couzinet, Viviane</text>
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                <text>Este trabalho teve como objetivo compreender a realidade das bibliotecas universitárias na França e no Brasil. Com base no atual contexto internacional que promete a "sociedade da informação", o estudo aqui proposto compreende uma pesquisa exploratória, a qual busca esclarecer os respectivos contextos entre os dois países a fim de analisar os primeiros elementos de um estudo comparativo sobre a mediação no âmbito das bibliotecas universitárias francesas e brasileiras. Este projeto faz parte de uma pesquisa de doutorado que envolve uma universidade brasileira e um laboratório francês e se baseia em uma rede de pesquisadores franco-brasileiros ligados a instituições de ensino e pesquisa nos dois países e criada a partir de pesquisas em ciências humanas e sociais. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

INOVAÇÃO E DISPONIBILIZAÇÃO DE SERVIÇOS NAS BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
Adriana A. Oliveira

RESUMO
A internet e a utilização das tecnologias da informação e comunicação (TICs) trouxeram
novas possibilidades de acesso e oferta de novos serviços e produtos nas bibliotecas. As
TICs vem sendo utilizadas pelas bibliotecas principalmente na organização e disseminação da
informação. As bibliotecas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vem se
apropriando destas tecnologias, atendendo às expectativas de usuários que precisam da
informação sempre disponível. Visando facilitar o acesso à informação, otimizar o uso dos
recursos informacionais impressos e online disponíveis em seu acervo e incentivar a
permanência de usuários nas bibliotecas, o Centro de Difusão do Conhecimento (CDC),
responsável pelas Bibliotecas da UFJF, vem disponibilizando para a comunidade educativa
alguns serviços e produtos que atendem à mobilidade e agilidade fundamentais atualmente.
Este trabalho relata a experiência das Bibliotecas da UFJF na implantação do empréstimo de
tablets e netbooks, disponibilização de rede WI-FI na Biblioteca Universitária (BU), aquisição
de acervo digital, disponibilização dos scanners planetários, empréstimo de acervo impresso
aos alunos de educação a distância, atendimento online e implantação do sistema para geração
automática de ficha catalográfica para TCCs, Teses e Dissertações defendidos na UFJF. Cada
serviço implementado pelo CDC reforça o posicionamento de busca contínua de atendimento
às necessidades dos usuários das Bibliotecas, gera confiança na equipe, demonstrando o
retorno na capacitação contínua e comprometimento da mesma. Faz-se necessária avaliação
da aceitação e uso dos serviços pela comunidade acadêmica para análise dos próximos
investimentos em acervo digital, bem como verificação de adequação. A análise das
estatísticas de uso irá demonstrar a aceitação e satisfação dos usuários, bem como respaldar a
equipe de bibliotecários na tomada de decisão da ampliação do número de computadores
portáteis a serem adquiridos para as demais bibliotecas, aquisição de novos serviços de
informação digital ou renovação dos existentes.
Palavras-Chave: Biblioteca Universitária; Netbooks; Tablets; Livro digital; E-book.

ABSTRACT
The internet and use of information and communication technologies have brought new
possibilities of access and provision of new services and product libraries. The information
and communication technologies is being used by libraries primarily in the organization and
dissemination of information . The libraries of Universidade Federal de Juiz de Fora ( UFJF )
comes appropriating these technologies, meeting the expectations of users who need
information always available . To facilitate access to information, optimize the use of printed
and online information resources available in their collections and encourage the retention of
users in libraries, the Centro de Difusão do Conhecimento ( CDC ) , with responsibility for

2849

�Libraries UFJF comes to providing the community some educational services and products
that meet the basic mobility and agility today. This paper reports the experience of Libraries
UFJF in deploying tablets and netbooks loan, providing WI - FI network in the University
Library ( BU ), acquisition of digital assets, provision of planetary scanners, loan printed
books students of education distance, online services and deployment system for automatic
generation of cataloging data for TCCs , theses and dissertations defended in UFJF. Each
service implemented by CDC strengthens the position of continuously meeting the needs of
users of libraries , generates confidence in the team , demonstrating the return on continuous
development and commitment of same. There needs to review the acceptance and use of
services by the academic community for the analysis of next investments in digital
collections, as well as adequacy finding. The analysis of usage statistics will demonstrate
acceptance and user satisfaction as well as support the team of librarians in making the
decision of increasing the number of laptops to be acquired for the other libraries acquisition
of new digital services information or renovation existing.
Keywords: University Library; Netbooks; Tablets; Digital Book; E-book.

1 INTRODUÇÃO
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) localiza-se na cidade de Juiz de Fora,
na Zona da Mata Mineira. Possui 35 cursos de graduação, 55 cursos de especialização, MBA
e residência, 23 mestrado, e 9 doutorados. A comunidade acadêmica é composta por 18.868
alunos na modalidade presencial, aproximadamente 5.000, do ensino a distância, 989
professores e 1.144 servidores técnico-administrativos.
O Centro de Difusão do Conhecimento (CDC) é o órgão responsável pelas 17
Bibliotecas que compõem o sistema, sendo uma Biblioteca Universitária (central) e 16
bibliotecas espalhadas pelas unidades acadêmicas, Colégio de Aplicação João XXIII, Museu
de Arte Murilo Mendes e duas bibliotecas no Campus Avançado da cidade de Governador
Valadares.
A utilização de tecnologias de informação e comunicação em bibliotecas é algo
relativamente comum quando falamos de tratamento e disponibilização da informação.
Porém, as bibliotecas necessitam, cada vez mais, se apropriar da tecnologia para geração de
produtos que atendam às exigências dos usuários, contribuam para inovação e agreguem valor
aos serviços prestados.
Visando facilitar o acesso à informação, otimizar o uso dos recursos informacionais
impressos e online disponíveis em seu acervo e incentivar a utilização e permanência de
usuários nas Bibliotecas, o CDC vem disponibilizando para a comunidade educativa alguns
serviços e produtos que atendem à mobilidade e agilidade fundamentais atualmente.

2850

�Em recente pesquisa realizada pela UNESCO (2014) demonstra-se o contínuo
aumento do número de pessoas que utilizam seus telefones celulares para leitura de livros.
Percebe-se assim, que a leitura em dispositivos móveis atinge pessoas de diferentes classes
sociais e grau de instrução. Bibliotecas não devem ficar alheias a esta questão e em um
mundo cada vez mais dinâmico, precisam redefinir suas missões, objetivos e metas,
adequando-os às reais necessidades e interesses de seus usuários para que possam atender as
expectativas dos clientes.
Bibliotecas que se apegam aos modelos tradicionais de operação ou
preferem manter o status quo avançarão vagarosamente e laboriosamente
neste século, relacionando-se cada vez menos com seus clientes e, em última
instãncia, perdendo o apoio necessário para continuar operando. Essas são as
bibliotecas que se apegam facilmente à imagem dos serviços comprometidos
com os paradigmas do passado. Elas perderam de vista as mudanças das
necessidades e expectativas dos clientes. Para sobreviver, uma organização
deve adaptar-se. Se isso não ocorrer, a sobrevivência não poderá ser
assegurada ou assumida. (WEINGAND, 2007, p. 43-44)

Neste contexto, as bibliotecas da UFJF vem implementando serviços que favoreçam o
rápido acesso e a facilidade do uso da informação, na tentativa de, inclusive, minimizar
barreiras geográficas e temporais existentes, por exemplo, para alunos de EAD que residem
em cidades distantes.
O presente trabalho apresenta o relato da experiência da implantação de novos
serviços nas Bibliotecas da UFJF: empréstimo de tablets e netbooks, disponibilização de rede
WI-FI na Biblioteca Central, aquisição de acervo digital, disponibilização dos scanners
planetários, o empréstimo de acervo impresso aos alunos de educação a distância, o
atendimento online e o sistema para geração automática de ficha catalográfica para TCCs,
Teses e Dissertações defendidos na UFJF.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A utilização das tecnologias da informação e comunicação (TICs) tem possibilitado às
bibliotecas o oferecimento de novos serviços a sua comunidade. Miranda (2007, p. 93) cita
que é indiscutível que as TICs contribuíram de forma significativa para a melhoria destes
serviços, possibilitando uma nova abordagem da postura dos bibliotecários. Porém, a autora
enfatiza que muitas bibliotecas não se apropriaram destes recursos, permanecendo estagnadas
com os meios tradicionais de organização e disseminação da informação, nessa nova realidade
em que o virtual é tão importante quanto o real.

2851

�Em 1934, em seu Traité de Documentation, Paul Otlet previa o oferecimento de
serviços de referência a distância com consulta de informações por telefone e em telas de
computadores. Quase um século depois, muitas bibliotecas ainda resistem a esta inovação. A
implantação do serviço de atendimento online na Biblioteca Universitária da UFJF reflete o
anseio de futura disponibilização do serviço de referência virtual. Accart (2012, p. 4) nos
indica que o serviço de referência virtual é uma das respostas que as instituições podem
oferecer em oposição aos mecanismos de busca generalistas, com sua pletora de informações,
com sua dificuldade de encontrar a informação ‘boa’, pertinente e confiável.
Durante visita técnica realizada à UFLA, por ocasião do desenvolvimento do projeto
de empréstimo de netbooks, os bibliotecários da instituição, autores do trabalho apresentado
durante o XVII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitária, Oliveira et al. (2012, p. 12)
citaram que tornar acessíveis as novas ferramentas inovadoras de busca e acesso à informação
propiciou à Biblioteca uma nova leitura do seu papel junto aos usuários. Além disto, os
autores nos conduziram a questões da inovação inclusiva que oportuniza condições
igualitárias aos usuários, nos advertindo ainda que a maioria dos acadêmicos de graduação e
muitos da pós-graduação são nativos digitais e demandam serviços que propiciem mobilidade
virtual.
Bibliotecários ainda encontram muita dificuldade em relação ao desenvolvimento de
acervo digital, principalmente de livros, em suas instituições. Além da ausência de diretrizes
nacionais, ainda existem as limitações financeiras, visto que o custo da informação digital é
elevado, resistência por parte dos administradores das bibliotecas e até mesmo questões
jurídicas conforme já apontado em reuniões da Comissão Brasileira de Desenvolvimento de
Coleções (CBDC), ligada à Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU). Na
ausência de diretrizes nacionais, alguns critérios básicos apresentados pela American Library
Association (ALA) devem ser considerados pelas bibliotecas na aquisição de e-books:

- Inclusão de todos os títulos: Todos os títulos ebook disponíveis para venda
ao público também deve estar disponível para bibliotecas.
- Direitos duradouros: bibliotecas devem ter a opção de fato possuir os
ebooks que compram, incluindo o direito de transferi-los para outra
plataforma de entrega e de continuar a emprestar-los indefinidamente.
- Integração: Bibliotecas precisam de acesso a metadados e gerenciamento
de ferramentas fornecidas por editores para melhorar a descoberta de ebooks.
(AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 2012).

Questões sobre a implantação de coleções de e-books e a análise da forma como as
bibliotecas podem determinar seu valor, também são apresentadas no relatório Scholarly

2852

�eBooks: Understanding the Return on Investment for Libraries , da SPRINGER. O
documento proporciona uma visão abrangente da situação atual do valor dos e-books, as
implicações dessa avaliação para a comunidade bibliotecária e os desafios que representa para
os profissionais da área. Indicam fatores que devem ser considerados para expressar o valor
global deste recurso para uma instituição:
- tempo salvos pela equipe da biblioteca e pesquisadores;
- conveniência de acesso constante e capacidades de pesquisa on-line;
- efeito na produção de pesquisas e ensino;
- o espaço físico guardado na biblioteca usando recursos eletrônicos.
(SPRINGER, 2012)

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Na sistematização dos serviços apresentados neste relato de experiência utilizou-se a
revisão bibliográfica e a pesquisa exploratória. Para cada novo serviço houve o planejamento
da implantação captação dos recursos financeiros, elaboração das normas de processamento
técnico, circulação e manutenção (no caso dos netboos e tablets). Os processos são cíclicos
pois as adaptações serão constantes levando-se em consideração o aprimoramento das normas
que os envolvem. Alterações nos processos, bem como a implantação de todos passaram por
discussões com o setores de tecnologia, patrimônio, financeiro e jurídico da instituição.
Apresenta-se a seguir a descrição dos serviços implantados:
- Empréstimo de tablets e netbooks
Com objetivo de democratizar o acessso à informação científica disponibilizada nas
fontes de informação online adquiridas pela UFJF e outras fontes externas como Portal
CAPES, a BU disponibilizou 50 tablets e 50 netbooks destinados ao empréstimo para
usuários. Os usuários terão acesso a uma rede de WiFi gratuita, fazendo a conexão através do
seu

login

e

senha

do

Sistema

Integrado

de

Gestão

Acadêmica

(SIGA).

O empréstimo dos tablets e netbooks é facultado a toda comunidade acadêmica, sendo que os
tablets serão emprestados somente no recinto da BU. Já para os netbooks, será permitido
empréstimo domiciliar por um período de 10 dias.
Para definir a política de aquisição e empréstimo destes equipamentos, servidores das
Bibliotecas da UFJF realizaram, além de contatos telefônicos e troca de e-mails, visita técnica
em duas instituições que já prestavam o serviço de empréstimo de netbooks: Universidade
Federal de Lavras (UFLA) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A implantação do serviço na BU é um projeto piloto para posterior implantação nas
Bibliotecas de Unidade e nas Bibliotecas do Campus Avançado de Governador Valadares.
Para isto, além da definição da quantidade de equipamentos a ser disponibilizado em cada

2853

�uma delas, estuda-se a manutenção da aquisição de tablets ou opção por leitores de livros
digitais. A dificuldade em relação à aquisição de leitores de livros digitais foi a ausência de
um equipamento no mercado, na época da aquisição, que fosse compatível com todas as
fontes de informação já adquiridas e disponibilizadas pela UFJF. Em contato com a
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que também implantará este mesmo serviço,
definimos um modelo compatível com os recursos online já disponibilizados e o novo
processo de aquisição deverá adotar os leitores de livros digitais.
Não existe um arquivo ou um formato no qual o leitor pode se apegar e
esquecer-se do resto, porque alguns livros estão disponíveis em um único
formato. De qualquer modo, o formato mais convergente, mais padrão,
apesar de algumas questões, sem dúvida alguma, é o formato ePub.
(PROCÓPIO, 2010, p. 139).

- Disponibilização de rede WI-FI na Biblioteca Universitária
Não teria sentido disponibilizar tablets e netbooks para utilização no âmbito da BU
sem oferecer um serviço WI-FI rápido, seguro e de qualidade para utilização dos
equipamentos e acesso às fontes de informação online. Estamos na era dos dispositivos
móveis. A UFJF WI-FI está disponível e gratuita para todos os membros da comunidade
acadêmica da Universidade, desde que que tenha cadastro no SIGA.

A

rede

WI-FI

atenderá todo o Campus, porém a BU foi um dos primeiros locais a ser contemplados. A
implantação dessa rede wi-fi ocorreu em conjunto com a equipe de desenvolvimento do
Centro de Gestão do Conhecimento Organizacional (CGCO).

- Acervo digital
Em 2011, a UFJF disponibilizou recursos específicos para aquisição de todos os
títulos das bibliografias básicas e complementares de todos os cursos de graduação. As regras
para esta aquisição foram definidas através Programa de Aquisição de Livros Novos , edital
001/2011. O objetivo era disponibilizar todos os títulos indicados nas bibliografias com
quantidade de exemplares suficientes para atender à demanda dos usuários e também aos
critérios do MEC.
Atender aos critérios do MEC, mediante a falta de espaço físico nas
bibliotecas para abrigar tantos exemplares de um mesmo título, era um fator
dificultador a ser considerado neste processo de aquisição. Outra dificuldade
seria atender aos usuários dos cursos de educação à distância,
disponibilizando acervo nos 30 pólos de apoio presencial. A solução
encontrada foi a aquisição, além de títulos impressos, de livros digitais.
Desta forma, seria solucionado parte do problema de disponibilidade de
espaço físico e seria possível atender com a mesma eficiência os pólos de
EAD. (OLIVEIRA, 2011).

2854

�Teve início assim, a formação da coleção de acervo digital adquirido pelas Bibliotecas
da UFJF. Naquele momento, foi priorizada a aquisição de títulos nacionais de modo a
contemplar os cursos de graduação presenciais e a distância. Posteriormente este acervo foi
se expandindo e hoje, além das bases de dados assinadas, possuímos 8.867 títulos de livros
digitais adquiridos ou assinados para toda a comunidade acadêmica dos cursos presenciais e a
distância. O acesso a estas fontes, fora dos Campi da UFJF é realizado via Proxy. Através das
plataformas digitais vários estudantes podem fazer uso da mesma referência simultaneamente.
O objetivo é facilitar aos acadêmicos o uso de todos os recursos de pesquisa oferecidos pelos
acervos digitais. Encontram-se disponibilizadas as bibliotecas virtuais de e-books: Biblioteca
Virtual 3.0 Pearson, Minha Biblioteca, IEEE, Mienciclo Ebooks e Atheneu; periódico:
Revista dos Tribunais Online; bases de dados: UpToDate, Mienciclo Images, ABNT Coleção,
Vlex, Heinonline e JSTOR.
- Scanner planetário
Foram disponibilizados 15 equipamentos, sendo instalados dois na BU e os demais nas
unidades e Campus Avançado de Governador Valadares. Trata-se de um serviço de
autoatendimento e gratuito onde o próprio usuário escaneia pequenos trechos de materiais do
acervo da Biblioteca, como artigo de periódico, página (s) de livro, salva as imagens nos
formatos PDF, TIF e JPG, em cores ou preto e branco, tendo opção de enviar o arquivo por
e-mail, salvar em pen drive ou utilizar o

arquivamento em nuvens (ex. Dropbox). O

equipamento é simples de usar, com painel touch screen. A partir de uma câmera de alta
resolução, o scanner permite digitalização até o tamanho A3 (480 x 360 mm), de forma rápida
e prática, evitando assim a emissão de raios ultravioletas que comprometem a preservação de
documentos. Os arquivos digitalizados devem respeitar os termos da Lei de Direitos Autorais.
Os objetivos na implantação deste serviço é a agilidade no atendimento, a preservação
do acervo, diminuição de custos para usuários, otimização no acesso à informação e a
sustentabilidade com redução da quantidade de papel utilizado.
- Empréstimo de acervo impresso aos alunos de Educação a Distância (EAD)
A implantação do serviço de empréstimo do acervo impresso das Bibliotecas da UFJF
aos acadêmicos matriculados nos cursos de Educação à Distância foi a maneira encontrada
para propiciar aos alunos de EAD o acesso às informações do rico acervo das Bibliotecas do
Campus Juiz de Fora.
Os alunos de ensino a distância podem solicitar empréstimo de obras impressas. Para
isto, devem realizar a reserva do material diretamente no SIGA Biblioteca, que encaminhará
e-mail automaticamente para a BU, informando a solicitação. O material será separado e

2855

�encaminhado para o polo ao qual o acadêmico está vinculado. Assim que for recebido no polo
o aluno será informado da disponibilidade via e-mail. A devolução também será realizada no
polo. Será considerada a data de postagem dos correios, quando da devolução do material,
para aplicação ou não de multa. No caso da data da devolução ter ultrapassado o prazo
estabelecido o aluno está sujeito a aplicação de multa. O custo do processo de envio e
devolução é de responsabilidade da UFJF, que se beneficia de um convênio existente com a
Empresa Brasileira de Correios.
A obra pode ser renovada quantas vezes for necessário, desde que não haja reservas
para outro usuário.
- Atendimento online
No site do CDC foi disponibilizado o atendimento em tempo real. Este serviço visa
esclarecer dúvidas dos usuários, no momento em que elas surgem, sem necessidade de
deslocamento até a Biblioteca ou contato telefônico. O link fica localizado no canto inferior
direito da página principal. O atendimento é realizado durante o horário de funcionamento da
Biblioteca Universitária, por auxiliar de biblioteca,

de segunda a sábado, no horário de

funcionamento da BU. No período em que não há funcionamento, as mensagens postadas
neste espaço são encaminhadas para o e-mail do setor de Atendimento ao Usuário que as
responde posteriormente.

- Geração automática de ficha catalográfica
Um dos pilares fundamentais da vida acadêmica é a produção científica. Para que seja
possível o avanço da ciência é imprescindível a comunicação das pesquisas para as novas
gerações. Por isso, à medida que cresce a produção científica, cresce a necessidade de uma
boa organização das informações resumidas das pesquisas e agilidade no fluxo destas
informações.
Com o intuito de agilizar o processo de elaboração de fichas catalográficas de
trabalhos de conclusão dos cursos de graduação e pós graduação (cujo prazo se estendia até
30 dias) e propiciar autonomia de toda comunidade educativa que poderá elaborar sua ficha
no momento em que precisar, bastando preencher os campos do formulário com os dados do
trabalho, O CDC disponibilizou o Sistema para Geração Automática de Fichas Catalográficas
de TCCs, Teses e Dissertações. Sua utilização é simples e foram disponibilizadas também
orientações para preenchimento.
Durante participação no XVI Seminário Nacional de Bibliotecas, no Rio de Janeiro,
em 2010, bibliotecários da UFJF tiveram o primeiro contato com o sistema que foi

2856

�apresentado no evento. O sistema foi desenvolvido pela USP e já foi adotado pela UFRGS,
UFSC, UFSM. A USP nos cedeu, gentilmente, o código fonte do programa que foi adequado
às necessidades da UFJF pela equipe de tecnologia do CGCO.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Cada serviço implementado pelo CDC reforça o posicionamento de busca contínua de
atendimento às necessidades dos usuários das Bibliotecas, gera confiança na equipe,
demonstrando o retorno na capacitação contínua e comprometimento da mesma.

O

empréstimo de tablets, netbooks, disponibilização da rede Wi-Fi na BU e dos scanners
planetários contribuíram para o aumento de usuários no recinto, demonstrando que a
comunidade universitária almeja e necessita de serviços que contribuam para o alcance do
objetivo maior da UFJF: ensino, pesquisa e extensão. O empréstimo de acervo impresso aos
alunos de EAD, assim como a ampliação do acervo digital

democratizaram o acesso à

informação e romperam as barreiras de tempo (horário de funcionamento das Bibliotecas) e
localização geográfica.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Atualmente o CDC investe na divulgação do material, através de atividades de
capacitação de usuários, site, twitter, banners e folhetos explicativos (Um Guia Básico Das
Fontes de Informação Adquiridas pela UFJF) disponibilizados nas Bibliotecas. A Secretaria
de Comunicação da UFJF é parceira na divulgação dos serviços das Bibliotecas, gerando
material de qualidade para isto.
O próximo passo é a aquisição de netbooks e leitores digitais para disponibilização das
demais bibliotecas.
Faz-se necessária avaliação da aceitação e uso dos serviços pela comunidade
acadêmica para análise dos próximos investimentos em acervo digital, bem como verificação
de adequação.
A análise das estatísticas de uso, que não foi possível realizar neste momento, devido
ao período de greve nas universidades públicas federais, irá demonstrar a aceitação e
satisfação dos usuários, bem como respaldar a equipe de bibliotecários na tomada de decisão
da ampliação do número de computadores portáteis a serem adquiridos para as demais
bibliotecas, aquisição de novos serviços de informação digital ou renovação dos existentes.

2857

�6 REFERÊNCIAS
ACCART, Jean-philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Brasília: Briquet de
Lemos, 2012. 312 p.
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION (Estados Unidos). Ebook Business Models for
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&lt;http://americanlibrariesmagazine.org/sites/default/files/EbookBusinessModelsPublicLibs_A
LA.pdf&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
MIRANDA, Angélica Conceição Dias; FORCELLINI, Fernando Antônio. As tecnologias de
informação e comunicação e a (ex) inclusão das bibliotecas universitárias. In: VERGUEIRO,
Waldomiro; MIRANDA, Angélica C. D. (Org.). Administração de Unidades de
Informação. Rio Grande: Furg, 2007. Cap. 6. p. 93-101.
OLIVEIRA, A. A. A aquisição de livros digitais nas Bibliotecas da Universidade Federal
de Juiz de Fora: um novo tempo para a formação acadêmica. In: 10a. Jornada sobre la
Biblioteca Digital Universitaria, 2012, Buenos Aires. 10a Jornada sobre la Biblioteca Digital
Universitaria, JBDU2012, 2012.
OLIVEIRA, Nivaldo et al. Tecnologia da informação como instrumento de Democratização e
acesso à informação: estudo de Caso de empréstimo de computadores portáteis, Netbook, na
biblioteca

da

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PROCÓPIO, Ednei. O livro na era digital: o mercado editorial e as mídias digitais. São Paulo:
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SPRINGER (Estados Unidos). Scholarly eBooks: Understanding the Return on Investment
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Disponível
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&lt;http://www.springer.com/cda/content/document/cda_downloaddocument/H7245_CB_RoI+
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em: 25 abr. 2014.
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&lt;http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002274/227436e.pdf&gt;. Acesso em: 15 maio 2014.
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Sueli Angélica do (Org.). Marketing na Ciência da Informação. Brasília: Universidade de
Brasília, 2007. Cap. 2. p. 43-44.

2858

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A internet e a utilização das tecnologias da informação e comunicação (TICs) trouxeram novas possibilidades de acesso e oferta de novos serviços e produtos nas bibliotecas. As TICs vem sendo utilizadas pelas bibliotecas principalmente na organização e disseminação da informação. As bibliotecas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vem se apropriando destas tecnologias, atendendo às expectativas de usuários que precisam da informação sempre disponível. Visando facilitar o acesso à informação, otimizar o uso dos recursos informacionais impressos e online disponíveis em seu acervo e incentivar a permanência de usuários nas bibliotecas, o Centro de Difusão do Conhecimento (CDC), responsável pelas Bibliotecas da UFJF, vem disponibilizando para a comunidade educativa alguns serviços e produtos que atendem à mobilidade e agilidade fundamentais atualmente. Este trabalho relata a experiência das Bibliotecas da UFJF na implantação do empréstimo de tablets e netbooks, disponibilização de rede WI-FI na Biblioteca Universitária (BU), aquisição de acervo digital, disponibilização dos scanners planetários, empréstimo de acervo impresso aos alunos de educação a distância, atendimento online e implantação do sistema para geração automática de ficha catalográfica para TCCs, Teses e Dissertações defendidos na UFJF. Cada serviço implementado pelo CDC reforça o posicionamento de busca contínua de atendimento às necessidades dos usuários das Bibliotecas, gera confiança na equipe, demonstrando o retorno na capacitação contínua e comprometimento da mesma. Faz-se necessária avaliação da aceitação e uso dos serviços pela comunidade acadêmica para análise dos próximos investimentos em acervo digital, bem como verificação de adequação. A análise das estatísticas de uso irá demonstrar a aceitação e satisfação dos usuários, bem como respaldar a equipe de bibliotecários na tomada de decisão da ampliação do número de computadores portáteis a serem adquiridos para as demais bibliotecas, aquisição de novos serviços de informação digital ou renovação dos existentes.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO (LAI) E O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO

Caroline Brito de Oliveira

RESUMO
Objetiva apresentar possibilidades de atuação para o profissional bibliotecário em órgãos
públicos com vias de otimizar a implantação Lei de Acesso à Informação (LAI). Utilizando-se
de análise bibliográfica, ressalta frentes de atuação do bibliotecário para minimizar as
dificuldades encontradas por órgãos públicos na implatação dessa Lei. Conclui utilizando
como exemplo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Palavras-Chave: Lei de Acesso à Informação (LAI). Bibliotecários. Atuação bibliotecária.

ABSTRACT
It aims to present the changes in the activities of librarians arising enactment of the Access to
Information Act (LAI). By bibliographic analysis, highlights possible fronts to librarians to
optimize the application of LAI in public agencies. Presents as an example the case of the
Brazilian Economic and Social Development Bank (BNDES).

Palavras-Chave: Access to Information Act. Librarians. Librarian activities.

1 INTRODUÇÃO
Embora conserve, em sua essência, atividades tradicionais, historicamente, o
bibliotecário teve sua rotina de trabalho alterada em virtude de mudanças conjunturais.
A circulação intensa de conteúdo informacional, possibilitada, principalmente, pelas
facilidades de comunicação e alterações nos modos de produção decorrentes da evolução
tecnológica, modificou pensamentos e comportamentos, atingindo a sociedade como um todo,
que vê na Rede maior possibilidade de acesso e democratização da informação.
Nasce nesse contexto, em 18 de novembro de 2011, a Lei n° 12.527, conhecida como
Lei de Acesso à Informação (LAI), reafirmando o direito à informação, já estabelecido na
Constituição Brasileira de 1988, mas não regulamentado.

1644

�Este artigo pretende destacar possibilidades de atuação do profissional bibliotecário
em órgãos públicos com vias de otimizar a implantação dessa Lei, que objetiva ampliar o
acesso à informação pública

. Fator esse que se constitui um dos pilares do fazer

bibliotecômico.
Para tal, elencará frentes de atuação do bibliotecário para otimizar a aplicação da LAI
em nossa sociedade, e apresentará como exemplo o caso do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

2 A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO (LAI) E ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL
BIBLIOTECÁRIO
Refletindo mudanças sociais, econômicas, políticas e tecnológicas, as atribuições e
atividades dos bibliotecários vêm sofrendo alterações e, hoje, podemos perceber um mercado
de trabalho e uma atuação profissional mais ampla do que a tradicional.
O bibliotecário deve estar preparado para lidar com essas mudanças, adaptando-se a
novas conjunturas, devendo, inclusive, ser proativo na sua postura em relação a elas.
Sendo assim, veremos algumas frentes de atuação que o profissional bibliotecário
pode assumir, visando minimizar as dificuldades provenientes da implantação da Lei de
Acesso à Informação (LAI) em instituições públicas.
A Lei de Acesso à Informação (LAI) traz o sigilo como exceção, sendo a regra a
divulgação máxima das informações públicas, apresentando em seu artigo 3° as seguintes
diretrizes:
I - observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção;
II - divulgação de informações de interesse público, independentemente de
solicitações;
III - utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da
informação;
IV - fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na
administração pública;
V - desenvolvimento do controle social da administração pública. (BRASIL,
2011, art. 3°).
Para que seja assegurado o acesso às informações públicas, determina a existência/
criação de espaços de interação entre o demandante (cidadão) e o órgão público que possui a
informação ou detém o documento de interesse:
181 De acordo com Jardim (2012), “Toda informação produzida ou acumulada pelo Governo no de correr da
Administração do Estado é de natureza pública, embora não seja eventualmente de acesso irrestrito, por força de
restrições legais. Assim, nem toda informação considerada ‘pública’ é produzida pelo Governo: um relatório de
uma empresa privada sobre tendências do mercado financeiro pode ser publicizado, embora seja um documento
de natureza privada.”.

1645

�I - criação de serviço de informações ao cidadão, nos órgãos e entidades do
poder público, em local com condições apropriadas para:
a) atender e orientar o público quanto ao acesso a informações;
b) informar sobre a tramitação de documentos nas suas respectivas unidades;
c) protocolizar documentos e requerimentos de acesso a informações; e
II - realização de audiências ou consultas públicas, incentivo à participação
popular ou a outras formas de divulgação. (BRASIL, 2011, art. 9°).
Embora com diretrizes nitidamente estabelecidas, a LAI foi implementada e recebida
de maneira distinta por diferentes órgãos públicos, tendo a maioria deles alegado pouco tempo
concedido pela lei (6 meses) para a realização das devidas modificações

.

Como exemplo de obstáculos encontrados, destaca-se a resistência de alguns
funcionários em aceitar novos processos, a dificuldade em encontrar alguém com o perfil
adequado para atender ao Serviço de Atendimento ao Cidadão (SIC)

e a falta de

infraestrutura tecnológica de algumas instituições (DUARTE; THEORGA, 2012).
Resultado desse cenário é bem exposto Jardim (2012):

O cidadão está no epicentro da LAI. A sua lógica político-jurídica é a
garantia de acesso
à informação ao cidadão pel[o] Estado. Por
outro
lado, a LAI supõe um grau de ordenamento informacional do Estado
brasileiro que ainda está longe de existir, em que pese ilhas de excelência e
setores com maiores teores de gestão da informação.
Vê-se, então, nas dificuldades encontradas por alguns órgãos públicos, mais uma gama
de oportunidades de atuação para os profissionais bibliotecários, visando uma melhor
implantação dessa lei, de suma importância para a democracia brasileira.
Com base no levantamento realizado por Duarte e Theorga (2012), a partir de
entrevistas realizadas com coordenadores de assessorias de comunicação e dos Sistemas de
Informação ao Cidadão (SIC) de 17 órgãos da administração direta e 19 da indireta (empresas
públicas ou de economias mistas) para identificar os impactos, o processo de implantação e as
transformações ocorridas em órgãos do Poder Executivo Federal, foram destacdas as

182 Para maiores informações sobre os seis meses de preparação que antecederam a implantação da LAI no Poder
Executivo Federal, ver BRASIL (2013).
183 Por meio da Lei de Acesso a Informação (LAI), qualquer cidadão passa a ter o direito de requerer
informações públicas de seu interesse. Para isso, as instituições devem disponibilizar canais de comunicação
com a população. O solicitante pode optar pelo acesso ao sistema e-SIC, mantido pela Controladoria Geral da
União (CGU), além de, normalmente, ter também disponível o contato através de atendimento local, por carta,
por telefone ou por e-mail. Independentemente do canal escolhido, a Lei estabelece 20 dias corridos como prazo
máximo para que o solicitante receba as informações requeridas. Esse prazo é contado a partir da data de
recebimento do pedido pelo SIC, podendo ser prorrogado por mais dez dias, mediante justificativa do órgão.
Importante destacar que na hipótese de resposta negativa, esta deverá ser fundamentada.

1646

�dificuldades que poderiam ser minimizadas com o adequado emprego do kow-how possuído
pelo profissional bibliotecário.

2.1 Gestão informational e documental
Aspecto enfatizado em várias pesquisas relacionadas à LAI é a necessidade da
realização de gestão informational e documental em órgãos públicos: “A implantação da Lei
de Acesso encontrou resistência em alguns poucos casos, [...] pela ausência de políticas de
gestão da informação/ documental.” (DUARTE; THEORGA, 2012, p. 71).
Vale aqui destacar o que se entende por gestão da informação ou gestão informacional
e gestão documental ou gestão de documentos.
De acordo com o Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia, gestão da informação
significa:
1.1 Conjunto de atividades relacionadas com o ciclo da informação em uma
organização o qual inclui a coleta, processamento, armazenamento, fluxo,
recuperação da informação e o seu uso efetivo [...]. 1.2 Em processo
decisório, método que visa a obtenção da informação adequada, no formato
correto, para a pessoa indicada, no custo adequado, no tempo oportuno e no
lugar apropriado [...]. (CUNHA; CAVALCANTI, 2008a, p. 179).
Já a gestão de documentos, é definida como
1. “conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à produção,
tramitação, uso, avaliação e arquivamento de documentos em fase corrente e
intermediária, visando à sua eliminação ou recolhimento para a guarda
permanente.” [...]. (CUNHA; CAVALCANTI, 2008b, p. 179).
Sendo assim, vimos na gestão da informação o ponto mais nítido de atuação do
bibliotecário, visto que, historicamente, são os profissionais que lidam mais diretamente com
a informação (geralmente em sua forma registrada), tendo grande experiência em seu
mapeamento, seleção, tratamento, organização, conservação, preservação e disseminação,
sendo a gestão de documentos mais direcionada aos arquivistas.
Destacamos, então, o profissional bibliotecário como capacitado para lidar diretamente
com projetos de gestão da informação, melhorando sua recuperação em órgãos públicos,
permitindo que as instituições respondam as demandas provindas do SIC no prazo estipulado
pela legislação.

1647

�2.2 Fluxo da informação
Considerado parte do processo de gestão da informação, o fluxo da informação ou
fluxo informacional é entendido como o caminho que a informação percorre desde a sua
criação/ produção até a sua utilização.
É fato que a implementação da lei alterou substancialmente o fluxo informacional nos
órgãos da administração pública: além da necessidade de se conhecer/ mapear esse fluxo ter
se agravado, parte dele foi alterado, visto que as demandas informacionais externas devem
ser, agora, direcionadas para o SIC.
Ainda, os profissionais que ali atuam devem possuir um amplo conhecimento da
instituição e de sua atuação, além de saber identificar o papel das áreas, setores,
departamentos e até indivíduos que compõem a instituição, para que possa remeter
corretamente as demandas recebidas.
Visto isso, destaca-se que há alguns anos os bibliotecários vêm se embrenhando em
atividades como essa, mapeando fluxos informacionais e organizando bases como as de
especialistas, por exemplo, onde é possível encontrar as áreas de conhecimento e de atuação
dos funcionários da instituição. Com esses instrumentos (mapeamento e/ou base), não se
despende tanto tempo do processo (que deve ser finalizado em até 20 dias corridos), com a
identificação de quem deve responder à solicitação recebida.
Torna-se nítida, então, a capacidade técnica do bibliotecário atuar nessa frente e
minimizar essa dificuldade sinalizada por alguns órgãos públicos.

2.3 Classificação da informação
Muitas instituições - principalmente as que não realizavam adequadamente a gestão
da informação e de documentos - não possuíam a preocupação em classificar suas
informações e documentos, demanda essa que se tornou latente com a implantação da LAI.
Vale destacar que a ideia não é classificar informações e documentos para torna-los
inacessíveis - afinal, isso iria de encontro à LAI - mas disponibilizá-los de maneira prudente
e adequada, visto que há questões legais que impedem a divulgação ampla de informações,
como o sigilo bancário.
Além de ser comum nos dias de hoje encontrar bibliotecários compondo e
coordenando equipes de Segurança de Informação (unidade, geralmente, responsável pela
classificação das informações e documentos nas instituições), esse profissional possui um
longo histórico com a análise e a seleção de documentos, podendo esse conhecimento ser
utilizado para a classificação de informações e documentos em órgãos públicos.

1648

�Além disso, ressalta-se o impacto desse item no tratamento técnico do documento, já
que se faz necessária a incorporação de informações relativas à classificação dos documentos
em seu registro e, ainda, a necessidade de revisões em bases de dados catalográficas ou bases
semelhantes para o tratamento passivo dessas informações, facilitando, assim, a tomada de
decisão em relação ao acesso e à disseminação desse material no momento de sua
recuperação.

2.4 Serviço de referência
A última questão que destacamos, mas talvez a de maior importância, pois é a
que dá início ao processo, é relativa à dificuldade que a população encontra na hora de
estabelecer sua demanda:
Um dos problemas enfrentados foi a formalização de pedidos genéricos, que
impedem o esclarecimento adequado e frustram o demandante, inclusive
gerando algum tipo de impasse. Muitas vezes o solicitante não sabe
expressar exatamente o que deseja, ou não tem conhecimento sobre o nível
de complexidade que aquela informação possui e isso gera problemas de
entendimento e tempo de resposta. Assim, entrevistados indicaram que, além
da campanha de informação interna, deveria ter havido orientação mais clara
ao cidadão sobre os procedimentos e limitações dos pedidos, o que
diminuiria o número de pedidos genéricos e descabidos. Uma das
observações foi que mesmo o jornalista, que deveria ter clareza sobre sua
demanda, “também precisa ser educado para o uso da LAI”, como relatou
um entrevistado no sentido de investir tempo e pensar bem na complexidade
da informação que será solicitada, por conta dos prazos estendidos e
prorrogáveis sobre os quais a lei dispõe. (DUARTE; THEORGA, 2012, p.
74).
Questões como essas são velhas conhecidas dos bibliotecários, que há tempo realizam
estudos em relação ao “ Serviços de referência” que, em sua essência, consiste em ajudar o
demandante (usuário) a descobrir o que deseja e a formalizar sua demanda em uma “questão
de busca”, facilitando o processo de recuperação da informação

184

.

Acredita-se que o estabelecimento de um serviço de referência virtual

, realizado por

um bibliotecário, poderia ser de extrema pertinência, minimizando os ruídos entre o
demandante e o órgão público já no momento do estabelecimento da necessidade
informacional.
Destacam-se, assim, algumas dificuldades que podem ser minimizadas com o auxílio
do bibliotecário na implantação da LAI, tendo em vista o know-how que esse profissional
possui.
184 Sobre serviços de referência, cf. GROGAN (1995).
185 Para maiores informações sobre o assunto, ver ACCART (2012).

1649

�3 A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO (LAI) E O BANCO NACIONAL DE
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES)
Em cumprimento à Lei de Acesso à Informação (LAI), o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibiliza em seu portal seções
específicas com informações classificadas como de transparência ativa, que são aquelas que
não precisam ser demandadas pela sociedade, pois o Banco já as apresenta de maneira
proativa, como relatórios anuais e demonstrações contábeis.
Já as que são classificadas como de transparência passiva, devem ser demandadas
através dos seguintes canais:

■ e-SIC: para receber informações de interesse geral e coletivo sobre o BNDES;
■ Fale Conosco: para informações sobre os produtos financeiros do BNDES ou sobre pedidos de
financiamento em aberto (dúvidas operacionais);
■ Ouvidoria: para fazer uma sugestão, denúncia ou reclamação. (BANCO NACIONAL DE
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL, [2012?a]).
Desses, destacaremos o Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), em suas diferentes
modalidades de interação.
Esse Serviço foi instituído no BNDES em maio de 2012 e em seu primeiro ano de
atuação foi responsável pela gerência de 701 pedidos de informação, quase sempre
respondidos

dentro

do

prazo

de

20

dias

corridos

(BANCO

NACIONAL

DE

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL, 2013).
O BNDES tem diversos canais para o encaminhamento de demandas ao SIC, como o
atendimento telefônico,

o e-mail, o Portal e-SIC, o atendimento presencial e por

correspondência, sendo o mais utilizado o e-SIC, que é disponibilizado pela ControladoriaGeral da União (CGU) para todos os órgãos e instituições públicas (BANCO NACIONAL
DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL, 2013).
Após receber o pedido por qualquer um dos canais acima mencionados, a equipe
interna do BNDES
encaminha uma mensagem ao requerente avisando que a solicitação está
sendo tratada. Se o assunto exigir, como ocorre na maioria das vezes, a
demanda é repassada a um interlocutor de uma área, que tem um prazo para
responder. Assim que obtiver o retorno, o SIC avalia a resposta e
eventualmente faz ajustes necessários para padronizá-la. (BANCO
NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL,
2013).

1650

�Como pode ser observado na figura abaixo (Fig. 1), o perfil dos demandantes é bem
diversificado, tendo o Serviço alcançado diferentes segmentos da sociedade:

Figura 1 - Perfil dos requerentes do SIC

Fonte: BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (2013)

Segundo a coordenadora do SIC, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BDES), o grande desafio é transformar as demandas em transparência ativa,
disponibilizando cada vez um número maior de informações na página do BNDES na Internet
(BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL, 2013).

3.1 O Centro de Pesquisa de Informações e Dados (COPED) e a Lei de Acesso à
Informação (LAI)
O Centro de Pesquisa de Informações e Dados é resultado da fusão da Biblioteca com
o Centro de Informação e Documentação Econômica - CIDE 186 que funcionavam na antiga
sede do BNDES187.
A fusão ocorreu na ocasião da mudança para o EDSERJ, atual prédio sede do
BNDES188, quando os dois acervos e parte dos profissionais do CIDE foram incorporados à
Biblioteca.
A partir dessa incorporação, a Biblioteca desenvolveu um sistema próprio de
informatização do acervo, adquiriu bancos de dados, foi pioneira no Rio de Janeiro a usar os
186 O CIDE surgiu no início dos anos 70, a partir da necessidade dos técnicos da Área de Planejamento em ter a
sua disposição informações que auxiliassem na elaboração de estudos e de planejamento estratégico. A equipe
era composta de 4 bibliotecários e 2 auxiliares e o acervo era composto por estudos setoriais, periódicos
especializados, artigos avulsos e tabelas temporais, papers, recortes de jornais, serviços de alerta e circulação de
sumários de periódicos, além de um catálogo de fonte de informações (fontes primárias de informações, como
sindicatos, institutos, associações de classe, etc.) que atendiam com o dinamismo necessário às demandas não só
dessa área, como das demais áreas e departamentos do Banco.
187 Localizado à Av. Rio Branco, Centro - Rio de Janeiro.
188 Situado à Av. Chile, 100, Centro - Rio de Janeiro.

1651

�recursos da Internet, desenvolveu um Boletim Bibliográfico impresso, que evoluiu para a
edição eletrônica, implantou um clipping temático e criou o atendimento dirigido de pesquisa
e acompanhamento setorial.
A Biblioteca manteve essa denominação até o início dos anos 1990, quando uma nova
equipe foi formada, conferindo um caráter multidisciplinar ao grupo, objetivando a oferta de
novos serviços e a otimização dos já existentes. A partir de então, passou a se chamar Centro
de Pesquisa e Dados - COPED.
Hoje, tendo incluído em sua nomenclatura a palavra “informação”, a gerência chamase Centro de Pesquisa de Informações e Dados - COPED, e já tendo abrigado outras
coordenações, hoje abarca apenas a Biblioteca Paulo Roberto de Sousa Melo.
Atualmente, a equipe do COPED mantém o caráter multidisciplinar, sendo formada
por 10 bibliotecários,

1 economista, 5 técnicos administrativos e 4 estagiários de

Biblioteconomia.
O acervo da Biblioteca, que atende a usuários internos e externos, é composto por
livros, estudos setoriais e regionais, folhetos, anais de congressos, periódicos nacionais e
estrangeiros (impressos e eletrônicos), teses e dissertações, artigos avulsos e multimeios, além
de filmes financiados pelo BNDES no âmbito do Programa BNDES para o Desenvolvimento
da Economia da Cultura. Importante destacar que parte desse conteúdo contempla a produção
técnica e intelectual do BNDES.
O COPED oferece, ainda, acesso a portais e bases de dados, levantamento e pesquisa
bibliográfica, acompanhamento e clipping setorial e temático, realiza empréstimo entre
bibliotecas, comutação bibliográfica - COMUT, circulação de periódicos e aquisição de
publicações nacionais, internacionais e estrangeiras para o corpo funcional do Banco.
Além de atender o público interno, com os serviços mencionados, o COPED atende
também o público externo, recebendo-o em visitas locais (em dias e horário determinados) e
respondendo às questões que chegam através do “Fale Conosco” e da “Ouvidoria”,
disponíveis na página do BNDES na Internet, e as que são encaminhadas através do Serviço
de Informação ao Cidadão (SIC).
Sendo mais um veículo de comunicação com a sociedade, as questões do público
externo que chegam até o COPED aumentaram após a implantação do SIC.
O diálogo com o público externo tem permitido aprimorar o tratamento do material no
BNDES, já que permite identificar algumas peculiaridades históricas dos documentos que não
estavam sinalizadas em seus registros catalográficos e que a equipe, totalmente renovada nos
últimos 10 anos, desconhecia.

1652

�Ainda, esse novo cenário tem possibilitado a revisão de sua representação descritiva,
melhorando a recuperação da informação. Como a base catalográfica do BNDES foi migrada
de um sistema interno, que possuía campos limitados para a descrição dos documentos, para
um outro mais adequado, herdou, com isso, os problemas decorrentes de migrações, tão
conhecidos dos bibliotecários. A necessidade de rápida recuperação, corroborada pela
implantação do SIC, servirá inclusive como justificativa para um projeto de revisão da base
da instituição.
É fato que os bibliotecários do BNDES não atuaram diretamente na implantação do
SIC e nem o fazem com a sua gestão. Ainda, ressalta-se a necessidade da instituição trabalhar
na implantação de projetos formais de mapeamento de fluxos de informação, além de
classificação das informações e documentos que compõem o acervo do COPED. Nesses
momentos, o potencial do profissional bibliotecário pode e deve ser explorado pela
instituição.
No entanto, apesar dos campos ainda inexplorados pelo BNDES e por seus
bibliotecários, já é possível perceber, com esse exemplo, como a LAI têm afetado a rotina de
instituições públicas e dos bibliotecários que nela atuam.
Buscou-se, além de evidenciar o papel de destaque do bibliotecário em momentos
cruciais desse processo, como o tratamento e a recuperação da informação, ressaltar o
potencial desse profissional que pode ser explorado em instituições públicas, em novas frentes
que não as tradicionais, visando a melhor implantação da LAI.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo de sua história, o bibliotecário viu o seu ambiente de trabalho e suas funções
mais elementares sofrerem mutações decorrentes de diferentes cenários econômicos,
tecnológicos, políticos e sociais.
Com a Lei de Acesso à Informação (LAI), as instituições públicas tiveram que lidar de
forma diferente com suas informações e documentos, sendo mais uma oportunidade de
atuação para o profissional bibliotecário. Exemplo disso foram os aprimoramentos ocorridos
em processos do Centro de Pesquisa de Informações e Dados (COPED) do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De maneira geral, a partir da promulgação da Lei de Acesso à Informação (LAI),
alguns passos já foram dados, mas ainda falta muito para que se garanta amplo acesso às
informações públicas, sendo o bibliotecário um importante profissional para que esse cenário
se concretize.

1653

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1655

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Objetiva apresentar possibilidades de atuação para o profissional bibliotecário em órgãos públicos com vias de otimizar a implantação Lei de Acesso à Informação (LAI). Utilizando-se de análise bibliográfica, ressalta frentes de atuação do bibliotecário para minimizar as dificuldades encontradas por órgãos públicos na implatação dessa Lei. Conclui utilizando como exemplo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR: diferentes olhares de um
mesmo problema

Francismeiry Gomes Oliveira

Resumo
A preocupação com a inclusão social escolar universitária está claramente expressa em várias
leis, normas, documentos resultantes de encontros, seminários e conferências sobre o tema.
Estes são instrumentos atualizados na tentativa de realçar a importância em disponibilizar, às
pessoas com necessidades educativas especiais, condições de aprendizado e desenvolvimento
educacional igualitário. Neste artigo, realizado pela Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar
(FACEP), é apresentado os resultados de um trabalho que teve como objetivo investigar o
processo de inclusão e acessibilidade dos alunos em sala de aula, na instituição e na biblioteca
universitária, além da percepção do discente, com deficiência visual, diante de cada um dos
sujeitos participantes do estudo. As observações, abordagens, análises de documentos
administrativos, entrevistas envolvendo docentes, direção, equipe da biblioteca universitária e
discente com deficiência visual foram reveladoras de questões importantes que poderão fazer
com que olhemos cada vez mais atentamente a inserção dos deficientes à sociedade
acadêmica. Os resultados mostram como o deficiente visual percebe seu processo de inclusão,
dando uma descrição mais clara de como os sujeitos envolvidos no processo vivenciaram o
primeiro contato com uma pessoa com necessidades educacionais especiais. Foram utilizados
por base de fundamentação teórica autores como: ASSUNÇÃO (2014), CAIADO (2003),
DEFENDI (2001), MARCONI (2012) entre outros que abordam a questão da acessibilidade
mostrando, sobretudo, a importância em promover mudanças favoráveis que tornem acessível
à inserção do deficiente visual no ensino superior bem como no seio da sociedade como um
todo.
Palavras-Chave: Acessibilidade; Inclusão; Deficiente visual; Biblioteca; Ensino superior.
ABSTRACT
The concern with the university school social inclusion is clearly expressed in various laws,
rules, documents resulting from meetings, seminars and conferences on the subject. These are
updated in an attempt to highlight the importance to make available to people with special
educational needs, learning conditions and equal educational development instruments. In this
article, conducted by Evolution High School West Potiguar (FACEP), the results of a study
that aimed to investigate the process of accessibility and inclusion of students in the
classroom, the institution and the university library is presented, beyond the perception of the
students with visual impairment, before each of the participants in the study. The
observations, approaches, analyzes of administrative documents, interviews involving
teachers towards the university library staff and students with visual impairments were
revealing of important issues that could cause us to look ever more closely the integration of
disabled people to the academic society. The results show how the visually impaired perceive
the process of inclusion, giving a clearer description of how those involved in the process

705

�experienced the first contact with a person with special educational needs. Were used based
on the theoretical basis as authors: ASSUMPTION (2014), CAIADO (2003), DEFENDI
(2001), MARCONI (2012) among others that address the issue of accessibility showing,
especially the importance of promoting positive changes that make low the inclusion of
visually impaired in higher education and in society as a whole.
Keywords: Accessibility; inclusion; Visually impaired; Library; Higher education.

1 INTRODUÇÃO
O debate sobre inclusão e acessibilidade de pessoas com necessidades educacionais
especiais está em crescente evidência na sociedade. As leis e normas que regulamentam o
acesso dessas pessoas em ambientes e espaços públicos estão sendo divulgadas e cobradas de
forma mais precisa pela comunidade. A existência de instituições e fundações específicas,
voltadas para o estudo e divulgação de serviços para este grupo, traz à luz da razão, a
necessidade de que as pessoas com limitações físicas e sensoriais sejam inseridas no ambiente
educacional e que os estabelecimentos adaptem-se para recebê-los.
A educação inclusiva, antes discutida apenas no âmbito do ensino regular, ganha
proporções maiores quando focamos na inserção de pessoas com deficiência no ensino
superior. As leis que dão suporte ao desenvolvimento do trabalho de inclusão com este grupo
específico, em sua maioria, se dirigem ao ensino básico. Quanto ao ensino superior, apenas a
Portaria n° 1.679 de dezembro de 1999, que regulamenta o credenciamento e abertura de
cursos em Faculdades, do Ministério da Educação (MEC), torna obrigatório que as
instituições se adequem aos diversos tipos de necessidades especiais, seja ela auditiva, visual
ou física.
A literatura científica e estudos a respeito de inclusão e acessibilidade no ensino
superior ainda são bem escassos e, baseados na portaria do MEC aqui mencionada, a pesquisa
se volta para uma Instituição de Ensino Superior (IES) com um deficiente visual em seu
quadro de discentes, tendo como objetivo investigar o processo de inclusão e acessibilidade
deste aluno em sala de aula, na instituição e na biblioteca universitária, além da percepção
deste discente frente a cada um dos sujeitos da pesquisa.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A educação inclusiva no contexto histórico
A sociedade contemporânea vivencia uma verdadeira explosão informacional diante
de tantas ferramentas disponibilizadas de acesso a dados, notícias e informações atualizadas

706

�em tempo real, seja local ou à distância, estas nos chegam facilmente a partir de um clique.
No mundo globalizado, não existem mais barreiras para ter acesso ao conhecimento. O direito
à informação e à educação é igualitário, sem distinção de cor, raça, credo ou deficiência,
sendo este garantido por lei.
O atendimento, no Brasil, às pessoas com deficiência começou na época do império
com o surgimento de duas importantes instituições, “O Imperial Instituto dos Meninos Cegos
em 1854, atual Instituto Benjamin Constant - IBC e o Instituto dos Surdos Mudos em 1857,
hoje Instituto Nacional da Educação dos Surdos” (FIGUEIREDO, 2012, p.1).
No cenário mundial, em 1990, ocorreu em Jomtien, na Tailândia, a Conferência
Mundial sobre Educação onde na elaboração do texto final do evento é afirmado “a
necessidade de se garantir educação básica para todos como condição sine qua non para o
desenvolvimento” (CAIADO, 2003, p. 17). Neste documento não havia um tópico específico
sobre a educação de pessoas com necessidades especiais, no entanto, este evento foi um
marco na elaboração de políticas em educação para muitos países, inclusive o Brasil. Apenas
em 1994, na Declaração de Salamanca sobre princípios, políticas e práticas na área das
necessidades educativas especiais é solicitado que os governos atribuam a mais alta prioridade
política e financeira ao aprimoramento de seus sistemas educacionais, no sentido de se
tornarem aptos a incluírem todas as crianças independentemente de suas diferenças ou
dificuldades individuais e, adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de
política, matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes
razões para agir de outra forma (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, p. 2).
O primeiro instrumento normativo, sobre a questão inclusiva, no contexto brasileiro,
foi registrado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), de 1961. De
acordo com Caiado (2003, p.8) embora esse texto:
[...] já anunciasse que a educação de excepcionais deve no que for possível
enquadra-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-los na
comunidade, será a Constituição de 1988 que afirmará, claramente, no art.
208, que o atendimento educacional especializado aos portadores de
deficiência deve se dar preferencialmente na rede regular de ensino.
A Constituição Federal de 1988 exibe clareza ao afirmar, no art. 206, que o ensino
deverá ser ministrado com base nos princípios de igualdade de condições para acesso e
permanência a escola e que é dever do Estado, art.208 parágrafo V, “disponibilizar acesso aos
níveis mais elevados de ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de
cada um”. Ser portador de necessidades especiais não significa que o individuo não tenha

707

�capacidade de aprender e se socializar e sim, que cada um absorve o conhecimento de uma
maneira diferente. A Constituição Federal por si só, já garante que todo cidadão, sem
distinção, seja admitido em escolas e classes do ensino regular, independente das
diversidades, além de deixar subtendido, em seu texto, a garantia ao ensino superior quando
trata de níveis mais elevados de ensino.
Após o texto de Salamanca, outros documentos de referência foram redigidos no
intuito de tornar mais visível e específico a ênfase que deveria ser dada à educação especial,
com o intuito de promover a inserção e legitimação dos direitos dessas pessoas em particular.
Destes documentos destaca-se, a Política Nacional de Educação Especial do MEC de 1994,
que tinha como objetivo o apoio ao sistema regular de ensino no que concerne à integração
dos portadores de necessidades especiais e ao estímulo de parcerias com entidades
especializadas. Em 1996, a LDBEN n° 9.394/96, destaca o atendimento especializado gratuito
nas redes de ensino regular, no entanto enfatiza que caso não seja possível inserir este aluno
especial na rede pública e em classes comuns, por condições específicas destes, eles deverão
ser alocados em escolas especiais. No ano de 2001, acontece a formulação das Diretrizes
Nacionais para Educação Especial (CNE) e do Plano Nacional de Educação (PNE)
(FERREIRA, 2006, p.94).
O quadro a seguir nos oferece uma visão mais completa do processo histórico sobre a
educação com ação inclusiva.

Quadro 1. Detalhamento do histórico de documentos sobre direito à educação de pessoas com
deficiência.
Documento
Atendimento Educacional Destinado a
Emenda
Const. Educação especial gratuita Os deficientes
n°12, 1978
Constituição
Atendimento educacional Portadores
Federal de 1988
especializado
deficiência
Lei n° 7.853, de
1989
(lei
de
integração)
Decreto n° 3.298
de
1999
(regulamenta a lei
n° 7.853)

Educação especial como
modalidade educativa

Onde

de Preferencialmente na
rede
regular de
ensino
Pessoas portadoras de Inserção no sistema
deficiência
educacional de escola
privadas e públicas
Pessoas
com Programas de apoio
deficiência
física, para o aluno que está
auditiva, visual, mental integrado no sistema
e múltipla.
regular ou em escolas
especializadas

Educação
especial:
modalidade
educacional
oferecida preferencialmente
na rede regular de ensino
para
educando
com
necessidades especiais
Declaração
de Escola integradora
Todas as crianças e Ênfase nas classes
Salamanca-1994
jovens
que
cujas comuns
necessidades decorrem
de suas dificuldades de

708

�LDBEN
4.024/61

n° Educação de excepcionais

Lei n° 5.692/71

Tratamento especial

Política Nacional
de
Educação
Especial
MEC/1994

Educação
especial:
processo que visa promover
o desenvolvimento das
potencialidades das pessoas
portadoras de deficiências.
Abrange os diferentes
níveis e graus do sistema de
ensino

LDBEN
9.394/96

n° Atendimento educacional
especializado gratuito

Diretrizes
Nacionais
Educação
EspecialCNE/2001

aprendizagem
Excepcionais

A educação dos
excepcionais deve, no
que for possível,
enquadra-se
no
sistema geral de
educação
Conforme normas a
serem fixadas pelos
Conselhos
de
Educação
Apoiar o sistema
regular de ensino
para
integração;
estimular parcerias
com
ONG’s
especializadas

Alunos que apresentem
deficiência
física,
mental
ou
sejam
superdotados
Aqueles
que,
por
apresentar necessidades
próprias e diferentes
dos demais alunos no
domínio
das
aprendizagens
correspondentes à sua
idade,
requerem
recursos pedagógicos e
metodologias
educacionais
específicos
Educandos
com Preferencialmente na
necessidades especiais
rede
regular de
ensino, e em classes
especiais em função
das
condições
específicas do aluno
Educandos
com O atendimento deve
necessidades especiais
ser realizado em
classes comuns em
qualquer etapa da
educação básica.

Educação especial como
para modalidade da educação
escolar - recursos e
serviços
para
apoiar,
complementar e em alguns
casos substituir os serviços
educacionais comuns
Plano Nacional de Educação Especial
Pessoas
com
Educação -2001
necessidades especiais
no
campo
da
aprendizagem,
originadas de qualquer
tipo de deficiência

Integração/inclusão
no sistema regular de
ensino e se isso não
for possível em
função
das
necessidades
do
educando, realizar o
atendimento
em
classes e escolas
especializadas

Fonte: FERREIRA (2006, p.94)

Observa-se na literatura, sobre educação para pessoas com necessidades especiais,
especificamente de deficientes visuais, que a preocupação em incluir/integrar este grupo no
sistema de ensino começa a crescer, e ter evidência, a partir da década de 90.

709

�Entre tantos documentos redigidos para embasar as instituições no processo de
adequação a fim de recepcionar estas pessoas, conta-se também, neste período, com o
documento final da Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as formas de
discriminação contra a pessoa portadora de deficiência, realizada em 1999, na Guatemala. O
Brasil tornou-se signatário deste documento aprovado pelo Congresso Nacional. Este,
segundo Mantoan (2006) “[...] veio reafirmar a necessidade de rever o caráter discriminatório
de algumas de nossas práticas escolares [...]” (MANTOAN, 2006, p.200).
No âmbito do ensino superior, a Portaria n° 1.679 de dezembro de 1999, dispõe sobre
requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os processos
de autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições (BRASIL,
1999). O texto desta portaria especifica critérios e instrumentos que a Instituição deve adotar
para realizar as adaptações primordiais de atendimento aos alunos com necessidades
especiais. Para a pessoa com deficiência visual o documento exige:
Compromisso formal da instituição de proporcionar, caso seja solicitada,
desde o acesso até a conclusão do curso, sala de apoio contendo: máquina
de datilografia Braille, impressora Braille acoplada a computador, sistema de
síntese de voz; - gravador e fotocopiadora que amplie textos; - plano de
aquisição gradual de acervo bibliográfico em fitas de áudio; - software de
ampliação de tela do computador; - equipamento para ampliação de textos
para atendimento a aluno com visão subnormal; - lupas, réguas de leitura; scanner acoplado a computador; - plano de aquisição gradual de acervo
bibliográfico dos conteúdos básicos em Braille (BRASIL, 1999, p.1).
Um dos mais recentes e inovadores documentos sobre acessibilidade para deficientes
visuais foi resultado do encontro da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI),
que ocorreu em Marrakech no Marrocos, em junho de 2013. O Brasil, Paraguai, Equador,
Argentina e México, apoiados pelo Grupo de países da América Latina e do Caribe foram os
maiores incentivadores para que esse tratado fosse assinado. Como fruto destas discussões foi
firmado o Tratado de Marrakech, tendo, este, o objetivo principal de facilitar o acesso a obras
publicadas para pessoas cegas, com deficiência visual ou outras deficiências para o acesso ao
texto impresso (TRATADO, 2013).
Para Assunção (2013, p.1):
Mais de 300 milhões de pessoa com deficiência visual serão beneficiadas
com o tratado. Os países que aderiram ao acordo se comprometeram a criar
dispositivos legais na legislação para que obras publicadas, como livros,
estudos científicos, pesquisas, revistas e jornais, protegidas por direito
autoral possam ser distribuídas e publicadas em formato acessível, como o
Braille, Daisy ou mesmo áudio books, sem a necessidade de autorização dos
titulares da obra.

710

�Diante de tantas leis e documentos que norteiam o fazer na educação inclusiva, o que
fará realmente a diferença será a mobilização por parte dos profissionais da área e instituições
de ensino, para colocar em prática as orientações contidas em cada um deles. Não terá
relevância a existência de todos esses documentos, se não houver conscientização de que é
necessário dar início ao processo de inclusão escolar, assim como a indispensabilidade de
fiscalização constante dos órgãos do Ministério da Educação para assegurar o oferecimento de
um serviço de qualidade às pessoas que necessitam de um pouco mais de atenção.

2.2 Conceito de deficiência visual
As pessoas portadoras de deficiência visual são acometidas pela incapacidade de
enxergar, quer seja parcial ou totalmente. Segundo informações da Fundação Dorina Nowill
para Cegos, o grau de acuidade pode variar, determinando, assim, dois grupos de deficiência:
a baixa visão e a cegueira total.
A pessoa com baixa visão ou subnormal, como aquela que tem comprometido o
funcionamento visual em ambos os olhos e que não pode ser corrigido por uso de óculos,
lentes ou cirurgias. As pessoas com cegueira são aquelas que têm perda total da visão. “A
pessoa cega não apresenta resíduo visual aproveitável para a realização de atividades ou para
realizar leituras de textos impressos. A Organização Mundial da Saúde aponta que até 2020
haverá 75 milhões de pessoas cegas no mundo” (DEFENDI, 2001, p.9).

2.3 Inclusão x Acessibilidade: conceitos
De acordo com o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (FERREIRA, 2005), incluir
significa: compreender, abranger, fazer tomar parte, inserir, introduzir. Assim, quando se
fala em inclusão, associa-se instantaneamente o termo à inserção escolar, universitária e/ou
social. Mantoan (2006, p. 16) afirma que a inclusão escolar está articulada a movimentos
sociais mais amplos, que exigem maior igualdade e mecanismos mais equitativos no acesso a
bens e serviços. Os serviços que as instituições podem e devem oferecer para que a pessoa
com certo grau de comprometimento, físico ou sensorial, possa utilizá-los de modo que suas
expectativas sejam atendidas, chamamos de acessibilidade.
Para Gonzalez e Mattos (2014, p.1), acessibilidade:
[...] são as condições e possibilidades de alcance para utilização, com
segurança e autonomia, de edificações públicas, privadas e particulares, seus
espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, proporcionando a maior
independência possível e dando ao cidadão deficiente ou àqueles com
dificuldade de locomoção, o direito de ir e vir a todos os lugares que

711

�necessitar, seja no trabalho, estudo ou lazer, o que ajudará e levará à
reinserção na sociedade.
O termo acessibilidade teve origem no século passado, na década de 40, por meio dos
serviços oferecidos para reabilitação física nos Estados Unidos e Europa. Nos anos 50, a
tentativa de reintegração de pessoas com deficiências visuais e físicas era realizada em várias
esferas, no entanto a dificuldade na adaptação de espaços urbanos e meio de transporte
impedia o avanço dessas iniciativas. A partir de 1960, discussões entre arquitetos norte
americanos e europeus, resultaram no movimento “Projeto livre de barreiras”, onde o objetivo
era oferecer acessibilidade à portadores de necessidades físicas e funcionais (SILVA;
BARBOSA, 2011, p.4).
Com a socialização destes debates e o avanço tecnológico ocorrido nos últimos
tempos, esse projeto foi alterado para o que conhecemos atualmente como “Desenho para
todos”, onde além da adaptação do mundo físico, também é contemplado o mundo virtual.
“Um produto ou sistema projetado sob o conceito de desenho para todos incorpora
características que, além de permitir a sua utilização por pessoas portadoras de deficiência,
tornam o seu uso mais fácil e confortável para todos os usuários” (MAZZONI, et. al, 2001,
p30).
Os conceitos de inclusão e acessibilidade estão estreitamente ligados. A
acessibilidade dá suporte e condições, através da diminuição das dificuldades que as pessoas
com necessidades especiais enfrentam, para que seja concretizado o processo de inclusão. É
imprescindível atentar para seis quesitos importantes que devem ser observados para que a
sociedade, com a ajuda da tecnologia, se torne acessível:
Acessibilidade arquitetônica: não deve haver barreiras ambientais físicas
nas casas, nos edifícios, nos espaços ou equipamentos urbanos e meios de
transporte individuais e coletivos;
Acessibilidade comunicacional: não deve haver barreiras na comunicação
interpessoal, escrita e virtual;
Acessibilidade metodológica: não deve haver nos métodos e técnicas de
estudo, de trabalho, de ação comunitária e de educação dos filhos;
Acessibilidade instrumental: não deve haver barreiras nos instrumentos,
utensílios e ferramentas de estudo, de trabalho e de lazer ou recreação;
Acessibilidade programática: não deve haver barreiras invisíveis
embutidas em políticas públicas e normas ou regulamentos;
Acessibilidade atitudinal: não deve haver preconceitos, estigmas,
estereótipos e discriminações (MELO, 2006, p.18).

712

�Portanto, é imprescindível que haja a promoção desses diferentes tipos de
acessibilidade, sejam eles físicos estruturais ou comportamentais para que os indivíduos com
limitações possam ser e, se desenvolver na sociedade em que vivem igualmente com as outras
pessoas.

3 PERCURSO METODOLÓGICO
3.1 Problemática
O Grupo Evolução está no ramo da educação há 17 anos. Localizada na cidade de Pau
dos Ferros, interior do Rio Grande do Norte, a instituição compromete-se com o
desenvolvimento educacional da região alto oeste potiguar, tendo a responsabilidade de levar
à sociedade, ensino eficiente e de qualidade. Em 2009 foi criada, para fazer parte deste grupo,
a Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar, com a missão de contribuir para o
desenvolvimento das pessoas por meio de uma formação profissional e cidadã.
Atualmente a Instituição de Ensino Superior oferece à comunidade, os cursos de
Administração, Direito, Psicologia, Pedagogia, Design de Interiores e Design de Moda. A
Faculdade está estrategicamente inserida em um local onde recebe alunos de cidades
circunvizinhas do estado do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.
No semestre 2014.1, a FACEP recebeu em seu quadro de alunos uma pessoa com
necessidades especiais, especificamente com deficiência visual, no curso de Psicologia.
Diante das propostas expostas pela IES e pelo fato de ser o primeiro aluno com essa
característica, surgiu o questionamento: Qual percepção do corpo docente diante deste aluno
com necessidades especiais e a relação em sala de aula? Qual o olhar do deficiente visual
quanto à infraestrutura da Faculdade, do corpo docente e da biblioteca universitária? Qual a
preocupação que a IES manifestou e como se preparou para receber um deficiente visual?
Quais os serviços oferecidos pela Biblioteca Universitária para este público específico?

3.2 Tipo, natureza, classificação e procedimentos técnicos da pesquisa
Andrade (2009, p.111) conceitua pesquisa como “[...] o conjunto de procedimentos
sistemáticos, baseados no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para
problemas propostos, mediante utilização de métodos científicos”.
Para Marconi e Lakatos (2012, p.43) “toda pesquisa implica o levantamento de dados
de variadas fontes, quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregadas”. Ainda seguindo
o raciocínio de Marconi e Lakatos (2012), existem dois tipos de processos na pesquisa pelos
quais se pode ter acesso aos dados desejados, são eles a documentação direta e a indireta.

713

�O presente estudo utiliza-se do primeiro processo, onde o levantamento dos dados é
obtido no próprio local em que os fenômenos ocorrem. Silva (2005, p.20) divide a natureza da
pesquisa em básica e aplicada. A pesquisa básica gera conhecimentos úteis ao avanço da
ciência sem aplicação prevista dos resultados e envolve interesses universais, enquanto que a
pesquisa aplicada gera conhecimentos para aplicação prática dirigida à solução de problemas
específicos envolvendo interesses locais. A investigação proposta caracteriza-se como básica,
pois tem a finalidade de conhecer como está ocorrendo o processo de inclusão de alunos com
deficiência visual no ensino superior, e as expectativas deste aluno diante dos serviços
oferecidos pela IES.
A presente pesquisa pode ser classificada como descritiva, onde “os fatos são
observados, registrados, analisados, classificados e interpretados sem que o pesquisador
interfira neles” (ANDRADE, 2009, p.114).
Quanto aos procedimentos metodológicos, foi adotado um estudo de caso, tomando
como campo de pesquisa a Instituição de Ensino Superior, Faculdade Evolução Alto Oeste
Potiguar, na cidade de Pau dos Ferros/RN. Como procedimentos técnicos foram utilizados a
pesquisa bibliográfica, onde foram utilizadas pesquisas em artigos, documentos, livros e
material disponível na Internet. Foram analisados documentos sem tratamento analítico, sendo
eles o Plano de Desenvolvimento Institucional da Faculdade e o Regimento Interno da
Biblioteca.
A forma de abordagem do problema foi definida como qualitativa. Silva (2005, p. 20)
“considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito que não pode ser
traduzido em números. [...] o ambiente natural é a fonte direta para a coleta de dados [...] o
processo e seu significado são os focos principais de abordagem”.
Os instrumentos de coleta de dados utilizados na pesquisa foram o questionário, a
entrevista e a observação não participante. Segundo Silva (2005), a observação não
participante é a situação onde o pesquisador presencia os eventos, mas não participa nem
interfere.

3.3 Etapas da coleta de dados
Os sujeitos participantes da pesquisa foram o corpo docente do curso de Psicologia
(cinco professores), o aluno com deficiência visual, a equipe da biblioteca universitária e o
diretor da IES.
A primeira etapa da coleta de dados foi a observação não participante, realizada na sala
de aula do aluno com deficiência visual, sem que aluno e professor soubessem da finalidade

714

�da pesquisa a fim de que não houvesse mudanças de atitudes influenciadas pelo estudo. A
observação aconteceu entre os dias 03 e 07 de março de 2014, com a oportunidade de
averiguar o ambiente de sala em aula de todas as disciplinas ofertadas ao aluno.
Logo após foi formulado um questionário composto por seis perguntas abertas
direcionado ao corpo docente e ao diretor da instituição. Estes foram enviados via Internet
(aos docentes) e respondido pessoalmente com o diretor da IES. Com o deficiente visual e
equipe da biblioteca foi realizada uma entrevista com perguntas estruturadas. A entrevista
com o deficiente visual durou em torno de vinte minutos e foi registrada com gravador para
posterior descrição. Todas as etapas da coleta de dados foram realizadas no período de 03 a 31
de março com autorização prévia da Instituição analisada.
Ao término das etapas descritas acima, iniciou-se o processo de análise e interpretação
dos resultados. Apoiados pela fundamentação teórica pesquisada a respeito da situação
problema, a análise dos dados buscou responder aos questionamentos que nortearam o
desenvolvimento do presente estudo.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
4.1 Corpo docente x deficiente visual
Nas entrevistas realizadas com o corpo docente do curso no qual o aluno está
matriculado, 80% dos professores relataram ter sido, esta, a primeira vez que tiveram contato
com pessoas com necessidades especiais em sala de aula. Ansiedade, insegurança,
preocupação, medo e satisfação foram os sentimentos destes ao saber que iriam ter como
aluno um deficiente visual. Os sentimentos foram justificados, pelo fato de não se sentirem
suficientemente qualificados para lidar com essa situação, por não terem tido em sua
formação acadêmica preparação para enfrentar esta realidade e pelo medo de errar em algum
momento e agir de forma que pudesse vir a excluir ou prejudicar o aprendizado dos alunos.
Cem por cento dos docentes informaram trabalhar em sala de aula com métodos
expositivos, usando como ferramenta a apresentação de slides. Os conteúdos abordados são
enviados para os e-mails dos alunos para estudos em casa. Os textos discutidos em sala de
aula, escolhidos pelo docente com antecedência, são encaminhados para a caixa de mensagem
do deficiente visual, que acompanha a leitura através do programa Jaws, com sintetizador de
voz em seu notebook. O corpo docente foi unânime em afirmar que trata o aluno com
necessidades especiais, normalmente, com as mesmas cobranças, as mesmas explicações, o
mesmo conteúdo como o que é repassado para os outros alunos da turma. Um dos professores
relatou que no começo do semestre sugeriu que o aluno utilizasse um gravador em sala para

715

�não perder os detalhes das explicações, informou ainda, posicionar o aluno ao seu lado para
auxiliá-lo a qualquer momento, caso necessário. Quanto à infraestrutura da IES, 60% dos
professores concordam que está adequada para receber pessoas com necessidades especiais,
entretanto alguns aspectos precisariam de modificações, entre eles: a inserção no acervo da
biblioteca de livros digitais e Braille; sinalização tátil nas estantes, no piso da instituição e
adaptação das salas. Frisam também, a importância de treinamento do corpo docente para
recepcionar estas pessoas e a necessidade de fomentar um momento de discussão do tema, o
compartilhamento de experiências que ajudem a melhorar/capacitar os professores em
educação inclusiva.

4.2 IES x deficiente visual
Segundo a IES, as políticas e planos institucionais que regem o desenvolvimento da
Faculdade, prezam pela viabilização do acesso e inserção de pessoas com necessidades
especiais educacionais. Desde sua criação em 2009, a estrutura que abriga a instituição passa
por diversas reformas para oferecer qualidade e conforto aos seus alunos. Dentre essas
mudanças estão a construção de rampas com corrimãos e adaptação de banheiros. Com a
incorporação de discentes com deficiência visual em seu quadro, a administração tem
planejado fomentar discussões com as diversas partes e setores da instituição a fim de
promover melhorias que, além das adaptações obrigatórias previstas pelo MEC, facilitem o
aprendizado destes sujeitos.

4.3 Biblioteca Universitária x deficiente visual
A Biblioteca Universitária enquanto disseminadora do conhecimento, sendo também
suporte da tríade ensino, pesquisa e extensão que rege a IES, possui a responsabilidade de ser
aliada nos processos de mudanças possíveis, com a finalidade de facilitar o acesso à
informação, sem cogitar barreiras existentes nesta mediação. A equipe da Biblioteca
Universitária Paulo Bonavides, da FACEP, relatou que desde a inscrição do aluno deficiente
visual no vestibular, teve preocupação com os serviços que deveriam oferecer e as mudanças
que teriam de ser realizadas no espaço da Biblioteca.
Com a confirmação da aprovação do aluno surgiram propostas de adequação e de
inserção de políticas que tornassem mais práticas o acesso à informação do discente. Algumas
delas foram: inclusão nas políticas de aquisição de acervo a compra de livros em Braille e
digital na área específica de estudo, assim como a aquisição de periódicos em formato
acessível; redimensionamento do espaço entre as estantes, assim como a inserção na

716

�sinalização das estantes, de um formato em Braille para a localização dos livros;
disponibilizar nos computadores de pesquisa à Internet, programas leitores de telas,
acompanhados de fones de ouvido; adaptação do site da instituição, assim como a plataforma
do acervo on-line, com sintetizador de voz; ter acesso, com antecedência, aos planos de
ensino dos professores para providenciar as bibliografias básicas e complementares das
disciplinas; dispor de capital humano para digitalizar publicações do acervo, caso o aluno
necessite; contatar fundações e instituições que trabalhem com material para pessoas com
deficiência visual, no intuito de solicitar doações ou aquisição de material.
A equipe da biblioteca relatou que as mudanças estão acontecendo gradativamente,
contanto, o mais importante é o comprometimento mantido em aperfeiçoar seus serviços de
modo que se tornem acessíveis, facilitando a inclusão e a mediação deste aluno com a
informação.

4.4 Percepção do deficiente visual
4.4.1 A trajetória do aluno até a Faculdade
O aluno com necessidades especiais tem 35 anos e possui deficiência visual congênita.
Nasceu com glaucoma, foi perdendo a visual gradativamente, obtendo perda total aos 5 anos
de idade. Na época, frequentava a creche e teve de sair, ficando mais de 15 anos sem acesso à
escola. Retornou os estudos aos 22 anos. Cursou o primeiro e segundo ano com grande
dificuldade, pois as escolas públicas não tinham preparo suficiente para dar suporte ao seu
aprendizado, nem profissionais que pudessem transmitir os conteúdos das disciplinas de
forma eficiente. Relata a carência de estruturas nas cidades do interior e a dificuldade do
acesso ao conhecimento para uma pessoa com deficiência visual. As escolas, à sua época,
eram muito mais carentes de acervo, tecnologia e recursos humanos apropriados para atendêlo. Depois de concluídos esses dois anos, relatou seu afastamento por mais dez anos da escola,
retornando apenas no ano de 2010, onde informou ter tido acesso a uma estrutura escolar com
adaptações mais eficientes, aprendendo a ler e escrever Braille, neste período. Em 2014,
decidiu ir mais além e se inscreveu no curso de Psicologia, tendo êxito no vestibular. Hoje,
percorre 38 km todos os dias para frequentar a Faculdade.

4.4.2 Deficiente visual x Instituição de Ensino Superior
O universitário tem uma percepção positiva frente à IES. Informou que desde o
primeiro contato com a Instituição, percebeu pelo modo como foi recebido, que esta possuía
funcionários preparados para recepcioná-lo, além de estrutura de qualidade para recebê-lo.

717

�Sentiu comprometimento da Faculdade ao se dispor em realizar mudanças, caso fosse
necessário. Exemplificou acessos que facilitam a sua locomoção, como rampas com
corrimãos e ainda afirmou que por ser o único aluno da instituição com necessidades
especiais, sentiu uma grande preocupação, por parte da IES, em oferecer subsídios que
facilitem seu aprendizado, ao contrário de outras instituições bem maiores distribuídas pelo
país.

4.4.3 Deficiente visual x corpo docente
A relação com o corpo docente é aberta. O aluno mencionou que tenta manter uma
comunicação com os professores, a fim de expor as suas necessidades dentro de sala de aula e
que desde o primeiro dia, estes, se disponibilizaram a tirar dúvidas, deixando-o a vontade para
interrogar durante a exposição do conteúdo. Descreveu que, a priori, sentiu-se constrangido
em interromper a fala do professor para obter esclarecimento com medo de atrapalhar o
andamento da aula, mas que aos poucos esta barreira foi quebrada e hoje consegue se expor
facilmente diante da turma. Informou que as metodologias utilizadas em sala são positivas
para seu aprendizado e que conta com um grande aliado para seu desenvolvimento: a
tecnologia. Utiliza o Jaws, programa leitor de tela, que propicia a leitura dos textos em
formato Portable Document Format (PDF) ou em forma de slides, enviados para sua caixa de
mensagem. No entanto, sente falta que os professores se preocupem um pouco mais em saber
se ele está entendendo ou não o que está sendo transmitido. Sente dificuldade nas aulas em
que os docentes utilizam imagens em slides e sugere que eles descrevam durante a exposição
o que estão mostrando. As avaliações são enviadas para seu e-mail no momento em que estão
sendo entregues as provas para o resto da turma. Para o discente esta é uma atitude
democrática e justa por parte dos professores. A questão da avaliação foi relatado com
satisfação, pois o aluno percebeu que os docentes o têm como um aluno normal e não o tratam
com inferioridade ou com privilégios. Na primeira prova realizada, segundo o que foi
exposto, sentiu dificuldades em responder, pois o programa instalado em seu computador não
conseguia ler corretamente, sendo necessário à intervenção de um ledor. Os entraves deste
quesito foram repassados para o corpo docente, havendo assim uma padronização da forma de
redigir a avaliação para facilitar a leitura pelo programa Jaws. O aluno com deficiência visual
enfatizou acima de tudo a importância do entrosamento aluno-professor para dar continuidade
ao processo de desenvolvimento.

718

�4.4.4 Deficiente visual x Biblioteca Universitária
A biblioteca, afirmou o aluno, é utilizada apenas como espaço de estudo com os
colegas de sala. Informou não ter tido muito tempo para frequentá-la e pelo menos por
enquanto está dando prioridade a estudar o que está sendo transmitido em sala de aula com as
gravações de áudio, textos e outros materiais em formato Portable Document Format (PDF),
repassado para seu e-mail e acessado pelo programa Jaws. No entanto, tem consciência da
importância da leitura para sua vida acadêmica, pois acredita que quem ler muito, escreve e
fala bem. Quanto à necessidade das publicações em Braille na biblioteca, achou indispensável
a existência no acervo de obras de referência neste formato, como dicionários da área, por
exemplo, pois serão utilizados para esclarecer suas dúvidas quanto à escrita e significados de
termos específicos do seu curso. Admitiu não utilizar os formatos de livros em Braille como
aparato de estudo por dispender muito tempo na leitura. Indagado sobre que serviços a
biblioteca universitária poderia lhe oferecer, o entrevistado não soube o que cobrar de fato,
pois disse que mesmo tendo conhecimento que a biblioteca, ainda, não oferecesse livros em
Braille, tinha a certeza de que caso precisasse de algum texto, ou livros, os funcionários se
disponibilizariam a facilitar o acesso a este material de alguma forma, digitalizado ou com a
ajuda de um ledor.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A experiência relatada de vários ângulos sobre a inclusão na educação superior e
acessibilidade de pessoas com deficiência visual, traz a tona alguns pontos que devem ser
abordados em discussões mais prolongadas a respeito do tema. Apesar da obrigatoriedade da
inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais, sem questões seletivas de
classes especiais e normais, datar do século passado, ainda percebe-se a falta de preparo dos
docentes em receber esses alunos e desenvolver metodologias em sala que os envolvam.
Como também a ausência na formação superior destes, de disciplinas na grade curricular que
contemplem a educação inclusiva e a prática de métodos.
O fato de “tratar” o aluno especial como “normal” tem seu lado positivo e negativo.
Segundo Mazzoni (2001, p.30) “Aceitar a igualdade genérica pode promover também a
inércia. Essa é a atitude de quem concebe o diferente como igual, mas esquece-se das
adaptações que são necessárias, no âmbito do trabalho, da escola [...] para que pudesse
desfrutar essa igualdade.” A normalidade a que se refere a literatura, trata da forma de aceitar
que “todos” são capazes de aprender, no entanto cada um a seu tempo e a sua maneira e isto é
o “diferente” que deve se tornar evidente.

719

�Os professores que deverão integrar um aluno especial em sala devem começar a
mudança de si mesmos, ter sensibilidade de sentir o que é necessário ser transformado e fazêlo. “Diria que não se transforme em um típico funcionário da alfândega, que apenas esta aí
para vigiar aquela perversa fronteira entre a exclusão e inclusão” (Skliar, 2006, p.33). O autor
afirma ainda que é primordial que o professor se transforme segundo a necessidade gerada em
sala, se preciso for que seja mudado até a oratória, mas que não caia na mesmice, que haja
metamorfose e não metástase. Imprescindível, que ocorram discussões entre o corpo docente
para que estes possam socializar suas dúvidas, ansiedades e experiências. É oportuna a oferta
de suporte da Instituição de Ensino Superior para que estes professores possam desenvolver
suas habilidades, técnicas e metodologias inovadoras.
A Biblioteca Universitária, como mediadora do acesso à informação, possui um
importante papel na inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais, por deter o
suporte intelectual que servirá de alavanca para o desenvolvimento intelectual deste aluno.
Para isto, é essencial que a biblioteca ofereça condições físicas e informacionais mínimas para
aprendizado e manutenção deste aluno como usuário. Percebeu-se o esforço na busca para
implementação de serviços e acervos a serem disponibilizados, no entanto o deficiente visual
ainda não utiliza a Biblioteca como um aliado no seu desenvolvimento. Tem consciência da
importância, mas não sente que necessita, ainda, de seus serviços, pois diz ter a tecnologia
como ferramenta que, por enquanto, supri seus anseios por informações. Recomenda-se que
sejam desenvolvidas políticas de aquisição de acervo contemplando a compra de livros
digitais que sejam acessíveis ao aluno; a instalação de programas sintetizadores de voz e
acessórios para possíveis pesquisas e adaptação do sistema automatizado da biblioteca que
possibilitará que o aluno de casa, usufrua de serviços como renovações e reservas. A
sinalização tátil do acervo deverá ser inserida nas estantes e nos computadores. É importante
que a biblioteca esteja de acordo com o que é exigido pelo Ministério da Educação, através da
portaria 1.679, de dezembro de 1999, em todos os aspectos, seja ele físico ou não.
A Instituição, em seus documentos administrativos contempla as mudanças
necessárias e exigidas pelo Ministério da Educação em todos os seus âmbitos. Algumas
adaptações foram concretizadas, como construção de rampas, corrimãos, adaptação de
banheiro preferencial, ou seja, o mais básico, associando pessoas com necessidades especiais
apenas às pessoas com limitações físicas. Às vezes, o fato de não ter na instituição pessoas
que demandem certas especificidades estruturais, o que era essencial se torna secundário. No
entanto, é mister que haja mudanças na estrutura física, nas placas de orientação dos setores,

720

�nos serviços de alimentação oferecidos e no portal de acesso dos alunos(com sintetizadores de
voz).
A percepção do deficiente visual frente a este novo mundo de possibilidades que lhe é
apresentado no ensino superior, é de satisfação. Mesmo que ainda não estejam sendo
oferecidos serviços devidamente estruturados e adaptados, o que lhe é garantido por lei, o
básico parece já lhe bastar. Em sala de aula, não é excluído, desenvolve seus trabalhos
corriqueiramente e é tratado como um aluno sem deficiência, mas sente necessidade de ter
uma atenção a mais nas explicações mais específicas. A turma tem fundamental importância
em seu desenvolvimento intelectual. Segundo relatos, existe uma cumplicidade comparada a
de irmãos entre eles, onde a parceria torna-se evidente. Stainback (1999) relata ser saudável
esta interação de aprendizagem entre alunos da mesma turma. “Os benefícios dos alunos que
recebem instrução dos colegas [...] incluem importantes ganhos acadêmicos, desenvolvimento
de habilidades de interação social positiva e elevação da auto-estima” (STAINBACK, 1999,
p.204). Expõe a certeza de que percebe nas pessoas que o cercam, nos funcionários que o
atendem e na própria instituição a acessibilidade atitudinal, ou seja, a disponibilidade em
ajudar e a ausência de estigmas e preconceitos diante de sua limitação sensorial.
A descoberta fundamental desta pesquisa foi a clareza de que não é possível
desenvolver estratégias de inclusão isoladamente. Reforçamos e concordamos que “A
acessibilidade não deve ser caracterizada por um conjunto de leis, e sim por um processo de
observação e construção, feito por todos os membros da sociedade” (MAZZONI, et. al, 2001,
p.31). É de suma importância que todas as partes envolvidas no processo de inclusão, desde a
pessoa com necessidades especiais à entidade que oferece o serviço, estejam em harmonia
comunicacional para que sejam promovidos recursos de acessibilidade que garantam a este
público um serviço de qualidade.

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723

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                <text>A preocupação com a inclusão social escolar universitária está claramente expressa em várias leis, normas, documentos resultantes de encontros, seminários e conferências sobre o tema. Estes são instrumentos atualizados na tentativa de realçar a importância em disponibilizar, às pessoas com necessidades educativas especiais, condições de aprendizado e desenvolvimento educacional igualitário. Neste artigo, realizado pela Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar (FACEP), é apresentado os resultados de um trabalho que teve como objetivo investigar o processo de inclusão e acessibilidade dos alunos em sala de aula, na instituição e na biblioteca universitária, além da percepção do discente, com deficiência visual, diante de cada um dos sujeitos participantes do estudo. As observações, abordagens, análises de documentos administrativos, entrevistas envolvendo docentes, direção, equipe da biblioteca universitária e discente com deficiência visual foram reveladoras de questões importantes que poderão fazer com que olhemos cada vez mais atentamente a inserção dos deficientes à sociedade acadêmica. Os resultados mostram como o deficiente visual percebe seu processo de inclusão, dando uma descrição mais clara de como os sujeitos envolvidos no processo vivenciaram o primeiro contato com uma pessoa com necessidades educacionais especiais. Foram utilizados por base de fundamentação teórica autores como: ASSUNÇÃO (2014), CAIADO (2003), DEFENDI (2001), MARCONI (2012) entre outros que abordam a questão da acessibilidade mostrando, sobretudo, a importância em promover mudanças favoráveis que tornem acessível à inserção do deficiente visual no ensino superior bem como no seio da sociedade como um todo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA VAI À SBPC209: uma experiência com projeto de extensão

Luiza Maria Pereira de Oliveira
Lílian Lima de Siqueira Melo
Sandra Maria Neri Santiago

RESUMO
O texto relata a experiência do minicurso intitulado “Normalização de artigos científicos
segundo a NBR 6.022/2003”, realizado na 65a Reunião Anual da SBPC, no período de 21 a
26 de julho de 2013, no campus da UFPE, em Recife, PE, e que traçou como objetivo auxiliar
alunos e professores da graduação, pós-graduação e pesquisadores em geral na elaboração e
apresentação de artigos científicos de acordo com as normas da ABNT. O universo da
pesquisa foi composto por 60 participantes do minicurso. A amostra, aleatória, corresponde a
65% desse universo. O instrumento escolhido para a coleta de dados foi o questionário. Para
analisar os dados, utilizou-se uma abordagem quali-quantitativa. Os resultados demonstram
que atividades de extensão, como minicurso, possuem boa receptividade, e, sobretudo,
contribuem para a organização e disseminação do conhecimento produzido nas instituições.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Projeto de extensão - Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência (SBPC). Normalização. Artigo científico.
ABSTRACT
This report describes the experience of the short course entitled "Standardization of scientific
articles according to NBR 6.022/2003" held on 65th Annual Meeting of the SBPC, from 21 to
26 July 2013, on the campus UFPe, Recife, PE, and traced intended to assist students and
teachers of undergraduate, postgraduate and researchers generally in the preparation and
presentation of scientific articles according to the ABNT. The research sample consisted of 60
participants in the short course. A random sample, representing 65% of this universe. The
chosen instrument for data collection was the questionnaire. To analyze the data, we used a
qualitative and quantitative approach. The results demonstrate that the extension activities,
such as short course, have good reception, and above all contribute to the organization and
dissemination of knowledge produced in the institutions.
Keywords: University library. Extension project - Brazilian Society for the Advancement of
Science (SBPC). Standardization. Scientific article.

1 INTRODUÇÃO
209 Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

1830

�No mundo atual o conhecimento é considerado um bem valioso para o
desenvolvimento da sociedade. Nas universidades, ele é produzido constantemente e ao final
desse processo deve ser compartilhado para acesso de futuras gerações de pesquisadores.
A biblioteca é o principal organizador e difusor do conhecimento gerado nas
universidades; que devem priorizar a qualidade, empreendendo esforços para que os autores
produzam o conhecimento de forma a facilitar a sua organização e difusão.
Diversos são os meios utilizados para disseminação de novos conhecimentos, dentre
eles o artigo científico que, através de sua publicação em periódicos especializados, se destaca
pela rapidez com que é divulgado por meio dos recursos tecnológicos.
Em publicações científicas, o artigo é submetido ao processo de avaliação pelos pares,
que além do conteúdo, também é analisado a forma de apresentação; permitindo o aceite pela
comunidade científica. A estrutura do artigo deve seguir as normas editoriais dos periódicos,
onde cada editor adota uma norma de acordo com as tendências da área de atuação ou de
acordo com o país de publicação. Em diversos casos no Brasil, as normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), são indicadas para constituir os elementos dos
artigos. Destarte, antes de enviar o artigo, o autor deve consultar as normas para publicação,
impressas normalmente no final do periódico, especificamente no item intitulado “instruções
para o(s) autor(es)”, para que assim, possa ser realizado a normalização do artigo.
Com a crescente necessidade de pesquisadores, professores e estudantes de
divulgarem suas pesquisas e o grande avanço que a pesquisa científica vem conquistando no
país, torna-se imprescindível que a biblioteca planeje atividades de extensão para contribuir
com os indivíduos que desejam ingressar no campo da produção e divulgação científica
universitária.

Diante

desse

contexto,

surgiu a proposta

do

minicurso intitulado

“Normalização de artigos científicos segundo a NBR 6.022/2003” para ser realizado na 65a
Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no período de 21
a 26 de julho de 2013 no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em
Recife, PE, com o objetivo de auxiliar alunos e professores da graduação, pós-graduação e
pesquisadores em geral na elaboração e apresentação de artigos científicos de acordo com as
normas da ABNT.
A Reunião Anual da SBPC é um importante fórum para a difusão dos avanços da
ciência nas diversas áreas do conhecimento e um fórum de debates de políticas públicas para a
ciência e tecnologia. É realizada desde 1948, com a participação de representantes de
sociedades científicas, autoridades e gestores do sistema nacional de ciência e tecnologia.

1831

�A programação científica é, geralmente, composta por conferências, simpósios, mesasredondas, encontros, sessões especiais, minicursos e sessões de pôsteres. Acontecem também,
durante a Reunião Anual, eventos paralelos, como a SBPC Jovem (programação voltada para
estudantes do ensino básico), a ExpoT&amp;C (mostra de ciência e tecnologia) e a SBPC Cultural
(apresentação de atividades artísticas regionais e discussões sobre temas relacionados à
cultura).
A cada ano, a Reunião Anual da SBPC é realizada em um estado brasileiro, sempre
em universidade pública. O evento reúne cientistas, professores e estudantes de todos os
níveis, profissionais liberais e visitantes.

2 O PAPEL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NOS PROJETOS DE EXTENSÃO
As universidades tem como pressuposto trabalhar em benefício da sociedade,
principalmente porque visam formar e capacitar pessoas, incentivar a produção, o registro do
conhecimento e a apoiar o desenvolvimento de pesquisas e as atividades de extensão,
fortalecendo o país como um todo.
O artigo 207 da Constituição Brasileira dispõe que as universidades tem autonomia
didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial e deverão obedecer ao
princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão (BRASIL, 1988).
Segundo Garrafa (1989, p. 109), “extensão é conceituada como um processo educativo
cultural e cientifico que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável e viabiliza a
relação transformadora entre universidade e sociedade”. Portanto, o meio social é o objeto da
extensão e o principal beneficiado, exercendo assim uma ferramenta articuladora do ensino e
da pesquisa, considerados assim os três pilares da universidade pública brasileira.
As atividades de extensão advêm de uma metodologia diferenciada, envolve em prol de
um mesmo objetivo discente, docente e comunidade, promove a reflexão sobre as práticas e
experiências vivenciadas contribuindo para uma nova forma de concretização do processo de
ensino-aprendizagem. Além de possibilitar o processo dialético entre teoria e prática, a
extensão é um trabalho interdisciplinar favorecendo a visão integrada do social.
As bibliotecas universitárias devem apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão
das universidades, pois elas têm papel preponderante no desenvolvimento da sociedade como
mediadoras no processo de geração e produção do conhecimento.
De acordo com Costa et al. (2008), as bibliotecas universitárias são como um espaço
de cidadania, construído por meio de experiências de extensão planejadas para e com os
grupos e sujeitos sem vínculos formais com a Academia, mas que moram no entorno e por

1832

�vezes possuem acesso precário à informação, sobretudo em função das condições
socioeconômicas que marcam a vida cotidiana de parte significativa da população brasileira.
Portanto, a biblioteca é um órgão de extrema importância no contexto universitário,
estando posicionada como agente positivo das mudanças sociais necessárias. Nesse cenário o
bibliotecário tem um papel determinante. Segundo Dudziak (2007, p. 96):

O bibliotecário assume para si, além do papel de educador, renovação de sua
própria competência informacional, adotando e disseminando práticas
transformadoras na comunidade: pratica o aprender a aprender, difunde e
populariza a ciência, explica as implicações da tecnologia, discute a
realidade social e política, alerta para a responsabilidade social e ambiental.

Assim, a biblioteca, tendo o bibliotecário como articulador desse processo, facilita a
percepção/aquisição de conhecimento capaz de propiciar mudanças significativas no
indivíduo e na sociedade. Saindo do seu ambiente físico convencional e utilizando novos
veículos na promoção do conhecimento, o bibliotecário favorece novas oportunidades de
intercambiar informação (DUDZIAK, 2007).
Um dos paradigmas da educação é adquirir habilidade para aprender, saber obter,
utilizar e gerar nova informação; neste contexto a biblioteca torna-se extremamente
importante, pois pode contribuir para a democratização do saber, ou seja, facilitar e aumentar
o acesso e, mais ainda, contribuir para que a informação recebida transforme-se em
conhecimento, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos (MACHADO, 2009).
As instituições de ensino superior e bibliotecas universitárias, entre outras, contribuem
de forma significativa, no aprender a conhecer, e no aumento dos saberes, tanto nos projetos
acadêmicos quanto nos de extensão favorecendo o despertar da curiosidade intelectual dos
indivíduos, estimulando o sentido crítico e permitindo compreender a realidade, mediante a
aquisição da capacidade de discernir.
Na visão de Dziekaniak (2008), a biblioteca universitária deve assumir e desempenhar
o papel de ator principal no processo educacional, por ser um importante instrumento que a
universidade dispõe para exercer sua função social e de cidadania e oferecer uma formação
global. A evolução do ensino, da pesquisa e da extensão nas universidades brasileiras tem
contribuído para o desenvolvimento do país em todos os níveis (tecnológico, social,
econômico, cultural e ambiental) e, sendo assim, cresce a exigência para o desenvolvimento e
aperfeiçoamento.
A biblioteca universitária pode trabalhar como produtora de conhecimento, atuando
nos projetos de extensão, de modo a atingir concretamente toda a comunidade que a rodeia,

1833

�construindo laços sociais que garantam o fenômeno da transformação da informação em
conhecimento.
Observa-se que as melhores bibliotecas universitárias destacam-se pela excelência de
seus serviços prestados tanto à comunidade acadêmica como à sociedade, reafirmando a sua
função social. Miranda (1980) destaca que biblioteca e universidade são fenômenos
indissociáveis, vasos comunicantes, causa e efeito. A biblioteca não pode ser melhor que a
universidade que a patrocina. A universidade, consequentemente, não é melhor do que o
sistema bibliotecário em que se alicerça. Sendo assim, tanto as bibliotecas como as
universidades são pontos de convergência de ideias e distribuição dos saberes, onde todas as
formas de conhecimento podem dialogar, desenvolvendo as peculiaridades de cada região
onde estiverem estabelecidas.

3 NORMALIZAÇÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS
Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003, p. 2), o artigo científico
é “parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos,
técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento”, e, sobretudo de
possibilitar a difusão desses mesmos resultados de maneira eficiente e eficaz.
Para Oliveira (2007), o artigo científico constitui o meio mais ágil para se apresentar
os resultados das pesquisas e causar novas discussões. É também uma ferramenta de
divulgação de estudos acadêmicos, seja de graduação, ou pós-graduação.
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2014b), a normalização é uma
“atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições
destinadas à utilização comum e repetitiva, com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem,
em um dado contexto”. A produção científica é considerada um elemento essencial para que a
universidade atinja índices de qualidade, competência e credibilidade perante o meio
científico. Essa qualidade depende tanto do trabalho intelectual dos cientistas como da forma
de apresentação, ou seja, normalização, que irá facilitar a disseminação do conhecimento e a
recuperação das obras devidamente referenciadas.
As autoras Curty e Bocatto (2005, p. 95, grifo nosso), destacam que:
A normalização de documentos visa à padronização e simplificação no
processo de elaboração de qualquer trabalho científico. Facilita também o
processo de comunicação e intercâmbio dentro da comunidade científica,
possibilitando o processo de transferência de informação. Sendo assim, a
normalização não tem o propósito de cercear a criatividade e a liberdade
dos autores, mas, sim, o de facilitar aos diferentes leitores das diversas
culturas o acesso às suas ideias e concepções científicas .

1834

�Na visão de Melo et al. (2012), a importância da normalização está diretamente ligada
aos princípios básicos que se relacionam com a produção e disseminação do conhecimento,
como: garantir a veracidade e segurança das informações, facilitar a circulação de
informações e diversas fontes informacionais e evitar a duplicidade de fontes. Corroborando
com os autores anteriormente citados, Santiago (2014) aponta que a normalização de
documentos técnicos científicos, no caso específico os artigos científicos, se constituí em uma
atividade que reúne condições e características apropriadas para que a comunicação no meio
científico ocorra de maneira eficiente.
Segundo o Centro Universitário UNIFEO (2014), a ausência da normalização, no
campo da documentação científica, tem como consequência a inércia, por oposição ao
desenvolvimento científico, pois, sem normas não há tramitação, disseminação ou
recuperação possível de novos conhecimentos pesquisados e produzidos pela comunidade
acadêmica.
Diversos organismos atuam na normalização da área de documentação científica, seja
nacional ou internacional. No Brasil, destaca-se a ABNT, entidade privada, sem fins
lucrativos, que estabelece normas para a produção nos setores científico, técnico, comercial,
agrícola, e industrial do país. Fundada em 1940, a instituição é responsável pela elaboração da
normalização de produtos, entre os quais, os documentos técnico-científicos. Representante
oficial no Brasil das entidades internacionais de normalização: International Organization for
Standardization (ISO) e International Elecrotechnical Commission (IEC) e das entidades de
normalização regionais: Comissão Panamericana de Normas Técnicas (COPANT) e a
Associação Mercosul de Normalização (AMN). Do mesmo modo, representa o Brasil nas
entidades internacionais de normalização técnica (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 20014a).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A partir de um e-mail da direção da Biblioteca Central (BC) convocando os
bibliotecários da unidade para apresentarem sugestões de atividades direcionadas à SBPC, foi
elaborada uma proposta em formulário específico do evento para a realização do minicurso
“Normalização de artigos científicos segundo a NBR 6022/2003”.
A proposta foi apresentada via e-mail à Comissão de Programação Científica do
evento, que após avaliação, obteve resultado positivo, porém, com sugestões de alterações no
conteúdo, especificamente no módulo que tratou dos exercícios práticos, orientado para ser

1835

�apenas arquivos em formato eletrônico devido à falta de recursos financeiros para a confecção
de material de apoio.
Após serem realizadas as alterações, deu-se início a fase de concretização do
planejamento da metodologia assim como da elaboração do material a ser utilizado.
O minicurso foi realizado no prédio da central de aulas da UFPE nos dias 23, 24, 25 e
26/07/13, no horário das 08h00 às 10h00, totalizando uma carga horária de 8h/aula.
O público-alvo foi constituído por alunos dos cursos de graduação e pós-graduação,
professores e pesquisadores de diferentes Instituições de Ensino Superior (IES), perfazendo
um total de 60 inscritos no minicurso.
O processo de divulgação e inscrição foi de responsabilidade do evento, ou seja,
realizado por meio do site http://www.sbpcnet.org.br/recife/home/.
O conteúdo abordado foi distribuído em 4(quatro) módulos alternados. São eles:
1° módulo: NBR 6.022/2003 (Artigo em publicação periódica científica impressa Apresentação);
2° módulo: NBR 6.023/2002 (Referências - Elaboração);
3° módulo: NBR 10.520/2002 (Citações em documentos - Apresentação) e;
4° módulo: exercícios práticos (arquivos eletrônicos).
O conteúdo foi definido por saber que a norma NBR 6.022/2003 possui referências
normativas, ou seja, está relacionada com as demais contendo disposições que, ao serem
citadas, constituem prescrições para a norma que trata da apresentação de artigos científicos.
Quanto à metodologia, adotou-se a aula expositiva-dialogada, utilização de recursos
audiovisuais/multimídia e slides com conceitos. Á medida que o conteúdo era ministrado os
participantes apresentavam as respectivas dúvidas.
Quanto à avaliação do minicurso, foi realizada na conclusão do quarto módulo, tendo
como instrumento de coleta de dados o questionário, contendo 9 (nove) perguntas fechadas e
2 (duas) abertas. O questionário pode ser definido como uma série ordenada de perguntas que
devem ser respondidas por escrito pelo informante. Segundo Barros e Lehfeld (2010, p. 109),
“o questionário permite ao pesquisador abranger um maior número de pessoas e de
informações em espaço de tempo mais curto do que outras técnicas de pesquisa” e de perceber
que “o pesquisado tem tempo suficiente para refletir sobre as questões e respondê-las mais
adequadamente”.
Os dados foram analisados por meio de uma abordagem que inclui os métodos
quantitativo e qualitativo. O quantitativo objetiva destacar dados quantificáveis, que podem
ser demonstrados através de tabelas e gráficos; e o qualitativo, com base em Minayo (2009),

1836

�pela possibilidade que o método permite de analisar atitudes como: pensamentos, ações,
opiniões e informações livres dos pesquisados.
Após coletar os dados, iniciou-se a pré-análise codificando os questionários
respondidos pelos participantes do 4° módulo do minicurso. Os mesmos receberam o código
(P) acrescido de uma numeração sequencial que abrangeu de 1 a 39. Essa codificação foi
realizada com o objetivo de observar a existência de algumas diferenças de comportamento
entre os pesquisados.

4 RESULTADOS FINAIS
O processo de análise dos resultados da pesquisa se refere aos dados obtidos através
do questionário aplicado aos participantes do 4° módulo do minicurso, com participação
efetiva de 39 inscritos.
A amostra se caracterizou como aleatória, e foi constituída pelo número de
questionários devolvidos e respondidos, correspondendo a 65% do universo da pesquisa.
Inicialmente optou-se por conhecer a instituição a qual o participante pertencia, sendo
evidenciada na Tabela 1.

Tabela 1 - Instituição
ESPECIFICAÇÃO
Universidade Federal de Pernambuco
Instituto Federal de Educação,Ciência e Tecnologia de
Pernambuco
Universidade de Pernambuco
Centro Universitário CESMAC
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de
Tocantins

NÚMERO
13
7

PERCENTUAL (%)
32%
18%

2
2

5%
5%

2

5%

2

5%

Fonte: Dados da pesquisa, maio de 2014

1837

�Percebe-se na Tabela 1, que um número significativo de participantes pertencem à
Universidade Federal de Pernambuco (32%), enquanto que outros ao Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (18%).
No que se refere ao grau de instrução dos participantes, os dados são apresentados no
Gráfico 1.

Gráfico1 - Vínculo
■ G rad u ação

« P ó s -g ra d u a ç ã o

« P ro fe s s o r

« F u n c io n á rio

0%

Fonte: Dados da pesquisa, maio de 2014

Os dados do Gráfico 1 evidenciam que os pesquisados são em sua maioria da
graduação (79%) seguidos da pós-graduação (13%). A partir desses percentuais infere-se que
a necessidade em redigir artigos de acordo com as normas da ABNT surge já na graduação.
Perguntou-se aos pesquisados, se o minicurso proporcionou a apreensão de novos
conhecimentos quanto ao uso das normas da ABNT.

Gráfico 2 - Aquisição de novos conhecimentos
H SIM

U NAO

Fonte: Dados da pesquisa, maio de 2014

1838

�Os dados do Gráfico 2 revelam que 97% dos pesquisados adquiriram novos
conhecimentos quanto ao uso das normas da ABNT.
No que diz respeito ao nível de contribuição do minicurso para a normalização do
artigo científico é apontado no Gráfico 4.

Gráfico 3 - Nível de contribuição

Observando os dados do Gráfico 3, percebe-se que o nível de contribuição do
minicurso para a normalização do artigo científico dos pesquisados foi classificado como
ótimo (61%), seguido de bom (31%).
O gráfico seguinte explicita as expectativas dos pesquisados em relação ao conteúdo
abordado.
Gráfico 4 - Conteúdo abordado

Fonte: Dados da pesquisa, maio de 2014

1839

�Os dados do Gráfico 4 evidenciam que o conteúdo abordado atendeu em 100% as
expectativas dos pesquisados.
Dando continuidade, indagou-se a pertinência entre carga horária e conteúdo, cujos
resultados são evidenciados no gráfico 5.
Gráfico 5 - Carga horária

Através dos dados do Gráfico 5 observa-se que os pesquisados indicaram em 59% que
a carga horária foi adequada para o conteúdo abordado, seguido de 41% para negativa.
Perguntou-se também como os pesquisados classificavam a metodologia adotada.

Gráfico 6 - Metodologia

Os dados do Gráfico 6 revelam que os pesquisados classificaram a metodologia
adotada como ótima (72%), seguido de boa (23%).
A classificação do material de apoio, é apontado pelos pesquisados no Gráfico 7.

1840

�Gráfico 7 - Material de apoio

Através dos dados do Gráfico 7 observa-se que os pesquisados indicaram o material de
apoio como sendo bom (54%), seguido de ótimo (31%).
O gráfico a seguir apresenta como os pesquisados consideram o nível de infraestrutura
(organização, local, logística, acomodação, etc.) para a realização do minicurso.

Gráfico 8 - Infraestrutura

Fonte: Dados da pesquisa, maio de 2014

Os dados do Gráfico 8, revelam que os pesquisados consideram o nível de
infraestrutura como bom (61%), seguido de ótimo (26%).
O preparo pedagógico/regência de classe do facilitador em ministrar o conteúdo do
minicurso, são apresentados no Gráfico 9.

1841

�Gráfico 9 - Capacitação, habilidades e competências do facilitador
90 %

RUIM

REGULAR

BOM

ÓTIMO

Fonte: Dados da pesquisa, maio de 2014

Através dos dados do Gráfico 9, observa-se que o desempenho do bibliotecário
facilitador foi considerado ótimo por 90% dos pesquisados, seguido de bom (10%); o que
caracteriza que o mesmo está capacitado, possui habilidades e competências para ministrar o
minicurso. De acordo com a Special Libraries Association (1996), uma das competências do
bibliotecário é a “capacidade de desenvolver e administrar serviços de informação que
atendam as necessidades de grupos de usuários”.
Na última questão solicitou-se que os pesquisados apresentassem sugestões para a
melhoria do minicurso. As indicações foram apresentadas por 59% dos pesquisados, que são
pontuadas a seguir: aumento da carga horária, disponibilização do material de apoio
antecipadamente, mudança de horário, melhoria na adequação da iluminação da sala, oferta
do minicurso em outras instituições, melhoria no acesso físico ao local e criação de um canal
de comunicação com o facilitador.
Os depoimentos indicam boa receptividade ao minicurso, além de sugestão de aportes
logísticos e pedagógicos que otimizarão o referido evento. Outro aspecto a ser considerado, a
partir dos depoimentos, é que atividades desse gênero torna o usuário autossuficiente no uso
das normas da ABNT, evidenciando a importância de se ter, no leque de produtos ofertados
por bibliotecas universitárias, a capacitação dos usuários no uso das normas.
Após ser finalizada a análise dos resultados, apresentam-se as considerações a seguir.

1842

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A construção do conhecimento é uma obra coletiva e dinâmica. Sua apreensão pela
humanidade é constante e carece de instrumentos sempre atualizados e apropriados para sua
transmissão. Cabe então, a biblioteca universitária, buscar subsídios para melhorar cada vez
mais a metodologia empregada nesse processo, e assim, otimizar os resultados obtidos até
então, com vistas à contribuir para a normalização das comunicações científicas das
instituições, especificamente o artigo científico, pois o conhecimento nele contido,
considerado fonte de valor e riqueza da atual sociedade, deve ser compartilhado, disseminado
e recuperado de forma sistemática, tanto no ambiente acadêmico como fora dele.

6 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Conheça a ABNT. Disponível
em: &lt;http://www.abnt.org.br/m3.asp?cod_pagina=929&gt;. Acesso em: 28 mar. 2014a.
______. NBR 6022: informação e documentação: artigo em publicação periódica científica
impressa: apresentação. Rio de Janeiro, 2003.
______.

normalização.

Serviços:

Disponível

em:

&lt;http://www.abnt.org.br/m3.asp?cod_pagina=929&gt;. Acesso em: 15 abr. 2014b.
BARROS, A. J. P. de; LEHFELD, N. A. de S. Fundamentos de metodologia: um guia para a
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Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível
em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/constituicao/constituicao.htm&gt;. Acesso em: 10
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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFEO. Capacitação dos usuários da Biblioteca Prof. Dr.
Luiz Carlos de Azevedo para a normalização de trabalhos acadêmicos. Disponível em:
&lt;http://www.unifieo.br/noticia.php?sec=120&amp;mat=502&amp;titulo=Capacitacao+dos+Usuarios+d
a+Biblioteca&gt;. Acesso em: 19 mar. 2014.
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de

Bibliotecas

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conhecimento na área de ciências da informação. Perspect. Ciênc. Inform., Belo Horizonte,
v. 10, n. 1, p. 94-107, jan./jun. 2005.

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�DUDZIAK, E. A. O bibliotecário como agente de transformação em uma sociedade
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1844

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>A Biblioteca vai à SBPC: uma experiência com projeto de extensão.</text>
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              <elementText elementTextId="74844">
                <text>Oliveira, Luiza Maria P. de, Melo, Lílian Lima de S., Santiago, Sandra Maria N.</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>UFMG</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2014</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="74850">
                <text>O texto relata a experiência do minicurso intitulado ―Normalização de artigos científicos segundo a NBR 6.022/2003‖, realizado na 65ª Reunião Anual da SBPC, no período de 21 a 26 de julho de 2013, no campus da UFPE, em Recife, PE, e que traçou como objetivo auxiliar alunos e professores da graduação, pós-graduação e pesquisadores em geral na elaboração e apresentação de artigos científicos de acordo com as normas da ABNT. O universo da pesquisa foi composto por 60 participantes do minicurso. A amostra, aleatória, corresponde a 65% desse universo. O instrumento escolhido para a coleta de dados foi o questionário. Paraanalisar os dados, utilizou-se uma abordagem quali-quantitativa. Os resultados demonstram que atividades de extensão, como minicurso, possuem boa receptividade, e, sobretudo, contribuem para a organização e disseminação do conhecimento produzido nas instituições.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GERENCIAMENTO DE ACERVO ATRAVÉS DA TECNOLOGIA RFID: A
EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA
Nivaldo Oliveira
Rosiane Maria Oliveira
Fernanda Vasconcelos Amaral
RESUMO
Este relato de experiência apresenta a implantação do sistema de RFID na Universidade
Federal de Lavras (UFLA). Com a crescente expansão dos cursos e do número de alunos da
UFLA, a Biblioteca Universitária percebeu a necessidade de modernizar e agilizar os serviços
oferecidos ao público da instituição. Para alcançar esse objetivo, foi elaborado um projeto de
segurança, identificação e gerenciamento do acervo da biblioteca, por meio da tecnologia de
identificação por radiofrequência, mais conhecida pela sigla RFID. A implantação desse
sistema foi estruturada em quatro fases e envolveu: a) levantamento de fornecedores de
tecnologia RFID; b) aquisição de etiquetas e equipamentos de radiofrequência; c)
magnetização do acervo e d) treinamento dos servidores e usuários da biblioteca. Com a
utilização da tecnologia RFID, houve melhoria na segurança e no monitoramento do acervo,
otimização do serviço de circulação de material por meio do autoempréstimo, mais autonomia
para o usuário e liberação de servidores para realizar outras atividades. Neste artigo, busca-se
compartilhar a experiência da Biblioteca Universitária da UFLA na implantação desse
sistema, além de apresentar os benefícios, os problemas e a avaliação da tecnologia RFID.
Palavras-chave: Radiofrequência; RFID; Autoempréstimo; Segurança e gestão do acervo.

ABSTRACT
This experience report shows the implementation of the RFID system at the Federal
University of Lavras (UFLA). Due the growing expansion of courses and number of students
from UFLA, the University Library realized the need to modernize and streamline the
services offered to the public. To achieve this goal, a security, identification and management
project for the library resources was developed, using the Radio Frequency Identification
technology, also known by the acronym RFID. The deployment of this system was structured
into 4 phases and involved: (a) survey of RFID technology suppliers; (b) acquisition of tags
and RFID equipment; c) magnetization of the library’s collection; and (d) training of the
library employees and users. Due the use of RFID technology, there has been an improvement
in the safety and management of the library’s collection, the loan service has been optimized
by the auto loan, the library’s users have become more independent and it has been possible
to allocate some employees to perform other tasks. In this article, we share the experience of
the University Library of UFLA in the deployment of this system and also present the
benefits, problems and evaluation of the RFID technology.
Keywords: Radio Frequency Identification; RFID; Self loan; Collections security and
management.

2773

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Lavras (BU/UFLA) vem se
consolidando, ao longo dos anos, como referência imprescindível para as atividades de
ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas no âmbito da UFLA. Além disso, por se tratar de
um organismo pertencente a uma instituição pública, a biblioteca presta serviços para
segmentos variados da população de Lavras e região, sobretudo àqueles vinculados ao sistema
educacional.
Atualmente, o acervo da BU/UFLA soma 288.911 exemplares, dos quais 77.948 são
livros nacionais e estrangeiros e, ainda, 25.027 dissertações e teses, 9.167 folhetos, 591
trabalhos de conclusão de curso, 68 normas técnicas, 181 CD-ROMs, 70 DVDs, 18 gravações
de vídeo e 175.671 periódicos nacionais e estrangeiros337, além de 186 materiais especiais
(computador portátil, material Braille e outros). Com uma coleção tão grande, a preocupação
com a vulnerabilidade do acervo é inerente.
Relatos de desaparecimento de materiais bibliográficos em bibliotecas são comuns,
inclusive casos referentes a furtos de acervos de difícil aquisição, que são de importância
significativa para as universidades e, até mesmo, para a cultura nacional. Por isso, é
importante a adequação da infraestrutura das bibliotecas universitárias, de forma a restringir
as ocorrências de roubos e de desvios de obras.
Além disso, devido ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais (Reuni), iniciado na UFLA em 2008, houve um aumento de mais de
100% do número de estudantes matriculados, com um salto aproximado de 5.500 para 12.000
alunos, entre graduandos e pós-graduandos338. Esse crescimento da comunidade acadêmica
acarretou uma sobrecarga de trabalho no setor de circulação de materiais, que passou a
demandar um sistema mais eficiente para o serviço de atendimento ao usuário.
Por isso, em setembro de 2012, o projeto “Sistema de Radiofrequência - RFID:
segurança, identificação e gerenciamento do acervo da Biblioteca da UFLA” foi elaborado a
partir da constatação da necessidade de garantir a proteção do acervo e também da
possibilidade de otimização dos serviços prestados pela BU/UFLA. O objetivo do projeto era
revitalizar a segurança e a gestão do acervo de forma rápida, periódica e precisa, visando à

337 Os dados estatísticos foram coletados em 10 de abril de 2014, por meio do sistema de gerenciamento de
bibliotecas, o Pergamum.
338 Os dados referentes à quantidade de cursos e alunos da UFLA foram extraídos do site da Diretoria de
Registro Acadêmico da UFLA (DRCA/UFLA). Disponível em: &lt;www.drca.ufla.br&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.

2774

�segurança do patrimônio público e aperfeiçoar o serviço de empréstimo e, consequentemente,
melhorar a qualidade do atendimento prestado.
Outros objetivos mais específicos também foram traçados, a saber:
^ dotar a biblioteca de infraestrutura antifurto inovadora, adequada e compatível
com o atual acervo;
^ aferir periodicamente o acervo, possibilitando a realização de inventário de forma
rápida e eficiente, ação não realizada nos últimos 10 anos, a qual permitirá
conhecer o estado real de perdas do acervo;
^ monitorar o acervo, facilitando a localização das obras deslocadas frequentemente
pelos usuários;
^ agilizar o processo de empréstimo das obras por meio de equipamentos adquiridos;
^ minimizar o número de exemplares desaparecidos no acervo.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A revisão de literatura foi baseada na evolução tecnológica das bibliotecas,
considerando seu processo de automatização e na comparação entre a tecnologia RFID com o
código de barras no serviço de circulação de materiais em bibliotecas. A seguir, são descritos
esses dois casos.

2.1 Evolução tecnológica nas bibliotecas
Desde a década de 1960, as bibliotecas começaram a ser automatizadas e
informatizadas, utilizando, primeiramente, as fichas perfuradas e, posteriormente, o
computador. A introdução dessas novas tecnologias na rotina das bibliotecas agilizou e
aprimorou as atividades internas desenvolvidas pelos bibliotecários, refletindo no melhor
atendimento ao usuário.
Ao analisar a situação da automação nas bibliotecas universitárias,
identificou, entre outros aspectos, que o maior benefício com a implantação
do processo de informatização é a rapidez, agilidade e eficiência no
atendimento e prestação de serviços, isto é, a otimização das atividades não
só com relação aos usuários, como também no que diz respeito ao controle e
formação do acervo, levantamentos bibliográficos, catalogação,
empréstimos, comutação, reclamação de obras em atraso e processamento
técnico. (FIGUEIREDO, 1998).

2775

�O primeiro grande avanço na modernização das bibliotecas ocorreu com a substituição
das famigeradas fichas de papel com os dados do acervo pelos bancos de dados gerados nos
catálogos eletrônicos. Essa única invenção facilitou tanto a catalogação de materiais quanto a
recuperação da informação e o serviço de empréstimo.
A instauração do Online Public Access Catalog (OPACS) possibilitou também o
funcionamento de outros sistemas mais complexos, como o utilizado na tecnologia de
identificação por radiofrequência (RFID). Por meio do sistema RFID, os dados cadastrados
nos OPACS são registrados em etiquetas magnéticas colocadas em cada item do acervo. Essa
tecnologia, surgida durante a Segunda Guerra Mundial, já é largamente utilizada em
estabelecimentos comerciais e industriais para monitorar e rastrear produtos. Nas bibliotecas,
contudo, sua utilização ainda é recente. A literatura sugere que a primeira implantação do
sistema de RFID em um ambiente de biblioteca foi em 1998, na Singapore Public Library
(ENGEL, 2006).
Segundo Soares et al. (2012), o RFID é constituído pelos seguintes componentes:
- Etiquetas RFID: uma etiqueta ou tag RFID é um pequeno objeto que
contém chips de silício e antenas que lhe permite responder aos sinais de
rádio enviados por uma base transmissora. Estão disponíveis em diversos
formatos, tais como cartões, pastilhas, argolas e em materiais como plástico,
vidro, epóxi, etc. Os Tags tem duas categorias: Ativos e passivos. Os
primeiros são alimentados por uma bateria interna e permitem processos de
escrita e leitura. Os tags passivos são do tipo só leitura (read only), usados
para curtas distâncias. Nesses, as capacidades de armazenamento variam
entre 64 bits e 8 kilobits.
- Antenas detectoras: a antena ativa o Tag, através de um sinal de rádio, para
enviar/trocar informações (no processo de leitura ou escrita). As antenas são
fabricadas em diversos tamanhos e formatos, possuindo configurações e
características distintas, cada uma para um tipo de aplicação.
- Leitor/Gravador: quando a Tag passa pela área de cobertura da antena, o
campo magnético é detectado pelo leitor, que decodifica os dados
codificados na Tag, passando-os para um computador realizar o
processamento.

Para completar o sistema RFID, é necessário também um software, chamado
middleware, que gerencia a captura de dados e seu fluxo. Esse software é necessário porque
os sistemas RFID não trabalham de forma isolada; os dados captados precisam ser
processados e interpretados, gerando um fluxo informacional que possibilite a execução de
diversas operações e serviços para o usuário. Entre outras funções, o middleware é
responsável pelo envio de dados ao sistema informatizado de biblioteca, no caso da
BU/UFLA, o programa Pergamum.

2776

�Apesar de envolver uma tecnologia de ponta, o RFID é de funcionamento muito
simples. Primeiramente, etiquetas eletrônicas com um microchip são colocadas em cada
exemplar do acervo, possibilitando o rastreamento por ondas de rádio. Para acessar as
informações do microchip, as antenas detectam os sinais de rádio e os transmitem para os
leitores, que transformam esses sinais em dados digitais. Após essa conversão, o middleware
é capaz de ler e interpretar esses dados, fornecendo as informações necessárias para realizar
serviços como o autoempréstimo e a autodevolução.
O fluxograma com os equipamentos disponíveis na BU/UFLA, ilustrando o
funcionamento do sistema RFID adotado pela instituição, pode ser observado na Figura 1.

Figura 1 - Fluxograma do sistema RFID da BU/UFLA
Gravação dos
dados na etiqueta

Sistema
RFID da
BU/UFLA

Uma informação importante em relação às etiquetas é a impossibilidade de leitura
por meio de materiais metálicos, tais como ferro e alumínio. Nesse caso, é necessário utilizar
etiquetas especialmente elaboradas para esse tipo de material, sendo um produto de custo
mais elevado. Por isso, os CDs e os DVDs da BU/UFLA foram parcialmente etiquetados e
continuam com acervo fechado ao usuário.
Existem várias vantagens relatadas com relação à aplicação do sistema de RFID, tanto
em gestão de bibliotecas, como em outras áreas. Entre os benefícios, incluem: a automação, a
eliminação ou a redução de lesão por esforço repetitivo, maior satisfação do cliente, controle
de acervo e celeridade de rastreamento dos exemplares nas estantes, aumento de

2777

�armazenamento de dados e redução de roubos. Além de destacar as vantagens da aplicação
RFID, estudos têm identificado alguns desafios e limitações que as organizações enfrentam
quanto à implementação de RFID. Alguns desses desafios e limitações incluem: custo,
dificuldade de leitura das etiquetas em produtos que contenham metais e dificuldade de ler
etiquetas muito próximas ao corpo humano.
Além de visitas técnicas nas bibliotecas universitárias da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul, da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”,
campus Rio Claro e tomando como base o projeto da Universidade Federal de Uberlândia,
alguns estudos envolvendo a implantação de tecnologia RFID em biblioteca, disponíveis na
literatura, também foram consultados, como o de Madhusudhan (2009), que analisou o uso e a
implementação da tecnologia RFID em duas bibliotecas do Indian Law Institute Library e do
National Social Science Documentation Centre Library, em Nova Délhi, utilizando um
questionário estruturado contendo 20 questões. Os resultados indicam que, após a
implementação de RFID em ambas as bibliotecas, o empréstimo e a devolução foram
reduzidos a menos de 20 segundos por item e o uso das bibliotecas também aumentou.
Segundo a autora, nem a própria equipe da biblioteca tinha calculado a economia de tempo
dos funcionários. O estudo apontou que o alto custo da manutenção é um dos desafios
importantes para serem analisados após a implementação da tecnologia RFID. O documento
apresenta as vantagens dessa tecnologia para bibliotecas e a recomenda para outras bibliotecas
para que os serviços sejam oferecidos com mais rapidez e qualidade para seus usuários.
Já o estudo de Dwivedi et al. (2013) expõe que a operação e a gestão de bibliotecas
exigem a realização de uma série de atividades demoradas, meticulosas e repetitivas. Assim, a
fim de aumentar a eficiência e eficácia, muitas bibliotecas estão evoluindo para a
automatização da maioria das suas rotinas. As bibliotecas estão implantando a tecnologia
RFID como um substituto para sistemas de código de barras para identificação de produtos e
rastreamento, e isso permite a automatização da maioria dos seus processos.

2.2 Comparativo entre a RFID e o código de barras
A implantação do RFID na BU/UFLA surgiu como um complemento ao sistema de
código de barras, já presente na instituição. Os códigos de barras foram inseridos no acervo
em 1997 (SANTOS, 2008) e facilitaram os serviços de empréstimo e devolução, ao
permitirem a identificação automática dos números do exemplar e do cartão do usuário pelos
leitores óticos, que enviam os dados ao sistema de gerenciamento da biblioteca.

2778

�Contudo, mais do que apenas identificar os exemplares e os usuários, o RFID permite
também a operacionalização de inúmeros outros serviços, que são realizados de forma muito
mais prática. No quadro abaixo, mostra-se um comparativo das principais diferenças entre
essas duas tecnologias, segundo Viera, Viera e Viera (2007):

Quadro 1: Comparação entre a tecnologia RFID e o código de barras
T ecn o lo g ia R F ID vs. C ód igo de B a rra s
R F ID

A leitura das etiquetas RFID pode ser feita
mesmo que se encontrem dentro de diversos
materiais (papel, madeira, plásticos, entre
outros).
Permite a leitura simultânea de diversas
etiquetas RFID (leitura simultânea de vários
itens).
Não necessita que as etiquetas estejam numa
posição específica em relação ao leitor RFID
(precisa simplesmente que esteja no campo de
ação da antena de detecção).
Transmissão de dados por rádiofrequência.
Permite inserir ou alterar os dados que foram
salvos na etiqueta (etiquetas RFID com
capcidade de leitura/escrita).
Etiquetas resistentes a diversos agentes
ambientais (atrito, poeira, luz, umidade e
temperatura).
As etiquetas RFID podem ter um bit de
segurança que permite identificar objetos que
estão sendo furtados.
Maior alcance de leitura das etiquetas.
Menor uso do tempo e de quantidade de
recursos humanos.
Permite a leitura das etiquetas RFID em
movimento.
Permite realizar inventário sem mover os
objetos de sua posição.
Permite rápida localização de materiais
extraviados.
Utilizável com equipamentos automatizados
de classificação

C ód igo de B a rra s

Para a leitura, as etiquetas com código de
barras devem estar expostas sem nenhum
obstáculo entre elas e o leitor.
Leitura sequencial das etiquetas. (item por
item)
Requer alinhamento das etiquetas ao campo
de visão do leitor de código de barras.

Não se aplica.
Não se aplica.

As etiquetas não podem ser lidas se molhadas,
rasuradas ou se tiverem depósito de poeira
sobre elas.
Requer a implementação de um sistema
antifurto.
Menor alcance de leitura das etiquetas.
Maior uso do tempo e de quantidade de
recursos humanos.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.

Fonte: Viera, Viera e Viera (2007).

No projeto de implantação do sistema RFID na BU/UFLA, as características mais
prezadas na tecnologia de radiofrequência em detrimento do código de barras foram: leitura
simultânea de várias etiquetas, fim da necessidade de posicionar o código de barra na posição
correta para realizar a leitura, etiqueta mais resistente que o código de barras (que necessita

2779

�ser substituído periodicamente), identificação dos exemplares pelo sistema antifurto,
possibilidade de realizar o autoempréstimo e autodevolução de livros e possibilidade de
realizar o inventário sem a necessidade de retirar os exemplares das estantes.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
De acordo com Gil (2010), a presente pesquisa classifica-se como sendo de caráter
exploratório e descritivo. É exploratório, por se tratar de uma pesquisa específica que avança
em um tema dentro de uma base única, ou seja, um estudo de caso. A primeira fase da
pesquisa foi um levantamento bibliográfico sobre o tema proposto, se completando com uma
análise documental. Também é uma pesquisa descritiva porque busca identificar e obter
informações sobre as características da experiência de implantação de tecnologia RFID para
gerenciamento do acervo da Biblioteca Universitária da UFLA.
A implantação do projeto “Sistema de Radiofrequência - RFID: segurança,
identificação e gerenciamento do acervo da Biblioteca da UFLA” foi elaborada como parte
integrante do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2011-2015 da UFLA. Por meio
do PDI, os objetivos, as metas e as ações foram traçados para o período de 2011-2015,
visando melhorar a qualidade dos serviços prestados pela universidade, além de atender às
exigências da Lei n° 10.861, de 14/4/2004, que avalia as instituições de educação superior.
A implantação do projeto foi estruturada em quatro etapas:
35. levantamento de fornecedores disponíveis para atender as necessidades referentes
à tecnologia RFID;
36. aquisição de um sistema composto de etiquetas e equipamentos com dispositivos
de radiofrequência;
37. etiquetagem do acervo da biblioteca;
38. treinamento da equipe de servidores e usuários da biblioteca.

3.1 Fornecedores de tecnologia RFID e aquisição dos equipamentos
No fim de agosto de 2012, foi preparado um processo licitatório com informações de
vários fornecedores para a aquisição da seguinte lista de equipamentos:
-

sistema de detecção RFID com duas antenas, formando um corredor na saída da
biblioteca;

-

etiqueta RFID, 1 para cada livro, revista e demais materiais impressos;

-

etiqueta RFID, 1 para cada CD, DVD e demais mídias óticas;

2780

�-

acessórios RFID para estação de trabalho da Coordenadoria de Processos Técnicos
(CPT) e de Coordenadoria de Atendimento ao Usuário (CAU);

-

acessório para inventário;

-

equipamentos de autoempréstimo.

O processo licitatório tinha como critério o fornecimento dos equipamentos pelo
menor valor por grupo, porém, em pesquisa realizada no site do Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI), pode-se identificar que foi concedida carta patente alusiva ao
acessório para inventário a um dos fornecedores. Diante de tal diagnóstico, esse equipamento
foi retirado do processo de compra, naquele momento, a ser adquirido futuramente.

3.2 Magnetização do acervo
Primeiramente, foi necessário realizar uma triagem dos materiais a serem etiquetados,
para evitar o processamento de obras que seriam descartadas em pouco tempo. Estabeleceu-se
como prioridade as obras de maior circulação. Durante as férias acadêmicas dos alunos,
durante o mês de maio de 2013, foi montada uma força tarefa, que permitiu que os servidores
da biblioteca etiquetassem todo o acervo de livros, no total aproximado de 70 mil exemplares.
O acervo de CDs e DVDs foi parcialmente protegido, sendo etiquetados 100 itens
aproximadamente. Contudo, devido ao alto custo desse tipo de etiqueta, a Comissão Técnica
da BU/UFLA optou por manter esses materiais com acesso restrito.

3.3 Capacitação dos servidores e usuários da biblioteca
A capacitação para utilização da tecnologia RFID e do sistema de autoempréstimo foi
realizada pelo funcionário da empresa fornecedora da tecnologia, em maio de 2013, durante a
implantação do sistema. O técnico de informática da BU/UFLA acompanhou diretamente a
instalação de todos os equipamentos, para que pudesse monitorá-los posteriormente.
Inicialmente,

alguns

servidores que desenvolveram

suas atividades utilizando

os

equipamentos de tecnologia RFID, apresentaram certa resistência, porém, com o tempo, a
praticidade e a facilidade no manuseio dessas ferramentas, convenceram-se dos benefícios.
O uso do sistema teve uma influência positiva e significativa para a satisfação do
usuário. Assim, desenvolver um cenário favorável foi necessário na fase inicial a fim de
apresentar aos usuários o novo sistema. Dessa forma, houve a capacitação dos usuários logo
no início das aulas do primeiro semestre de 2013, com o auxílio dos servidores e de bolsistas
da Coordenadoria de Atendimento ao Usuário da BU/UFLA.

2781

�No Programa de Capacitação de Novos Usuários (PCNU) ofertado pela biblioteca,
cujo objetivo é o de contribuir para elevar a qualidade e o desempenho acadêmico por meio
do aproveitamento máximo dos serviços e recursos de informação, bem como o uso adequado
e responsável de suas dependências e do seu acervo, foram apresentadas capacitações nas
modalidades presencial ou virtual, orientando os alunos calouros em como utilizar o sistema
de autoempréstimo.
A divulgação do autoempréstimo foi realizada pelos meios de comunicação da UFLA
e da biblioteca, tais como sites, redes sociais, TV e cartazes.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Após a implantação do sistema RFID, o serviço de empréstimo e devolução ficou
muito mais eficiente, diminuindo drasticamente as filas de espera e aumentando a satisfação
do público atendido. O empréstimo é realizado em poucos segundos pelo próprio usuário, que
necessita apenas posicionar o cartão de identificação da UFLA (carteirinha do estudante) no
terminal de autoempréstimo, digitar sua senha da biblioteca, posicionar o(s) livro(s) e,
automaticamente, o material é emprestado. Há a opção de solicitar a impressão do
comprovante de empréstimo, caso assim o usuário deseje.
Na devolução, o servidor responsável por esse serviço necessita apenas aproximar o
livro do pad, um acessório RFID da estação de trabalho responsável pela leitura de
radiofrequência. Outro facilitador é a possibilidade de “empilhar” quantos livros desejar
próximo ao pad, para que todos os livros sejam devolvidos simultaneamente, sem a
necessidade de anteriormente passar cada um dos códigos de barras.
Com esses benefícios, houve redução de atividades dos servidores lotados no Setor de
Circulação, sendo possível o remanejamento de pessoal para outros serviços em demanda. O
controle da portaria de saída também foi facilitado, pois o portal antifurto soa um alarme
quando um item não emprestado passa através do portal.
No início da implantação, alguns problemas foram detectados, tais como duplicação
de etiquetas coladas nos livros, resistência de alguns servidores em relação à segurança da
tecnologia e momentos em que o usuário não percebia que o livro foi emprestado pelo
terminal de autoempréstimo.

5 CONSIDERAÇÕES
A RFID é uma tecnologia que está em ascensão nas bibliotecas brasileiras, devido ao
aumento da produtividade nos processos realizados rotineiramente no setor de circulação e a

2782

�um possível aumento na segurança de materiais destinados ao empréstimo domiciliar. No
cenário internacional, há vários casos de sucesso nos Estados Unidos, na Índia, na Coreia do
Sul e em vários outros. No Brasil, há os exemplos da Unesp Rio Claro, da Pontifica
Universidade Católica do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal de Uberlândia, cada
caso com sua especificidade.
A implementação do sistema RFID trouxe grandes ganhos para a BU/UFLA. Além de
melhorar significativamente a gestão do acervo e o serviço de empréstimo, que passou a ser
realizado de forma mais inteligente e ágil, contribuiu para a segurança do acervo. O novo
sistema foi rapidamente aceito, tanto pelos servidores quanto pelos usuários da biblioteca.
A autonomia proporcionada pela radiofrequência foi importante também na liberação
de servidores para outros serviços e, mesmo com a devolução ainda sendo realizada por um
servidor, esse processo foi facilitado pela praticidade do RFID que, diferente do código de
barras, possibilita a devolução de vários itens de uma única vez, diminuindo, dessa forma, o
desgaste gerado pela ação repetitiva dessas ações rotineiras no serviço de atendimento ao
usuário da biblioteca.
A RFID proporciona também um serviço que será implantado até junho de 2014 na
BU/UFLA: a devolução automática de itens do acervo. Por meio da autodevolução, o usuário
colocará o material bibliográfico em uma estação externa com uma esteira rolante, a etiqueta
do material será identificada e o item devolvido automaticamente. Um comprovante de
devolução será impresso para o usuário e o material será encaminhado para os “carrinhos” de
guarda de livros, onde os materiais bibliográficos serão separados de acordo com o número de
classificação. Por exemplo, a BU/UFLA adquiriu três carrinhos de guarda de livros: no
primeiro serão enviados os materiais bibliográficos com classificação 000 a 500; no segundo,
com classificação acima de 501 e, no terceiro, serão separados os materiais bibliográficos com
reserva ou alguma pendência na catalogação. Dessa forma, a reposição desses materiais
bibliográficos nas estantes será facilitada.
A principal desvantagem da tecnologia RFID é seu alto custo de implantação, pois é
necessário não somente comprar vários equipamentos, como também adaptar o espaço físico
para receber o sistema, além de providenciar consultoria e treinamento de pessoal. Contudo,
em médio prazo, é possível observar o retorno desse investimento por meio da redução de
ocorrências de roubos do acervo e do menor número de servidores empregados para realizar o
atendimento ao público nas rotinas de empréstimos e devoluções de materiais.

2783

�Outro problema detectado é a possibilidade de falhas de desempenho do sistema de
autoempréstimo. Quedas de energia ou da rede de internet podem paralisar o sistema, que não
reinicia automaticamente.
Apesar dos desafios enfrentados na implantação do sistema RFID, a experiência pode
ser considerada positiva, muito produtiva e com resultados expressivos, demonstrando que as
novas tecnologias da informação possibilitam que melhores serviços sejam oferecidos pelas
bibliotecas. Os objetivos da biblioteca devem ser atingidos por métodos mais lógicos, sendo
as tarefas rotineiras (e que dispensam o trabalho intelectual) executadas pelos equipamentos,
poupando custo e tempo. Por isso, a responsabilidade do bibliotecário torna-se maior perante
o usuário, pois surgem novos métodos e ferramentas para multiplicar a eficiência de seus
serviços.
A rapidez dessa mudança deve ser assimilada pelo profissional que necessita
reaprender a utilizar seu espaço de trabalho e descobrir todas as novas potencialidades da
área. Para poder explorar essas novas potencialidades, o bibliotecário deverá estar “atento” ao
mundo e se atualizar constantemente sobre as novas tecnologias que estão surgindo para
facilitar o trabalho do profissional da informação.
É importante destacar também que o surgimento das novas tecnologias da informação
trouxe também muita insegurança para a classe bibliotecária, que temia ser substituída por
essas novas ferramentas. Hoje está claro que as tecnologias de nada servem sem um
profissional capacitado para operá-las. As tarefas podem ser informatizadas ou mecanizadas,
mas o trabalho intelectual e especializado do bibliotecário ainda continuará indispensável. As
novas tecnologias servem apenas retirar a carga de trabalho excessiva dos bibliotecários,
assistentes e auxiliares, que passam a dispor de mais tempo para realizar tarefas mais
complexas e menos rotineiras.

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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este relato de experiência apresenta a implantação do sistema de RFID na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Com a crescente expansão dos cursos e do número de alunos da UFLA, a Biblioteca Universitária percebeu a necessidade de modernizar e agilizar os serviços oferecidos ao público da instituição. Para alcançar esse objetivo, foi elaborado um projeto de segurança, identificação e gerenciamento do acervo da biblioteca, por meio da tecnologia de identificação por radiofrequência, mais conhecida pela sigla RFID. A implantação desse sistema foi estruturada em quatro fases e envolveu: a) levantamento de fornecedores de tecnologia RFID, b) aquisição de etiquetas e equipamentos de radiofrequência, c) magnetização do acervo e d) treinamento dos servidores e usuários da biblioteca. Com a utilização da tecnologia RFID, houve melhoria na segurança e no monitoramento do acervo, otimização do serviço de circulação de material por meio do autoempréstimo, mais autonomia para o usuário e liberação de servidores para realizar outras atividades. Neste artigo, busca-se compartilhar a experiência da Biblioteca Universitária da UFLA na implantação desse sistema, além de apresentar os benefícios, os problemas e a avaliação da tecnologia RFID.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O INCENTIVO À LEITURA DE TIRINHAS NAS “REFEIÇÕES COM MAFALDA”

Paulo Vítor Oliveira
Márcia Maria Palhares

RESUMO
Introdução: apresenta um projeto de incentivo à leitura realizado numa biblioteca escolar
utilizando, como material principal, as tirinhas da MAFALDA durante o período das refeições
do Colégio São Francisco Xavier em Ipatinga-MG. Objetivo: influenciar a prática da
leitura, a decodificação de textos e interpretação de imagens, auxiliando nos estudos e na
formação dos alunos. Método: distribuir tirinhas da MAFALDA na cantina e refeitório da
instituição, juntamente com o folder explicativo do projeto. Resultados parciais: durante o
período de sua realização, os resultados foram alcançados. Eles serão mensurados depois de
um ano de realização do projeto. Conclusão: esse tipo de prática de incentivo à leitura pode
ser aplicado não somente no espaço físico da biblioteca ou sala de aula, mas em todo âmbito
escolar, possibilitando a prática e o gosto pela leitura nos momentos das refeições.
Palavras-Chave: Leitura. Educação. Biblioteca Escolar. Práticas educativas.

ABSTRACT
Introduction: introduces a project undertaken to promote reading in a school library using, as
main material the strips of MAFALDA during meals of São Francisco Xavier School in
Ipatinga-MG. Objective: to influence the practice of reading, decoding texts and
interpretation of images, assisting in studies and in the training of students. Method:
distribute of MAFALDA strips in the canteen and cafeteria of the institution, along with the
explanatory brochure of the project. Partial results: during the period of its implementation
the results were achieved. They will be measured after a year of realization of the project.
Conclusion: this kind of practice to promote reading can be applied not only in the physical
space of the library or classroom, but throughout the school environment, enabling the
practice and love of reading at meal times.

1 INTRODUÇÃO
As tirinhas surgiram da ideia de fazer histórias curtas, de forma que a leitura do
texto seja rápida, bem-humorada e de fácil compreensão, afinal no dia a dia todo gênero
textual tem sua funcionalidade.

3158

�As tirinhas são recursos eficazes pelas suas características humorísticas, por
procurar ter um roteiro curioso, por seus personagens cativantes, além de serem
construídas por diálogos que lembram o dia a dia.
O projeto “Refeições com MAFALDA” que está sendo realizado no Colégio São
Francisco Xavier em Ipatinga-MG, visa incentivar a leitura e impulsionar o imaginário dos
leitores.
Tal proposta representa contribuir para ampliar o diálogo e a interpretação das
tirinhas, bem como a troca de experiências entre os alunos, professores e todos os que
participam do projeto.

2 REVISÃO DE LITERATURA
MAFALDA é uma personagem de histórias em quadrinhos escrita e traduzida
em imagens pelo cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como
Quino. Ela animou as tiras cultuadas por fãs em todo o planeta de 1964 a 1973.
MAFALDA era uma menina inconformada com o contexto mundial e se popularizou por
toda a Europa e América Latina. A personagem nasceu em 1962 pronta para
protagonizar um cartoon publicitário publicado no jornal argentino Clarín. A tira de
MAFALDA foi lançada no exemplar de 29 de setembro de 1964, mas somente
MAFALDA e seus progenitores foram apresentados nesta edição; o personagem Filipe é
acrescentado em janeiro de 1965. Uma semana depois, MAFALDA ressurgiu em versão
diária no El Mundo de Buenos Aires. Em 2 de junho de 1968, a história em quadrinhos
renasceu no jornal Siete Días Illustrados. No dia 25 de junho de 1973 Quino encerrou a
publicação das tiras de MAFALDA. Depois disso ele, raras vezes a ressuscitou, apenas em
momentos muito vinculados à imagem da personagem, como as lutas pelos Direitos
Humanos (SANTANA, [2014]).
A leitura ajuda a desenvolver a reflexão e o espírito crítico, e é a melhor forma de
compreender a si e ao mundo. É também o ato de decifrar ou interpretar bem o sentido das
coisas por meio de textos e imagens. A biblioteca é um espaço privilegiado de interação,
expressão e reflexão acerca das práticas de leitura. É um lugar de formação de leitores e
práticas vivenciadas de leitura prazerosa. Esse projeto propicia o acesso à leitura por meio da
interpretação de imagens das tirinhas da MAFALDA e suscita o interesse pela leitura
provocando o imaginário interpretativo dos leitores. A construção de ambientes favoráveis à
“prática da leitura das tirinhas da MAFALDA”, visa: possibilitar a leitura crítica da mídia,

3159

�dessacralizar o texto impresso; trabalhar com diferentes gêneros de texto (ALFASOL,
[2014]).
De acordo como Brasil (1997) o melhor domínio da língua e seus códigos se
alcançam quando se entende como ela é utilizada no contexto da produção do conhecimento
científico, da convivência, do trabalho ou das práticas sociais.
De acordo com Vasconcelos (2001) a leitura desse tipo de texto desenvolve a
percepção visual do leitor e estimula a sua imaginação, consequentemente contribuindo para
o desenvolvimento intelectual.
As ilustrações são simples, sem detalhes em excesso e, ao mesmo tempo, ricas em
significados. Sua relevância, então, decorre também do fato de criar a atmosfera do texto,
desse modo incentivando o potencial imaginário de quem lê (WERNECK, 1998).
Nesse sentido, o ato de ler é compreendido como um processo discursivo no qual se
inserem os sujeitos produtores, autor-leitor, ambos historicamente determinados e
ideologicamente constituídos (CORACINI, 1995). Alia-se também o próprio conceito de
letramento que corresponde ao uso da leitura e da escrita em práticas sociais, como meio de
interagir com o mundo a sua volta, repensando sua própria condição (SILVA, 2010).
As tirinhas da MAFALDA podem ser percebidas como um produto artístico
possível, tanto para promover comunicação em um nível estético, quanto para sugerir
questionamentos de uma realidade social.
Diante disso, Koch e Elias (2006) também enfatizaram que a leitura tem um
propósito regulador de interação entre conteúdo do texto e leitor. Portanto a leitura é, pois,
uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza não
somente na superfície textual, é uma atividade na qual se levam em conta, as experiências e
os conhecimentos do leitor.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A execução do projeto foi desenvolvida pelo biblioteconomista com participação da
estagiária de comunicação do Colégio São Francisco Xavier em Ipatinga-MG, em atividades
como criação de imagem do projeto, seleção de tirinhas, confecção de marca página e folder
explicativo.
O projeto foi realizado no refeitório do Colégio São Francisco Xavier, para os
colaboradores e na cantina para os alunos em conformidade com o título do projeto

3160

�“Refeições com a MAFALDA”. Porém, o projeto se expadiu aos demais setores: direção,
coordenação e equipe administrativa.
As mesas do refeitório/cantina, foram cobertas de tirinhas da MAFALDA, foi
entregue a todos os colaboradores e alunos um folder explicativo sobre a MAFALDA e
um marcador de página. Este projeto envolveu a observação em um ambiente natural
para alunos e colaboradores, acarretando assim a interpretação e análise de dados
utilizando descrições e narrativas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Dentro do tempo de aplicação do projeto “Refeições com MAFALDA” já é possível
colher alguns resultados, pois os leitores das tirinhas da MAFALDA já começam a conhecer
os diversos gêneros da linguagem de quadrinhos, principalmente nas tirinhas. Descobrem a
importância da leitura e entendimento do humor das tiras, sobretudo, a partir das tirinhas da
MAFALDA que visam subsidiar um tipo diferente de leitura.
De acordo com Brasil (1997) que trazem como um dos objetivos da educação utilizar
diversas linguagens como meio para produzir, expressar, comunicar, interpretar e usufruir das
várias produções culturais.
O que se espera ao final desse projeto é que a leitura das tirinhas da MAFALDA
proporcione a percepção do humor, da crítica social, da ambiguidade, sempre presente nesse
gênero, o que exigem várias habilidades de leitura e interpretações.
O projeto “Refeições com MAFALDA” tem como objetivo despertar o gosto, o
interesse do aluno pelo universo das tiras, especificamente as da MAFALDA. Com esse
método de leitura, espera-se que, após a leitura de várias tiras, os alunos já estejam
familiarizados com o tema abordado, bem como com as reações das personagens e com o tipo
de crítica que essa tira faz.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A Biblioteca José Amilar da Silveira do Colégio São Francisco Xavier incentiva a
leitura não só no seu espaço físico, mas em todo âmbito escolar. Conciliar a prática de
leitura nos momentos das refeições é um hábito que almejamos tonar-se rotina no colégio,
gerando conhecimento, disseminação da informação e momentos de prazer aos nossos
alunos e colaboradores.
Como é uma experiência que está em andamento, é de suma importância observar se
os alunos estão participando e se os objetivos estão atingidos. A avaliação é feita em

3161

�diferentes momentos e visa verificar se os alunos conseguiram: desenvolver habilidades de
ler e interpretar tirinhas; identificar os personagens nas tirinhas e conhece-los; perceber e
comparar a finalidade de um texto da tirinha; desenvolver atitudes de interação e de troca de
experiências em grupos.
Por se tratar em um projeto em andamento seus resultados finais serão avaliados ao
final de um ano de aplicação. Ao se ter conhecimento do andamento do projeto é possível
perceber que é promissor e desperta o gosto pela leitura de uma forma involuntária.

6 REFERÊNCIAS
ALFASOL.

Incentivo

à

leitura.

[2014].

Disponível

em:&lt;http://www.alfabetizacao.org.br/site/incentivo_leitura.asp&gt;. Acesso em: 18 abr. 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. Brasília, 1997.
CORACINI, M. J. R. F. (Org.). O jogo discursivo na aula de leitura: língua materna e
língua estrangeira. Campinas, SP: Pontes, 1995.
KOCH, I. V., ELIAS, V. M. Ler e compreender os sentidos do texto. 2a ed. São Paulo:
Contexto, 2006.
QUINO. 10 anos com Mafalda. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
SANTANA, A. L.

InfoEscola: Navegando e Aprendendo. Biografias. Mafalda. [2014].

Disponível em:&lt; http://www.infoescola.com/biografias/mafalda/&gt;. Acesso em: 15 mar. 2014.
SILVA, A. G. A leitura de charges e “tirinhas” como recurso pedagógico na educação de
jovens e adultos surdos”. In: Seminário Nacional “O Professor e a Leitura do Jornal”, 5.,
2010., Campinas. Resumos... Campinas, SP: UNICAMP/FE ; ALB, 2010. Disponível em:&lt;
http://alb.com.br/arquivo-morto/portal/5seminario/CADERNO.pdf&gt;. Acesso em: 19 mar.
2014.
VASCONCELOS, F. C. O aprendizado da leitura de imagens no livro de literatura infantil:
reflexões com base na obra noite de cão. In: ENCONTRO NACIONAL DE LITERATURA
INFANTO-JUVENIL E ENSINO, 4., 2012., Campina Grande. Anais... Campina Grande:
UFCG,

2012.

Disponível

em:&lt;

http://editorarealize.com.br/revistas/enlije/trabalhos/3fd1d287157b1b842a14439d29ea109d
_358_175_.pdf&gt;. Acesso em: 14 mar. 2014.
WERNECK, R. Y. M. Leitura de imagens. Belo Horizonte. Presença Pedagógica, Belo
Horizonte, v. 4, n. 19, . p. 102-106, jan./fev. 1998.

3162

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Introdução: apresenta um projeto de incentivo à leitura realizado numa biblioteca escolar utilizando, como material principal, as tirinhas da MAFALDA durante o período das refeições do Colégio São Francisco Xavier em Ipatinga-MG. Objetivo: influenciar a prática da leitura, a decodificação de textos e interpretação de imagens, auxiliando nos estudos e na formação dos alunos. Método: distribuir tirinhas da MAFALDA na cantina e refeitório da instituição, juntamente com o folder explicativo do projeto. Resultados parciais: durante o período de sua realização, os resultados foram alcançados. Eles serão mensurados depois de um ano de realização do projeto. Conclusão: esse tipo de prática de incentivo à leitura pode ser aplicado não somente no espaço físico da biblioteca ou sala de aula, mas em todo âmbito escolar, possibilitando a prática e o gosto pela leitura nos momentos das refeições.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BOOKCROSSING: A EXPERIÊNCIA DA FUNDAÇÃO SÃO FRANCISCO XAVIER
EM IPATINGA (MG) DE 2012 A 2014: APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

Paulo Vitor Oliveira
Márcia Maria Palhares
Mônica Geralda Palhares
RESUMO
Introdução: apresenta um projeto de incentivo à leitura realizado por uma biblioteca escolar
tendo como meio de partida o BookCrossing. Objetivo: influenciar a prática da leitura,
disseminar a leitura e promover a interação e distribuição de livros por diferentes lugares.
Método: libertar diversos livros cadastrados no site do BookCrossing e disponibilizá-los em
diferentes locais da Fundação São Francisco Xavier em Ipatinga-MG. Resultados parciais: o
projeto foi implantado em 2012 e desde que os 176 livros foram libertados, 87 tiveram seus
códigos cadastrados no site do BookCrossing e diante disso, percebe-se que os resultados
foram alcançados e o projeto deu certo, e que o acesso a leitura e à cultura foi facilitado.
Conclusão: esse tipo de prática de incentivo à leitura aplicada na instituição possibilita o
acesso à leitura e a disseminação da mesma, sobretudo, utilizando o BookCrossing como
meio de libertação dos livros.
Palavras-Chave: Leitura; Biblioteca Escolar; BookCrossing.

ABSTRACT
Introduction: presents a reading incentive project conducted by a school library having as a
means of departure the BookCrossing. Objective: to influence the practice of reading,
disseminate reading and promote interaction and distribution of books for different places.
Method: release several books BookCrossing site registered in and make them available in
different locations of the Foundation São Francisco Xavier in Ipatinga-MG. Partial results:
the project was implemented in 2012 and since the 176 books were released, 87 had their
registered codes in BookCrossing website and given this, one can see that the results were
achieved, and the project fell through, and that access to reading and culture was facilitated.
Conclusion: this type of reading incentive practice applied in the institution provides access
to reading and the dissemination of the same, mainly using the BookCrossing as a means of
liberation of books.
Keywords: Reading; School Library; BookCrossing.

2314

�1 INTRODUÇÃO
O Bookcrossing é uma atividade de leitura que foi criado em 2001, é a maior
biblioteca do mundo e conta já com 600.000 utilizadores, espalhados por todos os cantos do
mundo e oito milhões de livros registados.
A ideia é que cada livro do BookCrossing possa circular livremente facilitando a sua
leitura para um maior número de pessoas e tornar mais fácil o acesso à leitura.
O BookCrossing é uma atividade de leitura que está sendo realizada pela Fundação
São Francisco Xavier em Ipatinga (MG). E, no SNBU de 2012 foi apresentada como um
trabalho que ainda não apresentava resultados, visto que estava tinha sido implantado e sem
resultados decorrentes da libertação dos livros.
Diante disso e com o decorrer de dois anos após sua implantação já é possível
apresentar resultados desse projeto e avaliar se está sendo positivo e se os objetivos propostos
estão ou foram alcançados.
Munidos das informações referentes ao funcionamento do BookCrossing a Biblioteca
José Amilar da Silveira começou esse projeto e libertou dezenas de livros nas dependências
das empresas pertencentes à Fundação São Francisco Xavier no ano de 2012.
Passados dois anos verifica-se que esse tipo de atividade além de contribuir para o
desenvolvimento do país, proporciona o acesso fácil à leitura e, com isso, levando a cultura
em para todo canto, e quanto mais cultura, mais desenvolvimento civil, acadêmico e político
do Brasil.

2 REVISÃO DE LITERATURA
BookCrossing é um movimento global no qual a ideia é deixar livros em locais
públicos para que eles possam ser encontrados pelo público leitor (BOOKCROSSING,
c2009a).
O BookCrossing visa a democratização e o acesso à leitura, em um mundo tão cheio
de informação e tão pouca difusão livre, oferecer um livro guardado no armário é uma
socialização de conhecimento (WIKIPEDIA, 2012)
Os livros são deixados em lugares devidamente identificados - Crossing Zones - que
podem ser desde cafés a instituições públicas. Uma Crossing Zone é assim um local onde se
podem libertar livros e procurar outros que já estejam em viagem. As Crossing Zones
encontram-se identificadas com cartazes alusivos ao BookCrossing e registadas no site
(BOOKCROSSING, c2009a).

2315

�Qualquer pessoa pode participar do movimento. Não há regras pré-determinadas e
nada é cobrado. É esperado, no entanto, que todas as pessoas que peguem esses livros
acessem o site e digam que estão com ele. Dessa forma, é possível rastrear o exemplar
(BOOKCROSSING, c2009b).
Os seguidores do movimento no Brasil participam de diversos eventos literários como
Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP),
Festival da Mantiqueira - Diálogos com a Literatura (São Francisco Xavier, SP).
Nessas ocasiões, seus participantes promovem uma “libertação em massa” e
distribuem centenas ou milhares de exemplares para o público.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Organizar o acervo de forma que ele possa ser disponibilizado em locais públicos
seguindo as etapas:
a) registrar e etiquetar seu livro gratuitamente e obtenha uma ID única do
BookCrossing;
b) libertar o livro, dando de presente, deixando em lugares públicos ou criando
maneiras próprias de passa-los adiante;
c) depois de libertar o livro, acompanhar sua viagem pelo mundo por meio do
registro dos usuários do livro no site BookCrossing.com.

Essa atividade foi implantada na Fundação São Francisco Xavier, para que os alunos
participem efetivamente do processo de disseminação do conhecimento e da leitura.
Imagine o mundo de oportunidades que seu livro terá assim que você registrá-lo,
etiquetá-lo e libertá-lo. Você etiquetou seu livro, e ele está pronto para viajar o mundo.

3.1 Etapas de realização do BookCrossing
Para se colocar em prática o BookCrossing algumas etapas devem ser seguidas de
acordo com (BOOKCROSSING, c2009b).
a) registre seu livro gratuitamente e obtenha uma ID única do BookCrossing. Este
BCID (Book Crossing IDentificação) lhe permite seguir seu livro onde quer que
vá. Imagine-o como um passaporte que permite seu livro viajar pelo mundo sem
se perder!;
b) liberte. Agora é hora de passá-lo adiante!;
c) siga. Veja em que lugar do mundo seu livro anda, e quem o lê! Após ter
etiquetado e libertado seu livro, siga suas aventuras pela internet.

2316

�Quando outro leitor encontra o seu livro, ele pode introduzir o BCID no
BookCrossing.com e informar que o livro foi capturado. Pelos comentários em seu livro você
pode ver onde ele está; quem o está lendo agora, e segui-lo para onde for
(BOOKCROSSING, c2009b).
Alguns livros tendem a permanecer em uma região, enquanto outros realmente se
movimentam! Um livro pode tocar a vida de um leitor que nunca o teria conhecido de outra
maneira, ou pode apenas circular entre seus amigos.
BookCrossers ativos já registraram coletivamente quase oito milhões de livros que
estão viajando para cerca de 132 países (BOOKCROSSING, c2009b).

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Para o sucesso completo do trabalho é necessário o envolvimento e participação dos
usuários, o que incentiva a equipe da Biblioteca a continuar realizando a atividade. É
importante destacar que atividade de leitura dessa natureza começa pequena e tende a se
ampliar no decorrer do tempo.
A atividade possibilita a participação de usuários internos (alunos, servidores e
docentes) e também pessoas da comunidade externa que se interessarem e tiverem a
possibilidade de participar do movimento “libertando” algum livro.
O BookCrossing implantado na Fundação São Francisco Xavier já apresenta alguns
resultados desde que os 176 livros foram libertados nas dependências do Colégio São
Francisco Xavier, na unidade I do Hospital Márcio Cunha e no COI - Centro de Odontologia
Integrada. A seguir imagens de alguns dos locais onde os livros foram libertados:

Figura 1 - Hospital Márcio Cunha.
Fonte: Acervo dos autores (2012).

2317

�Figura 2 - Centro de Odontologia Integrada.
Fonte: Acervo dos autores (2012).

Dos 176 livros, os usuários que se manifestaram no site foram 87, eis alguns
depoimentos:
“O livro "A vira-volta de Janjão" é um livro engraçado, bem detalhado, e o fato dele
ter sido escrito em rimas o torna muito interessante. Na minha opinião este livro é muito
bom”. (Sobre o livro: A vira-volta de Janjão de Terezinha Casasanta). (LEITOR 1).
“Um livro muito bacana, real e prende nossa atenção! Adorei!”. (Sobre o livro: Quem
tem medo de Demétrio Latov de Ângeles Durini). (LEITOR 2).
“Muito bom, este livro, no começo parece só uma história de adolescente, mas depois
agente começa, a encartar pelos poemas da Isabel. Leia, o livro e muito bom; trata de um
amor adolescente e no meio surgi um suspense. (Sobre o livro: A marca de uma lágrima de
Pedro Bandeira). (LEITOR 3).
Diante dos inúmeros depoimentos é possível reconhecer que os resultados são os
melhores e que o projeto deu certo. Após mais de um ano de implantação do mesmo
verificou-se que a proposta é válida no que diz respeito aos objetivos propostos, ou seja,
motivar e incentivar os alunos, professores e funcionários, a ter o hábito e prática da leitura,
pois, muitos são os livros que só se lêem uma vez. Imagine o mundo de oportunidades que o
livro terá assim que foi registrado, etiquetado e libertado por meio do BookCrossing.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Anualmente as atividades de incentivo à leitura são aguardadas com carinho pela
comunidade da Fundação São Francisco Xavier. Isto, somado ao gosto que os colaboradores
da Biblioteca têm pela leitura e a vontade de repartir o prazer do hábito de leitura aos

2318

�usuários. O Bookcrossing é uma das atividades importantes e agradáveis com a troca de
experiências entre profissionais e usuários da Biblioteca.
A Biblioteca José Amilar da Silveira nesse momento percebe que tem assumido seu
papel e procura desenvolver as atividades sob sua responsabilidade de incentivo à leitura,
exemplo disso é o BookCrossing já apresenta resultados reais e positivos.
Embora tenham sido libertados 176 livros e a resposta imediata foi de 87 livros no site,
há uma razão para que isso tenha ocorrido, pois alguns dos usuários que pegaram o livro não
compreenderam a dinâmica do BookCrossing e não registrou sua passagem pelo site, no
entanto, muitos deles devem estar viajando por diversos lugares e lidos por diferentes pessoas,
e com isso atinge o objetivo do projeto que é disseminar e incentivar a leitura a todos.

6 REFERÊNCIAS
BOOKCROSSING Brasil: leia, registre e liberte. Na imprensa. c2009b. Disponível
em:&lt;http://www.bookcrossing.com.br/wp-content/uploads/Jornal-da-USP_Bem-vindo-aoBookCrossing_jan.07.pdf&gt;. Acesso em: 16 mar. 2012.
BOOKCROSSING Brasil: leia, registre e liberte. O que é bookcrossing?

c2009a.

Disponível em: &lt; http://www.bookcrossing.com.br/o-que-e-o-bookcrossing/&gt;. Acesso em: 16
mar. 2012.
WIKIPÉDIA:

a

enciclopédia

livre.

BookCrossing.

2012.

Disponível

em:&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/BookCrossing&gt;. Acesso em: 12 abr. 2012.

2319

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                <text>Bookcrossing: a experiência da Fundação São Francisco Xavier em Ipatinga (MG) de 2012 a 2014: apresentação dos resultados</text>
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                <text>Oliveira, Paulo Vitor, Palhares, Márcia Maria, Palhares, Mônica Geralda</text>
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                <text>Introdução: apresenta um projeto de incentivo à leitura realizado por uma biblioteca escolar tendo como meio de partida o BookCrossing. Objetivo: influenciar a prática da leitura, disseminar a leitura e promover a interação e distribuição de livros por diferentes lugares. Método: libertar diversos livros cadastrados no site do BookCrossing e disponibilizá-los em diferentes locais da Fundação São Francisco Xavier em Ipatinga-MG. Resultados parciais: o projeto foi implantado em 2012 e desde que os 176 livros foram libertados, 87 tiveram seus códigos cadastrados no site do BookCrossing e diante disso, percebe-se que os resultados foram alcançados e o projeto deu certo, e que o acesso a leitura e à cultura foi facilitado. Conclusão: esse tipo de prática de incentivo à leitura aplicada na instituição possibilita o acesso à leitura e a disseminação da mesma, sobretudo, utilizando o BookCrossing como meio de libertação dos livros.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O
BOLETIM INFORMATIVO DAS BIBLIOTECAS DO COLÉGIO SÃO
FRANCISCO XAVIER NO MUNICÍPIO DE IPATINGA (MG) COMO
FERRAMENTA DE CONTRIBUIÇÃO NA DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA
INFORMAÇÃO
Paulo Vítor Oliveira
Alejandro de Campos Pinheiro

RESUMO
Relata a importância do Boletim Informativo como ferramenta de divulgação de informações
e atividades internas das bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier. Aborda reflexões sobre
os conceitos de Marketing em unidades de informação, bem como a relevância para a
divulgação de produtos e serviços realizados pela biblioteca. Apresenta conceitos sobre a
Disseminação Seletiva da Informação e os produtos que podem ser gerados, como o Boletim
Informativo. Esse instrumento é produzido no meio digital em formato p d f com publicação
online na intranet da Fundação São Francisco Xavier e encaminhado por e-mail a todos os
alunos, professores, coordenadores e demais colaboradores. Objetiva-se criar um canal de
difusão de informações de interesse dos usuários. As informações selecionadas para compor o
boletim variam de acordo com o mês vigente e a demanda das bibliotecas. São retiradas
informações de base de dados da área da saúde, publicações online dos jornais locais do
município de Ipatinga e informações relevantes direcionadas à comunidade escolar. Pretendese identificar, por meio desta pesquisa, se o Boletim Informativo atende a antecipação à
demanda dos seus usuários, qual a importância dele para a instituição, se ele de fato é um
instrumento que contribui na difusão da informação para alunos, professores e outros
profissionais da instituição, se fortalece o marketing e a área de atuação das bibliotecas.

Palavras-chave: Colégio São Francisco Xavier. Boletim informativo. Marketing em unidades
de informação. Disseminação seletiva da informação.

ABSTRACT
Reported the importance of the Newsletter as information disclosure and internal activities of
the libraries of São Francisco Xavier School. It discusses the reflections on the concepts of
Marketing in units of information and its relevance to the promotion of products and services
provided by the library. It presents concepts on Selective Dissemination of Information and
products that can be generated, as the Newsletter. This instrument is produced in digital form
in pdf format online publication intranet São Francisco Xavier Foundation and sent email to
all students, teachers, coordinator and other employees. The objective is to create a channel
for the dissemination information of interest to users. Selected to compose the newsletter
information varies according to the current month and the demand of libraries. Information
database o f health, online publications of local newspapers Ipatinga targeted and relevant

3113

�information to the school community are taken. It is intended to identify, through this
research, the newsletter serves anticipation of demand of their users, why it's important for the
institution , if it is indeed a tool that helps in the dissemination information to students,
teachers and other professional institution , strengthens marketing and practice area libraries.

Keywords: São Francisco Xavier School. Newsletter. Marketing information units. Selective
dissemination information.
1 INTRODUÇÃO
A Segunda Guerra Mundial foi um acontecimento histórico que alterou o destino de
grande parcela da humanidade. Milhares de vidas ceifadas nos quase seis anos de guerra,
principalmente no continente europeu, onde ocorreu maior parte do conflito; afetou o campo
político, econômico e científico de todo o mundo. Com o fim da batalha, Estados Unidos e
União Soviética se destacaram como as duas maiores potências do período e como possuíam
ideologias distintas, propiciaram um clima antagônico nas diversas áreas da política e da
economia. O contexto da informação também passou por profundas mudanças, inclusive, foi a
partir da Segunda Guerra Mundial que ocorreu o ápice da explosão bibliográfica, pois os
grandes investimentos governamentais em pesquisa e em desenvolvimento promoveram
avanços científicos e tecnológicos que impulsionaram a comunicação científica formal,
resultando na multiplicação de publicações. Weitzel (2002, p. 63) salienta que:
o processo de aquisição e comunicação formal do conhecimento
especializado, caracterizado pelo ciclo documentário, desencadeou a
necessidade de maior controle bibliográfico para facilitar a busca por
material de relevância específica destinado a apoiar novas pesquisas.
Sendo assim, já não era mais possível colecionar em bibliotecas tudo o
que foi publicado no mundo, nem tampouco saber ou ler tudo na
mesma velocidade na qual a informação estava sendo produzida.
O excesso de publicações impossibilitava que pesquisadores, cientistas e demais
profissionais obtivessem acesso a tudo aquilo que era produzido. De forma a direcionar a
informação pertinente e de interesse a cada usuário, Hans Peter Luhn, a partir da década de 50
e 60, desenvolveu a Disseminação Seletiva da Informação (DSI) com o intuito de reduzir o
trabalho dos cientistas na busca de informações concernentes para o trabalho de pesquisa
(EIRÃO, 2009, p. 21-22).
Esta ferramenta foi fundamental para auxiliar na busca e na recuperação de
publicações e/ou informação relevante, na metade do século XX, ainda continua em uso por
diversas unidades de informação. Visto como uma forma de antecipação da demanda, a
Disseminação Seletiva da Informação por meio de um Boletim Informativo é utilizada pelas

3114

�bibliotecas José Amilar da Silveira e Professor Augusto Tavares de Rezende, que
respectivamente, compõem as unidades I e II do Colégio São Francisco Xavier.
Pretende-se identificar, por meio dessa pesquisa, se o Boletim Informativo atende a
antecipação à demanda dos seus usuários, qual a sua importância para a instituição, se ele de
fato é um instrumento que contribui na difusão da informação para alunos, professores e
outros profissionais da instituição, se fortalece o marketing e a área de atuação das
bibliotecas.

2 HISTÓRICO E DESCRIÇÃO DAS UNIDADES DE INFORMAÇÃO

A história do Colégio São Francisco Xavier (CSFX) é construída com a participação
de professores, alunos, famílias e a sociedade. O nome do colégio é uma homenagem a São
Francisco Xavier, santo educador e missionário jesuíta que dedicou grande parte de sua vida
às missões no oriente.
A

instituição

(USIMINAS)

foi

criada

pelas

Usinas

Siderúrgicas

de

Minas

Gerais

com o objetivo de garantir ensino e educação de qualidade aos filhos dos

empregados e às crianças da comunidade que surgia ao redor da empresa. Suas atividades
começaram em dezembro de 1961, embora sua inauguração oficial tenha sido realizada em 15
de junho de 1962.
No início, a direção e a administração do colégio foram designadas aos padres
Jesuítas, que praticavam o modelo de educação clássica europeia, com base curricular voltada
para a formação humanística.
Em dezembro de 1969, a USIMINAS criou a Fundação São Francisco Xavier, que ao
assumir a administração do colégio, acrescentou-se à Proposta Pedagógica inicial dos
padres jesuítas, a formação técnico-profissionalizante no Ensino Médio e a criação de
cursos

na

área

de

Metalurgia,

Enfermagem

e

Magistério.

Em meados de 1990, o CSFX iniciou uma série de alterações para atender às novas
orientações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), tais como as
mudanças no projeto pedagógico da escola, que permitiram melhor ajustamento da proposta
educacional à realidade.

355 USIMINAS: É uma das maiores empresas siderúrgicas do País. Busca continuamente a excelência na
produção e comercialização de aços planos, conquistando índices de desempenho e práticas de padrão mundial
sem perder de vista a dimensão social. Disponível em: &lt;http://www2.camara.leg.br/atividadelegislativa/comissoes/comissoes-mistas/cpcms/siglario2/u/USIMINAS.html&gt;. Acesso em: 11 maio 2014.

3115

�Em Agosto de 2010, o Colégio São Francisco Xavier criou a unidade II, no bairro do
Horto, voltada para o segmento dos cursos técnicos em: Enfermagem, Análises Clínicas,
Mecânica, Administração, Segurança do Trabalho e Informática.
Atualmente o CSFX conta, em seu quadro de colaboradores, com 142 professores
distribuídos nos segmentos: Educação Infantil e Ensino Fundamental I - 41; Ensino
Fundamental II e Ensino Médio - 63; Cursos Técnicos - 38. Em relação ao corpo
administrativo, consta com 81 profissionais, 9 estagiários, 36 colaboradores da área de
conservação e limpeza e um total de 2810 alunos.

BIBLIOTECA JOSÉ AMILAR DA SILVEIRA

A Biblioteca José Amilar da Silveira é uma biblioteca escolar que funciona de segunda
a sexta-feira, das 7h às 17h30min. Tem por finalidade prestar serviços de informação e
documentação à comunidade interna e externa da unidade I do Colégio São Francisco Xavier,
atendendo à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental I e II e ao Ensino Médio. Composto
por 16.687 obras, oito assinaturas de periódicos, além de livros de literatura em braile e áudio
livros no formato MP3, todo o acervo encontra-se disponibilizado no catálogo online para
empréstimos, reservas e renovações.
A biblioteca disponibiliza aos seus usuários seis terminais de acesso à internet, 12
cabines de estudo individuais, ambiente para a realização e orientação de pesquisa e leitura,
além de um espaço em anexo que disponibiliza um acervo específico direcionado à Educação
Infantil.
Durante a programação anual a Biblioteca promove vários projetos de incentivo à
leitura, como o Sarau Literário, Feira de Troca de Livros, Bookcrossing CSFX e Refeições
com Mafalda.

BIBLIOTECA PROFESSOR AUGUSTO TAVARES DE REZENDE
Localizada no bairro Horto, atende aos alunos dos Cursos Técnicos oferecidos pela
unidade II do Colégio São Francisco Xavier. O horário de funcionamento é das 7h30min às
22h30min.Dispõem de um acervo com 1.055 obras, duas assinaturas de periódicos na área da
saúde e uma na área de mecânica. A biblioteca conta com dois terminais de acesso à internet e
espaço para leitura, pesquisa e estudo.
Ambas as bibliotecas têm a missão de promover o acesso, a disseminação e o uso da
informação como apoio ao ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para a evolução e a

3116

�produção do conhecimento. São totalmente informatizadas, utilizando um catálogo online
como software de gerenciamento do acervo.
Os usuários das unidades de informação são os alunos, professores, colaboradores e
toda comunidade escolar. A gestão das unidades é feita por um bibliotecário que perfaz uma
carga horária, de segunda à sexta-feira das 14h às 23h, distribuída nas duas unidades do
CSFX.

3 REVISÃO DE LITERATURA
Com o intuito de fundamentar essa pesquisa, o trabalho será contextualizado a partir
das subdivisões propostas: Marketing em unidades de informação, Disseminação Seletiva da
Informação e Boletim Informativo. Compreende-se que esses elementos, relacionados, são
essenciais para a criação e divulgação de um produto. Dessa forma, a biblioteca pode se
beneficiar com a aproximação do usuário, com uma atuação que não se restringirá as quatro
paredes em que se situa.
Autores consagrados no âmbito da Biblioteconomia e Ciência da Informação como
Murilo Bastos da Cunha, Sueli Angélica do Amaral, Thiago Gomes Eirão, Leonardo
Fernandes Souto, Amélia Silveira, Simone R. Weitzel, em suas publicações referentes ao
tema proposto, fundamentam esse estudo, que representa uma distinta forma de transmissão
da informação.

4 MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Considerado uma ferramenta estratégica nas organizações, o marketing é o elemento
essencial para divulgar, ampliar, consolidar e informar sobre uma determinada instituição ou
produto. Com o objetivo de atingir o maior número de pessoas possíveis, além de conquistar e
fidelizar clientes, ele está inserido em todos os lugares sejam por meio de outdoors, folders,
folhetos, propaganda de rádio, televisão, vídeos na internet, links, hiperlinks entre outras
maneiras de divulgação.
Segundo Cunha (1993, p. 6) marketing é o “processo para identificar a necessidade de
serviços ou produtos, traduzindo essa necessidade em demanda e, ao mesmo tempo, provendo
esse serviço ou produto de forma a atender especificamente essa necessidade". O
desenvolvimento da tecnologia contribuiu nas formas de construção e divulgação dos
produtos e serviços oferecidos pelas empresas sejam elas públicas ou privadas. Dessa forma,
as unidades de informação também não poderiam se abster de utilizar esta ferramenta tão

3117

�valiosa e fundamental para atrair e cativar mais usuários, além de disseminar os seus produtos
e serviços realizados.

O impacto tecnológico é um dos aspectos mais importantes a ser considerado
quando falamos no processo de geração, processamento, armazenamento,
disseminação e recuperação da informação [...]. Do mesmo modo que as
bibliotecas não automatizadas, nas automatizadas os usuários precisam ser
orientados para o uso dos produtos e serviços oferecidos. A unidade de
informação precisa transmitir confiança, assegurando aos seus usuários uma
oferta de qualidade, sejam seus produtos e serviços manuais ou
automatizados. (AMARAL, 1998, p. 75-76)
A adesão do marketing em unidades de informação é uma forma de valorização do
profissional da informação, pois mostra o seu comprometimento, iniciativa, empreendimento
e pró-atividade melhorando assim, a sua imagem mediante o uso apropriado de técnicas para
fazer trocas adequadas, rompendo as barreiras na comunicação entre a biblioteca e seus
clientes, com o intuito de atender as necessidades informacionais dos mesmos.
Para divulgar os seus produtos e serviços, a biblioteca se utiliza de diferentes meios
em transmitir a informação para o seu usuário final ou em potencial. Sumários correntes,

newsletter, serviços de alerta, clipping são alguns exemplos de “produtos” criados com a
finalidade de avisar ao consulente a publicação de novos livros, artigos, periódicos ou
especificamente atualizá-lo a respeito sobre um determinado assunto a qual seja do seu
interesse.
Cabe ao bibliotecário, por meio de análise do perfil do seu público, utilizar o produto
mais adequado que seja relevante em satisfazer as necessidades de informação do usuário. O
profissional da informação deve ser ousado e criativo no uso dos recursos tradicionais como
também para desenvolver outros produtos e/ou serviços.
[...] a unidade de informação precisa conhecer seus competidores, o meio
ambiente em que está inserida. É necessário, também, saber selecionar as
oportunidades para agir e antecipar-se, a fim de alcançar resultados
positivos, satisfazendo as necessidades de informações dos usuários, com os
recursos disponíveis. (AMARAL, 1998, p.75)
Para que estes produtos sejam aproveitados em toda a sua plenitude usa-se os serviços
de disseminação seletiva da informação.

3118

�5 DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA INFORMAÇÃO (DSI)
A disseminação seletiva da informação são serviços individuais com informação
selecionada, específica e direcionada a um determinado indivíduo ou grupo de usuários,
segundo as características de perfil atribuído a eles.
De acordo com Lunh (1961, p. 132), a DSI é “aquele serviço dentro de uma
organização que se refere à canalização de novos itens de informação, vindos de quaisquer
fontes, para aqueles pontos onde a probabilidade de utilização, em conexão com o interesse
corrente do usuário, seja alta” .
Segundo

o Dicionário

de Biblioteconomia

e Arquivologia

(2008,

p.

130),

disseminação seletiva da informação é
difusão automática, selecionada, permanente e personalizada de informações
correntes, relativas a assuntos específicos. A divulgação pode ser por meio
de índices, resumos, boletins, cópias de sumários e outros documentos
semelhantes; divulgação seletiva de informação, notificação seletiva.
Souto (2010, p. 11) define a disseminação seletiva de informações como
aquele processo que a partir do perfil individual ou de grupo, identificado
explícita ou implicitamente, encaminha, exibe e/ou disponibiliza, aos
usuários, um pacote informacional, resultante da seleção-realizada por meio
da ação humana, de um sistema automatizado ou da combinação de ambos a partir da comparação dos perfis dos usuários com os recursos
informacionais disponíveis.
Por serem mais presentes em bibliotecas especializadas, a DSI era mais voltada a
compilação de títulos e artigos de periódicos e sua distribuição era limitada a poucos usuários.
Com as novas tecnologias, o serviço de DSI evoluiu e se incorporou definitivamente no
ambiente digital, o que propiciou a diversificação das informações a serem divulgadas e
contribuiu ainda mais ao acesso à informação. Além disso, para o usuário, este serviço
personalizado, bem realizado é de fácil utilização e otimiza o tempo; para a instituição,
maximiza o aproveitamento dos recursos humanos e bibliográficos.
Longo (1978, p. 104) apud Eirão (2009, p. 23) relata que para o serviço de DSI seja
bem sucedido, ele deve estar relacionado na identificação do perfil do usuário e mais
especificamente na metodologia utilizada para a compilação dos dados. Segundo a autora,
esta coleta deve ser realizada por meio de uma “entrevista pessoal com o usuário, na qual é
feita uma narração por escrito de seu campo de atuação onde também são submetidas
palavras-chave e referências que melhor definam o seu interesse específico” .

3119

�A Disseminação Seletiva da Informação é uma ferramenta muito estratégica que
contribui no marketing da biblioteca, uma vez que ao antecipar a demanda de informação,
mostra que o bibliotecário está atento as inovações, atualizações de produtos ou serviços que
possam auxiliar o seu cliente final ou em potencial em uma tomada de decisão ou apenas
transmitir a informação, que está presente, mas não é direcionada para o usuário de que a
necessita.
Com a finalidade de compilar o maior número de informações de diversas fontes,
facilitar o seu uso e acesso e ao destinar a um público específico, uma forma de disseminação
seletiva da informação realizada é por meio da produção do Boletim Informativo.

6 BOLETIM INFORMATIVO
O Boletim informativo (newsletter em inglês) é um tipo de distribuição regular a
assinantes e pode abordar uma variedade de assuntos, bem como um tema específico.
Utilizam-se, cada vez mais, os boletins informativos, distribuídos como mensagem eletrônica,
os quais o usuário pode receber via Internet, após efetuar um cadastramento em algum site.
Eles são, geralmente, enviados por correio eletrônico, mas também podem ser enviadas por
SMS (Short Message Service), que em português significa serviço de mensagens curtas: e
MMS (Multimedia Messaging Service), um termo inglês que significa serviço de mensagens
multimídia.
Empresas, instituições e bibliotecas utilizam o Boletim Infomativo como forma de
divulgação de notícias, novidades e informações gerais. Esse tipo de comunicação poderá ser
útil para manter atualizados todos aqueles que tenham algum vínculo com as bibliotecas. É
também encarada como uma forma simples e barata de fazer publicidade, tendo a grande
vantagem que se pode considerar 'publicidade solicitada', uma vez que quem a recebe, se
inscreveu livremente na lista de destinatários e gostaria de receber informações não
específicas (não sendo propriamente obrigatório este aspecto) sobre a empresa. Esse tipo de
serviço pode, ainda, servir de base a estudos sobre tendências, comportamentos e gostos dos
seus usuários, levados a cabo pelas bibliotecas. Por vezes também, podem ser um tipo de
serviço de notificação da atualização de um tema, geralmente requisitada pelo visitante ao
preencher um formulário, o que o motiva a voltar ao site quando algo lhe interessar.

6.1 Boletim Informativo das bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier
O Boletim Informativo é uma ferramenta de divulgação das atividades internas das
bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier, apresentando-se em meio digital, em formato

3120

�p d f com publicação online na intranet da FSFX e divulgação por e-mail a todos os alunos,
professores,

coordenadores

e

demais

colaboradores.

Com

uma

periodicidade

quinzenal/mensal (varia de acordo com as demandas das bibliotecas), ele poderá vir
acompanhando de um suplemento temático, caso se justifique.
O Boletim Informativo foi lançado em Janeiro de 2014 com o objetivo de criar um
canal de difusão de informações relativas às novas aquisições, novidades, curiosidades, datas
comemorativas e assuntos de interesse dos usuários das bibliotecas do CSFX. Ressalta-se que
essa ferramenta segue a Proposta Pedagógica da instituição, uma vez que é por meio da
informação que os princípios estabelecidos, diponíveis a seguir, vão se consolidar.
I. princípios pedagógicos fundamentais para a ação educacional que
proporcionem ao educando “aprender a aprender, aprender a conhecer e
aprender a ser”;
II. princípios estéticos que estimulem a criatividade, a curiosidade, a emoção
e as diversas manifestações artísticas e culturais. (PROPOSTA
PEDAGÓGICA CSFX, 2014, p.11).
Um boletim informativo é o meio mais prático e econômico de manter os potenciais
usuários informados, mantendo-os conectados às bibliotecas da instituição.

6.2 Metodologia
Na biblioteca escolar não pode faltar o serviço de divulgação ou marketing, cuja
função é de combinar a capacidade do serviço com as necessidades dos usuários, de forma a
gerar uma ação proveitosa e retorno em termos de ganho e troca de valores com a comunidade
escolar. A divulgação do que a biblioteca representa e dos serviços que oferece é parte de um
processo que vai determinar o interesse da instituição naquele ambiente.
Como exemplo prático há o boletim informativo desenvolvido pelas bibliotecas do
CSFX, que consiste em divulgar os serviços prestados. Ele é originalmente elaborado no
programa corel draw e, posteriormente é transformado em formato pdf.

Em seguida é

encaminhado via e-mail, para os alunos, professores, coordenadores e funcionários técnicoadministrativos.
As informações selecionadas para compor o boletim variam de acordo com o mês
vigente e a demanda das bibliotecas. São retiradas informações de base de dados da área da
saúde (BIREME - Biblioteca Virtual em Saúde, LILACS - Literatura Latino-Americana e do
Caribe em Ciências da Saúde e MEDLINE - Literatura Internacional em Ciências da Saúde)

3121

�site da Fundação São Francisco Xavier, publicações online dos jornais locais e notícias
internas de prestação de serviços das bibliotecas do CSFX, as quais se destacam:
•

Exposição da imagem das capas dos livros recém-adquiridos;

•

Listas dos títulos novos em forma de referência bibliográfica, encaminhadas
aos orientadores/coordenadores da área para que circulem entre os professores
da instituição;

•

Divulgação seletiva dos títulos para os professores especialistas;

•

Divulgação no site da escola, onde se encontra um link disponível específico
da biblioteca;

•

Sugestões de leitura;

•

Práticas de vida saudável e sustentável;

•

Datas comemorativas;

•

Curiosidades, notícias, entrevistas e depoimentos.

A equipe responsável pela criação do Boletim é formada por um bibliotecário e duas
auxiliares de biblioteca, uma de cada unidade do CSFX. A elaboração pressupõe um
planejamento coordenado do trabalho:
•

Definir os objetivos do boletim e seus destinatários - público-alvo;

•

Definir as seções do boletim, seu estilo e formato;

•

Clareza com relação aos recursos disponíveis;

•

Determinar sua periodicidade e sua forma de divulgação;

•

Linguagem deve ser ágil, criativa e de fácil compreensão;

Boletim 1 : Biblionotícias

Fonte: Boletim Informativo do Colégio CFSX, ediçãode fevereiro de 2014.

3122

�Boletim 2: Biblionotícias

Graduada em Etom ediana. pós graduada em
Farm acologia e Tox&gt;coiogia. Jane atualmente leciona
no C S FX Técnico e é também professora universitária
Jane afirma a importância do livro “ Laboratóno Clínico
na formação do técnico em A nálises C lin icas
Conta ainda que este livro tem uma linguagem de fáol
compreensão possibilitando o aprendizado sobre vânas
técnicas das analises laboratoriais.

jemos tO pyP1HJ mkp
BòbOeca Professor Augusto Tavares de Rezende

Fonte: Boletim Informativo do CSFX, edição de març de 2014.

Boletim 3: Biblionotícias

A profesora Rosemeire esteve na biblioteca com os alunos da turma de Segurança do Trabalho módulo I
ministrando uma aula interessante sobre a utlli/açJk) dos livros como recurso importante em pesquisas
Na oportunidade, os alunos conheceram o espaço e o funcionamento da biblioteca
B ò kX eca P ro fe ssa Augusto Tavares de Rezende

Fonte: Boletim Informativo do CSFX, edição de abri de 2014.

3123

�Boletim 4: Biblionotícias
O ptimcika '^«ctta TTitiuOaf
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co raçã o a . p a ra rrwn_ taao la m p r» b asto u
Assim Iam m o o um a d a s m a s
da am or q u a voo* lar* n a vida O livro é o ratraio d a um a rataçAo
rara a bata q u a rastsliu a o la s la d o lam po a d a s circunstAncia*
Com um an c am o qua
la 6 encontrado n a M aratura atual O
Dtarto d a um a P a u l o d a N d i o l a i S parks. o c o n sa g ra com o
sobra a m ais im portam # a m *ca am oçAo q u a no» m antém Com
m a a d a 12 m b O a s d a cOptas vendadas, o Irvro q u a em ocio nou a s
p a s s o a s a o rador d o m undo
ira d u n d o para
d a 20 línguas

NmÍsTi.
À primeira
MU

Tem os 3 ex em p lares d e ca d a .’i sua espera!
Bfckoleca Professor Aiiqjsto Tovares de Rezende

Fonte: Boletim Informativo do CSFX, edição de maio e 2014.

7 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Para identificar os possíveis resultados solicitaram-se depoimentos de vários usuários
sobre a importância do boletim para uso pessoal e profissional. Para corroborar a influência
do Boletim Informativo na instituição seguem as considerações da professora Jane Luíza dos
Santos, que leciona as disciplinas de Hematologia, Bioquímica, Farmacologia e Parasitologia
no CSFX-Técnico

O boletim informativo elaborado nas bibliotecas do CSFX é uma forma
interessante de divulgar o trabalho do professor e dos alunos, permitindo que
os conhecimentos adquiridos em sala possam ser repassados aos estudantes
de outros cursos. O professor tem a oportunidade de apresentar um livro e
relatar o conteúdo, além de fazer a indicação aos alunos. Os assuntos são
variados e escritos de forma clara e simples. O boletim da biblioteca
é útil, pois apresenta os livros aos alunos e, mesmo àqueles que não possuem
o hábito de frequentarem a Biblioteca, ficam informados! Isso estimula a
curiosidade e o interesse do aluno em basear seus trabalhos e pesquisas não
apenas na internet como fonte, aumentando a qualidade das pesquisas
apresentadas. Os temas escolhidos são importantes e atendem aos alunos de
todos os cursos que o CSFX-Técnico oferece. 356

356 SANTOS, Jane Luiza. (ianeluizabio@hotmail.com). Depoimento sobre Boletim Informativo [mensagem
pessoal]. Mensagem recebida por paulo.vitor@usiminas.com em 13 de maio 2014.

3124

�8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sociedade na atual conjuntura convive com uma imensidade de informações as quais
são registradas/apresentadas em diversos tipos de suportes. A facilidade de acesso à
informação com as novas tecnologias seja por meio de notbooks, tablets, smartphones aliados
à internet, permitem que o indivíduo fique conectado 24 horas por dia com os meios de
comunicação. A criação de aplicativos para os equipamentos supracitados, as redes sociais,
sites, blogs contribuem para que as pessoas realizem estudos, negócios, trabalho e
entretenimento.
No entanto, o excesso de informação disponibilizada, principalmente via internet, faz
também com que o cidadão se perca. Devido à falta de conhecimento mais especializado os
usuários desconhecem as fontes de informação que possuem um caráter de credibilidade
avaliada pelos profissionais específicos da área. Dessa forma, um usuário mais ingênuo fica
suscetível às informações de aspecto duvidoso e sofre um processo de desinformação, já que
ele está cercado de fontes, que nem sempre representam a veracidade e fidedignidade do
conteúdo nela exposto. O conjunto informacional, que era para ser esclarecedor, torna-se um
ambiente cheio de indagações.
O problema relacionado à abundância informacional iniciou-se com a criação da
imprensa de Gutenberg em 1492, mas sua explosão ocorreu após a Segunda Guerra Mundial
em 1945. Devido a grandes investimentos na área de pesquisa ocorreu um crescimento
exponencial de publicações em diversas áreas, o que inviabilizava o acesso, leitura e obtenção
do controle de todo o conteúdo divulgado.
A Disseminação Seletiva da Informação foi um serviço criado para sanar esse
problema informacional, ao direcionar aos usuários, apenas as informações por eles desejadas.
A partir disso, diversas ferramentas foram desenvolvidas com esse intuito. Ademais,
contribuíram para a expansão do marketing da unidade de informação de forma a atingir um
cliente em potencial e uma maior aproximação com o usuário final.
A Disseminação Seletiva da Informação tem como um dos seus produtos, o Boletim
Informativo, que consiste na reunião de assuntos distintos de interesse do público a qual foi
destinado. A forma de divulgação pode ser pelos meios impressos ou online, através de envio
por e-mail ou disponibilizado em sites ou intranet da instituição. Ao perceber essas vantagens,
as bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier desenvolveram o seu próprio Boletim
Informativo, com o intuito de informar, entreter, fortalecer o marketing da biblioteca, além de
permitir aproximar mais o usuário da unidade de informação.

3125

�O bibliotecário seleciona as informações pertinentes que serão inseridas no Boletim
Informativo em base de dados, publicações online dos jornais locais e notícias internas de
prestação de serviços das bibliotecas, de forma a divulgar o trabalho realizado na unidade de
informação. A auxiliar de biblioteca contribui na fase de diagramação e envio por email e
hospedagem no site do colégio.
Percebe-se a importância do Boletim Informativo para a Disseminação Seletiva da
Informação, pois se tornou uma referência para os professores, alunos e colaboradores.
Funciona, ainda, como uma ferramenta de relacionamento que promove a integração entre as
Bibliotecas do CSFX e toda sua comunidade escolar, dando visibilidade aos serviços
prestados pelas bibliotecas, divulgando as ações culturais, projetos de incentivo à leitura, e
informações pertinentes voltadas ao público escolar ao qual se destina.
A biblioteca escolar é o ponto de partida, o marco inicial da vida acadêmica do
indivíduo, e, sendo assim, o que ele adquirir e aprender nessa fase o fará lembrar e o
alimentará, culturalmente, em toda a sua vida adulta.

REFERÊNCIAS
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Ci.

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Brasília,

v.

25,

n.3,

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COLÉGIO

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&lt;http://www.fsfx.com.br/iri/portal?NavigationTarget=navurl://dcfaa00c55a4d04fc71d35f58d
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3127

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O boletim informativo das bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier no município de Ipatinga (MG) como ferramenta de contribuição na disseminação seletiva da informação</text>
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                <text>Relata a importância do Boletim Informativo como ferramenta de divulgação de informações e atividades internas das bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier. Aborda reflexões sobre os conceitos de Marketing em unidades de informação, bem como a relevância para a divulgação de produtos e serviços realizados pela biblioteca. Apresenta conceitos sobre a Disseminação Seletiva da Informação e os produtos que podem ser gerados, como o Boletim Informativo. Esse instrumento é produzido no meio digital em formato pdf com publicação online na intranet da Fundação São Francisco Xavier e encaminhado por e-mail a todos os alunos, professores, coordenadores e demais colaboradores. Objetiva-se criar um canal de difusão de informações de interesse dos usuários. As informações selecionadas para compor o boletim variam de acordo com o mês vigente e a demanda das bibliotecas. São retiradas informações de base de dados da área da saúde, publicações online dos jornais locais do município de Ipatinga e informações relevantes direcionadas à comunidade escolar. Pretendese identificar, por meio desta pesquisa, se o Boletim Informativo atende a antecipação à demanda dos seus usuários, qual a importância dele para a instituição, se ele de fato é um instrumento que contribui na difusão da informação para alunos, professores e outros profissionais da instituição, se fortalece o marketing e a área de atuação das bibliotecas.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DE NOVOS USUÁRIOS
NA MODALIDADE VIRTUAL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Rosiane Maria Oliveira
Nivaldo Oliveira
Fernanda Vasconcelos Amaral
Lucas Timóteo da Silva

RESUMO
Neste relato de experiência apresenta-se a implantação do Programa de Capacitação de Novos
Usuários (PCNU) da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Lavras
(BU/UFLA), na modalidade virtual. O PCNU presencial existe desde 2004 e foi criado com o
objetivo de informar aos discentes recém-ingressados na universidade sobre as normas, o
acervo, os serviços e procedimentos da biblioteca. Contudo, devido ao aumento no número de
alunos matriculados semestralmente, foi elaborado um sistema on-line que oferece as mesmas
informações repassadas na capacitação presencial. Esse serviço foi criado por uma equipe
multidisciplinar formada por profissionais da área de biblioteconomia, pedagogia e ciência da
computação e apresenta conteúdos textuais e de multimídia acessíveis por meio do site da
biblioteca. Alguns resultados obtidos foram: participação de um maior número de alunos nos
cursos de capacitação, redução da sobrecarga de trabalho no Setor de Referência no início do
semestre letivo e oferta ininterrupta do curso de capacitação. Dessa forma, conclui-se que a
educação a distância é um sistema eficaz e eficiente para massificar o serviço de orientação ao
usuário e oferecer informações sobre o funcionamento da biblioteca.
Palavras-chave: Capacitação de usuários; Educação de usuários; Serviço de referência on­
line; Ensino a distância; EAD.

ABSTRACT
This experience report presents the implementation of the New Users Training Program
(NUTP) created by the Federal University of Lavras Library (BU/UFLA) in a virtual mode.
The traditional classroom PCNU has existed since 2004 and was created with the purpose of
informing students recently admitted to the University about the rules, the collections, the
services and the procedures of the library. However, due to the growing increase in the
number of students enrolled in the university each semester, it was created an online system
which offers the same information given in the traditional training. This service was
developed by a multidisciplinary team of professionals from librarianship, pedagogy and
computer science fields and presents textual and multimedia content accessible through the
library’s website. Some results achieved so far include: a bigger number of students
participated of the training courses, reduction of the workload in the Reference Section at the
beginning of the academic semester and the training program is available on a 24/7 basis.

1916

�Thus, it is concluded that distance education is an effective and efficient system to spread the
user orientation service and provide information on the operation of the library.

Keywords: User training; User education; Online Reference service; Distance Education;
Distance learning.

1 INTRODUÇÃO
O governo federal, através do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e
Expansão das Universidades Federais (Reuni), adotou uma série de medidas, para que as
universidades federais promovessem sua expansão física, acadêmica e pedagógica, o que
resultou no aumento do número de cursos e alunos das Instituições Federais de Ensino
Superior (Ifes), reduzindo assim as desigualdades sociais.
O Reuni foi instituído pelo Decreto n° 6.096, de 24 de abril de 2007, e é uma das ações
que integram o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). As ações do programa
contemplam o aumento de vagas nos cursos de graduação, a ampliação da oferta de cursos
noturnos, a promoção de inovações pedagógicas e o combate à evasão, entre outras metas que
têm o propósito de diminuir as desigualdades sociais no país. (REUNI, 2014).
Quando o Reuni iniciou-se na Universidade Federal de Lavras (UFLA) em 2008, a
universidade possuía 15 cursos de graduação, com o total de 3.734 alunos, 48 cursos de pósgraduação stricto sensu, englobando mestrado, doutorado e pós-doutorado, totalizando 1.725
alunos. Atualmente, a UFLA possui 28 cursos de graduação nas modalidades presencial e a
distância com o total de 9.427 alunos e 69 cursos de pós-graduação stricto sensu, totalizando
2.089 alunos222. Diante desse crescimento significativo nos últimos 6 anos, foi necessário
que a UFLA, juntamente com o seus órgãos de apoio ao ensino, pesquisa e extensão,
elaborassem novos procedimentos e estratégias para acompanhar a expansão vinda do Reuni.
A Biblioteca Universitária da UFLA (BU/UFLA) tem acompanhado a evolução da
universidade no que se refere ao atendimento ao usuário, acervo compatível com as
bibliografias indicadas pelos cursos, prestação de novos serviços e produtos, e, em breve,
ampliação do seu espaço físico.
A BU/UFLA realiza há mais de 10 anos palestras presenciais de capacitação para os
alunos ingressantes dos cursos de graduação da UFLA, com o objetivo de apresentar as
normas, o acervo, os serviços e os produtos oferecidos pela biblioteca, bem como os direitos e
os deveres do usuário.
222 Os dados referentes à quantidade de cursos e alunos da UFLA foram extraídos do site da Diretoria de
Registro Acadêmico da UFLA (DRCA/UFLA). Disponível em: &lt;www.drca.ufla.br&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.

1917

�De acordo com o Regulamento da Biblioteca Universitária (2011): “Art. 15: A
habilitação da Biblioteca é pré-requisito para que o usuário, vinculado à UFLA, tenha o
direito a empréstimo domiciliar e demais serviços com normas específicas” . No Inciso 4°, do
Art. 15: “Os alunos de graduação somente poderão usufruir dos serviços de empréstimos após
participação na palestra de capacitação oferecida a cada início de semestre e/ou em datas
previamente agendadas para apresentação da Biblioteca e de seus serviços” .
Tradicionalmente, as palestras são tratadas como recepção de calouros da BU/UFLA,
sendo realizadas a cada início de semestre, sob a responsabilidade da equipe de servidores do
Setor de Referência, que está subordinado à Coordenadoria de Atendimento ao Usuário, e
regimentalmente entre suas finalidades é, no “Art. 36, I. Planejar e executar programas de
capacitação do usuário” .
A necessidade de recepcionar os calouros dos cursos de graduação da UFLA se
caracteriza por facilitar a transição do ensino médio para o superior e na BU/UFLA,
principalmente, por capacitar esses novos usuários a utilizarem seus serviços e produtos com
autonomia e segurança, a aprenderem a realizar busca no catálogo on-line, além de orientá-los
sobre a conduta no espaço físico da biblioteca.
As palestras eram oferecidas apenas na modalidade presencial até o 1° semestre de
2013; porém, essa modalidade estava se tornando inviável para os servidores da BU/UFLA
atenderem à demanda de alunos que iniciavam a cada semestre, pois eram ofertadas, em
média, 30 a 40 palestras por recepção, com aproximadamente 40 inscritos. A quantidade de
palestras era exaustiva para os poucos servidores que tinham habilidade em falar em público,
além de não ser possível oferecer a mesma quantidade de palestras para os três turnos da
universidade (manhã, tarde e noite). Outro fator que gerava um entrave era com relação às
chamadas para novas matrículas que ocorria durante um longo prazo dos inícios dos períodos
e uma boa parte dos usuários chegava à universidade após as palestras.
Diante disso, surgiu a necessidade de elaborar essa capacitação na modalidade virtual,
e a partir do 2° semestre de 2013, foi criado o Programa de Capacitação de Novos Usuários
(PCNU), um programa a distancia para capacitar os novos usuários, o qual será descrito
adiante. Portanto, neste trabalho tem-se como objetivo principal relatar a experiência da
BU/UFLA na criação do PCNU na modalidade virtual.

1918

�2 CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS EM BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Um programa de capacitação de usuários deve ter suas finalidades centradas nos
objetivos da biblioteca, que, por sua vez, devem estar voltados para os objetivos da instituição
à qual essa biblioteca pertença. No contexto universitário, esses programas visam a atender às
necessidades de informação da comunidade acadêmica, no que diz respeito ao ensino, à
pesquisa e à extensão.
A educação de usuários no âmbito universitário tem grande
representatividade para comunidade acadêmica como um todo, e
principalmente para os graduandos, pois será no ambiente da biblioteca que
eles encontrarão o apoio bibliográfico que irá suprir suas necessidades de
informação em sua área acadêmica e/ou de pesquisa. E sem conhecimentos
básicos de como funciona e do que possui um organismo funcional, é difícil
obter a informação independentemente. (OTA, 1990).
A criação de um programa de capacitação de usuários torna-se necessária quando é
detectada a falta de habilidade do usuário em utilizar os recursos informacionais e os serviços
oferecidos pela biblioteca, entre eles: realizar uma busca no catálogo da biblioteca; recuperar
o livro na estante; realizar um autoempréstimo; conhecer as normas da biblioteca, entre
outros. No contexto universitário, Ota (1990) afirma que “alguns autores reconhecem a
importância da educação do usuário no ambiente universitário, baseados no fato de que houve
falta de ‘treinamento’ adequado durante o primeiro e segundo graus e até mesmo a
precariedade das bibliotecas públicas e escolares” .
Dessa forma, quando o aluno recém-ingressado na universidade chega à biblioteca,
normalmente, é necessária uma introdução sobre os mecanismos de busca disponíveis, o
significado do número de chamada e classificação e outras informações que facilitem a vida
do usuário. Portanto, “o bibliotecário deve estar preparado para dar adequado atendimento a
um usuário que, na maioria das vezes, não conhece a estrutura e organização da biblioteca, as
fontes bibliográficas existentes, nem como, quando e por que utilizá-las” (PASQUARELLI,
1996).
A importância do serviço de educação de usuários em bibliotecas universitárias
justifica-se em orientar os usuários a utilizarem os serviços oferecidos com independência e
autonomia, bem como as ferramentas disponíveis de busca por informações. Além disso, é o
momento da promover a interação da biblioteca com seus usuários.
Conforme Campos e Magalhães (1982):

1919

�os programas de educação de usuários baseiam-se no pressuposto de que as
pessoas necessitam de informações armazenadas e organizadas em
bibliotecas segundo técnicas complexas e até sofisticadas, o que dificulta e,
muitas vezes, impedem que o leitor seja bem-sucedido em suas tentativas de
encontrar o material de que necessita. E é na biblioteca universitária que
esses programas têm-se desenvolvido de forma mais consistente, talvez por
serem os estudantes seus frequentadores regulares, por um período de tempo
bastante longo.
A experiência brasileira de educação de usuários teve início em 1955, com a iniciativa
da bibliotecária Terezine Arantes Ferraz, da Faculdade de Odontologia da Universidade de
São Paulo, instaurando os primeiros cursos para orientar usuários de bibliotecas universitárias
na pesquisa bibliográfica. (BELUZZO, 1989; NOCETTI; SCHILEYER, 1981 apud OTA,
1990).
As terminologias utilizadas para abordar a ação de trabalho com o usuário da
biblioteca são diversas, e incluem os seguintes termos: orientação, treinamento, educação,
capacitação, formação de usuários, cada uma com sua concepção própria. Um recorte do
quadro de Belluzzo (1989), citado por Ota (1990), baseado em textos lidos, depoimentos e
discussão de especialistas, é apresentado abaixo em um conceito-síntese de educação de
usuários na área da Biblioteconomia:

Quadro

1:

Determinação

de

conceito-síntese

de

educação

de

usuários

em

Biblioteconomia
CONCEITO-SÍNTESE EM BIBLIOTECONOMIA
Processo pelo qual o usuário interioriza comportamentos adequados com
relação ao uso da Biblioteca e desenvolve habilidades de interação
permanente com os sistemas de informação.
Formação
Aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de atitudes e habilidades, de
acordo com o tipo de usuários de Biblioteca (docente, discente, pesquisador,
etc.) previamente definido.
Treinamento
Ações e/ou estratégias para desenvolver determinadas habilidades do usuário
por desconhecer situações específicas de uso da Biblioteca e de seus recursos
informacionais, envolvendo o conjunto de meios necessários para tal.
Instrução
Descrição rigorosa de procedimentos acompanhada de pormenores, para o
usuário manejar cientificamente os recursos informacionais da Biblioteca.
Orientação
Ação de esclarecer o usuário sobre a organização da Biblioteca “Layout” e
serviços mais abrangentes do que a instrução.
Ensino
Processo formal e intencional voltado para o usuário cujo objetivo é propiciar
condições para seu desempenho efetivo no uso da Biblioteca e dos recursos
informacionais.
Aprendizagem
Aquisição de novo comportamento e/ou modificação de atitude do usuário
frente ao uso da Biblioteca e dos recursos informacionais, mediante
assimilação do que foi ensinado por meio de orientação ou instrução.
Fonte: adaptado de Ota (1990).
TERMO
Educação

1920

�Na BU/UFLA, optou-se pela escolha do termo capacitação de usuários, que
segundo Houaiss, Villar e Franco (2009), capacitar significa tornar(-se) apto, habilitar ou
fazer compreender o usuário na utilização dos serviços e recursos da biblioteca. Capacitação
nesse sentido tem o mesmo significado de ensino, conforme o quadro acima exposto.
A atividade de educação do usuário pode ser considerada o cartão de visitas da
biblioteca e objetiva tanto instruir o usuário quanto realizar um marketing institucional dos
serviços oferecidos pela unidade. O contato com o leitor é direto e coloca o bibliotecário
numa posição semelhante ao do professor, pois será preciso orientar e preparar os indivíduos
para a busca da informação de forma independente. Portanto, esse é um serviço em que a
função educativa do bibliotecário é posta à prova e o profissional terá que mostrar
competências pedagógicas para ministrar a capacitação de usuários (PASQUARELLI, 1996).
No caso do serviço oferecido remotamente, outras habilidades também serão
necessárias. Primeiramente, o bibliotecário deve ter noções básicas sobre desenvolvimento de
projetos, de forma a saber como lidar com prazos, custos, escolhas de tecnologias e gestão de
equipe.

Habilidades

comunicacionais

e conhecimentos

em

multimídia também

são

importantes, pois o ensino a distância deve ser mais acurado que o ensino presencial, devido à
inexistência de feedback, caso o usuário tenha alguma dúvida.
A falta de mediação humana no processo de educação a distância é justamente
um grande fator de preocupação para os bibliotecários, quando administram capacitações
remotamente. No serviço tradicional, realizado presencialmente, há um diálogo entre o
bibliotecário e o usuário, de forma que as necessidades de informação podem ser esclarecidas.
No EAD, contudo, as informações devem ser claras e autoexplicativas, de forma a não
despertar dúvida no usuário, que deve receber remotamente uma instrução tão qualificada
quanto a oferecida presencialmente.
Algumas iniciativas relacionadas à capacitação de usuários estão disponíveis
na literatura. Uma das inspirações para o desenvolvimento do PCNU/UFLA foi o relato de
experiência do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (Sibi/UFG),
apresentado no XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da
Informação (CBBD), o qual apresentou o seu serviço de educação on-line, desde sua
concepção e construção até os resultados observados durante o primeiro ano de uso do novo
sistema.

1921

�3 CRIAÇÃO DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DE NOVOS USUÁRIOS:
MODALIDADE VIRTUAL
A equipe da BU/UFLA projetou um sistema web para o PCNU, que atendesse tanto à
modalidade virtual quanto à presencial. Na modalidade virtual do PCNU, foi disponibilizado
o curso com as informações sobre a BU/UFLA para os calouros, juntamente com a aplicação
de um questionário de avaliação do conteúdo aprendido, formado por um banco de perguntas
e respostas disponibilizadas aleatoriamente para cada participante, e criação da senha da
biblioteca, para utilizar os serviços oferecidos. Na modalidade presencial, os próprios usuários
interessados realizam suas inscrições pelo PCNU, escolhendo participar em uma das palestras
presenciais com data e horário previamente definidos e com limite máximo de 100 inscritos
por palestras.
O PCNU foi disponibilizado no site da biblioteca223, no qual o calouro acessa o
sistema digitando seu número de matrícula, como login, e seu CPF, como senha. Em seguida,
ele deve optar pela capacitação virtual ou presencial. Figura 1.

Figura 1: Página de escolha do PCNU na modalidade virtual ou presencial

A ca p a cita çã o p ara o u so da B iblioteca U nive rsitá ria tem p o r o bje tivo a p re se n ta r a o s futu ro s
u su á rio s as in form açõ e s e sse n cia is d o R e gu la m e nto da B iblioteca da U n iversidade F e d e ra l de
L a vras (U FLA ) a fim de to rn á -lo s autô no m o s e a p to s à plen a utilização d o s e sp a ço s d ispo n íve is e
d o s se rviço s ofe re cid os.
E ssa ca p a cita çã o é c o n d iç ã o in d is p e n s á v e l para q u e o (a } a lu n o (a ) d o cu rso d e g ra d u a çã o da
UFLA realize a h ab ilita çã o d o seu ca d a stro com o u su ã rio (a ) da B iblioteca U niversitária. El a será
o fe re cid a na m o d alida de p re s e n c ia l ou v irtu a l
P ara a ce ssa r a ca p a cita çã o virtual ou p resencial, v o cê d e ve rá fo rn e c e r seu n ú m e ro d e m a trícu la
c om o login e seu CPF c om o s e n h a
P ú b lic o -a lv o : a lun o s in g re ssa n te s d o s cu rso s d e g ra d u a çã o da UFLA
E sc o lh a um a d as o p ç õ es :

V irtu a l

H P r e s e n c ia l

Fonte: sie do PCNU/UFLA.

A BU/UFLA, através do seu Espaço de Pesquisa Virtual (Laboratório de Informática),
disponibilizou computador com acesso à internet e servidor para auxiliar o calouro na
realização do PCNU.
Para a criação desse sistema, foi composta uma equipe formada por um técnico de
informática, dois bibliotecário-documentalistas, uma auxiliar de biblioteca e uma pedagoga,
além da contribuição dos demais servidores da biblioteca. O programa foi elaborado
respeitando o conhecimento e as competências dos profissionais envolvidos em sua criação.
223 Acessar: www.biblioteca.ufla.br/inscricoes

1922

�Inicialmente, foi revisto e atualizado o conteúdo já utilizado anteriormente nas
palestras presenciais, com a exclusão de algumas informações e inclusão de outros elementos
pertinentes não cobertos no material. Vários assuntos foram englobados na capacitação:
horário de atendimento dos diversos serviços da biblioteca, uso do cartão de identificação da
UFLA, empréstimos, renovação, reserva, consulta ao acervo, localização dos livros, serviços
prestados, entre outros. Depois, esse conteúdo foi repassado para que o técnico de informática
criasse os slides com os textos e os vídeos autoexplicativos.
Como princípio fundamental, esse sistema foi elaborado de maneira assertiva,
interativa, clara e objetiva, utilizando-se de uma sequência lógica dos assuntos abordados com
fotografias, ilustrações e vídeos, visando a facilitar a compreensão e o entendimento do
usuário.
Como conteúdo complementar, foram inseridos no PCNU as normas e os
regulamentos da biblioteca, tais como: regimento, regulamento, norma de empréstimo de

netbook, norma do Serviço de Empréstimo entre Biblioteca Externas (SEEBE) e manual de
normalização da UFLA, Figura 2. Esses documentos foram disponibilizados em formato PDF
para download. Compõe os documentos complementares um pequeno questionário para
avaliação do programa e feedback do PCNU.

Figura 2: Página de escolha do PCNU na modalidade virtual ou presencial

( B B ib lio te ca

UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS

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Bem-vindo(a) (N o m e A lu n o )

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Meus cursos:

Instruções

PCNU-Programa de capacitação
de novos usuários

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Questionário

Instruções
Antes de iniciar, leia atentamente as instruções abaixo:
o processo dura em média 20 minutos:
leia atentamente cada slide e assista aos videos;
a passagem de slides é feita manualmente;
ao final, vocé deverá responder o questionário com questões de múltipla escolha, sendo necessário um acerto mínimo de 60% (6
questões) para habilitação de seu cadastro;
o tempo é de 15 minutos para responder todo o questionário;
em caso de aprovação, o sistema irá lhe solicitar a criação de uma senha para utilizar os serviços da Biblioteca;
após esses procedimentos e de posse do seu cartão de identificação da UFLA, vocé estará apto(a) a utilizar todos os serviços da
Biblioteca Universitária.

Fonte: site do PCNU/UFLA

O sistema foi composto por um slide inicial de instrução de como realizar o PCNU,
em seguida, os slides do curso da biblioteca, questionário de avaliação de aprendizagem e,
finalmente, a criação da senha de empréstimo. O PCNU foi interligado com o sistema de

1923

�gerenciamento da BU/UFLA, o Pergamum, para que o calouro, após realizar a leitura e o
estudo do conteúdo didático, respondesse a um questionário com 10 questões e, se obtivesse
um aproveitamento mínimo de 60%, poderia criar sua senha do Pergamum e habilitar seu
cartão de identificação na BU/UFLA. Em caso de aproveitamento menor ao mínimo
necessário, o usuário poderia refazer o curso e, ao fim, o questionário novamente.
O PCNU foi arquitetado para executar em plataforma web, desenvolvido utilizando
tecnologias gratuitas. A execução do software requer um ambiente com as seguintes
características: servidor web (recomendasse Apache2) com suporte a PHP5 e banco de dados
MySQL-Server ou PostgreSQL. Devido a diferenças nos motores dos diversos navegadores
disponíveis

no

mercado,

é

recomendada

a

utilização

dos

navegadores

Google

Chromium/Chrome ou Mozilla Firefox pelos usuários.
Para facilitar o desenvolvimento e manutenção, o software foi desenvolvido em
arquitetura

MVC

(Model-view-controller)

orientada

a

objetos.

Além

disso,

o

desenvolvimento contou com auxílio de bibliotecas livres conhecidas e testadas (gratuitas),
que são: JQuery, Masked Input(Plugin JQuery), ckeditor no lado cliente. No ambiente
servidor, somente foi utilizada a biblioteca RedBeanPHP. Especificamente no caso do PCNU
da BU/UFLA, o software foi integrado ao sistema de gerenciamento de informação da
biblioteca, o Pergamum, para habilitar os alunos capacitados a utilizarem os diversos serviços
oferecidos.
A divulgação do PCNU foi realizada em parceria com Pró-Reitoria de Graduação
(PRG/UFLA), com entrega de folder explicativo sobre a capacitação da biblioteca, na aula
inaugural da UFLA para todos os calouros. Além disso, a divulgação foi realizada pelo
sistema de comunicação da UFLA e outros canais da biblioteca, tais como site, facebook e
TV indoor (disponível na entrada da Biblioteca), e também em cartazes fixados em pontos
estratégicos na universidade.
O PCNU na modalidade virtual, com duração média de 20 minutos, permite que o
calouro realize sua capacitação da biblioteca utilizando apenas um aplicativo com acesso à
internet, não dependendo de local e horário de palestra presencial, otimizando, assim, o seu
tempo.

4 RESULTADOS
Desde o lançamento do PCNU na modalidade virtual em outubro de 2013, o sistema
tem permanecido disponível no site da biblioteca, e o calouro pode acessá-lo a qualquer
momento, sem depender de disponibilidade de data e de horário para capacitação presencial.

1924

�Normalmente, a capacitação presencial é atualizada e ofertada no início do semestre para
quem deseja essa opção.
A primeira recepção de calouros ocorreu no 2° semestre letivo de 2013, quando foram
matriculados 1.356 alunos nos cursos presenciais de graduação, sendo ofertadas 5
capacitações presenciais, em diferentes dias e horários, contando com a presença de 42
calouros e 1.168 calouros na modalidade virtual.

Gráfico 1: Amostragem da 1a edição da recepção de calouros na modalidade
virtual - 2° semestre de 2013

■ Capacitação Presencial
■ Capacitação Virtual
■ Não Participaram

A segunda edição do PCNU foi realizada no 1° semestre letivo de 2014, em abril,
quando foram matriculados 1.233 alunos nos cursos presenciais de graduação, sendo também
ofertadas 5 capacitações presenciais, em diferentes dias e horários, contando com a presença
de 44 calouros e, na modalidade virtual, participaram 626 calouros. Dados atualizados em
25/04/2014.

Gráfico 2: Amostragem da 2a edição da recepção de calouros na modalidade virtual - 1°
semestre de 2014

■ Capacitação Presencial
■ Capacitação Virtual
■ Não Participaram

1925

�Diante do exposto, os números apresentam a aceitação pela modalidade virtual por
parte dos calouros, visto que a procura é bem maior que a presencial. Além da comodidade da
capacitação remota, um fator que contribui para essa aceitação é a familiaridade da nova
geração de usuários em utilizar as tecnologias de informação e comunicação.
A avaliação do sistema é fundamental para o desempenho e melhoria da ferramenta.
Por isso, a equipe da biblioteca contou com o auxílio do recurso de feedback em que o usuário
responde no próprio sistema do PCNU. Com relação à duração do curso, 97% consideraram
adequada para a conclusão do programa. Para 94% dos usuários que participaram da
capacitação virtual, houve continuidade e organização do sistema. Com relação à expectativa,
91% afirmaram que foram atingidas.
O formulário de feedback disponibilizou um espaço aberto para comentários, críticas e
sugestões, os quais, em sua maioria são elogios à organização e à objetividade do PCNU:

“O curso online é igual em eficiência ao presencial”, “Expectativa superada ”, “Parabéns,
curso simples e rápido! ”, “Os slides ajudam muito para o questionário, é de indispensável
leitura”, “O curso proporcionou maiores conhecimento sobre a utilização da biblioteca,
espero adquirir conhecimento ao decorrer do meu curso por meio da biblioteca”, “Adorei,
este cursinho serve para orientar os alunos iniciantes”, “Curso bastante elucidativo para os
ingressantes na UFLA, que ainda desconhecem o sistema da biblioteca universitária”, “Uma
excelente e prática avaliação”, “Parabéns pela iniciativa. O fato de o curso poder ser feito
de modo on-line facilita muito a vida e a organização do tempo de cada pessoa”.
Por meio do feedback dos usuários, foram detectadas sugestões, críticas, ações para
reavaliação de itens do regulamento da biblioteca, tais como: “Faltou uma vídeoaula

completa, mais ou menos como o vídeo institucional”, “Os responsáveis pela biblioteca
poderiam fazer um folder explicando os procedimentos iniciais para os usuários,
principalmente os calouros”, “Aumentar o tempo máximo para o uso das cabines individuais
de estudo ”, “Seria muito bom, ao final, rever os erros cometidos. Para não continuar com as
duvidas”, “As questões poderiam ser mais difíceis”. Esses casos foram analisados para
melhorias na 2a edição do PCNU e para as próximas edições.

5 CONSIDERAÇÕES
Devido ao crescimento significativo da UFLA nos últimos anos, fazem-se necessárias
novas atitudes para aprimorar os serviços prestados, principalmente no contexto da biblioteca
universitária, local onde o atendimento ao usuário, o processamento técnico e as atividades
administrativas exigem muito tempo de dedicação ao trabalho.

1926

�Conforme descrito no relato de experiência do treinamento on-line de usuários da
UFG, o serviço de educação on-line de usuários possibilita que os bibliotecários atuem em
outras frentes de trabalho. Dessa forma, a capacitação virtual libera os servidores da biblioteca
para atuarem em outras áreas requisitadas, sem comprometer o serviço de orientação ao
usuário. Outro fator relevante é que possibilita o atendimento de um maior número de novos
usuários no menor espaço de tempo (ASSIS et al., 2011).
O PCNU é revisado a cada início de semestre letivo, buscando melhorias no seu
conteúdo didático e sua atualização de acordo com as normas e serviços prestados pela
biblioteca. Para isso, contamos com o auxílio do recurso de feedback em que o usuário
responde no próprio sistema do PCNU.
Algumas melhorias do sistema estão previstas para os próximos semestres, tais como:
disponibilizá-lo também na versão de língua inglesa para atender aos alunos que fazem parte
do programa de intercâmbio da universidade e disponibilizá-lo na versão de áudio para
atender aos alunos com deficiência visual.
Entre os benefícios do sistema com a modalidade virtual, os alunos dos cursos de
graduação a distância da UFLA também podem participar dessa capacitação, bem como as
demais categorias de usuários da biblioteca, entre eles pós-graduandos, professores, técnicos e
outros, não se limitando apenas aos alunos dos cursos presenciais de graduação.

REFERÊNCIAS
ASSIS, C. M. C. de et al. Treinamento on-line de usuários: relato de experiência das
bibliotecas

da

UFG.

In:

CONGRESSO

BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA,

DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 29., 2011, Maceió. Anais... Maceió:
Febab, 2011.
CAMPOS, C. M.; MAGALHÃES, M. H. A. Treinamento de usuários da Biblioteca
Universitária: o curso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Revista de

Biblioteconomia, Brasília, v. 10, n. 2, p. 123-128, jul./dez. 1982.
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Brasília,

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&lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=17540&gt;. Acesso em: 15 abr. 2014.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. Regulamento da

Biblioteca da UFLA . Lavras, 2011. 16 p.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A implantação do Programa de Capacitação de Novos Usuários na modalidade virtual da Biblioteca Universitária da UFLA: relato de experiência.</text>
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                <text>Oliveira, Rosiane Maria, Oliveira, Nivaldo, Amaral, Fernanda Vasconcelos, Silva, Lucas Timóteo da</text>
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                <text>Neste relato de experiência apresenta-se a implantação do Programa de Capacitação de Novos Usuários (PCNU) da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Lavras (BU/UFLA), na modalidade virtual. O PCNU presencial existe desde 2004 e foi criado com o objetivo de informar aos discentes recém-ingressados na universidade sobre as normas, o acervo, os serviços e procedimentos da biblioteca. Contudo, devido ao aumento no número de alunos matriculados semestralmente, foi elaborado um sistema on-line que oferece as mesmas informações repassadas na capacitação presencial. Esse serviço foi criado por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais da área de biblioteconomia, pedagogia e ciência da computação e apresenta conteúdos textuais e de multimídia acessíveis por meio do site da biblioteca. Alguns resultados obtidos foram: participação de um maior número de alunos nos cursos de capacitação, redução da sobrecarga de trabalho no Setor de Referência no início do semestre letivo e oferta ininterrupta do curso de capacitação. Dessa forma, conclui-se que a educação a distância é um sistema eficaz e eficiente para massificar o serviço de orientação ao usuário e oferecer informações sobre o funcionamento da biblioteca.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REDES DE COAUTORIA EM EDUCAÇÃO: UMA ANÁLISE A PARTIR DE
ARTIGOS CIENTÍFICOS PRODUZIDOS NOS PROGRAMAS DE PÓSGRADUAÇÃO
Walison Aparecido de Oliveira
Fernanda Ferreira da Silva
Carlos Roberto Massao Hayashi

RESUMO
Analisa a rede de coautoria elaborada a partir dos registros bibliográficos de artigos
produzidos por 14 programas de pós-graduação em Educação, usando a como fonte de dados
a Plataforma Lattes. Enfoca em análises na identificação das redes de coautoria, ampliando a
compreensão dos padrões e tendências de colaboração entre pesquisadores e instituições na
área de Educação. Como metodologia, o trabalho fez uso da Análise de Redes Sociais
aplicada em registros bibliográficos mesclando-se com métodos bibliométricos. Fez-se uso da
ferramenta ScriptLattes para extração do registros bibliográficos. Para construir as matrizes
que relacionam todos os autores, se fez uso do software VantagePoint, e para a visualização e
cálculos, o Ucinet e Netdraw. 2.495 registros de artigos foram recuperados, de 2028 autores e
o número total de colaboradores é 1583. Dos docentes apresentados no resultado, 197 (37,4%
do total) publicaram em colaboração entre si. Verifica que um grande número dos docentes
publica em parceria (84%), entretanto com poucos colaboradores (média 1,7), exceto alguns
grupos como o caso dos 2 programas da Universidade Federal de São Carlos, que possuem
forte relação. E que a colaboração está fortemente relacionada com os próprios parceiros da
mesma instituição. Percebe-se também, que os atores externos a essa pesquisa realizam a
função de conexão entre dois docentes. Acredita que esse estudo alcançou os seus objetivos,
em analisar as redes de coautoria e suas interações, e contribui a para análise de coautoria na
área de Educação, através da interface entre a Ciência da Informação e Educação, em um
estudo de caráter interdisciplinar.
Palavras-Chave: Colaboração Científica; Educação; Análise de Redes Sociais (ARS);
Bibliometria; Pós-graduação.
ABSTRACT
Analyzes the network of co-authorship drawn from the bibliographic records of articles
produced by 14 graduate programs in education, using as a data source to the Lattes Platform.
Analysis focuses on the identification of co-authorship networks, expanding the
understanding of the patterns and trends of collaboration between researchers and institutions
in the area of education. As a methodology, work made use of Social Network Analysis
applied to bibliographic records mingling with bibliometric methods. Made use of
ScriptLattes tool for extracting of bibliographic records. To construct the matrices relating all
authors, use was made of the VantagePoint software, and visualization and calculation, Ucinet
Netdraw. 2.495 articles were retrieved, 2028 authors and the total number of employees is
1583. Dos teachers presented in the results, 197 (37.4 % of total) published in collaboration

450

�with each other. Verifies that a large number of teachers in public partnership (84 %),
however with few employees (average 1.7), except some groups such as the case of the 2
programs Federal University of São Carlos that have strong relationship. And that
collaboration is strongly related to their own partners in the same institution. It is also evident
that the external actors to this research perform the function of connection between two
teachers. Believes that the study achieved its objectives, to examine the co-authorship
networks and their interactions, and contributes to the analysis of co-authorship in the area of
Education, through the interface between Information Science and Education, in a study of
interdisciplinary character.
Keywords: Scientific Collaboration;
Bibliometrics; Graduate.

Education;

Social Network Analysis

(ARS);

1 INTRODUÇÃO
Atualmente, a produção científica brasileira aumentou significativamente nos últimos
anos, com isso, o número de periódicos na base de dados internacional Web of Science - ISI
(WOS), no início do século XXI trouxe grande visibilidade a essa produção científica
(CASTRO, 2009). A avaliação da Pós-graduação por parte da Capes, e também, com a
facilidade de publicar periódicos através de softwares livres, como o Sistema Eletrônico de
Editoração de Revistas (SEER), gerenciado pelo Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia (IBICT) no Brasil, são fatores que podem ter contribuído com esse
aumento. Analisando a área da Educação, podemos notar um crescimento contínuo da
produção científica desde a década de 1960 (WARDE, 1990, p.68).
Com esse crescimento, a colaboração científica aumentou também significativamente
nas últimas décadas (GLÀNZEL, 2003). Nesse sentido, esse trabalho tem como objetivo
analisar as redes de coautoria dos programas de Pós-graduação em Educação e ampliando a
compreensão dos padrões e tendências de colaboração entre pesquisadores e instituições. Se
justificativa por trazer contribuições teórico-metodológico para analise de redes de coautoria
em Educação, através da interface entre a Ciência da Informação e Educação, em um estudo
de caráter interdisciplinar.
O artigo está constituído em cinco partes, essa breve introdução, em seguida, um
quadro conceitual sobre a Análise de Redes Sociais (ARS) e o percurso metodológico
utilizado no estudo. Na terceira parte, são detalhados os resultados obtidos na pesquisa os
quais proporcionaram a análise das redes construída e a última parte, tecem-se as conclusões
sobre o trabalho realizado.

451

�2 UM BREVE QUADRO CONCEITUAL
Com o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, as redes tornaram-se ponto
estratégico para o desenvolvimento científico e tecnológico. Para Castel (1999), as “redes
constituem a nova morfologia social de nossas sociedades, e a difusão da lógica de redes
modifica de forma substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e de
experiência, poder e cultura”. Nesse contexto, a ARS é uma abordagem que examina as
relações entre atores sociais, ou seja, a unidade de observação é composta pelo conjunto de
atores e seus laços (HAYASHI, 2008). Wasserman e Faust (1999) se aprofundam, e afirmam
que uma rede social é constituída de elementos ou atores - que podem ser pessoas,
comunidades, grupos ou organizações - e laços, que estabelecem uma relação entre si. Um
dos atributos mais pesquisados na utilização dessa metodologia é a colaboração científica, que
proporciona um espectro amplo dos colégios invisíveis nos quais os vértices da pesquisa estão
imersos, além de uma série de outras constatações quanto às relações de união na esfera
científica.
Sob a ótica de Barbosa, Byington e Struchiner (2000, p.41), a ARS oferece “um modo
preciso para definir importantes conceitos sociais, alternativa teórica para o pressuposto de
atores sociais independentes e um referencial para a experimentação de teorias acerca das
relações sociais estruturadas”.
Com as definições de Wasserman e Faust (1999); Matheus e Silva (2006) e Silva et al.
(2006), podemos sintetizar a seguir conceitos utilizados na ARS, que se tornam necessários
para o entendimento e aplicação dessa metodologia.
O nó (ou ator) é uma unidade flexível de acordo com o que se propõe a analisar. Ou
seja, ele permite vários níveis de agregação, o que permite uma adaptação ao problema
estudado. Nesse estudo o nó é um docente responsável pela produção científica analisada.
O laço relacional ou ligação é aquilo que estabelece a relação entre pares de nós. No
caso de pesquisas de coautoria, esse laço relacional é um artigo produzido em parceria.
Conforme ilustra Bárbasi et. al. (2002, p.600) quando afirma que “em uma rede de
colaboração científica os nós são os cientistas, e dois deles estão ligados se colaboram em
uma publicação”.
As análises de redes de coautoria são elaboradas a partir de metadados das
publicações, em muitos casos, escolhe-se uma fonte primária para a extração, geralmente base
de dados ou periódicos, por esse motivo a metodologia de ARS está intrinsecamente ligada a
análises bibliométricas. Conforme afirmação de Hayashi et. al (2012, p.288): “a ARS e

452

�Bibliometria podem ser consideradas metodologias complementares para a análise das
relações sociais que se estabelecem entre os produtores de conhecimento científico”.
Na Educação, área de conhecimento que se propõe a estudar, podemos elencar o
trabalho de Hayashi et. al. (2008), que analisou as redes de coautoria na produção científica
em Educação Especial. E também a pesquisa de Hayashi et. al (2012) que analisa a
colaboração científica através artigos publicados por pesquisadores que realizaram Pósgraduação em Educação Especial na UFSCar, entre os anos 1981 a 2009.
Diante desse histórico de pesquisas, esse trabalho tem como finalidade dar
continuidade as análises de coautoria na área de Educação, estudando a rede formada pela
publicação de artigos tendo como fonte de dados à Plataforma Lattes, tendo como objetivo
principal, analisar a cooperação e a interação entre programas de Pós-graduação.

3 PERCURSO METODOLÓGICO
A metodologia adotada nesta pesquisa consistiu na Análise de Redes Sociais aplicada
em registros bibliográficos mesclando-se com métodos bibliométricos. Como corpus do
trabalho, foram selecionados a produção científica de docentes em programas de Pósgraduação em Educação.
Atualmente, existem 144 programas credenciados nessa área, dado as limitações de
execução, definimos analisar somente programas com mestrado e doutorado, com conceito
Capes considerados de excelência (5, 6 e 7), localizados na região Sudeste conforme dados da
avaliação do triênio 2007-2009, elaborada pela Capes. Optamos essa região do país, pelo fato
de concentrar 40% (58) de todos os programas, conforme dados da Capes (2013). Com
conceito 5 temos a: UFSCar, UNICAMP, UNESP, PUC-SP, UNIMEP, UFU, UFRJ e UFES.
Com conceito 6 temos: UFSCar-EE, USP e UFF. E com conceito 7 temos: UFMG, UERJ e
PUC-RJ. Para os PPGEs da UFSCar, foram denominados: UFSCar: PPGE - Programa de
Pós-Graduação em Educação e UFSCar-EE: PPGEES - Programa de Pós-Graduação em
Educação Especial. Ao total, foram coletados dados de 526 docentes.
Os registros bibliográficos foram exportados da Plataforma Lattes. A preferência por
essa fonte de informações se explica pelo fato da Plataforma Lattes ser um padrão de
currículo nacional em que se armazena “a vida pregressa e atual dos estudantes e docentes do
país”, sendo este “adotado pela maioria das instituições de fomento, universidades e institutos
de pesquisa do País” (CNPQ, 2013).

453

�Para a extração dos registros bibliográficos dos currículos dos docentes pertencentes
aos programas estudados, fizemos uso da ferramenta ScriptLattes40. ScriptLattes é um
software livre de código aberto sob a licença GNU-GPL para extração e compilação de dados
que suprime as publicações duplicadas e similares (MENA-CHALCO; CESAR-JR, 2009).
Após a extração automática, os registros bibliométricos passaram por tratamento
bibliométrico, que constitui na correção de inconsistências e duplicações. A não padronização
dos dados inseridos nos currículos Lattes, exigiu que também fosse realizado um trabalho de
análise manual complementar. Esse procedimento é comum quando se trata de pesquisas com
registros bibliográficos, conforme procedimentos metodológicos analisados nos trabalhos de
Faria (2001) e Hayashi et. al (2008). Para a construção das matrizes que relacionam todos os
autores, fez-se uso do software VantagePoint®. E para a visualização e cálculos das redes
construídas, usamos o Ucinet e Netdraw.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Foram coletados 2675 registros de artigos nos currículos analisados de forma
automática pelo ScriptLattes, após a eliminação dos registros repetidos, esse número foi
reduzido para 2495. Encontramos 2028 autores, sendo que 445 desses eram autores/docentes,
o que representa uma porcentagem de 84,6% do universo de docentes (526), o que infere que
81 docentes não publicaram durante o triênio, e que o número total de colaboradores é 1583.
Dos docentes apresentados no resultado, 197 (37,4% do total) publicaram em colaboração
entre si, e 361 (68,6%) publicaram em colaboração, nesse caso, sem considerar a identificação
do coautor.
A Figura 1 (na página seguinte) apresenta a rede formada por todos os 1911 autores
que publicam em colaboração e as suas 6.678 conexões, gerados por meio do software
NetDraw. Os pontos vermelhos representam os docentes estudados nesse trabalho. Em todos
os grafos apresentados neste trabalho os atores não são identificados para proporcionar uma
melhor visualização das redes. Observando a figura, nota-se que, um grande número de
docentes possuem vários colaboradores, que publicam entre si, ou em alguns casos, fazem
uma “ponte” entre dois docentes. De acordo com os cálculos feitos pelo UCINET, de todos os
docentes analisados, somente 11 apresentaram mais de 20 conexões, em alguns casos,
chegando à marca de 45, comprovando a existência desse “ponte” no que se refere a
publicação colaborativa. Destacando-se que a média geral para esse indicador é de 3,5.
40 Disponível em: &lt;http://scriptlattes.sourceforge.net/&gt;. Acesso em 10 julho 2014.

454

�Figura 1 - Rede de colaboração em artigos: todos os autores.

Apresenta 197 nós classificados por programa de acordo com a legenda de cores ao lado. A
rede possui 40 colaborações simples (com apenas 2 nós), sendo que, o número médio de
conexões é 1,7. Embora 17 docentes tenham superado 4 conexões, alguns estabeleceram 7
conexões (aglomerado de nós pertencentes ao programa UFSCar-EE).

Figura 2 - Rede de colaboração em artigos por programa de Pós-graduação.

Fonte: Autores com uso do NetDraw.

455

�Elencando algumas informações quanto a rede de colaboração entre os pesquisadores,
podemos verificar a interação entre 2 ou 3 docentes, em suma maioria participantes do
mesmo programa, nota-se no agrupamento (A), fortes relações entre dois programas da
UFSCar, formando um grupo de 7 nós, que se colaboram entre si, podendo ser explicado pelo
fato de serem um grupo de pesquisa ou mesmo por fazerem parte do mesmo departamento. Os
agrupamentos (B) UFMG e (C) UFU, nos mostra a forte interação de grupos de 5 e 6 nós num
mesmo programa. E os (D) e (E) que embora apresentem pouca interação entre os nós,
exibem uma forte diversidade de programas.
A tabela 2 apresenta os autores que apresentaram maior número de ligações. Podemos
notar a forte presença de professores dos programas da UFSCar.

Autores

Ligações

BARHAM, E.

7

AIELLO, A. L. R

7

HAYASHI, M. C. P. I

6

CORTEGOSO, A. L

6

GIL, Maria Stella Coutinho de Alcântara

6

de Rose, J. C

6

SOUZA, Deisy das Graças de

6

REIS, Maria de Jesus Dutra dos

6

Hayashi, Carlos Roberto Massao

5

Fonte: Autores com uso do UCINET.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tal iniciativa foi concluída e bem sucedida nesse aspecto, no entanto, há vários outros
caminhos e aprofundamentos possíveis em cada instância analisada ao longo do estudo
relatado. Estas são as trilhas da pesquisa científica, pois a cada passo dado é encontrada uma
gama de caminhos possíveis e cabe ao pesquisador escolher qual deles pretende trilhar. Neste
estudo não foi diferente: optamos por vários caminhos ao longo da jornada de pesquisa, o que
nos aproximou mais de algumas vertentes de análise abarcadas pela ARS, ao mesmo tempo
em que nos distanciou de outras.

456

�Portanto, projetos de aprofundamento no estudo das dinâmicas das redes sociais no
âmbito da Educação e em outras áreas de conhecimento são recomendados e bem vindos.
Mesmo porque, segundo Castells (1999, p. 497), “redes são estruturas abertas capazes de
expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro
da rede”, de forma que elas demandam a existência de sistemas de (re) avaliação contínua.
O estudo realizado buscou identificar as redes de coautoria e as interações dos
programas de Pós-graduação em Educação da Região Sudeste. Com as análises verificamos
que um grande número dos docentes publica em parceria (84%), entretanto com poucos
colaboradores (média 1,7), exceto alguns grupos como o caso dos dois programas da UFSCar,
que possuem forte relação. E que a colaboração está fortemente relacionada com os próprios
parceiros da mesma instituição. Percebemos também, que os atores externos a essa pesquisa
(outros docentes ou orientandos) realizam a função de conexão entre dois docentes,
aproximando-os embora sem publicarem juntos.
Diante disso, acreditamos que esse estudo alcançou os seus objetivos, em analisar as
redes de coautoria e suas interações, e contribui a para análise de coautoria na área de
Educação, através da interface entre a Ciência da Informação e Educação, em um estudo de
caráter interdisciplinar.
Sugerimos para trabalhos futuros, a realização de pesquisas com o intuito de estudar a
produção de programas de Pós-graduação de todas as regiões do país, não somente em
Educação, mas em todas as áreas do conhecimento, utilizando todos os tipos documentais,
para se ter uma visão mais ampla e fiel da realidade de cada área.

6 AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao CNPq pelo apoio através do Programa PIBIC. E ao Núcleo
de Inovação Tecnológica (UFSCar) pelo treinamento e uso do Software VantagePoint®.

7 REFERÊNCIAS

BÁRBASI, A.; et. al. Evaluation of the social network of scientific collaborations. Physica A,
v.311, p. 590-614, 2002.
BARBOSA, M. T. S.; BYINGTON, M. R. L.; STRUCHINER, C. J. Modelos dinâmicos e
redes sociais: revisão e reflexões a respeito de sua contribuição para o entendimento da
epidemia do HIV. Cadernos de Saúde Pública, v.16, p. 37-51, 2000.

457

�CAPES. Avaliação da pós-graduação. Disponível

em: &lt;http://www.capes.gov.br/a

valiacao/avaliacao-da-pos-graduacao&gt;. Acesso em: 15 abr. 2013.
CASTELLS, M.. A sociedade em rede. São Paulo, Paz e Terra, 1999, p. 497.
CASTRO, F. Questão de qualidade. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, v.24,
n.2, p.258-260, 2009.
CNPQ. Plataforma Lattes. Disponível em: &lt;http://lattes.cnpq.br&gt;. Acesso em: 15 dez. 2013.
FARIA, L. I. L. Prospecção tecnológica em materiais: aumento da eficiência do tratamento
bibliométrico: aplicação na análise de tratamentos de superfície resistentes ao desgaste. 2001.
213 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Materiais) - PPG-CEM/UFSCar, São Carlos, 2001.
GLÀNZEL, W. Bibliometrics as a research field. S. L., 2003
HAYASHI, C. R. M.; et. al. Análise de redes de colaboração científica entre educação
especial e fonoaudiologia. Rev. Interamericana de Bibliotecológia, v. 35, n. 3, p. 285-297,
2012.
HAYASHI, M. C. P. I.; HAYASHI, C. R. M.; LIMA, M. Y. Análise de redes de coautoria na
produção científica em educação especial. Liinc em Revista, v.4, n.1, p.84-103, 2008.
MATHEUS, R. F.; SILVA, A. B. de O. Análise de redes sociais como método para a Ciência
da Informação. DataGramaZero, v. 7, n. 2, art. 3, abr. 2006.
MENA-CHALCO, J. P.; CESAR-JR, R. M. ScriptLattes: An open-source knowledge
extraction system from the Lattes platform. Journal Brazilian Computer Society, v. 15, n.
4, p. 31--39, 2009.
SILVA, A. B. de O.; et. al. Estudo da rede de co-autoria e da interdisciplinaridade na
produção científica com base nos métodos de análise de redes sociais. Encontros Bibli,
Florianópolis, 2006.
WARDE, M. J. Contribuições da história para a educação. Em Aberto, Brasília, v.9, n.47,
p.3-11. 1990.
WASSERMAN, S.; FAUST, K. Social network analysis: methods and applications.
Cambridge: Cambridge University, 1999.

458

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Analisa a rede de coautoria elaborada a partir dos registros bibliográficos de artigos produzidos por 14 programas de pós-graduação em Educação, usando a como fonte de dados a Plataforma Lattes. Enfoca em análises na identificação das redes de coautoria, ampliando a compreensão dos padrões e tendências de colaboração entre pesquisadores e instituições na área de Educação. Como metodologia, o trabalho fez uso da Análise de Redes Sociais aplicada em registros bibliográficos mesclando-se com métodos bibliométricos. Fez-se uso da ferramenta ScriptLattes para extração do registros bibliográficos. Para construir as matrizes que relacionam todos os autores, se fez uso do software VantagePoint, e para a visualização e cálculos, o Ucinet e Netdraw. 2.495 registros de artigos foram recuperados, de 2028 autores e o número total de colaboradores é 1583. Dos docentes apresentados no resultado, 197 (37,4% do total) publicaram em colaboração entre si. Verifica que um grande número dos docentes publica em parceria (84%), entretanto com poucos colaboradores (média 1,7), exceto alguns grupos como o caso dos 2 programas da Universidade Federal de São Carlos, que possuem forte relação. E que a colaboração está fortemente relacionada com os próprios parceiros da mesma instituição. Percebe-se também, que os atores externos a essa pesquisa realizam a função de conexão entre dois docentes. Acredita que esse estudo alcançou os seus objetivos, em analisar as redes de coautoria e suas interações, e contribui a para análise de coautoria na área de Educação, através da interface entre a Ciência da Informação e Educação, em um estudo de caráter interdisciplinar.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A EMPATIA NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA: CONTRIBUIÇÕES DA LEITURA
LITERÁRIA PARA O APERFEIÇOAMENTO DO BIBLIOTECÁRIO

Adriana da Silva Ornellas
Patrícia Vargas Alencar

RESUMO
Este artigo discute a empatia como fator que otimiza a interação entre o bibliotecário e o
usuário no Serviço de referência. Para tanto, verifica, a partir de dados coletados com
bibliotecários de referência, em que medida as habilidades sociais atuam no comportamento
do bibliotecário. Aponta a leitura literária como principal agente que auxilia no
comportamento empático tendo em vista que a leitura literária conta com particularidades que
garantem o acesso a realidades não vivenciadas e promove um aprimoramento na percepção
de mundo. Sua principal contribuição é trazer à cena a empatia, provocada pela leitura
literária, como elemento que auxilia no aperfeiçoamento do serviço prestado pelo
Bibliotecário de referência.
Palavras-Chave: Bibliotecário de referência; Habilidades sociais; Empatia; Práticas de
leitura; Leitura literária.
ABSTRACT
This article discusses empathy as a factor that enhances the interaction between the patron and
the librarian in the Reference Service. For this purpose, checks, from data collected with
reference librarians, the extent to which social work skills in the behavior of the librarian.
Points to literary reading as the main agent that aids in empathic behavior in view that literary
reading has peculiarities that guarantee access to non experienced realities and promotes an
improvement in the perception of the world. Its main contribution is to shed light empathy,
caused by literary reading, as an element that helps in improving the service provided by the
Reference Librarian.
Keywords: Reference librarian; Social skills; Empathy; Reading practices; Literary reading.

1 INTRODUÇÃO
O bibliotecário se destaca por, entre outras funções, disponibilizar informação
organizada tecnicamente visando atuar como um colaborador na construção do conhecimento
dentro da sociedade e é no Serviço de referência que o bibliotecário tem a oportunidade de
atender a demanda do usuário. Nessa oportunidade, apresentamos um estudo cujo objetivo
principal é discutir em que medida a leitura literária favorece o comportamento empático do

1891

�bibliotecário de modo a aprimorar as habilidades sociais e comportamentais do bibliotecário
de referência e, consequentemente, otimizar a relação com o usuário.
Nossa pesquisa considerou a participação de 222 Bibliotecários de referência que
responderam espontaneamente um questionário on line cujas questões versaram sobre suas
práticas leitoras e informações sobre comportamento empático. Os resultados mostram que a
leitura literária é desencadeadora da empatia no Serviço de referência uma vez que, ao que
tudo indica, permite que o bibliotecário crie uma base para enxergar de forma mais
compreensiva o usuário e assim, aperfeiçoar as interações das quais participa.
Grogan (2001, p. 2) salienta que “tão importante quanto o componente bibliográfico
do SR é o elemento humano, sua natureza de intrínseca reciprocidade, comumente face-a-face
(...)”. A partir dessa premissa, esta pesquisa traz evidências de que refletir sobre o outro é
fundamental para o Bibliotecário de referência durante seu encontro com o usuário para
entendê-lo de acordo com suas próprias perspectivas de modo a evitar uma interação negativa
que comprometa o Serviço de referência como um todo. Portanto a empatia, desencadeada
pela leitura literária, atua de modo relevante na interação bibliotecário-usuário e deve ser
considerada como uma habilidade a ser levada em conta no Serviço de referência - daí a
relevância deste trabalho.

2 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA LITERÁRIA
Quando falamos em narrar, estamos nos referindo à capacidade humana de contar uma
história, ou seja, contar um acontecimento, passar um fato para outra pessoa, seja oralmente
ou através da escrita. Nessa necessidade de transmitir histórias de um para o outro, de uma
geração para a outra, está o cerne do surgimento da literatura.
Sobre a necessidade de alimentarmos nossas vidas através de histórias, Gottschall
(2012, p. xiv) fundamenta que:

Podemos não perceber, mas somos criaturas de um reino imaginativo
chamado Neverland. Neverland é nossa casa e, antes de morrer, passaremos
várias décadas lá. Se você ainda não percebeu isso, não se desespere:
histórias são para os humanos o que a água é para o peixe - toma conta de
tudo mas não podemos tocar. Enquanto nosso corpo está fixado em um lugar
particular no tempo-espaço, nossa mente está sempre livre para divagar nas
terras do faz-de-conta. (tradução nossa)219
219 “You might not realized it, but you are a creature o f an imaginative realm called Neverland. Neverland is
your home, and before you die, you will spend decades there. If you haven’t noticed this before, don’t despair:
story is for a human as water is for fish - all-encompassing and not quite palpable. While your body is always
fixed at a particular point in space-time, your mind is always free to ramble in lands of make-believe
(GOTTSCHALL, 2012, p. xiv)

1892

�Candido (2004, p. 177) já havia discutido sobre o importante papel ordenador das
histórias, sobretudo, as escritas - literárias - em ordenar o caos do mundo em nossa mente:
De fato, quando elaboram uma estrutura, o poeta ou o narrador nos propõem
um modelo de coerência, gerado pela força da palavra organizada. Se fosse
possível abstrair o sentido e pensar nas palavras como tijolos de uma
construção, eu diria que esses tijolos representam um modo de organizar a
matéria, e que enquanto organização eles exercem papel ordenador sobre a
nossa mente. Quer percebamos claramente ou não, o caráter de coisa
organizada da obra literária torna-se um fator que nos deixa mais capazes de
ordenar a nossa mente e sentimentos e, em consequência, mais capazes de
organizar a visão que temos do mundo.

Esse caminho nos dirige à literatura, ou seja, a escrita organizada de histórias, à
transposição para o papel da vida de personagens que de outro modo não teríamos a
oportunidade de conhecer e muito menos de ter contato com os pensamentos. É acerca desse
tipo de contato com a literatura que desejamos nos focar nessa pesquisa: o contato literário de
cunho humano, o encontro do leitor com as vidas criadas pelos escritores e o conhecimento
sobre a vida e sobre os indivíduos que essas histórias de papel nos oferecem.

3 A LEITURA LITERÁRIA E A EMPATIA
A leitura literária é uma aproximação do outro e do mundo externo, se configurando
como uma necessidade humana de ter contato com histórias e de um desenvolvimento
equilibrado do intelecto e das emoções. Entretanto, apesar de Gottschall (2012) ter nos
comunicado que Neverland é um lugar onde todos nós ocupamos, percebamos ou não,
Neverland não é biologicamente imprescindível para o ser humano, como o próprio autor
afirma (2012, p. 29):
Para que servem as histórias? Nada. O cérebro não é projetado para as
histórias, há falhas na sua concepção que o tornam vulnerável a elas.
Histórias, em toda a sua variedade e esplendor, são apenas acidentes de sorte
na construção improvisada da mente. Histórias podem nos educar, nos tornar
mais profundos e nos dar alegria. Histórias podem ser uma das coisas que
faz com que seja mais interessante ser um ser humano. Mas isso não
significa que elas tem um propósito biológico.220

Antonio Candido (2004) refletiu acerca da relação entre literatura e direitos humanos:
afirmamos que a leitura literária é um encontro com o outro e os direitos humanos são o*29
220 “What are stories for? Nothing. The brain is not designed for story; there are glitches in its design that make it
vulnerable to story. Stories, in all their variety and splendor, are just lucky accidents o f the mind's jury-rigged
construction. Story may educate us, deepen us, and give us joy. Story may be one o f the things that makes it
most worthwhile to be human. But that doesn't mean story has a biological purpose.” (GOTTSCHALL, 2012, p.
29)

1893

�reconhecimento “que aquilo que consideramos indispensável para nós é indispensável
também para o próximo” (CANDIDO, 2004, p. 172). Embora a leitura literária não seja uma
garantia de que os direitos humanos serão reconhecidos e postos em prática, ela tem
influência na formação dos sujeitos e pode ser um caminho de vislumbramento para o
(re)conhecimento desses direitos, pois a literatura
pode ser uma aquisição consciente de noções, emoções, sugestões,
inculcamentos, mas na maior parte se processa nas camadas do
subconsciente e do inconsciente, incorporando-se em profundidade como
enriquecimento difícil de avaliar. As produções literárias, de todos os tipos e
todos os níveis, satisfazem necessidades básicas do ser humano, sobretudo
através dessa incorporação que enriquece a nossa percepção e a nossa visão
do mundo. (CANDIDO, 2004, p. 172).

Simplificando: ao lermos sobre as mais variadas situações somos levados a encarar
sentimentos a partir do olhar de uma outra pessoa e, ao pensarmos como se estivéssemos fora
de nosso corpo e fôssemos essa outra pessoa - um personagem -, podemos passar a ter a
capacidade de identificar como o outro pensa e se sente e, assim, nos tornarmos mais
humanos. Portanto, durante a leitura literária lemos sobre a consciência, a personalidade e as
atitudes do outro, isso auxilia no desenvolvimento de nossas habilidades na vida real. Essa
atitude de nos colocarmos no lugar do outro e refletirmos a partir de suas perspectivas é um
comportamento empático.
Para tratar sobre as práticas de leitura literária do Bibliotecário de referência,
apresentamos um recorte da pesquisa realizada com 222 bibliotecários através de
questionário on line que buscou coletar dados acerca do perfil profissional desses
bibliotecários, suas práticas leitoras e informações sobre comportamento empático.
O gráfico 1 abaixo mostra o resultado total sobre a frequência de leitura dos gêneros:

Gráfico 1 - Frequência geral de leitura dos Bibliotecários de referência

1894

�Segundo o gráfico 1, a primeira consideração que devemos fazer é que TODOS os
Bibliotecários de referência que responderam ao questionário leem em maior ou menor
proporção em algum momento, pois não houve nenhum bibliotecário que tenha respondido
que Nunca lê para todos os gêneros literários apresentados, ou seja, mesmo um Bibliotecário
de referência que respondeu nunca ler romance, respondeu que lê com alguma frequência
outro tipo de gênero literário. Portanto, todos os Bibliotecários de referência que responderam
ao questionário são leitores com algum nível de frequência de leitura literária.
Demonstrando o quanto esse tipo de leitura é importante, um dos BRs comentou como
se sente em relação às leituras literárias:
A literatura narrativa é de extrema importância para o desenvolvimento do
sujeito e proporciona uma visão ampla do mundo e de si mesmo. É na
experiência com os enredos e com as personagens que refletimos sobre nós
mesmos e podemos crescer como pessoa, como ser existente no mundo!
Creio que é fundamental que cursos de Biblioteconomia/Ciência da
Informação reflitam e pensem a formação dos profissionais além da técnica.
Afinal, entre o pensar e o fazer biblioteconômico, há muitos sentidos que são
da ordem da hermenêuticas. (ORNELLAS, 2014)

Vemos na opinão desse Bibliotecário de referência, o espelho de toda nossa discussão
acerca da necessidade da leitura literária como base para o desenvolvimento do sujeito e
ampliação de sua percepção sobre o mundo e sobre o outro. E mostra o entendimento de que o
ensino biblioteconômico deve perpassar pela leitura literária pois sem ela, qualquer ensino
acontecerá pela metade, visto que esse tipo de leitura perpassa o desenvolvimento dos sujeitos
como seres sociais e humanos.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A empatia foi apontada como elemento essencial já que trata-se de uma habilidade
social que busca um deslocamento reflexivo sobre o outro a partir de suas próprias
perspectivas. Nosso trabalho sugere que o profissional bibliotecário não deve priorizar
somente o desenvolvimento das habilidades técnicas que norteiam o seu fazer, mas, também,
as habilidades sociais e humanas que influenciam o desenvolvimento de sua relação com o
usuário.
A empatia é uma habilidade natural do ser humano que pode diminuir enquanto somos
socializados e influenciados culturalmente, mas que também pode ser desenvolvida. Neste
sentido, a leitura literária se mostrou uma das atividades mais pertinentes para tal
aperfeiçoamento pois possui características que simulam a realidade e colocam o leitor em
situações que o fazem refletir a partir da perspectiva do outro. A leitura literária nos permite,

1895

�através da narração de acontecimentos e dos sentimentos dos personagens, ter conhecimento
sobre o outro. A chamada experiência literária engrandece nossa percepção do mundo, sendo,
portanto, uma atividade de prática e desenvolvimento da empatia.
Nossa pesquisa mostra a importância do estudo do aprimoramento das habilidades dos
Bibliotecários de referência porque são eles que estão recebendo os usuários nas bibliotecas e
estão construindo a imagem dos bibliotecários, das bibliotecas e da Biblioteconomia. Este
trabalho se justifica na medida em que sublinha a empatia como fator de forte atuação na
qualidade do Serviço de referência e sua principal contribuição é evidenciar a leitura literária
como desencadeadora desta habilidade - a empatia - tão essencial para a otimização da
interação bibliotecário-usuário.

5 REFERÊNCIAS
CANDIDO, Antônio. O direito à literatura. In :______. Vários escritos. São Paulo; Rio de
Janeiro: Duas Cidades; Ouro sobre azul, 2004. p. 169-191.
GOTTSCHALL, Jonathan. The storytelling animal: how stories make us human. Boston:
Houghton Mifflin, 2012.
GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos, 2001.
ORNELLAS, Adriana. O bibliotecário de referência e a necessidade de uma atuação
empática na contemporaneidade: uma análise sobre a influência da leitura literária. 2014.
Dissertação-(Mestrado Profissional em Biblioteconomia). Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014. 131 p.

1896

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Este artigo discute a empatia como fator que otimiza a interação entre o bibliotecário e o usuário no Serviço de referência. Para tanto, verifica, a partir de dados coletados com bibliotecários de referência, em que medida as habilidades sociais atuam no comportamento do bibliotecário. Aponta a leitura literária como principal agente que auxilia no comportamento empático tendo em vista que a leitura literária conta com particularidades que garantem o acesso a realidades não vivenciadas e promove um aprimoramento na percepção de mundo. Sua principal contribuição é trazer à cena a empatia, provocada pela leitura literária, como elemento que auxilia no aperfeiçoamento do serviço prestado pelo Bibliotecário de referência.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POR UMA ATUAÇÃO EMPÁTICA DO BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA NA
CONTEMPORANEIDADE
Adriana da Silva Ornellas
Patrícia Vargas Alencar

RESUMO
A empatia é um conceito que busca, através do entendimento do outro por sua própria
perspectiva e comportamento, maior harmonia nas relações humanas e, consequentemente, no
modo como nos comunicamos com o outro. Sendo a empatia um conceito de importante
consideração na relação entre Bibliotecário de Referência e o usuário, esse artigo tem como
objetivo discorrer acerca dos pormenores do Serviço de referência como um processo
comunicacional em que as habilidades comportamentais e sociais do bibliotecário podem
determinar a construção de sua imagem pelo usuário. Através do discurso de autores da área e
de pesquisas acadêmicas acerca da dinâmica entre o Bibliotecário de referência e o usuário,
discutimos em que medida as habilidades do bibliotecário em conduzir a interação no Serviço
de referência possuem peso na opinião do usuário. A pesquisa aponta para a necessidade de
reflexão e aperfeiçoamento no que se refere ao Serviço de Referência mais empático.
Palavras-Chave: Bibliotecário de referência; Habilidades sociais; Relação interpessal;
Empatia; Processo comunicacional.
ABSTRACT
Empathy is a concept that seeks, through understanding each other by their own perspective
and behavior, greater harmony in human relations and, consequently, in how we communicate
with each other. Being a concept of empathy important consideration in the relationship
between Reference Librarian and the patron, this article aims to argue about the details of the
service reference as a communication process in which behavioral and social skills of the
librarian may decide to build your image user. Through speech writers in the field of
academic and research about the dynamics between the reference librarian and the patron, we
discuss to what extent the skills of the librarian to conduct the interaction in service reference
have weight in the opinion of the patron. The research points to the need for reflection and
improvement with regard to the Reference Service more empathic.
Keywords: Reference librarian;
Communication process.

Social

skills; Interpersonal relationship; Empathy;

3458

�1 INTRODUÇÃO
Este trabalho é parte integrante da pesquisa realizada para o Mestrado Profissional em
Biblioteconomia, do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia da UNIRIO, por
intermédio da qual, buscamos investigar a interação entre o Bibliotecário de referência e o
usuário durante o Serviço de Referência. Neste artigo, discutimos o processo comunicativo no
serviço de referência, considerando, para tanto, as visões de teóricos e estudiosos sobre as
habilidades do Bibliotecário na interação com o usuário. Trata-se de um estudo cuja
contribuição é a reflexão da prática interacional no Serviço de referência baseado na empatia
- habilidade apontada como fundamental na otimização de relações interpessoais.
Como afirma Lankes

(2011, p. 13), a missão do bibliotecário na atualidade é

“melhorar a sociedade através da assistência na criação do conhecimento em suas
comunidades”.393394 Baseando-nos nessa missão, investigar as influências que determinam o
sucesso ou fracasso da interação entre o Bibliotecário de referência e o usuário durante a
interação entre esses dois sujeitos traz significativas contribuições para os estudos
biblioteconômicos acerca do Serviço de referência.
Para auxiliar na análise dessa interação, utilizamos o conceito de empatia como
catalizador das habilidades pessoais e comportamentais do Bibliotecário de referência que o
auxiliarão na condução mais eficiente de sua relação com o usuário.
O papel do Bibliotecário é mais sutil e importante do que uma análise superficial pode
prover pois, como observou Oddone (1998), o bibliotecário não é um profissional que apenas
administra uma coleção informacional mas, através do tratamento e disponibilização desses
insumos, faz parte de processos que vão além do simples tratamento técnico e
disponibilização da informação, fazendo parte da produção de conhecimento dentro da
sociedade. Em suas palavras:
A prática profissional do bibliotecário, tantas vezes descrita como
meramente tecnicista e burocratizante, não deveria nem poderia constituir-se
apenas pelo domínio dessas técnicas e procedimentos. Muito mais relevante
é o papel que lhe está reservado nos processos de comunicação e
transferência da informação e de mediação na construção do conhecimento.
(ODDONE, 1998)
Essa mudança de paradigma da posse da informação para sua disponibilização coloca
o bibliotecário no centro de um novo processo priorizando a comunicação e o aprendizado do
393 R. D. Lankes é professor de Biblioteconomia na Universidade de Syracuse e seu livro “The atlas of new
Librarianship” ganhou o prêmio de melhor livro de Biblioteconomia em 2012.
394 “The mission of librarians is to improve society though facilitating knowledge creation in their communities”
(LANKES, 2011, p. 11)

3459

�usuário, tornando o bibliotecário um colaborador no processo de criação do conhecimento na
sociedade, assim como prioriza Lankes:
No lugar de se preocupar com conceitos externos como informação (ou pior,
registros de conhecimento), foca a Biblioteoconomia diretamente no
comportamento e nos efeitos dos serviços nos indivíduos. Na essência, o
valor de um livro ou bibliotecário deve ser avaliado de acordo com a sua
habilidade de aprender. (...) Então a biblioteca onde as pessoas estão
aprendendo e construindo conhecimento pode não ter livros, computadores,
DVDs ou nem prédio. Mas terá bibliotecários auxiliando no processo de
criação do conhecimento.395 (LANKES, 2011, p. 23) (tradução nossa)

Por isso, abordar o bibliotecário como um dos protagonistas do processo de criação do
conhecimento é fundamental para construir as bases do novo paradigma que circundam a
biblioteca e a Biblioteconomia.
A comunicação que acontece durante a relação interpessoal entre Bibliotecário de
referência e usuário revela-se como campo fértil para o aperfeiçoamento do Serviço de
Referência. É dentro dessa ótica que discorrermos acerca desse tema, tomando como base a
atuação empática do Bibliotecário.

2 Serviço de referência e o processo comunicacional entre bibliotecário e usuário
Podemos caracterizar a relação que acontece entre o Bibliotecário de referência e o
usuário como uma relação de serviço pois
trabalhar no serviço de referência é exercer uma profissão que presta um
serviço, pois seu exercício depende essencialmente da demanda do usuário e
da resposta oferecida. A noção de serviço adquire todo o sentido na medida
em que o usuário participa ativamente da produção desse serviço: por meio
de sua demanda, pelas informações que possui, ele contribui com elementos
essenciais para o resultado final. Pode-se então falar de coprodução na
medida em que o serviço é ‘coproduzido’ pelo seu usuário: a organização
desse serviço é oferecida como um conjunto que agrupa o sistema de
documentação (a infraestrutura) e o sistema de produção do serviço
(servuction). Estabelece-se uma relação de serviço com o usuário.
(ACCART, 2012, p. 18)

Nesse ponto, reside a contradição dos serviços que necessitam da interação pois, ao
mesmo tempo que esta relação está inserida dentro de um contexto organizacional, ela só

395 “It changes the focus of the work of librarians from artifacts and the products of learning (like books, web
pages, and DVDs) to the learning process. Rather than being concerned with some externalized concept such as
information (or, worse “recorded knowledge”), it places the focus of librarianship squarely on behavior and the
effects of services on the individual. In essence, the value of a book, or librarian for that matter, is evaluated
against the need of the library member’s ability to learn. (...) So a library where people are learning and building
their knowledge may have no books, no computers, no DVDs, and no building.” (LANKES, 2011, p. 23)

3460

�acontece a partir de uma interação. E o decorrer dessa interação que definirá se o resultado do
atendimento foi ou não bem sucedido.
Grogan (2001) também ressaltou que o Serviço de referência é baseado numa relação
de serviço: o Bibliotecário de referência está realizando um atendimento pessoal, apesar de a
prática dessa atividade se basear na busca técnica em fontes de informação, a atividade
técnica necessita passar antes pelo atendimento pessoal, tornando a interação entre os dois
sujeitos extremamente decisiva:
É impossível estudar qualquer aspecto do processo de referência sem estar
informado de quanto o mesmo depende inevitavelmente para seu êxito dos
atributos pessoais do bibliotecário. Isso implica não os dotes profissionais
como intimidade com as fontes de referência ou domínio das técnicas de
buscas informatizadas, [mas] uma vasta cultura geral ou até mesmo a
experiência em lidar com os consulentes, mas aqueles atributos pessoais
humanos, inatos ou adquiridos, como simpatia, criatividade, confiança e
outros mais. É claro que essas qualidades admiráveis deveriam estar
presentes em todos nós, e, no caso das profissões voltadas para a prestação
de serviços, são indispensáveis. Os bibliotecários de referência que carecem
dessas virtudes padecem sob o peso de uma carga permanente, que amiúde
se mostrará tão opressiva que serão incapazes de se erguerem para atender
de modo satisfatório às necessidades dos usuários. (GROGAN, 2001, p. 26)
O Bibliotecário de referência não é um mero atendente da biblioteca que recepciona o
usuário e faz a ponte entre sua demanda e o que a biblioteca disponiliza para supri-la. Sua
intervenção nessa situação é mais sutil do que se aparenta em um primeiro momento e o seu
comportamento durante essa mediação é decisivo para a satisfação do usuário e para a
imagem da biblioteca.
Em consonância com esse argumento, o Committee on Behavioral Guidelines for
Reference and Information Services (Comitê de Orientação Comportamental para Serviços de
Informação e Referência396397), pertencente à Reference Services Association (RUSA) criado
pela American Library Association (ALA) que tem a intenção de “identificar e recomendar
atributos comportamentais que podem ser observados e correlacionados com uma percepção
positiva dos usuários sobre a performance dos bibliotecários de referência

” (AMERICAN,

2004), categorizou alguns atributos que podem ser verificados como influenciáveis na opinião
dos usuários a respeito do comportamento do bibliotecário.
Os atributos foram os seguintes:

396 Tradução nossa.
397 “(...) to identify and recommend observable behavioral attributes that could be correlated with positive patron
perceptions of reference librarian performance.” (AMERICAN, 2004)

3461

�a) visibilidade/acessibilidade: “Para se ter uma operação de referência bemsucedida é essencial que o bibliotecário de referência seja acessível. Se
atua de forma tradicional/presencial ou remota virtualmente, o primeiro
passo do bibliotecário ao iniciar a entrevista de referência é fazer
com que o usuário se sinta confortável e não em uma situação que
pode ser percebida como intimidadora, confusa, ou esmagadora. A

resposta inicial do bibliotecário em qualquer situação de referência
define o tom para todo o processo de comunicação, e influencia a
profundidade e nível de interação. (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo
nosso)
b) Interesse: “um bibliotecário de sucesso demonstra um alto grau de
interesse imparcial na atividade de referência. Embora nem todas as
consultas sejam de interesse do bibliotecário, ele deve abraçar a
necessidade informacional de cada usuário e deve ser comprometido em
fornecer a ajuda de forma eficaz. Bibliotecários que demonstram um
alto nível de interesse nas demandas dos usuários irão gerar um
maior nível de satisfação; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo nosso)

c) capacidade de ouvir e questionar: “a entrevista de referência é o coração
do serviço de referência e é crucial para o sucesso do processo. O
bibliotecário deve identificar de forma eficaz as necessidades de
informação do usuário de uma forma que o deixe à vontade.
Habilidades eficazes de escuta e questionamento são necessários
para uma interação positiva ; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo nosso)

d) investigador: “o processo de busca é a parte da atividade de referência
em que o comportamento e precisão se cruzam. Sem uma busca eficaz,
não é só a informação desejada que será improvável de ser encontrada,
mas os usuários que ficarão desanimados também. Muitos aspectos da
procura, que conduzem a resultados exatos dependem do
comportamento do bibliotecário; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo

nosso)
e) acompanhamento: “o fornecimento de informação não é o fim da
atividade de referência. O bibliotecário de referência é responsável por
determinar se o usuário está satisfeito com os resultados da pesquisa,
levantando até outras fontes para o usuário, incluindo aquelas que não
estão disponíveis na biblioteca local. (AMERICAN, 2004) (tradução
nossa)
Podemos notar que todos os atributos envolvem características comportamentais. Até
mesmo a pesquisa que, a princípio, utilizaria apenas recursos tecnológicos e fontes de
informação, necessita de uma determinada habilidade comportamental em sua condução,
influenciando a decisão de até que ponto se deve permanecer na busca ou não.
Assim, o Bibliotecário de referência não deve desenvolver apenas suas competências
técnicas da profissão biblioteconômica, mas também observar como o seu comportamento
pessoal e social irá influenciar na sua interação com o usuário de modo a não comprometer a
atividade de referência.
É oportuno esclarecer que não estamos pregando a predominância das competências
sociais e pessoais do Bibliotecário de referência sobre as competências técnicas. Entretanto,
para que seja alcançado um sucesso a longo prazo nos atendimentos do Serviço de referência,

3462

�é fundamental a análise de como as competências sociais e pessoais estão alterando os
resultados dos atendimentos desse setor.
As competências técnicas, sociais e comportamentais devem ser complementares formando um perfil multidisciplinar - e observadas a partir de um uma visão holística que as
considere igualitárias: não basta encontrar uma informação para garantir a fidelização do
usuário ao uso da biblioteca. O atendimento como o usuário foi recebido irá determinar o
desejo (ou não) do usuário voltar à biblioteca ou pedir ajuda novamente ao Bibliotecário de
referência.
Bonnet e McAlexander (2012), ao pesquisar sobre o que influencia o usuário a pedir
ou não ajuda ao bibliotecário, identificaram a comunicação não-verbal como primeiro item
decisivo na acessibilidade do BR:
Comportamento não-verbal, em particular, é essencial para a comunicação
interpessoal e, consequentemente, para as interações no serviço de
referência, pois elas são ‘irrepreensivelmente impactantes’ (DEPAULO,
1992)398. Entretanto, resultados de estudos em bibliotecas que avaliaram
comportamentos e acessibilidade têm sido variados. Kazlauskas (1976)399
observou que as posturas corporais e as expressões faciais dos funcionários
de quatro bibliotecas acadêmicas, atribuindo características positivas e
negativas da comunicação não-verbal a 148 interações. O autor concluiu que
os bibliotecários com comportamento não-verbal positivo (definido assim
como contato visual, postura e movimento corporal e alegria) produziu o
mesmo comportamento em resposta nos usuários, o que é chamado de efeito
contagioso. (tradução nossa)400 (BONNET; MCALEXANDER, 2012, p.
335)

Assim, podemos concluir que não é apenas o encontro ou a falha na busca da demanda
do usuário que influencia a sua satisfação. Accart (2012), devido a esses aspectos que vão
além das questões técnicas e bibliográficas, diz que três aspectos determinam o sucesso do
Serviço de referência: dispor de (1) recursos, (2) informação e (3) pessoal qualificado que
possua excelente capacidade de relacionamento.

398 DEPAULO, B. M. Nonverbal behaviorand self-presentation. Psychological Bulletin, v. 2, n. 111, p. 203-243,
1992.
399 KAZLAUKAS, E. An exploratory study: a kinesic analysis of academic library public service points. The
journal of academic librarianship, n. 2, p. 130-134, 1976.
400 “Nonverbal behaviors in particular are essential to interpersonal communication and, consequently, to
reference interactions, given that they are “irrepressibly impactful” (DePaulo, 1992). However, results of library
studies that assessed behaviors and approachability have been mixed. Kazlauskas (1976) observed the body
postures and facial expressions among staff at public service points in four academic libraries,assigning positive
and negative characteristics of nonverbal communication to 148 interactions. The author concluded that
librarians' positive nonverbal behavior (defined variably as eye contact, body posture and movement, and
cheerfulness) yielded the same behavioral response from library users, also known as a contagion effect.”
(BONNET; MCALEXANDER, 2012, p. 335).

3463

�Baseando-nos nessa premissa e nos argumentos anteriores, concluimos que a atividade
de referência não pode ser analisada excluindo-se o binômio do relacionamento Bibliotecário
de referência-usuário pois
as habilidades de comunicação são essencias para bibliotecários:
bibliotecários têm de se comunicar o tempo todo - escrita e verbalmente.
Tem de ser capaz de falar em público - há palestras, workshops e reuniões
que formam a maior parte da interação com os departamentos. Tem que ser
capaz de solucionar problemas via e-mail. Tem que comunicar novas idéias
com sucesso e obter apoio para elas. Tem que comunicar más notícias e boas
notícias401. (ANYANGUE, 2013). (tradução nossa)
Francisco (2013) alerta que, mesmo assim, os estudos sobre o processo
comunicacional dentro da biblioteca são comumente acerca do tratamento e disseminação da
informação e do conhecimento. Pouco se fala na comunicação humana que acontece na
interação entre BR e usuário.
Assim como a comunicação que acontece nos processos informacionais, a
comunicação presente na interação BR-usuário é complexa e necessita de observação para
que haja aperfeiçoamento visto que a comunicação acontece através processo simbólico que
existe não apenas na linguagem verbal:
a comunicação humana é um processo constante, complexo e ativo que se
distingue da comunicação animal por seu conteúdo simbólico, isto é, as
pessoas são capazes de compreender, interpretar, elaborar e modificar signos
e símbolos. A comunicação se dá sempre, aliás, é impossível não comunicar.
Mesmo calados, emitimos mensagens, pois, de acordo com a psicanálise, é
difícil saber se o comportamento humano é intencional ou não, devido às
intenções inconscientes, por isso, pode-se classificar tudo o que o homem faz
em sociedade, até mesmo o silêncio, como comunicação. Uma vez que este
pode significar concordância, indiferença, desprezo. Dessa forma, o processo
de comunicação se dá pelos seguintes componentes: emissor, que elabora e
põe em circulação a mensagem; receptor, que a recebe e interpreta; a
mensagem, a informação; meio, suporte físico através do qual se transmite a
mensagem; código, sistema de referência em função do qual se elabora e
interpreta a mensagem e o contexto, que é a situação social, histórica,
geográfica e psicológica do ato de comunicação em questão. (FRANCISCO,
2013)
Portanto, de acordo com esse cenário, o processo de comunicação humana não pode
ser entendido como um processo mecânico, em que existe um emissor e um receptor. A
comunicação humana é balizada por influências externas e intrínsecas aos sujeitos que a
401 —
Communications skills are key for a librarian: Librarians have to communicate all the time - written and
verbal. You have to be able to speak in public - there are talks and workshops and meeting which form the bulk
of your interaction with the departments. You have to be able to trouble-shoot via email. You have to
communicate new ideas successfully and get support for them. You have to communicate bad news, good
news.”(ANYANGUE, 2013).

3464

�realizam, ou seja, durante o processo comunicacional diversos aspectos articulam-se na
produção de sentidos através dos vários simbolismos da linguagem (verbal e não verbal,
aspectos psicológicos ou físicos) que os sujeitos participantes da interação emanam,
consciente ou inconscientemente.
Sobre isso, Witter (1986) elucida que
Os aspectos psicológicos envolvidos na relação entre o bibliotecário e o
usuário são complexos, variados e possivelmente, por esta razão,
insuficientemente estudados. Por um lado tem-se o bibliotecário que, se
está caracterizado enquanto profissional com funções e papéis a
desempenhar, em um nível aceitável, é praticamente desconhecido como
pessoa, como ser psicológico, especialmente nos países onde a pesquisa
na área é ainda inexistente. Por outro lado, encontra-se o usuário que
tem merecido mais atenção a nível de pesquisa mas que é ainda
insuficientemente conhecido. Quando essas pessoas interagem em ação,
de ambas as partes, um vasto complexo de variáveis vai influir
decisivamente na quantidade, na qualidade, na direção, no êxito do
relacionamento. Entre essas variáveis estão: motivação, necessidades

imediatas, atitudes, valores, autocontrole, auto-imagem, sociabilidade,
conhecimento, afetividade, e outras tantas características psicológicas que
marcam a individualidade de cada pessoa. (grifo nosso)
Grogan (2001, p. 2) salienta que “tão importante quanto o componente bibliográfico
do SR é o elemento humano, sua natureza de intrínseca reciprocidade, comumente face-a-face
(...)”.
Inazawa e Baptista (2012, p. 118) apresentaram a competência conversacional como
sendo “o uso da comunicação através de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, com
o propósito de aumentar o entendimento e a cooperação entre os indivíduos”, ou seja, uma
comunicação com o intuito de compreender o outro, não apenas entender o significado
conotativo do que o outro comunica, mas também o contexto onde o outro se encontra, suas
motivações, suas crenças, suas características pessoais e, a partir da assimilação da
compreensão desses atributos, a realização da comunicação de modo mais efetivo e humano.
Possuir competência conversacional significa se preocupar com quem o outro é e, a
partir, desse conhecimento, construir estratégias de comunicação que não o macularão e,
assim, evitar que essas características deturpem o objetivo da comunicação e numa visão
macro, desviem o objetivo do atendimento à demanda informacional do usuário.
Inazawa e Baptista (2012, p. 179) ainda trazem o conceito de “escutar afetivo” para
esse contexto e explicam:

3465

�Com o emprego da competência conversacional do “escutar efetivo” de
Echeverría (2003), o bibliotecário ampliaria a sua capacidade de ouvir,
processar e compreender o contexto da mensagem, não somente averiguando
a escuta através da reprodução oral de um resumo ao usuário do que
entendeu sobre sua questão de referência, mas, também, checando as
inquietudes quanto ao pedido (a importância do pedido, a urgência, a pressão
por prazos, etc.). (...)

Esse escutar afetivo precisa essencialmente das características pessoais do BR para se
realizar e necessita que ele tenha um alto nível de inteligência interpessoal. Goleman (2012, p.
63) diz que a “capacidade de compreender outras pessoas” é uma aptidão da inteligência
interpessoal que significa entender o que “as motiva, como trabalham, como trabalhar
cooperativamente com elas. As pessoas que trabalham em vendas, políticos, professores,
clínicos e líderes religiosos bem-sucedidos provavelmente são todos indivíduos com alto grau
de inteligência interpessoal”.
O autor ainda afirma (GOLEMAN, 2012, p. 63) que “o âmago da inteligência
interpessoal inclui a capacidade de discernir e responder adequadamente ao humor,
temperamento, motivação e desejo de outras pessoas.”
Esses entendimentos nos levam diretamente para o conceito de empatia que é, a grosso
modo, colocar-se no lugar do outro. Goleman (2012, p. 67) estabele a empatia como a aptidão
pessoal fundamental para as interações humanas: “as pessoas empáticas estão mais
sintonizadas com os sutis sinais do mundo externo que indicam o que os outros precisam ou o
que querem. Isso as torna bons profissionais no campo assistencial, no ensino, nas vendas e
administração.”
Essa capacidade intencional de querer colocar-se no lugar do outro para compreendêlo nos remete aos termos e expressões que Accart (2012) utiliza para se referir ao modo como
deve acontecer o encontro no Serviço de referência: ele diz que esse encontro deve ser uma
“assistência pessoal” (p. 14), um “aconselhamento e acompanhamento personalizado” (p. 16),
uma recepção com “atitude amigável e atenciosa” (p. 19), o BR deve saber “ouvir
atentamente” (p. 19), ter “vontade de (...) compreender” (p. 20) e ter “capacidade de
relacionamento” (p. 32) e “amabilidade” (p. 33), em que “o contato é decisivo” (p. 34), deve
“saber ouvir, ter prazer em se comunicar, mostrar-se disponível” (p. 80), “mostrar
curiosidade, criatividade, iniciativa, abertura de espírito, discrição e adaptabilidade” (p. 81) e
“competência de ouvir” (p. 82).
O Bibliotecário de referência é um dos protagonistas na interação que ocorre no
Serviço de referência juntamente com o usuário e ambos estão sujeitos a interferências das

3466

�suas características pessoais. Por isso, é importante levantar a questão do estudo de conceitos
que possibilitem que essa interação ocorra de forma mais positiva a longo prazo e torne o
relacionamento entre o Bibliotecário de referência e o usuário um facilitador para que as
questões e demandas informacionais aconteçam.
Isso demonstra a importância de se levar em conta a empatia no Serviço de referência
e também nas relações humanas como um todo. A empatia vem sendo estudada de maneira a
tornar as interações entre os sujeitos mais compreensivas e humanas, configurando-se como
um conceito de existência essencial no ambiente do Serviço de referência, em que a
construção de uma atmosfera propícia para a realização de uma comunicação bem sucedida é
primordial para o sucesso do atendimento ao usuário.

3 AIMPORTÂNCIA DA EMPATIA NAS RELAÇÕES HUMANAS
A empatia é um conceito que vem sendo discutido amplamente visando otimizar as
interações, objetivando uma melhor convivência com o próximo no nível entre pares e social.
Sua importância existe em todos os tipos de relacionamentos - pessoal ou profissional - e
profundidade - relações duradouras ou aleatórias. Desse modo, iremos abordar a empatia
como modo de aprimorar a relação entre o Bibliotecário de referência e o usuário.
As discussões sobre a empatia mostram uma preocupação em garantir e propagar uma
boa relação de convívio e, a partir disso, chegar-se a uma sociedade melhor e mais humana.
Esse conceito está no cerne dos estudos de Roman Krznaric e é definida como:
A arte de se pôr no lugar do outro e ver o mundo de sua perspectiva. Ela
requer um salto da imaginação, de modo que sejamos capazes de olhar pelos
olhos dos outros e compreender as crenças, experiências, esperanças e os
medos que moldam suas visões do mundo. Tecnicamente conhecida pelos
psicólogos como “empatia cognitiva”, não é uma questão de sentir pena de
alguém - isso é comiseração ou piedade -, mas de tentar nos transportar para
o personagem e a realidade vivida de outrem (KRZNARIC, 2013, p. 69).

Sampaio, Camino e Roazzi (2009, p. 213) apontam que a origem do conceito de
empatia está nos estudos de apreciação estética e que, quando transportado para a interação
humana, descreve
a capacidade de conhecer a consciência de outra pessoa e de raciocinar de
maneira análoga a ela através de um processo de imitação interna, sendo
que, por meio dessa capacidade, pessoas com o mesmo nível intelectual e
moral poderiam compreender umas às outras.

A apreciação artística ser a origem dos estudos da empatia encontra justificativa no
fato de que, para se entender uma pintura é necessário, muitas vezes, colocar-se no lugar do

3467

�artista, pensar como ele pensa para buscar os motivos daquela pintura ser como é. Assim, a
empatia passou a ser uma habilidade para ser realizada não apenas para se entender uma
pintura ou qualquer outro objeto artístico, mas pessoas também, sendo a
possibilidade de entrar no sentimento, estar dentro, estar presente, viver com
e como o outro o seu pathos, paixão, sofrimento e doença. Na Psicologia, o
primeiro autor a utilizar o termo Empatia (Einfülhlung) foi Titchener, em seu
livro Elementary Psychology of the thought processes (1909). Para
Titchener, a noção de Einfülhlung se refere à capacidade de poder saber
sobre a consciência de outra pessoa e raciocionar de maneira análoga a ela,
por meio de um processo de imitação interna. (GALVÃO, 2010, p. 72)

Entretanto, os estudos do primatólogo Frans de Waal (2010) trazem o conhecimento
de que a empatia é uma habilidade também exercida por outros mamíferos e que se constituiu
como uma atitude decisiva na sobrevivência dos animais e também na sua evolução, pois
somos seres essencialmente grupais e a conexão com o outro determinou a sobrevivência e
evolução de grupos.
Assim, a colaboração e a preocupação com o outro é um traço evolutivo
caracterizando o que Wall (2010, p. 59) chamou de autointeresse “esclarecido” pois colaborar
e ajudar o outro também nos traz benefícios individuais e explica:
Existe algo como o autointeresse “esclarecido”, que nos leva a trabalhar em
prol de uma sociedade que sirva aos nossos melhores interesses. Tanto os
ricos como os pobres dependem do mesmo sistema de esgotos, das mesmas
autoestradas e do mesmo sistema de leis. Todos nós precisamos da defesa
nacional, do sistema educacional e do sistema de saúde. Uma sociedade
funciona como um contrato.

Podemos dizer então que garantir que o outro tenha as suas condições de
sobrevivência também pode ser uma garantia da nossa própria sobrevivência posto que
vivemos em sociedade e, a princípio, o que ocorre ao outro, também nos afeta.
Sendo assim, os estudos sobre a empatia podem ter tido origem na apreciação artística
mas ela é praticada desde sempre como um modo de sobrevivência pois, sem a cooperação
mútua, a evolução poderia não ter acontecido da maneira como ocorreu: “Em outras palavras,
a capacidade de operar em grupo e de construir uma rede de sustentação é uma habilidade de
sobrevivência decisiva.” (WAAL, 2010, p. 55)
Assim como os estudos originais da empatia, Waal também atribui o início da prática
da empatia à imitação e chamou essa atitude de sincronização inconsciente:

3468

�O contágio do bocejo reflete a sincronização inconsciente, inscrita
profundamente na nossa espécie, assim como em muitas outras espécies
animais. A sincronia pode se manifestar pela cópia de pequenos movimentos
corporais, como o bocejo, mas ocorre também numa escala maior,
envolvendo as viagens e os deslocamentos dos grupos. (WAAL, 2010, p. 77)

É por essas constatações que Goleman (2012, p. 125) afirma que a “empatia é um
dado da biologia” e complementa chamando esse tipo de imitação de mímica motora que é
“algo que sentimos pelo o que o outro está vivenciando, sem, contudo, sentir o que esse outro
está sentindo”, ou seja, simplesmente imitamos o sentimento do outro.
É nesse pedido de tentarmos pensar a partir da percepção do outro e não com a nossa
própria percepção que reside a capacidade de intervenção da empatia nas relações
interpessoais e, por isso, a empatia é considerada uma competência social (FORMIGA, 2012).
Quanto à isso, Krznaric (2013, p. 69) esclarece:
A empatia nos vem naturalmente, e nós a exercemos o tempo todo, muitas
vezes sem nos dar conta disso. Quando uma amiga nos conta que acaba de
ser abandonada pelo marido, pensamos na raiva e rejeição que ela deve estar
sentindo, e tentamos ser sensíveis às suas necessidades. Se temos um colega
que não está conseguindo concluir suas tarefas no prazo, podemos decidir
não o pressionar a trabalhar até mais tarde por sabermos que sua mãe está
sucumbindo ao Alzheimer e ele está ocupado cuidando dela. Olhar a vida do
ponto de vista do outro não só nos permite reconhecer suas dores ou alegrias,
mas pode nos estimular a agir em favor dele. “Imaginar como é ser uma
pessoa diferente da que somos está no cerne de nossa humanidade”, escreve
o romancista Ian McEwan, “é a essência da compaixão e o início da
moralidade”.

Krznaric (2013, p. 70) lembra muito bem que não devemos confundir “nos colocar no
lugar do outro” com a velha máxima que diz que “não devemos fazer ao outro o que não
gostaríamos que nos fizessem” e explica que
embora essa seja uma noção valiosa, não é empatia, pois envolve considerar
você - com suas próprias ideias - desejaria ser tratado. A empatia é mais
difícil, requer que imaginemos as ideias dos outros e que ajamos em
conformidade com elas. George Bernard Shaw compreendeu a diferença
quando observou: “Não faça aos outros o que gostaria que eles lhe fizessem
- eles podem ter gostos diferentes dos nossos”

Por isso, o conceito de empatia é tão importante para profissionais que exercem tarefas
que demandam a interação direta com o outro e que precisam compreender atitudes diferentes
das suas próprias para tomar decisões de como agir. E tão importante quanto e acima de tudo,
é preciso respeitar a diversidade das pessoas e, sendo a biblioteca um local onde,
normalmente, o uso é realizado por sujeitos de diferentes tipos, personalidades, crenças etc. é
imprescindível que o Bibliotecário de referência seja dotado da capacidade de interagir com o

3469

�outro diferente de si mesmo sem manifestar preconceitos ou através de seu atendimento
sobrepor seus valores em detrimento dos valores do usuário.
A esse respeito, Birdi, Wilson e Tso (2009) empreenderam uma pesquisa objetivando
investigar as relações entre os bibliotecários de uma biblioteca pública e uma comunidade de
minoria étnica (chineses) cuja biblioteca possuia bibliotecários da mesma etnia e de etnia
diferente, ou seja, os autores queriam descobrir se a diferença de etnia causava atritos ou
problemas durante o atendimento e, após a pesquisa, concluíram que a empatia se mostrou ser
uma habilidade com papel de facilitadora da comunicação entre bibliotecários e os usuários
nesse contexto, e que a etnia não mostrou ser uma característica decisiva no atendimento mas,
sim, o comportamento do bibliotecário.
Eles chegaram a essa conclusão através de depoimentos desses usuários que
demonstraram conseguir identificar intuitivamente os bibliotecários que acreditavam ser mais
solícitos e se dirigiam a eles para pedir ajuda independente dele ser chinês ou não:
Questões culturais a parte, poderia ser sugerido que, se um membro da
equipe da biblioteca está motivado para tentar entender as necessidades e
desejos de um usuário - tendo a consciência ou a espontaneidade de se
envolver totalmente em uma ... experiência individual - e possuir algumas
habilidades para atribuir um sentido a todas as necessidades e desejos do
usuário, esse bibliotecário, portanto, teria uma maior capacidade empática.402
(BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p. 87) (tradução nossa)
Os autores também apontam que essa atitude empática pode ser aperfeiçoada através
do conhecimento da cultura do usuário pois isso facilita a atitude empática de pensar a partir
das perspectivas do usuário e refletir sobre suas dificuldades e, consequentemente, na busca
por entender melhor a demanda desse usuário. Nas palavras de um dos bibliotecários
participantes da pesquisa, esse exercício é fundamental para se compreender as atitudes do
usuário dentro da biblioteca:
Você tem que tentar se colocar no lugar dele e imaginar como se sentiria ao
entrar através da porta de um lugar estranho e fazer perguntas em uma
linguagem que provavelmente não é sua primeira língua. Então, imagina que
não é fácil. Você deve tentar entender como essas pessoas podem estar
sentindo não importa a cultura delas403. (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p.
86) (tradução nossa)
402“Cultural issues apart, it could be suggest that if a member of library staff is motivated to try to understand the
needs and wants of a library user - having the conscious or spontaneous commitment to engage fully with...
individual experience - and possesses certain diagnostic skills with which to make 'constructive sense' of those
needs and wants, he ou she would therefore have a greater empathie ability.” (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p.
87)
403 “You have to got try to put yourself in their position and imagine what you would feel like walking through
the door into a strange place and asking question in a language that probably not your first language. So you
know it is not easy. You should try and understand how these people might be feeling no matter what culture
they come from” (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p. 86)

3470

�Agada e Weaver (1997, p. 4) já haviam afirmado que a empatia é uma característica
imprescindível para as profissões que apresentam um perfil de aconselhamento como é o caso
da mediação feita pelo BR:
A compreensão pela empatia é definida como a capacidade de perceber e
entender os sentimentos relacionados às expressões verbais e ao
comportamento do outro e saber comunicar e entender essa percepção
precisamente. Empatia é um componente central na filosofia do serviço
centrado no usuário e um atributo indispensável para as profissões que
prestam atendimento404:
Para essa interação ter uma probabilidade maior de sucesso e não macular a demanda
informacional, é necessário que haja uma preocupação de como ocorre a sua condução e a
observação por parte do Bibliotecário de referência em como ele pode se comporta para
aperfeiçoá-la. Para tanto, o desenvolvimento da empatia se mostra como sendo uma base que
pode assegurar que o relacionamento entre Bibliotecário de referência e usuário aconteça sem
empecilhos. Facilitanto, assim, a acessibilidade e uso dos recursos informacionais pelo
usuário e possibilitanto maior êxito na missão do bibliotecário estipulada por Lankes (2011).
Timbó (2002) discorre teoricamente acerca da influência das características pessoais
do Bibliotecário de referência e usuário, seu discurso se foca na questão da melhor forma de
conduzir a entrevista de referência, como por exemplo, a capacidade de entendimento pelo
Bibliotecário de referência sobre a questão posta pelo usuário e da sua sabedoria em extrair
mais informações do usuário quando o entendimento não estiver claro, sendo necessário o uso
de suas competências sociais e pessoais para saber lidar adequadamente durante essa situação:
Para atender de forma precisa e prática no setor de referência, o bibliotecário
precisa ter o equilíbrio das emoções, pois a cada entrevista de referência ele
irá se deparar com usuários e emoções diferentes, variando de timidez até
agressividade, mesmo que não expressa em linguagem falada, mas sempre
percebida no comportamento não verbal de cada indivíduo na situação de
requisição de ajuda no processo de referência.
A autora (TIMBÓ, 2002, p. 84) ainda pontua o conceito de Inteligência emocional de
Goleman (2012) contextualizando a pertinência desse conceito em nossa sociedade
contemporânea:

404 “Empathie understanding has been defined as the capacity to perceive and understand the feelings related to
the verbal and behavioral expressions of another and to communicate this perception and understanding,
precisely. Empathy is a core component of the user-centered service philosophy and an indispensable attribute
for the helping professions.” (AGADA; WEAVER, 1997, p. 4)

3471

�Goleman iniciou seu estudo sobre a inteligência emocional devido ao grande
estresse social pelo qual passam os países modernos. Ele acredita que a
tendência é para uma autonomia cada vez maior do indivíduo, o que traz, por
sua vez, menos solidariedade e mais competitividade, às vezes brutal, como
acontece nas universidades e nos locais de trabalho. Desde então, o
desenvolvimento da inteligência emocional foi considerado como essencial
para o desenvolvimento e sucesso das relações humanas.
Como já destacado, ser empático não tem a ver com ser simpático ou caridoso, a
empatia é uma forma de ver o mundo e (tentar) entender as pessoas ao seu redor, é uma
filosofia de vida que se desenvolve aos poucos conforme vamos exercitanto-a e se baseia
numa vontade sincera de aperfeiçoamento pessoal que não se separa dos aspectos
profissionais da vida do sujeito.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando que é fundamental que, além do atendimento à sua demanda
informacional, o usuário se sinta bem atendido, é relevante que o bibliotecário se preocupe
como seu próprio comportamento face à maneira como o usuário se sente durante esse
encontro.
Nesta oportunidade, destacamos a empatia que, sendo uma habilidade social que visa
aumentar a harmonia nas interações humanas através da atitude de colocar-se no lugar do
outro, proporciona uma maior compreensão daquele com quem estamos nos comunicando e
de seu contexto.
Sendo assim, a empatia se configura como um conceito que busca aperfeiçoar a
compreensão que temos do outro a partir de suas próprias perspectivas e visões, facilitanto
nossa comunicação. E, consequentemente, quando transportada para uma relação de serviço
como o Serviço de referência, minimiza interferências ou ruídos na relação entre o
Bibliotecário de referência e o usuário.

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                <text>A empatia é um conceito que busca, através do entendimento do outro por sua própria perspectiva e comportamento, maior harmonia nas relações humanas e, consequentemente, no modo como nos comunicamos com o outro. Sendo a empatia um conceito de importante consideração na relação entre Bibliotecário de Referência e o usuário, esse artigo tem como objetivo discorrer acerca dos pormenores do Serviço de referência como um processo comunicacional em que as habilidades comportamentais e sociais do bibliotecário podem determinar a construção de sua imagem pelo usuário. Através do discurso de autores da área e de pesquisas  acadêmicas acerca da dinâmica entre o Bibliotecário de referência e o usuário, discutimos em que medida as habilidades do bibliotecário em conduzir a interação no Serviço de referência possuem peso na opinião do usuário. A pesquisa aponta para a necessidade de reflexão e aperfeiçoamento no que se refere ao Serviço de Referência mais empático.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CASA DA LEITURA E CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: INCENTIVO AO ATO DE
LER NA ATUAÇÃO BIBLIOTECÁRIA PEDAGÓGICA E SOCIAL, O CASO DO
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ
(IFPI) - CAMPUS FLORIANO.
Andreina Alves Ozório

RESUMO
Tendo em vista a amplitude da atuação bibliotecária, o trabalho em questão tem como
objetivo abordar o fazer do profissional bibliotecário numa perspectiva socioeducativa junto
ao incentivo à leitura. A Casa da Leitura, biblioteca situada no Campus do IFPI - Floriano
tem empreendido propostas que viabilizam o acesso ao ato de ler, por meio de contação de
histórias com vias temáticas, junto a crianças da comunidade local, assim como para filhos
dos servidores da instituição. Tais propostas caracterizam-se como mecanismos de
responsabilidade social para formação de leitores reais e potenciais, objetivando compreender
os aspectos referentes à leitura na construção cognitiva de um “indivíduo social” desde a mais
tenra idade. As implicações e/ou resultados desta atuação bibliotecária tem sido observados
ao longo do tempo, haja vista o caráter sinuoso e peculiar na formação de pequenos leitores.

Palavras-Chaves: Bibliotecário (a); Leitura; Mediação da Leitura; Formação de Leitores;
Contação de histórias.

ABSTRACT
Considering the range of the librarian's work, the following paper aims to approach the know­
how of the librarian professional in a socio-pedagogical perspective, along with the incentive
to reading. The Reading House, a library situated at the IFPI campus in Floriano have been
developing proposals that allow the access to reading, thought thematic storytelling, to
children in the local community, as well as the children of institution employees. Such
proposals are mechanisms of social responsability for the formation of real and potential
readers, aiming to acknowledge aspects concerning reading in the cognitive construction of a
"social individual" from early age. The implications and/or results of this librarian
intervention have been observed throughtout some time, taking in consideration the sinuous
and peculiar feature in the formation of young readers.

Keywords: Librarian; Reading; Reading Mediation; Reader Formation; Storytelling.

2326

�1 INTRODUÇÃO
A leitura sempre foi objeto de discussões. E não é de agora o surgimento das múltiplas
reflexões acerca das fragilidades que caracterizam este ato. Ler, na perspectiva atual, é
reconhecer suas atribuições de formar e informar ao cidadão. Neste sentido, o reconhecimento
dos sujeitos, assim como do contexto que envolve este processo, pode contribuir de forma
significativa para a consolidação de ações socioeducativas de uma instituição de ensino.
Sob este viés, é que apresentamos, como objeto deste trabalho, a Casa da Leitura do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) - Campus Floriano, que
servirá de base para analisarmos os impactos da leitura no contexto socioeducativo de uma
instituição de ensino, cuja estrutura hierarquizada contempla, desde o ensino médio, passando
pelo técnico, até o superior.
A Casa da Leitura é uma extensão da Biblioteca do IFPI, e única entre todos os
Institutos Federais do Brasil. Foi projetada a partir de ações voluntárias, e idealizada para
representar um espaço adequado à leitura, de forma a afastar o estereótipo “engessado” da
biblioteca formal, percebida como espaço único para estudos, pesquisa e silêncio.
Com ambientação lúdica; acervo formado a partir das expectativas dos usuários e
vínculo de proximidade com a comunidade local, a Casa da Leitura instiga um olhar
científico, voltado para analisar os impactos das políticas educativas de leitura dentro e fora
do Instituto, assim como os impactos sociais.
Por este panorama que vislumbra a leitura, a interdisciplinaridade, as ações educativas
e as projeções sociais, é que surge a iniciativa de se investigar um espaço biblioteconômico,
que possibilite estudo aprofundado sobre as influências das ações que possibilitem a
espontaneidade ao ato da leitura e suas múltiplas facetas, assim como a atuação do
profissional bibliotecário no empreendedorismo destas ações.
Assim sendo, a questão que norteará esta proposta será: Quais as mudanças
socioeducativas compreendidas a partir do incentivo à leitura e a atuação bibliotecária,
identificadas com a implementação de contação de histórias na Casa da Leitura do IFPI Campus Floriano, e seus impactos no desenvolvimento cognitivo das crianças participantes?
Assim, os objetivos que regem a referida proposta são:
Objetivo Geral:
•

Refletir sobre os impactos da leitura no contexto do IFPI - Campus Floriano, tendo
como espaço a Casa da Leitura e as ações do Bibliotecário como agente de
intervenção socioeducativa sob o viés da contação de histórias;

2327

�Por este objetivo geral, podemos inferir os objetivos específicos:
Discutir o papel do Bibliotecário como agente mediador da leitura;
•

Estabelecer um paralelo entre formação de leitores e contação de histórias;

•

Investigar as relações entre cognição e acesso à leitura;

•

Analisar a leitura sob a perspectiva socioeducativa.

Os objetivos, elencados aqui, corroboram também para a ratificação do fazer bibliotecário
sob a perspectiva da mediação interventiva da informação, colaborando para a gestão da
qualidade dos serviços bibliotecários oferecidos, no que tange ao incentivo ao ato de ler.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O ato de ler vem sendo continuamente debatido por vários pesquisadores, cada um a
sua maneira, apresenta a evolução dos conceitos, assim como novas formas para a prática da
leitura.
A leitura, dentro dos parâmetros atuais, vai muito além da decodificação de signos
linguísticos. Ela seria “a ponte para o processo educacional eficiente, proporcionando a
formação integral do indivíduo” (MARTINS, 2008, p.25). Baseada nesta prerrogativa, o ato
de ler ajuda o indivíduo a atuar como agente transformador do meio em que vive.
Neste intento, o embasamento teórico desta pesquisa baseia-se na perspectiva de
leitura mencionada por Soares (1988, p. 18), onde o ato de ler ultrapassa a capacidade de
decodificação, proporcionando ao indivíduo uma interação entre: “seu universo, seu lugar na
estrutura social, suas relações com o mundo e com os outros” . Neste sentido percebe-se a
necessidade de uma postura bibliotecária mais construtivista frente aos desafios da leitura, de
maneira que esta atitude proporcione ações pautadas na formação crítica do leitor. Sobre isto,
Campello (2009) defende a noção de construtivismo presente no conceito de letramento
informacional, principalmente quando o foco é a aprendizagem de habilidades durante o
período de escolarização. Neste sentido letramento informacional, seria, na visão da autora
acima citada, a capacidade de entender suas necessidades de informação e de localizar,
selecionar e interpretar informações, utilizando-a de forma crítica e responsável. É óbvio, que
este letramento só será incorporado ao indivíduo, à medida que ele adquirir certa maturação
no ato de ler.
Sobre o ato de ler Paulo Freire (2001, p. 261) menciona que:

2328

�Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém
lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da
curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade,
sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha. Ler é
procurar buscar criar a compreensão do lido; daí, entre outros pontos
fundamentais, a importância do ensino correto da leitura e da escrita. É que
ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da
compreensão. Da compreensão e da comunicação.
Ler, neste sentido, sugere ações que incentivem a curiosidade. Todo indivíduo cria em
si expectativas de mundo, que o induzem a reflexões e perguntas. Estas perguntas devem ser
respondidas baseadas em um comportamento que facilite a comunicação. Assim sendo, as
propostas para instigar o indivíduo à leitura, devem está baseadas não na mecanicidade, mas
na possibilidade de aproximar o indivíduo de sua própria realidade. Estimulando-o a ser
sujeito ativo de seu contexto.
Com esta visão, podemos compreender a relevância de um estudo que possa
transformar as concepções e os comportamentos frente ao ato de ler. Transformar neste
sentido significa, não apenas interferir nos aspectos cognitivos de quem ler, mas instigar o
indivíduo a ler o mundo em seus vários aspectos. Sobre a leitura, Cagneti e Zotz (1986)
sugere que o ato de ler desenvolve a reflexão e o espírito crítico, é fonte inesgotável de
assuntos para melhor compreender a si e ao mundo, propicia o crescimento interior, leva-nos
a viver as mais diferentes emoções, possibilitando a formação de parâmetros individuais para
medir e codificar nossos próprios sentimentos.
Com este panorama podemos entender que as ações pautadas para melhorar e
incentivar o hábito de ler, especificamente no IFPI, por intermédio da Casa da Leitura, devem
ser articuladas de diferentes formas, e para isso Silva (1995), defende uma dinamização da
leitura, através das seguintes diretrizes: combate a leitura mecânica; embasamento
metodológico para incentivo a leitura; condições para a promoção da leitura; estudo e
pesquisa na biblioteca e superação de dificuldades pessoais para ler. Estas ações podem
interferir positivamente para que leitores em potencial possam desenvolver suas habilidades
socioeducativas frente à leitura.
Neste cenário de intervenção para implementar e/ou aprimorar o hábito da leitura, o
profissional bibliotecário surge como um dos responsáveis pelo processo de formação do
leitor, assim como agente de transformação social que possibilita o intercâmbio entre a
criança e o livro. Viabilizando com isso, a competência informacional junto aos usuários de
bibliotecas. A este respeito Dudziak (2007, p. 95) menciona que:

2329

�a competência informacional surge como elemento chave ao
desenvolvimento sustentável e, mais especificamente, à sustentabilidade
social. O lócus das atividades de information literacy tende a se alterar do
foco tecnológico funcionalista para o reconhecimento de uma preocupação
que engloba o indivíduo como um todo (abordagem holística), incluindo os
aspectos políticos, sociais e ambientais.
A atuação do Bibliotecário como agente pedagógico também é defendida pela autora
supracitada ao declarar que “o bibliotecário pode atuar tanto como mediador pedagógico
como agente educacional de transformação no âmbito da biblioteca, das instituições
educacionais ou quaisquer espaços de informação e aprendizado” (DUDZIAK, 2007, p. 95).
Pensar na leitura sob o viés pedagógico possibilita enriquecer o “fazer bibliotecário” a
partir de uma visão interdisciplinar da sua atuação. Contar histórias, neste contexto imerso nas
tecnologias, implica uma postura de quase que inversa ao curso, tido como normal, da
sociedade, onde as ferramentas multimídias são os principais e mais “inovadores” recursos
para dispor da informação. No entanto o deleite de contar e ouvir histórias perpassa a
singeleza da oralidade, chegando a provocar o estímulo à imaginação, o acesso às diferentes
culturas e o convívio com o outro. O que dar ao profissional bibliotecário outra forma de
desenvolver sua profissão, dispondo sempre do insumo mais significativo em nossos dias - a
informação, mas sob uma perspectiva cheia de significados para o mundo infantil.
David Ausubel, que foi um importante especialista em Psicologia Educacional,
defendia que o conhecimento prévio do indivíduo seria a chave para a aprendizagem
significativa. Pensando assim, podemos inferir que o processo de mediação informativa, tão
defendida pelos estudiosos da Ciência da Informação, é muito mais complexa do que se
imagina, pois mediar querer refletir sobre todo o contexto a qual os sujeitos estão envolvidos.
E em se tratando do universo infantil, esta mediação deve está totalmente munida de
significados, haja vista que, dispor informações pressupõe-se em intencionalidade de
aprendizado, e esta é outra vertente do “fazer bibliotecário” que permeia ações pedagógicas
junto à medição informativa.

3 ABORDAGEM METODOLÓGICA
Projetos de intervenção para implementar o hábito de ler, já ocorrem na Casa da
Leitura do IFPI - Campus Floriano por meio de duas vertentes:
•

A primeira vertente contempla as crianças de escolas públicas da cidade: neste caso, a
escola agenda horário mencionando o objetivo da visita, em contrapartida a
Bibliotecária sugere a programação a ser realizada;

2330

�•

A segunda vertente contempla projetos específicos, e de caráter contínuo: neste caso a
Casa da Leitura oferece dois projetos: Família e Leitura (voltado aos filhos dos
servidores do campus com idade entre quatro (04) e 10 (dez) anos) e Projeto da
Semana Nacional do Livro e da Biblioteca (no mês de outubro).

A metodologia que permeia estes projetos é feita a partir dos parâmetros da PesquisaAção, que segundo Moreira e Caleffe (2006), é uma intervenção em pequena escala, onde a
avaliação dos efeitos interventivos é feita de muito perto. Os autores também mencionam
algumas características próprias da pesquisa-ação:
•

Situacional: diagnóstico do problema em um contexto específico para tentar resolvêlo;

•

Colaborativa: os pesquisadores trabalham em equipe;

•

Participativa: os participantes tomam

parte diretamente ou indiretamente na

implementação da pesquisa;
•

Auto avaliativa: modificação serão continuamente avaliadas, pois o principal objetivo
é melhorar a prática.
As ações desenvolvidas nos projetos contemplam atividades como:

•

Contação de histórias: cada história contada baseia-se em um livro contido no acervo.
De acordo com o público a história pode ser adaptada ao programa escolhido. Estes
programas contemplam temas pré-estabelecidos em checklist. Eles são: “A biblioteca
e

eu”

(Bibliotecária);

“Relacionamento

e

Comportamento”

(Bibliotecária

e

Pedagogos); “Piquenique Literário” (Bibliotecária, Médica e Nutricionista); “Vou à
dentista e não tenho medo” (Bibliotecária e Dentista) e “A História dos Sentimentos”
(Bibliotecária e Psicóloga).
•

M úsica: utilizada como parâmetro completar junto às histórias. É disponibilizada sob a
parceria entre a Casa da Leitura, professores de música do campus e alunos.

•

Fantoches: são instrumentos interativos, que dão vida às histórias contadas;

•

Jogos e brinquedos: são utilizados como mecanismos de quebra-gelo e/ou feedback
entre o contador de histórias e as crianças.
Os projetos são reavaliados a cada execução, seguindo pressuposto estabelecido por

Severino (2007), quando esclarece que a constatação de regularidades em vários casos

2331

�particulares, assim como a observação de reiteradas incidências e sua regularidade, são
extremamente importantes para refletir sobre as ações implementadas em cada projeto.

4 RESULTADOS PARCIAIS
A leitura, compreendida como prática social, é uma atividade que pode ser executada
em vários espaços e sob várias perspectivas. Os projetos executados no espaço da Casa da
Leitura têm gerados resultados previstos e até resultados que não se previam. Muitos estão
delineados no quadro abaixo.

Quadro 1 - Resultados parciais dos projetos da Casa da Leitura (IFPI - Campus
Floriano)
PROJETOS
“A biblioteca e eu”

“Família e Leitura”

CARACTERIZAÇÃO E AÇÃO
Projeto
desenvolvido
continuamente a partir do agendo
prévio das escolas. As ações são:
• Contação: “História do Livro e
da Biblioteca”
• Visita à biblioteca e a Casa da
Leitura;
• Ludicidade envolvendo atos
prejudiciais
dentro
da
biblioteca - “Os vírus que
atacam
os
usuários
de
biblioteca”;
• Contação de histórias diversas.

RESULTADOS PARCIAIS
As crianças começam a compreender
o real sentido e função de uma
biblioteca, assim como portar-se
dentro dela, respeitando assim o outro.
Elas também vislumbram a gênese da
Biblioteca, e a trajetória história dos
suportes informacionais.

Projeto desenvolvido mensalmente
com filhos dos servidores do IFPI Campus Floriano. Cada encontro
aborda tema específico ao universo
infantil. Este projeto conta com a
colaboração
da
Psicóloga,
Nutricionista, Médica, Pedagogos e
Assistente Social e professores de
música do Campus, além de alunos
voluntários. As ações são:
• Contação
de
histórias
envolvendo
os
seguintes
temas: “Relacionamento e
Comportamento”;
“Piquenique Literário”; “Vou
à dentista e não tenho medo” e
a
“A
História
dos
Sentimentos”

Durante este projeto as crianças são
desafiadas a frequentarem a Casa da
Leitura, e lerem em casa, junto com os
pais, os livros que inspiraram cada
encontro. Com isso elas adquirem o
hábito
da
leitura
com
acompanhamento dos pais, além de
entrarem em contato direto com as
histórias que habitam o imaginário de
cada uma. Estas histórias envolvem
temáticas
que
vão
desde
relacionamento com os pais e
familiares; educação alimentar e
bucal, além de temas que envolvem
aspectos psicológicos. As crianças
visitam a Casa da Leitura e são
recebidas pela Bibliotecária que, de
pronto, sugere os livros referentes às
temáticas propostas, à faixa etária da
criança, assim como temas diversos.

2332

�Este projeto é anual. E ocorre no
mês de outubro. Envolve crianças
de escolas públicas de Floriano.
Conta com a colaboração da
Psicóloga, Nutricionista, Médica,
“Semana
Nacional Pedagogos e Assistente Social e
do
Livro
e
da professores de música do Campus,
além de alunos voluntários. As
Biblioteca”
ações são:
• Contação
de
histórias
envolvendo
temáticas
da
literatura infantil;
• Músicas;
• Vídeos alusivos à leitura;
• Teatro;
• Jogos e brincadeiras com
temas envolvendo a literatura
infantil.

Durante a implementação deste
projeto algumas crianças têm seu
primeiro contato com uma biblioteca.
Muitas nunca haviam estado em um
ambiente bibliotecário antes. Elas
aprendem o valor do livro, e junto a
isso algumas histórias são contadas
enfatizando valores pessoais e
coletivos. Algumas crianças não
sabem ler, por isso algumas histórias
são contados com livros sem palavras
para que elas mesmas possam contar a
história baseada naquilo que elas
conseguem apreender das figuras.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Lidar com as prerrogativas de incentivo à leitura, nos dias atuais, implica numa
postura cada vez mais próxima da realidade social. Quando o foco trata-se do público infantil,
o bibliotecário evidencia-se como articulador pedagógico que media o processo de aquisição
de conhecimento sob um viés lúdico, que por si só, favorece o estímulo à imaginação,
desenvolve as potencialidades cognitivas, e o mais significativo, a criança inicia seu processo
de conhecimento de mundo. Olhando assim, podemos perceber a relevância da contação de
história para o incentivo ao ato de ler. E quando isto é percebido conferimos ao profissional
bibliotecário a postura que dar a ele o que temos chamado ao longo deste trabalho de “atuação
pedagógica e social” . Isto significa que quando o bibliotecário percorre o caminho mais
longo, de oferecer informação e ao mesmo tempo, participar efetivamente do processo de
aquisição de conhecimento, este fato dar ao profissional uma percepção mais exata de sua
responsabilidade social frente a realidade que o circunda.
A contação de histórias é uma ferramenta bastante antiga para o repasse de
informações e conhecimento, e que se

bem realizada, pode tornar-se

mediadora e

catalisadora para formação de leitores. A este respeito Ramos (2011, p. 23) considera que
formar leitores caracteriza-se como processo de

conduzir as pessoas, arranjando e organizando situações para que sejam
capazes de ver, conhecer, compreender, aprender o que foi articulado por
outrem, por vezes pelo leitor em situações anteriores. Esses comportamentos
incluem a participação de diferentes dados sensoriais (visão, tato audição,
etc.)

2333

�Partindo deste pressuposto podemos compreender a realidade da natureza humana
instituída à leitura, quando nos conscientizamos que o ser humano faz suas leituras a todo
tempo, e estas leituras são feitas na mesma perspectiva de suas vivências, assim como da
forma com a qual enxergam o mundo. Neste sentido, quando as crianças são inseridas no
universo da leitura por meio da contação de histórias, especificamente nos projetos da Casa da
Leitura, elas começam a se enxergar como sujeitos de suas histórias quando iniciam o
processo de interferência na história contada a partir de seus próprios contextos. E neste
momento que o “contador de histórias” vê que aquela criança começou seu processo de
formação como leitora.
Outro aspecto importante, percebido no desenrolar de cada projeto e de cada tema
abordado, é a construção da afetividade entre todos os sujeitos envolvidos. Isto implica
entender que as crianças aproximam-se uma das outras, assim como constroem laços ainda
mais significativos com seus pais, que constituem-se sujeitos ativos no processo de formação
de leitor junto aos seus filhos.
Este mesclar de projetos produzem uma miscelânea de resultados ricos quando os
percebemos em sua totalidade, qual seja: formar pequeninos e futuros leitores, que desde a
mais tenra infância veem nos livros ferramentas que aguçam seus imaginários.
A Casa da Leitura tem sido um laboratório de grande importância junto às
bibliotecárias ali inseridas. Pois viabiliza experiências mais profundas para suas atuações
formais, ou seja, àquelas adquiridas na academia. Isto significa dizer que, ao profissional
bibliotecário, são atribuídos tantos desafios, quanto este for capaz e sensível de enxergar ao
longo de sua trajetória profissional. Contar histórias neste sentido, ultrapassa a linha simples
de relatar um fato, mas permeia as múltiplas possibilidades de informar e habilitar o indivíduo
a contar e recontar todas aquelas histórias a partir de suas próprias visões de mundo, de
vivências e de experiências. E isto é indiscutivelmente um desafio para os profissionais da
informação, em especial aos bibliotecários.

REFERÊNCIAS
CAGNETI, Sueli de Souza; ZOTZ, Werner. Livro que te quero livre . Rio de Janeiro:
Editorial Nórdica, 1986.
CAMPELLO,

Bernadete

Santos.

Letramento informacional:

função

educativa

do

bibliotecário na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

2334

�DUDZIAK, Elizabeth Adriana. O bibliotecário como agente de transformação em uma
sociedade complexa: integração entre ciência, tecnologia, desenvolvimento e inclusão social.

Ponto de Acesso, Salvador, v. 1, n. 1, p. 88-98, jun. 2007.
FREIRE, Paulo. Carta de Paulo Freire aos professores. Estudos Avançados [online]. 2001,
v.15, n.42, p. 259-268. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n42/v15n42a13.pdf&gt;.
Acesso em: 26 mar 2014.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 2008.
MOREIRA, Herivelto; CALEFFE, Luiz Gonzaga. Metodologia da pesquisa para o

professor pesquisador. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2006.
RAMOS, Ana Cláudia. Contação de histórias: um caminho para formação de leitores. 2011.
131f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Estadual de Londrina, Londrina
(PR),

2011.

Disponível

em:&lt;

http://www.uel.br/pos/mestredu/images/stories/downloads/dissertacoes/2011/2011__RAMOS_Ana_Claudia.pdf&gt;. Acesso em: 26 mar 2014.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo:
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SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura na escola e na biblioteca. 5. ed. Campinas (SP):
Papirus, 1995.
SOARES, Magda Becker. As condições sociais da leitura: uma reflexão em contraponto. In.
ZILBERMAN,

Regina;

SILVA,

Ezequiel

Theodoro

da.

Leitura :

perspectivas

interdisciplinares. São Paulo: Ática, 1988.

2335

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Casa da Leitura e Contação de Histórias: incentivo ao ato de ler na atuação bibliotecária pedagógica e social, o caso do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI)- Campus Floriano</text>
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                <text>Tendo em vista a amplitude da atuação bibliotecária, o trabalho em questão tem como objetivo abordar o fazer do profissional bibliotecário numa perspectiva socioeducativa junto ao incentivo à leitura. A Casa da Leitura, biblioteca situada no Campus do IFPI – Floriano tem empreendido propostas que viabilizam o acesso ao ato de ler, por meio de contação de histórias com vias temáticas, junto a crianças da comunidade local, assim como para filhos dos servidores da instituição. Tais propostas caracterizam-se como mecanismos de responsabilidade social para formação de leitores reais e potenciais, objetivando compreender os aspectos referentes à leitura na construção cognitiva de um ―indivíduo social‖ desde a mais tenra idade. As implicações e/ou resultados desta atuação bibliotecária tem sido observados ao longo do tempo, haja vista o caráter sinuoso e peculiar na formação de pequenos leitores.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O UNIVERSO DA LEITURA E DO LEITOR E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO
DO INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - IFRJ - CAMPUS NILÓPOLIS
Cintia Luciano de Paiva
Cássia Rosania Nogueira dos Santos
Josiane Borges Pacheco

RESUMO
Analisa a leitura e o leitor como objetos de estudo da teoria da leitura. Interpreta e tabula os
dados coletados por questionário acerca do usuário em questão. Aborda a importância da
atuação do profissional bibliotecário do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ - Campus
Nilópolis como agente de formação do leitor.
Palavras- Chave: Leitura; Leitor; Bibliotecário; Biblioteca - IFRJ - Campus Nilópolis.

ABSTRACT
Analyzes the reading and the reader as objects of study of the reading theory. Interprets and
tabulates the data collected by questionnaire about the user in question. Discusses the
importance of the role of the librarian professional of IFRJ - Campus Nilópolis like reader
formation agent.
Keywords: Reading; Reader; Librarian; IFRJ - Campus Nilópolis Library.

1

INTRODUÇÃO
O presente trabalho faz uma abordagem sobre a leitura e o leitor como objeto principal

de estudo dos leitores da biblioteca do IFRJ - Campus Nilópolis e atuação dos seus
profissionais, além de explicar os perfis de leitores. Para dar conta deste estudo foi necessário
fazer um levantamento bibliográfico a respeito do tema principal “o universo da leitura e do
leitor e a atuação do profissional bibliotecário do IFRJ - Campus Nilópolis”. Foi adotada a
metodologia de pesquisa documental através de fontes primárias e secundárias. Com a
aplicação deste instrumento de coleta de dados e um questionário foram demonstrados a
necessidade da contribuição do bibliotecário para o universo da leitura e de seu leitor.

3360

�2

REVISÃO DE LITERATURA
Definir leitura é uma tarefa um tanto quanto exaustiva e ao mesmo tempo prazerosa.

Como leitura é um termo amplo, pode ter diversos significados. Define-se leitura como ato,
arte ou hábito de ler; aquilo que se lê; operação de percorrer, em um meio físico, sequências
de marcas codificadas que representam informações registradas, e reconvertê-las à forma
anterior (como imagens, sons, dados para processamento) (FERREIRA, 2008, p. 312).
Segundo Bamberger (1988), a leitura compreende várias fases de desenvolvimento e
acima de tudo, é um processo perceptivo de reconhecimento de símbolos, seguido de
transferência para conceitos intelectuais. “Essa tarefa mental se amplia num processo
reflexivo à proporção que as ideias se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores. O
processo mental, no entanto, não consiste apenas nas ideias percebidas, mas também na sua
interpretação e avaliação. Para todas as finalidades práticas, tais processos não podem
separar-se um do outro; fundem-se no ato da leitura” (BAMBERGER, 1988, p. 23).

3

MATERIAIS E MÉTODOS
Foram distribuídos para 100 usuários, um questionário composto por 9 (nove)

questões acerca da escolaridade, frequência em leitura sobre os seus suportes de informação,
tempo de leitura, gosto pela leitura, a biblioteca como ambiente ideal para leitura e também a
satisfação das necessidades informacionais do usuário, reforçando assim, a biblioteca como
conhecedora de seu usuário para entender e suprir as suas demandas.
Os resultados da pesquisa são apresentados nas tabelas 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9
descritas a seguir.

Tabela 1 - Frequência na leitura
Artigos Científicos
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores
Revistas
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores
Jornais

Todos os dias
23%
18%
50%
50%
Todos os dias
15%
24%
44%
18%

U m a vez
sem ana
26%
25%
20%
23%

por

U m a vez
sem ana
47%
28%
44%
30%

por

Uma
mês
23%
27%
20%
24%

vez

Uma
mês
26%
26%
6%
2%

vez

por

N unca
28%
30%
10%
3%

por

N unca
12%
22%
6%
50%

3361

�Perfil dos Participantes

Todos os dias

Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

49%
25%
50%
60%

Livros técnicos
Perfil dos Participantes

Todos os dias

Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores
Livros em geral
Perfil dos Participantes

13%
10%
10%
23%
Todos os dias

Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

40%
50%
60%
17%

U m a vez
sem ana
25%
29%
23%
25%

por

U m a vez
sem ana
50%
30%
50%
21%

por

U m a vez
sem ana
25%
26%
8%
30%

por

Uma
mês
26%
10%
5%

vez

Uma
mês
27%
35%
25%
5%

vez

Uma
mês
35%
14%
25%
26%

vez

por

N unca
26%
20%
17%
10%

por

N unca
10%
25%
15%
51%

por

N unca
10%
7%
27%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 2 - Tipo de suporte em relação à preferência de leitura
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Im presso
90%
75%
77%
58%

D igital
10%
25%
23%
42%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 3 - Tempo reservado para leitura
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Suficiente
50%
40%
30%
55%

Insuficiente
50%
60%
70%
45%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 4 - Principais barreiras para a frequência na leitura
Perfil dos Participantes

Tem po

Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

68%
80%
70%
95%

C ondições
financeiras
14%
5%
10%
-

D ificuldades
no
uso da biblioteca
18%
15%
5%
5%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

3362

�Tabela 5 - Gosto pela leitura
Sim
75%
90%
100%
75%

Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

N ão
25%
10%
25%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 6 - Empréstimo de livro apenas por lazer
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Sim
45%
50%
55%
35%

N ão
45%
40%
30%
45%

N ão se recorda
10%
10%
5%
20%

N ão respondeu
10%
-

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 7 - A biblioteca do IFRJ - Campus Nilópolis é ideal para leitura?
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Sim
60%
40%
75%
90%

N ão
40%
60%
15%
10%

N ão respondeu
10%
-

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 8 - É possível encontrar a informação que deseja na biblioteca do campus?
Perfil dos Participantes

Sim

Não

Às vezes

Não respondeu

Ensino médio

25%

5%

70%

-

Graduação

30%

15%

55%

-

Pós-graduação

10%

-

55%

35%

Servidores

40%

5%

40%

15%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 9 - Satisfação das necessidades informacionais em relação ao acervo
Perfil
dos
Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Ótim o

Bom

R egular

Ruim

D esconheço

N ão respondeu

5%
45%
20%

63%
30%
35%

27%
55%
20%
20%

5%
10%
5%

5%
20%

35%
-

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

3363

�Gráfico 1 - A biblioteca do IFRJ - Campus Nilópolis é ideal para leitura?

0,9
0,8
0,7
0,6

□ Sim

0,5

□ Não

0,4

□ Não respondeu

0,3
0,2
0,1
0

Ensino Médio

Graduação

Pós-graduação

Servidores

Fonte: Paiva (2014)

Gráfico 2 - Satisfação das necessidades informacionais em relação ao acervo

0,7
0,6
0,5

□ Ótimo
□ Bom

0,4

□ Regular

0,3

□ Ruim

0,2

□ Desconheço
□ Não respondeu

0,1
0

Ensino médio

Graduação

Pós-graduação

Servidores

Fonte: Paiva (2014)

4

RESULTADOS PARCIAIS/ INAIS
Para incentivar o uso da biblioteca para os alunos da graduação e da pós-graduação e

consequentemente aumentar o hábito da leitura, a biblioteca deve inovar na forma de oferecer

3364

�os seus produtos, pois muitos alunos não tomam conhecimento dos documentos que são
publicados dentro da sua área.
Face aos resultados obtidos pode-se perceber que ao se considerar a biblioteca como
local ideal para leitura (Gráfico 1), boa parte dos leitores a consideram e ainda se mostram
satisfeitos. Além disso, para os usuários (médio/técnico, graduação e pós-graduação) o acervo
que a biblioteca atualmente oferece pode ser considerado satisfatório. (Gráfico 2).

5

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A importância da leitura e de seu leitor para Biblioteca do Campus Nilópolis não se

limita apenas em um ato de diversão, ou seja, o seu sentido é amplo, a formação de cidadãos
críticos, sendo indispensável para o exercício da cidadania, na medida em que faz com que o
indivíduo seja capaz de compreender o significado das coisas.
Enfim, os resultados mostraram que todos procuram a biblioteca para uma leitura com
fins específicos. Sendo assim, a mesma deverá apresentar atividades para cada público,
especificando as suas características e o interesse do mesmo, através de um estudo de usuário.
Neste estudo será possível conhecer suas verdadeiras necessidades. Desta forma, a biblioteca
do campus criará políticas de incentivo à leitura, como por exemplo, feira anual do livro,
premiações para textos criados pelos alunos, sejam eles textos poéticos, crônicas, romances
ou contos, além de palestras com autores e editores de obras, e de revistas científicas.

6

REFERÊNCIAS

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 4. ed. São Paulo: Ática,
1988. 109 p.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Aurélio: o dicionário da língua portuguesa. 2. ed.
Curitiba: Ed. Positivo, 2008. 544 p.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, 2004. 93 p.

3365

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Analisa a leitura e o leitor como objetos de estudo da teoria da leitura. Interpreta e tabula os dados coletados por questionário acerca do usuário em questão. Aborda a importância da atuação do profissional bibliotecário do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ – Campus Nilópolis como agente de formação do leitor.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INFORMAÇÃO E A BIBLIOTECONOMIA: O PERFIL PROFISSIONAL
NA ERA DA WEB

Francisco Carlos Paletta

RESUMO
Os recentes desenvolvimentos dos chamados países emergentes têm sido muitas vezes
baseada em novos consensos, com valorização de acesso democrático de informações e
promovendo a inovação. Destaca-se a importância da educação como uma ferramenta
associada com a promoção do crescimento econômico, a geração de riqueza e distribuição de
renda. No contexto da Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e
áreas afins, revisões de projetos pedagógicos são impostas devido a novas demandas de
profissionais com habilidades multidisciplinares, compreensão e facilidade de lidar com
ferramentas de tecnologia, sem limitações geopolíticas, e com diversidade cultural. Os
egressos desses programas devem estar preparados para atuar em setores estratégicos da
sociedade moderna: produção, ensino e pesquisa.
Palavras-Chave: Biblioteconomia; Educação; Ciência da Informação, Inovação; Web 3.0
Tecnologia da Informação.
ABSTRACT
The recent developments of the so called emerging nations have been often grounded in new
consensuses, with valuation of democratic access of information and fostering innovation.
Stands out the importance of education as a tool associated with the promotion of economic
growth, wealth generation and income distribution. In the context of Information Science,
Library Science, Archival Science, Museology, and related areas, revisions of pedagogical
projects are imposed due to new demands for professionals with multidisciplinary skills,
understanding and ease to deal with technology tools, without geopolitical limitations, and
with cultural diversity. The egress of these programs must be prepared to act in strategic
sectors of modern society: production, education and research.
Keywords: Library Science; Education; Information Science; Innovation; Web 3.0;
Information Technology.

1948

�Introdução
O recente desenvolvimento social e tecnológico de nações e regiões tem sido
majoritariamente alicerçado em uma cultura de valorização da informação, da inovação e da
educação como elementos de promoção do crescimento econômico, geração de riqueza e
distribuição de renda.
Toda ciência é uma atividade social determinada por condições históricas e
socioeconômicas. Desta forma a sociedade da informação necessita de uma ciência que estude
as propriedades da informação e os processos de sua construção, comunicação e uso. Hoje, o
objeto da ciência da informação não é mais o mesmo da biblioteconomia e de suas veneráveis
disciplinas coirmãs. Não é mais a biblioteca e o livro, o centro de documentação e o
documento, o museu e o objeto, mas é a informação que apresenta foco (LE COADIC, 1996).
Na área da gestão da informação, a rápida obsolescência do conhecimento associa-se à
necessidade de um profissional com visão holística, habilidades gerenciais, metodológicas,
culturais e sistêmicas. A competitividade global impõe um novo perfil profissional, que tem
como desafio equilibrar as habilidades de uma sólida formação acadêmica, visão técnica
aplicada, com a capacidade de gestão dos processos produtivos com foco na competitividade
e atuação global dos profissionais e das organizações.

Educação e ciência da informação
Um dos principais desafios da educação na área da Ciência da Informação, é o
desenvolvimento de currículos que proporcionem uma formação alinhada com os desafios do
mercado global, sem deixar de se preocupar com a formação cultural e humanística dos
profissionais que atuam na área, em um contexto onde a tecnologia desempenha papel
fundamental na gestão da informação e produção de conhecimento. Fator relevante neste
processo de formação de profissionais que atuam na área da organização da informação, está
na estruturação de uma organização de ensino que contemple um corpo docente que reúna
mestres e doutores bem com profissionais que ocupem posições ativas e estratégicas no
mercado de trabalho, o que permite enriquecer o ambiente acadêmico com novas visões e
tendências. Aulas tanto teóricas quanto práticas devem fazer uso de modernos recursos
computacionais que permitam a reprodução de ambiente de pesquisa, desenvolvimento e
produção levando o aluno e o professor a vivenciar a realidade competitiva em que as
organizações estão inseridas.
No contexto da Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e
áreas afins, há forte demanda por profissionais com competências e habilidades

1949

�multidisciplinares, sem fronteiras geopolíticas, com diversidade cultural, com forte
dependência por inovação e uso das tecnologias. Assim, torna-se fundamental estudar e
compreender o projeto político pedagógico praticado pelas universidades nesta área do
conhecimento, sua necessidade de atualização com foco no perfil do egresso que esteja
preparado para atuar nos setores estratégicos e indutores de desenvolvimento sustentável da
sociedade moderna: produtivo, educação e pesquisa.
Para os desafios da competitividade internacional, impõe-se o valor estratégico da
ciência e do conhecimento. Dentre as questões macroconjunturais apresentadas para o Brasil,
uma que interessa sobremaneira trata da modernização e internacionalização do nosso modelo
acadêmico. Não basta mais garantir a boa formação aos estudantes, é preciso desenvolver as
novas habilidades exigidas pelos mais diversos campos de trabalho global.
Nesse contexto de mudanças cada vez mais dinâmicas, o conhecimento torna-se
obsoleto rapidamente. No caso da ciência da informação, vanguarda em relação a muitos
campos do saber científico-tecnológico, pode-se inferir que metade do aprendizado adquirido
em tecnologia na universidade estará superado após cinco anos. É preciso, então, pensar em
uma qualificação holística, valorizando habilidades de gestão, comunicação, liderança,
metodológicas, culturais, multidisciplinares e sistêmicas — todas destacadas na economia do
conhecimento.
Para bem pensar hoje o ofício da educação, é preciso compreender e valorizar a
complexidade do mundo contemporâneo. Além de uma competência técnica específica, no
caso da ciência da informação absolutamente indispensável, a maioria das novas ou renovadas
profissões exigirá a prática de inúmeras capacidades culturais. Educar o profissional da
informação para o século XXI é equilibrar o binômio especialista, em sua dimensão técnica,
versus generalista, de caráter multidisciplinar.

Inovação e Conhecimento
Na história da industrialização, é partindo do âmbito das ideias e observações que se
passa à experimentação, depois ao desenvolvimento tecnológico para alcançar o mercado via
modelo de negócios. Gestão da inovação é a gestão da cadeia de valores que envolvem ideias,
modelos de negócio e mercado. Com base nas definições da OCDE, inovações do tipo
organizacionais podem envolver a implementação de mudanças significativas nas práticas de
gestão do conhecimento, e algumas informações sobre a gestão do conhecimento podem ser
obtidas a partir das questões sobre a inovação organizacional.

1950

�De acordo com o Manual de Oslo, gestão do conhecimento envolve aquisição,
utilização e compartilhamento de conhecimentos. Trata-se de administrar interações externas
e fluxos de conhecimento, incluindo métodos e procedimentos de busca de conhecimento
externo e estabelecimento de relacionamentos mais estreitos com empresas, consumidores ou
instituições de pesquisa (OECD, 2005). São práticas de gestão do conhecimento, políticas e
estratégias, liderança, captura de conhecimento, treinamentos e comunicações. A gestão do
conhecimento envolve práticas de aquisição de conhecimentos externos e interação com
outras empresas e de compartilhamento e utilização do conhecimento no interior da
organização. Para o manual, as práticas de gestão do conhecimento voltadas para a melhoria
do fluxo interno e do uso da informação incluem:
S Bases de dados sobre as “melhores práticas”;
S Educação regular ou programas de capacitação;
S Grupos de trabalho formais e informais para promover a comunicação entre os
colaboradores e sua interação;
S Atividades de integração entre setores de diferentes áreas.
O processo de inovação não pode ser representado por uma sequencia linear de
eventos, a partir apenas de um único fator. Trata-se de um processo que ocorre de forma
interativa, que envolve múltiplas relações e aspectos, como domínio de conhecimento;
necessidades sociais; procura pelo mercado; apoio governamental; disponibilidade de capital;
serviços de apoio como marketing e design entre outros (REIS, 2004).
As decisões sobre como usar e trocar conhecimentos existentes e obter novos
conhecimentos é fundamental para a operação das organizações. Assim, os sistemas
adequados à gestão do conhecimento podem melhorar a competitividade e a capacidade
inovadora (OECD, 2008).
Nas últimas décadas a tecnologia tornou-se cada vez mais baseada na ciência - com a
escolha de problemas e a condução da pesquisa frequentemente inspiradas pelas necessidades
da sociedade - e em especial sobre a relação entre a busca de entendimento fundamental, de
um lado, e as considerações de uso do outro. É óbvio que a maioria dos segredos básicos da
natureza foram elucidados por homens movidos apenas pela curiosidade intelectual, que
desejavam descobrir novo conhecimento pelo conhecimento em si. A aplicação do
conhecimento vem normalmente mais tarde, frequentemente bem mais tarde; também é
realizada por outros homens, com dons e interesses diferentes (STOKES, 2005).
A pesquisa básica é precursora do progresso tecnológico à medida que se converte as
suas descobertas em inovações tecnológicas capazes de satisfazer toda a gama de necessidade

1951

�da sociedade: econômica e social. Aqueles que investem em ciência básica obterão seu
retorno em inovações tecnológicas pelos processos de transferência de tecnologia. Uma nação
que depende de outras para obter seu conhecimento científico básico novo será lenta em seu
progresso industrial e fraca em sua situação competitiva no comércio mundial (BUSH, 1945).

Informação 3.0
Num mundo sem barreiras à produção do conhecimento, mobilidade, e capacidade de
cooperação em rede, passaram a ser conceitos chaves para todos os profissionais que atuam
com a gestão da informação e para as organizações que competem num mercado cada vez
mais globalizado. Mobilidade deve ser entendida não apenas no seu aspecto físico - até
porque, num mundo integrado pela tecnologia da informação e da comunicação, a mobilidade
está se tornando cada vez mais virtual, principalmente no sentido de flexibilidade, de
adaptabilidade, e de interatividade.
A mobilidade é o conjunto de atributos que permite ao profissional, aproveitar novas
oportunidades em um cenário global. A mobilidade exige competências que vão além da
formação acadêmica tradicional, e a garantia oferecida por padrões internacionais de
certificação e validação dos diplomas de nível superior. Esta é uma tendência irreversível que
decorre de novas formas de organização da produção, de que são exemplos o outsourcing, ou
terceirização dentro das fronteiras nacionais, o offshoring, ou terceirização internacional, e a
formação de cadeias de suprimento, de informações e de conhecimento. A mobilidade impõese pela necessidade de garantir a competitividade dos blocos econômicos regionais, bem
como o desenvolvimento local, em resposta aos esforços da competitividade global. Para
alcançar esta mobilidade, o profissional da informação necessita aliar o conhecimento técnico
e científico tradicional - elementos básicos da ciência da informação - a habilidades de gestão
que o qualificam a assumir responsabilidades no novo ambiente organizacional.
Dado que os saberes científicos e as inovações tecnológicas estão desigualmente
repartidos entre países ricos e pobres, por níveis educacionais e faixas etárias, a problemática
da diversidade cultural e os estudos sobre ela devem fazer parte da consideração teórica, da
investigação empírica e do planejamento de políticas neste campo. Também é necessário
delimitar o alcance da posição oposta, que afirma, a partir da antropologia, que todas as
sociedades, em todas as épocas, foram sociedades do conhecimento, ou seja, que todo o grupo
humano dispôs de um conjunto de saberes apropriado ao seu contexto e aos seus desafios
históricos (CHOO, 2003).

1952

�A organização do conhecimento liga os três processos de uso estratégico da
informação - a criação de significado, a construção do conhecimento e a tomada de decisões
- num ciclo contínuo de aprendizagem e adaptação que podemos chamar de ciclo do
conhecimento. Entre os elementos mais importantes que influenciam o uso da informação
estão as atitudes do indivíduo em relação à informação e a sua busca, atitudes essas que são
fruto da educação, do treinamento, da experiência passada, das preferências pessoais. O risco
aqui é de uma supersimplificação, de ver o usuário da informação como alguém que quer
extrair informações específicas e definitivas no menor tempo possível, ou como alguém
disposto a investir esforço para buscar e explorar o conhecimento. A verdade é que as pessoas
oscilam continuamente entre extrair e explorar, e que o uso da informação é um processo
confuso, desordenado, sujeito aos caprichos da natureza humana, como qualquer outra
atividade (CANCLINI, 2009).
O desenvolvimento da tecnologia da informação seguiu o curso do processo de
industrialização. Inicialmente, a competência exigida era eminentemente técnica. Em um
segundo momento, à medida que a indústria se diversificava e sofisticava, passou a ser
requerida a qualificação científica. Já na terceira etapa, adicionam-se a necessidade das
competências gerenciais. A direção seguida no processo foi a da especialização crescente.
Avançou-se, então, para um quarto estágio, a que se chegou optando pela direção inversa indo-se da especialização para a formação holística, como uma exigência da mobilidade e
relacionada à flexibilidade mental e, portanto, à inovação. A relação entre conhecimento
holístico, mercados globalizados, economia do conhecimento e desenvolvimento sustentável é
intrínseca.
Para um profissional da informação, ter formação holística significa agregar às
competências técnicas básicas novas conhecimentos e habilidades. Esse profissional deverá
conviver em comunidades e culturas diversificadas, que interagem e resolvem questões e
problemas do cotidiano a partir de um olhar peculiar e característico. O profissional deve ter
capacidade de comunicação e saber trabalhar em equipes multidisciplinares. Ter consciência
das implicações sociais, ecológicas e éticas envolvidas na gestão, acesso e uso da informação.
Falar mais de um idioma e estar disposto a trabalhar em qualquer parte do mundo também são
características demandadas pelo mercado de trabalho que coloca a competitividade e
produtividade no centro da sua estratégia.
Uma compilação de estudos recentes resume o tipo de competências e habilidades
requeridas hoje de um profissional da informação:

1953

�S Aplicação dos conhecimentos de gestão, organização, acesso e uso da informação;
S Atuação em equipes multidisciplinares;
S Identificação, formulação e solução de problemas de gestão do conhecimento;
S Senso de responsabilidade ética e profissional;
S Reconhecimento da necessidade de treinamento continuado;
S Utilização de técnicas e ferramentas modernas das boas práticas de organização,
acesso, uso e gestão da informação;
S Projeto de sistemas, componentes e processos para atender a necessidades
específicas dos usuários;
S Responsabilidade sócio-ambiental;
S Compreensão do impacto das soluções de TICs em um contexto global e social.
A formação de tais habilidades exige que as disciplinas técnicas previstas nas
diretrizes curriculares sejam complementadas com conteúdo interdisciplinar, e que a teoria
esteja acoplada à solução de problemas. A cooperação entre a universidade e as organizações
nesse caso é fundamental. A compreensão do contexto em que se desenvolvem as atividades
de ciência da informação nos diversos países ajuda a quebrar as barreiras culturais. A
educação continuada ou a aprendizagem ao longo da vida é exigência de um mundo de
transformação acelerada e da tendência de envelhecimento da população, que leva a uma
extensão da vida útil da força de trabalho.

Formação de Usuários e Competência Informacional
A inovação tecnológica constitui uma ferramenta essencial para aumentar a
produtividade e a competitividade das organizações, assim como para impulsionar o
desenvolvimento econômico de regiões e países. O desenvolvimento não deriva de um mero
crescimento das atividades econômicas existentes, mas reside fundamentalmente em um
processo qualitativo de transformação da estrutura produtiva no sentido de incorporar novos
produtos e processos e agregar valor à produção por meio da intensificação do uso da
informação e do conhecimento.
No novo contexto mundial definido pela globalização e pela mudança tecnológica, o
conhecimento tornou-se principal riqueza das nações, das empresas e das pessoas, podendo
também vir a constituir o principal fator de desigualdade. A Sociedade da Informação é a
pedra angular das Sociedades do Conhecimento. O conceito de “sociedade da informação”
está relacionado à ideia da “inovação tecnológica”, enquanto o conceito de “sociedades do
conhecimento” inclui uma dimensão de transformação social, cultural, econômica, política e

1954

�institucional, assim como uma perspectiva mais pluralista e de desenvolvimento. O conceito
de “sociedades do conhecimento” expressa a complexidade e o dinamismo das mudanças que
estão ocorrendo. O conhecimento em questão não só é importante para o crescimento
econômico, mas também para fortalecer e desenvolver todos os setores da sociedade
(ESTRATÉGIA DE LISBOA, 2008).
A expressão Information Literacy tem suas origens no surgimento da sociedade da
informação, caracterizada pelo rápido crescimento da informação disponibilizada e as
mudanças ocasionadas pela tecnologia usada para gerar, organizar, disseminar, acessar e usar
a informação (MELO, 2007).
Competência Informacional ou Information Literacy esta ligada a necessidade de se
desenvolver nos indivíduos aptidões sobre habilidades e competências relacionadas ao acesso,
uso e disseminação da informação, objetivando fazer uso desta de forma ética e eficiente, para
que o ser humano através de seu intelecto e processo cognitivo possa produzir novo
conhecimento (CAMPELO, 2003).
A noção de fácil acesso à informação por meio da tecnologia a partir do
estabelecimento de redes, Internet e as telecomunicações, criou uma noção errônea do
imperativo tecnológico como resposta às deficiências comunicacionais e educacionais da
humanidade. O conhecimento e o uso deste ferramental tecnológico são essenciais nos dias de
hoje, porém é preciso considerar que por si só a tecnologia não leva à comunicação e à
educação. A competência informacional esta fortemente relacionada ao processo de
interiorização de conhecimentos, habilidades e valores ligados à informação e ao aprendizado
(DUZIACK, 2001). Em um contexto mais prático converge para um conjunto de habilidades
necessárias para localizar, interpretar, analisar, sintetizar, avaliar e comunicar a informação
em diferentes ferramentas e suportes (DUZIAK, 2003).
O ser humano cria sua própria realidade e tem seus próprios estoques internos de
informação, os quais são usados para compreender as informações externas e as diferentes
situações em que os indivíduos se encontram em dado momento. O comportamento de busca
e uso de informação são modelados pelo estilo cognitivo do indivíduo e por fatores que geram
o encontro do usuário com os sistemas de informação ou as consequências de tal confronto. É
preciso atentar para o fato de que não é possível mais se limitar à tarefa de localizar fontes de
informação, não levando em consideração as tarefas de interpretação, formulação e
aprendizagem envolvidas no processo de busca de informação. O aumento no acesso à vasta
quantidade de informação requer, entretanto, serviços que se centrem no significado da busca
mais do que meramente na localização da fonte.

Nessa perspectiva, os usuários da

1955

�informação não podem ser vistos apenas como um dos integrantes do sistema, mas como a
“razão de ser” do serviço. Sistemas de informação organizados nessa perspectiva tradicional
concentram-se prioritariamente na aquisição e administração de grandes coleções de
materiais. Assumiu-se, durante décadas, que as atividades técnicas dos sistemas eram o seu
ponto nevrálgico. Considerava-se que os usuários utilizavam o sistema exatamente da maneira
como estes tinham sido projetados. Não se imaginava indagar, aos sistemas, questões
imprescindíveis sobre a identidade e propósitos principais de seus usuários. Como a
informação era considerada como algo existente fora das pessoas e passível de ser transferida
de uma para outra, parecia ser possível que eficiência e sucesso das operações de um sistema
pudessem ser medidos em função do número de fontes de informações recuperadas pelo
sistema versus o que realmente foi de interesse do usuário. Isso, na realidade, coloca
novamente o usuário como um processador imperfeito da informação, pois já é sabido que
nem todas as pessoas se interessam pelas mesmas fontes indicadas. Resulta desse
procedimento que hoje em dia se conhece muita coisa sobre planejamento, aquisição,
organização, controle e desenvolvimento de coleções, mas muito pouco sobre como as
pessoas fazem uso dos sistemas ou para que fins e como a informação que é a matéria-prima
dos sistemas está sendo utilizada (FERREIRA, 1995).
Considerando as sete faces da Information Literacy : Tecnologia da Informação, Fontes
de Informação, Processo de Informação, Controle da Informação, Construção do
Conhecimento, Extensão do Conhecimento e Inteligência (BRUCE, 2013), podemos afirmar
que neste contexto, as bibliotecas são vistas como modelo de ambiente informacional e como
espaço de aprendizagem. Os bibliotecários são educadores, ativamente envolvidos com os
processos de ensino aprendizado. Sua crença se baseia no aprendizado independente, autoorientado e no aprendizado baseado em recursos informacionais (PASSARELLI, 2009).
Partindo da premissa de que o ser humano necessita constantemente renovar os seus
conceitos, está surgindo uma nova forma de interatividade entre usuário e a Internet. A Web
Semântica (ou Inteligente). A construção de uma internet mais Inteligente caminha devagar,
mas pode provocar uma mudança significativa nos modelos de acesso, apropriação e uso da
informação. Com o uso de novas tecnologias é possível tornar as coisas mais fáceis e agilizar
os processos de busca de informação e geração de novo conhecimento. A WEB Semântica é
nada mais nada menos, que uma web com toda sua informação organizada de forma que não
somente seres humanos possam entendê-la, mas principalmente máquinas. É neste ponto que
surge um novo usuário da informação com novas demandas por recursos computacionais e
novas capacidades em produzir novos conhecimentos. Conhecer este usuário e seus modelos

1956

�de busca demanda novos estudos e pesquisas que possam permitir redimensionar os serviços
de informação oferecidos pelas Bibliotecas e Centros de Informação.

A Informação , a WEB

e o Desenvolvimento

Tecnológico

O Brasil passa por um ciclo intenso e vigoroso de transformações e mudanças
estruturais e tecnológicas na produção e acesso a informação. Há, entretanto, necessidades de
aprofundamento das transformações, em especial nas áreas de educação e de tecnologia, a fim
de criar novos ciclos de desenvolvimento, permitindo assim ao país atingir níveis mais
elevados de qualidade de vida para sua sociedade.
Consideramos que a velocidade de consolidação do Brasil em um país desenvolvido
depende da qualidade da distribuição interna de renda, recursos e conhecimento, além de um
posicionamento agressivo no mercado global. Neste sentido, uma das principais ações que
devem receber destaque nos próximos anos é o empreendedorismo tecnológico, isto é, a
capacidade de oferecer ao mercado, novos produtos e serviços baseados em tecnologias
inovadoras. Este papel desafiador compete a todos os setores da sociedade e em particular aos
profissionais da ciência da informação, que devem ser capazes de produzir conhecimento,
utilizando-se de novas técnicas e criatividade.
As mudanças ocasionadas pela tecnologia em gerar, disseminar, acessar e usar a
informação demanda por novas habilidades e competências. É neste ponto que surge um novo
usuário da informação com novas demandas por recursos computacionais e novas
capacidades em produzir novos conhecimentos.
A Web 3.0 ou Web Semântica, é uma das grandes propostas para o futuro da Internet,
pois será ela que definitivamente organizará todas as informações que estejam na Internet.
Permitira que os aplicativos baseados na Web sejam Open-Source e viabilizara uma grande
interatividade em diversas áreas da Web. O uso do celular será um agente de inclusão digital e
consequentemente acesso a informação. Com o fenômeno do Big Data, a Web 3.0 terá como
objetivo organizar as informações para que os usuários tenham mais facilidade no acesso e
uso. A busca Semântica como é chamada os buscadores da Web 3.0, organizam informações
por assuntos determinados, algo bem mais complexo do que é usado atualmente pelo mundo
inteiro. A rede mundial de computadores ainda não consolidou a Web 2.0 e empresas já
começam a desenvolver a Web 3.0. Será um modo mais organizado de procurar informações
na Internet (PALETTA, e PUIG, 2014).
Evidencia-se a influência que a tecnologia da informação pode e deve exercer na
gestão e organização do conhecimento, permitindo a universalização do acesso à informação.

1957

�Cabe à academia, em sintonia perfeita e em cooperação tecnológica com o setor produtivo e
de serviços, contribuir para a formação adequada dos recursos humanos, oferecendo não só a
formação técnica, mas também humanística, de modo que os novos profissionais da ciência
da informação se tornem vetores de produção de riqueza, distribuição de renda, e
desenvolvimento econômico sustentável.

Acknowledgment
FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de
responsabilidade dos autores e não necessariamente refletem a visão da FAPESP.

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                <text>Os recentes desenvolvimentos dos chamados países emergentes têm sido muitas vezes baseada em novos consensos, com valorização de acesso democrático de informações e promovendo a inovação. Destaca-se a importância da educação como uma ferramenta associada com a promoção do crescimento econômico, a geração de riqueza e distribuição de renda. No contexto da Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e áreas afins, revisões de projetos pedagógicos são impostas devido a novas demandas de profissionais com habilidades multidisciplinares, compreensão e facilidade de lidar com ferramentas de tecnologia, sem limitações geopolíticas, e com diversidade cultural. Os egressos desses programas devem estar preparados para atuar em setores estratégicos da sociedade moderna: produção, ensino e pesquisa.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MODELOS DE COMPORTAMENTO DE BUSCA DA INFORMAÇÃO: SEU USO EM
PESQUISAS DE ESTUDOS DE USUÁRIOS
Francisco Carlos Paletta
Thalita Doreto Brito
Thiago Augusto Montanari
RESUMO
Este trabalho aborda os principais conceitos a respeito do comportamento informacional sob o
ponto de vista do usuário da informação. Descreve os diferentes modelos de comportamento
de busca de informação. Analisa sete trabalhos recentes realizados no Brasil que se utilizaram
desses modelos para fazer estudos de usuários. Discute os usos e estratégias utilizadas nessas
pesquisas.
Palavras-Chave: Recuperação da Informação; Comportamento de Busca da Informação pelo
Usuário; Estudo do Usuário da Informação.
ABSTRACT
This work discusses the main concepts about information behavior from the point of view of
the information user. Describes the different models of information seeking behavior.
Assesses seven recent studies done in Brazil who used these models to studies of users.
Discusses the uses and strategies used in these studies.
Keywords: Information Retrieval; Information Seeking Behavior; Information User Study.

1. INTRODUÇÃO
O tema modelos de comportamento de busca da informação é relativamente recente
nos estudos da Ciência da Informação. Seus resultados procuraram entender tanto os modos
de utilização de ferramentas para busca da informação por parte do usuário como por parte do
sistema utilizado. E a partir dessas pesquisas pioneiras, alguns autores como Kuhlthau, Ellis e
Wilson se preocuparam em confeccionar modelos de comportamento de busca de
informações.
Apesar dos estudos em língua estrangeira, sobretudo em inglês, poucos autores
brasileiros se debruçam sobre o tema. Encontramos exaustivas revisões bibliográficas que não
oferecem um panorama prático para o uso desse material. Mais recentemente (entre os anos
2000 e 2011), podemos encontrar alguns trabalhos voltados para a aplicação desses modelos.

2967

�O principal objetivo deste trabalho é investigar qual o resultado das aplicações dos
diferentes modelos de comportamento de busca de informação.
Escolhemos esse tema por percebermos que trata-se de um campo pouco estudado e
que pode favorecer diversas bibliotecas e gestores de sistemas de informação nas suas
pesquisas sobre como o usuário pode utilizar seus serviços.

2. COMPORTAMENTO DE BUSCA DA INFORMAÇÃO - MODELO CONCEITUAL
Apesar de o conceito ser utilizado de maneira genérica antes mesmo do surgimento da
Ciência da Informação, os estudos desse campo são notadamente recentes, assim como sua
conceituação.
A primeira alusão indireta a ele foi em 1948, na Conferência de Informação Científica,
da Royal Society, em Londres. Só a partir de 1999 que Wilson propôs um modelo conceitual
de estudo dessa área. Nessa proposta, o autor nomeia o campo como comportamento
informacional (infornation behaviour), dividindo-o em dois subcampos: o comportamento de
busca de informação (information seeking behavour) e o comportamento de busca em
sistemas de informação (informantion search behaviour).
Para definir comportamento informacional, Wilson (2000 p. 49) assim o descreveu:
“(...) a totalidade do comportamento humano em relação a recursos e canais de informação,
abrangendo a busca da informação, ativa ou passiva, e o uso da informação.”
Seus subcampos também são definidos. O comportamento de busca da informação
seria uma “(...) variedade de métodos que as pessoas utilizam para descobrir e ganhar acesso
às fontes de informação”. Já o comportamento de busca em sistemas de informação estaria
“(...) relacionado com as interações entre o usuário e um sistema de informação
computadorizada.” (Wilson 1999, p. 249).
Outros autores que se debruçaram sobre a conceituação de comportamento
informacional foram Ellis (1997), Krikelas (1983), Marchionini (1995), Morehhead e Rouse
(1982) e Choo (2000), mas diferente de Wilson, esses pesquisadores não desenvolveram suas
definições para abrangê-las em dois campos, como demonstrado por Wilson.
Krikelas (1983, p. 7) assim definiu o campo de busca informacional: “Acontece
quando alguém percebe que o estado atual de conhecimento possuído é menor que o
necessário para lidar com alguma questão (ou problema). O processo termina quando esta
percepção não existe mais.”

2968

�Marchionini afirmava que “(...) a busca da informação inicia com o reconhecimento e
aceitação de um problema e continua até que o problema seja resolvido ou abandonado.”
(1995, p. 49).
Morehhead e Rouse (1982, p. 97) descreveram a busca da informação como “(...) um
processo dinâmico, em que métodos e critérios para seleção ou rejeição da informação variam
com o tempo que está fortemente relacionado aos hábitos pessoais do indivíduo e ao tipo de
necessidade que deve ser satisfeita.”
Por fim, Choo (2000) já relaciona a busca da informação com sistemas de informação
definindo-a como um comportamento social que ajuda nos processos de construção de
sistemas de informação.
Todas as definições aqui apresentadas relacionam a busca informacional a uma
necessidade pessoal de determinado indivíduo, ativa ou passiva de acordo com Wilson, e que
a busca acaba assim que o usuário resolver seu problema ou responder sua questão.
Como Wilson definiu acima, o comportamento informacional pode ser estudado sob
dois aspectos diferenciados. O comportamento de busca da informação feito pelo usuário em
diferentes fontes e de diferentes maneiras e o comportamento de busca de informação em
sistemas de informação, no qual é estudado a relação entre o usuário e o sistema de
informação que ele precisa pesquisar para chegar a um resultado. A partir desses dois tipos
de comportamento alguns autores criaram modelos diferentes de comportamento para
descrever as ações dos usuários. São esses modelos que descreveremos no capítulo seguinte.

3. MODELOS

DE

COMPORTAMENTO

DE

BUSCA

DE

INFORMAÇÃO

CENTRADOS NO USUÁRIO
Os modelos mais citados nas principais revisões bibliográficas sobre o tema são os
modelos pensados por Carol Kuhlthau, de 1991 e David Ellis, em 1987. Ambos concentram
seus esforços em construir modelos de comportamento de busca de informação focados
sobretudo no usuário.
Kuhlthau criou o modelo comumente conhecido Information Search Process (ISP).
Sua análise foi feita primordialmente com alunos na graduação, que estavam realizando
monografias. Apesar do público específico escolhido por ela, outros autores já analisaram
diferentes usuários utilizando esse modelo.
O modelo foi montado em fases diferentes e leva em consideração os sentimentos de
cada usuário no processo de busca da informação. As seis etapas desse modelo estão
detalhada abaixo:

2969

�Fase 1 - Início - O usuário sabe que lhe falta conhecimento ou entendimento. Os
principais sentimentos são de incerteza e de apreensão. Suas principais tarefas seria a de
reconhecer as necessidade de informação e suas principais ações seriam a discussão de
tópicos e acessos.
Fase 2 - Seleção - A principal tarefa do indivíduo é o de identificar e selecionar tópicos
gerais para investigação ou achar um meio de consegui-los. Não explicita sentimentos
específicos.
Fase 3 - Exploração - O sentimento descrito é o de confusão, incerteza e dúvida. A
ação requerida do usuário é a busca de informações relevantes de um tópico genérico.
Fase 4 - Formulação - O sentimento do usuário oscila entre a incerteza e a confiança.
Sua principal ação é o direcionamento do estudo. A autora coloca esse momento como
decisivo.
Fase 5 - Coleta - Principal tarefa do indivíduo é seguir o caminho e coletar as
informações para sua dúvida. Seus principais sentimentos são o de confiança. Sua principal
ação é uma maior interação com sistemas de informação.
Fase 6 - Apresentação - Fase conclusiva. Os principais sentimentos do usuário são o
alívio, a satisfação ou o descontentamento. Suas ações se resumem às apresentações do
resultado. No caso da pesquisa de Kuhlthau, em forma de texto, apresentação oral, artigo ou
monografia.
A principal preocupação da autora ao criar esse modelo é definir “(...) os estágios das
atividades onde podem ocorrer os elementos do comportamento.” (Kuhlthau, 1999, p. 254).
Dessa maneira, o esquema dividido em etapas bem específicas é o ponto principal do modelo.
Já Ellis (1987) escreveu seu modelo em sua tese de doutorado. Seu estudo abrangeu o
comportamento de diferentes grupos de cientistas da Universidade de Sheffield. O foco do
estudo, diferente de Kuhlthau, baseou-se em aspectos cognitivos do usuário enquanto está em
busca de uma informação. Sua aplicação é indicada para auxiliar na confecção de sistemas de
informação.
Esse modelo se constitui em seis diferentes características, não necessariamente
seguidas na ordem, diferente de Kuhlthau.
A primeira etapa se chama Iniciar e se caracteriza pelo início da busca pelo usuário. O
ponto de partida pode ser diverso e contemplar vários desses mecanismos: definição de
referências, conversa com colegas, consulta de bibliografia de revisão, consulta de catálogos
online, consulta de índices e resumos. Lembra ainda que essas ações se ajustam à experiência
que o pesquisador tiver sobre o assunto estudado.

2970

�Sua segunda característica é intitulada de Encadear. Nesse momento, o usuário segue
as principais ligações entre as citações encontradas e faz conexões para obter novas
informações.
A terceira parte da pesquisa é nomeada de Navegar. O indivíduo busca a informação
de maneira semi-direcionada a uma área de interesse geral. Aqui, o usuário recupera listas de
autores, de periódicos, de anais de evento, de trabalhos citados, entre outros.
Diferenciar é o nome da quarta característica de Ellis. Nessa fase, procura-se
diferentes tipos de fontes que servirão como filtros na pesquisa. Também acontece a avaliação
do conteúdo e de sua relevância, para efeitos comparativos.
A fase Monitorar abrange a observação das fontes ao longo do tempo para verificar se
aconteceram algum tipo de atualização sobre o tema de pesquisa.
E por fim, na característica Extrair, Ellis definiu que o usuário consegue retirar a
informação que precisa e que a transformará em conhecimento.
Observando essas características, podemos verificar que Ellis se preocupa muito mais
com a forma como o usuário vai agir frente à busca da informação. Ademais, podemos
perceber que os sentimentos gerados nesse tipo de busca se tornam irrelevantes para o seu
objetivo com essa pesquisa.

4. ANÁLISE DE ESTUDOS EMPÍRICOS SOBRE MODELOS DE BUSCA DE
INFORMAÇÃO
Trabalhamos com uma amostra de sete artigos de publicações eletrônicas de 2005 a
2011. O principal critério de seleção dos artigos foi a utilização por parte dos autores de
modelos de comportamento de busca da informação como suporte teórico para pesquisas
empíricas.
Nosso objetivo foi o de relacionar teoria e prática. Destra maneira, procuramos
identificar o contexto de aplicação das pesquisas, o modelo ou modelos de comportamento de
busca utilizados e outras teorias a eles associadas, o(s) objetivo(s) da pesquisa e, finalmente,
os resultados apontados pelos autores. Neste trabalho analisaremos somente as conclusões das
pesquisas, apontando a teoria que empregaram.
A partir destas informações, ancorados na teoria acima exposta, procuramos delinear
um perfil introdutório da tendência que as pesquisas em comportamento de busca da
informação revelam. Nossa preocupação esteve em saber, mesmo que de maneira preambular,
qual vem sendo na última década a aplicabilidade dos modelos de comportamento de busca
em pesquisas nacionais e o que se tem produzido com eles.

2971

�Dos sete artigos selecionados, seis associaram um modelo de busca a outras teorias
como a da usabilidade, a da análise de conteúdo, a da cognição situada, a das necessidades
informacionais e a das estratégias metacognitivas. Estas associações, na maioria das vezes,
auxiliaram na produção de dados para serem analisados. Em outras foram utilizadas como
complemento aos modelos de busca e, em alguns casos, supriram necessidades dos mesmos.
O artigo de Veridiana Abe e Miriam Vieira da Cunha se valeu do modelo de Carol
Kuhlthau para analisar o comportamento de busca de informação na Internet de estudantes de
ensino médio e entender a visão que têm bibliotecários escolares sobre este comportamento.
De acordo com as autoras, as TIC’s e o grande volume de informações alteraram as maneiras
de se buscar a informação e pretendeu-se na pesquisa verificar como isso se passou nesse
grupo. Em outras palavras, como é a relação dos estudantes com a Internet na busca por
informação. (ABE; CUNHA, 2001, p. 96).
Assim, dados foram coletados através de entrevistas e depois analisados pela
perspectiva da Análise de Conteúdo de Laurence Bardin. O questionário respondido pelos
estudantes pedia a eles que associassem cada etapa da busca a um estado de espírito, digamos:
“otimismo”, “incerteza”, ansiedade, entre outros. A própria configuração deste instrumento
nos revela que a pesquisa desenvolvida, antes de entender o comportamento de busca de
estudantes de ensino médio, procurou validar as etapas do modelo de Kuhlthau. Uma vez
validadas, as autoras tentaram, através da Análise de Conteúdo, extrair elementos que
pudessem delinear como se passa a questão da busca na internet para os estudantes.
Para elas, os “(...) resultados, ainda que exploratórios, possibilitam avaliar que os
estudantes atingiram uma percepção mais acurada da Internet: tendem a confiar nas
informações que recuperam, mas somente após aferirem a validade das informações, por meio
da comparação entre os diversos textos que encontram. Além disso, os estudantes tendem a
compartilhar com os amigos as informações que recuperam, ensejando que o aprendizado se
constitua de forma coletiva.” (ABE; CUNHA, 2001, p. 107).
Concluem que o modelo é valido, portanto, mas sua adequação depende do contexto no
qual é aplicado. Acrescentamos também que é a partir da realidade da técnica comparativa e a
consequente validação ou não da informação encontrada que um sentimento será exposto.
Dirlene Santos Barros et al. analisaram o comportamento de busca em vereadores da
Câmara Municipal de João Pessoa, na Paraíba, bem como características de sua necessidade
informacional. Segundo os autores, “A análise dos dados buscou relacionar os significados
evidenciados nas respostas dos 18 vereadores (...) com categorias estabelecidas no processo
de necessidade e busca de informação, tendo como subsídio para a busca, as categorias

2972

�estabelecidas no modelo de comportamento de busca de informação de David Ellis (...).”
(BARROS et al., 2008, p. 177, grifos nossos).
Os autores relacionaram os dados das entrevistas realizadas a cada categoria do modelo
de Ellis procurando dar concretude a cada categoria, ou seja, explicitar as ações que a busca
pela informação requereu e associá-las a uma categoria, o que resultou, segundo o texto, na
validação do mencionado modelo.
Além disso, “Pautados, ainda, nos resultados obtidos foi perceptível que o processo de
busca se traduz numa homogeneização de comportamento, apesar de haver práticas próprias
nas categorias analisadas.” (BARROS et al., 2008, p. 181), concluindo que o modelo é válido
mas há praticas própria em cada categoria, ou seja, as pessoas nem sempre fazem tudo da
mesma maneira.
Dirlene Santos Barros e Dulce Amélia de Brito Neves almejaram, à luz do modelo de
comportamento de busca de informação de David Ellis, analisar as “(...) estratégias
metacognitivas do profissional do Arquivo Público do Estado do Maranhão (APEM), a fim de
identificar se assemelhavam ou não daquelas desenvolvidas pelos pesquisadores nesse
processo.” (BARROS; NEVES, 2011, p. 230). Foram utilizados conceitos de Metacognição
em auxílio ao modelo, como os de “agregação de valor”, “compreensão monitorada”,
enquanto estratégias metacognitivas no desenvolvimento do processo de busca de informação.
Segundo as autoras, todas as categorias de Ellis foram encontradas na pesquisa e as que
não tiveram número significativo de incidências não foram tomadas como padrão de
comportamento de busca. (BARROS; NEVES, 2011, p. 236-8). Assim, a pesquisa
possibilitou “(...) saber que o caminho percorrido no processo de busca de informação, pelos
profissionais e pelos pesquisadores instruídos ou não, não ocorreu de maneira linear e isso foi
ao encontro harmônico com o proposto pelo modelo de busca de informação empregado.”
(BARROS; NEVES, 2011, p. 239).
Esta metodologia as permitiu concluir, por exemplo, que “(...) o grau de semelhança do
comportamento de busca dos pesquisadores são similares. Tal postura possibilitou verificar a
autonomia dos pesquisadores na prática do processo de busca de informação.” (BARROS;
NEVES, 2011, p. 239-240).
Luciana Ferreira da Costa e Francisca Arruda Ramalho, ambas professoras da UFPB,
justificaram a escolha do modelo de David Ellis em sua pesquisa: “(...) pela atualidade e
reconhecimento da sua metodologia centrada no usuário, compreendendo o processo
comportamental informacional enquanto não linear construído diante dos aspectos cognitivos
que condicionam a própria ação do usuário.” (COSTA; RAMALHO, 2010, p. 175).

2973

�O objetivo da pesquisa, centrada em mestrandos do Programa de Pós-Graduação em
Ciências das Religiões (PPGCR) da mesma universidade, foi de “(...) analisar como se dá o
processo comportamental informacional em face da construção do conhecimento na área das
Ciências das Religiões.” (COSTA; RAMALHO, 2010, p. 171).
Como em BARROS et al. (2008), as autoras procuraram traduzir em ações as categorias
do modelo, explicitando como pode uma categoria de Ellis manifestar-se na realidade.
A pesquisa, além de validar as categorias, realizou-se atenta para as questões de
necessidade informacional, usabilidade (Nielsen) e barreiras informacionais, na qualidade de
elementos pertinentes à questão do comportamento de busca (COSTA; RAMALHO, 2010, p.
179-180).
Similarmente ao primeiro artigo que analisamos, Isabel Merlo Crespo e Sônia Elisa
Caregnato, em artigo publicado de 2006, investigam “O comportamento de busca e uso de
informação dos pesquisadores da área de biologia molecular e biotecnologia (...) com base no
modelo de David Ellis, verificando como a informação científica em meio digital altera este
comportamento” (CRESPO; CAREGNATO, 2006, p. 30).
Foram selecionados docentes com grau de doutorado e/ou pós-doutorado devido à
intensa atividade de busca por informação que exige sua atividade e, através de entrevista
abertas, coletados os dados.
O avanço da pesquisa resultou na criação por parte das pesquisadoras de outra categoria
além das propostas por Ellis, denominada “Personalizar”. No entanto, apesar de ter criado a
nova categoria, segundo as autoras, as categorias de Ellis foram confirmadas, com enfoques
ampliados. (CRESPO; CAREGNATO, 2006, p. 34). Mais uma vez validou-se o modelo de
Ellis com ressalvas ou com a necessidade de complementos.
Finalmente, por este artigo vemos que as categorias de Ellis podem aparecer em vários
momentos da busca e até não aparecerem enquanto padrão de comportamento. Para as
autoras, a maioria das categorias tradicionais se alterara com as novas tecnologias, sem isto
significar, no entanto, que elas devam ser invalidadas.
Sueli Mara Ferreira e Denise Nunes Pithan analisaram o comportamento de usuários da
Biblioteca Digital InfoHab, um Centro de Referência e Informação em Habitação na área de
Construção Civil. Além disso, associaram ao estudo questões da usabilidade do site,
baseando-se em Nielsen. Foram coletados dados a partir de filmagens com câmera digital
colocada de modo acompanhar as expressões faciais e corporais dos participantes, além de
gravações das entrevistas.

2974

�Identificando nos usuários certos sentimentos, a pesquisa pretendeu associá-los à
questões de usabilidade encontradas no site, baseada na teoria da Interação HumanoComputador. Em suas palavras, “(...) durante a realização das tarefas, começaram a surgir
dúvidas e dificuldades que revelaram problemas nos sistemas de organização do conteúdo do
site, de navegação, de busca e de rotulagem. Tais problemas geraram sentimentos, ações e
pensamentos que não são inerentes ao processo de busca da informação, conforme Kuhlthau
aponta (1991), acusando aspectos do site que devem ser melhorados.” (FERREIRA;
PITHAN, 2005, p. 8, grifos nossos).
Entendemos que o modelo de comportamento da adotado pela pesquisa foi tomado a
priori como válido e se há algum problema, ele está no site, que precisa ser alterado. O uso
que fizeram do modelo não levou em conta o processo da busca e sua complexidade,
tomando-o como rígido.
Como resultado, apontaram as autoras que ficou evidente “(...) a sinergia entre as áreas
de Interação Humano-Computador e Ciências da Informação(...)” e que “foi possível
evidenciar que analisar o comportamento de busca e uso de informação agrega valores e
novas perspectivas para analisar os aspectos de usabilidade. Assim, foi possível observar que
as ações, os sentimentos, os pensamentos, bem como as experiências dos usuários revelam
indícios significativos em componentes de aprendizagem, memorização, erros, eficiência da
biblioteca digital e principalmente da satisfação do usuário.” (FERREIRA; PITHAN, 2005,
p.11, grifo nosso).
Ludmila Salomão Venâncio e Mônica Erichsen Nassif apresentam uma pesquisa
empírica qualitativa que investigou o comportamento de busca de informação de pessoas
responsáveis pela tomada de decisão organizacional.
A pesquisa procurou responder a questão de “como as disposições emocionais dos
sujeitos, suas histórias pessoais e suas histórias de relações com o meio influenciam o que se
determina como informação e a conduta para ter acesso a essa informação, em uma situação
de tomada de decisão?” (VENÂNCIO; NASSIF, 2008, p. 96). Para tanto, utilizaram como
complemento os estudos em Cognição Situada, o modelo de comportamento de busca de
Carol Kuhlthau e o sense-making de Dervin.
Validando o modelo de Kuhlthau, as autoras concluíram que “Embora não se tenha a
pretensão de determinar fases genéricas para o comportamento de busca de informação,
algumas delas são freqüentes, como as emoções vivenciadas aqui retratadas e suas
alternâncias.” (VENÂNCIO; NASSIF, 2008, p. 104).

2975

�No entanto, também apresentaram algumas das limitações do modelo, assinalando que
nossas abordagens devem ser experimentados, como a que propõe a Cognição Situada, por
exemplo: “Embora essas abordagens [cognitivas] apresentem certa evolução quando
comparadas aos demais modelos tradicionais, elas continuam enfatizando os aspectos
cognitivos individuais, atentando menos para as dimensões coletivas da busca de informação.
Essas limitações devem-se, em parte, à teoria cognitiva, à qual esses modelos estão
atrelados.” (VENÂNCIO; NASSIF, 2008, p. 105, grifos nossos).

5. CONCLUSÕES
Primeiramente, devemos registrar que nossa pesquisa encontrou apenas artigos que
trabalharam com dois modelos de busca de informação, o de David Ellis e o de Carol
Kuhlthau, ambos baseados no usuário.
Da análise dos resultados das artigos constitutivos de nosso corpus de pesquisa
deduzimos que a preocupação em validar os modelos de busca adotados esteve presente em
todos eles. De modo geral, as conclusões dos pesquisadores apontaram para a validação dos
modelos de busca com algumas ressalvas, sejam estas relacionadas à necessidade de
complementos teóricos, sejam pela insuficiência em se determinar a qual categoria tal ou qual
comportamento poderia ser associado.
A preocupação em descrever as ações correspondentes a certa categoria dos modelos
foi encontrada em três artigos (ABE; CUNHA, 2001; BARROS et al.; 2008; COSTA;
RAMALHO, 2010). Esta característica é interessante na medida em que facilita o
entendimento das categorias, avançando em relação às questões teóricas. No entanto, a carga
subjetiva que as ações contêm exige certa flexibilidade da categorização, às vezes ao ponto de
descaracterizá-la.
Além disso, notamos que alguns autores (ABE; CUNHA, 2001; FERREIRA;
PITHAN, 2005) utilizaram um escopo pequeno de usuários para suas pesquisas, o que pode
também, de certa maneira, tornar as conclusões um tanto quanto subjetivas.
Outro ponto que devemos destacar é que três artigos (COSTA; RAMALHO, 2010;
FERREIRA; PITHAN, 2005; VENÂNCIO; NASSIF, 2008) associaram à metodologia de
suas pesquisas outras teorias além dos modelos de busca da Informação, chamando a atenção
para as suas limitações. É caso, por exemplo, de Venâncio e Nassif (2008) que alertaram para
a necessidade de outra abordagem nos estudos de usuário, como a da Cognição Situada, a
qual salienta a dimensão coletiva da busca de informação. De forma similar, os estudos em
usabilidade e o sense-making foram citados.

2976

�As pesquisas baseadas nos modelos de busca de informação procuram validar os
modelos através da associação de determinadas características a cada categoria ou etapa. Isto,
segundo seus autores, permite validar os modelos e afirmar sua legitimidade. Muitas vezes, no
entanto, a coleta de dados é induzida pelos modelos e a pesquisa tende a assumir um caráter
persuasivo, tomando categorias ou etapas a priori. Isto, em parte, afeta a legitimidade dos
próprio modelos, já que as pesquisas que pretendiam validá-los criaram, de antemão, um
contexto adequado a ele.
Por outro lado, parte expressiva dos artigos apontaram limitações e necessidade de
complementos aos modelos, inclusive sua associação a outras teorias passíveis de aplicação
em estudos de usuário, conforme o contexto.
Uma aplicação promissora, a nosso ver, foi realizada em Crespo e Caregnato (2006).
As autoras mostraram que, baseando-se nos modelos de busca e no contexto no qual o usuário
está inserido, é possível notar alterações nos comportamentos padrões e procurar os motivos
disto. Em suma, pode-se pesquisar em quais aspectos determinado contexto altera o
comportamento de busca e como isto interfere nos resultados da mesma.

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                <text>Este trabalho aborda os principais conceitos a respeito do comportamento informacional sob o ponto de vista do usuário da informação. Descreve os diferentes modelos de comportamento de busca de informação. Analisa sete trabalhos recentes realizados no Brasil que se utilizaram desses modelos para fazer estudos de usuários. Discute os usos e estratégias utilizadas nessas pesquisas</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS

Francisco Carlos Paletta
Fátima Aparecida Colombo

RESUMO
Para muitas bibliotecas digitais, a crescente disponibilização das tecnologias tem demonstrado
uma ambiguidade em seu gerenciamento. No aspecto positivo, estas novas tecnologias têm
ajudado a aumentar a produtividade dos profissionais da informação, aprimorar o processo de
tomada de decisão e acentuar a satisfação do usuário final. Porém, a gestão e o suporte destes
ambientes heterogêneos e complexos - repletos de diferentes PCs, desktops e portáteis,
dispositivos móveis e sem fios, impressoras, redes e aplicativos - comprovadamente têm se
revelado difíceis e dispendiosos para os departamentos de TI (Tecnologia da Informação).
Neste artigo abordaremos os principais desafios que as Bibliotecas Digitais terão que
enfrentar com relação ao gerenciamento do ciclo de vida de suas tecnologias, consolidação e
simplificação de seus processos dentro de seus ambientes de computação, com objetivo de
aumentar a produtividade e construir ambientes ágeis que possam permitir às Bibliotecas a
responder as demandas da gestão da informação digital a ao fenômeno Big Data.
Palavras-chave: Bibliotecas Digitais, WEB 3.0, Estudos de Usuários da Informação,
Competência Informacional, Recursos Computacionais.
ABSTRACT
For many digital libraries, the increasing number of new technologies has resulted in a
conflicting managing process. The up side is that such technologies have helped increase the
productivity of information technology professionals, enhance the decision making process
and contribute to end user satisfaction. However, the management and support of these
multiple complex environments, which are replete with a huge quantity of different PCs,
desktops and notebooks, portable and wireless devices, printers, networks and applications have indeed turned out to be cumbersome and expensive for IT libraries. In this article, we
intend to approach the main challenges digital libraries will have to face with regard to the
management to the life cycle of their technologies, consolidation and simplification of
processes inside their computer environments, aiming at increasing its productivity and
building flexible environments that may allow those libraries to respond to the demands
imposed by the management of digital information and Big Data.
Keywords: Digital Libraries, WEB 3.0, Information User Study, Information Literacy,
Computational Resources.

2787

�1 INTRODUÇÃO
A gestão consolidada do ambiente de trabalho exige que as bibliotecas digitais adotem
uma abordagem holística orientada a pessoas, processos e tecnologia em todo o ambiente
computacional e tecnológico principalmente frente aos desafios do fenômeno Big Data. O
modelo de gestão também exige que as bibliotecas trabalhem com fornecedores de TI
(Tecnologia da Informação) que possam analisar suas necessidades operacionais, que
assessorem a implementação e o gerenciamento e suporte contínuos das soluções
implementadas.
Os desafios básicos que as bibliotecas digitais enfrentam dentro dos ambientes
computacionais incluem:
Redução de custos - Os ambientes de atendimento ao usuário estão mudando rapidamente
para locais de pesquisa móveis, globais e virtuais, diversificados culturalmente, e que são
onerosos para manter e suportar. Através da consolidação de hardware, dos aplicativos e
processos de suporte dentro de seus ambientes de trabalho, as bibliotecas digitais podem
gerenciar e reduzir os custos de TI, ao mesmo tempo em que aprimoram o retorno do
investimento feito em recursos computacionais.
Aumento da produtividade dos profissionais da informação - Para realizar este objetivo, as
bibliotecas digitais estão buscando maneiras de aumentar a colaboração e o trabalho de
equipe, através da criação de um ambiente de trabalho sem fronteiras, confiável e seguro,
proporcionando a conexão e acesso à informação a qualquer hora de qualquer lugar.
Redução da complexidade da TI - A falta de padronização dentro do ambiente computacional
pode aumentar o tempo e os custos necessários para gerenciar e suportar este ambiente. Ao
mesmo tempo, à medida que os ambientes de computação se tornam mais complexos, o nível
de conhecimento e especialização necessários para oferecer suporte a eles aumenta.

As

ferramentas de gestão do ciclo de vida de TI permitem a padronização da plataforma de
hardware; redução de dispositivos redundantes;
computacionais; além de gerenciar as

simplifica e automatiza os

processos

funções de suporte e construir a flexibilidade e

estabilidade que permite a criação das condições dinâmicas da gestão da informação digital.
Com base neste cenário, este trabalho tem como objetivo analisar os fatores críticos
que devem ser considerados pelas bibliotecas digitais na gestão do ciclo de vida de seus
recursos de tecnologia da informação.

2788

�2 GERENCIAMENTO DO CICLO DE VIDA DE TI
O gerenciamento da infraestrutura de TI, tem se torado cada vez mais caro e
complexo. Estudos indicam que mais que 50% de todos os gastos de TI são alocados para
configurar, atualizar, migrar e gerenciar recursos.

Transição
e migraçao

Identificação
de recursos

Resolução
de problemas
Disposição final

Gerenciamento
de contratos

Aquisição

Gerenciamento
do ciclo de vida

Monitoração
e seguimento

Preparação
Produção

Continuidade
do negócio

«a*

Gerenciamento
de patches

Implementação
e configuração

Distribuição
e empacotamento
de aplicativos

Fonte: Altiris Inc

FIGURA 1 —Gerenciamento do ciclo de vida de TI.

A maior despesa associada à propriedade de recursos de TI não reside na compra
inicial do hardware e software, mas sim na complexidade de programar e de manter estes
dispositivos (TURBAN, 2005)
A fim de reduzir esses custos, as Bibliotecas precisam investir

em software de

gerenciamento de sistemas para melhorar a confiabilidade e a disponibilidade do hardware e
do software através de todas as fases do ciclo de vida dos recursos computacionais
disponíveis.
Ao avaliar uma ferramenta de gestão do ciclo de vida de TI, conforme FIGURA 1, é
fundamental observar as seguintes características relevantes da solução de gerenciamento:
&gt; Gestão do ciclo de vida de ativos de TI via WEB
&gt; Identificação e localização física do ativo
&gt; Configuração física e lógica - dispositivos de hardware e software
&gt; Monitoramento do uso de software e hardware
&gt; Gestão de contratos de manutenção de HD (Hardware) e SW (Software)
&gt; Aumento da produtividade dos usuários, profissionais de TI e dispositivos de rede

2789

�&gt; Resolução de problemas assegurando a disponibilidade dos recursos e serviços
&gt; Diagnósticos e informações em tempo real para tomada de decisão
&gt; Estrutura modular com flexibilidade de implantação
&gt; Integração via WEB com banco de dados e repositórios de informação
&gt; Suporte Técnico e Treinamento do usuário
As soluções de gestão do ciclo de vida dos ativos devem permitir um tratamento adequado
às complexidades associadas ao gerenciamento dos recursos de TI. Os sistemas devem ser
modulares, permitindo a definição de uma estrutura tecnológica compatível com as
necessidades computacionais da organização.
Apresentamos a seguir práticas de gestão de TI com maior impacto financeiro para as
Bibliotecas na otimização de seus recursos.

Inventário de Hardware e Software
Administração de Usuários
Administração de Sistemas
Implementação de Soluções
Controle Remoto via WEB
Service Desk ou Help Desk
Administação de Dados
Administração de Mudanças
Aderência à Normas e Padrões

3 GERENCIAMENTO DE RECURSOS, DISPOSITIVOS MÓVEIS E SERVIDORES
A crescente complexidade dos ativos tecnológicos tem incentivados os gestores de TI a
buscarem meios de melhorar a eficiência na operação visando reduzir custos, estar de acordo
com os aspectos reguladores e responder às constantes exigências das bibliotecas digitas por
uma melhor resposta as demandas geradas pelo usuário. Esses fatores têm sido um impulsor
para que os gestores de TI procurem formas eficientes de ter o controle de tudo o que existe

2790

�em sua rede. Podemos enumerar oito imperativos para que uma biblioteca digital alcance a
excelência operacional e maximize o seu desempenho (ROCHART, 1996).
V Obter alinhamento estratégico de TI com a operação
V Desenvolver relacionamento eficazes entre TI e operação
V Entregar e implantar novos sistemas
V Construir e administrar a infraestrutura
V Recapacitar a organização de TI
V Administrar parcerias com fornecedores
V Desenvolver alto desempenho
V Gerenciar o ciclo de vida de TI
V
A FIGURA 2 ilustra a modularidade necessária para o desenvolvimento da infraestrutura de
TI necessária para a implantação de uma solução de gestão de ativos.

Fonte: Altiris Inc

FIGURA 2 —Gerenciamento de recursos, clintes e equipamentos móveis e servidor.

Uma solução integrada de gestão de ativos combina as disciplinas de gerenciamento de
recursos e de serviços da Biblioteca Digital em uma única arquitetura baseada na WEB,
repositório e console, ajudando a unir departamentos e processos diferentes. Ao gerenciar
ativamente todo o ciclo de vida dos recursos, a solução ajuda as organizações a eliminar
custos desnecessários de software e de hardware, a gerenciar proativamente contratos com
fornecedores e alinhar os recursos dos serviços com ITIL (Information Technology
Infrastructure Library), para assegurar a otimização dos investimentos em TI. Os benefícios
incluem:

2791

�&gt; Monitorar a configuração, as versões implementadas, os relacionamentos e as
informações históricas dos recursos de TI;
&gt; Monitorar o uso do software e hardware para realocação e negociação de contratos;
&gt; Assegurar a disponibilidade dos recursos através do gerenciamento de incidentes e de
problemas.
O gerenciamento de clientes e equipamentos móveis permite que os administradores
programem, gerenciem e solucionem problemas de sistemas a partir de qualquer lugar. Os
benefícios incluem:
&gt; Gerenciamento de desktops, notebooks e handhelds;
&gt; Configuração do SO (Sistema Operacional) e migração de personalidade do PC com
intervenção zero;
&gt; Inventário abrangente de software e hardware com geração de relatórios pela Internet;
&gt; Avaliação das vulnerabilidades do sistema com distribuição de software e
gerenciamento de atualizações em tempo real;
&gt; Gerenciamento de estados através dos recursos de autocorreção e reversão de
aplicativos.
O gerenciamento de servidores oferece as funções de implementação, gerenciamento e
monitoração a partir de um console centralizado, reduzindo os custos totais de infraestrutura.
Os benefícios incluem:
&gt; Melhorar a confiabilidade e a estabilidade de servidores, minimizando paralisações da
Biblioteca Digital e melhorando a satisfação do usuário;
&gt; Automatizar o gerenciamento das operações de TI para responder rapidamente às
mudanças das necessidades da Biblioteca Digital;
&gt; Monitorar o desempenho, restaurar a operação e minimizar as atualizações de
segurança, de modo a assegurar a continuidade da operação.

Gestores de TI estão cada vez mais envolvidos no desenvolvimento, controle e
monitoração dos ativos tecnológicos de sua organização. As constantes pressões por manter
os investimentos de TI eficientes mostra que é prioritário administrar estes ativos de duas
formas: como função do departamento de TI bem como parte de um processo integral da
Biblioteca

2792

�4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conduzir efetivamente o ciclo de vida dos ativos de TI deixou de ser uma opção, é
essencial. Independente do tipo de ativo, as Bibliotecas precisam compreender de forma
eficiente o que foi adquirido, qual é o seu valor e onde ele está alocado. As soluções de gestão
do ciclo de vida de TI compreendem uma combinação de políticas, processos, tecnologias e
recursos para utilizar, monitorar, prestar serviço, controlar e atualizar os ativos de hardware e
software de maneira eficaz.
O incremento contínuo do número de servidores e PCs, tendência à mobilidade
refletida em uma lista maior de equipamentos (notebooks, dispositivos móveis, entre outros),
crescimento exponencial de Data Center, explosão da digitalização da informação - Big Data,
assim como a quantidade de áreas e serviços ao usuário sob a responsabilidade de uma
Biblioteca, contribuem para uma maior complexidade na administração dos ativos de TI.
Adicionalmente, as Bibliotecas sofrem uma forte pressão para atender a necessidades
como:
&gt; Redução do custo total de propriedade (TCO) dos ativos, através da otimização dos
processos de compra, implementação, acompanhamento e administração;
&gt; Administrar as relações entre pessoas e ativos, simplificando as cargas de trabalho de
TI, recursos humanos e departamentos de finanças;
&gt; Simplificar o processo de atualização de software;
&gt; Assegurar um bom acompanhamento e aproveitamento de licenças e outros arranjos
contratuais;
&gt; Acelerar o serviço e suporte através de alertas proativos, simplificando assim o tempo
e o esforço da administração de TI.

A visão de administração de ativos de TI, no entanto, precisa ser expandida a um nível
superior de processos e funcionalidades, pois administrar ativos ao longo de todo o ciclo de
vida envolve muito mais do que contabilizá-los para reduzir custos. E para administrar os
ativos físicos e de software dentro de uma organização é necessário estabelecer

uma

abordagem que envolva os recursos da Biblioteca do ponto de vista tecnológico e processos
internos (COX, 2005).
A solução de gerenciamento do ciclo de vida de TI (Figura 3), está organizada em três
níveis ao longo de um modelo de maturidade conforme as necessidades de recursos
computacionais.

2793

�FIGURA 3 - Modelo de Maturidade.

Fonte: Altiris Inc

Administrar os ativos de TI com maior precisão e integração, oferece maior eficiência
nos serviços aos

usuários, bem como maior controle e simplificação dos recursos

(LAURINDO,2001).
Consciente desta necessidade, os gestores de TI devem alinhar as estratégias da Biblioteca
Digital com as políticas de implantação e uso da Tecnologia da Informação considerando
como essenciais os seguintes itens:
&gt; Quais os desafios enfrentados e as alternativas tecnológicas das Bibliotecas Digitais;
&gt; Quais os serviços oferecidos aos usuários com a implementação da prática de gestão
do ciclo de vida de TI;
&gt; Como administrar decisões e processos de compra de ativos de TI;
&gt; Como desenvolver informação preditiva e uma visão em tempo real dos ativos de TI
para melhorar o nível de serviço, a segurança, a disponibilidade e o uso destes
recursos;
&gt; Como manter consistência e controle de custos e qualidade de serviço oferecido ao
usuário;
&gt; Em que nível de maturidade se encontra a Biblioteca e quais os passos que devem ser
seguidos para otimizar a prática de gestão de ativos.

2794

�O uso de tecnologias digitais esta evoluindo em direção a soluções abrangentes de
gerenciamento de TI que utilizem um único repositório e uma única interface, reduzindo
radicalmente os custos e a complexidade do gerenciamento de seus recursos, incluindo
desktops, dispositivos móveis, e equipamentos de redes. É fundamental automatizar,
simplificar e integrar as funções de gerenciamento de TI a partir de um único console com
base na Web.
Literacia Informacional tem constituído, nos últimos anos, novo campo de pesquisa que
interessa à educação, à ciência da informação e às ciências cognitivas. O desafio esta em, num
primeiro momento, aprender a utilização básica dos recursos tecnológicos - literacia digital - e
a seguir apropriar-se dos mesmos para gerar novos conhecimentos - literacia informacional -.
Entretanto esta apresentação reducionista de ambas as formas de literacia gestadas no bojo da
sociedade em rede não dá conta de delinear as profundas rupturas imersas nas mesmas
(PASSARELLI, 2008).
No contexto da literacia informacional os desafios são múltiplos e multifacetados
abarcando pelo menos: a dificuldade das bibliotecas universitárias com suas coleções
caríssimas em concorrer com acervos digitais, as bibliotecas virtuais, e os motores de busca
oferecendo informações de forma imediata e a custo zero; a desconstrução do conceito de
autor individual e a emergência dos coletivos digitais; a nova valoração das fontes de
informação bem como as novas competências que os bibliotecários precisam desenvolver
para atuar como gestores da informação em ambientes em rede. Os novos contornos da
sociedade em rede têm constituído objeto de estudo e pesquisa para profissionais das mais
diversas áreas de atuação. A importância das redes sociais como fenômeno emergente dos
coletivos digitais como autores e consumidores da informação e produtores de conhecimento
introduz profundas rupturas nos papeis tradicionais de editores e bibliotecários, de tal forma
que atualmente é difícil diferenciar se um conteúdo esta editado por uma editora ou se é uma
auto-edição na WEB 2.0. Estudos indicam que a produção de conteúdo na WEB em 2007
concentrava-se nas mãos de uma população mais madura e com maior grau de literacia
informacional. Entretanto novas pesquisas precisam ser realizadas, agora, para verificar se a
tendência se confirma ou se dissipa (SOUZA, 2010).
A utilização destas tecnologias e aplicações Web constitui uma mudança significativa e
essencial na história das Bibliotecas. A Biblioteca se tornará mais interativa e totalmente
acessível. Acreditamos que a melhor concepção da Biblioteca e Repositório 2.0, neste
momento, seria uma rede social cuja interface é construída pelo usuário, relacionada com a
funcionalidade demonstrada por sua popularidade, característica multifacetada, social,

2795

�flexível, dinâmica, rápida, simples e pronta para uso. Apesar de esta mudança ter-se
encaixado tão bem com a história das bibliotecas e de sua missão, ainda é a grande
transformação paradigmática para o bibliotecário, não apenas no sentido de abrir o acesso a
seus catálogos e acervos, mas também permitir o seu controle. Biblioteca 2.0 demanda que as
bibliotecas concentrem-se menos em sistemas de inventário e mais em sistemas colaborativos
(POBLACION, 2006).
Toda ciência é uma atividade determinada por condições históricas e socioeconômicas.
Desta forma, a sociedade da informação necessita de uma ciência que estude as propriedades
da informação e os processos de sua construção, comunicação e uso. Sob as mudanças
culturais, econômicas e tecnológicas atuais, a ciência da informação coloca-se no campo das
ciências sociais (do homem e da sociedade), e seu objeto não é mais o mesmo da
biblioteconomia e de suas veneráveis disciplinas co-irmãs. Não é mais a biblioteca e o livro, o
centro de documentação e o documento, o museu e o objeto, mas a informação (LE COADIC,
1996).
As mudanças ocasionadas pela tecnologia usada para gerar, disseminar, acessar e usar a
informação demanda por habilidades e competências relacionadas ao acesso, uso e
disseminação da informação. É neste ponto que surge um novo usuário da informação com
novas demandas por recursos computacionais e novas capacidades em produzir novos
conhecimentos. Resulta desse procedimento que hoje em dia se conhece muita coisa sobre
planejamento, aquisição, organização, controle e desenvolvimento de coleções, mas muito
pouco sobre como as pessoas fazem uso dos sistemas ou para que fins e como a informação,
que é a matéria-prima dos sistema, está sendo utilizada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALTIRIS. Gerenciamento do ciclo de vida de TI. Disponível em: &lt; http://www.altiris.com &gt;.
Acesso em: 6 abr. 2014.
Brown A B. A best practice approach for automating IT management process. IBM: Research
Division,

2005.

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in

2014

fev.10].

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http://i eeexplore .ieee.org/stamp/stampjsp? tp=&amp;arnumber= 1687536.
COX, D E, Kreger H. Management of the service-oriented-architecture life cycle. IBM
Systems Journal, 2005; 44(4):709-726. http://dx.doi.org/10.1147/sj.444.0709
LAURINDO, F. J. B. et al. O papel da tecnologia da informação (TI) na estratégia das
organizações. Gestão &amp; Produção, São Carlos, v.8, n.2, p.160-179, ago. 2001.

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�LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasilia, DF: Briquet de
Lemos/Livros, 1996.
PASSARELLI, B. Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a revolução nos
conceitos de autor e autoridade das fontes de informação. DataGramaZero - Revista de
Ciência da Informação - v.9 n.5, P.1-13, out. 2008.
POBLACION, Dinah Aguiar et al. Comunicação e produção científica: contexto,indicadores,
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SOUSA, Rodrigo Silva Caxias; NASCIMENTO, Bruna Silva. Competências Informacionais:
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TURBAN, Efraim et al. Administração de tecnologia da informação: teoria e prática. Rio de
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2797

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                <text>Para muitas bibliotecas digitais, a crescente disponibilização das tecnologias tem demonstrado uma ambiguidade em seu gerenciamento. No aspecto positivo, estas novas tecnologias têm ajudado a aumentar a produtividade dos profissionais da informação, aprimorar o processo de tomada de decisão e acentuar a satisfação do usuário final. Porém, a gestão e o suporte destes ambientes heterogêneos e complexos - repletos de diferentes PCs, desktops e portáteis, dispositivos móveis e sem fios, impressoras, redes e aplicativos – comprovadamente têm se revelado difíceis e dispendiosos para os departamentos de TI (Tecnologia da Informação). Neste artigo abordaremos os principais desafios que as Bibliotecas Digitais terão que enfrentar com relação ao gerenciamento do ciclo de vida de suas tecnologias, consolidação e simplificação de seus processos dentro de seus ambientes de computação, com objetivo de aumentar a produtividade e construir ambientes ágeis que possam permitir às Bibliotecas a responder as demandas da gestão da informação digital a ao fenômeno Big Data.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROJETO ÁGUAS: INFORMAÇÃO QUE SE TRANSFORMA EM
CONHECIMENTO, O PODER DAS PALAVRAS: ÁGUA QUE VAI.... ÁGUA QUE
VEM
Mônica Geralda Palhares
Márcia Maria Palhares
Paulo Vitor Oliveira
RESUMO
Apresenta o Projeto Águas realizado na Semana Nacional do Livro e da Biblioteca de
2013 pela Biblioteca Professor Gaio do Instituto Presidente Tancredo de Almeida Neves
(São João Del Rei - MG). O objetivo deste projeto foi disseminar, por meio da leitura, as
formas de preservação da água visando a conscientização da importância do seu uso de forma
racional pelos cidadãos. Indica a metodologia utilizada e relata que o projeto teve boa
aceitação no âmbito da comunidade acadêmica e grande repercussão na cidade de São João
Del Rey onde outras empresas, escolas e órgãos públicos solicitaram à biblioteca o material
informativo distribuído aos participantes durante a realização do evento, para também
divulgarem o projeto nestas instituições.
Palavras-Chave: Sustentabilidade; Preservação da Água; Educação; Leitura.

ABSTRACT
Presents the Water Project held at National Book and Library Week and 2013 by
Teacher Gaio Library of the Institute President Tancredo de Almeida Neves (Sao Joao Del
Rei-MG). The objective of this project was to disseminate, through the reading, forms of
preservation of water aimed at awareness of the importance of its use in a rational way by
citizens. Indicates the methodology used and reports that the project had a good acceptance in
the academic community and large scope effect in the town of Sao Joao Del Rey where other
businesses, schools and public bodies requested the library information material distributed to
participants during the realization of the event, to also disclose the project in these institutions
Keywords: Sustainability; Water preservation; Education; Reading.

1 INTRODUÇÃO
A comemoração do dia da Água surgiu no âmbito da Conferência das Nações Unidas
sobre Desenvolvimento e Ambiente na cidade brasileira do Rio de Janeiro, em 1992. Os
países foram convidados a celebrar anualmente o Dia Mundial da Água e a programar
medidas com vistas ao uso racional deste recurso e promoção da sua sustentabilidade. Desde
então, a cada ano é retratado um tema sobre o assunto em questão.

1566

�Para a Organização das Nações Unidas (ONU) as campanhas mundiais para o ano
internacional da água devem ter múltipla dimensão, incluindo aspectos culturais,
educacionais, éticos, sociais, institucionais, econômicos, científicos e até religiosos e uma
abordagem multidisciplinar é essencial para entender conceitos e promover a conscientização
global de maneira holística.
A ONU definiu que o ano de 2013 seria o “Ano Internacional de Cooperação pela
Água”. O objetivo da ONU com esta campanha foi divulgar mundialmente dados sobre a
água, forma de utilizar, respeito pelo recurso, informações sobre desperdício e poluição e
promover, de forma planetária, a sensibilização pela causa.
Com vistas ao engajamento nessa campanha mundial para preservação da água, a
Biblioteca Professor Gaio, pertencente ao Instituto Presidente Tancredo de Almeida Neves
(São João Del Rei - MG), durante a celebração da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca
em 2013, lançou o “Projeto Águas” com o objetivo de conscientizar a comunidade acadêmica
sobre a importância da preservação da água e seu uso racional.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O mundo se preocupa cada vez mais com a sustentabilidade, termo usado para definir
o uso racional dos recursos naturais, hídricos e do solo. A correta utilização desses recursos
garante seu acesso também às próximas gerações buscando manter a qualidade de vida que
temos hoje. A água é fundamental para sobrevivência do ser humano e de todo ser vivo
(animal ou vegeta), sua falta no organismo do ser humano pode causar inúmeros
desconfortos, como dor de cabeça e sensação de olhos e boca secos. Para celebrar e alertar
sobre sua importância, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou em 22 de março de
1992 o Dia Mundial da Água. (GRANZIEIRA, 2006).
A água é propriedade de todos e por isso é importante assegurar às gerações atuais e
futuras a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos
respectivos usos; é primordial saber utilizar racionalmente os recursos hídricos, com vistas ao
desenvolvimento sustentável. Saber usar a água é uma tarefa que deve ser ensinada desde a
infância, para se criar uma consciência ecológica e de preservação nas crianças. (POMPEU,
2006).
Em se tratando de recursos hídricos o Brasil detém 13% das reservas de água doce do
Planeta. Esta visão de abundância, aliada à grande dimensão continental do país, favoreceu o
desenvolvimento de uma consciência de inesgotabilidade, isto é, um consumo distante dos
princípios de sustentabilidade e sem preocupação com a escassez. A elevada taxa de

1567

�desperdício de água no Brasil, 70%, comprova essa despreocupação. Diversos são os
exemplos de desperdício e despreocupação com o uso adequado da água como: deixar a
torneira aberta quando se escova os dentes; lavagem de ruas e calçadas; lavagem de veículos
com água tratada entre outros, sem a preocupação com a racionalização de consumo e/ou
reuso. (TOCCHETTO; PEREIRA, ([20--]).
Enquanto a quantidade de água no planeta tem permanecido praticamente inalterada
nos últimos quinhentos milhões de anos, o crescimento demográfico atinge proporções nunca
alcançadas. O ciclo hidrológico, que é o processo de circulação das águas é quase o mesmo de
cem, duzentos ou dois mil anos atrás. Faz um século que o consumo de água doce cresce em
ritmo duas vezes maior do que o aumento da população, o que significa que a escassez é
causada pelo aumento populacional e com o aumento do consumo por pessoa também serve
como causa disso. (FARIAS, [201-]).
Nalini (2003) afirmou que o desperdício anormal de água desequilibra as reservas que
pareciam intermináveis. A solução para este tipo problema está na gestão deste recurso, que
inicia-se pela uso racional da água, acrescida do estabelecimento de estratégias de reuso, tanto
nas práticas agrícolas quanto nas atividades cotidianas residenciais, comerciais e industriais.
Em 2050 se estima que a maior parte do planeta sofrerá consequências por razões da
falta de água. As projeções de uso no futuro e a apresentação de opções de desenvolvimento e
seus possíveis efeitos são a base para a gestão sustentável dos recursos mundiais de água no
futuro. (BERTOLDI, 2001).
A sustentabilidade caracteriza-se pelo uso racional dos recursos disponíveis, de forma
a possibilitar a sua renovação (quando possível) ou a sua preservação em quantidades
razoáveis à conservação da vida. (MARTINS, 2004).
A educação é um instrumento por meio do qual o indivíduo e a coletividade constroem
valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a
conservação do meio ambiente, bem como de uso comum do povo, essencial à qualidade de
vida e sua sustentabilidade. (BRASIL, 2007).
Barbosa (2007) afirmou que a educação ambiental e a projetos de sustentabilidade
visam induzir dinâmicas sociais promovendo a disseminação de informações tendo como
objeto principal da educação ambiental a relação do homem com o meio ambiente.

1568

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a divulgação do projeto foram afixados folders contendo a programação em
quadros de aviso da Biblioteca Professor Gaio e em painéis espalhados pelo Instituto
Tancredo Neves.
Durante a realização do projeto, a Biblioteca Professor Gaio foi decorada com balões
azuis, com a pintura de uma cascata de água (em um painel de vidro) e demais ornamentos
que faziam alusões à água.
Foram utilizados os seguintes materiais no trabalho de conscientização dos membros
da comunidade acadêmica:
a) Distribuição da cartilha intitulada Água Vai Água Vem, contendo informações
sobre a importância de se conservar a água e dicas para o seu uso racional.

Figura 1 - Cartilha Água Vai Água Vem. Fonte: Ziraldo ([199-]).

b) Distribuição de uma flor de água em origami que quando colocada em um pote
com água a mesma abria-se e mostrava ao leitor uma informação sobre
“sustentabilidade e água”;

Figura 2 - Flor de origami sendo colocada na água. Fonte: Acervo da biblioteca
(2013).

1569

�c) Distribuição de marcadores de páginas e peixes.

Essas atividades também foram estendidas aos idosos que fazem parte dos projetos de
extensão da instituição.

4 RESULTADOS FINAIS
Constatou-se que houve a conscientização de todos que participaram do evento sobre a
importância da preservação da água e seu uso racional. Assim como os usuários da biblioteca,
que durante a semana de realização do projeto indicaram outros alunos para participarem, os
idosos dos projetos de extensão também participaram efetivamente e assimilaram as
informações se sentindo entusiasmados e valorizados com a oportunidade de conhecer e
participar do Projeto Águas.
Percebeu-se que a distribuição das cartilhas e da flor de água em origami foram
iniciativas que deram certo, pois outras instituições da cidade (escolas, órgãos públicos e
empresas) que ficaram sabendo do projeto, solicitaram à Biblioteca esses materiais para
também divulgarem as informações sobre a importância a preservação e uso racional da água.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como faz parte dos objetivos de uma biblioteca: organizar, disseminar e disponibilizar
a informação, qualquer que seja a proveniência, nos mais diversos suportes físicos e virtuais.
A Biblioteca Professor Gaio, por meio do Projeto Águas, conseguiu conscientizar a
comunidade acadêmica sobre a importância da preservação da água e seu uso racional.
A repercussão do projeto, entre os demais moradores da cidade de São João Rey, fez
com que escolas e outros órgãos públicos da cidade solicitassem à Biblioteca a doação das
cartilhas e flores de origami para serem distribuídas aos seus alunos e funcionários dando
maior visibilidade ao Projeto Águas.
Acredita-se que a informação é o principal meio de se difundir uma cultura de
sustentabilidade

e

isso

pode

ser

visto

como

uma

das

funções

sociais

das

bibliotecas. Conforme teoriza o próprio Ministério do Meio Ambiente, a educação é um
instrumento por meio do qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio
ambiente que é fator essencial à sustentabilidade do planeta.

1570

�6 REFERÊNCIAS
BARBOSA, M. C. Educação ambiental: estratégias de sensibilização ao consumo sustentável
nos setores administrativos de um hospital particular de Salvador (BA). Candombá - Revista
Virtual,

Salvador,

v.

3,

n.

2,

p.

95-111,

jul./dez.

2007.

Disponível

em:&lt;

http://revistas.unijorge.edu.br/candomba/2007v3n2/pdfs/MariaCiciliaCaldasBarbosa2007v3n2.pdf&gt;. Acesso em: 16 mar. 2014.
BERTOLDI, M. R. Hidroguerras: o líquido cobiçado deixa de ser o petróleo. Jus Navigandi,
Teresina,

v.

5,

n.

49,

fev.

2001.

Disponível

em:

&lt;http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1701&gt;. Acesso em: 09 maio 2008.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Desenvolvimento sustentável, educação ambiental
e Agenda 21. Brasília: MMA, 2007. Disponível em: &lt;http://www.meioambiente.gov.br&gt;.
Acesso em: 03 mar. 2014.
FARIAS, T. Q. Ambiente Jurídico.com.br. Direito à água e sustentabilidade hídrica. [201­
].

Disponível

em:&lt;http://www.ambito-

juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;artigo_id=4538&gt;. Acesso em:
18 mar. 2014.
GRANZIERA, M. L. M. Direito das águas: disciplina jurídica das águas doces. 3. ed. São
Paulo: Atlas, 2006.
MARTINS, T. O conceito de desenvolvimento sustentável e seu contexto histórico: algumas
considerações. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 382, 24 jul. 2004. Disponível em:
&lt;http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5490&gt;. Acesso em: 09 maio 2008.
NALINI, J. R. Ética ambiental. 2, ed. Campinas: Millenium, 2003.
POMPEU, C. T. Direito de águas no Brasil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006.
TOCCHETTO, M. R. L.; PEREIRA, L. C. Ambiente Brasil. Água: Esgotabilidade,
Responsabilidade e Sustentabilidade. Consumo Sustentável quer dizer saber usar os
recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades, sem comprometer as
necessidades

e

aspirações

das

gerações

futuras.

[201-].

Disponível

em:&lt;http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_doce/agua%3A_esgotabilidad
e,_responsabilidade_e_sustentabilidade.html&gt;. Acesso em: 17 mar. 2014.
ZIRALDO. Água Vai Água Vem. Brasília: Funasa, [199-].

1571

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                <text>Apresenta o Projeto Águas realizado na Semana Nacional do Livro e da Biblioteca de 2013 pela Biblioteca Professor Gaio do Instituto Presidente Tancredo de Almeida Neves (São João Del Rei – MG). O objetivo deste projeto foi disseminar, por meio da leitura, as formas de preservação da água visando a conscientização da importância do seu uso de forma racional pelos cidadãos. Indica a metodologia utilizada e relata que o projeto teve boa aceitação no âmbito da comunidade acadêmica e grande repercussão na cidade de São João Del Rey onde outras empresas, escolas e órgãos públicos solicitaram à biblioteca o material informativo distribuído aos participantes durante a realização do evento, para também divulgarem o projeto nestas instituições.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MAPOTECA DIGITAL PARA A PESQUISA GEOGRÁFICA: o caso das linhas de
pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Geografia - Tratamento da Informação
Espacial da PUC Minas
Cássio José de Paula
José Flávio Morais Castro

RESUMO
O avanço das geotecnologias ampliaram as possibilidades de geração de produtos
cartográficos, e com elas a necessidade de estabelecer padrões que possibilitem a integração e
o compartilhamento de dados geoespaciais. O objetivo deste artigo consiste em apresentar um
modelo para armazenamento, recuperação e visualização de mapas em uma Mapoteca Digital
de acesso público, utilizando o software Pergamum. A construção do modelo baseou-se na
análise do processo de criação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC Minas BDTD PUC Minas, cujo objeto de estudo foram os mapas produzidos pelas linhas de
pesquisa do Programa de Pós-graduação em Geografia - Tratamento da Informação Espacial
da PUC Minas - PPGG-TIE da PUC Minas. A metodologia adotada buscou definir um padrão
de metadados geoespaciais, capaz de descrever os dados utilizados para criação do mapa,
garantindo sua credibilidade e interoperabilidade com outros sistemas. Como resultado, foi
apresentado o protótipo da Mapoteca Digital da PUC Minas utilizando o Pergamum, software
para gerenciamento de serviços de informação adotado pelo Sistema de Bibliotecas da PUC
Minas - SIB PUC Minas, permitindo ao usuário pesquisar e visualizar o mapa e a dissertação
que o originou. A possibilidade de utilização da Mapoteca Digital da PUC Minas, como
recurso didático pedagógico, proporcionará uma melhor compreensão dos fenômenos de
natureza espacial no âmbito da pesquisa geográfica, estabelecendo um elo entre a produção
científica institucional e as demandas por informações geográficas no meio social,
empresarial, acadêmico, científico e tecnológico, fomentando o contato com as
geotecnologias dinamizando o processo de democratização e disseminação das informações
cartográficas e geográficas.
Palavras-chave: Mapoteca digital. Cartografia. Geovisualização. Metadados geoespaciais.
Tratamento da informação espacial.

ABSTRACT
The advancement of geotechnology expanded the possibilities for generation of cartographic
products, and with them the need to establish standards that allow the integration and sharing
this information with the various databases of geospatial data. The objective of this paper is to
present the proposed plan for the creation of the Digital Map Library of PUC Minas, public
access, using Web technologies model construction was based on the observation and analysis
of the process of creating the model Digital Library of Theses and dissertations of PUC Minas

4326

�- BDTD PUC Minas, whose object of study were the maps produced by the research lines of
the Postgraduate program in Geography - Treatment of Spatial Information at PUC Minas PPGG -TIE PUC Minas, observing the principles of geovisualization and modeling of
geospatial data. The methodology adopted sought to define a standard of geospatial metadata
can describe the data used to create the map, ensuring its credibility and interoperability with
other systems. As a result, the prototype of the Digital Map Library of PUC Minas using
Pergamum, software for managing information services adopted by Library System PUC
Minas - SIB PUC Minas, allowing the user to search, view, browse, print, copy, download
map and make the dissertation that originated (available electronically in BDTD ). The
possibility of using Digital Map Library of PUC Minas, as a didactic teaching resource will
provide a better understanding of the phenomena of spatial nature within the geographical
research, establishing a link between the institutional scientific production and demands for
geographic information in the social environment, business, academic, scientific and
technological national, fostering contact with geo streamlining the process of democratization
and dissemination of cartographic and geographic information .
Keywords: Digital map collection. Cartography. Geovisualization. Geospatial metadata.
Treatment of Spatial Information.

1 Introdução
A informação geográfica tem papel estratégico desde os primórdios da humanidade e
vem sendo utilizada em variadas atividades, tais como: orientação, navegação, demarcação de
territórios, representação da superfície terrestre, conhecimento e representação dos recursos
naturais, suporte às estratégias militares, monitoramento da dinâmica de ocupação territorial,
aplicações comerciais e industriais, dentre outras.
A Geografia, juntamente com as demais áreas do conhecimento tem, como uma de
suas finalidades, desenvolver a capacidade de observar, refletir e analisar a realidade de forma
integrada e crítica. O conceito apóia-se no próprio significado etimológico do termo
Geografia - descrição da Terra, cabendo ao estudo geográfico, conforme a visão de Kant,
descrever os fenômenos manifestados na superfície do planeta, sendo uma espécie de síntese
de todas as ciências (MORAIS, 2007).
O

espaço

geográfico

passa

por

inúmeras

transformações,

impulsionado,

principalmente, por cinco fatores: “o formidável avanço tecnológico, a enorme ênfase na
informação, a gradativa e incessante globalização da economia, o desenvolvimento dos
serviços e a importância cada vez maior do conhecimento” (CHIAVENATO, 2002, p.51).
Como ciência fundamental de análise do espaço, a Geografia utiliza de técnicas
cartográficas e de representação gráfica para o tratamento da informação espacial por meio de
mapas, surge assim a “representação cartográfica como meio de construção do conhecimento

4327

�geográfico a partir de conceitos como: localização, orientação, escala, legenda e tipos de
representação” (ANTONELLO; MOURA; TSUKAMOTO, 2006, p. 238).
O avanço das geotecnologias e o crescimento exponencial de dados geoespaciais tem
ampliado as possibilidades de geração de produtos cartográficos, e com elas a necessidade de
estabelecer padrões que possibilitem a integração e o compartilhamento destas informações
com os diversos bancos de dados geoespaciais. Estes dados têm sido utilizados
estrategicamente pelos diversos setores da sociedade civil, governamental e científica
(prefeituras, órgãos de segurança pública, de planejamento urbano e de infraestrutura,
empresas de telecomunicações, marketing e universidades), como instrumento para produção
de mapas (analógicos e digitais) e como suporte na análise espacial, permitindo simular
cenários para tomada de decisões.
Diante deste cenário a construção de uma mapoteca digital, apresenta-se como
alternativa para o armazenamento, tratamento e compartilhamento de informações
geoespaciais via Web. O volume e a qualidade dos produtos cartográficos digitais (mapas,
cartas e imagens), produzidos pelos mestrandos e doutorandos para as teses e dissertações
apresentadas e defendidas junto às linhas de pesquisa do PPGG-TIE da PUC Minas, aliado as
dificuldades de acesso a estas informações, culminaram na proposta deste artigo, que tem
como objetivo principal, desenvolver uma mapoteca digital institucional de acesso público,
utilizando tecnologias padrão Web para visualização de mapas e compartilhamento de dados
geoespaciais online.
Como objetivos específicos, pretendeu-se:
a) propor um novo procedimento para o depósito das teses e dissertações na BDTD
PUC Minas - Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC Minas;
b) definir um padrão de metadados geoespaciais em conformidade com a Comissão
Nacional de Cartografia - CONCAR, para descrição dos dados contidos nos mapas
produzidos para as teses e dissertações pelas linhas de pesquisa do PPGG-TIE da
PUC Minas;
c) criar um banco de dados geoespacial com a finalidade de reunir, organizar,
catalogar e disseminar as informações contidas nos metadados geoespaciais;
d) integrar estas informações ao banco de dados do SIB PUC Minas - Sistema
Integrado de Bibliotecas da PUC Minas, disponibilizando seu conteúdo na Web.
O desenvolvimento de sistemas de disseminação de geoinformações via Web, é um
importante instrumento para a democratização do acesso a informação, como afirma Câmara:

4328

�“U m dos d esafios crescentes para as instituições que lidam com inform ações
geográficas é a publicação de dados através da Internet. Por sua natureza
gráfica e bidim ensional, o ambiente W W W ("World Wide Web") oferece
um a m ídia adequada para a difusão da geoinform ação. A m édio prazo,
espera-se que a disponibilidade “on-line" de grandes bases de dados
espaciais e de ferramentas eficientes de navegação torne a geoinform ação
acessível de form a ampla, sem a necessidade de aquisição de software
esp ecífico .” (C Â M A R A , 2012b, p.5).

A expectativa desta proposta é proporcionar, a partir dos mapas produzidos nas
dissertações e teses desenvolvidas no PPGG-TIE da PUC Minas, um recurso didáticopedagógico que possibilite acesso rápido e eficiente ao conteúdo cartográfico dos
documentos, estabelecendo um elo entre a produção científica institucional e as demandas por
informações geográficas no meio social, empresarial, acadêmico, científico e tecnológico,
fomentando o contato com as geotecnologias e concomitantemente com o processo de
democratização e de disseminação das informações cartográficas e geográficas.

2 Revisão de Literatura
Conhecer e representar o espaço por meio de mapas é o principal objetivo da
Cartografia. O mapa é a forma mais antiga de representação do espaço, cuja origem remonta a
aproximadamente 4.500 anos, eram elaborados em diversos suportes como rocha, argila,
tecido, madeira, couro de animal, conchas, papiro, entre outros meios. O homem representava
o espaço em que vivia por meio de desenhos que tinham como objetivo, registrar informações
que permitissem a sobrevivência e a segurança.
Castro (2012, p. 17), sintetiza a evolução da Cartografia, destacando os períodos que
marcaram sua história, como mostra a Figura 1.
Figura 27: Evolução da Cartografia durante os períodos que marcaram a história
da humanidade

Fonte: CASTRO, 2012, p. 7

4329

�A diversidade de conceitos, definições e estruturas da Cartografia promovem o
surgimento de inúmeras divisões na literatura especializada (RAISZ, 1969; OLIVEIRA, 1983
e 1988). Entretanto, para efeito didático e prático, Castro (2012, p. 45) propõe a divisão da
Cartografia em: Cartografia teórica, Cartografia sistemática, Cartografia temática e
Cartografia analítica (Figura 2).

Figura 2: Divisões da Cartografia.

Fonte: CASTRO, 2012, p. 45
Para Ramos (2005), Cartografia é definida como a ciência e a arte de representar, por
meio de mapas e cartas, o conhecimento da superfície terrestre. O conceito de ciência baseiase no fato de que para alcançar exatidão, ela depende basicamente da astronomia, geodesia e
matemática, o conceito de arte está vinculado à sua subordinação às leis da estética,
simplicidade, clareza e harmonia. A natureza da geografia é fortemente embasada em sua
documentação, que é a referência para o geógrafo organizar o processo mental tanto pela
observação como pela avaliação quantitativa. O mapa tornou-se a principal fonte de
informação geográfica, sua função estratégica possibilita a percepção de padrões e dinâmicas

4330

�espaciais, o estudo integrado dos fenômenos e suas ações no processo de transformação do
meio ambiente.
Segundo Moles, mapas são representações funcionais destinadas a desempenharem
determinadas funções, são elas:
a) a primeira função de um mapa é a de localização cujo objetivo é auxiliar a situar
pessoas e a situar os objetos geográficos;
b) a segunda é a documental e consiste em responder a questões: o que se encontra em
um determinado lugar? Onde se encontra um determinado objeto geográfico? Quais
são suas características como dimensão, declive, distância de nós entre outros;
c) a terceira é o suporte da análise espacial, relacionando-se as questões sobre a natureza
das formas observadas no espaço terrestre e sobre suas relações e sua complexidade;
d) a quarta considera o mapa como campo de aplicação de modelos espaciais,
possibilitando simular e prever eventuais transformações, atuando como canal e
suporte de comunicação entre o cartógrafo e o usuário. (MOLES apud RIMBERT,
1995).

Um dos métodos aplicados na elaboração de mapas é da cognição, que segundo Lima,
envolve atividades mentais como o pensamento, a imaginação, a recordação, a solução de
problemas, a percepção, a aprendizagem da linguagem, que ocorrem diferentemente conforme
a habilidade de cada indivíduo (LIMA apud SANTIL, 2010). Ramos (2005, p. 37), ao
considerar o mapa como veículo de comunicação da informação espacial, destaca que sua
eficiência pode ser mensurada pela capacidade de permitir que o usuário de forma cognitiva
visualize, leia e interprete as informações nele contidas. Este processo de visualização e
interpretação de informações espaciais é denominado "comunicação cartográfica" - (Figura
3).

Figura 3: Sistema de Comunicação Cartográfica.

Fonte: ROBINSON; PETCHENIK apud SIMIELLI, 986.

4331

�Segundo Nogueira (2008, p.111), na comunicação cartográfica os mapas possuem um
valor cognitivo capaz de estimular o usuário a interagir a partir dos seus processos mentais
(percepção, memória, reflexão, motivação e atenção), buscando a análise das informações
temáticas representadas graficamente, por meio dos princípios da "semiologia gráfica"499
utilizando três sistemas: símbolos, lógico e monossêmico. Sua aplicação à Cartografia permite
definir a partir das variáveis visuais e das teorias da informação a representação adequada da
linguagem cartográfica. A linguagem exprime por meio do emprego de um sistema de
símbolos, as expectativas de comunicação da informação com o usuário do mapa, tornando a
Cartografia uma linguagem universal; desta forma, a semiologia gráfica elaborada a partir de
teorias da psicologia e da informação, permite aplicações técnicas sofisticadas de
representação gráfica (JOLY, 2005).
A introdução da informática na Cartografia, aliada à associação de técnicas como a
comunicação cartográfica e a visualização cartográfica, possibilitaram uma relação de
interatividade entre o usuário e os produtos cartográficos.

Para MacEachren e Kraak a

geovisualização integra visualização, Cartografia, análise de imagens, visualização de
informações e análise exploratória de dados (...), para oferecer teorias, métodos e técnicas
para exploração visual, análise, síntese e apresentação de dados espaciais. (MACEACHREN;
KRAAK, 1995).
A visualização cartográfica é um conceito derivado da visualização científica,
podendo ser definido também como visualização geográfica ou geovisualização com ênfase
na análise e na comunicação. Sua proposta é a integrar os recursos da Cartografia digital e o
poder analítico dos sistemas de informação geográfica a bancos de dados espaciais e não
espaciais através de recursos multimídia em ambiente interativo com distribuição por mídia
discreta ou via rede.
O uso dos computadores na Cartografia provocou uma profunda transformação
envolvendo a representação, a comunicação e a produção de mapas, sendo que a
representação cartográfica evoluiu na era da informação digital para uma nova aplicação: a
Cartografia multimídia ou geovisualização. Para Zhou, a Cartografia multimídia é a
associação de diversas mídias como, imagens de vídeo, som e animações aos símbolos

Desenvolvida na França por Jacques Bertin na década de 1960, a semiologia gráfica pode ser entendida como "a ciência
que estuda os sistemas de sinais que o homem utiliza na vida social: línguas, códigos, sinalizações

trata-se de um

método de trabalho cartográfico que envolve "a parte racional do mundo das imagens" (CASTRO, 1993, p. 67).

4332

�gráficos da Cartografia. O mapa migrou para a internet dando início a um novo formato de
gestão desta informação: a mapoteca digital (ZHOU apud SANTIL, 2010).

3 Biblioteca digital e a informação eletrônica
A biblioteca sempre se apropriou das tecnologias para cumprir seu papel de repositório
e disseminador da informação independente do formato em que a informação estiver
acondicionada, assim foi com as fichas em papel, o microfilme, o disquete, CD-ROM e agora
com a web e o armazenamento na nuvem. A maioria das tecnologias ligadas ao
armazenamento de dados, comunicação e disseminação da informação, foram testadas
primeiramente em bibliotecas, influenciando diretamente a sua trajetória ao longo do tempo.
A concepção de novas formas de Disseminação Seletiva da Informação - DSI, só é
possível graças ao fenômeno denominado, coerência das mídias digitais que, segundo Corrêa
e Corrêa (2007), possibilitam a integração de objetos digitais heterogêneos. Os ambientes
digitais incorporam novos perfis de consumidores, reconfigurando produtos e serviços de
informação, obtidos a partir de concepções inéditas ou de processos inovadores de serviços já
consagrados.
As bibliotecas digitais minimizaram as distâncias entre as pessoas e a informação, e
através de suas potencialidades, criaram uma enorme expectativa no que se refere ao processo
de pesquisa e as fontes de informação, explorados em larga escala por instituições
governamentais, educacionais, empresariais e científicas.

Tratadas a partir de recursos

digitalizados, a biblioteca digital representa um espaço sinérgico entre a área da tecnologia da
informação e as outras áreas do conhecimento. Atuando como o repositório institucional de
toda a produção científica, vinculando esta informação aos diversos repositórios e redes de
compartilhamento de informações, proporcionando a visibilidade necessária, para a
comunidade científica. Outro aspecto importante são as possibilidades extraordinárias que se
apresentam para educadores, professores e alunos, estabelecendo um novo canal de
comunicação através das novas metodologias pedagógicas que promovam a eficácia do
processo de ensino e aprendizagem, utilizando ferramentas, técnicas ou recursos de
aprendizado capazes de diminuir as distâncias e ampliar as possibilidades de transferência de
dados, a partir da utilização de conteúdos multimídia, que buscarão a convergência das
informações por intermédio da interatividade e integração de informações das diferentes áreas
do conhecimento.

4333

�Esta nova relação entre a biblioteca e o mundo digital, rompe com as barreiras de
acessibilidade e preservação, que na maioria das vezes, são o grande abismo entre o usuário e
o conteúdo desejado. Neste caso, o formato digital é o suporte que permite a preservação de
forma íntegra e confiável de conteúdos raros e únicos ou frágeis, ao mesmo tempo em que
proporciona acesso universal, instantâneo e multiusuário aos conteúdos. O documento
eletrônico representa um grande avanço na comunicação direta, online, na distribuição e
obtenção de conteúdos através de redes de computadores, na multiplicidade de copias a partir
de uma versão original, no nível de especificidade que é possível tratar as informações
digitais e nas suas possibilidades de reuso.

4 Mapoteca digital
A Cartografia assim como as geotecnologias, foi impactada pelo crescente interesse de
profissionais de diversos setores do conhecimento pelos Sistemas de Informações Geográficas
- SIG, o que ampliou e intensificou a demanda por acesso à informação geográfica, assim
como o crescente uso da Internet, resultando na expansão da produção e do uso maciço de
produtos cartográficos por usuários que nem sempre são especialistas e tão pouco sabem
utilizar um Sistema de Informações Geoespaciais.
A informática democratizou a Cartografia, tornando-a além de um importante meio de
disseminação do conhecimento geográfico, uma importante fonte de pesquisa, permitindo
que, qualquer pessoa com acesso à internet, acesse desde informações quantitativas e imagens
de satélites até sites de pesquisa para localização de lugares (Location Based Services - LBS),
endereços, rotas ou mapas. (RAMOS, 2005).
Estes fatores colaboraram para o aumento da produção eletrônica de documentos
cartográficos, despertando o interesse pela possibilidade de obter de forma online, dados e
versões digitais de produtos cartográficos como, mapas, cartas, carta-imagem, ortofotos, atlas,
estudos geográficos entre outros.
Acompanhando a evolução tecnológica da área, desenvolveu-se a mapoteca digital,
que a princípio, deve constituir-se em um espaço dinâmico que promova a geração, o
compartilhamento e a disseminação do conhecimento geográfico, tornando os dados de
pesquisa acessíveis em escala planetária pelos pesquisadores interessados.
Para Santil (2010), os mapas disponibilizados atualmente como meio de informação
espacial na internet foram concebidos com objetivos diferentes:

4334

�a) Mapas estáticos: não permitem interação com o usuário porque foram gerados em
meio digital para serem impressos ou apenas para visualização no monitor;
b) Hipermapas ou mapas clicáveis: permitem algum nível de interação online com o
usuário;
c) Mapas que permitem a interatividade com o usuário online e tem como expoente
maior o Google Earth.

A infraestrutura oferecida pela internet e seu alcance a um público cada vez maior, é
um fator de impacto para gestão da informação e não deve ser desconsiderado. Com foco no
aumento exponencial do número de usuários os desenvolvedores tem criado aplicativos para
computadores e equipamentos portáteis como, Tablets, Laptops, SmatPhones, PDA (Personal
Digital Assistant), GPS (Global Positioning System), que se adequem de forma rápida e
eficiente às demandas atuais.
Ao determinar o fim das restrições de espaço e tempo ao acesso à informação, o
repositório digital contribui para a redução das desigualdades sociais e regionais através da
democratização da informação, ou seja, o direito de livre acesso à informação. Em sua
essência, estes repositórios constituem-se em um conjunto de recursos eletrônicos e
capacidades técnicas associadas para criar, buscar e usar informações, apresentando-se como
uma extensão dos sistemas de armazenamento e recuperação de informação, que manipulam
dados digitais nos mais variados formatos, operando em um ambiente distribuído.
Os sistemas de gerenciamento da informação voltados para o modelo digital
apresentam possibilidades importantes tais como (CUNHA, 1999):
a) Acesso remoto pelo usuário, por meio de um computador conectado a uma rede;
b) Utilização simultânea e remotamente do mesmo documento por duas ou mais pessoas;
c) Reprodução deste conteúdo tanto no formato impresso como digital;
d) Possibilidade de incorporação de diversos tipos de informação tais como texto, som,
imagem e vídeo;
e) Possibilidade de colaboração entre pesquisadores, que é a chave para a pesquisa e o
desenvolvimento.

5 Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD da PUC Minas
A BDTD PUC Minas é o repositório institucional responsável pelo armazenamento de
toda a produção dos programas de pós-graduação da PUC Minas. Os trabalhos estão

4335

�armazenados no formato PDF (Portable Document Format (formato de arquivo, desenvolvido
pela Adobe Systems, para representar documentos de maneira independente do aplicativo,
do hardware e do sistema operacional usado para criá-los) e estão disponíveis online na
página do SIB da PUC Minas, permitindo acessibilidade e cooperação da produção científica
e tecnológica institucional em escala global.
A BDTD da PUC Minas está organizada por: área do conhecimento; autor; data de
defesa; orientador; programa de pós-graduação e texto completo, sendo que os campos de
pesquisa remetem o usuário a um único resultado, o acesso ao PDF do documento, fazendo
com que sua visualização se realize apenas pela consulta integral ao texto.
O acesso à BDTD da PUC Minas pode ser feito pelas páginas dos Programas de PósGraduação da PUC Minas e do SIB PUC Minas.

6 Mapoteca Digital da PUC Minas
A construção do modelo teve como base a análise das mapotecas digitais existentes no
mercado, observando suas funcionalidades e potencialidades, tendo como proposta,
estabelecer um parâmetro para construção do modelo conceitual, onde o primeiro objeto de
pesquisa foi a BDTD da PUC Minas, e mais especificamente, os mapas produzidos pelos
mestrandos e doutorandos nas três Linhas de Pesquisa do PPGG-TIE da PUC Minas.
O PPGG-TIE da PUC Minas, esta organizado em três linhas de pesquisa, sendo elas
Sistemas de Informações Geográficas, Estudos Urbanos e Regionais e Meio Ambiente. Estas
linhas se dividem em grupos temáticos que conferem um caráter multidisciplinar e
transdisciplinar às atividades, contribuindo qualitativamente para o processo de pesquisa,
produção científica e na formação do corpo discente. As teses e dissertações do defendidas no
PPGG-TIE da PUC Minas são compostas em sua maioria, por mapas e integram o acervo do
repositório institucional denominado Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD da
PUC Minas.
A proposta de desenvolver uma mapoteca digital com base nos princípios da
geovisualização e da modelagem dos dados geoespaciais, teve como motivação, disponibilizar
a visualização da produção cartográfica do PPGG - TIE e definir um padrão de metadados
capaz de garantir a credibilidade e a interoperabilidade das informações com outros sistemas.
O modelo proposto para a Mapoteca Digital PUC Minas é baseado no uso da Internet
ou intranet com arquitetura de cliente/servidor para distribuição de dados, via protocolos FTP
e/ou http. O software adotado para gerenciar o processo de cadastro, pesquisa e visualização

4336

�online das informações é o mesmo utilizado SIB PUC Minas, Pergamum. O Pergamum é um
software de gerenciamento que proporciona versatilidade na modelagem do banco de dados e
a possibilidade de futuras integrações a sistemas nacionais e internacionais de cooperação de
dados e informações. Este sistema permite a consulta e a visualização do mapa de forma
estática no monitor, possibilitando ao usuário, capturar/copiar ou imprimir, devendo sempre
observar a indicação da fonte para uso público.

6.1 Seleção dos Mapas
O desenvolvimento deste trabalho compreendeu a analise de uma amostra de vinte e
sete mapas do total de cento e quarenta e quatro publicações cadastradas no acervo e postadas
na BDTD da PUC Minas, sendo selecionados nove mapas temáticos de cada uma das linhas
de pesquisa em análise espacial do mestrado do PPGG-TIE da PUC Minas, dividindo-se em:
nove mapas da área de Estudos Urbanos e Regionais; nove da área de Meio Ambiente e nove
da área de Sistemas de Informações Geográficas. O objeto de estudo foram os mapas
elaborados por autores de teses ou dissertações, que não possuam nenhum tipo de restrição de
acesso ao conteúdo conforme Lei N° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regulamenta os
Direitos Autorais no Brasil.
A amostragem permitiu a validação dos dados possibilitando a realização dos ajustes
necessários para definição dos metadados que compõe a base de dados geoespacial do
Pergamum, que é a base de informações da Mapoteca Digital da PUC Minas.

6.2 Imagens: captura / tratamento / armazenamento
Para construção do banco de imagens da Mapoteca Digital, foi necessário analisar o
conteúdo das amostras para definição de quais os mapas integrariam o banco de
imagens/mapas. Os critérios utilizados para seleção dos mapas observaram principalmente o
rigor metodológico para sua elaboração, compreendendo a clareza das informações contidas
no mapa, analisadas a partir dos elementos cartográficos (título, fonte, orientação, projeção,
escala e legenda) e da semiologia gráfica utilizada, fatores importantes na comunicação
cartográfica. Um dos fatores de impacto ao se trabalhar com a imagem é a sua qualidade. A
GTI PUC Minas, que é a gerência responsável pela área da Tecnologia da Informação
institucional, preocupada com a capacidade de armazenamento dos servidores, determina que
os arquivos das dissertações depositadas na BDTD, sejam salvos no formato PDF (Portable
Document Format) desenvolvido pela empresa Adobe Systems. Este procedimento, porém,

4337

�compromete o processo de captura e tratamento destas imagens/mapas, pois a baixa resolução
não permite melhorar qualidade da imagem.
Como forma de testar a funcionalidade do modelo, a captura foi realizada a partir
seleção da imagem estática do mapa na tela ativa do computador, diretamente do PDF da
dissertação e salva no diretório denominado “Mapas”. No tratamento das imagens, foi
utilizado

o

software

livre

para

edição

de

imagem,

GIMP

(GNUImage Manipulation Program), porém, em virtude da baixa resolução dos arquivos em
PDF, as intervenções não surtiram o efeito desejado. Após este procedimento as imagens
foram armazenadas no diretório denominado “Capas”, temporariamente mapeado na rede
Administrativa da PUC Minas que é a mesma rede utilizada pelo sistema Pergamum. Com o
objetivo de padronizar o processo de organização e armazenamento das imagens/mapas
dentro do diretório, foi criada uma pasta “Mapas” contendo três subpastas denominadas,
“Estudos Urbanos e Regionais”, “Meio Ambiente” e “Sistemas de Informações Geográficas”,
em observação às linhas de pesquisa do PPGG-TIE da PUC Minas.

6.3 Base de Dados Geoespaciais do Pergamum - tratamento técnico das informações
O tratamento técnico de um mapa requer análise minuciosa, uma vez que reúne
características de livros e imagens, tornando sua descrição bibliografica um pouco mais
complexa, devendo-se acrescentar, notas descritivas que permitam o detalhamento de
informações como escala, projeção, coordenadas geográficas, datas e notas bibliográficas, que
são tão importantes quanto o autor e o título.
Cunha compara o processo de tratamento das informações contidas em um mapa ao
processo do livro onde os dados para sua descrição são obtidos essencialmente da pagina de
rosto, o “mapa, todo ele é uma pagina de rosto, pois os dados estão impressos fora da área
ocupada pelo desenho, distribuídos pelos espaços vazios” (CUNHA, 1999). O processo de
classificação de mapas diferencia-se dos livros por serem classificados primeiramente pelo
lugar e então pelo assunto, ao contrário dos livros onde a primeira informação a ser
considerada é o assunto e posteriormente o lugar.
As datas constituem-se em elementos extremamente importantes, pois são
diferenciadas pelo período de publicação e a reambulação, sendo esta a mais importante por
referir-se ao período que compreendeu a pesquisa e a coleta de dados.
Os mapas que irão compor a Mapoteca Digital da PUC Minas receberão tratamento
individualizado, com número de acervo e seus metadados geoespaciais inseridos no banco de

4338

�dados do Pergamum. Atualmente, o SIB PUC Minas utiliza como formato bibliográfico para
entrada dos metadados o MARC 21500. Sua principal função é promover a comunicação da
informação a partir da permuta de registros, colaborando significativamente para diminuir a
duplicação de esforços garantindo a qualidade e a confiabilidade da informação veiculada. O
formato MARC 21, utiliza para o tratamento das informações o Código de Catalogação
Anglo-Americano - AACR2501 e a Classificação Decimal Universal - CDU502.
Para a modelagem dos metadados cartográficos e geoespaciais, foi utilizada a norma
proposta pela Comissão Nacional de Cartografia - CONCAR (CONCAR, 2009), identificada
como fórum nacional para o desenvolvimento da pesquisa e dos estudos necessários para
implementação de um catalogo nacional de metadados. A parametrização dos produtos
cartográficos observou os seguintes aspectos:
a) Identificar o produtor e a responsabilidade técnica de produção;
b) Garantir a transferência de dados;
c) Possibilitar o controle de qualidade;
d) Propiciar um maior conhecimento quanto ao conteúdo dos dados relevantes ao seu
negócio;
e) Estabelecer um controle eficiente na produção de dados e informações, além de
auditar e informar a qualidade dos dados produzidos;
f) Subsidiar a disseminação e identificar direitos de propriedade de produção e de uso
dos dados;
g) Viabilizar a transferência / intercâmbio / compartilhamento de dados entre sistemas e
organizações;
h) Estabelecer padrões de descritores de dados, diante da enorme e diversificada gama de
informações contidas e disponibilizadas na rede;
i) Propiciar aos usuários, identificar o conteúdo e analisar a adequabilidade dos dados
disponíveis para as suas múltiplas aplicações;
j) Estimular o uso de padrões de metadados, e seu cadastramento;

500 Desenvolvido pela Library o f Congress (USA), o MARC 21 é o padrão adotado internacionalmente,
permitindo o armazenamento e a transferência de dados bibliográficos garantindo a interoperabilidade entre
diferentes softwares de gerenciamento em sistemas de informação.
501 AACR2 é um compêndio de regras para a criação de descritores bibliográficos e para a escolha, construção e
atribuição dos pontos de acesso (cabeçalhos de assunto ou palavras-chave);
502 A CDU é um sistema de classificação documental analítico que utiliza sinais auxiliares para indicar vários
aspectos especiais de um assunto ou a relações entre assuntos. Abrange todas as áreas do conhecimento e se
adequa a qualquer tipo de suporte seja ele, impresso, eletrônico e digital. Sua arquitetura flexível é compatível
tanto com a leitura por máquinas de versões antigas como as mais atuais com sistemas de acesso público on­
line.

4339

�k) Viabilizar os estudos para a definição das linguagens de consulta (semântica e
espacial) de metadados e sistemas de intercâmbio de dados.
A planilha atual para catalogação de materiais cartográficos no SIB PUC Minas,
cadastrada no sistema Pergamum, possui quinze campos para entrada de metadados, sendo
que apenas cinco, destinam-se aos dados geoespaciais. Para o modelo proposto definiu-se
uma planilha com 21 elementos obrigatórios, dos quais quinze são específicos para descrição
dos metadados geoespaciais. Em virtude da especificidade das informações geoespaciais,
observou-se que a identificação destas informações, deve ser realizada por um geógrafo,
como forma de garantir a qualidade e a consistência das informações geográficas.

6.4 Entrada de dados no Sistema Pergamum
O módulo de catalogação do Pergamum possibilita o cadastramento e a customização
de planilhas definindo quais os campos (obrigatórios ou não), necessários para montagem e
alimentação do banco de dados geoespacial. Estes metadados são essenciais para o processo
de organização e recuperação das informações, pois permitirá ao usuário recuperar o mapa a
partir de qualquer metadado utilizado na sua construção, possibilitando um melhor nível de
refinamento no processo de pesquisa.
O Pergamum permite criar vínculos entre metadados e imagens, neste caso, o mapa
digital, resultando no processo de visualização de sua imagem associada aos dados
geoespaciais e a versão digital da dissertação que o originou e que encontra-se depositada na
BDTD da PUC Minas. O sistema esta programado para atualizar automaticamente as
informações e disponibilizá-las na Web a cada duas horas.

6.5 Visualização dos mapas
Para pesquisar o mapa digital no acervo do SIB PUC Minas, o usuário deverá utilizar
o software de gestão de sistemas de bibliotecas Pergamum, utilizado pelo SIB PUC Minas,
que permite ao usuário pesquisar por autor, título ou assunto/palavra-chave, ou seja, qualquer
informação registrada nos metadados do documento, recuperando todos os materiais
existentes no acervo relacionado ao termo de busca. O sistema oferece outras possibilidades
de refinamento da pesquisa utilizando os operadores boleanos E, OU e NÃO, ou
paremetrizando a partir da definição da Unidade de Informação (permite definir em qual das
Bibliotecas do SIB ele deseja pesquisar) e pelo tipo de obra (permite a definição de pesquisa
por tipo de material).

4340

�O resultado desta pesquisa é a imagem miniaturizada dos mapas juntamente com os
dados catalográficos. Ao clicar na miniatura do mapa com o botão direito do mouse, será
aberto em uma nova aba com a imagem estática do mapa em tamanho original, que poderá ser
impressa ou copiada para qualquer dispositivo desde que seja mencionada a fonte. Outra
opção que será disponibilizada ao usuário é o link para a tese ou dissertação de origem do
respectivo mapa disponível na BDTD da PUC Minas, possibilitando uma visão mais
integrada e contextualizada das informações que nortearam a elaboração e a finalidade do
mapa, permitindo inclusive, que usuário amplie sua estratégia de busca realizando o caminho
inverso, ou seja, selecionar as Teses e Dissertações a partir dos mapas temáticos. A
disponibilização das imagens dos mapas seguiu os critérios de autorização junto a CAPES,
resguardando os direitos autorais e definições de acesso.

7 Resultados Parciais/Finais
Como resultado foi apresentado o protótipo da Mapoteca Digital da PUC Minas,
disponibilizando três mapas para pesquisa online. (Figura 7)

Figura 7 - Caixa de pesquisa do Pergamum - Resultado de pesquisa

Fonte: Sistema Pergamum, (2013).

O item selecionao no resultado da pesquisa é o mapa Pedológico da Serra do Cipó Minas Gerais (Figura 8), elaborado por Débora Campos Jansen em sua Dissertação de
mestrado orientada pelo Prof. Luiz Eduardo Panisset Travassos, com o título “Análise
ambiental da área de proteção ambiental Morro da Pedreira e do Parque Nacional da

4341

�Serra do Cipó para a proteção do patrimônio espeleológico”, defendida no PPG em
Geografia - Tratamento da Informação Espacial, em 15/04/2013.

Figura 8 - Resultado de pesquisa (Ítem selecionado)

Mapa pedolóaico da Serra do Cipó. Minas Gerais [mapa digital] / 2013 - f Mapa digital 1

(D

JANSEN, Débora Campos; TRAVASSOS, Luiz Eduardo ramsset. M apa p e d o lo g ico da Serra do Cipo,

® tèJ

M inas Gerais. 2013

Referência

Marc

Çÿ

Fonte: Sistema Pergamum, (2013).

8 Considerações Parciais/Finais
Como observado ao longo deste trabalho, o mapa é cada vez mais utilizado por
geógrafos, pesquisadores, estudantes e outros profissionais que necessitam utilizar seus dados
geográficos para reconhecimento de locais a serem estudados e planejados. No ensino de
Geografia, os docentes têm observado a sua importância como instrumento de pesquisa
indispensável no processo ensino-aprendizagem, utilizando-o cada vez mais como recurso
pedagógico. Ao associarmos o conceito de visualização para o ensino, observamos que os
estímulos visuais são importantes no processo de construção mental do conhecimento,
entendemos que do mesmo modo como os professores usam o giz e o quadro negro, o mapa
também está intrinsecamente ligado ao ensino de Geografia, ou seja, o ensino pelo mapa e
não do mapa, seja ele impresso ou digital, o que confirma a relevância e a aplicabilidade deste
trabalho.
A BDTD da PUC Minas cumpre o seu papel de repositório para a produção científica
institucional, porém a associação de um sistema de gerenciamento da informação eficaz,
permitirá aos usuários explorarem o conteúdo de forma ampla. Neste sentido a construção do
modelo foi realizada com sucesso, a partir do estudo detalhado dos padrões de metadados
geoespaciais nacionais e internacionais e do software de gerenciamento destes dados, em
consonância com os conceitos da Cartografia, da visualização cartográfica e da Ciência da
Informação, essenciais no processo de armazenamento, tratamento, organização e
disseminação da informação geoespacial.

4342

�O modelo desenvolvido encontra-se integrado ao Pergamum, porém, sua efetivação
está vinculada a adoção dos seguintes procedimentos que alteram o protocolo atual de
depósito das teses e dissertações na BDTD, são eles:
a) o preenchimento pelo autor da planilha de metadados geoespaciais referente ao mapa
por ele elaborado. Cada mapa produzido deverá ter a sua planilha gravada em mídia
digital (CD ou DVD). A planilha estará disponível para download na página do
PPGG-TIE, juntamente com a as normas para publicação de teses e dissertações.
b) para garantir a qualidade das imagens que integrarão o banco de imagens, torna-se
necessário que os mapas sejam elaborados no formato PNG com resolução de 200 dpi
e gravados em mídia digital (CD ou DVD). Este procedimento evitará a necessidade
de tratamento da imagem, garantindo a qualidade do produto e sua visualização;
c) as mídias contendo os planilhas e os mapas deverão ser entregues ao setor de
Processamento Técnico da Biblioteca da unidade Coração Eucarístico, juntamente
com processo de depósito da tese ou dissertação na BDTD da PUC Minas. Este setor
ficará responsável pela inserção dos dados e manutenção da base de dados do
pergamum que alimentará a Mapoteca Digital;
d) para que a Mapoteca Digital tenha uma maior visibilidade, propõem-se a instalação de
um link nas principais páginas web da instituição (PPGG - TIE, curso de graduação
em Geografia e do SIB PUC Minas).

Desta forma, esperamos que o modelo proposto estabeleça a comunicação entre a
produção científica institucional e as demandas por informações geográficas no meio social,
empresarial, acadêmico, científico e tecnológico nacional, fomentando o contato com as
geotecnologias e ao mesmo tempo contribuindo com o processo de democratização e de
disseminação das informações cartográficas e geográficas.

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4344

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O avanço das geotecnologias ampliaram as possibilidades de geração de produtos cartográficos, e com elas a necessidade de estabelecer padrões que possibilitem a integração e o compartilhamento de dados geoespaciais. O objetivo deste artigo consiste em apresentar um modelo para armazenamento, recuperação e visualização de mapas em uma Mapoteca Digital de acesso público, utilizando o software Pergamum. A construção do modelo baseou-se na análise do processo de criação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC Minas - BDTD PUC Minas, cujo objeto de estudo foram os mapas produzidos pelas linhas de pesquisa do Programa de Pós-graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas - PPGG-TIE da PUC Minas. A metodologia adotada buscou definir um padrão de metadados geoespaciais, capaz de descrever os dados utilizados para criação do mapa, garantindo sua credibilidade e interoperabilidade com outros sistemas. Como resultado, foi apresentado o protótipo da Mapoteca Digital da PUC Minas utilizando o Pergamum, software para gerenciamento de serviços de informação adotado pelo Sistema de Bibliotecas da PUC Minas - SIB PUC Minas, permitindo ao usuário pesquisar e visualizar o mapa e a dissertação que o originou. A possibilidade de utilização da Mapoteca Digital da PUC Minas, como recurso didático pedagógico, proporcionará uma melhor compreensão dos fenômenos de natureza espacial no âmbito da pesquisa geográfica, estabelecendo um elo entre a produção científica institucional e as demandas por informações geográficas no meio social, empresarial, acadêmico, científico e tecnológico, fomentando o contato com as geotecnologias dinamizando o processo de democratização e disseminação das informações cartográficas e geográficas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

METODOLOGIAS PARA O MAPEAMENTO DE PROCESSOS EM
BIBLIOTECAS144

Marciléia Aparecida de Paula
Valéria Martin Valls

RESUMO
Considerando a importância de se implantar a Gestão da Qualidade nas instituições, busca
compilar a apresentação de metodologias encontradas na literatura para o Mapeamento de
Processos em bibliotecas. Para tanto, revisa a literatura sobre o tema Mapeamento de
Processos, relacionando-o com o ambiente bibliotecário, e apresenta as metodologias
encontradas na literatura (Modelagem de Processos de Negócios (MPN), ARIS/EPC,
Formulário SIPOC, Servpro e Roteiro do Inpe). Ao final, sugere qual seria a melhor
metodologia bem como as etapas a serem colocadas em prática por profissionais que
objetivem mapear os processos de trabalho em suas bibliotecas.

Palavras-Chave: Gestão da qualidade; Gestão por processos; Mapeamento de processos;
Biblioteca.

ABSTRACT
Considering the importance of implementing the Quality Management in the institutions, aims
to compile the presentation of methodologies found in the literature for Process Mapping in
libraries. To do so, reviews the literature about the topic Process Mapping, relating it to the
librarian environment, and presents the methodologies found in the literature (Business
Process Modeling (BPM), ARIS / EPC, Form SIPOC, Servpro and Screenplay INPE). At the
end suggests what would be the best methodology and the steps to be put into practice by
professionals that aim to map the processes of work in their libraries.
Keywords: Quality management; Process management; Process Mapping; Library.

1 INTRODUÇÃO
Ao longo da história as bibliotecas passaram por ciclos de evolução, deixando de ser
meros depósitos de livros para alcançar a importante função de disponibilizar produtos e
serviços que possibilitem acesso a informações fidedignas e de qualidade. Nesse contexto, é
144 Comunicação baseada no Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola Pós-Graduada em Ciências
Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo em 2013, como requisito para a obtenção do
título de Especialista em Gerenciamento de Sistemas e Serviços de Informação.

1273

�de suma importância a preocupação com o nível da qualidade dos serviços oferecidos, a fim
de que os mesmos estejam voltados a atender as necessidades dos usuários, pois, dessa forma,
eles ficarão satisfeitos e a qualidade percebida por eles fará com que passem a ter uma
imagem positiva da instituição que lhes prestou o serviço.
Para tanto, surge a preocupação, por parte dos dirigentes de tais instituições, de
atualização das práticas gerenciais utilizadas. Tal preocupação faz com que os profissionais
bibliotecários deixem de ter apenas conhecimentos técnicos sobre a área da Biblioteconomia,
e voltem-se à área da Gestão, mais especificamente à Gestão da Qualidade, pois, “ [...] a
qualidade, como nova filosofia gerencial, tenta atenuar a diferença entre o que a organização
oferece e o que seu usuário espera dela” (ABREU; ANDALIA, 1998, p. 80, tradução nossa).
No entanto, para que a Gestão da Qualidade seja colocada em prática em uma
instituição, deve-se conhecer, com profundidade, os processos de trabalho desenvolvidos. Isso
pode ser alcançado por meio da atividade de Mapeamento de Processos, que surge a partir do
estabelecimento da forma de administração denominada Gestão por Processos que é “ [...] uma
metodologia empregada para definir, analisar e gerenciar as melhorias no desempenho dos
processos da empresa, com a finalidade de atingir as condições ótimas para o cliente”
(RADOS et al., 1999, p. 4 apud REIS; BLATTMANN, 2004, p. 10). Ou seja, a Gestão por
Processos visa aumentar a qualidade dos serviços oferecidos aos usuários sendo, assim, um
dos princípios da Gestão da Qualidade que pode, além de ser empregado em empresas, ser
utilizada em bibliotecas também.
Dessa forma, como as práticas gerenciais mencionadas visam trazer melhorias para os
processos colocados em prática numa instituição, esse trabalho busca compilar a apresentação
de metodologias encontradas na literatura para o Mapeamento de Processos em bibliotecas,
bem como sugerir qual seria a melhor metodologia e as etapas a serem colocadas em prática
por profissionais que objetivem mapear os processos de trabalho em suas bibliotecas.2

2 MAPEAMENTO DE PROCESSOS
Com a globalização e o rápido avanço da sociedade, o mundo vem se tornando cada
vez mais competitivo. Para se adaptar a essa nova dinâmica, algumas empresas tiveram que
passar por mudanças estratégicas, pois, “a competição é tão intensa e os mercados tão
dinâmicos e voláteis que a necessidade de evolução tem se tornado a força dominante na
estratégia das empresas” (RUHLI, 1997 apud MARCO, 1999, p. 2, grifo nosso). A
necessidade de evolução destacada diz respeito, dentre outras coisas, à disposição para adotar
novos procedimentos de trabalho que visem atender às novas estratégias estabelecidas pela

1274

�empresa. Nesse sentido, se a mudança estratégica da empresa estiver relacionada à qualidade,
se faz necessário conhecer novas possibilidades para a implementação da mesma. Dentre tais
possibilidades destaca-se a Gestão da Qualidade que pode ser entendida:

[...] como a forma de gestão de uma organização, definida pela alta direção,
tendo como base as necessidades dos seus clientes, baseada na identificação
de requisitos de qualidade do produto ou serviço, no estabelecimento de um
planejamento para que esse padrão seja atingido e na constante busca pela
melhoria, em todos os seus aspectos, visando à satisfação dos clientes e a
eficácia da organização (VALLS, 2004, p. 173).
Para tanto, é preciso que todas as partes da instituição estejam voltadas para o mesmo
objetivo estratégico e, assim, é importante a implantação de um Sistema de Gestão da
Qualidade (SGQ). Por esse SGQ é estabelecido o conjunto de regras mínimas para que cada
setor execute suas tarefas em harmonia com os demais. Para que essas regras mínimas possam
ser estabelecidas, a alta direção pode se valer dos oito princípios da Gestão da Qualidade que
são apresentados pela NBR ISO 9000 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2000, p. 2): 1 - Foco no cliente; 2 - Liderança; 3 - Envolvimento de pessoas; 4
- Abordagem de processo; 5 - Abordagem sistêmica para a gestão; 6 - Melhoria contínua; 7 Abordagem factual para a tomada de decisão e 8 - Benefícios mútuos nas relações com os
fornecedores.
A “abordagem de processo” é o princípio que está mais diretamente relacionado com a
atividade de Mapeamento de Processos, uma vez que, visa gerenciar as atividades e recursos
relacionados como um processo. “Um processo é uma coleção de atividades que se inicia em
uma ou mais entradas e produz uma saída que tem valor para o cliente” (HAMMER;
CHAMPY, 1993, p. 35, tradução nossa). Nesse fluxo, existe uma sequência de atividades
onde há uma entrada (input), que pode ser tangível (material) ou intangível (informação).
Através dos recursos existentes e guias e regras seguidas pela instituição, essa entrada é
processada e sofre uma agregação de valor, dando origem a algum produto ou serviço que
constitui a saída (output).
Dessa forma, as atividades são integradas e dependentes umas das outras, ou seja, o
trabalho a ser desenvolvido em um setor específico depende, para prosseguir, do resultado do
setor anterior. Assim, surge a necessidade de que as instituições abandonem a administração
tradicional baseada na estrutura vertical (onde as atividades são gerenciadas por função, tendo
seus departamentos e setores administrados de forma isolada) e passem a considerar a
estrutura horizontal (que não leva em consideração as divisões departamentais, mas sim a

1275

�realização dos processos de forma linear, acompanhando todo o seu desenvolvimento, do
início até o final).
Nesse contexto, o Mapeamento de Processos é uma das atividades mais importantes de
serem colocadas em prática, pois, numa organização ela proporciona “ [...] o conhecimento e a
análise dos processos e seu relacionamento com os dados, estruturados em uma visão top

down, até o nível que permita sua perfeita compreensão e obtenção satisfatória dos produtos e
serviços, objetivos e resultados dos processos” (MARANHÃO; MACIEIRA, 2004, p. 53).
De acordo com Reis e Blattmann (2004, p. 8) a hierarquia do processo

[...] é a forma de classificar os processos de acordo com o seu grau de
abrangência na organização. Sintetiza-se desta maneira: a) Macroprocesso: é
um processo que geralmente envolve mais de uma função da organização,
cuja operação tem impactos significativos nas demais funções. Dependendo
da complexidade, o processo é dividido em subprocessos; b) Subprocessos:
divisões do macroprocesso com objetivos específicos, organizadas seguindo
linhas funcionais. Os subprocessos recebem entradas e geram suas saídas em
um único departamento; c) Atividades: os subprocessos podem ser divididos
nas diversas atividades que os compõem, e em um nível mais detalhado de
tarefas.
O Mapeamento de Processos, portanto, pode ir do nível dos macroprocessos até o
nível das tarefas. Para que essa hierarquia possa ser melhor visualizada, apresenta-se a Figura
1, considerando o contexto de uma biblioteca:

O nível de abrangência a ser considerado pela instituição vai depender do tipo de
análise que se pretende fazer. No entanto, se o objetivo for a implantação da Gestão por
Processos, julga-se que quanto mais aprofundada for a análise melhor, pois, acredita-se que,
se houver falhas a serem detectadas, as mesmas estarão no nível dos subprocessos, atividades
e tarefas. Cada um desses níveis pode ser aprofundado ainda mais pela utilização de
ferramentas como, por exemplo, os fluxogramas. Além da análise dos processos em si, o
Mapeamento de Processos também proporciona que sejam identificadas as pessoas envolvidas
em cada uma das etapas do fluxo, fazendo com que as atribuições de responsabilidades sejam
feitas de forma clara. Outra possibilidade trazida pelo Mapeamento é a identificação das
interfaces dos processos da instituição com os processos de sua mantenedora. No caso dos
processos de um setor de aquisições de uma biblioteca universitária, por exemplo, podem-se
identificar relações com os setores financeiros ou de patrimônio da universidade.

1276

�Figura

1

-

Macroprocessos,

processos

e

subprocessos

em

unidades

de

informação.

Fonte: adaptado de M olina Molina et al. (2004).

Outras vantagens que podem ser alcançadas com o Mapeamento de Processos, além
das já mencionadas, são: documentação e padronização dos processos; integração dos
processos, possibilitando a simplificação das rotinas; redução de custos, com a eliminação de
retrabalhos e de atividades que não agregam valor ao resultado final. De acordo com Mello et
al. (2002), “o principal benefício obtido pelo mapeamento [...] é o surgimento de uma visão e
do entendimento de um processo compartilhado por todos os envolvidos” (apud BARBEDO;
RIBEIRO; MARCELINO, [2009], p. 3). Ou seja, quanto mais os processos forem entendidos,
mais as pessoas entenderão que não estão isoladas e que compartilham de um todo maior, que
trabalha em prol de um único objetivo. Assim, o Mapeamento de Processos só vem trazer
benefícios para a instituição que a implementar, uma vez que, seu principal objetivo é “ [...]
buscar um melhor entendimento dos processos de negócios existentes e dos futuros para
melhorar o nível de satisfação do cliente e aumentar [o] desempenho do negócio”
(CAMPOS; LIMA, 2012, p. 7, grifo nosso). Mais uma vez é destacada a importância da
satisfação do cliente, preocupação principal da Gestão da Qualidade.

1277

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa realizou-se no âmbito teórico, valendo-se de pesquisa bibliográfica onde os
trabalhos encontrados foram analisados criticamente. Dessa forma, foi possível fazer a revisão
de literatura dos temas abordados e apresentar metodologias utilizadas para o Mapeamento de
Processos em bibliotecas. Para o levantamento da bibliografia os instrumentos de busca
utilizados foram o Catálogo Online145 da Biblioteca da Fundação Escola de Sociologia e
Política de São Paulo (FESPSP) e a Internet, por meio de pesquisas nos buscadores Google e
Google Acadêmico. Outro fator que também ajudou na escolha da bibliografia foi a consulta
da bibliografia das primeiras obras analisadas, que serviram como uma espécie de “pista” para
a ampliação com os demais trabalhos.
Priorizou-se a leitura de materiais bibliográficos em português, uma vez que, o intuito
era focar a realidade presente no Brasil e, também, devido à facilidade de acesso ao idioma.
As obras foram selecionadas a partir da leitura de seus respectivos resumos e, no que diz
respeito aos temas pesquisados, destacam-se os seguintes: gestão da qualidade; gestão por
processos; mapeamento de processos e biblioteca. Inicialmente não houve a delimitação de
um período para o levantamento da bibliografia. No entanto, ao final da pesquisa, constatouse que a maior parte dos materiais encontrados eram datados do ano 2000 em diante, sendo
que apenas 3 eram da década de 1990. Também não houve uma delimitação quanto ao tipo de
material bibliográfico a ser consultado. No entanto, ao final da pesquisa chegou-se às
seguintes quantidades: 7 livros; 17 artigos (publicados em periódicos e em anais de eventos) e
3 trabalhos acadêmicos (sendo 2 Trabalhos de Conclusão de Curso e uma Dissertação de
Mestrado). A predominância de artigos, em detrimento de livros e de trabalhos acadêmicos,
pode demonstrar que os temas abordados no projeto têm um caráter mais aplicado do que
teórico.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS

No levantamento bibliográfico realizado foram encontradas cinco metodologias para o
Mapeamento de Processos, todas com aplicações práticas em bibliotecas e que serão
apresentadas a seguir.

145http://biblioteca.fespsp.org.br/pergamum/biblioteca/index.php?resolution2=1024_1&amp;tipo_pesquisa=&amp;filtro_bi
bliotecas=&amp;filtro_obras=&amp;termo=&amp;tipo_obra_selecionados=

1278

�4.1 Metodologias para o Mapeamento de Processos
4.1.1 Modelagem de Processos de Negócios (MPN)
A Modelagem de Processos de Negócios (MPN) foi utilizada por Di Francisco (et al.,
2010) para mapear os processos das bibliotecas do Sistema Integrado de Bibliotecas da
Universidade de São Paulo (SIBi/USP). A MPN trata-se de um submodelo da metodologia

Enterpreise Knowledge Development (EKD), que abrange um conjunto de técnicas de
detalhamento da execução das atividades, das diretrizes para a realização dos trabalhos e dos
fluxos de informação entre os processos por meio de uma representação gráfica de fácil
assimilação. O submodelo é “ [...] usado para definir processos organizacionais, e a forma pela
qual eles interagem e manuseiam a informação e os materiais” (PÁDUA, 2004, p. 37).
No caso do SIBi/USP, a partir do estabelecimento dos macroprocessos foi possível
identificar processos, subprocessos, atividades, instruções de trabalho, fluxos e indicadores.
Dentre os macroprocessos foram identificados 2 essenciais (como, por exemplo “Acesso
contínuo à informação e ao documento”), 5 gerenciais (como, por exemplo, “Gestão de
pessoas) e 4 de apoio (como, por exemplo, “Apoio às revistas científicas da USP”), que
reúnem 115 atividades. Cada um desses macroprocessos foi detalhado em planilha1461478.
Com relação aos indicadores, foram adotados como parâmetro os quatro definidos
pelo Projeto SIBindica

(GRANDI et al., 2008). Os quatro indicadores, que foram validados

por meio da aplicação de piloto em bibliotecas do SIBi/USP, são: Uso da coleção de livros e
outros materiais não periódicos; Rapidez do processamento técnico; Disponibilidade do
documento; Agilidade no EEB e Comutação Bibliográfica. Além desses, foi identificada a
necessidade do estabelecimento de mais dois: Agilidade na aquisição e Satisfação do Usuário
(PAQ). Além da elaboração de planilhas para a descrição dos macroprocessos, também foi
definido um modelo de registro para os indicadores de desempenho

.

O trabalho com a descrição dos mapeamentos dos processos do SIBi/USP não coloca
como foram representados os fluxos de cada um deles. Apenas é citado que estão sendo
elaborados em forma de “modelos de referência” que, de acordo com Guerrini et al. (2009, p.
7) “ [...] são uma representação de um conjunto de elementos organizados entre si para uma
finalidade. [...] sua função é facilitar a compreensão do papel dos envolvidos no processo para
permitir eventuais melhorias.”

146 Para verificar exemplos dessas planilhas, consulte o trabalho de Di Francisco et al. (2010).
147 Estudo de indicadores de desempenho sistêmico, com base em padrões nacionais e internacionais.
148 Para verificar exemplos desses modelos de registro, consulte o trabalho de Di Francisco et al. (2010).

1279

�No caso do SIBi/USP, a elaboração dos “modelos de referência” para os seus
processos é apresentada no trabalho de Coletta et al. (2010). Tal elaboração foi realizada a
partir dos macroprocessos identificados no trabalho anterior149. Segundo a autora supracitada,
o EKD, bem como seu submodelo MPN, é bastante utilizado na área de Engenharia de
Produção. No entanto, como pode ser visto, ele pode perfeitamente atender ao trabalho de
Mapeamento de Processos no contexto de uma biblioteca.

4.1.2 ARIS/EPC
Além da elaboração de planilhas e dos “modelos de referência”, para que uma MPN
possa ser colocada em prática existe, também, a metodologia ARIS (Architecture o f

Integrated Information Systems). Tal metodologia “ [...] está fundamentada na utilização de
uma grande variedade de modelos e objetos através dos quais os processos de negócio de uma
organização podem ser representados e analisados [...]” (GONÇALVES, 2010, p. 29). Dentre
os modelos existentes na metodologia ARIS, está o EPC, utilizado pela autora supracitada
para mapear os processos do serviço de atendimento ao usuário da Biblioteca Comunitária da
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
EPC (Event Driven Process Chain - Cadeia de Processos Dirigida por Eventos) é
parte simplificada da metodologia ARIS, onde um processo é modelado segundo o fluxo de
eventos e funções presentes nos processos. Seus principais componentes são:
S Funções: são as atividades, as tarefas ou os passos que precisam ser executados num
processo;
S Eventos: situações que ocorrem antes ou depois da execução de uma função;
S Conectores lógicos: unificam e separam os fluxos segundo os conectores E, OU ou
OU-exclusivo;
S Caminho: indica que aquele passo é descrito por meio de outro diagrama completo
(EPC).
No trabalho de Mapeamento dos Processos da Biblioteca Comunitária da UFSCAR,
após a identificação dos macroprocessos, os processos existentes foram detalhados por meio
de EPCs150.

149 Di Francisco (2010).
150 Para verificar exemplos de EPCs, consulte o trabalho de Gonçalves (2010).

1280

�4.1.3 Formulário SIPOC
A metodologia do Formulário SIPOC foi utilizada por Coelho (2011) para mapear os
processos das 20 Bibliotecas da Rede do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de
Santa Catarina (SENAC/SC). A abreviação SIPOC significa Supply, Inputs, Process, Output e

Consumers. Dessa forma, a metodologia permite identificar as entradas, os fornecedores, as
atividades, as saídas e os clientes presentes em cada processo. Além disso, “ [...] é um meio
efetivo de comunicação entre os membros da equipe, que facilita a visualização para membros
que ainda não conhecem o processo e precisam de uma visão mais sistêmica antes de se
aprofundarem nos detalhes.” (FINAMORE JR., 2008, p. 41).
No caso da Rede de Bibliotecas do SENAC/SC, as atividades desenvolvidas para o
Mapeamento dos Processos foram:

[...] a) Identificar os processos essenciais de cada área e a forma como estão
sendo executados; bem como seus objetivos; b) Identificar as atividades que
compreendem o processo, sua sequência lógica e os pontos de decisão, bem
como as unidades organizacionais envolvidas e as relações de dependência
entre as etapas do processo; c) Levantar os documentos e sua
regulamentação; d) Identificar oportunidades de melhoria e apresentar uma
proposta de mudança (COELHO, 2011, p. 4).
Dessa forma, foram identificados oito processos gerais e elaborados fluxogramas para
cada um deles, sendo possível otimizar e padronizar suas respectivas atividades.

4.1.4 Serpro
A técnica denominada Servpro151 foi utilizada por Santos, Fachin e Varvakis (2003)
para o Mapeamento dos Processos da Biblioteca Universitária Central da Universidade
Federal de Santa Catarina (BU/UFSC). Baseado no IDEF3 (Integrated DEFinition - técnica
de gestão de processos industriais desenvolvida pela Força Aérea dos Estados Unidos), o
Servpro foi adaptado para mapear os processos de serviços levando em conta o ponto de vista
do usuário. Dessa forma,

É importante destacar que o Servpro abrange somente os processos de que o
usuário participa (processos de linha de frente), pois considera que a
melhoria da qualidade em serviços ocorre a partir das atividades que são
percebidas pelo usuário. Assim, as interações usuário/organização que
ocorrem durante o processo são mapeadas na forma que o usuário as
vivencia. (SANTOS; FACHIN; VARVAKIS, 2003, p. 87).
151 Junção das palavras “serviço” e —
processo”.

1281

�O Servpro abrange dois elementos - diagrama e documento de elaboração

S

152

:

Diagrama: representa o processo graficamente, decompondo-o de forma hierárquica
até o nível de detalhamento desejado (subprocesso). Seus elementos básicos são: as
atividades de interação (as atividades de cada um dos processos, onde há interação
com o usuário); as setas (que conectam as atividades de interação); as junções
(indicam as ramificações do processo, através das atividades que ocorrem paralela ou
alternativamente) e go-to (utilizado quando há necessidade de indicar uma ligação
com a próxima ocorrência no processo e isso não tiver sido feito por uma seta).

S

Documento de elaboração: complementa a representação do processo presente no
diagrama, fornecendo informações adicionais sobre as atividades. É utilizado nas
atividades de interação presentes no mais baixo nível hierárquico do diagrama e,
portanto, não serão mais decompostas, o que justifica a necessidade da apresentação
de maiores detalhes sobre elas. Tais informações auxiliam na avaliação de
desempenho do processo. Seus elementos básicos são: nome, número e rótulo da
atividade de interação (identificam a atividade e seu nível hierárquico); elementos de
contato (representam os recursos com os quais o usuário tem contato e, por isso,
podem afetar a qualidade que percebe do serviço); interações entre os elementos e o
usuário (subatividades que não foram representadas graficamente e que correspondem
às relações de troca entre o usuário e a prestação do serviço); operações dos elementos
(operações necessárias para o fornecimento do serviço); operações do usuário
(operações que o usuário desempenha); determinantes da qualidade (parâmetros
utilizados pelo usuário para avaliar a qualidade do serviço) e medidas de desempenho
(indica o nível de desempenho das operações realizadas).

O Servpro tem sua gênese em uma técnica de gestão de processos industriais (IDEF3).
No entanto, foi perfeitamente adaptado para a gestão de processos de serviços sob a ótica do
usuário, podendo, dessa forma, ser utilizado para o Mapeamento de Processos em bibliotecas.152

152 Para verificar exemplos de diagramas e de documentos de elaboração, consulte o trabalho de Santos; Fachin;
Varvakis (2003).

1282

�4.1.5 Roteiro do INPE
O Serviço de Informação e Documentação (SID) do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE), baseado numa revisão de literatura, elaborou um roteiro próprio para o
mapeamento de seus processos. Tal roteiro, apresentado por Barbedo, Ribeiro e Marcelino
([2009]) é formado pelas seguintes etapas:

1 - Formação da equipe: constituição e capacitação da equipe que participará do
mapeamento dos processos;

2 - Elaboração do plano de trabalho: realização de reuniões para estabelecer os objetivos e
metas a serem cumpridas, as atividades a serem desenvolvidas, os recursos necessários,
resultados, prazos de entrega, apresentação do projeto à Direção, prever análises periódicas e
implementação de melhorias;

3 - Diagnóstico do SID: identificação da estrutura organizacional e mapeamento do quadro
de pessoal do SID;

4 - Entrevistas com a equipe do SID: interação da equipe com o projeto de mapeamento e
preenchimento de planilha descrevendo as tarefas realizadas;

5 - Elaboração dos fluxos: elaboração dos fluxos das tarefas identificadas na etapa 4;
6 - Análise e validação dos fluxos com as equipes: após a elaboração dos fluxos, os
mesmos são validados a partir do preenchimento de quadros resumos e apresentação de
soluções para os problemas identificados

;

7 - Definição dos processos: com base na validação dos fluxos, definem-se os processos da
unidade (agrupamento dos subprocessos) e, depois, os macroprocessos (agrupamento dos
processos). Nessa etapa, é possível identificar os relacionamentos entre os subprocessos e os
processos;

8 - Identificação de indicadores: após a definição dos processos e macroprocessos,
identifica-se indicadores para avaliar seus desempenhos e colocar medidas corretivas em
prática.
Na época em que o trabalho foi escrito, as etapas 7 e 8 ainda não tinham sido
colocadas em prática. Além disso, também se pretendia elaborar manuais de trabalho,
descrevendo as tarefas de cada membro do SID. Como é possível perceber, os modelos para o
Mapeamento de Processos encontrados na literatura são perfeitamente aplicáveis em
bibliotecas. No entanto, cada um traz uma especificidade diferente.153

153 Para verificar exemplos de quadros resumos e apresentação de soluções para os problemas identificados,
consulte o trabalho de Barbedo; Ribeiro; Marcelino ([2009]).

1283

�A MPN é uma metodologia bem completa que descreve não apenas os processos, mas,
também, seus indicadores de desempenho, o que é de suma importância para a avaliação dos
processos desenvolvidos. Os fluxos de trabalho são apresentados por meio de planilhas e dos
chamados “modelos de referência” que, no caso do SIBi/USP mostram não apenas os fluxos
de trabalho internos ao SIBi, mas, também, as suas interações com outras áreas ou atores
envolvidos no processo. Os EPCs, parte simplificada da metodologia ARIS, são espécies de
fluxogramas que não possuem nenhum outro documento de apoio, o que traz a impressão de
metodologia incompleta, se comparada às demais encontradas.
O Formulário SIPOC também é uma metodologia bem completa e parece fácil de ser
colocada em prática. Além do formulário em si, que traz toda a descrição dos fornecedores,
das entradas, das atividades, das saídas e dos clientes de cada um dos processos e, portanto,
pode fazer parte de um manual de procedimentos, possui, também, a descrição gráfica dos
processos em fluxogramas tradicionais.

Seus “mapas de relacionamento” são bem

interessantes, uma vez que, mostram, claramente, que o cliente de um subprocesso é
fornecedor do próximo, demonstrando a cadeia de relacionamentos existente entre eles.
O Servpro parece ser uma metodologia complexa de ser aplicada. Além de um mesmo
processo ser representado com a elaboração de vários diagramas, e não por um único
fluxograma, sua aplicação leva em conta o ponto de vista do usuário com relação às
atividades desenvolvidas. Dessa forma, sua aplicação seria mais viável em setores em que há
participação direta dos usuários.
O Roteiro do INPE, por sua vez, não é explicitado por completo na literatura
encontrada, faltando a apresentação das etapas 7 e 8. No entanto, a descrição da etapa 7
sugere que a metodologia segue o caminho inverso dos outros modelos, fazendo a descrição
dos procedimentos dos subprocessos até chegar nos macroprocessos. Julga-se estranho esse
tipo de aplicação, pois parece ser importante primeiramente ter a visão do todo, para depois
partir para as situações específicas.
Dentre os pontos comuns encontrados na aplicação das metodologias encontradas
estão: entrevistas com os atores envolvidos nos processos; representações gráficas dos
procedimentos; identificação de macroprocessos, processos e subprocessos, além da análise
de documentos internos já existentes.
A fim de se condensar as características apresentadas é realizada, no Quadro 1,
comparação dos principais aspectos de cada uma das metodologias:

1284

�Quadro 1: C o m p arativ o das m e to d o lo g ia s a p re se n ta d a s p ara o M ap eam en to
de P ro ce sso s

M ETODO
L O G IA

D E SC R IÇ Ã O

P O N T O S PO SIT IV O S

MPN

Conjunto de técnicas
de detalhamento da
execução
das
atividades,
das
diretrizes
para
a
realização
dos
trabalhos
e
dos
fluxos de informação
entre os processos
por meio de uma
representação gráfica
de fácil assimilação.
O
processo
é
modelado segundo o
fluxo de eventos e
funções presentes nos
processos.
Permite identificar as
entradas,
os
fornecedores,
as
atividades, as saídas
e
os
clientes
presentes em cada
processo.

Identificação dos processos, subprocessos,
atividades, instruções de trabalho, fluxos e
indicadores; elaboração de planilhas para a
descrição dos macroprocessos; apresenta
modelo de registro para os indicadores de
desempenho; apresentação dos fluxos em
forma de “modelos de referência”; não mostra
apenas os fluxos de trabalho internos, mas,
também, as interações com outras áreas ou
atores envolvidos no processo.

EPC

FORMULÁR
IO SIPOC

SERVPRO

Mapeia os processos
de serviços levando
em conta o ponto de
vista do usuário.

ROTEIRO
DO INPE

Composto por oito
etapas
elaboradas
com
base
numa
revisão de literatura
sobre mapeamento de
processos.

Apresentação dos processos por meio de
fluxogramas (cadeias de processos).

Representação dos processos com a utilização
de “mapas de relacionamento” (formulário
sipoc que descreve os fornecedores, as
entradas, as atividades, as saídas e os clientes
de cada um dos processos) que mostram,
claramente, que o cliente de um subprocesso é
fornecedor do próximo, demonstrando a
cadeia de relacionamentos existente entre
eles; utilização de fluxogramas tradicionais;
metodologia simples de ser colocada em
prática.
Representa os processos com a elaboração de
diagramas e de documentos de elaboração.

Prevê a capacitação da equipe que participará
do mapeamento dos processos, bem como o
planejamento das metas e prazos a serem
cumpridos; validação dos fluxos, com o
preenchimento de quadros resumos e
apresentação de soluções para os problemas
identificados; identificação de indicadores
para avaliação do desempenho dos processos.

PONTOS
N E G A T IV O S

Fluxogramas
não
possuem
nenhum
outro documento de
apoio.

Um mesmo processo
é representado por
vários diagramas, e
não por um único
fluxograma; abrange
somente os processos
de que o usuário
participa (processos
de linha de frente).
Não é explicitado por
completo, faltando a
apresentação
das
etapas 7 e 8; segue o
caminho inverso dos
outros
modelos,
fazendo a descrição
dos procedimentos e
dos subprocessos até
chegar
nos
macropocessos.

Fonte: Elaborado pelas autoras

1285

�4.2 Sugestão de metodologia e etapas de trabalho a serem aplicadas
Dentre os modelos para o Mapeamento de Processos encontrados na literatura,
acredita-se que o Formulário SIPOC supri as necessidades de mapeamento e de padronização
dos procedimentos desenvolvidos em bibliotecas de forma completa, simples e prática. Com a
elaboração dos “mapas de relacionamento” e dos fluxogramas dos processos, ficam claras as
descrições e as interações entre os atores envolvidos em cada uma das atividades colocadas
em prática. Além disso, a metodologia foi empregada e trouxe resultados positivos nas 20
unidades da Rede de Bibliotecas do SENAC/SC, o que faz com seja possível deduzir que
realmente trata-se de uma metodologia eficaz.
Para a aplicação da metodologia do Formulário Sipoc, julga-se necessário colocar em
prática alguns dos pontos comuns encontrados na aplicação de todas as metodologias
apresentadas anteriormente, realizando análises dos documentos internos já existentes, bem
como entrevistas com as pessoas envolvidas em cada um dos processos, para que fiquem
claras todas as etapas das atividades desenvolvidas. Assim, acredita-se que os “mapas de
relacionamento” já podem ser elaborados, o que facilitará a identificação e a representação em
fluxogramas dos macroprocessos, processos e subprocessos existentes.
Como sugestão para que a metodologia seja colocada em prática, apresenta-se a
seguintes etapas:

Etapa 1 - análise dos documentos internos já existentes: tem o objetivo de verificar os
conteúdos que poderão ser reaproveitados e reformulados na forma com que foram
apresentados, se adequando à metodologia do Formulário Sipoc.

Etapa 2 - entrevistas com as pessoas envolvidas em cada um dos processos: é de suma
importância a realização de entrevistas com cada um dos funcionários para que, assim, fiquem
claras todas as atividades desenvolvidas por cada um deles. As perguntas das entrevistas
levarão em conta a estrutura do Formulário Sipoc, uma vez que, acredita-se que apenas as
funcionárias diretamente envolvidas nos processos terão condições de identificar os
fornecedores, as entradas, as atividades, as saídas e os clientes de cada uma das atividades.
Dessa forma, serão feitas perguntas do tipo:
a) Quais são os processos/subprocessos que você desempenha?
b) De onde vem as demandas para os processos/subprocessos que você desempenha?
(pergunta para identificar os fornecedores?);
c) Como as demandas lhe são apresentadas? (pergunta para identificar as entradas);

1286

�d) Quais são as atividades que você desempenha para atender as demandas
apresentadas? (pergunta para identificar as atividades);
e) O que é produzido nas atividades que você desempenha? (pergunta para identificar
as saídas);
f) Para quem é entregue os produtos dos processos/subprocessos pelos quais você é
responsável? (pergunta para identificar os clientes).
Acredita-se que essas questões são suficientes para estabelecer os “mapas de
relacionamento” dos processos;

Etapa 3 - identificação dos macroprocessos, processos e subprocessos: após a elaboração
dos “mapas de relacionamento”, é possível identificar os macroprocessos, processos e
subprocessos essenciais desenvolvidos pelo agrupamento das informações obtidas nas
entrevistas. Além disso, os já conhecidos podem ser validados;

Etapa 4 - detalhamento das atividades desenvolvidas: as sequências lógicas de cada uma
das atividades desenvolvidas nos subprocessos são identificadas para que, assim, possam ser
representadas em fluxogramas;

Etapa 5 - elaboração de fluxogramas: são elaborados fluxogramas para cada um dos
subprocessos identificados. Dessa forma, o detalhamento das atividades é representado
graficamente, o que facilita a sua visualização. Para tanto, pode ser utilizado o Software
Bizagi154, que trata-se de uma ferramenta para Gerenciamento de Processos de Negócio ou

Business Process Management (BPM);
Etapa 6 - validação dos fluxogramas: cada um dos fluxogramas elaborados deve ser
validado

com

os

funcionários

diretamente

envolvidos

nas

rotinas

das

atividades

representadas. Caso haja necessidades de correções, as mesmas devem ser feitas ainda nesta
etapa;

Etapa 7 - elaboração de manuais de procedimento: após o desenvolvimento de todas as
etapas anteriores, é possível elaborar manuais de procedimento que abrangerão os “mapas de
relacionamento”, os fluxogramas e textos que auxiliem na descrição de cada uma das
atividades desenvolvidas;

Etapa 8 - avaliação periódica: todos os documentos elaborados após a aplicação de cada
uma das etapas anteriores (“mapas de relacionamento”, fluxogramas e manuais) devem ser
avaliados periodicamente, de forma a garantir a melhoria contínua das práticas realizadas.

154 Pode ser baixado gratuitamente em
http://www.bizagi.com/index.php?option=com content&amp;view=article&amp;id=27&amp;catid=5&amp;Itemid=98

1287

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
As instituições que almejam a Gestão da Qualidade dos produtos e serviços que
oferecem a seus clientes devem estar abertas a adotar novos procedimentos e rotinas de
trabalho que busquem alcançar o atendimento das necessidades e a satisfação daqueles que as
procuram. Como foi possível perceber, a Gestão por Processos é uma das abordagens que
devem ser consideradas por tais instituições, uma vez que, as atividades e recursos envolvidos
passam a ser vistos de forma integrada, sempre buscando a qualidade do resultado alcançado
no final do processo, ou seja, a qualidade do que é fornecido ao cliente. Para tanto, é de suma
importância que as instituições conheçam seus processos com profundidade e, nesse sentido, é
importante que seja colocada em prática a atividade de Mapeamento de Processos. Tal
atividade fornece condições para que as instituições consigam analisar os fluxos de trabalho
identificando as atividades desenvolvidas em cada um dos processos, diagnosticando
possíveis deficiências e melhorias, bem como os responsáveis envolvidos.
Toda essa dinâmica surgiu, inicialmente, em empresas industriais. No entanto, ficou
claro, a partir das metodologias apresentadas, que as instituições que oferecem serviços,
especialmente as bibliotecas e serviços de informação, também podem se valer das vantagens
que o Mapeamento de Processos pode trazer. Essas vantagens como, por exemplo, a
documentação, padronização e integração dos processos, são imprescindíveis na rotina de
trabalho de qualquer setor, uma vez que, a padronização dos processos do dia-a-dia
possibilita, ao profissional, gastar seu tempo com atividades que demandem mais raciocínio,
em detrimento de atividades rotineiras que, se bem documentadas, podem ser colocadas em
prática por um assistente. A documentação dos processos também traz vantagens, pois,
possibilita que os novos funcionários tenham manuais que os auxiliem na realização das
atividades.
Acredita-se que, assim como foi demonstrado, as metodologias encontradas na
literatura podem perfeitamente ser aplicadas e, até mesmo, adaptadas à realidade de cada
instituição, chegando-se a metodologias próprias e de fácil aplicação para o mapeamento dos
processos e, consequentemente, para o aprimoramento das atividades desenvolvidas como,
por exemplo: identificação das pessoas envolvidas em cada uma das atividades, fazendo com
que as atribuições de responsabilidades sejam feitas de forma clara; identificação das
interfaces dos processos internos com os processos da mantenedora da biblioteca;
simplificação das rotinas e redução de custos, por meio da eliminação de retrabalhos e de
atividades que não agregam valor ao resultado final.

1288

�Espera-se que a aplicação da metodologia proposta traga todas essas vantagens e, além
disso, possibilite a realização de estudos futuros que apresentem como foi a experiência de
colocar a metodologia em prática, contando as facilidades, as dificuldades ou, até mesmo, as
adequações que, por ventura, se fizeram necessárias.

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1291

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Metodologias para o mapeamento de processos em bibliotecas.</text>
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                <text>Paula, Marciléia Aparecida de, Valls, Valéria Martin </text>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>Considerando a importância de se implantar a Gestão da Qualidade nas instituições, busca compilar a apresentação de metodologias encontradas na literatura para o Mapeamento de Processos em bibliotecas. Para tanto, revisa a literatura sobre o tema Mapeamento de Processos, relacionando-o com o ambiente bibliotecário, e apresenta as metodologias encontradas na literatura (Modelagem de Processos de Negócios (MPN), ARIS/EPC, Formulário SIPOC, Servpro e Roteiro do Inpe). Ao final, sugere qual seria a melhor metodologia bem como as etapas a serem colocadas em prática por profissionais que objetivem mapear os processos de trabalho em suas bibliotecas. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A POLÍTICA DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO DO ARQUIVO DA
COORDENAÇÃO GERAL DE ESTÁGIOS DA UFMA: um estudo de caso

Cláudia Maria Pinho de Abreu Pecegueiro
Juliana Rabelo do Carmo
Valéria Bastos da Silva

RESUMO
Apresenta a Coordenação Geral de Estágios da UFMA (COGEST) como objeto de estudo
desse trabalho, e toda a sua estrutura organizacional, exibe as práticas de organização,
armazenamento e conservação dos documentos do referido setor, com base nas práticas e
exigências do CONARQ. Pontua sobre as principais leis que auxiliam e dão assistência nas
práticas arquivistas, certifica a importância da criação de uma tabela de temporalidade para
assegurar a preservação de documentos importantes para a instituição. Pontua a prática do
GED como alternativa para conservação de documentos. Expõe a necessidade do documento
como tomada de decisão para atender cobranças fiscais e legais, e a necessidade de uma
política de gestão documental.
Palavras-Chave: Organização de arquivos; Gestão documental; COGEST-UFMA.

ABSTRACT
Displays the General Coordination Internship UFMA (COGEST) as the object of study of this
work, and all its organizational structure, displays the practices of organization, storage and
conservation of documents of that sector, based on the practices and requirements of
CONARQ. Scores on the major laws that help and give assistance in archivists practices,
certifies the importance of creating a table of temporality to ensure the preservation of
important documents for the institution. Punctuates the practice GED as an alternative for
record keeping. Exposes the need for the document to decision making to meet legal and tax
charges and the need for a policy document management.
Keywords: File organization; Document management; COGEST-UFMA.

1 INTRODUÇÃO
O Arquivo pode ser definido como “conjunto de documentos oficialmente
produzidos e recebidos por um governo, organização ou firma, no decorrer de suas atividades,
arquivados e conservados por si e seus sucessores para efeito futuros” (SOUZA, 1950 apud

1978

�PAES, 2005). As técnicas de arquivamento para manter os documentos em bom estado de
conservação e de fácil acesso são de suma importância.
O que se observa ao longo do tempo é o aumento da produção de documentos,
popularmente conhecido como “explosão documental” (SILVA, A.; et. al. 1998, p.132),
iniciado com os copistas, seguido da criação da imprensa por Gutemberg e, atualmente, com a
internet, onde a variedade de suportes em que a informação pode estar materializada houve
mais mudanças na sua forma de divulgação e acessibilidade.
Este estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa, com abordagem descritiva, pois
se “[...] busca especificar características do fenômeno que analisa, demonstrando os diferentes
ângulos e dimensões do contexto.” (RICHARDSON, 1999; RAMPAZZO, 2005). No primeiro
momento descreve-se o universo da pesquisa, a coleta de dados e a caracterização do campo,
bem como seus resultados. Em seguida, apresenta-se a proposta de arquivamento dos
documentos da Coordenadoria Geral de Estágio (COGEST), com base na legislação federal
para documentos da administração pública (CONARQ).
A problemática deste estudo consiste na necessidade de uma política de gestão
documental. Para isto, esta pesquisa relata como se deu o processo de gestão documental na
Coordenadoria Geral de Estágios (COGEST/ PROEN UFMA), apoiado nos subsídios da
CONARQ.
Possui como motivações e objetivos: necessidade de armazenamento sistemático
dos documentos administrativos, resultantes da acumulação de papéis devido a grande
produção documental; facilitar a consulta e localização de documentos visando otimizar as
tomadas de decisões neste setor.
Pretende-se, em longo prazo, a elaboração do Plano de Arquivos da PROEN,
tendo como produto a elaboração da Tabela de Temporalidade a ser aplicada em toda a PróReitoria. Nessa etapa, o Projeto de Organização de Arquivos da PROEN/UFMA, a princípio,
abrange o Departamento de Desenvolvimento de Graduação (DEDEG) e seus setores
hierarquicamente

vinculados,

em

especial

a

Coordenadoria

Geral

de

Estágios

(COGEST/PROEN UFMA).

2 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE ESTUDO
A Pró-Reitoria de Ensino da Universidade Federal do Maranhão - PROEN foi
instituída nessa IES a partir da sua fundação em 1969, com sede em São Luís - MA, sendo o
órgão responsável pelo planejamento e gestão da política de ensino de graduação da
Universidade. Compreende os conjuntos de diretrizes, documentos, regulamentações, cursos,

1979

�programas, projetos e ações relativas ao ciclo de planejamento e gestão da educação superior
em nível de Graduação.
Atualmente

a

PROEN

gerencia

Programas

Estudantis

que

visam

o

desenvolvimento acadêmico dos estudantes da Instituição para o progresso da ciência, dentre
os quais se destacam: Programa de Educação Tutorial (PET), Programa Jovens Talentos para
a Ciência (PJT), Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), Programa
de Estudantes - Convênio de Graduação, Programa Especial Institucional de Bolsas de
Monitoria, Programa Ciência sem Fronteiras, entre outros.
Para seu funcionamento, a PROEN possui hierarquicamente 6 setores principais, a
saber:
•

Gabinete e Divisão de Administração Interna (DAI);

•

Departamento de Desenvolvimento de Graduação (DEDEG), composta por 5 setores:
Divisão de Currículos e Avaliação Acadêmica (DICAA), Divisão de Registro e
Movimentação Docente (DIDOC), Divisão de Programas Estudantis (DIPES),
Coordenadoria Geral de Estágio (COGEST) e Núcleo de Assessoramento Técnico à
Política de Ensino de Graduação (POLIGRAD);

•

Departamento de Organização Acadêmica (DEOAC), composta por 5 setores:
Comissão Jurídica (COJUR), Divisão do Sistema Integrado de Gestão das Atividades
Acadêmicas (DISIGAA), Divisão de Organização Acadêmica (DIORC), Divisão de
Registro de Diplomas (DIRED), Divisão do Sistema de Seleção Unificada (DISiSU);

•

Núcleo de Acessibilidade (NUACES);

•

Procuradoria Educacional Institucional (PEI);

•

Fórum Permanente dos Coordenadores de Cursos de Graduação e Chefes de
Departamento (COGRAD). (UFMA, 2014).
Para fins desta pesquisa, será utilizado como objeto de estudo o DEDEG, em

especial a Coordenação de Estágio, COGEST. Tendo em consideração as possibilidades de
sucesso da política documental nestes três setores, a abrangência será expandida para os
outros setores vinculados à PROEN.
A COGEST atua diretamente com estágios obrigatório e não obrigatório, com
mais enfoque neste último, entre as atribuições específicas desse setor pode-se destacar a
responsabilidade pela emissão de convênios entre empresas públicas, privadas e afins;
acompanhamento de processos seletivos de estágios; elaboração de resoluções, normas e
regulamentos sobre estágio entre outros.

1980

�O arquivo da COGEST mantém em sua guarda documentos datados de 2009, ano
de surgimento deste setor, até o ano corrente. Anteriormente, os documentos relacionados a
estágio eram armazenados no Núcleo de Assistência Estudantil (NAE).
A COGEST apoia-se na Resolução 1.084/2009.7 que regulamenta as atividades de
estágio, sendo base para descrição de suas atribuições:
I.

Analisar e emitir parecer sobre convênios com instituições públicas e privadas,
empresas públicas e privadas, profissionais liberais e agentes de integração para a
realização de estágio;

II.

Orientar as instituições, empresas, docentes e estudantes sobre as normas e os
procedimentos para formalização do estágio, acompanhamento, publicação e
arquivamento dos processos;

III.

Acompanhar os processos seletivos de estágio;

IV.

Gerir o recebimento, registro e encaminhamento do termo de compromisso, plano de
Atividades, termos aditivos, termos rescisórios e relatórios de atividades de estágio
não-obrigatório;

V.
VI.

Elaborar propostas de resolução, normas e regulamentos sobre estágio;
Efetivar o seguro contra acidentes pessoais aos alunos em atividade de estágio
obrigatório com base na relação enviada semestralmente pela Coordenadorias dos
Cursos de Graduação e Colégio Universitário;

VII.

Elaborar pareceres acerca de processos judiciais, convênios de estágio, termos de
referência para o processo licitatório da seguradora, dentre outras situações de
natureza diversas relacionadas ao estágio;

VIII.
IX.

Controlar e conservar a documentação relativa a estágio sob sua responsabilidade;
Manter base de dados atualizada sobre os convênios celebrados, alunos em campo de
estágio, coordenadores de estágio e coordenadores de curso;

X.

Elaborar relatórios de gestão solicitados pela PROEN, pela Reitoria e outras
instituições.

3 O PROCESSO DE GESTÃO DOCUMENTAL DA COGEST/UFMA
As medidas sobre políticas de arquivo foram iniciadas antes da década 90, a partir
de uma série de movimentos que culminaram com o estabelecimento da Lei Federal de
Arquivos n° 8.159/1991, que dispõe sobre orientações para administrações públicas brasileiras
voltadas para a formulação de políticas de arquivo e gestão documental. De acordo com a
referida Lei:

1981

�“Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação
governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem.”
(BRASIL, 1998), no sentido, de dar acesso à informação contida nos documentos relativos a
Graduação da UFMA é de responsabilidade da PROEN.
Para isso é necessário a Gestão de documentos, ou seja, o planejamento das
atividades de tramitação, uso e conservação de documentos, definido no art. 3° da Lei 8.159,
de 8 de janeiro de 1991, que dispõe:
Considera-se gestão de documentos o conjunto de procedimentos e
operações técnicas referentes à sua produção, tramitação, uso, avaliação e
arquivamento em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou
recolhimento para guarda permanente. (BRASIL, 1991)
Dessa forma, a gestão documental trata das atividades que visam a organização
dos documentos, em fase corrente, com mais frequência de uso/consulta; intermediária,
aqueles que embora não sejam consultados com frequência, podem ser utilizados de acordo
com as necessidades; ou permanente ou histórico, que perderam valor administrativos, mas
possui finalidade histórica. Tais atividades caracterizam-se como ciclo de vida dos
documentos.
Diante do exposto e face às atividade desenvolvidas na COGEST/PROEN UFMA
no que diz respeito a Gestão Documental, houve uma motivação para relatar essa experiência,
haja vista que o objetivo inicial do tratamento documental é tornar a informação acessível,
pronta para a recuperação e tomada de decisão, princípio inicial da organização de arquivos.
Nesse sentido entende-se que o documento para tomada de decisão possui a
finalidade de atender exigências fiscais e legais; preservação da memória institucional, que
registram as rotinas da Instituição; e atender as demandas do que diz respeito ao acesso à
informação, em especial, a Lei n° 12.527/2011 vigente de Acesso à Informação, fato que
reforça a relevância do documento enquanto valor histórico, administrativo, legal e científico,
com a finalidade de recuperar e informar os processos administrativos.
Para a efetivação da Gestão documental na COGEST/PROEN UFMA,
inicialmente foi realizado um diagnóstico situacional, onde se pode visualizar os seguintes
aspectos ilustrados por meio da Tabela 1:

1982

�Tabela 1:
A R Q U IV O C O G E ST /U FM A

A SPE C T O S
Classificação
arquivo

do

Corrente e intermediário.

Tipologia
documentos

de

O fícios, memorandos, relatórios, convênios, seguros, termos de
compromisso, processos seletivos, protocolos, solicitação de vagas,
programação de estágios elaborados por coordenadores de estágio,
pareceres.

Localização

Fácil acesso, visto que o arquivo encontra-se no balcão e armário
localizados logo na entrada da sala.

Área disponível

Espaço físico pequeno para a quantidade documental que abriga.

Condições ambientais

A sala possui ar-condicionado, apresenta boa luminosidade e limpeza,
porém não possui segurança para os documentos, haja vista que as
instalações elétricas e a caixa de internet encontram-se localizados
próximos aos documentos.

Sinalização/ descrição

A descrição dos documentos é feita mediante etiquetas que são coladas nas
caixas arquivo, com dados referentes ao conteúdo do documento e ano de
produção/vigência.

Mobiliário

Possui um balcão e um armário.

Possui objetivos
arquivo

do

Não.

Destinação
recursos

de

O setor adquire recursos mediante solicitação a PROEN.

Manuais e guias para
os usuários

Não.

Serviço
atendimento
usuário

de
ao

O arquivo da COGEST é manuseado somente por funcionários do setor e
não existe o serviço de atendimento aos usuários externos, professores,
técnicos, adjuntos etc.

tecnologia

Possui 4 computadores, onde grande parte dos documentos são
armazenados, e utilizam suportes de armazenamento como HD e pen drive.

Nível de
atingido

Principais usuários

Técnicos administrativos do
vinculados aos estágios.

Arquivamento
e
acondicionamento dos
documentos

Arquivamento e acondicionamento feitos na sala da COGEST localizada na
PROEN/UFMA.

Plano de Classificação

Inexistente;

Tabela
Temporalidade

Inexistente.

de

setor; alunos e professores

que

estão

Fonte: dados da pesquisa.

1983

�Na perspectiva empresarial, a informação é um recurso imprescindível para as
empresas,

podendo

verdadeiramente

representar

uma

vantagem

competitiva

para

determinadas organizações. (MCGEE; PRUSAK, 1994; BEUREN, 2000)
Pautados nestas informações, tornou-se imperioso estabelecer normas gerais de
procedimentos de arquivamento de documentos que necessitavam de ordenamento e
uniformização neste setor, pelo fato de que a organização da informação torna a sua
recuperação eficiente e facilita na tomada de decisões, bem como confere maior visibilidade
às ações dos gerentes.
Dessa forma, torna-se necessário a estruturação de instrumentos de planejamento,
administração e controle dos documentos, tais como os protocolos que registram a
movimentação dos documentos correntes; tabela de temporalidade que norteia os prazos de
guarda dos documentos; inventários que registram as eliminações dos documentos que já
cumpriram os prazos de guarda; plano de classificação , que estabelece particularidades de
acordo com o documento e atribuição de sistema notacional que remete ao documento; além
do manual de procedimento que estabelece as diretrizes de arquivamento, armazenamento,
tratamento dos documentos. Vale ressaltar que o manual do arquivo é um dos componentes da
Política do Arquivo.
Segundo estes princípios, os pontos trabalhados foram:
•

Tabela de Temporalidade: com base na CONARQ, que dispõe de diretrizes para
gestão de documentos da administração pública e privada. Nela estão dispostos os
códigos de classificação, os assuntos, os prazos de guarda e a destinação final da
massa documental produzida e recebida pela Instituição no exercício de suas
atividades. A estrutura da Tabela compreende a descrição dos documentos
classificados por assunto e organizados hierarquicamente, conforme a estrutura da
instituição a que se refere. A cada tipo documental foram estabelecidos prazos de
guarda nos arquivos correntes e intermediários, bem como a sua destinação final
(eliminação ou guarda permanente), segundo o número de vias produzidas ou
recebidas e o seu destino. Os prazos de guarda são contados a partir da produção do
documento.

•

Plano de classificação: (em andamento), diretamente ligada ao órgão que produz os
documentos, os arquivos classificam-se por assuntos, hierarquicamente subordinados
em classe, subclasse, grupo e subgrupos documentais que recebem um código
numérico específico de classificação. No caso da COGEST/PROEN UFMA, cuja
fundamentação também se baseou na CONARQ (CONARQ, 2001) estabelece que

1984

�“[...] ao agrupar os documentos sob um mesmo assunto, a intenção é facilitar a
localização e a recuperação nos arquivos correntes da Instituição.”, ou seja, o Plano
tem o intuito de agilizar a recuperação, avaliação, seleção, recolhimento e descarte dos
documentos, de acordo com o ciclo documental.
A gestão documental é admirável no tocante a contribuição que ela traz às
organizações, visto que auxilia na otimização das atividades promovendo a dinamização,
fluxo e partilha de documentos.
Contudo não se pode deixar de mencionar que algumas instituições fazem uso da
gestão documental para preservação de sua memória, conservando assim o valor histórico de
seus documentos e reconhecendo que este pode atender à sociedade de maneira que também a
faça perceber que essa prática da gestão documental é fundamental para a preservação de uma
demanda institucional.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No contexto dos esforços que a PROEN vem desenvolvendo em direção à
modernização e melhoria da qualidade dos serviços que presta, destacam-se aqueles voltados
para o aperfeiçoamento da gestão de documentos produzidos e acumulados no desempenho de
suas funções.
Destaca-se para fins da gestão documental, a Tabela de Temporalidade enquanto
instrumento principal deste trabalho, uma vez que viabiliza a organização e define prazos de
guarda e destinação de documentos de valor corrente e/ou intermediário, produzidos e
recebidos no âmbito da COGEST/UFMA. Além disso, estabelece a destinação de
documentos, que pode ser por descarte ou guarda permanente dos documentos de valor
histórico.
A referida Tabela, quando utilizada racionalmente, propicia um maior controle
dos acervos documentais, uma maior rapidez na recuperação das informações, bem como
oferecer suporte às decisões político-administrativas, além de maximizar o fluxo documental
e proporcionar o acesso à informação de forma rápida para tomada de decisões no ambiente
da COGEST/UFMA.
Pretende-se com o uso da Tabela de Temporalidade da COGEST, alcançar a
longo prazo, maior ordenação e controle dos documentos gerados e recebidos por atividade,
definição de políticas de acordo com cada tipo de documento (corrente, intermediário e
permanente), bem como os procedimentos técnicos para seu tratamento de acordo com a
legislação vigente, no caso, a CONARQ.

1985

�Com base no exposto, emergem perspectivas e sugestões, que poderão ser
consideradas em futuros estudos:
•

Gerenciamento eletrônico de documentos (GED), que possibilita a utilização e

organização dos documentos em formato digital, com a finalidade de consultar e gerenciar
documentos digitais deste setor.
Os documentos administrativos constituem-se como os principais instrumentos no
processo decisório, para nortear o caminho a ser tratado para alcance das metas estabelecidas,
bem como as consequências desta ação, fato que reforça a necessidade de análise dos
documentos no intuito de evitar resultados negativos para a Instituição e/ou setor.
Portanto, a partir da experiência vivenciada na COGEST, pode-se afirmar que a
gestão de documentos enquanto prática administrativa é uma ferramenta eficaz para facilitar a
organização, tramitação uso e armazenamento da informação.

REFERÊNCIAS
ARQUIVO NACIONAL (BRASIL), Conselho Nacional de Arquivos. Classificação,
temporalidade e destinação de documentos de arquivo; relativos às atividades-meio da
administração pública. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2001.
BEUREN, I. M. Gerenciamento da informação: um recurso estratégico no processo de
gestão empresarial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei n° 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos
públicos e privados e dá outras providências. Diário Oficial [da República Federativa do
Brasil], Brasília, DF, 09 jan. 1991.
McGEE, J.; PRUSAK, L. Gerenciamento estratégico da informação: aumente a
competitividade e a eficiência de sua empresa utilizando a informação. Rio de Janeiro:
Campus, 1994.
PAES, Marilena Leite. Gestão de documentos de arquivos. São Paulo: Associação de
Arquivistas de São Paulo, 2005.
RAMPAZZO, L. Metodologia científica: para alunos dos cursos de graduação e pósgraduação. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2005.
RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1999.
SILVA, A. Malheiro da et. al. Arquivística: teoria e prática de uma Ciência da Informação.
Porto: Afrontamento, 1998.

1986

�</text>
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta a Coordenação Geral de Estágios da UFMA (COGEST) como objeto de estudo desse trabalho, e toda a sua estrutura organizacional, exibe as práticas de organização, armazenamento e conservação dos documentos do referido setor, com base nas práticas e exigências do CONARQ. Pontua sobre as principais leis que auxiliam e dão assistência nas práticas arquivistas, certifica a importância da criação de uma tabela de temporalidade para assegurar a preservação de documentos importantes para a instituição. Pontua a prática do GED como alternativa para conservação de documentos. Expõe a necessidade do documento como tomada de decisão para atender cobranças fiscais e legais, e a necessidade de uma política de gestão documental.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CATALOGAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS FOTOGRÁFICOS DO LABORATÓRIO
DO NÚCLEO INTEGRADO DE COMUNICAÇÃO DA UVV

Danielly Crystine Peixoto
Marcileia Seibert de Barcellos

RESUMO
Objetiva, através de revisão bibliográfica, descrever a catalogação dos equipamentos
fotográficos do Núcleo Integrado de Comunicação da UVV e consequentemente a
implantação do empréstimo automatizado desses equipamentos. Entende-se que é relevante a
apresentação da atividade realizada, uma vez que tal procedimento não foi realizado até o
momento por nenhuma biblioteca. Uma descrição dos padrões biblioteconômicos utilizados
para catalogação dos equipamentos fotográficos é apresentada. Relata os procedimentos
executados na indexação dos equipamentos e conclui que o desafio de catalogar tais
equipamentos foi grande, mas que todos os procedimentos, técnicas e inovações dos serviços
são necessários para atingir um objetivo único de possibilitar aos usuários um melhor
aprendizado.
Palavra chave: Catalogação. Equipamentos fotográficos. Padrões da Biblioteconomia.

ABSTRACT
Objective, through literature review, describing the cataloging of photographic equipment the
Integrated Center for Communication UVV and consequently the deployment of automated
loan this equipment. It is understood that it is relevant to the presentation of the activity
performed, since this procedure was not performed yet by any library. It is a description of
library standards used for cataloging photographic equipment. Reporting procedures
performed in indexing equipment. Concludes that the challenge of cataloging such equipment
was great, but that all procedures, techniques and innovation of services are needed to achieve
a single goal of enabling users to better learning.
Keywords: Cataloging. Photographic equipment. Standards of librarianship .

1 INTRODUÇÃO
O Laboratório do Núcleo Integrado de Comunicação da Universidade Vila Velha
(UVV), localizado no Campus de Boa Vista em Vila Velha no Espírito Santo, é um ambiente

2351

�que tem a função de dar suporte ao estudo dos acadêmicos da área de Comunicação Social,
(Jornalismo e Publicidade e Propaganda), incluindo também os alunos dos cursos
tecnológicos de Fotografia e Design de Produtos. No recinto, os graduandos tinham acesso
aos equipamentos para dar suporte às suas aulas práticas através do empréstimo manual dos
seguintes materiais: máquinas fotográficas (analógica e digital), câmeras de vídeo,
gravadores, microfones, lentes, tripés, flash e outros equipamentos necessários às atividades.
Por iniciativa da Vice Reitoria da UVV, com o intuito de aprimorar o serviço de
empréstimo desses materiais, a partir do segundo semestre de 2011, a Biblioteca Central Prof.
José Leão Nunes, em parceria com a Coordenação dos cursos de Comunicação, assumiu a
responsabilidade de gerenciar o empréstimo dos equipamentos do Laboratório.
Foi solicitado preliminarmente um levantamento de viabilidade técnica no Sistema de
Gerenciamento de Bibliotecas - Pergamum quanto a ajustes nas regras de empréstimo para os
equipamentos fotográficos, pois não poderia haver conflitos no funcionamento do controle de
empréstimo de materiais bibliográficos já realizados pela Biblioteca Central.
Para que o sistema funcionasse de acordo com as necessidades exigidas por esse novo
tipo de material, foi necessário executar algumas atividades elencadas, tais como: criação e
parametrização da unidade [Audiovisual - Equipamentos]; liberação do acesso dessa nova
unidade aos bibliotecários; solicitação junto ao DTI da criação dos operadores para
empréstimo, no banco de dados do Sistema de Gerenciamento de Bibliotecas - Pergamum;
configuração dos parâmetros (login, senha e permissões) dos operadores do Laboratório;
parametrização do tipo de obra e subdivisão dos equipamentos em nível 1 e 2 para que fossem
definidos os prazos, as quantidades de materiais para empréstimo; configuração dos módulos
[Empréstimo - circulação de materiais] e [Usuários]; execução de testes operacionais e de
segurança dos módulos.
Desde então, tem-se buscado o aprimoramento dos serviços e produtos ofertados aos
seus usuários, visando atingir um alto padrão de qualidade no atendimento. Para se conseguir
chegar à situação atual do Laboratório, foi realizado todo um planejamento, desde pequenas
iniciativas a investimentos mais custosos à UVV. Todos os pontos frágeis e fortes do setor
foram diagnosticados e avaliados pelas bibliotecárias envolvidas no processo, a fim de obter
um ambiente mais organizado. Os equipamentos ali existentes foram devidamente
identificados por profissionais especializados que lá trabalham, e também foram realizadas
outras atividades como limpeza das cortinas, limpeza dos cases, a informatização do
empréstimo dos equipamentos pelo Sistema de Gerenciamento de Bibliotecas - Pergamum e a
aquisição de um computador.

2352

�Apesar de já se ter realizado diversas modificações, ainda havia um grande desafio
pela frente, que seria a catalogação, ou seja, a representação bibliográfica dos equipamentos
fotográficos, onde seria necessário levantar as informações pertinentes para a representação
de cada material, individualizando-os e tornando-os únicos entre os demais, como também,
reunindo-os por suas semelhanças.

2 CATALOGAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
A catalogação foi compreendida em três partes: descrição bibliográfica, pontos de
acesso e dados de localização e essas partes se ligam pelo fato de que esta deve individualizar
os recursos bibliográficos, de forma que estes não sejam confundidos entre si, pois tais
materiais são extremamente variáveis e com objetivos e usuários também variáveis. Sabemos
que o trabalho biblioteconômico, em termos simples, consiste em organizar, tratar e
disseminar conhecimentos registrados para diferentes universos de usuários, a partir de
interesses, necessidades, demandas e até mesmo potencialidades de cada um desses universos.
Para a realização da catalogação dos equipamentos fotográficos, foi necessário
previamente estudos quanto às técnicas e padrões da biblioteconomia, por meio de pesquisas
em outras fontes de informação e com base nas regras estabelecidas pelo Código Anglo
Americano de Catalogação (AACR2 2002) e com o padrão MARC 21: formato para dados
bibliográficos, antes da equipe de bibliotecários iniciarem o tratamento técnico dos
equipamentos e visto ser escassa a literatura científica nesta área.
O tratamento informacional dos equipamentos do Laboratório do Núcleo Integrado de
Comunicação da UVV no Sistema de Gerenciamento de Bibliotecas -Pergamum, representou
um desafio profissional aos colaboradores envolvidos no processo, visto que a catalogação de
tais equipamentos e seu empréstimo automatizado não é comum em bibliotecas. Através de
pesquisas realizadas, chegou-se ao entendimento que em todo país, nenhuma instituição teve
até o momento, a iniciativa de preparar tecnicamente esse tipo de material informacional.
Tentou-se durante toda a descrição bibliográfica, manter o máximo de fidelidade
possível à fonte de informação do recurso, por isso convencionou-se, entre as profissionais da
Biblioteca Central da UVV, envolvidas na catalogação, que as informações físicas dos
equipamentos em questão seriam adquiridas por meio dos próprios equipamentos e através da
consultoria realizada pelos funcionários do Laboratório, devido algumas peças não possuírem
as informações necessárias à sua descrição. Definiu-se também que a entrada principal seria
pelo título do equipamento, adicionada da informação “equipamento”, conhecida dentro dos
padrões biblioteconômicos como designação geral do material (DGM).

2353

�Considerou-se como relevantes e imprescindíveis, os pontos de acesso de assunto de
cada peça, ou seja, sua representação temática ou indexação, com o intuito de facilitar o
aprendizado dos usuários e tornar ágil a busca online desses materiais no Sistema de
Gerenciamento de Biblioteca - Pergamum. O Sistema de Classificação de Dewey (CDD) que
é um sistema internacional de classificação de itens bibliográficos, criado pelo bibliotecário
americano Melvil Dewey que usa números em ordem decimal foi adaptado para os
equipamentos fotográficos pela equipe de bibliotecárias da UVV. A classificação, segundo
afirmam Silva e Araujo (2003), é o processo de reunir coisas, idéias ou seres, em grupos, de
acordo com seu grau de semelhança. Nesse sentido, principalmente porque o contexto é a era
informatizada da informação, tais pontos de acesso (assunto e título) adquirem importância
significativa, tendo em vista que permitirá ao usuário criar limites e filtros durante suas
buscas no catálogo online da Biblioteca Central.
Utilizou-se como critério não colocar a data do equipamento por não existir tal
informação nos registros dos mesmos. Quanto à área de descrição física do material,
registrou-se o número de unidades físicas e a designação específica do material, bem como, se
possuíam materiais adicionais. Por exemplo, a maioria dos equipamentos era acompanhada de
itens como: carregador, bateria, case e outros itens importantes para seu funcionamento; que
achamos pertinente a sua especificação no momento da catalogação.
Como tais equipamentos são utilizados somente por alguns cursos da Instituição,
colocou-se uma nota explicativa nas planilhas de catalogação sobre quais cursos teriam o
acesso ao empréstimo dos equipamentos fotográficos. Em outra nota informou-se o número
de patrimônio dos equipamentos, registrado pelo setor de compras da Sociedade Educacional
do Espírito Santo - SEDES-UVV.
Após a finalização de todas as etapas descritas para a apresentação do registro
bibliográfico no sistema, identificou-se fisicamente cada equipamento através de um código,
denominado de número de chamada, para que o mesmo fosse facilmente localizado para a
realização do empréstimo. De modo geral, o número de chamada foi formado pelas iniciais de
cada equipamento, adicionado quando havia, do modelo do material. Isso permitiu que, ao
mesmo tempo, fosse possível reunir itens de assunto e gênero semelhantes no acervo e
também que cada um dos itens não fosse confundidos com nenhum outro, mesmo em se
tratando apenas de outro exemplar (MEY, 2009).
Com o intuito de facilitar a localização dos modelos expostos no Laboratório de
Fotografia, cada equipamento recebeu uma etiqueta com código de barras contendo seu nome,

2354

�o número de exemplar que foi gerado no sistema, seu respectivo patrimônio e o número de
chamada.

3 CONCLUSÃO
Conforme já citado anteriormente, todo trabalho de catalogação e organização dos
equipamentos foi um desafio para toda equipe envolvida, pois esta tinha todo o conhecimento
técnico na área da catalogação e indexação de livros, porém desconhecia-se as especificações
técnicas e detalhes dos equipamentos fotográficos. Felizmente, o auxílio dos colaboradores do
Laboratório do Núcleo Integrado de Comunicação da UVV possibilitou à equipe envolvida o
apoio necessário para o conhecimento técnico dos equipamentos a serem catalogados e
indexados. Durante o período de registro dos itens no Sistema foram fornecidas informações
detalhadas de cada equipamento facilitando assim uma maior especificidade na indexação dos
materiais.
Todos os procedimentos, técnicas e inovações dos serviços até aqui citados, foram
com o objetivo único de possibilitar aos usuários o acesso mais rápido e prático a ferramentas
que pudessem desenvolver o seu aprendizado, pois o objetivo da Universidade é formar e
gerar bons profissionais em suas respectivas áreas de atuação.
Sabe-se que muito já foi feito pelo Setor, porém, como profissionais modernos da
informação, espera-se que os investimentos continuem e que serviços inovadores sejam
incorporados ao Laboratório do Núcleo Integrado de Comunicação da UVV.

4 REFERÊNCIAS
SILVA, Divina Aparecida da; ARAUJO, Iza Antunes. Auxiliar de biblioteca: técnicas e
práticas para formação profissional. Brasília: Thesaurus, 2003. 152 p.
MEY, Eliane Serrão Alves; SILVEIRA, Naira Christofoletti. Catalogação no plural.
Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2009. 217 p.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. 2.ed. Rio de Janeiro: Objetiva,
2007. 1986p.

2355

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Objetiva, através de revisão bibliográfica, descrever a catalogação dos equipamentos fotográficos do Núcleo Integrado de Comunicação da UVV e consequentemente a implantação do empréstimo automatizado desses equipamentos. Entende-se que é relevante a apresentação da atividade realizada, uma vez que tal procedimento não foi realizado até o momento por  nenhuma biblioteca. Uma descrição dos padrões biblioteconômicos utilizados para catalogação dos equipamentos fotográficos é apresentada. Relata os procedimentos executados na indexação dos equipamentos e conclui que o desafio de catalogar tais equipamentos foi grande, mas que todos os procedimentos, técnicas e inovações dos serviços são necessários para atingir um objetivo único de possibilitar aos usuários um melhor aprendizado.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

INVENTÁRIO DO ACERVO: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA BIBLIOTECA
AGROPECUÁRIA
Marilaine Schaun Pelufê

RESUMO
O inventário de bibliotecas é uma atividade pouco descrita na literatura. O presente trabalho
apresenta os resultados parciais do inventário realizado no ano de 2014 em uma biblioteca
especializada na área agrícola. O objetivo foi descrever o resultado do inventário bem como
registrar a metodologia de trabalho e interagir com outros bibliotecários interessados nesse
tema. A análise demonstra que há vários aspectos possíveis de serem estudados. Na
biblioteca, objeto de estudo, conclui-se que a tarefa atingiu seus propósitos e são apresentadas
recomendações.
Palavras-Chave: Biblioteca especializada; Inventário do acervo.

ABSTRACT
The inventory of libraries is a little activity described in the literature. This paper presents
partial results of the inventory carried out in 2014 in a specialized library in the agricultural
area. The objective was to describe the results of the inventory and record the work
methodology and interact with other librarians interested in the issue. The analysis shows that
there are several possible aspects being studied. In the library, the object of study, it is
concluded that the task has reached its purpose and recommendations are presented.
Keywords: Specialized library; Inventory bibliographic.

1 INTRODUÇÃO
O inventário é uma tarefa periódica realizada pelas equipes de biblioteca. No entanto,
há pouca literatura nacional sobre o tema e, especialmente, com foco em bibliotecas
especializadas. A motivação para descrever o presente trabalho se deu por ser o primeiro
inventário realizado após a transferência do acervo para o prédio atual, construído
especialmente para abrigar a biblioteca, e também por ser o primeiro inventário sob a
responsabilidade da atual bibliotecária. Desse modo, o objetivo principal do relato é descrever
o resultado parcial do inventário do acervo documental realizado no ano de 2014 em uma
biblioteca especializada agrícola.

2859

�2 FUNDAMENTAÇÃO
O inventário do acervo documental faz parte do serviço de referência em
biblioteconomia (PIEROTTI; NEILS, 1985). Inventariar significa verificar ou confirmar a
existência de materiais (CHIAVENATO apud MOSER et al., 2008).
O inventário em bibliotecas tem periodicidade variável conforme a instituição a qual
se vincula (BRASIL, 2009; EMBRAPA, 2014; MOSER et al., 2008).
Na Embrapa o inventário está normatizado através da Resolução Normativa N° 45
(RN45), de 30/12/2013 publicado no Boletim de Comunicações Administrativas (BCA) N° 2,
de 09/01/2014 (EMBRAPA, 2014). A definição de inventário está expressa na RN45 como
“conferência física de todos os documentos que integram o acervo da biblioteca”
(EMBRAPA, 2014, p. 35) e o registro dos documentos distingue aqueles que serão
identificados apenas pela biblioteca e os que, além do código da biblioteca, receberão também
registro atribuído pelo Setor de Patrimônio e Materiais e serão inventariados anualmente
(EMBRAPA, 2014, p. 38). O inventário tem por objetivos, além de verificar a existência
física dos itens, manter os registros atualizados, possibilitar a passagem de responsabilidade
gerencial e identificar documentos subutilizados ou danificados (EMBRAPA, 2014, p. 44).
A RN45 prevê a realização de inventário do acervo em seis ocasiões, a saber: 1.
Criação da unidade, ou seja, inventário inicial; 2. Passagem de responsabilidade gerencial; 3.
A cada três anos; 4. Anualmente para os itens imobilizados; 5. Extinção da unidade, isto é,
inventário final e, 6. Por determinação do Chefe sempre que seja necessário (EMBRAPA,
2014, p. 44).
A tarefa está inserida no contexto da Resolução Normativa n. 45 a qual indica que
deverá ser realizado inventário trienal, sistematicamente a cada três anos, com a finalidade de
alcançar os objetivos citados anteriormente.
Diante desse contexto, o presente trabalho tem por objetivo principal fazer um breve
relato do inventário do acervo em uma biblioteca especializada agrícola no ano de 2014 e por
objetivos secundários registrar a metodologia de trabalho e dialogar com outros bibliotecários
interessados no tema.
Com um acervo técnico-científico voltado para as áreas de fruticultura de clima
temperado, arroz irrigado e agricultura em geral, a Biblioteca é o setor responsável pela
guarda da produção técnica e científica da Embrapa Clima Temperada. A biblioteca está
presente no contexto da pesquisa agropecuária da região desde antes da criação da Unidade
Descentralizada da Embrapa, através do Instituto Agronômico do Sul (IAS), vinculado ao
Ministério da Agricultura. A Biblioteca sempre desempenhou um papel importante como

2860

�fonte de informação para a atividade de pesquisa. Atualmente a biblioteca incorpora as novas
tecnologias da informação e procura acompanhar as mudanças participando de projetos da
empresa, tais como o sistema informatizado para gestão de acervos Ainfo e os repositórios
institucionais.
A biblioteca ganhou nova infraestrutura física que foi inaugurada em março de 2013 e
o atual inventário é o primeiro após a mudança e a organização do setor nesse novo espaço. O
acervo compõem-se de cerca de 15 mil exemplares além de 6 mil fascículos de periódicos. A
equipe é composta por dois empregados e um estagiário. Os clientes potenciais diretos são
cerca de 400 pessoas e indiretos são as 46 unidades de Embrapa espalhadas pelo Brasil e as
bibliotecas integrantes do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, os quais podem usar o
empréstimo entre bibliotecas.
O inventário do ano de 2014 na biblioteca da Embrapa Clima Temperado foi instituído
pela Ordem de Serviço n. 17, datada de 17 de março de 2014 e tem o prazo de 60 dias
corridos para concluir os trabalhos e apresentar o relatório conclusivo. A comissão de
inventário foi constituída por quatro membros titulares e um membro suplente. Dos membros
titulares, dois estão lotados na biblioteca (a bibliotecária e o assistente).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O inventário foi realizado entre os meses de abril e maio de 2014 na biblioteca da
Embrapa Clima Temperado localizada em Pelotas - RS.
A biblioteca permaneceu aberta para uso pelos leitores porém o empréstimo ficou
restrito a casos eventuais pois a circulação do material afeta o bom funcionamento do
trabalho. Afinal, o serviço de empréstimo e o inventário estão diretamente relacionados
(PIEROTTI et al., 1985).
O sistema informatizado para gestão de acervos - Ainfo - possui a funcionalidade de
realizar o inventário automatizado através do uso de leitora dos códigos de barras e posterior
conferência com a base de dados, no entanto optou-se por realizar o inventário pelo método
tradicional em virtude da recente mudança física do acervo. O método tradicional permite a
conferência minuciosa do ordenamento (número de chamada) bem como a correção de erros
de digitação, os quais são observados com mais facilidade por meio de relatório impresso. A
geração das listas impressas foi efetuada através do módulo de relatórios do Ainfo (Relatório
topográfico do acervo). Para tal, levou-se em consideração a ordenação do acervo e optou-se
por imprimir os relatórios segundo as coleções e sua disposição física no ambiente. Assim,
cada tipo de material (Tabela 1) teve o seu relatório individual. A intenção desse método foi

2861

�facilitar a conferência, uma vez que, caso se optasse por lista única haveria interrupção no
andamento do trabalho para buscar os itens dispersos entre as coleções.

Tabela 1 - Número de registros conforme relatórios Ainfo
A cervo
O b ra s
r e fe rê n c ia

de

S ig la
T ip o /F o r m a to

N ú m ero
r e g is tr o s

RF

46

L iv ro s

LV

5211

A n a is

PC

456

F o lh e to s

FL

2113

T eses

TS

1788

RR

32

C D -R O M

CD

244

P e rió d ic o s

PR

416

O b ra s
(a n tig a s)

ra ra s

de

Fonte: Ainfo

Os relatórios emitidos foram: 1) por tipos de materiais: livros, obras de referência,
anais, folhetos, teses e dissertações, obras antigas, periódicos; 2) por formatos de materiais:
CD-ROM.
Após a emissão da Ordem de Serviço, a presidente da comissão de inventário (tal
função foi atribuída à bibliotecária) convocou uma reunião com a finalidade de esclarecer e
orientar os membros sobre os trabalhos a serem executados. Em seguida deu-se inicio a
conferência do acervo. Foram formadas duplas, sendo um membro encarregado de conferir a
sequência de registros no relatório e o outro, encarregado de verificar na estante. Os membros
foram orientados a anotar e/ou sinalizar qualquer divergência entre o relatório e o acervo
físico. Eventualmente eram realizadas as consultas ou pequenas correções na base de dados
durante a conferência. Assim, tivemos a primeira conferência e, em seguida, voltamos ao
acervo para verificar as pendências apontadas no decorrer da atividade.

4 RESULTADOS PARCIAIS
O inventário é a ocasião em que se confirma a existência física dos materiais e, mais
do que isso, é a oportunidade de avaliar a biblioteca e a equipe de trabalho em vários
aspectos: ordenamento, digitação, treinamento, uso, conservação, enfim, múltiplos aspectos
podem ser observados durante essa atividade. O inventário também é o momento em que a
equipe está mais próxima do seu fazer diário e, pelo tanto de esforço despendido nessa
atividade, deve ser bem aproveitado.

2862

�A seguir apresentamos os resultados quantitativos.
Número de obras não localizadas: 55 (primeira conferência); 8 (segunda conferência)
Número de obras identificadas como passíveis de descarte: 52
Número de obras identificadas como passíveis de acervo raro/valioso: 16
Número de registros identificados com erro de digitação e/ou de dados: 372
Número de registros identificados com o tipo de material equivocado (LV x PC): 267
Número de periódicos não localizados: 29
Número de periódicos disponíveis mas sem registro: 63

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Apesar de algumas dificuldades enfrentadas durante a realização da tarefa tais como
material fora de ordem ou registros trocados, a balanço é positivo. As perdas são consideradas
poucas e os itens foram substituídos por novos materiais, conforme prevê a RN 45. A tarefa
também permitiu identificar itens passíveis de seleção para descarte e itens com potencial de
obra rara e/ou valiosa. A atividade também permitiu diversas correções dos registros no
sistema de gerenciamento da biblioteca Ainfo.
Observou-se que o comprometimento das pessoas envolvidas e a capacidade técnica
da área de tecnologia da informação podem influenciar no prazo para a execução da tarefa.
Pode-se afirmar que o prazo de 60 dias não é suficiente para concluir o trabalho
gerado a partir da conferência física dos itens, sendo suficiente apenas para elaborar o
relatório. As correções na base Ainfo ainda estão em andamento.
Identificaram-se falhas no treinamento da estagiária que afetaram a fluidez do
inventário.
Percebeu-se que a mão de obra limitada restringe o uso da tecnologia de leitura digital
dos códigos de barras justamente pela falta dos códigos em todo o acervo.
Os aspectos de segurança e conservação podem ser ressaltados. A biblioteca não
dispõe de monitoramento eletrônico do acervo por câmeras ou portão eletrônico sendo o
único instrumento de vigilância o controle humano. As janelas não impedem o acesso ao
acervo, inclusive evita-se abri-las também por questão de higiene (evitar entrada de pássaros e
insetos). A conservação física do material depende também da limpeza periódica das estantes
e monitoramento do ambiente quanto ao calor, a umidade e a insolação, fatores ainda a serem
melhorados.
Quanto ao comprometimento dos membros da Ordem de Serviço, é um tema delicado
e que envolve diversos níveis hierárquicos, porém deve ser discutido.

2863

�Recomenda-se aprofundar a análise dos resultados e aperfeiçoar a metodologia do
trabalho, pois as diferentes metodologias de execução no decorrer dos anos altera os
resultados obtidos e implica em descontinuidade nos dados observados.
Enfim, pode-se concluir que a biblioteca cumpriu seu papel de guardiã do acervo
técnico-científico e que pode melhorar em alguns aspectos.

6. REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Política de desenvolvimento de coleções da biblioteca do
Ministério da Saúde. Brasília: Editora MS, 2009.
EMBRAPA.

Ainfo.

Disponível

em:

&lt;https://www.agropediabrasilis.cnptia.embrapa.br/web/ainfo&gt;. Acesso em: 24 abr. 2014.
EMBRAPA. Resolução Normativa n. 45, de 30 de dezembro de 2013: Gestão do Acervo
Documental da Embrapa. Boletim de Comunicações Administrativas, Brasília, v. 15, n. 2,
p. 31-59, jan. 2014.
MOSER, E. M.; CASAS, J. C.; LEMOS, M. G. O inventário do acervo parcial do sistema
integrado de bibliotecas da biblioteca universitária da Universidade Regional de Blumenau
(FURB): relato de experiência. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, Campinas, v. 6, n. 1, p. 84-100, jul./dez. 2008.
PIEROTTI, M. DE L. C.; NEILS, V. R. Inventário rotativo: uma visão pragmática. Revista
de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v. 13, n. 1, p. 59-65, jan./jun. 1985.

2864

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                <text>O inventário de bibliotecas é uma atividade pouco descrita na literatura. O presente trabalho apresenta os resultados parciais do inventário realizado no ano de 2014 em uma biblioteca especializada na área agrícola. O objetivo foi descrever o resultado do inventário bem como registrar a metodologia de trabalho e interagir com outros bibliotecários interessados nesse tema. A análise demonstra que há vários aspectos possíveis de serem estudados. Na biblioteca, objeto de estudo, conclui-se que a tarefa atingiu seus propósitos e são apresentadas recomendações.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POLÍTICAS INSTITUCIONAIS DE INCENTIVO À LEITURA EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: ESTUDOS DE CASO NO BRASIL, ESPANHA E
MOÇAMBIQUE161
André de Souza Pena
Helena Maria Tarchi Crivellari
José Antonio Moreiro Gonzale
Manuel Valente Mangue
RESUMO
O presente trabalho insere-se no eixo temático “Gestão de Bibliotecas Universitárias”, subtema “Políticas institucionais”, propondo-se apresentar uma reflexão sobre a relevância dos
clubes de leitura e outras atividades de incentivo à leitura, desenvolvidas através de
bibliotecas universitárias. Do ponto de vista teórico-metodológico trata-se de um estudo
comparado entre o Brasil, Espanha e Moçambique. A partir de entrevistas e documentos, foi
avaliada a incorporação do clube de leitura no planejamento do sistema de bibliotecas
universitárias analisados. Apresenta-se uma discussão sobre o papel do professor especialista
ou do bibliotecário, como estimulador da leitura, propondo-se o bibliotecário como potencial
estimulador e promotor da política de leitura nas bibliotecas universitárias.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Biblioteconomia, Clube de Leitura; Política de
Biblioteca

ABSTRACT
This work is part of the main theme "Management of University Libraries," sub-theme
"Institutional policies", proposing to present a reflection on the relevance of reading clubs and
other activities to encourage reading, developed through university libraries . From a
theoretical-methodological perspective it is a comparative study between Brazil, Spain and
Mozambique. From interviews and documents, the incorporation of the reading club in
planning the university libraries analyzed system was evaluated. Presents a discussion of the
role of the expert teacher or librarian, as a stimulator of reading, proposing the librarian as
potential enhancer and promoter of reading policy in university libraries.
Keywords: University Library; Librarianship, Reading Club; Library Policy.

A literatura, sem nenhuma dúvida, ajuda as pessoas a viverem melhor. É
umas das coisas que mais ajuda. Bom... depois de comer, ter uma casa e um
trabalho digno, depois a literatura, sim. (entrevista com o coordenador do
Club de Lectura, falando sobre literatura e a vida em sociedade)
161 Artigo proveniente de tese de doutorado, em andamento, como parte de projeto internacional de pesquisa
com bolsa CAPES.

1541

�1 INTRODUÇÃO
O presente artigo resulta de um projeto de pesquisa internacional em andamento, tendo
como discussão central as contribuições da biblioteca universitária na superação das crises
macroestruturais e na promoção do desenvolvimento nos países que as sediam.
Este texto avança o debate, focalizando as atividades de incentivo à leitura, como
prática cultural, desenvolvidas em três universidades, a saber: Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) no Brasil, Universidad Carlos III de Madrid (UC3M) na Espanha e
Universidade Eduardo Mondlane (UEM) em Moçambique. Dessa forma, o artigo tem o
objetivo de descrever as políticas institucionais de leitura partindo da premissa que a
biblioteca universitária, para além do instrumental técnico-científico, dispõe de meios para
transformação social pela via do estímulo à leitura literária.
O livro e a leitura são ainda pouco debatidos como política cultural em bibliotecas
universitárias. Os três casos estudados localizam-se em países que estão em fase de expandir
seus campi universitários para uma ampla gama de estudantes. No Brasil, o REUNI; na
Espanha, o Tratado de Bologna; em Moçambique, um movimento de ampliação sistemática
do acesso às suas universidades. O atendimento destas instituições dirige-se a um públicoalvo oriundo das classes populares ou de estrangeiros, como é o caso da Espanha e mesmo do
Brasil, pois a internacionalização das universidades é um fenômeno relativamente recente e
crescente. Os três países - em diferentes proporções - precisam elevar seus índices de leitura
realizadas pela população. O déficit de leitura reflete-se no desempenho do aluno,
evidenciando dificuldades de escrita e aprendizagem ao longo da vida acadêmica, da vida
profissional e da vida em sociedade. As atividades de incentivo à leitura, tais como os clubes
do livro ou da leitura, quando adotadas pela biblioteca universitária, oportunizam uma
formação cultural mais ampla da comunidade acadêmica162.
Experiências universitárias com o clube do livro mostram que esta prática oportuniza a
socialização de leitura, contribuindo para uma formação cultural ampla da comunidade
acadêmica, melhorando a compreensão da leitura e da escrita da língua, bem como
favorecendo a convivência coletiva, tanto no ambiente universitário como, talvez, na
sociedade em geral.
De toda maneira, esta parece ser uma estratégia que, no âmbito da cultura, constitui-se
em uma forma de contribuir para uma maior conscientização, particularmente da comunidade

162 Inclusive, no caso do Brasil, em acordo com a Portaria Interministerial (Ministério da Cultura e Ministério da
Educação) n° 18, de 18 de dezembro de 2013, que institui o Programa Mais Cultura na Universidade e o Fórum
Nacional de Formação e Inovação em Arte e Cultura.

1542

�acadêmica, cujas práticas do presente são responsáveis futuramente por boa parte das decisões
políticas que norteiam os rumos da sociedade.

2 - BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E DESENVOLVIMENTO HUMANO
A noção de desenvolvimento à qual nos referimos é basicamente aquela apresentada
por Sen (2010), na perspectiva do crescimento individual como condição sine qua non para o
desenvolvimento coletivo de uma sociedade, partindo da ideia de que o “desenvolvimento
pode ser visto como um processo de expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam”
(SEN, 2010, p. 16). Para ele, a liberdade de participação ou a oportunidade de educação
básica podem ser “conducentes ao desenvolvimento”. Com isso, embora a noção do
crescimento econômico seja essencial, é fundamental considerar que a economia vem em
segundo plano em relação à liberdade da troca de bens, conhecimento ou expressão entre os
indivíduos163.
O desenvolvimento do Produto Interno Bruto (PIB) não é garantia de melhora da
qualidade de vida (SEN, 2010 p. 19-20). Dados da pesquisa sobre Indicadores de Progresso
Social 2014 (PORTER, STERN, GREEN, 2014) apontam a Nova Zelândia em 1° lugar no
ranking de 132 países com um PIB per capta entorno de 25 mil dólares, enquanto os EUA,
mesmo com um PIB per capta de 45 mil dólares ocupam a 16a posição164. Isso significa que o
rendimento econômico é importante, mas outros fatores precisam ser considerados para
avaliar o progresso de um país. As “liberdades substantivas” incluem, entre outras, a
participação política, direito à saúde e educação - podendo-se aí incluir o domínio da língua.
E a leitura, como afeta o desenvolvimento do país? Estudo publicado no periódico
Brain Connectivity com a realização de ressonância magnética durante 19 dias com 21
estudantes de graduação da Universidade de Emory indica que os sujeitos que estão lendo um
livro incorporam as situações vivenciadas pelos personagens sugerindo uma melhor
capacidade de convivência social (BERNS; BLAINE; PRIETULA; PYE, 2013). Uma
população mais culta, intelectualmente desenvolvida pode ajudar a criar um país com menos
desigualdade social.

163 Em entrevista do pesquisador (primeiro autor deste artigo) ao economista francês, Robert Boyer, em 2014, o
entrevistado diz que a mundialização deveria permitir a livre circulação das pessoas e não somente a de
mercadorias ou das finanças, como acontece atualmente.
164 O Brasil aparece na 46° posição com um PIB per capta de pouco mais de 10 mil dólares, a Espanha na 21°
posição com PIB per capta entorno de 26 mil dólares e Moçambique, considerando que é a nação democrática
mais jovem entre os três países do estudo, está na 117° posição com PIB per capta de 882 dólares.

1543

�A leitura tem o papel de proporcionar ao leitor o crescimento da capacidade de crítica
e da análise social. Isso vai acontecer somente através da alteridade, da interação com o outro.
Sem o contato humano, possivelmente a leitura não revela toda a sua potencialidade de
transformação, tanto quanto no compartilhamento em um grupo, tais como os chamados
clubes de leitura ou clube do livro. Nesses lugares as pessoas lêem, contam historias,
compartilham suas experiências de leitura, conhecem novas palavras da língua materna,
conseguem se expressar melhor, tanto verbalmente quanto na escrita e, com isso, aprendem a
conviver melhor. Particularmente a leitura literária tem esta potencialidade, pois ao contrário
de um artigo “científico” o texto literário não tem pretensão de verdade, não almeja “provar”
nada. Daí a importância da leitura literária na universidade como forma de abstrair a atenção
das questões científicas para a literatura, que relata o cotidiano, pensa o humano, reflete as
dificuldades, os dilemas e as saídas encontradas pelos personagens. Com o clube de leitura os
leitores podem discutir ideias para a construção de um país mais desenvolvido para além da
universidade técnico-científica. Tal como suscita Naomar de Almeida Filho sobre o momento
atual que a universidade apresenta (cf. ALMEIDA FILHO, 2007).
A universidade tem como principal missão, segundo Ortega Y Gasset (2010), a
transmissão da cultura, entendida como um conjunto de idéias que permanecem no tempo e
são valorizadas pela sociedade. As demais funções, ainda de acordo com Ortega y Gasset é a
formação profissional e formação científica. A leitura literária, neste sentido, proporciona
além da formação cultural do aluno a condição de letramento para a formação nos outros
níveis da universidade.
No Brasil165, tal como apontado por Saviani (1991), a universidade é demandada a
exercer suas atividades-fins: ensino, pesquisa e extensão. O ensino, propriamente dito, referese à formação profissional em nível superior; a pesquisa, comumente denominada “pesquisa
acadêmica”, faz parte das atribuições de ensino para a formação dos mestres e doutores, os
quais poderão ocupar cargo de professores ou pesquisadores; o trabalho de extensão, por sua
vez, também representa o ensino, mas não como atividade exclusiva da docência, a extensão
tem a função da transmissão do conhecimento acumulado para garantir o compromisso social
da universidade com o desenvolvimento da sociedade em geral, para além da comunidade
acadêmica em particular. De acordo com Santos (2004, p. 73) a atividade de extensão terá,
165 Em Moçambique também a universidade é desafiada a exercer estas três dimensões. Na Espanha prevalece o
ensino e a pesquisa como objetivo da Universidade, tal como explicitado na missão da Universidade Carlos
III,:“contribuir a la mejora de la sociedad con una docencia de calidad y una investigación avanzada de
acuerdo
con
exigentes
criterios
internacionales”.
Disponível
em:
&lt;http://www.uc3m.es/ss/Satenite/UC3MInstitucional/es/TextoMixta/1371206553538/Historia_y_mision_de_la_
UC3M&gt;. Acesso em: 13 maio 2014.

1544

�num futuro próximo, uma importância especial “na construção da coesão social, no
aprofundamento da democracia, na luta contra a exclusão social e a degradação ambiental, na
defesa de diversidade cultural”. O aspecto da formação, portanto, permeia o nível da
graduação, pós-graduação e extensão, embora cada uma com sua especificidade.
No cotidiano da universidade, por vezes o trabalho de extensão fica prejudicado.
Assim, os clubes do livro, na forma de projeto de extensão universitária, podem fazer parte de
uma política cultural incorporada pelas bibliotecas universitárias, conduzidos pelos
bibliotecários, mesmo com possibilidade de participação de professores especialistas. É
possível a participação de alunos, funcionários e da comunidade em geral, sem haver a
necessidade de uma avaliação. Há casos, no entanto, em que a participação discente em clubes
de leitura se transforma em uma disciplina acadêmica, sujeita à avaliação tal qual nas
disciplinas convencionais de formação. A leitura pode, ainda, ser dividida por gênero (contos,
poesia, romance ou ainda voltado para os livros de ensaios). O importante é a possibilidade da
leitura como formação cultural, contribuindo na formação de um senso crítico, quando as
questões relevantes para os objetivos do milênio, tais como questões de gênero, saúde, podem
ser debatidas e incorporadas. Há ainda a vantagem de disseminar a cultura do livro na
universidade pois, muitas vezes, a biblioteca universitária é o primeiro local onde os alunos,
sobretudo os mais pobres, têm acesso a um acervo amplo de livros. As atividades de incentivo
à leitura são cruciais para a formação do “gosto”:
A educação do gosto se faz por encontros, aos poucos, paulatinamente. E, se
no início o jovem se apaixona pela historia e pelos personagens, se chega a
ultima pagina tendo a curiosidade como dínamo e os lances do enredo a
acioná-lo, quando acontecer o contato com as grandes obras da literatura,
este jovem já terá um referencial para comparação. E, se defendo, com
veemência, que o prazer da leitura é ingrediente básico, fundamental,
indispensável na formação de leitores, não acho justo esperar que estudantes
com pouca ou nenhuma leitura de obras literárias, as vezes nenhuma leitura
de livro algum, comecem a ler obras-primas (MARIA, 2009, p. 44-45)

A busca pelo prazer do texto, na perspectiva de Barthes (1987), é tarefa construída
conjuntamente com os atores sociais, porque a extensão universitária como pesquisa-ação não
é a simples transferência de conhecimento de especialistas para a população, as
especificidades culturais necessitam ser respeitadas (THIOLLENT; ARAUJO FILHO;
GUIMARAES; CASTELO BRANCO, 2003 apud THIOLLENT, 2005). Desse modo, as
atividades de estímulo à leitura, em particular o clube do livro, na universidade, podem ser
fontes de transmissão da cultura letrada para as novas gerações, porque são espaços em que há
mais liberdade de leitura literária e interpretação do texto transcendendo a aplicação

1545

�instrumental típica dos livros e artigos científicos utilizados na formação profissional ou
científica.
É um espaço ideal também para a leitura das obras clássicas da literatura, visto que
“desvalorizar a alta cultura é a forma mais segura de extinguir a consciência crítica, pois é ela
que alimenta a reflexão questionadora e a vontade de transformar o mundo” (ROUANET,
1989, p.19).
Os clubes de leitura e assemelhados são ainda pouco estudados166. Sobre uma
experiência com o clube de leitura para jovens no ensino básico, Azevedo e Martins (2011)
verificaram que o clube de leitura propiciou aos alunos uma aproximação exitosa com a
literatura infanto-juvenil potencializando o prazer da leitura, ampliação da bagagem cultural e
melhoria no letramento, entendido não apenas como a melhoria da capacidade de ler e
escrever, mas também como desenvolvimento do raciocínio crítico e da capacidade de
abstração.
Outro estudo (GAMELAS; LEAL; ALVES; GREGO, 2003) focalizou um clube de
leitura dirigido para crianças pobres em idade pré-escolar- até 05 anos, em que se incluía a
família e os professores nas atividades. Foram feitas leitura de imagens, contos, poesia e
“trava línguas” (o estudo é de origem portuguesa). Observou-se que as famílias que
participaram do clube de leitura apresentaram uma melhor qualidade no convívio familiar
evidenciado por testemunhos dos pais em destacar a importância do livro e da leitura como a
oportunidade de troca de experiência e compartilhamento de leitura entre pais e filhos.
Um terceiro estudo, sem enfocar a dimensão do clube de leitura, contempla, no
entanto, a importância da literatura como formação de compreensão política da realidade. A
linguagem literária apresenta elementos de compreensão da realidade para nos apoiar na vida
cotidiana sem, porém, nos fornecer a prescrição do modo de agir.
Contudo, a literatura se mostra como uma forma de atualização do ser da
linguagem diferente da informação, pois ela não estaria a serviço da
utilidade. Ela não é experimentada como uma linguagem que tem seu fim
fora de sua experiência. Ela não existe para nos dar informações precisas
sobre a vida à nossa volta. Podemos afirmar que ela vem à luz não para
confirmar nossos ideais nem para dizer o que devemos ou não fazer de
nossas vidas, mas para elaborar uma experiência intensa que possibilite o
questionamento do mundo e de nós mesmos (ALMEIDA, 2013, p. 58-59).

Esta distinção entre a leitura literária e a informação é particularmente importante no
planejamento do trabalho biblioteconômico pois, conforme Umberto Eco (GIRONI, 2011), o

166 Em busca pelo Scielo e Google Acadêmico foram encontrados 3 títulos, todos originários da Psicologia
Social.

1546

�excesso de informação disponível na Internet, ao invés de benéfico, pode ser prejudicial,
sobretudo para aqueles que não estão aptos a filtrar a informação relevante, caso da população
menos favorecida culturalmente. Ortega y Gasset (2006) já alertava, na década de 30, portanto
antes da Internet, sobre a enorme quantidade de livros desnecessários e o papel do
bibliotecário para mediar a relação dos livros com os usuários. Ainda que a questão
informacional tenha sido incorporada, sobretudo com os avanços da tecnologia, no trabalho
bibliotecário, lidar com a grande quantidade de livros parece ser tarefa relativamente mais
fácil do que operar com a overdose de informação que flui livremente pela Internet.
Em suma, a hipótese é de que o livro e a leitura, enquanto forma e conteúdo, tem papel
importante na dimensão da construção de um sujeito não apenas melhor informado, mas culto
e livre o suficiente para compreender os possíveis equívocos ou manipulações de informação.
Sobre a questão da leitura, se através de livro em papel ou em livro eletrônico, nota-se
atividades de estímulo à leitura que fomentam o downloadl67de obras clássicas ou
outras. Nesse sentido, é oportuno o comentário de um entrevistado:
É como me diz um amigo, o que nos falta é ver o fracasso do livro
eletrônico, porque o fracasso é que a gente não ler, não tem a ver com a
ferramenta. A pessoa que lê não se importa de ir de férias com três ou quatro
livros de papel. A questão de que é mais fácil o tamanho (se referindo ao
livro eletrônico)...Eu sou muito do papel, não gosto do livro eletrônico, estou
acostumado, uma tela não me excita muito, eu gosto de desenhar, dobrar a
página. Isso é um costume. Agora se você me diz que há um leitor que lê
"Vermelho e Negro” (Sthendal), em francês, a "Montanha Mágica” (Thomas
Mann), em alemão, e “Ulisses”(James Joyce), em inglês, em um livro
eletrônico, está bem, muito melhor que ler um livro por ano em papel. Bem,
eu gosto mais do papel, não sei. Se te perguntam que o é melhor: Messi ou
Cristiano Ronaldo? Eu gosto mais de Messi, mas é uma questão de gosto. De
qualquer modo, como ferramenta, se alguém me disse que leu "Viagem ao
Fim da Noite" (Louis-Ferdinand Céline) em livro eletrônico, fico contente.
(entrevista com o coordenador do Club de Lectura - Universidad Carlos III
de Madrid)

3 CARACTERIZAÇÃO DAS POLÍTICAS INSTITUCIONAIS DE INCENTIVO À
LEITURA NAS UNIVERSIDADES ESTUDADAS
Para a realização do estudo utilizou-se o método de estudo de caso comparado entre
países (Brasil, Espanha e Moçambique), baseando-se em amostra intencional para a seleção

167 Ver site do projeto do governo português, de estímulo à leitura através da Internet, que “ajuda a promover os
hábitos de
leitura em Portugal” . O site traz downloads de obras clássicas. Disponível em:
&lt;http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/clubedeleituras/index.php?s=elivros&gt;. Acesso em: 30 abr. 2014.

1547

�dos entrevistados em três sistemas de biblioteca universitária nesses países. Adota-se enfoque
qualitativo, o qual “utiliza coleta de dados sem medição numérica para descobrir ou
aperfeiçoar questões de pesquisa e pode ou não provar hipóteses em seu processo de
interpretação” (HERNÁNDEZ SAMPIERI; FERNÁNDEZ COLLADO; BAPTISTA LUCIO,
2006, p. 5).
Os instrumentos de coleta de dados foram essencialmente a entrevista, análise
documental e observação participante. O universo da pesquisa no Brasil foi o Sistema de
Biblioteca da UFMG, especialmente para este estudo a análise de documentos e entrevista
gravada com bibliotecários da Biblioteca Central. Na Espanha selecionou-se o sistema de
biblioteca da UC3M e valeu-se da observação participante do clube de leitura da universidade
no Campus de Colmenarejo, situação que permitiu verificar a dinâmica do grupo e,
principalmente para fins deste trabalho, entrevistar o professor coordenador do clube de
leitura, conversar com alguns alunos participantes, bem como entrevistar a bibliotecária que
auxilia as atividades do clube. Finalmente, em Moçambique o local de realização da pesquisa
foi a UEM, prédio da Biblioteca Central Brazão Mazula onde se pôde entrevistar
bibliotecários, conversar com professores, alunos e verificar documentação da biblioteca e da
universidade.
No quesito análise dos dados, após a transcrição mais fiel possível das entrevistas,.
empregou-se se a técnica de análise de conteúdo. Selecionando-se trechos mais significativos
das entrevistas nos três países e, particularmente, a questão dos clubes de leitura na
universidade espanhola. Desse modo, apresenta-se a seguir quais são as principais práticas e
políticas de incentivo à leitura adotadas no âmbito das universidades estudadas.

3.1 INCENTIVO À LEITURA NA UFMG
Sobre as iniciativas de leitura destaca-se a princípio quatro projetos de extensão, entre
eles o “Espaço de Leitura” e o programa de rádio “No Ritmo da Lombada” do Sistema de
Biblioteca da UFMG; o “Carro Biblioteca”, da Escola de Ciência da Informação e o “Clube
de Leitura”, da Faculdade de Educação.
O “Espaço de Leitura” foi inaugurado em 2009, no prédio da Biblioteca Central, com
um acervo inicial de 3.000 obras, atualmente segundo a bibliotecária responsável já passam
de 6.000 obras de variados gêneros literários (poesia, romance, biografia, literatura infantojuvenil, artes, etc.), além de obras em Braille, jornais e revistas. O objetivo do Espaço é ser,
também, um lugar para lançamento de livros, mostra de arte, “contação” de histórias, debates,

1548

�exibição de filmes e exposições literárias (UNIVERSIDADE..., 2011). A bibliotecária
comenta, em entrevista, como surgiu o espaço:

A história deste espaço é a seguinte: logo que entrei na universidade já
existia o projeto. Então, posso dizer do que contam, porque eu encontrei o
projeto mais ou menos no meio. O antigo reitor (...) tinha uma assessora,
técnica administrativa, que trabalhava na reitoria , um dia teria comentado
com ele que sentia falta, na UFMG, de um local onde se pudesse fazer uma
leitura sem compromisso. Sem ser científica, sem ser técnica, como acontece
normalmente numa biblioteca universitária, onde os nossos materiais são
técnicos, científicos, para uma leitura com o objetivo de estudar ou
pesquisar. Então, ela sentia falta dessa leitura de lazer, sem preconceito,
então tem que ter os bestsellers, os religiosos, auto-ajuda (inclusive até sai
muito). Normalmente nas bibliotecas, inclusive na de Letras (faculdade),tem
material de literatura, mas muito voltado para os cursos, às vezes lá eles
estudam um estilo de época, e tal. Então, a funcionária falou com o ex-reitor
sobre isso, que achava importante ter um ambiente assim, um espaço
diferenciado (Bibliotecária da UFMG).

O Espaço de Leitura se tornou um projeto de extensão com a participação de bolsistas
dos cursos de biblioteconomia, letras e pedagogia. A bibliotecária relatou o perfil do aluno
como os amantes de literatura. Para aqueles que ainda não freqüentam o Espaço, a biblioteca
promove a divulgação através de folders, marcadores de livros e na Internet. Há varias
exposições ao longo do ano e todas com o objetivo de estimular a leitura livre dos usuários,
desde obras infantis, quadrinhos, best-sellers, até romances clássicos.
Percebe-se que este tipo de atividade pode oferecer uma melhor sistematização e
estímulo para os alunos que ainda não tem o habitus da leitura como ganho de capital cultural
(BOURDIEU, 1989). Além do mais é preciso atentar para os investimentos nas obras menos
prestigiosas no campo cultural, como romances policiais, história em quadrinhos, mais
arriscado para os com baixo capital escolar (BOURDIEU, 2002). Assim é crucial exercer o
que Castel (2008) denomina “discriminação positiva”, no sentido de atrair principalmente os
usuários mais carentes para reduzir as desigualdades de letramento no interior da comunidade
acadêmica, historicamente constituída pela dimensão da leitura e da escrita.
Nessa mesma direção, no dia 12 de março de 2014, dia do bibliotecário, foi lançado
um programa “No ritmo da Lombada: literatura, melodia e afeto”, na rádio da UFMG, com o
objetivo de estimular a leitura. Trata-se de uma iniciativa do Sistema de Biblioteca da UFMG
em parceria com a Rádio UFMG Educativa, cuja transmissão é feita pelo radio (FM 103,9) e
pela Internet. Especificamente para se escutar o programa, há a disponibilização de link na
página da Biblioteca Universitária. O programa já homenageou vários escritores brasileiros,

1549

�com a leitura de trechos, comentários sobre a vida e a obra dos autores homenageados. O
programa é complementado com entrevistas aos alunos, bibliotecários ou demais técnicos
administrativos, admiradores da obra do homenageado. Os entrevistados comentam a relação
que eles próprios estabelecem com os livros e a vida em geral dos autores, além de pedir uma
música e indicar livros. Ao final, há a recomendação da localização dos livros no catálogo
online através do site da Biblioteca Universitária (http://www.bu.ufmg.br).
Outra iniciativa de estímulo à leitura é o Carro Biblioteca, atividade de extensão
coordenada pela Escola de Ciência da Informação da UFMG. Segundo Dumont (1990) apesar
da crítica à falta de continuidade, limitação de acervo e de pessoal o projeto é importante para
estimular o gosto pela leitura das comunidades de baixa renda, localizadas na região
metropolitana de Belo Horizonte. A autora aponta que a possibilidade de leitura, oferecida
pelo carro biblioteca, vai ao encontro das necessidades e da realidade do cidadão, sendo
essencial a participação do bibliotecário no estímulo ao gosto à leitura. Leocádia (2014, p. 05)
aponta que, atualmente, o projeto ampliou sua atuação, com programas de inclusão digital,
atividades de “contação” de história, concursos de redação e poesia, além de exposições sobre
assuntos diversos. Na questão de ler e contar histórias, Farias (2013) chama a atenção para o
fato de que, apesar de ser uma importante manifestação cultural, este tipo de atividade é
baseado na oralidade e, por isso, questiona sua eficácia como atividade de estímulo a leitura.
Outra atividade de extensão da UFMG, que acredita no livro para promover o prazer
da leitura, é o projeto “Tertúlia Literária: quem lê tem muito a dizer”, da Faculdade de
Educação (FAE), cujo objetivo é incrementar o universo literário dos professores de crianças
de 0 a 10 anos. Sob a coordenação de professores da FAE, em encontros mensais, são
discutidas obras previamente selecionadas para serem lidas e discutidas ao longo do ano, com
isso “espera-se que os professores sejam leitores proficientes e ativos para transmitir a cultura
letrada às novas gerações” (SILVA, 2012). O projeto funciona desde 2009 e a expectativa é,
segundo Lucas (2013), sua inclusão como disciplina eletiva para os alunos da universidade,
como já acontece na Universidade Carlos III de Madrid descrita a seguir.

3.2 CARLOS III: CLUB DELECTURA NO PLANEJAMENTO DA BIBLIOTECA
Vinculado ao sistema de biblioteca universitária da Universidad Carlos III de
Madrid,verifica-se a existência do Club de Lectura168, uma parceria da biblioteca e do Espaço

168Disponível em: &lt;http://biblioteca2.uc3m.es/clubdelectura/&gt;. Acesso em: 30 abr. 2014.

1550

�do Estudante. Para atuar nesta atividade, a universidade contrata um professor com a
finalidade de ler e discutir obras literárias com os alunos e demais participantes:

Fue en el contexto del Plan de Marketing de la Biblioteca, dirigido entonces
por el coordinador del club en Biblioteca, Julio Macías, cuando analizando
los datos de nuestros usuarios, comprobamos que el mayor uso que el
personal de Administración y Servicios hacía de la Biblioteca era
precisamente la demanda de lecturas literarias. Se pensó poner en marcha
un Club de Lectura precisamente para canalizar y fdelizar a este grupo de
usuarios .

A iniciativa, confirmada por um dos bibliotecários entrevistados, surgiu de uma
demanda dos funcionários da biblioteca no sentido de um espaço em que pudessem ler e
debater obras de caráter literário. Diante do sucesso do Club e da participação discente, a
universidade decidiu conferir a participação dos alunos nesta atividade a possibilidade de ser
convertida em créditos obrigatórios para todos os cursos, na área de humanidades. Alguns
alunos dizem se interessar por esta atividade, além da facilidade de obterem créditos, por
acreditarem na importância da leitura para suas vidas.
Os bibliotecários entrevistados, em geral, julgam esta atividade como importante para
complementar a formação humanística dos alunos, mas um deles ressaltou que o fato da se
converter em disciplina acadêmica prejudicou um pouco o caráter da leitura por prazer. O
professor coordenador do clube também enfatiza, entre várias questões, a dificuldade de se
trabalhar a literatura com os universitários. A seguir, leia-se trechos da entrevista com o
professor coordenador do Club de Lectura sobre as várias dimensões da leitura na
universidade:
Creio que toda biblioteca deveria ter clube de leitura e curso de escrita, cada
vez mais, sobretudo para orientar aos jovens, adolescentes e crianças
também pelo menos até os 18 anos no hábito da boa leitura. De fato outro
dia li, creio que no Vale do Silício nos Estados Unidos, há uma nova
proposta que até os 13 anos não se devia incentivar uso digital aos jovens,
porque o mundo digital é muito mais fácil de compreender e não é
necessário treinamento. Segundo eles os gurus da tecnologia, os jovens
aprendem facilmente antes dos 13 anos a usar smartphones ou o que seja
(entrevista com o coordenador do Club de Lectura).
Na Universidade, porque você pôde ver mais de uma vez, não conhecem (se
referindo aos livros, autores, filmes, etc.). Vivem com os celulares, whatsapp
(sistema de troca de mensagens instantâneas entre celulares). Eu creio que
agora mesmo a leitura tem uma função que não tinha antes, que é ensinar a
concentrar-se. Antes não, antes concentrar-se por 02 ou 03 horas para ler um
livro era mais normal, mas agora não é assim. Então, creio agora a boa

169 Disponível em: &lt;http://biblioteca2.uc3m.es/clubdelectura/sobre-el-club/&gt;. Acesso em: 30 abr. 2014.

1551

�leitura, boa literatura é uma ferramenta que ajuda na concentração. Na era de
whatsapp, Facebook, a gente não se concentra muito. É difícil há muitos
estímulos, todo tempo há estímulos, são como crianças pequenas (entrevista
com o coordenador do Club de Lectura).

3.3 INCENTIVO À LEITURA NA EDUARDO MONDLANE
Na Universidade Eduardo Mondlane, como relata em entrevista uma bibliotecária, o
principal projeto de extensão que pode ser considerado de estimulo a leitura é o “Livro
Esquecido”. A biblioteca ao invés de descartar os livros não necessários, deixa-os em vários
pontos da cidade para que alguém os leia e, após a leitura, deixe-os em outros pontos da
cidade para outros leitores. A iniciativa é inspirada em um movimento mundial chamado
Cross Booking.
Outra iniciativa,

embora não oficialmente instituída pela Universidade,

é

implementada pelo Departamento de Literatura da Faculdades de Letras. Neste âmbito, um
grupo de estudantes reúne-se, elege um tema ou livro - em geral literário - a ser debatido.
Esta iniciativa conta com a participação de alguns professores. O debate de escritores como
Fiódor Dostoiévsk, por exemplo, reforça o ponto de vista de Almeida (2013, p. 58), segundo o
qual a literatura permite “[...] elaborar uma experiência intensa que possibilite o
questionamento do mundo e de nós mesmos”. A Biblioteca Central da UEM participa do
projeto oferecendo o seu espaço para o debate. É também iniciativa desta Biblioteca, em
parceria com a Faculdade de Letras, a promoção de debates literários com escritores
moçambicanos, como é o caso de Paulina Chiziane, entre outros. São, entretanto, experiências
cuja repetição ainda não foi suficiente para fazer com que se tornasse oficiais na instituição.
Apesar do alto índice de analfabetismo, como Moçambique, o investimento maior tem
sido feito na questão do acesso aberto, ou seja, a aposta, atualmente, é mais na divulgação do
conhecimento científico produzido na Universidade, conforme apontaram Pena, Crivellari,
Moreiro González e Mangue (2013). Quando perguntado se há alguma iniciativa de leitura
uma das bibliotecárias deu a seguinte resposta:

Nós partimos do pressuposto de que são os professores que devem fazer.
Talvez possa considerar isso como incentivo a leitura: no início do ano
pedimos à faculdade para fazer um pequeno programa, isso quem faz é o
departamento de referencia, um programa em que os calouros vêm fazer
visita à biblioteca, explicar como funciona e vamos a área de literatura e
mostramos aquilo que realmente ajuda nesse sentido. Agora quando o aluno
entra na universidade (ahhhhh) está com as matérias dele e não tem tempo de
ler literatura.

1552

�A iniciativa de leitura ainda é muito tímida particularmente em Moçambique quando
comparado com os demais países observados. De qualquer modo nos três países ainda há
muitos desafios a serem superados na questão da formação cultural da comunidade acadêmica
e da sociedade em geral.
Acredita-se

na biblioteca

universitária

como

propulsora

da

leitura

como

desenvolvimento do indivíduo e da sociedade nesses países. Apresenta-se, a seguir, algumas
reflexões sobre a questão da orientação para a leitura e, em seguida, e a título de conclusão,
alguns desafios que se impõem para os bibliotecários como partícipes nessa direção do
desenvolvimento humano da população.

4 O PAPEL DE ESTIMULADOR DA LEITURA: A QUEM COMPETE?
As três experiências apresentadas mostram que as atividades de leitura podem
transcorrer com ou sem a presença de um agente estimulador. Nos clubes de leitura, ele está
presente e foi ocupado por um professor. Na vivência dos “Livros Esquecidos”, no “Espaço
de Leitura” e no “Carro Biblioteca” a escolha do leitor é livre. Até certo ponto, pois não se
pode ignorar o grande espaço de poder, exercido pelo bibliotecário, na definição da “coleção”,
mesmo que seja de títulos a serem “esquecidos” em diferentes pontos da cidade.
A discussão que se segue baseia-se, de um lado, nas reflexões de um professor sobre a
própria experiência como estimulador em um clube de leitura. De outro lado, e fechando o
artigo, procura-se pensar nas possibilidades do bibliotecário para exercer as funções de
estímulo à leitura.

4.1 A LEITURA E A SAÍDA DA CRISE: O PROFESSOR “ESTIMULADOR”

A boa leitura, o ensaio comprometido e radical, desde sempre ajudam a
pensar a sociedade, esta sociedade em crise ou não. O que ocorre é que a
sociedade está sempre em crise. Agora a Espanha vive esta crise, como se
vive em América Latina continuamente, como houve guerra entre Alemanha
e França, etc. Creio que sim, a boa leitura pode ajudar, mas há que fazer uma
distinção, qualquer leitura não vale e para isto está a gente, como eu, que
estudei durante trinta anos para poder determinar o que é uma boa leitura e o
que não é. É como um médico que estuda e diz como curar um problema
cardíaco, ou um problema de pulmão. Assim é o professor, o que estuda, o
que sabe deste tema pode orientar para que se façam boas leituras. De todos
os modos, alguém com certa bagagem cultural pode fazer o caminho por si
mesmo (entrevista com o coordenador do Club de Lectura).

O pesquisador indaga ao professor sobre a figura do especialista ou do estimulador da leitura:

1553

�(...) pode ser alguém da família, um amigo, mas eu reivindico a figura do
professor, do mestre seja no ensino fundamental, médio ou universitário. É
fundamental. Eu diria que - quase - é o único (papel) importante de um
professor, eu diria de qualquer disciplina (matemática, inclusive) de
recomendar boa literatura depois, claro, são as ferramentas, práticas de
matemática, física, etc. Mas, sobretudo os professores de humanidades, o
que mais se pode fazer para os alunos que fomentar a leitura e induzi-los
para que leiam bons livros? Eu penso que é isso, não somente em clubes de
leitura ou cursos de escrita, mas em tudo, em geral, numa classe (entrevista
com o coordenador do Club de Lectura).

O pesquisador coloca o dilema da escolha das leituras, arguindo sobre a relação entre a
literatura clássica e a comercial:

A mim, me passou em aulas com adolescentes, quando se pergunta o que é
um bom e um mau livro? Eles sabem a distinção perfeitamente. Ou seja, que
(a obra) prenda a atenção, um personagem complexo, que além de
entretenimento, o livro traga reflexões profundas, pensar sensações
filosóficas, que te ajude a conhecer o mundo em que vive, etc (...)
(...) nesse sentido seria a literatura - não sei se ‘boa’ - teria que encontrar um
adjetivo melhor. Se não te dizem: e você quem é para determinar o que é a
‘boa’ literatura? Bem, a literatura que nos faça crescer. Além disso, a
comercial, conhecemos todos, estão nas grandes livrarias, as que saem em
publicidade na rádio, na televisão, etc. Isso acontece com tudo, como a
televisão vende "lixo", as editoras também. Eu trabalho numa editora e agora
o que mais faço é qualificar os manuscritos se podem ou não serem
publicados. Em geral não se pode, porque são maus...parece que ser escritor
agora, não sei, é moda. Ser escritor é muito complicado (entrevista com o
coordenador do Club de Lectura).

Mais uma pergunta é feita pelo pesquisador: qual leitura se deve recomendar: o ensaio ou a
ficção?

Para ler ensaio há que ter certa ..., digamos, não pode ler Hegel porque me
ponho a ler Hegel e pronto. Na realidade, tampouco a Sthendal ou
Dostoiévski. O que eu creio, é muito importante, que cada livro se adeque à
maturidade intelectual da pessoa que o lê. Não somente a idade, porque há
jovens de 14 ou 15 anos muito bem estimulados para a leitura, que podem ler
tranquilamente a Shakespeare, sem problema. Há gente de 25 anos que não
pode ler nada. Então isso é muito importante, creio que a orientação é muito
importante, e que verificar o percurso, tais livros, personalizar com os
jovens. Ver que estímulos tiveram, quais suas inquietudes e quais os
melhores livros para chegar em suas mãos para seguir crescendo até que
possa, como acontece, seguir por eles sozinhos, que livros lhe convêm
(entrevista com o coordenador do Club de Lectura).

1554

�5 BIBLIOTECÁRIO COMO ARTÍFICE: CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nas entrevistas realizadas, o papel do estimulador da leitura parece mais evidente para
o professor do que para o bibliotecário. Nos países analisados, a formação profissional do
bibliotecário não tem um enfoque direcionado para a leitura e, em geral, nos postos de
trabalho que este ocupa, não exerce a função de estimulador da leitura. Para isto, o
bibliotecário teria que se autoformar, tal como um “artífice”.
Na perspectiva de Sennett (2009), a noção de “artífice” remete ao demiurgo, ou àquele
que produz para o povo. É nesse sentido que vale a pena se pensar sobre a função social dos
Bibliotecários, da categoria profissional e do modo como podem desempenhar seu papel no
cerne da instituição Biblioteca. O bibliotecário é o artífice da palavra escrita, materializada
particularmente nos livros, sobretudo para as classes sociais mais pobres, por intermédio da
biblioteca, entendida como espaço de cultura, através do contato direto com usuários reais e
potenciais, produzindo a crença (BOURDIEU, 2002a), a crença na cultura do livro.
Para se tornar um “artífice” seriam necessárias muitas horas de trabalho. Fazendo uma
analogia com a formação do leitor e da própria formação intelectual, seria um processo de
muita leitura - no princípio, pode não ser sempre aprazível. O nível intelectual eleva-se com o
tempo e o esforço de leitura. Para Nietzsche, (1973 apud BOURDIEU, 2002b), há poucas
pessoas verdadeiramente cultas. De qualquer modo, a crença na leitura pode tornar o
indivíduo médio mais culto para contribuir no desenvolvimento social.
Neste sentido, o bibliotecário tem uma dupla missão: a de ser um técnico na arte de
organizar coleções com objetivo de dar acesso à informação e, simultaneamente, ser um
artífice do livro e da leitura, sozinho ou em conjunto com professores e outros agentes. “Essa
missão do bibliotecário, que a sociedade lhe confere, refere-se à autoridade moral
proporcionada por seu saber, sua experiência e a natureza de seu trabalho.” (PENA,
CRIVELLARI, MOREIRO GONZÁLEZ; MANGUE, 2013, p. 1614).
Uma investigação se faz por comparações, guardando a particularidade de cada país e
de suas iniciativas de leitura, o que é fundamental. No entanto, mesmo considerando as três
diferentes realidades observadas, percebe-se, em todas, que a boa leitura é uma das dimensões
cruciais para o desenvolvimento da sociedade humana em qualquer região, porque:

O livro literário, com sua maleabilidade reflexiva, pode causar um
afrouxamento da rigidez estereotipada do pensamento, proporcionando
novos modos de pensar e de existir, subvertendo o estado de coisas e
provocando, desse modo, microrrevoluções que podem se alastrar por toda a
sociedade (ALMEIDA, 2013, p 65).

1555

�Isso posto, recomenda-se uma atenção maior por parte das bibliotecas universitárias,
representada na figura dos bibliotecários, para sistematização de clubes de livros ou leitura
como componente relevante na sua política de planejamento. Além disso, sugere-se a
realização de novos estudos sobre a leitura na biblioteca universitária, para verificar a
incorporação da temática ou de práticas associadas a clubes de leitura, como disciplina
curricular ou como atividade de extensão bibliotecária, propiciando à comunidade acadêmica
uma leitura mais reflexiva. Recorda-se, enfim, que frequentemente, nos países centrais, é
possível observar que os índices históricos de desenvolvimento econômico estão associados a
elevados índices de leitura da sua população. As crises fazem parte do capitalismo, porém seu
enfrentamento depende das políticas de cada país. Pode se considerar que a leitura é um dos
elementos-chave na busca pelo desenvolvimento sustentável, em termos humanos.

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Documentação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Políticas institucionais de incentivo à leitura em Bibliotecas Universitárias: estudos de caso no Brasil, Espanha e Moçambique.</text>
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                <text>Pena, André de Souza, Crivellari, Helena Maria Tarchi, Gonzale, José Antonio Moreiro, Mangue, Manuel Valente</text>
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                <text>O presente trabalho insere-se no eixo temático ―Gestão de Bibliotecas Universitárias‖, subtema ―Políticas institucionais‖, propondo-se apresentar uma reflexão sobre a relevância dos clubes de leitura e outras atividades de incentivo à leitura, desenvolvidas através de bibliotecas universitárias. Do ponto de vista teórico-metodológico trata-se de um estudo comparado entre o Brasil, Espanha e Moçambique. A partir de entrevistas e documentos, foi avaliada a incorporação do clube de leitura no planejamento do sistema de bibliotecas. universitárias analisados. Apresenta-se uma discussão sobre o papel do professor especialista ou do bibliotecário, como estimulador da leitura, propondo-se o bibliotecário como potencial estimulador e promotor da política de leitura nas bibliotecas universitárias</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USO DE SOFTWARE BIBLIOMÉTRICO PARA ANÁLISE DA PRODUÇÃO
CIENTÍFICA DO IFSC-USP

Gracielli Batista Pepe
Maria Helena Di Francisco
Ana Mara Prado, Vilma Del Grossi Coutinho

RESUMO
O número de trabalhos científicos publicados por uma instituição de ensino tem sido nos
últimos anos, um dos critérios para definição dos rankings das melhores universidades, nos
quais a Universidade de São Paulo (USP) vem se destacando. As Bibliotecas das Unidades da
USP são responsáveis pelo depósito, organização e registro no Banco de Dados Bibliográficos
da USP DEDALUS, de toda a produção gerada na Universidade e, nesse sentido, a Biblioteca
do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) tem, ao longo dos anos, aprimorado suas
estratégias de levantamento da produção científica, visando a sua completude de informação.
O Banco DEDALUS é gerenciado pelo software Aleph 500 versão 20, que apesar de seguir
padrão internacional de registros de informações, não disponibiliza para as Unidades, funções
que viabilizem diferentes estudos bibliométricos de toda a produção científica nele
cadastrada. Com o objetivo de ampliar esses estudos, a Biblioteca do IFSC, em 2012, passou
a fazer uso do software bibliométrico VantagePoint (VP), uma avançada ferramenta criada
para processar documentos em massa. Sua utilização possibilitou maior agilidade no processo
de tratamento dos dados, maior exatidão nos resultados e a definição de novos indicadores
que permitem melhor avaliação da produção científica do IFSC, podendo inclusive auxiliar a
Direção da Unidade na definição de políticas.
Palavras-Chave: Produção científica; Software bibliométrico; Indicadores de produção
científica.
ABSTRACT
The number of scientific papers published by an educational institution has been in recent
years one of the criteria for defining the rankings of the best universities, which the University
of São Paulo (USP) has been outstanding. Libraries of USP units are responsible for filing,
organizing and recording in the Bibliographical Database USP DEDALUS, all production
generated in the University and , accordingly the Library of the Institute of Physics of São
Carlos (IFSC) has over the years improved their strategies for scientific production survey,
aiming their completeness of information. DEDALUS database is managed by Aleph 500
software version 20, which despite following international standard for recording information
not available to the units, functions that enable different bibliometric studies of the entire
scientific production registered in it . Aiming to extend these studies, the Library of IFSC in
2012 began to make use of VantagePoint (VP) bibliometric software, an advanced tool
designed to process massive data. Its use allowed greater flexibility in the process of
processing the data, greater accuracy in the results and the definition of new indicators that

496

�allow a better evaluation of scientific production IFSC and may even help Direction Unit in
policymaking.
Keywords: Scientific production; Bibliometric software; Scientific production indicators.

1 INTRODUÇÃO
A produção científica gerada no Instituto de Física de São Carlos (IFSC), cuja
organização e registro têm sido de responsabilidade da Biblioteca, desde sua criação em 1972,
foi processada manualmente até 1986. Com a implantação do programa de automação da
Biblioteca, nesse mesmo ano, sua equipe desenvolveu o “PROCIENT” utilizando o
gerenciador do Banco de Dados dBase III, cujo objetivo era automatizar os processos
relativos ao tratamento da produção científica, até então manual, buscando maior agilidade e
maior eficiência na recuperação da informação (DI FRANCISCO; ZIEMATH; TOGNETTI,
1986).
Com a obsolescência e restrições do PROCIENT, passou-se a utilizar o Banco
Bibliográfico do IFSC (BBI) - Módulo Produção Científica, desenvolvido em MICROISIS e,
posteriormente, o Banco DEDALUS, que foi criado com a finalidade de reunir informações
sobre os acervos das Bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP), assim como promover
e assegurar o controle bibliográfico da produção intelectual gerada na Universidade,
possibilitando, desta forma, a sua disseminação e uso pela comunidade (TOGNETTI; DI
FRANCISCO; ORDONHO, 2004).
Além da busca constante para a atualização ou implementação de novos softwares que
atendessem melhor às necessidades de registro, recuperação e divulgação da produção
científica, a equipe da Biblioteca também se manteve sempre atenta às evoluções de novas
tecnologias. Assim sendo, utiliza-se de recursos manuais e informatizados que vêm
possibilitando o levantamento da produção gerada, obtendo ótimos índices de completude,
como é o caso de uso de estratégias de busca na base de dados Web o f Science desde 1998, e,
mais recentemente, no Scopus, Tycho e Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Todo esse cuidado com o tratamento da produção científica se dá porque a equipe
envolvida tem consciência de que os indicadores, gerados a partir de análise das próprias
pesquisas, subsidiam a Universidade na definição de políticas, formulação de programas,
investimentos e até distribuição de recursos, entre outras medidas. No cenário nacional e
internacional, esses indicadores colaboram para que a Universidade tenha seu reconhecimento
científico e de ensino através de sistemas de avaliação e participação em rankings.

497

�Para a obtenção de indicadores que possam dar maior subsídio para a Direção do
IFSC, a Biblioteca implementou, em seus processos de tratamento da produção científica, o
uso de um software bibliométrico que, além de possibilitar a definição de novos indicadores,
agilizou muito os estudos, que eram realizados anteriormente de forma manual.
Nesse sentido, este trabalho consiste em um relato de experiência, cujo objetivo está
em descrever a experiência da Biblioteca na utilização do software VantagePoint (VP) para
aprimoramento e geração de indicadores científicos, que contribuam positivamente nas
decisões, políticas e no planejamento da gestão da Unidade em que está inserida.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A produção científica diz respeito ao conjunto de trabalhos produzidos pelos
pesquisadores, com o objetivo de divulgar resultados e avanços de suas pesquisas, em livros e
periódicos científicos, em teses e dissertações, em comunicações apresentadas em eventos
científicos e em bases de dados, constituindo-se uma literatura de referência da área.
Nesse contexto Lourenço (1997, p.52.) afirma que:
Produção científica é toda produção documental, independente do suporte
desta - papel, ou meio magnético - sobre um determinado assunto de
interesse de uma comunidade científica específica, que contribua para o
desenvolvimento da ciência, e para a abertura de novos horizontes de
pesquisa.
Visando acompanhar esse desenvolvimento da ciência, torna-se necessário aferir os
avanços e conhecer o desenvolvimento alcançado pelos pesquisadores dentro de suas áreas de
conhecimento.
Os estudos de análise da produção científica possibilitam identificar os seus principais
aspectos e tendências, com vistas à proposição de uma metodologia para a geração de
indicadores científicos capazes de subsidiar processos decisórios. Nesse contexto, surge a
bibliometria, com a finalidade de tratar e analisar estatisticamente conjuntos de dados
bibliográficos de produção científica. Tague-Sutckiffe apud Vanti (2002, p.154) define
bibliometria como:
[...] o estudo dos aspectos quantitativos da produção, disseminação e uso da
informação registrada. A bibliometria desenvolve padrões e modelos
matemáticos para medir esses processos, usando seus resultados para
elaborar previsões e apoiar tomadas de decisões. (TAGUE-SUTCKIFFE,
1992).

498

�Segundo Kobashi e Santos (2008), a bibliometria consiste em uma metodologia de
análise das atividades científicas e correlatas, por meio de levantamentos de dados que
apresentem as mesmas particularidades. Ainda de acordo com os autores, por meio dessa
metodologia, podemos, por exemplo, identificar a quantidade de trabalhos publicados em uma
data específica, por um autor ou por uma instituição; computar, comparar e confrontar os
elementos presentes nos dados bibliográficos das publicações.
Através das análises bibliométricas são construídos os indicadores bibliométricos que,
segundo Vanti (2002, p. 155), são “[...] utilizados para avaliar a produtividade e a qualidade
da pesquisa dos cientistas, por meio da medição com base nos números de publicações e
citações dos diversos pesquisadores.”.
Ainda sobre os indicadores bibliométricos, Hayashi et al (2006, p. 25) afirmam que:
Uma das vantagens do uso de indicadores bibliométricos é a possibilidade de
análise e síntese de grandes conjuntos de dados, uma vez que o processo de
criação desses indicadores pode ser automatizado através do uso de bases de
dados e softwares adequados.
Autores como Pinto, Igami e Bresseiani (2010) confirmam o uso de indicadores e
afirmam que eles têm sido amplamente utilizados como importante ferramenta na gestão de
política científica, e seus resultados subsidiam e fundamentam as ações voltadas à tomada de
decisão.
Maricato, Noronha e Fujino (2010) também afirmam que os indicadores tornaram-se
instrumentos imprescindíveis no planejamento e monitoramento de políticas científicas,
ampliando os benefícios da pesquisa científica e seus impactos econômicos e sociais.
Para construção dos indicadores bibliométricos, diversos softwares estão disponíveis.
O VP foi o software definido pela Biblioteca para analisar a produção científica gerada no
IFSC e segundo Porter e Palop (2012), o VP é um software de mineração de textos para
descoberta de conhecimento em banco de dados de textos estruturados. Ainda segundo os
autores, o software VP possui várias funcionalidades tais como: importação, limpeza, análise
e relatórios.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para atingir o objetivo de descrever a experiência de sucesso da Biblioteca do IFSC na
implementação do software VP, utilizou-se como instrumento de estudo o relato de
experiência. De acordo com Pádua (2004, p.78) uma das funções do relato de experiência

499

�dentro da teoria consiste em “garantir o conhecimento real e objetivo da ação profissional, e
da situação”.
Dessa forma, apresentamos a seguir as etapas da implementação e utilização do
software VP para aprimoramento dos estudos bibliométricos já realizados pela Biblioteca.

3.1 Definição do software a ser utilizado
Pesquisando softwares com essa finalidade, identificou-se um grupo de pesquisa
chamado Núcleo de Informação Tecnológica (NIT), vinculado ao Departamento de
Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que vem
trabalhando há certo tempo com o software VP. O NIT recomendou esse software como sendo
o mais indicado, utilizado, inclusive, na elaboração de indicadores de produção científica para
a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado De São Paulo (FAPESP), com o título
“Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo”, edições de 2004 e 2010
(FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2004, 2010).
O VP é um software para tratamento bibliométrico de dados bibliográficos sobre
publicações científicas, tecnológicas ou outras. Ele permite diversas aplicações, incluindo a
elaboração de estatísticas para gestão de acervos, a elaboração de indicadores de produção
científica (indicadores de publicação, de citação e de colaboração) e tecnológica (número de
patentes), a realização de estudos de inteligência competitiva e a prospecção tecnológica,
entre outras.

3.2. Levantamento de dados
A amostra de dados é gerada a partir do Banco DEDALUS, mais especificamente na
interface interna Graphical User Interface (GUI) do módulo de Catalogação do software
Aleph 500, versão 20. A busca é realizada na Base 04 - Produção Científica onde pode ser
especificada a Unidade USP, o período, autores, entre outros refinamentos.
Após a escolha do conjunto de dados em que se quer trabalhar é feita a busca, o
sistema gera um arquivo com os registros recuperados em formato Machine Readable
Cataloging (MARC), no qual é constituído de campos e subcampos, como exemplificado no
Quadro 1. Esses registros são copiados em um bloco de notas e devem ser salvos em formato
de texto (.txt).

500

�Quadro 1 - Registro recuperado do Banco DEDALUS
Campo
FMT
LDR
BAS
008
022
0247
040
0410
044
1001
24510
260
300
500
5100
590
650 7
650 7
7001
7001
7001
7001
7001
7730
8564
85641

85641

85641

940

Dado
BK
00000nab 22 Ia
|a 04
100329s2014 xxk 000 0 eng d
|a 1612-2011
|a 10.1088/16122011/ 11/1/015501 |2 DOI
|a USP/SIBI
|a eng
|a xxk
|a Thompson, K. J. |5 (*)
|a Evidence of power law behavior in the momentum distribution of a turbulent trapped
Bose-Einstein condensate
|a Bristol |b Institute of Physics - IOP |c 2014
|a p. 015501-1-015501-5
|a Disponível em: &lt;http://iopscience.iop. org/1612-202X/11/1/015501/pdf/1612202X_11_1_015501.pdf&gt;. Acesso em: 13 jan. 2014
|a Indexado no Science Citation Index
|m 7,714 |n GRU025; IFSC005
|a CONDENSADO DE BOSE-EINSTEIN |2 larpcal
|a ÁTOMOS |2 larpcal
|a Bagnato, G. G. |5 (*)
|a Telles, Gustavo Deczka |5 (**)
|a Caracanhas, Mônica Andrioli |5 (**)
|a Santos, F. E. A. |5 (*)
|a Bagnato, Vanderlei Salvador
|t Laser Physics Letters |d Bristol : Institute of Physics - IOP |h v. 11, n. 1, p. 015501-1­
015501-5, Jan. 2014
|z "Clicar" sobre o botão para acesso ao texto completo |u http://iopscience.iop. org/1612202X/11/1/015501/pdf/1612-202X_11_1_015501.pdf |3 DOI
|z "Clicar" sobre o botão para acesso ao Currículo Lattes de Gustavo Deczka Telles |u
http://buscatextual .cnpq.br/buscatextual/visualizacv.
do?metodo=apresentar&amp;id=K4794329Z6 |3 Currículo Lattes
|z "Clicar" sobre o botão para acesso ao Currículo Lattes de Mônica Andrioli Caracanhas
|u
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.
do?metodo=apresentar&amp;id=K4537419Z8 |3 Currículo Lattes
|z "Clicar" sobre o botão para acesso ao Currículo Lattes de Vanderlei Salvador Bagnato
|u http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4783134Y5 |3 Currículo
Lattes
|a As a consequence of the quantization of its vorticity, superfluid systems may present
the simplest form of turbulence and the exploration of turbulence in Bose condensed
gases may create a gateway to better understand various turbulent phenomena. In this

501

�work, a magnetically trapped atomic condensate of 87Rb atoms is used to investigate the
emergence of quantum turbulence. Vortices and anti-vortices are generated by applying
an off axis, sinusoidal, magnetic field gradient and agitating the condensate to inject
kinetic energy. Vortices are created on the periphery and propagate through the cloud,
setting up experimental conditions favorable for turbulence. Once a turbulent regime has
been produced, the condensate is released from its trapping potential and allowed to
freely expand. Measurements of the atomic density profile after a time of flight are used
to gain insight into the in situ momentum distribution of the system. These images show
clear deviations between the non-turbulent and turbulent density profiles, in both the
distribution of momentum and its average magnitude.
945
|a P |b ARTIGO DE PERIODICO |c 01 j 2014 |l INTERNACIONAL
|a TELLES, GUSTAVO DECZKA |b 1119612 |e IFSC |f INST DE FÍSICA DE SÃO
CARLOS |g FCM |h FÍSICA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS |i 40 HORAS j
946
CELETISTA |k ESPECIALISTA EM LABORATÓRIO |l 1360 |m 20130218 |n
20501231
|a CARACANHAS, MÔNICA ANDRIOLI |b 5110815 |e IFSC |f INST DE FÍSICA DE
SÃO CARLOS |g FCM |h FÍSICA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS |i 40 HORAS j
946
CELETISTA |k ESPECIALISTA EM LABORATÓRIO |l 1360 |m 20110801 |n
20501231
|a BAGNATO, VANDERLEI SALVADOR |b 79360 |e IFSC |f INST DE FÍSICA DE
946
SÃO CARLOS |g FCM |h FÍSICA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS |i RDIDP j
DOCENTE |k PROFESSOR TITULAR |l 83 |m 19940519 |n 20501231
Z30-1
|1 IFSC |3 PROD021638
002438901
SYS
Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS

3.3 Tratamento bibliométrico dos dados
O arquivo de dados em formato de texto (.txt) é importado para o software VP, no qual
já existem filtros previamente definidos para a leitura do formato MARC recuperado do
Banco DEDALUS.
Esses filtros foram elaborados pelos Professores do Núcleo de Informação
Tecnológica (NIT), que também ministraram capacitação à equipe para uso e aplicação do
software VP. Essa capacitação contínua vem sendo assessorada pelos professores do NIT,
sempre que a equipe se depara com dificuldades na criação de novos filtros.
O uso do software possibilitou o tratamento bibliométrico dos dados da produção
científica, o que favoreceu a criação de listas de frequência e matrizes relacionadas.
Após o tratamento bibliométrico, os dados obtidos foram exportados para o software
Microsoft Excel para a construção das representações gráficas, apresentadas na seção de
resultados. O fluxo do método utilizado é representado a seguir:

502

�Figura 1 - Fluxo do Método
txt

^

VantageP

O

J

r

*•

MS Excel
\____
______/

1f
IDENTIFICAÇÃO DE
INDICADORES

REPRESENTAÇÃO
GRÁFICA

Fonte: Elaborado pelos autores

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Toda produção científica do IFSC é cadastrada no Banco DEDALUS, motivo pelo
qual ele é a fonte de dados para os estudos bibliométricos realizados pela Biblioteca. Por ser
um banco de dados basicamente referencial, muitas das análises feitas até 2011 eram
efetuadas a partir da geração de relatórios por docente e por tipo de material, em que a
contagem era realizada manualmente, assim como a geração de indicadores baseados nos
fatores de impacto, o que demandava um tempo bastante significativo. Mesmo assim,
obtinham-se análises importantes sobre a produção científica gerada no IFSC, como:
produção científica individual por docente/pesquisador, geral, por Departamentos e Unidade,
dividida ainda por tipo de publicação.
Com o uso do software VP, o tempo despendido para a identificação dos indicadores
acima citados, foi consideravelmente reduzido (de aproximadamente 1 mês para 1 semana).
Com isso, a equipe pôde dispor de maior tempo para novas análises, o que resultou na
construção de novos indicadores especificados a seguir:
a) Número de publicações por categoria docente;
b) Média de publicações por categoria docente;
c) Número de publicações por Grupo de Pesquisa;
d) Periódicos com maior número de publicações;
e) Incidência de publicações com Unidades USP;
f)

Instituições externas à USP com maior incidência de publicação;

g) Número de publicações de Artigos e Anais em Periódicos em colaboração com
autores de outros países;
h) Número de autores por publicação de Artigos e Anais em Periódicos;
i)

Número de publicações por Intervalo de Fator de Impacto.

503

�Para uma melhor elucidação destes indicadores, foi feito um recorte da produção
científica do IFSC para os tipos de materiais: Artigos e Anais em Periódicos Internacionais
referentes ao ano de 2012. Os gráficos de 1 a 7 demonstram os indicadores descritos acima,
cuja elaboração foi possível após o uso do software VP pela da equipe da Biblioteca. Tais
gráficos são apresentados seguidos de uma breve descrição das etapas do processo para
obtenção dos mesmos.

Gráfico 1 - Publicações em Periódicos Internacionais por Categoria Docente

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS
Gráfico 2 - Média de Publicações em Periódicos Internacionais por Categoria Docente

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS
Para análise do número e da média de publicações por categoria docente, ilustrados
nos Gráficos 1 e 2, utilizamos as informações do campo 946, observando principalmente os
subcampos $e e $k do registro em formato MARC. O campo 946 é um importante campo
para realização de análises, pois permite a identificação da Unidade e de dados funcionais de
autores USP advindos do Departamento de Informática (DI) da universidade.

504

�Gráfico 3 - Publicações em Periódicos Internacionais por Grupo de Pesquisa

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS

Na análise do número de publicações por Grupo de Pesquisa apresentadas no Gráfico
3, foram utilizadas as informações do campo 590 subcampo $n. Esse subcampo foi criado a
partir de uma necessidade específica do IFSC em identificar e quantificar a produção
científica gerada individualmente pelos grupos de pesquisas. O seu preenchimento não é
obrigatório, pois se trata de um campo de inclusão de notas, que para o IFSC foi adotado a
inserção do código do grupo de pesquisa.
Gráfico 4 - Periódicos com maior número de publicações

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS
Para identificarmos quais Periódicos os docentes e funcionários do IFSC mais utilizam
para publicação dos resultados de suas pesquisas (Gráfico 4), foram utilizadas as informações

505

�do campo 773 subcampos $t, no qual é inserido o título da obra no todo. Neste caso, como os
dados da análise referem-se a periódicos, este subcampo é utilizado para a inserção do título
do mesmo.

Gráfico 5 - Publicações em Periódicos Internacionais com colaboração de Unidades USP

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS

O Gráfico 5 apresenta a colaboração do IFSC com outras Unidades da USP. Para sua
obtenção foi criada uma lista através do software VP a partir do campo 946 subcampo $e,
onde constam os dados da unidade a qual o autor/colaborador pertence.

Gráfico 6 - Coautorias com instituições externas à USP

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS

506

�Gráfico 7 - Publicações em Periódicos Internacionais com colaboração de autores de

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS

Para análise de autorias, Gráfico 6 e 7, são utilizados os campos 100 e 700 subcampo
$8, que permitem a identificação da origem institucional dos coautores externos à USP. Essa
identificação nos permite estabelecer análises de redes entre os resultados dessas
colaborações. Para elaboração do Gráfico 6 foi necessário realizar a padronização dos nomes
das instituições dos coautores através do recurso List Cleanup (função para reduzir ou limpar
uma lista) do software VP. Após essa padronização criou-se um Thesaurus (recurso que ajuda
a reduzir e categorizar os dados) no VP, relacionando as instituições ao respectivo continente
para obtenção do Gráfico 7.
Gráfico 8 - Publicações em Periódicos Internacionais por intervalo de Fator de Impacto

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS
Para obtenção do Gráfico 8, foi criada uma lista no software VP com os dados do
campo 590 subcampo $m, no qual é inserido o valor do Fator de Impacto (FI) de cada

507

�periódico. A partir desta lista, para uma melhor visualização, os valores de FI foram
agrupados em intervalos estabelecidos pela equipe.
O Campo 590 é utilizado pela biblioteca do IFSC para inserção/cadastramento de
informações específicas, tais como: grupo de pesquisa (demostrado do Gráfico 3) e FI, que é
uma forma cientificamente desenvolvida para aferir a visibilidade e impacto do periódico
científico. O FI é uma medida adotada pela Thomson Reuters que quantifica a razão entre
citações e itens publicados em periódicos indexados na base de dados Web of Science.
Gráfico 9 - Número de autores por publicações em Periódicos

Fonte: Banco de Dados Bibliográfico da USP - DEDALUS
Para chegar ao resultado do Gráfico 9, que mostra o número de autores por
publicações, é gerada uma matriz no software VP, relacionando o campo de título $245 com o
campo de autor $700. Como o campo $700 traz somente os autores secundários, os autores
primários que ficam no campo $100 não são incluídos. Para resolvermos essa questão,
acrescenta-se mais 1 autor na soma obtida dos autores constantes do campo $700.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O uso do software VP para análise da produção científica do IFSC veio agregar valor a
um processo já desenvolvido pela equipe da Biblioteca no tratamento da produção científica
do Instituto que inicialmente era tratada de forma manual e a partir de 1985, passou a ser
cadastrada em bancos de dados puramente referenciais, o que dificultava e inviabilizava a
realização de estudos bibliométricos mais aprimorados.
Dados estatísticos da produção científica eram obtidos através de contagens manuais
realizadas em listagens extraídas desses bancos, e que também eram trabalhados manualmente
em planilhas do Excel. Dessa forma conseguia-se obter a produção científica individual por
docente/pesquisador, geral, por Departamentos e Unidade, dividida ainda por tipo de

508

�publicação, mencionado no item 4.
Com o surgimento dos softwares bibliométricos e com a possibilidade de geração de
relatório a partir do Banco DEDALUS, em formatos que possibilitam a exportação dos dados
para estes softwares, a equipe da Biblioteca conseguiu, não só automatizar todos os processos
envolvidos na realização dos estudos bibliométricos, como também agilizar a sua realização.
Com a implementação do software VP também foi possível trabalhar na definição de
novos indicadores já apresentados em resultados. Outra vantagem no tratamento bibliométrico
automatizado, é que ele favorece a atualização das análises, permitindo acompanhar a sua
evolução ao longo dos anos.
Acreditamos que a utilização do software acima citado, otimizou recursos e trouxe
muitas melhorias ao serviço de tratamento da produção científica realizada na Biblioteca do
IFSC. Além disso, também deve-se enfatizar que o tratamento criterioso da mesma e a
sistematização de seus processos são fundamentais para a obtenção de resultados fidedignos
na análise bibliométrica, uma vez que esses indicadores auxiliam na definição de políticas
institucionais.
Destaca-se que não foi objetivo deste trabalho discutir os indicadores e sua
contextualização no âmbito dos resultados e sim discorrer sobre a nossa experiência no
processo de criação dos mesmos a partir do software VP, tendo como fonte de dados os
relatórios exportados do Banco DEDALUS em formato MARC.

6 REFERÊNCIAS
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511

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Uso de software bibliométrico para análise da produção científica do IFSC-USP.</text>
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                <text>O número de trabalhos científicos publicados por uma instituição de ensino tem sido nos últimos anos, um dos critérios para definição dos rankings das melhores universidades, nos quais a Universidade de São Paulo (USP) vem se destacando. As Bibliotecas das Unidades da USP são responsáveis pelo depósito, organização e registro no Banco de Dados Bibliográficos da USP DEDALUS, de toda a produção gerada na Universidade e, nesse sentido, a Biblioteca do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) tem, ao longo dos anos, aprimorado suas estratégias de levantamento da produção científica, visando a sua completude de informação. O Banco DEDALUS é gerenciado pelo software Aleph 500 versão 20, que apesar de seguir padrão internacional de registros de informações, não disponibiliza para as Unidades, funções que viabilizem diferentes estudos bibliométricos de toda a produção científica nele cadastrada. Com o objetivo de ampliar esses estudos, a Biblioteca do IFSC, em 2012, passou a fazer uso do software bibliométrico VantagePoint (VP), uma avançada ferramenta criada para processar documentos em massa. Sua utilização possibilitou maior agilidade no processo de tratamento dos dados, maior exatidão nos resultados e a definição de novos indicadores que permitem melhor avaliação da produção científica do IFSC, podendo inclusive auxiliar a Direção da Unidade na definição de políticas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A LEITURA DO INDEXADOR EM SISTEMAS DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS SOB A ÓTICA DA PSICOLOGIA COGNITIVA

Durval Vieira Pereira
Alanda do Valle Vitorino
Marcia Nogueira da Silva
RESUMO
Objetiva verificar em um sistema de bibliotecas universitárias como a leitura técnica do
indexador afeta na descrição temática de documentos. Observa o indexador como
intermediário no processo de comunicação autor-documento-leitor. Seleciona três exemplos
de indexação para análise. Relacionar e analisar os conceitos utilizados para representação
temática da obra. Constata a presença da leitura polissêmica, na qual houve uma variação dos
sentidos nas diferentes leituras de um mesmo documento. Conclui que o indexador sofre
influência da instituição que o abriga, de sua memória e de sua própria história.
Palavras-Chave: Indexação; Leitura documental; Psicologia cognitiva.

ABSTRACT
It checks on a system of university libraries as a technical reading of the index affects the
thematic description of documents. It observes the indexer as an intermediary in the
communication author-document-reader process. It selects three examples of indexing for
analysis. It list and analyzes the concepts used for thematic representation of the document. It
notes the presence of polysemic reading, in which there was a variation in the way different
readings of the same document. It concludes that the indexer is influenced by the institution
where work, his memory and his own history.
Keywords: Indexing; Document Reading; Cognitive Psychology.

1 INTRODUÇÃO
Diante da necessidade da indexação no processo de satisfação do usuário frente à
recuperação da informação, propõe-se a estudar uma das fases da indexação. Especificamente,
a leitura documental, que é parte da análise conceitual, que por sua vez é a primeira fase da
indexação.
O objetivo principal é verificar em um sistema de bibliotecas universitárias como a
leitura técnica do indexador afeta na descrição temática de documentos. Outro ponto a ser

1960

�observado é o indexador como intermediário no processo de comunicação autor-documentoleitor. Este profissional assume a posição de leitor, pois é através de sua leitura que o
documento poderá ser representado. Contudo, esta leitura sofre a influência do elemento
humano, na medida em que a escolha dos conceitos centrais e da interpretação do documento
analisado é resultado das concepções individuais de cada indexador.

2 O INDEXADOR NA ÓTICA DA PSICOLOGIA COGNITIVA
De acordo com Gazzaniga e Heatherton (2005, p. 252), a psicologia cognitiva
baseava-se, originalmente, na noção de que o cérebro representa a informação e que o ato de
pensar - ou seja, a cognição - está diretamente associado à utilização dessas representações.
A biblioteconomia se utiliza fundamentalmente de representações para conseguir atingir seu
objetivo de organização do conhecimento para recuperação de informações importantes para
seus consulentes.
Sobre esta visão de processo cognitivo que envolve a compreensão do texto é que se
quer aqui aprofundar. A leitura documental é vista por Fujita (2004, p. 164) como uma leitura
técnica que consiste na abordagem global dos itens informacionais, e que tem por objetivo
recolher os dados que permitirão o estabelecimento da representação desses itens nos sistemas
de informação.
Ao observar a importância da leitura documentária para a indexação é que se apresenta
aqui uma proposta de estudar o bibliotecário, mais especificamente, o indexador como leitor
ou intermediário entre o documento e o leitor final. Ao criar representações resumidas dos
textos, os indexadores criam - através de suas interpretações - imagens, símbolos que
descrevem o conteúdo de um documento. Entretanto, se esta leitura técnica não for bem
executada pode

criar interpretações

errôneas

ou incompletas

sobre o texto

e,

consequentemente, desviar a visão do leitor sobre o conteúdo.
Um problema que envolve o indexador como leitor é a mecanização do ato de ler.
Sternberg (2000, p. 81) chama de processos automáticos que não envolvem o controle
consciente sobre as ações e consomem poucos recursos de atenção. É preciso estar claro para
o indexador que leitura técnica é completamente diferente de leitura mecânica.
Outro obstáculo que acomete o indexador é a influência de conhecimentos préexistentes na mente do indexador que podem levá-lo a olhar o documento de forma diferente
do que ele realmente trata. Sternberg (2000, p. 79) chama a atenção para a informação préconsciente do conhecimento, que inclui memórias armazenadas que não estão sendo usadas
em um dado momento, mas que poderiam ser evocadas, quando necessário.

1961

�A escolha de termos para representação de informações é um trabalho que pode
acarretar, dependendo de como foi realizado, a anulação daquela informação através de seu
sumiço. Até que ponto, certos equívocos na indexação de um documento é consciente ou não?
Estudar os aspectos cognitivos que levam a escolha de um termo em detrimento a outro é uma
forma de tentar perceber que forças são estas que estão atuando sobre o indexador.

3 METODOLOGIA
Este estudo abrangeu as seguintes etapas metodológicas:
•

Escolha de um sistema de bibliotecas universitárias que trabalhe de forma cooperativa.
No caso, foi escolhido um sistema de bibliotecas do Estado do Rio de Janeiro. Por
questões institucionais, preferiu-se não identificar o sistema analisado.

•

Pesquisa de obras na base de consulta bibliográfica do sistema, para identificar títulos
que apresentam indexações divergentes224.

•

Relacionar e analisar os conceitos utilizados para representação temática da obra.
Será mostrada a referência bibliográfica da obra e a seguir os conceitos utilizados

pelos indexadores para a descrição temática do documento e logo após um breve comentário
analítico sobre estes conceitos escolhidos. Na coleta de amostra, foram pesquisados 85 títulos
da área de letras. Sendo destacada a indexação de três obras que foram julgadas como
significativas para uma reflexão.

4 UMA ANÁLISE SOBRE A LEITURA DO INDEXADOR EM UM SISTEMA DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Uma das dificuldades das bibliotecas universitárias que trabalham em rede é obter um
resultado final coerente, disponibilizando informação analisada e descrita de forma
padronizada, gerando um sistema com alto nível de precisão. Entretanto, o elemento humano
e seus princípios cognitivos alteram esta equação, na medida em que a memória, a
interpretação do texto analisado, a transcrição descritiva da fonte de informação e o uso da
linguagem controlada são resultados das várias concepções individuais dos participantes da
rede. Isto é constatado pelas análises a seguir:

224 Cabe ressaltar aqui que não é intenção, deste trabalho, recriminar ou visar corrigir possíveis incoerências
existentes na base. O objetivo é apenas utilizar como exemplos para uma análise dos conceitos utilizados.

1962

�Quadro 1: Análise da obra 1
Willians, Edwin Bucher. Do latim ao português: fonologia e morfologia
Referência
bibliográfica históricas da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,
1973. 325 p. (Biblioteca tempo universitário; 37).
Indexador1 Fonologia
Filologia portuguesa
Língua portuguesa - Morfologia
Língua portuguesa - Fonologia
Língua portuguesa - Gramática histórica
Indexador 2 Filosofia portuguesa
Língua portuguesa - Morfologia
Filosofia latina
Fonte: O autor.
O Indexador 1 observa o documento apenas sob o ponto de vista da Linguística, talvez
por estar situado em uma biblioteca de Letras. Já o Indexador 2, localizado em uma biblioteca
de Filosofia, apesar de fazer menção a um termo da área de Linguística leva em consideração
maior os termos ligados a Filosofia. Quem está errado? Os dois estão seguindo procedimentos
certos da indexação, aprofundar a especificidade da indexação de acordo com o local inserido
ou com o público alvo é uma prática louvável.
Contudo, a indexação visa descrever o conteúdo principal dos documentos, após isto,
cada indexador fica livre para especificar a representação de acordo com sua realidade.
Assim, percebe-se o poder de censura do indexador, pois ao limitar a descrição temática à sua
área de trabalho, é excluída a possibilidade de outros consulentes encontrem determinado
documento ou ainda que sejam aplicados descritores que não expressam o sentido real do
documento.

Quadro 2: Análise da obra 2
Referência
bibliográfica
Indexador1

Indexador 2

LASSWELL, Harold Dwight. A linguagem da política. Brasília: Ed. Da
Universidade de Brasília, 1979. 410 p. (Pensamento político).
Política - Teoria
Poder (Ciências Sociais)
Análise do discurso - Política
Ciência política
Terminologia
Semântica (Filosofia)

Fonte: O autor.

Este título foi encontrado na mesma biblioteca universitária, porém com diferentes
representações. Nota-se que não existe ou não é aplicada uma política de indexação que
norteie a atividade de indexação. Quando não existem diretrizes a serem seguidas, a leitura

1963

�documentária pode sofrer maiores influências do elemento humano no momento da escolha
dos conceitos. O Indexador 1 associou termos que remetem somente a Ciências Sociais,
executado pela ligação entre análise do discurso e política. Enquanto que o Indexado 2
levantou conceitos de ciência política, lingüística e filosofia. Assim, aparentemente, o
Indexador 1 deixou de relacionar a temática do livro com áreas correlatas descrita em seu
conteúdo, ato que compromete uma representação fidedigna do documento, além de desviar
olhar do leitor sobre a temática do livro.

Quadro 3: Análise da obra 3
Mendonça, Renato de. A influência africana no português do Brasil. 2.
Referência
bibliográfica ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1935. 255 p. (Biblioteca Pedagógica Brasileira;
Série 5. Brasiliana; 46)
Indexador1 Língua portuguesa - Palavras e expressões africanas
Língua portuguesa - Regionalismo - Brasil
Línguas africanas
Indexador 2 Negro no Brasil
Língua portuguesa - Estrangeirismos - África
Línguas africanas
Negros na literatura
Fonte: O autor.

O Indexador 2 utilizou o termo Negros no Brasil que remete a formação histórica e social do
Brasil. Assim, este indexador consegue descrever o conteúdo principal da obra. No entanto, o
Indexador 1 fez a leitura documental da obra levando em consideração somente a visão da
linguagem, o que prejudica sua indexação, pois limita a abrangência do documento. O
Indexador 1 ainda utiliza o termo Regionalismo. Contudo, trata-se de estrangeirismos e não
de regionalismo. As línguas africanas influenciaram o português do Brasil como um todo e
não é característica de uma região apenas.
Van Dijk (1992, p. 57-58) esclarece que há diferenças pessoais na compreensão,
devido a categorias cognitivas, capacidade de memória e estratégias diferentes. Equívocos de
interpretação são problemas no uso da leitura documentária, pois alterar as informações que o
autor desejou transmitir ao leitor é prejudicar o processo de comunicação entre autor e leitor,
e ainda privilegiar, minimizar e/ou modificar as informações a serem transmitidas.

4 ALGUMAS REFLEXÕES
Percebeu-se a importância da leitura no processo de análise temática, no qual são
escolhidos os conceitos para representação do documento. Lucas (2003, p. 19) conclui que “a

1964

�leitura para fins de indexação, que privilegia determinados aspectos por um lado e minimizam
outros, apresenta-se também como uma prática de violência”. Desta forma, entende-se que
cada indexador precisa conscientizar-se de seu papel de mediador no processo de
comunicação entre autor e leitor, e qualquer equívoco pode danificar esta mensagem.
O indexador sofre influência da instituição que o abriga, assim como de sua memória e
de sua história. Ainda pode-se notar a leitura polissêmica, onde houve uma variação dos
sentidos nas diferentes leituras de um mesmo documento. Este fato acontece, principalmente,
porque o processo cognitivo de leitura é uma tarefa imperceptível. Além, de cada indexador
possuir aspectos cognitivos diferentes que influenciam na forma como se trata um conceitochave e como este se traduz em um termo de indexação.
Pretende-se dar continuidade a pesquisa abordando o tema leitura e aprofundar o
estudo cognitivo sobre a escolha dos conceitos. Não se ambiciona esgotar o tema, mas sim
trazê-lo à tona para que novos diálogos sejam feitos.

REFERÊNCIAS
FUJITA, M. S. L. A leitura documentária na perspectiva de suas variáveis: leitor-textocontexto. DaraGramaZero: revista de Ciência da Informação, v. 5, n. 4, ago 2004.
GAZZANIGA, M. S. ; HEATHERTON, T. F. Ciência psicológica: mente, cérebro e
comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005. 624 p.
LUCAS, C. R. Discurso acadêmico disponível em ciências humanas: o funcionamento
discursivo da indexação em uma base de dados bibliográfica computadorizada. Rev. digit.
bibliotecon. cienc. inf., campinas, v. 1, n. 1, p. 12-21, jul./dez. 2003.
STERNBERG, R. J. Atenção e consciência. In: _______. Psicologia cognitiva. Porto Alegre:
Artes Médicas Sul, 2000. p. [77]-108.
VAN DDK, T. A.. Análise semântica do discurso. In: _______. Cognição, discurso e
interação. São Paulo: Contexto, 1992. p. 36-73. (Caminhos da Lingüística).

1965

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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DIREITO AUTORAL E EDITORAÇÃO: ANÁLISE DE DADOS
CATALOGRÁFICOS EDITADOS EM LIVROS À LUZ DA LEI N° 9.610/98
Gleice Pereira
Ana Paula Campos Galdino
Ana Lucia Silva Lopes
Jardel Sabino de Deus
RESUMO :
O Instituto do Direito Autoral vem sendo construído ao longo dos tempos como uma
necessidade urgente de conferir direitos de autoridade sobre a propriedade intelectual, cuja
autoria adquire domínio sobre a propriedade, preservando-a sob o aspecto moral e
patrimonial. Sendo um assunto originado dos primórdios, no Brasil, a lei referente aos direitos
autorais somente é instituída no ano de 1988 (Lei n.° 9.610), porém, devido às inconsistências
e controvérsias existentes na referida legislação, a aplicabilidade deste instituto proporciona,
na atualidade, resultados inglórios. Dentre as diversas irregularidades existentes no campo do
direito autoral, este estudo investiga a falta de interpretação das editoras ao realizarem a
catalogação na fonte (CIP), incluindo dados informativos controvertidos do direito autoral.
Com isso, objetivou-se, com este artigo investigar como as editoras de publicações científicas
da área de Biblioteconomia entendem a Lei da Propriedade Intelectual e inserem informações
em partes destacadas das obras de forma a garantir a efetividade do controle contra crimes de
direito autoral. A partir do método comparativo adotado na análise da CIP de editoras da área
de Biblioteconomia, os resultados confirmaram que as editoras utilizam estratégias no sentido
de preservar seus direitos exclusivos de comercialização, visando ganhos patrimoniais, sem
considerar, efetivamente, o que institui a Lei do Direito Autoral brasileira.

Palavras-chave: Editoras de Biblioteconomia. Direito autoral. Lei n° 9.610/98. Mercado
editorial.
ABSTRACT
The Institute of the Copyright Law has been built over the years an urgent need to grant rights
of authority on intellectual property, whose authorship acquires dominion over the property,
maintaining it in moral and patrimonial aspect. This matter is dated from the early days,
however, in Brazil, the law regarding copyright is only established in 1988 (Law no. 9.610).
Due to inconsistencies and controversies in this legislation, the applicability of this institute
provides, in actuality, inglorious results. Among many existing irregularities in copyright
field, this study investigates the lack o f interpretation of publishers to realize cataloging in
publication (CIP), including disputed copyright information data. In this way, this article
aimed investigate how the publishers of scientific journals in the field of librarianship
understand the Law of Intellectual Property and how they insert information in detached parts
of the works in order to ensure the effectiveness of the control against copyright crimes. From
the comparative method used in the analysis o f the CIP of publishers from the area of
librarianship, the results confirmed that publishers use strategies to preserve their exclusive

264

�marketing rights, seeking capital gains, without considering, effectively, what establishes the
Brazilian Copyright Law.

Keywords: Librarianship Publishers. Copyright. Law No. 9.610/98. Publishing.
1 INTRODUÇÃO
O direito autoral vem se configurando, nas últimas décadas, como um instituto em
favor da propriedade intelectual, cujo teor jurídico tem mostrado o interesse de resguardar os
direitos de autor como uma posse de cunho pessoal, em favor do aspecto patrimonial
conferido aos bens produzidos intelectualmente. Segundo Martins (2001), o direito autoral se
apresenta sob dois principais aspectos: o moral e o patrimonial: o primeiro assegura a
valorização, o reconhecimento e o renome da autoria como produtora de um bem particular; já
o segundo aspecto foi construído a partir dos movimentos em prol da institucionalização de
mecanismos de controle sobre a propriedade intelectual a fim de reduzir os crimes de plágio e
contrafação, típico das sociedades pré século XX.
É bem verdade que as nações mundiais há muito tempo tentam criar um controle
internacional, objetivando garantir os direitos de autor sobre as produções intelectuais, porém
o grande avanço, em nível mundial, que resultou nas atuais legislações existentes em favor da
propriedade intelectual, é fruto das últimas décadas do primeiro milênio. Autores da área
biblioteconômica como Martins (2001), e da área jurídica, como Cabral (2000), e também
doutrinadores, desenvolvem pesquisas com esta temática, defendendo o pioneirismo
conferido à Convenção de Berna em 1886, da qual o Brasil é signatário, e a Convenção
Internacional do direito de autor, instituída em 1971, no trato com a legislação do direito
autoral no mundo.
No contexto brasileiro, as convenções internacionais proporcionaram à ciência do
direito construir uma legislação específica para resguardar os direitos dos autores. Assim
sendo é que se criou a Lei de Direitos Autorais, a qual visa proteger a propriedade intelectual
de um indivíduo. Esses direitos foram instituídos por meio da Lei n° 9.610, que regula os
direitos autorais, estendendo-se sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são
conexos (BRASIL, 1998).
A referia lei assegura que somente o criador da obra (o autor) poderá usufruir do
direito patrimonial, vetando qualquer tipo de comercialização da obra por outrem. Contudo,
está disposto, igualmente, no Capítulo 53 da referida lei, que, além do autor, apenas o editor
poderá participar/usufruir dos direitos patrimoniais, obrigando-se a reproduzir e a divulgar a
obra literária, artística ou científica, mediante contrato previamente firmado, ficando

265

�autorizado, em caráter de exclusividade, a publicá-la e a explorá-la pelo prazo e nas condições
pactuadas com o autor.
Ao analisar detalhadamente a Lei n° 9.610/98, observa-se que, a fim de manter um
controle sobre os direitos únicos que o autor e editor detêm sobre o aspecto patrimonial da
obra, no processo de editoração, o editor está resguardado judicialmente, de informar,
juntamente com os dados catalográficos incluídos nos versos das folhas de rosto dos livros: o
título da obra, o autor, tradutor (se houver), ano de publicação e o nome ou marca que o
identifique, garantindo desta forma o poder exclusivo de posse.
Neste contexto, este artigo visa a investigar como as editoras de publicações
científicas da área de Biblioteconomia entendem a lei da propriedade intelectual e inserem
informações em partes destacadas das obras de forma a garantir a efetividade do controle
contra crimes de direito autoral. Serão analisados os dados catalográficos de três editoras da
área biblioteconômica e a recomendação por elas propostas à luz da Lei n. 9.610/98, instituída
pela legislação brasileira em vigor.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 O DIREITO AUTORAL NO BRASIL
Diante da explosão bibliográfica vivida nas últimas décadas, houve necessidade da
criação de leis que resguardassem o direito de autoria sobre uma dada obra. Assim, visando
proteger a propriedade intelectual de um indivíduo, foi criada a Lei n.° 9.610, no ano de 1988,
visando regular os direitos autorais, entendendo-se sob esta denominação os direitos de autor
e os que lhes são conexos (BRASIL, 1998).
Para Diniz (1998, p. 823) o direito autoral se refere “ [...] a resultante de um direito
imaterial decorrente de trabalho intelectual como o de o autor utilizar suas obras literárias,
artísticas e científicas, patentes de invenções, marcas, etc. Trata-se da propriedade imaterial” .
Os direitos autorais correspondem ao conjunto de prerrogativas de ordem não
patrimonial (moral) e pecuniária que a lei reconhece a todo criador de obras literárias,
artísticas e científicas de alguma originalidade, no que diz respeito à sua paternidade e ao seu
ulterior aproveitamento, por qualquer meio, durante toda a sua vida, ou aos seus sucessores,
ou pelo prazo que ela fixar (ANTÔNIO CHAVES, apud DINIZ, 1998).
Outro conceito que bem delimita esta temática, apresenta-o como sendo o conjunto de
normas jurídicas que em essência regulam o direito atribuído ao autor da obra literária,
científica e artística, no sentido de reproduzir e explorar economicamente, enquanto viver,

266

�transmitindo-os a seus herdeiros e sucessores com o prazo de 60 anos, a contar da data de seu
falecimento (SOARES, apud PIMENTA, 1994).
Conforme afirma Venezo (2010, on-line) o direito autoral brasileiro é regido pela Lei
n°. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998, popularmente conhecida como Lei do Direito autoral
(LDA). Sua finalidade na forma disposta no art. 1°, é regular os direitos autorais. O mesmo
artigo, ainda explica que a denominação direitos autorais refere-se aos direitos do autor e os
que lhe são conexos.
Esta privacidade ao direito intelectual de alguém está relacionada a ética e respeito
com às invenções de um indivíduo, conforme afirmam Pereira, Pimentel, Mehlan (2006, p.
45, grifo nosso):
Direito autoral é o direito que o criador de uma obra intelectual (pessoa
física) tem de gozar dos benefícios morais e econômicos (patrimoniais)
resultantes da reprodução de sua criação. Os direitos morais garantem ao
criador reivindicar a autoria da obra, bem como a menção do seu nome na
divulgação da mesma e assegurar a integridade da obra, em sua reputação
ou honra, além dos direitos de modificá-la ou retirá-la de circulação. Esses
direitos são inalienáveis e irrenunciáveis.
Neste contexto, percebe-se que é de grande contribuição a guarda e amparo dos
direitos autorais, porém há de se convir que a utilização de partes da obra com a devida
citação e menção de seu criador, em nada infringirá o direito autoral, ao contrário apenas o
tornará mais conhecido e divulgado pelas publicações científicas. Nessas circunstâncias surge
o chamado Copyright, visto como “ [...] uma licença que permite a livre reprodução e
distribuição sem fins lucrativos da produção intelectual” (FONSECA, 2006, p. 35).
Parafraseando Brittes e Pereira (2007, p. 168) o termo aqui tratado, no caso, o
Copyright ou direito autoral, visa impedir a circulação de informações, assim como cercear a
democratização do conhecimento, ao definir o acesso à informação em função do mercado
cultural. Para esses autores, o objetivo da legislação em uso é eliminar a competitividade.
Quanto à problemática advinda deste recurso, segundo Lessig (2005, apud BRITTES e
PEREIRA, 2007, p. 169) “ [...] o que precisa é mudar radicalmente a natureza do Copyright,
tendo em mente quatro princípios: tem de ser curta; tem de ser simples; tem de estar ativa;
tem de pensar no futuro. Ou seja, tornar-se uma legislação flexível que estimule o processo de
produção criativa” . Em conformidade com as reflexões de Brittes e Pereira (2007) o
Copyright, corresponde a uma expressão que, se traduzida expressamente significa direito de
cópia, indicando a obra enquanto objeto protegido.

267

�Etimologicamente falando, a mesma autoria acima referenciada (2007, p. 170),
afirmam que este termo possui suas raízes na expressão francesa droit d ’auteur que especifica
nominalmente o autor. No Brasil, é adotado sob outro foco:

No Brasil, adotam-se tanto a terminologia de inspiração francesa, quanto a
outra, e, da mesma forma que os países citados, os destinatários são tidos, no
corpo legal, na qualidade de consumidores. As referências mais abundantes
os colocam na condição de sujeitos passíveis de transgressão e, em apenas
um artigo, seus direitos são tangenciados, mesmo assim limitando-se ao caso
específico de portadores de dificuldades visuais. Cabe ressaltar que
enxergamos aqui uma espécie de efeito colateral do texto legal sobre o
receptor.
De qualquer forma, o Copyright faz referência a uma licença contratual, estabelecida
ou firmada do mesmo modo que as demais relações contratuais:

O copyleft é uma relação contratual construída a partir da legislação do
Copyright, normalmente da mesma forma que qualquer licença tradicional de
proteção dos direitos autorais entre o autor e quem o publica. São algumas
cláusulas deste contrato que faz o copyleft diferente e merecedor de um
nome especial (LIMA; SANTINI, 2008, p. 122).
Neste sentido, o copyleft pode ser definido como a licença que:

[...] autoriza a derivação de trabalhos subsequentes de um trabalho original,
sem a permissão do proprietário protegido por direitos autorais; concede a
autorização para trabalhos derivados, requerendo que estes também sejam
autorizados pela licença de copyleft do original (LIMA; SANTINI, 2008, p.
122).
Em conformidade com os mesmos teóricos:

[...] o copyleft autoriza e assegura recursivamente um tipo de “liberdade” de
uso (e para códigos de computador, necessariamente, o código-fonte aberto e
a transparência também). As cláusulas especiais desta relação contratual
formam uma espécie de coluna vertebral funcional de uma infinidade de
licenças de uso, o que implica que o termo copyleft se refere a uma grande
família de licenças criativas que têm as duas características básicas citadas
anteriormente (LIMA, SANTINI, 2008, p. 124).
Por ser um recurso de auxílio na preservação dos direitos do homem que produziu uma
obra intelectual, o copyleft é uma ferramenta para criadores de conteúdos com os seguintes
objetivos:

268

�•
•
•
•

Proteger os direitos do seu trabalho enquanto o dissemina amplamente;
Proteger contra a restrição do acesso ao trabalho, contra a sua vontade e
além do que considera necessário como recompensa;
Assegurar que seus trabalhos não serão vulneráveis a ações legais
ruinosas;
Criar ambientes de cultura livre, no qual seus trabalhos tenham liberdade
de circulação e possam ser construídos de forma aberta (LIMA;
SANTINI, 2008, p. 124).

O copyleft e as licenças criativas de uso de informação são mais do que uma
complementação das atuais leis de direitos autorais, atendendo àqueles que
não querem suas restrições. Cabe observar que todas as licenças criativas
apresentam potencialidades e limitações. Contudo, elas constituem poderoso
agente de mudança social e econômica, principalmente porque advertem
para a inadequação dos sistemas de propriedade intelectual e de Copyright
(LIMA; SANTINI, 2008, p. 126).
Sanchez (2010, on-line) afirma que este tipo de licença

[...] se baseia nas regras dos direitos autorais, que são utilizadas pelos
usuários e impulsores do copyleft, como uma maneira de estabelecer o
direito de copiar e redistribuir um determinado trabalho. Há diversas
variantes de copyleft mas todas têm o objetivo de garantir que cada pessoa
que receba uma cópia ou uma versão derivada de um trabalho possa, por sua
vez usar, copiar, redistribuir e às vezes modificar, tanto o próprio trabalho
quanto as versões dele derivadas.
Embora tenha sido criado pelos especialistas da Tecnologia da Informação e sua
aplicabilidade esteja mais direcionada ao universo digital é grande a contribuição dessa
ferramenta para a produção científica que cresce exponencialmente no decorrer dos tempos,
conforme demonstra Sanches (2010, on-line):

[...] nos últimos anos, grupos artísticos e intelectuais de tendência anarquista
têm defendido que o conceito de copyleft, surgido na informática, pode ser
adaptado ao universo da produção científica e da cultura de massa. Os mais
entusiastas chegam a argumentar que estamos sob uma nova era de produção
e consumo de informação na qual os grandes conglomerados da indústria
cultural serão derrubados para que possa emergir uma forma comunitária e
aberta de livre distribuição de cultura.
Neste aspecto, podem-se explicar essas reflexões da seguinte forma: capaz de provocar
uma pane no sistema (sonho antigo dos anarquistas libertários). Entretanto, antecedentes
históricos mostram que a lógica e o pragmatismo capitalista sempre tiveram flexibilidade para
adequar-se às novidades tecnológicas e tirar proveito das crises com assombrosa eficiência.

269

�2.2 ASPECTOS JURÍDICOS DA LEI N° 9.610/98: O PAPEL DO AUTOR E DO EDITOR

A atual Lei do Direito Autoral no Brasil foi institucionalizada com a Lei n° 9.610, de
19 de fevereiro de 1998, alterando, atualizando e consolidando a legislação sobre direitos,
além de prescrever outras providências.
Alguns conceitos são meramente explicados pela lei, de forma que o uso ou posse de
propriedade intelectual devem ser visivelmente considerados por quem dela usufrui,
participando do mercado editorial, de forma a preservar os dispositivos e a integridade do que
é aferido em lei. Eis algumas conceituações expressas na lei:

•
Publicação: o oferecimento de obra literária, artística ou científica ao
conhecimento do público, com o consentimento do autor, ou de qualquer
outro titular de direito de autor, por qualquer forma ou processo;
•
Transmissão ou emissão: a difusão de sons ou de sons e imagens, por
meio de ondas radioelétricas; sinais de satélite; fio, cabo, ou outro condutor;
meios óticos ou qualquer outro processo eletromagnético;
•
Retransmissão: a emissão simultânea da transmissão de uma empresa
por outra;
•
Distribuição: a colocação à disposição do público do original ou
cópia de obras literárias, artísticas ou científicas, interpretações ou execuções
fixadas e fonogramas, mediante a venda, locação ou qualquer outra forma de
transferência de propriedade ou posse;
•
Comunicação ao público: ato mediante o qual a obra é colocada ao
alcance do público, por qualquer meio ou procedimento e que não consista
na distribuição de exemplares;
•
Reprodução: a cópia de um ou vários exemplares de uma obra
literária, artística ou científica ou de um fonograma, de qualquer forma
tangível, incluindo qualquer armazenamento permanente ou temporário por
meios eletrônicos ou qualquer outro meio de fixação que venha a ser
desenvolvido;
•
Contrafação: a reprodução não autorizada.
Quanto ao papel legal do editor no processo de publicação de uma propriedade
intelectual, é interessante frisar que sua figura foi necessária, devido aos altos custos que
envolvem um processo de elaboração material (sólida) de uma obra. Os gastos com papel,
pessoal, máquinas, ferramentas e equipamentos, são elevados, o que não motiva o autor a
realizar o processo de publicação (aqui entendida como a colocação da obra nas mãos do
consumidor final - o leitor).
No que se refere à autoria de uma propriedade intelectual, a Lei n° 9.610/98, a
princípio, considera detentor de direitos autorais apenas as pessoas físicas (nome pessoal),
conforme exposto no art. 11, Cap. II: "Autor é a pessoa física criadora de obra literária,
artística ou científica [...]", porém, é conferido à pessoa jurídica, em casos específicos, o

270

�direito de autor: "[...] A proteção concedida ao autor poderá aplicar-se às pessoas jurídicas nos
casos previstos nesta Lei" (BRASIL, Lei n° 9.610, 1988, p. 5).
A identificação do autor da obra, segunda a Lei do Direito Autoral, poderá ser feita
mediante o uso do nome civil do autor, completo ou abreviado, até por suas iniciais, de
pseudônimo ou qualquer outro sinal convencional (BRASIL, Lei n. 9.610/98). Segundo a
legislação, é considerado autor da obra intelectual, não havendo prova em contrário, aquele
que, por uma das modalidades de identificação referidas no art. 11, tiver, em conformidade
com o uso, indicada ou anunciada essa qualidade na sua utilização.
Curioso destacar que o instituto do direito autoral ainda assegura que é titular de
direitos de autor quem adapta, traduz, arranja ou orquestra obra caída no domínio público, não
podendo opor-se à outra adaptação, arranjo, orquestração ou tradução, salvo se for cópia da
sua.
Quanto às delimitações legais direcionadas ao editor, a lei é clara ao enfatizar que ele
pode ser representado por uma pessoa física ou jurídica, desde que lhe tenha sido atribuído o
direito exclusivo de reprodução da obra, devendo divulgá-la, nos limites previstos no contrato
de edição.
O art. 36 versa sobre a única e exclusiva autorização delegada ao editor de participar
da comercialização e divulgação da obra, disponibilizando-a ao público por meio de canais
informativos. Prescreve a lei que "O direito de utilização econômica dos escritos publicados
pela imprensa, diária ou periódica, com exceção dos assinados ou que apresentem sinal de
reserva, pertence ao editor, salvo convenção em contrário" (BRASIL, Lei n° 9.610, 1988, p.
9).

3 METODOLOGIA
Como processo metodológico, este estudo se fundamenta por meio do método
comparativo, metodologia esta proposta por Schneider e Schmitt (1998, p. 1) quando
destacam que a finalidade deste é “ [...] descobrir regularidades, perceber deslocamentos e
transformações,

construir

modelos

e

tipologias,

identifica

nas

continuidades

e

descontinuidades, semelhanças e diferenças, e explicitando as determinações mais gerais que
regem os fenômenos sociais.”
As técnicas metodológicas utilizadas constituíram-se por meio da investigação em
dados inseridos nas fichas catalográficas de alguns livros, tendo como padrão de catalogação,
o Código Anglo Americano (AACR2). Foi selecionada uma amostra de três editoras para
compor a totalidade do universo, com destaque àquelas que se dedicam a publicações de

271

�livros da área de biblioteconomia.
Analisaram-se cinco fichas catalográficas das três editoras. No entanto, constatou-se
que os dados descritivos foram representados de maneira uniformizada, por cada editora.
Dessa forma, optou-se por analisar apenas uma ficha catalográfica de cada editora.
A análise comparativa foi firmada entre os dados impressos nos livros (verso da folha
de rosto) no quesito identificação do direito autoral, tendo em vista as recomendações legais
propostas pela Lei do Direito Autoral, ou seja, será feita uma análise do que as editoras
pesquisadas inserem nas obras por ela publicadas, referente à garantia da posse patrimonial do
item editado e comercializado.

3.1

DELIMITAÇÃO

DA

AMOSTRA:

AS

EDITORAS

E

OS

REGISTROS

CATALOGRÁFICOS
A análise metodológica presente neste trabalho foi pautada por algumas editoras de
renome e especializadas em publicar livros da área de Biblioteconomia e Ciência da
Informação. Foi escolhido o universo das editoras, por essas organizações serem pessoa
jurídica, legalmente autorizadas para compartilhar do aspecto patrimonial oriunda do
comércio de propriedades intelectuais.
Segundo a Lei do Direito Autoral brasileira, a editora constitui uma empresa inserida
no mercado do impresso que controla todo o fluxo editorial, desde a produção ou confecção
de um item intelectual até sua disponibilização nos locais autorizados para comercialização,
chegando às mãos do consumidor final. Estas organizações são consideradas como pessoa
"[...] jurídica à qual se atribui o direito exclusivo de reprodução da obra e o dever de divulgála, nos limites previstos no contrato de edição (BRASIL, 1998, p. 2), cujas funções a ela
delegada é reproduzir ou materializar a ideia autoral, mediante um suporte informacional,
sendo necessário para isso a criação de contratos, obrigando os editores a "[...] reproduzir e a
divulgar a obra literária, artística ou científica, autorizando, em caráter de exclusividade, a
publicá-la e a explorá-la pelo prazo e nas condições pactuadas com o autor [...] (BRASIL,
1988, p. 2).
Ao analisar a realidade vivenciada pelo mercado editorial brasileiro percebe-se que
esse mercado está em expansão, em virtude do crescimento acelerado do número de
publicações disponibilizadas para comercialização, seja em nível de Brasil, quanto em nível
internacional.
A explosão bibliográfica promoveu à expansão do mercado livreiro, porém as falhas
ocasionadas no processo de editoração, podem constituir uma atividade presente no contexto

272

�das editoras brasileiras. Mesmo existindo instrumentos mediadores, implementados pela
Biblioteconomia e demais áreas afins, no sentido de manter controle bibliográfico, bem como
o alerta contra crimes de plágio, a possibilidade de ocorrer certas inconsistências no processo
de editoração se torna provável.
Esta pesquisa delimitou-se às editoras da área de Biblioteconomia por entender que a
Biblioteconomia, por ser um campo voltado para a organização do conhecimento, oferecendo
instrumentos de controle bibliográfico a fim de controlar a produção bibiográfica da nação
(CAMPELO, 2006), despertaria aos empresários responsáveis por suas publicações a
obediência ao que dispunha a lei do direito do autor, bem como o "alerta, o aviso", das
ocorrências de crime nos casos de reprodução indevida da publicação intelectual, informações
estas que podem ser inseridas juntamente com dados catalográficos existentes em partes de
destaque da obra, como folha de rosto, colofão, dentre outros locais.
As mensagens de alerta contra a proibição da comercialização e/ou uso indevido da
obra, que não seja o editor, geralmente, são compiladas junto aos principais registros
catalográficos do livro, expostos na folha de rosto. Esse processo de confecção dos dados
bibliográficos da obra no momento de sua publicação, denominado de Catalogação da Fonte
ou na Publicação (CIP) iniciou-se na década de 50, obrigando as editoras a realizar a
catalogação antes de a obra estar disponibilizada no mercado editorial (CAMPELO, 2006).
Os dados bibliográficos que compõem os versos das folhas de rostos das obras
constituem informações referentes à representação da obra, descrevendo-a de forma que estes
dados possam servir como ponto de acesso em um futuro processo de busca e recuperação.
Para Mey e Silveira (2009, p. 43) a descrição bibliográfica é “ [...] a representação sintética e
codificada das características de um item, de forma a torná-lo único entre os demais.” Existem
inúmeros dados que podem ser representados no verso da folha de rosto, no momento da
editoração, tais como: autor, título, editor, Copyright (representado pela marca registrada: ©),
dentre muitos outros, conforme exposto na figura 1.
As várias modalidades de controle bibliográfico, como a CIP, proporcionaram um
avanço tanto no que se refere ao controle da produção bibliográfica do País, como na
catalogação cooperativa entre profissionais da informação que venham a adquirir a obra, além
de tornar mais visível as especificidades do direito autoral, no que tange ao uso indevido da
obra. Todavia, muitos editores, ao realizar a catalogação na fonte, estariam inserindo dados
relacionados à propriedade intelectual de acordo com as prescrições recomendadas pela Lei n.
9.610/98?

273

�FIGURA 1- Exemplo do verso de folha de rosto contendo dados catalográficos construídos
durante o processo da CIP, conforme AACR2

As análises a seguir se propõem em investigar informações sobre a Lei do Direito de
Autor — dados, palavras, expressões ou frases construídas pelos editores durante o processo
da CIP — visando assegurar a legalização da propriedade intelectual no mercado editorial
brasileiro.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Conforme mencionado na seção anterior, a CIP condiciona ao editor a livre inserção e
consequente impressão de informações referentes aos aspectos abarcados pela Lei do Direito
Autoral, de forma a estabelecer a exclusividade da editora, em concordância com contrato
firmado com o autor e de acordo com as disposições legais.
Ao analisar algumas editoras especializadas em publicar obras de Biblioteconomia,
constatou-se que essas empresas inserem informações distorcidas conforme a recomendação
da Lei n° 9.610/98. A editora X analisada apresenta na parte superior da folha do rosto o
registro comercial firmado entre ela e o autor (Copyright) de forma a garantir a exclusividade
de comercialização (Figura 2).

274

�FIGURA 2 - ilustração do verso de folha de rosto destacando dados informativos referentes
ao direito autoral de uma obra (editora x)

Fonte: as autoras

Segundo a Lei n° 9.610/98, o autor e o editor são os responsáveis pela exposição da
obra para uso do público, estabelecendo o ônus necessário para a comercialização no
mercado. A referida lei determina que a editora mencione o seu nome como responsável pela
comercialização da obra, conforme está disposto no art. 43, parágrafo único (BRASIL, 1998,
p. 4, grifo nosso), de que:
Em cada exemplar da obra o editor mencionará:
I - o título da obra e seu autor;
II - no caso de tradução, o título original e o nome do tradutor;
III - o ano de publicação;
IV - o seu nome ou marca que o identifique,
Essa marca de autenticação

(©) conhecida como Copyright, corresponde à

exclusividade de direitos no processo de venda do produto. O autor e o editor são os únicos
personagens responsáveis por este processo mercantil, conforme refletido por Michel (1997,
p. 4) de que “ [...] a obra de um autor é geralmente publicada e difundida por um editor a

275

�quem, frequentemente, ele cede os seus direitos, e notadamente os direitos associados que são
ligados à reprodução de sua obra [...]. A partir desse momento, é o editor, ou seja, o investidor
econômico, que faz valer suas exigências.
A referida editora analisada no processo de CIP, construiu uma frase extensa, logo
abaixo do Copyright (Figura 2), sem indicação da fonte, destacando que é vedada a
reprodução e guarda, mesmo que estas ações sejam feitas em sistemas eletrônicos, o que, nos
parece ser um tanto controvertido com o instituto legal do direito do autor. Assim está exposto
pelo editor:
Todos os direitos reservados. De acordo com a lei n.° 9610, de 19/2/1998,
nenhuma parte deste livro poderá ser fotocopiada, gravada, reproduzida ou
armazenada num sistema de recuperação da informação ou transmitida sob
qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico ou mecânico sem o prévio
consentimento do editor (EDITORA X).
A Lei n° 9.610/98 conceitua reprodução da obra como um processo constituinte de
geração de cópias, “ [...] de um ou vários exemplares de uma obra literária, artística ou
científica

ou

de um

fonograma,

de

qualquer forma tangível,

incluindo

qualquer

armazenamento permanente ou temporário por meios eletrônicos ou qualquer outro meio de
fixação que venha a ser desenvolvido [...]” (BRASIL, 1998, p. 1).
Determina a referida legislação aqui citada que somente será considerada infração
legal quando a reprodução for utilizada de maneira inadequada, para fins lucrativos de
outrem, que não o autor e editor, nos casos em que estes últimos não autorizaram a
reprodução, bem como a utilização de partes da obra desde que citada a autoria, garantindo a
integridade do autor:
Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:
I - a reprodução:
a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo,
publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se
assinados, e da publicação de onde foram transcritos;
II - a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso
privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro;
III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de
comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou
polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome
do autor e a origem da obra (BRASIL, 1998, 10, grifos nosso).
A paráfrase criada pela editora, ainda menciona um termo inadequado, ao expor que a
obra e/ou partes dela não pode ser “ [...] armazenada num sistema de recuperação da
informação [...]” . Analisando a Lei n° 9.610/98 não se constatada nenhuma observação a
respeito dessa expressão. Esse procedimento é utilizado pela ciência da informação para o

276

�tratamento de dados informacionais e não cópia ou reprodução de partes do conteúdo de
obras, o que será melhor explicado nos parágrafos seguintes.
Finalizando a análise da obra X, é importante enfatizar que o catalogador,
representado pelo editor, inferiu corretamente o seu nome, no local destinado à imprenta,
composta pelo: local, nome da editora e o ano.
Embora a CIP tenha sido criada com vistas à padronização, este objetivo não é
alcançado, pois cada editora constrói e expõe os dados bibliográficos de forma diferenciada.
Ao analisar os dados da editora Y (Figura 3), pode-se observar que no ápice do cabeçalho, foi
destacado o Copyright, todavia logo abaixo se encontra outra informação diferente da editora
X. Assim está descrito: "Direitos desta edição reservados à editora Y [...] É proibida a
reprodução total ou parcial desta obra sem autorização expressa das editoras".
Dispõe a Lei do Direito Autoral brasileiro que, a editora é "[...] a pessoa física ou
jurídica à qual se atribui o direito exclusivo de reprodução da obra e o dever de divulgá-la,
nos limites previstos no contrato de edição [...] (BRASIL, 1998, p. 12). Essa autorização
exclusiva direcionada ao editor, somente se configura a partir de delegação firmada em
contrato de edição, o que obriga o editor a “ [...] reproduzir e a divulgar a obra literária,
artística ou científica, fica autorizado, em caráter de exclusividade, a publicá-la e a explorá-la
pelo prazo e nas condições pactuadas com o autor (BRASIL, 1998, p. 12)” .
De acordo com a referida lei, também são deveres da editora estabelecer o preço da
venda, sem, todavia, poder elevá-lo a ponto de embaraçar a circulação da obra. Também
estará sobre obrigação editorial a prestação de contas mensais ao autor sempre que a
retribuição deste estiver condicionada à venda da obra, salvo se prazo diferente houver sido
convencionado.
Para findar a análise do processo de CIP da editora Y, importante frisar que a
colocação do nome da editora está legalmente exposto na área da imprenta, bem como às
indicações no rodapé da página, mencionando, também, os endereços físicos que as mesmas
se localizam.
Uma terceira análise nos permitiu inferir com exatidão que não há um consenso de
padronização no processo de elaboração da CIP, pois cada editor é flexibilizado, por ter em
suas mãos o poder, a autorização do autor, de materializar as ideias intelectuais de livre e
espontânea vontade, desde que respeite o contrato autoral estabelecido, bem como esteja em
conformidade com a legislação em vigor.

277

�Figura 3 - Ilustração do verso de folha de rosto destacando dados informativos referentes ao
direito autoral de uma obra (Editora Y)

Na parte superior do verso da folha de rosto da editora Z, como nas demais obras
analisadas, está localizado o Copyright, com destaque para o nome do autor, principal ator

278

�responsável pela obra intelectual. Logo abaixo, encontra-se o nome da editora, inserida no
local apropriado, na área de imprenta, juntamente com local e ano da publicação (Figura 4).

Figura 4 - Ilustração do verso de folha de rosto destacando dados informativos referentes ao
direito autoral de uma obra (Editora Z)

I S érie
| Ciência da
Inform ação e do
Com unicação

P r e s id e n t e E d ito r ia l
A n to n io M ir a n d a - U n B
S e c r e tá r ia E x e c u tiv a
Iza A n tu n e s
C o m is s ã o E d ito r ia l
Kátia C a r v a lh o - U F B A
N e u s a D ia s d e M a c e d o - U S P
E lm ira S im e ã o - U n B

C op yrigh t 2 0 0 7 - R ogério H en riq u e
d e A raú jo Júnior
fr*lu p ii. Tagore A l i g i ia*"

P rojeto grafico: P éricles C. da S ilva
E laboração d o índice: R ogério H e n ­
rique

de

A raújo

Júnior e

Ideliza

M arie

Jeanne

A m élia d e A raújo

R evisã o :

Patrieia

C orm ier e Ideliza A m élia d e A raú jo

A 777t

A raújo Júnior, Rogério
Henrique de
P re cisã o no P ro c e sso de
B u sc a e R e c u p e ra ç ã o da Inform ação
/ Rogério Henrique ' ‘
'
inior.

Editora Z
176 p. il
1. R e cu p e ra çã o
m ação, 2. índice de precisão
I. Título
C D U 007
C D D 020

IS B N 978-857062-655-4

os o s direitos cm língua portuguesa, no Brasil, reservados d e acordo com a lei. N enhum a parte deste
livro pode ser reproduzida ou transm itida de qualquer form a ou p o r qualquer m eio, incluindo fotocópia,
gravação ou inform ação com putadorizada, sem perm issão p o r escrito do A utor T H E S A U R U S E D IT O R A
D E ÜRASll .IA IT D A . SIG Q uadra 8, lote 2356 - C E P 70610-400 - B rasília, DF. Fone: (61) 3344-3738
- Fax: (61) 3344-2353, w w w th esau ru s com .br, e-m ail: editor@ thesaurus.com .br
C om posto e im presso no B rasil / P rin ted in B ra zü

Fonte: as autoras

279

�Conforme a figura 4, está exposta na parte inferior da página: "Todos os direitos em
língua portuguesa, no Brasil, reservados de acordo com a lei. Nenhuma parte deste livro pode
ser reproduzida ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia,
gravação ou informações computadorizadas, sem permissão por escrito do Autor".
Interpretando as primeiras palavras, o editor garante a aplicabilidade da lei apenas em
território vernacular, conforme reza o art. 2° da Lei de Direito Autoral:

Os estrangeiros domiciliados no exterior gozarão da proteção assegurada nos
acordos, convenções e tratados em vigor no Brasil. Parágrafo único. Aplicase o disposto nesta Lei aos nacionais ou pessoas domiciliadas em país que
assegure aos brasileiros ou pessoas domiciliadas no Brasil a reciprocidade na
proteção aos direitos autorais ou equivalentes (BRASIL, 1988, p. 1).
Semelhantemente

à

Editora

X,

foi

utilizada

a

expressão

"informação

computadorizada", que, por sua vez, faz parte de sistemas informatizados. Na primeira editora
analisada, o responsável pela CIP utiliza-se do termo "sistema de recuperação da informação".
Diante desta inconsistência terminológica, percebe-se a viabilidade em recorrer à literatura
especializada em sistema de recuperação da informação (SRI) a fim de esclarecer
conceitualmente a semântica do termo em questão.
Os Sistemas de Informação (SI) são os que buscam a realização de processos de
comunicação, enquanto que os Sistemas de Recuperação da Informação (SRI) podem ser
entendidos como tipos de sistemas de comunicação que, dentre suas diversas funcionalidades,
oferecem acesso às informações neles registradas” (ARAÚJO, 2002). Assim sendo, infere-se,
com base na concepção teórica que um SRI visa a acessibilidade e não reprodução de partes
da obra.
Dentre outros fatores, Lopes (2002, p. 60) acentua que “ [...] esses sistemas
possibilitam o planejamento de estratégias de busca com maior nível de complexidade
envolvendo vários conceitos na mesma estratégia” . Além disso, esses sistemas:

[...] permitem a utilização de busca de palavras apenas dos títulos e resumos
dos documentos, isto é, termos da linguagem natural; buscam os termos
específicos de linguagens controladas, nos campos de descritor; buscam por
autores; por ano de publicação; por títulos de periódicos; por classificação;
permitem, também, a busca de conceitos compostos ou simples e a
possibilidade de truncagem de raízes de palavras e de substituição de
caracteres no meio dos termos, dentre outros recursos de recuperação
(LOPES, 2002, p. 60).

280

�Os Sistemas de Recuperação da Informação organizam e viabilizam o acesso aos itens
de informação a partir do desempenho das tarefas de representação das informações contidas
nos documentos. Tal processo se materializa, geralmente, por meio da indexação e descrição
desses documentos; armazenamento e gestão física e/ou lógica, bem como de suas
representações e, também, pela recuperação das informações representadas e dos documentos
armazenados com a finalidade de atender às necessidades dos usuários (SOUZA, 2006).
Diante desta explicação, pode-se confirmar que um SRI não reproduz partes das obras, mas
sim, representa termos (por meio de linguagens controladas), que recuperam/localizam os
documentos.
Sendo assim, as linguagens documentárias ocupam um papel de destaque na
operacionalização e no funcionamento de um SRI, tendo em vista que a partir de seus
produtos se busca melhorar a comunicação ou os instrumentos de comunicação (DODEBEI,
2002).
Em suma, as editoras não constroem os dados bibliográficos nos versos das folhas de
rostos, inserido no quesito "direito autoral" as recomendações expostas pela Lei do Direito
Autoral brasileira. É curioso, igualmente, destacar a exigência expostas na art. 29. Segundo
Carneiro (2010, on-line):

O artigo 29 da Lei 9.610, de 1998, determina que qualquer forma de
utilização da obra necessita de prévia autorização do autor, inclusive
quaisquer modalidades de utilização existentes ou que venham a ser
inventadas. Em complemento, o artigo 30 da Lei de Direitos Autorais
estabelece que o titular dos direitos autorais poderá colocar à disposição do
público a obra, na forma, local e pelo tempo que desejar, a título oneroso ou
gratuito.
Da mesma forma, conforme Carneiro (2010) o art. 31 diz que as diversas modalidades
de utilização de obras literárias, artísticas ou científicas ou de fonogramas são independentes
entre si, e a autorização concedida pelo autor, ou pelo produtor, a uma delas não se estende a
quaisquer das demais.

5 REFLEXÕES FINAIS
A nota nas fichas catalográficas dos livros, construídas no processo de Catalogação na
fonte (CIP), somente funcionam como ferramenta de "intimidação psicológica" para os
usuários, na medida em que, de forma geral, os dispositivos da Lei n.° 9.610/98, se verificados
sistematicamente, ou seja, de forma conjunta, não apresentam, em momento algum, a

281

�possibilidade de armazenamento num sistema de recuperação da informação, a exemplo das
bases de dados de bibliotecas escolares e universitárias.
Apesar da proteção atribuída aos direitos de autor, impõe-se destacar que a legislação
igualmente enumera algumas limitações aos direitos autorais. O rol elencado o art. 46, da Lei
n° 9.610/98, é meramente exemplificativo, não exaustivo, admitindo-se assim, outras
hipóteses de limitações.
Importa consignar também que o art. 49 e seguintes, estabelecem limitações quanto à
hipótese de transferência dos direitos do autor para terceiros, especialmente para os editores.
Dessa maneira, conjugando os enunciados normativos constantes na Lei n.° 9.610/98,
à interpretação posta nos dizeres contidos nas fichas catalográficas de livros e periódicos
nacionais, é de se constatar que os referidos dizeres constituem mera liberdade das editoras,
não contendo, para o usuário, estudante ou pesquisador qualquer fundamento legal.
Ademais, além dos debates meramente técnicos, merecem também destaque alguns
outros dispositivos da legislação nacional que, em uma escala de prioridade entre as normas
vigentes, estabelecem prioridades aos direitos do autor, especialmente quando se tem em foco
o respeito a determinados direitos fundamentais e de todos, como é o caso do direito a
educação e aos direitos sociais (BRASIL, 1988). Além desses, têm-se os art. 5.°, XIV e 220,
da Constituição Federal, que estabelecem direito à informação sem qualquer restrição.
É de se verificar que diversos dispositivos constitucionais asseguram o direito a
educação e à informação. Assim, a restrição à divulgação constante nas fichas catalográficas é
verdadeiros atentados a determinados direitos fundamentais e sociais constitucionalmente
garantidos. Registre-se, também que existe a chamada função social da propriedade
intelectual que, em detrimento do direito do autor/editor, ensina que a produção, seja ela qual
for, desde que contribua para o crescimento da nação, poderá ser difundida, se citada a fonte.
Neste mote, veja-se que, de acordo com o art. 5.°, XXVII, propriedade intelectual é
garantida a autores/editores; XXIII, toda propriedade (inclusive a intelectual) deve ter uma
função social.
Portanto há um conflito de direitos em que por um lado se tem o direito de propriedade
(financeiro) e de outro o direito fundamental e social da educação e evolução cultural (art. 205
e 206 da CF/88). Para resolver estes conflitos existem os limites anteriormente comentados.
Apesar de o descrito nas fichas não possuir qualquer respaldo legal, considerando que
o autor/editor possui direito patrimonial sobre a obra, também há que se ponderar a existência
de interesse no desenvolvimento intelectual de todos e é aqui que se insere a hipótese das
vedações constantes das fichas. Por isso, elas não subsistem, na medida em que somente

282

�refletem o interesse privado de lucros do autor/editor em detrimento do interesse público de
desenvolvimento e expansão do conhecimento e desenvolvimento da ciência.

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284

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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    <elementSetContainer>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Direito autoral e editoração: análise de dados catalográficos editados em livros à luz da Lei N.º9.610/98.</text>
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                <text>Pereira, Gleice, Galdino, Ana Paula Campos, Lopes, Ana Lucia Silva, Deus, Sabino de </text>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>2014</text>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="73807">
                <text>O Instituto do Direito Autoral vem sendo construído ao longo dos tempos como uma necessidade urgente de conferir direitos de autoridade sobre a propriedade intelectual, cuja autoria adquire domínio sobre a propriedade, preservando-a sob o aspecto moral e patrimonial. Sendo um assunto originado dos primórdios, no Brasil, a lei referente aos direitos autorais somente é instituída no ano de 1988 (Lei n.º 9.610), porém, devido às inconsistências e controvérsias existentes na referida legislação, a aplicabilidade deste instituto proporciona, na atualidade, resultados inglórios. Dentre as diversas irregularidades existentes no campo do direito autoral, este estudo investiga a falta de interpretação das editoras ao realizarem a catalogação na fonte (CIP), incluindo dados informativos controvertidos do direito autoral. Com isso, objetivou-se, com este artigo investigar como as editoras de publicações científicas da área de Biblioteconomia entendem a Lei da Propriedade Intelectual e inserem informações em partes destacadas das obras de forma a garantir a efetividade do controle contra crimes de direito autoral. A partir do método comparativo adotado na análise da CIP de editoras da área de Biblioteconomia, os resultados confirmaram que as editoras utilizam estratégias no sentido de preservar seus direitos exclusivos de comercialização, visando ganhos patrimoniais, sem considerar, efetivamente, o que institui a Lei do Direito Autoral brasileira.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DIGITALIZAÇÃO DE OBRAS RARAS DA BIBLIOTECA CENTRAL CESAR
LATTE S/UNICAMP: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Isabella Nascimento Pereira
Fernanda Cristina Festa Mira

RESUMO
A questão da digitalização dos acervos de obras raras é um assunto que envolve diversos
aspectos, tais como: preservação, acesso, direitos autorais, novas tecnologias, profissionais
especializados etc. Portanto, nesse trabalho nosso objetivo é compartilhar os primeiros passos
na digitalização de obras raras. Através de levantamentos estatísticos, bibliografia e consulta à
comunidade acadêmica elaboramos cinco etapas de trabalho no processo que envolve a
digitalização. Atualmente estamos desenvolvendo a primeira etapa que consiste na preparação
e seleção das obras que serão digitalizadas. Dessa etapa gerou-se um formulário para análise
bibliológica e uma lista de obras com potencial para digitalização e que serão avaliadas
minuciosamente. A partir dessa experiência concluímos que o compartilhamento de
informações entre as bibliotecas deve ser incentivado no sentido de poupar esforços, recursos
e facilitar o acesso aos usuários.

Palavras-Chave: Obras raras; Digitalização; Biblioteca Digital; Acesso.

ABSTRACT
Digitizing rare books collections refers to a complex issue encompassing preservation, access,
authors’ rights, new technologies and specialized library staff. Considering this fact, our
objective here is to share our first experiences regarding the process of digitizing rare books.
By using statistical analysis, bibliographical research and consultation to the academic
community, we propose five steps for book digitization. Currently we have been developing
the first step, i.e., the preparation and selection of the books that will be digitized. From this
step, we created an application form to be used during bibliological analysis, including a list
of books to be potentially digitized and evaluated in detail. Interlibrary information sharing
should be encouraged since it can spare time and resources, enabling the very access of
library users.

Keywords: Rare Books; Digitizing; Digital Library; Access.

2546

�1 INTRODUÇÃO
Desde sua formação a Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP adquiriu
relevantes bibliotecas particulares com o objetivo de subsidiar o desenvolvimento de
pesquisas de graduação e pós-graduação dentro e fora da universidade. Tais coleções estão
abrigadas na Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras, localizada junto à Biblioteca
Central Cesar Lattes.
Foram reunidas as coleções de grandes expoentes e pensadores brasileiros como
Sérgio Buarque de Holanda, Paulo Duarte, Eugênio de Toledo Artigas, Theodor Peckolt e
Oswald Peckolt, Aristides Cândido de Mello e Souza, Alexandre Eulálio, Coleção Oficina do
Livro “Rubens Borba de Moraes”, entre outras. O acervo é formado por 14 coleções que
juntas representam cerca de 80 mil volumes distribuídos entre livros, folhetos, periódicos,
separatas e microfichas, juntamente com o acervo de obras raras que conta com
aproximadamente quatro mil volumes correspondentes aos séculos XVI a XX.
Em 2009 a UNICAMP iniciou um projeto para implantação e construção do prédio da
Biblioteca de Obras Raras - BORA. Este projeto contou com o patrocínio da FINEP Financiadora de Estudos e Projetos e seu planejamento buscou atender todos os requisitos
técnicos que visam a preservação, organização e divulgação do acervo. O prédio já está em
construção e estima-se que até 2015 esteja concluído.
A universidade tem o compromisso de ampliar e compartilhar o conhecimento
tornando-se urgente a criação de condições para que pesquisadores, geograficamente
distantes, tenham acesso aos acervos aqui depositados; e mesmo aqueles que estão no campus
tenham flexibilidade de local e horário para consulta, bastando somente uma conexão de
internet.
Tendo em vista essa necessidade, as universidades estaduais paulistas (USP,
UNICAMP e UNESP) se uniram a fim de criar condições e infraestrutura necessárias a
captação, organização, preservação, armazenamento, gerenciamento e disseminação dos seus
acervos raros e especiais, através do projeto CRUESP/BIBLIOTECAS314. Este esforço contou
com o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para
aquisição dos equipamentos tecnológicos, tais como scanner planetário, computadores,
softwares etc.

314 Infraestrutura para a pesquisa de obras raras e coleções especiais da USP/UNESP/UNICAMP: recolhimento,
preservação, organização e disponibilização para acesso à comunidade científica nacional e internacional. São
Paulo, 2009.

2547

�3

MATERIAIS E MÉTODOS

O cerne da biblioteca passou a ser o acesso, e não mais o acervo. Passou a
ser a informação, não mais o documento. (NARDINO; CAREGNATO,
2005, p.393).
A Unicamp adquiriu dois scanners planetários que atualmente estão entre os indicados
para a captação de imagens de materiais especiais tais como livros, folhetos, jornais e mapas,
sejam eles de pequeno ou grande formato. O diferencial desses equipamentos é sua
funcionalidade adequada à preservação, tais como: compensador de lombada, baixa exposição
à luz (iluminação só é ativada quando está digitalizando), sem radiação UV e IRV e software
para tratamento das imagens.
São usados para digitalização de documentos planos em folhas simples, de
documentos encadernados que necessitem de compensação de lombada, de
forma a garantir a integridade física dos mesmos, bem como para os
documentos fisicamente frágeis, já que não ocorre nenhuma forma de tração
ou pressão mecânica sobre os documentos. [...] Sempre que possível, deve-se
privilegiar sistemas planetários de captura para evitar riscos de manuseio dos
originais a serem digitalizados, principalmente quando se tratar de
documentos frágeis e encadernados (CONARQ, 2010, p. 9).

Scanners planetários

O projeto de digitalização das obras raras e especiais da Unicamp visa divulgar e
preservar o patrimônio cultural bibliográfico da Universidade e permitir o acesso on-line
integral ao conteúdo. Atualmente apenas os dados descritivos das obras estão disponíveis
através do catálogo on-line, sendo o acesso restrito à consulta local. Outra questão é que as
obras depois de digitalizadas sejam preservadas mediante manuseio restrito, permanência
contínua em ambiente monitorado com controle de temperatura e umidade e protegido da luz.

2548

�Nardino e Caregnato (2005, p. 402) mencionam as vantagens do acesso digital, especialmente
em relação às obras raras, são elas:
•

Preservação dos originais quanto ao manuseio incorreto;

•

Preservação quanto aos danos oriundos de furto ou vandalismo;

•

Possibilidade de impressão do documento acessado;

•

Facilidade de consulta desde que o usuário possua um ponto de rede;

•

Múltiplo acesso, ou seja, vários usuários podem consultar o mesmo
documento simultaneamente;

•

Flexibilidade de horário de acesso;

•

Ausência de custos e tempo de deslocamento;

•

Manipulação digital possibilitando correções na imagem a fim de
representar com maior clareza o conteúdo da obra digitalizada;

•

Acesso mais interativo através de recursos de navegação e zoom.

Inicialmente mapeamos o quantitativo de títulos das nossas coleções separados por
século de publicação, incluindo os que não apresentam data, posteriormente levantamos dados
que pudessem ser cruzados com os dados de consulta dos usuários.

Gráfico 1: Número de títulos de obras raras no acervo

•

Fonte: Dados extraídos doSophiA

315

em fevereiro de 2014

As obras do século XIX correspondem a 74% e as do século XX a 20% do acervo
raro, isso foi um indicativo de que elas seriam as primeiras a serem digitalizadas, mesmo
porque representam a maior parcela do acervo e também são obras produzidas num momento
de grande expansão e barateamento da produção de livros, “nesse período, o livro impresso 315

315 Software corporativo de gerenciamento do Sistema de Bibliotecas da Unicamp-SBU.

2549

�ganhou face industrial, quando sua produção em papel artesanal perdeu representatividade”
(RODRIGUES, 2006, p. 118). A qualidade do papel utilizado na confecção dos livros foi
proporcional aos custos de produção, isto é, passou-se a utilizar um papel industrial de menor
custo de produção, com muitas impurezas e de baixa qualidade em relação aos papéis
artesanais. Essa característica intrínseca do papel, por si só, já é um elemento suficiente para
promover a sua acidificação e deterioração, por isso muitas obras do século XIX tem urgência
de serem digitalizadas antes que se percam.
Foi no século XIX que as referências que confrontaram a explosão
bibliográfica com a necessidade de guardar o livro para futuras gerações,
passaram a ser relevadas, configurando-se as primeiras denúncias relativas
ao caos, como consequência da falta de pertinência sob o dilúvio
informacional, que poderia inviabilizar a recuperação e o acesso à
informação, no século XX. (PINHEIRO, 2003).
Algumas das obras dos séculos XVI ao XVIII pertencentes às nossas coleções já
foram digitalizadas através do projeto CRUESP/Bibliotecas; são 44 obras no total e elas estão
disponíveis no portal Biblioteca Digital da Unicamp316. De fevereiro de 2013, início do acesso
on-line, a março de 2014 houve um total de 18.995 visualizações e 9.492 downloads dessas
obras. Esse quantitativo é muito positivo e reforça a necessidade de estendermos o acesso on­
line para o maior número possível de obras do acervo.
Graças ao documento eletrônico e às redes de informação, hoje podemos
organizar bibliotecas digitais de obras raras, reformatando digitalmente o
conteúdo de documentos impressos ao longo dos séculos e disponibilizandoos em rede. Modificam-se também os hábitos de acesso. A consulta à obra
rara esteve sempre condicionada à presença física do pesquisador na
biblioteca; as salas que abrigam estes acervos são geralmente lugares
fechados, onde ao usuário não é permitido entrar. Com as bibliotecas digitais
de obras raras é possível abrir as portas dessas coleções e permitir a entrada
de todos aqueles que compartilham do desejo de preservar o conhecimento
registrado pelo homem ao longo de sua existência. (NARDINO;
CAREGNATO, 2005, p.393).

316 Disponível em: &lt;http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/.

2550

�Lista de títulos disponívei na Biblioteca Digital - UNICAMP

Entretanto, como definir o que digitalizar primeiro? Esta é uma tarefa delicada e por
isso buscamos experiências de outras instituições para melhor organizar nosso processo de
digitalização. Para isso delimitamos cinco etapas de trabalho, conforme sintetizado no quadro
abaixo:

Quadro 1 - Etapas de trabalho
28.

P re p a r a çã o
seleção

e

-

29.
30.

31.
32.

Raridade da obra;
Estado de conservação da obra;
Obras em domínio público, sendo que os demais casos
serão avaliados de acordo com a Lei de direitos
autorais n. 9.610/98;
Não existência da obra em bibliotecas brasileiras;
Não existência de exemplar digitalizado da obra na
Internet.

T ra ta m en to técn ico d as in fo rm a çõ es dos livros selecio n a d o s
D ig ita liza çã o

x
x
x
x
x
x
x
x
x

Captura digital;
Processamento da imagem;
Conversão da imagem;
Indexação da imagem
Inserção de metadados;
Certificação de qualidade;
Inserção do arquivo em banco de dados;
Backup dos arquivos;
Disponibilização na internet.

M ig ra çã o de a rq u iv o s e in teg ra çã o de d ados
L a n ç a m en to e d iv u lg a çã o do p ro jeto e coleção

-------------------------------------- •— •-----------------.------------------------3TT

Fonte: Adaptado de Biblioteca Mário de Andrade

317 Disponível em: &lt; http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/noticias/?p=9543&gt;.

2551

�Começamos a etapa de Preparação e Seleção com o levantamento de dados de uso do
acervo. Todas as consultas ao acervo são monitoradas através de um formulário de consulta
que o usuário preenche quando solicita uma obra. A partir do número de tombo do livro
consultado é inserido um dado de consulta local no software SophiA, isso permite a geração
de relatórios estatísticos de uso. Utilizando esse recurso geramos um relatório que nos
permitiu levantar os dados de uso dos livros e folhetos raros de nossas coleções entre os anos
de 2011 e 2013. Através dos números percebemos que as obras raras mais consultadas
encontram-se entre os séculos XIX e XX, conforme observado no gráfico abaixo.

Gráfico 2: Consulta de títulos de Obras Raras entre os anos de 2011 e 2013

Fonte: Dados extrídos do software SophiA

Optamos por priorizar a digitalização das obras publicadas nos séculos XIX e XX,
pois muitas não são facilmente encontradas em outras bibliotecas e aos poucos estão sendo
reveladas pelos pesquisadores; não são obras de autores clássicos, algumas delas são “livros
técnicos”, como por exemplo, as que tratam da exploração de minerais e de madeiras no
Brasil.
Outra estratégia que utilizamos para auxiliar nessa definição foi consultar alguns
usuários das coleções, em sua maioria pesquisadores, no intuito de buscar sugestões e
indicações de obras que pudessem fazer parte de um primeiro lote de digitalização. Boeres e
Mardero Arellano (2005, p. 7-9 apud GREENHALGH, 2001, p. 4) apontam que no caso de
bibliotecas universitárias as necessidades do corpo acadêmico devem ser consideradas a fim
de sustentar as produções acadêmicas. Cabe ressaltar que essa consulta foi crucial para que
iniciássemos uma listagem das potenciais obras a serem digitalizadas e que a parceria entre
pesquisadores e a biblioteca é uma das vias para que possamos auxiliar no desenvolvimento
das pesquisas acadêmicas.

2552

�Elaboramos uma listagem prévia e as obras elencadas passarão por uma revisão de
seus registros na Base Acervus e análise bibliológica. Para isso criamos um formulário
baseado nas diretrizes de análise bibliológica de livros raros, que também funciona como um
recurso de segurança, uma vez que nele são descritas todas as marcas de propriedade, grifos,
anotações, ex-libris etc. que caracterizam a unicidade de cada exemplar. A análise
bibliológica nos permite mapear o estado de conservação da obra e avaliar a necessidade de
intervenções para sua preservação.
O propósito da analise bibliológica está em constituir-se como recurso de
segurança, porque, mediante o registro de todas as informações intelectuais e
materiais no livro raro, caracteriza-se sua individualidade - condição
essencial para identificar o exemplar possuído e garantir sua propriedade.
(RODRIGUES; CALHEIROS; COSTA, p.15).

Nesta ficha utilizamos dados bibliográficos extraídos da Base Acervus, catálogo on­
line do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), características físicas, estado de
conservação, características intrínsecas, e um campo aberto para observações, além de um
campo para assinatura da pessoa responsável pela análise.

Imagem 1 - Modelo de ficha de análise bibliológica
Projeto de Digitalização de Obras Raras
UNICAMP
Etapa: P ré-digitalização - A ná lise B iblio ló g ica
D A D O S NO S IS T E M A
N° de chamada+Coleçâo
Código de titulo
N° de tombo
C A R A C T E R ÍS T IC A S B IB LIO G R Á FIC A S
Autor
Titulo
Ano
Edição
N° de páginas+volume
Editora/lmpressor
Local de publicação
C A R A C T E R ÍS T IC A S F ÍS IC A S
Encadernação
□ couro ntecido npa pel npercalux noutros
Dimensões
comprimento:
largura:
N°Gravuras
coloridas:
pSb:
N°llustrações
coloridas:
p&amp;b:
Caracteres especiais
Marcas tipográficas
E ST A D O DE C O N SE R V A Ç Ã O
Papel
□ escurecido □ amarelecido nquebradiço nfrágil
Costura - abertura
□ total
aparcial
□ restrita
Capa
Contracapa
Lombada
C A R A C T E R ÍS T IC A S IN T R ÍN SE C A S
Falhas na paginação
Páginas furadas
Páginas manchadas
Páginas rasgadas
Páginas soltas
□ d comprometimento do texto Qs/ comprometimento do texto
Refilamento
Riscos
Marcas de propriedade
(assinaturas, carimbos, exlibris) etc.
Grifos ou anotações
O BSERV AÇ Õ ES
Conferido por:

/

/

Fonte: Elaborada pela Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras

2553

�3 RESULTADOS
Neste momento estamos realizando os últimos ajustes na listagem dos títulos a serem
digitalizados, pesquisando nos catálogos de outras instituições, nacionais e internacionais as
obras que já se encontram disponíveis on-line; dando prioridade para a digitalização das que
ainda se mantém restritas ao acesso local; avaliando o estado de conservação dessas obras e
por fim verificando a possibilidade ou não de digitalização quanto aos aspectos dos direitos
autorais.
Já iniciamos a digitliazação de algumas obras do nosso acervo, e neste momento
estamos trabalhando de acordo com as demandas dos usuários, seguindo os critérios citados
acima, mas que toda via não se encontram disponíveis na página da Biblioteca Digital.
Estamos estudando a melhor forma e formato para disponbilzar esses materiais, além do
tratamento da imagem e dos metadados.

ALG U M AS ED IÇ Õ E S

/

VÜ[_T 0

P A /A M PAULI/TA

Plácido e Silva &amp; Com p. Ltda.

Tanque de Jerusalem
de ALCEU CHICHORO
■
Uma cxcellenle collecção de contos humorísticos
proiusamenle illustrada
4 $000

Enredos Futeis
dfc LAERTES MUNHOZ
Leves phantasias de fino lavor

2-1500

Noções Praticas de Direito Commercial
do OR. PLÁCIDO E SILVA
Um livro indispensável a todo commercianle. con­
tendo todas as indicações necessárias á pratica de
actos mercantis
ÍOSOOO

Analyse Qualitativa Inorgânica
do DR. J, C. RODRIGUES PINHEIRO
Manual perfeito para os trabalhos práticos dc labaralorio e indispensável a c &lt; estudnme
•

Iniciação Militar
do TENENTE TH
Um compêndio necessar

Alguns exemplo de obras já digitalizadas

4 CONSIDERAÇÕES
Estamos fazendo este trabalho prévio com intenção de prever e/ou minimizar
eventuais dificuldades para que não tenhamos que realizar um retrabalho, causando possíveis
danos às obras e para que os usuários tenham acesso a cópias de qualidade, cumprindo nossa
missão de preservar para dar acesso e dar acesso para preservar.
Hoje em dia trabalhamos com uma equipe de bibliotecários, técnicos, estagiários e
bolsistas, além da ajuda da Diretoria de Tecnologia da Informação da BCCL. Esperamos que
no próximo ano, com a conclusão do prédio da Biblioteca de Obras Raras possamos contar
com uma equipe mais completa e multidisciplinar, com mais bibliotecários, historiadores,

2554

�pesquisadores, conservadores, pessoal de informática especializados nestas questões, entre
outros.
No Brasil temos ótimos exemplos de bibliotecas e arquivos que tem trabalhado com
competência nas questões relativas à digitalização, acesso e preservação dos acervos de
memória brasileiros. No entanto, o real muitas vezes pode estar distante do ideal, sabemos e
entendemos nossas dificuldades, por isso temos sempre em vista o trabalho em cooperação. É
importante que as bibliotecas compartilhem informações e experiências no intuito de poupar
esforços, recursos e assim facilitar o acesso aos usuários.

5 REFERÊNCIAS
CONARQ.

Recomendações

permanentes.

para

Abr.

a

digitalização

2010.

de

documentos

Disponível

arquivistícos
em:

&lt;

http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/media/publicacoes/recomenda/recomendaes_para_
digitalizao.pdf&gt;. Acesso em: 16 ago. 2013.
GREENHALGH, Raphael Diego. Digitalização de obras raras: algumas considerações.

Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.16, n. 3, p. 1-6, jul./set. 2011.
Disponível em: &lt; http://www.scielo.br/pdf/pci/v16n3/10.pdf&gt;. Acesso em: 18 mar. 2014.
NARDINO, Anelise Tolotti Dias; CAREGNATO, Sônia Elisa. O futuro dos livros do
passado: a biblioteca digital contribuindo na preservação e acesso às obras raras. Em questão,
Porto

Alegre,

v.

11,

n.

2,

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381-407,

jul./dez.

2005.

Disponível

em:

&lt;

http://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/126/84&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
PINHEIRO, Ana Virgínia. O espírito e o corpo do livro raro: fragmentos de uma teoria para
ver e tocar. Revista Museu : cultura levada a sério, Rio de Janeiro, 2003. Disponível em:
&lt;http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=1674&gt;. Acesso em: 18 mar. 2014.
RODRIGUES, Alessandra Hermógenes; CALHEIROS, Mariana Fernandes; COSTA, Patrícia
da Silva. Análise bibliológica de livros raros: a preservação ao “pé da letra” . Anais da

Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, v. 123, p. 33-48, 2003 [2007]. Disponível em:
&lt;http://www.bn.br/planor/documentos/anais_123_2003.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
VIEIRA,

Letycya

Cristina

Barbosa.

DIGITALIZAÇÃO

DE

DOCUMENTOS

HISTÓRICOS : uma alternativa para a preservação e disseminação da memória e patrimônio
cultural. In: ENCONTRO REGIONAL DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO, CIêNCIA DA INFORMAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO, 14.,
São Luís. Ma. 2011. 14 p.

2555

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                <text>A questão da digitalização dos acervos de obras raras é um assunto que envolve diversos aspectos, tais como: preservação, acesso, direitos autorais, novas tecnologias, profissionais especializados etc. Portanto, nesse trabalho nosso objetivo é compartilhar os primeiros passos na digitalização de obras raras. Através de levantamentos estatísticos, bibliografia e consulta à comunidade acadêmica elaboramos cinco etapas de trabalho no processo que envolve a digitalização. Atualmente estamos desenvolvendo a primeira etapa que consiste na preparação e seleção das obras que serão digitalizadas. Dessa etapa gerou se um formulário para análise bibliológica e uma lista de obras com potencial para digitalização e que serão avaliadas minuciosamente. A partir dessa experiência concluímos que o compartilhamento de informações entre as bibliotecas deve ser incentivado no sentido de poupar esforços, recursos e facilitar o acesso aos usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A GESTÃO DOS SERVIÇOS INFORMACIONAIS NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS: ACESSIBILIDADE PARA PESSOAS
COM DEFICIÊNCIA FÍSICA, VISUAL E AUDITIVA
Rita de Cássia Barbosa Pereira
Eunice Maria Nazarethe Nonato

RESUMO
O propósito deste estudo é analisar a gestão dos serviços informacionais no Sistema de
Bibliotecas (Sibi) da Universidade Federal de Goiás (UFG), com enfoque na acessibilidade
para usuários com deficiência física, visual e auditiva. O referencial teórico é fundamentado
na educação inclusiva abordando a política nacional de educação inclusiva e a acessibilidade,
também está baseado na biblioteca universitária que é o principal órgão de apoio ao ensino,
pesquisa e extensão em Instituição de Ensino Superior (IES) e através de diversos autores
aborda a gestão e o uso das funções administrativas como: planejamento, organização, direção
e controle pelos gestores. A pesquisa é descritiva realizada através de estudo de caso com
abordagem qualiquantitativa, possuindo como instrumentos de coleta de dados questionários
para os usuários com deficiência física, visual e auditiva, e para os gestores e uma entrevista
semi-estruturada com a diretora substituta do Sibi. Quanto ao problema da pesquisa, no que
diz respeito aos resultados alcançados através dos gestores, a gestão atende alguns requisitos
de acessibilidade, no entanto, apontam-se problemas como: a falta de dotação orçamentária,
falta de um plano para a acessibilidade, o que inviabiliza o uso das funções administrativas de
forma interligadas pelos gestores, o que reflete na dificuldade de planejar, organizar,
direcionar e controlar, como na capacitação dos servidores, nos problemas identificados no
treinamento para o uso das bibliotecas, na falta de aquisição das tecnologias assistivas e a
sinalização insuficiente. O cumprimento da legislação que garante às pessoas com deficiência
condições de acesso a educação superior, exige dos bibliotecários gestores proatividade na
elaboração de um plano para a acessibilidade, tendo como suporte os preceitos legais que
asseguram o acesso e permanência das pessoas com deficiência no ensino superior.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; Gestão; Acessibilidade; Pessoa com deficiência
física, visual e auditiva.
ABSTRACT
The purpose of this study is to analyze the management of information services in the Library
System (Sibi) of the Federal University of Goiás (UFG), with emphasis on accessibility for
users with physical, visual and hearing disabilities. The theoretical framework is based on
inclusive education addressing the national policy of inclusive education and accessibility, is
also based in the University Library which is the main body support to teaching, research and
extension in Higher Education Institution (HEI), and through various authors discusses the
management and the use of administrative functions such as: planning, organization, direction
and control performed by managers. The research is descriptive accomplished through case
study and contains a qualitative and quantitative approach, possessing instruments for data

613

�collection questionnaires for users with physical, visual and hearing disabilities, and for
managers and a semi-structured interview with the substitute Director of Sibi. Regarding the
problem of research, as regards the results achieved through the managers, the management
meets some accessibility requirements, however, pointed out problems such as: the lack of
budgetary allocation, lack of a plan for accessibility, what makes the use of administrative
functions so interconnected by managers, which reflects on the difficulty to plan, organize,
direct, and control in the training of servers, on the problems identified in the training for the
use of the library, in the absence of acquisition of assistive technologies and insufficient
signaling. For both, the enforcement of legislation that ensures people with disabilities access
to higher education, librarian requires proactive managers in the preparation of a plan for
accessibility, supported by the legal precepts ensure access and retention of people with
disabilities in higher education.
Key words: University library; Management; Accessibility; Person with physical, visual and
hearing disabilities.
1 INTRODUÇÃO
A educação inclusiva é compreendida como uma questão de direitos humanos, que
determina que as pessoas com deficiência devem fazer parte das escolas, as quais devem
modificar seu funcionamento para incluir todos os alunos, como Karagiannis, Stainback e
Stainback (1999) ressaltam que para conseguir realizar o ensino inclusivo, os professores e
técnico-administrativos, bem como os recursos, devem aliar-se em um espaço unificado e
consistente, pois as pessoas com deficiência necessitam de instruções, de instrumentos, de
técnicas e de equipamentos especializados, onde os apoios para alunos e professores devem
ser integrados e associados a uma reestruturação das escolas e das classes.
No desenvolvimento organizacional envolvendo as funções da administração, a gestão
dos serviços da biblioteca universitária é compreendida como fator fundamental que
determina os rumos e as ações institucionais, na qual o planejamento precede todas as demais
funções e estabelece os objetivos para o esforço do grupo. Desta forma, espera-se que os
bibliotecários gestores conheçam bem as funções administrativas que lhes são inerentes, e
considera-se

que

a

acessibilidade

é uma

condição

essencial

para

que

todos,

independentemente das suas condições físicas ou sensoriais tenham acesso ao uso dos
espaços, dos equipamentos e dos meios de comunicações de maneira autônoma e
independente.
A biblioteca universitária conforme Souza e Manoel (2008) é a unidade de informação
que define seu foco a partir da universidade ou do estabelecimento de ensino superior a que
está ligada, suas coleções são especializadas e voltadas para as disciplinas científicas e
técnicas dos cursos oferecidos. A biblioteca deve ser vista como um dos espaços integrados

614

�de ensino, de aprendizagem em todas as órbitas da educação. O discurso e a ação inclusiva
devem permear seus espaços e serviços.
Quanto à gestão da biblioteca universitária, Maciel e Mendonça (2000) afirmam que
as funções gerenciais em uma biblioteca são aquelas de cunho administrativo e responsáveis
pela ativação de todas as funções meio ou fim e pelo direcionamento e ajuste às metas e
objetivos do sistema. A complexidade dos sistemas de informação e todas as mudanças e
modernidades a que os bibliotecários gestores estão sujeitos hoje em dia, exigem que estes
conheçam bem as funções administrativas que lhes são inerentes, uma vez que um
administrador encontra-se a todo o momento, planejando, organizando, dirigindo,
coordenando e avaliando, num processo ininterrupto, constituído por atividades interligadas,
justapostas e contínuas, não obedecendo a nenhuma ordem hierárquica.
O propósito deste estudo é analisar a gestão dos serviços informacionais no Sistema de
Bibliotecas (Sibi) da Universidade Federal de Goiás (UFG), com enfoque na acessibilidade
para os usuários com deficiência física, visual e auditiva.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A Educação Inclusiva
A educação inclusiva fornece subsídios para discussão e sustentação da pesquisa,
como uma questão de direitos humanos, onde as pessoas com deficiência devem fazer parte
das escolas, as quais devem modificar seu funcionamento para incluir todos os alunos, como
Karagiannis, Stainback e Stainback (1999, p. 21) explicam: “Em sentido mais amplo, o ensino
inclusivo é a prática da inclusão de todos - independentemente de seu talento, deficiência,
origem sócio-econômica ou origem cultural - em escolas e salas de aulas provedoras, onde
todas as necessidades dos alunos são satisfeitas”, culminando em uma escola de qualidade.
Buscou-se respaldo na legislação sobre a educação no Brasil e que contém requisitos
para a inclusão das pessoas com deficiência. O Plano Nacional de Educação (PNE)
2011/2020, PL n° 8.035/2010, assegura através da meta 12: “Elevar a taxa bruta de matrícula
na educação superior para cinquenta por cento e a taxa líquida para trinta e três por cento da
população de dezoito a vinte e quatro anos, assegurando a qualidade da oferta” (BRASIL,
2011, p. 39). Para tanto, contempla a acessibilidade no ensino superior através da estratégia
12.10 que garante assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior,
na forma da legislação.
Um dos conceitos fundamentais da pesquisa é o de acessibilidade, que conforme
Brasil (2010, p. 164) é a: “[...] possibilidade e condição de alcance para utilização, com

615

�segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações,
dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência
ou com mobilidade reduzida”. Assim, a Portaria do Ministério da Educação (MEC) n°. 3.284
de 7 de novembro de 2003 determina que sejam incluídos nos instrumentos destinados a
avaliar as condições de oferta de cursos superiores, para fins de autorização e reconhecimento
e de credenciamento de instituições de ensino superior, bem como para renovação, conforme
as normas em vigor, requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades
especiais (BRASIL, 2003).
As tecnologias

assistivas

são recursos

e serviços

que visam facilitar o

desenvolvimento de atividades da vida diária por pessoas com deficiência, aumentam
capacidades funcionais e, dessa forma promovem a autonomia e independência de quem as
utiliza (MELO; COSTA; SOARES, 2008). Elas auxiliam na locomoção, no acesso à
informação e na comunicação, no controle do ambiente e em diversas atividades do cotidiano
como o estudo, o trabalho e o lazer. Desta forma, o livro: Acessibilidade: discurso e prática no
cotidiano das bibliotecas é utilizado para análise dos resultados dos questionários aplicados
aos usuários com deficiência física, visual e auditiva.

2.2 Biblioteca Universitária
As bibliotecas universitárias não são organizações autônomas, mas sim organizações
dependentes de uma organização maior - a universidade, portanto sujeitas a receberem
influências externas e internas do ambiente que as cercam. Neste contexto, torna-se
importante aos gerentes, conhecer as tendências administrativas contemporâneas, como
também as teorias administrativas que as fundamentam, para que possam ser adaptadas e
aplicadas às bibliotecas universitárias, pois, apesar de serem organizações sem fins lucrativos,
as transformações ambientais lhes conferem características semelhantes às das empresas
privadas (MACIEL; MENDONÇA, 2000).
Miranda (1978) identifica, dentre outros problemas na estrutura administrativa da
biblioteca universitária, o fato da mesma não possuir orçamento próprio e definido. No
mesmo sentido, Carvalho (1981) afirma que a maioria das bibliotecas universitárias
brasileiras não são unidades orçamentárias e as verbas são destinadas sem que haja um
planejamento das suas reais necessidades. Ainda nesse sentido, Walter, Eirão e Reis (2010)
ressaltam que é a partir da definição da dotação orçamentária para determinado período que as
unidades de informação podem se organizar e elaborar seus planos de trabalho.

616

�De modo geral, os serviços prestados pela biblioteca universitária são: serviço de
circulação (acervo geral): condução de pesquisas; serviço de seleção e aquisição de
informação; serviço de tratamento da informação (registro, verificação, catalogação,
classificação e triagem do material informacional); serviço de referência (normalização,
comutação e levantamento bibliográfico); serviço de periódicos (revistas técnicas, científicas
e informacionais; jornais e relatórios); serviço de coleções especiais (obras raras, teses,
dissertações, audiovisuais, material cartográfico) (SILVA; SCHONS; RADOS, 2006).
Nesta pesquisa foram destacados os serviços de referência e de circulação, tendo um
referencial em Maciel e Mendonça (2000) que discorrem sobre o serviço de referência na
biblioteca que compreende todas as atividades voltadas, direta ou indiretamente à prestação de
serviços aos usuários, inclui a divulgação, orientação e auxílio ao usuário, onde a divulgação
compreende todas as atividades relacionadas à produção de instrumentos de divulgação da
própria biblioteca e dos serviços e produtos oferecidos a sua clientela; os instrumentos podem
ser especialmente programados para divulgação de dados gerais sobre a biblioteca, tais como
os folders, cartazes, anúncios em geral, também podem oferecer informações especializadas
sobre o conteúdo de coleções recebidas, informes bibliográficos etc. E atividades de
orientação e auxilio ao usuário que compreende as atividades exercidas junto ao usuário
visando facilitar o acesso às coleções e a facilidade na utilização dos demais recursos que a
biblioteca ofereça como os catálogos, bases de dados, acesso à Internet etc.
Já o serviço de circulação é responsável pelo controle da movimentação das coleções
dentro (consultas) e fora da biblioteca (empréstimos domiciliares, circulação restrita ou
dirigida, empréstimo entre bibliotecas etc.), também é responsável pelas atividades de
inscrição de usuários, expedição de avisos aos usuários em atraso e a aplicação de
penalidades. Para tanto, este setor deve ser muito bem planejado, com ênfase especial a sua
localização física, pois concentra fluxos de pessoal, materiais e usuários, portanto costuma ser
o local mais congestionado da biblioteca (MACIEL; MENDONÇA, 2000).

2.2.1 Gestão de Bibliotecas Universitárias
A administração da biblioteca universitária tornou-se um dos pontos-chave para a
qualidade da educação e para a obtenção de um bom desempenho e sucesso, tanto da própria
biblioteca, como da IES na qual se encontra inserida. Com isso, se espera dos bibliotecários
administradores não apenas conhecimento na área de biblioteconomia e habilidades
gerenciais, mas também conhecimentos aprofundados na área de administração, ou seja,

617

�domínio dos processos, das funções administrativas e financeiras, das teorias, dos
instrumentos e tecnologias de gestão, entre outros (DZIEKANIAK, 2008).
Maciel e Mendonça (2000) afirmam que as funções gerenciais em uma biblioteca são
aquelas de cunho administrativo e responsáveis pela ativação de todas as funções meio ou fim
e pelo direcionamento e ajuste às metas e objetivos do sistema. Desta forma, a complexidade
dos sistemas de informação e todas as mudanças e modernidades a que estão sujeitos hoje em
dia, exigem que os bibliotecários gestores conheçam bem as funções administrativas que lhes
são inerentes.
O processo gerencial tem como atribuição definir funções administrativas a serem
utilizadas na biblioteca universitária, o que as compõem, como são realizadas, a forma como
são integradas e os tipos de planos que serão utilizados. Este modelo de processo gerencial é
constituído pelas funções de planejamento, direção e controle. Todas as funções
administrativas - planejar, dirigir e controlar - precisam ser orientadas uniformemente pelo
estilo gerencial adotado pelo bibliotecário administrador, para que haja coerência no processo
gerencial (DZIEKANIAK, 2008).
O Subsistema Gerencial e o Subsistema de Organização de Dziekaniak (2008), que
contém a função organização auxiliam o bibliotecário administrador a organizar a biblioteca
universitária alcançando melhores resultados, contribuindo para a sustentação do objetivo:
avaliar a gestão dos serviços informacionais no Sibi/UFG, através das funções
administrativas: planejamento, organização, direção e controle, considerando a acessibilidade
aos usuários com deficiência física, visual e auditiva. Os questionários para os gestores são
elaborados com base neste referencial.
A função planejamento dá subsídios para a sustentação do objetivo da pesquisa.
Assim, conforme Maximiano (2009, p. 12): “[...] O processo de planejamento é a ferramenta
para administrar as relações com o futuro. As decisões que procuram de alguma forma,
influenciar o futuro, ou que serão colocadas em prática no futuro, são decisões de
planejamento”. Deste modo, Dziekaniak (2008) apresenta as fases do planejamento:
É na primeira fase do seu processo, a definição dos resultados, que o bibliotecário
administrador e os supervisores de cada serviço ou setor passam a criar o futuro da biblioteca,
ou seja, para fixar os resultados a serem atingidos, o bibliotecário administrador e os
supervisores devem basear-se nos parâmetros de resultados, e estes resultados precisam ser
passíveis de execução, medição e avaliação (DZIEKANIAK, 2008).
A segunda fase se refere à avaliação das condições. Esta avaliação não só proporciona
ao bibliotecário administrador e aos supervisores um conhecimento dos pontos fracos da sua

618

�biblioteca universitária, como também fornece informações sobre suas oportunidades e
ameaças (DZIEKANIAK, 2008).
A terceira fase do processo de planejamento é onde será feita a formulação de
alternativas. Define a ação a ser tomada para alcançar os resultados pretendidos, por meio da
formulação de alternativas para que as oportunidades e pontos fortes sejam aproveitados e os
pontos fracos e ameaças sejam reduzidos ou eliminados (DZIEKANIAK, 2008).
Na quarta fase, sobre a avaliação e escolha, o bibliotecário administrador e os
supervisores escolherão, dentre as alternativas formuladas na terceira etapa, a que melhor
contribuir para o alcance dos resultados almejados.
A última fase é onde o plano é detalhado. Sendo o plano a consequência do
planejamento, torna-se importante definir os tipos específicos de planos a serem abordados
(por exemplo: objetivos; políticas; procedimentos; normas; regulamentos; programas;
projetos; orçamentos) e o limite de tempo de validade dessas decisões (planos temporários ou
planos permanentes). Estas definições auxiliam os colaboradores a entenderem os planos e
facilitam a tomada de decisão do bibliotecário administrador, uma vez que o mesmo poderá
escolher o plano adequado para cada tipo de decisão (DZIEKANIAK, 2008).
Almeida (2005) ressalta que as pressões das organizações para manter ou cortar custos
e, ampliar e melhorar a qualidade de serviços e programas tornou o planejamento
indispensável ao exercício da administração. Para tanto, explica que o planejamento é
constituído por um complexo de instrumentos, cada um com uma função específica que,
articulados, garantem a eficácia do processo.
Vale ressaltar que não existe uma delimitação de onde começa ou termina uma função
administrativa, ou seja, acontecem de forma inter-relacionadas.
A função administrativa organização, de acordo com Maximiano (2009) é o processo
de dispor os recursos em uma estrutura que facilite a realização dos objetivos e consiste no
ordenamento dos recursos, ou na divisão de um conjunto de recursos em partes coordenadas,
segundo algum critério ou princípio de classificação. O resultado desse processo chama-se
estrutura organizacional, que conforme Maciel e Mendonça (2000) é concebida como
agrupamento das atividades necessárias para realizar os objetivos e metas da empresa, ou seja,
o estabelecimento formal das funções necessárias ao alcance dos objetivos, sua reunião em
grupos de natureza similar para o estabelecimento das principais divisões administrativas, e a
posterior atribuição dessas divisões a um bibliotecário administrador, com a devida formação,
e a necessária autoridade funcional para o desempenho de tais atividades.
Dziekaniak (2008) reforça que:

619

�a organização envolve a distribuição da tarefa empresarial em unidades
organizacionais - diretorias, divisões, departamentos, setores, a definição dos papéis e
responsabilidades dessas unidades, seus níveis de autoridade e designação de pessoas
competentes para executar as funções alocadas a cada uma dessas unidades
organizacionais. [...] Desse modo o Subsistema de Organização auxilia o bibliotecário
administrador a organizar a biblioteca universitária internamente, alcançando melhores
resultados (DZIEKANIAK, 2008, p. 15).
A autora recomenda quatro componentes fundamentais para compor o Subsistema de
Organização, são eles: as funções, a estrutura organizacional, o nível de autoridade e as
pessoas responsáveis pelas funções.
Uma das características das funções é a natureza de seus objetivos: institucionais,
gerenciais e operacionais. As funções institucionais de uma biblioteca universitária são
destinadas a cuidar dos aspectos relacionados à filosofia da biblioteca (negócio, missão, visão
e princípios). Estas podem ser exercidas pelo diretor da biblioteca e bibliotecários que
exerçam algum tipo de supervisão. As funções gerenciais ficam encarregadas de realizar o
planejamento, ou seja, elaborar planos implantá-los, acompanhá-los e avaliá-los. As funções
operacionais executam todas as atividades que integram os processos de uma biblioteca
universitária e devem assegurar a eficiência, produtividade e qualidade. Estas funções são
exercidas por todo o pessoal da biblioteca (DZIEKANIAK, 2008).
Maciel e Mendonça (2000) concluem que a estrutura organizacional deveria ser
variável e fruto de uma adaptação constante às variações ambientais. Para que a biblioteca
apresente a simplicidade e flexibilidade exigidas às organizações modernas, ela deve
apresentar uma descentralização administrativa e possuir um sistema de informações
gerenciais, eficiente e acessível a todos da organização.
O organograma representa graficamente a estrutura organizacional e tem por objetivo
a divisão do trabalho, mediante o fracionamento da organização, em unidades de direção,
assessorias, conselhos, gerências, superintendências, departamentos, setores etc. Tal divisão
deixa implícito os procedimentos relativos à delegação de autoridade e responsabilidade
(DZIEKANIAK, 2008).
Portanto, é atribuição do bibliotecário administrador utilizar-se dos instrumentos do
Subsistema Organizacional, para que a distribuição das funções e a designação das pessoas
sejam feitas de maneira eficaz, eficiente, e integrada, para que sejam alcançados os melhores
resultados.
A função direção, conforme Maximiano (2009, p.13) faz parte do processo de
liderança que é: “[...] um processo complexo, que compreende diversas atividades de

620

�administração de pessoas, como coordenação, direção, motivação, comunicação e
participação no trabalho em grupo”.
Maciel e Mendonça (2000) conceituam direção como a função responsável pela
implementação dos planos e pelo acompanhamento de sua execução, que inclui, desde a
designação até a capacitação dos responsáveis pela execução das ações programadas,
responsabilizando-se, também, pela coordenação da execução, para que os resultados sejam
satisfatórios. Assim, é a função administrativa responsável pelo gerenciamento da
organização à medida que se executam os planos, programas e projetos, procurando convertêlos em resultados.
As autoras enfatizam a necessidade de três atributos a um gerente: a capacidade de
motivar, comunicar e liderar. O gerente, enquanto líder deve saber e conhecer a ambiência
para identificar demandas e a estrutura organizacional da instituição para facilitar a
implementação das ações, projetos etc.
A

supervisão,

conforme

Maciel

e

Mendonça

(2000),

define-se

como

acompanhamento, a observação do desempenho do esforço de trabalho e a correção dos
eventuais desvios, aproximando-se da avaliação enquanto acompanhamento de tarefas.
Outro atributo essencial ao gerente é a coordenação, que consiste no desempenho de
atividades que promovem a interação dentro do sistema para otimização de seus resultados.
Enquanto coordenador, o gerente identifica e motiva as interações necessárias para a
eficiência da unidade de informação (MACIEL, MENDONÇA, 2000).
Dziekaniak (2008) subdivide a função administrativa direção, em quatro fases: 1)
designação dos responsáveis; 2) comunicação dos planos; 3) desenvolvimento da equipe; 4)
orientação e coordenação.
A função controle, conforme Maximiano (2009, p. 13) “[...] procura assegurar a
realização de objetivos. Controlar é a função que consiste em comparar as atividades
realizadas com as atividades planejadas, para possibilitar a realização dos objetivos”.
Para Maciel e Mendonça (2000) “controle é a função destinada a verificar se os
resultados planejados estão sendo alcançados através das operações executadas. Permite
adotar ações corretivas visando corrigir os desvios detectados durante o processo de
avaliação”.
Assim, as funções administrativas deram subsídios para a elaboração dos questionários
para gestores e a entrevista com a Diretora substituta do Sibi/UFG, dando suporte ao
desenvolvimento da pesquisa realizada.

621

�2.3 A Universidade Federal de Goiás e o Sistema de Bibliotecas
A Universidade Federal Goiás é uma Instituição Federal de Ensino Superior (IFES),
criada no dia 14 de dezembro de 1960 através da Lei n° 3.834-C, com a reunião de cinco
escolas superiores que existiam em Goiânia: a Faculdade de Direito, a Faculdade de Farmácia
e Odontologia, a Escola de Engenharia, o Conservatório de Música e a Faculdade de
Medicina. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, 2011).
Atualmente, a UFG possui 25 unidades acadêmicas que compreendem as faculdades,
escolas, institutos e centros de ensino em graduação e pós-graduação. Nelas também são
desenvolvidas ou coordenadas atividades de pesquisa e extensão. Todas se situam em
Goiânia, nos campus I e II da UFG. Possui também 3 campus no interior do Estado: Campus
Catalão, Campus Jataí e Campus da Cidade de Goiás (UNIVERSIDADE FEDERAL DE
GOIÁS, 2012).
Tem como missão gerar, sistematizar e socializar o conhecimento e o saber, formando
profissionais e indivíduos capazes de promover a transformação e o desenvolvimento da
sociedade.
Para o desenvolvimento dessa pesquisa é importante a apresentação de metas e ações,
que tem estreita relação com o tema, contidas no Plano de Desenvolvimento Institucional
(PDI) para o período 2011-2015, que foram elaboradas com base no projeto da UFG para
adesão ao Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI),
constantes do Programa de Gestão Estratégica (PGE), nos Relatórios de Gestão apresentados
ao Tribunal de Contas da União (TCU), nas propostas coletadas entre a comunidade
universitária e a sociedade goiana durante o processo eleitoral para o exercício do mandato do
atual Reitorado, iniciado em janeiro de 2010, e nas propostas encaminhadas pelas Unidades
Acadêmicas de Goiânia, Campus do Interior e Órgãos da universidade (UNIVERSIDADE
FEDERAL DE GOIÁS, 2010).
Apresenta-se a meta 23 e suas ações, do Eixo 1: Finalidades, Estrutura, Expansão,
Integração com a sociedade, Mobilidade e Interdisciplinaridade.
Meta 23 - Criar condições pedagógicas para os portadores de necessidades especiais
Ações:
•
Implantação da Gestão do Núcleo de Acessibilidade para viabilizar o acesso e
a permanência de estudantes.
•
Criação de uma comissão para acompanhamento dos estudantes bolsistas
assistidos pelos diversos programas de assistência estudantil.
•
Implantação da oferta da disciplina Libras para os cursos de graduação.
•
Criação de condições para permanência de estudantes contemplando suas
diversidades.

622

�•
Constituição de uma comissão para avaliação e implantação de condições de
acessibilidade nos Câmpus do Interior.
•
Realizar adequações de prédios das unidades acadêmicas de Goiânia e dos
Campus Catalão, Jataí e Goiás, para os portadores de necessidades especiais
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, 2010, p. 103).
São ações que devem ser aplicadas ao ambiente das bibliotecas, embora não sejam
mencionadas. E a apresentação da gestão do Núcleo de Acessibilidade da UFG que tem como
objetivo propor e viabilizar uma educação superior inclusiva aos estudantes com deficiência
física, visual, auditiva e mental por meio da eliminação de barreiras atitudinais, físicas,
pedagógicas e de comunicação.
Apresenta-se também o Programa UFGInclui criado através da Resolução Consuni n°
29/2008. Este Programa é parte da política de inclusão e permanência da Pró- Reitoria de
Graduação (PROGRAD), onde podem participar do Programa estudantes oriundos de escolas
públicas, negros oriundos de escolas públicas, indígenas, quilombolas e estudantes surdos,
estes últimos exclusivo ao curso de Letras Libras.
É neste contexto da universidade que se insere a Biblioteca Central que foi criada em
24 de agosto de 1973 com a fusão de 13 bibliotecas departamentais que funcionavam em
unidades de ensino, passando a reunir os acervos no prédio da Faculdade de Direito. Por volta
do final da década de 80, um acordo da UFG com o Ministério da Educação possibilitou a
construção de um prédio específico para a biblioteca no Campus 2, que passou a ser a
Biblioteca Central. A mudança exigiu a divisão do acervo existente entre duas bibliotecas: BC
e Biblioteca Campus 1 (BSCAMI), Praça Universitária. Com a criação dos Campi no interior
do Estado, foram surgindo novas bibliotecas setoriais (UNIVERSIDADE FEDERAL DE
GOIÁS, 2011).
Atualmente, o Sibi/UFG é um órgão suplementar vinculado à Pró-Reitoria de PósGraduação (PRPG) composto por oito unidades, sendo a Biblioteca Central (BC) Biblioteca
Setorial do Campus I (BSCAMI), Biblioteca do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicados à
Educação (BSCepae), Biblioteca Letras e Linguística (BSLL) Biblioteca Campus Catalão
(BSCAC), Biblioteca Campus Goiás (BSCGO), Biblioteca Campus Jataí (BSCAJ) - Unidade
Riachuelo e BSCAJ - Unidade Jatobá.
A missão do Sibi/UFG é atender, com qualidade, rapidez e eficiência, as necessidades
e expectativas do ensino, pesquisa e extensão na UFG, oferecendo serviços e produtos em
informação que acompanhem as transformações tecnológicas e sociais.
As unidades analisadas foram as bibliotecas universitárias do Campus II, isto é, a
Biblioteca Central e a Biblioteca Letras e Linguística. A Biblioteca Central foi escolhida por

623

�ser o órgão coordenador do Sibi/UFG e por ser o local de trabalho da pesquisadora. E a BSLL
foi escolhida pelo fato da Faculdade de Letras possuir o Curso de Letras Libras, ao qual os
alunos surdos tem acesso pelo vestibular através do Programa UFGinclui.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A abordagem utilizada nesta pesquisa foi a qualiquantitativa. Conforme (DENZIN;
LINCOLN, 2006) a pesquisa qualitativa implica uma ênfase sobre as qualidades das entidades
e sobre os processos e os significados que não são examinados ou medidos
experimentalmente em termos de quantidades, volume, intensidade ou frequência. Já os
estudos quantitativos enfatizam o ato de medir e de analisar as relações causais entre
variáveis, e não processos.
Quanto ao nível, foi uma pesquisa descritiva, que conforme GIL (1995) tem como
objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno, ou
o estabelecimento de relações entre variáveis. Neste sentido, a pesquisa tem dois objetivos
que respondem a estas colocações: identificar como os usuários com deficiência física, visual
e auditiva avaliam os serviços oferecidos pelo Sibi e, avaliar a gestão dos serviços
informacionais do Sibi, através das funções administrativas: planejamento, organização,
direção e controle, considerando a acessibilidade para usuários com deficiência física, visual e
auditiva.
A pesquisa estruturou-se com base nos objetivos propostos, como um estudo de caso,
que focalizou especificamente o Sibi/UFG, pois para Gil (1995), em termos de coleta de
dados o estudo de caso é o mais completo, pois se vale tanto de dados de gente, quanto de
dados de papel.
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas seguintes fontes: livros, artigos de
periódicos, dissertações, teses e bases de dados nacionais. Uma pesquisa documental que,
conforme Gil (1995) segue os mesmos passos da pesquisa bibliográfica, porém da-se através
de documentos de primeira mão, tais como: documentos oficiais, contratos etc. ou de segunda
mão, como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, etc. A pesquisa documental
baseou-se em documentos depositados no Núcleo de Acessibilidade da PROGRAD da UFG
onde foram analisados os documentos sobre os alunos dos cursos de graduação presenciais da
UFG que declararam ser pessoa com deficiência física, visual e auditiva no ato da inscrição
do vestibular de 2008 a 2012. Por fim, foram aplicados os questionários aos alunos com
deficiência física, visual e auditiva; aos gestores da BC, à Coordenadora da BSLL e uma
entrevista à Diretora substituta do Sibi/UFG.

624

�3.1 A Amostra e Universo da População
O universo deste estudo foram os bibliotecários gestores do Sistema de Bibliotecas da
UFG e os alunos com deficiência física, visual e auditiva dos cursos de graduação presenciais
da UFG. A amostra foi composta pelos bibliotecários gestores da Biblioteca Central (Seções
de atendimento ao público) e a Coordenadora da Biblioteca Setorial de Letras e Linguística,
bem como pelos alunos com deficiência física, visual e auditiva dos cursos de graduação
presenciais da UFG localizados no Campus II, sendo a amostra composta por 04 categorias:
06 bibliotecários gestores, 06 usuários com deficiência física, 04 usuários com deficiência
visual e 10 usuários com deficiência auditiva.

3.2 Coleta e Tratamento da Informação
Após a aplicação dos questionários, os dados foram coletados e tabulados, através do
software Excel, pois conforme Lakatos e Marconi (2006, p. 152) a tabulação é definida como
sendo a arrumação dos dados em tabelas, de maneira a permitir a verificação das relações que
eles guardam entre si, sendo uma parte do processo da técnica de análise estatística dos dados.
Para as perguntas combinadas fechadas e abertas foi realizada a discussão com os autores
citados no referencial teórico.
Após a entrevista semi-estruturada, esta foi transcrita conforme autorização da
entrevistada e realizada a discussão das opiniões de acordo com os autores citados no
referencial teórico.

4 RESULTADOS FINAIS
Acessibilidade no ambiente das bibliotecas deve ser pensada em todos os contextos,
como parte do planejamento, em todos os níveis da instituição. Deve contar com um plano
para possibilitar aos gestores fazerem o uso das funções administrativas para sua viabilização.
Este estudo analisou a gestão dos serviços informacionais no Sibi/UFG, com enfoque
na acessibilidade para os usuários com deficiência física, visual e auditiva. O objetivo geral e
os específicos para as três categorias de usuários e para os gestores foram alcançados. De
acordo com as análises realizadas pode-se concluir que:
Usuários com deficiência física: que usam a Biblioteca Central, não utilizam
tecnologia assistiva para auxílio às atividades diárias, inclusive cadeira de rodas, e não
utilizam outra biblioteca da UFG. Para estes usuários a acessibilidade arquitetônica é boa, no
entanto, a questão do elevador é crítica, destacando a falta de sinalização e a localização do
mesmo. A escada para quem chega pelo estacionamento para a entrada principal da BC,

625

�apresenta problema e a luminosidade é também um fator crítico, sendo apontada como ruim
por vários participantes.
Treinamento e Serviços para Usuários com Deficiência Física: A maioria dos
participantes fez o treinamento para uso da biblioteca, no entanto, poucos reservam e renovam
os materiais pelo site. Os serviços usados pelos usuários são: Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações, Consulta Local, Empréstimo Domiciliar e Serviços on line (reserva e
renovação). Estas questões apontam que há baixo aproveitamento do treinamento pelos
usuários, portanto a necessidade de ações de treinamento pessoal do usuário e divulgação dos
serviços e produtos da biblioteca. Quando não encontram o material informacional poucos
pedem informações para que a necessidade seja atendida. Desta forma, os usuários saem
muitas vezes da biblioteca sem encontrar a informação que necessitam, e os gestores perdem
uma oportunidade de ter o feedback do usuário que é uma forma de ter acesso a informações a
respeito das suas necessidades informacionais e que devem ser levadas em consideração no
momento de planejamento de novos produtos e serviços ou na avaliação dos já existentes.
Usuários com Deficiência Visual: que usam a biblioteca tem baixa visão e não
frequentam outra biblioteca da UFG, sendo que a metade dos participantes é cega. Em relação
à estrutura física, os alunos com baixa visão responderam que a acessibilidade na entrada da
biblioteca é boa, quanto à mobilidade também consideram satisfatória, a acessibilidade aos
banheiros é boa, a luminosidade avaliaram como regular. Frequentam os Espaços para Estudo
em Grupo. Assim, os usuários com baixa visão avaliam que a acessibilidade arquitetônica é
boa, sendo uma questão crítica a luminosidade e a sinalização da biblioteca. Já para os
usuários cegos não há acessibilidade a começar pela sinalização tátil para a chegada à
biblioteca e no interior da mesma, além da inexistência de uma sala de apoio equipada com as
tecnologias assistivas necessárias ao uso pelo usuário cego.
Treinamento e Serviços para Usuários com Deficiência Visual: Quanto aos serviços,
todos os usuários com baixa visão fizeram o treinamento para o uso da biblioteca, no entanto,
nenhum renova ou reserva os materiais no site, e nenhum fez treinamento ou curso presencial
na biblioteca.

Utilizam a Consulta Local, Empréstimo Domiciliar, a Sala Didática de

Informática e Visitas Orientadas. Estas questões apontam a necessidade de ações de
treinamento e divulgação dos serviços e produtos da biblioteca pelo Serviço de Referência
que compreende todas as atividades voltadas, direta e indiretamente à prestação de serviços
aos usuários, incluindo a divulgação e o treinamento pessoal da clientela na utilização dos
acervos, catálogos, bases de dados e demais recursos que a biblioteca possua. Todos os

626

�usuários com baixa visão pedem informações quando não encontram os materiais
informacionais na biblioteca.
Usuários com Deficiência Auditiva: Os usuários surdos usam a Biblioteca Central e a
Biblioteca Letras e Linguística, sendo que 30% dos participantes utilizam as duas bibliotecas
e 70% somente a BSLL. Os usuários surdos avaliam como boa a acessibilidade na entrada da
biblioteca e nos banheiros da Faculdade de Letras, quanto à mobilidade metade dos
participantes acha regular conforme o ambiente interno, a luminosidade é boa, a sinalização
sugere atualização e adequação.
Treinamento e Serviços para Usuários com Deficiência Auditiva: Quanto aos serviços,
a maioria dos participantes fez o treinamento para uso da biblioteca no Portal do Aluno UFG,
no entanto, poucos reservam e renovam materiais no site, sendo que 30% dos participantes
acham que seria muito bom e 70% bom se o treinamento contasse com a presença de
intérprete/tradutor. Nenhum usuário surdo participou de treinamento ou curso presencial
oferecido pela biblioteca. Quanto aos serviços utilizados são: Consulta Local, Empréstimo
Domiciliar, Sala de Informática, Treinamento de Novos Usuários e Visitas Orientadas.
Quando não encontram os materiais informacionais, poucos usuários pedem informações para
que a necessidade seja atendida. Nenhum usuário consegue se comunicar em Libras, pois os
servidores não são capacitados. As questões apontam a necessidade de ações de treinamento
dos usuários surdos com a presença de intérprete/tradutor para que não haja ruído na
comunicação, e, consequentemente na aprendizagem do uso da biblioteca, fica evidente
também a necessidade de capacitação em Libras para os servidores.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo apresentou uma limitação relacionada à coleta de dados devido a não
capacitação da pesquisadora em Libras, pois até para fazer o convite aos alunos surdos
necessitou de tradutor/intérprete, uma vez que poucos responderam aos e-mails.
Constatou-se que alguns requisitos de acessibilidade arquitetônica são atendidos,
permitindo o uso das bibliotecas por usuários com deficiência, no entanto, as questões de
sinalização, iluminação e comunicação deixam a desejar, culminando com o não uso das
bibliotecas por usuários cegos e, por usuários que necessitam de qualquer tecnologia para o
uso do computador. A comunicação em Libras com o usuário surdo não é possível devido a
não capacitação em Libras pelos servidores e o treinamento para o uso da biblioteca necessita
de adequações para o atendimento aos usuários com deficiência. Deste modo, há o
cumprimento parcial da legislação que garante o acesso à educação inclusiva no ensino

627

�superior para estes usuários que continuam sem ter acesso às condições mínimas de
acessibilidade nas bibliotecas do Sibi, pois se houvesse um plano para a acessibilidade com os
gestores fazendo o uso das funções administrativas, é certo que os preceitos legais seriam os
primeiros a serem considerados.
Em relação aos objetivos específicos relacionados à pesquisa com os bibliotecários
gestores estes foram alcançados e apresentam-se algumas sugestões. Os gestores do Sibi
participam da construção do PDI da Universidade, onde há espaço para apresentar suas
necessidades de infraestrutura física, de equipamentos etc. Mas não conta com uma dotação
orçamentária, que é primordial para o desenvolvimento dos planos, no momento do
planejamento dos mesmos. Cabe ao bibliotecário gestor, no uso da função direção, e enquanto
líder conhecer a ambiência para identificar demandas e a estrutura organizacional da
instituição, na qual está inserida para facilitar a implementação das ações e, projetos.
A pesquisa permitiu entender a necessidade de providências pelos gestores do Sibi na
obtenção de recursos financeiros para o desenvolvimento de projetos para acessibilidade aos
serviços e produtos das bibliotecas pelos usuários com deficiência física, visual e auditiva.
Uma providência importante seria a argumentação junto às instâncias da UFG: a PRPG e a
PROAD, sobre a importância de uma biblioteca acessível a todos. Além disso, é importante
também discutir e buscar o apoio do Núcleo de Acessibilidade, no intuito de obter um
percentual do orçamento institucional para serviços e produtos acessíveis a todos, e atentar
sempre às possibilidades abertas por órgãos governamentais federais e estaduais, na liberação
de verbas de apoio a projetos específicos para pessoas com deficiência.
Quanto ao atendimento nos serviços aos usuários com deficiência física, visual e
auditiva, verificou-se a necessidade de um plano que contemple a acessibilidade e que seja
desenvolvido pelos gestores das Seções de Referência das bibliotecas do Sibi, responsáveis
pelas atividades de orientação e auxílio ao usuário, com o intuito de facilitar o acesso às
coleções e demais recursos que as bibliotecas oferecem.
No entanto, no que diz respeito aos resultados alcançados através dos gestores,
verificou-se que a gestão atende alguns requisitos de acessibilidade, mas apontam-se
problemas como: a falta de dotação orçamentária, falta de um plano para a acessibilidade, o
que inviabiliza o uso das funções administrativas de forma interligadas pelos gestores, e
reflete na dificuldade de organizar, direcionar e controlar, bem como na capacitação dos
servidores, nos problemas identificados no treinamento para o uso das bibliotecas, na falta de
aquisição das tecnologias assistivas e a sinalização insuficiente. Para tanto, o cumprimento da
legislação que garante às pessoas com deficiência condições de acesso a educação superior,

628

�exige dos bibliotecários gestores proatividade na elaboração de um plano para a
acessibilidade, tendo como suporte os preceitos legais que asseguram o acesso e permanência
das pessoas com deficiência no ensino superior.
Acredita-se que os resultados da pesquisa contribuem para a gestão da biblioteca
universitária na identificação de problemas relacionados à ausência de planos, os quais
dificultam a gestão da acessibilidade nos serviços oferecidos aos usuários com deficiência. A
maior contribuição se dá através do uso das funções administrativas: planejamento,
organização, direção e controle. Assim, pode oferecer subsídios aos gestores para a adequação
dos serviços através de planos, com enfoque na acessibilidade como principal fator que
contribui com o direito de ingresso, permanência e utilização de todos os espaços e serviços
por pessoa com deficiência, possibilitando a educação inclusiva no ensino superior.

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631

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O propósito deste estudo é analisar a gestão dos serviços informacionais no Sistema de Bibliotecas (Sibi) da Universidade Federal de Goiás (UFG), com enfoque na acessibilidade para usuários com deficiência física, visual e auditiva. O referencial teórico é fundamentado na educação inclusiva abordando a política nacional de educação inclusiva e a acessibilidade, também está baseado na biblioteca universitária que é o principal órgão de apoio ao ensino, pesquisa e extensão em Instituição de Ensino Superior (IES) e através de diversos autores aborda a gestão e o uso das funções administrativas como: planejamento, organização, direção e controle pelos gestores. A pesquisa é descritiva realizada através de estudo de caso com abordagem qualiquantitativa, possuindo como instrumentos de coleta de dados questionários para os usuários com deficiência física, visual e auditiva, e para os gestores e uma entrevista semi-estruturada com a diretora substituta do Sibi. Quanto ao problema da pesquisa, no que diz respeito aos resultados alcançados através dos gestores, a gestão atende alguns requisitos de acessibilidade, no entanto, apontam-se problemas como: a falta de dotação orçamentária, falta de um plano para a acessibilidade, o que inviabiliza o uso das funções administrativas de forma interligadas pelos gestores, o que reflete na dificuldade de planejar, organizar, direcionar e controlar, como na capacitação dos servidores, nos problemas identificados no treinamento para o uso das bibliotecas, na falta de aquisição das tecnologias assistivas e a sinalização insuficiente. O cumprimento da legislação que garante às pessoas com deficiência condições de acesso a educação superior, exige dos bibliotecários gestores proatividade na elaboração de um plano para a acessibilidade, tendo como suporte os preceitos legais que asseguram o acesso e permanência das pessoas com deficiência no ensino superior.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DISPOSITIVOS MÓVEIS NO CONTEXTO EDUCACIONAL
Teresa Avalos Pereira

RESUMO
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) estão em todas as áreas do
conhecimento e, através da internet, conectam bancos, empresas, editoras, centros de
informação, bibliotecas, instituições de ensino etc. O objetivo deste trabalho é investigar
como os dispositivos móveis podem ser utilizados por professores de ensino superior em sala
de aula. Trata também da adaptação da biblioteca a um modelo que incorpore as novas
Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no seu cotidiano, para melhor
atender alunos da Universidade. Sinaliza para a necessidade de uma reflexão sobre essa nova
escola, os papéis dos estudantes, docentes e bibliotecários, sobretudo, o que os gestores das
bibliotecas estão fazendo para que haja inclusão digital e informacional, frente a essa nova
realidade. Conclui-se que a incorporação das tecnologias no contexto pedagógico e nas
bibliotecas ainda é um desafio para todos os envolvidos.
Palavras-Chave: Tecnologia Educacional. Aplicativos Móveis. Informação. Ensino Superior.
Docentes.
ABSTRACT
The Information and Communication Technologies (ICT) are in all areas of knowledge, and
through the internet, connect banks, corporations, publishers, information centers, libraries,
educational institutions etc. The objective of this work is to investigate how mobile devices
can be used by higher education teachers in the classroom. Also deals with the adaptation of
the library to a model that incorporates the new Digital Information and Communication
Technologies (TDIC) in their daily lives, to better serve students of the University. Signals the
need for further reflection on this new school, the roles of students, teachers and librarians
especially, what the library managers are doing to be informational and digital inclusion,
facing the reality presented. It is concluded that the incorporation of technology in the
teaching context and libraries is still a challenge for everyone involved.
Keywords: Educational Technology. Mobile Applications. Information. Higher Education.
Teachers.

1 Introdução
A descoberta da internet e seus avanços interferiram exponencialmente na educação
atual e, com a utilização das tecnologias móveis, essas mudanças estão impactando
principalmente o Ensino Superior. Os sistemas de informação e as redes de computadores

4229

�estão desempenhando um papel primordial na criação desse ambiente cooperativo e, é através
dessas ferramentas que se dará a comunicação.
De acordo com Lévy (2004), novas maneiras de pensar e conviver são elaboradas no
mundo das telecomunicações e da informática. O que pode agregar maior peso a essas
tecnologias é a interação e a colaboração de cada uma delas. Em outras palavras, o trabalho
colaborativo e a gestão do conhecimento também envolvem aspectos humanos, culturais e de
gestão. Conectados à rede, as distâncias diminuíram, a informação pode ser acessada de
qualquer lugar do mundo e em qualquer hora.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) envolvem muito mais que
computadores; referem-se às tecnologias que são usadas para transmitir, processar, armazenar,
criar, visualizar, compartilhar ou trocar informações eletronicamente. Incluem tecnologias
como rádio, televisão, vídeo, DVD, sistemas de satélite, videoconferência e dispositivos
móveis - telefones celulares, smartphones, netbooks, tablets etc. (UNITED NATIONS
EDUCATIONAL, SCIENTIFIC AND CULTURAL ORGANIZATION, 2005).
Silva (2012) complementa que computadores, celulares e tablets, conectados na rede
mundial, favorecem e potencializam a mediação docente interativa, como perspectiva de
modificação da comunicação em sala de aula e fora dela.
A importância das novas TIC na sala de aula, juntamente com as tradicionais,
precisam ser pensadas em um projeto de educação. Questões fundamentais precisam ser
respondidas como qual tipo de sociedade se quer para o futuro e como se deve incorporar as
TIC nas práticas pedagógicas dos professores. Conforme ANTONIO (2014), a necessidade de
adaptar a escola para a incorporação das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
(TDIC) é um desafio para docentes, gestores das instituições e de políticas públicas, pois
todos ainda encontram dificuldade em encarar essa nova realidade à luz de seus velhos
paradigmas.
A inclusão digital, segundo Santos (2006), diz respeito ao acesso dos cidadãos às
tecnologias digitais, em condições favoráveis de apropriação do seu potencial, para o
desenvolvimento pessoal e coletivo. Na esfera organizacional, a ênfase está no uso das
tecnologias nos segmentos da sociedade: mercado, universidades, escolas, bibliotecas. Desse
modo, o uso de mídias não se restringe na democratização do acesso aos meios de
comunicação e às tecnologias, sendo preciso incorporá-las aos processos de aprender, ensinar
e gerir a escola, a fim de criar condições para que professores, alunos e gestores as utilizem
como instrumentos culturais.

4230

�A formação dos professores e o trabalho colaborativo em torno de um projeto
pedagógico consistente vão fazer parte de uma nova educação nos processos de ensino e
aprendizagem. Os educadores não precisam ser especialistas nessas tecnologias e sim, ter
acesso a elas, saber como se usa, conhecer seus recursos, para poderem usá-las com a
finalidade de renovar e melhorar suas aulas. É preciso que os docentes de Ensino Superior
façam a ponte do técnico e o pedagógico, dominem os recursos das tecnologias e integrem
tudo isso no cotidiano educativo.
Nesse contexto, os desafios da “Educação 3.0”, denominada por Fava (2014) como um
novo modelo de educação, mais digital, interativa e focada no aluno, são: como propiciar essa
formação; que alterações são requeridas para constituir um ambiente onde o aluno possa
adquirir habilidades necessárias para atuar nessa sociedade do conhecimento; qual é o papel
do professor nesse processo de aprendizagem; qual é o papel das novas tecnologias no
processo educacional. Portanto, este trabalho busca investigar a introdução das TIC, em
especial os dispositivos móveis no processo de ensino e aprendizagem.

2 Revisão de Literatura
Sobre a disponibilidade, acesso, uso e apropriação das TIC em escolas e práticas
pedagógicas dos professores, o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da
Comunicação (2012) mostra que a internet é praticamente universalizada entre 99% dos
docentes brasileiros. A maioria não encontra grande dificuldade na utilização de um editor de
texto e na preparação de apresentações, como o PowerPoint, por exemplo. Por outro lado,
40% dos usuários não têm dificuldade em usar planilhas e programas de multimídia, som e
imagem. Participar de fóruns de discussão ficou em 58%, criar ou atualizar blogs, em 31%;
postar filmes ou vídeos atingiu 39%; usar a internet para ligações telefônicas alcançou 28%;
baixar e instalar programas, ficou em 40% e participar de cursos a distância, em 58%.
Interessante observar, no entanto, que 31% dos professores nunca realizaram um curso online.
Percebe-se, assim, que a apropriação das TIC pelos respondentes da pesquisa ainda está
distante do ideal.
O Centre for Learning and Performance Technologies - C4LPT (Centro de
Aprendizagem e Desenvolvimento Tecnológico) é um site que se especializou em pesquisas
sobre as novas ferramentas de aprendizagem disponíveis na Internet, com a finalidade de
contribuir com o docente no enriquecimento de suas aulas. O C4LPT define “Ferramentas de
Aprendizagem” como qualquer software ou serviço que se usa para o próprio aprendizado

4231

�pessoal ou profissional, para o ensino ou treinamento online, ou para a criação de educação a
distância (CENTRE FOR LEARNING &amp; PERFORMANCE TECHNOLOGIES, 2013).
Desde 2007, o Centro aplica um questionário aos professores do mundo todo com a
seguinte pergunta: “Qual é ferramenta virtual mais importante do ano no campo do ensino?”
Os professores votam em seus recursos preferidos e no final de cada ano o resultado é
divulgado no site. O C4LPT divulga as 100 maiores ferramentas utilizadas na educação (Top
100 Tools for Learning). Verifica-se o uso de diferentes tecnologias, algumas ainda
desconhecidas no Brasil, mas que já demonstram um enorme potencial.
As 10 ferramentas mais importantes votadas nos três últimos anos são apresentadas
abaixo (Quadro 1).

Quadro 1 - As 10 ferramentas mais utilizadas nos anos 2011, 2012 e 2013
2011

2012

2013

1. T w itter

1. T w itter

1. T w itter

2. Y ouT ube

2. Y ouT ube

2. G o o g leD rive/D o cs

3. G o o g le D o cs

3. G o o g le D o cs

3. YouTube

4. Skyp e

4. G o o g le S ea rch

4. G oogle Search

5. W ordP ress

5. W ordP ress

5. P o w e rP o in t

6. D ro p b o x

6. D ro p b o x

6. E vern o te

7. P re zi

7. Skype

7. D ro p b o x

8. M o o d le

8. P o w e rP o in t

8. W ordP ress

9. S lid eS h a re

9. F a c e b o o k

9. F a c e b o o k

10. G lo g ster E D U

10. W ikipedia

10. G oogle + /H angout

Fonte: Centre for Learning &amp; Performance Technologies, 2013

Pode-se observar que o Twitter consegue o 1°. lugar no ranking, nos três anos
consecutivos, vindo o YouTube em 2°. lugar e em 3°., o Google Drive/Docs, por 2 anos
consecutivos (2011 e 2012). Já em 2013, houve uma inversão, ficando o Google Drive/Docs
em 2°. lugar e o YouTube passou para a 3a. posição.
O Twitter se consolidou como uma das ferramentas mais usadas no mundo e também
pelos brasileiros, em especial por grupos dedicados à educação. É imbatível quando se trata
de encontrar, rapidamente, links e redes interessantes de ensino.

4232

�O uso de vídeos do YouTube na educação é indiscutível. Existem, inclusive, inúmeros
canais com conteúdos educacionais, documentários, imagens, palestras e apresentações de
quase todas as áreas de interesse e, no caso da educação; um bom exemplo é o TeachersTube,
muito usado pelos professores. Enfim, é uma fonte de pesquisa inesgotável.
O Google Drive é uma evolução do Google Docs, um serviço de armazenamento e
sincronização de arquivos, oferecendo edição de documentos, planilhas de cálculo,
formulários, apresentações etc. Ideal para trabalhos feitos a várias mãos ou com intuito
colaborativo.

2.1 Web 2.0 na Educação
O termo Web 2.0, cunhado por Tim O’Reilly (2005), durante a Web 2.0 Conference,
em 2004, é definido como uma plataforma, um serviço continuamente renovado e atualizado,
que fica melhor quanto mais as pessoas a utilizam, incluindo suas próprias informações para
serem compartilhados com outros usuários, criando, assim, uma “arquitetura de participação”.
A pesquisa aponta previsões sobre o impacto de tecnologias emergentes no ensino e na
aprendizagem. Piva Jr. (2013) traz alguns conceitos e sugestões de utilizações de ferramentas
na educação como o vencedor dos últimos três anos, o servidor para microblog Twitter, uma
das ferramentas mais atuais da Web 2.0, com um potencial enorme, tanto no ensino presencial
quanto a distância, possibilitando uma comunicação em tempo real, para atividades
colaborativas e interativas.
Grande parte das ferramentas já pode ser acessada também através de dispositivos
móveis. Para isso, basta baixar os seus respectivos aplicativos para que alunos e professores
possam acessá-las de qualquer lugar a qualquer hora.

A aprendizagem móvel, chamada de

m-learning ou mobile learning, conforme Santos e Silva (2006), é o desdobramento da
Educação a Distância (EAD) que ocorreu através das TIC, ou seja, a fusão de diversas
tecnologias de processamento e comunicação de dados.
Sendo assim, os conteúdos em formato digital assumem papel de destaque e oferecem
novas formas de trabalho e de aprendizagem. De acordo com Tori (2010), as tecnologias
interativas reduzem as distâncias, aproximam alunos e professores para melhor aproveitar
ambientes e conteúdos, não importando espaço e tempo. Daí a criação do termo ‘educação
sem distância’, como o autor defende, seja na sala de aula, no laboratório, no ambiente virtual
ou numa mistura desses cenários.
A escola atual já é nativa digital e, como denomina Marc Prensky, seus alunos são
“nativos digitais”, ou seja, os que nasceram depois de 1983 já cresceram com essa farta

4233

�tecnologia (FAVA, 2014). Eles não têm receios e dúvidas quanto ao uso das TIC em suas
atividades cotidianas. Prensky também é o criador do termo “imigrantes digitais”, os que não
nasceram na era digital, mas que estão aprendendo a usá-las, no caso, os professores.
Os nativos digitais gostam de jogos, de trabalhar em rede e não de maneira linear.
Desse modo, os professores pré-internet precisam correr para reduzir essas diferenças. Na
educação baseada em tecnologias interativas, diversas novas mídias, diferentes das
tradicionais (livros, revistas, apostilas, transparências, fitas, slides, CDs ou DVDs) também
podem se incorporar às diversas opções oferecidas aos educadores (TORI, 2010).

2.2 As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
A redução significativa dos preços dos celulares, smartphones e tablets, nos últimos
anos, fizeram com que houvesse mais acesso a essas tecnologias, até então inacessíveis a
grande parte da população. Logicamente, o uso dos aparelhos celulares é voltado à
comunicação entre os usuários para enviar e receber chamadas e mensagens, porém, cabe aos
educadores ampliar e explorar as potencialidades dessas ferramentas para o processo
educacional, visto que os jovens acessam internet, brincam em jogos, estão nas redes sociais,
consultam mapas, leem livros eletrônicos e baixam uma infinidade de aplicativos.
A sociedade onde vivem esses jovens faz uso ostensivo das Tecnologias Digitais de
Informação e Comunicação (TDIC), conjunto de diferentes mídias, diferenciando-se pela
presença das tecnologias digitais. Independentemente das políticas locais, estaduais ou
federais relativas às novas tecnologias, elas existem dentro da escola, ainda que na forma de
um smartphone. Por outro lado, muitos professores e gestores ainda são órfãos pedagógicos
de uma escola que, de repente, se viu perdida nas últimas duas décadas com as novas
tecnologias (ANTONIO, 2014).
Os aplicativos e recursos que compõem a Web 2.0 poderão ter um impacto importante
na escola que utiliza recursos das TDIC; eles não estão limitados somente à educação online,
poderão impactar também a educação presencial. A facilidade de converter o conteúdo da
Web para os dispositivos móveis possibilita que os alunos acessem o material que os
professores postam, de qualquer lugar em seus notebooks, tablets e smartphones (MATTAR,
2013). Portanto, as tecnologias móveis fazem as trocas de conhecimento ultrapassarem os
limites da sala de aula.
De acordo com Kenski (2007), as TIC podem aprimorar significativamente o processo
educativo, mas, novamente, precisam ser compreendidas e incorporadas pedagogicamente.
Sendo assim, cursos de formação para professores são fundamentais para que isso aconteça:

4234

�trabalhar as possibilidades dos dispositivos móveis, a temática de experiência e de
desenvolvimento, inclusive criando seus próprios conteúdos digitais. O docente pode
contribuir com o conhecimento pedagógico que ele já tem e, com a ajuda das tecnologias,
poderá lançar mão dos inúmeros recursos tecnológicos em suas aulas.
Falar de uma educação renovada não quer dizer usar tecnologias avançadas, e sim,
fazer uma educação dialógica, mais próxima do aluno, que respeita e contempla o ponto de
vista do aluno e o tempo de aprendizagem de cada um. Em outras palavras, não basta
capacitar o professor apenas para o uso da tecnologia dentro da dimensão conteudista em que
ele já está inserido, mas oferecer-lhe formação pedagógica para o uso efetivo das novas
tecnologias, inclusive utilizando os dispositivos móveis.
Nesse contexto, as novas tecnologias representam oportunidades de inovação
tecnológica e pedagógica, no entanto é preciso que haja capacitação dos professores não só
para seu domínio próprio, como para sua prática pedagógica. A capacitação de gestores
também é importante, pois estes vão lidar com as novas demandas vindas de inovações
tecnológicas, sem as quais todos estarão defasados e sem condições de trabalhar para uma
escola do século XXI.

2.3 As novas tecnologias e a Biblioteca
Internet móvel é o próximo passo para as bibliotecas. O aumento exponencial da
utilização de dispositivos móveis prevê um recurso inexplorado para a entrega de recursos da
biblioteca aos seus públicos. É como se ter “a porta aberta”, pois os alunos, jovens digitais, já
estão usando seus dispositivos nesse ambiente e a biblioteca não pode estar alheia a essa
interação.
Cursos online e outros serviços devem ser disponibilizados aos usuários, como dados
em dispositivos móveis, normalmente através do uso de informação codificada em códigos de
barra 2D para serem lidos usando um telefone com câmara, por exemplo. A biblioteca
inserida nas redes sociais (Blog, Twitter, YouTube, Facebook) também chama a atenção dos
alunos, fazendo com que eles se informem de novidades e participem mais. Seus portais
devem ser adequados, com links para livros completos e sites de interesse.
Na visão de Tori (2010), as redes sociais, blogs, wikis, tags, editores online de textos,
planilhas, apresentações e outras mídias, serviços e conteúdos, criados e enriquecidos pelos
próprios usuários da Web 2.0, são recursos ricos para motivar, envolver e aproximar os
alunos.

4235

�Estudar o ambiente local e utilizadores (condições técnicas e perfil de utilização),
promover projetos-piloto (parcerias), participar nas estratégias institucionais (m-learning,
serviços de redes e comunicação) e facilitar o acesso aos conteúdos digitais da biblioteca são
estratégias para se partilhar, resolver problemas e alcançar sucesso.
Os educadores precisam ser criativos, motivando e estimulando os jovens a se
apropriarem dessas ferramentas, usando também o laboratório, a sala de multimídia, a
telessala, a biblioteca. No entanto, não adianta só aprender a mexer nesses dispositivos, e sim
gerar nos alunos uma reflexão de como e para quê eles estão sendo usados. Os atuais docentes
se formaram no século XX, mas precisam refletir que a escola e os alunos estão no século
XXI. Assim também os bibliotecários precisam estar atualizados para melhor atender seus
novos usuários.

3 Materiais e Métodos
Através de conceitos e revisão de literatura, foi feito um levantamento bibliográfico
sobre Tecnologias Educacionais nas bases de dados ERIC, Scielo, Google Escolar e livros.
Para complementar, é apresentado também um recorte de estudo de mestrado. A abordagem é
quantitativa e a amostra, aleatória simples. A população foi de 1510 professores dos Cursos
Superiores da UNIFESP, São Paulo. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário de
perguntas fechadas sobre o uso de ferramentas de TIC.
4 Resultados Finais
Dos 191 respondentes, 2 afirmaram não utilizar computadores, portanto, o universo de
análise para as demais questões foi de 189 professores. Pode-se verificar na tabela abaixo o
uso das 10 ferramentas de TIC mais usadas pelos docentes (Tabela 1).

Tabela 1 - Frequências de uso das ferramentas de TIC mais utilizadas
U so d as F er ra m e n ta s de T IC

N

Usa computador
Acessa internet

189
189

Pesquisa em Bases de Dados de Saúde
Utiliza Programa de Apresentação

178
175

Faz uso de Buscadores ou metabuscadores
Envia e-mail

169
159

Sugere sites específicos em saúde
Usa Programa de Análise Estatística
Disponibiliza vídeos

139
108
96

Fonte: Resultado sobre o uso das TIC pelos docentes

4236

�De acordo com os resultados acima apresentados, percebe-se que a apropriação e uso
das tecnologias depende do interesse dos profissionais envolvidos, de fazer as escolhas para a
melhoria da aprendizagem de seus alunos, oferecendo tecnologias interativas na redução de
distâncias em ensino e aprendizagem.
Da mesma forma que disponibilizar uma biblioteca equipada aos alunos e professores
é condição necessária para um curso convencional, a qualidade do conteúdo digital também é
necessária, porém não suficiente para a qualidade final da atividade de aprendizagem.

5 Considerações Finais
Este estudo indica fortemente a necessidade em ampliar o projeto de educação digital
para uma apropriação efetiva e mais aprimorada dessas tecnologias. Elas podem trazer
grandes mudanças em metodologias de ensino, sendo que a inovação não está somente na
introdução e utilização das TIC. Na visão de Moran (2012), mediação pedagógica é a
integração das tecnologias e das metodologias de trabalhar com a comunicação oral, a escrita
e o audiovisual. Portanto, os docentes devem integrar as tecnologias novas às já conhecidas
técnicas convencionais e utilizá-las como mediação facilitadora do processo de ensino e
aprendizagem.
Na perspectiva de Sigulem (1997), a partir da compreensão das mudanças, das funções
dos educadores, dos avanços tecnológicos, do volume de novas ferramentas desenvolvidas,
não era mais possível continuar educando da maneira como vinha acontecendo há anos.
Para corroborar com Sigulem (1997), Carlini (2008) coloca que há décadas o professor
de ensino superior tem se formado de acordo com um modelo hierarquizado e inflexível,
focado no conteúdo, na mensuração do conhecimento adquirido pelo aluno e na figura do
docente. Esse tipo de atuação “há muito já não atende às necessidades impostas pela demanda
de produção e de disponibilizar conhecimento, e nem às necessidades de aprendizagem dos
alunos” (CARLINI, 2008, p. 93).
Projetos de capacitação tecnológica e didático-pedagógica, devem ser implementados
e desenvolvidos nas Instituições de Ensino Superior para o desenvolvimento profissional dos
educadores, principalmente com respeito à didática para a docência superior, trabalhando
conteúdos voltados ao uso de novas tecnologias educacionais (AZEVEDO; JOSGRILBERG;
LIMA, 2012).
São muitos os desafios dos professores, como “estimular o aluno para a autonomia,
despertar seu espírito inventivo, auxiliar no desenvolvimento da capacidade de refletir e
criticar a realidade, expressando-se por meio de sua autoria” (RICARDO, 2013, p. 26).

4237

�Nesse contexto, a universidade deve se adaptar ao processo de evolução tecnológica,
exigindo mudanças nas políticas, currículos e práticas. Mais do que prover as instituições com
computadores e oferecer cursos instrumentais, informática na educação implica na
apropriação crítica da tecnologia, no desenvolvimento de estratégias, por meio das quais estes
recursos venham a favorecer nova postura em relação ao conhecimento.
É urgente a necessidade de haver mais formação pedagógica e tecnológica para
incorporação e integração das TIC no processo de ensino e aprendizagem; de adaptar o
currículo às necessidades e características dos alunos e do contexto atual; ter claros os
verdadeiros papéis do professor, da gestão escolar, da biblioteca e da sociedade. Sendo assim,
não é dispensável lembrar que nenhuma reforma educacional terá valor se a formação dos
docentes não for priorizada.

6 Referências
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ANTONIO, J. C. Professor digital.

[S.l.: s.n.],

17 fev. 2014. Disponível em:

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de São Paulo, 2012.
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4239

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) estão em todas as áreas do conhecimento e, através da internet, conectam bancos, empresas, editoras, centros de informação, bibliotecas, instituições de ensino etc. O objetivo deste trabalho é investigar como os dispositivos móveis podem ser utilizados por professores de ensino superior em sala de aula. Trata também da adaptação da biblioteca a um modelo que incorpore as novas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no seu cotidiano, para melhor atender alunos da Universidade. Sinaliza para a necessidade de uma reflexão sobre essa nova escola, os papéis dos estudantes, docentes e bibliotecários, sobretudo, o que os gestores das bibliotecas estão fazendo para que haja inclusão digital e informacional, frente a essa nova realidade. Conclui-se que a incorporação das tecnologias no contexto pedagógico e nas bibliotecas ainda é um desafio para todos os envolvidos.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REDEFINIÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DA BIBLIOTECA SETORIAL DO CENTRO
TÉCNICO-CIENTÍFICO DA PUC-RIO
Dolores Rodriguez Perez

RESUMO
Apresenta-se o Projeto de redefinição do espaço físico da Biblioteca Setorial do Centro
Técnico e Científico da PUC-Rio, balizada pelo estudo de usuários e pela avaliação do seu
acervo, mostrando a nova tendência das bibliotecas universitárias, como espaços voltados, às
tarefas acadêmicas, ao trabalho cooperativo, à construção do conhecimento coletivo, à troca
de saberes, mais do que servindo de repositórios de livros. O redimensionamento da
biblioteca, com um novo layout, possibilitou ampliar em 64% a capacidade de assentos para
estudo, passando de 90 lugares para 148. Os dados estatísticos do fluxo de usuários já
mostram o aumento expressivo alcançado, após a reforma, nos dois primeiros meses de
funcionamento, com novas instalações, confirmando o novo papel da biblioteca.
Palavras-Chave: Layout de biblioteca; Biblioteca universitária; Estudo de usuários;
Avaliação de coleções; Descarte de livros; Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro. Centro Técnico-Científico; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Divisão de Bibliotecas e Documentação; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Biblioteca Setorial do Centro Técnico-Científico.
ABSTRACT
It presents the physical space of the redefining Project of Centro Técnico-Científico Branch
Library of Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, based on the user survey and
on the collection assessement, showing the new university library trend, as spaces focus to the
academic tasks, to the coworking, to the construction of the collective and exchanging
knowledge, rather than book repositories. The new layout of the library allowed to enlarge in
64% the capacity of studying areas, increasing from 90 to 148 seats. The statistics data of the
user flow presented, have already shown an expressive increase, after the library make out,
during the first two months of the its functioning, confirming its new role.
Keywords: Library layout; University library; User survey; Collection assessement; book
weeding; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Centro Técnico-Científico;
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Divisão de Bibliotecas e Documentação;
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Branch Library of the Centro TécnicoCientífico.

3631

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias têm passado, nos últimos quinze anos, por um período de
intensas transformações, onde as tecnologias da informação e da comunicação foram a alavanca
dessa transição, que se reflete na forma como a informação é registrada, comunicada,
disseminada e recuperada, nos serviços desenvolvidos e oferecidos , no comportamento, nas
demandas e expectativas dos usuários e nas competências e habilidades necessárias aos
profissionais e aos membros da comunidade universitária.
Embora o livro ainda exerça um papel central, o aparecimento crescente de outros
formatos e mídias tem favorecido às bibliotecas ofertar serviços modernos, ao mesmo tempo
que seus usuários podem utilizar de outras maneiras seus espaços físicos. Segundo Niegaard
(2011), três condições são essenciais ao se repensar a estrutura física e o layout da biblioteca: a)
hábitos dos usuários com novas mídias; b) mudanças nos recursos e tarefas da biblioteca,
descritas frequentemente de coleções para conexões e de transações para relações; e c) transição
dos processos do trabalho manual para automático, incluindo o desenvolvimento de autoatendimento de serviços.
Estudo desenvolvido pelo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)419,
em 2008, sobre bibliotecas verdes nos Estados Unidos da América, revelou que, além da
importância na conservação de energia, os espaços destinados aos usuários, mais que livros, têm
alcançado maior destaque (LODER, 2010).
Anderson (2011) fez algumas predições para os próximos dez anos, o futuro das
coleções da biblioteca não serão as coleções. Na era do acesso on-line, as buscas/pesquisas em
textos completos já apresentam impactos na forma como são descobertos os documentos. A
maioria das demandas de informação em tempo real será atendida por um dinâmico acesso a um
fluxo de informação virtualmente ilimitado e não por um estoque pré-selecionado de
informação.
Este trabalho tem por objetivo apresentar a redefinição do espaço físico da Biblioteca
Setorial do Centro Técnico-Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(BS/CTC-PUC-Rio) para atender a demanda manifestada, principalmente, pelo corpo discente
da Universidade, por mais ambientes para estudo individual e trabalhos em grupo.

Esta

necessidade, além de observada no cotidiano das bibliotecas, foi registrada no estudo de

419 LEED is a certification program that rates the design, construction, and operation of Green buildings. The
U.S. Green Building Council, a nonprofit based in Washington, D.C. coordinates the program.
www.usgbc.org/Default.aspx

3632

�usuários da comunidade de professores e alunos de pós-graduação do CTC, realizado entre
2008 e 2009 (MARANHÃO; OLIVEIRA, 2010).
Para o planejamento de um novo layout para a BS/CTC, que atendesse às expectativas e
interesse dos usuários, procedeu-se, também, à avaliação prévia do acervo da Biblioteca.
O repensar um novo espaço para a Biblioteca da BS/CTC vem ratificar a tendência das
bibliotecas acadêmicas como lugares de concentração física, eletrônica e intelectual, mais que
repositórios de livros, procurados por alunos e professores para realizarem seus trabalhos
acadêmicos (LODER, 2010).

2 A PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO/O CENTRO
TÉCNICO E CIENTÍFICO/ A DIVISÃO DE BIBLIOTECAS E DOCUMENTAÇÃO
A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) é uma instituição de
ensino privado, com 49 cursos de graduação, 27 cursos de mestrado, 22 de doutorado, 55 cursos
de especialização e 45 de extensão nas diversas áreas do conhecimento.

Sua estrutura está

dividida em quatro centros acadêmicos: Centro de Ciências Sociais (CCS), Centro de Teologia e
Ciências Humanas (CTCH, Centro Técnico-Científico (CTC) e Centro de Ciências Biológicas e
de Medicina (CCBM). A Universidade reúne cerca de 12.800 alunos de graduação, 2.689 de
pós-graduação, 1.350 professores e 1.583 funcionários.
O Centro Técnico-Científico engloba os departamentos: Engenharia Civil, Engenharia
Elétrica, Engenharia Industrial, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Física,
Informática, Matemática e Química, com 307 professores e 1.064 alunos de pós-graduação e
3.836 alunos de graduação.
A Divisão de Bibliotecas e Documentação (DBD) é um órgão de apoio ao ensino, à
pesquisa e à extensão da Universidade e coordena o Sistema de Bibliotecas da PUC-Rio. Sua
missão é facilitar o acesso e a difusão de recursos de informação e colaborar com os processos
de criação do conhecimento, a fim de contribuir na consecução dos objetivos da Universidade.
O Sistema de Bibliotecas compõe-se da Biblioteca Central e cinco Bibliotecas Setoriais, com
acervos voltados, prioritariamente à pos-graduação: Biblioteca Setorial dos Centros de Ciências
Sociais e Teologia e Ciências Humanas (BS/CCS-CTCH); Biblioteca Setorial do Centro
Técnico-Científico (BS/CTC); Biblioteca Setorial de Informática; Biblioteca Setorial do Centro
de Estudos em Telecomunicações (BS/CETUC); e Biblioteca Setorial de Biologia (BS/BIO).
Os serviços ofertados compreendem: consulta ao acervo, consulta on-line, empréstimo
domiciliar e entre bibliotecas, renovação, inclusive on-line e reserva de obras emprestadas, autoserviço de cópia, comutação bibliográfica virtual, acesso a periódicos, bases de dados on-

3633

�line e teses e livros digitais, orientação e treinamento no uso dos recursos informacionais,
visitas guiadas, sala de estudo em grupo, sala de treinamento, elaboração de ficha catalográfica,
serviço de alerta para as novas aquisições, acesso remoto, acesso à rede wireless e atendimento
on-line, via chat.
A Biblioteca Setorial do Centro Técnico-Científico, apesar de destinada prioritariamente
à pós-graduação dos cursos dos departamentos do CTC, tem seu espaço físico e infraestrutura
muito utilizados pelos alunos da graduação, atendendo, também, aos funcionários, ex-alunos e
comunidade externa.

3 ESTUDO DE USUÁRIOS
A biblioteca universitária desempenha papel fundamental no apoio às atividades de
ensino, pesquisa e extensão e para tanto deve estar atenta e acompanhar os diversos programas
desenvolvidos pela Universidade.
Para identificar os hábitos e interesses dos usuários, nessa era de profundas mudanças e
avanços tecnológicos, os estudos de usuários são imprescindíveis para que a biblioteca possa
planejar e adequar-se à comunidade que atende.
Seguindo essa linha de ação foi realizada, entre 2008 e 2009, uma pesquisa sobre a
comunidade de professores e alunos de pós-graduação do CTC da PUC-Rio com os objetivos de
conhecer o perfil da comunidade, o seu grau de satisfação em relação aos serviços e
infraestrutura, conhecer as fontes e os meios utilizados para suprir suas necessidades de
informação e levantar demandas e expectativas quanto à Biblioteca (MARANHÃO;
OLIVEIRA, 2010).
Para fins deste trabalho foram destacados dessa pesquisa os resultados que serviram
para a tomada de decisão à redefinição e redimensionamento do espaço físico da BS/CTC.
Todos os demais resultados dessa pesquisa foram apresentados no XVI SNBU (MARANHÃO;
OLIVEIRA, 2010).
Na época do estudo, o público alvo era de aproximadamente 860 usuários potenciais,
sendo 185 professores e 675 alunos dos cursos de mestrado, doutorado e especialização. Desse
total geral, 80,3% dos respondentes eram alunos de mestrado ou doutorado; 50,58% utilizavam
a BS/CTC presencialmente; 43,52% utilizavam remotamente; e apenas 6,59% informaram não
utilizar a BS/CTC e sim outras bibliotecas da PUC - Biblioteca Central, BS/Informática e
bibliotecas de outras instituições.
Com relação à infraestrutura, 90,10% consideraram ambiente para estudo individual
muito importante ou importante; 71,42% avaliaram como muito importante ou importante

3634

�espaço para estudo em grupo; 86,80% o consideraram sala com recursos computacionais,
acesso à Internet muito importante ou importante.
Outra indicação significativa que levou a Universidade a repensar os espaços dessa
Biblioteca foi o elevado percentual de respondentes (90,10%) informarem a importância do
espaço para estudo individual, sala com recursos multimídia e 71,42% consideraram muito
importante ou importante espaço para estudo em grupo. Embora 65,88% (alunos de pósgraduação) não utilizavam as salas de estudo em grupo e de recursos eletrônicos, talvez porque
não os atendessem, e ao mesmo tempo, na pesquisa, estes usuários se queixaram do barulho na
sala, frequentada em sua maior parte por alunos de graduação do CTC.
Na avaliação do acervo notou-se a tendência atual das coleções - material impresso foi
bem avaliado, porém os periódicos on-line receberam melhor avaliação, uma vez que a
maioria das assinaturas das revistas técnico-científicas foram suspensas à medida que se
tornaram disponíveis on-line, tornando-se a preferência pelo uso dos acervos on-line, a partir
de qualquer computador no campus e fora dele e através do acervo remoto.

4 AVALIAÇÃO DO ACERVO
A constatação do interesse e a preferência dos usuários pela informação em meio
eletrônico, a demanda por espaços físicos e infraestrutura adequada, como sala de leitura,
estudo e acesso à Internet e rede wireless, manifestados no estudo de usuários da BS/CTC
suscitaram a avaliação do acervo físico para posterior redimensionamento dos espaços da
Biblioteca.
Em 2013, foi realizada a avaliação do acervo impresso de livros e folhetos com o
objetivo de identificar material obsoleto, mudança de interesses dos usuários e duplicações
desnecessárias para apoiar o processo de descarte ou desbaste.

4.1 Metodologia
Os métodos tradicionais de avaliação dividem-se em quantitativos: tamanho e
crescimento e qualitativos: julgamento por especialistas; uso de bibliografias como padrão,
bibliografias publicadas, bibliografias elaboradas especialmente e análise de uso real. O
julgamento por especialistas é chamado de “impressionista” e aplicado principalmente em
bibliotecas universitárias e de pesquisa (LANCASTER, 1996, p. 28).
A opção pelo julgamento por especialistas justifica-se porque os acervos são formados
a partir das bibliografias adotadas pelos cursos, de acordo com os Planos Pedagógicos. As
indicações, por sua vez são encaminhadas para a Biblioteca adquirir. Logo, os

3635

�professores/especialistas conhecem esse acervo e sua pertinência e atualização com os
programas de ensino e pesquisa.

4.1.1 Avaliação qualitativa/julgamento por especialistas
A primeira etapa constituiu-se da avaliação qualitativa realizada com o apoio dos
departamentos do CTC, através do julgamento do acervo pelos professores/especialistas.
Foram gerados, pelo sistema da Biblioteca, relatórios por assunto, de acordo com as
subdivisões do sistema de Classificação de Dewey, adotado pela Biblioteca. Esses relatórios
foram encaminhados aos Departamentos do CTC, que indicaram os professores/especialistas
para a avaliação do acervo. Alguns relatórios (assuntos) foram encaminhados a mais de um
departamento, por se tratarem de assuntos relacionados. Avaliaram os livros os seguintes
departamentos/cursos: Arquitetura, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia
Elétrica, Engenharia Industrial, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Informática e
Metrologia. Ainda não devolveram a avaliação: Engenharia Química, Física, Matemática e
Química.
Identificaram-se alguns assuntos que não pertenciam às áreas do CTC e os relatórios
foram enviados aos respectivos departamentos, a saber: Ciências Biológicas, Economia,
Educação, Filosofia e Psicologia.
Todos os relatórios foram enviados aos diretores dos departamentos ou coordenadores
de curso com uma circular explicativa acerca da avaliação dos livros, visando à manutenção
de um acervo que acompanhe e apoie o desenvolvimento do ensino e da pesquisa, nas áreas
do CTC e a melhor utilização do espaço físico da Biblioteca. Aos avaliadores foram
encaminhadas algumas orientações para registrarem as observações necessárias nos relatórios.
Foram sugeridos alguns critérios, como a existência de várias edições e/ou exemplares de um
mesmo título/autor, desnecessários; livros que não interessam mais ou desatualizados e
podem ser retirados da coleção.
O

acervo

avaliado

constituiu-se

de

24.839

títulos

de

livros

e

32.387

exemplares/volumes. Nesses itens incluíram-se os folhetos. O retorno dos relatórios dos
departamentos durou aproximadamente seis meses, com resultados parciais, tendo em vista
que algumas áreas não devolveram a avaliação: 866 exemplares (2,67%) descartados para
doação e 107 exemplares ((0,33%) remanejados para a Biblioteca Central (BC) e Biblioteca
Setorial do Centro de Ciências Sociais e Centro de Teologia e Ciências Humanas (BS/CCSCTCH).

3636

�Foram também transferidas para a Biblioteca Central as séries monográficas em
Matemática, no total de 1.268 exemplares (3,9%).
Nesta

avaliação

parcial

foram

descartados

do

acervo

2.241

exemplares,

correspondendo a 6,9% dos livros da BS/CTC.

4.1.2 Análise de Uso
Na segunda etapa da avaliação realizou-se a análise de uso do acervo de livros para
identificar os itens sem utilização e transferi-los para um armazém externo, onde é mantido
acervo com baixo uso. Nesta análise não houve distribuição por assuntos.
Definiram-se os seguintes parâmetros: todos os exemplares com uso zero, de
empréstimo ou de consulta na Biblioteca, nos últimos oito anos (2006-10/9/13) e que tenham
entrado no acervo até 31 de dezembro de 2010.
Entraram nesta análise de uso 23.479 títulos e 28.833 exemplares. Apresentaram
circulação, de acordo com os parâmetros definidos, 7.168 exemplares, representando 24,86%
dos livros analisados.

Os resultados desta análise são confirmados por Lancaster (1996,

p.52), que no padrão de uso de livros numa biblioteca, uma quantidade bastante pequena de
itens responde por uma grande proporção de todos os usos, e a maioria dos itens tem pouco,
se é que tem algum uso.
4.1.3 Remanejamento de Coleções
Simultaneamente à avaliação do acervo de livros, outras coleções foram transferidas
para possibilitar o redimensionamento dos espaços da BS/CTC, a saber:
a) Periódicos (487 títulos e 15.267 v./fasc.) - foram transferidos para depósito externo;
b) Coleção de referência - obras não usadas foram para depósito externo;

5 PROJETO DE REDEFINIÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DA BS/CTC
Após a confirmação do espaço que seria liberado com a retirada do acervo da BS/CTC
e consequente redução do espaço a ser ocupado, o Escritório Modelo de Arquitetura e Design
da PUC-Rio (EMAUD) elaborou o Projeto de redefinição da Biblioteca.
Temporariamente a BS/CTC esteve fechada, durante os meses de janeiro até 20 de
março de 2014 para a reforma de adequação dos espaços e atendimento às necessidades e
sugestões dos usuários.
A Biblioteca continuou com a mesma área total de 387,47 m , porém obteve-se uma
ampliação com um aumento total de 58 lugares nos três espaços: sala de estudo em grupo,

3637

�sala multimídia e a sala de estudo individual, que podem ser observados no Quadro 1 Ampliação de lugares.
Quadro 1 - Ampliação de lugares

Espaços
Estudo em grupo
Estudo individual
Multimídia
Total

Lugares
Até 2013
50
36
4
90

2014
94
45
9
148

A planta baixa da Biblioteca apresenta o novo layout, no Anexo A.

5.1 Equipamentos e Mobiliário
Todos os equipamentos anteriormente usados foram mantidos, após a reforma. Foi
adquirido um novo sistema de segurança, para a porta principal da Biblioteca, visto que o
antigo já não estava atendendo.
As mesas de estudo individual e de estudo em grupo permaneceram. Novas mesas
coletivas, estilo plataforma, foram alocadas no espaço ampliado da sala de estudo em grupo,
todas com instalações elétricas. Houve necessidade de comprar cadeiras para esses novos
lugares. A Biblioteca já utiliza a rede wireless desde 2009.
O acervo de livros e a coleção de referência que permaneceram na Biblioteca foram
organizados em estantes deslizantes que abrigavam os periódicos na estrutura anterior e mais
algumas estantes deslizantes recebidas por doação da Superintendência de Recursos Humanos
da PUC-Rio.
Serão adquiridos laptops para a sala multimídia, para dar mais flexibilidade ao seu uso
nos treinamentos que a Biblioteca Central ministra aos usuários.

6 RESULTADOS
O redimensionamento da Biblioteca, com um novo layout, possibilitou ampliar a
capacidade de lugares para estudos em 64%, passando de 90 para 148 lugares.
É evidente o grau de satisfação dos usuários que utilizam os novos espaços da
Biblioteca para seus estudos em grupo ou individual. Como pode ser observado no gráfico 1, o
fluxo dos usuários alcançou um aumento expressivo, com as novas instalações.

3638

�Gráfico 1 - Fluxo de usuários - 013/2014

Obs: a) jan./19 mar./2014 a Biblioteca estve em reforma.
b) Contagem do fluxo a partir de 14/4/2014.

7 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
O estudo de usuários e a avaliação do acervo aplicados na Biblioteca do CTC
permitiram conhecer as demandas dos usuários e sugestões, seus hábitos, balizando, assim, a
redefinição do espaço físico e sua consolidação. O apoio da Universidade na execução do
Projeto foi imprescindível.
Os recentes dados estatísticos, após a reforma, já demonstram efetivamente o novo
papel das bibliotecas acadêmicas, nem tanto repositórios de acervo, mas espaços e ambientes
propícios, facilitadores da educação e aprendizagem, desenvolvendo a troca de saberes, de
conhecimento e de convivência (BILANDZIC; FOTH, 2013).
Conclui-se que a avaliação dos serviços e o conhecimento dos usuários, de suas
expectativas e interesses, que também sofrem mudanças, devem ser ações regulares das
bibliotecas para buscarem sua melhor adequação.

8 REFERÊNCIAS
ANDERSON, Rick. Collections 2021: the future of the library collection is not a collection.
Based on a paper presented at UKSG Conference, 34, 2011, Harrogate. Serials, v. 24, n. 3,
Nov.

2011.

Disponível

em:

http://web.b.ebscohost.com/ehost/pdfviewer/pdfviewer?vid=9&amp;sid=041c6866-1d24-405b94aa-ee7f4a034b34%40sessionmgr113&amp;hid=125 . Acesso em 05 maio 2014.

3639

�BILANDZIC, Mark; FOTH, Marcus. Libraries as coworking spaces: understanding user
motivations and perceived barriers to social learning. Library Hi Tech, v. 31, n. 2, p. 254­
273,

2013.

Disponível

em:

http://www.emeraldinsight.com/iournals.htm?issn=0737-

8831&amp;volume=31&amp;issue=2. Acesso em: 06 maio 2014.
LANCASTER,F.W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Trad. de Antonio Agenor Briquet
de Lemos. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 1996. 356 p.
LODER, Michael Westcott. Libraries with a Future: How Are Academic Library Usage and
Green Demands Changing Building Designs? College &amp; Research Libraries, v. 71, n. 4, p.
348-360,

Jul. 2010.

Disponível em: http://crl.acrl.org/content/71/4/348.full.pdf+html .

Acesso em: 09 maio 2014.
MARANHÃO, Ana Maria Neves; OLIVEIRA, Monica Elisa Santiago. Estudo da
comunidade de professores e alunos de pós-graduação do Centro Técnico Científico da PUCRio. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16, 2010, Rio
de Janeiro. Anais... 1 pendrive.
NIEGAARD, Hellen. Library space and digital challenges. Library Trends, v.60, n.1, p.
174-186,

Summer

2011.

Disponível

em:

http://muse.ihu.edu/iournals/library trends/v060/60.1.niegaard.pdf. Acesso em: 06 maio
2014.

3640

�P RO D U C ED BY AN A U T O D E S K EDUCATIO NAL PRO DUCT

ANEXO A

3641

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta-se o Projeto de redefinição do espaço físico da Biblioteca Setorial do Centro Técnico e Científico da PUC-Rio, balizada pelo estudo de usuários e pela avaliação do seu acervo, mostrando a nova tendência das bibliotecas universitárias, como espaços voltados, às tarefas acadêmicas, ao trabalho cooperativo, à construção do conhecimento coletivo, à troca de saberes, mais do que servindo de repositórios de livros. O redimensionamento da biblioteca, com um novo layout, possibilitou ampliar em 64% a capacidade de assentos para estudo, passando de 90 lugares para 148. Os dados estatísticos do fluxo de usuários já mostram o aumento expressivo alcançado, após a reforma, nos dois primeiros meses de funcionamento, com novas instalações, confirmando o novo papel da biblioteca.</text>
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                    <text>XVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
SNBU 2014

O HISTÓRICO DA BIBLIOTECA COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO E
SALVAGUARDA DAS COLEÇÕES DE LIVROS RAROS E ESPECIAIS NA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA BRASILEIRA
Ana Virgínia Pinheiro
Cássia Rosania Nogueira dos Santos
Vânia Melo da Rocha
Rosani Godoy
RESUMO
Esta pesquisa objetiva demonstrar a importância do histórico da biblioteca como instrumento
de gestão e salvaguarda, especificamente,das coleções de livros raros e especiais na biblioteca
universitária brasileira.Através de revisão literária, centrada na História do Livro e da
Biblioteca Universitária brasileira, faz um relato do estado da arte de suas coleçõesmemoriais,
identificadas como raras e/ou especiais. Aponta o histórico da biblioteca como ponto de
partida para o resgate da memória da formação e desenvolvimento de uma coleção especial.
Nesse contexto, discorre sobre a importância, características e modos de elaboração do
histórico; enumera os recursos disponíveis para sua redação; e ressalta a omissão do histórico
da biblioteca nos modelos de diagnóstico e de formação e desenvolvimento de coleções,
consagrados na literatura. Conclui, informando os elementos essenciais para a redação do
histórico da biblioteca universitária, guardiã de livros raros especiais.
Palavras-chave: História do Livro e da Biblioteca Universitária brasileira. Biblioteconomia
de Livros Raros. Formação e desenvolvimento de coleções bibliográficas especiais.Histórico
da Biblioteca. Diagnóstico de bibliotecas.

ABSTRACT
This research aims to demonstrate the importance of history library management tool and
safeguard specifically collections of rare and special books in the Brazilian university library.
Through literature review, focusing on the History of the Book and the Brazilian University
Library is an account of the state of the art collections of their memorials, identified as rare
and / or special. Pointing historical library as a starting point for the recovery of memory
formation and development of a special collection. In this context, discusses the importance,
characteristics and methods of preparing the history; lists the resources available for writing;
and highlights the omission of the historical library models and diagnostic training and
development of collections, established in the literature. Concludes, stating the essential
elements of writing the history of the university library, rare books and special guardian.
Keywords:History of the book and the Brazilian University Library. Rare Books
Librarianship. Special collection development and management. History of the library.
Libraries diagnostic.

1419

�1 INTRODUÇÃO
A história do livro e das bibliotecas registra que a maior biblioteca da Antiguidade, a
Biblioteca de Alexandria, modelou a formação e o desenvolvimento de bibliotecas por
séculos. A biblioteca ideal era a biblioteca alexandrina - a biblioteca de todos os livros,
continuamente acumulados!
Bibliotecários ao longo do tempo trabalharam pelo enriquecimento de coleções. Boa
biblioteca era aquela que tinha “tudo”. No entanto, “nenhum bibliotecário pode, naturalmente,
obter todos os livros: nenhuma biblioteca pode atender a todas as necessidades” (SHERA,
1976 apud FIGUEIREDO, 1998, p. 68).
Mas, o modelo de biblioteca alexandrina persistiu na construção de todos os tipos de
bibliotecas, conforme sua natureza. Então, as bibliotecas transformaram-se em depósitos, em
lugares de memória, teoricamente, organizados.
Essa aparente organização das bibliotecas escondia o conflito quotidiano entre os
métodos de organização consagrados e seu mais evidente efeito colateral - as bibliotecas não
cresceram com equilíbrio.
Esse desequilíbrio era consequência não só das escolhas personalizadas de
bibliotecários de distintas épocas, que construíam bibliotecas acreditando atender às
demandas de seu tempo; resultou, também, do fato de que nas bibliotecas “organizadas”
houve acolhimento, recolhimento, acréscimo, subtração, inclusão, exclusão, destruição e
salvamento movidos por valores, ideias, ideais, ideologias, políticas, ou, simplesmente, pelo
ponto de vista dos curadores de acervos bibliográficos, à luz da mobilidade conceitual no
tempo, que definiu gostos e interesses.
No que se refere a coleções memoriais, “as práticas verificadas nas bibliotecas
brasileiras denunciam acervos cumulativos, onde é ignorado o sentido de coleção como parte
de um acervo. [... onde] são inventariados como raros, todos os livros que parecem raros”
(PINHEIRO, 2009, p. 38; grifos do autor).
No caso específico das bibliotecas universitárias brasileiras,
documentam

a

história

de

sua

formação

e

suas coleções

desenvolvimento, da

contínua

mutação/evolução/involução das missões institucionais a que servem e das e necessidades
instrucionais que pretenderam e pretendem atender, de modo teoricamente exaustivo, porque
“os bibliotecários relegam a tarefa de seleção para segundo plano” (MIRANDA, 1980 apud
WEITZEL, 2006, p. 13).
Em seu “Making the most of books”, Leal A. Headley (1932 apud LASSO DE LA
VEGA, 1952, p. 527, tradução nossa), referiu-se do seguinte modo à qualidade das coleções

1420

�em bibliotecas universitárias: “Diga-me quais os livros que uma Universidade possui eo uso
que professores e os alunos fazem deles, que eu lhes direi de que tipo de Universidade se
trata”.
Se acervo de uma biblioteca universitária conta a história de mérito do ensino, da
pesquisa e da extensão e demonstra, através de sua amplitude e de sua incompletude, a
sucessão de teorias e processos que alicerçaram ou deixaram de alicerçar a missão da
Universidade, arecuperação da memória de práticas negativas e positivas, de circunstâncias
fortuitas ou provocadas, de intempéries e de sucessos permitem à biblioteca a surpreendente
identificação de sua origem e personalidade, ou a frustrante descoberta de sua perda de
identidade! Sem essas informações, de caráter estratégico, como será possível a gestão de uma
biblioteca universitária? Como será possível a salvaguarda das coleções memoriais de uma
biblioteca universitária?

2 AS COLEÇÕES MEMORIAIS NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Uma das questões que afligem, atualmente, as bibliotecas universitárias é o destino de
coleções memoriais, identificadas como raras e/ou especiais.
Ora, uma coleção especial é o conjunto dos “livros que, por qualquer razão, merecem
o qualificativo de raros; [... e] que, devido à sua raridade, fragilidade ou importância, está
apartada das coleções gerais de uma biblioteca" (FARIA; PERICÃO, 2008, p. 637).
Essas coleções, na biblioteca universitária brasileira, são formadas notadamente por
obras científicas de caráter retrospectivo; isto é,obras que não são consideradas “atuais”, por
causa da data de sua publicação econforme a evolução do conhecimento científico que
registram.
Mesmo assim, essas obras permanecem dispersas no acervo geral das bibliotecas
universitárias ou segmentadas em conjuntos, carentes de uma política de guarda ou
dependendo da iniciativa de curadores, habilitados na Biblioteconomia de Livros Raros, por
sua salvaguarda.
O que move a aflição indicada é a dúvida crescente se essas obras perdem ou não seu
valor de uso, suas funções originais, com a passagem do tempo. Na realidade, aquela aflição é
consequência do desconhecimento que os curadores de acervos têm da história dos livros
contada nos livros sobre sua gestão.
O acervo de uma biblioteca universitária configura-se, então, como uma espécie de
biografia de determinado conhecimento científico; e as coleções de livros raros e especiais,

1421

�nesse acervo, são o passado indelével, que permanece nele pelo temor da perda de memória,
ou que desparece dele pelo destemor inerente à irresponsabilidade com a defesa da memória.
Mas, como transformar temor e destemor em ação contínua em favor da gestão e da
salvaguarda de coleções especiais em bibliotecas universitárias?
Não há fórmula descrita na literatura científica, embora uma solução para a questão
seja inadiável.
Salvo raras exceções, faltam políticas formais de desenvolvimento de coleções em
bibliotecas universitárias brasileiras, “comprometendo o esforço comum para a formação de
pesquisadores e profissionais aptos ao desenvolvimento de pesquisa e extensão” (WEITZEL,
2006, p. 13). Assim como não há métodoque alicerce a cultura do “guardar”, afim à formação
e ao desenvolvimento da biblioteca universitária, e que ao mesmo tempo oriente políticas para
salvaguardar - que permitam “não só a sua guarda [do patrimônio bibliográfico], mas
igualmente a possibilidade de ter-lhe acesso” (FARIA; PERICÃO, 2008, p. 653).
Talvez, seja relevante considerar como solução a “abordagem afetiva”, sugerida por
Ruskin (1897 apud CHOAY, 2001, p. 140-141) que entendia que o resgate da memória seria
possível “pela intermediação de sentimentos morais, a reverência e o respeito”. Valores que se
manifestariam numa ação inteligívelsobre a coleção que, mesmo que não documentasse o
impacto de cada livro no conjunto, fosse capaz de reconhecer seu valor como arquétipo, em
distintas épocas, da formação científica, e seu papel como ícone cultural de determinado
conhecimento científico.
Essa ação inteligível se manifestaria no histórico da biblioteca que, no entender de
Pinheiro (2011, f 19) é “documento estratégico”, posto que
A primeira preocupação do bibliotecário, antes de estabelecer e implementar
quaisquer procedimentos relativos à gestão de uma biblioteca é buscar informações
sobre ela. É essencial que o bibliotecário desenvolva certa familiaridade com a história
da formação e desenvolvimento de suas coleções fundadoras (acervo básico-histórico),
sua proveniência, sua importância [...]. É necessário, para compreender a missão da
biblioteca, conhecer as ações que justificam sua substância - boa ou má.
O histórico da biblioteca configura-se, então, como o ponto de partida para o
diagnóstico organizacional, elemento imprescindível na gestão de bibliotecas, viabilizando o
resgate da memória da formação e desenvolvimento de uma coleção, e um “novo olhar” sobre
ela, reconhecendo-lhe o caráter de rara e/ou especial - principalmente, quando a coleção goza
de aparente temporariedade, definida pela evolução do conhecimento científico, como é o
caso das coleções de bibliotecas universitárias.

1422

�3 IMPORTÂNCIA, CARACTERÍSTICAS E MODOS DE ELABORAÇÃO O
HISTÓRICO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Não há como pensar no futuro da biblioteca sem saber o que foi feito por ela e a razão
de seu conteúdo.No que se refere ao conteúdo, “o histórico deve ser capaz de responder, por
exemplo, a primeira e necessária pergunta de um bibliotecário ao se deparar com um acervo
bibliográfico: de onde vieram esses livros?” (PINHEIRO, 2011, f. 19).
A falta de registros dessa natureza leva à interpretação nefasta do estado da arte de
uma biblioteca por sua aparência - e a aparência é aquilo que se vê, apenas. Mas, nem todos
os processos e tomadas de decisão se evidenciam na aparência de uma biblioteca ou, se
constituem evidências, suas justificativas (se existem) não gozam da mesma disponibilidade.
Além disso, os bibliotecários gestores, comumente, não sãoorientados, desde sua
formação acadêmica, a entender o histórico da biblioteca como a chave para o esclarecimento
das dúvidas que, certamente, perpassam pelos processos decisórios; porque é o histórico da
biblioteca que favorece à “análise do produto do trabalho de gerações de bibliotecários que
formaram e desenvolveram biblioteca” (PINHEIRO, 2011, f 19). O histórico é, portanto, o
recurso fundamental de gestão.
É impossível falar do presente sem consultar o passado, pois ambos estão atrelados. A
pesquisa e a elaboração do histórico da biblioteca universitária podem revelar aspectos
importantes da formação e desenvolvimento da coleção de obras raras e especiais, como um
conjunto bibliográfico que é, ao mesmo tempo, memorial e documentário da formação
acadêmica.
A elaboração do histórico de uma biblioteca universitária implica a consideração de
elementos personalíssimos, do âmbito da gestão universitária, que envolvem, pelo menos, o
uso dos seguintes recursos:
a) arquivo institucional,
b) relatos de antigos funcionários.

3.1 Arquivo institucional
Este recurso é muito rico, uma vez que deve guardar toda a memória da instituição.
Há que destacar o caráter histórico, retrospectivo, do arquivo institucional - mesmo
que os documentos nele contidos tenham perdido sua função administrativa, mantêm
importância fundamentalmente histórica, que serve à comprovação de ações e decisões
tomadas.

1423

�Essa qualidade do arquivo institucional é presumível considerando, por exemplo, a
prática de dar publicidade às aquisições da biblioteca como estímulo para outras aquisições
(LASSO DE LA VEGA, 1952, p. 18), através de recursos formais de comunicação, tais
como:
•

Estatuto e regimento institucional

•

Atas das reuniões de congregação;

•

Relatórios periódicos de atividades, emitidos pela biblioteca e/ou por instâncias
administrativas superiores;

•

Boletins internos e outras publicações oficiais

•

Portarias, ordens e instruções de serviço;

•

Pareceres acadêmicos sobre a importância do acervo para as metodologias de
ensino propostas;

•

Bibliografias dos programas de cursos e disciplinas ministrados;

•

Listas desideratas;

•

Cartas emitidas e recebidas, notadamente, as de agradecimento;

•

Livros de registro e tombamento de acervos bibliográficos

Nesses documentos, indagações relativas ao histórico da biblioteca - algumas,
elementares - podem ser respondidas, a saber:
•

Qual é a data de criação da biblioteca?

•

Qual é a sua missão e quais são seus objetivos e metas?

•

Qual a procedência de seu acervo?

•

Quais são suas datas-limite? Qual é o item mais antigo, qual é o mais recente?

•

Qual é a coleção fundadora do acervo e que constitui, por isso, o acervo
memorial, básico-histórico da biblioteca?

•

Quais os tipos e recursos de aquisição praticados, desde sempre?

•

Quais políticas de formação e desenvolvimento foram implementadas, um dia?

3.2 Relatos de antigos funcionários:
É válido fazer uso da memória oral de antigos funcionários da universidade, colhendo
relatos pessoais sobre a história dos livros, da leitura, dos usuários, dos funcionários e, por
extensão, da formação e desenvolvimento da biblioteca. Esse procedimento não deve ser

1424

�confundido com a coleta de opiniões sobre a biblioteca e seus serviços, mas, caracterizado
como a busca e reconstrução de uma história testemunhada.
Essa história testemunhada é flexível, é alicerçada “em emoções e vivências”, de
modo que “os eventos são lembrados à luz da experiência subsequente e das necessidades do
presente” (FERREIRA, 2002 apud COGO, 2011, p. 3).
Agora como nunca, a(s) história(s) do livro e da leitura começa(m) a sair dos círculos
dos bibliófilos e eruditos para satisfazer a curiosidade pública geral. [...] No momento
em que hábitos de leitura se modificam de forma drástica, acorremos ao passado para
compreender e suportar melhor a revolução tecnológica, sem a impressão de se dar um
salto no abismo escuro. A História nos dá, senão a garantia, ao menos a impressão de
que o futuro vizinho é fruto e continuação de nossos próprios passos (WANDELLI,
2002, p. 40).
As informações recuperadas através deste recurso generosopoderão esclarecer
importantes lacunas verificadas na pesquisa, desenvolvida no arquivo institucional.
Caberá ao gestor de acervos raros e especiais da biblioteca universitária, validar as
informações obtidas, mediante confronto dos dados recuperados no arquivo com a
fidedignidade e mérito institucional de quem relata.
O resgate da história da biblioteca viabilizará, então, a redação formal de seu histórico.

4 O HISTÓRICO, PROPRIAMENTE DITO, DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
O caráter estratégico do histórico, embora necessário para o diagnóstico de uma
biblioteca, não é abordado pela literatura recém-publicada nas áreas de gestão e de formação e
desenvolvimento de coleções.
Segundo Almeida (2005, p. 53, 56), o diagnóstico é um “processo sistematizado, com
tempo e espaço definidos, de avaliação de serviços [e produtos] em organizações” e, através
dele, é possível identificar “a missão e objetivos da instituição”, comparando“o estado
encontrado com o estado desejado”. A funcionalidade desse conceito não permitiria definir
prioridades na tomada de decisões em relação à gestão e salvaguarda de coleções de livros
raros e especiais porque o sentido de missão e objetivos aí indicados, embora condicionados a
um “tempo e espaço definidos”, estão restritos ao presente (“o estado encontrado”) e ao futuro
(“o estado desejado”), sem relevar o passado - o estado inicial, o estado fundador da
biblioteca.
Essa circunstância de omissão se verifica, também, na definição de seis etapas,
consolidadas e interdependentes,do processo de desenvolvimento de coleções (VERGUEIRO,
1989; EVANS, 2000; MACIEL; MENDONÇA, 2006 apud WEITZEL, 200, p. 17-18):

1425

�•
•
•
•
•
•

Estudo da comunidade
Políticas de seleção
Seleção
Aquisição
Avaliação
Desbastamento e descarte

Ora, se processo de desenvolvimento de coleções é comum a todas as bibliotecas,
podendo ocorrer de forma diferenciada por tipo de biblioteca (VERGUEIRO, 1989 apud
WEITZEL, 19, p. 19), e se pelo menos três de suas etapas implicam procedimentos de
diagnose (estudo da comunidade, seleção e avaliação), então, como será possível refletir sobre
a formação de uma coleção de livros raros e especiais, numa biblioteca universitária, se
nenhuma das etapas indicadas releva eventos pretéritos, que beneficiariam a compilação de
um histórico? Convém acrescentar que, por exemplo, um guia das coleções incorporadas ao
longo da vida e crescimento de uma biblioteca universitária é segmento natural de um
histórico,

e instrumento imprescindível

para as demais

etapas do processo de

desenvolvimento de uma coleção memorial. Aliás, vale ponderar, ainda, sobre qual das duas
perguntas, a seguir, possibilitaria a resposta mais segura:
1a Que tipo de biblioteca possui coleção memorial?
2a Que tipo de biblioteca não possui coleção memorial?

Diante do avanço do conhecimento científico e da ampliação retrospectiva do escopo
de pesquisa nas universidades, em face de inovadoras linhas de pesquisa de memória
científica, as bibliotecas universitárias, certamente, não compõem a resposta à segunda
pergunta. Essa situaçãotem levado os bibliotecários gestores a um surpreendente retorno a
coleções negligenciadas, que foram, um dia, denominadas como “livros velhos”.
Se é imprescindível a realização do diagnóstico pelo bibliotecário, ao assumir a gestão
de uma biblioteca universitária, então o histórico há de compor esse diagnóstico, subsidiando
o levantamento de dados, constituindo-se, ele mesmo,um elemento de memória e uma das
etapas do processo de desenvolvimento de coleções.

5 PERSPECTIVAS PARA UM MODELO DE HISTÓRICO
O histórico da biblioteca universitária deve ser um documento independente, avulso,
para facilitar seu trânsito,com distintas utilidades, e, que deve ser anexado ao documento
formal de diagnóstico, como informação necessária e inseparável.

1426

�Um modelo de histórico pode ser delineado a partir da consolidação de boas práticas,
consagradas em bibliotecas de todas as naturezas, desde que arrole informações fundamentais
para o conhecimento da biblioteca e das coleções memoriais que a compõem.
Do conjunto de informações, captadas por ocasião do diagnóstico, o histórico da
biblioteca configura-se como informação de maior relevância. Um histórico deve
apontar:
a) elementos estruturais - tipos de publicações incorporadas, quantidade, formatos,
suportes; e
b) elementos substantivos da biblioteca- proveniência; autores, títulos e editores que
merecem, destaque; datas-limite das coleções identificadas. data e lugar de
publicação, além de singularidades relativas ao tratamento técnico biblioteconômico,
ao longo do tempo (PINHEIRO, 2011, f. 42-51).
Desse conjunto, evoluem as debilidades e fortalezas da coleção, oportunidades e
ameaças ao acervo, tanto do ponto de vista estrutural quanto do substantivo.
Tais informações são estratégicas, para respaldar decisões técnicas, orientar
intervenções, redefinir métodos, técnicas e responsabilidades, e definir prioridades
(ALMEIDA, 2005, p. 56).
Vale ressaltar que embora se considere queo diagnóstico seja realizado de tempos em
tempos, para manter sua atualidade, o histórico será sempre uma “obra inacabada”, um
instrumento em construção, em face da multiplicidade de fontes para a sua concepção, tão
específicas quanto surpreendentes.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como etapa do processo de desenvolvimento de coleções, o histórico precisa ser
definido operacionalmente, descrito e analisado na literatura científica especializada em
gestão e em desenvolvimento de coleções, que ainda o omitem, embora sua importância seja
objeto de vasta literatura especializada no âmbito da História do Livro e das Bibliotecas,
infelizmente, com ênfase para o desaparecimento das coleções memoriais (Cf. BATTLES,
2003; BÁEZ, 2006; POLASTRON, 2013).
Ora, se o processo formação e desenvolvimento de coleções sempre fez parte da
história do livro e das bibliotecas; e se é impossível formar e desenvolver coleções, sem
considerar as questões inerentes a esse processo (WEITZEL, 2002), o histórico é um
instrumento de gestão de tal importância, que é surpreendente que existam bibliotecas que não
dispõem de qualquer informação sobre sua origem, identidade, composição.

1427

�A biblioteca universitária não escapa a essa condição, embora seja, atualmente, um
repositório de coleções memoriais, incorporadas mediante aquisição a docentes (por compra
ou doação), que em outros tempos mantiveram, ou não, vínculos com a universidade.
Há quem considere que “as obras raras administradas pelas bibliotecas universitárias
são beneficiadas [...] pelo fato de estarem em instituições preocupadas com a pesquisa de
novas técnicas de preservação e difusão” (RODRIGUES, 2006, p. 116).
No entanto, enquanto bibliotecários de bibliotecas universitárias continuam a
desenvolver seu trabalho, comprometidos com a missão institucional; as coleções de livros
raros e especiais permanecem como “cadinhos secretos, onde o livro raro, simplesmente,
cumpre o seu tempo de vida útil, morrendo, sem encontrar a mão do leitor” (PINHEIRO,
2000), dependente da iniciativa de bibliotecários que se descobrem, mais por paixão que pela
formação, bibliotecários de livros raros.
Além disso, a gestão de livros raros e especiais exige o profundo conhecimento das
coleções, que
[...] não se adquire nem por magia nem mecanicamente. [...] Aprende-se a conhecer
as coleções convivendo com elas [...]. Certamente que o gosto pessoal conta, mas
como o ouvido para a música, também se educa. Isto é importante ter presente porque
se trata de uma aprendizagem que demora anos a cimentar. E conhecer as coleções
tem uma tripla finalidade; por um lado, para mais fundamentadamente se processarem
novas posições; por outro lado, para antecipar serviços de qualidade superior e,
finalmente, para melhor se concretizar o exercício de ações de preservação e
conservação (CABRAL, 2005, p. 12).
Diante da importância das coleções de livros raros e especiais na biblioteca
universitária, que têm o potencial de assumir a função de geradoras de novas pesquisas,
acumulando a função anterior de coleção memorial, faz-se necessário elaborar uma estratégia
de salvaguarda para sua preservação,garantindo a continuidade do usufruto de seus benefícios
por seus usuários reais.
A produção de um histórico como instrumento de gestão e salvaguarda das coleções
de livros raros e especiais na biblioteca universitária brasileira, plenamente configurado em
suas funções específicas e em seu conteúdo, é um dever do gestor de acervos memoriais, do
bibliotecário de livros raros.
Se “a história do livro e das bibliotecas no Brasil é [...] pouco sabida” (MORAES,
2006, p. 18), e se as bibliotecas universitárias contribuem para a essa fragilidade, no que tange
às coleções memoriais sob sua guarda - o que é incompatível com sua razão de ser, então, a
escrita da história de formação e desenvolvimento das coleções de livros raros e especiais em
bibliotecas universitárias é necessária, imprescindível e urgente.

1428

�Uma certeza evolui dessas ponderações, à luz da Biblioteconomia de Livros Raros:
não há simplicidade ou ingenuidade na aparente organização de uma biblioteca, porque toda
biblioteca resume o caos do estado da arte do conhecimento, em sua época, e acumula o caos
de épocas anteriores. De tal modo que, o conhecimento da história da formação e do
desenvolvimento de suas coleções, do histórico da própria biblioteca, é essencial para
desvelar seu passado, compreender seu presente e delinear seu futuro.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de Almeida. Planejamento de bibliotecas e serviços
de informação. 2.ed. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros, 2005.
BÁEZ, Fernando. História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra
do Iraque. Tradução Léo Schlafman. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.
BATISTA, Aline Herbstrith. Conceitos e critérios para a qualificação de obras raras da
Biblioteca de Direito da Universidade Federal de Pelotas. 2012. 106 fDissertação
(Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Memória Social ePatrimônio Cultural.
Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.
BATTLES, Matthew. A conturbada história das bibliotecas. Tradução João Vergílio
Gallerani Cuter. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2003.
CABRAL, Maria Luisa. Conservação preventiva, por quê? Páginas A&amp;b, n. 15, p. 7-27,
2005.
CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. Tradução Luciano Vieira Machado. São
Paulo: Estação Liberdade: Editora UNESP, 2001.
COGO. Rodrigo Silveira. A elaboração discursiva da memória organizacional: estudando o
storytelling. CoMtempo: revista eletrônica do Programa de Pós-graduação da Faculdade
Cásper Líbero, São Paulo, ano 3, n. 2, p. 1-10, nov./dez. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/comtempo/article/viewFile/7912/7311&gt;.
Acesso em: 25 maio 2014.
FARIA, Maria Isabel; PERICÃO, Maria da Graça. Dicionário do livro: da escrita ao livro
eletrônico. São Paulo: Edusp, 2008.
FIGUEIREDO, Nice Menezes. Desenvolvimento &amp; avaliação de coleções. 2. ed. Brasília,
DF: Thesaurus, 1998.
JACOB, Christian. Ler para escrever: navegações alexandrinas. In: BARATIN, Marc;
JACOB, Christian (Dir.). O poder das bibliotecas: a memória dos livros no Ocidente.
Tradução de Marcela Motara. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2000.p. 45-73.

1429

�LASSO DE LA VEGA, Javier.

Manual de Biblioteconomia: organización tecnica y

cientifica de las bibliotecas. Madrid: Editorial Mayfe, 1952.
McNEELY, Ian F.; WOLVERTON, Lisa. A reinvenção do conhecimento: de Alexandria à
internet. Tradução Maria Lúcia de Oliveira. Rio de Janeiro: Record, 2013.
MORAES, Rubens Borba de. Livros e bibliotecas no Brasil colonial. 2. ed. Brasília DF:
Briquet de Lemos, 2006.
PINHEIRO, Ana Virginia. Do labirinto ao invisível: a história do livro raro no Brasil. In:
CONGRESSO

BRASILEIRO

19/CONGRESSO

DE

BIBLIOTECONOMIA

LATINO-AMERICANO

DOCUMENTAÇÃO/ENCONTRO

DE

NACIONAL

E

DOCUMENTAÇÃO,

BIBLIOTECONOMIA
DE

INFORMAÇÃO

E
E

DOCUMENTAÇÃO JURÍDICA, 7., 2000, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre, 2000. 1
CD-ROM
PINHEIRO, Ana Virginia. Livro raro: antecedentes, propósitos e definições. In: SILVA,
Helen de Castro; BARROS, Maria Helena T. C. (Org.). Ciência da in formação: múltiplos
diálogos. Marília, SP: Oficina Universitária Unesp, 2009. p. 31-44.
PINHEIRO, Ana Virginia. Organização e administração de bibliotecas: planos de aulas.
2011. Material didático de apoio à disciplina OAB, ministrada na Escola de Biblioteconomia
da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
POLASTRON, Lucien X. Livros em chamas: a história da destruição sem fim das
bibliotecas. Tradução Léo Schlafman. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2013.
RODRIGUES, Márcia Carvalho. Como definir e identificar obras raras? Critérios adotados
pela Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul. Ciência da Informação, Brasília,
DF,

v.35,

n.1,

p.115-121,2006.

Disponível

em:

&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v35n1/v35n1a12.pdf &gt;. Acesso em 25 maio 2014.
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memória oral e documental. Florianópolis: [s.n.], 2002. p. 39-42. Disponível em:
&lt;http://www.bu.ufsc.br/design/Memoria%20Texto.pdf&gt;. Acesso em 25 maio 2014.
WEITZEL, Simone da Rocha. O desenvolvimento de coleções e a organização do
conhecimento: suas origens e desafios. Perspectiva em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v.7, n.1, p.61-67, jan.-jun. 2002.
WEITZEL, Simone da Rocha. Elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções
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1430

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O histórico da biblioteca como instrumento de gestão e salvaguarda das coleções de livros raros e especiais na Biblioteca Universitária Brasileira.</text>
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                <text>Pinheiro, Ana Virgínia, Santos, Cássia Rosania Nogueira dos, Rocha, Vânia Melo da, Godoy, Rosani </text>
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                <text>Esta pesquisa objetiva demonstrar a importância do histórico da biblioteca como instrumento de gestão e salvaguarda, especificamente,das coleções de livros raros e especiais na biblioteca universitária brasileira.Através de revisão literária, centrada na História do Livro e da Biblioteca Universitária brasileira, faz um relato do estado da arte de suas coleçõesmemoriais, identificadas como raras e/ou especiais. Aponta o histórico da biblioteca como ponto de partida para o resgate da memória da formação e desenvolvimento de uma coleção especial. Nesse contexto, discorre sobre a importância, características e modos de elaboração do histórico, enumera os recursos disponíveis para sua redação, e ressalta a omissão do histórico da biblioteca nos modelos de diagnóstico e de formação e desenvolvimento de coleções, consagrados na literatura. Conclui, informando os elementos essenciais para a redação do histórico da biblioteca universitária, guardiã de livros raros especiais.
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                    <text>X V III Sem inário N acional de Bibliotecas U niversitárias
SNBU 2014

AS BULAS DE M ED ICA M EN TO S C O M O FO N TES DE IN FO RM A ÇÃ O PARA
PA C IEN TES

Ju lian a M oreira Pinto
Jú lia Gonçalves da Silveira

RESUM O
No Brasil, a bula é considerada o principal material informativo fornecido aos pacientes na
aquisição de medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica. Neste artigo, classificado
como pesquisa de análise teórica, a bula é estudada como fonte de informação. Evidenciam-se
as suas principais características e estrutura textual desse importante recurso informacional da
área biomédica. Apresenta-se uma analogia do ciclo de transferência da informação,
elaborado durante esta pesquisa, que vai da geração e coleta de informações científicas, na
fase da descoberta e desenvolvimento de novos medicamentos, até a transposição dessas
informações para uma linguagem técnica e para outra mais didática e acessível. Sendo a
linguagem técnica adequada para os profissionais da saúde e a linguagem mais acessível
destinada aos pacientes, usuários de medicamentos. Conclui-se que a Anvisa, através da
Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n°. 47/2009, objetiva padronizar as informações
contidas nas bulas de medicamentos, registrados e notificados, comercializados no Brasil.
Palavras-chave: Bulas de Medicamentos. Fontes de Informação. Anvisa - Resolução RDC
n. 47/2009. Serviços de Informação sobre Medicamentos. Informação e Saúde.
A BSTRACT
In Brazil, the medicine package inserts are considered the main informational material
provided to patients in the purchase of medicines produced by the pharmaceutical industry. In
this article, classified as research theoretical analysis, the medicine package inserts are studied
as a source of information. Show up their main features and textual structure of this important
biomedical information resource. It presents an analogy of the transfer of the information
cycle, developed during this research, which goes from generation and collection of scientific
information during the discovery and development of new drugs, to transpose this information
to technical language and other more didactic and accessible. With an appropriate technical
language for health professionals and more accessible language to patients, users of
medicines. We conclude that ANVISA, by Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n°.
47/2009, aims to standardize the information contained in the medicine package inserts,
recorded and reported, marketed in Brazil .
Keywords: Medicine Package Inserts. Information Sources. ANVISA - Resolution RDC .
47/2009. Drug Information Services. Health and Information.

2119

�1 IN TRO D U ÇÃ O
Na atualidade, diversos autores das áreas de biblioteconomia e ciência da informação
concordam com a necessidade de vinculação social do bibliotecário com a sociedade não
tanto como um administrador de uma unidade de informação, mas como um agente com um
alto grau de responsabilidade social.
Especialmente, no contexto das bibliotecas públicas universitárias torna-se mais
evidente essa necessidade de integração entre bibliotecários e comunidade mais ampla,
considerando suas obrigações sociais perante o exercício das atividades educacionais e
extensionistas da universidade. Nas bibliotecas universitárias, as atividades de informação aos
usuários, internos e externos à instituição, geralmente são prestadas através dos seus serviços
de referência, orientação ou auxílio ao leitor, onde deve existir cuidado constante com a
qualidade do conteúdo da informação a ser indicada. Advém daí a importância dos estudos
que buscam conhecer e avaliar a qualidade da informação registrada nas mais diversas fontes
de informação.
De acordo com as diretrizes do Conselho Nacional de Educação/Câmara Superior de
Educação - CNE/CES 492/2001236237entre as competências e habilidades dos graduados em
Biblioteconomia estão: “interagir e agregar valor nos processos de geração, transferência e
uso da informação, em todo e qualquer ambiente; criticar, investigar, propor, planejar,
executar e avaliar recursos e produtos de informação; trabalhar com fontes de informação de
qualquer natureza.”
Na área de saúde a informação, desde a antiguidade, é vista como elemento
fundamental para contribuir com o alcance da saúde, vista como um “estado de completo
bem-estar físico, psíquico e social dos indivíduos.”

237

A informação em saúde constitui-se em um instrumento de controle social capaz de
estimular movimentos em direção às expectativas criadas em torno do conceito de qualidade
de vida. É um elo que serve para apoiar a organização das ações e dar eficiência à gestão em
saúde e, ao mesmo tempo, potencializar a participação, no setor, dos profissionais e usuários
de serviços de saúde, das comunidades, dos meios acadêmicos, técnico-científicos e político,
e da população como um todo (PINTO, 1999).
Entre a diversidade de fontes de informação da área biomédica existentes optou-se por
estudar as bulas de medicamentos devido à constatação de inúmeras queixas acerca da
236 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES0492.pdf (p. 32)
237
OMS.WHO.
Constituição
da
Organização
Mundial
de
Saúde.
Disponível
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/OMS-Organiza%C3%A7%C3%A3o-Mundial-daSa%C3%BAde/constituicao-da-organizacao-mundial-da-saude-omswho.html . Acesso 18 maio 2014

em:

2120

�qualidade das mesmas, especialmente referindo-se à dificuldade de compreensão por parte do
cidadão comum, tendo em vista a linguagem técnica nelas predominante.
No Brasil, mais precisamente na segunda metade do século XX, a bula de
medicamentos é o principal material informativo fornecido aos pacientes na aquisição de
medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica (CALDEIRA; NEVES; PERINI, 2008).
Em 2008 o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) comparou 19 bulas de
m e d i c a m e n t O S n a c i o n a i s (antidepressivos, calmantes, anti-inflamatórios, vasodilatadores, ansiolíticos, antirreumáticos e drogas
c°ntra pressão aha e para baixar ° colesterol)

com as americanas. Nos EUA os anti-inflamatórios destacavam

o risco de morte por problemas cardiovasculares. No Brasil dois anti-inflamatórios (Voltaren
e o genérico Diclofenaco Sódico) não traziam esse alerta. Foram encontradas várias
irregularidades e violações ao direito do consumidor à informação, que em alguns casos
podem comprometer sua saúde.
Em 2008 a Anvisa também realizou estudos que apontaram que as bulas dos
medicamentos vendidos no Brasil são incompletas, excessivamente técnicas para o público
leigo e superficiais e desatualizadas para os médicos. Com base nos apontamentos desses
estudos a Anvisa publicou em 08 de setembro de 2009 a Resolução da Diretoria Colegiada RDC n.47/2009, cujo objetivo é “aprimorar a forma e o conteúdo das bulas de todos os
medicamentos registrados e notificados, comercializados no Brasil, visando garantir o acesso
à informação segura e adequada em prol do uso racional de medicamentos.”

(ANVISA,

2009b).
Por meio dessa resolução são estabelecidas normas para elaboração, harmonização,
atualização, publicação e também a disponibilização de bulas de medicamentos para
pacientes, com conteúdo sumarizado, em linguagem apropriada e de fácil compreensão e
outra bula para os profissionais de saúde, com conteúdo detalhado tecnicamente.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) os estudos de utilização de
medicamentos atendem importantes fins, dependendo da metodologia empregada, citando
entre outros a avaliação de efeitos de medidas educativas, informativas e reguladoras
(CROZARA, 2011).
Costa (2000, p. 360) também afirma que o “ponto de partida para uma reflexão acerca
do medicamento requer uma abordagem interdisciplinar orientada pela questão da informação
para que se possam abarcar suas complexidades.”238

238 Por uso racional de medicamento compreende-se sua utilização na dose e durante período corretos, garantindo
assim a eficácia e evitando a toxicidade; utilização de via de administração e formulações adequadas; cuidados
de conservação, entre outros (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE - OPAS, 2009).

2121

�Nesse contexto acredita-se que a avaliação das bulas dos medicamentos como fontes
de informação, considerando a literatura das áreas de biblioteconomia e ciência da
informação, pode contribuir para uma maior interdisciplinaridade entre essas áreas e
maximizar a divulgação das bulas como instrumento de informação biomédica.

2 FO N TES DE IN FO RM A ÇÃ O
Em seu livro Conhecimento público, o cientista e humanista John Michael Ziman
(1979) esclarece que o principal objetivo de toda pesquisa científica é contribuir para o
consenso do conhecimento universalmente aceito. Ele cita que a forma intelectual do
conhecimento científico é determinada pela necessidade absoluta do cientista comunicar suas
descobertas e torná-las aceitáveis a outras pessoas. Ziman estabelece e desenvolve o ponto de
vista de que a ciência é conhecimento público, isto é, constitui um corpo de conhecimentos
(fatos, técnicas e conceitos), que foram gerados por membros de uma comunidade científica,
através de processos de troca, críticas, refinamentos e filtração, tornando-se um consenso
público.
Segundo Ramos (1994, p. 342):
A divulgação científica, ao abranger o grande público, pressupõe um
processo de recodificação, isto é, a transposição da linguagem especializada
para uma linguagem não especializada, com o objetivo de tornar o conteúdo
acessível a uma vasta audiência. A divulgação científica, portanto inclui, não
apenas a mídia impressa (jornal, revistas e livros), mas também todos os
demais canais audiovisuais.
Para Epstein e Bertol (2005, p.13) “o discurso da ciência e o discurso de sua
divulgação ao público são produtos que se diferenciam sob vários aspectos e se dirigem a
públicos distintos, o que envolve características discursivas e formatação próprias e,
consequentemente, processos de produção de veículos diferenciados ”. Para esses autores, se
conceituarmos o discurso da ciência de comunicação primária e o discurso da divulgação
científica de comunicação secundária, pode-se classificar seus conteúdos em três grandes
categorias: os de comunicação primária ligados às várias especialidades científicas,
destinadas aos respectivos pesquisadores; os conteúdos intermediários, destinados a um
público detentor de uma cultura científica geral, mas não especializada; e os conteúdos

dedicados ao grande público.

2122

�Eles citam que a comunicação secundária ou a popularização do conhecimento
científico pode ser efetuada tanto através da figura do divulgador, mediador entre o cientista e
o público, como pelo próprio cientista, que também pode assumir o papel de divulgador.
O divulgador se coloca como capaz de colocar a ciência ao alcance do grande público,
mas a tese de traduzibilidade da ciência é posta em questão quando se alega uma
impossibilidade estrutural para sua realização. De fato, trata-se, na divulgação científica, de
uma transposição da linguagem utilizada pelos cientistas para se comunicarem entre si, para a
linguagem natural, que pode ser compreendida pelo público leigo (EPSTEIN; BERTOL,
2005).
Epstein e Bertol (2005) ressaltam, entretanto, que o caminho entre a ciência e sua
divulgação popular é cheio de obstáculos, que podem ser de natureza linguística, semiótica,
epistemológica, deontológica, sociológica, fenomenológica, de comunicação de massa, entre
outros. Alguns de difícil transposição, a ponto de certos teóricos mais céticos terem duvidado
da própria possibilidade dessa transposição.
A seguir apresenta-se, na FIG. 1, uma analogia do ciclo de transferência da
informação, que vai da geração e coleta de informações científicas, na fase da descoberta e
desenvolvimento de novos medicamentos, até a transposição dessas informações para uma
linguagem técnica e para outra mais didática, apresentada respectivamente nas bulas de
medicamentos para os profissionais da saúde e nas bulas de medicamentos para pacientes.
As setas pretas, em destaque nessa FIG. 1, correspondem ao ciclo das informações
geradas pela indústria farmacêutica, desde a descoberta do medicamento até a sua
comercialização. As setas vermelhas correspondem ao ciclo das informações geradas a partir
de novos estudos, revisões sobre a relação risco-benefício de um fármaco, geralmente feitos
por pesquisadores independentes, depois que o medicamento já está sendo comercializado.

2123

�FIGURA 1 - Modelo do cico de informações desde a descoberta de um medicamento até
sua comercialização

Fonte: Elaborado pelas autoras durante a pesquisa, baseando em informações fornecidas pela
Professora Doutora Sérgia Maria Starling Magalhães, da Faculdade de Farmácia da UFMG, em 31 de
janeiro de 2013, assim como em consulta ao informe: Descoberta e desenvolvimento de
medicamentos do laboratório farmacêutico Actelion.
De acordo com Magalhães (2013) 239:

Há certa resistência quanto à transposição da linguagem médica para o
entendimento de leigos, em geral porque não se consegue dar a dimensão
exata da questão sem recorrer-se aos termos técnicos. Outro problema é
interferir na aceitação, adesão ao tratamento ou em sugestionar o paciente
quanto a possíveis efeitos adversos.

239E-mail da Professora da Faculdade de Farmácia da UFMG - Doutora Sérgia Maria Starling Magalhães em 31
jan. 2013.

2124

�Para a autora trata-se de um conflito ético, já que os pacientes têm o direito de
conhecer os benefícios e os riscos aos quais estão submetidos quando aceitam um tratamento.
A não aderência ou baixa adesão (decisão do paciente em não cumprir com as recomendações
do profissional da saúde) são consideradas graves problemas de saúde pública e podem
comprometer a eficácia da terapêutica em muitas doenças crônicas e agudas, ocasionando
várias situações clínicas que vão de infecções a hipertensão (VOLPATO; MARTINS;
MIALHE, 2009).
O intercâmbio e o compartilhamento de informações entre as comunidades científicas
se faz por meio dos canais formais e informais. Na comunicação form al o compartilhamento
de informações se consolida pela comunicação escrita, por meio das publicações com
divulgação mais ampla, como os periódicos, livros, relatórios, revisões, etc. A comunicação

informal geralmente acontece na forma de comunicação interpessoal (destituída de
formalismos), abrange relatos de pesquisa ainda não concluída e/ou em andamento, em
reuniões científicas, associações profissionais e colégios invisíveis (LE COADIC, 1996).
Rodrigues (2001) considera que a tradicional subdivisão da comunicação científica em
informal e formal não implica necessariamente isolamento de ambas as modalidades. “Estes
segmentos não são estanques, suas relações formam uma espécie de rede na qual fluem
cientistas e os produtos de seus trabalhos em constante interação” .
Todos esses canais de comunicação estão sendo alterados substancialmente frente à
rápida expansão das tecnologias de informação e das redes de computadores, à consolidação
da publicação eletrônica e ao desenvolvimento de bibliotecas digitais (FERREIRA;
MODESTO; WEITZEL, 2003). Cenário esse que propicia movimentos cuja ideologia é
prover acesso aos resultados científicos sem custos: acesso aberto ( open access), softwares
livres (open source), arquivos abertos (open archives). Para Costa (2006, p.49) “não parece
restar dúvidas, portanto, de que a filosofia aberta tende a se constituir no fundamento
inexorável da comunicação científica daqui por diante” .

3 FO N TES DE IN FO RM A ÇÃ O SOBRE M ED ICA M EN TO S
As fontes de informação sobre medicamentos estão basicamente estruturadas em
fontes primárias, secundárias e terciárias (PLA et al., 2002).
De acordo com Vidotti, Silva e Hoefler (2010, p. 11):

2125

�Analisando esses três tipos de fontes bibliográficas, as primárias têm a
vantagem de serem mais atualizadas, pois são onde, de modo geral, surge o
conhecimento. Porém requerem leitura mais cuidadosa e crítica e são
publicadas em grande quantidade - 1.800 entradas diárias, no Medline (v.
seção 5), o que dificulta a seleção, aquisição, leitura e utilização da
informação. Por outro lado, as fontes terciárias são mais condensadas,
apresentando, em geral, informações de consenso e são em número muito
menor. Não obstante, têm a desvantagem de não serem constantemente
atualizadas, pois sua periodicidade varia, em média, de dois a cinco anos.
Para esses autores (2010, p.12):
A classificação das fontes em primárias, secundárias e terciárias tem caráter
didático, não sendo estática. Existem algumas fontes que são híbridas, pois
apresentam, ao mesmo tempo, características de mais de um tipo de fonte
bibliográfica. Por exemplo, o Iowa Drug Information System - IDIS
apresenta artigos selecionados na íntegra e possui índices de localização dos
mesmos, sendo considerado uma fonte secundária e primária. O
Martindale2402413traz monografias de medicamentos e cita artigos sobre os
mesmos, sendo considerado uma fonte terciária e secundária.
As

fontes

primárias

“são

constituídas

principalmente, ensaios clínicos randomizados
caso-controle

241

por

artigos

científicos

, estudos de coorte

242

que

relatam,

e estudos de

referentes a pesquisas publicadas em revistas biomédicas, ou seja, onde

geralmente surge pela primeira vez na literatura qualquer informação científica nova”
(VIDOTTI; SILVA; HOEFLER, 2010, p.11). São exemplos de fontes primárias: American

Journal o f Health-System Pharmacy; American Society o f Hospital Pharmacists Bethesda;
Farmacia Hospitalaria; Atención Farmacéutica; Drugs.
“As fontes secundárias consistem em serviços de indexação e resumo da literatura
primária e servem como orientadoras na busca desta última” . São exemplos de fontes
secundárias:

IDIS

(Iowa Drug Information Service

http://www.uiowa.edu/idin/)

e

IPA

(International

- http://www.uiowa.edu/idis/ e
Pharmaceutical

Abstracts

-

http://www.csa.com/factsheets/ipa-set-c.php) (VIDOTTI; SILVA; HOEFLER, 2010, p.11).

240 Martindale: The Complete Drug Reference é uma obra de referência publicada pela Pharmaceutical Press que
lista mais de 6000 fármacos e drogas utilizados em todo o mundo, além de informações sobre preparações e
tratamentos de doenças.
241Os ensaios clínicos randomizados servem para avaliar a eficácia de procedimentos, diagnósticos, tratamentos
ou medidas preventivas em saúde humana ou animal. São estudos longitudinais, prospectivos, semelhantes aos
estudos de coorte.
242 A técnica de elaboração de uma coorte propõe como sequência lógica da pesquisa a anteposição das possíveis
causas e a posterior busca de seus efeitos ou danos.
243O estudo de caso-controle, assim como o estudo de coorte, é um estudo longitudinal ou de seguimento em que
se procura verificar a frequência de um determinado agravo na presença ou ausência de um determinado fator
condicionante/determinante (exposição), distinguindo-se do estudo de coorte pelo fato de que as pessoas foram
escolhidas por estar doentes.

2126

�Estes autores também consideram o Serviço de Comutação Bibliográfica (COMUT) como
fonte de informação secundária na área farmacêutica.
As fontes terciárias apresentam informação documentada no formato condensado. São
livros-texto, livros de monografias, bases de dados eletrônicas, artigos de revisão e
meta-análise244245. São exemplos de fontes terciárias: Martindale the Extra Pharmacopoeia;

Information Drug; Goodman &amp; Gilman; Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (DEF);
Dicionário Terapêutico Guanabara; base de dados Micromedex (VIDOTTI; SILVA;
HOEFLER, 2010).
A base de dados Micromedex pode ser acessada por meio do Portal de Periódicos da
Capes

, pelo site: http://www.periodicos.capes.gov.br e traz na sua interface (FIG. 2) o link:

Educação do Paciente (informações ao consumidor sobre medicamentos), em que são
fornecidas informações detalhadas sobre medicamentos que visam ajudar a reforçar as
instruções de tratamento e compreensão do paciente, capacitando-o a desenvolver um papel
proativo no cuidado da sua saúde.
FIGURA 2 - Interfacenativa da base de dados Micromedex

Fonte: Portal de Periódicos da Capes
244 É um método quantitativo que permite combinar os resultados de estudos realizados de forma independente
(geralmente extraídos de trabalhos publicados) e sintetizar as suas conclusões, ou mesmo extrair uma nova
conclusão.
245Biblioteca virtual que reúne e disponibiliza a instituições de ensino e pesquisa no Brasil o melhor da produção
científica internacional. Possuem acesso livre e gratuito ao conteúdo do Portal de Periódicos professores,
pesquisadores, alunos e funcionários vinculados às instituições participantes. O Portal é acessado por meio de
terminais ligados a internet e localizados nessas instituições ou por elas autorizados.

2127

�“Existem ainda as fontes alternativas das quais são exemplos a Internet, organizações
profissionais, agências regulatórias, agências de avaliação de tecnologias em saúde, indústrias
farmacêuticas e Centros de Informação Toxicológica e de Medicamentos” (VIDOTTI;
SILVA; HOEFLER, 2010, p.12.).
O Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) é o local “que reúne, analisa,
avalia e fornece informações sobre medicamentos, visando o seu uso racional” (VIDOTTI et

a l, 2000a, p.28). Outros autores o definem como “uma instituição dedicada a prover
informação objetiva, independente e atualizada sobre medicamentos e seu uso e comunicá-la a
diferentes categorias de profissionais para sua melhor compreensão e benefício dos pacientes”
(CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA - CFF, 2008a, p.23).
O Sistema de Informação Farmacoterapêutica (Sifar) é um serviço prestado pelo
Centro Brasileiro de Informações sobre Medicamentos (Cebrim), órgão pertencente ao
Conselho Federal de Farmácia (CFF), cuja finalidade principal é:

Fornecer, a todos os profissionais da área da saúde, suporte para soluções de
problemas específicos sobre a utilização de medicamentos, especialmente
em situação clínica de um paciente. A execução destes serviços é realizada
por farmacêuticos capacitados nessa atividade e fundamentada em
informação técnico-científica imparcial, atualizada e de qualidade, conforme
o conceito de condutas baseadas em evidências246 (CFF, 2008b).
No Sifar não são atendidos pedidos de pesquisas ou levantamentos bibliográficos
destinados a trabalhos escolares ou monografias, pois a proposta desse serviço é promover o
uso seguro e racional de medicamentos, prioritariamente em situações que envolvem
pacientes (CFF, 2008b). É composto por 21 unidades do Centro de Informação sobre
Medicamentos, localizadas em 14 estados brasileiros e no Distrito Federal.
A Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Renaciat),
criada em 2005, é coordenada pela Anvisa. Composta por 35 unidades, localizadas em 18
estados brasileiros e no Distrito Federal, tem como função “fornecer informação e orientação
sobre o diagnóstico, prognóstico, tratamento e prevenção das intoxicações e envenenamentos,
assim como sobre a toxicidade das substâncias químicas e biológicas e os riscos que elas
ocasionam à saúde” (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ - FIOCRUZ, 2008).

246Medicina Baseada em Evidência é o uso consciente, crítico, e explícito da melhor evidência científica
disponível para tomar decisões relacionadas ao cuidado dos pacientes.

2128

�4 A BULA DE M ED ICA M EN TO S CO M O FO N TE DE IN FO RM A ÇÃ O
Conforme visto, no Brasil, ao longo das últimas décadas, mais precisamente na
segunda metade do século XX, a bula de medicamentos passou a ser o principal material
informativo fornecido aos pacientes na aquisição de medicamentos produzidos pela indústria
farmacêutica (CALDEIRA; NEVES; PERINI, 2008).
A bula de medicamentos contém informações que são de interesse tanto para
profissionais da saúde como para pacientes/usuários. Os pacientes geralmente priorizam
informações sobre um fármaco relacionadas aos efeitos colaterais, contra-indicações, e
posologia (modo de uso), enquanto que aos profissionais da saúde interessam as informações
técnicas, farmacológicas e de composição do medicamento (DICKINSON; RAYNOR, 2003).
De acordo com a Anvisa a bula de medicamentos recebe as seguintes definições:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS - Seção III Definições
(...)
II - bula: documento legal sanitário que contém informações técnicocientíficas e orientadoras sobre os medicamentos para o seu uso racional;
III - bula em formato especial: bula fornecida à pessoa portadora de
deficiência visual em formato apropriado para atender suas necessidades.
Pode ser disponibilizada em meio magnético, óptico ou eletrônico, em
formato digital ou áudio, ou impressas em Braille ou com fonte ampliada;
IV - bula para o paciente: bula destinada ao paciente, aprovada pela Anvisa,
com conteúdo sumarizado, em linguagem apropriada e de fácil
compreensão;
V - bula para o profissional de saúde: bula destinada ao profissional de
saúde, aprovada pela Anvisa, com conteúdo detalhado tecnicamente; (...)
VII - Bula Padrão: bula definida como padrão de informação para
harmonização das bulas de medicamentos específicos, fitoterápicos,
genéricos e similares, cujos textos são publicados no Bulário Eletrônico.
Para os medicamentos específicos e fitoterápicos, as Bulas Padrão são
elaboradas pela Anvisa. Para os medicamentos genéricos e similares, as
Bulas Padrão são as bulas dos medicamentos eleitos como medicamentos de
referência (ANVISA, 2009b).
A

obrigatoriedade

da

inclusão

da bula

na

embalagem

dos

medicamentos

comercializados no país é regulamentada pela RDC n.47/2009 da Anvisa. De acordo com essa
resolução, capítulo IV, seção 1, art. 26, as embalagens dos medicamentos devem conter bulas
com conteúdo atualizado no mercado, conforme o Bulário Eletrônico, obedecendo ao
estabelecido nessa resolução, quanto à forma e conteúdo.
Segundo Caldeira, Neves e Perini (2008, p.737-738):

2129

�A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem como atribuição
analisar e aprovar o material informativo produzido pela indústria
farmacêutica antes de sua comercialização. Esse processo se baseia tanto em
informações presentes nos registros de medicamentos como naquelas
encontradas em bancos de informações. O ponto chave é a análise da
informação apresentada pelo detentor do registro e o confronto dessa
informação com a literatura científica.
Para Silva et al. (2000, p.185):
Sob o ponto de vista legal, o medicamento é um produto de consumo, e o
paciente é um consumidor que tem direito a receber todas as informações
necessárias para a adequada utilização e conservação do medicamento
adquirido. Entre as informações necessárias para o paciente utilizar o
medicamento com segurança, destacam-se as relacionadas com a
administração e armazenamento, além das que esclarecem quais são os
benefícios do tratamento e como reconhecer e agir diante de problemas
causados pelo medicamento.
Para que as informações contidas nas bulas sejam úteis e cumpram sua finalidade
devem ser apresentadas de maneira objetiva e atualizada, em consonância com o
conhecimento técnico-científico atual, não devendo apresentar informações distorcidas aos
que receitam e utilizam o medicamento (GONÇALVES et al., 2002, p.33).
Para Caldeira, Neves e Perini (2008, p.742):

Considerada como a principal fonte de informação aos pacientes, a bula
assume um papel fundamental na promoção do uso racional de
medicamentos. Ao alertar sobre os riscos da automedicação, da interrupção
do tratamento, bem como quanto à necessidade da prescrição, no tocante à
dispensação de medicamentos tarjados, está consoante ao processo educativo
dos usuários, um dos pontos que merece ênfase segundo os propósitos da
Política Nacional de Medicamentos.
A bula pode e deve ser um instrumento para a cidadania, pois empodera o
indivíduo ao informá-lo sobre o uso do medicamento e, ao fazê-lo, contribui
como instrumento para que a relação entre médico-paciente seja alterada
pela capacidade de questionamento do paciente. Por sua vez, o profissional
deverá conhecer mais profundamente o medicamento, de tal forma a
convencer que o tratamento farmacológico trará naquele caso mais
benefícios que riscos.
De acordo com Cintra (2012, p.227) “não é possível determinar quem é (são) o(s)
autor(es) envolvido(s) com a produção do texto da bula, pois há muitas possibilidades e
combinações, entre eles: um grupo de farmacêuticos do laboratório que comercializa o
medicamento; um redator contratado pelo laboratório; adaptações de trechos de literatura
técnica; adaptações de trechos de bulas de medicamentos importados” . N a maioria das vezes,

2130

�apenas “a empresa farmacêutica é citada explicitamente como responsável pela elaboração do
texto da bula, não sendo identificável sua real autoria nem a quantidade de colaboradores da
mesma” .
A bula padrão
referência

247

é uma fonte de informação primária destinada ao medicamento de

. As bulas dos medicamentos genéricos e similares

são classificadas como

fontes de informação secundária e devem estar harmonizadas com as respectivas bulas
padrão, ou seja, com a bula do medicamento de referência.
O Bulário Eletrônico da Anvisa é considerado uma fonte de informação online. Por
meio dele a população tem acesso às bulas dos medicamentos comercializados no Brasil via
Internet, no endereço: http://www.anvisa.gov.br/bularioeletronico/default.asp?HidLetra=M.

Figura 1 - Formlário busca Bulário Eletrônico/Anvisa

Fonte: http://www.anvisa.gov.br/bularioeletronico/default.asp?HidLetra=M

247 A bula padrão é definida como padrão de informação para harmonização das bulas de medicamentos
específicos, fitoterápicos, genéricos e similares, cujos textos são publicados no Bulário Eletrônico. Para os
medicamentos específicos e fitoterápicos, as Bulas Padrão são elaboradas pela Anvisa.
248 É um produto inovador registrado no órgão federal responsável pela vigilância sanitária e comercializado no
país, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente junto ao órgão federal competente,
por ocasião do registro.
249 Esses medicamentos são elaborados com o mesmo princípio ativo de um medicamento de referência, podem
diferenciar-se em aspectos bem pontuais, como a identificação do medicamento, composição, prazo de validade,
dizeres legais e outros itens, que são específicos de cada produto.

2131

�5 O TEX TO DAS BULAS DE M ED ICA M EN TO S
De acordo com a definição apresentada no Guia de redação de bula da Anvisa
(ANVISA, 2009a, p.5):
A bula é um tipo de texto (ou gênero) desenvolvido, usado e interpretado a
partir de situações recorrentes definidas e que servem para estabilizar a
experiência e dar a ela coerência e significado. As informações contidas nas
bulas são provenientes da indústria farmacêutica, da classe médica e
farmacêutica. (...) e deve sempre conduzir o leitor a uma interpretação
“adequada” e “desejável” convencionalizada e que poderá ser replicada para
outras bulas.
Segundo Giasson (1993), o texto é material preparado para ser lido, podendo ser
considerado sob três aspectos: a intenção do autor, a estrutura do texto e o conteúdo. O autor
estrutura o texto direcionando-o a um tipo de leitor, e orientando-o aos outros dois elementos
(texto e conteúdo). A estrutura diz respeito à forma como o autor organizou as ideias no texto,
e o conteúdo se refere ao modo como o autor decidiu transmiti-las, tais como, conceitos,
conhecimentos e vocabulário.
De acordo com Fujita e Spinillo (2008, p.3):
No que se refere a bula de medicamentos, há informações direcionadas a
diferentes tipos de leitor: [a] informações de interesse de médicos e
profissionais da saúde, que se referem à composição, características
químicas e farmacológicas do medicamento e [b] informações de interesse
do paciente direcionado, talvez, nos efeitos colaterais, posologia,
advertências e indicações terapêuticas, redigido em um texto de um único
documento que, em principio, deve ser entendido por todos os tipos de
leitores. Assim, pode-se inferir que a natureza da bula de medicamento é
desse modo, a de um documento informativo dirigido a todos os envolvidos
em seu uso, e não de um conteúdo informacional direcionado às
necessidades informacionais do paciente como usuário final.
Cintra (2012, p.256) descreve que “conforme foi visto no estudo do gênero, uma das
características atualmente intrínsecas às bulas de medicamento são as prescrições jurídicas
como marca cultural desse gênero cultural textual” . A bula de medicamento possui seu
conteúdo estruturado com base na Resolução n. 47/2009, que estabelece normas para sua
elaboração, harmonização, atualização, entre outros.
De acordo com a RDC n.47/2009 da Anvisa, a bula destinada ao paciente deve conter
os itens relativos às partes de identificação do medicamento e informações ao paciente
(QUADRO 2). Ser organizada na forma de perguntas e respostas; em linguagem clara e
concisa, sem a repetição de informações de forma a facilitar a compreensão do conteúdo pelo

2132

�paciente; possuir termos explicativos incluídos para leigos, após os termos técnicos;
contemplar referência a sinais, sintomas e doenças conforme a terminologia preconizada pela
Classificação Internacional de Doenças (CID).

QUADRO 2
Estrutura textual da bula de medicamentos para o paciente, de acordo com as normas da
Anvisa (RDC n.47/2009)__________________________________________________________
TÍTULOS

SUBTÍTULOS

I. Identificação do medicamento

Nome comercial ou marca do medicamento
Denominação genérica do(s) princípio(s) ativo(s),
utilizando a Denominação Comum Brasileira (DCB)
Forma farmacêutica; concentração por unidade de medida
ou farmacocinética; quantidade total de peso, volume
líquido ou unidades farmacocinéticas; quantidade total de
acessórios dosadores que acompanham as apresentações.
Via de administração, usando caixa alta e negrito
Composição: peso, volume líquido ou quantidade de
unidades, conforme o caso.

II. Informações ao paciente

Para que este medicamento é indicado?
Como este medicamento funciona?
Quando não devo usar este medicamento?
O que devo saber antes de usar este medicamento?
Onde, como e por quanto tempo posso guardar este
medicamento?
Como devo usar este medicamento?
O que devo fazer quando eu me esquecer de usar este
medicamento?
Quais os males que este medicamento pode me causar?
O que fazer se alguém usar uma quantidade maior do que a
indicada deste medicamento?

Fonte: ANVISA (2009b)
A RDC n. 47/2009, no capítulo II, artigo 5°, também menciona que as bulas devem
apresentar quanto à forma: fonte Times New Roman no corpo do texto com tamanho mínimo
de 10 pontos nas bulas para o paciente e oito pontos nas bulas para o profissional de saúde;
espaçamento simples entre letras; caixa alta e negrito para destacar as perguntas e os itens da
bula; texto sublinhado e itálico apenas para nomes científicos; impressão na cor preta em

2133

�papel branco, de forma que quando a bula estiver sobre uma superfície a visualização da
impressão na outra face não interfira na leitura; entre outros.
A qualidade da informação dos medicamentos prescritos é fundamental aos pacientes
e de acordo com W olf et al. (2006) há três questões que devem ser claramente dirigidas para
garantir melhores informações escritas: a informação deve estar facilmente disponível ou
divulgada aos pacientes; o conteúdo tem de ser abrangente, preciso e específico o suficiente
para ser útil e as informações devem ser formatadas de maneira que sejam facilmente lidas e
compreendidas pelos pacientes.
A seguir tem-se uma síntese das principais características das bulas de medicamentos
apresentadas anteriormente (QUADRO 4):

QUADRO 4
Síntese das características das bulas de medicamentos

Definição

Fonte de Informação
Área do Conhecimento
Autoria
Classificação
Textual
Função

BULAS DE MEDICAMENTOS
- Documento legal sanitário que contém informações técnicocientíficas e orientadoras sobre medicamentos para seu uso racional
(Anvisa)
- Primária: Bula Padrão
- Secundária: Bula dos medicamentos específicos, fitoterápicos e
genéricos
- Alternativa: Bulário Online da Anvisa
- Redigida a partir da literatura das áreas Médica e Farmacêutica
- Responsável: Laboratório farmacêutico
- Quem escreve: Grupo de farmacêuticos do laboratório que
comercializa o medicamento ou redator contratado
- Texto técnico ou texto de especialidade

- Instruir ou informar sobre uso do medicamento
- Marca cultural: prescrições jurídicas
- RCD n. 47/2009 da Anvisa - Estabelece regras para a elaboração,
Característica Intrínseca
harmonização, atualização, publicação e disponibilização das bulas
de medicamentos para pacientes e profissionais da saúde
- O acesso à bula de medicamentos é um direito reconhecido pela
CF/88 e ratificado pelo CDC
Regulação
- O medicamento é um produto e o paciente é um consumidor: a
CF/88 e CDC
indústria que desenvolveu o medicamento tem obrigação legal de
prestar todas as informações necessárias para o uso adequado e os
possíveis problemas e cuidados relacionados ao medicamento
Bulário Eletrônico da Anvisa; Sites de Laboratórios; Embalagens
Fontes de Acesso
de medicamentos; Bases de dados; Dicionários Especializados
- Texto problemático devido à linguagem técnico-científica, de
difícil entendimento para o cidadão comum.
Qualidade do Texto
- Desatualizados para os profissionais de saúde
- Procura-se mudar esse quadro com a implantação das novas
regras da Anvisa - RDC n.47/2009
Fonte: Elaborado pelas autoras.

2134

�6 CO N SID ERA ÇÕ ES FINAIS
As bulas de medicamentos estudadas como fontes de informação teem funções
informativas e instrutivas e, por isso, são consideradas fontes de alta relevância para a
sociedade, portanto, documentos essenciais para dar suporte aos pacientes, ensinando,
orientando, gerando conhecimento e auxiliando nas tomadas de decisões que visam promover
a saúde, enquanto direito constitucional dos cidadãos.
Acredita-se que campanhas, programas e políticas sociais focados na divulgação das
bulas como principal material informativo sobre medicamentos, mostrando seu importante
papel ao alertar sobre as indicações de uso, efeitos colaterais e contraindicações, estariam em
consonância com o processo educativo dos pacientes, capacitando-os a desenvolver um papel
proativo no cuidado da sua saúde.
A informação só tem sentido quando atinge eficazmente àqueles cidadãos que dela
necessitam em forma e tempo hábil de assimilá-la, compreendê-la, propiciando mudanças de
comportamento necessárias circunstancialmente. A informação quando divulgada com ética e
realmente compreendida, isto é, apropriada adequadamente pelas pessoas, é elemento
fundamental para evitar enganos prejudiciais em processos de tomada de decisões. O que
deve constituir objeto de estudos e preocupações constantes de estudiosos e profissionais que
militam em ambientes e situações que envolvam uso da informação, especialmente daquela
que afete a saúde e vida dos usuários, como no caso das informações contidas nas bulas de
medicamentos. Portanto, é realmente fundamental que as bulas sejam elaboradas com alto
padrão de qualidade, com informações imparciais e fundamentadas cientificamente, mesmo
quando estiverem dispostas em linguagem simplificada, como teoriza a própria ANVISA.

R EFER ÊN C IA S
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. Guia de redação de

bula.

Brasília:

ANVISA,

2009a.

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em:

&lt;www.anvisa.gov.br/

medicamentos/bulas/guia redacao.pdf&gt;. Acesso em: 1 nov. 2010.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. Resolução-RDC n.47
de 8 de setembro de 2009. Estabelece regras para elaboração, harmonização, atualização,
publicação e disponibilização de bulas de medicamentos para pacientes e para profissionais de
saúde. Diário Oficial da União, Brasília, 9 set. 2009b. Seção 1, p. 31-36.
CALDEIRA, T. R.; NEVES, E. R .Z.; PERINI, E. Evolução histórica das bulas de
medicamentos no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 4, p. 737-743, 2008.

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(sifar).

Brasília:

CFF,

2008b.

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essenciais a uma discussão sobre aberto à informação cientifica. Ciênc. Inf., Brasília, v.35,
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Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas) - Faculdade de Ciências Farmacêuticas,
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OAI: uma proposta na área de ciências da comunicação. In: INTERCOM - CONGRESSO
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Paulo:

INTERCOM,

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em:

&lt;http://galaxy.intercom.org.br:8180/dspace/bitstream/1904/5267/1/ENDOCOM_FERREIRA.
pdf&gt;. Acesso em: 28 set. 2011.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Pinto, Juliana Moreira, Silveira, Júlia Gonçalves da</text>
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                <text>No Brasil, a bula é considerada o principal material informativo fornecido aos pacientes na aquisição de medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica. Neste artigo, classificado como pesquisa de análise teórica, a bula é estudada como fonte de informação. Evidenciam-se as suas principais características e estrutura textual desse importante recurso informacional da área biomédica. Apresenta-se uma analogia do ciclo de transferência da informação, elaborado durante esta pesquisa, que vai da geração e coleta de informações científicas, na fase da descoberta e desenvolvimento de novos medicamentos, até a transposição dessas informações para uma linguagem técnica e para outra mais didática e acessível. Sendo a linguagem técnica adequada para os profissionais da saúde e a linguagem mais acessível destinada aos pacientes, usuários de medicamentos. Conclui-se que a Anvisa, através da Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº. 47/2009, objetiva padronizar as informações contidas nas bulas de medicamentos, registrados e notificados, comercializados no Brasil.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇO DE ACESSO REMOTO À REDE DA UFRJ E PORTAL CAPES:
EQUIVALÊNCIAS E DIFERENÇAS DE USO ENTRE PESQUISADORES
Fabíola Da Silva Pinudo
RESUMO
Caracteriza e investiga padrões de uso e motivações que mestrandos, doutorando, pósdoutorandos e professores de diferentes áreas fazem do Portal CAPES através do acesso
remoto à rede UFRJ, que é um serviço oferecido pelo Sistema de Bibliotecas e Informação da
UFRJ a sua comunidade. Apresenta um breve histórico dos periódicos científicos, tipifica seu
uso conforme as áreas, bem como apresenta um histórico e dados atuais sobre o Portal de
Periódicos da CAPES. Apresenta duas etapas da pesquisa: na primeira, há a caracterização do
serviço, cobertura deste na universidade e as diferentes incidências de uso conforme a área; na
segunda há a aplicação de questionário online para os inscritos no serviço em 2012. Apresenta
os resultados conforme a tipologia de ciências hard (duras) ou ciências soft (moles). Conclui
que há maior quantidade de usuários e maior aproveitamento do serviço e do Portal de
Periódicos da CAPES nas áreas de ciências Hard. Também é apontado uma maior tendência a
citar o Portal de Periódicos da CAPES como principal fonte de informação nas áreas de
Ciências Hard. Também são apresentados outros padrões de uso do serviço como de que
professores tendem a utilizar o Portal de Periódicos da CAPES com maior frequência e que a
língua não parece ser um impedimento ao interesse de conteúdos já que os periódicos de
maior interesse são os internacionais.
Palavras-Chave: Universidade Federal do Rio de Janeiro; UFRJ; Pesquisadores; Sistema de
Bibliotecas; Acesso Remoto; Portal de Periódicos da CAPES.
ABSTRACT
Characterizes and investigates usage patterns and motivations that master's, doctoral, post­
doctoral students and professors from different areas make the CAPES Portal via remote
access from UFRJ network, which is a service offered by the Library and Information System
UFRJ your community. Presents a brief history of scientific journals, typifies its use areas as
well as presents a historical and current data about the Portal de Periódicos da CAPES.
Presents two research stages: first, there is the characterization of service, coverage of the
university and the different implications depending on the area of use; in the second there is
the implementation of an online questionnaire for those enrolled in the service in 2012.
Presents the results according to the typology of sciences hard or sciences soft. Concludes that
there are more users and greater use of the service at Hard areas. It also points out a greater
tendency to cite the Portal de Periódicos da CAPES as the main source of information in
Areas Hard. Also featured are other patterns of service use like: teachers tend to use the Portal
more frequently and that the language does not seem to be an impediment to the interest of
content because the journals of greatest interest are international.
Keywords: Federal University of Rio de Janeiro; UFRJ; researchers; Library System; Remote
Access; Portal de Periódicos da CAPES.

479

�1 INTRODUÇÃO
O século XXI é marcado por muitas mudanças na forma da comunicação da ciência
seja em relação à estrutura e ao formato de apresentação do próprio periódico (com especial
atenção aos formatos eletrônicos) como também em relação ao aumento da complexidade das
áreas e do volume do que é publicado. Neste processo, observamos a perpetuação de alguns
fundamentos básicos, como, por exemplo, a noção de que é preciso comunicar os fatos
descobertos. Destacamos também a ideia de que o aumento da produtividade é a forma de
melhor competir por recursos, resultado das mudanças advindas no processo de transformação
na comunicação científica.
Deste modo, desde os meados do século XX, diversas agências e instituições de
pesquisa passam a medir a produção de cientistas como uma das formas de lhes atribuir valor
e orientar decisões políticas para a ciência e tecnologia.
Ações que viabilizam e estimulam o setor surgem em paralelo, tal como serviço
oferecido pelo governo brasileiro à boa parte dos pesquisadores brasileiros: o Portal de
Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Portal de
Periódicos da CAPES). Este é serviço estratégico para fomento da ciência brasileira, já que
visa garantir que, ao menos, uma parte da comunidade científica brasileira tenha acesso à
inúmeras publicações científicas, especialmente àquelas que não estão disponíveis
gratuitamente e exigem onerosas assinaturas.
O Portal de Periódicos da CAPES, existente desde o ano 2000, é um serviço
financiado pelo governo brasileiro e é considerado um modelo de consórcio de bibliotecas
único no mundo (PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES, 2012). O acesso aos conteúdos
restritos do serviço do Portal de Periódicos é aberto e gratuito para professores,
pesquisadores, alunos e funcionários de instituições participantes. Segundo dados de 2011
(PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES, 2012), 326 instituições de ensino superior
brasileiras são atendidas pelo Portal, dentre elas, dezenas de universidades federais de ensino
superior, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que é o campo de pesquisa
desta dissertação.
Na estrutura da UFRJ existe o Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI-UFRJ),
órgão que visa integrar o conjunto de 43 bibliotecas à administração e realidade de pesquisa e
educação da instituição. Criado em 1983, o SiBI-UFRJ oferece diversos serviços para a
comunidade acadêmica, dentre eles, o “acesso remoto às publicações científicas e ao Portal de
Periódicos da CAPES” para funcionários, professores e alunos de pós-graduação (SiBI-UFRJ,
2012). Com este acesso, os usuários podem navergar no Portal de Periódicos e nos demais

480

�periódicos e bases mantidos pela Instituição a partir de computadores remotamente ligados à
rede da universidade, ou seja, fora dos campi.
Através do acesso aos dados deste serviço, contabilizamos que até dezembro de 2012
foram atendidas 13.324 solicitações de discentes, docentes ou funcionários para utilizar o
acesso remoto. Destas, 7.316 pessoas têm seu cadastro ativo, enquanto 1.395 pessoas se
inscreveram em 2012. É sobre esta população que o presente trabalho se debruça, tanto para a
caracterização do serviço, tendo sempre em mente as diferentes áreas de conhecimento dos
usuários e seus vínculos com a universidade (ou seja, se são estudantes de mestrado,
doutorado, pós-doutorado ou professores), bem como na interpretação de possíveis padrões,
motivações e diferenças de uso do serviço e do Portal de Periódicos da CAPES.

2 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS: PRIMÓRDIOS E ATUALIDADE
A história da comunicação formal na ciência é marcada por dois tipos principais de
publicação: o livro e o periódico especializado, mas até o século XVI, aqueles se constituíam
no principal suporte, senão único, no mundo científico. Desde “Das revoluções dos corpos
celestes”, livro escrito por Copérnico, em 1534, temos um grande desenvolvimento no que diz
respeito ao número de publicações na ciência, o que foi decisivo para a consolidação de um
sistema de comunicação e informação científica de maior complexidade.
Desde os primeiros periódicos até hoje, o número deste tipo de publicação cresceu
significativamente. Diversos são os fatores que contribuíram para o sucesso dos periódicos e
sua consolidação como o principal meio difusor do conhecimento científico. Ziman destaca
que:
Os periódicos têm um papel importantíssimo na disseminação da literatura
científica, por seu caráter de publicação regular, proporcionando divulgação
rápida e garantida dos resultados de um número maior de pesquisas que, se
tomadas separadamente, não teriam grande significação, mas que, ao serem
reunidas umas as outras, são capazes de estimular novos trabalhos e
promover avanços científicos. (ZIMAN, 1979 p. 81)
A criação dos periódicos veio da necessidade de se incrementar um sistema de
comunicação entre cientistas e de pessoas interessadas em serem informadas sobre as novas e
crescentes realizações da ciência. Eles são o marco inicial da formalização do processo da
comunicação na ciência e também do aparecimento de um elemento fundamental deste
processo: a editoração.

481

�Com o passar do tempo, foram delineadas e ampliadas as estruturas da comunicação
formal entre (e para) os cientistas e o periódico se tornou um meio de comunicação mais
dinâmico do que poderiam ser os livros. Sobre este processo de substituição, Stumpf (1996)
afirma que ele decorreu em função de dois tipos de pressão: o reclamo pela prioridade das
descobertas e o custo de sua produção. Para assegurar a legitimidade da descoberta e
economizar no custo das impressões, os cientistas logo começaram a publicar seus trabalhos
em parte.

Assim, com o tempo, esses compêndios em publicações regulares foram

legitimados e, no século XIX, as revistas adquiriram suas características atuais.
Destacamos que é papel do periódico científico ser o veículo difusor das pesquisas
mais recentes de uma área enquanto os livros detêm o conhecimento mais consolidado,
revelando diferentes funções e uma convivência conjunta nos dias atuais. Periódicos e livros
assumem, assim, diferentes funções na comunicação científica, seus usos também variam de
acordo com as dinâmicas de comunicação das diferentes áreas, determinadas, dentre outros
aspectos, pelo comportamento de seus pesquisadores.
De acordo com Garvey (1979 apud TARGINO, 2000, p. 18), há dois tipos de
variações presentes no comportamento dos cientistas: as interindividuais e as intraindividuais.
Estas se dão no interior de cada grupo e aquelas mostram as diferenças entre pesquisadores de
grupos distintos. Desta forma, é possível imaginar que cientistas de diferentes áreas têm
motivações distintas quanto ao uso de periódicos.
Estudos sobre o uso dos periódicos em diferentes áreas do conhecimento sugerem que
estudiosos das áreas de ciências sociais e humanidades tendem a referenciar mais livros em
seus artigos enquanto os das chamadas ciências hard tendem a referenciar mais trabalhos
editados por periódicos. Assim, mesmo com as diferenças interindividuais entre
pesquisadores de humanidades e ciências sociais, estas áreas têm mostrado diferentes
preferências em relação às ciências mais “duras”, experimentais, também conhecidas como
hard (NEDERHOF, 2006).
Em tempo e considerando que a discussão desta tipologia de ciências soft e hard não
seja foco desta pesquisa, para fins ilustrativos cremos ser interessante apresentar estas
definições. De acordo com o dicionário “dictionary.com”, podemos definir ciência hard como
“qualquer das ciências naturais ou físicas, como química, biologia, física ou astronomia, em
que aspectos do universo são investigados por meio de hipóteses e experimentos”.
(DICTIONARY, 2014) Também, a ciência soft pode ser definida como:

482

�qualquer um dos campos ou disciplinas especializadas, como a psicologia,
sociologia, antropologia, ou ciência política, que interpretar o
comportamento humano, instituições, sociedade, etc, com base em
investigações científicas para as quais pode ser difícil de estabelecer critérios
rigorosamente mensuráveis. (DICTIONARY, 2014)
Embora possamos perceber uma maior orientação dos pesquisadores de ciências
sociais e humanidades por livros, não é possível afirmar que esta é uma condição geral de
todos os seus campos de estudo. Na verdade, como propõe Nederhof (2006, p. 83), alguns
comportamentos de citação de certas áreas das ciências sociais e humanidades, se assemelham
mais às ciências naturais e da vida do que propriamente ao perfil tradicional das humanidades.
Por exemplo, Glãnzel e Schoeplin (1999 apud NEDERHOF, 2006 p. 85) ao analisarem as
referências na base de dados da SCI e SSCI concluíram que 64% das citações da área de
Psicologia e 56% da Administração se concentraram em periódicos, enquanto os percentuais
da área de Economia, Sociologia e História e Filosofia foram menores: 49%, 40% e 35%,
respectivamente. Estes percentuais revelam uma acentuada discrepância no uso destas fontes
em relação às chamadas ciências hard uma vez que a Física apresentou 85% de citações
provenientes de periódicos e a Química 84%.

3 O PORTAL DE PERIÓDICOS DA COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO
DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR (PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES)
Criada em 1951, a CAPES, é uma fundação do Ministério da Educação (MEC), que
tem o objetivo de expandir e consolidar a os programas de pós-graduação stricto-sensu
(mestrado e doutorado) no Brasil. Segundo seu próprio site (Portal de Periódicos da CAPES,
2013), suas atividades podem ser agrupadas nas seguintes linhas de ação:
4. avaliação da pós-graduação stricto sensu;
5. acesso e divulgação da produção científica;
6. investimentos na formação de recursos de alto nível no país e exterior;
7. promoção da cooperação científica internacional;
8. indução e fomento da formação inicial e continuada de professores para a educação
básica nos formatos presencial e a distância.
Assim, uma de suas funções é estimular a publicação de trabalhos dos pesquisadores
brasileiros já que é uma forma de atribuir valor à pesquisas e, por conseguinte, parte dos
critérios de concessão de fomentos a projetos de pesquisa.
O conteúdo inicial do Portal de Periódicos, ou seja, o conteúdo disponibilizado nos anos
2000, incluía 1.419 títulos de periódicos em texto completo. Após mais de dez anos, podemos

483

�observar que estes números cresceram significativamente, como demonstra a Tabela 1, que
ilustra os quantitativos entre 2002 a 2011. No ano de 2002, o Portal de Periódicos
disponibilizava acesso a um total de 2.096 títulos; em 2011, este número sobe para 31.020,
um aumento superior a quatorze vezes.

Tabela 1 - Evolução dos periódicos com texto completo (2002-2011)
Ano
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Fonte: Portal

Periódicos (n)
2.096
3.379
8.516
9.530
10.919
11.419
12.365
22.525
26.372
31.020
de Periódicos da CAPES, 2012

Por fim, outra questão essencial para nosso estudo está na distribuição de conteúdos do
Portal de acordo com as áreas do conhecimento.

Tabela

2 -

Representatividade

do

conteúdo

no

Portal

de

Periódicos

(2011)

Porcentagem (%)
Área do conhecimento
24,0
Ciências da Saúde
17,9
Ciências Humanas
13,0
Ciências Sociais Aplicadas
12,7
Ciências Exatas e da Terra
Ciências Biológicas
12,5
Engenharias
9,8
Linguística, Letras e Artes
5,0
Ciências Agrárias
3,7
Ciências Ambientais
0,9
Multidisciplinar
0,6
Fonte: Portal de Periódicos da CAPES, 2012

484

�De acordo com estes dados, é possível verificar que as áreas duras representam a
maior fração de conteúdos que está disponibilizado no Portal. Os conteúdos das Ciências da
Saúde, Biológicas, Exatas e da Terra, Engenharias e Agrárias somam quase 63% do total do
Portal.

Gráfico 1 - Evolução do número de acessos ao Portal de Periódicos da CAPES (2003
- 2012)

200 }

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

Fonte: Portal de Periódicos da CAPES, 2012

As estatísticas oficiais sobre o Portal de Periódicos da CAPES (PORTAL DE
PERIÓDICOS DA CAPES, 2012) apontam que, em 2003, 99 instituições utilizavam o
serviço e em 2013 este número saltou para 407. Da mesma forma, vemos um considerável
aumento na sua coleção de periódicos (Tabela 1) e também em um aumento significativo de
acessos a bases e periódicos (Gráfico 1). Assim, inferimos haver uma maior democratização
de informações para o fortalecimento da atividade de, ao menos, alguns campos de pesquisa
no Brasil. Entretanto, a necessidade de levar o Portal de Periódicos aos programas de pósgraduações das universidades se dá especialmente ao fato da necessidade de implementar
maior qualidade a duas importantes instituições para a ciência brasileira: A CAPES e as
universidades públicas.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Este é um estudo de caso. Ele tem como tema central o Portal de Periódicos da
CAPES, tendo a UFRJ como campo de estudo.

485

�Para iniciar o estudo, o primeiro passo foi decidir e selecionar quais usuários do
Acesso Remoto da UFRJ participariam. A escolha foi pelo grupo de usuários que solicitaram
o serviço em 2012 e que fossem estudantes de pós-graduação (Stricto-Sensu) e professores.
Em paralelo à etapa de seleção dos sujeitos deste estudo, foi elaborado o questionário
"Usuários da UFRJ, Acesso Remoto e o Portal de Periódicos da CAPES”. Este foi elaborado a
partir do programa online Survey Monkey , que permite recuperar as respostas em formato do
Programa Excel, facilitando as análises.
Importante salientar que a etapa de envio do questionário contou com a participação
da coordenadora do SiBI-UFRJ, que, para fins de respeito à confidencialidade dos dados de
contato e nomes dos usuários registrados serviço, enviou um e-mail aos inscritos em 2012.
Através deste e-mail, remetido através da conta de e-mail que administra o serviço e assinado
pela coordenadora, cada usuário, conforme sua vontade, pôde optar por isentar-se da
participação e do recebimento do questionário.

5 O ACESSO REMOTO E O PERFIL DOS USUÁRIOS DA UFRJ
Como dito anteriormente, o “acesso remoto à rede da UFRJ” é um serviço oferecido
pelo Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ (SiBI-UFRJ) para funcionários,
professores e alunos de pós-graduação, que permite o acesso a algumas assinaturas de
publicações e ao Portal de Periódicos da CAPES fora dos campi da universidade.
Completamos as informações sobre o serviço ao expor que, diante das onerosas
assinaturas de periódicos, atualmente o SiBI-UFRJ não mantém contrato com editoras e
representantes de bases.
Segundo dados de 2012, a universidade contava com 179 cursos de pós-graduação no
ano de 2011; dentre estes 90 eram de mestrado, 7 de mestrado profissional e 82 doutorados. O
quantitativo de ingressantes nos programas de mestrado em 2011 foi de 2.185 pessoas,
somando-se a um panorama 5.543 matrículas ativas (UFRJ, 2012). No mestrado profissional,
foram 152 novas matrículas e 390 matriculados. Em relação ao doutorado, houve 1.195
ingressantes, no ano de 2011, que se somam a 5.102 matrículas ativas. Os titulados naquele
ano chegaram ao número de 1.480 provenientes dos programas de mestrado e 705 de
doutorado (UFRJ, 2012). Já o quadro de professores inclui 3.758 docentes do magistério
superior e destes, 3.030 possuíam doutorado; os técnico-administrativos somavam 9.264,
1.286 especialistas, 500 mestres e 120 doutores (UFRJ, 2012).48

48 O programa Survey Monkey pode ser acessado através do endereço: &lt;http://pt.surveymonkey.com/&gt;

486

�O serviço de acesso remoto completou, em 2013, 10 anos de existência na UFRJ. Ele
foi implantado em 2003 e, desde então, 13.324 de estudantes, docentes e funcionários já
solicitaram a inscrição, segundo nosso levantamento. Como o serviço tem o foco no apoio à
pesquisa, ele está disponível apenas para usuários vinculados à Programas de Pós-Graduação,
professores, alunos e funcionários da instituição49. Em tempo, lembramos que o serviço está
disponível apenas para usuários com número de matrícula ativa na UFRJ e estes perdem
direito ao acesso ao concluírem seus cursos ou se aposentarem50, no caso de professores e
funcionários.
Até o fim de 2012, havia 7.316 pessoas com inscrições ativas no serviço e,
considerando os dados de pessoal divulgados no mesmo ano, o quantitativo de inscritos
representava 11,7% do corpo acadêmico da instituição. Ao considerarmos o quantitativo de
doutorandos, mestrandos, pós-doutorandos e professores da universidade (nossa variável
chamada “pesquisadores”), que soma 14.888, chegamos a um percentual de cerca de 40% de
pesquisadores cobertos pelo serviço, uma importante parcela da comunidade da UFRJ.

Gráfico 2- Número de usuários ativos do acesso remoto da UFRJ por Centro (2003 - 2012)

Como percebemos no Gráfico 2, a maior parte dos usuários do serviço de acesso
remoto é proveniente do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e do Centro de Tecnologia (CT).
Assim como vimos na tabela 2, a área de Ciências da Saúde é a que apresenta maior cobertura
dentro do Portal CAPES, com 24% de abrangência. O percentual de usuários provenientes do

49 Embora tenha foco nos pesquisadores de pós-graduação da universidade, existem alguns inscritos que não
estão atrelados a estes programas. Normalmente, são alunos bolsistas da graduação ou residentes que tem o
acesso liberado mediante o contato de um professor com o SiBI-UFRJ.
50Alguns professores, no entanto, solicitam prosseguir utilizando o serviço de acesso remoto por terem uma vida
ativa na universidade, embora aposentados.

487

�Centro de Ciências da Saúde que utiliza o serviço de acesso remoto na universidade chega a
42% do total de inscritos (n=3.095).
Em contrapartida, observamos que na tabela 2 há a indicação de que a cobertura de
conteúdos das Humanidades chega a quase 18% e consta como o segundo mais bem colocado
dentro do Portal, mas na UFRJ, apenas 7% dos inscritos no serviço (n=504) são provenientes
do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH).
Em relação aos usuários provenientes do CT, um centro que representa as ciências
hard na Universidade, eles chegam a aproximadamente 27% dos usuários inscritos (n=1.947).
Juntos com os usuários do CCS, eles representam o total de quase 69% de usuários do acesso
remoto.

No entanto, temos que considerar os usuários advindos do CCMN (Centro de

Ciências da Matemática e da Natureza) para montar o nosso panorama de usuários
provenientes deste grupo como majoritários. Os usuários do CCMN chegam a 10% (n=751)
da comunidade atendida pelo serviço. Assim, considerando os três centros como
representantes das ciências hard, podemos concluir que o serviço de acesso remoto tem
atendido muito mais a estes centros já que eles representam 79% dos pesquisadores que
utilizam o acesso remoto.
Voltando à questão da representatividade das áreas no Portal

de Periódicos da

CAPES, constatamos anteriormente que os conteúdos de ciências hard somavam 63% da
temática da base - firmando-se como os principais campos cobertos pela ferramenta. Assim,
confirmamos a tendência da comunidade da UFRJ a acompanhar esta perspectiva, embora nos
deparemos com fortes questionamentos sobre quem utiliza estas fontes de Ciências Humanas,
Sociais e Aplicadas, Letras, Artes e Linguística. Estas, que somam 36% dos conteúdos do
portal, à priori, seriam o foco dos apenas 1.232 usuários vinculados ao CFCH, CCJE (Centro
de Ciências Jurídicas e Econômicas) e CLA (Centro de Letras e Artes), institutos de estudos
das “chamadas” ciências soft da universidade.
Estes resultados nos dão indício que, embora tenhamos um público das originário das
ciências soft que utiliza o serviço de acesso remoto, a pesquisa por periódicos através do
Portal de Periódicos da CAPES ainda não parece uma realidade para a comunidade científica
da UFRJ destes campos.6

6

MOTIVAÇÕES

QUANTO

AO

USO

DO

ACESSO

REMOTO

DOS

PESQUISADORES DA UFRJ
Como apontado anteriormente, 1.393 pessoas solicitaram o cadastro no ano de 2012.
Destes, foi constatado que 1.113 eram professores, pós-doutorandos e alunos de programas de

488

�pós-graduação (Stricto-Sensu), ou seja, o público definido como "pesquisador". Do restante
dos usuários que fizeram a solicitação em 2012, 193 eram alunos de especialização, 64
funcionários, 12 alunos de iniciação científica e 11 usuários se encaixavam em perfis
especiais, como pesquisadores que estão atrelados a projetos da universidade, embora não
possuam vínculo institucional.
Foram enviados 1.113 e-mails, através da coordenadora do SiBI-UFRJ, para que estes
pudessem expressar a vontade em não receber o questionário e, consequentemente, não
participar da pesquisa. Somente após esta etapa é que foi enviado o link para o "Questionário:
Usuários da UFRJ, Acesso remoto e o Portal de Periódicos da CAPES" para os pesquisadores
cadastrados no serviço. Excluindo os usuários que optaram em não participar da pesquisa e os
e-mails que retornaram por problemas técnicos, 167 pesquisadores responderam ao
questionário.
Em relação ao centro de vínculo, observamos uma maior participação de alunos de
mestrado do Centro de Tecnologia (n= 30), embora estes não estejam em maior quantidade no
total de inscritos no serviço. Como vimos anteriormente, os inscritos vinculados ao Centro de
Ciências da Saúde (CCS) representam 42% dos usuários do serviço e os do Centro de
Tecnologia (CT) 27%, que juntos somam 69% dos inscritos. Partindo desta perspectiva,
julgamos ter tido um melhor retorno para esta pesquisa dos usuários do CT, que enviaram 44
questionários respondidos. Os usuários do CCS responderam à mesma quantidade de
questionários, 44. Somamos a este quadro, os 36 respondentes do Centro de Ciências da
Matemática e da Natureza (CCMN), os 23 do Centro de Filosofia e Humanidades (CFCH), os
11 do Centro de Ciências Contábeis, Jurídicas e Econômicas (CCJE), os três do Fórum de
Ciência e Cultura, os 3 do Centro de Letras e Artes (CLA), os dois do campus de Macaé,
um/a do campus de Xerém (pós-graduação vinculada ao CCS) e uma que relatou não ter
vínculo institucional. A Tabela 3 mostra a distribuição dos respondentes em relação ao tipo e
Centro de vínculo.

489

�Tabela 3 - Distribuição dos respondentes do questionário segundo centro de vínculo
Centros
Ciências
Hard
CT
CCS
CCMN
Ciências Soft
CFCH
CLA
CCJE
FCC
Campus
Xerém
Campus
Macaé
TOTAL

Mestran
dos

Doutoran
dos

PosDoutorandos

Docent
es

TOTA
L

30
19
18

10
13
12

4
5
3

0
7
3

44
44
36

11
3
8
0
0

9
0
3
3
0

1
0
0
0
0

2
0
0
0
1

23
3
11
3
1

1

0

0

1

2

90

50

13

14

167

Considerando os Centros como unidades que representam as grandes áreas da ciência,
revemos aqui o padrão de maior representatividade das ciências hard (CCS, CT e CCMN),
somando 124 respondentes, ou seja, 74% do total.

6.1 Os participantes do estudo e as motivações para solicitar o acesso remoto
Perguntados sobre como tomaram conhecimento sobre o serviço de acesso remoto, 12
respondentes informaram que foi através de cartazes enquanto 13 citaram palestras e cursos
oferecidos pelas bibliotecas ou pelo SiBI-UFRJ. Também, 15 participantes apontaram os sites
das bibliotecas da UFRJ e do SiBI-UFRJ como os divulgadores. Entretanto, 112 respondentes
indicaram a sugestão de colegas e professores (n=66) do/a orientador/a (n=46). Outras
respostas incluíam o SIGA51, informações divulgadas em outras instituições, palestras de
disciplinas ou não lembravam como tomaram conhecimento. Este dado indica que mesmo
com as divulgações de serviços e treinamentos, os colégios invisíveis tiveram um maior
impacto já que 67% deste público tomou conhecimento do serviço pela indicação de outros
pesquisadores.
Em relação às motivações para solicitar o serviço, elas estão apresentadas no Gráfico
3. Nesse conjunto de dados, os respondentes teriam que concordar ou discordar das
afirmativas sobre suas motivações.
51 O Sistema de Gerenciamento Acadêmico, ou SIGA, disponibiliza aos estudantes da UFRJ seus históricos,
boletins, dados pessoais e demais informações acadêmicas.

490

�Observando o Gráfico 3, vemos que a maioria dos respondentes considera utilizar o
serviço fora do expediente normal e durante o fim de semana.

Gráfico 3 - Distribuição das respostas segundo os diferentes níveis de concordância nas
questões sobre a motivação de uso do acesso remoto

Dos 164 respondentes destas questões, 157 citam que fizeram a solicitação para
utilização principalmente fora do expediente e de horários de aula; 149 “concordam” ou
“concordam plenamente” que solicitaram o serviço para utilizá-lo principalmente durante o
fim de semana. Outros responderam que a motivação no acesso também se deu pela falta de
infra-estrutura de redes e computadores da Universidade, embora não se veja um padrão tão
acentuado quanto nos apontamentos anteriores. Assim, mesmo considerando o espaço da
Universidade, este conjunto de informações nos leva à ideia de que estes pesquisadores
investem um tempo extra, além dos expedientes formais, em suas pesquisas.

6.2 Os participantes do estudo, o acesso remoto e o Portal de Periódicos da CAPES
Também perguntamos sobre a frequência de uso do Portal de Periódicos. Esta questão
também aponta uma dimensão sobre a motivação dos nossos respondentes. Nesse caso,
gostaríamos de saber sobre o uso estar condicionado apenas à necessidade de produzir um
trabalho ou se ele também poderia ser considerado um hábito incorporado na rotina do
respondente.

491

�Entre os respondentes, 27%, ou seja, 46 apontaram usar o Portal de Periódicos apenas
quando estão escrevendo uma publicação. Entretanto, 65 respondentes afirmaram acessá-lo
pelo menos uma vez por semana e 17 todos os dias.
Em tempo, 13 respondentes que marcaram o campo “outro” justificaram que não têm
uma frequência definida de uso ou que esta varia muito de acordo também com outras
motivações como “aulas e seminários”. Um/a aluno/a de doutorado, do Museu Nacional,
citou não utilizar o Portal de Periódicos da CAPES por desaprovar sua interface e outro/a, do
Instituto de Química, informou acessar diretamente outras bases (assunto que será retornado
mais adiante).
Na perspectiva desta análise, nos parece que o uso do Portal de Periódicos tende a
ocorrer mais em função de um hábito, ou rotina, entre os pesquisadores do que da necessidade
direta em publicar.
Em relação à mesma questão, também gostaríamos de saber sobre a frequência de uso
com base no vínculo institucional.

Em termos proporcionais, os pesquisadores do CCS

acessam o Portal com maior frequência, tendo 20% de respondentes que dizem utilizar a fonte
todos os dias. Já 48% e 54% de pesquisadores vinculados ao CFCH e ao CCJE,
respectivamente, dizem que acessam o Portal de Periódicos da CAPES apenas quando estão
escrevendo.

Gráfico 4 - Distribuição das respostas dos participantes sobre a frequência de uso do
Portal de Periódicos da CAPES segundo o grupo de Centro de vínculo na UFRJ

Ainda sobre o uso, nos interessava saber se o tipo de vínculo poderia expressar um uso
diferenciado deste serviço e percebemos que alunos tendem a utilizar o Portal de Periódicos

492

�da CAPES com menos frequência do que os docentes. Alunos tendem a usar mais o Portal de
Periódicos quando motivados pela escrita de uma publicação, o que ocorre de forma mais
moderada entre os docentes. Os pós-doutorandos mostram um perfil intermediário, ou seja,
estão distribuídos de forma equilibrada no que diz respeito à periodicidade quanto à
necessidade

mais

imediata

em

escrever

um

trabalho.

Em relação às motivações sobre as coleções de periódicos do Portal de Periódicos
CAPES, apenas 7 pesquisadores citaram ter preferência por títulos nacionais enquanto 92
responderam ter preferência por periódicos internacionais - o que valida esta coleção. Outros
66 afirmaram que a nacionalidade do periódico não importa. Concluímos, então, uma maior
tendência à leitura de periódicos internacionais, embora exista um grupo significativo para
qual este aspecto não possui tanta influência.
Também no que diz respeito ao interesse nas coleções de publicações disponíveis, 99
pesquisadores afirmaram que o Portal é sua principal fonte de informação para pesquisas,
enquanto 67 afirmaram o contrário. Os que citaram que o portal é sua principal fonte de
pesquisa, em termos proporcionais, representam 64% do total de pesquisadores dos Centros
de ciências hard. Em contrapartida, temos 46% dos pesquisadores dos centros de ciências
soft que apontam o Portal de Periódicos como sua principal fonte de informação. Destaca-se
nesse aspecto o Centro de Ciências da Saúde, no qual 73% dos pesquisadores apontam o
Portal de Periódicos da CAPES como sua principal fonte.
Entre os 67 pesquisadores que responderam que o Portal de periódicos da CAPES não
é sua principal ferramenta de pesquisa, estes apontaram que estas seriam principalmente:
-

Livros, bibliotecas e material impresso (citado 15 vezes)

-

Google e Google acadêmico (citado 14 vezes)

-

ScienceDirect (citada 8 vezes)

-

PubMed (citada 5 vezes)

-

Web of knowledge / Web of Science (citada 3 vezes)

-

JSTOR (citada 2 vezes)

-

Scifinder (citada 2 vezes)

-

IEEExplore (citada 2 vezes)

-

Scielo (citado 2 vezes)
Julgamos que apenas as ferramentas do Google e os livros se constituem efetivamente

uma alternativa ao uso do Portal. Livros, revistas e bibliotecas foram citados como principal

493

�fonte em maior proporção por pesquisadores do CCMN (n= 5) e CFCH (n= 5). O Google e
Google Acadêmico foram citados em maior proporção pelo CT (n= 6).

5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Entendemos que este não é um estudo exaustivo e que algumas limitações da pesquisa
devem ser salientadas. A principal está relacionada a um tempo limitado para a pesquisa e ao
baixo quantitativo de respondentes, que não é representativo do universo de cadastrados no
serviço. Uma população reduzida impossibilitou maiores comparações entre os diversos
vínculos dos pesquisadores, a saber: mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos e docentes.
No entanto, é relevante considerar também que estas categorias se ilustram na mesma
proporção que encontramos de usuários no serviço, ou seja, temos um maior quantitativo de
inscritos provenientes dos mestrados, seguidos dos doutorandos e assim por diante.
Embora tenhamos limitações, consideramos o estudo relevante por oferecer algumas
respostas sobre um grupo de usuários de um serviço de abrangência na UFRJ e entre seu
corpo de pesquisadores.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Inserida no cenário dos principais centros de pesquisas nacionais, a UFRJ tem
contribuído no sentido de promover recursos para melhoria na produção científica, no entanto,
apresenta a mesma fragmentação de áreas que a ciência tem experimentado. As divisões
interindividuais e entre pesquisadores de ciências soft e hard são inegáveis e cumprem uma
função metodológica importantíssima. A ideia de que temos áreas e pesquisadores mais
privilegiados é uma realidade, assim como não é possível negar que questões baseadas na
quantidade do que se “investe” é uma atribuição de valor que vigora na ciência. Os
paradigmas e métodos que visam compreender o comportamento das áreas de conhecimento
não apenas são importantes em termos do seu caráter científico, mas também representam o
potencial para uma influência na realidade.
Percebemos, em termos proporcionais e no contexto deste estudo, há uma tendência ao
maior aproveitamento do Portal de Periódicos da CAPES nas ciências hard, visto que,
inclusive, temos perto de 80% de inscritos no serviço provenientes Centros de Ciências da
Saúde, Centro de Tecnologia e Centro de Ciências da Matemática e Natureza.
Assim, concluímos ser essencial que repensemos, em termos globais, os modelos de
serviços que dispomos aos pesquisadores com base em suas necessidades e especificidades de

494

�seus contextos, bem como percebamos as diferenças de fontes e recursos de informações
ofertados atualmente.
Com esta pesquisa esperamos contribuir para o desenvolvimento dos estudos sobre o
Portal de Periódicos da CAPES, repensando seu papel para cada área em particular.

6 REFERÊNCIAS

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2014
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PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR - PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES. Missão e
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&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br/index.php?
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em: 24 jun. 2013.
___________________________. Estatísticas de uso.
Disponível em: &lt;http://
www.periodicos.capes.gov.br/index.php?mn=69&amp;smn=77&gt;. Acesso em: 24 jun. 2013.
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ico&amp;mn=69&amp;smn=87&gt;. Acesso em: 24 out. 2012.
_____________________________. Quem participa.
Disponível em: &lt;http://
www.periodicos.capes.gov.br/index.php?option=com_pcontent&amp;view=pcontent&amp;alias=quem
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DE

BIBLIOTECAS

E

INFORMAÇÃO

DA

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-

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ. UFRJ em números - Anuário
estatístico (2011). Disponível em: &lt;http://www.ufrj.br/docs/lai/ufri-em-numeros.pdf&gt; Acesso
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ZIMAN, J. O homem e a ciência: conhecimento público. São Paulo: Editora da Universidade
de São Paulo, 1979.

495

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Caracteriza e investiga padrões de uso e motivações que mestrandos, doutorando, pósdoutorandos e professores de diferentes áreas fazem do Portal CAPES através do acesso remoto à rede UFRJ, que é um serviço oferecido pelo Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ a sua comunidade. Apresenta um breve histórico dos periódicos científicos, tipifica seu uso conforme as áreas, bem como apresenta um histórico e dados atuais sobre o Portal de Periódicos da CAPES. Apresenta duas etapas da pesquisa: na primeira, há a caracterização do serviço, cobertura deste na universidade e as diferentes incidências de uso conforme a área, na segunda há a aplicação de questionário online para os inscritos no serviço em 2012. Apresenta os resultados conforme a tipologia de ciências hard (duras) ou ciências soft (moles). Conclui que há maior quantidade de usuários e maior aproveitamento do serviço e do Portal de Periódicos da CAPES nas áreas de ciências Hard. Também é apontado uma maior tendência a citar o Portal de Periódicos da CAPES como principal fonte de informação nas áreas de Ciências Hard. Também são apresentados outros padrões de uso do serviço como de que professores tendem a utilizar o Portal de Periódicos da CAPES com maior frequência e que a língua não parece ser um impedimento ao interesse de conteúdos já que os periódicos de maior interesse são os internacionais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PANORAMA HISTÓRICO DA ATIVIDADE REALIZADA PELA BIBLIOTECA DA
UNESP - CAMPUS DE BOTUCATU-RUBIÃO JUNIOR
Luciana Pizzani
Rosemary Cristina da Silva

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo apresentar um panorama histórico do trabalho de indexação
de periódicos na base de dados LILACS, realizado na Seção Técnica de Referência,
Atendimento ao Usuário e Documentação da Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação
da Unesp, campus Botucatu-Rubião Junior. A parceria efetuada entre a BIREME e a
biblioteca universitária já na década de 1982 reflete a preocupação em promover a
disseminação e uso da informação científica em saúde a todos os seus usuários.
Palavras-Chave: Indexação; Representação da Informação; Biblioteca Universitária.

ABSTRACT
This work aims to present an overview of the historic panorama of work of indexing journals
in LILACS database, held at the Technical Reference Section, Service User and Technical
Documentation Library and Documentation Division of UNESP, Botucatu campus-Rubiao
Junior. The partnership made between BIREME and Technical Division of Library and
Documentation in the decade from 1982 reflects the concern to promote the dissemination
and use of scientific information on the health of all its users.
Keywords: Indexing; Representation of Information; University Library.

1 INTRODUÇÃO
A Análise Documentária é definida como um conjunto de procedimentos
metodológicos aplicáveis ao conteúdo informacional de documentos, tendo em vista a
recuperação da informação. Seu principal objetivo, ao analisar textos, é tratá-los através da
condensação e representação para fins de recuperação (MEDEIROS, 1999).
A indexação e a elaboração de resumos, elementos de condensação e representação,
são consideradas tarefas documentárias, que graficamente, podem ser representadas na Figura
1.

3302

�Figura 1: Representação descritiva da informação

Fonte: Elaborada pelos autores.

A indexação é uma das partes mais importantes da analise documentaria. É o ato de
identificar e descrever o conteúdo de um documento com termos representativos dos seus
assuntos e que constituem uma linguagem de indexação (ABNT, 1992).
Os termos representativos dos conteúdos (os descritores) são extraídos dos
vocabulários contralados ou tesauros que expressam os conceitos de uma ou varias áreas do
conhecimento (ABNT, 1992).
A Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da UNESP, campus BotucatuRubião Junior, realiza há 32 anos a indexação de periódicos em bases de dados, mais
especificamente, na base de dados LILACS - Literatura Latino-Americana e do Caribe em
Ciências da Saúde, que é uma base cooperativa do Sistema BIREME que compreende a
literatura relativa às Ciências da Saúde.
Sendo assim, esse trabalho tem como objetivo apresentar o panorama histórico do
desenvolvimento da atividade de indexação realizada em parceria com a BIREME, na Seção
Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e Documentação da Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação da UNESP, campus Botucatu-Rubião Junior.

2 O SISTEMA BIREME
A BIREME é um centro especializado em informação científica e técnica em Saúde
para a região da América Latina e Caribe.
Neste momento resumiremos as partes mais importantes para entendermos a finalidade
da instituição e como ela faz a seleção do material para inserção nas bases que compõe o
sistema. Utilizaremos como fonte informacional o site da Bireme (www.bireme.br), que
disponibiliza todo o histórico da instituição.

3303

�A BIREME está estabelecida no Brasil desde 1967, com o nome de Biblioteca
Regional de Medicina (que originou a sigla BIREME), atendendo desde o princípio à
demanda crescente de literatura científica atualizada por parte dos sistemas nacionais de saúde
e das comunidades de pesquisadores, profissionais e estudantes. Posteriormente, em 1982,
passou a chamar-se Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da
Saúde (conservando, porém, sua sigla), para melhor expressar as suas funções orientadas ao
fortalecimento e ampliação do fluxo de informação científica e técnica em saúde em toda a
região.
Os principais fundamentos que dão origem e suporte à existência da BIREME são:
acesso à informação científico-técnica para o desenvolvimento da saúde; a necessidade de
desenvolver a capacidade dos países da América Latina e do Caribe de operar as fontes de
informação em saúde de forma cooperativa e eficiente; a necessidade de promover o uso e de
responder às demandas de informação em saúde dos governos, dos sistemas de saúde e das
instituições de ensino e investigação.
A BIREME coordena e realiza atividades de cooperação técnica em gestão de
informação e conhecimento científico com o objetivo de fortalecer e ampliar o fluxo de
informação científica em saúde no Brasil e nos demais países da América Latina e Caribe,
como condição essencial para o desenvolvimento da saúde, incluindo planejamento, gestão,
promoção, investigação, educação e atenção.
O convênio que fundamenta a BIREME é renovado a cada cinco anos pelos membros
do Comitê Assessor Nacional da instituição (OPAS, Ministério da Saúde do Brasil, Ministério
da Educação e Cultura do Brasil, Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e Universidade
Federal de São Paulo - UNIFESP). Esta última oferece a infraestrutura física necessária ao
estabelecimento da instituição.
Com o surgimento e consolidação da internet como meio predominante de informação
e comunicação, o modelo de cooperação técnica evoluiu, a partir de 1998, para a construção e
desenvolvimento da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) como espaço comum de
convergência do trabalho cooperativo de produtores, intermediários e usuários de informação.
A BVS promove o desenvolvimento de uma rede de fontes de informação científica e técnica
com acesso universal na internet. Pela primeira vez abre-se a possibilidade real de acesso
equitativo à informação em saúde.
A BIREME tem a Biblioteca Virtual em Saúde como modelo para a gestão de
informação e conhecimento, o qual envolve a cooperação e convergência de instituições,
sistemas, redes e iniciativas de produtores, intermediários e usuários na operação de redes de

3304

�fontes de informação locais, nacionais, regionais e internacionais, privilegiando o acesso
aberto e universal.
Hoje todos os países da América Latina e Caribe participam direta ou indiretamente
dos produtos e serviços cooperativos promovidos pela BVS.
A BVS é simulada em um espaço virtual da internet formada pela coleção ou rede de
fontes de informação em saúde da Região. Usuários de diferentes níveis e localização podem
interagir e navegar no espaço de uma ou várias fontes de informação, independentemente de
sua localização física. As fontes de informação são geradas, atualizadas, armazenadas e
operadas na internet por produtores, integradores e intermediários, de modo descentralizado,
obedecendo a metodologias comuns para sua integração na BVS.
A BVS organiza a informação em uma estrutura que integra e interconecta bases de
dados referenciais, diretórios de especialistas, eventos e instituições, catálogo de recursos de
informação disponíveis na internet, coleções de textos completos, com destaque para a
coleção SciELO (Scientific Electronic Library Online) de periódicos científicos, serviços de
disseminação seletiva de informação, fontes de informação de apoio à educação.
O espaço da BVS constitui, portanto, uma rede dinâmica de fontes de informação
descentralizada a partir da qual se pode recuperar e extrair informação e conhecimento para
subsidiar os processos de decisão em saúde.
Para a inserção de documentos nas bases de dados foi criada uma metodologia
denominada Metodologia LILACS, constituída de normas, manuais, guias e aplicativos
destinados à coleta, seleção, descrição, indexação de documentos e geração de bases de dados.
Atualmente fazem parte desse sistema as bases: LILACS, BBO, BDENF, MEDCARIB e
bases de dados nacionais dos países da América Latina.
Essa metodologia foi desenvolvida a partir de 1982 e surgiu diante da necessidade de
padrões comuns para o tratamento descentralizado da literatura científica-técnica em saúde
produzida na América Latina e Caribe.
A cobertura temática envolve toda a área de Ciências da Saúde, num sentido bem
amplo, cobrindo todas as áreas que tenham relação com a saúde humana: Medicina, Saúde
Pública, Odontologia, Enfermagem, Veterinária, Engenharia Sanitária, Farmácia e Química,
Biologia, Nutrição, Psicologia, Ecologia e Ambiente, etc.
Em termos gerais, a cobertura temática está expressa, em linguagem documentária, no
DeCS - Descritores em Ciências da Saúde, vocabulário controlado que auxilia o
documentalista na análise do conteúdo dos documentos a serem ingressados, assim como na
sua posterior recuperação.

3305

�O DeCS é uma tradução ao português e espanhol do Medical Subject Headings
(MeSH), produzido pela U.S. National Library of Medicine, com uma ampliação para as áreas
de Saúde Pública, Homeopatía, Ciência e Saúde e Vigilância Sanitária. A expansão para a
área de Saúde Pública deu-se principalmente para atender às necessidades dos Centros
Especializados e Programas da Organização Pan-Americana da Saúde no que se refere ao
tratamento da informação gerada por essas instituições. Nessa categoria foram incorporados
temas como: administração e planejamento em saúde, prestação de cuidados de saúde,
epidemiologia e bioestatística, demografía, saúde ambiental, nutrição, etc.
Os limites para a cobertura temática não são rígidos e devem ser estabelecidos com
bom senso, observando principalmente as áreas afins como, por exemplo, Engenharia
Sanitária, Farmácia e Química, Veterinária, Biologia. Devem ser considerados os documentos
de interesse à saúde humana.
Com relação à cobertura cronológica, serão incluídos documentos originados a partir
de 1982, dando-se preferência ao processamento de material mais recente, para contribuir
para a atualidade da base de dados.
Para a cobertura geográfica, incluem documentos de autores latino-americanos e do
Caribe e/ou publicados nos países da Região e também os produzidos pela Organização Pan­
Americana da Saúde, seus programas e centros especializados.
Com relação ao idioma, somente serão considerados para inclusão os documentos em
espanhol, português, inglês e francês.

O vocabulário do sistema é trilíngue -

português/espanhol/inglês - e os documentos poderão ser indexados e recuperados por
qualquer um desses idiomas.
Os periódicos a serem incluídos serão selecionados por Comitês de Seleção
designados em cada país ou Centro Especializado. Esse comitê determinará os títulos a serem
incluídos e o seu nível de seleção, isto é, se o título deve ser analisado em sua totalidade (capa
a capa) ou de forma seletiva, extraindo-se deles somente artigos de interesse para BVS.
Ela contém artigos de cerca de 877 revistas mais conceituadas da área da saúde,
atingindo mais de 500 mil registros, e outros documentos tais como: teses, capítulos de teses,
livros, capítulos de livros, anais de congressos ou conferências, relatórios técnico-científicos e
publicações governamentais. Está disponível em três idiomas: português, espanhol e inglês.

3306

�3 A UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO” UNESP378
A UNESP é uma das maiores e mais importantes universidades brasileiras, com
destacada atuação no ensino, na pesquisa e na extensão de serviços à comunidade.
Mantida pelo Governo do Estado de São Paulo, é uma das três universidades públicas
de ensino gratuito, ao lado da USP (Universidade de São Paulo) e da UNICAMP
(Universidade Estadual de Campinas).
Criada em 1976, a partir de institutos isolados de ensino superior que existiam em
várias regiões do Estado de São Paulo, a UNESP tem 32 unidades, que oferecem 169 opções
de cursos de graduação em 64 profissões de nível superior, que formam, por ano, 6 mil novos
profissionais e são responsáveis por 115 programas de Pós-Graduação, que oferecem 110
mestrados acadêmicos, 4 mestrados profissionais e 91 doutorados acadêmicos.
A infraestrutura da Universidade inclui 1.900 laboratórios e 30 bibliotecas, com 900
mil livros. Além disso, há, à disposição de alunos e professores, museus, hortos, biotérios,
jardins botânicos e cinco fazendas experimentais, perfazendo uma área total de 62,8 milhões
de m , sendo 745,4 mil m de área construída.
A Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação abriga um acervo e oferece serviços
de informação de apoio ás atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pelas
Unidades do Campus de Botucatu: Faculdade de Medicina de Botucatu, Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia e Instituto de Biociências de Botucatu. O acervo está
especialmente voltado para as áreas de graduação em Medicina, Enfermagem, Medicina
Veterinária, Zootecnia, Biologia, Nutrição e Física Médica; programas de pós-graduação nas
áreas de Medicina Humana, Medicina Veterinária e Biologia, residências em Medicina e
Medicina Veterinária, e cursos de aprimoramento e especialização ofertados pelas Unidades
locais.
Foi criada em 1964 com a missão de contribuir ao desenvolvimento integral da
sociedade, promovendo o acesso e a produção do conhecimento, nas Unidades do Campus de
Botucatu e UNESP, prioritariamente, e também a todo cidadão, por meio de atendimento
direto, ou por intermédio da participação de sistemas locais, regionais e internacionais de
informação.

378 Informações disponibilizadas no site: http://www.unesp.br

3307

�Oferece vários serviços, entre eles: alimentação de bases de dados, assessoria de
publicações, comutação, empréstimo entre bibliotecas, fotocópias, cursos e treinamentos
sobre pesquisas em bases de dados e normalização de trabalhos científicos.
Desde 1982, a Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação firmou convênio com a
BIREME, se tornando um centro cooperante da Biblioteca Virtual em Saúde e assim poder
realizar o trabalho de indexação de periódicos na área das Ciências da Saúde. Para isso, os
bibliotecários responsáveis pela indexação receberam treinamentos sobre os princípios
teóricos e metodológicos colaborativos na metodologia LILACS, possibilitando o
desenvolvimento de processos e aplicação de procedimentos no âmbito da representação de
conhecimento na área das Ciências da Saúde e afins.
Centros cooperantes são bibliotecas, unidades ou centros de informação de
universidades, associações ou sociedades responsáveis por angariar a produção científica da
instituição e da área, descrevendo e indexando de forma mais específica possível de modo a
primar pela qualidade dos dados fornecidos para a pesquisa científica (BIREME, 2013).
Segundo o manual de gestão da LILACS (BIREME, 2013) são diversos os
compromissos que um centro cooperante tende a firmar com a Biblioteca Virtual em Saúde,
entre eles:
■

Controle Bibliográfico
■ Selecionar, reunir, organizar, disseminar e manter atualizada a fonte de informação
LILACS e sua base local. Os documentos são:
■ Monografias, teses e documentos não-convencionais deverão ser processados
aqueles relacionados à área de atuação da instituição bem como aqueles
produzidos pela seu corpo de profissionais/docentes;
■ Títulos de periódicos deverão ser processados somente aqueles cuja publicação
tenha sido previamente indicada pela BIREME ou Centro Coordenador Nacional;

■

Acesso à informação
■ Promover o intercâmbio de publicações entre os integrantes da rede, visando a
atualização e ampla cobertura temática das coleções nas bibliotecas;
■

Promover o uso da LILACS por meio de atividades de pesquisa para usuários finais;

■ Assegurar o acesso ao texto completo dos documentos registrados na LILACS
localizados em sua biblioteca.
■

Rede
■ Compartilhar experiências com os membros da rede;

3308

�■ Contribuir para o treinamento de pessoal de outras bibliotecas da Rede quanto à
utilização da metodologia LILACS para processamento bibliográfico;
■

Gestão da base de dados e da metodologia
■ Atualizar periodicamente os aplicativos utilizados para o processo de descrição e
indexação com a sua versão mais atualizada e atualizar tabelas de títulos abreviados
de revistas LILACS e descritores DeCS;
■ Contribuir com a atualização da metodologia e tecnologia LILACS.

A cooperação teve início com um contrato estabelecido entre as partes e foram
ministrados treinamentos promovidos pela BIREME aos bibliotecários responsáveis pela
indexação e primeiramente foram atribuídos três títulos para indexação, que são: Revista de
Ciências Biomédicas (atualmente com o título Annual Review of Biological Scineces);
Revista de Ciências Farmacêuticas (hoje Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e
Aplicada) e Revista de Odontologia da Unesp.
Com o passar do tempo foram incorporados cinco novos títulos e a Revista de
Odontologia da UNESP foi atribuída a outro centro cooperante. Portanto, atualmente são
indexados sete títulos correntes na base de dados LILACS.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Seção Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e Documentação, por
intermédio de duas bibliotecárias, realiza a indexação na base de dados LILACS de sete
títulos de periódicos, são eles:
1) Journal of Venomous Animals and Toxins including Tropic Diseases (JVATiTD): é
uma publicação interdisciplinar de acesso aberto, dedicado à investigação sobre todos
os aspectos de toxinas, animais peçonhentos, doenças infecciosas, parasitologia,
imunologia e seus derivados desde 1995. É o jornal oficial do Centro de Estudos de
Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP), uma unidade da Universidade Estadual
Paulista (UNESP), sua periodicidade é semestral sendo distribuída inicialmente aos
pesquisadores em disquetes de 3,5' e em 2013 transferida automaticamente para
BioMed Central.

2) Revista Motriz: A Motriz é uma revista científica trimestral publicada pelo
Departamento de Educação Física, Instituto de Biociências, Universidade Estadual
Paulista de Rio Claro, Estado de São Paulo, Brasil. Foi lançada em 1995, incentivando

3309

�submissões de artigos de profissionais e pesquisadores em todas as áreas da ciência do
movimento humano, incluindo assuntos da educação física e esporte, fisioterapia,
educação especial, psicologia esportiva, biomecánica, biodinâmica, treinamento
desportivo, atividade física, morfologia e saúde, coordenação e controle de motor de
habilidades, imagem corporal, modernidade e pós-modernidade, fisiologia endócrinometabólica e exercício físico, educação física, movimento e estados de humor,
preparação profissional e para o mercado, e outros temas relevantes na área.

3) Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, publica trabalhos científicos
originais e trabalhos de revisões no formato eletrônico e impresso, contribuindo para o
avanço científico e tecnológico, nacional e internacional nas áreas de Ciências
Farmacêuticas e afins. É editada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da
Universidade Estadual Paulista - UNESP, primeiramente com o título Revista de
Ciências Farmacêuticas (1983) e a partir de 2005 alterou o título para Revista de
Ciêncas Farmacêuticas Básica e Aplicada.

4) Revista da Sociedade Brasileira de Clinica Medica, a Revista da Sociedade Brasileira
de Clínica Médica é o maior órgão representativo da SBCM no que diz respeito à
ciência. Foi lançada em 2003 e sua periodicidade é trimestral.
5) Interface - Comunicação, Saúde, Educação, é uma publicação interdisciplinar,
trimestral, editada pela UNESP (Laboratório de Educação e Comunicação em Saúde,
Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina de Botucatu e Instituto de
Biociências de Botucatu). Foi lançada em agosto de 1997 com a intenção de estimular
o debate e a difusão de conhecimento em torno das questões contemporâneas que
desafiam o campo da Saúde e sua articulação com a Comunicação e Educação, com
especial interesse pelo ensino das profissões de saúde, enquanto uma de suas
dimensões de prática e pesquisa.
6) Annual Review of Biomedical Sciences (ARBS) . Publicada em 1981 com o título de
Revista de Ciências Biomédicas, em 1999 passou ser denominada Annual Review of
Biomedical Sciences. Com um volume por ano, aborda diversos temas na área das
Ciências Biomédicas, como Bioquímica, Genética, Morfologia, Fisiologia, Psicologia,
Comportamento, Ecologia e Evolução.

3310

�7) Reprodução &amp; Climaterio: A revista Reprodução &amp; Climatério, anteriormente
denominada Reprodução, é o órgão oficial de divulgação da Sociedade Brasileira de
Reprodução Humana, Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina e Associação
Brasileira do Climatério. Suas atividades foram iniciadas em 1995 e a distribuição é
feita a todos os sócios das sociedades participantes e aos principais serviços
universitários da América Latina.
Os dados apresentados a seguir têm a proposta de representar como vem se
comportando estatisticamente o serviço de Indexação realizado pela Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação da UNESP, campus Botucatu-Rubião Junior.
Na Tabela 1 estão identificados os títulos dos periódicos e o número total de artigos
indexados no período de 1981 a 2013.

Tabela 1: Periódicos e número de artigos indexados no período de 1981 a 2013
P erió d ico

P erío d o

T em p o
em anos

T otal de
até 2013

Annual Review of Biomedical
Sciences
Revista
de
Ciências
Farmacêuticas
Básica
e
Aplicada
Reprodução &amp; Climatério
Journal of Venomous Animals
and Toxins including Tropic
Diseases
Interface
Revista da Sociedade Brasileira
de Clínica Médica
Motriz
Total
Fonte: www.bireme.br

1981 a 2011

32

176

1983 a 2013

30

752

1995 a 2011
1995 a 2013

16
18

416
594

1997 a 2013
2003 a 2013

17
10

855
665

2007 a 2013

07

artigos

in d ex a d o s

569
4027

O Gráfico 1 aponta a evolução das indexações ao longo do tempo, ou seja, o processo
de indexação realizado ao longo de 32 anos de cooperação técnica entre a BIREME e a
Biblioteca Universitária com a finalidade de disponibilizar acesso à informação técnico e
científica na área das Ciências da Saúde produzida na América Latina e Caribe.

3311

�Gráfico 1: Evolução das indexações realizadas ao longo do tempo

0

Indexações realizadas ao longo do tempo
438439

427

0

0

4 1 .0

0
0
0

241

0

Q u a n tid a d e

337
295

0

____H 143
109 1 0 8
g2

86

88

90

m

■

■

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

1999

e

2000

1 M 1 1 1 1
1998

U
1996

1995

1994

1993

1991

1990

1989

1988

1987

1986

1985

1984

1983

1982

1981

1992

T Y li

3

0

„ «jo

S" 1 9 9 7

0

93

Fonte: www.bireme.br

Os dados da Tabela 1 e doGráfico 1 demonstram a evolução em números de artigos
indexados na base de dados LILACS. Nota-se que, nos últimos 10 anos, o volume de artigos
publicados nos periódicos indexados vem aumentando consideravelmente nesse período.
Esse aumento no processo de indexação está relacionado com o crescimento da
produção científica nas diversas áreas do conhecimento, incluindo a área das ciências da
saúde. Um dos fatores que consideramos contribuir para esse aumento é o sistema de
avaliação dos programas de pós-graduação das instituições de ensino superior pelas agências
de fomento como a CAPES e FAPESP. Essas agências vêm utilizando o número de artigos
publicados para distribuir recursos para a ciência. Por isso, segundo Donato e Oliveira (2006),
os pesquisadores estão publicando cada vez mais trabalhos científicos para alcançar um
posicionamento profissional favorável.
Esse fato demandou a criação de novos periódicos científicos com qualidade e
excelência que permitissem a sua inclusão e, principalmente, a permanência em bases de
dados eletrônicas como a LILACS. Para isso, houve a necessidade dos editores das revistas
científicas adequar-se aos critérios estabelecidos como indicadores de qualidade desses
periódicos, tais como: conteúdo, revisão por pares, comitê editorial, regularidade de
publicação, periodicidade, tempo de existência, normalização e apresentação gráfica.
O desenvolvimento acelerado das publicações eletrônicas online na Internet, incluindo
os periódicos científicos, nas últimas décadas teve aceitação geral por parte dos autores,

3312

�publicadores, bibliotecários e usuários, o que fomentou a utilização desse meio na promoção
da comunicação em geral e nos resultados das pesquisas científicas (PACKER, 2005).
Conforme relata Packer (2005), a Internet provocou a reestruturação da comunicação
científica clássica em papel e passa a ser o meio de produção e operação da comunicação
científica que, alem de aportar como tecnologia de meio de publicação, surge também a
dimensão de caráter político, que preconiza o conhecimento científico como bem público, o
que demandou um novo modo de produção do fluxo de informação na comunicação
científica. Essa reestruturação vem ao encontro dos objetivos dos programas de cooperação
técnica impulsionando a criação das Bibliotecas Virtuais, fortalecendo cada vez mais os
movimentos open access, dos repositórios pessoais, institucionais e temáticos.
Sendo assim, a LILACS por manter uma política de indexação rigorosa, atualizada e
baseada em padrões internacionais para operação descentralizada em centenas de centros
cooperantes nos idiomas inglês, português e espanhol é hoje o mais importante e abrangente
índice da literatura científica e técnica da América Latina e Caribe, contribuindo para o
aumento da visibilidade, acesso e qualidade da informação em saúde nas Regiões da América
Latina e Caribe.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A indexação de artigos de periódicos na base de dados LILACS como serviço
oferecido pela Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da UNESP, campus BotucatuRubião Junior vem crescendo ao longo dos anos, conforme demonstrado estatisticamente
neste trabalho, consolidando-se como um produto do programa de cooperação técnica em
informação científica em Saúde.
Isto é possível graças à adoção de uma parceria entre a BIREME e a Biblioteca
Universitária à qual agrega a função de centro de informação e de serviço de indexação aos
serviços ofertados pelos centros de informação.
Essa atividade colaborativa com a BIREME, que vem sendo realizada ao longo de 32
anos, representa também o esforço da biblioteca universitária especializada em Saúde em
superar as suas próprias limitações de estrutura tradicional de visibilidade e acesso à
comunicação científica publicada nacionalmente.

3313

�6 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12676: métodos para
análise de documentos - determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação. Rio
de Janeiro, 1992. 4 p.
BIREME. OPAS. OMS. Manual de gestão da FI LILACS. 2013. Disponível em:
http://wiki.bireme.org/pt/index.php/Manual_de_gest%C3%A3o_da_FI_LILACS&gt;.

Acesso

em: 20 maio 2014.
DONATO, H. M.; OLIVEIRA, C. F. Patologia mamária: avaliação da actividade científica
nacional através de indicadores bibliométricos (1995 julho 2005). Acta Médica Portuguesa,
v. 19, p. 225-234, 2006.
MEDEIROS, R. Tratamento do texto jornalístico escrito à luz da análise documentária: o caso
do resumo. Informação e Sociedade, v. 9, n. 2, p. 1-5, 1999.
PACKER, A. L. A construção coletiva da Biblioteca Virtual em Saúde. Interface (Botucatu),
v. 19, n. 17, p. 248-272, 2005.

3314

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo apresentar um panorama histórico do trabalho de indexação de periódicos na base de dados LILACS, realizado na Seção Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e Documentação da Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da Unesp, campus Botucatu-Rubião Junior. A parceria efetuada entre a BIREME e a biblioteca universitária já na década de 1982 reflete a preocupação em promover a disseminação e uso da informação científica em saúde a todos os seus usuários.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ENTRA EM CENA O INTERAGENTE: A CONCEPÇÃO DE INTERATIVIDADE NA
BIBLIOTECA DA FACULDADE SENAC FLORIANÓPOLIS

Jorge Moisés Kroll do Prado

RESUMO
A forma de se consumir informação está em constante transformação por conta dos benefícios
que as tecnologias têm nos apresentado. Dentro das bibliotecas este contexto não poderia ser
diferente, o que tem gerado uma série de quebras de paradigmas que há muito tempo estão
consolidados na teoria e prática da Biblioteconomia. Desta forma, este artigo traz uma
reflexão sobre a mudança de nomenclatura de “usuário” para “interagente”, baseando-se no
conceito de interatividade proposto pela Psicologia mais os movimentos provenientes das
mídias sociais. Além da reflexão teórica, apresenta-se um relato prático de uma atividade
realizada pela Biblioteca Universitária da Faculdade Senac Florianópolis na qual há o
empoderamento da comunidade envolvida, caracterizando-a com a participação de
interagentes ao invés de meramente usuários.
Palavras-Chave: Interatividade. Biblioteca Universitária. Redes sociais. Faculdade Senac
Florianópolis.
ABSTRACT
The form to consume information is in constant transformation by account of the profits that
the technologies has in the presented. Inside the libraries this contexto could not be different,
what has generated a series of paradigms failures that does very time are consolidated in the
theory and practical of the Library Science. Of this form, this article brings a reflection on the
change of nomeclature of “user” to “interagente”, basing in the concept of interativity
proposed by Psychology more the movements from the social media. In addition to the
theoretical reflection, presents a relate practical of na activity realised by the University
Library of Faculty Senac Florianópolis in which were is the empowerment of the wrapped
community, characterising it whith interagentes instead of users.
Keywords: Interativity. University library. Social networks. Faculty Senac Florianópolis.

1 INTRODUÇÃO
Vários são os trabalhos que buscam compreender a influência das mídias sociais no
cotidiano das pessoas. Provenientes do fenômeno da Internet, elas têm causado grande
repercussão e sendo utilizadas como ferramentas de comunicação, gestão, ativismo, educação,
saúde e a cada novo dia uma nova mídia é criada segundo uma nova necessidade.

2598

�As bibliotecas, espaços preocupados em disseminar informação em qualquer suporte
de forma que possa ser recuperável a qualquer momento, estão buscando quebrar alguns
paradigmas e se estabelecer nesta realidade.
Este novo contexto muda o que era tradicional, inclusive nomes bastante comuns à
realidade das bibliotecas, como “usuário”. Neste artigo, de cunho ainda introdutório,
exploratório e empírico, pretende-se apresentar o conceito de “interagente” às bibliotecas. O
termo não é novo na área da Biblioteconomia ou Ciência da Informação, entretanto, seu uso
ainda não vingou nas publicações científicas.

2 BIBLIOTECAS, SOCIEDADE DO COMPARTILHAMENTO E INTERAGENTES
O espaço de uma biblioteca está repleto de paradigmas desde sua tenra existência.
Sempre se associou que é um espaço elitizado, de poucas classes e da inacessibilidade aos
livros (se nos remetermos às bibliotecas da Idade Média, por exemplo). Esta percepção vem
sendo quebrada aos poucos com a forma em que são administradas e novos produtos e
serviços são criados.
Nos últimos anos, o fenômeno da Internet tem se apresentado em todas as áreas e
influenciado o modus operandi individual e organizacional. Partindo do fenômeno da
Internet, há o das mídias sociais, que segundo Telles (2010) são sites de relacionamento que
reúnem pessoas que compartilham informação em texto, vídeo ou imagem.
Além desta relação apresentada pelo autor, considera-se que as mídias sociais
atribuem novas identidades aos indivíduos, pois munidos de um celular com câmera e
conectados à internet, conseguem fazer transmissões ao vivo de quaisquer acontecimentos.
Com este empoderamento do indivíduo, apresenta-se uma nova realidade que deve ser
descoberta com afinco pelo campo da Biblioteconomia.
Um levantamento preliminar nos anais dos principais congressos da área de Ciência da
Informação e Biblioteconomia apresenta diversos relatos de experiência de bibliotecas que
começam a atuar nas mídias sociais. Pressupõe-se que no momento desta inserção, cada
bibliotecário saiba do potencial que estas mídias podem trazer às suas unidades de informação
se usadas da maneira correta e com foco no resultado efetivo.
Começa a sair a terminologia “usuário”, não mais representativa para o espaço de uma
biblioteca que está atuante em mídias sociais e entra a do “interagente”, pois conforme Primo
(2005) este termo traz uma liberdade maior ao indivíduo e o liga mais com interação, já que
“usuário” pode remeter a alguma hierarquia estabelecida por regras.

2599

�Se as mídias sociais possibilitam a interatividade, é necessário que se preste atenção a
ela e de forma planejada se possa fazer o uso com algum retorno para a organização, seja
financeiro ou intelectual. Parte desta interatividade já existia no momento do Serviço de
Referência, por exemplo, onde a conversa leva à construção de um levantamento bibliográfico
que deve atender a necessidade de informação.
Agora a realidade é outra, pois muitas vozes podem atuar em um só momento
cooperando para uma sociedade do compartilhamento, onde a informação é veiculada sem
restrições físicas e temporais, de uma a milhares de pessoas.

3 O INTERAGENTE NA FACULDADE SENAC FLORIANÓPOLIS
Apresenta-se a Biblioteca Universitária da Faculdade Senac Florianópolis, atuante
desde 23 de outubro de 2000, como a unidade de informação escolhida para o
desenvolvimento e observação deste trabalho. Ela faz parte de uma rede que engloba outras
bibliotecas que estão distribuídas por Santa Catarina, que conversam entre si tanto no quesito
de planejamento, como no técnico.
Intimamente ligada com as metas, visão, valores e missão do Senac a nível estadual,
bem como com os da própria Faculdade, a Biblioteca conseguiu se tornar um espaço que
supra as necessidades informacionais da comunidade de interagentes. Tal comunidade é
composta pelos alunos, em torno de 70 colaboradores, mais de 100 professores e ainda a
comunidade externa.
Desta forma, busca-se uma maior aproximação da biblioteca quanto a sua comunidade
de interagentes. É necessário que se pense na autonomia destes interagentes, para que eles
possam colaborar com seu capital intelectual tanto para algo mais formal, como uma gestão
participativa, ao mais informal, como estratégias de marketing e interatividade em mídias
sociais. Conhecer com plenitude a comunidade em que a Biblioteca está inserida, seus hábitos
e costumes, junto da natureza e acontecimentos da Faculdade, é de imprescindível
importância.

3.1 “O livro que marcou minha vida acadêmica”
A Semana do Livro e da Biblioteca, compreendida entre a semana do dia 23 de
outubro é considerada o evento mais importante da unidade de informação há alguns anos.
Além de ser uma data comemorada em âmbito nacional, também se comemora o aniversário
da Biblioteca, foi fundada no ano de 2000.

2600

�Para a edição da Semana de 2012, uma série de atividades foi realizada tendo como
ideia norteadora a de atender todas as categorias de interagentes da Biblioteca. Atualmente a
Faculdade Senac Florianópolis, a qual está vinculada a Biblioteca, oferece cursos de formação
inicial e continuada (de curta duração), de graduação tecnológica e pós-graduação, em
diversas áreas do conhecimento. A equipe da Biblioteca encara como um grande desafio esta
gama tão diversificada de necessidades informacionais atribuídas pelos cursos.
O primeiro passo foi identificar um formato amigável para interação e que chegasse a
todos os interagentes. Desta forma, pensou-se numa exposição fotográfica, que é uma
atividade simples e pode ficar estrategicamente localizada. O segundo passo foi o assunto da
exposição; precisava ser atrativo e que engajasse o maior número possível de pessoas.
Com as ideias concatenadas, a ação foi chamada de “O livro que marcou a minha vida
acadêmica” e teve como objetivos: a) Divulgar o espaço e acervo da Biblioteca; b) Valorizar
as opiniões dos interagentes; c) Divulgar os cursos da Faculdade e e) Ampliar a visibilidade
da fanpage no Facebook da instituição.
A proposta consistiu em convidar cinquenta pessoas, entre alunos, professores e
colaboradores onde cada uma foi indagada: Qual livro marcou a sua vida acadêmica? Para
responder era necessário posar para uma sessão de fotos junto do livro que deveria ser
obrigatoriamente do acervo. A sessão foi realizada dentro do próprio espaço da Biblioteca e
desta forma atendeu ao primeiro objetivo proposto, que era o de divulgar seu acervo e espaço.
Sempre pensando em alcançar um público maior, as pessoas convidadas foram de
diversos cursos que a instituição oferece, já que cada uma das fotografias posteriormente
publicadas era identificada com o nome do curso do fotografado e assim, o terceiro objetivo
proposto também foi alcançado.
A plataforma digital escolhida foi o Facebook por ser a principal mídia social utilizada
pela instituição e por permitir uma facilidade de engajamento através de suas funcionalidades.
Ao mesmo tempo em que a exposição foi montada no hall, ela foi postada na fanpage da
Faculdade. Exatamente as mesmas fotografias foram utilizadas e com as mesmas informações
de identificação: nome do fotografado, do fotógrafo e do vínculo com a instituição.
Para que houvesse uma comunicação entre os dois espaços, junto da exposição
colocada no hall da Faculdade um QRcode direcionava os visitantes à exposição publicada no
Facebook. O QRcode é um código de barras bidimensional que armazena variados formatos
de dados e pode ser decodificado em alta velocidade (PANKIEWICZ, 2009), permitindo aos
visitantes que pudessem fazer a interação com possíveis amigos fotógrafos ou colegas
fotografados a partir de seus dispositivos móveis.

2601

�Além desta ferramenta que permite uma interatividade entre os dois espaços, a
exposição teve um caráter de gamificação para aumentar este grau de interatividade.
Conforme Praude (2012), o objetivo da gamificação é designar o uso da estrutura de um jogo
como objetivo, estratégia, esforço e recompensa para uma finalidade outra, que não seja o
jogo propriamente dito. Desta forma, dentro da fanpage da Faculdade, os visitantes eram
convidados a curtir a foto que tinham mais gostado e assim dar um presente ao fotografado
que tivesse mais curtidas ao final da Semana do Livro e da Biblioteca.
Através das estatísticas de acesso da página no Facebook, pode-se destacar os
seguintes dados: a) Post com maior visualização no histórico da página, com mais de 40 mil
visualizações; b) O número de pessoas que comentaram a respeito do álbum foi de 565; c) A
página teve 51 novas curtidas durante a semana em que aconteceu a ação e d) 731 pessoas se
envolveram com a página (a partir de visualizações, curtidas e compartilhamentos).
De forma conclusiva, a atividade atingiu os seus objetivos de forma plena e destacouse como uma ação inovadora por parte da equipe da Biblioteca. Toda a comunidade engajouse com a promoção de forma a ser legítimos interagentes.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As tecnologias estão atuando massivamente e a sociedade, promotora disso, vem na
maioria das vezes se beneficiando desta atuação. Para acompanhar este ritmo, muito vem se
publicando a respeito, procurando elucidar inúmeras questões de cunho social, econômico ou
mesmo tecnológico. O mesmo contexto volta-se à natureza das bibliotecas, que também
procuram estar atualizadas para disponibilizar produtos e serviços de informação de
qualidade.
Conclui-se que o conceito de interagente ainda é pouco usado na área, provavelmente
por falta da reflexão da prática. É necessário que as bibliotecas se transformem em espaços
que aceitem a interatividade de sua comunidade envolvida. É necessário que de forma
planejada estrategicamente, atuem nas mídias sociais promovendo uma abertura para esta
interatividade.
Estas necessidades somente serão abarcadas com a motivação do bibliotecário, bem
como da atualização de suas competências e habilidades técnicas. A tecnologia está presente,
as mídias sociais são ótimas ferramentas, basta um estudo planejado do uso delas e como
engajar o público de modo a não mais torna-los usuários da informação, mas interagentes
com a informação.

2602

�6 REFERÊNCIAS
INTERNATIONAL

FEDERATION

OF

LIBRARIES

ASSOCIATION

AND

INSTITUTIONS. Manifesto da IFLA/UNESCO sobre bibliotecas públicas. Última revisão
em 03 nov. 2004. Disponível em: &lt;http://archive.ifla.org/VII/s8/unesco/port.htm&gt;. Acesso
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PANKIEWICZ, Igor. O que são os QR Codes? Publicado em 23 abr. 2009. Disponível em:
&lt;http://www.tecmundo.com.br/imagem/1995-o-que-sao-os-qr-codes-.htm&gt;. Acesso em: 10
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PRAUDE, Carlos C. Gameficação da arte: poética para mídias locativas e dispositivos
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PRIMO, Alex. Enfoques e desfoques no estudo da interação mediada por computador.
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TELLES, André. A revolução as mídias sociais: estratégias de marketing digital para você e
sua empresa terem sucesso nas mídias sociais: cases, conceitos, dicas e ferramentas. 2. ed.
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2603

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                <text>Entra em cena o interagente: a concepção de interatividade na Biblioteca da Faculdade SENAC Florianópolis</text>
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                <text>A forma de se consumir informação está em constante transformação por conta dos benefícios que as tecnologias têm nos apresentado. Dentro das bibliotecas este contexto não poderia ser diferente, o que tem gerado uma série de quebras de paradigmas que há muito tempo estão consolidados na teoria e prática da Biblioteconomia. Desta forma, este artigo traz uma reflexão sobre a mudança de nomenclatura de ―usuário‖ para ―interagente‖, baseando-se no conceito de interatividade proposto pela Psicologia mais os movimentos provenientes das mídias sociais. Além da reflexão teórica, apresenta-se um relato prático de uma atividade realizada pela Biblioteca Universitária da Faculdade Senac Florianópolis na qual há o empoderamento da comunidade envolvida, caracterizando-a com a participação de interagentes ao invés de meramente usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECA ITINERANTE: PLANTANDO O FUTURO - LEITURA E
FORMAÇÃO CIDADÃ EM MOVIMENTO, POR MEIO DO ÔNIBUS UFLA

Regina Flexa Ribeiro Proença
Nivaldo Oliveira
Rosiane Maria Oliveira
Priscila Franciely Souza
Flávia Campos Vieira
RESUMO
Apresenta-se o relato da experiência de execução do Projeto Biblioteca Itinerante-Ônibus
UFLA. Lançado durante a VIII Semana do Livro e da Biblioteca da Universidade Federal de
Lavras (VIII SLBU/UFLA), o principal objetivo desse Projeto, que tem como público alvo
crianças, adolescentes e adultos de cidades vizinhas, da zona rural e dos bairros periféricos de
Lavras, é promover a cidadania por meio da educação e da cultura, favorecendo o processo de
formação social. Visa ultrapassar as fronteiras do espaço tradicional da Biblioteca
Universitária e incentivar o hábito e o prazer pela leitura, na comunidade de Lavras e região,
oferecendo empréstimo de livros, exposições didático-científicas e atividades lúdicas e
culturais. O projeto é gerenciado pelo Setor de Marketing e Comunicação da Biblioteca
Universitária UFLA. Por fim, a Biblioteca Itinerante, embora seja uma inovação em Lavras e
região, pretende firmar-se como um espaço de referência cultural para a população dos locais
atendidos pelo projeto. Entretanto, por melhores que sejam os resultados, o ônibus não
substitui a biblioteca. Mas, ao ser utilizado adequadamente como instrumento de difusão e
incentivo à leitura, contribuirá na formação do cidadão e na disseminação do livro e da
cultura, ampliando a frequência de usuários em bibliotecas púbicas e estimulando a
capacidade crítica dos seus usuários. O projeto vem ganhando aceitação da comunidade
lavrense, de escolas de bairros vizinhos e moradores próximos ao local de parada ônibus que
se mobilizam para participar das visitas.
Palavras-chave: Biblioteca itinerante; Biblioteca Universitária; Incentivo à leitura;
Cidadania.
ABSTRACT
This experience report presents the execution of the project Travelling Library-UFLA Bus,
which has children, adolescents and adults from neighboring towns, the countryside and
suburbs of the city of Lavras as a target audience. This project was released during the VIII
Book and Library Week at the Federal University of Lavras (VIII BLW/UFLA) and its main
objective is to promote citizenship through education and culture, favoring the process of
social formation. The aim is to go beyond the boundaries of the traditional space of the
University Library and encourage the habit and pleasure of reading in Lavras and region,
offering the loan of books, didactic and scientific exhibitions and recreational and cultural

2277

�activities. The project is managed by the University Library Marketing and Communication
department at UFLA. Although it is an innovation at Lavras and the region nearby, the
Travelling Library intend to establish itself as a space of cultural reference for the local
population covered by the project. However, even with the good results, the bus does not
intend to replace the library. The aim is just use the Travelling Bus as a tool for spreading and
encouraging reading, contributing to the formation of the citizen and to the dissemination of
books and culture, increasing the frequency of users in public libraries and encouraging
critical thinking skills of its readers. The project is gaining acceptance Lavras community,
schools and residents of neighborhoods near the local bus stop who mobilize to participate in
the visits.
Keywords: Travelling library; University Library; Reading Incentive; Citizenship.

1 INTRODUÇÃO
A defasagem do número de bibliotecas, no Brasil, é uma realidade. Muitos municípios
brasileiros não oferecem ao cidadão, quer seja da cidade pequena ou da periferia dos grandes
centros, o acesso à leitura, fazendo com que grande parte da população não tenha em seu
imaginário, ou vivência, o uso de uma biblioteca, o que gera um problema básico para a
formulação e a implantação de políticas culturais.
Na busca por soluções que visam à ampliação do acesso à cultura e informação na
cidade de Lavras, MG, foi lançado, durante a VIII Semana do Livro e da Biblioteca (VIII
SLBU) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), realizada no período de 21 a 24 de
outubro de 2013, o Projeto de Biblioteca Itinerante, como uma alternativa econômica e direta
para ajudar a modificar esse quadro, em um processo de inclusão das regiões do entorno dos
pontos onde foi disponibilizado esse serviço. A leitura tem um papel muito importante e
decisivo para a sociedade, pois semeia sabedoria, agrega valores e se apresenta como um
importante instrumento no exercício da cidadania. Nesse sentido, o Projeto da Biblioteca
Itinerante da UFLA oferece a oportunidade, aos moradores de bairros menos favorecidos, na
cidade de Lavras e região, de terem a oportunidade de estarem em contato com a leitura.
Segundo nota publicada no jornal Estadão, a ideia de levar os livros até as pessoas é
antiga, surgiu em 1930, quando o escritor Mário de Andrade era responsável pelo
Departamento de Cultura, da cidade de São Paulo. Na época, um carro levava livros pela
região central, fazendo empréstimos à população. Hoje, com a mudança no perfil
socioeconômico e geográfico da cidade, o foco se deslocou para a periferia, mas continua se
modernizando e cumprindo seu papel (INICIATIVA..., 2009).
O Projeto Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA é capaz de colaborar efetivamente na
formação de leitores, de maneira dinâmica e acessível, em especial, para/com aqueles que não

2278

�têm a oportunidade de explorar um acervo de livros como o da biblioteca universitária ou das
bibliotecas públicas municipais. Por isso, esse incentivo é muito importante na formação
social do indivíduo e na sua transformação. O principal objetivo do projeto, que tem como
público alvo crianças, adolescentes e adultos de cidades vizinhas, da zona rural e dos bairros
periféricos de Lavras, é promover a cidadania por meio da educação e da cultura, favorecendo
o processo de formação social. Visa-se ultrapassar as fronteiras do espaço tradicional da
biblioteca universitária e incentivar o hábito e o prazer pela leitura na comunidade de Lavras e
região, oferecendo empréstimo de livros, exposições didático-científicas e atividades lúdicas e
culturais. Segundo a obra “Protagonismo juvenil’ de responsabilidade da Secretaria de
Políticas de Saúde, projetos semelhantes contrariam o senso comum, segundo o qual a
população de baixa renda não gosta ou não tem interesse pela leitura. Os ônibus são mais
frequentados que muitas bibliotecas, porque são um espaço lúdico e menos intimidador. Para
a maioria de seus usuários, o ônibus é facilmente aceito pela população, pois, geralmente, fica
estacionado em locais de referência nos bairros, como postos de saúde, mercados, padarias,
associação de bairros, praças e igrejas, o que favorece a aproximação e a identificação com a
comunidade (BRASIL, 2001).
A estrutura do ônibus itinerante permite trabalhar com oficinas de textos, rodas de
leitura, dinâmicas, palestras, jogos e vídeos educativos, enfim, atividades que possam
colaborar para a integração e a participação das comunidades, no intuito de demonstrar a
importância do hábito de leitura e que permitam conhecer novas culturas e idéias, desenvolver
um olhar crítico, ampliar o vocabulário e contribuir com a capacidade de expressão oral e
escrita. Os visitantes podem consultar o acervo, fazer leituras no local e participar das
atividades propostas, de maneira interativa e prazerosa.
Nesse sentido, facilitar o acesso ao livro e às tecnologias da informação; incentivar o
hábito e o prazer pela leitura para moradores de bairros periféricos e zona rural de Lavras e
cidades vizinhas; promover a cidadania por meio da educação e cultura, favorecendo o
processo de construção da leitura e proporcionar vivências por meio das diferentes
linguagens/habilidades linguísticas (ouvir, falar, ler e escrever) são objetivos específicos que
se pretende alcançar com o desenvolvimento do Projeto Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
Ler é um hábito muito importante e poderoso. A leitura é capaz de transformar a
realidade social, de formar cidadãos atuantes com a capacidade de desenvolver um
pensamento mais crítico, de promover o conhecimento, de agregar valores e semear

2279

�sabedoria, ou seja, é fundamental para o exercício da cidadania (ANTUNES, 2003; DIAS,
1994).
É por meio da leitura que se obtém o conhecimento e o hábito de leitura possibilita que
o indivíduo se desenvolva melhor, despertando sua imaginação para criar, reconstruir e
reinventar novas histórias, ir além da sua realidade e ser capaz de refletir e fazer
questionamentos em relação à leitura realizada e de interagir o texto com seu cotidiano, se
tornando um leitor competente (BRITO, 2010).
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) o leitor competente é aquele
capaz de compreender não somente o que está escrito no texto, mas também o que está
implícito, estabelecendo uma relação de sentido sobre aquilo que lê, podendo também atribuir
sentidos diferentes ao mesmo texto lido (BRASIL, 1997/1998).
Muitas vezes, o conceito de leitura está relacionado com a decodificação de signos
linguísticos e sua aprendizagem, e acaba se tornando chata e cansativa. Mas, a leitura vai além
dessa capacidade. Ela busca a interação entre o leitor e o texto, possibilitando uma produção
de diferentes sentidos e significados, encontrando novas ideias e opiniões a partir da vivência
de cada um.
De acordo com os PCNs, a leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho
ativo de construção do significado do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento
sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a língua (BRASIL, 1997/1998).
Para despertar maior interesse do exercício da leitura, é interessante que os pais e os
familiares estimulem os seus filhos ao hábito de leitura logo cedo e que os professores
procurem promover na escola atividades lúdicas e diversificadas, com a finalidade de
desenvolver uma interatividade maior entre o texto e o leitor, contribuindo efetivamente na
sua formação. Desse modo, é fundamental planejar atividades que possam despertar o prazer
da leitura, buscando conhecer, primeiramente, o perfil do leitor, para que, assim, seja possível
atender às suas necessidades e selecionar assuntos de interesse, para que não se torne uma
obrigação ou uma atividade considerada enfadonha. Além disso, é importante observar a faixa
etária do indivíduo, o que permite promover ações que farão sentido, de acordo com suas
experiências de mundo (BOTINI; SARAGO, 2014).
Devido ao grande avanço tecnológico da sociedade moderna, cada vez mais a leitura
vem sendo realizada apenas com o objetivo de atender às necessidades do cotidiano, e
crianças e jovens não são estimulados a realizarem leituras, a não ser para fins de estudo. Uma
tarefa difícil, não somente dos professores ou do ambiente escolar, mas também dos pais, a de
incentivar a prática e promover momentos voltados para a leitura, mostrando que ela pode ser

2280

�executada de maneira mais divertida e prazerosa, sem deixar de ressaltar a sua importância
para a formação pessoal e profissional do indivíduo na sociedade.
No que diz respeito à prática de leitura, os PCNs estabelecem que
[...] a leitura na escola tem sido, fundamentalmente, um objeto de ensino.
Para que possa constituir também objeto de aprendizagem, é necessário que
faça sentido para o aluno, isto é, a atividade de leitura deve responder do
seu ponto de vista, a objetivos de realização imediata [...]. Para tornar os
alunos bons leitores - para desenvolver, muito mais do que a capacidade de
ler, o gosto e o compromisso com a leitura -, a escola terá de mobilizá-los
internamente, pois aprender a ler (e também ler para aprender) requer
esforço. Precisará fazê-los achar que a leitura é algo interessante e
desafiador, algo que, conquistado plenamente, dará autonomia e
independência. Precisará torná-los confiantes, condição para poder se
desafiar a “aprender fazendo”. Uma prática de leitura que não desperte e
cultive o desejo de ler não é uma prática pedagógica eficiente (BRASIL,
1997/1998, p. 54).

Nesta perspectiva, é evidente notar que a prática da leitura é de extrema importância,
uma vez que propicia uma ampliação da visão de mundo e da cultura do leitor, estimula a
realização de novas leituras, contribui para o desenvolvimento da criatividade e da
imaginação, colabora na produção de textos orais e escritos, possibilita que o leitor seja mais
crítico em relação ao que lê e ajuda na expansão do conhecimento.
Desde pequena, a criança gosta de ouvir histórias, encantando-se com as aventuras de
princesas, fadas, bruxas, animais e outros personagens do mundo de faz de conta. Ao ouvir
histórias, a criança libera a imaginação e melhora a compreensão do mundo real. É uma
oportunidade para conhecer um universo diferente do seu e ampliar a sua linguagem. O
contato com histórias desenvolve a capacidade de imaginação e de representação da criança e
desperta sua curiosidade pela leitura. Além de proporcionar uma experiência prazerosa, ouvir
histórias vai ajudá-la, mais tarde, na construção de narrativas, ampliando seu repertório e
tornando sua forma de se comunicar com o mundo mais efetiva (RODRIGUES, 2013).
As histórias podem ser lidas nos livros ou interpretadas pelo narrador. Para a criança
serão sempre bem-vindas, pois representam um momento lúdico e lhes dão a possibilidade de
fazer suas próprias representações e de libertar suas fantasias. Ela viaja em um mundo cheio
de aventuras fascinantes, criando e recriando os personagens, torcendo pelos heróis e heroínas
e emocionando-se com o desfecho.
Além dos livros de histórias, as crianças precisam ter contato com gibis, notícias
curtas de jornais e revistas, pois, à medida que conhece diferentes tipos de texto, vai, aos
poucos, descobrindo que cada um deles tem uma estrutura própria. Ao perceber a diferença de

2281

�gênero e estrutura, a criança vai se capacitando para, no futuro, elaborar diversos tipos de
texto com mais facilidade e qualidade (RODRIGUES, 2013).
É importante ressaltar, ainda, que, segundo Rodrigues (2013) quando a criança é
acostumada a ouvir histórias e estimulada a ter sempre contato com as mesmas, a leitura passa
a fazer parte essencial de sua vida e o objetivo da formação de leitores é atingido.
Segundo Gomes (2014) vive-se, atualmente, um processo cultural em que a
disseminação dos recursos tecnológicos facilita a comunicação da sociedade, exigindo-se
menos empenho nas práticas de leitura e na produção de textos. “As tecnologias têm
provocado uma revolução na educação, devido à sua capacidade de ‘ensinar’” (OLIVEIRA;
OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2011). Corre-se, então, o risco de não habilitar os estudantes a um
domínio mais completo da linguagem, multiplicando apenas o já consolidado analfabetismo
funcional.
Embora alguns autores defendam um conceito amplo de leitura abrangendo sons,
quadros artísticos, percepções táteis, performances e audiovisuais, o foco deste projeto é a
leitura vinculada a materiais escritos como textos, livros, jornais, documentos, revistas, etc.,
presentes diuturnamente no cotidiano de todos e o não domínio da habilidade de leitura destes
signos implica em uma limitação ou mesmo exclusão de sua interação social.
Segundo Gomes (2014) a qualificação do processo de alfabetização de crianças,
jovens e adultos depende da dedicação às atividades de leitura e de produção de textos, ao
manuseio de livros técnicos e literários que propiciem atividades de abstração inerentes à
formulação da linguagem escrita. É importante perceber o papel da leitura e da biblioteca na
construção da cidadania e do valor dessa prática na formação do ser humano.
É importante, então, um serviço que atenda às populações que não podem manter uma
biblioteca estável com os requisitos que atualmente se exigem e, diante da impossibilidade de
construção de uma em cada bairro ou pequeno município, a biblioteca itinerante, que possa
estar vários lugares em dias alternados, figura como alternativa para atender ao art. 2° do
Regimento da Biblioteca Universitária, no que se refere à finalidade de atender ao ensino, à
pesquisa e à extensão da UFLA, pautando sua atuação no seguinte princípio: democratização
do acesso à informação e ao acervo sob sua responsabilidade (UNIVERSIDADE FEDERAL
DE LAVRAS, 2012).
Segundo as diretrizes para bibliotecas itinerantes da International Federation o f
Library Associations (IFLA), o termo biblioteca itinerante é utilizado para descrever um
veículo motorizado que transporta material bibliotecário. Em outros países, é conhecido

2282

�também como bookmobile, bibliobús, bucherbus, etc. Qualquer serviço de biblioteca que não
esteja fixo num lugar é classificado como uma biblioteca itinerante.
No Brasil, há vários exemplos de bibliotecas itinerantes, como O “Programa CarroBiblioteca/Frente de Leitura”, da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal
de Minas Gerais(UFMG), segundo programa de extensão da UFMG, criado em 1973, por
meio de um convênio com o Instituto Nacional do Livro. Desde então, atua para incentivar a
leitura e a cidadania, contribui para a democratização da informação, promove ações culturais
e educativas, presta assessoria às comunidades na organização e na formação de bibliotecas e
espaços de leitura, funciona como ambiente para pesquisa e treinamento discente,
proporcionando a relação entre o ensino, a pesquisa e a extensão da universidade (DUARTE,
2012). Outro exemplo de sucesso é o do Projeto BiblioSesc, do Serviço Social do Comércio
(SESC), que leva a leitura e o conhecimento ao interior do país. A iniciativa surgiu em
Pernambuco, com objetivo de ampliar o acesso ao livro e à cultura literária. Hoje, por meio de
54 bibliotecas volantes, que carregam cerca de três mil obras, clássicos da literatura,
aventuras, ficções e histórias reais chegam às mãos de leitores de todas as idades e fazem
parte da maior rede de bibliotecas móveis do Brasil. (SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO SESC, 2014).
No trabalho de incentivo à leitura, o “Mundo Mágico de Catarina” é um projeto
realizado pelo Canal/MKT, com o apoio do HSBC e da Provopar, em parceria com a
Secretaria Municipal de Educação de Curitiba. Trata-se de um ônibus adaptado, com palco e
biblioteca, que passa por dez escolas municipais para apresentações de teatro e outras
atividades que estimulem a leitura. Na oportunidade, os alunos assistem aos espetáculos e
ainda fazem visitas acompanhadas à biblioteca no interior do ônibus (AGÊNCIA DE
NOTÍCIAS DA PREFEITURA DE CURITIBA, 2012).
Uma biblioteca que vai até os leitores. Esta é a proposta da Biblioteca ItineranteÔnibus UFLA, programa de incentivo à leitura e à difusão do conhecimento, descentralizando
a atuação da Biblioteca Universitária, na consulta e empréstimo de livros, jornais e revistas
além de atividades culturais, como oficinas, brincadeiras, exibição de filmes, música, teatro,
debates, narração de histórias, etc. Além de proporcionar um campo de pesquisa na área
sócio-educativo-recreacional, que pode resultar em atividades práticas de caráter didático,
pedagógico e cultural a serem desenvolvidas junto à comunidade lavrense, contribui para
estudos multidisciplinares dos reflexos da inserção da biblioteca itinerante na comunidade.

2283

�3 LOGÍSTICA DO PROJETO
A execução do projeto requer uma logística bastante complexa de recursos humanos e
materiais, pois o ônibus destinado para esta atividade necessita de energia elétrica e vários
equipamentos.

3.1 Recursos humanos
Uma comissão interdisciplinar, formada por servidores e bolsistas da Biblioteca
Universitária, com apoio dos setores de transporte e eletricidade da universidade, é
responsável pelas atividades pedagógicas e operacionais relacionadas à gestão da Biblioteca
Itinerante-Ônibus UFLA. O combustível e a manutenção preventiva do veículo, assegurando
a continuidade do projeto, são de responsabilidade institucional.
Inicialmente, a equipe é formada por 1 pedagoga, 4 bolsistas, motorista, eletricistas e
servidores da Biblioteca Universitária que colaboram com o projeto nos dias de visitas.

3.2 Periodicidade das visitas
No primeiro semestre de execução do projeto, foram estipulados dois pontos, na Praça
Rafael Menicucci, no bairro Jardim Floresta e na praça central da Cohab, com retorno
previsto a cada 15 dias. Os pontos foram definidos pela equipe envolvida no projeto e
aprovado pela Comissão Técnica da Biblioteca Universitária. Posteriormente, pretende-se
selecionar quatro pontos em outros bairros da cidade e dois pontos em áreas rurais e, mediante
avaliação de propostas das prefeituras, em duas cidades próximas.

3.3 Divulgação
O sucesso do projeto depende muito da divulgação e do envolvimento da comunidade.
Assim, o Sistema UFLA de Comunicação (rádio, TV e internet) foi utilizado para divulgar o
projeto, esclarecendo sobre a importância de uma biblioteca. Com a divulgação, obteve-se a
colaboração de entidades e grupos organizados locais (associação de bairros, escolas,
prefeitura municipal), desde a fase de concepção até a operação do serviço.
Um das estratégias adotadas para divulgação foi a criação de uma logo para o Projeto
(Figura 1). Podem-se considerar as logomarcas (ou logotipo) como a assinatura, a
identificação imediata de uma empresa, produto ou serviço. Segundo Oliveira (2014), elas
não só identificam como também agregam valor ao produto ou serviço.

2284

�Figura 5: Logo do Projeto Biblioteca Itinerante-Ô nibus UFLA

Após a criação da logo, foi produzida uma camiseta promocional (Figura 2), utilizada
pela equipe do projeto nos dias das visitas aos bairros e distribuída durante a realização da
VIII SLBU. Os brindes (camisetas) personalizados têm um grande potencial na divulgação de
marcas, de organizações ou de eventos, sendo que nos últimos anos tem sido consideradas
umas das maiores sensações no mundo da comunicação e do marketing. Sempre que os
usuários vestirem ou, até mesmo, olharem para o brinde recebido (as camisetas), irão associálo à instituição ou ao evento (FABRICA DE IDEIAS, 2014). Nesse caso, o Projeto Biblioteca
Itinerante-Ônibus UFLA.

Figura 6: Camisetas prom ocionais

Outra estratégia adotada foi a criação de um site

21 1

como um diário das atividades e

com todas as informações do projeto, em especial a agenda de visitas. Outros recursos foram
a distribuição de panfletos, a fixação de cartazes e o uso de redes sociais.

271

Biblioteca Itinerante. Disponível em: &lt;http://biblioteca.ufla.br/onibusbu/&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.

2285

�3.4 O ônibus UFLA
As universidades devem exercer com eficiência seu papel social no ensino, na
pesquisa, na extensão e na inovação. Ao mesmo tempo em que a extensão possibilita a
democratização do saber acadêmico, por meio dela este saber retorna à universidade, testado e
reelaborado. A relação entre o ensino, a pesquisa e a extensão ocorre quando a produção do
conhecimento é capaz de contribuir para a transformação da sociedade.
A ciência e a tecnologia, no seu sentido mais amplo, só se justificam se estiverem em
estreita sintonia com a melhoria de vida da sociedade. É a sociedade que, por meio dos seus
impostos, proporciona condições para a realização das pesquisas pelas diferentes instituições.
Assim, é imperioso que a comunidade tome conhecimento do que o ensino, a ciência e a
tecnologia estão realizando pela melhoria da qualidade de vida da população.
Para a difusão das ações de uma instituição pública nas áreas de ensino, pesquisa,
inovação e extensão, devem-se utilizar estratégias relacionadas com a eficiência de transmitir
as descobertas de forma objetiva e clara. Portanto, a viabilidade destas ações de divulgação
pode ser realizada por meio de estruturas móveis, nas quais existam estruturas físicas para
atender a um público que deseja conhecer os cursos de graduação e de pós-graduação que a
instituição oferece, as pesquisas desenvolvidas e os impactos das mesmas no cotidiano das
pessoas, assim como os materiais técnicos desenvolvidos na instituição.
O ônibus UFLA é uma estrutura móvel, por meio da qual é possível divulgar as ações
nas áreas de ensino, pesquisa, inovação e extensão em diferentes áreas do conhecimento.
Após a transformação em universidade, no ano de 1994, a UFLA tornou-se mais plural e hoje
atua em diferentes áreas do conhecimento. Essa estrutura é utilizada para a divulgação dos
processos seletivos da UFLA, dos cursos de graduação e de pós-graduação ofertados. Ainda, é
utilizada em feiras de ciências, em ações de transferência de tecnologias, para apoio aos
produtores em dias de campo e incentivo à leitura, dentre outros eventos. Muitas vezes, essas
ações eram realizadas de forma precária, fazendo valer muito mais o empenho das pessoas
envolvidas. Com esta estrutura, essas ações poderão atender a demandas de vários municípios
do estado de Minas Gerais e também de outras regiões do país. Ressalta-se que, em um raio
de 100 km da UFLA, existem 95 cidades, com população aproximada de 1,5 milhão de
pessoas que poderão ser atendidas em suas demandas.
Com o projeto do ônibus UFLA surgiu a possibilidade de implantação da Biblioteca
Itinerante. Inicialmente, os recursos materiais utilizados foram: 1 micro-ônibus customizado;
2 jogos de mesa com 04 cadeiras cada; 2 cadeiras giratórias (computador); 4 computadores; 1
televisão de 42’; 1 aparelho de DVD; 1 notebook; 1 condicionador de ar; acesso à internet;

2286

�acervo bibliográfico; 8 caixas baú de madeira para transporte do acervo; 1 carro plataforma de
tela; frigobar; pia.
Para aproximar ainda mais o ônibus e a comunidade local, o espaço interno é decorado
com pelúcias ou objetos relacionados ao tema a ser trabalhado em cada atividade quinzenal
(Figura 3).

Figura 7: Espaço interno do ônibus

Entende-se que, com esta estrutura, é possível propiciar a participação da sociedade no
cotidiano da universidade de forma efetiva, e que o ensino, a ciência, a tecnologia e a
inovação possam ser direcionadas para a solução dos reais problemas da comunidade,
ampliando, dessa forma, as ações de extensão universitária e o incentivo à leitura,
contemplando o papel social das universidades junto à sociedade.

4 SERVIÇOS DA BIBLIOTECA ITINERANTE
Os serviços oferecidos pela Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA são:
a) empréstimo de livros;

2287

�b) disponibilidade de revistas, jornais atualizados e outros materiais informativos para
leitura no local;
c) exposições didático-científicas;
d) atividades lúdicas com leitura;
e) atividades culturais, como hora do conto.

5 ACERVO
Uma das decisões básicas e essenciais foi definir se o ônibus iria ou não oferecer o
serviço de consulta para pesquisa escolar e a faixa etária a ser alcançada. Inicialmente, a
proposta do acervo era apenas para leitura recreativa. Oferecer o serviço de consulta ao acervo
impresso para pesquisas escolares torna mais complexa a execução do projeto, pois pode
desconfigurar o caráter de incentivo ao hábito da leitura. Essa decisão foi significativa para a
composição do acervo, adaptação do ônibus, seleção das atividades realizadas e no
treinamento dos servidores e bolsistas.
O acervo inicial foi composto de trezentos títulos, adequados ao público em geral que
se pretende atender, sendo então um misto entre a demanda local, de caráter de massa, e
também obras mais clássicas e eruditas, procurando influenciar a mudança qualitativa da
leitura, além de um acervo "básico" infanto-juvenil e adulto.
A oferta de livros "práticos" (educação de filhos, autoajuda, mecânica, culinária,
saúde, por exemplo) atua como um instrumento de atração de um público com escolaridade
heterogênea e com orientação sistemática, contribuindo com a diversificação dos hábitos de
leitura.
É importante encontrar métodos de iniciar, aumentar e atualizar o acervo da forma
mais econômica e viável possível: contatos com editoras para doação, intercâmbio com
bibliotecas, convênios com empresas privadas e campanhas de doação junto à comunidade
regional e local.

6 NORMAS DE USO DA BIBLIOTECA ITINERANTE
a) a Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA fará visitas quinzenais a cada ponto.
b) o roteiro das visitas será divulgado no site da Biblioteca Universitária.
c) para ter acesso aos empréstimos, é necessário ser sócio da Biblioteca Itinerante.
d) para se cadastrar, é necessário apresentar a seguinte documentação:
■ documento de identidade e CPF;

2288

�■ comprovante de residência atualizado/mês (talão de água, luz ou telefone);
■ para menores de 12 anos, é necessário estar acompanhado de um responsável
portando documento de identidade, CPF e certidão de nascimento do menor;
e) horário de funcionamento: terças-feiras: das 9 às 11h (no ponto estabelecido);
f) o usuário terá direito ao empréstimo de apenas um livros por vez;
g) o atraso na devolução de livros pelo usuário acarretará em multa no valor de R$2,00,
por dia de visita do ônibus no ponto;
h) o empréstimo será efetuado para usuários cadastrados e sem pendências;
i) o usuário é responsável pela preservação e conservação do livro emprestado na
Biblioteca itinerante-Ônibus UFLA.

7 ATIVIDADES
Além do empréstimo domiciliar, as atividades oferecidas pela Biblioteca ItineranteÔnibus UFLA são:
a) ContAÇÃO: narrativa dramatizada de histórias infantis, por alunos dos cursos de
Pedagogia e Letras. As seções serão divididas por faixa etária, sendo de 5 a 7 anos, de
7 a 9 anos e de 10 a 12 anos;
b) ReciclARTE e Origami: oficinas de reaproveitamento de sucatas na confecção de
brinquedos. As atividades serão precedidas de minipalestra sobre a importância da
educação ambiental e do uso responsável dos recursos naturais;
c) CINEmais: exibição de filmes para as diferentes classificações etárias, seguida de
atividade lúdica para exploração do enredo;
d) VestibuLENDO: as obras indicadas para o vestibular (PAS/ENEM) serão discutidas e
analisadas por professores de literatura em datas previamente agendadas. O públicoalvo para essa atividade é composto por alunos do ensino médio das escolas públicas
de Lavras e região.

8 RELATO DA EXPERIÊNCIA
A Semana Nacional do Livro e da Biblioteca foi instituída pelo Decreto n° 84.631 de 9
de abril de 1980, com início em 23 de outubro e término em 29 do mesmo mês. Conforme o
decreto, nessa semana, atividades folclóricas e culturais devem ser levadas a efeito em todo o
país. Em 2013, as comemorações foram realizadas no período de 21 a 24 do mesmo mês. Na
UFLA este evento é comemorado por meio da SLBU.

2289

�O tema escolhido para integrar a VIII SLBU foi o poeta Vinícius de Moraes (1913­
1980), em virtude da comemoração do seu centenário. O homenageado foi poeta, compositor,
dramaturgo, jornalista e diplomata, mas, antes de tudo, um apaixonado, tendo deixado um
enorme legado para a cultura brasileira. Sua obra é vasta e de riquíssimo valor artístico e
cultural,

e

o

“poetinha”, como

era

carinhosamente

chamado,

é

reconhecido

internacionalmente.
Sabendo da importância de Vinícius de Moraes para a cultura nacional, a SLBU trouxe
essa homenagem para a sua 8a edição, com o objetivo de divulgar, relembrar e trazer mais
conhecimento acerca da sua vida e obra, tanto para a comunidade acadêmica como para a
comunidade externa. As atividades propostas tiveram o intuito de perpassar as várias facetas
de sua obra, como a música, a literatura, a dramaturgia e a sua própria biografia.
Na abertura da VIII SLBU, dia 21 de outubro, no salão de convenções da
universidade, a biblioteca teve como programação especial o lançamento oficial do projeto
“Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA”, no dia 22, o ônibus ficou em exposição em frente a
Biblioteca, ponto de alto fluxo de pessoas e próximo aos pavilhões de aulas, bancos e
restaurante. No dia 23, o projeto foi apresentado em praça pública à comunidade lavrense.
Além de panfletagem, durante esta atividade, o ônibus ficou disponível para ser visitado por
cidadãos que transitavam pela praça, por professores, bibliotecários e futuros leitores. Na
oportunidade, a equipe formada por servidores da Biblioteca Universitária e voluntários
trabalhou o poema “Borboletas”, integrante da obra infantil de Vinícius de Moraes, por meio
de declamação e condução dos presentes a confeccionarem uma borboleta com palitos de
picolé e materiais recicláveis.
A primeira visita da Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA ocorreu no dia 19 de
novembro de 2013, em dois bairros na cidade de Lavras: pela manhã, estacionou na Praça da
Cohab e, à tarde, na Praça Rafael Menicucci, localizada no bairro Jardim Floresta. Nessa
primeira visita foram apresentados aos visitantes o projeto da biblioteca, a estrutura do ônibus
e as informações sobre a sua programação. Houve um momento em que histórias foram
contadas, por membros do projeto, para as crianças e os jovens do bairro que estavam
presentes. Na ocasião, foi apresentado o livro “Alice viaja nas histórias”, de Gianni Rodari,
utilizando a técnica reconto ilustrado com figuras manipuladas. A escolha foi baseada na
temática do livro que, passeando por famosos contos de fada, incentiva e valoriza a leitura no
universo infantil.
No próximo encontro, as atividades realizadas foram planejadas com o objetivo de
aproximar as crianças e os visitantes, de uma forma mais efetiva, por meio da história “A

2290

�abelha Aninha”, de Nathalie Jane Parker, relacionada às quatro estações do ano, contada de
maneira interativa, com um pequeno cenário formado por uma caixa de papelão customizada
e utilizando dedoches para despertar a atenção de todos. Nesse dia, a Biblioteca Itinerante foi
visitada por 60 alunos do 5° ano da Escola Municipal Oscar Botelho, localizada no bairro
Lavrinhas.
No terceiro encontro aconteceu o encerramento das atividades do ano de 2013. O
Natal foi a temática escolhida para ser abordada. Primeiramente, os visitantes apreciaram o
acervo e receberam orientações sobre as obras disponíveis. Cerca de 100 pessoas, crianças e
adultos, assistiram ao filme de animação “Anabelle”. A exibição foi seguida de
questionamentos sobre a mensagem do filme e recontos. Reforçando o clima natalino, as
crianças receberam um gorro de Papai Noel e um quebra-cabeça, como lembrança
simbólica desse projeto.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Atualmente, o projeto de Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA enfrenta a diferença
entre o calendário escolar da UFLA e o da rede municipal/estadual de ensino. No mês de
março, as escolas estavam com suas atividades normais e a universidade em período de férias
e, com isso, não há alunos bolsistas disponíveis para colaborar no desenvolvimento projeto.
Além disso, os servidores técnico-administrativos da universidade, e com eles os servidores
da Biblioteca, aderiram ao movimento grevista nacional, que teve início em 17 de março.
Essas questões comprometeram o cumprimento do calendário de atividades proposto
para o primeiro semestre de 2014, que já é um ano atípico, pela realização da Copa do Mundo
da FIFA em nosso país, gerando alterações no calendário das escolas de Lavras.
No período das férias dos alunos das escolas municipais e da UFLA, o projeto foi
suspenso, com previsão de retornar das atividades no final de fevereiro de 2014, véspera do
Carnaval, com uma “folia literária” na Praça Augusto Silva. Por ser localizada na região
central da cidade e ser ponto de encontro da comunidade lavrense aos domingos, a praça foi
escolhida para esta manhã festiva, com o objetivo divulgar, ainda mais, o projeto de
Biblioteca Itinerante. Acreditava-se que esta ação poderia atingir pessoas de diversos bairros e
gerar parcerias de visitas futuras para o projeto.
No mês de março, a Biblioteca Itineratente reiniciaria suas atividades rotineiras na
Praça da Cohab, sempre às terças-feiras, com frequência quinzenal, desenvolvendo o projeto
de Educação Ambiental “Eu amo a minha praça”, que tem como foco, por meio de leituras, de

2291

�atividades lúdicas e de discussões sobre a importância de revitalizar e preservar o espaço,
conscientizar os usuários para que tenham atitudes éticas de respeito ao meio ambiente.
Diante dos fatos, foram identificadas dificuldades na execução do projeto para o
primeiro semestre de 2014, foi cancelada a presença da Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA na
praça Dr. Augusto Silva no dia 23 de fevereiro e nas demais datas na praça da Cohab, porém,
haverá continuidade do Projeto após a regularização das atividades e o cronograma será
replanejado.
A Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA, embora seja uma inovação em Lavras e região,
pretende firmar-se como espaço de referência cultural para a população dos locais abrangidos
pelo projeto. Esta é a proposta: um projeto de incentivo à leitura e difusão do conhecimento
da Biblioteca Universitária da UFLA que, descentralizando seus serviços, oferece
empréstimos de livros e consultas a jornais e revistas em uma biblioteca itinerante que
funciona em um ônibus adaptado para este fim.
No local também são realizadas outras atividades culturais, como oficinas,
brincadeiras, exibição de filmes, música, teatro, debates, narração de histórias, exposições,
etc. Moradores de bairros periféricos de Lavras e municípios do entorno poderão ter acesso
facilitado à leitura.
Entretanto, por melhores que sejam os resultados, o ônibus não substitui a biblioteca.
Contudo, ao ser utilizado adequadamente como instrumento de difusão e estímulo à leitura,
contribuirá para a formação do cidadão e para a disseminação do livro e da cultura,
acreditando ampliar a frequência de usuários em bibliotecas.
O projeto vem ganhando aceitação da comunidade lavrense, de escolas de bairros
vizinhos e moradores próximos ao local de parada ônibus se mobilizaram para participar das
visitas quinzenais. Além disso, professores de literatura do ensino médio da região participam
com seus grupos de alunos, desenvolvendo, com o acervo disponível na Biblioteca Itinerante,
atividades pedagógicas complementares, enriquecendo, assim, os conteúdos já apresentados
em sala de aula, consolidando a integração do projeto com o ensino formal.

REFERÊNCIAS
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA PREFEITURA DE CURITIBA. Biblioteca sobre rodas
incentiva

crianças

a

ler.

Curitiba,

2012.

Disponível

em:

&lt;http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/biblioteca-sobre-rodas-incentiva-criancas-aler/27763&gt;. Acesso em: 16 abr. 2014.

2292

�ANTUNES, I. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 2003.
BOTINI, G. A. L.; FARAGO, A. C. Formação do leitor: papel da família e da escola.
Cadernos de Educação: ensino e sociedade, Bebedouro, v. 1, v. 1, p.: 44-57, 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
Curriculares Nacionais: a língua portuguesa: terceiro e quarto ciclos. Brasília, 1997/1998.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Protagonismo juvenil:
caderno de atividades/Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica de
Saúde do Adolescente e do Jovem. Brasília, 2001.
BRITO, D. S. A importância da leitura na formação social do indivíduo. Revela, Praia
Grande, v. 4, n. 8, p. 1-35, jun. 2010.
DIAS, M. C. S. Alternativas para contornar a crise da leitura: uma experiência do ônibusbiblioteca na cidade de São Paulo. São Paulo: APB, 1994.
DUARTE, A. B. S. Programa Carro-Biblioteca: frente de leitura. In: ARTE, A. B. S.;
LOURENÇO, C. A. O Carro-Biblioteca da ECI/UFMG: 38 anos. Belo Horizonte: Rona,
2012. cap. 1, p. 9-22.
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Paulo, 2014. Disponível em: &lt;http://www.fabricadeideiassp.com/#!Qual-a-importncia-dacamiseta-personalizada-e-brindes/c1bxb/3&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
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http://www.campinas.sp.gov.br/governo/cultura/programas-projetos.php&gt;. Acesso em:
15 de maio 2014.
INICIATIVA de Mário de Andrade vai à periferia: Ônibus-biblioteca, criado em 1930,
tem itinerário definido por moradores. Estadão, São Paulo, 03 jan. 2009. Disponível em:
&lt;http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,iniciativa-de-mario-de-andrade-vai-aperiferia,302183,0.htm&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS. Mobile library
guidelines. The Hague, 2010. (IFLA Professional Reports; 123).
OLIVEIRA, V. N.; OLIVEIRA, N.; OLIVEIRA, E. Tecnologias da comunicação e
informação como ferramenta de incentivo à leitura: a experiência do concurso “Curta a
Leitura”, em Lavras, MG. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24., 2011, Maceió. Anais... Maceió:
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Disponível em: &lt;http://www.rioeduca.net/blogViews.php?bid=18&amp;id=3667&gt;. Acesso em:
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SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO. Bibliosesc. Rio de Janeiro, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.sesc.com.br/portal/cultura/biblioteca/BiblioSesc/BiblioSesc&gt;. Acesso em: 16
abr. 2014.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. Regimento Interno
da Biblioteca Universitária. Lavras, 2012.

ANEXO A

Refere-se à descrição detalhada extraída do edital de licitação para aquisição do ônibusUFLA, utilizado pelo Projeto Biblioteca-Itinerante.

Micro-ônibus: chassis do veículo motor que atenda as normas de emissões com potência entre
160 a 190 cvs com sistema de injeção eletrônica; Transmissão por acionamento de alavanca
de marchas podendo conter entre cinco e seis marchas a frente e uma a ré; embreagem
monodisco a seco; acionamento hidráulico; Freio com acionamento a ar nas quatro rodas;
Freio motor; Sistema elétrico com tensão nominal de 24 V; Direção hidráulica ; Tanque de
combustível entre 150 à 220 litros, Pneus e rodas com medidas entre 215/75R x 17.5" e
275/80R x 22.5"; Suspensão dianteira com mola parabólica e amortecedores telescópicos de
dupla ação ou similar. Peso bruto entre 10.000 a 15.000 kg. Eixo traseiro com rodado duplo,
carga útil entre 6 a 7 mil kg, entre eixos por volta de 4.000 a 5.500 kg. Reservatório de ureia
por volta 38 litros, Informações da Carroceria Rodoviária Comprimento entre 7800 mm a
10.500 mm; - Altura externa mínima de 2800mm; - Altura interna mínima 2900mm; Distancia entre eixos a ser definida pelo encarroçador, podendo ser modificada conforme o
projeto; - Largura externa mínima de 2200mm; - Largura interna mínima de3 2100mm; Lotação mínima 5 (poltrona rodoviária reclináveis); - Cinto de segurança para todas as
poltronas e de 03 pontos retrátil para o motorista;- Cano de descarga traseiro; - Estepe entre
eixos; - Uma porta pantográfica no estre eixos; - Janela laterais com vidros colados na cor
fumê; - Tanque de combustível com capacidade mínima de 150 litros; - Vidros com indicação
de transparência; - Janelas de emergência em ambos os lados com martelo; - Para- brisa com
divisor vertical; - Dois tetos solares; - Iluminação externa conforme padrão Brasileiro; -

2294

�Instalação de brake- light na traseira; - Farol auxiliar de neblina no para- choque com
acionamento conjugado com a ignição; - Isolamento térmico em toda carroceria; - Aeração
forçada para o motorista com motor elétrico; - Iluminação em leds nas lanternas; - Instalação
de rádio /MP3 player para cabine do motorista instalado no console do painel; - Alto falantes
convencionais no teto do salão de passageiros; - Itinerário eletrônico base integrado ao painel
com leds na cor branca; - Tacógrafo digital com disco de 24 horas; - Alarme sonoro na
marcha ré; - Extintor de incêndio tipo ABC 4kg; - Válvula de abertura da porta atrás da grade
traseira; - Revestimentos das poltronas e lateral com tecido automotivo, e atrás das poltronas
em carpete cinza; - Revestimento do salão em passadeira anti- derrapante; - Caixa de
ferramentas; - Pintura externa padrão UFLA; Informações complementares da implementação
especial unidade móvel: 1) - Divisão dos compartimentos - Instalação de 01 (uma) divisória
interna com porta logo atrás dos bancos de passageiros. 2) - Compartimento de passageiros Será original do veiculo,3) - Compartimento de serviço - Na parte traseira do veiculo, serão
instalados armários divididos da seguinte forma: na lateral direita um compartimento para
transporte do gerador (620 C x 500 L x 470 A) na parte central superior , deverá conter um
armário com 800 mm de altura x 70 mm de profundidade x largura total do ônibus . Este
armário deverá conter uma prateleira para dividi-lo em duas partes e conter portas em acrílico
na parte central inferior servira como uma bancada de trabalho na lateral esquerda um armário
da traseira até a divisória, onde deverá ter um compartimento para a caixa condensadora do ar
condicionado, armários com portas, um compartimento para instalação de um cuba de inox e
reservatório de água , um compartimento para frigobar e um compartimento para sistema
elétrico na lateral direita , entre as portas , deverá ter uma bancada onde terá um vão livre e
um armário com portas, sobre esta bancada deverá conter um armário com dimensões
aproximadas de 950 mm de largura x 70 mm de profundidade x 820 mm de altura , com
prateleira de modo a dividi-lo em duas partes e conter portas em acrílico na lateral direita
superior entre as portas , um armário superior com dois nichos sem porta , com dimensões
aproximadas de 2000 L x 350 P x 350 A na lateral esquerda superior entre a traseira do
veiculo a e divisória , um armário superior com seis nichos sem porta , com dimensões
aproximadas de 420 L x 350 P x 350 A, toda parte mobiliaria deverá ser confeccionado na cor
cinza com acabamento de portas e gavetas na cor Verde Allegro - L167 4) - Elétrica Instalação de 02 (duas) tomada na lateral esquerda traseira, para captação de energia externa
com entrada de 110/220 V; - 01 (um) transformador de energia 220 / 110 V - 5000 w; - 01
(uma) inversor de corrente e demais itens de acordo com o Edital. Marca Maxibus modelo
New Astor equipado com chassi marca Agrale modelo MA 10.

2295

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                <elementText elementTextId="71369">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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                <elementText elementTextId="71372">
                  <text>UFMG</text>
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              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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                  <text>pt</text>
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              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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                  <text>Evento</text>
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            <element elementId="38">
              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                  <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>Apresenta-se o relato da experiência de execução do Projeto Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA. Lançado durante a VIII Semana do Livro e da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras (VIII SLBU/UFLA), o principal objetivo desse Projeto, que tem como público alvo crianças, adolescentes e adultos de cidades vizinhas, da zona rural e dos bairros periféricos de Lavras, é promover a cidadania por meio da educação e da cultura, favorecendo o processo de formação social. Visa ultrapassar as fronteiras do espaço tradicional da Biblioteca Universitária e incentivar o hábito e o prazer pela leitura, na comunidade de Lavras e região, oferecendo empréstimo de livros, exposições didático-científicas e atividades lúdicas e culturais. O projeto é gerenciado pelo Setor de Marketing e Comunicação da Biblioteca Universitária UFLA. Por fim, a Biblioteca Itinerante, embora seja uma inovação em Lavras e região, pretende firmar-se como um espaço de referência cultural para a população dos locais atendidos pelo projeto. Entretanto, por melhores que sejam os resultados, o ônibus não substitui a biblioteca. Mas, ao ser utilizado adequadamente como instrumento de difusão e incentivo à leitura, contribuirá na formação do cidadão e na disseminação do livro e da cultura, ampliando a frequência de usuários em bibliotecas púbicas e estimulando a capacidade crítica dos seus usuários. O projeto vem ganhando aceitação da comunidade lavrense, de escolas de bairros vizinhos e moradores próximos ao local de parada ônibus que se mobilizam para participar das visitas.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRÁTICAS DE TREINAMENTO E PORTAL DE PERIÓDICOS: UM ESTUDO
SOBRE A UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
Angela Maria Raimundo
Jussara Santos Silva
Sione Galvão Rodrigues
RESUMO
O Portal de Periódicos da CAPES é uma importante fonte de informação, pois contribui,
significativamente, para o desenvolvimento do ensino e de pesquisas em diversos contextos.
Destarte, quanto ao uso do referido portal, este artigo tem como objetivo descrever e analisar
experiências a partir de treinamentos realizados junto à comunidade acadêmica da
Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP. Os treinamentos são viabilizados por meio de
alguns instrumentos metodológicos como, por exemplo, palestras, demonstrações acerca do
uso do portal e, por conseguinte, de atividades práticas a serem realizadas pelos discentes e
pelos docentes. A partir dos dados coletados e das análises desenvolvidas, evidenciou-se a
necessidade de uma estruturação profícua para a realização dos treinamentos, os quais
aperfeiçoarão a busca do conhecimento pelo usuário-pesquisador.
Palavras-Chave: 1. Pesquisa bibliográfica. 2. Portal da CAPES. 3. Fontes de informação. 4.
Tecnologias da Informação. 5. Usuário-Pesquisador.
ABSTRACT
The Scientific Journals Portal CAPES is an important source of information; because it
contributes, significantly, to the development of teaching and research in different contexts.
Thus, regarding the use of this portal, this article aims to describe and analyze experiences
from conducted training to the academic community of the Federal University of Ouro Preto UFOP. The trainings are conducted by some methodological tools such as, lectures,
demonstrations on the use of the portal and, therefore, by practical activities performed by
students and teachers. From the data collected and the analysis developed, it was
demonstrated the necessity of a useful structure for carrying out the training, which will
improve the search for knowledge by the user-researcher.
Key words: 1. Bibliographic Search. 2. Portal CAPES. 3. Sources of information. 4.
Information Technology. 5. Researcher-User.

1 INTRODUÇÃO
Com as novas tecnologias presentes no cotidiano das bibliotecas e de seus
profissionais, alguns serviços oferecidos pelas bibliotecas não são mais presenciais, podendo

3505

�ser remotos ou virtuais. Um destes serviços que sofreu alteração ao longo dos anos foi o
“Serviço de Referência das Bibliotecas Universitárias”. Nesse particular, inicialmente,
tínhamos a relação bibliotecário-usuário e uma grande demanda pelo serviço de referência nas
bibliotecas universitárias, contudo, com o aumento do número de documentos digitais e a
possibilidade de acessá-los, houve uma redução na procura por esse tipo de atendimento
(CUNHA, 2010).
Outrossim, uma ferramenta que contribuiu para independência do usuário em suas
pesquisas foi o surgimento do Portal de Periódicos da CAPES, o qual permite ao pesquisador
estabelecer suas próprias estratégias de busca em bases de documentos digitais. Esse novo
comportamento fez com que os bibliotecários de referência se voltassem para outro serviço
oferecido pelas bibliotecas: o treinamento de usuários.
Nesse trabalho, descreveremos e analisaremos experiências a partir de treinamentos
relativos ao uso do Portal de Periódicos da CAPES junto à comunidade acadêmica da
Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O Portal de Periódicos da Capes é uma biblioteca virtual que reúne e disponibiliza às
instituições de ensino e pesquisa no Brasil uma diversidade expressiva da produção científica
mundial, pois conta atualmente com um acervo de mais de 33 mil periódicos nacionais e
internacionais, com 130 bases referenciais, dez bases dedicadas exclusivamente a patentes,
além de livros, enciclopédias e obras de referência, normas técnicas, estatísticas e conteúdo
audiovisual.
Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar a não compreensão dos
pesquisadores/usuários quanto ao uso das ferramentas do Portal de Periódicos da Capes
durante os treinamentos ministrados na Universidade Federal de Ouro Preto pelo SISBIN
(Sistema de Bibliotecas e Informação) ao longo de todos os semestres letivos, de acordo com
a demanda dos discentes e docentes, utilizando-se os laboratórios de computação das
unidades acadêmicas.
No decorrer destes treinamentos, observou-se que mesmo com o avanço da internet e
de outras tecnologias, as quais permitem a utilização de recursos que possibilitam publicar, e
trocar mensagens com outros usuários em tempo real, os pesquisadores/usuários que
participam do treinamento do Portal da Capes ainda têm dificuldade em lidar com as
ferramentas de buscas nas bases de dados.

3506

�Há várias questões que podem exploradas acerca desta problemática como, por
exemplo, o fato de alguns considerarem a interface de busca confusa, devido a mudanças
constantes no portal e, também, ao conhecimento parco dos usuários acerca das línguas
estrangeiras presentes nas ferramentas de busca.
Torna-se relevante mencionar que as ferramentas usadas no portal de periódicos da
CAPES devem ser mais divulgadas e exploradas, à medida que os pesquisadores/usuários
devem saber filtrar e focar bem no seu objetivo, o que lhes permitirá, de certo modo, controlar
o processo de busca de informação.
O aperfeiçoamento do processo de busca pode ser reverberado por meio de
treinamento, de infraestrutura específica e de equipes capacitadas que atendam de modo
eficiente aos pesquisadores/usuários.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foram analisadas as práticas de treinamento que se balizavam em palestras e
demonstrações, os quais permitem a interação significativa dos usuários participantes, pois
viabilizam a expressão de dúvidas e de dificuldades acerca da utilização das ferramentas do
Portal CAPES. Os equipamentos utilizados durante as exposições foram: computador com
acesso à rede internet e projetor multimídia.
Paralelamente, visando um treinamento mais interativo com os usuários, utilizavam-se
os laboratórios de informática disponíveis na Instituição, para que o usuário pudesse
acompanhar passo a passo o acesso às ferramentas do Portal.
Caso houvesse problemas de acesso à Internet, seria utilizado apenas o projetor
multimídia, buscando-se apresentar as principais informações sobre as ferramentas e as
estratégias para manuseá-las. Os treinamentos duravam aproximadamente duas horas,
variando de acordo com o quantitativo dos usuários participantes.
Verificamos que o Sistema de Bibliotecas e Informação - SISBIN necessita de um
local próprio para realizar estes treinamentos de maneira mais assídua e periódica, para poder
atingir o maior número de usuários por ano. Assim, os usuários se manteriam atualizados
quanto à evolução e ao uso de novas ferramentas do Portal de Periódicos da Capes, bem como
também quanto a outras ferramentas de pesquisa existentes na internet e em outras
instituições.

3507

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Ao longo desses anos realizando os treinamentos do Portal de Periódicos da Capes,
para professores, pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação, auxiliares de
biblioteca, bibliotecários, observamos diferentes comportamentos frente às novas ferramentas
de pesquisas oferecidas como, por exemplo, dificuldades no manuseio das ferramentas de
busca, operadores boleanos etc.
Sendo o Portal composto de um número grande de documentos disponíveis para
acesso, é necessário que o usuário-pesquisador defina com clareza e precisão os termos no
momento da pesquisa. Observamos durante os treinamentos que existem muitas dificuldades
na elaboração de uma estratégia de busca. De acordo com Dias, Naves e Moura (2001), a área
do conhecimento define a estratégia específica de recuperação da informação, e somente
algumas estratégias são generalizantes. Portanto, é fundamental que enfatizemos estes
aspectos nas práticas de apresentação e de uso do Portal. Outrossim, o tempo de duas horas
não é suficiente para dar orientação mais específica para o usuário-pesquisador acerca do uso
profícuo do Portal da CAPES.
Em alguns treinamentos, detectou-se a dificuldade de alguns usuários no que diz
respeito ao domínio da língua inglesa. Entretanto, reforçamos a importância do uso do idioma
inglês, pois o uso exclusivo do idioma português limita os resultados das pesquisas.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Apesar de não termos uma estrutura ideal para a realização dos treinamentos, tal como
local adequado e bibliotecário designado, exclusivamente, para essa atividade, sempre há
demanda expressiva por esse serviço.
O interesse majoritário da comunidade acadêmica na realização dos treinamentos
demonstra que se tivéssemos uma equipe de bibliotecários desenvolvendo exclusivamente as
práticas de treinamento junto ao Portal CAPES, os resultados de participação dos usuários
seriam mais representativos e qualitativos.
A implantação de treinamentos periódicos é fundamental, pois a comunidade
acadêmica varia ao longo dos anos, surgindo novos usuários nas bibliotecas e,
consequentemente, novos pesquisadores.

6 REFERÊNCIAS
CAPES. Portal de Periódicos da Capes.Disponível em: www.periodicos.capes.gov.br.&gt;
Acesso em : 04 mar.2013.

3508

�CUNHA, M. B. da. A biblioteca universitária na encruzilhada. DataGramaZero - Revista de
Ciência

da

Informação,

v.11,

n.6,

dez.2010.

Disponível

em:

http://www.dgz.org.br/dez10/Art 07.htm. Acesso em: 09/04/2013.
DIAS, E. W., NAVES, M. M. L., MOURA, M..A.. O usuário-pesquisador e a análise de
assunto. Perspectivas em Ciência da Informação, v.6, n.2, p. 205-221, jul./dez. 2001.
Disponível em: &lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view&gt; Acesso
em: 09/04/2013.
GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2010.184p.

3509

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                <text>O Portal de Periódicos da CAPES é uma importante fonte de informação, pois contribui, significativamente, para o desenvolvimento do ensino e de pesquisas em diversos contextos. Destarte, quanto ao uso do referido portal, este artigo tem como objetivo descrever e analisar experiências a partir de treinamentos realizados junto à comunidade acadêmica da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Os treinamentos são viabilizados por meio de alguns instrumentos metodológicos como, por exemplo, palestras, demonstrações acerca do uso do portal e, por conseguinte, de atividades práticas a serem realizadas pelos discentes e pelos docentes. A partir dos dados coletados e das análises desenvolvidas, evidenciou-se a necessidade de uma estruturação profícua para a realização dos treinamentos, os quais aperfeiçoarão a busca do conhecimento pelo usuário-pesquisador.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

FINANCIAMENTO COM RECURSOS EXTERNOS: ELEMENTOS PARA UMA
DISCUSSÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS FEDERAIS

Adilson dos Ramos

RESUMO
Propõe elementos que possam suscitar uma discussão sobre a situação do SIB na política de
financiamento com recursos externos da UFPE. Estudo qualitativo, documental e
exploratório. Utiliza a análise de conteúdo como método e técnica de coleta de dados.
Constata que as bibliotecas da UFPE se beneficiam muito pouco da política de recursos
externos praticada na UFPE. Sugere elementos de natureza paradigmática e institucional para
subsidiar discussões no SIB/UFPE sobre o tema.

Palavras-chave: Recursos externos1;
Bibliotecas Universitárias Paradigmas 3; Escassez de Recursos Públicos 4; Educação Superior 5

financiamento 2;

ABSTRACT
Proposes elements that may raise a discussion on the situation in the SIB financing policy
with external resources UFPE. Qualitative, exploratory study and documental. Uses content
analysis as a method and technique of data collection. Notes that the libraries of UFPE
benefiting little from external resources policy practiced at university. Suggests elements of
paradigmatic and institutional nature for discussions on the SIB / UFPE on the topic.
Keywords: External Resources 1; University Libraries - funding 2; Paradigms 3; Shortage of
Public Resources 4; Higher Education 5
1 INTRODUÇÃO
A política de financiamento com recursos externos em bibliotecas universitárias é
tratada a partir de uma abordagem paradigmática, enquanto fenômeno em ascensão nas
universidades federais como resposta à escassez de recursos, resultante do corte de verbas do
Fundo Público Federal (FPF).
Propomo-nos a responder a seguinte questão: Que elementos podem ser considerados
numa discussão sobre o uso de recursos externos por parte das bibliotecas da UFPE?
Verificamos que o Sistema de Bibliotecas da UFPE (SIB/UFPE) não participa
intensamente da política de recursos externos da Universidade, demonstrando-se dependente
das fontes de recursos convencionais oriundos do FPF.

999

�O estudo oportuniza a UFPE permite ao SIB/UFPE refletir sobre o tipo de biblioteca a
construir-se num ambiente em constantes mudanças, em contraponto a uma política de
financiamento existente na UFPE, e de pouca utilização pelas bibliotecas.
Como consequência, possibilita enriquecer a literatura com um tema pouco abordado
na Biblioteconomia, na perspectiva de gerar novas produções intelectuais sobre o assunto, na
medida em que é estendido a outros tipos de bibliotecas.
Nosso objetivo é trazer elementos que possam suscitar uma discussão sobre a situação
do SIB na política de financiamento com recursos externos da UFPE.
O estudo é parte de uma pesquisa de Mestrado ainda em fase de conclusão, sobre o
tema: Políticas de Recursos Externos em Bibliotecas Universitárias.
Como parte dos objetivos específicos da pesquisa de Mestrado, propomo-nos:
•

Refletir sobre fatores que justifiquem a busca por recursos externos em bibliotecas
universitárias federais;

•

averiguar o processo de adesão do SIB

e da UFPE frente ao novo paradigma de

financiamento com recursos externos.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A ascensão de um novo paradigma no contexto de financiamentos das bibliotecas
universitárias federais
Para Kuhn (2011), paradigmas são realizações científicas aceitas universalmente, por
apontar problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência.
Ainda, segundo Kuhn (2011), a ciência normal se desenha no contexto de atividades
altamente determinada por paradigmas que conduzem as pesquisas sem a necessidade de
regras.
Para Kuhn (2011), as regras derivam de paradigmas, e não o contrário; “na ótica de
Kuhn, um paradigma é uma construção que põe fim às polêmicas existentes entre os
praticantes de uma ciência a respeito de determinados fundamentos” (RODRIGUES, 2010,
p.3). “Um paradigma, pra mim, significaria a totalidade de pensamentos, percepções e valores
que formam uma determinada visão da realidade, uma visão que é a base do modo como uma
sociedade se organiza.” (CAPRA, 1995, p. 16)
Com base em Capra (1995), consideramos o paradigma enquanto elemento da
sociedade, na forma como ela se organiza e funciona em processos constantes de
mutabilidade nas esferas políticas, culturais, sociais e econômicas.

1000

�Capra (1995) nos leva a considerar o paradigma nos processos que definem o
funcionamento das organizações, com tendências a reconfigurações constantes e sucessivas a
fim de responder aos desafios impostos pelos contextos ambientais.
Capra (1982) percebe uma crise em todas as dimensões sociais, tornando-as passíveis
de intervenção conforme imposições do paradigma em ascensão.

[...] é uma crise complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os
aspectos de nossa vida - a saúde e o modo de vida, a qualidade do meio
ambiente e das relações sociais, da economia, tecnologia e política. É uma
crise de dimensões intelectuais, morais e espirituais; uma crise de escala e
premência sem precedentes em toda a história da humanidade [...]. (CAPRA,
1982, p. 19).
Capra (1982) ainda sugere substituir a noção de estruturas sociais estáticas pela
percepção de sociedade com padrões dinâmicos de mudança, na perspectiva de uma crise
transformadora.
A concepção de Capra (1982) nos faz pensar na crise de paradigmas como necessária
para que as organizações acompanhem as tendências contemporâneas e, assim, tentem
corresponder às exigências da sociedade.

2.2 A mercantilização do Ensino superior e a redução das verbas nas universidades
Abordar as bibliotecas universitárias federais e a relação dessas instituições com a
ascensão de um paradigma de financiamento em elevação, requer a compreensão de possíveis
instabilidades e crises nas estruturas tradicionais de financiamentos em que se pauta o
sustento das universidades.
Quando nos referimos em estruturas tradicionais de financiamento, queremos dizer
que as verbas aplicadas nas atividades das universidades federais, e oriundas das
contribuições, taxas e impostos passam por processos de cortes e de escassez.
Segundo Amaral (2003) esses recursos formam o FPF e se dirigem à vertente social e
à econômica. A primeira, associada aos trabalhadores, e a segunda ao mundo dos capitalistas.
As despesas cobertas com verbas do FPF são classificadas em financeiras e nãofinanceiras, descontadas as despesas relacionadas à manutenção da burocracia federal, como
explica Amaral (2003).
As despesas financeiras se referem aos juros e encargos da dívida interna e também da
externa. As despesas não-financeiras se referem aos pagamentos de pessoal e encargos
sociais, além de custeio e capital, como informa Amaral (2003).

1001

�Amaral (2003) ainda destaca a redução dos repasses das verbas do FPF para os gastos
com a vertente social, devido ao Governo direcionar maior parte dos recursos para
pagamentos de despesas financeiras.
O pagamento de despesas financeiras, e a consequente redução do repasse das verbas
do FPF nos remetem ao Plano Bresser em 1987. Plano voltado à renegociação da dívida
externa, para encerrar o estado de moratória do Brasil junto aos credores, e também à redução
da remessa de recursos da economia para o exterior, conforme Gianetti (1993?).
Ao analisar o processo de renegociação da dívida externa, Marcantonio (1990) se
refere à necessidade do Brasil de adquirir moeda estrangeira, e para isso, corta gastos,
expandindo, assim, a dívida pública interna com o intuito de financiar-se.
O que, na opinião de Marcantonio (1990) é suficiente para compor um quadro
recessivo, desequilibrando as finanças públicas a ponto de dificultar a realização de uma
política monetária ativa.
França e Calderón (2013) analisam a influência do Banco Mundial (BM) na educação
superior do Brasil sob uma ótica ideológica, no sentido da educação enquanto instrumento de
segurança nacional e de combate ao comunismo, desde a Guerra Fria.
O Banco se transformou numa agência com grande capacidade de
financiamento aos países do Terceiro Mundo e, dentro da lógica de uma
doutrina de segurança disfarçada, os empréstimos a serem eventualmente
concedidos passaram a ser determinados a partir de algumas
condicionalidades, com impacto direto sobre a educação em geral e a
educação superior em particular. (FRANÇA; CALDERÓN, 2013, p. 104).
Entre as condicionalidades, destacamos o que Leher (1999 apud FRANÇA;
CALDERÓN, 2013) aponta:
[...] desinvestimento público na educação superior, sob o argumento de que
caberia ao Estado investir na educação fundamental e no ensino técnico,
vistos como os verdadeiros antídotos contra a pobreza em países emergentes.
[...] o Banco orientou os países emergentes a adotarem maior flexibilidade e
diferenciação entre as Instituições de Ensino Superior, estimulando o
surgimento de instituições com financiamento privado, sem compromisso
com a pesquisa, vocacionadas para o ensino de massas. Ao fazê-lo, o Banco
recomendou também que o Estado restringisse as formas de financiamento à
educação superior e criasse instrumentos permitindo a exploração dessa
atividade às instituições privadas. (LEHER, 1999 apud FRANÇA;
CALDERÓN, 2013, p. 104).
Amaral (2003) é enfático ao reforçar a influência externa por parte do BM nas
políticas de financiamento da educação superior nos países em desenvolvimento, pois para o

1002

�BM, as matrículas nas universidades devem ser efetuadas com pouco ou nenhum aumento do
gasto público. Segundo Amaral (2003), o BM ainda orienta:

Na realidade, se pode deduzir que o ensino superior não deve ter a
preferência em utilizar os recursos fiscais adicionais disponíveis para
o setor educacional em muitos países em desenvolvimento. Este
princípio se aplica em particular aos países que não conseguiram
acesso, eqüidade e qualidade adequados nos níveis primário e
secundário. Além disso, a realidade fiscal na maioria dos países em
desenvolvimento indica que os melhoramentos na qualidade e o
aumento das matrículas no ensino superior deve dar-se com pouco
ou nenhum aumento do gasto público . (BIRD, 1995 apud
AMARAL, 2003, p. 89, grifo do autor).
Segundo Amaral (2003), o BM ainda exige como condição para conceder apoio:

Aos países que buscam seus empréstimos [o Banco] impõe que a educação
se ajuste a uma nova realidade de restrições orçamentárias, torne-se mais
eficiente, produtiva e útil ao mercado, particularmente estreite seus laços
com a indústria e assuma a racionalidade do modelo gerencial. (DIAS
SOBRINHO, 2002, apud AMARAL, 2003, p. 91).
Amaral (2003) conclui que foi dada prioridade aos gastos financeiros da União entre
os anos de 1989 a 2002 em detrimento do social, principalmente em 1998, devido ao acordo
firmado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Amaral (2003) traz outro fator relacionado a uma política de governo que beneficia
diretamente os detentores dos fatores de produção econômica.

[...] os banqueiros, os grandes proprietários rurais e os grandes capitalistas
possuem incentivos fiscais que, praticamente, os isentam do pagamento, por
exemplo do imposto de renda. A legislação que permite esse privilégio traz
como consequência uma redução nos recursos do Fundo Público [...].
(AMARAL, 2003, p. 60).
Segundo Silveira (2009), no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) a política
neoliberal é consolidada sob as orientações do Consenso de Washington, caracterizado como:
[...] conjunto de medidas de ajuste macroeconômico formulado por
economistas de instituições financeiras como FMI e o Banco Mundial,
elaborado em 1989. Entre as regras [...]: disciplina fiscal, redução dos gastos
públicos, reforma tributária, juros de mercado, câmbio de mercado, abertura
comercial, investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições,
privatização das estatais, desregulamentação e desburocratização, direito à
propriedade intelectual. (POLÍTICA &amp; ECONOMIA, 2011).

1003

�A partir de então o monopólio privado se fortalece com a transferência de riqueza
proveniente de privatizações, desindustrialização e desnacionalização da economia brasileira,
segundo Silveira (2009), levando à adoção do Estado mínimo, e voltado à educação primária,
à saúde e à infraestrutura necessária ao desenvolvimento econômico.
No Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE), elaborado em 1995
pelo Ministério da Administração Federal e da Reforma do Estado, tendo como Ministro Luiz
Carlos Bresser Pereira, no Governo de FHC, o Estado se distingue em quatro setores:
estratégico, atividades exclusivas, serviços não exclusivos, e produção de bens e serviços para
o mercado.
As universidades federais se incluem entre os serviços não exclusivos por ser um
setor, onde o poder público não atua unicamente. As atividades são distribuídas entre as
esferas privadas e não-estatais, sendo que essas esferas não possuem poder de Estado, como
indicado no PDRAE:

[O Estado] está presente porque os serviços envolvem direitos humanos
fundamentais, como os da educação e da saúde, ou porque possuem
“economias externas” relevantes, na medida que produzem ganhos que não
podem ser apropriados por esses serviços através do mercado. As economias
produzidas imediatamente se espalham para o resto da sociedade, não
podendo ser transformadas em lucros. São exemplos deste setor: as
universidades, os hospitais, os centros de pesquisa e os museus. (PLANO
DIRETOR DA REFORMA DO APARELHO DO ESTADO, 1995, p. 42).
Lampert (2006) nos traz dados de 2002, para mostrar como esse projeto de
mercantilização da educação superior vem contribuindo para o desmonte das universidades
públicas brasileiras:

Apenas 13% dos brasileiros na faixa de 18 a 24 anos têm acesso, hoje, ao
ensino superior. Cerca de 1 milhão de jovens são excluídos anualmente dos
bancos da universidade. Pressionado pela redução das fontes de
financiamento, inexistência de planos de carreira adequados, redução do
quadro de professores e servidores técnico-administrativos, falta de política
de incentivo à Ciência e Tecnologia, e tendo que responder à necessidade de
assegurar crescentes níveis de excelência, a universidade pública brasileira
pede socorro. (ARRAES, 2002 apud LAMPERT, 2006, p. 5).
Lampert (2006) aponta alguns tópicos como sugestão para mudar o quadro
problemático das universidades brasileiras: orçamentos mais flexíveis, políticas públicas mais
adequadas, investimentos em hospitais universitários, nas bibliotecas e em equipamentos de
C&amp;T, e mais:

1004

�[...] é indispensável que as universidades busquem recursos complementares
dos diferentes órgãos de fomento à pesquisa sem, contudo, perderem sua
referência e missão social. A maioria dos órgãos de fomento à pesquisa,
afetados pela política neoliberal, que privilegia o setor financeiro em
detrimento do social, está sendo afetada pelos cortes de verba. (LAMPERT,
2006, p. 8)

2.3 O SIB/UFPE e a UFPE diante do corte de verbas do Governo Federal
A mudança de paradigmas, inicialmente, inclui também mudanças de posturas e de
visões políticas por parte dos governantes e dos gestores, a partir do reconhecimento de
problemas estruturais nas bibliotecas e a consideração desses problemas nas políticas públicas
e programas de governo.
O

paradigma vigente, representado pelas políticas convencionais de financiamentos,

necessita de análise profunda quanto a sua eficácia, como proposto na idade da recorrência,
conforme Carrilo (1981 apud GONZÁLEZ, 2005).
O motivo é o fato das bibliotecas vivenciarem profundas transições, e os governantes e
gestores precisam perceber as mudanças em curso para tomarem consciência do estado de
anomalia em que as bibliotecas da UFPE se encontram.
Um fator positivo nesse processo de consciência são as indicações de ações para
solucionar problemas diversos nas bibliotecas universitárias federais, a exemplo do Plano de
Desenvolvimento Institucional da UFPE (PDI):

□

[...] melhorar a infra-estrutura tecnológica das bibliotecas

□

ampliar as instalações físicas das bibliotecas do campus,
em especial da biblioteca Central, provendo-as de equipamentos
e mobiliário adequado;

□

Atualizar e ampliar o acervo das bibliotecas do sistema;

□

Ampliar horário de atendimento;

□

Melhorar as condições de segurança interna (PLANO DE

DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL DA UFPE, 2010, p. 67).

A redução do repasse de verbas é motivo de alerta para a UFPE, tanto que no Plano...
(2003) a redução é citada: “Esse financiamento oriundo de recursos do Tesouro Nacional tem
sido integral para as despesas de pessoal e parcial para o custeio e capital, sobretudo, das
atividades de pesquisa e extensão.” (PLANO ESTRATÉGICO DA UFPE, 2003, p.20).

1005

�Atualmente, as bibliotecas são passíveis à alocação de recursos externos, e as da UFPE
não fogem à regra, se considerarmos o fato do Plano Estratégico da UFPE (PE/UFPE)
reconhecer essas fontes de recursos como estratégicas.

[...] Cada vez mais, o financiamento das despesas de custeio e de capital mais
específicas dessas atividades tem sido feito com recursos captados de fonte
governamental (federal, estadual e municipal) e privada. A maior parte do
financiamento da pesquisa, anteriormente os recursos obtidos das agências de
fomento do governo federal, apóia-se atualmente nos Fundos Setoriais.
(PLANO ESTRATÉGICO DA UFPE, 2003, p.20).
O

Plano... (2003) sugere a utilização de outras fontes de recursos para investir nas

atividades da UFPE, o que abre espaço para o SIB inserir-se mais intensamente nessa política:

1. Aumentar a participação da UFPE no modelo nacional de
financiamento das IFES;
2. Desenvolver e implementar políticas de captação de recursos públicos
e privados para o ensino, a pesquisa e a extensão (através por
exemplo, de parcerias com a sociedade);
3. Reestruturar a política de geração de receita própria da instituição;
4. Otimizar a alocação de recursos orçamentários globais (pessoal,
custeio e capital), segundo as prioridades institucionais;
5. Propor a atualização do modelo de financiamento para maior
autonomia no seu planejamento e gestão. (PLANO ESTRATÉGICO
DA UFPE, 2003, p. 20)
Para tanto é necessário aos gestores, bibliotecários e participantes do SIB ampliarem
seus níveis de conscientização política, e que acompanhem com persistência os informes
político-administrativos do Governo Federal para o fortalecimento das ações e o
enfrentamento da necessidade de alocação de recursos.
A ideia é o incentivo ao SIB/UFPE a tomar iniciativas de enfrentamento à redução das
verbas do FPF, e permitir a ascensão do novo paradigma de financiamento no contexto das
bibliotecas.
Os dados de 2004 a 2013 mostram como o SIB está em passos lentos em relação à
UFPE quanto à adesão ao novo paradigma de financiamento, como mostramos nas tabelas a
seguir:

1006

�Tabela 1 - comparativo de uso dos recursos do Fundo Setorial CT-INFRA FINEP
(UFPE X SIB/UFPE)
Período de seleção dos projetos

Quantitativo

contemplados com os recursos

projetos da UFPE

2004

1

2005

2

2006

6

2007

7

2008

8

2009

6

2010

10

2011

5

2012

1

2013

2

Total

48

de Quantitativo de projetos do SIB/UFPE

1

—

1

CT-INFRA.
Disponível
Fonte:
FINEP
Fundo
Setorial
&lt;www.finep.gov.br/editais/encerrados.asp? codigoF onte =2&gt;. Acesso em: 07 abr. 2014

em:

Tabela 2 - comparativo de uso dos recursos do Programa Preservação de Acervos do
BNDES (UFPE X SIB/UFPE)
Período de seleção dos projetos

Quantitativo

de Quantitativo de projetos do SIB/UFPE

contemplados com os recursos

projetos da UFPE

2004
2005
2006
2007
1

2008
2009
2010
2011
2012
2013
Total

—

—

0

1

Fonte: BNDES - Fundo Programa Preservação de Acervos. Disponível em:
&lt;www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Areas_de_Atuacao/Cultura/Acervos/Chama
da Publica 2010/editais anteriores.html&gt;. Acesso em: 09 mar. 2014

1007

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Método
Estudo de natureza exploratória, pois se baseia no conceito de pesquisa exploratória
de Gil (2002) ao referir-se à reelaboração dos dados em outras investigações, com base nos
objetos da pesquisa atual, e por dar margem a novas investigações sobre o tema em questão, e
assim, possibilitar a construção de hipóteses.
A pesquisa também assume caráter documental porque as fontes de coletas de dados
são documentos impressos e virtuais, constituindo-se como fontes primárias, conforme
classificadas por Marconi e Lakatos (2010).
Utilizamos a análise de conteúdo, descrito por Vergara (2011) como o método que se
refere: “ao estudo de textos, documentos e verbalizações orais [...] utiliza tanto procedimentos
sistemáticos e ditos objetivos de descrição dos conteúdos, quanto inferências, deduções
lógicas [...]’’ (VERGARA, 2011, p. 5).

3.2 População
Listas de projetos de universidades e bibliotecas universitárias federais contemplados
com recursos dos fundos setoriais CT-INFRA da Finep; e do Programa de Preservação de
Acervos do BNDES.
Classificamos as amostras como não-probabilistas, com base em Laville e Dione
(1999) pelo fato dessas amostras permitirem ao pesquisador selecionar casos típicos da
população-alvo.
[...] É o caso da amostra típica, em que, a partir das necessidades de
seu estudo, o pesquisador seleciona casos julgados exemplares ou
típicos da população-alvo ou de uma parte desta [...]. (LAVILLE;
DIONE, 1999, p. 170).

No nosso estudo, a população-alvo é representada pelo SIB/UFPE, e a população
estudada, as listas de projetos de universidades e bibliotecas universitárias federais
contemplados com recursos não-reembolsáveis.
As listas possuem elementos exemplares e de interesse do SIB/UFPE, como a
concretização do acesso aos recursos não reembolsáveis, e a natureza das instituições
beneficiadas (empresas públicas sem fins lucrativos).

1008

�3.3 Técnica, instrumentos e procedimentos de coleta de dados
Trabalhamos com a análise de conteúdo como técnica de coleta de dados por permitir,
segundo Richardson (1985), através de procedimentos sistemáticos e de descrição de
conteúdo, obter indicadores que possibilitam fazer inferências.
A “a análise de conteúdo é a aplicação de métodos científicos a uma evidência
documentária” (HOLSTI, 1969 apud RICHARDSON, 1985, p. 178).
A inferência é uma “operação pela qual se aceita uma proposição em virtude de sua
relação com outras proposições já aceitas como verdadeiras” . (RICHARDSON, 1985, p. 177).
Como procedimentos de coleta de dados, utilizamos a pesquisa bibliográfica,
conceituada por Vergara (2011) como “estudo sistematizado desenvolvido com base em
material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao
público em geral” (VERGARA, 2011, p. 43).
Como instrumento de coleta de dados, de acordo com a natureza dos documentos
listados por Vergara (2011), utilizamos artigos e textos científicos publicados em periódicos
eletrônicos, livros, listas institucionais, leis, decretos e resoluções oficiais.

3.4 Procedimento de Análise dos dados
Propomo-nos a averiguar o processo de adesão do SIB em relação à UFPE frente novo
paradigma de financiamento com recursos externos. Para isso, organizamos os dados em duas
tabelas, distribuindo-os em seis categorias.
Na Tabela 1, distribuímos o quantitativo de projetos selecionados pela FINEP, e por
ano de incidência, em duas categorias. Na Tabela 2, repetimos a mesma situação para o
quantitativo de projetos selecionados pelo Programa de Preservação de Acervos do BNDES.
Tomamos como base o processo de categorização de Bardin (2010):
“ [...] é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto por
diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os
critérios previamente definidos [...]” (BARDIN, 2010, p. 145)
Definimos como critérios para coleta dos dados:
1 As agências de fomento devem operar com financiamento com recursos não
reembolsáveis para projetos voltados ao desenvolvimento de infraestrutura em ciência,
tecnologia e inovação (C,T &amp;I);
2

Entre os projetos financiados, constar itens de autoria de universidades federais e de
bibliotecas universitárias federais;

1009

�3

Os projetos aprovados para recebimento dos recursos devem incidir entre o período de
2004 a 2013. A partir de 2004 porque é o ano em que se deu o primeiro edital de
chamadas do Programa Preservação de Acervos do BNDES, mesmo que em anos
anteriores,

o CT-INFRA

da FINEP já

operasse

com

essa modalidade

de

financiamento.
Quanto a 2013, por ser um ano que representa exercício fechado. A ideia é
compatibilizar as operações dos dois fundos setoriais no mesmo espaço de tempo.
Para fazer as inferências, obtivemos os seguintes indicadores:
1 Influência da redução de verbas na adesão da UFPE à política de recursos externos.
2

Influência da redução de verbas na adesão do SIB à política de recursos externos
praticada na UFPE;

4 RESULTADOS PARCIAIS
No Programa Preservação de Acervos do BNDES, a UFPE não utiliza os recursos do
Programa entre 2004 e 2013, como mostram os dados da TABELA 1. Nesse mesmo período
a instituição recorre ao Fundo Setorial CT-INFRA, com 48 projetos selecionados.
Em relação ao SIB/UFPE, a utilização dos recursos do CT-INFRA é quase que nula,
apresentando apenas um projeto durante o período em questão. Situação inversamente
proporcional ao comportamento da UFPE.
Quanto à utilização dos recursos do Programa de Preservação de Acervos do BNDES,
o SIB apresenta apenas uma incidência. Situação diferente da UFPE que, como visto, não
utilizou os recursos do Programa durante o período em questão.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Verificamos o uso de recursos externos pela UFPE, acontecendo por mais tempo, onde
podemos inferir que essa situação evidencia a influência da redução de verbas do FPF no
comportamento da universidade.
O mesmo não acontece com as bibliotecas, onde a evidência da influência da redução
dos recursos do FPF não é suficiente para o

SIB/UFPE aderir, significativamente, ao

paradigma de financiamento em elevação e co-existente com o paradigma vigente, este
representado pelos recursos do FPF, e que até o momento, financia as atividades e projetos
tanto da UFPE quanto do SIB/UFPE.
Constatamos que os recursos do FPF demonstram sinais de escassez e por isso,
desafiam as bibliotecas da UFPE a um posicionamento mais ativo na busca por outras fontes

1010

�de recursos, a fim de financiar suas atividades, manutenção e instalação de novas estruturas
para o desenvolvimento de pesquisas em C, T &amp;I.
Nosso estudo propõe uma discussão sobre o uso dos recursos externos no contexto do
SIB, e traz alguns elementos que podem subsidiar essa discussão na perspectiva de compor e
concretizar ações, a fim de orientar o processo de adesão do SIB/UFPE a esse paradigma
financiamento em ascensão na UFPE.
Com esse intuito, tomamos como referência a ideia de paradigma de Capra (1995)
quando ele traz o fenômeno paradigmático para os aspectos que compõem e organizam a
sociedade, incluindo visões e percepções dessa sociedade.
Com base em Capra (1995), trazemos os seguintes elementos como parte das
discussões que queremos propor:
a) Elementos paradigmáticos: as bibliotecas universitárias federais passam por mudanças
não apenas relacionadas a estruturas inerentes à transição do paradigma do acervo para
o da informação, mas também nas formas de financiamento para garantir esse
processo de transição. Portanto, um dos aspectos a abordar na discussão é o uso dos
recursos externos pelo SIB/UFPE e a necessidade de analisar a eficácia dos recursos
do FPF como única fonte de financiamento para as bibliotecas. Para isso, pautamo-nos
na proposição de Carrilo (1981 apud GONZÁLEZ, 2005) na medida em que ele
sugere analisar a eficácia de determinado paradigma vigente.
b) Elementos institucionais: trazer à discussão os instrumentos de gestão da UFPE que
indicam ações e orientam à busca por outras fontes de recursos para investir em
projetos na UFPE. Entre os instrumentos, destacamos o PE/UFPE e o PDI.
Instrumentos que asseguram iniciativas na direção do uso dos recursos externos por
parte do SIB/UFPE. Sugerimos também refletir sobre as razões que influenciaram as
bibliotecas da UFPE a pouco utilizar os recursos externos no período entre 2004 e
20013, conforme a TABELA 1, tendo em vista a UFPE usufruir desses recursos numa
frequência significativa, quando comparada ao uso dessas mesmas fontes de recursos
pelo SIB/UFPE.

6 REFERÊNCIAS

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1011

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Propõe elementos que possam suscitar uma discussão sobre a situação do SIB na política de financiamento com recursos externos da UFPE. Estudo qualitativo, ocumental e exploratório. Utiliza a análise de conteúdo como método e técnica de coleta de dados. Constata que as bibliotecas da UFPE se beneficiam muito pouco da política de recursos externos praticada na UFPE. Sugere elementos de natureza paradigmática e institucional para subsidiar discussões no SIB/UFPE sobre o tema.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USABILIDADE DO BLOG DA BIBLIOTECA LEOPOLDO NACHBIN DO
INSTITUTO DE MATEMÁTICA DA UFRJ: ESTUDO DE CASO

Marília Cossich Ramos

RESUMO
A partir das dez diretrizes propostas por Jakob Nielsen para a avaliação de weblogs,
propomos uma avaliação heurística do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin, do Instituto de
Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a fim de verificar o nível do padrão
de qualidade e possíveis falhas. Queremos desta forma, ressaltar a importância dos estudos de
usabilidade para o aperfeiçoamento de websites. Concluímos o trabalho com as considerações
acerca da verificação da qualidade e da usabilidade apresentada pelo blog da biblioteca do
Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Palavras-Chave: Blogs; Web 2.0; Bibliotecas; Usabilidade; Avaliação.

ABSTRACT
From the ten directions proposed by Jakob Nielsen for the evaluation of weblogs, we propose
a heuristic evaluation of Leopoldo Nachbin blog Library, Institute of Mathematics, of the
Federal University of Rio de Janeiro in order to ascertain the level of quality standard and
possible failures. We want, therefore, to emphasize the importance of usability studies for the
development of websites. We conclude with some remarks about the verification of the
quality and usability of the blog presented by the Mathematical Institute of the Federal
University of Rio de Janeiro library.
Keywords: Blogs; Web 2.0; Libraries; Usability; Review.

1 Introdução
Segundo os autores Yang e Liu (2009), blogs são websites que utilizam um
formato de registro datado para publicação de informações periódicas, projetados
originalmente para uso pessoal, caracterizando-os como diários pessoais online. Tal definição
se deve ao fato de muitos usuários utilizarem esse ambiente para narrar fatos do cotidiano.
No caso das bibliotecas, os blogs contribuem para que informações sobre
aquisições de materiais, eventos, entre outras sejam difundidas através de postagens, o que
propicia à biblioteca a divulgação de seus serviços de forma atualizada e aos seus usuários a

4615

�colaboração com comentários sobre as publicações. No entanto, torna-se importante a
investigação da usabilidade em blogs a fim de compreender se os aspectos formais e o
conteúdo de suas interfaces possuem elementos que facilitem o acesso e o uso das
informações por seus usuários.
O blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin foi lançado em novembro de 2009,
através da plataforma Wordpress e desde então sofreu alterações em seu layout e diversas
atualizações. Em dezembro deste mesmo ano a equipe da biblioteca recebeu o Prêmio
Destaque Acadêmico, promovido pelo Instituto de Matemática, pela iniciativa de
desenvolvimento do blog da Biblioteca. Segue abaixo uma figura contendo a página inicial do
blog.
Figura 1 - Página inicial do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin

Fonte: http://www.im.ufrj.br/biblioteca/

2 Revisã de Literatura
O “termo Weblog foi empregado pela primeira vez em 1997 pelo norteamericano Jorn Barger para se referir ao seu jornal online Robot Wisdom e era um acrônimo
derivado das palavras web e log (diário ou bloco de anotações)” MALINI (2008).
De acordo com Alvim (2007) o termo Web 2.0 foi popularizado a partir de
2004 pela O'Reilly Media, e é utilizado para descrever a segunda geração World Wide Web tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com
sites e serviços virtuais. Com o surgimento da Web 2.0 que ferramentas como o blog puderam
ser aperfeiçoadas, deixando de ser apenas diários pessoais para se tornarem fontes de
informação em várias áreas do conhecimento. Além dos blogs existem no ambiente da Web
2.0 outras ferramentas importantes tais como o Facebook, Twitter, feeds,wikis, podcasts, entre
outros.

4616

�Nesse contexto, tem-se o conceito de Biblioteca 2.0 que, de forma
simplificada, trata da aplicação das tecnologias Web 2.0 nos serviços das bibliotecas. Segundo
Casey e Savastinuk (2006) a Biblioteca 2.0 é um “novo modelo de serviço da biblioteca
centrado no usuário que encoraja as mudanças nos serviços físicos e virtuais que a biblioteca
oferece”.
A primeira norma internacional que definiu o termo usabilidade foi a
International Organization for Standardization (ISO) 9126, publicada em 1991. Segundo a
norma, usabilidade é: “um conjunto de atributos de software relacionado ao esforço
necessário para seu uso e para julgamento individual de tal uso por determinado conjunto de
usuários”.
De acordo com Vechiato (2010) a usabilidade refere-se à qualidade de
interação entre os usuários e os ambientes informacionais digitais no momento do uso e está
relacionada à Arquitetura da informação, pois permite a avaliação desses ambientes em todas
as fases de desenvolvimento.
Para o pesquisador Nielsen (1994) usabilidade é um conceito que busca definir
as características de utilização, do desempenho e da satisfação dos usuários, na interação e na
leitura das e nas interfaces computacionais, na perspectiva de um bom sistema interativo. Em
sua obra Usability engineering, publicada em 1994, o pesquisador propõe um conjunto de dez
diretrizes de base para avaliação de qualquer interface.
Nielsen (2005) considera que os blogs são uma forma de website. Assim,
acreditamos ser possível aplicar nestes ambientes diversas diretrizes de usabilidade para
websites. No entanto, o autor destaca que os blogs são um gênero especial de website e
possuem características únicas e problemas de usabilidade distintos.

3 Materiais e Métodos
A pesquisa realizada é descritiva, seus procedimentos técnicos são a pesquisa
bibliográfica e o estudo de caso, envolvendo as técnicas de análise e observação sistemática,
com abordagem qualitativa.
Optamos por um estudo de caso: a Biblioteca Leopoldo Nachbin, que integra o
Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ (Sibi), a qual pertence ao Instituto de
Matemática. A Biblioteca situa-se no Campus da Ilha do Fundão e é voltada para o público
dos cursos de Matemática, Estatística, Ciências Atuariais e Física.
A análise dos dados foi realizada a partir da observação direta não participativa
do blog da biblioteca, observando a disposição das informações em seu ambiente, sua

4617

�organização, navegação, rotulagem, busca, usabilidade e interação com os usuários. Para a
análise da usabilidade do blog foi realizada uma verificação da presença das dez diretrizes
propostas por Nielsen (2005).

4 Resultados Parciais/Finais
O quadro abaixo demonstra a análise do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin
do Instituto de Matemática, a partir das dez diretrizes de usabilidade de Nielsen.
Quadro 1 - Aplicação das dez diretrizes de usabilidade

D iretrizes
B io g ra fia
au tores

dos

F oto dos a u tores

D e sc riçã o

B lo g da B ib lio tec a do I M

Elemento importante para o usuário
identificar e criar uma relação de
credibilidade com os responsáveis pelo
blog.
A foto dos autores pode ser útil para
outras
publicações,
especialmente
revistas, interessadas em citar o blog.
É essencial para que os usuários
possam conhecer a história da
instituição
e
contextualizar
os
conteúdos publicados.

No menu da página principal existe um
link que remete a equipe da biblioteca
com suas respectivas funções e emails.
A cada postagem é possível verificar
quem a publicou e acessar a foto do
autor, embora nem todos possuam.
No menu da página principal é possível
acessar informações sobre a história da
biblioteca, desde a escolha de seu nome,
inclusive fotos. Também possui links
que remetem a outros órgãos ao qual a
biblioteca está vinculada, como o IM, a
UFRJ e ao SiBi.
No menu na página principal encontrase o link “Conheça a biblioteca” onde é
possível acessar suas fotos.
Os títulos das postagens sintetizam de
maneira clara o seu conteúdo, inclusive
com imagens ilustrativo do seu lado
esquerdo.

D escriçã o
in stitu içã o

da

F oto
in stitu içã o

da

Auxilia o usuário a identificar e a
relacionar o blog com a instituição.

T ítu lo s
p o sta g en s
d escritiv o s

de

Os usuários devem ser capazes de
compreender a essência de um p o s t ao
ler o seu título, ou seja, o título deve
fazer sentido e ser significativo ao
conteúdo postado. Além disso, os
títulos descritivos são importantes para
a recuperação da informação nos
motores de busca e feeds.
É importante que os links direcionem Os links possuem clareza quanto aos
os usuários ao endereço correto ou seus rótulos e remetem para sites de
desejado. Deve-se fornecer a indicação maneira eficiente, evitando muitos
no próprio link e usar títulos de links cliques.
para informações complementares.
Nielsen (2005) alerta ao blogueiro para Não há vinculação entre p o s ts atuais e
não assumir que os leitores estão lendo p o s ts anteriores, apenas existem links
o b lo g desde a sua criação e sugere que em
cada
po st
que
remetem
o autor faça indicações de links a imediatamente ao p o s t anterior e
postagens importantes e que tem posterior.
potencial para atingir outros usuários
fora de sua base habitual de leitores.

C la re za
lin k s

dos

S u g e stã o
de
p o sta g en s
que
p o ssa m ser de
in tere sse
p a ra
n o v o s leitores

4618

�V á rio s tip o s de
n a v eg a çã o

R e g u la rid a d e na
p u b lica çã o
de
p osts

E sp e cificid a d e
d os
a ssu n to s
a b o rd a d o s

A navegação cronológica não deve ser
a única forma de organização do
conteúdo. Devem-se utilizar categorias
para listar postagens e recursos sobre
determinado tema.
Os leitores precisam ser capazes de
identificar a frequência da publicação
de posts, seja ela diária, semanal,
quinzenal ou mensal. O importante é a
manutenção
da
regularidade
de
postagens.
Orienta-se focar o assunto tratado no
blog, evitando publicar sobre diversos
assuntos,
para
que
possa
ser
desenvolvida uma base
fidelizada de leitores.

A navegação pode ser feita de duas
maneiras: organização cronológica e
categorias dos p o sts, de acordo com sua
indexação.
A frequência das postagens é regular,
pois verifica-se que ela varia de 1 a 3
dias.

Os principais assuntos tratados no b lo g
são: divulgação de eventos, serviços e
normas da biblioteca, dicas de pesquisa,
avisos
de
treinamentos,
cursos,
disponibilização de novos links de
acesso a fontes de informação e
informações relacionadas ao IM e à área
da Matemática, Estatística e afins.

Fonte: Elaborado pela autora, baseado em Nielsen (2005).

Na avaliação da usabilidade do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin,
constatou-se que o blog está de acordo com as diretrizes propostas por Nielsen em quase sua
totalidade, apenas no quesito “Sugestão de postagens que possam ser de interesse para
novos leitores” o blog apresentou falhas, pois não vincula informações mais antigas aos posts
mais novos, o que dificulta a recuperação por parte dos usuários a informações que possam
ser relevantes a sua pesquisa. O blog possui uma interface simples de navegação, com a
presença de um Menu na página inicial que remete aos diversos serviços e opções de busca
por informações. Utiliza as cores institucionais (laranja e azul) e o símbolo do Instituto de
Matemática da UFRJ a fim de se estabelecer uma identidade visual e um vínculo com a
Universidade. Possui também diversos links ao seu lado direito que remetem a Bases de dados
da área de Matemática, além de divulgar alguns dos serviços oferecidos pela biblioteca.
De um modo geral o blog costuma receber elogios dos usuários que o acessam
e também possui links para as redes sociais Facebook e Twitter, das quais a biblioteca
participa.

5 Considerações Parciais/Finais
É inegável a importância da utilização de blogs por bibliotecas, tendo em vista
seu caráter informativo e a maior aproximação da instituição com seus usuários. No entanto, é
necessário verificar se os blogs seguem parâmetros de qualidade e eficiência, assim como se o
seu conteúdo atende às necessidades dos usuários.

4619

�Observou-se que o blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin está devidamente
adequado segundo as diretrizes propostas por Nielsen, sendo necessária apenas a vinculação
de informações mais antigas as mais recentes, a fim de permitir aos usuários complementarem
sua pesquisa com informações correlatas e relevantes.
As vantagens do blog no contexto das bibliotecas são grandes, porém os
profissionais da informação precisam explorar melhor as tecnologias de comunicação e
informação proporcionadas pela Web 2.0 para que o blog cumpra com eficiência o seu papel.

6 Referências
ALVIM, Luísa. A avaliação da qualidade de blogues. CONGRESSO NACIONAL DE
BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS, 9, 2007, Açores. Anais
eletrônicos...

Açores:

Universidade

dos

Açores,

2007a.

Disponível

em:

&lt; http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/595/444 &gt;. Acesso
em: 01 ago. 2014.
CASEY, Michael E.; SAVASTINUK, Laura C. Library 2.0: service for next-generation
library. Library Journal, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.libraryjournal.com/article/CA6365200.html&gt;. Acesso em: 02 ago. 2014.
MALINI, Fábio. Por uma genealogia da blogosfera: considerações históricas (1997 a 2001).
In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE, 13.2008,
São Paulo, Anais..., São Paulo, 2008.
NIELSEN, Jakob. Usability engineering. Boston: Academic Press, 1994.
______________. Weblog usability: the top ten design mistakes. Useit.com. 17 out. 2005.
Disponível em: &lt;http://www.useit.com/alertbox/weblogs.html&gt;. Acesso em: 01 ago. 2014.
VECHIATO, F. L. Repositório digital como ambiente de inclusão digital e social para
usuários
idosos. 2010. 183f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de
Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2010.
YANG, Heng-Li; LIU, Chi-Lun. A new standard of on-line customer service process:
Integrating
language-action into blogs. Computer Standards &amp; Interfaces, v. 31, n. 1, p. 227-245, jan.
2009.

4620

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Ciência da Informação&#13;
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                <text>A partir das dez diretrizes propostas por Jakob Nielsen para a avaliação de weblogs, propomos uma avaliação heurística do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin, do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a fim de verificar o nível do padrão de qualidade e possíveis falhas. Queremos desta forma, ressaltar a importância dos estudos de usabilidade para o aperfeiçoamento de websites. Concluímos o trabalho com as considerações acerca da verificação da qualidade e da usabilidade apresentada pelo blog da biblioteca do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ATRAVÉS DA FORMAÇÃO
CONTINUADA: EXPERIÊNCIA NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
Clemilda Santana dos Reis
Maria do Carmo Sa Barreto Ferreira
Rejane Maria Rosa Ribeiro
Ana Martha Machado Sampaio
Luis Ricardo Andrade da Silva
RESUMO
Aborda a capacitação dos servidores do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade
Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS), que visa manter a equipe de profissionais
atualizados e qualificados, desenvolvendo competências para produzir, gerenciar e disseminar
a informação. Entende-se que esta iniciativa aprimorou as habilidades da equipe de trabalho,
ao estimular a reflexão da práxis realizada, promovendo o aperfeiçoamento e criação de novos
produtos e serviços oferecidos à comunidade de usuários atendidos nas bibliotecas.
Palavras-Chave: Formação continuada. Bibliotecário. Biblioteca universitária.Universidade
Estadual de Feira de Santana - BA.
ABSTRACT
Addresses the training of the Integrated Library System of the Universidade Estadual de Feira
de Santana (SISBI-UEFS), which aims at keeping the team updated and qualified
professionals, developing skills to produce, manage and disseminate information servers. It is
understood that this initiative has enhanced the skills of team work, to stimulate reflection of
praxis held promoting the improvement and creation of new products and services offered to
the users treated in community libraries.
Keywords: Continuing education. Librarian. University library. Universidade Estadual de
Feira de Santana - BA.

1 INTRODUÇÃO
O tema proposto neste trabalho resulta da preocupação do Sistema Integrado de
Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS) em oferecer serviços
e produtos cada vez melhores que satisfaçam a necessidade informacional, cultural e de lazer
de seus usuários.

2521

�O SISBI-UEFS é composto por uma Biblioteca Central e oito setoriais e conta com
cerca de cem servidores entre bibliotecários, auxiliares e outros profissionais de nível superior
e atende anualmente cerca de vinte e três mil usuários distribuídos entre graduandos,
mestrandos, doutorandos, funcionários técnicos, professores, pesquisadores e comunidade
externa.
Segundo Correia, Ferreira, Ribeiro (2011, p.15) a:
[...] biblioteca universitária, desenvolve serviços pautados em tecnologias de
acesso e disseminação da informação, assegura a organização, salvaguarda e
preserva o acervo, e executa atividades técnicas, científicas e de extensão.
Desse modo, por ser um organismo que se mantém vivo e atualizado diante
das frequentes mudanças sociais, a Biblioteca Central Julieta Carteado,
considerando a sua responsabilidade perante a sociedade, se firma em
preceitos que a torna um grande instrumento informacional e potencializador
do crescimento intelectual-humano.
Neste contexto a formação continuada dos servidores do SISBI-UEFS se fez
necessária diante da inovação das tecnologias de informação e comunicação (TICs) em
bibliotecas e centros de documentação; que incentivam os profissionais a buscarem
atualizações, devido ao elevado número de produtos e serviços de informações oferecidos.
O SISBI-UEFS oferece capacitação continuada aos profissionais através dos cursos
internos de Auxiliar de Bibliotecas, Noções de Arquivamento e Oficina de Pequenos Reparos
em Material Bibliográfico; e o incentivo na participação dos mesmos em cursos,
treinamentos, seminários, simpósios, palestras entre outros eventos.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A educação continuada segundo Souza (2007, p.4-5) “possibilita uma reflexão do
sujeito sobre sua prática, de modo a lhe permitir examinar suas teorias, metodologias,
concepções e atitudes, provocando no profissional um processo constante de auto-avaliação
de seu trabalho”.
Sobre a formação continuada Oliveira (1999 apud SOUZA, 2007, p.7) afirma que:
[...] os novos perfis profissionais exigidos pela atual Sociedade da
Informação privilegiam a criatividade, interatividade, flexibilidade e
aprendizado contínuo. As habilidades e conhecimentos que são adquiridos
ao longo da vida não superam a necessidade de uma educação permanente,
voltada às mudanças reais ocorridas em seu ambiente profissional.
Na biblioteca universitária essa formação continuada deve atingir a todo seu corpo
funcional: terceirizados, agentes de portaria, de serviços gerais, auxiliares e bibliotecários.

2522

�Para Souza (2007, p.4):
A velocidade e o dinamismo com que o conhecimento é produzido e
transmitido fazem com que esse mesmo conhecimento se torne obsoleto,
exigindo dos diferentes profissionais uma educação permanente ou
continuada não somente para enfrentar os desafios do mercado de trabalho
como também o uso de novas tecnologias que vão surgindo no seu campo de
ação.
O profissional da informação pode desenvolver sua formação continuada por meio de
cursos de pós-graduação, de extensão, treinamentos, participação em eventos e entre outros.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O método utilizado foi um estudo exploratório, realizado nas bibliotecas do SISBIUEFS onde a população analisada foi constituída pelos servidores da instituição. A amostra
escolhida faz referência a participação dos servidores do SISBI-UEFS nas capacitações
realizadas entre os anos de 2003 a 2013. Os dados foram coletados através de um
levantamento nos Relatórios Anuais do período citado, quantificando a participação dos
servidores nas capacitações.
Utilizamos duas classificações para delimitar as capacitações realizadas: eventos e
cursos. Considerou-se como eventos:

palestras,

seminários,

simpósios,

congressos,

conferências, colóquios, fóruns, encontros, entre outros. Já na categoria cursos incluiu-se:
treinamentos, workshop, visitas técnicas, mini-cursos, cursos de educação superior
(especialização e mestrado) e outras capacitações técnicas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A capacitação continuada elevou o SISBI-UEFS a ser conhecido por sua participação
constante nos eventos e cursos na área da Ciência da Informação (CI). Notou-se a participação
significativa dos bibliotecários como ouvintes e autores de trabalhos nos eventos nacionais em
CI, a exemplo de Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD) desde
1983, e Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) desde 1998. Já em eventos
regionais, bibliotecários e servidores participam do Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa
em Informação (CINFORM) desde a sua primeira edição (1997).
Pode-se verificar através do Gráfico 1 que no período analisado (2003-2013), obtevese a média anual de 17 participações em eventos e cursos.

2523

�Gráfico 1: Capacitação dos profissionais do SISBI-UEFS (2003-2013)

No Gráfico 2, com um total de 98 cursos e 72 eventos percebe-se a participação de
536 servidores em capacitações no período analisado, confirmando o incentivo do SISBIUEFS para formação continuada dos seus profissionais, valorizando o capital humano.

Gráfico 2: Participação dos profissionais do SISBI-UEFS em capacitações (2003-2013)

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Através dos dados analisados, constatou-se que o SISBI-UEFS vem desenvolvendo
uma política diferenciada de incentivo à formação continuada de seu capital humano
(bibliotecários e demais colaboradores). Entende-se que esta iniciativa aprimorou as

2524

�habilidades e competências na equipe de trabalho, ao estimular a reflexão da práxis realizada,
promovendo o aperfeiçoamento e o desenvolvimento dos produtos e serviços oferecidos à
comunidade de usuários atendidos nas bibliotecas.
Entre os resultados alcançados, podemos incluir ainda: o estimulo a troca de saberes, a
valorização profissional e a capacitação constante da equipe de trabalho, pois, a participação
em eventos, treinamentos, cursos técnicos e outros, promoveu o desenvolvimento de diversas
publicações: publicações técnicas, monografias, artigos, pôsteres e outras comunicações
científicas. Entre estas

destacamos

o livro Temas

em Ciência da Informação:

Biblioteconomia, Documentação e Arquivologia, publicado pela UEFS Editora, tendo como
organizadoras três bibliotecárias do SISBI-UEFS, que traz uma coletânea dos trabalhos
apresentados pelos servidores nos eventos.

6 REFERÊNCIAS
CORREIA, Cacilda Saraiva; FERREIRA, Maria do Carmo Sá Barreto; RIBEIRO, Rejane
Maria Rosa (org.). Temas em Ciência da Informação: Biblioteconomia, Documentação e
Arquivologia. Feira de Santana: UEFS Editora, 2011. 280p.
SOUZA, Elisabete Gonçalves de. A formação continuada do bibliotecário face às exigências
das novas tecnologias. In: CONGRESSO DE LEITURA DO BRASIL, 16., 2007, Campinas,
SP.

Anais...

Campinas:

ALB,

2007.

Disponível

em:

&lt;http://alb.com.br/arquivo-

morto/edicoes anteriores/anais16/sem02pdf/sm02ss04 01.pdf&gt;. Acesso em 24 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Sistema de Bibliotecas.
Relatório anual 2003. Feira de Santana, 2003.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Sistema de Bibliotecas
Relatório anual 2004. Feira de Santana, 2004.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Sistema de Bibliotecas
Relatório anual 2005. Feira de Santana, 2005.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Sistema de Bibliotecas.
Relatório anual 2006. Feira de Santana, 2006.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Sistema de Bibliotecas.
Relatório anual 2007. Feira de Santana, 2007.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA.

Sistema de Bibliotecas.

Relatório anual 2008. Feira de Santana, 2008.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA.

Sistema de Bibliotecas.

Relatório anual 2009. Feira de Santana, 2009.

2525

�UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA.

Sistema de Bibliotecas.

Relatório anual 2010. Feira de Santana, 2010.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Sistema de Bibliotecas.
Relatório anual 2011. Feira de Santana, 2011.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA.

Sistema de Bibliotecas.

Relatório anual 2012. Feira de Santana, 2012.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Sistema de Bibliotecas.
Relatório anual 2013. Feira de Santana, 2013.

2526

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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aborda a capacitação dos servidores do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS), que visa manter a equipe de profissionais atualizados e qualificados, desenvolvendo competências para produzir, gerenciar e disseminar a informação. Entende-se que esta iniciativa aprimorou as habilidades da equipe de trabalho, ao estimular a reflexão da práxis realizada, promovendo o aperfeiçoamento e criação de novos produtos e serviços oferecidos à comunidade de usuários atendidos nas bibliotecas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO FRENTE AOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NA GESTÃO
DO CONHECIMENTO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Iraselma Costa Reis
Djalda Maracira Castelo Branco Muniz

RESUMO
Aborda as tecnologias na gestão do bibliotecário de Bibliotecas Universitárias. Apresenta
tecnologias dos sistemas de informação, seu surgimento e prática de gestão na área
biblioteconômica. Descreve alguns dos serviços que foram incorporados às bibliotecas com o
uso das TIC’s, assim como as melhorias nos serviços prestados da unidade de informação.
Analisa o perfil do bibliotecário gestor, que ganhou mais espaço mediante o uso dessas
tecnologias. Objetiva identificar como os sistemas de informação podem auxiliar o
Bibliotecário durante a sua gestão, destacando as ferramentas mais utilizadas em uma
organização. A metodologia utilizada foi o levantamento bibliográfico, como principal meio
de estudo a análise de obras relacionadas ao tema proposto, com base na pesquisa qualitativa
com abordagem exploratória dos textos. As mudanças que as tecnologias ocasionaram em
bibliotecas. Conclui que o Bibliotecário gestor deve ter um perfil voltado tanto para o
planejamento da instituição o desenvolvimento e/ou aprimoramento de novos produtos e/ou
serviços da unidade de informação.

Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Bibliotecário gestor; Sistema de informação;
Gestão do conhecimento; Uso das TC’s na gestão.
ABSTRACT
Addresses technologies in managing librarian of University Libraries . Displays information
technologies and systems , their emergence and practice o f management in the library science
field. Describes some of the services that were incorporated into the libraries with the use of
ICTs , as well as improvements in services unit of information. Manager profile analyzes the
librarian , gained through the use of space technology. Aims to identify how information
systems can aid the Librarian during his administration , highlighting the most used tools in
an organization . The methodology used was the literature review as the primary means of
study analysis of works related to the theme, based on qualitative research with an exploratory
approach to the texts . The changes that caused the technologies in libraries . Concluded that
the Librarian must have a manager facing the institution's planning the development and / or
improvement of new products and / or unit of information services both profile.

Keywords: University library; Librarian
management; Use of CT in the management

manager;

Information

system;

Knowledge

1375

�1 IN TRO D U ÇÃ O
O Bibliotecário na atualidade lida com diversos sistemas de informação tecnológica,
neste trabalho lidamos com questões exponenciais na área de gestão de bibliotecas
universitárias e ação do bibliotecário na gestão dos sistemas de informação em bibliotecas
universitárias, buscando entender através do conhecimento sobre gestão, o comportamento
dos bibliotecários gestores no contexto desses sistemas.
Serão observadas as interações homem-máquina, bem como as barreiras de uso em
Sistemas de Informação de bibliotecas. Perpassamos brevemente pelo histórico dos sistemas
de informação mais utilizados, as redes, o gerenciamento eletrônico de documentos, a gestão
dos documentos, gestão do conhecimento, memória organizacional e o bibliotecário gestor de
sistemas de informação. Traçamos uma tessitura de cada um desses e a importância do gestor
bibliotecário bem preparado para executar a gestão com qualidade dentro da unidade de
informação.
Para que ocorra o progresso da biblioteca universitária, as soluções que foram
desenvolvidas em tecnologias da informação causaram profundas modificações nas unidades
de informação fazendo surgir novos ofícios para o Bibliotecário, que trazem reflexos nas
estruturas organizacionais e planos de sua carreira. A estrutura do ensino superior na área,
contextualizada neste ambiente de mudanças, dificilmente acompanha na mesma velocidade.
Assim, as demandas de pessoal qualificado que vão surgindo a todo o momento forçam as
organizações a buscarem em seus quadros, indivíduos que possuam um conjunto de
competências mínimas requeridas e ao mesmo tempo buscam a qualificação de seus recursos
humanos com novas habilidades no sentido da realização eficiente de tarefas.
Diante do cenário exposto, a pesquisa objetiva identificar como os sistemas de
informação podem auxiliar o Bibliotecário durante a sua gestão, destacando as ferramentas
mais utilizadas em uma organização. Para realização do trabalho utilizou-se o levantamento
bibliográfico, como principal meio de estudo a análise de obras relacionadas ao tema
proposto, com base em uma pesquisa qualitativa com abordagem exploratória. Assim, a
pesquisa nos proporciona além de conhecimento, uma análise sobre as diversas ferramentas
que podem ser empregadas em uma biblioteca universitária, pelo bibliotecário gestor.

2 SISTEM AS DE IN FO RM A ÇÃ O
Nos dias atuais, os sistemas de informação estão se tornando cada vez mais
importantes nos processos estratégicos das organizações. “A revolução proporcionada pela

1376

�tecnologia da informação contribuiu para uma completa reformulação do modo de agir e de
gerir as organizações” (SCHUSTER; SILVA FILHO, 2013, p. 15).
A tecnologia tornou-se parte de um plano de ação instrumental, reduzindo as
incertezas a respeito das relações causa-efeito na tentativa de se obter um resultado desejado.
A velocidade e a abrangência na coleta de dados e informações, seu gerenciamento e
disseminação auxiliam e melhoram a eficiência das técnicas administrativas, principalmente
na gestão do conhecimento.
O desenvolvimento de computadores e software (TI) influenciou nas organizações
administrativas, atingindo-as desde a atuação em departamentos para toda a empresa, até a
corporação, deixando claro que a TI está presente em todos os processos de produção,
administrativos, financeiros e estratégicos. Esta influencia contribuiu para o desenvolvimento
de novos mecanismos tecnológicos para gerenciar estes setores.
Estes sistemas devem proporcionar as melhores práticas e técnicas de gestão e
permitir que estas técnicas possam ser incluídas e postas em práticas sem maiores
dificuldades.

2.1 O uso das tecnologias para o gerenciamento do conhecimento
Uma das tecnologias empregadas na gestão do conhecimento é a Enterprise

Resource Planning (Sistemas Integrados de Gestão-ERP) devido a sua capacidade de integrar
o sistema de quase toda a organização. De acordo com Shcuster e Silva Filho (2013, p.45)

Os sistemas integrados de ERP devem possuir uma arquitetura básica do tipo
cliente-servidor, possuir processamento distribuído dos dados, bancos de
dados relacionais, orientação e objetos, entre outros. Especialmente para as
empresas, cuja a atividade é extremamente dinâmica, a flexibilidade é
característica fundamental.
A flexibilidade nos sistemas é importante para se acompanhar as mudanças externas
exigidas pelo mercado. Ao falar sobre as características do ERP, Breternitz (1999, p. 14)
destaca a atualização das tecnologias, sua flexibilidade com as mudanças, seus módulos
adaptados a cada setor, arquitetura e amplitude, abertura para o mundo exterior, práticas de
negócios e capacidade de simulação.
Além da ERP, existem muitas outras tecnologias voltadas para o gerenciamento do
conhecimento, algumas delas já estão embutidas nas soluções ERP existentes hoje no
mercado, são elas:
I.

Redes: Intranet, Internet, Groupware, Repositórios, SCM e EDI, Workflow

1377

�II. Gerenciamento eletrônico de documentos (GED): Gerenciamento de documentos,
Imagens de documentos, Imagens integradas a sistemas de processamento de dados,
OCR.
2.1.1

Redes
A implementação de uma gestão do conhecimento deve ser composta de

computadores em uma rede flexível que permita uma adaptação para outro sistema de
informação, que deve comportar uma intranet, correio eletrônico, internet e banco de dados.
A Intranet permite o compartilhamento de informações dinâmicas e interligadas,
tornando o ambiente de trabalho ideal. Davenport e Prusak (1998) consideram as tecnologias
na web muito amigáveis, pois lidam facilmente com representação do conhecimento. Este tipo
de rede é considerado como uma maneira mais fácil de iniciar a gestão do conhecimento.
Permite também, a sistematização do conhecimento explicito proveniente dos
diversos departamentos da organização. Segundo Benett (1997) os custos para sustentar uma
intranet, envolve a conversão dos documentos existentes para o formato HTML, sob
coordenação de vários provedores de conteúdo, na indexação periódica dos dados para a
utilização de recursos de pesquisa e a manutenção dos softwares envolvidos. Apresenta como
benefícios o estabelecimento de metas e desempenho a serem atingidas, gerando novas
receitas e redução de custos.
Já na Internet, faz-se necessário o uso de um portal, que integre diferentes fontes de
conhecimento. Um portal apresenta opções de busca em uma biblioteca de conteúdo
classificado e agregando comunidades com interesse comum, oferecendo personalização do
conteúdo, de acordo com a solicitação do usuário.

Groupware é uma ferramenta voltada para o trabalho em equipe, que permite
gerenciar trabalhos interdependentes, visando aumentar a cooperação e a comunicação do
trabalho em grupo.

Este tipo de recurso é especialmente eficiente, quando aplicado em
comunidades de prática, isto é, em comunidades ou grupos de pessoas que,
dentro da organização, compartilham de experiências e de temas de comum
interesse. (TARAPANOFF, 2006, p.129).
Assim, o Groupware tem como objetivo promover o trabalho em conjunto através da
comunicação,

colaboração

e

coordenação

entre

os

envolvidos,

caracterizando

o

compartilhamento do conhecimento tácito. Nesta ferramenta a informação e os dados do

1378

�documento, são distribuídos a partir de um repositório central para todos os usuários do
sistema, independentemente do grau de interesse de cada um em relação ao material recebido.
Os repositórios de conhecimento são considerados aplicações simples para a
propagação do conhecimento. Davenport e Prusak (1998), classificam os repositórios em três
tipos básicos: o de conhecimento externo - que contém dados sobre os concorrentes; o de
conhecimento interno estruturado - envolvendo relatórios, memorandos, artigos; e o de
conhecimento interno informal - grupos de discussão onde os participantes registram suas
experiências e reagem sobre a opinião de outros.
A definição de Supply Chain Manegement (SCM) ou gerenciamento de cadeia de
suprimentos resume-se a um sistema que interliga diversas empresas parceiras com o objetivo
de criar uma rede eficaz, que atenda os clientes de maneira mais rápida possível. Breternitz
(1999, p.88) define o SCM como:

tecnologia da Informação para dar automaticamente inteligência (no sentido
de informação) a uma rede de fornecedores, fabricantes, distribuidores,
atacadistas, varejistas e a outros parceiros de negócios com o objetivo de
permitir que cada um deles opere com as informações mais utilizadas a
respeito das operações dos demais, de forma a que se possa movimentar
produtos e serviços de sua origem até o consumidor no menor tempo e custo
possível.
Observa-se que o papel do SCM consiste em dar suporte aos processos envolvidos
tanto na aquisição da matéria-prima como na entrega do produto final ao cliente, permitindo
ainda que este obtenha informações das transações de outras empresas.
O Electronic Data Interchage (EDI), ou, intercambio eletrônico de dados, auxilia na
eliminação dos volumes de informações impressas nas empresas, como os relatórios, por
exemplo.

Stair (1998) afirma que com o EDI, os computadores dos clientes, fabricantes e

fornecedores, podem ser conectados, possibilitando a transferência, de maneira segura, de
dados entre estes, com um mínimo de influência humana.

O EDI tem permitido a modificação na forma de organização das empresas
com respeito aos diferentes processos produtivos, obtendo melhorias na
produtividade e na eficiência dos agentes empresariais, podendo também
diminuir os custos de produção de uma simples operação, por coordenar
atividades de produção entre empresas distintas. (PORTO; BRAZ;
PLONSKI, 2000, p. 2).
Outro fator positivo do EDI é a redução de tempo e mão de obra, já que permite um
intercambio de dados e, por conseguinte a minimização de custos devido à atualização

1379

�constante, permitindo na visão de Pereira (2002) planejar e prever com maior precisão. O fato
de ser um protocolo de comunicação normatizado por órgãos competentes torna-o
independente de plataforma específica, o que permite que empresas com diferentes
plataformas de hardware ou software podem utilizar o EDI sem precisar ajustar suas
tecnologias.

Workflow é considerado um instrumento de grande avanço em TI, por constituir-se
em um conjunto de ferramentas que possibilita uma compreensão e automação de atividades e
tarefas baseadas em informação.

O workflow possibilita reais soluções de problemas relacionados com processos,
mostrando e acompanhando, constantemente, todas as suas etapas até a sua concretização. De
acordo com Schuster e Silva Filho (2013) documentos como atas, pedidos, recados, e-mails e
outros podem ser despachados a diversos destinatários através do ambiente workflow. As
informações importantes a uma determinada pessoa ou grupo são enviadas através do

workflow, podendo estar no mesmo local ou não. O workflow, devido a sua natureza de fluxo
de processos, necessita de uma codificação mais formal.
O Business inteligence (BI) também é um conjunto de ferramentas, porém voltado
para a manipulação e investigação de uma massa de dados na busca de informações
importantes que devem fornecer uma visão completa do negocio. Tem como vantagens o
cruzamento de dados, visualização das informações em vários cenários e análise dos
principais indicadores de desempenho empresarial.

2.1.2 Gerenciamento eletrônico de documentos - GED
Nas últimas décadas foram geradas um grande numero de informações, mais do que
em qualquer outras décadas e informação, para muitas organizações, significa registro em
papel. A utilização do GED nas empresas tem se tornado uma necessidade, tanto para a
redução de espaço e tempo - armazenar e ter acesso - como para tornar admissível a aplicação
de gerenciamento do conhecimento.
Para Machado (2002), o GED consiste no somatório de todas as tecnologias e
produtos que visam gerenciar informações e conhecimentos de forma eletrônica. Destaca
ainda que o papel do GED não é somente arquivar em um meio eletrônico os documentos,
mas também tratar as informações que mantem e lhe são fornecidas.
O gerenciamento de documentos prioriza os dados cadastrais e históricos dos
documentos, que são informações do tipo: nome do autor, data de criação, números e datas de
revisões, número dos documentos, série, escala, entre outros tipos de informações relevantes

1380

�ao tipo de projeto/documento. Estes dados são bastante dinâmicos e os documentos podem ser
variados, já que o que se está gerenciando são apenas as propriedades (MACHADO, 2002).
A técnica de imagens de documentos está voltada para o arquivamento das imagens
de documentos estatísticos, que já foram concluídos. O documento que após ser digitalizado e
indexado, é armazenado em mídias digitais de acordo com a sua classificação, podendo assim,
ser rapidamente localizados e visualizados.
Outra técnica adotada por algumas organizações é a de Imagem Integradas a
Sistemas de processamento de Dados, que permitem integrar os sistemas de informação visual
às imagens respectivamente relacionadas às informações. Em uma empresa esta técnica é
utilizada na parte de recursos humanos.
O Reconhecimento Ótico de Caracteres, ou Optical Character Recognition (OCR),
permite a conversão de textos impressos ou datilografados, para caracteres digitais, que
podem ser arquivados na forma de dados simples, como se tivessem sidos digitados. Esta
tecnologia contribui muito para o processo de digitalização de documentos ainda não digitais,
facilitando diversos outros processos relativos aos GED.
Os mapas de conhecimento, segundo Pereira (2002) são bancos de dados online de
funcionários portadores do conhecimento, que permite o acesso a todos os usuários para
pesquisa, localização e comparação de fontes potenciais do conhecimento. Tem como
objetivo indicar pessoas, a serem consultadas, quando o usuário tiver algum tipo de dúvida e
não souber a quem recorrer. É também utilizado como instrumento de avaliação do acervo de
conhecimento, podendo identificar os pontos fortes e fracos a serem explorados ou
preenchidos.

3 GESTÃO DO CONHECIMENTO
O conhecimento é uma das variáveis fundamentais para explicar o sucesso das
organizações. E a gestão contribui para ampliar o conhecimento coletivo, levando a
organização ao sucesso. Para Tarapanoff (2006, p. 26) a gestão do conhecimento “trabalha
sistematicamente a informação e o conhecimento visando ao aumento da capacidade de
resposta da empresa ao meio ambiente com inovação e competência, desenvolvendo a eficácia
e o conhecimento corporativo” . Todo esse processo é baseado na experiência dos indivíduos,
que irão transmiti-la à organização as quais pertencem.
Davenport e Prusak (1998, p.20) afirmam que o “conhecimento é uma fonte
sustentável de vantagem competitiva e que o [...] potencial de novas ideias surgidas do

1381

�estoque do conhecimento de qualquer empresa é praticamente infinito” . O diferencial entre as
organizações é o conhecimento, que as conduz a dissemina-lo e produzir inovações.
A gestão do conhecimento contribui para disseminação do conhecimento que está
implícito nas práticas individuais e coletivas dos funcionários da organização. Fundamentado
nesta afirmação, Oliveira Junior (2001, p. 144) descreve que a gestão do conhecimento
consiste no “ [...] processo de identificar, desenvolver, disseminar e atualizar o conhecimento
estrategicamente relevante para a empresa, seja a partir de esforços internos à organização,
seja a partir de processos que extrapolam suas fronteiras” .
A concorrência obrigou as organizações a reverem suas práticas de gestão do
conhecimento, principalmente pela necessidade da adoção de posturas diferenciadas para
enfrentar as mudanças ocorridas nos meios internos e externos envolvendo as organizações.
Por isso a adoção da gestão do conhecimento veio auxiliar a administração do conhecimento
em ambientes organizacionais, tendo como objetivo básico criar, compartilhar e disseminar o
conhecimento para melhor enfrentar as forças que o ambiente exerce sobre o sistema da
empresa.
Nonaka e Takeuchi (1997) classificam esse conhecimento em dois tipos: explicito e
tácito. O conhecimento explicito é aquele que pode ser interpretado por palavras, podendo ser
utilizado oralmente ou escrito. Este conhecimento pode ser transmitido e armazenado sem
dificuldades, sendo facilmente decodificado.
Já o conhecimento tácito é um conhecimento pessoal que se associa à experiência
individual. É de difícil interpretação para a linguagem formal, sendo composto por fatores
intangíveis que norteiam a mente, correspondendo ao conhecimento baseado na experiência
pessoal.
A gestão eficaz do conhecimento é um grande desafio. Nesse contexto, a gestão do
conhecimento é tida como a nova dimensão na definição dos sistemas de informação
empresarial. Rocha e Costa (2003, p. 343) definem esses sistemas de gestão do conhecimento
como um “ ...processo completo de descoberta, aquisição, criação, disseminação, utilização,
filtragem, compartilhamento, aprendizado, manutenção reutilização e renovação de todo o
conhecimento tácito e explicito existente nas organizações” .
Este processo torna-se importante para o sucesso de uma gestão do conhecimento,
estimulando a propagação do conhecimento, que Tarapanoff (2006, p. 277) acredita contribuir
para “ [...] o desenvolvimento de uma memória organizacional, para guardar, representar e
compartilhar o conhecimento organizacional.”

1382

�3.1 Memória Organizacional
Muita das vezes as organizações lembram suas políticas e seus métodos. As pessoas,
ao serem confrontadas com alguma questão ou problema que precisam ser solucionados,
recorrem à sua memória, buscando não só o conhecimento explícito, mas também o tácito. A
experiência individual utiliza a memória da empresa e acrescenta-lhe valor, criando novo
conhecimento. O sistema de gestão do conhecimento captura esse novo conhecimento e o
aprimora, tornando-o disponível.
Neste sentido Tarapanoff (2006, p. 277), acredita na memória organizacional, como
um método para auxiliar no ambiente organizacional.

Da perspectiva da organização, um método de gerenciar seus recursos
intelectuais é buscar aumentar a memória organizacional. Intuitivamente,
sabe-se que uma organização, que é composta de pessoas, deveria reter
conhecimento de seus esforços passados e condições ambientais.
Muitas organizações tem a informação que necessitam, porém não sabem que as têm.
Na maioria das vezes elas têm conhecimento sobre a informação, mas não conseguem achá-la.
O que os gestores necessitam é entender como e onde a informação deve estar armazenada
para usá-la dentro de sua organização.
Schuster e Silva Filho (2013) informam que a memória organizacional envolvem:
a) A identificação do conhecimento, que consiste em levantar os objetivos e processos
referentes à gestão do conhecimento para um planejamento estratégico;
b) Aquisição do conhecimento, convertendo o conhecimento tácito em explicito,
adquirindo o conhecimento à organização;
c) Construção

do

conhecimento,

sustentando

às

atividades

de

pesquisa

e

desenvolvimento;
d) Disseminação do conhecimento, divulgando o conhecimento adequado, para as
pessoas que assim requisitam;
e) Utilização do conhecimento, fornecendo conhecimento relevante de forma autêntica e
de acordo com o perfil do usuário;
f) Manutenção do conhecimento com visão para o desenvolvimento da memoria
organizacional, rejeitando o conhecimento irrelevante à organização;
g) Valoração do conhecimento que consiste na avaliação do uso do conhecimento.

1383

�Essas características customizam o ambiente da empresa de acordo com os negócios
desta, para um sistema de gestão do conhecimento, compreendendo os seus conhecimentos
coletados ao longo do tempo. Assim, a informação coletada deve ser útil e corresponder às
necessidades importantes da organização, facilitando a recuperação do conhecimento que
agregue valores aos seus objetivos estratégicos.
O usuário, centro das ações e iniciativas do bibliotecário, pode utilizar o suporte
tradicional ou digital da biblioteca universitária para resolver sua busca informacional de
pesquisa ou problema cotidiano. Porém de nada adiantará os sistemas de informação e suas
tecnologias que a biblioteca disponibilize, se o principal favorecido, o usuário, não souber ou
não quiser interagir com a informação disponibilizada em meios eletrônicos, criando-se
assim, as chamadas barreiras de usabilidade de sistemas de informação em bibliotecas.

4 O BIBLIOTECÁRIO GESTOR E OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
As atividades nas unidades de informação para o Bibliotecário sempre exigiu a
prática da administração, uma vez que a gestão envolve a elaboração de projetos e a junção de
habilidades que vão desde o saber de lidar com pessoas a solução de problemas. O
bibliotecário passou a ser um profissional proativo, que não tem medo de ousar, o que refletiu
consideravelmente para que se tornasse um bom líder com criatividade, passando a cunhar um
ambiente propício a ampliação das Unidades de Informação. Além, de que, passou a utilizar a
tecnologia como um instrumento de ação para minimizar as dúvidas a respeito das relações
entre o gestor e a comunidade acadêmica.
O usuário, centro das ações e iniciativas do bibliotecário, pôde utilizar o suporte
tanto tradicional ou digital da biblioteca universitária para resolver sua busca informacional
de pesquisa ou problema cotidiano.
As consequências do desenvolvimento tecnológico causado nas bibliotecas, com a
introdução das tecnologias da informação foram às novas maneiras de interação entre seus
profissionais e seus usuários (RAMOS, 2003). Na atualidade as bibliotecas são reconhecidas
como espaços informativos, para conhecer, discutir, criar e recriar. O acervo é planetário e
acessível no intangível formato eletrônico, rapidamente repensado à velocidade da tecnologia.
Milanesi (1983) acredita que quanto mais uma biblioteca propicia uma multiplicidade de
informações para satisfazer a necessidade informacional do seu usuário, mais ela estará
chegando ao seu objetivo.
As novas tecnologias implementadas em bibliotecas, poderoso instrumento de
comunicação que diminui as distâncias, fizeram com que as mesmas rompessem com o

1384

�modelo tradicional: o acervo físico. Para Cuenca e Tanaka (2003) a tecnologia da informação
tem seu maior produto na Internet, considerado um poderoso instrumento de comunicação.
Mas como deverá ocorrer a gestão da informação elaborado pelo bibliotecário? Cabe
ele tornar mais prático e fácil o caminho do usuário, ou seja, todas as vias possíveis de acesso
devem ser conhecidas, levando-o a entender o sistema de informação construído e minimizar
as barreiras de usabilidade.
Para Ramos (2003) as benesses trazidas pelas tecnologias de informação
proporcionam às bibliotecas: racionalidade no trabalho, o aumento de produção, melhor
controle e uma maior facilidade de armazenamento e disseminação da informação. A gestão
intervém tanto na direção como no controle e monitoramento da mesma, em seu meio; o
controle do desempenho conserva-se na direção desejada e planejada, possibilitando uma
tomada de decisão mais eficaz e rápida, tornando as bibliotecas mais flexíveis. Essas
transformações abalaram tanto a estrutura das bibliotecas, seus usuários, bem como, seus
bibliotecários.
Um dos objetivos específicos dos sistemas de informação é minimizar o tempo de
busca do usuário em sua pesquisa. Trazendo a discussão sob a ótica de Garcez e Rados (2002)
a formulação dessa estratégia de busca requer o conhecimento do assunto pesquisado, do
sistema e da bibliografia, portanto deve ser feita pelo usuário ou bibliotecário. A necessidade
de capacitação é bilateral, tanto o usuário, que precisa de auxílio na busca por informação,
quanto o bibliotecário, que necessita minimizar o tempo de busca e dá maior precisão possível
sobre a informação desejada pelo usuário, ambas as partes devem estar em sintonia
juntamente ao sistema de informação, para que haja a eficácia e eficiência de uso desse
sistema.
A pesquisa em sistema de informação busca a criatividade de quem a executa. O
primeiro passo é definir o que se procura, seguido de como procurar, selecionando o que
interessa e posteriormente combinar esses dados para se atingir o objetivo esperado. A busca
em um sistema que levará o usuário a um conjunto de conflitos e reforços de informações,
muito mais de reforços, onde abrirá um leque de oportunidades de dados para se atingir o
conhecimento.
As mudanças dos paradigmas da informação, segundo Fujita (2006, p.29) foram os
fatores determinantes para a inovação das gestões aplicadas nas Unidades de Informação:

1385

�[...] a diversidade de formatos exige tratamento temático e descritivo
compatíveis com consequente modificação de Normas, diretrizes, manuais e
metodologias; a coexistência do formato impresso e do formato eletrônico:
evolução semelhante à ocorrida com o documento manuscrito para o
documento impresso, em ritmo acelerado; acesso: evolução tecnológica da
comunicação de dados facilitou o acesso simultâneo de todos a todos os
registros; valor: a informação registrada, tratada e disseminada por meio do
aparato tecnológico de comunicações tem um valor mais alto.
O bibliotecário gestor deve ir além da aptidão de trabalhar nos processos de
organização, disseminação e gestão da informação. A sociedade percebe que a Informação em
si é uma ferramenta estratégica em variadas áreas e que pode interferir no desenvolvimento
econômico e social. Sob essa perspectiva esse profissional passa a apresentar novas
características o que exige novas competências, competências estas que pedem uma nova
dimensão no campo de trabalho abrangido pelo gestor.
[...] quanto as atividades tradicionais que eram atribuídas aos bibliotecários,
como mediador entre a informação e o usuário, devem ser agregadas às
experiências com as técnicas de gerenciamento e conhecimento de
tecnologias da informação, para que assim haja a assunção do papel de filtro
informacional ao agregar valor aos produtos e serviços de informação.
(MIRANDA, 2004, p. 119).
Assim, o bibliotecário monitora com mais precisão a Unidade de Informação,
identificando riscos e oportunidades que são apresentadas nas atividades desenvolvidas. Seria
o estudo dos fatores de acréscimo interno e externo aplicados a biblioteca universitária. O
objetivo principal de sua gestão é melhorar o desempenho organizacional implantado e
estudar quais decisões devem ser tomadas.
No enlace dessas mudanças os Bibliotecários começaram a repensar os serviços
apresentados nas unidades de informação, afinando e dirigindo suas visões estrategistas, para
a habilidade de identificar e solucionar os problemas apresentados. Destarte os gestores foram
provocados a desenvolver e potencializar capacidades individuais, onde aumentaram
gradativamente uma postura administrativa.
Lembrando a perspectiva de Le Coadic (1997, p. 112-113) onde ressalta que algumas
qualificações que devem ser aprimoradas nos Gestores da Informação, tais como:
[...]avaliar, planejar, vender e fazer funcionar redes locais de comunicação
de informação em instituições; administrar unidades de informação e
implantar programas de gerenciamento de informação para informatizá-las;
procurar, preparar, resumir e editar informações de natureza científica e
técnica; dirigir a redação de revistas científicas em empresas de editoração;
organizar (adquirir, registrar, recuperar) e distribuir informação em sua
forma original ou como produtos elaborados a partir dela[...]

1386

�Essas qualificações adquiridas e potencializadas dentro da Biblioteca universitária
necessitam ser acompanhadas por algumas ferramentas disponíveis para administrar,
identificar, observar e analisar problemas, soluções, projetos e etc. Conforme a leitura de
Barbalho et al (2000) a administração, hoje é concebida com objetivo de proporcionar a
integração

de indivíduos

que

contribuem,

com

seus

esforços,

para

atingir ações

predeterminadas, o que reflete diretamente em várias áreas fora das Ciências Aplicadas. A
gestão eficaz de uma Unidade de Informação está intimamente ligada às filosofias
administrativas, que devem ser conhecidas e adaptadas à realidade de cada instituição, sendo
destacadas sobre três aspectos importantes relacionados à Gestão das Unidades de Informação

Teórico (um conjunto de saberes interdisciplinares das áreas de
administração, ciência da informação e tecnologia de informação); Prático
(um conjunto de métodos/metodologias, técnicas e ferramentas); e Processo
(um recurso estratégico de intervenções governamentais). (OLIVEIRA E
PEREIRA apud NEVES, SOUZA, OLIVEIRA, 2006)
Esses aspectos, além de serem estratégicos para a economia contemporânea,
permitem enxergar a Gestão da Informação como um modelo que fornece as condições
necessárias para gerir eficazmente a informação na organização, ou seja, a junção desses
aspectos permite a elaboração das ferramentas necessárias no contexto gerencial procurado
dentro das Unidades de Informação.
Além de todas as etapas de que se engendram no planejamento, é necessário que o
marketing seja uma ferramenta constante na unidade de informação. O marketing seria mais
uma estratégia para dar visibilidade ao trabalho desenvolvido dentro da organização, seria a
parte do processo da Gestão que propõe a distribuição dos serviços/atividades estabelecidos.
O marketing em unidades de informação:

[...] pode ser entendido como uma filosofia de gestão administrativa na qual
todos os esforços convergem em promover, com a máxima eficiência
possível, a satisfação de quem precisa e de quem utiliza produtos e serviços
de informação. É o ato de intercâmbio de bens e satisfação de necessidades.
(OTTONI. 1995, p. 1).
A Library Associaton de Londres aponta alguns conhecimentos que são importante
para a formação dos bibliotecários para lidar com o desenvolvimento da Gestão das Unidades
de Informação, conforme Santos (1996, p. 9):

1387

�1.
Desenvolvimento de habilidades analíticas e gerenciais que possam
ser aplicadas na aquisição e organização de recursos e na promoção da
biblioteca e dos serviços de informação numa determinada organização.
Conteúdos sugeridos: modelos organizacionais, análise e solução de
problemas, comportamento e motivação humanos, administração financeira
e orçamentária, análise das necessidades de informação, profissionalismo e
códigos de conduta [ética], administração de recursos humanos, marketing e
promoção, planejamento e tomada de decisões.
2.
Compreensão das necessidades de informação da sociedade.
Conteúdos sugeridos: liberdade de informação e censura, multiculturalismo,
oportunidades iguais e práticas não-opressivas, economia da informação,
direitos autorais e propriedade intelectual, necessidades de informação para
grupos específicos, informação como bem de consumo e acesso à
informação em países em desenvolvimento.
3.
Conhecimento dos papéis, funções e valores da biblioteca e dos
serviços de informação. Conteúdos sugeridos: políticas nacionais e
internacionais de informação, legislação e seu impacto, recreação,
entretenimento e artes, literaturas especializadas e serviços cooperativos.
4.
Compreensão dos processos de produção, aquisição, organização e
disseminação da informação. Conteúdos sugeridos: controle bibliográfico e
fontes de informação, seleção, administração e preservação de materiais,
aplicação das tecnologias da informação, sistemas e serviços on-line,
indexação, classificação e catalogação, avaliação e reempacotamento da
informação, planejamento e construção de bases de dados, seleção de
sistemas e serviços informáticos, produção e editoração de livros, sistemas
de informação avançados, hipertexto etc.
5.
Competência para o desenvolvimento de habilidades práticas, por
meio de metodologias de pesquisa, comunicação, métodos estatísticos,
funções básicas de contabilidade, processadores de texto, criação de pacotes
multimídia, línguas estrangeiras.
Estes conhecimentos constituem-se como bases para o desenvolvimento profissional
dos bibliotecários para uma boa aplicação de novas ferramentas de gerência das UIs,
ferramentas essas que modificam a Unidade tanto estruturalmente como na organização das
políticas administrativas aplicadas.
O bibliotecário pode aplicar estes conhecimentos por meio dos Sistemas Integrados
de Gestão (Enterprise Resource Planning - ERP) que se constitui na união de várias
ferramentas, mas que de acordo com as exigências do gestor pode optar pelas que se adequem
às suas necessidades. Assim o bibliotecário poderá optar por soluções groupware, que permite
que todos os funcionários colaborem com a solução dos problemas por meio do
compartilhamento de conhecimento, e de workflow, possibilitando enviar vários documentos
ao mesmo tempo para outros setores da instituição ao qual a biblioteca universitária está
vinculada, ou até mesmo outra biblioteca que tenha um ambiente workflow. Esta ferramenta
completa a intranet com a integração de outros recursos tecnológicos, como uma versão
eletrônica atualizada do mapa de conhecimento, que permitirá a identificação do detentor de

1388

�cada conhecimento, onde esse conhecimento se encontra na organização e onde podem ser
estabelecidas.
De acordo com Oliveira (2001), as organizações que adotam estas ferramentas,
conhecem melhor os pontos fortes, podem eliminar ou adequar seus pontos fracos, conhecer e
usufruir as oportunidades externas evitando as ameaças externas e ter um efetivo plano de
trabalho estabelecendo as premissas básicas, as expectativas e os caminhos almejados pela
empresa.
Uma analise da identificação das ferramentas apresentadas pela Unidade de
informação, segundo Cury (2002), nos leva a compreender que estas ferramentas são
dinâmicas e que tem como objetivo estudar soluções integradas para os problemas
administrativos, envolvendo, portanto, a responsabilidade básica de planejar as mudanças,
aperfeiçoando,

dinamizando,

potencializando

e

adequando

o

clima

e

a

estrutura

organizacionais, assim como os processos e métodos de trabalho.
Estas se configuram metodologias adequadas aos bibliotecários gestores inseridos no
contexto da biblioteca universitária gerindo os sistemas de informação, munidos a outras
capacidades desenvolvidas, possam tornar eficaz os meios de recuperação da informação para
a satisfação da busca do usuário e consequentemente o sucesso de sua instituição.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A tecnologia influência o trabalho intelectual e de pesquisa nas várias áreas do
conhecimento, modificando as relações econômicas, políticas, culturais entre os grupos
sociais. As alterações na sociedade contemporânea, tanto no cenário mundial, nacional ou
regional, acarretam mudanças nos perfis dos profissionais de diversas áreas. A tecnologia vem
proporcionando cada vez mais ferramentas para o desenvolvimento das organizações e tais
ferramentas exigem profissionais especializados, com a forma tanto estrutural como
organizacional do universo da instituição.
O homem criou a escrita e financiou uma guerra no processo de comunicação, novas
tecnologias de comunicação surgiram e as já existentes se aperfeiçoaram. Hoje não mais
importa onde a informação se encontra e sim a forma de aceso a essa informação.
Como foi observado ao longo do texto, enfatizou-se a importância da informação em
nossa sociedade, o ritmo acelerado da produção, bem como o acúmulo desordenado da
mesma. Com o advento da tecnologia da informação, que veio para racionalizar a enxurrada

1389

�de informações com a criação dos sistemas, desenvolveram-se novos métodos computacionais
de armazenamento, organização e disseminação dessa informação.
Portanto o bibliotecário deve buscar uma gestão participativa, que promova o diálogo
entre a equipe e a comunidade atendida, buscando sempre a inovação, proporcionando prazer
na realização do trabalho através da motivação, aplicando dinâmicas pela qualidade e
integração da equipe, estando sempre atento às mudanças no meio informacional.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Aborda as tecnologias na gestão do bibliotecário de Bibliotecas Universitárias. Apresenta tecnologias dos sistemas de informação, seu surgimento e prática de gestão na área biblioteconômica. Descreve alguns dos serviços que foram incorporados às bibliotecas com o uso das TIC‘s, assim como as melhorias nos serviços prestados da unidade de informação. Analisa o perfil do bibliotecário gestor, que ganhou mais espaço mediante o uso dessas tecnologias. Objetiva identificar como os sistemas de informação podem auxiliar o Bibliotecário durante a sua gestão, destacando as ferramentas mais utilizadas em uma organização. A metodologia utilizada foi o levantamento bibliográfico, como principal meio de estudo a análise de obras relacionadas ao tema proposto, com base na pesquisa qualitativa com abordagem exploratória dos textos. As mudanças que as tecnologias ocasionaram em bibliotecas. Conclui que o Bibliotecário gestor deve ter um perfil voltado tanto para o planejamento da instituição o desenvolvimento e/ou aprimoramento de novos produtos e/ou serviços da unidade de informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O LIVRO DIGITAL E A TRÍADE BIBLIOTECAS, MERCADO EDITORIAL E
GOVERNO
Juliani Menezes dos Reis
Helen Beatriz Frota Rozados

RESUMO
Na sociedade da informação, a legislação deve acompanhar a evolução social do conceito de
livro. Este texto tem como objetivo comentar a questão do livro digital, seu mercado editorial,
sua assimilação entre os usuários, o acesso disponibilizado pelas bibliotecas, bem como as
ações governamentais relacionadas a seu custo. Expõe, através de pesquisa bibliográfica e
análise documental, os aspectos anteriormente relacionados, tendo em vista que o mercado
editorial brasileiro, desde 2009, está inserido na comercialização de e-books e a partir de 2012
apresenta lojas físicas comercializando e-readers. Comenta sobre o controle que o mercado
editorial exerce sobre os livros eletrônicos e seu alto preço, muito similar ao livro impresso,
que leva a questionamentos em relação a sua disseminação de maneira democrática. Explana
sobre a importância das bibliotecas oferecerem acesso aos livros digitais para seus usuários e
os entraves hoje existentes. Discorre sobre a necessidade das autoridades reconhecerem que o
livro eletrônico é livro e que o aparelho leitor é parte fundamental para sua leitura, buscando
legislar de forma a baixar ou mesmo garantir a imunidade tributária de ambos. Mapeia ações
jurídicas e governamentais que estão acontecendo, neste sentido. Conclui mostrando a
importância de políticas governamentais que garantam os direitos fundamentais do cidadão de
acesso à cultura, educação e informação, independentemente de sua posição social e
econômica.
Palavras-Chave: E-book; Livro digital; Bibliotecas; Política governamental 4; Carga
tributária.
ABSTRACT
In the information society, legislation should monitor the social evolution of the concept of
the book. This paper aims to review the issue of the digital book, its market; the assimilation
among users; the access provided by libraries; and government actions related to its cost.
Exposes, through a literature review and document analysis, the previously related aspects,
considering that the Brazilian publishing market, since 2009, is inserted in the marketing of e­
books and, from 2012, has physical stores selling e-readers. Comments on the control that the
publishing industry has on electronic books and its high price, very similar to the printed
book, which leads to questions regarding its spread in a democratic manner. Explains the
importance of libraries to provide access, to digital books, for its users and the barriers that
exist today. Discusses the need for authorities to recognize that e-book is a book and the
reader device is fundamental to reading, thus seeking to legislate in order to lower or even
ensure the tax immunity of both. Maps legal and government actions that are happening in
this sense. Concludes by showing the importance of government policies that ensure the

4364

�fundamental rights of citizens to access to culture, education and information, regardless of
their social position and economic status.
Keywords: E-book; Digital book; Libraries; Government policies; Tax burden.

1 Introdução
O alto preço do livro digital levanta questionamentos em relação a sua disseminação
de maneira democrática. Neste sentido, este estudo tem a intenção de investigar a legislação
relacionada à imunidade tributária do livro digital e os preços praticados no Brasil em
comparação com os valores cobrados em outros países, e a problemática que isto causa às
bibliotecas e à democratização da informação aos cidadãos brasileiros.
Os e-books, livros digitais ou livros eletrônicos são veículos de comunicação escrita da
mesma forma que os livros tradicionais. Para Velloso (2012, documento eletrônico não
paginado):
Primeiro, o e-book constitui uma espécie do gênero livro, que não se
singulariza pelo seu conteúdo, mas pela sua forma. É a versão digital dos
tradicionais livros impressos, que pode ser adquirida em meio físico
(sobretudo em CDs) ou digital, mediante download do seu conteúdo.

Para Pinheiro (2011, p. 14), e-book
[...] designa uma publicação em formato digital que, para além de texto,
pode incluir também imagens, vídeo e áudio. Outras designações são livro
digital ou livro digitalizado. Muitas vezes utiliza-se, erradamente, o termo
ebook para designar um e-reader.

Em geral, a estrutura e a organização do livro digital se assemelha a do livro impresso,
ou seja, contém capa, folha de rosto, sumário, capítulos, índices, glossário etc. Contudo,
alguns elementos pré-textuais, como sumário e folha de rosto, e pós-textuais, como índices,
podem ser ocultados, já que a possibilidade de pesquisar palavras dispensa esses elementos.
Os aspectos intrínsecos ao livro eletrônico, possíveis por intermédio dos avanços
tecnológicos, como formato, ampla e rápida difusão do conteúdo e fácil distribuição podem
viabilizar a universalização do livro e, até mesmo, a possibilidade de existência real de uma
biblioteca universal. A internet poderá ser uma grande aliada dos e-books neste processo, pois
o leitor pode com poucos cliques adquirir um e-book em uma livraria virtual. O crescimento
da digitalização de livros também poderá contribuir para a transposição do livro impresso
para o livro digital, bem como sua democratização. Para Procópio (2010, p. 25) “[...] a

4365

�revolução dos eBooks possibilita democratizar o acesso à leitura a um nível ainda mais
abrangente e de uma maneira extraordinária.”.
Por outro lado, a biblioteca precisa atender as necessidades informacionais dos
usuários com seus serviços e produtos. O e-book é um novo produto ofertado pela biblioteca
que envolve diversos serviços que precisam se adaptar a esta nova realidade.
Paralelamente, a indústria editorial brasileira sinaliza que o que ajudou a disseminação
dos e-books no País foi a alta difusão de tablets e smartphones. E aposta em uma lei de
incentivo aos e-readers, que eliminaria a taxação de impostos de importação, com
possibilidades de ser aprovada em breve, o que definiria a tendência de os e-books tornaremse cada vez mais sucesso no Brasil.
Essas três forças - biblioteca, mercado editorial e governo - são os componentes
fundamentais para a definição das políticas que recairão sobre o livro digital e,
consequentemente, a democratização do acesso à leitura e à informação. Estes também são os
aspectos tratados nesse estudo.

2 O Mercado Editorial
Novas formas de publicação e comercialização estão surgindo com o mundo digital.
Para Chartier (1998, p.16) com a era digital “Correm o risco de serem pulverizadas as noções
de autor, editor e distribuidor, que mal se puderam fixar, numa época bastante recente, que
coincide com a industrialização do livro.”. A tecnologia impulsiona mudanças na edição de
livros. A edição eletrônica mistura os papéis de editor, produtor de texto, autor, distribuidor
do livro, que antes eram funções bem definidas e separadas, executadas por indivíduos
diferentes, e agora, são tarefas que podem ser realizadas por uma única pessoa. O livro
eletrônico e as novas formas de produção do livro facilitam a publicação on demand (ou sob
demanda) - neste modelo de negócio o livro é impresso conforme solicitação do cliente/leitor.
Visto por outro ângulo, o mercado editorial exerce controle muito maior sobre livros
eletrônicos do que sobre livros impressos. Para citar um exemplo, “Em julho de 2009, a
Amazon apagou cópias do clássico da Ficção Científica “1984”, de George Orwell, dos
Kindles dos usuários que haviam comprado o título.” (PROCÓPIO, 2010, p. 36). A
explicação da Amazon foi que a versão eletrônica havia sido comprada de uma editora que
não tinha autorização do autor para vendê-lo. Os leitores foram reembolsados, mas ficaram
sem o livro que haviam comprado. As editoras tem mais facilidade de gerência e domínio
sobre os livros em formato eletrônico do que sobre os impressos. Dificilmente uma editora

4366

�conseguiria que os compradores de um livro impresso o devolvessem, mas com os e-books
elas têm autonomia para retirá-los dos aparelhos dos usuários.
O mercado editorial brasileiro desde 2009 está inserido na comercialização de e-books.
Quanto aos aparelhos leitores (e-readers), lojas físicas passaram a comercializá-los em 2012,
mas, até então, a única forma de adquiri-los era em países de primeiro mundo (EUA, Canadá
e Europa). Observa-se que algumas empresas têm acreditado no potencial do Brasil e estão
expandindo seu modelo de negócios. É o caso da Kobo (fabricante de produtos eletrônicos),
que em 2012 realizou uma parceria com a Livraria Cultura. O fruto dessa parceria foi o
lançamento, em 05 de dezembro de 2012, do primeiro e-reader com a marca da rede. Em
entrevista ao Jornal Zero Hora (2012), Sergio Herz explica que
A chegada dos aparelhos faz parte da nossa estratégia de movimentar o
mercado nacional de e-Books e e-readers. A expectativa é tornar a cultura
acessível em todas as plataformas, principalmente em um cenário no qual a
vida digital ganha cada vez mais importância no dia a dia dos brasileiros afirma Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura. (2012, documento eletrônico
não paginado).

A Amazon também está investindo no Brasil. Em dezembro de 2012 a Ponto Frio e a
Livraria da Vila passaram a comercializar o Kindle da Amazon por R$ 299,00. “A entrada da
Livraria da Vila como parceira da Amazon na venda de Kindles ocorre em oposição à Livraria
Cultura, que vende o e-reader canadense Kobo Touch no Brasil.” (FOLHA DE SÃO PAULO,
2012, documento eletrônico não paginado). Também em 2012 o Google Play entrou no
mercado brasileiro com aproximadamente 10 mil e-books em português. O livros podem ser
baixados em formato pdf ou ePub e ficam armazenados na conta digital do usuário na nuvem,
ou seja, no ambiente virtual.
A Apple também aposta no mercado brasileiro. A empresa abriu sua loja virtual no
Brasil em outubro de 2012 e oferece um serviço de download de parte do livro em sua
iBookstore para degustação antes do leitor efetivar a compra. Além disso, seus e-books são
compatíveis com outros aparelhos leitores e não somente nos disponíveis pela marca.
Várias empresas e livrarias têm expandido seus negócios no nosso mercado, contudo o
número de lojas, oferta de aparelhos leitores e oferta de livros em formato eletrônico ainda
são incipientes. Apesar disso, em 2012, o catálogo de livros eletrônicos das editoras
praticamente dobrou. É o que mostra Cozer (2012) em pesquisa apresentada na Folha de São
Paulo. Neste processo, algumas editoras conseguiram ter mais de 50% do seu catálogo
convertido. Isso traz certo otimismo ao futuro dos e-books.

4367

�A partir desses dados pode-se perceber que a oferta de livros digitais em português
aumentou consideravelmente nas livrarias brasileiras nos últimos anos, conforme mostra a
pesquisa do site Revolução eBook, realizada em agosto de 2012. O número de e-books
comercializados passou de 11 mil para 16 mil títulos no período de fevereiro a agosto de
2012. Para Melo (2013, documento eletrônico não paginado) “Parece pouco, mas é um grande
progresso: em apenas seis meses, foram colocados à venda mais de 5 mil novos eBooks,
quase 50% de tudo o que era oferecido até fevereiro de 2012.”. Esse aumento na oferta de e­
books retrata que as livrarias tem mostrado mais interesse nessa nova “fatia” do mercado
editorial. E, por consequência, esse crescimento influência de maneira determinante o
interesse dos leitores, que passam a se arriscar nesta nova seara.
As livrarias brasileiras também estão vendendo mais e-books em comparação aos anos
anteriores. Certamente o aumentou da oferta influenciou e motivou a venda dos livros
digitais. Com mais títulos disponíveis nas editoras e livrarias, os e-books ficam em maior
evidência para os leitores. De acordo com pesquisa realizada pelo site Estadão (2013,
documento eletrônico não paginado):
A Companhia das Letras vendeu 400% mais e-books em dezembro de 2012
do que em dezembro de 2011. [...] Na Livraria Cultura, o crescimento
também foi expressivo. Comparando dezembro de 2012 com o de 2011, a
rede vendeu 250% mais e-books. Se o e-reader Kobo tivesse chegado um
pouco antes, talvez os índices fossem ainda melhores.

O lucro obtido por essas empresas as motiva a disputarem a preferência do leitor e,
para isso, utilizam estratégias diferentes visando conseguir sua fidelidade. A Livraria Cultura
tem uma estratégia de venda interessante, na loja são oferecidos aos clientes pequenos folders
do tamanho de livros. Esse material promocional, como a livraria denomina, contém a capa
do livro de um lado e no verso informações, como resumo, formatos disponíveis e formas de
compra (no site ou no caixa). Este folder simula um livro tradicional, porém, apresenta a
propaganda de um livro digital. Já a Amazon disponibiliza aos usuários o “Look Inside”, que
é um serviço de pesquisa por palavras-chave dentro do livro digital realizado antes de adquirir
a obra fisicamente. A intenção é que o leitor possa “degustar” o livro antes de comprá-lo.
Para os leitores brasileiros a concorrência entre livrarias e empresas que
comercializam e-books - seja em lojas físicas ou virtuais - traz muitos benefícios e pode
contribuir para o barateamento dos livros eletrônicos e dos e-readers. O ingresso da Amazon,
Google Play e da parceria da Livraria Cultura e Kobo, marca um grande avanço para o

4368

�mercado editorial brasileiro de e-books e contribui para aceitação deste novo formato de livro
pelos leitores.
No entanto, a realidade atual ainda está marcada pelo alto custo que livros e
equipamentos leitores representa para o consumidor/leitor. “O brasileiro tem anseio por
informação, mas tem um problema que é o preço. Não há justificativa nenhuma para o Brasil
ter o e-reader mais caro do mundo. Antes de chegar às lojas eles sofrem um aumento de 70%
por causa dos impostos.”, declarou Sérgio Hertz, presidente da Livraria Cultura, em entrevista
concedida em maio de 2014 à Folha de São Paulo (BORBA, 2014, documento eletrônico não
paginado).

3 A Questão do Preço
Apesar de haver grande concorrência no mercado editorial de e-books, no Brasil, seu
custo ainda é muito similar ao do livro impresso e, às vezes, até mesmo mais caro. Isto acaba
desmotivando a compra pelos leitores. Uma das causas para os altos preços cobrados pelo
mercado editorial, conforme justifica Procópio (2010, p. 124) se dá porque “[...] a própria Lei
de Moore obriga as empresas de tecnologia a reinventarem quase que diariamente os seus
equipamentos para manterem-se com os seus preços também imediatamente nivelados.”. Os
leitores são bombardeados incessantemente com lançamentos e não chegam a perceber a
baixa dos preços dos aparelhos leitores nem dos livros digitais.
Algumas alternativas têm surgido para tentar tornar os aparelhos leitores mais baratos,
é o caso do projeto alemão Txtr Beagle, que de acordo com Cardoso (2013, documento
eletrônico não paginado) “A idéia é um leitor subsidiado custando em torno de 10 Euros. Esse
leitor seria vendido em lojas de conveniência, papelarias [...]”. O aparelho, que custaria no
Brasil, aproximadamente, R$ 26,00, comporta livros protegidos por Digital Right
Managemant (DRM), em formato ePub e o controle do equipamento, alimentação e
transferência é feito via Bluetooth, através de uma app de smartphones, rodando em Android
ou iOS. Projetos desse porte poderiam ser a solução para evitar ou amenizar a exclusão
digital.
Em relação aos preços dos livros digitais o blog Revolução E-book, realizou, em abril
de 2012, uma pesquisa comparativa entre os valores cobrados por editoras nacionais e
internacionais para e-books e livros impressos. A pesquisa apresenta os valores comparativos
para a Biografia de Steve Jobs, em versão eletrônica e impressa. Os resultados mostram que
há editoras que ainda não comercializam livros eletrônicos, existindo apenas a versão
impressa - é o caso da Fnac. Outras possuem tanto formato impresso quanto a digital.

4369

�A pesquisa aponta que o livro eletrônico, no Brasil, é apenas 14% mais barato que a
versão impressa. Voltando ao caso da Fnac, que possui apenas a versão impressa da Biografia
de Steve Jobs, ela também oferece o valor mais baixo para o livro impresso em relação as
demais livrarias. Esta diferença de valores pode contribuir para que os leitores reflitam e
acabem comprando a versão impressa, já que, em alguns casos, a diferença de valores acaba
sendo pequena para motivar a compra de um livro digital.
Existem grandes diferenças entre os valores cobrados por livros impressos e digitais
no Brasil e no exterior. Cozer (2012) apresenta os resultados de uma pesquisa, realizada para
a Folha de São Paulo, onde mostra as discrepâncias entre os valores de dois best-sellers de
2012: Cinquenta tons de cinza e A guerra dos tronos, em cinco livrarias diferentes. No
primeiro caso pode parecer que o valor é tabelado, pois a Amazon Brasil, Google Play,
Livraria Cultura e Livraria Saraiva o vendem por R$ 22,41. Enquanto que o livro “A guerra
dos tronos” é vendido por uma diferença pequena nas lojas Amazon Brasil e no Google Play.
Comparando os valores cobrados pelos e-books nos Estados Unidos da América e no Brasil,
observa-se que os brasileiros são mais caros, devido à tributação.
Caldas (2013, documento eletrônico não paginado) comenta que
O preço alto no Brasil é pressionado em grande parte pelas editoras,
responsáveis por estipular o valor de capa no país. Nos Estados Unidos, a
redução do preço veio graças à força de um outro personagem na história: o
escritor, que, em certos casos, pode negociar a exposição de sua obra
diretamente com as livrarias virtuais.

Os mesmos títulos possuem valores diferentes conforme a editora ou livraria que o
vende e as editoras também são responsáveis pelos altos valores cobrados pelos e-books no
Brasil. Os editores apostam em uma legislação específica para livros digitais que viria a
contribuir com a diminuição ou mesmo a isenção de taxas, o que possibilitaria o barateamento
dos custos. Criação de Projeto de lei, neste sentido, estaria sendo pensado no âmbito da
Câmara dos Deputados, tendo, inclusive, ocorrido um primeiro seminário para discutir o
assunto, no início de maio de 2014.

4 O Livro Eletrônico nas Bibliotecas
As mudanças na sociedade exigem que as bibliotecas se adaptem a essas novas
condições. Os leitores sob a influência da sociedade da informação exigem que as bibliotecas
ofereçam novos produtos e serviços, como o empréstimo de e-books, pois eles estão
acostumados a buscar informação em diversas fontes, e para que haja interesse na biblioteca é

4370

�necessário que ela esteja atualizada e presente nesta nova realidade. Observa-se que o livro
digital está sendo inserido com muita intensidade nas bibliotecas americanas que perceberam
o que os usuários querem e estão oferecendo esses serviços. No Brasil esta inserção também
está acontecendo, mas em menos escala.
Em 2012, uma pesquisa mostrou que 3/4 das bibliotecas estadunidenses oferecem e­
books para empréstimo (ZICKUHR et al., 2012). Outras bibliotecas estrangeiras oferecem
também o aparelho leitor com os livros digitais escolhidos pelo usuário (SILVA, 2011). No
Brasil, as 54 universidades públicas brasileiras oferecem bases de dados com coleções de e­
books (MAGALHÃES; CERÁVOLO, 2012). Este é um panorama muito otimista, pois
mostra que o Brasil está efetivamente incorporando os livros digitais.
As editoras exercem um papel fundamental na intermediação do acesso da biblioteca
ao livro em formato impresso ou digital. O modelo de negócios das editoras com as
bibliotecas é diferente daquele com consumidores individuais e ocorre através de acordos,
contratos por meio de licitações e pregões. Em alguns casos as distribuidoras intermediam a
negociação entre a biblioteca e a editora, pois comercializam o livro e ficam encarregadas dos
contratos. Há também os agregadores de conteúdo que trabalham com diversas editoras
fornecendo o acesso ao livro digital às bibliotecas através de plataforma on-line (GRIGSON,
2011).
No Brasil algumas bibliotecas estão se revitalizando, oferecendo aos usuários livros
digitais e realizando empréstimo domiciliar do aparelho leitor (BBC BRASIL, 2013).
Contudo, observa-se que algumas editoras, por receio da forma de empréstimo do livro digital
nas bibliotecas ou por causa da insegurança que envolve o direito autoral, têm mostrado
resistência, dificultando a comercialização. É o caso da Hachette que em outubro de 2012
aumentou os preços dos e-books para bibliotecas (PINHEIRO, 2012).
O relatório elaborado pela Associação de Bibliotecas da América (ALA) apontou que
“O crescimento dos e-books estimulou a demanda, mas as bibliotecas têm acesso limitado a
eles por causa de restrições das editoras.” (BBC BRASIL, 2013, documento eletrônico não
paginado). O relatório também destaca que “[...] grandes editoras, como Macmillan, Simon
and Schuster e Hachette, têm se recusado a fornecer livros digitais às bibliotecas.”.
Algumas editoras limitam a 26 acessos, ou seja, o livro só pode ser usado/emprestado
26 vezes, neste caso, ao esgotar-se esse número o livro não poderá mais ser acessado ou
realizado download. Consequentemente, a biblioteca terá que adquirir novamente o título para
fornecer aos usuários. Essas editoras alegam que estão “[...] defendendo os direitos dos

4371

�autores e argumentam que os limites de acesso levam em conta a vida útil que um livro em
papel teria.” (BBC BRASIL, 2013, documento eletrônico não paginado).
As restrições de acesso e o elevado preço do livro digital para bibliotecas constituemse em um obstáculo a aquisição e um duro golpe a disseminação da informação. É comum
bibliotecas sofrerem reduções orçamentárias, que dificultam a aquisição de materiais
bibliográficos e as restrições impostas pelas editoras complicam ainda mais essa situação.
Quanto à aquisição individual de e-books vale destacar que, geralmente, os
fornecedores oferecem um pacote com diversos títulos agrupados por assunto e dificilmente
vendem um único título (GRIGSON, 2011). O preço do livro individual pode ser de 20 a
100% mais caro (SERRA, 2012). O agravante deste modelo de negócios para a biblioteca é
que podem ser comprados títulos que não serão utilizados ou que não são de interesse dos
usuários, mas que estarão no pacote. Algumas empresas estão desenvolvendo projetos pilotos
para negociação com bibliotecas e novos modelos de negócios, pois acreditam que a
incorporação de livros digitais em bibliotecas aumenta visibilidade da editora e,
consequentemente, a comercialização (CRUTCHER, 2013).
Por outro lado, o empréstimo do livro digital pode ser realizado através da plataforma
do fornecedor/editora ou através de empréstimo de aparelhos leitores da biblioteca contendo a
seleção de livros do usuário. No empréstimo de aparelhos leitores, a biblioteca fornece o
tablet ou e-reader ao usuário que pode utilizá-lo no ambiente da biblioteca ou fazer
empréstimo domiciliar por um período pré-determinado com os títulos de seu interesse.
Novas formas de empréstimo estão sendo discutidas. O 3° Congresso Internacional do
Livro Digital, realizado em 2012, pela Câmara Brasileira do Livro, mostrou que existem
muitas dúvidas no que diz respeito a melhor forma de empréstimo aos usuários e novas
possibilidades continuam surgindo. Um dos levantamentos diz respeito a possibilidade de
pagamento por acesso pela biblioteca, neste caso, a biblioteca pagaria um valor determinado
conforme o uso do livro e, caso não fosse utilizado não haveria pagamento (PIZARRO,
2012).
Silva (2011, p. 15) aponta que com o empréstimo de livros digitais “[...] cumpre-se
assim o objetivo da biblioteca de difundir a informação - que já não está mais somente no
livro, além de servir de vitrine para outros produtos e serviços oferecidos.”. O autor destaca
que “As decisões do bibliotecário de adotar o empréstimo de e-books depende de um
entendimento das necessidades atuais dos usuários, não é uma questão de gosto pessoal.”
(SILVA, 2011, p. 96).

4372

�Apesar de o livro eletrônico ser tão caro e as soluções legislativas estarem caminhando
lentamente, os bibliotecários precisam estar atentos às mudanças no perfil dos usuários e estar
preparados para oferecer os serviços que eles procuram. Contudo, não sendo possível adquirir
e-books na biblioteca, uma solução intermediária para os bibliotecários pode ser o
fornecimento de acesso aos livros digitais, disponíveis em domínio público.

5 A Postura Governamental e a Legislação
Na sociedade da informação, a legislação deve acompanhar a evolução social do
conceito de livro. Notadamente, os empecilhos à universalização e à democratização do livro
eletrônico são as relações políticas, econômicas e tributárias que o envolvem. Procópio
entende que
O Governo tem uma missão extremamente importante e imprescindível com
relação ao livro no Brasil e deve urgentemente pensar em resolver essa
questão. A questão da leitura em nosso país está no cerne da educação. Sem
a leitura, sem os livros, não há educação. Talvez pudéssemos fazer uso deste
novo cenário da digitalidade de conteúdo, talvez isso pudesse ajudar no
processo de ensino-aprendizagem. (PROCÓPIO, 2010, p. 204).

Cabe aos governantes o engajamento e a dedicação na elaboração de políticas para a
democratização do uso de aparelhos leitores e e-books, através da imunidade tributária,
incentivando pequenos preços. Dessa forma, para o leitor será mais rentável comprar um e­
reader, por exemplo, e adquirir diversos e-books a um custo baixo, do que comprar livros
tradicionais ou retirá-los por empréstimo em bibliotecas.
Em virtude do avanço tecnológico, existe uma indagação à respeito da extensão da
norma imunizante tributária aos e-books e e-readers. A Constituição Federal de 1988
(BRASIL, 1988) prevê que haja imunidade para livros, conforme o texto a seguir:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão; [..]

Contudo, deve-se ponderar que em 1988, quando a atual Constituição Federal passou a
vigorar, não existiam pretensões do livro se apresentar em outro formato que não fosse o
papel. Por esse motivo, a referida Constituição não distingue os formatos de livro nem
esclarece sobre a imunidade tributária dos livros eletrônicos, restando dúvidas, controvérsias e
muita especulação a respeito de sua extensão a este tipo de suporte. A imunidade tributária
dos livros eletrônicos e dos aparelhos leitores são temas muito polêmicos nos dias atuais.

4373

�Sobre esse assunto, tramita no Supremo Tribunal Federal, um recurso extraordinário
interposto pelo Estado do Rio de Janeiro,
[...] em que se discute, à luz da alínea “d” do inciso VI do art. 150 da
Constituição Federal, se a imunidade tributária concedida a livros, jornais,
periódicos e ao papel destinado a sua impressão alcança, ou não, suportes
físicos ou imateriais utilizados na veiculação de livro eletrônico. (BRASIL.
Supremo Tribunal Federal, 2001, RE 330817).

Esse processo é uma contestação do Estado do Rio de Janeiro contra a decisão da 11a
Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que reconheceu a
imunidade relativa ao ICMS na comercialização de enciclopédia jurídica eletrônica em um
mandado de segurança impetrado por uma editora. De acordo com o entendimento do TJ-RJ,
[...] livros, jornais e periódicos são todos os impressos ou gravados, por
quaisquer processos tecnológicos, que transmitem aquelas ideias,
informações, comentários, narrações reais ou fictícias sobre todos os
interesses humanos, por meio de caracteres alfabéticos ou por imagens e,
ainda, por signos. (BRASIL. Supremo Tribunal Federal, 2012).

No recurso ao STF, o Estado do Rio defende que o livro eletrônico é um meio de
difusão de obras culturais diferente do livro impresso e por esse motivo não deve ter
imunidade tributária, da mesma forma que outros meios de comunicação que não são
amparados pelo dispositivo constitucional (BRASIL. Supremo Tribunal Federal, 2012).
Apesar da existência de divergências nas interpretações da norma jurídica, essa deve
acompanhar a evolução tecnológica do livro, para garantir os direitos fundamentais do
cidadão. Menezes (2012, documento eletrônico não paginado) pontua que
A imunidade aos livros é verdadeiro instrumento de garantia de direitos
fundamentais, visando à proteção da liberdade de expressão e a difusão da
cultura. Assim, considerando a finalidade de difusão da informação, seria
lógica a extensão da imunidade tributária aos livros eletrônicos e quaisquer
outros meios modernos de levar informação às pessoas. Há quem argumente
que apenas a elite tem acesso a livros eletrônicos e similares, o que
desestimularia a extensão da imunidade, mas essa seria mais uma razão para
torná-los mais populares com a diminuição do seu custo para a população de
menor renda através da imunidade tributária, já que se sabe que a carga
tributária no nosso país é muito pesada, podendo dobrar o preço de certos
produtos. Manter os tributos sobre tais produtos somente os tornará ainda
mais inacessíveis para a população com menor padrão de vida. A alta carga
tributária não deixa de ser uma forma de restringir a informação por não
permitir que alcance as camadas mais humildes da população, o que é
combatido na nossa Carta Magna: “Art. 220. A manifestação do pensamento,
a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou
veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta
Constituição.”

4374

�O livro eletrônico causou uma revolução no que diz respeito a sua tributação e carece
de mais atenção dos legisladores. As autoridades precisam reconhecer que o livro eletrônico é
livro e, que o aparelho leitor é parte fundamental para sua leitura, da mesma forma que o
papel é para o livro tradicional. Sendo assim, é necessário revisar o texto constitucional e, até
mesmo ampliá-lo através de Emenda Constitucional, estendendo a imunidade tributária aos e­
books e aos aparelhos leitores, a fim de evitar dúvidas sobre esse assunto. Lima (2003, p. 34)
sustenta que
1. O livro eletrônico pode e deve, perfeitamente, ser compreendido no
conceito de livro, contido no artigo 150, VI, d, da Constituição Federal de
1988, utilizando-se a interpretação evolutiva, axiológica e sistemática do
dispositivo imunitório, sem desbordar dos demais perceptivos que compõem
todo o arcabouço constitucional brasileiro.
2. Os insumos que compõem o livro eletrônico devem ser abarcados pela
norma imunizante do art. 150, VI, d, da Lei Maior, que traz expressamente a
desoneração do insumo papel no centenário livro de papel.
3. A norma desonerativa do artigo 150, VI, d, deve alcançar o livro
eletrônico, por tratar-se de um instrumento de garantia de vários dispositivos
constitucionais como a livre manifestação do pensamento (art. 5°, IV) a livre
manifestação da atividade científica e artística (art. 5°, IX) o livre acesso à
informação (art. 5°, XIV) a educação como dever do Estado (art. 205) o
incentivo ao desenvolvimento científico e pesquisa (art. 218), dentre outros.
A esse respeito, o ponto de vista de Velloso (2012, documento eletrônico não
paginado) é o seguinte:
Parece-nos evidente que os livros são imunes, independentemente do seu
formato, sobretudo porque o texto constitucional não faz diferenciação
alguma e o Supremo Tribunal Federal sempre interpretou a imunidade do
art. 150, VI, d, da CF à luz da sua finalidade, chegando a estendê-la aos
álbuns de figurinhas e às listas telefônicas.
Na concepção de Silva os aparelhos leitores devem receber imunidade tributária da
mesma forma que os livros eletrônicos, conforme destaca:
Os leitores de livros eletrônicos ou digitais encontram-se imunizados pela
norma do artigo 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal, pelos
mesmos fundamentos que o livro eletrônico e os insumos necessários à
produção do livro de papel encontraram abrigo na imunidade, esses últimos
em recente decisão do STF. A razão de ser da norma constitucional consiste
em não tributar tudo àquilo que sirva de suporte ao desenvolvimento do livro
- estando o aparelho destinado exclusivamente à leitura de livros eletrônicos
ao alcance da imunidade tributária. (2012, p. 5553).
Em 2010, o juiz federal José Henrique Prescendo, da 22° Vara Federal de São Paulo,
garantiu a imunidade tributária ao Kindle. Conforme a decisão:

4375

�Diante do exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO,
a fim de reconhecer imunidade tributária do produto denominado “Kindle”,
nos termos do art. 150, inciso VI, alínea “d”, da Constituição Federal,
ficando o impetrante dispensado do recolhimento de impostos por ocasião do
desembaraço desse bem. (SÃO PAULO, 2010, documento eletrônico não
paginado).

Assim, abriu-se precedente aos aparelhos similares. O aparelho leitor não pode ser
equiparado ao livro eletrônico, mas é seu insumo principal e por esse motivo também deve
receber imunidade tributária. A imunidade tributária é um fator fundamental para o
barateamento dos aparelhos de leitura, aplicativos e do e-book em si, pois assim o consumidor
tem assegurado seus direitos fundamentais de acesso à cultura, educação e informação,
independentemente da posição social e econômica em que se encontra. Consequentemente, o
reconhecimento da imunidade tributária contribui para o aumento da inclusão digital, para a
disseminação e popularização deste formato de livro.
O suporte informational do livro eletrônico não deve ser motivo para a alta tributação.
Livro eletrônico é livro e, sendo assim, deve ter imunidade tributária. Cabral (2009, p. 32)
pontua que “A imunidade do livro é um instrumento constitucional para assegurar a livre
circulação do pensamento.”. Para o autor,
Se alguém resolvesse editar livros em lâminas de argila, esta operação
estaria imune como acontece com o livro eletrônico. A modernização dos
meios e bases de expressão da arte, no caso, do livro, goza,
constitucionalmente, de imunidade tributária. (CABRAL, 2009, p. 32).

Sergio Herz, presidente executivo da Livraria Cultura, entende que “Não é o livro que
é caro. O Brasil é caro. O sistema tributário no país é muito injusto. Se importar cem Kobos,
preciso pagar o imposto de todos antes mesmo de vender o primeiro [...]”. (ZERO HORA,
2013, documento eletrônico não paginado). Atualmente o imposto sobre produtos
industrializados (IPI) é de 15%, somado a outros impostos, a tributação encarece
demasiadamente o livro eletrônico.
O mercado livreiro também está apostado em um fator que deve jogar os números de
vendas de livros digitais para cima nos próximos meses: a previsão de aprovação das
modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das
propostas é incluir ‘equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos
em formato digital’ na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos. Se essa modificação
for aprovada, o preço dos leitores digitais (E-readers) deve cair vertiginosamente, porque os
impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do

4376

�valor total, de acordo com o relatório da empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart
(RW).
Outra possibilidade é a implementação de um Projeto de Lei, no âmbito da Câmara
dos Deputados, que trate do livro digital e, consequentemente, inclua aparelhos para sua
leitura. Neste sentido, foi realizado um seminário, em início de maio de 2014, no intuito de
levantar aspectos a serem contemplados no referido projeto. Sobre este evento a Folha de São
Paulo publicou que o projeto de lei que pretendia dar igual tratamento para livros de papel e
aparelhos digitais de leitura (os e-books) vai mudar o foco e tratar apenas obre o conteúdo das
obras. A proposta original reduziria a tributação sobre esses equipamentos, reduzindo os
preços para os consumidores. A notícia não agradou Amazon e Kobo/Livraria Cultura, que
esperavam expandir suas bases de clientes com o fim do imposto de 60% sobre seus aparelhos
de leitura. Por outro lado, está pavimentado o caminho para a aprovação da lei que elimina
impostos sobre ebooks - o foco exclusivo no conteúdo removeu o principal obstáculo para a
sanção da nova lei pelo governo federal (BORBA, 2014).
O que fica claro é que a visão do governo, expressa nessa reunião na Câmara dos
Deputados é que o livro digital é uma realidade e a preocupação é com democratizar o acesso.
Não há discordância sobre a questão de dar incentivos tributários ao conteúdo digital. O
debate, segundo a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), que conduziu a discussão na Câmara,
“[...] está no ponto de vista tributário de desoneração do aparelho”. Para ela a solução seria
adotar um caminho alternativo, utilizando o projeto de lei para equiparar o que é considerado
livro, a partir do tipo de conteúdo (seja em papel ou digital) e deixar a tributação do aparelho
para a conhecida como ‘Lei do Bem’.
Observa-se que para alavancar o mercado brasileiro de e-books as autoridades
precisam se adaptar frente à mudança tecnológica e entender que são necessárias medidas
urgentes de alteração na legislação nacional a fim de popularizar o produto. O fruto dessas
mudanças será melhores condições de acesso ao conhecimento por todos brasileiros, já que o
barateamento dos livros eletrônicos causa motivação nos leitores/consumidores e viabiliza o
fomento às práticas de leitura, independentemente do formato do livro. Dessa forma, a
legislação acompanhará os avanços dessa área, que por consequência, contribuirá para a
formação de cidadãos mais perceptivos e críticos.
Por um lado, as bibliotecas têm o desafio de avaliar a incorporação do livro digital em
seus acervos, visto que, não incorporá-lo significa oposição ao avanço tecnológico e para
atrair mais leitores é necessário se aliar a tecnologia e não afastar-se. Neste viés, a biblioteca
deve observar as necessidades informacionais do usuário, os recursos financeiros disponíveis

4377

�para aquisição de e-books, as formas de preservação desses materiais, a interoperabilidade dos
registros e arquivos e a capacitação da equipe. Assim, a inclusão de livros digitais no acervo
da biblioteca não pode ser uma decisão tomada impulsivamente, pelo contrário, deve ser
analisada minuciosamente para evitar a oferta e depois sua exclusão, pois, dessa forma, a
biblioteca pode perder credibilidade perante os usuários.
Por outro lado, deve-se estar atento ao crescimento na venda dos livros digitais no
mercado nacional, que supera países como os Estados Unidos, segundo projeções da empresa
de consultoria alemã RW. O ingresso da Amazon, Apple, Google Play e Kobo no mercado
brasileiro de e-books marca um grande avanço para a propagação de e-books, contribui para
aceitação deste novo formato de livro pelos leitores e acirra a competição entre as editoras e
livrarias no País. Para os leitores a concorrência entre livrarias em lojas físicas ou virtuais traz
muitos benefícios e pode contribuir para o barateamento dos livros eletrônicos e dos e­
readers.
Ainda é pequena a diferença entre os valores do livro impresso e do livro digital no
Brasil. E, certamente, a baixa dos preços incentivará o aumento nas vendas de e-books e,
consequentemente, sua popularização. Os preços baixos motivariam até mesmo os mais
entusiastas do livro impresso a trocar para o formato digital. As altas taxas cobradas no Brasil
sobre o livro digital e o aparelho leitor, assim como a cobrança do preço de capa estabelecida
pelas editoras também contribuem significativamente para a continuidade dos altos preços.
Ressalta-se que os preços altos cobrados no País estão vinculados ao mercado livreiro,
que define os custos dos livros e que, talvez por medo de perder cada vez mais mercado no
livro impresso, não viabilizam custos mais baixos e efetivamente competitivos para o
mercado de livros digitais. Por outro lado, a tributação incidente sobre o aparelho leitor
encarece bem mais o produto, diminuindo a possibilidade de expansão desse nicho. Soma-se a
isto, o fato de que as autoridades governamentais, por um lado responsáveis pelo
estabelecimento de leis e regras contra a pirataria, viabilizando a segurança digital das obras
criadas, só agora estão começando a pensar em definir políticas que levem ao decréscimo do
custo do livro digital e seus equipamentos de leitura. Importante lembrar também que, além
disto, é necessário adequar a legislação já existente às novas exigências de público e mercado.
Acredita-se que há um longo caminho a percorrer e muitos ajustes precisarão ser feitos
envolvendo editores, bibliotecas e governo, mas entende-se que urge incentivar esta discussão
que se inicia para que a inclusão digital se faça de forma cada vez mais contundente,
promovendo com mais intensidade a cultura e o acesso à informação.

4378

�6 Referências
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BBC

Brasil,

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&lt;http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130122_bibliotecas_3_ebooks_pai.shtml
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BORBA, J. Projeto que poderia reduzir a tributação de e-books tratará apenas de
conteúdo. Folha

de

São Paulo,

São Paulo,

06

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2014.

Disponível

em:

&lt;http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/05/1450357-projeto-que-poderia-reduzirtributacao-de-e-books-tratara-apenas-de-conteudo.shtml&gt;. Acesso em: 21 maio 2014.
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4381

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                <text>Na sociedade da informação, a legislação deve acompanhar a evolução social do conceito de livro. Este texto tem como objetivo comentar a questão do livro digital, seu mercado editorial, sua assimilação entre os usuários, o acesso disponibilizado pelas bibliotecas, bem como as ações governamentais relacionadas a seu custo. Expõe, através de pesquisa bibliográfica e análise documental, os aspectos anteriormente relacionados, tendo em vista que o mercado editorial brasileiro, desde 2009, está inserido na comercialização de e-books e a partir de 2012 apresenta lojas físicas comercializando e-readers. Comenta sobre o controle que o mercado editorial exerce sobre os livros eletrônicos e seu alto preço, muito similar ao livro impresso, que leva a questionamentos em relação a sua disseminação de maneira democrática. Explana sobre aimportância das bibliotecas oferecerem acesso aos livros digitais para  eus usuários e os entraves hoje existentes. Discorre sobre a necessidade das autoridades reconhecerem que o livro eletrônico é livro e que o aparelho leitor é parte fundamental para sua leitura, buscando legislar de forma a baixar ou mesmo garantir a imunidade tributária de ambos. Mapeia ações jurídicas e governamentais que estão acontecendo, neste sentido. Conclui mostrando a importância de políticas governamentais que garantam os direitos fundamentais do cidadão de acesso à cultura, educação e informação, independentemente de sua posição social e econômica. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CORDEL DA PRESERVAÇÃO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A CAMPANHA DE
PRESERVAÇÃO DE ACERVO NAS BIBLIOTECAS DA PUC-RIO

Marta Bela Reis
Ana Maria Ribeiro

RESUMO
Este trabalho apresenta uma breve reflexão sobre a preservação de acervos em bibliotecas e
descreve as etapas da construção da campanha de preservação nas bibliotecas da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Delineia uma campanha objetiva, alegre
e vibrante, contextualizada na Literatura de Cordel, que visa sensibilizar a comunidade
acadêmica sobre os benefícios de se preservar as coleções de uma Biblioteca. Ressalta a
importância de se manter uma metodologia de avaliação contínua por ser a preservação uma
necessidade permanente.
Palavras-Chave: Bibliotecas universitárias; Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro. Divisão de Bibliotecas e Documentação; Preservação de livros; Campanha de
Preservação; Literatura de Cordel.
ABSTRACT
This paper presents a brief reflection on the preservation of collections in libraries and
describes the stages of construction of the preservation campaign in the libraries of the
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). It outlines an objective, lively
and vibrant campaign, contextualized in Cordel Literature which aims to sensitize the
academic community about the benefits of preserving the collections of a library. It highlights
the importance of maintaining a continuous evaluation methodology since preservation is a
permanent need.
Keywords: University libraries; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Divisão
de Bibliotecas e Documentação; Preservation of collections; Preservation Campaign; Cordel
Literature.

1 INTRODUÇÃO
Os suportes de informação foram evoluindo e se adaptando as mais diversas
necessidades informacionais, todavia, no cenário das bibliotecas, comprova-se que o livro
continua a ser o ator principal. Segundo Spinelli (1997, p.17) “[...] este suporte original

2453

�chamado papel pontifica a protagonização de sua própria história, como invenção magistral e
objeto de incessantes investigações. Devemos conservá-lo.”
O Sistema de Bibliotecas da PUC-Rio, é composto, no seu acervo físico, de 188.607
títulos de livros e 4.026 títulos de periódicos, possuindo assim um valioso acervo
bibliográfico, que apoia os programas de ensino, pesquisa e extensão. O material bibliográfico
tem um uso intenso que, naturalmente, contribui para o seu desgaste.
As estatísticas de pesquisas, consultas e empréstimos informam quanto a sua efetiva
utilização, porém, a dualidade entre o estímulo ao uso e o estado de preservação dessas
coleções, contribui, sobremaneira, para identificar um dos principais motivos pela
deterioração dos acervos: a ação do homem.
Estar ciente desse fato torna premente a inserção de ações que visem à educação de
usuários como ponto essencial a preservação de acervos nas bibliotecas.
Uma campanha de educação de usuários complementa e auxilia de forma significativa
nesse controle preventivo, pois, tem como objetivo sensibilizar os usuários para criar uma
relação mais cuidadosa com o livro, o que vai além do empréstimo e da devolução.
O objetivo deste trabalho é apresentar a Campanha “Cordel da Preservação nas
Bibliotecas da PUC-Rio”, cuja finalidade é conscientizar os usuários e leitores de alguns
cuidados, para prolongar a vida útil dos acervos.
A Campanha foi contextualizada na Literatura de Cordel, uma maneira alegre e
animada de transmitir aos usuários, em sua maioria, jovens estudantes, dicas e orientações
voltadas à preservação.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Nas bibliotecas universitárias, toda ação que possibilite ao acervo ter um tempo de
vida útil prolongado, deve ser colocada em prática com a urgência que o assunto demanda.
Trabalhar continuamente para desenvolver a noção do valor que o patrimônio de uma
biblioteca representa para a comunidade acadêmica é tarefa nem sempre fácil, pois, os
resultados frequentemente são em longo prazo. Sobre isso, Lima (1998) afirma que:

Campanhas educacionais de conscientização podem revelar-se como
adequado controle preventivo, o qual poderá surtir resultados ao longo do
tempo. Com uma proposta de ação cultural, através de exposições e debates,
pode se evitar a inutilidade ou a inexistência de centenas de publicações.
(LIMA, 1998, p.9)

2454

�A intensa circulação do acervo aliado ao uso displicente alimenta um alto índice de
materiais danificados. De acordo com Reis, Carvalho e Motta (2004):
Abordar a preservação centrada na perspectiva educacional como uma
diretriz de ação advém do fato de se constatar que uma série de danos aos
acervos tem como nascedouro a adoção de posturas incorretas no trato com
os referidos bens, notadamente guarda e manuseio inadequados. (REIS;
CARVALHO; MOTTA, 2004, p.2)
A finalidade primordial de uma biblioteca é de informar e disponibilizar o saber. Cabe
ao profissional bibliotecário incentivar o uso adequado dos materiais, ajudando na
sensibilização dos usuários, de forma a conscientizá-los de que a preservação do acervo
permitirá que um número maior de pessoas possa utilizá-lo por mais tempo.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Toda campanha, principalmente de sensibilização, envolve o real e o subjetivo.
Contextualizar a campanha de preservação na literatura de cordel permitiu a criação de uma
campanha marcante, com uma linguagem clara, poética e educativa.
Criou-se uma identidade para a Campanha, uma xilogravura, que está presente em
todos os produtos da mesma. A Campanha consistiu de várias atividades e produtos de
marketing, que promoveram sua visibilidade e ajudaram a transmitir cuidados com o uso dos
livros. Dentre os produtos destaca-se o Folheto de Cordel, que está fundamentado nos
“Princípios da Preservação do Acervo” e transmite dicas e orientações de preservação aos
usuários. Do mesmo modo, foram elaborados, marcadores, blocos, camisetas, adesivos para
as mesas de estudo, adesivos de recados ao usuário, ecobags e uma exposição de livros
danificados. Todos os produtos possuem mensagens contextualizadas no Cordel. Dentre esses
produtos destacam-se para exemplo: o Bloco de anotações e o Recado ao usuário. O Bloco de
anotações, feito em papel reciclado, tem como objetivo alertar os usuários a não fazerem
anotações ou marcações nos livros, possui na capa a seguinte mensagem: Esse bloco é para
você / Que aderiu ao Cordel/ E dessa informação importante / Será multiplicador fiel: / Para
o Cordel da Preservação / Mesmo que coce a mão / Nas margens de qualquer livro / Não
faça anotação / Assim como, no texto escrito / Relembrando o que foi dito / Nada de
marcação!!
O Recado ao usuário é colocado quando o livro é danificado, para que o próximo usuário
seja sensibilizado com a mensagem: Quando este livro foi emprestado / Estava em perfeita

2455

�conservação / Entretanto quem o usou / Não manteve essa condição / Então faça a sua parte /
Epare para refletir / Alguém danificou esta obra / não vá esses passos seguir/.
Com a finalidade de manter a campanha sempre presente, mensalmente, são expostos
os livros recentemente danificados, para que os usuários tomem ciência da ambiência de
preservação inserida nas atividades da biblioteca, bem como, também são expostos os
produtos da campanha para reavivar a chama do “Cordel da preservação”. A cada quinzena,
durante cinco dias, os funcionários do atendimento usam as camisas confeccionadas para a
Campanha. Todos os produtos são distribuídos, através de sorteios, nas visitas guiadas,
palestras ou treinamentos realizados pela Biblioteca, todavia aqueles que desejarem também
podem adquirí-los e, desta forma, contribuir para difundir o “Cordel da Preservação” além do
espaço das bibliotecas da PUC-Rio.
Com o objetivo de registrar, bem como, contribuir com ideias sobre campanhas de
preservação em bibliotecas universitárias, foi criado no site da Biblioteca um link permanente
intitulado “Preservação”, que permite a visualização e explicação de todos os produtos e
atividades desenvolvidas ao longo da campanha.
Os livros novos, adquiridos a partir de janeiro de 2013 para a Coleção Didática, que se
constitui das bibliografias básicas e complementares dos cursos de graduação, foram
escolhidos para serem monitorados durante a campanha. Estes recebem uma identificação
externa, que se caracteriza por uma etiqueta redonda, na cor prata, colocada no alto da
lombada das obras, permitindo assim, que a equipe de atendimento identifique-os e, no ato do
empréstimo e devolução, sejam observados e folheados.
A análise dessas obras, definidas para avaliação, quanto à sua preservação dar-se-á
sempre que os exemplares circularem ou forem transferidos, com os registros necessários em
planilhas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O Cordel da preservação nas bibliotecas da PUC-Rio, teve seu inicio no ano de 2013 e
se tornou parte integrante da rotina da Biblioteca. O comprometimento dos funcionários do
atendimento e o controle sobre o estado da coleção, separada para avaliação, tem sido de
grande significado para que essa ação obtenha resultado. O preenchimento das planilhas nos
permitiu saber o número de obras danificadas, ao longo do ano, porém somente haverá uma
análise comparativa, dos efeitos da campanha, nos anos subsequentes. Alguns usuários ao
devolverem danificada, a obra que foi emprestada intacta, foram contatados e assumiram que

2456

�foram os causadores dos danos, o que levou à biblioteca ao ressarcimento de um novo
exemplar.
Conscientizar os usuários, assim como, avaliar o estado de conservação dos
exemplares, devem ser ações constantes. Dos 1.432 livros acervados, na Coleção didática,
105 exemplares foram danificados de diversas formas, o que correspondeu a um percentual de
7,3%. A principal causa de dano ao conteúdo do livro foi com os marcadores de texto.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
As conclusões deste trabalho basearam-se nas observações efetuadas em relação às
dificuldades encontradas na preservação de acervos de bibliotecas, principalmente as
universitárias. A criação de uma campanha de preservação geralmente mostra aos usuários
destas bibliotecas, que o acervo pode e deve ser usado, contudo enfatiza a importância da
utilização correta desse material, destacando que com alguns pequenos cuidados, pode-se
prolongar a vida útil das coleções.
Se o valor de uma biblioteca, também se fundamenta na qualidade do seu acervo, é
inevitável refletir sobre como este acervo está sendo utilizado e preservado. Até que ponto os
usuários estão cientes de que podem contribuir sobremaneira para manter essa qualidade e
que, serão eles, os mais beneficiados ao contribuírem para retardar o aparecimento de danos
nesses materiais?
Apresentar uma campanha para sensibilização de usuários, em sua maioria jovens
estudantes, requer uma linguagem clara e objetiva, porém alegre, vibrante e autêntica. E este
foi o propósito do Cordel da Preservação, campanha criada pelo Sistema de Bibliotecas da
PUC-Rio que, ao unir os três elementos básicos envolvidos nesse processo: usuários + acervo
+ sensibilização, mostra que se deve, sempre que possível, instituir uma nova conduta em
relação à utilização das coleções de uma biblioteca.
Os profissionais que atuam em uma biblioteca universitária, sobretudo aqueles que
prestam um serviço de orientação direta ao usuário, estão cientes que uma campanha de
preservação, à medida que se inicia, deve ser constantemente lembrada, por isso destacaramse neste trabalho as dinâmicas propostas e utilizadas para esse fim.
Que seja eterno enquanto dure!!!

6 REFERÊNCIAS
CASSARES, N. C.; TANAKA, A. P. H. Preservação de acervos bibliográficos:
homenagem a Guita Mindlin. São Paulo: Imprensa Oficial, 2008.

2457

�CORDEL

da

Preservação.

Disponível

em:

&lt;http://www.dbd.puc-

rio.br/preservacao/proietocordel/pag preservacao/pag preservacao.htm &gt;. Acesso em: 15
mar. 2014.
LIMA, J. A. Depredação: uma cultura contra as bibliotecas brasileiras. Informação &amp;
Sociedade:

Estudos,

v.

8,

n.

1,

1998.

Disponível

em:

&lt;

http://www.ies.ufpb.br/ois/index.php/ies/article/view/433&gt;. Acesso em: 30 mar. 2014.
LUCCAS, L. SERIPIERRI, D. Conservar para não restaurar: uma proposta para
preservação de documentos em bibliotecas. Brasília: Thesaurus, c1995.
MOTTA, R. T.; GOMES, S. de C. Técnicas alternativas de conservação: recuperação de
livros, revistas folhetos e mapas. 2.ed. rev. Belo Horizonte: UFMG, 1997. (Apresentação à 2a
edição).
NASCIMENTO, M. de F. R. do; FIGUEIREDO R. A. Educação de usuário para
conservação de acervo bibliográfico em biblioteca universitária: relato de experiência. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado.
Anais... Gramado: UFRGS, 2012.
REIS, A. S. dos; CARVALHO, M. da C.; MOTTA, R. T. Educação e Preservação em
Debate: Alternativa para a Mudança nas Práticas Culturais. In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 2., 2004, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte:
UFMG, 2004.
SILVA FILHO, J. T. da; ALMEIDA, M.S. F. de; GONÇALVES, P. R. Manual de
conservação de acervos bibliográficos. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Sistema de Bibliotecas e Informação-SiBI, 1994.
SPINELLI JUNIOR, J. A Conservação de acervos bibliográficos &amp; documentais. Rio de
Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1997.

2458

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este trabalho apresenta uma breve reflexão sobre a preservação de acervos em bibliotecas e descreve as etapas da construção da campanha de preservação nas bibliotecas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Delineia uma campanha objetiva, alegre e vibrante, contextualizada na Literatura de Cordel, que visa sensibilizar a comunidade acadêmica sobre os benefícios de se preservar as coleções de uma Biblioteca. Ressalta a importância de se manter uma metodologia de avaliação contínua por ser a preservação uma necessidade permanente. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional d Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

COMPETÊNCIA INFORMACIONAL EM SAÚDE: UM ESTUDO COM
GRADUANDOS DO OITAVO PERÍODO EM ODONTOLOGIA DA UFRN

Mônica Karina Santos Reis
Cecília Isabel dos Santos
Hadassa Daniele Silva Bulhões
Cláudia Christianne Barros de Melo Medeiros
Anderson Nicoly Fernandes da Costa

RESUMO
Compreender o comportamento informacional da comunidade na qual se está inserido é foco
do bibliotecário. Objetivando-se delinear o comportamento informacional dos alunos do curso
de graduação em Odontologia da UFRN, no que diz respeito a pesquisa, avaliação, tratamento
e comunicação e difusão da informação sob a perspectiva da motivação, autoeficácia e fonte
de aprendizagem utilizada. Para tanto utilizou-se metodologia quantitativa e como
instrumento a aplicação de um questionário a 35 alunos do oitavo período, posteriormente os
dados foram analisados pelo software estatístico SPSS 20.0. Os resultados evidenciam que os
alunos estão mais motivados a buscar as informações em fontes convencionais, apresentaram
bons conhecimentos no uso das ferramentas tecnológicas e internet, porém demonstram
dificuldades em relação a avaliação das fontes de informação, uso das ferramentas de
tratamento da informação e as formas de comunicação e difusão da informação científica
produzida durante seu período de formação. O fator motivação se mostrou relevante uma vez
que pode ser considerado como operador de potencialidade para a autoeficácia Pode-se
concluir que a formação de competências éticas e informacionais exige dedicação e
persistência por parte dos educadores e bibliotecários, mas acreditamos que a tarefa será
facilitada pela motivação dos alunos e pelo empenho das universidades. Os jovens, uma vez
motivados, modificarão, com consciência crítica, sua atitude perante a pesquisa, o tratamento
e o uso da informação.
Palavras-Chave: Comportamento Informacional; Comportamento de busca; Fonte de
aprendizagem ; Avaliação.
ABSTRACT
Understanding the information behavior of the community in which it is inserted is the focus
of the librarian. Aiming to outline the information behavior of students of undergraduate
dental UFRN, regarding the research, evaluation, treatment and communication and
dissemination of information from the perspective of motivation, self-efficacy and learning
source. For this we used quantitative methodology as a tool and applying a questionnaire to
35 students in the eighth period, subsequently the data were analyzed by SPSS 20.0 statistical
software. The results show that students are more motivated to seek information of

2379

�conventional sources, showed good knowledge in the use of technology and Internet tools, but
have difficulties in relation to assessment of the sources of information , use of information
processing tools and forms communication and dissemination of scientific information
produced during his training period. The motivation factor was also relevant since it can be
considered as operator capability to self-efficacy can be concluded that the formation of
ethical and informational skills requires dedication and persistence on the part of educators
and librarians , but we believe that the task will be facilitated by student motivation and
commitment of universities . The young, once motivated , modify , with critical awareness ,
attitude towards research , treatment and use of information .
Keywords: Information Literacy; Skills Informational; Graduates of Dentistry; Evaluation.

1 INTRODUÇÃO
É possível identificar, em diversos momentos históricos, a evolução da humanidade
sob a ótica da produção do conhecimento científico. As transformações sociais são marcadas
pela mudança no papel que a informação desempenha sob os focos econômicos, social e
cultural. A sociedade da qual fazemos parte vem sendo denominada nas últimas décadas de
sociedade da informação ou do conhecimento, caracterizada pela avalanche de dados e
informações disseminadas em uma ferramenta propagada pelo título de internet e exigindo de
nos indivíduos o acesso a certos códigos, procedimentos, assim como a aquisição de
competências e habilidades para lidar com este recurso.
No caso da Sociedade da informação tais procedimentos, versam em torno de um
conjunto de habilidades necessárias ao manuseio do complexo universo informacional
denominado competência informacional. Cada vez mais é preciso que os sujeitos saibam
aprender a selecionar o que conhecer, compreender fatos e fenômenos, estabelecer relações,
formular hipóteses, analisar, refletir e agir sobre essa nova organização mundial
Saber buscar, localizar, avaliar e usar a informação com eficiência e eficácia tornou-se
condição sine qua non para produção de conhecimento em uma sociedade que assim se
denomina e que têm em sua base conceitos tais como cybercultura, virtual, digital, internet,
intranet, web 2.0, interdisciplinaridade, transdisciplinaridade, dentre outros.
Entretanto na prática o que se pode constatar é que o indivíduo se depara com um
mundo de informações lançadas na rede, acessada incessante e mundialmente, e após uma
breve análise fica claro que são necessárias competências e habilidades para extrair desse
montante as informações, aquelas julgadas relevantes para a construção do conhecimento
novo.
A competência em informação engloba ações desde a criação até o uso da informação
e traz em suas definições palavras de ordem do tipo: tomada de decisões, resolução de

2380

�problemas, aprendizado ao longo da vida. Visa preencher as necessidades ocasionadas pelo
excesso de informação da atual sociedade, a qual requer que as pessoas aprendam a lidar com
o universo informacional e seus processos de maneira eficiente e eficaz, tal exigência
sustenta-se no aprender a aprender e no aprendizado ao longo da vida.
No contexto da educação superior são crescentes as preocupações com a formação dos
nossos futuros profissionais e com as competências que estes devem desenvolver para
fazerem frente ao mercado de trabalho e viver como cidadãos críticos numa sociedade em
constante mudança.
Nessa perspectiva justifica-se a importância da competência informacional no âmbito
universitário como importante ferramenta na realização das pesquisas, na construção do
conhecimento científico e de forma geral no processo de aprendizagem, uma vez que não
basta ter acesso e saber fazer uso das tecnologias de informação e comunicação hoje
disponíveis.
Face ao exposto este artigo se propõe de forma geral verificar a competência
informacional dos graduandos do oitavo período do curso de graduação em Odontologia da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e para tanto buscou-se averiguar se os
mesmos conseguem identificar e utilizar as fontes e recursos informacionais existentes em
formatos físicos e virtuais, se possuem competência suficiente para avaliar a confiabilidade
das fontes utilizadas, se compreendem os aspectos éticos e legislativos que envolvem todo o
processo de busca e utilização de informação.
Almejando a obtenção de fundamentação teórica no que diz respeito ao tema e a
metodologia de pesquisa utilizou-se a pesquisa bibliográfica em fontes convencionais e
eletrônicas para construção do referencial teórico aliado a utilização de um questionário
elaborado com base no IL-HUMASS e adaptado as necessidades do presente estudo como
instrumento para obtenção dos dados a serem analisados.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A revisão de literatura sobre a avaliação da competência informacional em graduandos
traz alguns exemplos de pesquisas desenvolvidas em âmbito nacional e internacional, em que
os estudos sobre esta temática já estão mais avançados e consolidados. Algumas pesquisas
avaliam a competência informacional propriamente dita, outras o comportamento
informacional dos estudantes de determinados cursos de graduação durante o processo de
busca da informação como objetivo de intervir posteriormente com iniciativas que desenvolva
e aprimorem a competência informacional dos indivíduos.

2381

�A competência informacional está para sociedade atual, assim como o conhecimento
acerca da agricultura estava para sociedade agrícola, o conhecimento e as competências para o
manuseio das máquinas industriais estavam para a sociedade industrial, pois hoje, possuir as
habilidades para lidar com o complexo universo informacional exige dos indivíduos
autonomia e aprendizado contínuo. Assim,
La producción excesiva de información y el transporte de la misma mediante
los sistemas de información a través del mundo a velocidades sin
precedentes, exige una mayor capacidad de adaptación al medio, reflejada en
la autonomía requerida para llevar a cabo los procesos que hacen parte de la
cotidianidad. Exige autonomía en el trabajo, autonomía para pensar y, en el
marco de la educación, autonomía para aprender (CISNEROS
VELAZQUEZ, 2009).
A avaliação das competências relacionadas a dos indivíduos se tornou alvo de estudos
e pesquisas devido a necessidade de se desenvolver formas concretas e mensuráveis de lidar
com um bem intangível que domina a sociedade atual. De acordo com Lecardelli e Prado
(2006), “[...] o uso e domínio da informação em qualquer formato que se apresenta tornou-se
fundamental na sociedade da informação e do conhecimento”.
O termo Information Literacy surgiu pela primeira vez nos Estados Unidos na década
de 70 extremamente ligado ao ambiente biblioteconômico e mais precisamente no Brasil ao
estudo de usuários. Desde seu surgimento a conceituação da IL foi expressa de forma
indefinida, apresentando a ocorrência de neologismos quanto a sua nomenclatura, e buscando
sempre antes uma fixação de uso da expressão do que uma conceituação propriamente dita.
Depois de um numero considerável de publicações que apenas tratavam de estabelecer
uma nomenclatura e definição e revisões sistemáticas sobre o tema, nasce uma nova vertente
o número de pesquisas com enfoque na mensuração da competência informacional de
estudantes de nível superior. Tais pesquisas revelam uma preocupação na formação de
profissionais que sejam capazes de tomar uma decisão adequada em relação ao uso da
informação. Esse crescimento mostra também o interesse que há na padronização e
comparabilidade internacional dos instrumentos de avaliação da competência informacional
(OLINTO; HATSCHBACH, 2008).
Dentre as iniciativas internacionais que objetivavam verificar o nível de competência
informacional dos indivíduos podemos destacar a pesquisa de Christine Susan Bruce, em seu
estudo ela propôs uma teoria baseada em sete concepções da competência em informação: a
da tecnologia da informação, a das fontes de informação, a do processo de informação, a do

2382

�controle da informação, a da construção do conhecimento, a da extensão do conhecimento e
da inteligência. (BRUCE, 2003).
Numa biblioteca universitária do Canadá, realizou-se uma pesquisa sobre competência
informacional através da aplicação de questionários com os estudantes e realização de
entrevistas com bibliotecários e gestores de bibliotecas. As questões se concentravam nos
quesitos de estratégias de busca, registros de leitura de catálogos e banco de dados, a
compreensão geral de tipos de fontes e os critérios de avaliação da informação (JULIE;
BOON, 2004).
Reis (2006) realizou um estudo teórico onde relacionou a competência informacional e
o capital intelectual. Nele destacava-se a competência como mola propulsora da Sociedade da
Informação e potencializadora do capital intelectual. Como forma de sintetizar os padrões de
comportamento informacional exigido em documento da ALA, a autora idealizou um
fluxograma onde explicitou as principais competências exigidas para o individuo ser
considerado competente em informação.

Figura 1: Fluxograma da Competência Informacional

Fonte: (REIS, 2006)
Outra iniciativa muito importante foi a da IFLA que publicou o Guia em competência
informacional para a aprendizagem ao longo da vida (Guidelines on Information Literacy for

2383

�Lifelong Learning) onde fornece uma estrutura pragmática para os profissionais interessados
em constituir programas de competência informacional apresentando os conceitos, os
princípios e os procedimentos necessários para aplicá-los (LAÚ, 2006).
Outro exemplo de experiência que envolve avaliação de estudantes se deu no Sistema
de Bibliotecas da Universidade Autônoma da Cidade de Juarez, no México, através da
realização de uma disciplina oferecida por dois semestres, com caráter opcional, mas com
valor de créditos, onde a avaliação dos estudantes se deu através de exames parciais,
participação em sala de aula, portfólio, projeto final e exposição do projeto final (CORTÉZ
VERA, 2007).
Carranga (2008) realizou um estudo com alunos do último ano do curso de
Biblioteconomia de duas universidades estaduais, nomeadas pela autora como universidade A
e B utilizando com instrumento um questionário elaborado com base nos padrões da ACRL e
objetivando aferir a competência informacional dos estudantes. Os resultados mostraram que
no geral, as habilidades dos alunos respondem aos indicadores solicitados no padrão da
ACRL. E as principais dificuldades apresentadas são em torno das questões que envolvem
normalização e formulação de estratégias de buscas.
Mata (2009) realizou em sua dissertação uma pesquisa que buscou avaliar a
competência informacional de graduandos de biblioteconomia da região sudeste do Brasil em
2009 através de um questionário com características survey elaborado com base nos padrões
da ACRL com 22 perguntas. Em síntese, os resultados constataram que os participantes
atendem aos requisitos mínimos para serem considerados competentes em informação,
possuem hábitos de pesquisa da informação, procurando-a em variadas fontes e recursos
informacionais para explorar um tema de interesse, possuem critérios de avaliação para filtrar,
possibilitando a recuperação de informações relevantes, preocupam-se em verificam a
confiabilidade das fontes e utilizam-nas respeitando os direitos éticos e legais que envolvem o
uso da informação (MATA, 2009).
As pesquisas elencadas dão conta da importância da temática, assim como a
diversidade de instrumentos metodológicos aplicados até então para se averiguar a
competência informacional dos estudantes de nível superior.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O universo da pesquisa é constituído por 35 alunos do oitavo período do curso de
graduação em Odontologia da UFRN no semestre levito de 2012.1, e esta escolha se deu por
acreditar que os alunos pré-concluintes já tenham vivência acadêmica suficiente acerca da

2384

�relevância das habilidades sugeridas na competência informacional. Optou-se pela utilização
de um questionário como instrumento de coleta de dados, por identificar como vantagens o
fato deste manter o anonimato dos sujeitos da pesquisa e apresentar uma taxa elevada de
respostas.
O questionário utilizado na presente pesquisa foi criado com base no formato ILHUMASS sobre literácia da informação, concebido e desenhado para ser aplicado à
população de estudantes, professores e bibliotecários dos diversos níveis na área das ciências
sociais e humanidades nas universidades espanholas e portuguesas, acrescido das adaptações
necessárias de forma a atender as especificidades do estudo (LOPES; PINTO, 2010).

Tabela 1: Caracterização da amostra quanto ao sexo e idade. Natal, RN, 2014.
n
%
Sexo
17
Masculino
48,6
18
Feminino
51,4
Idade
33
21 a 25 anos
94,3
2
26 a 30 anos
5,7
O produto final foi um questionário composto por um total de 26 perguntas, onde as de
numero 1 a 8 tratam da pesquisa da informação, de 9 a 13 critérios de avaliação da
informação, de 14 a 19 questões sobre o tratamento da informação e por fim de 19 a 26 as
perguntas versam sobre a difusão da informação, acredita-se que este conjunto apresente as
questões chaves na construção de um perfil para o individuo competente em informação,
todas avaliadas em três dimensões a saber: motivação, auto-eficácia e fonte de aprendizagem,
A coleta de dados foi realizada em um único momento, em sala de aula, onde
inicialmente foi explicitado os objetivos do estudo e a escala de valores atribuídos aos
resultados, posteriormente os dados coletados foram tabulados e submetidos à análise
estatística programa SPSS 20.0

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A apresentação dos resultados tem início com a caracterização dos respondentes de
forma a identificar e formular um perfil geral dos alunos do oitavo período do curso de
graduação em odontologia da UFRN. Os sultados encontrados e demonstrados na tabela 1
apresentam uma turma equivalente em relação ao sexo e com faixa etária predominante entre
21 a 25 anos.

2385

�O questionário foi dividido em 04 fases distribuídas em proposições gerais sobre
pesquisa, avaliação, tratamento e comunicação e difusão da informação localizada e escopo
mais específicos que se traduzem em ações realizadas ao se efetivar cada uma das etapas,
analisadas acerca da motivação, da autoeficácia e por fim da fonte de aprendizagem.
No item que se refere à pesquisa de informação buscou-se averiguar sobre a utilização
de fontes formais e informais de informação, impressas e eletrônicas, conhecimento de
terminologia da sua área de formação, habilidades e estratégias necessárias para realizar
buscas na internet. No item seguinte referente a avaliação de informação apresentam-se
indagações acerca da tipologia de documentos científicos, identificação de autores e
instituições relevantes para área e avaliação crítica e atualidade da informação. A temática
tratamento da informação versa sobre habilidades de manuseio de softwares estatísticos,
gerenciadores de referência e capacidade de síntese e resumo. E por fim a temática
comunicação e difusão da informação busca averiguar se os alunos apresentam às habilidades
necessárias a sistematização do conhecimento produzido para posterior disseminação.
Os resultados serão apresentados através de uma interseção entre o quesito motivação
e autoeficácia, com o objetivo de verificar se existe uma relação diretamente proporcional, ou
seja, se a motivação pode ser aqui traduzida como resultados positivos e posteriormente
verificar-se-á qual fonte de aprendizagem prevalente.
Com base nos dados obtidos a partir da análise do questionário IL-HUMASS, com
resposta tipo Likert com 5 posições (onde 1 corresponde a baixa competência e 5 a alta
competência)

no

domínio

“Pesquisa

da

Informação”,

verificamos

que

na

competência/habilidade de “Motivação” os 35 alunos se encontram num nível de valor
elevado em todos os itens, com destaque para o item Utilização de fontes de informação
impressas que apresenta o maior valor médio (4,51). Menos significativos apresentam-se os
itens: Utilização de fontes eletrônicas de informação informal (3,14) e Pesquisar em catálogos
automatizados (3,29). Relativamente à competência/habilidade “Autoeficácia”, também o
item Utilização de fontes de informação impressas apresenta o maior valor médio (4,20). O
item Pesquisar em catálogos automatizados é o que apresenta menor valor médio,
apresentando na Motivação (3,29) e na Autoeficácia (2,71).

2386

�Tabela 2: Pesquisa da informação: Motivação x Autoeficácia
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES
Utilização de fo * tes de * informação impressas (ex.
livros)
Pesquisar em catálogos automatizados
Consultar e usar fontes eletrônicas de informação
primárias (ex. revistas)
Utilização de fontes eletrônicas de informação
secundárias (ex: bases de dados)
Conhecimento da terminologia da sua área de estudo
Saber pesquisar e recuperar informação na internet
Utilização de fontes eletrônicas de informação
informal (ex. blogs)
Conhecimento de estratégias de pesquisa de
informação (ex. descritores, operadores boleanos)

MOTIVAÇÃO
n
dp

AUTOEFICÁCIA
n
dp

35

4,51

±0,742 35

4,20

±0,759

31

3,29

±1,371 31

2,71

±1,346

34

4,00

±1,206 34

3,21

±1,321

35

4,09

±1,173 35

3,46

±1,172

34
32

4,12
4,38

±1,122 34
±0,907 33

3,56
3,94

±1,050
±0,966

35

3,14

±1,574 35

3,54

±1,314

35

4,11

±1,183 35

3,37

±1,190

No que diz respeito à “Fonte de Aprendizagem”, os alunos valorizam em quase todos
os itens, de modo muito significativo, a Aula e Biblioteca. No domínio “Pesquisa da
Informação” os itens: Utilização de fontes eletrônicas de informação secundárias e
Conhecimento de estratégias de pesquisa de informação destaca a Biblioteca como fonte de
aprendizagem mais utilizada. E fazendo correlação com o item Utilização de fontes de
informação impressas, no qual os alunos apresentaram maior motivação e autoeficácia à fonte
de aprendizagem mais destacada neste item foi a Biblioteca e a Sala de aula.
Tabela 3: Pesquisa da informação: Fonte de Aprendizagem
A
n (%)
Utilização de fontes de informação impressas (ex.
9 (37,5)
livros)
Pesquisar em catálogos automatizados
7 (26,9)
Consultar e usar fontes eletrônicas de informação
7 (22,6)
primárias (ex. revistas)
Utilização de fontes eletrônicas de informação 9 (40)
secundárias (ex: bases de dados)
Conhecimento da terminologia da sua área de estudo 13 (41,9)
Saber pesquisar e recuperar informação na internet
6 (21,4)
Utilização de fontes eletrônicas de informação
3 (9,4)
informal (ex. blogs)
Conhecimento de estratégias de pesquisa de
8 (27,6)
informação (ex. descritores, operadores boleanos)
A-Aula; B-Biblioteca; Au-Autoaprendizagem; O-Outros.

B
n (%)

Au
n (%)

O
n (%)

7 (29,3)

6 (25)

2 (8,3)

7 (26,9)

5 (19,2)

7 (26,9)

8 (25,8)

8 (25,8)

8 (25,8)

13 (43,3)

3 (10)

5 (16,7)

7 (22,6)
7 (25)

6 (19,4)
9 (32,2)

1 (3)

14 (43,8)

5 (16,1)
6 (21,4)
14
(43,8)

13 (44,8)

4 (13,8)

4 (13,8)

No que diz respeito ao domínio “Avaliação da Informação” vemos que na
competência/habilidade “Motivação” os 35 alunos encontram-se em um nível de valor

2387

�considerado alto, visto que os valores oscilam ente 4,20 e 4,57. Os itens Reconhecer as ideias
do autor e Ser capaz de identificar uma informação atualizada apresentam médias levemente
acentuadas. Com relação a “Autoeficácia” ocorre situação semelhante, uma vez que os itens
que os alunos apresentam maior motivação de forma correspondente apresentam maior valor
médico de autoeficácia.
Tabela 4: Avaliação da Informação: Motivação x Autoeficácia
AUTOEFICÁCIA
MOTIVAÇÃO
n
n
dp
dp
35
4,40
±0,847
35
3,89
±0,758
* ualida * e dos recursos de

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES

Saber avaliar a
informação
Reconhecer no texto as ideias do autor
Conhecimento da tipologia da informação científica
(ex: teses, dissertações)
Ser capaz de identificar uma informação atualizada
Conhecimento de autores ou instituições mais
relevantes na sua área

35
35

4,57
4,20

±0,655 35
±0,901 35

4,03
3,86

±0,822
±1,004

35
35

4,43
4,23

±1,008 35
±1,215 35

4,06
3,60

±0,873
±1,218

No tocante a “Fonte de Aprendizagem” os alunos valorizam em todos os itens, de
modo significativo, a Autoaprendizagem, apresentando o maior valor médio no item Ser
capaz de identificar uma formação atualizada. De modo menos relevante os alunos atribuíram
pouca importância a Biblioteca nesse domínio. Fazendo correlação com os itens Reconhecer
as ideias do autor e Ser capaz de identificar uma informação atualizada, apresentado como
mais relevante tanto na motivação quanto na autoeficácia pelos alunos, teve como fonte de
aprendizagem mais relevante a Autoaprendizagem.
Tabela 5: Avaliação da Informação: Fonte de Aprendizagem
A
n (%)
11 (36,7)
9 (29)

Saber avaliar a qualidade dos recursos de informação
Reconhecer no texto as ideias do autor
Conhecimento da tipologia da informação científica
10 (33,3)
(ex: teses, dissertações)
Ser capaz de identificar uma informação atualizada
4 (14,8)
Conhecimento de autores ou instituições mais
9 (32,1)
relevantes na sua área
A-Aula; B-Biblioteca; Au-Autoaprendizagem; O-Outros.

B
n (%)
5 (16,7)
3 (9,7)

Au
n (%)
7 (23,3)
14 (45,2)

O
n (%)
7 (23,3)
5 (16,1)

5 (16,7)

8 (26,7)

7 (23,3)

5 (18,5)

14 (51,9)

2 (7,2)

7 (25)

4 (14,8)
10
(35,7)

Com relação ao domínio “Tratamento da Informação” levando em consideração a
competência/habilidade “Motivação”, verificamos que os 35 alunos de forma geral se
encontram num nível de média de valor elevado em todos os itens, com destaque para o item

2388

�Saber resumir e esquematizar a informação e Ser capaz de reconhecer a estruturação de um
texto. E corroborando com os resultados apresentados até o momento constata-se nestes itens
o maior valor de média na competência/habilidade “Autoeficácia”.
Tabela 6: Tratamento da Informação: Motivação x Autoeficácia
MOTIVAÇÃO
n
dp
35
4,20
±1,052
Saber resumir e * squema * izar a informação
34
4,12 ±1,066
Ser capaz de reconhecer a estruturação de um texto
3,74 ±1,462
Utilização de gestores de bases de dados (ex: Access, 35
Oracle, MySQL)
3,51 ±1,560
Utilização de gestores de referências bibliográficas 35
(ex: Endnote,...)
3,86 ±1,375
Utilização de programas estatísticos e folhas de 35
cálculo (ex: SPSS, Epinfo, Stata)
35
3,57 ±1,461
Saber instalar programas informáticos
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES

AUTOEFICÁCIA
n
dp
35
3,69 ±0,993
35
3,37 ±1,165
35
2,66 ±1,282
35

2,60

±1,418

35

2,80

±1,346

35

2,89

±1,451

No que diz respeito à “Fonte de Aprendizagem” os 35 alunos foram praticamente
uniformes nos percentuais máximos referidos aos itens Aula e Outros. Com destaque
podemos ressaltar o item Utilização de programas estatísticos e folhas de cálculo que
apresentou o percentual mais elevado para sala de aula e Saber instalar programas
informáticos para outras fontes de aprendizagem.
Fazendo a correlação deste mesmo domínio com as competências/habilidades
“motivação” e “autoeficácia” o item que apresentou maior valor de média, a saber, Saber
resumir e esquematizar a informação e Ser capaz de reconhecer a estruturação de um texto
tem como fonte de aprendizagem mais indicada a sala de aula e a autoaprendizagem. Neste
domínio a fonte de aprendizagem menos destacada foi a Biblioteca.
Tabela 7: Tratamento da Informação: Fonte de Aprendizagem
A
n (%)
8 (24,2)
16 (55,2)

Saber resumir e esquematizar a informação
Ser capaz de reconhecer a estruturação de um texto
Utilização de gestores de bases de dados (ex: Access,
5 (16,2)
Oracle, MySQL)
Utilização de gestores de referências bibliográficas 8 (25,8)
(ex: Endnote,...)
Utilização de programas estatísticos e folhas de 18 (60)
cálculo (ex: SPSS, Epinfo, Stata)
Saber instalar programas informáticos

5 (16,1)

B
n (%)
2 (6,1)
1 (3,4)

Au
n (%)
15 (45,5)
4 (13,8)

9 (29)

4 (12,9)

9 (29)

3 (9,7)

O
n (%)
8 (24,2)
8 (27,6)
13
(41,9)
11
(35,5)

4 (13,3)

1 (3,3)

7 (23,4)

3 (9,7)

9 (29)

14
(45,2)

A-Aula; B-Biblioteca; Au-Autoaprendizagem; O-Outros.

2389

�Por fim no domínio “Comunicação e difusão da Informação” com relação a
“Motivação” nas competências/habilidades exigidas, os alunos assim como nos outros
domínios apresentam domínio elevado de motivação visto que a média varia entre 3,63 a
4,50. Com destaque para os itens Saber fazer apresentações acadêmicas e Conhecer a
legislação sobre o uso da informação e direitos autorais.
E corroborando mais uma vez com os domínios anteriores é no domínio que os alunos
relatam ter maior motivação que estes conseguem maior autoeficácia. Aqui destacamos como
item de menor valor médio a comunicação em outros idiomas.
Tabela 8: Comunicação e Difusão da Informação: Motivação x Autoeficácia
C O M P E T Ê N C IA S E H A B IL ID A D E S

Saber comunicar * m públ * co
Saber comunicar noutros idiomas
Saber redigir um documento científico
Conhecer o código ético e deontológico da sua área de
estudo
Conhecer a legislação sobre o uso da informação e
direitos autorais
Saber fazer apresentações acadêmicas
Saber difundir a informação na internet (ex: webs,
blogs.)

M O T IV A Ç Ã O
n
dp

A U T O E F IC Á C IA
n
dp

35

4,23

±1,262

35

3,66

±1,027

35
35
35

3,69
4,23
4,34

±1,549
±0,973
±0,906

35
35
35

3,03
3,26
3,40

±1,505
±1,172
±1,035

35

4,43

±0,815

35

3,74

±0,950

34
35

4,50
3,63

±0,749
±1,308

33
35

3,88
3,26

±0,927
±1,400

No que diz respeito a Fonte de aprendizagem no domínio “Comunicação e Difusão da
Informação” os alunos apontam a sala de aula como momento mais significativo para
aquisição das habilidade necessárias a divulgação da produção científica, e em
complementação a este aponta a autoaprendizagem no desenvolvimento de tais habilidades.
Com destaque a fonte de aprendizagem “Saber fazer apresentações acadêmicas que
apresentam médias próximas nas duas fontes de maior destaque.
Tabela 9: Comunicação e Difusão da Informação: Fonte de Aprendizagem

Saber comunicar em público
Saber comunicar noutros idiomas
Saber redigir um documento científico
Conhecer o código ético e deontológico da sua área de
estudo
Conhecer a legislação sobre o uso da informação e
direitos autorais
Saber fazer apresentações acadêmicas
Saber difundir a informação na internet (ex: webs,
blogs.)
A-Aula; B-Biblioteca; Au-Autoaprendizagem; O-Outros.

A

B

Au

O

n (% )

n (% )

n (% )

n (% )

4 (12,9)
6 (20)
11 (47,8)

1 (4,3)

18 (58,1)
15 (50)
2 (8,7)

9 (29)
9 (30)
9 (39,1)

25 (80,6)

-

3 (9,7)

3 (9,7)

18 (60)

3 (10)

2 (6,7)

7 (23,3)

12 (41,4)

-

13 (44,8)

4 (13,8)

3 (10,3)

-

16 (55,2)

10 (34,5)

2390

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Este estudo surgiu do questionamento se os alunos do curso de graduação em
Odontologia tem conseguido desenvolver as habilidades e competências necessárias para se
navegar nesse oceano de informações com que nos deparamos atualmente, assim como na
perspectiva de apresentar as reflexões realizadas até o momento de estudos que tenham como
objetivo mensuar a competência informacional de estudantes de nível superior.
Apesar

de

estarmos

de

fato

e

direito

vivendo

na

Sociedade

da

Informação/conhecimento é errônea e distorcida a visão de que o simples acesso a informação
implica necessariamente na produção do conhecimento. Ambos, informação e conhecimento,
fazem parte de uma cadeia de retroalimentação, partindo do pressuposto de que a obtenção da
informação e a aplicabilidade destas produzem o conhecimento que consequentemente gerará
novas informações.
Refletindo sobre o trabalho desenvolvido, a partir da nossa investigação que tinha
como problema a necessidade de se desenvolver a competência informacional no ensino
superior diante do complexo e vasto universo informacional, a análise descritiva tendo como
suporte o questionário IL-HUMASS na competência/habilidade “Motivação” e “Capacidade”,
mostrou que o valor apresentado foi o valor alto (valor 3/4 na escala de Likert:1-5).
Relativamente à “Fonte de Aprendizagem” os alunos valorizaram prioritariamente a Aula
seguida da Auto Aprendizagem. A Biblioteca e demais fontes foram pouco privilegiadas.
O fator motivação se mostrou relevante uma vez que pode ser considerado como
operador de potencialidade para a autoeficácia. Conforme exposto nos resultados nos
domínios onde os estudantes apresentaram maior motivação consequentemente também
apresentaram maior média de autoeficácia.
Em face ao exposto, ao analisar a Competência Informacional dos graduandos de
Odontologia os resultados evidenciam que os alunos estão mais motivados a buscar as
informações em fontes convencionais, apresentaram bons conhecimentos no uso das
ferramentas tecnológicas e internet, porém demonstram dificuldades em relação ao uso das
ferramentas de tratamento da informação e aos critérios de avaliação das fontes
informacionais.
Analisando os resultados obtidos em tais pesquisas podemos considerar que apesar do
argumento de que os avanços tecnológicos facilitaram o acesso à informação, existe uma
preocupação constante porque os estudantes universitários não possuem competências e
habilidades suficientes para gerir e usar a informação. Gerem quantidades enormes de
informação através da Internet, mas não sabem o que fazer com ela, como avaliá-la de forma

2391

�crítica, de que modo devem usá-la ou aproveitá-la de forma estratégica e ética. Acumulam
muitos dados, mas não sabem como estruturar e interrelacionar, como construir conhecimento
pertinente.
Adquirir a competência informacional para a utilização da informação de maneira
eficiente é atualmente uma real necessidade para viver na sociedade da informação, pois esta
agrega valor ao conhecimento prévio através da utilização dos recursos informacionais,
visando desenvolver o aprender a aprender e o aprendizado ao longo da vida.
Pode-se concluir que a formação de competências éticas e informacionais exige
dedicação e persistência por parte dos educadores e bibliotecários, mas acreditamos que a
tarefa será facilitada pela motivação dos alunos e pelo empenho das universidades. Os jovens,
uma vez motivados, modificarão, com consciência crítica, sua atitude perante a pesquisa, o
tratamento e o uso da informação.

6 REFERÊNCIAS
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Information literacy competency standards for
higher

education.

Chicago,

ACRL/ALA,

2000.

Disponível

em:

&lt;http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/acrl/standards/standards.pdf&gt; Acesso em: 30 mar. 2011.
BRUCE, Christine Susan. Las siete caras de la alfabetización en información en la ensenanza
superior. Anales de documentación, Murcia, Espanha, n.6, p. 289-294, 2003.
CARRANGA, Gisele Alves. Competência informacional no contexto acadêmico: um
estudo com concluintes do curso de Biblioteconomia. 2008. 114 f. Trabalho de Conclusão
de Curso (Graduação em Biblioteconomia) - Universidade Estadual Paulista, Marília, 2008.
CISNEROS VELAZQUEZ, Sania. Alfabetización informacional em salud. Biblios, n. 33-34,
p. 1-9, 2009.
CORTÉZ VERA, José de Jesus. El desarrolo de competencias em estudiantes universitários
através de um curso com valor em créditos. Biblios, n. 29, jul./dez. 2007.
HATSCHBACH, Maria Helena de Lima; OLINTO, Gilda. Competência em informação:
caminhos percorridos e novas trilhas. Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação: Nova Série, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 20-34, jan. jun. 2008.
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LAÚ, Jesús. Learning Assessment. In: Guidelines on Information Literacy for lifelong
learning. Universidad Veracruzana, Unidad de Servicios Bibliotecarios y de Información,

2392

�2006. Boca del Río, Veracruz, México Reviwed, 2006. cap. 9, p. 42-47. Disponível em:
&lt;http://www.ifla.org/Vn/s42/pub/IL-Guidelines2006.pdf&gt;. Acesso em: 11 abr. 2012.
LECARDELLI, Jane; PRADO, Noêmia Schoffen. Competência informacional no Brasil: um
estudo bibliográfico no período de 2001 a 2005. Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação: Nova Série, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 21-46, dez. 2006.
LOPES, C. PINTO, M. IL-HUMASS - instrumento de avaliação de competências em
literacia da informação: um estudo de adaptação à população portuguesa (parte I).
Disponível em:&lt; http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/181&gt;.
Acesso em: 11 abr. 2012.
MATA, M. L. A competência informacional de graduandos de Biblioteconomia da região
sudeste: um enfoque nos processos de busca e uso ético da informação. Dissertação (Mestrado
em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual
Paulista, São Paulo, 2009.
ORTOLL ESPINET, Eva. Competencia informacional en el contexto de las Ciencias de La
Salud. In: LAU, Jesús; CORTÉZ, Jésus (Comps). Normas de Alfabetización Informativa
para el aprendizaje. Cidade de Juarez, México: Universidade Autonoma de Juaréz, 2004. p.
45-56.
REIS, M. K. S. Information literacy ou competência informacional como elemento promotor
do desenvolvimento do capital intelectual. Trabalho de conclusão de curso (Monografia) Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2006.

ANEXO

QUESTIONÁRIO

IDENTIFICAÇÃO DO USUÁRIO
FAIXA ETÁRIA
15 a 20
O 21 a 25 O
26 a 30 O
Avalie a importância das seguintes competências para o seu
MOTIVAÇÃO
desenvolvimento acadêmico.
AUTOEFICÁCIA
Avalie o seu nível de destreza nas seguintes competências.
Onde aprendeu estas competências? (Aulas, Biblioteca, AutoFONTE DE APRENDIZAGEM
aprendizagem, Outros). Selecione a opção(es) mais adequada.
SEXO
F EM O

MASCO

2393

�MOTIVAÇÃO
1A 5

C O M P E T Ê N C IA S E H A B IL ID A D E S

AUTOEFICÁCIA
1A 5

FO N T E
DE
A P R E N D IZ A G E M
A A ula
B B iblioteca
A u A utoaprendizagem
O O utros

P E S Q U IS A D A IN F O R M A Ç Â O

Utilização de fontes de informação impressas (ex.
livros)
Pesquisar em catálogos automatizados
Consultar e usar fontes eletrônicas de informação
primárias (ex. revistas.)
Utilização de fontes eletrônicas de informação
secundárias (ex. bases...)
Conhecimento da terminologia da sua área de estudo
Saber pesquisar e recuperar informação na Internet
Utilização de fontes eletrônicas de informação
informal (ex. blogs, l...)
Conhecimento de estratégias de pesquisa de
informação (ex. descritores)
A V A L IA Ç Ã O D A IN F O R M A Ç Ã O

Saber avaliar a qualidade dos recursos de informação
Reconhecer no texto as ideias do autor
Conhecimento da tipologia da informação científica
(ex. teses, dissertações)
Ser capaz de identificar uma informação atualizada
Conhecimento dos autores ou instituições mais
relevantes na sua área
T R A T A M E N T O D A IN F O R M A Ç Ã O

Saber resumir e esquematizar a informação
Ser capaz de reconhecer a estruturação de um texto
Utilização de gestores de bases de dados (ex. Access,
Oracle, MySQL,)
Utilização de gestores de referências bibliográficas
(ex. Endnote, ...)
Utilização de programas estatísticos e folhas de
cálculo (ex. SPSS, EpiInfo, Stata)
Saber instalar programas informáticos
C O M U N IC A Ç Ã O
IN F O R M A Ç Ã O

E

D IF U S Ã O

DA

Saber comunicar em público
Saber comunicar noutros idiomas
Saber redigir um documento científico
Conhecer o código ético e deontológico da sua área
de estudo
Conhecer a legislação sobre o uso da informação e
direitos autorais
Saber fazer apresentações acadêmicas
Saber difundir a informação na Internet (ex. Webs,
Blogs)

Muito obrigado pela sua
colaboração.

2394

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Competência Informacional em Saúde: um estudo com graduandos do oitavo período em Odontologia da UFRN</text>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>Compreender o comportamento informacional da comunidade na qual se está inserido é foco do bibliotecário. Objetivando-se delinear o comportamento informacional dos alunos do curso de graduação em Odontologia da UFRN, no que diz respeito a pesquisa, avaliação, tratamento e comunicação e difusão da informação sob a perspectiva da motivação, autoeficácia e fonte de aprendizagem utilizada. Para tanto utilizou-se metodologia quantitativa e como instrumento a aplicação de um questionário a 35 alunos do oitavo período, posteriormente os dados foram analisados pelo software estatístico SPSS 20.0. Os resultados evidenciam que os alunos estão mais motivados a buscar as informações em fontes convencionais, apresentaram bons conhecimentos no uso das ferramentas tecnológicas e internet, porém demonstram dificuldades em relação a avaliação das fontes de informação, uso das ferramentas de tratamento da informação e as formas de comunicação e difusão da informação científica produzida durante seu período de formação. O fator motivação se mostrou relevante uma vez que pode ser considerado como operador de potencialidade para a autoeficácia Pode-se concluir que a formação de competências éticas e informacionais exige dedicação e persistência por parte dos educadores e bibliotecários, mas acreditamos que a tarefa será facilitada pela motivação dos alunos e pelo empenho das universidades. Os jovens, uma vez motivados, modificarão, com consciência crítica, sua atitude perante a pesquisa, o tratamento e o uso da informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS E REPOSITÓRIOS DIGITAIS: REFLEXÕES, TECNOLOGIAS E
APLICAÇÕES
Divino Ignacio Ribeiro Jr
Andreza Caroline Possenti Zucatto
RESUMO:
As Bibliotecas e Repositórios Digitais passaram por transformações de natureza teórica
(conceitos, modelos de gestão) e aplicada (evolução tecnológica) sendo caracterizados por
uma dinâmica que requer dos profissionais constante reflexão e atualização. Assim, o objetivo
desse artigo é apresentar uma série de reflexões acerca da evolução dos conceitos de ambos Bibliotecas e Repositórios Digitais e de suas tecnologias. Com base em levantamento
bibliográfico e nas experiências de pesquisa aplicada dos autores, é apresentada uma
perspectiva conceitual, reflexões sobre a evolução dos conceitos, tecnologias comumente
envolvidas. Por fim, entende-se que o conceito de Biblioteca Digital atingiu um nível de
maturidade compatível com processos de gestão e aplicação; os Repositórios Digitais são
vistos como serviços aplicáveis além do âmbito acadêmico, cujas tecnologias evoluem
rapidamente e que requerem do bibliotecário constante atualização.
Palavras-chave:Bibliotecas Digitais, Repositórios
Tecnologias Aplicadas às Bibliotecas Digitais

Digitais,

OAI-PMH,

SWORD,

ABSTRACT:
Libraries and Digital Repositories has been through transformations of a theoretical nature (
concepts , business models ) and applied ( technological evolution ) being characterized by a
dynamic that requires the constant reflection and professional growing. Thus , the aim of this
paper is to present a series of reflections on the evolution of the concepts of both - Libraries
and Digital Repositories and its technologies . Based on literature review and the experiences
of the authors applied research, a conceptual perspective , reflections on the evolution of
concepts , technologies commonly involved is presented . Finally , it is understood that the
concept of Digital Library has reached a level of maturity consistent with management
processes and application ; Digital repositories are seen as applicable services beyond the
academic realm , whose technologies evolve rapidly and require constant updating librarian .
Keywords: Digital Libraries , Digital Repositories , OAI - PMH , SWORD , Technologies for
Digital Libraries

Introdução
É amplamente conhecido o fato que nos últimos sessenta anos a popularização das
Tecnologias da Informação e Comunicação - TIC trouxe muitas mudanças de ordem

4119

�econômica, social e cultural. Informação e Conhecimento passam a ser vistos como bens de
consumo e insumos de produção, ofertados por serviços especializados providos por empresas
e profissionais com formação multidisciplinar, caracterizando um novo tipo de mercado e de
formação.
Tal paradigma socioeconômico se sustenta, inicialmente, sobre a popularização da
infraestrutura de telecomunicações, com o registro crescente de domicílios com computador e
uso da Internet. Dados da pesquisa TIC Domicílios 2010 realizada pelo Comitê Gestor da
Internet no Brasil nos mostram que cada ano mais e mais pessoas têm acesso à Internet e
computador em suas residências, e tal tendência se verifica até os dias atuais; a quantidade de
domicílios com computador aumentou mais de 120% de 2005 a 2010, e com acesso a internet
cerca de 110% no mesmo período.Se esses indicadores470 seguirem essa tendência, em cerca
de 10 anos a maior parte da população do Brasil terá acesso à Internet e computador em suas
casas.
Nessa linha de pensamento, Sayão et al. (2009) afirmam que o século XXI consolida a
cultura da disseminação da informação eletrônica por meio da Internet, do acesso às fontes de
informação e dos canais de comunicação, como listas de discussão, blogs, chats, mídias
sociais, entre outros.Essa cultura da disseminação da informação eletrônica movimenta a
indústria de equipamentos de informática, telecomunicação e outros, que utilizam tecnologias
com fins computacionais e para comunicação em rede; impulsiona o mercado de serviços de
telefonia móvel, acesso à Internet, serviços de telefonia VoIP - Voice over IP, sistemas de
IPTV - transmissão de sinal de TV através de canais de dados, entre outros setores.
Há fortes investimentos na ‘geração de demanda’ para que a população continue
aderindo a novos serviços; por exemplo, sobre as empresas de telecomunicação pode-se dizer
que elas não vendem ‘celulares’ ou ‘planos de telefonia e dados’ - todo esforço de marketing
é focado para vender ‘conectividade’, formar e alimentar a necessidade de estar sempre
‘conectado’ e ‘acessível’. A partir daí instala-se um processo retroalimentado: a população
desenvolve essa necessidade de consumo de serviços de telecomunicação, impulsionada pelas
empresas que os fornecem. Outros mercados, como o de aplicativos para telefonia móvel,
oferecem serviços de software em vários segmentos, criando novas demandas de consumo.
Além do aspecto econômico, há as dimensões sociais e culturais. Os impactos da
cultura digital permeiam a formação de novas gerações, influenciando a maneira como
pensam, escrevem e se comunicam.

470 O portal CETIC.BR publicou a série de indicadores 2013, disponível em www.cetic.br

4120

�As bibliotecas digitais, os repositórios temáticos e institucionais e as revistas
eletrônicas, trazem em seu bojo o objetivo de possibilitar o acesso à informação de forma
rápida e precisa, buscando satisfazer as necessidades de informação e documentosde seus
usuários, e também, facilitar a vida dos mesmos, pois a partir deste momento, eles não
precisam mais se deslocar até um lugar físico e acessar material impresso para obter a
informação desejada.

Repositórios Digitais
O surgimento dos Repositórios Institucionais é, em última análise, o resultado de um
processo de mudanças no processo de comunicação científica ocorrido nos últimos anos.
A história do surgimento dos Repositórios Institucionais tem relação com o
crescimento do mercado editorial de periódicos científicos.
Resumidamente, os periódicos científicos deveriam levar à comunidade acadêmica e à
população em geral os resultados da atividade científica, que em muitas situações era
financiada com recursos públicos. O acesso a esses resultados, necessário à continuidade e a
evolução de novas pesquisas, só era possível por parte de quem pudesse pagar os custos das
assinaturas restringindo assim a comunicação científica para instituições com recursos
suficientes para custeá-las, excluindo a comunidade acadêmica que não tivesse recursos
financeiros para pagar pelo acesso.
Além da dificuldade de acesso, esse modelo de negócio do mercado editorial instalou
um círculo vicioso: a obrigação de publicar em revistas científicas reconhecidas pelas
comunidades acadêmicas, já absorvidas por grandes grupos desse mercado editorial; as
métricas de impacto e de produtividade consideram de maneira preponderante as revistas que
pertencem a esse círculo restrito ao mercado editorial.
Tal situação culminou no que a literatura chama de “crise do periódico científico” no
final dos anos 90 o que motivou, segundo Kuramoto (2006) o seguinte fato:
Em julho de 1999, Paul Ginsparg, Rick Luce e Herbert Van de Sompel
fizeram uma chamada para uma reunião exploratória entre os responsáveis
por repositórios de eprints acadêmicos, a Convenção de Santa Fé. A partir
desse evento, foi criada a Open ArchivesInitiative (OAI). A meta principal
dessa iniciativa é contribuir de forma concentrada para a transformação da
comunicação científica. A linha de ação proposta para essa transformação é
a definição de aspectos técnicos e de suporte organizacional de uma estrutura
de publicação científica aberta, na qual ambas, a camada comercial e livre,
possam se estabelecer.

4121

�Esse foi o marco inicial para o que se conhece atualmente como Iniciativa de
Arquivos Abertos (Open ArchivesInitiative —OAI). A partir de então se verifica a realização
de diversas ações para consolidação de tecnologias, trocas de experiências, realização de
eventos (Workshops, Seminários, entre outros) dirigidos à promoção e criação de
Repositórios Institucionais. Esses repositórios são definidos por Sayão et al. (2009, p.09)na
seguinte forma:
Uma versão completa da obra e todos os materiais suplementares,
incluindo uma cópia da licença, como acima definida, é depositada e,
portanto, publicada em um formato eletrônico normalizado e
apropriado em pelo menos um repositório que utilize normas técnicas
adequadas (como as definições estabelecidas pelo modelo Open
Archives) e que seja mantido por uma instituição acadêmica,
sociedade científica, organismo governamental, ou outra organização
estabelecida que pretenda promover o acesso livre, a distribuição
irrestrita, a interoperabilidade e o arquivamento a longo prazo.
Há várias definições de Repositórios na literatura, amplamente conhecidas. Porém, há
que se observar uma flexibilização dos usos dos Repositórios, para além da academia.
Vejamos a seguinte definição:
Englobam a produção científica de determinada instituição, mais comumente
institutos de pesquisa e universidades. Hospedam geralmente uma coleção
de documentos de pesquisa (pré-prints e pós-prints), embora possam incluir
relatórios técnicos, manuscritos, dados, videoclipes e imagens, além de
conter dados administrativos de apoio à instituição, como arquivo local de
documentação, teses, dissertações, livros e outros - (BOSO, 2011, p.35);

O conceito de Repositório tem sido adaptado por conta de novos usos desse tipo de
produto de informação. Há dezenas de exemplos de Repositórios destinados à publicação de
acervos e obras literárias completas (ex: Brasiliana Digital 471) e outros tipos de acervos
digitais, como materiais em áudio e vídeo (ex: Instituto Paulo Freire

).

Tais repositórios não têm o mesmo escopo e finalidade daqueles criados em âmbito
acadêmico, mas possuem as mesmas características essenciais do que podemos denominar
simplesmente Repositório Digital.Com base nas definições da literatura e nas experiências
institucionais, podemos definir um produto de informação como Repositório Digital quando
ele possuir as seguintes características:
•

Ser uma versão completa da obra e todos os materiais suplementares, incluindo
uma cópia da licença, depositada com o material;4712

471 Visite o site da Brasiliana Digital em http://www.brasiliana.usp.br/bbd
472 Visite o Centro de Referência Paulo Freire: http://acervo.paulofreire.org

4122

�•

Publicada com padrões tecnológicos aderentes a normas técnicas de preservação
digital (como as definições estabelecidas pelo modelo Open Archives e o modelo
OAIS);

•

Mantido por uma instituição acadêmica, sociedade científica, organismo
governamental, setor privado, ou outra organização estabelecida que pretenda
promover o acesso, a distribuição, a interoperabilidade e o arquivamento em longo
prazo.

Bibliotecas Digitais
O conceito de Biblioteca Digital evoluiu bastante ao longo dos anos. Influenciado pela
inserção das TIC nas Bibliotecas, esse conceito ganhou vários matizes. Drabenstott e Burman
(1997) nos contam que concepções de uma ‘biblioteca do futuro ‘ ou uma ‘biblioteca
inteligente’ estão registradas na literatura desde os anos 60. Os autores citam o trabalho de J.
C. R. Llicklider, intitulado Librariesofthe juture, visualizando um cenário avançado de busca
de documentos legíveis por computador, acessando simultaneamente várias bases de dados.
Na época em que esse artigo foi publicado pelas autoras, elas identificaram 15
definições sobre bibliotecas digitais, entre as quais destacam: biblioteca digital, biblioteca
eletrônica, biblioteca virtual, biblioteca biônica, biblioteca sem paredes, biblioteca do futuro,
máquina eletrônica.
Elas enumeram os recursos oferecidos por esse tipo de biblioteca (preservamos as
ideias com a mesma terminologia da época):
•

Acessoa coleções de diversas bibliotecas para bases de dados e outras fontes;

•

Livros virtuais;

•

Redes de catálogos on-line;

•

Conexão de qualquer lugar, por meio de equipamentos especializados;

•

Disponibilidade 'infinita' de coleções;

•

Acesso e transferência de conteúdos 'quantas vezes forem necessárias, sem
constrangimento';

•

Acesso a arquivos na íntegra, imagens digitais, audiovisuais, animações, sem
precisar sair de casa, via modem e tecnologias eletrônicas.

Em 1999 Murilo Bastos da Cunha publicou um artigo intitulado ‘Desafios na
construção de uma biblioteca digital’no qual ele trata de temas sobre a possibilidade de uma
biblioteca digital, seus paradigmas, apresentando questões como: a) ainda existirão livros no

4123

�futuro?b) deve-se continuar a assinar periódicos impressos, em cd-rom ou aguardar o
periódico totalmente eletrônico?O autor aborda em seu texto os alguns aspectos que devem
ser considerados na construção de uma biblioteca digital, entre os quais se destacam:
•

Catalogação, classificação e indexação: acervos digitais requerem tratamento
diferenciado, em alguns aspectos, dos documentos físicos. Por exemplo, faria
sentido usar algum sistema de classificação para localizar o documento, quando na
realidade, esses documentos são localizados por meio de uma interface de busca?

•

Periódicos: naquela época os sistemas de construção de periódicos eletrônicos não
faziam parte do dia a dia das bibliotecas. Segundo o autor, em 1998 no Brasil,
haviam 133 títulos de periódicos eletrônicos, construídos com tecnologias
baseadas em html. O futuro dos periódicos nesse contexto ainda era uma questão
muito nebulosa, segundo o autor;

•

Serviço de Referência: o bibliotecário de referência deixará de existir? Será
substituído por um 'serviço de referência eletrônica'?

•

Preservação: como preservar os documentos digitais e seus suportes?

•

Tecnologias: como lidar com a obsolescência da tecnologia da informação?

Algumas dessas questões, ainda que antigas, são pertinentes; o enfoque ou o tipo de
pergunta no escopo de cada tema mudou ao longo dos anos, mas alguns desses temas ainda
estão presentes quando se trata da criação de bibliotecas digitais.
Quase dez anos depois, o mesmo autor resgata a temática em seu artigo intitulado ‘Das
bibliotecas convencionais às digitais: diferenças e convergências’, com uma discussão mais
concreta do que as que relatamos neste texto.
Ele aponta as seguintes diferenças:
•

A organização da Informação: o tratamento documentário, o armazenamento e a
recuperação guardam diferenças substanciais, mas os métodos e processos das
bibliotecas convencionais não desapareceram, pelo contrário, foram adaptados
para o mundo digital; na convencional, 'o usuário vai à biblioteca', na digital, a
'biblioteca vai ao usuário’;

•

O acesso à informação: o paradigma da integração de fontes de informação é um
requisito indispensável;

•

O aspecto econômico: na biblioteca digital, é possível, por meio da integração,
dispor acesso a um número grande de fontes, com custos relativamente reduzidos
em relação à biblioteca convencional;

4124

�•

O incremento da cooperação de serviços entre as bibliotecas, uma vez que as
tecnologias e padrões facilitaram a comunicação entre diferentes plataformas de
maneira rápida e com baixo custo.

As mudanças sobre a concepção das Bibliotecas Digitais ocorrem no mundo todo. Isso
pode ser verificado a partir das discussões realizadas pela IFLA - InternationalFederationof
Library Associations

, uma instituição internacional que representa os interesses de

bibliotecas e serviços de informação e seus usuários, na condição de um agente global que
representa os profissionais ligados à Biblioteconomia e Ciência da Informação.
No Manifesto da IFLA para Bibliotecas Digitais encontramos a importância, o papel,
missão, objetivos e recomendações para a criação dessas bibliotecas. Vejamos alguns trechos
do Manifesto (tradução livre pelos autores):
Atenuar a exclusão digital é um fator fundamental para alcançar os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas. O acesso a recursos de
informação e aos meios de comunicação apoia a saúde e a educação
tanto quanto a cultura e desenvolvimento econômico. [grifo nosso] ...as
bibliotecas operam digitalmente e os seus serviços digitais tornam
acessível um novo canal para o universo de conhecimento e da
informação, conectando culturas através de fronteiras geográficas e
sociais. [grifo nosso]
(...) Para cumprir essa missão buscam-se os seguintes objetivos:
• Apoiar a digitalização, acesso e preservação do patrimônio cultural e
científico.
• Criar sistemas interoperáveis de biblioteca digital para promover padrões
de livre acesso.
• Apoiar o papel essencial das bibliotecas e serviços de informação na
promoção de normas comuns e as melhores práticas.
• Criar a consciência da necessidade urgente de garantir a acessibilidade
permanente do material digital.
• Ligar as bibliotecas digitais de pesquisa de alta velocidade e redes de
desenvolvimento.
• Aproveitar-se da maior convergência de meios de comunicação e papéis
institucionais para criar e disseminar conteúdo digital.(IFLA, 2011)

A história

das

Bibliotecas

Digitais

possui

uma trajetória

permeada

por

questionamentos e experiências. É possível observar a evolução e a distinção de produtos e
conceitos, juntamente com a evolução das TIC, sua inserção na sociedade e amadurecimento
dos seus modelos de negócio.
No âmbito acadêmico, um dos focos de discussão está na preocupação em se delimitar
‘o que é’ e ‘quais os papéis’ de uma biblioteca digital (isso também se aplica no caso dos473

473 Saiba mais sobre a IFLA em http://www.ifla.org/about/more

4125

�repositórios). É uma discussão necessária, mas não suficiente para subsidiar a criação de tais
bibliotecas.
É possível verificar na literatura recente que uma Biblioteca Digital não se reduz às
suas tecnologias; Biblioteca Digital não é um software, nem somente um acervo digital. Ela é,
antes de tudo, uma Biblioteca, e como tal, possui caráter institucional, missão, valores,
serviços, processos de gestão e avaliação, pessoas, infraestrutura.
Outro fato a ser observado é que as Bibliotecas convivem com a ‘tradição’ preservação de acervos físicos e a ‘atualidade’ - gestão da informação; seus processos e
produtos transitam entre esses dois paradigmas. Miranda (1993) já havia constatado essa
dualidade há cerca de vinte anos, ao afirmar que as bibliotecas estão se transformando de
organizações centradas em coleções físicas para organizações centradas no acesso à
informação. Assim, as bibliotecas convivem com dois paradigmas que norteiam seus serviços:
o paradigma do acervo e do suporte físico, com seus processos orientados ao tratamento
documentário, com serviços que permitem acesso a documentos e o paradigma da informação
e do suporte digital, com processos orientados ao acesso à informação, gestão de conteúdo e
fluxos de informação.

Evolução Tecnológica: o fio condutor das mudanças das Unidades de Informação
Ao longo do século passado as Unidades de Informação, em especial as bibliotecas,
sofreram mudanças intensas com os impactos da absorção das Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC), com ênfase no contexto de seus processos internos e da criação de
serviços. A evolução das TIC também provocou a criação de novos suportes de informação e
de novos canais de comunicação, que igualmente provocaram mudanças nos processos e
serviços das Bibliotecas.
Uma das razões que podemos considerar é o fato de que as mudanças organizacionais
no contexto das unidades de informação, relativas à absorção das tecnologias da informação e
comunicação, não ocorrem de forma brusca ou repentina. Isso pode ser verificado com uma
rápida análise da história da absorção das tecnologias da informação e comunicação; vejamos
a ilustração a seguir:

4126

�Figura 22 - Visão geral da absorção das Tecnologias da Informação e
Comunicação pelas Unidades de Informação

Fonte: autores

Os primeiros relatos de uso do computador nas unidades de informação datam da
mesma época em que os computadores passaram a integrar a rotina das organizações.O
modelo de computação vigente nos anos 50 e 60 era predominantemente centralizado, com
pouca ou nenhuma interação com os usuários dos setores da organização e sem uso de
interfaces por meio de vídeo.
Um importante passo foi a popularização das redes de computadores. Paralelamente à
diminuição de tamanho daqueles enormes computadores e do aumento da capacidade de
processamento computacional, essa época foi marcada pelo surgimento dos catálogos on-line
que permitiam a consulta às bases de dados via terminais dentro da organização.
A evolução e a miniaturização dos circuitos eletrônicos possibilitaram a criação dos
mini e microcomputadores, e a consequente popularização do que se denominou na época
como Personal Computer - PC. Isso potencializou a disseminação das Redes de
Computadores nas organizações, mudando radicalmente o conceito e o papel da
informatização nas organizações.
Outro importante marco foi a popularização das tecnologias para digitalização,
verificada especialmente nos anos 80. A facilidade de obtenção de scanners forçou a redução
dos custos de aquisição e impulsionou um segmento de mercado muito importante para o
contexto das unidades de informação de uma forma geral: GED - Gerenciamento Eletrônico
de Documentos, ou mais recentemente, ECM - Enterprise ContentManagment.

4127

�Por muitos anos uma das principais dificuldades da popularização da infraestrutura
para GED foi o custo dos dispositivos de armazenamento de dados. O custo por megabyte era
elevado, especialmente para o armazenamento magnético (discos rígidos) e os recursos para
armazenamento óptico (CD-ROM e posteriormente em DVD) eram limitados e de difícil
conservação.
Hoje em dia as tecnologias de scanners evoluíram bastante, há uma enorme variedade
de tipos de tecnologias de hardware e software, empresas especializadas em oferecer serviços
de digitalização com uma relação custo-benefício muito atraente para as organizações. Em
relação ao armazenamento, o custo é medido em Terabytes (e não mais em Megabytes, uma
escala 1024 vezes menor) e suas tecnologias e serviços evoluíram bastante, especialmente
aqueles que proveem a virtualização e armazenamento em nuvem.
A concepção tecnológica das Bibliotecas e Repositórios Digitais da atualidade só foi
possível a partir da evolução dos padrões de engenharia de software para Web. O surigimento
de novas linguagens de programação, softwares especializados em aplicativos com
arquiteturas desenvolvidas para funcionar de maneira distribuída pela Internet constituem-se a
base para as tecnologias, e consequentemente, para existência do que entendemos atualmente
como Biblioteca Digital.
Como foi apresentado anteriormente, esse ‘fio condutor’ é um fator importante para
redefinição dos paradigmas das Bibliotecas. Dessa maneira, podemos afirmar que essas
instituições convivem com o ‘passado’ e com o ‘futuro’, lidando com processos de gestão e
de serviços que atendem

Tecnologias da Informação aplicadas em Bibliotecas Digitais
As bibliotecas e repositórios digitais só existem a partir das Tecnologias da
Informação e Comunicação - TIC, e da sua popularização. Ao longo dos anos as unidades de
informação têm absorvido as TIC para seu contexto organizacional e isso fez com que
houvesse diversas mudanças em âmbito interno, nos processos de gestão e na maneira com
que essas unidades se relacionam com seus usuários.
Tecnologias da Informação e Comunicação - são recursos (insumos para processos da
organização) baseados em tecnologias de computação e de comunicação em rede com
capacidade para: a) Coletar e armazenar dados; b) Processar dados e produzir informação a
partir deles; c) Recuperar dados e informações necessários aos processos operacionais e aos

4128

�de gestão; d) Conectar pessoas e setores da organização; e) Criar canais de comunicação
intraorganizacionais e com o ambiente externo à organização.
Limitando esse conceito ao nível organizacional, temos alguns papéis fundamentais
das TIC, na forma a seguir: a) Automação: aumentar a capacidade de auto-regulagem, autocorreção, auto-execução de processos ou eventos; b) Informatização: traduzir eventos e
processos em dados, e submetê-los ao processamento para transformação em outros dados ou
informações, com valor agregado; c) Recuperação da Informação: prover acesso a
documentos e informação; d) Comunicação: criar canais de comunicação com mecanismos
de controle e gestão; e) Serviços baseados em Informação: criar novos serviços baseados
em plataformas tecnológicas.
Figura 23 - Relação entre os níveis de TIC e perfis profissionais

Fonte: autores

A importância do papel das TIC depende do contexto em que ela está e do tipo de
competências requeridas para sua gestão e utilização.
No nível mais essencial, o de Infraesturutura de TIC, estão: equipamentos de
interconexão de rede, cabeamento estruturado, redes sem fio, servidores de rede (virtualizados
ou não), entre outros. Junto a essa infraestrutura estão pessoas com competências e
habilidades para manter esses recursos operacionais, para gerenciar seu funcionamento,
segurança e acesso.
No nível Ferramental de Software encontramos os recursos de apoio à gestão e uso
dos recursos de Infraestrutura de TIC, como as plataformas de rede (sistemas operacionais de
rede, diretórios, gerência de interconexão, firewall, sistemas para virtualização de servidores,

4129

�serviço de VoIP, de videoconferência, sistemas de mensagens), ferramentas de escritório,
Sistemas de Gerenciamento de Bases de Dados - SGBD, softwares para apoiar a gestão de
projetos, workflow, entre outros recursos que apoiem a criação de produtos e serviços da
organização.
No nível Produtos e Serviços de Informação encontramos softwares de importância
mais próxima às atividades-fim da organização, dependentes dos recursos das camadas
anteriores, e ligados diretamente às atividades finalísticas da organização: Softwares para
Repositórios Digitais, ambientes colaborativos (wikis, blogs), ferramentas de GED e ECM
voltadas para o cliente final, ferramentas para Gestão de Bibliotecas (acervo, circulação,
aquisição, etc.), gestão de arquivos físicos e digitais, entre outros.
No nível Suporte aos Processos de Gestão da Informação encontramos os recursos
que dão apoio direto ao processo decisório, ao planejamento e gestão de políticas da
organização. Tecnologias comumente envolvidas neste nível são recursos para Inteligência
Competitiva, Business Intelligence, Datawarehouse, recursos gerenciais de Enterprise
resourceplanning - ERP e outros recursos tecnológicos pertinentes a processos diretos de
Gestão da Informação.
Estabelecer o impacto final da aplicação de TIC no contexto de Bibliotecas Digitais
segue o mesmo princípio; é necessário conhecer como elas funcionam, seus benefícios e
custos (custo não se resume à questão financeira para sua aquisição, mas à sua manutenção e
absorção pela organização).
Existe uma crença comum a muitos profissionais da informação de que as TIC sempre
trazem benefícios, que a sua agregação é sempre boa para a organização. Isso cria uma visão
distorcida em relação aos reais impactos da adoção de uma TIC em um dado contexto
organizacional, acarretando prejuízos e problemas de ordem operacional e de gestão. Pelas
mesmas razõesacredita-se que esses prejuízos foram trazidos pelas TIC adotadas, quando na
verdade, o prejuízo operacional e de gestão foi causado por um processo decisório equivocado
que resultou no mau dimensionamento de requisitos para a incorporação das TIC.

Interoperabilidade: conceito chave para Bibliotecas e Repositórios Digitais
Por quais razões deve-se optar pela interoperabilidade de sistemas? Podemos enumerar
as seguintes razões: a) Presume a operação com mútuas trocas de dados; b) Possibilidade de
Integração de dados no funcionamento entre sistemas; c) Software é algo complexo para
construir; d) Cada funcionalidade requer um esforço grande para desenvolvimento; e) Evita-se

4130

�‘reinventar a roda’: alguém cria rodas com tamanhos padronizados, e a questão se resume a
‘qual roda devo usar’; f) Evita-se o retrabalho na implantação de software; g) Possibilita o
compartilhamento de recursos e de esforços.
No contexto dos Repositórios Digitais, a interoperabilidade é promovida por
tecnologias que regem os processos de comunicação, compartilhamento e troca de dados. Na
atualidade a interoperabilidade entre sistemas de Bibliotecas e Repositórios Digitais é pensada
em termos de padronização de Metadados e de Protocolos de Comunicação.
Duval et al. (2002, p.11) definem metadados como sendo dados estruturados sobre
dados. Metadados ou Metadata é a descrição de dados sobre dados. Souza et al. (2000)
apontam como vantagens os seguintes itens:
a) possibilitar a interoperabilidade entre as diversas fontes de dados; b)
definir a linguagem de consulta; c) permitir a agilidade e o acesso com
qualidade na recuperação da informação; d) propiciar o intercâmbio
informacional.

A padronização de Metadados é necessária por conta dos seguintes fatores: a) facilitar
a implantação de sistemas que precisam trocar informações; b) padronizar o processo de
Descrição dos Documentos; c) permitir que qualquer desenvolvedor crie seu software com
padrões de aceitação de mercado. Metadados não padronizados ou específicos para um
determinado tipo de documento tem diversas desvantagens, entre as quais: a) evitam o
compartilhamento de dados; b) requerem processos de conversão complexos e caros; c) São
contrários às boas políticas de Preservação Digital.
O Dublin Core MetadataInitiative (DCMI) é um projeto destinado a organizar as
informações nas páginas da WEB, com o objetivo de estabelecer padrões de catalogação e
classificação das informações no meio eletrônico. O DCMI apresenta um conjunto de 15
elementos de metadados (descritos mais adiante), considerados mínimos para facilitar a
recuperação da informação do documento eletrônico. Segundo Souza et al. (2000):
O Dublin Core, pode ser definido como sendo o conjunto de elementos de
metadados planejado para facilitar a descrição de recursos eletrônicos. A
expectativa é de que os autores e Websites, que não possuam conhecimentos
em catalogação, possuam capacidade de usar o Dublin Core para descrição
de recursos eletrônicos, tornando suas produções mais visíveis aos
mecanismos de busca e sistemas de recuperação.

O conjunto de descritores do DC pode estar intrínseco no próprio documento descrito
- por meio da linguagem HTML (HiperTextMarkupLanguage), XML e outras, ou, de acordo
com o recurso necessário, a meta-informação pode estar separada do recurso utilizado para a

4131

�catalogação.Duval et al. (2002)explicam que os metadados DC podem ser usados
nasseguintes formas: a) embeddedmetadata (metadados embarcados no documento) pode ser
minerado (ou seja, pode ser rastreado na internet por um motor de busca), o que aumenta sua
visibilidade e pode incentivar os criadores a implementar metadados em seu recurso;
Um exemplo de código HTML com os metadados embarcados no documento é
mostrado a seguir:
&lt;1i nk r el ="schema.DC" h r ef="h t t p :/ / p u r 1 . o r g/DC/elements/1.l/"&gt;
&lt;META NAME="DC.t i t l e " CONTENT="Dubiin Core Metadata i n i t i a t i v e fDCMl)
Home Page"&gt;
&lt;META NAME="DC.description" CONTENT="The Dublin core Metadata
i n i t i a t i v e i s an open forum engaged i n the development of i n t e r o p e r a b le
o n lin e metadata standards th a t support a broad range of purposes and
business models. DCMI' s a c t i v i t i e s in c lu d e
consensus-driven working
groups, global conferences and workshops, standards l i a i s o n , and
ed u catio n al e f f o r t s t o
promote widespread acceptance of metadata
standards and p r a c t i c e s . '&gt;
&lt;META N A M E = "D C .d a te " CONTENT=" 2 0 0 4 - 0 6 - 1 4 " &gt;

&lt;META
&lt;m e t a
&lt;META
&lt;META

NAME="DC.format" CONTENT="text/html"&gt;
na me ="d c . c o n t r i b u t o r " c o n t e n t ="Du b i i n co re Metadata i n i t i a t i v e " &gt;
NAME="DC.language" CONTENT="en"&gt;
NAME="content-Type" CONTENT="text/html; ch a rse t= iso -88 5 9 -l"&gt;

Figura 24 - Exemplo de tas DCM I embarcadas no código HTML de um
documento da Web

b) associatedmetadata é mantido em arquivos associados ao recurso que descrevem,
eles podem ou não serem minerados; a principal vantagem desse tipo de metadado é que ele
facilita o controle sem alterar o conteúdo do recurso, mas esse benefício é pago ao custo da
simplicidade, exigindo co-gerenciamento dos arquivos de recursos e dos arquivos de
metadados.
Interoperabilidade: O Protocolo OAI-PMH
A

origem

do

Protocolo

OAI-PMH

(Open

ArchivesInitiativeProtocol for

MetadataHarvesting) é parte da Iniciativa Open Archives (Arquivos Abertos), ou OAI,
originada da Convenção de Santa Fé (Novo México) no final de 1999, objetivando promover
soluções de interoperabilidade que facilitem uma disseminação eficiente dos conteúdos
digitais, com caraterísticas técnicas livres de restrições econômicas e independentes de
plataforma.
Trata-se de um padrão aberto, do ponto de vista de sua arquitetura, não significando
acesso gratuito ou ilimitado às informações constantes dos repositórios que fazem parte da
Iniciativa.

A sua base é a possibilidade de compartilhar seus metadados, por meio de

processos que regem o intercâmbio (protocolo), com papéis e tecnologias previamente
definidos.

4132

�Os participantes desses processos são divididos em Provedores de Dados (Data
Providers ou DP) e Provedores de Serviços (Service Providers ou SP). Os provedores de
dados mantêm repositórios de documentos digitais que implementam o protocolo OAI-PMH
como forma de expor os metadados de seus documentos. Já os provedores de serviços
oferecem buscas a estes metadados ou outros serviços que visam agregar valor ao serviço,
além de funcionarem como provedor de dados.
O protocolo OAI-PMH introduz o conceito de MetadataHarvesting (em português:
colheita de metadados), um processo pelo qual os provedores de serviços, a partir da lista de
repositórios dos provedores de dados, realizam periodicamente uma busca a estes provedores
de dados, "colhendo" e armazenando os metadados para exibição sob a forma de consultas
efetuadas pelos usuários.

Figura 25 - Arquitetura de Serviços baseada no OAI-PMH

Fonte: autores

Dessa maneira torna-se possível agrgar e conectar coleções de diferentes documentos,
de diferentes locais e de diferentes plataformas.A comunicação entre os hosts é regida por um
protocolo de requisições e respostas definidas na forma de comandos (denominados

4133

�verbos474) que são transmitidos via URI no endereço do Repositório. Vejamos um exemplo:
abra um navegador de sua preferência, copie e cole a seguinte URI na barra de endereço:
http://www.labtecgc.udesc.br/oai-ex/request?verb=Identify.
A resposta enviada pelo Provedor de Dados pode ser na forma XML, ou ainda na
forma de uma interface amigável. Vejamos um exemplo na forma XML vindo da Revista
Ciência da Informação:

Figura 26 - Reposta de uma Requisição Identify para um provedor de dados

20

0

1
2

3
4
5
6

7
S

9
10
11
12

13
14
15
16
17
IS
30
31

iiiiiiiii

30

I

i i i i i i i i |i

40
i i i

50
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60

70

i i i i i i i i i i i i i

SQ

i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i

&lt;?xml version="l.0" encoding=nUTF-8"?&gt;
COAI-PMH xmlns="http://www.openarchives.org/OAI/2.0/"
xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
xsi :schemaLocation=nhttp ://www. openarchives .org/OAI/2.0/
i http ://www.openarchives.org/OAI/2.O/OAI-PMH.xsd"&gt;
EJ
&lt;responseDate&gt;2014-08-llT17:04 :43Z&lt;/responseDate&gt;
&lt;reguest verb="Identify"&gt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/oai&lt;/reguest&gt;
Cldentify &gt;
□
&lt;repositoryName&gt;Ciência da Informação&lt;/repositoryNaiue&gt;
&lt;baseURL&gt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/oai&lt;/baseURL&gt;
&lt;protocolVersion&gt;2.0&lt;/protocolVersion&gt;
i &lt;adminEinail&gt;raiitton@ibict .br&lt;/adminEmail&gt;
! &lt;earliestDatestamp&gt;1972-06-30T03:00:00Z&lt;/earliestDatestamp&gt;
! &lt;deletedRecord&gt;no&lt;/deletedRecord&gt;
! &lt;granularity&gt;YYYY-MM-DDThh:rnm: ssZ&lt;/granularity&gt;
&lt;compression&gt;gzip&lt;/compression&gt;
&lt;compression&gt;deflate&lt;/compression&gt;
________&lt;description&gt;___________________________________________________________________
&lt;/Identify&gt;
&lt;/OAI-PMH

Î

Fonte: autores
O intercâmbio de metadados dos docuentos é realizado na forma de um “diálogo”
entre os hosts envolvidos, conferindo a confiabilidade e integridade necessárias.Esse processo
precisa ser configurado para que ele ocorra de maneira automática. Por exemplo, pode-se

474
A
especificação
completa
do
http://www.openarchives.org/OAI/openarchivesprotocol.html

OAI-PMH

está

disponível

em:

4134

�escolher somente determinadas coleções e a política de atualização, que pode ser somente
para itens modificados (com ou sem exclusão) ou para a coleção inteira. Existe um conjunto
de ‘verbos’, que representam comandos que regem a troca de metadados entre os serviços.
Detalhes sobre o protocolo OAI-PMH e sua especificação são detalhados no trabalho de
Cardoso Jr. (2007)

Interoperabilidade: O Protocolo SWORD
O protocolo SWORD (SimpleWeb-serviceOfferingRepositoryDeposit) tem o objetivo
de estabelecer um conjunto de regras e parâmetros para que diferentes aplicativos possam
realizar o depósito de itens num repositório. Por exemplo, é possível que um periódico
eletrônico implementado com o software Open Journal System (OJS) faça o depósito de um
artigo automaticamente num repositório digital implementado com o software DSpace. Outro
exemplo interessante é do aplicativo Moodle

: ele possui um plug-in por meio do qual, ao

fazer o cadastro de um objeto de aprendizagem, ele faz o depósito automático em um
repositório implementado com Dspace.
Segundo Stuart Lewis (2012) esse protocolo começou a ser desenvolvido em 2007
com a finalidade de atender uma demanda de integração entre diferentes softwares,
repositórios digitais ou não. Na atualidade, existem diversos tipos de software para
repositórios digitais, e a interoperabilidade entre softwares de gestão documental ou que
contenham documentos que devem estar nos repositórios é cada vez mais demandada.
No Brasil, o SWORD ainda é desconhecido e é pouco explorado enquanto ferramenta
de integração entre plataformas. No entanto, estão disponíveis no portal do SWORD475476
ferramentas para os desenvolvedores nas plataformas mais conhecidas há APIs - (bibliotecas
de software) para todas as linguagens de programação para WEB e softwares muito populares
como o Moodle, Dspace e OJS já dispõe de interfaces estáveis e funcionais.

Considerações finais
Repositórios e Bibliotecas Digitais podem ser vistos como ‘paradigmas’ em evolução.
A preservação do conhecimento, do patrimônio cultural, científico e histórico está fortemente
associada a investimentos em infraestruturas e serviços baseados nessa forma de preservação,
memória e disseminação da informação e conhecimento.

475 Saiba mais sobre esse plugin em https://moodle.org/plugins/view.php?plugin=repository_sword_upload
476 Saiba mais em http://swordapp.org

4135

�Muitas instituições ainda têm dificuldades em absorver processos de gestão e
conhecimento tecnológico para manter serviços de acesso à informação e documentos digitais
por meio de repositórios e bibliotecas digitais.
A realidade dessas iniciativas é caracterizada por empreitadas de natureza
multidisciplinar, envolvendo profissionais da Ciência da Informação, Tecnologias da
Informação e Administração. Somente a conjunção de habilidades e competências dessas três
áreas viabilizam a criação e a sustentabilidade de um projeto que objetiva, em primeira
instância, apoiar a digitalização, acesso e preservação do patrimônio cultural e científico,
respeitando as questões relativas à propriedade intelectual, com sistemas computacionais
capazes de ‘sobreviver’ à obsolescência tecnológica.
Os pesquisadores e bibliotecários ainda precisam de uma integração mais efetiva para
que essas tecnologias tenham seu uso efetivo - no sentido de prover mudanças e inovação nos contextos organizacionais. Isso deve ocorrer nos processos de ensino e formação de novos
profissionais: novas gerações de bibliotecários, sensíveis e conhecedores do valor das TIC é
que conseguirão transformar os paradigmas e valores ligados às Bibliotecas Digitais e aos
Repositórios. Somente dessa maneira os Repositórios e Bibliotecas Digitais poderão romper
fronteiras e limitações vivenciadas pelas organizações.

REFERÊNCIAS
Boso, Augiza Karla. Repositórios de instituições federais de ensino superior e suas
políticas: análise sob o aspecto das fontes informacionais. (2011).

150 f. dissertação

(Mestre em Ciência da Informação) - Departamento de Ciência da Informação, Universidade
Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.
CARDOSO JR., Marcos José de M. Clio-i: interoperabilidade entre repositórios digitais
utilizando o protocolo OAI-PMH. (2007).

137 f. Dissertação (Mestre em Ciência da

Computação) - Centro de Informática, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2007.
Disponível em:&lt;http://www.cin.ufpe.br/~rbcp/dissertacoes/dissertacaoCARDOSO.pdf&gt;.
Cunha, Murilo Bastos da. Das bibliotecas convencionais às digitais: diferenças e
convergências. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 13, p.2-17, 2008. Disponível
em:&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&amp;pid=S141399362008000100002&amp;nrm=iso&gt;.
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Informação,

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Disponível

4136

�em:&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&amp;pid=S010019651999000300003&amp;nrm=iso&gt;.
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Informação,

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1997.

Disponível

em:&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&amp;pid=S010019651997000200012&amp;nrm=iso&gt;.
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4137

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Documentação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Bibliotecas e repositórios digitais: reflexões, tecnologias e aplicações</text>
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                <text>As Bibliotecas e Repositórios Digitais passaram por transformações de natureza teórica (conceitos, modelos de gestão) e aplicada (evolução tecnológica) sendo caracterizados por uma dinâmica que requer dos profissionais constante reflexão e atualização. Assim, o objetivo desse artigo é apresentar uma série de reflexões acerca da evolução dosconceitos de ambos – Bibliotecas e Repositórios Digitais e de suas tecnologias. Com base em levantamento bibliográfico e nas experiências de pesquisa aplicada dos autores, é apresentada uma perspectiva conceitual, reflexões sobre a evolução dos conceitos, tecnologias comumente envolvidas. Por fim, entende-se que o conceito de Biblioteca Digital atingiu um nível de maturidade compatível com processos de gestão e aplicação, os Repositórios Digitais são vistos como serviços aplicáveis além do âmbito acadêmico, cujas tecnologias evoluem rapidamente e que requerem do bibliotecário constante atualização.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA REVISTA CRB 8 DIGITAL: AVALIAÇÃO DO
PERÍODO 2008 - 2012
Alexsander Borges Ribeiro
Juliani Menezes dos Reis

RESUMO
Analisa o periódico Revista CRB8 Digital, no período de 2008 a 2012, através da autoria
(número de autores, tipo de autoria, produtividade, titulação e vínculo institucional), bem
como citações (número de referências utilizadas, média de citações por artigo, tipologia dos
documentos citados, idioma dos documentos, títulos de periódicos mais citados e autores mais
citados). Utiliza três leis Bibliométricas, a saber, Lei de Bradford, Lei de Lotka e Lei de
Elitismo de Price para a análise Bibliométrica. As ferramentas utilizadas na análise foram: o
software Publish or Perish na análise das citações e Microsoft Excel na mineração,
tabulação e tratamento dos dados. Mostra a tendência da literatura utilizada pelos autores de
artigos publicados na referida revista entre 2008 e 2012. Conclui que o periódico tem
qualidade, mas há necessidade de mudanças em sua política, razão pela qual os autores
apresentam sugestões aos editores.
Palavras-Chave: Bibliometria; Revista CRB 8 Digital; Leis bibliométricas; Revista
Científica; Produção e Comunicação Científica.

ABSTRACT
Analyzes the journal CRB8 Digital Magazine, in the period 2008-2012, through the
authorship (number of authors, type of authorship, productivity, title and institutional
affiliation) and citations (number of references used, average citations per article, type the
cited documents, document language, titles of journals most cited and most cited authors).
Uses three bibliometric laws, namely Law of Bradford, Lotka's Law and Law of Elitism Price
for Bibliometric analysis. The tools used in the analysis were the Publish or Perish software in
the analysis of the citations and Microsoft Excel in mining, tabulation and processing of data.
Shows trend of the literature used by the authors of articles published in that journal between
2008 and 2012. Journal has concluded that the quality, but there is need for changes in policy,
which is why the authors present suggestions to the editors.
Keywords: Bibliometrics; CRB 8 Digital Magazine; Bibliometric laws; Scientific Journal;
Scientific Production and Communication.

142

�1 INTRODUÇÃO
O Conselho Regional de Biblioteconomia da 8a Região é uma autarquia corporativa
que publica a Revista CRB-8 Digital, periódico este que promove a “atualização e
disseminação de conhecimento, mediante divulgação de trabalhos de profissionais sobre
novos processos, produtos e serviços, bem como de inovações desenvolvidas pela
comunidade biblioteconômica e seus relatos de experiências.” (REVISTA CRB8 DIGITAL,
2014). Atualmente a revista está enquadrada como Qualis C na área de avaliação “Ensino” e
Qualis B5 nas áreas “Educação”, “Psicologia”, “Sociologia”, “Letras/Lingüística” e “Ciências
Sociais Aplicadas I”, de acordo com a última avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O periódico não está indexado nas principais bases de
dados, sendo uma das principais razões para as avaliações feitas pela Capes terem resultado
nos conceitos mencionados.
A Revista CRB8 Digital é um periódico científico de acesso aberto, que iniciou suas
atividades em 2008. Desde então já publicou 10 números em 5 volumes, mas seu último
número publicado foi em 2012. Apesar de ser considerada “peso zero” pela CAPES, na área
de Ensino e B5 em outras áreas, a mesma já publicou alguns trabalhos interessantes de
profissionais qualificados ao longo de sua existência. Manzini (2013, p. 124) argumenta que
“Publicar em uma revista de Qualis B5 não significa que o artigo é ruim.”. Sendo a Revista
CRB-8 Digital um periódico que publica alguns trabalhos relevantes, faz-se necessário
trabalhar pela sua melhoria, até para que os profissionais sigam buscando a publicação de
seus trabalhos no mesmo.
Não há informações publicadas em relação ao histórico da revista, mas sendo a atual
equipe editorial composta unicamente por conselheiros da gestão 2012/2014 é possível supor
que os editores mudem a cada gestão de conselheiros e que os primeiros editores tenham sido
membros da gestão 2006/2008. O Scientific Electronic Library Online (SCIELO), por
exemplo, tem critérios de admissão que impediriam o ingresso da publicação, pois informa
que “periódicos que possuem um conselho com integrantes ligados predominantemente a uma
instituição e/ou com artigos provenientes em sua maior parte de uma única instituição ou de
uma região geográfica não serão admitidos”. Além da equipe editorial diretamente ligada ao
CRB8, a publicação prioriza autores da região de São Paulo, conforme seu “Foco e Escopo”.
Apesar de estar indexada no Diretório de Revistas do Sistema Eletrônico de
Editoração de Revistas (SEER), não constam informações sobre área, subárea ou áreas
correlatas de atuação. Também não está indexada em nenhuma das bases de dados valorizadas
pela Capes (LATINDEX, por exemplo), da área da Biblioteconomia (BRAPCI ou

143

�PERI/UFMG) ou tem fator de impacto medido pelo Institute for Scientific Information (ISI).
Targino e Garcia (2000, p. 103) explicam que “Considerando-se a importância da indexação
no processo de disseminação da informação na sociedade contemporânea, as bases de dados
configuram-se como essenciais nesse processo.”.
O objetivo do trabalho é contribuir para a melhoria do periódico, permitindo que o
mesmo seja melhor avaliado pela CAPES e que os profissionais bibliotecários tenham mais
um periódico de incontestável qualidade. Para tanto foi aplicada uma análise bibliométrica da
publicação, com posterior discussão e sugestões aos editores.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Le Coadic (1996, p. 27) explica que "as atividades científicas e técnicas são o
manancial de onde surgem os conhecimentos científicos e técnicos que se transformarão,
depois de registrados, em informações científica e técnicas. Mas, de modo inverso, essas
atividades só existem, só se concretizam, mediante essas informações.". Kuramoto (2006)
esclarece que “a informação científica é o insumo básico para o desenvolvimento científico e
tecnológico de um país. Esse tipo de informação, resultado das pesquisas científicas, é
divulgado à comunidade por meio de revistas.” Souza et al. (2012, p. 2) explicam que os
periódicos são de “[...] fundamental importância, pois são constituídos por novas informações,
sendo indispensáveis para o resultado de pesquisas, novas interpretações de teorias ou novos
acontecimentos, favorecendo a comunicação científica e a rápida difusão das informações.”.
Schweitzer e Rodrigues (2013, p. 160) afirmam que “os periódicos científicos são
considerados os principais meios formais de divulgação da informação científica”.
Craveiro, Machado e Ortellado (2010, p. 34) realizaram um estudo e constataram que
“das 698 pesquisas brasileiras realizadas no biênio 2005-2006, 676 (96,8%) foram parcial ou
totalmente financiadas com recursos públicos.”. Com base no trabalho mencionado,
afirmaram que no Brasil “os recursos públicos são os principais responsáveis pelo
financiamento da pesquisa científica.” (CRAVEIRO; MACHADO; ORTELLADO, 2010, p.
10). Kuramoto (2006) explica que “o acesso à informação científica tem sido um grande
desafio para países em desenvolvimento como o Brasil. Com a crise dos periódicos, surgida
em função dos altos custos na manutenção das assinaturas das revistas científicas, o acesso à
informação científica ficou bastante limitado.”. Souza et al. (2012, p. 6) explicam que “não
existem, no Brasil, políticas que limitem a apropriação pelas editoras dos conhecimentos
científicos gerados com financiamento público”. Felizmente, novas ferramentas tecnológicas,
aliadas ao descontentamento de muitos pesquisadores trouxeram esperança, pois em 2002

144

�surgiu o movimento Open Access Iniciative (OAI), em Budapest. Kuramoto (2006) conta que
“um cenário onde as barreiras que dificultam o acesso à literatura científica começam a ser
derrubadas por intermédio de ações estratégicas propostas por esse movimento mundial.”. O
movimento define então duas estratégias, chamadas de via verde (auto-arquivamento da
publicação em repositórios de acesso livre) e via dourada (publicação de artigos em
periódicos de acesso livre).
Independente do periódico, disponibilizar seu conteúdo gratuitamente ou mediante
pagamentos, há vários argumentos para mensurar a qualidade de cada um deles, seja para que
os pesquisadores saibam onde é melhor publicar, seja para os usuários que buscam
informação de qualidade. Bressane e Ohira (2007) contam que “a partir da década de 1960
encontram-se na literatura estudos sobre avaliações de periódicos técnico-científicos que
apontam para a necessidade de se definir parâmetros mensuráveis, que possam refletir a
qualidade da informação registrada.”. Tais estudos são muitas vezes com enfoque
bibliométrico, onde verificam se as Leis de Lotka, Zipf e Bradford são aplicáveis aos objetos
de estudo. Porém não é raro que adotem outros métodos de avaliação como, por exemplo, Lei
de Elitismo de Price.
Vanti (2002, p. 153) explica que “a Lei de Bradford ou Lei de Dispersão, permite,
mediante a medição da produtividade das revistas, estabelecer o núcleo e as áreas de dispersão
sobre um determinado assunto em um mesmo conjunto de revistas.” De acordo com Lima
(1984, p. 59), a Lei de Bradford pode ser entendida como:
O multiplicador de Bradford (mB) é obtido pelo quociente, razão entre o
número de periódicos de uma zona (P) e o número de periódicos da zona
imediatamente anterior (Pn-1), de tal sorte que: mB = Pn / Pn-1. O “m B” é
constante quando onúmero de periódicos evolui em progressão geométrica
perfeita.
Quemel et al. (1980, p. 161) disseram ser preciso “ajustar os limites teóricos à
realidade do acervo, para se obter os limites reais das zonas” teorizadas por Bradford.
Pinheiro (1983, p.59), porém, opina que “a Lei de Bradford, mesmo com reformulações de
outros autores, não corresponde, ainda à realidade do comportamento da literatura científica.”.
Na mesma linha Aymard (1980) aponta que a teoria de Bradford é divorciada da realidade,
por não representá-la adequadamente. Apesar das críticas e das constatações das incertezas,
Quemel et al.(1980, p. 163) concluem que “a lei da dispersão de Bradford constitui-se em
instrumento válido para a seleção dos periódicos mais produtivos.”. Na mesma linha segue

145

�Guedes e Borschivier (2005, p. 4): “a Lei de Bradford é um instrumento útil para o
desenvolvimento de políticas de aquisição e de descarte de periódico.”.
Urbizagástegui (2009, p. 70) explica que “a distribuição da produtividade dos autores
numa coordenada cartesiana é uma distribuição tão inclinada, que inspirou Price (1963) a
propor a Lei do Elitismo”. O autor explica que “ao se contar a produção total daqueles que
produzem n artigos, parece que o grande número de pequenos produtores contribuem tanto
quanto o total do pequeno número dos grandes produtores” (URBIZAGÁSTEGUI, 2009, p.
70). Exemplificando, diz que “se existem 100 autores e se o mais prolífico produz 100 artigos,
a metade de todos os artigos terá sido escrita pelos 10 mais prolíficos autores, e a outra
metade por aqueles com menos de 10 artigos cada um”. (URBIZAGÁSTEGUI, 2009, p. 70).
A Lei de Lotka ou Lei do Quadrado Inverso “aponta para a medição da produtividade
dos autores, mediante um modelo de distribuição tamanho-freqüência dos diversos autores em
um conjunto de documentos.” (VANTI, 2002, p. 153). Urbizagástegui (2008, p. 89) conta
que:
Lotka (1926) estabeleceu os fundamentos da lei do quadrado inverso,
afirmando que o número de autores que fazem n contribuições num
determinado campo científico é aproximadamente 1/n2 daqueles que fazem
uma só contribuição, e que a proporção daqueles que fazem uma única
contribuição é de mais ou menos 60 por cento.
Tal situação é muitas vezes decorrente do Efeito Mateus, que ocorre quando um
cientista atinge alta visibilidade e passa a ter mais chances de publicar que os demais
(URBIZAGÁSTEGUI, 2008).
Allison et al. (1976 apud URBIZAGÁSTEGUI, 2009) explicam que a validade da Lei
do Elitismo de Price não depende necessariamente da validade da Lei de Lotka, e que
somente pode ser julgada sobre a base de evidências empíricas. Bomeny (1978 apud
URBIZAGÁSTEGUI, 2002) analisou o arquivo privado de Getúlio Vargas, no período de
1930 a 1939 e concluiu que a Lei de Lotka não se ajustaria às cartas deste arquivo. No entanto
Oliveira (1984, p. 210 apud URBIZAGÁSTEGUI 2002) realizou estudo semelhante sobre o
mesmo acervo e, de acordo com Urbizagástegui (2002), mostrou que a Lei do Elitismo de
Price se aplicava. Importante destacar que a Lei do Elitismo de Price pode ser aplicada tanto
para se conhecer a elite de um grupo de autores, como a elite de um grupo de periódicos.
Enquanto Urbizagástegui (2009) a aplicou aos autores produtores da literatura sobre a Lei de
Lotka, Lima (1984) a utilizou para identificar a elite do grupo de periódicos citados no
periódico Scientometrics, em sua análise de citações.

146

�Ferreira (2010) aponta que “a bibliometria é indiscutivelmente uma ferramenta
indispensável para o conhecimento de determinadas comunidades científicas, identifica
comportamentos e também a qualidade das publicações.”. Ainda sobre a qualidade das
publicações é preciso destacar em no Brasil, um dos parâmetros de qualidade é o QualisPeriódico da CAPES, que é um conjunto de procedimentos que qualifica a revista científica
onde o artigo foi publicado e assim mede a produção científica dos programas de pósgraduação dentro de cada uma das 46 áreas de avaliações da Capes. É dividido em oito
estratos: A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C, sendo que para os estratos superiores de A1, A2,
B1 e B2, o periódico deve ter fator de impacto no JCR-ISI. (KIMURA, 2010). Os grandes
pesquisadores tendem a publicar nos melhores periódicos, razão pela qual é interessante que
cada revista científica busque sua melhoria contínua, rumo ao estrato indicativo de qualidade
Qualis A1 ou para manter-se no mesmo.
Para Brito, Guedes e Shintaku (2013, p. 1) “os periódicos científicos de acesso aberto
revelam-se como estratégia importante na disseminação de novos conhecimentos de forma
mais democrática.”. Assim, a Revista CRB 8 Digital, por ser de acesso livre, fica inserida no
contexto da emergente necessidade de melhorar os periódicos que são estratégicos ao país.
Necessário destacar que, no contexto do movimento OAI, acesso aberto e acesso livre
significam a mesma coisa, embora alguns pesquisadores, como Kuramoto e Hélène Bosc,
achem que a tradução “Open = livre (português) ou libre (francês) ” são mais adequadas por
darem maior liberdade de uso.
O Digital Object Identifier (DOI)
[...] fornece uma identificação inequívoca aos objetos digitais na Web,
permitindo a recuperação dos metadados sobre o objeto identificado e, com
isso, localizar esse objeto pelo redirecionamento a um local em que possa ser
acessado. O uso do DOI pode potencializar a visibilidade da revista
científica, auxiliar na verificação de citações e contribuir para a adequação a
padrões internacionais de publicação científica na Web. (BRITO; GUEDES;
SHINTAKU, 2013, p. 13).
Na mesma linha, Damásio (2013, p. 126) afirma que "a utilização do registros DOIs e
seus links é essencial para o aumento da visibilidade, devido sua interoperabilidade em
diversas base de dados de acesso aberto ou fechado e também um dos critérios para avaliação
de indexação de novos periódicos nas plataformas Scopus e Web o f Science.". Quase 50% dos
documentos eletrônicos on-line analisados por Mesquita e Stumpf (2004), em seu estudo de
citações, não puderam ser localizados através do URL. Concluíram as autoras, na época, que

147

�era necessário encontrar meios de preservar a informação em ambientes eletrônicos. A adoção
do DOI vai de encontro com as recomendações das autoras, pois possibilita uma maior
recuperação da informação. A Revista CRB8 Digital periódico não adota o uso do DOI, mas
pelas razões apontadas por Brito, Guedes e Shintaku (2013), bem como Damásio (2013) é
possível afirmar que a adoção de uma política de uso do DOI poderia ajudar no
desenvolvimento do periódico.
Brito, Guedes e Shintaku (2013, p. 25) explicam que “o plugin do DOI permite a
adequação do software SEER/OJS, por consequência as revistas, para utilização do
identificador DOI. Moraes e Miranda (2011) contam que disponibilizado pela Brittish
Columbia, no Canadá, e conhecido como Open Journal System (OJS), traduzido e
customizado pelo Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia (Ibict), esse sistema, cujo sítio
de acesso é http://seer.ibict.br/, visa atender a demanda das publicações on-line. As autoras
afirmam que “o SEER, além de contribuir para as publicações eletrônicas, difunde os
movimentos de acesso aberto, que origina proveitos para a sociedade em geral, e rompe
barreiras de tempo e espaço.” (MORAES; MIRANDA, 2011, p. 32). Rompimento que produz
uma revolução no fazer científico, trazendo benefício real à Humanidade.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo mostra a tendência da literatura utilizada pelos autores de artigos publicados
na referida revista entre 2008 e 2012. Analisa os dados através da autoria (número de autores,
tipo de autoria, produtividade, titulação e vínculo institucional), bem como citações (número
de referências utilizadas, média de citações por artigo, tipologia dos documentos citados,
idioma dos documentos, títulos de periódicos mais citados e autores mais citados).
Ciente das limitações da Lei de Bradford, apontada por Quemel et al. (1980), Pinheiro
(1983) e outros autores, optamos por aplicá-la no estudo, no que diz respeito aos periódicos
mais citados na coleção da revista, seguindo a mesma lógica de Quemel et al. (1980), ou seja,
apesar das críticas à lei mencionada consideramos que ela é um instrumento útil para
avaliação de periódicos. A possibilidade de um ajuste que trouxesse os resultados à realidade
foi comentada, mas o gráfico semi-logarítmico com as zonas de produtividade foi construído
à risca da Lei de Bradford. Consideramos, pois, mais produtivos aqueles que foram mais
citados. Já a Lei de Elitismo de Price foi aplicada para verificar que periódicos foram citados
em todos os anos, tal como fez Lima (1984).
Para análise das palavras-chave utilizadas nos artigos publicadas, criamos uma lista
ordenada de termos. Para efeitos do trabalho, utilizamos a lista para agrupar na categoria

148

�“Livros”, todas as referências sobre livros e capítulos de livros. Os trabalhos apresentados em
eventos foram chamados de “Eventos”.
Na análise dos periódicos ignoramos a troca de nomes entre os periódicos, razão pela
qual Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG e Perspectivas em Ciência da
Informação, por exemplo, são tratadas como duas revistas científicas.
A pesquisa foi realizada com base nos seguintes objetivos específicos:
a) conhecer os autores de artigos das revistas analisadas, sua produtividade, titulação e
instituição a qual pertencem, bem como co-autores que colaboraram na redação dos artigos,
diferenciando os trabalhos por autoria única e a autoria múltipla;
b) mensurar a utilização de referências em virtude das citações, assim como a média de
citações/ referências bibliográficas por artigo;
c) verificar a tipologia dos documentos utilizados para a redação dos artigos e respectivos
idiomas;
d) identificar os autores e títulos de periódicos mais citados pelos autores dos artigos;
e) descobrir quais as palavras-chave mais utilizadas pelos autores dos artigos.
Para obter e analisar as citações acadêmicas foi utilizado o Publish or Perish, que
segundo seu manual “usa o Google Scholar como fonte de citações, então analisa e calcula
uma série de indicadores de citações.” (PUBLISH, 2014). Foi feito um refinamento manual,
analisando-se individualmente cada citação, pois não existe um padrão para a coleta,
causando repetição de itens.

4 RESULTADOS
A revista científica publicou 93 trabalhos, nas seções: editorial, artigos, relatos de
experiência, espaço discente, momento de reflexão, discursos, opiniões, estante, estante social
e informação para negócios. Destes, 64 foram selecionados para o estudo, por ter uma
apresentação igual ou muito semelhante à de um artigo, palavras-chave e referências. Os
demais trabalhos foram desprezados no estudo.
Os 64 artigos foram publicados entre 2008 e 2012 na seguinte razão: 18 em 2008, 6
em 2009, 5 em 2010, 9 em 2011 e 26 em 2012. De acordo com os requisitos da Scielo (2013),
a revista deveria publicar, no mínimo, 10 artigos por número, sendo desejável um total de 24.
Embora a média anual de artigos da coleção tenha ficado em 13 trabalhos, ou seja, dentro dos
padrões da Scielo, a revista teria tido problemas nos anos de 2009, 2010 e 2011.
Na realização dos trabalhos selecionados, foram referenciados 733 trabalhos, sendo
que 48% eram de livros, 21% de trabalhos publicados na internet sem avaliação dos pares,

149

�19% de artigos publicados em periódicos científicos (impresso ou on line), 5% de trabalhos
apresentados em eventos, 3% de dissertações, 2% de teses, 1% de tccs e empatadas as
categorias relatórios de pesquisa e jornais, com porcentagens inferiores a 1% cada.
As 733 referências pertenciam a autores pessoais e autoria entidade, num total de 929
participações de pessoas físicas e jurídicas, visto que alguns trabalhos não eram de autoria
individual. Tendo em vista que 12 trabalhos traziam nas referências apenas o nome do
primeiro autor e a expressão “et a l” (usada quando há mais de três autores) em substituição
aos demais autores, podemos dizer que, não havendo erro do uso das normas, houve mais 36
autores, no mínimo, alcançando a marca de 965 contribuidores. Na provável hipótese de que
os doze trabalhos não eram unicamente de autoria de quatro pessoas, podemos supor que o
número ultrapassa as 965 contribuições. Houve 517 autores referenciados em virtude de
trabalhos publicados em português, que juntos foram 677 referenciados: Maria Aparecida da
Costa Bezerra, Nice Menezes de Figueiredo, Mariângela Spotti Lopes Fujita, José Augusto
Chaves Guimarães, Pierre Levy, Luis Milanesi e Paulo Nassar, todos com 5 referências cada
foram os que mais influenciaram os 93 artigos. Em língua inglesa, foram referenciados 37
autores, sendo que Tim O’Reilly foi o mais referenciado por ter influenciado 2 trabalhos. Os
demais 36 autores foram referenciados uma única vez.
Em língua espanhola, 29 autores foram referenciados 49 vezes, sendo que os mais
influenciadores foram: Carlos Miguél Tejadas Artigas e Luis Bernardo Yepes Osório, com 4
referências cada.
Do total de 929 participações de pessoas físicas e jurídicas (excetuando-se as hipóteses
e suposições, mas apenas as informações comprovadas), 764 (82,2%) eram referências a
autores pessoais. Cinquenta e duas (52) referências eram de publicações em língua portuguesa
da União, em geral publicações oficiais ou materiais produzidos pelos Ministérios. Uma
entidade bastante influenciadora é a Organização das Nações Unidas para a educação, a
ciência e a cultura (Unesco), que foi referenciada 10 vezes, por publicações em língua
portuguesa e 3 vezes por publicações em língua inglesa. Após, vem a International Federation
of Library Associations (Ifla), com 7 menções em português e 1 em inglês. Na sequência vem
outras instituições importantes como Universidade do Estado de São Paulo (Usp), cinco
vezes; e, IBICT, quatro vezes. Demais instituições não alcançaram quatro referências.
Os 64 artigos pertencem a 111 autores, totalizando 126 participações. Vinte e cinco
trabalhos (39%) foram escritos por uma única pessoa. Vinte e dois trabalhos (34,4%) foram
elaborados por duas pessoas. Doze trabalhos (18,7%) foram escritos por três pessoas. Três
trabalhos foram (4,7%) escritos por quatro pessoas. Somente dois trabalhos foram (3,1%)

150

�escritos por cinco pessoas. A docente da Unifai, Maria Cristina Palhares Valência foi quem
mais publicou, sendo 6 artigos. Depois vem a bibliotecária escolar e universitária, vinculada
ao Proler - Assessoria de Bibliotecas Universitárias, Maria Aparecida da Costa Bezerra; e as
docentes da FESPSP e USP, Vânia Martins Bueno de Oliveira Funaro e Cibele Araújo
Camargo Marques dos Santos, docente, todas com 3 trabalhos publicados. Com dois trabalhos
publicados vem a bibliotecária do Centro Comunitário Ludovico Pavoni, Rosana Formigoni
Telles e os docentes Norma Cianflone Cassares (Unifai), Waldomiro Vergueiro (USP) e
Valéria MartinValls (USP). Todos os 103 autores (92,8%) restantes contribuíram com um
único trabalho.
McCreery e Pao (1984 apud URBIZAGÁSTEGUI, 2009) afirmaram que “cientistas
sociais e humanistas em geral preferem trabalhar individualmente, e não em colaboração”. O
fato de quase 40% dos trabalhos serem de autoria individual não causa estranheza.
Assim, embora se tenha feito os cálculos para verificar se a Lei de Lotka se aplica ao
periódico analisado, verificou-se que a mesma não se confirma, pois os 20% mais produtivos
(22 autores) são responsáveis por apenas 41 artigos (36,9%). Da mesma forma, Sobrinho,
Caldes e Guerrero (2008, p. 21) contam que “[...] Lotka conta que a proporção de autores com
um só trabalho é de 60 por cento." e no caso do periódico 103 dos 111 autores publicaram
apenas 1 artigo, ou seja, 92,8%, bem distante dos 60% apontado por Lotka. Evidente que os
autores podem ter publicado em outros periódicos, mas adotando Lotka para análise do
periódico a lei não se confirma.
Dos 111 autores, oitenta e oito (79,2%) informaram suas qualificações, sendo que
quarenta e cinco (40,5%) dos 111 são bacharéis, onze (9,9%) especialistas, dez (9%) doutores,
sete (6,3%) mestres, seis (5,4%) mestrandos, cinco (4,5%) doutorandos, três (2,7%)
estudantes de graduação e um (0,9%) pós-doutor. Os demais não informaram suas
qualificações.
Quanto à instituição de origem dos autores, setenta e seis dos 111 autores informaram
seu vínculo, sendo que quatro informaram ter vínculo com duas instituições. Assim, 80
instituições foram citadas e as principais instituições de vínculo dos autores são aquelas
destinadas ao ensino. A Universidade de São Paulo teve nove (11,25%) vinculações e a
Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo teve oito (10%) vinculações. Depois
vem a Prefeitura Municipal de São Paulo, com quatro (5%) vínculos; Biblioteca de São Paulo
(Estadual) e várias instituições de ensino: IFSP, UFPB, UNIFAI e UNESP Marília, com três
(3,75%) vínculos. Empatados com duas (2,5%) vinculações o Centro de Documentação e
Referência do Koury e Lopes Advogados (KLA), SP; UFSCAR e Universidade Federal do

151

�Ceará. Outras 38 instituições foram mencionadas apenas uma (1,25%) vez, sendo que três
delas são internacionais: Universidad Carlos III de Madrid (Espanha), Follet International
(Estados Unidos) e California State University Long Beach (Estados Unidos).
Sobre os periódicos, 77 revistas científicas foram referenciadas, sendo que aplicando a
Lei de Bradford, constatamos que o núcleo agrupa os 5 periódicos mais produtivos,
responsáveis por 47 dos 141 artigos citados. Os limites teóricos das zonas de produtividade
ficaram definidos conforme gráfico semi-logarítmico abaixo (Gráfico 1), que ilustra a Lei de
Bradford. O ponto da reta (ponto P1 de Bradford) é o ponto de coordenadas (5;47).

Gráfico 1: Gráfico Bradford-Zipf

Para explicar o quadro abaixo, tomaremos emprestadas as explicações de Aymard
(1980, p. 152), onde “Ri é a quantidade de periódicos que produziram uma quantidade
correspondente de artigos); Ai é a quantidade correspondente de artigos durante o período da
pesquisa.”. Já o cálculo i=m £ i=1 deve ser entendido como a quantidade de periódicos que
produziram uma quantidade correspondente de artigos mais o total anterior de i=m £ i=1,
sendo 1 o primeiro número. O cálculo Ri.Ai ocorre da multiplicação de Ri, que é a quantidade
de periódicos que produziram uma quantidade correspondente de artigos e Ai, que é a
quantidade correspondente de artigos durante o período da pesquisa. Para encontrar i=m £
(Ri.Ai) i=1, basta somar o valor de Ri.Ai com o i=m £ (Ri.Ai) i=1 inicial. Assim, conforme
explicou Pinheiro (1983, p. 62) o gráfico é “uma curva que tem a forma de “S” e é conhecida

152

�como gráfico “Bradford-Zipf” . No gráfico i=m £ (Ri.Ai) i=1 é o eixo Y e i=m £ (Ri) i=1 é o
eixo X.

Quadro 1: Cálculo para criação do gráfico Bradford-Zipf
i=m

i=m

Pj

Aj

I Ri
i=l

Rj.Aj

X (V V
i=l

1

24

1

24

24

1

8

2

8

32

1

6

3

5

33

1

5

4

5

43

2

4

6

3

51

5

3

11

15

66

S

2

20

13

34

57

1

77

57

141

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

A alta produtividade está na 1a zona ou núcleo, onde 5 periódicos produziram 47
artigos (33,3%). A média produtividade está na 2a zona, onde 25 periódicos produziram
outros 47 artigos (33,3%) e finalmente a 3 a zona, onde 47 periódicos produziram os 47 artigos
(33,33%) restantes. Conforme anteriormente apontado por Pinheiro (1983) e Aymard (1980) a
Lei de Bradford, mesmo com reformulações, não corresponde à realidade do comportamento
da literatura científica. Contudo, Quemel et al. (1980) destacaram ser necessário “ajustar os
limites teóricos à realidade do acervo, para se obter os limites reais das zonas.”. Assim, além
dos periódicos Ciência da Informação, Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG,
Transinformação, Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação e Perspectivas
em Ciência da Informação, já agrupados na zona mais produtiva por meio dos cálculos,
poderiamos incluir a Revista de Biblioteconomia de Brasília, pois a mesma teve a mesma
quantidade de referências que a Perspectivas em Ciência da Informação. Mas isso causaria
uma alteração gráfica, pois a primeira zona ficaria com 6 periódicos e 51 artigos. Também a
adequação à realidade é discutível, pois poderia ser a exclusão do periódico Perspectivas em
Ciência da Informação da 1a zona, causando igual dano ao gráfico, visto que a zona passaria a
ter 4 periódicos e 43 artigos. Tais procedimentos causariam alterações nas demais zonas e
precisariam de ajustes semelhantes ao da primeira zona. No estudo de Quemel et al. (1980) as
alterações fizeram surgir três zonas, sendo a 1a zona com 3 periódicos e 39 artigos; 2a zona
com 11 periódicos e 31 artigos; e, 3 a zona com 15 periódicos e 15 artigos, que nas palavras

153

�das autoras (p. 161) deixaram a “última zona incompleta”. Nas conclusões as autoras afirmam
que “a lei da dispersão de Bradford constitui-se em instrumento válido para a seleção dos
periódicos mais produtivos” (QUEMEL et al., 1980, p. 163). Na mesma linha segue Guedes e
Borschivier (2005, p. 4): “a Lei de Bradford é um instrumento útil para o desenvolvimento de
políticas de aquisição e de descarte de periódico”. Para efeitos deste estudo adotamos a Lei de
Bradford, mas cientes de suas limitações.
O periódico mais referenciado foi o Ciência da Informação (24 vezes), seguindo de:
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG (8); Transinformação (6); Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação (5); Perspectivas em Ciência da Informação (4);
Revista Biblioteconomia de Brasília (4) e após outros periódicos com menor número de
referências. O estabelecimento de uma elite de periódicos, os mais relevantes da área, é
certamente importante para a política de seleção no sistema de informação. Apesar de 77
títulos terem sido referenciados ao longo dos cinco anos de existência do CRB 8 Digital, pelo
Elitismo de Price temos que a elite é igual a 1, uma vez que somente o periódico Ciência da
Informação foi referenciado ao longo dos cinco anos. Embora somente um periódico esteja na
elite, há relação entre produtividade e elitismo.
Os 64 artigos selecionados tem 258 palavras-chave, ou seja, uma média de 4,03
palavras-chave por artigo. Seis trabalhos utilizaram apenas duas palavras-chave; quinze
utilizaram três; dezenove artigos utilizaram quatro palavras-chaves; vinte utilizaram cinco;
três chegaram a utilizar seis palavras e, um único trabalho utilizou sete palavras-chave.
Palavras-chave como “Bibliotecas Públicas Municipais, Biblioteca Pública - Colômbia,
Biblioteca Pública e a Sociedade, etc.” foram redirecionadas para a palavras-chave
“Biblioteca Pública”. Também ocorreu a transformação das palavras-chave pluralizadas para
o singular.

Para facilitar a análise das informações, agrupou-se as palavras-chave por

temáticas. Isso causou um trabalho extra, de contextualizar cada palavra-chave, visto que
palavras como “Catalogação” tanto poderiam se referir à disciplina de catalogação como o ato
de catalogar.
O grupo que obteve o maior quantitativo foi o de “Serviços e Procedimentos”, com
65 palavras-chave, onde “Busca de Informação para tomada de decisão” alcançou o total de 9
palavras.

Depois vieram “Análise sobre a Pesquisa Escolar” e “Estudo sobre Padrões

Bibliográficos”, ambos com 5 palavras-chaves. A “Indexação” entendida como o labor do
indexador alcançou 4 quantidades. A seguir vem o grupo: “Espaços/Locais Físicos ou
Virtuais de interação”, onde a Biblioteca Pública foi a mais mencionada. Das 64 palavraschave do grupo, 21 eram sobre a mesma. Depois o agrupamento “Outras bibliotecas

154

�(biblioteca híbrida, biblioteca itinerante, biblioteca jurídica, etc.) vem a seguir, com 12
menções. Em seguida vem a “Biblioteca escolar”, com 11 palavras-chave. As demais 20
palavras-chave do grupo eram sobre livraria, ONG, instituições esportivas, entre outras, quase
todas com uma única menção. Neste grupo foi incluída a palavra-chave “Rede Social”, apesar
de ter sido criado o grupo “Internet”. Das 48 palavras-chave do grupo “Ensino,
aprendizagem e comportamento”, 10 eram sobre “Ensino” e 10 sobre “Livro e leitura na
Educação”. As disciplinas ou área de conhecimento ficaram reunidas sobre a denominação
“Disciplinas ou Áreas de Conhecimento”, grupo com 23 palavras-chave, onde as maiores
quantidades foram: Educação, 3 menções; Biblioteconomia, Gestão do Conhecimento,
Administração Pública e Desenvolvimento de Coleções, todas com 2 menções e demais
disciplinas ou áreas com uma única menção. O grupo “Pessoas ou Profissionais” teve 18
palavras-chave, sendo que 10 sobre o “Bibliotecário”. Depois vieram “Docente/Professor” e
“Profissional da informação”, ambos com 3 indicações. Para abrigar ações transformadoras
foi criado o grupo “Políticas, projetos e ações reguladoras, sociais e/ou culturais”, com 17
palavras, onde “Projetos sociais e inclusão” teve 8 referências. O termo “Normas”,
englobando ABNT, ISO, etc., teve quatro quantidades. Algumas palavras-chave traziam
nomes de entidades, por isso foi criado o grupo “Instituições”, que teve 15 palavras-chave e
apenas Twitter teve 2 palavras-chave. O restante teve apenas 1 menção. O grupo “Internet”
abrigava o próprio termo “internet”, que recebeu 3 das 7 menções, mecanismo de busca,
também com 3 menções e blog, que recebeu 1 menção e até poderia ter sido deslocado para o
grupo de espaço ou local físico ou virtual de interação, pois pode existir a interação
assíncrona, tal como na rede social. Arbitrariamente, optamos por deixá-la na categoria
internet por ser tal como sites um ambiente construído para informar e não interagir, como a
rede social. O grupo com menor número de palavras-chave foi o “Outros”, com uma única
palavra-chave chamada “Espanha”, de difícil enquadramento nos agrupamentos anteriores.
Gonçalves (2008, p. 7) explica que as palavras-chave “[...] são importantes tanto na
recuperação de informação por um pesquisador quanto como orientação ao trabalho de
profissionais que trabalham com indexação.”.
Em 2008 foram referenciados 106 trabalhos nos 19 artigos da revista. A média de
referências foi de apenas 5,58 por artigo. No ano seguinte a média subiu para 10,3% em
virtude das 62 referências utilizadas nos 6 trabalhos publicados. Em 2010 a média cresceu
novamente, saltando para 12 referências por artigo, visto que houve as mesmas 62 referências,
mas em apenas 5 artigos. No ano de 2011 foram 126 referências para 9 trabalhos, subindo a

155

�média para 14. Finalmente, em 2012, com 377 referências em 26 trabalhos, a média alcançou
a marca de 15 referências por artigo.
O tipo de documento citado que mais acompanhou a subida das médias foi o da
internet. Diferente dos demais tipos de documento, a referência de trabalhos da internet só
cresceu entre 2008 e 2012. Começou com 1,5 por artigo e terminou em 3,92 por artigo.
Agrupando as teses, dissertações, tccs e relatórios de pesquisa na categoria “Trabalhos
Acadêmicos”, o grupo se torna o quarto principal tipo de documento.
No Publish or Perish, aparecem 39 citações a 23 trabalhos, ou seja, mais de um terço
dos trabalhos do periódico (35,9%) foram alguma vez citados. Dois trabalhos receberam 5
citações cada, sendo que o primeiro foi publicado em 2010 (1,25 ao ano desde a publicação) e
o segundo foi publicado em 2011 (1,67 ao ano desde a publicação). Um terceiro artigo, de
2011, recebeu 4 citações (1,33 ao ano desde a publicação). O quarto mais citado recebeu 3
citações, sendo que foi publicado em 2010 (0,75 ao ano desde a publicação). Três trabalhos
foram citados 2 vezes, sendo um em 2010 (0,50 ao ano desde a publicação) e um em 2012 (1
ao ano desde a publicação). Outros 16 trabalhos foram citados uma única vez. Das 39
citações, apenas 1 era referente a um mesmo trabalho, mostrando uma versão em html e outra
em pdf, razão pela qual se reduziu o total a 38 citações.
A revista mostra sua importância quando analisado o objeto de emprego das citações:
19 em trabalhos acadêmicos (9 em Dissertações de Mestrado, 8 em Trabalhos de Conclusão
de Curso e 2 em Teses), 10 em trabalhos apresentados eventos - dos quais se destacam
trabalhos apresentados no Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação
(Enancib) e Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), 7 em artigos
publicados em periódicos (a maioria em periódicos bem conceituados, como Transinformação
e Perspectivas em Ciência da Informação), 1 em um livro e 1 em uma apostila para um curso
de auxiliar de biblioteca.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando os periódicos mais citados ao longo da história da Revista CRB 8 Digital,
percebemos que existe uma relação muito forte entre a boa avaliação de um periódico perante
a CAPES e a quantidade de citações que recebeu na revista analisada. Daí a importância do
periódico analisado em amadurecer, para ser melhor avaliado e mais citado.
Após aplicar a Lei do Elitismo de Price na análise das citações, constatou-se que há
relação entre produtividade e elite, no que diz respeito aos periódicos. Constatamos também
que a Lei de Lotka não se aplica ao periódico analisado, visto que os 20% de autores mais

156

�produtivos produziram apenas apenas 41 artigos (36,9%) e a proporção de autores que
produziram um único artigo foi de 92,8%. Adotando a Lei de Bradford foi possível construir
um gráfico do tipo "Bradford-Zipf", mas tal como Aymard (1980) foi possível ver que as
zonas não correspondem à realidade do comportamento da literatura científica. Da mesma
forma, concordam os autores com Guedes e Borschivier (2005), que a Lei de Bradford ainda é
um instrumento útil, desde que se analise ciente de suas limitações.
A alta incidência de trabalhos publicados pela Revista CRB 8 Digital, citados em
outras publicações e eventos da área, mostra que o periódico merece ser revitalizado e que
tem potencial para virar um Qualis A ou B a longo prazo. Contudo, a revista ainda não atende
a uma parte dos critérios de seleção de algumas bases de dados importantes e da CAPES.
Inevitável não destacarmos que a CAPES avalia a revista como “peso zero” em Ensino e, pela
análise das palavras-chave, descobrimos que 10 dos 64 artigos falam explicitamente sobre
Ensino. Outros 10 sobre Livro, Leitura e Educação, que tem uma relação muito próxima do
Ensino. Daí resulta a emergência de elevar a revista a patamares mais elevados.
Para que o periódico seja melhor avaliado será necessária uma grande transformação
em suas políticas e práticas. A modificação de políticas e a adoção de normas mais rígidas
beneficiarão os editores e revisores, que estarão empregando seu tempo a um periódico cada
vez mais reconhecido; e dará aos autores a certeza de que estão publicando em uma revista
bem conceituada.
É desejável que o corpo editorial agregue profissionais de fora das gestões,
principalmente pelas mudanças de gestão que ocorrem a cada triênio. Tanto melhor se ficar a
cargo dos profissionais de outras instituições, tal como faz a Revista ACB. O periódico deve
funcionar como uma instituição, ou seja, precisa de um planejamento a longo prazo.
A periodicidade, antes razoavelmente respeitada, exceto por 2008 e 2011, onde houve
alterações, agora ficou comprometida com a ausência de publicações em 2013. É preciso
recuperar terreno, para voltar ao que era em 2012 e dali avançar bastante. Se a revista retornar
a uma periodicidade semestral ao menos, com no mínimo 18 artigos por ano, já estará no
curso desejável.
O respeito às normas deve ser imposto aos autores. É preciso evitar que seus autores
publiquem trabalhos recheados de citações a trabalhos não avaliados por pares, muitas vezes
disponíveis na internet em blogs de qualidade duvidosa. Os artigos devem ter apresentação
semelhante, todos contendo o nome, titulação, ocupação e vínculo profissional dos autores.
Da mesma forma recomenda-se a publicação de artigos originais.

157

�No cenário brasileiro descrito até o momento, urge que os periódicos de acesso livre
do Brasil adotem estratégias de preservação das informações disponibilizadas gratuitamente,
entre elas a adoção do DOI. Recomendamos que a Revista CRB 8 Digital seja uma das que
passem a adotar o DOI a curto prazo.
Não se deseja com tal trabalho invalidar o trabalho feito por todos os profissionais
envolvidos com o periódico. Fosse considerado pelos autores deste trabalho um periódico
“peso zero”, tal como considera a CAPES, para a área da Ensino, não nos daríamos ao
trabalho de analisá-lo. Longe disso, reconhecendo a importância do trabalho é que desejamos
contribuir com algumas sugestões para melhorá-lo.

6 REFERÊNCIAS

AYMARD, M. A Lei da dispersão bibliográfica de Bradford. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 13, n. 3-4, jul./dez., p. 157-166. 1980.
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Biblioteconomia em Santa Catarina enquanto fontes de pesquisa (2000-2004). Revista ACB,
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160

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Análise bibliométrica da Revista CRB8 Digital: avaliação do período 2008-2012.</text>
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              <elementText elementTextId="73729">
                <text>Ribeiro, Alexsander Borges, Reis, Juliani Menezes dos</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>UFMG</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Analisa o periódico Revista CRB8 Digital, no período de 2008 a 2012, através da autoria (número de autores, tipo de autoria, produtividade, titulação e vínculo institucional), bem como citações (número de referências utilizadas, média de citações por artigo, tipologia dos documentos citados, idioma dos documentos, títulos de periódicos mais citados e autores mais citados). Utiliza três leis Bibliométricas, a saber, Lei de Bradford, Lei de Lotka e Lei de Elitismo de Price para a análise Bibliométrica. As ferramentas utilizadas na análise foram: o software Publish or Perish na análise das citações e Microsoft Excel na mineração, tabulação e tratamento dos dados. Mostra a tendência da literatura utilizada pelos autores de artigos publicados na referida revista entre 2008 e 2012. Conclui que o periódico tem qualidade, mas há necessidade de mudanças em sua política, razão pela qual os autores apresentam sugestões aos editores.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DE NECESSIDADES DE INFORMAÇÃO SOB O PARADIGMA SOCIAL:
APONTAMENTOS TEÓRICOS E POSSIBILIDADES DE APLICAÇÃO

Luciane Meire Ribeiro
Luzia Sigoli Fernandes Costa

RESUMO
Uma diversidade de usuários formada por estudantes, profissionais e cidadãos, reais e
virtuais, que em grande parte compõem todos esses perfis na mesma pessoa, apresenta
necessidades de informação dinâmicas e complexas, colocando novos desafios às unidades de
informação. Acompanhando a complexidade da nova realidade, surgem modelos teóricos para
embasar os estudos de usuários, necessidades e comportamento de informação. O presente
estudo tem como objetivo fazer apontamentos teóricos à respeito da concepção de
necessidades de informação sob a ótica do paradigma social da Ciência da Informação, o qual
agrega uma nova perspectiva à respeito do surgimento dessas necessidades, e vislumbrar
possibilidades de aplicação de estudos de usuário e de necessidades de informação sob este
paradigma.
Palavras-Chave: Estudo de usuários; Necessidades de informação; Comportamento
informacional; Paradigma social;
ABSTRACT
A diversity of users formed by students, professionals and citizens, real and virtual, which
largely make up all these profiles in the same person, presents the dynamic and complex
needs information, posing new challenges to information units. Tracking the complexity of
the new reality, appear to support theoretical studies of users, information needs and behavior
models. This study aims to make theoretical respect to the design of information needs from
the perspective of the social paradigm of Information Science, which adds a new perspective
to the emergence of these needs regarding notebooks, and envision possibilities for
application of user studies and information requirements under this paradigm.
Keywords: User study; Information Needs; Information Behavior; Social Paradigm;
Keyword.
1 INTRODUÇÃO
Os usuários de informação têm impactado progressivamente as atividades exercidas
por unidades de informação, especialmente com o surgimento dos ambientes virtuais. A
adequação e melhoria dos serviços existentes, bem como o desenvolvimento de novos

2644

�serviços de informação, dependem em grande medida de estudos que comportem variáveis
relacionadas com as necessidades de informação destes usuários.
O comportamento do usuário em relação à informação é influenciado por uma série de
fatores, tanto de origem externa, como treinamento na utilização de fontes e sistemas de
informação, disponibilidade de acesso, grau de instrução do usuário, quanto de origem interna
como valores e crenças, predisposição para busca e a atuação profissional (CHOO, 2006;
DIAS; PIRES, 2004; NUNEZ-PAULA, 2004; WILSON, 2000).
Neste sentido, o processo de conhecer as necessidades de informação dos usuários
também perpassa pelo contexto em que elas se manifestam. Costa, Silva e Ramalho (2009)
comentam que este processo implica em conhecer fatos da vida cotidiana do usuário e o
verdadeiro significado que a informação tem para os indivíduos, além de envolver processos
cognitivos e valores pessoais.
Para Dias e Pires (2004), os conceitos que aludem às necessidades de informação de
usuários são um dos aspectos teóricos menos desenvolvidos na literatura sobre o assunto e
analisá-los pressupõe a busca de apoio nas abordagens que estão além dos paradigmas
tradicionais de estudos de usuários. Entram em evidência as abordagens desenvolvidas por
expertos do campo de estudos das abordagens ou paradigmas alternativos da Ciência da
informação, como Taylor (1982), Dervin (1983), Kuhlthau (1991), Wilson (2006), Hjorland
(2002) e Choo (2006).
Na tentativa de dar conta da complexidade dos aspectos que envolvem a informação,
surge o paradigma social ou sócio-contemporâneo, discutido na literatura internacional por
Frohmann (1992), Vakkari (1998), Hjorland e Albrechtsen (1995) e Hjorland (2002), com
destaque na literatura nacional para Morado-Nascimento e Marteleto (2004), Araújo (2008;
2009; 2010) e Rodrigues (2010), o qual vem somar-se aos outros dois paradigmas teóricos
existentes, adjacentes aos métodos de estudo de usuários. No contexto da ocorrência de
diferentes padrões, de acordo com Capurro (2003), três paradigmas podem ser reconhecidos
no campo da Ciência da Informação:
1°) Paradigma físico: também conhecido por paradigma tradicional, no qual os
estudos se concentram na concepção unívoca da informação objetiva e nos sistemas de
informação, voltados para práticas que geralmente excluem o sujeito cognoscente;
2°) Paradigma cognitivo: concentra a atuação do indivíduo nos processos de
cognitivos, contudo, ocorrendo de forma isolada;

2645

�3°) Paradigmas social: modelo que destaca contexto social como principal
responsável pelos processos envolvidos com informação, sem negar a existência dos
mecanismos individuais.
Os paradigmas, assim como as teorias e epistemologias, também podem ser objeto
dos estudos filosófico-históricos, sociológicos, bibliométricos, permitindo que sejam
encontrados marcos de influência histórica e formuladas vantagens e desvantagens básicas de
diferentes posturas apreendidas no decorrer da história da ciência (HJORLAND, 2002).
Rodrigues (2010) acrescenta que o estudo de paradigmas oferece parâmetros que contribuem
para entender as diferentes concepções de visão de mundo em momentos distintos.
O objetivo deste trabalho é identificar as características que definem as necessidades
de informação dentro do escopo teórico do paradigma social da Ciência da Informação e
vislumbrar possibilidades de aplicação de estudos de usuários e comportamento
informacional, que comportam os estudos de necessidades por unidades de informação.
Optou-se por um delineamento teórico metodológico fundamentado na pesquisa
bibliográfica por tratar-se de um estudo dirigido ao estado-da-arte relacionado à temática das
necessidades de informação, a fim de estabelecer relações entre as teorias elencadas. O
percurso da pesquisa bibliográfica foi desenvolvido no modelo de quatro fases sequenciais de
Salvador (1973) (elaboração da pesquisa, investigação das soluções, análise explicativa das
soluções e síntese integradora), que permite imprimir aos procedimentos metodológicos uma
dinâmica de aproximações sucessivas com a realidade, sem perder o foco do objetivo
pesquisado.

2 A INFLUÊNCIA INTERDISCIPLINAR DO CONCEITO DE INFORMAÇÃO NO
CAMPO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Ao procurar tratar das concepções de necessidades de informação no contexto da
Ciência da Informação, esta pesquisa não poderia prescindir de retomar o conceito de
informação e de considerar as influências interdisciplinares que, consequentemente,
repercutem nos paradigmas emergentes deste campo, tecendo estreitas relações entre si.
Durante a Idade Média, o termo informação (de origem latina informatio) foi
comumente influenciado e usado no sentido epistemológico, ontológico e pedagógico,
enquanto que no período de transição da Idade Média para a Modernidade o conceito de
informação distancia-se da ideia de dar forma substancial à matéria, predominando a
dimensão de comunicar algo a alguém (CAPURRO; HJORLAND, 2007).

2646

�A despeito de muitas disciplinas fazerem uso do conceito de informação dentro do seu
próprio contexto, o caráter interdisciplinar da informação não poderia deixar de produzir
reflexos em disciplinas de outros campos, como nos estudos de usuários e necessidades de
informação. O Quadro 1 apresenta as principais concepções que permeiam o conceito de
informação no campo da Biblioteconomia e Ciência da Informação.

Quadro 1 - Áreas do conhecimento e suas influências na concepção de informação
Áreas
de Concepção da informação
influência
Ciências
■Concepção evolutiva, de que a informação é objetiva e que só pode adquirir
significado se tiver sido processada por um receptor;
naturais
■Quantitativa no que diz respeito a seleções possíveis em um repertório de
símbolos físicos;
Psicologia
■Tendência dominante de um tipo de funcionalismo, no qual os processos
cognitivos humanos são vistos como análogos ao processamento de
informação dos computadores;
Teorias
dos ■ Pragmática, relacionada às mudanças na realidade do receptor, capaz de
sistemas
e mudar a estrutura e o comportamento de sistemas. Dessa definição surgem
cibernética
outras semelhantes: a informação é uma construção do observador de uma
diferença mental que faz e/ou encontra uma diferença no mundo externo; é
um constructo do cérebro do indivíduo;
Fonte: Capurro e Hjorland (2007) e Araújo (2009);

A partir dessas áreas de influência, é possível identificar os principais conceitos e
características que emergem das concepções de informação no campo da CI, como a presença
de: a) características objetivas da informação (unívoca, dotada de atributos de qualidade,
como confiabilidade), a partir da qual facilitaria sua seleção, representação e organização; b)
características cognitivas, que abordam o processamento da informação no indivíduo,
revelando os mecanismos e estruturas envolvidos; c) aspectos que resultam do processamento
da informação: o uso ou alteração do estado de conhecimento anterior (estrutura mental do
indivíduo), gerando mudanças no seu comportamento e; d) fator semântico: característica
chave no reconhecimento da informação pelo usuário.
As ciências cognitivas também passaram a ocupar um papel central nos estudos do
campo da Ciência da Informação envolvendo a relação entre informação e sua aquisição, e
destacando o fator semântico da informação, conforme pode ser verificado nas concepções de
informação empregadas nos modelos de estudos de usuários e comportamento informacional
de Dervin (1992) e Choo (2006).
De acordo com Hjorland (2002), a presença de problemas de informação altamente
complexos geram tendências de socializar as necessidades de informação entre várias

2647

�influências teóricas e paradigmas. Neste contexto, o autor também considera que as
necessidades de informação dependem dos problemas (de informação) que se pretende
resolver, da natureza do conhecimento disponível e das qualificações do usuário.
Sob a perspectiva social da Ciência da Informação, Capurro e Hjorland (2007)
apontam para a tendência de re-humanizar o conceito de informação, ou seja, de colocá-lo em
um contexto social e cultural, como pode ser verificado dos paradigmas alternativos desta
área de conhecimento. A respeito da dimensão social da informação, Almeida (2008)
contextualiza:
Atualmente, muitas pessoas e organizações (Universidades, órgãos públicos,
ONGs e OCIPs) refletem sobre a importância estratégica da comunicação e
da informação - interna e externa às comunidades e projetos - para a
efetivação de ações coletivas. Refletem também no processo inverso, o de
valorização do chamado “conhecimento local”, o espaço de produção de
conhecimentos das comunidades, um conjunto de saberes e tradições
(culturais e “técnicas”) muitas vezes contraposto ao conhecimento oficial,
científico (ALMEIDA, 2008, p. 47).
A despeito da existência de uma perspectiva dicotômica entre as características que
definem o conceito de informação, proporcionada pelas diferentes áreas de influências, a
presença recorrente dessas características nas concepções de informação por diferentes
teóricos aponta, por outro lado, para a formação de um conceito que agregou novas dimensões
e que, ao longo do tempo, vai manifestar com maior ou menor predominância alguns desses
aspectos nos diferentes modelos de estudos de usuários da informação.
A presença de um conjunto de características que irão imprimir determinada definição
ao conceito de informação orienta as ações daqueles que articulam e empregam as teorias do
campo da Ciência da Informação, produzindo tendências de atuação profissional.

3 APONTAMENTOS À RESPEITO DO CONCEITO DE NECESSIDADES DE
INFORMAÇÃO DA PERSPECTIVA DO PARADIGMA SOCIAL
O surgimento de novas abordagens, como aquelas baseadas nas perspectivas sóciocognitivas e contemporâneas, atenta para diferentes possibilidades de abordar a informação e
o conjunto de teorias que a tem associada.
Centrado no domínio analítico, Hjorland (2002) propõe que as necessidades de
informação sejam compreendidas de uma perspectiva denominada sócio-cognitiva, partindo
do princípio de que as necessidades de informação são causadas por fatores sociais e culturais
dentro de comunidades discursivas (grupos sociais distintos, sincronizados em pensamento,

2648

�linguagem e conhecimento, que integram a sociedade moderna), determinadas e
transformadas de acordo com as influências teóricas ou paradigmas dominantes em um
contexto definido.
A abordagem alternativa sócio-cognitiva pressupõe a existência de teorias discursivas
dominantes nas comunidades de discurso que são grandemente responsáveis por determinar
as necessidades de informação.
Para ilustrar algumas diferenças entre os aspectos das abordagens de base cognitiva
tradicional e aqueles que caracterizam a abordagem sócio-cognitiva construída no contexto
das abordagens alternativas, Hjorland e Albrechtsen (1995) elaboraram um estudo
comparativo (Quadro 2) especificando as teorias emergentes da análise de domínio (domain
analysis).
Quadro 2 - Aspectos diferencias entre as abordagens cognitivas e de domínioespecífico
Critérios

Abordagens
Cognitivismo

Prioridade

Entender necessidades de
usuários isoladas; análises de
caráter intra-psicológicas;

Foco

No
usuário,
enquanto
indivíduo.
Observa,
no
máximo, o contexto disciplinar
como parte da estrutura
cognitiva do indivíduo;
Da psicologia cognitiva e
inteligência artificial;

Influências

Conceitos centrais Estruturas de conhecimento
envolvidos
individual; processamento de
informação individual;
Metodologia
Abordagem individual;
caracterizada por
Posição ontológica Idealismo subjetivo
implícita
Fonte: Hjor and e Albrechtsen (1995)

Análise de Domínio (domain
analysis)
Entender necessidades de usuários de
uma perspectiva social e as funções do
sistema de informação na profissão
(negócios) ou disciplinas;
Sobre o domínio de conhecimento ou
sobre o estudo comparativo de
diferentes domínios de conhecimento.
Observa o indivíduo no contexto da
disciplina;
Da sociologia do conhecimento e
teoria
do
conhecimento,
especificamente no conhecimento a
respeito das estruturas de informação
nos diferentes domínios;
Comunicação científica e profissional,
documentos (incluindo bibliografias),
disciplinas, assuntos, estruturas de
informação, paradigmas, etc.;
Abordagem coletiva;
Realismo

Segundo Palmer (1999), é necessário aproveitar, dos modelos já conhecidos e suas
complexidades, o que já foi apreendido sobre os usuários e as dimensões de uso em relação
aos domínios relevantes. Este poderia ser o ponto de partida para construir modelos que dêem

2649

�conta de explicar os fluxos de informação, as estratégias e necessidades, assim como os
atores, os limites, as interações e os vocabulários que acompanham os processos de uso de
informação e criação do conhecimento.
As comunidades discursivas ainda podem ser identificadas pela presença de: a) metas
comuns (grupo de objetivos); b) formas de intercomunicação entre os integrantes (encontros,
conversas, correspondência); c) troca de informação por meio de mecanismos para obter
informação com propósitos definidos como, por exemplo, para melhorar o desempenho e
aumento da capacidade produtiva; d) estilos próprios, identificados pela forma, posição de
elementos e mensagens; e) terminologia especializada (vocabulário específico) e; f) alto nível
de especialização (um mínimo de membros com um nível adequado de conhecimento
relevante e expertise discursiva) (MORADO-NASCIMENTO; MARTELETO, 2004).
Para explicar como a informação poderia satisfazer as necessidades de informação do
ponto de vista sócio-cognitivo, Hjorland (2002) acrescenta a este último o conceito de
relevância: as necessidades de informação podem ser satisfeitas quando encontradas as
informações consideradas relevantes para determinada comunidade discursiva.
O conceito de relevância também está presente nas teorias de base cognitiva
tradicional que tratam das necessidades de informação, ainda que de forma subentendida.
Contudo, encontra-se marcadamente circunscrito ao contexto individual como comenta Choo
(2006) ao explicar à respeito da interferência de fatores pessoais e mudanças de atitudes do
usuário durante o processo de busca de informação:
Assim, os usuários fazem previsões ou desenvolvem expectativas sobre que
fontes serão usadas ou não, sobre a seqüência em que elas serão usadas, e se
as informações obtidas serão relevantes ou irrelevantes. A relevância não é
absoluta nem constante; pelo contrário, varia consideravelmente de um
indivíduo para outro (CHOO, 2006, p. 92).
Taylor (1982) reconhece que a informação relevante é determinada de maneiras
complexas pela estrutura do ambiente e formada por um conjunto de variáveis que afetam o
fluxo das mensagens de informação. Em uma dada comunidade discursiva, comumente
existirão visões mais ou menos conflitantes do que é necessário ou relevante.
Diante dessas explanações é possível compreender o deslocamento do foco dos
estudos de necessidades, que na abordagem cognitiva tradicional coloca em evidência o
domínio individual, para os fatores do contexto social e cultural dos usuários dentro da
perspectiva sócio-cognitiva.

2650

�4

CONTEXTUALIZAÇÃO

DO

PARADIGMA

SOCIAL

EM ESTUDOS

DE

USUÁRIOS E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
O que ainda permanece pouco discutido são as alternativas metodológicas - tanto do
ponto de vista teórico quanto da aplicação em unidades de informação - adequadas para
revelar as necessidades de informação de uma comunidade de usuários tomando como ponto
de partida ou via de acesso o contexto social, histórico e cultura da qual faz parte. No entanto,
algumas propostas começam a surgir, possibilitando identificar estruturas metodológicas que
subsidiem o desenvolvimento de novas pesquisas.
Em uma primeira reflexão, tais procedimentos metodológicos parecem encontrar-se
nas teorias das ciências sociais. Especificamente, Hjorland (2002), aponta as teorias
epistemológicas como as mais indicadas para fornecer as bases de um modelo geral à Ciência
da Informação (CI), dentro das quais os estudos de necessidades, uso e usuários estariam
contemplados, ainda que indiretamente.
Presser e Fukahori (2012), analisaram a aplicação da abordagem social do ponto de
vista da análise de domínio. Os autores identificaram o surgimento de necessidades de
informação do coordenador do programa de pós-graduação em Ciência da Informação da
Universidade Federal de Pernambuco partindo do meio social, especificamente do ambiente
de trabalho que corresponde ao contexto da gestão acadêmica, no domínio das tarefas de sua
responsabilidade, corroborando com a importância da influência deste componente no
surgimento de tais necessidades, além dos processos cognitivos do indivíduo.
Araújo (2012) explora algumas possibilidades de estudos no paradigma social ao
analisar pesquisas de usuários e comportamento informacional de quatro dissertações,
aplicadas no contexto social de profissionais do sexo, leitores de histórias em quadrinhos de
súper herois, bailarinos e presidiários. No entanto, o autor destaca uma proposta denominada
interacionista, a qual traz a compreensão de que o indivíduo (usuário) não é apenas
determinado pelo contexto social do qual faz parte, mas também é significativamente
responsável por construí-lo, transformá-lo, colocando em evidência uma relação de "ação
recíproca".
Além de identificar estruturas metodológicos de uma pesquisa de usuários no
paradigma social (o objeto de análise e as estratégias de coleta e análise de dados),
contribuições da pesquisa de Araújo (2012) também permitem compreender como as
necessidades de informação, percebidas e não percebidas, perpassam por construções
discursivas muito particulares de uma comunidade de usuários, podendo diferir de hipóteses
convencionalmente estabelecidas.

2651

�Os exemplos de pesquisa de estudo de usuários e de necessidades de informação
mencionados indicam que a aplicação de metodologias calcadas nas teorias com base no
paradigma social não estão limitadas a um tipo ou comunidade específica de usuários.
Considerando este aspecto, as bibliotecas universitárias também deveriam elaborar estudos
orientados nas abordagens alternativas, na tentativa de conhecer melhor as necessidades de
informação que são relevantes para os seus usuários, além de incorporar produtos e serviços
baseados em experiências que geraram resultados positivos em unidades de informação
similares e que tradicionalmente procuram atender às demandas de pesquisa e ensino da sua
comunidade de usuários.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma importante contribuição dos estudos desenvolvidos dentro da perspectiva social
está em compreender que a relevância varia também de uma comunidade para outra, o que
torna legítimas diferentes perspectivas à respeito das necessidades de informação. Portanto, é
necessário que a unidade de informação reflita antes reproduzir produtos e serviços tipificados
em seu portfólio, com vistas a atender às necessidades de informação próprias de cada
comunidade de usuários.
Ainda há muito espaço para ser preenchido por contribuições teóricas à respeito das
abordagens alternativas, principalmente do ponto de vista do desenvolvimento e aplicação de
métodos apropriados de estudo de usuários, necessidades e comportamento informacional,
que de fato conduzam ou contemplem a dimensão individual e coletiva dos usuários para o
desenvolvimento de serviços e recursos informacionais.
Contudo, não passa despercebida a dificuldade de se realizar estudos de usuários e de
necessidades de informação do ponto de vista da abordagem social. As dimensões sociais,
culturais e históricas, as quais devem estar presentes ou de alguma forma contempladas nesses
estudos, são complexas principalmente na dinâmica da interação.
Outro aspecto que deve ser levado em consideração quando do desenvolvimento de
tais estudos é que, do ponto de vista da formação bibliotecária, nem sempre o profissional da
informação está preparado para trabalhar tais conceitos. Todos esses aspectos indicam que, do
ponto de vista prático, o desenvolvimento de estudos de usuários e de necessidades, dentro da
perspectiva das abordagens alternativas sociais, ainda é um desafio para as bibliotecas.
Reafirma-se nesta pesquisa a postura de que as unidades de informação devem incluir,
nos seus estudos de usuários e de necessidades de informação, uma estrutura metodológica
teoricamente fundamentada e transparente, para que façam escolhas coerentes e as sinalize

2652

�para o usuário, garantindo que essas escolhas estejam de fato contribuindo para a prioridade e
orientação paradigmática escolhida.

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Disponível

em:

&lt;http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.139.4993&amp;rep=rep1&amp;type=pdf.&gt;
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2655

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Ribeiro, Luciane Meire, Costa, Luzia Sigoli Fernandes</text>
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                <text>Uma diversidade de usuários formada por estudantes, profissionais e cidadãos, reais e virtuais, que em grande parte compõem todos esses perfis na mesma pessoa, apresenta necessidades de informação dinâmicas e complexas, colocando novos desafios às unidades de informação. Acompanhando a complexidade da nova realidade, surgem modelos teóricos para embasar os estudos de usuários, necessidades e comportamento de informação. O presente estudo tem como objetivo fazer apontamentos teóricos à respeito da concepção de necessidades de informação sob a ótica do paradigma social da Ciência da Informação, o qual agrega uma nova perspectiva à respeito do surgimento dessas necessidades, e vislumbrarpossibilidades de aplicação de estudos de usuário e  de necessidades de informação sob este paradigma.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AÇÃO CULTURAL EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: UM SERVIÇO DA
SEÇÃO DE REFERÊNCIA COMO INSTRUMENTO DE INTERAÇÃO SOCIAL NO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE
SANTANA (SISBI-UEFS)
Rejane M aria Rosa Ribeiro
Carolina Cavalcante

RESUMO
Aborda sobre a Política de Ação cultural adotada pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade
Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS) sob a responsabilidade da Seção de Referência
com o apoio de um Relações Públicas, cujo objetivo é evidenciar que a política de Ação
cultural no SISBI-UEFS proporciona condições necessárias para a mediação da informação e
do conhecimento através de ações lúdicas, lazer, diversão e prazer como instrumento para
atrair o interesse do seu público alvo a conhecer a biblioteca de forma dinâmica. Para tanto, o
SISBI precisa deixar um pouco seu lado tecnicista, integrando no cotidiano das atividades de
suas bibliotecas setoriais ações lúdicas, criativas e inovadoras, promovendo a interação social
entre seus usuários. Os resultados foram bem promissores, o profissional Relações Publicas
trouxe um novo fôlego para as atividades culturais, desenvolvendo junto a Direção alguns
projetos e implementando outros, promovendo a interação entre o usuário e elementos
culturais para que este, conhecendo sua cultura, sinta-se valorizado, reconhecendo a biblioteca
como espaço cultural e de interação social. O estudo ressaltou a importância da biblioteca
universitária como agente transmissor do conhecimento, disponibilizando informação,
apoiando as atividades e desenvolvendo ações culturais, contribuindo para a melhoria da
qualidade de vida do cidadão, demonstrando qual a relação dos usuários com a biblioteca no
desenvolvimento cultural da comunidade em que está inserida.
Palavras-Chave: Ação cultural; Bibliotecas Universitárias.

ABSTRACT
Addresses on the Politics of Cultural Action adopted by the Libraries ( SISBI - UEFS )
System , State University of Feira de Santana under the responsibility of the Reference
Section with the support of a PR , whose goal is to show that the policy of cultural action in
SISBI - UEFS provides necessary for the mediation of information and knowledge through
play actions , leisure , fun and enjoyment as an instrument conditions to attract the interest of
your audience to know the library dynamically. For both SISBI need to let a little technicality
your hand, integrating the daily lives of its innovative sector libraries playful actions , and
creative activities , promoting social interaction among its members. The results were quite
promising, professional PR brought a new impetus for cultural activities , developing along
the direction implementing some projects and others promoting the interaction between the
user and cultural elements to this , knowing their culture feels valued , recognizing the library

2019

�as a cultural space and social interaction . The study highlighted the importance of the
university library , as transmitting agent of knowledge , providing information , supporting
the activities and developing cultural activities contributing to the improvement of the quality
of life of citizens , demonstrating that the relationship between users and the library in the
cultural development of the community in which it operates.
Keywords: Cultural action; University Libraries.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias (Bus) traçam em seus Planos de Ação políticas para atrair
e manter usuários, com isso as BUs se preocupam com ambientes atrativos e confortáveis,
novos serviços e com o crescimento e atualização do acervo, entretanto a necessidade do
usuário ultrapassa a informacional, alguns usuários buscam nas bibliotecas lazer, cultura e até
mesmo entretenimento. É preciso, então, estar atento a essas novas necessidades dos usuários
e incluir nos Planos de Ação políticas de ação e animação cultural.
Nesse contexto, o Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de
Santana (SISBI-UEFS), através de concurso realizado em 1999, contratou um profissional de
Relações Públicas, que além de participar das atividades desenvolvidas na Seção de
Referência e colaborar na Direção, desenvolveu uma política de ação e animação cultural
envolvendo as nove bibliotecas do SISBI.
Assim, o tema proposto neste trabalho resultou da inquietação do SISBI-UEFS em
promover uma maior interação com seus usuários, proporcionar o contato desses com os
elementos culturais, despertando-lhes a vazão lúdica, estimulando sua criatividade, senso
estético e crítico e atrair, também, através das atividades culturais, um maior número de
usuários frequentes.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A ação cultural é um promissor campo de atuação que oferece ao bibliotecário
inúmeras opções de atividades a serem desenvolvidas nas bibliotecas públicas, universitárias,
comunitárias e centros culturais, sendo de suma importância tanto no sentido de dinamizá-las
como de alavancar o processo de produção cultural e educativa no âmbito dessas instituições
e, consequentemente, da sociedade. Além do papel educativo, a ação cultural tem também
uma dimensão política por estar revestida em um caráter transformador visando operar
mudanças que venham a integrar os diversos seguimentos das instituições envolvidas neste
processo (COELHO, 2001).
Coelho e Távora (2011, p.2) argumentam que “A Biblioteca como instrumento de ação

2020

�cultural tem como missão promover serviços de apoio à aprendizagem e fornecer informação
aos membros da comunidade seja ele pública, especializada ou universitária, oferecendo-lhes
a possibilidade de se tornarem pensadores críticos”.
Frente a essa nova visão das instituições atuarem de forma coesa e harmônica, o papel
do profissional de Relações Públicas no processo de Ação Cultural e Educativa se faz
presente. E o SISBI-UEFS, com o objetivo de atender melhor seu público, dispõe de um
profissional de Relações Públicas o qual vai colaborar a gerir de forma estratégica o Sistema
de Bibliotecas e, assim, formular ações, projetos e programas que visem a um intercâmbio
educativo, humano e social através da ação e animação cultural.
A ação cultural é definida por (COELHO, 2001, p. 8) como “o desejo de fazer da arte
e da cultura instrumentos deliberados de mudança do homem e do mundo” Assim é uma
atividade contínua e de grande intensidade, objetivando formar sujeitos culturais. A ação
cultural não tem a intenção de unificar o público, mas de torná-lo participante, de fazê-lo tirar
suas próprias conclusões. Já a animação cultural envolve novas formas de relação as quais se
reforçam os laços dentro de uma comunidade.
A universidade é entendida como uma instância privilegiada de criação e produção de
saberes, formação de competências e de difusão da experiência cultural e científica da
sociedade. A biblioteca universitária como suporte informacional para a produção do
conhecimento possibilita a universidade atender as necessidades de um grupo social ou da
sociedade em geral e, por meio da administração do seu patrimônio informacional, exerce
função capacitadora orientando os usuários na utilização da informação, desenvolvendo sua
capacidade e apontando estratégias de uso e acesso às informações.
Dessa forma, a política de Ação cultural no SISBI-UEFS proporciona condições
necessárias para a mediação da informação e do conhecimento através de ações lúdicas, lazer,
diversão e prazer, como instrumento para atrair o interesse do seu público alvo a conhecer a
biblioteca de forma dinâmica, deixando um pouco seu lado tecnicista, integrando no cotidiano
das atividades de suas bibliotecas setoriais ações lúdicas, criativas e inovadoras, promovendo
a interação social entre seus usuários e, assim, segundo Flusser (1983) transformando o
homem indivíduo em homem cidadão.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Evidenciar que o trabalho Ação Cultural em Bibliotecas Universitárias promove a
interação social entre seus usuários pode ser feito através de uma pesquisa de cunho
descritivo, mesmo que a investigação do trabalho parta de alguns pressupostos teóricos

2021

�iniciais, deverá se manter atento a novos elementos que poderão surgir, buscando novas
respostas, novas indagações no desenvolvimento do trabalho.
A população objeto do estudo será constituída por dirigentes, funcionários e usuários
do Sistema de Bibliotecas da UEFS. Como amostra será trabalhada 10% dos usuários/alunos,
100% dos dirigentes, 100% dos bibliotecários e 10% dos funcionários. O questionário será o
instrumento de coleta de dados. O tratamento dos dados será feito através de estatística
quantitativa e analise qualitativa das respostas, usando um pacote estatístico.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Nas bibliotecas universitárias (Bus) um dos objetivos da ação cultural é promover o
contato entre os usuários e os elementos de sua cultura a interação entre usuário, seu centro
cultural, o acervo e serviços da biblioteca. Com isso, a BU está promovendo a formação do
sujeito social, do cidadão. A valorização cultural é fundamental para que o homem ame e
acredite que tem uma nação, que tem um lugar que é seu.
Deve ficar bem claro que ação cultural envolve pessoas, o usuário é sujeito do
processo, desenvolver ação cultural em uma biblioteca implica na participação do usuário, na
interação dele com a atividade a ser desenvolvida. Logo, o usuário deve ser questionado, quer
seja através de questionário, entrevista ou reuniões etc.
O SISBI-UEFS dispõe de um Relações Públicas, que planeja e acompanha as
atividades de ação e animação cultural desenvolvidas no referido sistema. Contratar um
profissional em Relações Pública deve-se ao fato de:
O profissional relações públicas tem seu papel fortalecido em um contexto onde
informação, administração e comunicação constituem-se em elementos intrínsecos
para o gerenciamento de instituições e empresas, principalmente em bibliotecas e
centros de informação. As bibliotecas universitárias, estruturadas como grandes
empresas de prestação de serviços informacionais especializados, abrem-se como
nichos de mercado para diversas áreas e o relações públicas, como gerenciador dos
recursos informacionais, ocupa posição estratégica nesse novo nicho. (SANTOS,
2000, p.16)
Para o SISBI-UEFS esse profissional trouxe um novo fôlego para as atividades
culturais. Desenvolvendo junto à Direção alguns projetos e implementando outros. Os mais
expressivos são:
•

Hora do conto - desenvolvida em duas bibliotecas setoriais cujos leitores
também podem criar seus próprios contos e compartilhar com os colegas;

• Exposições culturais;

2022

�•

Lançamento de Livros;

•

Projeto Imagens (cinema na biblioteca) - O usuário pode sugerir filmes e
depois de cada mostra tem um debate com convidados;

•

Biblioteca Café e Arte - apresentações artísticas no Hall da Biblioteca Central
acompanhadas de café;

•

Exposições acadêmicas;

•

Apresentações teatrais (Grupo SISBI-ARTE) interagindo com o público;

•

Bazares - produção de artesões locais.

A universidade, ambiente onde está inserida a biblioteca, é entendida como uma
instituição de criação e produção de saberes, onde se difunde as experiências culturais e
científicas da sociedade. Segundo Araújo (1999, p.75), ”[...] a universidade é uma estrutura
administrativa, um sistema político, um centro científico, uma academia, um foco cultural e
uma fonte de valores, ou seja, uma estrutura de muitas complexidades”. Assim o SISBI
promove a interação entre o usuário e elementos culturais para que este, conhecendo sua
cultura, se sinta valorizado, reconhecendo a biblioteca como espaço cultural e de interação
social.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
As políticas de Ações culturais no Sistema de Bibliotecas da UEFS proporcionam
condições necessárias para a mediação da informação e do conhecimento através de ações
lúdicas, lazer, diversão e prazer como instrumento para atrair o usuário para a biblioteca de
forma dinâmica, para que possa conhecer os serviços disponíveis e as atividades culturais
desenvolvidas pelas bibliotecas setoriais.
O que se pretende ressaltar com esse estudo, é a importância da biblioteca
universitária, como agente transmissor do conhecimento, disponibilizando informação,
apoiando as atividades e desenvolvendo ações culturais contribuindo, assim, para a melhoria
da qualidade de vida do cidadão, demonstrando qual é a relação dos usuários com a biblioteca
no desenvolvimento cultural da comunidade em que está inserida.

6 REFERÊNCIAS
ARAUJO, Maria Arlete Duarte de. Planejamento estratégico: um instrumental à disposição
das universidades? Revista de Administração Pública. v..30, n.4, p. 74-86, jul/ago 1999.

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�COELHO, Francisco Teixeira. O que é ação cultural. São Paulo: Brasiliense, 2001. (Coleção
primeiros passos; 216).
COELHO, Maria Elvira Rodrigues, TAVORA, Vladmir de Araújo. Unidades de informação
com instrumentos de ação cultural e educativa. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIENCIA DA INFORMAÇÃO, 24., 2011,
Maceió. Anais ... Maceió: FEBAB, 2011.
FLUSSER, Victor. A biblioteca como um instrumento de ação cultural. Revista da Escola
de Biblioteconomia da UFMG, v. 12, n. 2, 1983.
SANTOS, Luciana Silva. A perspectiva de Atuação do Profissional Relações Públicas em
Bibliotecas.2000. Monografia ( Especialização em Relações Públicas) - Universidade do
Estado da Bahia.

2024

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Ação cultural em Bibliotecas Universitárias: um serviço da seção de referência como instrumento de interação social no Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS).</text>
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                <text>Aborda sobre a Política de Ação cultural adotada pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS) sob a responsabilidade da Seção de Referência com o apoio de um Relações Públicas, cujo objetivo é evidenciar que a política de Ação cultural no SISBI-UEFS proporciona condições necessárias para a mediação da informação e do conhecimento através de ações lúdicas, lazer, diversão e prazer como instrumento para atrair o interesse do seu público alvo a conhecer a biblioteca de forma dinâmica. Para tanto, o SISBI precisa deixar um pouco seu lado tecnicista, integrando no cotidiano das atividades de suas bibliotecas setoriais ações lúdicas, criativas e inovadoras, promovendo a interação social entre seus usuários. Os resultados foram bem promissores, o profissional Relações Publicas trouxe um novo fôlego para as atividades culturais, desenvolvendo junto a Direção alguns projetos e implementando outros, promovendo a interação entre o usuário e elementos culturais para que este, conhecendo sua cultura, sinta-se valorizado, reconhecendo a biblioteca como espaço cultural e de interação social. O estudo ressaltou a importância da biblioteca universitária como agente transmissor do conhecimento, disponibilizando informação, apoiando as atividades e desenvolvendo ações culturais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida do cidadão, demonstrando qual a relação dos usuários com a biblioteca no desenvolvimento cultural da comunidade em que está inserida.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A AQUISIÇÃO DE MATERIAL BIBLIOGRÁFICO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: A EXPERIÊNCIA DA UFSC NA DEFINIÇÃO DE NOVOS
TRÂMITES PARA A REQUISIÇÃO DE COMPRAS
Manoela Hermes Rietjens
Liliane Vieira Pinheiro

RESUMO
Desenvolver coleções em Bibliotecas Universitárias é um dos objetivos dos bibliotecários que
devem pensar em um acervo que supra as necessidades informacionais do meio em que está
inserido. Uma das modalidades do desenvolvimento de coleções é a compra de material
bibliográfico e visando otimizar o processo de requisição de compras, o Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal de Santa Catarina adotou um método envolvendo
trâmites, que consiste em descentralizar o cadastro dos pedidos e permitir que estas
requisições sejam filtradas por pareceristas. O novo processo deixou a solicitação de compra
além de interativa, mais precisa e transparente.
Palavras-Chave: Desenvolvimento de coleções. Aquisição de material bibliográfico.
Solicitação de compra.
ABSTRACT
To develop collections in University Libraries is one of the goals of librarians who should
consider a collection that meets the informational needs of the environment in which it is
inserted. One of the methods of collection development is the purchase of library materials
and to optimize the process of purchase requisition, the Library System of the Universidade
Federal de Santa Catarina adopted a method involving procedures, which is to decentralize
the registration of applications and allow these requests are filtered by referees. Besides
allowing interaction, the new process becomes more accurate and transparent.
Keywords: Collection development. Acquisition of library supplies. Purchase request.

1 INTRODUÇÃO
Desenvolver coleções em Bibliotecas Universitárias tem sido foco de atuação dos
bibliotecários. Tais profissionais precisam considerar as avaliações do Ministério da
Educação (MEC) que através de seus Instrumentos exige que as Unidades de Informações
atendam a uma série de critérios e um deles trata da disponibilidade das Bibliografias dos

1741

�cursos oferecidos pela unidade de ensino. Ademais, é fundamental formar acervos que supram
as necessidades informacionais dos usuários que ultrapassam as bibliografias dos planos de
ensinos. Soma-se a isso os esforços empreendidos para a captação de por recursos financeiros
- essenciais para o a ampliação das coleções - e que são ainda mais burocráticos quando se
trata de instituições públicas de ensino.
Nesse meio, os bibliotecários ainda precisam lidar com inúmeras demandas
informacionais, materializadas em extensas listas de requisições de compras que requerem
gerenciamento. São professores, coordenadores de cursos, alunos e comunidade em geral,
cada um com sua própria necessidade informacional e com diferentes justificativas almejando
que seu pedido seja atendido.
Visando otimizar este processo de requisição de compras, a Biblioteca Universitária da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) adota, desde o dia 7 de abril de 2014, um
reformulado método de solicitações bibliográficas, cujo objetivo é tornar o processo mais
preciso, interativo e transparente.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O papel das bibliotecas universitárias está diretamente relacionado com a sua
comunidade acadêmica (docentes, discentes, pesquisadores e técnicos administrativos) e visa,
sobretudo, atender as suas necessidades de informação, para isso deve direcionar a sua
coleção aos conteúdos programáticos e aos projetos acadêmicos dos cursos oferecidos pela
Universidade onde se encontra. (MIRANDA, 2007).
Desenvolver coleções, ao entendimento de Weitzel (2002, p. 64) “é uma atividade
técnica comprometida com a sistematização de determinada área sob o enfoque institucional
em relação aos interesses de quem mantém a biblioteca.”
A Biblioteca Universitária da UFSC conta com o apoio da Comissão de
Desenvolvimento de Coleções (CDC), criada em 2008 com o objetivo de definir e
implementar critérios para o desenvolvimento e atualização do acervo (UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2008).
Esta Comissão é composta pelo diretor do Sistema de Bibliotecas, por representantes
dos Centros de Ensino e de cada Campus, representantes discentes, bibliotecários
responsáveis pelo Serviço de Seleção e Aquisição e ainda dois bibliotecários do Sistema. Os
membros da Comissão são o elo entre a Biblioteca e a comunidade acadêmica e atuam no
sentido de garantir o desenvolvimento do acervo de modo a atender as necessidades

1742

�informacionais do

seu público alvo.

(UNIVERSIDADE FEDERAL DE

SANTA

CATARINA, 2012).
Uma das maneiras de desenvolver coleções, de acordo com a Politica de
Desenvolvimento de Coleções do Sistema de Bibliotecas da UFSC é através da compra de
material bibliográfico, que ocorre de acordo com os recursos orçamentários disponíveis
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2012). Vale ressaltar que, nas
instituições públicas de ensino, este processo de compra é regido pelo Lei n.0 8.666, de 21 de
junho de 1993 que estabelece normas para licitações e contratos da Administração Pública e
dá outras providências. (BRASIL, 1993).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho é um relato de experiência a partir das novas implementações para
a solicitação de aquisição de material bibliográfico pela comunidade acadêmica da UFSC.
O Sistema de Bibliotecas da UFSC é composto por nove bibliotecas, sendo uma
Biblioteca Central e oito bibliotecas setoriais. O acervo é composto por aproximadamente
232.158 título e 476.685 exemplares e as atividades de aquisição e processamento técnico são
centralizadas na Divisão de Desenvolvimento de Coleções e Tratamento da Informação.
O software gestor utilizado na biblioteca é o Pergamum Web e, portanto, utilizou-se
deste instrumento e dos recursos oferecidos pelo módulo de Aquisição para a implantação de
um novo processo de aquisição de materiais bibliográficos que até então não possuía critérios
bem definidos e estava centralizado em alguns professores representantes da Comissão de
Desenvolvimento de Coleções (CDC), esta atua como um elo entre biblioteca e a comunidade
acadêmica. Assim cada professor encaminhava seus pedidos ao representante que cadastrava
no sistema e enviava para a Biblioteca, entretanto tal processo não era totalmente
transparente.
Assim as demandas detectadas e as situações vivenciadas pelos bibliotecários serviram
de subsídio para o delineamento de um novo processo para solicitação de aquisições de
material bibliográfico que será descrito a seguir:

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O processo de Aquisição de material bibliográfico reformulado atinge toda a
comunidade acadêmica da UFSC que possuem cadastro na Biblioteca Universitária visto que
está dividido em duas categorias:
a. Sugestão para aquisição: todos os usuários cadastrados na Biblioteca podem

1743

�indicar/cadastrar Sugestões de aquisição. O acesso a essa categoria se dá via web, através de
um link “Sugestões gerais” na página de Consulta ao Acervo disponível no site desta unidade
de informação. Essas sugestões são avaliadas pela equipe de Seleção e Aquisição e se forem
pertinentes ao acervo são inseridas no Sistema como Requisição de Compra. Vale lembrar
que se efetivamente adquiridas, automaticamente pelo Software, o usuário solicitante é
informado através de e-mail da disponibilização do material.
b. Solicitação/Requisição de compra: as solicitações/requisições são exclusivas para
os usuários habilitados (que possuem permissão) e o acesso se dá diretamente na plataforma
do Pergamum Web através do login cadastrado na Biblioteca. Estão aptos a realizar
requisição de compra todos os Professores e também todos os Bibliotecários do referido
Sistema de Bibliotecas. Estas requisições, obrigatoriamente, passam por determinados
trâmites, onde pareceristas irão dar a sua opinião a respeito dos itens solicitados, sendo
possível realizar cortes ou ampliar a quantidade de exemplares, cancelar itens ou mesmo
emitir parecer favorável. São dois os tipos de trâmites: Trâmite de requisição de compra por
cursos e trâmite de requisição de compra para Biblioteca, explicitados a seguir.
Cada curso oferecido por esta Instituição de Ensino possui no Sistema, um trâmite
associado. A figura 2 esclarece como se dá este trâmite de requisição de compra por cursos
que visa adquirir materiais bibliográficos relacionados nos planos de ensino como bibliografia
básica ou complementar.
Figura 3: Trâmite de requisição de compra por cursos

São os próprios professores titulares das disciplinas quem alimentam o Sistema
elencando os itens bibliográficos a ser adquiridos e ao finalizar a Requisição de Compra
vinculam esta ao grupo de trâmite que se refere ao curso a que estão subordinados. Também é
facultado aos bibliotecários das Bibliotecas Setoriais esta possibilidade.
O processo é então iniciado e a Requisição de Compra gerada pelo professor é
automaticamente enviada ao Coordenador daquele Curso para aprovação. Uma vez emitido o

1744

�parecer pelo Coordenador do Curso, esta Requisição é enviada para o Representante da
Comissão de Desenvolvimento de Coleções para validação. No caso dos Cursos atendidos
pelas Bibliotecas Setoriais, estas ainda devem emitir parecer sobre a requisição.
Somente após todas as fases do processo e todas as aprovações, a Requisição é
encaminhada à equipe de Seleção e Aquisição da Biblioteca Universitária que fará a análise
final do pedido e também efetuará os procedimentos relativos à compra dos materiais
solicitados.
Figura 4: Trâmite de requisição de compra para B iblioteca

Fonte: DETI, 2014.

Visando atender as demandas bibliográficas gerais das Bibliotecas, tem-se também o
grupo de trâmite “Bibliotecários” a que, como o próprio nome diz, estão vinculados todos os
Bibliotecários do Sistema, lhes sendo proporcionada a oportunidade de realizar requisições de
compra com o intuito de desenvolver o acervo da unidade de informação que representam.
Cada parecerista conta com um prazo de 168 horas, ou seja, 7 dias corridos para emitir
o seu parecer a respeito da Requisição gerada em seu grupo de trâmite. Após este prazo, o
Sistema indica “Situação em atraso”. Vale ressaltar ainda que, em tempo integral, é possível
ao requisitante e aos envolvidos no trâmite controlar o andamento da sua solicitação, inclusive
visualizar os pareceres que já foram emitidos, porém, uma vez emitido parecer, não é mais
permitida alteração.
Infere-se, ainda, que todos os grupos de trâmites foram criados manualmente, um a
um, no Sistema bem como as respetivas vinculações de requisitantes e pareceristas como
Professores, Coordenadores de Cursos, Representantes da Comissão de Desenvolvimento de
Coleções e Bibliotecários. As respectivas informações foram retiradas de relatórios gerenciais
solicitados e emitidos pela Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da
Informação e Comunicação (SeTIC) da referida Instituição de Ensino.
Atualmente o Sistema conta com aproximadamente 100 grupos de trâmite em pleno
funcionamento, sendo que até o momento apenas foram criados trâmites para atender aos
cursos de graduação ofertados anualmente pela Universidade.
Ainda faltam incluir os grupos de trâmite para os cursos de pós-graduação lato sensu e
strictu sensu visando atender as suas demandas bibliográficas.

1745

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Observa-se que a inclusão de trâmites no processo de requisição de compra,
descentralizou o cadastro dos pedidos, pois deixou de ser responsabilidade de apenas alguns
representantes da Comissão de Desenvolvimento de Coleções e do Setor de Seleção e
Aquisição da BU/UFSC e passou a ser participativo, envolvendo todo o corpo docente e
bibliotecários em geral.
Além disso, este processo proporciona maior transparência no processo de compras,
pois permite aos solicitantes acompanhar a tramitação dos seus pedidos bem como visualizar
os pareceres positivos e negativos e sua respectiva justificativa.
Verifica-se também a necessidade de ampla divulgação nas alterações sofridas pelo
processo de solicitação de material e também a importância da capacitação de todos os
envolvidos nos trâmites.

6 REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da
Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e
dá outras providências. Diário Oficial da União, Brsília, DF, 22 jun. 1993. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8666cons.htm&gt;. Acesso em 17 maio 2014.
MIRANDA, A. C. C. de. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas universitárias. Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v.4, n.2, p. 01-19, jan./jun.
2007.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Sistema de Bibliotecas. Politica de
desenvolvimento de coleções do Sistema de Bibliotecas da UFSC. Florianópolis, 2012.
Disponível em: &lt;http://www.bu.ufsc.br/design/PolDesColecoes_SIBIUFSC.pdf&gt;. Acesso em:
15 maio 2014.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Sistema de Bibliotecas. Portaria n.
0

1546/GR/2008.

Florianópolis,

2008.

Disponível

em:

&lt;

http://notes.ufsc.br/aplic/portaria.nsf&gt;. Acesso em: 15 maio 2014.
WEITZEL, S. R. O desenvolvimento de coleções e a organização do conhecimento: suas
origens e desafios. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.7, n.1, p. 61­
67, jan./jun. 2002.

1746

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Desenvolver coleções em Bibliotecas Universitárias é um dos objetivos dos bibliotecários que devem pensar em um acervo que supra as necessidades informacionais do meio em que está inserido. Uma das modalidades do desenvolvimento de coleções é a compra de material bibliográfico e visando otimizar o processo de requisição de compras, o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Santa Catarina adotou um método envolvendo trâmites, que consiste em descentralizar o cadastro dos pedidos e permitir que estas requisições sejam filtradas por pareceristas. O novo processo deixou a solicitação de compra além de interativa, mais precisa e transparente.</text>
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SNBU 2014

CLIMA ORGANIZACIONAL E SATISFAÇÃO NO TRABALHO: ESTUDO DA
BIBLIOTECA DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
CEARÁ
Diana Maria Flor de Lima Rifane
Ana Paula Pinto Bastos

RESUMO
Investiga a relação entre clima organizacional e satisfação no trabalho na Biblioteca de
Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Ceará. Analisa o clima organizacional a
partir das percepções compartilhadas do corpo funcional com base nas relações com as
políticas, as práticas e os procedimentos organizacionais, tanto formais quanto informais,
procurando avaliá-las quanto ao seu reflexo na satisfação no trabalho. Os fatores avaliados
quanto ao clima organizacional foram: apoio da chefia e da organização, recompensa,
conforto físico, controle/pressão e coesão entre colegas. Quanto ao nível de satisfação, as
dimensões analisadas foram: satisfação com os colegas, satisfação com o salário, satisfação
com a chefia, satisfação com a natureza do trabalho e satisfação com as promoções. A
pesquisa resultou em clima organizacional neutro, ou seja, nem positivo e nem negativo.
Constatou, quanto à satisfação no trabalho, que os servidores, de um modo geral, encontramse em estado de indiferença, resultado que espelha o clima organizacional. Considera que o
setor público deve investir no gerenciamento do clima organizacional, buscando alternativas
para favorecer a motivação e reduzir a insatisfação, para potencializar o seu desenvolvimento
organizacional.
Palavras-Chave: Administração pública; Clima organizacional; Satisfação no trabalho.

ABSTRACT
Investigates the relationship between organizational climate and job satisfaction in the Library
of Science and Technology, that belongs to Federal University of Ceará. Examines the
organizational climate, based on shared perceptions of the workforce, with respect to the
relationships with the policies, practices and organizational procedures, both formal and
informal, looking to evaluate them as to their reflection in job satisfaction. The factors
evaluated in relation to the organizational climate were: support from management and
organization, reward, physical comfort, control / pressure and cohesion between colleagues.
The level of satisfaction was analyzed based on the dimensions: satisfaction with coworkers,
satisfaction with pay, satisfaction with leadership, satisfaction with the nature of work and
satisfaction with promotions. The research resulted in organizational climate neutral, neither
positive nor negative. In relation to satisfaction, servers, generally, are in a state of
indifference, a result that mirrors the organizational climate. Considers that the public
organizations must invest in managing the organizational climate, seeking alternatives to
foster motivation and reduce dissatisfaction to improve organizacional development.
Keywords: Public administration; Organizational climate; Job satisfaction.

879

�1 INTRODUÇÃO
Intensas transformações econômicas, técnico-científicas, políticas e culturais vêm
ocorrendo nas últimas décadas em todo o mundo, afetando de modo muito significativo a
estrutura, a organização e o funcionamento das organizações públicas e privadas. Essas
transformações estruturais trouxeram para o setor público inúmeros desafios, com a exigência
de adaptação aos novos contextos. A incorporação de inovações tecnológicas aos processos
de trabalho, associada à demanda por novos métodos de atuação decorrentes do processo de
redemocratização do Estado, vêm transformando de modo acelerado, acentuado e constante o
trabalho exercido pelos servidores públicos. Esse novo cenário de mudanças contínuas exige
do mesmo muito mais esforço cognitivo e competências bastante diversificadas.
O setor público não poderia ficar indiferente haja vista que essas transformações
acarretam para as relações de trabalho a necessidade de servidores preparados para atuar num
ambiente de gestão mais complexo. O capital humano apresenta-se, assim, revestido de
importância singular pela sua capacidade de imprimir mudanças ao ambiente organizacional.
Desse modo, as organizações públicas têm procurado compreender melhor a dinâmica da vida
organizacional, principalmente no que diz respeito às pessoas, por serem estas o grande
diferencial competitivo no mundo do trabalho. Torna-se, então, imprescindível ao sucesso de
uma organização um enfoque no comportamento das pessoas na tentativa de alinhar os
objetivos organizacionais com os pessoais.
A satisfação no trabalho insere-se nesse contexto como um dos parâmetros de sintonia
entre esses objetivos. Como um dos mais relevantes aspectos do comportamento humano, sua
importância é vital no ambiente organizacional, pois dela depende a eficiência dos resultados.
Como uma variável dependente, ela sofre a influência do contexto no qual está inserida. Esse
contexto dinâmico é denominado clima organizacional, e expressa a percepção que os
indivíduos têm e como reagem às políticas e filosofia da organização.
No que concerne à esfera pública, sabe-se que a evolução da organização, de um modo
geral, se processa de forma diferente da esfera privada, uma vez que sua dinâmica e seus
objetivos se diferenciam. É importante salientar que há muito o Estado vem tentando mudar
sua forma de gerir e vem encontrando dificuldades para tal. Dentre as grandes dificuldades de
evolução das organizações públicas pode-se destacar a resistência às mudanças e, portanto, à
efetiva implementação dos novos modelos de administração e gestão do mundo moderno.
Considerando a necessidade de melhoria do serviço público, que apresente resultados
mais eficientes e que atue em sintonia com a evolução tecnológica e comportamental, nas
universidades um dos fatores que deve ser repensado relaciona-se com a melhoria no

880

�ambiente de trabalho e a satisfação dos seus múltiplos usuários em relação ao clima presente
na Instituição. Os estudos sobre clima organizacional têm sido fundamentais para a
compreensão da Instituição como um todo.
Para cumprir sua missão precípua de garantir a conservação e o progresso nos diversos
ramos do conhecimento pelo ensino e pela pesquisa, a Administração Superior da
Universidade Federal do Ceará (UFC) tem adotado um modelo democrático de gestão que
envolve a comunidade acadêmica na busca da excelência em seus diversos serviços à
sociedade. Nesse contexto, o presente trabalho expõe um estudo com relação ao clima
organizacional e à satisfação no trabalho de seus servidores com vistas a contribuir para a
melhoria do perfil de qualidade e eficiência, alvo de seus gestores.
Assim, o estudo do clima organizacional proporcionará aos gestores a identificação
dos fatores de satisfação e insatisfação, que influenciarão na tomada de decisão visando à
melhoria do ambiente universitário. Além disso, esse estudo poderá ser utilizado no
diagnóstico e intervenção organizacional a fim de equilibrar a relação indivíduo-organização,
contribuindo para o aprimoramento da principal função do serviço público, a de promover o
bem-estar do cidadão.
Esta pesquisa aborda a temática do clima organizacional e da satisfação no trabalho na
Biblioteca de Ciências e Tecnologia (BCT) da UFC, tendo como pergunta norteadora: a
satisfação no trabalho dos servidores técnico-administrativos da UFC é o reflexo do clima
organizacional? O estudo tem como objetivo geral analisar o clima organizacional a partir das
percepções compartilhadas do corpo funcional da BCT/UFC, procurando observar o seu
reflexo na satisfação no trabalho. Os objetivos específicos são examinar o clima
organizacional a partir da percepção dos servidores técnico-administrativos da BCT, avaliar o
nível de satisfação/insatisfação no trabalho, bem como estudar as implicações organizacionais
decorrentes da relação entre clima organizacional e satisfação no trabalho.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Contextualizando a Administração Pública
A Constituição de 1988 referendou uma nova noção de relacionamento entre Estado,
mercado e sociedade quando trouxe à tona novas concepções como descentralização,
desburocratização e democratização no setor público. No contexto das transformações globais
que afetam a administração pública, a gestão de pessoas desponta como área fundamental
para um melhor desempenho estatal. O desafio passa a ser a sua inserção estratégica nas

881

�estruturas e nos processos decisórios, o que implica a superação de uma cultura administrativa
que não percebe a questão dos recursos humanos com destaque. (CARVALHO et al, 2009)
A necessidade de se adequar às novas exigências do mundo atual tem despertado
empresas, organizações e instituições a promoverem as mudanças necessárias com vistas a se
manterem atualizadas e atingirem os seus objetivos. As Instituições de Ensino Superior (IES),
também pertencentes ao grande cenário mundial, vêm procurando acompanhar as exigências
de um mundo em vertiginosas mudanças, entre elas, aquelas ligadas à dinâmica
comportamental da vida organizacional. Inseridas nesse novo contexto, as instituições de
ensino superior devem buscar o aprimoramento de sua estrutura administrativa, dos processos
de trabalho e da gestão de pessoas.

2.1.1 A Universidade Federal do Ceará (UFC)
A UFC é uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação, criada pela Lei n°
2.373, de dezembro de 1954, e instalada em sessão de 25 de junho de 1955. Sua missão é
formar profissionais da mais alta qualificação, gerar e difundir conhecimentos, preservar e
divulgar os valores artísticos e culturais, constituindo-se em instituição estratégica para o
desenvolvimento do Ceará, do Nordeste e do Brasil. A instituição ocupa a primeira posição do
ranking das Instituições de Ensino Superior (IES) do Ceará, e segundo o Ministério da
Educação (MEC), é a terceira no ranking do Nordeste do Brasil. Em 2012, efetivou 31.979
matrículas, ofertando 105 cursos de graduação e 163 cursos de pós-graduação, sendo 97 no
nível stricto sensu e 66 no lato sensu (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA, 2012b).
A Administração Superior da UFC reconhece que o crescimento da Universidade é
absolutamente condicionado ao seu principal recurso, o ser humano, por isso tem buscado
valorizar seus servidores, favorecer sua capacitação e qualificação profissionais, investir em
sua qualidade de vida, delinear novas regras de mobilidade profissional, despertar a
criatividade, permitir a inovação, atrair e fixar competências priorizando o atendimento das
necessidades pessoais e profissionais (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA, 2012a).
Dentre os equipamentos acadêmicos e culturais que integram a UFC, o Sistema de
Bibliotecas, coordenado pela Biblioteca Universitária, abrange 17 (dezessete) unidades, sendo
12 (doze) em Fortaleza e 5 (cinco) no Interior (UFC, 2012). Possui atualmente o maior e mais
representativo acervo bibliográfico do Estado do Ceará, composto de mais de 400.000
exemplares. A BCT é uma de suas unidades setoriais, considerada uma biblioteca de grande
porte no Sistema, atendendo a 28 cursos de graduação e 24 de pós-graduação, bem como ao
público em geral. Os principais serviços oferecidos são: consulta livre ao acervo; empréstimo

882

�domiciliar; catálogo em linha de acesso público; autoatendimento pela Web; levantamentos
bibliográficos; capacitação de usuários e orientação sobre o uso da biblioteca e do acervo;
apoio à elaboração de trabalhos acadêmicos; comutação bibliográfica (COMUT); elaboração
da catalogação na publicação (fichas catalográficas); estações de acesso à Internet e rede de
internet sem fio; acervo digital (Biblioteca Digital de Teses e Dissertações, Repositório
Institucional, livros eletrônicos) (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2012c).

2.2 Clima Organizacional
A qualidade de vida no trabalho proporciona uma maior integração e satisfação entre
clientes internos e externos nas organizações, garantindo assim, um ambiente de trabalho de
integração com sinergia. Um longo caminho foi trilhado desde a Revolução Industrial, na
primeira metade do século XVIII, passando por várias teorias sobre sua organização, com
roupagens caracterizadas de acordo com as influências políticas de cada época, sendo
aperfeiçoadas e aprimoradas até chegar aos dias atuais - tendo o homem como principal
elemento transformador e inovador do ambiente organizacional.
Uma organização pode ser definida como:
[...] um sistema de atividades conscientemente coordenadas de duas ou mais
pessoas onde, devido a limitações pessoais, os indivíduos são levados a
cooperarem uns com os outros para alcançar certos objetivos que a ação
individual isolada não conseguiría. (LIMA; ALBANO, 2005, p.33)
Partindo deste princípio, de acordo com os autores supracitados, deve-se levar em
consideração, ainda, que há uma interferência real da cultura nacional e regional nos
relacionamentos e forma de organização, assim como nos preceitos relacionados, além de
sensações e sentimentos internos que aumentam ou diminuem o grau de satisfação dos
profissionais dentro da organização. Uma pesquisa de clima organizacional retrata o grau de
satisfação material e emocional das pessoas no seu cotidiano de trabalho, portanto, seu
objetivo maior é oferecer um mapeamento de fatores críticos da satisfação interna dentro da
empresa.
O desafio no desempenho da função gerencial tende, cada vez mais, a
concentrar-se no desenvolvimento de diagnósticos e planos de ação, que permitam ajustar
continuamente a relação indivíduo-organização. Um bom caminho para isto pode ser
apontado pelo levantamento e estudo do clima organizacional. A avaliação do mesmo é de
suma importância na determinação de situações bem sucedidas na empresa.

883

�Desta forma, pode-se afirmar que o conceito de clima organizacional é importante
para a compreensão do modo como o contexto do trabalho afeta o comportamento e as
atitudes das pessoas neste ambiente, sua qualidade de vida e o desempenho da organização.
Siqueira (2008, p. 30) afirma que clima organizacional consiste em percepções
compartilhadas que os membros desenvolvem através das suas relações com as políticas, as
práticas e os procedimentos organizacionais tanto formais quanto informais. Essas percepções
compartilhadas possuem valor estratégico, pois alimentam a formação de juízos/opiniões
acerca da realidade de trabalho.
Há um consenso no meio empresarial sobre o fato de que empregados satisfeitos
produzem mais e, consequentemente, alavancam os resultados das organizações. As empresas
devem buscar alternativas para provocar a motivação e reduzir a insatisfação. Gerenciar o
clima organizacional não é uma tarefa supérflua, e sim uma das responsabilidades estratégicas
do corpo gerencial.
Embora administrar o clima seja uma responsabilidade da Administração de Recursos
Humanos, no tocante à organização, em cada setor, passa a ser responsabilidade de quem
exerce o cargo de gestão, pois conhecer o grau de satisfação, as expectativas e as necessidades
da equipe de trabalho constitui um importante papel, um desafio gerencial, essencial para a
melhoria do ambiente de trabalho e da qualidade dos serviços prestados.
Grande parte das pesquisas de clima foi concebida e aplicada no setor privado.
Todavia, a administração pública passa no momento atual por um amplo processo de
transformação. Esse processo se visualiza nas sucessivas reformas e redefinições de
estruturas, processos e instrumentos de gestão visando combater a gestão burocrática
tradicional do setor público, tida como ineficaz e ineficiente. O ambiente organizacional deve
ser propício à maior responsabilização do funcionário e ao maior nível de autonomia que lhe é
outorgado. A questão que se coloca é: como transformar um ambiente pautado no
funcionamento de uma administração de cunho burocrático para uma administração flexível,
transparente e participativa?
Nesse sentido, a percepção do clima organizacional pode propiciar o diagnóstico capaz
de apontar os elementos que devem ser considerados para a reformulação e reestruturação das
organizações públicas e da carreira e identidade do servidor público.

2.3 Satisfação no Trabalho
Satisfação no trabalho adentra o século XXI como um dos múltiplos conceitos que
abordam a afetividade no ambiente de trabalho ou, mais especificamente, como um vínculo

884

�afetivo do indivíduo com o seu trabalho. Passa a ser compreendida como um resultado do
ambiente organizacional sobre a saúde do trabalhador e é apontada como um dos três
componentes psicossociais do conceito de bem-estar no trabalho, ao lado de envolvimento
com o trabalho e comprometimento organizacional afetivo (SIQUEIRA, 2008). Conforme
ratifica Schermerhorn Júnior (1999), satisfação no trabalho é apenas uma dentre as atitudes
importantes que influenciam o comportamento humano no local de trabalho. Está fortemente
relacionada, por exemplo, com o comprometimento organizacional - a medida pela qual uma
pessoa se identifica fortemente com a organização e se sente parte dela - e envolvimento no
trabalho - a vontade da pessoa de trabalhar duro e empregar esforço além das expectativas
normais.
O termo satisfação no trabalho refere-se à atitude geral do indivíduo em relação a seu
emprego e é constituído por componentes cognitivos e afetivos. Uma pessoa com um alto
nível de satisfação no trabalho tem atitudes positivas em relação ao emprego, ao passo que
uma pessoa que está insatisfeita com seu trabalho tem atitudes negativas quanto ao emprego.
(ROBBINS, 1999). Schermerhorn Júnior (1999) concorda ao afirmar que satisfação no
trabalho é o grau segundo o qual os indivíduos se sentem de modo positivo ou negativo com
relação ao seu trabalho. É uma atitude, ou resposta emocional, às tarefas de trabalho assim
como às condições físicas e sociais do local de trabalho. Aspectos comuns da satisfação no
trabalho relacionam-se com pagamento, condições de trabalho, qualidade da supervisão,
colegas e o trabalho em si.
Para Wagner e Hollenbeck (2009) satisfação no trabalho é “um sentimento agradável
que resulta da percepção de que nosso trabalho realiza ou permite a realização de valores
importantes relativos ao próprio trabalho”. Existem três componentes chaves nessa definição
de satisfação no trabalho: valores, importância dos valores e percepção. Satisfação é uma
função de valores. Os autores definiram os valores em termos daquilo “que uma pessoa deseja
obter consciente ou inconscientemente”. Os valores são “exigências subjetivas”, existentes na
mente da pessoa. O segundo componente da satisfação no trabalho é a importância. As
pessoas não diferem apenas nos valores que defendem, mas na importância que atribuem a
esses valores, e essas diferenças são cruciais na determinação de seu grau de satisfação no
trabalho. O último componente é a percepção. A satisfação está baseada em nossa percepção
da situação atual em relação aos nossos valores. Destaque-se que as percepções podem não
refletir com precisão total a realidade objetiva.
Conforme Robbins (1999), o uso de pesquisas de atitudes numa base regular fornece
aos gerentes um retorno valioso de como os empregados percebem suas condições de

885

�trabalho. Percepções distorcidas levam a atitudes negativas sobre o trabalho e a organização.
Isso é importante para a organização porque comportamentos de empregados são baseados em
percepções, e não em realidade.
Segundo o mesmo autor, o interesse dos gerentes pela satisfação no trabalho tende a
centrar-se em seus efeitos no desempenho do empregado. Há um grande número de estudos
que foram planejados para estimar o impacto da satisfação no trabalho na produtividade, no
absenteísmo e na rotatividade do empregado.
Qual a relação entre satisfação no trabalho e desempenho? Para Schermerhorn Júnior
(1999), embora a satisfação por si só provavelmente não seja uma garantia confiável do
desempenho individual, certamente é uma questão importante de qualidade de vida no
trabalho, que junto com outras variáveis podem prever o desempenho. A satisfação e o
desempenho devem ser considerados dois resultados separados, mas inter-relacionados, e
ambos são influenciados pela alocação de recompensas. Portanto, as recompensas bemadministradas são consideradas as chaves para criar tanto a satisfação quanto um alto
desempenho para a força de trabalho. Gerentes devem estar interessados nas atitudes de seus
empregados porque atitudes dão avisos de problemas em potencial e porque elas influenciam
o comportamento. Empregados satisfeitos e comprometidos, por exemplo, têm taxas mais
baixas de rotatividade e absenteísmo. Como gerentes querem manter demissões e absenteísmo
baixos, eles devem querer fazer coisas que gerem atitudes de trabalho positivas.
Para Wagner e Hollenbeck (2009) “a maioria das organizações não está no ramo da
satisfação no trabalho”. Por isso, às vezes é difícil fazer com que os gerentes percebam a
importância de compreender e melhorar as atitudes e os sentimentos dos seus funcionários
para com o trabalho. A insatisfação e o estresse do empregado, porém, produzem na empresa
importantes efeitos que não podem ser negligenciados, entre os quais se inclui a elevação dos
custos de assistência médica, rotatividade, absenteísmo, baixo compromisso organizacional e
violência no local de trabalho.
A insatisfação do empregado pode ser expressa de várias maneiras, como saída da
empresa, reclamações, insubordinação, negligência. A insatisfação interfere na rotatividade,
no absenteísmo e na intenção de desligamento da organização, provocando efeitos
indesejáveis e onerosos à organização, que podem interferir em desempenho e eficácia
globais. Portanto, desenvolver um clima saudável que assegure satisfação e bem-estar dos
trabalhadores deve constituir-se em meta prioritária dos gestores.
Na concepção de Bergamini (2010), no momento em que a empresa consiga
identificar com clareza seus objetivos e os objetivos daqueles que nela trabalham, dar-se-á o

886

�aproveitamento conjunto de forças e o aumento da possibilidade de realização. Uma das
formas mais eficazes de proceder ao diagnóstico do quanto e do como uma organização
esteja, no momento, conseguindo atender às necessidades normais de seus empregados, é por
meio dos estudos de levantamento do clima organizacional.
Conclui-se que o trabalho de uma pessoa não se limita às atividades inerentes ao seu
cargo, pois as ocupações requerem interação com colegas e chefes, seguir regras e políticas
organizacionais, obedecer a padrões de desempenho, conviver com condições de trabalho que
estão frequentemente aquém das ideais e coisas assim. A estimativa de satisfação é um
somatório complexo de um número de elementos do trabalho. Assim, o estudo do clima
organizacional atrelado ao estudo da satisfação no trabalho é importante porque avalia o nível
de satisfação ligado à percepção dos trabalhadores em relação ao ambiente psicológico e
social do trabalho, com vistas a se criar ou melhorar um modelo saudável de gestão, que
proporcione um ambiente propício ao desenvolvimento organizacional.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

A pesquisa em tela, quanto aos fins, é exploratória e descritiva. Iniciou-se com uma
pesquisa bibliográfica, em busca de informações atuais e relevantes relacionadas a clima
organizacional e satisfação no trabalho. A pesquisa de campo teve como foco a Biblioteca de
Ciências e Tecnologia da UFC, com o objetivo averiguar como está o clima organizacional e
o nível de satisfação no trabalho nesse setor da Universidade.
A pesquisa foi aplicada ao universo dos 15 servidores técnico-administrativos da BCT,
no segundo semestre de 2013. Foram devolvidos e analisados 10 (dez) questionários,
constituindo-se uma amostra que representa 66,66% do universo. Foi utilizado na pesquisa
um questionário estruturado com emprego de escalas para aferir diversos fenômenos
atitudinais ligados à problemática estudada, indicando atitudes negativas e positivas sobre as
relações dos funcionários com as políticas, as práticas e os procedimentos organizacionais,
tanto formais quanto informais.
No referido instrumento de pesquisa, foram aplicadas a Escala de Clima
Organizacional (ECO) e a Escala de Satisfação no Trabalho (EST). Conforme Siqueira
(2008), a ECO é uma escala multidimensional construída e validada com o objetivo de avaliar
a percepção do trabalhador sobre várias dimensões do clima organizacional, a saber: apoio da
chefia e da organização, recompensa, conforto físico, controle/pressão e coesão entre colegas.
De acordo com a supracitada autora, a EST é uma medida multidimensional construída e

887

�validada com o objetivo de avaliar o grau de contentamento do trabalhador frente a cinco
dimensões do seu trabalho, a saber: satisfação com os colegas, satisfação com o salário,
satisfação com a chefia, satisfação com a natureza do trabalho e satisfação com as promoções.
No tratamento dos dados em relação à ECO, considera-se que as médias fatoriais - que variam
de 1 a 5 - caso sejam inferiores a 2,9 apontam clima ruim, entre 3 e 3,9 sinalizam clima neutro
e superiores a 4 indicam bom clima. Particularmente em se tratando do fator
“controle/pressão”, a relação é inversa: valores maiores que 4 significam clima ruim (controle
exacerbado) e menores que 2,9 revelam bom clima.
Ainda conforme Siqueira (2008), a EST é uma medida multidimensional, cuja versão
completa é composta de 25 itens, construída e validada como objetivo de avaliar o grau de
contentamento do trabalhador frente a cinco dimensões do seu trabalho, a saber: satisfação
com os colegas, satisfação com o salário, satisfação com a chefia, satisfação com a natureza
do trabalho e satisfação com as promoções. Para este trabalho, utilizou-se uma versão
reduzida da EST, respeitando-se a sua estrutura de cinco componentes. Foram calculados
índices de precisão sobre os três itens de cada fator que detinham cargas fatoriais mais
elevadas. Uma correlação elevada e quase perfeita foi observada entre a forma completa da
EST com 25 itens e a sua versão reduzida com 15. As respostas dos sujeitos são obtidas por
meio de uma escala de 7 pontos (1 = totalmente insatisfeito; 2 = muito insatisfeito; 3 =
insatisfeito; 4 = indiferente; 5 = satisfeito; 6 = muito satisfeito; 7 = totalmente satisfeito).
Quanto maior for o valor do escore médio, maior será o grau de contentamento do empregado
com aquela dimensão de seu trabalho. Assim, valores entre 5 e 7 tendem a indicar satisfação;
entre 1 e 3,9, insatisfação; e entre 4 e 4,9, estado de indiferença, ou seja, nem satisfeito, nem
insatisfeito.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS

Apresenta-se inicialmente, no quadro abaixo (QUADRO 1), o perfil demográfico da
população estudada:

888

�Quadro 1 - Perfil demográfico dos servidores da BCT
Dado
demográfico

Característica
Feminino
GÊNERO
Masculino
Até 25 anos
26 a 30 anos
31 a 35 anos
36 a 40 anos
FAIXA ETÁRIA 41 a 45 anos
46 a 50 anos
51 a 55 anos
56 a 60 anos
61 anos ou mais
Fundamental incompleto
Fundamental completo
GRAU
DE Ensino médio completo
INSTRUÇÃO
Ensino superior incompleto
Ensino superior completo
Pós-graduação
Até 1 ano
1 a 5 anos
6 a 10 anos
TEMPO
DE 11 a 15 anos
SERVIÇO
16 a 20 anos
21 a 25 anos
26 a 30 anos
mais de 31 anos
Até R$ 2.000,00
R$ 2.001,00 a 3.000,00
FAIXA
R$ 3.001,00 a 4.000,00
SALARIAL
R$ 4.001,00 a 5.000,00
acima de R$ 5.000,00
Fonte: Elaborado pelas autoras.

Percentual
50%
50%
10%
10%
10%
10%
10%
20%
20%
0%
10%
0%
0%
30%
0%
20%
50%
0%
40%
0%
0%
0%
30%
20%
10%
0%
10,00%
70,00%
10,00%
10,00%

Em relação à variável sexo, 50% do total pertencem ao sexo feminino, enquanto 50%
são homens, não havendo prevalência de gênero entre os profissionais pesquisados.
Quanto à faixa etária, há uma concentração maior de pesquisados no intervalo entre 46
e 55 anos, totalizando 40% da amostra. Os outros 60% estão dispersos de maneira homogênea

889

�nas demais faixas etárias, excetuando-se a faixa de 56 a 60 anos, que não apresentou
resultado.
No que diz respeito ao grau de instrução, a pesquisa mostra que 50% dos servidores
são pós-graduados, 30% possui nível superior e 20% concluiu o ensino médio. Observa-se
que 80% dos pesquisados possui pelo menos o ensino superior completo, o que denota que o
corpo técnico-administrativo da BCT apresenta um ótimo nível de instrução e está buscando
investir na sua qualificação profissional.
Quanto ao tempo de serviço, os resultados demonstram que 60% dos pesquisados
pertencem ao quadro técnico-administrativo da UFC há mais de 21 anos. Significa dizer que a
maioria tem uma longa experiência no serviço público. Note-se que os demais 40% dos
participantes atuam na instituição por um período de 1 a 5 anos, ou seja, compõem uma
significativa parcela de servidores ingressos há pouco tempo na UFC.
A pesquisa revela que 70% dos servidores recebem entre R$ 3.001,00 e R$ 4.000,00.
Acima desta faixa, 10% ganham entre R$ 4.001,00 e R$ 5.000,00 e outros 10% recebem mais
de R$ 5.000,00. Verifica-se que nenhum servidor ganha abaixo de R$ 2.000,00. A
remuneração é determinada pelo cargo ocupado, bem como às progressões por tempo de
serviço (a cada 18 meses) e às por mérito, que ocorrem por meio da participação dos
servidores em cursos de capacitação profissional. Há ainda os incentivos à qualificação, na
forma de acréscimos à remuneração a cada nível de escolaridade formal galgado que seja
superior ao exigido para a investidura no cargo, conforme consta no Plano de Carreira dos
Cargos Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino vinculadas
ao Ministério da Educação (Lei no 11.091, de 12 de janeiro de 2005). Esses percentuais vão
de 10 a 72% do vencimento básico dos servidores.
Percebe-se, portanto, que o perfil geral do servidor técnico-administrativo da BCT é
constituído por funcionários com idade entre 46 e 55 anos, sem prevalência de gênero, com
pós-graduação, com mais de 21 anos de serviço e remuneração entre R$ 3.001,00 e R$
4.000,00.
Com base na pesquisa realizada, o perfil dos servidores que se mostraram mais
satisfeitos é de profissionais do sexo masculino, sem predominância de faixa etária, com pósgraduação, tempo de serviço entre 1 e 5 anos e remuneração entre R$ 3.001,00 e R$ 4.000,00.
Tais servidores demonstram maior satisfação do que aqueles com idade entre 51 e 55 anos,
sem preponderância de grau de instrução, com mais de 21 anos de serviço, e que também
recebem proventos na faixa salarial acima mencionada.

890

�Foi aplicada a ECO para investigar a percepção dos servidores sobre 5 dimensões:
apoio da chefia e da organização, recompensa, conforto físico, controle/pressão e coesão entre
colegas. A síntese dos resultados é apresentada a seguir (GRÁFICO 1):

Gráfico 1 - Dimensões da Escala de Clima Organizacional

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Analisando separadamente cada uma das dimensões, em relação ao apoio da chefia e
da organização, significativa parte dos servidores estudados (70%) não declarou concordância
ou discordância sobre as assertivas apresentadas, que envolvem comunicação, gerenciamento
de conflitos e planejamento, orientação e acompanhamento da execução das atividades, ou
seja, todo o suporte estratégico e operacional, assim como a gestão das emoções. Assim,
considerando o grupo como um todo o clima pode ser considerado neutro. De todo modo,
convém salientar que houve boa aprovação com relação à orientação do supervisor ou chefe
na execução de tarefas, assim como o reconhecimento da existência permanente de apoio do
chefe.
Avaliando a visão dos servidores no que diz respeito à recompensa observa-se que
90% não concordam com o sistema existente. Para eles, as recompensas estão aquém de suas
expectativas, sobretudo quanto à influência da produtividade do funcionário no seu salário. Os
demais 10% dos entrevistados demonstram uma visão neutra com relação a esse quesito. Em
toda a amostra não se identificou nenhum servidor que indicasse opinião favorável às
recompensas oferecidas pela organização como um todo.
Outro fator importante diz respeito ao conforto físico. Detectou-se que a metade dos
entrevistados não concorda que a Biblioteca disponha de infraestrutura física satisfatória e os
outros 50% nem concordam nem discordam (neutralidade). Nenhum dos respondentes

891

�expressou que as condições físicas da biblioteca são adequadas.

Os aspectos com pior

avaliação foram a disponibilidade de equipamentos de trabalho, acessibilidade física,
segurança no trabalho e salubridade. O posicionamento foi neutro em relação aos quesitos
ventilação, iluminação, limpeza e suficiência do espaço físico.
O fator “controle/pressão” exercido pela instituição e pelos chefes sobre os
funcionários teve como resultado 60% de discordância, resultado que na análise em curso
configura clima favorável. Os pesquisados não consideraram que exista na organização um
controle exacerbado da frequência, dos horários e do cumprimento dos prazos previstos,
fiscalização e menos ainda pressão e aplicação de punições aos funcionários.
Quanto à existência de coesão entre os colegas, o resultado foi de neutralidade
diante de aspectos como cordialidade, integração, ajuda mútua, boa receptividade, cooperação
com os colegas recém-ingressos na organização. Discordaram de que se possa compartilhar
problemas pessoais com os colegas.
Os resultados gerais da avaliação dos fatores de satisfação/ não satisfação, levantados
por meio da EST, são mostrados no gráfico a seguir:

Gráfico 2 - Dimensões da Escala de Satisfação no Trabalho

Quanto à dimensão “satisfação com os colegas”, os resultados apontam indiferença
dos servidores em se tratando das relações interpessoais estabelecidas no local de trabalho,
com 50% dos respondentes manifestando neutralidade em relação à amizade, confiabilidade e
espírito colaborativo demonstrado pelos colegas.
No cômputo geral, obteve-se um índice que aponta um estado de neutralidade em
relação à dimensão “satisfação com o salário”, no tocante à relação entre salário e volume de

892

�trabalho, remuneração obtida em função da capacidade profissional demonstrada e
compatibilidade do valor dos proventos com os esforços empreendidos na execução do
trabalho.
A maioria dos servidores aprova o estilo dos dirigentes, uma vez que 90% avaliaram
de modo favorável a dimensão “satisfação com a chefia”. Entendimento com o chefe e sua
capacidade profissional foram fatores apontados como satisfatórios no comportamento do
gestor. O resultado mostra indiferença somente quanto ao tratamento dispensado pelo chefe,
ou seja, os servidores abstiveram-se de apresentar uma apreciação favorável ou desfavorável
para esse atributo.
A dimensão “natureza do trabalho” também foi bem avaliada pelos servidores, com
um percentual de 80% de servidores satisfeitos. Destaca-se aqui o elevado grau de interesse
que as tarefas despertam para os que as realizam.
Com relação às promoções, pode-se observar que, dos servidores avaliados, 50% estão
insatisfeitos, 40% demonstram posição de indiferença e apenas 10% exprimem satisfação.
Evidenciou-se a insatisfação principalmente quanto à quantidade de promoções alcançadas e à
maneira como a organização as realiza.
Considerando-se a média geral do clima organizacional no gráfico a seguir
(GRÁFICO 3), apura-se que o clima pode ser definido como neutro (média de 3,08), ou seja,
não é positivo nem negativo, na percepção dos respondentes.

Gráfico 3 - Resumo dos resultados da Escala de Clima Organizacional

Fonte: Elaborado pelas autoras.

893

�O Gráfico 4 permite-nos constatar que os servidores de um modo geral encontram-se
em estado de indiferença (média de 4,58), ou seja, nem satisfeitos nem insatisfeitos no
trabalho.

Gráfico 4 - Resumo dos resultados da Escala de Satisfação no Trabalho

Fonte: Elaborado pelas autoras.

O resultado da pesquisa revela que a satisfação no trabalho reflete o clima
organizacional na BCT. O clima organizacional considerado neutro e o estado de indiferença
que não revela nem satisfação nem insatisfação com o trabalho podem apontar para alguns
caminhos. Retomando a explanação de Wagner e Hollenbeck (2009, p. 121), segundo os
quais os componentes da satisfação “importância dos valores” e “percepção” podem
determinar o nível de satisfação no trabalho, há a possibilidade de que: sob a ótica dos
servidores, grande parte dos valores pesquisados de fato não apresenta importância ou
consequência no desenvolvimento de suas atividades laborais; ou os profissionais abstêm-se
de posicionamento favorável ou desfavorável por não disporem de uma percepção bem
definida do ambiente organizacional em relação a seus valores.
Destaque-se que as situações bem-sucedidas, ou seja, aquelas que geraram aprovação
e contentamento, foram controle/pressão, em se tratando do clima organizacional, e satisfação
com a chefia e com a natureza do trabalho, no que se refere à satisfação no trabalho. Portanto,
existe uma percepção compartilhada positiva do trabalho em si e das funções gerenciais de
direção e controle.
Observe-se que os fatores que obtiveram avaliação negativa no presente estudo foram
as recompensas, quanto ao clima organizacional, e as promoções, no que tange à satisfação no

894

�trabalho. Para Schermerhorn Júnior (1999), as recompensas são uma variável que influenciam
diretamente a satisfação no trabalho, o que se evidenciou nesse estudo em que os pesquisados
estão manifestamente descontentes com a maneira pela qual a organização valoriza e premia
seus funcionários pelo esforço e qualidade do trabalho desenvolvido.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Constata-se que a satisfação no trabalho é o reflexo do clima organizacional, pois o
estudo realizado obteve como resultado clima organizacional neutro e estado de indiferença
com relação à satisfação no trabalho na percepção dos servidores da BCT/UFC, respondendose assim à questão que norteou esta pesquisa.
O exame do clima organizacional revelou neutralidade com relação às dimensões
apoio da chefia e da organização, conforto físico e coesão entre colegas e uma forte
insatisfação com as recompensas oferecidas, apenas tendo sido considerado positivo o
controle exercido sobre o trabalho. Por sua vez, a avaliação do nível de satisfação no trabalho
resultou em indiferença, sobretudo quanto aos valores satisfação com os colegas e com o
salário, e mostrou insatisfação com as promoções, havendo satisfação apenas com a natureza
do trabalho e com a chefia.
Reflete-se que a organização deve buscar identificar percepções distorcidas ou
imprecisas, ou seja, aquelas consideradas não condizentes com a realidade organizacional
vivenciada, uma vez que não seja percebido bom clima nem satisfação no trabalho entre os
funcionários. Investir no gerenciamento do clima organizacional significa conhecer e tratar os
fatores críticos de satisfação interna, a fim de aumentar o grau de satisfação dos profissionais
e como consequência o seu bem-estar e qualidade de vida no trabalho.
Propicia-se,

dessa forma, o desenvolvimento organizacional, pois o clima

organizacional e a satisfação no trabalho são aspectos do desenvolvimento de pessoas e
equipes que devem obter grande atenção dos gestores, pois favorecem a ampliação e maior
aproveitamento das informações, experiências, aptidões, objetivos e valores das pessoas como
consequência do efeito sinérgico da equipe (o todo sendo maior que a soma das partes) sendo
assim mais produtivo em muitas circunstâncias do que o trabalho individual. Aprofundamento
de questões, diversificação de pontos de vista, mais envolvimento e comprometimento com a
qualidade dos resultados, maior aproveitamento da criatividade, integração de esforços e
crescimento pessoal são alguns dos resultados positivos que podem ser alcançados.
Assim, se, no contexto atual, percebe-se o esforço das organizações para compreender
e buscar atender, por meio da oferta de produtos, serviços e experiências, às necessidades,

895

�desejos e demandas de seus clientes/cidadãos, a mesma importância deve ser dada às
necessidades e expectativas do capital humano da empresa, sobretudo no setor público, pois o
ambiente interno é um componente do microambiente da organização que pode afetar
diretamente a sua capacidade de entregar valor aos clientes e à sociedade.

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896

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Investiga a relação entre clima organizacional e satisfação no trabalho na Biblioteca de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Ceará. Analisa o clima organizacional a partir das percepções compartilhadas do corpo funcional com base nas relações com as políticas, as práticas e os procedimentos organizacionais, tanto formais quanto informais, procurando avaliá-las quanto ao seu reflexo na satisfação no trabalho. Os fatores avaliados quanto ao clima organizacional foram: apoio da chefia e da organização, recompensa, conforto físico, controle/pressão e coesão entre colegas. Quanto ao nível de satisfação, as dimensões analisadas foram: satisfação com os colegas, satisfação com o salário, satisfação com a chefia, satisfação com a natureza do trabalho e satisfação com as promoções. A pesquisa resultou em clima organizacional neutro, ou seja, nem positivo e nem negativo. Constatou, quanto à satisfação no trabalho, que os servidores, de um modo geral, encontramse em estado de indiferença, resultado que espelha o clima organizacional. Considera que o setor público deve investir no gerenciamento do clima organizacional, buscando alternativas para favorecer a motivação e reduzir a insatisfação, para potencializar o seu desenvolvimento organizacional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USO DA NOTAÇÃO BPMN PARA MODELAGEM DE PROCESSOS EM
BIBLIOTECAS

Samantha Andrade da Rosa
Rogerio Atem de Carvalho

RESUMO
O presente trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como objetivo o
mapeamento da etapa de processamento técnico nas bibliotecas que compõem o sistema de
bibliotecas de uma Instituição de Ensino Federal do Rio de Janeiro, a fim de identificar os
pontos a serem melhorados e propor melhorias. Para tanto, foi utilizada a técnica de
modelagem de processos, por meio da notação Business Process Management Notation
(BPMN). Os resultados encontrados mostraram a importância dos outros setores, como o de
informática, na execução do processo. Sugere-se a ampliação da pesquisa para os demais
processos das bibliotecas.
Palavras-Chave: Modelagem de processos; BPMN; Bibliotecas; Processamento técnico;
Planejamento.
ABSTRACT
This paper presents the results of a survey that aimed to map the technical processing step in
the libraries that make up the system of an Institution of Federal Education in Rio de Janeiro,
libraries in order to identify areas for improvement and propose improvements. Therefore, the
process modeling technique was used by notation Business Process Management Notation
(BPMN). The results showed the importance of other sectors such as information technology
in process execution. It is suggested expanding the search for other processes in the libraries.
Keywords: Modeling process; BPMN; Libraries; Technical Processing; Planning.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas buscam sempre estarem atualizadas, tanto através de serviços e
produtos cada vez mais interativos devido ao uso das novas tecnologias, quanto pela adoção
de modernas técnicas e ferramentas de gestão.
A visão da biblioteca como uma organização, preconizada por Maciel e Mendonça
(2006), propunha que as atividades realizadas pelas bibliotecas fossem divididas em funções e

1636

�processos. Nos últimos anos, a gestão por processos vem sendo adotada pelas bibliotecas
universitárias visando à melhoria de suas atividades.
A gestão por processos, segundo Valle e Oliveira (2012, p.13) têm como objetivo
fazer a ligação de tudo o que se faz na organização. Por meio dela, é possível unir as
estratégias e competências da organização às atividades desenvolvidas diariamente. Sua
adoção por bibliotecas permitiria a avaliação e melhoria contínua dos produtos e serviços
oferecidos através da compreensão e análise dos processos realizados. A estrutura tradicional
com sua divisão por setores ou departamentos, pode trazer dificuldades e gerar retrabalho,
uma vez que cada setor é responsável apenas por determinada atividade, perdendo, muitas
vezes, o foco no objetivo central de toda biblioteca, qual seja o atendimento ao usuário.
O presente trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como objetivo o
mapeamento da etapa de processamento técnico nas bibliotecas que compõem o sistema de
bibliotecas de uma Instituição de Ensino Federal do Rio de Janeiro, a fim de identificar os
pontos a serem melhorados e propor melhorias. Para tanto, foi utilizada a técnica de
modelagem de processos, por meio da notação Business Process Management Notation
(BPMN). A escolha do processamento técnico deu-se pela importância deste para o sucesso
de outros processos, como a referência e a circulação.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A gestão por processos nasce em decorrência das mudanças ocorridas a partir da
Segunda Guerra Mundial. Representa uma ruptura com a visão de gestão tradicional baseada
em funções e/ou departamentos geridos de forma verticalizada e com foco concentrado
apenas nos recursos.
A visão por processos introduz uma nova perspectiva baseada na visão sistêmica, a
qual enfatiza a “existência de um todo, ou seja, a ideia de que tudo faz parte de um contexto
maior” (CAPRA, 1997).
Reis e Blattman (2004), afirmam que a visão por processos pode ser implementada em
bibliotecas como forma de auxiliar na análise, diagnóstico e acompanhamento de novas
tecnologias a serem inseridas, além de trazer maior interação entre a equipe, com o
compartilhamento de objetivos e responsabilidades.
Ante o exposto, conceituar processo torna-se essencial para a compreensão deste
modelo de gestão. Processo é comumente definido como uma sequencia de tarefas e
atividades utilizadas na entrada (input) que agrega determinado valor e gera uma saída
(output) para um cliente específico (interno ou externo), utilizando recursos da organização

1637

�para gerar resultados concretos (REIS; BLATTMAN, 2004; GONÇALVES, 2000). Valle e
Barbalho (2012) incluem como elemento do processo o feedback ou retroalimentação. Tal
elemento permite a avaliação do produto/serviço gerado através do nível de satisfação do
cliente.
As principais técnicas utilizadas para a identificação dos processos são o mapeamento
e a modelagem de processos. O mapeamento de processos consiste, segundo Oliveira e
Amaral (2012), no levantamento dos dados necessários à compreensão destes, por meio de
técnicas como entrevistas, aplicação de questionários, workshops e observação. Já a
modelagem de processos é a utilização de técnicas e ferramentas com o objetivo de
identificar, classificar e mapear os processos-chave e críticos nas organizações. Oliveira e
Amaral (2012), a definem como a descrição gráfica de cada processo, classificando-a como
parte da atividade de mapeamento.
Dentre os benefícios do uso da modelagem de processos apontados por Santos (2002)
estão: construção de uma cultura e o compartilhamento de uma visão comum a toda a
organização por meio de uma linguagem única, o uso/explicitação do conhecimento e da
experiência da organização para a construção da memória da organização e suporte à tomada
de decisão.
Uma das mais difundidas técnicas de mapeamento e modelagem de processos é o
BPMN (Business Process Modeling Notation). Seu objetivo principal é fornecer uma notação
facilmente compreensível por todos os envolvidos no processo, desde os analistas e
desenvolvedores até a equipe responsável pela implantação e monitoramento dos processos de
negócios (CHINOSI; TROMBETTA, 2011).
A notação apresenta um único tipo de diagrama, denominado Diagrama de Processos
de Negócios (DPN) no qual é possível mapear um processo de ponta a ponta através dos
diversos elementos que compõem a notação.
O BPMN apresenta 5 (cinco) tipos básicos de elementos gráficos para a construção
dos DPN, a saber: atividade, evento, gateway, conector e swimlanes. Estes elementos se
subdividem possibilitando a criação dos mais diferentes tipos de processos de negócios.
A seção seguinte apresentará a caracterização do objeto de estudo e a metodologia
adotada.

1638

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho apresenta uma pesquisa essencialmente exploratória, uma vez que
não foram encontrados na literatura trabalhos sobre modelagem de processos em bibliotecas
utilizando a metodologia BPMN.
O processo estudado foi o processamento técnico das bibliotecas de uma Instituição
Federal de Ensino, localizada no Rio de Janeiro. Foram escolhidas como amostra a biblioteca
central, localizada na unidade sede da instituição, no bairro do Maracanã e a biblioteca da
unidade de Petrópolis, município da região serrana do Rio de Janeiro.
Foram realizadas entrevistas com os bibliotecários que atuam no processamento
técnico das bibliotecas para o levantamento das informações, as quais serviram como base
para a elaboração dos modelos do processo, criados através do software Dia.
Este software, desenvolvido para o ambiente GNOME180, permite a criação de
diversos tipos de diagramas, além da exportação para vários formatos e a personalização dos
desenhos por meio da combinação de notações.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
As informações obtidas durante as entrevistas subsidiaram a criação de modelos para
cada uma das bibliotecas, a fim de identificar as diferenças existentes entre elas. A seguir os
processos foram analisados com vistas a identificar os pontos passíveis de melhoria.
Os pontos identificados foram: a instabilidade da rede de informática, que afeta as
tarefas de pesquisa (na base Sophia e em outras bases); a falta de manuais e da realização de
inventários regulares, os quais contribuem para a manutenção das inconsistências na base.
Quanto aos recursos humanos, a contratação e o treinamento dos auxiliares em determinadas
tarefas do processo trariam mais agilidade. As dificuldades de comunicação entre as
bibliotecas das unidades e a biblioteca Central também foi considerada um ponto negativo.
Como sugestão, foi estabelecido um tempo máximo de 3 (três) dias úteis para respostas
referentes à catalogação.
Após a análise e identificação dos pontos passíveis de melhoria, o processo foi
redesenhado incluindo as sugestões, conforme figura 2. As atividades em amarelo são aquelas
que poderiam ser exercidas com o auxílio dos auxiliares.

180
O GNOME é um projeto Internacional de software livre que provê basicamente duas coisas:
o ambiente desktop GNOME, intuitivo e atraente para usuários finais; e a plataforma de desenvolvimento
GNOME, um framework extenso para construção de aplicações que se integrem com todo o desktop.

1639

�Figura 2: Processamento técnico - Redesenho do processo

Fonte: Elaboração própria

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A gestão de processos permite que os processos realizados nas bibliotecas sejam vistos
de forma mais integrada. Tal visão contribui sobremaneira para o planejamento estratégico
destas bibliotecas além da implementação outras técnicas de gestão como a melhoria
contínua.
A adoção da notação BPMN, se mostrou viável para a modelagem de processos em
bibliotecas. Os resultados encontrados mostram que é necessária a integração não só entre as
diversas bibliotecas da instituição, mas também destas com outros setores, como o de
informática e as coordenações dos cursos.
Sugere-se a modelagem de outros processos a fim de se ter uma visão completa e integrada
dos processos existentes e facilitar a elaboração do planejamento estratégico.

6 REFERÊNCIAS
CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São
Paulo: Cultrix, 1997.
CHINOSI, Michele; TROMBETTA, Alberto. BPMN: an
Computer standard &amp; interfaces, n.34, p.

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MACIEL, Alba Costa; MENDONÇA, Marília Alvarenga Rocha. Bibliotecas como
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REIS, Margarida Maria de Oliveira; BLATTMAN, Úrsula. Gestão de processos em
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Produção)-Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção, UFSC, 2000.
VALLE, Rogerio; OLIVEIRA, Saulo Barbará de (Org). Análise e modelagem de processo
de negócio: foco na notação BPMN (Business Process Modeling Notation). São Paulo: Atlas,
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1641

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                <text>O presente trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como objetivo o mapeamento da etapa de processamento técnico nas bibliotecas que compõem o sistema de bibliotecas de uma Instituição de Ensino Federal do Rio de Janeiro, a fim de identificar os pontos a serem melhorados e propor melhorias. Para tanto, foi utilizada a técnica de modelagem de processos, por meio da notação Business Process Management Notation (BPMN). Os resultados encontrados mostraram a importância dos outros setores, como o de informática, na execução do processo. Sugere-se a ampliação da pesquisa para os demais processos das bibliotecas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TECNÓLOGO EM BIBLIOTECONOMIA: reflexões acerca da realidade brasileira

Helen Beatriz Frota Rozados
Francisca Rosaline Leite Mota
Maria Raimunda Sousa Sampaio
RESUMO
Discute a questão da inserção do profissional Tecnólogo nos Conselhos Regionais de
Biblioteconomia (CRBs), a partir da possibilidade de o Projeto de Lei 2245/2007 ser
aprovado, tornando-se lei. Conceitua o profissional Tecnólogo, diferenciando-o do Técnico.
Discorre sobre a história e o desenvolvimento da referida profissão no Brasil e a legislação
que acompanha este desenvolvimento. Comenta como alguns Conselhos Profissionais
regulamentam a inserção destes profissionais em seus quadros. Sugere que estudos
aprofundados sejam feitos junto a outras entidades de classe e a Instituições de Ensino
Superior (IES), no sentido de definir o perfil, as competências e as áreas de atuação deste
profissional, no campo da Biblioteconomia. Indica medidas que podem ser adotadas para que
o Sistema CFB/CRBs inclua estes profissionais em seus Conselhos Regionais. Conclui que
este profissional pode vir a suprir carências mercadológicas e que ele não representa uma
ameaça ao profissional bibliotecário, protegido pela Lei n° 4.084/62.
Palavras-Chave:Tecnólogo. Bibliotecário. Projeto de Lei 2245/2007. Sistema CFB/CRBs.
FormaçãoProfissional.
ABSTRACT
A discussion of the issue of integration of the technologist in the Regional Councils of
Librarianship (CRBs ), considering the possibility of approval of Law Project 2245/2007,
thus
becoming
a
law. The
professional
technologist
is
conceptualized,
establishing the difference from a technician . The history and development of this
profession in Brazil and the legislation that accompanies this development are
presented. Comments are included on how some Professional Councils regulate the inclusion
of these professionals on their staff. A suggestion is made that in-depth studies be conducted
with other associations and Higher Education Institutions (IEs ), to define the profile, skills
and areas of expertise of this professional, in the field of librarianship . Ways that may make
it possible for the CFB / CRBs System to include these professionals in their Regional
Councils are indicated. It concludes that this technologist can come to meet the market
demands and does not represent a threat to the professional librarian, protected by Law No.
4.084/62.
Keywords: Technologist. Librarian. Law Project 2245/2007. CFB /CRBs System.
Vocational Training.

3769

�1 INTRODUÇÃO
O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), como os demais Conselhos
Profissionais constituídos, através de seu Sistema CFB/CRBs, tem a responsabilidade de
regulamentar e fiscalizar a atuação profissional nos campos abrangidos pela Biblioteconomia.
Atualmente, sua atuação restringe-se à regulamentação dos diplomados em cursos superiores
de Biblioteconomia.
No entanto, se tem ciência que o Ministério da Educação vem fortalecendo políticas
voltadas à implementação da educação profissional tecnológica no País, já existindo diversos
cursos, em diferentes áreas do conhecimento, sendo seus egressos reconhecidos pelos
Conselhos Profissionais aos quais se enquadram. Dentro desse panorama, e com o advento de
Projeto de Lei específico (PL 2245/2007), o CFB entende que deve colaborar com a ação
governamental, estudando, desde agora, não apenas as formas de inserção do Tecnólogo no
Sistema CFB/CRBs, mas também, por meio de sua Comissão Permanente de Ensino,
contribuindo com sugestões relacionadas a aspectos que envolvam este profissional, sua
formação e inserção no mercado de trabalho.
Dentro desta ótica, o presente trabalho pretende ser um documento de apoio e abrir
caminho para uma discussão mais ampla que envolva, além do Sistema CFB/CRBs,
Instituições de Ensino Superior (IES) e demais entidades vinculadas à área da
Biblioteconomia, como a Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação
(ABECIN), Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e
Instituições (FEBAB), Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da
Informação (ANCIB).

2 TECNÓLOGO: QUEM SÃO E NO QUE SE DIFERENCIAM DO TÉCNICO
Pela legislação educacional brasileira, torna-se Tecnólogo aquele que obtém um
diploma, após a integralização de um curso superior de tecnologia. Esses cursos definem-se
por serem abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e se
estruturam para abranger áreas especializadas e atender necessidades de setores específicos da
economia.
Referindo-se à educação profissional de nível tecnológico, o artigo 1° da Resolução
CNE/CP 3, de 18 de dezembro de 2002, institui:

3770

�A educação profissional de nível tecnológico, integrada às diferentes formas
de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, objetiva garantir aos
cidadãos o direito à aquisição de competências profissionais que os tornem
aptos para a inserção em setores profissionais nos quais haja utilização de
tecnologias. (BRASIL, 2002, documento não paginado).

No processo de concepção do Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, os
debates permitiram a identificação de um referencial básico comum de grande importância.
Segundo Machado (2008), tomou-se como consenso o entendimento de que esses cursos
visam formar profissionais para utilizar, desenvolver ou adaptar tecnologias sempre com o
conhecimento das implicações daí decorrentes e de suas relações com o processo produtivo, a
pessoa humana e a sociedade. Tais cursos devem estimular o pensamento reflexivo, a
autonomia intelectual, a capacidade empreendedora, a compreensão global do processo
tecnológico, em suas causas e efeitos e a capacidade de interagir e pensar de forma
interdisciplinar. Além disto, visam promover uma formação básica e conceitual que assegure
a possibilidade de continuidade de estudos em nível de pós-graduação, inclusive de stricto
sensu.
Esses elementos, citados pela autora, podem ser encontrados na Resolução CNE/CP 3, já
citada, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o
funcionamento dos cursos superiores de tecnologia. Seu artigo 2° define como deveres:
[...] para os cursos de educação profissional de nível tecnológico que serão
designados como cursos superiores de tecnologia:
I - incentivar o desenvolvimento da capacidade empreendedora e da
compreensão do processo tecnológico, em suas causas e efeitos;
II - incentivar a produção e a inovação científico-tecnológica, e suas
respectivas aplicações no mundo do trabalho;
III - desenvolver competências profissionais tecnológicas, gerais e
específicas, para a gestão de processos e a produção de bens e \serviços;
IV - propiciar a compreensão e a avaliação dos impactos sociais, econômicos
e ambientais resultantes da produção, gestão e incorporação de novas
tecnologias;
V - promover a capacidade de continuar aprendendo e de acompanhar as
mudanças nas condições de trabalho, bem como propiciar o prosseguimento
de estudos em cursos de pós-graduação;
VI - adotar a flexibilidade, a interdisciplinaridade, a contextualização e a
atualização permanente dos cursos e seus currículos;
VII - garantir a identidade do perfil profissional de conclusão de curso e da
respectiva organização curricular. (BRASIL, 2002, documento não
paginado).

Os Tecnólogos podem lidar com tecnologias físicas, quando suas atividades se
concentram sobre processos mecânicos, térmicos e eletromagnéticos, presentes no

3771

�funcionamento de ferramentas, máquinas, equipamentos, mecanismos e instalações. Podem,
também, se ocupar de tecnologias simbólicas, quando se debruçam sobre processos e modos
de percepção e de intelecção, utilizam modelos teóricos para a concepção da realidade natural
e social e de avaliação, recorrendo aos signos, códigos, indicadores, parâmetros, bancos de
dados, conceitos.
Diferentemente do Tecnólogo, o Técnico é formado por meio de um curso de nível
médio, que pode ser oferecido separadamente ou integrado ao ensino médio. Neste caso, o
aluno faz dois cursos ao mesmo tempo.
O Técnico em Biblioteconomia, por exemplo, segundo o Catálogo Nacional de Cursos
Técnicos, executa atividades técnico-administrativas e socioeducativas relacionadas à rotina
de bibliotecas e de centros de documentação e de informação. Auxilia nas atividades de
organização e recuperação da informação, bem como nas atividades de orientação aos
usuários. Auxilia no processo de disseminação de informações em ambientes físicos e
virtuais. Executa atividades técnico-administrativas e socioeducativas de rotina. Organiza o
ambiente destinado ao usuário (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2012). Pela descrição das
atividades, pode-se perceber que este profissional pode auxiliar o bibliotecário em várias
atividades e processos dentro de um ambiente de informação. Já o papel do Tecnólogo seria
restrito a uma determinada área de atuação, mas com deveres mais amplos, conforme
comentado anteriormente, ao se fazer referência a CNE/CP 3.
A pesar de muitos confundirem ‘Tecnólogo’ com ‘Técnico’, é importante frisar que a
graduação tecnológica é mais abrangente, uma vez que, além de conhecimentos das técnicas como fazer - esta formação oferece a base teórica - porque fazer.
Essa diferença também está estabelecida na Classificação Brasileira de Ocupações
(CBO), documento que estabelece os parâmetros para a contratação de qualquer
profissional, na qual é possível observar a existência de um grande grupo, o Grupo Técnicos
de Nível Médio, que compreende:
a) técnicos polivalentes
b) técnicos de nível médio das ciências físicas, químicas, engenharia e afins
c) técnicos de nível médio das ciências biológicas,bioquímicas, da saúde e afins
d) professores leigos de nível médio
e) técnicos de nível médio em serviços de transporte
f) técnicos de nível médio das ciências administrativas
g) técnicos de nível médio dos serviços culturais, das comunicações e dos desportos
h) outros técnicos de nível médio (CBO, 2010)

3772

�A CBO enfatiza que este grupo não compreende “Profissionais de nível superior (exceto
alguns tecnólogos), cuja denominação de “técnico” foi consagrada no mercado”.

3 PROFISSÃO TECNÓLOGO: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO

O acelerado avanço tecnológico da indústria brasileira, a partir dos anos 60, levou à
carência de profissionais que tivessem uma formação mais alinhada com o setor produtivo
industrial, em especial que preenchessem a lacuna das ações demandadas, na época, entre um
engenheiro pleno e um técnico de nível médio.
Na ocasião, a pressuposição era a de que a universidade regular formava profissionais
mais voltados para uma visão global do processo e menos ao ‘saber fazer’, quando a
necessidade do sistema econômico vigente apontava e direcionava a demanda para uma
educação voltada às especificidades buscadas pelo setor produtivo (ROMANELLI, 2003).
Prova disso é que no ano de 1960, por exemplo, era de 73% o déficit de pessoal com
qualificação de nível intermediário no mercado, valor este aumentando para 79%, em 1970.
Tal situação conduziu o governo à incentivar a criação de cursos de ‘curta duração’. A
motivação partiu de experiências positivas de outros no gênero, como: CollegesofAdvanced
Technology, na Inglaterra; Juniors Colleges, nos EUA; InstitutesUniversitaires de
Technologie, na França; TankiDaigaku, no Japão (PETEROSSI, 1980). No entender de Sousa
(1977, p. 37), os cursos de curta duração, naquele momento, eram “[...] apresentados como
uma forma conveniente, social e economicamente, de fazer face à crescente demanda por
educação de nível superior, através da diversificação, inclusive espacial, da oferta de
oportunidades”.
No Brasil, a capacitação em nível superior, de cursos de curta duração, foi inaugurada
pela criação do curso de Engenharia de Operação (que, após sua extinção, deu origem ao
curso de bacharelado em Engenharia Industrial, cuja duração foi igualada aos demais cursos
de engenharia). Este novo tipo de curso tinha como característica uma formação
intermediária, mais voltado a áreas específicas do setor produtivo, com ênfase na prática e
com um tempo reduzido de formação (e, consequentemente, um currículo mais enxuto), ou
seja: capacitação de uma força de trabalho para atuar em funções operativas (SOARES,
1982).
Inicialmente, estes cursos subordinavam-se a faculdades que ofereciam a possibilidade
de graduação em engenharia. Posteriormente, passaram a funcionar de forma autônoma.

3773

�Tinham como características uma formação prática maior do que a do engenheiro pleno, por
meio de trabalhos práticos e laboratoriais, oficinas, estágio industrial.
Por outro lado, neste ínterim, o Instituto de Pesquisa Econômica Social Aplicada
(IPEA) apresentou seu Plano Trienal (1968 - 1970), recomendando destinar os cursos
superiores plenos para pessoas intelectualmente ‘mais dotadas'. Isto fortificou a ideia de que
os engenheiros operacionais seriam responsáveis pela execução de atividades produtivas mais
operacionais e pontuais, excluindo-os de tarefas que exigissem conhecimentos aprofundados,
posicionamento crítico e interesse científico.
Neste viés, Peterossi (1980) sinaliza que os caminhos de capacitação, então traçados
para o ensino superior, subdividiam-se em duas categorias: a) capacitação de profissionais
ajustados a funções de variadas profissões intermediárias (professores secundaristas,
engenheiros operacionais, tecnólogos, profissionais especializados na área paramédica e
técnicos laboratoristas); b) formação de universitários com nível mais especializado (médicos,
engenheiros, arquitetos). Sousa (1977) entende que tal diferenciação entre categorias
profissionais em nível superior acabou por acentuar o distanciamento entre os denominados
cursos 'nobres' e os 'menos nobres'.
Em um estímulo à ampliação do leque de ofertas, o Decreto-Lei n. 547, de 18 de abril
de 1969, autorizou as Escolas Técnicas Federais a organizarem e fazerem funcionar cursos
profissionais superiores de curta duração, dentre eles, o curso de Engenharia de Operação,
pois elas já possuíam a infraestrutura necessária. Isto colaborou para que, a partir do início da
década de 70, muitos destes cursos tenham sido criados para minimizar a escassez de
profissionais de nível intermediário com maior capacitação.
O I Plano Setorial de Educação e Cultura (MEC), cobrindo o período 1972/1974,
previa incentivo especial para cursos de curta duração. O Programa de Desenvolvimento de
Ensino Médio e Superior de Curta Duração (PRODEM) trazia, em seu bojo, o Projeto 19, cuja
proposta era contribuir para que a juventude brasileira se ajustasse às exigências oriundas do
desenvolvimento tecnológico e científico do País. Pelo Projeto 19 “Considera-se carreira de
curta duração aquela cujo termo médio de integralização do tempo de curso não passaria de 3
(três) anos.” O Projeto englobava a formação de tecnólogos, destacando as particularidades
dos cursos: ser terminais (destinados a alunos que fossem direto para o mercado de trabalho);
estar em sintonia com as demandas do mercado de trabalho regional e nacional; ser extintos,
quando o mercado de trabalho ficasse saturado; formar profissionais destinados ao ‘fazer’;
construir uma identidade própria, distanciada da universidade. (BRASIL, 1971). O
desenvolvimento do referido Projeto contribuiu para que o MEC desse especial atenção a este

3774

�tipo de curso, implantando vários em diferentes áreas de atuação e localidades. Assim, 28
destes cursos passaram a funcionar em dezenove instituições de ensino, cobrindo quase a
totalidade das regiões brasileiras (SOARES, 1982).
A Reforma Universitária (Lei n° 5.540/68) abriu espaço para cursos de formação de
Tecnólogos, objetivando suprir as demandas advindas das áreas industrial e mercadológica,
incentivando a criação da primeira faculdade de tecnologia do Brasil, a Fundação Educacional
de Bauru (1970) (VITORETTE, 2001).
Na década de 70, o País vive o denominado ‘Milagre Brasileiro’, decorrente do
processo de desenvolvimento generalizado, no qual a setor produtivo passa a demandar
trabalhadores mais capacitados. Esse processo impulsiona a criação de cursos superiores de
tecnologia, voltados à formação de profissionais mais sintonizados com as novas necessidades
produtivas e tecnológicas. Os modelos adotados para estes cursos basearam-se nos da
Alemanha, França e Estados Unidos, com duração de 2 ou 3 anos. (SOARES, 1982).
A partir de então, o MEC buscou incentivar mais a expansão dos cursos que
formavam tecnólogos. O Projeto 15, do II Plano Setorial de Educação e Cultura (período
1975-1979) reiterou a importância das carreiras de curta duração, estabelecidas pelo Projeto
19. Aquele Projeto recomendava às instituições que realizassem rigorosa pesquisa de mercado
para: estabelecer as áreas de necessidade de criação dos cursos, o número de vagas
relacionadas tanto à infraestrutura da instituição quanto à inserção do tecnólogo no mercado
de trabalho; diminuir vagas e/ou desativar cursos, de acordo com a saturação do mercado
(BRASIL, 1974). O fato da maior parte das instituições não ter acatado as recomendações
comprometeu a qualidade dos cursos.
Em 1980, a Resolução CFE 12/80 determinou que o profissional formado em curso de
tecnólogo deveria ser denominado Tecnólogo, em sua respectiva área de formação.
Importante ressaltar que os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs)
(hoje substituídos pelos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia) somente
começaram a ofertar cursos superiores de tecnologia em 1993, através da Lei n. 8.711/93.
Por outro lado, no que concerne ao Tecnólogo, a CBO (2010) afirma que “[...] os
debates sobre a criação dos Cursos Superiores de Tecnologia de curta duração (CST),
iniciaram-se em 1963, com a expansão industrial”. Tais cursos tomaram maior vulto nas
décadas de 60 e 70 e no decurso histórico foi possível registrar em 2006, quando da
elaboração do Catálogo de Cursos Superiores de Tecnologia, um total de 3.500 cursos.
Aquela época as denominações dos referidos cursos já somavam 1.200 títulos, o que causou
dificuldades para o Ministério da Educação categorizar os cursos, visto a existência de:

3775

�a) títulos que sugerem extensão maior que o conteúdo;
b) títulos distintos com conteúdos iguais;
c) outros com denominação idêntica e conteúdo diverso e titulações em especialização
extrema. (CBO, 2010)
A CBO apresenta considerações importantes quando fala das dificuldades enfrentadas
para o enquadramento dos profissionais tecnólogos. O primeiro ponto relaciona-se a diferença
existente entre formação e ocupação. É possível se ter uma determinada formação, contudo a
ocupação exercida pode ser outra diferente. Outro ponto é a questão do equívoco de se
considerar cargo como ocupação. Assim, para facilitar a organização, a CBO distribuiu os
Tecnólogos em três grandes grupos “[...] tomando como base o conteúdo das atividades
desenvolvidas pela titulação a ser incluída.”. (CBO, 2010, documento eletrônico).
É importante ressaltar que o número de cursos não parou de crescer e o último Censo
da Educação Superior, publicado em 2013, registra, em 2011, um total de 5.478 cursos
tecnológicos. Isto representa um crescimento de 56,5%, em 5 anos (INSTITUTO ..., 2013).
Atualmente, a formação do tecnólogo situa-se no terceiro nível de educação
profissional, considerado como curso superior, destinado a egressos dos ensinos médio e
técnico, devendo ser estruturado de acordo com as demandas dos diferentes setores da
economia, contemplando as áreas especializadas e conferindo o diploma de Tecnólogo. Neste
sentido, o Tecnólogo pode ser concebido como um técnico de nível superior, formado para
atividades condizentes à tecnologia, com especificidades próprias e objetivadas.
Importante salientar que os tecnólogos são profissionais capacitados a entender os
processos produtivos (visão holística) e suas tendências. Paralelamente deverão possuir uma
forte preparação em determinada especialidade da área de atuação profissional ao qual estão
relacionados (vertente tecnológica definida por tendências de desenvolvimento), devendo ser
profissionais preparados para pensar globalmente e agir localmente (VITORETTE, 2001;
ALMEIDA, 2003).
Duas são as características do perfil que se espera desses profissionais: a) foco na
inovação tecnológica; b) competências de aplicação, desenvolvimento e difusão de
tecnologias e capacidade para gerir processos tecnológicos e produção de bens e serviços.
Provavelmente, fruto deste crescimento e do interesse do governo em incentivar a
formação desse tipo de profissional, atualmente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto
de Lei n° 2245/2007, de autoria do Deputado Reginaldo Lopes, que trata de regulamentar a
profissão do Tecnólogo e dá outras providências. O referido projeto encontra-se em discussão
intensa e merece um olhar cuidadoso, pois terá impacto direto no mercado de trabalho, com a
criação de novos postos e o suprimento de demandas que não conseguem ser atendidas em

3776

�sua plenitude, em decorrência do número insuficiente de profissionais com formação superior
ou qualificação especializada para o desenvolvimento de certas atividades.

4 O TECNÓLOGO E OS CONSELHOS PROFISSIONAIS: O OLHAR DO SISTEMA
CFB/CRBS
As colocações feitas até este momento deixam claro que os cursos superiores de
tecnologia são uma modalidade de ensino superior específica e diferenciada, que vieram para
responder à exigência urgente, tanto do mercado quanto da elevada demanda social pelo
ensino superior. Soma-se a isto o fato de que o número de cursos superiores que forma este
tipo de profissional vem crescendo sistematicamente e, consequentemente, mais tecnólogos
passam a ocupar cargos nas diferentes áreas do conhecimento.
Este panorama conduz a reflexões sobre a importância de os Conselhos Profissionais
proporcionarem a possibilidade de registro do Tecnólogo em seus Conselhos Regionais. A
justificativa baseia-se em dois pilares: por um lado a organização que os contrata; por outro, o
próprio profissional. Para as organizações, uma importante vantagem obtida com este tipo de
registro é a segurança para a contratante, devido à fiscalização ética da atuação do profissional
que estes conselhos conferem. Por outro lado, a afiliação do profissional ao conselho também
trará benefícios, uma vez que dará a eles o aporte da fiscalização, no que concerne ao
cumprimento efetivo de suas atribuições profissionais. Soma-se a isto o fato de que o
profissional devidamente registrado conta com acesso a informações atualizadas e a
atualizações e/ou alterações da legislação vigente na área.
Se, por um lado, esta ainda não é uma realidade de Conselho Federal de
Biblioteconomia (CFB) e de seus Regionais, o processo de registro de Tecnólogos já é uma
realidade em outros Conselhos Profissionais, em especial nas áreas de administração, saúde,
química, engenharia, sendo este último o primeiro a oficializar tal situação.
Na perspectiva de regularização desse profissional junto aos Conselhos Regionais de
Biblioteconomia (CRBs), a Comissão de Ensino do CFB entendeu importante estudar os
aspectos que permeiam este processo, incluindo o levantamento das práticas estabelecidas nos
Conselhos Profissionais, especialmente os de Engenharia e Agricultura, Fisioterapia,
Economia, Química e Administração, que já definiram essa filiação. Este estudo permitiu
verificar que o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Administração (CFA/CRA),
por exemplo, possuem sólida documentação sobre o assunto e, por ser uma área de
aproximação com a Biblioteconomia, fornecem subsídios interessantes ao estudo. Ressalta-se

3777

�aqui a publicação Guia de Orientação Profissional do Tecnólogo em Determinada Area da
Administração (MELLO, 2012).
Alguns aspectos deste levantamento devem ser destacados. Inicialmente, fica claro
que o Tecnólogo tem atuação em um campo específico da área do conhecimento em questão,
correspondendo a uma área de habilitação. O segundo aspecto relevante é que os Conselhos
Federais oficializam o reconhecimento destas habilitações, através de Resoluções. Estas
resoluções legalizam a possibilidade de registro do Tecnólogo nos respectivos Conselhos
Regionais e, inclusive, definem suas atribuições. Outro aspecto também importante é que, nas
Resoluções expedidas pelos Conselhos Profissionais, tem sido norma que a atuação dos
mesmos se subordine a de um profissional bacharel na área. Também a anuidade paga pelos
Tecnólogos é menor, em relação à recolhida pelos bacharéis. É importante ressaltar que, neste
processo, são considerados apenas os cursos reconhecidos pelo Ministério de Educação e
Cultura (MEC).
O Sistema CFB/CRB, atento à tramitação do Projeto de Lei 2245/2007, entendeu
necessário debruçar-se sobre o tema, preparando-se para acolher este tipo de profissional,
quando da transformação do referido Projeto em Lei Federal. A primeira coisa a ser pensada é
que esse tipo de curso superior abrange apenas uma área específica do campo do
conhecimento da área em questão. Neste sentido, e indo ao encontro do que os outros
Conselhos profissionais já fazem, a indicação do Sistema CFB/CRBs é que sejam mapeadas
estas áreas específicas. O CFA, por exemplo, definiram-as em 13 eixos, baseados nas áreas
estabelecidas pelo Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia, eixos estes que
também são os a ser seguidos pelas IES (MELLO, 2012). Isto significa que é imperativo que
tanto o Sistema como as IES que pretendem oferecer cursos para Tecnólogos na área de
Biblioteconomia já tenham mapeado que habilitações (eixos, áreas especializadas) seriam
importantes ser cobertos por estes cursos. Este mapeamento deve ser feito com a participação
de todas as instituições vinculadas à Biblioteconomia, a partir de pesquisas e prospecção do
mercado de trabalho atual, buscando verificar as lacunas e as demandas profissionais e, a
partir daí, traçar as áreas específicas de atuação do Tecnólogo na área de Biblioteconomia.
Com relação a que habilitações seriam interessantes serem sugeridas para que as (IES)
ofereçam cursos de graduação em Tecnologia, o Sistema CFB/CRBs pode auxiliar, no sentido
de sinalizar o que o mercado está demandando. Mas é de suma importância que estes perfis
desejados e nichos de mercado a serem contemplados sejam discutidos juntamente com outras
instituições da área, como a ABECIN, FEBAB, ANCIB, mesmo que neste primeiro momento

3778

�a autarquia já sinalize a área de Bibliotecas Escolares como uma com forte apelo, devido a Lei
12.244/2010.
No entanto, a Comissão de Educação ousa sugerir outras áreas, além da Biblioteca
Escolar. São elas: Biblioteca Pública, Gestão da Informação, Mediação da Informação,
Arquitetura da Informação, por exemplo. São habilitações que se entende ter potencial e ser
de interesse para se transformar em cursos tecnológicos, tanto para o mercado de trabalho
quanto para as pessoas que se interessarão por eles, feita novamente a ressalva que é
fundamental o envolvimento das instituições vinculadas/interessadas na Biblioteconomia e a
percepção do mercado de trabalho sobre estes aspectos.
A partir implementação dos cursos e da formação desses profissionais, a forma legal
de oficializar seu ingresso nos conselhos regionais seria por meio de Resolução, emanada pela
autarquia, no caso o CFB. Para regulamentar sua atuação, o profissional tecnólogo deverá ter
formação em um dos cursos então reconhecidos na área da Biblioteconomia, também
reconhecidos pelo MEC e estar atuando nos campos profissionais relacionados à área. Como
tem sido a prática corrente no MEC, nesta ocasião cursos já deverão estar descrito no
Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Frente à perspectiva de uma futura aprovação da Lei dos Tecnólogos e a consequente
absorção destes profissionais no mercado de trabalho, entende-se que a preocupação do CFB
em garantir o registro profissional dessa categoria demonstra o apoio do Sistema CFB/CRBs a
uma demanda do Ministério da Educação, ao que se refere à implementação da política da
educação profissional e tecnológica no País.
No tocante à repercussão no contexto da Biblioteconomia, o Projeto de Lei n°
2245/2007 pode representar uma alternativa, no sentido de suprir as carências mercadológicas
que já estão surgindo, a partir da promulgação da Lei n° 12.244, de 24 de maio de 2010, que
trata da universalização da Biblioteca Escolar no Brasil, sem mencionar outros projetos de lei
aos quais o CFB tem feito frente, como os relacionados ao livro, à biblioteca, aos direitos
autorais.
Por outro lado, é importante registrar que o profissional tecnólogo não apresenta uma
ameaça ao Bibliotecário. Este se encontra devidamente resguardado pela Lei n° 4.084, de 30
de junho de 1962, que dispõe sobre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício. É
necessário vislumbrar o Tecnólogo como um importante parceiro para o crescimento e

3779

�desenvolvimento da área, no Brasil, aumentando e reforçando a visibilidade da
Biblioteconomia na nossa sociedade.

6 REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Marilis Lemos De. Da formulação à implementação análise das políticas
governamentais de educação profissional no Brasil. 2003. 256 f. Tese (Doutorado em
Política Científica e Tecnológica) - Instituto de Geociências da Universidade Estadual de
Campinas, Campinas, 2003.
BRASIL. Plano Setorial de Educação e Cultura (1972-1974). Brasília: MEC, 1971.
BRASIL. Plano Setorial de Educação e Cultura (1975-1979). Brasília: MEC, 1974.
BRASIL. CNE/CP. Resolução n. 03, de 18 de dezembro de 2002. Institui as Diretrizes
Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o funcionamento dos cursos superiores de
tecnologia. Diário Oficial: Brasília, 23 dez. 2002.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações CBO-02. Brasília: SPES, 2002. Disponível em: &lt;http://www.mtecbo.gov.br/cbosite&gt;. Acesso
em: 25 abr. 2014.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
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MACHADO, Lucília Regina de Souza. O Profissional Tecnólogo e sua Formação. In:
BUENO, Maria Sylvia Simões; ALVES, Giovanni (org). Trabalho, Educação e Formação
Profissional: perspectivas do capitalismo global. Campinas: Autores Associados, 2008.
MELLO, Sebastião Luiz de. Guia de Orientação Profissional de Tecnólogo em
Determinada Área da Administração. Brasília: CFA/CRAS, 2012.
MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO. Catálogo Nacional de Cursos Técnicos. Brasília, 2012.
PETEROSSI, Helena Gemignani. Educação e Mercado de Trabalho: análise crítica dos
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SOARES, Rosemary Dore. Formação de Técnicos de Nível Superior no Brasil: do
engenheiro de operação ao tecnólogo. Dissertação mestrado. Curitiba: FAE, 1982.
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MEC/DAU. Estudos sobre a Formação de Tecnólogos. Brasília: MEC/DAU/UFMT, 1977.
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VITORETTE, Jacqueline Maria Barbosa. A Implantação dos Cursos Superiores de
Tecnologia no CEFET-PR. 2001. 131 f Dissertação (Mestrado em Tecnologia) - Centro
Federal de Educação Tecnológica do Paraná (CEFET/PR - Unidade Curitiba), Curitiba, 2001.

3780

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Tecnólogo em Biblioteconomia: reflexões acerca da realidade brasileira</text>
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                <text>Discute a questão da inserção do profissional Tecnólogo nos Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRBs), a partir da possibilidade de o Projeto de Lei 2245/2007 ser aprovado, tornando-se lei. Conceitua o profissional Tecnólogo, diferenciando-o do Técnico. Discorre sobre a história e o desenvolvimento da referida profissão no Brasil e a legislação que acompanha este desenvolvimento. Comenta como alguns Conselhos Profissionais regulamentam a inserção destes profissionais em seus quadros. Sugere que estudos aprofundados sejam feitos junto a outras entidades de classe e a Instituições de Ensino Superior (IES), no sentido de definir o perfil, as competências e as áreas de atuação deste profissional, no campo da Biblioteconomia. Indica medidas que podem ser adotadas para que o Sistema CFB/CRBs inclua estes profissionais em seus Conselhos Regionais. Conclui que este profissional pode vir a suprir carências mercadológicas e que ele não representa uma ameaça ao profissional bibliotecário, protegido pela Lei nº 4.084/62.</text>
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                    <text>XVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
SNBU 2014

PRÁTICAS DE LEITURA LITERÁRIA DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECADO IFES
CAMPUS SÃO MATEUS: UM OLHAR SOBRE OS REGISTROS DE
EMPRÉSTIMOS
Rossanna dos Santos Santana Rubim

RESUMO
Objetiva identificar práticas de leitura literária possíveis no âmbito de um grupo de usuários
da comunidade acadêmica do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), circunscritos ao
campus São Mateus, numa perspectiva da História Cultural,tendo como principal aporte
teórico o historiador do livro e da leitura: Roger Chartier. Relatórios gerados pela Biblioteca
fazendo uso do Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum®, compreendendo os anos de
2011 e 2012, serviram de base para a análise. Propôs-se tambémconfrontar os dados
levantados com os rankings da rede social Skoob408, onde leitores de localizações geográficas
e faixas etárias variadas compartilham registros de leitura, seja ela consolidada, intencionada
ou frustrada. A análise dos dados deu conta de caracterizar grupo de leitores literários com
preferências pelas literaturas ditas de massa, sendo que a comparação dos dados coletados
com rankings da rede Skoob permitiu dizer que as figurações de leitura dos leitores do
campus São Mateus vão ao encontro do ali disposto. Verificou-se a importância de promover
melhor conhecimento desse leitor globalizado, apontando também para a necessidade de
estudos outros nesse sentido, tais como os relacionados aos diferentes suportes para escrita.
Palavras-chave: Práticas de leitura; Leitura literária; Figurações de leitores.

ABSTRACT
It aims to identify possible literary reading practices within a group o f users from academic
community at the Instituto Federal do EspíritoSanto (Ifes) , circumscribed in São Mateus
campus, from the perspective of Cultural History ,using as the main theoretical contribution
the books and reading’s historian: Roger Chartier . Reports generated by the library, through
the use of Pergamum® Integrated System for Libraries, comprising the years 2011 and 2012,
has served as analysis base. It’s also proposed to compare the data collected with the rankings
of the social network Skoob, where readers from different geographical locations and age
groups share reading records, whether consolidated, meaningful or frustrated. The data
analysis realized has characterized a group of literary readers with mass’ literatures
preferences, and the comparison of the data collected with Skoob network rankings allowed to
say that the reading figurations of theSão Mateuscampus’ readers will meet those provisions.
It was verified the importance of promoting better understanding of this global reader , which
can come to potentialize actions of reading mediation , such as those related to different
supports of reading.
Keywords: Reading practice, Literary reading; Figurations of readers.
408Rede social cujo propósito é coletarregistros de leituras diversas, sendo alimentada pelos membros
cadastrados (www.skoob.com.br).

3489

�1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Acreditando na importância

de promover estudos

que favoreçam

melhor

conhecimento de usuários de bibliotecas e na busca de certa compreensão de como se figuram
nesse espaço, enquanto leitores literários, é que se apresenta esse trabalho.
Tem como principal objetivo identificar práticas de leitura literária de certo grupo de
usuários, circunscrito ao Instituto Federal do Espírito Santo - campus São Mateus, cotejando
os dados levantados com os disponíveis em rede social nacional de leitura, o Skoob, na
expectativa de vislumbrar, mesmo que superficialmente, aspectos que se entrecruzem, dando
conta de verificar como que a observação de certo ambiente pode auxiliar na compreensão do
um universo mais complexo: o de leitores literários do mundo dito “globalizado”.
O presente importa tanto aos Estudos Literários quanto aos Estudos de Usuários, uma
vez que ambos empenham-se na implementação de ações de mediação da leitura e
consequente conhecimento das questões que perpassam as mesmas.

2 SUBSÍDIOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS
Para fundamentar a abordagem desse trabalho serão observadas as considerações de
Roger Chartier, no que se refere à aplicabilidade do olhar da História Cultural no processo de
investigação de práticas inerentes a uma comunidade específica, uma vez que, para o autor, “a
história cultural [...] tem por principal objecto identificar o modo como em diferentes lugares
e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler” (1990, p. 16­
17). O autor afirma também que:
A definição de história cultural pode, [no contexto da reflexão efetuada
sobre as noções de representação, prática e apropriação], encontrar-se
alterada. Por um lado, é preciso pensá-la como análise do trabalho de
representação, isto é, das classificações e das exclusões que constituem, na
sua diferença radical, as configurações sociais e conceptuais próprias de
um tempo ou de um espaço (CHARTIER, 1990, p. 27, grifo nosso).
Dessa forma, define-se a comunidade de usuários, potenciais409 e reais, dos serviços da
biblioteca do Ifes Campus São Mateus como sujeito da pesquisa, sendo os relatórios de
circulação de materiais as fontes primárias de coletas de dados, na tentativa de identificar
práticas de leitura literária, ali manifestadas, buscando uma melhor percepção social desse
meio, o que é valorizado por Chartier quanto ele afirma que:
409Denomina-se usuário potencial —
pessoa, grupo ou entidade cujas atividades vinculam-se, direta ou
indiretamente, ao atendimento da missão e dos objetivos estratégicos da organização ou comunidade na qual está
inserida a unidade de informação e podem vir a ser utilizadores dos serviços ou produtos desta unidade”
(CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 373).

3490

�As percepções do social não são de forma alguma discursos neutros:
produzem estratégias e práticas (sociais, escolares, políticas) que tendem a
impor uma autoridade à custa de outros, por elas menosprezados, a
legitimar um projecto reformador ou a justificar, para os próprios
indivíduos, as suas escolhas e condutas (1990, p. 17).
Ainda baseando-se em Chartier (1990), pode-se dizer desse trabalho que tenha
perspectivas fenomenológicas, quando prioriza o estudo de valores e comportamentos mais
restritos (p. 18).
Espera-se ser possível visualizar se figura-se uma postura “anárquica” do leitor desse
lócus, em relação aos ditos cânones, considerando o discutido por Petrucci (1999) sobre
questões inerentes à chamada “leitura de massa”.
De tudo que foi dito até agora resulta evidente que justamente nas áreas
culturalmente mais adiantadas (Estados Unidos e Europa) vai ganhando
terreno uma forma de leitura de massa que alguns propõem definir
precipitadamente como “pós-modema” e que se configura como “anárquica,
egoística, egocêntrica”, baseada num único imperativo: “leio o que bem
entendo”. [...] ela [a leitura anárquica] nasceu, sobretudo por causa da crise
das estruturas institucionais e ideológicas que até agora haviam sustentado a
preexistente “ordem da leitura”, isto é, a escola como pedagogia da leitura
no interior de determinado repertório de textos autoritários; a Igreja como
propagandista da leitura dirigida a fins devocionais e morais; a cultura
progressista e democratizante que via na leitura um valor absoluto para a
formação do cidadão ideal. Mas ela também é fruto direto de uma
alfabetização de massa mais forte, do acesso ao livro de um número
muito maior de leitores do que há trinta ou cinquenta anos, da crise de

oferta da indústria editorial diante de uma demanda caoticamente nova em
termos de gostos e em termos numéricos. (PETRUCCI, 1999, p. 218, grifo
nosso).
Será observado intervalo temporal de 01/01/2011 a 31/12/2012 (dois anos), período no
qual se baseou a geração de relatórios, com o intuito de potencializar os resultados obtidos,
uma vez que houve dois prolongados momentos de movimento paradista grevista no decorrer
do período citado, valorizando também a identificação de características que venham a
possibilitar possíveis figurações dos leitores literários pertencentes à comunidade que ora se
apresenta como alvo de análise, tais como gênero e curso no qual se encontra matriculado.
A análise será pautada prioritariamente nos relatórios emitidos no Pergamum®, não
sendo possível identificar a faixa etária do usuário real, dado este desconsiderado na
elaboração dos modelos dos referidos documentos em associação com os registros de
circulação, sendo escolhidos os seguintes documentos para análise:
•

Estatística de empréstimo por classificação;

•

Relatório de títulos mais emprestados por área de conhecimento (até a 20a colocação);

3491

�•

Levantamento bibliográfico por classificação;

•

Relação de materiais emprestados: empréstimos no período de 01/01/2011 a
31/12/2012.

Também

serão tabulados dados provenientes de relatório, fornecido pela

Coordenadoria de Registros Acadêmicos, responsável institucional pelos registros de
ingressantes e egressos, contendo dados de distribuição de alunos conforme curso, gênero e
período de matrícula, dentro do intervalo temporal definido, uma vez que há cursos com
períodos semestrais e anuais.
Pretende-se confrontar os apontamentos aqui possíveis com os rankings da rede social
de leitura Skoob, atualizados automaticamente a cada alteração feita pelos seus membros
(inclusão de títulos, alteração de estágio de leitura, manifestações de desejos de leitura),
colocando assim em questão a pertinência dos dados aqui apresentados frente aos diferentes
tempos e espaços das práticas de leitura, o que ao fim, é o principal foco desse trabalho.

3 A BIBLIOTECA DO IFES CAMPUS SÃO MATEUS E OS SEUS USUÁRIOS
O Ifes é uma instituição cuja missão é “promover educação profissional e tecnológica
de excelência, por meio do ensino, pesquisa e extensão, com foco no desenvolvimento
humano sustentável” (INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2009). Quando da
realização dessa pesquisa, o instituto possuía 17 campi em funcionamento, dentre eles, o
campus São Mateus, que iniciou suas atividades em agosto de 2006. Nesse campus, apesar de
contar com profissional bibliotecário desde sua abertura, a unidade informacional (biblioteca)
iniciou suas atividades no início de 2007, com acervo incipiente, sem a disponibilização de
títulos literários. O desenvolvimento do acervo literário se deu de forma orgânica, ora
absorvendo doações de origens diversas (usuários internos e externos, programas como o
Plano Nacional Biblioteca na Escola - PNBE) ora mediante realização de procedimentos de
compras em atendimento às demandas dos usuários leitores e da necessidade de suporte ao
que se apresenta no currículo da disciplina Língua Portuguesa e Literatura.
A organização dos livros, de acordo com suas classes de assunto, é feita com base na
22a edição da Classificação Decimal de Dewey410(CDD), esquema de classificação
desenvolvido pelo bibliotecário americano Melvil Dewey, que utiliza sistema decimal para a410

410A primeira versão desse esquema foi publicada em 1876, sofrendo alterações variadas até a atualidade. A
Online Computer Library Center, Inc. (OCLC) é responsável pelas ações de revisão e edição de tal publicação,
sendo única detentora de seus direitos autorias (DEWEY, 2003).

3492

�divisão de cada classe de assuntos em subclasses, formando a notação (CUNHA;
CAVALCANTI, 2008, p. 85), a qual norteia a disposição dos livros nas estantes.O Quadro1
ilustra as características de formação do acervo de literatura literária da biblioteca do Ifes
campus São Mateus, de acordo com os agrupamentos de classes nas quais os títulos são
inseridos quando da realização do processamento técnico411.

Quadrol

-

Composição

do

acervo

literário

a

partir

de

análise

do

relatório“Levantamento bibliográfico por classificação”
Notação
CDD
808.89

Literatura Infanto-Juvenil

Classificação

Quantidade
Títulos
Exemplares
139
145

811

Poesia Norte-Americana

3

813

Ficção Norte-Americana

80

3
102

818
820
822

Literatura Norte-Americana - Miscelânea
Literatura Inglesa
Teatro Inglês (Shakespeare)

2
1
11

2
2
11

823

Ficção Inglesa

93

93

823.1
824
828
831
833
838
839.31
839.823
841
843
843.1
846
851
853
853.1
862
863

Contos Ingleses
Ensaios Ingleses
Literatura Inglesa - Miscelânea
Poesia Alemã
Ficção Alemã
Literatura Alemã - Miscelânea
Literatura Holandesa
Ficção Norueguesa
Poesia Francesa
Ficção Francesa
Contos Franceses
Cartas Francesas
Poesia Italiana
Ficção Italiana
Contos Italianos
Teatro Língua Espanhola
Ficção Língua Espanhola

1
1
4
1
3
1
1
2
1
26
1
1
1
4
1
1
9

1
1
4
1
3
1
1
6
1
34
1
1
1
4
1
1
9

869.1

Poesia Brasileira e Portuguesa

73

114

869.2

Teatro Brasileiro e Português

11

23

869.3

Ficção Brasileira e Portuguesa

190

335

869.5
869.6
869.7

Discursos Brasileiros e Portugueses
Cartas Brasileiras e Portuguesas
Sátiras Brasileiras e Portuguesas

1
1
1

3
1
1

869.8

Literatura Brasileira e Portuguesa - Miscelânea

128

165

880.8
883
889.3

Literatura Grega Clássica - Miscelânea
Poesia Épica Grega
Ficção Grega

1
4
1

1
4
1

411Processamento técnico é o “conjunto de atividades às quais um documento é sucessivamente submetido até ser
considerado pronto para ser incluído no acervo e ser usado pela biblioteca” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p.
293).

3493

�891.593
891.7
891.71
89.73
891.731
891.85
891.853
891.863
892.7
892.78
893.1
895.63

Ficção Afegã
Literatura Russa
Poesia Russa
Ficção Russa
Contos Russos
Literatura Polonesa
Ficção Polonesa
Ficção Tcheca
Literatura Árabe
Literatura Árabe - Miscelânea
Literatura Egípcia
Ficção Japonesa

Total geral

2
1
1
3
2
1
1
2
2
1
1
1

4
1
1
3
2
1
1
2
2
1
1
1

817

1097

Fonte: INSTITUTO FEDERAL DO ESPIRITO SANTO, 2013b.

Elaborada com base nas informações constantes no relatório Levantamento
bibliográfico por classificação(INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2013b), o
Quadro1 dá conta de caracterizar um acervo variado, disposto de forma a criar opções e ir ao
encontro dos anseios dos usuários reais, presentes e sempre manifestantes de seus desejos de
leitura. Também se observa a predominância de títulos pertencentes às classes literárias:
Literatura infanto-juvenil (muitos títulos dessa classe são provenientes de repasses do PNBE),
Ficção americana, Ficção inglesa e os relacionados à Literatura portuguesa e brasileira
(diversidade atribuída a trabalho de seleção com vistas a dar suporte à disciplina de Língua
Portuguesa e Literatura).
Ainda no mérito do destaque de classes predominantes no acervo ora descrito, de
forma a promover certa compreensão de sua formação, alguns autores ali presentes devem ser
destacados, tais como:
•

Literatura infanto-juvenil:Adriana Falcão, Ana Maria Machado, Fernando Sabino,
Heloisa Prieto, Julio Emilio Braz, Luc Besson, Maria Clara Machado, Marina
Colansanti, Moacir Scliar, Monteiro Lobato, Ricardo Azevedo, Ziraldo;

•

Ficçãonorte-americana: Anne Rice, Dan Brown, F. Scott Fitzgerald, Henry James, L.
J. Smith, Nicholas Sparks, Noah Gordon, P. C. Cast, Ray Bradbury, Stephenie Meyer,
William P. Young;

•

Ficçãoinglesa: A. J. Cronin, Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Bernard Cornwell,
Emily Bronte, J. K. Rowling, J. R. R. Tolkien, Jane Austen, Ken Follet, Lewis Carroll,
Marian Keyes, Oscar Wilde, Robert Louis Stevenson;

•

Poesia portuguesa e brasileira: Arnaldo Antunes, Carlos Drummond de Andrade,
Casimiro de Abreu, Cecília Meireles, Cruz e Souza, Fernando Pessoa, Gonçalves

3494

�Dias, Haroldo de Campos, Luís de Camões, Manoel de Barros, Manuel Bandeira,
Mário de Andrade, Paulo Leminski, Tomás Antônio Gonzaga;
•

Ficção brasileira e portuguesa: Aluísio Azevedo, Álvares de Azevedo, Eça de
Queiroz, Érico Veríssimo, Graça Aranha, Jô Soares, Joaquim Manoel Macedo, Jorge
Amado, José de Alencar, José Lins do Rego, Lima Barreto, Machado de Assis,
Manuel Antônio de Almeida, Paulo Coelho, Reinaldo dos Santos Neves;

•

Literatura brasileira e portuguesa - Miscelânea: Adélia Prado, Elisa Lucinda,
Ferreira Gullar, Lourenço Diaféria, Luís da Câmara Cascudo, Luís Fernando
Veríssimo, Luiz Vilela, Marçal Aquino, Murilo Rubião, Paulo Mendes Campos,
Stanislaw Ponte Preta, Thiago de Mello.

O apontamento dos autores acima não foi realizado com a pretensão de defini-los
como sendo canônicos ou não. Figuram tais nomes aqui como meros instrumentos
ilustrativos, selecionados aleatoriamente durante a leitura dos documentos que são objeto de
avaliação desse estudo, com o intuito de confirmar a variedade de oferta de títulos de
literatura literária que porventura fique implícita pela apresentação de dados noQuadro1.
De forma geral, encontravam-se então cadastrados no sistema de gestão de acervo 817
títulos literários, totalizando 1097 exemplares disponíveis para circulação, o que pode ser
relevante se considerado o quantitativo de usuários potenciais dos serviços da biblioteca
ativos no período definido para análise, o que pode ser visualizado no Quadro 2.
Observa-se que existe predominância do gênero masculino na comunidade acadêmica,
excetuando-se os casos dos cursos técnicos integrados ao ensino médio, nos quais tal
predominância não é acentuada.
Mesmo que não tenham sido fornecidos relatórios com dados relativos à faixa etária
da comunidade pesquisada, fundamentando-se em uma percepção possível a partir da
convivência cotidiana com os sujeitos, afirma-se que há acentuada predominância de público
de adolescentes e jovens.

3495

�Quadro2 - Usuários potenciais para o período de 01/01/2011 a 31/12/2012, divididos por
cursos e gêneros (quantitativo médio)*________ __________________________________
Gênero

Ano
2011

2012

Masculino
Feminino

85
6

117
12

Total
Média para os dois anos

91
110

129

154
79

113
60

233
203

173

Média para os dois anos

Masculino
Feminino

167
98

135
76

Total
Média para os dois anos

265
238

211

Masculino
Téc em Mecânica Feminino
Integrado ao Ensino
Total
Médio

55
50

70
60

105
118

130

Masculino
Téc. em Eletrotécnica Feminino
Integrado ao Ensino
Total
Médio

63
40

77
52

103
116
111
896

129

Curso

Engenharia
Mecânica

Masculino
Técnico
em Feminino
MecânicaConcomitante Total
Técnico
Eletrotécnica
Concomitante

em

Média para os dois anos

Média para os dois anos
Servidores e estagiários Total
Média geral de usuários para os dois anos

* Houve necessidade de trabalhar com valores médios por ano, devido ao formato diferenciado de
divisão de períodos letivos (Engenharia e Concomitantes dividem-se em semestres letivos).
Fonte: Sistema Acadêmico, 2013.

4 ANÁLISE DO HISTÓRICO DE EMPRÉSTIMOS
Uma vez já apresentadas as características dos usuários que compõem a comunidade
acadêmica do Ifes campus São Mateus, usuários potenciais dos serviços da biblioteca, serão
analisados osregistros inerentes aos movimentos de circulação de materiais literários. Para tal
serão apresentados dados provenientes da análise dos seguintes documentos gerados pelo
Sistema Pergamum®: Relatório de materiais emprestados: empréstimos no período de
01/01/2011 a 31/12/2012, Estatística de empréstimo por classificação e Relatório de títulos
mais emprestados por área de conhecimento (até a 20a colocação).
Inicialmente, a tabulação dos dados constantes no Relatório de materiais
emprestados: empréstimos no período de 01/01/2011 a 31/12/2012(INSTITUTO FEDERAL
DO ESPÍRITO SANTO, 2013c) evidenciam que 303 (33,82%) dos 896 usuários potenciais
para o período pesquisado configuraram-se como usuários reais dos serviços de empréstimo
de literatura literária do acervo da biblioteca do Ifes campus São Mateus. Desses usuários
reais, identificam-se 140 do sexo masculino (46,2%) e 163 do sexo feminino (58,2%).

3496

�Gráfico 1 - Total de empréstimo de acervo literário no período de 01/01/2011 a
31/12/2012 - categoria curso x gênero.

Fonte: INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2013 c.
O Gráfico 1apresenta o quantitativo de empréstimos literários realizados no intervalo
temporal aqui citado, considerando as categorias relativas ao curso e gênero do usuário. Em
relação a tal apresentação, cabem algumas observações:
•
•

•

•

no cômputo geral de usuários reais, sobressaíram-se, de forma acentuada, os de gênero
feminino;
excetuando-se as turmas de Engenharia Mecânica e Técnico em Mecânica
Concomitante, há expressivo destaque para as alunas dos demais cursos, o que
favorece a afirmação de que a parte substancial dos empréstimos é feita para os
usuários do sexo feminino;
o quantitativo de empréstimos registrados pelos usuários matriculados nos cursos da
área de Mecânica pode ter sido afetado por uma questão de infraestrutura inerente à
realidade do Ifes campus São Mateus, que opera em duas instalações físicas
distanciadas por aproximadamente 7 km, ficando a biblioteca localizada no bairro
Litorâneo, cujo acesso é pouco favorecido pela rede de transporte municipal;
pode-se afirmar que há grande número de adolescentes usuários, uma vez que a maior
quantidade de registros de empréstimos é apresentada nas turmas dos cursos
vinculados ao ensino médio: Técnico Integrado em Eletrotécnica e Técnico Integrado
em Mecânica, sendo que este último, mesmo diante das limitações geográficas, se faz
pontualmente representado nos registros de empréstimos;

3497

�Na tentativa de trazer a conhecimento o que tem sido lido pelo usuário real
caracterizado até aqui, será demonstrada noQuadro3 a quantidade de empréstimos realizadas,
ordenadas de forma decrescente e tendo como referência as classes e subclasses de vários
tipos de literatura, tomando-se o esquema da CDD como referência.

Quadro3 - Quantidades de empréstimos por área do conhecimento - período 01/01/2011
a 31/12/2012
Quantidade de
NotaçãoCDD
Classificação
Empréstimos
813
890
Ficção Norte-Americana
823
883
Ficção Inglesa
869.3
368
Ficção Brasileira e Portuguesa
869.8
162
Literatura Brasileira e Portuguesa - Miscelânea
808.89
Literatura Infanto-Juvenil
120
843
89
Ficção Francesa
869.1
55
Poesia Brasileira e Portuguesa
891.593
55
Ficção Afegã
808.8
51
Antologias de mais de duas literaturas
863
17
Ficção da Língua Espanhola
839.82
17
Ficção Norueguesa
869.2
17
Teatro Português e Brasileiro
839.31
15
Literatura Holandesa
828
13
Literatura Inglesa - Miscelânea
822.33
11
Teatro Inglês (Shakespeare)
838
10
Literatura Alemã - Miscelânea
891.7
8
Literatura Russa
808.86
6
Carta - Coletânea
839.823
6
Ficção Norueguesa
818
5
Literatura Norte-Americana - Miscelânea
851
5
Poesia Italiana
883
5
Poesia Épica Grega
891.85
5
Literatura Polonesa
846
3
Cartas Francesas
820
2
Literatura Inglesa
824
2
Ensaios Ingleses
841
2
Poesia Francesa
853
2
Romance Italiano
868
2
Literatura Espanhola - Miscelânea
891.863
2
Ficção Tcheca
895.63
2
Ficção Japonesa
811
1
Poesia Norte-Americana
823.1
1
Contos Ingleses
843.1
1
Contos Franceses
891.731
1
Contos Russos
891.853
1
Ficção Polonesa
Fonte:
INSTITUTO
FEDERAL
DO
ESPÍRITO
SANTO,
2013 a.

3498

�OQuadro 3 apresenta destaque gráfico para as três classes com maior número de
registro de empréstimo, números esses que se diferenciam dos demais de forma acentuada. Há
ainda uma diferença importante nos quantitativos da segunda e da terceira colocação, que se
distanciam em 515 empréstimos. Tais dados levam a crer que há certa inclinação à leitura de
títulos de literatura estrangeira, mais precisamente a norte-americana e a inglesa.
Mesmo diante do distanciamento citado, perceptível a partir da leitura dos dados
relativos às classes literárias, os empréstimos de títulos de Ficção Brasileira e Portuguesa se
fazem presentes no cotidiano dos leitores do Ifes campus São Mateus, restando apenas
especular se para cumprimento de atividades curriculares ou se para atendimento aos anseios
do leitor que se compraza dessa representação literária. Questionamentos não passíveis de
respostas por meio da simples análise dos registros de empréstimo.

Quadro 4 - Os títulos de literatura mais emprestados (5 primeiras colocações) no
período 01/01/2011 a 31/12/2012 ____________________________________ __________
Classe

Colocação

1°
2°
3°
4°
5°

Título/Autor

A cabana/ William P. Young
Anjos e demônios/ Dan Brown
Ficção Americana
Diários do vampiro [II/ L. J. Smith
O código Da Vinci/ Dan Brown
Crepúsculo/ Stephenie Meyer
As crônicas de Nárnia/ C. S. Lewis
1°
O menino do pijama listrado/ John Boyne
2°
Melancia/ MarianKeyes
3°
Ficção Inglesa
Harry Potter e a pedra filosofal/ J. K. Rowling
4°
Harry Potter e a câmara secreta/ J. K. Rowling
Como viver eternamente/ Sally Nicholls
5°
O Senhor dos anéis/ J. R. R. Tolkien
1°
O vendedor de sonhos/ Augusto Cury
2°
Vidas secas/ Graciliano Ramos
Assassinatos na Academia Brasileira de Letras/
Jô Soares
3°
Ensaio sobre a cegueira/ José Saramago
Memórias de um sargento de milícias/ Manuel
Ficção Brasileira e
Antônio de Almeida
Portuguesa
A escrava Isaura/ Bernardo Guimarães
O semeador de ideias/ Augusto Cury
4°
O clube dos anjos/ Luís Fernando Veríssimo
O Xangô de Baker Street/ JôSoares
Iracema/ José de Alencar
5°
Senhora/ José de Alencar
Fonte: INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2013d.

Quantidade
de
empréstimos

71
57
39
37
31
60
60
31
29
28
25
25
21
13
11
11
11
10
10
10
10
9
9

3499

�No Quadro 4, apresentado anteriormente, as três categorias destacadas quando da
tabulação de quantidade de empréstimo por classes (Ficção Americana, Ficção Inglesa e
Ficção Brasileira e Portuguesa) são tomadas como referência para listar os títulos que ocupam
as 5 primeiras colocações dentre os mais emprestados.
Nota-se um comportamento diferenciado na evolução decrescente de registros de
empréstimo por classe, principalmente se mais colocações forem transcritas, o que não se fez
possível haja vista a brevidade necessária à produção desse trabalho. Porém, mesmo não
trazidas para o texto, a análise dos registros dispostos no Relatório de títulos mais
emprestados por área de conhecimento (INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO,
2013d), dá margem a algumas percepções, como por exemplo: as diferenças apresentadas nos
quantitativos de empréstimos das categorias de Ficção Norte-Americana e Inglesa, de acordo
com as colocações, diminuem de forma mais discreta do que as diferenças relativas à
categoria Ficção Brasileira e Portuguesa. O primeiro colocado dessa categoria registra 21
empréstimos, equiparando-se ao 7° colocado da classe Ficção Inglesa (O morro dos ventos
uivantes/ Emile Bronte) e ao 10° colocado da Ficção Norte-Americana (Fortaleza Digital/Dan
Brown).
Comparando os dados de composição do acervo e os de movimentos de empréstimo,
constata-se também que não houve empréstimos de títulos de algumas categorias literárias,
tais como: Contos Italianos, Ficção Alemã, Ficção Grega, Ficção Italiana, Ficção Russa,
Literatura Árabe, Literatura Árabe - Miscelânea, Literatura Egípcia, Literatura Grega Clássica
- Miscelânea, Literatura Holandesa, Poesia Alemã, Sátiras Brasileiras e Portuguesas, Teatro
Língua Espanhola.

5 REDES SOCIAIS DE LEITURA: O SKOOB EM CENA
Antes que se apresentem considerações de encerramento, no intuito de verificar,
timidamente, como se apresentariam as percepções relativas às preferências de leitura,
identificadas a partir desse estudo, se confrontadas com fontes externas que expressassem
dados relativos ao cenário da leitura literária, serão essas percepções comparadas com dois
dosrankings disponibilizados pela rede social brasileira de leitura Skoob

, relativos à prática

de leitura, sendo: Top Mais Lidos (baseado na totalização de livros efetivamente lidos, assim
classificados pelo membro da rede social)e Top Favoritos.

412 O nome é uma referência à palavra inglesabooks (livros).

3500

�Pontue-se que o Skoob não tem pretensões em relação a classificar o leitor que se
torna usuário, não lhe atribuindo categorias ou apresentando dados estatísticos para os
mesmos. O objetivo principal de utilização é a manifestação explícita dos atos de que
envolvam a leitura de um livro, desde o desejo manifesto de fazê-lo ao simples ato de
abandonar a leitura. O usuário da rede pode acessar o cadastro de um livro, ou até mesmo
criar um, caso não exista, compartilhando com os demais seu ritmo de leitura, a nota dada à
obra, se configura-se favorito, se tem desejo de obtê-lo, se está realizando releitura etc.
Os rankings gerados pelo Skoob recuperam 100 colocações cada. Porém, foi realizado
recorte da tela destacando somente até a 20a colocação, mesmo limite estabelecido para
emissão dos relatórios de títulos mais emprestados no Sistema Pergamum®. As Figuras 1 e 2,
apresentadas a seguir, trazem os registros de livros cadastrados como mais lidos e os
considerados “favoritos” pelos membros da rede social, quando do período de coletas de
dados (21 de junho de 2013), uma vez que tais “relatórios” são atualizados automaticamente,
na medida em que são realizadas interferências por parte dos usuários.
Figura 1 - Print screen Skoob - Top Mais Lidos

Fonte: SKOOB, 2013.
Figura 2 - Print screen Skoob- Top Favoritos

Fonte: SKOOB, 2013.

3501

�A Figura 1, que representa o rnking de títulos mais lidos pelos membros do Skoob,
considerando até a 20a colocação, dispõe:7 títulos pertencentes à categoria Ficção Inglesa, 11
da Ficção Norte-Americana, 1 da Ficção Francesa e 1 da Ficção Brasileira e Portuguesa. Já a
Figura 2, que representa o ranking dos títulos considerados favoritos pelos membros da rede,
dispõe: 11 títulos da categoria Ficção Norte-Americana, 8 da Ficção Inglesa e 1 da Ficção
Francesa. Em relação a essas duas listas, observa-se a recorrência de alguns títulos que
ocupam tanto posições de destaque entre os mais lidos quanto entre os favoritos.
Ao confrontar essas listas com os dados obtidos a partir da análise das práticas dos
usuários dos serviços da biblioteca do Ifes campus São Mateus, é possível observar a
ocorrência comum de alguns títulos apontados como mais emprestados pelos usuários reais da
Instituição. Uma leitura mais detalhada do Relatório de títulos emprestados por área do
conhecimento (INSTITUTO FEDERAL DO ESPIRITO SANTO, 2013d) permite também
identificar a ocorrência de empréstimo de quase todos os títulos ilustrados em ambas as
figuras, ocupando colocações diferenciadas. Registra-se a exceção de ocorrência apenas do
título “A culpa é das estrelas”, de autoria do americano John Green.
Assim, não seria imprudente dizer que a comunidade de leitores literários, objeto de
estudo desse trabalho, no que se refere às suas preferências, está inserida num contexto mais
amplo, que extrapola os limites da instituição a qual estão vinculados.Igualmente, é possível
afirmar que a projeção ora realizada dá a entender que há validade nos dados coletados para o
propósito do estudo, mesmo observada a variação temporal entre os documentos avaliados,
que são referentes a momentos findos, imutáveis; e os dados provenientes da rede social, que
sofrem mudanças baseadas nas condições de alteração frequentes de usuários, buscando trazer
informações de preferências de certa forma “contextualizadas” ao momento atual.

6 LEITURAS OUTRAS QUE SE FAZEM POSSÍVEIS
Uma vez feita a leitura de todos os documentos propostos, poderia ser dito dos leitores
literários do Ifes campus São Mateus que são em sua maior parte adolescentes e jovens, com
predominância importante feminina e que apresentam grande interesse por literaturas
estrangeiras não canônicas, proposições estas baseadas principalmente nas informações
provenientes dos relatórios de onde constam os levantamentos de empréstimos realizados.
Essa propensão à leitura literária de massa vai ao encontro do observado porPetrucci
(1999) sobre mudanças que tem se apresentando nas práticas de leitura. Configura-se
entãouma “desordem na leitura”, sendo caracterizado o leitor como “anárquico”.O olhar do
autor, embora temporalmente distancie-se mais de dez anos da pesquisa aqui retratada, vai ao

3502

�encontro de questionamentos atuais a respeito do que realmente move o dito leitor anárquico,
este que “lê o que bem entende”. Busca-se, enfim, compreender como mediar leitura literária
em tempos de globalização, o que talvez pudesse se dizer ser uma ação um tanto quanto
pretensiosa.
O universo aqui detalhado favorece ainda inquietações no âmbito das motivações de
leitura, fomentando questões a respeito das razões que impulsionam leitores jovens quando de
suas escolhas de leitura. Seriam tais escolhas definidas por necessidades correspondentes às
situações vividas por cada um, ressalvadas as peculiaridades que a distinguem? Para
Bamberger (1986, 11), esse seria um cenário.
Não se questiona ou se coaduna com o proposto pelo autor citado, mas frente ao
apresentado claramente como preferência do público ora analisado, reforça-se a importância
de buscar compreensão dos modos e opções de leitura do leitor contemporâneo. Porém, o
presente exposto não dá conta de discutir essa temática e nem de trazer à luz considerações
factuais sobre os comportamentos de leitores literários, enviesados aos fatores motivadores.
Vislumbra-se a possibilidade de dar continuidade a uma proposta de pesquisa que
procure entender as práticas das quais esse trabalho tenta dar conta, não deixando de importarse com o “processo de apropriação do texto”, considerando aí também os diversos suportes ao
texto hoje existentes, o que para Chartier (1999) está diretamente relacionado à história das
leituras e dos leitores.
Pensando ter deixando contribuições válidas para os estudos de compreensão das
práticas de leitura literária possíveis atualmente, encerra-se esse estudo, não acreditando ter
apontado para posicionamentos definitivos, mas na expectativa de propiciar debates outros
com o objetivo de melhor compreender como o leitor se apropria do texto, tanto para
implementação de ações de cumprimento ao currículo acadêmico quanto para melhor
integração com a aldeia global de leitores, com características que são estranhas a muitos, e
quese apresenta cada vez mais fortalecida.

REFERÊNCIAS
BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 1. ed. São Paulo: Cultrix,
1986.
CHARTIER, Roger. Por uma sociologia histórica das práticas culturais. In: ______. A
história cultural entre práticas e representações. 2. ed. Rio de Janeiro: Difel, 1990. p. 13 a
28. (Memória e sociedade).

3503

�______. Leituras e leitores “populares” da Renascença ao período clássico. In: CAVALLO,
Guglielmo; CHARTIER, Roger. História da leitura no mundo ocidental 2. São Paulo:
Ática, 1999.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de
biblioteconomia e arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008.
DEWEY, Melvil. Dewey decimal classification and relative index.22. ed. Dublin, Ohio:
OCLC, 2003.
INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO [site]. Identidade [missão]. Vitória: Ifes,
2009. Disponível em: &lt;http://www.ifes.edu.br/institucional/33-identidade&gt;. Acesso em 5
maio 2013.
INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO. Estatística de empréstimo por
classificação .[São Mateus, ES]: [Ifes], 2013a. 71 p. Relatório gerado em 09 maio 2013
utilizando o Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum®.
______. Levantamento bibliográfico por classificação. [São Mateus, ES]: [Ifes], 2013b. 71
p. Relatório gerado em 09 maio 2013 utilizando o Sistema Integrado de Bibliotecas
Pergamum®.
______. Relação de material emprestado: período de 01/01/2011 a 31/12/2012. [São
Mateus, ES]: [Ifes], 2013c. 365 p. Relatório gerado em 09 maio 2013 utilizando o Sistema
Integrado

de

Bibliotecas

Pergamum®

.

______. Relatório de títulos mais emprestados por área de conhecimento.[São Mateus,
ES]: [Ifes], 2013d. 37 p. Relatório gerado em 09 maio 2013 utilizando o Sistema Integrado de
Bibliotecas

Pergamum®.

PETRUCCI, Armando. Ler por ler: um futuro para a leitura. In: CAVALLO, Guglielmo;
CHARTIER, Roger. História da leitura no mundo ocidental 2. São Paulo: Ática, 1999.
SISTEMA ACADÊMICO. Relatório quantitativo de alunos matriculados em 2011 e 2012.
[São Mateus]: s.n., 2013. Relatório emitido em 01 jun 2013 utilizando o Sistema Acadêmico
Qualidata.
SKOOB

[site].Top

mais.S.l.:

s.n.,

2013.

Disponível

em:

&lt;http://www.skoob.com.br/livro/top_mais/&gt;. Acesso em 20 jun 2013.

3504

�</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Práticas de leitura literária dos usuários da Biblioteca do IFES Campus São Mateus: um olhar sobre os registros de empréstimos</text>
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                <text>Objetiva identificar práticas de leitura literária possíveis no âmbito de um grupo de usuários da comunidade acadêmica do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), circunscritos ao campus São Mateus, numa perspectiva da História Cultural,tendo como principal aporte teórico o historiador do livro e da leitura: Roger Chartier. Relatórios gerados pela Biblioteca fazendo uso do Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum®, compreendendo os anos de 2011 e 2012, serviram de base para a análise. Propôs-se tambémconfrontar os dados levantados com os rankings da rede social Skoob408, onde leitores de localizações geográficas e faixas etárias variadas compartilham registros de leitura, seja ela consolidada, intencionada ou frustrada. A análise dos dados deu conta de caracterizar grupo de leitores literários com preferências pelas literaturas ditas de massa, sendo que a comparação dos dados coletados com rankings da rede Skoob permitiu dizer que as figurações de leitura dos leitores do campus São Mateus vão ao encontro do ali disposto. Verificou-se a importância de promover melhor conhecimento desse leitor globalizado, apontando também para a necessidade de estudos outros nesse sentido, tais como os relacionados aos diferentes suportes para escrita.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AS FERRAMENTAS DA WEB 2.0 EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DO
DISTRITO FEDERAL

Fernanda Maciel Rufino
Jaqueline Rodrigues de Jesus
Márcio Bezerra Da Silva
RESUMO
Discute a Web 2.0 a perspectiva das bibliotecas nos websites destas na região do Distrito
Federal (DF), sendo aquela uma rede interativa e colaborativa, denominada por Tim OReilly
em 2004 com o intuito de capturar e aproveitar a inteligência coletiva. Adota como base de
discussão bibliotecas universitárias, a própria Web 2.0 e suas tecnologias. Objetiva-se, a partir
de um estudo bibliográfico e exploratório, verificar as ferramentas da Web 2.0 usadas pelos
websites das bibliotecas universitárias do DF. Apresenta como resultados da pesquisa que dos
40 websites pesquisados, apenas 26 disponibilizam ambientes digitais para suas bibliotecas, as
ferramentas da Web 2.0 mais usadas são o Twitter, Facebook e Youtube, por ordem da
quantidade de ferramentas, e apenas 7 (sete) Instituições oferecem o Moodle. Conclui-se que
apesar dos websites institucionais e de algumas bibliotecas possuírem perfis das redes sociais,
por exemplo, esses valores não garantem que as unidades de informação pesquisadas fazem
parte, realmente, da Web 2.0. Tê-las não significa que os websites pesquisados possuem
ambientes flexíveis, interativos e colaborativos.
Palavras-Chave: Web 2.0; Biblioteca Universitária; Distrito Federal.

ABSTRACT
Discusses the Web 2.0 perspective on the websites of the libraries in the Federal District (FD),
which is an interactive and collaborative network called by Tim O'Reilly in 2004 in order to
capture and harness the collective intelligence. Adopts as a basis for discussion university
libraries, Web 2.0 technologies and their own. Objective is, from a literature review and
exploratory study, check the Web 2.0 tools used by websites of university libraries in the FD.
Presents as search results that 40 websites surveyed, only 26 provide digital environments for
their libraries, Web 2.0 tools are most used Twitter, Facebook and Youtube, in order of
number of tools, and only seven (7) institutions offer Moodle. We conclude that despite the
institutional websites and some libraries possess profiles of social networks, for example,
these values do not guarantee that the information units surveyed are part really Web 2.0.
Have the does not mean that the websites surveyed have flexible, interactive and collaborative
environments.
Keywords: Web 2.0; University Library; Federal District.

2138

�1 INTRODUÇÃO
A sociedade humana passou por várias mudanças e no cerne destas fases podemos
citar a informação. Inicialmente pela oralidade, mais tarde pelos registros escritos, até chegar
ao atual momento das recentes tecnologias digitais, o homem foi delineando o que chamamos
de sociedade da informação. Agora ações de produção e disseminação tornam-se deflagradas,
apresentando um panorama de valorização da informação e alterando o comportamento do
homem, agora visto como usuário do ambiente digital em diferentes fases da Web. Na
primeira fase, intitulada de Web 1.0 as informações eram, sobretudo, estáticas, voltadas
somente para a disponibilização da informação em si, sem possibilidades de interação e
edição de forma livre. Em outras palavras, a Web 1.0 apresentava-se numa estrutura top-dow,
onde o usuário era apenas consumista (serviços pagos).
A partir da próxima fase podemos perceber mudanças na proposta das ferramentas e
consequente alteração no comportamento/pensamento dos usuários. Nas palavras de Cormode
e Krishnamurthy (2008), existem distinções óbvias entre sites da fase anterior em comparação
com a atual, especialmente quando citamos ambientes populares como Facebook
YouTube

e

. Essas separações são visíveis em três vertentes: tecnológica (forma de

representar, funcionamento do site e interação do usuário), estruturais (propósito e layout do
site) e sociológica (noções de grupos). A fase 2.0, também designada como bottom-up, é a
segunda geração da Web, criada em 2004 pela empresa O'Reilly Media, editora que atua na
área de informática e define a fase em discussão da seguinte forma:
[...] a web 2.0 é considerada a segunda geração da web e caracteriza-se por
potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de
informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os
envolvidos nesse processo. (ARAÚJO, 2013, p. 164)
A partir deste momento, as aplicações de software passaram a usar a Web como
plataforma, numa perspectiva de interação entre os seus usuários, diferenciando da primeira
fase. Um exemplo pertinente é o Google

e os seus serviços, ou seja, para O’Reilly (2005),

“[na] mudança para uma internet como plataforma [...], a regra mais importante é desenvolver
aplicativos que aproveitem os efeitos da rede para se tornarem melhores quanto mais são
usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva.
Diante da realidade apresentada, são os usuários quem modelam a Web a partir do que
fazem e buscam conforme a visão bottom-up, isto é, as diretrizes partem de baixo para cima,
250Link:

https://www.facebook.com/
Link: http://www.youtube.com/?gl=BR&amp;hl=pt
252 Link: www.google.com.
251

2139

�do usuário para o proprietário/desenvolvedor do site. Neste sentido, compreendemos que esta
é uma realidade a ser estudada nos espaços das universidades, especialmente a partir de
ferramentas como grupos virtuais, ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), catálogos de
bibliotecas e redes sociais.
Direcionando

a discussão para

as bibliotecas

do Distrito Federal

(DF),

questionamentos surgiram, representando as problematizações do presente trabalho: Os
websites das universidades do DF oferecem recursos da Web 2.0? Quais são esses recursos?
As universidades do DF oferecem, em seus websites, espaços para as bibliotecas? Os
websites das bibliotecas das universidades do DF possuem recursos da Web 2.0?
A partir do contexto apresentado, este trabalho objetiva, de forma geral, verificar as
ferramentas da Web 2.0 usadas pelos websites das bibliotecas universitárias do DF e,
especificamente, elencar as tecnologias da Web 2.0, identificar a disponibilização (ou não) de
espaços para as bibliotecas nos websites das universidades do DF, bem como mensurar as
tecnologias da Web 2.0 adotadas nos websites das instituições universitárias do DF.

2 Revisão de Literatura
2.1 Bibliotecas Universitárias
Tradicionalmente, a biblioteca é um espaço aceito pelo homem ao longo da sua
trajetória. Isso pode ser notado pelas bibliotecas estarem vinculadas historicamente a
universidades e escolas, instituições que estimulam o conhecimento e a inovação. Neste
contexto encontra-se a importância da biblioteca, ambiente onde será registrada, organizada e
disseminada a informação produzida pelos que possuem vínculo com as citadas instituições,
além de propiciar acesso à produção científica e acadêmica de outras instituições e autores.
Existem vários tipos de bibliotecas, cada uma com público, missão e objetivos
distintos, mas independente da sua topologia, devemos compreender que o espaço em
discussão está subordinado a uma instituição, como a universidade, por exemplo,
necessitando sua missão e objetivo estarem de acordo com os preceitos da devida instituição.
A biblioteca universitária apoia as atividades de universidades e faculdades, “através
da prestação de produtos e serviços aos alunos de graduação, pós-graduação, professores e
funcionários da instituição na qual está inserida”. (MACHADO, 2009, p. 27)
De forma ampla, a “[...] biblioteca universitária está inserida na Instituição de Ensino
Superior (IES) apoiando os conteúdos ministrados nos currículos de cursos, além de oferecer
subsídios para a investigação técnico-científica da comunidade acadêmica. (BAPTISTA;
RUEDA; SANTOS, 2008, p. 2)

2140

�O acervo da biblioteca universitária deve atender prioritariamente ao público
universitário e novos materiais devem ser solicitados pelos professores, a partir da
bibliografia básica e complementar. O acervo também deve conter livros de literatura para
lazer e pesquisas retrospectivas e históricas. Os bibliotecários responsáveis pela biblioteca
também devem estar atentos aos requisitos do Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior (SINAES), ao qual, conforme a lei n° 10.861 (BRASIL, 2004), possui como
finalidade aperfeiçoar as particularidades do ensino superior, a partir do aumento da eficácia
institucional e efetividade acadêmica e social, promoção e compromissos das instituições.
Este processo de avaliação é meramente quantitativo, o que gera incertezas na opinião
do usuário sobre o ambiente da biblioteca. Quanto à quantidade e qualidade do acervo, deve­
se atentar para as indicações fornecidas pelo Ministério da Educação (MEC), adequando-se às
particularidades de cada universidade.
Em geral,

os objetivos maiores

de uma biblioteca universitária “são o

desenvolvimento educacional, social, político e econômico da sociedade humana” (FUJITA,
2005, p. 101). Estes objetivos estão diretamente ligados à produção acadêmica, ensinoaprendizagem e à inovação que se origina na própria universidade. Assim, as funções da
biblioteca universitária são:
do conhecimento: desenvolvimento de coleções,
memória da produção científica e tecnológica, preservação e
conservação;
- Organização do conhecimento: qualidade de tratamento temático e
descritivo que favoreça o intercâmbio de registros entre bibliotecas e sua
recuperação e
27.Acesso ao conhecimento: a exigência de informação transcende o valor,
o lugar, a forma e necessita de acesso. Por isso devemos pensar não só
em fornecer a informação, mas possibilitar o acesso simultâneo de todos.
(FUJITA, 2005, p. 100, grifo nosso)
• Armazenagem

Sabemos que ao passar do tempo, a universidade evoluiu tecnologicamente, com a
criação de plataformas que permitem disciplinas serem ofertadas à distância, proporcionando
mais autonomia ao processo de ensino-aprendizagem. Acompanhando as universidades, suas
bibliotecas também sofreram modificações, sejam em seus suportes ou na forma de divulgar
seus serviços e produtos.
Independente da presença da tecnologia nesses ambientes, a função e os objetivos da
biblioteca universitária permanecem a mesma, mas agora acompanhando as recenes
tecnologias assim como afirmam Santos Júnior, Santos e Santos (2014, p. 2, grifo do autor):

2141

�[...] a biblioteca universitária deve acompanhar e se adequar a essa evolução
tecnológica, de modo a otimizar os serviços de informação que disponibiliza
para a comunidade acadêmica, de forma rápida e precisa, como preconiza a
4° lei da Biblioteconomia, formulada pelo Bibliotecário indiano
Ranganatham: “Poupe o tempo do leitor”, o que significa também poupar o
tempo da equipe da unidade de informação, que tem como finalidade,
satisfazer a necessidade de informação de seus usuários.
Geralmente associamos as ferramentas da Web 2.0 para entretenimento entre pessoas,
porém há outras ferramentas com finalidades distintas, que tiram proveito da Web como
plataforma. No caso do ensino a distância (EAD), cada vez mais utilizados pelas
universidades, podemos citar como exemplo a ferramenta Moodle

, utilizado por exemplo,

pela Universidade de Brasília (UnB) para o auxílio aos docentes no complemento de suas
aulas, na formação de grupos para discussão, na disponibilidade de material didático, nos
fóruns entre outros.
As inovações se originam a partir dessas trocas de informações, da comunicação
científica, que acontece nos ambientes acadêmicos. Dessa forma, as tecnologias, quando
implementadas adequadamente, trazem diversas vantagens, como a “racionalidade no
trabalho, melhor controle e maior facilidade para armazenar e disseminar a informação”
(MIGUEL; AMARAL, 1993, p. 2).
Neste sentido torna-se necessário elencar algumas ferramentas da Web 2.0, dentre as
que vem chamando a atenção das bibliotecas, originando o que chamamos de biblioteca 2.0,
ou seja, espaço que faz uso de ferramentas da segunda geração da Web aplicadas à instituição
biblioteca, com a finalidade de inovar e ampliar as possibilidades de interação e participação
do usuário.

2.2 Ferramentas da Web 2.0
Entre os anos de 1993 a 2003, a Internet foi sendo usada pelas pessoas com um
sentimento misto de curiosidade e desconfiança. Conforme uma interface pouco amigável e
participativa, Ferreira (2007, p. 31) afirma que a Web “[...] era considerada como uma
aventura, num reino em que muitos apelidavam de ciberespaço [...]”. Entretanto, esta não é
mais a atual realidade, pois, a partir de 2004, já participando da Web 2.0, a vida real e a virtual
se misturam em alguns pontos, ou seja, “o que a Web 2.0 exprime é simplesmente o que nós
somos”.253

253

Link: http://www.aprender.unb.br/

2142

�O quadro 1 resume as principais características que explicam a evolução da Web 1.0
para a versão 2.0. Conforme pode ser observado, é possível ilustrar a participação do usuário
nessa evolução.

Quadro 1 - Principais características da Web 1.0 e Web 2.0
WEB 2.0

WEB 1.0

Participação

Publicação

Weblogs

Páginas pessoais

Atitude

Tecnologia

Plataforma Web

Navegador

Interfaces amigáveis

Sistemas complexos

Todos-Todos

Um-Um

XML

HTML

Heterárquico254

Hierárquico

Construção coletiva e colaborativa - autoria

Controle de conteúdo

Autônomo

Reflexivo

Fonte: Adaptado de Trein e Schlemmer (2008, p. 4).

Enquanto na Web 1.0 a maioria dos sites tem links externos que obrigam os usuários a
segui-los para outras páginas, na Web 2.0 os sites são estruturados de uma forma que o usuário
dedique certo tempo no ambiente, assim como explicita Ada (2013, tradução nossa), ao
defender que “os sites estimulam a gastar o máximo de tempo possível, oferecendo fortes
incentivos para sua permanência”.
Simplicidade, compartilhamento, atualização constante e participação do usuário são
características que permeiam os recursos da Web 2.0. Suas ferramentas são desenvolvidas
(melhoradas) conforme o uso, a opinião, das pessoas. Segundo O'Reilly (2005, p. 2), "o
serviço fica automaticamente melhor quando mais pessoas usam", já que as aplicações
apresentarão ambientes que permeiem a colaboração e a disseminação da inteligência

254

Heterárquico: todos os membros são moderadores da informação.

2143

�coletiva. Um exemplo da colaboração, de forma indireta, é o pagerank, presente no buscador
Google, em que a relevância na busca é estabelecida na proporção do número de acessos a
determinado site. Ainda abordando o Google, trazemos à discussão os serviços que usam a
Web como plataforma. Como exemplo podemos citar o Google Drive

, anteriormente

chamado de Google Docs, ao permitir a criação de documentos de forma online como textos,
planilhas, apresentações e formulários. Atualmente, o Google Drive, além de permitir a
criação de todos os tipos de arquivos anteriormente citados, funciona como um serviço de
cloudcomputing (computação nas nuvens), disponibilizando um espaço de armazenamento
virtual, além de permitir que os arquivos sejam organizados por pastas criadas pelos próprios
usuários.
O site Delicious é um exemplo que se encaixa neste contexto, já que permite a
participação coletiva dos usuários ao colocarem seu Social Bookmark (marcador social) como
forma de armazenar, classificar e compartilhar enlaces na internet, a partir de um serviço on­
line de catalogação e arquivamento dos sites preferidos, para acessá-los de qualquer lugar. O
Social Bookmark permite encontrar usuários com o mesmo interesse e sites relacionados com
os que foram marcados, potencializando o compartilhamento e a colaboração na Web.
Outra ferramenta que merece destaque é o Really Simple Syndication (RSS), pois tem
todas as características da Web 2.0 juntas. O usuário, por exemplo, se cadastra em um blog e
assinala quais são seus assuntos de interesses. Em seguida, começa a receber os feeds em seu
e-mail, facilitando à forma com que o usuário tem acesso as notícias daquele ambiente.
Atualmente é comum encontrarmos feeds RSS na maioria dos sites, especialmente pela
facilidade dos leitores RSS para Web não requerem nenhum software e trazerem próprios
feeds, dos utilizadores, para qualquer computador e/ou dispositivo móvel, bastando ter acesso
a internet.
Outro lado da Web 2.0, enquanto ambiente plataforma, é a não obrigação de conhecer,
ou pelo menos o mínimo, códigos de programação, como o HyperText Markup Language
(HTML) e eXtensible Markup Language (XML) para o desenvolvimento de páginas da
Internet. A ferramenta blog é um exemplo de website que oferece serviços para a programação
de um ambiente na Internet, obviamente com suas devidas limitações e facilidade de
manutenção, como é o caso da ferramenta Blogger256, sendo um dos serviços do Google.256

255
256

Link: https://drive. google.com/
Link: https://www.blogger.com/

2144

�Algumas ferramentas são criadas com o objetivo de formar grupos ou agregar pessoas,
conhecidas como redes sociais, gerando, segundo Mota (2009, p. 19), “num ganho de
conhecimento disponível e partilhável por todos”. Por sua vez, Mercklé (2004, p. 4) define
redes sociais da seguinte forma:
[são constituídas] de um conjunto de unidades sociais e das relações que
essas unidades sociais mantêm umas com as outras, direta ou indiretamente,
por meio de encadeamentos de extensões variáveis. Essas unidades, por sua
vez, podem ser indivíduos, grupos informais ou estruturas mais formais
como organizações, associações ou empresas.
Outra ferramenta que destacamos é o Facebook, apresentada pela Wikipédia (2013)
“[...] como a rede social mais utilizada em todo o mundo [...]”, possui diversos recursos para a
interação entre os usuários, sendo basicamente os feeds de notícias; aplicativos criados pelos
mais variados desenvolvedores; fanpages; marcação de eventos; organização de álbuns; e
criação de grupos virtuais.
Já com as características de um microblog, o Twitter permite o envio de mensagens
curtas, com apenas 140 caracteres, além de integração com outros serviços de redes sociais,
como o Facebook, por exemplo. Outro ponto de destaque do Twitter é o trendingtopics,
funcionalidade que mostra as notícias mais comentadas em determinado período na internet.
Com o Twitter “é possível agilizar a disseminação e atualização da informação, a
comunicação e interação com o usuário e a expansão do serviço de referência que toda
biblioteca deve oferecer”. (SILVA et al., 2012, p. 76).
Também citamos a ferramenta Google+, a qual possui uma forma de colaboração
diferenciada dos aplicativos anteriormente citados. As pessoas que forem adicionadas ao
perfil do usuário serão inseridas em “círculos de amizades”, entre sugestões de grupos como
trabalho, amigos e família, como também criar grupos personalizados. Além da formação dos
grupos e postagens de mensagens, assim como ocorrem em outras ferramentas, o Google+
está interligado aos outros serviços do Google, permitindo, por exemplo, que seja realizada
uma conversa virtual entre os contatos escolhidos na ferramenta de conferência virtual
Hangout, numa integração entre bate papo e vídeo.
A Web 2.0 é um espaço de pessoas que se aproximam conforme características comuns
também peculiarmente por fotos, imagens e vídeos. Logo, o Flickr é uma ferramenta online
que permite que o usuário coloque imagens\fotos\ilustrações na Web, e que tais imagens
possam ser compartilhadas e organizadas em álbuns. O usuário pode organizar suas fotos por

2145

�meio de categorias, escolhidas pelo mesmo, e classificá-las por tags. Já o Instagram 257 é uma
rede social que também tem como finalidade o armazenamento e compartilhamento de fotos.
Usando navegação semelhante a ferramentas como Facebook e Twitter, esse aplicativo
permite aos usuários que sigam uns aos outros, fazendo uso das opções curtir ou comentar
fotos postadas. Outro recurso que chama atenção é a possibilidade de editar as imagens antes
de postá-las, sendo este um grande atrativo em relação ao Flickr. Por sua vez, o Picasa257258259
também enquadra-se no perfil em questão, pois é um programa que permite aos usuários a
edição digital de fotografias armazenadas em uma coleção de fotos. Além disso, o programa
facilita a procura por fotografias específicas, pois organiza as imagens da maneira que o
usuário selecionar. Outro recurso importante presente no Picasa é a possibilidade de fazer
alterações nas fotos. Contudo as edições são limitadas, sendo apenas uma maneira simples do
usuário modifica-las.
Outra ferramenta que apresenta mais uma forma de uso dos recursos da Web 2.0 é o
Linkedin

, equivalente a uma rede social, porém utilizada principalmente por profissionais

com a finalidade de negócios. A Wikipédia (2014) relata que “o principal propósito deste
ambiente é permitir que usuários registrados possam manter uma lista detalhada de contatos”
com a finalidade de formação de grupos e permitindo a interação entre esses profissionais.
Nessa perspectiva de conjunto de pessoas, Tomaél, Alcará e Di Chiara (2003, p. 94)
afirmam que:
Redes sempre pressupõem agrupamentos, são fenômenos coletivos, sua
dinâmica implica relacionamento de grupos, pessoas, organizações ou
comunidades, denominados atores. Possibilitam diversos tipos de relações de trabalho, de estudo, de amizade, entre outras -, apesar de quase sempre
passarem despercebidas.
Fazendo uso dos recursos supracitados em bibliotecas, surge a intitulada biblioteca
2.0, definida por Maness (2007, p. 45) como “uma comunidade virtual centrada no usuário.
Ela é socialmente rica, quase sempre um espaço eletrônico igualitário” onde usuário e
bibliotecários criam conjuntamente recursos e informação uns com os outros. Segundo
Pereira, Grants e Bem (2010, p. 232) “o conceito de Biblioteca 2.0 - termo criado por Michel
Casey no blog Library Crunch - engloba as atividades e práticas da Biblioteconomia e
Ciência da Informação com a Web 2.0”. Para que as ferramentas da Web 2.0 sejam
implementadas nos serviços das bibliotecas, é necessário que os profissionais de referência
Link: http://instagram.com/
Link: http://picasa.google.com/
259 Link: https://br.linkedin.com/
257

258

2146

�saibam utilizá-las. Diante da realidade crescente do ensino à distância e do uso frequente de
ferramentas tecnológicas pelos usuários da informação,
é imperioso o conhecimento e/ou capacitação dos profissionais da
informação no uso das ferramentas da Web 2.0, de modo que, com isso, ele
possa tornar o ambiente da unidade de informação, um espaço interativo e
convidativo para o usuário, vindo a contribuir também para a otimização do
fluxo da informação, tomando o ambiente da biblioteca “tradicional” em
uma biblioteca convergente com as inovações da contemporaneidade.
(SANTOS JÚNIOR; SANTOS; SANTOS, 2014, p. 9)
Em suma, “a melhor maneira de familiarizar os bibliotecários com a “Biblioteca 2.0” é
explorando os recursos da Internet e da Web 2.0 com foco no aprendizado constante a partir
da vivência diária” (ARAÚJO, 2013, p. 131). Os profissionais da informação vão
modificando suas ferramentas de divulgação, como o catálogo e a página da biblioteca,
inovando-os com o intuito de ampliar as possibilidades de interação e participação do usuário.
Compreendidos os conceitos de Web 2.0, biblioteca universitária e biblioteca 2.0, na próxima
seção discutiremos a metodologia utilizada na pesquisa.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
No ambiente de interatividade proporcionada pela Web 2.0, acreditamos que a atuação
dos profissionais da informação pode ocorrer em conjunto com a colaboração dos usuários,
em uma biblioteca digital universitária, por exemplo.
Para a realização deste estudo delinear-se-á um percurso metodológico onde a
primeira etapa da pesquisa constituiu-se de um levantamento bibliográfico que abrangeu a
leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, textos entre outros, sobre bibliotecas
universitárias, Web 2.0 e redes sociais. Na segunda etapa usamos a técnica de pesquisa
exploratória para identificar e compreender as ferramentas da Web 2.0 pelas bibliotecas
universitárias do DF, em paralelo a literatura levantada. Quanto à delimitação do campo de
pesquisa, este foi representado pelas universidades situadas em no DF, totalizando 40
instituições.
Tomando como base a fala de Catarino e Batipsta (2007) quando afirmam que a
integração dos usuários com ambientes Web 2.0 devem permitir o compartilhamento e, em
alguns casos, a construção de informação, definimos as seguintes etapas de análise:
1.
2.
3.
4.

Identificar os websites das universidades;
Elencar as ferramentas da Web 2.0 nos websites das universidades;
Verificar se as universidades oferecem websites para suas bibliotecas;
Elencar as ferramentas da Web 2.0 nos websites das bibliotecas.

2147

�4 RESULTADOS FINAIS
Conforme a presente análise, do total de universidades coletadas, duas (2) são pública,
sendo a UnB e a Escola Superior de Ciência da Saúde (ESCS) e 38 são privadas. No que se
refere a localização, 18 encontram-se no plano piloto de Brasília e 22 nas cidades satélites.
Quando aos websites, dos 40 institucionais, apenas 27 oferecem um espaço digital às
bibliotecas. Direcionando ao uso de ferramentas dos websites das universidades, o resultado
foi: 27 oferecem o Facebook; 26 possuem o Twitter; 18 adotam o Youtube; oito (8) usam o
RSS; sete (7) oferecem o Moodle; seis (6) adotam o Google+; cinco (5) oferecem um espaço
no Blogger; três (3) usam o Flickr; três (3) fazem uso do LinkedIn; duas (2) usam o
Instagram; uma (1) possui o Foursquare260; uma (1) usa o Blackboard261; uma (1) usa o
Picasa; e uma (1) ofecere o Orkut262. No que se refere as bibliotecas, três (3) possuem
websites nos espaços digitais das universidades pesquisadas. Ainda nos referidos websites,
diferentemente dos resultados anteriores, estes oferecem apenas as seguintes ferramentas da
Web 2.0: três (3) possuem o Twitter; três (3) adotam o Youtube; duas (2) oferecem o
Facebook; e uma (1) usa o RSS.
Conforme podemos observar nos resultados apresentados, a quantidade de websites
das universidades (40) é superior a quantidade de ambientes digitais para as bibliotecas (27),
nos mostrando a ideia de que não existe a devida preocupação com o segundo espaço
supracitado. Infelizmente, enquanto reflexo dos espaços físicos, as Instituições não valorizam
o papel da biblioteca, enxergando-a mais por uma necessidade político burocrática, como as
apresentadas pelo Ministério da Educação (MEC) pelos seus serviços informacionais voltados
aos usuários, perpassando pela seleção, tratamento, organização, disseminação e preservação
de documentos.
Observamos também que as Instituições fazem uso de uma variada gama de recursos
da Web 2.0, destacando o Twitter, Facebook e Youtube, por ordem da quantidade de
ferramentas. O mesmo resultado reflete-se nos websites das bibliotecas, tendo como ordem de
valor o Twitter, Youtube e Facebook.
Outro valor que merece destaque são as sete (7) Instituições que oferecem o Moodle.
Diante da atual realidade influenciada pelas recentes tecnologias, acreditamos que este valor
deveria ser maior, não apenas em oferecer cursos pela modalidade de EAD, mas que a

Link: https://pt.foursquare.com/
Link: http://blackboard. grupoa.com.br/
262 Link: www.orkut.com
260
261

2148

�ferramenta em discussão fosse adotada em disciplinas e outras atividades da Instituição,
incentivando, desta forma, o seu uso.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Consideramos a Web 2.0 um espaço de ferramentas que permite a colaboração, através
do compartilhamento de informações e geração da inteligência coletiva. Com isso, quanto
mais usuários participam, quanto mais as ferramentas são utilizadas, melhor o ambiente se
tornará. No entanto, utilizar as ferramentas aqui apresentadas necessita de divulgação, de
conhecimento de sua existência e disponibilização no ambiente para os usuários. Esta é uma
atribuição que cabe aos profissionais que gerenciam as unidades de informação, como os
bibliotecários, exigindo familiaridade com as ferramentas da Web 2.0.
Percebemos, ao identificar as ferramentas da Web 2.0 utilizadas pelas bibliotecas
universitárias do DF, que suas instituições investem mais nos websites da própria instituição
do que de suas bibliotecas, não enxergando o potencial de colaboração e participação dos
usuários nos serviços oferecidos aos usuários, cada vez mais presentes na Internet.
Compreendemos que as universidades não valorizam suas bibliotecas, como podemos
verificar na quantidade de 27 websites de bibliotecas, valor de desvalorização que vem desde
as unidades físicas. Quanto as ferramentas das Web 2.0, assim como era esperado por serem
os recursos mais populares entre os internautas, identificamos, tanto no website da instituição,
como também da biblioteca, o Twitter, Facebook e Youtube. Por outro lado, o valor negativo
ficou por conta dos sete (7) Instituições que oferecem o Moodle, especialmente pelo uso cada
vez maior e disseminado da modalidade de EAD.
Apesar dos websites institucionais e de algumas bibliotecas possuírem perfis das redes
sociais, por exemplo, esses valores não garantem que as unidades de informação pesquisadas
fazem parte, realmente, da Web 2.0. Tê-las não significa que os websites pesquisados possuem
ambientes flexíveis, interativos e colaborativos.

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2152

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Rufino, Fernanda Maciel, Jesus, Jaqueline Rodrigues de, Silva, Márcio Bezerra Da</text>
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                <text>Discute a Web 2.0 a perspectiva das bibliotecas nos websites destas na região do Distrito Federal (DF), sendo aquela uma rede interativa e colaborativa, denominada por Tim O´Reilly em 2004 com o intuito de capturar e aproveitar a inteligência coletiva. Adota como base de discussão bibliotecas universitárias, a própria Web 2.0 e suas tecnologias. Objetiva-se, a partir de um estudo bibliográfico e exploratório, verificar as ferramentas da Web 2.0 usadas pelos websites das bibliotecas universitárias do DF. Apresenta como resultados da pesquisa que dos 40 websites pesquisados, apenas 26 disponibilizam ambientes digitais para suas bibliotecas, as ferramentas da Web 2.0 mais usadas são o Twitter, Facebook e Youtube, por ordem da quantidade de ferramentas, e apenas 7 (sete) Instituições oferecem o Moodle. Conclui-se que apesar dos websites institucionais e de algumas bibliotecas possuírem perfis das redes sociais, por exemplo, esses valores não garantem que as unidades de informação pesquisadas fazem parte, realmente, da Web 2.0. Tê-las não significa que os websites pesquisados possuem ambientes flexíveis, interativos e colaborativos. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AVALIAÇÃO DA USABILIDADE DOS WEBSITES DOS CENTROS CULTURAIS
DO BANCO DO BRASIL, DA JUSTIÇA FEDERAL E DOS CORREIOS

Maria Irene da Fonseca e Sá
Mariana Hardman Vianna da Cunha

RESUMO
O trabalho avalia a usabilidade de três websites de centros culturais, sendo eles: o Centro
Cultural do Banco do Brasil (CCBB), o Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) e o Centro
Cultural dos Correios. Para tal se fez uso da Avaliação Heurística de Nielsen, com a aplicação
das dez diretrizes e aplicando o Grau de Severidade. O resultado final é apresentado em uma
tabela de comparação para propiciar um melhor entendimento. O estudo conceitua a
usabilidade e aborda a importância da Arquitetura de Informação no contexto de excesso de
informação na sociedade da informação, o que afeta os usuários por não alcançarem seus reais
objetivos. O trabalho aponta para a importância do profissional de informação no estudo das
necessidades dos usuários e na organização da informação dos websites de forma a estimular
os usuários a acessar os websites e propiciar o alcance de seus objetivos.

Palavras-Chave: Usabilidade; Avaliação Heurística; Websites; Centros Culturais.

ABSTRACT
This paper assesses the usability of three websites of cultural centers, which are: Centro
Cultural Banco do Brasil (CCBB), Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) and o Centro
Cultural dos Correios. For such use was made o f the Heuristic Evaluation of Nielsen, with the
application of the ten guidelines and applying the Severity Level. The final result is shown in
a comparison table to provide a better understanding. The study conceptualizes usability and
addresses the importance of information architecture in the context of information overload in
the information society, which affects users for not reaching your real goals. The work points
to the importance of the information professional in the study of user needs and information
organization of websites in order to encourage users to access the websites and encourage the
achievement of its objectives.

Keywords: Usability; Heuristic Evaluation; Websites; Cultural Centers.

2218

�1 INTRODUÇÃO
Na Idade Média as informações eram restritas apenas aos mosteiros e à nobreza dessa
época, porém com o surgimento da imprensa de Gutenberg foi permitida a reprodução em
grande escala do conhecimento registrado.
Com o avanço das tecnologias, a informação se expandiu de tal forma que seu
acúmulo tornou-se um grande problema para a atual sociedade. Saber definir o que é válido
ou não para o usuário, gera uma grande preocupação, sendo então um amplo campo de
trabalho para os bibliotecários que precisam ajudar o usuário a encontrar as melhores fontes,
com resultados mais precisos.
Segundo Agner (2012), vivemos em uma sociedade do conhecimento e a crise
contemporânea seria justamente a de como transformar informação em conhecimento. São
despejadas em cima dos usuários milhares de dados e noticias, a uma rápida velocidade,
porém essa quantidade não significa qualidade, e ocorre em excesso.
A tecnologia da informação tem proporcionado grandes vantagens como enfatiza
Braga [s.d] ao descrever que são enormes os benefícios que a tecnologia da informação tem
proporcionado a todos: como acessar em tempo real informações sobre quase tudo que existe
no mundo e poder estabelecer contato direto com as fontes de informações que representa
uma drástica mudança de paradigma na sociedade humana. Porém o maior acesso à
informação tornou visível a parte “submersa do iceberg ’ - há informação demais e tempo de
menos.
Assim, a sociedade na qual vivemos - a sociedade do conhecimento, segundo Gouveia
e Gaio (2004) seria uma sociedade que predominantemente utiliza o recurso das tecnologias
da informação e comunicação para a troca de informação em formato digital e que suporta a
interação entre indivíduos com recurso a práticas e métodos em construção permanente.
De acordo com Agner (2012), o modo como a informação é organizada e acessada,
assim como a quantidade de informação disponível são questões importantes. Portanto, ocorre
a necessidade de uma nova disciplina para lidar com essas questões que é a Arquitetura de
Informação. O bibliotecário então pode se especializar nessa área para atender à necessidade
no mercado atual.
Para Galdo (2009) o bibliotecário trata e organiza documentos em diversos suportes,
gerencia estoques de informação, dissemina e recupera informações.

2219

�Com a Internet, o problema da classificação e recuperação da informação
ganha complexidade. Além do volume informacional, a informação digital
se prolifera em diferentes formatos, como música, vídeos, imagens,
transbordando as técnicas de recuperação de informações textuais. As
folksonomias (ou classificação social da informação são ferramentas
eficazes para classificar informações não textuais como imagens ou
músicas). (GALDO, 2009, p. 1).
As técnicas clássicas de recuperação da informação continuam sendo
necessárias na recuperação web, mas já não são suficientes em uma rede de
informações sem precedentes em escala, sem uma coordenação centralizada
na sua criação, e com uma enorme diversidade de cenários e objetivos de
seus usuários. (MANNING apud GALDO, 2009, p. 1).
Portanto, surge um novo cenário no trabalho dos profissionais da informação,
impondo novas capacidades para o tratamento de informação. O acesso à informação se torna
cada vez mais rápido e instantâneo. Visto que as tecnologias da informação, de forma
acelerada, permitem uma crescente disponibilização dos documentos, gera-se um acúmulo de
informações, pois são facilmente encontradas em suportes eletrônicos, como websites.
Esse excesso de informação faz com que muitos usuários encontrem dificuldades em
achar o que realmente desejam, e vários websites acabam contendo mais informações do que
realmente o necessário. Segundo Agner (2012, p. 11): “Os meios de comunicação de massa
(como o rádio, os jornais e a televisão) e os próprios websites da internet (...) despejam em
cima de nós volumes cada vez maiores de dados e de informações irrelevantes, a velocidades
estonteantes” . A cada dia mais pessoas se conectam a internet. Porém essa popularidade não
significa qualidade. De acordo com W inckler ([s.d], p. 1): “Observa-se que tal popularidade
não implica necessariamente em satisfação dos usuários, que confrontam-se muito
frequentemente com problemas de usabilidade” .

Muitos dos fracassos dos empreendimentos da web pode ser atribuída à
desconsideração das necessidades, dos objetivos e das características dos
usuários [...] Ergodesigners acreditam que os sites têm baixa usabilidade
porque desconsideram princípios básicos relacionados ao usuário [...] O
sucesso do empreendimento online depende da clareza e da simplicidade
com que o usuário inicia e completa a sua tarefa. (AGNER, 2012, p. 47).
Outro contratempo do uso da internet seria a sua liberdade, pois segundo Bambauer
(2010, p. 4) “o conceito de “liberdade de internet” traz em si um conjunto de conflitos sobre
como a internet deveria funcionar” . O acesso à rede é um pré-requisito para aproveitar a
liberdade na internet, independente da sua definição. Alguns países vêm o acesso à internet
como um direito, enquanto outros o consideram um privilégio.

2220

�A Finlândia, por exemplo, determinou que ter uma conexão de 1 MB é um
direito humano básico aos seus cidadãos , como da mesma forma o Conselho
Constitucional da França declarou que o acesso à internet é um direito legal,
enquanto o Estados Unidos , ao contrário, encaram a conexão à internet
como um produto de mercado igual a todos os outros em vez de vê-la como
um direito. (BAMBAUER, 2010, p. 4).
Essa diferença faz com que alguns países impeçam o uso total da internet impedindo
que os usuários acessem todos os conteúdos disponíveis na rede, por considerar impróprios,
uma violação de direitos autorais on-line, ou agressivos à inteligência do governo.
Surgem então novos papéis para o usuário que deixa de ser um “consumidor da
informação” e torna-se um produtor de conteúdos, exigindo do profissional da informação
novas atitudes e olhares para a disponibilização das coleções, quanto ao atendimento ao
usuário. É necessário então que o bibliotecário possua novas capacitações de trabalho, com
uma diferente postura, sendo importante visar a capacidade de ação e flexibilidade de
disseminar a informação e se comunicar com o usuário.
A disciplina Arquitetura de Informação contribui para que o diálogo do profissional da
informação com o usuário seja mais adequado, pois aborda a usabilidade, que é uma das
maneiras de avaliar e facilitar a interação do usuário com as diversas interfaces, evitando a
crise na sociedade atual que para Agner (2012) está na questão de como fazer para
transformar a informação em conhecimento.
Segundo Agner (2012, p.11), “O ergodesign visa a tornar as interfaces fáceis e as
informações acessíveis. O objetivo é entender por que as pessoas utilizam (ou não utilizam)
os computadores, qual o grau de dificuldade que possuem ou sua facilidade.” Portanto, o

ergodesign tem a responsabilidade de analisar e possibilitar que websites sejam úteis à real
necessidade dos usuários.
O profissional da informação pode se especializar nessa área que está em grande
desenvolvimento e crescimento. A biblioteca como instituição deve ter uma visão como
geradora, conservadora e disseminadora do conhecimento, sendo importante no alicerce da
sociedade da informação. Nela encontra-se também a cultura que segundo Tylor apud Laraia
(1986, p. 28), é: “Todo o comportamento aprendido, tudo aquilo que independente de uma
transmissão genética” . Ou seja, ajuda na formação de usuários, dos seus padrões de
alfabetizações como melhor explicitado por Hall (2006, p.13): “As culturas nacionais são
compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações” .

2221

�A formação de uma cultura nacional contribuiu para criar padrões de
alfabetização universais, generalizou uma única língua vernácula como o
meio dominante de comunicação em toda a nação, criou uma cultura
homogênea e manteve instituições culturais nacionais, como, por exemplo,
um sistema educacional nacional. Dessa e de outras formas, a cultura
nacional se tornou uma característica-chave da industrialização e um
dispositivo da modernidade. (HALL, 2006, p. 13).
E o centro cultural é o lugar, que em conjunto com a biblioteca, propicia que a cultura
seja mostrada através da arte: como cinemas, exposições, apresentações de músicas etc..
A pesquisa sobre usabilidade de websites de Centro Culturais é de suma importância
para a identificação dos problemas e a real compreensão das informações contidas no mesmo,
possibilitando a geração de conhecimento e apreciação da cultura pelos usuários de uma
maneira qualitativa e que os usuários consigam acessar e compreender o real conteúdo que os

websites disponibilizam. Assim, o trabalho tem como objetivo analisar a apresentar os
resultados comparativos da usabilidade de websites de centros culturais, que abrangem
usuários de diversas áreas.

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Arquitetura de Informação
O arquiteto de informação é o especialista em Arquitetura de Informação e é ele que
deve tornar os websites mais simples para os usuários, como afirma Agner (2012, p. 78): “O
arquiteto da informação seria o individuo com a missão de organizar padrões dos dados e de
transformar o que é complexo ou confuso em algo mais claro” .
O profissional arquiteto de informação faz estruturas conhecidas como mapas que
contribuem para que os usuários possam chegar ao conhecimento desejado, como é descrito
por Agner (2012, p. 78): “Em que o arquiteto da informação seria a pessoa que mapeia
determinada informação e nos disponibiliza o mapa, de modo a que todos possam criar nossos
caminhos próprios em direção ao conhecimento” .
A Arquitetura de Informação, segundo Agner (2012), tem como tarefas: observar as
necessidades informacionais (e tarefas) dos usuários, durante todo o processo de design e
desenvolvimento e “traduzir” a necessidades informacionais e os objetivos dos usuários para
os clientes, financiadores e para os demais membros da equipe.

2222

�2.2 Usabilidade
Para saber se um website é útil ao usuário, utilizam-se técnicas para avaliar a
usabilidade. Segundo Winckler (2002, p. 1): “Usabilidade é o termo técnico usado para
descrever a qualidade de uso de uma interface” .
É de suma importância que os websites tenham boa usabilidade, pois aumentam a
produtividade dos usuários, e segundo Winckler (2002, p. 2): “Isso faz com que diminua a
ocorrência e erros (...) e contribuem para a satisfação dos usuários” .
Não apenas a satisfação do usuário é o único critério a ser respeitado. Na realidade ele
é apenas uma medida para que o usuário possa compreender o website e diminuir o seu tempo
para obter a informação que ele deseja, fazendo com que o usuário se sinta “acolhido” e
retorne a utilizar o website e em muitas vezes até indicar a outros usuários. Como melhor
exemplificado por Winckler:
A satisfação é um critério importante, embora não o único, para a
determinação da qualidade global da aplicação. De um modo geral, este é
um critério final para que o usuário adquira um software ou visite
regularmente um site. (...) Quando a usabilidade é levada em conta durante o
processo de desenvolvimento de interfaces web, vários problemas podem ser
eliminados como, por exemplo, pode-se reduzir o tempo de acesso à
informação. (WINCKLER, 2002, p. 2).
O excesso de informação pode não propiciar a compreensão da mesma e nem sua
qualidade, como dito por Agner nas citações:
A informação deveria ser aquilo que leva à compreensão e o grande volume
de informações as tornam grande parte delas inúteis. O exagero típico na
nossa era apagou as diferenças entre dados e informação, entre fatos e
conhecimento. (AGNER, 2012, p. 115)
A confusão entre transmitir dados e criar mensagens com significado pode
ter sido sua origem na atenção demasiada dada aos computadores
(máquinas) e na pouca atenção dada aos usuários (seres humanos). Isso nos
aponta para problemas da usabilidade de interação humano-computador. (...)
É justamente nessa hora que entra a arquitetura de informação em defesa do
usuário (...) os testes de usabilidade. (AGNER, 2012, p. 115)
Os testes de usabilidade servem para testar se o usuário está conseguindo atingir os
seus objetivos corretamente nos websites. Existem algumas maneiras de testar a usabilidade,
entre elas o questionário, o card sorting, a pesquisa em grupo e a Avaliação Heurística. Agner
(2012, p. 115 e 116) descreve: “Os testes de usabilidade são o mais indicados para medir a
taxa de sucesso da busca de informações e para pesquisar o comportamento dos indivíduos
durante a interação com os sistemas informatizados” .

2223

�Além disso, a avaliação identifica possíveis problemas, e com isso torna-se possível
buscar soluções e como na internet o tempo passa rapidamente, descobrir os erros o mais cedo
possível é o melhor caminho para o sucesso de um website.

Como afirmado na citação

abaixo:
A Tendência atual em avaliação é tentar identificar os problemas de
usabilidade tão cedo eles possam ser detectados na interface. Uma vez
identificado, o problema pode ser solucionado ou, ao menos, seus efeitos
podem ser minimizados. (...) Contudo observa-se que em aplicações web as
atualizações são muito mais frequentes que em outros tipos de interface.
Além disso, o caráter distribuído das aplicações web distância os usuários
dos desenvolvedores, e por vezes, torna-se difícil de identificar quem são de
fato os reais usuários da aplicação e quais são suas expectativas. Existem
uma série de métodos de avaliação que podem ser utilizados em diferentes
etapas do desenvolvimento de interfaces web. (AGNER, 2012, p. 116).
2.3 Avaliação Heurística
A avaliação heurística é a técnica de análise de usabilidade abordada neste trabalho,
aplicando suas dez diretrizes. Ela é baseada na idéia de identificação de problemas de
usabilidade, como melhor explicado por Santinho:
As Análises Heurísticas, “desenvolvido por nomes como Rolf Molich e o
mais famoso Jakob Nielsen, baseia-se na ideia de identificar problemas de
usabilidade sem os custos de efetuar testes com utilizadores, recorrendo a
um conjunto de regras (as Heurísticas) com as quais é confrontado o sistema
em análise. Este método, rapidamente popularizado pela sua relativa
simplicidade, tem sido posto em causa, com argumentos fortes, nos tempos
mais recentes. (SANTINHO, 2001, p. 4).
A análise da usabilidade visa melhorar a interação entre o Homem e a máquina e é
uma maneira de facilitar essa comunicação, e tornar possível o uso para seu devido fim.

A determinação da usabilidade é aqui considerada como um conjunto de
práticas (metodologias) de análise sistemática da relação (aparente) entre o
homem e a máquina, mas que é sobretudo uma relação entre indivíduos,
uma relação predominantemente comunicacional. (SANTINHO, 2001, p. 4).
Existem três técnicas de avaliação, segundo Santinho (2001): A primeira técnica diz
respeito às Técnicas Diagnósticas que são baseadas no conhecimento e na competência do
avaliador com os modelos preditivos, checklists e normas e Avaliações Heurísticas; a segunda
é representada pelas Técnicas Definitivas que são baseadas na observação da interação com os
ensaios de interação e, a terceira usa as Técnicas Prospectivas que são baseadas na opinião do
usuário com os questionários e a pesquisa de satisfação.

2224

�Existem dez diretrizes, segundo Nielsen (1999), que são:
a) Visibilidade do status do sistema: O sistema deve sempre manter os usuários informados
sobre o que está acontecendo através de feedback apropriado, em um tempo razoável.
b) Compatibilidade entre sistema e mundo real: O sistema deve utilizar a linguagem do
usuário que são as palavras, frases e conceitos familiares para ele, ao invés de termos
específicos de sistemas. Devem-se seguir convenções do mundo real, fazendo com que a
informação apareça em uma ordem lógica e natural.
c) Controle e liberdade para o usuário: Usuários frequentemente escolhem as funções do
sistema por engano. É importante oferecer “saída de emergência” claramente definida para
sair do estado não desejado sem ter que percorrer um longo diálogo.
d) Consistência e padrões: Os Princípios da Anotação ocorre quando os usuários não
deveriam ter acesso a diferentes situações, palavras ou ações representando a mesma coisa. A
interface deve ter convenções não ambíguas.
e) Prevenção de erros: Os erros são as principais fontes de frustração, ineficiência e ineficácia
durante a utilização do sistema. É importante evitar entregar sistemas com erros.
f) Reconhecimento em lugar de lembrança: Tornar objetos, ações, opções visíveis e coerentes.
O usuário não deve ter que lembrar informações de uma parte do diálogo para outra. As
instruções para o uso do sistema devem estar visíveis ou facilmente acessíveis.
g) Flexibilidade e eficiência de uso: O sistema deve ser adequado tanto para usuários
inexperientes quanto para usuários experientes. A ineficiência nas tarefas pode reduzir a
eficácia do usuário e causar-lhes frustração.
h) Projeto minimalista e estético: Os diálogos não devem conter informações irrelevantes ou
raramente necessárias. Pois cada unidade extra de informação em um diálogo compete com
unidades relevantes e diminui sua visibilidade relativa.
i) Auxiliar os usuários a reconhecer, diagnosticar e recuperar erros: As mensagens de erro
devem ser expressas em linguagem natural (sem códigos), indicando precisamente o erro e
sugerindo uma solução.
j) Ajuda e documentação: mesmo em sistemas simples e \ ou fáceis de usar é necessário
fornecer informações de uso. As informações devem ser fáceis de encontrar, centradas na
tarefa do usuário, listar passos concretos a serem seguidos e não ser muito grandes. A ajuda
deve estar facilmente acessível e on-line.
Para a aplicação das Heurísticas existem quatro etapas: a primeira etapa é quando um
problema qualquer for detectado e é necessário que seja classificado em uma das dez
heurísticas de Nielsen; a segunda etapa é anotar o problema detectado na tabela

2225

�correspondente; a terceira etapa é atribuir o grau de severidade (0 até 4) para tal problema, e a
quarta etapa é recomeçar até não encontrar mais problemas de usabilidade.

2.4 Tabela de Grau de Severidade
A seguir a tabela de grau de severidade que adotamos neste estudo.

Tabela 1 - Grau de Severidade
Grau de
Tipo
severidade

Descrição

0

Sem
importância

Não afeta a operação de interface.

1

Cosmético

Não há necessidade imediata de solução.

2

Simples

Problema de baixa prioridade (pode ser
reparado).

3

Grave

Problema de alta prioridade (deve ser
reparado).

4

Catastrófico

Muito grave. deve ser reparado de qualquer
forma.

Fonte: SANTINHO, 2001.

2.5 Centros Culturais Analisados
Os websites escolhidos para a pesquisa foram os websites do Centro Cultural do Banco
do Brasil (CCBB) 264, Centro Cultural dos Correios (CCC) 2 e o Centro Cultural da Justiça
Federal (CCJF) 3.
Estes três Centros Culturais encontram-se situados no centro da cidade do Rio de
Janeiro. Eles foram escolhidos por serem centros culturais de áreas distintas como: a área
financeira, área de comunicação e área Jurídica, apresentando então três visões diversificadas
e atingindo milhares de usuários.
264http://www.bb.com.br/portalbb/home21.128.128.0.1.1.1 .bb.
2http://www.correios.com.br/sobreCorreios/educacaoCultura/centrosEspacosCulturais/CCC RJ/Centro
Cultural dos Correios.
3http://www .ccj f.trf2,gov .br/default.htm .

2226

�2.5.1 História do Centro Cultural Banco do Brasil
De acordo com o website do Centro Cultural Banco do Brasil (2013), o Centro
Cultural Banco do Brasil localiza-se na Rua Primeiro de Março, número 66. O prédio de
linhas neoclássicas desde a década de 20 passou a pertencer ao Banco do Brasil. Em 1960, o
prédio cedeu lugar à Agência Centro do Rio de Janeiro e depois à Agência Primeiro de
Março, ainda em atividade. No final da década de 80, resgatando o valor simbólico e
arquitetônico do prédio, o Banco do Brasil decidiu pela sua preservação ao transformá-lo em
um centro cultural. Inaugurado em 12 de outubro de 1989, transformou-se em polo
multimídia e fórum de debates. Com 17 mil metros quadrados, o CCBB RJ integra muitos
espaços num só, onde a arte está permanentemente em cartaz.

2.5.2 História do Centro Cultural dos Correios
Conforme o website do Centro Cultural dos Correios (2013), o imóvel foi inaugurado
em 1922. Ele foi construído para sediar uma escola do Lloyd Brasileiro, mas não ocorreu e o
prédio foi utilizado, por mais de 50 anos, para funcionamento de unidades administrativas e
operacionais dos Correios. Na década de 80, o imóvel foi desativado para reformas, sendo
reaberto em dois de junho de 1992, parcialmente restaurado, para receber a "Exposição
Ecológica 92". A inauguração oficial do Centro Cultural Correios aconteceu em agosto de
1993 com a Exposição Mundial de Filatelia - Brasiliana 93. Desde então, o Centro Cultural
Correios vem marcando a presença da instituição na cidade com promoção de eventos em
áreas diversas, em atividades voltadas à integração da população carioca com formas variadas
de expressão artística. O Centro Cultural Correios, em média anual, recebe um público de 400
mil visitantes e promove cerca de 50 eventos, com atrações variadas de teatro, música, dança,
cinema e vídeo, além das exposições de diversos tipos de arte.

2.5.3 História do Centro Cultural da Justiça Federal
Segundo o website do Centro Cultural da Justiça Federal (2013), tem-se que o antigo
prédio do Supremo Tribunal Federal foi reaberto no dia 4 de abril de 2001 como Centro
Cultural Justiça Federal. A coordenação do restauro esteve a cargo do Instituto Herbert Levy,
com apoio do Tribunal Regional Federal da 2a Região e respeitou as características históricas
da construção, conforme orientação do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional
(IPHAN) e com o patrocínio da Caixa Econômica Federal. O processo de restauraçãoadaptação constituiu-se no mais complexo e original da América Latina. E a obra fez com que
o edifício contenha uma vasta e moderna infraestrutura predial em termos de refrigeração,

2227

�instalações elétricas, telefonia, sistema hidráulico etc. Atualmente, o CCJF dispõe de treze
amplas salas de exposições, teatro, biblioteca, cinema e cafeteria.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Os métodos de procedimento escolhidos foram a revisão bibliográfica, os estudos de
caso e observação. Dentro da técnica de observação ocorreu a Avaliação Heurística, seguindo
suas dez diretrizes e utilizando o grau de severidade para mostrar a importância de cada
problema encontrado.
A pesquisa se concentrou em avaliar três websites de Centros Culturais, visando sua
usabilidade.
Após a análise de usabilidade dos três websites em estudo, através da aplicação da
Avaliação Heurística, a partir dos resultados que foram gerados, a pesquisa construiu a tabela
de número 2, baseada na tabela 4 do artigo Avaliação Heurística e Testes com Utilizadores:
dois métodos, dois resultados de Santinho (2001, p.15) e que representou

os níveis de

gravidade dos problemas detectados em cada website, seguindo as 10 diretrizes Heurísticas.
Em seguida, foi desenvolvida outra tabela, a tabela de número 3, aonde foi relacionado
o número de vezes que cada site apresentou os problemas mais e menos graves, baseado na
tabela 5 do mesmo artigo de Santinho (2001, p. 15) .
Segundo Agner (2012), amostragem é um conjunto de procedimentos através dos
quais se seleciona uma amostra de uma população. A amostra pode ser probabilística ou não probabilística. Na maior parte dos estudos de usabilidade, entretanto, a amostra é do tipo nãoprobabilística.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Em seguida, apresenta-se a análise das dez heurísticas de Nielsen, com o problema
destacado e a aplicação do grau de severidade das dez heurísticas. Cada heurística foi
analisada conforme a verificação descrita, e assim, o grau de severidade está com as devidas
notas e com a descrição dos problemas encontrados.
a) Primeira Heurística - Os usuários são mantidos informados sobre o progresso do sistema
com apropriado feedback em um tempo razoável ?

2228

�Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Falta o botão de voltar. Ao clicar na tecla Home volta-se à página inicial do
website do Banco do Brasil e não ao do Centro Cultural. Se o usuário for iniciante irá sentir
dificuldade. Grau de Severidade: Grave - 3.

Centro Cultural dos Correios
Problema: Não tem feedback. O usuário tem que clicar no que deseja, o caminho percorrido
não está definido.

O usuário tem a sensação de que está perdido. Grau de Severidade:

Catastrófico - 4.

Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: Contém o feedback, porém falta o mesmo na página principal, e a tecla de voltar
também não se encontra. A tecla Home volta à página inicial do website do Centro Cultural.
Se for um usuário novo irá sentir dificuldade. Grau de Severidade: Simples-2.

b) Segunda Heurística - O sistema utiliza conceitos e linguagem familiar com o usuário em
vez de termos orientados ao sistema? O sistema utiliza convenções do mundo real, exibindo
informações com uma ordem lógica e natural?

Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Utiliza sua sigla no decorrer de praticamente todo o website como CCBB,
trazendo uma dificuldade aos novos usuários que não saibam fazer essa relação. Deveria
primeiro aparecer a sigla por extenso, para dar essa informação ao usuário. Soube descrever o

link : Consulte as especificações técnicas de cada espaço, trazendo as plantas desenhadas do
espaço, não provocando confusão de entendimento ao leitor. Grau de Severidade: Grave - 3.

Centro Cultural dos Correios
Problema: As palavras em geral são de fácil entendimento, porém a sigla sem a descrição
dificulta o entendimento. Como na descrição do link: Confira a programação do CCC/RJ,
primeiro deveria vir o link escrito por extenso: Confira a programação do Centro Cultural do
Correios / Rio de Janeiro (CCC/RJ). Outro problema é que colocaram no link: Veja a planta,
que seria ver o desenho do mapa do centro cultural; esse link está logo abaixo da história do
Centro Cultural, dificultando o entendimento do usuário. Grau de Severidade: Grave - 3.

Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: Sem dificuldades no website em relação a essa heurística. Seria agradável colocar
por extenso a sigla CCJF que está no decorrer do texto que explica a restauração que foi
executada no centro cultural. Porém ao contrário do website dos Correios, a sigla não está no
tópico e então a dificuldade de associação é menor. Grau de Severidade: Cosmético -1.

2229

�c) Terceira Heurística - Os usuários podem fazer o que querem quando querem?

Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Não contém uma “saída de emergência” claramente definida. Contém no feedback
a tecla Home , que seria para voltar ao inicio, porém volta ao inicio da página do Banco do
Brasil e não do Centro Cultural, sendo um grande problema ao entendimento do usuário que
queira voltar. Grau de Severidade: Catastrófico - 4.

Centro Cultural dos Correios
Problema: Não contém nenhuma tecla Home e nem uma “saída de emergência” claramente
definida. Grau de Severidade: Catastrófico - 4.

Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: Não contém uma “saída de emergência” claramente definida. Grau de
Severidade: Catastrófico - 4.

d) Quarta Heurística - O projeto de elementos como objetos e ações tem o mesmo significado
ou

efeito

em

diferentes

situações?

Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Está com essa heurística corretamente. Os termos não são ambíguos e as mesmas
palavras apresentadas nos tópicos de acesso, encontram-se nos tópicos descritos com os
textos. Grau de Severidade: Sem importância - 0.

Centro Cultural dos Correios
Problema: Está com essa heurística corretamente. Os termos não são ambíguos e as mesmas
palavras apresentadas nos tópicos de acesso, encontram-se nos tópicos descritos com os
textos. Grau de Severidade: Sem importância - 0.

Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: Está com essa heurística corretamente. Os termos não são ambíguos e as mesmas
palavras apresentadas nos tópicos de acesso, encontram-se nos tópicos descritos com os
textos. Grau de Severidade: Sem importância - 0.

e) Quinta Heurística - Os usuários podem cometer erros dos quais bons projetos poderiam
prevenir?

Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Não há erros durante a utilização do sistema, como página not found (página não
encontrada) ou qualquer outro tipo de erro de utilização do sistema. Grau de Severidade:
Sem importância - 0.

2230

�Centro Cultural dos Correios
Problema: Não há erros durante a utilização do sistema, como página not found (página não
encontrada) ou qualquer outro tipo de erro de utilização do sistema. Grau de Severidade:
Sem importância - 0.

Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: Não há erros durante a utilização do sistema, como página not found (página não
encontrada) ou qualquer outro tipo de erro de utilização do sistema. Grau de Severidade:
Sem importância - 0.

f) Sexta Heurística - Os elementos de projeto como objetos, ações e opções são possíveis? O
usuário é forçado a relembrar informações de uma parte do sistema para outra?

Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Tem as imagens devidamente linkadas e disponíveis. Grau de Severidade: Sem
importância - 0.

Centro Cultural dos Correios
Problema: Melhorar a divisão de links, colocando mais links disponíveis, porém tem as
imagens devidamente linkadas e disponíveis. Grau de Severidade: Simples-2.

Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: Tem as imagens devidamente linkadas e disponíveis. Grau de Severidade: Sem
importância - 0.

g) Sétima Heurística - As tarefas de usuário são eficientes e podem se adaptar ao gosto do
usuário em suas ações mais frequentes ou ele utiliza atalhos?

Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Não existe atalho para os usuários mais avançados, e talvez os usuários iniciais
sintam uma certa dificuldade para interagir com o website, pois não existe nenhuma tecla
clique aqui, porém existe o feedback em todo o decorrer do website. Seria mais para um
usuário intermediário. Grau de Severidade: Grave - 3.

Centro Cultural dos Correios
Problema: Não tem atalhos e nem feedback ou seja não mostra o caminho percorrido pelo
usuário e nem atalhos ao usuários.

Só tem o atalho de voltar ao topo, que seria voltar ao

inicio da página, porém encontra-se no meio do website também sendo um pouco confuso.

Grau de Severidade: Catastrófico - 4.

2231

�Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: O usuário iniciante poderá sentir certa dificuldade na página inicial por só ter a
palavra Centro Cultural e Atividades, sendo que o usuário deve clicar em cima e abrirá novos
tópicos. É um modo mais clean.

Para usuários intermediários e avançados é muito bom,

porém para os iniciantes pode ser confuso. Porém o website tem feedback, facilitando o
usuário iniciante. Não foram encontrados atalhos para o usuário avançado. Grau de

Severidade: Grave - 3.

h) Oitava Heurística -

Os diálogos contêm informações irrelevantes ou raramente

necessárias?

Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Não foram encontradas informações irrelevantes ou sem ser necessárias. Grau de
Severidade: Sem importância - 0.
Centro Cultural dos Correios
Problema: Não foram encontradas informações irrelevantes ou sem ser necessárias. Grau de
Severidade: Sem importância - 0.
Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: Não foram encontradas informações irrelevantes ou sem ser necessárias. Grau de
Severidade: Sem importância - 0.

i) Nona Heurística - As mensagens de erro são expressas em linguagem simples (sem
códigos) descrevendo exatamente o problema e sugerindo uma solução?

Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Não há nenhuma mensagem diagnosticando erros. Porém não foram encontrados
erros no sistema. Grau de Severidade: Cosmético -1.

Centro Cultural dos Correios
Problema: Não há nenhuma mensagem diagnosticando erros. Porém não foram encontrados
erros no sistema. Grau de Severidade: Cosmético -1.

Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: Não há nenhuma mensagem diagnosticando erros. Porém não foram encontrados
erros no sistema. Grau de Severidade: Cosmético -1.

j) Décima Heurística - São fornecidas apropriadas informações de ajuda, e estas informações
são fáceis de procurar e de focalizar nas tarefas do usuário?

2232

�Centro Cultural do Banco do Brasil
Problema: Tem informações relevantes, porém o website contém muitas informações e
imagens, podendo ser um pouco confuso ao usuário iniciante. Poderia ser mais clean.

Grau de Severidade: Simples-2.
Centro Cultural dos Correios
Problema: Tem textos muito longos e para leitura em internet é um pouco cansativo. O único
atalho é voltar ao topo que volta ao inicio do texto. Grau de Severidade: Grave - 3.

Centro Cultural da Justiça Federal
Problema: É o que melhor aplica nessa heurística, pois é o que contém informações mais
precisas do conteúdo. Grau de Severidade: Sem importância - 0.

A tabela 2 apresenta as notas obtidas por cada website em cada uma das heurísticas.
Para um melhor entendimento a explicação das siglas: Centro Cultural do Banco do Brasil
(CCBB), Centro Cultural dos Correios (CCC), Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF). Os
sinais + (mais) e - (menos) são em relação de maior e menor grau de severidade.

Tabela 2 - Comparação da Avaliação Heurística.
Heurística

CCBB

CCC

CCJF

+

-

1

3

4

2

CCC

CCJF

2

3

3

1

CCBB|CCC

CCJF

3

4

4

4

IGUAIS

IGUAIS

4

0

0

0

IGUAIS

IGUAIS

5

0

0

0

IGUAIS

IGUAIS

6

0

2

0

CCC

CCBB|CCJF

7

3

4

3

CCC

CCBB|CCJF

8

0

0

0

IGUAIS

IGUAIS

9

1

1

1

IGUAIS

IGUAIS

10

2

3

0

CCC

CCJF

Fonte: O AUTOR, 2013.

Foi feita uma nova tabela, a tabela de número 3 em que foi relacionado o número de
vezes que cada website apresentou os problemas mais e menos graves, baseado na tabela 5 do
mesmo artigo de Santinho (2001, p. 15).

2233

�Tabela 3
Relação do número de vezes em que cada site aparece o problema mais e menos grave

CCBB

CCC

CCJF

Mais Grave

1

5

0

Menos Grave

2

0

5

Fonte: O AUTOR, 2013.

Os resultados apontam que os websites devem melhorar, em relação à aplicação das
heurísticas, pois dentre as dez heurísticas, apenas três heurísticas tiveram o grau de severidade
0 (zero) ou seja sem importância.
Dentro das 10 heurísticas analisadas o Centro Cultural do Banco do Brasil, obteve uma
heurística sendo a mais grave, e duas vezes sendo o menos grave, em comparação com os
outros websites analisados. O website do Centro Cultural dos Correios obteve o grau mais
severo em cinco das heurísticas analisadas, e em nenhuma vez sua heurística foi o menor em
relação aos outros websites. O website do Centro Cultural da Justiça Federal não obteve
nenhuma vez o grau de severidade mais grave em relação aos demais, e em cinco vezes sendo
o menor em relação às heurísticas.
O website que teve o menor grau de severidade, ou seja, que em média segue melhor
as dez heurísticas é o website do Centro Cultural da Justiça Federal e o que encontra maior
grau de severidade é o website do Centro Cultural dos Correios.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Através do trabalho de pesquisa foi possível compreender melhor o que é usabilidade
de websites, a importância de conhecer o desejo dos usuários e de como transformar as
informações em conhecimento. Os bibliotecários que irão trabalhar com o excesso de
informações precisam se preparar para atuar no mercado, se aliando e especializando em áreas
que visam à importância do usuário, como a Arquitetura de Informação. Segundo Gouveia
(2008) a Gestão do Conhecimento é/deve ser uma preocupação das organizações, e deve
incluir as pessoas e as redes de relacionamento, com base no meio digital.
É importante que o avanço tecnológico estimule esses usuários a acessarem os

websites e facilitem o trabalho do profissional da informação. Lembrando que é necessário
que se estimule a cultura do país, estimulando a arte, disseminando as informações contidas
nos centros culturais a um só clique, fazendo com que a arte esteja sempre presente.

2234

�Os resultados da pesquisa foram importantes para demonstrar que os desenvolvedores
de websites ainda têm um longo caminho a percorrer, pois os websites analisados, em média,
tiveram resultados insatisfatórios em relação ao quanto os problemas são severos, ou seja,
com isso os usuários podem encontrar muitas dificuldades, fazendo com que não retornem e
nem se sintam satisfeitos. Passar a informação corretamente ao usuário é o principal objetivo
de um website e em muitos momentos isso não ocorre.
É necessário que novos estudos sejam realizados para que soluções sejam propostas
para resolver os problemas detectados, e que os desenvolvedores dos websites possam
aperfeiçoar os websites para que seja feita uma nova análise, até que em algum momento o
teste contenha em média na maioria dos resultados o grau de severidade 0 (zero) ou seja sem
importância.
Com um website, limpo, com feedback, com atalhos e se preocupando que os usuários
consigam navegar perfeitamente encontrando a informação que necessitam, faz com que os
usuários retornem, e se sintam satisfeitos.

6 REFERÊNCIAS
AGNER, Luiz. Ergodesign e arquitetura de informação: trabalhando com o usuário. 3. ed.
Rio de Janeiro: Quartet, 2012. 193 p.
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CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL . CCBB Rio de Janeiro . Disponível em:
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Rio

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CENTRO

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DA

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FEDERAL. Centro

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GALDO, Alessandra [et al]. Classificação Social da Informação na web: Tecnologia,
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2235

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HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade._____________________ . Rio de
Janeiro: Dp&amp;a Editora, 2006.
JONES, Barbara M. Bibliotecários públicos ajudam a definir a liberdade na Internet.

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2236

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Sá, Maria Irene da Fonseca, Cunha, Mariana Hardman Vianna da</text>
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                <text>O trabalho avalia a usabilidade de três websites de centros culturais, sendo eles: o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), o Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) e o Centro Cultural dos Correios. Para tal se fez uso da Avaliação Heurística de Nielsen, com a aplicação das dez diretrizes e aplicando o Grau de Severidade. O resultado final é apresentado em uma tabela de comparação para propiciar um melhor entendimento. O estudo conceitua a usabilidade e aborda a importância da Arquitetura de Informação no contexto de excesso de informação na sociedade da informação, o que afeta os usuários por não alcançarem seus reais objetivos. O trabalho aponta para a importância do profissional de informação no estudo das necessidades dos usuários e na organização da informação dos websites de forma a estimular os usuários a acessar os websites e propiciar o alcance de seus objetivos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DA BAHIA - SIBI/UFBA: UMA ANÁLISE DO ATENDIMENTO AO
USUÁRIO PESSOA COM DEFICIÊNCIA - PCD Derlita Machado Silva
Roméria Carneiro de Campos Sacramento
Samir Elias Kalil Lion
Henriette Ferreira Gomes

RESUMO
Analisa o atendimento ao usuário Pessoa Com Deficiência (PCD) nas bibliotecas do Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia - SIBI/UFBA. Trata-se de um estudo de
caso com questionários como instrumento de coleta de dados, aplicados a uma amostra
constituída por 10 servidores, em 10 das 22 bibliotecas do SIBI/UFBA, que assumem o cargo
de bibliotecário-chefe. Conclui que as bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal da Bahia pesquisadas prestam um atendimento precário ao usuário Pessoa Com
Deficiência.

Palavras-Chave: Acessibilidade; Pessoa
universitária; Sistema de bibliotecas.

com

deficiência;

Atendimento;

Biblioteca

ABSTRACT
Analyses the service the needs of user disabled person in the libraries of Library System of
the Federal University o f Bahia (SIBI/UFBA). This is a case study with questionnaires as a
tool for data collection, applies to a sample of 10 workers the assuming the post of chief
libraria, in 10 of the 22 libraries of SIBI/UFBA. Concludes that surveyed libraries of Library
System of the Federal University o f Bahia provide a precarious service the needs of user
disabled person.
Keywords: Accessibility; Disabled person; Customer; University library; Library system.

1 INTRODUÇÃO
O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia (SIBI/UFBA), enquanto
organismo público deve buscar como objetivo primeiro o atendimento ao interesse público,
através de produtos e serviços colocados à disposição dos seus usuários, inclusive aqueles
mais especiais. Dentro do ambiente universitário, a biblioteca deve ser o espaço principal do
exercício da igualdade.

754

�O SIBI/UFBA foi criado através de Resolução n° 03/09 do Conselho Universitário
para ser o responsável pelo funcionamento sistêmico das bibliotecas da UFBA, com o
propósito de oferecer suporte ao desenvolvimento da pesquisa, do ensino e da extensão, que
tem a ver de forma visceral com a atividade basilar da UFBA.
Para se ter a percepção do que seja um justo tratamento para os usuários especiais, o
presente artigo traz como objetivo geral: analisar o atendimento ao usuário pessoa com
deficiência (PCD) nas bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da
Bahia (SIBI/UFBA).
Para o alcance deste tem como primeiro objetivo especifico: identificar se as
bibliotecas do SIBI/UFBA possuem os seguintes elementos para acessibilidade do usuário
Pessoa Com Deficiência (PCD): a) balcões de circulação com condições para atendimento ao
usuário deficiente; b) terminais de consulta acessíveis a pessoa com deficiência motora
(cadeirante), ou/e se eles possuem programas específicos para deficientes visuais; c)
quantidades de obras em braile e materiais audiovisuais para atendimento ao usuário
deficiente; d) no estacionamento, rampas de acesso à Unidade de ensino; e) rampas de acesso
à biblioteca, telefones públicos para surdos, adaptação de portas dos banheiros para cadeiras
de rodas; f) sinalizações e informações, contendo os seus produtos/serviços, que atendam às
pessoas portadoras de deficiência visual; g) iluminação insuficiente; h) estrutura física
adequada, barreiras que dificultam a circulação, falta de corrimão, sinalização no piso; i)
adequada distância entre as estantes; j) corredores entre estantes que permitam giro de 180°
para o cadeirante; e l) mesas de leitura adequadas quanto à altura e profundidade, e/ou em
quantidade suficiente para atender aos usuários deficientes.
O outro objetivo especifico é: averiguar a existência de capacitação constante dos
bibliotecários para atendimento aos usuários portadores de necessidades e também verificar se
o desenvolvimento e formação de coleções das bibliotecas incluem um acervo básico com
livros em braile, livros falados e áudio livros.
Como método utilizou-se o estudo de caso com questionários, como instrumento de
coleta de dados, que foram aplicados a uma amostra constituída por 10 servidores, em 10 das
22 bibliotecas do SIBI/UFBA, que assumem o cargo de bibliotecário-chefe, da seguinte
forma: 2 questionários em 14/11/2012, 2 questionários em 19/11/2012, 3 questionários em
20/11/2012, 1 questionário em 18/03/2013 e 2 questionários em 21/03/2013.

755

�2 REVISÃO DE LITERATURA
O século XX foi marcado por grande avanço tecnológico, preocupação com o planeta
e atenção para com a biodiversidade. Os direitos humanos foram definidos e começaram a ser
consolidados em todos os seus aspectos. O desenvolvimento das tecnologias, da informática,
comunicação e inovação permitem hoje que as pessoas com deficiência (PCD) encontrem os
meios necessários para que possam se dedicar às atividades de estudo, trabalho e lazer,
contribuindo de forma ativa para o desenvolvimento da sociedade, em condições igualitárias
dadas a todos os cidadãos, conforme assegurado pela legislação brasileira.
As bibliotecas universitárias estão diretamente ligadas à qualidade dos cursos de suas
universidades, sejam eles de graduação ou de pós-graduação. Estas têm um peso significativo
na avaliação para aprovação e reconhecimento dos respectivos cursos das Unidades de Ensino
onde estão instaladas. Passaram a ser alvo de atenção explícita do Ministério da Educação,
sob os aspectos da acessibilidade, a partir de 1999, quando da publicação da Portaria n° 1.679,
de 02 de dezembro/1999, a qual dispõe sobre a exigência de requisitos de acessibilidade para
pessoas

portadoras

de

deficiência,

para

instruir

os

processos

de

autorização

de

reconhecimento de curso, bem como de credenciamento de instituições.
Então a questão da acessibilidade em bibliotecas é um importante papel a ser
desempenhado pelo SIBI/UFBA. Sistema este que é composto das seguintes bibliotecas
distribuídas em Salvador e no interior do Estado da Bahia: Biblioteca Universitária de Vitória
da Conquista, Biblioteca do Campus Universitário Reitor Edgard Santos (Campus Barreiras),
Biblioteca Universitária Reitor Macedo Costa, Biblioteca Universitária Bernadete Sinay
Neves (Escola Politécnica), Biblioteca Universitária de Saúde Prof. Álvaro Rubim de Pinho BUS, Biblioteca Universitária Isaias Alves (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas),
Biblioteca Sofia Olszewski Filha (Escola de Belas Artes), Biblioteca Teixeira de Freitas
(Faculdade de Direito), Biblioteca da Escola de Música, Biblioteca da Nelson Araújo (Escola
de Teatro), Biblioteca Shiguemi Fujimori - Instituto de Geociências, Biblioteca da Faculdade
de Arquitetura, Biblioteca da Faculdade de Ciências Econômicas, Biblioteca do Centro de
Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD, Biblioteca Professor Djalma Ramos
(Maternidade Climério de Oliveira), Biblioteca Gonçalo Moniz - Memorial da Saúde
Brasileira, Biblioteca do Centro de Estudos Afro-Oriental, Biblioteca Anísio Teixeira
(Faculdade de Educação), Biblioteca do Instituto de Ciência da Informação, Biblioteca do
Museu de Artes Sacras, Biblioteca da Escola de Administração e Biblioteca do Hospital das
Clínicas.

756

�Segundo Ferreira et al. (2007), várias acessibilidades podem preencher o conceito de
acessibilidade, mas o principal é entendê-lo como sendo a condição de alcance e uso de
edificações, transportes, espaços, mobiliários e equipamentos urbanos e também de
dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, com segurança e autonomia
total ou assistida.

A acessibilidade digital, por exemplo, caracteriza-se como o acesso

universal a quaisquer recursos de tecnologia da informação, tendo na Internet o acesso
universal aos diversos componentes da rede mundial de computadores, como chats, e-mail e
outros.

2.1 ELEMENTOS PARA O ATENDIMENTO AO USUÁRIO PESSOA PORTADORA DE
DEFICIÊNCIA NO SIBI/UFB A
Os balcões de circulação das bibliotecas são considerados elementos importantes no
atendimento ao usuário portador de deficiência. Nesse sentido, Santos et al. (2012)
sinalizaram que a biblioteca por eles pesquisada não possuía balcão de circulação, com
requisitos de altura e profundidade que atendessem a norma NBR 9050.
Figueiredo (2012) reforça que, além dos balcões, as bibliotecas devem ser dotadas
com equipamentos tecnológicos e mobiliários de acordo com as formas de deficiências
identificadas na comunidade acadêmica.
No tocante aos balcões de atendimento, Silva (2012) traz que estes devem ser
localizados em rotas acessíveis, com uma parte da superfície com extensão mínima de 0,90 m
e com altura de no máximo 0,90 m do piso, de modo que permita a aproximação frontal ao
balcão, conforme o Art. 21 do decreto 5.296/2004. E que conforme os padrões das normas
técnicas de acessibilidade da ABNT, os balcões de atendimento e as bilheterias em edificação
de uso público ou de uso coletivo devem dispor de, pelo menos, uma parte da superfície
acessível para atendimento às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Os terminais de consulta da biblioteca refletem muitos dos problemas causados pela
inadequação dos balcões, principalmente quando não são acessíveis à pessoa com deficiência
motora (cadeirante). Quando os balcões não atendem aos requisitos de altura e profundidade,
não permitem o acesso da pessoa com deficiência (PCD) aos terminais de consulta, mesmo
que estes estejam disponíveis. Assim, Figueiredo (2012), sinaliza que é importante dotar as
unidades com equipamentos tecnológicos e mobiliários de acordo com as formas de
deficiências identificadas na comunidade acadêmica.
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas:

757

�A NBR 9050 determina na sua seção 8.7.6 que “pelo menos 5% do total de
terminais de consulta por meio de computadores e acesso à internet devem
ser acessíveis a P.C.R. (pessoas em cadeiras de rodas) e P.M.R. (pessoas
com mobilidade reduzida - com deficiência, idosa, obesa, gestante e outros).
Recomenda-se, além disso, que pelo menos outros 10% sejam adaptáveis
para acessibilidade”. (SILVA, 2012, p.8).
Lemos (2012) indicou em sua pesquisa um problema voltado para terminais de
consulta, onde o ‘setor’ de acessibilidade localizado na biblioteca restringia-se a uma mesa
com terminal de computador e uma mesa com quatro lugares reservados para a prática da
leitura; ficando nas proximidades do setor de materiais especiais e mesmo confundindo-se
com ele. E salientou que os profissionais não foram devidamente capacitados para o
atendimento de usuários com deficiência.

a necessidade de acessibilidade física implica não somente que os estudantes
possam ter acesso aos espaços físicos com maior independência, mas
também a todos os serviços e apoios tecnológicos necessários ao bom
desempenho acadêmico. (SOUSA et al., 2012, p.3).
Além da acessibilidade dos terminais de consulta das bibliotecas, estes devem
possuir programas específicos para o seu uso por deficientes visuais, pois isso possibilita o
atendimento ao usuário especial, principalmente na adequação do mobiliário tecnológico de
acordo com as formas de deficiências identificadas na comunidade acadêmica. E isso
representa a preocupação das bibliotecas para com os usuários que são alunos e não as
frequentam por falta de acessibilidade.

No hall desses avanços incluem-se os softwares para computadores que tem
trazido inúmeras facilidades de acesso à informação para os deficientes
visuais. Nesse contexto, muitos programas tem sido criados como
instrumentos auxiliares nas atividades de acesso à informação, entre os quais
destacamos: Dosvox, Virtual Vision e Jaws, que poderão ser adquiridos por
bibliotecas e centros de informação e documentação, colaborando com o
trabalho do profissional bibliotecário. Citamos ainda, o recurso de ampliação
que pode ser utilizado por pessoas acometidas pela baixa visão, que também
sofrem com a falta de adaptações e/ou existência de materiais informacionais
voltados para tal necessidade. (COSTA et al., 2012, p.6).
O autor prossegue trazendo possíveis saídas para bibliotecas que se deparem com
problemas de aquisição de software para os PCD (Pessoa Com Deficiência), afirmando que o
Dosvox foi desenvolvido pelo Núcleo de computação eletrônica da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ), e é destinado a auxiliar os deficientes visuais a usar o computador,

758

�executando tarefas como edição de textos (com impressão comum ou Braille), leitura/audição
de textos anteriormente transcritos, utilização de ferramentas de produtividade faladas
(calculadora, agenda, etc).
No sentido de atender ao usuário portador de deficiência visual, Sousa et al. (2012)
elegem dois elementos importantes. O primeiro é que a biblioteca deve digitalizar as obras
indicadas pelos alunos, de modo que os livros ou artigos fiquem disponibilizados em formato
acessível para leitura com programa leitores de tela. O outro é que devem ser levados em
consideração na política de desenvolvimento de coleções, fatores como: a aquisição de livros
eletrônicos, criação de coleções para bibliotecas digitais, repositórios institucionais,
periódicos eletrônicos, digitalização de coleções especiais.
Seguindo tal importância, as obras em braile como parte da política de
desenvolvimento de coleções das bibliotecas devem ser priorizadas, não só pela sua própria
importância, mas como forma de fixar um pensamento estratégico de acessibilidade dentro
dos profissionais que laboram em bibliotecas e unidades de informação.
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (p.88): “A seção 8.7.5 da NBR
9050 recomenda que as bibliotecas possuam publicações em braile, ou outros recursos
audiovisuais” . Além do que a Portaria MEC 3.284/2003, para instruir os processos de
autorização e de reconhecimento de cursos, estabelece que:

II - no que concerne a alunos portadores de deficiência visual, compromisso
formal da instituição, no caso de vir a ser solicitada e até que o aluno
conclua o curso: a) de manter sala de apoio equipada como máquina de
datilografia braile, impressora braile acoplada ao computador, sistema de
síntese de voz, gravador e fotocopiadora que amplie textos, software de
ampliação de tela, equipamento para ampliação de textos para atendimento a
aluno com visão subnormal, lupas, réguas de leitura, scanner acoplado a
computador; b) de adotar um plano de aquisição gradual de acervo
bibliográfico em Braille e de fitas sonoras para uso didático. (SILVA, 2012,
p.6).
O autor prossegue trazendo possíveis saídas para bibliotecas que se deparem com
problemas de restrição orçamentária em relação a tornar seus acervos em braile.

Ainda tendo em vista a experiência da UNICAMP e em união com a equipe
multidisciplinar, o próximo passo será preparar um projeto para apresentação
aos órgãos de fomento, buscando por editais nos quais ele se encaixe. Esse
projeto, inicialmente, será para obter financiamento para a construção de um
laboratório de acessibilidade equipado com impressoras Braille,
computadores com ampliadores de tela e leitores de voz e outros
equipamentos afins. (SILVA, 2012, p.9)

759

�Isso traduz a importância de desenvolver e formar a coleção das bibliotecas através
de um acervo básico com livros em braile, livros falados e áudio livros. Nesse sentido, Sousa
et al. (2012) trazem a experiência da Universidade Federal do Ceará, com o seu plano de
políticas de inclusão das pessoas com deficiência, elaborado pela Secretária da UFC, que
conta com o desenvolvimento de acervo de caráter científico, em formato acessível para
pessoas com deficiência visual.
A importância da temática de obras em braile traz também a importância para os

materiais audiovisuais. Tais materiais também devem fazer parte da política de
desenvolvimento de coleções das bibliotecas e auxiliam, de igual modo, a formar um
pensamento estratégico de acessibilidade dentro dos profissionais da informação.

Escaner para leitura de livros e publicações em geral, com emissão imediata
de voz e possibilidade de gravação em áudio ou em diferentes formatos.
Dispõe de OCR (sigla em inglês para reconhecimento de caractere óptico) e
quando acoplado ao computador, permite também a ampliação das fontes do
texto escaneado. Ideal para pessoas cegas, idosas, disléxicas e até iletradas,
que poderão ouvir textos emitidos por voz agradável, com controle de
velocidade e recursos como a soletração das palavras, ou ainda daquelas com
baixa visão, que poderão ampliar os caracteres na tela do computador.
(COSTA et al, 2012, p.5)
Os autores prosseguem trazendo mais soluções nesse sentido, como: Software leitor
de tela para computador, que permite a audição de todos os textos contidos em formato digital
incluindo Internet, arquivos de texto e planilhas, desde que não tenham sido gravados em
formatos fotográficos; e Ampliador de Imagem, dispondo de diversos recursos para que uma
pessoa com baixa visão possa ler os textos.
Além da problemática voltada para o desenvolvimento de coleções, há que se dar
atenção para as questões arquitetônicas, como a existência de rampas de acesso no
estacionamento da Unidade de Ensino na qual a biblioteca funciona. Nesse sentido, Santos et
al. (2012), sinalizaram que no estacionamento da Faculdade de Letras da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, apesar de existir uma rampa de acesso à faculdade, ela não passa
pelo estacionamento.
Há que se dar atenção também, dentro das questões arquitetônicas, para a existência
de rampas de acesso à biblioteca . Pois, pensando logicamente, as rampas de acesso
(estacionamento, biblioteca, andares) se complementam, dando visibilidade e credibilidade ao
trabalho com a informação junto aos usuários quando possibilitam o acesso destes às
bibliotecas.

760

�A existência de elevadores ou plataformas de acesso à biblioteca está no âmbito do
conceito de acessibilidade, na medida em que a sua inexistência dificulta o atendimento às
necessidades do usuário, principalmente o usuário PCD (Pessoa Com Deficiência). Por
exemplo, “A UERJ oferece mais condições de acessibilidade a pessoas com deficiência física
por que [...] oferece elevadores em permanente funcionamento” . (SILVA, 2012, p.8).
Nesse sentido, Sígolo et al. (2012), sinalizam que uma das bibliotecas da
Universidade de São Paulo (USP) contava apenas com elevadores para o transporte do
deficiente aos outros pisos, porém devido a falta de planejamento do posicionalmente do
acervo, uma vez chegando lá, o cadeirante não tinha espaço suficiente para se locomover
livremente entre os corredores de estantes. O que alerta para o fato de que a existência desses
equipamentos não é condição suficiente para garantir a acessibilidade, devendo ser
contemplado dentro de uma visão de totalidade com outras ações complementares.
A existência de telefone público para surdos na biblioteca integra o conceito de
acessibilidade e a sua existência é percebida pelo cliente da informação como um diferencial
no atendimento às necessidades do usuário PCD (Pessoa Com Deficiência), contribuindo para
elevar o valor agregado da biblioteca. E isso é sinalizado por Santos et al. (2012), ao
indicarem em sua pesquisa elementos como telefone público para surdos.
Outro elemento cuja existência é percebida pelo cliente da informação como um
diferencial no atendimento às necessidades de usuário PCD (Pessoa Com Deficiência) é a
existência de adaptação de portas dos banheiros para cadeiras de rodas na biblioteca. E
isso é trazido por Santos et al. (2012), ao citarem a importância da “adaptação de portas dos
banheiros para cadeiras de rodas” . (p.2).
Tal problemática foi sinalizada por Sígolo et al. (2012), em sua pesquisa ocorrida em
uma das biblioteca da Universidade de São Paulo - USP. Onde, a biblioteca contava apenas
com banheiros adaptados e com elevadores para o transporte do deficiente aos outros pisos,
porém devido à falta de planejamento os cadeirantes encontravam diversas dificuldades, como
por exemplo, o uso dos banheiros.
O autor prossegue trazendo possíveis saídas para bibliotecas que se deparem com
problemas de adaptação de banheiros, mesmo que de maneira indireta, quando sinaliza que
através da adaptação da planta baixa desenvolvida pelo COCESP/USP (Coordenadoria do
Campus da Capital), baseando-se na ABNT/NBR 9050/2004 e no mapeamento do acervo,
chegou-se aos seguintes resultados: corredores para as portas de emergências, planejamento e
organização do espaço; melhor planejamento e adequação dos espaços de estudos.

761

�A existência de sinalizações que atendam às pessoas portadoras de deficiência

visual na biblioteca é outro elemento que integra o conceito de acessibilidade e a sua
inexistência dificulta o acesso do cliente da informação ao atendimento às suas necessidades,
contribuindo para uma desvalorização da biblioteca. E isso é sinalizado por Santos et al.
(2012), ao indicar em sua pesquisa que uma biblioteca da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) não atende aos princípios de sinalização e informação, pois “A sinalização e
informações com os produtos/serviços da BFL não atendem aos requisitos para pessoas
portadoras de deficiência visual.” (SANTOS et al.,2012, p.2).
Outra sinalização de extrema importância para demonstrar que a biblioteca é um
espaço de integração com a comunidade e com a sociedade é a existência de sinalizações com

informações de produtos/serviços, destinadas às pessoas portadoras de deficiência visual.
Isso também fica inteligível na pesquisa de Santos et al. (2012), mesmo que não diretamente
vinculado à sinalização de produtos e serviços.
A iluminação insuficiente em uma biblioteca passa a impressão de que esta não se
constitui em um espaço de integração com a comunidade e com a sociedade, tampouco que ali
existe alguma preocupação com os usuários PCD e sequer com os usuários em geral. Nesse
sentido, Santos et al. (2012), indicam em sua pesquisa em uma biblioteca da Universidade
Federal do Rio de Janeiro - UFRJ o não atendimento aos princípios de estrutura física da
biblioteca, pois as “condições de acessibilidade oferecidas pela BJA [...] não atendem aos
princípios de [...] iluminação.” (p.2).
A existência de estrutura física adequada para pessoas portadoras de deficiência
condiz com a própria missão da biblioteca, praticamente com a sua razão de existir,
principalmente, se for levado em consideração o fato de que a sua inexistência priva o acesso
de alunos portadores de deficiência à biblioteca.
Segundo Lemos e Cutrim (2012), com o crescimento no número de alunos com
deficiência matriculados e o de servidores, percebe-se que tornar a biblioteca acessível condiz
com a sua missão intrínseca. Assim, ações de planejamento devem estar presentes, e envolver
aspectos estruturais e funcionais, incluindo o treinamento de servidores para o atendimento de
pessoas com deficiência, bem como a aquisição de equipamentos e estruturas que atendam a
todo membro da sociedade que tem necessidade de informação.
A importância da adequação do espaço físico acessível, na Biblioteca
Florestan Fernandes, que permitiu aos deficientes físicos se locomover em
segurança e com autonomia, possibilitou também uma melhor organização e
planejamento de seu acervo, que antes sofria, não apenas com a falta de
acessibilidade, mas também com a falta de espaço e planejamento para o
crescimento de seu acervo. (SIGOLO et al., 2012, p.2)

762

�A existência de barreiras que dificultam a circulação também condiz com a
própria missão da biblioteca, com a sua razão de existir, e isso é outro fato dificultador que
priva o acesso de alunos portadores de deficiência à biblioteca.

O inciso II do artigo 2° do decreto 5.296/2004 descreve barreiras como
qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de
movimento, a circulação com segurança e a possibilidade de as pessoas se
comunicarem ou terem acesso à informação. (SILVA, 2012 , p.5).
Nesse sentido, Souza et al. (2012) dizem que para que o Sistema de Biblioteca da
Universidade Federal do Ceará possa atender às exigências do MEC é necessário: capacitação
profissional, desenvolvimento de acervo acessível, eliminação de barreiras arquitetônicas, e
elaboração de serviços e produtos.
A falta de corrimão na biblioteca se inclui no rol de dificultadores para o pleno
acesso dos alunos portadores de deficiência à biblioteca. A questão de corrimão encontra
importância em Silva (2012, p.8), ao sinalizar a “Instalação de corrimãos nas rampas de
acesso aos andares”, e em Santos et al. (2012, p.2), ao sinalizar como problema na estrutura
física da biblioteca a existência de “Barreiras que dificultam a circulação e falta de corrimão” .
A sinalização no piso da biblioteca é um dos elementos que integram o conceito de
acessibilidade e a sua inexistência, ou existência precária, dificulta o acesso do cliente da
informação ao atendimento às suas necessidades, promovendo um processo de exclusão do
usuário PCD e contribuindo para uma desvalorização da biblioteca.

Instalação de piso tátil direcional e de alerta nos corredores e na parte
externa que conduz até as entradas da Universidade, abarcando: calçadas,
pontos de ônibus, saída das estações do metrô e do trem. O Decreto
5.296/2004 prevê, no seu Artigo 26, que nas edificações de uso público ou
de uso coletivo, é obrigatória a existência de sinalização visual e tátil para
orientação de pessoas portadoras de deficiência auditiva e visual, em
conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT. (SILVA,
2012, p.5)
A inadequação da distância entre as estantes para pessoas portadoras de deficiência
por parte da biblioteca se constitui em um duplo problema. Primeiro, porque tal inadequação,
ou adequação parcial, dificulta o acesso do cliente da informação ao atendimento às suas
necessidades, principalmente o usuário cadeirante; segundo, porque se inclui no rol de
dificultadores para o pleno acesso e circulação dos alunos portadores de deficiência à
biblioteca.

763

�Isso é reforçado por Silva (2012, p.8), em sua pesquisa, quando sinaliza duas
necessidades, entre outras, para as bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ. A primeira, que é necessário a “Padronização das portas em tamanho que permita
passagem de cadeiras de rodas (0,80 m de vão livre e altura mínima de 2,10 m) e com outras
especificações definidas na seção 6.9.2 da NBR 9050”; e a segunda, que é necessário
“Padronizar a distância entre as estantes de livros em, no mínimo, 0,90 m de largura. E, nos
corredores entre as estantes, a cada 15 m, destinar um espaço que permita a manobra de
cadeira de rodas” .
A Biblioteca Florestan Fernandes conta com cinco usuários reais
cadeirantes. Para realizar a adequação do acervo, utilizou-se como base
plantas baixas desenvolvidas pela arquiteta da Coordenadoria do Campus da
Capital (COCESP), USP, a Norma ABNT NBR 9050/2004 e um
mapeamento detalhado da quantidade de prateleiras ocupadas pelo acervo de
livros e teses. Sete funcionários da biblioteca se reuniram durantes dois
meses para adequar as plantas originais, [...] a fim de permitir o crescimento
do acervo, melhor distribuição dos espaços de estudos, criação de corredores
para as portas de emergência, posicionamento de estantes com diferentes
medidas e também para planejar todo o processo de transferências dos
materiais. Para realizar o projeto de adequação, conseguiu-se verbas através
da parceria com Fundação de Amparo á Pesquisa do estado de São Paulo
(FAPESP) e da própria Faculdade. ( s ÍGOLO et al., 2012, p.2).
Acrescendo a questão da distância entre as estantes, tem-se a relevância para os

corredores entre estantes permitirem o giro de 180° para o cadeirante na biblioteca. Mais
uma vez, isso se constitui em ponto central para o acesso do cliente da informação ao
atendimento às suas necessidades, principalmente o usuário cadeirante, e para o pleno acesso
dos alunos portadores de deficiência à biblioteca.

Constatou-se, nesse estudo, que a biblioteca pesquisada necessita
reestruturar seu espaço físico, a fim de proporcionar a acessibilidade de
usuários que fazem uso de cadeiras de rodas (cadeirantes), visto que a
biblioteca não atende as especificações dos padrões de qualidade
estabelecidos pela NBR 9050/2004. Observou-se que a distância entre as
mesas na sala de estudos coletivos, não possibilita a circulação dos
cadeirantes entre elas, visto que as estantes do acervo estão distribuídas
inadequadamente impossibilitando a circulação de pessoas nesse ambiente.
(COUTINHO; SILVA, 2012, p.2)
Além disso, para promover o atendimento satisfatório aos usuários portadores de
deficiência física, as mesas de leitura da biblioteca devem ser adequadas quanto à altura e
profundidade. Nesse sentido, Silva (2012) faz referência à seção 9.3 da NBR 9050, que
determina que as mesas tenham altura livre inferior de no mínimo 0,73 m do piso, com

764

�módulo de referência para a aproximação frontal até no máximo 0,50 m, faixa livre de
circulação e área de manobra para o acesso às mesas de 0,90 m. A altura do piso deve estar
entre 0,75 m e 0,85 m.
Acrescido à altura e profundidade, deve-se considerar também a quantidade

suficiente das mesas para atender aos usuários deficientes, tornando o ambiente da biblioteca
bem equipado e acolhedor para o usuário que busca informação e conhecimento. De acordo
com Silva (2012), a reserva de assentos, segundo a NBR 9050, indica um percentual de ao
menos 5%, recomendando também que outros 10% sejam adaptáveis para acessibilidade.

2.2 CAPACITAÇÃO CONSTANTE E COLEÇÕES ADEQUADAS
A problemática da capacitação constante dos bibliotecários para atendimento aos

usuários portadores de necessidades especiais deve ser encarada como uma das essências
da própria atividade bibliotecária, pois tem relação direta com a razão de ser do profissional
bibliotecário e, porque não dizer, com a razão de existir das bibliotecas. Figueiredo (2012),
afirma que se deve capacitar constantemente os bibliotecários para atendimento aos usuários.
Souza et al. (2012) alertam para os aspectos relativos aos estudantes com deficiência,
pois, dependendo da deficiência e das características de cada estudante, os apoios específicos
podem implicar a disposição de recursos humanos, tais como: intérprete de língua de sinais,
ledores, tecnologia assistiva etc.

os profissionais do setor, não foram devidamente capacitados para o
atendimento de usuários com deficiência, em geral um bolsista do setor faz o
atendimento das demandas. Com o crescimento no número de alunos com
deficiência matriculados, [...] ações de planejamento devem estar presentes,
incluindo o treinamento de servidores para o atendimento de pessoas com
deficiência. (LEMOS ; CUTRIM, 2012, p.2-3).
A biblioteca também

deve ter,

dentro da sua política de treinamento

e

desenvolvimento de pessoal, a capacitação dos auxiliares para atendimento aos usuários

portadores de necessidades especiais. Inclusive, segundo Silva (2012), para propiciar ao
usuário, sempre que necessário, intérprete de língua de sinais/língua portuguesa. Bem como,
segundo Santos et al. (2012), para preparar os bibliotecários e demais funcionários da
biblioteca para receber pessoas com características diversas da melhor forma possível,
oferecendo um atendimento cidadão e que respeite a diversidade.
O desenvolvimento e formação de coleções espelha a política de desenvolvimento e
formação de coleções dentro da biblioteconomia. Esta deve incluir acervo que contemple a

765

�ótica da acessibilidade, tendo um acervo básico com livros em braile, livros falados e áudio
livros. E isso é sinalizado por Figueiredo (2012), ao indicar a importância de se desenvolver e
formar a coleção das bibliotecas através de um acervo básico com livros em Braille, livros
falados e áudio livros.
Segundo Silva (2012), a construção de um espaço com mais acessibilidade depende
também de uma mudança de atitude. Não basta promover os elementos de melhoramento
físico ou arquitetônico, tais como instalar rampas para as pessoas com deficiência física ou
piso tátil para as pessoas com deficiência visual.
Há que se promover uma mudança de atitude e de consciência da comunidade
universitária (incluindo discentes, docentes e técnica-administrativa) para com a pessoa
portadora de deficiência (PPD), conhecendo-o, compreendendo e aceitando as suas
singularidades, buscando oferecer-lhe produtos e serviços que o auxilia na sua vida
acadêmica, facilitando-lhe o acesso ao conhecimento e a informação.

3 Materiais e Métodos

O método utilizado foi o estudo de caso realizado no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal da Bahia (SIBI/UFBA), que totaliza 22 bibliotecas. O universo da
pesquisa representa todos os servidores que ali laboram e a amostra foi constituída por 10
servidores, em 10 dessas bibliotecas, que assumem o cargo de bibliotecário-chefe.
O

instrumento

de

coleta

de

dados

foi

um

questionário

contendo

afirmativas/perguntas que visaram atingir os objetivos específicos e consequentemente
analisar o atendimento ao usuário pessoa com deficiência (PCD) nas bibliotecas do
SIBI/UFBA. A coleta de dados, que se deu com a aplicação dos questionários junto aos
bibliotecários-chefe, foi realizada conforme o quadro abaixo.

DATA DA APLICAÇÃO
QUANTIDADE DE QUESTIONARIOS
14/11/2012
2
19/11/2012
2
20/11/2012
3
18/03/2013
1
21/03/2013
2
TOTAL
10
Quadro 1 - Roteiro da aplicação dos questionários.

766

�O tratamento dos dados foi feito utilizando o programa Excel, contando-se o escore
bruto ou total de respostas, por afirmativa/pergunta. Em seguida, os dados foram convertidos
em percentual, utilizando-se a formula ‘TR/TE’ (onde TR é igual ao total de respostas e TE é
igual ao total de respondentes), e alocados numa distribuição de frequências simples para a
sua análise.

4 Resultados Parciais/Finais

Tabela 1 - Distribuição percentual do atendimento ao usuário
PCD.
Não
tenho
Discordo Discordo
opinião
AFIRMATIVAS
totalmente parcialmente formada/Não
sei
20%
0%
Os
balcões
de 30%
circulação da minha
biblioteca
possibilitam
o
atendimento
ao
usuário deficiente.
20%
0%
Os terminais de 30%
consulta da minha
biblioteca
são
acessíveis à pessoa
com
deficiência
motora (cadeirante).
0%
10%
Os terminais de 90%
consulta da minha
biblioteca possuem
programas
específicos para o
seu
uso
por
deficientes visuais.
0%
0%
A minha biblioteca 60%
possui obras em
braile.
20%
0%
A minha biblioteca 60%
possui
materiais
audiovisuais
para
atendimento
ao
usuário deficiente.
0%
0%
Existem rampas de 30%
acesso
no
estacionamento da
minha Unidade de
ensino.
0%
0%
Existem rampas de 10%
acesso à minha
biblioteca.

Pessoa Com Deficiência -

Concordo
Concordo
Total
parcialmente totalmente
40%

10%

20%

20%

10

90%

0%

0%

100%

20%

20%
100%

0%

20%
100%

0%

70%
100%

0%

60%
70%

767

�Existem elevadores
ou plataformas de
acesso à minha
biblioteca.
Existe
telefone
público para surdos
na minha biblioteca.
Existe adaptação de
portas dos banheiros
para cadeiras de
roda
na
minha
biblioteca.
Na minha biblioteca
existem sinalizações
que atendam às
pessoas portadoras
de
deficiência
visual.
Na minha biblioteca
existem sinalizações
com informações de
produtos/serviços,
destinadas
às
pessoas portadoras
de
deficiência
visual.
A iluminação da
minha biblioteca é
suficiente. (pergunta
invertida)
A minha biblioteca
possui
estrutura
física adequada para
pessoas portadoras
de deficiência.
Na minha biblioteca
existem
barreiras
que dificultam a
circulação.
Há corrimão na
minha
biblioteca.
(pergunta invertida)
Minha
biblioteca
possui sinalização
no piso.
Na minha biblioteca
a distância entre as
estantes é adequada
para
pessoas
portadoras
de
deficiência.
Na minha biblioteca
os corredores entre
estantes permitem

30%

0%

0%

0%

60%
90%

100%

0%

0%

0%

0%
100%

30%

10%

0%

0%

60%
100%

100%

0%

0%

0%

0%
100%

100%

0%

0%

0%

0%

100%

50%

20%

0%

20%

0%
90%

40%

10%

0%

30%

0%
80%

40%

10%

0%

30%

20%
100%

20%

0%

0%

0%

30%
50%

80%

0%

0%

0%

10%
90%

40%

0%

0%

0%

40%
80%

50%

0%

10%

10%

20%
90%

768

�giro de 180° para o
cadeirante.
As mesas de leitura 50%
da minha biblioteca
são
adequadas
quanto à altura e
profundidade para
atender aos usuários
deficientes.
Na minha biblioteca 60%
existem mesas de
leitura
em
quantidade
suficiente
para
atender aos usuários
deficientes.
TOTAL
52%

0%

0%

30%

20%

100%

0%

0%

20%

10%

90%

5%

1%

10%

22%

91%

Dos 10 bibliotecários-chefe entrevistados, 30% discordam totalmente quanto aos
balcões de circulação de sua biblioteca possibilitar o atendimento ao usuário deficiente, e
quanto aos terminais de consulta das suas respectivas bibliotecas serem acessíveis à pessoa
com deficiência motora (cadeirante). Ao passo que 6 bibliotecas reúnem condições parciais
referentes aos balcões de circulação e 4 delas referentes a acessibilidade dos terminais de
consulta.
Dos respondentes, 90% informaram que os terminais de consulta instalados nas suas
bibliotecas não possuem programas específicos para uso de pessoas portadoras de deficiência
visual. Se for adicionado a isso os 10% que não opinaram, alcança-se 100% das bibliotecas
entrevistadas sem condições de acessibilidade aos terminais por parte do usuário deficiente
visual.
De acordo com o informado pelos bibliotecários-chefe, 60% das 10 bibliotecas
entrevistadas não possuem obras em braile, nem materiais audiovisuais. No entanto, outras 4
bibliotecas afirmaram possuir obras em braile, 2 delas possuem algum material audiovisual
para atendimento ao usuário deficiente e outras 2 possuem um material audiovisual completo.
No que diz respeito às barreiras arquitetônicas, 30% dos entrevistados confirmaram
a inexistência de rampas de acesso nos estacionamentos das Unidades de Ensino onde as
bibliotecas funcionam. Na pesquisa, também se constatou a inexistência de rampas em uma
biblioteca. Por outro lado, existem rampas de acesso em 6 bibliotecas das 10 entrevistadas e
em 7 delas existe rampas de acesso ao estacionamento.

769

�Referente à existência de elevadores ou plataformas de acesso, 3 bibliotecas
afirmaram que não possuem, enquanto 6 afirmaram que possuem. Além disso, em 100% delas
não existe telefone público que atenda a demanda dos surdos.
Dos bibliotecários-chefe entrevistados, 60% afirmaram que suas bibliotecas possuem
banheiros adaptados para os cadeirantes. Em contrapartida, 3 informaram que não possuem tal
adaptação para o cadeirante. Além disso, em 100% delas não existem sinalizações que
atendam às pessoas portadoras de deficiência visual, nem sinalizações com informações de
produtos/serviços destinados a estes deficientes; 80% não possuem sinalização no piso.
Quanto a iluminação das bibliotecas ser suficiente, 50% delas discordam totalmente,
o que significa que 5 bibliotecas não possuem iluminação suficiente para os usuários
portadores de deficiência. Em acréscimo, 40% delas possuem iluminação em condição
inadequada.
A informação dada pelos bibliotecários sobre a existência de estrutura física
adequada nas bibliotecas para pessoas portadoras de deficiência indica que 40% das
bibliotecas possuem tal estrutura e que 40% delas possuem uma estrutura inadequada. Sobre a
existência de barreiras que dificultam a circulação de cadeirantes nas bibliotecas, 40% dos
respondentes discordam totalmente que essas existam; 10% discordam parcialmente,
enquanto 50% confirmam a existência de barreiras que dificultam a circulação.
Em relação à afirmativa de que há corrimão nas bibliotecas, 20% dos entrevistados
discordam da existência destes. Ao passo que 30% concordam haver corrimão nas suas
respectivas bibliotecas. Quanto a distância entre as estantes das bibliotecas ser adequada para
atender aos portadores de deficiências, 40% dos bibliotecários-chefe informaram que a
distância não é adequada em sua biblioteca, em detrimento de outros 40% que confirmaram
ser adequada. Entre esses respondentes, 50% também informaram que a distância entre as
estantes não permite um giro de 180° feito pela cadeira de rodas, enquanto 30% responderam
que os corredores entre estantes permitem o giro de 180° da cadeira de rodas.
Sobre as mesas de leitura para atender os deficientes nas bibliotecas, 50% dos
bibliotecários discordam que a altura e a profundidade atendem aos padrões ideais para
deficientes físicos. Enquanto 50% concordam que estas atendam a demanda dos deficientes.
Sobre a quantidade de mesas da biblioteca, 60% dos bibliotecários discordam que seja
suficiente e 30% concordam.

770

�Tabela 2 - Distribuição percentual referente a capacitação
SIBI/UFBA para o atendimento à PCD.
Não
tenho
opinião
Discordo Discordo
AFIRMATIVAS
totalmente parcialmente formada/Não
sei
Na minha biblioteca
existe capacitação
de
bibliotecários
para
atendimento
90%
0%
10%
aos
usuários
portadores
de
necessidades
especiais.
Na minha biblioteca
existe capacitação
dos auxiliares para
0%
0%
atendimento
aos 100%
usuários portadores
de
necessidades
especiais.
TOTAL
95%
0%
5%

dos recursos humanos do

Concordo
Concordo
Total
parcialmente totalmente

0%

0%

100%

0%

0%

100%

0%

0%

100%

No tocante ao item capacitação de recursos humanos do Sistema de Bibliotecas da
UFBA, para atendimento às pessoas portadores de deficiência, 90% dos respondentes
discordam totalmente quanto a existência de capacitação dos bibliotecários para atendimento
a este tipo de usuário. Confirmando tal tendência, 100% dos bibliotecários-chefe concordam
que não existe nenhuma capacitação de auxiliares para atendimento aos usuários portadores
de necessidades especiais.
Tabela 3 - Distribuição percentual do Desenvolvimento e Formação de Coleções para o
PPD.
Não
tenho
opinião
Discordo Discordo
Concordo
Concordo
AFIRMATIVAS
Total
totalmente parcialmente formada/Não parcialmente totalmente
sei
O desenvolvimento
e
formação
de
coleções da minha
biblioteca inclui um
70%
0%
0%
20%
10%
100%
acervo básico com
livros em Braile,
livros falados e
audiolivros.
TOTAL
70%
0%
0%
20%
10%
100%

771

�Dentre as 10 bibliotecas pesquisadas, 7 delas discordam

que haja política de

desenvolvimento e formação de coleções de um acervo básico com livros em braile, livros
falados e audiolivros em seu acervo. Sendo que apenas 3 (três) delas, afirmaram possuir
algumas obras destinadas ao usuário portador de deficiência visual tais como livros em braile
ou material audiovisual.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Sabendo-se que os ambientes universitários estão associados à produção e
disseminação do conhecimento, destacando-se a informação como um dos elementos
relevantes nesse processo, ter acesso à informação é parte indissociável da educação, do
trabalho e do lazer e é natural que as pessoas portadoras de deficiências estejam inclusas ai,
usufruindo, por lei, os direitos concedidos a todos os cidadãos brasileiros.
Conclui-se, portanto, que as bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal da Bahia pesquisadas, prestam um atendimento precário ao usuário Pessoa Com
Deficiência (PCD), pois 57% dos respondentes discordam quanto à plena acessibilidade do
usuário PCD.
Conclui-se, também, que as bibliotecas pesquisadas, não atendem aos requisitos de
capacitação constante de seus quadros (95% de discordantes), bem como não atendem aos
requisitos de coleções adequadas para propiciar acessibilidade ao usuário pessoa com
deficiência (PCD) (70% de discordantes).

6 REFERÊNCIAS

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pessoas portadoras de deficiência e edificações, espaço, mobiliário e equipamento urbano. Rio
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774

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Sacramento, Roméria Carneiro de Campos, Lion, Samir Elias Kalil, Gomes, Henriette Ferreira 
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                <text>Analisa o atendimento ao usuário Pessoa Com Deficiência (PCD) nas bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia – SIBI/UFBA. Trata-se de um estudo de caso com questionários como instrumento de coleta de dados, aplicados a uma amostra constituída por 10 servidores, em 10 das 22 bibliotecas do SIBI/UFBA, que assumem o cargo de bibliotecário-chefe. Conclui que as bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia pesquisadas prestam um atendimento precário ao usuário Pessoa com Deficiência.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

UNIDADES DE INFORMAÇÃO COMO SISTEMAS ABERTOS: EXEMPLO DE
UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

Karina Batista Sales
Adriana Silva

RESUMO
Este artigo tem a finalidade de apresentar o funcionamento das unidades de informação como
um sistema aberto, com foco em bibliotecas universitárias. Baseia-se no sistema aberto pelo
fato de absorver todas as mudanças ocorridas dentro da sociedade da informação, tecnológica
e do conhecimento. A fundamentação teórica aborda a Teoria geral dos sistemas, sistemas
abertos, unidades de informação e bibliotecas universitárias. A biblioteca universitária
caracteriza-se como um sistema aberto, e diante desse fato, sua estrutura e funcionamento
podem mudar. Faz-se necessário a adaptação nesse contexto.
Palavras-Chave: Teoria Geral dos sistemas; Sistemas abertos; Biblioteca universitária.

ABSTRACT
This article aims to present the functioning of the information units as an open system, with a
focus on academic libraries. It is based on open system because absorb all changes in the
information, technology and knowledge society. The theoretical approaches to general
systems theory, open systems, information units and university libraries. The university
library is characterized as an open system, and in view of this fact, its structure, functioning
may change. It is necessary to adapt this context.
Keywords: General systems theory; Open systems; University library.

1 INTRODUÇÃO
Este artigo foi escrito com o propósito de apresentar ao leitor a importância de uma
unidade de informação como um sistema aberto. Isto porque, no mundo tecnológico atual
outras formas de pesquisas estão sendo inseridas e administradas, baseada na realidade da
sociedade em constantes mudanças e com muitas interações. No presente caso, ao se referir
em serviços prestados pelas bibliotecas universitárias faz-se necessário sua adequação, a fim
de que seja fácil realizar a sua administração com o olhar no todo.

1629

�Muniz e Faria (2001) entendem que a teoria de sistemas permite a explicação de um
todo, afirmando que determinados sistemas não podem ser entendidos pela investigação
separada e disciplinar de cada uma de suas partes, assim a biblioteca universitária deve ser
vista, um sistema que não pode ser desmembrado em partes, como somente olhar o seu
serviço de referência ou às tecnologias a serem utilizadas, mas a integração de todos os
recursos para o sistema funcionar corretamente.
As empresas atuais têm a necessidade de desenvolver, implantar e gerir toda a sua
estrutura organizacional a ponto de dar suporte nos processos que as compõem. Esse
seguimento é composto por recursos computacional, humano e organizacional, agindo de
forma integrada, com o

objetivo de dar suportes aos trabalhos desenvolvidos dentro de um

sistema organizacional. Desta forma, espera-se alcançar as perspectivas de sucesso da
pesquisa, passando informações proveitosas aos leitores a ponto de incrementar os estudos
acerca do tema. O artigo apresenta o conceito de Teoria Geral de Sistema, acompanhado de
suas características e seus propósitos, a classificação de sistemas abertos e fechados e as
unidades de informações como sistema aberto com foco em bibliotecas universitárias,
propósito dessa pesquisa.

2 TEORIA GERAL DOS SISTEMAS
O conceito da Teoria Geral de Sistemas, foi introduzido por Ludwig Von Bertalanffly,
partindo da premissa que a ciência possui problemas similares e também soluções similares
para suas respostas, a teoria teve como finalidade inicial dar ao tema um sentido universal,
assim descreveu Bertalanffly (2012, p.13):
(...) é aqui usado em sentido amplo, semelhante ao nosso modo de falar em
“teoria da evolução”, que abrange quase tudo, desde a escavação de fósseis,
anatomia e a teoria da matemática da seleção. (...) Uma teoria do
comportamento, que vai desde a observação de pássaros até as sofisticadas
teorias neurofisiológicas.
Diante dessa premissa, Alves (2012, p.160) dispõe:
(...) Desta forma, postulamos uma nova disciplina chamada de Teoria Geral
de Sistemas. Seu principal objetivo é a formulação e derivação dos
princípios que são válidos para “sistemas” em geral, ainda destaca que a
Teoria Geral de Sistemas estuda o sistema, suas respectivas estruturas, a
fronteira e o seu acoplamento.
Na Teoria Geral dos Sistemas, Vasconcelos (2002), entende que o comportamento do
todo é mais complexo do que a soma dos comportamentos das partes. Com isso, tem-se que
os acontecimentos implicam mais do que unicamente das decisões e ações individuais. As

1630

�unidades individuais ou membros do sistema existem em relações e o sistema impõe coerções
sobre o comportamento das partes.
A partir dessa concepção, tem-se que a Teoria Geral dos Sistemas teve uma ampla
aplicação no âmbito das organizações empresariais. Muniz e Faria (2001), argumentam que
uma organização depende do objetivo e quem tem o objetivo é a organização como um todo.

2.1 Características dos sistemas e seus propósitos
Segundo Alves (2012) as características dos sistemas se dividem em: Sistemas,
Fronteira, Ambiente e Observador. Sobre sistemas, o autor refere-se ao modo de como vê o
observador. A sua conclusão de baseia no conhecimento que ele terá daquele sistema.
O exemplo clássico citado por ele é a do bebê que apresenta febre. Embora o
organismo da criança possa ser acessado por uma infinidade de variáveis, como o modo de
examinar, de medicar, de cuidar, esta penderá da análise do seu observador. Assim, a decisão
adotada pela mãe não será a mesma de um profissional qualificado, com maior conhecimento
de causa.
Deste modo, percebe-se que para uma mesma situação é possível existir mais de um
sistema, dependendo apenas neste caso, do escopo de quem os constrói mentalmente.
Já a Fronteira, citando o caso acima, diz respeito a pele do bebê, a fronteira está
estabelecida entre o sistema e seu ambiente não importando qual seja o caso, visto que o
sistema encontra-se acoplado em um ambiente. Ambiente é onde está inserido o sistema. Já o
observador, é o agente que idealiza este sistema e o seu ambiente, realizando uma
identificação com a fronteira estabelecida entre os dois.

2.2 Sistemas: Abertos e Fechados
Os sistemas se classificam em abertos e fechados. Nos sistemas fechados, a energia
acessível para a efetivação do trabalho tende a decrescer, ou seja, leva o sistema a um estado
de equilíbrio final. Pode-se dizer que, nesse caso, não realizam troca com o meio ambiente,
tão pouco recebe influência do mesmo. Além do mais, não produzem nada que seja enviado
para o mundo externo.
O sistema aberto é o inverso. Bertalanffly (2012, p. 30) define sistemas abertos da
seguinte forma:
O sistema aberto define-se como um sistema em troca de matéria com seu
ambiente, apresentando importação e exportação, construção e demolição
dos materiais que compõem.

1631

�Nos sistemas abertos, existem interação com o ambiente, ou seja, ocorrem por meio de
entradas e saídas. Neste sistema, há troca de matérias, energias por meio do ambiente.
Também são adaptáveis, pois para manterem-se vivos dependem de ajustes na condição do
meio.
As organizações de sistemas abertos encontram-se inter-relacionadas entre diversas
variáveis internas e externas, afetando seu comportamento.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Este trabalho se caracteriza como resultado de pesquisa, na qual foi feito um
levantamento documental acerca da teoria geral dos sistemas e sistemas abertos. Após a
leitura dos documentos, procurou-se a relação entre as teorias as bibliotecas, especialmente a
biblioteca universitária. Finda esta etapa, propôs-se as relações e, ao final, apresentou-se as
considerações acerca das bibliotecas universitárias como sistemas abertos.

4 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COMO SISTEMAS ABERTOS
Uma unidade de informação é definida como um sistema, pois tem por objetivo a
transmissão de informação em qualquer formato e meio e para isso possui uma estrutura
definida com elementos inter-relacionados trabalhando mutuamente para atingirem o objetivo
proposto.
A unidade de informação deve ser considerada como um sistema aberto por absorver
as mudanças ocorridas na sociedade da informação e do conhecimento e pelas contribuições
que faz ao ambiente que está inserida, respondendo aos anseios informacionais da
comunidade que serve, suprindo-as da carência informacional. Observa-se a figura que
apresenta a unidade de informação como sistema aberto, sofrendo influências do ambiente.
Figura 1:

As Unidades de Informação como sistemas abertos em um meio
AMB ENt .

ambiente.
OBSERVADOR

Fonte: Adaptação de Chiavenato, 2005.

1632

�Para efeito de delimitação dos processos de um sistema, escolhe-se a biblioteca
universitária (exemplo de unidade de informação) como sistema a demostrar que as unidades
de informação devem ser consideradas sistemas abertos.
A identificação do sistema biblioteca universitária pode ser descrita da seguinte
maneira: É composta fisicamente por vários (sub)sistemas individuais, nesse caso específico
de biblioteca universitária, pode-se elencar: processamento técnico, serviço referência, setor
de periódicos, setor de catalogação, setor de classificação e setor de indexação, cumpre
ressaltar que estes exemplos são mais comuns. Estes subsistemas são coordenados por meio
de uma integração e de um trabalho mais específico, ou seja, cada um realizando
determinadas atividades buscando atingir determinados objetivos e a soma destes objetivos
busca cumprir a função do sistema biblioteca universitária.
Ferreira (1980, p. 18) expõe que:
A universidade é voltada para as necessidades educacionais, culturais,
científicas e tecnológicas do país, as bibliotecas devem trabalhar visando a
esses mesmos objetivos, participando ativamente do sistema educacional
desenvolvido pela universidade, devendo estar em consonância com os
programas de ensino, pesquisa e extensão.
O ambiente do sistema é a Universidade, envolvendo seus centros e o sistema
educacional adotado.
A fronteira que impõe os limites entre o ambiente e o observador e sempre é dado pelo
observador do sistema. Nesse estudo pode ser, na visão do gestor da biblioteca, os papéis que
a biblioteca tem no ambiente que está inserida de acordo com a estrutura formal descrita ou
do usuário (pessoa que faz uso dos produtos e serviços) que irá delimitar o sistema biblioteca
de acordo com suas necessidades e perfil.
Apesar das divisões do trabalho, as partes podem ser mudadas sem causar um efeito
concomitante sobre as outras, tendo o cuidado para que a total paralização de um subsistema
não faça o sistema entrar em colapso. Daí vem uma das características mais importantes de
sistemas abertos, sua capacidade de adaptação (leva a mudança, inovação ou adaptabilidade) e
regulação (garantindo a permanência do sistema).
Klaes (1991, p. 12) corrabora quando diz que a:
(...) biblioteca universitária sofre pressão de diversos fatores, os quais podem
provocar alterações nas suas relações com seus usuários, sua instituição
mantenedora, modificando sua forma de operar internamente, o que se
reflete na prestação de serviços, políticas e prioridades, como forma de se
adaptar às mudanças provocadas pela ambiência.

1633

�Ao exemplificar esse processo em uma biblioteca cita-se a entrada das tecnologias
nesses ambientes, a exemplo dos e-books (livros eletrônicos), muitas bibliotecas estão se
adaptando para atender os interagentes que preferem esse tipo de mídia, outro exemplo é a
biblioteca totalmente digital a exemplo da Bibliotech, nos EUA, claro que dependendo do
ambiente que está inserida, seria desnecessário acabar com os livros impressos, mas para
atender os anseios informacionais, as unidades de informação estão buscando todo tipo de
alternativas, principalmente as bibliotecas, para que não se tornem obsoletas e desapareçam
em determinados ambientes.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
As unidades de informação, consideradas como organizações sociais, devem ter esse
pensamento e baseado na teoria geral dos sistemas, olharem as características que possuem e
se adaptarem à sociedade da informação e do conhecimento, promovendo uma mudança,
satisfazendo uma sociedade cada vez mais avida em informação de forma eficiente e eficaz.
A biblioteca universitária está inserida em um ambiente essencial na construção do
conhecimento, envolvida em ambientes de mudanças sociais, tecnológicas e estruturais,
diante disso uma biblioteca universitária deve saber se posicionar com as exigências que a
sociedade da informação impõe.
Faz-se necessário o pensamento sistêmico nas bibliotecas para enxergar o todo que a
envolve e assim, promover novos produtos e serviços envolvendo a dinâmica existente no
ambiente inserido, exemplos: materiais educativos e base de dados interativas, boletins
eletrônicos colaborativos, consultorias, acesso por assinatura a revistas, livros, etc. Indica-se
pesquisas com o objetivo de investigar quais outras mudanças afetam as bibliotecas
universitárias como sistemas abertos, como as políticas educacionais e recursos humanos.

6 REFERÊNCIAS
ALVES, João Bosco da Mota Alvez, Teoria Geral de Sistemas: em busca da
interdisciplinidade. Florianópolis: Instituto Stela, 2012.
BERTALANFFLY,

Ludwig

Von.

Teoria

Geral

dos

Sistemas:

fundamentos,

desenvolvimento e aplicações. 6ed.-Pretópolis,RJ:Vozes, 2012.
CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2. ed., totalmente rev. e atual.
Rio de Janeiro: Campus, 2005.
FERREIRA, Lusimar Silva. Bibliotecas universitárias brasileiras: análise e estruturas
centralizadas e descentralizadas . São Paulo: Pioneira; Brasília, DF: INL, 1980.

1634

�KLAES, Rejane Raffo. Dados e informações usados na tomada de decisão em bibliotecas
universitárias brasileiras : o contexto da atividade de desenvolvimento de coleções. 1991.
Dissertação (Mestrado em Biblioteconomia). Universidade de Brasília, Brasília, 1991.
Disponível em:&lt; http://hdl.handle.net/10183/1412&gt;. Acesso em: 01 mai. 2014.
MUNIZ, Adair Jaime de Oliveira; FARIA, Hermínio Augusto. Teoria geral da
Administração: noções básicas. 4 ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2001.
VASCONCELOS, Maria José Esteves de. Pensamento sistêmico: o novo paradigma da
ciência. 4 ed. Campinas: Papirus, 2002.

1635

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>Este artigo tem a finalidade de apresentar o funcionamento das unidades de informação como um sistema aberto, com foco em bibliotecas universitárias. Baseia-se no sistema aberto pelo fato de absorver todas as mudanças ocorridas dentro da sociedade da informação, tecnológica e do conhecimento. A fundamentação teórica aborda a Teoria geral dos sistemas, sistemas abertos, unidades de informação e bibliotecas universitárias. A biblioteca universitária caracteriza-se como um sistema aberto, e diante desse fato, sua estrutura e funcionamento podem mudar. Faz-se necessário a adaptação nesse contexto.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A IMPORTÂNCIA DE NOVAS TECNOLOGIAS PARA A PRESERVAÇÃO DO
ACERVO DOCUMENTAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE
SANTANA
Ana Martha Machado Sampaio

RESUMO
Pretende-se com este trabalho apresentar um estudo realizado sobre o acervo documental
existente na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) na Biblioteca Setorial
Monsenhor Renato de Andrade Galvão (BSMG) e a importância de se usar novas tecnologias
informacionais para a preservação, conservação e disseminação de documentos, periódicos,
livros, fotos, enfim itens que se constituem como instrumento de informação de grande
importância para a preservação da história e memória do município de Feira de Santana. O
uso das novas tecnologias aplicadas ao acervo documental da UEFS tem também por objetivo
melhorar a qualidade do desenvolvimento de pesquisas, estudo acadêmico e difusão do
conhecimento. Busca-se também com este trabalho a manutenção do acervo existente e a
criação de um acervo digital, para isso, vem sendo realizado o trabalho de seleção e
digitalização do acervo. A inovação tecnológica vem contribuindo, para garantir
acessibilidade, difusão e preservação das informações contidas nos documentos da BSMG e
com isso também facilita o desenvolvimento de projetos de pesquisa cujos temas estejam
voltados para a história local.

Palavras-Chave: Acervo documental; Preservação; Digitalização; Inovação tecnológica;
Universidade Estadual de Feira de Santana.
ABSTRACT
The aim of this work to present a study on the existing document collection at the State
University of Feira de Santana (UEFS) in Sector Library Monsignor Renato Galvão de
Andrade (BSMG) and the importance of using new information technologies for the
preservation, conservation and dissemination of documents, periodicals, books, pictures, after
all items that constitute as an information tool of great importance to the preservation of
history and memory of the city of Feira de Santana. The use of new technologies applied to
the document collection UEFS also aims to improve the quality of development research,
academic study and dissemination of knowledge. One aim of this work was also keeping the
existing acquis and the creation of a digital library for that, comes the work of selection and
digitization of the collection being performed. Technological innovation has contributed to
ensure accessibility, dissemination and preservation of information contained in the
documents of BSMG and it also facilitates the development of research projects whose topics
are geared to local history.

Keywords: Collection of documents; Preservation; Scanning; Technological innovation;
State University of Feira de Santana.

1942

�1 INTRODUÇÃO
Este trabalho surgiu da necessidade do uso da inovação tecnológica para P&amp;D através da
preservação e difusão de documentos relevantes para pesquisas, cuja temática seja
direcionada a Feira de Santana e região, realizadas e defendidas por pesquisadores,
professores, alunos, funcionários e estudiosos desse tema, através de documentos manuscritos
e impressos (periódicos, livros e fotografias) que fazem parte integrante do acervo
bibliográfico da UEFS, especificamente aqueles que compõem o acervo da Biblioteca Setorial
Monsenhor Renato de Andrade Galvão. Entretanto, muitos desses itens não podiam mais ser
consultados por se encontrarem em péssimo estado de conservação, por falta de preservação,
impedindo

que os pesquisadores pudessem

dar continuidade

a suas pesquisas

e,

consequentemente perdendo informações importantes que ajudariam a redesenhar a história
daquele município e, com isso, promover um melhor estudo do desenvolvimento local.
Para tanto, o uso de novas tecnologias informacionais surgiu como alternativa para a
preservação do acervo da UEFS e, para isso, foi realizado o trabalho de seleção e digitalização
iniciando com o acervo de manuscritos e depois com o acervo fotográfico e de jornais antigos
e raros do município de Feira de Santana e que se encontram na Biblioteca Setorial
Monsenhor Renato de Andrade Galvão (BSMG).
O município de Feira de Santana, situado no Recôncavo Baiano, infelizmente não
conta com políticas eficientes no que tange à preservação da sua memória documental. Sendo
assim, a UEFS, cujos objetivos são, além da formação de profissionais, a geração de
informações e a organização de fontes de pesquisa, assume hoje o papel de centro de
referência para estudantes e pesquisadores que buscam conhecer a cultura e história do
município que pertence ao Recôncavo Baiano a fim de que aqueles desenvolvam pesquisas de
caráter histórico e cultural referentes ao município e região. O acervo existente na UEFS é
responsável pelo resgate da imprensa escrita e da história e cultura feirense, o que é
concretizado através do crescimento da produção intelectual caracterizada em diversas
monografias, dissertações, artigos, teses, livros, entre outras produções realizadas a partir das
pesquisas nessa instituição.
A preservação de acervos históricos e culturais, preciosos e/ou raros surge como
alternativa para sua disponibilização de forma que garanta o acesso a conteúdos veiculadores
ou construtores da identidade cultural local de forma universal e como necessidade de
construir bases sólidas de informação para um melhor desenvolvimento científico e cultural,
por meio da organização e disponibilização desse acervo à consulta e como base às pesquisas
realizadas por docentes e alunos.

1943

�Os serviços tecnológicos de preservação de acervos vêm sendo projetados e
disponibilizados ao público em geral através da Internet, a exemplo da Fundação Biblioteca
Nacional do Brasil que executa um trabalho bastante promissor e que tem fortalecido de
forma especial a divulgação e preservação da informação.
A digitalização de documentos gera o surgimento de um novo acervo, o acervo digital,
para tanto se faz necessária uma estrutura adequada que requer cuidados especiais para a
preservação digital, pois pode também, como o papel, correr o risco de perda das informações
contidas nos diferentes suportes de armazenamento.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Houve um avanço na inovação tecnológica no Brasil com a criação da Lei
10.973/2004, que dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no
ambiente produtivo e dá outras providências. Com isso a inovação tecnológica surge como
um instrumento para o desenvolvimento da humanidade, a qual vem buscando a cada dia
formas de facilitar e melhorar a vida.
Com a globalização e o surgimento das inovações tecnológicas as instituições de
ensino tendem a acompanhar as mudanças que surgem a todo o momento. Para Tigre (2006,
p. 198):
A simples introdução de uma nova tecnologia, desacompanhada de um
esforço deliberado de adaptação, não é suficiente para conferir
competitividade a uma organização. A tecnologia precisa, por um lado, ser
ajustada ao contexto específico em que está aplicada. Por outro, as próprias
empresas precisam mudar sua forma de organização para incorporar com
sucesso as oportunidades de inovação. Quanto mais rígida a estrutura da
organização, mais difícil se torna a introdução de mudanças organizacionais.
A digitalização de documentos e sua disponibilização em rede surgem como um
processo de inovação na forma de armazenamento em suportes diversos, tais como: CD,
DVD, pen drive e outros em que o documento não digital é preservado e disponibilizado a
qualquer momento e em qualquer lugar do mundo.
Segundo Castelles (1999, p. 504) “os processos de transformação social sintetizados
no tipo ideal de sociedade em rede ultrapassam a esfera de relações sociais e técnicas de
produção, afetam a cultura e o poder de forma profunda” . As expressões culturais são
retiradas da história e da geografia e tornam-se predominantemente medidas pelas redes de
comunicação eletrônica que interagem com o público por meio dele em uma diversidade de
códigos e valores, por fim incluídos em um hipertexto audiovisual digitalizado.

1944

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Existem atualmente na UEFS acervos raros no Centro de Documentação e Informação
- CEDOC e na Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão (BSMG) que
necessitam com urgência de restauração e preservação, correndo o risco de muitos itens não
resistirem ao tempo e se degradarem e com isso ocorrer o desaparecimento de informações
relevantes sobre o município e região.
O acervo bibliográfico da BSMG é composto em sua maioria de obras raras e/ou
especiais, jornais locais, livros, revistas, manuscritos, fotografias, livretos de cordéis,
monografias, teses, dissertações. É um acervo especializado em Feira de Santana e região e
também voltado para a área de história. Mas, a coleção de jornais locais e os manuscritos que
merecem destaque por serem documentos únicos e, segundo pesquisadores, de fundamental
importância para a construção da história local e o desenvolvimento da pesquisa, encontramse em péssimo estado de conservação, correndo o risco de degradação e consequentemente
perda de informações preciosas que deixarão lacunas na memória e história locais.
Um trabalho emergencial de recuperação de documentos através da digitalização foi
iniciado na BSMG desde o período de 1998 e, por se tratar de uma documentação vasta, ainda
encontra-se em andamento e sem uma data para finalização, pois se trata de documentos
contínuos que possuem uma periodicidade diária e extensa.
Inicialmente foi realizada uma seleção dos documentos verificando os que estavam
mais danificados, como também o grau de importância para os pesquisadores realizarem suas
pesquisas. Esses documentos passaram por um processo de reparo e limpeza e depois
começaram a serem digitalizados.
Devido à falta de máquinas de digitalização especializadas e a urgência em salvar essa
documentação, o trabalho está sendo feito por meio de uma câmara digital que fotografa cada
documento manualmente. Depois de fotografado o documento é salvo em um computador e
passa por um processo técnico para melhor definição de sua imagem. Uma cópia de segurança
desse arquivo é salva em CD e armazenada em outro local. Só assim o documento é
disponibilizado ao usuário para consulta em uma tela de computador e futuramente estará
disponível na Internet, podendo ser consultado em qualquer lugar e a qualquer hora,
eliminando as barreiras do espaço e tempo.
As mudanças adotadas para proporcionar maior acessibilidade à pesquisa resultaram
em uma melhor qualidade no trabalho realizado pelos estudiosos. Com isso, é notório que
novas tecnologias tendem a beneficiar pesquisadores que usam fontes informacionais para
tornar seu trabalho mais confiável e legítimo possível.

1945

�Existem empresas qualificadas no mercado que fazem o trabalho de digitalização e
organização de acervos digitais de cunho profissional e com melhor qualidade, como também
existem máquinas adequadas e cursos diversos para qualificação de profissionais para realizar
um bom trabalho, mas infelizmente muitos esforços foram feitos através de projetos na
tentativa de adquirir recursos que custeassem o trabalho de digitalização do acervo raro da
BSMG, infelizmente não obteve sucesso. Com isso, fez-se necessária essa intervenção
emergencial para que o acervo não desaparecesse por completo. Atualmente os resultados
obtidos são satisfatórios, pois a digitalização, além de prolongar a vida útil, proporciona
acessibilidade e difusão de informações contidas nas diversas páginas amareladas e
desgastadas pelo tempo.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O trabalho de digitalização do acervo raro da BSMG proporcionou aos seus usuários a
acessibilidade a documentos que até então eram ignorados, por não possuírem mais condições
de uso devido ao estado de má conservação que lhe era peculiar. Também facilitou a vida de
muitos pesquisadores através da acessibilidade em forma digital, pois um mesmo documento
pode ser usado por mais de um usuário ao mesmo tempo e futuramente o mundo inteiro terá
essa informação disponível na internet através da home page da UEFS, o que proporcionará
uma maior acessibilidade e comodidade para o pesquisador. Hoje esses documentos estão
resguardados através de uma tecnologia digital atual, mas para que haja uma conservação
digital será necessário o acompanhamento das mudanças tecnológicas e das constantes
inovações digitais ao longo do tempo, evitando a perda das informações armazenadas em
meio digital que se inovam a todo instante.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Todos querem um dia conhecer a sua história, sua origem e para que isso seja possível
devem existir documentos comprobatórios que relatem fatos que foram vividos no passado
distante. Sabe-se que a escrita surgiu desde os tempos antigos, em que os homens primitivos
deixavam seus registros nas cavernas. Essas informações chegaram até nós através de
pesquisas históricas e dos escritos que foram preservados, sem esses fatos não existiria o
desenvolvimento e o estudo da escrita, que nos aproxima de uma época longínqua e nos
remete ao passado, ajudando o homem a desvendar rotineiramente mistérios que foram
registrados ao longo do tempo.

1946

�Temos consciência que esse trabalho de digitalização realizado no acervo da BSMG
não é o mais adequado, mas sim um trabalho emergencial. Esperamos que o trabalho
realizado seja o início para o desenvolvimento de novos projetos tecnológicos na UEFS tendo
em vista soluções adequadas que cumpram o papel de resguardar esses documentos de
maneira adequada e de boa qualidade profissional.

6 REFERÊNCIAS
BIBLIOTECA Virtual. Fundação Biblioteca Nacional. Disponível em: &lt;http://www.bn.br&gt;.
Acesso em: 20 jul. 2013.
BRASIL. Congresso Nacional. Lei n° 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Dispõe sobre
incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras
providências. Diário Oficial da União , Brasília, DF, 3 dez. 2004. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/ ato2004-2006/2004/lei/l10.973.htm&gt; . Acesso em: 28
nov. 2011.
CARVALHO, Kátia (Org.). O ideal de disseminar: novas perspectivas, outras percepções.
Salvador: EDUFBA, 2006. 230p.
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Janeiro: Paz e Terra, 1999. 698p. (A era da informação: economia, sociedade e cultura; v.1).
LEVY, Pierre. Tecnologias da inteligência. Tradução de Irineu Costa. Rio de Janeiro:
Editora 34, 1993. 208p.
MARCONDES, Carlos H. (O rg). Bibliotecas digitais: saberes e práticas. Salvador:
EDUFBA, 2006. 342p.
POPINO, Rollie E. Feira de Santana. Bahia: Editora Itapuã, 1968. 328p.
SAYÃO, Luís Fernando. Preservação digital no contexto das bibliotecas digitais: uma breve
introdução. In: MARCONDES, Carlos H. ET AL. (Org). Bibliotecas digitais: saberes e
práticas. Salvador: EDUFBA; Brasília: IBICT, 2006. p. 113-143.
SPINELLI JÚNIOR, Jayme. A conservação de acervos bibliográficos e documentais. Rio
de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1997. 90p.
TIGRE, Paulo Bastos. Gestão da inovação : a economia da tecnologia no Brasil. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2006. 282p.

1947

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Pretende-se com este trabalho apresentar um estudo realizado sobre o acervo documental existente na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) na Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão (BSMG) e a importância de se usar novas tecnologias informacionais para a preservação, conservação e disseminação de documentos, periódicos, livros, fotos, enfim itens que se constituem como instrumento de informação de grande importância para a preservação da história e memória do município de Feira de Santana. O uso das novas tecnologias aplicadas ao acervo documental da UEFS tem também por objetivo melhorar a qualidade do desenvolvimento de pesquisas, estudo acadêmico e difusão do conhecimento. Busca-se também com este trabalho a manutenção do acervo existente e a criação de um acervo digital, para isso, vem sendo realizado o trabalho de seleção e digitalização do acervo. A inovação tecnológica vem contribuindo, para garantir acessibilidade, difusão e preservação das informações contidas nos documentos da BSMG e com isso também facilita o desenvolvimento de projetos de pesquisa cujos temas estejam voltados para a história local.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MODELO DE INDICADORES PARA A BIBLIOTECA FCA/UNICAMP

Vivian Gabriela Kaori Sano
Roniberto Morato do Amaral

RESUMO
O presente trabalho aborda a utilização de indicadores de desempenho na avaliação da
qualidade em serviços das bibliotecas universitárias. O objetivo geral foi identificar um
conjunto de indicadores de desempenho que possam ser utilizados na avaliação da qualidade
do processo de trabalho do serviço de empréstimo entre bibliotecas (EEB). Para isso, foi
utilizado o método pesquisa-ação e o objeto de estudo foi a Biblioteca da Faculdade de
Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (FCA/UNICAMP). Os resultados
obtidos foram: 1] Mapeamento do processo de trabalho EEB, 2] Identificação de um conjunto
de indicadores de desempenho do processo de trabalho EEB; 3] Identificação das dificuldades
encontradas na utilização de indicadores de desempenho pela organização investigada.
Conclui-se que para utilizar os indicadores de desempenho, é necessário o envolvimento
comprometimento da administração superior para compreender que os recursos mais
importantes neste processo de melhoria da qualidade em serviços são os recursos humanos.
Palavras-Chave: Avaliação da qualidade; Indicadores de desempenho; Empréstimo ente
bibliotecas.

ABSTRACT
This paper discusses the use of performance indicators to evaluate the service quality of
university libraries. The overall objective was to identify a set of performance indicators that
can be used to evaluate the quality of the process of the interlibrary loan service. Was used the
method action research and the object of study was the Library of the Faculty of Applied
Sciences, State University of Campinas (FCA / UNICAMP). The results were: 1] Mapping of
the work process of the interlibrary loan service, 2] Identification of a set of performance
indicators of the labor process; 3] Identification of the difficulties encountered in the use of
performance indicators for the organization investigated. It is concluded that using
performance indicators, it is necessary to involve top management commitment to understand
that the most important resources in this process of quality improvement in services is human
resources.
Keywords: Quality evaluation ; Performance indicators; Interlibrary loan.

1298

�1 INTRODUÇÃO
Com o desenvolvimento e transformações que tem ocorrido na sociedade da
informação, as organizações voltadas à informação têm buscado estratégias para melhorar a
qualidade dos serviços, visando à satisfação do usuário.
No setor de atendimento a avaliação da qualidade se torna mais importante, pois nele
se concentram as atividades que mais impactam na qualidade percebida pelo usuário
(CARIBE, 2009).
Dada à importância de se avaliar a qualidade do serviço, o objetivo da pesquisa é
identificar um conjunto de indicadores que possam avaliar a qualidade do processo de
empréstimo entre bibliotecas (EEB). Para isso, foi utilizado o método de pesquisa-ação e o
objeto de estudo foi a biblioteca da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade
Estadual de Campinas (FCA/UNICAMP).
Os resultados obtidos neste trabalho podem contribuir para o aprimoramento dos
processos de EEB, especialmente em bibliotecas universitárias. Também pode contribuir para
a geração de insights sobre a utilização de indicadores na avaliação da qualidade de outros
processos, produtos e serviços dessas bibliotecas.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A norma da ISO 11621 (1998, p. 2) define indicadores de desempenho como uma
expressão, usada para caracterizar atividades em termos quantitativos e qualitativos, a fim de
determinar o valor das atividades e os métodos associados.
Segundo Coletta (2007, p. 130) recomenda-se o uso de indicadores para medir o
desempenho das organizações. Em organizações com ou sem fins lucrativos, esses
indicadores são de fundamental importância para que as mesmas possam tomar decisões,
embasadas em dados coletados através de sua existência, para tanto, a qualidade pode ser
referenciada em dados estatísticos coletados com o auxilio de softwares ou de um
planejamento pré-estabelecido.
Os indicadores obtidos ao longo de um tempo pré-estabelecido, permitem obter
informações sobre características, atributos e resultados de um processo, produto ou serviço.
Sua utilização é um instrumento fundamental para gestão e planejamento da organização, ao
permitir aos gestores estabelecer evidências sobre eficácia dos processos, produtos e serviços,
e ainda, auxiliar a tomada de decisão para melhoria dos resultados organizacionais. Segundo
Takashima e Flores (1996) os indicadores são fundamentais ao planejamento, pois permitem
o e estabelecimento de metas quantificadas e seus desdobramentos. Também são essenciais ao

1299

�controle pois os resultados obtidos através do seu uso permitem análises criticas de
desempenho para tomada de decisão, planejamento e controle dos processos das organizações.
Para a adoção de indicadores, Belluzzo (1998, p. 127) destaca que “seja feita uma
análise de cima para baixo do trabalho da biblioteca [...] desde sua missão, objetivos, serviços
oferecidos até a determinação de metas a serem alcançadas”. Devem ser feitos também
levantamentos para verificação das expectativas e das necessidades dos usuários, tornando-os
alvo dos padrões (ANDRADE, 2004).
Os indicadores de desempenho utilizados pelas unidades de informação, segundo
Guimarães (2007, p. 251) “é a medida de comparação com o que esta sendo feito
(desempenho), com o que deveria ser feito (missão) e com aquilo que se gostaria de fazer
(metas)”. Isso demonstra o caminho que a unidade de informação deve tomar para atingir com
precisão seus objetivos, como também para minimizar seus erros no decorrer dos processos.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O método de pesquisa utilizado foi a pesquisa-ação, e o objeto de estudo foi a
biblioteca da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas FCA/UNICAMP, selecionada por compreender uma iniciativa em EEB. Contribuiu também
para a sua escolha o fato de que a pesquisadora obteve fácil acesso aos dados necessários para
a pesquisa, por pertencer a organização.
Para o desenvolvimento deste trabalho foi realizado primeiramente uma revisão de
literatura sobre indicadores de desempenho aplicados ao contexto das bibliotecas
universitárias; em seguida foi realizado o mapeamento do processo de EEB da unidade,
utilizando fluxograma como ferramenta. Onde, através da análise do mapeamento dos
processos, juntamente com as metas e os objetivos da unidade de informação foi possível
identificar os indicadores para avaliação da qualidade do serviço de EEB. A próxima etapa foi
a identificação das dificuldades para a utilização de indicadores de desempenho na gestão da
qualidade do processo. Terminado isso foi possível a análise e divulgação dos resultados.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Os resultados obtidos foram: o mapeamento do processo de trabalho do EEB, tanto
empréstimo como sua solicitação; indicadores de desempenho do EEB (Quadro1) com
referencial de comparação (quadro 2) proporcional a qualidade percebida pelo usuário.

1300

�Os indicadores de desempenhos visualizados por intermédio do Quadro 1 foram
elaborados de acordo com a literatura (ISO 11620, 1998; ANDRADE, 2004) e os processos
mapeados do EEB junto a Biblioteca FCA/UNICAMP.

Quadro1 - Indicadores para biblioteca FCA.
Indicador
1) Taxa de pedidos não atendidos

Descrição
Através dos dados de
Q uant, d e p e d i d o s nào a te n d id o s quantidade de pedidos
não atendidos e de
Q uant, d e p e d i d o s a te n d i d o s
pedidos
atendidos,
verificar a eficácia do
serviço.
2) Tempo médio de atendimento das Verifica a agilidade no
bibliotecas do sistema de bibliotecas da atendimento,
UNICAMP
considerando tempo de
atendimento.

Objetivo
Verificar a qualidade e
eficácia do serviço,
confiabilidade.

Medir a qualidade do
serviço
através
da
de
Q u a n t, d e u s u á r i o s a t e n d i d o s quantidade
reclamações do usuário

Verificar o volume de
empréstimo, o serviço de
EEB é uma vantagem
para o usuário, mas pode
representar um problema
para a biblioteca.

3) Taxa de reclamações dos usuários

Q u an t, d e r e c la m a ç õ e s

Visa monitorar a rapidez
com que a informação
chega ao usuário.

Fonte: Elaborado pelo autor.

A comparação com o padrão indicado no quadro abaixo fornece o desempenho do
serviço, que é proporcional a qualidade percebida pelo usuário.

Quadro 2 - Referencial de comparação
Indicador
1) Taxa de pedidos não atendidos
Quant, d e p e d i d o s não a te n d id o s
Q u a n t.d e p e d i d o s a te n d i d o s

Referencial de comparação
O índice ideal deste indicador é aproximar-se
do zero. Quanto menos pedidos não atendidos,
melhor será a eficácia do serviço.

2) Tempo médio de atendimento das O tempo ideal seria 3 dias. Um tempo maior
bibliotecas do sistema de bibliotecas da poderia afetar a expectativa do usuário,
UNICAMP
afetando a percepção de qualidade do serviço.

O índice ideal deste indicador é aproximar-se
do zero. Quanto menor a taxa de reclamação,
Q u a n t, d e u s u á r i o s a t e n d i d o s maior o numero de usuários satisfeitos com o
serviço.
Fonte: Elaborado pelo autor
3) Taxa de reclamações dos usuários
Q u a n t , d e r e c la m a ç õ e s

1301

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Os resultados obtidos podem servir para comparar bibliotecas, avaliar o desempenho,
pontos críticos e onde possa haver melhorias, levando em consideração a especificidade de
cada unidade de informação, pois os indicadores são elaborados com base nos objetivos,
metas e não podem ser simplesmente copias sem que haja verificação.
Conclui-se que para utilizar os indicadores de desempenho, é necessário o
envolvimento comprometimento da administração superior para compreender que os recursos
mais importantes neste processo de melhoria da qualidade em serviços são os recursos
humanos. Desse modo a qualidade dos produtos e serviços da Biblioteca depende
fundamentalmente do investimento em Gestão de Pessoas e no comprometimento da alta
gerência. Uns dos principais fatores que dificultam a utilização de indicadores nas Bibliotecas
são a falta de recursos humanos, e de capacitação dos seus funcionários.

6 REFERÊNCIAS
CARIBE, R. de C. do V. Sistemas de indicadores: uma introdução. Revista Eletrônica de
Biblioteconomia e Ciência da Informação. v. 6, n. 2, 2009.
COLETTA, T. das G.; ROZENFELD, H. Indicadores de desempenho para bibliotecas
universitárias: definições e aplicações sob o ponto de vista da literatura. Perspectivas em
Ciência da Informação, v. 12, n. 3, 2007.
INTERNATIONAL ORGANIZATION OF STANDARDIZATION. ISO 11.620: Information
and documentation: library performance indicators. Genebra, 2003.
TAKASHIMA, N. T.; FLORES, M. C. X. Indicadores da qualidade e do desempenho:
como estabelecer metas e medir resultados. Rio de janeiro: Qualitymark, 1996.
ANDRADE, M. V. M. Gestão pela qualidade em bibliotecas universitárias: indicadores
de desempenho e padrões de qualidade. 2004. 115 f Dissertação (Mestrado em Sistemas de
Gestão). Universidade Federal Fluminense, Niterói.
GUIMARÃES, M. C. S. et al. Indicadores de desempenho de bibliotecas na Fiocruz: um
caminho em construção. Ciência da Informação, v. 35, n. 3, 2006.

1302

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Modelo de indicadores  para a biblioteca FCA/UNICAMP.</text>
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                <text>O presente trabalho aborda a utilização de indicadores de desempenho na avaliação da qualidade em serviços das bibliotecas universitárias. O objetivo geral foi identificar um conjunto de indicadores de desempenho que possam ser utilizados na avaliação da qualidade do processo de trabalho do serviço de empréstimo entre bibliotecas (EEB). Para isso, foi utilizado o método pesquisa-ação e o objeto de estudo foi a Biblioteca da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (FCA/UNICAMP). Os resultados obtidos foram: 1] Mapeamento do processo de trabalho EEB, 2] Identificação de um conjunto de indicadores de desempenho do processo de trabalho EEB, 3] Identificação das dificuldades encontradas na utilização de indicadores de desempenho pela organização investigada. conclui-se que para utilizar os indicadores de desempenho, é necessário o envolvimento comprometimento da administração superior para compreender que os recursos mais importantes neste processo de melhoria da qualidade em serviços são os recursos humanos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO ATUANTE EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NO
SÉCULO XXI: A NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO AO MODERNO
PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO (MIP).
Jorge Santa Anna
Maria Aparecida de Mesquita Calmon
Gleice Pereira
RESUMO
A diversidade na oferta de serviços e produtos constitui uma das características mais
marcantes das bibliotecas universitárias (BU). Essa diversidade se amplia constantemente,
sobretudo com a crescente utilização das novas tecnologias e o acúmulo de informações
geradas, o que fez desencadear a necessidade de ampliação das competências e características
dos profissionais que atuam nessas unidades de informação. A fim de acompanhar essas
mudanças, os bibliotecários precisam adquirir novas competências, adequando-se ao perfil de
um profissional inovador, categorizado como Moderno Profissional da Informação (MIP).
Assim sendo, este estudo objetiva apresentar as características e competências dos
bibliotecários atuantes em BU, relacionando-as ao perfil do MIP. Para tanto, o artigo discute,
com base na literatura, o contexto no qual se situam as BUs, bem como as principais
atividades prestadas, e as competências necessárias para que os bibliotecários sejam
considerados MIP. Por fim, foi realizado um estudo em uma BU, aplicando questionário a 15
bibliotecários com vistas a investigar suas competências. Após análise e comparação entre as
competências desses sujeitos com as do MIP, conclui-se que as competências do MIP são
praticadas pelos bibliotecários que atuam em BU, sendo necessário, a priori., o investimento
na formação continuada. Essa formação é praticada pelos profissionais de diferentes formas,
sendo também viabilizada pela unidade de informação, cabendo ao próprio profissional
divulgar essa necessidade e desejo constante de aprimoramento, com vistas a consolidar a
melhoria contínua dos serviços prestados nessas unidades de informação.
PALAVRAS-CHAVE: Bibliotecas Universitárias. Novas tecnologias. Explosão da
informação. Moderno profissional da informação. Competências profissionais.

ABSTRACT
The diversity in the provision of services and products is one of the most striking features of
the university libraries ( BU ) . This diversity expands constantly , especially with the
increasing use of new technologies and the accumulation of information generated , what did
trigger the need to expand the skills and characteristics of professionals working in these units
of information. To accompany these changes , librarians need to acquire new skills , adapting
to an innovative professional, categorized as Modern Information Professional ( MIP ) profile.
Therefore , this study aims to present the characteristics and skills of librarians active in BU ,
relating them to the MIP profile. To this end, the article discusses , based on the literature , the

1354

�context in which are located the BUs as well as the main activities provided , and the skills
necessary for librarians to be considered MIP . Finally , a study was conducted in a BU A
questionnaire was administered to 15 librarians in order to investigate their skills . After
analyzing and comparing the knowledge of these subjects with the MIP , it is concluded that
the MIP skills are practiced by librarians who work at BU , being necessary a priori
investment in continuing education . This training is practiced by professionals in different
ways , and also made possible by the information unit , health professionals should promote
itself this need and desire for constant improvement , with a view to consolidating the
continuous improvement of services in these units of information .
KEYWORDS: University Libraries. New Technologies. Information explosion. Modern
professional information. Professional skills.

1 INTRODUÇÃO
As unidades de informação, semelhantemente às demais organizações existentes na
sociedade contemporânea, estão inseridas em um contexto dinâmico e diversificado, devendo
reformular regularmente seus paradigmas, tendo em vista adequarem-se às novas
necessidades demandadas pelos usuários que usufruem dos serviços e produtos por elas
oferecidos.
As bibliotecas universitárias (BUs) inserem-se nesse contexto com maior intensidade.
Isso devido à diversidade de produtos e serviços que devem ser oferecidos à comunidade
servida, a universidade, devendo viabilizar subsídios que sustentem a tríade dessas
instituições acadêmicas: ofertar atividades de pesquisa, de ensino e de extensão.
As atividades biblioteconômicas realizadas nessas modalidades de bibliotecas não
devem restringir, tão somente, a fazeres técnicos, mas devem convergir a um somatório de
serviços, que tendam a satisfazer integralmente as propostas da universidade, oferecendo
suporte “[...] ao ensino, à pesquisa e à extensão, de forma que os serviços de informação da
Biblioteca atendam a todos os usuários, sem distinção” (BEM et al., 2013, p. 76, grifo nosso).
A dinâmica que envolve as BUs exige sua interação com outras unidades de
informação de forma sistêmica, tornando-as um organismo integrado, objetivando satisfazer
exigentes demandas. Desse modo, o paradigma emergente é o da socialização, devendo a BU
se reinventar a cada dia, a fim de se manter com o espaço privilegiado para a produção e
disseminação do conhecimento (CARVALHO, 2011).
A fim de alcançar esses propósitos, a BU utiliza das novas tecnologias da informação
e comunicação (TICs) a fim de se tornarem atreladas a outras unidades, rompendo-se as
limitações de tempo e de espaço. Com a adesão das novas tecnologias, as bibliotecas
caminham para a virtualização, onde seus produtos e serviços são disponibilizados em

1355

�ambiente digital, mas sem desconsiderarem a oferta de produtos, também, em ambiente físico,
adequando-se a um ambiente cada dia mais misto ou híbrido.
O estudo de Cunha (2010, p. 1) proclama com excelência a situação da BU diante da
oferta híbrida de seus produtos e serviços. Segundo esse autor, a biblioteca se encontra na
atualidade, em um momento de encruzilhada, disponibilizando suas atividades tanto em
ambiente digital quanto impresso, por conseguinte, esse contexto plural pode representar
inúmeros desafios para os profissionais que não estão habilitados a atuar em meio a essa
diversidade. A BU está permeada por “[...] desafios complexos que exigem muita atenção por
parte dos gestores das bibliotecas para poderem atravessar uma verdadeira encruzilhada [...]”,
fato esse que exige a adequação profissional, por meio da aquisição de novas competências.
No que se refere ao perfil dos profissionais que atuam nesses ambientes híbridos,
inúmeros estudos surgem a respeito da postura do profissional bibliotecário, com o intento de
demonstrar quais as competências e habilidades necessárias para que o bibliotecário gerencie
com efetividade as unidades e serviços de informação. Analisando a literatura sobre o
assunto, identifica-se que um dos estudos mais abrangentes a respeito das competências do
profissional da informação160 diz respeito às pesquisas realizadas sobre o Moderno
Profissional da Informação (MIP).
A gênese dessa terminologia permeia a década de 90, a partir dos estudos financiados
pela extinta Federação Internacional de Bibliotecários (FID), no ano de 1992, sendo
aperfeiçoada, logo em seguida, com as pesquisas de Ponjuan Dante (1993). Diversos outros
estudos foram realizados ao longo das décadas seguintes que discutiam as novas
competências, atribuições e habilidades do MIP, incluindo-se, especificamente nesses
estudos, o profissional bibliotecário. Citam-se alguns estudos brasileiros: Smit (2000),
Valentim (2000), Marchiori (1996), Tarapanoff (1997), Guimarães (1997), dentre outros.
O ponto inicial dessas discussões é evidenciado a partir do IV Encontro de Diretores
das Escolas de Biblioteconomia e Ciência da Informação do Mercosul, realizado no ano de
2000, em Montevidéu, momento em que foram determinadas as seguintes competências para
que os bibliotecários atingissem o status de MIP: competências de comunicação e expressão,
técnico científica, gerenciais, sociais e políticas.
Percorridos mais de 20 anos após a formulação das competências do MIP e diante do
momento de encruzilhada e da diversidade de atividades prestadas pela BU, permeada por um
160 Diz respeito aos profissionais que lidam com a informação, incluindo-se os profissionais que formam as “três
Marias”, quais sejam: os bibliotecários, museólogos e arquivistas (SMIT, 2000). Contudo, segundo a CBO (apud
MILANO; DAVOC, 2009), os bibliotecários são considerados profissionais da informação por excelência.
Assim, no contexto desta pesquisa, consideraram-se como profissionais da informação, apenas os bibliotecários.

1356

�contexto em ebulição, este estudo objetiva apresentar as características dos bibliotecários
atuantes em BU relacionando-as ao perfil do MIP. Para tanto, o estudo será sustentado pelos
seguintes objetivos de natureza específica: discutir, com base na literatura, o contexto no qual
se situam as BUs; apresentar as principais atividades prestadas pelas BUs e demonstrar as
competências necessárias para que os bibliotecários atuantes nessas bibliotecas sejam
considerados MIP.
Além do estudo teórico, recorreu-se à pesquisa de Santa Anna, Pereira e Calmon
(2013), quando concluíram haver a necessidade do bibliotecário se tornar MIP em meio às
transformações, tendo que se adaptar para não ser marginalizado, o que exige uma postura
pró-ativa, criativa e ousada, ampliando suas competências. A referida pesquisa recomendou,
após análise bibliográfica, a aplicação do estudo em uma unidade híbrida, visando investigar
essas inquietudes no âmbito real.
Sendo assim, elaborou-se esta pesquisa, aplicando, metodologicamente, um
questionário a 15 bibliotecários atuantes em uma BU, com vistas a investigar suas
competências. O questionário foi construído com perguntas fechadas, tendo como base para
sua construção, as quatro competências do MIP propostas no encontro realizado em nível de
Mercosul. Após a coleta, os dados foram interpretados à luz dessas competências, refletindo
comparativamente, o perfil dos bibliotecários investigados com o perfil do MIP.

2 - DESAFIOS DA BU E A NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO
AO MIP: O QUE DISPÕE A LITERATURA
As mudanças surgidas no contexto da sociedade atual definem a formação de novas
tendências a serem seguidas pelos indivíduos de uma nação. Essas inovações refletem no
posicionamento das organizações, na tentativa de satisfazer as necessidades de seus públicos.
No âmbito das unidades de informação, essa necessidade de adequação também tem sido uma
realidade inquestionável.
Diferentemente do passado, as bibliotecas migraram de um paradigma voltado
exclusivamente para o acervo, preocupando-se com a custódia documental, para uma nova
preocupação, direcionada aos usuários da informação. Assim, as bibliotecas foram se
desenvolvendo ao longo dos tempos, “[...] desfalecendo-se na atualidade como um espaço em
prol de satisfazer as necessidades e exigências demandadas por seus usuários, migrando-se do
paradigma da posse/guarda para o acesso [...]” (SANTA ANNA, 2013, p. 5).

1357

�As BUs inserem-se nessa mesma trajetória evolutiva, adquirindo “[...] múltiplas
funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram desenvolvidos ao longo
de décadas [...]” (CUNHA, 2010, p. 3). Todavia, segundo o mesmo autor, mesmo sofrendo
alterações em sua estrutura e na forma de gerenciar e disponibilizar a informação, seu
propósito vem sendo o mesmo, qual seja: “[...] proporcionar acesso ao conhecimento. Esse
acesso ao conhecimento é que irá permitir que o estudante, o professor e o pesquisador
possam realizar suas aprendizagens ao longo da vida”.
Além de viabilizar o acesso informacional, as BUs realizam uma série de serviços,
cujos objetivos, de modo geral, se direcionam à prestação de serviços a todos os personagens
existentes na universidade, como os docentes, discentes, pesquisadores e técnicoadministrativos, oferecendo material informacional de acordo com as demandas dos
conteúdos programáticos ou em projetos acadêmicos dos cursos ministrados pela universidade
na qual encontram-se inseridas (MIRANDA, 2007).
No entanto, é importante destacar que os serviços biblioteconômicos realizados nas
BUs somente serão ofertados com qualidade, à medida que a unidade informacional
estabelecer, além das técnicas de organização e disponibilização da informação, a gestão e o
planejamento de suas atividades, buscando a melhoria contínua dos processos de trabalho. A
esse respeito discursa Lubisco (2008, p. 19, grifos nosso) que “[...] a biblioteca universitária
deve dispor de um instrumento que não só revele com fidedignidade seus status dentro da
instituição (avaliação diagnóstica), mas que subsidie suas atividades de planejamento e
gestão (avaliação corretiva)”.
A chegada de um novo milênio, sustentado pelo avanço tecnológico proporcionou às
universidades e suas bibliotecas ampliarem a oferta de produtos e serviços em diferentes
formatos e ambientes, podendo disponibilizar seus recursos, também, no ambiente web.
Assim,
O contexto que se apresenta é propício para mudar a natureza do
empreendimento acadêmico. No caso da biblioteca universitária, é
necessário examinar as enormes possibilidades do futuro e entender que o
desafio mais crítico será remover os obstáculos que a impedem de responder
às necessidades de uma clientela em mudança, transformar os processos e
estruturas administrativas que caducaram e questionar as premissas
existentes (CUNHA, 2000, p. 88).

Nesse enfoque, faz-se necessário que as BUs rompam as velhas concepções
adequando seus processos de trabalho conforme as exigências dos usuários, oferecendo
produtos e serviços de natureza mista/diversificada, de modo que o acesso seja ampliado,

1358

�disponibilizado em diferentes formatos, podendo o usuário escolher uma opção que melhor
lhe atenda ao solicitar um serviço de informação.
A oferta de produtos e serviços biblioteconômicos em ambiente digital não
proporciona a extinção do espaço físico da biblioteca e os serviços presenciais oferecidos,
cabendo à unidade prestar serviços de informação em diferentes formatos. Ao adquirir essa
característica mista, essas unidades são consagradas com o que a literatura comumente
denomina de Bibliotecas Híbridas. O que caracteriza esse novo espaço de trabalho é sua
amplitude, de modo que são agregados “[...] diferentes tecnologias, diferentes fontes,
refletindo o estado que hoje não é completamente digital, nem completamente impresso,
utilizando tecnologias disponíveis para unir, em uma só biblioteca, o melhor dos dois mundos
(o impresso e o digital)" (GARCEZ; RADOS, 2002, p. 47).
No entendimento de Tammaro e Saralleri (2008), nas bibliotecas híbridas projetam-se
diferentes tecnologias, utilizando-se de sistemas integrados a fim de facilitar as atividades
realizadas ao utilizar suportes variados, tanto em forma eletrônica quanto impressa. Ainda
proferem os autores que a biblioteca híbrida se utiliza tanto de fontes informacionais
eletrônicas quanto em papel. O foco do conceito de bibliotecas híbridas está nos serviços, que
se adaptam ao novo contexto digital num esforço de transformação e reorganização da
biblioteca tradicional.
Diante das pressões advindas da sociedade externa, do acúmulo informacional e do
avanço das TICs, não resta dúvida de que as BUs entram em um ciclo de constantes
inovações, tornando-se ambientes híbridos. Parafraseando Cunha (2010), espera-se que a
biblioteca universitária do futuro, e paralelamente o profissional que a sustenta, não será
extinto, mas deverá sofrer alterações, com base nas novas necessidades demandadas no
contexto da universidade; trata-se de adequar-se para não marginalizar-se, pois os
profissionais poderão atuar em um ambiente diferente do tradicional, um espaço amplo,
mutante e diversificado.
Santa Anna, Gerlin e Siqueira (2013) concordam com esse pensamento e destacam
que no iniciar do século XXI, a biblioteca universitária e os produtos e serviços por ela
gerados vêm sendo influenciados pelas novas tecnologias, o que condiciona ao surgimento de
novos perfis de demanda, levando, consequentemente, ao aparecimento de novos produtos e
serviços e despertando práticas profissionais diferenciadas e inovadoras.
Essas práticas profissionais não podem se limitar apenas às atividades técnicas
desenvolvidas por um profissional. Para se concretizarem, conforme os desafios da BU
híbrida, é necessário que o profissional da informação adquira novas e contínuas

1359

�competências, comungadas a partir da soma de novos conhecimentos, experiências,
habilidades e atribuições. Essa conjugação de características profissionais viabiliza a
formação do Moderno Profissional da Informação (MIP). Essa nova categorização
profissional somente acontece se o bibliotecário buscar “[...] um intenso processo de educação
continuada” (CASTRO, 2000, p.9).
Assim, para ser um MIP, o bibliotecário atuante em BU deve sofrer uma metamorfose,
transformando-se em um agente de mudanças, gerenciando todas as fases do ciclo
informacional, tendo em vista, atender com excelência e máxima qualidade, os usuários da
informação. Faz-se necessário a fusão de competências, atuando ele em diferentes ramos de
mercado, com múltiplas tecnologias e em múltiplos contextos, intervindo na realidade de
forma técnica, humanista, estratégica e inovadora (SILVEIRA, 2008).
Conforme dispõe os estudos de Valentim (2000, p. 8), para o terceiro milênio, o
bibliotecário deverá ser

[...] mais observador, empreendedor, atuante, flexível, dinâmico, ousado,
integrador, proativo e principalmente mais voltado para o futuro. A
formação, portanto, deve estar voltada para a obtenção de um profissional
que atenda essas características (VALENTIM, 2000, p. 8),

sendo necessário para isso, adquirir diferentes competências, a ponto de conseguir realizar
com efetividade os fazeres biblioteconômicos típicos das atuais BUs. As principais
competências de um MIP são resumidas em quatro tipologias:
1 - competências de comunicação: diz respeito à interação que o profissional deve ter com
seus usuários, com outras instituições e com as diversas tecnologias, facilitando o intercâmbio
e compartilhamento de informações; logo, facilita a comunicação e o acesso informacionais
(VALENTIM, 2000);
2 - competências técnico-científicas: as competências técnico-científicas se referem ao
trabalho realizado pelo bibliotecário em meio aos diversificados itens informacionais
existentes no acervo. Aqui lhe cabem as funções, em sentido lato, de tratamento da
informação (SANTA ANNA; PEREIRA; CAMPOS, 2013);
3 - competências gerenciais: refere-se àquelas voltadas para a gestão, abrangendo,
holisticamente, as ações de “[...] Formular, dirigir, administrar, organizar e coordenar
unidades, sistemas, projetos e serviços de informação [...]” (VALENTIM, 2000, p. 20);
4 - competências sociais e políticas: voltadas para as questões do ambiente externo, cabendo
ao profissional, segundo Valentim (2000, p. 21), fomentar uma atitude “[...] aberta e interativa

1360

�com os diversos atores sociais (políticos, empresários, educadores, trabalhadores e
profissionais de outras áreas, instituições e cidadãos em geral) que configuram o atual ciclo
informacional [...]”.
Após análises das reflexões propostas pela literatura a respeito das mudanças ocorridas
nas BUs e a necessidade de aperfeiçoamento do bibliotecário atingindo um patamar de MIP,
face aos novos desafios propostos nesses espaços de socialização, repleto pela diversidade de
produtos e serviços, o próximo passo é investigar as competências do MIP em um contexto
real, especificamente, os bibliotecários atuantes em unidade de informação de modalidade
universitária.

3 ANÁLISE DO PERFIL DOS BIBLIOTECÁRIOS ATUANTES EM BU: ESTUDO
EM CAMPO
O estudo in loco foi realizado em uma BU, tendo como sujeitos da pesquisa, 15
bibliotecários atuantes nesse espaço. A técnica de pesquisa utilizada para coleta de dados foi o
questionário, contendo 17 questões fechadas, elaboradas com a finalidade de identificar os
seguintes aspectos: o perfil da amostra estudada, as competências dos respondentes face às
competências atribuídas ao MIP e as competências dos profissionais analisados na ambiência
da unidade onde exercem as atividades bibliotecárias, a BU.
No que se refere aos aspectos relacionados ao perfil da amostra, perguntou-se o tempo
de atuação dos profissionais em BUs. Os dados coletados demonstram que, 12 bibliotecários
(80% da amostra) atuam em BU há 5 anos ou mais; 2 respondentes (13,33%) atuam há 1 ano
e apenas 1 profissional respondeu que trabalha nesses tipos de bibliotecas há 2 anos (Gráfico
1).
Gráfico 1 - Quanto tempo você atua em biblioteca universitária?

Fonte: dados da pesquisa

Com o objetivo de analisar a atuação dos profissionais em outros ambientes que não
apenas a BU, a segunda pergunta indaga se eles, antes de atuar em BU, exerceram atividades
em outras unidades ou espaços de informação. Para 6 pessoas (40%) já atuaram em outras
modalidades de bibliotecas. Já para 5 respondestes (33,33%), atuaram em outros ambientes de

1361

�informação e outras áreas da Biblioteconomia. Ao contrário, para 4 indivíduos (26,66%),
sempre exerceram a profissão em BU (Gráfico 2).

Gráfico 2 - Antes de atuar em BU, você atuou em outras unidades de informação?

Fonte: dados da pesquisa

O questinário investiga o motivo que levou os bibliotecários a atuarem em BU. Os
dados tabulados expressam que, 5 pessoas (33,33%) foram atuar em BU por considerar os
serviços dessa modalidade mais abrangentes; de igual percentual, na visão de 5 pessoas
(33,33%), o motivo foi devido à interação que essa unidade possui com a academia; já 2
sujeitos (13,33%) consideram que é devido à interação que essa unidade possui com a
comunidade em geral; por fim, 3 respondentes (20%) consideram a aprovação em concurso
como principal motivo (Gráfico 3).

Gráfico 3 - O que te motivou a atuar em BU?

Fonte: dados da pesquisa

Visando conhecer a formação acadêmica e qualificação profissional do bibliotecário
atuante na unidade analisada, a maioria, 13 sujeitos (86,66%) possuem curso superior de
Biblioteconomia e especialização; 1 bibliotecário (6,66%) possui apenas o curso de
Graduação em Biblioteconomia, e também 1 profissional (6,66%) possui curso superior de
Biblioteconomia e cursos extras de capacitação (gráfico 4).

1362

�Gráfico 4 - Qual a sua formação acadêmica?
100

8 6 ,6 6 %

80
60
40
20

0 , 0 0 70
0

0

■

.

H

0

I

Curso sup. Bibliot. Curso. sup. Biblio.
/especializ.

Curso sup.
Bibli./mestrado

Curso sup.
Curso sup. Bibl. E
Bibl./Mest. Doutr.
cursos extras

Fonte: dados da pesquisa

Após análise do perfil da amostra, o questionário investigou as competências
pessoais/individuais dos profissionais. Foi perguntado, em um primeiro momento, se mesmo
estando vinculado a uma unidade de informação específica (BU), o profissional possui
capacidade de trabalhar em outras unidades e centros de informação, bem como em outros
ramos de atuação bibliotecária (Gráfico 5).

Quadro 5 - Mesmo estando vinculado a uma unidade de informação específica (BU), você
possui capacidade de trabalhar em outras unidades e centros de informação, bem como em
outros ramos de atuação bibliotecária?

Fonte: dados da pesquisa

Conforme informações expressas no gráfico acima, constata-se com louvor a
ampliação das capacidades de atuação dos profissionais, não estando engessados apenas à
BU, mas possuindo competências necessárias para exercer a profissão em outras unidades de
informação e em outros ambientes de informação. Todos os respondentes (100%)
consideram-se capacitados para exercer atividades em outras ambiências.
Tendo em vista as capacidades profissionais elencadas na questão anterior, a pergunta
seguinte analisa quais atividades específicas, desconsiderando-se o contexto da BU, o

1363

�profissional está preparado a exercer. Ou seja, essa pergunta pretende investigar se os
profissionais possuem as competências do MIP (Gráfico 6).

Gráfico 6 - Das atividades abaixo descritas, desconsiderando-se o contexto da BU, marque a
que você considera capacitado a realizar:

processar doc.,
formular, dirigir,
favorecer a
elaborar produtos
se lecionar,
administare
integração,
infor., planejar,
orgaizar unidades e formação e
executar estudos
registrar,
armazenar,
sist. E projetos
interação cult., usuários e sistemas
recuperar e
inform.
política e
informac.
difundir inform.
tecnológica, com
amplo des. Social.

todas

Fonte: dados da pesquisa

Conforme ilustrado no gráfico, no entendimento de 5 respondentes (33,33%) estão
preparados a processar documentos, selecionar, registrar, armazenar, recuperar e difundir
informação. Na visão de 1 pessoa (6,66%), suas competências permeiam as atividade de
formular, dirigir, administrar e organizar unidades, sistemas e projetos informacionais. Já 2
pessoas (13,33%) são competentes a favorecer a integração, formação e interação cultural,
política e tecnológica, com amplo desenvolvimento social. Para 1 pessoa (6,66%), estão
preparados a elaborar produtos informacionais, planejar, executar estudos de usuários e
sistemas de informação. Por fim, a grande maioria, 6 pessoas (40%) disseram possuir todas as
competências descritas, ou seja, dos 15 sujeitos analisados, apenas 6 possuem as cinco
competências que categorizam o bibliotecário como MIP.
É importante investigar se os profissionais, mesmo não possuindo as competências do
MIP, reconhece a necessidade de adequação das competências profissionais face aos desafios
dos novos tempos. Ao serem indagados sobre quais competências o profissional considera
como necessárias ao fazer bibliotecário, de forma gloriosa, 14 pessoas (93,33%) consideram

1364

�todas elas como necessárias; porém, 1 indivíduo (6,66%) considera os fazeres técnicocientíficos (Gráfico 7).

Gráfico 7 - Com as constantes inovações da sociedade moderna, qual das competências
descritas, você considera necessária ao trabalho do bibliotecário moderno
100
80
60
40
20
0

93,33 %

0

6,66 %

Comp. Comunicaç ão Competências
e expressão
técnico-científica

0

0

Competências
gerenciais

Competências
sociais e políticas

Todas

Fonte: dados da pesquisa

Não resta dúvida de que para adquirir todas as cinco competências do MIP é
necessário que o profissional valorize a formação continuada. Quando investigados a respeito
dessa formação, os resultados também são louváveis, pois, todos os respondentes (100%)
consideram como importante, o investimento na formação continuada (gráfico 8).

Gráfico 8 - Você considera importante a formação continuada do profissional?

Fonte: dados da pesquisa

Visando coletar dados a respeito do investimento na formação continuada, indagou-se
de que forma o profissional mantém atualizada sua formação. De acordo com 3 sujeitos
(20%) investem na pós-graduação; também, na visão de outros 3 sujeitos (20%), eles
participam de minicursos de aperfeiçoamento quanto à prática bibliotecária. Já para 9
entrevistados (60%), utilizam das três assertivas propostas na questão, ou seja, a formação
continuada é consolidada por meio de cursos de pós-graduação, participação em minicursos

1365

�de aperfeiçoamento quanto à prática bibliotecária, e realização de cursos extras de
aperfeiçoamento em geral, como idiomas, oratória, etc. (Gráfico 9).

Gráfico 9 - Em caso positivo da questão anterior, como você gerencia a sua formação
continuada?
on
/in

______________________________________ O/-/vo/_______
U 70
Z U 70

Z U 75
u

n
Curso de Pósgraduação

Minicursos aperfeiçoa.
Bibliotecário

Cursos extras de
aperfeiço. Em geral
(idiomas, oratória)

Todas acima

Fonte: dados da pesquisa

No que se refere ao uso das novas tecnologias, 2 profissionais (13,33%) consideram
necessária a realização de cursos para aperfeiçoamento, porém não participa; ao contrário,
para a maioria, 13 participantes (86,66%), acham necessária a realização de cursos para
aperfeiçoamento e os realizam com frequência (Gráfico 10).

Gráfico 10 - Quanto ao uso das novas tecnologias,

Fonte: dados da pesquisa

A última parte do questionário abarcou as competências dos profissionais no
comparativo com o MIP, semelhante aos aspectos anteriores, no entanto, a análise se voltou
para a atuação do profissional na ambiência da BU. Quando perguntados se existe um setor
específico onde o profissional atua, todos os participantes disseram que atuam em um setor
específico (Gráfico 11).

1366

�Gráfico 11 - Existe um setor específico onde você atua?

Fonte: dados da pesquisa

A maioria dos profissionais atuam no setor de processamento técnico (3
bibliotecários), direção (1), periódico (1) e 2 exercem atividades nos setores de referência e
circulação.
Tendo em vista, verificar o contexto da BU e a flexibilidade do profissional em
exercer todas as competências a ele atribuídas visando consolidar todas as suas capacidades,
perguntou-se a respeito da atuação em outros setores (Gráfico 12).

Gráfico 12 - Em caso afirmativo da questão anterior, mesmo atuando em um setor específico
você

Fonte: dados da pesquisa

Conforme consta no gráfico acima, percebe-se que todos os profissionais entrevistados
(100%) possuem capacidade, podem atuar e atuam em outros setores, desenvolvendo outras
atividades, o que caracteriza a BU como um espaço flexível, permeado por trabalho em
equipe, colaboração, reciprocidade e integração.

1367

�Tentando identificar as cinco competências do MIP voltadas para o contexto
específico da BU, foram analisadas as atividades inerentes a cada uma das competências
(Gráfico 13):

Gráfico - 13 Das atividades abaixo descritas, marque a que você mais realiza tendo em vista
aquilo que a unidade de informação estabelece:

processar doc.,
formular, dirigir,
favorecer a
elaborar produtos
selecionar, registrar,
administar e
integração, formação infor., planejar,
armazenar,
organizar unidades e e interação cult.,
executar estudos
recuperar e difundir
sist. E projetos
política e
usuários e sistemas
inform.
inform.
tecnológica, com
informac.
amplo des. Social.

todas

Fonte: dados da pesquisa

Assim, tentando identificar as cinco competências do MIP voltadas para o contexto
específico da BU, os dados obtidos nos informam que: 7 respondentes (46,66%) processam
documentos, selecionam, registram, armazenam, recuperam e difundem informação; 2
pessoas (13,33%) formulam, dirigir, administram e organizam unidades, sistemas e projetos
informacionais; 1 (6,66%) favorece a integração, formação e interação cultural, política e
tecnológica, com amplo desenvolvimento social; 2 sujeitos (13,33%) elaboram produtos
informacionais, planejam e executam estudos de usuários e sistemas informacionais; por fim,
dos 15 bibliotecários, apenas 3 (20%) realizam todas essas competências na BU.
Na questão de número 14, pretendeu-se identificar as exigências da BU quanto à
adequação do bibliotecário ao MIP. Desse modo, ao ser indagado a respeito do que a unidade
recomenda no cotidiano do profissional, os dados confirmam que: para 1 profissional
(6,66%), para se realizar com efetividade o trabalho em BU, recomenda-se, principalmente a
aquisição de competência de comunicação e expressão; no entendimento de 6 pessoas (40%),
é preciso obter principalmente competência técnico-científicas; a grande maioria, 8 indivíduos
(53,33%), considera que um trabalho em BU requer a aquisição de todas as competências
listadas, quais são: comunicação, técnico-científica, gerenciais e sociais e políticas.

1368

�Gráfico 14 - Em seu trabalho cotidiano, a unidade de informação recomenda que você tenha

principalmente
comp.
Comunicaçãoe
expressão

principalmente
principalmente
competências
competências
técnico-científica
gerenciais

principalmente
competências
sociais e políticas

Todas

Fonte: dados da pesquisa

Quanto à formação continuada do profissional e o posicionamento da BU, obteve-se
os seguintes dados: 2 sujeitos (13,33%) destacaram que a BU incentiva a formação
continuada; de forma gloriosa, mais da metade da amostra, 12 pessoas (80%) consideram que
a BU recomenda a formação continuada. No entanto, de forma contraditória, 1 sujeito aferiu
que a unidade não se preocupa com a formação do profissional (Gráfico 15).

Gráfico 15 - No que diz respeito à sua formação continuada, a unidade
too

80%

80
60
40
13.33%

20

0

■

Incentiva formação continuada

6,66%
I

Recomenda a formação
continuada

Não se preocupa com a
formação continuada

Fonte: dados da pesquisa

Ainda enfatizando o papel da formação continuada e valorização por parte da BU, a
pergunta de número 16 indagou se há algum incentivo por parte da unidade aos profissionais
quanto à formação continuada. Os dados obtidos nos permite descrever que a unidade
incentiva essa formação, oferecendo melhores remunerações aos profissionais que se
qualificam. De acordo com 1 bibliotecário (6,66%), a BU não se preocupa com a formação
continuada; também, 1 pessoa (6,66%) considera que a formação continuada desperta
promoções; já para 13 respondentes (86,66%), a formação continuada proporciona ganhos
financeiros (gráfico 16).

1369

�Gráfico 16 - Há algum incentivo por parte da unidade aos profissionais quanto à formação
continuada?

Fonte: dados da pesquisa

No contexto da BU na contemporaneidade não resta dúvida de que as grandes
mudanças são fruto da inserção ao paradigma tecnológico. As novas tecnologias modificam
os serviços biblioteconômicos, sendo necessária a constante adequação do profissional, tendo
em vista ampliar seus fazeres, adequando-se às novas necessidades. Sendo assim, a última
pergunta investiga o que a BU faz no intento de permitir a adequação profissional aos novos
recursos utilizados (Gráfico 17):

Gráfico 17 - Quanto ao uso das novas tecnologias, a unidade de informação,

Oferece
constantemente cursos
de aperfeiçoamento

Não oferece nenhum Incentiva a realização de Recomenda a realização
curso nesse sentido
cursos particulares de de cursos particulares
aperfeiç.
de aperfeiç.

Fonte: dados da pesquisa

Conforme informa o gráfico anterior, na percepção de 3 respondentes (20%), a BU
oferece constantemente cursos de aperfeiçoamento; contraditoriamente, 1 indivíduo afere que
a unidade não oferece nenhum curso nesse sentido; já para 3 pessoas (20%), a unidade
incentiva os profissionais a realizarem cursos particulares de aperfeiçoamento; na visão da

1370

�maioria, 8 pessoas (53,33%) afirmam que a BU recomenda que os profissionais realizem
cursos particulares de aperfeiçoamento.
É importante frisar que as unidades de informação, independente da categoria a que se
inserem, diante da informatização dos serviços bibliotecários, devem incentivar os
profissionais da informação a realizarem cursos de capacitação a fim de tornarem-se
competentes a usar os recursos oferecidos pelo ambiente digital, pois, assim, inúmeras
possibilidades de tratamento, armazenamento e recuperação da informação serão construídas
tornando resolvidos inúmeros problemas acometidos pela acelerada explosão da informação.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir das reflexões propostas neste estudo, constata-se que os bibliotecários,
visando adequar-se às novas ambiências de trabalho, devem ampliar suas competências,
tornando-se envolvidos com questões que ultrapassem os tradicionais serviços técnicos
voltados para o tratamento de acervos bibliográficos.
O surgimento da sociedade da informação, aliado aos novos recursos tecnológicos,
transformaram as unidades de informação, sobretudo as BUs, devendo elas adequarem-se às
múltiplas necessidades e preferências dos usuários, em meio a um ambiente híbrido, o que irá
condicionar a necessidade de aperfeiçoamento dos usuários da informação e dos profissionais
que estão à frente dos serviços de informação.
No contexto da BU, os bibliotecários devem adquirir o status de MIP, utilizando-se de
diferenciadas competências a fim de tornarem-se preparados para atuar em meio a um
ambiente mutante e diversificado. Ao adquirir novas competências, esse profissional pode
atuar em vários setores, atendendo a diversidade e complexidade da BU.
A partir dessa contextualização, constata-se que o século XXI propicia o aparecimento
de um novo bibliotecário, centrado a fazeres técnicos e humanistas, atuando de forma próativa e interdisciplinar em atividades que requerem comunicabilidade, técnica, ciência, gestão
e engajamento social.
Analisando os dados coletados no estudo em uma BU, pode-se inferir, em linhas
gerais, que o trabalho desenvolvido nessa modalidade de biblioteca é árduo, condicionando o
bibliotecário a buscar formação continuada a fim de tornar-se capacitado a exercer atividades
inovadoras. Fica evidenciado que o bibliotecário deve adquirir competências específicas, tais
como: comunicação/expressão, técnica-científica, gerenciais e sociais e políticas, tornando-se
um profissional multifuncional, integrado, criativo e polivalente.

1371

�O estudo demonstra que a BU investigada reconhece a ampliação dos fazeres
biblioteconômicos, viabilizando esforços no sentido de motivar e favorecer a adequação do
bibliotecário ao status de MIP, sendo necessário para isso o engajamento com a formação
continuada do profissional.
Pelas análises realizadas, percebe-se que as competências exigidas para que o
bibliotecário seja MIP no contexto da BU somente se efetivam se houver, primeiramente,
interesse por parte do profissional e, aliado a esse fato, a própria BU incentivar os
profissionais a buscar novas formas de capacitação.
De modo geral, o estudo confirma que as competências do MIP são praticadas pelos
bibliotecários que atuam em BU, sendo necessário, a priori., o investimento na formação
continuada. Essa formação é praticada pelos profissionais de diferentes formas, sendo
também viabilizada pela unidade de informação, cabendo ao próprio profissional divulgar
essa necessidade e desejo constante de aprimoramento, com vistas a consolidar a melhoria
contínua dos serviços prestados nessas unidades de informação.
O estudo viabiliza a necessidade de realização de novas pesquisas, focada no usuário,
no intento de perceber seus anseios diante das novas características híbridas existentes na
ambiência atual da BU. Devido à análise delimitada deste estudo, voltada exclusivamente
para as competências do bibliotecário, faz-se pertinente, a realização de outros estudos que
demonstrem os esforços realizados pela BU para que a comunidade usuária adquira
competências necessárias a utilizar com efetividade os serviços e produtos oferecidos na
ambiência dessas unidades híbridas.

REFERÊNCIAS
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1372

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A diversidade na oferta de serviços e produtos constitui uma das características mais marcantes das bibliotecas universitárias (BU). Essa diversidade se amplia constantemente, sobretudo com a crescente utilização das novas tecnologias e o acúmulo de informações geradas, o que fez desencadear a necessidade de ampliação das competências e características dos profissionais que atuam nessas unidades de informação. A fim de acompanhar essas mudanças, os bibliotecários precisam adquirir novas competências, adequando-se ao perfil de um profissional inovador, categorizado como Moderno Profissional da Informação (MIP). Assim sendo, este estudo objetiva apresentar as características e competências dos bibliotecários atuantes em BU,  elacionando-as ao perfil do MIP. Para tanto, o artigo discute, com base na literatura, o contexto no qual se situam as BUs, bem como as principais atividades prestadas, e as competências necessárias para que os bibliotecários sejam considerados MIP. Por fim, foi realizado um estudo em uma BU, aplicando questionário a 15 bibliotecários com vistas a investigar suas competências. Após análise e comparação entre as competências desses sujeitos com as do MIP, conclui-se que as competências do MIP são praticadas pelos bibliotecários que atuam em BU, sendo necessário, a priori, o investimento na formação continuada. Essa formação é praticada pelos profissionais de diferentes formas, sendo também viabilizada pela unidade de informação, cabendo ao próprio profissional divulgar essa necessidade e desejo constante de aprimoramento, com vistas a consolidar a melhoria contínua dos serviços prestados nessas unidades de informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇOS DE DESCOBERTA

Anderson Santana

RESUMO
Os serviços de descoberta são sistemas de busca, com a função de integrar conteúdos
informacionais de variadas fontes de dados, sejam elas remotas, como aquelas disponíveis em
plataformas de editores ou agregadores, ou fontes locais como os sistemas de gerenciamento
de bibliotecas, bibliotecas digitais, repositórios institucionais, dentre outras. Todos esses
conteúdos são pesquisáveis e recuperados por uma interface de acesso única. O presente texto
tem como intuito apresentar um panorama sobre os serviços de descoberta e seu uso no Brasil.
Ademais, sugere uma proposta analítica para seleção de serviços de descoberta, baseada em
um questionário que compreende os recursos desejáveis do sistema. Espera-se que com o
conteúdo ora apresentado possa-se ampliar o conhecimento sobre a ferramenta e auxiliar os
bibliotecários na seleção de tal serviço.
Palavras-Chave:Serviços de Descoberta; Ferramentas de Busca; Catálogos; OPACs;
Tecnologia da Informação.

ABSTRACT
The discovery services are search systems, with the function of integrating information
contents of various data sources, remotes, such as those available from publishers or
aggregators platforms, or local sources such as integrated library systems, digital libraries,
institutional repositories, amongothers. All these contents are searchable and retrievedby a
single access interface. This paper has the purpose to presentan overview of the services
discovery and its use in Brazil. Furthermore, suggesting a analytical proposal for selecting
discovery services,based on a questionnaire comprising the desirable features of the system. It
is expected that the content presented here in maybe broadening our understanding of the tool
and to assist librarians in selecting such service.
Keywords: Discovery
Technology.

Services;

Search Engines; Catalogues; OPACs; Information

1 Introdução
O processo de busca por informações geralmente foi cercado por uma aura utópica. Os
sistemas almejados deveriam ser capazes de prever os próximos passos do pesquisador e lhe
fornecer a maior quantidade possível de informações validadas.

4601

�A evolução dos sistemas de busca foi, sobremaneira, a mola propulsora do
crescimentoexponencial da ciênciadesde a década de 1940. (BAETA-YATES e RIBEIRONETO, 1999 e BUSH, 1945). Com o fim da segunda-guerra, todo o conhecimento adquirido
precisava ser registrado e posteriormente recuperado; portanto a necessidade de sistemas de
busca mais sofisticados era uma necessidade premente.
O desenvolvimento dos catálogos de bibliotecas (Online Public Access Catalogues OPACs), passando de um simples índice a ferramenta de descoberta de conteúdos tanto
físicos como digitais, foram fundamentais para agilizar as pesquisas e a produção de
conhecimento novo.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar o novo nível dos sistemas de busca
de informações, os serviços de descoberta em escala web (web-scalediscoveryservices) e
propor um instrumento de avaliação para as instituições que desejam adquirir tal solução, com
base na verificação de critérios que se adequem à sua necessidade.
Para tanto, realizou-se um levantamento dos serviços e sistemas disponíveis para
comercialização no Brasil e com base na literatura existente, desenvolveram-se parâmetros
para seleção.
O serviço de descoberta no Brasil é relativamente novo. A primeira instalação de uma
solução como essa se deu no ano de 2011, porém a quantidade de instituições utilizando tal
serviço no mundo naquela época superava as trêsmil(BREEDING, 2012a). Atualmente o total
de instalações das quatro principais empresas do mercado, superam as nove mil e
quatrocentas (BREEDING, 2014a).
Dessa forma, espera-se que com este trabalho possa-se ampliar o conhecimento sobre
a ferramenta e auxiliar os bibliotecários na seleçãode tal serviço.

2 Serviços de Descoberta
O uso dos catálogos bibliográficos remontamos primeiros registros formais do
conhecimento humano e, portanto, cabe destacar alguns pontos temporais de sua evolução:
•

250a.C. - Biblioteca de Alexandria - as Pinakes(conjuntos de rolos com
informações bibliográficas das obras existentes na biblioteca) são consideradas
o primeiro catálogo de biblioteca, tendo como acesso principal o assunto
(DRAKE, 2003);

•

1572 - Biblioteca de Jeremias Martius - primeiro catálogo impresso de
biblioteca (NORMAN, 2014);

•

1895 a 1934 - Mundaneum - biblioteca criada por Paul Otlete Henri de la

4602

�Fontaine com o objetivo de catalogar todo o conhecimento humano, por meio
do Repertório Bibliográfico Universal, que chegou a possuir mais de 15
milhões de fichas catalográficas (RAYWARD, 1975);
•

1945 - Memex - apesar de nunca ter sido desenvolvido formalmente, o
Memex, uma criação do pesquisador e ex-diretor do Escritório de
Desenvolvimento e Pesquisa Científica do governo americano, Vannevar Bush,
seria uma máquina que interagia com diversas fontes de informação por meio
do hipertexto. Seus conceitos serviram de base para a criação da Web (BUSH,
1945 e DALAKOV, [20??]);

•

1960 - Desenvolvimento dos primeiros catálogos online, porém na metade da
década de 1970 dá-se início ao desenvolvimento em larga escala dos OPACs.
Em 1983 surge o Sistema Integrado de Bibliotecas (Integrated Library System
- ILS) mais popular, o Dynix Library Management System (BALBY, 2002 e
BREEDING, 2005);

•

1996 - Google - entra no ar, como um projeto de pesquisa, a primeira versão
daquela que se tornaria a ferramenta de busca de informações mais utilizada no
mundo e que modificou todos os modelos anteriormente existentes de padrões
de buscas (GOOGLE, 2014);

•

2009 - Summon - primeiro serviço de descoberta em escala web, permitindo a
busca nos catálogos locais e bases de dados externas simultaneamente
(BREEDING, 2013).

Os serviços de descoberta têm por conceito proporcionar o acesso a todos os aspectos
das coleções de bibliotecas, não apenas os que são geridos no catálogo tradicional da
biblioteca, que é limitado ao conteúdo gerenciado pelo sistema integrado de bibliotecas e tem
o papel de ajudar os usuários a descobrirem o conteúdo da biblioteca em todos os formatos,
independentemente de ele residir dentro da biblioteca física ou entre as suas coleções de
conteúdo eletrônico, abrangendo ambos os materiais de propriedade local e aqueles acessados
remotamente por meio de assinaturas (BREEDING, 2012b).
Serviços de descoberta em escala web (web-scalediscovery system) são capazes de
indexar uma variedade de conteúdo, seja hospedado localmente ou remotamente. Esse
conteúdo pode incluir registros de biblioteca (oriundos do ILS), coleções digitais, repositório
institucional e conteúdo de bancos de dados desenvolvidos localmente e hospedados. Além

4603

�disso, eles pré-indexam remotamente o conteúdo, seja comprado ou licenciado pela
biblioteca. Este último conjunto de conteúdo - de centenas de milhões de itens - pode incluir
e-books, dezenas de milhares de periódicos em texto completo de editores ou agregadores,
conteúdos de bases dados referenciais, e materiais depositados em repositórios de acesso
aberto. Os serviços de descoberta são serviços flexíveis que proporcionam a rápida e perfeita
descoberta, entrega e classificação de relevância em um enorme repositório de conteúdo
(VAUGHAN, 2012).
Suas características gerais possuem: recursos de ordenação baseada em relevância dos
resultados de busca, facetas para restringir os resultados de acordo com categorias específicas,
como autores, intervalos de datas e tipos de materiais. Estes mecanismos podem incluir a
identificação de localização e status de um item físico, com a opção de reservá-lo;
possibilidade de vinculação direta com a versão eletrônica para visualização ou download de
artigos, capítulos de livros, e-books ou outros itens textuais disponíveis eletronicamente.
Possuem ainda recursos sociais como inclusão de comentários, resenhas, avaliação, ou
interação dinâmica com outros usuários (BREEDING, 2014b).
Dessa forma, os usuários do sistema têm acesso a um conteúdo muito mais vasto do
que aquele disponível no catálogo da biblioteca, ampliando exponencialmente o alcance da
sua busca, com a vantagem de tudo isso ser descoberto a partir de um único ponto de acesso.
Tal sistema minimiza o tempo empreendido nos levantamentos bibliográficos pelos
pesquisadores, que no modelo antigo de busca, demandariam o acesso em pelo menos uma
dezena de bases de dados.
Para que o sistema funcione de forma eficaz os fornecedores comerciais de serviços de
descoberta criam acordos com os editores e agregadores de conteúdos para indexação dos
metadados e textos completos, com isso eles geram um “megaíndice” tornando a busca mais
rápida e sem a necessidade do cliente ter que catalogar e indexar localmente tal conteúdo. Ao
cliente basta entrar na área administrativa do serviço e ativar os conteúdos assinados. Para os
conteúdos disponíveis localmente na instituição, como portais de revistas, bibliotecas digitais
e repositórios institucionais, os sistemas permitem a indexação em nível privado, ou seja, tal
conteúdo ficará disponível somente para os usuários daquela instituição.
Os resultados do uso dos serviços de descoberta pelas bibliotecas têm sido positivos,
de acordo com O’Hara (2012) foi possível verificar, com base em estatísticas de uso,um
crescimento no uso de periódicos eletrônicos em torno de 43% e Yeo (2012) comenta que
68,% de seus usuários estão satisfeitos com o sistema de descoberta.Assim, podemos

4604

�considerar que os serviços de descoberta têm sido bem aceitos e demonstrado seu papel
fundamental de descobridor de conteúdos.
No entanto, poucas bibliotecas brasileiras têm aderido a esse novo capítulo da busca
de informações e poucos trabalhos têm sido publicados relatando seu uso. A primeira
implantação de um sistema de descoberta foi realizada em 2011 pela (1) Universidade
Estadual Paulista (UNESP) - sistema: Primo.Em 2012 foram lançados os serviços da (2)
Universidade de São Paulo (USP) - sistema: Primo;(3) Portal de Periódicos Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - sistema: Primo;(4) Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) - sistema: Primo;(5) Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) - sistema: Summon;(6) Universidade
Católica de Brasília (UCB) - sistema: Summon;(7) Universidade de Brasília (UnB) - sistema:
Summon;(8) Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - sistema: Summon; Petrobrás
-

sistema:

Summon.

Em

2013

e

2014

foram

implantados

também

na

(9)LaureateInternationalüniversitiesBrazil (constituído por 10 universidades - sistema:
EDS); Universidade de Fortaleza (UNIFOR) - sistema: Summon) e (10) Universidade do
Estado do Rio de Janeiro (UERJ - sistema: EDS). A obtenção desses dados são difíceis, pois
não existe um controle dos usuários brasileiros.
Todavia, já está em andamento, como parte desta pesquisa, a criação de um relatório
de uso de tecnologias de biblioteca no Brasil, nos moldes do relatório anual apresentado por
BREEDING (2014c).

3 Proposta analítica para seleção de serviços de descoberta
O mercado brasileiro possui quatro serviços de descoberta disponíveis:
•

Ebsco Discovery Service (EDS) - desenvolvido pela EbscoInformation Services,
empresa com foco no fornecimento de conteúdos informacionais. O EDS foi lançado
oficialmente no ano de 2010 e possui a maior base de clientes no mundo, com mais de
5.600 instalações;

•

Primo/Primo Central (ExLibrisGroup) - o ExLibrisGroup é um dos principais
desenvolvedores de soluções para bibliotecas. O sistema Primo foi lançado em 2006 e
não possuía um índice central, sendo este lançado 2010 com o nome de Primo Central.
Possui mais de 1.400 clientes e cabe ressaltar que é o único dos quatro serviços que
permite a instalação local do seu sistema (todos os demais são serviços em nuvem).

•

Summon (Proquest) - desenvolvido pela Proquest, que assim como a Ebsco, tem seu
foco no fornecimento de conteúdos informacionais. A primeira versão do Summon foi

4605

�lançada no ano de 2009 e possui mais de 670 clientes.
•

WorldCat Discovery (OCLC) - a OCLC é um órgão não governamental e sem fins
lucrativos, lançou seu serviços de descoberta em 2009 e possui a segunda maior base
de clientes do mundo, com mais de 1.700 (BREEDING, 2014a e VAUGHAN, 2011).

Para uma análise de uso desses serviços, foram verificados quais deles eram utilizados
pelas

10

principais

TimesHigherEducationRanking

universidades

mundiais

de

acordo

com

o

.

Entre as 10 universidades, o sistema Primo está presente em quatro, Summon e
Worldcat Discovery em duas cada um, e o EDS em uma. Uma universidade não utiliza a
descoberta e outra utiliza uma opção de software livre. Um caso interessante é Princeton que
utiliza dois sistemas, o Primo e o Summon.

Tabela 1 - Universidades e Serviços de Descoberta utilizados
UNIVERSIDADE

DESCOBERTA

CaliforniaInstituteof Technology

Nenhum

Universityof Oxford

Primo

Harvard University

Primo

Stanford University

WorldCat Discovery

MIT

EDS

Princeton University

Primo / Summon

Universityof Cambridge

Summon

UniversityofCalifornia, Berkeley

WorldCat Discovery

Universityof Chicago

VUFind

Imperial College London

Primo

Fonte: Top 10 - Times HigherEducation Ranking e páginas web das Bibliotecas

524 Disponível em: http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings/

4606

�Gráfico 1: Serviços de descoberta utilizados pelas 10 mais importantes universidades do
mundo

Fonte: Top 10 - Times HigherEducation Ranking e páinas web das Bibliotecas

Para o estabelecimento de uma proposta analítica para seleção de serviços de
descoberta, foram utilizados os estudos propostos por Vaughan (2011) e Santana e Ferreira
(2012).
Cabe ressaltar que o presente trabalho é parte de um estudo mais abrangente que visa
analisar três pontos acerca dos serviços de descoberta no Brasil: (1) Levantamento de
informações dos serviços disponíveis para parametrização comparativa; (2) Satisfação do
cliente por meio de entrevista com as instituições brasileiras que utilizam os serviços de
descoberta; (3) Satisfação do usuário final por meio de entrevista com usuários finais das
universidades que utilizam os serviços de descoberta.
Portanto o que apresentamos neste trabalho é o parâmetro utilizado na primeira fase
desse estudo, a qual utilizou o questionário “Mapeamento de Sistemas de Descoberta (WebScale Discovery Systems)” (APÊNDICE A). Tal questionário permitirá à biblioteca analisar e
selecionar o serviço que melhor se adeque às suas necessidades. Todavia, a biblioteca
precisará realizar previamente uma análise de suas necessidades, conteúdos a serem
indexados e custo-benefício. Deve ter em mente também que o custo com um serviço de
descoberta é constante, ou seja, para ser utilizado ele deverá ser pago anualmente.

4 Considerações Finais
Os serviços de descoberta estão começando a se tornar uma realidade no Brasil e as
quatro opções existentes possuem funcionalidades interessantes e bastante similares, no
entanto as bibliotecas que possuem grande quantidade de fontes de informação locais,

4607

�necessitam analisar os serviços com mais cuidado e algumas perguntas precisam ser
respondidas antes de iniciar um processo de seleção: Eu conheço meu usuário?; Meu usuário
precisa da descoberta?;Eu sei onde meu usuário busca informações?; O desenvolvedor do
meu ILS vai permitir sua integração à Descoberta?Que nível de integração do meu ILS com a
Descoberta eu vou querer?; Minha Universidade permitirá que meus dados bibliográficos
sejam incorporados em uma nuvem comercial?; Que autonomia eu quero ter com a gestão e
ingestão dos meus dados na Descoberta?
Estas perguntas são fundamentais, porém há uma que merece mais atenção e análise:
você possui assinaturas de bases de dados e de revistas eletrônicas além daquelas já existentes
no Portal de Periódicos CAPES? Isso é importante, pois a CAPES já possui um serviço de
descoberta disponível para todo o Brasil. Se a biblioteca não tiver nada além do Portal
CAPES não se justifica a assinatura de um serviço de descoberta. Porém se a instituição
possuir assinaturas, bases de dados locais, bibliotecas digitais dentre outras, a contratação de
tal serviço está mais do que justificada.
Grandes instituições ao iniciarem um processo de seleção de descoberta o fazem
durante meses, dedicando uma boa parcela de horas diárias de suas equipes bibliotecárias e de
tecnologia a estudarem e a compararem os serviços disponíveis.
Esperamos que as próximas fases deste estudo possam auxiliar ainda mais a classe
bibliotecária no conhecimento dos serviços disponíveis e na decisão de seleção do serviço.

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APÊNDICE A

Mapeamento de Sistemas de Descoberta (Web-Scale Discovery Systems)

1. Modelo de instalação/contratação: Instalação Local; Software As A Service (S.A.A.S.); ou
Outro.
1.1. Se o modelo de contratação inclui instalação Local, o sistema pode ser implantado em
uma plataforma em Software Livre? Qual?
1.2. Se o modelo de contratação inclui S.A.A.S., há limitações na quantidade de fontes de
dados a serem indexadas?
1.3. Possui suporte a Consórcios?
Obs.: O item um tem como intuito estabelecer o modelo de implantação do serviço pela
empresa. Dos quatro serviços existentes somente o Primo possui mais de um modelo: Local,
instalado em servidores do cliente; Direct, instalado em servidores da ExLibris, porém com
gestão total pelo cliente; e Total Care, instalado em servidores da ExLibris, cuja gestão
também é a cargo deles. Nos demais serviços, a instalação e a gestão da ferramenta ficam a
cargo das empresas. A quantidade de fontes indexadas é importante no caso de grandes
universidades que possuam muitas bibliotecas digitais.

4610

�2. Permite normalização dos dados antes e após a importação?
Obs.: Esta pergunta se refere à possibilidade de realização de ajustes em massa dos metadados
importados das fontes de dados locais do cliente, como por exemplo, inserção de campos de
notas que não existem nos metadados originais.

3. Permite alterar o ranking dos resultados?
Obs.: Diz respeito à possibilidade de modificar o sistema de rankeamento do sistema,
fazendo, por exemplo, com que itens locais (catálogo local, artigos do repositório institucional
etc.) apareçam nas primeiras posições dos resultados de busca. Possibilitando assim que o
usuário final possa descobrir itens existentes em sua biblioteca e documentos científicos
gerados pela própria instituição.

4. Permite agendamento diário do harvesting das fontes de dados? É possível executar o
harvesting a qualquer momento?
Obs.: Refere-se ao nível de controle do sistema por parte do cliente. Há sistemas que
permitem total gestão de importação de dados pelo cliente, permitindo a realização desta a
qualquer hora. Há outros que são estanques e o padrão pode ser diário ou semanal.

5. Permite integração com o Sistema Integrado de Bibliotecas (ILS em inglês Integrated
Library System) da instituição?
5.1. A integração com o ILS é em tempo real (OPAC via Sistema)?
5.2. Com quais ILS's o sistema permite integração e em que nível?
Obs.: Esta é uma questão fundamental para as bibliotecas, pois muitas instituições utilizam a
descoberta como sua única camada de busca e gestão da conta do usuário na biblioteca,
aposentando, assim, o OPAC. Portanto é imprescindível para a Biblioteca planejar o que ela
deseja da sua descoberta e se o seu ILS é suportado pelo sistema.

6. Possui suporte a serviços de recomendação?
Obs.: Serviços de recomendação são bastante úteis ao se realizar buscas em lojas comerciais
eletrônicas e alguns dos sistemas de descoberta possuem tais serviços, ampliando ainda mais
os resultados das buscas, relacionando artigos a um item de interesse.

4611

�7. Permite customização total da interface?
7.1. A interface do sistema para o usuário final possui versão em português? Quais outras
línguas estão contempladas?
Obs.: A customização está relacionada à possibilidade de tornar a interface da descoberta
mais próxima do layout padrão da instituição. Alguns serviços permitem uma customização
total, outras somente a troca do logotipo. Além disso, as línguas suportadas na interface
permitirão ampliar o uso dela por usuários estrangeiros.

8. O sistema permite que a busca seja feita em português e traduz os termos buscados para
outras línguas, permitindo assim que resultados em outros idiomas sejam recuperados?
Obs.: Diz respeito à possibilidade de realização de buscas semânticas. Em geral esta
funcionalidade está relacionada ao uso de vocabulários controlados e/ou ontologias
multilíngues, adicionadas ao sistema da descoberta.

9. Utiliza facetas de filtragem de resultados? É possível escolher o lado da tela no qual elas
aparecem? Qualquer campo de metadados pode se tornar uma faceta?
Obs.: Questão fundamental que está relacionada à capacidade de customização dos filtros de
busca. Se o cliente possui muitas bibliotecas digitais em sua instituição, talvez seja necessária
a criação de facetas baseadas em metadados específicos e o sistema deverá possibilitar isso.

10. Possui ferramenta de sugestão de termos digitados errados do tipo "Você quis dizer
XXX"?
Obs.: Ferramenta de auxílio ao usuário, pois permite ele digitar um termo errado e lhe ser
sugerido a sua versão correta.

11. Permite o uso de tags e resenhas nos itens recuperados?
Obs.: Alguns sistemas de descoberta permitem o uso de tags e resenhas por usuários
cadastrados. Sua aplicação pode ter variadas funções, uma delas seria para criar listas de
bibliografias básicas dos cursos da instituição.

12. Possui opção de salvar uma busca, salvar itens em uma pasta particular e criar alertas?
Obs.: Estas funcionalidades estão presentes na maioria das bases de dados e auxiliam bastante
os pesquisadores, portanto os sistemas devem prever tal necessidade por parte do usuário.

4612

�13. Possui princípios de ferberização (FunctionalRequirements for Bibliographic Records FRBR)?
Obs.: Os usos dos princípios do FRBR se tornam mais funcionais ainda quando se
potencializa a capacidade da busca. A organização dos resultados de buscas por variações de
uma obra facilitam sobremaneira a pesquisa bibliográfica.

14. Permite a ativação e desativação de deduplicação de registros?
Obs.: A deduplicação, ou a eliminação de duplicatas, é fundamental para instituições com
muitas bibliotecas e muitos catalogadores. A duplicação de conteúdos nesse caso é inevitável.
Assim, os sistemas de descoberta podem auxiliar a organização dos itens, eliminando as
duplicatas e mesclando os dados, transformando os itens iguais em um único.

15. Permite refinar os resultados de busca em diferentes facetas ao mesmo tempo, sem a
necessidade de entrar uma por uma?
Obs.: Ao se realizar uma busca o usuário pode receber um número bastante expressivo de
resultados e o uso de facetas de refinamento permite a ele chegar aos seus itens de interesse,
no entanto, ter que clicar em uma faceta por vez pode tornar a busca mais demorada, portanto
as opções de seleção múltipla de facetas para posterior aplicação agilizam esse processo.
16. Possui acesso à área particular para os usuários do sistema (login)?
Obs.: Esta funcionalidade independe da integração com o ILS. Este item diz respeito a acesso
a uma área particular do usuário na descoberta.

17. Qual a quantidade de itens no Índice Central? Qual o percentual de itens em Acesso
Aberto?
Obs.: Esta questão está relacionada à abrangência do índice central da descoberta. Quanto
maior o volume de conteúdo mais garantia de cobertura dos itens assinados/licenciados pela
biblioteca se tem. O percentual de conteúdos em acesso aberto é importante, pois permite que
a biblioteca tenha acesso a conteúdos que demandariam buscas variadas para serem
localizados. Ademais, permite-se analisar com isso, a necessidade de continuidade de algumas
assinaturas pela biblioteca, dado o uso de conteúdos similares livres.

4613

�18. Permite restringir a busca a somente itens em Acesso Aberto?
Obs.: Apesar de estar relacionada ao item anterior esta pergunta tem uma função mais
objetiva, ou seja, permitir a busca somente em itens que sejam reconhecidamente de acesso
aberto. Tal requisito não existe em nenhum dos sistemas de descoberta disponíveis.

19. Quanto ao suporte, a empresa tem equipe em território brasileiro? Em caso negativo,
possui equipe de suporte que fale português?
Obs.: Em todas as quatro soluções existentes no Brasil, o suporte avançado se encontra fora
do país. As primeiras linhas de atendimento em sua maioria são de profissionais de suporte
geral. Portanto, é fundamental que a biblioteca cobre isso do fornecedor do serviço, ou possua
um profissional na sua equipe com boa fluência na língua inglesa.

20. Qual a quantidade de clientes do sistema?
Obs.: Importante saber a quantidade tanto em nível nacional, bem como internacional de
clientes, para avaliar se haverá outras pessoas para compartilhar dúvidas e ideias ou não.

21. Quais os principais diferenciais do sistema em comparação aos concorrentes?
Obs.: Item fundamental para comparar os diferenciais entre um serviço e outro, além de
perceber como a empresa se coloca em relação aos concorrentes.

22. Comentários adicionais.

4614

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Publisher</name>
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                <text>Os serviços de descoberta são sistemas de busca, com a função de integrar conteúdos informacionais de variadas fontes de dados, sejam elas remotas, como aquelas disponíveis em plataformas de editores ou agregadores, ou fontes locais como os sistemas de gerenciamento de bibliotecas, bibliotecas digitais, repositórios institucionais, dentre outras. Todos esses conteúdos são pesquisáveis e recuperados por uma interface de acesso única. O presente texto tem como intuito apresentar um panorama sobre os serviços de descoberta e seu uso no Brasil. Ademais, sugere uma proposta analítica para seleção de serviços de descoberta, baseada em um questionário que compreende os recursos desejáveis do sistema. Espera-se que com o conteúdo ora apresentado possa-se ampliar o conhecimento sobre a ferramenta e auxiliar os bibliotecários na seleção de tal serviço.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECA DIGITAL DE MONOGRAFIAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
FEIRA DE SANTANA: acertando na recuperação e democratização da produção
acadêmica
Isabel Cristina Nascimento Santana
Maria do Carmo Sá Barreto Ferreira
Rejane Maria Rosa Ribeiro
Marijalma Oliveira Campos
Abraão Vieira Maia
RESUMO
Aborda sobre a criação do repositório de monografias dos cursos de graduação e
especialização da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), intitulado de Biblioteca
Digital de Monografias (BDM), cujo objetivo é armazenar, preservar e divulgar essa produção
acadêmica em formato digital, sendo gerida pela Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC).
Três etapas foram necessárias para criação da BDM: o planejamento, o desenvolvimento, a
implantação. Entre os benefícios temos: a portabilidade e o ganho do espaço que seria
necessário para acomodar o acervo de monografias nas estantes já que o conteúdo (digital)
está armazenado em um servidor, acessível na internet; é ecologicamente correto por não
consumir papel; os mecanismos de busca agilizam e deixam mais eficaz a localização do
documento; maior divulgação e democratização do acesso à produção das monografias; e
disponibilização e preservação da produção acadêmica. Com isso, a BCJC busca alcançar a
excelência nos produtos e serviços prestados à comunidade universitária da UEFS.
Palavras-Chave: Repositório Institucional. Biblioteca digital. Monografias.

ABSTRACT
Tackles about repository creation of monographs of undergraduate specialization and the
Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), entitled Digital Library Monographs
(BDM), whose purpose is to store, preserve and promote this academic production in digital
format, being managed by the Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC). Three steps were
necessary to create the BDM: planning, development, deployment. Among the benefits are:
portability and gain the space that would be needed to accommodate the collection of
monographs on the shelves since the content (digital) is stored in an accessible Internet server;
is environmentally friendly by not consuming paper; search engines and streamline leave
most effective location of the document; wider dissemination and democratization of access
to the production of monographs; and availability and preservation of academic production.
Thus, the search BCJC achieve excellence in products and services to the university
community UEFS.
Keywords: Institutional repository. Digital library. Monographs.

4094

�1 Introdução

Com a explosão da informação, a facilidade de publicar e a política de aquisição das
bibliotecas voltadas cada vez mais para ações cooperativas, a exemplo dos consórcios, os
acervos estão crescendo, porém o mesmo não se pode dizer dos espaços físicos. Para superar
esse problema as bibliotecas estão adotando soluções com base nas tecnologias da
informação, como adquirir obras eletrônicas e criar os repositórios institucionais (RI), que
democratizam o acesso à produção acadêmica, científica e cultural das Instituições de Ensino
Superior. Essa alternativa também pode ser a solução ideal para a guarda e disponibilização
das monografias apresentadas como trabalho de conclusão de curso de graduação e de cursos
de pós-graduação lato sensu.
Neste contexto, a UEFS iniciou seu repositório com a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT)
e em seguida com a criação da Biblioteca Digital de Monografias (BDM).
Vale ressaltar, que a biblioteca digital é uma ferramenta que oferece várias vantagens,
tais como: permite o acesso remoto e simultâneo pelos usuários; não necessita de espaço
físico para armazenamento do acervo; preserva a memória da instituição; e promove maior
visibilidade à produção acadêmica e científica.
Atualmente, a UEFS mantém 27 (vinte e sete) cursos regulares de graduação, sendo 14
(catorze) bacharelados e 13 (treze) licenciaturas; além de 23 (vinte e três) cursos de pósgraduação lato sensu, e 17 (dezessete) cursos stricto sensu, nas diversas áreas do
conhecimento. Diante dessa realidade, que gera um grande número de monografias,
dissertações e teses, produzidas a cada semestre na Universidade, e pela falta de espaço na
BCJC para acondicioná-las, foi necessária a criação de espaços virtuais que pudessem
armazenar as informações produzidas, sem nenhum prejuízo para o autor e nem para o usuário
e, ainda, disponibilizando um acesso livre e rápido na recuperação da informação. Pois,
segundo Lawrence (2001, p. 521) “Para maior impacto e de mais rápido progresso científico,
autores e editores devem procurar fazer pesquisa de fácil acesso”.
A BDM é um repositório de acesso aberto, que tem o objetivo de armazenar e divulgar
a produção acadêmica, especificamente as monografias dos cursos de graduação e
especialização da UEFS. Essa iniciativa, da BCJC em parceria com a Assessoria Especial de
Informática da UEFS, é uma importante inovação, que permite o recebimento do grande
número de monografias produzidas pela comunidade acadêmica, sem comprometer o espaço
físico da Biblioteca Central.

4095

�2 Revisão de Literatura

Com a evolução tecnológica, as bibliotecas universitárias têm buscado alternativas
para qualificar os serviços e produtos, visando satisfazer as necessidades dos usuários.
Segundo Cunha (1999, p. 2) “apesar das dificuldades financeiras que tradicionalmente a
biblioteca enfrenta, as novas tecnologias foram, paulatinamente, incorporadas às suas
atividades, provocando mudanças internas e na maneira de prover produtos e serviços aos
usuários”.
As bibliotecas sempre conviveram com problemas relativos às instalações e espaços
físicos insuficientes para armazenar seus acervos e disponibilizar os serviços aos usuários.
Esta realidade se amplificou nos dias atuais, principalmente com o evidente crescimento das
universidades, sendo uma grande preocupação dos gestores das bibliotecas. Para Cunha
(1999, p. 4) “cada biblioteca deve avaliar cuidadosamente o seu espaço, levando em conta que
o programa de disponibilidade da informação combinará, por alguns anos, numa forma
híbrida, o uso tradicional do suporte em papel com a ampla gama dos suportes digitais.
Segundo a Wikipédia “os Repositórios Institucionais são sistemas de informação que
servem para armazenar, preservar, organizar e disseminar amplamente os resultados de
pesquisa de instituições de ensino e pesquisa, utilizando um software”. No Brasil o software
mais usado na criação de RI é o DSpace.
Com o passar do tempo, os repositórios se estenderam a toda produção institucional:
técnico, científica e cultural, se transformando na memória da instituição. Para Lynch (2003)
repositório é um conjunto de serviços que uma universidade oferece - aos membros de sua
comunidade - a fim de gerenciar e disseminar materiais digitais criados pela instituição e
membros da comunidade.
Atualmente, a sociedade da informação considera necessária a preservação de acervos
e, consequentemente, da memória institucional, utilizando suportes digitais. Portanto, cresce o
número de repositórios institucionais no Brasil.

3 Materiais e Métodos

O projeto de criação da BDM, iniciado em janeiro de 2011, foi executado em três
etapas: o planejamento, o desenvolvimento e a implantação.
A BCJC enxergou uma oportunidade para criar um repositório de monografias dos
cursos de graduação e especialização da UEFS nos mesmos parâmetros do Sistema de

4096

�publicação Eletrônica (TEDE) e da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UEFS
(BDTD) cedidos pelo IBICT, contando para tanto com a Assessoria Especial de Informática.
Durante o planejamento foi realizado estudo de viabilidade através de análise técnica e
levantamento de requisitos com os usuários, decidindo-se por aproveitar o sistema orientado à
código aberto do TEDE/BDTD para enquadrá-lo à nova necessidade da instituição, a BDM.
No desenvolvimento foi utilizada toda infraestrutura (equipamento,

sistema

operacional, aplicativo de proteção dos trabalhos a serem armazenados, código fonte e o
banco de dados), bem como as regras de negócio do sistema TEDE/BDTD (critérios, normas,
validações). A partir da documentação original foram identificadas todas as funcionalidades
do sistema e levantados os pontos a serem alterados através da reutilização do código fonte.
Para a implantação, em fevereiro de 2014, foi feita uma comunicação junto aos
colegiados de graduação e as coordenações dos cursos de especialização, para a sensibilização
quanto à importância da biblioteca digital e da alimentação da base, através do envio dos
trabalhos monográficos à BCJC.
Nesses primeiros meses da implantação, foram incluídas na BDM 16 monografias do
curso de Bacharelado em Direito e em Física. Outras monografias foram recebidas pela
biblioteca, porém estão aguardando o termo de autorização assinado para inclusão na
biblioteca digital.

Figura 1: Página de busca da BDM

Fonte: http://tede.uefs.br/monografias/tde_busca/idex.php
Com a colaboração da Assessoria de Comunicação da UEFS foi realizada uma ampla
divulgação da BDM para a comunidade interna e externa, bem como matéria publicada no
número 37 do BC Informa - Informativo do Sistema Integrado de Bibliotecas da UEFS. Além
disso, foi colocado na home page da BCJC um texto explicativo sobre a BDM com link para
baixar o termo de autorização. Pois, para ter sua monografia inserida na BDM, o autor deve
assinar o termo de autorização, permitindo a inclusão do seu trabalho na biblioteca digital,
além de entregar o trabalho no formato Word, que é convertido para PDF no próprio sistema.

4097

�Figura 2: Termo de Autorização
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS
BIBLIOTECA CENTRAL JULIETA CARTEADO

TERMO DE AUTORIZAÇÃO

Na qualidade de titular dos direitos de autor da monografia, autorizo o Sistema
Integrado de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS) a
disponibilizar através do site, sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a
Lei n° 9610/98, o texto integral do trabalho abaixo citado, conforme permissões
assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da
produção científica brasileira, a partir desta data.

Identificação do material bibliográfico:

( ) Monografia de conclusão de curso de graduação
( ) Monografia de Programa de pós-graduação

Identificação da Monografia:
Autor:________________________________________________________________
Lattes:________________________________________________________________
E-mail:________________________________________________________________
RG:

CPF:

Fonte: BCJC

4 Resultados Parciais/Finais

Com a implantação da BDM a BCJC ganhou com a portabilidade e o espaço que seria
necessário para acomodar o acervo de monografias nas estantes já que o conteúdo (digital)
está armazenado em um servidor, acessível na internet, reduzindo assim os problemas com
espaço fí pico. Outro beneficio alcançado está relacionado à imagem da biblioteca perante a
comunidade univeositária, pois a BDM é ecologicamente correta por não consumir papel. Os

4098

�mecanismos de busca online agilizam e deixam mais eficaz a localização do documento,
facilitando a recuperação na pesquisa.

5 Considerações Parciais/Finais

Com a BDM esperamos formar a coleção digital completa das monografias,
contemplando todos os cursos de graduação e especialização da UEFS, dando visibilidade as
produções acadêmicas de todas as áreas.
Considerando a frase dita por Lawrence (2001, p. 521) “Os artigos disponíveis
gratuitamente on-line são citados mais freqüentemente”, acreditamos que com a Biblioteca
Digital de Monografias da UEFS as produções acadêmicas poderão ser incorporadas ao
acervo, trazendo os seguintes benefícios: maior divulgação e democratização do acesso à
produção dos trabalhos acadêmicos; solução para o problema de espaço físico insuficiente
para acomodar as monografias; e disponibilização e preservação da produção acadêmica.
Com essa ação, a BCJC busca alcançar a excelência nos produtos e serviços prestados
à comunidade universitária da UEFS.

6 Referências
CUNHA, Murilo Bastos da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da
Informação, Brasília, v. 28, n. 3, set./dez. 1999. Disponível em:&lt; www.scielo.br/scielo.php.&gt;
Acesso em: 15 abr. 2014.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996.
LAWRENCE, Steve. Online or invisible? Nature, v. 411, n. 6837, p. 521, 2001. Disponível
em: &lt; http://www.idemployee.id.tue.nl/g.w.m.rauterberg/publications/CITESEER2001onlinenature.pdf&gt;. Acesso em: 27 mar. 2014.
LYNCH, Clifford A. Institutional Repositories: essential infrastructure for scholarship in the
Digital

Age.

ARL,

n.

226,

p.

1-7,

Feb.

2003.

Disponível

em:

&lt;http://www.arl.org/storage/documents/publications/arl-br-226.pdf&gt;. Acesso em: 22 abr.
2014.
REPOSITORIO

Institucional.

Disponível

em:

&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Repositório institucional&gt;. Acesso em: 05 mar. 2014.

4099

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>Aborda sobre a criação do repositório de monografias dos cursos de graduação e especialização da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), intitulado de Biblioteca Digital de Monografias (BDM), cujo objetivo é armazenar, preservar e divulgar essa produção acadêmica em formato digital, sendo gerida pela Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC). Três etapas foram necessárias para criação da BDM: o planejamento, o desenvolvimento, a implantação. Entre os benefícios temos: a portabilidade e o ganho do espaço que seria necessário para acomodar o acervo de monografias nas estantes já que o conteúdo (digital) está armazenado em um servidor, acessível na internet, é ecologicamente correto por não consumir papel, os mecanismos de busca agilizam e deixam mais eficaz a localização do documento, maior divulgação e democratização do acesso à produção das monografias, e disponibilização e preservação da produção acadêmica. Com isso, a BCJC busca alcançar a excelência nos produtos e serviços prestados à comunidade universitária da UEFS. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS: UM ESTUDO JUNTO AOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU DA UFPE

Sandra Maria Neri Santiago
Andréa Carla Melo Marinho
Eliane Ferreira Ribas
Etiene Silva De Souza Lima
Gláucia Cândida Da Silva
Joana D’arc Leão Salvador
Joselly De Barros Gonçalves
Maria Janeide Pereira Da Silva
Maria Valéria Baltar De Abreu Vasconcelos
Paula Rejane Da Silva
Rosineide Mesquita Gonçalves Luz
Shirly Pimentel Vieira
Susimery Vila Nova
RESUMO
Trata-se de um estudo de caso, de cunho exploratório e descritivo que delineou como objetivo
geral analisar as práticas de normalização de trabalhos acadêmicos adotadas pelos Programas
de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE. O universo da pesquisa foi composto por 42
coordenadores dos Programas. A amostra, aleatória, corresponde a 61% desse universo. Os
instrumentos para as coletas de dados foram o questionário e os documentos formais dos
Programas contendo as recomendações para a elaboração e padronização dos trabalhos
acadêmicos. Para analisar os dados, utilizou-se uma abordagem quali-quantitativa,
priorizando alguns elementos da análise de conteúdo. Identificou-se que as atividades
relacionadas com a normalização de trabalhos acadêmicos nos Programas estão voltadas para
a disciplina de metodologia ou afim. A elaboração dos documentos formais dos Programas
datam os anos de 2003, 2004, 2006, 2010, 2011, 2012 e 2013 e são baseados nas normas da
ABNT. Os pesquisados reconhecem como sendo relevante a normalização dos trabalhos
acadêmicos, porém, esse segmento é pouco praticado. Ratifica a necessidade de implantar
uma política para a padronização da normalização de trabalhos acadêmicos na UFPE. Os
resultados demonstraram que as práticas relacionadas com a normalização de trabalhos
acadêmicos no âmbito dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE carecem de
ajustes e melhorias, contribuindo assim para que a produção científica atinja a excelência em
sua forma de apresentação.
Palavras-Chave: Normalização. Trabalhos acadêmicos. Produção científica. Diretrizes.
Programas de Pós-graduação Stricto Sensu. Universidade Federal de Pernambuco.

382

�ABSTRACT
This is a case study, the exploratory and descriptive nature that outlined how to analyze the
general practice of standardization of academic papers adopted by the Post- graduate studies
of UFPe Programs. The research sample was composed of 42 coordinators of programs. A
random sample corresponds to 61 % of this universe. The instruments for data collection were
the questionnaire and formal documents of programs containing recommendations for the
development and standardization of academic papers. To analyze the data, we used a
qualitative and quantitative approach, emphasizing certain elements of content analysis. It
was identified that the activities related to standardization of academic papers in Programs are
geared to methodology or related discipline. The preparation of the formal documents of
programs dating the years 2003, 2004, 2006 , 2010, 2011, 2012 and 2013 and are based on
ABNT. Respondents recognize as relevant standardization of academic papers, however, this
segment is seldom practiced. Confirms the need to implement a policy to standardize the
standardization of academic work at university. The results showed that the practices related
to the standardization of academic papers under the Post- graduate studies of UFPe Programs
require adjustments and improvements, thus contributing to the scientific production reaches
excellence in their presentation.
Keywords: Standardization. Academic papers. Scientific production. Guidelines. Programs
Post-graduate studies. Federal University of Pernambuco.

1 INTRODUÇÃO
Na contemporaneidade o conhecimento é a palavra de ordem. Nas universidades, ele é
produzido continuamente, e, ao final desse processo, deve-se pôr em prática um dos requisitos
para o desenvolvimento científico: a disponibilização desse conhecimento para futuras
consultas,

concretizando,

assim,

o

processo

de

disseminação

do

conhecimento,

desenvolvimento e aperfeiçoamento da sociedade.
Os trabalhos acadêmicos são resultados tangíveis do processo de ensino e pesquisa das
Instituições de Ensino Superior (IES). De acordo com o Centro Universitário UNIFEO
(2014), o trabalho acadêmico “é o produto de uma construção intelectual do discente com
base na leitura, na reflexão e na interpretação sobre um tema da realidade”.
As IES estipulam padrões para o desenvolvimento e escrita dos trabalhos, entretanto,
como observa Silva, Duarte e Oliveira (2004, p. 12), “muitas vezes os padrões existem, mas
não são cumpridos. As pessoas reagem e não seguem os padrões”, o que não é diferente no
âmbito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
As deficiências relacionadas com a apresentação dos trabalhos acadêmicos na UFPE
são minimizadas através do serviço de normalização oferecido pelas Bibliotecas do Sistema
Integrado de Bibliotecas (SIB). Essas bibliotecas atuam com o objetivo de orientar o usuário
para o correto uso das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

383

�relacionadas com a elaboração de monografias, dissertações, teses e outros. No entanto, esse
serviço se resume às tentativas isoladas de padronização, uma vez que não existe um modelo
padrão a ser seguido e/ou a obrigatoriedade de uso dentro da Instituição.
Para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2014b), a normalização é uma
“atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições
destinadas à utilização comum e repetitiva, com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem,
em um dado contexto”. Destarte, a universidade deve estar consciente da importância da
produção acadêmica para atingir índices de qualidade, competência e credibilidade; donde a
qualidade dependerá tanto do trabalho intelectual dos cientistas como da padronização, e a
normalização facilita a transferência da informação e a recuperação das obras devidamente
referenciadas.
Ainda nesse contexto, é oportuno ressaltar que a biblioteca é o principal organizador e
difusor do conhecimento gerado na instituição, que deve também primar pela qualidade e
necessita que os autores produzam de forma a facilitar essa organização e difusão.
Diante da observância das disparidades de normalização entre os trabalhos produzidos
na UFPE, o Grupo de Trabalho (GT) em Normalização27 constatou a necessidade de elaborar
uma pesquisa que delineou como objetivo geral analisar as práticas de normalização de
trabalhos acadêmicos adotadas pelos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE. Os
objetivos específicos foram: a) identificar as práticas de normalização de trabalhos
acadêmicos dos Programas de Pós-graduação; b) verificar o tipo de norma utilizada pelos
Programas; c) analisar a atualidade das informações dos possíveis documentos de orientação à
normalização; d) conhecer a opinião dos coordenadores dos Programas sobre a relevância da
normalização de trabalhos acadêmicos; e) propor diretrizes para a padronização da
apresentação de trabalhos acadêmicos produzidos na UFPE.
A presente pesquisa revelou-se fundamental, visto que através dos resultados do
mesmo, o GT Normalização apresentará ações e diretrizes para a padronização da
normalização de trabalhos acadêmicos na UFPE.

2 NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS
Na perspectiva de Martins e Pinto (2001, p. 49), “O trabalho acadêmico representa o
resultado de um esforço intelectual voltado tanto o aprendizado de determinado conteúdo,
quanto ao desenvolvimento das capacidades de análise e síntese do aluno”.
27 O GT Normalização é formado por bibliotecários que realizam o serviço de normalização nas Bibliotecas que
integram o SIB/UFPE.

384

�Os trabalhos acadêmicos possuem diferentes terminologias, a saber: trabalho de
conclusão de cursos de graduação, trabalho de graduação interdisciplinar, trabalho de
conclusão de curso de especialização e/ou aperfeiçoamento, monografia, dissertação e tese,
sendo essas duas últimas, o foco da pesquisa em evidência.
A Universidade Federal de Pernambuco (1998, p. 15, 2008, p. 13, 2012, p. 9, 2013, p.
11, grifo nosso) afirma que: “A Dissertação e a Tese deverão constituir-se em trabalho final
de pesquisa, de caráter individual e inédito”. Nesse sentido, Freitas (2012, p. 1, grifo nosso)
menciona que “a identidade do autor é única e marca suas impressões pessoais ao redigir; já
que relembra sobre o vivido, ancora e representa a sua trajetória como sujeito”.
Segundo Tomasi e Medeiros (2008), um trabalho científico exige uma preocupação
com os aspectos metodológicos e técnicos e necessita de uma observação rigorosa das normas
da ABNT. Caso contrário, o texto pode acarretar estranheza à banca examinadora e à
comunidade científica, o que pode resultar em não aprovação do trabalho.
De acordo com Marconi e Lakatos (2013) e a NBR n° 14.724 da ABNT (2011), a
elaboração da dissertação e tese deve obedecer à estrutura comum dos trabalhos científicos,
ou seja, elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. Assim sendo, Melo et al. (2012, p. 2,
grifo nosso) mencionam que:
A elaboração de trabalhos acadêmicos deve seguir normas apropriadas
para sua apresentação, de modo que se padronizem os elementos prétextuais, textuais e pós-textuais, conforme normas técnicas que
estabelecem prescrições para a elaboração dos vários tipos de trabalhos
acadêmicos e bibliográficos, tais como: monografias, trabalhos de conclusão
de curso (TCCs), dissertações, teses, artigos e livros.
A função da normalização é estabelecer regras, assim, a estrutura do trabalho
acadêmico deve ser sistematizada, organizada e padronizada para facilitar a indexação busca e
a recuperação dos mesmos nas diversas fontes de pesquisa como: base de dados, portal de
periódicos Capes, Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), repositórios
institucionais, entre outros. É oportuno ressaltar que os recursos informacionais, cujas
características estão voltadas para o acesso em tempo real, como os descritos anteriormente,
proporcionam maior visibilidade da produção acadêmica; consequentemente, os trabalhos
estarão em destaque no cenário nacional e internacional, mas, por outro lado, tornam-se
passíveis de julgamento e críticas quanto à sua apresentação, o que demanda maior atenção
não só quanto ao conteúdo como na forma de apresentação. Desse modo, entende-se que a

385

�normalização padroniza os trabalhos acadêmicos, equilibra e uniformiza e, sobretudo, agrega
qualidade e valor à produção científica.
Na visão de Rodrigues, Lima e Garcia (1998), todo processo de criação na
universidade requer uma padronização. Para as autoras, o uso das normas é importante para
que os cientistas possam comunicar adequada e amplamente o produto de seu trabalho,
possibilitando assim a comunicação, a circulação e o intercâmbio de ideias. Nesse contexto,
Mendonça, Andrade e Sampaio (2008) afirmam que no ambiente acadêmico deve-se adotar as
normas da ABNT para dar credibilidade aos trabalhos acadêmicos.
Vale ainda ressaltar que, de acordo com Rocha (2006), a normalização de trabalhos
acadêmicos é um item recomendado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) na
questão da avaliação de IES que atravessam por processos de autorização, reconhecimento de
cursos, credenciamento, recredenciamento e avaliação das condições de ensino.
Para Gomes (1999), a padronização ameniza e/ou remove as barreiras de
comunicação, pois requer que se estabeleçam normas para facilitar a disseminação, o acesso a
textos científicos, tornando possível a materialização do conhecimento que pode ultrapassar
barreiras físicas e temporais entre sujeitos de contextos sociais, geográficos e históricos
diferentes.
Curty e Bocatto (2005, p. 95, grifo nosso) destacam que:
A normalização de documentos visa à padronização e simplificação no
processo de elaboração de qualquer trabalho científico. Facilita também o
processo de comunicação e intercâmbio dentro da comunidade científica,
possibilitando o processo de transferência de informação. Sendo assim, a
normalização não tem o propósito de cercear a criatividade e a
liberdade dos autores, mas, sim, o de facilitar aos diferentes leitores das
diversas culturas o acesso às suas ideias e concepções científicas.
Corroborando com as autoras anteriormente citadas, Santiago (2014) aponta que a
normalização de documentos técnicos científicos é uma atividade que reúne condições e
características apropriadas para que a comunicação no meio acadêmico ocorra de maneira
eficiente.
Conforme Lubisco e Vieira (2013), na área acadêmica, um trabalho apresentado com
boa qualidade na normalização proporciona condições favoráveis à sua indexação e
recuperação, bem como facilita a comunicação científica, evitando conflitos de interpretação
no meio. Além disso, representa para o pesquisador a certeza de que seu(s) trabalho(s)

386

�apresenta(m) condições de se fazerem presentes em fontes científicas de informação
conceituadas e pelo que isso poderá significar para a valorização do seu currículo.
Segundo o Centro Universitário UNIFEO (2014), a ausência da normalização, no
campo da documentação científica, tem como consequência a inércia, por oposição ao
desenvolvimento científico, pois sem normas não há tramitação, disseminação ou recuperação
possível de novos conhecimentos pesquisados e produzidos pela comunidade acadêmica.
Entende-se, então, que a padronização da normalização de trabalhos acadêmicos prima
pela qualidade e cabe à universidade empreender esforços para que esse objetivo seja
alcançado. Agindo dessa forma, a instituição efetiva os três pilares que constituem a razão de
sua existência: ensino, pesquisa e extensão.
Existem vários organismos, nacionais e internacionais, que atuam na área de
documentação científica. No Brasil, destaca-se a ABNT, entidade privada, sem fins
lucrativos, que estabelece normas para a produção nos setores científico, técnico, comercial,
agrícola, e industrial do país.
A ABNT foi fundada em 1940 e é responsável pela elaboração da normalização de
produtos, entre os quais, os documentos técnico-científicos. A Associação é representante
oficial no Brasil das entidades internacionais de normalização: International Organization for
Standardization (ISO), International Elecrotechnical Commission (IEC) e das entidades de
normalização regionais: Comissão Panamericana de Normas Técnicas (COPANT) e a
Associação Mercosul de Normalização (AMN). Do mesmo modo, representa o Brasil nas
entidades internacionais de normalização técnica (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 20014a).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa apresenta-se como estudo de caso, de caráter exploratório e descritivo,
realizada com os Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE.
Atualmente, a UFPE possui 74 PPG que abrangem 74 cursos de mestrado e 47 cursos
de doutorado28 distribuídos conforme o Quadro 1.

28 Dados coletados no site da Pró-Reitoria para Assuntos de Pesquisa e Pós-graduação (Propesq) no ano de 2013.

387

�Quadro 1 - Programas de Pós-Graduação segundo os Centros Acadêmicos da UFPE
QUANTIDADE
CENTRO
ACADÊMICO
Economia, Educação, Engenharia Civil e Ambiental Centro Acadêmico do 4
e Engenharia de Produção
Agreste (CAA)
Direitos Humanos, Artes visuais, Ciência da
Informação,
Comunicação,
Desenvolvimento Centro de Artes e 8
Comunicação (CAC)
Urbano, Design, Ergonomia, Letras
Biologia Animal, Biologia Aplicada à Saúde,
Biologia de Fungos, Biologia Vegetal, Bioquímica Centro de Ciências 8
e Fisiologia, Ciências Biológicas, Genética e Biológicas (CCB)
Inovação Terapêutica
Ciência de Materiais, Estatística, Física, Centro
Ciências
Matemática, Matemática Computacional e Química Exatas e da Natureza 6
(CCEN)
Direito
Centro de Ciências 1
Jurídicas (CCJ)
Fisioterapia, Ciências da Saúde, Ciências
Farmacêuticas,
Cirurgia,
Enfermagem,
Gerontologia, Integrado em Saúde Coletiva, Centro de Ciências da 14
Medicina Tropical, Neuropsiquiatria e Ciência do Saúde (CCS)
Comportamento, Nutrição, Odontologia, Patologia,
Saúde da Comunicação Humana, Saúde da Criança
e do Adolescente
Gestão e Economia da Saúde, Gestão Pública para o
Desenvolvimento do Nordeste (UFPE/SUDENE), Ciências
Sociais
7
Administração, Ciências Contábeis, Economia, Aplicada (CCSA)
Serviço Social, Políticas Públicas
Saúde Humana e Meio Ambiente
Centro Acadêmico de 1
Vitória (CAV)
Educação, Educação Matemática e Tecnológica
Centro de Educação 2
(CE)
Antropologia, Arqueologia, Ciência Política, Centro de Filosofia e
Desenvolvimento e Meio Ambiente, Filosofia, Ciências Humanas 10
Geografia, História, Psicologia, Psicologia (CFCH)
Cognitiva, Sociologia
Ciência da Computação
Centro
de 1
Informática (CIN)
Biotecnologia Industrial, Tecnologias Energéticas e
Nucleares, Ciências Geodésicas e Tecnologias da Centro de Tecnologia
12
Geoinformação, Engenharia Biomédica, Engenharia e Geociência (CTG)
Civil, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica
Engenharia Mecânica, Engenharia Mineral
Engenharia Química, Geociências, Oceanografia
TOTAL
74
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO

Fonte: as autoras, 2013

Neste estudo, a população foi formada por 69 coordenadores dos Programas de Pósgraduação da UFPE. A escolha por esse universo se justifica por entender que dentre outras

388

�atribuições, é responsabilidade dos coordenadores estabelecer, cumprir e executar as normas e
procedimentos do regulamento dos Programas.
A amostra se caracterizou como aleatória e foi constituída pelo número de
questionários devolvidos/respondidos, ou seja, 61% do universo da pesquisa, o que
corresponde a 42 coordenadores dos Programas de Pós-graduação.
O instrumento de coleta de dados escolhido foi o questionário, contendo perguntas
abertas e fechadas. Segundo Barros e Lehfeld (2010, p. 109), “o questionário permite ao
pesquisador abranger um maior número de pessoas e de informações em espaço de tempo
mais curto do que outras técnicas de pesquisa” e de perceber que “o pesquisador tem tempo
suficiente para refletir sobre as questões e respondê-las mais adequadamente”. Por isso,
considerou-se a melhor técnica a ser aplicada para a realização desta pesquisa, que objetiva
levantar um maior número de informações possíveis. Dessa forma, as questões foram
elaboradas visando a atender os objetivos específicos propostos.
Associado ao questionário aplicado utilizou-se também como instrumento de coleta de
dados os documentos formais contendo as recomendações de elaboração de trabalhos
acadêmicos disponibilizados pelos Programas de Pós-graduação. Essa ação foi necessária
para que se pudesse averiguar a fidedignidade das informações mencionadas.
Anteriormente ao início da pesquisa, adotou-se como procedimento o contato prévio
através de e-mail com os pesquisados, visando sensibilizá-los da importância da participação
dos mesmos para que o estudo obtivesse êxito.
Para a coleta de dados, os questionários foram enviados por correio eletrônico (e-mail)
a todos os coordenadores dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE.
Com relação aos documentos referentes às recomendações aos discentes, esses foram
enviados como anexos ou links para o e-mail específico da pesquisa, conforme solicitação
contida no questionário.
O questionário elaborado através do aplicativo Google Docs, foi estruturado com 19
perguntas, sendo 16 fechadas e 3 abertas e foi enviado em caráter de pré-teste no período de
02 a 06/09/13, para 5 coordenadores, escolhidos aleatoriamente. Porém, não foi necessário
fazer alterações para sua versão final. Vale salientar, ainda, que os coordenadores que
participaram do pré-teste foram excluídos da amostra considerada nesta pesquisa.
Para a coleta dos dados foi estabelecido o período de 16/09 a 16/10/13 cuja aplicação
dos questionários foi realizada pela coordenação do GT Normalização através do e-mail da
pesquisa.

389

�Apesar da facilidade na forma de aplicação do questionário, ou seja, envio simultâneo
por email, foi necessário o reenvio do link tendo em vista que alguns dos pesquisados
mencionaram dificuldades no acesso e visualização do instrumento.
O procedimento de abordagem para a coleta de dados também foi realizado através de
email, juntamente com o envio do questionário online. Ressalta-se que, durante o período de
coleta, foi oferecido aos coordenadores suporte e esclarecimentos de quaisquer dúvidas acerca
da pesquisa.
Após coletar os dados, iniciou-se a pré-análise, codificando os questionários
respondidos pelos coordenadores dos Programas de Pós-graduação. Esses questionários
receberam o código (C) acrescido de uma numeração sequencial que abrangeu de 1 a 42. Essa
codificação foi realizada com o objetivo de observar a existência de algumas diferenças de
comportamento entre os coordenadores dos Programas de Pós-graduação.
Depois de codificados os questionários, os dados foram tabulados através do aplicativo
Google Docs, que disponibiliza os gráficos das respostas já preparados. Porém, em virtude
desse aplicativo não realizar cruzamentos de dados, foi necessária uma nova tabulação com
representação dos dados através da planilha do Excel.
Para obtenção dos resultados, os dados foram analisados por meio dos métodos qualiquantitativos. O primeiro, na visão de Barros e Duarte (2006), tem caráter exploratório, uma
vez que o método qualitativo estimula o entrevistado a pensar e se expressar livremente sobre
o assunto em questão e o segundo, diz respeito a tudo aquilo que pode ser quantificável, ou
seja, traduz em números através de tabelas e gráficos, opiniões e informações para então obter
a análise dos dados e, posteriormente, chegar a uma conclusão.
Utilizou-se, também, para o processo de análise dos dados alguns elementos da análise
de conteúdo, que se constitui em uma técnica de tratamento de informações, e que, segundo
Bardin (2011, p. 16), “é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição
objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação”.
Ainda na metodologia para a análise dos dados, adotou-se o procedimento de verificar
os documentos formais relativos às recomendações para a elaboração e padronização dos
trabalhos acadêmicos disponibilizados pelos Programas de Pós de acordo com o critério das
datas de publicação das normas vigentes, seja da ABNT, Vancouver, APA, ISO e diretrizes de
periódicos.
Após a validação dos documentos, foi realizada uma apreciação seguida de
comentários quanto à adequação entre os resultados das ações e as propostas das

390

�recomendações. Esse processo foi prejudicado, uma vez que apenas 8 dos 17 pesquisados que
informaram possuir documento formal, disponibilizaram nos respectivos links de acesso.
Destaca-se que, além da análise dos dados, levou-se em consideração as observações
realizadas pelos membros do GT Normalização do SIB/UFPE no processo de interação junto
aos Programas de Pós-graduação.

4 RESULTADOS FINAIS
O processo de análise dos resultados da pesquisa se refere aos dados obtidos através do
questionário aplicado aos coordenadores dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da
UFPE.
Visando alcançar os objetivos estabelecidos para a pesquisa, inicialmente foi
questionado se a Pós-graduação oferecia algum tipo de atividade relacionada com a
normalização dos trabalhos acadêmicos. Os dados são evidenciados no Gráfico 1.

Grafico 1 - Oferta de atividade relacionada com a normalizaçao de
trabalhos académicos

36%
Sim
Nao

Fonte: dados da pesquisa, 2014

Os dados do Gráfico 1 refletem as práticas de atividades relacionadas com a
normalização dos trabalhos acadêmicos e, através desses, verifica-se que aquelas são
realizadas por 64% dos Programas, seguido de 36% para a negação. Pode-se inferir que os
Programas de Pós-graduação têm a preocupação em desenvolver atividades que proporcionem
aos seus discentes adquirir novos hábitos para facilitar o devido uso das normas que tratam da
apresentação dos trabalhos por eles exigidos.

391

�Ainda concernente à questão da oferta de algum tipo de atividade relacionada com a
normalização dos trabalhos acadêmicos, solicitou-se aos pesquisados que especificassem caso
a resposta fosse positiva. Os dados são mostrados no Gráfico 2.

Grafico 2 - Tipo de atividade

D isciplin a de
m etodologia ou afim
Pa estras
Cursos
O ficinas

Fonte: dados da pesquisa, 2014
Nota: os pesquisados responderam a mais de uma opção

Através dos dados do Gráfico 2, pode-se observar que a maioria dos pesquisados
realizam como atividade relacionada à normalização dos trabalhos acadêmicos a disciplina de
metodologia ou afim (69%), seguida de palestras (17%). Nesse contexto, Maia (2008, p. 2,
grifo nosso) afirma que:
a preparação, a redação e a apresentação de trabalhos científicos envolvem
um grande número de questões de natureza técnica e estética, dentre as
quais, pode-se destacar a disciplina, a criatividade na seleção da bibliografia,
a leitura de forma organizada, a ousadia e o rigor na abordagem do assunto,
além da obediência a certas normas de redação e apresentação do texto final.
A Metodologia Científica irá abordar as principais regras da produção
científica para alunos dos cursos de graduação [e pós- graduação],
fornecendo uma melhor compreensão sobre a sua natureza e objetivos,
podendo auxiliar para melhorar a produtividade dos alunos e a
qualidade das suas produções.
Entende-se, então, que a disciplina de metodologia ou afim deve abordar, além dos
instrumentos necessários para a realização da pesquisa científica, as formas de apresentação
que favoreçam a redação e comunicação mais eficiente dos trabalhos acadêmicos elaborados
segundo as normas técnicas.

392

�Outro item importante questionado foi se o Programa de Pós-graduação possuía
documento formal contendo as recomendações para a elaboração e padronização dos
trabalhos acadêmicos. Esses dados são apresentados no Gráfico 3.

Grafico 3 - Documento formal contendo recomendações

Sim
Nao

Fonte: dados da pesquisa, 2014

Constata-se, através dos dados do Gráfico 3, que 57% dos respondentes possuem
documento formal, enquanto que 43% não possuem. Porém, ao solicitar ao pesquisado que
caso a resposta fosse positiva, e para que a mesma não fosse invalidada, disponibilizasse o
documento, apenas 8 dos 17 respondentes que afirmaram possuir tais documentos assim o
fizeram e, sobretudo, foram caracterizados em sua maioria como um instrumento orientador
para a normalização dos trabalhos acadêmicos carecendo de sistematização e atualização.
Embora o percentual de maior significância esteja voltado para a existência de
documento formal, é notável e preocupante o fato de alguns Programas não adotarem um
padrão pré-estabelecido, comprometendo, assim, a qualidade da apresentação dos trabalhos
acadêmicos. Nesse contexto, Marçal Júnior (2013, p. 19-20) afirma: “para que o produto de
uma pesquisa científica possa ser publicado não basta que ele apresente um conteúdo de
qualidade, também é exigida qualidade de forma”.
Ainda com relação à questão de documento formal contendo as recomendações para a
elaboração e padronização dos trabalhos acadêmicos, solicitou-se aos pesquisados especificar
o ano que foi elaborado. Os dados são apresentados no Gráfico 4.

393

�Grafico 4 - Ano de elaboraçao do documento

2012
2013
2010
2006
2004
2011
2003
de elaboração

Em

Nao respondeu

Fonte: dados da pesquisa, 2014

Observa-se, através dos dados do Gráfico 4, que as datas correspondentes à elaboração
dos documentos perpassam os anos de 2003, 2004, 2006, 2010, 2011, 2012, 2013. Embora
haja documentos do ano 2013, identificou-se a desatualização de normas recomendadas.
Questionou-se, também, aos pesquisados qual o tipo de norma em que o documento
formal é baseado, visando identificar a norma que o Programa utiliza. Esses dados estão
dispostos no Gráfico 5.

Grafico 5 - Tipo de norma
0% - _ 0 %

ABNT
Diretrizes de
periódicos científicos
Vancouver
APA
SO

AFNOR
Fonte: dados da pesquisa, 2014
Nota: os pesquisados responderam a mais de uma opção

Através dos dados do Gráfico 5, observa-se que a norma indicada pelos Programas é a
ABNT (71%), seguido de diretrizes de periódicos científicos (17%).

394

�Apesar dos pesquisados mencionarem que os documentos formais são elaborados com
base nas normas da ABNT, é observado pelos pesquisadores que as orientações abordadas nos
referidos documentos não são cumpridas a rigor.
Esses dados ainda conduzem ao seguinte questionamento: se dissertação e tese são
definidas com características específicas, ou seja, de caráter individual e inédito, o que
justifica haver casos de Programas de Pós-graduação que orientam os discentes a elaborarem
os trabalhos acadêmicos cujo conteúdo compreendem artigos em processo de submissão ou já
publicados em periódicos e, sobretudo, com regime de co-autoria? É oportuno mencionar que
essa forma de apresentação de trabalhos acadêmicos impacta em diversos serviços das
Bibliotecas integrantes do SIB/UFPE, ou seja, catalogação na fonte, processamento técnico,
normalização e depósito legal na BDTD, além de que dificulta o processo de recuperação da
informação, principalmente nas fontes informacionais de acesso em tempo real como: base de
dados, portal de periódicos Capes, BDTD, repositórios institucionais, entre outros.
Outro fator importante é que os dados do Gráfico 5 revelam não existir uma política de
informação voltada para a normalização dos trabalhos acadêmicos no âmbito da UFPE.
Diante desse contexto, González de Gómez (2002) menciona que uma política de informação
pode ser entendida como o conjunto de ações e decisões orientadas a preservar e a reproduzir
ou a mudar e substituir um regime de informação, podendo ser tanto políticas tácitas ou
explícitas, micro ou macro. Para Dias, Silva e Cervantes (2013, p. 46), é finalidade das
políticas de informação “coordenar ações que visam integrar as bibliotecas à realidade
educacional e administrativa da universidade, implementando políticas de planejamento,
fomento à pesquisa, gerenciamento das tecnologias e desenvolvimento de coleções e serviços
de informação”.
E por fim, a última pergunta do questionário da pesquisa em análise, em que solicitouse aos pesquisados que registrassem a opinião sobre a relevância da normalização de trabalhos
acadêmicos. Ressalta-se que 59% dos pesquisados assim o fizeram.
De um modo geral, os pesquisados reconhecem como sendo relevante a normalização
dos trabalhos acadêmicos. Os depoimentos dos pesquisados evidenciam a constatação:

“Consideramos de fundamental importância pelo que representa em termos de uniformização
da forma de apresentação dos trabalhos, permitindo uma racionalização de processos
avaliativos ou de qualificação. Entretanto, acreditamos que devem ser respeitadas as
peculiaridades de cada área do saber ” (C5)

395

�“É extremamente grande, porque a normalização faz parte da estrutura do trabalho
científico, e possibilita: 1- reconstituir o acesso aos trabalhos originais consultados por parte
do leitor; 2- mostrar o estado da arte na área de conhecimento da pesquisa; 3- conceder e
respeitar, dentro de um padrão uniforme, os créditos aos artigos, livros, teses, dissertações,
etc., consultados, revelando que o pesquisador tem ética; 4- revelar as características
específicas das consultas, contribuindo para o leitor entender parte do processo da pesquisa;
entre outros ’ (C12)
”

“Apesar da inexistência de um documento formal, é exigência do programa a adoção das
recomendações previstas nas normas elaboradas pelo Comitê Técnico CB-14 (Comitê
Brasileiro de Informação e Documentação). O atendimento às normas da ABNT para à
produção de qualquer trabalho acadêmico no âmbito do [...] é condição sine qua non.
Portanto, a questão da normalização é de importância capital para o Programa. Nenhum
trabalho científico pode ser elaborado sem o atendimento estrito ao conjunto de normas da
ABNT concernentes à elaboração do mesmo ” (C15)

“Fundamental para a orientação e o estabelecimento de critérios mínimos que orientem a
organização dos trabalhos científicos. Isso proporciona até mesmo uma melhoria na
identificação desses trabalhos nos diversos sites de busca ou mesmo, diretamente, nas
bibliotecas. Uma sugestão importante: seria muito bom que a Biblioteca dos Centros
realizassem a cada início de ano letivo um encontro de orientação para pesquisa em seus
próprios acervos, bem como uma orientação para uso das normas científicas, visto que o
tempo nas aulas de Metodologia não permite que isso seja aprofundado’ (C16)

“Em minha opinião é de fundamental importância que a nossa universidade tenha um padrão
definido para os nossos documentos escritos (dissertações e teses de doutorado). Assim
criaremos uma identidade para a instituição” (C19)

“Acho que a normalização das dissertações e teses é um item obrigatório, e a UFPE deveria
ter um formato/padrão único” (C22)

Apesar dos pesquisados terem conhecimento da relevância da normalização de
trabalhos acadêmicos, nos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE esse segmento
é pouco praticado, evidenciando, assim, a ruptura de discurso entre os pesquisados. Destarte,

396

�recomenda-se aos Programas estabelecerem ações conjuntas com as Bibliotecas integrantes
do SIB para que as práticas de normalização adotadas tenham efetividade e, sobretudo,
agreguem valor à produção científica da UFPE.
A partir dos resultados obtidos na pesquisa, apresentam-se alguns pontos que se
configuram como diretrizes para nortear o estabelecimento de uma política de normalização
de trabalhos acadêmicos no âmbito da UFPE:
a) realizar junto à comunidade acadêmica um seminário sobre a relevância da normalização
dos trabalhos acadêmicos para a padronização da produção intelectual da UFPE;
b) efetivar o serviço de normalização nas Bibliotecas do SIB/UFPE, que deverá funcionar
conforme regulamento e manual padronizado;
c) divulgar o serviço de normalização oferecido pelas Bibliotecas do SIB junto à comunidade
acadêmica por meio da Assessoria de Comunicação Social fASCOM), portal do estudante,
URL do SIB, Cursos de Pós-graduação, facebook do SIB e do blog a ser criado sobre
normalização;
d) estabelecer parcerias do SIB com os Programas de Pós-graduação e Pró-Reitoria para
Assuntos de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESQ) para capacitar os discentes quanto ao uso
de normas da ABNT através da interação bibliotecário/docente, projeto de extensão e/ou
oficinas de normalização;
e) elaborar manual online e templates com base nas normas da ABNT que sirvam de
instrumento padrão para a estruturação e formatação de trabalhos acadêmicos;
f) consultar a Resolução n° 003/2007 (criação da BDTD), Resolução n° 003/1998
(regulamentação do sistema de pós-graduação stricto sensu na universidade) e Resolução n°
10/2008 (estabelecimento de normas para a criação, coordenação, organização e
funcionamento de cursos de pós-graduação stricto sensu na UFPE) para verificar a
compatibilidade das informações nos itens que tratam da forma de apresentação dos trabalhos
acadêmicos;
g) criar um regulamento junto à direção da BC com a participação dos setores BDTD e
processos técnicos, assim como das bibliotecas setoriais para estabelecer as regras e
procedimentos referentes à normalização dos trabalhos acadêmicos e;
h) submeter às instâncias competentes da UFPE o regulamento do SIB que estabelecerá as
regras e procedimentos referentes à normalização dos trabalhos acadêmicos para validação do
serviço junto às bancas examinadoras.
As diretrizes estabelecidas nessa pesquisa para uma política de normalização de
trabalhos acadêmicos no âmbito da UFPE são provenientes de observações e constatações

397

�realizadas pelos membros do GT em Normalização no decorrer da pesquisa, as quais
representam os desejos dos indivíduos envolvidos nesse trabalho e, sobretudo, o passo inicial
para a sistematização da política.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em virtude do que foi mencionado e da análise das práticas de normalização de
trabalhos acadêmicos adotadas pelos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE,
através desta pesquisa, observam-se alguns pontos que necessitam destaque.
No que diz respeito às práticas de normalização, pode-se afirmar que os Programas de
Pós-graduação da UFPE realizam atividades voltadas para esse segmento e está direcionada
para a disciplina de metodologia ou afim. Embora através dos dados seja possível perceber
um esforço significativo por parte dos Programas para incentivar o uso das normas técnicas,
observa-se não existir a preocupação devida em seguir as recomendações para a apresentação
de trabalhos acadêmicos, o que caracteriza incoerência entre o discurso e a prática dos
pesquisados. Convém mencionar que, além de ofertar a disciplina de metodologia, os
Programas devem empreender esforços para divulgar entre os seus discentes as normas
institucionais que tratam dos procedimentos para a normalização dos trabalhos, assim como
das ações das Bibliotecas do SIB direcionadas para essa área.
Em se tratando dos tipos de normas que os Programas utilizam, os dados revelam que
o direcionamento é baseado nas normas da ABNT. Apesar destas normas obterem destaque
nesse item, é observado que a obrigatoriedade para o cumprimento do uso das mesmas não é
realizada de forma devida, tendo em vista a representação de outras normas como por
exemplo, diretrizes de periódicos científicos e Vancouver. Esses dados suscitam a busca de
alternativas pelos Programas junto às bibliotecas para estabelecerem um padrão de
normalização dos trabalhos acadêmicos no âmbito da UFPE.
Quanto aos documentos formais dos Programas, contendo orientações aos discentes,
os dados revelam que esses não são atualizados nem possui sistemática e, sobretudo, não
contam com a participação das Bibliotecas do SIB para a elaboração dos mesmos. Essa
constatação expõe a fragilidade da interação entre bibliotecas e programas, realidade que
carece ser modificada, uma vez que cabe aos bibliotecários planejar, desenvolver e
administrar serviços e produtos de informação para suprir as necessidades de usuários.
Ressalta-se, ainda, que é indispensável para os Programas e as Bibliotecas
empreenderem esforços para estabelecerem uma parceria visando à adequação dos trabalhos
acadêmicos às normas; consequentemente, o trabalho se torna visualmente padronizado em

398

�que essa padronização eleva o grau de recuperação dos mesmos nas Redes de Informação,
assim como se eleva também o índice de citações, que para um pesquisador é o
reconhecimento de sua pesquisa no âmbito científico.
Em linhas gerais, os coordenadores dos Programas reconhecem a relevância da
normalização de trabalhos acadêmicos. Porém, os recursos utilizados para esse fim não
contemplam devidamente os requisitos necessários para a qualidade da apresentação dos
trabalhos. Sendo assim, os Programas devem adotar novas posturas para dinamizar as
atividades de normalização.
Este estudo confirma a necessidade de se implantar uma política para a padronização
da normalização de trabalhos acadêmicos produzidos na UFPE. Destarte, foram formuladas
algumas diretrizes para a política, tendo como base os comentários dos pesquisados assim
como as observações dos pesquisadores a fim de minimizar as dúvidas na elaboração dos
trabalhos e contribuir para um trabalho de qualidade no conteúdo e na forma.
Entende-se que, através da adoção das sugestões e diretrizes apresentadas, pode-se
esperar uma melhoria dos Programas quanto à padronização da normalização dos trabalhos
acadêmicos produzidos.
Outra característica importante advinda da concretude das ações apresentadas é a
conscientização por parte da comunidade acadêmica da relevância da normalização de seus
trabalhos e da adoção de uma metodologia aplicada à pesquisa bibliográfica e científica,
cumprimento de prazos, assim como das normas e regimentos que deverão estar em
consonância com as resoluções institucionais. Tais ações são necessárias e importantes para
que haja uma padronização, facilitando a comunicação científica e agregando valor à
produção e disseminação do conhecimento gerado pela universidade.
Esta pesquisa, que se refere às práticas de normalização de trabalhos acadêmicos
adotadas pelos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE, possui caráter avaliativo
e preliminar, viabilizando, portanto, a abertura de espaço para estudos mais aprofundados.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <description>The topic of the resource</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Trata-se de um estudo de caso, de cunho exploratório e descritivo que delineou como objetivo geral analisar as práticas de normalização de trabalhos acadêmicos adotadas pelos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE. O universo da pesquisa foi composto por 42 coordenadores dos Programas. A amostra, aleatória, corresponde a 61% desse universo. Os instrumentos para as coletas de dados foram o questionário e os documentos formais dos Programas contendo as recomendações para a elaboração e padronização dos trabalhos acadêmicos. Para analisar os dados, utilizou-se uma abordagem quali-quantitativa, priorizando alguns elementos da análise de conteúdo. Identificou-se que as atividades relacionadas com a normalização de trabalhos acadêmicos nos Programas estão voltadas para a disciplina de metodologia ou afim. A elaboração dos documentos formais dos Programas datam os anos de 2003, 2004, 2006, 2010, 2011, 2012 e 2013 e são baseados nas normas da ABNT. Os pesquisados reconhecem como sendo relevante a normalização dos trabalhos acadêmicos, porém, esse segmento é pouco praticado. Ratifica a necessidade de implantar uma política para a padronização da normalização de trabalhos acadêmicos na UFPE. Os resultados demonstraram que as práticas relacionadas com a normalização de trabalhos acadêmicos no âmbito dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE carecem de ajustes e melhorias, contribuindo assim para que a produção científica atinja a excelência em sua forma de apresentação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ATUAÇÃO DA BIBLIOTECA DO ICBS NO PROGRAMA JOVENS TALENTOS
PARA A CIÊNCIA: EXPERIÊNCIA NO CURSO DE BIOMEDICINA DA UFRGS

Dirce Maria Santin
Sedi Ziebert Schardong
Antonieta Romano de Souza
RESUMO
Este trabalho apresenta a experiência da Biblioteca do Instituto de Ciências Básicas da Saúde
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul junto aos estudantes do curso de graduação em
Biomedicina participantes do Programa Jovens Talentos para a Ciência. O estudo é descritivo
e constitui-se num relato de experiência que apresenta o caminho percorrido pela Biblioteca
no planejamento, na oferta e na avaliação de atividades de educação de usuários. As
atividades realizadas exploraram um conjunto de ferramentas, fontes de informação nas áreas
biomédicas e normas técnicas com vistas ao desenvolvimento de competências de busca e uso
da informação nos estudantes. A experiência revela a importância das ações de educação de
usuários com enfoque nas necessidades institucionais e dos estudantes, além dos padrões e
especificidades da própria área do conhecimento. Conclui-se que as atividades desenvolvidas
apresentaram resultados bastante positivos, podendo servir de base para outros programas de
educação de usuários no contexto acadêmico.
Palavras-Chave: Educação de usuários; Competência informacional; Jovens Talentos para a
Ciência; Biomedicina; Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

ABSTRACT
This paper presents the experience of the library of the Instituto de Ciências Básicas da Saúde
at Universidade Federal do Rio Grande do Sul with undergraduate students of Biomedicine
course participants in the Jovens Talentos para a Ciência program. The study is descriptive
and constitutes an experience report to present the path taken by the library in the planning,
provision and evaluation of user education activities. The activities explored a set of tools,
information sources in biomedical areas and technical standards to developing search skills
and use of information in students. Experience shows the importance of the actions of user
education, focusing on institutional and student’s needs, in addition to the standards and
characteristics of the knowledge area itself. We conclude that the activities had very positive
results, could be a basis for other programs of user education in academic context.
Keywords: Users education; Information literacy; Jovens Talentos para a Ciência;
Biomedicine; Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

2179

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias desempenham importante papel nas instituições de ensino
superior. Além de contribuir com as atividades dos programas de ensino, pesquisa e extensão,
as bibliotecas também desempenham importante função educacional, que se expressa com
maior ênfase nas ações de educação de usuários promovidas junto à comunidade acadêmica.
A importância da educação de usuários é crescente no ambiente acadêmico e suas
ações constituem uma das principais atividades do serviço de referência na atualidade. A
explosão informacional contínua e o desenvolvimento de novos produtos e serviços de
informação favorecem o surgimento de oportunidades e desafios às bibliotecas universitárias,
que passam a atuar cada vez mais como educadoras junto aos seus públicos. As ações
desenvolvidas nesse contexto devem atentar não apenas para divulgação de fontes e recursos
informacionais, mas especialmente para o desenvolvimento de competências de busca e uso
da informação, com vistas ao aprimoramento da formação de pesquisadores e profissionais.
Nessa perspectiva, as bibliotecas universitárias devem estar atentas às mudanças em
curso, que incluem novas ações institucionais e governamentais, como é o caso do Programa
Jovens Talentos para Ciência, promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (CAPES) em parceria com as instituições federais de ensino superior. A
participação em atividades extras, além daquelas desempenhadas regularmente pelas
bibliotecas no contexto em que atuam, pode ampliar suas possibilidades de atuação e
aproximá-las cada vez mais da comunidade acadêmica como um todo.
Este trabalho apresenta um relato da experiência da atuação da Biblioteca do Instituto
de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS) no Programa Jovens Talentos para a Ciência no curso de Biomedicina. Descreve as
práticas exercidas pela Biblioteca no planejamento, realização e avaliação das atividades
orientadas à pesquisa bibliográfica, à normalização de trabalhos acadêmico-científicos e ao
uso efetivo dos recursos de informação disponíveis na instituição, no Portal de Periódicos da
Capes e nas fontes de informação de acesso aberto na Web.
Acredita-se que, embora restrito às atividades realizadas no contexto institucional e
aos alunos do curso de Biomedicina participantes do Programa Jovens Talentos para a
Ciência, o relato pode contribuir para o conhecimento das atividades de educação de usuários
realizadas pelas bibliotecas universitárias brasileiras. A sistematização das atividades
praticadas no Programa também pode servir de base para outros programas de educação de
usuários, desenvolvidos na UFRGS ou em outras instituições de ensino superior.

2180

�2 CONTEXTO DO ESTUDO
O Programa Jovens Talentos para a Ciência é uma iniciativa da Capes que busca
incentivar o interesse de estudantes recém-ingressos em cursos de graduação de universidades
e institutos federais com o objetivo de inseri-los precocemente no meio científico. Iniciado em
2012, o Programa é destinado aos alunos de cursos na modalidade presencial de todas as áreas
do conhecimento. A seleção de alunos ocorre anualmente sob a responsabilidade das
instituições integrantes do Programa, mediante prova de conhecimentos gerais produzida pela
Capes e aplicada pelas instituições federais de ensino superior (CAPES, 2013).
Os alunos aprovados são encaminhados a atividades específicas em suas áreas de
atuação e recebem bolsa mensal pelo período de 12 meses. Na UFRGS, as unidades
acadêmicas

(faculdades

e institutos)

são responsáveis pela programação

e pelo

encaminhamento dos alunos vinculados aos seus respectivos cursos às atividades voltadas à
iniciação científica dos Jovens Talentos. O ICBS é o instituto responsável pelo curso de
Biomedicina na UFRGS e, portanto, pelo encaminhamento dos alunos deste curso às
atividades do Programa. No Instituto, o órgão responsável pelo Programa Jovens Talentos é a
Comissão de Graduação em Biomedicina, que além de orientar os alunos desde o processo de
seleção, determina a programação das ações em parcerias com departamentos, laboratórios e a
própria biblioteca, controlando a frequência dos alunos nas atividades propostas.
O curso de Biomedicina da UFRGS foi criado no ano de 2003 e recebe 36 novos
alunos por ano na modalidade bacharelado. A formação integra conhecimentos de diversas
áreas das ciências biológicas e da saúde, contando com 24 opções de ênfase para atuação,
sendo que os estudantes podem optar por duas delas ao final do curso. Foi considerado o
melhor curso de Biomedicina do País nas edições de 2007 e 2010 do Exame Nacional de
Desempenho dos Estudantes (ENADE) do Ministério da Educação, que constituem as últimas
avaliações da área com resultados publicados. Nessa perspectiva, a Comissão de Graduação
objetiva assegurar a qualidade do curso e da formação de alunos mantendo elevadas as
atividades de ensino, pesquisa e extensão (UFRGS, 2013).
A Biblioteca do ICBS é a unidade responsável pelos serviços de informação no ICBS.
Como integrante do Sistema de Bibliotecas da UFRGS, é responsável por gerenciar, organizar
e divulgar o acervo bibliográfico e eletrônico, fornecendo as informações necessárias ao
desenvolvimento dos programas de ensino, pesquisa e extensão no Instituto. Entre os serviços
de referência da Biblioteca inclui-se a capacitação e o treinamento dos diversos públicos,
formados por alunos, técnicos e docentes das áreas que integram a unidade. Dentre os
treinamentos voltados especificamente aos alunos da Biomedicina destaca-se, neste momento,

2181

�o conjunto de atividades voltadas aos alunos integrantes do Programa Jovens Talentos para a
Ciência, que será apresentado com mais detalhes na quinta seção deste trabalho.
A estrutura de pesquisa e de pós-graduação do Instituto também favorece a integração
dos estudantes às atividades de iniciação científica. O ICBS conta com cinco programas de
pós-graduação stricto sensu com mestrado e doutorado nas áreas de Bioquímica, Fisiologia,
Microbiologia, Neurociências e Educação em Ciências, além do Programa de Pós-graduação
em Farmacologia e Terapêutica, cuja criação foi aprovada recentemente pela Capes. Além
disso, dispõe de diversos laboratórios e grupos de pesquisa, que oportunizam a aproximação
dos estudantes com o fazer científico da Universidade. A parceria estabelecida pela Comgrad
Biomedicina com o Instituto de Biociências da UFRGS, que possui estrutura semelhante,
também permite o conhecimento de diversas subáreas das Ciências Biológicas, como Biologia
Molecular e Celular, Genética e Biotecnologia.
Portanto, as atividades desenvolvidas pela Biblioteca do ICBS junto aos alunos
participantes do Programa Jovens Talentos para a Ciência do curso de Biomedicina da
UFRGS integram-se a um contexto maior. Esta característica faz com que as atividades
orientadas à pesquisa bibliográfica e normalização de trabalhos acadêmicos desenvolvidas
com os alunos considere as áreas envolvidas e os recursos informacionais disponíveis na
UFRGS, no Portal de Periódicos da Capes e outras fontes de acesso aberto. Foi com este olhar
que as atividades relatadas neste trabalho foram planejadas e apresentadas aos estudantes,
esperando que sua participação no Programa oportunize não apenas o conhecimento das
fontes e da estrutura de informação científica disponível na atualidade, mas também o
desenvolvimento de competências informacionais voltadas à recuperação e ao uso da
informação nas atividades científicas ou profissionais que os alunos venham a desenvolver no
futuro.

3 EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS E COMPETÊNCIA INFORMACIONAL
As bibliotecas universitárias têm papel fundamental nas instituições de ensino superior
do mundo todo. Além de contribuir com os programas de ensino, pesquisa e extensão das
universidades, as bibliotecas exercem uma importante função educacional no que se refere ao
aprendizado dos processos de busca e uso da informação por estudantes, pesquisadores e
profissionais inseridos nesse contexto. A centralidade das bibliotecas acadêmicas no contexto
educacional é destacada por Caregnato (2000, p. 48), para quem as bibliotecas devem “[...]
oferecer serviços voltados para o aprendizado de métodos e técnicas de busca e uso da

2182

�informação e exploração dos recursos informacionais, tanto para atividades relacionadas ao
curso imediato de estudo quanto para as necessidades da vida profissional futura”.
O mesmo papel é atribuído às bibliotecas universitárias por Carvalho (2008), que
destaca igualmente a importância do bibliotecário educador nesse contexto. De acordo com a
autora, a explosão informacional, aliada ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação
e informação, provocou o surgimento de um novo cenário, onde a diversidade das fontes é
contrastada pela inabilidade dos usuários frente às novas ferramentas disponíveis. Esta
configuração trouxe novos desafios e oportunidades às bibliotecas em geral, especialmente no
que se refere à disponibilização da informação em formato digital e ao desenvolvimento de
habilidades informacionais nos diversos públicos (CAREGNATO, 2000).
O interesse pelo tema educação de usuários é crescente no ambiente universitário,
onde desafios e oportunidades são ampliados pela grande quantidade de fontes de informação
disponíveis nas diversas áreas do conhecimento, especialmente nas áreas biomédicas e de
ciência e tecnologia (OTA, 1990), além das características do próprio ambiente, propício ao
desenvolvimento de novas competências e habilidades. A educação de usuários caracteriza-se,
segundo Oliveira (2000, p. 2) como uma série de “[...] processos educativos que propiciam
um melhor conhecimento e desenvolvimento de atitudes e habilidades na utilização dos
recursos, dos serviços e das fontes informacionais [...]”. Mostra-se estreitamente ligada,
portanto, ao desenvolvimento de competências informacionais, tema de interesse crescente na
literatura da área de Ciência da Informação (VITORINO; PIANTOLA, 2009, 2011).
A necessidade do desenvolvimento de competências informacionais na sociedade
contemporânea é destacada por Vitorino e Piantola (2009), que afirmam existir consenso
sobre a importância das habilidades e competências relacionadas à busca e ao uso da
informação com vistas à ampliação da capacidade de atuação dos indivíduos em diferentes
contextos. Segundo as autoras, diversos estudos têm se dedicado à compreensão e
conceituação do termo competência informacional (information literacy). O próprio uso do
temo, empregado desde os anos 70 nos Estados Unidos e utilizado no Brasil desde os anos
2000, acompanha o aumento da necessidade de informação nos diversos segmentos da
sociedade na atualidade.
A importância da competência informacional para os indivíduos na atualidade é
destacada pela International Federation of Library Association and Institutions - IFLA (2005,
documento eletrônico não paginado) ao afirmar que:

2183

�A competência informacional está no ceme do aprendizado ao longo da vida.
Ela capacita as pessoas em todos os caminhos da vida para buscar, avaliar,
usar e criar a informação de forma efetiva para atingir suas metas pessoais,
sociais, ocupacionais e educacionais. É um direito básico em um mundo
digital e promove a inclusão social em todas as nações.

A educação de usuários em bibliotecas universitárias precisa ser sustentada por ações
que promovam as competências informacionais de estudantes e pesquisadores, de modo a
torná-los capazes de buscar, avaliar e usar efetivamente a informação em suas atividades
profissionais e acadêmicas (CAREGNATO, 2000; CARVALHO, 2008). Nessa perspectiva, o
planejamento e a definição de programas de educação de usuários devem considerar o
diagnóstico da realidade institucional e das fontes de informação disponíveis em cada área do
conhecimento; os objetivos em relação aos usuários participantes; e a seleção de conteúdos e
atividades relevantes, adequados e viáveis ao programa proposto (BELLUZZO, 1989263 apud
OTA, 1990).
Portanto, as bibliotecas universitárias desempenham papel de excelência na formação
e no desenvolvimento de competências informacionais. Nessa perspectiva, podem contribuir
com o aprimoramento do ensino superior através de produtos e serviços voltados às
necessidades institucionais e da comunidade usuária (MATA, 2009), dentre as quais se
destacam os programas de educação de usuários para fins deste estudo.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Este trabalho constitui-se num relato de experiência sobre a participação da Biblioteca
do ICBS da UFRGS na educação de usuários integrantes do Programa Jovens Talentos para a
Ciência no curso de Biomedicina da UFRGS. O estudo tem caráter descritivo e pretende
apresentar o caminho percorrido pela Biblioteca na proposição de atividades e conteúdos
orientados à atividade acadêmica e de iniciação científica, na realização dos seminários com
os estudantes e na avaliação das atividades pelos estudantes integrantes do Programa.
O relato de experiência constitui-se, neste caso, num formato adequado para
apresentar as atividades desenvolvidas. O caráter descritivo do estudo está associado à
necessidade de apresentar as atividades desenvolvidas pela Biblioteca no contexto do
Programa, considerando os diversos aspectos envolvidos na ação. Os estudos descritivos
favorecem, segundo Oliveira (1999), a compreensão de aspectos gerais de um contexto e a

263 BELLUZZO, Regina Célia Baptista. Educação de usuários de bibliotecas universitárias: da conceituação e
sistematização ao estabelecimento de diretrizes. 1989. Dissertação (Mestrado em Ciência da Comunicação) Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989.

2184

�explicação dos elementos envolvidos nos diversos fenômenos. Neste trabalho, o caráter
descritivo serve de base para o relato de experiência, uma vez que permite traçar o percurso
percorrido pela Biblioteca no desenvolvimento das atividades.
O trabalho também utiliza a revisão de literatura sobre os temas Educação de Usuários
e Competência Informacional como subsídio teórico para apresentação do relato de
experiência. Lakatos e Marconi (1991) afirmam que a pesquisa bibliográfica é essencial à
análise de um tema sob diferentes enfoques ou abordagens, possibilitando a incorporação de
conhecimentos já existentes a novos estudos. A mesma importância é atribuída à pesquisa
bibliográfica por Oliveira (1999, p. 119), para quem esta permite “[...] conhecer as diferentes
formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno”.
Compreende-se, portanto, que a breve revisão de literatura apresentada no trabalho pode
ampliar a percepção das atividades desenvolvidas pela Biblioteca do ICBS junto aos alunos
da Biomedicina participantes do Programa Jovens Talentos para a Ciência.

5 EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA DO ICBS NO PROGRAMA JOVENS
TALENTOS PARA A CIÊNCIA DA BIOMEDICINA DA UFRGS
A atuação da Biblioteca do ICBS no Programa Jovens Talentos para a Ciência do
curso de Biomedicina da UFRGS surgiu da necessidade de ampliação do escopo das
atividades propostas aos alunos selecionados para a primeira edição do Programa no ano de
2012. A partir desta perspectiva, a Comissão de Graduação do curso fez convite à Biblioteca
para desenvolver atividades voltadas à pesquisa bibliográfica junto aos estudantes.
Compreendendo o caráter amplo do Programa e o interesse da instituição em
promover o desenvolvimento dos alunos rumo à iniciação científica, a Biblioteca do ICBS
percebeu a oportunidade de propor um conjunto de atividades orientadas à pesquisa
bibliográfica, à normalização de trabalhos acadêmicos e ao uso efetivo de recursos
informacionais nas atividades acadêmico-científicas dos estudantes, futuros pesquisadores ou
profissionais em sua área de atuação.
O caráter de universalidade do conhecimento que norteia o conceito de universidade,
aliado ao enfoque científico do curso de Biomedicina da UFRGS, serviu de base para o
planejamento e a definição das atividades propostas pela Biblioteca à Comissão de Graduação
do curso. Outra característica relevante e que confere amplitude às atividades propostas, é o
caráter abrangente da própria área de Biomedicina, que contempla diversas subáreas das
ciências biológicas e da saúde e envolve, portanto, grande quantidade de recursos
informacionais disponíveis na atualidade.

2185

�Desta forma, a Biblioteca do ICBS elaborou um programa de atividades composto por
nove temas principais, distribuídos em nove encontros, ordenados de acordo com a
complexidade dos recursos envolvidos e com o ordenamento semestral dos alunos no curso de
graduação, uma vez que o ingresso no Programa ocorre no início do segundo semestre e
conclui-se ao final do terceiro período.
Aos nove temas propostos pela Biblioteca foi acrescentado outro, por solicitação da
própria Comissão de Graduação do curso, que identificou a necessidade dos alunos fazerem o
preenchimento adequado do Currículo Lattes. A proposta foi aceita pela Biblioteca, que
oportunizou aos alunos não apenas o conhecimento do Currículo e de sua forma de
preenchimento, mas também a descoberta de outros recursos disponíveis na Plataforma
Lattes, conforme descrito com mais detalhes no decorrer desta seção. Desta forma, o conjunto
de atividades propostas pela Biblioteca somou dez temas principais, distribuídos em dez
encontros com os alunos da Biomedicina integrantes do Programa.
A proposição das atividades incluiu a definição do formato e da carga horária
apropriada para os encontros com os alunos. Optou-se por atribuir um caráter de seminário às
atividades, a fim de favorecer o diálogo e a discussão sobre temas e fontes de informação,
além das possíveis necessidades de informação identificadas em atividades acadêmicas e de
pesquisa. A carga horária ficou definida em duas horas para cada encontro, totalizando 20
horas. As datas foram decididas em conjunto com a Comissão de Graduação em Biomedicina,
considerando os turnos em que os estudantes não estão comprometidos com outras atividades
acadêmicas programadas pela Universidade. O cronograma de atividades considerou a
duração do Programa para cada turma, que corresponde ao período de 12 meses, excluídos os
meses do ano em que ocorrem as férias letivas na UFRGS.
O quadro a seguir apresenta as atividades propostas e desenvolvidas com a primeira
(Turma A: 2012-2013) e a segunda turma de alunos (Turma B: 2013-2014), respectivamente.

2186

�Quadro 1 - Atividades realizadas pela Biblioteca do ICBS com os alunos integrantes do
Programa Jovens Talentos para a Ciência do curso de Biomedicina da UFRGS
TURMA A (2012-2013)
Atividade

TURMA B (2013-2014)

Carga Atividade
horária
2h
Sistema de Bibliotecas da UFRGS;
Sistema de Bibliotecas da UFRGS,
SABi - Catálogo on-line; Lume SABi - Catálogo on-line, Lume Repositório Digital
Repositório Digital e SciElo Scientific Eletronic Library
2h
Plataforma Lattes
Plataforma Lattes
Livros eletrônicos disponíveis na 2h
Livros eletrônicos disponíveis na
UFRGS
UFRGS
Portal de Periódicos da Capes: 2h
Portal de Periódicos da Capes:
recursos e funcionalidades
recursos e funcionalidades
Base de dados Web of Science e 2h
Base de dados PubMed/NCBI
Journal Citation Report
2h
Base de dados Scopus
Base de dados Web of Science e
Journal Citation Report
2h
Base de dados PubMed/NCBI
Base de dados Scopus e Scimago
Journal &amp; Contry Rank
Normalização
de
trabalhos 2h
Normalização
de
trabalhos
acadêmico-científicos
acadêmicos: artigos e resumos
Oficina de normalização de 2h
Normalização
de
trabalhos
trabalhos acadêmico-científicos
acadêmicos:
Gerenciador
de
referências 2h
Gerenciamento de referências com
Endnote Basic
Endnote Basic
20h
Total
Total
Fonte: elaborado pelas autoras.

Carga
horária
2h

2h
2h
2h
2h
2h
2h
2h
2h
2h
20h

Observa-se que houve pequenas modificações nos conteúdos oferecidos à segunda
turma de alunos em relação à primeira. As alterações referem-se basicamente à inclusão de
alguns conteúdos não contemplados na primeira turma, a exemplo da base SciElo no primeiro
encontro, e à mudança da ordem de alguns temas, como é o caso da base de dados PubMed,
que estava programada para o sétimo encontro da primeira turma e foi antecipada para o
quinto encontro na segunda turma. Os ajustes são decorrentes da própria experimentação das
atividades e das necessidades de informação dos alunos percebidas no decorrer do Programa.
Portanto, o relato de experiência apresentado neste trabalho contempla ações
desenvolvidas junto aos alunos da Biomedicina da UFRGS nas duas edições do Programa. A
primeira turma foi formada por três alunos, cuja participação no Programa ocorreu de maio de
2012 a junho de 2013. A segunda turma reuniu sete alunos, cujas atividades iniciaram em
maio 2013 e têm previsão de término para junho de 2014.

2187

�As atividades realizadas pela Biblioteca iniciaram-se logo após o ingresso dos alunos
no Programa. Os encontros foram distribuídos em datas selecionadas no período de duração
da bolsa. Optou-se por programar um ou dois encontros por mês, evitando a sobrecarga de
atividades aos estudantes, uma vez que o curso de Biomedicina ocorre em período integral e
muitas outras atividades precisam ser cumpridas pelos alunos no decorrer do Programa.
O local escolhido para a realização dos seminários foi a Sala Multimídia do ICBS. A
escolha do local equipado com computadores e recursos multimídia considerou a necessidade
de realização de atividades práticas pelos próprios alunos após a apresentação dos temas
tratados em cada encontro. Considera-se que a experimentação prática das ferramentas e dos
recursos informacionais apresentados nos seminários favorece a compreensão dos recursos e
também a interação entre os estudantes e as bibliotecárias que participaram do Programa. A
atuação da Biblioteca no Programa envolveu diversas etapas. A Figura 1 apresenta o caminho
percorrido pela Biblioteca para viabilizar o desenvolvimento das atividades junto aos alunos
da Biomedicina da UFRGS integrantes do Programa Jovens Talentos para a Ciência.

Figura 1 - Etapas percorridas pela Biblioteca do ICBS para atuação no Programa
Jovens Talentos para a Ciência do curso de Biomedicina da UFRGS

Fonte: elaborado pelas autoras.

2188

�O relato das atividades desenvolvidas pela Biblioteca e as dinâmicas dos encontros são
descritas em sequência, considerando especialmente a programação de atividades com as
adaptações referentes à segunda turma de alunos. Importa destacar que, logo após a realização
de cada seminário, os alunos recebem por e-mail as apresentações utilizadas, bem como
recursos e informações complementares. A Comgrad Biomedicina, por sua vez, recebeu,
igualmente após cada encontro, um breve relato das atividades desenvolvidas e a lista de
presença assinada pelos alunos, de modo a possibilitar o acompanhamento das atividades e a
frequência dos alunos aos seminários. Apresentamos a seguir a descrição das realizadas:
a) Seminário 1 - Sistema de Bibliotecas da UFRGS, SABi - Catálogo on-line, Lume
- Repositório Digital e SciElo: a atividade iniciou com a apresentação das
bibliotecárias e dos alunos integrantes do Programa. O Sistema de Bibliotecas da
UFRGS foi apresentado em sequência, incluindo informações sobre as bibliotecas da
Universidade e os principais serviços prestados. Na sequência foi apresentado o SABi
- Catálogo on-line, incluindo os recursos de busca e recuperação da informação, além
das principais funcionalidades relacionadas ao empréstimo, renovação e reserva de
materiais; e o Lume - Repositório Digital da UFRGS, com orientações sobre as
coleções disponíveis, as formas de busca e o acesso aos conteúdos em texto completo.
O último assunto do Seminário foi a biblioteca digital SciElo, recomendada aos alunos
como importante fonte de informação científica dos países ibero-americanos, contendo
periódicos e artigos relevantes em diversos idiomas, especialmente português e
espanhol. Além da apresentação, foi proposto um exercício de localização, download e
identificação de citações em artigos indexados na SciElo;
b) Seminário 2 - Plataforma Lattes: neste encontro foi apresentada a Plataforma Lattes
do CNPq, incluindo o Diretório de Instituições, o Diretório de Grupos de Pesquisa, o
Currículo Lattes e o Painel Lattes, enfatizando sua importância para o Sistema
Nacional de Ciência, Tecnologia e inovação. A ênfase maior ficou no Currículo
Lattes, incluindo detalhes sobre a criação, o preenchimento e a atualização do
currículo na Plataforma. Ao final, os alunos puderam criar seus próprios currículos,
orientados pela bibliotecária responsável pelo Seminário;
c) Seminário 3 - Livros eletrônicos disponíveis na UFRGS: foram abordadas as
diversas opções de bases de livros eletrônicos assinadas pela UFRGS, além das
coleções disponíveis no Portal de Periódicos da Capes e na SciElo Livros. Tratou-se
das formas de acesso na UFRGS ou por acesso remoto, além das possibilidades de

2189

�visualização e/ou download nas diferentes bases. As bases destacadas no encontro
foram E-volution, Springer Link, Access Medicine, ClinicalKey, SciElo Livros e
ScienceDirect. Embora algumas bases incluam outros conteúdos, o enfoque do
encontro foram os livros eletrônicos nelas disponíveis. O exercício realizado ao final
do seminário contemplou a localização e a visualização de livros na E-volution;
d) Seminário 4 - Portal de Periódicos da Capes: recursos e funcionalidades: o
Portal foi apresentado como uma importante biblioteca digital que reúne boa parte
da literatura científica nacional e internacional, ressaltando sua importância para as
atividades de ensino e pesquisa dos estudantes e pesquisadores da UFRGS e do
Brasil como um todo. Foram detalhadas as formas de acesso ao Portal, o uso do
recurso Meu espaço e a possibilidade de acesso remoto via rede federada CAFe ou
por configuração do Proxy UFRGS. Em sequência, foram apresentadas as opções
de busca: por assunto, por periódico, por livro e por base. A apresentação da
ferramenta também foi intercalada com exemplos de busca realizados pelos
próprios alunos, além de comentários sobre o formato e o uso das informações
recuperadas. O encontro foi encerrado com a indicação do Portal Saúde Baseada
em Evidências, do Ministério da Saúde, como recurso alternativo para uso de
profissionais das áreas biomédicas, a fim de que os alunos conheçam o recurso e
compartilhem a informação com conhecidos que atuam nas áreas biológicas ou da
saúde;
e) Seminário 5 - Base de dados PubMed/NCBI: a PubMed foi apresentada como
base de dados referencial com ampla cobertura temática e cronológica nas áreas
médicas e biomédicas, incluindo artigos indexados na Medline e outros recursos
fornecidos pelo National Center for Biotecnology Information (NCBI). A base foi
indicada aos alunos como importante fonte de informação para pesquisa da
literatura biomédica em âmbito internacional, incluindo artigos científicos, ensaios
clínicos e outros recursos. Foram apresentadas as opções de busca básica e
avançadas e as possibilidades de gerenciamento de resultados e salvamento de
alertas a partir da identificação do usuário na base. O vocabulário controlado
Medical Subject Headings (MeSH) também foi indicado aos alunos, bem como seu
semelhante Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), a fim de instruí-los sobre o
uso de termos de busca adequados, com especial enfoque na PubMed. Ao final,
foram realizados exercícios de busca e recuperação da informação na base.

2190

�f) Seminário 6 - Web of Science e Journal Citation Report: a Web of Science foi
apresentada como importante recurso para recuperação da informação nas áreas
biológicas e da saúde, uma vez que é considerada uma das principais bases
referenciais de caráter multidisciplinar do mundo. Foram apresentadas as formas
de busca básica, avançada, por autor e por citações. O Journal Citation Report
também foi apresentado como importante recurso de avaliação dos periódicos
científicos na atualidade. Ao tratar da Web of Science e do Journal Citation Report
foi necessário explicar aos alunos os conceitos Fator de Impacto e Índice h. O uso
de exemplos relacionados às áreas e autores do ICBS gerou maior interesse nos
alunos, não apenas em relação à busca de artigos, mas também na visualização das
citações recebidas pelos artigos, do Índice h de pesquisadores do próprio Instituto
e do Fator de Impacto dos periódicos;
g) Seminário 7 - Base de dados Scopus e Scimago Journal &amp; Country Rank:
neste encontro foi apresentada a base de dados referencial e multidisciplinar
Scopus, semelhante à Web of Science, apresentada no seminário anterior. A base
foi apresentada, portanto, como recurso complementar, ressaltando as principais
diferenças em relação à indexação dos periódicos pelas bases. A atividade
ressaltou a pesquisa básica e avançada por assunto, além da pesquisa por autor
e/ou instituição. Destacou a forma de apresentação de resultados e as
funcionalidades disponíveis a partir dos resultados, como o acesso ao texto
completo dos documentos, a análise dos resultados com base nos dados de
publicação, a verificação das citações recebidas e do Índice h. O Scimago Journal e
Country Rank, não abordado na primeira turma, foi apresentado à segunda turma
de alunos como recurso similar ao Journal Citation Report, tendo por base os
dados de periódicos e publicações indexadas na Scopus;
h) Seminário 8 - Normalização de trabalhos acadêmico-científicos: enfoque em
artigos e resumos: o encontro abordou os conceitos básicos sobre normalização e
sua importância nas atividades acadêmico-científicas. As principais normas de
documentação relacionadas à normalização bibliográfica foram apresentadas aos
alunos, bem como a forma de acesso às normas técnicas na base ABNT Coleção,
assinada pela UFRGS. Em sequência, tratou-se da normalização de artigos
científicos, sua estrutura e os principais elementos segundo a NBR 6022:2003,
além de orientações em relação às normas específicas de cada periódico. Outro
enfoque do seminário foi a elaboração e normalização de resumos de trabalhos

2191

�acadêmicos, artigos científicos e trabalhos de evento, conforme a NBR 6028:2003.
Os alunos foram orientados quanto aos principais tipos e os elementos dos resumos
para os diversos tipos de publicação. O enfoque aos artigos e resumos deve-se ao
fato de que os alunos da Biomedicina da UFRGS integrantes do Programa
apresentam suas experiências no Salão de Ensino da UFRGS, que ocorre
anualmente. Portanto, cada aluno pode elaborar seu próprio resumo, que foi
revisado individualmente pela bibliotecária responsável pelo Seminário e pela
Comgrad Biomedicina da UFRGS;
i) Seminário 9 - Normalização de trabalhos acadêmico-científicos: enfoque em
trabalhos de disciplinas ou de conclusão de curso: o encontro abordou
informações gerais sobre normalização, com destaque para os padrões da ABNT
na elaboração de trabalhos acadêmicos. Desta forma, foram apresentados os
elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais, com base no disposto pela NBR
14724:2011 e normas relacionadas. Os elementos obrigatórios foram tratados
detalhadamente, acompanhados de exemplos para ampliar a compreensão dos
alunos sobre a aplicação das normas em trabalhos acadêmicos;
j) Seminário 10 - Gerenciamento de referências com EndNote Basic: a última
atividade da Biblioteca com os alunos da Biomedicina da UFRGS integrantes do
Programa Jovens Talentos para a Ciência abordou as principais funcionalidades do
EndNote Basic, além da importância de uso de ferramentas do gênero para
organização da informação de interesse dos estudantes. Foram apresentadas as
principais funcionalidades do software, como a coleta, organização e formatação
de referências em diferentes estilos, além da estrutura da ferramenta em sua versão
web. Foi praticada a coleta e importação de referências nas bases já conhecidas em
outros seminários, de modo a ampliar a compreensão dos alunos sobre a
ferramenta e retomar conteúdos de seminários anteriores. A apresentação do
EndNote Basic finalizou com a demonstração sobre o uso do EndNote Web
integrado ao Word para citação e criação de referências automáticas durante a
digitação dos trabalhos, incluindo a formatação das referências em diferentes
estilos de normalização.
Ao final do décimo encontro com os alunos da primeira turma, as atividades da
Biblioteca com os alunos integrantes do Programa foram encerradas. Após o encontro, um
formulário de avaliação do conjunto de seminários foi enviado por e-mail aos estudantes,
buscando identificar possíveis falhas e possibilidades de aprimoramento das atividades

2192

�desenvolvidas. A avaliação foi bastante positiva e destacou a importância das ações
desenvolvidas pela Biblioteca em parceria com a Comissão de Graduação do curso. A mesma
avaliação deverá ser feita com a segunda turma de alunos assim que forem concluídas as
atividades propostas, ainda que uma avaliação informal costume ocorrer ao final de cada
encontro, quando os alunos podem expressar suas impressões sobre os conteúdos, o formato
de atividades e os recursos utilizados.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação de usuários tem se estabelecido como um campo de oportunidades e
desafios para as bibliotecas universitárias na atualidade, especialmente no que se refere aos
produtos e serviços de informação em rede. Integradas ao serviço de referência, as ações
educativas configuram-se como importantes estratégias para o desenvolvimento de
competências de busca e uso da informação pelos diferentes públicos. Além disso, a atuação
das bibliotecas universitárias em atividades de educação de usuários pode favorecer a
integração das unidades de informação e dos recursos informacionais com a comunidade
acadêmica, estabelecendo uma ligação que fortalece seu papel de referência em relação à
informação dos mais diversos tipos no contexto acadêmico.
A experiência da Biblioteca do ICBS da UFRGS nas atividades do Programa Jovens
Talentos para a Ciência no curso de Biomedicina revelou a importância da educação de
usuários no contexto institucional e a forte necessidade de atuação das bibliotecas na
formação das competências informacionais no âmbito dos programas de ensino, pesquisa e
extensão nas universidades. A proposição de conteúdos para as práticas exercidas mostrou-se
desafiadora, levando em conta a abrangência da área e a grande diversidade de recursos
disponíveis. Por outro lado, o formato de seminários adotado no programa foi satisfatório,
pois proporcionou maior dinamismo à exposição dos temas e às atividades práticas realizadas
com os alunos.
A avaliação positiva das atividades demonstra a adequação dos temas e do formato
definido para sua abordagem. Evidencia-se, entretanto, a necessidade permanente de revisão e
atualização dos conteúdos para acompanhar os avanços das ferramentas e dos recursos de
informação nas áreas biomédicas, que se caracterizam por amplo dinamismo e expansão.
Além dos aspectos positivos relacionados às práticas vivenciadas, também foi possível refletir
acerca de aspectos institucionais e de gestão. A partir da atuação no Programa, a Biblioteca do
ICBS intensificou seu relacionamento com a Comgrad Biomedicina, colocando suas ações em

2193

�posição linear com as demais atividades desenvolvidas pelos alunos participantes, como as
práticas em laboratórios e outras atividades realizadas na instituição.
Avalia-se, portanto, quea a atuação da Biblioteca no Programa mostrou-se bastante
proveitosa, contribuindo para ampliar o conhecimento dos alunos sobre ferramentas, normas
técnicas relativas à documentação e fontes de informação nas áreas biomédicas. A avaliação
das atividades realizadas no Programa sugere a continuidade e a expansão das ações de
educação de usuários, tanto no que se refere aos alunos da Biomedicina como aos demais
integrantes da comunidade acadêmica.

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Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos estudantes
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CARVALHO, Fernanda Cordeiro. Educação e estudos de usuários em bibliotecas
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MATA, Marta Leandro da. A competência informacional de graduandos de Biblioteconomia
da região sudeste: um enfoque nos processos de busca e uso ético da informação. 2009.

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OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Pioneira,
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OLIVEIRA, Sueli Ferreira Júlio de. A contribuição dos esforços de educação de usuários para
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2195

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Este trabalho apresenta a experiência da Biblioteca do Instituto de Ciências Básicas da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul junto aos estudantes do curso de graduação em Biomedicina participantes do Programa Jovens Talentos para a Ciência. O estudo é descritivo e constitui-se num relato de experiência que apresenta o caminho percorrido pela Biblioteca no planejamento, na oferta e na avaliação de atividades de educação de usuários. As atividades realizadas exploraram um conjunto de ferramentas, fontes de informação nas áreas biomédicas e normas técnicas com vistas ao desenvolvimento de competências de busca e uso da informação nos estudantes. A experiência revela a importância das ações de educação de usuários com enfoque nas necessidades institucionais e dos estudantes, além dos padrões e especificidades da própria área do conhecimento. Conclui-se que as atividades desenvolvidas apresentaram resultados bastante positivos, podendo servir de base para outros programas de educação de usuários no contexto acadêmico. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL: PROPOSTA PARA AVALIAÇÃO

Aécio Oberdam dos Santos
Edilene Maria da Silva
RESUMO
As novas tecnologias da informação favorecem o surgimento do serviço de referência virtual
(SRV), trata-se de um novo modelo de serviço de referência onde o usuário conectado a Web
pode realizar sua pesquisa com comodidade e eficiência de qualquer lugar através de acesso
remoto, orientado pelo bibliotecário. O trabalho procura demonstrar que o SRV não é
simplesmente a comunicação entre o usuário e o bibliotecário. Na verdade, trata-se de uma
rede de conhecimentos técnicos disponíveis na web, organizados e pautados pelo trabalho de
mediação da informação. Realizou-se a análise de duas bibliotecas virtuais que possuem as
características de SRV, segundo critérios pesquisados e utilizados na área de Ciência da
informação. Acrescentou-se a estes o critério ferramentas de interatividade. Trata-se de uma
pesquisa qualitativa, observando se as bibliotecas atendem os requisitos para o funcionamento
do serviço de referência virtual.

Palavras-chave: Serviço de referência. Serviço de referência virtual. Biblioteca virtual.
Serviços de informação. Usabilidade.
ABSTRACT
The new information technologies favor the emergence o f virtual reference service (SRV), it
is a new reference service model where the user connected to the Web can conduct your
search comfortably and efficiently from anywhere through remote access guided by the
librarian. The work aims to show that the SRV is not simply the communication between the
user and the librarian, in fact, it is a network of expertise available on the Web, organized and
guided by the work of mediation of information. We conducted the analysis in two virtual
libraries that have the characteristics of SRV, researched and criteria used in the field of
information science. Added to these criteria the instructional tools. It is a qualitative research,
noting that libraries meet the requirements for the operation of virtual reference service.

Keywords: Reference service. Virtual reference service. Virtual Library. Information
services. Usability.

1. INTRODUÇÃO
As tecnologias da informação e da comunicação permitem o acesso mais rápido e
eficiente à informação desejada, é notável a capacidade da internet como canal de
comunicação e acesso ao conhecimento. Tais aspectos favorecem o surgimento de novos

3703

�modelos de serviços de informação, onde o usuário pode realizar sua pesquisa em sua própria
casa ou em qualquer outro lugar com rapidez e comodidade. Trata-se de novas tendências que
são cada vez mais adotadas pelas bibliotecas.
Nesse contexto surgem possibilidades de se ofertar novos serviços de informação. As
bibliotecas têm passado por mudanças marcantes, com a inclusão de novos recursos
tecnológicos e formas diferenciadas de interatividade entre os bibliotecários e seus usuários,
além de alternativas que proporcionam a sistematização do acesso ao conhecimento. A
tecnologia da informação aliada a práticas de gestão e diretrizes eficazes pode alterar as
formas de busca e produção de conhecimento. Diante dessa alteração a biblioteca no século
XXI deve pautar seu trabalho pela adoção de tecnologias que possibilitem ampliar e
aperfeiçoar novas formas de prestação de serviços de informação.
As tecnologias de informação tornaram-se uma importante aliada na prestação de
Serviços de referência. O Serviço de referência é a prestação de serviços de informação com
base nas necessidades de informação dos usuários, de acordo com Grogan (1995, p.8):
Os usuários das bibliotecas, auxiliados pelo bibliotecário de referência tem
melhores condições de mais bem aproveitarem o acervo de uma biblioteca
do que o fariam sem essa assistência. Esta ‘maximização de recursos’
constitui o princípio que se encontra no próprio conceito de biblioteca, que é
o compartilhamento e uso coletivo dos registros gráficos em benefício da
sociedade como um todo e dos indivíduos que a constituem.
É nessa perspectiva que ganha espaço uma nova forma de serviço de referência, o
Serviço de referência virtual (SRV). Para Siqueira (2010), o serviço de referência virtual é
aquele que através da interface da rede virtual permite a interação entre o profissional da
informação e o usuário, disponibilizando recursos a partir da tecnologia comunicacional da
rede para além do ambiente físico da biblioteca. A American Library Association (2004)
define o:
Serviço de referência usado eletronicamente, em tempo real, no qual os
usuários utilizam computadores ou outra tecnologia da internet para se
comunicarem com os bibliotecários sem estarem fisicamente presentes. Os
canais de comunicação usados frequentemente no serviço de referência
incluem a videoconferência, serviços de voz na internet, correio eletrônico e
mensagem instantânea.
Existem dois tipos principais de serviço de referência virtual: o sincrônico, onde a
interação é realizada em tempo real e o assincrônico, onde o tempo de resposta na interação
varia de minutos a dias. O Serviço de referência virtual caracteriza-se como um valioso
instrumento de comunicação que diminui as distâncias entre o usuário e a informação, nesta

3704

�perspectiva a informação tem a internet como seu principal canal de comunicação e, dessa
maneira, ampliam-se as oportunidades de obter, armazenar, tratar, comunicar e disponibilizar
informação.
Nos últimos anos as bibliotecas reformularam o modus operandi, impulsionadas pela
adoção de tecnologias que possibilitam a ampliação dos serviços, e pelo acréscimo em suas
rotinas de ferramentas de gestão, como planejamento, avaliação e certificações, gestão da
qualidade e marketing.
Isso faz com que as bibliotecas sejam reconhecidas como espaços informativos onde a
racionalidade no trabalho, o controle, a facilidade de armazenamento, geração e disseminação
da informação associados a instrumentos de gestão eficientes e tecnologias se tornem
imperativos de sua manutenção e crescimento. Milanesi (1983, p.4) afirma que quanto mais
uma biblioteca propicia uma multiplicidade de informações, mais ela estará chegando ao seu
objetivo. Para atingir seus objetivos, ou seja, prestar serviços de informação com qualidade é
necessário avaliar como esses funcionam e como eles estão sendo ofertados.
A ausência de um padrão de avaliação que verifique o funcionamento eficiente de um
SRV é um dos fatores que motivam a reflexão sobre os SRVs, como avaliar serviços de
referência ofertados via Web? Como traçar uma diretriz que permita avaliar o bom
funcionamento de um SRV? Nosso objetivo geral é avaliar o funcionamento de dois serviços
de referência virtual quanto à interatividade, coleções estruturadas em ambiente digital e os
processos acesso e mediação da informação. E os objetivos específicos se constituíram em:
identificar os conceitos, características e tendências do serviço referência tradicional e virtual;
e analisar e escolher um conjunto de critérios adequados para avaliar o funcionamento do
SRV.

2. JUSTIFICATIVA
Tendo em vista a importância do tema, no contexto de constantes mudanças
ocasionadas pela inclusão de tecnologias da informação e comunicação nas bibliotecas
brasileiras, resolvemos direcionar o trabalho a estudos sobre serviço de referência virtual,
motivado por razões de aptidão e identificação pessoal com o tema serviço de referência, e
também pela ausência de um padrão de avaliação que avalie a qualidade e funcionalidade do
mencionado serviço.
Para isso escolhemos duas bibliotecas virtuais que oferecem serviços de referência
virtual e, são estruturadas com características específicas de mediação da informação,

3705

�mantendo ferramentas de comunicação e interatividade com os usuários entre outros aspectos,
contidas em suas respectivas páginas na web. Para Rowley (2002, p. 21) a biblioteca virtual:
Não implica localização física, seja para o usuário final seja para a fonte. O
usuário pode acessar a informação a partir de qualquer ponto e a informação
estar em qualquer lugar. Há um sentido de aleatoriedade, pois é irrelevante
para o usuário saber onde a informação é mantida.

É também chamada de biblioteca de realidade virtual ou “cibernética”, em função da
mesma depender da tecnologia digital para existir. Em outras palavras, depende de um
programa que reproduza o ambiente de uma biblioteca criando um cenário de pesquisa,
imersão e interação.
A proposta desta pesquisa se justifica pela necessidade de refletir sobre as constantes
mudanças relacionadas à inclusão de novas tecnologias de informação nas bibliotecas. Pois,
são estas mudanças que direcionam radicalmente a forma de atuação dos profissionais e a
estruturação dos serviços de bibliotecas. São instrumentos cada vez mais adotados, em função
dos seus benefícios como a agilidade e a eficiência, possibilitando uma nova dinâmica ao
acesso à informação desejada. Mas, ao mesmo tempo merece reflexões críticas para que seu
uso seja cada vez mais justificado, melhorado e aprimorado.

3. SERVIÇO DE REFERÊNCIA
A Primeira menção ao serviço de referência aconteceu na primeira reunião da ALA
(American Library Association), ocorrida em 1876, num trabalho publicado por Samuel
Sweet Green, responsável pela primeira proposta de assistência pessoal aos usuários das
bibliotecas, a partir daí se verificou a necessidade de realizar o empréstimo, com orientação e
auxílio ao leitor. A partir dessa ideia houve a evolução no sentido de fornecer uma resposta
imediata a uma consulta específica, e a etapa seguinte foi a de auxiliar o leitor na pesquisa
bibliográfica, tarefa que demanda mais tempo, esforço e conhecimento. Para Ranganathan
(2009, p. 287):
O serviço de referência é o motivo fundamental e a culminância de todas as
práticas biblioteconômicas. Suas variedades, o quê, o por que e o como, a
preparação para elas, a variedade dos materiais bibliográficos e de
referência necessários para o seu desempenho eficiente e a organização do
tempo do pessoal em relação a elas - tudo isto é extraído das cinco leis em
Reference and bibliography (1940).

3706

�O serviço de referência seguiu uma tendência e conquistou um local de destaque na
área de Biblioteconomia e documentação, caracterizando-se como uma atividade fim na
biblioteca, e de contato direto com o usuário. De acordo com Macedo (1990):
O Serviço de referência em sentido amplo é considerado a interface entre
informação e usuário, tendo à frente o bibliotecário de referência,
respondendo questões e auxiliando o usuário, por meio de conhecimentos
profissionais.
É por meio do serviço de referência que se pode facilitar o acesso e a utilização de
recursos informacionais, e se percebe com mais clareza a função principal de uma biblioteca atender a uma determinada clientela facilitando e promovendo o uso da informação solicitada.
De acordo com Grogan (1995, p.8):
O Serviço de referência, porém é mais do que um expediente para a
comunidade do usuário. Um dos fatos da vida das bibliotecas é que grande
parte do material constante do acervo precisa ser deliberadamente utilizado
para proporcionar algum benefício.
O Serviço de referência e informação tem entre outras finalidades garantir a fluidez da
informação, para Kenneth Whitaker citado por Grogan (1995, p.8):
A finalidade dos serviços de referência e informação é permitir que as
informações fluam eficientemente entre as fontes de informação e quem
precisa de informações. Sem que o Bibliotecário aproxime a fonte do
usuário, esse fluxo jamais existirá ou só existirá de modo ineficiente.
É no serviço de referência que se tem o produto final de toda uma cadeia de serviços
interligados que convergem para o oferecimento de informação a um público específico de
uma biblioteca. Alencar (1996, p.73) salienta:
Quando se referem a principal função do serviço de referência como sendo
dar acesso à informação, isso pode ser interpretado da seguinte forma: fazer
com que o usuário encontre a informação desejada. Em outras palavras,
satisfazer o usuário que é a segunda categoria mais apontada pelos sujeitos.
Desse modo, a análise das categorias acesso à informação e satisfazer o
usuário parece apontar para o mesmo significado. Dar acesso à informação e
satisfazer o usuário pode ser interpretado como funções gerais de qualquer
balcão de informações. O serviço de referência é um tipo de balcão, também;
contudo, possui ações específicas.
O serviço de referência promove o uso da biblioteca e de seus recursos, podendo fazer
desde a divulgação de informações gerais sobre os serviços e seu funcionamento a realização
de treinamento para os usuários melhor aproveitarem os serviços oferecidos, além disso,

3707

�permite ampliar as possibilidades de conhecer as exigências e expectativas dos usuários. Para
Grandi (1982, p.11):
O Serviço de referência concretiza o objetivo máximo da biblioteca: servir a
comunidade, a sua avaliação e demonstração das tarefas executadas
funcionam como uma forma de legitimar a própria existência da biblioteca
frente à instituição ou á clientela a qual serve.
O Serviço de referência pode servir como termômetro da biblioteca, pois se constitui o
local onde são percebidos, os aspectos negativos e positivos dos outros setores. Nesse
contexto surge a importância da realização de pesquisas de avaliação para que as eventuais
falhas sejam detectadas. Para Grandi (1982, p.11), no entanto, embora importante não é
dedicada muita atenção na avaliação do serviço de referência. Ou melhor, este é um dos
setores relegados, quando existente (o que é raro).

3.1 SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL
A tecnologia da informação possibilita intensas mudanças nos modos de produção,
disseminação e acesso à informação utilizada pela sociedade. Nas bibliotecas essa utilização
fica cada vez mais evidente com a adoção de tecnologias que possibilitam o acesso e o uso da
informação por meio virtual. Sendo assim, o serviço de referência torna-se uma ferramenta
que amplia o alcance das bibliotecas para além da sua clientela, com a disponibilização de
informações, guias, resumos, catálogos, informações úteis, além da possibilidade da interação
do usuário com o bibliotecário via web, o serviço de referência virtual é uma alternativa para
facilitar e aperfeiçoar o acesso à informação. Na definição de Moreno e Santos (2009, p.4):
O Serviço de referência digital pode ser um serviço de filtragem de
informação em bases de dados de recursos digitais disponíveis na Web que
consiste na utilização da tecnologia de agentes a fim de proporcionar ao
usuário uma interface capaz de atender as suas necessidades informacionais.
O Serviço de referência virtual é muito mais que simplesmente a comunicação em
tempo real do usuário com o bibliotecário, corresponde a uma rede de conhecimentos técnicos
disponíveis num ambiente virtual. O acesso a catálogos eletrônicos de bibliotecas e unidades
de informação na Web é uma realidade comumente adotada principalmente por instituições
que têm a pesquisa como um fator preponderante na sua missão.
Com o avanço das tecnologias, muitas bibliotecas passaram a ofertar o Serviço de
Referência virtual com o objetivo de facilitar o acesso à informação de forma remota. A
orientação, o auxílio e a intermediação, são processos agora realizados de maneira cada vez
mais rápida e eficiente.
Para Oliveira e Bertholino (2000, p.8), são serviços e produtos que racionalizam o uso
de coleções e otimização de recursos informacionais e desvincula o acesso a informação

3708

�intermediada por profissionais. Nós compreendemos que o SRV é indubitavelmente uma
ferramenta que possibilita aperfeiçoar tarefas nas bibliotecas, porém isso não desvincula a
participação do bibliotecário nesse processo, pois a intermediação da informação não deixa de
ser indispensável, apenas abandona o estágio presencial e passa a ser remoto.
Nesta perspectiva a internet é um aliado indispensável para o desenvolvimento do
serviço de referência virtual, cada vez mais, produtos podem ser oferecidos de maneira ágil e
dinâmica ampliando o universo das fontes de informações. Contudo, é preciso fazer reflexões
numa perspectiva crítica, embora a internet ofereça grandes vantagens aos usuários dos
serviços de referência virtuais, eles podem enfrentar problemas caso haja: dificuldades para
formular expressões de busca para recuperar a informação; ausência de requisitos básicos de
usabilidade e navegabilidade; interface não adequada, que se constituem em problemas que
podem comprometer a recuperação da informação. De acordo com Le Coadic (2004, p. 49):
A usabilidade mede até que ponto um produto de informação, um sistema de
informação, um serviço de informação ou uma informação se prestam ao
uso. É um conceito fundamental ao lado dos conceitos de utilidade, eficácia
e confiabilidade.

Pela definição constante da Norma ISO 9241 citada por Vilella (2003) a usabilidade
compreende “a extensão em que um produto pode ser usado por usuários específicos para
alcançar objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação num contexto específico de
uso” . Para Mendes (1997, p.44):
A interface com o usuário neste caso é a estrutura que tem o papel de
traduzir todas as informações externas ao sistema especialista que interajam
com ele, seja alimentando-o por informações oriundas de fontes diversas,
sejam resultantes de informações advindas do usuário, mediante perguntas
e/ou respostas. (MENDES, 1997, p. 44)

Para este trabalho adotaremos a definição de Serviço de referência virtual
elaborada por Silva e Beuttenmuller (2005, p.79):
Como um recurso eletrônico que objetiva atender aos usuários que
buscam nas bibliotecas virtuais a informação digital. Este serviço vem
atender aos mesmos objetivos do SR tradicional, sendo destaque nas
bibliotecas virtuais por usar a Internet como um recurso que amplia o
universo de informações e facilita o ‘contato’, ao menos virtual, entre o
usuário e o bibliotecário.

Por compreender a importância dessa nova forma de prestação de serviços de
informação, entendemos que o serviço de referência virtual deve ser visto como um serviço

3709

�importante que se alinhe aos objetivos da instituição a qual está subordinado. Ao
mencionarmos alinhamento de objetivos entramos na seara da administração e dos seus
processos de planejamento, organização, direção e avaliação, pois compreendemos que o
SRV deve ter clareza de seus objetivos, bem como, seus critérios de avaliação para mensurar
a eficiência e eficácia do serviço prestado.
Entendemos também a importância da avaliação, pois ela permite entre outros
benefícios o conhecimento de informações relevantes, identificação de possíveis falhas, e
correção de equívocos. O SRV constitui uma forma de prestação de serviços de informação
que necessita desde a sua criação desenvolver o processo de avaliação compreendendo-o
como instrumento que direcione melhorias para que a coletividade usufrua de bens e serviços
de qualidade.

4. AVALIAÇAO DE SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
A busca por uma metodologia eficiente para avaliação de um serviço de informação
deve levar em consideração características específicas do serviço a ser avaliado. A principal
função de uma avaliação diz respeito a produzir conhecimentos sobre a organização que está
sendo avaliada. De acordo com Almeida (2009, p.12):
Avaliar é atribuir valor, julgar mérito e relevância, medir o grau de eficiência
e eficácia e o impacto causado pelas ações de determinada organização ou
pela implementação de políticas, programas e projetos de informação.
(ALMEIDA, 2009, p. 12)
Num serviço de informação, avaliar consiste em identificar ou coletar dados sobre
serviços ou atividades estabelecendo os devidos critérios de mensuração do desempenho para
determinar a qualidade, grau de satisfação dos usuários e o alcance de metas e objetivos.
A avaliação é um instrumento necessário para direcionar ou redirecionar a execução
de ações, atividades e programas. A avaliação é um processo determinante para saber o que
deve ou não ser mudado num serviço de informação, é um processo indispensável para
determinação de prioridades. Para Almeida (2009, p. 27):

Ao fornecer informação e conhecimento para a tomada de decisões, a
avaliação identifica e busca soluções para problemas, confere viabilidade e
exequibilidade ao planejamento e permite melhorar o seu impacto sobre o
público-alvo e o processo de gestão interna. Quanto mais precisa for a
análise da organização, do contexto e dos públicos, mais realistas e viáveis
serão os objetivos, mais adequados os meios propostos e maior a
possibilidade de satisfação do público.

3710

�O processo de avaliação dependendo da abordagem metodológica pode ser
quantitativa, qualitativa ou pluralista. Quantitativa: quando utiliza metodologias baseadas na
estatística e na experimentação controlada, dá ênfase na mensuração quantificando metas e
resultados. Qualitativa: quando utiliza metodologias baseadas na sociologia, antropologia, ou
na história oral com ênfase nos agentes do processo. Pluralista: Consiste na mensuração não
apenas quantitativa dos benefícios e males de um programa ou ação, mas que também
qualifique decisões, processos, resultados e impactos sociais.
No processo de avaliação dois termos são imprescindíveis: eficiência e eficácia. Para
Almeida (2009) eficiência está relacionada ao processo, ou seja, a realização dos
procedimentos de forma correta e econômica. Já a eficácia se relaciona aos resultados, isto
significa que o serviço fornece aos usuários a informação desejada com rapidez e precisão.
Dentre as vantagens de um processo de avaliação destacamos as seguintes:
possibilidade de análise direta dos dados; força demonstrativa; inferência para outros
contextos; interação; permite compreender a dinâmica interna de programas e atividades;
permite compreender muitos aspectos de programas e serviços; avaliação de resultados
difusos e não específicos. Dentre as desvantagens: o significado é sempre sacrificado em
detrimento do rigor matemático exigido pela análise; não permite análise das relações; os
resultados podem ser considerados como verdade absoluta; pode conduzir a uma excessiva
coleta de dados; depende de uma capacidade maior de análise do avaliador; exige maior uso
do recurso tempo.
Para analisar a funcionalidade dos SRVs das bibliotecas fizemos readequações dos
critérios indicados por Weitzel (2000) para avaliar e selecionar documentos eletrônicos.
Acrescentamos o critério ferramentas de interatividade, pois a web 2.0 e suas ferramentas se
constituem importantes instrumentos para disseminação e mediação da informação.
Após estudo desconsideramos outros critérios, como por exemplo, a ISO 2789 information and documentation - International library statistics - por concentrar-se na
quantificação de usuários, acesso, tipos e downloads de documentos. E esses critérios não se
coadunam com o objetivo desta pesquisa. Os critérios adotados são os seguintes:

4.1 Autoridade
Diz respeito à autoria de uma publicação que pode ser eletrônica ou não, sendo de
natureza intelectual, editorial, ou simplesmente técnica. Esse critério permite uma orientação
em relação à reputação do autor ou autores do documento, contudo não isenta o usuário da
responsabilidade de pesquisar outras fontes de informação sobre o autor.

3711

�Para o SRV observamos informações referentes à clareza sobre a manutenção e
responsabilidade institucional

do serviço; informações acerca do acervo,

áreas do

conhecimento, autores e tipos de materiais; equipe responsável pelo serviço. São itens que
podem indicar a confiabilidade das informações disponibilizadas.

4.2 Atualidade
É o critério que tem como função conhecer se o que está publicado é atual, é preciso
fornecer informações que proporcione ao usuário a noção mínima das datas de publicação ou
edição do documento consultado. Para o SRV observamos itens referentes às datas de
atualização da própria página do serviço; apontadores referentes a notícias e informações
recentes; além de inclusão sobre informações de novos materiais no acervo, são aspectos que
podem indicar credibilidade às informações disponibilizadas.

4.3 Objetividade
Diz respeito à imparcialidade, esse critério têm a função de avaliar o documento sob o
prisma da imparcialidade, para saber se o assunto tratado no documento está sendo abordado
de maneira justa, sem favoritismos a teorias, ou correntes ideológicas. É preciso que tanto o
usuário quanto o bibliotecário estejam atentos para usar e gerenciar respectivamente
informações da maneira mais justa, clara e verdadeira.
Este critério foi readequado para observar os seguintes itens nos SRVs: a exposição
clara das propostas, missão e objetivos do serviço; a existência de alguma forma de
propaganda ou tentativa de venda de algum produto ou serviço. Esses itens possibilitam ao
usuário observar credibilidade e confiabilidade do serviço e das informações disponibilizadas.

4.4 Acesso
Esse critério objetiva saber se existem pré-requisitos básicos para o acesso a página
desejada, tais como instalação de software ou hardwares. Envolvem também aspectos como a
velocidade de conexão da página ou site, o fato da página ou site estarem disponíveis na rede
não significa necessariamente que o serviço é de fácil acesso.

4.5 Aparência
É um critério que está relacionado com a estética ou design, e com a disposição das
informações na página ou simplesmente a Arquitetura das informações publicadas em relação
à organização de conteúdos. Considerando que o critério é recomendado para avaliar

3712

�documentos eletrônicos, adequamos os itens para analisar os SRVS, os seguintes itens serão
observados: leiaute, cores e imagens, navegabilidade e disposição de informações.

4.6 Ferramentas de Interatividade
Constitui-se num critério distinto dos demais que analisa se os SRV possui
ferramentas que possibilitem o contato do bibliotecário responsável pelo serviço com o
usuário, nesse aspecto é comum bibliotecas adotarem redes sociais como facebook, twitter, e
orkut para essas possibilidades.
É cada vez mais crescente a quantidade de informações que são disponibilizadas
diariamente na internet, diante deste panorama é necessário que saibamos usar critérios que
permitam garantir que os materiais informacionais que estamos usando sejam confiáveis.
A internet oferece possibilidades para manipulação e modificação de sites e
documentos, em geral com auxílio de softwares cada vez mais sofisticados e com finalidades
diversas, essas variáveis dão margem para que pessoas de má fé violem os limites do direito
autoral, por exemplo. É preciso que consideremos essas variáveis ao usar serviços de
referência de bibliotecas virtuais, para que as pesquisas sejam sempre pautadas pela segurança
de recuperar informações confiáveis, diante desses aspectos aqui apresentados a avaliação é
um procedimento que se faz necessário, e também pertinente para tais circunstâncias.

5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa qualitativa a qual iremos utilizar o método de estudo de
caso. Faremos avaliação para averiguar aspectos relacionados à qualidade dos serviços de
duas bibliotecas virtuais que oferecem serviços de referência virtual. Para Gil (2010, p.37):
Estudo de caso é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas
ciências biomédicas e sociais. Consiste no estudo profundo e exaustivo de
um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado
conhecimento, tarefa praticamente impossível mediante outros
delineamentos já considerados.
Para Vergara (2010, p. 44):
Estudo de caso é um circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas
essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão público, comunidade ou
mesmo país. Tem caráter de profundidade e detalhamento. Pode ou não ser
realizado no campo. Utiliza métodos diferenciados de coleta de dados.
Assim realizamos uma análise das bibliotecas por meio da simulação de pesquisa por
assunto, acessando as páginas na web e verificando se as mesmas contemplam os critérios

3713

�descritos no capítulo anterior. Optamos por dispensar alguns critérios postos na literatura por
compreender que estavam além do objetivo da pesquisa.
A primeira biblioteca analisada foi a biblioteca de Arte da Fundação Calouste
Gulbenkian de Portugal uma biblioteca que conta com serviços de orientação e apoio
especializado na definição de estratégias de pesquisa, e a para responder questões breves e de
carácter factual na área das Artes Visuais e Arquitetura. Uma biblioteca temática que mantêm
em sua página diversas ferramentas, como catálogos, fale conosco, links úteis, além de
coleções de documentos digitalizados, entre outros. Possui um SRV disponível na página
principal, acessado através do link serviço de referência.
A segunda biblioteca analisada foi a biblioteca virtual do governo do estado de São
Paulo, uma biblioteca que fora criada para atender o público interno da administração pública
estadual, e que se tornou um serviço de informação acessível a qualquer usuário da internet. A
biblioteca trabalha na recepção das mensagens eletrônicas enviadas pelos usuários, por
diversos sites e pelo portal do governo do estado, trata-se de um serviço de eletrônico de
referência e informação, e mesmo não possuindo um acervo especializado, oferece alguns
documentos para download em sua página. Apesar de não apresentar-se de forma explícita
como um SRV, suas funções e características lhe configuram como tal.
A escolha das duas bibliotecas deve-se ao fato de apresentarem características de
serviços de referência virtual, pois disponibilizam informações, orientação à pesquisa,
downloads de documentos, bases de dados e bibliografias, além de um processo claro de
mediação da informação, e instrumentos que permitem ao usuário realizar uma pesquisa com
rapidez e comodidade.
Esses critérios foram escolhidos por uma razão objetiva: por meio deles é possível
conhecer se o SRV apresenta requisitos mínimos que possibilitem avaliar a eficiência do
funcionamento dos serviços nas páginas das bibliotecas virtuais.

Acesso: É o critério que avalia as informações da página relativas ao item facilidade de
acesso. Avaliaremos este critério observando os seguintes pontos:
•

São exigidos softwares específicos para acessar as informações da página ou site;

•

A página ou site foram formatados para o uso de um browser específico ou existe a
alternativa de acesso direto ao texto;

•

Tempo para carregar página ou site;

•

O Acesso é gratuito;

3714

�•

É necessário cadastramento para acessar, mesmo que o uso da página ou site seja
gratuito;

Aparência: É o critério que avalia os padrões do design e da arquitetura da informação da
página, para Cutler (1998) citado por Wetzel (2000, p.11): Design é o que possibilita a
compreensão total daquilo que se mostra. Já a Arquitetura da informação se refere à
orientação aos usuários para que seja possível eles navegarem de forma fácil e eficiente, ou
seja, eles saibam devidamente onde se encontram e para onde desejam ir. Observamos os
seguintes pontos:
•

Leiaute da página, cores e imagens foram elaborados de forma que proporciona ao
usuário a compreensão do SRV;

•

Apresentação do SRV de forma geral;

•

É de fácil leitura e navegabilidade;

•

Apresenta ferramentas de busca e filtros;

•

Apresentação dos resultados das pesquisas realizadas;

•

O arranjo é claro, lógico e útil.

Atualidade: É o critério que visa avaliar as informações publicadas, sob a perspectiva da
atualidade, observando se estão devidamente adequadas neste aspecto. Observamos os
seguintes itens:
•

A data da última atualização do serviço;

•

Apontadores para notícias recentes;

•

Informações ou alertas sobre a inclusão de novos materiais;

Autoridade: É um critério que objetiva definir a qualidade do material a partir da reputação e
notoriedade do autor, editor, ou patrocinador. Analisamos este critério observando os
seguintes pontos:
•

Clareza sobre a manutenção e responsabilidade institucional do SRV;

•

Apresenta informações acerca do acervo, áreas de conhecimentos, autores, tipos de
materiais;

•

Informações relativas à equipe responsável pelo SRV.

Objetividade: É o critério que visa avaliar se a informação disponibilizada é clara, isenta,
imparcial, desprovida de tendências, ou propagandas e sob qual finalidade a informação foi
publicada. Observamos:
•

A apresentação das propostas, a missão e objetivos do Serviço na página;

3715

�•

A existência de alguma forma de propaganda ou tentativa de venda de algum produto
ou serviço.

Ferramentas de interatividade: é um critério escolhido para identificar

quais são os

instrumentos adotados pelo SRV para possibilitar o contato do Bibliotecário com o usuário.
•

Uso de redes sociais;

•

Disponibilidade de bibliotecários para a tarefa de consulta em linha;

•

Fale conosco, e-mails, telefones.

7. RESULTADOS
As duas bibliotecas analisadas realizam um trabalho interessante do ponto de vista do
serviço de referência e informação, percebemos que em ambas existe um processo de
mediação claro entre usuário e acervo, especialmente na biblioteca de São Paulo, onde
conseguimos constatar por meio do serviço fale conosco e redes sociais.
A biblioteca portuguesa possui na sua página da web o serviço de referência virtual,
disponibilizado como uma extensão dos serviços prestados na biblioteca física. Já a biblioteca
paulista reproduz o modelo da biblioteca virtual, sem espaço físico para armazenamento de
coleções, contudo, possui uma coleção organizada e disponibilizada por meio de ferramentas
tecnológicas e web.
Realizamos a pesquisa testando cada um dos serviços, por meio de simulação de
pesquisas por assuntos, percorrendo possíveis caminhos utilizados por usuários em busca de
informação, e testamos parte das ferramentas disponibilizadas nos dois serviços. As
simulações de pesquisa nos permitem as seguintes conclusões:
Em relação ao critério ACESSO os dois serviços apresentam os requisitos mínimos
relativos à agilidade e gratuidade: não exige o uso de softwares e browsers específicos para
acessar e/ou baixar as informações; o carregamento da página é rápido e descomplicado; não
solicita cadastro de usuário, ou seja, qualquer pessoa que precisar da informação poderá
acessar o serviço sem restrições e dificuldades.
No critério APARÊNCIA, os sites apresentam leiaute, imagens e cores adequadas para
leitura e compreensão do conteúdo. A biblioteca paulista apresenta links, resumos,
bibliografias, índices e indica as distinções dos documentos apresentados. Já a biblioteca
portuguesa apresenta os títulos dos documentos e ao clicar nos títulos esses remetem a ficha
catalográfica. Há uma coleção digital disponível que remete a ficha e ao documento em
formato pdf.

3716

�Em relação aos itens leitura e navegabilidade as bibliotecas apresentam informações e
ícones bem dispostos, organizados e estruturados, isso facilita a navegação, contribui para que
o usuário poupe o seu tempo na recuperação e busca da informação pretendida, são aspectos
positivos, que refletem e evidenciam uma preocupação com o usuário, uma arquitetura e um
design que permitem a facilidade de aprender a navegar, ou seja, reduz o tempo e os esforços
exigidos para alcançar agilidade e facilidade de uso, assim permitem ao usuário atingir o
estágio de usabilidade.
Na Biblioteca de arte existe uma apresentação formal do SRV, bem como de todas as
suas ferramentas e horários de atendimento. Já Biblioteca do governo de São Paulo, embora
não haja a explicitação que a página se constitui um serviço de referência, as informações
acerca do serviço torna possível compreender um trabalho interessante de mediação da
informação via web.
No item, Ferramentas de busca e filtros, simulamos pesquisas com alguns termos ou
frases, e o resultado foi o seguinte: a Biblioteca de arte oferece aos usuários filtros de
resultados, ou seja, ao apresentar os resultados da pesquisa o usuário pode refinar por data,
tipo de material e outros, mas se o usuário optar em fazer uma busca avançada com o uso de
combinação termos, por exemplo booleanos, o sistema busca não permite.
Durante o teste com a biblioteca de arte foram realizadas pesquisas com o termo “artes
na época medieval” para compreender a ferramenta filtros, tivemos que refazer a frase por
algumas vezes, por exemplo, “arte no período medieval” e “arte período medieval”, e ainda
assim não conseguimos recuperar a informação. Observamos que a falta de ferramentas de
busca avançada e o uso de frases provoca problema ao usuário para recuperar a informação
desejada.
Vale ressaltar que o catálogo da biblioteca de arte é estruturado por coleções, se por
um lado facilita a compreensão do acervo, por outro pode dificultar o acesso à informação se
o assunto pesquisado estiver contido apenas numa coleção específica. Essa é uma condição
que vai requerer conhecimento e experiência sobre estratégias de buscas por parte do usuário,
e nesse contexto, usuários novatos que não têm familiaridade com o uso de catálogos online
como fonte de informação, certamente enfrentariam problemas para encontrar os caminhos da
informação almejada.
No caso da Biblioteca paulista a busca não apresenta meios para filtrar ou combinar
termos, contudo a ferramenta de pesquisa possibilita a pesquisa por termos isolados ou frases,
e daí pode-se inferir que o catálogo foi estruturado de forma similar aos buscadores da
internet, ou seja, para recuperar informação independente da habilidade ou competência

3717

�informational do usuário - do leigo ao especialista. Simulando uma situação em que um
usuário desconheça estratégias de busca e queira pesquisar “poluição provocada pelo
trânsito”, conseguiu-se recuperar resultados pertinentes - informações e vídeos - com o termo
usado, e além dos resultados dos documentos da biblioteca, o site ainda aponta para outros
sites de busca na web no canto direito da página.
As duas bibliotecas apresentam arranjos claros, lógicos e úteis. A Biblioteca de arte ao
apresentar os resultados das buscas poderia fornecer também o resumo dos documentos, um
aspecto que facilitaria a tarefa do usuário na escolha da informação desejada.
Em relação ao critério ATUALIDADE, a Biblioteca de arte não foi aprovada em
nenhum dos itens, não divulga notícias e informações recentes sobre a inclusão de novos
materiais no acervo, além de não possuir alertas de novas informações. Esse aspecto pode
comprometer a escolha do usuário se houver alguma dúvida em relação à inclusão de novos
materiais e de informações publicadas recentemente. Como a biblioteca é um organismo em
crescimento, o acréscimo de novos materiais ou links que remetam a informação recente se
constitui em aspectos que evidenciam credibilidade, compromisso, e responsabilidade na
prestação de serviços de informação. Nós compreendemos que toda biblioteca deve manter
uma política permanente de atualização e seleção de novos documentos no seu acervo.
Já a biblioteca paulista mesmo não informando a data da última atualização, informa
de maneira satisfatória, notícias, informações recentes, bem como alertas de novos
documentos incluídos no acervo, no geral a biblioteca paulista apresentou melhores resultados
neste critério.
Em relação ao critério AUTORIDADE, observamos as questões referentes à
manutenção e responsabilidade institucional do SRV, descrição da equipe envolvida, e
apresentação de informações relativas a áreas de conhecimento, autores e tipos de materiais
ou documentos disponíveis. As duas bibliotecas apresentam com clareza as informações sobre
a responsabilidade institucional dos serviços, a de arte é a Fundação Calouste Gulbenkian e a
de São Paulo é a Subsecretaria de Comunicação da Casa Civil. Entretanto, as duas bibliotecas
não mencionam a equipe ou profissional responsável pelo SRV, podemos afirmar que ambas
deveriam dar mais destaque a responsabilidade específica do SRV, esse aspecto confere
credibilidade ao serviço, ao indicar os profissionais envolvidos. A biblioteca paulista nos
informou que possui uma equipe de especialistas responsáveis, coordenados por uma
bibliotecária, porém eles não são mencionados na página do serviço.
A biblioteca de arte apresenta informações sobre autores, coleções, tipos de materiais,
destacando as áreas de literatura e artes. A biblioteca paulista divide os assuntos por

3718

�categorias: cidadania, legislação e governo, São Paulo, turismo e temas diversos, mas sem
detalhes para autores e tipo de materiais, contudo, vale ressaltar que ela tem uma proposta
diferenciada, pois oferece um serviço de filtragem de informações em bases de dados de
recursos digitais disponíveis na Web, com uma interface agradável que auxilia o usuário na
busca pela informação, características presentes na literatura de Moreno e Santos.
Em relação ao critério de OBJETIVIDADE, as bibliotecas não expõem as propostas,
missão e objetivos dos SRVs. A divulgação da proposta, missão, e objetivos de um serviço de
informação, demonstram clareza em relação às razões da criação do serviço e a quem ele se
dirige. Além disso, o torna mais confiável, do ponto de vista da credibilidade.
Inexiste qualquer tipo de propaganda de produto ou serviço, o que representa um
aspecto positivo

garantindo

isenção,

imparcialidade

e responsabilidade

ao

serviço,

disponibilizado a uma grande massa de pessoas que buscam informação todos os dias na web.
A biblioteca de São Paulo disponibiliza informações sobre ações governamentais porque faz
parte da proposta do serviço, contudo não representa formas de propaganda do governo.
No critério FERRAMENTAS DE INTERATIVIDADE a biblioteca de arte teve um
desempenho longe do ideal na avaliação, não usa redes sociais, afirma em sua página possuir
bibliotecário disponível para consulta em linha, porém acessamos diversas vezes em
diferentes horários e não conseguimos realizar um teste, além disso, pedimos informações por
meio do serviço “fale conosco” e não tivemos resposta em tempo hábil.
Já a biblioteca do governo de São Paulo faz o uso de redes sociais, inclusive com links
em sua página principal, porém não possui bibliotecário para fazer consulta em linha, em
compensação o serviço “fale conosco” nos respondeu de forma satisfatória, fornecendo as
informações solicitadas rapidamente via serviço assincrônico. Podemos afirmar que a
biblioteca paulista teve um desempenho superior ao da biblioteca portuguesa, mesmo não
possuindo um serviço de consulta sincrônico.
Para sintetizar os resultados elaboramos um quadro que reúne os critérios e os
serviços, e os qualifica da seguinte da forma: SIM - quando atendeu a todos os requisitos;
PARCIALMENTE - quando atendeu parte dos requisitos; NÃO - ao não atender nenhum dos
requisitos.

3719

�Quadro 1: Síntese dos critérios

CRITÉRIOS
Acesso
Aparência
Atualidade
Autoridade
Objetividade
Interatividade

BIBLIOTECA ARTE
Sim
Parcialmente
Não
Parcialmente
Parcialmente
Não

BIBLIOTECA SP
Sim
Parcialmente
Sim
Parcialmente
Parcialmente
Sim

Ao observar o quadro podemos afirmar que a biblioteca paulista obteve um melhor
desempenho na avaliação da pesquisa, em função da eficiência de suas ferramentas de busca e
de processos de interação com o usuário, especialmente através do fale conosco e uso de redes
sociais. A bibliotecária nos respondeu rápida e eficientemente, nos fornecendo informações,
isso é muito importante, pois a atenção com o usuário é um fator primordial para um
atendimento de qualidade em unidades de informação,

seja ela física ou virtual.

Embora a biblioteca de arte tenha tido desempenho inferior, vale ressaltar como
ponto positivo a organização formal do serviço, apresentado como uma extensão do serviço
oferecido na biblioteca física, além de uma página dotada de leiaute agradável e com
requisitos básicos de navegabilidade e usabilidade.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O serviço de referência virtual é um modelo de prestação de serviços que permite
racionalizar e aperfeiçoar tarefas que são realizadas nas bibliotecas físicas de forma
tradicional, aliado a comunicação em tempo real encurta as distâncias, reduz os custos, e
proporciona comodidade ao usuário que nem sempre tem disponibilidade para se deslocar até
a biblioteca. O SRV é uma atividade que está em consonância com a quarta lei da
biblioteconomia: “poupe o tempo do leitor” . Para Ranganathan (2009, p. 226) as bibliotecas
devem ofertar balcões de atendimento em posição visível para atrair a atenção do usuário
antes mesmo de ele usar a biblioteca.
O conceito de serviço de referência rápida e, a orientação para se colocar um balcão de
informação visível, é perfeitamente compatível com as características e objetivos pelos quais
os SRVS são criados. O SRV é um “balcão de informação disponível na WEB”, onde são
dadas respostas a perguntas de maneira rápida, objetiva e eficiente, de modo a atrair a atenção
do público leitor para que eles sejam usuários permanentes dos serviços ofertados.
O SRV também pode ser entendido por meio da quinta lei da Biblioteconomia: “A
biblioteca é um organismo em crescimento” . Conforme Ranganathan (2009, p. 241) “é um

3720

�fato biológico indiscutível que somente o organismo que se desenvolve é o que sobrevive.
Um organismo que pare de se desenvolver acabará por se paralisar e perecer” . A biblioteca se
renova e se expande por meio do uso da internet para ofertar serviços, divulgar seu acervo e
se comunicar com o usuário. O SRV é uma forma das bibliotecas crescerem, disponibilizando
novos serviços, atraindo e conquistando novos leitores, e assumindo novos formatos. Pois um
organismo em crescimento absorve matéria nova, elimina matéria antiga, se desenvolve e
assume novas aparências e formas.
Não restam dúvidas, quando uma biblioteca cria um SRV estará crescendo, se
modernizando, melhorando serviços e consequentemente ganhando novos clientes, além de
ser também uma estratégia de divulgação. É verdade que, para que essas tarefas se
concretizem existem requisitos básicos como, pessoal qualificado, recursos financeiros e
materiais, segundo Arellano (2001 p. 12) iniciar um SRV requer levar em consideração como
ele se encaixa na missão da biblioteca e na cultura da instituição, especialmente sua aceitação
pela gerência e demais pessoas envolvidas, para contar com a infraestrutura necessária para o
projeto. A criação do SRV não deve ser encarado como um custo ou gasto apenas, e sim
como um investimento para toda biblioteca que almeja crescer e satisfazer sua clientela.
Nosso trabalho procurou acrescentar novos conhecimentos sobre Serviços de
referência, apontando caminhos para avaliação de SRVs, demonstrando sua importância, seus
benefícios, e afirmando que uma de suas finalidades é potencializar a realização das
atividades do serviço de referência tradicional, ao aliar a tecnologia da informação ao serviço,
e procurar atender de maneira satisfatória e eficaz as necessidades informacionais dos
usuários.
A tecnologia é um aliado imprescindível na busca pela qualidade dos serviços, é nessa
perspectiva que o profissional bibliotecário deve estar preparado para encarar e vencer novos
desafios no dia a dia, provenientes das mudanças ocasionadas pelo surgimento de novas
tecnologias, executando funções em ambientes diversificados de trabalho, utilizando
diferentes ferramentas para realizar as tarefas primordiais de mediador e disseminador da
informação.

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Biblioteca

de

Arte

Fundação

Calouste

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Biblioteca

virtual

do

governo

do

estado

de

São

Paulo:

http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/index.php

3723

�</text>
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                <text>As novas tecnologias da informação favorecem o surgimento do serviço de referência virtual (SRV), trata-se de um novo modelo de serviço de referência onde o usuário conectado a Web pode realizar sua pesquisa com comodidade e eficiência de qualquer lugar através de acesso remoto, orientado pelo bibliotecário. O trabalho procura demonstrar que o SRV não é simplesmente a comunicação entre o usuário e o bibliotecário. Na verdade, trata-se de uma rede de conhecimentos técnicos disponíveis na web, organizados e pautados pelo trabalho de mediação da informação. Realizou-se a análise de duas bibliotecas virtuais que possuem as características de SRV, segundo critérios pesquisados e utilizados na área de Ciência da informação. Acrescentou-se a estes o critério ferramentas de interatividade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, observando se as bibliotecas atendem os requisitos para o funcionamento do serviço de referência virtual.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MULTIPLICAÇÃO DO CONHECIMENTO NAS BIBLIOTECAS: UMA
EXPERIÊNCIA NAS BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE
Ana Paula Lima dos Santos
Ana Nogueira Braga
RESUMO
Discorre sobre a experiência nas bibliotecas da Universidade Federal Fluminense, com uma
sucinta revisão de literatura sobre Gestão do Conhecimento/Pessoas. Pretende-se com esse
relato, incentivar a gestão compartilhada, com uma visão sistêmica nas relações de trabalho,
viabilizando a transmissão do saber, aproveitando o conhecimento e a experiência dos
funcionários tanto para treinamentos como colaboradores e parceiros da organização na
transmissão de saberes e na atualização da equipe. Utilizamos a revisão de literatura e o relato
prático da experiência vivenciada. Os resultados foram: Treinamento da equipe com
qualidade técnica e um alto custo benefício, tendo em vista que as instrutoras são
bibliotecárias da Universidade; apoio técnico para tomada de decisões; integração da equipe e
colaboradoras do Sistema; interesse, envolvimento, motivação e responsabilidade pelo
Sistema; aproveitamento do conhecimento e experiência dos funcionários em outras
instituições; apoio a gestão do sistema de bibliotecas. Conclui que a Gestão do Conhecimento
tem fornecido subsídios de extrema importância aos gestores de unidades de informação no
gerenciamento de pessoas. A vantagem competitiva se baseia no capital humano, ou ainda no
conhecimento tácito, aquele utilizado pelos funcionários para execução de tarefas, pois este é
difícil de ser copiado, imitado por ser único de cada indivíduo, daí sua importância, por isso
criar uma forma de integrar esses conhecimentos dentro das organizações vem se tornando
uma preocupação crescente dos gestores. Acredita-se que políticas e projetos como esses vão
trazer ao gestor mais um instrumento que irá proporcionar a esses funcionários o prazer no
trabalho e o mais importante o reconhecimento do seu trabalho e com a autoestima revigorada
esses funcionários terão motivos para agregar e serem agregados na “família” institucional se
tornando parte do sistema em que trabalham.
Palavras-Chave: 1. Multiplicador. 2. Bibliotecário.
conhecimento. 5. Relato de experiência.

3. Biblioteca.

4.

Gestão do

ABSTRACT
Discusses the experience in the libraries of the Fluminense Federal University, with a brief
literature review on management of knowledge/People. It is intended with this report,
encouraging shared management, with a systemic vision in labor relations, enabling the
transmission of knowledge by leveraging the knowledge and experience of employees for
training as employees and partners of the Organization in the transmission of knowledge and
in upgrading of the team. We use the literature review and practical account of experience
experienced. The results were: team training with technical quality and a high cost benefit,

2994

�considering that the instructors are librarians of the University; technical support for decision­
making; integration of the team and collaborators of the system; interest, involvement,
motivation and responsibility for the system; leveraging the knowledge and experience of
employees in other institutions; support the management of the library system. Concludes that
knowledge management has provided subsidies of extreme importance to managers of
information units in managing people. The competitive advantage is based on human capital,
or still in the tacit knowledge, that used by employees for execution of tasks, as this is
difficult to be copied, imitated by be unique to each individual, hence its importance, so create
a way to integrate this knowledge within organizations has become a growing concern of
managers. It is believed that policies and projects like these are bringing the Manager another
tool that will provide these employees happy at work and most importantly the recognition of
his work and with the self-esteem reinvigorated these staff are reasons to aggregate and are
aggregated in the "family" institutional becoming part of the system in which they work.
Keywords: 1. Multiplier. 2. Librarian. 3. Library. 4. Knowledge management. 5. Case
studies.
1 INTRODUÇÃO
O Núcleo de Documentação (NDC), criado em 1969, como Orgão Suplementar da
Universidade Federal Fluminense (UFF) através do art. 17 do Estatuto da Universidade,
publicado no Diário Oficial da União de 22/09/1969, é responsável pela coordenação técnica
e administrativa do Sistema de Bibliotecas e Arquivos da UFF.
Em dezembro de 1998, após uma reestruturação interna, passou a estar subordinado à
Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos - PROAC. A partir de 2004, com a extinção dos
Centros Universitários, incorporou também o Serviço de Comunicações Administrativas
(SCA), que tem por objetivo coordenar a documentação administrativa e acadêmica da UFF,
no que tange a: Protocolos; Expediente; Arquivo de processos findos e edição do Boletim de
Serviço da UFF.
Em Março de 2011, após uma reestruturação interna, passou a estar subordinado à
Reitoria da Universidade Federal Fluminense. Deixa nesse momento de ser apenas um Núcleo
tornando-se Superintendência (SDC - SUPERINTENDÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO).
É função da SDC proporcionar recursos informacionais e assessoria técnica na área de
documentação, por meio de redes e sistemas integrados, facilitando o acesso à informação em
nível nacional e internacional. Compete também à SDC apoiar os programas de ensino,
pesquisa e extensão da Universidade e desenvolver serviços e produtos que atendam às
necessidades de informação da comunidade acadêmica da UFF.
A SDC é composta por vinte e seis Bibliotecas; pelo Arquivo Central; por dois
Laboratórios: Laboratório de Conservação e Restauração de Documentos (LACORD) e o
351 Disponível em: http://www.ndc.uff.br/content/institucional. Acesso em: 30.03.2014

2995

�Laboratório de Reprografia (LARE) e pelo Centro de Memória Fluminense (CMF). Integram
sua estrutura administrativa o Conselho Deliberativo (CDL), Superintendência, Grupos
Assessores Técnicos (GAT’s), Secretaria Administrativa (SA), Gerência Operacional de
Tecnologia (GOT), Coordenação de Bibliotecas (CBI) e Coordenação de Arquivos (CAR).,
atualmente a SDC coordena um sistema composto por 26 Bibliotecas. Essas bibliotecas
situam-se em Niterói e em outras cidades do Estado do Rio de Janeiro, sempre vinculadas às
unidades e cursos de graduação e pós-graduação que atendem. Dentro das áreas de cobertura,
as bibliotecas estão assim distribuídas: 01 na área de Ciências Biológicas; 05 da área de
Ciências Exatas e da Terra; 02 da área de Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes; 05
na área de Ciências Sociais Aplicadas; 02 na área das Engenharias; 06 da área de Ciências da
Saúde; 03 Multidisciplinares e 02 Escolares.
As bibliotecas da SDC, recentemente passaram por uma migração de sistemas, no qual
utilizava-se o sistema Argonauta e passamos a utilizar o sistema gerenciador Pergamum.
Sabemos que o processo de migração acarretam muitos problemas referentes a duplicidade de
obras, autoridades e até mesmo operacionais, afinal sistema novo requer treinamentos,
mudanças de rotinas e adaptações advindas de uma nova estrutura. Temos um total de 120
bibliotecários na instituição, fora os técnicos e auxiliares que precisariam de treinamento,
como temos um número muito grande de funcionários para treinar, separamos a implantação
por módulos e por questões práticas deixamos a catalogação por último, por requerer mais
cuidado e atenção.
Uma vez que o sistema é novo para a maioria e não dispúnhamos de tempo e espaço
para treinar todos, uma metade foi treinada pela equipe do software e a outra metade seria
treinada pelos que participaram do treinamento. Então nos deparamos com um problema:
Como treinar a outra metade de forma que os que não foram treinados tivessem o
mesmo treinamento da turma treinada?
Pretendemos com esse relato, incentivar a gestão compartilhada, com uma visão
sistêmica nas relações de trabalho, viabilizando a transmissão do conhecimento e
aproveitando o conhecimento e a experiência dos funcionários tanto para treinamentos como
colaboradores e parceiros da organização na transmissão do conhecimento e na atualização da
equipe.
Tendo em vista os objetivos deste trabalho e as características de uma exploração
teórica e prática, a metodologia utilizada foi à revisão de literatura. Para o desenvolvimento
deste artigo foi percorrido o seguinte caminho:

2996

�S Levantamento bibliográfico sobre gestão do conhecimento;
S

Levantamento sobre os estudos e conceitos de gestão do conhecimento/pessoas que
pudessem ser associados a esta temática;

S

Depois de selecionados os textos com os quais trabalharíamos, iniciou-se a leitura e o
desenvolvimento da argumentação.
A seguir apresentaremos uma sucinta revisão de literatura sobre gestão do

conhecimento e como ela contribui na gestão de uma organização.

2 A

GESTÃO

DO

CONHECIMENTO

E

SUAS

CONTRIBUIÇÕES

PARA

MELHORAR A COMUNICAÇÃO INTERNA DE UMA ORGANIZAÇÃO
Para (FLEURY; OLIVEIRA, 2001) a Gestão do conhecimento está intrinsecamente
ligada a capacidade das empresas em utilizar e combinar as várias fontes e tipos de
conhecimento organizacional para desenvolverem competências e capacidade inovadora. Com
a gestão do conhecimento espera-se melhorar significativamente a comunicação interna.
Estimular o pensamento sistêmico. Melhorar as políticas salariais dos funcionários. Sair do
paradigma hierárquico-burocrático (gerentes e diretores). Valorizar as parcerias externas com
outras empresas e instituições.
Ainda de acordo com Fleury; Oliveira (2001) alguns dos sinais de um ambiente
propício para o constante aprendizado e desenvolvimento de competências incluem: as
pessoas se sentirem mais estimuladas para o próprio trabalho. As pessoas conversam uma
com as outras, incluindo aquelas de diferentes níveis hierárquicos. As relações são informais.
As pessoas tem tempo para aprender. As pessoas não estão focadas apenas em sua área de
trabalho e no curto prazo.
Dessa forma, a gestão do conhecimento visa o desenvolvimento de novos modelos
organizacionais (Estruturas, Processos, Sistemas Gerenciais) e a valorização da capacidade
intelectual de cada funcionário e com isso a liderança deve estar disposta a enfrentar
mudanças.
Nesse cenário a Gestão de pessoas é uma preocupação constante e geral dos gestores,
principalmente quando esta gestão se da no serviço público. Por isso é importante pensar em
estratégias para gerir esse recurso com planejamento específico que viabilize uma harmonia
dentro das unidades de informação, neste caso, a biblioteca.
Entende-se que o saber se apresenta em uma evolução constante e que o progresso
científico tem avançado em ritmo acelerado e os estudos, principalmente, os voltados para o

2997

�ser humano no que se refere à gestão de pessoas, têm ganhado espaço na literatura e têm se
tornado uma preocupação prioritária dos “gestores” de unidades de informação.
Um novo conceito que se apresenta nesses estudos é o de “Gestão de talentos” que é
apresentado por Currás, (2010, p. 31) como: o talento, a capacidade e a habilidade do ser
humano, que possui uma boa formação profissional, um especialista em seu campo de
trabalho, ou seja, um profissional bem informado e atualizado. “Além do mais, deve ser
criativo e imaginativo, inclinado à inovação. Deve possuir sentido de responsabilidade e do
cumprimento de suas obrigações”. Para autora esse profissional “quase perfeito” seria o
“primeiro elo de uma corrente, na hora de considerar o capital humano, como promotor de
valores econômico-produtivos”. (CURRÁS, 2010, p.31)
É imperativo que tanto os bibliotecários e auxiliares da biblioteca universitária pública
tenham iniciativa e inovação, porque se sabe que nem sempre teremos a estrutura perfeita para
prestar o melhor serviço, mais cabe a esses profissionais encontrarem, em conjunto com os
diversos setores, o caminho ideal para realizar o melhor trabalho.
Ser especialista no seu campo de atividade é maravilhoso, pois o profissional além de
ter segurança e domínio do campo, desempenha suas atividades com eficácia e qualidade,
porém isso não significa que ele tenha que se fechar no seu campo de atuação e nem no seu
“Setor” de trabalho.
A seguir apresentaremos uma breve revisão de literatura que sustenta a proposta
apresentada.

3 O ATUAL PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO
De acordo com Coelho (2010) as transformações sociais e o advento das novas
tecnologias de informação, fizeram o profissional bibliotecário repensar seu fazer e o seu
papel na sociedade impondo-se a si um novo perfil para se manter no mercado de trabalho.
Para (RIBEIRO; CURY, 2007) o profissional que não se questiona sobre o seu fazer, que não
se atualiza e não se informa avançando com seus conhecimentos e colocando em prática suas
habilidades dificilmente promoverá o conhecimento seja em que área for. Até porque ele é um
profissional que trabalha com a informação e ela se torna obsoleta muito rapidamente; a
alienação do profissional da informação só poderá rendê-lo falta de credibilidade e
desprestígio social enquanto categoria profissional.

2998

�O bibliotecário tem sua trajetória marcada por estereótipos não tendo sua
importância reconhecida pela sociedade, sendo conhecido apenas por
organizar os livros na estante não tendo sua função social destacada. Se antes
a atividade do bibliotecário podia ficar restrita aos limites físicos de uma
biblioteca e de uma coleção, agora o uso difundido da tecnologia a serviço
da informação transpõe barreiras físicas e institucionais. (GUIMARÃES,
1997, p. 126)

A imagem do profissional preso a biblioteca e ao livro abriu caminhos para novos
campos e rumos de atuação e áreas do conhecimento, hoje podemos encontrar bibliotecários
que trabalham nas mais diversificadas áreas: gerência, informática e muitas outras. Para
Santos; Passos (2000) é natural que com o advento da era virtual, digital e a automação de
acervos impressos, houvesse certa insegurança quanto ao futuro do profissional bibliotecário,
pois faltava certa visão futura das aplicações dessa profissão nesse novo momento que se
enunciava.
Porém essa visão do fim da profissão foi superada passando o bibliotecário de mero
tecnicista para gerenciador da informação, mas para ocupar esses novos espaços no mercado
de trabalho foi exigido um profissional mais dinâmico e antenado as transformações sociais.
Almeida Junior (2002), afirma que:
O mercado de trabalho está mudando acompanhando transformações que
superam a sua esfera de influência e exigindo alterações nas posturas,
atitudes, posições, concepções das profissões é inevitável. Aliás, se
soubermos ler nas entre linhas da realidade, veremos que essa reorganização
já está em curso. Muitos indícios nos permitem sustentar essa afirmação.
Fazendo frente a esse contexto o perfil dos profissionais formados pelas
universidades tende a se modificar. (ALMEIDA JUNIOR, 2002, p. 135)

Santos (2013) afirma que apesar de ainda muitos verem o bibliotecário como um
profissional tradicional, que só trabalha em bibliotecas e organiza livros, é muito latente a
mudança de perfil do atual bibliotecário, pois tem acompanhado as mudanças sociais e se
atualizando conforme a demanda e se ajustando para atender essas novas exigências que o
mercado lhe impõe.
O bibliotecário que se destaca hoje tem de ser capaz de fazer as mudanças
acontecerem e tornar-se indispensável através da disseminação da
informação em todos os níveis e em todos os locais de sua atuação,
transformando qualquer unidade de informação em ambientes dinâmicos, em
constante evolução. (SILVA, 2005, p.11)

Para Santos (2013) ao lidar com a informação e tê-la como instrumento de trabalho o
bibliotecário sempre tenderá a modificar constantemente sua atuação e desempenho e cada

2999

�vez mais com usuários mais exigentes o bibliotecário deverá apresentar-se cada vez mais
atualizado com habilidades e competências que o coloquem em pé de igualdade com outros
profissionais de áreas diversas.
Nessa perspectiva, Coelho (2010, p. 7) afirma que “o profissional bibliotecário precisa
ter uma formação pautada em exigências que irão corresponder a um perfil de cidadão e de
profissional” e adquirir essas competências não significa saberes individuais, “pois esta se
localiza

em diferentes

ambientes

onde

as pessoas

se inserem

socialmente

ou

profissionalmente”. São da competência do bibliotecário possibilitar maior integração “entre
as suas ações e os seus objetivos voltados para a responsabilidade social”. Essas competências
são vistas “como a capacidade de agir eficazmente em um tipo de situação, capacidade que se
apoia em conhecimento, mas não se reduz a ele.”
Ainda de acordo com Coelho (2010, p. 7) essas habilidades “vão exigir um pouco mais
deste profissional, pois ele precisará de domínio de saberes, que lhes permitirão a intervenção
prática na realidade.”
Tendo visão crítica do alcance das ações e o compromisso com as
necessidades mais concretas que emergem e caracterizam o atual contexto
social. O bibliotecário deverá ter habilidades de investigação-busca de
soluções, habilidades do raciocínio buscando sempre o novo a partir do
conhecido, dessa forma os seus conhecimentos não se estagnarão,
acompanhando assim as evoluções e exigências da sociedade.

Em suma, o trabalho em conjunto e compartilhado torna cada um dos componentes
mais conscientes e mais responsáveis pelas ações e resultados, por conseguinte, torna a equipe
mais forte e os serviços e produtos mais eficientes e eficazes. Juntos, unidos e coesos são mais
fortes do que isolados e desunidos, nestes dois últimos casos, ao não compartilharem nada,
também não agregam nada, e todos perdem.

3.1 O Bibliotecário multiplicador
No contexto da educação superior, “o bibliotecário é a figura central no discurso da
competência informacional” (CAMPELO, 2003, p. 34). Para Campello (2009, p. 19),
“democratizar o acesso à informação, capacitar as pessoas para o uso crítico da informação,
proporcionar condições que permitam a reflexão, a crítica e a construção de ideias por meio
da leitura são ações constantemente recomendadas para o bibliotecário”. Disso, entende-se
que a incorporação da noção de Sociedade da Informação no discurso e na práxis bibliotecária
aprimoraria ainda mais seu papel educativo e social.

3000

�Para Dudziak (2007), esse profissional da informação, através de seu papel de
mediador pedagógico, torna-se um educador e passa a integrar frentes de trabalho, as mais
diversas, que o legitimam como um agente de transformação social e educacional. A autora
segue argumentando que o bibliotecário, exercendo papel de liderança nesse processo,
organiza programas de competência informational em conjunto com
professores e gestores, ministra aulas em diversos espaços, executa projetos
informacionais com foco na educação voltada para a competência em
informação (information literacy education), observa a importância do
acolhimento e do aprendizado significativo, aprimora seus conhecimentos
educacionais e pedagógicos. (DUDZIAK, 2007, p. 95).

Na atribuição de liderar, compete ao bibliotecário a atividade de gerenciar a
organização, as práticas e recursos da biblioteca em que trabalha na intenção de criar um
ambiente de aprendizagem que seja eficiente, eficaz e transmita segurança e complementa
Dudziak (2007) que além dessa atribuição, o bibliotecário deve colaborar com a sua
“comunidade” ou “família” institucional, respondendo aos seus interesses e necessidades.
Essa colaboração deve ser feita respeitando a ética com responsabilidade e profissionalismo,
sempre respaldado nos interesses da instituição e contribuindo para a melhora dos serviços
realizados nas bibliotecas.
Dessa forma como multiplicador, seu papel seria, entre outros, o de compartilhar
conhecimentos, especificamente no caso da UFF, no módulo catalogação do sistema
gerenciador Pergamum, treinando seus pares no intuito de torna-los independentes,
habilitados e competentes para lidar com o sistema e suas diversas funcionalidades. Tal
atitude e tarefa só são possíveis quando o profissional entende que ele faz parte de um sistema
maior, quando percebe que a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade permeia o
ambiente universitário e bibliotecário, essa postura dinâmica e inovadora faz parte do novo
perfil e práticas do bibliotecário.

4 O PAPEL DO MULTIPLICADOR NAS BIBLIOTECAS NO DESENVOLVIMENTO
DE PESSOAS
Segundo Senge (1990), autor do livro “A Quinta Disciplina”, a aprendizagem
verdadeira está relacionada intimamente com o significado do ser humano, ou seja, aprender é
algo intrínseco a natureza humana. O desafio está em tornar o "ensinar" também um hábito.
Desta forma, muitas organizações têm investido na capacitação de multiplicadores,
sejam eles colaboradores que atuam exclusivamente com esse papel, o de multiplicador
interno, sejam eles colaboradores de diversas áreas que possuem dentre as suas atribuições

3001

�divulgar o conhecimento, esse tipo de investimento além de mais barato para empresa,
estimula seus colaboradores a se aperfeiçoar e torná-los responsáveis juntamente com a
equipe gestora a zelar pelo bom funcionamento e controle das boas práticas de trabalho,
garantindo qualidade e padronização dos métodos de trabalho.
Ambas as situações são desafiadoras. No caso das pessoas que exercem a função de
multiplicador interno e têm como principal responsabilidade treinar outros, os desafios estão
relacionados à sua preparação para capacitar colaboradores de diversos níveis e áreas
distintas. O multiplicador precisa possuir uma visão sistêmica do negócio e muita clareza do
seu papel para não entrar em situações delicadas onde a sua falta de experiência no tema
coloca em dúvidas sua capacidade de treinar outras pessoas. É preciso entender os impactos
do que se difunde na empresa e que seu papel está em assimilar a informação e atuar
exclusivamente na sua propagação, preparando outras pessoas para sua utilização. Um
exemplo disso são multiplicadores que nunca exerceram papel de liderança, mas atuam em
projetos cujo tema é liderança.
Do outro lado, existem os colaboradores cuja parte de sua atribuição está em
multiplicar conhecimento. Eles exercem funções diversas como analista de produto, gerente
administrativo financeiro, dentre outras e precisam, por vezes, "entrar em sala" para ensinar
aquilo ou parte daquilo que fazem ou são especialistas, no caso do bibliotecário multiplicador,
ele vai ensinar a função que melhor ele domina, conhece e faz bem. O desafio aqui está em
adequar a linguagem, quase sempre técnica, ao público, conectar a informação ao nível de
maturidade da audiência e, muitas vezes, encontrar tempo para cumprir com essa obrigação de
forma planejada.
Se por um lado, temos especialistas em educação e treinamento aos quais falta
conhecimento técnico de áreas e processos organizacionais, por outro lado temos especialistas
no negócio cujo desafio está relacionado ao método de ensino aprendizagem. É preciso treinar
treinadores para o exercício pleno dessa atividade que permite o desenvolvimento não só das
pessoas, mas da organização.

4.1 Relato de experiência
Nossa experiência foi com a mudança de sistema gerenciador nas bibliotecas da
Universidade Federal Fluminense, migramos do sistema gerenciador Argonauta para o
sistema gerenciador Pergamum, passado toda a parte burocrática relativa a escolha e aquisição
do software, nos deparamos com os treinamentos dos profissionais que utilizariam o novo

3002

�sistema. Temos um total de 120 bibliotecários que precisariam ser treinados e em um primeiro
momento apenas metade foi treinada, então, como treinar os demais?
Tivemos a ideia de que os que fossem treinados passassem o que aprenderam aos que
não foram. Porém, a insegurança dos que foram treinados, não permitiu que colocássemos em
prática essa intenção, pois precisávamos identificar entre os que foram treinados, perfis que
pudessem propagar aos demais o “conhecimento”. Tiramos então, grupos de trabalho, esses
grupos ficariam responsáveis por se aprofundar nas questões de sua área de atuação, ex.
grupos de catalogação, referência, que separamos por módulos: catalogação, referência e
desses pequenos grupos saíram os multiplicadores que treinaram o grupo restante. Esses
multiplicadores além de ter passado pelo treinamento do sistema já haviam tido experiências
anteriores com o sistema e também tinham conhecimentos de Marc 21, o que muito facilitou o
entendimento e adaptação que propiciou a multiplicação.
O módulo de catalogação foi o que deixamos por último por questões de planejamento
do serviço e também por exigir mais técnica para concluí-lo. Tivemos duas multiplicadoras,
ambas bibliotecárias da Universidade no módulo de catalogação, que já tinham tido
experiências com o Sistema anteriormente e também no formato Marc 21, que para nós foi de
grande ajuda a experiência delas, montamos um laboratório com computadores e o
treinamento foi dado com sucesso e um aproveitamento de 100%. Nossos catalogadores já
estão catalogando e as dúvidas que aparecem no decorrer do trabalho são sanadas por e-mail,
telefone, também disponibilizamos uma base teste para que os bibliotecários tenham mais
segurança antes de entrar na base de produção.
Notamos que esse tipo de metodologia de treinamento poderia ter sido muito mais
eficaz se tivéssemos identificado antes os profissionais com esse perfil, pois dessa forma elas
teriam um treinamento mais direcionado, abrangente e certamente poderiam ter aproveitado
mais a equipe que as treinou e assim estariam mais capacitadas a dar o treinamento a todos os
outros que precisariam dele.
É importante salientar que nem todos os profissionais vão ter esse perfil, mais cabe ao
líder identificar esses perfis e motivá-los na organização, pois com isso surgiu uma parceria
muito agradável e um compartilhamento do saber que serviu não só para treinar a equipe que
faltava mais também proporcionou um suporte na parte gestora que identificou nessas
multiplicadoras parceiras que entenderam que a organização é nossa, somos uma equipe e
cada um é uma peça importante nesse grande sistema e quando estamos comprometidos com
o que fazemos e acreditamos tudo da certo e termina bem.

3003

�Reforçar a importância desse papel é crucial para que toda a engrenagem se
movimente, afinal mais do que ensinar, ajudar a aprender é desenvolver a organização,
expandir a capacidade de criar resultados, é estimular padrões de comportamento novos e
abrangentes, é dar liberdade à aspiração coletiva e é permitir o exercício do "aprender junto".
O processo de treinar pessoas permite o desenvolvimento constante daqueles que
multiplicam o conhecimento, pois quanto mais se ensina mais se aprende. O pré-requisito
para a coerência nesse processo é permitir-se aprender para ensinar e como dizia Cora
Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina".
Obviamente não se encontram pessoas com esse entendimento, maturidade,
disponibilidade em qualquer ambiente. É imperativo que esse ambiente seja sadio, agradável e
harmonioso. O que podemos fazer para torná-lo assim:
- Demonstrar que o trabalho isolado nos setores não deve acontecer e sim primar pelo diálogo
e integração entre os mesmos;
- Motivar os funcionários a conhecerem bem a biblioteca em que trabalham, para que possam
prestar serviços de qualidade ao usuário, incentivar a criatividade, a inovação e a iniciativa,
além de promover entre os funcionários a responsabilidade e o comprometimento com o
trabalho e o bom relacionamento com os colegas;
- Estimular as chefias a integrar, incentivar e prezar o trabalho cooperativo e compartilhado;
- Favorecer a administração compartilhada envolvendo os funcionários nas tomadas de
decisões (principalmente os bibliotecários), promovendo o diálogo e a integração da equipe;
- Melhorar os serviços prestados ao usuário, através da integração da equipe.
Obviamente, vale ressaltar que essas indicações devem partir das chefias, gerentes,
gestores, coordenadores que devem ter como prática a valorização da equipe e o bom e
harmonioso ambiente de trabalho.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
Tendo em vista os objetivos deste trabalho e as características de uma exploração
teórica e prática, a metodologia utilizada foi a revisão de literatura. Para o desenvolvimento
deste artigo foi percorrido o seguinte caminho:
S

Levantamento bibliográfico sobre gestão do conhecimento;

S

Levantamento sobre os estudos e conceitos de gestão do conhecimento/pessoas que
pudessem ser associados a esta temática;

S

Depois de selecionados os textos com os quais trabalharíamos, iniciou-se a leitura e o
desenvolvimento da argumentação.

3004

�6 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
S

Treinamento da equipe com qualidade técnica e um alto custo benefício, tendo em vista
que as instrutoras são bibliotecárias da Universidade;

S

Apoio técnico para tomada de decisões;

S

Integração da equipe e colaboradoras do Sistema;

S

Interesse, envolvimento, motivação e responsabilidade pelo Sistema;

S

Aproveitamento do conhecimento e experiência dos funcionários em outras instituições;

S

Apoio a gestão do sistema de bibliotecas.
A seguir apresentamos as considerações finais sobre o tema abordado.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Gestão do Conhecimento tem fornecido subsídios de extrema importância aos
gestores de unidades de informação, pois ao trabalhar com um instrumento tão valioso que é a
informação recai sobre os profissionais ligados a ela uma grande responsabilidade que não
deve ser menosprezada nem pelos funcionários e muito menos pelos gestores.
A vantagem competitiva se baseia no capital humano, ou ainda no conhecimento
tácito, aquele utilizado pelos funcionários para execução de tarefas, pois este é difícil de ser
copiado, imitado por ser único de cada indivíduo, daí sua importância, por isso criar uma
forma de integrar esses conhecimentos dentro das organizações vem se tornando uma
preocupação crescente dos gestores.
O sucesso de uma boa gestão está em saber lidar com as pressões surgidas no dia a dia,
está em ser para o seu liderado um exemplo de profissional e também pelo senso de justiça,
pois não há para um funcionário maior frustração em saber que sua liderança não passa tal
credibilidade. Nesse sentido, a gestão de pessoas passa por uma necessidade de ser inserida na
prática de planejamento dos gestores e se tornar cada vez mais imprescindível a dedicação
para essa área, afinal pessoas felizes em um ambiente saudável em que são vistas como seres
humanos e reconhecidos pelo seu trabalho e dedicação são muito mais produtivas.
A gestão de recursos humanos no cenário público se torna ainda mais desafiadora, pois
o retorno financeiro não vem da chefia direta e muito menos depende dela, depende de uma
política maior e que envolve categorias externas, depende de um planejamento do governo e
muitas das vezes até a “promoção” é diferenciada do cenário privado, logo vamos encontrar
muitos funcionários exaustos e totalmente desmotivados no seu fazer diário e trazer a esse
funcionário a motivação esperada não é tarefa fácil para o gestor. Por isso acredita-se que
políticas e projetos como esses vão trazer ao gestor mais um instrumento que irá proporcionar

3005

�a esses funcionários o prazer no trabalho e o mais importante o reconhecimento do seu
trabalho e com a autoestima revigorada esses funcionários terão motivos para agregar e serem
agregados na “família” institucional se tornando parte do sistema em que trabalham.
Dessa forma o incentivo pela prática da multiplicação gera um retorno mútuo, tanto
para quem multiplica; que terá uma utilidade dentro da sua instituição ao ensinar, treinar e
assim contribuiu para o aperfeiçoamento das práticas de trabalho dentro das bibliotecas
especificamente nesse caso, e para os gestores, que terão mão de obra qualificada dentro da
própria empresa e com baixo custo.
Os resultados que alcançamos com essa prática foram:
Treinamento da equipe com qualidade técnica e um alto custo benefício, tendo em vista que
as instrutoras são bibliotecárias da Universidade;
Apoio técnico para tomada de decisões;
Integração da equipe e colaboradoras do Sistema;
Interesse, envolvimento, motivação e responsabilidade pelo Sistema;
Aproveitamento do conhecimento e experiência dos funcionários em outras instituições;
Apoio técnico à gestão do sistema de bibliotecas.
Aproveitamos essa oportunidade para orientar aos gestores, chefes, coordenadores que
estabeleçam políticas para identificar os perfis dos seus funcionários, com o objetivo de
conhecê-los melhor e em alguma dada circunstância, saber onde estão e onde encontrá-los.
Essa medida pode e deve ser tomada para vários propósitos em uma organização como, por
exemplo: treinamento de funcionários recém-chegados a biblioteca, seja num setor específico,
seja na biblioteca como um todo, aí vai depender do tamanho da biblioteca e do tipo de
bibliotecário multiplicador, (especialista ou geral).
Os recursos investidos são muito pequenos se comparado com o retorno recebido que
é uma equipe atualizada, padronizada o que garante a qualidade e a precisão dos serviços
prestados.

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Santos, Ana Paula L. dos, Braga, Ana Nogueira</text>
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                <text>Discorre sobre a experiência nas bibliotecas da Universidade Federal Fluminense, com uma sucinta revisão de literatura sobre Gestão do Conhecimento/Pessoas. Pretende-se com esse relato, incentivar a gestão compartilhada, com uma visão sistêmica nas relações de trabalho, viabilizando a transmissão do saber, aproveitando o conhecimento e a experiência dos funcionários tanto para treinamentos como colaboradores e parceiros da organização na transmissão de saberes e na atualização da equipe. Utilizamos a revisão de literatura e o relato prático da experiência vivenciada. Os resultados foram: Treinamento da equipe com qualidade técnica e um alto custo benefício, tendo em vista que as instrutoras são bibliotecárias da Universidade, apoio técnico para tomada de decisões, integração da equipe e colaboradoras do Sistema, interesse, envolvimento, motivação e responsabilidade pelo Sistema, aproveitamento do conhecimento e experiência dos funcionários em outras instituições, apoio a gestão do sistema de bibliotecas. Conclui que a Gestão do Conhecimento tem fornecido subsídios de extrema importância aos gestores de unidades de informação no gerenciamento de pessoas. A vantagem competitiva se baseia no capital humano, ou ainda no conhecimento tácito, aquele utilizado pelos funcionários para execução de tarefas, pois este é difícil de ser copiado, imitado por ser único de cada indivíduo, daí sua importância, por isso criar uma forma de integrar esses conhecimentos dentro das organizações vem se tornando uma preocupação crescente dos gestores. Acredita-se que políticas e projetos como esses vão trazer ao gestor mais um instrumento que irá proporcionar a esses funcionários o prazer no trabalho e o mais importante o reconhecimento do seu trabalho e com a autoestima revigorada esses funcionários terão motivos para agregar e serem agregados na ―família‖ institucional se tornando parte do sistema em que trabalham.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

FUNGOS NO ARMAZENAMENTO E ACONDICIONAMENTO DE COLEÇÕES
ESPECIAIS E RARAS: Um problema de gestão para as Bibliotecas Universitárias

Ana Rosa Santos

RESUMO
Revisa tópicos relativos à ação de fungos no armazenamento e acondicionamento de coleções
especiais e raras, em bibliotecas universitárias. Aponta atividade de Preservação como parte
da gestão de bibliotecas universitárias. Propõe como base para essa gestão o tripé:
preservação, gestão e desenvolvimento de coleções, e acesso. Indica o planejamento como um
instrumento facilitador para toda gestão. Coloca planejamento como ferramenta de
preservação, e de prospecção de verba. Destaca compartilhamento de espaço entre
usuários/clientes, e a coleção como problema. Traz os espaços de “armazenamento de
preservação” como opção de preservação. Aspira ampliar discussão sobre planejamento de
preservação. Busca incentivar pesquisa e ação de preservação em bibliotecas universitárias.
Constata que mesmo em condições ótimas de preservação, o monitoramento das coleções
especiais e raras deve ser constante, principalmente quando assunto são fungos.
Palavras-Chave: Bibliotecas Universitárias; acervos raros e especiais; armazenamento;
acondicionamento; fungos.
ABSTRACT
It revises topics related to the action of mould in storage and Storage enclosures of rare and
special collections in university libraries. It points preservation activity as part of the
management of university libraries. It proposes as basis for managing the tripod: preservation,
management and development of collections, and access.
It indicates planning as
management tool. It emphasizes sharing of space between users/clients, and the collection as
a problem. It brings spaces "preservation storage" as an option for preservation. It aspires to
broaden discussion of preservation planning. It seeks to encourage research, and preservation
action in university libraries. Notes that even under optimal preservation conditions,
monitoring of special and rare collections should be constant, especially when subject are
fungi.
Keywords: University library; rare books; storage; storage enclosures; fungi.

1 INTRODUÇÃO
Os fungos são os microrganismos que se destacam quando o assunto em pauta é a
gestão de preservação em bibliotecas, pelo seu potencial biodeteriorativo. Eles podem ser um
dos maiores problemas; principalmente em bibliotecas universitárias, que em sua maioria não

2760

�podem garantir uma condição ótima de preservação de suas coleções, pois estas, geralmente,
precisam manter suas coleções em espaços compartilhados com os seus usuários/clientes. E
mesmo as coleções especiais e raras, quando identificadas, em geral, continuam em ambientes
inapropriados, normalmente pela falta de verba, que protela um cuidado especial a esses itens.
Assim, a preservação desse patrimônio cultural gerenciado por essas bibliotecas vem sendo
negligenciada. Mas apesar de todos os problemas, o gestor de bibliotecas não deve deixar de
lado uma das bases que uma biblioteca universitária deve ter: a preservação; que assim como
o acesso, gestão e o desenvolvimento de coleções, devem formar o tripé de gestão de uma
biblioteca universitária.
A preservação de documentos era um tema geralmente ligado a arquivos, bibliotecas
nacionais. A preocupação com a preservação em bibliotecas universitárias começou a tomar
corpo com a chegada dos documentos eletrônicos, característica da sociedade da informação.
Assim, no Brasil e no mundo essa preocupação começou a se desenvolver. Mas a preservação
de documentos em papel ainda continua pouco exercida em bibliotecas universitárias; dessa
forma, o estímulo a estudos nesta área deve ser ampliando, e promovido, principalmente
quando se trata de coleções especiais e raras. E qual poderia ser o caminho para facilitar a
inclusão desse estudo na gestão de bibliotecas universitárias?

Um planejamento de

preservação, esse pode ser um instrumento de gestão para o desenvolvimento de um esforço
para melhor implementação do exercício de preservação. Com um planejamento problemas
como os fungos podem ser previstos, e evitados; soluções podem ser provisionadas, com
maior eficiência e eficácia, de modo que a teoria detalhada nesse plano possa virar prática.
Nesse artigo, foram destacados os tópicos relativos ação de fungos no armazenamento
e acondicionamento de Acervos raros e especiais. Esse artigo é parte de um estudo para o
desenvolvimento de um “Planejamento de Preservação para as Bibliotecas Universitárias”,
baseado na gestão e desenvolvimento de coleções, para a garantia da continuidade do acesso.
Pretende incentivar o inicio do desenvolvimento de outros estudos. Aspirando, assim ampliar
a discussão sobre o tema, e provocar a inserção de um número maior de atores nesse cenário.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A preservação é uma das bases do tripé que as bibliotecas deveriam se apoiar, as
outras são: o acesso, e o desenvolvimento e a gestão de coleções (FOX E MARCHIONINI
DE 1998, SCHURER 1998 APUD ROTHENBERG, 1999). A IFLA (2000a, tradução nossa)
afirma que “uma boa política de preservação deve garantir o acesso à informação,
minimizando a deterioração dos suportes dessa informação”. Pinto (2009) diz que o processo

2761

�de preservação deverá ser mais sistêmico, sistemático, e indissociável aos processos de gestão
da informação de modo a garantir um acesso contínuo, continuado. Todas essas citações
parecem afirmar que a preservação não deve ser excluída das funções de gestão em
bibliotecas. Assim, um planejamento de preservação pode ser a solução, para manutenção ou
inclusão dessa função, de forma facilitada, nas atividades de gestão de bibliotecas
universitárias. Serão destacados pontos relacionados à ação dos fungos no armazenamento e
acondicionamento de coleções especiais e raras, em biblioteca universitária, como parte do
estudo para um de planejamento de preservação em bibliotecas universitárias.

2.1 Planejamento de preservação
Como disse Ogden, 2001b, p. 5:
A formulação de um programa de preservação não deve ser vista como um
processo misterioso, que exija a perícia técnica na química do papel ou o
conhecimento técnico das práticas de conservação. Antes, a tarefa
assemelha-se muito a outros processos de decisão administrativa: trata-se da
distribuição dos recursos disponíveis entre as atividades e funções mais
importantes, de acordo com a ordem de prioridade na missão de uma
instituição. Com efeito, para desmitificar o processo decisório em relação à
preservação, deve-se pensar na preservação como um aspecto da
administração dos acervos.
Assim, qualquer gestor de biblioteca pode construir um planejamento de preservação.
O “Projeto Conservação Preventiva em Biblioteca e Arquivos”, do Arquivo Nacional, em
2001, apresentou vários itens que poderão subsidiar a construção de um planejamento. Com
um planejamento além de se prever os problemas, e desenhar as soluções para uma melhor
execução das ações de preservação; é possível também produzir informações para o
desenvolvimento de projetos de financiamento para: execução dessas ações; contratação de
profissionais; criação de laboratórios, e até “espaços de armazenamento de preservação”

,

driblando assim um dos grandes problemas das bibliotecas universitárias: a falta de verbas.

2.2 Fungos em coleções especiais e raras em bibliotecas universitárias
Em bibliotecas, os fungos são um dos maiores causadores de danos. As
variações sazonais; a luz; a umidade; a temperatura; o acúmulo de poeira e outros podem ser
responsáveis pelas infecções. A formação de microclimas

também favorece a proliferação

de fungos. Para evitar esses danos recomendam-se as seguintes medidas:
329 Espaços em que a preservação das coleções é prioridade; e onde o acesso é feito respeitando esse princípio.
330 O microclima é formado quando são criadas barreiras que permitem que as condições atmosféricas no interior
de um espaços sejam diferentes do exterior. Por exemplo: em caixas de acondicionamento.

2762

�a) higienização, e a limpeza periódica;
b) o controle da umidade, da temperatura, e luz;
c) e o monitoramento constante.
Cuidados simples, muitas vezes relegados, que podem fazer diferença no controle e
prevenção de ataques por fungos. E bom lembrar, que o manuseio e a higienização desses
itens devem ser feitos por pessoas treinadas, e com uso de equipamentos de proteção
individual; e com obras especiais e raras, esse cuidado deve ser aumentado.
Serão destacadas causas externas de deterioração que podem gerar o aparecimento de
fungos (IFLA, 2000b, tradução nossa):
a) água - tubulações, vazamento, inundações, combate a incêndios, etc.;
b) poluição do ar e poeira - gases poluentes; poluentes sólidos;
c) radiação infravermelha - deterioração pelo aquecimento do material, ou do ambiente
ocupado, afetando particularmente o nível de umidade relativa do ambiente;
d) temperatura e umidade relativa - devido à interdependência, essas medidas devem
ser sempre controladas ao mesmo tempo, para garantir o controle ambiental.
Para evitar os problemas com fungos a melhor opção é a prevenção. Dentre os fatores
de degradação de documentos, que favorecem o crescimento de fungos, a umidade é apontada
como maior fator. Pode-se destacar também (IFLA, 2000b, tradução nossa):
A ausência de ventilação, luminosidade e alta temperatura e níveis de
umidade relativa promover a sua difusão dos fungos. [...] Todos os materiais
são higroscópico em diferentes graus - um parâmetro que deve ser
considerado ao monitoramento das condições de armazenamento. É preciso
também prestar atenção nos microclimas [...] Um edifício mal ventilado não
será capaz de eliminar rapidamente o excesso de vapor de água, trazido
acidentalmente para dentro. Neste caso, esse vapor será absorvido pelos
livros, que só irá liberá-lo lentamente. Isto pode explicar o desenvolvimento
de microrganismos, mesmo quando a temperatura e a umidade nos espaços
de armazenamento parecem estar corretas.
Assim para evitar formação de fungos todo cuidado é pouco. A limpeza, a higienização,
os cuidados com o manuseio, o controle ambiental, e fundamentalmente o monitoramento
constante são indispensáveis, principalmente quando se trata de obras especiais e raras.
Abaixo indicações sobre as condições ideais para preservação de documentos:

2763

�Tabela 1 - As melhores condições de preservação
S u p o rtes

Documentos
'tradicionais

Pergaminho
couro
Papiro
Papel
Documentos
'fotográficos

C o n d içõ es A m b ien ta is

Temperatura
Nível
Flutuação
°C
°C
e 18

2

18
2
18
2
Temperatura
Nível
Flutuação
°C
°C

B &amp; W negativos &lt;21
2
e fotografias
Negativos
2
coloridos
e &lt;2
fotografias
Negativos
em &lt;21
2
placa de vidro
Documentos
Temperatura
'audiovisuais
Nível
Flutuação
°C
°C
18
2
Cilindros
2
Discos mecânicos 18
Fitas magnéticas 18
2
(áudio e vídeo)
CD (replicado) 20
3
CD (gravável)

Umidade Relativa
Iluminação
Nível
Flutuação Intensidade
% Por 24h Lux *
%
50-60

5

Poeira
Classe

50-200 **

50-60
5
45-55
5
Umidade Relativa
Nível
Flutuação
% Por 24h
%

50 **
50-200 **
Iluminação
Intensidade
Lux *

25-35

5

50 **

25-35

5

50 **

30-50

5

50 **

Poeira
Classe

Umidade Relativa
Iluminação
Nível
Flutuação Intensidade
% Por 24h Lux *
%
40
5
40
5

Poeira

30

5

&lt;100 000

40

5

Classe
Filtro

Muito sensível &lt;10 000

* O efeito de iluminação é cumulativo, é por isso que o número de lux tem que ser
multiplicado pelo número de horas de exposição. Não exceda 720 horas por ano (8
horas por dia durante 3 meses).
** Iluminação tem de ser adaptada a fragilidade do suporte.
*** A radiação ultravioleta tem de ser eliminada; e a radiação infravermelha tem de
ser reduzida a um mínimo.
Fonte: IFLA, 2000b.

Em bibliotecas universitárias a manutenção dessas metas é quase impossível; já que o
acervo, no mais das vezes, está no mesmo espaço que os usuários/clientes, e este ambiente é

2764

�controlado visando o conforto desses usuários/clientes, e não das coleções (armazenamento de
acesso, e não de preservação)

. E a oscilação desses índices ainda é pior que a sua

inadequação, pois o papel, muitas vezes, se adapta às condições inadequadas, mas ele reage às
variações bruscas

das

condições

ambientais.

Assim,

a monitoração

constante é

imprescindível.
Pode-se conclui que (RIBEIRO, 2013, p.23):
Os mofos ou bolores, como fungos filamentosos, continuam sendo os
microorganismos mais envolvidos no comprometimento da qualidade do ar
das bibliotecas e na biodeteriorização dos acervos de livros. Essa habilidade
é comumente decorrente da capacidade de anemofilia e do sistema
enzimático altamente desenvolvido, permitindo proliferar em ambientes, nos
quais existem substâncias orgânicas a base de carbono, nitrogênio e água,
independentemente do gênero fúngico envolvido.
Desse modo, mais uma vez afirma-se a necessidade de constantes cuidados
relacionados à preservação, principalmente quando se trata de coleções especiais e raras. Em
bibliotecas universitárias, muitas vezes, essas coleções não têm os cuidados demandados. E
por conta das preocupações com a gestão e desenvolvimento coleções, bem como o acesso
das coleções de uso, essas, em geral, são um dos últimos itens a serem lembrados. Mas como
foi dito, para facilitar o trabalho de preservação, recomenda-se o uso do planejamento. Nele as
ações podem ser descritas, previstas; o que poderá assim facilitar a manutenção e/ou a
inclusão da pratica de preservação no fazer das bibliotecas universitárias.
2.2.1 Manuseio e Higienização
Todo manuseio de obras especiais e raras deve ser realizado com uso de equipamentos
de proteção individuais (luvas de algodão, aventais, máscaras, etc.), como dito. No caso de
itens com fungos o cuidado deve ser redobrado: avental, luva, óculos, touca, máscaras N95 ou
PFF-2, para real proteção. Esse cuidado visa a nossa proteção, mas também a proteção dessas
obras. Os fungos podem causar reações alérgicas, e outras infecções em nosso corpo, que
podem ser graves. Mas Riyajuddin, g. e Chandran (2011, tradução nossa) dizem que:
impressões digitais podem servir como bom meio de cultura para os fungos. Nossa saliva, e
outros fluídos também podem ser danosos.

Desse modo, reafirma-se a necessidade de

equipamentos de proteção para o manuseio de coleções especiais e raras.

331 O armazenamento de acesso apresenta temperaturas aceitáveis aos seres humanos; já o armazenamento de
preservação mantém temperatura e umidade mais baixas, para retardar o processo de degradação dos
documentos (IFLA, 2000b).

2765

�Na higienização desses documentos também é necessário o uso de equipamentos de
proteção individuais. Recomenda-se que esses sejam higienizados por profissionais, ou com
orientação de um. Cabe destacar que:
a) não devem ser apagados grifos e anotações feitas a lápis, visto que em acervos
especiais e raros estes constituem-se em marcas de posse e uso que estão
diretamente ligados ao histórico do livro, bem como de sua coleção e
colecionador;
b) os bilhetes, cartões, anotações em papel avulso e outros dentro do livro, que
caracterizem o histórico do livro e seu colecionador, devem ser
acondicionados a parte e, obrigatoriamente, identificado o livro ao qual
pertence(m). (ARAÚJO, 2010, p. 18).

Destacam-se essas recomendações visando evitar a perda de informações históricas
que fazem parte desse tipo de obra. Salienta-se também que a identificação de sinais de
fungos, e outros tipos de deteriorização nesses materiais, devem ser comunicados a um
profissional, para melhor diagnóstico e tratamento.

2.2.2 Armazenamento
Na escolha dos móveis para armazenamento de coleções especiais e raras o cuidado
deve ser redobrado. A estabilidade química e física desses itens deve ser buscada. Em móveis
fechados como: mapotecas, gavetas de arquivos e estantes compactas, a preocupação é maior,
pois além da emissão de gases tóxicos; a formação de microclimas também pode favorecer a
formação dos temíveis fungos, e outros microrganismos. Ogden indica o tipo de mobiliário
adequado, dizendo que:
A mobília de aço com diversos revestimentos em pó é a que parece evitar os
problemas de emissão de gases associados ao esmalte. [...] Os testes até
agora realizados indicam que tais revestimentos são quimicamente estáveis,
apresentam probabilidades mínimas de liberação de voláteis, tornando-se
assim seguros para armazenar materiais de valor. A mobília de armazenagem
em alumínio anodizado constitui outra opção (2001a, p. 39).

O armazenamento adequado é vital para a preservação dessas coleções. Como parte
planejamento de preservação para longo prazo, as organizações devem rever o
armazenamento existente, e avaliar as necessidades futuras, de modo contribuir para a
preservação. A compra de itens de armazenamento deve ser cuidadosa, a pesquisa não deve se
limitar a preços, a “qualidade arquivística

” também deve ser buscada. Para melhor escolha

deve-se buscar a opinião de especialistas (OGDEN, 2001a; RHYS-LEWIS, 2012).

332 Materiais com propriedades químicas e físicas estáveis, que garantam a segurança e proteção do item
acondicionado ( por exemplo: papéis neutros, alcalinos) .

2766

�2.2.2.1 As estantes deslizantes, pela falta de espaço, são uma das opções mais desejadas para
o armazenamento de coleções especiais e raras. Mas estudos comprovaram que este pode ser
um espaço propício para a formação de fungos. Desse modo, mesmo em espaços em que as
condições climáticas estão controladas, o monitoramento deve ser uma constante
(MONTANARI, et al, 2007; PINZARI &amp; MONTANARI, 2011; MONTANARI, et al, 2012;
STERFLINGER &amp; PIÑAR, 2013), o microclima pode ser o responsável por esse evento.

2.2.3 Acondicionamento
Os itens de acondicionamento (caixas, pastas, envelopes, jaquetas, etc.) são usados
para proteger livros, e outros itens de coleções especiais e raras: da poeira, da luz, e das
flutuações de temperatura e umidade, que causam danos e podem promover o aparecimento
de fungos. Para arquivos e bibliotecas é imprescindível que sejam usados materiais com
qualidade arquivística.

É importante lembrar também que o acondicionamento deve ser

trocado periodicamente (OGDEN, 2001a). Alguns materiais afirmam ter resistência ao ataque
de fungos e proliferação de bactérias. Mas mesmo esses materiais, dependendo do
microclima, podem está sujeito ao surgimento dos fungos. Portanto, mesmo com o uso dos
materiais com qualidade arquivística, o monitoramento das condições atmosféricas continua
sendo indispensável. Espera-se o desenvolvimento de produtos arquivísticos no Brasil
deslanche, para que produtos possam ser adequados a nossa realidade, e tenham preços mais
acessíveis.

2.2.4 Tratamentos
A remediação no caso das obras especiais e raras pode se mais danosa que o dano.
Portanto é melhor sempre evitar os surtos. Mas caso esses aconteçam Price (2001, p. 27-28)
recomenda ações imediatas para evitar o crescimento de mofo ativo:
a) isole os materiais afetados para reduzir a dispersão dos esporos e
proteger as pessoas:
- para pequenas eclosões, coloque os materiais em sacos de lixo
de plástico e remova-os para uma área seca;
- para grandes ‘florescimentos’, mantenha a área sob quarentena e
contate uma ajuda profissional habilitada imediatamente. Feche as
portas, pendure folhas de plástico, separando áreas afetadas de áreas
não afetadas e reduza a circulação de ar, a partir da área afetada, para
outras áreas das instalações [...]
b) caso ocorra um evento maior, como uma enchente ou um vazamento, e
os materiais estiverem muito molhados, uma reação em 24 horas é
fundamental para prevenir o florescimento do mofo. O congelamento dos
materiais é uma resposta essencial.

2767

�Em todos os casos de infestações de mofo, principalmente em coleções especiais,
recomenda-se a orientação de profissionais, visando evitar maiores perdas. O congelamento, e
a anóxia

são métodos atóxicos para desinfestação. Este tipo de congelamento requer

cuidados, pois alguns materiais reagem. O congelamento é um processo fungistático, paralisa
o desenvolvimento dos fungos. A anóxia é um processo fungicida, para fungos aeróbicos.
Essas técnicas têm função e ação limitadas, mas são as mais acessíveis. Sterflinger (2013) cita
o uso de biocidas

, como tratamento para infecções causadas por fungos, mas ressalta o

cuidado que o uso desse tratamento deve ter, e citando vários autores, sugere que:
Mais esforços são necessários para o desenvolvimento de métodos
alternativos de descontaminação, por exemplo, a radiação gama
(MAGAUDDA, 2004) modificação de luz (ALBERTANO et al., 2005) e
micro-climas (CAMUFFO, 1998; PINZARI &amp; MONTANARI, 2011).
O uso de radiação gama pode ser uma solução, a sua aplicação de forma controlada
causa morte celular de fungos e insetos, sem danos visíveis aos documentos (RELA, 2008),
seu custo ainda pode ser alto. Borrego (2012) testou ação de alguns óleos essenciais como
fungicida. Enfim, as pesquisas devem ser incentivadas para que possamos desenvolver uma
teoria apropriada à nossa realidade. Mas com fungos a melhor opção continua sendo é evitar.

2.2.5 Espaços de armazenamento de preservação
Para manter em condições ótimas de preservação as suas coleções históricas; de baixo
uso; especiais, e raras, algumas bibliotecas

já começaram o trabalho de preservação para

posteridade com os chamados: Print repositories, ou off site repositories - são espaços para
documentos impressos com todas as condições de preservação e acesso.

Espaços de

armazenamento de preservação, com estantes de alta densidade336, fora dos prédios, e/ou dos
campi das bibliotecas proprietárias das coleções abrigadas por esses espaços. Nesses espaços,
geralmente, as condições climáticas são controladas de modo retardar o processo de
degradação dos documentos. Mas nesses espaços também existe uma preocupação com o
acesso, destarte, são buscadas maneiras de garanti-lo. O usuário/cliente não tem acesso a
esses espaços, mas geralmente, o documento solicitado é entregue em até 24 horas (REILLY
JR, 2003; PAYNE, 2007; JILOVSKY &amp;GENONI, 2014). Essa pode ser uma solução para o
333 Processo que consiste na remoção ar, como uso de absorvedores, e indicadores de ar.
334 Biocida - termo genérico para designar compostos químicos utilizados exterminar microrganismos, nesse
caso poderia ser traduzido por fungicida.
335 Biblioteca do Congresso Americano; Universidade de Harvard; Caval Archival and Research Materials
Centre (CARM), um consórcio australiano de bibliotecas acadêmicas.
336 Elas oferecem 15 a 20 vezes a capacidade de estantes da biblioteca tradicional (PAYNE, 2007).

2768

�problema de espaço em bibliotecas universitárias. Esses espaços estão sendo construídos por
instituições isoladamente, ou através de consórcios, onde grupo de instituições reúne-se, para
planejar e implementar espaços com as condições de preservação, e possibilidade de acesso,
tendo assim melhor controle sobre a ação dos fungos, e outros agentes de degradação, o que
para coleções raras e especiais pode ser apropriado.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A coleta de dados foi realizada através de pesquisa bibliográfica, levantada via Portal
de Periódicos CAPES, BRAPCI, BDTD, e Google Acadêmico, nos últimos 10 anos. Foram
alternadas as palavras (em português, e nos seus correspondentes em língua inglesa): acervos
raros e especiais; armazenamento; acondicionamento; fungos, tentando o contexto Bibliotecas
Universitárias, buscando formar estratégias com maior precisão; não foi buscada a
exaustividade. Foram destacados alguns itens considerados mais relevantes para esta
pesquisa, e nesses itens foram encontradas outras citações que complementaram a pesquisa
bibliográfica. Após a coleta e sistematização dos dados, estes, foram analisados, cotejados
com a realidade da biblioteca universitária, obtendo assim a síntese ora apresentada.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Esse artigo é parte de uma pesquisa para o desenvolvimento de um “Planejamento de
Preservação para as Bibliotecas Universitárias”, baseados na gestão e desenvolvimento de
coleções, bem com o no acesso. Nesse documento, foram apresentados os tópicos relativos ao
armazenamento e acondicionamento de coleções especiais e raras, e ação dos fungos nessas
coleções, tentando enquadrar o tema na realidade das bibliotecas universitárias. Aspirou-se a
ampliação da discussão sobre o tema, e a inserção de um número maior de atores nesse
cenário. Buscou-se incentivar a pesquisa e a ação de preservação em bibliotecas
universitárias, destacando alguns estudos. O planejamento de preservação foi colocado como
um instrumento facilitador para toda gestão, e como um prospector de verbas para essas
bibliotecas. Espera-se que como isso o tripé de gestão: acesso, gestão e desenvolvimento de
coleções, e preservação possa ser fortalecido; fazendo com que as bibliotecas universitárias
possam oferecer acesso hoje e amanhã; cumprindo assim seu papel social.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Como dito, no Brasil muito ainda tem ser pesquisado e executado na área de
preservação de documentos em papel, principalmente em bibliotecas universitárias.

É

2769

�importante registrar a produção de muitos trabalhos de conclusão de curso nesta área, o que
pode ser um bom sinal para o futuro dessa área. Acredita-se que a construção de espaços de
armazenamento de preservação possa ser o futuro para o armazenamento de coleções
especiais e raras, em bibliotecas universitárias. O monitoramento dessas coleções como visto
é essencial em todas as situações. Mas enquanto aguarda-se este futuro melhor, o
planejamento para um bom convívio das coleções especiais e raras com os usuários/clientes
parece ser uma missão para o gestor de bibliotecas universitárias. Com os estudos para um
planejamento de preservação problemas como os fungos poderão ser melhor controlados em
bibliotecas universitárias. Assim é reforçada a necessidade de um planejamento sistemático de
preservação, respaldado pela gestão e desenvolvimento de coleções, visando à garantia do
acesso presente e futuro. E esse planejamento pode ser o fio condutor de uma gestão de
preservação em bibliotecas universitárias.

6 REFERÊNCIAS
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higienização de livros raros e especiais: atividades da Oficina de Conservação da Divisão de
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2772

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Fungos no armazenamento e acondicionamento de coleções especiais e raras: um problema de gestão para as Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Revisa tópicos relativos à ação de fungos no armazenamento e acondicionamento de coleções especiais e raras, em bibliotecas universitárias. Aponta atividade de Preservação como parte da gestão de bibliotecas universitárias. Propõe como base para essa gestão o tripé: preservação, gestão e desenvolvimento de coleções, e acesso. Indica o planejamento como um instrumento facilitador para toda gestão. Coloca planejamento como ferramenta de preservação, e de prospecção de verba. Destaca compartilhamento de espaço entre usuários/clientes, e a coleção como problema. Traz os espaços de ―armazenamento de preservação‖ como opção de preservação. Aspira ampliar discussão sobre planejamento de preservação. Busca incentivar pesquisa e ação de preservação em bibliotecas universitárias. Constata que mesmo em condições ótimas de preservação, o monitoramento das coleções especiais e raras deve ser constante, principalmente quando assunto são fungos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO POR COMPETÊNCIAS EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: O papel do
bibliotecário-gestor nas universidades federais

Ana Rosa Santos
Marcos Vinicius Mendonca Andrade

RESUMO
Analisa situação da implantação da gestão por competência em unidades de informação das
Instituições Federais de Ensino Superior - IFES.
Sintetiza a construção da sociedade da
informação, contexto dessa implantação. Descreve gestão por competência resumindo
conceitos: conhecimento (saber), habilidade (saber fazer), e atitude (querer fazer) - CHA.
Destaca Lei 11.091/2005 que introduziu o Plano de Carreira dos Cargos TécnicoAdministrativos em Educação (PCCTAE). Pontua Decreto n° 5.707/2006 que trouxe gestão
por competência ao serviço publico. Apresenta Programa de Apoio a Planos de
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). Indica o REUNI como
promotor do ingresso de servidores nas unidades de informação. Menciona conflitos de
geração provocados por esse ingresso. Destaca situação de uma realidade em particular.
Afirma que capacitação do bibliotecário-gestor como líder poderia minimizar esses conflitos.
Supõe que implementação efetiva dos Planos Anuais de Capacitação pelas Universidades
facilitaria gestão de bibliotecas. Deseja que “Plano Nacional de Desenvolvimento Profissional
dos servidores integrantes do PCCTAE” seja posto em prática. Conclui que o posicionamento
das universidades federais como universidades corporativas poderá elevar o nível dos serviços
públicos.

Palavras-Chave: Gestão por competências; bibliotecário-gestor; formação continuada;
biblioteca universitária; Serviço Público Federal.
ABSTRACT
Analyzes case competence management in Brazilian federal university libraries,
contextualizing in information society. It conceptualizes: knowledge, skill and attitude.
Show Decree 5.707/2006 that brought the competence management to federal public service
of Brazil and for these libraries. Display “Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e
Expansão das Universidades Federais” (REUNI). It indicates REUNI as responsible for the
entry of new servers in the university libraries Federal. Points conflicts of generation caused
by such entry. States that training of the Librarian manager as a leader could minimize these
conflicts. Assumes that actual implementation of the "Annual Training Plans" by the
universities would facilitate library management. Concludes positioning o f the federal
universities as corporate university can raise the level of public services of Brazil.
Keywords: Competence management; librarian manager; continuing education; university
library; Federal Public Service.

1208

�1 INTRODUÇÃO
Em 15 de dezembro de 1999, o Decreto n. 3.294, criou o “Programa Sociedade da
Informação”, no Brasil. Com isso, o governo brasileiro partiu para o engendramento de uma
nova sociedade.

Foi fomentada a formação de grupos de trabalho (GTs) - formados por

representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, da iniciativa privada, e do meio
acadêmico - que geraram documentos basilares da sociedade da informação brasileira,
destaca-se: O chamado “Livro Verde”, em 2000, uma síntese das metas desse Programa. A
Rede Nacional de Pesquisa (RNP) que foi criada em 1989, pelo Ministério da Ciência e
Tecnologia, também pode ser citada como parte dessa formação; a RNP tinha como objetivo
inicial formar uma infraestrutura de Internet para a comunidade acadêmica brasileira; assim a
formação dessa rede possibilitou a apropriação pelo Brasil das tecnologias de comunicação e
informação necessárias à produção dessa nova sociedade. Foi promovida a privatização do
sistema de telecomunicações, criando a Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel criada pela Lei N° 9.472/1997, importante para essa nova sociedade.
No

âmbito das

Instituições Federais

de Educação

Superior (IFES),

a Lei

11.091/2005136137, institui o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em
Educação (PCCTAE); que junto com o Decreto n° 5.707/2006

que instituiu uma nova visão

de gerência de pessoal público, a gestão por competência; somados aos Decretos
complementares da lei do PCCTAE N° 5.824 e N° 5.825 de 2006, colocaram os trabalhadores
destas Instituições no ritmo dessa nova sociedade. Podem-se citar também os programas138
REUNI; ProUni; FIES como reflexo da sociedade da informação. Outros dispositivos legais,
leis, decretos, portarias, etc., foram elaborados para a legitimação e respaldo dessa sociedade.
Promovida por uma reestruturação, a reforma geral do Estado brasileiro proposta desde 1995,
por Bresser Pereira. Pode-se dizer que está sociedade começou a se consolidar a partir da
eleição de Fernando Collor; se fortalecendo com os dois mandatos de Fernando Henrique
Cardoso; os dois mandatos Luiz Inácio Lula da Silva; estando praticamente consolidada no
mandato da presidenta Dilma Rousseff.
Todo esse processo acabou por criar um novo paradigma, onde a informação é a
matéria-prima. A tecnologia passa, assim, a permear toda a atividade humana, aplicando sua
136 L ei que d isp õe sobre a estruturação do Plano de Carreira d os C argos T écn ico-A d m in istrativos em E ducação
(P C C T A E ) no âm bito das Instituições Federais de E nsino Superior (IF E S ), vinculadas ao M inistério da
E ducação.
137 D ecreto que Instituiu a P o lítica e as D iretrizes para o D esen v o lv im en to de P e sso a l da adm inistração pública
federal direta, autárquica e fundacional, e regulam enta d isp o sitiv o s da L ei no 8 .1 1 2 , de 11 de dezem bro de 1990.
138 R E U N I - Program a de A p o io a P lan os de Reestruturação e E xpansão das U n iversid ad es Federais, instituído
através do D ecreto n° 6 .0 9 6 , de 2 4 de abril de 2 0 0 7 ; P roU ni -Program a U n iversid ad e para T odos; e o FIE S Fundo de F inanciam ento E studantil.

1209

�lógica de redes em qualquer sistema ou conjunto de relações. Desde então, em nenhuma outra
época, a produção e registro do conhecimento foram tão intensos como nos dias de hoje,
como também em nenhuma outra época a sua aplicação assumiu papel tão preponderante.
Assim, a Sociedade da Informação Brasileira se consolida, uma nova sociedade capitalista,
onde as tecnologias da comunicação e informação são fundamentais
chamada

de:

“sociedade

informática”;

“sociedade

pós-capitalista”,

. Essa pode ser
“sociedade

do

conhecimento”; “pós-industrial”; “sociedade do aprendizado”, “sociedade aprendente”,
“sociedade da informação” etc. Nela a informação é considerada meio de produção, e o
trabalhador é capital humano. Mas apesar da “Reforma gerencial do Estado”, que visou
transformar o Estado burocrático em Estado gerencial, ou seja, mais competitivos140; o Estado
não deve ser encarado, tão somente, como uma empresa. Em consequência a essa reforma a
gestão por competência foi implantada. A Gestão por competência pode ser sintetizada com
os conceitos: conhecimento (saber), habilidade (saber fazer), e atitude (querer fazer), o
famoso - CHA - que é, para muitos, mais uma forma de apropriação do saber do trabalhador.
Para outros, está promovendo a valorização do servidor, e a excelência dos serviços públicos.
Neste contexto, propõe-se o estudo de gestão por competência em unidades de
informação, nas universidades federais, tentando identificar os reflexos dessa sucessão de
mudanças nesta esfera. Visa-se a compreensão dessa nova realidade através da análise e
síntese contextual de uma realidade em particular: O Sistema de Arquivos e Bibliotecas da
Universidade Federal Flumininense. O debate sobre esse tema é de grande importância para
que se promova uma interferência ativa, no sentido que esse novo Estado possa realmente
promover a valorização do servidor, e a excelência dos serviços públicos. E essa interferência
só pode vir a ser efetivada de maneira eficaz com o exame crítico e minucioso dessa
realidade, e a inclusão de novos atores nesse debate; assim apresenta-se esse artigo como
parte desse estudo. Aspira-se contribuir para essa reflexão, e tentar responder: Quais os
impactos causados pela implantação da gestão por competência nas unidades de informação
das universidades federais? Visando colaborar para construção de uma proposta que minimize
esses impactos, e possa fazer com que as mudanças promovidas visem o bem comum, como
se acredita que deva ser a função do Estado.

139
Para m elhor contextualização C A ST E L L S, 20 0 0 ; T A K A H A S H I, 20 0 0 ; T A R A P A N O F F , 2006.
140
V eja m ais detalhes e m B R E S S E R , 2 0 1 1 .

1210

�2 G ESTÃO P O R C O M PETÊ N C IA NO SERV IÇO PÚ B LICO
A gestão por competência no serviço público pode ser vista como uma consequência
da sociedade da informação. Sociedade que é também chamada de: “nova civilização”,
“terceira onda”, em Toffler (c1980); “sociedade informática” ou “segunda revolução
industrial”, em Schaff (c1990); “sociedade pós-capitalista” ou “sociedade do conhecimento”,
em Drucker (c1997); etc. “O advento da Sociedade da Informação é o fundamento de novas
formas de organização e de produção em escala mundial, redefinindo a inserção dos países na
sociedade internacional e no sistema econômico mundial” (TAKAHASHI, 2000, p. v). Enfim
é sociedade capitalista globalizada, onde o conhecimento, a informação são os meios de
produção (DRUCKER, c1997, p. xv-xvi). Assim como disse Takahashi (2000, p.17):

Através das redes eletrônicas que interconectam as empresas em vários
pontos do planeta, trafega a principal matéria-prima desse novo paradigma: a
informação. A capacidade de gerar, tratar e transmitir informação é a
primeira etapa de uma cadeia de produção que se completa com sua
aplicação no processo de agregação de valor a produtos e serviços. Nesse
contexto, impõe-se, para empresas e trabalhadores, o desafio de adquirir a
competência necessária para transformar informação em um recurso
econômico estratégico, ou seja, o conhecimento.
Esse conhecimento, essa informação circula nas redes, criando assim a nova
economia; mas para manter esta economia a “dinâmica da sociedade da informação requer
educação continuada ao longo da vida, que permita ao indivíduo não apenas acompanhar as
mudanças tecnológicas, mas sobretudo inovar” (TAKAHASHI, 2000, p.7).

Assim,

o

conhecimento, a habilidade, e a atitude - o CHA - desse trabalhador é que move essa
sociedade. E isso pode oportunizar a esse trabalhador a de interferência em todo processo
produtivo, possibilitando a apropriação por todos dos resultados desse processo. E essa
apropriação dependerá da atitude desse trabalhador. No serviço público, essa atitude pode
promover a valorização, e compensação pelo sorver do seu CHA; bem como poderá
proporcionar mais qualidade aos serviços públicos prestados aos cidadãos, alcançando assim
aquele de deveria ser os objetivos da instituição - Estado.
Davenport e Prusak (1998) entendem que o conhecimento é gerado pela informação, e
esta pelos dados; o processamento dessa informação pelo indivíduo gera o conhecimento. A
habilidade segundo Durand (2006) seria o “saber fazer” (savoir-faire).

A atitude “refere-se a

aspectos sociais e afetivos relacionados ao trabalho” (DURAND, 2000 apud PIRES, et al,
2005, p.18).

A atitude (o querer fazer) parece ser o diferencial; é o que faz com que o

conhecimento (saber), e a habilidade (saber fazer) sejam vantagens competitivas, hoje.

1211

�Mas no serviço público brasileiro, a seleção para o preenchimento de vaga,
geralmente, é feita através de concursos públicos. Nestes são exigidos um elevado nível de
conhecimento e habilidade, que são comprovados pela exigência de prova de títulos;
colocando todo processo na a dimensão cognitiva. Mas os aspectos relacionados às atitudes
dos futuros servidores são desconsiderados. “A justificativa frequente é que existem grandes
dificuldades para a definição de critérios objetivos para a avaliação desses elementos”
(PIRES, et al, 2005, p. 25):
Em outras palavras, os processos seletivos esquivam-se de avaliar os
candidatos quanto a aspectos relacionados à sua conduta pessoal e
interpessoal, ou seja, suas atitudes e valores, suas posturas, a imagem que
projetam ou a percepção que têm de si mesmos, sua motivação e outros
traços de personalidade. A consequência imediata é que a seleção pública,
tal como é realizada hoje, escolhe candidatos bastante capazes
intelectualmente, mas, por vezes, sem o perfil adequado para um bom
desempenho num cargo ou numa função. Problemas de adaptação no
trabalho, a baixa produtividade e os altos índices de doenças profissionais
são os corolários freqüentes desse complexo processo. Outra consequência
desse modelo de seleção é que o recrutamento - fase na qual se faz a
divulgação, atraindo os candidatos - passa a representar apenas uma
exigência formal, quando, na realidade, deveria ter como foco a identificação
do perfil desejado dos futuros funcionários (PIRES, et al, 2005, p. 25, grifo
nosso).
Assim, a falta de avaliação da dimensão atitude neste tipo de seleção quebra um dos
pilares da gestão por competência, o que pode ser a causa de alguns dos problemas na gestão
pública, atualmente.

Mas mesmo com essa “distorção” a gestão por competência foi

introduzida no serviço publico federal.
Nas Universidades Federais, desde 2005, a Lei 11.091 - que dispõe sobre a
estruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação
(PCCTAE) - já anunciava a capacitação como um parâmetro de carreira para os trabalhadores
das IFES, que efetivamente foram colocados compasso dessa nova sociedade. Nele é citado
como níveis de classificação: o conhecimento, e a habilidade, de forma ainda incipiente.
O Decreto N° 5.707, de 23 de fevereiro de 2006, que introduziu essa gestão no serviço
público entende que gestão por competência é a: “gestão da capacitação orientada para o
desenvolvimento do conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao
desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição” .
Para isto este decreto instituiu a “Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal”, que têm
como finalidades (Grifo nosso):

1212

�a) melhoria da eficiência, eficácia e qualidade dos serviços públicos
prestados ao cidadão;
b) desenvolvimento permanente do servidor público;
c) adequação das competências requeridas dos servidores aos objetivos das
instituições, tendo como referência o plano plurianual;
d) divulgação e gerenciamento das ações de capacitação; e
e) racionalização e efetividade dos gastos com capacitação.
E como diretrizes:
a) incentivar e apoiar o servidor público em suas iniciativas de capacitação
voltadas para o desenvolvimento das competências institucionais e
individuais;
b) assegurar o acesso dos servidores a eventos de capacitação interna ou
externamente ao seu local de trabalho;
c) promover a capacitação gerencial do servidor e sua qualificação para o
exercício de atividades de direção e assessoramento;
d) incentivar e apoiar as iniciativas de capacitação promovidas pelas próprias
instituições, mediante o aproveitamento de habilidades e conhecimentos de
servidores de seu próprio quadro de pessoal;
e) estimular a participação do servidor em ações de educação continuada,
entendida como a oferta regular de cursos para o aprimoramento
profissional, ao longo de sua vida funcional;
f) incentivar a inclusão das atividades de capacitação como requisito para a
promoção funcional do servidor nas carreiras da administração pública
federal direta, autárquica e fundacional, e assegurar a ele a participação
nessas atividades;
g) considerar o resultado das ações de capacitação e a mensuração do
desempenho do servidor complementares entre si;
h) oferecer oportunidades de requalificação aos servidores redistribuídos;
i) oferecer e garantir cursos introdutórios ou de formação, respeitadas as
normas específicas aplicáveis a cada carreira ou cargo, aos servidores que
ingressarem no setor público, inclusive àqueles sem vínculo efetivo com a
administração pública;
j) avaliar permanentemente os resultados das ações de capacitação;
l) elaborar o plano anual de capacitação da instituição, compreendendo as
definições dos temas e as metodologias de capacitação a serem
implementadas;
m) promover entre os servidores ampla divulgação das oportunidades de
capacitação; e
n) priorizar, no caso de eventos externos de aprendizagem, os cursos
ofertados pelas escolas de governo, favorecendo a articulação entre elas e
visando à construção de sistema de escolas de governo da União, a ser
coordenado pela Escola Nacional de Administração Pública - ENAP.
Parágrafo único. As instituições federais de ensino poderão ofertar cursos
de capacitação, previstos neste Decreto, mediante convênio com escolas de
governo ou desde que reconhecidas, para tanto, em ato conjunto dos
Ministros de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Educação.
Dos instrumentos desse Decreto pode-se destacar: o “Plano Anual de Capacitação” e o
“ Sistema de Gestão por Competência” que podem ser considerados as formas de maior
materialização da nova “Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal” . A cada órgão

1213

�e/ou entidade da administração pública Federal direta, autárquica e fundacional compete
executar um Plano Anual de Capacitação.

E cabe a Secretaria de Gestão do Ministério do

Planejamento, Orçamento e Gestão desenvolver o Sistema de Gestão por Competência.
Complementando a Lei no 11.091, de 12 de janeiro de 2005 (PCCTAE), os Decretos
N° 5.824 e N° 5.825 são lançados em 2006. No decreto N° 5.825, de 29 de junho de 2006, que
estabeleceu as diretrizes para elaboração do Plano de Desenvolvimento dos Integrantes do
PCCTAE, destacam-se os objetivos do Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento (grifo
nosso):
a) contribuir para o desenvolvimento do servidor, como profissional e
cidadão;
b) capacitar o servidor para o desenvolvimento de ações de gestão
pública; e
c) capacitar o servidor para o exercício de atividades de forma articulada
com a função social da IFE.
Podem-se destacar também as linhas de desenvolvimento desse Programa:
a)
iniciação ao serviço público: visa ao conhecimento da função do
Estado, das especificidades do serviço público, da missão da IFE e da
conduta do servidor público e sua integração no ambiente institucional;
b)
formação geral: visa à oferta de conjunto de informações ao servidor
sobre a importância dos aspectos profissionais vinculados à formulação, ao
planejamento, à execução e ao controle das metas institucionais;
c)
educação formal: visa à implementação de ações que contemplem os
diversos níveis de educação formal;
d)
gestão: visa à preparação do servidor para o desenvolvimento da
atividade de gestão, que deverá se constituir em pré-requisito para o
exercício de funções de chefia, coordenação, assessoramento e direção;
e)
inter-relação entre ambientes: visa à capacitação do servidor para o
desenvolvimento de atividades relacionadas e desenvolvidas em mais de um
ambiente organizacional; e
f)
específica: visa à capacitação do servidor para o desempenho de
atividades vinculadas ao ambiente organizacional em que atua e ao cargo
que ocupa.

Com isso, parece que a inserção dos servidores das IFES no contexto da gestão por
competência começa acontecer. Assim, para cumprir a carreira esses trabalhadores são
forçados a entrar na “sociedade aprendente”, para poder ter direito ao chamado “Incentivo à
Qualificação”, as IFES começaram a executar seus planos anuais de capacitação que
precisavam estimular o desenvolvimento individual, de modo que este refletisse no
Institucional. Estes Planos deveriam apresentar alternativas que atendessem os cinco níveis
de classificação. Desta maneira, deveriam compreender o ensino fundamental; o ensino

1214

�médio; a graduação; e a pós-graduação: lato e stricto sensu. E, neste contexto, o “ Sistema de
Gestão por Competência” começou a ser implantado.

3 GESTÃO POR COMPETÊNCIA EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: UMA
REALIDADE
Com os instrumentos “Plano Anual de Capacitação” e o “ Sistema de Gestão por
Competência” o PCCTAE começou a ser uma realidade nas Unidades de Informação. Os
profissionais dessas unidades começaram a perceber a necessidade de buscar uma maior
capacitação, e qualificação. E essa busca foi acelerada com a entrada de novos profissionais.
O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (REUNI), desde 2007 - buscando alcançar seu principal objetivo que é ampliar o
acesso e a permanência na educação superior - vêm promovendo concursos públicos para
provimento de vários cargos. Os bibliotecários foram um dos cargos com maior número de
ingressantes.

A chegada desses novos membros as equipes foi uma solução para falta de

pessoal que a muito assolava as bibliotecas, mas trouxe também alguns problemas para gestão
de bibliotecas universitárias, na realidade analisada. Pode-se destacar, dentre eles o: “Conflito
de geração”; pois nessa nova sociedade o mercado de trabalho está sendo formado por três, e
até quatro gerações, que segundo a Teoria geracional Strauss-Howe podem ser chamadas de:
Geração silenciosa 1925-1942; Geração Baby Boom (1943-1960); Geração X (1961-1981);
Geração do Milênio (1982-2005?), (HOWE; STRAUSS, 2007). Essas gerações possuem
características muito diferentes, que precisam ser administradas, para um bom resultado.
Importante destacar que esse e outros problemas poderiam ter sido resolvidos de uma
forma melhor caso um dos parágrafos das diretrizes do Decreto 5.707/2006 “promover a
capacitação gerencial do servidor e sua qualificação para o exercício de atividades de
direção e assessoramentâ’; e a linha de desenvolvimento “gestão ” do Programa estabelecido
pelo Decreto 5.825/2006 fossem efetivamente aplicados. Com a preparação das gerências
dessas Unidades de informação para inclusão desses novos membros os conflitos de geração
poderiam ter sido minimizados.
Chegando com a implementação da Gestão por Competência, esses novos membros,
que em sua maioria eram da “geração milênio”, também chamada “y”, logo se adaptaram a
essa nova gestão; e foram os primeiro a buscar a qualificação. Esse movimento forçou a
inclusão das gerações anteriores nesse novo sistema, mesmo aqueles que não estavam
acostumados a buscar a educação continuada. No momento da aplicação do conhecimento e
das habilidades, no desempenho das funções nas bibliotecas, o conflito de geração foi

1215

�evidenciado nos grupos que não estavam coesos. A atitude do bibliotecário-gestor como líder
poderia tornar essas bibliotecas unidades ativas da “organização aprendente” - Universidade,
de modo que as diferenças de geração fossem aproveitadas da melhor maneira. O incentivo à
“aprendizagem organizacional141”, como aprendizagem coletiva poderia fazer dessas
bibliotecas universitárias aquilo que a nova sociedade espera: Uma nova biblioteca.
O desenvolvimento das competências institucionais depende da atitude dos indivíduos,
da vontade de compartilhar seus conhecimentos e habilidades, e essa motivação poderia ser
incentivada

pelo

“bibliotecário-gestor-líder”,

concretizando

assim

a

aprendizagem

organizacional. Quando se fala em liderança, muitos ainda acreditam que é uma coisa nata,
mas o estudo sobre o tema concluiu que liderança pode ser aprendida. Vergara afirma que:

Liderança é a competência para exercer influência sobre indivíduos e
grupos. Como tal, expressa-se em um conjunto de conhecimentos,
habilidades, atitudes, ações. Esse conjunto caracteriza-se como um processo
- e não como um produto acabado - que precisa responder às mudanças,
umas velozes, outras nem tanto, que caracterizam o tempo-espaço
contemporâneo. Esse processo fundamenta-se na aprendizagem contínua do
gestor/líder. Na perspectiva aqui utilizada, essa aprendizagem ocorre em três
frentes: a aprendizagem do gestor/líder sobre si mesmo, sobre o outro e
sobre o contexto. É claro que, para desenvolver-se nessas três frentes de
aprendizagem, nosso gestor/líder não precisa ser um herói; basta um pouco
de empenho, sensibilidade e desejo de responder à altura do que seu mundo
lhe pede hoje. Isso já será o suficiente (2007, p. 65, grifo nosso).
Percebe-se então que a seleção pública hoje precisaria levar em conta o sistema de
gestão por competências que está sendo implantado, pois como foi colocado: essa seleção
escolhe candidatos bastante capazes intelectualmente, mas muitas vezes, sem o perfil
adequado para um bom desempenho funcional. Principalmente, para as organizações com
culturas organizacionais tradicionais. O que pode gerar problemas de adaptação, baixa
produtividade, e os altos índices de doenças profissionais e psicológicas. E no caso analisado,
o bibliotecário-gestor-líder precisaria está pronto, e assim todo o processo poderia ter se
desenvolvido de uma maneira mais harmônica; atendendo os interesses pessoais e
institucionais, ou melhor, contribuindo para a capacitação, conceituada como: “processo
permanente e deliberado de aprendizagem, que utiliza ações de aperfeiçoamento e
qualificação, com o propósito de contribuir para o desenvolvimento de competências
institucionais, por meio do desenvolvimento de competências individuais” (DECRETO N°
5.825/2006).
141 V er m ais sobre R eform a adm inistrativa, e, organização aprendente, aprendizagem organizacional em
M adureira (2 0 0 6 ), v eja tam bém S en ge (1 9 9 9 ).

1216

�A cultura organizacional conservadora ainda presente na universidade também foi um
motivo de embate das gerações, nessas bibliotecas universitárias. As pessoas da “geração y”
que foram criadas sem barreiras hierárquicas fortes, são questionadoras; e elas precisam de
uma liderança que estimule a colaboração. E alguns bibliotecários ainda mantinham sua linha
de gestão com base na hierarquia, minorizando a importância da liderança (ASAZU, 2014;
AYLMER, 2010; VERGARA, 2007). Desse modo, a preparação dos gestores para essa
mudança organizacional, caso fosse mais bem articulada, poderia ter sido o diferencial para a
gestão de bibliotecas universitárias, nessa realidade. A implementação dessas mudanças de
forma mais concreta poderia reforça o papel desse espaço informacional, desse espaço de
produção de conhecimento, que é a biblioteca universitária.

Mas pelo pouco incentivo, e

oferta por parte da universidade, esses profissionais, em geral, não estavam preparados. Os
gestores dessas unidades de informação poderiam ser um dos condutores desse processo de
transição, onde a aprendizagem organizacional poderia ter gerado uma oportunidade, em um
momento de ameaças. Silva e Mello (2013, p.123) ressaltam a importância da aprendizagem
organizacional na gestão por competência no setor público:

A especificidade do setor público, naturalmente, afeta a prática da gestão por
competências, por que as organizações do setor público são particularmente
lentas para a mudança e, por que, como resultado, transformar o setor
público é complexo e exige um processo de aprendizagem coletiva. Finger e
Brand (2001) salientam a complexidade das mudanças no setor público
tendo como foco a necessidade da organização da aprendizagem no setor. A
partir desses autores, podemos fazer uma analogia, argumentando que a
aprendizagem organizacional se configura como uma abordagem
contemporânea nas organizações tanto quanto a gestão por competências,
vivenciando desafios semelhantes.
Caso o oferecimento de cursos para os vários níveis fosse feito pela universidade, de forma
massiva, e preferencialmente à distância, talvez muitos conflitos pudessem ter sido evitados.
A atitude da universidade como organização aprendente ficou a desejar, causando reflexo na
atitude do bibliotecário/gestor; que por sua vez se refletiu na atitude de todos os outros
colaboradores dessas unidades de informação; e como todo ciclo, esse reflexo repercutiu nos
resultados dessa universidade, que poderia está vivendo um momento mais pleno em tempos
de REUNI. Essa situação foi agravada por mudanças estruturais no organograma que
suprimiu o setor que acompanhava e ajudava a implementar as atividades de aquisição de
competência, nesse Sistema de Arquivos e Bibliotecas: A Divisão de Desenvolvimento.
Cabendo assim aos bibliotecários a responsabilidade solitária de capitanear essas mudanças
em suas unidades de informação, contando apenas com suas competências pessoais.

1217

�O novo Plano Nacional de Desenvolvimento Profissional dos Servidores Integrantes
do PCCTAE, instituído pela Portaria n° 27, de 15 de janeiro de 2014, prever o oferecimento
de cerca de mil vagas para o "Mestrado profissionalizante em Gestão Pública", para todo
Brasil. Esse número parece pequeno quando essa mesma Portaria diz que os números de
técnico-administrativos com o nível de classificação “E ” somava: trinta mil oitocentos e trinta
e seis (30.836) nas universidades federais; e seis mil quinhentos e sessenta (6.560) nos
institutos federais. O oferecimento de vagas para doutorado não estão previstas, neste Plano.
Tendo por base a realidade vivida: cento e trinta (130) bibliotecários - cerca de treze por cento
(13%) possui mestrado, e nenhum membro possui doutorado; e sete (7) arquivistas - com um
mestre, o alcance de um grau de qualificação maior, ainda pode demorar, caso o apoio
institucional continue nesse nível. Para o próximo ano estão previstas, nesta Universidade,
vagas para o mestrado profissionalizante acima citado.
Com essas perspectivas cabe aos bibliotecários e outros técnico-administrativos
reivindicarem em seus planos locais melhores condições de qualificação; ou continuarão
numa busca desenfreada por uma qualificação e/ou capacitação de forma individual. Na
realidade analisada, o Plano Anual tem pouca divulgação, talvez pela “disponibilidade
orçamentária” referida. O Plano de 2014 apresenta alguns avanços como: a especialização em
“gestão em administração pública”, com turma exclusiva, à distância; e a reserva de dez por
cento (10%) das vagas, para os aprovados, nos cursos pagos de pós-graduação internos. Neste
mesmo Plano são previstas turmas de formação de competências específicas para gestão, que
serão ministradas em parceria com Fundação Getulio Vargas (UFF, 2014, p. 9, 21-22). Mas
como dito, a falta de publicidade, ou melhor, de uma publicidade mais direcionada, levar ao
pouco aproveitamento dessas iniciativas. E desse modo, caso a busca por uma qualificação
continue a ser individualizada, a possibilidade da aprendizagem organizacional e, por
conseguinte, da competência organizacional ou institucional acontecer ficará cada vez mais
distante, assim como a consolidação da gestão por competência.

A ideia de “universidade corporativa

” poderia ser uma solução para a qualificação

das universidades federais. Se as universidades optassem por esse tipo de ação, o número de
servidores qualificados poderia ser aumentado de forma contínua. As universidades
corporativas podem oferecer cursos em todos os níveis, e preferencialmente à distância. E
seus cursos podem ser customizados, buscando atender as políticas e estratégias de cada 142

142 V eja m ais sobre universidade corporativa em Caputo, (2 008); Tarapanoff, (2 0 0 6 ); e O liveira, 2 0 1 4 .

1218

�Universidade. Na pesquisa ora apresentada foi localizada uma experiência: a Universidade
Corporativa da Universidade Federal de Sergipe, que apresenta cursos de capacitação, não
apresenta cursos de qualificação, mas oferece um curso “preparatório para seleção de
mestrado” (UFS, 2014a, 2014b).
Os bibliotecários, como já citado, foi um dos cargos com maior número de
ingressantes, e estes como outros profissionais da informação, são vitais à sociedade da
informação e precisariam entrar nessa sociedade, como tal, por uma porta vip143. Gelfand
lembrando o Seminário Regional sobre o Desenvolvimento de Bibliotecas Universitárias da
América Latina, organizado pela UNESCO, em cooperação com o governo da Argentina, em
1962, relata a conclusão dos participantes que enfatizaram a importância das bibliotecas em
relação às universidades, e declararam que (1968, p. 20, tradução nossa, grifo nosso):

a) o nível do país depende do grau alcançado pela educação superior;
b) educação superior depende de como as universidades cumprir seus
propósitos;
c) e que as universidades serão o que são as suas bibliotecas universitária.
Dessa forma, para que tanto gestor-bibliotecário, quanto todos os profissionais possam
ter a oportunidade de fazer parte dessa nova sociedade de forma ativa, é preciso que se criem
alternativas para a qualificação demandada pela gestão por competência. Para que se possa
construir realmente o “Estado gerencial”, ou seja, mais competitivos; ou melhor, um novo
estado, que possa realmente promover a valorização do servidor, e a excelência dos serviços
públicos.

Para tal, a "competência organizacional" deve ser buscada, e as “competências

essenciais”, como disseram Prahalad e Hamel (1990), de modo que possam oferecer reais
benefícios aos contribuintes; através da diferenciação da qualidade dos serviços públicos
oferecidos pelas universidades brasileiras, criando a vantagem competitiva, em nível mundial.
A aprendizagem organizacional parece ser o caminho para o desenvolvimento dessas
competências essenciais. Essas competências podem ser melhor implementadas por uma
organização aprendente, como um grupo que aprende, como uma Universidade corporativa.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho se inscreve no quadro das pesquisas qualitativas com objetivos
exploratórios e descritivos, pois se tem a pretensão de investigar, analisar, refletir e interpretar
a realidade à medida que se procure entendê-la (TRIVINOS, 1987). Entretanto, os aspectos
143 S igla da língua in g lesa expressão: Very Important Person; tradução literal para "pessoa m uito importante".

1219

�quantitativos são considerados na medida em que forem necessários à compreensão das
relações entre as variáveis a serem estudadas. São utilizados como recursos metodológicos: a
revisão de literatura, análise documental. E, paralelamente, utiliza-se o “diário de campo”,
pois nele diariamente se pode colocar percepções, angústias, questionamentos e informações
que não são obtidas através da utilização de outras técnicas (NETO, 2004, p. 63).

5 RESULTADOS PARCIAIS
O artigo propôs dar início ao estudo sobre a implantação da gestão por competência
em unidades de informação das universidades federais, tentando identificar os reflexos dessa
sucessão de mudanças nesta esfera. Objetivou-se a compreensão da realidade vivida, através
análise e síntese do contexto. Foi apresentada uma síntese desse estudo, que destacou alguns
dos reflexos dessa implantação. Apontou os conflitos geracionais como maior problema.
Pontuou falhas na implantação da gestão por competência, que causaram esses problemas, na
gestão de bibliotecas universitárias no contexto analisado, registrado em diário de campo.
Essas reflexões já foram externadas no âmbito analisado, incluindo assim novos atores nesse
debate, o que poderá contribuir para construção de uma proposta que minimize esses
impactos, e possa fazer com que as mudanças promovidas visem o bem comum, como se
acredita que deva ser a função do Estado; buscando assim inserir essas bibliotecas no ritmo da
sociedade da informação.

6 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Acredita-se que a preparação do bibliotecário-gestor como líder poderia ter
minimizado os problemas gerados pela implantação do sistema de gestão por competência nas
unidades analisadas. Os conflitos geracionais, comuns neste novo mercado de trabalho,
poderiam ter sido gerenciados melhor. A implantação de forma massiva e efetiva do Plano
Anual de capacitação previsto pelos Decretos 5.707/2006, e o 5.825/2006 pela Universidade
talvez tivesse a capacidade de reduzir esses problemas. Pois neles estavam previstas
atividades de capacitação gerencial; iniciação ao serviço público; formação geral; educação
formal; inter-relação entre ambientes; e outras atividades específicas, que visam à capacitação
para o desempenho das atividades da organização de acordo com cargo ocupado. Com isso, a
implantação do sistema de gestão por competência, poderia ter sido mais fácil. A
aprendizagem organizacional deveria ter sido promovida. A capacitação e a qualificação deve
ser uma meta para as universidades, como organizações aprendentes. Em tempos de REUNI -

1220

�onde o maior objetivo é ampliar o acesso e a permanência na educação superior - a
universidade precisa qualificar seus servidores para que esses contribuam para esse objetivo.
A ideia de “universidade corporativa” pode ser uma solução para a qualificação das
universidades federais, pois com esse tipo de ação o número de servidores qualificados pode
ser maior, e contínuo. A universidade corporativa pode oferecer cursos em todos os níveis, e
estes cursos podem ser oferecidos preferencialmente à distância, de forma customizada,
atendendo assim as necessidades de cada Universidade. Os bibliotecários foram um dos
cargos com maior número de ingressantes por conta do REUNI, e estes como outros
trabalhadores da sociedade da informação precisam se manter na sociedade da informação
através de uma educação continuada. Dessa forma, para que tanto gestor-bibliotecário, quanto
todos os outros trabalhadores da informação das Universidades Federais possam ter a
oportunidade de fazer parte dessa nova sociedade de forma ativa é preciso que se criem
alternativas para a qualificação demandada pela gestão por competência. E as Universidades,
mais do que qualquer outra instituição, podem criar competências para serem “universidades
corporativas”, dando aos seus trabalhadores a oportunidade de construir a “aprendizagem
organizacional” .
Espera-se que as universidades federais assumam o papel dado pelo Decreto n°
5.707/2006 e ofereçam cursos de capacitação, através de convênio com as escolas de governo;
ou por meio de atos conjunto com os Ministros de Estado do Planejamento, Orçamento e
Gestão; e da Educação. E oportunizem através da “Política Nacional de Desenvolvimento de
Pessoal” a qualificação, principalmente de seus gestores, cumprindo esse mesmo Decreto.
Através desses atos essas universidades poderão se tornar universidades-corporativas,
podendo assim ser um espaço do desenvolvimento para uma “aprendizagem organizacional”,
para todo serviço público. Dessa forma, essas universidades poderão contribuir para
construção das vantagens competitivas desse Estado Gerencial: O novo Estado brasileiro. E as
bibliotecas não podem estar fora dessa construção, pois como dito: As universidades serão o
que são suas bibliotecas.

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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Analisa situação da implantação da gestão por competência em unidades de informação das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES. Sintetiza a construção da sociedade da informação, contexto dessa implantação. Descreve gestão por competência resumindo conceitos: conhecimento (saber), habilidade (saber fazer), e atitude (querer fazer) – CHA. Destaca Lei 11.091/2005 que introduziu o Plano de Carreira dos Cargos TécnicoAdministrativos em Educação (PCCTAE). Pontua Decreto nº 5.707/2006 que trouxe gestão por competência ao serviço publico. Apresenta Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). Indica o REUNI como promotor do ingresso de servidores nas unidades de informação. Menciona conflitos de geração provocados por esse ingresso. Destaca situação de uma realidade em particular. Afirma que capacitação do bibliotecário-gestor como líder poderia minimizar esses conflitos. Supõe que implementação efetiva dos Planos Anuais de Capacitação pelas Universidades facilitaria gestão de bibliotecas. Deseja que ―Plano Nacional de Desenvolvimento Profissional dos servidores integrantes do PCCTAE‖ seja posto em prática. Conclui que o posicionamento das universidades federais como universidades corporativas poderá elevar o nível dos serviços públicos. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POR QUE MANTER OS LIVROS IMPRESSOS EM TEMPOS DE LIVROS
ELETRÔNICOS?

Ana Rosa Santos
Sandra Lopes Coelho

RESUMO
Sumariza economia da informação, na sociedade da informação, destacando o produto livro
eletrônico, ou e-book. Analisa o e-book na gestão e desenvolvimento de coleções, acesso e
preservação. Procura conscientizar bibliotecários para esse desafio de gestão. Salienta
restrições de visualização, download, impressão e compartilhamento, apresentadas pelo
mercado editorial. Afirma que essas restrições são problemas para gestão e desenvolvimento
de coleções, acesso e preservação em bibliotecas universitárias. Objetiva reflexão sobre as
vantagens e as desvantagens do livro eletrônico. Oferece suporte para tomada de decisão
sobre gestão de livros eletrônicos. Conclui que aquisição de e-books deve ser baseada nas
políticas de desenvolvimento de coleções, acesso e preservação.
Palavras-Chave: Livros eletrônicos; Bibliotecas universitárias; Acesso; Desenvolvimento de
coleções; Preservação.

ABSTRACT
It summarizes information economy, in the information society, emphasis in the product
electronic book, or e-book. It analyzes e-book collections management and development,
access and preservation. It points restrictions preview, download, and print, presented by the
editorial market. It affirms that these restrictions are problems for collections management
and development, access and preservation in university libraries. It examines on the
advantages and disadvantages of the electronic book. Supports decision making on
management of electronic books. It concludes that the acquisition of e-books should be based
on policies of collection development, access and preservation.
Keywords: Electronic book; Academic libraries; Access; Development of collections;
Preservation.

1 INTRODUÇÃO
Este trabalho sumariza a chamada economia da informação, na sociedade da
informação, destacando o produto livro eletrônico, ou e-book, no contexto da biblioteca
universitária hoje. Tem por objetivo salientar as restrições impostas pelos modelos de negócio

420

�propostos pelos fornecedores e mostrar que essas são um problema para o tripé estrutural da
biblioteca universitária: gestão e desenvolvimento de coleções, acesso e preservação. Propõe
uma reflexão sobre as vantagens e desvantagens dos livros eletrônicos neste contexto, sem
pretender desencorajar a utilização deste tipo de recurso. Do mesmo modo que procura situar
o bibliotecário sobre este desafio de gestão, dando suporte argumentativo para a tomada de
decisão sobre a aquisição de livros eletrônicos - principalmente para aqueles cuja motivação
de compra se baseia nas “vantagens” de acesso - e buscando apontar as desvantagens ou
dificuldades do processamento, da preservação, e até mesmo do acesso. Conclui que, nesse
contexto, a aquisição de livros eletrônicos deve ter por base políticas racionais de
desenvolvimento, acesso e preservação.

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E A ECONOMIA DA INFORMAÇÃO
A crise do petróleo, na década de 70 do século passado, que mostrou a
insustentabilidade do modelo capitalista baseado “no consumo crescente de matérias e energia
barata”, a quebra do paradigma fordista baseado na padronização e divisão de tarefas e o
desenvolvimento da informática, culminando com a Internet nos anos 90, são marcos da
“onda Schumpeteriana de destruição criadora” (TIGRE, 2005).

Com isso, as novas

tecnologias da informação e da comunicação deram início a uma nova sociedade. Essa
sociedade - capitalista - foi chamada de várias formas, dentre elas pode-se destacar: “nova
civilização”, “terceira onda” (TOFFLER, c1980); “sociedade informática” ou “segunda
revolução industrial” (SCHAFF, c1990); “sociedade pós-capitalista” ou “sociedade do
conhecimento” (DRUCKER,

c1997);

“pós-industrial”; “sociedade do aprendizado”,

“sociedade aprendente”, “sociedade da informação” etc. Essa nova sociedade baseada na
engenharia genética, na microbiologia e na microeletrônica etc. está fundamentada na
informação e no conhecimento, que são considerados “commodities”, bens negociáveis,
mercadorias. Assim, passamos da economia agrária para a industrial, chegando à chamada
“economia da informação” na qual produzir, armazenar, processar e disseminar informações é
a maior função econômica. Assim, nesta nova sociedade “a informação” e “o conhecimento”
são vistos como mercadorias.
O desenvolvimento de novas tecnologias da informação e comunicação proporcionou
outras formas de negócios, baseadas na informação, através das chamadas “infovias”. Isto
trouxe para o capitalismo meio para maximizar seus lucros movimentando altas somas de
“capital fictício” em um mercado global.

Assim, nessa sociedade, o conhecimento e a

informação, como dito, são considerados mercadorias, ou capital. E é nessa sociedade que o

421

�livro eletrônico está sendo promovido como solução, que pode se tornar um problema, caso
não seja encarado de forma gerencial.
No Brasil, o Programa do Governo Federal de Apoio a Planos de Reestruturação e
Expansão das Universidades Federais (REUNI) é um reflexo dessa nova sociedade. Com o
REUNI, as bibliotecas das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) precisaram se
adequar para atender ao objetivo proposto pelo programa - criar condições para a ampliação
do acesso e permanência na educação superior - sem perder de vista sua função primordial
que é prover infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional para apoiar as
atividades da Universidade: o ensino, a pesquisa e a extensão. Nesse contexto, algumas
bibliotecas foram reestruturadas fisicamente, mas em sua maioria essa reestruturação não
resultou em ganho de espaço. Em relação ao acervo, para atender ao número crescente de
alunos resultante da expansão provocada pelo REUNI, muitas bibliotecas buscaram soluções
como desbaste, descarte, compra de livros eletrônicos, etc. Essas soluções e suas possíveis
consequências nem sempre foram pesadas, e/ou pensadas, causando problemas ao tripé
estrutural da biblioteca universitária: gestão e desenvolvimento coleções, acesso e preservação
(FOX e MARCHION-INI, 1998; SCHURER, 1998 apud ROTHENBERG, 1999, p. 8). Essas
opções como solução para o problema de falta de espaço e profusão de alunos é o tema dessa
revisão.

3 LIVROS ELETRÔNICOS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Na chamada sociedade da informação os livros eletrônicos estão sendo promovidos
como uma solução para o problema de falta de espaço e a profusão de alunos que algumas
bibliotecas universitárias estão enfrentando devido ao REUNI, mas a aquisição desses itens
sem uma política definida pode criar outros problemas.
propagadas por muitos autores. Polanka

As vantagens dos e-books são

(apud SERRA, 2013, p. 2, grifo nosso) destaca as

principais vantagens:
a) disponibilidade do acervo 24x7 e possibilidade de um atendimento a
diversos usuários simultaneamente, não restrito a quantidade de exemplares
impressos existentes nos acervos;
b) e-books são publicações ampliadas, pois permitem a interoperabilidade de
informações, como consulta a dicionários, utilização de instrumentos de
acessibilidade (leitura de voz) etc.;
c) e-books não são perdidos, entregues com atraso, ou danificados;
d) os arquivos podem ser compartilhados em diversos dispositivos;

29 POLANKA, Sue (Ed.). No shelf required [livroeletrônico]: e-books in libraries. Chicago: American Library
Association, 2011. 182p.

422

�e) não ocupam espaço físico para guarda em estantes e prateleiras, ou seja, a
biblioteca pode ampliar seu acervo sem preocupar-se com a utilização do
espaço físico;
f) podem ser pesquisados e acessados através do catálogo virtual das
bibliotecas;
g) podem ser integrados a bibliografias ou projetos de pesquisas;
h) é utilizado no meio acadêmico por estudantes e professores, contribuindo
com o aumento de fontes de pesquisa;
i) permitem anotações, aumento da fonte, controle do brilho da tela e demais
ajustes, de acordo com a preferência do leitor.

Algumas das vantagens difundidas são transformadas em desvantagens ou
dificuldades pelas limitações editoriais impostas pelo mercado, ainda em desenvolvimento. O
Digital Rights Management (DRM ) - gestão de direitos digitais - podem limitar os acessos,
as impressões, as visualizações simultâneas, os downloads, e os acessos fora dos campi, etc.
Em relação ao espaço, fisicamente este pode ser poupado, mas o espaço em repositórios e
outros ambientes de armazenamento digital devem ser previsto, e para que estes ambientes
sejam eficazes, devem ser criadas políticas de preservação digital executáveis. Enfim, com
adoção desse novo objeto, novas formas de gestão devem ser desenvolvidas. E para melhor
desempenho desse trabalho, a gestão de bibliotecas universitárias deve estar pautada em
políticas racionais de desenvolvimento de coleções, acesso e preservação, que, nessa nova
sociedade, devem incluir um novo produto: o livro eletrônico.

3.1 Gestão e desenvolvimento de coleções
A inclusão dos livros eletrônicos no acervo está provocando mudanças significativas
para as bibliotecas e seus gestores. Uma delas é a “transferência de propriedade” - de produto
(livro impresso) para serviço (acesso on-line). O objeto digital não fica necessariamente sob
a guarda da biblioteca e seu acesso, muitas vezes, é realizado via plataforma proprietária do
fornecedor. São oferecidos, basicamente, três modelos de negócio: acesso perpétuo - os livros
são licenciados para a biblioteca e hospedados no seu site ou em plataforma do fornecedor;
assinatura - o fornecedor oferece acesso por um determinado período de tempo; pay-per-view
que funciona como a assinatura, porém com preço mais baixo e valor adicional de acordo com
a utilização. Essas novas formas de aquisição ainda precisam ser absorvidas. O mercado está
sendo organizado e os editores estão buscando formas de ajuste desse novo produto (Lei de
Direitos Autorais, PL N° 4534/2012 ). Cabe aos bibliotecários buscar um posicionamento,

30 Limites nos hardwares ou softwares.
31 Altera a Lei n° 10.753, de 30 de outubro de 2003, que "institui a Política Nacional do Livro", para atualizar a
definição de livro e para alterar a lista de equiparados a livro.

423

�de forma que sua participação na formação das políticas de informação brasileiras seja mais
ativa.
Para um melhor posicionamento um dos primeiros passos pode ser a reformulação das
políticas de gestão e de desenvolvimento de coleções. A inclusão do item livro eletrônico
deve ser pensada, mas seguindo basicamente os mesmos critérios de uma política para livros
impressos, sendo agregados a estes, aqueles inerentes aos documentos eletrônicos.

Uma

política deve ser um instrumento de tomada de decisão, e, desse modo, deve prever as
situações relativas, por exemplo - à seleção, à aquisição, à avaliação e ao desbastamento de
materiais.

As particularidades dos livros eletrônicos estão dificultando a construção de

políticas, e muitas bibliotecas estão comprando e-books sem este respaldo tão importante para
a tomada de decisão. É preciso que haja controle sobre esse novo objeto, o e-book. Essa nova
sociedade trouxe mudanças que refletiram também no fazer bibliotecário, assim, todo
processo de gestão e desenvolvimento de coleções deve ser repensado, para que os serviços
oferecidos ao usuário/cliente sejam adequados.
É “[...] necessário repensar o papel do bibliotecário no desenvolvimento da
coleção, de forma a garantir a continuidade de títulos nos acervos, mensurar
o uso que é feito das obras adquiridas, aferir o controle de acesso aos
conteúdos para evitar utilizações não autorizadas e oferecer novas
possibilidades de consultas e serviços.” (SERRA; SILVA, 2013).

As atividades de gestão devem ser revistas para que a função de desenvolvimento de
coleções seja mais bem desempenhada. A revisão das políticas e estudos bibliométricos
podem ser a base para todo esse trabalho.
A necessidade de readaptação se torna premente nessa nova sociedade. Geralmente, as
dificuldades - ou desvantagens - encontradas são marcadas pela variedade de modelos de
negócio impostos pelo mercado. Livros eletrônicos acadêmicos podem ser selecionados e
adquiridos quer como títulos individuais quer como coleções ou pacotes (WALTERS, 2013,
tradução nossa). Assim, destacam-se algumas das seguintes dificuldades:

a)
apenas metade dos livros impressos adquiridos por bibliotecas
universitárias estão disponíveis como e-books;
b)
os termos de licença variam consideravelmente e falta de
padronização é um entrave significativo à gestão de livros eletrônicos;
c)
a multiplicidade de formatos de arquivo de livros eletrônicos apresenta
sérias dificuldades para compatibilidade entre plataformas e acesso em longo
prazo;
d)
cerca de metade de todos os títulos da biblioteca de livros eletrônicos
acadêmicos são adquiridos através de promoções de pacotes;

424

�e)
a maioria das licenças para pacotes de livros eletrônicos (coleções)
não dá aos bibliotecários nenhum controle sobre os títulos incluídos no
pacote;
f)
a maioria dos pacotes de livros eletrônicos inclui um grande número
de títulos que não são relevantes para as necessidades da biblioteca;
g)
quando adquiridos individualmente, livros eletrônicos acadêmicos
custam substancialmente mais do que edições impressas.

Como dito, existem vários modelos de negócio e preços oferecidos por distribuidores
de livros eletrônicos, com diferentes tipos de acesso e variedade de restrições à visualização,
download, impressão e compartilhamento de conteúdo de e-book. Mudanças nos termos de
licença facilitariam a aquisição em larga escala de e-books.

Nas condições atuais, a

necessidade de gerenciar uma ampla e conflitante variedade de disposições de licença
aumenta o custo total de aquisição e manutenção de coleções de livros eletrônicos.
(WALTERS, 2013).

3.2 Acesso ao livro eletrônico
Polanka (2011, op. cit.) destaca a disponibilidade do acervo 24x7 e a possibilidade de
atendimento a diversos usuários simultaneamente como uma das vantagens do livro
eletrônico, no entanto os modelos de negócio existentes atualmente apresentam restrições que
limitam o acesso ao conteúdo: acesso somente através de plataformas proprietárias, restrições
de vendas para consórcios, empréstimo entre bibliotecas, empréstimos simultâneos e outros,
como visto acima. A aplicação dos DRMs é que determina como será o acesso, possibilidade
de cópia ou reprodução do conteúdo, distribuição a terceiros, impressão (total ou parcial) e
modificação do conteúdo. Enfim, essas restrições acabam limitando as vantagens de acesso
propagadas. Desse modo, para que as vantagens do acesso sejam efetivamente aproveitadas,
os acordos com os editores precisarão oferecer um custo-benefício melhor que aquele
oferecido atualmente. Além dessas travas, os DRMs também criam problemas na preservação.

3.3 A Preservação de livros eletrônicos e suas dificuldades
O formato eletrônico precisa de certos cuidados para que as informações permaneçam
acessíveis, íntegras e autênticas. Abaixo alguns entraves à preservação de livros eletrônicos:

a)
a obsolescência rápida dos softwares, hardwares, e mídias de armazenamento;
b)
a volatilidade e fragilidade da informação digital;
c)
direitos autorais, copyright e outros direitos legais, que limitam as formas
mais comuns de preservação pelas bibliotecas;

425

�d)
os DRMs que restringem as cópias, impressão, download; e outras formas de
preservar;
e)
a diversidade de formatos, que gera problemas na conversão e compatibilidade
(ALCOBA VILLADANGOS, 2012, p. 35-39, tradução nossa).

Políticas de preservação de documentos eletrônicos precisam ser desenvolvidas e o
bibliotecário deve se posicionar de forma mais presente no debate acerca da legislação atual
sobre e-book, pois como dito, os editores estão defendendo suas posições, e caso não seja
exposta a posição das bibliotecas universitárias em relação a esse produto, mais uma vez a
voz do mercado irá prevalecer.
As editoras como detentoras dos direitos autorais deveriam fazer acordos com
“serviços de preservação digital” , como: ePortico, LOCKSS, ou CLOCKSS, porém essa
ainda não é uma prática (WALTERS, 2013; POWERS, 2014).

Algumas editoras já

perceberam vantagens econômicas na preservação digital e estão iniciando esse trabalho, mas
ainda de forma incipiente. Espera-se que a implementação de políticas de preservação digital
passe a ser uma prática por parte de editoras, e bibliotecas, garantindo assim o acesso futuro.
Apesar das limitações, algumas bibliotecas3
233já estão fazendo uso dos serviços de preservação
digital, geralmente através de acordos com as editoras.

4 POR QUE MANTER OS LIVROS IMPRESSOS EM TEMPOS DE LIVROS
ELETRÔNICOS?
Para a IFLA (2000, tradução nossa) “uma boa política de preservação deve garantir o
acesso às informações, minimizando a deterioração dos suportes dessa informação”. Hoje, o
melhor e o maior suporte ainda é o papel. O livro em papel ainda é a forma de registro mais
usada para guarda do nosso patrimônio cultural, histórico e de memória. Esses registros
conservam a nossa especificidade cultural, artística, científica e histórica, os valores
econômicos, afetivos, e simbólicos.
Segundo Le Goff (2003, p. 526, 529), o termo latino documentum é derivado
de docere que quer dizer ensinar. Esse termo, com o tempo, “evoluiu para o significado de
‘prova’ e é amplamente usado no vocabulário legislativo”. O livro - não somente o livro raro
- deveria ser tratado como um bem cultural, como patrimônio cultural, por conta do seu
conteúdo, por ser um documento. “Mais do que um documento, o livro é um veículo de

32http://www.portico.org/digital-preservation/services/e-book-preservation-service;
http://www.lockss.org/community/publishers-titles-gln/; https://www.clockss.org/clockss/News .
33 http://www.lockss.org/community/networks/.

426

�disseminação de informação, um meio de comunicação social, estando presente no cotidiano
humano nas mais diversas situações” (CARTERI, 2004).
Para Otlet3435(apud ORTEGA &amp; LARA, 2010, supressões nossas) os livros - termo
genérico que engloba os manuscritos e impressos [...] (são) a memória materializada da
humanidade, armazenando os fatos, as ideias, as ações, sentimentos, sonhos, ou seja, aquilo
que tem impressionado a razão do homem [...].
Storey alerta ao descarte mundial de livros e outros documentos, em papel - bens
culturais descartados sem política - preteridos pelos eletrônicos. E prevê que em 2060, os
“bibliotecários acadêmicos terão criado uma nova profissão para si - ‘engenheiro de livro
raro’” (prospector); e terão que readquirir os milhões de títulos em papel, descartados para
preservá-los para a posteridade (2011, p. 74, tradução nossa).
A educação patrimonial pode ser um modo de promover a preservação do nosso
patrimônio cultural, que ainda reside, em sua maioria, nos livros em papel. A educação
patrimonial e a promoção do acesso a esses bens pode gerar uma sensação de pertencimento,
e responsabilidade, que poderá gerar, também, o sentimento de preservação.
Podem-se citar alguns motivos práticos para manutenção do livro em papel, tais como:
a)

são, em geral, mais baratos para aquisição em bibliotecas;

b)

são mais democráticos, podem ser emprestados com menos restrições;

c)

não precisam de dispositivos para leitura (hardwares, softwares);

d)

são mais fáceis de preservar, pois temos uma prática e uma teoria mais

desenvolvida e a maioria dos processos de preservação não possui impedimentos
legais;
e)

são fundamentais para redundância35 , e garantia da autoridade de cópias

eletrônicas.

Deve-se relembrar, também, dos problemas relativos aos livros eletrônicos, que
reforçam a manutenção dos livros em papel, como já citado acima (da aquisição, acesso,
preservação). Estas lembram que os livros eletrônicos ainda estão em fase embrionária, cerca
de 40 anos, para os mais de 500 anos do livro em papel (ALCOBA VILLADANGOS, 2012,
p. 11, 14). Apesar de serem perceptíveis as vantagens dos livros eletrônicos, vale ressaltar

34OTLET, P. El Tratado de Documentación: el libro sobre el libro: teoría y práctica. Murcia: Universidad de
Murcia, 1996.
35 Redundância pode ser definida pelo uso de cópias com o objetivo de aumentar a sua confiabilidade de um
sistema de informação, de um repositório digital, por exemplo.

427

�que ainda são uma tecnologia em desenvolvimento. Por isso, recomenda-se sua aquisição de
forma complementar, e não prioritária ou exclusiva, com base em políticas racionais.

4.1 Livros impressos para sempre...?! Como preservar? Onde preservar?
Algumas bibliotecas já começaram o trabalho de preservação livros impressos para
posteridade implantando como um dos itens de sua política de preservação os: Print
repositories ou off site repositories - espaços que tem como finalidade o armazenamento de
documentos em papel, fora dos campi, tendo como prioridade a preservação, mas com uma
política de acesso. Estes espaços têm a função de abrigar coleções de baixa demanda; e/ou
raras e especiais, não abrigando os usuários.

São montados por instituições, de forma

individual ou em grupo. Cita-se como exemplo as experiências da Biblioteca do Congresso
Americano36 e da Universidade de Harvard3738, nos Estados Unidos, e do Caval Archival and
Research Materials Centre (CARM ), um consórcio australiano de bibliotecas acadêmicas.
KAHLE diz que: "Devemos manter o passado, mesmo quando estamos inventando um
novo futuro [...] e justificar que se a Biblioteca de Alexandria tivesse feito uma cópia de cada
livro, e enviasse para Índia, ou China; teríamos hoje, as outras obras de Aristóteles, e as outras
peças de Eurípides” (STREITFELD, 2012. Tradução nossa).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foi feita uma revisão de literatura, não exaustiva. Como método de abordagem usouse o dialético, buscando, assim, contextualizar o tema proposto no ambiente dessa nova
sociedade. Os dados obtidos foram analisados e cotejados com a realidade, resultando na
síntese aqui apresentada.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Objetivou-se estimular uma reflexão sobre as vantagens e as desvantagens dos livros
eletrônicos no contexto atual, sem desencorajar a utilização deste tipo de recurso. Procurou-se
sinalizar a questão para o bibliotecário, dando a este uma conscientização sobre este desafio
de gestão e suporte argumentativo para decisões sobre a aquisição de livros eletrônicos.
Tentou-se moderar a motivação de compra baseada somente na ideia das “vantagens” de
acesso, buscando destacar as desvantagens ou dificuldades na preservação, na aquisição e

36http ://www.loc.gov/today/pr/2002/02-164a.html
37http ://hul.harvard. edu/hd/page s/facility.html
38http://www.caval.edu.au/carm.html

428

�mesmo no acesso, apontando a importância do livro em papel como maior, e até melhor,
suporte do patrimônio cultural humano. Lembrando que, em último caso, o livro em papel
deve ser mantido para garantir a redundância dos conteúdos dos e-books. Acredita-se que os
argumentos colocados ajudem aos bibliotecários a fazer uma reflexão, sem paixão, de modo
que nem tecnofilia, nem a tecnofobia sejam suporte para a aquisição de livros eletrônicos.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Conclui-se que, neste contexto, a aquisição de livros eletrônicos deve ser uma opção
complementar e não exclusiva ou prioritária devido às suas restrições editoriais. Assim, a
nova biblioteca deve começar a construir o futuro, se inserindo no presente sem esquecer o
seu passado. Para tal, os bibliotecários precisam, mais do que nunca, tomar decisões baseadas
em políticas. Os estudos bibliométricos também podem ser importantes. O desenvolvimento
de coleções, o acesso e a preservação precisam ser pensados de forma conjunta. Espera-se que
políticas de gestão e desenvolvimento de coleções - que se baseia no acesso e na preservação sejam desenvolvidas, para que possa ser criada uma nova biblioteca, para essa nova
sociedade. E como foi colocado nesta nova biblioteca o livro em papel ainda terá um espaço
garantido, por até este momento ser o melhor suporte para preservação da memória e da
história da humanidade, fazendo da nova biblioteca, por muito tempo, uma biblioteca híbrida.

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431

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                <text>Sumariza economia da informação, na sociedade da informação, destacando o produto livro eletrônico, ou e-book. Analisa o e-book na gestão e desenvolvimento de coleções, acesso e preservação. Procura conscientizar bibliotecários para esse desafio de gestão. Salienta restrições de visualização, download, impressão e compartilhamento, apresentadas pelo mercado editorial. Afirma que essas restrições são problemas para gestão e desenvolvimento de coleções, acesso e preservação em bibliotecas universitárias. Objetiva reflexão sobre as vantagens e as desvantagens do livro eletrônico. Oferece suporte para tomada de decisão sobre gestão de livros eletrônicos. Conclui que aquisição de e-books deve ser baseada nas políticas de desenvolvimento de coleções, acesso e preservação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

JUVENTUDE UNIVERSITÁRIA DA UFG: TRAJETÓRIAS SOCIOESPACIAIS E
PRÁTICAS DE LEITURA
Andrea Pereira Santos

RESUMO
Trata-se de uma pesquisa de doutorado, hora em andamento, em que são mostrados resultados
parciais da tese. A parte dos resultados que escolhemos para apresentar refere-se às práticas
de leitura e sua contribuição para construção da subjetividade, identidade e letramento
informacional dos jovens universitários da Universidade Federal de Goiás - UFG. O objetivo
geral é: estudar a influência das trajetórias socioespaciais nas práticas de leitura dos
estudantes universitários dos últimos períodos dos cursos de graduação na UFG dos campus
de Goiânia. Para isso, partimos da pesquisa qualitativa com aplicação de questionários,
entrevistas e redações feitas aos estudantes dos últimos períodos dos cursos de graduação da
UFG. Concluímos que a universidade é um território em que as práticas de leitura realizadas
nesse espaço contribuem para a formação das identidades e contribuem para o letramento
informacional dos estudantes.
Palavras-Chave: Práticas de leitura. Formação identitária. Letramento informacional.
Estudantes universitários
ABSTRACT
This is a doctoral research , time in progress. That research show the partial results of the
thesis . A part of the results we have chosen to present refers reading practices and their
contribution to the construction of subjectivity, identity and information literacy of university
students of the Federal University of Goiás - UFG. The objective is : to study the influence of
socio-spatial practices of trajectories reading of university students in the final periods of
undergraduate courses in the UFG Goiânia campus . For this, we start from qualitative
research with questionnaires, interviews and essays made to students in the final periods of
undergraduate of the UFG. We conclude that the university is a territory in which reading
practices performed in this space contribute to formation of identities and contribute to
information literacy of students .
Keywords : Reading practices . Identity formation . Information literacy . college students

1 INTRODUÇÃO
Trata-se de uma pesquisa de doutorado, hora em andamento, em que são mostrados
resultados parciais da tese. A parte dos resultados que escolhemos para apresentar refere-se as

2865

�práticas de leitura e sua contribuição para construção da subjetividade, identidade e
letramento informacional dos jovens universitários da Universidade Federal de Goiás - UFG.
Apresentamos na introdução o objetivo geral de toda tese de pesquisa para que o leitor tenha
dimensão do trabalho e possa acompanhar, posteriormente, a sua finalização.
O estudo se pauta na afirmação de que há uma vasta gama de informações flutuando
aos olhos da juventude. Na atualidade, faz-se necessário o estudo da leitura, principalmente
porque o senso comum “acusa” o jovem de não ler, enquanto se pode observar a presença
desses sujeitos nas livrarias, bibliotecas, sites de Internet, entre outros espaços que permitem
tal prática. A leitura é a ponte entre a informação e o conhecimento. Mas, ler não é somente o
que está escrito em formato de texto. Ler abarca o visual, os símbolos, formas e vídeos. Ler é
conseguir explorar, pelo menos parte, desse emaranhado de informações presentes na
atualidade.
Para realização da pesquisa “Juventude universitária da UFG: trajetórias
socioespacias e práticas de leitura” recorremos a Geografia por conta da necessidade de
discutir os novos territórios e o ciberespaço na formação de uma cultura letrada da juventude
contemporânea e como as trajetórias socioespaciais se inserem nessa formação. Considera-se
ser pertinente o estudo sobre práticas de leitura na área de geografia, pois esta se configura
como uma forma de análise diferenciada sobre o tema, já que este é comumente estudado nas
áreas de educação, letras e biblioteconomia. Por que estudar leitura na geografia? As práticas
de leitura são realizadas em um “lugar”, seja ele um ponto físico geométrico objetivo ou um
território/lugar subjetivo. E esse “lugar” pode ser favorecedor ou não de práticas ou novas
práticas de leitura.
Entendemos território como um espaço sociocultural onde é possível uma apropriação
subjetiva do indivíduo (HAESBAERT, 2004). Assim, os territórios da leitura da juventude
estão presentes em diversos espaços institucionais ou não: a escola, a universidade, a
biblioteca, os terminais de ônibus, as livrarias, sua casa e centros acadêmicos. Tendo por base
a ideia de “apropriação subjetiva” percebe-se que há uma relação entre a juventude e seus
territórios de práticas de leitura.
Da mesma forma compreende-se que no ciberespaço há uma relação entre juventude e
práticas de leitura. O ciberespaço é, segundo Levy (1999), um meio de comunicação onde
indivíduos e informações se interconectam. Como se trata de uma tecnologia difundida há
poucos anos no Brasil, tornando-se mais popular no final do século XX e início do século
XXI. A juventude contemporânea, principalmente jovens universitários, tiveram uma grande

2866

�identificação com essa tecnologia. A Internet é um espaço de leitura, isto é, espaço de
diversas “leituras” e de diversas mídias (texto, som e vídeo).
Essas relações descritas acima nos mostrarão os espaços de pertencimento do jovem
universitário e de suas práticas de leitura e contribuirão para que se possa entender o processo
de construção do jovem leitor na atualidade, bem como os tipos e modos de leituras praticadas
por ele. Isso porque é cobrado do jovem universitário uma gama maior de leituras e esses,
supomos, passam a praticar outras leituras independente do que é exigido na universidade.
Estudar a juventude e a leitura levando em consideração os territórios e o ciberespaço
é uma forma de rebater o velho discurso do senso comum atestado por Abreu (2001) de que o
jovem não lê ou não tem interesse pela leitura. Socialmente importante porque podemos trazer
a luz certos preconceitos com relação ao tipo de leitura praticada pela juventude atual,
especialmente a universitária. Dentro do campo de estudos da geografia, os resultados trarão
elementos para que se possa compreender como as relações socioespaciais podem contribuir
para inclusão ou exclusão do jovem leitor; para a manutenção das leituras e criação ou não de
novas possibilidades de ler.
O presente contexto vivido pela sociedade é carregado de informação por todos os
lados. Desde a revolução da imprensa por Gutenberg no século XV até o surgimento da
Internet a informação flui de forma cada vez mais rápida. Assim, a leitura está, se pensarmos
nas metrópoles e grandes cidades, por todos os lados, presente nos diversos territórios. No
entanto, por mais que a leitura esteja presente por todos os lados, questiona-se se o jovem lê.
Perguntas como as que se seguem, são frequentes nos debates sobre o assunto: lê o que? Lê o
suficiente? Faz as leituras canonizadas pela escola?
As recentes pesquisas realizadas como, por exemplo, “Retratos da leitura no Brasil”
realizada em 2011, mostram uma certa deficiência na relação jovem e leitura. Nesse sentido,
propõe-se uma série de políticas públicas na tentativa de corrigir essa deficiência de leitura da
juventude atual.
Mas, ao refletir sobre os estudos de preconceitos de leitura abordados por Abreu
(2001) em seus diversos estudos, veremos que muitas leituras são praticadas pela juventude.
Essas leituras acontecem em diversos territórios: nos terminais de ônibus, nos consultórios
médicos, na escola e também na Internet. Resta saber se há uma relação entre as práticas de
leitura e os diferentes territórios onde elas são praticadas.
Espera-se demonstrar que os estudantes concluintes dos cursos de graduação da UFG
vivenciam trajetórias socioespaciais que contribuem para as diferentes práticas de leitura,
pois convivem com uma diversidade de sujeitos e lugares que podem instigar a busca de

2867

�informações, interpretações e transformação destas em novos conhecimentos e (re)criação de
identidades.
Entender as trajetórias socioespaciais e as práticas de leitura para a geografia é um
avanço no sentido de demonstrar que as políticas e relações no território podem influenciar na
leitura e no modo de ler das pessoas pois, pressupomos, o espaço pode ser ou não ser
transformador e formador de leitores.
Nossa pergunta central se funda na seguinte questão: As trajetórias socioespaciais
influenciam nas práticas de leitura dos estudantes universitários dos cursos de graduação da
UFG dos campi de Goiânia? Para responder a essa problematização é preciso levantar outros
questionamentos suplementares, a saber: o jovem da atualidade pode consolidar-se como
leitor perante aos territórios de leitura que estão dentro do seu espaço de pertencimento? Que
tipos de leitura os jovens passam a praticar na universidade? Qual o conceito de leitura na
percepção da juventude universitária? Essas leituras são influenciadas pela universidade? Em
que espaços o estudante pratica leitura? O espaço interfere na forma de ler?
A hipótese pretendida para esse trabalho é: A universidade é um território onde os
estudantes experimentam transformações de habitus, entre os quais se exemplifica a forma de
ler conteúdos específicos de seus cursos e outros tipos de leituras. As trajetórias
socioespaciais influenciam nas práticas de leitura dos estudantes universitários dos últimos
períodos dos cursos de graduação na UFG do campus Goiânia, pois este espaço possibilita
uma diversidade de novas leituras permitindo a eles a capacidade de (re)criar suas
identidades. Dessa forma, os múltiplos territórios frequentados pelo jovem universitário
interferem no modo de leitura e nos diferentes tipos de leitura, sejam elas literárias,
universitárias, folhetos, ebooks, gibis etc.
Chamamos de territórios de leitura os terminais de ônibus; as bibliotecas escolares e
universitárias, os corredores da universidade, os centros acadêmicos e outros espaços que o
jovem universitário passa a frequentar. Além desses espaços destacamos também a Internet
como um dos principais territórios de leitura do jovem universitário. Dessa forma, afirma-se
que o jovem universitário é leitor de variados territórios. Salienta-se que a metrópole contribui
para a potencialização da leitura, pois ela é facilitadora do acesso por meio das possibilidades
de mobilidade e presença de uma infinidade de manifestações sociais e de culturas midiáticas
que são disponibilizadas, muitas vezes, de forma grátis.
Levantamos como hipótese conjunta, tendo por base os estudos de Abreu (2001), que
as leituras feitas, principalmente, fora do ambiente universitário não são consideradas leituras
do ponto de vista dos cânones universitários. Apesar dos variados territórios de leitura, para

2868

�uma elite letrada e que possui acesso a uma gama maior de leituras por meio das livrarias,
bibliotecas de escolas particulares e universitárias, essa leitura praticada fora (inclusive dos
livros) não é considerada leitura.
Dessa feita, nosso objetivo geral é: estudar a influência das trajetórias socioespaciais
nas práticas de leitura dos estudantes universitários dos últimos períodos dos cursos de
graduação na UFG dos campus de Goiânia. Especificamente buscamos: descrever as
trajetórias socioespaciais da juventude universitária antes e durante sua vida universitária;
identificar os territórios de leitura do jovem universitário e o processo de construção de
identidades a partir dessas práticas de leitura identificando assim comportamentos e modos de
pensar da juventude; verificar se as práticas de leitura realizadas sobre a influência do espaço
universitário contribuem para o letramento informacional dos estudantes; identificar espaços
de pertencimento do jovem universitário perante a leitura; analisar o ciberespaço como fonte
de leitura da juventude universitária; e conhecer que tipos de leitura são praticadas nesse
ambiente e se esse espaço pode influenciar em novas buscas de leitura; discutir a relação de
preconceito com os novos territórios de leitura na percepção dos jovens universitários sobre
as leituras praticadas fora dos espaços formais de leitura.

2 JUVENTUDES, TRAJETÓRIAS E LEITURA: EIXO TEÓRICO NORTEADOR
Elencamos para essa pesquisa quatro pressupostos teóricos: Existem diferentes
práticas de leitura, porém elas não são unas. Elas dependem da trajetória socioespacial dos
sujeitos e também da sua experiência de vida e pertencimento a determinado lugar; Os
múltiplos territórios contribuem para o estabelecimento de diferentes práticas de leitura
podendo facilitar ou dificultar o acesso. As práticas de leitura da juventude, realizadas na sua
trajetória universitária, contribuem para a construção de suas identidades. Essas práticas e
apropriação subjetiva dos significados dependem do ambiente socioespacial que ele convive;
A universidade é um território que potencializa diferentes práticas de leitura, pois os jovens
são instigados a buscar novas leituras para vencer os desafios teóricos propostos por essa
instituição
Para refletir sobre esses pressupostos é preciso recorrer a outros estudos. Outrossim,
são elencados alguns estudos e autores importantes para essa reflexão. Dessa maneira, um
tema como esse que tem como objeto de pesquisa a juventude, requer um aprofundamento
específico relacionado ao conceito e história da juventude e o entendimento dela nos dias
atuais. De início é preciso responder: como se constrói a juventude. Para essas respostas
buscaremos autores clássicos para o estudo dessa questão.

2869

�Carmo (2000) discute em seu livro “Culturas da rebeldia: a juventude em questão” o
comportamento e as modificações dos usos e costumes e modos de ser e pensar da juventude
dos anos 1950 aos anos 1990, principalmente tendo como relação a globalização e a sua
influência nas posturas juvenis.
Savage (2009) em seu livro “A criação da Juventude” trabalha com os conceitos
históricos da juventude da pré-história da adolescência até sua consolidação e explosão como
força de consumo. É interessante a leitura desse autor para que possamos compreender o
comportamento dos jovens dentro dessa perspectiva histórica.
Outros autores elencados na discussão sobre juventude são Catani (2008); Sposito e
Corrochano (2000) e Abramo (2008) que apresentam conceitos e história da juventude. Para
entender os contextos atuais da juventude relacionada ao seu comportamento, conceitos,
identidades e subjetividades, buscaremos aporte nas teses e dissertações defendidas
recentemente e também em artigos de periódicos científicos nacionais e internacionais a
serem levantados em bases de dados referenciais.
Nos trabalhos científicos atuais apontaremos a discussão sobre construção da
identidade juvenil. E para ajudar a compreender essa construção de identidades, utilizamos
outros autores que explorem essa temárica: Hall (2001), Giddens (2002), Bauman (2005;
2003) e Castells (2002) trarão uma contribuição para se discutir teoricamente a construção das
identidades. Há de se discutir as questões relacionadas à subjetividade e consumo e sua
interferência na construção das identidades. Para esse entendimento traremos as contribuições
de Rolnik (1997).
A discussão proposta nesse estudo diz respeito também às práticas de leituras da
juventude. Entretanto, para entender tais práticas nos reportamos aos conceitos e história da
leitura. Para isso é preciso buscar os conceitos em Martins (1994) no sentido de ter um
entendimento de leitura que vá além do senso comum que restringe a leitura ao livro e ao
jornal por exemplo.
Sobre a história da leitura, Manguel (1997) apresenta uma trajetória das práticas de
leitura da antiguidade aos dias de hoje. Ele faz abordagens entre a passagem da leitura em voz
alta para a leitura silenciosa e as implicações sociais de tal mudança. Se hoje temos uma
suposta problemática a despeito da formação de leitores jovens, “Uma história da leitura”
desse autor, ajudará a compreender o porque. Nessa mesma temática, teremos como aportes
Darton (1992) e Martins (2001).
Para discutir a formação da leitura no Brasil nossa leitura teórica será os estudos de
Lajolo e Zilberman (1996), Dumont (2000, 2002) e Abreu (1999, 2001 e 2007). Nas leituras

2870

�de Abreu, destaca-se além da construção histórica das práticas de leitura no Brasil, os
aspectos relacionados aos preconceitos de leitura construídos desde a época da colonização
até os dias atuais. Para fechar, outro autor abordado na pesquisa é Chartier (1999, 2001), pois
além de tratar da história cultural da leitura, aborda aspectos relacionados as práticas de
leitura atuais, considerando por exemplo a leitura na tela do computador e suas implicações
sociais.
Além de todo esse referencial teórico apresentado, buscamos estudos recentes como
teses, dissertações e artigos científicos para complementar o embasamento do estudo.

3 METODOLOGIA DE COLETA DE DADOS
Os sujeitos escolhidos para essa pesquisa são os estudantes universitários dos últimos
anos dos cursos de graduação da UFG dos campi de Goiânia. A escolha desse grupo partiu do
pressuposto de que a universidade não só forma profissionais que atuarão em diferentes
profissões como, também, forma pessoas mais críticas, pessoas mais autônomas na busca de
informações as quais passam a praticar outros tipos de leitura que podem (re)criar suas
identidades. A universidade é o território de novas práticas de leitura as quais transformam os
jovens estudantes em profissionais não só atentos ao fazer do trabalho, mas, também, refletir
sobre o suas práticas.
Para coleta de dados aplicamos questionários, entrevistas e redações. Os
questionários foram aplicados utilizando a plataforma de enquetes online Lime Survey
customizada pela equipe de informática da UFG. No questionário, além de um conjunto de
perguntas, o estudante era convidado a participar da redação ou entrevista. Feita a escolha, foi
marcado a entrevista ou enviado o roteiro para redação.
No questionário foram feitas perguntas mais objetivas e gerais sobre renda,
preferências de leitura, percepção espacial, frequência de uso a bibliotecas e moradia. Já nas
entrevistas e questionários procuramos aprofundar na história das práticas de leitura pessoais,
em suas trajetórias espaciais; no entendimento da relação entre as práticas de leitura e vida
universitária e se tais práticas influenciam na construção das identidades, subjetividades e
possíveis práticas de letramento informacional.

4 JUVENTUDE UNIVERSITÁRIA E PRÁTICAS DE LEITURA: CONSTRUÇÃO DE
IDENTIDADES E SUBJETIVIDADES
Em suas trajetórias socioespaciais os jovens universitários se deparam com uma
infinidade de signos, sujeitos, territórios e lugares os quais moldam suas identidades e

2871

�subjetividades. Durante essas trajetórias sujeitos, lugares e pessoas oferecem oportunidades de
leitura e discussão as quais interferem no modo de ser e pensar dos estudantes.
A universidade é um território de oportunidades. Em uma instancia maior, ela
proporciona aos estudantes uma infinidade de leituras as quais contribuem para uma nova
construção do “eu” e do modo de pensar e agir dos estudantes. Há no espaço da universidade
os lugares de encontro e confronto de ideias, pois além das leituras individuais os estudantes
estão em constante debate com professores e outros colegas.
Para Claval (1999) há relação entre território e identidade. Para ele a identidade
interfere na constituição do território. “A construção das representações que fazem certas
porções do espaço humanizado dos territórios é inseparável da construção das identidades”
(CLAVAL, 1999, p. 16). Essas identidades interferem na transformação e mudanças que
podem ocorrer no território. Nesse sentido, território e identidade estão relacionados tanto a
um viés político quanto de outras escalas menores onde são estabelecidas outras relações. No
caso da nossa pesquisa pensemos na universidade como essa escala menor.
Nas entrevistas feitas aos jovens estudantes universitários, o discurso apresentado por
eles demonstra uma transformação pessoal nas suas vidas a partir das práticas de leitura
realizadas por intermédio ou influência da universidade. Sendo assim, analisamos essas
transformações para a construção de um novo “eu” - uma nova identidade - a partir, também
dos processos de subjetivação. Para essa reflexão partiremos da análise do conceito de
identidade e subjetividade apresentado pelos principais autores dessa temática.
O que é identidade afinal de contas? Para Hall (2001, p. 38) "a identidade é realmente
algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo nato,
existente na consciência no momento do nascimento". Seja identidade ou identidades, estas
são formadas, mesmo hoje, a partir da relação interativa com os outros e, agora, também, a
partir do acesso as mídias eletrônicas disponíveis. O acesso a estas, potencializa e tem um pa­
pel importante na formação das identidades.
Outro conceito de identidade para nossa análise dada por Castells (2002, p. 22) é:
“Entendo por identidade o processo de construção de significado com base em um atributo
cultural, ou ainda um conjunto de atributos culturais inter-relacionados, o(s) qual(ais)
prevalece(m) sobre outras fontes de significados”. Esses atributos estão presentes nas
interações e leitura feitas durante a universidade.
Como um processo formado ao longo do tempo, o conceito de identidade está ligado
às trajetórias dos estudantes na universidade a partir da sua interação com os outros e com as
leituras. E essas trajetórias, acontecimentos e interações ocorrem sempre num espaço

2872

�formando assim territórios ou seja, “nossas identidades (...) são sempre configuradas tanto
em relação ao nosso passado, à nossa memória e imaginação, isto é, à sua dimensão histórica,
quanto em relação ao nosso presente, ao entorno espacial que vivenciamos, isto é, à sua
dimensão geográfica” (ARAÚJO; HAESBAERTH, 2007, p. 33). O lugar, o território
possibilitam o repensar. Assim, a universidade enquanto território de trocas e interações
permitirá aos estudantes elaborar projetos os quais contribuem para suas reflexões. É o que
mostra a fala da estudante abaixo:
K., 26 anos : Durante meu segundo ano, concretizei junto a alguns colegas a fundação de
um projeto de extensão em sexualidade humana. Durante todo o curso este foi o maior
marco que diferenciou minhas leituras e vivências. Me considero menos preconceituosa
hoje e tento compreender mais o direito das outras pessoas. Continuo lendo textos sobre
educação, pois ao longo do curso, atuei junto ao Centro Acadêmico como representante
estudantil e na construção de um novo currículo para meu curso. Me sinto mais engajada
em atividades socioculturais hoje, quando comparada ao início da faculdade (grifo meu).

Ao se considerar menos preconceituosa a partir do projeto fundado junto aos outros
colegas, a estudante passou a refletir sobre os seus conceitos ou preconceitos relacionados a
sexualidade. Foi essa interação que permitiu a estudante a rever seu pensamento. “Kant
aponta que a identidade própria do indivíduo é construída por sua experiência, enquanto ser
pensante, no mundo” (ARAÚJO; HAESBAERTH, 2007, p. 22).
Nas leituras feitas em Guatarri e Rolnik (1996), compreendemos o conceito de
subjetividade ligado ao processo ou projeto reflexivo do ser. O pensamento e a reflexão estão
em constante mutação e dependem do arquivo pessoal e histórico de cada um. Quando lemos,
estudamos, nos comunicamos com os outros, nos relacionamos estamos envoltos a diversas
ideias que podem, constantemente, estarem moldando nossos modos e pensamentos. Assim
ocorre com os jovens estudantes universitários. A sua trajetória universitária é carregada de
relações com os outros e com a leitura e isso provoca o que entendemos por processos de
subjetivação.
T., 25 anos: Sinto sim que as leituras que faço depois da universidade mudaram meu
modo de pensar, acho que estamos o tempo todo nos reformulando, acrescentando coisas
a nossa identidade, mudando a nossa forma de pensar e até de agir.

Como se vê na fala da estudante acima, esses processos de subjetivação corroboram
para a formação ou construção das identidades. “Para que o sujeito forme sua identidade ou
trabalhe com a auto identidade, reflexivamente, ele passa pelo processo de subjetivação”
(SANTOS, 2009). Já outro estudante dirá o seguinte:

2873

�B., 22 anos: Mudou basicamente a forma de pensar assim.... que se tornou um pouco
mais crítica né. Agente começou a ser inferido nesse contexto das leituras, passou a ter
uma visão mais crítica eu creio que isso veio aumentar sim porque agente tem um
contato com muitas visões de mundo com muitos autores que pensam de uma certa forma
que acaba influenciando na leitura pessoal do leitor. Em relação ao ser assim, ao estilo
acho que isso não influenciou muito não eu não me vejo assim tão modificado assim em
relação a personalidade...

O estudante acima frisa que mudou seu modo de pensar e se tornou mais crítico,
porém tem dúvidas se sua personalidade sofreu influência. A nosso ver, esse pensamento mais
crítico modifica sim sua personalidade, pois entendemos que a personalidade é criada a partir
daquilo que pensamos como certo/errado ou bem/mal. Se passamos a refletir sobre as coisas
de um outro modo, nossa personalidade muda, ou seja, se sou mais crítico deixo de viver uma
personalidade mais passiva e passo a ser mais ativo e reflexivo na minha vida. Se antes a
pessoa ficava calada diante de um acontecimento por falta de conhecimento, a partir do
momento que ela se torna mais crítica ou com um arquivo maior de informações ela se sente
segura em emitir sua opinião. Essas afirmações são consoantes ao que Gasque (2012) aborda
sobre o pensamento reflexivo.
Outras falas as quais representam um pensamento mais reflexivo são apresentadas
abaixo:
M., 19 anos: Sinto, me transformaram mais intelectualmente, abrindo os horizontes da
área da ciência da informação. Com certeza, a universidade nos faz amadurecer, pelas
experiências que a academia te faz passar e pelas leituras. Hoje tenho mais
conhecimento e autonomia sim, mais independência para buscar o que preciso.
R., 26 anos: Depois de estudar teoria do valor e estudar a história do SUS, história,
legislação, mudou meu cunho político na verdade.... antes de entrar para a universidade
era mais de esquerda, e hoje sou de direita.
R., 47 anos: De certa forma sim. Através dessas leituras que faço, vou descobrindo algo
que as vezes o meu pensamento antes de ter contato com esse tipo de leitura, não tinha
aquele pensamento mais crítico. De uma certa forma muda um pouco né. Assim, o seu
modo de pensar ou, aliás, agrega àquilo que você já está pensando, pode dar um norte,
pelo que você já está formulando na sua cabeça

Essas reflexões e falas dos estudantes deixam clara a abertura ao novo. A partir das
leituras e encontros promovidos a partir da universidade eles mudam sua forma de ler e
interagir com o mundo. Para o estudante C., 24 anos, ele não lê um jornal da mesma forma
que ele lia antes de entrar para a universidade. Agora ele lê com outros olhos, com mais
criticidade.
Na universidade há confrontos. Em algumas falas é possível perceber que nem todas
as ideias são aceitas e as diferenças se mostram evidentes, bem como as identificações. “Com

2874

�relação a identidade e diferença ocorre um cruzamento ainda mais íntimo, pois não há como
‘identificar-se’ algo sem que sua ‘diferenciação’ (em relação ao ‘outro’) seja construída, a
ponto de ‘diferenciar-se’ e ‘identificar-se’ tornarem-se completamente indissociáveis”
(ARAÚJO; HAESBAERTH, 2007, p. 36).
E essas identidades construídas durante a universidade não são identidades acabadas.
Elas estão em constante transformação e reflexão. “ (...) a identidade, por mais essencializada
que pareça, justamente por seu caráter simbólico, é sempre múltipla e/ou está aberta a
múltiplas re-construções” (ARAÚJO; HAESBAERTH, 2007, p. 42).
Outrossim, Giddens (2002, p. 37) diz que "a reflexividade da modernidade se estende
ao núcleo do 'eu'. Posto de outra maneira, no contexto de uma ordem pós-tradicional, o “eu”
se torna um projeto reflexivo [grifo do autor]". Esse projeto reflexivo do 'eu', pelo que se
apreende, faz parte dos processos de identificação pronunciados por Hall (2001, p. 39), pois,
entende-se que a busca por identidade é um "processo em constante andamento".

5 A UNIVERSIDADE COMO TERRITÓRIO DE NOVAS PRÁTICAS DE LEITURA E
DO LETRAMENTO INFORMACIONAL
O que significa as variadas práticas de leitura dos jovens estudantes universitários?
Como vimos, os estudantes universitários adquirem em sua trajetória universitária
variadas práticas de leitura. Nas falas fica claro que as leituras praticadas levam a outras e eles
sempre querem saber mais e aprender mais com elas. Freire (1983) fala da importância da
ligação entre leitura e vivência de mundo. E a universidade é uma espécie de ampliação de
visão de mundo e contribui para a significação e vislumbração de novas práticas. Dada a
importância entre a leitura de mundo e do texto, Dumont (2002) dirá: “para que esse encontro
se efetive, não é necessário possuir somente competência técnica [a alfabetização] indispensável mas insuficiente. Torna-se ainda necessária a capacidade de saber integrar esses
dois universos” da leitura e o mundo do leitor.
A trajetória universitária se difere da trajetória escolar. Há maior acesso à fontes de
informação, pessoas, leituras diferenciadas daquelas praticadas durante o período escolar
como podemos perceber nas falas dos estudantes abaixo:
B., 22 anos: agente entra em contato com novos recursos de informação que no ensino
médio não tinha conhecimento os livros os artigos anais de eventos as apresentações
uma diversificação maior de formatos de suportes de informação que agente é
introduzido assim na época da universidade, agente assim, no ensino médio era meio
deficitário nessa questão de variedade.

2875

�K., 26 anos: Outra grande diferença em meus hábitos de leitura se refere a fontes de
informação, só muito recentemente tive acesso a internet em casa, a faculdade oferecia
computadores que serviram para a pesquisa de temas e realização de trabalhos, ofereceu
também livros e artigos acadêmicos que eu salvava em dispositivos para ler em casa,
mesmo livros literários que não possuía condições de adquirir.
A., 21 anos: Creio que a universidade tenha me tornado mais preparada para ler alguns
tipos de livro. Os científicos, por exemplos. Com certeza o meu curso me deu uma visão
bem mais ampla e me tornou mais capaz de procurar informações que antes eu nem
imaginava que me interessavam. Com isso, tive uma grande modificação na maneira de
pensar no meu próprio futuro, de planejar os meus próximos passos. Exatamente por
essa mudança, sinto um grande aumento na habilidade em buscar informações, e mais
ainda, de trabalhar essas mesmas informações, usando-as a meu favor.

Diante das falas apresentadas podemos pensar a universidade como lócus da
construção do letramento informacional dos estudantes. Para isso vamos analisar tal conceito
e como as falas demonstram essa construção.
Segundo a AASL (2000) letramento informacional ou Information Literacy são um
conjunto de habilidades individuais adquiridas pelo indivíduo que o torna competente para
reconhecer suas necessidades de informação, localizar, avaliar e usar efetivamente essa
informação adquirida. Esse uso efetivo se dá a partir do instante em que ele consegue
transformar essa em novo conhecimento ou resolver alguma questão pessoal.
O letramento informacional é necessário principalmente nesse atual contexto de
rápidas mudanças tecnológicas e de grande fluxo de informação (AASL, 2000). Com a
globalização houve um

crescimento

significativo

da quantidade

de informações,

principalmente com o advento da imprensa de Gutemberg. Mais ainda após a era da Internet,
onde o fluxo de informação é maior ainda promovendo o que conhecemos como explosão
informacional.
O termo letramento informacional (information literacy) nasce nos Estados Unidos e
tinha como preocupação: na década de 1950 de formar cidadãos hábeis para a sociedade da
informação, principalmente na biblioteca escolar (FIALHO, 2009; MELO e ARAÚJO, 2007).
Em meados de 1980, a abertura de mercado no final da guerra fria, exigia cada vez mais
informações que pudessem agregar valor aos produtos (MELO e ARAÚJO, 2007) e era
preciso pessoas com competências mais específicas e complexas e não simplesmente
qualificação (MIRANDA, 2004).
Com todas essas habilidades as pessoas teriam elementos suficientes para buscar,
localizar e avaliar as informações as quais poderiam contribuir para o desenvolvimento da
sociedade a partir da criação de uma consciência cultural e política.

2876

�Dentro dessa perspectiva, o indivíduo competente em informação é aquele que
(AASL, 2000): determina que tipo de informação é necessária; acessa a informação necessária
com efetividade e eficiência; avalia as informações e fontes criticamente; incorpora a
informação ao seu conhecimento de base; utiliza a informação para realizar propósitos
específicos e entende os aspectos econômicos, legais, sociais e éticos do uso da informação.
Sujeitos competentes no uso das informações são mais apitos a tomar decisões. Para Gasque,
2012, p. 18):
As decisões mais eficazes dependem da competência em buscar informações
de pontos de vista diferenciados, organizá-las e apreende-las, considerando a
experiência pessoal, para se chegar a uma conclusão, mesmo que provisória.
A esse processo sistematizado e metódico de organizar a informação
denominamos ‘pensamento reflexivo’.
As trajetórias dos estudantes demonstram uma capacidade de reflexão maior como já
observamos anteriormente. De certa forma eles melhoram sua capacidade de buscar, organizar
e usar efetivamente essa informação, porém não podemos concluir se realmente há elementos
suficientes para afirmar que eles são competentes no uso da informação, pois seria
necessário uma tese específica para analisar essa questão. Deixemos claro que esta pesquisa
aponta para esse direcionamento como proposta de aprofundamento em pesquisas futuras. No
entanto, podemos afirmar é que eles adquirem novas habilidades e essas fazem parte do
conjunto de habilidades daqueles sujeitos competentes no uso das informações como veremos
nas falas a seguir:
L., 32 anos: Na busca de informação eu posso dizer que sabia pouca coisa e hoje eu
aprendi muito.
K., 26 anos: Outra grande diferença em meus hábitos de leitura se refere a fontes de
informação, só muito recentemente tive acesso a internet em casa, a faculdade oferecia
computadores que serviram para a pesquisa de temas e realização de trabalhos, ofereceu
também livros e artigos acadêmicos que eu salvava em dispositivos para ler em casa,
mesmo livros literários que não possuía condições de adquirir.
B. , 22 anos: sou meio suspeito para falar porque o curso de biblioteconomia me capacita
para buscar informação. Mas independente do curso, a faculdade ela me incentivou a
pesquisar a procurar meus próprios recursos, independente de estar num curso que me
forma para isso eu acho que a faculdade me capacitou a procurar informação
C. , 24 anos: Eu sinto que consigo ler esses textos de forma mais aprofundada. Se eu leio
sobre uma crise econômica, se eu leio sobre uma greve de ônibus eu consigo interpretar
isso melhor com o aparo da universidade porque eu fui ler na essência isso, como são os
movimentos sociais, como o sistema capitalista surge, como é que são os conflitos
urbanos como eu estou aprendendo de forma detalhada aprofundada, digamos assim, no
nível de graduação. Eu acho que minha leitura para os textos que eu já lia, passou a ser
mais aprofundada. Isso que consigo ver de diferença

2877

�Enfim, um dos pontos importantes do conceito de letramento informacional se diz
respeito ao ganho cultural e social dos estudantes. Esse ganho foi comprovado pelas
entrevistas e contribui, como vimos, para o pensamento reflexivo e para o processo de
subj etivação desses jovens.

6 A JUVENTUDE DA UFG: TRAJETÓRIAS SOCIOESPACIAIS E PRÁTICAS DE
LEITURA
As trajetórias socioespaciais e a universidade influenciam nas práticas de leitura dos
estudantes universitários dos cursos de graduação da UFG. Como pontuados nesse artigo, a
partir dos resultados alcançados até aqui, essas trajetórias permeiam por diversos aspectos
ligados a sua convivência familiar e a seu ingresso na universidade. Nessa perspectiva,
mostraremos nesse tópico os pontos chaves da construção da reflexão dessa pesquisa.
O conceito de leitura ou do que é leitura na atualidade é abrangente uma vez que há
uma diversidade de mídias, textos, contextos e suportes disponíveis ao sujeito. Há de se
considerar que o mundo das letras é expressivo. A leitura (do texto) está presente por todas as
partes seja em gôndolas de supermercados, autoatendimentos e nos diversos suportes
midiáticos.
Nesse debate, há uma tentativa de hierarquizar o que é ou não é leitura do ponto de
vista da “qualidade” ou de profundidade do material lido ou a ser lido conforme interpretação
feita nos estudos de Abreu (1999; 2001) e Dumont (2002). Nessa hierarquização há tanto
críticas à literatura ou leitura de massa: romances simplórios, gibis, revistas, textos de internet
etc., ou acusação da não prática/gosto pela leitura por parte dos sujeitos.
Nessa perspectiva, argumentamos que, de fato, há de se considerar como válida todos
os tipos de leitura por mais simplórias que sejam. Não se trata de defender aqui uma leitura
relativista em prol de uma leitura ortodoxa, pois segundo Dumont (2000, p. 167) “acredita-se,
[..], que qualquer leitura possui um potencial a acrescentar, a informar, e nunca a apaziguar o
sujeito, a embrutecê-lo, a regredí-lo. Quanto mais ler, mais informações o sujeito possuirá
para discernir o que lhe apresentem no futuro”. Acreditamos que as práticas de leitura iniciam
do simplório e tendem a se tornar mais profundas com a continuidade das práticas. Por
suposto, o acesso e incentivo são necessários.
Os jovens estudantes universitários demonstram em suas falas a presença da leitura em
suas vidas, principalmente, durante sua trajetória universitária. Apesar disso, o conceito de
leitor para eles é incerto. Tais leituras são plurais, em muitos casos fragmentadas e/ou
superficiais, mas mesmo assim leituras.

2878

�Até chegar à universidade suas trajetórias são cercadas de desafios seja pelas questões
financeiras, mobilidade via transporte público ou moradia. Se antes da entrada à universidade
havia dificuldade de acesso, agora, há uma facilidade e uma competência maior por parte
deles na escolha das fontes e na transformação daquilo que se leu em conhecimento e
transformação e reconstrução do “eu” e da identidade/subjetividade. A universidade enquanto
território subjetivo e subjacente é responsável por tais transformações dos estudantes, agora
egressos e profissionais. É na universidade que as práticas de leitura e de busca por outras
leituras são potencializadas, tornando os estudantes mais próximos do letramento
informacional.
A universidade promove, também, a busca por novos estudos e conhecimento de
outros lugares e pessoas. Na universidade as diversas atividades científicas atraem públicos de
várias cidades, estados e/ou países permitindo uma troca recíproca de ideias e aprendizados.
Esses encontros instigam a produção de novas pesquisas e interação com outras culturas.
O engajamento e interesse pelo estudo e pela leitura está ligado, em muitos casos, na
relação dos estudantes com o seio familiar em que os pais, ou especificamente a mãe em
maior grau, são os principais incentivadores, seja lendo livros ou aconselhando. E esse
engajamento dos pais independe do seu grau de escolaridade ou renda.
Há um interesse por parte dos estudantes nos espaços tanto formais quanto informais
de leitura. Os espaços formais seja a biblioteca ou a universidade estão mais ligados a leitura
de formação. Já os espaços informais: a residência, praças entre outros, estão ligados a leitura
de lazer. Mas, as práticas de leitura de lazer ou de formação podem acontecer de maneira
inversa.
Seja uma leitura formal ou de lazer, o lar é o principal lugar das práticas. Lugar longe
de condenações ou observações. Onde pode-se praticar qualquer tipo de leitura ou acessar
outro suporte como a internet por exemplo. Lugar em que a leitura está longe dos
preconceitos.
Há falta de opção de lugares de leitura na metrópole. Porém, ela potencializa o acesso
por conta das livrarias e do acesso que se tem a redes de internet, onde pode-se efetuar
compra de livros ou ler em ambiente virtual. O ciberespaço é o suporte, a fonte e o “lugar”
para diversas práticas de leitura. Não só a leitura é presente na rede. Há uma interação
constante de pessoas que se conhecem, se conectam e trocam ideias e conhecem outras
culturas. O problema colocado pelos professores é que por ser um ambiente de altos fluxos de
informação, a leitura passa ser fragmentada e superficial.

2879

�Dessa feita, podemos afirmar que existem diferentes práticas de leitura e diversas
formas de ler dos estudantes da UFG. Além disso, os múltiplos territórios contribuem para o
estabelecimento de diferentes práticas e são potencializadas pelo seu ingresso na
universidade. Por fim, essas as variadas práticas de leitura se dão pela possiblidade de acesso
e incentivo. Sendo assim, é preciso investir na construção de políticas públicas
possibilitadoras do acesso e incentivo a leitura e deixar para trás a velha máxima do não gosto
pela leitura.
5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Nos pressupostos teóricos chamamos a universidade de território de leituras. Os
conceitos de território dizem que um espaço se configura como território a partir do momento
em que há relações de poder, soberania ou controle. Haesbaert (2004, 2007, 2012) dirá que o
território é um espaço sociocultural onde há uma apropriação subjetiva do indivíduo. Vimos
que o espaço da universidade se torna território de leitura onde, a partir das relações
estabelecidas, surgem práticas de leitura diferentes das que os jovens estudantes tinham
anteriormente.
As entrevistas, os questionários e as redações feitas pelos estudantes demonstram que
suas práticas de leitura sofrem influências socioespaciais da universidade e também da capital
Goiânia. Ressalta-se que a diferença entre as práticas de leitura anteriores à universidade não
se trata apenas de conteúdos universitário ou não. Os estudantes universitários são instigados
à curiosidade, à necessidade de busca por informações e a construção de novos
conhecimentos o que não ocorre quando apenas são estudantes secundaristas.
Os resultados dos questionários e entrevistas até aqui mostram que os estudantes não
são presos somente às leituras universitárias ou aquelas leituras passadas pelos professores, ou
seja, eles estão sempre em busca de outras. Mas essas outras leituras, como percebemos nas
falas deles, são instigadas pelas relações socioespaciais estabelecidas na universidade. Seja
em conversa com outros estudantes, com os professores, com palestrantes, na biblioteca, na
livraria, na sala de aula etc.
As entrevistas mostram os estudantes bem amadurecidos e seguros com o aprendizado
tido durante a universidade. Todos afirmam que a universidade acrescentou muito nos seus
conhecimentos e/ou nos seus modos de pensar. Dizem serem mais críticos com relação às
leituras praticadas.
Podemos afirmar que as trajetórias socioespaciais dos estudantes universitários
influenciam nas suas práticas de leitura em todos os sentidos, tornando-os mais críticos, mais
curiosos e mais seguros consigo mesmo. Ao descrevermos as trajetórias socioespaciais da

2880

�juventude, antes e durante sua vida universitária, percebemos que estar na universidade é
sinônimo de vitória e ascensão social.

A maioria mostrou muitas dificuldades

socioeconômicas as quais dificultaram a sua permanência na universidade. No entanto, são
otimistas quanto a sua formação e ao futuro profissional. Uma das dificuldades elencadas em
relação à permanência na universidade foi a mobilidade via transporte público. Segundo eles,
a universidade é longe do local de moradia e isso dificulta, pois o transporte público não é
bom.
Ao identificar os territórios de leitura do jovem universitário e o processo de
construção de identidades a partir dessas práticas de leitura, percebemos que a universidade é
o território maior dessas práticas. Porém cada estudante constrói o seu “lugar” para a leitura.
É em casa que se sentem melhor para ler as leituras instigadas pelo espaço universitário. No
entanto, citam outros ambientes: o próprio campus universitário, a biblioteca, durante o trajeto
via transporte público e nas salas de aula. Essas leituras praticadas contribuem para a
formação, construção e reconstrução das suas identidades, pois os leva e os instiga a novas
reflexões e eleva o processo de subjetivação.
Ao verificar se as práticas de leitura realizadas sobre a influência do espaço
universitário contribuem para o letramento informacional dos estudantes, percebemos que o
processo de letramento informacional se aproxima do processo de construção, reconstrução e
reflexão das identidades. Uma vez que, as habilidades adquiridas pelo letramento
informacional contribuem para o processo reflexivo o qual está intimamente ligado aos
processos de subjetivação. Mesmo assim, não podemos afirmar se há uma formação por
completo do letramento informacional pois precisaríamos de um estudo mais aprofundado
para essa averiguação. Entretanto a presença de algumas habilidades próprias do letramento
informacional foram percebidas e demonstradas nos seus comportamentos.
Na Análise sobre ciberespaço como fonte de leitura da juventude universitária
identificamos que esse espaço faz parte dos lugares de pertencimento do jovem universitário
perante a leitura. Os estudantes fazem uso diário das redes sociais e pesquisas escolares,
porém muitos se sentem incomodados em alguns momentos por sentirem que a internet pode
atrapalhar em alguns momentos justamente pela profusão de informações constantes nela. No
entanto, são variadas as práticas de leitura nesse ambiente.
Os múltiplos territórios contribuem para o estabelecimento de diferentes práticas de
leitura podendo facilitar ou dificultar o acesso. Isso porque a leitura depende do acesso ao
texto independente do formato ou suporte. E se nesses múltiplos territórios o texto estiver
presente, pode sim potencializar suas práticas.

2881

�Por fim, a universidade é um território favorecedor de diferentes práticas de leitura,
pois os jovens são instigados a buscar novas leituras para vencer os desafios teóricos
propostos por essa instituição.

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2884

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Trata-se de uma pesquisa de doutorado, hora em andamento, em que são mostrados resultados parciais da tese. A parte dos resultados que escolhemos para apresentar refere-se às práticas de leitura e sua contribuição para construção da subjetividade, identidade e letramento informacional dos jovens universitários da Universidade Federal de Goiás - UFG. O objetivo geral é: estudar a influência das trajetórias socioespaciais nas práticas de leitura dos estudantes universitários dos últimos períodos dos cursos de graduação na UFG dos campus de Goiânia. Para isso, partimos da pesquisa qualitativa com aplicação de questionários, entrevistas e redações feitas aos estudantes dos últimos períodos dos cursos de graduação da UFG. Concluímos que a universidade é um território em que as práticas de leitura realizadas nesse espaço contribuem para a formação das identidades e contribuem para o letramento informacional dos estudantes.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRÁTICAS DE USUÁRIOS POTENCIAIS DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA:
USO DE FONTES DE INFORMAÇÃO EM ARQUIVOLOGIA
Edilene Toscano Galdino dos Santos
Eliane Bezerra Paiva
Genoveva Batista do Nascimento
RESUMO
Visando colaborar com a biblioteca universitária no conhecimento das necessidades
informacionais de seus usuários potenciais, realizou-se uma pesquisa de cunho exploratório
com o objetivo investigar o uso das fontes de informação utilizadas pelos alunos concluintes
do Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da Paraíba, do período de
2011 a 2013. A metodologia incluiu uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa documental,
que abrangeu a análise das referências dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) dos
alunos. Para a análise dos dados adotou-se uma abordagem quanti-qualitativa. Os resultados
da pesquisa apontam para o uso diversificado de fontes de informação, com ênfase na língua
portuguesa e cronologia recente. O tipo de fonte de informação mais utilizado pelos
concluintes foram os livros, os quais fundamentam as ideias abordadas nos TCCs. O segundo
tipo de fonte mais utilizado foram os artigos de periódicos que, embora tenham uma relativa
vantagem em relação aos livros, devido a uma expressiva quantidade apresentada em formato
eletrônico, não superaram os livros em formato impresso. A Internet e a legislação foram
outras tipologias muito usadas, revelando que o curso emprega uma base conceitual baseada
em legislação.Também foram utilizadas: teses, dissertações, monografias e dicionários
especializados em Arquivologia. Outros tipos de fontes de informação como tabelas de
temporalidade, atas, regimentos, normas técnicas, editais, diagnósticos, apostilas (textos), etc.
também estavam presentes, mas em menor proporção. Conclui-se que, embora a Internet seja
um recurso muito difundido nos dias atuais, os livros impressos constituem a fonte de
informação mais utilizada pelos alunos de Arquivologia.
Palavras-Chave: Biblioteca Universitária. Usuários Potenciais. Fonte de Informação. Estudo
de Usuários. Arquivologia.

ABSTRACT
In the intent of collaborating with university library in the knowledge of informational needs
of its potential users, it is developed an exploratory research that aims to investigate the use of
sources of information used by the graduating students of Archivology in the Federal
University of Paraíba, from 2011 to 2013. The methodology has included a bibliographical
and a documental research that covered the analysis of references of the Completion of
Course Works (TCC) of the students. In the data analysis it was adopted a quantitativequalitative approach. The research results indicate the diversified use of sources of
information, with emphasis on the Portuguese Language and recent chronology. The most

3510

�used source of information by the students are books, which fundament the ideas developed in
the TCCs. The second most used source of information are journals that, although they
present a relative advantage in relation to books due to an expressive quantity of them are
presented in electronic format, they do not surpass the printed books. Internet and legislation
are other typologies very used, revealing that the course has a conceptual basis based on
legislation. There are also used thesis, dissertations, monographs and specialized dictionaries
in Archivology. Other kinds of sources of information such as temporality tables, minutes,
bylaws, technical standards, notices, diagnoses, handouts (texts), etc are also present, but in
lower proportion. Therefore, it is concluded that, although Internet is a very widespread
nowadays, the printed books constitute the most used source of information by the
Archivology students.
Key-words: University Library. Potential Users. Source of Information. User Studies.
Archivology.

1 INTRODUÇÃO
Um dos principais objetivos da biblioteca universitária é dar apoio às atividades de
ensino, pesquisa e extensão da sua instituição mantenedora, disponibilizando à comunidade
acadêmica recursos que atendam às suas necessidades informacionais. E para atingir tal
objetivo a biblioteca necessita conhecer as demandas de sua comunidade.
A comunidade usuária de uma biblioteca é composta de: usuários reais, aqueles que
efetivamente utilizam os recursos da biblioteca, e usuários potenciais, aqueles a quem a
biblioteca visa atender (SANZ CASADO,1994). Em se tratando da biblioteca universitária, os
usuários potenciais correspondem a toda a comunidade universitária, composta por alunos,
professores, pesquisadores e servidores da instituição. Conhecer as necessidades de
informação dos seus usuários torna-se, então, uma tarefa essencial para a biblioteca
universitária, para que possa atender aos anseios da sua clientela.
Visando colaborar com a biblioteca universitária no conhecimento das necessidades
informacionais de seus usuários potenciais, realizou-se uma pesquisa de cunho exploratório
com o objetivo investigar o uso das fontes de informação utilizadas pelos alunos concluintes
do Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da Paraíba. O presente
texto é o relato dessa pesquisa, que teve como questões motivadoras as seguintes: Quais as
fontes de informação utilizadas pelos concluintes do Curso de Arquivologia? Como se
configuram essas fontes?
Entendemos que o uso das fontes de informação revela a satisfação das necessidades
informacionais dos usuários. Os resultados obtidos na pesquisa podem colaborar com a
biblioteca universitária no processo de gestão das suas coleções da área de Arquivologia.

3511

�Assim, justificamos a realização da pesquisa que se configura como um estudo de uso das
fontes de informação arquivísticas.
Como campo de pesquisa voltado à prática científica, os estudos de usuários tem se
revelado uma importante área da Ciência da Informação, visto que tem apresentado as fontes
às quais o usuário recorre para a realização de suas pesquisas científicas.
Para Araújo (2012, p. 146) o Estudo de Usuário é uma prática que tem se mostrado
como ferramenta para “avaliação de fontes de informação disponíveis e dos serviços
oferecidos pelas bibliotecas”. No que se refere às fontes de informação, é visível a prática
contemporânea de pesquisa com a utilização da Internet, em que periódicos eletrônicos
multiplicam-se, repositórios de acesso livre ganharam credibilidade com informação cada vez
mais advinda de pesquisas com rigor metodológico, além das bibliotecas manterem-se como
importantes centros de informação para pesquisas científicas, automatizando seus catálogos,
tudo isto em favorecimento da busca e uso da informação pelo usuário.
Nesse contexto, as fontes de informação se inserem em uma nova perspectiva
contemporânea de uso de forma que Tomaél et al. (2001, p. 2) afirmam que
todos terão que buscar novos conhecimentos e habilidades, não
necessariamente sobre tecnologias eletrônicas ou sobre documentos. Será
preciso desenvolver aptidão literária “cibercultura” envolvendo uma prática
não necessariamente sobre tecnologias eletrônicas ou sobre documentos.
Será holística, entendendo como a tecnologia eletrônica (e a não-eletrônica)
gerencia a informação para seu uso efetivo. As mudanças devem ser
apreendidas e consolidadas.

Dessa forma, o usuário passa a ter novas possibilidades de fontes de informação, tendo
que adquirir novos hábitos com habilidades específicas para lidar não apenas com as fontes
tradicionais, mas com novas modalidades de acesso à informação com foco na produção de
novos conhecimentos.
A biblioteca já não é apenas uma depositária de acervos impressos passando a agregar
em sua estrutura recursos informáticos que possibilitam acesso rápido a fontes de informação,
sendo inserida em sua prática de educação de usuário a formação de competência
informacional para um usuário que demanda por informação em bases de dados
disponibilizadas pela biblioteca.
Ainda que a Internet seja o mecanismo mais divulgado no mundo contemporâneo
como forma de acesso à informação, a biblioteca universitária ainda goza de certo prestígio
por conter informação especializada a cada curso do âmbito da universidade. Isto indica que,
a biblioteca universitária pode ser considerada como um filtro de informação, visto que a

3512

�Internet por meio do google, a exemplo, fornece ao usuário uma revocação maior que sua
necessidade de informação útil, ao passo que ao se recorrer a uma base de dados específica
existente na biblioteca universitária, a revocação pode ser alta, porém a margem de
informação útil aumenta por estar em bases de dados especializadas.
Nessa perspectiva, a literatura científica especializada evolui a partir da geração de
pesquisas que se desenvolvem em determinada área do conhecimento e são responsáveis pelo
aparecimento de diversas formas de comunicação científica. Ao mesmo tempo em que
comunicam o conhecimento, essas diferentes formas de comunicação científica se constituem
em fontes de informação, ao serem utilizadas pela comunidade científica na construção de
novos conhecimentos.
Torna-se, assim, importante, conhecer as fontes de informação utilizadas por cientistas
e pesquisadores, pois, estas podem demonstrar as tendências de pesquisa e os rumos de
determinada área do conhecimento. Ao mesmo tempo, as unidades de informação carecem
conhecer as fontes de informação utilizadas por determinada clientela para que possam atingir
os objetivos de atender às necessidades de informação de seus usuários.
Consideramos que é uma tarefa imprescindível para as unidades de informação
conhecerem as práticas informacionais de seus usuários, o que justifica a realização da
pesquisa sobre o uso das fontes de informação pelos concluintes do Curso de Arquivologia,
pois, o uso dessas fontes configura-se numa prática informacional desses alunos, que,
potencialmente, são usuários da biblioteca universitária. Conforme Araújo (2001, p.32) as
práticas informacionais correspondem a "ações de recepção, geração e transferência da
informação que se desenvolvem através de circuitos comunicacionais".
Em sua estruturação, o presente texto está composto por essa introdução, uma breve
revisão da literatura sobre estudos de usuários e fontes de informação, os procedimentos
metodológicos, que contemplam a trajetória da pesquisa e o seu ambiente, que é o curso de
Arquivologia da UFPB, os resultados obtidos, interpretados sob uma abordagem quantiqualitativa e as conclusões alcançadas na pesquisa.

2 REVISANDO A LITERATURA: USUÁRIOS E FONTES DE INFORMAÇÃO
Os Estudos de Usuários são pesquisa desenvolvidas para investigar o que os
indivíduos necessitam em matéria de informação ou para conhecer se as necessidades
informacionais de usuários de uma determinada unidade de informação estão sendo satisfeitas
(FIGUEIREDO, 1994)

3513

�Conforme relatam Gasque e Costa (2010), as primeiras pesquisas no campo dos
Estudos de Usuários foram impulsionadas por dois eventos ocorridos após a década de 1940:
a Conferência de Informação Científica da Royal Society, em 1948, no Reino Unido e a
Conferência Internacional de Informação Cientifica, em 1958, nos Estados Unidos. As
discussões oriundas desses dois eventos despertaram a atenção dos seus participantes e da
comunidade internacional para a importância de tais estudos.
Inicialmente, os Estudos de Usuários desenvolveram-se a partir do comportamento do
público comum de bibliotecas públicas ou do uso das fontes de informação por cientistas. Ao
longo do tempo, os estudos evoluíram do foco do sistema para o usuário (CENDÓN; ROLIM,
2013).
Os Estudos de Usuários podem ser classificados em dois grandes grupos, que se
caracterizam conforme abordagem adotada. Os estudos da Abordagem Tradicional enfocam
os sistemas de informação (conteúdo e/ou tecnologia), enquanto que os da Abordagem
Alternativa são centrados no usuário da informação. A presente pesquisa se insere na
Abordagem Alternativa, pois, voltamos nossa atenção para o usuário como elemento central
dos sistemas de informação, daí a proposta de estudar as fontes de informação por eles
utilizadas.
Os estudos sobre fontes de informação estão inseridos na área da organização da
informação, ligada à Ciência da Informação e à Biblioteconomia. Tradicionalmente, nesses
estudos, predomina, o paradigma positivista e sob esse enfoque todos os documentos gerados
pelo sistema de comunicação científica são considerados fontes de informação.
A história das fontes de informação se mescla com a história das bibliografias que se
inicia na Antiguidade e se estende até os dias atuais, incluindo listas de manuscritos
(consideradas ancestrais da bibliografia), autobibliografias, além de repertórios impressos até
as bibliografias especializadas.
O conceito de fonte de informação é amplo e remete a inúmeros tipos de recursos
informacionais.

Conforme Cunha (2001, p. viii), o conceito de fonte de informação [...]

“pode abranger manuscritos e publicações impressas, além de objetos, como amostras
minerais, obras de arte ou peças museológicas” [...].
As formas de classificações das fontes variam conforme os objetivos propostos.
Mueller (2003) relata que as fontes produzidas, ao longo do processo de pesquisa, podem ser
classificadas como primárias, secundárias e terciárias. As fontes primárias são aquelas
produzidas com a interferência direta do autor da pesquisa e incluem relatórios técnicos, teses
e dissertações, patentes, normas técnicas, trabalhos apresentados em eventos científicos, como

3514

�congressos, conferências, simpósios, etc., e artigos científicos. As fontes secundárias surgem
para facilitar o uso do conhecimento disperso nas fontes primárias. Tais fontes apresentam a
informação filtrada e organizada. São as enciclopédias, os dicionários, os manuais, as tabelas,
as revisões de literatura, os tratados, certas monografias, os anuários, os livros-texto, entre
outras. As fontes terciárias servem para guiar os usuários para as fontes primárias e
secundárias e incluem as bibliografias, os serviços de indexação e de resumo, os guias de
literatura, os catálogos coletivos, os diretórios, etc.
Como toda classificação é arbitrária, existem autores que distinguem apenas fontes
primárias e secundárias. As primárias correspondem à literatura propriamente dita, e as
secundárias, aos serviços bibliográficos.
Os estudos desenvolvidos na década de 1980, no contexto das empresas e
organizações, contribuíram para o estabelecimento de novos critérios para a classificação das
fontes de informação em: fontes externas ou internas à organização, documentais e informais.
As fontes documentais compreendem documentos de várias naturezas, como livros,
periódicos, filmes, etc.; e as fontes informais emanam de contatos informais, conversas,
depoimentos, entrevistas, entre outras.
Outra forma de classificação das fontes surgiu a partir da explosão da informação e da
emergência do controle bibliográfico especializado. Surge então outra classificação: as fontes
de informação gerais e as fontes especializadas. As fontes gerais correspondem a obras que
incluem diversos assuntos, enquanto as fontes especializadas abrangem áreas de assuntos
específicas (CAMPELLO; MAGALHÃES, 1997).
As fontes de informação especializadas tiveram origem a partir do surgimento dos
grandes serviços bibliográficos, no final do século XIX e início do século XX, e abrangiam
grandes áreas de assunto, como Química, Engenharia, Zoologia e Medicina. Na atualidade,
esses serviços constituem empreendimentos comerciais, que atendem a uma clientela
específica, e apresentam serviços sob medida (CAMPELLO; MAGALHÃES, 1997).
A emergência da Internet possibilitou o aparecimento de inúmeras fontes de
informação que constituem produtos elaborados sob medida para atender a necessidades
específicas de usuários dos diversos segmentos sociais.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Os materiais utilizados para o desenvolvimento da pesquisa foram constituídos dos
Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos do Curso de Arquivologia da UFPB.

3515

�No que se refere à tipologia, a pesquisa realizada foi de cunho exploratório uma vez
que não tínhamos conhecimento sobre o uso de fontes de informações pelos alunos de
Arquivologia da UFPB e, conforme Richardson (2009, p.66) esse tipo de pesquisa ocorre
"quando não se tem informação sobre determinado tema e se deseja conhecer o fenômeno”.
Inicialmente, realizamos uma pesquisa bibliográfica, considerada por Marconi e
Lakatos (2007, p. 43), "um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo que
requer um tratamento científico e constitui-se no caminho para se conhecer a realidade ou
para descobrir verdades parciais". Essa pesquisa constou de um levantamento bibliográfico
sobre usuários e fontes de informação, para compor o aporte teórico do estudo.
Também realizamos uma pesquisa documental. Segundo Santos,
A pesquisa documental, é realizada em fontes como tabelas estatísticas,
cartas, pareceres, fotografias, atas, relatórios, obras originais de qualquer
natureza (pintura, escultura, desenho, etc.), notas, diários, projetos de lei,
ofícios, discursos, mapas, testamentos, inventários, informativos,
depoimentos orais e escritos, certidões, correspondência pessoal ou
comercial, documentos informativos arquivados em repartições públicas,
associações, igrejas, hospitais, sindicatos. (SANTOS, 2000).
A pesquisa documental correspondeu ao levantamento dos TCCs dos concluintes do
Curso de Graduação em Arquivologia da UFPB do período compreendido de 2011 a 2013 que
depositaram cópias dos seus trabalhos na Coordenação do referido Curso. Assim, o universo
da pesquisa correspondeu aos 12 TCCs depositados.
Ao encerrarem o Curso de Graduação em Arquivologia na UFPB os concluintes optam
por fazerem em seu TCC, um artigo científico, um projeto de pesquisa ou de intervenção em
arquivos ou uma monografia. Assim, no referido período, até a data do início da pesquisa,
foram depositados 12 TCCs, em formato de CD-ROM e impresso, os quais constituíram o
universo da pesquisa.
A partir da leitura dos trabalhos, realizamos uma análise das referências indicadas nos
TCCs para levantar as fontes de informação utilizadas pelos concluintes. A coleta de dados
ocorreu no mês de abril de 2014.
Para analisar as fontes de informação utilizadas pelos concluintes de Arquivologia,
optamos por uma abordagem quanti-qualitativa por entendermos que "a integração das
abordagens quantitativa e qualitativa permite que o pesquisador faça um cruzamento de suas
conclusões de modo a ter maior confiança que seus dados não são produto de um
procedimento específico ou de alguma situação particular" (GOLDENBERG, 2004, p. 62), o
que pode esclarecer melhor o fenômeno estudado.

3516

�Os procedimentos de análise incluíram a criação de categorias de análise sob a ótica da
Análise de Conteúdo de Bardin (BARDIN, 2010). Elegemos as seguintes categorias de
análise: tipologia, cronologia, idiomas e elite de autores das fontes de informação. Optamos
por apresentar os dados coletados através de tabelas, visando melhor compreensão dos
resultados obtidos na pesquisa.
3.1 O Curso de Arquivologia da UFPB
Antes de adentrar na análise das fontes de informação utilizadas pelos concluintes,
torna-se necessário fazer um breve histórico do Curso de Arquivologia da UFPB.
Tendo como premissa a formação do profissional arquivista, regulamentado
pela lei de n° 6.546/1978, o Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da
Paraíba - UFPB, nasce a partir do Programa de Expansão das Universidades Federais REUNI, lançado pelo Governo Federal no ano de 2007. Assim, o curso de Arquivologia foi
criado na modalidade de Bacharelado, sendo este vinculado ao Departamento de Ciência da
Informação - DCI da UFPB, através da Resolução 42/2008.
O curso é constituído por 184 créditos, integralizado uma carga horária de 2.760
horas-aula, oferecido no turno noturno, tendo duração mínima de 5 e máximo de 8 anos para a
formação profissional.
A primeira turma do curso de Arquivologia teve entrada no segundo semestre do ano
de 2008. A aula foi celebrada pelo professor Armando Malheiros, a convite do Departamento
de Ciência da Informação da UFPB, sendo proferido no dia 29 de novembro de 2008. Os
primeiros graduados da turma pioneira formaram-se no ano de 2013, embora alguns alunos
tenham antecipado seus TCCs por motivo de abreviação do curso.
O curso surge como o intuito de formar profissionais para atuarem nos arquivos, nas
mais diversas atividades, sendo a mais destacada a gestão de documentos. Conforme consta
do Projeto Político Pedagógico do Curso de Arquivologia da UFPB (UNIVERSIDADE...,
2008, p. 9), esta atividade visa:
[...] garantir que a informação esteja disponível quando e onde seja
necessária a organização e aos cidadãos; assegurar a eliminação [de
documentos] que não tenham valor administrativo fiscal e legal; assegurar o
uso adequado do gerenciamento eletrônico da informação; contribuir para o
acesso e preservação dos documentos de caráter permanente.

Portanto, para que estes objetivos possam se fundamentar o curso em pauta
contempla em sua grade curricular,

3517

�[...] conteúdos básicos profissionais e complementares a fim de formar uma
estrutura programática que permita ao aluno uma formação que lhe dê
condições de fazer opções diferenciadas para mundo do trabalho. (FREIRE;
SILVA, 2013, p. 36)

Contudo, a criação do Curso de Arquivologia da UFPB, mostra em sua estrutura
curricular componentes que se conectam, se interligam, no intuito de apresentar aos
acadêmicos contextos e características de cunho social, através da vivência e das práticas
arquivísticas atuais, tendo como premissa a qualificação do profissional arquivista.

4 RESULTADOS FINAIS
A partir da análise dos trabalhos que foram depositados na Coordenação do Curso de
Arquivologia, realizamos um levantamento dos títulos dos TCC e seus respectivos autores,
conforme consta do Quadro1, a seguir:
Quadro 1: Relação dos Concluintes e seus respectivos TCC
1

CONCLUINTE
NASCIMENTO, M.S.

2

RODRIGUES, S.F.

3

SANTOS, J.L.

4

SIQUEIRA NETO, W.

5
6

SOUZA, V.A.A.
TAVARES, D.W.S.

7

ARAÚJO, R.M.G.

8

OLIVEIRA, J.T.R.

9

BANDEIRA, P.M.

10

LEITE, J.R.

11

MEDEIROS, S.R.S.D.

12

SOUSA, D.E.L.

TÍTULO DO TCC
Os profissionais de arquivo de instituição federal de
ensino superior: uma análise do perfil dos arquivistas e
técnicos de arquivo atuantes na UFPB Campus I- João
Pessoa.
Arquivo privado condominial: análise a partir da
aplicação prática de um plano de gestão documental no
Residencial Parque dos Ipês- PB.
A segurança da informação em acervos arquivísticos:
estudo de caso no Arquivo Geral da Pró-Reitoria
Administrativa da Universidade Federal da Paraíba.
Legislação arquivística: um estudo sobre as fontes do
direito arquivístico.
Arion Farias: retrato de um acervo privado pessoal.
A miopia do olhar: representações sociais dos alunos de
Arquivologia e Biblioteconomia da UFPB a respeito do
Curso de Arquivologia e da profissão arquivística.
A gestão da informação arquivística em ambientes
públicos e sua adaptação à Lei 12.527/2011: um olhar
sobre os arquivos das atividades meios e fins dos
hospitais públicos municipais de João Pessoa.
Gestão documental: proposta de implantação na
Secretaria de Administração do Ministério da Fazenda
na Paraíba/SAMF-PB.
O caso da editoração da PBCIB: um olhar do arquivista
sobre a editoração científica.
Práticas arquivísticas como estratégias de organização
de prontuários pertencentes à Unidade de Saúde da
Família Água Fria da cidade de João Pessoa.
Instituições arquivísticas: propostas de ações educativas
na Fundação Casa de José Américo e no Arquivo
Afonso Pereira na cidade de João Pessoa- PB
A cosmologia das águias: entre átomos e bits.

Natureza
Monografia

Monografia

Monografia

Monografia
Monografia
Monografia

Projeto

Projeto

Artigo
Artigo

Artigo

Artigo

Fonte: Dados da pesquisa

3518

�A análise do Quadro 1, revela que a maioria dos concluintes de Arquivologia optou
por realizar em seu trabalho de conclusão de curso uma monografia. Isto indica que, mesmo
tendo outras opções, a monografia ainda é o trabalho de conclusão de curso que mais
representa a conclusão de uma jornada de um curso superior. O artigo ficou em segundo
lugar, revelando que a opção pelo artigo se dá pela rapidez, visto que sua estrutura em
extensão é menor que a monografia. Observamos que isto ocorreu pelo fato de a alguns
alunos terem abreviado o curso, sobretudo, devido à exiguidade do tempo disponível ao aluno
para conclusão das tarefas peculiares a esse momento acadêmico. O trabalhos em forma de
projeto podem revelar uma atuação no campo de trabalho, em que há um aproveitamento da
experiência em instituições que já se constituem ambiente de prática do concluinte.
No que se refere aos temas tratados nos TCCs, estes foram muito variados, dentre
quais podemos destacar: Perfil do profissional arquivista; Gestão documental em arquivo
privado; Segurança da informação em acervos; Fontes do direito arquivístico; Arquivo
privado pessoal; Perspectiva dos alunos sobre o curso de Arquivologia; Lei de Acesso à
Informação; Gestão de documentos em arquivo público; Editoração científica; Práticas
arquivísticas; Educação patrimonial e Tecnologia da informação.

5.1 Fontes de informação utilizadas pelos concluintes
A análise das referências apresentadas nos TCCs revelou a presença de uma tipologia
diversificada de fontes de informação utilizadas pelos concluintes do Curso de Arquivologia
da UFPB. A Tabela 1, a seguir, apresenta os diversos tipos de fontes de informação e os
respectivos percentuais correspondentes.
Tabela 1: Tipologia das fontes de informação utilizadas
TIPO DE FONTE
Livros
Artigos de periódicos
Leis e decretos
Internet
Anais de eventos
Dissertações
Dicionários
Monografias
Teses
Outros
TOTAL

NÚMERO
147
49
42
42
20
10
7
5
3
13
338

PERCENTUAL
43,5%
14,5%
12,4%
12,4%
6,0%
3,0%
2,0%
1,5%
0,9%
3,8%
100%

Fonte: Dados da pesquisa 2014

3519

�Os dados apresentados na Tabela 1, revelam que, embora estejamos em uma
Sociedade da Informação em grande parte devido à facilidade de acesso à informação por
meio eletrônico, a maior parte das fontes de pesquisa que os alunos recorreram correspondeu
aos livros, com 43,5%. Observamos na pesquisa que a maioria desses livros estão em formato
impresso, ou seja, a opção dos alunos ainda se concentra em um fonte de informação formal
e, também, pode ser considerada um ponto tradicional na busca por informação.
O artigo de periódico como fonte de informação foi usado por 14,5% dos alunos,
sendo esta uma fonte de informação primária, de acesso fácil devido ao advento do periódico
eletrônico.
Sendo um curso que se utiliza em sua prática profissional de uma estrutura legal, as
fontes de legislação foram contempladas com 12,4% de uso para a construção dos Trabalhos
de Conclusão de Curso. Com o mesmo percentual de legislação, o uso das fontes identificadas
como sendo de Internet correspondeu a 12,4%, atingindo ambos os tipos de fontes o terceiro
lugar de uso pelos alunos do Curso de Arquivologia.
Os anais de eventos (congressos, seminários, simpósios, etc) alcançaram o percentual
de 6%, revelando o uso da literatura cinzenta, e a credibilidade que a mesma apresenta para
compor um trabalho com uma metodologia científica.
Percentuais menores alcançaram as teses (0,9%), dissertações (3,0%) e monografias
(1,5%). Inferimos que estes resultados tenham ocorrido devido ao Curso de Arquivologia ser
novo e ainda não haver um acervo dessas fontes (dissertações e teses). Contudo, vale ressaltar
a existência e disponibilidade na Internet da Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD)
do Instituto Brasileiro de Informação Ciência e Tecnologia (IBICT). Supomos que o que pode
ocorrer é o desconhecimento, por parte dos concluintes, da disponibilidade dessa importante
fonte de informação para o desenvolvimento dos trabalhos de acadêmicos.
Ainda que pareça uma margem percentual baixa de uso, os dicionários representam
2% das fontes utilizadas pelos concluintes. A interpretação desse dado quantitativo é que há
um uso significativo dessa fonte de informação, pois há uma busca pelos significados dos
termos técnicos da área de Arquivologia que ajudam a esclarecer o conteúdo que foi
desenvolvido.
Outras tipologias de fontes de informação aprecem com um percentual de 3,8%. Este
dado mostra que há um uso de fontes primárias como: atas, regimento, editais e diagnósticos.
Mas também foram usados tabela de temporalidade, apostila (texto) e normas técnicas.

3520

�5.2 Elite de autores
A partir dos dados coletados na pesquisa elencamos os autores mais citados nos
Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos do Curso de Arquivologia. A Tabela 2,
apresenta a seguir os autores por ordem dos mais citados:

Tabela 2: Elite de autores
AUTOR
BELLOTTO, H.L.
PAES, M.L.
LOPES, L.C.
ROUSSEAU, J.; COUTURE, C.
SCHELENBERG, T.R.
ARQUIVO NACIONAL
DUARTE, Z.
GIL, A.C.
CONARQ
JARDIM, J.M.
LE GOFF,
MARQUES, A.A.C.
SÁ-SILVA, J.R.; ALMEIDA,C.D.;GUINDANI, J.F.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
DEMAIS AUTORES (1= 0,29%)
TOTAL

NÚMERO
7
6
4
4
4
3
3
3
2
2
2
2
2
2
292
338

PORCENTAGEM
2,0%
1,7%
1,2%
1,2%
1,2%
0,9%
0,9%
0,9%
0,6%
0,6%
0,6%
0,6%
0,6%
0,6%
86,4%
100%

Fonte: Dados da pesquisa 2014

Conforme dados apresentados na Tabela 2, dentre as 338 referências apresentadas nos
TCCs dos alunos de Arquivologia, 292 autores foram citados apenas uma vez, o que
correspondeu a 0,2% das citações.

A pesquisa apontou Heloísa Liberalli Bellotto como

autora mais citada, tendo sido referenciada sete vezes (2,0%) dentre o total dos trabalhos
pesquisados. A autora aborda temáticas sobre linguagens documentárias e questões inerentes
a gestão de arquivos permanentes, assim, é bastante utilizada uma vez que as temáticas de
pesquisa dos alunos de Arquivologia estão direcionadas em sua maioria, para aplicação das
práticas arquivísticas, especificamente a gestão dos documentos arquivísticos. Em segundo
lugar, apareceu Marilena Leite Paes, referenciada seis vezes (1,7%). A citada autora aborda
questões sobre a Arquivologia, enfocando a teoria e a prática arquivística através de uma
linguagem concisa e fácil de ser compreendida. Já o autores Luiz Carlos Lopes, Jean-Yves
Rousseau e Carol Couture, Theodore R. Schellenberg, citados quatros vezes cada (1,2%),
referenciam em suas obras assuntos sobre a moderna arquivística administrativa, discorre
sobre a importância da avaliação dos documentos, bem como, a importância de se constituir
uma arquivística integrada, respectivamente. O Arquivo Nacional e a autora Zeny Duarte,

3521

�citados três vezes (0,9%), são reportados respectivamente, o primeiro por trazer em seu
dicionário de descrição arquivística termos e conceitos utilizados na área, o que facilita o
entendimento do pesquisador, por se tratar de uma fonte específica. Sendo a autora citada em
trabalhos cujas temáticas são direcionada à preservação de acervos documentais, bem como,
arquivos de família e pessoal. Os autores citados duas vezes (0,6%), são fontes tidas como
complementares por tratarem de assuntos específicos da arquivística, a exemplo do Conselho
Nacional de Arquivos (CONARQ), que propõe diretrizes para os arquivos e o autor José
Maria Jardim, que elenca em seus estudos e publicações temáticas focadas na gestão e
políticas de arquivos e interdisciplinares como Jacques Le Goff, Jackson Ronie Sá-Silva,
Cristovão Domingos de Almeida e Joel Felipe Guindani, que tratam sobre pesquisa
documental.
Cada área do conhecimento possui sua elite de autores que representa os principais
teóricos daquele campo do saber. Reconhecidamente, "o capital científico possui sua lei
própria de acumulação, sendo normalmente adquirido pela produção científica reconhecida
para o progresso da ciência e legitimada como importante para os agentes científicos"(CAFÉ
et al., 2011, p. 21). Assim, ressaltamos a importância da elite de autores identificada na
pesquisa. Essa elite é reconhecida nessa área do conhecimento não apenas pela quantidade de
suas publicações científicas, mas, sobretudo, por suas ligações a grupos de pesquisas e
instituições de ensino.

5.3 Cronologia das fontes de informação
Conforme as datas em que foram publicadas as fontes de informação, utilizadas pelos
concluintes do Curso de Arquivologia da UFPB, estão distribuídas na Tabela 3, a seguir:

Tabela 3: Cronologia das fontes de informação
PERÍODO
1920-1929
1930-1939
1940-1949
1950-1959
1960-1969
1970-1979
1980-1989
1990-1999
2000-2009
2010TOTAL

NÚMERO
1
2
3
0
4
9
13
67
168
71
338

PERCENTUAL
0,3%
0,6%
0,9%
0%
1,2%
2,7%
3,8%
19,8%
49,7%
21,0%
100%

Fonte: Dados da pesquisa 2014

3522

�A Tabela 3 apresenta a cronologia das fontes de informação usadas pelos alunos de
Arquivologia. No que se refere às data de publicação das fontes de informação, a maioria dos
concluintes utilizou o maior número de fontes de informação referentes ao período de 2000 a
2009 (49,7%) e ao período de 2010 à atualidade (21,0%).

Estes dados demonstram a

preocupação dos alunos em utilizarem literatura recente. Percebemos que as fontes citadas
pelos alunos referentes aos períodos mais antigos (1920-1929, 1930-1939 e 1940-1949)
atingiram percentuais menores de citação (0,3%, 0,6% e 0,9%, respectivamente) e
constituem-se em fontes legislativas, tais como Leis e Decretos. Também constatamos que
não ocorreu nenhuma citação referente ao período de 1950-1959.
5.4

No que refere aos idiomas utilizados pelos alunos do Curso de Arquivologia na

composição de seus TCCs, os resultados da pesquisa são apresentados na Tabela 4, a seguir:

Tabela 4. Idiomas das fontes consultadas
IDIOMA
Português
Inglês
Francês
Espanhol
Total

QUANTIDADE
331
4
2
1
338

PORCENTAGEM
97,9
1,2
0,6
0,3
100

Fonte: Dados da pesquisa 2014

A pesquisa identificou que a maioria dos concluintes usa como idioma a língua
vernácula, em seguida está a língua inglesa com um insignificante 1,18%. O francês e o
espanhol têm um uso quase nulo (0,6% e 0,3%, respectivamente). Inferimos que os alunos
ainda não dominam as línguas estrangeiras.Fica evidente a barreira linguística, visto que, é
fato pela experiência em sala de aula que os alunos não são versados em idiomas, embora
haja o esforço atual de uma ação governamental com o “inglês sem fronteiras” em dotar o
aluno brasileiro de uma segunda língua, neste caso específico a língua inglesa (BRASIL,
2013). Este problema não se reflete apenas em TCCs, mas segue adiante com a produção
científica brasileira tendo pouca abrangência internacional, porque é publicada, em sua
maioria, em língua portuguesa enquanto o idioma adotado na ciência mundial é o inglês
(PACKER, 2011).

3523

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa desenvolvida para investigar as fontes de informação utilizadas pelos
alunos concluintes do Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da
Paraíba, demonstrou que os alunos utilizaram uma grande variedade de fontes de informação
na construção dos seus TCCs. Certamente, que essa variedade de fontes utilizadas ocorreu em
consequência da grande diversidade de temas abordados nos trabalhos dos alunos.
Embora as fontes de informação utilizadas pelos alunos de Arquivologia sejam em sua
maioria pertencentes ao século XXI, em que há predominância da Internet para o acesso e uso
da informação, o livro impresso ainda detêm um grande prestígio por parte dos alunos de
Arquivologia, pois elegeram essa fonte de informação como a mais utilizada para uma nova
geração de informação científica.
As fontes utilizadas, em sua maioria, são recentes do que inferimos a preocupação dos
concluintes em utilizar literatura atualizada. No que concerne aos idiomas das fontes
utilizadas pelos alunos, a maioria é a língua portuguesa. Inferimos que isso se deve ao fato
deste idioma ser a língua pátria. Quanto aos autores mais citados, estes são os mais indicados
em sala de aula no Curso de Arquivologia da UFPB, apontando de certa forma que serão os
mais utilizados pelos alunos em suas pesquisas, visto que, estes autores são os mais
explorados e referenciados no contexto acadêmico arquivístico. No Brasil, a Arquivologia
ainda é uma área com publicações específicas incipiente, ocasionado falta de materiais no
levantamento das fontes.
A realização da pesquisa deixa claro a importância da biblioteca universitária
conhecer que tipos de fontes de informação são utilizados por seus usuários potenciais, pois
isto pode revelar as suas necessidades de informação. E, certamente, para que a biblioteca
realize a gestão de suas coleções, de forma eficaz, torna-se necessário conhecer o que seus
usuários necessitam para, a partir daí, prover o seu acervo, de forma a atender às reais
necessidades da comunidade universitária.
Recomendamos que a biblioteca universitária conheça seus usuários potenciais por
meio da realização de outras pesquisas que possam demonstrar o uso e o interesse de seus
usuários potenciais, indo além da área de Arquivologia, mas, também, abrangendo outras
áreas do conhecimento, para que a biblioteca possa realizar a contento as suas funções de
mantenedora de recursos informacionais de excelência.

3524

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3526

�</text>
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                <text>Visando colaborar com a biblioteca universitária no conhecimento das necessidades informacionais de seus usuários potenciais, realizou-se uma pesquisa de cunho exploratório com o objetivo investigar o uso das fontes de informação utilizadas pelos alunos concluintes do Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da Paraíba, do período de 2011 a 2013. A metodologia incluiu uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa documental, que abrangeu a análise das referências dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) dos alunos. Para a análise dos dados adotou-se uma abordagem quanti-qualitativa. Os resultados da pesquisa apontam para o uso diversificado de fontes de informação, com ênfase na língua portuguesa e cronologia recente. O tipo de fonte de informação mais utilizado pelos concluintes foram os livros, os quais fundamentam as ideias abordadas nos TCCs. O segundo tipo de fonte mais utilizado foram os artigos de periódicos que, embora tenham uma relativa vantagem em relação aos livros, devido a uma expressiva quantidade apresentada em formato eletrônico, não superaram os livros em formato impresso. A Internet e a legislação foram outras tipologias muito usadas, revelando que o curso emprega uma base conceitual baseada em legislação.Também foram utilizadas: teses, dissertações, monografias e dicionários especializados em Arquivologia. Outros tipos de fontes de informação como tabelas de temporalidade, atas, regimentos, normas técnicas, editais, diagnósticos, apostilas (textos), etc. também estavam presentes, mas em menor proporção. Conclui-se que, embora a Internet seja um recurso muito difundido nos dias atuais, os livros impressos constituem a fonte de informação mais utilizada pelos alunos de Arquivologia.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A ENTREVISTA DE REFERÊNCIA COMO ATIVIDADE HUMANA, TÉCNICA E
TECNOLOGIA

Fabiana Pereira Santos
Lucilia Regina de Souza Machado

RESUMO
O artigo discorre sobre a atividade "entrevista de referência". Ela é,realizada por
bibliotecários de referência para descobrir as reais necessidades de usuários. O artigo está
dividido em cinco partes. A "Introdução" discute a atividade humana como elemento
propulsor do desenvolvimento das técnicas e utensílios do homem. Aborda a questão do
utensílio mais importante para produção das técnicas: o corpo. Fala ainda sobre tecnologia e
trabalho. A segunda parte, "Linguagem de especialidade", fala sobre trabalho e necessidade
de desenvolvimento de linguagens específicas para este meio. A terceira parte aborda a área
da biblioteconomia, mais especificamente o campo do "serviço de referência" e alguns termos
específicos do mesmo. A quarta parte discorre sobre a técnica "entrevista de referência", suas
potencialidades e desafios. Na quinta parte estão as considerações finais, que enfatizam a
questão do corpo como o mais importante utensílio para a "entrevista de referência", bem
como para todas as técnicas.

PALAVRAS-CHAVE: Atividade humana, técnica, tecnologia, trabalho, entrevista de
referência
ABSTRACT
The article discusses the activity " reference interview " . It is performed by reference
librarians to discover the real needs of users. The article is divided into five parts . The "
Introduction " discusses human activity as part of the propellant development of techniques
and tools of man . Addresses the question of the most important techniques for the production
of utensil : the body . Also talks about technology and work. The second part , " Language
expertise " , talks about work and need to develop specific language for this medium . The
third part covers the area of librarianship , specifically the field of " referral service " and
some specific terms thereof. The fourth part discusses the technique " reference interview " ,
their strengths and challenges . In the fifth part are the final considerations that emphasize the
issue of the body as the most important means for the " reference interview " as well as for all
techniques .

KEYWORDS : Human activity , technique, technology , work, reference interview

1897

�1 INTRODUÇÃO
Desde os primórdios os animais satisfazem suas necessidades mais primitivas por
meio da busca incessante por calor, abrigo e alimento. O homem se diferencia de todos os
outros animais da terra, pois além de buscar por satisfação de suas necessidades ainda
modifica a natureza para seu usufru. Engels (1876, p. 13) afirma que

[...] só o que podem fazer os animais é utilizar a natureza e modificá-la pelo
mero fato de sua presença nela. O homem, ao contrário, modifica a natureza e
a obriga a servir-lhe, domina-a. E aí está, em última análise, a diferença
essencial entre o homem e os demais animais, diferença que, mais uma vez,
resulta do trabalho.
O homem para ser um animal social precisou do desenvolvimento de certas
habilidades e capacidades para comunicação. A procura por um maior conforto, a busca pelo
progresso ou simples vontade de ganhar dinheiro, faz com que o ser humano realoque os
recursos naturais e transforme as configurações do ambiente em que vive. O desenvolvimento
das atividades foi o que transformou o homem em ser humano.
A atividade humana é impelida pela necessidade do homem de ser e estar naquele
ambiente. Campos (2000, p. 26) afirma que

O termo atividade no seu sentido habitual refere-se à situação de uma pessoa
que exerce uma função, um trabalho. Designa também o conjunto de atos
coordenados e de trabalhos do ser humano e o conjunto de fenômenos
psíquicos e fisiológicos correspondentes aos atos. É a atividade que possibilita
a existência do ser humano. Dela decorrem sua formação e seu
desenvolvimento, a constituição de sua individualidade e de sua
personalidade. A atividade humana ocorre no contexto das relações sociais e
da produção social.
Para o desenvolvimento das atividades humanas, o homem aprimorou técnicas,
instrumentos e objetos para melhor desempenhar funções. O que por algum tempo passou
despercebido foi o instrumento mais importante e fundamental para o sucesso das técnicas: o
corpo. Mauss (2003, p. 407) afirma "Todos cometemos, e cometi durante muitos anos, o erro
fundamental de só considerar técnica quando há instrumento." Para ele, antes das técnicas dos
instrumentos existem as técnicas do corpo (corpo como primeiro passo para entender a
complexidade). O corpo é um meio técnico, é o primeiro e mais natural instrumento do
homem.
Além do corpo, a cultura também exerce grande influência nas técnicas e nos
utensílios, mesmo porque, de acordo com Mauss (2003), o meio transforma o corpo. O estar

1898

�inserido na sociedade faz a construção do sujeito. Mauss (2003, p. 404) ainda afirma que "A
posição dos braços e das mãos enquanto se anda é uma idiossincrasia social, e não
simplesmente um produto de não sei que arranjos e mecanismos puramente individuais, quase
inteiramente psíquicos".
Os utensílios são mais que meras ferramentas, eles fazem parte e decorrem da cultura
e dos modos temporais nos quais estão inseridos. Para Cresswell (1989, p. 4)
podemos então definir utensílio, de uma vez por todas, como um instrumento
que permite realizar uma acção (a transformação de uma matéria) que o
homem não quer ou não pode executar utilizando apenas a sua própria força
ou o seu próprio corpo.
Não é possível falar do utensílio e técnica sem contextualizá-los com determinado
meio social, pois a evolução, desenvolvimento e utilização dos mesmos se processam neste
contexto. Para Couto (2007, p. 7)
A evolução técnica de um objeto não diz respeito apenas ao funcionamento do
próprio objeto, mas aos diversos modos como ele se insere e se naturaliza na
cultura. Por conseqüência, a evolução técnica não diz respeito apenas ao
aperfeiçoamento dos objetos, mas ao modo como humanamente nos
relacionamos e nos modificamos a partir dele.
Esse processo é uma via de mão dupla. A cultura e o meio em que vive o homem
alteram suas formas de ver e pensar o utensílio e a técnica. Ao mesmo tempo, a técnica e a
utilização dos utensílios também modificam e influenciam os modos de viver e pensar do
homem. Segundo Couto (2007, p. 2),
A evolução social do homem se confunde com as tecnologias desenvolvidas e
empregadas em cada época. Isto quer dizer que a história do homem coincide
com a história da técnica e que sem as ferramentas e os saberes que as
tornaram possíveis não existimos. Nesse sentido, pode-se dizer que a técnica
não se opõe ao homem, é a própria essência do homem.
Para evolução e desenvolvimento os homens têm se utilizado das tecnologias para sua
sobrevivência e aumento de conforto no mundo. A tecnologia é vista como ciência das
atividades humanas. Para Sadala; Machado (2000, p. 322) tecnologia

[...] é descrita como meio pelo qual se realizam as atividades humanas.
Enquanto meio, pode-se registrar sua ocorrência nos primórdios da
humanidade, desde o uso da pedra como instrumento de trabalho na préhistória e o emprego de diversos metais na antiguidade. Para
HAUDRICOURT (1964) ela é mais que meio, é entendida como ato humano,
ou melhor, como o estudo do conjunto de atos tradicionalmente eficazes.

1899

�Dessa forma, com as técnicas, os utensílios, a tecnologia e a necessidade do homem no
seu contexto cultural vem à tona a necessidade de se falar sobre o trabalho e evolução
tecnológica. O trabalho, inicialmente com objetivo de subsistência tornou-se fundamental
para o desenvolvimento do homem. Para Engels (1876, p. 1.)

trabalho é a fonte de toda riqueza, afirmam os economistas Assim é, com
efeito, ao lado da natureza, encarregada de fornecer os materiais que ele
converte em riqueza. O trabalho, porém, é muitíssimo mais do que isso. É a
condição básica e fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até
certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem.
Por meio do trabalho e intervenções humanas ocorreu o desenvolvimento tecnológico
e o homem começou a subjugar o outro e explorar sua força de trabalho. Para Engels (1876, p.
18)
Todas as formas mais elevadas de produção que vieram depois conduziram à
divisão da população em classes diferentes e, portanto, no antagonismo entre
as classes dominantes e as classes oprimidas. Em conseqüência, os interesses
das classes dominantes converteram-se no elemento propulsor da produção,
enquanto esta não se limitava a manter, bem ou mal, a mísera existência dos
oprimidos.
O trabalho e o desenvolvimento científico e tecnológico propiciaram também novas
formas de comunicação e linguagem.

2 LINGUAGEM DE ESPECIALIDADE
O desenvolvimento do homem enquanto ser social foi influenciado pela possibilidade
e capacidade de comunicação. A necessidade de comunicação fez com que o homem
desenvolvesse a mais complexa de todas as ferramentas: a linguagem. A linguagem foi o
meio encontrado para transmitir ideias, comportamento, sentimentos etc. Para Engels (1876,
p. 5)
Em resumo, os homens em formação chegaram a um ponto em que tiveram
necessidade de dizer 'algo’ uns aos outros. A necessidade criou o órgão: a
laringe pouco desenvolvida do macaco foi-se transformando, lenta mas
firmemente, mediante modulações que produziam por sua vez modulações
mais perfeitas, enquanto os órgãos da boca aprendiam pouco a pouco a
pronunciar um som articulado após outro.
Com o desenvolver das relações entre os homens e o avanço da necessidade de
expressão a linguagem também foi se desenvolvendo, assim pode-se dizer que existem
diversos tipos de linguagem: corporal, falada, escrita etc. Nesse contexto, conforme cita Gil

1900

�(2003, p. 113) "efetivamente, com as novas técnicas e o avanço da(s) Ciência(s) surgem
novos vocábulos e diversificam-se as chamadas línguas de especialidade'".
A criação e descobrimento de novas teorias e produtos demandam a criação de novos
termos e conceitos. Assim, as línguas de especialidades se tornam fundamentais para explicálos, bem como para tornar possível a comunicação entre os teóricos da área. Para Gil (2003,
p. 115)
o conceito de ‘línguas de especialidade' é ainda associado a ‘domínios de
experiência' uma designação de caráter genérico que se refere aos laços que
indivíduos de uma mesma comunidade lingüística estabelecem com o mundo
que os rodeia e a sociedade em que estão integrados.
[...] Os campos da experiência referem-se às profissões e são estranhos aos
indivíduos que não exercem a mesma profissão ou que não estejam de algum
modo ligados a ela.
A biblioteconomia, campo do conhecimento que trabalha com o tratamento e
disseminação da informação, possui vários vocábulos específicos utilizados em contextos
profissionais. Muitas vezes, somente profissionais da área entendem as especificidades desses
vocábulos.
A "entrevista de referência", dentro do campo do serviço de referência, é a atividade
de conseguir que o usuário fale e que o bibliotecário entenda suas necessidades
informacionais. Trata-se de descobrir o que o indivíduo busca e mostrar o melhor caminho
para que ele encontre a informação.
É perceptível a necessidade de conhecimento do campo para se entender alguns
processos e vocábulos, bem como são imprescindíveis esses jargões para delimitar e definir
determinadas técnicas feitas na área. Para melhor explicar é fundamental falar sobre o campo
do "serviço de referência" e suas especificidades para entender a real necessidade e
importância da "entrevista de referência" para o usuário de uma unidade de informação.

3 SERVIÇO DE REFERÊNCIA
De acordo com Figueiredo (1992), historicamente, pode-se afirmar que a primeira
alusão aos serviços de referência ou auxílio ao leitor ocorreu durante a célebre primeira
conferência da American Library Association em 1876, quando Samuel Sweet Green
mencionou a relevância do auxílio aos leitores em relação ao uso de coleções, a função
educativa da biblioteca e a emancipação do profissional da informação inserido nos novos
padrões do conhecimento.

1901

�Vários foram os esforços e tentativas para definir o trabalho de referência de uma
biblioteca, porém muitas definições são vastas ou específicas demais. De acordo com
Hutchins (1973, p. 3),

[...] todos os esforços para definir trabalho de referência têm-se constituído
antes em determinações do principal objetivo do que verdadeiramente em
definições de conteúdo e finalidade das atividades de referência.
De acordo com Litton (1975, p. 3), o serviço de referência foi definido
tradicionalmente
[...] como a parte da biblioteca que trata do uso dos livros na sala de leitura,
em oposição ao empréstimo domiciliar. Pode-se defini-lo também como ajuda
que se presta a quem realiza estudos, qualquer que seja o assunto ou a natureza
dos mesmos. Outros tem-no interpretado como o serviço que o bibliotecário
presta para ajudar ou facilitar toda espécie de estudos ou pesquisas. Outra
definição diz que é a parte da administração que se encarrega de facilitar aos
leitores o exame das fontes de informação.
Porém, o próprio autor não acredita na veracidade de todas, afirmando que nem todas
as definições são hoje totalmente adequadas. Acreditando que o serviço de referência engloba
muito mais funções do que as descritas, Litton (1975, p. 4) ainda cita que selecionar e
organizar as fontes de informação constitui uma fase tão importante do trabalho do
bibliotecário como o seu relacionamento direto com o leitor.
Para Maciel; Mendonça e Huguenin (2000, p. 33) apud Mendonça (2006, p. 230),
serviço de referência
[...] compreende todas as atividades voltadas, direta e indiretamente, à
prestação de serviços ao usuário. Inclui a divulgação de informações gerais
sobre a biblioteca [...] assim como as específicas voltadas para um segmento
específico. Promove o uso dos sistemas e de seus recursos e, para isso
desenvolve atividades de treinamento pessoal de clientes na utilização do
acervo, catálogos, bases e o acesso às bibliotecas virtuais.
O trabalho de referência inclui a assistência direta e pessoal dentro da biblioteca às
pessoas que buscam informações para qualquer finalidade, e também as diversas atividades
biblioteconômicas destinadas a tornar a informação tão acessível quanto seja possível.
O serviço de referência não é apenas constituído de atendimento ao usuário, essa é
apenas uma das etapas do trabalho de um bibliotecário que atua no setor de referência de uma
biblioteca. O atendimento ao usuário é a etapa final, pois para que ele aconteça é necessário
que haja seleção, aquisição e organização dos materiais informacionais. De acordo com
Hutchins (1973, p. 4),

1902

�A seleção e organização de materiais com este fim em vista é uma parte tão
importante do trabalho de referência quanto sua interpretação para o leitor
individual. É a força motriz sem o qual o alvo não pode ser atingido. Para
obter um serviço de referência eficiente, a administração da biblioteca precisa
supri-lo tanto com os necessários livros e instalações quanto com uma equipe
treinada em seu manuseio.
Um dos grandes desafios para as bibliotecas de todo mundo é o serviço de referência,
visto como uma das atividades principais do fazer bibliotecário. O conhecimento de
instrumentos bibliográficos, as habilidades interpessoais com o usuário, a seleção e avaliação,
a condução da "entrevista de referência" e o oferecimento e criação de guias de leitura são
práticas desse fazer profissional tão importante para o dia a dia de pesquisadores, docentes e
estudantes.
Pode-se dizer que o serviço de referência compõe-se principalmente de duas variáveis:
atitude do profissional no instante da entrevista e o produto derivado da necessidade
apresentada pelo usuário. É daí que se originam todos os outros produtos e serviços
relacionados ao serviço de referência.
É muito comum também se referir à função principal do serviço de referência como a
de dar acesso à informação. Isso pode ser interpretado da seguinte forma: fazer com que o
usuário encontre a informação desejada, ou seja, satisfazer as necessidades do usuário.
Para se ter conhecimento sobre as reais necessidades dos usuários em unidades de
informação é fundamental que ocorra a "entrevista de referência". Durante esse processo é
possível que aconteça a orientação sobre a recuperação e uso das fontes de informação.

4 ENTREVISTA DE REFERÊNCIA
A "entrevista de referência" é uma técnica de fundamental importância para o
desenvolvimento das atividades dos bibliotecários, bem como para o encontro de soluções
dentro do universo de informações disponíveis atualmente. Ela é uma técnica do serviço de
referência que para Grogan (1995, p. 22) "trata-se de uma atividade essencialmente humana,
que atende a uma das necessidades mais profundamente arraigada da espécie que é o desejo
de conhecer e compreender".
A "entrevista de referência" é uma técnica humana realizada por bibliotecários de
referência, esta técnica envolve instrumentos, porém o que mais se percebe importante é o
corpo, seu movimento e sua apresentação. Mauss (2003, p. 407) ao falar sobre o corpo e as
técnicas afirma que

1903

�Nessas condições, cabe dizer simplesmente: estamos lidando com técnicas do
corpo. O corpo é o primeiro e o mais natural instrumento do homem. Ou, mais
exatamente, sem falar de instrumento: o primeiro e mais natural objeto
técnico, e ao mesmo tempo meio técnico, do homem é o seu corpo.
A "entrevista de referência" é uma técnica utilizada desde os primeiros ditos
intermediadores de informação ou mesmo guardadores dos documentos, até os modernos
profissionais da informação, incluídos os bibliotecários. É uma técnica de grande importância
para todos os utilizadores de unidades de informação e usuários que necessitam de alguma
fonte ou informação específica, bem como para os consulentes que precisam de informações
gerais. Mauss (2003, p. 407) considera
[...] técnica como um ato tradicional e eficaz. [...] Não há técnica e não há
transmissão se não houver tradição. Eis em quê o homem se distingue antes de
tudo dos animais: pela transmissão de suas técnicas e muito provavelmente
por sua transmissão oral.
Há várias atitudes desses profissionais durante a "entrevista de referência" que podem
ser citadas, mas as mais importantes são a postura receptiva, a disposição de atender o
usuário, a boa educação, a boa comunicação, a cortesia, a atualização constante, domínio de
técnicas biblioteconômicas, além do entendimento de uso e funcionamento de ferramentas de
informática. Segundo Hutchins (1973, p. 18)
o mínimo de cortesia exige que o bibliotecário trate o consulente com o
devido respeito, olhando-o de frente, ouvindo tudo o que ele tem a dizer, e
certificando-se de que a sua própria resposta seja compreensível e satisfatória.
Vale salientar que, existe uma grande demanda para a produção de produtos e o
oferecimento de serviços para usuários e esses devem ser criados e oferecidos no setor de
referência.
Há grandes preocupações com esse serviço na atualidade com relação à ética,
qualidade, desenvolvimento científico, avaliação e eficiência da referência e das fontes
apresentadas ao usuário. Para Hutchins (1973, p. 26)
O bibliotecário de referência, baseado no que houver depreendido dos
propósitos do leitor, deve manter um senso de medidas e usar de critério
equilibrado na determinação da soma de tempo e esforço a serem gastos em
cada consulta, e na escolha das fontes a serem usadas.
É interessante acrescentar que deve ser enfatizado o processo de orientação com relação ao
porquê e ao como fazer o uso de fontes de informação como catálogos, bases de dados, pois
orientar o usuário no modo de como utilizar essas ferramentas é uma forma de torná-lo

1904

�independente e ativo nesse processo. Assim, o bibliotecário de referência se vê obrigado a
descobrir novas formas de mediação, tanto na obtenção como na disseminação de informação.
O tempo de realização da entrevista dependerá de diversos fatores como a
disponibilidade do usuário, os recursos e fontes de informações, bem como a confirmação de
atendimento e satisfação à necessidade do mesmo. Se o usuário se mostrar interessado e com
tempo disponível é fundamental que o profissional seja o mais abrangente possível ao
apresentar as fontes de informações e seus principais objetos e objetivo. Já para usuários com
pouco tempo é importante que o profissional seja bem objetivo e direto, tentando sempre não
perder a qualidade do atendimento. O profissional deve ser o mais cordial e atento possível,
para Hutchins (1973, p. 20)
... a falha por parte do bibliotecário em conceder tempo conveniente à consulta
é motivo de humilhação para o leitor, que sentirá menosprezado e tratado com
pouco caso - e nenhum ser normal se submete mais de uma vez a uma
humilhação se puder obter o que precisa em outro lugar, ou se puder
prescindir de tal informação. Consequentemente, quando um assistente de
referência responde de maneira superficial ou arrogante a uma pergunta,
poderá não ter mais oportunidade de se retratar ou, que é pior, de reabilitar seu
departamento ou a biblioteca aos olhos daquele leitor.
O importante é que a atitude do bibliotecário, mostrando-se disposto por prestar
qualquer serviço, crie prontamente uma atmosfera amistosa na qual o leitor se sinta à vontade.
É fundamental que se estabeleça uma comunicação efetiva entre profissional e leitor. O
bibliotecário deve estar ciente das necessidades do usuário. Existem alguns exemplos como
citados por Hutchins (1973, p. 22) que ocorrem em unidades de informação, mas com uma
boa conversa é possível que sejam desfeitos os desentendimentos.
Às vezes o consulente aparece tão preocupado com seus próprios problemas
que não se apercebe da imprecisão ou ambigüidade de sua consulta, como foi
o caso do leitor que pediu livros sobre "carving",221 e teve a surpresa de ouvir
o bibliotecário perguntar-lhe se estava interessado em escultura, entalhe em
madeira, ou em como trinchar carne. Provavelmente assumira recentemente as
responsabilidades de chefe de família, e enfrentava novos encargos, pois o que
lhe interessava era o último caso. Essa maneira foi muito mais eficiente em
lidar com a questão do que a relatada por uma biblioteca onde se gastou um
tempo enorme trazendo livros e artigos sobre porcelana para um leitor que,
descobriu-se afinal, saber como é que se faz dentes postiços.

221 To carve em inglês significa esculpir, entalhar e trinchar.

1905

�A postura do profissional durante a "entrevista de referência" é também de extrema
importância para o bom resultado da mesma. O profissional deve estar aberto ao consulente.
Para Hutchins (1973, p. 24)
Se durante a entrevista o bibliotecário souber manter um interesse amistoso,
procurar falar a linguagem do leitor, ouvir atentamente e de vez em quando
colocar-se no lugar do interlocutor, poderá ficar sabendo de muita coisa sobre
o consulente pelas respostas dadas a perguntas sobre como se manifestou seu
interesse pelo assunto, quais seus conhecimentos já adquiridos a respeito, se
sabe lidar com certos instrumentos de referência, e qual o uso que pretende
fazer com a informação procurada.
Existem várias ferramentas que poderão ser utilizadas para agilizar, facilitar e até dar
acesso às fontes de informação. No decorrer da entrevista, o bibliotecário deve ir alinhando
mentalmente as fontes, ou pelo menos as ferramentas que possam auxiliar e conter
informações necessárias, para que no final da entrevista já exista um planejamento do início
da pesquisa pelo consulente. Após esse planejamento será viável a consulta às ferramentas
bibliográficas como catálogos, índices, bibliografias, cardex etc.
O espaço físico também pode influenciar positiva ou negativamente na "entrevista de
referência". Em determinados locais em Unidades de Informação são exigidos silêncio
absoluto, assim o balcão de referência deve ser posicionado longe destes locais, mas também
deve ficar em local visível e acessível. Quando não for possível esse distanciamento é
necessário que exista sala de referência onde consulente e bibliotecário possam conversar sem
atrapalhar os demais usuários e ter privacidade para falar sobre o assunto buscado.
Estas condições devem ser avaliadas pelos profissionais bibliotecários na hora da
construção do layout da Unidade de Informação. Bem mais que layout Hutchins (1973, p. 18)
se preocupa também com outro acesso com relação à abertura do profissional e afirma que "a
primeira qualidade de um bom bibliotecário de referência diz respeito à sua acessibilidade: ele
deve não só estar num ponto de fácil acesso físico ao leitor, como deve ser muito acessível
intelectual e espiritualmente."

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
São as atividades humanas que promovem o desenvolvimento das técnicas e dos
utensílios, porém as técnicas e os utensílios também influenciam a atividade humana. Vale
sempre ter em mente que o instrumento mais importante e fundamental para todas as técnicas
é o corpo.

1906

�O trabalho é visto como mola propulsora para o desenvolvimento humano, bem como
também meio de subjugar o próprio homem.
O avanço nas ciências e das técnicas exigiu o desenvolvimento de linguagens
específicas para as atividades desenvolvidas nesse meio, as linguagens de especialidade. Na
área da biblioteconomia não foi diferente e, neste artigo, deu-se ênfase à questão como ocorre
no campo do "serviço de referência" e na técnica "entrevista de referência".
A técnica de "entrevista de referência" é de extrema importância para usuários de uma
Unidade de Informação, pois é por meio dela que o profissional bibliotecário descobre as
reais necessidades desse sujeito.
A "entrevista de referência" é técnica humana que requer utensílios, sendo que o mais
importante deles é o corpo. A postura e atitudes do profissional durante a entrevista é
fundamental para o sucesso da mesma.
Além do corpo, existem vários instrumentos que irão auxiliar esta atividade, são eles:
catálogos, bibliografias, índices, cardex etc.
Como em todas as atividades humanas são muitos os fatores que influenciam na
"entrevista de referência". Nesse caso, podem-se ressaltar a cultura, o ambiente, o espaço
físico e temporal.
Vale ressaltar a importância de estudos sobre a atividade humana, técnica e tecnologia
como fonte de novas percepções sobre a temática e entendimento sobre o desenvolvimento do
homem, assim se justifica a necessidade de mais estudos nesta área.

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1908

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                <text>O artigo discorre sobre a atividade "entrevista de referência". Ela é,realizada por bibliotecários de referência para descobrir as reais necessidades de usuários. O artigo está dividido em cinco partes. A "Introdução" discute a atividade humana como elemento propulsor do desenvolvimento das técnicas e utensílios do homem. Aborda a questão do utensílio mais importante para produção das técnicas: o corpo. Fala ainda sobre tecnologia e trabalho. A segunda parte, "Linguagem de especialidade", fala sobre trabalho e necessidade de desenvolvimento de linguagens específicas para este meio. A terceira parte aborda a área da biblioteconomia, mais especificamente o campo do "serviço de referência" e alguns termos específicos do mesmo. A quarta parte discorre sobre a técnica "entrevista de referência", suas potencialidades e desafios. Na quinta parte estão as considerações finais, que enfatizam a questão do corpo como o mais importante utensílio para a "entrevista de referência", bem como para todas as técnicas. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO E AS ATIVIDADES DE EXTENSÃO NA
FORMAÇÃO DO ALUNO DE BIBLIOTECONOMIA
Flavia Geane Dos Santos
Mariza Ines Da Silva Pinheiro

RESUMO
O trabalho apresenta um relato de experiência das atividades realizadas no CD/NUPEDUFMT por quatro alunas de Biblioteconomia no Programa de Bolsa de Extensão. O objetivo é
mostrar a importância da bolsa de extensão nas práticas em Biblioteconomia no processo de
ensino e aprendizagem dos discentes. Aborda conceitos de Programa de Bolsas de Extensão,
um pequeno histórico do Centro de documentação do Núcleo de Pesquisa em Educação e
sobre as práticas em Biblioteconomia. Os envolvidos no projeto relatam as vantagens para a
carreira profissional e a importância de organizar e disponibilizar de forma acessível às
informações. O resultado das atividades realizadas durante dois anos de grande valia para o
desempenho profissional dos acadêmicos. Conclui-se que participar de bolsa de extensão
favorece a universidade e, consequentemente, o aprendizado do aluno/bolsista.
Palavras-chave: 1. Tratamento da informação; 2. Organização documental; 3. Programa de
Bolsa de Extensão; 4. Núcleo de Pesquisa em Educação; 5. Práticas em Biblioteconomia.
ABSTRACT
The paper presents an experience report of activities undertaken on the CD / NUPED UFMTfour students of Library Extension Program Scholarship. The aim is to show the importance
of the scholarship extension practices in library in the teaching and learning process of
students. Discusses concepts Scholarship Program Extension, a historic Little Documentation
Center of Research on Education and on of library practices. Involved in the project reported
the advantages for careers and the importance of organizing and making available affordably
to information. The result of the activities carried out during two years of great value to the
professional performance of academics. We conclude that participated in additional fund
favors the university and hence student learning / scholarship.
Keywords: 1 Information Processing; 2 Documentary Organization; 3 Extension Program
Scholarship; 4 Center for Research in Education; 5 Practices in library

3786

�1 INTRODUÇÃO
O profissional bibliotecário atua em diversos centros informacionais, empresas,
indústrias, universidades entre outras instituições. Nesses espaços desempenha como gestor
atividades técnicas que abrange o tratamento, a recuperação e a disseminação da informação.
Essas funções técnicas exigem do bibliotecário, dedicação e conhecimento das regras e
dos códigos como os de catalogação, classificação, indexação, descrição da obras, entre
outros, fazendo com que o trabalho se torne prazeroso e de qualidade.
Neste contexto, este relato visa demonstrar a importância das atividades práticas do
bolsista de extensão em prol do conhecimento do futuro bibliotecário, ou seja, um
intercâmbio de conhecimento teórico-prático estabelecido entre os bolsistas e o coordenador
do projeto de extensão denominado “Organização do Centro de Documentação do Núcleo de
documentação em educação - CD/NUPED”.
As ações realizadas ajudam no processo de conhecimento vivenciado como bolsista e,
consequentemente, também no desenvolvimento da melhor compreensão dos conceitos e sua
aplicação na prática, visando sanar muitas dúvidas no momento de trabalhar como
profissional.
Sabe-se que muitos alunos quando estão na fase final do curso, apresentam algumas
dúvidas e inquietações referente a atuação da profissão. Neste aspecto, a presença do
professor/coordenador neste acompanhamento das atividades é fundamental para que o aluno
se sinta seguro e possa entender o caminho cognitivo.
A informação sempre foi um elemento imprescindível na vida das pessoas e cada vez
mais se precisa dela por ser um recurso social vital, um agregador em todo processo
educacional e, tornando-se assim, um direito de todo indivíduo.
Sobre esses aspectos, certamente, tanto a biblioteca como um centro documental e/ou
informacional apresenta inúmeras informações que poderão contribuir para o enriquecimento
cultural da comunidade.
Assim, este relato de experiência tem como o objetivo mostrar a importância e a
satisfação dos quatro bolsistas que trabalharam neste projeto de extensão realizado no Centro
de documentação do Núcleo de Pesquisa em Educação - CD/NUPED.

2 PROGRAMA DE BOLSAS DE EXTENSÃO
A oportunidade de poder organizar um centro de informação e/ou documentação rico
em diversidade de materiais bibliográficos é ímpar. Através dela, foi possível entender melhor
a trajetória de atividades pela qual o futuro bibliotecário passará nas etapas do processo

3787

�técnico; as dúvidas, as inseguranças; as decisões, os acertos e os erros; o aprender a trabalhar
em equipe; os encontros e os desencontros; as sugestões válidas e as invalidas; mas o que
importou foi o aprendizado que deixou um legado de conhecimentos.
Neste caso, o Programa de Bolsas de Extensão oferecido pela UFMT, proporcionou
experiência na vida dos alunos de Biblioteconomia que trabalharam por dois anos nesta
unidade informacional. Portanto para a UFRGS, (2014), os objetivos do Programa de Bolsas
de Extensão contribuem para a formação acadêmica, profissional e cidadã de estudantes de
graduação, proporcionando experiências junto à comunidade interna e externa, através da
participação efetiva em Ações de Extensão, além de viabilizar o desenvolvimento de ações
que promovam a interação transformadora entre a universidade e os demais setores da
sociedade, fortalecendo, assim, a institucionalização das atividades de Extensão no âmbito das
Unidades Acadêmicas.
As bolsas de extensão oferecidas nas universidades ajudam o desenvolvimento
cognitivo do aluno e dão continuidade do conhecimento adquirido em sala de aula. A prática
nutrida pelas teorias ajuda na formação acadêmica mostrando novos horizontes e facilitando a
aprendizagem dos discentes.
O bolsista de extensão, além de desenvolver atividades inerentes ao curso, ele também
se beneficia de auxílio financeiro (Bolsa de Extensão) dispensado a um determinado
programa ou projeto de extensão, inscrito no edital PBEXT, com vistas a desempenhar
atividades vinculadas ao respectivo programa ou projeto. (UFMT, 2013).
Para Nascimento (2012/2013), o intuito da extensão é contribuir com a formação do
aluno universitário, favorecendo sua competência profissional. Esta competência diz respeito
a algo que extrapola o conhecimento adquirido e sua aplicação imediata, e estimula a atitude
investigativa e questionadora.
Diante dessa perspectiva, a atividade de extensão estimula e, consequentemente,
contribui na formação do aluno no processo de ensino-aprendizagem.

3 CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DO NÚCLEO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO
- CD/NUPED
O Centro de Documentação (CD) é vinculada ao Núcleo de Pesquisa em Educação
(NUPED) da Universidade Federal de Mato Grosso, campus de Rondonópolis e sua
idealização foi a partir das necessidades da pesquisa interinstitucional “Cartilhas escolares:
ideários, práticas pedagógicas e editoriais: construção de repertórios analíticos e de

3788

�conhecimento sobre a história da alfabetização, do livro, da leitura e das práticas editoriais MG/RS/MT", em 2011.
O projeto de organização tem a intenção de tornar acessível e compartilhar,
primeiramente de maneira virtual, os conhecimentos produzidos e armazenados em relação a
historia da educação, tornando possível para os usuários, como os alunos, professores,
pesquisadores e comunidade acesso aos documentos, e que estes, possam servir de norte para
(re)constituição ou identificação da História da Educação de Mato Grosso.
Possui um acervo com diversos tipos de materiais (livros, trabalhos monográficos,
cartilhas, cartas, cadernos, diários de classe, atas, cartazes, fotos, boletins) e no suporte
impresso (fita cassete, disco vinil etc.) iniciamos o projeto com o tratamento de livros e
cartilhas que totalizaram aproximadamente 600 obras. Tem como objetivo resgatar a memória
da História da Educação local e regional por meio do levantamento, aquisição, tratamento,
preservação,

socialização e disponibilização de fontes ou documentos históricos,

principalmente, para a comunidade acadêmica, pesquisadores, mas também para a sociedade
em geral, ou seja, usuários potenciais do acervo.

4 PRÁTICAS BIBLIOTECONÔMICAS
A profissão do Bibliotecário, no decorrer dos anos, vem apresentando algumas
tendências. Sabe-se que nas abordagens contemporâneas, a tecnologia trouxe algumas
mudanças no sistema profissional.
Tal sistematização não excluiu algumas técnicas que o estudante de Biblioteconomia
precisa no conhecimento inicial de seus estudos, tais como as atividades e designações do
tratamento da informação.
O tratamento da informação que engloba a “Representação Descritiva e Temática são
áreas da Biblioteconomia que possibilitam organização, armazenamento, recuperação e
disseminação

do

acervo

das unidades

informacionais”

(PEREIRA;

LAURINDO;

SANTIAGO, 2011, p. 368).
A importância da inserção das atividades de práticas no decorrer do curso é
fundamental para o ensino-prendizado do discente.
O trabalho acadêmico, segundo Nascimento (2012/2013, p. 2) “favorece a
aproximação entre universidade e sociedade, a auto-reflexão crítica, a emancipação teórica e
prática dos estudantes e o significado social do trabalho acadêmico.”
Para que as informações contidas nos documentos do CD/NUPED possam ser
disponibilizadas, faz-se necessário o trabalho de processamento técnico, assim, para Silva e

3789

�Araújo (2003, p. 43 ) é “seção que aplica as técnicas da Biblioteconomia no tratamento dos
documentos, visando a recuperação da informação: a catalogar, a classificar, indexar,
preparo para o empréstimo [...] ”.

5 CAMINHO METODOLÓGICO
As atividades de organização do CD/NUPED iniciaram-se em novembro de 2011 com
a realização do diagnóstico no qual foram observadas questões relacionadas a documentação
existente e seus respectivos suportes, espaço físico, mobiliário, equipamentos e materiais
disponíveis.

Figura 1 - Processo de separação e analise dos materiais do CD/NUPED/Rondonópolis

Fonte: Acervo do Centro de Documentação (2011).

Em seguida foi elaborado o Projeto Para Organização CD/NUPED, apresentando a
situação encontrada no diagnóstico e as propostas de ações para a organização documental do
centro. Este projeto foi apresentado e aprovado pela professora coordenadora do Centro de
Documentação e no desenvolvimento das atividades de organização e de tratamento da
informação e contou com quatro alunas de graduação de Biblioteconomia.
Seguindo os objetivos do projeto, no inicio do ano de 2012 iniciaram-se as atividades
de seleção, avaliação e limpeza dos documentos, separando-os por sua tipologia dos materiais

3790

�bibliográficos (livros, cartilhas, trabalhos monográficos, cadernos, diários, atas, cartazes,
fotos, boletins, etc.) conforme as seguintes etapas:
a) Avaliação do estado físico do material, isolando aqueles que requerem restauração;
b) Limpeza;
c) Carimbagem do material;
d) Registro (tombo) dos itens no livro de tombamento;
e) Classificação (CDU- Classificação Decimal Universal) e catalogação dos itens,
incluindo descrição física e temática (indexação) orientados pelas normas do AACR2
(Código de Catalogação Anglo Americano);
f) Inserção dos dados na base de dados no sistema PHL;
g) Emissão de etiquetas e etiquetagem;
h) Arquivamento.

As atividades do processo de analise da documentação são demonstrados, nas figuras
2 e 3, a seguir.

Figura 2 e 3 - Processo de analise dos materiais do CD/NUPED/Rondonópolis

Fonte: Acervo do Centro de Documentação (2011).

3791

�Fonte: Acervo do Centro de Documentação (2011).

Pr último foi realizado a digitalização das capas das cartilhas, com o objetivo de
melhor visualizar estas fontes de informação na base de dados do Centro de Documentação. A
seguir citamos dois exemplos de capas de cartilha digitalizadas.

Figura 4 e 5 - Cartilha de Alfabetização do CD/NUPED/Rondonópolis

onte
Acervo do Centro de Documentação (2013).

3792

�Dve-se salientar, entretanto, que primeiramente foram realizados o tratamento técnico
das cartilhas e livros considerados pelo setor como prioridades. A biblioteca sendo um setor
mutante tem sempre muito que fazer.
O trabalho se torna relevante na medida em que permite uma reflexão sobre a
contribuição que proporcionou aos envolvidos no processo.

6

REFLEXÃO

DA

EXPERIÊNCIA

DAS

BOLSISTAS

NO

PROCESSO

ORGANIZACIONAL
Nos dois anos de atividades a oportunidade de trabalhar no CD/NUPED na UFMT em
Rondonópolis foi de suma importância, proporcionou de forma positiva, o aumento do
conhecimento das práticas biblioteconômicas que compõem o processo técnico.
Cada etapa tinha sua particularidade, umas mais simples, outras mais complexas, que,
muitas vezes, gerou dúvidas e incertezas, fazendo o aluno buscar informações as normas que
regem esse tipo de atividade e com orientações do bibliotecário coordenador do projeto.
(Bolsista A).
Para a bolsista B, na relação entre teoria durante as aulas e prática fomos expostos a
situações que servirão de experiência para o futuro.
Através da vivência das atividades pude por em prática a teoria adquirida em sala de
aula, tais como, a seleção, avaliação, classificação, catalogação entre outros. As atividades
foram realizadas sempre em grupo sendo construído e mantido um convívio adequado e
agradável entre a supervisora e os demais estagiários. (Bolsista C).
A bolsista D menciona que a teoria foi excelente, aprendi coisas que realmente só
consegui ver na prática e contribuiu significativamente na minha vida profissional e pessoal.
Foi uma experiência maravilhosa e sugiro que o projeto continue sempre, assim poderá dar
oportunidades para outros alunos de Biblioteconomia.
Durante o período em que participei neste projeto consegui em cada atividade
realizada visualizar as teorias apreendidas na sala de aula e entender suas relações, aplicandoas no dia a dia na prática. (Bolsista A).

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A atividade da bolsa de extensão é uma das atividades usadas para prática da vivência
profissional acadêmica, com ela é capaz de sintetizar os conhecimentos apreendidos na sala
de aula e transformá-los em ações, demonstrando de forma clara como é a rotina de um
profissional, sendo um complemento no desenvolvimento e formação do futuro profissional.

3793

�O mercado de trabalho exige bons profissionais e a bolsa de extensão pode acrescentar
conhecimentos para a prática profissional, e para isso requer do aluno disposição, boa
vontade, leitura e estudo para que direcione os trabalhos de acordo com objetivos pretendidos
no projeto.
Desta forma, preparar o estudante de biblioteconomia para ser mediador da
informação, e também para ser agente potencializador das atividades técnicas, informacionais
e sociais em prol do bem à sociedade.
Acredita-se que os resultados mencionados neste relato, poderão subsidiar possíveis
ações e propostas de políticas de gestão da informação que visem auxiliar no os acadêmicos a
exercer atividades da sua profissão.
Enfim, cabe salientar, também, que o trabalho do bolsista é um conjunto de desafios
que exige comprometimento nas ações para efetivar a formação dos educandos e, no caso do
Centro de Documentação estudado, propiciou a prática de uma boa ação em benefício dos
integrantes da Universidade.
Há que se considerar, para finalizar, as palavras de Prado (2005) diz que o
fundamental é que o professor possa observar e dialogar com seu aluno para compreender
suas dúvidas, inquietações, expectativas e necessidades, e, ao propor atividades, colocar em
negociação as próprias intenções, objetivos e diretrizes, de modo que desperte no aluno a
curiosidade e o desejo pelo aprender.

REFERÊNCIAS
NASCIMENTO, Ives Romero Tavares do. A indissociabilidade entre pesquisa e extensão
nas Universidades: o caso da ITES/UFBA. Revista NAU Social - v.3, n.5, p. 41-46 Nov
2012/Abr

2013.

Disponível

em:

&lt;http://www.periodicos.adm.ufba.br/index.php/rs/article/viewFile/244/193 &gt;. Acesso em: 01
maio. 2014.
PEREIRA, Ana Maria; LAURINDO, Danielle Bianchi Rachadel; SANTIAGO, Silvana Adir.
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.16, n.1, p. 358-380
jan./jun., 2011. Disponível em: &lt;http://revista.acbsc.org.br/racb&gt;. Acesso em: 21 abr. 2014.
PRADO, Maria E. B. Brito. Tecnologia, currículo e projetos. In: ALMEIDA, Maria Elizabeth
B. de; MORAN, José Manuel (org). Integração das tecnologías na educação: salto para o
futuro.

Brasilia:

MEC,

2005.

Disponível

em:

&lt;http://tvescola.mec.gov.br/images/stories/publicacoes/salto para o futuro/livro salto tecno
logias.pdf &gt; . Acesso em: 20 abr. 2014.

3794

�SILVA, Divina Aparecida da; ARAUJO, Iza Antunes. Auxiliar de biblioteca: técnicas e
práticas para formação profissional. 4. ed. Brasília: Thesaurus, 2003. 152 p.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. PRÓ-REITORIA DE
EXTENSÃO.

Programa

de

Bolsas

de

Extensão

2014.

Disponível

em:

&lt;http://www.ufrgs.br/prorext/arquivos-diversos/programa-de-fomento-a-extensao/programade-bolsas- da-extensao-2014&gt;. Acesso em: 03 maio 2014.

3795

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Documentação&#13;
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            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>O trabalho apresenta um relato de experiência das atividades realizadas no CD/NUPEDUFMT por quatro alunas de Biblioteconomia no Programa de Bolsa de Extensão. O objetivo é mostrar a importância da bolsa de extensão nas práticas em Biblioteconomia no processo de ensino e aprendizagem dos discentes. Aborda conceitos de Programa de Bolsas de Extensão, um pequeno histórico do Centro de documentação do Núcleo de Pesquisa em Educação e sobre as práticas em Biblioteconomia. Os envolvidos no projeto relatam as vantagens para a carreira profissional e a importância de organizar e disponibilizar de forma acessível às informações. O resultado das atividades realizadas durante dois anos de grande valia para o desempenho profissional dos acadêmicos. Conclui-se que participar de bolsa de extensão favorece a universidade e, consequentemente, o aprendizado do aluno/bolsista. </text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A UTILIZAÇÃO DO SOFTWARE ABCD LIBRARY NO PROCESSO DE
INDEXAÇÃO DA EDUBASE: CRIAÇÃO DO SERVIÇO DE INDEXAÇÃO
COMPARTILHADO EM EDUCAÇÃO

Gildenir Carolino Santos

RESUMO
A Edubase - uma base de dados em Educação, gerenciada desde 1994 pela Faculdade de
Educação da UNICAMP - tem sido prestativa e parceira de seus editores desde a sua origem.
Com a possibilidade de realizar um trabalho colaborativo, devido ao baixo recebimento de
recursos para sua manutenção (contratação de estagiário especializado na área e atualização
do software) tomou a iniciativa radical de mudança de plataforma, passando a adotar a
indexação descentralizada entre os seus colaboradores (editores de revista em Educação).
Dessa forma, este trabalho tem como foco apresentar a experiência do funcionamento da base
de dados como uma base de dados de indexação compartilhada, gerenciada pelo software
ABCD Library (Unesco/Bireme). Dentro do universo de 42 editores, distribuídos pelo Brasil,
a Edubase pode manter um serviço de qualidade e padronização em relação ao serviço
realizado centralizadamente desde então. Tudo isso graças à realização do workshop sobre a
Edubase, realizado na UNICAMP em 2013, que garantiu a participação dos editores de
revistas. Estes receberam um treinamento para uso do software em rede na indexação dos seus
periódicos na base de dados, resultando na elaboração do manual do operador Edubase, com
isso firmando, por meio de um termo de adesão, a participação no serviço de indexação
compartilhado em Educação. Entende-se que para garantir um serviço de qualidade e
padronizado é preciso haver sintonia entre os envolvidos. A consolidação de um trabalho
pioneiro na área da Educação é prazerosa e gratificante quando se conta com o apoio da
instituição e dos colaboradores desta.
Palavras-chave: Edubase - base de dados. Indexação compartilhada. Acesso à informação.

ABSTRACT
The Edubase, a database on Education, managed since 1994 by the Faculty of Education at
UNICAMP, has been helpful to your partner publishers since its inception. With the ability to
perform collaborative work due to the low receipt of funds for their maintenance (contracting
of specialized trainee in the area and software update) made the radical change initiative
platform, and moving toward decentralized indexing among its employees (journal publishers
in education). Thus, this paper focuses on presenting the experience database to function as a
shared database indexing managed by ABCD Library (Unesco / Bireme) software. Within the
universe of 42 publishers spread throughout Brazil, the Edubase can maintain a quality
service and standardization with respect to service performed centrally since. All this is due to
the completion of the Workshop on Edubase held at UNICAMP in 2013, which ensured the

1999

�participation of journal publishers who have had training to use the software on their network
in indexing journals in the database, resulting in the preparation of Edubase the operator's
manual, and with this signing, through term of membership, participation in indexing shared
service education. It is understood that to ensure a quality service and standardized, there is
sufficient alignment between those involved, and that the consolidation of a pioneering work
in the area of education is pleasurable and rewarding when it has the support of the institution
and its partners.
Keywords: Edubase - database. Shared indexation. Information access.

1 Introdução
A Edubase tem como missão contribuir para o desenvolvimento da Educação no Brasil
e América Latina, mediante a promoção do uso da informação técnico-científica na área pela
armazenagem de dados bibliográficos dos documentos nela inseridos.
A base tem como objetivo geral operar de forma integrada, buscando o
compartilhamento de recursos e a cooperação de esforços com vistas à promoção do acesso
livre, eficiente e equitativo à informação e ao documento pelo profissional e estudioso da
Educação. Isso contribui para a melhoria das condições de aquisição das informações
bibliográficas no campo da Educação brasileira.
Hoje, quase 20 anos após o seu estabelecimento, a Edubase passa por uma
transformação da maneira de pensar e agir com o objetivo de descentralizar sua indexação,
tornando-se uma base de dados de indexação compartilhada, visando a estabelecer novos
critérios, acessos e procedimentos para qualificar-se cada vez mais entre as bases de dados da
área da Educação. (SANTOS, 2014).
Pensando numa nova filosofia, a Biblioteca da Faculdade de Educação/UNICAMP
(BFE/UNICAMP), em parceria com a empresa Modal Networks, tem aperfeiçoado a maneira
de indexação, possibilitando ao cooperante realizar diretamente a inserção de dados na
Edubase, agilizando a entrada de dados e o acesso à informação pelo usuário.
Depois de diversos investimentos, a BFE/UNICAMP tomou a iniciativa de focar na
melhoria e manutenção da Edubase, e na descentralização dos serviços, não assumindo
sozinha a responsabilidade de indexar todos os periódicos que congregam a sua rede.
Começou a compartilhar com os editores colaboradores da Edubase a possibilidade de um
trabalho cooperativo de indexação do conteúdo de suas publicações.
Com essa troca de papéis, concentraremos esforços na qualidade e receptividade dos
dados, uma vez que sempre que enviados os dados haverá uma validação do conteúdo antes
mesmo de migrarmos esses dados para a base central da Edubase.

2000

�Cada editor ou responsável por uma indexação possuirá uma identificação de usuário,
denominado ID de usuário, e uma senha para ter acesso ao sistema. Neste haverá uma área
específica para registrar o conteúdo de sua publicação. (SANTOS, 2014).
Em contrapartida, com a participação da instituição, ou com a publicação inserida na
Edubase por meio da indexação compartilhada, o editor terá os seguintes compromissos:

•

Promover, pela Edubase, o acesso aberto e a visibilidade ao conhecimento em
Educação gerado no país por meio de dados bibliográficos.

•

Selecionar, reunir, organizar e disseminar a informação especializada na área
da Educação, mediante submissão de artigos à revista para a manutenção das
fontes de informação técnico-científicas definidas na matriz de responsabilidades
da Edubase.

•

Coordenar, operar e promover o controle bibliográfico da literatura técnicocientífica publicada na área.

•

Alimentar e manter atualizada as fontes de informação disponíveis na Edubase
por meio da indexação compartilhada.

•

Promover a capacitação/especialização dos integrantes do Serviço de Indexação
Compartilhado da Edubase (SICE), a partir da troca de experiências mediada por
listas de discussão, cursos e encontros a serem promovidos pelos cooperantes.

•

Promover

o intercâmbio

de

publicações, mantendo a biblioteca matriz

(BFE/UNICAMP) atualizada, visando à completude de sua coleção para as
publicações impressas.

Aderindo ao serviço, o editor assina o termo de adesão, que tem validade por tempo
indeterminado, podendo ser rescindido por qualquer uma das partes, mediante comunicação
expressa, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias.
O editor da Edubase, no caso a BFE/UNICAMP, poderá anunciar o encerramento
do termo de adesão, caso o cooperante não realize as atividades sob a sua responsabilidade.
O encerramento do termo implica na perda do direito de uso dos produtos e serviços
compartilhados na Edubase. Compete ainda à instituição informar a coordenação da
Edubase sempre que houver mudança do novo representante (editor) da revista na
instituição.

2001

�Tudo isso foi proporcionado a partir do momento que tomamos a iniciativa e
resolvemos manter a parceira com a empresa Modal Networks e realizar a migração da base
de dados que rodava até o momento em Micro CDS/ISIS (Unesco), do ambiente Windows
(WinISIS), para a nova plataforma e software ABCD Library, também desenvolvido pela
Unesco em parceria com a BIREME, que nos mostrou ser possível realizar a indexação
compartilhada, permitindo a todos os editores executar o trabalho de indexação de seus
periódicos em forma de rede pela Edubase.

Todos esses editores seguiram rigorosamente os critérios e requisitos necessários para
incluírem seus periódicos na Edubase. Tais diretrizes estão disponíveis no Portal Edubase
para que por demanda futuramente novos editores possam incluir seus periódicos na
Edubase, seguindo a nossa política de indexação.

2 Política de indexação na Edubase dos periódicos credenciados e futuros

Quando a revista é indexada na Edubase, tem-se a responsabilidade de garantir que o
público terá acesso permanente aos artigos citados.
Quanto aos periódicos impressos, os editores têm a obrigação de enviar à
BFE/UNICAMP, coordenadora da Edubase, um exemplar de cada edição a fim de manter
completa a respectiva coleção no acervo físico. A Edubase, então passa a ser a depositária
oficial da revista tanto da coleção eletrônica quanto da impressa.
A política definida aplicada à indexação na Edubase vale tanto para as impressas
quanto para as revistas eletrônicas. Dessa forma, a política da BFE/UNICAMP para
indexação de artigos de revistas eletrônicas também está evoluindo, e os requisitos do formato
impresso se aplicam também a elas, porém devem estar minimamente utilizando a plataforma
OJS/SEER (Sistema de Editoração Eletrônica de Revista) ou a metodologia SciELO.
Uma vez que uma revista eletrônica foi selecionada para indexação na Edubase, ela
deve atender aos requisitos e condições, conforme a tabela 1, a fim de ser incluída na
Edubase.

2002

�Tabela 1 - Requisitos e condições para indexação na Edubase
Requisitos

Condições

Possuir resumo dos artigos em português.

Obrigatório

Possuir palavras-chave dos artigos em português.

Obrigatório

Sugere-se

possuir a b stra c t (inglês)

ou resum en

Opcional

(espanhol) dos artigos.
Possuir ke yw o rd s (palavras-chave em inglês) dos

Obrigatório

artigos.
Possuir

legenda

bibliográfica

(item

com

as

Obrigatório

informações do periódico no rodapé das páginas, de
acordo com a norma NBR-6021:2003).
Possuir indicação de normas para as referências e

Obrigatório

citações bibliográficas.
Possuir indicação de contribuição de autores com

Obrigatório

artigos.
Sugere-se ter o título abreviado, de acordo com

Opcional

a NBR-6021:2003 e a LTWA/ISSN.
Possuir ficha catalográfica e expediente da revista

Obrigatório

(conselho editorial, comissão editorial, etc).
Possuir informação da periodicidade da revista.
Sugere-se que tenha a divisão física: introdução,

Obrigatório
Opcional

desenvolvimento e conclusão. (Outra norma, desde
que citada a fonte de pesquisa.)
Sugere-se utilizar referências dos artigos, segundo a

Opcional

N B R 6023:2002 (Outra norma, desde que citada a
fonte de pesquisa.)
Sugere-se utilizar citações bibliográficas dos artigos,

Opcional

de acordo com a N B R 10520:2002.
Possuir o número do ISSN ou e-ISSN.

Obrigatório

Fonte: Portal Edubase.

3 Revisão de Literatura
No que diz respeito à indexação compartilhada na literatura, temos algumas
experiências tanto na realidade brasileira quanto na estrangeira. No Brasil, a área de
psicologia, por meio da base IndexPsi, consolidou fortemente a indexação compartilhada
entre os editores e/ou responsáveis pelas publicações desse campo de pesquisa. Outra área
fortemente engajada nesse serviço, e que se mostra perseverante há mais de 30 anos, é a área
da saúde, por intermédio da base de dados LILACS.
Com esse intuito, e pensando no compartilhamento dos serviços entre os editores, a
editoria da Edubase tornou necessária a participação dos editores nessa tarefa. Para que isso

2003

�fosse possível, investiu-se na melhoria da tecnologia utilizada e dos aparatos instrutivos a
distancia que servissem como base para o início dos trabalhos.
A Edubase começou a ser estruturada em setembro de 1994, quando se idealizou um
instrumento de recuperação da informação de documentos para atender as necessidades
internas dos usuários da BFE/UNICAMP. Trata-se de uma base de dados de artigos de
periódicos nacionais

em Educação,

desenvolvida e criada pelo bibliotecário da

BFE/UNICAMP, que atua na biblioteca há mais de 20 anos. “Constam na base, além de
artigos de periódicos, anais de eventos, textos educativos e alguns capítulos de livros
relacionados à Educação.” (SILVA, 2003, p. 65).
Inicialmente foi desenvolvida em ambiente DOS por meio do software Micro
CDS/ISIS, da Unesco, com parceria da BIREME, o qual hoje se encontra migrado em
ambiente Web pelo WWWISIS. (SANTOS; PASSOS, 1997; PASSOS; SANTOS, 2008;
EDUBASE, 2012).
A BFE-UNICAMP tem buscado um constante aperfeiçoamento na estrutura do seu
Serviço de Referência, preocupando-se em disponibilizar o maior número de informações dos
documentos bibliográficos que compõem o acervo da biblioteca. A preocupação em
proporcionar agilidade e rapidez na disseminação e recuperação de informações originou o
projeto “Indexação de Artigos de Periódicos Nacionais em Educação”, com financiamento do
FAEP (Fundo de Apoio ao Ensino e à Pesquisa).
O projeto executado englobava a contratação de um profissional por um período de
três meses para realizar os serviços de indexação e alimentação da base de dados Edubase,
ocorrido no ano de 1997. (SANTOS; PASSOS, 1997; PASSOS; SANTOS, 2008).
A partir dessa iniciativa, a indexação passou a ser realizada por um profissional
bibliotecário da Faculdade de Educação, responsável pela manutenção da base, seguindo o
fluxo de serviço.
A priori, antes de efetuar a troca do sistema, foi verificado que a versão utilizada do
sistema gerenciador da base de dados estava desatualizada e que seria necessário uma
mudança urgente. Para isso, foram estudados alguns softwares Open Source. Optou-se por
manter o mesmo da família ISIS, ou seja, o ABCD Library.
O ABCD226, sigla para Automação de Bibliotecas e Centros de Documentação, é um
sistema orientado à automação on-line, na Web, dos processos, fluxos de trabalho, funções,
produtos e serviços de informação de bibliotecas, centros de documentação e informação de

226 Disponível em: http://www.abcdlibrary.com.br/?page id=8. Acesso em 20 abr. 2014.

2004

�aplicação Web, Open Source e multilíngue. O ABCD pertence à família ISIS de software para
o armazenamento e recuperação de informação textual e estruturada, com foco em fontes de
informação bibliográficas e serviços associados. É multilíngue, generalizado e configurável,
com capacidade de atender a automação de todo tipo de biblioteca e centros de documentação.
O desenvolvimento, manutenção e distribuição do ABCD seguirão a modalidade de
software livre e aberto, sob a coordenação da BIREME, apoiado pelo Consórcio de
Universidades de Flandres (VLIR/UOS - Flemish University Development Co-Operation), no
contexto do projeto Docbiblas (Development o f and Capacity Building in ISIS BasedLibrary
Automation Systems), e da comunidade ISIS de usuários e desenvolvedores. O projeto conta
com a colaboração voluntária de mais de 40 profissionais de 18 países, usuários do software
ISIS, que foi originalmente desenvolvido e mantido pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT) nos anos 1960 e posteriormente pela Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Esse lançamento dá continuidade à cooperação da
Bireme com a Unesco, desde a década de 1980, no desenvolvimento da versão ISIS para
microcomputadores, com destaque para o desenvolvimento da biblioteca CISIS e dos sistemas
ISIS para a Web.
O sistema ABCD integra aplicações para a automação on-line de funções de criação e
gestão de bases de dados com protocolos abertos de interoperabilidade na Web, catalogação
de documentos de uma coleção, importação e exportação de registros, aquisições e dos
módulos: básico e avançado de empréstimos, estatísticas, controle de publicações seriadas,
criação, configuração e gestão de sites on-line, catálogo público on-line com sistema de busca
avançado. (ABCD, 2013.)
Segundo Hübner e Guilherme (2009) o ABCD foi programado em PHP, que é uma
linguagem dinâmica de programação de websites livre e uma das mais utilizadas no mundo
por oferecer uma variedade de recursos. O software vem acompanhado do servidor Apache
com o PHP5 instalados. Preparado para a propagada Web 2.0, o ABCD também tem
programações em AJAX para facilitar alguns serviços.
Sendo um software Open Source, mas do qual não tínhamos tanto conhecimento como
tínhamos no Micro CDS/ISIS na versão WinISIS e WWWISIS, contratou-se uma empresa
especializada no ABCD Library., com a qual temos uma parceria desde o primeiro
desenvolvimento da Edubase para Web (1998), que saberia operar facilmente com essa
mudança.
A empresa contratada Modal Networks soube cumprir seu papel como parceira.Além
de hospedarmos o site da Edubase in loco, também tem a versão dela operando na Modal.

2005

�Esta desenvolveu, justamente para essa nova versão operada no ABCD Library, um Portal
denominado Portal do Conhecimento Edubase, apresentando os serviços prestados pela
indexação compartilhada, bem como o compartilhamento de informações de interesse a todos
os editores e usuários da Edubase.

4 Materiais e Métodos
Em novembro de 2013 foi realizado o I Workshop Edubase de Indexação
Compartilhada, no auditório da Biblioteca Central da UNICAMP. O objetivo foi reunir os
editores das publicações indexadas na Edubase de diversas regiões brasileiras - com maior
incidência de autores da região Sudeste - para a realização do treinamento sobre a Edubase no
ABCD Library. Foram 42 participantes (editores responsáveis pelas revistas), do montante de
108 editores distribuídos entre instituições de ensino superiores estaduais (IESE), instituições
de ensino superiores federais (IESF) públicas (estaduais e federais), instituições de ensino
superiores particulares (IESP) e organizações (fundações, associações e ONGs - [FAO]),
conforme demonstrado no gráfico 1.

G ráfico 1 - Distribuição de revistas indexadas na Edubase por tipo de organização
Fonte: Cadastro de registro Edubase, 2013.

A princípio havíamos pensando em aplicar um dia inteiro de treinamento, mas a
dinâmica foi alterada, sendo que na parte da manhã fizemos as apresentações do sistema, do
módulo para indexação pelo editor, instruções básicas para a indexação e assinatura do termo
de adesão à indexação compartilhada com as instituições presentes no Workshop.

2006

�Mediante a assinatura do termo de adesão pela grande maioria, informamos que a data
da indexação se daria no início do ano de 2014, após ter todas as funções do módulo de
indexação disponíveis para os editores. Além disso, foi discutida a possibilidade de agregar ao
módulo alguns itens essenciais para agilizar a indexação, como a coleta de importação de
dados já indexados em outras bases para o módulo de indexação da Edubase. A coordenação
juntamente com a empresa ficou de estudar e apresentar futuramente aos editores essa
possibilidade.
Por fim, no período da tarde foi executado o treinamento, em que os editores
realizaram em seus tablets e notebooks o módulo de indexação da Edubase no ambiente do
ABCD Library.

5 Resultados Parciais/Finais
Após a realização do Workshop, ocorrido em novembro de 2013, em janeiro de 2014
foi elaborado o “Manual do Operador”

para a indexação, o qual foi disponibilizado no

portal da Edubase para acesso de todos os editores. Até o momento, dos 42 editores que
assinaram conosco o termo de adesão à indexação compartilhada, apenas 12 estão cumprindo
com os requisitos destacados no termo, como: não deixar acumular as indexações e fazer tudo
num único momento.
O manual foi elaborado, revisado e registrado na Agência Nacional do ISBN como
produção da Faculdade de Educação. Nele explicita todos os campos e telas da Edubase a que
o editor terá acesso para preenchimento dos dados na Edubase.
Dos trabalhos recebidos para validação e incorporação na Edubase, ou seja, dos 12
editores correntes, são encaminhados a nós por e-mail, um lembrete de que eles fizeram a
indexação e que aguardam a liberação da área reservada a eles para indexação a fim dar
continuidade a novas indexações. Após o recebimento do e-mail, entra-se na base matriz da
Edubase e é verificado se os dados estão em conformidade com as instruções apresentadas no
“Manual do Operador”.
Essa é uma etapa mais cuidadosa, pois demanda da nossa equipe atenção quanto às
regras de indexação e validação dos dados, onde só aplicamos “ok” quando todo o registro
não aponta erros na descrição. Caso aconteçam erros, deixamos o status em “revisão” e nos
reportamos ao editor para que ele faça as devidas alterações onde estiver diferente do

227 Disponível em: http://143.106.58.49/fae/EDUBASE MANUAL.pdf. Acesso em: 16 maio 2014.

2007

�apresentado no “Manual do Operador”, e aguardamos o retorno para finalizar a validação e
disponibilizar a base novamente para novas inclusões.
Os demais editores que não nos retornaram após a execução do Workshop, serão todos
contatados por nós a partir de junho de 2014 a fim de sabermos se eles irão continuar com a
indexação, ou pelo motivo de realizarmos a indexação compartilhada, deixarão de utilizar a
Edubase.

6 Considerações Parciais/Finais
Espera-se que a Edubase como fonte nacional de indexação de periódicos científicos
possa cada vez mais se expandir e possibilitar a inclusão de novos títulos em sua base,
agregando também novas áreas correlatas à Educação nacional.
O Workshop proporcionou mais ainda uma aproximação entre os colaboradores da
Edubase e os editores das revistas indexadas no quesito de diálogo e de saber mais sobre os
bastidores de um serviço de indexação que envolve toda uma instituição e aprendendo toda
uma rotina antes designado apenas ao ambiente da biblioteca.
Entende-se que para garantir um serviço de qualidade e padronizado, bastar haver
sintonia entre os envolvidos, e que a consolidação de um trabalho pioneiro na área da
Educação é prazeroso e gratificante quando se conta com o apoio da instituição e de seus
colaboradores.
Com essas qualificações, a Edubase passa a ser uma fonte nacional de indexação em
Educação, desde 2000, pelos editores da área de Educação e afins, sendo também reconhecida
na Capes pelo serviço de indexação apresentada nos relatórios trienais de avaliações da
Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)

disponibilizadas

aos editores no site dessa entidade.

6 Referências
ABCD versions 2013. Disponível em: &lt; http://www.abcdlibrary.com.br/?page id=8&gt;.
Acesso em: 16 maio 2014.
EDUBASE. In: SANTOS, Gildenir Carolino; RIBEIRO, Célia Maria. Acrônimos, siglas e
termos técnicos: Arquivística, Biblioteconomia, Documentação, Informática. 2.ed.
Campinas, SP: Átomo, 2012. p.99.

228Slides da Comissão de Periódicos da Área de Educação da ANPEd. 2012. Disponível em:
&lt;http://goo.gl/GQvvVN&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.

2008

�HÜBNER, E. ; GUILHERME, R. C. Software livre para bibliotecas: uma ferramenta para a
democratização do acesso a informação bibliográfica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 23., 2009,
Bonito. Anais do... São Paulo: FEBAB, 2009.
SANTOS, G. C. Edubase: procedimentos, normas e orientações; versão 1.0 - software
ABCD Library. Campinas, SP: FE/UNICAMP, 2014. 28p. ISBN 78-85-7713-150-1.
Disponível em: &lt; http://143.106.58.49/fae/EDUBASE MANUAL.pdf&gt; . Acesso em: 16
maio 2014.
PASSOS, Rosemary; SANTOS, Gildenir Carolino. A EDUBASE como mediadora no
processo de co-autoria em redes sociais : compartilhando conhecimento na área educacional.
In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 15., 2008, Natal.
Anais eletrônicos... São Paulo: [s.n], 2008.
SANTOS, G. C.; PASSOS, R. Desenvolvimento de base de dados em educação.
“EDUBASE”, gerenciado pelo software Micro CDs/ISIS. In: SEMINÁRIO SOBRE
AUTOMAÇÃO EM BIBLIOTECAS E CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO, 6., 1997,
Águas de Lindóia. Anais... São Paulo: [s.n.], 1997, p.127-130.
SILVA, S.F. do N. da. Política de indexação para serviços de análise em bibliotecas:
proposta para elaboração de diretrizes. 2003. 72f. Monografia (Trabalho de conclusão de
curso) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, SP. 2003.

ANEXO 1 - Títulos Indexados na Edubase

Título
URL
Região

A cta Scientiarum . E d u ca tio n
h ttp ://p e rio d ic o s.u em .b r/o js/in d ex .p h p /A cta S ciE d u c .
Sul

Título
URL
Região

C a d ern o C E D E S
h ttp ://w w w .ced es.u n ica m p . b r/c a d a p resen ta ca o .h tm
S u d este

Título
URL
Região

C a d ern o s C enpec
h ttp ://w w w .c a d e rn o s.c e n p e c .o rg .b r/ca d e m o s/in d ex.p h p /c a d em o s
S u d este

Título
URL
Região

C a d ern o de P e sq u isa
h ttp ://w w w .scie lo .b r/sc ielo .p h p ? scrip t= sci seria l&amp; p id = 0 1 0 0 -1 5 7 4 &amp; ln g = en &amp; n rm =iso
S u d este

Título

C o m u n ica çõ es

2009

�URL
Região

h ttp s://w w w .m eto d ista . b r/revista s/revista s-u n im ev /in d ex .v h v/co m u n ica c a o
S u d este

Título
URL
Região

E d u ca ç ã o (U F SM )
h ttp ://ca sca vel. u fsm .b r/re v ista s/o is-2 .2 .2 /in d ex.vh v/rev ed u ca c a o /in d e x
Sul

Título
URL
Região

E d u ca çã o : T eo ria e P rá tic a
h ttp ://w w w .p erio d ico s.rc. b ib lio teca .u n esp .b r/in d ex.p h p /ed u ca ca o
S u d este

Título
URL
Região

E d u ca ç ã o e C u ltu ra C o n tem p o râ n ea
h ttp ://p erio d ico s.esta cio . b r/in d ex.p h p /reed u c/in d ex
S u d este

Título
URL
Região

E d u ca ç ã o e F ilo so fia
h ttp ://w w w .see r.u fu .b r/in d ex .p h p /E d u ca ca o F ilo so fia
S u d este

Título
URL
Região

E d u ca ç ã o e P e sq u isa
h ttp ://w w w .ed u ca ca o ep esa u isa . fe.u sp .b r/
S u d este

Título
URL
Região

E d u ca ç ã o &amp; S o cied a d e
h ttp ://w w w .scie lo .b r/sc ielo .p h p ? scrip t= sci serial&amp; pid= 0101 7 3 3 0 &amp; n rm = iso &amp; rep = &amp; ln g = p t
S u d este

Título
URL
Região

E d u ca ç ã o E sp e c ia l (C entro de E d u ca çã o )
h ttp ://ca sca vel. u fsm .b r/rev ista s/o is-2 .2 .2 /in d ex.p h p /ed u ca ca o esp ecia l
Sul

Título
URL
Região

E d u cere e t E d u ca re
h ttp ://e -rev ista .u n io e ste .b r/in d ex.p h p /ed u cereeted u ca re/in d ex
Sul

Título
URL
Região

E nsaio: A v a lia ç ã o e P o lític a s P ú b lica s em E d u ca çã o
h ttp ://w w w .scie lo .b r/sc ielo .p h p ? scrip t= sci seria l&amp; p id = 0 1 0 4 -4 0 3 6 &amp; ln g = p t&amp; n rm =iso
S u d este

Título
URL
Região

E sp a ço P e d a g ó g ic o
h ttp ://w w w .u p f.b r/see r/in d e x.p h p /rep
Sul

Título
URL
Região

E stu d o s em A v a lia ç ã o E d u ca c io n a l
h ttp ://e d u ca .fc c.o rg .b r/scielo .p h p ? scrip t= sci seria l&amp; p id = 0 1 0 3 -6 8 3 1 &amp; ln g = p t&amp; n rm = iso
S u d este

Título
URL
Região

E T D - E d u ca ç ã o T em á tica D ig ita l
h ttp ://w w w .fa e.u n ica m p .b r/re vista /in d ex.p h p /etd
S u d este

2010

�Título
URL
Região

E vid ê n cia O lhares e P e sq u isa em S a b eres E d u ca cio n a is
h ttp ://w w w .u n ia ra xa .ed u . b r/o js/in d ex.p h p /evid en cia
S u d este

Título
URL
Região

L eitu ra : T eo ria &amp; P rá tic a
http://ltp. em n u ven s.co m .b r/ltp /in d ex
S u d este

Título
URL
Região

M eta: A v a lia çã o
h ttp ://m eta a va lia ca o . cesgranrio. o rg .b r/in d ex.p h p /m eta a va lia ca o /in d ex
S u d este

Título
URL
Região

N u a n ces: estu d o s so b re E d u ca ç ã o
http ://revista . fc t.u n e sp .b r/in d ex.p h p /N u a n ces/in d ex
S u d este

Título
URL
Região

P ro -P o siçõ e s
http://m ail. fae.unicam p. b r/~ p ro p o sico es/ed ico es/h o m e 70.htm l
S u d este

Título
URL
Região

P sico lo g ia E sc o la r e E d u c a c io n a l
h ttp ://w w w .scie lo .b r/sc ielo .p h p ? p id = 1 4 1 3 -8 5 5 7 &amp; scrip t= sci seria l
S u d este

Título
URL
Região

Q u ím ica N o v a
h ttp ://q u im ica n o va . sbq.org. b r/
S u d este

Título
URL
Região

R eflex ã o e A ç ã o
h ttp ://o n lin e.u n isc. b r/seer/in d ex .p h p /reflex/in d ex
S u d este

Título
URL
Região

R etra to s d a E sco la
h ttp ://w w w .esfo rce .o rg .b r/in d e x.p h p /sem estra l/in d ex
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista B ra sileira de C iên cia s d o E n ve lh ecim e n to H u m a n o
h ttp ://w w w .u p f.b r/see r/in d e x.p h p /rb ceh
Sul

Título
URL
Região

R ev ista B ra sileira de E d u ca ç ã o em G eografia
h ttp ://w w w .revista ed u g eo . c o m .b r/o js/in d ex.p h p /revista ed u g eo /in d ex
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista B ra sileira de E stu d o s P ed a g ó g ic o s
h ttp ://rb e p .in ep .g o v.b r/in d ex .p h p /R B E P
C en tro -O este

Título
URL
Região

R ev ista B ra sileira de H istó ria d a E d u ca çã o
h ttp://w w w .sb h e.o rg . b r/
Sul

Título

R ev ista C iên cia d a E d u ca ç ã o

2011

�URL
Região

h ttp ://2 0 0 .2 0 6 .4 .1 3 /o is/in d ex .p h p ? io u rn a l= in d ex&amp; p a g e= in d ex
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista d a A B E M
h ttp ://w w w .a b e m e d u c a c a o m u sic a l.o rs.b r/re vista s.h tm l
Sul

Título
URL
Região

R ev ista d a E sco la de E n ferm a g e m d a USP
h ttp ://w w w .ee .u sp .b r/re eu sp /
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista d a F A E E B A : E d u ca ç ã o e C ontem p o ra n eid a d e
h ttp://w w w .u n eb . b r/revista d a fa eeb a
N o rd este

Título
URL
Região

R ev ista de E d u ca ç ã o (A n h a n g u era E d u ca cio n a l)
h ttp ://sa re .a n h a n su e ra .c o m /in d e x .p h p /red u c
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista de E d u ca ç ã o (P U C -C a m pinas)
h ttp ://p e rio d ic o s.p u c-ca m p in a s.ed u . b r/seer/in d ex.p h p /reved u ca ca o
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista D ig ita l de B ib lio te c o n o m ia e C iên cia d a In fo rm a çã o
h ttp ://w w w .sb u .u n ic a m p .b r/see r/o is/in d ex. p h p /rb ci/in d ex
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista E le trô n ic a de E d u ca ç ã o
h ttp ://w w w .reved u c.u fsca r. b r/in d ex.p h p /in d ex/in d ex
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista Id e a çã o
h ttp ://e -rev ista .u n io e ste .b r/in d ex .p h p /id ea ca o
S u d este

Título
URL
Região

R ev ista L a tin o -A m e ric a n a de E n ferm a g em
h ttp ://e a d .e erp .u sp .b r/rla e /
S u d este

Título
URL
Região

S érie-E stu d o s
h ttp ://site.u cd b .b r/p e sa u isa -e-in o va ca o /6 /p erio d ico s-u cd b /8 4 8 /revista -serie-estu d o s/8 4 9 /
C en tro -O este

Título
URL
Região

Z etetiké
h ttp ://w w w .fa e.u n ica m p .b r/re vista /in d ex.p h p /zetetike
S u d este

2012

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A Edubase − uma base de dados em Educação, gerenciada desde 1994 pela Faculdade de Educação da UNICAMP − tem sido prestativa e parceira de seus editores desde a sua origem. Com a possibilidade de realizar um trabalho colaborativo, devido ao baixo recebimento de recursos para sua manutenção (contratação de estagiário especializado na área e atualização do software) tomou a iniciativa radical de mudança de plataforma, passando a adotar a indexação descentralizada entre os seus colaboradores (editores de revista em Educação). Dessa forma, este trabalho tem como foco apresentar a experiência do funcionamento da base de dados como uma base de dados de indexação compartilhada, gerenciada pelo software ABCD Library (Unesco/Bireme). Dentro do universo de 42 editores, distribuídos pelo Brasil, a Edubase pode manter um serviço de qualidade e padronização em relação ao serviço realizado centralizadamente desde então. Tudo isso graças à realização do workshop sobre a Edubase, realizado na UNICAMP em 2013, que garantiu a participação dos editores de revistas. Estes receberam um treinamento para uso do software em rede na indexação dos seus periódicos na base de dados, resultando na elaboração do manual do operador Edubase, com isso firmando, por meio de um termo de adesão, a participação no serviço de indexação compartilhado em Educação. Entende-se que para garantir um serviço de qualidade e padronizado é preciso haver sintonia entre os envolvidos. A consolidação de um trabalho pioneiro na área da Educação é prazerosa e gratificante quando se conta com o apoio da instituição e dos colaboradores desta.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CIRANDA DO LIVRO: A EXPERIÊNCIA DA BC/CCMN NO ACESSO
PÚBLICO À LITERATURA

Joana Carla Marques Santos

RESUMO
Trata-se do relato de experiência sobre a Ciranda do Livro, coleção especial da Biblioteca
Central do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (BC/CCMN), a qual rompe o
tradicionalismo da biblioteca universitária, oferecendo ao seu público um acervo literário
variado. Procura descrever o dinamismo deste acervo, que vai além da bibliografia básica
exigida por cada curso de graduação e pós-graduação oferecido pelo Centro de Ciências
Matemáticas e da Natureza (CCMN) pretendendo mostrar que, através desta coleção, a
biblioteca passa atender não somente os usuários acadêmicos da Biblioteca (discentes e
docentes) e técnicos administrativos da unidade mas a uma comunidade diversificada de
jovens estudantes do ensino médio, moradores do entorno, prestadores de serviços gerais
terceirizados da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de alunos de outras
universidades. É analisado o crescimento da Ciranda do Livro como um todo, tanto o
desenvolvimento do acervo, quanto o número de inscritos e a postura dos profissionais
relacionados ao serviço, associando o serviço prestado pela coleção ao dinamismo de uma
biblioteca universitária.

PALAVRAS-CHAVE : Biblioteca universitária. Serviços. Coleções especiais. Ciranda do
Livro.
ABSTRACT
This is a experience report about Ciranda do Livro, special collection of the Central Library of
the Center for Mathematics and Natural Sciences (BC / CCMN) , which breaks the
traditionalism of the university library, offering its audience a varied literary estate . Seeks to
describe the dynamics of this collection, which goes beyond basic bibliography required for
each undergraduate and graduate offered by the Centre for Mathematics and Natural Sciences
( CCMN ) purporting to show that through this collection, the library shall serve not only
users academic Library ( students and teachers ) and administrative staff of the unit but a
diverse community of young high school students , residents of her surroundings, and
outsourced general services of the Federal University o f Rio de Janeiro ( UFRJ ), and students
other universities . The growth of Ciranda do Livro as a whole, both the development of the
collection, as the number of subscribers and the attitude of service-related professionals is
analyzed, involving the collection service provided by the dynamism of a university library.

KEYWORDS : University library. Services. Special colection. Ciranda do Livro.

2356

�1 IN TRODUÇÃO
A biblioteca, de uma maneira geral, ostentou durante muito tempo uma aura de
formalidade e rigidez, atrelada à seriedade das atividades intelectuais. A biblioteca
universitária, portanto, perpetua esta noção, já que funciona como um local de construção do
conhecimento e tem papel fundamental nas práticas de ensino e pesquisa próprias do meio
acadêmico.
É notório que uma biblioteca, universitária ou não, possui um papel social que vai
além da tradicional função de guarda e empréstimo de livros.

Em primeiro lugar, a biblioteca é, fundamentalmente, instituição social.
Como tal, está sujeita a todo e qualquer processo de transmutação que
atravessa a sociedade [...] ou seja, a biblioteca não está à margem da
sociedade” (TARGINO, 2010, p.40).
Acompanhando a constante transformação da sociedade, a biblioteca como instituição
vem passando por mudanças de paradigma, englobando a mudança de foco da acumulação do
acervo para o acesso, das ações controladas para as inovadoras, e a transição do predomínio
de material impresso para adoção cada vez maior da informação digital.
As modificações ocorridas nas bibliotecas tem como referencial teórico as mudanças
de paradigma ocorridas no cerne da Biblioteconomia, pois como afirma Valentim (1995, p.2),
“a mudança de paradigma é necessária para acompanhar as mudanças provocadas pela
tecnologia, ciência, política, economia, etc.”
Convergindo com a vertente apresentada, a proposta desse trabalho é relatar a
experiência no desenvolvimento da “Ciranda do Livro”, coleção especial de livros de
literatura existente na Biblioteca Central do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza
(BC/CCMN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), demonstrando o papel social
da biblioteca universitária como agente promotor da leitura na universalização do acesso de
todo e qualquer usuário.

2

A

B IB LIO T EC A

CEN TRA L

E

SEU

ESC O PO

CO M O

B IB LIO TEC A

U N IV ERSITÁ RIA
A BC/CCMN da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é um órgão da
Administração Central da Superintendência do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza
(CCMN) e teve sua origem em 1971, quando a UFRJ dotou o CCMN de edifício próprio
destinado à sua implantação. Abrange publicações no âmbito das Geociências, Química,

2357

�Física, Matemática e Ciência da Computação. A Biblioteca é parte integrante de um minicomplexo - o Centro Cultural Professor Horácio Macedo - composto também por um
auditório, área de exposições, anfiteatro, museu e uma sala multimídia (GASPAR, 2006).
Constituída como uma unidade de informação tradicional, assim como as outras
bibliotecas do sistema, a BC/CCMN oferece serviços próprios de biblioteca universitária,
entre eles, espaço para estudo, consulta, empréstimos, rede wi-fi, normalização de trabalhos
acadêmicos, atendimento via Comutação Bibliográfica (COMUT) e treinamento de uso do
Portal de Periódicos da CAPES. Conta com um acervo com mais de 35.000 livros, cerca de
700 títulos de periódicos e aproximadamente 1000 mapas, seriados e obras de referência.
Atende aos estudantes de graduação e pós-graduação do CCMN, além dos docentes do
CCMN e um grande número de usuários externos.
Desta forma, a BC/CCMN reafirma o seu compromisso de atuar como centro de
ensino e pesquisa tendo como um dos objetivos principais a transmissão de conhecimento
para o progresso da ciência e da sociedade como um todo, pois

a biblioteca universitária nada mais é que uma universidade em si mesma.
As universidades são centros transmissores do saber através do ensino e dos
livros. Temos a palavra falada e a palavra escrita a serviço da cultura. Desde
os mais remotos tempos a universidade e a biblioteca, trabalhando na mais
íntima reciprocidade, têm desempenhado a importantíssima função de
preservar e disseminar o conhecimento. [...] Assim a biblioteca não pode ser
um agente neutro, passivo, apenas entregando o livro ao leitor e controlando
a sua volta. A concepção foi muito bem resolvida por Archibald Macleish:
“a biblioteca é um conjunto de seres humanos que aceita a responsabilidade
de tornar o material impresso útil à sociedade” (PRADO, 1992, p.13).
A fim de desenvolver o seu papel social a serviço da educação e pesquisa, a
BC/CCMN se consolida como “mediadora entre os recursos informacionais universais e a sua
comunidade particular” (FIGUEIREDO, 1992, p. 188).

3 CIRANDA DO LIVRO DA BC/CCMN
No final da década de 90, um professor do Instituto de Física, que possuía um acervo
pessoal de literatura majoritariamente constituído de livros da coleção de Agatha Christie,
tinha o desejo de disponibilizar esse acervo com o maior número possível de pessoas.
Compartilhando desse propósito, a chefia da BC/CCMN adotou a idéia, e o projeto começou a
tomar forma. O que hoje é a Ciranda do Livro, inicialmente era uma pequena coleção,
formada pelos títulos oriundos do professor, juntamente com obras doadas pelos funcionários
da BC/CCMN na época.

2358

�Desde seu início, para fazer parte da Ciranda o leitor interessado precisa apenas doar
01 livro de literatura, em língua portuguesa, em perfeito estado. A obra é encaminhada ao
setor de processamento técnico, onde uma bibliotecária insere seus dados no sistema Aleph e
o prepara para empréstimo. Em seu registro na Base Minerva, os títulos apresentam no campo
“Coleção” a indicação de que pertencem à Ciranda.
O usuário pode consultar os títulos também no catálogo impresso, no balcão de
listagens da BC/CCMN, além do acesso livre às estantes. O acesso ao acervo da Ciranda do
Livro é facilitado devido a sua localização. As estantes em vermelho, dispostas na entrada do
salão principal da Biblioteca, proporciona fácil a visualização e a consulta às obras.
Atualmente, este acervo conta com cerca de 950 obras de literatura, todas em língua
portuguesa, no qual são incorporados novos títulos de acordo com as inscrições de novos
usuários. O empréstimo é de 30 (trinta) dias e somente um livro por vez. Este período de
empréstimo foi adotado por ser um período razoável para a leitura de uma obra. É possível a
leitura das obras nas dependências da Biblioteca, que possui um amplo espaço para estudo
individual.
Verifica-se, portanto, que o usuário da BC/CCMN usufrui não só da informação
contida em seu acervo específico (área de ciências matemáticas e da natureza), mas também
de obras literárias, como pode ser observado na rotina da Ciranda, a promoção da
democratização do acesso do usuário à leitura, pois, como biblioteca universitária, encontra
nesta dinâmica uma forma de ampliar o seu campo de atuação, visto que a coleção da Ciranda
se diferencia do acervo especializado da BC.
A Ciranda do Livro disponibiliza em sua coleção estilos literários diversos, entre
contos, romances, ficção, livros de poesia e vários best-sellers (grifo nosso) policiais,
abrangendo variadas preferências. Objetiva divulgar o serviço ao maior número de pessoas de
forma igualitária. A Ciranda do Livro busca atender não só o segmento acadêmico (alunos,
professores e técnicos administrativos), mas propõe disponibilizar o acervo também à
comunidade não-acadêmica do entorno da BC/CCMN, como já acontece com os funcionários
de serviços gerais terceirizados.
Para fornecer aos leitores mecanismos de busca por títulos de interesse, a BC/CCMN
também dispõe de computadores para consulta da Ciranda do Livro na Base Minerva, além de
um catálogo onde é apresentada a listagem impressa, em ordem alfabética de autores,
contendo também os campos de classificação, número de chamada, título e número de
registro de cada livro. Este catálogo fica disponível no balcão de listagens, próximo às
estantes.

2359

�O acervo da Ciranda do Livro apresenta um crescimento contínuo, a partir da doação
de um novo título no ato da inscrição e também pelas doações aleatórias, feitas
principalmente pelos professores do CCMN. Embora seja uma coleção bastante consultada,
não há um número expressivo de extravios e atrasos em comparação ao acervo especializado
da BC/CCMN.

Gráfico 1: quantitativo de títulos inseridos na Coleção,
de 2000 a dezembro de 2013.

Fonte: Os autores (2014).

Conforme exposto acima, a aceitação dos leitores à este acervo especial da BC/CCMN
colabora para a manutenção e o constante crescimento da coleção.

Gráfico 2: inscrições por ano e total de inscritos na Ciranda desde 2000
até dezembro de 2013.

Fonte: Os autores (2014).

2360

�Quanto à postura dos profissionais relacionados ao serviço, vê-se a figura do
profissional bibliotecário atuando neste “complexo mundo da Biblioteconomia” (CAMPOS,
2012), consistindo como agente social de promoção de leitura.

4 RESULTADOS
Verifica-se a aceitação e aderência ao serviço bastante positiva analisando os últimos
anos prevendo-se continuidade no aumento do acervo e de inscritos. Vale salientar que a
Ciranda é mantida por meio de doações de livros, não recebendo recursos financeiros
provenientes da Universidade ou de nenhum outro órgão.
Nota-se que a constante inserção de novos títulos dinamiza a circulação e índice de
uso. Segundo Ranganathan (2011, p. 197) “ ... a novidade é um importante fator para prender a
atenção” . Não raro, novos leitores aderem à Ciranda motivados pela descoberta de títulos
recentemente lançados ou adicionados à coleção.

5 C O NSID ERA ÇÕ ES FINAIS
Como um serviço pioneiro no Sistema de Bibliotecas da UFRJ, pode-se dizer que foi
constatada a importância de um espaço de leitura para a comunidade da UFRJ, corroborando a
idéia de que “a biblioteca tradicional dá lugar à biblioteca ação cultural” (TARGINO, 2010, p.
42). Na rotina da BC/CCMN verifica-se resultados favoráveis para a continuação do
desenvolvimento da Ciranda do Livro. Além do crescimento constante do acervo, é notória a
inclusão e aceitação de novos leitores a cada dia.
Fotografia 1: Alunas de uma escola pública do entorno de uma comunidade da UFRJ
conhecendo o acervo da Ciranda, com orientação de uma bibliotecária da BC

Fonte: Os autores (2014)

2361

�REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022 : informação e
documentação: artigo em publicação periódica científica impressa: apresentação. Rio de
Janeiro, 2003.

______ . NBR 6023 : informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro,
2002.

______ . NBR 10520: informação e documentação: citações em documentos: apresentação.
Rio de Janeiro, 2002.
CAMPOS, M. L. de A. As cinco leis da Biblioteconomia e o exercício profissional. [S.l.:
s.n.],

[2000?].

Disponível

em:

&lt;http://www8.fgv.br/bibliodata/geral/docs/260504.pdf&gt;.

Acesso em: 19 mar. 2014.
CARVALHO, M. C. R. de. Estabelecimento de padrões para bibliotecas universitárias.
Fortaleza: Edições UFC; Brasília: Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal, 1981. 71
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FIGUEIREDO, N. M. A modernidade das cinco leis de Ranganathan. Ciência da

Informação,

Brasília,

v.

21,

n.

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p.

186-191,

set./dez.

1992.

Disponível

em:&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/viewFile/1277/911&gt;. Acesso em:

19

mar. 2014.
GASPAR, C. M. P. V.; CARVALHO, I. de S.; SANTOS, A. R. dos. Biblioteca Central do
Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN): passado, presente e futuro. Anais...
Ciclo de Estudos em Ciência da Informação, 8. Rio de Janeiro: UFRJ; SIBI, 2006. 1 CDROM.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Tradução de Tarcísio
Zandonade. Brasília: Briquet de Lemos, 2009. 336 p.
TARGINO, M. G. A biblioteca do século XXI: novos paradigmas ou meras expectativas?

Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 20, n. 1, p. 155-168, jan./abr. 2010.
Disponível em : &lt;http://www.ies.ufpb.br/ois2/index.php/ies/article/view/2645/3418&gt;. Acesso
em: 2 abr. 2014.
VALENTIM, M. L. P. Assumindo um novo paradigma na Biblioteconomia. lnformação &amp;

lnformação, Londrina, v.0, n.0, p.2-6, jul./dez. 1995.

2362

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                <text>Trata-se do relato de experiência sobre a Ciranda do Livro, coleção especial da Biblioteca Central do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (BC/CCMN), a qual rompe o tradicionalismo da biblioteca universitária, oferecendo ao seu público um acervo literário variado. Procura descrever o dinamismo deste acervo, que vai além da bibliografia básica exigida por cada curso de graduação e pós-graduação oferecido pelo Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) pretendendo mostrar que, através desta coleção, a biblioteca passa atender não somente os usuários acadêmicos da Biblioteca (discentes e docentes) e técnicos administrativos da unidade mas a uma comunidade diversificada de jovens estudantes do ensino médio, moradores do entorno, prestadores de serviços gerais terceirizados da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de alunos de outras universidades. É analisado o crescimento da Ciranda do Livro como um todo, tanto o desenvolvimento do acervo, quanto o número de inscritos e a postura dos profissionais relacionados ao serviço, associando o serviço prestado pela coleção ao dinamismo de uma biblioteca universitária.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ANÁLISE COM BASE NOS
INDICADORES DE AVALIAÇÃO DO MEC

Maria de Souza Lima Santos
Luiz Cláudio Gomes Maia
RESUMO
O estudo visa analisar a gestão da biblioteca universitária considerando os instrumentos de
avaliação das condições de oferta de cursos de graduação utilizados pelo Ministério da
Educação (MEC). A investigação foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e
analisadas de forma descritiva, por meio de um estudo de caso a partir do qual se buscou
interpretar as informações, tendo como base o referencial teórico que norteou o
desenvolvimento da pesquisa, com os gestores das bibliotecas e com os bibliotecários
gerentes de atendimento. Procurou-se compreender se os indicadores de avaliação do MEC
são utilizados como mecanismos de gestão que visam o melhor desempenho da biblioteca e,
consequentemente, atuam como facilitadores das condições de ensino em suas práticas de
aquisição de recursos informacionais. Os resultados apontam que há uma homogeneidade
acerca do processo de avaliação e que a biblioteca precisa definir, junto ao corpo docente, e a
administração da Instituição, uma Política de Formação de Acervo que deverá orientar o
processo de aquisição de materiais bibliográficos nos diversos formatos, tanto para cursos
existentes quanto para novos. Contribuindo, dessa forma, para um melhor atendimento às
novas diretrizes estabelecidas pelo MEC e, consequentemente, resultando em melhorias para a
biblioteca universitária.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Administração. Avaliação.
ABSTRACT
This study aims to analyze the management of the university library taking into account the
evaluation tools established by the Ministry of Education (MEC) for evaluating the quality of
the undergraduate courses. The research was carried through semi-structured interviews and
analyzed descriptively, through a case study which sought to interpret the information, based
on the theoretical framework that guided the development of the research, with the libraries
managers and the manager librarians service. We sought to understand whether the MEC
evaluation indicators are used as management mechanisms that favor the best performance of
the library and thus work as facilitators of the teaching conditions during the purchase process
of informational resources. Results show that there is a uniformity in the evaluation process
and that the library needs to define, together with the faculty, and the Administration of the
Institution, a Collection Education Policy that should guide the purchase process of
bibliographic materials in various formats for both existing and for new courses. Contributing
thus to comply with the new guidelines established by the MEC and hence resulting in
improvements to the university library.
Keywords: University Libraries. Management. Evaluation.

1030

�1 INTRODUÇÃO
A avaliação do ensino está cada vez mais sendo adotada no ambiente das
universidades, fazendo com que essas instituições se estruturem e passem a atender ou a criar
novos produtos e serviços com qualidade. Dias Sobrinho (2002) reforça que a avaliação é um
instrumento de medida e controle que responde às expectativas de eficiência e produtividade
que os Estados controladores têm a respeito da educação superior. Almeida (2000) considera
a avaliação como um processo contextualizado no ciclo administrativo, cujas funções têm, no
planejamento, o início de quais resultados se deseja atingir. Assim, a avaliação institucional
representa a aplicação dessa teoria no ambiente organizacional da universidade e também na
biblioteca.
Os processos de avaliação institucional no âmbito das IES têm despertado, nos
profissionais bibliotecários, uma preocupação com a definição de um conjunto de dados
estatísticos - incluindo tipo, formas de obtenção, métodos e processos de coleta desses dados
para fins de avaliação dos serviços prestados pelas bibliotecas universitárias. Afinal, avalia-se
com o objetivo de analisar o cumprimento de algo planejado. De acordo com Almeida (2000),

A principal função da avaliação é produzir conhecimentos relativos à
unidade de informação, a organização em que esta se situa e a seu ambiente,
para servir de subsídio ao planejamento tanto na fase de elaboração do plano,
programa ou projeto, quanto na fase de implementação das ações. A
avaliação possibilita a escolha certa, ou seja, a correta definição dos
objetivos no momento da concepção do plano. Na implementação do plano,
produz informações que contribuem para a maior produtividade e para a
melhoria da qualidade. No final do processo, permite comparar resultados
esperados e conseguidos, conhecer o nível de satisfação do público-alvo e os
efeitos do planejamento na unidade de informação, na organização e no
ambiente. (ALMEIDA, 2000, p. 11).
A avaliação das condições de ensino, que têm exigências específicas em relação às
bibliotecas, é regulamentada pelo Decreto n° 5.773, de 9 de maio de 2006, que dispõe sobre a
organização do ensino superior, a avaliação de cursos e instituições, entre outras providências.
Os critérios de avaliação utilizados pelo MEC mostram o quanto esses processos de
avaliação devem servir não apenas para identificar problemas, mas também para buscar
alternativas de solução. Para Klaes e Pfistcher (1994), a avaliação deve ser entendida como
um processo com instrumentos, objetivos, critérios e metodologia previamente definidos e
nunca como tendo um fim em si mesmo.
Os bibliotecários, por sua vez, devem estar cientes das exigências do MEC para a
composição e atualização dos acervos no que se refere à qualidade e à quantidade mínima de

1031

�títulos e exemplares. No que diz respeito à quantidade, deve ser determinado um percentual
de exemplares destinados à literatura básica e outro para a literatura complementar. A regra
diz respeito também à assinatura dos periódicos científicos.
A avaliação da biblioteca no contexto da gestão na universidade é de grande
importância, pois ela não se resume em apenas quantificar os serviços oferecidos. É preciso
mensurar os dados quantificados visando à melhoria da biblioteca para que ela possa atender
às necessidades da comunidade acadêmica e firmar-se como órgão necessário dentro da
universidade.
O objetivo deste artigo é compreender como os gestores do Sistema de Bibliotecas da
UFG (Sibi/UFG) utilizam os indicadores de avaliação do MEC durante o processo de
aquisição de recursos informacionais além de analisar como os gestores utilizam esse
instrumento.

2 GESTÃO NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS
A trajetória do sistema educacional no Brasil está associada ao tripé herança cultural,
evolução econômica e estruturação do poder político do Estado brasileiro. Segundo Alves e
Passador (2011), esses três aspectos refletem na educação sob a forma de avanços e
retrocessos.
Segundo Malback Neto (2007), a primeira expressão legal de valorização da gestão
universitária é de 1931, através do Estatuto da Universidade Brasileira, durante reforma
implementada por Francisco Campos que orientava a estruturação das universidades com
padrões determinados pelas políticas públicas. O Governo Federal era o detentor do controle
de qualidade da educação superior, fosse ela ministrada em instituição pública ou privada.
A tipologia das IES no Brasil foi redefinida pela LDBEN (Lei n° 9.394/1996) e pelos
decretos n° 3.860/2001 e 2.406/1997, trazendo inovações para o sistema de ensino superior,
principalmente quanto à natureza e dependência administrativa. A LDBEN introduziu
importantes diretrizes no sistema, como as avaliações sistemáticas dos cursos de graduação e
das próprias instituições de ensino, que passaram a realizar ou passar por avaliações
periódicas que subsidiam os atos autorizativos de cursos - que incluem autorização,
reconhecimento e renovação de reconhecimento - , dando transparência aos dados sobre a
qualidade da educação superior para a sociedade.
As universidades públicas ocupam posição fundamental no cenário acadêmico
nacional, detendo papel estratégico no processo de desenvolvimento científico e tecnológico
do País. Elas têm como objetivos principais desenvolver, disseminar e socializar o

1032

�conhecimento humano. E a sociedade espera que as universidades contribuam para que o País
enfrente com êxito os desafios que lhes são apresentados rumo ao desenvolvimento social,
econômico e cultural, de acordo com Soares (2002).
Stallivieri e Marcelino (2008) afirmam, ainda, que a gestão universitária brasileira
atravessa um período de intensa profissionalização, envolvendo dimensões de ordem
econômica e mercadológica, o que impõe aos seus gestores o conhecimento de uma estrutura
normativa mais eficiente e mais voltada para o cidadão - que passa a ser visto como cliente. O
processo enfatiza também a eficácia e a economia nos gastos públicos, concebendo, assim, a
ideia de que a gestão é importante. Para atender a essa nova demanda, são utilizados
instrumentos e padrões de desempenho e de qualidade, bem como medidas de avaliação,
tendo como objetivo principal o de atingir a excelência nos serviços públicos.
Como em qualquer organização, a universidade requer um planejamento que melhor
atenda aos seus objetivos. Dessa forma, Stallivieri e Marcelino (2008) observam que o
planejamento deve ser visto como um documento de constantes consultas e norteador do
desenvolvimento das atividades da universidade, sendo ainda necessária a delegação de
autonomia e responsabilidade relacionados aos investimentos a serem efetuados no processo.
Os autores citados ressaltam que a dependência das Instituições Federais de Ensino Superior
(IFES) relacionada aos recursos para investimentos ou financiamento é fator responsável pela
existência de amarras no que tange à autonomia e gestão universitária quando se fala da rede
pública de ensino superior.
Amaral (2003) pontua que é necessário modernizar as instituições. O autor destaca
também que a profissionalização da gestão deve estar voltada às necessidades básicas para a
sobrevivência das instituições. Nesse contexto, um gestor adequado à pós-modernidade, era
da informação e da incerteza, buscará promover um ambiente de trabalho pautado no
comprometimento e na integridade.

3 GESTÃO NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
No Brasil, o marco da biblioteca universitária se deu em 1968, com a Reforma
Universitária, que reestruturou o ensino superior, redefiniu seus objetivos e propiciou, de
forma indireta, maior racionalidade à biblioteca universitária. As bibliotecas não foram
contempladas pela Reforma Universitária; porém, esse documento abriu novos caminhos para
elas ao definir as atividades de ensino, pesquisa e extensão. A definição dessas atividades
demanda a existência de bibliotecas organizadas para atender a clientela da universidade nos
níveis de graduação e de pós-graduação. Ferreira (1980) afirma que

1033

�Assim como a universidade deve estar voltada para as necessidades
educacionais, culturais, científicas e tecnológicas do País, as bibliotecas
devem trabalhar visando a esses mesmos objetivos, condicionadas que são às
finalidades fundamentais da universidade. Por isso, as bibliotecas devem
participar ativamente do sistema educacional desenvolvido pela
universidade. Do mesmo modo que não há sentido em universidades
desvinculadas da realidade sócio-econômica, as bibliotecas universitárias só
poderão ter sentido se estiverem em consonância com os programas de
ensino e pesquisa das universidades a que pertencem. (FERREIRA, 1980, p.
7).
De maneira semelhante nas questões de cunho administrativo, Lima (1978) contribui
afirmando que o planejamento da biblioteca deve ser sistêmico, considerando o ambiente do
qual faz parte. O autor defende que não se pode pensar em planejamento de biblioteca
universitária sem se considerar os planos, objetivos e metas das instituições às quais ela está
inserida. No entanto, historicamente não é isso que se verifica. Para Lima (1978),
A falta de objetivos definidos para o ensino universitário provocou, no
Brasil, idêntica indefinição dos objetivos de suas bibliotecas. Estatutos e
regimentos aludiam, é certo, e sempre de maneira vaga e imprecisa, às
finalidades das Instituições e ao papel que a biblioteca deveria desempenhar
como suporte às atividades da escola ou faculdade a que pertencia. (LIMA,
1978, p. 12).
Oliveira (2010) ressalta que a biblioteca universitária deve servir de apoio aos
conteúdos ministrados em cada curso oferecido pela instituição na qual está inserida, os quais
devem estar devidamente descritos nos PPCs. A biblioteca universitária deve também
oferecer suporte à investigação técnico-científica, sempre apoiando o tripé ensino, pesquisa e
extensão.
A questão da aquisição de publicações em atendimento aos PPCs pelas bibliotecas é
vista como um processo difícil, principalmente pelos entraves burocráticos no processo de
compra de material bibliográfico. Ferreira (1980) alega que
Pode-se sentir que, de fato, o orçamento é um dos pontos de estrangulamento
das bibliotecas universitárias, responsável por muitos de seus problemas de
acervo, pessoal, material e equipamento e instalações. Por outro lado, esses
orçamentos, muitas vezes, são fragmentados por bibliotecas que terminam
sem poder, de fato, realizar algo com verba tão irrisória. Um orçamento
global para o sistema bibliotecário de uma universidade, a ser movimentado
pela biblioteca central, parece ser a medida mais racional e econômica. Há,
inclusive, com respeito a orçamento, outros problemas como fato de algumas
bibliotecas não constituírem unidade orçamentária, o que faz com que elas
não saibam com quanto podem contar para a sua programação. E também a
biblioteca não participa da elaboração do orçamento do programa.
(FERREIRA, 1980, p. 75).

1034

�Segundo Ramos (1999), a avaliação deve se basear em princípios voltados para a
filosofia da qualidade, por meio do diagnóstico da biblioteca, com a identificação de
indicadores de avaliação e de qualidade e das ferramentas utilizadas para a gestão da
biblioteca universitária em todos os seus aspectos.

4 SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR (SINAES)
A questão da avaliação institucional nas universidades brasileiras foi inicialmente
discutida pelo movimento dos docentes, coordenado pela Associação Nacional dos Docentes
do Ensino Superior (ANDES), em 1982. Em 1983, surgiu a primeira proposta de avaliação da
reforma universitária (PARU), com a concepção de que a avaliação deveria ser utilizada como
forma de as IES prestarem contas dos recursos recebidos e justificarem os investimentos
aplicados. O Grupo Executivo para a Reformulação da Educação Superior (GERES), criado
pelo MEC em 1986, visava a reestruturação do ensino superior e tinha como objetivo dar
continuidade às propostas elaboradas pela Comissão Nacional para Reformulação da
Educação Superior (CONAES), criada em 1985. O processo de avaliação deveria, segundo o
GERES, contemplar duas vertentes básicas: a avaliação do desempenho institucional e a
avaliação da qualidade do curso oferecido.
Em 1996, o Governo Federal, em busca do nivelamento da qualidade de oferta da
educação superior, instituiu nacionalmente o Exame Nacional de Cursos, popularmente
conhecido por Provão. O instrumento servia para avaliar as condições de ensino e também
para a avaliação destinada ao credenciamento das IES. O exame foi aplicado no período de
1996 a 2003 aos alunos concluintes dos cursos de graduação. Apesar de gerar polêmicas, o
Provão provocou mudanças nas IES, como reformulações em seus currículos e mudanças
administrativo-pedagógicas (BRASIL, 2012).
A partir do ano de 2002, foi institucionalizada a visita de uma comissão de avaliadores
do MEC às IES, a qual tem por função verificar as condições relacionadas ao ensino, à
pesquisa, à extensão, à responsabilidade social, ao desempenho dos alunos, à gestão da
instituição, ao corpo docente e às instalações. Os avaliadores são incumbidos de verificar in

loco as condições da instituição, avaliando os cursos e autorizando ou não a criação ou
continuidade dos mesmos (BRASIL, 2004).
Em 2003, visando contribuir para o aprimoramento da qualidade da educação superior,
bem como do sistema educacional como um todo, o governo brasileiro passou a contar com o
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Criado pela Comissão
Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES), o SINAES foi oficializado pela Lei

1035

�n° 10.861, de 14 de abril de 2004, e regulamentado pela Portaria MEC n° 2.051, de 9 de julho
de 2004.
Na tentativa de buscar cumprir suas finalidades, o SINAES apresenta como princípios
fundamentais: responsabilidade social com a qualidade da educação superior; reconhecimento
da diversidade do sistema; respeito à identidade, à missão e à história das instituições;
globalidade, isto é, compreensão de que a instituição deve ser avaliada a partir de um
conjunto significativo de indicadores de qualidade, vistos em sua relação orgânica e não de
forma isolada; e continuidade do processo avaliativo (BRASIL, 2004).
A avaliação institucional é, atualmente, uma questão de extrema importância e
relevância para a educação superior. Ela é considerada estratégica para a gestão institucional,
pois os resultados das avaliações permitem aos gestores tomar decisões para alcançar mais
qualidade institucional. A melhora institucional requer, contudo, conhecimento e análise da
realidade externa e interna da instituição (EYANG, 2004).

4.1 Indicadores de avaliação do MEC aplicados à biblioteca universitária
A biblioteca universitária, que se constitui como suporte ao ensino, à pesquisa e à
extensão nas universidades, possui a função de prover a infraestrutura bibliográfica,
documentária e informacional de apoio às atividades desempenhadas pela universidade. A
biblioteca está classificada na dimensão infraestrutura na metodologia do INEP para avaliação
dos cursos, como se pode ver na Seção II (Do Credenciamento e Recredenciamento de
Instituição de Educação Superior), Subseção I (Das Disposições Gerais) do Decreto n° 5.773,
de 9 de maio de 2006, e mais especificamente no item VII do artigo 16 do mencionado
decreto:
[...] VII - infra-estrutura física e instalações acadêmicas, especificando: a)
com relação à biblioteca: acervo de livros, periódicos acadêmicos e
científicos e assinaturas de revistas e jornais, obras clássicas, dicionários e
enciclopédias, formas de atualização e expansão, identificando sua
correlação pedagógica com os cursos e programas previstos; vídeos, DVD,
CD, CD-ROM e assinaturas eletrônicas; espaço físico para estudos e horário
de funcionamento, pessoal técnico administrativo e serviços oferecidos.
(BRASIL, 2006).
Para Vergueiro (1989), a política de formação de coleções deverá funcionar como
parâmetro que contribuirá para a tomada de decisão dos bibliotecários em relação à escolha
do material a ser incorporado ao acervo, seja por aquisição, doação ou por permuta. Nesse
sentido, o autor afirma sobre a política de formação de coleções:

1036

�Torna público, expressamente, o relacionamento entre o desenvolvimento da
coleção e os objetivos da instituição e a esta coleção deve servir, tanto por
causa da necessidade de um guia prático na seleção diária de itens, como
devido ao fato de ser tal documento uma peça-chave para o planejamento em
larga escala. (VERGUEIRO, 1989, p. 25).

4.2 Indicador Bibliografia Básica
A literatura básica ou bibliografia básica, como o nome já diz, é imprescindível para
que os alunos acompanhem o andamento das atividades acadêmicas, ou seja, em resumo, é
obrigatória. Está descrita nos planos de ensino e deve fazer parte da coleção de qualquer
biblioteca, devendo ser atualizada, adequada, pertinente e com relevância acadêmicocientífica.

4.3 Indicador Bibliografia Complementar
A biblioteca precisará formar seu acervo também para a bibliografia complementar.
Esse acervo é composto por materiais informacionais essenciais à complementação e
atualização voltados para a pesquisa e o ensino nas várias áreas do conhecimento e indicados
nos planos de ensino. É composto por registro de documentos, livros, inventários, escritos,
impressos ou quaisquer gravações que venham a servir como fonte para consulta, organizada
pela identificação de cada uma das obras que constitui a bibliografia, por meio de elementos
como o autor, o título, o local de edição, a editora e outros de caráter complementar.

4.4 Indicador Periódicos Especializados
São revistas especializadas, indexadas e correntes, sob a forma impressa ou virtual. As
revistas de cunho científico contêm artigos que foram submetidos a revisões de especialistas,
assegurando que esses artigos estão dentro dos padrões de qualidade e validade da publicação.
Para fins de reconhecimento e renovação de reconhecimento, prevalecem os conceitos
que variam de 1 (um) a 5 (cinco) para todos os indicadores.

5 MÉTODOS
Esta é uma investigação realizada por meio de uma abordagem qualitativa e descritiva
onde pretendeu-se descrever, por meio de um estudo de caso, a percepção e a contribuição de
cada um dos participantes envolvidos no processo de gestão da biblioteca em atendimento ao
processo avaliativo pelo MEC.

1037

�Foi utilizada uma amostragem não probabilística. A seleção do caso foi definida pelo
critério de acessibilidade, pelo fato dos pesquisadores desenvolverem suas atividades
profissionais no ambiente da pesquisa e por acompanhar tanto o processo de compra de
acervo quanto o processo de avaliação pelo MEC.
A referida pesquisa foi realizada no ambiente da Biblioteca Central (BC) e também
nas bibliotecas setoriais do Campus 1 e na Faculdade de Letras, sendo estas também em
Goiânia. As demais setoriais estão nos campi de Catalão, Goiás e Jataí, onde há duas
unidades, Riachuelo e Jatobá.
As entrevistas foram realizadas com 12 (doze) indivíduos, sendo 6 (seis) diretores de
bibliotecas e 6 (seis) gerentes de atendimento escolhidos por acessibilidade. Como
instrumentos de coleta de dados foram utilizados: a pesquisa bibliográfica e a entrevista
semiestruturada com os gestores e gerentes de atendimento envolvidos com a gestão da
biblioteca.
A pesquisa bibliográfica foi utilizada para a fundamentação da teoria metodológica do
trabalho e também em atendimento ao objetivo específico de se identificar a legislação de
avaliação do MEC aplicável à biblioteca universitária.

A entrevista semiestruturada foi

utilizada para a coleta de dados qualitativos, foi realizada uma entrevista com os sujeitos
participantes da pesquisa: bibliotecários (gestores e gerentes). O roteiro da entrevista
semiestruturada foi composto por dez perguntas básicas, a fim de se garantir a cobertura de
todos os pressupostos em estudo.
O tratamento dos dados da entrevista foi realizado de forma qualitativa, por meio da
análise, pela vivência do observador no ambiente da pesquisa e pelas revisões das
informações coletadas. O tratamento dos depoimentos dos entrevistados constou de três
etapas: a transcrição das entrevistas de forma fidedigna, a agregação dos dados, que foi o
conjunto de respostas, e a síntese. A agregação foi desenvolvida a partir do conjunto das
respostas, ou seja, a cada pergunta do roteiro de coleta de dados foram agregadas as respostas
dadas pelos entrevistados. A análise constituiu na filtragem das percepções mais significativas
dentro do enfoque estudado e, também, das exceções identificadas. Seguiu-se uma análise
descritiva, em que se buscou interpretar as informações tendo como base o referencial teórico
que norteou o desenvolvimento da presente pesquisa.
Segundo Bogdan e Biklen (2010), a entrevista é utilizada para recolher dados
descritivos na linguagem do próprio sujeito. Dessa forma, o roteiro da entrevista

foi

elaborado com base no referencial teórico. As questões que abordam a interação biblioteca e
unidade acadêmica foram elaboradas de acordo com a dissertação de Oliveira (2010).

1038

�As categorias de análise previamente definidas são: 1- instrumento de avaliação e a
gestão da biblioteca; 2- interação biblioteca e unidade acadêmica; 3- formação e atualização
do acervo em atendimento ao PPC e instrumento de avaliação; 4- recurso financeiro; 5divulgação.

6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Os tópicos apresentados a seguir referem-se às percepções que os gestores
bibliotecários entrevistados possuem sobre o instrumento de avaliação do MEC, bem como a
sua relação com a gestão da biblioteca universitária relacionada às atividades de ensino e
pesquisa. Buscou-se, nas entrevistas, perceber o entendimento e a importância que os gestores
têm do processo de avaliação externa das bibliotecas universitárias. Também suas opiniões a
respeito da ideia de o processo de avaliação ser um instrumento de gestão e, levando em conta
que a biblioteca é um órgão de informação, em quais aspectos relacionados ao ensino e à
pesquisa ela possa contribuir.

Categoria 1: Do conhecimento do Instrumento de Avaliação e do processo de
avaliação da biblioteca.
O processo de avaliação é um procedimento necessário e importante para a biblioteca
universitária, pois ele contribui na pontuação do curso junto ao MEC. Sobre o atual
instrumento de avaliação que é apresentado, ele se pauta exclusivamente por procedimento
quantitativo, demonstrando o caráter regulador do mesmo e não traduzindo em si as reais
necessidades e carências da biblioteca universitária. Os resultados advindos dos processos
avaliativos devem propiciar análises e mudanças efetivas nas bibliotecas.
Constata-se que todos os gestores entrevistados da amostra, doze (12) ao total,
conhecem o instrumento de avaliação do MEC e acreditam que, mesmo sendo uma avaliação
de caráter quantitativo, ela é de suma importância para o processo de avaliação da biblioteca.
O recorte de depoimentos a seguir ilustra esta percepção:

Conheço os instrumentos e os considero extremamente relevantes para a
avaliação da biblioteca universitária, especialmente porque servem como
norteadores do processo de desenvolvimento de coleções.

As opiniões dos gestores corroboram a visão de Ramos (1999), o qual comenta que a
avaliação deve se basear em princípios voltados para a filosofia da qualidade, com a
identificação de indicadores de avaliação enquanto ferramenta de gestão utilizada. Tais

1039

�opiniões mostram ainda que o instrumento de avaliação é um documento norteador para o
processo de formação e desenvolvimento de coleções da biblioteca universitária. Conforme
mencionado antes, Vergueiro (1989) reforça que, para a formação do acervo, seja por
aquisição, doação ou permuta, é necessário haver um parâmetro norteado para a tomada de
decisões nas bibliotecas.

Categoria 2: Da formação e atualização do acervo em atendimento ao instrumento de
avaliação.
Sobre essa questão, busca-se verificar a percepção dos gestores entrevistados sobre o
fato de a biblioteca orientar-se ou não pelos projetos pedagógicos ou planos de ensino dos
cursos de graduação, utilizando-os como fonte de informação para a formação e atualização
dos acervos da Sibi/UFG em atendimento ao instrumento de avaliação. A seguir, é
apresentado um depoimento acerca desse item.

Sim, a biblioteca deve estar sempre informada sobre os PPCs dos cursos
de graduação como fonte de informação para a formação e atualização dos
acervos do Sibi/UFG, já que seu propósito primeiro é servir de apoio ao tripé de
ensino, pesquisa e extensão. A biblioteca deve conhecer bem o público a que se
destina e suas necessidades para buscar suprir informacionalmente esse público.

No exemplo apresentado, percebe-se a importância do PPC, bem como seu impacto na
estrutura do instrumento de avaliação, que, segundo o INEP (BRASIL, 2012), é o documento
orientador de um curso que traduz as políticas acadêmicas institucionais com base nas
diretrizes curriculares nacionais (DCNs), sendo composto pela estrutura e conteúdo curricular,
ementário, bibliografia básica e complementar, recursos materiais, laboratório e infraestrutura
de apoio ao pleno funcionamento do curso. Oliveira (2002) reforça que a biblioteca
universitária deve servir também de apoio aos conteúdos ministrados, devidamente descritos
nos PPCs, o que respalda as opiniões dos entrevistados.
Por outro lado, durante as entrevistas surgiram algumas opiniões que refletem,
também, a dificuldade de alguns gestores em acompanhar as atualizações dos PPCs, como no
recorte a seguir.

“Sim, mas não somente, pois existe uma grande dificuldade de acessar e
atualizar os projetos pedagógicos na dinâmica de aula no contexto institucional ”.

1040

�Essa percepção dos gestores entrevistados reforça a figura do professor coordenador e
da importância do NDE. O professor coordenador do NDE deve ser o elo entre a unidade de
ensino e a biblioteca, sendo ambos corresponsáveis pela alimentação e retroalimentação das
bibliografias básicas e complementares e dos periódicos nos PPCs.

Categoria 3 : Do recurso financeiro.
A respeito dessa questão, busca-se verificar, a partir da percepção dos gestores
entrevistados, se eles consideram os recursos financeiros suficientes para a aquisição de
material informational, em atendimento ao instrumento de avaliação. A seguir, é transcrito
um dos julgamentos acerca deste item.

Não, ele não é suficiente pela quantidade de cursos e pela recomposição
ou formação do acervo pela bibliografia básica. Não é suficiente, precisa de ser
muito maior para que a biblioteca mantenha o acervo de todos os cursos pelo
menos quatro vezes do que é hoje para cumprir a quantidade solicitada e descrita
no instrumento do MEC.

No exemplo apresentado, percebe-se que os gestores entrevistados reconhecem que o
valor destinado a cada ano não é suficiente para se realizar a compra do material em
atendimento ao instrumento de avaliação do MEC. Essa percepção dos entrevistados reforça a
visão de Ferreira (1980) de que a questão da aquisição de publicações em atendimento aos
projetos pedagógicos pelas bibliotecas é um processo difícil por haver entraves burocráticos
na compra de material bibliográfico. E também pelo fato de que o orçamento é um dos pontos
de estrangulamento nas IFEs, responsável por muitos dos problemas nas instituições, entre
eles a desatualização de acervos bibliográficos.
O depoimento a seguir reproduz a opinião de dois dos entrevistados, que reconhecem
o esforço institucional na ampliação do recurso:

Reconheço o esforço da Instituição em garantir o recurso financeiro para
aquisição de material informacional, que a cada ano tem um reajuste, mas ainda
não é suficiente para garantir um acervo totalmente adequado.

Um dos entrevistados afirma que há, sim, um aumento nos recursos; porém, a
Universidade não possui uma preocupação sistematizada em primeiro criar a estrutura
necessária para depois criar um novo curso.

1041

�Não, apesar dos investimentos sistemáticos anuais desde 2000, pois se
verifica que a Universidade, na sua história, ao longo dos últimos anos, aprovou
diversos cursos sem estrutura adequada para o seu funcionamento. Houve uma
inversão, primeiro aprova e depois organiza a estrutura, fato que traz grandes
dificuldades para o ensino e também grandes problemas administrativos.

Stallivieri e Marcelino (2008) observam que a universidade, como qualquer outra
organização, requer um planejamento que atenda melhor aos seus objetivos diversos e
difusos, pois o planejamento deve ser um documento norteador do desenvolvimento das
atividades da universidade. Esse pensamento é reforçado por mais um dos gestores
entrevistados, que afirma:

A Universidade deve dar um suporte melhor para os cursos novos,
destinar um recurso maior; o que a gente percebe é que se cria o curso para
depois ver o que é preciso para ele funcionar e como a biblioteca é avaliada.
Chegam aqui tanto o professor quanto o aluno e não temos o básico para atendêlos, depois vem a avaliação e, portanto, somos mal avaliados, porque o que faltou
fo i o planejamento.

Categoria 4: Do papel da biblioteca universitária no desempenho dos cursos.
Nessa categoria, é abordada a relação entre o papel da biblioteca, o desempenho dos
cursos e também em quais aspectos ela, a biblioteca, pode contribuir. Constatou-se que as
opiniões foram praticamente homogêneas no sentido de que se referem ao apoio da biblioteca
ao ensino, à pesquisa e à extensão. Tais opiniões podem ser observadas e resumidas no
depoimento abaixo.

A função primordial de uma biblioteca universitária é dar suporte ao tripé
da instituição, que é o ensino, a pesquisa e a extensão. Dessa forma, a biblioteca
tem um importante papel nos cursos oferecidos pela instituição, pois ela será o
suporte acadêmico para que os alunos façam suas pesquisas, realizem seus
estudos de forma sistemática. Daí vem toda a importância de se ter acervos
condizentes com a realidade dos cursos, com que é ensinado e pedido em
pesquisa pelos docentes.

1042

�Quanto aos aspectos em que a biblioteca contribui, as respostas foram variadas em
diferentes segmentos. Confira a seguir uma delas.

Acho que a biblioteca pode contribuir capacitando os alunos no uso dos
recursos informacionais disponíveis, como cursos e treinamentos como, por
exemplo: treinamentos do Portal da Capes, curso de normalização bibliográfica,
entre outros.

Em ambos os aspectos, percebe-se a importância da biblioteca em parceria com os
cursos. Lubisco (2009) ressalta que as bibliotecas universitárias são importantes no processo
de formação dos indivíduos, pois elas assumem o papel de mediadores entre as novas
competências que são desenvolvidas no ambiente acadêmico e também atuam a favor do
conhecimento que a comunidade acadêmica demanda. Ainda de acordo com a autora citada,
as bibliotecas devem oferecer suporte à investigação técnico-científica, apoiando o tripé
ensino, pesquisa e extensão.

Categoria 5: Repasse, pela Universidade, do relatório final da avaliação de comissão
do MEC à biblioteca após a visita.
Um dos pontos importantes no processo de avaliação nas instituições de ensino é o
relatório final enviado pelos avaliadores à universidade após a visita in loco. Nele, estão as
percepções dos avaliadores sobre as dimensões avaliadas e os conceitos obtidos. Nesta
questão pode-se observar, diante da maioria das respostas, que a UFG não repassa o relatório
para a biblioteca. Esta lacuna leva ao pensamento de que a Instituição não considera que a
biblioteca possa contribuir de forma igual e decisiva, em relação a outras dimensões
avaliadas, com o processo de avaliação da qualidade da Instituição. A seguir, alguns
depoimentos colhidos nas entrevistas.

Não tenho conhecimento desse relatório final. Acredito que a partir desse
relatório, a biblioteca poderia compartilhar com as coordenações de cursos
quanto aos apontamentos referentes à composição do acervo e formular
estratégias para resolver as falhas.

1043

�Constatou-se que os gestores de duas das bibliotecas setoriais solicitaram o relatório à
Universidade para fazer uma avaliação do que foi pontuado pelos avaliadores, conforme
mostra a declaração a seguir:

Os relatórios são repassados pelos coordenadores quando a biblioteca
solicita. O diálogo acontece nas vésperas das avaliações. Quando algum curso é
mal avaliado, a coordenação do curso e a direção da unidade tomam as
providências necessárias para que a situação seja readequada. A biblioteca faz a
intervenção sempre que essa situação acontece para acompanhar e orientar
algumas ações.

Pelos depoimentos expostos, percebe-se que a interação entre a biblioteca e os
coordenadores de cursos é importante. Mas o que se percebe no todo é que há uma lacuna,
pois não é praxe sociabilizar o resultado das avaliações com a biblioteca. Entende-se que o
processo da avaliação perpassa pela posterior reflexão sobre os resultados avaliados. E que o
relatório final permite que se analise o que deve e pode ser melhorado, possibilitando também
propor mudanças efetivas na gestão da biblioteca.
Para Amorim (1992), a instituição de ensino deve instituir a cultura da avaliação,
envolvendo coletivamente todos os agentes inseridos no processo, o que não está sendo feito
na UFG, como se percebe a partir das entrevistas coletadas.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Partiu-se do princípio de que os instrumentos de avaliação do MEC são importantes na
gestão da biblioteca universitária face ao processo de aquisição de material informacional no
intuito de corresponder às necessidades dos alunos dos cursos de graduação da UFG. O foco
da pesquisa desenvolvida foi o estudo de caso no Sistema de Bibliotecas da UFG, que reúne
algumas das principais bibliotecas universitárias da região, sendo referência no Estado de
Goiás.
A definição pelos gestores de biblioteca de diferentes campi da Universidade deu um
caráter especial à pesquisa, evidenciando a percepção e a vivência de cada participante nas
entrevistas. A percepção de cada gestor foi importante pelo nível de envolvimento com a
gestão da biblioteca e com o tema da avaliação, sendo estes também responsáveis diretamente
pelo acompanhamento dos avaliadores do MEC, por ocasião da visita in loco.

1044

�As entrevistas realizadas com os diferentes gestores envolvidos com a administração
das bibliotecas, e também com o processo de avaliação, foram imprescindíveis. Elas
permitiram que se verificassem os diferentes níveis de percepção sobre os temas abordados, o
que proporcionou maior abrangência a este estudo.
A análise das diferentes dificuldades detectadas nas entrevistas sobre os aspectos
organizacionais relacionados aos processos de avaliação fornece subsídios para se propor
ações articuladas entre a biblioteca, os coordenadores de cursos e a UFG, de forma
institucionalizada.
Um dos aspectos percebidos e manifestados pelos entrevistados foi a importância e a
necessidade que tem o gestor da biblioteca de conhecer o instrumento de avaliação e tê-lo
como ferramenta para a gestão na Universidade, principalmente pelo fato de que a biblioteca
está incluída no contexto da avaliação institucional. Tal inclusão perpassa a ideia de a
biblioteca atender às necessidades dos cursos da Instituição e que a sua avaliação tem impacto
em outros importantes indicadores, como o PDI, o PPC e o NDE. Dessa forma, a avaliação se
constitui em uma ferramenta capaz de propiciar melhorias para a biblioteca, sendo de grande
importância no momento de negociações com a administração superior para novos
investimentos.
No tocante ao aspecto da formação e atualização do acervo, em atendimento tanto ao
instrumento de avaliação quanto ao projeto pedagógico do curso, verificou-se que tais
processos são muito importantes para as bibliotecas e para a Instituição. Tal percepção é
compartilhada com todos os 12 (doze) gestores entrevistados, que reconhecem que a
biblioteca possui um importante papel na condição de recurso pedagógico. E que é seu papel
oferecer a quantidade necessária da bibliografia básica, a bibliografia complementar, a
assinatura de periódicos e também o acervo virtual aos cursos ministrados. Outro aspecto a
ser considerado, diante da diversidade de cursos e da dimensão da Universidade, é o desafio
da biblioteca de possuir os PPCs. E mais: atualizados. Por outro lado, a UFG deve colaborar
criando uma ferramenta capaz de facilitar, dar acesso e permitir interação, a todos os
interessados, aos PPCs e às bibliografias descritas em seus planos.
A questão da interação entre biblioteca e unidade de ensino é fundamental e a ideia foi
corroborada na pesquisa pelas manifestações dos entrevistados. A biblioteca deve trabalhar de
forma integrada com os setores pedagógicos, coordenadores de cursos, conselheiros da
biblioteca, professores e alunos, possibilitando, assim, a disponibilização de um acervo em
quantidade suficiente e com qualidade. Para que isso se concretize, é preciso que o
bibliotecário seja o elo entre todos os atores envolvidos no processo pedagógico. É preciso

1045

�que a biblioteca esteja sempre em conexão com os atores pedagógicos, evitando, assim, que o
contato entre eles ocorra somente no período de distribuição do recurso ou no período da
avaliação dos cursos.
Outro aspecto a ser considerado é o recurso financeiro, reconhecido institucionalmente
como não é suficiente para atender à demanda real dos cursos por material informacional.
Apesar de o valor ser acrescido a cada ano, tal prática não consegue atender ao que está
proposto no instrumento de avaliação. Um dos motivos é a própria dinâmica aplicada pela
Instituição no processo de ampliar a quantidade de vagas e/ou criar novos cursos. Apesar da
iniciativa de incrementar o recurso financeiro para os cursos a serem avaliados, ele é
insuficiente para atender a todas as disciplinas e a quantidade exigida. É imperativo que a
Instituição invista, em primeiro lugar, na montagem da estrutura adequada para, depois, dar
andamento à criação de novos cursos e/ou ampliar o número de vagas em cursos já existentes.
Em relação ao processo de divulgação de ações para o recebimento dos avaliadores e
ao resultado do processo avaliativo pela comissão de avaliadores, percebe-se que não há uma
sistemática na atitude da Instituição para com a biblioteca. Considera-se que é de suma
importância que a biblioteca seja inserida nas discussões e ações desenvolvidas pela
Universidade, em particular as que envolvem assuntos relativos à biblioteca.
Finalizando, pode-se dizer que este trabalho atingiu o objetivo proposto. A partir das
entrevistas realizadas com os gestores das diferentes bibliotecas do Sibi/UFG, foi possível a
análise das categorias propostas. Também foi confirmado que as categorias eleitas para a
pesquisa levantaram os pontos mais importantes, quando se fala em avaliação das bibliotecas,
e que esses pontos podem ser trabalhados institucionalmente para uma melhor avaliação da
biblioteca visando a atender melhor o que é solicitado no instrumento de avaliação do MEC.
O estudo permitiu também observar, de perto e detalhadamente, todos os aspectos do
processo avaliativo, tanto no contexto da biblioteca quanto da Universidade como um todo, o
que possibilitou verificar que a cultura da avaliação permeia a Instituição como um todo e que
pode contribuir para a qualidade do ensino e, consequentemente, para a Universidade.
Espera-se mostrar, com os resultados desta pesquisa, que os critérios de avaliação do
MEC devem servir não apenas para identificar problemas, mas para ir além, possibilitando
que os gestores das IES e os profissionais bibliotecários possam elaborar estratégias visando a
aquisição e atualização das bibliografias básicas e complementares dos cursos ministrados na
Universidade Federal de Goiás. Proporcionando, assim, a criação de um acervo bibliográfico
de excelente qualidade, que atenda efetivamente aos projetos pedagógicos e às necessidades
informacionais de toda a comunidade acadêmica.

1046

�Um dos fatores observados durante a pesquisa foi a necessidade de se estabelecer uma
parceria entre o órgão biblioteca, os coordenadores de cursos e a Instituição objetivando
viabilizar um sistema de informação gerencial capaz de agregar e sociabilizar todas as
informações dos PPCs e das bibliografias básicas e complementares. Recomenda-se, também,
que as bibliotecas universitárias procedam à avaliação de sua coleção, em atendimento ao
instrumento de avaliação e ao PPC dos cursos. Outra recomendação é que sejam realizadas
reuniões periódicas nas unidades acadêmicas, no intuito de firmar, onde houver, ou fortalecer
a parceria entre os atores do processo pedagógico.
Como este trabalho não é um fim em si mesmo, e não tem a pretensão de dar a palavra
final em nenhum dos assuntos abordados, sugere-se ainda que o estudo aqui proposto seja
ampliado. Ou seja, que a pesquisa seja realizada também nas bibliotecas universitárias
pertencentes às instituições privadas da região com a finalidade de verificar as práticas e
estratégias adotadas por elas.

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                <text>O estudo visa analisar a gestão da biblioteca universitária considerando os instrumentos de avaliação das condições de oferta de cursos de graduação utilizados pelo Ministério da Educação (MEC).</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL: UMA INOVAÇÃO TECNOLOGICA PARA O
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFRB
Nadja Antonia Coelho dos Santos
Isaelce Santos Silva

RESUMO
Atualmente com o uso das tecnologias da informação comunicação - TICs, muitas Bibliotecas
e Centro de Documentação estão informatizando seus acervos e adequando os princípios
básicos da Biblioteconomia como Administração de Biblioteca, Seleção, Disseminação de
Informação, Catalogação, Serviço de Referência, Classificação e outros, no sentido de unir
estes princípios às novas propostas de controle de informação trazidas pelas tecnologias da
informação, e como tendo a possibilidade de disseminar a informação de maneira mais rápida
e socializada, não mais de forma estática e sim dinâmica. Assim, em vista dessa observação
notou-se à necessidade da implantação de um Repositório Institucional para a comunidade
cientifica da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Este trabalho tem por
objetivo apresentar a iniciativa da UFRB na construção e desenvolvimento de um Repositório
Institucional para as publicações científicas produzidas pelo seu corpo docente e discente
baseado na política de Acesso Aberto, denominado RI-UFRB, cuja proposta é dinamizar,
preservar, disseminar o conhecimento produzido na instituição de forma rápida e eficiente,
garantindo maior visibilidade no impacto destas produções para cursos da UFRB. Para a
implantação do RI-UFRB, o primeiro passo foi a formalização do projeto perante a
instituição, em seguida iniciou-se a fase de pesquisa para o seu desenvolvimento com base
nos teóricos que escreveram trabalhos sobre Repositórios Institucionais, aplicando-os à
realidade da UFRB. Até o momento a construção do RI-UFRB, está em processo inicial e em
desenvolvimento continuo, já foi concluída a modelagem do banco de dados, a criação da
página da web, a documentação da submissão de documentos no RI e por fim a implantação
do plano de marketing. Atualmente, tem-se um total aproximado de 273, documentos
indexados no RI, o resultado tem sido satisfatório, pois, mesmo não utilizando ainda o
processo de auto-arquivamento, nota-se uma maior divulgação da produção científica da
universidade. Para nossa universidade o RI-UFRB hoje é uma poderosa ferramenta de gestão
informacional, principalmente para o nosso Sistema de Bibliotecas, no que tange a divulgação
dos materiais referentes à produção científica da instituição, depositados em nossos acervos.
Palavras-Chave: Gestão da Informação 1; Repositório Institucional 2; Comunicação
Científica 3 Disseminação da Informação 4; Acesso aberto 5.
ABSTRACT
Currently the use of information communication technologies - ICTs, many Libraries and
Documentation Centre are computerizing their collections and adapting the basic principles of
librarianship as Library Management, Selection, Information Dissemination, Cataloging,
Reference Service, Classification and others to unite these principles to new proposals for

4524

�control of information brought by information technology, and as having the ability to
disseminate information faster and more socialized way, no more static but dynamic manner.
Thus, in view of this observation it was noted the need for the establishment of an
Institutional Repository for the scientific community of the Federal University of Reconcavo
of Bahia (UFRB). This work aims to present the initiative of UFRB in the construction and
development of an Institutional Repository for scientific publications produced by its faculty
and students based on the Open Access policy, called RI-UFRB, whose purpose is to foster,
preserve, disseminate knowledge produced in the institution quickly and efficiently, ensuring
greater visibility on the impact of these productions to UFRB courses. To implement the RIUFRB, the first step was to formalize the project in the institution, then began the research
phase for its development based on theorists who have written papers on Institutional
Repositories, applying them to the reality of UFRB. By the time the construction of the IRUFRB, is in the initial process and continuous development, has already completed the
modeling of the database, the creation of the web page, the documentation of the submission
of documents in RI and finally deploying marketing plan. Currently, we have a total of
approximately 273 documents indexed in RI, the result has been satisfactory, because even
not using the process of self-archiving, note a greater dissemination of scientific production of
the university. Our university RI-UFRB today is a powerful informational management,
especially for our library system, regarding disclosure of material relating to the scientific
production of institution, deposited in our collections.
Keywords: Information Management 1; 2 Institutional Repository; Scientific Communication
3 Information Dissemination 4; Open Access 5
1 INTRODUÇÃO
O crescimento da produção científica nas universidades é originário dos resultados das
pesquisas e estudos e esses resultados são documentados pelos pesquisadores que ao longo do
processo de criação, de pesquisa, de análises, vão descrevendo as etapas, as conclusões e
direcionando suas descobertas para sociedade científica em formato de artigos, livros,
periódicos, monografias, teses, dissertações, papers., fotografias, boletins, resumos, anais,
CDs, DVDs, sites, revistas eletrônicas etc. Esses mecanismos dão ao pesquisador a
possibilidade de difusão rápida dos resultados das suas pesquisas e a resposta da comunidade
científica. A partir do momento que se iniciou a informatização de todo o acervo das
bibliotecas da UFRB no Sistema Bibliográfico Pergamum, observou-se que o acervo tanto
bibliográfico quanto da literatura cinzenta, é crescente assim como, o seu corpo de
pesquisadores.

Atualmente tem-se na instituição, o cerca de aproximadamente, 57

professores, sendo 299 com doutorado, 237 com mestrado, 15 com especialização, 5 com
graduação e 1 com aperfeiçoamento, nos últimos oito anos, ou seja, 2006 a 2013 esses
professores trouxeram sua produção cientifica individual resultado das pesquisas de mestrado,
doutorado, pós-doutorado que, juntamente com os alunos de graduação e pós-graduação
estão construindo novas descobertas dentro do processo científico e acadêmico da UFRB.

4525

�Atualmente a UFRB conta com 52 cursos, entre Graduação e Pós-Graduação. Estão
catalogados no Repositório Institucional RI-UFRB um total 273 documentos entre teses e
dissertações, artigos e livros da Editora da UFRB. O arquivamento ocorre periodicamente,
com a visita aos sites dos cursos e o deposito nas bibliotecas dos documentos. No caso das
dissertações e teses estas tanto são recebidas no formato impresso quanto no formato digital
pelas Bibliotecas do Sistema. O Sistema de Bibliotecas, através do Núcleo de Apóio à Gestão
de Informação e Documentação Digital (NUGID), é que o setor responsável pelo RI-UFRB,
por possui pessoal especializado, a fim de criar, implementar e manter o repositório da
instituição. No entanto, é primordial a colaboração de especialistas de outras áreas como a de
Tecnologia da Informação, como a Coordenadoria de Tecnologia da Informação (COTEC),
que apóia e redireciona as atividades voltadas para a implantação dos serviços das bibliotecas
da UFRB.
O software utilizado é o Dspace. O Dspace gerencia documentos, indexa, armazena,
controla versões, recupera. Sua plataforma tecnológica engloba: linguagem de Programação
Java; SGBD PostgreSQL, Tomcat , Software Linux, ou Windows. Tem interface baseada na
web; aceita uma variedade de formatos (texto, imagem, vídeo e áudio); abarca conteúdos
diversos livros, artigos, relatórios técnicos, dissertações, teses, simulações, etc. Possui um
modelo de sistema de informação organizacional baseado em comunidades, subcomunidades
e coleções. No caso da UFRB as comunidades correspondem aos sete centros de ensino
Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas - CETEC; Centro de Ciências Agrárias Ambientais
e Biológicas - CCAAB; Centro de Artes Humanidades e Letras - CAHL; Centro de Ciências
da Saúde - CCS; Centro de Formação de Professores CFP; Centro de Cultura, Linguagens e
Tecnologias Aplicadas - CECULT e o Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e
Sustentabilidade - CETENS. As subcomunidades são constituídas dos cursos de graduação e
pós-graduação (Especialização, Mestrado e Doutorado), ou seja, cada curso tem a sua coleção
dentro de repositório, com necessidades específicas de gerenciamento de informação ou seja,
cada um tipo de metadado para cada tipo de documento. As Coleções são classificadas, por
tipo de material, trabalhos de conclusão de curso (TCC), artigos, livros, anais de eventos,
trabalhos apresentados em eventos, relatórios técnicos, entre outros, são constituídas de
acordo com o interesse e o tipo de produção de cada subcomunidade.

2 REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL: DEFINIÇÕES E CONCEITOS
Sendo assunto recente e bastante interessante, na literatura, o tema Repositório
Institucional, apresenta diferentes níveis de conceituação, são várias as definições pautadas

4526

�em estudos de teóricos no qual alguns autores definem o RI como sendo um conjunto de
serviços oferecidos pelas instituições em um formato eletrônico padronizado, cuja finalidade é
propiciar o acesso livre ou aberto, a distribuição irrestrita, a interroperabiolidade e o
arquivamento a longo prazo.
Repositórios Institucionais (RI), como bem descreve Clifford Lynch, diretor da União para
Informação em Rede, (2003) é:
[...] um repositório institucional é um conjunto de serviços que a
universidade oferece para os membros de sua comunidade para o
gerenciamento e a disseminação de conteúdos digitais, criados pela
instituição e membros da sua comunidade. É essencialmente um
compromisso organizacional com a gestão, desses conteúdos digitais,
inclusive preservação de longo prazo, quando apropriado, bem como
organização e acesso ou distribuição.
Segundo Vianna, Márdero, Arrelano (2006, p. 2) Os Repositórios Institucionais são:
a) Considerados uma forma eficaz de preservação da produção intelectual dos especialistas de
uma ou várias instituições;
b) Os repositórios institucionais representam uma inovação na gestão de documentos
eletrônicos dentro das instituições de ensino superior (IES);
c) Um repositório digital é uma forma de armazenamento de objetos digitais que tem a
capacidade de manter e gerenciar material por longos períodos de tempo e prover o acesso
apropriado;
d) Os repositórios digitais dividem-se em: temáticos e institucionais. Os repositórios
temáticos cobrem uma determinada área do conhecimento. Já os repositórios institucionais
(RI) são sistemas de informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso à
produção intelectual de instituições e comunidades científicas, em formato digital e podem ser
acessados por diversos provedores de serviços nacionais e internacionais.
É um mecanismo diversificado com uma singular característica, no RI o
armazenamento da produção científica e originária única e exclusivamente de uma
determinada instituição e somente seus pesquisadores podem incluir documentos neles, ou
seja, toda a produção cientifica é local e gerenciada de forma que e pesquisador tem a
credibilidade e a segurança de que seu material será referenciado dentro de uma fonte segura,
visto que, com bem ressalta Lynch (2003) esta é uma das formas utilizadas pelas
universidades para apoiar a divulgação dos resultados de pesquisas científicas, criando
mecanismos para legitimar e estimular a publicação dos trabalhos produzidos, pois sua função
primordial é viabilizar a produção científica e preservá-la de forma acessível à todos num

4527

�envolvimento entre pesquisadores e usuários, visto ser um mecanismo de conteúdos
heterogêneo.
O conteúdo de um repositório institucional é bastante heterogêneo tanto no
que diz respeito à tipologia dos documentos como em relação à
multidisciplinaridade. Os documentos intelectuais produzidos por
pesquisadores e estudantes, tanto de pesquisa como materiais didáticos
constituem-se nos principais tipos de registros dos repositórios. Além
desses, um repositório institucional pode conter informações sobre as
diversas atividades da instituição como eventos e outros programas
promovidos pela mesma. (Café e outros, 2003).
É um mecanismo tão diversificado e inovador que Raym Crow, (2002) em seu artigo
The Case for Institutional Repositories: A SPARC Position Paper, destaca o impacto do
repositório institucional sobre os seus financiadores como bibliotecas, docentes e
investigadores, estudantes.
Segundo ele o impacto potencial do repositório institucional em bibliotecas
acadêmicas ocorre em nível estratégico e tático.
Estabelecer um programa de repositório institucional indica que uma
biblioteca além de ter um papel de custódia esta deve contribuir ativamente
para a evolução da comunicação científica. As bibliotecas são mais
adequadas para fornecer grande parte da experiência de preparação de
documentos (formato de documento controle, padrões de arquivos, etc.) para
ajudar os autores contribuem para a sua pesquisa instituição Da mesma
forma, as bibliotecas podem oferecer informações muito mais eficazes e
especialização em termos de marcação de metadados, controles de
autoridade, e os outros conteúdos requisitos de gestão que aumentem o
acesso e a usabilidade dos dados em si. (CROW, 2002).
Para docentes e investigadores este destaca a importância de que nos repositórios os
direitos autorias, permanecem para o autor sem intermediação de qualquer outro detentor,
mesmo por que, os direitos autorais oferecem proteção aos autores de conteúdos para
controlar como seus materiais podem ser usados e distribuídos, e o seu adequado
entendimento é vital para o sucesso do projeto repositório institucional.
O maior obstáculo a qualquer mudança na estrutura fundamental de
acadêmicos reside na inércia do paradigma da publicação tradicional. E nada
que a inércia mais profunda e compreensível, dada a profissionais apostas do
que entre os acadêmicos da faculdade. Ao contrário do comércio de
publicação, os autores acadêmicos raramente recebem compensação direta
para os artigos de investigação que publicam. Em vez disso, eles publicam
para reconhecimento profissional e progressão na carreira, bem como
contribuir para a bolsa em sua disciplina. Atender às suas necessidades e
percepções do corpo docente e demonstrar a relevância de um repositório
institucional para a sua realização deve ser de central importância para as
políticas de conteúdo, os planos de aplicação e de marketing interno.
(CROW, 2002).

4528

�Para os estudantes estes podem indexar os seus trabalhos dentro das normas
estabelecidas pela instituição bem como podem compartilhar informações, indexar seus
documentos e serem observados pelos orientadores.
Teses e dissertações eletrônicas também fornecem conteúdo lógico para ser
capturada pelo repositórios institucionais, e, nessa medida, os alunos
também estão indexados como autores nos repositórios. No entanto,
enquanto as instituições podem prever as dificuldades a obrigatoriedade do
documento formatos e políticas de direitos autorais de suas faculdades,
suspeita-se que elas não terão como dificuldades de observações dos alunos.
As universidades geralmente prescrevem rígida requisitos de formato de
documento de dissertações de pós-graduação e alunos estão acostumados a
aderir a elas. Além disso, pode-se antecipar os alunos a adaptar-se a
publicação digital oportunidades mais rápido e com menos reservas que os
seus corpo docente. (CROW, 2002).
Nota-se a importância e a amplitude do repositório pela possibilidade de atender
gerencialmente as necessidades de disseminação da informação. Há uma clientela
diversificada, mas com interesses em comum, o impacto causado para o cliente teoricamente,
não deveria, mas ultrapassa as expectativas do mesmo, pois como bem afirma Crow (2002) os
repositórios institucionais são um complemento valioso para os existentes do modelo de
publicação acadêmica, estimulando simultaneamente a inovação em uma nova estrutura de
publicação que vai evoluir e melhorar com o tempo. Além disso, eles constroem sobre uma
prática da faculdade, crescente base de auto publicação online da investigação
Para que haja este desenvolvimento e que o RI atinja a sua meta principal que é
preservar

e disponibilizar

a produção

intelectual

da instituição

representando-a,

documentando-a e compartilhando-a em formato digital, tem que haver o compartilhamento e
a participação de uma equipe multidisciplinar formada por bibliotecários, analistas de
informação, administradores de arquivos, administradores de departamentos e da instituição,
pesquisadores e pessoal envolvido com a política universitária. “É necessário ressaltar a
importância do reconhecimento da comunidade universitária, sua participação e apoio. Sem
estes requisitos, um repositório, seja ele institucional ou temático, jamais terá um tempo de
vida muito longo”. (CAFÉ e outros 2003).
Ressalta Café e outros (2003), também o papel do pesquisador, pois segundo estes:
Os pesquisadores, conscientes da importância dos repositórios
institucionais, devem participar da elaboração de políticas voltadas para a
implantação e manutenção dos mesmos. Os especialistas devem participar
no convencimento de seus colegas sobre os benefícios dos repositórios
institucionais. É importante ressaltar que este novo mecanismo irá auxiliar o
que as comunidades científicas já estão acostumadas a fazer, ou seja:
compartilhar e divulgar o seu conhecimento. A diferença está no fato de
utilizar uma tecnologia de ponta para este fim e não ter que se preocupar
com questões técnicas voltadas a preservação, interoperabilidade, protocolo
OAI, entre outras. (CAFÉ e outros, 2003).

4529

�Em seu trabalho Café e outros (2003) destacam características importantes e de
fundamental relevância para a viabilidade do RI, tais como:
a) processamento automático dos mecanismos de discussão entre os pares;
b) geração de versões de um mesmo documento;
c) tipologia variada de documentos;
d) auto-arquivamento;
e) interoperabilidade entre todos os repositórios temáticos e seus serviços agregados;
Café e outros (2003) destacam também que “outro argumento importante em favor da criação
de um repositório institucional é a sua capacidade de maximizar o impacto da pesquisa,
aprimorando os fundos para pesquisa, prêmios e prestígio compartilhados pelos pesquisadores
e pela instituição”.
No Brasil a instituição que fomenta a implantação do RI nas Universidades é o
Instituto de Ciência e Tecnologia e Inovação (IBICT), o IBIC, desde 2003, realiza estudos
sobre ferramentas para repositórios institucionais. O IBICT distribui o sofware Dspace,
desenvolvido pelo Massachussetts Institute o f Technology MIT, em conjunto com a Hewlett
Parcart (HP).
Segundo Viana; Márdero e Shintaku (2000) apud Barton e Walker, (2003) duas
instituições pioneiras no desenvolvimento de software livre para repositórios digitais foram a
University of Southampton na Inglaterra e o Massachusetts Institute of Technology (MIT). A
primeira criou o software Eprints (http://www.eprints.org/) destinado para servir de
repositório institucional ou temático (de uma área do conhecimento) de documentos digitais.
O MIT, em colaboração com a Hewlett Packard Corporation criou o modelo de repositório
institucional chamado DSPACE (http://www.dspace.org/), que atualmente está sendo o
software para construção de repositórios institucionais mais usados internacionalmente. A
rede internacional de repositórios institucionais que usam o Dspace prove amplo conteúdo e
serviços entre instituições de ensino e pesquisa, além de possuir uma federação já constituída.
O DSpace adotou o protocolo para coleta de metadados da Iniciativa dos Arquivos Abertos
(OAI-PMH v2.0) e é considerado um provedor de dados. O Protocolo foi implementado
usando o software aberto OAICat, para fazer os registros dos itens disponíveis para coleta.
Entre as características do DSpace estão:
a) ser um software livre,
b) sua arquitetura de software é simples e eficiente,
c) uso de tecnologia de ponta,
d) direcionado para o acesso aberto, e

4530

�e) intencionalmente implementado para servir de repositório institucional.
No Dspace os dados estão organizados de forma a refletir a estrutura da instituição e
se organizam em coleções. A meta do projeto DSpace é estudar os repositórios institucionais,
incluindo aspectos tais como: controle do acesso, direitos autorais, versões digitais de
documentos, recuperação, receptividade por parte da comunidade acadêmica, e suas
funcionalidades para a publicação.
Pois como bem afirmam Leite e Costa (2006) apud Lawrence (2003), os repositórios
constituem uma manifestação evidente da importância emergente da gestão do conhecimento
no contexto da educação superior. Com base na similaridade e complementaridade existente
entre os processos do sistema de comunicação científica e as atividades da gestão do
conhecimento, os repositórios institucionais podem ser considerados, portanto, um
mecanismo que emerge como uma poderosa alternativa tanto para a comunicação quanto para
a gestão do conhecimento científico.

2.1 DOS BENEFÍCIOS PARA A UNIVERSIDADE
•

Aumenta a visibilidade, reputação e prestígio da instituição;

•

Maximiniza a eficiência e o compartilhamento de informações;

•

Melhora a precisão e completude dos registros dos documentos acadêmico da
instituição;

•

Facilita o gerenciamento dos direitos de propriedade intelecutla da instituição;

•

Reduz custos de gestão da informação científica;

•

Atua como ferramenta de marketing;

•

Contribui para o processo de avaliação das atividades de pesquisa;

•

Oferece flexibilidade e possibilidade de integração com outros sistemas de gestão e
disseminação da produção científica institucional;

•

Contribui para a missão e valorização da instituição no que diz respeito à
transparência, à liberdade de discurso e à igualdade;

•

Melhora da comunicação cientifica interna e externa à instituição.

2.2 DOS BENEFÍCIOS PARA O PESQUISADOR
•

Visibilidade de suas descobertas científicas;

•

Facilidade de gestão da produção científica;

•

Ambiente seguro;

•

Facilidade de identificação;

4531

�•

Endereço eletrônico simples - aumento de citações;

•

Diminuição da possibilidade de plágio;

•

Oferta de indicadores do impacto dos resultados;

•

Incentivo a outros pesquisadores;

•

Acesso 24 horas por meio de qualquer dispositivo WEB;

•

Melhora o entendimento sobre direitos autorais.

2.3 DOS BENEFÍCIOS PARA O PESQUISADOR
•

Visibilidade de suas descobertas científicas;

•

Facilidade de gestão da produção científica;

•

Ambiente seguro;

•

Facilidade de identificação;

•

Endereço eletrônico simples - aumento de citações;

•

Diminuição da possibilidade de plágio;

•

Oferta de indicadores do impacto dos resultados;

•

Incentivo a outros pesquisadores;

•

Acesso 24 horas por meio de qualquer dispositivo WEB;

•

Melhora o entendimento sobre direitos autorais;

•

Supre as demandas das agências de fomento.

2.4 DOS BENFÍCIOS PARA A COMUNIDADE CIENTÍFICA
•

Contribui para a colaboração na pesquisa por meio da facilitação de troca livre de
informação científica;

•

Contribui para o entendimento público das atividades e esforços de pesquisa;

•

Reduz custos (ou pelos menos direciona a sua realocação) associados com assinaturas
de periódicos científicos;

•

Favorece a colaboração em escala na medida em que explicita resultados e põe autores
em evidência.

2.5 BENEFÍCIOS PARA ADMINISTRADORES ACADÊMICOS (BIBLIOTECAS )
•

Oportunidade para o arquivamento e preservação dos trabalhos em formato digital;

•

Termômetro das atividades de pesquisa;

•

Facilita a pesquisa interdisciplinar;

•

Reduz a duplicação de registros;

•

Automatiza tarefas e a coleta de matados por outras fontes.

4532

�3. INSTITUIÇÕES QUE USAM REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL
Atualmente muitas instituições no Brasil e no mundo recorrem ao uso do Repositório
como sistema de armazenamento da produção cientifica local como um mecanismo que
facilite a difusão rápida, legal e legitima dessa produção em tempo real, visto que os
repositórios centralizam, preserva, e torna acessível o capital intelectual de instituição a
distribui de forma global, podemos destacar instituições como:
UNB: http://repositorio.bce.unb.br/
O Repositório Institucional da UnB é um conjunto de serviços oferecidos pela
Biblioteca Central para a gestão e disseminação da produção científica e acadêmica da
Universidade de Brasília. Todos os seus conteúdos estão disponíveis publicamente, e por
estarem amplamente acessíveis proporcionam maior visibilidade e impacto da produção
científica da instituição.
UFBA: Repositório Institucional (RI) da UFBA: http://www.repositorio.ufba.br/ri/
O RI tem como objetivo reunir num único local virtual o conjunto da produção
científica e acadêmica da Universidade Federal da Bahia, contribuindo para ampliar a
visibilidade da Instituição e dos seus pesquisadores, bem como o impacto da investigação,
além da preservação da memória intelectual, seja na área das artes, das ciências ou
humanidades.
UFRGS: http://www.lume.ufrgs.br/apresentacao
O Lume - nome próprio atribuído ao Repositório Digital da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul. Tem por objetivo reunir, preservar, divulgar e garantir o acesso confiável
e permanente aos documentos acadêmicos, científicos, artísticos e administrativos gerados na
Universidade, bem como às suas coleções históricas, e a outros documentos de relevância
para a Instituição, que fazem parte de suas coleções, embora não produzidos por ela,
maximizando o uso desses recursos
RepositóroUM: http://repositorium.sdum.uminho.pt/
O RepositóriUM - repositório institucional da Universidade do Minho, disponibiliza
um acervo crescente das publicações científicas produzidas na instituição. O objetivo do
RepositóriUM é armazenar, preservar, divulgar e dar acesso à produção intelectual da
Universidade do Minho em formato digital e maximizar a visibilidade, uso e impacto da sua
investigação através do Acesso Livre.
E-LIS (http://eprints.rclis.org) da área de Ciência da Informação;
SSOAR (Social Science Open Access Repository- http://www.ssoar.info/es.html) da
área de Ciências Sociais;

4533

�PubMed Central (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/) da área de Ciências da Vida;
ArXiv (http://arxiv.org/) das áreas de Física, Matemática, Ciência da Computação,
Biologia Quantitativa, Finanças Quantitativas e Estatística;
PubMed Central UK (http://ukpmc.ac.uk/) das áreas Biomédicas e de Saúde;
PubMed Central (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/) das áreas Biomédicas e de
Saúde;
CiteSeerx (http://citeseerx.ist.psu.edu/) das áreas de Computação e Ciência da
Informação;
RePEc (http://www.repec.org/) da área de Economia

4. TIPOS DE REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
Ao citarmos Café (2003) este define o repositório institucional (RI) como sendo a
reunião de Repositórios Temáticos (RTs), sob a responsabilidade técnica e administrativa de
uma instituição ou organismo. Por conseqüência, este tipo de repositório é multidisciplinar e
possui uma gama de tipos de documentos ainda maior que os RTs. Além de agregar o
conjunto de informações relativas e/ou de interesse para a instituição, dispõem de serviços
relativos à organização, tratamento, acesso e disseminação deste conteúdo digital.

5. TEMÁTICOS
O Repositório temático tem a preocupação de armazenar documentos com uma delimitação
concisa de sua cobertura designada por um assunto, área do conhecimento ou temática
específica. Em outras palavras, Kuramoto (2006, p. 83) afirma esta definição dizendo que
repositórios temáticos “são um conjunto de serviços oferecidos por uma sociedade, associação
ou organização, para gestão e disseminação da produção técnico-cientifica em meio digital, de
uma área ou subárea especifica do conhecimento”.

6. A INCIATIVA DOS ARQUIVOS ABERTOS E O DO ACESSO ABERTO
A década de 90 com o advento das tecnologias da informação ocasionaram sérias mudanças
na vida do homem em sociedade e dentro das organizações desde as mais simples e as mais
complexas. Hoje é muito fácil ler o jornal do dia sem, ir à banca de revista comprar ou saber
da noticia que ainda não foi publicada em um jornal convencional, contanto que se tenha para
isso um computador, notebook, tablets, smartfone, com acesso a Internet (rede mundial de
computadores) em suas constantes inovações tecnologias.

4534

�É nesse contexto que surge a Iniciativa dos Arquivos Abertos e o Acesso Livre como
alternativas para publicações científicas, o mundo adaptou e transformou-se com as
tecnologias. Na Ciência, as tecnologias da informação e da comunicação diversificaram a
disseminação do conhecimento cientifico criando um novo modelo de paradigma para a
comunidade científica disponibilizar o conhecimento tanto para os pares quanto para a
sociedade de forma rápida e precisa com a feedback em tempo real. A Internet trouxe um
fortalecimento na política de envolvimento entre as comunidades científicas e suas produções
intelectuais possibilitando o fluxo informacional e o contínuo desenvolvimento da pesquisa. O
investimento em pesquisa em gerou o crescimento da produção acadêmica como é o caso dos
artigos, teses, dissertações e monografias que são valorizados e reconhecidos como uma fonte
de conhecimento.
Conforme Silva (2008) a iniciativa dos Arquivos Aberto (Open Archives Initiative)
insere-se nesse movimento, ao qual é responsável por estabelecer uma nova dinâmica na
comunicação. A principal característica é que o conhecimento produzido nas instituições de
ensino ultrapasse a barreira acadêmica e dirige-se de forma cada vez mais eficaz e direta a
sociedade, no seu entendimento, Acesso Livre e Arquivos Abertos (Open Archives Initiative),
são responsáveis por estabelecer os locais e as condições nas quais os pesquisadores e as
instituições depositam os seus trabalhos, esse local é conhecimento como Repositório
Institucional. Na dinâmica do Acesso livre os usuários da literatura científica podem ler,
baixar, copiar, distribuir, imprimir, procurar, fazer links a textos completos e usá-los com
qualquer propósito legítimo, sem barreiras financeiras, legais ou técnicas, do que aquelas que
a Internet possui e sem custo algum. O Acesso Aberto define duas estratégias de atuação: a
via dourada e a vi verde.
Via dourada: publicações em revistas de Acesso Aberto em que os artigos ficam
disponíveis sem restrições de acesso desde o momento de sua publicação.
Via verde: uma cópia digital das publicações científicas dos pesquisadores é
armazenada em bases de dados conhecidas como repositórios digitais, que permitem o seu
livre acesso por meio da Internet.

7. DA POLITICAS DE INFORMAÇÃO PARA OS RIs
Conforme Silva (2008) antes da instalação e funcionamento do requisitório
institucional faz-se necessário estabelecer as políticas do mesmo. O RI-UFRB é pautado na
Portaria de Implantação número 002 de 03 de janeiro de 2013 que institui o Repositório
Institucional da UFRB; da Portaria número 49 de 10 de junho de 2013 que instituiu Comitê

4535

�Gestor, da Portaria 771/2013 de instituiu a Política do Repositório Institucional e por fim do
Termo de Autorização para a Publicação o Digital. A Política do Repositório Institucional é
um dos itens fundamentais “pois esta fundamenta as diretrizes que dizem respeito aos
aspectos técnicos, que estabeleçam orientações para o tratamento, armazenamento e
disseminação das informações científicas da instituição e das comunidades envolvidas da qual
o repositório será destinado” (SILVA 2008).
As políticas normalizam o uso e acesso aos repositórios institucionais, são medidas
administrativas que maximizam os objetivos dos repositórios tais como: matérias e objetos
digitais que serão incluídos, utilização do auto-arquivamento, aprovação previa para
disponibilizar o material, responsabilidade legal etc.
O Sistema de Bibliotecas da UFRB optou inicialmente por não utilizar o autoarquivamento e prioritariamente todos os trabalhos apresentados na instituição devem assinar
o Termo de Autorização para a Publicação o Digital e as Coordenações dos Cursos devem
enviar os materiais (teses e dissertações) no formato impresso acompanhados do CD contendo
o documento em formato PDF.
As políticas normatizam o uso, a visibilidade, a permanência, o conteúdo, os
metadados, a submissão, a autoria e co-autoria e direito autoral de cada item depositado no
Repositório.

8. DA IMPLANTAÇÃO DO REPOSITÓRIO NA UFRB
A implantação do RI-UFRB seguiu o cronograma com as etapas definidas pele gestor
mediante as determinações do IBICT, juntamente com a equipe. Nele ficou definida desde a
discussão de modelo e política de gestão, do software de gestão do repositório (escolha,
desenvolvimento de serviços e página web), passando pelo desenvolvimento de modelo de
funcionamento, estabelecimento de políticas de publicação (permissões, auto-publicação,
formatos, tipos de documentos, direitos autorais etc.), e definindo o esquema de metadados,
classificação e política de divulgação do sistema.
Para a construção e desenvolvimento do RI-UFRB, o primeiro passo foi a
formalização da ideia e esta foi consolidada através de um projeto apresentado pelo Núcleo de
Apoio à Gestão da Informação e da Documentação Digital-NUGID em 2009 à Coordenadoria
de Informação e Documentação - CIDOC, com levantamento de toda documentação referente
ao corpo de pesquisadores existentes na instituição e por fim a participação do representante
do Núcleo de Tecnologia do Sistema de Bibliotecas da UFRB no evento “Iniciativas do
IBICT para a Visibilidade da Ciência Brasileira”, onde foi recebido o KIT Tecnológico. Em

4536

�seguida deu-se início a fase de implantação técnica do Servidor e do software DSpace dando
origem às pesquisas para o desenvolvimento das diretrizes básicas relativas as formas de uso
do sistema.
O RI-UFRB tem por objetivos reunir, ampliar, preservar, promover o acesso aberto de
forma virtual, à produção acadêmica, científica e cultural da UFRB, ampliando a sua
visibilidade através do compartilhamento da sua produção institucional e da integração aos
sistemas de rede nacionais e internacionais de informação.
O conteúdo do Repositório Institucional da UFRB é organizado em torno de
Comunidades, Sub-Comunidades e Coleções que refletem a estrutura organizacional da
universidade. O Repositório inclui, arquivos digitais de documentos produzidos na UFRB
como Artigos Publicados em Periódicos, Livros e Capítulos de Livros, Relatório TécnicoCientífico, Trabalhos Apresentados em Eventos, Teses e Dissertações. Estes documentos
seguem a Política de inserção, criada e legitimada por um grupo gestor composto de
Bibliotecários, representantes da Pró-Reitoria de Graduação, Pós-Graduação e Extensão e
representantes da Coordenadoria de Tecnologia da Informação - COTEC.
O RI-UFRB oferece tanto para a comunidade científica quanto acadêmica vantagens
como visibilidade e acessibilidade, pois os trabalhos são disponibilizados de forma virtual e
com acesso aberto, permitindo que sejam facilmente acessados, através de ferramentas de
busca de dados como Google Scholar, por exemplo, o que pode aumentar as possibilidades de
citação e a utilização da informação pela comunidade. Oferece uma alternativa para assegurar
a preservação da memória da produção acadêmica da UFRB em formato digital, por tempo
indeterminado, armazenado em ambiente seguro e controlado, independente do término de
vínculo do autor com a instituição ou extinção da área de atuação. O RI-UFRB pode receber
arquivos em vários formatos. Além do trabalho principal, outros materiais relacionados (por
exemplo: dados, imagens, arquivos de áudio e vídeo etc.) podem ser armazenados, ampliando
as possibilidades de pesquisas acadêmicas.
Quanto à política de conteúdo o RI-UFRB abrange documentos correspondentes à
produção científica dos Programas de Pós-Graduação da UFRB. Os tipos de documentos
aceitos para disponibilização no RI-UFRB são os descritos no quadro abaixo:

4537

�QUADRO 1 - TIPO DE DOCUMENTO E DESCRIÇÃO
Tipo de Documento

Descrição

Artigos de Periódicos
Publicados em textos completos em revistas
Capítulos de Livros
Capítulos de livros e outros excertos
Dissertações e Teses
Defendidas e aprovadas na UFRB
Livros
Livros na íntegra
Trabalhos apresentados em eventos (congressos, Publicados em Anais, Resumos e Proceedings;
seminários, simpósio, colóquios)
Pôsteres.
Relatórios Técnicos Científicos
Publicados em textos completos em revistas
Fonte: autora
Os documentos de textos são submetidos em arquivos no formato Porttable Ducument
File (PDF) e podem ser constituído por mais de um arquivo para permitir a inclusão e a
preservação do conteúdo. No que diz respeito à política de metadados é uma exigência que
todo conteúdo depositado tenha metadados que descrevam o conteúdo, proveniência, formato
etc., a fim de apoiar a difusão e a preservação do conteúdo. Os metadados especificam quais
campos devem ser preenchidos e como podem ser utilizados. É encontrado na literatura várias
definições para o termo metadados, sendo que a mais encontrada é “dados sobre dados”. Esta
definição de acordo com Campos (2007) é originária da Ciência da Informação. Takahashi
(200) define metadados como qualquer dado usado para auxiliar sua identificação, descrição e
localização da informação, para Grácio (2002) metadados é um conjunto de elementos que
descrevem as informações contidas em um recurso com objetivo de possibilitar sua busca e
recuperação. No caso da UFRB, optamos por definir um tipo de metadados para cada tipo de
documento e na mediada que incluímos novos documentos novos metadados são criados e
anexados ao Manual de Indexação de documentos no RI-UFRB.
Quanto a política de submissão, a inserção dos documentos ainda não realizada pelo
auto-arquivamento, os documento são enviados para as bibliotecas, que realizam a submissão
no RI-UFRB, o Núcleo de Apoio à Gestão de Informação e Documentação Digital é
responsável por administrar o RI-UFRB.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os Repositórios Institucionais constituem um mecanismo poderoso para gestão
informacional. Este trabalho apresenta as iniciativas tomadas pela Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia, no sentido de inserir a divulgação da produção científica, artística,
técnica. Através de uma ferramenta tecnológica que vem sendo cada vez mais utilizada por
instituições públicas para garantir a disseminação, preservação e o acesso do patrimônio
científico, técnico e artístico. O desenvolvimento do projeto passará por uma fase de

4538

�divulgação e marketing, no sentido de sensibilizar a comunidades interna a fim de obter
apoio, principalmente do corpo docente quanto ao sistema de auto-arquivamentos, a ser
adotado futuramente.

REFERÊNCIAS
AQUILES, Haroldo. Tecnologia dá novo status a bibliotecário. A Tarde, Salvador, 01, Mar.
2001. Emprego. p.10.
CAMPOS, Luiz Fernando de Barros. Metadados digitais: revisão bibliográfica da evolução e
tendências por meio de categorias funcionais. Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon.Ci. Inf.
Florianópolis,

n.23,

p.1631,

2007.

Disponível

em:

&lt;Disponível

em:&lt;www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/download/318/390&gt; Acesso em:12 jan.
2014.
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Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition, 2002. Disponível

em:

&lt;http://www.arl.org/sparc/IR/ir.html&gt;. Acesso em: janeiro de 2011
CUNHA, Murilo Bastos Da. As Tecnologias de Informação e a Integração das Bibliotecas
Brasileiras. Ciência da Informação, Brasília, v.23, n.2, p.182-188, mar./ago. 1994
GARCEZ, Eliane Stuart, RADOS, Gregório J. Varvakis. Biblioteca híbrida: um novo enfoque
no suporte á educação a distância. Ciência da Informação, Brasília, v.31, n.2 p.44-51
maio./ago. 2002.
GRÁCIO, J. C. A. Metadados para a Descrição de Recursos da Internet: o padrão Dublin
Core, aplicações e a questão da interoperabilidade. 2002. 104 f. Dissertação (Mestrado).
Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação. Universidade Estadual Paulista,
Marília, 2002. Disponível em:&lt; www.marilia.unesp.br/Home/Pos.../gracio_jca_dr_mar.pdf&gt;
Acesso em: 12 maio 2010.
KURAMOTO, Hélio. Informação científica: proposta de um novo modelo para o Brasil. Ci.
Inf., Brasília, v. 35, n. 2, p. 91-102, maio/ago 2006.
LEITE, Fernando César. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica
brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília: IBICT, 2009. 120 p.
LYNCH, C. A. Institutional Repositories: essential infrastructure for scholarship in the Digital
Age.ARL

Bimonthly

Report.

2003

p.

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Disponível

em:

&lt;

http://www.arl.org/newsltr/226/ir.html&gt;. Acesso em: 17.01.2011. (Página foi traduzida)

4539

�TAKAHASHI, T. (Org.). Sociedade da informação no Brasil: Livro Verde. Brasília:
Ministério

da

Ciência

e

Tecnologia,

2000.

Disponível

em&lt;http://www.socinfo.org.br/livro_verde/download.htm&gt; Acesso em: 10 jun. 2010.
VIANA, Cassandra Lúcia de Maya; MÁRDERO ARRELANO, Miguel Angel. Repositórios
institucionais baseados em DSpace e Eprints e sua viabilidade nas Instituições
acadêmico-científicas,

2006.

Disponível

em:&lt;

http://dici.ibict.br/archive/00001087/01/viewpaper.pdf&gt; Acesso em 17.01.2011
________________. ; MÁRDERO ARELLANO, M. A.; SHINTAKU, M. Repositórios
institucionais em ciência e tecnologia: uma experiência de customização do DSpace.
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. 2007. Disponível em:
&lt;http://bibliotecascruesp. usp.br/3sibd/docs/viana358.pdf&gt;. Acesso em: 25 fev.. 2011.

4540

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Santos, Nadja Antonia Coelho dos, Silva, Isaelce Santos</text>
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                <text>Atualmente com o uso das tecnologias da informação comunicação - TICs, muitas Bibliotecas e Centro de Documentação estão informatizando seus acervos e adequando os princípios básicos da Biblioteconomia como Administração de Biblioteca, Seleção, Disseminação de Informação, Catalogação, Serviço de Referência, Classificação e outros, no sentido de unir estes princípios às novas propostas de controle de informação trazidas pelas tecnologias da informação, e como tendo a possibilidade de disseminar a informação de maneira mais rápida e socializada, não mais de forma estática e sim dinâmica. Assim, em vista dessa observação notou-se à necessidade da implantação de um Repositório Institucional para a comunidade cientifica da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Este trabalho tem por objetivo apresentar a iniciativa da UFRB na construção e desenvolvimento de um Repositório Institucional para as publicações científicas produzidas pelo seu corpo docente e discente baseado na política de Acesso Aberto, denominado RI-UFRB, cuja proposta é dinamizar, preservar, disseminar o conhecimento produzido na instituição de forma rápida e eficiente, garantindo maior visibilidade no impacto destas produções para cursos da UFRB. Para a implantação do RI-UFRB, o primeiro passo foi a formalização do projeto perante a instituição, em seguida iniciou-se a fase de pesquisa para o seu desenvolvimento com base nos teóricos que escreveram trabalhos sobre Repositórios Institucionais, aplicando-os à realidade da UFRB. Até o momento a construção do RI-UFRB, está em processo inicial e em desenvolvimento continuo, já foi concluída a modelagem do banco de dados, a criação da página da web, a documentação da submissão de documentos no RI e por fim a implantação do plano de marketing. Atualmente, tem-se um total aproximado de 273, documentos indexados no RI, o resultado tem sido satisfatório, pois, mesmo não utilizando ainda o processo de auto-arquivamento, nota-se uma maior divulgação da produção científica da universidade. Para nossa universidade o RI-UFRB hoje é uma poderosa ferramenta de gestão informacional, principalmente para o nosso Sistema de Bibliotecas, no que tange a divulgação dos materiais referentes à produção científica da instituição, depositados em nossos acervos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TRÊS ANOS DE REDES SOCIAIS NA BIBLIOTECA DA UNESPE DE ILHA
SOLTEIRA: AVALIAÇÃO NA PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS
Raiane da Silva Santos
João Josué Barbosa
Sandra Maria Clemente de Souza

RESUMO
Este estudo objetivou avaliar a importância da implantação das redes sociais na Biblioteca da
Unesp de Ilha Solteira, a partir da percepção dos usuários. Utilizou-se, como método, a
realização de uma pesquisa através de um formulário onde foram questionados os
conhecimentos dos perfis da biblioteca nas redes sociais e levantadas a visão de importância
para a melhoria dos serviços biblioteconômicos. Resultou-se no retorno de 216 respostas,
onde a maioria dos usuários colocou-se a favor dos serviços implantados na biblioteca.
Considera-se, portanto, que a biblioteca está no caminho certo por se integrar as redes sociais,
onde estão presentes a maioria de seu público alvo, e por sempre propor inovações em prol
dos usuários.

Palavras-Chave: Biblioteca 2.0; Redes sociais; Disseminação da informação; Percepção dos
usuários.
ABSTRACT
This study aimed to evaluate the importance of the implementation of social networking in the
Library o f UNESP Single Island, from the perception of users. Was used as a method to
conduct a survey using a form where they were questioned the expertise o f library profiles in
social networks and raised the importance of vision for the improvement of library services.
Resulted in the return of 216 responses, where most users put themselves in favor of services
implemented in the library. Therefore it is considered that the library is on the right path by
integrating social networks, which are present most of his audience, and always propose
innovations for the benefit of users.

Keywords: Library 2.0; Social networks; Dissemination of information; Perception of users.

1 INTRODUÇÃO
Desde 2011, a Biblioteca da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (Biblioteca F.
E.) introduziu, como produtos e serviços, os perfis de redes sociais a fim de maximizar a
disseminação da informação e a interação biblioteca/usuário.

3834

�A fim de justificar esta necessidade, Santos, Souza e Barbosa (2012, p. 2) afirmam
que:
O público usuário da biblioteca é composto, em sua maioria, por alunos de
graduação e pós-graduação, cujas gerações predominantes compreendem as
chamadas Y e Z. Tais gerações apresentam perfis que denotam o alto uso de
recursos eletrônicos como principal meio de acesso às informações. Deste
modo, cabe aos profissionais da informação à adaptação a esse novo contexto,
valendo-se das vantagens advindas do surgimento das ferramentas 2.0, tais
como blog, facebook, twitter, orkut, flicker, youtube, e issuu, que possuem
características interativas e participativas, além de possibilitar a
disponibilização de informações em formato dinâmico, acelerado e eficaz,
permitindo a participação dos usuários na construção do conhecimento.
Nesta perspectiva, o projeto foi instituído e está em atividade até os dias atuais. No
entanto, surgiu alguns questionamento referente à opinião dos usuários durante os 3 (três)
anos de aplicação destas ferramentas na biblioteca:
a) os usuários consideram importante a biblioteca possuir estes perfis nas redes
sociais? Por quê?
b) os usuários conhecem os perfis da biblioteca nas redes sociais? Como
conheceram?
A fim de responder estas e outras indagações, este trabalho realizou uma pesquisa de
opinião através de um levantamento de dados com usuários da Biblioteca F. E.
Assim, este estudo será apresentado em 6 capítulos, iniciando-se por esta introdução,
passando para o capítulo 2 em que trará um breve histórico dos 3 (três) anos de redes sociais
da biblioteca. Posteriormente, apresenta-se o capítulo 3 com os materiais e métodos utilizados
para a pesquisa. Depois, expõe-se os resultados parciais e finais no capítulo 4. Já, no capítulo
5, coloca-se as considerações parciais e finais e finaliza-se, no capítulo 6, com as referências
utilizadas para a elaboração deste trabalho.

2 AS REDES SOCIAIS NA BIBLIOTECA F. E.: um breve histórico dos 3 anos de
implantação
Desde 2011 a Biblioteca F. E. tem trabalhado em ambiente 2.0 através da implantação
dos perfis de redes sociais da biblioteca. Esta implantação se deu por meio da elaboração de
um projeto que teve início por um levantamento com os usuários a fim de identificar quais
redes sociais eram mais utilizadas pelo público alvo.
Santos, Souza e Barbosa (2012) afirmam que o levantamento contou com uma amostra
de 146 usuários, resultando na criação do perfil da biblioteca no facebook, orkut e twitter.
Posteriormente, com a decadência do orkut nestes últimos anos, desativou-se o perfil da

3835

�Biblioteca F. E. nesta rede, mantendo-se somente as outras duas. Atualmente, o facebook é a
rede social mais utilizada pelos os usuários para se contatarem com a biblioteca.
A Biblioteca F. E., a partir do surgimento de outras necessidades - armazenamento e
compartilhamentos de suas produções de fotos, vídeos e arquivos em pdf - criou-se outras
três redes sociais: flickr, youtube e issuu. Contudo, ainda considerou-se necessário a
elaboração de um Blog para a biblioteca, a fim de que este se tornasse o principal meio de
disseminação da informação devido às suas características que permitiam as postagens de
informações com a possibilidade de compartilhamento em todas as redes sociais. Ademais, as
fotos, vídeos e arquivos em pdf armazenados nas redes flickr, youtube e issuu,
respectivamente, poderiam ser incorporados em um só ambiente.
A função do blog na Biblioteca F. E. é apresentada por Santos, Souza e Barbosa
(2013, p. 5):
[...] disponibilizar informações relevantes à seus usuários, em todos os seus
aspectos. Tais informações postadas são compartilhadas nas duas redes de
relacionamento que a biblioteca está inserida: facebook e twitter. Os vídeos
que estão no youtube, bem como as fotos do flickr e os arquivos do issuu estão
armazenados no blog para ser facilmente visualizados pelos leitores, e também
compartilhados nas redes de relacionamento.
A figura 1 é capaz de ilustra o fluxo informacional da Biblioteca F. E., com todas as
suas redes sociais, em ambiente 2.0.

Figura 1 - Fluxo informacional da Biblioteca F. E. em ambiente 2.0

Fonte: Santos, Souza e Barbosa (2013, p. 6)
Desta forma, observa-se que o youtube, flickr e issuu atuam somente como
armazenadores de arquivos para serem inseridos no blog e não com a função de redes de
relacionamentos. Estes arquivos são levados aos usuários através do próprio blog, onde os

3836

�leitores interagem por meio de seus comentários, como também através das redes de
relacionamento - facebook e twitter - propiciando a interação de maneira informal. (SANTOS,
SOUZA, BARBOSA, 2013)
Desde o início do projeto, as ferramentas de redes sociais sempre estiveram se
inovando, implementando informações ou novos serviços. A estatística de visualização ou de
utilização do serviço de referência virtual sempre esteve em uma constante crescente. Para
melhor ilustrar esta afirmativa, considera-se importante apresentar as figura 2, onde
demonstra os números de visualizações do Blog desde seu início.

Figura 2 - Estatística de visualização do Blog

Fonte: Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação (2014)

Com a imagem acima, é possível verificar que o Blog da Biblioteca F. E. recebeu, até
este mês (maio de 2014), 73. 642 visitas. Este número equivale há uma média de 2.231 visitas
mensais, já que teve início em agosto de 2011. Todavia, são necessários novos estudos que
apresentam o número de visitas ideal para a página da Biblioteca F. E. O que se tem de
concreto é o retorno positivo por meio dos usuários, o que já se faz acreditar que desde a
implantação do projeto, obteve-se um bom resultado.

3837

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Neste capítulo serão apresentados os materiais utilizados e os procedimentos adotados
para o desenvolvimento deste estudo.

3.1 Caracterização e instrumento de coleta de dados
Este trabalho caracteriza-se como pesquisa descritiva que, segundo Cervo, Bervian e
Silva (2007, p. 61), “ [...] observa, registra, analisa e correlaciona os fatos ou fenômenos
(variáveis) sem manipulá-los. Procura descobrir com maior precisão possível, a frequência
com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e
característica” .
Quanto a sua forma, caracteriza-se como pesquisa de opinião, pois “ [...] procura saber
atitudes, pontos de vista e preferências das pessoas a respeito de algum assunto, com o
objetivo de tomar decisões” . (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007, p. 62)
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário, elaborado através
da ferramenta online Google Docs e enviado por e-mail a todos os discentes, docentes e
servidores técnico-administrativos, como também disponibilizado no blog, facebook e twitter.
Ademais, impresso e fornecido na biblioteca, com o intuito de atingir o maior número de
usuários.
Como vantagens, este instrumento apresenta a facilidade de tabulação e a análise dos
dados como um todo, e a não exigência da participação ativa do pesquisador, o que ajuda a
reduzir a influencia deste sobre os resultados. (MASCARENHAS, 2012)
Contudo, é oportuno afixar as considerações de Diehl e Tatim (2006) que alertam que
boa parte dos questionários nunca é devolvida para o pesquisador (cerca de 70%). Outra
desvantagem apontada por eles é a incerteza de quem realmente respondeu as questões.

3.2 Elaboração das perguntas
A pré-elaboração do questionário buscou definir os tópicos a serem investigados,
enunciando 4 (quatro) deles: a) identificação do usuário (excluídas as pessoais); b) utilização
de redes sociais; c) percepção sobre a importância dos perfis da biblioteca nas redes sociais; e
d) identificação das fontes de tráfegos para as ferramentas 2.0 da biblioteca.
Partindo desta premissa, o questionário foi elaborado contendo 10 questões mistas
(abertas e fechadas), com perguntas claras e objetivas, evitando-se frases ambíguas para
facilitar a compreensão. O layout foi desenvolvido com aparência simples e espaço suficiente
para o preenchimento das questões abertas.

3838

�Outro ponto executado anteriormente a aplicação da pesquisa foi a realização de um
estudo piloto a fim de identificar possíveis falhas de ortografia e/ou linguagem. Para tanto, foi
enviado o questionário aos 13 (treze) colaboradores técnico-administrativos lotados na
biblioteca, cuja função foi a realização de uma análise crítica no instrumento.

Os

procedimentos adotados nos parágrafos supracitados foram embasados no estudo de
Mascarenhas (2012, p. 72, grifo do autor), onde orienta:

O primeiro passo é dividir uma lista em tópicos. [...] é essencial que os tópicos
listados estejam de acordo com os objetivos gerais e específicos [...]. A partir
daí, podemos criar duas ou três perguntas para cada tópico. [...] dependo do
objetivo de sua pesquisa, é natural que esses números variem um pouco. O
layout do questionário é outro ponto fundamental. É importante deixar espaço
suficiente para as respostas e distribuir bem as perguntas pela página,
facilitando ao máximo a leitura. Antes de você chamar os participantes que
você quer pesquisa de verdade, faça um estudo piloto para verificar se algum
errinho passou despercebido.

Ainda, considera-se importante ressaltar as vantagens e desvantagens da utilização de
perguntas abertas e fechadas em um questionário. A primeira permite que o participante fique
livre para responder o que quiser. No entanto, o desafio está na análise dos dados. Já, a
segunda, facilita a compilação dos dados, contudo, apresenta um número limitado de escolha
das respostas. (MASCARENHAS, 2007)
O autor ainda relembra que “as perguntas fechadas são divididas em quatros subtipos
principais: dicotômicas; múltipla escolha; ordinais; e intervalares” . (MASCARENHAS, 2007,
p. 73). Nesta pesquisa, foram utilizados nas perguntas fechadas os tipos dicotômicos e de
múltipla escolha, que são, respectivamente, quando o pesquisado só tem duas opções (sim ou
não) e quando oferece uma lista com mais de duas opções. Abaixo, na figura 3, segue a
imagem do questionário aplicado aos usuários.

3839

�Figura 3 - Questionário aplicado
Pesquisa sobre as Redes Sociais utilizadas pelos
usuários da Biblioteca F.E.
‘ O b r ig a tó r io
Q u a l o a n o d o s e u n a s c im e n to ? '

V o c ê é: •

G

A lu n o d e G ra d u a ç ã o
A lu n o d e P ó s -g ra o u a ç à c

G

D o c e n te
F u n c io n á r io

V o c ê u tiliz a R e d e s S o c ia is ? •

G S im
O

N ão

Q u a is ?
M a rq u e q u a n ta s a lte rn a tiv a s fo re m n e o e ssá ria s
Faœ boor
Q

T w itte r

□

Oricut

□

Y o u tu b e

O B log
G o o g le -*
M yS pace

Lintedin
S

A s * fm

0

O u tro

C o m q u a l fr e q u ê n c ia ?
O

D ia r ia m e n te - d e 1 a 2 hora s

O

D ia r ia m e n te - d e 2 a * h o ra s

O

D ia r ia m e n te - d e * a t hora s
D ia r ia m e n te • a c im a d e € h o ra s

G S e m a n a lm e n te • a té 5 hora s
O

S o m e n te n o s fin a is d e s e m a n a

G

O u tro |

|

V o c ê a c h a im p o rta n te q u e a B ib lio te c a F. E. e s te ja in s e r id a n a s R e d e s S o c ia is ?

Q S im
O M io

P or quê?

_______________________________________ á
V o c ê c o n h e c e o s p e rfis d a B ib lio te c a F E n a s R e d e s S o c ia is ? *
O S im
O Mão
Q u a is ?
□

B lo g

F sceboos
□ T w itter
L . Y o u tu b e
F lic *r
L . Issuu

Com o os conheceu? *
O O rie n ta d o p o r fu n c io n á rio s n a B ib lio te c a F.E
A tra v é s d a p a g in a da B ib lio te c a n o s ite da FE IS
In d ic a ç ã o d e a m ig o s
O P esq u isa - o G o o g le

C o m p a rtilh a m e n to d e a m ig o s n o F ace b o o k
Q M ão m e le m b re
O M ão c o n h e ç o os p e rfis d a B ib lio te c a F. E. na s R edes S o c ia is
G O u tro : |

|

E n v iar |
N u n e s e n v ie s e n h a s e m F o rm u lá rio s G o o g le

Fonte: Elaboração do autor.

3840

�3.3 Análise e interpretação dos dados
A análise e interpretação dos dados teve início após o recebimento dos questionários
respondidos, os quais ficaram disponíveis aos usuários pelo período de duas semanas.
Todavia, este trabalho não é tão simples, exigindo do pesquisador um planejamento a fim de
conseguir uma maneira eficiente de trabalhar com todas as informações obtidas. Assim sendo,
a análise e interpretação foram organizadas baseando-se nos estudos de Mascarenhas (2007)
em que divide esta etapa em quatro fases: a) seleção; b) classificação; c) codificação; e d)
representação.
As orientações para estas fases são apresentadas pelo autor, como:
Seleção - o objetivo é verificar os dados com cuidado para detectar se há erros
ou informações confusas ou incompletas.
Classificação - os dados são divididos em categorias de acordo com um
critério. Dados qualitativos são classificados com base na ausência ou
presença de determinada qualidade. [...] já a classificação dos dados
quantitativos leva em consideração valores numéricos [...]. Nenhum dado
pode ficar de fora das categorias. Além disso, as categorias devem ser
definidas de tal forma que cada dado só pertença a uma delas.
Codificação - quando usamos o método quantitativo, devemos usar símbolos
(letras ou números) para representar cada categoria que usamos. Mais adiante,
isso facilita o tratamento dos dados. E se o método for qualitativo? Nesse
caso, devemos dar um nome para cada categoria. A escolha do nome deve
refletir o tipo de dado que agrupamos na categoria em questão.
Representação - a representação ajuda a enxergar com clareza como os dados
se relacionam com nossa pergunta de pesquisa. Dados quantitativos são mais
fáceis de visualizar em gráficos ou tabelas. Já, os dados qualitativos podem ser
representados nas formas de textos, itens ou quadros comparativos [...].
(MASCARENHAS, 2007, p. 83-84, grifo do autor).
Deste modo, na fase de seleção, foram analisadas todas as respostas com a finalidade
de identificar e corrigir, se necessário, possíveis erros em informações, como também, buscar
o entendimento para as informações confusas.
Na fase de classificação, foram criadas as categorias dos dados qualitativos,
dividindoas em: a) idade (pergunta 1); e b) importância das redes sociais (pergunta 7). Para os
dados quantitativos, os critérios foram classificados em: a) categoria de usuário (pergunta 2);
b) utilização das redes sociais (perguntas 3, 4 e 5); c) consideração de importância das redes
sociais para a biblioteca (pergunta 6); e d) conhecimentos dos perfis da biblioteca nas redes
sociais (perguntas 8, 9 e 10).
A codificação dos dados qualitativos utilizou-se dos nomes das categorias citadas
acima. Já, para os dados quantitativos, foram definidas as letras A, B, C e D, respectivamente,

3841

�para cada categoria.
Na representação, optou-se por utilizar textos para os dados qualitativos e gráficos
para os quantitativos, por considerar que estes tornarão a análise mais clara e objetiva.
No próximo capítulo, a partir da visualização dos dados utilizando os métodos
sobreditos, facilitará o entendimento do leitor para o formato adotado nesta pesquisa.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Os usuários da Biblioteca são compreendido por cerca de 2.320 alunos de graduação,
866 pós-graduandos, 233 docentes e 367 servidores. Durante as duas semanas de aplicação da
pesquisa, obteve-se como retorno 216 questionários respondidos (165 online e 51 impressos).
Este número representa 5,7% do universo da pesquisa.

4.1 Dados quantitativos
Para a apresentação dos resultados quanto aos dados quantitativos, conforme explanado no
capítulo anterior, utilizou-se da classificação em categorias e da codificação alfabética,
ficando da seguinte forma:
a) a categoria A representa a classe de perguntas “categoria de usuários”;
b) a categoria B representa a classe de perguntas “utilização das redes sociais”;
c) a categoria C representa a classe de perguntas “consideração de importância das
redes sociais para a biblioteca”;
d) a categoria D representa a classe das perguntas “conhecimentos dos perfis da
biblioteca nas redes sociais” .
Deste modo, o gráfico 1 apresenta as respostas da categoria A.

Gráfico 1: Categoria A: categoria dos usuários

3842

�Com o gráfico acima foi possível verificar que a categoria que mais respondeu ao
questionário foi a de alunos de graduação. No entanto, foi explanado anteriormente que esta é
a maior categoria.
A categoria B representa a utilização das redes sociais pelos usuários. Para tanto,
segue o gráfico 2, 3 e 4 para estas apresentações.

Gráfico 2: Categoria B: utilização ou não das redes sociais

Fonte: Elaboração do autor.

Gráfico 3: Categoria B: redes sociais utilizadas

Fonte: Elaboração do autor.

3843

�Gráfico 4: Categoria B: frequência de utilização de redes sociais

Fonte: Elaboração do autor.
Com os gráficos acima, ficou nítida a grande utilização das redes sociais pelos
usuários da biblioteca, tendo como as redes mais utilizadas o facebook e o youtube. A
frequência com que estes usuários estão conectados é de 1 a 2 horas diariamente, seguido de 2
a 4 horas, todos os dias.
Para ilustrar a percepção de importância da Biblioteca F. E. por estar presente nas
redes sociais, segue o gráfico 5, apresentando os dados:

Gráfico 5: Categoria C: importância da Biblioteca nas redes sociais

Fonte: Elaboração do autor.
Acima, foi possível verificar que a grande maioria dos usuários considera importante a
Biblioteca F. E. presente nas redes sociais.
A fim de identificar o conhecimento dos usuários sobre os perfis da biblioteca nestas
redes, apresenta-se os gráficos 6, 7 e 8.

3844

�Gráfico 6: Categoria D: conhecimento ou não dos perfis da Biblioteca F. E.

Fonte: Elaboração do autor.

Gráfico 7: Categoria D: perfis conhecidos

■ Blog
■ Faoebook
■ Twitter
■ Yúulubc
■ Flitkr
■ IttUII

Fonte: Elaboração do autor.

Gráfico 8: Categoria D: forma de conhecimento dos perfis da biblioteca

Fonte: Elaboração do autor.

3845

�Com os gráficos acima, pode-se verificar que a maioria dos participantes não conhece
os perfis da biblioteca nas redes sociais. No entanto, as redes conhecidas são somente o blog e
o facebook. Ainda, dos usuários que conhecem os perfis da biblioteca, estes informaram que a
página da biblioteca foi o principal meio de divulgação destes perfis, seguido de orientações
dos funcionários, compartilhamento nas redes sociais e indicação de amigos.

4.2 Dados qualitativos
Para a apresentação dos resultados quanto aos dados qualitativos, utilizou-se da
classificação e da codificação em duas categorias: idade e importância das redes sociais.
Para tanto, os dados serão representados em forma de texto, conforme explicado no
capítulo anterior.

1 ) Idade
A idade dos participantes da pesquisa ficou entre 18 e 50 anos, compreendendo, portanto, dos
alunos de graduação aos docentes.

2) Importância das redes sociais
Dos participantes que consideraram importante que a Biblioteca F. E. tenha os perfis nas
redes sociais, os motivos foram:
a) canal de comunicação que atinge todos os alunos;
b) maior número de pessoas que recebem as informações;
c) meio de interação capaz de receber críticas, elogios e sugestões;
d) meio rápido de comunicação;
e) melhora a aproximação com os usuários;
f) facilita a divulgação de informações;
g) facilita o fluxo de informação entre os alunos;
h) ser o meio de comunicação mais utilizado pelos jovens;
i) melhor visibilidade.

Dos participantes que não consideraram importantes, os motivos foram:
a) sem identificação de vantagens;
b) comunicação através de e-mail já é suficiente;
c) nem todos usam redes sociais;
d) não faz diferença.

3846

�Após estas apresentações, o próximo capítulo explana as considerações a partir destes
resultados.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A primeira consideração que é possível se fazer é que apenas uma pequena porção do
público alvo da biblioteca não utiliza redes sociais. Só por este motivo, já acredita-se
importante que a Biblioteca F. E. esteja presente neste ambiente.
Logo, esta afirmativa foi confirmada também na percepção dos usuários, ficando
apenas uma pequena minoria que não concorda com isso.
Neste momento, é importante trazer os números onde demonstram que a maioria dos
usuários participantes (114) não conhecem os perfis da biblioteca nas redes sociais. Desta
forma, é correto afirmar (e é visível nos dados recebidos) que os usuários que não consideram
importante a presença da biblioteca nas redes também não tem conhecimento destes perfis.
Ainda assim, muitos, mesmo sem conhecer os perfis, acreditam que é importante por
já possuírem a percepção da facilidade e rapidez de comunicação e a possibilidade de atingir
um grande número de leitores.
Outro aspecto é quanto às redes sociais mais conhecidas. Os usuários que conhecem os
perfis da Biblioteca F. E. apontaram somente o facebook e o blog. Como foi explicitado no
capítulo 2, que as outras redes sociais (flickr, youtube e issuu) serviam apenas como
armazenadores de conteúdos para serem postados no blog e compartilhados no facebook e
twitter, o objetivo era que apenas estas três fossem conhecidas.
Deste modo, acredita-se que há a necessidade de um novo estudo a fim de identificar a
necessidade de manutenção do twitter como ferramenta da biblioteca, pois, como pode ser
visto no gráfico 7, esta rede também não é muito utilizada pelos publico alvo.
Ainda, ao verificar as fontes de tráfego para as redes sociais, foi perceptível que a
página da biblioteca no site da universidade tem fundamental importância para a divulgação
das redes sociais da biblioteca. Neste cenário, foi identificado também que o trabalho de
informação prestado pelos funcionários também teve grande valia para que os 102
participantes conhecessem anteriormente os perfis da biblioteca.
Todavia, acredita-se que seja necessário um trabalho mais eficiente de divulgação, já
que a maioria dos participantes ainda não conhecem as redes sociais da biblioteca, que está
em funcionamento há três anos.
Finalmente, acredita-se que os profissionais da informação tem o dever de se adequar
às necessidades dos usuários com o intuito de atender as demandas e se justificar como uma

3847

�unidade de informação. Desta forma, considera-se que a Biblioteca F. E. está no caminho
certo devido aos servidos de inovação implantados em prol dos usuários.

6 REFERÊNCIAS
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Pearson, 2007.
DIEHL, A. A.; TATIM, D. C. Pesquisa em ciências sociais aplicadas: métodos e técnicas. São
Paulo: Pearson, 2006.
MASCARENHAS, S. A. (Org.) Metodologia científica. São Paulo: Pearson, 2012.
PASSOS, K. G. F. dos. Avaliação da qualidade dos serviços em unidades de informação:
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3848

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Três anos de redes sociais na Biblioteca da UNESPE de Ilha Solteira: avaliação na percepção dos usuários</text>
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                <text>Este estudo objetivou avaliar a importância da implantação das redes sociais na Biblioteca da Unesp de Ilha Solteira, a partir da percepção dos usuários. Utilizou-se, como método, a realização de uma pesquisa através de um formulário onde foram questionados os conhecimentos dos perfis da biblioteca nas redes sociais e levantadas a visão de importância para a melhoria dos serviços biblioteconômicos. Resultou-se no retorno de 216 respostas, onde a maioria dos usuários colocou-se a favor dos serviços implantados na biblioteca. Considera-se, portanto, que a biblioteca está no caminho certo por se integrar as redes sociais, onde estão presentes a maioria de seu público alvo, e por sempre propor inovações em prol dos usuários. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NECESSIDADES E DEMANDAS DE EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS NO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UFC: UNIVERSIDADE RUMO À COMPETÊNCIA EM
INFORMAÇÃO
Raimundo Nonato Ribeiro dos Santos
Ana Cristina Azevedo Ursulino Melo
Eliene Gomes Vieira do Nascimento
Isabela da Rocha Nascimento
Kléber Lima dos Santos
Islânia Castro Teixeira da Silva
Vanessa Pimenta Rodrigues
RESUMO
Investiga as necessidades e demandas de ações de educação de usuários no Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC). Relaciona as temáticas necessidades de
informação e competência em informação. Trata-se de pesquisa exploratória, baseada na
metodologia participativa da pesquisa-ação. Os resultados apontam sobre as necessidades de
ações de educação de usuários existentes na UFC e apresenta as ações desenvolvidas
Comissão de Educação de Usuários na UFC para a promoção da competência em informação.
Palavras-Chave: Educação de usuários. Competência em Informação. Necessidades de
informação. Demandas de informação.
ABSTRACT
Investigate the needs and demands of actions to users education in the Library System of the
Universidade Federal do Ceará (UFC). Relates thematic information needs with information
literacy. This is exploratory research, based on participative action research methodology. The
results point about the needs of actions to existing users education in the UFC and shows the
actions developed by the Users Education Commission of the UFC users to promote
information literacy.
Keywords: Users Education. Information literacy. Information needs. Information demands.

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária é uma instituição fundamental no processo de
aprendizagem do ensino superior. Tem papel ativo na pesquisa, na extensão e no ensino,
atendendo toda a comunidade acadêmica no tocante às suas necessidades de informação

3015

�técnicas, científicas e literárias, permitindo a seus usuários usufruir de todas as oportunidades
que as tecnologias podem oferecer no acesso à informação.
Assim, as bibliotecas universitárias precisam interagir cada vez mais neste ambiente
que está inserida, antenada com as mudanças, adequando seus serviços e desenvolvendo
novos produtos para atender todas as demandas de informação existentes na universidade.
Um fator chave para o sucesso das bibliotecas universitárias, além de estimular a
autonomia de seus usuários e orientar no uso dos recursos de informação, é identificar as
necessidades e demandas de seus usuários e satisfazê-las.
Baseado nisso, a Comissão de Educação de Usuários (CEU) do Sistema de Bibliotecas
da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveu essa pesquisa com o objetivo de
identificar quais as necessidades e demandas da comunidade acadêmica em que está inserida,
e dessa forma, ter subsídios para o desenvolvimento de suas ações de educação de usuários e
promoção da competência em informação.

2 NECESSIDADES E DEMANDAS DE INFORMAÇÃO352
As Bibliotecas Universitárias precisam interagir cada vez mais no meio em que está
inserida, atenta às mudanças, adequando seus serviços e produtos, desenvolvendo novos, para
atender todas as demandas de informação existentes na comunidade acadêmica.
Garcez e Rados (2002, p. 47), ressaltam o papel que a Biblioteca Universitária deve
assumir para satisfazer as demandas de seus usuários:
As bibliotecas acadêmicas, para competir no mercado, devem flexibilizar
suas operações de serviços e, com isto, ampliar sua faixa de mercado, ou
seja, elas devem possuir operações diferenciadas para cada tipo de usuário
(eficácia), uma vez que estes possuem necessidades e expectativas
individualizadas. Elas terão de se adaptar aos novos tempos para ir ao
encontro das necessidades dos novos usuários deste final de século, e para
isso as bibliotecas híbridas têm seu papel inovador nessa fase transacional.
O autor ressalta assim a necessidade das bibliotecas universitárias conhecerem seus
usuários, estando atentas às suas necessidades e demandas. Dentro da literatura científica de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, os estudos sobre Necessidades de Informação
relacionam-se epistemologicamente com as temáticas Estudos de Usuários e Comportamento
Informacional.

352 Não é objetivo do trabalho discutir os conceitos e significados envolvidos nas palavras “necessidade” e
“demanda”. Etimologicamente, necessidade é algo que eu realmente preciso e demanda refere-se a intenção de
sanar essa necessidade.

3016

�Segundo Dervin e Nilan (1986), necessidade de informação refere-se ao estado de
necessidade de algo que o indivíduo chama de informação. Deve-se ter em mente que as
necessidades de informações podem advir da própria pessoa, ou de uma demanda em função
dos seus estudos, ou do seu trabalho ou, do ambiente (política, economia, tecnologia, etc.).
No Brasil, os estudos de Figueiredo (1983) sobre os conceitos de necessidade,
demanda e uso da informação, são recorrentes quando se trata do assunto. Para a autora: a)
necessidade refere-se ao que o indivíduo deve ter para o seu trabalho, pesquisa, edificação,
recreação etc., tornando-se uma demanda em potencial; b) demanda o que o indivíduo
solicita, tornando-se um uso em potencial; c) o uso é o que o indivíduo efetivamente utiliza.
Torna-se necessário proporcionar ao usuário não só a capacidade de entender suas
próprias necessidades de informação, e também de satisfazê-las e, se possível, com seus
próprios meios. O desenvolvimento da competência em informação, tratada a seguir, pode dar
ao usuário os recursos necessários para lidar com a informação que lhe faz falta e assim
resolver seus problemas.

3 EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS E COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
A sociedade contemporânea (por vezes chamada “da informação”, “do conhecimento”,
“em rede”) demanda de seus profissionais o desenvolvimento de habilidades para melhor uso
e proveito da informação. Diante desta exigência a aprendizagem continuada e independente é
uma característica fundamental para qualquer profissional. De acordo com Belluzzo (2005),
na era da informação e do conhecimento as pessoas devem possuir alto grau de compreensão
no que diz respeito às competências para gerir e usar a informação.
As bibliotecas universitárias têm papel fundamental no processo educacional, atuando
na promoção dos recursos informacionais para o ensino e aprendizagem na educação superior
e no apoio à pesquisa. Assim, especialmente as bibliotecas universitárias vêm desenvolvendo
programas de educação de usuários para promover habilidades relacionadas com a
localização, seleção, acesso e utilização da informação. Segundo Fleming (1990, p. 9),
educação de usuários refere-se a:
[...] programas de instrução, educação e exploração oferecidos pelas
bibliotecas aos seus usuários para capacitá-los a fazer um uso mais eficaz,
eficiente e independente das fontes de informação, recursos e serviços que
estas bibliotecas oferecem.

A expressão Educação de Usuários tem sido utilizada desde os anos 70 na literatura
especializada em Biblioteconomia e Ciência da Informação, ás vezes também encontrada sob

3017

�outras expressões associadas a essas ações em bibliotecas tendo o usuário como centro do
processo de aprendizado: orientação bibliográfica, instruções sobre o uso da biblioteca,
treinamento de usuários (CAREGNATO, 2000). Não é objetivo desse trabalho adentrar nas
discussões sobre a terminologia, mas tornar público o modelo desenvolvido na UFC de ações
de Educação de Usuários para a promoção da competência em informação.
Dudziak (2001), avaliando o papel do Bibliotecário, verifica mudanças nas ações do
profissional como intermediário da informação, mediador do conhecimento e educador. Como
mediador, o Bibliotecário ensina o usuário a utilizar determinados recursos e ferramentas
informacionais, possibilitando desde a busca até a recuperação dos documentos de interesse.
A Biblioteconomia e a Ciência da Informação, no que diz respeito ao comportamento
do usuário no processo de busca pela informação, têm tomado por base, para fundamentar
esses estudos, a Competência em Informação, área que tem observado bastantes estudos nas
últimas décadas e rica pela interdisciplinaridade com outras áreas, as quais podemos citar, a
educação, a psicologia, a comunicação, as ciências sociais e a informática.
Competência em informação, do inglês information literacy, refere-se ao “Conjunto de
competências que uma pessoa possui para identificar a informação, manipular fontes de
informação, elaborar estratégias de busca e localizar a informação, bem como avaliar as
fontes de informação” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 10).
Para a American Library Association (1989): “Para ser competente em informação, a
pessoa deve reconhecer quando precisa de informação e possuir habilidade para localizar,
avaliar e usar efetivamente a informação”. Na percepção de Belluzzo (2005) sobre
competência em informação, o destaque é no contexto educacional, focalizando o indivíduo e
a aprendizagem contínua na direção do desenvolvimento de competências para o domínio do
universo informacional e consequente sucesso na sociedade da informação.
Beluzzo (2005) analisa a competência em informação de acordo com três concepções:
a) digital - concepção com ênfase na Tecnologia da Informação e da Comunicação; b)
informação propriamente dita - concepção com ênfase nos processos cognitivos; c) social concepção com ênfase na inclusão social, consistindo em uma visão integrada de
aprendizagem ao longo da vida e exercício de cidadania.
Importante ressaltar que essas concepções estão imbricadas, de modo que a
competência em informação adquire abordagem variada, a partir de um processo crítico de
aprendizagem informacional que não se esgota na apreensão de habilidades e técnicas de uso
da informação. Nesse sentido, numa perspectiva social, a aprendizagem em informação é
condição e subsídio para a prática crítica dos indivíduos no meio social.

3018

�Em um relevante artigo sobre competência em informação, Miranda (2006) considera
que o reconhecimento de necessidades de informação pode corresponder, na prática, ao
desenvolvimento de competência em informação que possam atendê-las.
Assim, abordamos a competência em informação neste trabalho como elemento
fundamental relacionado à formação de pessoas com espírito crítico, capazes de acionar
conhecimentos e habilidades voltadas para as suas necessidades de informação em qualquer
ambiente. Inclui aprendizado ao longo da vida e habilidade para atuar efetivamente na
sociedade da informação.

3.1 Educação de usuários na UFC
Baseados nesse cenário apresentado, um grupo de bibliotecários do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) elaborou em 2010 um projeto para
realização do “Curso Biblioteca Pra Quê Te Quero?: iniciação à pesquisa e ao uso de recursos
informacionais”. O Curso tinha como objetivo: capacitar os discentes recém-ingressos da
UFC na elaboração de pesquisas e o uso da biblioteca dentro da sua atividade discente. Seu
conteúdo foi elaborado em quatro módulos, a saber: apresentação do Sistema de Bibliotecas
da UFC, Fontes de informação, Introdução à metodologia da pesquisa e Normalização de
trabalhos acadêmicos.
Após a primeira edição do curso e com outras possibilidades vislumbradas de
atividades para seus usuários, a Biblioteca Universitária, órgão responsável pela direção do
Sistema de Bibliotecas da UFC, criou no mesmo ano de 2010, a Comissão de Educação de
Usuários (CEU).
A Biblioteca Universitária da UFC adota um modelo de gestão participativa,
constituído por Comissões Especializadas. O objetivo das Comissões Especializadas é:
[...] descentralizar as decisões, elas têm por objetivo diagnosticar e analisar
as necessidades de mudanças para a solução de problemas técnicos e
estruturais [...] de maneira científica, aprofundando questões relativas ao
fazer cotidiano, com ênfase especial à produção de conhecimentos e à
atuação em face do paradigma do acesso livre á informação científica.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÀ, 2014).

Nesse cenário, o objetivo da CEU é institucionalizar as ações de capacitação de
usuários, indo além dos treinamentos oferecidos pelas bibliotecas, desenvolvendo uma
política de educação de usuários no Sistema de Bibliotecas e promovendo a competência em
informação na Universidade.

3019

�A Comissão de Educação de Usuários do Sistema de Bibliotecas da UFC atua no
desenvolvimento de ações de educação de usuários, voltadas para a competência em
informação da comunidade acadêmica, ofertando cursos, treinamentos e ferramentas que
auxiliem os usuários no desenvolvimento de sua aprendizagem.
As ações e ferramentas são construídas a partir de reuniões periódicas dos
bibliotecários membros da CEU, onde é possível discutir e apresentar propostas que
dinamizem o processo de uso da informação na pesquisa acadêmica e científica. Listamos no
Quadro A, a seguir, as atividades desenvolvidas pela Comissão:

Quadro A - Ações de Educação de Usuários desenvolvidas na UFC.

TREIN A M EN TO S/EV EN TO S
Ação

Objetivo

Periodicidade

Descrição

Projeto Descobrindo
a Biblioteca

Estabelecer
um
primeiro
contato entre os novos alunos
da UFC e a Biblioteca.

Semestral

Apresentação do Sistema de Bibliotecas
da
UFC
(regulamento;
serviços
ofertados; acervo; catálogo on-line;
autoatendimento
(Meu
Pergamum);
Campanha de Preservação do Acervo.
As Coordenações de curso e diretorias
de unidades acadêmicas podem solicitar
apresentações para sua Semana de
Recepção, através de agendamento junto
à biblioteca setorial que atende a seu
curso.
Carga horária: 1 hora - 2 horas (de
acordo com a demanda)

Treinamento
Normalização

de

Orientar os alunos que estão
elaborando suas monografias,
dissertações e teses, quanto à
padronização de seus trabalhos
de acordo com as normas da
ABNT.

Semestral
(também
ocorrendo sob a
demanda
dos
cursos)

Apresentação dividida em três módulos:
Normalização de trabalhos acadêmicos,
Elaboração de Citações e Elaboração de
referências.
Carga horária: 3 horas

Maratona
Conhecimento

do

Promover o desenvolvimento Anual
de habilidades relacionadas à
busca, acesso e utilização de
informações para construção
do conhecimento.

Treinamentos
em
bases
de
dados
especializadas

Apresentação de ferramentas e fontes de
informação
acadêmica
(Portal
de
Periódicos da CAPES, bases de dados
especializadas).

Sob demanda

3020

�CURSO
Curso Biblioteca Pra
Quê
Te
Quero?:
iniciação à pesquisa e
ao uso de recursos
informacionais

Capacitar os discentes no uso Semestral
dos recursos informacionais e
na elaboração de trabalhos
acadêmicos.

Conteúdo programático:
Fontes de informação oferecidas pela
BU (Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações, Repositório Institucional,
Portal de Periódicos da CAPES), Uso da
internet na pesquisa científica e
Normalização de trabalhos acadêmicos.
Carga horária: 16 horas.

Fonte: Elaborado pelos autores (2013).

Além dessas ações, também foram desenvolvidos Tutoriais como guias rápidos para
demandas específicas dos usuários, disponíveis na página da Biblioteca Universitária da
Universidade Federal do Ceará. Já foram publicados cinco tutoriais: Pesquisa básica no
Catálogo online; Pesquisa na BDTD; Acesso remoto via CAFe ao Portal de Periódicos da
CAPES; Como localizar livros na estante; Guia para submissão de teses e dissertações na
BDTD.
Após 3 anos de atividades, a CEU formalizou esta pesquisa junto a comunidade
acadêmica, objetivando direcionar suas ações através do conhecimento das demandas de
treinamento de seus usuários.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Cientificamente, este estudo é uma pesquisa exploratória, baseada na metodologia
participativa da pesquisa-ação. Para Thiollent (2011, p. 8), a pesquisa-ação engloba um
“conjunto de procedimentos para interligar conhecimento e ação”, visando extrair da ação
novos conhecimentos que irão transformar a situação-problema. A pesquisa-ação pressupõe
“uma forma de ação planejada de caráter social, educacional, técnico ou outro”
(THIOLLENT, 2011, p. 14).
O método da pesquisa-ação consiste essencialmente em elucidar problemas sociais e
técnicos, cientificamente relevantes, reunindo os pesquisadores, os membros da situaçãoproblema e outros atores e parceiros interessados na transformação da realidade, formulando
respostas sociais, educacionais, técnicas e/ou políticas adequadas.
Assim, a pesquisa-ação é orientada em função de objetivos de transformação,
oferecendo aos pesquisadores e ao grupo de participantes os meios de se tornarem capazes de

3021

�responder com maior eficiência aos problemas da situação em que vivem, em particular sob a
forma de diretrizes da ação transformadora.
Utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionário, disponibilizado
on-line, através da ferramenta Formulários do Google Drive. Segundo Marconi e Lakatos
(2009), o questionário é formado por um conjunto de questões que devem ser respondidas por
escrito e a presença do pesquisador não é obrigatória. Dentre as vantagens do questionário,
que resultou na sua utilização na pesquisa, destaca-se: atinge um grande número de pessoas
simultaneamente; economiza tempo e pessoal; obtém respostas rápidas; em virtude do
anonimato, existe maior liberdade nas respostas.
O questionário ficou disponível no período de 11 de junho até 5 de agosto de
2013, e obteve 224 respostas. O mesmo foi divulgado através do site da Biblioteca
Universitária da UFC (www.biblioteca.ufc.br), bem como através de redes sociais da
Biblioteca. O link para o questionário também foi enviado por correio eletrônico, através das
listas de emails de alunos, servidores e docentes da Universidade. A seguir apresenta-se os
resultados coletados.

5 ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Inicialmente, traçamos um perfil dos respondentes quanto ao seu vínculo com a
Universidade. Cada categoria tem um nível próprio de conhecimento, e consequentemente de
tem suas próprias necessidades e demandas de informação.
Gráfico 1 - Perfil dos usuários

3022

�Os alunos e graduação representam a maior parte da demanda, ou seja, 65% da
amostra. É indicativo que esse alunado chega à universidade ainda com conhecimentos
deficitários em torno de questões de pesquisa e metodológicas. É exatamente por isto que a
biblioteca universitária tem que continuar construindo espaços, tanto melhor quanto mais
conectado com alguma disciplina acadêmica, que enfoquem estas deficiências de pesquisa e
metodologia científica e normativa, contribuindo para o processo de amadurecimento
investigativo do alunado.
Conforme apontado, as necessidades de informação podem advir dos papéis que os
indivíduos assumem na vida social, e o mais relevante deles no cenário da Biblioteca
universitária é o papel exercido da educação e do estudo. Assim, já se vem construindo ações
voltadas para grupos específicos, como o “Descobrindo a Biblioteca”, que acontece na
recepção dos novos alunos, e o “Curso Biblioteca Pra Quê Te Quero”, que é voltado
especificamente para alunos dos semestres iniciais.
A seguir, questionamos os usuários se acham necessário treinamentos específicos para
a utilização das fontes de informação/serviços disponibilizados pelas bibliotecas.

Gráfico 2 - Necessidade de treinamentos específico sobre utilização das fontes de
informação/serviços disponibilizadas pelas bibliotecas.

3023

�Como indica o gráfico, quase a totalidade indica ser necessário treinamento para a
utilização dos serviços e produtos ofertados pelo Sistema de Bibliotecas da UFC. Também a
demanda por treinamentos durante a graduação e pós-graduação é facilmente detectada.
É também fator em que se pode basear o marketing em torno da oferta de treinamentos
e capacitações oriundas da biblioteca universitária, usando esse enorme potencial a favor da
intensificação das atividades de educação de usuários e centrando, sempre que possível, um
grupo de bibliotecários focados e comprometidos com o desenvolvimento de ações.
A questão seguinte trata-se de demanda pontual que enfoca o conhecimento dos alunos
acerca de determinados serviços e produtos oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Ceará.

Gráfico 3 - Fontes de informação/serviços/produtos desconhecidas pelos usuários.

Fonte: Elaborado pelos autores (2014).

Nota-se qu o desconhecimento do alunado centra-se principalmente nas Bases de
dados especializadas e no Repositório Institucional.
Esses dois pontos de pesquisa, um pela notória necessidade de domínio de técnica de
recuperação da informação e outro pela incipiente existência como plataforma de pesquisa no
ensino brasileiro, merecem, cada qual por uma lógica que facilite sua utilização, serem
divulgados. Uma divulgação centrada nas potencialidades desses dois pontos de pesquisa se
faz necessária.

3024

�O terceiro item mais assinalado refere-se a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
(BDTD). Não causa espanto já que a maioria dos participantes são alunos de graduação, que
ainda estão iniciando na pesquisa científica. Contudo, a BDTD pode ser uma importante fonte
de informação, por apresentar pesquisas recentes e de profundidade científica em suas
respectivas áreas de interesse.
A seguir, foi perguntado aos usuários quais fontes de informação/serviços/produtos
eles não sabem utilizar.
Gráfico 4 - Fontes de informação/serviços/produtos que os usuários não sabem utilizar.

Fonte: Elaborado pelos autores (2014).

O Portal d Periódicos da CAPES foi o item mais assinalado. Toda plataforma de
pesquisa necessita de domínio de sua lógica de pesquisa para ser utilizada. Em todo e
qualquer caso se faz necessário apresentar a interface de cada base, primeiro focando os
pontos em comum com outras bases, depois ressaltando serviços singulares que uma base
possui e outra não.
No caso do Portal de Periódicos da Capes, apontado pela maioria como conhecido,
porém de uso limitado ou mesmo não utilizado por falta de domínio da lógica de pesquisa
empreendida, é fato que o alunado necessita primeiro se familiarizar com as plataformas de
pesquisa digitais, apreendendo o que cada uma oferece e como oferece instrumentos de
pesquisa.

3025

�Pela importância que o Portal de Periódicos da Capes apresenta no cenário brasileiro
de pesquisa científica é sempre necessário divulgá-lo, assim como prover o alunado de meios
consistentes de utilizá-lo em toda a sua potencialidade. Na questão seguinte, solicitamos que
os usuários assinalassem quais treinamentos eles gostariam que a biblioteca realizasse.

Gráfico 5 - Treinamentos que os usuários gostariam que a biblioteca realizasse.

Fonte: Elaborado pelos autores (2014).

Na sequênca da questão anterior e como forma de enfatizar mais uma vez a
necessidade de domínio da lógica de pesquisa em plataformas digitais, os respondentes
apontam o Portal de Periódicos da Capes e as Bases de dados especializadas, seguidos de
perto pela normalização de trabalhos como os treinamentos que devem ser ofertados de forma
sistemática.
Essa demanda coincide com as principais carências científica e metodológicas do
desenvolvimento educacional dos alunos, que dificilmente obtém alguma noção incipiente de
pesquisa, metodologia e normalização no ensino médio e fundamental. Por outro lado, reforça
na biblioteca universitária a função pedagógica, pois visualizando essas deficiências do
alunado, há de, por esforços próprios ou em parceria com disciplinas ou departamentos
acadêmicos, construir os meios de ofertar capacitações e treinamentos que enfoquem o uso de
plataformas de pesquisa, como o Portal de Periódicos da Capes, e normalização
documentária, contribuindo para a cultura da investigação científica na universidade.

3026

�O questionário finaliza com uma questão em aberto, em que os usuários poderiam
escrever comentários gerais. Um ponto recorrente nos comentários, como sugestão para a
Comissão de Educação de Usuários, é a incorporação da educação à distância nas ações de
educação de usuários, conforme abaixo:
O treinamento poderia ser utilizando um curso online, através de um sistema
de ensino virtual, como o moodle, ou disponibilizando um manual, para
facilitar aqueles que manuseiam facilmente a internet . Para mim, creio ser
desnecessário um encontro presencial, caso seja disponibilizado um manual,
tutorial ou um curso a distancia, vez que já fiz vários cursos online e utilizo
bastante a internet como fonte de pesquisa de periódicos, bem como o banco
de teses de diversas universidades. (PARTICIPANTE A)
Um curso pela internet seria melhor do que presencial. (PARTICIPANTE B)
Acho que poderiam existir tutoriais, não precisando ser a realização dos
cursos presenciais. (PARTICIPANTE C)
Treinamento poderia ser feito em parceria pela UFC Virtual já que não estou
mais em Fortaleza-Ce e ser feito à distância, tipo EAD. (PARTICIPANTE D)

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas universitárias devem estar preparadas para oferecer serviços de
educação de usuários, contribuindo assim para o desenvolvimento e promoção da
competência em informação, tão fundamental na conjuntura atual. Dessa forma deve fomentar
a perspectiva da investigação científica, com objetivos que englobem a promoção de seus
serviços, além das fontes de informação nos contextos acadêmico e científico.
O trabalho coletivo e cooperativo realizado pela CEU mostra-se bastante eficaz
neste sentido, identificando demandas, fazendo parcerias com professores, construindo
ferramentas de acesso à informação e intensificando capacitações e treinamentos cujo objetivo
visa à melhoria no processo de busca e uso da informação científica.
O desafio maior é introduzir essas ações de educação de usuários como partícipes
do ideal de autonomia e criticidade da formação acadêmica dos alunos. A competência em
informação possui não só a preocupação técnica de instrumentalizar o alunado, mas subjaz
neste processo de uso e busca da informação a qualidade da educação.
A biblioteca universitária, como organismo participativo, deve cada vez mais
focar na perspectiva pedagógica, sem, contudo, atrofiar serviços básicos e técnicos. Na
verdade, as demandas identificadas nos questionários oriundas das respostas dos alunos
servem também como embasamento reflexivo para a atuação crítica da biblioteca universitária
na contemporaneidade.

3027

�7 REFERÊNCIAS
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Presential Comittee on Information Literacy. Final
Report. Chicago, 1989. Disponível em: &lt;http://www.ala.org/ala/acrl/acrlpubs/whitepapers/
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Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008.
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o perfil do bibliotecário de referência em bibliotecas universitárias. In: CONGRESSO
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Florianópolis:

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3029

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Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Investiga as necessidades e demandas de ações de educação de usuários no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC). Relaciona as temáticas necessidades de informação e competência em informação. Trata-se de pesquisa exploratória, baseada na metodologia participativa da pesquisa-ação. Os resultados apontam sobre as necessidades de ações de educação de usuários existentes na UFC e apresenta as ações desenvolvidas Comissão de Educação de Usuários na UFC para a promoção da competência em informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

EXTENSÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DO PROJETO
LITERACIA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

Raimundo Nonato Ribeiro dos Santos
Kleber Lima dos Santos
Ana Patricia Celedónio da Silva

RESUMO
Apresenta o Projeto de Extensão Literacia: competência informacional nas escolas,
desenvolvido no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, com foco na ação
de extensão Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares. O Projeto Literacia objetiva
demonstrar como o desenvolvimento educacional está relacionado com a competência em
informação, ratificando a biblioteca como um ambiente fundamental de geração de
conhecimento e aprendizagem. Destaca a extensão universitária como um fator importante
para o desenvolvimento da sociedade e como linha de ação que as bibliotecas universitárias
podem se inserir para promover e estender seus serviços.
Palavras-chave: Competência em informação. Extensão universitária. Biblioteca escolar.

ABSTRACT
Presents the Extension Literacy Project: information literacy in schools, developed at the
Library System of the Universidade Federal do Ceará, with a focus on action Extension
Proposal for Standardization of School Works. The Literacy Project objective to demonstrate
how the educational development is linked to the information literacy, ratifying the library a
key environment knowledge generation and learning. Highlights the university extension as
an important factor to the development of society and as a line of action that university
libraries can insert to promote and extend their service.
Keywords: Information competence. University extension. School library.

1 INTRODUÇÃO
A biblioteca é um espaço peculiar de aprendizagem, como um lócus estratégico de
ações correlatas e complementares das ações desenvolvidas em sala de aula. Nesse sentido, a
experiência com a leitura e com o comportamento investigativo, tão importante para o avanço
educacional, podem ser ampliados no espaço de uma biblioteca escolar, desde que
minimamente estruturada para tal.

2721

�As bibliotecas, como agentes envolvidos nos processos de geração, gestão e
disseminação da informação necessitam promover habilidades de uso da informação, ou seja,
ensinar os alunos a: definir suas necessidades, acessar, selecionar, avaliar, organizar e usar
informações visando gerar seu próprio conhecimento. Milanesi ([20--]) apud Belluzzo (2005,
p. 33), afirma que:
uma prática de ensino, para incluir a leitura e a discussão, exige
transformações na escola, mudando a cena, alterando a sala de aula,
mudando o papel do professor de mero transferidor de conteúdo,
incrementando a biblioteca e incentivando todas as formas de acesso à
informação registrada e a produção de novas informações.
A educação hoje deve estar voltada para os processos de construção, gestão e
disseminação do conhecimento, com ênfase no aprendizado ao longo da vida, necessitando
dos indivíduos que desenvolvam a competência em informação. Pessoas competentes em
informação são capazes de compreenderem suas necessidades de informação, de pesquisar
corretamente, de serem aprendizes autônomos. É preciso aprender a aprender; aprender a ler
criticamente; aprender a manusear informações em diversos suportes, em virtude do excesso
de informações e da oferta constante das tecnologias presentes no nosso dia-a-dia.
Considerando-se que a competência em informação se caracteriza pela ênfase na
aprendizagem pela pesquisa orientada, verifica-se que, nesse sentido, a ação da escola
(direção, professores, biblioteca) é incipiente. Embora reconheça-se a importância da questão
e sua responsabilidade com relação a ela, observa-se que falta sistematizar ações coletivas e
permanentes para o desenvolvimento efetivo da competência em informação.
Nesse meio, a necessidade de um padrão de apresentação de trabalhos escolares
corresponde à compreensão de que a iniciação científica é contínua e gradual, e dessa
maneira, abrindo espaço para que se pense a pesquisa escolar de forma consciente, orientada e
inequivocamente formativa. Neste sentido, se deter em certos elementos mais simples nas
séries iniciais e elementos complementares e mais complexos nas séries mais avançadas
demonstra ser o mais adequado e o que condiz com a formação gradual do alunado.
Desenvolvido no Projeto de Extensão Literacia, do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Ceará, este trabalho tem como objetivo geral a proposição de uma
padronização para trabalhos escolares, refletindo sobre temáticas importantes como
competência em informação, pesquisa escolar e normalização de trabalhos científicos.

2722

�2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
A sociedade atual caracteriza-se pela multiplicidade de informações, pela aceleração
dos seus processos de produção e de disseminação, tornando-se necessário preparar cidadãos
capazes de selecionar, avaliar, interpretar e utilizar as fontes de informação habilmente,
conhecendo seus mais variados suportes e formatos. A busca pela formação de cidadãos
competentes no uso da informação deve ser iniciada na escola, fase introdutória dos
indivíduos ao ambiente da biblioteca escolar e às fontes de informação, sendo o período
propício para a realização da instrução da competência em informação. No contexto
educacional, a competência em informação é de suma importância para as funções
pedagógicas, apoiando no processo de aprendizagem, e desenvolvendo as capacidades dos
alunos.
De acordo com Belluzo (2005), entende-se que a competência em informação deve
ser compreendida como uma das áreas em que o processo de ensino e aprendizagem esteja
centrado. Segundo a American Library Association (1989), os requisitos básicos para o
indivíduo ser competente em informação são: saber buscar, avaliar, filtrar e usar a
informação, ou seja, aquelas pessoas que aprenderam a aprender.
Contudo antes de tornarem seus alunos competentes em informação, é necessário que
os professores dominem tal competência. Com a competência em informação, o professor
será capaz de reconhecer quando tem necessidades de informação, selecionar fontes de
informação, utilizar estratégias de busca, avaliar a qualidade e relevância das informações e
aplicá-las na resolução de problemas.

2.1 Competência em informação e normalização de trabalhos escolares
Baseado no exposto, em 2011 foi criado no Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Ceará (UFC) o Projeto de Extensão intitulado “Literacia: competência
informacional nas escolas”, que tem como objetivo geral promover a competência em
informação em escolas de Fortaleza. Para tal, seguirá os seguintes objetivos específicos:
a) discutir o conceito de pesquisa na escola, com professores e alunos;
b) apresentar exemplos de fontes de pesquisa;
c) orientar o acesso às informações contidas nas fontes de pesquisa;
d) mostrar as etapas para a elaboração de um trabalho de pesquisa;
e) conscientizar o aluno sobre a importância da leitura para a elaboração do trabalho
escolar;

2723

�f) oportunizar a realização de pesquisas para colocar em prática os conhecimentos
teóricos apresentados em sala de aula;
g) promover a biblioteca escolar; e
h) colaborar para a uniformização e a padronização da apresentação dos trabalhos
escolares através de um projeto de normalização.

O Projeto está em fase de implantação, desenvolvendo ações voltadas para a rede
pública de ensino de Fortaleza. Sua equipe é composta por 02 (dois) bibliotecários do Sistema
de Bibliotecas da UFC e 01 (uma) bolsista de Extensão, graduanda em Biblioteconomia.
O desenvolvimento de projetos de competência em informação na comunidade
escolar, por meio da biblioteca, possibilita que o aluno seja formado como usuário da
informação em passos gradativos para buscar, entender, organizar, interpretar, avaliar, utilizar
e comunicar a informação. Não significa que seja um processo de aquisição somente de
habilidades formais de busca em catálogos e ferramentas eletrônicas, mas também sirva de
mola propulsora para mudança de atitude a respeito da informação, do conhecimento, da
preparação escolar para a resolução de problemas e tomada de decisões. O que se espera é o
desenvolvimento do desejado espírito crítico e criativo do estudante no decorrer da vida toda
(MACEDO, 2005).
A educadora norte-americana Carol C. Kuhlthau desenvolveu a obra Como usar a
biblioteca na escola, que se fundamenta nos estágios cognitivos de Jean Piaget e consiste em
um programa de atividades progressivo, que aborda os diferentes recursos informacionais da
biblioteca escolar. Seu objetivo é capacitar crianças e jovens para acessar, avaliar e utilizar os
diversos recursos informacionais, em suportes impressos ou eletrônicos (KUHLTHAU,
2002). A obra foi adaptada por um grupo de pesquisadores da Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Apresenta-se a seguir o modelo da educadora americana Carol Kuhlthau (2010, p. 17)
para o processo de pesquisa escolar, dividido em sete estágios:
1) início do trabalho;
2) seleção do assunto;
3) exploração de informações;
4) definição do foco;
5) coleta de informações;
6) preparação do trabalho escrito;
7) avaliação do processo

2724

�O modelo de Kuhlthau serviu como base para o desenvolvimento do Projeto Literacia.
A proposta de normalização de trabalhos escolares é o foco do sexto estágio: preparação do
trabalho escrito. Nela está embutida a ideia de possibilitar aos alunos o desenvolvimento
gradual da linguagem científica e do rigor dos métodos científicos. Neste sentido, têm-se
como outros objetivos o desenvolvimento de capacidade de reflexão, uma melhor análise de
textos escritos e imagéticos e a estruturação coerente e apresentação confiável da informação
recolhida, em um processo prévio de busca de informação.
É importante ter atenção aos anos da educação básica, pois assim pode-se orientar a
qualidade da formação do aluno em adquirir conhecimentos e meios de aprendizagem que ele
levará a etapa do ensino superior, no mercado de trabalho e no meio social. A disseminação
da normalização e da escrita científica entre os alunos da educação básica reforça a ponte
entre ensino fundamental e médio com o ensino universitário, produzindo justamente a
continuidade formativa que tornará mais consistente a formação científica do aluno.
O padrão de trabalho escolar deve partir, logicamente, de um padrão já existente e
válido. Neste caso, a proposta de normalização de trabalhos escolares a ser construída baseiase nas normas de “Documentação e Informação” elaboradas pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT). Destacamos a NBR 14724 - Trabalhos acadêmicos, NBR 6023 Referências, NBR 6027 - Sumário, NBR 10520 - Citações.
O objetivo geral da Proposta de Normalização de Trabalhos Acadêmicos é refletir
sobre e implementar a construção de um modelo de apresentação de trabalhos escolares para
alunos do ensino fundamental da Escola Centro dos Retalhistas. Daí, surgem os seguintes
objetivos específicos: a) Fomentar nos alunos do ensino fundamental o desenvolvimento
gradual da linguagem científica e do rigor dos métodos científicos; b) Refletir sobre a
conciliação entre orientação pedagógica e orientação metodológica na prática do ensino; c)
Desenvolver habilidades e competências nos alunos, principalmente as relacionadas ao
protagonismo e a reelaboração própria de conteúdos, a partir do ensino pela pesquisa.

3 PESQUISA ESCOLAR
A pesquisa pode ser definida como um processo presente em vários costumes
rotineiros, tendo como atividade a busca, indagação, investigação da realidade e que sustenta
tomada de decisões e geração de novos conhecimentos, auxiliando na compreensão e na
reconstrução própria pelo aluno.

2725

�Tomada num sentido amplo, pesquisa é toda atividade voltada para a
solução de problemas; como atividade de busca, indagação, investigação,
inquirição da realidade, é a atividade que vai nos permitir, no âmbito da
ciência, elaborar um conhecimento, ou um conjunto de conhecimentos,
que nos auxilie na compreensão desta realidade e nos oriente em nossas
ações (PÁDUA, 1996, p. 29).
Porém, na educação básica, a pesquisa deve ser compreendida para além de seus
aspectos estritamente utilitários, se tornando um poderoso princípio formativo e didático. De
modo que, o aprender a aprender está embutido na perspectiva investigativa proposta pela
mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes inerentes à pesquisa. (DEMO, 2007).
Matos e Castanha [s.d.] dão ênfase a ligação entre o ensino e a pesquisa; o professor
deve estar atento às individualidades e contexto social em que estão inseridos os alunos para
desse modo adequar metodologias de trabalho, motivando o interesse, a curiosidade assim
como a criatividade e a investigação, evitando simples reproduções de ideias ou a prática do
“copiar e colar”.
A internet é uma grande fonte de aquisição de conhecimentos, porém é necessário que
haja um direcionamento nessa atividade de pesquisa onde o aluno não aproveite respostas
prontas e sim analise e consiga argumentar suas próprias conclusões. Em um relato de
experiência de Guedes e Farias (2007) é observado na questão do uso de tecnologias da
informação em bibliotecas escolares que a maioria se utiliza de fontes eletrônicas para a
pesquisa, mas uma porcentagem menor oferece um treinamento de ensino para o
aprimoramento dessas buscas.
Neste sentido, baseados no modelo construtivista, entendemos que os alunos, desde o
início de sua escolarização, devem desenvolver habilidades de localizar, selecionar e usar
informações que os capacitem para aprender a aprender, de forma autônoma, não só durante
sua formação escolar, mas ao longo da vida, cerne compartilhado também pela competência
em informação.

4 EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
As atividades extensionistas dentro da Universidade são de suma importância para o
desenvolvimento político, social e cultural, aprimorando competências profissionais e
contribuindo para o progresso social. Segundo Garrafa (1989, p. 109) “extensão é conceituada
como um processo educativo cultural e cientifico que articula o ensino e a pesquisa de forma
indissociável e viabiliza a relação transformadora entre universidade e sociedade”.

2726

�Sob uma ótica político-metodológica, o meio social é o objeto da extensão e o
principal beneficiado, exercendo assim uma ferramenta articuladora do ensino e da pesquisa,
considerados os três pilares da Universidade pública brasileira. Estes não podem ser tratados
de modo isolado, mas sim de forma integrada e em consonância com os anseios e
necessidades da sociedade.
Não obstante, esta relação dá-se de forma recíproca, haja vista a Universidade
também beneficiar-se neste processo, pois a extensão possibilita a interação entre o “pensar” e
o “fazer” universitário, conforme indica Serrano (2001). Dessa forma é possível a
Universidade atingir funções de cunho: acadêmico (que se fundamenta nas bases teóricometodológicas), social (em que busca promover a organização social e a construção da
cidadania) e articulador (do saber e do fazer e da universidade com a sociedade).
Nogueira (2000, p. 63 apud OLIVEIRA, 2004, p. 2) ressalta que a Universidade deve
“induzir” programas e projetos que visem enfrentar os problemas específicos produzidos pela
situação da exclusão. Partindo disto, compreende-se que a Universidade, especialmente a
pública, tem a responsabilidade de aliar educação e cultura, e contribuir para o fortalecimento
da cidadania.
De acordo com Tavares (1997), a extensão universitária aparece para uma pequena
fração da comunidade acadêmica como a possibilidade de dar suporte a um novo paradigma
de produção de conhecimento no âmbito da Universidade, tendo uma relação próxima com a
sociedade em um processo de troca e complementaridade, constituindo um objeto catalisador
das bases sociais.
Nesta perspectiva, nota-se que as bibliotecas universitárias, têm privilegiado em suas
práticas informacionais o compromisso com a comunidade acadêmica. As evidências desta
escolha são perceptíveis pelos produtos e serviços orientados para docentes, discentes,
funcionários e pesquisadores, como se as bibliotecas universitárias não fossem sensíveis à
comunidade do seu entorno. Faz-se necessário situar as bibliotecas universitárias como um
espaço de cidadania, construído por meio de experiências de extensão planejadas para e com
os grupos e sujeitos sem vínculos formais com a Academia, mas que moram no entorno e por
vezes possuem acesso precário à informação, sobretudo em função das condições
socioeconômicas que marcam a vida cotidiana de parte significativa da população brasileira.
Começa-se a notar na literatura da área, as possibilidades de engajamento dos
profissionais da informação que atuam nessas organizações em atividades de promoção da
leitura, palestras e oficinas para a comunidade externa aos campi. (VICENTINI et al., 2007;
COSTA et al. 2008). Ferreira (2012, p. 86) destaca:

2727

�[...] os projetos de extensão também viabilizam formas de ação mais
direcionadas às necessidades sociais de informação dos segmentos populares
da sociedade. São empreendimentos desse tipo que permitem situar os(as)
bibliotecários(as) como agentes de intervenção numa realidade nacional
ainda tão desigual em termos de oportunidades de acesso às TIC, de
educação de qualidade, de ampliação do conhecimento e de condições
mínimas para uma vida mais cidadã para homens, mulheres e crianças.
Neste sentido, o projeto do qual trata este trabalho busca estimular a sociedade (na
parcela representada por seus participantes) para a importância da competência em
informação como meio de inclusão informacional e esta última como instrumento de
conscientização, mobilização e transformação social.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
Cientificamente, este estudo baseia-se na metodologia participativa da pesquisa-ação
onde a equipe do Projeto Literacia e a comunidade escolar trabalham juntos, compartilhando
saberes com o propósito de disseminar entre os alunos o espírito científico e a competência
em informação.
A pesquisa-ação é concebida por Thiollent (2011, p. 8) como um “conjunto de
procedimentos para interligar conhecimento e ação”, visando extrair da ação novos
conhecimentos que irão transformar a situação-problema. A pesquisa-ação pressupõe “uma
forma de ação planejada de caráter social, educacional, técnico ou outro” (THIOLLENT,
2011, p. 14). Além disso, a pesquisa-ação permite entrelaçar objetivos de ação e objetivos de
conhecimento que remetem a quadros de referência teóricos, com base nos quais “são
estruturados os conceitos, as linhas de interpretação e as informações colhidas durante a
investigação” (THIOLLENT, 2011, p. 8).
Assim, a pesquisa-ação é orientada em função da resolução de problemas ou de
objetivos de transformação. Como vantagem, a pesquisa-ação oferece aos pesquisadores e ao
grupo de participantes os meios de se tornarem capazes de responder com maior eficiência
aos problemas da situação em que vivem, em particular sob a forma de diretrizes da ação
transformadora. O método da pesquisa-ação consiste essencialmente em elucidar problemas
sociais e técnicos, cientificamente relevantes, reunindo os pesquisadores, os membros da
situação-problema e outros atores e parceiros interessados na transformação da realidade,
formulando respostas sociais, educacionais, técnicas e/ou políticas adequadas.
Dessa forma, a Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares resultará de uma
ação da equipe do Projeto Literacia visando qualificar estudantes do ensino básico na

2728

�comunicação e escrita científicas, competências informacionais essenciais para a construção
da aprendizagem.
A Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares do Projeto Literacia tem como
lócus de execução a Escola de Ensino Fundamental Centro dos Retalhistas da rede pública.
Será apresentada junto à diretoria e corpo docente, para discussão da viabilidade da proposta
levando em conta sua contextualização quanto à realidade da Escola Centro dos Retalhistas.
Depois de um consenso entre os proponentes do Projeto Literacia e a escola e da formalização
de padrão para apresentação de trabalhos escolares, a aplicação da proposta será efetivada, à
medida do necessário, pelos professores em todas as atividades escolares.
Discutido sobre o modelo de padrão adequado, deve-se criar um documento
consensual, formalizado pela diretoria da escola, no qual todos os professores devem estar
cientes de seu cumprimento. Além da proposta de normalização de trabalhos escolares existe
um acompanhamento da rotina e atividades da escola, uma aproximação com os professores
para se colocar em prática tarefas de pesquisa que siga os moldes expostos na proposta.
Contudo, vale ressaltar que alguns empecilhos podem ser identificados nessa trajetória
como a uma estrutura pedagógica rígida, posicionamentos didáticos retrógrados, alunado
resistente e etc. Por isso, essa é uma perspectiva que deve ser abraçada por todos
indistintamente. A escola deve refletir em todo seu espaço a pesquisa. Desde ações mais
simples, como um concurso de poesia até mais elaboradas como a exposição de resultados de
uma pesquisa para a comunidade num evento como uma feira de ciências, de modo que tudo
deve está entrelaçado e planejado. Daí a importância crucial do planejamento pedagógico que
endossa a perspectiva da pesquisa. Abrir tanto quanto possível espaços para a pesquisa nas
atividades didáticas ou sempre manter a perspectiva de elaboração própria em todas as
atividades.
Ações paralelas fortes são e serão necessárias: leitura em pesquisa, conhecimento e
disseminação de experiências didáticas que enfoquem a pesquisa, concursos de poesias,
jornais escolares, recitais, teatro, projetos com fanzines, vídeos e etc., mas dentre todas as
ações ressalta-se que um projeto de leitura atuante, contextualizado e criativo deve existir, sob
pena fatal de engessar e desvirtuar a educação pela pesquisa. Esta, como sabemos, não é bem
realizada sem interpretação de informações e consequentemente da própria realidade, que é,
sem sombra de dúvidas, um terreno onde vicejam as mais provocantes perguntas que
embasam uma pesquisa relevante.

2729

�6 RESULTADOS
A proposta de apresentação de trabalhos escolares está embasada em elementos
constituintes de todo trabalho de pesquisa científico em forma de monografia, a saber:
33.

Elementos obrigatórios: Capa, Folha de Rosto,

Sumário, Introdução,

Desenvolvimento, Conclusão, Referências.
34.

Elementos opcionais: Apêndices e Anexos.

As normas utilizadas nesta proposta são:
-

NBR 14724/2011 - Trabalhos Acadêmicos - Apresentação;

-

NBR 6023/2002 - Referências - Elaboração;

-

NBR 6027/2003 - Sumário - Apresentação; e

-

NBR 10520/2002 - Citações - Apresentação. Estrutura do trabalho escolar.

O trabalho seguirá a seguinte estrutura:
Capa: É a proteção do trabalho, contém elementos de identificação;
Folha de rosto: Exibe todos os dados essenciais de identificação do trabalho como o
título, nome do aluno e do professor, disciplina e data;
Sumário: Enumera as partes do trabalho na ordem em que são apresentadas;
Introdução: explica-se rapidamente do que se trata o trabalho e o que se pretende;
Desenvolvimento: é o miolo e a parte mais importante do trabalho. É recomendado
que se desenvolva um texto claro e objetivo, explicando o assunto abordado, dando exemplos,
citando trechos de livros (sempre entre aspas e com citação bibliográfica), levantando
hipóteses etc.;
Conclusão: expõe o ponto de vista adquirido sobre o assunto, fazendo uma síntese ou
sugerindo ideias, encerrando o trabalho com uma conclusão final;
Referências: Conjunto padronizado de descrição das obras que foram utilizadas para
se fazer o trabalho;
Apêndices: documentos elaborados pelo autor que complementam o trabalho como
gráficos ou tabelas;
Anexos: documentos não elaborados pelo autor que servem para de fundamentação,
comprovação ou ilustração.
O formato atenderá as seguintes especificidades:
^ Papel branco ou reciclado, formato A4.

2730

�x Fonte da letra: tamanho 12 para todo o texto.
^ Usar cor da fonte preta em todo o trabalho.
^ O trabalho deverá ser digitado no anverso, atendendo as margens de: Esquerda e
Superior: 3 cm; Direita e Inferior: 2 cm.

A proposta deve ser de uso comum entre todas as séries do ensino fundamental,
cabendo ao professor, cobrar, a rigor, a aplicação dos parâmetros para a apresentação de
trabalhos escolares.
Pressupõe-se a realização de treinamentos sobre normalização com os professores,
caso seja detectado a necessidade. Procuramos atender as questões frequentes, como por
exemplo, o que deve ser exposto na introdução, no desenvolvimento e na conclusão ou
questões pontuais como a diferenciação de anexos e apêndices, por exemplo, assim como
fornecer dicas para uma boa elaboração e estruturação dos trabalhos.
Ao mesmo tempo pretendemos divulgar as ações do projeto em uma página na
internet, ocasionando uma maior visualização, comunicação e dinamicidade com o públicoalvo e outros que compartilhem interesse pela referida temática. A proposta de padrão de
trabalhos escolares da Escola Centro dos Retalhistas será publicada online no Blog do Projeto
Literacia para download, assim os alunos terão acesso livre a este material para seu uso
correto, conjuntamente com as inserções explicativas e didáticas empreendidas pelos
professores durante suas aulas além de outros recursos de auxílio à pesquisa, reforçando
assim, a proposta didática da orientação metodológica do alunado.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acredita-se que a padronização de apresentação de trabalhos escolares acarretará uma
qualidade imprescindível aos trabalhos escolares do alunado, tornando-os mais cientes da
estrutura lógica de desenvolvimento de uma ideia e da defesa de um ponto vista, o que
coincide com uma educação que preza a autonomia e a construção própria do aluno.
A integração com o ambiente escolar é essencial para o cumprimento eficiente da
proposta, deve-se mostrar para os professores e diretoria os benefícios que serão produzidos e
abrir espaço para ações paralelas que contribuam para despertar o interesse dos alunos e
alimentar a exposição de ideias e produções próprias.
A participação de bibliotecários neste processo é determinante, assim como o uso da
biblioteca. No âmbito pedagógico é necessário que a biblioteca esteja integrada ao currículo
do alunado, sob pena da descaracterização de uma proposta mais autônoma de aprendizagem.

2731

�Espera-se que a implementação do padrão de apresentação de trabalhos escolares na
Escola Centro dos Retalhistas contribua para que professores e alunos se integrem em uma
perspectiva investigativa que ponha em evidência a criticidade e a criatividade do processo
educacional, ou seja, o aprender a aprender.

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2733

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Extensão em Bibliotecas Universitárias: o caso do Projeto Literacia na Universidade Federal do Ceará</text>
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                <text>Santos, Raimundo Nonato R. dos, Santos, Kleber Lima dos, Silva, Ana Patricia Celedónio da</text>
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                <text>Apresenta o Projeto de Extensão Literacia: competência informacional nas escolas, desenvolvido no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, com foco na ação de extensão Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares. O Projeto Literacia objetiva demonstrar como o desenvolvimento educacional está relacionado com a competência em informação, ratificando a biblioteca como um ambiente fundamental de geração de conhecimento e aprendizagem. Destaca a extensão universitária como um fator importante para o desenvolvimento da sociedade e como linha de ação que as bibliotecas universitárias podem se inserir para promover e estender seus serviços.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A GESTÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL PAULO FREIRE NOS MÚLTIPLOS
CAMINHOS DA CONVERGÊNCIA
Rayane Soares de Sousa Santos
Edna Gusmão de Góes Brennand

RESUMO
O presente artigo é resultado de pesquisa desenvolvida para a implementação da Biblioteca
Digital Paulo Freire (BDPF), projeto de pesquisa interdisciplinar envolvendo as áreas de
Ciência da Informação, Educação e Engenharia da Computação. O objetivo principal é o
disponibilizar os pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do pensamento
freireano, para dar suporte a ações educativas democráticas que tenham como vetor o
desenvolvimento de competências de participação social, facilitando a inserção dos sujeitos
educacionais na sociedade da informação e do conhecimento. A metodologia utilizada para
seu desenvolvimento englobou as seguintes fases essenciais: criação de modelo conceitual;
escolha de tecnologias adequadas de hardware e software; construção do protótipo;
construção da interface; aquisição e digitalização dos documentos; modelagem dos dados;
elaboração de mecanismos de recuperação dos documentos; testes de usabilidade e
disponibilização de conteúdos multimídia. Para selecão de documentos, recorreu-se a quatro
princípios metodológicos: exaustividade, representatividade, homogeneidade e adequação. A
gestão do processo de geração e disponibilização dos documentos da BDPF leva em conta o
cenário da geração de novos processos, ferramentas e modelos. Com a convergência digital,
são inúmeras as possibilidades de uso de sistemas digitais de informação, uma vez que a
conexão em rede dos bancos de dados digitais, das ferramentas interativas como redes sociais,
fazem emergir formas de comunicação cada vez mais abertas e multimodais.
Palavras-chave: Gestão da informação. Biblioteca digital. Convergência digital.

1 INTRODUÇÃO

Esse artigo é oriundo de estudos desenvolvidos no âmbito do grupo de pesquisa
Cultura Digital e Educação e envolve produções acadêmicas da Universidade Federal da
Paraíba (UFPB), desenvolvidas no Laboratório de Vídeo Digital (LAVID), Mestrado
Professional em Gestão nas Organizações Aprendentes (MPGOA)

e Programa de Pós-

Graduação em Educação (PPGE), abordando aspectos relacionados ao estágio atual de
desenvolvimento da Sociedade Cognitiva, com ênfase para o debate sobre

tecnologias

digitais e formação humana, espaços de aprendizagem virtuais que vêm se fortalecido através

3985

�de estratégias de busca de informação e conhecimento dentro e fora das instituições
formativas tradicionais. Parte do princípio de que não é nova a constatação de que as
instituições como a escola, a universidade, os centros de pesquisa, bibliotecas, empresas, etc.,
não dão conta de colocar à disposição das pessoas os múltiplos acervos de bens culturais
produzidos pelas sociedades; que também não é nova a discussão sobre a necessidade da
promoção da educação ao longo da vida como forma de democratização do acesso aos bens
culturais.
Nossas pesquisas envolvem a busca pela compreensãodas formas encontradas por
grupos sociais específicos para usar as tecnologias digitais no desenvolver de novas
habilidades e competências em um mundo em crescente exigência do uso das inteligências
para interpretar os códigos culturais, interagir socialmente, adquirir competências para a vida
e para a carreira e para colaborar com a ampliação de trocas culturais nos mundos da vida
particular.A pesquisa busca, nas interfaces entre a Educação, as Ciências Cognitivas e a
Ciência da Informação e Ciência da Computação, nuances de aproximação para subsidiar a
construção de uma ferramenta que disponibilize saberes educacionais, contribuindo para
articular usos e apropriações das novas configurações das redes de informação e
conhecimento.
O aumento da velocidade de transmissão de mensagens, a quantidade de transmissão
de informação e a multiplicação de fontes e tipos de informação parece ser uma característica
fundamental da sociedade do conhecimento ou sociedade cognitiva. Baseada na permanente
necessidade de aquisição e troca de conhecimentos, esse estágio civilizatório tem como marca
a constatação de que ensinar e aprender é um processo contínuo ao longo da vida. Estudos e
experiências neste domínio abriram largas infovias para a compreensão de que este tipo de
aprendizagem tem sido reestruturado pela entrada, em cena, de artefatos tecnológicos que têm
modificado de forma recorrente o processo de comunicação humana. Comunicar através de
redes digitais tem se tornado um fenômeno que ultrapassa as relações humanas, assumindo o
sentido de participação permanente através de um sistema de múltiplos canais que incluem
gestos, olhares, silêncios e, sobretudo, partilhas.
Neste século, o sentido de aprender e comunicar assume definitivamente o sentido de
partilhar por meio das vias digitais, desenhando dinamicamente múltiplas possibilidades de
encontros e tipos de informação diferenciados. Participar desse processo tem sido o objetivo
da Bilioteca Digital Paulo Freire (BDPF), como uma biblioteca temática na Universidade
Federal da Paraíba (UFPB).

3986

�2 O CONTEXTO DA PESQUISA

Os avanços dos meios de comunicação têm trazido novas formas de disseminação e
produção da escrita. Nesse contexto, os livros em sua forma convencional têm assumido um
lugar periférico na sociedade do conhecimento, reestruturando o papel atual das bibliotecas.
Apesar de parecer que esta é uma discussão antiga, ela ocupa lugar de destaque no cotidiano
dos profissionais das áreas de informação e comunicação. A acessibilidade a todas as formas
de bens culturais, nas últimas décadas, não tem possuído mais o foco no acervo físico, mas,
nas necessidades dos usuários que, cada vez mais, requerem respostas de forma rápida e
dinâmica, independente da maneira pela qual a informação e o conhecimento são produzidos
e armazenados.
A importância de acessibilidade à informação e ao conhecimento com autonomia, para
Paulo Freire, é fundamental ao processo de ensino e aprendizagem. Freire (1987) afirma que é
imprescindível, no momento da construção dos saberes, a valorização da realidade
sociocultural e da autonomia dos sujeitos, pois assim, o nível de interação e confiança entre
esses e o educador aumentará, desenvolvendo-se estratégias para utilização adequada das
ferramentas de acessibilidade para acesso irrestrito a conteúdos educacionais.
Nesse contexto, as bibliotecas digitais (BD's) se colocam como uma ferramenta de
socialização de conhecimento, pois permitem armazenar e disseminar conteúdos em formato
digital, acessíveis via rede de computadores e gerenciadas através de serviços associados
(BRENNAND, 2011). Embora não se considerem as bibliotecas digitais como nova
ferramenta de inclusão, mas como um mecanismo eficiente de inclusão, elas diferem das
bibliotecas convencionais em vários aspectos, e de acordo com Cunha (2008), podemos
apontar suas características principais: tem um potencial informacional maior que o da
biblioteca convencional, pois permite combinar as estruturas e a coleta de informação
tradicional com a representação digital dos materiais; permite novos formatos dos
documentos, compostos por variados componentes multimídia.
Podemos entender,a partir do autor,que o foco da BD está no acesso fácil e rápido à
informação com a flexiblidade de disseminar documentos digitais que já estão em domínio
público, bem como, colocar à disposição da comunidade, os conteúdos de forma, geralmente,
gratuita. Elas estimulam as ações cooperativas entre acervos, reduzindo custos e dividindo
experiências. Os documentos presentes nas BD's podem ser preservados por mais tempo; e
podem permitir às pessoas com limitações motoraso acesso remoto.Essas características

3987

�básicas permiti-nos inferirque as bibliotecas digitais são importantes ferramentas para
promover a acessibilidade à informação, desempenhando, assim, um papel indispensável nos
processos educacionais.
A Biblioteca Digital Paulo Freire (www.paulofreire.ufpb.br) é uma biblioteca digital
temático-especializada, ou seja, possui em seu acervo conteúdos sobre vida e obra de Paulo
Freire, disponibilizando-os de forma democrática e de maneira acessível, obras deste e sobre
este importante educador. A ideia de criação da BDPF foi fundamentada no pensamento do
autor e na sua luta pela democratização da educação.A principal meta desta biblioteca é:
[...] disponibilizar os pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do
pensamento freireano, para dar suporte a ações educativas democráticas que
tenham como vetor o desenvolvimento de competências de participação
social, facilitando a inserção dos sujeitos educacionais na sociedade da
informação e do conhecimento.(BRENNAND, 2011, p. 32).

Para Paulo Freire, a educação deve ter como pressuposto basilar, desenvolver o
pensamento crítico de professores e alunos de forma conjunta e colaborativa. Com isso,
podemos dizer que a Biblioteca Digital Paulo Freire tem como função fundamental subsidiar
o fortalecimento de uma educação libertadora e democrática. Tendo sua interface pensada
para permitir o fácil acesso a usuários, com pouco conhecimento de tecnologias digitais, tem a
preocupação de permitir o acesso rápido a informações seguras e de qualidade, podendo, a
BDPF, ser considerada como um instrumento de inclusão digital.
Tendo em vista a grande quantidade de informações sobre Paulo Freire que estão
dispersas nos diferentes suportes informacionais, seja em papel, CD, DVD entre outros, ou
em diversos formatos e a dispersão geográfica desses, esta pesquisa estuda estratégias
tecnológicas para reunir essas informações em um único domínio e disponibilizá-las de forma
rápida e eficiente, permitindo acessibilidade a alunos e professores dos diversos níveis de
ensino, mesmo que aqueles não tenham conhecimento da tecnologia.

3 PROBLEMA DE PESQUISA

Um estudo desenvolvido pela Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, 2010) assinala que as tecnologias digitais são
fundamentais para aprimorar as competências educacionais e o desenvolvimento social.
Mostra as mudanças ocorridas nas últimas décadas com relação ao acesso à ciência e seus
benefícios. Segundo o relatório, um mundo bipolar, no qual a ciência e a tecnologia (C&amp;T)

3988

�eram dominadas pela Tríade composta por União Europeia, Japão e EUA, está se
transformando gradualmente em um mundo multipolar com um crescente número de centros
de pesquisa públicos e privados, de Norte a Sul no globo.
Um dos cenários destacados neste documento é a maneira como a geopolítica da
ciência moldará o futuro: na parceria e na cooperação. O documento nos permite assinalar a
importância crucial singular das redes digitais nas conquistas sociais do período histórico de
rápido crescimento global, entre 1996 e 2007. A América Latina e o Brasil são destacados na
arrancada de crescimento, guiada pelas tecnologias digitais e a crescente participação e o
desenvolvimento de matrizes institucionais globais. Entretanto, se realizarmos uma
comparação simples entre o papel importante atribuído às tecnologias digitais no
desenvolvimento científico e tecnológico, a importância do acesso ao conhecimento e à
informação para a democratização social e a qualidade da educação pública, assinalaremos os
primeiros problemas. Inovação parece ser uma categoria que ainda não chegou à grande parte
das escolas fundamentais e grandes contingentes de Faculdades privadas que dão o acesso ao
ensino superior de cerca de 60% dos jovens brasileiros.
Pesquisa realizada pelo Ministério da Educação do Brasil (2012) aponta ainda
a falta de cultura digital nas escolas. Das 143 mil instituições de Ensino Fundamental do país,
cerca de 17 mil contam com laboratórios de informática, segundo dados do Ministério. As
tecnologias digitais dão impulso à inovação do ensino, mas grande parte de jovens e crianças
acessam as redes fora da escola.Há um ritmo desigual entre a dinâmica do avanço científico e
tecnológico e a chamada fratura digital que vem sendo acentuada. Alunos e professores da
educação fundamental e superior ainda possuem acesso diferenciados à cultura digital e às
questões relativas ao acesso a banda larga e dispositivos de mídia.Foi nesse cenário de
acessibilidade diferenciada que surgem as perguntas norteadoras desta pesquisa: como
disponibilizar em formato digital o legado educacional de Paulo Freire? Como contribuir para
minimizar os problemas de acesso ao seu pensamento?É possível através da digitalização de
conteúdos freireanos abrir espaços de acesso à sua mensagem educacional?
No contexto da convergência tecnológica, as bibliotecas digitais surgem como um
novo conceito de armazenamento e disseminação da informação e do conhecimento, e podem
ser entendidas como uma coleção de conteúdos culturais armazenados em formato digital,
acessíveis via rede de computadores e gerenciadas através de serviços associados
(BRENNAND, 2011). As Bibliotecas Digitais, por sua própria constituição e natureza, são
repositórios de documentos nos mais diversos formatos e de inúmeros serviços para o fácil
acesso aos seus arquivos e a fomentação da interatividade entre os seus usuários. De tal

3989

�maneira, podem potencialmente suportar e implementar diversas das atividades pedagógicas e
servir como um ambiente de aprendizagem, ou mesmo apoiar os já existentes, mesmo
remotamente.
A “Pesquisa Analítica: Bibliotecas Digitais na Educação” (Analytical Survey: Digital
Libraries in Education), realizada pela UNESCO no ano de 2003, tece considerações acerca
da importância das bibliotecas digitais e seu uso na educação, apontando possibilidades,
funções, serviços, conteúdos, materiais, associado ao processo de ensino e aprendizagem.A
Biblioteca Digital na Educação (BDE), segundo a UNESCO (2003), é:
Um espaço de informação, no qual estudantes estão movendo-se
intelectualmente, entrando em contato com novas informações, e
trabalhando com o professor e outros estudantes para dar sentido ao que eles
encontram. [...] É considerada uma reunião de serviços e coleções das
bibliotecas que operam juntos para criar uma comunidade digital de
aprendizagem. (UNESCO, 2003, p. 7-11).

Essas bibliotecas têm por objetivos: satisfazer as necessidades de estudantes
individualmente e colaborativamente; habilitar recursos humanos para o uso dinâmico de
materiais para aprendizagem em formatos digitais;promover o acesso a coleções de qualidade,
bem como, serviços disponíveis dentro e fora da rede; auxiliar na geração, partilha e uso do
conhecimento; assessorar comunidades existentes e facilitar o surgimento de novas
comunidades depesquisa e educação;ajudar faculdades e estudantes a encontrar e usar
conteúdos digitais com serviços para assisti-los na avaliação da qualidade e da utilidade;
facilitar a troca interinstitucional de materiais educativos.
Nesse contexto, situamos a relevância dos estudos que geraram a Biblioteca Digital
Paulo Freire. São alguns dos objetivos principais: recuperar em formato digital o acervo
concernente à vida e obra de Paulo Freire; estudar estratégias para produção e disseminação
de conhecimento com formatos multimídia; desenvolver metodologias de organização e
digitalização de conteúdos e disponibilização de acervos culturais, educacionais e históricos
através da integração de textos, material iconográfico, vídeo e áudio; avaliar tecnologias
estratégicas para geração de conteúdos digitais; desenvolver formas de gerenciamento de
recursos de infraestrutura em hardware e software para dar suporte aos sistemas de
informações com conteúdos digitais no que se refere à segurança, controle, organização,
disponibilização e acesso; formar estudantes, docentes, pesquisadores e usuários, de forma
geral, para utilização de serviços através da utilização de conteúdos digitais como fonte de
pesquisa.

3990

�4 METODOLOGIA
Devido ao volume de materiais selecionados nessa fase, decidimos recolher
uma amostra representativa do material a ser analisado, baseando-nos em quatro princípios
básicos propostos por Richardson (1999), tais como: exaustividade, representatividade,
homogeneidade e adequação. O princípio da exaustividade permite uma busca de todo o
material susceptível de recuperação que possa expandir o conteúdo freireano. A utilização
desse princípio se justifica porque serve para cobrir o material localizado nas bibliotecas,
centros de informação e sistemas eletrônicos espalhados pelo Brasil e pelo mundo com vistas
à disponibilização. Para fins de operacionalização dos materiais que aprecem em sua
exaustividade, complexidade e variabilidade, optou-se por dividi-lo em grandes temas.
O princípio da representatividade surge como possibilidade de generalizar os
resultados da análise por meio da disponibilização eletrônica do material ao conjunto da vida
e obra , considerando-se que o conteúdo recuperado deve retratar fielmente o pensamento de
Paulo Freire. O princípio da homogeneidade consistiu em considerar que esse conteúdo
recuperado obedece a critérios precisos, isto é, a um formato digital em que se observa o
critério de indexação. Além disso, esse conteúdo deverá estar voltado exclusivamente aos
objetivos propostos. O princípio da adequação consistiu na seleção de conteúdo visando
atender, coerentemente, aos objetivos delineados para a Biblioteca Digital. Esta pretende ser
um referencial de pesquisa que poderá ser acessado em qualquer hora e em qualquer lugar, se
constituindo um espaço democrático, propiciando o acesso sem restrições de todo material
informativo, e dando suporte à educação e à aprendizagem em todos os níveis. (BRENANND
et al, 2000).
Esses princípios serviram de ponto de partida para análise do material contido em
diferentes suportes materiais, passível de ser recuperado, possibilitando a compreensão de que
a recuperação do conteúdo é uma operação de busca seletiva que envolve a riqueza de suas
interrelações e aspectos particulares. Desta forma, “o que temos de fazer não é definir [o
conceito de recuperação], isoladamente, nem tampouco o que ele envolve como um fato dado
simplesmente descrevê-lo ou explicá-lo, mas pelo contrário, assumir perante ela uma atitude
comprometida” (FREIRE, 1982, p. 96). A análise do material é a base da análise do conteúdo
que pergunta como tratar o material. Esta fase consiste na codificação, categorização e
quantificação da informação.
A codificação do material é um processo que consiste em agrupar os dados brutos em
unidades que permitem uma descrição das características relevantes do conteúdo. Os dados do

3991

�conteúdo freireano foram transformados em unidades que permitiram uma representação
desse conteúdo. Esta codificação exigiu a objetividade, sistematização e generalização
(disponibilização). A organização do conteúdo inclui três etapas básicas: determinação das
unidades de registro: que unidades de conteúdo serão consideradas?; escolha das regras de
organização: que organização pode ser dada?; definição das categorias de análise. As
especificidades da pesquisa aplicadas à Biblioteca Digital Paulo Freire podem ser acessadas
em www.paulofreire.ufpb.br.
A metodologia do trabalho foi pautada a partir da integração dos subprojetos:
Construção do modelo de dados dos sistemas de informações com conteúdos digitais;
Especificações de requisitos para busca e recuperação; Armazenamento e disponibilização de
documentos; Sistemática para digitalização do acervo. A partir de amplas discussões e
estudos, o sistema de implementação das funções que dinamizaram essas bibliotecas na Web
(busca, consulta a bando de dados etc) foi desenvolvido na linguagem Java (ou seja, o sistema
era um Servlet). Os resultados oferecidos pelo Servlet eram interpretados por páginas Java
Server Pages (JSPs).
Testado o modelo conceitual do banco de dados e resolvidos os problemas inerentes à
implementação em computador, os estudos voltados à organização do conteúdo, política de
busca, armazenamento, recuperação e disponibilização do acervo e a política de indexação
tomam corpo, uma vez conhecidas as possibilidades de publicação de vários tipos de
documentos. Em função dos estudos mais avançados, em termos de busca e recuperação de
documentos, a BDPF foi escolhida para montagem do primeiro Protótipo. A montagem de
protótipos é desenvolvida a partir dos subprojetos, aglutinando as diversas competências da
equipe interdisciplinar.O Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD) - É um programa
que provê armazenamento e consulta de uma grande quantidade de informações. Optamos,
então, pelo SGBD PostgreSQL, porque além de atender aos requisitos listados acima, é
gratuito. Também é importante lembrar que o mesmo roda em várias plataformas, inclusive as
de livre distribuição, como o Linux. A construção de uma Biblioteca Digital engloba quatro
fases essenciais: (1) aquisição e digitalização dos documentos; (2) construção da interface; (3)
modelagem dos dados e (4) elaboração do mecanismo de recuperação dos documentos.
O pressuposto metodológico é que a recuperação do conteúdo em sistemas de
informação ou unidades de informação, bibliotecas públicas, bibliotecas universitárias,
bibliotecas especializadas entre outras, supõe a utilização de estratégias de busca, as quais
aqui conceituamos como um conjunto de decisões tomadas e relacionadas aos procedimentos
para recuperação do conteúdo nos banco de dados e imagens, bibliografias e outros materiais

3992

�que se tornaram objetos de busca.

5 GESTÃO DO PROCESSO: alguns frames

A modelagem conceituai e a implementação em computador da Biblioteca Digital
Paulo Freire estão sob a responsabilidade de uma equipe interdisciplinar da UFPB,
envolvendo o Mestrado Profissional em Gestão nas Organizações Aprendentes (MPGOA),
Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE),o Departamento de Ciência da Informação
(DCI) e o Laboratório de Vídeo Digital (LAVID), do Centro de Informática.
Procuramos

envolver

os

campos

específicos

a

partir

da

concepção

de

interdisciplinaridade, onde as disciplinas não foram diluídas, ao contrário, mantiveram sua
individualidade, mas sendo integradas pela concepção democrática do acesso à cultura de
Paulo Freire. As questões teóricas que envolvem o Projeto estão construídas de forma
interdisciplinar envolvendo as bases do pensamento de Paulo Freire, as questões que
envolvem a democratização da informação, os estudos do usuário e a convergência digital.As
diversas atividades envolvem uma gama de conceitos e categorias específicas: modelagem de
dados, criação da interface, programação em computador, teste do sistema, construção da
infraestrutura para disponibilização na Internet, monitoramento da biblioteca digital quando
em execução na Internet e, finalmente, a revisão e a atualização de conteúdo, quando
necessário.

5.1 Processos de gerenciamento

A seguir, descrevemos alguns dos processos de gerenciamento da Biblioteca Digital
Paulo Freire, extraídos do projeto de pesquisa, utilizados e testados no momento de sua
criação, e também atuais no funcionamento cotidiano da biblioteca, bem como, é apresentada
uma análise recente dos dados de acesso desta biblioteca.

5.1.1 Testes e gerenciamento do fórum
Para garantir um relacionamento mais interativo com os nossos usuários
estudamos a estrutura de um Fórum para complementar os serviços que oferecemos e atender
melhor as expectativas dos usuários. Nele serão postados avisos, vídeos tutoriais, anúncios de
congressos, lançamentos de livros entre outras coisas, além de um espaço para que sejam

3993

�postadas mensagens pelos próprios usuários, mediante seu cadastramento, com sugestões ou
discussões sobre as temáticas relacionadas à educação, Paulo Freire, ou as demais temáticas
dos documentos contidos em nosso acervo.

5.1.2 Administração do e-mail da Biblioteca Digital Paulo Freire
Uma conta de e-mail é utilizada para possibilitar uma maior interação com o
usuário. Eles podem nos enviar mensagens de duas maneiras: de forma direta, através do e­
mail do particular, enviando mensagens parapolenses@gmail.com (link disponível na opção
Contato do menu da Biblioteca), ou preenchendo um formulário disponível na opção
Contato, que é enviado diretamente para nossa caixa de e-mail.
Nosso endereço eletrônico recebe diariamente correspondências de usuários
brasileiros e estrangeiros, com agradecimentos, felicitações, questões a respeito de
referências, indicações de livros, assim como, sugestões e dificuldades encontradas pelos eles.
Seguem abaixo algumas mensagens recebidas:
"Parabéns pelo acervo, estou fazendo uma especialização em saúde com
ênfase em educação popular e vou usar o acervo para o meu trabalho." (E­
mail enviado por usuário de Porto Alegre - RS, em 13 de setembro de 2011).
"Hello, I would like to have contact with Brazilian professors experts in
Paulo Freire during my research about the Freire "pedagogie de la
esperanza". Would you please, send me some name, emails or telephones of
possible professors in this area?I will appreciate your help." (E-mail enviado
por usuário de Toronto - Canadá, em 20 de setembro de 2012).
"Boa tarde!
Meu nome é XXX e eu trabalho para o Jornal Educadores em Rede, uma
publicação da Rede Pitágoras. Para próxima edição do jornal vamos fazer
uma matéria sobre Paulo Freire e gostaríamos de saber se podemos utilizar
alguma imagem do acervo. Se sim, como devemos colocar o crédito?Desde
já agradeço sua atenção e aguardo retorno." (E-mail enviado por usuária de
Palhoça - SC, em 19 de julho de 2013).

5.1.3 Sistema de gerenciamento de atividades
Utiliza um sistema de gerenciamento on-line, o JIRA, onde as atividades previstas
no plano de trabalho são cadastradas, conforme a Imagem 1. Nele ficam registradas
informações sobre todas as tarefas executadas como, por exemplo, a data de início e de
término, o responsável pela atividade, as tarefas relacionadas, e ainda há a possibilidade de
postar comentários acerca do desenvolvimento das mesmas.

3994

�Imagem 1 - Visualização do gerenciador de atividades
Navegador de Pendências

® views - #

toois

Exibindo as pendências 1 até 14 de 14 pendências encontradas.
T
0

a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a

Resumo

Res

Criado

Atualizado

Responsável

Em progresso

NÃO RESOLVIDO

15/Fev/11

20/F ev/l 1

Camvle Araúio

Relatório técnico-científico parcial

ejji Em progresso

NÃO RESOLVIDO

07/Fev/11

0S/Fev/11

Camvle Araúio

Reunião com bolsista do projeto Ação Comunicativa, Eliana

iÿ&gt; Resolvida

Feito

03/Fev/11

03/FBV/11

Camvle Araúio

NÃO RESOLVIDO

02/Fev/11

1S/FBV/11

Camvle Araúio

i^J&gt; Resolvida

Feito

31/J«n/11

07/Fev/11

Camvle Araúio

ij&gt;Q Em progresso

NÃO RESOLVIDO

16/DezMO

11/FBV/11

Camvle Araúio

Em progresso

NÃO RESOLVIDO

16/Dez/10

16/Dez/10

Camvle Araúio

i^Q Em progresso

NÃO RESOLVIDO

16/Dezr'10

16/Dez/IO

Camvle Araúio

Em progresso

NÃO RESOLVIDO

14/DezHQ

15/Dez/10

Camvle Araúio

13/Dezí10

14/Dez/1G

Camvle Araúio

10Ætez/10

20/Dez/10

Camvle Araúio

03/DezT10

10/Dez/10

Camvle Araúio

BDPF-25

Adicionando livro "Aprendendo com a própria história Vol II"

BDFF-23
BDPF-22
BDPF-21

Verificando e respondendo emails

BDPF-20

Listar as atividades realizadas até agora e enviar para Edna

BDPF-15

Recuperação de informação

BDPF-17

Instalar programa para poder gravar tutorials com telas

BDPF-16

BDRF-15

Status

Em progresso

G Faz.er backup do banco com os dados atuais
BDPF-15

Atualizar banco de dados com informações mais concretas

BDFF-14

Criar planilha com nome dos arquivos disponibilizados na BDPF

^

BDPF-13

Organizar os documentos deixados pelos bolsistas anteriores

iÿ» Resolvida

BDPF-6

Leitura do livro ESPAÇO PÚBLICO VIRTUAL

^

Resolvida

BDPF-4

BDPF-2

^

Resolvida

Feito

02/Dez/10

03/Dez/10

Camvle Araúio

Resolvida

F „i,0

25/Mov/IO

03/Dez/10

Camvle Araúio

Resolvida

F

”'3

Feito
F

”'3

Leitura dos relatórios de Atividades anteriores
BDPF-1

Reunião com os bolsistas da Paulo Freire

Fonte: Dados do autor.

5.2.4 Monitoramento de acesos
O monitoramento de acessos foi realizado através da ferramenta Google
Analytics, como ilustrado na Imagem 2. Esta atividade nos possibilita coletar informações
sobre os hits de acesso, podendo então ser traçado, futuramente, um perfil dos visitantes, que
nos permitirá desenvolver atividades de acordo com suas necessidades e expectativas,
elevando a fidelidade de nossos usuários, ou seja, um estudo de usuário.
Imagem 2 - Acessos (em uniades) x Tempo (em dias)

Um exemplo dosdados coletados é que, no período de 1 de fevereiro a 25 de março de
2012, a Biblioteca Digital Paulo Freire recebeu 15.545 acessos. Seguem a baixo alguns dados
coletados:
a) apenas 27,81% dos usuários visitaram apenas a primeira página da BDPF;
b) os usuários permanecem em média quatro minutos e treze segundos no site;
c) os usuários percorrem cerca de seis páginas por visita;

3995

�d) 82,36% das visualizações são realizadas por novos visitantes;
e) 50,32% dos usuários chegam ao site através de ferramentas de busca da internet;
f) 37,19% dos usuários chegaram a biblioteca através de links em outros sites;
g) 12,48% dos usuários chegaram a biblioteca de forma direta, ou seja, digitando o endereço
no navegador.

A Imagem 3 mostra que os 15.545 acessos originaram-se de 66 países distintos.

Imagem 3 - Acessos por país

y
visits___________________
1

M

B

13,719

Fonte: Google Analytics.

Acompanhe na Tabela 1as estatísticas, abaixo, dos países com maior acesso.

Tabela 10 - Países com maior acesso
Ranking País
1°
Brasil
2°
Argentina
3°
Portugal
4°
México
5°
Estados Unidos
6°
Chile
7°
Espanha
8°
Colômbia
9°
Venezuela
10°
Uruguai
Fonte: Resultados da pesquisa.

Acessos
13.719
399
191
189
147
123
109
100
67
65

3996

�Sendo o Brasil o país líder em número de acessos, visualizaremos agora a Imagem 4
que mostra a distribuição dos 13.719 acessos no país, foram oriundos de 541 cidades.
Imagem 4 - Distribuição dos acessos no Brasil

Fonte: Google Analytics

Também é possível observar na Tabela 2 que a maioria dos acessos ocorreu em
cidades localizadas na região sudeste, estando João Pessoa, cidade de origem da BDPF,
apenas em 10° lugar.

Tabela 2 - Cidades com maior números de acessos
Ranking País
1°
São Paulo
2°
Rio de Janeiro
3°
Belo Horizonte
4°
Brasília
5°
Recife
Salvador
6°
7°
Porto Alegre
8°
Fortaleza
9°
Curitiba
10°
João Pessoa
Fonte: Resultados da pesquisa.

Acessos
1.749
1.384
887
600
589
532
461
448
363
277

3997

�6 CONSIDERAÇÕES FINAIS: A BDPF como lócus de circulação aberta da informação

A gestão do processo de geração e disponibilização dos documentos da BDPF leva em
conta o cenário da geração de novos processos, ferramentas e modelos. Com a convergência
digital, são inúmeras as possibilidades de uso de sistemas digitais de informação, uma vez que
a conexão em rede dos bancos de dados digitais, das ferramentas interativas como redes
sociais, fazem emergir formas de comunicação cada vez mais abertas e multimodais.
Convergência digital é aqui entendida como a tendência de utilização de uma única
infraestrutura de tecnologia de telecomunicações para prover serviços que em momentos
anteriores requeriam equipamentos, canais de comunicação, protocolos e padrões
independentes como o rádio, a televisão, as redes de computadores e telefonia.
A convergência digital transforma a maneira como a informação é expressa e os
métodos que são usados para gerenciá-la e disseminá-la. Esse processo ocasiona mudanças
que estimulam alterações importantes na maneira como as pessoas criam, armazenam, usam e
disseminam a informação e as transformam em conhecimento. Permite, conforme argumenta
Lévy (2009), a emergência de redes de saberes nunca antes conhecidas. Cria e fortalece
formas sociais, novas instituições, organizações econômicas e políticas, interfaces de
comunicação, novos ambientes cognitivos favorecendo modos de conhecimentos distintos:
mitos, teorias, simulações. Este novo espaço favorece conexões e sinergias entre inteligências
individuais, interesses e competências e o encontro de módulos cognitivos comuns. A BDPF é
gerenciada de forma que se torne cada vez mais uma ferramenta de inclusão.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP). Sinopse Estatística da Educação Superior. Brasília, DF, 2011.
BRENNAND, E. G. G. Projeto: concepção e implementação da biblioteca digital Paulo
Freire. João Pessoa: UFPB, 2000.
______; ALBUQUERQUE, M. E. B. C. (Org). Paulo Freire: diálogos e redes digitais. João
Pessoa: EdUFPB, 2011. 278 p.
CUNHA, Murilo Bastos da. Das bibliotecas convencionais às digitais: diferenças e
convergências. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 13, n.1, p. 2-17, jan./abr.,
2008.Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v13n1/v13n1a02.pdf&gt;. Acesso em: 03
fev. 2014.

3998

�FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade e outros escritos. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1982.
______. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
LEVY, Pierre. A inteligência coletiva:por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo:
Loyola, 1994.
MENDES, R. Uma nova forma de divulgação dos pensamentos freireanos: a Biblioteca
Digital Paulo Freire. In: ENCONTRO INTERNACIONAL FÓRUM PAULO FREIRE, 6.,
2008.
UNESCO. Relatório sobre Ciência.Organização das Nações Unidas para a Educação a
Ciência

e

a

Cultura.

Representação

do

Brasil.

Brasília:

2010.Disponível

em:

&lt;http://www.oceanografia.furg.br/cdmb/upload/file/Relat%C3%B3rio%20Unesco%202010.p
df&gt;. Acessoem: 20 abr. 2014.
UNITED

NATIONS

EDUCATIONAL,

ORGANIZATION.Analytical

Survey:Digital

SCIENTIFIC

AND

Libraries in Education.

CULTURAL
Disponívelem:

&lt;http://iite.artstyle.net/img/upload/Digital_Libraris.pdf&gt;. Acessoem: 20 fev. 2004.

3999

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>A Gestão da Biblioteca Digtal Paulo Freire nos múltipos caminhos da convergência</text>
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                <text>Santos, Rayane Soares de Sousa, Brennand, Edna Gusmão de Góes</text>
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                <text>O presente artigo é resultado de pesquisa desenvolvida para a implementação da Biblioteca Digital Paulo Freire (BDPF), projeto de pesquisa interdisciplinar envolvendo as áreas de Ciência da Informação, Educação e Engenharia da Computação. O objetivo principal é o disponibilizar os pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do pensamento freireano, para dar suporte a ações educativas democráticas que tenham como vetor o desenvolvimento de competências de participação social, facilitando a inserção dos sujeitos educacionais na sociedade da informação e do conhecimento. A metodologia utilizada para seu desenvolvimento englobou as seguintes fases essenciais: criação de modelo conceitual, escolha de tecnologias adequadas de hardware e software, construção do protótipo, construção da interface, aquisição e digitalização dos documentos, modelagem dos dados, elaboração de mecanismos de recuperação dos documentos, testes de usabilidade e disponibilização de conteúdos multimídia. Para selecão de documentos, recorreu-se a quatro princípios metodológicos: exaustividade, representatividade, homogeneidade e adequação. A gestão do processo de geração e disponibilização dos documentos da BDPF leva em conta o cenário da geração de novos processos, ferramentas e modelos. Com a convergência digital, são inúmeras as possibilidades de uso de sistemas digitais de informação, uma vez que a conexão em rede dos bancos de dados digitais, das ferramentas interativas como redes sociais, fazem emergir formas de comunicação cada vez mais abertas e multimodais. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ROTEIRO DE IMPLEMENTAÇÃO DE REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS EM
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

Denilson de Oliveira Sarvo
Roniberto Morato do Amaral

RESUMO
A adoção da filosofia de acesso aberto se mostra estratégica diante das barreiras de acesso à
informação científica e a necessidade de subsídios para o desenvolvimento de novos
conhecimentos que resultam na evolução da ciência. A criação de repositórios institucionais é
uma das estratégias adotadas pelo Movimento de Acesso Aberto que possibilita reunir,
organizar e disseminar a produção científica institucional, garantindo o livre acesso e a maior
visibilidade das publicações. Para as instituições implantar repositórios pode se mostrar
atividade complexa que envolve aspectos políticos, tecnológicos, humanos e de gestão. O
presente trabalho teve como objetivo elaborar um roteiro de implementação de repositórios
institucionais, apresentando as ações e etapas identificadas por meio da literatura, resultando
em uma possível lógica a ser adotada. Utilizou-se como metodologia a pesquisa exploratória,
realizada por meio de levantamento bibliográfico com enfoque qualitativo, a fim de identificar
e compreender os fatores envolvidos com a temática. Como resultado são apresentados
elementos julgados essenciais para a implementação de repositórios institucionais como:
missão, objetivos, definição de equipe, escolha de software, planejamento de custos, análise
de contexto, definição de política de funcionamento, regras para depósito, preservação digital,
estratégias de marketing e avaliação de desempenho. Conclui-se que a elaboração de um
roteiro, ao compreender e sistematizar elementos envolvidos com a temática que não possuem
ligações entre si, pode contribuir na eficiência e eficácia de iniciativas de implementação de
repositórios institucionais, principalmente no contexto nacional.
Palavras-Chave: Repositórios institucionais;
Comunicação científica; Informação científica.

Bibliotecas

digitais;

Acesso

aberto;

ABSTRACT
The adoption of the open access philosophy presents itself as strategic in face of the barriers
of access to scientific information and the necessity of subsidies for the development of new
knowledge which results in the evolution of science. The creation of institutional repositories
is one of the strategies adopted by the Open Acces movement, which makes it possible to
gather, organize and disseminate institutional scientific production, ensuring free access to
and greater visibility of the publications. For institutions, the implantation of repositories can
become a complex task, which involves managerial, human, technological and political
aspects. This work aims to elaborate a guide to the implementation of institutional
repositories, which presents the actions and stages identified through literature, resulting in a
possible logic to be utilized. The methodology used was exploratory research, carried out by

4555

�bibliographic survey with a qualitative approach, in order to identify and understand the
factors related to the theme. As a result, some elements are presented as being essential to the
implementation of institutional repositories, such as: mission, objectives, staff definition,
software choice, cost planning, context analysis, definition of working policies, rules for
deposit, digital preservation, marketing strategies and performance evaluation. One concludes
that the elaboration of a guide, as it comprehends and systematizes elements that, although
related to the theme, are not connected to one another, can contribute to the efficiency and
effectiveness of institutional repositories implementation initiatives, especially in a national
context.
Keywords: Institutional repository; Digital libraries; Open access; Scientific communication;
Scientific information.

1 Introdução
O processo de comunicação científica ocorre por meio da troca de informações entre
pesquisadores, sobre os resultados de seus estudos. O ato de publicar é essencial para o
avanço da ciência, pois as informações disponibilizadas são avaliadas pela própria
comunidade acadêmica e servem de subsídios para novas pesquisas.
Entre os canais de comunicação utilizados destacam-se os periódicos, adotados desde
os primórdios da comunicação científica formal. Os periódicos científicos utilizam o sistema
de avaliação de peer review, que busca garantir a credibilidade e relevância das informações
publicadas.
Alguns periódicos, denominados como centrais, possibilitam a cobertura das
principais publicações de uma área do conhecimento. Entretanto, como geralmente são
distribuídos por grandes editoras científicas, seus valores exorbitantes acabam criando
barreiras para o acesso a seu conteúdo.
Práticas adotadas pelas comunidades científicas, como o grande interesse por parte dos
pesquisadores em publicar em revistas centrais, buscando maior visibilidade e impacto para
suas publicações, agravam ainda mais as barreiras de acessibilidade. Em muitos casos, a
própria instituição de origem do pesquisador não possui acesso à fonte na qual o
conhecimento foi publicado.
Nesse contexto é que surge o Movimento de Acesso Aberto, a fim de promover ações
em prol da acessibilidade da informação científica, tendo como marco inicial o
estabelecimento de declarações e manifestos, os quais serão abordados no próximo item.
Implementar repositórios institucionais requer conhecimento sobre aspectos distintos,
tecnológicos, humanos, políticos e de gestão, podendo configurar-se como tarefa complexa,

4556

�que exige a avaliação das condições e demandas institucionais para seu planejamento e
execução.
Diante dessa diversidade de elementos envolvidos com a temática “repositórios
institucionais” e a necessidade de se conhecerem “quais ações necessárias para a sua
implementação”, a presente pesquisa teve como objetivo elaborar um roteiro de
implementação de repositórios institucionais, dando enfoque ao contexto de bibliotecas de
instituições de ensino superior.
Como forma de orientar a realização da pesquisa, foram estabelecidos como objetivos
específicos: a realização de levantamento bibliográfico sobre a temática “implementação de
repositórios institucionais”; a identificação, a partir da análise da literatura, dos critérios e
ações necessárias para implantar repositórios; a elaboração do roteiro de implementação,
conceituando e demonstrando a aplicabilidade dos requisitos identificados.
A realização da pesquisa foi motivada pela necessidade de identificar quais os recursos
e ações necessários para a implementação e gestão de repositórios institucionais em
bibliotecas de instituições de ensino superior. Justifica-se a escolha da temática diante a
demanda por parte da Biblioteca da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, de
implementar seu repositório.
Apesar de inúmeras possibilidades de aplicação e gestão de diversos tipos de
conteúdo, delimitou-se a pesquisa aos modelos de repositórios institucionais com foco na
gestão da produção científica.

2 Revisão de Literatura

A comunicação científica pode ser compreendida como “[...] o processo de produção,
consumo e transferência de informação no campo científico” (CUNHA; CAVALCANTI,
2008, p. 97).
Desse modo, fazer ciência implica aos pesquisadores deixarem em domínio público os
resultados de seus estudos, a fim de serem avaliados por toda a comunidade científica. As
análises, críticas, oposições e aperfeiçoamento das informações apresentadas estimulam
novos estudos, garantindo o avanço da ciência (VOLPATO, 2008).
As publicações científicas permitem o registro do conhecimento científico,
possibilitando seu acesso sem a necessidade direta de contato com o autor, o que amplia a
possibilidade de um número maior de pesquisadores de conhecer os resultados de estudos
realizados (VOLPATO, 2008).

4557

�Em seu processo de evolução, a comunicação científica sofreu diversas alterações.
Durante a Idade Média, a ciência era realizada por indivíduos de modo isolado, não
apresentando nenhum tipo de estrutura e organização de comunidades científicas. Somente
com o surgimento das universidades e academias foi que a ciência passou a ser desenvolvida
de modo coletivo, impulsionando a comunicação científica que ocorria por meio da troca de
correspondências (ROSA; GOMES, 2010).
Foi com as reuniões de sociedades científicas que a comunicação formal passou a ser
consolidada. As correspondências eram trocadas no intuito de possibilitar, aos que não
haviam participado presencialmente dos encontros, conhecer o conteúdo apresentado. Com a
evolução dessa prática, surgiram os periódicos científicos como meio mais eficiente para a
difusão do conhecimento (ROSA; GOMES, 2010).
Diante do crescimento do número dos periódicos científicos, a prática de publicações
de índices bibliográficos passou a ser adotada, compilando-se as informações sobre os
principais artigos publicados sobre determinada área do conhecimento. Fatores como a
disseminação de tais índices e a predominância do inglês como idioma adotado pela ciência
levaram a comunicação científica a uma perspectiva global (GUÉDON, 2010).
O aumento do volume de informação publicada passou, então, a exigir a gestão de
fontes de informação para o devido monitoramento do avanço da ciência. Práticas de seleção
passaram a ser adotadas diante da inviabilidade e alto custo para aquisição de um elevado
número de periódicos, tendo como objetivo identificar quais os títulos necessários para
garantir a cobertura adequada de uma área do conhecimento. Essas práticas deram origem às
denominadas revistas centrais (GUÉDON, 2010).
Determinar quais eram as principais revistas de uma área passou a servir como
orientação sobre quais os periódicos deveriam ser adquiridos. Desse modo, os títulos centrais
passaram a ter grande visibilidade e acessibilidade via editoras científicas. A prática de
aquisição passou a ser orientada pelas listas de periódicos centrais, tornando-se um referencial
para o desenvolvimento de coleções (GUÉDON, 2010).
Em meados de 1986, as assinaturas de periódicos começaram a apresentar valores
exorbitantes, causando impacto nos recursos destinados a sua aquisição. Como consequência,
houve redução na obtenção de títulos e a limitação de acesso à informação, problemática esta
conhecida como a crise dos periódicos (ROSA; GOMES, 2010).
O interesse por parte dos pesquisadores em publicar nas revistas centrais de nível
internacional, buscando maior visibilidade e reconhecimento no meio acadêmico, passou a

4558

�impedir, em muitos casos, que a própria instituição de origem do autor tivesse acesso ao
conhecimento publicado (ROSA; GOMES, 2010).
O Movimento de Acesso Aberto surgiu como uma proposta de solução diante dessas
barreiras de acesso à informação, buscando discutir alternativas para garantir a acessibilidade
às publicações científicas. O movimento representa uma quebra de paradigma das práticas
tradicionais de distribuição de periódicos via editoras científicas, levando para a comunidade
acadêmica o direito e a responsabilidade de organizar, promover acesso e disseminar a própria
produção (WEITZEL; FERREIRA, 2010).
A iniciativa do Movimento de Acesso Aberto foi formalizada por meio de declarações
e manifestos, como a declaração de Budapeste, em 1999, e o Manifesto Brasileiro de Apoio
ao Acesso Livre à Informação Científica, lançado no país pelo Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em 2005 (KURAMOTO, 2006).
A Open Archives Initiative (OAI), criada em 1999 na convenção de Santa Fé, surgiu
com o objetivo de promover alterações nos padrões de comunicação científica, por meio da
definição de tecnologias, diretrizes para gestão e políticas necessárias para a estruturação de
uma rede de publicações científicas de acesso aberto (KURAMOTO, 2006; GARCIA;
SUNYE, 2003).
Rosa e Gomes (2010) apontam que o Movimento de Acesso Aberto possui a
capacidade de modificar completamente o cenário da comunicação científica, influenciando
nos processos tradicionais de produção, aquisição, disseminação e uso da informação.
As ações voltadas à promoção do acesso aberto recebem forte influência do uso das
tecnologias, principalmente do modelo Open Archives, que permite a interoperabilidade entre
repositórios digitais. Weitzel e Ferreira (2010) ressaltam que o uso das tecnologias contribui
para o movimento de Acesso Aberto, apontando a capacidade de troca de informações devido
aos protocolos de interoperabilidade, o que promove maior acesso à produção científica.
O modelo Open Archives define um protocolo de comunicação entre repositórios,
denominado Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting (OAI-PHM), que
possibilita a coleta de metadados a partir de um provedor, exibindo-os como resultados em
uma interface de busca integrada de um coletor de metadados. A esse processo de coleta
denomina-se harvesting (GARCIA; SUNYE, 2003).
A interoperabilidade proporciona aos arquivos/repositórios de acesso livre a
capacidade de serem acessados por meio de inúmeros coletores de metadados, em nível
nacional e/ou internacional. A configuração desse modelo representa para a comunidade

4559

�científica uma maior visibilidade de seus resultados de pesquisa e o consequente aumento de
impacto (LEITE, ARELLANO, MORENO, 2006).
Para Ferreira, Marchiori e Cristofoli (2010), dentre os canais de comunicação, os
periódicos científicos são os que sofrem cada vez mais influência das iniciativas de acesso
livre e uso das tecnologias da informação, culminando na disputa entre a distribuição de
informação científica via editoras e as iniciativas de acesso aberto.
O Movimento de Acesso Aberto propõe duas abordagens para promover o livre acesso
ao conteúdo científico - a via dourada e a via verde.
A via dourada estabelece como estratégia a promoção de periódicos eletrônicos de
acesso aberto. Essa via possui como vantagem a utilização do modelo tradicional de avaliação
pelos pares (peer review), ao mesmo tempo em que garante o livre acesso ao conteúdo
(LEITE, 2009). Como resultado de suas ações está o desenvolvimento de softwares livres, que
permitem a produção de periódicos científicos de acesso aberto, como no caso do SEER
(Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas), sistema disponibilizado pelo IBICT, voltado
ao gerenciamento e publicação de revistas eletrônicas.
A via verde estabelece como estratégia a criação de repositórios institucionais como
meio para organizar e disseminar a produção científica de instituições (LEITE, 2009). Um
repositório institucional pode ser compreendido com uma das possíveis configurações de uma
biblioteca digital; consiste em uma base de dados que possui a finalidade de reunir, organizar
e possibilitar o acesso à produção científica da instituição (LEITE, 2012).
Gomes e Rosa (2010) apontam os repositórios institucionais como “[...] uma das
estratégias mais eficazes de melhoria das condições de disponibilidade e facilitação do acesso
à produção intelectual, acadêmica e científica dos centros produtores do conhecimento, como
as universidades e centros de investigação” (GOMES; ROSA, 2010, p. 7).
Para Barbosa (2012), implantar repositórios institucionais vai de encontro à proposta
de promoção do acesso à informação, pois seu conteúdo será indexado, possibilitando a
recuperação via buscadores da internet. Deste modo, mesmo que um usuário desconheça a
existência do repositório, poderá localizar e consultar as publicações por meio dos resultados
de pesquisas obtidos.
No Brasil, o IBICT assume as iniciativas de construção e gestão de repositórios
institucionais. Estas ações recebem influência direta da experiência e competência obtidas no
projeto Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações (BDTD), que utiliza o modelo Open
Archives e permite a interoperabilidade entre as coleções, formando uma rede de bibliotecas
digitais com texto completo.

4560

�Kuramoto (2010) aponta como marco das iniciativas de criação dos repositórios
institucionais no país a elaboração e aprovação do projeto Portal de Publicações Seriadas de
Acesso Livre (PCAL), plano com o propósito de registrar e disseminar a produção científica
nacional por meio de um portal que integre o conteúdo de periódicos científicos e coleções de
repositórios.
Para o sucesso do projeto, tornou-se necessário o incentivo para que instituições
disponibilizassem os itens para a composição do PCAL - criar periódicos científicos de acesso
livre e repositórios institucionais (KURAMOTO, 2010).
Como resultados provenientes do projeto, o IBICT disponibiliza o Portal Brasileiro de
Acesso Aberto à Informação Científica (OASISBR), que permite a pesquisa simultânea em
periódicos científicos, repositórios institucionais, bibliotecas digitais de teses e dissertações,
entre outras fontes de informação científica de acesso aberto do Brasil e de Portugal
(INSTITUTO..., 2010).
Apesar dos avanços do Movimento de Acesso Aberto no país, Kuramoto (2010)
aponta as barreiras enfrentadas por instituições brasileiras para a implementação de
repositórios. Para o autor, são desafios para a construção e implementação de repositórios
institucionais as questões tecnológicas, de gestão do conhecimento, gestão da publicação
científica e, principalmente, as barreiras políticas.
De encontro com tais afirmações, Leite (2009) ressalta que a implantação de um
repositório não depende apenas de fatores tecnológicos, mas de fatores relacionados à
interoperabilidade humana, de estratégias que estimulem a comunidade científica a depositar
a sua produção e, principalmente, de mecanismos de gestão.
Diante de tais desafios, o presente trabalho busca identificar quais as ações e
procedimentos necessários para que instituições de ensino superior possam planejar e
implementar seus repositórios institucionais, promovendo e contribuindo com o movimento
de acesso aberto à informação científica.

3 Materiais e Métodos

Trata-se de uma pesquisa exploratória, desenvolvida com o intuito de obter uma visão
geral, identificando conceitos e aspectos desenvolvidos sobre a temática, com a finalidade de
aproximação e construção de hipóteses ante as questões identificadas.
A fim de determinar quais as ações necessárias para a implementação de repositórios
institucionais, a realização da pesquisa se deu por meio da técnica de levantamento

4561

�bibliográfico, com caráter qualitativo. A decisão pela pesquisa bibliográfica como
metodologia de trabalho mostrou-se importante ao longo do desenvolvimento da pesquisa,
uma vez que possibilitou a identificação e compreensão de fatores envolvidos com a temática
e que não possuíam ligações diretas entre si.
Para a coleta de dados foram utilizadas fontes de informações diversas, como bases de
dados de literatura técnico-científica (BDLTC’s), bibliotecas digitais de teses e dissertações
(BDTD’s), catálogos de bibliotecas (OPAC’s), meta-buscadores com enfoque científico e
repositórios institucionais.
Foram utilizadas estratégias de busca visando recuperar publicações com enfoque na
implementação de repositórios institucionais, utilizando termos relacionados à construção de
repositórios. Buscou-se realizar uma recuperação exaustiva das fontes de informações
selecionadas, a fim de proporcionar uma revisão sistemática sobre a literatura de
implementação de repositórios institucionais.
Inicialmente, o trabalho foi pautado nas publicações do IBICT “Boas práticas para
construção de repositórios institucionais da produção científica” e “Como gerenciar e ampliar
a visibilidade da informação científica brasileira”, e, a partir dos critérios de implementação
identificados, buscaram-se, nas publicações recuperadas, os critérios e ações complementares.

4 Resultados Finais
Como resultados do levantamento bibliográfico, as ações e procedimentos
identificados na literatura são aqui apresentados (Quadro 1), constituindo o roteiro para a
implementação de repositórios institucionais.

Quadro 1 - Roteiro de implementação de repositórios institucionais
ETAPAS

DESCRIÇÃO
Devem ser estabelecidos com base na demanda da instituição. São associados
com a busca pela maior visibilidade da produção científica, o controle da
produção institucional e com a inserção da instituição no contexto da gestão
de conteúdos digitais. Ao definir os objetivos, torna-se necessária a tomada
MISSÃO
E
de decisão entre duas abordagens que irão delimitar o conteúdo do
OBJETIVOS
repositório: a rígida, que permite somente o depósito de publicações
avaliadas pelos pares, ou a flexível, que, além do conteúdo aprovado pelos
pares, incorpora outros materiais não avaliados formalmente pela
comunidade científica (LEITE, 2009).
As equipes de repositórios são caracterizadas por serem enxutas,
interdisciplinares e com alta capacitação, sendo geralmente constituídas por
DEFINIR EQUIPE
bibliotecários, analistas de sistemas e profissionais de comunicação.
TÉCNICA
Leite (2009) aponta como principais componentes da equipe: os gestores,
responsáveis pela definição de políticas e gestão de recursos, e os

4562

�administradores, responsáveis por gerenciar os aspectos tecnológicos do
repositório. Shintaku e Meirelles (2010) recomendam a instauração de um
grupo gestor para as tomadas de decisões, composto pela equipe técnica,
usuários e os steakholders - indivíduos que possuem influência sobre o
repositório, como reitores, gestores e docentes.
Diante da grande oferta de softwares disponíveis para a implementação de
repositórios, torna-se necessário o estabelecimento de critérios para sua
seleção. Sayão e Marcondes (2009) recomendam a formação de um comitê
ESCOLHA
DO
avaliador, com a representação de todos os atores envolvidos, certificandoSOFTWARE
se, deste modo, que a escolha irá considerar diferentes perspectivas e
demandas. Para os autores, são critérios pertinentes à seleção de software: a
infraestrutura, capacidade de organização do conteúdo, qualidade da
interface com o usuário e os recursos de interoperabilidade.
Sayão e Marcondes (2009) apontam como principais características do
Infraestrutura
software a ser analisado: a escalabilidade, extensibilidade, facilidade de
implantação, plataforma computacional necessária, satisfação de usuários,
suporte do sistema, base de conhecimento das comunidades envolvidas,
estabilidade da organização de desenvolvimento, perspectivas de inovações,
limites do sistema, documentação disponível/cursos/publicações. Além dos
aspectos referentes ao hardware e software, é necessário o mapeamento das
competências da equipe, o que possibilitará o planejamento sobre a
contratação de serviços externos e capacitação interna.
Deve-se considerar a capacidade e flexibilidade do sistema quanto à
Organização
arquitetura de informação a ser definida: os tipos de objetos comportados, os
do conteúdo
fluxos de trabalhos permitidos e a possibilidade de organizar o conteúdo
segundo comunidades e coleções.
Item relacionado com a qualidade da interface do sistema e a possibilidade
Interfacede customização; os idiomas disponíveis; a capacidade de recuperar
Usuários
informação, identificando quais os tipos de buscas permitidas; a
possibilidade de navegar por índices; se existem recursos que permitem a
disseminação seletiva da informação; quais os filtros apresentados para
aplicar nos resultados de uma pesquisa e o formato em que os resultados são
apresentados.
O software deve estar em conformidade com os protocolos de
Interoperabilidade
interoperabilidade, como OAI-PHM e Z39.50, o que possibilitará a troca de
informações com outros sistemas de informação.
Os custos para implementação de um repositório estão associados com a
aquisição de hardware e software; contratação de recursos humanos,
principalmente equipe de TI para a instalação e customização, e a
PLANEJAR
necessidade de treinamento e capacitação. Para a manutenção, são
CUSTOS
apresentados custos para as ações de marketing, manutenção do sistema,
segurança da informação, preservação digital, e o desenvolvimento de
funcionalidades e serviços (LEITE, 2009; TOMAÉL; SILVA, 2007).
Para definir a política de gerenciamento, é necessário mapear todos os atores
envolvidos no repositório - tomadores de decisões, equipe técnica e usuários
ANÁLISE
em potencial. A partir do mapeamento, é possível identificar qual a demanda
CONTEXTUAL
por parte dos atores e como essas proporcionam ameaças e oportunidades ao
projeto (LEITE, 2009).
No momento do planejamento, é necessário definir qual o tipo de conteúdo
aceito; quem pode depositá-lo; como são os fluxos de trabalho; as
POLÍTICA
DE responsabilidades de cada ator envolvido; os serviços oferecidos e se há
FUNCIONAMENTO custos para uso.
A política de funcionamento é concebida na forma de um documento,
contendo todas as regras do repositório, o que deve refletir a política de

4563

�POLÍTICA
CONTEÚDO

DE

POLÍTICA
DEPÓSITO

DE

Comunidades
e coleções

Definir
metadados

Fluxo
submissão

de

Direitos
autorais

POLÍTICA
DE
PRESERVAÇÃO

informação da instituição. Sua publicação irá formalizar o repositório diante
da comunidade acadêmica (ROSA, 2011).
A política de conteúdo determina quais são os tipos de documentos aceitos
para depósito, refletindo a decisão sobre a abordagem a ser adotada (rígida
ou flexível). Devido às questões de direitos autorais, é imprescindível o
acompanhamento do setor jurídico da instituição para sua definição
(VARGAS, 2009).
A política de depósito define questões relacionadas à organização do
conteúdo: o estabelecimento de comunidades e coleções, os esquemas de
metadados adotados para cada material, os fluxos de submissão de conteúdo
e a resolução dos conflitos de direitos autorais.
As universidades utilizam as relações hierárquicas entre faculdades,
institutos, departamentos e centros de pesquisas para definir as comunidades,
subcomunidades e coleções de seus repositórios, sendo outros critérios
possíveis para a organização as relações entre áreas do conhecimento ou as
comunidades de interesse (LEITE et al., 2012).
O Dublin Core é o padrão de metadados comumente adotado pelos
repositórios, sendo a base para a interoperabilidade entre sistemas desse
caráter (LEITE, 2009; CATARINO; SOUZA, 2012). Deve-se estabelecer
uma estrutura de metadados para cada tipo de material aceito, identificando
no próprio documento sua descrição, identificação, explicação e localização,
o que facilitará sua recuperação em sistemas de informação. Recomenda-se,
como parâmetro para estabelecer os esquemas de metadados, o uso das
diretrizes DRIVER guidelines 2.0 e OpenAIRE guidelines 2.0 (LEITE et al.,
2012).
Existem três etapas básicas nos modelos de submissão: 1) catalogação, etapa
obrigatória na qual são realizadas pelo autor a submissão dos metadados, do
documento e a concessão de direitos para depósito; 2) avaliação, que consiste
na verificação da compatibilidade do conteúdo depositado com a política do
repositório; e 3) revisão, na qual serão avaliados os metadados dos
documentos aprovados para depósito. Esta etapa é crucial para garantir uma
boa recuperação dos documentos (SHINTAKU; MEIRELLES, 2010).
Na etapa de submissão, é necessário verificar quais as permissões para a
realização do depósito, pois, apesar de ser comum a prática de concessão de
direitos patrimoniais, no ato da publicação, dos autores aos editores, em
muitos casos é concedida permissão para o autoarquivamento de uma cópia
do trabalho em servidores institucionais ou pessoais (UNIVERSIDADE...,
2013).
Recomenda-se incluir na etapa de submissão uma confirmação por parte do
autor autorizando a realização do depósito e se comprometendo com sua
legalidade, para verificar as permissões de depósito concedidas pelas fontes
de publicações científicas. Recomenda-se o uso de diretórios de políticas
editoriais como o Diadorim ou Sherpa/Romeo.
Nova, Galindo e Ribeiro (2011) apontam como papel do repositório
preservar a memória da instituição, garantindo a preservação, em longo
prazo, do conteúdo nele armazenado. Para os autores, cabe à política de
preservação determinar quais as diretrizes em relação aos aparatos
tecnológicos envolvendo hardware e software sob a perspectiva da memória,
visando garantir o acesso em longo prazo, a confiabilidade dos dados e a
autenticidade de conteúdo.
O Open Archival Information System (OAIS) é um modelo conceitual que
descreve as ações necessárias para a preservação, em longo prazo, em um
repositório institucional. A adoção dos padrões apresentados pelo modelo
garante a disponibilidade, durabilidade e confiabilidade dos dados, além da

4564

�ESTRATÉGIAS DE
MARKETING

Definir
e serviços

Indicadores
desempenho

produtos

de

manutenção, o compartilhamento e a distribuição do material preservado
(ARELLANO, 2008; CASTRO et al., 2009; SAYÃO; MARCONDES,
2009).
O planejamento de marketing deve contemplar ações em todo o ciclo de
desenvolvimento do projeto: na concepção do repositório, ao buscar
incentivos da instituição e atores para o seu desenvolvimento; na etapa de
implementação, ao definir as estratégias para seu projeto piloto; em sua fase
de manutenção, quando deverá divulgar o repositório buscando novos
adeptos e incentivando os usuários que o utilizam; além de se comprometer,
num aspecto mais amplo, em promover a filosofia de acesso aberto em toda a
instituição (LEITE, 2009; RODRIGUES, 2010).
Na fase de planejamento são definidos quais os serviços oferecidos pelo
repositório, os quais devem buscar agregar valor ao projeto, incentivando a
adesão de novos usuários e se caracterizando como uma recompensa para os
que o utilizam. Entre os serviços oferecidos por repositórios estão os
treinamentos e suporte aos usuários; serviço de identificadores persistentes;
importação de dados por lote; digitalização de documentos; orientação sobre
direitos autorais, e depósito mediado (LEITE, 2009).
Diante da possibilidade de inúmeros serviços, a escolha por ofertá-los deve
ser realizada com cautela, sendo crucial avaliar as condições e capacidades
da equipe para que a oferta destes não se torne pontos fracos e/ou ameaças ao
sucesso do repositório.
O repositório institucional é uma importante fonte de indicadores sobre a
produção científica, e possibilita o monitoramento da relevância científica,
social e econômica das atividades de pesquisa da instituição (CROW, 2002
apud
MELIS,
2013).
Leite
et al. (2012) destacam o uso do Ranking Web of Repositories para a geração
de indicadores que servirão como subsídios na avaliação do repositório.
Visando ao aumento de visibilidade e consequente melhoria das posições nos
rankings institucionais, Melis (2013) aponta como possível estratégia o
cadastro do repositório em diretórios internacionais como o Registry of Open
Access Repositories (ROAR) e The Directory of Open Access Repositories
(OpenDOAR).
Com a finalidade de avaliação, é por meio dos indicadores de desempenho
que a equipe irá obter o feedback das estratégias e decisões tomadas, o que
possibilitará a realização de diagnóstico indicando quais as melhorias
necessárias para o sucesso do projeto.

Fonte: Elaborado pelo autor.

5 Considerações Finais
Este trabalho teve como objetivo elaborar um roteiro de implementação de
repositórios institucionais, considerando a necessidade de gestão da produção científica em
instituições de ensino superior e sua inserção no contexto do Movimento de Acesso Aberto.
O roteiro elaborado buscou apresentar e detalhar as ações e etapas necessárias para a
implementação de repositórios, conforme identificado na literatura. No entanto, diante da
complexidade do tema, mostrou-se inviável qualquer tentativa de esgotar as possibilidades de
decisões envolvendo sua implementação.

4565

�Como resultado almejado, foram apresentados os conceitos julgados como mais
relevantes para as instituições que estão iniciando suas atividades com repositórios
institucionais. Cabe ressaltar a ampla literatura identificada sobre os diversos aspectos
envolvendo um RI - políticos, tecnológicos, humanos e de gestão, cabendo a esse trabalho
apenas apresentar uma possível lógica de implementação.
Conclui-se, a partir da discussão teórica e dos resultados apresentados, que os
conhecimentos organizados e sistematizados na forma de um roteiro podem contribuir para o
aumento da eficiência e eficácia no desenvolvimento e manutenção das iniciativas de se
instituírem repositórios institucionais, em especial no contexto brasileiro.
Como perspectiva de continuidade de pesquisas voltadas a este tema, sugerem-se
estudos sobre os distintos aspectos envolvendo os repositórios institucionais e o Movimento
de Acesso Aberto, como os requisitos tecnológicos necessários para a implementação de
repositórios; o enfoque nas práticas de gestão, visando sua criação e manutenção; o
desenvolvimento de políticas que representem a prática de comunicação científica de toda a
instituição e, sobretudo, o impacto das iniciativas dos repositórios institucionais na dinâmica
de comunicação, desenvolvimento e avaliação da ciência no Brasil.
Diante das limitações de acesso à informação e, em contrapartida, do aumento da
demanda por novos conhecimentos necessários para o desenvolvimento e avanço da ciência,
ações de incentivo à cultura de acesso aberto e a implementação de repositórios parecem
estratégias necessárias a qualquer instituição.

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A adoção da filosofia de acesso aberto se mostra estratégica diante das barreiras de acesso à informação científica e a necessidade de subsídios para o desenvolvimento de novos conhecimentos que resultam naevolução  ciência. A criação de repositórios institucionais é uma das estratégias dotadas pelo Movimento de Acesso Aberto que possibilita reunir, organizar e disseminar a produção científica institucional, garantindo o livre acesso e a maior visibilidade das publicações. Para as instituições implantar  epositórios pode se mostrar atividade complexa que envolve aspectos políticos, tecnológicos, humanos e de gestão. O presente trabalho teve como objetivo elaborar um roteiro de implementação de repositórios institucionais, apresentando as ações e etapas identificadas por meio da literatura, resultando em uma possível lógica a ser adotada. Utilizou-se como metodologia a pesquisa exploratória, realizada por meio de levantamento bibliográfico com enfoque qualitativo, a fim de identificar e compreender os fatores envolvidos com a temática. Como resultado são apresentados elementos julgados essenciais para a implementação de repositórios institucionais como: missão, objetivos, definição de equipe, escolha de software, planejamento de custos, análise de contexto, definição de política de funcionamento, regras para depósito, preservação digital, estratégias de marketing e avaliação de desempenho. Conclui-se que a elaboração de um roteiro, ao compreender e sistematizar elementos envolvidos com a temática que não possuem ligações entre si, pode contribuir na eficiência e eficácia de iniciativas de implementação de repositórios institucionais, principalmente no contexto nacional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O CENTRO DE RECURSOS PARA A APRENDIZAGEM E INVESTIGAÇÃO
(CRAI): UM NOVO MODELO DE BIBLIOTECA UNIVERSITARIA

Rebeka Lopes Savickas
Flávia Deus Silva
Valéria Martin Valls
Paula Watanabe Martins
RESUMO
Aborda as mudanças promovidas nas bibliotecas universitárias, apresentando de forma ampla
as principais características específicas a este tipo de biblioteca, desde seu surgimento na
Idade Média às transformações que passou no decorrer dos anos, como os avanços de seus
procedimentos, profissionais e usuários, chegando às novas necessidades destes, relacionadas
principalmente a realidade das tecnologias da informação e comunicação tornando o
consulente mais independente e exigente quanto aos serviços e recursos oferecidos pelas
unidades de informação, além das transformações do bibliotecário para atender a essas
demandas. A equipe bibliotecária além de ter que se manter constantemente atualizada,
cultiva também a capacitação de seu usuário de modo que seja ativo e autônomo de forma
assertiva, analisa o Centro de Recursos para Aprendizagem e Investigação (CRAI) dentro da
biblioteca universitária (BU), que propõe um modelo que une os integrantes da Instituição de
Ensino Superior (IES) e que auxilia no processo de ensino aprendizagem, nas pesquisas
produzidas na academia além de oferecer um espaço que proporcione experimentações e
preparo para o mercado de trabalho, refletindo sobre o seu panorama teórico. O CRAI surgiu
em meio a grandes mudanças econômicas e sociais, sendo parte integrante da reforma
educacional na Europa.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Centro de Recursos para Aprendizagem e
Investigação (CRAI). Perfil do bibliotecário. Biblioteconomia. Ensino-aprendizagem. Espaçolaboratório. Biblioteca-laboratório.

ABSTRACT
Addresses the changes promoted in university libraries , has broadly the main features
specific to this type of library, since its emergence in the Middle Ages, the changes that
passed over the years, the advances of its procedures, professionals and users, arriving at
these new needs, primarily related to the reality of information technology and
communications consultant making more independent and demanding about the services and
resources offered by the units of information, in addition to the transformations of the
librarian to meet these demands, the staff librarian besides having to be constantly updated
should also cultivate the skills of its user mode is active and self- assertively , analyzes the
Resource Centre for Learning and Research (CRAI) within the university library (BU), we

1393

�propose a model that links the members of the higher education institution and it assists the
learning process , the research produced in academia as well as offering a space that provides
trials and preparation for the labor market , reflecting on their theoretical background. The
CRAI emerged amid great economic and social changes , being an integral part of education
reform in Europe.
Keywords: University library. Resource Centre for Learning and Research (CRAI). Librarian
profile. Librarianship. Teaching and learning. Laboratory-room. Library-lab.

1 INTRODUÇÃO
Este trabalho apresenta o Centro de Recursos para Aprendizagem e Investigação
(CRAI) como nova demanda da Biblioteca Universitária (BU), pois com as mudanças
constantes da sociedade, tanto as bibliotecas como os bibliotecários tem cada vez mais
necessidade de se renovar para atender as exigências informacionais de seus usuários assim
como do mercado de trabalho, uma vez que este tipo de biblioteca tem por objetivo dar
suporte informacional aos discentes e docentes das Instituições de Ensino Superior (IES). O
CRAI vem colaborar para o enfrentamento das mudanças sofridas pelas BUs ao longo dos
anos, ele é proposto como uma filosofia dentro das IES, transformando e unificando todos os
serviços que se destinam à pesquisa cientifica e aprendizagem, que por vezes se encontram
separados dentro das IES. Se concretizou em vários países europeus, mas ganhou notoriedade
na Espanha por seu modelo inovador e valor agregado as IES em que estão inseridos.
Analisar as BUs, seu papel, a abrangência de sua atuação e a importância na prática do
processo de aprendizagem no Ensino Superior, é de suma importância para entender como o
bibliotecário contribui para a formação dos profissionais no país, quais são suas
possibilidades de atuação, como ela acontece, quais são os pontos fortes e os que precisam ser
melhorados. A aplicação do CRAI na Europa é importante senão para entender o contexto, a
evolução e aonde se quer chegar enquanto profissional da informação, para elucidar que este
profissional está em constante mudança e precisa não somente acompanhar as mudanças da
sociedade, mas entender o seu papel social e por consequência as necessidades de uma
formação que crie profissionais críticos e mais bem preparados.

2 Revisão de Literatura
O trabalho foi desenvolvido por meio de levantamento bibliográfico sobre o CRAI e a
BU, onde foi feita uma análise da literatura, e acredita-se terem sido abordados os principais
autores da área, tais como Angela Maria Belloni Cuenca, Cláudio Marcondes Castro Filho,

1394

�Maria Isabel Dominguez Aroca, Marta Valentim, Oswaldo Almeida Junior, Vânia Martins
Bueno de Oliveira Funaro, Waldomiro Vergueiro, entre outros.
No primeiro momento são expostas as particularidades da biblioteca universitária
(BU), seu surgimento na Idade Média, o local da hierarquia que se encontrava quando as
universidades eram partes da Igreja, até se tornarem instituições privadas e independentes e as
consequentes mudanças na gestão e nos objetivos das bibliotecas que lá se encontravam,
decorrendo esse estudo até os dias modernos, as tecnologias, mudanças na prestação de
serviço, no usuário frequentador da unidade de informação e consequente mudanças que o
modelo universitário sofreu, até chegar ao CRAI, onde é apresentado o contexto, os motivos e
os principais resultados desse modelo.
A pesquisa bibliográfica abrangeu o período de 19 de junho de 1999 até o novembro
de 2013. A escolha desta data específica ocorreu devido à Declaração de Bolonha (1999), a
qual propõe uma reforma nas políticas relacionadas ao ensino superior. Tais mudanças
reorganizam os processos de ensino e aprendizagem e levam à criação de ferramentas,
mecanismos, procedimentos e espaços como o CRAI.
A documentação bibliográfica levantada foi retirada de fontes nacionais e
internacionais tais como teses, monografias, artigos e anais de congressos. Além da utilização
de ferramentas de busca como o Google acadêmico, base de dados como Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações da USP e sistema PERGAMUN da Biblioteca da Faculdade de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, da Fundação Escola de Sociologia e Política de
São Paulo foram consultados. Os periódicos utilizados foram: Revista Interamericana de
Bibliotecología, Revista digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Bibliotecas
Universitárias: pesquisa, experiências e perspectivas, Revista de Educación a Distancia,
Educación y Biblioteca, Sociologias e Revista Brasileira de Educação. Dentre os muitos
termos de pesquisa utilizados na busca, os principais foram: biblioteca universitária, Tratado
de Bolonha e CRAI.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
As BUs surgiram na Idade Média (Morigi e Souto, 2005), pouco antes do
Renascimento. No início elas estavam ligadas às ordens religiosas, porém já começavam a
ampliar o conteúdo temático além da religiosidade. Estas bibliotecas são as que mais se
aproximavam do modelo atual de biblioteca como espaço de acesso e disseminação
democrática de informação, o aumento do número de estudantes universitários levou ao
crescimento também da produção intelectual, no entanto, os livros ainda eram manuscritos

1395

�dificultando a reprodução destes para o estudo. Com a decadência da Idade Média surge o
Renascimento difundindo na Europa a imprensa de Gutenberg o volume de obras lidas
aumenta proporcionalmente à produção de livros e consequentemente o campo para novos
estudos. Este ciclo leva a um estreitamento da relação entre a universidade, a biblioteca e os
seus leitores.
Apesar de as BUs da época possuírem acervos precários e métodos de organização não
muito elaborados trouxeram grandes mudanças na forma de se tratar a informação, dentro das
universidades. As bibliotecas competiam com as salas de conferências, pelo menos em alguns
lugares, a Universidade de Louvain ainda declarava em 1639 que uma biblioteca era
desnecessária, pois os professores seriam bibliotecas ambulantes, no entanto em Leiden, a
biblioteca abria duas vezes por semana e os professores emprestavam ás vezes suas chaves
aos estudantes (BURKE, 2003). Ainda conforme Burke (2003) fora das universidades
algumas bibliotecas públicas ou privadas, além de lugares de leitura, se tornaram locais de
troca de informações e ideias, a exigência de silêncio teria sido impossível nessa época, como
a livraria e o café, ela encoraja a combinação de comunicação oral e escrita. Não surpreende,
pois que a reforma das bibliotecas tivesse lugar na reforma do ensino baconiana planejada na
Inglaterra em meados no século XVII.
O quadro I apresenta os principais modelos de administração universitária utilizados na
Europa e as transformações que sofreram no decorrer no tempo e expõe um breve recorte de
três grandes fases do ensino superior:
Conforme Hortale e Mora (2004), a Universidade Antiga se mantém sob a proteção
dos principais poderes onde se encontram a Igreja e os reis, no entanto tem caráter
independente e é formada por uma comunidade de estudantes e docentes. Sustentam-se por
meio de pagamento dos estudantes e recursos advindos das suas propriedades, sendo dessa
forma autônomas administradas pelos próprios membros de sua comunidade. E assim
permanecem até final do século XVIII. Com a Revolução Francesa, o Iluminismo, as
academias científicas e a Enciclopédia, surgem também novos modelos de universidades,
caracterizando-se como Universidades Modernas, com diferentes organizações e respostas.
Mas que tinha em comum o desafio de atender a demanda de formação dos profissionais que
a nova era industrial exigia, além do surgimento do Estado-Nação que leva alguns países a
repensar a gestão e autonomia de suas instituições de ensino superior. (HORTALE; MORA,
2004)

1396

�FASES DO ENSINO SUPERIOR NA EUROPA (I)

Universidade
Antiga ou
Medieval

•

C o n stitu íd a p o r estu d an tes e d o c e n te s que, e m b o ra sob a p ro te ç ã o d a ig reja, d e reis o u das
c id ad es on d e se esta b e le c era , e ra d e c a rá te r in d ep en d en te;

•

S eus re c u rso s fin a n c e iro s p ro c e d ia m d as p ro p rie d a d e s q ue d etin h am o u do p ag am en to
dos estu d an tes;
E ram p e q u e n a s, de n a tu re z a p riv a d a e a d m in istra d a d e fo rm a au tô n o m a p e lo s p ró p rio s
m em b ro s d a co m u n id a d e u n iv ersitária;
P e rsiste até o fin a l do sécu lo X V III sem alteraçõ es.

•
•

Universidade
Moderna

•

O rig in a d a a p a rtir d a R e v o lu ç ã o F ran cesa, do Ilu m in ism o , das acad em ias c ien tíficas e d a
E n ciclo p éd ia;

•
•

O E sta d o -N a ç ã o levam as u n iv e rsid a d e s, an tes p riv ad as às m ão s do E stad o ;
O b je tiv a a fo rm a ç ã o de p ro fissio n a is e x ig id a p e la e ra industrial.

•

S urge a p a rtir d as n o v as n e c e ssid a d e s ex ig id as p elo m ercad o ;

•

Universidade
Universal

R e n o v a a e d u cação su p e rio r e u ro p é ia p o r m eio d e tra ta d o s e d e claraçõ es en tre p a íse s do
c o n tin e n te co m o a de S o rb o n n e e p o ste rio rm e n te a d e B o lo n h a;
• O b je tiv a asse g u ra r a atrativ id ad e e a ap licab ilid ad e d a e d u cação su p e rio r p a ra
d e se n v o lv im e n to d a so cied ad e;
• É m a rc a d a p e la am p liação :
o de seus u su á rio s (p assag em d e u m a e d u cação su p e rio r d e elite p a ra u m a ed u cação
su p e rio r u n iv e rsa liz a d a);
o de suas ações (p a ra re sp o n d e r às n e c e ssid a d e s d e u m a so cied ad e g lo b alizad a);
o de seus o b jetiv o s (a serv iço d e u m a n o v a so cied ad e - a do co n h ecim en to ).

Fonte: Hortale e Mora (2004)
No quadro II são apresentadas as principais tendências do modelo de Universidade
Moderna utilizados na Europa:
TENDÊNCIAS DA UNIVERSIDADE MODERNA NA EUROPA (II)
.................................

França
modelo
napoleônico

Alemanha
modelo
humboldtiano

Objetivo
fo rm a r p ro fissio n a is dos
quais n e c e ssita v a o estad o
b u ro crático .

fo rm a r p e sso a s co m am plos
c o n h ecim en to s,
n ão
n e c e ssa ria m en te
re la c io n a d o s
co m
as
d em an d as d a so cied ad e ou
do m ercad o de trabalho.

Administração

Consequências

•

p ú b lica;

•

p ro fe sso re s
estad o ;

•

in stitu içõ es a serv iço do e stad o
m ais do q ue d a so cied ad e.

•
•

p ú b licas,
p ro fe sso re s
fu n c io n á rio s
do
estad o , co m o co n h ecim en to
cien tífico co m o m e ta c en tral d a
u n iv e rsid a d e ;

•

fu n c io n á rio s

do

a id e ia que su ste n ta esse m o d elo
é d e u m a so c ie d a d e co m p esso as
fo rm a d a s c ie n tific a m en te em
seu s a sp ecto s so ciais, cu ltu rais e
eco n ô m ico s.

ex p o rtad o a o u tro s p aíses
do su l d a E u ro p a tam b ém
tev e
ê x ito
p a ra
a
c o n so lid a ç ã o das estru tu ras
do e stad o liberal.

as u n iv e rsid a d e s alem ãs
aju d aram sen siv elm en te a
tra n sfo rm a r o p a ís em u m a
p o tê n c ia
c ie n tífic a
e
eco n ô m ica.

1397

�Inglaterra
modelo anglosaxônico

fo rm a ç ã o de in d iv íd u o s,
c o n sid e ra n d o -se
que
p e sso a s
b em
fo rm ad as,
seriam cap azes de aten d er
às n e c e ssid a d e s das n o v as
em p resas o u do p ró p rio
estado.

•

p riv a d a , re g u la d a p o r E statu to s

o b tev e êx ito n o s p a íse s em
q ue fo i ap licad o ,
resiste
m e lh o r ao p a ssa r do tem p o
e p a re c e m e lh o r ad ap tad o
ao co n tex to atual.

Fonte: Mora (2006)

O nascimento do Estado-Nação significa uma profunda mudança nas universidades,
em todos os países da Europa continental, as universidades, antes privadas, passam às mãos
do Estado e são obrigadas a enfrentar outro desafio: o da formação de profissionais que a
nova era industrial exigia (HORTALE; MORA, 2004). A transformação da Europa em um
continente coerente e competitivo se iniciou na década de 1950 e as frentes relacionadas à
educação superior se mostraram latentes desde o início, surgindo assim uma política para a
exploração de reservas de capacitação, e esperando das instituições de ensino superior
contribuições referentes à qualificação de um número cada vez maior de jovens (ERICHSEN,
2007).
No final dos anos de 1990 essa estrutura da educação superior europeia já provocava
uma série de problemas, grandes valores prezados pela Europa como o respeito e valorização
da diversidade cultural que abarca, gera falta de comparabilidade dos sistemas universitários
entre os Estados-membros, que dificultam a mobilidade de estudantes e graduados. A
subordinação ao Estado leva a uma administração de baixa transparência nas universidades,
além de prejudicar sua integração com empresas e a sociedade em geral, engessando e
mantendo-a isolada do ambiente externo. Sua organização, de caráter público, com docentes
com contratos de trabalho permanentes e auto administração induzem a rigidez estrutural,
impedindo seu desenvolvimento em um contexto competitivo. Existe um desajuste entre a
oferta educativa, ainda ligada à sociedade industrial e a demanda da sociedade moderna, a do
conhecimento. O seu tradicional caráter acadêmico de formação corresponde essencialmente a
uma universidade de elite, tornando-a pouco atrativa e adequada à multidão de jovens que
atualmente nela ingressam (HORTALE; MORA, 2004).
As universidades públicas modernas, por meio de legislação e financiamento estatal,
acordos e tratados, se tornaram cada vez mais dependentes. A Declaração de Sorbonne
(1998), seguida pela Declaração de Bolonha (1999) propuseram drásticas mudanças no
modelo do ensino superior europeu, na qual vinte e nove estados da Europa assumem o
estabelecimento de um Espaço Europeu de Educação Superior coerente, compatível,

1398

�competitivo e atrativo para estudantes europeus e de países terceiros (LIMA; AZEVEDO;
CATAN, 2008).
Esse “Espaço” se determina a cumprir seis objetivos principais:
1.
Adopção de um sistema com graus académicos de fácil equivalência,
também através da implementação, do Suplemento ao Diploma, para
promover a empregabilidade dos cidadãos europeus e a competitividade do
Sistema Europeu do Ensino Superior.
2.
Adopção de um sistema baseado essencialmente em duas fases
principais, a pré-licenciatura e a pós-licenciatura. O acesso à segunda fase
deverá requerer a finalização com sucesso dos estudos da primeira, com a
duração mínima de 3 anos. O grau atribuído após terminado a primeira fase
deverá também ser considerado como sendo um nível de habilitações
apropriado para ingressar no mercado de trabalho Europeu. A segunda fase
deverá conduzir ao grau de mestre e/ou doutor, como em muitos países
Europeus.
3.
Criação de um sistema de créditos - tal como no sistema ECTS como uma forma adequada de incentivar a mobilidade de estudantes da
forma mais livre possível. Os créditos poderão também ser obtidos em
contextos de ensino não-superior, incluindo aprendizagem feita ao longo da
vida, contando que sejam reconhecidos pelas Universidades participantes.
4.
Incentivo à mobilidade por etapas no exercício útil que é a livre
circulação, com particular atenção:
• aos estudantes, o acesso a oportunidades de estudo e de estágio e o acesso
aos serviços relacionados;
• aos professores, investigadores e pessoal administrativo, o reconhecimento
e valorização dos períodos dispendidos em acções Europeias de
investigação, lectivas e de formação, sem prejudicar os seus direitos
estatutários.
5.
Incentivo à cooperação Europeia na garantia da qualidade com o
intuito de desenvolver critérios e metodologias comparáveis;
6.
Promoção das necessárias dimensões a nível Europeu no campo do
ensino superior, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento
curricular; cooperação inter-institucional, projectos de circulação de pessoas
e programas integrados de estudo, de estágio e de investigação
(DECLARAÇÃO DE BOLONHA, 1998).
Essa proposta trabalha com um conjunto complexo e interligado de processos e
relações, na qual a educação superior se coloca como objeto central para a competitividade
nacional e regional na economia global.
A BU no Brasil, assim como na Europa, surge a partir dos acervos das bibliotecas de
ordens religiosas, como as bibliotecas dos jesuítas que apoiavam as atividades de ensino em
seu acervo, entre o final do Século XIX e início do XX, a quantidade de BUs aumenta com o
crescimento das escolas de nível superior (SOUSA, 2009). De acordo com Carvalho (2004) e
Sousa (2009) na década de 70 se iniciam as discussões acerca da atuação da BU, por meio de
iniciativas como seminários, criação de comissões e associações. A BU inserida no contexto
acadêmico é vista como um dos pilares de apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão.

1399

�Sendo assim, Neves (2006) afirma não bastar a disponibilização de livros e periódicos, bases
de dados e equipamentos de última geração, é necessário que tais recursos sejam adequados a
favor de seus usuários.
Por ser um “espaço privilegiado para a promoção de programas de capacitação no uso
e exploração de recursos informacionais, prática esta que exige esforços de cooperação entre
bibliotecários, docentes e administradores da instituição” (GRANDI; FERRARI, 2000, p.7), a
BU consequentemente usa a tecnologia a seu favor na capacitação dos colaboradores e
usuários e na prestação e melhoria dos seus serviços. Como afirma Castro Filho (2008a, p. 94)
saber diagnosticar, analisar, escolher e gerenciar quais são as atividades prioritárias numa BU
requer a utilização de métodos e técnicas mais adequadas para satisfazer o usuário, é
necessário que ela esteja envolvida no desenvolvimento institucional, com espaço geográfico
e cultural precioso, que proporciona à sua comunidade o acesso ao novo.
Deste modo, Cuenca (2008) reforça que apesar de o usuário possuir autonomia em
suas pesquisas, ele não dispensa a orientação da equipe bibliotecária, estes se sentem mais
seguros quando a busca é realizada pelo bibliotecário, demonstrando que mesmo capacitados,
os usuários têm dificuldade para conseguirem informação atualizada rápida e assertivamente.
É pertinente observar que o aprendizado do aluno ocorre por meio do colaborador da
biblioteca após o processo de aprendizado individual nas salas de aula da instituição. Por isso,
é necessário que o ambiente da biblioteca seja acolhedor e confortável, favorecendo o
processo de aprendizagem. De acordo com Martinez (2004), o espaço tem de dispor de
serviços gerais, como também serviços adaptados, personalizados segundo as necessidades
dos usuários disponíveis a todo momento. As necessidades dos usuários perante os serviços
prestados precisam ser priorizadas pelo bibliotecário neste contexto. Belluzzo e Macedo
(1990, p. 91) afirmam que é “importante considerar a motivação dos usuários, devendo ser
usados os meios mais apropriados para captar o seu interesse e a sua atenção”.
Para Serra Y Cena (2004 apud Dominguez Aroca, 2005, p. 5), os serviços e produtos
bibliotecários sofrem um processo de transformação criador de um novo cenário que “situa
em primeiro plano novo modelo de aprendizagem centrado no conceito ‘aprender a aprender’
ao longo da vida, que implica em um novo paradigma para o bibliotecário e docente”.
Para Vanti (1999), a biblioteca, como uma organização sem fins lucrativos, porém
com objetivos bem definidos como a prestação de serviços de informação e o atendimento ao
usuário, não poderia deixar de estar atenta às novas formas de gerenciamento e filosofias
organizacionais.

1400

�Nesse novo cenário, o bibliotecário está se renovando para atender a esta demanda
informacional, o que vem contribuir na evolução e renovação das organizações atuais, as
bibliotecas que no passado eram vistas como depósito do saber que tinha como seu guardião,
o bibliotecário, não o profissional da informação se conhece nos dias atuais, mas era o
profissional que guardava e cuidava dos livros para que nenhum “mal” o acometesse.
Este perfil de bibliotecário modificou-se ao longo dos anos, juntamente com as
mudanças sofridas pela sociedade, como o surgimento das tecnologias (automação), da
sociedade industrial e a sociedade da informação, para Castro (2000, p. 4):
Dentre as várias transformações, a da INFORMAÇÃO é a que maior
impacto causou no século XX, na medida em que não obedece a
fronteira geográficas, linguísticas, culturais, políticas, educacionais
etc. Enfim, a revolução da informação tem se mostrado, em
comparação às outras, a mais globalizada, isto é, não tem espaço
determinado de origem.
O termo MIP (Modern Information Professional) surge da pesquisa feita pela
Federação Internacional de Informação e Documentação (FID) em 1991, que tinha como
objetivo identificar o “perfil moderno” dos profissionais da informação, para tanto criou o
Grupo de Interesse Específico sobre Papéis, Carreiras e Desenvolvimento do Moderno
Profissional da Informação (SIG FID/MIP), que realizou uma pesquisa mundial entre os
profissionais da área (ARRUDA; MARTELETO; SOUZA, 2000).
Para Mason (1990, apud RUBI; EUCLIDES; SANTOS, 2006, p. 81) o moderno
profissional da informação é aquele [...] “que leva a informação certa, da fonte certa, pelo
modo certo, ao cliente certo, no momento certo e a um custo justificado pelo seu uso”. As
competências e características destacadas pelos autores para o MIP são todas muito
importantes para o desenvolvimento do bibliotecário, o advento da tecnologia é um dos
pontos chave desse profissional na atualidade, como podemos ver na fala de Valentim (1995,
p. 17):
A informação, portanto, como objeto de trabalho e estudo do
bibliotecário, tem sido afetado pelas tecnologias de
informação, modificando seu formato, seu suporte, seu
processamento e disseminação, influindo na forma de
mediação entre o bibliotecário e o usuário/cliente.
Portanto, este perfil de MIP nos mostra que o bibliotecário para se tornar um
profissional que atenda as necessidades do mercado de trabalho e por consequência do
usuário precisa estar atento as mudanças sociais e econômicas da sociedade em que está

1401

�inserido. Na opinião de Valentim (1995, p. 4) “[...] o profissional da informação precisa estar
em sintonia com esta realidade e se readequar para enfrentar as mudanças cada vez maiores”.
E para Almeida Júnior (2002, p. 133):
O que o mercado procura atualmente é um profissional que
tenha conhecimentos e competências específicos, mas que os
integre em concepções mais gerais, com aplicações que
ultrapassem o restrito espaço determinado.
Relacionado a esse novo modelo profissional, Funaro e Castro Filho (2003, p. 6)
reforçam que é importante entender as características que compõem a formação dos
profissionais para realizar adequadamente seu trabalho, os autores recomendam que “os
projetos acadêmicos acentuem a adoção de uma perspectiva humanística na formulação dos
conteúdos, conferindo-lhes um sentido social e cultural que ultrapasse os aspectos utilitários
mais imediatos [...]”.
Isto posto, pode-se afirmar que a mudança do perfil do bibliotecário ocorre, assim
como em outras áreas devido as mudanças na sociedade, as novas demandas informacionais e
do mercado de trabalho. Estas mudanças são percebidas inicialmente no meio acadêmico, pois
é nas IES que o futuro profissional da informação ganha familiaridade com as futuras
ferramentas de trabalho, como as tecnologias, e não somente na teoria.

4 Resultados Parciais/Finais
Devido às reformas ocorridas na Europa nos campos políticos, sociais, econômicos e
educacionais, mudou-se a maneira de pensar a universidade e seu objetivo na sociedade. Uma
vez que são revistos conceitos, modelos e práticas no ensino superior se faz necessário
repensar as ferramentas e sistemas que sustentam esse espaço. Essas novas necessidades
contribuem para o uso de novas tecnologias, que na perspectiva da Ciência da Informação,
fornecem procedimentos de organização e tratamento das informações primordiais para
qualificar

o

acesso

dos

usuários

aos

estoques

informacionais

disponibilizados,

consequentemente propiciando a mediação enquanto espaço de aprendizagem, garantindo a
apropriação da informação e transformação em conhecimento pelo indivíduo. É neste cenário
que surge a contribuição da biblioteca como espaço de aprendizagem no ensino superior
(SOUSA, 2009), o CRAI neste contexto se torna o precursor de um novo modelo para a IES.
O CRAI consiste em uma proposta de um novo modelo para a BU, este modelo
mantém a base da biblioteca tradicional com o diferencial da tecnologia, agregando todos os

1402

�processos que envolvem a produção da informação dentro da universidade, além de uma
proposta de mudança do espaço físico, o CRAI se propõe a ser um agregador de valor,
tornando-se uma filosofia na prática pedagógica dentro da IES e não uma biblioteca
melhorada. Para Area Moreira (2005 apud Castro Filho, 2008b, p. 5) “O CRAI tem o objetivo
de auxiliar os professores e estudantes a facilitar as atividades de aprendizagem, de formação,
de gestão e de resolução de problemas, seja técnico, metodológico e de conhecimento ao
acesso e uso da informação”.
O CRAI define-se por ser inovador na forma de estruturar e reorganizar o espaço já
existente nas IES, fazendo com que o trabalho dos profissionais atuantes nestas instituições
seja desenvolvido com uma qualidade melhor e mais rápido. O quadro III apresenta critérios
para que o CRAI e a BU possam coexistir.

RECURSOS

DO

CRAI

X

OPORTUNIDADES

NA

BIBLIOTECA

UNIVERSITÁRIA (III)
Recursos exigidos para a aplicação
modelo proposto pelo CRAI:

do

• tecnologias de informação;
• tecnologias de comunicação, criando
serviços que dão suporte ao ensino e à
pesquisa;
• seleção e organização dos conteúdos
disciplinados;
• processos de interação e comunicação que
favoreçam a criação de comunidades
críticas na aprendizagem.

Oportunidades para a universidade e biblioteca:

• utilizar as tecnologia nos processos da produção
da informação;
• adotar uma filosofia na prática pedagógica,
agregando valor na instituição de ensino
superior (IES);
• apoiar o desenvolvimento do trabalho dos
profissionais atuantes nestas instituições;
• estruturar e reorganizar os espaços já existente
nas IES;
• proporcionar recursos para o ensino,
aprendizagem e pesquisa dos docentes e
discentes;
• preparar os estudantes para a entrada no
mercado de trabalho bem mais preparado e
capacitado.

Fonte: Domíngues Aroca (2009)

Cada vez mais presente na vida das pessoas, a tecnologia vem sendo utilizada em
diferentes áreas para facilitar e otimizar as tarefas do dia-a-dia. No âmbito universitário, cujo
ensino tem na qualidade uma exigência primordial, as instituições se reformularam e
pensaram em um novo conceito educacional. Por meio de estudos e avanços nas áreas de
comunicação e informática, elas propuseram um novo mecanismo de suporte informacional: o
CRAI.

1403

�Nesse sentido, os CRAIs oferecem não apenas um novo padrão de acesso à
informação, mas também uma forma alternativa de aprendizado na biblioteca, a qual, segundo
Dominguez Aroca (2009, p. 5) se denomina “Centros de Recursos para Aprendizagem e
Investigação (Learning Resources Centre)” quando serve como espaço para integração de
serviços para estudantes e professores utilizando a informação e tecnologia para facilitar o
trabalho no ambiente acadêmico. As BUs, de modo geral, desempenham seu papel social ao
atender às necessidades de informação de seus usuários, buscando atuar como instrumentos
de comunicação entre a informação e seu destino (CASTRO FILHO; VERGUEIRO, 2006).
Dessa forma, a BU quando caracterizada como centros de recursos e apoiada no modelo
CRAI, deve oferecer, segundo Castro Filho (2008a, p. 127) “um serviço centrado sobre as
necessidades dos alunos, professores e pesquisadores da comunidade universitária”.
Ainda com relação à integração da biblioteca com a IES, Castro Filho; Vergueiro e
Silva (2011) reforçam que “colaboração” é uma palavra-chave para que se alcance resultados
positivos no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que as duas tem entre seus principais
objetivos a formação do aluno e a educação continuada. Os autores ainda afirmam:
Docentes e bibliotecários precisam estar integrados para que
possam desenvolver projetos comuns. Essa colaboração
contribuirá para melhor utilização da informação. O modelo
Crai abre caminho para essa colaboração, cabendo aos
profissionais da informação se capacitar e adquirir as
habilidades necessárias para nele atuar de maneira mais
eficiente possível.
(CASTRO FILHO; VERGUEIRO;
SILVA, 2011, p. 75)
O CRAI objetiva “conseguir produtos e serviços de qualidade para uma grande
variedade de estudantes, professores e investigadores” (DOMINGUEZ AROCA, 2009, p. 7),
dentre outros objetivos citados no quadro IV, para dessa forma proporcionar aos usuários os
recursos e serviços necessários para o seu aprendizado e formação.
Os recursos adotados no CRAI devem ser adequados para o ensino, aprendizagem e
pesquisa dos docentes e discentes. Para se caracterizar com tais conceitos, os recursos são
pensados por diversos profissionais, como bibliotecário, docentes, coordenadores e
profissionais da área da tecnologia, com o propósito de disseminar e organizar a informação
para o usuário.

1404

�OBJETIVOS X PROFISSIONAIS (IV)
Os objetivos do CRAI:

•

proporcionar aos usuários os recursos e
serviços necessários para o seu
aprendizado e formação.
apoiar a gestão da instituição ;
auxiliar na resolução de problemas, seja
técnicos,
metodológicos
e
de
conhecimento ao acesso e uso da
informação;
dar suporte ao ensino e à pesquisa;
conseguir produtos e serviços de
qualidade.

•
•

•
•

Profissionais atuantes na
desenvolvimento do CRAI:

•
•
•
•

implantação

bibliotecários;
docentes;
coordenadores;
profissionais da área da tecnologia.

Fonte: Dominguez Aroca (2009)

De acordo com a definição de Castro Filho e Vergueiro (2007, p. 1), os CRAIs
“propõem um modelo de intersecção e interação utilizando as tecnologias de informação e
comunicação, criando serviços que dão suporte ao ensino e à pesquisa”. Para isso, os autores
afirmam que o modelo “inclui tanto seleção e organização dos conteúdos, como, também,
processos de interação e comunicação que favoreçam a criação de comunidades criticas na
aprendizagem”.
Entre os muitos serviços possíveis elencados por Martínez (2004, p. 100) e
Domínguez Aroca (2009, p. 5), pode-se citar (Quadro V):

POSSIBILIDADES NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (V)
Possíveis serviços oferecidos pelo CRAI:

•
•
•

apoio e orientação;
apresentações e debates;
busca de emprego que atende desde a elaboração de um currículo até a orientação
profissional;
• compra de livros;
• consulta, pesquisa e empréstimos de materiais em diversos formatos;
• criação e elaboração de materiais docentes e multimídia;
• estudo individual ou em grupo;
• informação ao estudante no aspecto administrativo e científico;
• laboratório de idiomas;
• leitura informal, estudo ou descanso;
• produção multimídia, CD ROM e web;
• recursos e desenho educacional;
• suporte à formação do professor;
• unidade de reprodução e fotocopias.________________________________________
Fonte: Adaptado Martínez (2004, p. 100) e Domínguez Aroca (2009, p. 5)

1405

e

�Segundo Castro (2000, p. 5), no conceito de educação se exige cada vez mais a
“qualidade, flexibilidade e acessibilidade no tempo e no espaço, por intermédio das
Tecnologias da Informação”. A comunidade da instituição, do aluno ao diretor acadêmico, é
beneficiada e tem o seu trabalho facilitado por meio do CRAI, o qual, na definição de Castro
Filho e Vergueiro (2007, p. 9), é “uma forma de democratizar o acesso à informação”.
Diante das necessidades e exigências para a aplicação do modelo CRAI em uma
universidade apresenta-se no próximo capítulo um exemplo de aplicação dessa filosofia
dentro da realidade brasileira, respeitando o contexto, necessidades e possibilidades
oferecidas pela IES em que se encontra.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Este trabalho apresentou uma revisão de literatura nacional e internacional sobre o
CRAI, com o objetivo de expor a relevância do tema para as BUs no Brasil, de forma que foi
possível avaliar criticamente sua proposta e como poderia ser ou não relevante para as BUs
brasileiras. Este modelo foi criado em uma época que a Europa estava vivendo uma
transformação em todos os setores, político, social, econômico e educacional devido
principalmente à mudança da sociedade industrial para a sociedade moderna, onde a
influência da globalização fez com que surgisse uma necessidade de aproximação dos países
europeus.
Na Europa a realidade educacional é completamente diferente da realidade brasileira,
de modo que não cabe comparações aqui, mas a necessidade da reforma educacional e por
consequência a criação do modelo CRAI, que surgiu para atender as necessidades dessa
sociedade vem colaborar para que repensemos a realidade educacional brasileira;
especificamente no contexto da Biblioteconomia, onde os bibliotecários tiveram que rever sua
atuação profissional e seu papel social com as mudanças e necessidades que a sociedade da
informação trouxe com advento da tecnologia. Com a tecnologia os profissionais da
informação, entre eles o bibliotecário, precisaram reconsiderar a forma de lidar com o
tratamento da informação, que no passado estava somente no suporte impresso e atualmente
está em diferentes suportes e precisam ser recuperados, tratados, organizados e disseminados
através da mediação entre o bibliotecário e o usuário.
Não podemos separar de forma alguma a formação do bibliotecário da sua práxis
biblioteconômica, pois estão diretamente interligadas, é na academia que se aprende a pensar
criticamente a formação profissional, as IES que oferecem curso com formação em Bacharel
em Biblioteconomia precisam reformular o ambiente e a formação de seus discentes, de forma

1406

�a alinhar a teoria dada em sala de aula a prática exigida pelo mercado de trabalho,
proporcionando dessa forma a seus discentes uma formação de acordo com a realidade da
sociedade em que estão inseridos.
A partir das pesquisas feitas concluímos que a decisão de adotar a filosofia CRAI em
uma BU é de grande beneficio para o apoio ao ensino aprendizado dos cursos ofertados e para
a instituição como um todo. Mas esta implantação precisa ser estudada e modelada de acordo
com a realidade da biblioteca e necessidades dos seus usuários.
Para a implantação da filosofia CRAI, é indispensável o engajamento dos profissionais
de diversas áreas objetivando o mesmo propósito: a disseminação e organização da
informação através de recursos e serviços pensados para o usuário, objetivando apoio
pedagógico e a evolução acadêmica e profissional deste. Tais serviços e recursos serão
prestados com o apoio da instituição, de modo a proporcionar um espaço adequado para este
fim.

6 Referências
ALMEIDA JÚNIOR, O. F. Formação, formatação: profissionais da informação produzidos
em série. In: VALENTIM, M. L. P. (Org). Formação do profissional da informação. São
Paulo: Polis, 2002. p. 133-148.
ARRUDA, Maria da Conceição Calmon; MARTELETO, Regina Maria; SOUZA, Donaldo
Bello. Educação, trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais: o bibliotecário em
questão. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p. 17, set./dez. 2000. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/issue/view/18/showToc&gt;. Acesso em: 20 jun.
2013.
BELLUZZO, Regina Célia Baptista; MACEDO, Neusa Dias de. Da educação de usuários ao
treinamento do bibliotecário. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v.
23, n.

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BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p.
241.
CARVALHO, Isabel Cristina Louzada. As bibliotecas universitárias e seu desenvolvimento
no espaço mundo. In.: ___A socialização do conhecimento no espaço das bibliotecas
universitárias. Rio de Janeiro: Interciência, 2004. p. 77-153
CASTRO, Cesar Augusto. Profissional da informação: perfis e atitudes desejadas.
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Aprendizaje y la Investigación (CRAIs). Revista digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, Campinas, v.

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&lt;

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Savickas, Rebeka Lope, Silva, Flávia Deu, Valls, Valéria Martin, Martins, Paula Watanabe</text>
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                <text>Aborda as mudanças promovidas nas bibliotecas universitárias, apresentando de forma ampla as principais características específicas a este tipo de biblioteca, desde seu surgimento na Idade Média às transformações que passou no decorrer dos anos, como os avanços de seus procedimentos, profissionais e usuários, chegando às novas necessidades destes, relacionadas principalmente a realidade das tecnologias da informação e comunicação tornando o consulente mais independente e exigente quanto aos serviços e recursos oferecidos pelas unidades de informação, além das transformações do bibliotecário para atender a essas demandas. A equipe bibliotecária além de ter que se manter constantemente atualizada, cultiva também a capacitação de seu usuário de modo que seja ativo e autônomo de forma assertiva, analisa o Centro de Recursos para Aprendizagem e Investigação (CRAI) dentro da biblioteca universitária (BU), que propõe um modelo que une os integrantes da Instituição de Ensino Superior (IES) e que auxilia no processo de ensino aprendizagem, nas pesquisas produzidas na academia além de oferecer um espaço que proporcione experimentações e preparo para o mercado de trabalho, refletindo sobre o seu panorama teórico. O CRAI surgiu em meio a grandes mudanças econômicas e sociais, sendo parte integrante da reforma educacional na Europa. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CRITÉRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE OBRAS RARAS: UM ESTUDO A
PARTIR DO ACERVO DA BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE QUÍMICA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Leonisses Manhã Sérgio
Andre Vieira de Freitas Araujo

RESUMO
O objetivo deste trabalho é estabelecer e discutir os critérios para a identificação de livros
raros da Biblioteca do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(BIQ/UFRJ). A partir da pesquisa bibliográfica, buscamos conceitos sobre obras raras e o
estabelecimento de critérios de raridade. Paralelamente, realizamos a análise dos critérios para
identificação de obras raras adotados pela Biblioteca Nacional (BN) e por quatro
universidades, a saber: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC). O estabelecimento de novos critérios para a identificação de obras
raras e/ou especiais da BIQ poderá servir como proposta para instituições similares na análise
e discussão da raridade em seus acervos. Partindo do conhecimento daquilo que é raro é
possível tomar providencias necessárias à salvaguarda e difusão documental. O presente
estudo pretende ser uma contribuição à memória da área de Química, no contexto da UFRJ.
Palavras-chave: Biblioteconomia de Livros Raros. Biblioteca do Instituto de Química da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (BIQ/UFRJ). Critérios de raridade. Obras raras.

ABSTRACT
The objective of this work is to establish and discuss the criteria for the identification of rare
books from the Library of the Institute of Chemistry of the Federal University of Rio de
Janeiro (BIQ/UFRJ). From the bibliographical research, we seek concepts about rare books
and the establishment of criteria of rarity. In parallel, we analyze the criteria for the
identification of rare works adopted by the National Library (BN) and four universities,
namely: Federal University of Minas Gerais (UFMG), Federal University of Rio de Janeiro
(UFRJ), Federal Fluminense University (UFF) and Federal University of Santa Catarina
(UFSC). The establishment of new criteria for the identification of rare and/or special boos of
BIQ might serve as a proposal to similar institutions in the analysis and discussion of of rarity
in their collections. Based on the knowledge of what is rare is possible to take appropriate
measures to safeguard and document dissemination. This study is a contribution to the
memory of chemistry in the context of UFRJ.
Keywords: Rare Book Librarianship. Library of the Institute of Chemistry of the Federal
University of Rio de Janeiro (BIQ/UFRJ). Criteria of rarity. Rare books.

2473

�1 INTRODUÇÃO
Livros raros se distinguem de outros tipos de livros pois podem conduzir o leitor a um
universo encantador, em que o toque, o olfato e a fisicalidade conduzem a experiências
únicas. Como documento, um livro raro possui características relevantes que vão além de seu
conteúdo, tais como sua produção, encadernação, impressão/impressor, possíveis marcas de
propriedade... é aí que se encontram as diferenças entre um livro “comum” e um livro raro.
A Biblioteconomia de Livros Raros nos dá subsídios para que o reconhecimento e o
posterior tratamento de livros raros sejam feitos a partir de bases teórico-metodológicas.
A partir dessas questões, voltadas à Biblioteca do Instituto de Química da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (BIQ/UFRJ), algumas perguntas moveram este
estudo: há critérios específicos para identificação de obras raras da BIQ/UFRJ? Os critérios
gerais existentes hoje na literatura são suficientes para o estabelecimento de raridade
bibliográfica na coleção da BIQ/UFRJ ?
Partindo dessas questões, este estudo tem como objetivo principal estabelecer e
discutir os critérios para a identificação de obras raras na BIQ/UFRJ.

2 REVISÃO DE LITERATURA
No contexto da raridade, os termos “livro” e “obra” muitas vezes se confundem.
Houaiss define “livro” como: “[...] coleção de folhas de papel, impressas ou não, cortadas,
dobradas e reunidas em cadernos cujos dorsos são unidos por meio de cola, costura etc.,
formando um volume que se recobre com capa resistente” (DICIONÁRIO..., 2004). Já a
definição de “obra”, para Houaiss, é: “[...] a produção total de um artista, de um cientista”
(DICIONÁRIO..., 2004).
Neste trabalho, utilizaremos a palavra “livro” e “obra” com o mesmo sentido. A
palavra “raro” também significa algo valioso ou precioso; uma obra rara seria uma publicação
incomum, difícil de encontrar, e com um valor maior do que os livros tradicionalmente
disponíveis (SANT’ANNA, 2001).
Rubens Borba de Moraes (1998, p. 65) complementa:
[...] um livro não é valioso porque é antigo e, provavelmente, raro. Existem
milhões de livros antigos que nada valem porque não interessam a ninguém.
Toda biblioteca pública está cheia de livros antigos, que, se fossem postos à
venda, não valeriam mais que o seu peso como papel velho. O valor de um
livro nada tem que ver com a sua idade. A procura é que torna um livro
valioso.

2474

�O livro raro não é só livro velho. Ele possui qualidades que o tornam diferente dos
demais. Ele é, normalmente, subutilizado e requer pessoal especializado (ou seja, caro) e sua
manutenção na coleção não é barata, seja do ponto de vista da segurança ou de seu tratamento
(GAUZ, 2008).
A definição do que pode ser uma obra rara não possui uma orientação padronizada, e
deve levar em consideração o contexto da própria da instituição. Para Pinheiro (2009, p. 36):
Cada livro, mesmo que em dezenas de exemplares, ganha o caráter da
unicidade, quando é parte de um todo particular, formado segundo os
interesses de leitura de um professor, de um estudioso, de um colecionador.
A biblioteca de livros raros no Brasil é múltipla (abrange objetos
diferentes), porque é a soma de muitas coleções, assemelhadas e diversas,
representativas de opiniões e ideologias, de crenças e descrenças, de
verdades e mentiras.
Bibliotecas de obras raras, muito embora por décadas estivessem vinculadas ao
modelo custodial de formação e de guarda de acervos, tem constituído na contemporaneidade
tanto espaços físicos como digitais.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Como já mencionado, o objetivo deste estudo é estabelecer e discutir os critérios para
a identificação de livros raros da Biblioteca do Instituto de Química da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (BIQ/UFRJ). Para alcançá-los, realizamos a análise panorâmica dos
critérios para identificação de obras raras adotadas pela Biblioteca Nacional (BN) e por quatro
universidades, a saber: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC).
A ideia de analisar os critérios das quatro universidades está no fato destas
subsidiarem as ações de suas bibliotecas universitárias que possuem missões semelhantes ao
nosso objeto de estudo, em função de sua natureza institucional.
Por meio da leitura e da análise dos critérios adotados pelas cinco instituições
supracitadas, foram selecionadas elementos que pudessem fundamentar e formatar os critérios
para identificação de obras raras da BIQ/UFRJ.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
De acordo com a proposta deste trabalho, cujo escopo visa pontualmente estabelecer
os critérios iniciais para identificar obras raras no contexto da BIQ/UFRJ.

2475

�4.1 Critérios gerais direcionados ao acervo raro da BIQ/UFRJ
De acordo com a leitura analítica dos critérios estabelecidos pelas instituições BN,
UFRJ, UFF, UFMG e UFSC, foram destacados como pertinentes ao contexto do acervo da
BIQ/UFRJ os seguintes critérios de raridade:
•Edições comemorativas em formato de luxo ou personalizadas do Instituto; •Edições que
tenham a participação dos fundadores da instituição; •Edições contendo práticas não usadas
mais pela instituição; reações químicas; fórmulas e teorias^Livros de autoria dos fundadores
do Instituto ou de professores de projeção.

4.2 Critérios específicos direcionados ao acervo raro da BIQ/UFRJ
• Todos os impressos da área de Química do século XV, XVI, XVII e XVIII; •Primeiras
edições de livros da área de Química do século XIX; •Todos os impressos que assinala, no
Brasil, o início da produção em determinado local na área de Química^Autores brasileiros de
projeção nacional e/ou internacional da área de Química^Autores premiados da área^Livros
de brasileiros e estrangeiros que contenham experimentos, invenções e descobertas
significativas.

4.3 Critérios baseados na característica do exemplar raro da BIQ/UFRJ
•Exemplares com marcas de propriedade (ex libris, super-libris, marcas de fogo, etc.) de
pessoas renomadas; • Exemplares com marcas de livreiros, encadernadores, restauradores,
etc., renomados ou considerados no mercado livreiro; •Exemplares com anotações
manuscritas importantes^Exemplares autografados por autores renomados da área.
Como resultado de nossa pesquisa, podemos afirmar que os critérios aqui propostos
trazem a peculiaridade que envolve o universo da área de Química, além de momentos que
marcam a história tanto do Instituto de Química da UFRJ (IQ) quanto da BIQ/UFRJ, seja pelo
destaque de algum docente/pesquisador ou mesmo pelo destaque do ponto de vista da
produção científica.
Com o apoio dos especialistas do Instituto, desenvolvemos e propomos os presentes
critérios específicos para o IQ.
O empenho na pesquisa aqui elaborada poderá ser percebido pela criação de um
produto final, pode-se até dizer, uma nova ferramenta de trabalho, composta por orientações e
critérios de raridade que englobam não só as particularidades do IQ da UFRJ e as obras que
compõem seu acervo, mas também os critérios de raridade preconizados pela BN.

2476

�É neste momento que entram em atuação as competências do profissional que avalia a
obra.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Determinar o que é raro dentro de uma biblioteca é uma ação relevante, pois
possibilita o desenvolvimento de pesquisas de naturezas diversas por docentes e discentes,
sobretudo no contexto das bibliotecas universitárias.
A gestão de coleções raras e especiais, no contexto das instituições universitárias, é
diferenciada e precisa ser feita em conjunto: bibliotecários, curadores, especialistas de área e
responsáveis pela instituição, para que possa haver sinergia e visão do todo.
Do ponto de vista prático, este estudo irá balizar as atividade do Setor de Obras Raras
recém-criado na BIQ/UFRJ. Há ainda a necessidade de inserção desses estudos na formação
do bibliotecário.

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2478

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                <text>O objetivo deste trabalho é estabelecer e discutir os critérios para a identificação de livros raros da Biblioteca do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (BIQ/UFRJ). A partir da pesquisa bibliográfica, buscamos conceitos sobre obras raras e o estabelecimento de critérios de raridade. Paralelamente, realizamos a análise dos critérios para identificação de obras raras adotados pela Biblioteca Nacional (BN) e por quatro universidades, a saber:  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O estabelecimento de novos critérios para a identificação de obras raras e/ou especiais da BIQ poderá servir como proposta para instituições similares na análise e discussão da raridade em seus acervos. Partindo do conhecimento daquilo que é raro é possível tomar providencias necessárias à salvaguarda e difusão documental. O presente estudo pretende ser uma contribuição à memória da área de Química, no contexto da UFRJ.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

LICENCIAMENTO DE LIVROS ELETRÔNICOS E O MODELO DE NEGÓCIOS
PDA (PATRON DRIVEN ACQUISITION)
Liliana Giusti Serra
José Fernando Modesto da Silva

RESUMO
Este trabalho discorre sobre as transformações advindas pelos livros eletrônicos nas
bibliotecas analisando o processo de aquisição alterado da propriedade ao licenciamento do
conteúdo e o modelo de negócios de Aquisição Orientada pelo Usuário (PDA - Patron
Driven Acquisition), vislumbrando a possibilidade de aplicação nas bibliotecas universitárias
brasileiras. A pesquisa consiste em revisão da literatura, predominantemente norte-americana,
sobre o emprego de livros eletrônicos em instituições acadêmicas no modelo PDA e finaliza
com análise das possibilidades de emprego dessa modalidade de aquisição nas bibliotecas
universitárias brasileiras.
Palavras-Chave: Livros eletrônicos; Modelos de negócios; Aquisição orientada pelo usuário;
Bibliotecas universitárias; Licenciamento de conteúdo.
ABSTRACT
This paper discusses the transitions observed in libraries that include e-books in its collection
analyzing the changes in acquisitions process, comparing ownership with content licensing,
and the business model of Patron Driven Acquisition (PDA), envisioning the possibility of
application in Brazilian academic libraries. The survey is a literature review, predominantly
focused in North American production, on the use of e-books in academic institutions using
the PDA model. It finishes analyzing the possibilities of use of this genre of acquisition in
Brazilian academic libraries.
Keywords: E-books; Business models; Patron Driven Acquisition; Academic libraries;
Content licensing.

1 Introdução
A entrada dos livros eletrônicos nas bibliotecas tem causado uma série de
transformações nas atividades e serviços prestados pelos bibliotecários. As mudanças
transitam por áreas como: formação do acervo e desenvolvimento de coleção, leitura digital,
competência em informação, adequação do espaço físico, emprego de dispositivos de leitura,
fornecedores de publicações no formato digital, processo de aquisição e modelos de negócios

4311

�para conteúdo digital licenciado, entre outras. Com os livros eletrônicos a biblioteca não
realiza a aquisição nos mesmos moldes das publicações impressas, mas através de contratos
de licenciamento. Dentre as opções de formas de aquisição, quatro modelos de negócios se
destacam: 1) licenciamento por aquisição perpétua; 2) licenciamento por assinatura; 3) PDA;
e 4) STL.
Os licenciamentos por aquisição perpétua e por assinatura são aplicados no Brasil, em
bibliotecas universitárias. Nos Estados Unidos e na Europa estão em curso outros dois
modelos com características distintas, mas que por vezes atuam de forma complementar: a)
PDA (Patron Driven Acquisition - Aquisição orientada pelo usuário, tradução nossa); e b)
STL (Short Term Loan - Empréstimo de curto prazo, tradução nossa). O presente estudo
caracteriza-se como descritivo, que por meio de revisão da literatura sobre o livro eletrônico,
aborda questões relacionadas ao licenciamento de conteúdo e o modelo de negócios
PDA/DDA, e as possibilidades de aplicação nas bibliotecas universitárias brasileiras. Embora
não esgote o tema, tem o objetivo de alertar ao bibliotecário sobre os desafios para a inclusão
do livro eletrônico no desenvolvimento da coleção.

2 Aquisição x Licenciamento
Dentre os tipos de conteúdo digital presentes nos acervos universitários são destacadas
as obras de acesso aberto (open access), normalmente vinculadas à produção intelectual da
instituição, e composta de livros, obras de referencia, periódicos e artigos de revistas (papers),
fornecendo subsídios para formação e crescimento intelectual do corpo docente e discente. A
utilização de livros eletrônicos apresenta um conjunto de desafios, destacadamente voltados
às questões como a diferença entre aquisição e licenciamento de conteúdo digital. Se com os
livros físicos as bibliotecas tinham preocupações relacionadas aos fornecedores que seriam
contatados, preços, prazos de recebimento dos exemplares, disponibilidade aos usuários etc.,
com os suportes digitais a forma de aquisição é alterada, com riscos de comprometimento do
processo de compra e do acesso pelos usuários. De acordo com Morris &amp; Sibert (2011, cap.6),
o licenciamento de livros eletrônicos ocorre de forma similar a outros conteúdos digitais
como bases de dados assinadas e jornais eletrônicos.
Sheehan (2013, cap.2) discorre que a propriedade é parte e parcela do entendimento
cultural dos livros impressos enquanto os livros eletrônicos alteraram a compreensão do
modelo vinculado a produtos e serviços. Apesar do mercado fonográfico ter experimentado a
onda de digitalização e distribuição de arquivos MP3, o mesmo não ocorreu com os livros em
papel. Enquanto os usuários digitalizavam arquivos sonoros a partir dos suportes que haviam

4312

�comprado (CDs, LPs), esse processo não ocorreu com as publicações impressas. O
crescimento no consumo de livros eletrônicos ocorreu a partir da aquisição de dispositivos de
leitura e não da digitalização de textos por parte dos leitores.
As bibliotecas utilizam a teoria da primeira venda (first sale) há séculos e ao adquirir
uma obra, a mesma pode ser emprestada a outras pessoas ou instituições sem que ocorra a
violação de copyright (MAIA, 2013, p.1; RAO, 2005; SHEEHAN, 2013, cap.2). Essa mesma
teoria também permite que, caso seja interesse da biblioteca, pode ocorrer a revenda, doação
ou troca, sem necessidade de recolher direitos autorais, uma vez que a instituição é
proprietária do objeto físico (MCGUIRE; O’LEARY, 2012, cap.16). Em contrapartida, o
conteúdo presente nesse objeto físico é protegido pelas leis de direitos autorais, que inibe a
reprodução e distribuição sem anuência do autor ou seu representante legal.
O Artigo 37 da de Direitos Autorais - Lei 9.610, de 1998 -, discorre sobre a teoria da
primeira venda:
Art. 37. A aquisição do original de uma obra, ou de exemplar, não confere
ao adquirente qualquer dos direitos patrimoniais do autor, salvo convenção
em contrário entre as partes e os casos previstos nesta Lei (BRASIL, 1998b).
Observando a redação do Artigo 37, Maia (2013, p.3) destaca que os direitos de uso da
publicação física pertencem ao responsável pela sua aquisição (biblioteca) e não pelo portador
(usuários).
A aquisição de livros eletrônicos não é centrada na teoria de primeira venda, mas em
semelhança a programas de computador (EBLIDA, 2013; MAIA, 2013, p.7), é regidos por
contratos de licença, conforme o Artigo 9 da Lei n. 9.609, de 19 de fevereiro de 1998:
Art. 9: O uso de programa de computador no País será objeto de contrato de
licença (BRASIL, 1998).
A possibilidade de empréstimo, revenda ou doação por parte do comprador de licença
de programa de computador é restrita, conforme o Artigo 2, § 5 da Lei 9.609/98:
Art. 2° O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de
computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos
autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei.
[...]
§ 5° Inclui-se dentre os direitos assegurados por esta Lei e pela legislação de
direitos autorais e conexos vigentes no País aquele direito exclusivo de
autorizar ou proibir o aluguel comercial, não sendo esse direito exaurível
pela venda, licença ou outra forma de transferência da cópia do programa.

4313

�Analisando o § 5°, Cerqueira (2011, p.60 apud MAIA, 2013, p.5) discorre que existe
restrição de empréstimo, revenda ou doação por parte do comprador de licença de programa
de computador, conforme:
[Os contratos de licença de uso de programas de computador]
fundamentalmente objetivam estabelecer as regras para o uso não exclusivo
de um determinado programa de computador, protegendo a propriedade do
seu produtor. Daí as tradicionais proibições de ceder, vender, dar em
locação, alterar ou fazer cópias sem expressa autorização.
O mesmo entendimento é alcançado por Saavedra (1998, p.29 apud MAIA, 2013, p.6):
Os contratos de licenciamento e cessão de uso são ajustes concernentes ao
direito de autor, firmados pelo titular desses direitos - que não é
necessariamente, o vendedor do exemplar do programa - e o usuário do
software. [...] As cláusulas desses contratos - voltadas à garantia dos
direitos do autor, e não à disciplina das condições do negócio realizado com
o exemplar - limitam a liberdade do adquirente da cópia quanto ao uso do
programa, estabelecendo, por exemplo, a proibição de uso simultâneo do
software em mais de um computador, a proibição de aluguel, de reprodução,
de decomposição, de separação dos seus componentes e assim por diante.
Para a biblioteca, ter a licença de uso e não a propriedade dos livros eletrônicos é um
problema, uma vez que o controle da existência, permanência e utilização das publicações
licenciadas são determinantes para o desenvolvimento de coleções e manutenção dos serviços
prestados. O licenciamento de livros eletrônicos é oferecido pelos fornecedores (editores,
agregadores, distribuidores etc.) através de modelos de negócios.
De acordo com Schell (2011, cap.5) algumas questões devem ser levantadas pelas
bibliotecas ao realizar um contrato de licenciamento de livros eletrônicos:
•

Há pessoa capacitada na equipe para negociar o licenciamento com o fornecedor?

•

Os registros no formato MARC serão disponibilizados pelo fornecedor?

•

Quais usuários terão acesso ao conteúdo licenciado?

•

Como o fornecedor garante o acesso online, suporte e preservação digital dos livros
eletrônicos?

•

Existe a opção de formação de fila de reservas eletrônicas?

•

Dados estatísticos de acesso serão informados pelos fornecedores?

•

É permitido o empréstimo entre bibliotecas?

•

Há conteúdo acessível para deficientes visuais?

•

Existem restrições de acesso?

•

É possível imprimir ou realizar o download do conteúdo licenciado?

•

Como realizar o descarte dos livros eletrônicos?

4314

�Além das questões citadas, recomenda-se que os livros eletrônicos sejam incluídos no
catálogo da biblioteca, proporcionando aos usuários um único local para descoberta dos
títulos contratados. Essa iniciativa é interessante ao usuário pois ele pode identificar os
recursos existentes no acervo (impressos ou eletrônicos), independente de quais fornecedores
foram contratados. Para a biblioteca, a medida corrobora em facilitar a gestão e manutenção
dos contratos com os fornecedores, disponibilizando ou inibindo os títulos no OPAC (Online
Public Access Catalog), de acordo com o licenciamento ou renovações realizados.
Uma questão a ser debatida está relacionada ao descarte de livros eletrônicos. Da mesma
forma ao que ocorre na gestão do acervo físico, títulos eletrônicos precisam ser analisados
frequentemente e descartados quando não pertinentes à coleção. Segundo Crosetto (2012,
cap.6), a biblioteca deve estabelecer critérios para o descarte de livros eletrônicos da mesma
forma que os define para os impressos. A quantidade de títulos disponíveis não define uma
coleção em termos qualitativos. Por não ocupar espaço em estantes e por não ser visível, as
bibliotecas podem não perceber a necessidade de definir uma estratégia que garanta a acurácia
do acervo, com o descarte ocorrendo através de análise dos metadados. A forma de descarte
adotada irá variar de acordo com o modelo de negócios e o fornecedor contratados, podendo
acontecer por iniciativa da biblioteca em não renovar suas licenças.
Apesar de limitados ao controle do licenciamento de conteúdo, e não da propriedade pela
aquisição, diversos modelos de negócios podem ser utilizados para flexibilizar a utilização e
acesso aos livros eletrônicos pelos usuários das bibliotecas. Dentre os modelos de negócios
existentes, será analisado o PDA/DDA.

3 PDA - Aquisição orientada pelo usuário
De acordo com Kent (1979 apud NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1), estudos
realizados a partir da década de 1970 em bibliotecas universitárias norte-americanas
mostraram a ocorrência de baixa circulação das obras selecionadas por bibliotecários. O
estudo de Trueswell (1969 apud NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1) revelou que 80%
das circulações eram realizadas em apenas 20% da coleção. Essa e outras pesquisas
levantaram a hipótese de que talvez os processos de seleção realizados pelos bibliotecários
não atendiam completamente a demanda dos usuários universitários como esperado. Por outro
lado, observou-se que a utilização de obras solicitadas por empréstimo entre bibliotecas
(EEB) atendia a solicitação de consultas, resultando em circulações recorrentes. Pesquisas
indicaram a necessidade de incluir os pedidos de EEB entre as publicações a serem

4315

�adquiridas. Os fatores que levaram a essa decisão foram: a) o custo para realização de EEB; e
b) o tempo necessário para uma obra estar disponível ao usuário.
Sob esse aspecto, as bibliotecas universitárias norte-americanas optaram por priorizar
a aquisição de obras solicitadas por EEB, investindo parte das verbas de aquisições para
atender essas demandas, e conduzindo estudos comparativos das diferenças que poderiam
surgir entre as duas possibilidades acima citadas (a e b). As obras adquiridas por solicitações
de EEB apresentavam alta circulação quando incorporadas aos acervos, mesmo se
comparadas aos títulos adquiridos via seleção tradicional, ainda que só os usuários solicitantes
fizessem uso dessas obras (ANDERSON et al, 2002).
A aquisição orientada ao usuário é utilizada há mais de 10 anos, e novos estudos se
desenvolvem para identificar e analisar os resultados dessas iniciativas, e o seu impacto nos
orçamentos. Com a disponibilidade de livros eletrônicos essa modalidade de aquisição
encontrou terreno fértil para se consolidar, e agilizar o acesso e o licenciamento da publicação
solicitada pelo usuário. Situação que garante um rápido atendimento, sem a necessidade de
verificar preços, estoques e disponibilidade dos fornecedores. A quantidade de EEB diminui
e, em contrapartida, parte do orçamento para aquisição existente acaba designado para atender
essas demandas. Uma série de critérios são estabelecidos visando nortear os procedimentos de
licenciamento. Segundo a revisão bibliográfica realizada por Anderson et al (2002, p.2), o
modelo PDA contribui com a política de desenvolvimento de coleção ao indicar títulos
relevantes ao acervo e dar voz aos usuários, que manifestam seus interesses em áreas
interdisciplinares. No estudo de Price et al (2012, p.6), a circulação de títulos solicitados pelos
usuários mostrou-se maior que os licenciados pela biblioteca. Observam que a frequência de
consulta a longo prazo mostrou-se maior nos títulos selecionados pelos usuários do que os
selecionados pela biblioteca. Apesar de ser considerado revolucionário, é visto como um
modelo aceito e atraente para bibliotecas de diversos segmentos e tamanhos.
Esposito (2012) destaca a controvérsia que existe ao utilizar essa forma de aquisição,
visto por alguns bibliotecários como a perda de integridade no desenvolvimento da coleção,
enquanto outros enxergam uma opção para baixar os custos de aquisição dos títulos realmente
pertinentes. A forma de construir coleções é centrada atualmente na "velocidade", sem a
necessidade de aguardar a concretização de um EEB, tendo acesso ao título desejado em
apenas um clique, e com a possibilidade de realizar “aluguéis” enquanto uma quantidade de
acessos estabelecidos não for alcançado, e, após esse limite, incluir a obra automaticamente
ao acervo através de licenciamento do conteúdo (FISTER, 2010).

4316

�A seleção realizada pela biblioteca muitas vezes sofre interferências com solicitações
de docentes que possuem interesse em áreas específicas ou estudam temas que no futuro não
apresentarão pertinência à coleção. Ocorre, ainda, o recebimento de coleções particulares de
professores aposentados que, apesar de contribuírem com a oferta de títulos, podem ceder
materiais desatualizados ou não aderentes ao plano de ensino dos cursos. Outro fator
recorrente é a falta de comunicação entre docentes e a biblioteca, o que gera a ocorrência da
não solicitação de títulos para inclusão ao acervo (FISTER, 2010).
Oferecido por agregadores de conteúdo, o modelo PDA para livros eletrônicos foi
lançado por volta dos anos 2000 (NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1). Desde seu
lançamento o modelo foi identificado como: Patron Driven Selection (Seleção orientada pelo
usuário, tradução nossa); Patron Driven Initiated (Iniciativa orientada pelo usuário, tradução
nossa); Patron Driven Purchasing (Compra dirigida pelo usuário, tradução nossa); e Demand
Driven Acquisition (Aquisição orientada por demanda, tradução nossa), essa última
denominação é adotada prioritariamente no Reino Unido. Ressalte-se que o modelo também
foi designado de pay-per-view (SCHELL, 2011, cap.5), que atualmente é denominado STL.
No modelo PDA, os fornecedores promovem acesso a todos os títulos de seu catálogo
ou a um conjunto selecionado de títulos, de acordo com o interesse da biblioteca.
Segundo Morris &amp; Sibert (2011, cap.6) e Sheehan (2013, cap.6), os registros MARC
existente no catálogo do fornecedor são inseridos no OPAC da biblioteca, tornando-o um
ponto de descoberta. Os registros MARC são importados com a URL que permite o acesso ao
conteúdo, e que será acessado e controlado pela plataforma do fornecedor. Dessa forma, ao
consultar o catálogo bibliográfico, o usuário pode realizar a leitura dos títulos, mesmo que
eles não tenham sido licenciados pela biblioteca. Em outro modelo de negócios, Caso a obra
seja consultada uma determinada quantidade de vezes, acordada entre a biblioteca e o
fornecedor, um processo de inclusão dessa obra no acervo é iniciada automaticamente
(GRIGSON, 2011, p.29). Já, as obras consultadas em quantidade inferior à estipulada, serão
cobradas como um “aluguel”, com valores proporcionais ao preço do licenciamento variando
entre os fornecedores.
Segundo Sheehan (2013, cap.6), a biblioteca pode definir restrições de acesso por
áreas, assuntos, valor das publicações, temas de interesse da comunidade etc., aos títulos não
contratados. As restrições visam preservar o orçamento e impedir que obras não pertinentes
ou muito caras sejam acessadas. Com o modelo PDA, o OPAC passa a reunir as obras
impressas, os livros eletrônicos licenciados e os não licenciados, todos disponíveis para
consulta.

4317

�Schell (2011, cap.5) destaca que o modelo PDA permite o acesso a uma variedade de
conteúdos que somente serão cobrados se as obras forem consultadas. A biblioteca em
conjunto com o fornecedor define a quantidade de acessos que um título não licenciado terá.
Alcançado esse limite, a cobrança será realizada com inclusão do título ao conjunto de obras
licenciadas pelo pacote de assinaturas contratados (MORRIS; SIBERT, 2011, cap.6).
Para Morris &amp; Sibert (2011, cap.6) e Schell (2011, cap.5) os parâmetros definidos pela
biblioteca podem ser:
•

Número de vezes que um livro eletrônico não licenciado pode ser acessado antes de
ser incluído automaticamente ao conjunto dos licenciados;

•

Tempo limite de confirmação se o recurso foi acessado pelo usuário ou o clique foi
dado por engano (normalmente estabelece-se um período, em torno de cinco minutos);

•

Utilização ou não de um mediador para aprovar a solicitação de acesso feita pelo
usuário;

•

Tipo de acesso: monousuário, limitado ou simultâneo;

•

Garantir que todos os usuários poderão acessar as obras licenciadas, e não apenas os
que dispararam o processo de licenciamento;

•

Valores dos livros eletrônicos que podem ser acessados;

•

Assuntos e disciplinas que serão disponibilizados;

•

Valores dos livros eletrônicos quando acessados de forma temporária (aluguel de curto
prazo) pelo usuário;

•

Valores para licenciamento dos livros eletrônicos adquiridos (aquisição perpétua ou
assinatura) quando o limite de acessos for alcançado;

•

Opção de combinar os modelos PDA e STL, com as obras assinadas por curtos
período de tempo, sem disparar o processo de licenciamento automático.

Alguns fornecedores oferecem, além da contagem do número de acessos realizados, a
contabilização do tempo de visualização da obra como critério para definir se a publicação
não licenciada foi utilizada (NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1).
Os parâmetros podem ser estabelecidos no momento do licenciamento, porém alguns
fornecedores permitem ajustes durante a vigência do contrato, fato que permite à biblioteca
maior controle sobre a utilização dos recursos existentes.
Price (2009, p.3) pontua que a diferença entre a aquisição no modelo PDA e o método
tradicional consiste no tempo de vigência do licenciamento: o usuário dá inicio ao

4318

�licenciamento (temporário ou definitivo) da obra solicitada após o acesso a mesma, enquanto
que para o bibliotecário o licenciamento vigora antes da publicação ser utilizada.
Morris &amp; Sibert (2011, cap.6) comentam da importância de orientar os usuários sobre o uso
desse modelo, conscientizando-os sobre a utilização dos recursos financeiros da biblioteca na
aquisição de títulos realmente pertinentes aos acervos.
Visto sob a ótica dos editores, o modelo PDA também apresenta dúvidas. O editores
receiam por quedas nas vendas, uma vez que livros impressos sem circulação relevante não
serão adquiridos no formato eletrônico ou então, as obras que eram selecionadas pelos
bibliotecários para compor a coleção podem não ser selecionadas pelos usuários. Por outro
lado, com a seleção realizada diretamente pelo usuários, existe a possibilidade de aumento nas
vendas, e a inclusão de obras interdisciplinares ou de necessidade transitória (ESPOSITO,
2012).
O modelo PDA apresenta as seguintes vantagens e desvantagens:
Vantagens
•

Satisfação do usuário (MORRIS; SIBERT, 2011, cap.6; NIXON; FREEMAN;
WARD, 2011, cap.1);

•

Oferta de títulos que o usuário deseja (ESPOSITO, 2012; GRIGSON, 2011, p.29);

•

Rápida disponibilidade e acesso aos títulos, passando de dias para horas de espera
(NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1)

•

Acesso a títulos não licenciados pela biblioteca (SHEEHAN, 2013, cap.6);

•

Processo de aquisição acelerado, com pouca burocracia (SHEEHAN, 2013, cap.6);

•

Combinação variada de negociação entre as bibliotecas e fornecedores para instalação
do programa (SHEEHAN, 2013, cap.6);

•

Disponibilidade das obras para outros usuários (NIXON; FREEMAN; WARD, 2011,
cap.1)

•

Atualização rápida do acervo (ANDERSON et al., 2002, p.2);

•

Aumento da circulação (NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1);

•

Melhor retorno de investimento. A biblioteca paga apenas as obras utilizadas
(GRIGSON, 2011, p.29).

Desvantagens
•

Controle da coleção delegado ao usuário e não ao bibliotecário. Em bibliotecas
universitárias a definição das publicações será feita por usuários transitórios
(SHEEHAN, 2013, cap.6);

4319

�•

Risco de perda no controle do processo de aquisição (POLANKA, 2009, p.121 apud
MORRIS; SIBERT, 2011, cap.6);

•

Baixa oferta de títulos (POLANKA, 2009, p.121 apud MORRIS; SIBERT, 2011,
cap.6; SHEEHAN, 2013, cap.6)

•

Baixa qualidade dos registros em MARC, com URLs direcionando ao conteúdo
diferente do descrito (MORRIS; SIBERT, 2011, cap.6);

•

Risco de menor controle orçamentário. Os recursos consumidos pelos usuários caso a
biblioteca não defina parâmetros de licenciamento (GRIGSON, 2011, p.29);

•

Preferência dos usuários em procurar livros nas estantes por assunto do que no OPAC
(FISTER, 2010);

•

Poucos usuários definem os títulos para aquisição. O que ocasiona uma coleção
desbalanceada (GRIGSON, 2011, p.29);

•

Desenvolvimento da coleção determinada por usuário ou grupo de usuários que
acessam obras não pertinentes ao acervo (PRICE, 2009, p.2).

4 Bibliotecas universitárias brasileiras e o modelo PDA
Não foram localizados relatos de bibliotecas universitárias brasileiras que utilizem o
modelo de negócios PDA. As experiências existentes, e os fornecedores, são centrados nos
modelos de aquisição perpétua e assinatura de livros eletrônicos. Ainda existe, por parte dos
fornecedores, pouca oferta de títulos em português. Atualmente, os bibliotecários brasileiros
podem contratar fornecedores nacionais e estrangeiros, que praticam os modelos existentes. A
falta de relatos de experiência aparenta indicar o desconhecimento das bibliotecas em relação
ao livro eletrônico e às opções de modelos de negócios praticados pelos fornecedores.
Evidentemente esse cenário decorre da própria instabilidade dos modelos de negócios, das
políticas de preços praticadas, e da familiaridade dos bibliotecários e usuários com os livros
eletrônicos, dispositivos de leitura etc.
Observa-se no Brasil a mesma tendência ocorrida nos Estados Unidos e Europa, ou
seja, a inclusão de livros eletrônicos nas bibliotecas ocorre pelo ambiente universitário, com
acesso da comunidade acadêmica aos títulos licenciados. De acordo com Sheehan (2013,
cap.6), as bibliotecas norte-americanas iniciaram a oferta de livros eletrônicos em 1999,
utilizando o fornecedor NetLibrary como complemento às publicações existentes no Projeto
Gutenberg. A autora discorre que a necessidade de informação de usuários acadêmicos é
diferente da de bibliotecas públicas. Pesquisadores, docentes e estudantes universitários,

4320

�possuem necessidades distintas de conteúdo, e usualmente solicitam das bibliotecas que o
acesso aos títulos existentes seja realizado de forma simultânea. As experiências com o
modelo PDA nas bibliotecas universitárias representam a transição da demanda dos usuários
orientada por “apenas no caso de” (just in case) para “na hora certa” (just in time).
Evidentemente, a implantação do modelo PDA resultou em temores por parte dos
bibliotecários com a utilização que os usuários fariam dos títulos não licenciados e o quanto
isso impactaria no orçamento da biblioteca (SHEEHAN, 2013, cap.6). Entretanto, a
possibilidade de utilização de um novo modelo de negócios deve ser implantada com
capacitação da equipe, dos usuários e rigoroso controle orçamentário.
Analisando as opções brasileiras, evidenciam-se dois cenários distintos: o público e o
privado. O processo de aquisição (ou licenciamento) das universidades públicas é
determinado pela Lei de Licitações (Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993), o que pode gerar
dificuldades na contratação de livros eletrônicos ao ser considerado uma aquisição de
programa de computador e não um objeto físico. Caso seja definido o modelo de assinaturas,
dificuldades podem ser vislumbradas nas renovações dos títulos, uma vez que a cada
renovação ocorre alteração dos títulos licenciados. Outro fato importante é que a instituição
não terá a propriedade das obras e sim o seu licenciamento. Isto, provavelmente dificultará as
iniciativas para inclusão desses suportes aos acervos. Se analisada a questão do modelo PDA,
a situação torna-se mais complexa. A legislação vigente, Dificilmente permitirá que as
compras se realizem por solicitação dos usuários sem que um processo licitatório seja
instaurado. Certamente, alternativas legais podem ser encontradas de forma a flexibilizar o
processo, porém até o estabelecimento de uma ordem pode-se levar um bom tempo.
Nas bibliotecas universitárias de instituições privadas a situação apresenta-se
simplificada se comparadas às públicas ao permitir que fornecedores sejam contratados e os
conteúdos licenciados fiquem disponíveis aos usuários. Isso, porém, não isenta essas
instituições de problemas, visto que a prática de negociação com fornecedores não está
definida, além do fato de não termos capacitação específica nessa tarefa. Teme-se que ocorra
nas bibliotecas o questionamento em relação a manutenção de periódicos eletrônicos como o
alto custo envolvido, e no qual paga-se pelo acesso sem ter a propriedade do conteúdo. A
transposição desse cenário para o universo dos livros é simples de ser visualizada, com
entrada e saída de títulos do pacote assinado, muitas vezes sem autonomia da biblioteca para
selecioná-los. Além do investimento constante na manutenção dos títulos no acervo sem as
efetivas contabilizações como patrimônio.

4321

�Apesar de apresentarem bons retrospectos de aplicação em bibliotecas universitárias
norte-americanas, o modelo PDA não é o único utilizado, porém é uma tendência que deve
ser estendida ao Brasil. Tanto nas bibliotecas públicas quanto nas vinculadas às instituições
privadas, a aplicação do modelo PDA depende de forte conscientização dos usuários, sem a
qual as iniciativas não alcançarão sucesso e resultarão em gastos sem o devido retorno dos
investimentos financeiro. Aliado à capacitação da equipe e da comunidade usuária, a
biblioteca deve realizar um rigoroso estudo sobre as possibilidades oferecidas pelos
fornecedores e as práticas utilizadas. É recomendado adoção de critérios mais restritivos nos
primeiros meses de implantação para que a biblioteca identifique a maneira como os
usuárioso fazem uso dos recursos, e para que não ocorra comprometimento do seu orçamento
com licenciamentos transitórios. Diversos fatores contribuem com a definição dos preços de
“aluguel” e de licenciamentos, e a biblioteca deve exigir dos fornecedores transparência das
possibilidades, além do estabelecimento de parâmetros que possibilite a realização de ajustes,
se necessário.
Outra recomendação é trabalhar com um ou poucos fornecedores na implantação do
modelo PDA, acompanhando o uso e os custos envolvidos nos meses iniciais, até poder ser
estabelecido uma média de acessos e licenciamentos realizados.
De acordo com Morris e Sibert (2011, cap.6), as bibliotecas universitárias tem como
missão o irrestrito acesso a publicações alinhado com objetivos educacionais de suas
instituições. Segundo as autoras, as bibliotecas desejam utilizar todos os direitos de acesso
possíveis, para que seus usuários tenham a possibilidade de ler, imprimir, realizar downloads
etc. do conteúdo licenciado. A intenção é o de garantir que o material seja utilizado pelos
usuários de acordo com os cursos e disciplinas oferecidos pela instituição de ensino.

5 Considerações Finais
A introdução de livros eletrônicos representam diversos desafios às bibliotecas. Em
especial, são nítidos no processo de aquisição onde o licenciamento do conteúdo agora é sem
a opção da propriedade. Embora os modelos de negócios não estejam completamente
estabelecidos, fornecedores e bibliotecários analisam as possibilidades existentes. Neste
sentido, iniciativas surgem pois os conteúdos digitais já estão presentes em diversas
instituições. No Brasil, esse movimento ainda é tímido se comparado com a realidade dos
Estados Unidos, onde os livros eletrônicos estão presentes em bibliotecas universitárias há
mais de uma década.

4322

�As bibliotecas universitárias brasileiras devem analisar as transformações impostas
pelo licenciamento de conteúdo em comparação com a propriedade das obras e as
dificuldades que poderão ser enfrentadas com essa nova realidade. Embora não existam a
oferta de muitos títulos em português, e mesmo de fornecedores no país, observa-se um
interesse crescente por parte das bibliotecas em incluir os livros eletrônicos em seus acervos.
Interesse a partir da demanda dos usuários, quanto por iniciativas da própria instituição.
Dentre os modelos de negócios existentes, o modelo PDA representa uma forma
inovadora de licenciamento de conteúdo. Permite a participação dos usuários na seleção das
obras que serão incorporadas ao acervo, tanto para usos transitórios (“aluguéis”), como na
aquisição perpétua ou assinatura. Embora fosse empregado desde a década de 1970, o modelo
de aquisição demandada pelos usuários ganhou destaque, com os livros eletrônicos ao
possibilitar que a solicitação dos mesmos estejam disponíveis com um clique. Pesquisas em
bibliotecas universitárias norte-americanas revelaram que a utilização dos títulos provenientes
do modelo PDA possuem maiores circulações se relacionadas às obras selecionadas pelas
bibliotecas. Vários fatores explicam essas nuances, desde a participação do corpo docente e
discente na sugestão e solicitação de títulos para aquisição, como na possibilidade de acessar
os conteúdos diretamente em computadores ou dispositivos de leitura, flexibilizando o uso
dos recursos, independente de localizações geográficas ou horários de funcionamento. Outro
fator recorrente está centrada na facilidade e agilidade de acesso, que satisfazem a
necessidade de pesquisa dos usuários.
A implantação do modelo PDA deve ser estudada detalhadamente pela biblioteca. Ela
deve definir parâmetros para o emprego do modelo, como conscientizar e capacitar os seus
usuários. Essa capacitação deve ser constante, tanto quanto a divulgação do serviço oferecido
como pela utilização da oferta, evitando investimentos desnecessários ou comprometimento
do orçamento.
O modelo PDA pode ser uma possibilidade interessante para as bibliotecas
universitárias brasileiras, embora não existam, ainda, fornecedores que trabalhem com essa
modalidade no país. As universidades públicas podem se deparar com dificuldades na
implantação do modelo devido às restrições impostas pela Lei das Licitações. As bibliotecas
de universidades privadas, por outro lado, podem realizar aplicações de projetos piloto,
avaliando a utilização feita pelos seus usuários e como o modelo PDA pode alterar o
desenvolvimento de suas coleções.
Esse modelo mostra-se uma opção interessante. Pode representar economia nos
investimentos ao licenciar conteúdo que será efetivamente utilizado pela comunidade

4323

�universitária. Embora os bibliotecários possam preocupar-se com a transferência do controle
no desenvolvimento da coleção, as experiências demonstram que as aquisições demandas
pelos usuários e pelas bibliotecas são complementares. A primeira, da parte dos usuários,
garante a utilização imediata dos títulos acessados, enquanto a segunda, da parte das
bibliotecas, vislumbra uma formação de coleção de longo prazo, focado na preservação e
manutenção de obras para pesquisa na instituição.

6 Referências
ANDERSON, Kristine J. et al. Buy, don’t borrow: bibliographers’ analysis of academic
library collection development through interlibrary loan requests. [S.l.]: Collection
v.27,

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                <text>Este trabalho discorre sobre as transformações advindas pelos livros eletrônicos nas bibliotecas analisando o processo de aquisição alterado da propriedade ao licenciamento do conteúdo e o modelo de negócios de Aquisição Orientada pelo Usuário (PDA – Patron Driven Acquisition), vislumbrando a possibilidade de aplicação nas bibliotecas universitárias brasileiras. A pesquisa consiste em revisão da literatura, predominantemente norte-americana, sobre o emprego de livros eletrônicos em instituições acadêmicas no modelo PDA e finaliza com análise das possibilidades de emprego dessa modalidade de aquisição nas bibliotecas universitárias brasileiras.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

WEBMARKETING APLICADO À BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: O WEBSITE
COMO FERRAMENTA DE PROMOÇÃO
Rubens da Costa Silva Filho

RESUMO
A temática a ser abordada no projeto de pesquisa de mestrado será a promoção de unidades de
informação através de técnicas de webmarketing, visando aumento de usuários nos seus
ambientes físico e virtual, a Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS será objeto desta
pesquisa. A presença da biblioteca na internet facilita a promoção de seus serviços e produtos
aos seus usuários, além disso possibilita agregar usuários potenciais para a biblioteca,
conhecê-los e oferecer-lhes produtos que vão de encontro às suas necessidades. A biblioteca
pode valer-se de recursos da própria web e integrá-los aos serviços já existentes no meio
físico, potencializando seus recursos. A aplicação de técnicas de marketing em bibliotecas
auxilia muito na obtenção de novos usuários onde estes tem acesso a uma gama de serviços e
produtos que antes a barreira física os distanciava. O trabalho a ser desenvolvido caracterizase como um estudo de caso, que pretende investigar formas de maximizar o uso da Biblioteca
da Escola de Enfermagem da UFRGS, através de técnicas de marketing aplicadas em
ambientes eletrônicos onde a biblioteca está inserida, site, blog, redes sociais e email. Em
avaliação preliminar foi detectada uma demanda não apenas institucional da biblioteca. Após
a finalização da pesquisa espera-se um aumento em torno de 50% no número de usuários da
biblioteca. O estudo também espera através de campanhas promocionais vinculadas à
ferramenta tecnológica a ser desenvolvida, fidelizar o público na utilização dos produtos e
serviços desenvolvidos e oferecidos pela biblioteca.
Palavras-Chave: Cibercultura; Biblioteca Universitária; Marketing.

ABSTRACT
The topic to be addressed in the design of master's research will be to promote information
units through web marketing techniques, aiming to increase users in their physical and virtual
environments, the Library of Nursing School at UFRGS, will be the subject of this research.
The presence of the library on the internet facilitates the promotion of their services and
products to their users in addition enables add potential users to the library, meet them and
provide them with products that meet your needs. The library can make use of web resources
itself and integrate them with existing services in the physical environment, leveraging their
resources. The application of marketing techniques in libraries helps a lot in getting new users
where they have access to a range of services and products before the physical barrier
distanced. The work being performed is characterized as a case study, we will investigate
ways to maximize the use of the Library of the School of Nursing at UFRGS , through
marketing techniques applied in electronic environments where the library is located, site,

3934

�blog, email and social networks. In preliminary assessment not only an institutional demand
library was detected. After completion of the survey is expected to increase around 50 % in
the number of library users. The study also hopes through promotional campaigns linked to
technological tool to be developed, retain the public in the use of products and services
developed and offered by the library.
Keywords: Cyberculture; University library; Marketing.

1 Introdução
A biblioteca universitária tradicional passa atualmente por um paradoxo, com o
incremento de novas ferramentas que auxiliam o acesso à informação científica de forma
independente e automática pelo usuário. A migração do público destas bibliotecas para a
imensidão de recursos tecnológicos a serviço da informação, disponíveis aos seus usuários,
como bases de dados digitais de livros e periódicos, sistemas automatizados de busca,
repositórios e bibliotecas digitais entre outros recursos, torna-os autônomos em relação ao que
seria até então a fonte mais segura para suas necessidades informacionais, a biblioteca
acadêmica. Cabe aos gestores das bibliotecas universitárias lançarem mão de recursos que
cativem novamente seus antigos usuários e que ao mesmo tempo amplie seu alcance à
possíveis usuários potenciais. A adoção de ferramentas de marketing, aplicadas à biblioteca
universitária, pode proporcionar um elevado grau de interação com o ambiente onde a
biblioteca se insere, fomentando a realização de trocas entre ela e seus usuários com foco nos
objetivos aos quais ambos busquem.
A temática a ser abordada no projeto de pesquisa de mestrado será a promoção de
unidades de informação através de técnicas de webmarketing, visando aumento de usuários
nos seus ambientes físico e virtual. O objetivo geral do trabalho será desenvolver um
ambiente virtual que promova a Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS, através de
técnicas de marketing aplicadas em um contexto virtual, visando o aumento do fluxo de
usuários nos meios físico e virtual. Já os objetivos específicos a serem alcançados na pesquisa
serão: a identificação das necessidades dos atuais usuários da biblioteca; a identificação dos
usuários potenciais que possam a vir a usar a biblioteca; e a construção de um ambiente
virtual que promova a biblioteca aumentando seu número de usuários.

3935

�2 Revisão de Literatura
No contexto atual, onde a grande maioria das pessoas está conectada à internet, faz-se
mais do que necessário que o gestor de uma biblioteca acadêmica reflita na inserção da
biblioteca ao qual esteja responsável no mundo virtual. A infinidade de recursos eletrônicos
disponíveis aos pesquisadores torna a biblioteca universitária cada vez menos atraente, já que
este usuário não encontra mais barreiras físicas e temporais para o acesso à informação.
Os gestores de unidades de informação devem preocupar-se com a importância na
promoção das bibliotecas e para o site como novo instrumento destinado a essa atividade,
uma vez que os websites podem vir a melhorar a imagem da biblioteca junto a sua
comunidade, além de contribuir para o aumento de seu uso (GUIMARÃES, 2007).
Quando a biblioteca possui uma orientação voltada para o usuário, este tem o papel
central em todas as atividades desenvolvidas do setor, portanto qualquer atividade de
promoção da biblioteca deve ter como ponto fundamental as necessidades informacionais dos
seus usuários. Um plano de marketing voltado para a biblioteca deve ser flexível, adaptável e
aberto ao ambiente externo da biblioteca.
Quando se fala em bibliotecas, o negócio é a informação, ou melhor, o
acesso a informação. Portanto torna-se necessário que o gestor de uma
biblioteca conheça bem seu cliente para poder elaborar planos e estratégias
visando a plena satisfação destes ao acesso a informação (OLIVEIRA, 2008,
p.178.).

Guimarães (2007) sugere que a presença das bibliotecas universitárias na Internet pode
ser enriquecida com a criação dos websites de forma integrada com a filosofia gerencial de
marketing. O processo de interação entre biblioteca e seu público encontra na produção de um
website um grande aliado, uma vez que:
A comunicação entre a biblioteca e os seus diversos públicos, por meio do
website, deve ser bidirecional e simétrica, visando a alcançar os objetivos
organizacionais em equilíbrio com os interesses e as necessidades dos
públicos (GUIMARÃES, 2007, p.158).

A presença da biblioteca na internet facilita a promoção de seus serviços e produtos
aos seus usuários, além disso possibilita agregar usuários potenciais para a biblioteca,
conhecê-los e oferecer-lhes produtos que vão ao encontro das suas necessidades. A biblioteca
pode valer-se de recursos da própria web e integrá-los aos serviços já existentes no meio
físico, potencializando seus recursos.
Para Chaim (2007) um website funciona como um objeto que agrega conteúdo,
informações e estratégias. Esta ferramenta faz uso de aplicações e tecnologias utilitárias

3936

�geralmente provenientes de um provedor de serviço da Internet dentre outras vantagens ela
permite resguardar a produção intelectual, limitar a produção de cópias em papel, conhecer os
consumidores da informação, personalizar conteúdos em função das necessidades do públicoalvo e interagir com a comunidade que se utiliza da biblioteca. Chaim, no mesmo trabalho,
ainda cita a interatividade e a personalização como elementos que podem ser explorados nos
websites das bibliotecas onde as informações necessárias para atender às exigências de
usuários estão contidas na navegação, podendo se apresentar de duas formas: através de
páginas estáticas, onde só contém texto, ou disponíveis como páginas dinâmicas, que fazem
uso de bancos de dados como fontes de informação, as quais comunicam benefícios,
divulgam produtos e serviços, criam condições para efetivar transações e esclarecem dúvidas
e questionamentos de seus usuários.
No ambiente da web, os sites das bibliotecas universitárias podem ser utilizados não
apenas para disponibilizar produtos e serviços, informações, instruções, mas também como
um valioso canal de comunicação entre as bibliotecas e seus públicos. Quanto maior for a
interação, este como um dos objetivos do marketing, entre a unidade de informação e seu
usuário, melhor será aprimorado o relacionamento entre as partes. (GUIMARÃES, 2007).
A utilização de websites como agente de promoção da biblioteca universitária
encontra hoje na literatura administrativa diferentes denominações, tais como webmarketing,
marketing na web, marketing na internet, ou ainda, e-marketing. A aplicação de técnicas de
marketing em bibliotecas auxilia muito na obtenção de novos usuários onde estes tem acesso
a uma gama de serviços e produtos que antes a barreira física os distanciava.

3 Materiais e Métodos
O trabalho a ser desenvolvido caracteriza-se como um estudo de caso, que pretende
investigar formas de maximizar o uso da Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS,
através de técnicas de marketing aplicadas em ambientes eletrônicos onde a biblioteca está
inserida, site, blog, redes sociais e email.
Para a coleta de dados referentes a identificação e o comportamento de acesso do
público que visita o site da biblioteca será utilizada a ferramenta de webmetria Google
Analytics. Será desenvolvido um questionário, com questões abertas e fechadas como
instrumento de coleta de dados para fornecer os dados referentes às necessidades dos usuários
atuais da biblioteca, dependendo de sua característica, docente, discente, técnicoadministrativo e público em geral. Também serão utilizados dados do Instituto Nacional de

3937

�Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
para a construção do objeto de estudo.

4 Resultados Parciais
A partir de outubro de 2014 o site inicia um processo de remodelação voltado para as
necessidades dos usuários institucionais, promovendo ao seu usuário maior identificação e
interação com a biblioteca.
Figura 1 - Site da biblioteca da Escola de Enfermagem UFRGS em construção

Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 014.

5 Considerações Parciais
Após a análise dos dados e da identificação das necessidades dos usuários reais e
potenciais da biblioteca, pretende-se analisar qual a ferramenta virtual mais eficiente para a
promoção dos produtos e serviços da Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS,
fazendo-se uso de técnicas de marketing em ambiente virtual, visando o aumento do número
de usuários.
Para Amaral (2011) o marketing na ciência da informação sugere que a tarefa das
bibliotecas e demais centros de informação não seja apenas a de satisfazer as necessidades de
informação momentâneas dos usuários, mas a de procurar inovar na oferta de produtos e
serviços que sejam capazes de atender aos interesses da clientela no futuro.

3938

�Após a finalização da pesquisa espera-se um aumento em torno de 50% no número de
usuários da biblioteca. O estudo também espera, através de campanhas promocionais
vinculadas à ferramenta tecnológica a ser desenvolvida, fidelizar o público na utilização dos
produtos e serviços desenvolvidos e oferecidos pela biblioteca.

Referências
AMARAL, Sueli Angélica do. Marketing da informação: abordagem inovadora para a gestão
de unidades de informação. Revista Percursos, Florianópolis, v.12, n.2, p. 22-38, 2011.
CHAIM, Ricardo Matos. Estratégias de marketing na internet para websites. In: AMARAL,
Sueli (Org.). Marketing na ciência da informação. Brasília, DF: UnB, 2007. p. 97-120.
GUIMARÃES, Tatiara. Técnicas de marketing em websites de bibliotecas universitárias
brasileiras. In: AMARAL, Sueli (Org). Marketing na ciência da informação. Brasília, DF:
UnB, 2007. p.143-160.
OLIVEIRA, Daniela Assis de. Utilização de um plano estratégico de marketing como
instrumento decisório na gestão da biblioteca do SESC de Florianópolis. Revista ACB,
Florianópolis,

v.13,

n.1,

p.

174-188,

2008.

Disponível

em:

&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/548/673&gt;. Acesso em: 15 mar. 2014.

3939

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Webmarketing aplicado à biblioteca universitária: o website como ferramenta de promoção</text>
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                <text>A temática a ser abordada no projeto de pesquisa de mestrado será a promoção de unidades de informação através de técnicas de webmarketing, visando aumento de usuários nos seus ambientes físico e virtual, a Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS será objeto desta pesquisa. A presença da biblioteca na internet facilita a promoção de seus serviços e produtos aos seus usuários, além disso possibilita agregar usuários potenciais para a biblioteca, conhecê-los e oferecer-lhes produtos que vão de encontro às suas necessidades. A biblioteca pode valer-se de recursos da própria web e integrá-los aos serviços já existentes no meio físico, potencializando seus recursos. A aplicação de técnicas de marketing em bibliotecas auxilia muito na obtenção de novos usuários onde estes tem acesso a uma gama de serviços e produtos que antes a barreira física os distanciava. O trabalho a ser desenvolvido caracterizase como um estudo de caso, que pretende investigar formas de maximizar o uso da Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS, através de técnicas de marketing aplicadas em ambientes eletrônicos onde a biblioteca está inserida, site, blog, redes sociais e email. Em avaliação preliminar foi detectada uma demanda não apenas institucional da biblioteca. Após a finalização da pesquisa espera-se um aumento em torno de 50% no número de usuários da biblioteca. O estudo também espera através de campanhas promocionais vinculadas à ferramenta tecnológica a ser desenvolvida, fidelizar o público na utilização dos produtos e serviços desenvolvidos e oferecidos pela biblioteca.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O FACEBOOK COMO CANAL DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO NAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DA UFRGS
Adaiane Oliveira da Silva
Helen Beatriz Frota Rozados
Geraldo Ribas Machado
RESUMO
Tem como objetivo estudar a comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas
comunidades usuárias por intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta
rede social virtual, a partir dos conteúdos publicados por estas unidades de informação.
Apresenta uma pesquisa descritiva e exploratória, com um universo de oito bibliotecas que
aderiram ao uso do Facebook. Com relação ao procedimento técnico utilizado, emprega a
pesquisa de campo, com abordagem quanti-qualitativa. Os dados quantitativos são levantados
por meio de formulário, através de observações sistemáticas; os qualitativos por meio de
entrevistas estruturadas, aplicadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook. Para
a análise dos dados quantitativos, utiliza a estatística; para os qualitativos, o método análise de
conteúdo. Quanto aos resultados, mostra que menos da metade das bibliotecas universitárias
da UFRGS possui Facebook, sendo que o perfil é a forma de presença mais incidente. Exibe
os tipos de informações divulgados pelas bibliotecas e as interações ocorridas nestes (curtir,
comentar e compartilhar), de modo que as informações não relacionadas à biblioteca, mas
suscetíveis a interessar os usuários são o tipo mais frequente. Averigua como foram criadas as
contas do Facebook pelas bibliotecas, assim como a forma que estas as mantêm. Conclui que
a maioria das bibliotecas da UFRGS que possui Facebook, apesar de não ter realizado um
planejamento para a implantação da conta, comunica informações que possam ser
interessantes e úteis à sua comunidade usuária e recebe um retorno por meio das interações,
embora, às vezes, pequeno.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Rede social virtual. Facebook. Comunicação
virtual.
ABSTRACT
It has as purpose to study the communication of university libraries from UFRGS along with
their user communities through the Facebook, as well as the occurring interactions in this
virtual social network from the published contents by these information unities. It presents a
descriptive and exploratory research in amount of eight libraries that adhered the Facebook
using. Related to the utilized technical procedure, it uses the field survey with quantitative and
qualitative approach. The qualitative datas are collected through a form by systematic
observations. The quantitative ones are collected through structured interviews, applied
together with those responsible for the Facebook maintenance. It utilizes statistics to analyze
the quantitative data and the content analysis method to the qualitative data. The result shows
that less than half of the university libraries from UFRGS have Facebook, even the profile

3141

�being the most frequent form of presence. It displays the types of information reported by the
libraries and their occurred interactions (To like, to comment and to share), so that the
information not related to the library, susceptible to interest the users though, be the most
frequent type. It ascertains how the Facebook accounts were created by the libraries, as well
as they have been maintained by them. It concludes that the most of UFRGS libraries that has
Facebook, in spite of not doing a planning for the account implantation, communicates
information that can be interesting and useful to its user community and receives feedback
through interaction, though, sometimes, small.
Keywords: University library. Virtual social network. Facebook. Virtual communication.

1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs) tem
transformado as formas de comunicação entre as pessoas. Com relação à internet, a partir da
Web 2.0, surgiram novas maneiras de as pessoas se comunicarem e interagirem, fazendo uso
de recursos específicos. Dentre essas possibilidades, atualmente, os sites de redes sociais vêm
se destacando por sua grande aceitação e uso pelos usuários da Rede.
Devido à popularidade crescente destas ferramentas, as organizações vêm,
sucessivamente, marcando presença nelas, de modo a ter um relacionamento mais efetivo com
seus públicos. Nesse sentido, muitas bibliotecas encontram nos sites de redes sociais uma
nova forma de se aproximar e interagir com suas comunidades usuárias, como profere
Margaix Arnal (2008, p. 591, tradução nossa):
[...] as bibliotecas têm começado a marcar sua presença nestes sites, para
estarem onde os usuários estão, utilizar as mesmas plataformas e canais de
comunicação que eles e seguir sendo relevantes no contexto de sua
experiência do uso da internet.
Sabe-se que as bibliotecas também são importantes canais de comunicação. No
esquema de meio, mensagem e receptor, o uso da internet como meio, a preocupação com a
divulgação de um conteúdo que vá atingir seu público alvo, que é a mensagem, garantirá a
recepção da mesma, sua audiência, incentivando, assim, a interação. Neste sentido considera­
se que uma biblioteca é uma emissora de comunicação. E como emissora de comunicação, o
uso de redes sociais é fundamental.
Dentre os sites de redes sociais mais acessados no mundo, está o Facebook, criado em
2004 pelo estudante universitário Mark Zuckerberg e alguns colegas. Além disto, essa
ferramenta apresenta diversas funcionalidades que permitem comunicação e interação entre
seus usuários, elementos estes relevantes às bibliotecas universitárias. Estes aspectos
justificam a escolha do Facebook entre os sites de redes sociais para constituir o estudo,

3142

�adicionado ao fato de que, atualmente, é nítido seu expressivo número de usuários. Este fato é
comprovado pelo comScore (2013) ao afirmar que: “O Facebook ascendeu como um forte
líder da categoria, com quase 44 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2012, 22% a
mais que no ano anterior.”.
Quanto à escolha pelas bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS), os autores já tinham vínculo com algumas contas do Facebook destas unidades de
informação, o que os levaram a querer estudá-las. Logo, o objetivo deste trabalho foi estudar a
comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas comunidades usuárias por
intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta rede social virtual, a partir
dos conteúdos publicados por estas unidades de informação.
Acredita-se que o Facebook pode ser uma ferramenta útil às bibliotecas universitárias,
se for empregado de maneira adequada, podendo proporcionar uma maior visibilidade à
biblioteca. Como a literatura sobre o assunto ainda é escassa, principalmente a brasileira, a
pesquisa desenvolvida pode contribuir com a mesma e incentivar outros estudos sobre o tema.

2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NO CONTEXTO DA WEB
Cunha (2010, não paginado) relata que “As bibliotecas universitárias são organizações
complexas, com múltiplas funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que
foram desenvolvidos ao longo de décadas.”. Como as bibliotecas universitárias oferecem
suporte aos processos de ensino, pesquisa e extensão das universidades e faculdades, suas
instituições mantenedoras, elas precisam estar vinculadas à cultura destas, de maneira a
ampará-las em seus processos. Destacando esta relação entre as bibliotecas e as universidades,
Ferreira (1980, p. 7) aponta que
Assim como a universidade deve estar voltada para as necessidades
educacionais, culturais, científicas e tecnológicas do País, as bibliotecas
devem trabalhar visando a esses mesmos objetivos, condicionadas que são às
finalidades fundamentais da universidade. Por isso, as bibliotecas devem
participar ativamente do sistema educacional desenvolvido pela
universidade.
Ainda, é essencial que as bibliotecas universitárias acompanhem as mudanças que vêm
ocorrendo com o avanço das novas tecnologias de informação e comunicação, impulsionadas
pelo uso da internet. Neste sentido, Aguiar (2012, p. 31) expõe que
[...] o advento do computador que, aliado à criação da internet, trouxe
alterações na rotina de trabalho do bibliotecário, no acesso às informações
pelo usuário e no processo de comunicação e interação entre os
bibliotecários e seu público.

3143

�Portanto, a partir da implementação da Web 2.0 nas bibliotecas, os bibliotecários e
suas equipes precisam estar preparados para extrair as vantagens e os benefícios dos recursos
oferecidos por esta fase da web, com o intuito de suprir as necessidades informacionais dos
usuários, oferecendo a estes novas formas de acessar as informações, de se comunicar e de
interagir entre si e com os profissionais da biblioteca.
O’Really (2005) comenta que a Web 2.0 possui um centro gravitacional, e não
fronteiras rígidas, o que a define como
[...] um conjunto de princípios e práticas que interligam um verdadeiro
sistema solar de sites que demonstram alguns ou todos esses princípios e que
estão a distâncias variadas do centro. (O’REALLY, 2005, p. 2).
Silva (2010) complementa que neste ambiente o cenário é de participação, de maneira
que o usuário pode criar e organizar conteúdo, utilizando diversas mídias e interagindo com
outros usuários.
Assim, a Web 2.0 possibilita que as bibliotecas façam uso de suas ferramentas, de
maneira que estas unidades de informação possam interagir com as comunidades usuárias,
criar e compartilhar informações, tornando-as muito mais dinâmicas. Ou seja, as bibliotecas
podem empregar as tecnologias oferecidas por esta plataforma para se comunicarem,
aperfeiçoarem-se, desenvolvendo-se e se aproximando de seus usuários.
Arroyo Vázquez e Merlo Vega (2007) discorrem que a Web 2.0 abre novas
possibilidades de comunicação e de informação nas atividades das bibliotecas e na prestação
de serviços aos usuários. Este envolvimento da biblioteca com o ambiente da Web 2.0 levou,
em 2005, Michael Casey, no blog LibraryCrunch, cunhar o termo biblioteca 2.0, que passou a
ser adotado amplamente pela comunidade bibliotecária, ao se referir ao relacionamento das
atividades desenvolvidas pelas bibliotecas com o uso das ferramentas desta fase de evolução
da Web, bem como os serviços e produtos daí advindos e a possibilidade da aproximação,
interativa, com sua comunidade usuária .
Brito e Silva (2010) ressaltam algumas ferramentas que podem ser aplicadas nestas
unidades de informação: mensagens instantâneas, sites de compartilhamento, blogs,
bookmarking social e redes sociais. Neste último caso, segundo os autores, destacam-se o
Facebook e o MySpace.

3 BIBLIOTECAS NAS REDES SOCIAIS
Entende-se por rede social a interação de um conjunto de pessoas ou organizações
ligadas entre si por objetivos comuns. Recuero (2009, p. 25) define: “Rede social é gente, é

3144

�interação, é troca social. É um grupo de pessoas, compreendido através de uma metáfora de
estrutura, a estrutura de rede.”. Com a Web 2.0, as redes sociais passaram a atuar, também, de
modo

virtual,

através

de

ferramentas

que

permitem

interação,

comunicação

e

compartilhamento de conteúdos, enfim, as características necessárias para a formação de uma
rede social. Dessa forma, os usos destas ferramentas no ambiente virtual levam à
denominação de redes sociais virtuais.
Aguiar (2012) afirma que estas ferramentas são conhecidas, ainda, como sites de redes
sociais, plataforma de redes sociais, softwares sociais, redes sociais na Web, ou Web 2.0 e
redes sociais da internet. Para Boyd e Ellison (2007), sites de redes sociais são serviços
baseados na web que permitem aos usuários: construir um perfil público ou semi-público
dentro de um sistema, interagir com quem eles compartilham uma conexão, além de poderem
visualizar e percorrer sua lista de conexões dentro do sistema.
Como já citado na introdução, dentre os sites de redes sociais o Facebook, atualmente,
é o preferido pelos usuários. Além disso, pesquisas indicam que o público jovem lidera a
audiência da internet, o que se pressupõe ser um forte indicativo de participação nas redes
sociais virtuais. Deste modo, “A audiência da internet no Brasil continua relativamente
jovem, com 18% dos usuários com idades entre 18-24 anos e 30% entre 25-34.”
(COMSCORE, 2013).
O Facebook, portanto, pode ser uma boa ferramenta às bibliotecas universitárias, já
que possui um maior número de acessos e usuários, levando em consideração que a maioria
destes é jovem, o que aumentam as chances de serem universitários.
Margaix Arnal (2008) recomenda a presença do Facebook nas bibliotecas
universitárias, tendo em vista que: possui um considerável número de membros; tem uma
cultura universitária que possibilita a biblioteca encontrar seu espaço mais facilmente; está
mais aberto a novos usuários; dispõe de uma grande quantidade de aplicativos disponíveis; há
muitas possibilidades de desenvolver outros aplicativos que se ajustem às necessidades das
bibliotecas.
Já Aguiar (2012) relata dificuldades e vantagens da biblioteca universitária estar
presente do Facebook. Com relação às dificuldades, destaca: atualização contínua do
conteúdo; gerenciamento do perfil e manifestação do público. Quanto às vantagens, cita:
maior interação entre a biblioteca e seu público; divulgação de produtos e serviços da
biblioteca; chat para atendimento on-line. Ainda para a autora:

3145

�O Facebook podería ser utilizado como um espaço de divulgação e troca de
informações, sugestões, críticas e comentários relacionados a produções
científicas acadêmicas, um canal que possibilitasse não somente a
comunicação entre os usuários e as bibliotecas, mas entre os próprios
usuários (pesquisadores, docentes e discentes). (AGUIAR, 2013, p. 72).
Dessa forma, o Facebook pode ser empregado como um canal de comunicação para
divulgar diversas informações da biblioteca, assim como outras que possam interessar sua
comunidade usuária. Além disso, este site de rede social permite diversas formas de interação,
destacando-se a possibilidade dos usuários poderem interagir com as postagens da biblioteca,
caso lhes sejam conveniente, a partir das opções curtir, comentar e compartilhar.
Percebe-se que essas formas de interação possibilitam à instituição, de uma maneira
ou de outra, saber se suas publicações atraem os usuários e o que os mesmos pensam sobre o
que foi publicado. Além do que, as informações postadas podem ser disseminadas pela
comunidade usuária, dando um maior alcance às mesmas. Assim, por meio dessas interações,
a instituição pode observar o que causa mais impacto em sua comunidade usuária, podendo
selecionar melhor as informações a serem publicadas, de modo a satisfazer seus usuários.
Apesar das evidências apontarem o Facebook como o site de rede social mais
apropriado às bibliotecas universitárias, antes de optar por ele devem-se ter alguns cuidados
para obter sucesso com a escolha.
É importante mencionar que para possuir uma boa comunicação e interação com a
comunidade usuária através de uma rede social virtual, é necessário escolher e manter, de
forma adequada, a que mais se adapta à realidade dos usuários da instituição. Para Margaix
Arnal (2008b, p. 52, tradução nossa): “A presença da biblioteca nos sites de redes sociais tem
que ser planejada e muito cuidada. É difícil conseguir contatos, uma vez que se consiga, tem
que cuidar.”.
Ainda, o autor expõe sobre os serviços 2.0 para as bibliotecas. Como rede social
virtual pertence a essa categoria, pode-se empregar, neste estudo, suas indicações. Segundo o
autor, para implantar esses serviços deve-se ter um porquê, uma justificativa, objetivos claros
e que se enquadre na estratégica de serviços da biblioteca e com suas formas de comunicação.
Farkas

o cn

(2007 apud MARGAIX ARNAL, 2008b) relata que um dos elementos-chave para a

implantação desses serviços com êxito é a cobertura das necessidades da comunidade usuária.

357 FARKAS, Meredith G. Social software in libraries: building collaboration, communication, and community
online. Medford, N.J.: Information Today, 2007. Apud MARGAIX ARNAL, 2008b.

3146

�Neste contexto, Margaix Arnal (2008) profere que é conveniente estabelecer uma
estratégica de seleção do site de rede social mais adequado à biblioteca, sendo que o critério
principal dessa escolha é as preferências dos usuários.
Após a escolha do site de rede social, é imprescindível planejar a maneira como será
feita sua manutenção para que o mesmo seja atrativo aos usuários. Margaix Arnal (2008b)
considera o conteúdo como elemento-chave desta ferramenta. Portanto, é essencial pensar no
conteúdo a ser postado, de forma que este tenha utilidade aos usuários, fazendo com que se
interessarem pelo site de rede social da instituição. Ainda, Yamaschita, Cassares e Valência
(2012) sinalizam que é preciso publicar conteúdo de forma regular, sendo que a periodicidade
deve ser definida pela instituição.
Uma boa escolha e manutenção do site de rede social tende a torná-lo útil às
bibliotecas universitárias, de maneira a facilitar a comunicação e a interação. Para Margaix
Arnal (2008), uma vez que a biblioteca tenha decidido trabalhar com o Facebook, é necessária
a escolha do tipo de presença mais adequada à mesma: página, perfil ou grupo. Dessa
maneira, as bibliotecas precisam optar por uma forma de apresentação de acordo com o que
pretendem alcançar, apesar de que a forma de presença mais indicada, para as organizações, é
a página (fanpage). Para que esta escolha seja a mais adequada à biblioteca, é necessário que
haja um conhecimento das principais características de cada uma.
Com relação às páginas, o Facebook (2013) expõe que estas são semelhantes às linhas
de tempo pessoais (perfis) e permitem que empresas, marcas, organizações e celebridades se
conectem e se comuniquem amplamente com pessoas que as curtem. Ainda, fornecem
informações para ajudar seus administradores a entender como as pessoas estão interagindo
com elas. As pessoas podem curtir uma página para visualizar atualizações desta em seus
Feeds de Notícias.
Margaix Arnal (2008) considera, a respeito das páginas: são pensadas para as
organizações, possuindo ferramentas mais adequadas para estas; os usuários podem registrar­
se livremente como fãs; existem inúmeros recursos de estatísticas que fornecem informações
sobre acessos e atividades dos usuários; não há como realizar publicações em murais alheios,
comentar as fotos ou status etc.; podem ter vários administradores; oferecem à organização
uma imagem mais respeitável e com maior visibilidade. Outra questão interessante, conforme
o Facebook (2013), é que “[...] não há limite quanto ao número de pessoas que podem curtir
uma página [...].” Isso difere do perfil.
O perfil é a linha do tempo e deve ser criado para pessoas. Para o Facebook (2013),
linha do tempo é a coleção de fotos, histórias e experiências que contam a história de uma

3147

�pessoa. Conforme o site, as linhas do tempo pessoais são direcionadas ao uso por indivíduos,
os representando. Portanto, devem ser mantidas sob o nome de um indivíduo.
Garcia Giménez (2010) apresenta algumas características do perfil: é possível regular
o acesso aos conteúdos postados; permite chegar aos usuários potenciais de maneira direta e
pessoal; apresenta maior capacidade de gerar marca e perfil diferenciado, além de consciência
de grupo; possui uma limitação no número de amigos, somente 5.000; não é permitido delegar
a gestão.
Além disso, o perfil tem disponível um recurso de bate-papo, possibilitando a
conversação em tempo real. Para Margaix Arnal (2008), uma das principais vantagens de
aderir o perfil à biblioteca é a existência de muitos aplicativos disponíveis. Dessa forma, a
biblioteca tem opções de personalizar sua presença no Facebook, deixando-a mais atrativa
para seus usuários.
Além de perfis e páginas, outra forma de presença no Facebook é através dos Grupos.
Conforme Facebook (2013), eles oferecem um espaço fechado para a formação de pequenos
grupos de pessoas com o objetivo destas se comunicarem sobre interesses em comum. No
entender de Margaix Arnal (2008), muitas bibliotecas optam pela criação de grupos, sendo
que estes podem ser criados de modo gratuito por qualquer usuário e há como outros
indivíduos aderirem ao grupo por iniciativa própria ou por meio de convite de seus membros.
Entretanto, atualmente, é verificado que somente usuários portadores de conta de perfil
podem criar um grupo. Ainda, quanto à questão de adesão ao grupo por iniciativa própria, isso
só é possível se as configurações de privacidade do grupo permitir, já que se pode ocultar a
existência do grupo, de forma que somente os membros podem convidar outros usuários.
Como pode ser observado, a presença do Facebook nas bibliotecas universitárias exige
dedicação, de modo que seja atrativa e útil às suas comunidades usuárias. De nada adianta
estar presente no Facebook e não aproveitar os benefícios que esta rede social virtual pode
proporcionar.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Para se conduzir a investigação proposta, com abordagem quanti-qualitativa, utilizouse a pesquisa de campo como procedimento técnico, envolvendo o levantamento e a análise
bibliográfica e a construção de instrumentos de coleta de dados, com uso de técnicas
específicas para a análise e crítica dos dados obtidos. Em relação ao tipo de investigação, a
pesquisa definiu-se como descritiva e exploratória. Já o universo da pesquisa constituiu-se
pelas bibliotecas universitárias da UFRGS que utilizam a rede social virtual Facebook.

3148

�A fase da coleta de dados deu-se em dois momentos. O primeiro baseou-se em
observações sistemáticas nos Facebooks das bibliotecas, considerando, basicamente, dados
quantitativos, já que mensurou variáveis por meio do levantamento de frequências, tendo,
portanto, uma abordagem quantitativa. O segundo caracterizou-se pela coleta de dados com
abordagem qualitativa, uma vez que os mesmos foram coletados através de entrevistas
realizadas juntos aos responsáveis pela manutenção do Facebook de cada biblioteca analisada,
levantando suas opiniões e percepções. Para a realização da coleta de dados empregaram-se
dois instrumentos: um formulário especificamente criado para anotar as observações
sistemáticas feitas no Facebook de cada biblioteca estudada e um roteiro de entrevista
estruturada.
Quanto ao procedimento da coleta de dados, no mês de setembro de 2013,
verificaram-se as bibliotecas universitárias existentes na UFRGS. Feito isto, buscaram-se as
que possuem presença no Facebook, por meio da opção de pesquisa oferecida pela
ferramenta. Após, efetuaram-se observações que cobriram os meses de maio e junho de 2013
nos Facebooks das bibliotecas. Concomitantemente à coleta de dados das observações,
contatou-se, via telefone, com os responsáveis pela manutenção das contas dos Facebooks das
bibliotecas em estudo para marcar as entrevistas.
Concluída a coleta dos dados através das observações sistemáticas realizou-se a
análise dos mesmos, a partir de distribuições em gráficos no software Microsoft Office Excel,
de modo a visualizar melhor os resultados obtidos. No que diz respeito à análise dos dados
coletados nas entrevistas, empregou-se o método denominado análise de conteúdo.

5 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Para a realização da pesquisa efetuou-se, em um primeiro momento, o levantamento
das bibliotecas universitárias da UFRGS que se conectam com suas comunidades usuárias por
meio do Facebook, o que é mostrado no Gráfico 1.
Gráfico 1- Bibliotecas universitárias da UFRGS que utilizam o Facebook

Fonte: dados da pesquisa (2013)

3149

�Percebe-se que a maioria das bibliotecas universitárias da UFRGS não aderiu ao uso
do Facebook: das trinta bibliotecas deste tipo, nove possuem uma conta e vinte e uma, não, o
que representa 30% e 70% do total, respectivamente. No entanto, apenas oito bibliotecas
constituíram o estudo, já que uma das contas foi criada quando a coleta de dados estava sendo
realizada, não contemplando, portanto, o período estipulado para a análise. Após o
levantamento das bibliotecas, efetuaram-se as observações sistemáticas e as entrevistas.

5.1 OBSERVAÇÕES SISTEMÁTICAS
Inicialmente, verificou-se a forma como as bibliotecas se apresentam no Facebook. O
resultado é apontado no Gráfico 2.
Gráfico 2 - Formas de apresentação no Facebook das bibliotecas da UFRGS - maio-jun./2013

r--------------------------------------------------------------------- \
■ 5 ( 62 ,5 %)

■ S é rie l;
G ru p o ;0

V______________________________________________

)

Fonte: dados da pesquisa

De acordo com o grfico, das oito bibliotecas que possuem Facebook, cinco,
representando 62,5% do total têm um perfil como forma de apresentação. Quanto à página, o
tipo de presença indicado pelo Facebook para instituições, duas bibliotecas aderiram a ela
(25%). Ainda, uma das unidades de informação do estudo possui, além do perfil, uma página
(12,5%). Nenhuma optou pela formação de grupo para conectar-se aos seus usuários. Nota-se
que, apesar do Facebook recomendar o uso de página para instituições, a maioria das
bibliotecas optou pelo perfil. Para o Facebook (2013), o perfil representa um indivíduo e deve
ser mantido sob o nome do mesmo. Portanto, utilizar um perfil para uma instituição não está
de acordo com os termos do Facebook.
Conferiu-se também que tipo de informação as bibliotecas em estudo divulgam por
intermédio do Facebook, de forma a descobrir o que pretendem comunicar às suas
comunidades usuárias. O Gráfico 3 aponta esta investigação.

3150

�Gráfico 3 - Tipos de informações divulgados pelas bibliotecas que utilizam o Facebook maio- jun./2013

Fonte: dados da pesquisa (2013)

Por intermdio da análise do gráfico, durante os meses de maio e junho de 2013, as
bibliotecas divulgaram em suas páginas e perfis cento e três postagens referentes às
informações não relacionadas à biblioteca, mas suscetíveis a interessar os usuários,
representando 33,8% do total (trezentos e cinco) de conteúdos divulgados. Nesta categoria,
enquadra-se qualquer postagem feita pelas bibliotecas, cujo conteúdo não tenha relação com a
unidade de informação que o divulgou, mas que pode ser importante à comunidade usuária,
com exceção dos eventos realizados por outras instituições. Estes foram colocados em uma
categoria distinta com noventa e nove publicações (32,5%). Percebe-se que a maioria das
informações divulgadas nestas duas categorias está associada com as áreas de estudo
contempladas pelas bibliotecas, o que pode ser útil às suas comunidades usuárias.
Quanto aos serviços oferecidos pelas bibliotecas, constata-se que este tipo de
informação ficou em terceiro lugar, correspondendo a sessenta e duas publicações (20,3%).
Cabe ressaltar que a maior parte destas publicações diz respeito à divulgação de novas
aquisições das bibliotecas, assim como a de eventos organizados ou promovidos pelas
referidas unidades de informação.
Em último lugar das categorias de tipos de informação, com quarenta e uma postagens
(13,4%), está a de informações sobre a biblioteca. Nesta, enquadrou-se todas as informações
publicadas referentes às bibliotecas, com exceção dos seus serviços. Dentre as referidas
publicações, destaca-se a de horários de funcionamento, principalmente quando há alguma
alteração emergencial, como um horário diferente do normal.
No que se refere às interações, o Facebook oferece ferramentas que as possibilitam,
como as opções curtir, comentar e compartilhar atreladas às publicações realizadas nessa rede

3151

�social virtual. Dessa forma, de acordo com o Gráfico 4, levantaram-se as ocorrências destas
interações a partir dos conteúdos divulgados.

Gráfico 4 - Interações nas publicações das bibliotecas da UFRGS que utilizam o Facebook maio-jun./2013

Fonte: dados da pesquisa

Das postagens realzadas pelas bibliotecas surtiram mil trezentas e cinquenta e seis
interações dentre as opções curtir, comentar e compartilhar. Destas, a que teve maior
ocorrência foi a curtir, com novecentas e doze curtidas, o que representa 67,3% do total.
Após, encontra-se a opção compartilhar com trezentos e oitenta e nove compartilhamentos, ou
seja, 28,7% das interações, menos da metade das curtidas. Por último, está a comentar, com
4% da totalidade, contabilizando cinquenta e cinco comentários.
Pela perspectiva do Facebook (2013) curtir algo que alguém publica é uma maneira
fácil de dizer a esse indivíduo que a postagem foi apreciada. Portanto, a partir disso, pode-se
afirmar que os usuários, dentre as opções de interações, mais apreciaram as informações
publicadas do que as disseminaram entre os seus contatos, o que limitou a visibilidade que
estas poderiam ter, já que segundo Penteado e Avanzi (2013, p. 11), o compartilhamento “[...]
seria uma forma explícita de passar adiante uma informação de uma outra fonte, aumentando
sua visibilidade.”. Quanto à opção comentar, a interação menos realizada nas publicações das
bibliotecas, Corrêa (2013) relata que esta consente aos usuários executar comentários sobre
algum post que os interessem, tendo a possibilidade de receber um feedback de volta.
A partir da percepção de Corrêa e acrescentando que nem todos os comentários
necessitam de feedback, pois, inúmeras vezes, não mencionam qualquer dúvida, elogio ou
crítica, é imprescindível analisá-los com mais precisão. Dos cinquenta e cinco comentários,
vinte e seis, equivalentes a 47,3% do total realizam-se pelos usuários e não incitavam um

3152

�retorno das bibliotecas. Já as bibliotecas efetuaram quinze comentários (27,3%) com o intuito
de responder os quatorzes feitos pelos usuários que necessitavam de respostas (25,4%),
demonstrando comprometimento com sua conta no Facebook.

5.2 ENTREVISTAS
Quanto às entrevistas realizadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook,
são apontadas as perguntas com suas respectivas análises. É importante ressaltar que a
comunicação e a interação no Facebook podem ser aprimoradas se a implementação da conta
for feita de forma planejada e se houver uma manutenção adequada desta rede social virtual.
A primeira questão desejou levantar as razões que levaram as bibliotecas a querer estar
presentes no Facebook e se as mesmas tiveram algum objetivo quanto a isto. No que concerne
às razões, a partir das respostas recebidas, percebe-se que a maior parte das bibliotecas quis
estar presente no Facebook para se aproximar de seus usuários, por entender que os mesmos
encontram-se nesta rede social virtual. Nessa perspectiva, enquadram-se, também, as que
mencionaram melhorar a comunicação com seus usuários (duas) e a que desejava ampliar o
contato com estes, pois, para isso, é necessário estar onde a comunidade usuária se encontra.
Não há como melhorar a comunicação em uma rede social virtual se o público almejado não
estiver conectado a esta. Ainda, dois respondentes indicaram como razão para a utilização do
Facebook a complementação de informações dos sites oficiais de suas bibliotecas.
Referente aos objetivos, quatro respondentes mencionaram que o objetivo de terem
criado uma conta no Facebook, praticamente, foi o de servir como um canal de comunicação
para a divulgação dos vários tipos de informações, como notícias, serviços, cursos etc. Além
disso, três pretendiam estar onde os usuários estão, sendo que um respondente, apesar disso,
não soube dizer se teve um objetivo muito definido na criação da conta. De todos os
entrevistados, duas respostas foram relativas à falta de planejamento para a criação da
presença no Facebook. Entretanto, um deles relatou que, atualmente, a biblioteca possui
objetivos claros.
Em outra questão procurou-se descobrir quais os motivos de escolha quanto à criação
da conta do Facebook como página/perfil. Pelas respostas obtidas, a maioria das bibliotecas
criou sua conta no Facebook não pelos recursos que esta oferece e, sim, ou por
desconhecimento das funcionalidades de cada tipo de conta para perceber a diferença entre
elas e adotar a mais adequada às suas necessidades, ou criou por falta de planejamento, não
refletindo no que poderia explorar.

3153

�É valido mencionar que duas bibliotecas criaram suas contas (perfil e página) em
função de recursos peculiares a cada uma destas: bate-papo e informações da página
(mencionadas muitas vezes como estatísticas). O bate-papo, conhecido também como chat, é
um recurso específico do perfil, sendo muito utilizado pelas bibliotecas para atendimento
virtual aos alunos. Há autores que veem como benefício a utilização deste recurso nas
bibliotecas universitárias. Neste sentido, Aguiar (2012) considera vantajoso o uso do chat
para atendimento on-line, enquanto Dickson e Holley (2010) sugerem a utilização dessa
funcionalidade do Facebook. Com relação às estatísticas, estas são recursos oferecidos pelas
páginas, que, de acordo com Margaix Arnal (2008, p. 594, tradução nossa), “[...] fornecem
informações sobre acessos e atividades dos usuários.”.
Também foi questionada a frequência média da ocorrência de novas atualizações no
Facebook. A maior parte dos respondentes relatou que as atualizações acontecem quando há
uma demanda, algo importante para ser publicado, ou seja, não tem uma periodicidade para
postagens. Entretanto, dois destes expuseram que, diariamente, procuram notícias para serem
divulgadas e outro, apesar de publicar quando há demanda, deu uma periodicidade
aproximada.
Como já exposto, para Yamaschita, Cassares e Valência (2012), em um site de rede
social deve-se publicar conteúdo de forma regular, sendo que a periodicidade deve ser
determinada pela instituição. Já Dickson e Holley (2010) afirmam que, em uma pesquisa
realizada com estudantes, foi apontado que estes não desejam perder tempo com mensagens
frequentes e irrelevantes publicadas nos sites de redes sociais da biblioteca.
Neste sentido, apesar da periodicidade de atualização ser importante, não é adequado
publicar informações somente para ter mais atualizações, é necessário que os conteúdos sejam
relevantes à comunidade usuária. Por outro lado, a ocorrência de escassez de novas
informações no Facebook pode reduzir o interesse dos usuários pela ferramenta. Desse modo,
evidencia-se a necessidade de um controle entre o excesso e a carência de informações. A
partir dessas constatações, nota-se que a maioria das bibliotecas em estudo, apesar não ter
uma periodicidade definida, deixou evidente que as postagens acontecem quando há
informações que possam interessar seus usuários, o que está correto, no ponto de vista de não
saturá-los com conteúdos desnecessários.

6 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Como as redes sociais virtuais estão cada vez mais presentes na rotina dos indivíduos,
principalmente na dos jovens, como formas de comunicação e interação, é viável que as

3154

�bibliotecas universitárias modernizem-se, de modo a fazer uso delas para se aproximar de
seus usuários. Dentre estas ferramentas, atualmente, encontra-se o Facebook, a rede social
virtual, segundo estatísticas, mais utilizada pelos indivíduos e que está em ascensão, o que
pode indicar benefícios às bibliotecas universitárias, caso a empreguem de forma adequada.
Portanto, as bibliotecas podem utilizar o Facebook como um canal de comunicação e
interação com seus usuários, divulgando as mais variadas informações a estes. Além disso,
com base nessas divulgações, os usuários têm a opção de interagir com o que é postado,
permitindo à biblioteca saber se o que divulga desperta o interesse da sua comunidade
usuária.
Verificou-se que a maioria das bibliotecas da UFRGS que possuem Facebook, apesar
de não ter realizado um planejamento para a implantação da conta, comunicam informações
que possam ser interessantes e úteis às suas comunidades e recebem um retorno por meio das
interações, embora, às vezes, pequeno. Percebe-se, entretanto, que estas instituições podem
aprimorar sua presença no Facebook, atraindo de modo mais efetivo suas comunidades
usuárias. Não basta somente ter uma conta no Facebook, é necessário todo um cuidado para
conquistar novos usuários e manter os já existentes de forma satisfatória.
Por fim, por meio de cuidados específicos, o Facebook pode ser integrado à biblioteca
universitária como um canal eficiente de comunicação e interação, permitindo que esta amplie
e estreite relações com sua comunidade usuária e adquira maior visibilidade.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Tem como objetivo estudar a comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas comunidades usuárias por intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta rede social virtual, a partir dos conteúdos publicados por estas unidades de informação. Apresenta uma pesquisa descritiva e exploratória, com um universo de oito bibliotecas que aderiram ao uso do Facebook. Com relação ao procedimento técnico utilizado, emprega a pesquisa de campo, com abordagem quanti-qualitativa. Os dados quantitativos são levantados por meio de formulário, através de observações sistemáticas, os qualitativos por meio de entrevistas estruturadas, aplicadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook. Para a análise dos dados quantitativos, utiliza a estatística, para os qualitativos, o método análise de conteúdo. Quanto aos resultados, mostra que menos da metade das bibliotecas universitárias da UFRGS possui Facebook, sendo que o perfil é a forma de presença mais incidente. Exibe os tipos de informações divulgados pelas bibliotecas e as interações ocorridas nestes (curtir, comentar e compartilhar), de modo que as informações não relacionadas à biblioteca, mas suscetíveis a interessar os usuários são o tipo mais frequente. Averigua como foram criadas as contas do Facebook pelas bibliotecas, assim como a forma que estas as mantêm. Conclui que a maioria das bibliotecas da UFRGS que possui Facebook, apesar de não ter realizado um planejamento para a implantação da conta, comunica informações que possam ser interessantes e úteis à sua comunidade usuária e recebe um retorno por meio das interações, embora, às vezes, pequeno.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS DIGITAIS E OS DIREITOS AUTORAIS: A QUESTÃO DOS
DIRETOS CONEXOS

Adriane Carvalho da Silva
Maria Irene da Fonseca e Sá
RESUMO
As transformações tecnológicas foram decisivas para os novos embates existentes entre os
recursos informacionais e a restrição induzida de informação, principalmente quando se
aborda a questão dos Direitos Autorais, dentro do contexto da Biblioteca Digital. A busca
pelo equilíbrio entre a propriedade intelectual e o acesso a obras e ao conhecimento é a grande
questão a ser debatida e explorada, pois ao passo que existe uma tentativa, do poder
econômico, dos titulares de direitos patrimoniais e conexos de recursos informacionais de um
acervo digital, existe uma demanda reprimida por informações confiáveis diante do rizoma
que é a internet, sendo as Bibliotecas Digitais um lugar de informação segura e aberta. O
presente trabalho aborda os aspectos dos Direitos Autorais, compreendidos em direitos de
autor e os que lhe são conexos frente às complexidades existentes nas Bibliotecas Digitais.
Assim, adotou-se a pesquisa de revisão bibliográfica e pesquisa documental, em que se
buscou elencar os conceitos principais sobre direitos autorais e conexos, bem como as
definições e realidade das Bibliotecas Digitais, pretendendo-se atingir os objetivos
especificados e se pensar no uso social da informação e de como a Biblioteca Digital interage
com os Direitos Autorais na sociedade contemporânea.
Palavras-Chave: Direitos Autorais; Biblioteca Digital; Direitos Conexos; Gestão da
Informação.

ABSTRACT
Technological changes were decisive for new clashes between the existing information
resources and the induced restriction of information, especially when dealing with the issue of
Copyright, within the context of the Digital Library. The search for balance between
intellectual property and access to works and knowledge is the big question being debated and
explored, because while there is an attempt, the economic power of the holders of equity and
rights information resources of a digital archive, there is a pent-up reliable information on the
rhizome demand that is the internet, and digital Libraries a place in a safe and open
information. This paper discusses aspects of Copyrights, included in the copyright and related
to it front to existing complexities in Digital Libraries. Thus, we adopted the research
literature review and desk research, which sought to list the main concepts of copyright and
related rights, as well as definitions and reality of digital libraries, the aim being to achieve
the specified goals and think about using social information and how it interacts with the
Digital Library Copyright in contemporary society.
Keywords: Copyrights; Digital Library; Related Rights; Information Management.

193

�1 INTRODUÇÃO
Historicamente, as mudanças de paradigmas tecnológicos constituem-se alvo de
disputas políticas, jurídicas e econômicas. No âmbito da disseminação do conhecimento e
informação nem sempre essas alterações são bem vindas quando ocorrem.
Pode-se dizer que em termos de publicação editorial, como os livros, da invenção de
Gutenberg à Internet, ocorreram mudanças nos padrões de comportamento das sociedades
concernentes.
Nesse contexto, hodiernamente, com a explosão informacional ocasionada pelas novas
possibilidades que surgem a cada dia, de uma forma vertiginosa e aglomerante, as bibliotecas
têm ganhado ainda mais relevo pela sua importância na confiabilidade da informação, pois
são consideradas uma fonte segura de saber e conhecimento. Mas para manterem-se vivas e
presentes, nesse aspecto, tiveram que se adaptar e começar a se apropriar das possibilidades
trazidas pelas Ciências da Computação e da Informação, criando um novo modelo, não mais
como vimos antes, mas sim a Biblioteca Híbrida (TAMMARO; SALARELLI, 2008, p. 118),
com tendências cada vez mais de uso a distância.
Estão surgindo mais e mais Bibliotecas Digitais no universo da Internet e isso tem se
tornado um ponto controverso de profundos debates nos âmbitos econômicos, acadêmicos e
jurídicos, sempre demonstrados pela característica transversal do tema.
Os Direitos Autorais, por sua vez, refletem diretamente no uso da informação nas
Bibliotecas Digitais, já que possuem aspectos que influenciam na atribuição de paternidade
das obras editoriais, na forma de utilização do conteúdo disponibilizado pelas editoras, bem
como no controle de distribuição e acesso das obras.
Assim, considerando as relações entre os dois temas acima elencados e suas conexões
desenhadas nos novos paradigmas tecnológicos vigentes, principalmente pelas possibilidades
advindas com a Internet, problematiza-se essas relações de forma a estabelecer possibilidades
de convergência e reflexão do sistema atual.
O presente trabalho objetiva apresentar uma breve descrição das Bibliotecas Digitais,
em especial dos livros eletrônicos ou e-books e suas relações com os direitos autorais e
conexos, identificando os principais aspectos que acarretam entraves ao processo de
manutenção e criação de acervos eletrônicos em Bibliotecas Digitais.
Para tanto, buscou-se coletar os principais conceitos e definições pertinentes aos
Direitos Autorais quanto à possibilidade de disponibilização de conteúdo nas redes de
Internet, por meio de Bibliotecas Digitais, como forma de estabelecer reflexões sobre a
temática.

194

�2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 O CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS DIGITAIS
As Bibliotecas Digitais podem ser consideradas uma das mais recentes fontes para
difusão do conhecimento e informação confiável no ambiente da Internet. Pois, tal qual uma
biblioteca tradicional, passam por um processo de formação e desenvolvimento de coleções,
com etapas de seleção, aquisição e disponibilização de acervos aos seus principais usuários.
Essa recente modalidade de Biblioteca está em constante evolução e expansão, sendo
que se pode dizer atualmente, que há uma combinação entre a biblioteca tradicional e a
biblioteca digital, a chamada biblioteca híbrida - coexistência de publicações nas versões
impressas e digitais de fontes de informação, de acordo com Soares (2007, p. 56).
Com o conhecimento e informação não mais restritos em suportes puramente físicos,
mas em rede, ampliam-se as discussões, a exemplo dos limites legais e de mercado, impostos
às publicações científicas e literárias em livros eletrônicos, principal documento das
Bibliotecas Digitais.
Considerando ainda que, essas bibliotecas são geralmente criadas dentro de ambientes
de pesquisa ou acadêmicos, em que o uso da informação é direcionado principalmente para o
desenvolvimento humano e científico, inclusive de novas tecnologias e conhecimentos, a
limitação excessiva do acesso a essas informações pode gerar impactos negativos para a
sociedade contemporânea e futura.
Nesse contexto, sabe-se que muitas são as definições para Bibliotecas Digitais e que
não existe um consenso a respeito da acepção mais adequada ou dita correta, muitas vezes,
utilizadas como sinônimos dos termos biblioteca eletrônica e biblioteca virtual, de acordo
com Tammaro e Salarelli (2008, p. 116).
Assim, neste trabalho adotar-se-á o conceito de Biblioteca Digital cunhado por Ciotti e
Roncaglia (2002), em que:
Definimos ‘biblioteca digital’ como uma coleção de documentos digitais
estruturados, sejam os produzido mediante digitalização dos materiais
existentes, sejam os preparados de modo digital na origem, dotada de uma
organização total e coerente de natureza semântica e temática, que se
manifesta por meio de um conjunto de relações interdocumentais e
intradocumentais e de um adequado dispositivo meta-informacional. Nesse
sentido, podemos distinguir uma biblioteca digital de um conjunto nãoorganizado de informacionais absolutamente heterogêneas como acontece na
World Wide Web, mas também de muitos arquivos textuais que atualmente
estão disponíveis na Internet e se apresentam muito mais como ‘depósitos de
textos’ do que como verdadeiras bibliotecas. (CIOTTI; RONCAGLIA, 2002
apud TAMMARO; SALARELLI, 2008, p. 122).

195

�Além disso, a Biblioteca Digital terá como conteúdo, documentos em que a principal
característica será a flexibilidade, disponíveis através de representações numéricas e
imateriais, conforme apontam Tammaro e Salarelli (2008).
Por esse viés, com o desenvolvimento e evolução das Bibliotecas Digitais, a partir da
Internet e junto às novas tecnologias da informação, tornou-se bastante fácil compartilhar as
obras bibliográficas, sem a atribuição dos direitos autorais pertinentes aos seus detentores
legais (as editoras ou mesmo os autores).
Tais fatores ocasionam algumas barreiras ao processo de evolução das Bibliotecas
Digitais, e, consequentemente, da disponibilização dos livros eletrônicos através da Rede
Mundial de Computadores. Esses obstáculos, além de outros, são de cunho jurídico: seja pela
responsabilização civil, por exemplo, com o pagamento de indenizações por quebra de
contratos restritivos; ou mesmo, pela responsabilização penal, como a hipótese de estudante
preso por baixar indevidamente obras através da Internet.
Outra questão polêmica se dá em razão do próprio caráter rizomático da Internet, pois
os livros digitais podem ser compartilhados e copiados de inúmeras formas, ultrapassando
limites pré-estabelecidos pela instituição que o licenciou inicialmente, em razão da própria
natureza do livro digital, que nada mais é do que um documento traduzido em bits.
Por sua vez, os Direitos Autorais apresentam um regramento aplicável a toda produção
do espírito humano, como forma de garantir a atribuição da autoria e retorno financeiro pelo
uso de uma criação literária, artística ou cientifica (o que inclui os documentos
disponibilizados nas Bibliotecas Digitais), sendo que está regulado na legislação brasileira
pela Lei n. 9.610/1998. Tal lei subdivide os direitos autorais em direitos morais e patrimoniais
(este último gera a possibilidades de uso, gozo e disposição).
Duarte e Pereira (2009) complementam ainda que:
No Brasil, a Lei em questão, regulamenta o disposto nos Tratados
Internacionais, relacionados ao tema, dos quais, o país é signatário.
Especificamente, em seu artigo 4° interpretam-se, restritivamente, os
negócios jurídicos sobre os direitos autorais. Dessa forma, o Direito Autoral
é caracterizado sob dois aspectos: o moral, que garante ao criador o direito
de ter seu nome impresso na obra, respeitando a integridade dela, bem como,
assegura os direitos de modificá-la ou mesmo de proibir sua veiculação. É
um direito inalienável e irrenunciável; e o patrimonial, o qual regula as
relações jurídicas da utilização econômica das obras intelectuais - pode ser
negociado. (DUARTE; PEREIRA, 2009, p.4-6)
Além das possibilidades de plágios que a Internet facilita (violações de direitos
morais), na verdade, o que gera os maiores problemas são as questões de ordem patrimoniais
ou financeiras (violações de direitos patrimoniais). Isso porque a disponibilização de conteúdo

196

�pelos autores das obras para publicações via editoras, em geral, são acordadas por meio de
contratos de cessão e licenças. Assim, esses contratos, na prática, são semelhantes ao contrato
de compra e venda (contrato de cessão) e ao contrato de locação (contrato de licenciamento),
conforme estabelece Coelho (2011).
Por força vinculante dos contratos firmados pelos autores com as editoras, na maioria
das vezes estas detêm a totalidade dos direitos patrimoniais, podendo substituir os autores em
demandas advindas por violações dessa natureza. Discussões como estas tem gerado embates
sobre como coibir o uso e acesso indevido de livros eletrônicos e porque estabelecer políticas
de restrição ao acesso a documentos em Bibliotecas Digitais, sendo que essas formas de
controle da informação se dão primeiramente através da legislação, brasileira e internacional,
para então serem adotadas no âmbito editorial.
Apesar desse cenário restritivo ao uso e acesso on-line de livros eletrônicos, têm
surgido novas possibilidades de disponibilização de livros digitais que preservam os direitos
autorais, através de licenças colaborativas, a exemplo da licença Creative Commons, que
segundo Magnus (2009) e Lemos (2005) permite o acesso a documentos de maneira flexível e
prévia para usos não comercial.
Igualmente, convém lembrar que as Instituições de Ensino Superior do Brasil têm
investido esforços em criação e manutenção de bibliotecas digitais, sendo em sua maioria do
tipo repositório institucional e sem custo para o usuário final. Essas iniciativas são definidas
por Sá (2013, p. 40), como:

Os repositórios institucionais reúnem documentos produzidos na instituição
- produção científica ou acadêmica produzida na universidade e centros de
pesquisa, formando coleções de documentos digitais. O foco será a
visibilidade da produção científica, com a vantagem da velocidade na
disponibilização. (SÁ, 2013, p. 40).
2.2 O LIVRO DIGITAL
Seguindo a mesma linha das Bibliotecas Digitais e como parte dela, o documento
digital principal das Bibliotecas Digitais seria o livro. No entanto, não existe consenso quanto
à conceituação desse objeto, sendo muitas expressões aceitas e continuamente usadas de
maneira sinônima, tais como: livro eletrônico, livro virtual, livro digital e o anglicismo e-

book.
A despeito dessas controvérsias, quanto à origem, há basicamente dois tipos de livros
digitais: o que nasceu impresso e o que se tornou digital pelo processo de digitalização.
Assim, a digitalização pode ser definida como um:

197

�Processo pelo qual um sinal analógico é transformado em sinal digital,
abrange a amostragem do sinal analógico ou sua transformação em uma série
de valores discretos tomados a intervalos regulares, e a quantização que leva
a geração do code-word. (FLUCKING, apud TAMm Ar O; SALARELLI,
2008, p. 52)
Conforme Tammaro e Salarelli (2008, p. 181-182), podem-se ainda distinguir entre os
livros eletrônicos que não estão em linha, sendo estes acessados off-line com equipamentos
específicos como CD-ROM, e os que podem ser usados em linha, pela rede mundial de
computadores, geralmente denominados e-books.
Tammaro e Salarelli (2008, p.11-21) definem as características do documento digital.
Sendo um livro digital como tal, pode-se dizer que ele possui tais atributos como: a
flexibilidade, sendo passível de alteração; a simulação, com possibilidades de ser manipulado
e intuir novos cenários; reprodutibilidade e conservação; e a transmissibilidade. Essas
propriedades do documento digital e, por conseguinte, do livro digital favorecem as práticas
de reprodução não autorizada desses produtos, atropelando os direitos autorais contidos nas
obras violadas.

2.3 A PROPRIEDADE VERSUS O LICENCIAMENTO
Os novos modelos de negócios definidos a partir do documento digital, a forma como
se colecionava tais produtos mudou radicalmente, quando se fala em Bibliotecas Digitais. O
livro em sua versão impressa confere a propriedade real do suporte ao seu comprador, assim a
Biblioteca tornava-se posseira do seu conteúdo, enquanto que o material físico era sua
verdadeira propriedade.
Com os livros digitais, bem como periódicos, essa questão toma outros contornos.
Pois, com o documento digital não mais a Biblioteca tem a posse deste, mas apenas o acesso,
traduzindo em assinaturas, sejam elas perpétuas ou por prazo determinado, o que seria o
licenciamento do uso desses livros, mas sem sua posse real, torna-se a coleção digital
disponível conforme dure a assinatura, e não mais como unidade, e sim como coleção.
Dessa forma, Tammaro e Salarelli (2008, p. 171-172), afirmam que embora não seja
consenso estabelecido dentre os profissionais que atuam na área, pode-se dizer que a
biblioteca digital transformou o modelo de negócio baseado na compra do produto, em
serviços, assim dispõem: “A coleção digital é o serviço que introduz uma organização
estruturada e integrada de recursos digitais heterogêneos, num espaço informacional
distribuído como o da Rede” .

198

�2.4 ALGUMAS INICIATIVAS DE BIBLIOTECAS DIGITAIS BRASILEIRAS
Com o intuito de exemplificar, de forma breve, as Bibliotecas Digitais brasileiras,
levando em consideração os critérios de acesso do conteúdo pelo usuário, os recursos
informacionais e os critérios gestão da coleção, elencamos algumas delas a seguir.

2.4.1 BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL DO BRASIL (BNDIGITAL)
A BNDigital tem por objetivo preservar a memória cultural brasileira, encontra-se
disponível no endereço eletrônico http://bndigital.bn.br/. Possui amplo conteúdo de acesso
público, sendo os materiais de cunho históricos digitalizados (repositórios institucionais),
contendo ainda artigos e dossiês.
A Biblioteca Nacional Digital do Brasil é mantida pelo Governo Federal, através da
Biblioteca Nacional, a maioria do conteúdo do seu acervo encontra-se em domínio público.

2.4.2 BRASILIANA DIGITAL DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
A Brasiliana Digital está sitiada no endereço http://www.brasiliana.usp.br/pt-br, sendo
o acesso do usuário aberto, com obras em domínio público e outras de consulta livre, é
mantida pela Universidade de São Paulo e verbas de projetos de pesquisa, funciona com
repositório institucional artigos, periódicos, e-books, manuscritos, mapas e imagens
produzidas na instituição além de itens selecionados.
Além disso, a gestão de coleção é regida por consórcios das bibliotecas paulistas
estaduais e institucionalmente pela própria Biblioteca.

2.4.3 E-BOOKS DA CAPES - ELSEVIER
O

Portal

de

Periódicos

da

CAPES

através

do

endereço

na

internet

http://americalatina.elsevier.com/ebooks/capes/, disponibiliza inúmeros livros e enciclopédias
em formato digital. Trata-se de publicações, que possuem versões impressas da Editora
Elsevier.
O acesso é restrito a usuários que façam por meio de máquinas dentro de Instituições
de Ensino Superior conveniadas, as obras são totalmente protegidas por direitos autorais,
tanto moral quanto patrimonial. A gestão dessa coleção em relação aos seus usuários se dá de
forma una e subsidiada através de assinaturas feitas pela CAPES.

199

�2.4.4 DSPACE@FGV
A Bblioteca Digital da Fundação Getúlio Vargas (FVG) está localizada no endereço
http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/. A DSpace@FGV disponibiliza parte de seu conteúdo
de maneira aberta e outra de maneira restrita aos seus alunos, sobretudo, é o repositório digital
da produção intelectual da Instituição de Ensino, disponibiliza para uso: imagens, artigos,
teses, dissertações, vídeos. A gestão da coleção é gerida também por consórcios de Biblioteca
do sistema FGV e outras instituições de ensino.

2.4.5 A BIBLIOTECA DIGITAL JURÍDICA (BDJUR)
A Biblioteca Digital Jurídica (BDJur) é um repositório institucional mantido pelo
Superior Tribunal de Justiça (STJ) - http://bdjur.stj.gov.br/, possui documentos jurídicos em
formato digital, como: legislação do STJ, artigos de revistas, capítulos de livros, obras raras e
trabalhos acadêmicos de caráter jurídico e documentos produzidos pelas unidades do Tribunal
ou seus servidores e ministros.
O acesso a BDJur se dá de maneira aberta ao público em geral e também de forma
restrita, apenas para os ministros e servidores do STJ. A gestão da coleção da BDJur se dá de
maneira interna e também através de consórcios de redes informações digitais do Poder
Judiciário (http://www.consorciobdiur.gov.br/).

2.4.6 BANCO INTERNACIONAL DE OBJETOS EDUCACIONAIS
O Banco internacional de Objetos Educacionais está localizado no endereço
eletrônico: http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/, é um repositório de documentos digitais
de acesso público mantido pelo Ministério da Educação (MEC); inclui software, vídeos, áudio
e e-books, imagem, dentre outros.
Os documentos digitais são de diversos tipos, quanto á possibilidade uso, indo do
domínio público a obras protegidas nos seus direitos morais, e estão em vários formatos e
para todos os níveis de ensino, sendo que a gestão da coleção se dá de maneira cooperativa,
em que o usuário é o grande responsável pela seleção.

2.5 DIREITOS AUTORAIS
Na época da invenção de Gutenberg, por volta do ano de 1450, conforme aponta
Correia (2011), o poder político e econômico se concentrava nas mãos da Igreja e das
monarquias européias. A invenção da imprensa causou extremo desconforto para tais forças,
pois representava um descontrole da informação, já que seria possível produzir livros e

200

�impressos de forma mais rápida e em maior quantidade. Não por acaso criaram-se monopólios
de editores e livreiros tendo como objetivo controlar a produção informacional e qualquer
possível ameaça ao status quo, gerando uma forma eficiente de censura, através da reserva de
mercado.
Correia (2011) destaca ainda que, posteriormente, na Inglaterra, surgiu o Copyright,
em 1557, um instrumento legal de controle de cópias. Esse sistema favorecia poucos
(editores, livreiros e monarquias), gerando insatisfação aos autores e à sociedade.
No cenário contemporâneo brasileiro, o panorama lembra certa semelhança com o do
Séc. XVI: de um lado, têm-se as grandes editoras que estão no mercado editorial lucrativo e
pouco acessível a uma nova editora, investindo na compra de conteúdo para publicações direitos autorais (MELLO, 2012); de outro, temos a legislação brasileira, que do ponto de
vista civil e penal é bastante severa com quem viola as normas de direitos autorais.
A Internet, de outro modo, pode ser o meio de propagação das cópias não autorizadas
de produção editorial; e, insatisfeitos ou à margem de tudo isso estão os autores, e a própria
sociedade. Ela, por sua vez, possibilita um grande fluxo de informação. No entanto a
legislação referente aos Direitos Autorais e o sistema de proteção existente, oriundo do século
XIX, representa obstáculos à circulação da informação em alguns aspectos, seja porque onera
excessivamente tais publicações, ou porque torna extremamente burocrática e limitativa a
manutenção da proteção aos direitos autorais, e, muitas vezes, o autor está quase à margem da
retribuição pecuniária pertinente a sua obra. (LEMOS, 2005).
Sabe-se que os direitos autorais são oriundos da noção de propriedade, esta última
apresentada como Propriedade Intelectual. Sendo que, os Direitos da Propriedade Intelectual
se subdividem em Direitos Autorais e Direitos da Propriedade Industrial (EBOLI, 2006, p.
15).
Considerando que os Direitos Autorais compreendem os direitos do autor e aqueles
que lhe são conexos, os ditos direitos análogos ou vizinhos. Assim, os direitos autorais não
protegem apenas a obra original, mas também os direitos conexos como o de autor, isto é,
bens que são assemelhados a obras para fins de proteção (EBOLI, 2008, p.25).
Por analogia, embora não expressados de forma clara, as editoras detêm direitos
conexos de suas obras, mesmo que o conteúdo esteja em domínio público; por vezes apenas
são representantes dos direitos do autor, em seu aspecto patrimonial, através de contratos.
Assim, com o surgimento da Internet e de novas tecnologias alinhadas à crescente
massa documental, tornou-se fundamental a disponibilização de material relevante e confiável

201

�no mundo virtual, sendo que as bibliotecas digitais exercem papel fundamental nesse
processo.
As bibliotecas,

principalmente as universitárias,

adentraram

a esse contexto

informacional, disponibilizando os livros eletrônicos ou e-books em seus ambientes virtuais,
no

entanto,

os regramentos

existentes

são bastante

inflexíveis no

que tange

ao

compartilhamento de documentos - contratos com duras sanções civis, em especial quando se
propõem a criação e manutenção de acervos digitais oriundos de obras físicas (por meio da
digitalização ou outro processo semelhante) e daqueles que já nasceram eletrônicos.
No Brasil, a regulação dos direitos intelectuais está disciplinada pela Lei 9.610, de 19
de fevereiro de 1998, além de diplomas internacionais em que é signatário: como a
Convenção de Roma, para proteção aos artistas intérpretes ou executantes, aos produtores de
fonogramas e aos organismos de radiodifusão de 26/10/1961, incorporada pelo decreto
n°57125 de 19/10/1965; a Convenção de Berna, para a proteção das obras literárias e artísticas
- revista em Paris em 24/07/1971-, incorporada pelo Decreto n°75699 de 06/05/1975; a
Convenção Universal sobre o Direito do Autor revista em 24/07/1971 e incorporada pelo
Decreto n°76905de 24/12/1975; e o Acordo TRIPS/ADPIC, que é um acordo sobre aspectos
dos direitos de propriedade intelectual relacionados ao comércio (ADPIC), mais conhecidos
pela sigla em Inglês, TRIPS, incorporada pelo Decreto n°1355 de 30/12/1994.

2.5.1 DIREITOS DO AUTOR
Ao falar do direito de autor, de acordo com Eboli (2006, p.15), é essencial definir os
conceitos pertinentes, e para ele o mais importante é a definição de obra, que tem como a mais
precisa definição a que foi cunhada por Henry Jessen, pois para este último deve-se entender
por obra “a exteriorização da ideia de uma forma de expressão” . (EBOLI, 2006, p.15)
Eboli (2006) argumenta ainda que o direito autoral tutela não os suportes materiais,
mas o conteúdo intelectual expresso de uma criação. Contudo, o autor aduz que “a
originalidade é a condição essencial”, sendo que a obra intelectual seria a idéia expressada de
forma original (2006, p.16).
Adotando como ponto de partida a afirmação de que o direito de autor é um conjunto
de direitos patrimoniais e morais que nascem com as criações artísticas, literárias e científicas,
expressadas em qualquer suporte, os direitos patrimoniais são aqueles referentes à
possibilidade do autor fazer uso de sua criação, como bem lhe convier, recebendo
remunerações pela utilização ou mesmo cedendo a outrem esses direitos. Já os direitos morais

202

�de autor são aqueles de caráter irrenunciáveis e inalienáveis, podendo exigir o direito de
paternidade, nominação e integridade da obra.
Convém destacar que o prazo de vigência de direitos patrimoniais para obras literárias
ou científicas é de 70 anos a partir de 1° de janeiro da morte do autor ou do último autor, no
caso de co-autoria, conforme Art. 41 da Lei 9.610/1998: “Art. 41. Os direitos patrimoniais do
autor perduram por setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subseqüente ao de seu
falecimento, obedecida a ordem sucessória da lei civil” . Por outro lado, eis que os direitos
morais do autor são irrenunciáveis e imprescritíveis, mesmo após a sua morte.
O sistema de Copyright, como já mencionado, surgiu na Inglaterra, e trata-se do
direito de reprodução, dedicados aos livreiros e não aos autores das criações. Embora esta
expressão seja utilizada nos dias atuais pelo direito anglo-saxão, ela é atribuída ao autor,
como direito patrimonial (EBOLI, 2006, p.21).
A parte mais pertinente a Bibliotecas Digitais refere-se à titularidade das obras
expressos em direitos patrimoniais, a partir de contrato de cessão, licença ou outros. No caso
da editoras e empresas de tecnologia, elas deterão o direito exclusivo de reprodução, edição
da obra científica ou literária para formato digital, bem como de outros documentos digitais.
Eboli, sobre o tema, define que:

o direito de reprodução, que compreende o direito de distribuição e o direito
de comunicação ao público. Ao definir a distribuição e a comunicação ao
público, a nossa Lei consagra o princípio da disponibilidade, ou seja, a
máxima de que a simples disponibilização da obra ao público já tipifica uma
nova modalidade de utilização, que obviamente dependerá da prévia e
expressa autorização do autor. (EBOLI, 2006, p. 32).
Tammaro e Salarelli apontam que “os direitos autorais estabelecem o equilíbrio entre
os direitos do autor, do editor e os direitos do usuário: a nova tecnologia colocou em crise o
equilíbrio antes conquistado e tornou mais aguda a tensão entre as partes” (TAMMARO;
SALARELLI, 2008, p.281).
Com os novos modelos de acesso proporcionados pela rede, isso inclui a Biblioteca
Digital, Tammaro e Salarelli (2008) alegam que os editores tendem a ser mais rígidos no
controle do direito de autor. Já os usuários, em sentido oposto, esperam o acesso livre e aberto
de quaisquer documentos, sem registros ou pagamentos.
Ademais, as formas mais utilizadas pelo autor e editoras para disponibilização de
conteúdo, através de contratos, são as licenças ou a cessão. Posto que, através da licença, fazse o licenciamento de edição, que é por prazo determinado ou por uso específico, lembrando

203

�uma locação; e, através da cessão, a qual se traduz na transferência definitiva dos direitos de
reprodução, como uma espécie de compra e venda.

2.5.2 DIREITOS CONEXOS
Abrão (2002) expõe que os direitos conexos são direitos dos difusores e distribuidores
de criações, como empresas fonográficas e de radiodifusão, artistas, intérpretes e executantes.
Desse modo, pode-se entender que as editoras e casas publicadoras de e-books e
demais documentos digitais são produtoras e distribuidoras e, portanto, detentoras de direitos
conexos. Por conseqüência, nas Bibliotecas Digitais, as quais possuem diferentes recursos
informacionais, como imagens, sons, vídeos e os e-books, estes documentos estão submetidos
também à normativa dos direitos conexos. Assim, pode-se afirmar que os direitos análogos
são semelhantes aos direitos do autor, pois é o direito de difundir uma obra já existente.
(PARANAGUÁ, 2009, p.123).
Bittar (2000, p. 157) argumenta que no caso dos direitos vizinhos deve-se estar atento
apenas à integridade da criação e à regular autorização para reprodução ou fixação dessa obra.
Nesse contexto, a legislação autoral brasileira dispõe que:

Art. 89. As normas relativas aos direitos de autor aplicam-se, no que couber,
aos direitos dos artistas intérpretes ou executantes, dos produtores
fonográficos e das empresas de radiodifusão.
Parágrafo único. A proteção desta Lei aos direitos previstos neste artigo
deixa intactas e não afeta as garantias asseguradas aos autores das obras
literárias, artísticas ou científicas. (BRASIL, 1998).
Além disso, essa mesma legislação estabelece a duração dos direitos conexos pelo
prazo de setenta anos, contados a partir de 1° de janeiro do ano subseqüente à fixação, para os
fonogramas; à transmissão, para as emissões das empresas de radiodifusão; e à execução e
representação pública, para os demais casos.

2.6 MODELOS DE GESTÃO DE DIREITOS AUTORAIS DIGITAIS
O mercado editorial tem sofrido profundas transformações, principalmente com a
ruptura do modelo editorial vigente, tais mudanças acarretaram sérias modificações no modo
como as editoras estabeleciam sua atuação nesse mercado editorial, pois agora competem com
as empresas de tecnologias, produtoras dos tablets e e-readers, e também com os próprios
autores, pois estes últimos não mais, necessariamente, precisam contratá-las para terem seus
livros publicados e distribuídos de maneira uniforme nas livrarias.

204

�Segundo Tammaro e Salarelli (2008, p.170), uma das mudanças ocorridas pelo
desenvolvimento de produtos digitais está na possibilidade de auto publicação. Acrescenta
ainda, que este é um processo que prescinde de uma avaliação por pares ou por uma editora,
apenas necessitando, como recursos básicos a rede e a obra produzida. Nesse contexto, os
autores dos livros podem contatar de forma direta as empresas de tecnologia - detentoras das
patentes dos leitores de livros e tablets, e assim lançar no mercado os seus livros no formato
digital (sem que antes tenham uma versão impressa).
As editoras brasileiras de grande escala estão estabelecendo parcerias com empresas
de tecnologia, produtora de e-readers e tablets a fim de estabelecerem suas participações no
mercado com investimentos em documentos digitais, garantindo o retorno e investimentos
através da remuneração de direitos conexos. Dessa forma, a grande vantagem desse modelo
para as Bibliotecas Digitais são: a autenticidade, integridade e confiabilidade das fontes.
Acrescenta-se que diante desse cenário, as editoras e empresas de tecnologias estão
tomando medidas restritivas ao acesso e compartilhamento de documentos, como a gestão de
direitos digitais (DRM), licença por clique, dentre outras, o que torna complexo a gestão da
coleção em Bibliotecas Digitais.
De outra mão, as instituições de pesquisas e entidades que apregoam o acesso livre a
informações na Internet ou um uso justo (fair use), também criaram opções de acesso e uso
das informações digitais, levando em conta os direitos do autor ou mesmo formas
colaborativas, a exemplo da iniciativa do Creative Commons e Copyleft, dentre outras.
2.6.1 DRM (DIGITAL RIGHTS MANAGEMENT SYSTEMS)
Os DRMs são os chamados: Gestão de Direitos Digitais, termo oriundo da expressão
anglo-saxônica Digital Rights Management system, sobre eles pode-se dizer que tentam
impedir previamente o uso e acesso irregular e enviam informações sobre esse acesso aos
detentores de direitos de reprodução, de arquivos eletrônicos, são sistemas geralmente ocultos
dentro dos documentos digitais que impedem a cópia privada ou não, impressão ou

downloads.
Bosi sobre o assunto afirma que:
O DRM não define apenas que tipos de usos serão ou não liberados, mas que
também pode haver a existência de autorização para uso em diferentes
aparelhos e autorização para uso do arquivo por diferentes pessoas. No caso
dos e-books, o DRM aplica restrições de uso, de cópia, distribuição e até de
acesso ao conteúdo. Isso se deve à necessidade da Segurança da Informação,
ou seja, à necessidade de proteger aquele conteúdo adquirido pelo leitor.
(BOSI, 2006 apud IANZEN, A.; PINTO, J. S.; WILDAUER, E. W. 2013, p.
212)

205

�O DRM por um lado pode garantir a integridade da obra, bem com a autenticidade do
conteúdo, mas por outro lado pode comprometer a segurança do usuário, e gerar conflitos
jurídicos e econômicos nos ambientes das Bibliotecas Digitais, pois qualquer uso não
permitido pelo sistema instalado, mesmo sendo um uso legal, será bloqueado o acesso. Ou
ainda, no caso da privacidade do usuário ser violada por conta dos dispositivos embutidos.
Assim, a Free Software Foundation (FSF) indica diversos direitos que os DRMs
violam:
a)
O direito de ler e ao livre acesso à cultura: os DRMs permitem que
um terceiro conheça tudo que vemos, escutamos, lemos e expressamos, e
possa monitorar, controlar e até impedir que o façamos.
b)
O direito à privacidade: Para decidir se outorgam ou não acesso a
cada obra, estes sistemas precisam vigiar-nos. Dessa forma, um terceiro terá
informação sobre o quê, como e quando lemos, ouvimos música, escutamos
rádio, vemos filmes e acessamos qualquer conteúdo digital.
c)
O direito de realizar cópias em casos particulares: Várias
legislações de direito autoral reconhecem o direito das pessoas de efetuar
cópias das obras para uso privado. Isto inclui a possibilidade de realizar
cópias de segurança, cópias para acessar em diferentes dispositivos e até
cópias para compartilhar com pessoas de relacionamento próximo, sempre
sob a condição de que não impliquem transações comerciais. Estes direitos
são impedidos completamente com a implementação de DRM.
d)
A realização de obras derivadas: a realização de obras derivadas é
um processo comum na criação cultural. Muitas obras são trabalhos
derivados de obras anteriores. Isto inclui traduções, realização de remixes e
outras formas de expressão. Estas ações básicas da produção cultural se
tornam impossíveis frente a DRM.
e)
A crítica e o comentário público, incluindo o direito à livre
expressão, em particular por parte de jornalistas: Quem trabalha em
crítica literária, cinematográfica, musical e até política utiliza o recurso da
citação para comentar obras publicadas. O sistema de DRM impõe travas
técnicas a esta possibilidade, com a conseqüência direta de pôr ferrolhos
técnicos à liberdade de expressão.
f)
O "fair use" e as exceções ao direito autoral: Esta expressão
comum para a jurisprudência norte-americana é outra das vítimas da
aplicação de DRM. Em muitos casos, as leis de direitos de autor fixam
exceções para o âmbito educativo ou para pessoas com alguma incapacidade
que precisem realizar cópias de obras para poder acessá-las (como traduções
para
Braille
ou
a
utilização
de
áudio-livros).
Estes
recursos ficam eliminados com os sistemas de DRM.
g)
O domínio público: As restrições técnicas de acesso não têm data de
vencimento. Portanto, quando as obras entrem em domínio público, as
restrições permanecerão, vedando o acesso e a cópia de materiais que
legalmente poderiam ser copiados. O mesmo ocorre com obras que já
estejam em domínio público e que se tornam inacessíveis para as pessoas
quando algum provedor de conteúdo as distribui sob um sistema de DRM.
h)
A presunção de inocência: As medidas técnicas de restrição de
acesso e cópia declaram o cidadão culpado antes de que se prove o contrário,
privando-o de uma série de direitos de forma preventiva, sem que se haja
cometido qualquer delito. Por outro lado, o desenvolvimento e utilização de
mecanismos para inibir os DRMs se converte em um crime ainda que se

206

�realize para fins de investigação ou para acessar um conteúdo que se tenha
adquirido legalmente, ainda que não se viole qualquer direito autoral. (Free
Software Foundation).
Como demonstrado, a busca pelo equilíbrio entre o respeito aos direitos autorais e o
acesso à informação é dificultoso, pois se a internet abriu possibilidades, houve um
recrudescimento da propriedade intelectual e da própria tecnologia como forma de limitação,
por vezes excessiva.

2.6.2 CREATIVE COMMONS
O Creative Commons foi uma iniciativa do Professor Lawrence Lessig, na
Universidade de Stanford (EUA). A idéia principal foi a criação de licenças públicas,
juridicamente válidas e que pudessem ser facilmente utilizadas por qualquer pessoa ou
entidade, de maneira livre e disposta previamente pelo autor da obra, conforme alega Lemos
(2005, p. 82-83).
Tammaro e Salarelli (2008, p. 288) apresentam que o Creative Commons criou 11
licenças de direito autoral pra uso público, dando várias possibilidades de disponibilizar sua
obra intelectual, indo do domínio público ao compartilhamento sem fins lucrativos. Tammaro
e Salarelli (2008) e Lemos (2005, p.86-87) definem as licenças Creative Commons em
categorias, tais como: citação ao autor ou atribuição - (BY); utilização para fins nãocomerciais - (NC); limitação de reutilização para obras derivadas - (ND); integração obra em
uma ou várias obras coletivas - (AS); e, compartilhamento pela mesma licença (CC).
Como se pode perceber, o sistema Creative Commons, é bastante amplo, pois tanto
pode conferir o acesso livre a uma obra digital, como pode conferir o uso e compartilhamento
apenas com fins não comerciais, sendo uma licença pouco utilizada nas editoras comerciais,
mas que tem grande potencialidade no âmbito das Bibliotecas Digitais, pois resolve o
problema do compartilhamento, apesar de gerar questões referentes à integridade e
confiabilidade.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para consecução do presente trabalho, utilizou-se a pesquisa qualitativa, nas
modalidades de revisão bibliográfica e documental. Além disso, realizaram-se pesquisas na
Internet com vistas a identificar Bibliotecas Digitais brasileiras, mapeando alguns desses
ambientes virtuais.

207

�A pesquisa de revisão bibliográfica abordou os principais autores da área de direitos
autorais, bibliotecas digitais, estabelecendo os principais conceitos pertinentes às temáticas. A
coleta das informações obtidas por meio do contato com os teóricos foi realizada via
elaboração de fichamentos construídos em conformidade com as normas da ABNT.
A pesquisa de cunho documental também foi adotada para a compreensão das
principais normas e legislação que regem os direitos autorais, a saber: a Lei 9.610 de 1988. Os
documentos descritos foram analisados à luz das idéias dos teóricos pesquisados, no intuito de
esclarecerem os conceitos norteadores, prejuízos e benefícios do sistema de proteção autoral
hodierno aplicado ao da Biblioteca Digital.

4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
As transformações tecnológicas foram decisivas para os novos embates existentes
entre os recursos informacionais e a restrição induzida de informação, principalmente quando
se aborda a questão dos Direitos Autorais, dentro do contexto da Biblioteca Digital, posto
que, o documento digital, presente nesta última é objeto gerador de disputas jurídicas e
econômicas no âmbito dos direitos conexos, em suma.
A busca pelo equilíbrio entre a propriedade intelectual e o acesso a obras e ao
conhecimento é a grande questão a ser debatida e explorada, pois ao passo que existe uma
tentativa, do poder econômico, dos titulares de direitos patrimoniais e conexos de recursos
informacionais de um acervo digital, existe uma demanda reprimida por informações
confiáveis diante do rizoma que é a internet, sendo as Bibliotecas Digitais um lugar de
informação segura e aberta.
Não se pode olvidar que os autores merecem ser remunerados pela criação dos
materiais, isso é algo elementar. Contudo, a excessiva “proteção” aos direitos do autor e
conexos, ao invés de gerar o incentivo à inovação e ao conhecimento, pode retroceder ainda
mais esse processo.
Por isso, uma das alternativas viáveis no âmbito das Bibliotecas Digitais, em respeito
aos direito autorais é utilização de conteúdo licenciado através de licenças como a Creative

Commons.
Ademais, o presente trabalho é apenas um esboço de uma tentativa de compreensão de
fenômenos tão atuais e presentes no dia-a-dia das Bibliotecas Digitais, as quais estão em fase
de continua implantação na Rede de Computadores Mundial.

208

�5 REFERÊNCIAS

ABRÃO, Eliane Y. O que é e o que não é direito autoral. Mercado Global, São Paulo, n.
112,

out./dez

2002,

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Brasiliana
http://www.brasiliana.usp.br/pt-br. Acesso em: 01 nov. 2013.

USP .

Disponível

em:

210

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Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As transformações tecnológicas foram decisivas para os novos embates existentes entre os recursos informacionais e a restrição induzida de informação, principalmente quando se aborda a questão dos Direitos Autorais, dentro do contexto da Biblioteca Digital. A busca pelo equilíbrio entre a propriedade intelectual e o acesso a obras e ao conhecimento é a grande questão a ser debatida e explorada, pois ao passo que existe uma tentativa, do poder econômico, dos titulares de direitos patrimoniais e conexos de recursos informacionais de um acervo digital, existe uma demanda reprimida por informações confiáveis diante do rizoma que é a internet, sendo as Bibliotecas Digitais um lugar de informação segura e aberta. O presente trabalho aborda os aspectos dos Direitos Autorais, compreendidos em direitos de autor e os que lhe são conexos frente às complexidades existentes nas Bibliotecas Digitais. Assim, adotou-se a pesquisa de revisão bibliográfica e pesquisa documental, em que se buscou elencar os conceitos principais sobre direitos autorais e conexos, bem como as definições e realidade das Bibliotecas Digitais, pretendendo-se atingir os objetivos especificados e se pensar no uso social da informação e de como a Biblioteca Digital interage com os Direitos Autorais na sociedade contemporânea.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POLÍTICA DE INDEXAÇÃO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Ana Paula Araújo Cabral da Silva
Édina Maria Gomes da Cunha Pureza
Elisa Alves de Oliveira
Inês Maria De Gasperin
Magda Helena Behrmann
Miriam Velci Fernandes
Renata Cristina Grun
Vanessa Inácio de Souza
RESUMO
Relata a experiência de elaboração da Política de Indexação para o Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A partir do diagnóstico do processo de
indexação e das entradas de assunto no catálogo, são apresentadas as principais etapas da
criação da Política de Indexação e descritos seus principais elementos. Como complemento
essencial, refere características e habilidades do bibliotecário indexador destacando estes
aspectos como definitivos para o sucesso do processo. Após ressaltar a importância do
controle e avaliação do uso da Política de Indexação, finaliza com considerações referentes à
importância da utilização de uma política de indexação para entradas de assunto, visando à
eficiência do trabalho do indexador e à qualidade na recuperação da informação.
Palavras-chave: Política de indexação; Indexação (Biblioteconomia).

ABSTRACT
Reports the experience of elaborating the Indexing Policy for the Universidade Federal do Rio
Grande do Sul Library System. Starting from the diagnosis of the subject entries and of the
indexing process, the main stages of the Indexing Policy creation are described, as well as its
critic elements. As an essential complement, refers to the indexer librarian characteristics and
abilities highlighting some aspects as definitive for the success of the process. After
emphasizing the importance of controlling and evaluating the Indexing Policy use, concludes
with considerations regarding the worth of using a policy, aiming indexing best practices and
accuracy in information retrieval.
Keywords: Indexing policy; Indexing.

3423

�1 INTRODUÇÃO
O volume de informações gerenciadas nas bibliotecas universitárias exige políticas
que orientem os processos de trabalho. Em sistemas centralizados tais dispositivos atuam
regulando e padronizando as atividades técnicas e, em sistemas descentralizados assumem
papel determinante, especialmente no tratamento técnico da informação, pois, além de nortear
e padronizar as atividades, evita que as inconsistências se multipliquem levando qualquer
sistema potencialmente promissor ao caos. Neste sentido o processo de indexação deve ser
consolidado através de diretrizes para a representação temática de documentos, promovendo
maior consistência nos catálogos automatizados e consequentemente qualificando a
recuperação da informação.
A necessidade de avaliação de um sistema descentralizado levou a direção do Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SBUFRGS) à criação de
fóruns especiais para discussões técnicas regulares que garantissem a qualificação de seus
bibliotecários e a excelência dos serviços prestados. Tais fóruns, denominados Grupos de
Estudos, visam, entre outros objetivos, a ampliação de conhecimentos com produção de
documentos técnicos podendo, inclusive, gerar propostas de políticas a serem discutidas pelo
SBUFRGS. Dentro deste contexto, o Grupo de Estudos em Indexação (GEI), formado por
oito bibliotecárias, vem acompanhando, nos últimos anos, o trabalho de indexação
desenvolvido nas bibliotecas do SBUFRGS, assumindo a responsabilidade de elaborar uma
política de indexação que elimine as inconsistências nas entradas de assuntos dos catálogos de
autoridade, refletidas no catálogo bibliográfico.
A partir do exposto, os principais objetivos da Política de Indexação são padronizar os
procedimentos quanto ao tratamento técnico da informação, contribuir para a melhoria na
recuperação da informação e possibilitar a otimização dos recursos humanos e financeiros
disponíveis.
Conforme Rubi e Fujita (2003, p. 67), a política de indexação:
[...] será norteadora de princípios e critérios que servirão de guia na tomada
de decisões para otimização do serviço e racionalização dos processos. Podese dizer então, que a política de indexação é uma decisão administrativa
indispensável a um sistema de recuperação de informação, pois, somente
depois de seu estabelecimento, é que o sistema em questão poderá definir
suas características principais.
O objetivo geral deste artigo é relatar a experiência do Grupo de Estudos de Indexação
no processo de elaboração da Política de Indexação.

3424

�Tem como objetivos específicos:
a) relatar as etapas para a estruturação dessa Política para o SBUFRGS;
b) discutir os conceitos inerentes ao processo de indexação.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com sede em Porto Alegre,
capital do Estado, é uma instituição centenária, reconhecida nacional e internacionalmente
pela excelência no ensino e na pesquisa. Ministra cursos em todas as áreas do conhecimento e
em todos os níveis, desde o Ensino Fundamental até a Pós-Graduação.
A UFRGS está organizada em 4 campi em Porto Alegre (Centro, Saúde, Olímpico e
Vale) e em outros municípios do Estado do Rio Grande do Sul (Centro de Estudos Costeiros,
Limnológicos e Marinhos - CECLIMAR, em Imbé e Estação Experimental Agronômica, em
Eldorado do Sul).
Dentro da estrutura da UFRGS, a Biblioteca Central é um órgão suplementar
vinculado diretamente ao Reitor e Vice-Reitor e, por delegação de competência, à PróReitoria de Coordenação Acadêmica. A Biblioteca Central coordena tecnicamente o
SBUFRGS, que é composto por 30 bibliotecas setoriais especializadas, uma biblioteca de
ensino fundamental e médio e uma biblioteca depositária da documentação da Organização
das Nações Unidas (ONU).
Uma função primordial do SBUFRGS é prover infraestrutura bibliográfica,
documentária e informacional para apoiar as atividades da Universidade, centrando seus
objetivos nas necessidades informacionais do indivíduo, membro da comunidade
universitária, constituída de alunos de graduação, pós-graduação, ensino fundamental, ensino
médio; docentes e servidores técnico-administrativos. Paralelamente ao contexto acadêmico,
tem compromisso com a sociedade não vinculada à Universidade que se efetiva através da
prestação de serviços, proporcionando o acesso à informação, à leitura e a outros recursos
disponíveis que são instrumentos de transformação dessa sociedade.
As bibliotecas do SBUFRGS estão vinculadas administrativamente às Unidades de
Ensino, possuem acervo próprio e oferecem serviços independentes. Apesar da distância
física entre elas, da variedade de acervo e de usuários, atuam de forma cooperativa no que se
refere às políticas gerais para o desenvolvimento de coleções, automação dos serviços,
catalogação e outros. O processamento técnico é descentralizado, contudo obedece às
políticas do SBUFRGS.

3425

�Em 1989, foi implantado o Sistema de Automação de Bibliotecas (SABi) que
atualmente adota o software Aleph para gerenciar as atividades e serviços oferecidos à
comunidade usuária. O Aleph é composto por módulos que, entre outras funções, possibilitam
o registro e a recuperação de informações bibliográficas através do catálogo on-line.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, [2014])

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Desde 2009, em reuniões semanais, o GEI busca subsídios que fundamentem
as decisões da Política de Indexação. Para tal, foram utilizadas duas fontes de informação:
a) literatura especializada da área;
b) conhecimento tácito dos indexadores.
No que diz respeito à literatura especializada, foram realizados levantamentos
bibliográficos em bases de dados nacionais e internacionais. Apesar da escassez de
documentos pertinentes à pesquisa, foram identificadas informações relevantes, referentes a
diretrizes e conceitos que fundamentaram o trabalho. Os principais autores utilizados foram
Carneiro (1985), Lancaster (2004), Rubi e Fujita (2003).
O conhecimento tácito dos indexadores do SBUFRGS foi fundamental para solucionar
questões específicas. Reuniões técnicas, consultas ao SABi e aplicação de questionários
foram os procedimentos adotados para a troca de experiências com os indexadores, as quais
serviram de subsídios para a tomada de decisões.

4 POLÍTICA DE INDEXAÇÃO DO SBUFRGS COMO RESULTADO
Na elaboração da Política de Indexação foram consideradas as características da
UFRGS e do SBUFRGS, principalmente os desafios inerentes à produção de um catálogo
bibliográfico a partir de atividades descentralizadas.
Neste contexto, foi elaborada a Política de Indexação, cujos principais tópicos são
apresentados a seguir.

4.1 Processo de indexação
A Política de Indexação do SBUFRGS elegeu a Norma Brasileira (NBR) 12676388, da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como principal fonte para auxiliar no

388 Métodos para análise de documentos: determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação:
procedimento.

3426

�processo de indexação. Segundo essa NBR, o processo de indexação consiste de três etapas:
análise conceituai, identificação dos conceitos e tradução.

4.1.1 Análise conceituai
“Análise conceituai é o conjunto de procedimentos efetuados com a finalidade de
representar o conteúdo dos documentos.” (CUNHA, 1989, p. 17).
A análise dos documentos depende de uma leitura técnica que garanta que nenhuma
informação seja negligenciada. Para isso, devem ser consideradas as seguintes partes do
documento, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (1992, p. 2):
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)

título e subtítulo;
resumo, se houver;
sumário;
introdução;
ilustrações, diagramas, tabelas e seus títulos explicativos;
palavras ou grupo de palavras em destaque (sublinhadas, impressas
em tipos diferentes, etc.);
referências bibliográficas.

A orientação da Política do SBUFRGS é não indexar por qualquer um destes
elementos isoladamente, pois em muitos casos eles não representam o conteúdo do
documento em sua totalidade.

4.1.2 Identificação dos conceitos
A identificação dos conceitos é a etapa na qual o indexador identifica os elementos
essenciais na descrição do assunto.
O indexador deve adotar uma abordagem sistemática para realizar essa etapa,
garantindo assim a fidelidade ao documento. Para essa sistematização, a Associação Brasileira
de Normas Técnicas (1992, p. 2) apresenta questões que contemplam a diversidade de acervo
e a interdisciplinaridade do assunto, características do SBUFRGS. São elas:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)

qual o assunto de que trata o documento?
como se define o assunto em termos de teorias, hipóteses, etc.?
o assunto contém uma ação, uma operação, um processo?
o documento trata do agente dessa ação, operação, processo, etc.?
o documento se refere a métodos, técnicas e instrumentos especiais?
esses aspectos foram considerados no contexto de um local ou
ambiente especial?
foram identificadas variáveis dependentes ou independentes?
o assunto foi considerado sob um ponto de vista interdisciplinar? (por
ex.: um estudo sociológico da religião)

3427

�4.1.3 Tradução
Segundo Lancaster (2004), a etapa de tradução envolve a conversão dos assuntos
extraídos na análise conceitual de um documento num determinado conjunto de termos de
indexação.
O SBUFRGS não dispõe de um vocabulário controlado que contemple todas as áreas
do conhecimento. Nesse contexto, o Catálogo de Autoridades é o principal instrumento para
controle de entrada de assuntos no SABi. Cada biblioteca é responsável pelo registro e
armazenamento de documentos de áreas específicas, assim como pela definição da entrada de
assunto a elas correspondente. No entanto, algumas bibliotecas utilizam instrumentos de
controle de vocabulário

no seu processo de indexação. Nestes casos, a Política orienta que

o uso desses instrumentos seja limitado a sua área de conhecimento.
Outra orientação da Política é que assuntos comuns a mais de uma biblioteca, e que
gerem dúvidas quanto à definição da sua entrada, devem ser analisados e aprovados
conjuntamente. Para dirimir estas e outras dúvidas que eventualmente possam ocorrer durante
o processo de indexação, foi elaborado um manual com as rotinas e procedimentos de
indexação o qual deve ser utilizado com a Política.

4.2 Elementos da Política de Indexação
Os elementos que compõem a Política de Indexação do SBUFRGS são: cobertura do
assunto, exaustividade, especificidade e linguagem.

4.2.1 Cobertura do assunto
O conhecimento se desenvolve de modo interdisciplinar, mas o foco da representação
temática deve estar relacionado com as necessidades de informação do público-alvo das
bibliotecas.
Considerando que as bibliotecas setoriais do SBUFRGS são responsáveis pela
formação e desenvolvimento de coleções, priorizando os assuntos relativos às áreas do
conhecimento por elas abrangidas, cada biblioteca enfatizará os temas relativos à sua
comunidade usuária. Diante disto, naturalmente, uma mesma obra poderá ter vários enfoques
na representação temática.

389

Tesauros, listas de cabeçalhos de assuntos etc.

3428

�4.2.2 Exaustividade
Lancaster (1979, p. 193) define exaustividade como "[...] uma medida de extensão em
que todos os assuntos discutidos em certo documento são reconhecidos na operação de
indexação e traduzidos na linguagem do sistema." A quantidade de termos atribuídos a um
documento está diretamente relacionada à precisão e revocação. O tipo de documento poderá
determinar o nível de exaustividade da indexação (CARNEIRO, 1985).
A Política de Indexação do SBUFRGS recomenda o uso de níveis de exaustividade, de
acordo com os diversos tipos de documentos existentes nas bibliotecas. Essa recomendação
foi construída a partir de questionário enviado aos bibliotecários em 2010, com o objetivo de
identificar a tipologia documental no SBUFRGS, bem como o nível de exaustividade
utilizado para representar os assuntos desses documentos.
A partir dos resultados obtidos, foi elaborado um quadro, reproduzido parcialmente a
seguir:
Quadro 1 - Números de descritores por tipo de documento
Tipos de documentos
Analíticas de periódicos
Dicionários
Dissertações
Livros
Mapas
Programas de computador
Teses
Trabalhos de eventos
Fonte: Silva et al. (2014).

Quantidade de descritores por documentos
até 2
até 3
até 4
até 5
até 8
X
X
X
X
X
X
X
X

4.2.3 Especificidade
Para Lancaster (2004, p. 34), “[...] um tópico deve ser indexado sob o termo mais
específico que o abranja completamente.” Por abrangência, entende-se o uso de termos exatos
e não genéricos, pois, numa hierarquia de assuntos, um termo específico está subordinado ao
termo genérico. No entanto a utilização concomitante dos termos genérico e específico é
redundante, visto que no conceito do termo específico já está contido o conceito do termo
genérico.
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (1992, p. 3): “A especificidade
se refere ao grau de precisão com que um termo define determinado conceito no documento.
Ocorre perda de especificidade quando um conceito é representado por um termo com
significado mais genérico.”

3429

�Na Política de Indexação do SBUFRGS, o princípio da especificidade na determinação
dos descritores de um documento foi considerado prioritário. Por isso, foram estabelecidas as
seguintes diretrizes:

a) área temática da biblioteca: a especificidade pode variar de acordo com a
cobertura de assunto de cada biblioteca. Sendo assim:
- quando o assunto for da área temática da biblioteca, o indexador deve utilizar o
termo mais específico,
- quando o assunto não for da área temática da biblioteca, o indexador poderá
utilizar um termo mais genérico,
b) abrangência do assunto do documento: os documentos que tratam de vários
assuntos específicos, dentro da mesma hierarquia, podem ter seus assuntos
representados individualmente ou enquadrados na “Regra de Três”. Esta regra
propõe que quando mais de três descritores de uma mesma hierarquia são
discutidos num documento, a indexação deve ser feita pelo termo imediatamente
superior na hierarquia.

4.2.4 Linguagem controlada
A linguagem controlada é aquela construída com o objetivo de eliminar possíveis
problemas do vocabulário natural (como a ambiguidade), facilitar a entrada e a saída de dados
em um sistema de informações e permitir uma maior consistência na indexação. A Política de
Indexação recomenda o emprego de uma linguagem controlada e pós-coordenada que é a
linguagem que combina ou coordena os termos no momento da busca. Corroborou para esta
decisão o fato de que essa é a linguagem mais recomendada para sistemas automatizados.
Entretanto

a

linguagem

pós-coordenada

não

exclui

totalmente

o

uso

de

subcampos/subcabeçalhos. Segundo Lancaster (2004, p. 196):
Num sistema pós-coordenado, aplicam-se os subcabeçalhos de forma muito
parecida com o modo como são aplicados nos tradicionais catálogos de
assuntos das bibliotecas. Os melhores candidatos a subcabeçalhos são
aqueles termos que seriam potencialmente aplicáveis a muitos dos outros
termos do vocabulário.
No SBUFRGS esses subcabeçalhos são representados nos subcampos x, v, y e z,
recursos disponíveis no formato Machine Readable Cataloging (MARC).

3430

�O uso do subcampo a (descritor), combinado com os subcampos x, v, y, z, (subdivisão
geral, forma, tempo e lugar, respectivamente) dentro de critérios pré-estabelecidos390, não
caracteriza pré-coordenação. Este recurso é usado para aumentar o nível de especificidade
quanto ao assunto e quanto aos limites de forma, tempo e lugar, reduzindo as falsas
associações e qualificando a recuperação da informação.

5 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO BIBLIOTECÁRIO INDEXADOR
O desempenho das atividades de indexação requer um profissional com habilidades e
competências específicas. Nesse sentido, com base na literatura e na prática diária do
bibliotecário, foi identificado o perfil desejável deste profissional:
a)

conhecer as áreas de assuntos tratados;

b)

conhecer e aplicar as políticas da instituição;

c)

identificar as necessidades informacionais dos usuários;

d)

possuir bom nível de concentração e capacidade de interpretação
de texto;

e)

observar os princípios de imparcialidade e coerência;

f)

dialogar e/ou negociar questões de indexação;

g)

participar de capacitações dentro de sua área de atuação.

Com base nessas características, o gestor pode dispor de mais um instrumento para
facilitar a seleção de pessoal. Além disso, o próprio bibliotecário, conhecendo essas
particularidades, tem subsídios para melhorar o desempenho de suas funções e buscar
aperfeiçoamento.
No contexto do SBUFRGS, é importante que o bibliotecário atue de forma
cooperativa, e, portanto, tenha consciência de que suas decisões podem interferir diretamente
na indexação do sistema como um todo.

6 CONTROLE E AVALIAÇÃO DO USO DA POLÍTICA DE INDEXAÇÃO
A aplicação da Política de Indexação exige um constante processo de avaliação e
controle, a partir de parâmetros estabelecidos. Conforme Lopes (1985, p. 243):

390 Os critérios para o uso desses subcampos estão detalhados no Manual de Rotinas e Procedimentos de
Indexação.

3431

�O processo de avaliação está ligado à observação do desempenho de uma
determinada atividade e à obtenção de dados que possam subsidiar decisões
administrativas [...]. Como toda atividade gerencial, a avaliação deve ser
precedida de cuidadoso planejamento, a fim de que os resultados possam
corresponder aos objetivos que a motivaram.
Sob o aspecto da aplicação da Política de Indexação no SBUFRGS, os principais
parâmetros que poderão ser avaliados são: a especificidade, segundo a cobertura de assunto; a
exaustividade, de acordo com a tipologia documental; e o uso da linguagem controlada e póscoordenada. Sob o aspecto da aplicação do Manual de Rotinas e Procedimentos de Indexação
poderão ser avaliados: o preenchimento de campos e subcampos específicos e a padronização
de entradas de assuntos.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O acompanhamento sistemático do processo de indexação desenvolvido nas
bibliotecas do SBUFRGS acusou a urgência na elaboração de uma Política de Indexação que
balizasse esta atividade desenvolvida de forma descentralizada no Sistema.
A partir do estabelecimento de diretrizes para as etapas do processo de indexação,
espera-se uma uniformização nos procedimentos de análise conceitual, identificação de
conceitos e tradução. Como resultado disso, acredita-se numa qualificação na recuperação da
informação.
Para que a aplicação da Política de Indexação cumpra com esses objetivos, os
elementos cobertura de assunto, exaustividade, especificidade e linguagem são de
fundamental importância.
Nesse sentido, a cobertura de assunto de cada biblioteca setorial determinará o grau de
especificidade e influenciará o nível de exaustividade que será aplicado no tratamento da
informação.
A exaustividade e a especificidade são os elementos que interferem diretamente na
qualidade da recuperação da informação e no índice de revocação. A partir da definição dos
níveis de exaustividade e das diretrizes estabelecidas para a especificidade, espera-se uma
melhoria na indexação, proporcionando, com isso, a recuperação de informações objetivas e
relevantes para o usuário.
Com relação à linguagem controlada e pós-coordenada, considera-se que o uso dos
subcampos MARC para subdivisão geral, forma, tempo e lugar, minimizará as falsas
associações de conceitos, aumentando também a pertinência dos resultados de busca e,
consequentemente, a satisfação dos usuários.

3432

�A exaustividade, a especificidade e a linguagem estão sujeitas a avaliação e controle
para verificar se as diretrizes estabelecidas pela Política de Indexação estão sendo observadas
e os objetivos propostos estão sendo alcançados.
Considerando a estrutura descentralizada do SBUFRGS, a Política de Indexação
ressaltou a importância do diálogo e da negociação entre os bibliotecários de uma mesma
biblioteca, bem como entre os bibliotecários das demais bibliotecas.
Acredita-se que o resultado oriundo da aplicação da Política de Indexação, pautada
pelo Manual de Rotinas e Procedimentos de Indexação, além de reduzir as inconsistências das
entradas de assunto, contribuirá para que o bibliotecário indexador adote melhores práticas em
seu trabalho.

8 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 12676: Métodos
para análise de documentos: determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação:
procedimento. Rio de Janeiro, 1992.
CARNEIRO, Marília Vidigal. Diretrizes para uma política de indexação. Revista da Escola
de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 14, n. 2, p. 221-241, set. 1985.
CUNHA, Isabel Maria Ribeiro Ferin. Contribuição para a formulação de um quadro
conceitual em análise documental. In: _______. Análise documentária: considerações
teóricas e experimentações. São Paulo: FEBAB, 1989.
LANCASTER, Frederick Wilfrid. Information retrieval systems: characteristics, testing and
evaluation. 2nd ed. New York: J. Wiley, 1979.
LANCASTER, Frederick Wilfrid. Indexação e resumos. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos,
2004.
LOPES, Eunice de Faria. Avaliação de serviços de indexação e resumo: critérios, medidas e
metodologia. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 14, n. 2,
p. 242-256, set. 1985.
RUBI, Milena Polsinelli; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes. Elementos de política de
indexação em manuais de indexação em sistemas de informação especializados. Perspectivas
em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 8, n. 1, p. 66-77, jan./jun. 2003.
SILVA, Ana Paula Araújo Cabral da et al. Política de Indexação para o Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 2014.
No prelo.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central. SABi.
[2014]. Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.ufrgs.br/sabi.htm &gt;. Acesso em: 23 abr. 2014.

3433

�</text>
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Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Silva, Ana Paula Araújo Cabral da, et al. </text>
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            <name>Type</name>
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              <elementText elementTextId="76083">
                <text>Relata a experiência de elaboração da Política de Indexação para o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A partir do diagnóstico do processo de indexação e das entradas de assunto no catálogo, são apresentadas as principais etapas da criação da Política de Indexação e descritos seus principais elementos. Como complemento essencial, refere características e habilidades do bibliotecário indexador destacando estes aspectos como definitivos para o sucesso do processo. Após ressaltar a importância do controle e avaliação do uso da Política de Indexação, finaliza com considerações referentes à importância da utilização de uma política de indexação para entradas de assunto, visando à eficiência do trabalho do indexador e à qualidade na recuperação da informação.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

INICIATIVAS DE ACESSO ABERTO À INFORMAÇÃO CIENTÍFICA: UMA
ABORDAGEM SOBRE O PORTAL BRASILEIRO DE ACESSO ABERTO À
INFORMAÇÃO CIENTÍFICA - OASISBR
Ana Paula Lopes da Silva
Lucidio Lopes de Alencar
Jaqueline Silva de Souza

RESUMO
O artigo apresenta o Portal Brasileiro de Acesso Aberto à Informação Científica (Oasisbr)
como iniciativa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) ao
livre acesso à produção científica de autores vinculados a universidades e institutos de
pesquisa. Aborda a importância social do tema, destacando de modo específico a estrutura do
Oasisbr, seu funcionamento, diretrizes para participação de instituições e políticas de acesso.
Para tanto, foi realizada pesquisa exploratória e bibliográfica, com abordagem qualitativa,
sendo o levantamento de dados feito em livros, artigos de periódicos, junto ao IBICT e site do
portal. Os resultados apontam que o Oasisbr coleta e divulga,de forma gratuita,informações
científicas de fontes de pesquisa como repositórios institucionais, periódicos científicos
eletrônicos, anais eletrônicos, etc. Para isto adota critérios que permitem a interoperabilidade
entre as mesmas e o portal, disponibilizando grande quantidade de documentosaos usuários
como ferramenta ampla de acesso aberto à informação para pesquisa. O Oasisbr representa o
esforço do IBICT para inserir o Brasil no contexto do movimento de acesso aberto, dando
oportunidade à população brasileira de usufruir da literatura científica produzida no país,
permitindo maior visibilidade às pesquisas, pesquisadores e instituições.
Palavras-Chave:Informação científica; Acesso aberto; IBICT; Oasisbr; Comunicação
científica.
ABSTRACT
The article presents the Brazilian Portal Open Access to Scientific Information ( Oasisbr ) as
an initiative of the Brazilian Institute of Information in Science and Technology ( IBICT )
free access to the scientific production of authors affiliated with universities and research
institutes. Addresses the social importance of the topic, highlighting specifically the structure
of Oasisbr his operation guidelines for participation of institutions and access policies. For
both exploratory and bibliographical research with qualitative approach and data collection
done in books , journal articles , and IBICT next to the portal site . The results indicate that
the Oasisbr collects and publishes , free of charge , scientific information from research
sources such as institutional repositories , electronic journals , electronic proceedings , etc. .
For that adopts criteria that allow interoperability between them and the portal , providing lots
of documents to users as wide tool open access to information for research. The effort is
Oasisbr IBICT to enter Brazil in the context of the open access movement , giving
opportunity to the Brazilian population to benefit from scientific literature produced in the
country , allowing greater visibility to the research , researchers and institutions .
Keywords : Information Science ; Open access ; IBICT ; Oasisbr ; Scientific communication.

331

�1 INTRODUÇÃO
Produzida no âmbito das universidades e instituições de pesquisa, a informação
científica na forma de artigos, livros e manuscritos, busca o conhecimento e apropriação dos
fenômenos naturais e sociais por meio da investigação. Os países mais influentes são aqueles
capazes de produzir, controlar e manipular as inovações científicas e tecnológicas advindas
de pesquisas. Desta forma, é latente a máxima, não só bibliotecária, mas também social, de
que o desenvolvimento individual e coletivo só ocorre a partir da produção, difusão e uso da
informação científica.
É exatamente neste ponto que se faz presente a ideia de livre acesso à informação, foi
com esse pensamento que nasceram os movimentos em âmbito internacional e posteriormente
aqui no Brasil com o objetivo de defender o acesso aberto, gratuito e sem restrições aos
resultados das pesquisas científicas que são financiadas com recursos públicos.
No processo de comunicação científica o pesquisador, muitas vezes, membro de
instituições públicas e custeado pelas mesmas, realiza suas pesquisas e ao divulgá-las o
fazem, em sua maioria, em revistas científicas pagas. O autor cede seus direitos autorais à
revista em troca de reconhecimento e muitas vezes até paga por ele, para ver seu trabalho
publicado em determinado periódico. Isso porque existesupervalorização das revistas
tradicionais e pagas, detentoras de maior fator de impacto.
O resultado são lucros das editoras de periódicos que comercializam a altos preços a
produção cientifica pública brasileira, possibilitando o acesso às inovações científicas apenas
aos que podem pagar por elas. O poder público paga caro pelas pesquisas que financiou.
Diante desta problemática torna-se necessário dar a conhecer as iniciativas de acesso aberto à
informação desenvolvidas no âmbito brasileiro, elas atuam como propulsoras do
desenvolvimento científico e social, reduzindo a desigualdade de acesso ao conhecimento.
No Brasil, oInstituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) é um
dos grandes fomentadores do acesso livre a informação científica, desenvolvendo diversas
ações voltadas a coleta e divulgação de informações a exemplo do Portal Brasileiro de Acesso
Aberto à Informação Científica (Oasisbr) que permite o acesso gratuito à produção científica
de autores vinculados a universidades e institutos de pesquisa.A proposta de fazer um
levantamento daestrutura e funcionamento deste portal é uma forma de divulgar esta iniciativa
ao público geral, bem como no meio científico para que possam não só se beneficiar do
conhecimento divulgado pelo mesmo, mas também internalizar a ideia do acesso aberto e sua
importância para a produção de conhecimento nas escolas, universidades, instituições de

332

�pesquisa, etc. E certamente, fortalecer e impulsionar o desenvolvimento de novas iniciativas
no âmbito do IBICT e de outras instituições.
A pesquisa se motiva pela grande importância social do tema e sua latente evidência
internacional, onde se deram as primeiras iniciativas etambém no Brasil que desperta no
sentido de proporcionar acesso aberto à informação científica brasileira para o
desenvolvimento do próprio país. No âmbito profissional é de grande valia as questões que
norteiam o acesso aberto, pois o bibliotecário deve atuar como mediador deste processo
dentro de suas instituições, conhecendo, divulgando e propondo novas iniciativas para o livre
acesso à informação científica.
Constitui-se como objetivo geral deste trabalho abordar a importância do acesso aberto
à informação científica e apresentar o portal Oasisbr como iniciativa de acesso livre que
compõe as ações de informação para pesquisa do IBICT. De modo específico, busca-se
compreender a estrutura do portal Oasisbr, seu funcionamento, diretrizes para participação de
instituições e políticas de acesso, retratando sua contribuição ao acesso aberto à literatura
científica produzida nas diversas instituições de pesquisa.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A informação científica alimenta a mente humana possibilitando a produção de novos
conhecimentos, porém só é capaz de promover transformações quando está acessível a
qualquer um que se interesse por ela. O pesquisador no ato de sua pesquisa necessita estar em
contato direto com o que foi descoberto pelos seus pares, para que assim possa construir, ou
mesmo, descontruir teorias científicas. É isso que garante o verdadeiro processo de
comunicação científica, onde as pesquisas são produzidas e divulgadas para conhecimento,
avaliação e refutação, assim a ciência vai se construindo. O documento de Manifesto
Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica, lançado pelo IBICT relata que:
A disseminação do conhecimento sistematizado é a base para o
desenvolvimento científico e tecnológico de uma nação. Estimula a pesquisa,
e esta, por sua vez, gera novos conteúdos, realimentando todo o processo. A
comunidade científica, entretanto, enfrenta dificuldades no acesso à
informação científica, se considerado o tradicional modelo de comunicação
científica. Geralmente, os artigos são publicados em revistasespecializadas, e
a forma de acesso a esses se estabelece mediante assinatura das publicações
pelas bibliotecas ou pelo pesquisador. (INSTITUTO BRASILEIRO DE
INFORMAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2005, p. 2).

333

�O tradicional modelo de comunicação científica, citado no documento, em que
pesquisadores fornecem seus trabalhos a periódicos científicos pagos em busca de
reconhecimento, torna a produção científica, seja ela “privada” ou financiada com recursos
públicos, restrita, dificultando o acesso pela comunidade acadêmica e a população em geral.
A evolução no comércio editorial, principalmente no que se refere às editoras de periódicos,
demonstra que a informação científica custa caro e gera lucros diretamente aos que a
comercializam ede forma indireta a quem se beneficia economicamente e socialmente através
do acesso aos resultados de pesquisas. Pois conforme Barbosa “descobriu-se que a fonte de
todas as fontes chama-se informação e que a ciência [...] nada mais é do que um certo modo
de organizar, estocar e distribuir certas informações” (1986, p. viii-ix apud CARVALHO;
KANISKI, 2000, p. 34).
Kuramoto corrobora retratando que:
[...] as pesquisas científicas, em sua maioria, são financiadas pelo Estado,
portanto, com recursos públicos. Do ponto de vista ético, os resultados
dessas pesquisas deveriam ser de livre acesso. Não é isso, entretanto, o que
acontece no sistema de comunicação científica tradicional. O pesquisador ou
qualquer outro cidadão, para ter acesso àquilo que foi produzido com o apoio
do Estado, precisará pagar pela assinatura de uma publicação científica.
Trata-se de uma situação paradoxal, pois o Estado, para promover o acesso
àquilo que produz, é obrigado a arcar com os custos de manutenção
dascoleções das revistas em que são publicados os resultados de sua
produção científica. (2006, p. 92).
O desenvolvimento científico e social carece dessa disponibilidade de informação, das
inovações obtidas em pesquisas científicas, mas este “lucro” não está ao alcance de todos,
apesar de boa parte da informação científica ser custeada com o dinheiro público, grande
quantidade de pesquisas significativas está “nas mãos” de editoras comerciais, o que diminui
a possibilidade de acesso à informação e desenvolvimento de novas pesquisas.
Prado(2012)alertaque essas empresas não realizam pesquisas e tampouco as financiam.
É no intuito de combater a situação supracitada que o acesso aberto à informação
científica adquire hoje a dimensão de um verdadeiro movimento político-científico, com
iniciativas desenvolvidas em diversos países em prol da disseminação da produção científica
construída no âmbito das instituições públicas. O movimento de acesso livre tem início na
década de 90 com inciativas internacionais, no Brasil são destaques o Manifesto Brasileiro de
Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica; Declaração de Salvador sobre o Acesso
Aberto; Declaração de apoio ao acesso aberto à literatura científica - Carta de São Paulo no
ano de 2005; Projetos de lei 1120/2007 e 387/2011 que dispõem sobre o processo de registro

334

�e disseminação da produção técnico-científica pelas instituições de ensino superior no Brasil.
Estas iniciativas trazem este ideal à tônica brasileira para despertar ações de instituições e
pesquisadores, no intuito de estabelecerem canais de acesso livre à informação científica.
Entende-se o acesso aberto como a disponibilização gratuita da produção científica,
com foco naquelas financiadas com recursos públicos, na forma impressa ou digital, com livre
utilização pelo usuário, ou seja, o mesmo poderá ler, copiar, imprimir e divulgar a
informação, desde que não se tenha objetivos comerciais e se conceda os devidos créditos ao
autor da obra através do reconhecimento em citações (DECLARAÇÃO..., 2005). Ratifica
Meirelles(2009, p. 59)que este modelo baseia-se no:
acesso livre, gratuito, sem barreiras e de forma permanente a textos
completos de artigos científicos, por qualquer pessoa conectada à internet.
Com isso é possível ler, fazer download, copiar, distribuir, imprimir, buscar,
indexar ou fazer links, respeitando os direitos autorais dos envolvidos [...].
E o porquê desta forma de acesso? Para promover o registro e disseminação da
produção científica, fornecendo maior visibilidade às pesquisas, aos seus autores e às
instituições onde foram desenvolvidas; permitir acesso por mais pessoas à informação
científica, reduzindo a exclusão ao conhecimento e possibilitando desenvolvimento social e o
progresso da ciência.Tabosa, Souza e Paes (2013) destacam dentre suas vantagens
acessibilidade à produção científica, redução de custos, integração e rapidez na circulação da
informação.
Como se dá o acesso aberto? Bjork (2005 apud MUELLER, 2006) lista os principais
canais para promoção do acesso aberto à informação científica, são eles:
■ Os periódicos científicos eletrônicos que fornecem, de forma rápida, acesso a artigos
científicos;
■ Repositórios especializados, bases voltadas para áreas específicas que disponibilizam
artigos, textos apresentadas em eventos, etc.;
■ Repositórios institucionais de universidades, reúnem a produção científica produzida
na universidade, com a função de disseminá-la e também preservá-la;
■ Autoarquivamento, os próprios autores disponibilizam suas produções em páginas
pessoais como blogs, sites, redes sociais, etc.
O Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica e a Carta
São Paulo (2005) traçam diretrizes para os atores envolvidos no processo de oferecimento ao
livre acesso à informação. É imprescindível ao movimento de acesso aberto que as diversas

335

�instituições de ensino e pesquisa criem repositórios institucionais reunindo e divulgando suas
publicações; que os pesquisadores disponibilizem seus trabalhos em repositórios e periódicos
de acesso aberto; que repositórios e publicações de acesso livre obtenham reconhecimento no
meio científico e das agências financiadoras de pesquisas, proporcionando visibilidade,
credibilidade e ascensão profissional aos autores que nelas publicarem; que as pesquisas
financiadas com recursos públicos tenham livre acesso; que se fortaleçam as instituições
públicas de acesso à informação como bibliotecas, arquivos, museus; que se estabeleçam
políticas governamentais para criar e fortalecer iniciativas de acesso aberto.Droescher (2012)
reforça também a necessidade de um sólido investimento tecnológico para a consolidação
domovimento de acesso livre, pois seu desenvolvimento só ocorreu a partir dosavanços
tecnológicos e da possibilidade de disponibilizar informações no meio digital.
No Brasil, esse movimento ganha cada vez mais força e é alvo de atuação de algumas
instituições, a exemplo do IBICT, que exerce importante papel no estabelecimento de
políticas voltadas para a promoção do acesso aberto. É atuante no estabelecimento e
distribuição de tecnologia para a captura, distribuição e preservação da produção intelectual
científica, bem como para a coleta automática e disseminação de teses e dissertações,
editoração de revistas eletrônicas e repositórios digitais. O IBICT é responsável pela criação
de bibliotecas digitais e de mais de 500 periódicos eletrônicos, colocando o Brasil como a
quinta maior nação em número de repositórios digitais e a terceira em quantidade de
publicações periódicas de acesso livre (IBICT, 2012).
Dentre as suas iniciativas está o Portal Brasileiro de Acesso Aberto à Informação
Científica (Oasisbr) uma ferramenta ampla de acesso aberto à informações para pesquisa que
integra diversas instituições e permite acesso aos mais variados documentos e fontes de busca,
como relatado na página do sistema Oasisbr a partir de uma única interface, é possível
realizar buscas simultâneas em revistas científicas, repositórios institucionais, repositórios
temáticos, bibliotecas digitais de teses e dissertações e outras fontes de informação de
natureza científica e tecnológica ou academicamente orientada (OASISBR, 2010). O Oasisbr
auxilia pesquisadores a divulgarem seus trabalhos e garante ao usuário o acesso a livros,
capítulos de livros, teses, dissertações, artigos, publicações apresentadas em eventos,
abrangendo a produção brasileira e também portuguesa.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para abordar a importância do acesso aberto à informação científica e apresentar o
portal

Oasisbr

como iniciativa de livre acesso foi

empreendida uma pesquisa

336

�exploratória,através do levantamento de informações que pudessem possibilitar familiaridade
e tornar mais explícitoo tema pesquisado(GIL, 2009) Os dados foram coletados por meio de
pesquisa bibliográfica em livros; artigos de periódicos científicos, principalmente os de acesso
livre corroborando com o ideal da pesquisa; no próprio portal Oasisbr; trabalhos acadêmicos e
documentos institucionais acerca do portal para obter dados à formulação do corpus da
pesquisa e ampliação do conhecimento teórico. Lakatos (2010) relata que a pesquisa
bibliográfica abrange toda a bibliografia relacionada ao tema, colocando o pesquisador em
contato com o que foi escrito. A interpretação e formulação das conclusões possuem caráter
qualitativo, estabelecendo relações para compreensão do objeto estudado.

4 RESULTADOS FINAIS
■ Quanto à implantação do portal Oasisbr pelo IBICT;
O IBICT tem como missão promover o desenvolvimento de recursos e infraestrutura
de informação em ciência e tecnologia para a produção e socializaçãodo conhecimento
científico e tecnológico (IBICT, 2012). É hoje, o centro brasileiro deinformação em ciência e
tecnologia, desenvolve projetos na área, além de coordenar e integrar bancos de dados com
várias instituições no País. É resultado desta integração a constituição do Portal Oasisbr como
fonte de pesquisa luso-brasileira de produções científicas. A parceria portuguesa é fruto de
acordo já firmado entre os Ministros da Ciência e Tecnologia de Portugal e do Brasil, hoje o
Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) apoia o IBICT em suas ações.
A implantação do Portal Oasisbr enquadra-se no eixo estratégico de atuação do IBICT
voltado para a Expansão e Consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e
Inovação tendo como linha direta de ação oFomento à Tecnologia da Informação e
Comunicação. O Oasisbr faz parte de um programa que objetiva promover a absorção,
desenvolvimento e transferência de tecnologias da informação e da comunicação aplicadas ao
tratamento e disseminação da informação científica e tecnológica. Baseado nestes ideais o
IBICT lançou no ano de 2006 o Portal Oasisbr - Open Access Scholarly InformationSystem,
um sistema de acesso aberto às informações acadêmicas com a parceria e recursos da
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), fomentadora da Ciência, Tecnologia e Inovação
em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições.
Como relata Kuramoto, o portal facilita o acesso à informação em ciência e
tecnologia, promovendo a coleta (harvesting) dos metadados das publicações científicas
nacionais e estrangeiras e de repositórios institucionais e temáticos (BLOG...). A meta é fazer
uma verdadeira varredura em diversas fontes de informações espalhadas pelo país e também

337

�portuguesas, possibilitando consulta às mesmas através de uma só interface. O portal é uma
iniciativa de inserção da ciência brasileira no contexto do acesso aberto à informação
científica, proporcionando o aumento da visibilidade dos resultados de pesquisa, dos próprios
pesquisadores e de suas instituições.
■ Quanto à estrutura de funcionamento e diretrizes para participação no portal;
De forma simplificada, pode-se dizer que o portal Oasisbr coleta e divulga
informações de diversas outras fontes de pesquisa como, repositórios institucionais, revistas
científicas eletrônicas, conferências, anais eletrônicos, biblioteca digitais, desde que sejam
informações científicas, tecnológicas ou de fontes acadêmicas. Para esta coleta é necessário
que as fontes de informação estejam adequadas a certos critérios que permitam a
interoperabilidade entre as mesmas e o portal.
O portal traz critérios gerais que devem ser adotados por todas as fontes que atuem
como provedoras de conteúdo e critérios específicos para revistas científicas, repositórios
institucionais, teses e dissertações, repositórios e anais eletrônicos em conformidade com suas
peculiaridades. Quanto aos critérios gerais:
•

Fazer uso do protocolo OAI-PMH (Open Archives Initiative - Protocol for Metadata
Harvesting) ou compatível:a OpenArchives Initiative, iniciativa de implantar arquivos
abertos surge da necessidade de disseminar a produção científica de forma mais rápida
e driblaras altas assinaturas de periódicos. E para concretizá-la era necessária a criação
de um padrão, um modelo que possibilitasse a coleta e transmissão de dados entre
sistemas que é o protocolo OAI-PMH. Tecnicamente determina o formato como
devem ser registrados os metadadados (descrição dos documentos) nas fontes para
serem coletados pelo portal. Portanto os repositórios institucionais, revistas científicas
eletrônicas, anais eletrônicos, biblioteca digitais como provedores de dados devem se
utilizar deste protocolo para depositar documentos em sua base de forma padronizada.
Por outro lado, o portal Oasisbr como provedor de serviço por disseminar as
informações coletadas, também se utiliza do recurso para captar os dados em cada
uma das bases;

•

Gerenciar ou publicar informação de natureza científica e/ou tecnológica: esse não só
é o objetivo do portal, mas também do próprio movimento de acesso aberto à
informação científica que se ocupa da coleta e disponibilização de informações
científicas, tecnológicas e acadêmicas, portanto as bases devem dispor deste tipo de
informação;

338

�•

Ter os recursos de informação disponíveis em texto completo no próprio provedor de
conteúdos: este critério se reporta ao ideal do acesso aberto que é disponibilizar sem
nenhum tipo de restrição a produção científica, a mesma dever se apresentar de forma
integral para que o usuário possa fazerdownload, copiar, imprimir;

•

Adotar o esquema de metadados Dublin Core ou compatível: o Dublin Core atua na
padronização de descrição de recursos de informação no formato eletrônico, ele
facilita e uniformiza a descrição já que boa parte dos recursos será disponibilizada em
formato digital;

•

Manter conexão permanente com a Internet, permitindo sempre o acesso rápido à
informação pelos usuários;

•

Possuir o seguinte conjunto mínimo de metadados: título, autor, resumo, palavraschave, ano da publicação, tipo de documento, idioma, avaliados ou não pelos pares:
são elementos necessários à identificação de qualquer documentos e através dela é que
o usuário avaliará a pertinência da informação para sua busca.
No que se refere às peculiaridades de cada fonte, seguem no quadro abaixo as

adequações específicas a serem adotadas além dos critérios gerais:

Quadro 1: Critérios específicos para fontes provedoras
Fazer parte da SciELO (biblioteca eletrônica de periódicos científicos) e
registrar políticas no Diadorim.(sistema de classificação de revistas quanto
ao acesso a seu conteúdo).
Ou ainda:
Possuir ISSN, caráter científico e/ou tecnológico, adoção de arbitragem por
pares, indicação explícita do conselho editorial, regularidade na
periodicidade, possuir, no mínimo, três números publicados, acesso aos
artigos gratuito e irrestrito e registrar políticas no Diadorim.
R epositórios
Adotar metadados que especifique o tipo de documento, cujo
preenchimento obedeça às orientações da equipe coordenadora do Oasisbr
In stitu cion ais
T eses
e Ser coletado pela Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações BDTD.
D issertações
R evistas
C ientíficas

E letrôn icas
R epositórios de
C onferências
(an ais
eletrônicos)

Permitir acesso aos trabalhos de forma gratuita e irrestrita, ser, o evento, de
natureza científica e/ou tecnológica, adotar a arbitragem científica, indicar
de maneira explícita o conselho editorial.

Fonte: Elaborado pelo autor

Fazem parte da estrutura do portal hoje 23 repositórios brasileiros, 29 repositórios
portugueses, 704 revistas brasileiras e 7 portuguesas, mediante a adoção destes critérios essas

339

�bases conseguem ter seus dados capturados pelo portal que por sua vez agrupa estas
informações e repassa ao usuário:

Figura 1: Modelo Oasisbr

Quanto às políticas de acesso;

m

Figura 2: Página portal Oasisbr

%
m

oasisbr

ib ic t

P o rta l B r a s ile ir o d c A c e s s o A b e rt o
à In f o r m a ç ã o C ie n t íf ic a

P i g i i M i m c i* l

S o b re o o a sis b r

P o lític a

Bu k «

D ire tó rio

C sto tte tlc a s

C o n ta to

A ju d a
Meu oasisbr

Registrar

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li ly~ 1 J w

tecaoleçiaa etsuttdei. educeçio bsiologie animal
•udeceencigee • »vslnçio em "•»teniltx*
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à In f o r m a ç ã o C ie n t íf ic a

e%aí&gt;asJo de aprendisegem em matemática

S

Busca Avançada Ajuda
4 3 4 .4 3 ] d o c u m en te s

\

Buscar

b r a s ília

\

Fonte: Portal Oasisbr

Nesta página é possível realizar uma busca simples com termos gerais na barra de
pesquisa e uma busca avançada que traz diversas opções de campos de pesquisa para
especificar o máximo possível o documento procurado pelo usuário. A consulta é programada

340

�para ser o mais flexível em relação aos termos buscados, nãohavendodistinção entre letras
maiúsculas e minúsculas, o que facilita a recuperação de grande quantidade de resultados. E
aindasãodisponibilizadasaos pesquisadores palavras-chaves, termos de busca já definidas que
remetem a documentos presentes no portal.

Figura 2: Página busca avançada
@xmlf2subjectmolecular
techniques/subject

f|

oasisbr

telenovela tecnologias assistidas, educação
fisiologia animal surfaceantigen a

P o r t a l B r a s i le ir o d e A c e s s o A b e r t o

@Hmlf2subjectmolecular
tecbniques/index.php?optioncom_jce

à I n f o r m a ç ã o C ie n t íf ic a
F ilt r o s A v a n ç a d o s

educação ambiental e formação de

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1Resumo

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biologia celular pesca obesidade e educação

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Português
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Tipo d e D o c u m e n t o
C Artigo

In g li,

r

Espanhol

C Capítulos de livros

r Italiano

mata ciliar educação ambiental

r

Livro

Trabalho de evento

IH Francês

r Tese

r Alemão

r

Dissertação

I- Patente
r

Pré-print

C Relatório cientifico
V

Projeto de pesquisa

r

Resenha

r

Outro!"^

Fonte: Portal Oasisbr

Na busca avançada é possível pesquisar e filtrar os resultados através de campos
específicos (OASISBR..., 2010):
•

Assunto - campo contendo os assuntos associados ao documento;

•

Autor - campo contendo o nome do autor do documento;

•

Contribuidor - campo contendo os nomes dos contribuidores do documento
(coautor,organizador,orientador,etc.);

•

Grau - campo contendo o grau obtido pela defesa do documento(mestrado,doutorado);

•

Idioma - campo com a sigla do idioma principal do documento(português-por ou pt)

•

Instituição de defesa - campo com o nome por extenso da instituição onde o
documento foi apresentado;

•

Instituição de defesa - sigla - campo com a sigla da instituição acima (IBICT, UFBA);

•

Pais - campo com a sigla (utilizar a sigla de 2 letras) do país da instituição acima
(Brasil - BR);

•

Resumo - campo contendo o resumo, em vários idiomas, do documento;

•

Titulo - campo contendo o titulo, em vários idiomas, do documento.

341

�Buscas simples ou avançadas no portal retornam as seguintes informações aos
usuários:

Figura 3: Resultado de busca

Fonte: Portal Oasisbr

A página de resultado da busca traz um filtro personalizado que mostra, caso seja
desejo do usuário, os documentos pertencentes ao Brasil ou os provenientes tanto do Brasil
quanto de Portugal. É apresentada a quantidade de documentos encontrados para o termo
pesquisado; a opção de “adicionar a cesta de registros”, ou seja, usuários podem salvar os
documentos encontrados, disponível a quem possui cadastro no portal; registro do documento
e link para acesso ao texto completo, neste linko usuário é direcionado ao repositório onde se
localiza a informação. Os usuários para realizarem cadastro no portal devem acessar a guia
“meu oasisbr”:

342

�Figura 4: Página de registro de usuário

Fonte: Portal Oasisbr

No Oasisbr é possível a qualquer pessoa cadastrar-se no sistema e através de login e
senha terem acesso a algumas funcionalidades como: salvar históricos de busca feitos pelo
usuário e acessar cesta de registro, onde o usuário pode salvar registros de seu interesse
encontrados na pesquisa.
■ Quanto a contribuição do Portal para o acesso aberto à informação científica:
O Portal Oasisbr é um dos principais resultados da política de acesso aberto à
informação científica adotada pelo IBICT, representa o esforço desta instituição para inserir a
ciência brasileira no contexto do movimento de acesso aberto e permitir o conhecimento pela
população brasileira da literatura científica produzida no país, dando visibilidade às pesquisas,
pesquisadores e suas instituições.
O Oasisbr abrange não apenas a produção científica brasileira, mas também
portuguesa, disponibilizando aproximadamente uma quantidade de 438.431 documentos em
sua base. Dentro de repositórios e revistas são disponibilizados artigos científicos, alcançando
um número de mais

de 40.000

mil;

cerca de 600 livros;

mais

de

35.000

teses;aproximadamente 400 relatórios científicos; capítulos de livros; trabalho apresentados
em eventos; dissertações; patentes; pré-print; projetos de pesquisa, resenhas e demais trabalho
de conclusão de curso.
Toda esta informação disponibilizada pode ser acessada por qualquer pessoa, em
qualquer lugar do mundo através da internet, os documentos dentro de seus respectivos

343

�repositórios estão em texto completo, podendo ser baixados e salvos pelo usuário, com livre
utilização, desde que se respeitem os direitos autorais do pesquisador.
O portal constitui-se numa ferramenta ampla de acesso aberto à informação para
pesquisa integrando diversas instituições como fontes de busca, no Oasisbr é possível realizar
busca simultânea em todas essas fontes e compilar as informações advindas dos mais diversos
suportes. O usuário não precisa realizar buscas em cada repositório, o próprio portal faz esta
busca, abarcando fontes até mesmo ainda não conhecidas, aumentando a possibilidade de
resultados satisfatórios na pesquisa. Esse é um dos grandes objetivos do portal, unir a
produção científica dispersa nos repositórios, revistas científicas, bibliotecas digitais, etc. e
disponibilizá-las ao público geral através de uma interfaceprática de busca.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O acesso aberto à informação científica ganha cada vez mais a dimensão de um
movimento político e social, suas ações atingem pesquisadores que querem ver suas pesquisas
publicadas em grandes revistas e obter reconhecimento, editoras que comercializam a
produção científica, instituições que são base para os autores no desenvolvimento de suas
pesquisas, poder público que financia grande parte das pesquisas científicas e toda a
comunidade científica e geral que necessita do acesso à informação e nem sempre pode pagar
por ele. São muitos os envolvidos e diversos os interesses que movem cada um deles no
contexto do acesso aberto, por isso mesmo o movimento é alvo de muitos debates na
comunidade científica nacional e internacional.
A ideia de que o desenvolvimento individual e coletivo só ocorre a partir da produção,
difusão e uso da informação científica é uma realidade aceita e perceptível nos diversos
setores sociais. A produção científica só provoca efeitos se divulgada, se entra em contato
com a comunidade e as iniciativas de acesso aberto à informação científica trabalham nesta
perspectiva, levar a ciência a quem precisa dela. Porém estas ações ainda não tem o impacto
necessário para efetivar o movimento de livre acesso. Valera, Barreira e Barbosa (2011, p. 3)
colocam que:
Apesar de todo este movimento quer político, quer tecnológico, ainda assim
são apontadas deficiências, de duas naturezas, na recuperação da
informação. Uma diz respeito ao desconhecimento da fonte pelo usuário, a
inexperiência no uso de fontes, a dificuldade de compreensão da estrutura
lógica de organização e funcionamento da fonte de indexação, além de
outras [...].

344

�Ou seja, não adianta criar canais de acesso aberto à informação científica e o os
mesmos não serem conhecidos pelos usuários, não saberem se utilizar destas ferramentas. Por
isso foi importante a pequena exposição neste trabalho da atuação do IBICT no Brasil na área
de acesso livre e do portal Oasisbr como fonte de pesquisa da produção científica brasileira.O
Oasisbr é uma importante ferramenta de livre acesso à informação científica, possui uma
interface muito prática de busca, podendo atingir diversos públicos, do estudante ao
pesquisador. Disponibiliza informação em todas as áreas do conhecimento, provindas de
inúmeras universidades e instituições de pesquisas e nas mais diferentes formas de
publicações. E o mais importante, adota padrões que prezam pela a qualidade da informação.
É fundamental dar a conhecer esta e outras inciativas desenvolvidas pelo IBICT.
O Brasil é a quinta maior nação em número de repositórios digitais e a terceira em
quantidade de publicações periódicas de acesso livre e esses números podem avançar ainda
mais, é preciso ainda conscientização de pesquisadores, editoras, instituições de pesquisas e
do próprio poder público sobre a importância de incentivar a disponibilização de forma
gratuita e sem restrições das pesquisas desenvolvidas no país. É preciso que haja mais canais
de comunicação científica, porém canais que disseminem informações de qualidade. É
necessário que se estabeleçam estruturas, critérios, padrões dentro dessas iniciativas que
garantam o acesso à informação verdadeiramente científica para que assim o processo de
desenvolvimento social e da ciência possa acontecer.

6 REFERÊNCIAS
BLOG do kuramoto. Disponível em:&lt;http://kuramoto.blog.br/&gt;. Acesso em: 10 mar. 2014.
CARVALHO, Isabel Cristina Louzada; KANISKI, Ana Lúcia. A sociedade do conhecimento
e o acesso à informação: para que e para quem? Ci. Inf., Brasília, v. 29, n. 3, p. 33-39,
set./dez. 2000. Disponível em:&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n3/a04v29n3.pdf&gt;. Acesso
em: 23 fev. 2014.
DECLARAÇÃO de apoio ao acesso aberto à literatura científica - "Carta de São Paulo".
2005.
Disponível
em:&lt;http://acessolivrebrasil.files.wordpress.com/2008/09/2005declarac3a7c3a3o-de-apoio-ao-acesso-aberto-c3a0-literatura-cientc3 adfica-carta-de-sc3a3opaulo.pdf&gt;. Acesso em: 11 abr. 2014.
DROESCHER, Fernanda Dias. As publicações em acesso livre e a avaliação de impacto.
2012. Dissertação (mestrado) - Centro de Ciências da Educação. Universidade Federal de
Santa Catarina. Florianópolis, SC, 2012. Disponível em:&lt;
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24.
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em:&lt;https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/3827&gt;. Acesso em: 10 mar. 2014.

346

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O artigo apresenta o Portal Brasileiro de Acesso Aberto à Informação Científica (Oasisbr) como iniciativa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) ao livre acesso à produção científica de autores vinculados a universidades e institutos de pesquisa. Aborda a importância social do tema, destacando de modo específico a estrutura do Oasisbr, seu funcionamento, diretrizes para participação de instituições e políticas de acesso. Para tanto, foi realizada pesquisa exploratória e bibliográfica, com abordagem qualitativa, sendo o levantamento de dados feito em livros, artigos de periódicos, junto ao IBICT e site do portal. Os resultados apontam que o Oasisbr coleta e divulga,de forma gratuita,informações científicas de fontes de pesquisa como repositórios institucionais, periódicos científicos eletrônicos, anais eletrônicos, etc. Para isto adota critérios que permitem a interoperabilidade entre as mesmas e o portal, disponibilizando grande quantidade de documentosaos usuários como ferramenta ampla de acesso aberto à informação para pesquisa. O Oasisbr representa o esforço do IBICT para inserir o Brasil no contexto do movimento de acesso aberto, dando oportunidade à população brasileira de usufruir da literatura científica produzida no país, permitindo maior visibilidade às pesquisas, pesquisadores e instituições. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROJETO ACESSIBILIZANDO: UMA PROPOSTA DE ACESSIBILIDADE PARA O
SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS DA UNIVASF

Ana Paula Lopes da Silva
Ana Cleide Lúcio Pinheiro
Lucídio Lopes de Alencar

RESUMO
O referido trabalho retrata uma proposta de atuação para o Sistema Integrado de Bibliotecas
da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/UNIVASF) perante o público
deficiente no que se refere à sua acessibilidade. Através do levantamento das necessidades
dos usuários deficientes faz-se uma exposição dos meios de adaptação para a promoção de
acessibilidade física e informacional, sendo abordados aspectos como localização, instalações,
equipamentos, recursos tecnológicos, iniciativas e serviços a serem adotados nas unidades de
informação do SIBI. As bibliotecas do SIBI/UNIVASF já começam a atender pessoas com
deficiência e sentem a necessidade de adaptar-se para promover a inclusão social deste
público.

Palavras-chave:Bibliotecas-Inclusão.
informacional. SIBI-UNIVASF.

Deficiência.Acessibilidade

física.

Acessibilidade

ABSTRACT
That work shows an action plan for the Integrated Library System o f the Federal University of
Vale do São Francisco (SIBI / UNIVASF) to the public with disabilities in relation to its
accessibility. Surveyed the needs of disabled users it is a statement of the means of adaptation
for the promotion of physical and informational accessibility, being approached aspects such
as location, facilities, equipment, technology resources, services and initiatives to be adopted
in the units of information SIBI. Libraries SIBI / UNIVASF have begun to accommodate
people with disabilities and feel the need to adapt in order to promote the social inclusion of
the public.
Keywords: Libraries - Inclusion.
accessibility. SIBI-UNIVASF.

Disabilities.

Physical

accessibility.

Informational

1 INTRODUÇÃO
O Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI) da Universidade Federal do Vale do São
Francisco (UNIVASF) é constituído atualmente por 05 bibliotecas(Campus Petrolina-PE;
Juazeiro-BA; Ciências Agrárias-PE; São Raimundo Nonato-PI e Senhor do Bonfim-BA). Há

1559

�ainda, em construção, a biblioteca do campus de Paulo Afonso-BA.As bibliotecas ligadas ao
sistema possuem aproximadamente 45.000 exemplares em seus acervos, mais de 4.000
usuários cadastrados em seu sistema, com média anual de empréstimo domiciliar de 154.000
exemplares, além disso, há a comunidade externa que visita e se utiliza diariamente das
bibliotecas do SIBI.
Apesar de várias conquistas alcançadas pelo SIBI, ainda há muito a ser aperfeiçoado.
Um exemplo disso é a questão da acessibilidade para pessoas com deficiência. A inclusão
social desse público é uma preocupação que atinge os diversos setores sociais e as unidades
de informação não podem se abster de inserir em seu contexto práticas inclusivas e cumprir
com sua responsabilidade social. Dessa forma, as bibliotecas do SIBI/UNIVASF têm a missão
de assegurar e propiciar o acesso à informação para todas as pessoas que buscam o
conhecimento nesses centros de informação.
O projeto Acessibilizando constitui-se numa iniciativa do SIBI/UNIVASF e tem como
objetivo geral: tornar acessíveis as bibliotecas que compõe o Sistema Integrado de Bibliotecas
da UNIVASF, facilitando o acesso às suas dependências, permanência e circulação por parte
de usuários deficientes. Esse projeto tem como objetivos específicos: adaptar a estrutura física
das bibliotecas e realizar a aquisição de materiais, recursos físicos, tecnológicos e
informacionais para os usuários com algum tipo de deficiência.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A deficiência está cada vez mais presente na sociedade e atinge, atualmente, grande
parcela da população brasileira. Já são mais de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de
deficiência, o que corresponde a quase 24% da população (IBGE, 2012), demonstrando a
necessidade de maior atenção e assistência a essas pessoas.
A Lei n° 10.098/00, que estabelece as normas gerais para a promoção de acessibilidade
às pessoas com deficiência, traz em seu art. 2, inciso I, a definição do termo acessibilidade:

Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com
segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos,
das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por
pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida
(LEGISLAÇÃO..., 2006, p. 90).
Diante disso, entende-se acessibilidade como o que consiste em conseguir se utilizar
inteiramente e de forma independente de todos os ambientes e recursos, possibilitando a

1560

�participação das pessoas com deficiência nos diversos setores sociais e (por que não?)dentro
das bibliotecas.
Conforme Jovanovich (2011), a biblioteca universitária é um ambiente propício para a
inclusão e promoção da acessibilidadee isso deve ser uma prática constante na atuação do
profissional bibliotecário.

Uma biblioteca acessível é um espaço que permite a presença e proveito de
todos, e está preparada para acolher a maior variedade de público possível
para as suas atividades, com instalações adequadas às diferentes
necessidades e em conformidade com as diferenças físicas, antropométricas
e sensoriais da população (PUPO; MELO; FERRES, 2006, p. 21).
Segundo a norma de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT),acessível é o “espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento que
possa ser alcançado, acionado, utilizado e vivenciado por qualquer pessoa, inclusive aquelas
com mobilidade reduzida”(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004,
p. 2).
A ABNT propõe queas bibliotecas devam possuir em seus acervos: publicações em
braile ou outros recursos audiovisuais. No quesito mobiliário, esses devem estar adaptados
para pessoas em cadeira de rodas e pessoas com mobilidade reduzida.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Inicialmente foi sinalizada a disponibilização de recursos pela universidade para a
concretização do projeto através da Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento
Institucional - PROPLADI.
A partir deste momento, foram realizadas reuniões com os bibliotecários de cada
unidade de informação para levantaras reais necessidades das bibliotecas do SIBI acerca das
ações de inclusão de pessoas com deficiência,assim como foi feito o contato com usuários
deficientes para solicitar deles sugestões de adequação e adaptação dos espaços.
Além disso, buscou-se a realização de parceria com setores que trabalham com a
inclusão de pessoas com deficiência dentro da universidade. Através da observação da
situação apresentada e estudo da legislação acerca do tema, foram formuladas iniciativas de
atuação e orçamento de produtos e serviços.

1561

�4 RESULTADOS PARCIAIS
Fez-se o levantamento de medidas necessárias para facilitar o acesso de deficientes às
bibliotecas da UNIVASF:
•

instalação de piso tátil alerta e direcional, que funciona como guia, facilitando a
circulação de deficientes visuais e identificando a presença de obstáculos;

•

adaptação de banheiros;

•

adaptação de balcões de atendimento à altura adequada;

•

uso de fitas antiderrapantes em escadas e rampas para evitar escorregamento;

•

placas indicativas nas portas e nas estantes em libras, com formato ampliado, ou em
braille, bem como a adoção de figuras e caracteres em relevo;

•

sinalização sonora para divulgar informações e avisos;

•

computadores de consulta (pelo menos um) adaptados para permitir a ampliação dos
textos; teclado com teclas em braille e em tamanho ampliado;

•

aquisição se softwares sintetizadores de voz e ampliadores de tela que permitam aos
usuários a leitura e impressão de textos digitais em braillee navegação na internet;

•

aquisição de recursos tecnológicos como scanner com voz, impressora braille, lupas
eletrônicas, aparelhos de som para audição de CDs e fones de ouvido, a fim de auxiliar
deficientes visuais;

•

adaptação do acervo, com aquisição de obras em braille, tipos ampliados e em áudio;

•

aquisição de obras acessíveis junto às instituições de apoio aos deficientes por meio de
doações, como por exemplo: Instituto Benjamin Constant; Fundação Dorina Nowill e
Senado Federal.

•

permissão de acesso do cão guia que acompanha o deficiente visual nas dependências
da biblioteca, conforme a Lei 11.126/05(BRASIL, 2005);

•

treinamento de funcionários na orientação quanto ao uso de recursos de acessibilidade
e tratamento de usuários deficientes.

Foram

identificados

também

os

materiais,

recursos

físicos,

tecnológicos

e

informacionais para adaptação das bibliotecas do SIBI:

1562

�Quadrol: Levantamento de produtos e serviços para acessibilidade
PRODUTOS E SERVIÇOS ACESSÍVEIS
~
Opção 1: Piso tátil Brasil borracha sintética alerta e direcional 250X250X5MM azul, amarelo, vermelho,
verde, preto ou cinza.(área interna).
Cola de contato extra 2,8 kg - para fixação do Piso Tátil Brasil ekobrasil (rende aproximadamente 16 m de
piso tátil aplicado)
Opção 2: Piso tátil discreetpu revestido com inox (elementos discretos) alerta e direcional 250x250x3mm colagem direta no contrapiso liso, cerâmica, porcelanato, granito e demais pisos lisos - acompanha gabarito
para instalação.(área interna)
Opção 3: Piso tátil discreetpvc (elementos discretos) alerta e direcional 250x250x3mm azul, amarelo, cinza
ou preto - colagem direta no contrapiso liso, cerâmica, porcelanato, granito e demais pisos lisos - acompanha
gabarito para instalação.(área interna)
Piso tátil brasil borracha sintética argamassado alerta/direcional 250x250x10mm azul, amarelo, vermelho,
verde, preto ou cinza - uso externo (fixado com argamassa para áreas externas como calçadas)
Piso tátil carpet borracha sintética alerta e direcional 250x250x7mm azul, amarelo, vermelho, verde, preto ou
cinza - fixado diretamente sobre pisos carpetes pelo sistema velcro integrado ao piso tátil.
Placa tátil braille/relevo aço inox 30x20cm - uso sinaliz. portas diversas (05 a 06 palavras).
Placa tátil braille/relevo/símbolos aço inox 27x14cm - uso sinaliz. de portas div. (03 ou 04 palavras com
símbolos).
Placa tátil braille/relevo alumínio 10x3cm - uso corrimão. (ex: inicio ou fim)
Placa vinil autoadesiva com símbolos diversos (visuais, auditivos, entre outros disponíveis no site) 15x20cm
Fita antiderrapante total walk preta ou incolor 50MMX20MM
Lupa eletrônica Portátil Pebble HD de enhancedvision, Visor grande 4.3alta resolução de 1,25 a 13,5X. 28
modos diferentes de visualização, em uma tela de 4,3" (9,5 cm de comprimento por 5,5 cm de largura), com
cabo dobrável
Kit com 6 lupas manuais- Lupa Horizontal (ampliação de 2 x;65 mm de comprimento, com tolerância de até
± 2,5%;), Lupa Manual sem iluminação acoplada(Ampliação de 3 x; Dioptrias: 12; Diâmetro: no mínimo, 44
mm),Lupa de apoio(Ampliação de 7 x; Dioptrias: 28; Diâmetro: no mínimo, 35mm)Lupa Manual com
iluminação acoplada (Ampliação de 9 x; Dioptrias: 36; Diâmetro: no mínimo, 35mm)Lupa Manual com
iluminação acoplada(Ampliação de 11 x; Dioptrias: 44; Diâmetro: no mínimo, 30mm)Lupa de apoio
(Ampliação de 12,5 x; Dioptrias: 50; Diâmetro: no mínimo, 30mm)
Lupa Articulada de Mesa (4x e suas dimensões são 25 cm de largura x 18 cm de altura. Peso 1.4kg)
Lupa eletrônica Aladdinpremium- RD-BBZ/ Sistema vertical com tela LCD , amplia de 5x a 40x/Opção de
tela de 17 a 22 polegadas, Foco em zoom mecânico, Mesa com movimento XY, onde se coloca qualquer
objeto que se queira ler ou escrever.
Scanner com voz Sara PC/FreedomScientific(Resolução de até 2400 dpi; Sensor de imagens colorido;
Interface: USB 2.0; Possui tamanho da área de digitação de 215 x 297mm, para papel carta e A4, Apoiado
por: o Driver de CD-ROM; Porta USB disponível; Memória RAM: 256 MB, com 500 MB livres no HD.
Teclado com teclas em braille e em tamanho ampliado
Mouse com rolagem para os pés (4 teclas coloridas que fazem as funções de: clique, duplo clique, arrastar e
botão direito,02 barras de rolagem, Base do mouse de metal e teclas constituídas de polímero,Barras de
rolagem emborrachadas,conexão USB, de, no mínimo, 1,5m, Dimensão da base: 7,5 cm de altura, 22,5 cm
de comprimento e 25,5 cm de largura, com tolerância de +- 2,5%, na cor amarela; Dimensão dos botões: 4 X
6 cm, com tolerância de +- 2,5%, botões coloridos; Dimensão da barra de rolagem: 6,5 cm de comprimento e
3 cm de diâmetro, com tolerância de +- 2,5%, na cor preta.

1563

�Kit contendo: Mouse com entrada para acionador, Acionador de pressão, Teclado colmeia
Impressora Braille Index Basic-D V4/Tecassistiva - TECA
Papel Braille- Tamanho da folha: 240 x 280mm (24 x 28cm)Gramatura: 180gr. Caixa com 1.000 folhas.
Relógio de Parede Libras -Relógio redondo 24 cm/cor moldura: preta/AJA Loja de Libras
Aparelho se som
Fones de ouvido
Sistema operacional DOSVOX -Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) (http://intervox.nce.ufri.br/dosvox/)
Programa Braille Fácil - Instituto Benjamin Constant- (http://intervox.nce .ufri .br/brfacil/)
Aquisição de obras em braile, tipos ampliados e em áudio
Fonte: Elaborado pelo autor

Previsão para realização de atividades e implantação das medidas estabelecidas no
projeto:

Quadro 2 : Cronograma do projeto
PERÍODO(Mês)
Agosto/2014
Novembro/2014

ATIVIDADES
Apresentação do projeto para ser analisado
Contratação/Contatar uma empresa que ficará responsável pela compra dos
equipamentos / Implantação das medidas previstas
Março/2015
Treinamento com todos os funcionários do SIBI a fim de orientar o uso adequado
dos equipamentos adquiridos
Fonte: Elaborado pel o autor

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
As pessoas necessitam constantemente de informação e nada mais justo que ela esteja
ao alcance de todos, independente de suas limitações físicas e sensoriais. Esse é o caso das
pessoas com deficiência, que necessitam de meios adaptados para frequentar bibliotecas e
acessar informação. Adaptar-se e tornar-se acessível é uma postura da biblioteca que pode
agregar os deficientes não apenas a seu contexto, mas a toda a sociedade.
O SIBI/UNIVASF acredita que, como órgão social, deve acompanhar as mudanças e o
desenvolvimento da comunidade usuária, atendendo às suas diversidades. O aumento de
pessoas com deficiência é uma realidade que não pode ser ignorada e o Projeto
Acessibilizando,ainda em processo de formulação e adequações, caminhapara proporcionar
acesso à informação para todos.

1564

�REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050 : acessibilidade a
edificações,

mobiliário,

espaços

e

equipamentos

urbanos.

2004.

Disponível

em:&lt;http://portal.m.i.gov.br/corde/arquivos/ABNT/NBR9050-31052004.pdf. &gt;Acesso em: 13
nov. 2013.
BRASIL. Lei n° 11.126 de 27 de junho de 2005 . Dispõe sobre o direito do portador de
deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de
cão-guia.

2005.

Disponível

em:&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-

2006/2005/Lei/L11126.htm&gt;. Acesso em: 16 nov. 2012.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico2010:
características gerais da população,religião e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: IBGE,
2012. Disponível em:&lt;http://loja.ibge.gov.br/censo-demografico-2010-caracteristicas-geraisda-populac-o-religi-o-e-pessoas-com-deficiencia.html&gt;. Acesso em: 29 nov. 2013.
JOVANOVICH, Eliane M.S. O decreto n° 5.296 de 2 de dezembro de 2004 e a acessibilidade
nas bibliotecas universitárias: o caso do sistema de bibliotecas da universidade estadual de
Londrina.

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DOCUMENTAÇÃO

CONGRESSO
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CIÊNCIA

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DE

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Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2006.
PUPO, Deise Tallarico; MELO, Amanda Meincke; FERRÉS, Sofia Pérez. Acessibilidade:
discurso e prática no cotidiano das bibliotecas. Campinas, SP: UNICAMP, 2006. Disponível
em:&lt;http://blogs.cultura.gov.br/bibliotecaviva/files/2009/05/livro_acessibilidade_bibliotecas.
pdf&gt;.Acesso em: 10 out. 2013.

1565

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Projeto acessibilizando: uma proposta de acessibilidade para o Sistema Integrado de Bibliotecas da UNIVASF.</text>
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                <text>Silva, Ana Paula Lopes da, Pinheiro, Ana Cleide Lúcio, Alencar, Lucídio Lopes de</text>
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                <text>O referido trabalho retrata uma proposta de atuação para o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/UNIVASF) perante o público deficiente no que se refere à sua acessibilidade. Através do levantamento das necessidades dos usuários deficientes faz-se uma exposição dos meios de adaptação para a promoção de acessibilidade física e informacional, sendo abordados aspectos como localização, instalações, equipamentos, recursos tecnológicos, iniciativas e serviços a serem adotados nas unidades de informação do SIBI. As bibliotecas do SIBI/UNIVASF já começam a atender pessoas com deficiência e sentem a necessidade de adaptar-se para promover a inclusão social deste público.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DE BIBLIOTECAS DOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO,
CIÊNCIA E TECNOLOGIA: A ABORDAGEM SOCIOCOGNITIVA

Angela Cardoso Ferreira Silva

RESUMO
O presente trabalho objetiva desenvolver reflexão teórica sobre as bibliotecas no contexto dos
institutos federais de educação, ciência e tecnologia e a relevância da abordagem do sujeito
sociocognitivo para a gestão das mesmas. As bibliotecas da educação profissional e
tecnológica compartilham da contradição desse segmento educacional que é a formação
humana versus formação profissional, para atingir um ideal de formação integral e inclusiva.
A abordagem sócio-cognitiva preconiza que os indivíduos internalizam e demandam
informações de acordo com suas pertenças e vivências sociais. Essa abordagem orienta
estudos que promovam maior compreensão dos usuários das bibliotecas dos IFETs, o que
permite o desenvolvimento de produtos e serviços de informação cognoscíveis e socialmente
relevantes para os grupos. Concluímos que é importante a assimilação da abordagem do
sujeito sócio-cognitivo pelas bibliotecas dos institutos federais, principalmente no que se
refere à organização e administração, ao planejamento, ao marketing e comunicação e ao
desenvolvimento de coleções.
Palavras-chave: Bibliotecas. Educação profissional. Abordagem sociocognitiva.

ABSTRACT
This paper aims to develop a theoretical reflection on libraries located in the Federal Institutes
of Education, Science and Technology (IFET), and also on the relevance of the socio­
cognitive approach to the subject to the management of such libraries. The libraries of
professional and technological education share the contradiction of this educational segment
which is human education versus professional training, to achieve an ideal of comprehensive
and inclusive education. The socio-cognitive approach advocates that individuals internalize
and demand information according to their affiliations and social experiences. This approach
directs studies that promote greater understanding of the users of the libraries of the IFETs,
allowing the development of products and services of information knowable and socially
relevant to groups. We conclude that it is important to assimilate the socio-cognitive approach
to the subject by the libraries of the Federal Institutions, especially with regards to the
organization and administration, planning, marketing and communication, and the
development of collections.
Key-words: Libraries. Professional education. Socio-cognitive approach.

1091

�1 INTRODUÇÃO
A biblioteca em ambientes educacionais associa-se à missão maior da escola como
instituição de socialização funcionando como organismo voltado para práticas educacionais.
Dessa forma, apresenta funções de busca, organização e disseminação de informações
relevantes para determinados grupos, de modo a fortalecer e subsidiar os processos
educacionais para inclusão social e cidadania. Por conseguinte, bibliotecas em ambientes de
educação respondem às políticas educacionais e às conjunturas sociais, econômicas e culturais
do contexto em que estão inseridas. Podemos compreender, ainda, que a organização
estratégica de bibliotecas e serviços de informação volta-se para o atendimento de demandas
informacionais de sujeitos sociais específicos.
A Educação é o campo do conhecimento diretamente relacionado às práticas de ensino
e aprendizagem em contextos sociais. A aprendizagem, como processo, desenvolve-se a partir
da ação mental do indivíduo sobre a realidade por ele apreendida. Como recurso, a
aprendizagem permite adaptação e ação sobre essa realidade. Como efeito, a aprendizagem
implica numa transformação das estruturas cognitivas do indivíduo, que lhe permite uma
ressignificação da realidade. A Educação teria como pressuposto a compreensão das
interações e constantes trocas do indivíduo com o contexto no qual está inserido, no sentido
de que um exerce participação na conformação do outro e ambos se integram para uma
definição mútua. Sob essa perspectiva, as bibliotecas em contextos educacionais estruturar-seiam a partir do elencamento e disseminação de informações socialmente eficazes para um
determinado grupo.
Com base nessas considerações, focamo-nos nas especificidades e funções das
bibliotecas dos Institutos Federais de Educação, Ciência e tecnologia (IFETs). Essas
bibliotecas assumem características de bibliotecas públicas, escolares e universitárias.
Direcionam-se, assim como os próprios institutos, para questões educacionais de uma
sociedade de classes sob as diretrizes neoliberais, que conduz os indivíduos a buscarem
formas de elevar seus níveis de escolaridade e qualificação profissional. Com uma estrutura
acadêmica, atendem a um variado público de estudantes de ensino médio, subsequente,
superior, de pós-graduação e de jovens e adultos. Além de estudantes, têm como usuários
professores, técnicos administrativos e sociedade em geral. As práticas de pesquisa e extensão
são desenvolvidas nos níveis médio e superior. Os cursos superiores dos Institutos são, para
todos os efeitos, equiparados aos das universidades federais.
Podemos desenvolver reflexões sobre gestão de bibliotecas em contextos educacionais
sob considerações do fenômeno informacional e da abordagem do sujeito cognitivo-social. As

1092

�bibliotecas têm como missão fundamental gerir elementos ou recursos de informação. A
informação, por si só, é um corpo de dados que comporta um potencial de sentido. Esse
sentido surge quando a informação externa ao indivíduo associa-se à sua estrutura interna por
meio de sua ação mental. Por meio de estratégias e representações a troca entre objetividade e
subjetividade se efetiva, gerando o conhecimento.
Para que a compreensão do fenômeno informacional seja mais representativa,
devemos considerar o sujeito do conhecimento: o sujeito/usuário de informação e o
sujeito/gerador de conhecimento. Uma linha conceitual pertinente seria a abordagem do
sujeito sociocognitivo. Esta abordagem considera que o sujeito do conhecimento também é
um sujeito social. Como fundamento, temos que as práticas informacionais são mediadas por
um sistema de conceitos que constituem um “modelo” de mundo para o sujeito do
conhecimento. Esse modelo conceitual opera como uma unidade de seleção na “filtragem” e
estruturação, tanto na emissão como na recepção da informação.
No campo da Ciência da Informação estudos incorporam a dimensão sócio-cultural
das práticas informacionais. Entre esses estudos Hjorland e Albrechstsen , desenvolvem sua
abordagem denominada Análises de Domínio, a partir de um enfoque sócio-cognitiva.
Conforme esses autores:
[...] O paradigma orientado a análise de domínio em Ciência da Informação,
afirma que o melhor caminho para compreender a informação é estudar os
domínios de conhecimento como unidades de pensamento ou de discurso.
Estas, por sua vez, são divisões da sociedade do trabalho. A organização do
conhecimento, sua estrutura, seus padrões de cooperação, suas formas de
comunicação e linguagem, seus sistemas de informação e seus critérios de
relevância, são reflexões dos objetos de trabalho dessas comunidades e de
seu papel na sociedade (HJORLAND; ALBRESCHSTSEN, 1995).
A partir dessas considerações objetivamos desenvolver reflexão teórica sobre as
características e conformações necessárias ou desejáveis para as bibliotecas dos IFETs. Essas
bibliotecas voltam-se para um heterogêneo corpo de usuários da educação profissional e
tecnológica. Utilizaremos abordagens de sujeitos cognitivos- sociais, de forma a considerar
como objetivo maior a organização e disseminação da informação socialmente relevantes para
atender as necessidades acadêmicas e culturais dos segmentos estudantis e profissionais.

2 MÉTODO UTILIZADO
Para elaboração desse estudo teórico utilizamos revisão de literatura. Apresentamos
considerações iniciais sobre a relevância da abordagem do sujeito sociocognitivo para

1093

�desenvolvimento de estudos de usuários e práticas de gestão de bibliotecas dos IFETs. Essa
abordagem considera as comunidades de discurso e pertenças sociais dos indivíduos, assim
como o modo pelos quais estas orientam a percepção e ação dos sujeitos no mundo. Trata-se
de uma abordagem necessariamente multidisciplinar, contando com diferentes linhas teóricas
e metodológicas do campo das ciências sociais para aplicações efetivas em diferentes
pesquisas.
Tivemos a oportunidade de utilizar a abordagem sociocognitiva em pesquisas
anteriores. A princípio realizamos um estudo sobre os impactos da informação sobre um
grupo de estudantes a partir de referencial teórico da Ciência da Informação (ARAÚJO, 1998;
BROOKES, 1980; GÓMEZ, 1984; HJORLAND; ALBRECHSTSEN, 1995).

Em um

segundo momento, trabalhamos política educacional para jovens utilizando a teoria das
Representações Sociais (ABRIC, 1998; MOSCOVIC, 1978, 2003; JODELET, 2001). A
atuação como bibliotecária durante sete anos no Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia da Paraíba (IFPB) apresentou desafios relacionados às características sociais dos
grupos usuários das bibliotecas, o que nos convenceu da validade da abordagem
sociocognitiva e conduziu-nos para elaboração do presente trabalho.

3 BIBLIOTECAS NO CONTEXTO DOS IFETS
As políticas educacionais contemporâneas no Brasil são engendradas a partir de uma
realidade histórica de fortes desigualdades sociais. Consoantes à globalização econômica e
sob a égide de uma constituição cidadã91, essas políticas assumem os aspectos contraditórios
entre capitalismo e democracia. Segundo Azevedo (2004) o vértice principal das políticas é o
desenvolvimento econômico, isto porque o desenvolvimento da sociedade é a meta principal,
na medida em que o mundo da produção dos bens materiais e do seu consumo alimenta a
existência humana influenciando diretamente as relações sociais. A educação como política
pública volta-se para questões relacionadas às novas dinâmicas produtivas e às revoluções
científica e tecnológica; assim como ao quadro de exclusão e desigualdades socioeconômicas.
As principais mudanças que impregnam hoje as políticas educacionais no Brasil
ocorreram a partir da década de 1990, seguindo ideários e diretrizes de encontros e decisões
internacionais sobre educação92 que, em seus aspectos negativos, apresentam tendências à

91Constituição Brasileira de 1988.
92Conferência Mundial de Educação para Todos, realizada em 1990, financiada pela UNESCO (Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura); UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a
Infância); PNDU (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e Banco Mundial. Lançamento do
documento econômico da CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) - Tranformación

1094

�acriticidade, dualidade educativa e reprodução socioeconômica. Estabelece-se uma sintonia e
uma conexão entre a exaltação às forças de mercado, com as correspondentes políticas de
liberalização e desregulamentação e a hegemonia conservadora sobre as formas de
consciência social e suas implicações na educação (SHIROMA; MORAES; EVANGELISTA,
2000).
Nesse contexto, a educação profissional e tecnológica (EPT) conforma-se como
segmento fundamental para responder ao projeto educacional e social que se estabelece. A Lei
9.394/96, de diretrizes e bases da educação nacional, tem seu conteúdo referente à EPT
reformulado pela Lei 11.741/08. Essa reformulação apresenta os objetivos de redimensionar,
institucionalizar e integrar as ações da educação profissional técnica de nível médio, da
educação de jovens e adultos e da educação profissional e tecnológica. No Plano de
Desenvolvimento da Educação (PDE), é proposto o enlace da educação com o
desenvolvimento econômico e social territorial, a partir da ampliação da rede federal de
educação profissional e tecnológica (BRASIL, 2007). O Decreto 6.095/07 estabelece
diretrizes para a integração de instituições federais de educação tecnológica objetivando a
composição dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs) (BRASIL,
2007). A Lei 11.892/08 cria os IFETs. Essa Lei define, entre as finalidades e os objetivos dos
institutos, a oferta de educação profissional e tecnológica para os níveis médio e superior,
para a educação de jovens e adultos (EJA) e para cursos de formação inicial e continuada,
objetivando a formação e a qualificação com vistas na atuação profissional com ênfase no
desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional (BRASIL, 2008).
A EPT, consolidada principalmente através dos Institutos Federais e sua proposta de
integração da formação profissional com os diferentes níveis e modalidades de ensino, vem a
responder questões de uma sociedade de classes sob as diretrizes neoliberais, que conduz os
indivíduos a buscarem formas de elevar seus níveis de escolaridade e qualificação
profissional. Conforme Fischer e Franzoi (2009) a pedagogia do capital é hegemônica. Dessa
forma, quando pensada para atender aos novos requisitos da reestruturação produtiva, essa
preparação para o trabalho reforça compreensões estritas sobre o manejo da técnica sem a
problematizar, sem que a mesma seja compreendida como construção humana, sendo
necessária a incorporação do trabalhador enquanto ser humano integral.

Productiva con Equidad. Convocada pela UNESCO, a Comissão internacional sobre Educação para o século
XXI, coordenada pelo francês Jacques Delors, que organizou o relatório Educação, um tesouro a descobrir.
Dentro das agências multilaterais, o Banco Mundial lança o documento Prioridades y Estratégias para la
Educación. (SHIROMA; MORAES; EVANGELISTA, 2000).

1095

�Na perspectiva de uma formação humana e integral, e para que se estabeleçam como
sustentáveis e inclusivas, as instituições de EPT voltar-se-iam para contribuir com o aumento
da capacidade de (re) inserção social, laboral e política dos seus formandos. O mundo do
trabalho demanda por indivíduos autônomos que possam atuar em um ambiente de geração e
transferência do conhecimento. Entretanto, é necessário que esses profissionais ultrapassem
esses limites e, ao alcançarem uma verdadeira autonomia, possam atuar na perspectiva da
transformação social orientada aos interesses e necessidades das classes trabalhadoras
(MOURA, 2008).
Nesse contexto, as bibliotecas da educação profissional e tecnológica voltam-se para
ofertar subsídios informacionais para as práticas de ensino, pesquisa e extensão dos institutos.
Essa estrutura é paralela à estrutura das universidades em sua forma acadêmica, ofertando,
todavia, ensino médio, superior, pós-graduação e ainda formação inicial e continuada.
Podemos considerar que as bibliotecas do IFETs conformam-se como bibliotecas
universitárias com usuários segmentados por níveis e modalidades de ensino, voltadas para
formação profissional e tecnológica em seus vários formatos. Assim, nossa análise sobre as
bibliotecas da EPT atravessam análises das bibliotecas universitárias.
Conforme Miranda (1978) antes de constituir-se em um problema técnico possível de
ser submetido às leis da biblioteconomia, as bibliotecas universitárias são antes um fenômeno
social, devendo-se realizar uma análise técnica e política do problema. Assim, consideramos
de suma importância avaliar o atual contexto social e econômico em que essas bibliotecas
inserem-se e a função social que assumem. Podemos compreender que as bibliotecas dos
IFETs são organismos institucionalizados da rede federal de educação profissional, científica
e tecnológica em expansão, que, por sua vez, responde à diretrizes globais de educação, que,
de uma forma geral, estabelecem a educação para o trabalho e desenvolvimento econômico.
Cobrindo todo o território nacional, a rede federal presta um serviço à nação
ao dar continuidade à sua missão de qualificar profissionais para os diversos
setores da economia brasileira, realizar pesquisa e desenvolver novos
processos, produtos e serviços em colaboração com o setor produtivo
(BRASIL, 2014).
Assim, as bibliotecas participam da mesma contradição desses institutos que é a
formação humana versus formação profissional, para atingir um ideal de formação integral e
inclusiva. Ainda, a grande heterogeneidade de seus usuários, que apresentam diferentes
situações sociais, econômicas e culturais, é um fator de importância para ser considerado na
conformação das bibliotecas. Essas bibliotecas, portanto, devem ser engendradas de forma

1096

�que seus produtos, serviços e comunicação não apenas consoem com as necessidades
informacionais para a formação integral, como também respondam as características
sociocognitivas dos grupos. Desenvolveremos essas questões na próxima seção do trabalho.

4 A ABORDAGEM SOCIOCOGNITIVA
A informação é um conceito que engloba várias definições. Um dos sentidos desse
conceito pode ser buscado por meio de sua origem etimológica. Assim, temos que informação
é uma palavra de origem latina, do verbo “informare”, que significa dar forma, colocar em
forma, construir uma ideia ou noção. A partir de sua origem etimológica podemos perceber
dois sentidos complementares para esse conceito. Assim, temos que a informação pode ser
compreendida como processo de atribuição de sentido. Em termos de práticas
informacionais

diríamos que tal processo se dá por meio de ações de recepção/ seleção das

informações recebidas. Outra compreensão pode ser formulada se considerarmos a
informação como processo de representação objetivando comunicar o sentido dado à mesma.
Esse processo acontece através das ações de codificação /emissão /decodificação /uso da
informação. Em termos de práticas informacionais diríamos que esse processo se dá por meio
de ações de geração e transferência da informação. A partir de uma visão etimológica, a
informação pode ser conceituada como uma prática social que envolve ações atribuição e
comunicação de sentido.
Conforme Brookes (1980), a informação é um elemento que provoca transformações
nas estruturas. Assim, quando se envia uma mensagem (conjunto de informações) a um ser
consciente, baseada num código conhecido, essa mensagem pode ser interpretada e a partir
daí adquirir sentido. Ao utilizar essa informação (com sentido) para resolver determinado
problema, ou se informar sobre qualquer situação, o sujeito produziu conhecimento. Tal
conhecimento pode ser a simples identificação de determinado objeto ou a compreensão exata
e completa desse mesmo objeto. Assim, quando se afirma que existe uma relação entre
informação e conhecimento e que estes elementos podem provocar transformações nas
estruturas; estamos nos baseando na ideia de que nosso estado de conhecimento sobre
determinado assunto, em determinado momento, é representado por uma estrutura de
conceitos ligados por suas relações, isto é, a nossa imagem do mundo.
Quando constatamos uma deficiência ou anomalia desse estado de conhecimento,
encontramo-nos em estado anômalo de conhecimento. Ao tentarmos obter informações que
93 Práticas Informacionais: ações de recepção, geração e transferência de informação que se desenvolvem por
meio de circuitos comunicacionais nas formações sociais (ARAÚJO, 1998).

1097

�corrigirão essa anomalia, criaremos um novo estado de conhecimento, que uma vez aplicado a
uma situação problemática, pode provocar uma nova situação ou a transformação de
estruturas. A partir das reflexões feitas compreendemos que a informação é uma prática que
envolve ações de atribuição e comunicação de sentido, que por sua vez, provocam
transformações nas estruturas mentais e/ou sociais.
Para que a compreensão do fenômeno informacional seja mais representativa,
devemos considerar o sujeito do conhecimento: o sujeito/usuário de informação e o
sujeito/gerador de conhecimento. Uma linha conceitual pertinente seria a abordagem do
sujeito sociocognitivo. Esta abordagem considera que o sujeito do conhecimento também é
um sujeito social. Como fundamento temos que as práticas informacionais são mediadas por
um sistema de conceitos que constituem um “modelo” de mundo para o sujeito do
conhecimento. Esse modelo conceitual opera como uma unidade de seleção na “filtragem” e
estruturação, tanto na emissão como na recepção da informação. Conforme Gómez (1984):
[...] uma das conseqüências dessa abordagem é que esse modelo conceitual
depende das experiências anteriores dessa indivíduo ou grupo, sendo afetado
pelos processos de socialização que recebem os indivíduos e pela vivência
histórica dos grupos sociais. São, como preferimos dizer, modelos sóciocognitivos.
A abordagem de Hjorland e Albrechstsen (1995) considera que o sujeito é cognitivo,
pois produz conhecimento, e é também social, pois participa de uma comunidade de discurso
que se estrutura a partir do mundo do trabalho. Nesse contexto, partilha e incorpora seu
conhecimento no mesmo elemento comunitário. Assim, o universo de conhecimento é
dinâmico e implica em intercâmbios constantes entre o individual e o coletivo.
Wersig (1985) também considera a realidade social em seus estudos sobre a
informação. Para este autor, as práticas informacionais acontecem sempre entre sujeitos
duplamente geradores e receptores de informação, a partir de um “equipamento prévio” que
os capacita para a comunicação e para a ação. Esse equipamento inclui, além de uma memória
de formas simbólicas que age como unidade de codificação e decodificação, um modelo
interno do contexto social e um inventário de programas e estratégias para representar o meio.
Este equipamento delimita, orienta a atividade consciente do sujeito e, consequentemente, faz
a intermediação entre o campo da consciência e o campo da ação/ execução.
Assim, as práticas informacionais configuram um discurso metainformacional que é
social, não apenas porque tal discurso tem um embasamento cultural específico, nem porque é
um dos elementos constitutivos do projeto social, mas, principalmente, porque tais práticas

1098

�são sustentadas por sujeitos sociais concretos que se representam e representam grupos e
instituições sociais. Retomando a conceituação do termo informação, temos que esta pode ser
compreendida como prática social de um sujeito cognitivo - social que desenvolve ações de
comunicação e atribuição de sentido que, por sua vez, provocam transformações nas
estruturas - tanto individuais, como sociais - pois pode gerar novos estados de conhecimento.
Considerar o fenômeno informacional sob essa perspectiva é admitir que o mesmo é
um processo constantemente reconstruído pelo sujeito do conhecimento a partir de uma certa
necessidade informacional, de uma determinada realidade social e de significados pessoais,
que poderíamos denominar de intencionalidades. Informar-se, portanto, não é um processo
finalizado quando o sujeito do conhecimento recebe /usa informação. Esse processo é algo
aberto e inacabado e, como tal, propício a reestruturações, caso contrário não poderíamos
criar novas informações, uma vez que as já existentes representariam a realidade de forma
completa e satisfatória.
Assim, consideramos que a abordagem do sujeito sócio-cognitivo inserida no
fenômeno informacional pode convergir em estudos de usuários que promovam maior
compreensão dos segmentos que utilizam as bibliotecas dos IFETs. Tal compreensão, por sua
vez, permitirá um melhor planejamento para que as bibliotecas respondam às questões
acadêmicas e sociais de seus usuários, colaborando com subsídios informacionais para uma
educação integral e inclusiva para os variados grupos da EPT. Desenvolveremos essa questão
na sequência.

5 BIBLIOTECAS DOS IFETS E SUJEITOS SOCIOCOGNITIVOS
Considerando o sujeito do conhecimento como sociocognitivo, faz-se necessária a
colocação de dois aspectos. O primeiro deles estrutura-se a partir da compreensão de que o
meio social tem influência na formação da estrutura cognitiva, no sentido de que, numa
comunidade, podem ser percebidos padrões na forma de se organizar a linguagem e a
comunicação. Outro aspecto é de que o indivíduo procurará informações de acordo com seus
desejos e necessidades, que estariam relacionados com o seu contexto social, ou seja, o
indivíduo buscará informações que sirvam para atender as suas demandas sociais.
Os usuários das bibliotecas dos IFETs apresentarão necessidades da informação
relacionadas às suas situações de ensino, pesquisa e extensão. Assim, usuários de um curso
determinado terão, a princípio, necessidades informacionais das áreas de conhecimento
relacionadas àquele curso. Essa seria, portanto, a primeira diretriz para gestão das bibliotecas:
desenvolver acervos e serviços para suprir as necessidades acadêmicas dos estudantes dos

1099

�institutos. Além disso, é importante considerar as situações socioculturais dos usuários e as
comunidades de discurso a que pertencem. Os indivíduos respondem a elementos
significantes - informativos, ideológicos, valores, crenças, imagens, etc. - do seu meio social.
Esses elementos estão relacionados a aspectos históricos, culturais, linguísticos, de
comunicação, etc. Assim, a pertença social de uma pessoa tem relação direta com sua visão de
mundo.
Dessa forma, podemos compreender que a o estabelecimento de bibliotecas enquanto
serviços de informação deve responder não apenas às necessidades de informação de seus
usuários como deve fazê-lo considerando suas estruturas sociais prévias. Isso é especialmente
importante no contexto dos IFETs em que os usuários da biblioteca são formados por
adolescentes que ingressam no ensino médio nas modalidades de ensino técnico integrado;
adultos que procuram a profissionalização através dos cursos técnicos subsequentes, do
Programa Nacional de Integração da Educação Profissional à Educação Básica na Modalidade
de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA), do Programa Nacional de Acesso ao Ensino
Técnico e Emprego (Pronatec) e de outros programas, até estudantes dos cursos superiores de
tecnologia, engenharias e bacharelados e de cursos de pós-graduações diversos.
Nessa linha, outra perspectiva se coloca é da inclusão ou reinclusão social. A
formação para o trabalho e para o desenvolvimento econômico que orienta as práticas dos
IFETs deve ser problematizada e, de alguma sorte, superada, para evitar a reprodução
socioeconômica. Não é suficiente a proposição de desenvolvimento de saberes que permitam
o encaixe no mundo produtivo, mas antes buscar deve-se promover a cidadania e o
protagonismo social, fortalecendo a capacidade dos indivíduos de se apropriarem dos bens
socialmente criados e serem atores para a transformação da sociedade de classes em uma
realidade de maior justiça social.
Analisando o futuro das bibliotecas universitárias, Cunha (2010) previa a evolução
para uma educação centrada no aprendiz, relacionando tal perspectiva ao impacto das
tecnologias de informação e na indústria do conhecimento e aprendizado. Apesar de nosso
enfoque ser diferente, consideramos que a premissa da educação centrada no aprendiz e,
consequentemente, de biblioteca centrada no aprendiz/ usuário pode ser efetivada a partir da
abordagem dos sujeitos sociocognitivos. Podemos compreender que os diferentes grupos
apresentam estruturas sociais prévias que orientam de maneira forte o modo ou a atitude pela
qual os indivíduos vêm, internalizam e respondem às informações disseminadas nas
bibliotecas.

1100

�A aproximação do sujeito sociocognitivo pode ser alcançada por meio de estudos de
usuários que a serem realizados por meio de abordagens alternativas que enfoquem
indicadores sociais, econômicos e culturais. Conforme Rolim e Cendón (2013), com o avanço
dos estudos de usuários percebeu-se que os papéis sociais influenciavam na complexidade de
busca e capacidade de utilizar os serviços oferecidos pelas bibliotecas, de forma que seriam
necessárias abordagens alternativas de estudos de usuários, que se caracterizam como
abordagens de cunho cognitivo, por meio de estudos centrados no usuário da informação, com
métodos de pesquisa das ciências sociais.
O estudo do usuário associado à análise crítica da realidade socioeconômica com
desvelamento de mecanismos de exclusão e reprodução social e às funções das bibliotecas da
EPT, fornece subsídios para o planejamento. O planejamento elaborado sob essas
considerações permite o desenvolvimento de produtos e serviços de informação acadêmica e
socialmente relevantes para os estudantes e demais públicos da biblioteca. Esses produtos e
serviços deveriam, dessa forma, ter como diretrizes a formação integral, traduzida no
desenvolvimento de acervo em áreas técnicas, científicas e humanas; acessibilidade, isto é,
estar ao alcance físico, cognitivo e cultural dos indivíduos; o relacionamento social,
compreendido como afinidade e conexão com as práticas e objetos sociais dos grupos;
complexidade crescente, que seria o desenvolvimento de temas de níveis introdutórios até
níveis mais elaborados.
Com base nessas reflexões consideramos que é importante a assimilação da
abordagem do sujeito sociocognitivo para gestão das bibliotecas no contexto dos institutos
federais, principalmente no que se refere à organização, à administração, ao planejamento, ao
marketing e comunicação e ao desenvolvimento de coleções. O reconhecimento e a integração
dos sujeitos em suas pertenças sociais nas práticas bibliotecárias corroboram para inclusão e
empoderamento dos mesmos, um passo na direção da justiça social.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas dos institutos federais compartilham da problemática da formação
profissional versus a formação humana que permeia a educação profissional e tecnológica no
Brasil. No cerne dessa problemática está a contradição entre educação para o trabalho e
desenvolvimento econômico em paralelo à educação integral e inclusiva voltada para
mudança social. Nesse contexto, as bibliotecas enquanto serviços de organização e
disseminação de informações, devem responder às exigências acadêmicas e sociais dos

1101

�indivíduos, corroborando com produtos e serviços de informação para a formação acadêmica
e a inclusão social.
A abordagem sociocognitiva preconiza que a pertença social do indivíduo orienta as
formas de internalização e as demandas informacionais. A consideração do sujeito sóciocognitivo fornece subsídios teóricos para compreensão e aproximação dos variados grupos de
estudantes/ usuários o que, por sua vez, ocasiona melhor entendimento das necessidades de
informações acadêmicas e sociais desses. Essa abordagem pode proporcionar, ainda, a
integração dos sujeitos em suas comunidades de discursos e vivências sociais e culturais, o
que orienta para conformação de bibliotecas acessíveis e inclusivas.
Dessa forma, acreditamos que o desenvolvimento de pesquisas e trabalhos que tenham
como foco o sujeito sociocognitivo podem auxiliar na gestão das bibliotecas dos institutos
federais, que assumem a difícil missão de atender segmentos variados de públicos em um
contexto educacional que tende ao tecnicismo e, por isso mesmo, necessita de serviços e
ações que promovam a emancipação social, política e humana.

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                <text>O presente trabalho objetiva desenvolver reflexão teórica sobre as bibliotecas no contexto dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia e a relevância da abordagem do sujeito sociocognitivo para a gestão das mesmas. As bibliotecas da educação profissional e tecnológica compartilham da contradição desse segmento educacional que é a formação humana versus formação profissional, para atingir um ideal de formação integral e inclusiva. A abordagem sócio-cognitiva preconiza que os indivíduos internalizam e demandam informações de acordo com suas pertenças e vivências sociais. Essa abordagem orienta estudos que promovam maior compreensão dos usuários das bibliotecas dos IFETs, o que permite o desenvolvimento de produtos e serviços de informação cognoscíveis e socialmente relevantes para os grupos. Concluímos que é importante a assimilação da abordagem do sujeito sócio-cognitivo pelas bibliotecas dos institutos federais, principalmente no que se refere à organização e administração, ao planejamento, ao marketing e comunicação e ao desenvolvimento de coleções.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E A RESPONSABILIDADE
SOCIAL

Elieny Nascimento Silva
Glacinésia Leal Mendonça
Aline Rodrigues de Lima Mendes
Lucélia Souza Serra
RESUMO
Esta pesquisa versa sobre a importância da gestão e responsabilidade social das bibliotecas
universitárias, mediante a expansão do ensino superior no Brasil. Nesse contexto de
globalização, onde as fronteiras geográficas e espaciais fundem-se, a responsabilidade social
das instituições mais do que nunca tem sido discutida, visto que a disparidade social tornou-se
mais evidente. Entretanto, nas últimas décadas, a universidade se tornou um aparelho social
mais democrático, pois houve um maior número de ingressos que tiveram a oportunidade de
amenizar as desigualdades sociais através do acesso ao conhecimento. Nesse entendimento, é
necessário estabelecer políticas de informação que conduzam a argumentos coerentes para um
agir “politicamente correto”, respeitando valores, tradições, etnias, etc., Portanto, o estudo da
responsabilidade social no contexto do planejamento estratégico das bibliotecas universitárias
torna possível a inclusão do termo cidadania no contexto da educação superior. A pesquisa
buscou verificar na literatura especializada a importância da responsabilidade social e
planejamento estratégico na perspectiva das bibliotecas universitárias na sociedade e seus
campos de atuação, destacando seu compromisso com o uso da informação, por meio de
ações que possam dispor de forma efetiva o conhecimento é uma temática desafiadora tanto
para a Ciência da Informação como para a Biblioteconomia nesse contexto de transformações
sociais, políticas e econômicas na sociedade.

Palavras-Chave:
Universitária.

Responsabilidade

Social;

Planejamento

estratégico;

Biblioteca

ABSTRACT
This research deals with the importance of social responsibility and management of university
libraries, through the expansion o f higher education in Brazil. In this context of globalization,
where geographical and spatial boundaries merge, the social responsibility of institutions
more than it has ever been discussed, since the social disparity became more evident.
However, in recent decades, the university has become a more democratic social system,
since there was a greater number of tickets they had the opportunity to mitigate social
inequalities through access to knowledge. In this understanding, it is necessary to establish
policies for information leading to coherent arguments for acting " politically correct ",
respecting values, traditions, ethnicities, etc., Therefore, the study of social responsibility in
the context of strategic planning of university libraries makes it possible to inclusion of the
term citizenship in the context of higher education. The research analyzes the literature on the

1105

�importance of social responsibility and strategic planning from the perspective of university
libraries in society and their fields, highlighting its commitment to the use of information,
through actions that may have effectively knowledge is a challenging topic both for
Information Science and Librarianship for this context of social, political and economic
changes in society.

Keywords: Social Responsibility; Strategic planning; University Library.
1 INTRODUÇÃO
A administração é uma prática que remonta aos primeiros agrupamentos humanos. A
partir da Revolução Industrial, surgem as modernas teorias administrativas, que vem se
transformando de acordo com as necessidades da sociedade.
Na transição para o século XX, a atividade industrial expandiu-se aceleradamente.
Desenvolveu-se a tecnologia e novos produtos surgiram, tais como as lâmpadas elétricas, o
rádio e as máquinas a vapor. Essa evolução propiciou a criação de novos conceitos
administrativos. Henri Fayol foi o primeiro teórico da administração a introduzir o
planejamento como um dos processos essenciais para a gestão empresarial, que consistia,
segundo ele em: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. "O termo ‘prever’
representa nas funções básicas do planejamento: visualizar o futuro e traçar o programa de
ação" (ALMEIDA, 2005, p.11).
O planejamento, em sua forma tradicional, não conseguiu atender as novas exigências
de uma sociedade em constante transformação, originando assim o conceito de Planejamento
Estratégico (PE), mais adequado a essa nova realidade. A partir dos anos 60, o planejamento
estratégico surge como uma ferramenta gerencial, utilizada pelas empresas norte-americanas e
europeias. No Brasil, essa metodologia foi introduzida no final da década de 70 por empresas
multinacionais e, recentemente, tem sido incorporada efetivamente pelo setor público e pelas
organizações sem fins lucrativos.
Para se compreender melhor o planejamento estratégico, faz-se necessário conhecer o
significado da palavra estratégia: de origem militar, o referido termo foi utilizado pela
primeira vez pelos gregos (500 a.C.), associado a manobras e operações de guerra.
Atualmente, pode-se definir como a forma, o método ou modo de desenvolver alguma
atividade, ou instrumento para alcançar determinado objetivo (BARBALHO; BERAQUET,
1995).
O planejamento estratégico tem sido aplicado com sucesso em todos os tipos de
organizações, incluindo unidades de informações. Sua aplicação permite que as organizações

1106

�se prepararem melhor para as contínuas mudanças da sociedade, tornando-se uma ferramenta
de gestão para o alcance do sucesso destas empresas.
O PE aplicado às bibliotecas e demais unidades de informação torna-se útil na medida
em que auxilia os gestores que se preocupam com o rumo e o posicionamento de suas
instituições, tanto em nível interno, como externo, em um ambiente dinâmico e instável.
No âmbito das bibliotecas das Instituições Ensino Superior (IES), diversos estudos
mostram que estas devem estar preparadas para trabalhar com planejamento estratégico,
sendo uma ferramenta que permite gerenciar melhor seus recursos: tecnológicos, humanos,
físicos, financeiros, culminando em uma melhor qualidade dos seus serviços e produtos.
As bibliotecas estão vivendo uma fase de mudança nas suas rotinas de serviços e na
sua relação com seus usuários. Os atuais itens informacionais e novas ferramentas
administrativas fazem com que as bibliotecas lancem um novo olhar sobre seus objetivos.
No âmbito das bibliotecas universitárias, as mudanças significativas que vem ocorrendo nas
instituições de ensino superior, como a inclusão das Novas Tecnologias da Informação e
Comunicação (NTIC’s) e as atuais técnicas administrativas, tem sido desafiadoras, exigindo
novos comportamentos e ações dos gestores envolvidos com essas organizações.
Nesse sentido, os fatores políticos, econômicos e sociais, vêm rompendo com antigos
modelos, introduzindo uma dinamicidade às organizações envolvidas com o processo
educacional. A qualidade dos serviços informacionais oferecidos aos usuários tornou-se
prioridade em relação ao fazer bibliotecário. Mais do que nunca, o conhecimento é destacado
como fator essencial de desenvolvimento e bem-estar, aumentando significativamente o papel
dessas instituições que dão alicerce informacional para a educação, base para a produção de
novos saberes.
As bibliotecas, assim como qualquer outra instituição, devem ser administradas como
uma organização, portanto, deve traçar estratégias para alcançar suas metas. (MACIEL;
MENDONÇA, 2006).
As Bibliotecas Universitárias (BU’s) têm buscado novos meios para o seu
gerenciamento, como também, para gerir o conhecimento inserido em seus acervos e ainda,
com relação ao atendimento ao seu usuário, utilizando assim, o planejamento estratégico
como ferramenta administrativa. (CARVALHO, 2004).
As BU ’s contribuem com o desenvolvimento, tanto em nível pessoal, como
educacional de seus usuários, possibilitando a existência de profissionais mais capacitados,
que consequentemente produzirão serviços melhores, refletindo beneficamente na sociedade.

1107

�Para as bibliotecas do século 21, o desafio é encontrar modernas maneiras de se
valorizar e se tornarem relevantes dentro de um ambiente altamente competitivo, de
constantes e rápidas mudanças.
É objetivo deste trabalho discutir a responsabilidade social universitária para o âmbito
das bibliotecas universitárias, temática relevante, nesse cenário de expansão das IES.

2

RESPONSABILIDADE

SOCIAL

INSERIDA

NO

PLANEJAMENTO

ESTRATÉGICOS DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS.
A história das bibliotecas confunde-se com a história do conhecimento registrado. A
invenção da escrita e do papel possibilitou o homem registrar de forma mais rápida e
dinâmica sua história. Consequentemente, as sociedades foram evoluindo e o conhecimento
pôde ser registrado de modo mais eficiente. O livro popularizou a cultura, deixando de ser
patrimônio dos nobres e religiosos para estender-se a uma grande parcela da população.
As bibliotecas não estavam disseminadas até a Revolução Industrial e o subsequente
surgimento das cidades, da indústria e da imprensa. É durante esse período que elas assumem
um novo papel: sua função educacional. Nesse contexto, Garcia (2005) ressalta que a
biblioteca, cuja história está intrinsecamente vinculada à história da civilização humana, é
imprescindível como instituição que tem a missão de preservar, disseminar e recuperar
informações.
Essa difusão gerou mudanças estruturais na sociedade, principalmente nas bibliotecas,
que deixaram de ser bibliotecas/memórias, passando a existir bibliotecas/serviços, oferecida
ao público (LAVOR et al., 2008). As bibliotecas acadêmicas surgiram com as primeiras
universidades, e tinham como objetivo dar suporte informacional para as pesquisas que ali se
desenvolviam. Nos Estados Unidos, a Universidade de Harvard e sua biblioteca foram criados
em 1636. A universidade de Yale foi criada um pouco depois, em 1640.
Na atualidade, as bibliotecas universitárias enfrentam diversos desafios, oriundos das
transformações tecnológicas, sócio-político e econômicas da sociedade. Para Le Coadic
(2006), as bibliotecas, independentemente de suas tipologias, respondem por problemas de:
acervos, pela própria biblioteca (gerenciamento) e pelos usuários, sejam reais ou potenciais.
Na academia, as problemáticas relacionadas às bibliotecas, no quesito acervo, serviços
e qualidade são atuais e constantes. Para enfrentarem essas mudanças as bibliotecas precisam
ser bem planejadas a fim de alcançarem seus objetivos de disseminadoras da informação e se
manterem relevantes na sociedade.
Para Dziekaniak (2009, p.34):

1108

�No âmbito da educação superior, compete à Biblioteca Universitária (BU)
assumir esse papel, por ser um importante instrumento de que a universidade
dispõe para exercer sua função social e de cidadania e oferecer uma
formação global. A evolução do ensino, da pesquisa e da extensão nas
universidades brasileiras tem contribuído para o desenvolvimento do país em
todos os níveis (tecnológico, social, econômico, cultural e ambiental) e,
sendo assim, crescem as exigências para o desenvolvimento,
aperfeiçoamento, melhoria contínua e responsabilidade social das
Bibliotecas Universitárias.
O processo de planejar permite aos gestores, usar de forma eficiente os recursos
dispostos, ter uma visão global do seu campo de atuação e tomar atitudes que resultarão no
alcance dos objetivos propostos. As mudanças no cenário mundial enfatizam a necessidade de
novos modelos de gestão, passando de antigas formas burocráticas e rígidas estruturas às
organizações flexíveis, abertas e apoiadas nos modernos modelos da tecnologia da
informação.
A literatura especializada enfatiza que o planejamento estratégico faz com que as
organizações tomem decisões objetivando o futuro, sem focar o passado. Diferentemente do
planejamento tradicional, que está mais centrado na tomada de decisões embasadas no
passado.
A crítica que se faz ao planejamento tradicional é:

o mesmo está voltado essencialmente para a própria organização e elabora
suas análises em bases retrospectivas e quantitativas, diferentemente do
planejamento estratégico, que baseia-se na análise externa do ambiente
organizacional, utilizando-se de dados quantitativos e qualitativos de longo
prazo à frente. (BARBALHO; BERAQUET, 1995).
Zenone (2007, p.27) enfatiza:
o chamado modelo de planejamento tradicional, caracterizado pela
centralização de poder, de recursos de poder, do saber planejar na primeira
pessoa do singular, fechado, descontínuo e desarticulado do contexto,
baseado em fórmulas e modelos que procuravam mudar a realidade sem
levar em conta os valores e situações ambientais de mudanças, estático e de
longo prazo, foi perdendo espaço por não dar respostas aos problemas que
estavam a exigir ações rápidas e precisas.
Essa diferenciação entre planejamento tradicional e estratégico traz aos bibliotecários
atuais uma reflexão para avaliar como estão administrando, e como querem administrar. No
tocante as bibliotecas universitárias, faz-nos refletir como elas estão sendo gerenciadas? Em
qual das tendências do planejamento, tradicional ou estratégico, elas se encaixam?
Com relação ao planejamento estratégico, Zenone (2007, p.27) afirma,

1109

�As empresas necessitavam buscar novas formas de planejamento que
pudesse satisfazer às necessidades internas e do meio onde estavam
inseridas, como a única alternativa viável para sua sobrevivência. Essas
necessidades fizeram com que os gestores procurassem adotar um novo
modelo de planejamento, o planejamento estratégico, que lhes permitisse
coordenar suas atividades com mais segurança, dentro de um mercado
competitivo, dando ênfase na análise do meio externo sem descuidar do
interno, favorecendo o pensamento intuitivo e a informação qualitativa,
desenvolvendo um processo de planejamento de forma aberta e participativa,
permitindo tomar decisões a partir de uma perspectiva futura.
A atitude pró-ativa do planejamento estratégico o faz uma ferramenta mais eficiente
para atender as necessidades administrativas dessa sociedade em constantes transformações.
O planejamento estratégico ocorre na alta administração, consistindo no processo de decisão
relativo aos objetivos da organização, às mudanças nesses objetivos, aos recursos utilizados
para atingi-los e às políticas que deverão governar a aquisição, a distribuição e a utilização
desses recursos (ALMEIDA, 2005).
Para Oliveira (2008, p. 17-18):

O planejamento estratégico é o processo administrativo que proporciona
sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida
pela empresa, visando otimizar o grau de interação com os fatores externos não controláveis - e atuando de forma inovadora e diferenciada.
Para Barbalho e Beraquet (1995), o planejamento estratégico é o encarregado de
nortear as decisões que serão tomadas pelas unidades de informações, para alcance de seus
objetivos, elaborando para isso o plano estratégico, indicando as estratégias básicas que serão
seguidas.
Segundo Matthews (2005), um planejamento estratégico pode contribuir para as
bibliotecas chegarem ao sucesso, mas para isso terá que englobar alguns, se não todos, os
seguintes itens: a) Definir a missão, de forma sucinta e compreensível; b) Focar como os
usuários específicos deverão ser atendidos; c) Definir os objetivos que a biblioteca almeja
alcançar e as estratégias para atingi-los; d) Enfatizar os valores e cultura organizacional e, e)
Escolher as medidas específicas de desempenho, que darão suporte aos tomadores de apoio,
do progresso que está sendo feito para o alcance da missão da biblioteca.
Dentre os benefícios do planejamento estratégico aplicados ao serviço bibliotecário,
Matthews (2005) destaca: a) Maior efetividade e sucesso dos serviços, ao atenderem as
necessidades de seus usuários; b) Melhor entendimento das metas e objetivos das bibliotecas,

1110

�pelos profissionais envolvidos e; c) Melhor e maior alocação de recursos que propiciarão
melhores resultados.
Para Tarapanoff (2000, p. 113), “o novo pensamento gerencial vê a organização não
como uma máquina, mas de forma orgânica, onde a função de acompanhamento e
coordenação são as tarefas mais importantes do gerente” .
Nessa perspectiva, a administração vê a instituição como um organismo, que está em
constantes transformações, que não pode ficar parado, estático, mas que precisa se
desenvolver e acompanhar as mudanças da sociedade.
Para isso utiliza-se de ferramentas administrativas, tais como controle, coordenação,
organização e avaliação. O controle, a organização e a coordenação criam os meios pelos
quais será feito a avaliação. A avaliação permite supervisionar suas atividades, para alcançar a
qualidade em seus serviços e produtos.
A reestruturação no âmbito da gerência das bibliotecas universitárias é vital para que
elas cumpram seu verdadeiro papel, conforme Cunha (2000, p.88)

a biblioteca universitária precisa examinar as enormes possibilidades do
futuro e entender que o desafio mais crítico será remover os obstáculos que a
impedem de responder às necessidades de uma clientela em mudanças,
transformar os processos e estruturas administrativas que caducaram e
questionar as premissas existentes. Aquela biblioteca que der um passo nesse
processo de mudança irá renascer.
Assim sendo, temos uma visão do planejamento estratégico como processo gerencial,
que dá subsídios aos gestores atingirem os objetivos traçados pela organização. Portanto,
planejar com estratégia é caminhar rumo ao futuro, permitindo que toda a equipe seja
participante desse processo, seja através da tomada de decisões, como também no tocante à
execução, acompanhamento e controle das ações, contagiando desta forma toda a equipe,
ocasionado um compromisso mútuo, objetivando o êxito da organização.
Portanto, as bibliotecas, por seu caráter educacional e social, precisam ser bem
administradas, para que consigam dentro dos paradigmas vigentes da administração, alcançar
seus objetivos. Targino (2006, p.72) cita: “ [...] se os documentos são imprescindíveis à
preservação da memória dos povos, a biblioteca figura como aparelho social para transferi-los
às gerações” .
Diante de tamanha responsabilidade, convém ressaltar que são importantes estudos
para avaliar e melhorar a qualidade destas organizações, que tem um papel social e
educacional tão relevante.

1111

�2.1 Refletindo sobre a função social da universidade
Para Silva (2012), a universidade pública nasceu como uma instituição social, voltada
para as necessidades da sociedade, mas ao longo dos anos, foi perdendo sua identidade.
Fundada no reconhecimento público e legitimada como uma prática e/ou ação social, assim
como a Igreja, as atribuições da universidade eram diferenciadas, pois a sociedade da época
lhe conferia autonomia perante outras instituições sociais; sua estrutura e ordenamentos,
regras, normas e valores de reconhecimento eram legitimados pelas instâncias internas da
instituição (MINGUILI et al., 2007).
Como patrimônio público, o ensino superior deve preocupar-se com as questões sociais,
o que torna a universidade uma instituição social. Assim, a responsabilidade social
universitária é a ponte entre dois universos bem distintos: a universidade, a detentora do
saber, e a sociedade, com suas misérias, desigualdades sociais, pobrezas e mazelas e a
globalização, fenômeno que afeta mais ainda as comunidades.
Sobrinho (2005, p.170) enfatiza:

a educação superior é um patrimônio público na medida em que exerce
funções de caráter político e ético, muito mais que uma simples função
instrumental de capacitação técnica e treinamento de profissionais para as
empresas. Essa função pública é sua responsabilidade social.
A universidade precisa repensar sua função e tornar-se um catalisador que facilite aos
estudantes e a sociedade os meios e ferramentas essenciais para a construção de uma
sociedade mais igualitária, pautada na ética e no compromisso com o outro. Nesta
perspectiva, as bibliotecas universitárias desempenham um papel relevante, principalmente na
Região do Cariri, onde a expansão do ensino superior tem sido marcante (SILVA, 2012).
Por ser a universidade uma instituição que tem como objetivos a geração de
conhecimento e a formação e capacitação de profissionais, há uma necessidade de se trabalhar
com a responsabilidade social. O alunado necessita desenvolver a consciência de
compromisso com a sociedade, contribuindo tanto com seus conhecimentos técnicos como
com suas práticas sociais, cooperando com o desenvolvimento holístico da sociedade.
Calderón (2006, p. 9) enfatiza que as universidades,

sustentam-se em princípios e valores tais como - fraternidade, solidariedade,
dignidade da pessoa, liberdade, integridade, bem comum e equidade social,
desenvolvimento sustentável, apreço à diversidade, entre outros - os quais
deveriam nortear o fazer acadêmico, sem se restringir à procura da
competência, eficiência e êxito pessoal.

1112

�As universidades podem desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento do
país e da localidade onde está inserida. Através de suas atividades pode contribuir para dirimir
as desigualdades sociais locais, tornando sua região mais partícipe do progresso do país.
Bólan e Motta (2007, p.16) enfatizam: “não que a universidade deva assumir o ônus social,
mas pode contribuir para a extinção ou controle das mazelas que afetam o país”, cooperando
desta forma para o progresso da sociedade.
Diante

dos

inúmeros

problemas

sociais

existentes,

há

a

necessidade

do

estabelecimento de uma nova relação entre a universidade e a sociedade, tendo como norte o
desenvolvimento humano. Carizzo (2006, p. 13) aponta que este

novo pacto deve incidir na responsabilidade social da universidade num
mundo crescente de complexidade. Existem de um lado, inúmeros desafios
gerados pela mundialização e, de outro, as demandas dos países pobres do
hemisfério sul focadas, principalmente, na erradicação da injustiça social, da
pobreza e das desigualdades de oportunidades.
Urge, portanto, uma nova postura da universidade frente aos desafios da sociedade em
constante transformação, para minimizar essas desigualdades sociais que são alarmantes e
excludentes. Para Silva (2012), cabe às instituições de ensino superior a missão de agir e
mudar a história através de um processo de transformação política, crítica e consciente da
sociedade a partir de suas ações, tendo como objetivo, se não a solução, mas a redução das
mazelas oriundas desse processo capitalista e globalizado.
Assim, a função da universidade é de mecanismo que favoreça o desenvolvimento da
sociedade oferecendo meios para dirimir esse panorama de disparidade que se encontra o
Brasil.
Nesse tocante, a interação entre ensino, pesquisa, extensão e gestão de fundamental
importância para a gestão eficiente das universidades. Portanto, cabe às universidades
exercerem seu papel para as quais foram criadas, que tanto é gerar conhecimentos como
formar e capacitar profissionais como cooperar para o desenvolvimento da comunidade
assistida.
Vallaeys (2006, p.36) corrobora ao afirmar,
a RSU exige, a partir de uma visão holística, a articulação das diversas partes
da instituição, em um projeto de promoção social de princípios éticos e de
desenvolvimento social equitativo e sustentável, com vistas à produção e
transmissão de saberes responsáveis e à formação de profissionais cidadãos
igualmente responsáveis.

1113

�Nessa perspectiva, a participação das bibliotecas, enquanto espaço pedagógico do
processo ensino-aprendizagem das universidades tem sua parcela de contribuição para
promover a responsabilidade social das universidades.

2.2 Responsabilidade social das bibliotecas universitárias
Para se entender o que vem a ser responsabilidade social no contexto das bibliotecas
universitárias, torna-se primordial saber o que vem a ser tal termo. Para Ashley (2002)
responsabilidade social é o compromisso que uma organização tem com a sociedade, que
pode ser manifestada por meio de ações que tenham impactos positivos para esta.
A informação, por seu caráter transformador, é a responsável pelo desenvolvimento na
sociedade. A posse e o uso desta promovem mudanças em todo o ambiente social. Cabe aos
bibliotecários um comprometimento ético para interagir nesse processo possibilitando meios
de acesso e uso destas informações, não permitindo que a censura ou outros mecanismos
venham tolher a circulação destas informações tão relevantes para a sociedade.
Compreender a responsabilidade social das universidades públicas implica em
compreender o papel da biblioteca nesse processo educacional.

O bibliotecário é um

profissional da informação qualificado para interagir no processo de transferência de
informação, da geração ao uso, dos registros do conhecimento e participar da interpretação
crítica da realidade social (UFC. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DO CURSO DE
BIBLIOTECONOMIA, 2006).
Neste contexto, a responsabilidade social é uma prática que deve estar presente nas
bibliotecas, em todos seus serviços e ações, iniciando desde a gestão até os serviços fins,
contribuindo para o desenvolvimento da comunidade tanto interna como externa. Para tanto, é
necessário que as bibliotecas, principalmente as públicas, assumam sua responsabilidade
social sob o risco de que esta sociedade moderna, cada vez mais decepcionada com as
lideranças políticas, se recuse a reconhecê-la como instituição social relevante (SILVA,
2012).
Portanto, cabe às bibliotecas universitárias, enquanto mecanismos de apoio ao ensino,
pesquisa e extensão, cooperar mais eficazmente com a difusão da informação de forma que
sua responsabilidade social torne-se mais evidente na sociedade, tanto interna como externa,
seja através de suas práticas de gestão, sejam através de projetos de extensão ou de
campanhas sociais, como por exemplo, de promoção da leitura, a fim de propiciar mais
benefícios às comunidades assistidas.

1114

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica, que segundo Cervo, Bervian e Silva (2007,
p. 60), “procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em artigos,
livros, dissertações e teses. Pode ser realizada independentemente ou como parte da pesquisa
descritiva ou experimental” .
Nessa tessitura do estado da arte, procurou-se definir os termos do que tratam este
artigo, como: Responsabilidade Social, Planejamento Estratégico e Bibliotecas Universitárias,
trazendo para a discussão teórica das referidas áreas.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A responsabilidade social das empresas deve permear todas as suas ações e serviços.
Para que tal objetivo seja alcançado é necessário que essas premissas estejam bem definidas e
delineadas. Portanto, é necessário que as bibliotecas universitárias tenham seu planejamento
estratégico estruturado e que toda a equipe da biblioteca tenha consciência do mesmo, a fim
de o que foi planejado seja alcançado.
Nesse atual contexto de mudanças de paradigmas na sistemática da gestão das
organizações é necessário que o bibliotecário conquiste a capacidade de compreender as
diferentes concepções filosóficas sobre o conhecimento; de entender e interagir no ambiente
sócio-político-econômico em que está inserido; de criar, desenvolver e utilizar técnicas de
coleta, tratamento, recuperação e disseminação da informação; de se integrar a diferentes
grupos profissionais e desenvolver habilidades do profissional autônomo; bem como de
desenvolver e executar atividades culturais e programas de leitura, além da novas práticas de
gestão (SILVA, 2012).
Portanto, há a necessidade do profissional de informação manter-se atualizado sobre a
realidade social, como forma de tornar-se proativo, capaz de identificar problemas e
demandas informacionais gerais e específicas. Para tanto é fundamental que as práticas de
gestão das bibliotecas estejam estruturadas e esclarecidas para a equipe bibliotecária.
Aplicar seus conhecimentos e habilidades de gestores de unidades de informação para
atender e solucionar problemas que surgem ao longo do exercício da biblioteca e, contribuir
para a boa convivência social nestes ambientes informacionais é exercício para a cidadania
que toda unidade de unidade deve almejar a fim de ressaltar sua responsabilidade social
perante toda a comunidade acadêmica.

1115

�5 REFERÊNCIAS
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Documentação&#13;
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                <text>Gestão de bibliotecas universitárias e a responsabilidade social</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Esta pesquisa versa sobre a importância da gestão e responsabilidade social das bibliotecas universitárias, mediante a expansão do ensino superior no Brasil. Nesse contexto de globalização, onde as fronteiras geográficas e espaciais fundem-se, a responsabilidade social das instituições mais do que nunca tem sido discutida, visto que a disparidade social tornou-se mais evidente. Entretanto, nas últimas décadas, a universidade se tornou um aparelho social mais democrático, pois houve um maior número de ingressos que tiveram a oportunidade de amenizar as desigualdades sociais através do acesso ao conhecimento.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
FERRAMENTAS DE ATENDIMENTO ONLINE-CHAT: O DESAFIO DE INOVAR
Fabiana de Oliveira Silva
RESUMO
Os profissionais da informação, assim como os espaços de atuação das bibliotecas estão sendo
reinventados. O mercado de trabalho tem sofrido mudanças crescentes e contínuas de
paradigmas com suas novas formas de organizá-lo. Assim, o artigo visa analisar os Serviços
de Referência Virtual (SRV), os seus padrões e as novas tecnologias as quais têm modificado
a prática tradicional realizada nos setores de referência das bibliotecas. Através de revisões de
literatura e levantamento nas maiores e renomadas bibliotecas brasileiras, analisamos o
Serviço de Referência Virtual com enfoque de uso da ferramenta de chats oferecida por elas
para a prática de atendimento aos usuários. Foram observadas a descrição e utilização de duas
ferramentas de chats disponíveis no mercado, o comercial e o open source. Nesse contexto,
foi realizado um comparativo quanto aos seus suportes, custos, funcionamentos e instalações,
sendo notório o pequeno uso dessa ferramenta em questão. Espera-se que os levantamentos
apontados, sirvam de base para que os bibliotecários de referência busquem o desafio de sair
do papel e enfrentem de forma inovadora e real a proposta analisada. O estudo apresentado
ajudará esses profissionais a inserir o Serviço de Referência Virtual proposto, bem como
elaborar a sua política de atendimento online com a finalidade de atender a todos os usuários,
independente de sua localização geográfica, com a mesma qualidade oferecida em seus
serviços de referência presenciais.
Palavra-Chave: Serviço de Referência Virtual; Ferramentas de chat; Bibliotecário de
referência; Usuário virtual.
ABSTRACT
Information professionals, as well as performance spaces of libraries are being reinvented.
The labor market has been increasing and continuous changes of paradigms with its new
forms of organizing it. Thus, the article aims to analyze the Virtual Reference Service (SRV),
their standards and new technologies which have changed the traditional practice carried out
in the reference sections of libraries. Through extensive reading on literature reviews and an
extensive survey of the largest and renowned Brazilian libraries, we analyzed the Virtual
Reference Service with a focus on use of the chat tool offered by them to the practice of
service to users. Description and use of two tools chats available in the market, the
commercial and open sources were observed. In this context, a comparison was made as to
their supporters, costs, runs and facilities , notorious being the little use of this tool in
question. It is expected that the surveys pointed, forming the basis for the reference librarians
seek out the challenge of the role and face of real and innovative analyzed the proposal form
The present study will help these professionals to enter the Virtual Reference Service
proposed, as well as to develop policy for online service in order to serve all users, regardless
of their geographic location, with the same quality services offered in their reference face.
Keyword: Virtual Reference Service; Tools Chat; Reference Librarian; Virtual user.

2734

�1 INTRODUÇÃO
O serviço de referência das bibliotecas há muito tempo vem se readequando, e novas
formas de atender as expectativas informacionais de seus usuários fizeram-se necessárias.
Com o advento da Internet e a popularização dos computadores pessoais, as bibliotecas
universitárias se empenharam em repensar a maneira como seus serviços são disponibilizados
para atingir e atender ao novo modelo de usuário, os chamados nativos digitais, os quais
utilizam as tecnologias a seu favor, transformando assim, o paradigma do atendimento pessoal
ao usuário em questão (BANKHEAD, 2003, p. 1; NAKATO; JORETE, 2013, p. 5).
As bibliotecas universitárias brasileiras, de modo geral atendem a um público cuja
geração predominante compreende as chamadas Y e Z, costuma relacionar-se em ambiente
virtual pelas ferramentas da web 2.0, que surgiram como facilitadoras de compartilhamento de
informação e construção do conhecimento (SANTOS; SOUZA; BARBOSA, 2012, p. 3).
Salientemos aqui, que uma parte do trabalho do bibliotecário que atua em serviços de
referência digitais ou presenciais em bibliotecas universitárias é dialogar com o usuário, no
intuito de auxiliá-lo em suas demandas por informações, que podem ser solicitadas por
diversos meios. Trazer os usuários dessa nova geração, da era digital, para dentro das
bibliotecas é desafiador, sendo necessário ampliar a visão de como pretendemos
disponibilizar o nosso serviço de referência e oferecer subsídios para melhorias no
atendimento às necessidades do público alvo, independente de sua localização física ou
geográfica.
Neste sentido refletimos: O serviço de referencia tradicional está atingido e atendendo
as necessidades informacionais dos nossos usuários potenciais? Nas palavras de França e
Santos (2013, p. 8) “É preciso comprometimento com as ideias e os ideais para o crescimento
pessoal e profissional, enfrentar desafios e assumir compromissos de maneira inovadora.”
Portanto, a proposta analisada tem como objetivo apresentar algumas bibliotecas
brasileiras que implementaram recursos tecnológicos em seus Serviços de Referência, em
especial aquelas que utilizam o atendimento por chat, nomeados como Serviços de Referência
Virtual (SRV), bem como apresentar as ferramentas disponíveis no mercado, com uma análise
comparativa quanto aos seus suportes, custos, funcionamentos e instalações, para que esse
novo canal de comunicação seja um desafio real, presente nas bibliotecas com intuito de
possibilitar uma maior interação dos usuários com as ferramentas levantadas nesse estudo.

2735

�2 REVISÃO DE LITERATURA
Chat é um ambiente virtual, sendo a forma mais rápida de se ter o acesso a um
indivíduo visando obter uma comunicação em tempo real (DONAIRE, 2007, p. 6).
O serviço de referência digital é um serviço que usa o computador e a tecnologia da
comunicação provendo serviços de informação a usuários a qualquer hora e em qualquer
lugar. É necessário que os próprios profissionais da informação desenvolvam técnicas para
atuarem de forma conjunta nessa diversidade de serviços de informação oferecendo uma
solução sempre em volta de uma questão relacionada à informação.
Nesse sentido, as definições de serviço de referência em artigos de língua portuguesa,
após o ano 2000, continuam a confirmar a mediação da informação pelo bibliotecário, como
indicado por Siqueira (2010, p. 3) quando diz que:
O serviço de referência com preende a prestação de serviços de inform ação e
assistência visando o atendimento às necessidades de inform ação dos
usuários. Trata-se de um serviço de caráter intensam ente pessoal, pois
en volve a com unicação direta entre o bibliotecário e o usuário.

Isso levou Bankhead (2003, p. 1) a apresentar três cenários para o futuro desse serviço:
O primeiro buscando tom ar a interação entre usuário, bibliotecário e o m eio,
m ais real, com um atendim ento p essoa a pessoa, individualizado, através da
internet, com uso de vídeo. O segundo é a possibilidade de fazer a interação
de referência totalm ente artificial, com uso de am bientes virtuais 3D , por
exem plo, que forneçam ao usuário conteúdos textuais, visuais e auditivos. O
terceiro tem um grande potencial: o uso de algum tipo de agente autônom o,
ou in teligência artificial, para prover o serviço de referência ou auxiliar os
hum anos com algum a das repetitivas tarefas do serviço de referência.

Esta última e terceira possibilidade foi analisada por Zick (2001, p.4), que identificou
semelhanças entre bibliotecários na prática do serviço de referência digital:
Tanto agentes hum anos quanto softwares com eçam a atingir um objetivo ou
resolver um problem a construindo a representação situacional de um
problema. A gentes softwares criam essa representação usando o
conhecim ento de técnicas de representação com o a ló g ica do ordenamento
primário e a do predicado. A gentes são guiados para seus objetivos: eles
procuram resolver um problem a esp ecífico, satisfazer um a necessidade
específica. O contexto é de fundamental importância para os dois agentes;
objetivos e recom pensas dependem da situação. [...] trabalho dos agentes,
tanto hum anos quanto softwares é de natureza interativa. A o checar
resultados, há m uitas perguntas e respostas. Os agentes m ecanizados usam
in teligência artificial para atingir a otim ização dos seus objetivos.
B ibliotecários alcançam a otim ização através do em penho para obter
resultados relevantes rapidamente e com o m elhor custo-benefício. Os dois
agentes trabalham em m undos incertos. Seus am bientes são dinâm icos e os
próprios agentes afetam o estado da informação.

2736

�Valauskas apud Zick (2000, p. 5) mostra como os agentes inteligentes podem
acrescentar novas funções ao trabalho do profissional bibliotecário:
Agentes inteligentes podem atuar como catalisadores para elevar o papel dos
bibliotecários como a aurora do próximo século, anunciando um
renascimento na ciência da informação e biblioteconomia. Bibliotecários já
estão representando novos papéis como fornecedores de conteúdos,
estrategistas de pesquisas, catalogadores digitais e mecânicos da informação.
Esses papéis vão se ampliar, e novas oportunidades vão surgir, com o
desenvolvimento dos verdadeiros “agentes inteligentes” que se constroem
através da experiência de bibliotecários e profissionais da informação.
No entanto, é percebido um novo momento de se reinventar as bibliotecas com a
modalidade de atendimento via web. Essas mudanças são relativamente novas e possuem
várias denominações, tais como: serviço de referência em linha, digital, eletrônico e virtual,
conforme apontado por Manso Rodrigues (2006, p. 3). O emprego de uma expressão em
detrimento de outra depende, em parte, do tipo de tecnologia de comunicação empregada
(chai, videoconferência, formulário web ou e-mail). Porém, para efeito deste artigo optamos
por adotar as terminologias Serviço de Bibliotecas Virtual (SRV) e ferramentas de chais.
Considerando critérios quantitativos é importante ressaltar que no estudo foi
observado o uso real dessa ação inovadora de atendimento em apenas 7% das bibliotecas
brasileiras analisadas.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia de pesquisa consiste em uma pesquisa exploratória e de uma revisão de
literatura em que os sujeitos participantes desse estudo consistem em 125 bibliotecas
universitárias brasileiras de ensino superior do país. Os dados analisados foram recolhidos
através do contato via internet com visita nas páginas eletrônicas das bibliotecas em questão.
A proposta do artigo é conhecer e analisar as ferramentas de chats oferecidas no
mercado para que o profissional bibliotecário possa ter conhecimento e aplicar essa prática em
seus serviços de referência da informação. A pesquisa conta com uma limitação, a falta de
conteúdos concretos que identifiquem o motivo pelo qual a maioria dos profissionais da
informação não adotou esse novo tipo de serviço. Para este fim, seria necessária a realização
de uma nova pesquisa com levantamentos de dados atráves de questionários para maiores
abordagens.
Assim, objetivamos com este estudo analisar as ferramentas utilizadas no mercado e
colaborar com os profissionais quanto à motivação ao desenvolvimento do serviço virtual em
suas bibliotecas.

2737

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Segundo Pereira e Brenha (2011, p. 7) o serviço da Biblioteca da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) pode ser “[...] a experiência brasileira
pioneira no uso de ferramentas síncronas de comunicação para atendimento em bibliotecas,
iniciada em 2002.”.
No primeiro semestre do ano de 2013 foi realizado um estudo que analisou 125
bibliotecas universitárias brasileiras com a intenção de verificar se as mesmas utilizavam o
Serviço de Referência Virtual (SRV), com a ferramenta de chat. Do levantamento realizado,
apenas 15 bibliotecas faziam uso dessa ferramenta, das quais destacam-se: Universidade
Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP325),
Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCRio), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Estatual de Londrina,
(UEL), Universidade de São Paulo (USP326), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e
Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).

Gráfico 1: Utilização das bibliotecas brasileiras quanto ao uso do SRV-Chat
U tiliza m
7%

N ão utilizam

93%

Fontes: Os autores.

Portanto, 93% das bibliotecas brasileiras ainda não inseriram em seus serviços de
referência a ferramenta de Chat para auxiliar em suas funções. Deste levantamento, podemos
claramente verificar que a minoria 7% dessas bibliotecas utiliza o Serviço de Referência
Virtual (SRV) via Chat, como ilustrado no Gráfico 1.

325 Biblioteca da Área de Engenharias (BAE) e da Faculdade de Ciências Médicas (FCM).
326 Bibliotecas da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia
(FMVZ), do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e do Instituto de Psicologia (IP).

2738

�Das 15 bibliotecas resultantes que utilizam o Serviço de Referência Virtual com uso
da ferramenta Chat, verificamos que 56% delas optaram por ferramenta de chat com soluções
comerciais327 e 44% por soluções de chat open source328 , conforme apresentado no Gráfico 2.

Gráfico 2: Ferramentas de Chat por tipo

Fonte : Os autores

4.1 Ferramentas de Chat
Nesse estudo pudemos analisar as ferramentas de chat adotadas pelas bibliotecas
adeptas ao uso desse mecanismo, e conceituar algumas dessas ferramentas existentes no
mercado, a fim de apresentar algumas possibilidades de obtenção de uso, colaborando na
formação da política de atendimento virtual das bibliotecas que pretendem inserir esse
desafio.
A Figura 1 apresenta as bibliotecas que adotam o Serviço de Referência Virtual
(SRV), com sua respectiva ferramenta e o tipo de solução adotada.

327 Soluções com custo, ou seja, visando lucro.
328 Open Source Initiative (OSI): a iniciativa pelo código aberto é uma organização dedicada a promover o
software de código aberto ou software livre. Criada para incentivar uma aproximação de entidades comerciais
com o software livre. Sua atuação principal é a de certificar quais licenças se enquadram como licenças de
software livre, e promovem a divulgação do software livre e suas vantagens tecnológicas e econômicas. Em
primeiro lugar, é necessário perceber o conceito associado ao Software Open Source. Para que certo software
possa ser considerado OSS, tem de obrigatória e simultaneamente permitir: 1. Utilização para qualquer fim e
sem restrições; 2. Distribuição de cópias sem restrições;3. Acesso ao código fonte e estudo do seu
funcionamento; 4. Adaptação às necessidades de cada um; 5. Possibilidade de disponibilizar a terceiros
quaisquer alterações introduzidas. É importante então estabelecer algumas comparações entre OSS e outros
tipos de software. O OSS não é apenas freeware, isto é, o seu objetivo não é apenas ter uma licença de uso
gratuita, mas ir muito mais além, através da disponibilização do código e permissão para que este seja alterado
e ajustado às necessidades dos utilizadores, assim como a sua posterior distribuição a terceiros sem restrições,
inclusive sem licença de uso gratuita. É então urgente perceber melhor a última condição referida. Como se
depreende, é possível a venda de produtos OSS , no entanto esta prática é bastante incomum, pois na grande
maioria dos casos é possível o download gratuito na Internet (FERREIRA, 2005, p. 3).

2739

�Figura 1 - Bibliotecas que adotaram SRV-c^at, o tipo de solução e a nomenclatura da
ferramenta:

Fonte: Os autores

4.1.1 Helpcenterlive.com
Helpenterlive é uma ferramenta de Chat adotada pela Universidade Estadual de Ponta
Grossa (UEPG). Solução open source dedicada a produtos de apoio prestados de alta
qualidade para ajudar no cumprimento de bate-papo e suas demandas. É um sistema de chat
ao vivo para a comunidade, podendo facilmente fornecer suporte ao vivo em sites, com
fornecimento em tempo real com suporte também ao vivo. Sistema desenvolvido em PHP e
MySQLo. Roda em interface web e permite departamentos e atendentes ilimitados (HELP
CENTER LIVE, 2008).

4.1.2 Milew.org
Mibew Mensageiro, também conhecido como Open Web Messenger, é uma ferramenta
de Chat adotada pela Universidade de Campinas (UNICAMP), na biblioteca da BAE e da
FCM. Solução open source, com suporte ao vivo com aplicação de código aberto escrito em
PHP e MySQL, que permite a assistência de um-contra-um bate-papo em tempo real
diretamente do seu site (MIBEW WEB MESSENGGGER, 2009).

4.1.3 Craflysyntax.com
Craflysntax é uma ferramenta de chat adotada pela Universidade Federal Fronteira Sul
(UFFS) e Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Possui suporte open source
que disponibiliza ilimitados operadores, departamentos e usuários, possui seu código de fonte
totalmente customizáveis e contém digitação Preview para visualizar o que está sendo
digitado no bate-papo em tempo real (CRAFLY SYNTAX, [2010?]).

2740

�4.1.4 Livezilla.net
LiveZilla, é uma ferramenta de chat, adotada pela Universidade federal de São Carlos
(UFSCAR), Estatual de Londrina, (UEL), Universidade de São Paulo (USP) nas bibliotecas
da ECA, da FMVZ, do IFSC e do IP. Ferramenta com solução comercial e com custo. Um
sistema de apoio ao vivo amplamente utilizado e confiável onde os usuários podem utilizar de
informações em tempo real e rapidamente, tranformando seus usuários potenciais em reais,
criando uma ligação mais pessoal através do Web Site e aumentando a satisfação

dos

usuários. É uma ferramenta gratuita para apenas um operador. O LiveZilla Mobile está
disponível

para os dispositivos de navegação moderna que suportam HTML5 (FireFox,

Crome, IE), entre eles Ipad, Iphone, Ipod (IOS), Android, Windowa Phone 7/*, Windows
Deskop/RT (LIVE!ZILLA, 2014).

4.1.5 Zopim.com
O Zopim é uma ferramenta de chat com solução comercial, possui custo, adotada pela
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Assim como em uma loja real, Zopim chat ao
vivo permite conversas com os usuários em seu site. Permite também ajuda de uma solução
[...] em segundos (ZOPIM, [2010?]).

4.1.6 Easy Chat
É uma ferramenta de chat com solução comercial, adotada pela Universidade do Vale
do Rio dos Sinos. (UNISINOS). É um canal de comunicação instantâneo para o usuário. O
Easy Chat é ideal para suporte técnico e atendimento em geral. Simples, rápido e eficiente, os
usuários de Easy Chat não percebem toda a tecnologia que está por trás do sistema. Isso
porque ele é muito intuitivo [...]. Foi feito para situações em que a precisão e agilidade no
atendimento significam muito. O Easy Chat é acessado pela Internet, a partir dos principais
navegadores disponíveis no mercado ou, ainda, em versão instalável e pode ser totalmente
personalizado, desde o ícone de acesso às telas do sistema. No Easy Chat, cada conversa
acontece dentro de uma janela individual que possui todos os recursos necessários ao
atendimento. Com isso, o atendente não precisa desviar o foco para outra parte da ferramenta,
agilizando o atendimento e melhorando a organização da sua área de trabalho virtual. O Easy
Chat permite que seja estabelecido o número de conversas por operador e, atingido esse
limite, o sistema gera a fila de espera automaticamente. O atendente também pode alterar seu
status para offline, evitando receber novas conversas, e mantendo as que estão em andamento.
Conta com pesquisas de satisfação do usuário, sendo esse um recurso padrão do Easy Chat.

2741

�Durante ou após o atendimento, o usuário poderá dar notas ao atendente, acessadas apenas
pelo supervisor e administrador (DINAMIZE EASY CHAT, 2010).

4.1.7 Direct talk
É uma ferramenta de chat diponibilizada no mercado com custo, portanto sua solução
é comercial, mas ainda não foi adota por nenhuma biblioteca até o momento. A Direct talk
desenvolve soluções para a gestão de relacionamento atráves de chats. São estratégicas que
mantem os usuários sempre satisfeitos (DIRECT TALK, 2012).

4.2 Análise das ferramentas
O levantamento mostra que 34% das bibliotecas analisadas utilizam a ferramenta de
Chat Livezilla.net. A ferramenta Craflysyntax.com é utilizada por 22% delas e as ferramentas
de Chat nomeadas Easy Chat , Zopim.com, Milew.org, Helpcenterlive.com por 11% das
bibliotecas restantes (Gráfico 3).

Gráfico 3: Ferramentas de chat:

Fonte: Os autres

Para finalizar essa analise, é importante apresentar o esboço do comparativo dessas
ferramentas utilizadas pelas bibliotecas, no que diz respeito a seus suportes, custos,
funcionamentos e instalações (Figura 2).

2742

�Figura 2: Comparativo entre as ferramentas no que diz respeito a relação de suporte,
custo, funcionamento e instalação

Suporte

H . C. Live

L iv e Z ilIa

M ib e w

C ra fty S y n ta x

Z o p ím

Easy-C hat

D ire d T alk

N ã o há

Ernail/Chat

N ã o há

N ã o há

C hat

C h at/tel

C hat/tel

(inglês)

(português)

(português)

(inglês)
Custo

G ratu ito

(6 posiçòes)

Fu n cio ­

“ N a Nuvem ”

nam ento

In sta la ç ã o

2 4 9 ,9 0 €

G ratuito

G ratuito

(p a g o 1 vez)
N ecessário

“ N a Nuvem”

“ N a Nuvem ”

U S$ 125,00

R$ 199,00

R$ 1 7 5 0 ,0 0

(p o r mês)

(p o r mês)

(p o r mês)

“ N a Nuvem"

Necessário

“ N a Nuvem ”

instalar

instalar

cliente em

cliente em

cad a PC

c a d a PC

S e rve r

S e rve r

S e rv e r

Server

S e rve r da

S e rve r d a

S e rv e r d a

Próprio

Próprio

Próprio

Próprio

Empresa

Empresa

Em presa

Fonte: Os autores

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na análise dos dados coletadas nas páginas eletrônicas das bibliotecas brasileiras
universitárias que oferecem o Serviço de Referência Virtual (SRV) por meio de Chat,
pudemos notar que muito se tem falado e divulgado nas literaturas sobre o tema, mas
pouquíssimos profissionais da informação estão vivenciando essa eficiente solução em seus
espaços de atuação.
Essa tecnologia tem modificado a passos lentos a prática tradicional realizada nos
setores de referência das bibliotecas. É sabido, que essas mudanças de atitudes não são nada
fáceis, mas se fazem necessárias na atualidade, a fim de atender as demandas informacionais
dos usuários independente do local que eles estejam.
Portanto, sabe-se da presença incontestável do sucesso das mídias eletrônicas no
cotidiano dos profissionais da informação. A nova geração que utiliza estas mídias, “geração
digital” é composta de indivíduos que nascem com a inteligência tecnológica, são pessoas que
apresentam maior esperteza, maior agilidade e tolerância à diversidade, com maior capacidade
e facilidade de mudar o foco e desenvolver novos modos de perceber e aprender. Contudo,
para os profissionais da área o desafio é significativo, despertar algo novo e incentivador que
quebre o paradigma do trabalho tradicional nas bibliotecas universitárias, que diversifique a
maneira de pensar e atuar em sua função de excelência, mantendo responsabilidade de

2743

�mediador de informação, aproveitamento as novas ferramentas, como os chats, gratuitas ou
não, disponíveis conforme a demanda da biblioteca.
Espera-se que através do estudo proposto o profissional da informação, em especial
aqueles que trabalham como bibliotecários de referência e gestores em sua instituição
dinamizem sua equipe e busquem uma política de atendimento com apoio dessas ferramentas
de chat aqui apresentadas, para dentro da realidade de sua biblioteca como proposta
desafiadora de inovação e comunicação.

REFERÊNCIAS
BANKHEAD, H. Digital reference services, not just Q and A: na inclusive examination of
digital reference services. In: VIRTUAL REFERENCE DESK CONFERENCE, 5., 2003, San
Antonio, Texas. Proceedings... San Antonio, Texas, 2003.
CRAFLY

SYNTAX:

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4,

n.

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p.

116-130,

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2010.

Disponível

em:

&lt;http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/4238/3408&gt;. Acesso em: 9
maio 2014.
ZICK, L. The Work of Information Mediators: a comparison of librarians and intelligent
softaware

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First

Monday,

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Disponível

em:

&lt;http://firstmonday.org/issues/issue5_5/zick/index.html&gt;. Acesso em: 10 maio 2014.
ZOPIM.

Real-time customer engagement made

simple. [2010?].

Disponível

em:

&lt;https://www.zopim.com&gt;. Acesso em: 15 abr. 2014.

2745

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Os profissionais da informação, assim como os espaços de atuação das bibliotecas estão sendo reinventados. O mercado de trabalho tem sofrido mudanças crescentes e contínuas de paradigmas com suas novas formas de organizá-lo. Assim, o artigo visa analisar os Serviços de Referência Virtual (SRV), os seus padrões e as novas tecnologias as quais têm modificado a prática tradicional realizada nos setores de referência das bibliotecas. Através de revisões de literatura e levantamento nas maiores e renomadas bibliotecas brasileiras, analisamos o Serviço de Referência Virtual com enfoque de uso da ferramenta de chats oferecida por elas para a prática de atendimento aos usuários. Foram observadas a descrição e utilização de duas ferramentas de chats disponíveis no mercado, o comercial e o open source. Nesse contexto, foi realizado um comparativo quanto aos seus suportes, custos, funcionamentos e instalações¸ sendo notório o pequeno uso dessa ferramenta em questão. Espera-se que os levantamentos apontados, sirvam de base para que os bibliotecários de referência busquem o desafio de sair do papel e enfrentem de forma inovadora e real a proposta analisada. O estudo apresentado ajudará esses profissionais a inserir o Serviço de Referência Virtual proposto, bem como elaborar a sua política de atendimento online com a finalidade de atender a todos os usuários, independente de sua localização geográfica, com a mesma qualidade oferecida em seus serviços de referência presenciais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
O PODER DAS REDES SOCIAIS NA PRÁTICA DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA
EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Giane da Paz Ferreira Silva
Jaciane Freire Santana
Ana Lígia Feliciano dos Santos
Roseane Souza de Mendonça
RESUMO
Os avanços das tecnologias e os apelos das mídias tornam os usuários cada vez mais
exigentes, sobretudo no meio acadêmico. Nas bibliotecas universitárias o impacto dessas
mudanças tem sido maior no Serviço de Referência, exigindo do profissional da informação
um aprendizado contínuo. Nesta perspectiva, o objetivo deste estudo é apresentar o Facebook
como principal rede social utilizada pela Biblioteca Setorial do Centro Acadêmico de Vitória
(CAV/UFPE) como ferramenta estratégica do Serviço de Referência para promover maior
interação com os usuários onde quer que eles estejam. A metodologia utilizada foi o estudo de
caso, mediante pesquisa exploratória a partir da análise do Facebook da biblioteca após seu
processo de transformação em uma página institucional, com uma agenda temática
permanente baseada no interesse de seus seguidores. Para coleta de dados foram utilizadas a
pesquisa documental e análise das informações gerenciais e dados estatísticos obtidos
diretamente na página do Facebook. O resultado do estudo indicou que utilizar essa rede
social se constitui numa nova perspectiva de divulgação dos serviços e de interação com os
usuários em tempo real. Da mesma forma, a possibilidade de gerenciar as informações a partir
do envolvimento dos seus seguidores configura-se em um elemento estratégico para as
bibliotecas universitárias.
Palavras-Chave: Redes sociais; Serviço de Referência; Bibliotecas universitárias; Facebook.
ABSTRACT
Technology’s advances and media’s appeals make the users more exigents, especially in the
academic environment. At Universities' libraries the impact of this changes has been bigger in
Reference Service, requiring of the information’s professional an unbroken knowledge.
Thereby, this study objective is to introduce the Facebook as the main social network used in
Setorial Library of the Vitória's Academic Center (Centro Acadêmico de Vitória CAV/UFPE) as strategic tool of Reference Service to promote a better interaction with the
users, wherever they are. The methodology used was a case study, by an exploratory research
through the analysis of the library's Facebook after a transformation process of your
followers in an institutional page, with a permanent thematic agenda based on followers’
wishes. For data collection was used the documental research, analysis of management
informations, and statistic informations obtained straight from the Facebook’s page. The
study result demonstrated that using this social network is a new perspective to services
propagation and interaction with the user in a real time. Therefore, the possibility to manage
the information from the involvement of its followers is a strategic element for Universities’
libraries.
Keywords: Social Networking; Reference Service; Universities’s Libraries; Facebook.

3244

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias são desafiadas constantemente a inovarem na prestação
de serviços como forma de se fazerem presentes e acompanharem de perto as mudanças
tecnológicas e de perfil dos usuários da informação. Deste modo, no momento onde os
avanços da tecnologia e os apelos das mídias tornam os usuários cada vez mais exigentes é no
Serviço de Referência das bibliotecas que se observa o maior impacto.
Então é sob essa perspectiva que o profissional da informação se depara com usuários
totalmente voltados para o uso de recursos eletrônicos, extremamente preocupados com o
fator tempo e questionadores sobre os mais diferentes temas. Por outro lado, as mídias
tornam-se obsoletas rapidamente, a carência de pessoal para fazer atendimento de ponta é
grande e o universo de informação que circula na rede é inalcançável. Por essa razão, de que
forma o Serviço de Referência pode acompanhar esse mundo em mudança e esse usuário que
caminha juntamente a passos largos?
Desde a década de 90, já era notório o poder extraordinário da internet e como afirma
Castells (1999, p.378)
[...] Criaram-se várias redes comerciais de serviços por computadores que
ofereciam serviços baseados em uma grade organizada, com preços
adaptados. Mas a capacidade da rede é tal que a maior parte do processo de
comunicação era, e ainda é, grandemente espontâneo, não organizado e
diversificado na finalidade e adesão. De fato, os interesses comerciais e
governamentais são coincidentes quanto ao favorecimento da expansão do
uso da rede: quanto maior a diversidade de mensagens e de participantes,
mais alta será a massa crítica da rede e mais alto, o valor.
Sem dúvida alguma, tanto a internet quanto o desenvolvimento das tecnologias da
informação causaram forte impacto na sociedade. Mas, analisando a afirmativa acima e
contextualizando para os dias atuais, os serviços que circulam na rede de fato só aumentam e
em contrapartida no mundo acadêmico esse nicho é ainda maior, a massa crítica está ainda
mais presente e essa realidade para todos é lugar comum. Por outro lado, a explosão
informacional exige profissionais capazes de criar filtros, articular ideias e buscar recursos
informacionais que permitam que a informação alcance seu fim de maneira ágil, segura,
organizada e com credibilidade, poupando o tempo dessas pessoas. E poupar o tempo das
pessoas, foi uma responsabilidade desde sempre dos bibliotecários amparados na quarta lei de
Ranganathan: ‘poupe o tempo do leitor’, tão propagada no mundo da Biblioteconomia
(FIGUEIREDO, 1992). Assim, fica lançado o desafio aos bibliotecários do Século XXI, se
vire nos trinta e fique por dentro de tudo, se antecipe à demanda e localize rapidamente aquela
informação tão preciosa nessa emaranhada teia que é a Web.

3245

�Diante do exposto, a equipe de bibliotecários da Biblioteca Setorial do Centro
Acadêmico de Vitória (BIBCAV/UFPE), resolveu aceitar o desafio e para tal lançou mão do
uso das redes sociais na prática do Serviço de Referência como aliadas no processo de
interação com os usuários.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Na definição de Martins e Ribeiro (1986, p. 10), a palavra referência é proveniente do
latim, referentia, que tem como significado a ação de referir, relatar, contar. Quanto ao verbo
referir, proveniente do latim, refere, pode ser traduzido como o ato de responder, repetir,
informar. Neste sentido, um Serviço de informação tem como função social investigar o que
se conhece sobre determinado assunto, proporcionando ao usuário tanta informação quanto
seja necessária para preencher uma lacuna em seu conhecimento (FOSKETT, 1969).
Tradicionalmente as bibliotecas universitárias ocupam lugar de destaque pela
prestação de serviços de referência aos usuários. O Serviço de Referência como concebido na
atualidade teve sua menção pela primeira vez nos anais da 1a. Conferência American Library
Association (ALA), realizada em 1876, na Philadelphia, Estados Unidos.
No período de 1870 a 1950, predominantemente, o Serviço de Referência estava
relacionado ao auxílio do bibliotecário aos leitores no momento da utilização de livros,
ficando restrito ao espaço da biblioteca e tendo por finalidade o estudo e pesquisa.
(MORENO, 2005). Hoje com o uso intensivo das redes e com os recursos tecnológicos
disponíveis o Serviço de Referência extrapola as barreiras físicas e geográficas. Todavia a
prestação do serviço não pode deixar de privilegiar quatro importantes funções como descreve
Mangas (2007) no quadro a seguir:
Quadro 1 - Funções do Serviço de Referência
FUNÇÕES DO SERVIÇO DESCRIÇÃO
DE REFERÊNCIA
ACOLHER
Receber com simpatia e profissionalismo os usuários. [...] O
Serviço de Referência é o serviço por excelência que faz a ponte
entre a biblioteca e a comunidade a quem serve. Cabe ao
bibliotecário de referência desempenhar o papel de relações
públicas.
INFORMAR
Resolver as perguntas e as pesquisas dos usuários.
FORMAR
ORIENTAR

Ensinar os usuários na utilização dos serviços e dos recursos da
biblioteca.
[...] Ajudar os usuários dentro da biblioteca na localização das
obras ou encaminhá-los para os serviços que melhor possam
responder às suas necessidades Aconselhar os utilizadores na
seleção de uma obra, fonte ou recurso de informação.

Fonte: MANGAS, 2007.

3246

�O Serviço de Referência na era digital traz na essência os mesmos preceitos do serviço
presencial, porém, integra a possibilidade de servir como portal para outras fontes de
informação atraindo um maior número de usuários e auxiliando na recuperação da informação
em menor tempo.
Com o objetivo de dar maior agilidade no atendimento às questões de referência, os
serviços de referência virtual surgiram no final da década de 80, nos EUA em paralelo com a
disponibilização dos catálogos das bibliotecas na internet. (ARELLANO, 2001). No Brasil,
as bibliotecas virtuais surgiram na época da popularização da internet na década de 90 e
provocaram mudanças na forma de organizar a informação e disponibilizar os serviços. Por
outro lado, o perfil do usuário também se transformou e o contato com as bibliotecas deixou
de ser apenas físico. Apesar das mudanças ocorridas a finalidade do Serviço de Referência e
informação continua sendo permitir que as informações fluam eficientemente entre as fontes
de informação e quem precisa de informação. (WHITAKER, 1985 apud GROGAN, 2001).
Por essa razão, atualmente as redes sociais surgem como importantes meios de
comunicação e ferramentas do Serviço de Referência, sendo impossível negar a forma como
influenciam e mudam a vida e rotina das pessoas, seja pela agilidade de comunicação,
interação ou poder de atração. Observa-se hoje inúmeras formas de comunicações digitais,
bate-papo, twitter, Orkut, Facebook, Linkedin, sem contar com outros meios facilitadores
como o Skype, Hangouts, Viber e assim por diante. A questão é: Como tornar essas
ferramentas aliadas no Serviço de Referência, tirando o máximo de proveito das vantagens
oferecidas? Nessa perspectiva, a concepção do uso das redes sociais está atrelada ao seu papel
na sociedade do conhecimento, assim definida a sociedade na qual a informação tem valor
primordial.
Sob esse olhar, este trabalho tem como foco apresentar especialmente o uso de uma
página de fãs ou seguidores no Facebook (Fan Page), como ferramenta estratégica de
comunicação com os usuários da biblioteca.
Para tanto, é importante historiar um pouco como surgiu a biblioteca do Centro
Acadêmico de Vitória (CAV). Trata-se de uma biblioteca setorial integrante do sistema de
bibliotecas da UFPE, que atualmente é composto por 13 unidades, onze no Campus Recife e
duas no interior do Estado.
Nos últimos anos a interiorização do ensino superior como política do Governo
Federal concorreu para que a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) fosse levada ao
interior do estado de Pernambuco, visando proporcionar a população de várias cidades do
Agreste e Zona da Mata o acesso ao ensino público, gratuito e de qualidade. A iniciativa deu

3247

�origem à implantação de dois novos Campi da UFPE nas cidades de Caruaru e Vitória de
Santo Antão, a partir do ano de 2006. Como consequência, não menos relevantes, foram os
esforços para realizar a expansão das bibliotecas universitárias com vistas a promover o
acesso à informação à comunidade universitária e a população em geral.
Atualmente o Campus Vitória já oferece dois mestrados e seis graduações a 1.378
alunos, além de contar com 106 residentes, sendo um espaço de referência para a população
da Zona da Mata pernambucana, a formação de recursos humanos na área de saúde e na oferta
de ações de extensão universitária (REYNALDO, 2014).
Essa realidade demonstra que apesar da criação das bibliotecas universitárias ocorrer
nos mais diferentes contextos e em realidades muitas vezes adversas, fatores como a
insuficiência de recursos humanos para oferecer serviços de informação tão almejados pelos
usuários, não devem se constituir em obstáculos para vencer desafios. Frente a isso a
Biblioteca Setorial do CAV desde sua criação em 2006, tem direcionado seus esforços para a
prestação de serviços de qualidade aos seus usuários.
Além dos serviços de rotina comuns a uma biblioteca universitária, a Biblioteca
oferece serviços como a pesquisa em bases de dados e os treinamentos no Portal de
Periódicos da Capes para acesso ao texto completo das publicações científicas nacionais e
estrangeiras; disponibiliza o catálogo online; serviço de renovação e reserva de livros via
internet; tutoriais eletrônicos de serviços; biblioteca digital institucional BDTD/UFPE;
repositório institucional do CAV; realiza disseminação seletiva da informação e promove a
interação constante com os usuários através das redes sociais.
Diante da possibilidade de utilizar algumas plataformas Web para diferentes fins
como: publicação (Blog, Weblog, Web TV, Microblog, Youtube, Twitter), discussão (Fórum,
Grupos de trabalho), compartilhamento (Youtube, Slideshare, Flirck, Dropbox, Pinterest,
Instagram, WhatsApp), relacionamento (Facebook, Hi5, Orkut, Linkedin), agregação
(motores de busca) e colaboração (Wiki collaboration, Email).
Acerca das redes sociais Pontes e Santos (2011, p.4) apontam que estas atuam como
um processo dinâmico de trocas de informações, contribuindo para a interligação de
indivíduos através da distribuição de informação e da comunicação. Para corroborar essa
informação Bernardino, Suaiden e Cuevas-Cerveró (2014) consideram que a popularização
das redes sociais como canais de comunicação tanto formais quanto informais surge como
forma de se obter informação rápida, atualizada e de maior alcance.
A história do Facebook foi registrada no filme “A Rede Social” que mostra a criação
do site de relacionamentos mais popular da internet. A rede surgiu como uma ideia inovadora

3248

�de um jovem estudante da Universidade de Harvard, nos EUA, durante o ano de 2004. Nos
anos que se seguiram à fundação do Facebook as bibliotecas universitárias passaram a utilizar
a rede social como verdadeira aliada na prestação de serviços.
Com o intuito de dar visibilidade à biblioteca, informar, atuar como um canal de
comunicação, trabalhar em tempo real, facilitar o acesso, gerenciar algumas atividades de
atendimento ao público, divulgar a produção científica, criar a memória institucional a partir
de um banco de imagens, disponibilizar ferramentas de capacitação científica e promover a
disseminação seletiva da informação, a partir de 2012 utilizou-se o Facebook como principal
rede social.
Essa realidade motivou o uso do Facebook como ferramenta do Serviço de Referência
partindo da experiência e observações diretas realizadas in loco. Muitas das informações
institucionais e operacionais emergenciais criadas na unidade não chegavam aos usuários, ou
quando acontecia, ocorriam muitas vezes tardiamente. Assim, a adesão e formulação da
página no Facebook primaram em promover maior divulgação da biblioteca entre os usuários
da própria Universidade.
Entretanto, após alguns meses de uso do Facebook a preocupação era: o que fazer para
atingir um número maior de usuários e disseminar o maior número de informações possíveis?
Para isso, alguns questionamentos surgiram: Como promover maior divulgação da biblioteca
do CAV no Facebook? Como fazer Marketing viral no Facebook? Como atrair mais usuários
(professores, alunos e a comunidade em geral) para o Facebook? Quais as estratégias de
marketing para as redes sociais? E como elaborar as melhores postagens para manter os
usuários sempre interessados no Facebook da Biblioteca?
Para atingir esse objetivo optou-se por adotar uma página de fãs para a biblioteca371
(ou fan page termo em inglês) diferentemente do primeiro uso do Facebook pela biblioteca
que era

através de um perfil, porém esse tipo de conta tem caráter altamente pessoal. Na

prática esse perfil permite procurar amigos, conectar-se, publicar imagens, textos e vídeos, de
forma compartilhada ou privada com os contatos. Entretanto, os perfis tem um limite de até
cinco mil amigos, situação que não é interessante quando se trata de uma instituição.
Esse tipo de página é voltado para propósitos de utilização profissional com a criação
de conteúdos direcionada àqueles que têm um particular interesse na instituição ou
organização. Desta forma, essa opção está sendo cada vez mais utilizada para divulgar os
produtos e serviços através da publicação de imagens, textos e vídeos.

Isto porque,

371Disponível em: https://www.Facebook.com/bibliotecaCAV

3249

�diferentemente de um perfil, onde apenas os amigos podem acessar os conteúdos, uma página
de fãs está disponível a todos (seguidores ou não) e são passíveis de serem indexadas pelos
motores de busca. Não existe limitação para a quantidade de fãs e qualquer indivíduo pode
seguir a página ou tornar-se fã sem necessidade da autorização prévia do administrador.
Da mesma forma, é permitido ao administrador excluir um seguidor se houver
necessidade e do ponto de vista gerencial é possível obter dados estatísticos sobre as visitas e
participação dos fãs nos temas abordados na página. Outro fator é que para fins de controle da
página, semanalmente é enviado um e-mail para o administrador com dados estatísticos sobre
as atividades (número de interações, entradas e saídas de fãs, feedback aos conteúdos
inseridos, entre outros). Essas informações foram decisivas para a biblioteca no processo de
tomada de decisão pela migração do perfil pessoal para uma página de fãs.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a consecução do trabalho optou-se por realizar uma pesquisa exploratória,
buscando o levantamento teórico sobre o tema, investigando as nuances do objeto,
concorrendo para o aprimoramento de ideias e descoberta de intuições. (MICHEL, 2009). O
método utilizado foi o estudo de caso este, para Yin (2005), e Calazans (2007) é um estudo
empírico que investiga o fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade, quando as
fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual são utilizadas
várias fontes de evidência.
Por essa razão o presente estudo ateve-se a seu objeto de pesquisa que tratou o uso do
Facebook como ferramenta do Serviço de Referência na Biblioteca Setorial do Centro
Acadêmico de Vitória (CAV/UFPE), atento ao processo de mudança de configuração do
perfil da página da Biblioteca do CAV no Facebook. Para tal procedimento, foi realizado
inicialmente um levantamento documental sobre as vantagens e desvantagens de uso do
Facebook. Em seguida, buscou-se analisar quais as variáveis que interferiam no uso e alcance
dessa rede social com o objetivo de facilitar o processo de tomada de decisão. Na fase de
mudança, foi necessário o envolvimento da equipe, gerando uma série de discussões para
proceder à reformulação da página.
Como forma de tornar a página da biblioteca mais atrativa aos seguidores e atrair
novos, foram definidas algumas estratégias para manutenção e vivacidade. O ponto de partida
foi o estabelecimento de uma agenda das principais temáticas a serem tratadas na rede social.
O cronograma foi estruturado com dias fixos para cada temática (Vide Figura 1).

3250

�Figura 8: Cronograma de publicações para o Facebook da biblioteca

Segunda
U m li v r o n a j a n e l a
(d iv u lg a çã o dos e­
bo o ks g ra tu ito s)

Terça

D ia ria m e n te

C iê n c ia à v is ta
(n o vid a d e s e
re su lta d o s
científicos)

I n f o r m e s da
Bi b l i o t e c a / l n s t i t u i ç ã o

Quarta
Quinta
E n c o n t r o às q u in ta s
(d iv u lg a ç ã o de
a g e n d a c u ltu ra l)

R IC — R ep o sitó rio
In stitu c io n al do CAV
(d e s t a q u e para o
c o n h e c im e n to gerado
no Centro)

A partir do estabelecimento destas diretrizes paa alimentação da página no Facebook a
equipe de bibliotecários tem unido esforços no sentido de formular conteúdos que prezem
pela ética, especialmente porque as publicações divulgadas recaem sobre a instituição e/ou
organização.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Para atrair os usuários e manter um canal de comunicação mais ágil e eficiente a
presença da Biblioteca Setorial do CAV nas Redes Sociais foi um passo fundamental, pois
essa experiência tem permitido que o público acompanhe e se mantenha informado sobre seus
produtos e serviços além de permitir a criação de estratégias de divulgação e disseminação da
informação totalmente focada em seus interesses.
Os resultados dentre outros dados apontam que a Disseminação Seletiva da
Informação (DSI) é um conceito válido e útil para a disseminação de conteúdos por ser
considerada uma das técnicas mais eficazes para o controle, seleção e divulgação do que é
publicado no mundo. (STRONG, 2004). Neste contexto, as redes sociais são surgem como
aliadas neste processo, sobretudo, no âmbito das bibliotecas universitárias.
Ao migrar a página em abril de 2013, o perfil da biblioteca estava conectado a 689
amigos. Atualmente a página possui mais de 1000 seguidores, já foram realizadas 313
postagens durante o período.

3251

�Ao analisar as publicações postadas percebe-se que entre os seguidores as postagens
com fotos despertam maior interesse do público atingindo um maior alcance e envolvimento,
conforme Figura 2.

Figura 9: Alcance e envolvimento dos seguidores da página por tipo de
publicação

Fonte: Facebook, 2014.
Considerando as 100 publicaões de maior destaque, conforme Gráfico abaixo, é
possível inferir que o público seguidor da página tem acompanhado mais efetivamente as
postagens cujos temas são referentes às notícias da própria Universidade, na sequência
destacam-se as relativas à Biblioteca do Campus Vitória. Esse dado é bastante revelador, pois
demonstra que o Facebook está contribuindo para minimizar problemas crônicos de
comunicação no âmbito da instituição.
Gráfico 1: As 100 publicações da página de maior destaque
U m liv ro na J a n e la
C iê n c ia à v is ta
R I C — R e p o s itó r io
In s t it u c io n a l d o C A V
E n c o n t r o à s q u in ta s
F ic a a D ica
In fo r m e s d a B ib lio te c a d o
CAV
In fo r m e s U n iv e r s id a d e e
C a m p u s V itó ria
O u tr o s

Fonte: Facebook, 2014

3252

�Analisando os dados geradospela página e considerando que o Centro Acadêmico de
Vitória é uma unidade da UFPE criada no interior do Estado de Pernambuco, o Gráfico
abaixo demonstra que os seguidores da página representam de fato o público alvo do Campus.
Pois atualmente 62% dos fãs são oriundos de cidades do interior de Pernambuco. No processo
de interiorização esse dado é relevante para traçar políticas de informação direcionadas a esse
público, uma vez que se evidencia a democratização do acesso as novas tecnologias.

Gráfico 2: Mapeamento dos usuários por região

Dentre os resultados apresetados acima, é importante ressaltar que vários outros
indicadores podem ser obtidos a partir das configurações de gerenciamento da página. Estes
elementos podem se constituir em verdadeiros instrumentos para se traçar políticas
instituicionais voltadas para atender os interesses da comunidade que sem dúvida é: a razão
da existência de todas as bibliotecas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo indicou que o uso do Facebook na Biblioteca Setorial do Centro Acadêmico
de Vitória como ferramenta do Serviço de Referência tem se constituído numa nova
perspectiva de divulgação dos serviços e de interação com os usuários em tempo real.
Através do Facebook tem sido possível se antecipar as necessidades dos usuários;
promover a atualização dos profissionais da biblioteca no uso de ferramentas tecnológicas e
consolidar essa rede social como mais um eficiente canal de comunicação. Graças ao uso
dessa ferramenta interativa a biblioteca tem contribuído para dar maior visibilidade à
produção científica da Universidade; proceder à disseminação seletiva da informação através

3253

�da divulgação dos materiais em seus diferentes suportes, bem como divulgar eventos e
notícias da instituição e disponibilizar ferramentas de capacitação científica para os usuários.
Outrossim, é importante destacar que trata-se de um trabalho de construção coletiva
que tem exigido novas competências e um aprendizado contínuo por parte da equipe. Por essa
razão, há uma agregação de valor decorrente do leque de possibilidades das redes sociais,
como elementos estratégicos para as bibliotecas universitárias no século XXI.

6 REFERÊNCIAS
A REDE social. Direção de David Fincher. Produção de Scott Rudin, Dana Brunetti, Michael
de Luca, Ceán Chaffin. Intérpretes: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Rashida Jones, Brenda
Song, Justin Timberlake, John Getz, Dakota Johnson, Mark Saul, Brian Palermo. Roteiro:
Aaron Sorkin. 2010. 1 DVD (117 min.), son., color. Legendado.
BERNARDINO, Maria Cleide Rodrigues; SUAIDEN, Emir José; CUEVAS-CERVERÓ,
Aurora. O uso do Facebook pelas bibliotecas públicas do estado do Ceará. CID: Revista de
Ciência da Informação e Documentação, v. 5, n. 1, p. 112-123, mar. 2014.Disponível em:
&lt;http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/64334&gt;. Acesso em: 02 Abr. 2014.
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�MARTINS, Myriam Gusmão; RIBEIRO, Maria de Lourdes Guimarães. Serviço de
referência e assistência aos leitores. Porto Alegre: UFRGS, 1986.
MICHEL, Maria Helena. Metodologia e pesquisa científica em ciências sociais: um guia
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MORENO, Patrícia da Silva. Serviço de referência digital: uma análise apoiada em agentes
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3255

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O poder das redes sociais na prática do serviço de referência em bibliotecas universitárias</text>
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                <text>Silva, Giane da Paz F., Santana, Jaciane Freire, Santos, Ana Lígia Feliciano dos, Mendonça, Roseane Souza de</text>
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                <text>Os avanços das tecnologias e os apelos das mídias tornam os usuários cada vez mais exigentes, sobretudo no meio acadêmico. Nas bibliotecas universitárias o impacto dessas mudanças tem sido maior no Serviço de Referência, exigindo do profissional da informação um aprendizado contínuo. Nesta perspectiva, o objetivo deste estudo é apresentar o Facebook como principal rede social utilizada pela Biblioteca Setorial do Centro Acadêmico de Vitória (CAV/UFPE) como ferramenta estratégica do Serviço de Referência para promover maior interação com os usuários onde quer que eles estejam. A metodologia utilizada foi o estudo de caso, mediante pesquisa exploratória a partir da análise do Facebook da biblioteca após seu processo de transformação em uma página institucional, com uma agenda temática permanente baseada no interesse de seus seguidores. Para coleta de dados foram utilizadas a pesquisa documental e análise das informações gerenciais e dados estatísticos obtidos diretamente na página do Facebook. O resultado do estudo indicou que utilizar essa rede social se constitui numa nova perspectiva de divulgação dos serviços e de interação com os usuários em tempo real. Da mesma forma, a possibilidade de gerenciar as informações a partir do envolvimento dos seus seguidores configura-se em um elemento estratégico para as bibliotecas universitárias. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACERVO FOTOGRÁFICO DO CENTRO DE COMUNICAÇÃO DA UFMG
(CEDECOM)

Glaucia Faria Rodrigues da Silva
Adriana Aparecida Lemos Torres
Elze de Souza Freitas
Marielle Medeiros Oliveira
RESUMO
O acervo fotográfico do Centro de Comunicação (Cedecom) da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG) é constituído de inúmeras fotografias que contam a história da
instituição. Visando o tratamento e a organização do mesmo, foi desenvolvido o projeto
Repositório de Comunicação, que após uma análise profunda do acervo e sua disposição,
desenvolveu métodos para que o acesso às diversas fotografias da Universidade fosse
simplificado. Serão apresentadas as metodologias, norteadas por princípios
biblioteconômicos, arquivísticos e fotográficos, bem como os diagnósticos obtidos, as rotinas
do projeto, os resultados alcançados e as projeções para o futuro do acervo.
Palavras-Chave :Acervo Fotográfico;Fotografia; Gestão da Informação.

ABSTRACT
The photographic archive of the Communication Center (Cedecom) from the Federal
University of Minas Gerais (UFMG)consists of numerous photographs that tells the history of
the institution. Seeking the treatment and the organization, it was created the Repository
Communication project, which after a thorough analysis of thearchive and its disposal,
developed methods to access the photographs of the University in a simple way. It will be
presented the methodologies guided by the librarianship, archival and photographic
principles, as well the diagnoses obtained, the routines of the project, the results achieved and
the projections for the future of the archive.
Keywords: Photographic archive; Photography; Information Management.

1 INTRODUÇÃO
O projeto Repositório de Comunicação é desenvolvido pelo Núcleo de Divulgação
Científica (NDC) situado no Centro de Comunicação da UFMG (Cedecom). Uma das
principais ações do projeto é o tratamento e organização do acervo fotográfico do Cedecom,
visando também permitir seu acesso de maneira democrática. O acervo reúne, desde a década
de 1970, cerca de 20 mil fotografias em papel, 80 mil fotogramas e mais de 150 mil

2044

�fotografias digitais. Uma política de acervo vem sendo desenvolvida e tem norteado todo o
trabalho, assim como a digitalização das fotografias em papel, etapa que está em andamento e
se mostra importante e necessária por permitir um acesso mais eficiente às fotografias.

2 REVISÃO DE LITERATURA
De acordo com Albuquerque (2007, p. 37) a imagem fotográfica, por ter um grande
valor histórico e social, “é um instrumento de pesquisa valioso [...], mas para que possa
atingir os seus objetivos - atender as necessidades de recuperação da informação contida no
referido documento - requer um tratamento adequado.”, como afirma Silva (2007). Dotadas
de características físicas e químicas bastante específicas que ao interagirem com o meioambiente ficam suscetíveis a ataques biológicos, necessitam de armazenamento adequado que
“funcionam como barreiras não só para a luz e a poeira, mas também para as oscilações de
temperatura e umidade relativa do ar. Assim, é o acondicionamento que assegura
estabilização — fator primordial na preservação de acervos” como afirma Abreu (1999, p.
13). Ainda de acordo com Abreu (1999, p. 9):
...nossas instituições de memória acumulam um considerável
patrimônio de imagens fotográficas [...] que, em grande parte,
não está guardado em condições ideais (preservação) nem
oferece as facilidades de recuperação. (ANDRADE apud
ABREU, 1999, p. 9)

Ao longo de sua história a UFMG produziu inúmeras fotografias para guardar sua
memória institucional e foi na busca pelo cumprimento desses parâmetros que o Repositório
de Comunicação deu início ao tratamento e organização do acervo fotográfico.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para identificar forças e fragilidades da organização do acervo fotográfico, foi
utilizada a metodologia de triangulação de coleta de dados, possibilitando o confronto de
resultados, e garantindo a credibilidade de um diagnóstico assertivo e próximo da realidade.
Os instrumentos utilizados foram:
1) Estudo de Usuários: aplicado através de entrevistas a 12 funcionários do Cedecom,
selecionados de acordo com sua relação com o acervo. O objetivo foi relacionar a estrutura do
acervo com as necessidades dos usuários;
2) Observações do Acervo: que sãodivididos de duas formas distintas: 1) O físico localizado em um ambiente que visa a conservação e preservação das fotografias, onde
deveria ser destinado exclusivamente ao acervo, contudo a sala também funciona como

2045

�depósito de materiais de escritório e limpeza, caixas de papelão,entre outros, sendo muitos
destes inflamáveis, tornando o ambiente instável para armazenar o acervo; e, 2) O digital iniciado em 2004 e armazenado no computador do fotógrafo do Cedecom, seguindo critérios
de organização estabelecidos por ele. Atualmente, este é o único meio de produção fotográfica
da instituição e pode ser acessado através de um atalho no sistema de rede interna em contato
com oDesktop do fotógrafo ou pelos CDs e DVDs gravados e armazenados em pastas
próprias. No caso de danos ao computador ou às mídias (CD ou DVD), esta parte do acervo
será perdida.
3)

Observações de Busca:o objetivo foi analisar, na prática, o comportamento de busca

dos usuários através da atual forma de organização. Foram selecionados cinco usuários do
acervo, e simuladas algumas demandas de busca, onde os observadores analisaramas
estratégias e as dificuldades dos usuários, bem como o desempenho do atual processo de
recuperação.
Após a elaboração do diagnóstico, foi criado o “Manual de Procedimentos do Acervo
Fotográfico”, contendo diretrizes para o tratamento das fotografias e normas para o trabalho
prático.
Atualmente, o trabalho consiste no tratamento das fotografias em papel, dividindo-se
em três etapas distintas e complementares: 1) alimentação do banco de dados; 2) a
digitalização; e 3) o armazenamento das cópias eletrônicas em DVDs.
Visando vencer a barreira dos recursos financeiros que impossibilitam a criação de
servidores e processos automatizados, os bancos de dados foram desenvolvidos em tabelas no
Excel e no Google Drive,onde são inseridas as informações encontradas nas fichas de
identificação e no verso das fotografias. Após esta etapa, é feita a catalogação descritiva,
contemplando os dados de autoria, data, local, código identificador, características físicas,
eetc., possibilitando singularizar cada fotografia e facilitar sua recuperação.
No que diz respeito à digitalização, é importante ressaltar que nesta etapa nenhuma
fotografia sofre alteração.
Todo o trabalho é desenvolvido por graduandos em Biblioteconomia, orientados por
bibliotecários e professores da Escola de Ciência da Informação da UFMG e, as atuais
consultas ao acervo são feitas em parceria com o setor de fotografia, formalizadas através dos
canais de comunicação do projeto, como e-mails. Os bancos de dados são as primeiras fontes
de informação do processo de recuperação e, posteriormente são consultados os CDs ou
DVDs. Após a localização das fotografias nos arquivos, elas são encaminhadas por e-mail ou
por meio de CDs.

2046

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Desde o início do projeto até abril de 2014, foram digitalizadas 7816 fotografias em
papel, organizadas em 11 tabelas e 46 DVDs e, mapeadas 151.993 fotografias digitais,
organizadas em 7 tabelas.
Após o término das digitalizações e produção das tabelas, elas serão disponibilizadas
para os demais setores do Cedecom através do Google Drive, criando uma independência no
processo de recuperação das informações. Posteriormente, a ideia é que todo o acervo de
fotografias em papel fique sob responsabilidade do Setor de Memória do Sistemas de
Bibliotecas da UFMG.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O projeto Repositório de Comunicação tem contribuído para a recuperação e
tratamento de uma parte importante da memória institucional da UFMG, já que muitas das
fotografias retratam momentos distintos como: posses de Reitores, simpósios, eventos
diversos, congressos internacionais, professores e funcionários, edifícios, etc. Espera-se que,
ao final desta etapa, seja potencializada a importância do Acervo Fotográfico como
importante ferramenta de pesquisa e memória para a comunidade acadêmica e para a
sociedade em geral.

6 REFERÊNCIAS
ABREU, Ana Lucia de. Acondicionamento e guarda de acervos fotográficos. Rio de Janeiro:
Fundação Biblioteca Nacional, 1999. 187 p.
ALBUQUERQUE, Ana Cristina de. Catalogação e descrição de documentos fotográficos em
bibliotecas e arquivos: uma aproximação comparativa dos códigos AACR2 e ISAD (G). 2006.
188f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual
Paulista,

Marília,

2006.

Disponivel

em:

&lt;http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/bma/33004110043P4/2006/albuquerque_a
c_me_mar.pdf&gt;. Acesso em: 16 mai. 2014.
SILVA, Rosi Cristina da. O profissional da informação como mediador entre o documento e o
usuário: a experiência do acervo fotográfico da Fundação Joaquim Nabuco. In: CONGRESSO
NACIONAL DE ARQUIVOLOGIA, 2, 2006, Porto Alegre, Anais... [s.l.: s.n.]. Disponível
em: &lt;http://www.aargs.com.br/cna/anais/rosi_silva.pdf&gt;. Acesso em: 16 mai. 2014.

2047

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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ANÁLISE DA FORMAÇÃO DO BILIOTECÁRIO DA BIBLIOTECA CENTRAL DA
UFAL NO ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS COM DEFICIENCIA AUDITIVA
Josilene Silva
Nelma Camelo Araujo

Resumo
Atualmente a diversidade de usuários que frequentam uma unidade de informação é fato
consumado no Brasil, assim os bibliotecários precisam acompanhar essa nova tendência,
principalmente se valendo da sua formação e das Tecnologias de Informação e de
Comunicação (TIC). Assim, essa pesquisa é parte de um trabalho maior que discute a
atualização do Projeto Político Pedagógico (PPP) e a Grade Curricular do Curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas, no atendimento aos usuários com
deficiência auditiva. Para realização desse trabalho foi utilizado um questionário enviado aos
bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da UFAL, por e-mail no aplicativo word, por
orientação da gestora da Biblioteca Central (BC) da UFAL, que repassou aos mesmos. Como
resultado final pode-se perceber que os bibliotecários sentiram a necessidade de mudanças no
PPP do Curso e em sua Grade Curricular, pois as disciplinas ofertadas, quando os mesmos
cursaram não abarcava o ensino de nenhuma disciplina voltada ao atendimento dos usuários
deficientes auditivos, pelo fato de inexistir professores qualificados para ministrar a disciplina
de Libras no Curso, deixando a qualificação dos bibliotecários com essa lacuna que prevalece
atualmente. Assim, se faz necessário uma discussão mais ampla entre todos os envolvidos na
formação dos bibliotecários para que essa e outras disciplinas possam ser ofertadas no Curso
de Biblioteconomia da UFAL, capacitando seus futuros profissionais para atuarem no
atendimento a esses novos usuários.

Palavras-chave: Formação do Bibliotecário Alagoano. Língua Brasileira de Sinais. Projetos
Político Pedagógico.
Abstract
Currently the diversity of users who attend an information unit is a fait accompli in Brazil, so
librarians need to follow this new trend, especially taking advantage o f their training and the
Information Technology and Communication (ICT). Thus, this research is part o f a larger
work that discusses the updated Policy Project (PPP) and the Curriculum Course Library,
Federal University o f Alagoas, in the service to users with hearing disabilities. To perform
this study a questionnaire sent to the librarians of the Library System of UFAL by email in
word application by direction o f the management o f the Central Library (BC) UFAL, who
relayed the same was used. As a final result can be seen that librarians have felt the need for
changes in PPP Course Curriculum and its because the disciplines offered, because when they
attended did not include the teaching o f any discipline focused on serving the hearing
impaired users, inexistent because qualified teachers to teach the discipline of Pounds Course,
leaving the qualification o f librarians with the gap that currently prevails. Thus, a broader
discussion among all stakeholders in the education o f librarians is needed for this and other

797

�courses can be offered in Library Science Course UFAL, enabling their future professionals to
work in service to these new users.

Keywords: Brazilian Sign Language. Political Pedagogical Project. Training Librarian
1 INTRODUÇÃO
Compreende-se que ao abordar a atuação do profissional bibliotecário frente aos
usuários deficientes auditivos, e tendo o conhecimento que tais deficientes sofrem grandes
preconceitos voltados a sua educação e vivências no passado, sabendo-se, contudo, que
mesmo atualmente nem todos têm a ajuda de intérpretes e tecnologias que seriam de grande
valia para sua educação, entretanto, entende-se que existem meios aos quais os deficientes
auditivos dispõem para difundir sua inclusão educacional, em todo e qualquer setor que atue
ou em sua busca numa Unidade Informacional, logo, diante do que foi citado, entendemos
que o discente de hoje será o bibliotecário de amanhã, pois está sendo formando justamente
para dar esse subsídio a esses usuários, já que se partiu da premissa que somos os mediadores
entre a informação e os diversos usuários.
Entende-se que é de suma importância a introdução do ensino da Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS), não somente nos cursos de Formação em Educação Especial, de
Fonoaudiologia e de Magistério em seus níveis médio e superior, como também na vida
acadêmica dos futuros profissionais do Curso de Biblioteconomia, uma vez que esses
profissionais realizam atividades especificas, direcionando esses usuários em Unidades de
Informação ou Bibliotecas. Nota-se uma crescente mudança por parte da sociedade com
relação aos deficientes onde a priori no decorrer de muitos anos de luta, e de
desconhecimento por grande parte da sociedade, os deficientes adquiriram uma nova postura
por assim dizer de si e da sociedade como um todo, assumindo e buscando leis que garantam
seu reconhecimento perante a nova realidade social, cultural e econômica.
Compreende-se que para abordar a historicidade do surdo e sua educação torna-se
necessário conhecer melhor como eles viviam, eram educados e como eram tratados.
De acordo com Moura (2000, p. 16):

Os gregos e os romanos consideravam que os surdos não eram seres
humanos, pois seus pensamentos não podia se desenvolver sem
linguagem e que esta não se desenvolvia sem a fala. Portanto sem
linguagem, o surdo era considerado não humano. Para eles, também, o
surdo não tinha possibilidade de desenvolver faculdades intelectuais.
Isto acarretou, durante séculos, desde quando foi iniciado o trabalho
de “recuperação” dos surdos-mudos, a necessidade de se dar fala a
eles. Era a sua “humanização” que seria, então, conseguida desta

798

�forma. A questão que se coloca atualmente é: quanto deste conceito
não está ainda interiorizado nos atuais educadores, nos familiares dos
surdos e na população em geral?
No Brasil muitas leis que foram criadas asseguram o direito educacional e
informacional desses usuários, como por exemplo, a lei 10436/2002 que reconhece a Língua
Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação dos surdos, a lei 8160/1991

que

garante a colocação de forma visível, do símbolo internacional de surdez em todos os locais
que possibilitem acesso, circulação e utilização por Pessoas Portadoras de Deficiência
Auditiva, a Resolução n° 02 de 11 de setembro de 2001 , institui Diretrizes Nacionais para a
Educação Especial na Educação Básica, no entanto torna-se necessário ressaltar que muitas
Bibliotecas ou Unidades

de Informação foram

melhoradas

ou adaptadas única e

exclusivamente por causa das leis vigentes em nosso país, contudo, cito que antes de serem
portadores de alguma(s) necessidade(s) especiais são acima de tudo cidadãos que merecem e
devem ser respeitados independentemente de suas deficiências.
Nota-se que com a chegada da chamada sociedade da informação houve uma
dispersão informacional, o que acarretou para o profissional bibliotecário um desdobramento
devido há uma vasta gama informacional existente da qual não se têm controle; partindo-se da
premissa, e indagação de como guiar o usuário deficiente auditivo em suas buscas
informacionais? Pois, as exigências sociais conduzem aos profissionais bibliotecários
aperfeiçoamento por assim dizer de nossa profissão e de novos métodos e formas de trabalho.
Vivenciamos uma nova tendência na valorização informacional e com a criação de
novas leis, decretos e portarias que asseguram a acessibilidade e inclusão dos deficientes.
Constata-se, no entanto que inicialmente inexiste um planejamento por parte dos profissionais
bibliotecários e das Unidades Informacionais direcionado para comunidade dos deficientes,
sejam deficientes auditivos ou não, por esse motivo a classe bibliotecária deixa essa parcela
dos deficientes sem atendimento adequado, faltando qualidade de serviços muitas vezes e
consequentemente deixando o desempenho social da classe bibliotecária de lado, pois de
acordo com a International Federation of Library Associations fIFLA, 1999), “o direito à
liberdade de expressão e o direito ao saber como requisito para a liberdade de pensamento e
de consciência; a liberdade de pensamento e a liberdade de expressão são condições
necessárias para a liberdade de acesso à informação” .712

71 Disponível em: &lt; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm&gt;. Acesso em: 21/04/2012.
72 Disponível em: &lt; http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/resolucao2.pdf&gt;. Acesso em: 10/02/2013.

799

�No

entanto,

a importância em repensar a Grade Curricular do Curso

de

Biblioteconomia da UFAL colabora no sentido de demonstrar as possíveis lacunas que faltam
ser preenchidas e tentar buscar meios (sugestões), para sanar tais lacunas ainda existentes,
pois se entende que as muitas disciplinas do curso estão voltadas para o trabalho tecnicista e
administrativo da profissão bibliotecária, assim, os profissionais que lidam com a informação
devem ou pelo menos deveriam estar preparados para lidar com o atendimento aos usuários,
independente de sua(s) deficiência(s), levando em consideração os princípios que regem a
profissão e os processos de inclusão social.
Diante do exposto se faz necessário esclarecer sobre o que é um Projeto Político
Pedagógico (PPP)? E o que é uma Grade Curricular? E quais suas finalidades no âmbito da
educação superior?
O projeto pedagógico é um produto específico que reflete a realidade
da escola, situada em um contexto mais amplo que a influência e que
pode ser por ela influenciado. É um instrumento clarificador de ação
educativa da escola em sua totalidade (VEIGA73 apud STOCCO,
2005, p. 2).
Para Stocco (2005, p. 2):
O projeto político pedagógico está estruturado com raízes profundas,
em programas acadêmicos onde os mesmos oferecem estratégias
acadêmicas de ação, pois, o projeto político-pedagógico, tem como
premissa à missão da Universidade que segundo a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, representa o laço entre presente e futuro,
sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. É uma
atividade natural e intencional que o ser humano utiliza para procurar
solucionar problemas e construir conhecimentos.
A Grade Curricular são disciplinas que fazem parte da formação dos discentes em sua
formação acadêmica, são divididas como obrigatórias e eletivas.
Portanto ao fazer a análise do PPP e da Grade Curricular do Curso de Biblioteconomia
da UFAL, apenas fica registrado a impressão que a amostra da pesquisa colabora no sentido
de se reanalisar o PPP e sua Grade Curricular, oportunizando disciplinas que venham a
colaborar para que os bibliotecários formados pela UFAL possam atender aos diversos tipos
de usuários.

73 VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 14 ed.
Campinas: Papirus, 2002. Disponível em: &lt;http://disciplinas.stoa.usp.br&gt;. Acesso em: 01/01/2014.

800

�2 EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DEFICIENTE AUDITIVO
Sabe-se que a educação brasileira iniciou-se com os jesuítas vindos de Portugal e que
sua estrutura escolar estava ligada a política colonizadora no Brasil colônia, (RIBEIRO 2007,
p. 17-18). Para Romanelli (1998, p.33-34), a educação brasileira tem embasamento nas ações
educativas socioculturais, que obtiveram suas formações regidas por padres da Companhia de
Jesus, ou seja, visavam incertamente recrutar fiéis e servidores.
Teixeira (1976, p. 285), ressalta que ao analisar a educação brasileira tem de se ter
discernimento com relação ao entrelaçamento existente em sua formação sóciocultural, pois a
distribuição educacional pode variar dependendo do contexto regional no qual a educação foi
inserida, pois o autor observa que a qualidade a ser atingida no âmbito da educação traz à tona
como os objetivos e valores expressos existentes variam de região para região.
Entende-se que dentro de uma perspectiva histórica a educação dos deficientes sempre
foi tratada de uma maneira avulsa, pois sempre foi visualizada pela ótica religiosa e da
medicina, inexistindo outra maneira de se mostrar e ver, por esse motivo a educação dos
deficientes auditivos é tão tardio, por isso é que ainda se faz pesquisa de como e qual seria a
melhor maneira de inseri-los nas escolas e qual a maneira mais apropriada, em como
introduzir os ensinamentos aos surdos.
De acordo com Barbosa (2009), o preconceito é um fator que levava as pessoas com
algum tipo de deficiência, a pensar que elas eram insignificantes, incapazes de aprender e de
deixar sua parcela de contribuição na sociedade. Segundo Souza e Macedo (2002), durante
muito tempo a educação dos surdos no Brasil e em outros lugares no mundo tiveram seu
início caracterizado por estudos médicos e religiosos, porque na antiguidade acreditava-se que
os deficientes eram aberrações da natureza e que era comum o extermínio das crianças que
nasciam com alguma deficiência, contudo para Paula e Carvalho (2009), foi somente após as
duas guerras mundiais, que os deficientes foram visto com um novo prisma, devido à um
grande contingente de pessoas que voltaram multiladasda guerra, havendo então uma
necessidade de mudança social que se corrobora com a nova segmentação de questões
essenciais a vida.
Como já foi elencado por Moura (2000, p.16), os gregos e os romanos consideravam
que os surdos não tinham competência intelectual e que não eram humanos. A autora ainda
cita algumas ponderações com relação ao histórico da educação dos deficientes auditivos,
vejamos então um pouco de seus idealizadores, seus feitos e de como se deu a evolução da
educação dos surdos. Como demonstrado no quadro 1.

801

�Q uadro 1 - E v o lu ç ã o da e d u c a ç ã o dos S u rd o s
IDEALIZADORES

BIOGRAFIA

Pedro Ponce de León
(1520-1584)

Monge Beneditino que viveu
no Monastério Beneditino em
San Salvador, em Ona, na
Espanha. A maior parte de sua
vida foi dedicada à educação
dos surdos que eram filhos de
nobres.

Juan Pablo
(1579-1629)

Filólogo e soldado a serviço
secreto do rei. Seu interesse
pela educação dos surdos deu­
se por seu interesse na
educação do surdo Luis de
Velasco, irmão do capitãogeral do exército, Bernardine
Hernandez de Velasco, Conde
de Castilla.

Bonet

Jacob
Rodrigues
Pereire (1715-1780)

Era educador de surdos com
fluência em Língua de Sinais,
mas defendia a oralização dos
surdos.

REALIZAÇÕES
Ponce foi o introdutor da educação dos
surdos, seus ensinamentos serviram de base
para outros estudiosos.
Ensino-os a ler, escrever, a rezar e conhecer
outras doutrinas do Cristianismo. Ponce
ainda demonstrou que os argumentos
médicos
estavam
equivocados,
comprovando a falsidade das crenças
religiosas, filosóficas ou médicas existentes
sobre os surdos. Contudo suas realizações
deram-se por que o surdo não poderia
receber suas heranças se não comprovasse
que o mesmo soubesse falar, por causa da
perda de direitos.
Sabe-se que Bonet se apropriou do alfabeto
digital de Ponce de León. Bonet publica um
livro em 1620 entitulado “Reducción de las
Letras y Arte para Ensenar à Hablar los
Mudos”, em que se apresenta como
inventor da arte de ensinar o Surdo a falar e
oferece uma ideia nova e simples para
realizar tais tarefas. O alfabeto digital era
usado para ensinar o surdo a ler, e a
gramática era ensinada através da Língua
de Sinais.
Bonet com “sua” técnica influênciou direta
ou indiretamente Johann Amman, John
Wallis e Thomas Braindwood.
Os Sinais eram usados para instruções,
explicações lexicais, conversações com os
alunos, até eles terem a capacidade de
poder se comunicar oralmente ou pela
escrita.
L’Epée notava a importância da existência
da Língua de Sinais, contudo entendo que o
surdo
já
obtinha
uma
bagagem
comunicacional,
L’Epée
teve
a
subserviência de aprender a Língua de
Sinais, para através desta língua montar seu
próprio sistema para educá-los.

Era Francês Começou a
ensinar por razões religiosas,
iniciou seu trabalho com suas
irmãs surdas. Para muitos
L’Epée foi o inventor da
Língua de Sinais, mas como
demonstrado a Língua de
Sinais já existia muitos antes
de L’Epée.
Fonte: Adaptado de: MOURA, Maria Cecília de. O surdo: caminhos para uma nova
identidade. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.
Charles-Michel
de
L’Epée (1712-1789)

A educação dos deficientes auditivos brasileiros teve início durante o Segundo
74

Império D. Pedro II, ocasionado pela chegada do professor francês surdo Ernest Huet , em47

74 Na literatura alguns o chamam de Edward Huet e outros de Ernest Huet, contudo não se sabe ao certo o
porquê.

802

�1857, fundador do Instituto Nacional dos Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de
Educação dos Surdos (INES) no Rio de Janeiro, que de inicio utilizava a língua de sinais. Foi
nesta escola que surgiu da mistura da língua de sinais francesa com os sistemas já usados
pelos surdos de várias regiões do Brasil, a Libras, (BARBOSA 2009 e BUENO 1993), de
acordo com o quadro 2 .

Q uadro 2 - E v o lu ç ã o da e d u c a çã o dos su rd o s do (INES)
DIRETORES

INÍCIO
E
TÉRMINO
DA GESTÃO

Ernest Huet

1857-1861

Dr. Manoel de
Magalhães
Couto

1862-1868

Dr. Tobias Leite

1873-1897

Dr. João Paulo
de Carvalho
Dr. João Brasil
Silvado
Dr.
Custódio
José
Ferreira
Martins

Dr.
Armando
Paiva de Lacerda

1897-?
1903-1907
1911-?

REALIZAÇÕES

Seu trabalho tinha embasamento na Língua de Sinais francesa e
a escrita que se mesclou com a Língua de Sinais utilizada pelos
surdos brasileiros, considera-se ainda que Huet fosse o
introdutor da Língua de Sinais no Brasil. O início de seu
trabalho não foi aceito logo de início pelas famílias dos surdos
brasileiros, pois tinha certa aversão em entregar seus filhos a um
estrangeiro.
Huet deixou a direção do instituto por problemas pessoais, foi
para o México onde fundou uma nova escola para surdos.
De acordo com uma inspeção do Governo, o Instituto estava
servindo de asilo de surdos, o diretor foi demitido.
Aprovou a introdução do regulamento de ensino profissional e o
ensino da “linguagem articulada e leitura sobre os lábios”.
Contudo Leite afirmara que os alunos não estavam obtendo
nenhum resultado, mas o ensino através da escrita mostrava-se
útil, por isso o governo ordenou que a “linguagem articulada”
fosse ensinada apenas para os alunos que pudessem se
beneficiar a critério do professor e do diretor. Mas para o Dr.
Vieira, insatisfeito com a decisão, pediu a jubilação em 1890,
entretanto para Tobias Leite não se deveria adaptar o aluno ao
método, mas o método ao aluno.
Não há nenhuma informação sobre algo que tenha feito,
enquanto era diretor do Instituto.
Foram relatados resultados satisfatórios sobre o ensino da
articulação e da leitura “sobre lábios”.
Aprovou-se então um novo regulamento, pois ensino de
articulação não mais estava servindo para os surdos, logo o
diretor solicita ao Governo um novo regulamento, pedindo que a
mudança inserisse crianças menores (de seis a dez anos), (antes
somente era admitido crianças de nove a catorze anos), o
Governo não admitira a inserção das crianças menores,
entretanto o ensino da fala passou a ser realizado apenas com
aqueles que se beneficiavam da mesma.

1930-?

De acordo com Armando Paiva de Lacerda os métodos
utilizados na educação dos surdos eram modernos, que detinham
embasamentos científicos e pedagógicos.
Fonte: Adaptado de: MOURA, Maria Cecília de. O surdo: caminhos para uma nova
identidade. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.

803

�Para Moura (2000, p. 82-84), a evolução dos métodos ensinados no Brasil foi trazida
de outros países e esses métodos não sofriam nenhuma modificação para adequar-se aos
surdos brasileiros, e salientando mais uma vez que a maioria dos diretores do Instituto
Nacional de Educação dos Surdos (INES) eram médicos e que os mesmos tratavam a surdez e
o surdo com um olhar voltado para o estudo científico, e que partindo dessa premissa essa
postura espalhou-se pelo Brasil e de uma maneira geral voltou-se também para educação,
como descrito no quadro 2 .
Segundo Freire (2008, p. 28), “a educação tem caráter permanente” . Não há seres
educados e não educados. Estamos todos nos educando. “Existem graus de educação, mas
estes não são absolutos.”
Para Bruini (2012), ao se fazer uma reflexão acerca da educação brasileira, nota-se que
o processo de desenvolvimento da escolarização básica está sendo dado a passos lentos, muito
se fez, entretanto há muito a se fazer, pois os números negativos ainda demonstram o quão é
frágil nosso sistema educacional, como por exemplo: defasagem escolar, ou seja, alunos que
concluem o ensino fundamental e não dominam a leitura e nem a escrita, e sem esquecer os
professores que recebem bem menos que o piso salarial, esses índices fazem com que haja
várias tentativas para melhorar o quadro da educação no Brasil, pois se nossa sociedade está
evoluindo o mesmo deveria acontecer com a nossa educação. Ainda de acordo com a autora o
Brasil ocupa o 53° lugar na educação, entre 65 países avaliados pelo Programa Internacional
nc

de Avaliação de Alunos (PISA ) .
De acordo com Silva (1994), nota-se o “descaso”, não somente dos governos como
também dos educadores (professores), que em seus caminhos como estudante também não
tiveram em seus estudos a presença de uma biblioteca que os fizessem entender o quão
importante foi, é e sempre será.
A Declaração de Salamanca (1994) discorre de maneira cuidadosa e geral sobre a
educação dos deficientes, tratando da educação desses deficientes desde sua infância
perpassando a idade adulta, tendo importante relevância nas matrizes agregadoras de valores
educacionais, sociais e culturais.
Declaração de Salamanca7576 (1994) enfatiza que as:

75 PISA - Sigla, em inglês (Programme fo r International Student Assessment), para Programa Internacional de
Avaliação de Alunos. Disponível em: &lt;http://www.jornaldaciencia.org.br&gt;. Acesso em: 11/02/2013.
76
PORTAL
DO
M INISTÉRIO
DA
EDUCAÇÃO.
Disponível
em:
&lt;http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf&gt;. Acesso em: 01/01/2014.

804

�Políticas educacionais deveriam levar em total consideração as
diferenças e situações individuais. A importância da linguagem de
signos como meio de comunicação entre surdos, por exemplo, deveria
ser reconhecida e provisão deveria ser feita no sentido de garantir que
todas as pessoas surdas tenham acesso a educação em sua língua
nacional de signos. Devido às necessidades particulares de
comunicação dos surdos e das pessoas surdas/cegas, a educação deles
pode ser mais adequadamente provida em escolas especiais ou classes
especiais e unidades em escolas regulares.
De acordo com Portal do Governo do Estado de Alagoas (2012), em Alagoas a
educação dos deficientes teve início em 1958 por iniciativa particular da Associação de Pais e
Amigos dos Excepcionais (APAE).
Em 1973 foi criada a Diretoria de Educação Especializada dentre outras funções
coordenava a Educação Especial no Estado em parceria com o Centro Nacional de Educação
Especial (CESNESP/MEC), onde teve inicio na Escola Estadual de Cego Cyro Accioly,
criada pelo decreto n° 2.794 de 15/06/1976. Ainda de acordo com Governo do Estado de
Alagoas (2012), concomitantemente foram implantados os atendimentos ao aluno com
deficiência auditiva em classes especiais utilizando-se do método da oralização nas escolas
Tavares Bastos, José Correia da Silva Totara e Rosalvo Lobo e aos alunos com deficiência
mental moderada, também em classes especiais, nas escolas Álvaro Victor, Mário Broad,
Sebastião da Hora, Rosalvo Ribeiro, Fernandes Lima, Tomaz Espindola Guilhermino de
Oliveira e Professor Vitorino da Rocha. Os deficientes mentais severos eram atendidos na
Associação de Pais e Amigos do Excepcional (APAE); Associação Pestalozzi de Maceió;
Centro de Reabilitação de Alagoas (CREAL) e Centro de Reabilitação Helena Antipoff.
A Secretaria de Estado da Educação e do Esporte implantou, através da Gerência de
Educação Especial, o processo de Inclusão Escolar do aluno com deficiência na rede regular
de ensino em 2001. Foi o primeiro Estado da Federação a implantar a inclusão do aluno surdo
com a presença do intérprete de LIBRAS em cada sala de aula considerando que uma escola
inclusiva exige o reconhecimento da realidade concreta da diferença entre as pessoas através
da análise da diversidade cultural e social.

No Brasil, há núcleos setoriais de informação restritos a espaços
determinados - regiões mais desenvolvidas - onde ocorre, com maior
intensidade, a atividade da educação e da pesquisa. A sociedade
brasileira, caracterizada por alarmantes índices de desigualdades
regionais, sociais, educacionais, não nos permite generalizar que está
em uma Sociedade da Informação.
A maneira como a informação é organizada e distribuída dependente
direta ou indiretamente do papel da educação em cada sociedade. A

805

�informação é um dos recursos básicos para o desenvolvimento em
qualquer campo do conhecimento e da atividade humana e, para que a
mesma seja importante e de valor para os usuários, tem que ser
pertinente às necessidades dos mesmos quando dela necessitem.
(VARELA, 2007, p. 33)
Bueno (1993) destaca a importância da democratização da escola para os deficientes
auditivos no Brasil, relacionado com a rede pública de ensino brasileiro, o autor lança ainda
as mudanças que deveriam ser feitas nos sistemas de formação docente no país.

3 EXPERIMENTO
O curso de Biblioteconomia da UFAL passou por grandes transformações, desde sua
criação no ano de 1998, sendo reconhecido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) em
2005, através da portaria n° 828, de 11 de março, sua implantação se deu devido ao esforço de
um grupo de bibliotecários atuantes no Estado, dentre eles, as bibliotecárias da Biblioteca
Central da UFAL, Sueli Maria Goulart Silva e Silvia Regina Cardeal.
Quanto à estruturação, o Curso faz parte do Instituto de Ciências Humanas,
Comunicação e Artes (ICHCA) e está estruturado em quatro anos letivos - (duração

mínima), e no máximo seis anos. O discente do curso se forma bacharel em
Biblioteconomia, com a titulação de bibliotecário, conforme a lei n° 4.084, de 30 de junho de
1962, regulamentada pelo decreto n° 56.725, de 16 de agosto de 1965 e recomendações do
Departamento de Políticas do Ensino Superior referente às novas diretrizes curriculares .
Quando da criação do PPP do Curso de Biblioteconomia e sua Grade Curricular,
houveram estudos pertinentes naquele momento, onde foram utilizadas a historicidade do
local de criação, sua cultura, sua formação social, econômica e política, visando aos
propósitos e compromissos estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação no
Brasil.
Ao elaborar o PPP de um Curso de graduação, especificamente, seus organizadores
seguem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), regida pela lei 9394/96.
Torna-se necessário o compartilhamento e discussão sobre as responsabilidades da
análise do PPP, para melhor estruturar a Grade Curricular, visando melhorias e a participação
de todos aqueles que compõem a base acadêmica do Curso de Biblioteconomia da UFAL,
para obtermos êxito no desenvolvimento dos assuntos abordados, e nas disciplinas como um
todo.
77 Disponível em: &lt; http://www.ufal.edu.br/arauivos/prograd/cursos/campus-maceio/ppc-biblioteconomia.pdf&gt;.
Acesso em: 01/01/2014.

806

�O Curso de Biblioteconomia vem evidenciando seu valor, através dos profissionais
bibliotecários já formados e os que ainda irão se formar a priori os mesmos estão deixando
aos poucos de ser e fazer apenas um trabalho tecnicista, ou seja, esse novo profissional
bibliotecário é um agente mediador entre a informação e os usuários que a buscam.
Portanto esse trabalho teve como objetivo analisar a formação do bibliotecário no
Curso de Biblioteconomia da UFAL, mais especificamente os bibliotecários da Biblioteca
Central da UFAL, frente aos usuários deficientes auditivos.
A pesquisa foi realizada com os Bibliotecários que atuam no âmbito do Sistema de
Bibliotecas da UFAL , para a realização do trabalho foi utilizado um questionário, enviados
por e-mail no aplicativo word, por orientação da gestora da BC/UFAL, que repassou aos
demais bibliotecários da BC. O questionário foi enviado para 13 (treze) bibliotecários, obtevese retorno de apenas 6 (seis) questionários, entre os dias 04/10/2013 a 02/11/2013, tendo 1
(um) mês de duração. O questionário foi dividido em dois blocos de perguntas: bloco 1 e
bloco 2.
No Bloco 1 procurou-se analisar o conhecimento dos respondentes com relação ao
Projeto Político Pedagógico (PPP), e a Grade Curricular independentemente da instituição de
formação dos mesmos. Já no Bloco 2, procurou corroborar sobre a importância da inserção da
Disciplina Libras no PPP e na Grade Curricular obrigatória, questionando a importância da
Disciplina Libras, não somente como introdução social do Curso, mas também na formação
do profissional bibliotecário agregando valores, éticos, sociais e culturais.

3.1 Levantamento dos dados - Bibliotecários da BC/UFAL
A análise com os Bibliotecários da Biblioteca Central da UFAL baseou-se no Projeto
Político Pedagógico (PPP) e na Grade Curricular, procurando identificar o conhecimento do
mesmo, obtendo-se os seguintes resultados: suas formações são 100% em Biblioteconomia,
apenas 1 (um) informou que também têm especialização, mas não informou qual o tipo de
especialização, ou seja, em qual área. As Instituições de Formação são centradas na região
Nordeste do país, sendo 90% na Universidade Federal de Alagoas, e apenas 10% na
Universidade Federal de Pernambuco. O tempo de exercício de profissão variou entre 5
(cinco) e 34 (trinta e quatro) anos.
Neste quadro 3 , tentou identificar o conhecimento dos Bibliotecários da BC/UFAL,
com relação ao PPP do Curso e da Grade Curricular, independentemente da instituição de
formação dos mesmos.

807

�Q uadro 3 - B lo c o 1: I d e n tific a r o c o n h e c im e n to dos B ib lio te c á r io s no P P P
e em sua G rade C urricular.
BIBLIOTECÁRIOS (MODALIDADE BC/UFAL)
FINALIDADES

PERGUNTAS

O Projeto Político Pedagógico

1. Quando cursou o curso de Biblioteconomia, havia alguma
temática voltada para o social?

As disciplinas citadas

2. Você conhecia o PPP do curso de Biblioteconomia, quando
o cursou?

O desconhecimento do PPP

3. Alguma disciplina da grade curricular voltada para o social
lhe chamou a atenção, quando você era discente?

A Grade Curricular

4. Você poderia elencar alguma disciplina da grade curricular
voltada para o social do curso de Biblioteconomia?

Fonte: As autoras

Cerca de 80% dos respondentes, recordaram de alguma disciplina voltada para o
social, apenas 20% não responderam.
Ao serem questionados quando cursou Biblioteconomia os mesmos recordavam-se de
alguma disciplina que para os respondentes estaria voltada para o social, 20% responderam
“não”, sendo que 80% responderam em sua maioria que “sim”, contudo, os respondentes não
justificaram suas respostas, outro ainda citou a disciplina “Ação Cultural”, contudo o nome
correto é “Biblioteca e Ação Cultural” .
Há única disciplina citada foi: “Ação Cultural”, mas o nome correto da Disciplina é
“Biblioteca e Ação Cultural” .
O questionamento requerido no quadro 3 nos traz à tona a importância com relação ao
conhecimento do PPP e de sua Grade Curricular, independentemente do ano de formação.
Entendeu-se, contudo, que o desconhecimento por parte dos ex-alunos, criou uma lacuna de
reclamações dos próprios formandos com relação as suas atividades profissionais, que nos
leva a refletir que: “Os ex-alunos são atuantes no que tange sua atuação com relação às
questões da profissão Bibliotecária ou eles se utilizam do laissez-faire ”.
Compreendeu-se que 80% dos ex-alunos conheciam o PPP e sua Grade Curricular, e
apenas 20% não sabiam, mas citaram que tinham conhecimento sobre o PPP e sobre a Grade
Curricular. Nota-se que o desconhecimento do PPP do Curso corroborou em sua essência com

808

�a falta de vontade em perceber que os estudos biblioteconômicos não se baseiam somente na
parte técnica da profissão.
Mais uma vez, arrisco ao questionar os ex-alunos de Biblioteconomia,

ao

conhecimento do PPP e da Grade Curricular, pois ao analisar os dados, faltou segurança por
parte dos respondentes ao citar as disciplinas com designação social. Outro fator, relevante
seria a não modificaçao no PPP do curso de Biblioteconomia da Ufal, no decorrer dos anos,
entretanto levaram-se em consideração os poucos anos de criação do Curso no Estado, como
já citado anteriormente. Ao analisar os dados notou-se que 90%, dos respondentes citaram
alguma disciplina, e apenas 10% não quiseram opinar.
Apenas 60% designaram-se a responder que “sim”, apenas 20% citaram duas
disciplinas, são elas: Biblioteconomia e Sociedade (nome correto da disciplina - Biblioteca e
Sociedade Brasileira) e Biblioteca e Ação Cultural, enquanto que 20% respondeu que “não”,
nenhuma disciplina voltada para o social lhe chamou a atenção.
Entende-se que se passaram muitos anos desde a formação dos respondentes,
entretanto, os mesmos chegaram a citar algumas disciplinas de sua Grade Curricular, apenas
um dos respondentes não respondeu a questão quatro.
As disciplinas citadas foram: “Biblioteconomia e Sociedade (nome correto da
disciplina - Biblioteca e Sociedade Brasileira)”, “Biblioteca e Ação Cultural”, “Bibliotecas
Comunitárias” e “Carro de Biblioteca”, foram às únicas disciplinas citadas pelos
respondentes, entendendo-se que pouco se sabia com relação ao PPP do curso, pois não houve
maiores alterações em sua estrutura, na verdade ao analisar o PPP, nota-se que não houve
modificação alguma, sabendo-se, contudo que foram analisadas o PPP e a Grade Curricular
de uma única instituição, no caso a Universidade Federal de Alagoas, mas que 10% dos
respondentes formou-se em outra instituição.
Mais uma vez, nota-se a importância de se saber como será conduzida sua formação
universitária, partindo da premissa que o mundo globalizado nos permite, agregar valores as
ferramentas utilizadas no ensino universitário, sendo sua formação de suma relevância no
perfil profissional de qualquer curso de formação. Os ex-alunos, pelo menos 80% citaram
alguma disciplina, e 20% não opinaram.

809

�Q uadro 4 —B lo c o 2: I m p o rtâ n c ia da D is c ip lin a de L ib ra s no P P P e na G rade
C u rric u la r
BIBLIOTECÁRIOS (MODALIDADE BC/UFAL)
FINALIDADES

PERGUNTAS

Inclusão da disciplina

5. Como profissional já formado em Biblioteconomia, qual
sua opinião sobre a inclusão da disciplina de Libras no PPP
do Curso?

Inclusão social
Atendimento
auditivos

aos

deficientes

Quais as melhorias

6. Como a Biblioteca Central (BC) da Ufal realiza o
atendimento aos usuários com deficiência auditiva?
7. Existem planos na melhoria do atendimento para esses
usuários? Quais?

Fonte: As autoras

Mesmo tendo ciência do pouco conhecimento agregado ao PPP do Curso e sua Grade
Curricular por parte dos ex-alunos, ou seja, os Bibliotecários da Biblioteca Central da UFAL,
os mesmos sentem a necessidade de haver mudança na mesma, pois os mesmos, sabem da
necessidade de se modificar o perfil dos bibliotecários no momento do atendimento de um
deficiente auditivo.
Para Targino (2011, p. 134):

No atendimento aos usuários, o bibliotecário precisa não apenas
conhecer a possibilidade de exclusão, voluntária ou não, mas,
sobretudo, precisa respeitar as diferenças de procedimentos e de agir,
destinando a estes públicos atenção desdobrada, sem efetivar
cobranças desmedidas que desrespeitem as decisões individuais, se for
o caso.
Parte-se da premissa que 100%, dos respondentes opinaram, elevando ainda mais o
quão importante, tornariam tais mudanças em nosso PPP e em nossa Grade Curricular sejam
no Curso de Biblioteconomia desta Universidade ou em outra de nosso país. E os mesmos
ainda sugeriram outras discilinas que seriam importantes na formação do profissional
bibliotecário, em sua cultura e vivência social.
Os Bibliotecários da BC/UFAL, cerca de 100% acreditam que com a inserção da
Disciplina Libras, sendo a mesma obrigatória e não eletiva, será de grande valia, pois
contribuirá para mudanças de comportamento (visão), tanto do deficiente auditivo quanto do
futuro profissional que está sendo preparado para lidar com esse usuário. Outros ainda

810

�destacam o fator da inclusão social desses deficientes, ressaltam ainda a importância de se
ofertar essa mesma disciplina em todos os níveis nos currículos escolares.
Nota-se em suas falas que os respondentes têm consciência da necessidade da inclusão
dessa disciplina, não somente essa como também o Braile, que para eles devem ser ensinadas
desde a alfabetização.

Cerca de 10% dos respondentes destacou que teve capacitação em

Braile, outro 10% apenas limita-se a informar que seria “excelente”, que a disciplina Libras
faça parte da Grade Curricular do Curso.
As vivências sociais atualmente têm como seu ponto de partida a inclusão social, de
uma maneira bastante generalizada, então se tratando de uma Biblioteca Universitária, partese dos pressupostos, de que a mesma servirá a todo e qualquer usuário, independente de sua
formação ou deficiência(s), como se daria esse atendimento por parte dos Bibliotecários da
Biblioteca Central da UFAL.
Targino (2011, p. 148), disserta sobre a ética no atendimento aos usuários:

Consciente da responsabilidade ética que deve prevalecer na relação
bibliotecário vs. usuários, a partir da premissa irrefutável de que a
práxis é, em sua essência, a ação informada pela razão, o bibliotecário
contemporâneo tem em suas mãos mais recursos e, ao mesmo tempo,
uma infinidade muito maior de cuidados que devem ser tomados no
exercício diário de sua profissão. Para se manter como profissional
crítico e consciente, independentemente da terminologia em voga
(práticas sociais, mediação, responsabilidade ética e social), no dia a
dia, qualquer tipo de atendimento ao usuário exige processo dialógico
o qual se dá a mediação.
Cerca de 10% dos respondentes, informou que o atendimento dar-se de maneira
dificultosa, pois não existe material, muito menos pessoal treinado. Já 90% desconhecem se
existiram ou não o atendimento a esses usuários; dentro dos10% citados informou também
que esperam soluções em meu projeto final.
De acordo com alguns respondentes a BC/UFAL, esta se preparando para atender a
esses usuários, destaca que está estimulando seus profissionais bibliotecários a se capacitarem
por meio do curso de Libras.
Compreende-se nos dados analisados uma tentativa da direção em criar meios para
tentar sanar esta lacuna existente na Biblioteca Central da Ufal. Esses meios citados seriam
em um primeiro momento a capacitação dos profissionais bibliotecários e a aquisição de
tecnologias voltadas para o atendimento dos deficientes auditivos. A pesquisadora notou
também que os próprios bibliotecários sentem tal necessidade de atualização e capacitação
dos profissionais bibliotecários visando melhorias para os usuários.

811

�Entendendo-se que as tecnologias agregadas ao trabalho do bibliotecário causaram
profundas transformações em sua utilização meio, para atingir o fim, que é o serviço
direcionado aos usuários independentemente de haver ou não algum tipo de deficiência, pois
como frisa Ranghanathan em uma de suas leis “Para cada leitor o seu livro” .
Os sujeitos sociais nesses processos e ações visadas por bibliotecários seriam sua ação
como mediação entre o acesso à informação, tendo como foco o usuário deficiente auditivo.
No qual foram unânimes em suas respostas, quando questionados sobre as melhorias no
atendimento da BC/UFAL, 100% dos bibliotecários ressaltaram que a BC/UFAL, está
tentando atualizar, ou seja, “reciclar”, seus bibliotecários, por meio de capacitações, mas falta
ainda uma política institucional que vise tais capacitações, principalmente os deficientes
auditivos e os deficientes visuais.
Citaram ainda as melhorias que estão por vir, onde os profissionais bibliotecários da
BC estão fazendo um curso de Libras, promovidos pela Associação Alagoana de Profissionais
Bibliotecários (AAPB), e que a BC/UFAL está iniciando compras de equipamentos para
tentar sanar essa lacuna existente que é a falta de acessibilidade informacional, e a falta de
inclusão dos deficientes auditivos, independente de sua deficiência.

4 CONSIDERAÇÕES
Diante das informações analisadas e dados coletados foi possível identificar como os
Bibliotecários da Biblioteca Central da UFAL, percebem a necessidade de haver mudanças
em nossa Grade Curricular, pois o Curso de Biblioteconomia da Ufal foi criado apenas a 16
anos no Estado, e existindo a certeza que há muito a se fazer e muito a se mudar.
Notou-se também, que seria de grande relevância a introdução de outras disciplinas
além da disciplina Libras, que seria um pequeno passo, pois se tornaria de grande valia, a
introdução de disciplinas como, por exemplo: Lógica e Psicologia, as quais dariam aos
discentes uma base tão sólida, quanto a que temos no momento.
Diante de todos os questionamentos que foram citados e com o intuito de aprimorar a
colaboração dos profissionais bibliotecários no que tange sua atuação no atendimento dos
diversos usuários, entre eles os deficientes auditivos, pois somos mediadores da informação e
não podemos excluir nenhum usuário em suas buscas, por uma “deficiência nossa”, onde
devemos sempre nos atualizar para melhor incluir todos os consulentes no momento em que
este necessitar de nossos serviços.

812

�5 REFERÊNCIAS

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815

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                <text>Atualmente a diversidade de usuários que frequentam uma unidade de informação é fato consumado no Brasil, assim os bibliotecários precisam acompanhar essa nova tendência, principalmente se valendo da sua formação e das Tecnologias de Informação e de Comunicação (TIC). Assim, essa pesquisa é parte de um trabalho maior que discute a atualização do Projeto Político Pedagógico (PPP) e a Grade Curricular do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas, no atendimento aos usuários com deficiência auditiva. Para realização desse trabalho foi utilizado um questionário enviado aos bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da UFAL, por e-mail no aplicativo word, por orientação da gestora da Biblioteca Central (BC) da UFAL, que repassou aos mesmos. Como resultado final pode-se perceber que os bibliotecários sentiram a necessidade de mudanças no PPP do Curso e em sua Grade Curricular, pois as disciplinas ofertadas, quando os mesmos cursaram não abarcava o ensino de nenhuma disciplina voltada ao atendimento dos usuários deficientes auditivos, pelo fato de inexistir professores qualificados para ministrar a disciplina de Libras no Curso, deixando a qualificação dos bibliotecários com essa lacuna que prevalece atualmente. Assim, se faz necessário uma discussão mais ampla entre todos os envolvidos na formação dos bibliotecários para que essa e outras disciplinas possam ser ofertadas no Curso de Biblioteconomia da UFAL, capacitando seus futuros profissionais para atuarem no atendimento a esses novos usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACERVOS ELETRÔNICOS: ESTUDO SOBRE O DESENVOLVIMENTO DO
ACERVO DE PERIÓDICOS DA BIBLIOTECA SETORIAL DE EDUCAÇÃO/UFPE
Katia Maria Tavares da Silva
Maria Janeide Pereira da Silva

RESUMO
As Tecnologias da Informação e Comunicação exercem papel estratégico na gestão pública,
seja no desenvolvimento de serviços ou produtos oferecidos. Neste quadro a proposta de
estudo é compreender o desenvolvimento do acervo de periódicos da Biblioteca Setorial de
Educação, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a partir do incremento do acervo
eletrônico do Portal de Periódicos da CAPES. O desenvolvimento do acervo de periódicos a
partir da década de 2000, na instituição estudada é fomentado com a inserção da tecnologia e
isto representa estratégia para o ensino, pesquisa e extensão universitária. A pesquisa também
aponta que a estratégia de inovação deve ser percebida na construção de novas práticas
sociais, motivadas pelo uso de informação eletrônica. A investigação tem caráter exploratório
e se apresenta na perspectiva de discussão de inserção da tecnologia tendo a UFPE e a
CAPES, os papéis de promovedores do processo de desenvolvimento institucional. O roteiro
metodológico ocorreu a partir de levantamentos de dados em documentos administrativos, no
Portal de Periódicos e tratamento dos dados obtidos. Os resultados alcançados nesta fase
foram relacionados à fundamentação teórica, que se apresenta nas discussões de Coelho
Netto, Gorz, Castells e Cruz para entendimento destes resultados.

Palavras-chave: Biblioteca. Periódicos Científicos. Portal de Periódicos da CAPES.

ABSTRACT
Information Technology and Communication exert strategic role in public administration,
including the development of services or products offered. In this context the proposed study
is to understand the development of collection journals Library Education, University Federal
of Pernambuco (UFPE), from the collection by replacing printed electronic holdings and
identify transformations of this transition. The development of library journals from the
2000s, the institution is encouraged to study the insertion of technology and this is a strategy
for teaching, research and extension. Research also indicates that the innovation strategy
should be seen in the construction of new social practices, motivated by the use of electronic
information. The research is exploratory and presents a view of discussing the integration of
technology with UFPE and CAPES, the roles of promoters of institutional development
process. The methodological route occurred from survey data in administrative documents, in
Journal Portal and processing the data obtained. The results achieved in this phase were
related to theoretical framework, which is presented in the discussions of Coelho Netto, Gorz,
Castells and Cruz for understanding these results.

Keywords: Library. Journals. Portal de Periódicos da CAPES

1721

�1 INTRODUÇÃO
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) permeiam a gestão pública e
assumem papel estratégico para o desenvolvimento do Estado. O papel estratégico das TICs
influenciam os setores produtivos e produzem mudanças nas relações sociais, econômicas,
políticas, entre outras. Neste cenário o uso das tecnologias representa para as instituições,
como as universidades, estratégia para as ações administrativas e também para o ensino,
pesquisa e extensão.
O uso das TICs incide como proposta estratégica que tem relação com a atualização
institucional, e assume o objetivo de estabelecer um novo modelo para melhorar o
desempenho de atividades. O impacto da aquisição de recursos tecnológicos para as
universidades tem significado, no tocante as bibliotecas, transformação de serviços e produtos
de informação. As aquisições de acervo eletrônico são exemplo de produtos imateriais que
requerem novas apresentações para a consolidação do papel estratégico institucional.
Neste quadro a proposta da pesquisa é compreender o desenvolvimento do acervo de
periódicos da Biblioteca Setorial de Educação/Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),
a partir do incremento do acervo eletrônico do Portal de Periódicos da CAPES e apontar
transformações desta transição. O estudo se respalda na abordagem do paradigma do acervo e
paradigma da informação, de Coelho Netto (1996). A abordagem dos paradigmas proposto
pelo autor apoia entendimento do quadro de desenvolvimento do acervo de periódicos
eletrônicos e as relações com o paradigma da informação.
A leitura de Gorz (2005) elucida que os produtos imateriais, como os periódicos
eletrônicos,

são

cada vez

mais valorizados

no

quadro

econômico

e tecnológico

contemporâneo. A valorização apontada pelo autor é acompanhada de novas metamorfoses do
trabalho, que influenciam a produção do conhecimento e enfatizam o caráter sistêmico.
Em Castells (1999), a análise da configuração social diante dos avanços tecnológicos e
as relações que ocorrem entre tecnologia, economia, política, cultura, são evidenciadas para o
entendimento dos processos de aquisição de materiais, uso de informação e as práticas sociais
neste contexto. Na reflexão proposta por Cruz et al(2003) as vantagens e desvantagens são
aspectos importantes para compreensão que a decisão estratégica de aquisição de periódicos
eletrônicos. Dessa forma, a interpretação tendo como fonte as leituras apresentadas, é parte da
interpretação que se coloca como exploratória, no desenvolvimento do acervo de periódicos
institucional.

1722

�2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 PARADIGMA DO ACERVO E PARADIGMA DA INFORMAÇÃO, ACERVO
ELETRÔNICO E SOCIEDADE
O tratamento da informação, a disseminação e a forma como se compreende o usuário,
são questões que permeiam os paradigmas do acervo e da informação em relação aos produtos
e serviços oferecidos pelas bibliotecas. Coelho Netto apud Ferreira (1995) destaca que os
serviços de informações baseados no paradigma do acervo apresentam uma relação orientada
para a biblioteca como fonte, em um fluxo unilateral:

Isto denota uma visão unilateral do processo comunicativo, no qual a
mensagem é produzida pela fonte e para o receptor. A fonte surge assim
como ponto de partida de todo o processo, produzindo informações à sua
vontade e levando-as ao receptor _ cujo único papel, inteiramente passivo, é
receber essas informações produzidas longe de seu próprio campo de ação,
ou, no mínimo, nos horizontes desse campo (FERREIRA, 1995, p. 5).
A concepção do paradigma do acervo está voltada para concentração de normas, na
organização do acervo e a guarda de materiais. Por isto a relação é concebida com um único
fluxo, voltado para o fornecimento, sem estabelecer relação com o estudo do usuário da
informação.
A ênfase na organização e guarda de acervo tem relação com a história das bibliotecas
e são características de períodos que apresentam um contexto social de raridade das obras, de
reprodução rudimentares, mas que influencia ainda a concepção de várias bibliotecas.

Com a Idade Média as bibliotecas não sofreram grandes alterações na sua
relação com a sociedade. Os acervos ficavam a cargo de religiosos ligados às
diferentes ordens associadas à Igreja Católica Apostólica Romana.
Inacessíveis, estes espaços podiam ser considerados como verdadeiros
depósitos, onde o conhecimento era escondido (SILVA, 2013, p. 4).
A transição deste paradigma para o paradigma da informação é intensificado pela
inserção da tecnologia na gestão bibliotecas. O acesso à informação eletrônica sem vínculo
com um espaço físico enfraquece a estrutura de guarda de materiais e restrições de acesso a
informações. Sobre esta discussão, Coelho Netto afirma:
O primeiro motivo para o abandono do paradigma do acervo é exatamente a
queda da ideia do local que mantém o acervo como um local de retiro. Hoje,
a informação e a reflexão a partir da informação ocorrem o tempo todo no
lugar de trabalho, dentro de casa, dentro da escola, não há mais um lugar
específico para este acervo (COELHO NETTO, 1996, p. 5).

1723

�A intensificação da produção de informações e descaracterização de um lugar
específico para o acesso contribui para processo de transição para o paradigma da informação,
que direciona a atuação para acessibilidade, em detrimento da organização e guarda do
acervo. Esta concepção enfatiza o acesso à informação, entende o usuário como colaborador,
ou seja, a relação é de interação, construída a partir das necessidades de informação
apresentados pelos usuários.
As mudanças de paradigmas tem relação com o contexto social que envolve técnicas,
tecnologia, posturas profissionais, aparato governamental e também a sociedade. Sobre a
questão Targino menciona:

A biblioteca é, fundamentalmente, instituição social. Como tal, está sujeita a
todo e qualquer processo de transmutação que atravessa a sociedade. Em
qualquer nível que opere, cabe a ela maximizar a utilidade social dos
registros gráficos ou eletrônicos, mantendo vivas a identidade e a memória
da cultura nacional e local, ou seja, a biblioteca não está à margem da
sociedade. Ao contrário. Está inserida no âmago da tessitura social, e, assim
sendo, sofre as mutações contínuas que afetam a sociedade como um todo
(TARGINO, 2010, p. 40).
A compreensão dos paradigmas de acordo com Targino não pode ser tomada em uma
análise isolada, mas contextualizada na dimensão social, cultural, entre outras, para que o
processo de mudanças de paradigmas possa ser compreendido também por mudanças que
afetam a demanda de informação, ou seja, novos paradigmas e novos usuários.
As características identificadas nas bibliotecas e correlacionadas aos paradigmas do
acervo e paradigma da informação são evidenciadas no quadro construído por Valentim195 em
1995 apud Targino. As características se referem aos serviços, produtos, atuação profissional
e neste contexto a demanda por informação também deve ser inserida como parte das
mudanças. Outra questão que é desataca por Targino, se refere a persistência de características
do paradigma do acervo, fazendo surgir modelos híbridos de bibliotecas.

195 VALENTIM, M.L.P. Assumindo um novo paradigma na biblioteconomia. Informação &amp; Informação,
Londrina, v. 0, n. 0, 2-7, jul./dez. 1995.

1724

�QUADRO 1 - Mudança de paradigmas na biblioteconomia
BIBLIOTECA - ANTIGO MODELO
Estrutura hierárquica
Enfoque no acervo
Organização estática
Trabalho desenvolvido em serviços
Gerenciamento centralizado
Conhecimentos específicos
Relacionamento competitivo
Motivação individual
Ações controladas
Atendimento pessoal
Pesquisa in loco
Acervo linear'
Linguagem controlada
Entrada de dados referenciais
Serviços in loco
Produtos impressos
LTilizacão de sistemas ilhados
Utilização de mídia única
3

BIBLIOTECA - NOVO MODELO
Estrutura horizontal
Enfoque na informação
Organização dinâmica
Trabalho desenvolvido em projetos
Autogerenciamento
Conhecimentos amplos
Relacionamento cooperativo
Motivação de equipes
Ações inovadoras
Atendimento remoto
Pesquisa remota
Acervo óptico
Linguagem livre
Entrada do texto completo
Serviços on-line
Produtos automatizados
LItilização de sistemas integrados
LTtilizacão de multimídia

Fonte: VAENTIM, 1995, não paginado.

Para a autora a persistência de algumas concepções da biblioteca tradicional está
relacionada à atuação social e ao contexto que a envolve. Esta persistência explica em parte a
existência em pleno século XXI, permeado pelo fluxo informacional, de bibliotecas que
apresentam várias características baseadas no paradigma do acervo.
Por outro lado, é possível também perceber a influência do paradigma da informação
nas mudanças apresentadas nas bibliotecas, na aquisição de material eletrônico e serviços
remotos. Neste cenário representam uma estratégia de inovação para o ensino, pesquisa e
extensão.
A interpretação das mudanças em relação à constituição de acervos seja de bibliotecas
universitárias ou outros tipos, no contexto do paradigma do acervo e da informação, inserem
estudos de práticas sociais que fornecem subsídios para exploração do tema e conexões com
outros assuntos. Neste quadro, o estudo de Gorz (2005), elucida questões das práticas sociais
e enfatiza conceitos como o de produtos imateriais, entre outros, e a contextualização diante
da configuração social de avanço tecnológico, mudança de paradigma econômico, entre outras
relações.
A aquisição de material eletrônico é uma estratégia de inovação, inserida na
concepção do paradigma da informação, mas que envolve também outras práticas sociais,

1725

�como a formação de redes cooperativas que fortalecem trocas e o uso do acervo eletrônico. A
cooperação se consolida com a inserção da tecnologia e estabelece o fluxo de comunicação,
que é necessária a manutenção da rede. Essas condições proporcionadas pela tecnologia
requerem mudanças em relação ao uso, pois os valores atribuídos aos produtos imateriais são
diferentes do entendimento que temos dos produtos materiais. Na leitura apresentada por
Gorz (2005), sobre o capital imaterial, os saberes e produtos imateriais, a noção de valor é
imensurável, pois envolve atividades cognitivas heterogêneas que constituem produtos
imateriais e assim a concepção de valor requer o entendimento das relações entre economia,
produção, tecnologia, cultura, entre outros.
A discussão apresentada por Gorz (2005) elucida sobre as novas dimensões de
tratamento e disseminação da informação eletrônica, tidas como produtos imateriais. Para
Gorz (2005, p.37) a “internet propicia que a fonte de valor seja suscetível de ser subtraída a
apropriação privada” . Na reflexão do autor a disseminação de informação, o caráter coletivo e
as quebras de restrições são referências de um quadro econômico diferenciado que põem em
crise o capitalismo tradicional e assim o modo como tratamos o conhecimento e a veiculação
de informações.
As transformações identificadas nesta discussão são estudadas por Castells como
registro de uma nova configuração mundial:

Um novo mundo está tomando forma neste fim de milênio. Originou-se mais
ou menos no fim dos anos 60 e meados da década de 70 na consciência
histórica de três processos independentes: revolução da tecnologia da
informação; crise econômica do capitalismo e do estatismo e a consequente
reestruturação de ambos; e apogeu de movimentos sociais culturais, tais
como o libertarismo, direitos humanos, feminismo e ambientalismo. A
interação entre esses processos e as reações por eles desencadeadas fizeram
surgir uma nova estrutura social dominante, a sociedade em rede; uma nova
economia, a economia informacional/global; e uma nova cultura, a cultura
da virtualidade real. A lógica inserida nessa economia, nessa sociedade e
nessa cultura será subjacente à ação e às instituições sociais (CASTELLS,
1999, p. 412).
A articulação entre os processos apontada por Castells (1999) demonstra o
entendimento de que a tecnologia não é determinante da sociedade, mas a interação entre
vários fatores permite a construção de uma estrutura social em um determinado momento
histórico. A análise de Castells fortalece a interpretação que contextualiza o avanço
tecnológico em um quadro histórico, social, econômico, político e de outras relações.

1726

�Nesse sentido, a diversidade de fatores e o entendimento sobre as interações
estabelecidas entre eles, são necessários para a compreensão das relações sociais, no estudo
sobre o desenvolvimento do acervo de periódicos. Entendemos que a substituição de acervos
impressos por acervos eletrônicos, neste quadro, é uma decisão que representa uma estratégia
de inovação para a gestão da informação e tem rebatimentos sociais.
Autores, publicadores, bibliotecas e usuários, representam dimensões que são
impactadas por mudanças produzidas pelo incremento de acervos eletrônicos. Cruz et al
(2003.) aponta vantagens e desvantagens, que influenciam a aquisição de periódicos
eletrônicos. As vantagens e desvantagens identificadas pelos autores dizem respeito à relação
entre fatores econômicos, políticos, culturais, entre outros, que influenciam a produção e o
uso.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB/UFPE, 2013) tem objetivo de “difundir
informação, democratizar o conhecimento acadêmico e apoiar as atividades de ensino,
pesquisa e extensão da UFPE” . Como unidade do SIB, as bibliotecas setoriais corroboram
com os objetivos do sistema.
De acordo com o Estatuto da Universidade Federal de Pernambuco, os órgãos
suplementares, como a Biblioteca Central, estarão a serviço da universidade para fins de
ensino, pesquisa e extensão. Esta orientação se estende as bibliotecas setoriais por fazerem
parte do SIB. O Plano de Desenvolvimento Institucional 2009/2013, da Universidade Federal
de Pernambuco situa o SIB como recurso que fornece “condições para o recredenciamento
das IES (Instituições de Ensino Superior) e renovação do reconhecimento de cursos” (UFPE,
2013). Esta orientação respalda a regulamentação para o desenvolvimento de atividades pela
Universidade e também a renovação dos cursos ofertados perante os recursos disponíveis.
A compra de materiais como livros, periódicos, acervo eletrônico, entre outros, é
subordinada a Biblioteca Central. As Bibliotecas Setoriais são colaboradoras no processo de
aquisição, fornecem informações necessárias à concretização do processo de compra.
O estudo desenvolvido apresenta dados quantitativos com o objetivo de construir uma
visão totalizante do desenvolvimento da colação de periódicos. Contudo, é relevante
compreender os dados levantados em relação ao contexto histórico, político, entre outras
questões. O conhecimento dos dados na proposta atende ao objetivo de compreender o
desenvolvimento do acervo de periódicos da Biblioteca Setorial de Educação a partir da
substituição do acervo impresso pelo eletrônico. Neste quadro o levantamento de informações

1727

�em documentos institucionais permite o conhecimento sobre a transição e influências do
desenvolvimento do acervo nesta instituição.
Os dados sobre a aquisição de periódicos não se apresentam organizados, isto justifica
a necessidade de fazer um levantamento desta informação para estudo. O levantamento dos
dados foi realizado a partir da consulta as fichas Kardex196 de controle de material. A coleta
realizada tratou os dados contidos no documento de controle, para uma análise longitudinal.
Abaixo apresentamos uma tabela com as etapas para levantamento dos dados:

QUADRO 2- Roteiro de levantamento de dados
Etapa 1

Levantamento do número de periódicos adquiridos através de compra

Etapa 2

Para cada título de periódico: identificar os números de fascículos por
década e registrar os valores correspondentes

Etapa 3

A partir dos valores registrados de cada título, estabelecer a soma por
década de todos os títulos.

Etapa 4

Construção do gráfico por período

Fonte: Katia M aria Tavares da Silva (2014).

A investigação a partir das etapas apresentadas é compreendida dentro da concepção de
pesquisa qualitativa, com estratégias de investigação realizada através de levantamentos e
organização de dados em freqüências representadas pelos anos correspondentes aos períodos
de publicação dos fascículos. A abordagem qualitativa se explica pela relação entre os
resultados e assuntos como cultura, economia e política. Holanda destaca que dois elementos
distintivos definem a pesquisa qualitativa:
1) Pela inclusão da subjetividade no próprio ato de investigar - tanto a do
sujeito do pesquisador por um lado (como no caso da “pesquisaparticipante” ou da pesquisa “heurística”), como a do sujeito pesquisado,
pelo reconhecimento de sua alteridade (como no caso da pesquisa “empíricofenomenológica”);
2) Por uma visão de abrangência do fenômeno pesquisado, realçando a sua
circunscrição junto aos demais fenômenos - sociais, culturais, econômicos,
quando for o caso (como na pesquisa “hermenêutica”, por exemplo)
(HOLANDA, 2006, p. 364).
As questões que definem o método na reflexão apontada por Holanda consideram a
relação entre assuntos e inclusão de subjetividade. No estudo os dados são apresentados de
forma descritiva. Nesta apresentação buscamos destacar as relações entre os resultados e a
196

No Anexo A consta a ficha Kardex utilizada para controle de periódicos.

1728

�regulamentação estabelecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento para o Pessoal do Ensino
Superior (CAPES) para aquisição de assinaturas de periódicos na década de 2000. A
abordagem teórica do artigo elucida outras relações entre a regulamentação e as práticas
sociais, promovidas pela inserção da tecnologia.
Nas fichas Kardex os dados são organizados por período e tipo de aquisição. De
acordo com os objetivos de pesquisa a análise está centrada nos periódicos adquiridos através
de compra. Não foi atribuído nenhum critério de seleção de período, pois percebemos a
necessidade de conhecer em que período as compras foram maiores ou apresentaram declínio
e determinar o momento em que ocorre a finalização das assinaturas de periódicos impressos.
Nos dados levantados obtivemos um resultado de 65 (sessenta e cinco) títulos de
periódicos adquiridos através de compra nesta Biblioteca Setorial. Deste quantitativo
11(onze) são de publicação nacional. Em relação ao período apresentamos no gráfico abaixo
os resultados em relação às décadas.

GRAFICO 1- Fascículos do acervo da Biblioteca Setorial de Educação/UFPE por
período

1522

1600

1337

1400
1200
1000

789

800

Fascículos por
década

600
400

266

245

200
6

81

0
1940

1960

1980

2000

Fonte: Katia Maria Tavares da Silva (2014).

A quantidade de fascículos ascende entre as décadas de 1970 e 1980, representadas pelo
número de fascículos neste período. Estas duas décadas representam um percentual de 67,3%
do acervo de periódicos. Os fascículos correspondentes a década de 2000, são referentes aos
anos de 2000 a 2004, não há posterior a este período assinaturas deste tipo de material. Para

1729

�as décadas de 1970 e 1980, as assinaturas apresentam continuidade, com fascículos
abrangendo todo o período da década. Na década de 1940 há apenas o registro de um título de
período com fascículos distribuído ao longo da década. Os dados da década de 1950
apresentam também um quantitativo de 81 fascículos, distribuído em 2 (dois) títulos de
periódicos no decorrer desta década. Este quadro evidencia uma descontinuidade entre as
décadas de 1940 a 1960 e posteriormente entre 1990 e 2000.
O período que compreende as décadas de 1990 e 2000 apresenta mudanças que
interferem significativamente na maneira como é feita a aquisição de periódicos científicos
nas IES.
O Ministério da Educação (MEC) criou o programa para bibliotecas de
Instituições de Ensino Superior (IES). Foi a partir dessa iniciativa que, cinco
anos mais tarde[1995], foi criado o Programa de Apoio à Aquisição de
Periódicos (PAAP). O Programa está na origem ao atual serviço de
periódicos eletrônicos oferecido pela Coordenação de Apoio e
Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) à comunidade
acadêmica brasileira (CAPES, 2013).
O declínio em relação ao número de fascículos no acervo a partir da década de 2000
tem respaldo na orientação da CAPES. Sobre esta diretriz a (CAPES, 2013) registra:

Até 2001, os recursos financeiros da Capes ainda eram repassados
diretamente às instituições de ensino superior (IES) para a manutenção de
coleções impressas. A partir de 2002 esses recursos são centralizados pela
Capes que começa a investir maciçamente nos periódicos eletrônicos e na
ampliação e na atualização do conteúdo do Portal de Periódicos (CAPES,
2013).
Os acervos passam a ser substituídos do formato impresso para o eletrônico. Esta
diretriz é paralela à criação de bibliotecas virtuais e também a digitalização de materiais por
editoras. A partir disto a CAPES consolida o acesso à informação científica, mantém a
atualização e tem objetivo de diminuir as disparidades regionais através da criação do Portal
de Periódicos.
O Portal de Periódicos foi criado tendo em vista o déficit de acesso das
bibliotecas brasileiras à informação científica internacional, dentro da
perspectiva de que seria demasiadamente caro atualizar esse acervo com a
compra de periódicos impressos para cada uma das universidades do sistema
superior de ensino federal. Foi desenvolvido ainda com o objetivo de reduzir
os desnivelamentos regionais no acesso a essa informação no Brasil. Ele é
considerado um modelo de consórcio de bibliotecas único no mundo, pois é
inteiramente financiado pelo governo brasileiro. É também a iniciativa do
gênero com a maior capilaridade no planeta, cobrindo todo o território
nacional (CAPES, 2013).

1730

�A criação do Portal é estabelecida com regulamentação especifica através da Portaria
CAPES n° 34. Cabem neste quadro as IES usuárias do Portal a assinatura de termo de
compromisso com a Capes pela qual se comprometem a cumprir o regulamento do programa
e as normas para uso das publicações eletrônicas disponíveis nos periódicos.

A

regulamentação dispõe sobre o PAAP, a estrutura organizacional e funcional da CAPES,
neste item registra os papéis da Coordenação, Conselho Consultivo e Instituições
Participantes, e normas para uso das publicações eletrônicas.
Na regulamentação o processo de aquisição é centralizado, tendo a CAPES como
gestora dos recursos para aquisição do acervo de periódicos eletrônicos. Sobre a necessidade
de manutenção de acervo de periódico impresso a CAPES registra:

As instituições federais de ensino superior, além do acesso às publicações
eletrônicas disponíveis na Internet, poderão obter, junto à CAPES, recursos
para desenvolvimento de suas políticas institucionais de acesso à informação
científica e tecnológica. A obtenção dos recursos mencionados neste
parágrafo está condicionada à apresentação de projeto enquadrado nas linhas
de financiamento aprovadas pela CAPES, à sua análise e aprovação e à
firmação de convênio específico (CAPES, 2013).
Os objetivos registrados no histórico do Portal são elucidativos em relação à
finalização das assinaturas de periódicos impressos, no período que compreende a década de
1990 a 2000. Os dados de evolução do acesso ao Portal para os períodos de 2003 e 2012 são
demonstrativos da diretriz de substituição evidenciada através do crescimento de acessos.

GRAFICO 2 - Evolução dos acessos ao Portal de periódicos por período

1731

�No gráfco 2 o aumento do acesso aos serviços de informação eletrônica são
características, deste processo tratado por Coelho Neto(1996) e intensificado pela maior
participação da universidade no processo de inovação como usuária de tecnologia para
realização dos serviços.
A substituição de acervo impresso pelo eletrônico está relacionada à questão
econômica, no que se refere à centralização do recurso financeiro e padronização do serviço
de informação, sendo a CAPES a gestora desta política. No que se refere à questão social o
fornecimento de um serviço padrão vislumbra diminuir as desigualdades regionais. Outro
aspecto é a construção de novas práticas sociais, propiciadas pelo acesso a informação
eletrônica. Sobre esta dimensão a discussão de Castells fortalece a reflexão de que a
tecnologia promove desenvolvimento, contudo não pode ser tomada de maneira isolada
depende da convergência de fatores como: educação, cultura, economia, entre outros.
A aquisição de material, nesta análise, não pode dispensar a discussão sobre o uso. A
aquisição atinge o uso, promovendo novas práticas. Na interpretação de Gorz a intensificação
de uso pode ser explicada pela valorização da informação eletrônica. A efetividade do uso e
as práticas sociais devem ser identificadas para o entendimento dos impactos sobre o uso da
informação eletrônica.
Em relação aos paradigmas da biblioteconomia, entendemos que a valorização da
informação eletrônica, na substituição do acervo de materiais impressos institucional,
contempla o paradigma da informação e se fortalece no contexto de inovação tecnológica.
Contudo, é preciso atentar para as particularidades das áreas e a natureza de pesquisa das
várias ciências, para que a aquisição e o fornecimento de um serviço de informação
padronizado possam atender as particularidades das áreas de pesquisa.

4 CONSIDERAÇÕES
A proposta do estudo foi compreender o desenvolvimento do acervo de periódicos da
Biblioteca de Setorial de Educação frente às tecnologias da informação e comunicação, na
perspectiva de uma pesquisa qualitativa. A estratégia é compreendida na contextualização dos
serviços e produtos, com a atualização tecnológica. Neste sentido, a substituição do acervo
impresso no desenvolvimento da coleção de periódicos é significativa, por representar uma
estratégia de inovação e ampliar o acesso.
Os objetivos registrados no histórico do Portal de Periódicos de promover o acesso, o
compartilhamento de pesquisas e a capacitação para a utilização dos recursos disponíveis são

1732

�condizentes com o paradigma da informação e abrangem outros aspectos que estão
relacionados a uma política de inovação.
Neste quadro a substituição das assinaturas de periódicos impressos representa esta
política, que estabelece a padronização no fornecimento de informação da produção científica
em âmbito nacional. Mas o quadro necessita ser compreendido além da estratégia de inovação
e outros tipos de relações se mostrarão esclarecedoras, tais como: qual o comportamento a
partir da substituição dos acervos para as diversas áreas, como tem sido a divulgação do
serviço oferecido pelo Portal? Como a biblioteca estudada tem promovido a convivência entre
o acervo eletrônico e o impresso? Como a demanda de informação eletrônica é identificada?
Os resultados alcançados trazem conhecimento sobre as mudanças, mas requerem novas
investigações para compreensão mais abrangente do quadro, a partir da perspectiva dos
usuários da informação.

REFERÊNCIAS
CAPES. Histórico . Disponível em:

http://www.periodicos.capes.gov.br/index.php?option=

com_pcontent&amp;view=pcontent&amp;alias=historico&amp;mn=69&amp;smn=87&gt;. Acesso em: 27 ago.
2013.
CASTELLS, M. Fim do milênio . São Paulo: Paz e Terra, 1999. 559p.
COELHO NETTO, J. T. Do paradigma do acervo para o paradigma da informação. In:
SIMPÓSIO BRASIL-SUL DE INFORMAÇÃO, 1., 1996, Londrina. Anais ... Londrina: UEL,
1996. p. 15-30.
CRUZ, A. A. A. C. da et al. Impactos dos periódicos eletrônicos em bibliotecas universitárias.

Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 2, p. 47-53, maio/ago. 2003.
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Informação, v. 25, n. 2, p. 1-10, 1995.
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Psicológica,

v.

3,

n.

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p.

363-372,

2006.

Disponível

em:&lt;

http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v24n3/v24n3a10.pdf&gt;. Acesso em: 16 set. 2013.
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passado,

presente

e

futuro

das

unidades.

Disponível

em:

&lt;

http://dci.ccsa.ufpb.br/enebd/index.php/enebd/article/viewFile/155/92&gt;. Acesso em: 27 ago.
2013.

1733

�SISTEMA

INTEGRADO

DE

BIBLIOTECAS.

Histórico.

Disponível

em:&lt;

http://www.ufpe.br/sib/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=78&amp;Itemid=71

&gt;.

Acesso em: 27 ago. 2013.
TARGINO, M. das G. A biblioteca do século XXI: novos paradigmas ou meras expectativas?

Informação &amp; Sociedade, João Pessoa, v. 20, n.1, p. 39-48, jan./abr. 2010. Disponível
em:&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/2645&gt;. Acesso em: 27 ago. 2013.
UFPE. Plano de Desenvolvimento Institucional: PDI 2009/2103. Disponível em: &lt;
http://www.ufpe.br/proplan/images/planejamento/pdi.pdf&gt;. Acesso em: 27 ago. 2013.

ANEXO A- Ficha Kardex de controle de fascículos de periódico

Título

Classificação

Editor
Endereço

Periodicidade
Forma de Aquisição
Preço

M ESES
JA N .
FEV .
M AR.
ABR.
M A I.
JU N .
JU L

AOO.

SET.

OUT.
NOV.

DEZ

índices

1734

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Silva, Katia Maria Tavaes da, Silva, Maria Janeide Pereira da</text>
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                <text>As Tecnologias da Informação e Comunicação exercem papel estratégico na gestão pública, seja no desenvolvimento de serviços ou produtos oferecidos. Neste quadro a proposta de estudo é compreender o desenvolvimento do acervo de periódicos da Biblioteca Setorial de Educação, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a partir do incremento do acervo eletrônico do Portal de Periódicos da CAPES. O desenvolvimento do acervo de periódicos a partir da década de 2000, na instituição estudada é fomentado com a inserção da tecnologia e isto representa estratégia para o ensino, pesquisa e extensão universitária. A pesquisa também aponta que a estratégia de inovação deve ser percebida na construção de novas práticas sociais, motivadas pelo uso de informação eletrônica. A investigação tem caráter exploratório e se apresenta na perspectiva de discussão de inserção da tecnologia tendo a UFPE e a CAPES, os papéis de promovedores do processo de desenvolvimento institucional. O roteiro metodológico ocorreu a partir de levantamentos de dados em documentos administrativos, no Portal de Periódicos e tratamento dos dados obtidos. Os resultados alcançados nesta fase foram relacionados à fundamentação teórica, que se apresenta nas discussões de Coelho Netto, Gorz, Castells e Cruz para entendimento destes resultados.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO E A PRÁTICA DA NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS

Kélia Rachel Silva
Suenia Oliveira Mendes

RESUMO
O presente estudo aborda a normalização de trabalhos acadêmicos como instrumento de
construção de conhecimento. Teve como objetivo investigar a percepção de docentes e
discentes sobre a importância da normalização bibliográfica de trabalhos escolares
desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da Universidade Federal
do Maranhão (UFMA). A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, feita com 80
alunos e 15 professores do COLUN/UFMA. A investigação aconteceu entre os anos de 2013
e 2014. Constatou-se que docentes e discentes consideram importante a utilização das normas
técnicas da ABNT, mas apesar disso os alunos não demonstram interesse em aplicá-las nos
seus trabalhos, visto que essa não é uma exigência do corpo docente da escola. A
normalização bibliográfica objetiva muito mais do que a padronização da sua estrutura, ela
possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de ideias e o prepara
para refletir, pois escrever não é copiar, escrever é exercer a cidadania por meio do registro de
suas interlocuções com o conhecimento.
Palavras-Chave: Normalização; Trabalhos escolares; Prática biblitecária; Prática pedagógica
pratice; Biblioteca escolar.
ABSTRACT
This study addresses the standardization of academic papers as a tool for knowledge
construction. Aimed to investigate the perception of teachers and students about the
importance of the bibliographic standardization of schoolworks developed by the Library of
Colégio Universitário (COLUN) of the Universidade Federal do Maranhão (UFMA). The
research was descriptive qualitative approach developed with 80 students and 15 teachers of
COLUN/UFMA. The research took place between the years 2013 and 2014. Was found that
teachers and students consider important the use of technical standards of ABNT, but despite
that students do not show interest in applying them in their work, since this is not a exigency
of the teachers. The bibliographic standardization objective more than the standardization of
works structure. It enables the student to show the results of their research with clear ideas
and prepares to reflect, because writing is not copy, writing is practice citizenship through
registration of their interlocution with the knowledge.
Keywords: Standardization; Schoolworks; Librarian practice; Pedagogical practice; School
library

3088

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Escolar é um espaço de interação entre aluno, professor e bibliotecário. A
relação entre esses atores contribui para que a Biblioteca se torne um ambiente de estímulo e
apoio ao processo ensino-aprendizagem e proporcione a inserção de novas práticas
pedagógicas, como é o exemplo da normalização de trabalhos escolares.
Fragoso (2002, p. 125) diz que a Biblioteca Escolar “[...] tem a função educativa, ela
representa um reforço à ação do aluno e do professor.” O aluno desenvolve habilidades de
estudos independentes e autoeducação, dessa forma, motiva-se para a incessante busca pelo
conhecimento e desenvolve hábitos e atitudes de manuseio, consulta e utilização da
informação e da biblioteca. Assim, o educador e a instituição são complementados pelos
serviços e produtos oferecidos pela Unidade de Informação (FRAGOSO, 2002).
Como interlocutor do conhecimento, da organização e da disseminação dos saberes
disponibilizados no mundo informacional, o bibliotecário deve promover práticas que
auxiliem seus usuários na aprendizagem dos conhecimentos didáticos, científicos e lúdicos,
como também desenvolver estratégias que promovam a interlocução entre as práticas
pedagógicas e os atores desse processo: o bibliotecário, o professor e o aluno, de forma a
tornar a Biblioteca um espaço promotor de aprendizagem.
Assim, pergunta-se: Qual a importância da normalização dos trabalhos escolares para
o processo ensino-aprendizagem? A partir deste questionamento a pesquisa objetivou
investigar a percepção de docentes e discentes sobre a importância e uso da normalização de
trabalhos escolares desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que é um setor de difusão de informação com a
finalidade de contribuir para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, além de
facilitar a pesquisa, a investigação científica e cultural dos usuários.
O tema se justifica pela atuação de uma das autoras na Biblioteca do COLUN. A
escolha desta Unidade de Informação é relevante pelo fato da mesma ser vinculada ao
Colégio de Aplicação da UFMA e ser também uma das 17 bibliotecas setoriais do Núcleo
Integrado de Bibliotecas (NIB), funcionando, portanto, como uma extensão das práticas
universitárias. Dessa forma, os bibliotecários que atuam nesta Unidade são de Bibliotecas
Universitárias podendo atuar em qualquer setor do NIB. Além disso, o tema - normalização
de trabalhos acadêmicos - e sua relação com a atuação do bibliotecário é intrínseco à sua
formação e atemporal às práticas acadêmicas.
Diante dos atores - bibliotecários, docentes e discentes - o estudo pretende mostrar,
também, a importância da padronização dos trabalhos escolares para melhoria do processo

3089

�ensino - aprendizagem, bem como incentivar a adoção das normas da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT), referentes à Informação e Documentação, como padrão dos
trabalhos apresentados pelos alunos do Colégio Universitário da Universidade Federal do
Maranhão (UFMA).

2 REVISÃO DE LITERATURA
Nos cursos superiores, os trabalhos denominados acadêmicos ou didáticos são
considerados relatórios ou relatos de pesquisa, isto é, conforme Severino (2007), os trabalhos
didáticos devem resultar de estudos orientados pelos métodos de reflexão e pesquisa.
Os trabalhos acadêmicos são realizados como atividades de aprendizagem para
ampliar ou aprofundar conhecimentos e exercitar “[...] a forma científica de lidar com um
tema [...]”, como é apontado por Magro (1979).
É objeto deste estudo o trabalho escolar como uma atividade pedagógica que se
constitui uma ferramenta de construção do conhecimento, visto que sua elaboração prescinde
a pesquisa e a leitura que são grandes aliados do processo ensino-aprendizagem.
Nesse contexto e de acordo com Severino (2007, p. 25, grifo nosso)
A atividade de ensinar e aprender, ou seja, educar está intimamente
vinculada a esse processo de construção de conhecimento, pois ele é a
implementação de uma equação com a qual educar (ensinar e aprender)
significa conhecer; e conhecer por sua vez, significa construir o objeto; mas
construir o objeto significa pesquisar [...] Sendo o conhecimento construção
do objeto que se conhece, a atividade de pesquisa torna-se elemento
fundamental e imprescindível no processo ensino/aprendizagem.

Entretanto, o que se percebe é que desde o Ensino Fundamental o aluno considera a
pesquisa uma tarefa difícil e sem importância, fato que contribui para que grande parte desses
estudantes deixe de fazer seus trabalhos escolares ou limite-se a fazer cópias de capítulos de
livros ou de textos encontrados na internet. Assim, na maioria das vezes, essa atividade
pedagógica é desenvolvida de forma superficial, sem qualquer aprofundamento da leitura e
geralmente estendida até a vida acadêmica.
Reforçando a opinião da extensão do aluno copista da Educação Básica, Pinto (2009,
p. 01) comenta que “[...] vivemos o fenômeno do aluno-copista, que reproduz em suas
pesquisas e trabalhos acadêmicos aquilo que outros disseram, sem nenhum juízo de valor, de
crítica ou apreciação”.
A falta de conhecimento dos alunos sobre a ética da produção científica tem sido causa
da desmotivação e até mesmo da desistência de alguns alunos no decorrer da sua vida

3090

�acadêmica, pois mudar hábitos já arraigados é mais difícil que apreender um novo
conhecimento.
A prática da normalização iniciada desde o ensino fundamental e/ou ensino médio
contribuirá para que o aluno elabore seus trabalhos de forma inteligível e com ideias bem
estruturadas, o que certamente evitará que ao chegar à universidade este se depare com
situações conflituosas no momento da construção dos seus trabalhos acadêmicos ou mesmo
que recorra ao plágio.
Macedo (1989, p. 369), corrobora com esse pensamento quando escreveu que
A normalização não é um fim, mas um meio, uma postura de espírito que vai
sendo adquirida com o exercício da pesquisa e do trabalho documentado, e
isso poderá ser desenvolvido a partir de 6as. séries quando se pretende
desenvolver a criatividade através de trabalhos escritos, orais e muita leitura.
Se os professores de 1° grau e até de pré-escola estiverem alertados para as
questões de pesquisa e normalização, metodologia da pesquisa bibliográfica
e uso da biblioteca, muita coisa já poderá ser dirigida para a aquisição de
uma pré-postura científica do seu alunado, evitando a defasagem dos alunos
quando entram na universidade.

A escola enquanto espaço privilegiado de sistematização e transmissão de
conhecimento necessita incluir no seu Projeto Político Pedagógico a normalização de
trabalhos baseada nas normas da ABNT, para que essa se torne uma prática pedagógica de
uniformização dos procedimentos de elaboração dos trabalhos escolares. Assim, professores e
alunos deverão fazer uso da normalização na redação dos trabalhos das diferentes disciplinas
ministradas nas turmas do ensino fundamental, médio e técnico; pois de acordo com Rother
(2011), a normalização traz inúmeros benefícios por ser uma atividade que padroniza e
facilita a recuperação da informação, garantindo o uso e a disseminação dos conteúdos
pesquisados independentemente do nível formal de educação.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, na qual para coleta de dados
utilizou-se um questionário com perguntas abertas, pois segundo Trivinos (1990, p. 146) é um
dos principais meios para realizar a coleta de dados, visto que “[...] ao mesmo tempo em que
valoriza a presença do pesquisador, oferece todas as perspectivas possíveis para que o
pesquisado tenha liberdade e espontaneidade durante a pesquisa”. A investigação com os
alunos foi desenvolvida no segundo semestre de 2013, junto a 48 discentes do terceiro ano do
Ensino Médio e 32 do curso Técnico em Administração, totalizando 80 alunos do
COLUN/UFMA.

3091

�Ainda, no ano de 2013, foram ministrados minicursos sistemáticos com duração de 4h
e distribuído o manual: “Normalização de trabalhos escolares: orientações básicas”, elaborado
com base nas normas técnicas da ABNT com o objetivo de descrever os procedimentos
apropriados para a elaboração dos trabalhos escolares, como também servir como fonte de
consulta para alunos e professores.
Na segunda fase, em março de 2014, foram pesquisados 15 professores dos cursos
Técnicos em Administração, Enfermagem e Meio Ambiente do COLUN. Os docentes
participaram da pesquisa a fim de que fossem melhor analisadas as respostas dos alunos sobre
a não utilização das normas da ABNT nos trabalhos escolares.
Para manter o sigilo dos depoimentos dos entrevistados e preservar a identidade dos
mesmos, optou-se por representar os depoimentos como descrito abaixo:
a) professores: P1, P2, P3, P4, P5,P6, P7 .... e P15;
b) alunos: A1, A2, A3, A4, A5, A6, A7 .... e A80.
A medida do anonimato garante a exigência da ética quando se pesquisa seres
humanos.

3 Resultados

A adoção das normas da ABNT para informação e documentação gera segurança,
economia e facilidade de intercâmbio, portanto é considerada como a solução para a
padronização e para a garantia da ética da produção científica, visto que a utilização das
citações e referências dá qualidade e credibilidade aos trabalhos acadêmicos e escolares.
Barbosa, Ramos e Ciríaco (2010, p. 5) comentam que
Iniciar uma pesquisa científica, seja no ensino médio, seja na universidade,
levará o estudante ao amadurecimento de suas idéias e conceitos, estimulará
sua criticidade e promoverá uma maior responsabilidade do mesmo com
relação ao seu ambiente e com o mundo.

Após análise das respostas quanto à percepção de professores e alunos sobre a
importância da adoção das normas disponibilizadas no “Manual de Normalização de
Trabalhos Escolares”, chegou-se a alguns resultados que serão apresentados a seguir:
Por meio das entrevistas com os alunos e durante os minicursos pôde-se verificar que
os alunos reconhecem a importância da aplicação da normalização para a melhoria do
processo ensino-aprendizagem (Quadro 1), entretanto não demonstram interesse em aprender
a utilizá-la.

3092

�Os alunos foram unânimes ao citar como justificativa para o desinteresse pela
normalização, o fato dos professores não exigirem que os trabalhos sejam apresentados de
forma padronizada de acordo com as normas da ABNT.
O Quadro 1 compara as percepções de docentes e discentes sobre a importância da
normalização das atividades escritas desenvolvidas no COLUN da UFMA.

Quadro 1 - Percepção de professores e alunos sobre a importância da normalização dos
trabalhos escolares.
IMPORTÂNCIA DA NORMALIZAÇÃO DOS TrRABALHOS ESCOLARES
Professores
Alunos
P1: melhora a qualidade do trabalho
P4: facilita a leitura do trabalho
P5: o aluno desde cedo já deve aprender essas
normas
P7: muito importante para o aluno
P10: não em todas as disciplinas, porque algumas
têm conteúdos muito técnicos
P11: é importante, mas nem sempre é necessário
P 15: quando o aluno chegar no curso superior
terá noções de normalização

A3: é importante somente no curso superior
A 4: fica com uma apresentação melhor
A6: é importante porque o professor pode
avaliar melhor o trabalho
A 7: facilita a análise do trabalho
A11: não considero importante
A13: é importante em algumas disciplinas
A15: o professor valoriza quando o trabalho
está organizado

Fonte: Dados da pesquisa.

Diante dos resultados do Quadro 1, pode-se constatar que docentes e discentes
consideram importante a utilização das normas técnicas na apresentação de trabalhos, visto
que o uso de padrões possibilitam o domínio progressivo das práticas da normalização de
acordo com as normas estabelecidas pela ABNT, que é o órgão responsável pela
normalização técnica no país.
É importante esclarecer que o “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” foi
elaborado pela Bibliotecária do Colégio Universitário que o disponibiliza para docentes e
discentes a fim de que seja utilizado como apoio na elaboração dos trabalhos. Vale salientar
ainda que semestralmente a bibliotecária ministra oficinas de orientação de normalização de
trabalhos escolares.
Com o intuito de saber se o trabalho desenvolvido pela Bibliotecária estava sendo
valorizado por alunos e professores do COLUN, perguntou-se aos primeiros com que
frequência eles elaboravam seus trabalhos obedecendo as normas expostas no manual (Tabela
1) e aos segundos com que frequência eles exigiam que os trabalhos da sua disciplina fossem

3093

�elaborados de acordo com as normas apresentadas no “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares” (Tabela 2)

Tabela 1 - Respostas dos alunos quanto à frequência da elaboração dos trabalhos escolares
obedecendo às normas apresentadas no “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares”.
RESPOSTAS
Sim
Não
Algumas vezes
Raramente
Total

N

%

11
22
9
38

13,75
27,50
11,25
47,50

80

100,0

Fontes: Dados da pesquisa.

A Tabela 1 demonstra que apesar da oferta da oficina e da distribuição do Manual
somente 13,75% dos alunos tem o hábito de elaborar seus trabalhos obedecendo às normas do
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares”. Esse fator é preocupante à medida que
pode provocar a desmotivação do profissional da informação para o desenvolvimento de uma
atividade de suma importância para o processo ensino-aprendizagem, pois, como visto, a
maioria (86,25%) não faz seus trabalhos conforme o manual ou faz somente algumas vezes.
A Tabela 2 demonstra a quantificação das respostas dos professores quanto à
exigência dos trabalhos conforme as normas da ABNT simplificadas no Manual.

Tabela 2 - Mostra da quantificação das respostas dos professores quanto à frequência da
exigência da normalização dos trabalhos conforme o “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares”.
RESPOSTAS
Sim
Não
Algumas vezes
Raramente
Total

N
5
3
3
4
15

%
33,3
20,0
20,0
26,7
100,0

Fontes: Dados da pesquisa.

A Tabela 2 mostra que 33,3% dos professores consideram importante a normalização.
E que a maioria (66,6%= respostas “NÃO”, “ALGUMAS VEZES” e “RARAMENTE”) não

3094

�exige de seus alunos os trabalhos normalizados. Verifica-se que a resposta dos docentes
reforça a dos alunos que alegam que a falta de prática deve-se ao fato dos professores não
exigirem a utilização das normas nas pesquisas escritas.
Diante desse contexto, e para melhor análise, serão descritas a seguir mostras das
respostas de docentes e discentes quanto à utilização das normas contidas no “Manual de
Normalização de Trabalhos Escolares”. Para tanto, as referidas respostas encontram-se
categorizadas de acordo com a resposta fornecida pelos entrevistados: SIM, ALGUMAS
VEZES, RARAMENTE e NÃO. As perguntas feitas aos professores e alunos foram:
a) “Professor, você solicita que os trabalhos da sua disciplina sejam elaborados
conforme as orientações básicas do “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares? Por quê?”. Abaixo estão expostas as respostas,
- ( x ) SIM
—Sim, apesar das contestações eles são cobrados para entregar os
trabalhos dentro das normas do manual ” (P 1).
—Sim, apesar de ser chamado de chato estou sempre solicitando os
trabalhos normatizados ” (P6).
—Sim, mas só cobro algumas coisa que considero principal, como
introdução, conclusão e as referências, mas não exijo aquelas
minuciosidades ” (P9).
“Sim, entretanto priorizo os tópicos principais com introdução,
conclusão e as bibliografias.” (P13).
—Sim, sempre solicito que eles sigam as regras pq isso além de tudo
facilita a minha avaliação.” (P15).
- ( x ) ALGUMAS VEZES
—
Algumas vezes, cobro somente alguns itens.”(P 10).
—
Algumas vezes, dependendo do tipo de trabalho que eu solicito ”
(P11).
—
Algumas vezes, pq em alguns casos o tipo de trabalho solicitado não
precisa ser normalizado.” (P14).
- ( x ) RARAMENTE
—
Raramente, porque como a minha disciplina é técnica acho que o
trabalho não necessita está normalizado ” (P2).

3095

�“Raramente, porque a maioria deles diz que já perdeu o manual, ou
que não encontrou etc...” (P5).
“Raramente, pq nem sempre o tempo de preparação permite a
normalização ” (P12).
“Raramente, porque na matemática acho que como é mais cálculo é
difícil normalizar um trabalho ” (P 7).
- ( x ) NÃO
“Não. Acho importante, mas eles reclamam muito e acabam não
entregando de acordo com o manual. ” (P3).
“Não, porque antes do manual eu já havia explicado o básico das
normas, tipo sumário, introdução e conclusão, então na verdade não
utilizo as orientações do manual .” (P4).
b)

“Com que frequência você elabora seus trabalhos escolares de acordo com

as orientações básicas do “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares? Por
quê?”,
- ( x ) SIM
“Porque acredito que quando o trabalho está normalizado o
professor dá mais credibilidade ao conteúdo.” (A7). “Porque sempre
ganho uma nota melhor quando o trabalho está bem
organizado”(A15).
- ( x ) ALGUMAS VEZES
“Porque são poucos os professores que exigem a utilização das
normas” (A25).
“Porque os professores não pedem, acho que se eles pedissem todos
os alunos usariam as normas.” (A 17).
- ( x ) RARAMENTE
“Porque só faço normalizado quando o professor pede e é muito raro
isso acontecer.” (A13).
“Porque dá muito trabalho e além do mais os professores não exigem
que os trabalhos sejam padronizados.” (A31).
- (x ) NÃO
“Porque dá mais trabalho pra fazer e mesmo assim os professores
não fazem essa exigência.” (A3).
“Vários professores passam trabalho ao mesmo tempo e isso dificulta
que possamos nos dedicar para elaborar um trabalho dentro das
normas.” (A 12).

3096

�Comparando as informações contidas no Quadro 1, nas Tabelas 1 e 2 e nas respostas
transcritas dos docentes e discentes, percebe-se que existe uma contradição em suas falas,
pois ambos consideram importante a padronização técnica dos trabalhos como instrumento de
apoio didático - pedagógico, entretanto nenhum desses atores faz dessa atividade um
cotidiano na vida escolar.
Os professores não exigem que os trabalhos sejam elaborados com base nas normas do
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” e os alunos por sua vez não se sentem na
obrigação de utilizar as referidas normas. Isto nos leva a interpretação de que o desinteresse
dos alunos dá-se em decorrência da falta de conscientização e cobrança dos professores.
A incongruência entre as respostas torna-se clara quando analisamos a fala de P4 que
afirma considerar importante a normalização, entretanto nos trabalhos da sua disciplina a
exigência restringe-se somente ao que ele chama de “básico das normas”: sumário, introdução
e conclusão. Isso na verdade demonstra a pouca importância que o professor atribui à
normalização (citação e referências) determinada pela ABNT. Esse fato é confirmado na fala
do aluno A17 que diz que não elabora seus trabalhos dentro das normas porque os professores
não exigem e afirma que se eles exigissem todos os alunos usariam as normas.
Diante desse contexto, é notório que tanto os docentes quanto os discentes do Colégio
Universitário da UFMA ainda não têm consciência da real importância da normalização como
uma atividade pedagógica que, se utilizada corretamente, vai garantir a padronização dos
trabalhos escolares proporcionando-lhes qualidade e credibilidade.
Apesar de toda a resistência para a utilização do Manual de Normalização, a
Biblioteca do COLUN continua com seu trabalho de conscientização e orientação seja por
meio da oferta de oficinas e/ou de minicursos ou por meio do manual, a fim de que docentes e
discentes tornem-se adeptos ao uso das normas e que estes consigam não só reconhecer a
importância, mas sim o uso das normas para a melhoria do processo ensino - aprendizagem.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A normalização dos trabalhos escolares objetiva muito mais do que a padronização da
sua estrutura. Ela possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de
ideias, fator que facilita o entendimento do texto e, consequentemente, uma melhor análise do
conteúdo apresentado.
Diante disso, considera-se que a adoção das normas bibliográficas disponibilizadas no
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” é um importante instrumento didático pedagógico na medida em que possibilita uma melhor fundamentação das ideias e

3097

�organização do pensamento dos alunos no momento da elaboração dos trabalhos das mais
diversas disciplinas.
A normalização objetiva também levar o aluno a conhecer e desenvolver as etapas
necessárias para realizar sua pesquisa, possibilitando a utilização de elementos básicos que
permitirão a identificação, a consulta e a recuperação da informação. Facilita, ainda, o
processo de comunicação “da mensagem” que estará disposta de forma correta, estruturada e
inteligível no documento escolar produzido pelo aluno, possibilitando a sua inserção no
ambiente informacional de forma segura, evitando o plágio.
Os resultados obtidos sugerem que seja desenvolvido junto ao corpo docente um
trabalho de incentivo no que diz respeito à adoção das normas apresentadas no manual
“Normalização de trabalhos escolares: orientações básicas”. Sugere-se ainda que a Biblioteca
do COLUN estenda aos alunos do Ensino Fundamental o minicurso com as orientações
necessárias para a aplicação das normas, de forma que paulatinamente a apresentação de
trabalhos normalizados faça parte do cotidiano da escola.
Considera-se de suma importância o desenvolvimento de um trabalho em conjunto
entre professores, bibliotecários (orientadores) e alunos (orientando), com o intuito de que a
produção textual desses discentes seja pautada na pesquisa, leitura, interpretação, reflexão e
escrita. Entretanto ressalta-s a necessidade de uma maior contribuição do professor no sentido
de:
a) orientar, familiarizar e incentivar o aluno para o uso das normas;
b) tornar a padronização dos trabalhos uma atividade comum;
c) cobrar a aplicação das normas de forma que estas façam parte do cotidiano da
vida escolar dos alunos do COLUN da UFMA.
Conclui-se que a intersecção professor - bibliotecário deve ser simples, objetiva e
clara para que todos os envolvidos estejam conscientes de suas responsabilidades e possam
direcionar o aluno a ampliar e garantir a segurança dos caminhos para a construção do
conhecimento.

6 REFERÊNCIAS
BARBOSA, Elvina Maria de Sousa; RAMOS, Joelson; CIRÍACO, Maria do Socorro S.
Despertando para a produção intelectual: a importância da pesquisa científica. In: Encontro
Regional de Biblioteconomia e Documentação, 13., Teresina: 2010. Anais... Teresina:
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3098

�FRAGOSO, G. M. Biblioteca na escola. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,
Santa

Catarina,

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bibliográfica para a elaboração de trabalhos acadêmicos. Formiga: 2012, 87p. Monografia
(Bacharel

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TRIVINOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em
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3099

�</text>
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                <text>O presente estudo aborda a normalização de trabalhos acadêmicos como instrumento de construção de conhecimento. Teve como objetivo investigar a percepção de docentes e discentes sobre a importância da normalização bibliográfica de trabalhos escolares desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, feita com 80 alunos e 15 professores do COLUN/UFMA. A investigação aconteceu entre os anos de 2013 e 2014. Constatou-se que docentes e discentes consideram importante a utilização das normas técnicas da ABNT, mas apesar disso os alunos não demonstram interesse em aplicá-las nos seus trabalhos, visto que essa não é uma exigência do corpo docente da escola. A normalização bibliográfica objetiva muito mais do que a padronização da sua estrutura, ela possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de ideias e o prepara para refletir, pois escrever não é copiar, escrever é exercer a cidadania por meio do registro de suas interlocuções com o conhecimento. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTRATÉGIAS DE UMA CATALOG@ÇÃO A DISTÂNCIA: DESAFIOS
ENFRENTADOS PELA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA UNISULVIRTUAL

Lidiana Sagaz Silva
Paula Sanhudo da Silva
Angela Schmidt
RESUMO
Esse artigo tem por finalidade relatar a experiência da equipe de bibliotecários da
Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) no processo de catalogação centralizada e a
distância para a formação do acervo dos polos de apoio (PA) presencial frente às exigências
do Ministério da Educação (MEC). Para isso, realizou-se um estudo do referencial teórico
sobre os temas de catalogação centralizada, catalogação a distância e sobre a importância de
uma catalogação eficiente para permitir a recuperação da informação à comunidade
acadêmica da Unisul. Com bibliotecas distribuídas por todo o Brasil e o processo de
catalogação centralizada, identificou-se a necessidade de criar metodologias de trabalho
específicas para a formação do acervo dessas bibliotecas. Para atender à demanda de
catalogação à distância, a equipe de bibliotecários precisou adequar algumas normas e
somente a partir da cooperação, do estudo e da dedicação entre os profissionais, tornou-se
possível estruturar e alinhar as bibliotecas desses PAs. Desse modo, por meio desse relato,
pretende-se disseminar o conhecimento adquirido com os estudos, bem como na execução
desse novo modelo de catalogação, tornando a informação recuperável, independentemente
do suporte, espaço físico e distância em que se encontra o material a ser recuperado. Concluise que o compartilhamento de informações em nuvem veio para somar ao processo de
catalogação de materiais que se encontram geograficamente distantes do bibliotecário. Assim,
por meio desse artigo, pretende-se compartilhar um novo modelo de catalogação a distância
que tornou possível a formação do acervo no PA presencial.
Palavras-chave: Catalogação centralizada. Catalogação a distância. Recuperação da
informação. Biblioteca universitária.
ABSTRACT
This article aims to report the experience of the team of librarians of Universidade do
Sul de Santa Catarina (Unisul) in the process of centralized and distancebased cataloging for the implementation of the library collection in the poles supporting
attendance (PA) as a requirement of the Ministry of Education (MEC). Thus, a theoretical
study on topics of centralized cataloging, distance-based cataloging and the importance of an
efficient cataloging was realized, meaning to allow the retrieval of information for the
academic community of Unisul. With libraries distributed throughout Brazil and the
centralized cataloging process, there was a need to create specific work methodologies for
the implementation of these library collections. To meet the demand of distancebased cataloging, the team of librarians needed to adapt some rules and only from

2617

�cooperation, study and dedication among professionals, it became possible to structure and
align these PAs libraries. Thus, through this report, we intend to disseminate the knowledge
gained from theoretical studies, as well as the implementation of this new model of
cataloging, so that this information can be retrievable, regardless of suport, physical space and
distance from where the material has to be retrieved. It is concluded that the information
sharing in cloud came to add to the process ofcataloging materials that are geographically
distant from the librarian. Thus, through this article, we intend to share a new model
of distance-based cataloging that enabled the implementation of the library collection in the
poles supporting attendance (PA).
Keywords: Centralized
retrieval. University library.

cataloging.

Distance-based cataloging.

Information

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária (BU) da Unisul está sob a coordenação geral do Programa
de Bibliotecas Universitárias. Atualmente, as bibliotecas estão divididas sob três
coordenações de campi (Tubarão, Grande Florianópolis e UnisulVirtual), totalizando 17
unidades - locais esses onde a universidade está inserida. Além dessas unidades, a Unisul
possui ainda mais 77 PAs presenciais.
Esse total de unidades de informação constitui-se por bibliotecas universitárias e uma
escolar. O acervo é composto de materiais em diferentes suportes e em todas as áreas do
conhecimento. Todos os bibliotecários são responsáveis pelo gerenciamento e execução das
rotinas bibliotecárias, entre elas, dividiu-se em três os principais segmentos da biblioteca, são
eles: Grupo de Aquisição, Grupo do Processamento Técnico (PT) e o Grupo de Referência.
A cada grupo compete o estudo das rotinas, bem como a proposição de novos
mecanismos, aprimoramento dos processos e serviços, fundamentalmente, visando à
recuperação e disseminação da informação. Nesse momento, dando ênfase às práticas do
Grupo de PT, temos a catalogação centralizada, forma de trabalho adotada pela BU Unisul,
com o uso de ferramentas e processos comuns, com vistas a uma recuperação da informação
mais eficiente.
Contudo, a Biblioteca Universitária UnisulVirtual (BU-UV), nos últimos quatro anos,
vem desbravando um novo modo de realizar a catalogação, método esse objeto de estudo
deste artigo. Pretende-se aqui relatar a experiência da equipe de bibliotecários da (Unisul) no
processo de catalogação centralizada e a distância para a implantação e estruturação das
bibliotecas dos PAs por exigência do MEC.
Assim, como essa unidade de informação trabalha diretamente com EaD e 77 PAs
espalhados por todo território nacional, criou-se uma metodologia de trabalho e fez-se
necessário a reavaliação dos procedimentos internos, para também atender as equipes de

2618

�trabalho atuantes nos PAs, nos quais a catalogação foi centralizada na BU-UV.
A partir da configuração desse novo cenário de atuação para a BU-UV, processo esse
novo para esta Instituição de ensino superior (IES) - deu-se início ao delineamento de
estratégias e metodologias de trabalho para atender as exigências definidas pelo MEC em
caráter emergencial. Diante da urgência da demanda e prazo, da quantidade de PAs para
estruturação, quantidade de materiais para realizar a catalogação, economicidade solicitada
por parte da instituição para concluir a demanda e a quantidade de profissionais bibliotecários
da Unisul - já tínhamos o nosso problema e possibilidades para a execução do trabalho.
Cabe ressaltar ainda que, com a realização da catalocação a distância evitou-se um
investimento maior por parte da Unisul, isto é, com essa ação diferenciada economizou-se
consideravelmente (em passagens aéreas, terrestres, alimentação, hospedagens, dentre outros),
já que a equipe de bibliotecários não precisou ir in loco a cada uma das PAs.
Assim sendo, a equipe da BU-UV aprovou junto a Direção do Campus da UV e o
Gerente de Ensino, Pesquisa e Extensão (GEPEX) o cronograma de execução das atividades,
a forma de interação com os PAs, o instrumento de coleta das informações necessárias para
realizar a catalogação, os manuais de orientação aos funcionários dos PAs, as capacitações a
distância que seriam ministradas, equipamentos necessários, quantidade de pessoas que
seriam envolvidas e o que haveria de economia diante do que estava sendo proposto.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A seguir falar-se-à sobre a catalogação, sua missão, objetivos e importância e um
breve histórico da instituição e em especial da biblioteca universitária.

2.1 Catalogação: missão, objetivos e sua importância
A catalogação refere-se ao estudo, preparação e organização da informação que, ainda,
está em forma de mensagem compondo um material/obra.
A partir dessa “decodificação” realizada pelo bibliotecário catalogador torna-se
possível inserir tais informações num sistema recuperável, com o auxílio de tecnologias - dias
atuais - para proporcionar ao usuário final o acesso à informação, com a finalidade de
transformá-la em conhecimento.
Mey e Silveira (2009) relacionam algumas qualidades que consideram indispensáveis
ao trabalho do catalogador, esse profissional deve ser um leitor assíduo, ter o prazer e o hábito
de ler, conhecer o seu usuário, tanto real quanto potencial, ter conhecimento geral sobre
diversos assuntos, visto a interdisciplinaridade da sua atuação e deve também atentar para sua

2619

�atualização profissional e estar disposto a lidar com as tecnologias e outras demandas que por
ventura poderão surgir.
O processo de catalogação consiste na descrição e representação de dados
relacionados aos recursos bibliográficos, com a finalidade de tornar o material recuperável no
acervo dentro de uma unidade informacional. Segundo Santos (2011, p. 28) “[...] como esse
processo envolve o sentido da visão, catalogar é, na sua essência uma projeção, é olhar para
uma coisa, descrevê-la de outra forma, e possibilitar que o leitor veja a coisa representada”.
Já na concepção de Mey (1995a, p. 5), a catalogação é:
[...] o estudo, preparação e organização de mensagens codificadas, com base
em itens existentes ou passíveis de inclusão em um ou vários acervos, de
forma a permitir interseção entre as mensagens contidas nos itens e as
mensagens internas dos usuários.

Portanto, catalogar é tornar a informação acessível, satisfazendo assim, as
necessidades informacionais dos usuários que dela precisam. De acordo com Santos (2011, p.
16), a missão da catalogação é,
[...] fornecer regras, estruturas, esquemas e modelos para elaborar
representações dos recursos informacionais de forma a possibilitar e a
simplificar sua busca e recuperação, abrangendo tanto seu aspecto físico
quanto seu conteúdo, como uma das especialidades do fazer
biblioteconômico e uma atividade imprescindível no interior das bibliotecas.

Mey (1995a, p. 5 e 38) afirma que catalogação descritiva “[...] consiste na
representação do item [...] e compreende três partes: descrição bibliográfica, pontos de acesso
e dados de localização”.
Algumas das funções da catalogação citadas por Mey (1995a, p. 7) são:
a) Permitir ao usuário: Localizar um item específico; Escolher entre várias
manifestações de um item; Escolher entre vários itens semelhantes, sobre
quais, inclusive, possa não ter conhecimento prévio algum; [e] Expressar,
organizar ou alterar sua mensagem interna. b) Permitir a um item encontrar
seu usuário. [e] c) Permitir a outra biblioteca: Localizar um item específico;
[e] Saber quais os itens existentes em acervos que não o seu próprio.

E para cumprir essas funções, a catalogação deve possuir como características:
“Integridade; Clareza; Precisão; Lógica; [e] Consistência”. (MEY, 1995a, p. 7-8).
A catalogação é uma atividade meio da unidade de informação, porém, de extrema
importância, pois é ela que torna os itens recuperáveis e acessíveis em qualquer parte do
mundo dentro uma unidade de informação.

2620

�Hoje, quando os computadores possibilitam ao usuário uma busca
doméstica, ou mesmo externa ao espaço físico das bibliotecas, o que nos
resta, além da análise e representação dos itens? Seu usuário pode estar a
2.000 km de distância e não falar absolutamente nada com você,
desconhecê-lo por completo. Mas conhece seu trabalho e este se torna único
meio de comunicação entre você e o usuário distante. O que são os serviços
de alerta, os levantamentos bibliográficos, os serviços de DSI, senão
produtos dos registros bibliográficos, isto é, da análise e representação dos
itens, isto é, da catalogação? (MEY, 1995b, p. 129).

O trabalho do catalogador tem influência direta na qualidade da recuperação da
informação. Pereira e Santos (2004, p. 48) afirmam que,
Ao catalogador cabe a tarefa de transmitir e mediar o processo
contínuo da catalogação como principal meio para estruturar o
intercâmbio da informação global. O papel desse profissional deixa de
ser meramente técnico e mediador, e passa a ser interlocutor, visto ser
considerado também um educador e orientador neste processo de
geração, recuperação e disseminação da metalinguagem da
representação descritiva documentária.
Logo, pode-se intuir o quão importante é o processamento técnico e físico dentro, por
exemplo, de uma biblioteca universitária para promover a satisfação do usuário, por meio da
comunicação que realiza, seguindo os padrões internacionais de catalogação.
É de suma importância que o bibliotecário responsável pela catalogação tenha
consciência que a forma como executa o seu trabalho irá interferir diretamente na recuperação
da informação, assim sendo, ele deve ser imparcial e realizá-lo com zelo e compromisso,
pensando sempre nas necessidades de informação e satisfação do usuário.
O mundo moderno tem proporcionado facilidades imensuráveis com a utilização das
novas tecnologias, graças aos avanços técnicos e de uma catalogação padronizada.
Segundo Santos (2011, p. 10-11), as
Tecnologias disponíveis a partir da segunda metade do século XX oferecem
a possibilidade da realização e controle de tarefas inteiramente novas. Em
alguns segundos, podemos ter acesso a vastas fontes de informação e obter
dados bibliográficos do mundo inteiro. Desafio é articular os avanços
técnicos às práticas tradicionais na catalogação, que passam a fazer parte de
um processo mais amplo e complexo com a introdução de novos materiais
digitais e suas especificidades: tridimensionalidade, hipertextualidade e
estruturas específicas.

Pode-se afirmar que a catalogação está presente em praticamente todos os processos
relacionados com a gestão da informação, mas, para que a informação possa ser recuperável, a
catalogação deve ser padronizada e de qualidade. Sendo assim, para a descrição de um item
bibliográfico existem as Normas Internacionais de Padronização: Descrição Bibliográfica

2621

�Internacional Normalizada (ISBDs) e o Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR2
2002).
Destaca-se aqui a Catalogação centralizada que, segundo Cunha e Cavalcanti (2008, p.
70), caracteriza-se por: “[uma] catalogação feita por uma biblioteca, ou agência central, que
torna a descrição bibliográfica disponível para as unidades de uma rede”.
Para Rocha, Souza e Oliveira (2012, p. 6):

O controle centralizado de registros de autoridade consiste em um trabalho
de cooperação entre os profissionais, onde o trabalho realizado por uma
equipe de bibliotecários tem maior probabilidade de ser realizado com um
grau elevado de precisão [...].

Barbosa (1977, p. 71), enfatiza que a catalogação centralizada “[...] é muito comum
em universidades, ou onde a aquisição planificada seja adotada. É muito mais perfeita e
uniforme do que a cooperativa”.
Com essa prática, verifica-se que são inúmeras as vantagens da catalogação
centralizada, assim citamos o fato de catalogar o material apenas uma vez, redução do tempo
gasto no processo, menor probabilidade de erros, bem como a rápida disponibilização do
material para o usuário, proporcionando agilidade na recuperação e na disseminação da
informação.
O grande desafio a ser enfrentado por todos aqueles seriamente engajados, direta ou
indiretamente, no processamento técnico, ou seja, na catalogação descritiva, é de
conscientizar o maior número possível de pessoas da importância e utilidade das informações
registradas para que se torne recuperável e acessível.
Nesse sentido, pode-se afirmar que o bibliotecário tem participação decisiva nesse
processo de fazer chegar ao usuário a informação que atenda suas reais necessidades, de
forma rápida, organizada e precisa, independentemente, da tecnologia que dispõe, embora
essa seja imprescindível na atual sociedade da informação. Como salienta Nascimento e Burin
(2006),
[...] a presença das tecnologias, nas bibliotecas e unidades de informação, é
uma oportunidade para que os bibliotecários redefinam seu papel perante a
sociedade contemporânea, combinando atividades cotidianas do seu fazer
bibliotecário com a utilização dos recursos tecnológicos [...].

No espaço das bibliotecas universitárias do país entram a sensibilidade e o empenho
de todas as categorias de profissionais envolvidas com o manuseio, preparação e

2622

�disponibilização da leitura e informação, atenuando as dificuldades e gerando condições para
que o seu usuário real ou potencial seja atendido nas suas carências e necessidades.
Esse ambiente deve proporcionar bem-estar e recursos indispensáveis à sua busca de
conhecimentos, requisitos fundamentais e essenciais não só a uma boa pesquisa, mas também,
que surta os efeitos desejados com relação ao entendimento e ao aprendizado sobre o assunto
pelo qual está ávido em aprender.

2.2 A Unisul e a Biblioteca Universitária: breve histórico
Atualmente conhecida como Unisul, a Universidade do Sul de Santa Catarina iniciou
suas atividades em 1964, na cidade de Tubarão, como Faculdade de Ciências Econômicas do
Sul de Santa Catarina. Em 1967, transformou-se em Fundação Educacional do Sul de Santa
Catarina (FESSC). No ano de 1989 a FESSC passou a chamar-se Fundação Universidade do
Sul de Santa Catarina (Unisul), aprovada pelo Parecer n° 28/89, do Conselho Federal de
Educação. A Unisul é mantida pela Fundação instituída pelo Poder Público Municipal da
cidade de Tubarão. (UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA, 2013 a).
Em 1992, a Universidade começou a crescer, criando o Campus de Araranguá. Quatro
anos depois, em 1996, criou-se o Campus da Grande Florianópolis. Outras quatro unidades
foram criadas no ano de 1998, são elas: Laguna, Imbituba, Içara e Braço do Norte.
(UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA, 2013a).
O ensino a distância na Unisul teve início em 2002, com o credenciamento pelo MEC
de cursos de pós-graduação latu sensu e, em seguida, um ano depois, a autorização para oferta
dos cursos de graduação a distância. O Campus UnisulVirtual foi criado, oficialmente, no ano
de 2005, com objetivo de gerenciar o ensino a distância, e atende, atualmente, mais 13 mil
alunos. (UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA, 2013a).
Em 2010, por exigência do MEC, a Universidade precisou adequar seus PAs.
Atualmente, compõe a estrutura dos PAs: sala de aula, onde são realizadas as provas
presenciais, laboratório de informática com acesso à Internet, biblioteca, secretaria, além de
dispor de um tutor preparado para sanar as dúvidas, tanto acadêmicas quanto administrativas
dos alunos. (UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA, 2013b).
Hoje, a UnisulVirtual oferta 25 cursos de graduação, 27 cursos de pós-graduação e
MBA, e 13 cursos de curta duração. Conta com 77 PAs em todas as regiões do Brasil,
concentrando-se na região sul, conforme se pode visualizar na imagem abaixo.

2623

�Figura 1 - PAs distribuídos pelo Brasil.
Cah o

Colombia

Suriname

Satélite

Ceará
Earaiba

Brasil

(Brazil)
Rondônia

Alagoas
Sergipe

Bolívia
•espírito
Santo

Paraguay)

Rio de
Janeiro

~Rio de
Janeiro

O ado 9 cartográficos €&gt;2013 Basarsoft. Google. INEGI. Inav/Geo sistemas SR L Maplink, ORION-ME

Termos de U&lt;

Fonte: UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA (2013b).

No que tange às Bibliotecas da Unisul, foi com a criação da universidade, em 1964,
que surgiu a primeira biblioteca da instituição, na época vinculada ao Colégio Dehon. Dez
anos depois, devido à enchente de 1974 na cidade, o acervo precisou ser recuperado e
ampliado. (UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA, 2013c).
Apenas em 1989, quando a Fundação Educacional tornou-se universidade que surgiu a
Biblioteca Universitária da Unisul, vinculada a Pró-Reitoria Acadêmica. (UNIVERSIDADE
DO SUL DE SANTA CATARINA, 2013c).
Com a expansão da universidade houve, consequentemente, a criação das bibliotecas
nos Campi. Na UnisulVirtual, a biblioteca surgiu em 2005, para atender as necessidades
específicas da modalidade a distância.
Atualmente, as Bibliotecas Universitárias da Unisul utilizam para o gerenciamento do
acervo o software Pergamum. Contam com um acervo de mais de 130 mil títulos e mais de
300 mil exemplares, entre livros, periódicos, CDs, DVDs, entre outros materiais.
A Biblioteca do Campus UnisulVirtual em Palhoça/SC, é a sede responsável pela
gestão de mais de 70 bibliotecas em todo o Brasil para atender a modalidade a distância. Com
isso, os atendimentos ao aluno EaD, como por exemplo, cadastro de senha, orientação quanto
ao uso das fontes de informação e outros serviços, são feitos pelos colaboradores da sede via
e-mail, telefone ou Skype. A equipe da BU-UV é composta atualmente por quatro
bibliotecárias e um auxiliar de biblioteca.

2624

�Um diferencial da Biblioteca da UnisulVirtual é o empréstimo de livros para o aluno a
distância, visto que, como estão em fase de adequação, nos PAs os alunos podem apenas
consultar e utilizar os materiais in loco.
A BU-UV adotou a catalogação centralizada junto aos PAs, sendo realizado o
processamento técnico dos materiais na sede, e em seguida, as etiquetas são enviadas para o
preparo físico na própria filial. Exceto em alguns PAs, nos quais se optou pelo PT e também o
preparo físico das obras na sede. A seguir relatamos a experiência da BU-UV com a
catalogação a distância.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este estudo consiste em um relato de experiência vivenciado pelos bibliotecários da
Biblioteca Universitária da Unisul, no Estado de Santa Catarina, a partir do ano de 2010 para
implantar e estruturar o acervo das 77 bibliotecas dos PAs.
Quanto ao referencial teórico, utilizou-se a literatura com o objetivo de aprofundar-se
nos temas de catalogação, catalogação centralizada e catalogação a distância. No que se refere
ao histórico da instituição, valeu-se das informações disponibilizadas no site, documentos
institucionais e documentos apresentados às comissões de avaliação do INEP.

4 A CATALOGAÇÃO A DISTÂNCIA NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
UNISULVIRTUAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Em 2010, a BU-UV recebeu a demanda da então Direção de Campus que para
atendermos às exigências do MEC, teríamos que estruturar e realinhar as atividades
executadas em todos os setores e em todos os PAs da UnisulVirtual.
Inicialmente, a Direção do Campus, em acordo com a Reitoria da Unisul, almejava
147 PAs. Os PAs funcionam como “filiais” da sede (UnisulVirtual) espalhados por todos os
Estados da Federação, como o objetivo de atender presencialmente os estudantes matriculados
em determinada região e, também, para prospectar novos clientes e/ou parceiros para
convênios.
A partir da solicitação realizada pela Direção da UV em 2010, cada setor delineou as
estratégias para atender a demanda gerada pelo MEC, no prazo de 1 (um) ano. Isto é,
tínhamos 1 (um) ano para adequar a estrutura dos 147 PAs da UV, de acordo com o exigido
pelo MEC. Logo, foi iniciada dentro da Biblioteca Universitária da Unisul uma força tarefa
entre os profissionais bibliotecários para delinear estratégias, a fim de constituir e adequar as
bibliotecas dos PAs.

2625

�Durante os dois primeiros meses do prazo, as duas bibliotecárias da UV (responsável
pela catalogação, referência e aquisição e a coordenação da BU no campus) dedicaram-se a
elaborar o manual intitulado “MANUAL DE ORGANIZAÇÃO E PROCEDIMENTOS
DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA (BU) DE POLOS UNISULVIRTUAL”.
Após a finalização do primeiro manual, elaborou-se um curso a distância intitulado
“FORMAÇÃO

PARA

METODOLOGIA

UNISULVIRTUAL

NOS

POLOS

PRESENCIAIS”, via ferramenta educacional própria da UV, chamado Espaço Virtual de
Aprendizagem (EVA), onde todos os funcionários que atuariam nos PAs, especificamente nas
bibliotecas locais, foram instruídos para realizar determinados atendimentos a comunidade
acadêmica in loco, como, por exemplo, consultar as obras no acervo da BU via Pergamum,
alocar os materiais da BU-PA nas estantes e, principalmente, entender o processamento
técnico e físico dos materiais que seriam disponibilizados nas BUs-PAs.
Essa capacitação tem a duração de 30 dias (corridos) e perpassa por todos os setores
(biblioteca, secretaria, sala dos professores, sala de tutoria, laboratório de informática, dentre
outros) que cada PA deve ter para melhor atender aos nossos clientes locais/regionais.
Mesmo após os 30 dias da capacitação, os funcionários dos PAs possuem contatos
diretos (e-mail, telefone e Skype) com todos os setores na sede para sanar dúvidas e/ou
manter um canal de aproximação, entre os atendentes da ponta e o suporte na sede.
Essas capacitações são ofertadas mensalmente e ainda hoje possuímos turmas em
aberto - e os recursos didáticos adotados foram: webaulas, webconferências, manual físico, e­
book e objetos de aprendizagem para auxiliar na compreensão do conteúdo/regras/normas a
assimilar. Ou seja, mesmo que um funcionário já tenha participado de uma edição anterior da
capacitação, ele pode, a qualquer momento, retornar e refazer toda a capacitação ou o módulo
que necessitar.
Em paralelo às capacitações e à confecção dos manuais, foram levantados os materiais
que deveriam compor os acervos dos PAs em cada município. Essa atividade envolveu vários
colaborados dos Campi das BUs, e consistiu do preenchimento de uma planilha por cada um
dos PAs com toda a bibliografia básica constante nas disciplinas em oferta e com estudantes
matriculados nos PAs.
Como alguns dos parceiros atuantes nos PAs não possuíam o know-how sobre a
aquisição de materiais para BUs, a BU-UV assumiu toda a logística de alguns PAs para
realizar o processo de compra dos materiais necessários (desde a cotação até a conferência de
notas fiscais versus o recebido do distribuidor/fornecedor).
Cabe ressaltar que todo o processamento técnico e físico foi centralizado na sede,

2626

�exceto em cinco capitais que os profissionais bibliotecários, lotados na BU da Unisul, foram
convocados a realizar tais procedimentos in loco, devido ao volume de exemplares desses
PAs, fato que justificou a viagem dos profissionais e não o uso de transportadora para realizar
a entrega dos materiais prontos para alocação nas estantes.
Toda a gestão dos processos de execução das atividades (cumprimento do cronograma
traçado) ficou sob responsabilidade das bibliotecárias da BU-UV, as quais semanalmente e
quinzenalmente emitiam relatórios para a Direção de Campus da UV ou a Reitoria da
Universidade, quando solicitado.
Com o passar dos meses, viu-se que o número inicial projetado e pensado de PAs não
seria possível de estruturação devido à realidade de cada região do país. Isso fez com que os
gestores revissem tal número e diminuíssemos para 128, depois para 107, 91 e, atualmente 77
PAs.
A falta de conhecimento, a troca de experiência entre os pares externos e o
desconhecimento de como tramitar durante essa situação colocada pelo MEC, trouxe à Equipe
de Estudos da Catalogação da Unisul um desafio, o de como catalogar materiais que não
estavam fisicamente a sua frente.
Diante desse desafio, a Equipe delineou a sua forma de trabalho, ou seja, a
continuidade das atividades já desempenhadas, como a mesma dedicação e afinco, porém,
com materiais disponibilizados em outro formato e que teriam que confiar no funcionário que
estava no PA.
Nesse sentido, a equipe continuou adotando os manuais internos (em formato de
planilhas) elaborados para orientar na catalogação padronizada, bem como o uso do AACR2,
CDD (21a edição), MARC 21, Tabela PHA. Para a consulta ao catálogo de Autoridade,
utilizou-se o banco de autoridade da Biblioteca Nacional (BN), Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUC/PR) e Library of Congress (LC). O tombamento dos materiais se
deu por meio do Sistema Pergamum.
Mas como os catalogadores executaram de fato a atividade? A estratégia traçada para
essa atividade foi a adoção de um formulário para o preenchimento pelo funcionário da BUPA, referente a cada título que comporia o acervo local, bem como, o envio do escaneamento
de algumas partes da obra (descritas no formulário), para auxiliar os catalogadores da sede no
momento do processamento técnico.
Veja abaixo o formulário elaborado:

2627

�Figura 2 - Formulário para Processamento Técnico do acervo das Bibliotecas Polo da Unisul.
UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
UNISULVIRTUAL
B I B L I O T E C A U N I V E R S I T Á R IA D A U N IS U L

F O R M U L Á R IO P A R A P R O C E S S A M E N T O T É C N IC O D O A C E R V O D A S B IB L IO T E C A S P O LO D A
U N IS U L

O rie n ta ç õ e s de p re e n ch im e n to :
•
F a ç a u m a so lic ita ç ã o por a rq u iv o p ara c ad a livro;
•
T o d o s o s c a m p o s s ã o d e p re e n ch im e n to o brigatorio;
•
A p ó s realizar o p re e n ch im e n to d o s ca m p o s, an exe a im a g e m das se g u in te s p a rte s do
liv ro : c a p a fo lh a d e ro sto v e rs o da fo lh a d e ro sto , su m ário , in tro d u çã o ou p re fá cio , ultim a
p á g in a nu m e rada d o livro, co ntra ca p a .
•
S u g e r e s e q u e as im a g e n s d a s p a rte s d o livro s e ja m salvas com lO O p pi o u dpi d e
reso lu ção. e x te n s ã o jp g e q u a lid a d e d o jp g d e 80 a 1 00 (taxa d e c o m p re ssã o ).
N om e da Institui* áo/Polo:

Gestor responsável:

N om e da Biblioteca (se houver):
N om e do solicitante / A uxiliar de biblioteca /
Bibliotecário:

Cidade/UF do Polo

E-m ail

Telefones para contato
(

N úm ero de exempt are» do livro/t ítulo q ue será
disponibilizado no acervo:

)

O livro possui ilustrações (im agens.
diagramas, tabel as. esquem as, etc)?
(

) Sim

(

) Não

Se si m. são:
(
Q ual o tam anho em centím etros da capa da
obra (com prim ento/altura)?

)C o lo rid as

(

)P re to e branco

Possui bibliogr afias/referências?
0

Z

E

cm

Q u a l o t a m a n h o em c e n tím e tro s d a ca p a da
o b ra (c o m p rim e n to / a ltu ra )?

Po ssui b lb ilo g r a fla s / re fe r ê n c la s ?
(

) S im

(

)N ã o

____________________c m

Se s im , e s tã o n o:
( ) F in a l d o s c a p ítu lo s
livro

(

) Fin al d o

S e , e stã o n o fin a l do liv ro , qual o in te rv a lo
das p á g in a s em que elas a p a re c e ?
Da p á g in a _______ a p á g in a _________ .
O livro p o ssu i ín d ic e / in d e x ?
(

)S im

(

)N ã o

H á p a g in a s com n ú m e ro s ro m a n o s a n te s das
p á g in a s n u m e ra d a s em a rá b ico ?

Qual o id io m a d a o b ra ?
( ) P o rtu g u ê s
(
( ) E spanh o l
(

O livro p o ssu i m a te ria l ad icio n a l?
(

(

) Sim

(

) In g lê s
)

)S im

(

)N S o

&gt; M áo
Se sim , q u a l e sua q u a n tid a d e ?

Se sim , qual o últim o núm ero que aparece?
(

&gt; C D _______

(

)P e n D r i v e _______ (

(

) DVD
)

As etiquetas impressas para inserir nos livros serão enviadas pela Biblioteca
Universitária da Unisul. Tão logo estas sejam recebidas no seu pólo, inicie imediatamente o
Preparo Físico dos livros. Assista aos vídeos de Preparo Físico de Obras e o vídeo sobre
Oivanizatao do Acervo nas Estantes para realizar estas atividades.

A te n çã o :

Partes do livro para escaneamento:
•

CAPA DO LIVRO (INSERIR A IMAGEM ABAIXO DO ITEM)

•

FOLHA DE ROSTO (INSERIR A IMAGEM ABAIXO DO ITEM)

•

VERSO DA FOLHA DE ROSTO (INSERIR A IMAGEM ABAIXO DO ITEM)

•

SUMÁRIO (INSERIR A IMAGEM ABAIXO DO ITEM)

•

INTRODUÇÃO OU PREFÁCIO (INSERIR A IMAGEM ABAIXO DO ITEM)

Fonte: UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA (2011a, p. 66).

2628

�A partir do preenchimento do formulário mais a inserção das imagens das partes das
obras necessárias, esses são remetidos à BU-UV por meio de e-mail (em lotes, de acordo com
a quantidade), em DVDs, pen drive ou depositados em nuvens de compartilhamento de
documentos.
Nos seis meses iniciais deste processo dentro da Unisul, todos os bibliotecários foram
envolvidos na atividade, pois a demanda foi demasiadamente grande, a partir do sétimo mês
até o fim do prazo de um ano, o processo foi direcionado especificamente ao grupo de PT da
BU.
Três meses antes do término do primeiro ano de ações junto aos PAs, a Direção de
Campus da UV solicitou ao MEC a prorrogação do prazo inicial por mais um ano, devido ao
pouco tempo dado inicialmente, para que pudéssemos atender plenamente o requerido pelo
MEC.
Foi no mês de setembro de 2011 que o MEC nos concedeu mais seis meses para o
alinhamento indicado pelo órgão, o que nos permitiu continuar as ações até o mês de março
de 2012. Já no início de 2012, tínhamos cerca de 600 profissionais capacitados.
Ainda em 2012, atendendo a um pedido da Coordenação da BU-UV, abriu-se processo
seletivo para a contratação de mais dois profissionais Bibliotecários, para auxiliarem no
atendimento aos PAs, bem como para centrar somente na Equipe da BU-UV todo o processo
junto aos nossos parceiros de polo. Essa concentração na atual equipe, permitiu que os demais
Campi pudessem dar continuidade as suas atividades locais e atender à Comunidade local
com mais brevidade, já que durante os prazos estipulados pelo MEC, todas as atividades
emanadas pelo Campus UV foram determinadas como “prioridade” pela Reitoria da Unisul.
Como já supracitado, a catalogação é centralizada na sede, e é a partir da BU-UV que
emitimos as etiquetas compostas com Lombada (Modelo: Pimaco - 6182), sem corte,
contendo o código de barras e o número de chamada (classificação, notação de autor e
informações adicionais) emitida pelo Sistema Pergamum.
Após a impressão dessas, remete-se ao PA uma carta explicativa de como proceder a
etiquetagem, alocação do material nas estantes e uma Etiqueta Anti Desgaste - Modelo
Código De Barras (RF IDBrasil). Mas você deve estar se perguntando por que adotaram a
etiqueta Antidesgaste ao invés da famosa “Fita Mágica” da 3M?! Tal decisão foi tomada,
devido ao custo-benefício da primeira opção, pois como tínhamos prazo, em muitos casos,
apenas um funcionário no PA para fazer o preparo físico das obras e, ainda teria que se
preocupar com o corte da Fita Mágica. Entre as demais atividades inerentes à função de
Auxiliar de Biblioteca, optou-se pela praticidade da etiqueta da empresa RF IDBrasil.

2629

�Para o preparo físico foi criado um documento, isto é, um Procedimento Institucional
(PI) específico para aplicação nos PAs, denominado “INFORMAÇÕES TÉCNICAS E
OPERACIONAIS NO TRATAMENTO DO ACERVO - PREPARO FÍSICO” - o qual
objetiva estabelecer uma sistemática na execução de preparo físico do acervo bibliográfico.
Embora tenhamos ofertado as capacitações, manuais, webaulas, webtutoriais,
realizado webconferências, ainda sim tivemos alguns “ruídos” no entendimento quanto ao
preenchimento e scaneamento das páginas da obra, imprescindíveis para a realização de uma
catalogação adequada e satisfatória.
Abaixo, acompanhe algumas imagens que nos foram enviadas, entre elas um exemplo
de inadequada (Figura 3) e um exemplo de adequada (Figura 4).

Figura 3 - Fotografia do livro para processamento técnico enviado por um dos PAs.

Fonte: UNIERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA (2011b, p. 37).

2630

�Figura 4 - Digitalização do livro para processamento técnico enviado por um dos PAs.

Fonte: UNIVERIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA (2011b, p. 40).

Por fim, em muitos casos realizou-se, e ainda se realiza, contato com os PAs para
solicitar novas imagens ou até mesmo conferência de informações preenchidas nos
formulários que nos chegam. A frequência com que chegam títulos para catalogação
diminuiu, mas serão permanentes, já que periodicamente e constantemente o acervo deverá
ser renovado para atender a uma demanda cada vez maior do Ensino a Distância (EaD).

5 DESAFIOS NA ESTRUTURAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DE BIBLIOTECAS DE PAS
Todos foram imprescindíveis para o sucesso dessa ação e quão extraordinária foi a
confiança depositada pela Reitora à equipe da BU, a fim de fazermos parte de um momento
tão importante para Unisul. Entretanto, estruturar e implantar 77 bibliotecas de PAs, cada qual
com suas especificidades e, ainda, coordenar as equipes de trabalho nesses locais, foi e
continuará sendo uma tarefa árdua e em alguns casos frustrante.

2631

�Isso porque, em alguns momentos, estávamos com as mãos atadas, dependíamos da
estrutura física do PA, fornecedores locais para o que se “exigia” para a biblioteca do PA,
além do que, determinado material para compra (inserção no acervo) não estava mais
disponível no mercado livreiro ou a quantidade disponível era insuficiente para atender a
demanda de 77 bibliotecas de PA, fornecedores não cumpriam prazos - no caso, o
descumprimento do que havia sido acordado previamente, ocasionou morosidade nos
processos que realmente dependiam da BU para concluir determinado ciclo.
Várias foram as pedras no caminho, mas que foram contornadas e absorvidas como
aprendizado e crescimento profissional para todos os envolvidos. Como o processo era novo
para a universidade, e também para o segmento educacional da UV, estávamos realmente
seguindo por caminhos nunca trilhados por nenhuma outra IES.
No entanto, ao adotarmos a catalogação centralizada, viu-se nessa ação a garantia de
dar continuidade ao excelente trabalho dos catalogadores da BU da Unisul e assegurar que
todos os bibliotecários envolvidos estariam atuando como o de costume, porém, com o
desafio de processar tecnicamente os materiais a distância, os quais não se tinha o contato
físico.
Ante todas as ações, os resultados alcançados foram: a implantação e estruturação das
bibliotecas dos PAs, a contratação de auxiliares de bibliotecas para todas as unidades,
economicidade para a realização das atividades de catalogação a distância, capacitação de
todos os funcionários atuantes nos PAs no que se refere à biblioteca e atendimento aos
usuários.
Assim, embora a demanda desse novo processo tenha advindo de um momento
específico/pontual pelo qual foi submetida a universidade, muito foi adotado em nossas
rotinas de catalogação, pois com essa nova experiência e desafios proporcionados, o olhar
profissional e técnico “obrigou-se” a dar um giro de 360° e reavaliar processos até então
estagnados há pelo menos um ano.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para a equipe da BU que atuou nesta força tarefa, há uma gratificação pela experiência
e pela cooperação entre os grupos de trabalho. Foi um trabalho em que 77 unidades de
informação passaram a disponibilizar acesso à informação a inúmeras pessoas, em muitos
municípios brasileiros.
Os frutos desse excelente trabalho não se devem somente aos bibliotecários, mas

2632

�também aos auxiliares de biblioteca e assistentes de biblioteca, porque juntos tornamos esse
momento de transição e crescimento da universidade em um importante meio de afinamento
na comunicação interna e também das atividades executadas - nas quais a dedicação e
empenho fizeram toda a diferença em suas atuações diárias.
Por fim, corrobora-se que realmente foi construído um novo rumo para a catalogação,
já que até poucos anos nem pensávamos em compartilhamento em nuvens para a realização
do PT de materiais para unidades de informação, tampouco processar um material físico a
distância.

6 REFERÊNCIAS
BARBOSA, Alice Príncipe. Novos rumos da catalogação. Rio de Janeiro: Brasilart, 1977.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de
biblioteconomia e arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008.
MEY, Eliane Serrão Alves. Introdução à catalogação. Brasília: Briquet de Lemos, 1995a.
______. Considerações (preguiçosas) sobre a prática da catalogação. Revista de
Biblioteconomia. Brasília, v. 19, n. 2, p. 127-136. jul./dez. 1995b.
MEY, Eliane Serrão Alves; SILVEIRA, Naira Christofoletti. Catalogação no plural.
Brasília: Briquet de Lemos, 2009.
NASCIMENTO, Maria de Jesus; BURIN, Camila Koerich. A presença da web nos serviços
de referência em unidades de informação: revisão de literatura. Revista da ACB,
Florianópolis,

v.

11,

n.

1,

p.

129-142,

jan./jul.,

2006.

Disponível

em:

&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/472&gt; Acesso em: 15 jul. 2013.
PEREIRA, Ana Maria; SANTOS, Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa. Educação
continuada do catalogador na modalidade a distância: uma proposta alternativa.
Transinformação, Campinas, v. 16, n. 1, p. 47-58. jan./abr. 2004. Disponível em:
&lt;http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/725/705&gt;.
Acesso em: 20 jul. 2013.
ROCHA, Maria Madalena Pereira de Almeida; SOUZA, Vilma Carvalho de; OLIVEIRA,
Jacqueline Pawlowski. Catalogação centralizada: o caso do sistema de bibliotecas da UFMG
no tratamento de registros de autoridade. In: ENACAT, 1., 2012,
eletrônicos...

Rio

de

Janeiro,

2012.

Rio de Janeiro. Anais
Disponível

em:

&lt;http://pt.scribd.com/doc/1092575/Catalogacao-centralizada-o-caso-do-Sistema-deBibliotecas-da-UFMG-no-tratamento-de-registros-de-autoridade&gt;. Acesso em: 28 jul. 2013.

2633

�SANTOS, Plácida L. V. Amorim da Costa. Catalogação revisitada: história e
contemporaneidade.

São

Paulo:

Unesp,

2011.

Disponível

em:

&lt;http://foruns.bc.unicamp.br/Arquivos%20Bibioteca%20Virtual/Palestras/0809/fpunicamprda-110914094057-phpapp02.pdf&gt;. Acesso em: 30 jul. 2013.
UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA. Biblioteca Universitária da Unisul.
Procedimento institucional: Informações técnicas e operacionais no tratamento do acervo Preparo Físico. Palhoça: UnisulVirtual, 2010.
______. Manual de organização e procedimentos da biblioteca universitária (BU) de
polos UnisulVirtual. Palhoça: UnisulVirtual, 2011a.
______. UnisulVirtual. Capacitação e Assessoria ao Docente. Desenho Educacional.
Formação para metodologia UnisulVirtual aos polos presenciais: livro didático. 1. ed. rev.
Palhoça: UnisulVirtual, 2011b.
______. UnisulVirtual. Biblioteca Virtual. 2011c. Preparo físico de livros. Disponível em:
&lt;https://www.uaberta.unisul.br/repositorio/iframe.jsp?id=6489&gt;. Acesso em: 28 ago. 2013.
______. Histórico. 2013a. Disponível em: &lt;http://www.unisul.br/wps/portal/home/conhecaa-unisul/fundacao-unisul/historico&gt;. Acesso em: 30 ago. 2013.
______.

Polos

de

apoio

presencial.

2013b.

Disponível

em:

&lt;http://www.unisul.br/wps/portal/home/conheca-a-unisul/a-universidade/campus-unisulvirtual/polos-presenciais&gt;. Acesso em: 30 ago. 2013.
______.

Biblioteca:

histórico.

2013c.

Disponível

&lt;http://www.unisul.br/wps/portal/home/biblioteca/conheca-a-biblioteca/historico&gt;.

em:
Acesso

em: 30 ago. 2013.

2634

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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                <elementText elementTextId="71372">
                  <text>UFMG</text>
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              <description>A language of the resource</description>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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              <elementText elementTextId="75446">
                <text>Estratégias de uma catalogação a distância: desafios enfrentados pela Biblioteca Universitária UNISUL Virtual</text>
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            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Silva, Lidiana Sagaz, Silva, Paula Sanhudo da, Schimidt, Angela</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFMG</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <description>A language of the resource</description>
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                <text>Esse artigo tem por finalidade relatar a experiência da equipe de bibliotecários da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) no processo de catalogação centralizada e a distância para a formação do acervo dos polos de apoio (PA) presencial frente às exigências do Ministério da Educação (MEC). Para isso, realizou-se um estudo do referencial teórico sobre os temas de catalogação centralizada, catalogação a distância e sobre a importância de uma catalogação eficiente para permitir a recuperação da informação à comunidade acadêmica da Unisul. Com bibliotecas distribuídas por todo o Brasil e o processo de catalogação centralizada, identificou-se a necessidade de criar metodologias de trabalho específicas para a formação do acervo dessas bibliotecas. Para atender à demanda de catalogação à distância, a equipe de bibliotecários precisou adequar algumas normas e somente a partir da cooperação, do estudo e da dedicação entre os profissionais, tornou-se possível estruturar e alinhar as bibliotecas desses PAs. Desse modo, por meio desse relato, pretende-se disseminar o conhecimento adquirido com os estudos, bem como na execução desse novo modelo de catalogação, tornando a informação recuperável, independentemente do suporte, espaço físico e distância em que se encontra o material a ser recuperado. Concluise que o compartilhamento de informações em nuvem veio para somar ao processo de catalogação de materiais que se encontram geograficamente distantes do bibliotecário. Assim, por meio desse artigo, pretende-se compartilhar um novo modelo de catalogação a distância que tornou possível a formação do acervo no PA presencial.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA E A RECUPERAÇÃO DA
INFORMAÇÃO: QUAL O NÍVEL DE SATISFAÇÃO DO USUÁRIO NESTE
PROCESSO?
Luciana Candida da Silva
Vitor Paiva Machado Martins de Araújo

RESUMO
Trata-se de um estudo de satisfação do usuário em relação ao sistema de classificação adotado
pelas bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para tanto, investigou-se os
hábitos, os procedimentos de busca e a satisfação na recuperação do material informacional
no acervo da unidade setorial Campus Coletar Natal e Silva-UFG. A pesquisa foi realizada
com 10 usuários frequentadores da unidade escolhida para amostragem, sendo utilizado um
questionário como instrumento de coleta de dados. Feita a análise, concluiu-se que, em uma
biblioteca universitária, a classificação bibliográfica constitui um instrumento de
comunicação entre o público e a informação registrada, e que, para satisfazer as demandas
informacionais dos usuários, é preciso estabelecer o serviço de treinamento presencial de uso
da biblioteca, bem como melhorar os serviços já existentes, a fim de facilitar a busca e
recuperação de um item documentário.
Palavras-Chave: Organização e Recuperação da Informação; Sistema de Classificação;
Classificação Decimal Universal; Satisfação de usuários - Bibliotecas universitárias.

ABSTRACT
This is a study of user satisfaction with respect to the classification system adopted by the
libraries of the “Universidade Federal de Goiás” (UFG). To this end, was investigated the
habits, search procedures and satisfaction in the recovery of informational material in the
sectoral unit’s collection of “Campus Colemar Natal e Silva - UFG”. The research was
carried out with 10 regular users of the chosen sampling unit, being used a questionnaire as a
tool for data collection. Through data analysis, it is concluded that, in a university library,
bibliographic classification is an instrument of communication between the public and the
information recorded, and to meet the informational needs of users, it is necessary to establish
the service trainings classroom of library use, as well as improve existing services in order to
facilitate search and retrieval of a documentary item.
Keywords: Organization and Information Retrieval; Classification System; Universal
Decimal Classification; User satisfaction - University libraries.

3754

�1 Introdução
A organização da informação é uma preocupação do homem desde os tempos remotos,
quando os pensadores de diferentes épocas começaram a estabelecer formas de dividir,
esquematizar e hierarquizar o conhecimento humano. As classificações, em pleno
aperfeiçoamento pelos estudiosos, deram origem às classificações bibliográficas, com o
objetivo de estabelecer as relações entre documentos para facilitar a sua localização.
Segundo Piedade (1977), as classificações bibliográficas podem ser entendidas como
um processo de agrupar os livros pelos assuntos de que tratam, representados principalmente
por números. As classificações bibliográficas mais utilizadas em bibliotecas universitárias,
são, atualmente, a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a Classificação Decimal
Universal (CDU), as quais funcionam de forma efetiva para a organização de acervos. Porém,
as discussões em torno da organização da informação ganharam força quando se constatou a
mudança de paradigma de posse da informação para o acesso à informação, nas áreas de
Biblioteconomia e Ciência da Informação. De acordo Naves e Kuramoto (2006), a
necessidade de informação e a sua satisfação por parte do usuário são fatores fundamentais
para o trabalho do profissional da informação. Nesse sentido, pretendeu-se responder, então,
alguns questionamentos.
Será que, de fato, os usuários das bibliotecas estão satisfeitos com o sistema de
classificação bibliográfica da unidade que usam/frequentam e conseguem recuperar a
informação que precisam? A classificação, embora de uso imprescindível à fluidez da
biblioteca, não apresenta problemas no processo de comunicação com o usuário? E o
profissional? O que faz face a estes acontecimentos? Estas são algumas das indagações que
deram origem a este estudo e que suscitam curiosidade no profissional bibliotecário, bem
como nos estudante de Biblioteconomia, ao estudar tal contexto na disciplina “Linguagens de
Classificação”.
Esta pesquisa teve como objetivo conhecer a satisfação do usuário quanto ao sistema
de classificação bibliográfica adotado para organização e recuperação do material
informacional da Biblioteca Setorial do Campus Coletar Natal e Silva, da Universidade
Federal de Goiás. Para tanto, estudou-se os hábitos e procedimentos de busca, bem como o
nível de satisfação dos usuários dessa unidade, além de fazer um apanhado teórico sobre as
principais definições nessa órbita. Ao final, faz-se um apontamento das possíveis soluções
para a questão que será explanada.
É pertinente ao trabalho apresentar, a priori., a classificação por uma ótica mais
generalizada. Ela é, segundo Piedade (1977), um processo de agrupar e dividir em classes,

3755

�levantando critérios de semelhança ou diferença. É uma atividade mental inerente ao homem,
que o acompanha antes dele tomar consciência disso, para que compreenda o mundo a sua
volta. Burke (2003) diz que, por muitos anos, grandes filósofos tentaram compreender o
pensamento humano e classificavam seu processo criativo e intelectual. A bibliográfica, por
sua vez, está aplicada ao material informacional para melhor organizá-lo e controlá-lo. Diz ao
tratamento técnico da informação, em que o assunto é decodificado e representado por
números arábicos, seguindo uma lógica hierárquica. A biblioteca em questão utiliza a
Classificação Decimal Universal, uma das possibilidades de se classificar o conhecimento de
forma mais elástica e adaptável às necessidades próprias.
É necessário afirmar que o estudo considera a classificação uma atividade cotidiana do
profissional bibliotecário, visto que o eixo de toda prática estrutura-se a partir da recuperação
da informação, para que consiga organizá-la e disponibilizá-la com eficiência. Interpreta-se a
classificação, de forma mais metafórica, como um identificador do livro na biblioteca e o
número de chamada, seguindo esta lógica, seu endereço na estante.
Já dizia o célebre Ranganathan que o bibliotecário precisa poupar o tempo do leitor,
no caso, o usuário, e que a prática competente da organização e tratamento da informação
possibilita a sua recuperação efetiva. Nesse sentido, propõe-se analisar a comunicação entre o
usuário e o acervo bibliográfico da biblioteca setorial Campus Coletar Natal e Silva da UFG,
pois entende-se que não é simplesmente saber classificar o material bibliográfico, mas
compreende-lo como um identificador num contexto de muitas informações e procurar saber
se, depois de todo processo, de fato há um diálogo do usuário com o material informacional
que ele precisa.

2 Sistemas de Classificação

As classificações bibliográficas tiveram suas origens na classificação do conhecimento
humano, segundo o ponto de vista de seus idealizadoress, que, de acordo com Barbosa (1969),
foi Platão, em 428-347 a.C, o primeiro a agrupá-los segundo bases filosóficas. Mais tarde,
Porfírio, em sua celebre Árvore, deu o primeiro exemplo de uma classificação binária. Foi

Cassiodoro que, ao dividir as Artes Liberais, originou o Trivium e Quatrivium, usados depois
como currículo nas escolas da Idade Média. Burke (2003) utilizou o tripé intelectual
“currículos, bibliotecas e enciclopédias” para examinar como a classificação do conhecimento
acadêmico entrava na prática cotidiana das universidades européias. Gessner deu à história da

3756

�classificação o primeiro exemplo de arranjo de livros de acordo com o uso cientifico da
época, de modo que o seu sistema é considerado por muitos como o primeiro de classificação
bibliográfica. Mas foi Fracis Bacon, com a Chart of Learning, quem mais influenciou os
modernos sistemas de classificação, tal como os de Harris Jefferson, Cutter e Library of
Congress.
De acordo com Piedade (1977), a classificação bibliográfica é a representação
temática do documento, que consiste num processo de decodificação do assunto do
documento em números, seguindo uma lógica sistemática de hierarquização o conhecimento,
para aprimorar a busca, melhor identificar e recuperar a informação. Aplica-se, então, à
disposição e localização físico-espacial de documentos nas estantes, em catálogos, em
bibliografias, e tem caráter prático e de grande aplicabilidade em acervos físicos. Pode-se
dizer que é, senão, o endereço da informação e do material bibliográfico num contexto de
milhares de itens, que possibilita individualizá-lo para encontrá-lo.
Apresentam a ideia de forma hierárquica, numa relação de coordenação, subordinação
e superordenação. Em suma: “Adota-se como princípio fundamental a divisibilidade do
todo”.

2.1 Classificação Decimal Universal

A classificação Decimal Universal teve sua origem no sistema de Dewey, publicada
pela primeira vez em 1876. Em 1895, realizou-se em Bruxelas a Conferência Internacional de
Bibliografia (IIB) e o Repertório Bibliográfico Universal (RBU). Foram encarregados de
organizar as bases dessas organizações o advogado Paul Otlet e Henry La Fontaine, instigados
por um sentimento mútuo. O intuito, a principio, era planejar um controle por assunto, para
melhor responder às necessidades dos pesquisdores, no caso, seus usuários.
A Classificação Decimal Universal (CDU) é um sistema internacional de classificação
de documentos, cuja base está no conceito de que o conhecimento humano pode ser dividido
em 10 classes principais e estas, por sua vez, podem ser infinitamente divididas numa

hierarquia decimal. (IBICT, 2013). A CDU tem a finalidade de organizar os documentos de
forma a reuni-los nas estantes, por assuntos comuns e afins.
Lançando mão das palavras de Souza (2010, p. 27), “a CDU é compreendida como uma
linguagem de indexação e de recuperação de todo o conhecimento registrado em que cada
assunto é simbolizado por um código baseado nos números arábicos”. Com ela é possível

3757

�fazer um mapeamento do pensamento humano, apresentando seus desdobramentos, partindo
sempre do geral para o específico. Localiza-se o assunto na tabela principal e parte para as
auxiliares a fim de especificar e individualizar o documento.
Apresenta tabelas auxiliares de língua, forma, lugar, raça e tempo. Por fim, há um índice
alfabético que complementa sua estrutura. Segundo Miranda (1996), caracteriza-se como um
instrumento de representação e recuperação da informação, utilizadas, principalmente, no
âmbito biblioteconômico, com a finalidade de estabelecer uma comunicação entre os registros
do conhecimento humano - armazenados em uma unidade de informação - e os usuários da
mesma, facilitando a localização, identificação, armazenamento e recuperação de item
documentário. Além disso, trabalha em função da orientação do usuário no que tange ao
mapeamento do assunto dentro de uma área de conhecimento e ainda a sistematização do
conteúdo destes itens documentários a serem representados pelos profissionais da informação.
O IBICT, em 1996, publicou um estudo sobre o estado da CDU e as perspectivas de
seu desenvolvimento e utilização. Foi destacado que este sistema não deve ser visto dentro da
Biblioteconomia apenas como instrumento para atribuir simples notação a um documento,
mas como uma verdadeira linguagem universal, adotada para as atividades de classificação
em unidades de informação. Nesse sentido, a CDU não pode ser considerada, simplesmente,
um código de endereçamento do documento nas estantes, mas como um código para a
organização do conhecimento em sistemas de recuperação da informação.
A exposição de Miranda (1996) vem ao encontro da proposta deste estudo, ao afirmar
que a CDU foi criada para a classificação bibliográfica e não para a classificação
bibliotecária, ou seja, foi criada para a organização de assuntos em um repertório
bibliográfico, para facilitar o acesso dos usuários até o documento organizado e armazenado
nas estantes.

2.2 Organização e Recuperação da Informação em Bibliotecas Universitárias

A biblioteca universitária compreende uma unidade de informação inserida em
instituições de ensino superior. Segundo Ferreira (1980), serve de apoio ao ensino, pesquisa,
extensão e gestão por meio da prestação de serviços aos alunos de graduação, pós-graduação,
professores e funcionários da instituição na qual está inserida. Elas são disseminadoras de
grande parte das informações que circulam em um ambiente acadêmico, por isso devem estar
preparadas em todos os aspectos para receber as demandas informacionais da comunidade
acadêmica, visando à recuperação plena da informação por parte dos usuários.

3758

�De acordo com Oliveira (2009) a recuperação do conteúdo que é abrigado nas
bibliotecas universitárias se dá devido ao trabalho de organização do acervo que está
intrinsecamente ligado ao sistema de classificação adotado. Fujita (2005, p. 12) afirma que as
bibliotecas universitárias possuem três funções básicas, que tangem a armazenagem,
organização e acesso ao conhecimento. Segue:
•
Armazenagem do conhecimento: desenvolvimento de coleções,
memória da produção científica e tecnológica, preservação e conservação;
•
Organização do conhecimento: qualidade de tratamento temático e
descritivo que favoreça o intercâmbio de registros entre bibliotecas e sua
recuperação;
•
A cesso ao conhecimento: a exigência de informação transcende o
valor, o lugar e a forma e necessita de acesso. Por isso devemos pensar não
só em fornecer a informação, mas possibilitar o acesso simultâneo de todos.

Sabe-se que a organização é imprescindível à recuperação da informação. É ela quem
possibilita que os materiais estejam em seus devidos lugares, classificados por assunto e
agrupados por semelhança. O sistema de classificação cumpre o papel importante de guiar o
usuário à sua informação e pode ser considerado, de acordo com Gigante (1995), como o
layout da biblioteca. A qualidade no tratamento temático mencionado por Fujita (2005)
refere-se à etapa da organização da informação em que se insere a classificação. Por
intermédio dos sistemas bibliográficos é possível codificar o assunto em números
possibilitando a localização do documento, visando a sua recuperação.
A forma em que as informações estão dispostas e prontas à localização, muito
depende da organização para sua disponibilização. Para Choo (2006), recuperar uma
informação é disponibilizá-la ao usuário, que a solicita por necessidades espontâneas e/ou
induzidas, objetivando construir significado, produzir novo conhecimento e tomar decisões,
sejam pessoais e/ou administrativas.
Tem-se que:
“[...] processo de recuperação de informação compreende basicamente três
etapas: indexar, armazenar e recuperar. Inserida neste processo as bibliotecas
e os demais serviços de informação construíram suas bases de dados que
podem ser acessadas por m eio das redes de telecomunicações em nível
nacional e internacional.” (Pereira et al, 2009).

É possível compreender que a classificação bibliográfica é uma atividade inerente ao
atendimento às necessidades informacionais dos usuários.
Para este estudo, a recuperação refere-se à facilidade de acesso à informação impressa,
organizada e armazenada para o usuário final, pois a organização sistematizada de

3759

�documentos por meio da CDU tem a função de permitir que o usuário localize o maior
número possível de itens relevantes, desde que bem capacitados.

3 Materiais e Métodos

A metodologia considerada mais apropriada para esta pesquisa inclui: o método de
estudo de caso, pesquisa qualitativa, bibliográfica e levantamento de dados. A pesquisa
classifica-se, quanto aos seus objetivos, como qualitativa, ao buscar interpretar as repostas dos
participantes e atribuir significados ao processo de busca e recuperação da informação no
acervo da biblioteca selecionada.
O tipo de pesquisa classifica-se em bibliográfica e levantamento de dados, pois
identifica, através da revisão de literatura, a importância dos sistemas de classificação
bibliográficas para organização e recuperação da informação em um contexto de bibliotecas
universitárias. Quanto ao levantamento de dados, pelo fato de propor investigar, por meio de
uma amostragem, se a classificação utilizada atende satisfatoriamente aos usuários na
recuperação da informação impressa ou se esse sistema está se constituindo em apenas uma
satisfação bibliotecária, ou seja, na organização e manutenção de estantes.
Foi feita uma pesquisa prévia na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos
em Ciência da Informação, a BRAPCI, com intuito de fundamentar o estudo, ressaltando
princípios de classificação, organização, recuperação da informação e satisfação de usuário e
foi esclarecida a limitação do estudo.
De acordo com Gil (1996) um estudo de caso consiste em delimitar a unidade que
constitui o estudo, coleta, análise e interpretação dos dados e, por fim, a redação do relatório
final. A unidade de estudo escolhida é a biblioteca setorial Campus Colemar Natal e Silva, da
Universidade Federal de Goiás, comumente chamada de biblioteca do campus I da UFG O
motivo pelo qual partiu a escolha, diz ao fato de a unidade a primeira biblioteca desta
instituição, onde ficam localizados os livros, principalmente, da área de saúde, engenharias e
direito.
O sistema de bibliotecas da UFG (SIBI-UFG) possui oito bibliotecas, sendo quatro
situadas na cidade de Goiânia e quatro no interior do Estado de Goiás. A amostragem
constitui-se em 25% do total de bibliotecas localizadas na capital e 12% do total de
bibliotecas do SIBI-UFG Dessa amostragem escolheu-se, de forma aleatória, dez usuários
que utilizam a biblioteca selecionada.
A técnica utilizada para a coleta de dados foi o questionário, composto por questões

3760

�abertas e fechadas. A escolha do questionário ocorreu por proporcionar o alcance de um
número maior de pessoas, e mais liberdade e autonomia para os participantes responderem. A
elaboração do questionário baseou-se na literatura sobre estudo de usuário e sistemas de
classificação, com objetivo de conhecer os hábitos, procedimentos de busca, satisfação e
sugestão dos usuários.
A análise foi realizada, a partir dos dados coletados em julho de 2013, os quais foram
tabulados em formato de porcentagem para as questões fechadas e a análise das perguntas
abertas foi realizada por meio das respostas mais recorrentes. As informações foram dispostas
em gráficos, para fornecer um panorama da relação sistema de classificação-usuário.

3.1 Biblioteca Setorial Campus Colemar Natal e Silva- Campus I da UFG

A Biblioteca Setorial Campus Colemar Natal e Silva (BSCAMI) compõe uma
das bibliotecas que fazem parte do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás
(Sibi/UFG). Quanto aos aspectos históricos, ressalta-se que, por volta da década de 80, um
acordo da UFG com o Ministério da Educação possibilitou a construção de um prédio
específico para a biblioteca no Campus 2, que passou a ser a biblioteca central (BC) da UFG.
A mudança exigiu a divisão do acervo existente entre duas bibliotecas: Biblioteca Central, no
Campus Samambaia, e Biblioteca Campus Colemar Natal e Silva, praça universitária.
O Sibi/UFG reúne cerca de 200 mil volumes de livros e mais de 1.900 fitas em VHS e
em DVD, além de um banco de teses e dissertações.
A biblioteca atende alunos de graduação, pós-graduação e servidores da UFG e a
missão da instituição é atender com qualidade, rapidez e eficiência as necessidades e
expectativas do ensino, pesquisa e extensão na UFG. Para isso, se propõe a oferecer serviços e
produtos em informação que acompanhem as transformações tecnológicas e sociais. O
material bibliográfico, por sua vez, está organizado de acordo com o seu suporte físico,
finalidade e assunto tratado.
O acesso ao material bibliográfico é livre (ou aberto) e a unidade conta com serviços
como solicitação de comutação bibliográfica, acesso ao Portal Capes, empréstimo domiciliar,
levantamento bibliográfico, dentre outros.

A biblioteca possui salas de leitura coletiva e

individual, videoteca, espaço para periódicos, sala de obras raras, para cursos e treinamentos,
sala didática de informática entre outros espaços.

3761

�Ao final da pesquisa será possível verificar a opinião do usuário com relação ao
atendimento das informações expostas no regulamento naquilo que se refere à facilidade de
uso e recuperação de documentos no acervo da instituição.

4 Resultados Finais

Para conhecer a satisfação do usuário com relação ao sistema de classificação
bibliográfico, as questões foram elaboradas a partir das variáveis “hábitos, procedimentos de
busca e satisfação na recuperação do material bibliográfico”.
A pesquisa apresentou que, dos 10 participantes, todos são alunos de cursos da
graduação da UFG, numa faixa etária de 18 a 23 anos de idade, sendo que 7 dos respondentes
são homens e 3 são mulheres. Os alunos participantes são dos cursos de Engenharia Elétrica,
Civil e Mecânica, Agronomia, Publicidade e Propaganda, Estatística e Ciências Sociais. Esses
cursos são ofertados, em sua maioria, no campus 1, local onde é sediada a biblioteca em
estudo.
A primeira etapa da pesquisa pretendeu conhecer a frequência de uso dos participantes
na biblioteca da UFG, e obteve que 50% dos usuários frequentam pelo menos uma vez por
semana, 30% com até três vezes por semana, 10% até três vezes por semana. Apenas um
participante frequenta a biblioteca todos os dias. Entende-se que a maioria dos participantes
vai à biblioteca toda semana em função dos prazos de devolução ou renovação de livros que
ocorrem a cada sete dias.

Gráfico 1 - Frequência de uso da biblioteca

10%

■ Todos os dias
■ Até três vezes por
semana
■ Uma vez por semana

50%

■ Uma vez a cada quinze
dias

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

3762

�Em seguida, questionou aos alunos qual era a finalidade irem à biblioteca. Obteve que
60% vão à biblioteca para estudar, 20% para fazer pesquisas, 10% para realizar trabalhos e
10% para realizar leituras diversas, conforme dados apresentados no gráfico 2.

Gráfico 2 - Finalidades de uso da biblioteca

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Os gráficos 1 e 2 indicam que a biblioteca é um ambiente propício à intelecção e
estímulo ao estudo, uma vez que a maioria vai para estudar, embora com baixa frequência.
Com relação à variável procedimento de busca do material bibliográfico, questionou-

se aos participantes como eles fazem para localizar um material específico em meio a tantos
outros, e foi constatado que 100% deles pesquisam nos terminais de consulta dispostos no
saguão da biblioteca e vão direto ao acervo. Ninguém respondeu que solicita o apoio de um
atendente. Logo, perguntou-se qual o tempo em que gastam para localizar tais documentos
desejados, já que a biblioteca possui mais de 50 mil exemplares de livros, obteve como
resposta que 70% encontram o material em um período de 1 a 5 minutos e 30% de 5 a 15
minutos e ninguém informou que leva mais de meia hora para localizar um livro na estante.
Pretendeu saber se recebem treinamentos de uso da biblioteca e qual a modalidade do
treinamento e verificou que 90% marcaram a opção sim na modalidade a distância e 10%
disseram não ter feito o treinamento oferecido pela biblioteca.
Na variável satisfação, questionou aos participantes se consideram fácil o processo de
encontrar os materiais nas estantes, obteve como resposta que 80% consideram fácil e 20%
consideram difícil.

3763

�Gráfico 3 - Facilidade no processo de busca do material bibliográfico

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Em seguida perguntou se o material procurado é encontrado e 70% responderam que
não localizam o material bibliográfico desejado.

Gráfico 4 - Localização do material bibliográfico

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

No que se refere à satisfação com a qualidade dos serviços de organização dos livros,
os usuários informaram em sua maioria, 80%, que estão satisfeitos e que não precisam
melhorar e nem realizar treinamentos presenciais.

3764

�Gráfico 5 - Satisfação com relação à organização do acervo

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Os gráficos 3, 4 e 5 possibilitam inferências quanto à satisfação dos usuários. Sabe-se
que a maioria recebeu o treinamento de uso, realizado online pelo site da biblioteca, no
entanto, enquanto muitos dos usuários dizem que consideram fácil o processo de encontrar o
material bibliográfico que precisam e consideram satisfeitos com o sistema de classificação.
Nota-se, então, uma aparente contradição nos procedimentos. Somente no espaço deixado às
críticas e sugestões à biblioteca que se pode perceber onde reside a explicação para a possível
contradição, sabendo que muitos dos usuários percebem que o livro consta no sistema, mas
não estão na estante. É possível perceber, aqui, o quão importante é o sistema de classificação
e como ele dialoga com usuário, pois, uma vez que o material não está na estante, no seu
endereço, o usuário não consegue recuperar a informação que precisa.
Neste espaço, ainda citam problemas como a busca feita com pressa, a dificuldade de
visualização das etiquetas, a dificuldade de localização das estantes, possibilidade de
treinamento presencial, controle de retirada dos livros e acervo desatualizado.

5 Considerações Finais

Pensar os sistemas de classificação bibliográfica tendo como ângulo a recuperação da
informação é uma oportunidade enriquecedora, na medida em que se toma conhecimento do
sistema de classificação adotado, dos usuários da unidade, do contexto em que serão
analisados, no processo de diálogo entre acervo e usuário, na classificação como endereço e

3765

�no processo de comunicação que se estabelece. Além das questões teóricas, a possibilidade de
fazer um estudo prático é rara e induz o estudante a um contato com a realidade de trabalho
do profissional. Neste caso, pode-se dizer que assegura-se a prática profissional do
bibliotecário, na medida em que os usuários chegam às suas informações, pois o trabalho
bem realizado edifica uma ponte entre a informação e sua necessidade.
Ao final do estudo, pode-se, enfim, responder às questões que suscitaram no início da
pesquisa. Sabendo disso, quanto à questão primeira que foi proposta - “Será que, de fato, os
usuários das bibliotecas estão satisfeitos com o sistema de classificação bibliográfica da
unidade que usam/frequentam e conseguem recuperar a informação que tanto precisam?” pode-se dizer que o usuário em questão considera-se satisfeito com o processo de busca e
recuperação do material informacional ao qual demanda, muito embora, em sua grande
maioria, eles não encontrem o material que precisem. Embora pareça uma questão incoerente,
fatores externos e inerentes à classificação bibliotecária (já supracitada) aqui interferem. Além
disso, a devolução do livro à estante num lugar indevido, a pressa na busca e a dificuldade de
visualização do material que está (ou não) em suas respectivas estantes impossibilita a
recuperação precisa dessa informação.
Levanta-se aqui a segunda proposição -

“A classificação, embora de uso

imprescindível à fluidez da biblioteca, não apresenta problemas no processo de comunicação
com o usuário?” - por considerar a classificação, de fato, uma atividade imprescindível à
recuperação da informação e que dá a localização do material nas estantes da biblioteca. No
entanto, nesse processo de comunicação, há ruidos que impossibilitam a maioria dos usuários
recuperarem o material que necessitam, por fatores diversos, como os já supracitados. Além
disso, lança-se mão da terceira questão. Ela é inevitável - “O que faz o profissional diante
destes acontecimentos?” - e, não obstante, intrínseca ao cotidiano de uma unidade de
informação, pois, uma vez que o bibliotecário trabalha em função da recuperação efetiva da
informação, deve usar de artifícios que assegurem que seu “cliente” está, de fato, satisfeito.
No caso explanado anteriormente, há grande necessidade de se fazer treinamento de
uso da biblioteca presencial e proporcinor um mecanismo de feedback e maior proximidade
com a satisfação desse usuário, a fins de que a instituição se adeque às demandas e possa,
assim, melhor atendê-lo. Nesse sentido, o bibliotecário é, então, o mediador e facilitador, o
qual deve dirimir os “ruídos”quanto à dificuldade de recuperação.
É necessário salientar, contudo, que, embora nota-se boa satisfação com relação à
biblioteca e seu sistema de classificação, tem-se aqui uma questão frágil, que merece atenção,
estudo e proposições de mudança, pois, se o usuário não chega à informação que precisa, há

3766

�um ruído na comunicação entre o sistema de classificação- material bibliográfico- usuário, e
portanto, o profissional bibliotecário deve repensar sua prática a fim de fazer com que se
estabeleça uma recuperação da informação competente e que atenda às necessidades dos
usuários de sua unidade.

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3768

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Trata-se de um estudo de satisfação do usuário em relação ao sistema de classificação adotado pelas bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para tanto, investigou-se os hábitos, os procedimentos de busca e a satisfação na recuperação do material informacional no acervo da unidade setorial Campus Coletar Natal e Silva-UFG. A pesquisa foi realizada com 10 usuários frequentadores da unidade escolhida para amostragem, sendo utilizado um questionário como instrumento de coleta de dados. Feita a análise, concluiu-se que, em uma biblioteca universitária, a classificação bibliográfica constitui um instrumento de comunicação entre o público e a informação registrada, e que, para satisfazer as demandas informacionais dos usuários, é preciso estabelecer o serviço de treinamento presencial de uso da biblioteca, bem como melhorar os serviços já existentes, a fim de facilitar a busca e recuperação de um item documentário.</text>
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                    <text>X V III Sem inário N acional de Bibliotecas U niversitárias
SNBU 2014

B IB LIO TEC A DO TRIBUNAL R EG IO N A L DO TRA BA LH O DA PARAÍBA:
PRO PO STA DE UM PLA NO DE M A R K ET IN G PARA OS USUÁRIOS

Lucikelly O liveira Silva
M aria M eriane V ieira Rocha
Angélica Clem entino Simões

RESUM O
Propõe o Plano de Marketing na Biblioteca sociólogo Odilon Ribeiro Coutinho, do Tribunal
Regional do Trabalho da 13a Região-Paraíba, com o intuito de auxiliar o bibliotecário e os
gestores a traçar as estratégias, objetivos e metas institucionais, auxiliando nas tomadas de
decisões, para que em consequência da implementação, os serviços e produtos oferecidos aos
usuários/clientes sejam melhorados e para que sejam geradas novas demandas e alcançado
novos mercados, garantindo assim, a satisfação do usuário/cliente.
Palavras-C have: Plano de Marketing; Marketing para Unidades de Informação; Marketing
Bibliotecário; Endomarketing.
A BSTRACT
Proposes the Marketing Plan in Regional Labor Court 13 th Region’s Library - Paraiba called
“ Sociologist Odilon Ribeiro Coutinho”, with the intention of assisting the librarian and
managers to define strategies, objectives and institutional goals, aiding in decision making for
that as a result of the implementation, the services and products offered to the users /
customers can be improved and that new demands are generated and achieved new markets,
thus ensuring user/customer satisfaction.
K eywords: Marketing
Endomarketing.

Plan;

Marketing

Information

Units;

Librarian

Marketing;

1 IN TRO D U ÇÃ O
A instituição biblioteca é considerada um elemento influente e indispensável ao
desenvolvimento cultural e profissional dos usuários. A rapidez da produção de informações
nas últimas décadas faz com que sejam necessárias adaptações primordiais e personalizadas
para atender as necessidades da comunidade a qual a biblioteca esta inserida.
Dessa forma, o usuário é a razão de ser da biblioteca, é para ele que devem ser
orientados os insumos informacionais e é a partir de suas expectativas que a biblioteca precisa

2261

�criar ou modificar seus recursos e serviços de informação. Logo, o bibliotecário deve estar
atento ao desenvolvimento e a disseminação dos produtos e serviços da biblioteca o qual se
insere.
Nesse contexto, as unidades de informação, constituídas organizações, precisam e
necessitam ser competitivas, para conseguir ocupar um lugar preferencial na vida dos
indivíduos. Assim, a aplicação de técnicas e ferramentas de marketing configura-se como um
fator de assertividade para a satisfação do usuário/cliente.
Infelizmente, o marketing ainda é mal compreendido, reduzido às atividades de
promoção, que nada mais são que um dos elementos de sua comunicação. Para muitos, está
resumido ao uso de propaganda manipulada para vender produtos puramente mercadológicos.
No caso da Biblioteca, talvez seja consequência do bibliotecário não ser estimulado a
capacitar-se para aplicar o marketing em bibliotecas, visto que o tema é bem mais discutido
em organizações com fins lucrativos.
Para se implantar uma política eficiente de marketing na organização é essencial à
cooperação de toda a equipe. Faz necessário a instituição adotar o endomarketing, como
política de motivação e valorização dos funcionários, tendo em vista que é ele o primeiro
cliente da organização, e seu comportamento reflete ao cliente externo a imagem da
organização.
Portanto, o estudo parte da premissa de que a biblioteca deve atender com eficiência o
usuário, sendo produtos e serviços fontes de informação para a satisfação do mesmo. Logo, o
interesse em estudar a temática surgiu da observação do pouco uso da Biblioteca do Tribunal
Regional do Trabalho da Paraíba - TRT 13a Região PB por usuários reais e potencias. E tem
por objetivo propor um plano de marketing para a biblioteca do TRT- 13a Região PB.
Assim, mesmo de maneira inconsciente, os bibliotecários sempre utilizaram o
marketing, por isso, é necessário que esses profissionais compreendam o seu significado e
suas técnicas, para assim, conquistar mais usuários e principalmente interagir nesse novo
cenário informacional o qual vivenciamos nos dias atuais, a exemplo das bibliotecas virtuais,
digitais, sítios e repositórios disponíveis na internet.

2 B IB LIO T EC Á R IO E O M A R K ET IN G PARA B IB LIO TEC A : FERRAMENTA
INDISPENSÁVEL PARA ATRAIR USUÁRIOS
O marketing da informação ainda engatinha na Ciência da Informação, onde, se
observa a baixa quantidade de trabalhos publicados sobre o tema no Brasil e o pouco interesse
de estudiosos, pesquisadores e profissionais bibliotecários em estudar e desenvolver a

2262

�temática, e aplicá-las às unidades de informação, como aponta Amaral (2001, p. 75) “a
adoção das técnicas mercadológicas em unidades de informação, o uso do marketing direto
por essas organizações pode ser considerado como assunto bastante novo e quase
inexplorado” . Percebemos que o marketing voltado para organizações sem fins de lucro, esta
acontecendo de forma lenta, tendo em vista sua aplicabilidade nas unidades de informação e a
escassa produção literária sobre o assunto.
É importante encarar a biblioteca como um negócio e quanto é importante ter sua
filosofia voltada para o marketing, levando em conta que as unidades de informação que são
orientadas para o marketing, voltam-se para o bom atendimento e para a troca de informação
com o usuário; primeiro identificando suas necessidades, para depois criar os produtos e
serviços que se adequem ao mercado.
A adoção de técnicas mercadológicas, permitirá que a biblioteca possa compreender as
necessidades, os padrões de comportamento e as preferências de seus usuários/clientes. Com
isso, a biblioteca passa a ser vista como negócio, o que é de suma importância para o seu
desenvolvimento e a sua sobrevivência.
Mais importante que as técnicas, é a vontade de fazer, das pessoas envolvidas nessa
mudança gerencial. Oliveira (1985, p. 140) trata o marketing como uma questão de atitude, ou
filosofia de trabalho, no qual o ser humano é a peça fundamental para o desenvolvimento das
mudanças que o marketing pode trazer à biblioteca. O autor dividiu o marketing como atitude
em três dimensões que são:
a) Uma predisposição e desejo de se trabalhar em função de um mercado;
b) Um compromisso por parte de todo o pessoal de tornar a biblioteca em
uma organização responsiva;
c) Um reconhecimento de que alguns produtos ou serviços não são mais
úteis e que devem ser substituídos por outros.
Os usuários que utilizam serviços onde o marketing é aplicado costumam apostar em
experiências vividas por outras pessoas e suas próprias experiências para usarem ou tornarem
a usá-lo. Kotler (2011, p. 399) reafirma essa posição quando relata:

Os usuários de serviços costumam confiar mais em informações de boca-aboca do que em propaganda. Em segundo lugar, ao julgar a qualidade eles
dão grande importância ao preço, aos funcionários e aos fatores visíveis. Em
terceiro lugar, eles são altamente fiéis aos prestadores de serviços que os
satisfazem. Quarto, devido aos custos variáveis envolvidos, há muita inércia
do consumidor: Pode ser difícil tirar o cliente do concorrente.

2263

�Os profissionais de informação devem dar maior atenção às técnicas mercadológicas,
tendo em vista que grande parte dos profissionais limita-se a promoção por tratar-se da parte
mais visível do marketing. Os profissionais que adotam em suas unidades de informação o
marketing tem maior facilidade de atender as necessidades de seus usuários e, com a
orientação para marketing, segundo Oliveira (1985, p. 146), “as bibliotecas melhorarão sua
imagem, atrairão novos usuários e oferecerão serviços que melhor satisfarão as necessidades
das comunidades alvo” .
Assim, o bibliotecário deve assumir seu papel de agente social, servindo como meio
para a transformação social, tendo em vista que trabalha com informação, um bem
fundamental para o desenvolvimento social. Portanto, é necessário que o profissional não
tenha medo de ousar, de exercer sua liderança, a criatividade e sua capacidade de se adequar
ao novo, para que se mantenha no mercado, como afirma Fraga, Mattos e Cassa (2008, p.
153):
É exigido do bibliotecário uma postura dinâmica e proativa, que desperte na
população em geral o interesse em frequentar a biblioteca e, logo, usufruir da
oferta de produtos e serviços, a fim de incluí-la nesta sociedade que se diz
ser para todos.
Nesse contexto, se faz necessário que o bibliotecário esteja sempre atento às mudanças
ocorridas na área, adaptando-se ao novo e mantendo uma imagem positiva de sua profissão,
devendo assumir uma postura proativa, não podendo ficar esperando simplesmente que as
mudanças ocorram, devendo assumir responsabilidades, ir para front, não ter medo das
dificuldades que irão surgir, parar com o estereótipo de subprofissão ou de se sentir menos
importante ou capaz do que as demais profissões aclamadas pela sociedade
Ressaltamos a importância da educação continuada, pois uma graduação nos
proporciona algumas competências e habilidades, mas não é suficiente para um profissional
que queira se destacar no mercado de trabalho.
Então cabe ao bibliotecário envolver os usuários e torná-lo um colaborador/parceiro
para desenvolver novos serviços que atendam suas necessidades informacionais, pois, mudar
uma cultura organizacional já estabelecida não é fácil, mais é essencial para que as mudanças
ocorram e novos projetos sejam realizados com sucesso. Sem o apoio e o envolvimento dos
colaboradores essa mudança não ocorrerá, já que segundo Pires e Macêdo (2006, p.81), “as
pessoas que atuam nas organizações são agentes que contribuem para esse intercâmbio
constante, sendo seus valores componentes para a formação da cultura da organização” .

2264

�Assim,

a

organização

só

obterá

o

sucesso

almejado

quando

os

seus

funcionário/colaboradores estiverem engajados com os valores, objetivos e metas, então cabe
à organização voltar sua atenção aos clientes internos, propiciando-lhes melhores condições
de trabalho, salários adequados, participação dos lucros, educação continuada, entre outros
fatores.

3 D ESEN V O LV IM EN TO DE UM PLANO DE M A R K ETIN G
O plano de marketing tornou-se ferramenta essencial para o planejamento de marketing,
tendo em vista que ajudará a definir as metas, a orientar e coordenar as ações de marketing.
Campos e Vaz (2011, p. 3) definem o plano de marketing de forma bem sucinta e clara “podese dizer que é uma declaração escrita do que será realizado e de que maneira”, trata-se da
oficialização das metas a serem alcançadas, as oportunidades e as estratégias de marketing a
ser desempenhada. Já Gomes (2005, p. 10) define de forma mais abrangente:

O Plano de Marketing é uma ferramenta de gestão que deve ser regularmente
utilizada e atualizada, pois permite analisar o mercado, adaptando-se as suas
constantes mudanças e identificando tendências. Por meio dele você pode
definir resultados a serem alcançados e formular ações para atingir
competitividade.
O plano de marketing é um dos principais produtos do processo do marketing, torna-se
fundamental para o seu sucesso, a participação de toda a equipe. Como ressalta Campos e Vaz
(2011, p.3), “é fundamental a participação, o envolvimento e a mobilização de toda a equipe,
que deve ter consciência de sua importância como agente de mudanças” . Antes de tudo, deve­
se estabelecer uma parceria entre a organização e os seus colaboradores.
Na biblioteca, o plano de marketing auxiliará o bibliotecário, a traçar estratégias,
definir objetivos com maior grau de segurança e tomar decisões acertadas. Considerando que
os elementos do plano de marketing são mutáveis, Kotler (2000, p. 100) propôs oito
elementos, conforme quadro 01:

2265

�Quadro 1: Conteúdo de um plano de marketing
I. Sumário executivo
II. Situação atual de marketing

Apresenta uma breve visão do plano proposto
Apresentam dados históricos relevantes sobre o mercado,
produto, concorrência, distribuição e macro ambiente.

III. Análise de oportunidades e assuntos

Identifica
as
principais
ameaças/oportunidade,
forças/fraquezas e assuntos relativos ao produto.
Define as metas financeiras e de marketing do plano em
termos de volume de vendas, participação de mercado e
lucro.
Apresenta a abordagem ampla de marketing que será
usada para atingir os objetivos do plano.
Apresenta programas de marketing especiais preparados
para atingir os objetivos do negócio
Prevê o resultado financeiro esperado do plano

IV. Objetivos

V. Estratégia de marketing
VI. Programas de ação
VII.

Demonstração
de
projetado
VIII. Controles
Fonte: Kotier (2000, p. 100)

resultado

Indica como o plano será monitorado

Gomes (2005, p. 12) divide o plano de marketing em três etapas: a 1a etapa; o
planejamento, a 2a etapa; a implementação e a 3a etapa; avaliação e controle. Existem diversas
formas de elaborar um plano de marketing. Entretanto, autores como Kotler (2000 p.100)
defendem elementos básicos para a sua elaboração, tais como a elaboração situacional, a
definição dos objetivos e metas organizacionais.
É importante que o plano estabeleça o que deve ser feito, como deve ser feito, onde deve
ser feito e por quem deve ser feito. As etapas a constar no plano deve levar em consideração a
realidade da organização e onde ela deseja chegar. Então não existe um modelo pronto para a
realização do plano, deve-se conhecer o mercado para quem a organização serve, para com
isso realizar o plano de forma satisfatória.

3.1 A BIBLIOTECA SOCIÓLOGO ODILON RIBEIRO COUTINHO - TRT 13a REGIÃO
A biblioteca foi criada em 1985, junto com a fundação do Tribunal Regional do
Trabalho da 13a Região da Paraíba, é vinculada ao Serviço de Documentação e Arquivo
(SDA), com subordinação a Secretária Administrativa (SADM) do referido tribunal. Através
da resolução administrativa n° 057/2005, de 2005, a biblioteca passou a denominar-se
Biblioteca Sociólogo Odilon Ribeiro Coutinho, em homenagem ao ilustre historiador, escritor
paraibano. Em 2011 foi criado o regulamento da biblioteca por meio do ato GP n° 249/2011,
com objetivo de regulamentar as atividades da biblioteca.
Tem por missão promover aos usuários do TRT da 13a Região e público em geral,
acesso a informação jurídica e ao conhecimento, contribuindo no exercício da cidadania.

2266

�Conta com uma equipe formada por uma bibliotecária e uma estagiária, seu acervo dispõe em
sua maioria, de obras jurídicas com ênfase no direito do trabalho, conta hoje em média com
3.000 exemplares, entre livros e periódicos científicos.

Tem como público principal os

usuários internos, que são magistrados, servidores e seus dependentes e estagiários, mas é
aberta para o público externo, ficando apenas impedido a realização de empréstimos.
A biblioteca também tem caráter de depositária, tendo em vista que toda a produção
intelectual e técnica produzida no TRT 13a região tem nela depósito obrigatório.
As atividades realizadas na biblioteca, em sua maioria são atividades técnicas como
tratamento bibliográfico, atendimento e orientação aos usuários. Conta com serviços de
levantamento bibliográfico, intercâmbio bibliográfico com outras bibliotecas da Justiça do
Trabalho e empréstimos via malote.

3.2 PLANO DE MARKETING: proposta para biblioteca sociólogo Odilon Ribeiro Coutinho
- TRT 13a região
Nesta seção apresentamos a proposta de um plano de marketing para Biblioteca
Sociólogo Odilon Ribeiro Coutinho do TRT 13a Região, que sirva de suporte a execução e
realização das atividades, alcançando as metas e os objetivos na área de atuação da biblioteca.
A estrutura adotada para a realização do plano de marketing teve como base uma
revisão bibliográfica sobre o referido assunto e outros planos de marketing. A estrutura do
Plano de Marketing foi dividida em oito seções como poderemos ver abaixo:
S Sumário Executivo
S Análise de Ambiente
S Definição do Público Alvo
S Definição do Posicionamento no Mercado
S Definição dos Objetivos e Metas
S Definição das Estratégias de Marketing
S Implementação
S Avaliação e Controle
a) Sum ário Executivo: A Biblioteca Sociólogo Odilon Ribeiro Coutinho, faz parte do TRT
13a Região Paraíba, tem por missão promover o acesso à informação jurídica. Trata-se de uma
biblioteca jurídica de caráter pública, sua clientela alvo são os servidores e seus dependentes,
magistrados e estagiários. A falta de apoio financeiro e político vêm ameaçando sua
sobrevivência, o que levou a uma expressiva diminuição de usuários na biblioteca. Devido a
atual situação, realizou-se uma análise detalhada de mercado e suas oportunidades, ameaças,
forças e fraquezas. Depois dessa análise resolveu-se implementar novas atividades e serviços,

2267

�para garantir a satisfação dos atuais usuários e para atração de usuários potenciais e garantir
um maior apoio da alta gestão do TRT 13a Região Paraíba. Foi proposto realizar treinamentos
para a equipe da biblioteca e para seus usuários, serão distribuídos materiais informativos
sobre a unidade de informação, que passará a contar com atividades culturais e motivacionais.
As metas e os objetivos estabelecidos procuram alcançar a excelência nos serviços e nos
atendimentos oferecidos pela biblioteca, corrigindo e eliminando os pontos negativos e as
fraquezas da biblioteca, e reforçando os aspectos positivos com a introdução das novas ideias
sugeridas no plano de marketing.O plano de marketing aqui proposto pretende servir de
suporte para execução e realização dessas atividades, para que a biblioteca alcance um alto de
nível de qualidade. Para a implementação, controle e avaliação do plano, foi elaborado uma
lista detalhada de atividades a serem seguidas no decorrer do ano.

b) A nálise do am biente: A Biblioteca instituição que atende públicos internos e externos, e
tem por missão: “promover aos usuários do TRT da 13a Região e público em geral, acesso à
informação jurídica e ao conhecimento, contribuindo no exercício da cidadania” .
Q uadro 2: Análise do ambiente
FATORES ECONÔMICOS
Tratando-se de uma biblioteca jurídica de caráter pública têm-se dificuldades para obter recursos
financeiros para mantê-la em pleno funcionamento. Considerando que os custos para nutrir uma
estrutura física e acervo atualizado são elevados, tendo em vista que a informação jurídica se
modifica constantemente e torna-se obsoleta rapidamente, faz-se necessário uma política de
desenvolvimento de coleção para que a biblioteca possa atender satisfatoriamente seus usuários,
como também investir em publicações eletrônicas e na modernização de sua estrutura.
FATORES SOCIOCULTURAIS
Atende a um público variado, com faixas-etárias entre 20 a mais de 60 anos. Estes usuários buscam
a biblioteca para manter-se atualizados ou como apoio acadêmico e profissional.
FATORES POLÍTICOS/LEGAIS
Falta de apoio político e de políticas eficientes e eficazes que favoreçam a biblioteca.
FATORES TECNOLÓGICOS
Equipe pouco preparada para lidar com novas tecnologias, faz-se necessário investir em educação
continuada.
CONCORRÊNCIA
Têm crescido o número de bibliotecas on-line com acesso livre e com vasto acervo, isso ameaça os
serviços prestados pela biblioteca. Por isso é necessário que a biblioteca integre serviços virtuais e
presenciais.
FATORES INTERNOS
Possui infraestrutura inadequada, conta com uma bibliotecária e uma estagiária, o seu banco de
dados está desatualizado, recursos-humanos insuficientes e desmotivados, recursos financeiros
escassos e mal alocados, falta comunicação entre os gestores. A biblioteca conta com um sistema de
automação de biblioteca denominado SIABI que permite o usuário acessar o catalogo da biblioteca
on-line. A biblioteca necessita melhorar a comunicação entre o gestor da biblioteca e os demais
gestores.

Fonte: Pesquisa de campo, 2014

2268

�A seguir, apresentaremos a análise de Oportunidades e Ameaças, Forças e Fraquezas

(Análise SWOT). Analisando os fatores externos e internos da biblioteca, consideraram-se as
oportunidades, ameaças, forças e fraquezas.
Q uadro 3: Análise SWOT
FATORES EXTERNOS
OPORTUNIDADES
❖ Atração de novos usuários
❖ Demanda por informação confiável
❖ Necessidade de novas competências
habilidades profissionais

AMEAÇAS
❖ Concorrência
❖ Falta de investimento público
e
❖ Recursos-humanos desmotivados

❖

Aquisição de biblioteca digital

❖

Aumentar o conhecimento dos serviços e
produtos disponível na biblioteca

FATORES INTERNOS
FORÇAS
❖ Imagem institucional consolidada
❖

Base de dados on-line

FRAQUEZAS
❖ Layout inadequado
❖
❖
❖
❖
❖
❖

Carência de infraestrutura
Não conta com estacionamento
para os usuários
Acervo desatualizado e com pouco
uso
Escassez de recursos-humanos
Recurso financeiro escasso
Falta de comprometimento da alta
gestão
❖ Recursos-humanos desmotivados
❖ Falta de acessibilidade
❖ Falta, inadequação e desatualização
de normas, padrões e política para
reger unidade, a exemplo, podemos
citar, “Política de Desenvolvimento de
Coleções " e “Regimento Interno "
❖ Imagem negativa e estereotipada da
unidade perante a instituição e seus
colaboradores
❖ Falta de integração e comunicação
entre os gestores da biblioteca e os
gestores da Organização

Fonte: Pesquisa de campo, 2014

a)

Definição do Público Alvo: O mercado alvo da biblioteca são os usuários internos

que se dividem em: servidores e seus dependentes, estagiários e magistrados.

2269

�Quadro 4: Mercado alvo da biblioteca
GEOGRÁFICOS (países, regiões, cidades, bairros).

Usuários internos do TRT 13a RegiãoParaíba.

DEMOGRÁFICOS (sexo, idade, renda, educação).

Pessoas interessadas no ramo do direito ou
das ciências jurídicas.

PSICOGRÁFICOS (estilos de vidas, atitudes).

Pessoas
preocupadas
em
manter-se
atualizadas
ou em adquirir novos
conhecimentos
Os benefícios procurados são a atualização e
aquisição de novos conhecimentos na área
jurídica.

COMPORTAMENTAIS (ocasiões de compra,
hábitos de consumo, benefícios procurados, taxas de
uso).
Fonte: Pesquisa de campo, 2014

b)

Definição do Público Alvo: O mercado alvo da biblioteca são os usuários internos

que se dividem em: servidores e seus dependentes, estagiários e magistrados.

Q uadro 5: Mercado alvo da biblioteca
GEOGRÁFICOS
(países, regiões, cidades, bairros)

Usuários internos do TRT 13a Região- Paraíba

DEMOGRÁFICOS
(sexo, idade, renda, educação)

Pessoas interessadas no ramo do direito ou das
ciências jurídicas.

PSICOGRÁFICOS
(estilos de vidas, atitudes)

Pessoas preocupadas em manter-se atualizadas
ou em adquirir novos conhecimentos

COMPORTAMENTAIS
(ocasiões de compra, hábitos de consumo,
benefícios procurados, taxas de uso).

Os benefícios procurados são a atualização e
aquisição de novos conhecimentos na área
jurídica.

Fonte: Pesquisa de campo, 2014

c)

Definição do Posicionam ento no M ercado: A biblioteca decidiu orientar seus

negócios para o público interno do TRT 13a Região, e servirá como um meio de acesso à
informação, auxiliando no desempenho de suas atividades diárias. Definido o seu
posicionamento, a biblioteca decidiu incrementar os serviços que já oferece e criar novos
serviços, tais como: eventos culturais para atrair novos usuários e oficinas de capacitação para
usuários e servidores, para com isso criar uma imagem positiva perante os usuários.

d)

Definição dos O bjetivos e M etas: A biblioteca estabeleceu alguns objetivos e metas

para o seu negócio para o ano corrente (2014):

2270

�Quadro 6: Objetivos e Metas
OBJETIVOS E METAS
PERÍODO: ANO CORRENTE
1. Garantir a satisfação do usuário
2. Criar uma campanha para divulgação da biblioteca
3. Atrair mais usuários
4. Ser referência em biblioteca especializada jurídica
5. Capacitar servidores e estagiários para lidar com tecnologias
OBJETIVOS

6. Educação continuada para os servidores da biblioteca, na área
de biblioteconomia.
7. Promover acesso à informação jurídica de forma rápida e com
excelência
8. Exposição de cartazes ou banners para difundir os serviços e
as novas aquisições da biblioteca
9. Aumentar o acesso e melhorar a interface da página da
biblioteca na internet
10. Criar caixa de sugestão e opinião para os usuários
11. Integrar e comunicar aos gestores da instituição sobre os
trabalhos desenvolvidos na biblioteca
12. Realizar educação de usuário
13. Elaborar a Política de Desenvolvimento de Coleções
1. Aumentar 35% o números de usuários da biblioteca ao final
do ano corrente
2. Aumentar a conscientização da importância da biblioteca em
50% ao final do ano corrente

METAS

3. Firmar parcerias com outros setores do TRT e outros órgãos
públicos e privados para realização de eventos
4. Realizar compra de livro semestralmente
5. Aumentar em 50% o conhecimento dos serviços e produtos
oferecidos pela biblioteca

6. Aumentar em 20% o numero de inscrições de registro na
biblioteca
7. Aumentar quadro de servidores da biblioteca em 50%
Fonte: Pesquisa de campo, 2014

e)

Definição das E stratégias de M arketing: Com relação ao produto, a biblioteca

utilizará as seguintes estratégias:

2271

�Quadro 7: Produto

PRODUTO

A biblioteca dispõe de um mercado saturado, por isso focará sua estratégia de
marketing na divulgação dos serviços e produtos para garantir a fidelização dos
atuais clientes e atrair os clientes potenciais. Terá como foco o empréstimo
domiciliar de livros e a orientação bibliográfica. Oferecerá também o acesso à
base de dados jurídicas, serviço de referência e programação cultural e acesso
livre a internet.

Fonte: Pesquisa de campo, 2014
Com relação ao preço, a biblioteca utilizará as seguintes ações:
Q uadro 8: Preço
PREÇO

A biblioteca por estar subordinada a uma instituição pública e sem fins de lucro
oferece serviços e produtos gratuitos para os usuários. É necessária a realização de
um cadastro para poder utilizar os serviços e produtos oferecidos.

Fonte: Pesquisa de campo, 2014
No que t ange à praça ou ponto de distribuição a biblioteca listou as ações que adotará:
Q uadro 9: Praç a
A biblioteca não conta com um espaço adequado, sendo necessário:
• Mudança do layout da biblioteca;
• Sinalização interna e externa;
PRAÇA
• Tornar a biblioteca acessível;
• Realizar parcerias com editoras e outras instituições;
• Climatizar a biblioteca;
• Corrigir as falhas da infraestrutura da biblioteca (goteiras, instalação
elétrica, etc.)
Fonte: Pesquisa de campo, 2014
Com relação à promoção a biblioteca adotará as seguintes ações:
Q uadro 10: Promoção

PROMOÇÃO

Eventos comemorativos: dia do bibliotecário, dia do livro, dia do jurista,
natal, etc;
Guia do usuário on-line e impresso para serem distribuídos entre os setores
do TRT 13a Região;
Veiculação de notícias sobre a biblioteca na intranet e na internet;
Mala-direta para usuários das varas do trabalho no interior do estado;
Eventos culturais: como “confraria do livro”, “O autor na biblioteca”, etc.;
Caixa de sugestão e opiniões;
Marketing cooperado: parceria com editoras, para doações de brindes, tais
como canetas, chaveiros e livros para serem sorteados nos eventos da
biblioteca;
Usar o email institucional como meio de comunicação entre usuários e
biblioteca;
Criação de redes sociais.

Fonte: Pesquisa de campo, 2014

2272

�Com relação às pessoas a biblioteca adotará as seguintes ações:
Q uadro 11: Pessoas
1. Treinamento e Comunicação
A biblioteca necessita de pessoal qualificado e principalmente motivado,
considerando essas necessidades, realizará uma palestra motivacional e outra sobre
atendimento de referência. Realizar reuniões semestrais para que seja feito uma
avaliação do que esta sendo realizado e as mudanças a serem adotadas. Toda
mudança será informada aos seus colaboradores, contribuindo para uma
comunicação eficiente e todo novo colaborador da biblioteca será informado sobre
rotina de serviços, planejamento, metas e objetivos.
PESSOAS
2. Avaliação e Remuneração
Com relação à avaliação, serão medidos fatores que garantem maiores vantagens
competitivas, tais como: comprometimento dos colaboradores com a biblioteca,
cordialidade com os usuários e organização para realização das tarefas diárias.
Com relação à remuneração, por se tratar de uma instituição pública, as bonificações
serão feitas através de folgas, à medida que o colaborador alcançar as metas
destinadas a ele.
Fonte: Pesquisa de campo, 2014

f)

Im plem entação do Plano de M arketing: Foi criado um plano de ações para a

biblioteca, a partir das estratégias definidas anteriormente.

Q uadro 12: Implementação
A ções

A tividades
culturais

R esponsável

C usto E stim ado

Evento

P eríodo/m ês
im plem entar

Maria das Neves

Firmar parcerias

Confraria do Livro

Semestralmente

Maria das Neves

Firmar parcerias

O autor na biblioteca

Semestralmente

Maria das Neves

Firmar parcerias

Estante Livre

Mensalmente

Maria das Neves

A designar

Oficina de capacitação para os
servidores da biblioteca.

Anualmente

Oficina de capacitação
usuários.
Palestra Motivacional

Semestralmente

Maria das Neves
C apacitação

A designar
Maria das Neves

dos

a

Anualmente

A designar
D atas
com em orativas

Maria das Neves
A designar

Dia do Bibliotecário, dia do
livro, dia do jurista, Natal, etc.

Nos
dias
ou
durante a semana

Convidar uma personalidade Trimestralmente
para uma roda de conversa.
Divulgação
da
produção Mensalmente
“O que se faz Maria das Neves
intelectual dos servidores e
aqui”
magistrados do TRT 13a Região
Orçamento: o valor a ser colocado deve ser real (custos incluídos nas ações propostas, tais como custos de criação,
confecção, materiais promocionais, custos de pessoal, entre outros).______________________________________
C onversas

Maria das Neves

A designar
Gratuito

Fonte: Pesquisa de campo, 2014

2273

�g)

Avaliação e C ontrole: Foram definidas as ações apresentadas no Quadro 12 para

medir o desempenho do plano de marketing na biblioteca.
Q uadro 13: Avaliação e controle
Medidas de avaliação e controle para o negócio
•

Avaliação da satisfação dos usuários (pesquisa semestral)

•

Avaliação trimestral do desempenho da equipe

•

Variação do número de novos usuários, antes durante e depois das promoções criadas.

•

Reunião semestral com os gestores

•

Encontro com toda a equipe semestralmente para avaliar os resultados obtidos com o plano

Fonte: Pesquisa de campo, 2014
Este plano de marketing para ser implementado, exigirá motivação, empenho,
dedicação e grande esforço por parte dos gestores e de a toda equipe da biblioteca, tendo em
vista que as mudanças propostas nesse plano serão de extrema importância para o melhor
funcionamento da unidade de informação.

5 CO N SID ERA ÇÕ ES FINAIS
No atual momento do mercado, as organizações passam a orientar seus negócios para
os clientes, envolvendo-os e estabelecendo relacionamentos duradouros, fidelizando o cliente.
Pensar de fora para dentro é o novo lema do mercado ou pelo menos das organizações que
querem se manter nele e gerar novas demandas, tornado o cliente parte fundamental no
negócio. Nas unidades de informação não poderia ser diferentes, pois as bibliotecas precisam
repensar seu fazer tradicional e adotar a técnicas do marketing para gerar novas demandas e
manter-se no mercado.
Nessa perspectiva, o marketing para unidades de informação tornou-se ferramenta
indispensável. Pensando nesse mercado o qual a biblioteca precisa conquistar, esta pesquisa
teve como objetivo avaliar a qualidade e a promoção do marketing, vislumbrando um plano
de marketing para a biblioteca do TRT- 13a Região PB, para que possa tornar seus produtos e
serviços conhecidos e desejados com vistas a atrair os usuários e motivar os servidores da
biblioteca para que possam tornar usual o plano de marketing proposto.
Assim, foi proposto um plano de marketing, com o propósito de ser um instrumento de
melhoria da qualidade dos serviços e produtos oferecidos pela biblioteca e servir como um
guia prático para o gestor da unidade de informação.

2274

�A biblioteca sofre hoje com grandes falhas estruturais e de gestão. Verificamos que os
usuários não conhecem os seus serviços, restringindo-se apenas ao empréstimo e a consulta; a
frequentam raramente e; apontam que a biblioteca necessita de pessoal qualificado e de um
número maior de servidores. No que se refere aos servidores lotados na biblioteca, a falta de
motivação e do apoio da alta gestão, vêm gerando uma estagnação da unidade.
Constatamos com o resultado da pesquisa que a Biblioteca Sociólogo Odilon Ribeiro
Coutinho tem muito a fazer daqui para frente. Precisa se reinventar, criar novos serviços e
oferecer serviços com excelência. Necessita de uma gestão proativa,dinâmica e com atitude,
encarar as incertezas e, o mais importante, adequar-se a realidade do mercado informacional.
É necessário encarar a biblioteca além dos livros, tirar o foco do acervo e transferi-lo para os
usuários, que a cada dia estão mais exigentes.
Considerando os resultados obtidos nesta pesquisa, sugerimos no plano de marketing
melhorias para que essas fraquezas sejam reduzidas ou eliminadas, a quais citamos:
•

Mudar do layout da biblioteca;

•

Tornar a biblioteca acessível;

•

Realizar exposição de cartazes ou banners para difundir os serviços e as novas

aquisições da biblioteca;
•

Capacitar os servidores e estagiários para lidar com as tecnologias;

•

Promover acesso à informação jurídica de forma rápida e com excelência;

•

Elaborar guia do usuário on-line e impresso para serem distribuídos entre os

setores do TRT 13a Região;
•

Realizar eventos culturais: como “confraria do livro”, “O autor na biblioteca”,

•

Usar o email institucional como meio de comunicação entre usuários e

etc;

biblioteca;
•

Propor oficina de capacitação e motivação para os servidores da biblioteca e

usuários.

Ao término desta pesquisa, concluímos que é de responsabilidade do profissional
bibliotecário atentar para as mudanças ocorridas e mudar sua postura comportamental. Cabe a
ele intermediar o uso da informação, atentando para os novos suportes e necessidades
informacionais dos usuários e as novas habilidades do bibliotecário que o mercado exige e
incutir na comunidade na qual a biblioteca está inserida seu real valor.

2275

�Deixamos espaço para a realização de novas pesquisas, tendo em vista o tema ser
pouco explorado e ser um campo vasto para investigação.

4 R EFER ÊN C IA S
AMARAL, Sueli Angélica do. Marketing e desafio profissional em unidades de informação.
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2276

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Propõe o Plano de Marketing na Biblioteca sociólogo Odilon Ribeiro Coutinho, do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região-Paraíba, com o intuito de auxiliar o bibliotecário e os gestores a traçar as estratégias, objetivos e metas institucionais, auxiliando nas tomadas de decisões, para que em consequência da implementação, os serviços e produtos oferecidos aos usuários/clientes sejam melhorados e para que sejam geradas novas demandas e alcançado novos mercados, garantindo assim, a satisfação do usuário/cliente. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS EM BIBLIOTECAS ACADÊMICAS VISANDO A
PRESERVAÇÃO DE ACERVOS

Maria Helena Ferreira Xavier da Silva
Maria Teresa da Fonseca
Maria Alice Peixoto Ferreira
Maria Rosa A. Bento
RESUMO
A conservação dos acervos e documentos em suporte de papel tem preocupado bibliotecas e
arquivos sempre às voltas com a deterioração desse patrimônio e a precariedade em que se
encontram esses acervos. Isso é o que nos leva a enfatizar a importância de adotar uma
política de preservação associada à educação de usuário. Por meio dessas políticas que os
bibliotecários com muita criatividade têm a missão difícil de tornar essas práticas de
preservação atraentes ao ponto de fazer dos seus usuários seus maiores aliados nesta jornada.
Este trabalho objetiva oferecer informações sobre a necessidade de se adotar uma política de
preservação, no tocante às medidas preventivas, dentre elas, a conscientização dos usuários
por meio da educação.
Palavras-chaves: Educação de Usuários. Preservação de acervos. Biblioteca Universitária.

ABSTRACT
The conservation of collections and documents on paper has always worried libraries and
archives dealing with the deterioration of equity and insecurity in which these collections are.
This is what leads us to emphasize the importance of adopting a policy of preservation
associated with user education. Through these politics that the librarians with a lot of
creativity has the difficult task of making these practices of preserving attractive to the point
of making your users their greatest allies in this journey. This work aims to provide
information on the need to adopt a policy of preservation, in regard to preventive measures,
among them user awareness through education.
Keywords: User Education. Preservation of collections. University Library.

1 INTRODUÇÃO
As transformações sociais das últimas décadas e a relação socioeconômica brasileira
estão causando um impacto negativo na preservação/conservação de acervos nas Bibliotecas.

2584

�Políticas de ampliação/aquisição/renovação de acervos que ajudariam a minimizar as
consequências desses impactos são afazeres onerosos e, assim, tornam-se quase impraticáveis.
É sabido que as bibliotecas, principalmente, as públicas passam, constantemente, por
dificuldades financeiras. Logo, a renovação de acervos e a substituição de materiais que já
não oferecem mais condições de uso, torna-se uma tarefa cada vez mais impraticável.
Para os usuários, a Biblioteca tem a responsabilidade de fornecer acesso às informações
que são registradas e organizadas por ela. Infelizmente, a disponibilização dos documentos
para o uso não se desenvolveu, simultaneamente, com a política de preservação de acervos.
Além dos problemas já citados, a degradação dos acervos vem crescendo a níveis cada vez
mais elevados e as bibliotecas ainda não adotaram moderações para solucionar tais questões.
Devido ao processo contínuo de globalização dos últimos anos, a informação, hoje,
atingiu um status quo, principalmente na academia e conforme Santos (1989 apud LIMA,
2000, p. 4) “informação assume então um papel delimitador para as ações”. Assim, a
necessidade de o usuário obter material bibliográfico (informação competitiva) para se
destacar sobre os demais exige cada vez mais das bibliotecas as seguintes habilidades:
velocidade, organização e, principalmente, ampliação.
Os acervos das bibliotecas são, basicamente, constituídos por materiais orgânicos e,
como tais, estão sujeitos a um contínuo processo de degradação. Deste modo, as políticas de
conservação/preservação desenvolveram-se para fatores externos e internos, sendo “os
internos de deterioração, em grande maioria, químicos e inerentes ao próprio suporte da
informação, e os externos fenômenos físicos que atuam do exterior sobre o suporte ou sobre o
texto” (FERREIRA, SILVA, RAMOS, 2010, p.2). Contudo, essas políticas não abarcaram o
trabalho de educação de usuários visando à preservação desses suportes informacionais
(livros, periódicos e outros). Uma vez que, segundo Ferreira, Silva e Ramos (2010, p.2):
São as pessoas que, às vezes, sem consciência deixam suas marcas em textos
e manuscritos, e até onde sabemos é que muitos desses materiais são de
grande importância não só histórica como também sentimental para alguns,
mesmo assim existem pessoas que não se importam e nem tem a capacidade
de perceber que pequenos gestos podem danificar e até destruir
permanentemente uma obra.

Diante do exposto, devemos pensar que a conservação preventiva de acervos não
trabalha sozinha. Pois, hoje, devemos atuar como educadores para que possamos mudar a
postura dos usuários diante do livro e qualquer outro material informacional.

2585

�Em virtude dessa realidade, durante muito tempo, não se ponderou na importância de
um trabalho de educação de usuário visando à preservação dos suportes informacionais
(livros, periódicos e outros). A preservação ajudaria a prolongar a vida útil desses materiais.
Segundo Sá (2001 apud SARMENTO, 2003, p.2) preservação é :

[...] uma consciência, mentalidade, política (individual ou coletiva, particular
ou institucional) com o objetivo de proteger e salvaguardar o Patrimônio.
Resguardar o bem cultural, prevenindo possíveis malefícios e
proporcionando a este condições adequadas de saúde. É o controle
ambiental, composto por técnicas preventivas que envolvam o manuseio,
acondicionamento, transporte e exposição.

A área de preservação de acervos bibliográficos constitui-se em um campo de estudos
importante, de significativa complexidade, ou seja, esse campo demanda olhares múltiplos e a
contribuição de diferentes agentes para sua efetiva concretização. Segundo Reis, Carvalho e
Motta (2004, p.1):
A área de preservação de acervos culturais constitui um campo de estudos
importante, de significativa complexidade e que agrega distintos
profissionais [...]. A multiplicidade de agentes que deve integrar o campo de
preservação decorre do fato de que a apreensão e interveniência no trato dos
acervos exigem uma abordagem multidisciplinar e uma leitura global dos
bens culturais, haja vista o objetivo de garantir a integridade dos mesmos e,
em termos amplos, contribuir para a manutenção da memória e da história.

Assim, podemos salientar:
[...] preservação é um conjunto de medidas e estratégias de ordem
administrativa, política e operacional que contribuem direta ou indiretamente
para a preservação da integridade dos materiais. Já a conservação é um
conjunto de ações estabilizadoras que visam desacelerar o processo de
degradação de documentos ou objetos, por meio de controle ambiental e de
tratamentos específicos como a higienização, reparos e acondicionamento.
(CASSARES, 2000, p.12.)

Assim, enquanto a realidade das bibliotecas universitárias não se modifica, a
preservação e uso da informação exercem influência mútua, e são objetivos de reflexão para
as mesmas na busca de alternativas que tenham a finalidade de “lograr” os desafios impostos
pela falta de incentivos públicos na renovação dos acervos. A educação dos usuários
contribuirá, sem dúvida, para a conscientização da comunidade acadêmica a respeito da
importância da preservação dos acervos.

2586

�2 SITUAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICAS DAS BIBLIOTECAS ACADÊMICAS
Ao longo de vários anos, as atividades exercidas nas bibliotecas ficaram restritas ao
processamento técnico (catalogação, indexação e classificação) e a formação de coleções,
sendo essa, vista como a mais importante. As bibliotecas foram cultivadas a partir da
acumulação de registros bibliográficos que eram produzidos por uma determinada sociedade.
“O instinto de preservar e a paixão de colecionador tem sido os fatores determinantes em
criação, manutenção e desenvolvimento [das bibliotecas]”. (MCGARRY, 1999, p.111).
Todavia, a imagem de uma biblioteca para acumulação de registros não atende mais ao
modelo de sociedade vigente [sociedade moderna], que necessita de uma demanda cada vez
mais emergente de informação para o desenvolvimento científico. Uma das grandes
propulsoras desse novo paradigma foram as Bibliotecas Acadêmicas, permeando toda a ação
para a implantação e avaliação de serviços e, considerando as necessidades e demandas
informacionais de grupos específicos.
Segundo Machado e Silva (2002, p.2):
A biblioteca universitária tem entre os seus propósitos fundamentais suprir
as demandas e necessidades informacionais de sua comunidade discente,
docente e de pesquisadores, refletida em seus conteúdos pragmáticos ou em
projetos acadêmicos dos cursos oferecidos pela Unidade que a abriga.

Assim sendo, “o suporte à produção científica, depende, em grande parte, da
capacidade dos sistemas de informação em garantir acesso e disseminação do conhecimento”
(CARVALHO, GOULART, 2004). Infelizmente, a disponibilização dos documentos para o
uso não se desenvolveu na mesma velocidade da aquisição e renovação dos acervos,
principalmente quando falamos de bibliotecas universitárias. “A necessidade de livros para
milhares de estudantes tornou-se um problema premente”. (MCGARRY, 1999, p.114).
O problema de baixos investimentos nas Universidades tem afetado profundamente o
desempenho das bibliotecas universitárias e, consequentemente, vem comprometendo sua
atuação perante a comunidade acadêmica. De acordo com Lubisco, Rosa e Santos (2005), “ a
ausência de políticas públicas de aplicação efetiva [de investimentos] para as bibliotecas
atinge o setor como um todo - quer se trate da Biblioteca Nacional, de Bibliotecas
Universitárias, Escolares ou Bibliotecas Públicas”.
Outro ponto bastante problemático é a ausência de uma estrutura administrativa nas
Bibliotecas Universitárias,

dificultando

a sua

soberania na tomada

de

decisão,

desenvolvimento e melhoramento de produtos e serviços. A este respeito, já alertado desde
década de 1970, Miranda (1978, p.6) comenta:

2587

�Mesmo nas universidades federais não existe um critério unificado quanto à
estrutura administrativa da(s) biblioteca(s). Não se pretende que haja um
único modelo obrigatório para todos os sistemas de bibliotecas, mas critérios
comuns ajustáveis às diferentes situações e estágios do desenvolvimento.
Idealmente, deve existir uma biblioteca central ou um núcleo da coordenação
de bibliotecas em cada universidade com suficiente autonomia como para
cumprir com os seus objetivos. Um “regimento interno” aprovado pelo
Conselho Universitário (onde o Diretor da Biblioteca deve ter vez e voto) e
orçamento próprio e definido são pré-requisitos para qualquer
empreendimento sério. Os padrões internacionais recomendam 5% do
orçamento da universidade para a manutenção de serviços bibliotecários.

Partindo do pressuposto que o “gerador” da Universidade é a informação, vale dizer
que a falta de uma política orçamentária fixa para o BUs afeta o seu gerenciamento. Segundo
Santos (1989, apud LIMA, 2000, p.4):
A informação assume então um papel delimitador para as ações. Quanto
maior o número de informações maior será a produção científica, e de
melhor qualidade. A universidade enfrenta assim um paradoxo. Por um lado,
os programas de stricto senso preconizam a necessidade de mais
informações, consequentemente, de melhores bibliotecas com melhores
acervos bibliográficos. Por outro lado, a escassez de recursos para
manutenção e ampliação dos acervos afasta a universidade do terceiro
estágio da informação, onde “estão às sociedade informadas que dispõem de
tecnologia de ponta, têm elevado grau de interesse pela pesquisa e pelo
desenvolvimento tecnológicos".

A base fundamental dos serviços de informação depende dos recursos bibliográficos e,
embora a maioria dos artigos analisados neste trabalho mostre que, as aquisições desses
recursos são metas priorizadas, a indisponibilidade financeira prejudica a manutenção dos
acervos e sua capacidade na eficácia do atendimento, provocando, assim, a fuga dos usuários
das bibliotecas, comprometendo a geração do conhecimento através da produção científica de
boa qualidade como também a formação profissional. Conforme a opinião de Russo (1998,
p

3):
As universidades brasileiras, em meio à crise nacional, vêm enfrentando
alguns problemas decorrentes das restrições orçamentárias vigentes no país,
as quais afetam diariamente a Biblioteca Universitária, com a instabilidade
de investimentos em acervos, a escassez de recursos aplicados na
capacitação de pessoal, em infraestrutura e no desenvolvimento de produtos
e serviços, gerando muitas vezes a evasão de usuários.

Desse modo, podemos concluir que, “apesar da crescente conscientização do valor das
bibliotecas, elas ainda não ocupam o verdadeiro lugar que lhes é devido dentro da estrutura
universitária brasileira”. (RUSSO, 1998, p.3).

2588

�3 EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS VISANDO A PRESERVAÇÃO DOS ACERVOS
A busca pela excelência nos serviços prestados pelas bibliotecas passou a ser uma
preocupação constante dos bibliotecários. O trabalho das bibliotecas que procuram satisfazer
cada vez mais seus usuários vem sendo orientado pela busca da eficiência e, se dirigindo cada
vez mais, na adoção de métodos pedagógicos para o desempenho de algumas atividades
“biblioteconômicas”.
Neste sentido, a Biblioteconomia e Ciência da Informação estão procurando
acompanhar os estudos da área pedagógica/educação para transportá-los ao ambiente das
bibliotecas. Com isso, não são raros os trabalhos relatados na literatura nacional e
internacional, os bibliotecários adotam técnicas de educação, de orientação, de ensino entre
outras, para melhor proceder diante das necessidades dos usuários.
Porém, apesar de saber que a educação de usuários é um dos meios utilizados para a
aproximação entre o bibliotecário e usuário, a literatura que trata desse assunto é insuficiente
no tocante à preservação do patrimônio das bibliotecas. Almeida Júnior (1996, p.1) reforça
essa afirmação anterior quando diz que “a literatura é pobre e escassa sobre o assunto,
indicando talvez uma indiferença ou conformismo ante o que é, muitas vezes, considerado
inevitável”.
A necessidade de uma política de preservação nas unidades de informação
(Bibliotecas, Centro de Informação, etc.) sempre foi motivo de preocupação no cenário
informacional, mas poucos bibliotecários se dão conta que tais políticas devem ser, também,
uma prática realizada em conjunto - Biblioteca, bibliotecário e usuário, como forma de
conscientização do mesmo da importância da manutenção dos acervos. Observando a opinião
de Reis, Carvalho e Motta (2004, p.1) quando dizem que: “a sensibilidade e a socialização dos
distintos usuários de bens culturais, no sentido de que esses internalizem, pela educação, a
importância da preservação enquanto bem público e como patrimônio da sociedade”.
Hoje, grande parte das bibliotecas sofrem com as constantes mutilações, roubos e/ou
danificações do seu patrimônio (acervos), causados, principalmente, pelo vandalismo
humano. Como cita Lima (1997, apud SANTOS, 2004, p.4) “o homem não tem sido objeto
das políticas de preservação e conservação de acervos”.
Políticas educativas de preservação de acervos vinculados aos usuários ajudariam no
crescimento da Educação Patrimonial como uma ação pedagógica para a transformação dos
sujeitos. Vale ressaltar que, para Horta, Grunberg e Monteiro (1999, apud CARTER, 2003,
p.3) “Educação Patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao
indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo

2589

�sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido”. Conforme Reis,
Carvalho e Motta (2004, p.3), políticas de preservação de acervos é um método eficaz de
transmissão informational e assimilação cultural,:
Deve-se a essas também agregar a difusão de informações com vistas a
atingir um público alvo, devendo, estrategicamente dirigir-se aos professores
e alunos em idade escolar, de forma que a manutenção e a defesa dos bens
culturais seja absorvida e internalizada naturalmente como prática cultural,
intrínseca aos homens enquanto cidadãos.
A valorização do patrimônio histórico-cultural ultrapassa a mera preservação dos
acervos bibliográficos, fotográficos e documentários dos Centros de Informação (Arquivos,
Bibliotecas, Museus) como patrimônios públicos. Mais do que preservação, o patrimônio das
Bibliotecas Universitárias exige conhecimento e reconhecimento dos seus usuários, pois, além
de serem bens sensíveis, os mesmos pertencem a uma grande comunidade que é composta
por: professores, pesquisadores e alunos.
A identificação, divulgação e popularização dos problemas enfrentados pelos acervos
das bibliotecas podem contribuir para a reconstrução de valores que engendraram a
consideração destes elementos (vandalismo, roubo, depredação) como representantes de uma
socialização dos usuários. É a interação, mais do que a contemplação, que possibilita ao ser
humano a valorização do patrimônio histórico-cultural. Isto é dito por Santos em relação ao
usuário (2003, p.4) “a biblioteca não pode fechar as suas portas, mas pode ensiná-los a
respeitar a sua liberdade e a de outrem, não mutilando, roubando e/ou danificando o acervo”.
Nesse processo de educação de usuário, é muito importante a criatividade do
Bibliotecário, pois, só assim, a mesma se tornará atraente e passará a ser um convite ao
conhecimento das práticas de preservação. Porém, vale ressaltar que, cabe ao bibliotecário,
através das observações e análise do acervo, levantar as necessidades de preservação do
mesmo, já que, cada biblioteca funciona como um organismo único, ou seja, cada uma tem
sua especificidade e, estabelecer políticas de preservação, tais como: cursos de preservação,
folders explicativos, cartazes etc.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do exposto, consideramos a necessidade que a concepção de políticas de
preservação/conservação não poderiam, apenas, visar o acondicionamento físico desse
material. Elas deveriam ser estendidas aos usuários, pois os mesmos é quem estão diretamente
ligados a esses suportes informacionais (acervo).

2590

�Os acervos das Bibliotecas são basicamente constituídos por materiais orgânicos e,
como tais, estão sujeitos a um contínuo processo de degradação. Deste modo, a adoção da
educação de usuário poderá contribuir como uma estratégia para a manutenção e preservação
dos recursos informacionais das Bibliotecas.
Assim, o tema educação de usuário, visa consolidar conceitos que despertem a
responsabilidade social dos usuários, a preservação de acervos e o papel do bibliotecário de
referência no processo de interiorização desse “novo” conhecimento.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Roubo, depredação de materiais e campanhas
educativas em bibliotecas: proposta de um modelo de avaliação. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 9., 1996, Curitiba. Anais... Curitiba:
UFPR, 1996. 8p.
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2592

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Silva, Maria Helena F. Xavier da, Fonseca, Maria Teresa da, Ferreira, Maria Alice Peixoto, Bento, Maria Rosa O.</text>
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                <text>A conservação dos acervos e documentos em suporte de papel tem preocupado bibliotecas e arquivos sempre às voltas com a deterioração desse patrimônio e a precariedade em que se encontram esses acervos. Isso é o que nos leva a enfatizar a importância de adotar uma política de preservação associada à educação de usuário. Por meio dessas políticas que os bibliotecários com muita criatividade têm a missão difícil de tornar essas práticas de preservação atraentes ao ponto de fazer dos seus usuários seus maiores aliados nesta jornada. Este trabalho objetiva oferecer informações sobre a necessidade de se adotar uma política de preservação, no tocante às medidas preventivas, dentre elas, a conscientização dos usuários por meio da educação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRESERVAÇÃO DIGITAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS: PROJETO PORTICO

Maria Helena Ferreira Xavier da Silva
Roberta Jerônimo da Silva
Thaíssa Lage Matias
RESUMO
Os avanços tecnológicos impuseram um grande desafio para a preservação do patrimônio
digital. As bibliotecas de hoje se vêem, cada vez mais, dependentes de artigos eletrônicos
(periódicos acadêmicos), e a preservação, em longo prazo, destes recursos tornou-se uma
necessidade crescente e cada vez mais urgente. O Sistema Portico é um serviço de arquivo
eletrônico criado para atender as necessidades críticas da comunidade acadêmica para um
meio confiável para preservar os periódicos eletrônicos.

Palavras-chave: Periódicos eletrônicos. Preservação digital. Portico.

ABSTRAT
The technological advances have imposed a great challenge for the preservation of digital
heritage. The nowadays libraries turned increasingly dependent on electronic articles
(journals), and the need of preservation of these resources, in the long term, has become
urgent. The Portico System is an electronic archiving service designed to supply the critical
needs of the academic community as a reliable device to preserve electronic journals.

Keywords: Electronic journals. Digital preservation. Portico.

1

INTRODUÇÃO

A preservação digital representa um dos grandes desafios enfrentados pelas Bibliotecas
Universitárias. Atualmente, pesquisa e ensino estão gerando dados, relatórios, publicações,
materiais de ensino e outros meios de comunicação científica em formatos digitais, tornandose cada vez mais dependentes de ferramentas eletrônicas e das bases de dados.
Em grande parte do mundo as universidades carregam consigo dois pilares fundamentais:
a pesquisa e o ensino de fato. N a maioria dos países as pesquisas e estudos científicos
ocorrem dentro das universidades, portanto, é nesse ambiente que florescem grandes estudos e

4439

�se concentram grandes personalidades. Schwartzman (1986) afirma que a concepção de que a
pesquisa científica e a universidade estão ligadas, e, é uma teoria difundida como princípio
básico das políticas educacionais em muitos países. Sendo assim, é notável a relevância da
universidade como protagonista dentro do cenário de produção do conhecimento.
Por outro lado, a produção de conhecimento em grande escala nas universidades
aponta para a necessidade da disseminação e uso do conhecimento produzido. Para que isso
aconteça, são necessárias a criação de políticas de tratamento, organização e disponibilização
desses itens; bem como a divulgação dos mesmos e o uso do maior número possível de
ferramentas tecnológicas para facilitar o acesso.
Assim, assegurar o acesso permanente aos periódicos eletrônicos é o principal motivo
pela qual as Bibliotecas Universitárias precisam pensar nos meios de preservação desses itens.

2 NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO DOS PERIÓDICOS ELETRÔNICOS

As aplicações das novas tecnologias da comunicação nas atividades de informação
motivaram mudanças organizacionais profundas nas estruturas (funções/operações) de
bibliotecas/ unidades de informação, sendo a principal delas o periódico eletrônico. A recente
proliferação dessas publicações eletrônicas, especialmente via Internet, vem levantando uma
cadeia de questionamentos dessas publicações. Conforme Márdero Arellano (2004, p. 16):
Com o aumento da produção de informação em formato digital, tem sido
questionada cada vez mais a importância de se ter garantia a sua
disponibilização e preservação por longos períodos de tempo [...]. Os
objetos digitais não podem ser deixados em formatos obsoletos para serem
transferidos depois de longos períodos de negligência para repositórios
digitais.
A grande aceitação dos periódicos eletrônicos nas Bibliotecas Universitárias decorreu
por meio da explosão bibliográfica existente nos últimos 60 anos. Esse crescimento
exponencial de periódicos científicos ocasionou uma reavaliação dos acervos e de seus
espaços para armazenamento. Como salienta Roger e Hurt (1990 apud CUNHA, 1997, p.80)
“ [...] a grande quantidade de periódicos impressos acaba ocupando um espaço excessivo nas
estantes das bibliotecas universitárias. Cada metro quadrado extra nas bibliotecas representa
um gasto aproximado de U$ 95,00” . Tal fato já tinha sido previsto por Joseph Henri (1981
apud CRUZ, et al, 2003, p.1), quando dizia:

4440

�A humanidade tem seu progresso baseado em pesquisa, estudo e
investigação, que geram saber, conhecimento ou, simplesmente,
informação. E praticamente para cada item de interesse existe algum
registro de saber pertinente. A não ser que essa massa de informações seja
armazenada com ordem e que se especifiquem bem os meios em que nos
irão expor os respectivos conteúdos, tanto a literatura como a ciência
perecerão esmagadas sob seu próprio peso.
Dentre outros problemas, a dificuldade na manutenção das assinaturas devido aos altos
preços que muitas vezes interrompiam a continuidade das coleções, mesmo em grandes
sistemas de bibliotecas. Apesar de a “ [...] informação ser um bem cultural e social, a mesma
passa a ser sustentada através do pagamento de altas cifras” (KRZYZANOWSKI; TARUHN,
1998, p.163). Em decorrência desse fato, Lemos (2006, p. 2) informa:
As críticas aos produtores e ao modelo que ainda predominava na década de
1990 passaram a se concentrar, nos últimos anos, no aumento exagerado dos
preços das assinaturas. A análise de dados estatísticos de 123 bibliotecas
afiliadas à Association of Research Libraries, dos EUA, mostrou que, entre
1986 e 2004, os gastos com a aquisição de periódicos subiram 273%,
enquanto com a compra de livros sofreram uma elevação de 63%. Em 2003­
2004, deu-se um gasto médio superior a 5,5 milhões de dólares com a
assinatura de periódicos. Na mesma época os recursos eletrônicos
consumiram 30% do orçamento destinado a material.
Convém ainda advertir, que a monopolização da informação por editoras de grande
porte, também, empurrou as bibliotecas universitárias para uma rápida aceitação aos
periódicos eletrônicos. Com crescente fusão dos mercados editoriais, ocorre a lei da oferta e
da procura, a demanda de bibliotecas por informações é muito maior do que a concorrência
editorial, logo, as assinaturas dos periódicos eletrônicos tornam-se exageradas e abusivas.
Conforme Lemos (2006, p. 2), apenas 8% dos fornecedores possuem 70% da fatia mundial de
publicações eletrônicas existentes atualmente.
O grupo Reed Elsevier detinha, em 2003, 28,2% do mercado mundial de
informação em CTM, seguida pela Thomson, que adquiriu o ISI, com 9,5%,
Wolters Kluwer, com 9,4%, Springer, com 4,7%, John Wiley, com 3,9%,
American Chemical Society,com 3,6%, Blackwell, com 3,6%, Taylor &amp;
Francis com 3,6%, e o restante (33,6%) distribuído entre diferentes
fornecedores. Ou seja, apenas oito fornecedores concentram quase 70% do
mercado mundial (House of Commons, 2004). Este segmento da indústria
editorial apresenta forte tendência ao monopólio e à cartelização.
Contudo, vale ressaltar que ao apresentar as assinaturas de periódicos eletrônicos, as
editoras aplicam preços flutuantes, mas precisamente, baseados nas necessidades do cliente.
Ou seja, o preço dos pacotes irá depender da quantidade de títulos adquiridos, quais títulos
adquiridos e da quantidade de acessos permitidos. Logo, “ [...] constitui-se de aluguel

4441

�temporário de um serviço e a impossibilidade de conservar uma coleção; a interrupção da
assinatura implica na perda total do acesso ou do acesso parcial conforme pagamento
proporcional ao tempo de uso” (GRUSZYNSKI, 2007, p.4). Ao contrário do periódico em
papel, cuja compra era permanente e ficava a disposição do usuário mesmo após a interrupção
da assinatura. Como corrobora Lemos (2006, p. 5):
O fornecimento de periódicos eletrônicos baseia-se não na compra de um
produto, mas no aluguel ou licenciamento de uso de um serviço por um
prazo delimitado. A interrupção do serviço implica a perda do direito de
acesso. Esse direito poderá ser mantido desde que se continue pagando uma
quantia proporcional ao uso anterior. Em síntese, ao contrário do que
acontece com a publicação impressa, o usuário não conserva uma coleção
mesmo depois de cancelada sua assinatura.
Dentre outros problemas, para Beargrie &amp; Greenstein (1998 apud MÁRDERO
ARELLANO, 2004, p.18) precauções devem ser tomadas para reduzir o perigo da perda de
materiais digitais:
51.
52.
53.
54.
55.

Armazenar em ambientes estáveis e controláveis;
Implementar ciclos de atualização (refreshment) para cópia em nova mídia;
Fazer cópias de preservação (assumindo licenças e permissões de copyrights);
Implementar procedimentos apropriados de manuseio;
Transferir para uma mídia de armazenamento padrão.

Ainda, para Bullock (1999 apud MARDERO ARELLANO, 2008, p. 46) o IPR
(Intelectual Proprity Rights) é um dos principais entraves na preservação dos objetos digitais.
Os direitos de propriedade intelectual (IPR) é uma questão importante, pois tem um impacto
significativo sobre a preservação digital. Sabemos que a lei de IPR foi originada e criada há
anos, quando não havia o pensamento a nível mundial Web. Temos ciência, também, que o
IPR foi estabelecido para os acervos tradicionais (papel), enquanto que para materiais
eletrônicos deixa a desejar. A propriedade intelectual, no âmbito dos materiais digitais, é mais
complexa e importante do que a mídia tradicional e se não forem tomadas decisões como a
legalização da responsabilidade para a preservação digital por parte da biblioteca dos
materiais que são adquiridos por ela, teremos um caos informacional. Segundo M uir (2004
apud MOGHADDAM, 2008, p. 85):
[...]libraries other than legal deposit libraries will probably want to take
responsibility for digital preservation of material they create or purchase.
However, there is a lack of awareness of what the law allows. The current
legal situation in the publishing industry needs to be clarified and changes
to the law could be considered if necessary. Changing copyright law to
facilitate legal deposit is one possibility and this is being pursued in some
countries such as the UK, but this will not help the vast majority of libraries
because legal deposit collections are collections of last resort.

4442

�Não obstante, o conteúdo dos recursos digitais e sua necessidade de software
associado devem ser levados em consideração. Conforme Márdero Arellano (2008, p. 47):
Salvar os bits de um objeto digital é necessário, mas não o suficiente para
preservá-lo. É necessário também conhecer os atributos da aplicação na
qual ele foi criado e com a qual ele pode ser interpretado. O esforço da
preservação engloba também o software e o hardware no qual o objeto
digital pode ser executado, já que eles também podem ficar obsoletos.
Vale considerar a necessidade de haver equipamentos de leitura para essas versões, e,
treinamento tanto para os bibliotecários como para os usuários - já que não é fácil manter-se
atualizado com as mudanças que ocorrem.
Logo, apesar de haver um consenso entre editoras, bibliotecas e usuários sobre as
vantagens que se apresentam ao utilizar as novas tecnologias e a possibilidade de
desdobramentos ao texto de forma eletrônica - já disponível em padrões de publicação e em
formato de impressão - devemos pensar em solucionar prováveis problemas que possam
surgir ao longo dos anos que interfiram no pagamento das assinaturas desses meios de
comunicação eletrônicos, tais como: crescente aumento de assinaturas eletrônicas, falta de
verbas das universidades para a manutenção das mesmas, a regressão de uma economia
instável e com altas inflações - algo que no passado foi o responsável pelo cancelamento de
diversas assinaturas.
Assim, as estratégias institucionais de Universidades, órgãos de pesquisa e as
Bibliotecas têm o dever de modificar e romper essas barreiras para defender a
permanência/manutenção de seus acervos e a livre disseminação dos mesmos aos seus
usuários. A atitude de formar consórcio entre Instituições de Ensino Superior para
disponibilizar aos usuários os periódicos eletrônicos a um custo mais baixo, já é uma
realidade.

3 PROJETO PÓRTICO

As inovações nos meios de comunicação científica no final do século XX e início do
século XXI conflagraram uma nova forma de troca/publicação de informações entre
pesquisadores.

As mesmas culminaram na facilidade de acesso a resultados, trabalhos e

pesquisas de terceiros em todo o mundo. Esses avanços afetam as relações científicas,
profissionais, financeiras, tecnológicas e políticas de um determinado país.
Tal situação gerou diversas maneiras de publicação e distribuição da produção
científica. Antes do advento das TI (tecnologias da informação) a produção era “facilmente

4443

�medida” e “facilmente localizada”, pois existiam apenas alguns modelos de distribuição dos
resultados das pesquisas, como por exemplo: artigos em periódicos ou artigos publicados em
congressos.

Enquanto

hoje,

com

o

desencadeamento

de

inúmeras

possibilidades,

disponibilizado pela iniciativa dos arquivos abertos, pelo movimento do acesso aberto e
principalmente pelo “ [...] modelo de negócio de editoras comerciais de revistas científicas,
que recebem os artigos, às vezes cobrando valores significativos para publicar trabalhos de
pesquisa condicionando a publicação a rigoroso crivo de avaliação” (MASSON, 2008, p.
122), despertou um descontrole da produção científica.
Assim, a comunidade acadêmica e os editores estão aprimorando os meios de
comunicação para suplantar as improbabilidades provocadas pela fragilidade tecnológica. Um
desses meios de comunicação é o Repositório Digital, que tem como força motriz solucionar:
a organização da produção editorial, criar mecanismos de busca e acesso e preservar
conteúdos dos periódicos eletrônicos. O principal objetivo desse mecanismo seria: a
conservação e manutenção dos periódicos eletrônicos assinados e o controle das publicações
nacionais. Conforme Masson (2008, p. 109):
O repositório digital parece ter como objetivo preservar as publicações
criadas em meio digital, ou as que são digitalizadas, referentes a artigos de
periódicos, ou na web, os próprios periódicos e outros eventos, trabalhos de
pesquisa, teses e dissertações para que constituam uma memória
institucional e que possam ser acessíveis a quem quiser consulta-las.
Mediante o reconhecimento da necessidade de preservação de conteúdos eletrônico,
originou-se o Portico, que fornece as bibliotecas e editoras como solução confiável - sem
incorrer em encargos e despesas na criação de criar instâncias complexas e onerosas - uma
infraestrutura tecnológica capaz de garantir que os recursos eletrônicos, que dependemos
todos os dias, sejam acessíveis a futuros pesquisadores, acadêmicos e estudantes. Durante
mais de dois anos, a equipe do projeto trabalhou no desenvolvimento da tecnologia necessária
e participou de inúmeras querelas com editores e bibliotecas até chegarem a um acordo que
conciliasse as necessidades de ambos. De acordo com Kirchhoff (2009, p.480)
Simultaneously, staff engaged in extensive discussions with publishers and
libraries to craft an approach that would balance the needs of both
communities while researching what would be necessary to build a
sustainable business model for the archive.
Portico começou como “arquivo eletrônico” com a missão de ser sustentável. O
mesmo foi lançado pelo JSTOR em 2002 e patrocinado pela Fundação Andrew W. Mellon.
Oficialmente, o projeto foi lançado em 2004 com o apoio financeiro da JSTOR, Ithaka,

4444

�Biblioteca do Congresso e a Fundação Andrew W. Mellon.
In response to this expressed need in 2004, Portico (originally known as the
JSTOR Electronic Archiving Initiative) began to work with the community
to build a technological and economic model that could support the
development, operation, and maintenance of a third party digital
preservation archive. For the first two years, Portico staff worked on the
development of technologies necessary to meet the project’s objectives.
(KIRCHHOFF, 2009, p. 480)
Presentemente, os suportes financeiros são divididos em dois tipos: para o
desenvolvimento inicial de infraestrutura tecnológica e as primeiras operações; e para apoiar o
funcionamento do arquivo ao longo do tempo. Em contrapartida, os principais beneficiários
do sistema (bibliotecas, Instituições Acadêmicas e editoras), também deverão realizar uma
contribuição anual para o arquivo e compartilhar os custos contínuos do sistema.

Como

afirma Fenton (2006, p.84)
[...]The chief beneficiaries of the archive - publishers and academic
institutions - will provide the primary sources of funding; however,
charitable foundations and government agencies will also be expected to
provide support. Publishers are asked to make an annual contribution to the
archive and share with other supporting publishers the ongoing costs to
receive, normalize, store, and migrate journal content. Fees are based on
publishers' total journals revenues (subscription, advertising, licensing) and
range from $250 to $75,000 per year.
Libraries are also asked to make an annual payment to support the ongoing
work of the archive, including the addition of new content to the archive,
maintenance and enhancement of the technological infrastructure, and
format migrations as technology evolves. Library Annual Archive Support
payments are tiered and vary according to a library's self-reported total
Library Materials Expenditure (LME), reflecting Portico's value in
preserving a growing portion of a library collection. Fees range from $1,500
to $24,000 per annum.
Portico está comprometido com a preservação de publicações digitais como:
periódicos eletrônicos, e-books, coleções digitalizadas, etc. A participação nesse sistema
oferece segurança às bibliotecas e editoras conveniadas em relação aos seguintes itens:

Service for Libraries508
•

Security — Portico offers libraries a permanent archive of e-journals,
e-books, and d-collections, providing protection against the potential
loss of access to e-literature integral to a library’s collection.

508 PORTICO. Portico services and benefits. Disponível em: &lt; http://www.portico.org/digitalpreservation/services/#page-1061&gt;. Acesso em: 18 abr. 2012.

4445

�• Coverage — Libraries benefit from preservation of a substantial and
diverse range of content that is important to their users, whether ejournals, e-books, or d-collections.
• Trigger Event Access — Participating libraries are provided with
campus-wide access to archived content when specific trigger events
occur, including when titles are no longer available from the
publisher or other source.
• Post-Cancellation Access — Portico also provides a reliable means to
secure perpetual access when a participating publisher chooses to
designate Portico as a provider of post-cancellation access.

Service for Publishers
•

Protection — The intellectual content of a publisher’s content is
preserved in perpetuity and secure in a carefully managed archive.

• Migration — Original source files of electronic journals are converted
to an archival format. Portico assumes responsibility for future
content migrations.
• Publisher Access — Full access to a publisher’s content via a Portico
web portal is provided. The Portico archive is open to a publisher’s
complete list of scholarly e-journals and e-books and to some dcollections.

Em relação aos “Acontecimentos específicos” ( Trigger Event Access) o arquivo tem
um amplo aparato de continuidade de informação, ou seja, caso venha ocorrer algum tipo
de interrupção na comunicação por parte das editoras, o sistema Portico entra em ação para
sanar esses problemas. Os acontecimentos específicos complicados podem ser:
•

O editor cessa operações;

•

O editor cessa a publicação e a oferta do título;

•

O editor deixa de oferecer títulos antigos;

•

Consequência de uma falha catastrófica e continuada da plataforma do editor.

Além destes, em alguns casos, após o cancelamento de assinaturas de periódicos
eletrônicos, os editores permitem o acesso pós-cancelamento a uma biblioteca através do
arquivo Portico. Como observa Fenton (2006, p.83).

4446

�In addition to these trigger events, both publishers and libraries have
recognized that, in some cases, even after a library has terminated a license
to an electronic resource, it may be necessary for that library to continue to
have ongoing access. This is commonly known as “perpetual access” or
post-cancellation access. A publisher may choose to extend perpetual access
to a library and that access can be provided through the Portico archive if
the publisher desires. In addition, select librarians at participating libraries
are granted password-controlled access to the archive for verification
purposes. This verification access, which is granted to the entire archive, is
not intended to be used as a replacement for commercial document delivery
services or to fulfill interlibrary loan requests. Finally, all publishers
participating in the archive have full access to their own content and any
content for which a trigger event prevails.
Conforme conhecimento de todos, os periódicos publicados em formato digital tende a
ser mais valiosos para as editoras do que aqueles publicados em formato tradicional. Via a
utilização do meio virtual, as mesmas são capazes de aprimorar a formatação do texto,
criar layouts e fazer hiperlinks com imagens. Logo, para incentivar a adesão dos editores
na preservação de seus conteúdos digitais, mediante o uso dos repositórios digitais, o
argumento seria que, através desse meio de comunicação, os mesmos não perderiam as
suas funcionalidades.
Digital content tends to be valuable to content owners for a much
longer period than traditionally true for print because it can be
packaged in new ways and as new products. To encourage
participation in preservation arrangements by content providers, the
archive cannot threaten the content providers’ business needs.
(KIRCHHOFF, 2009, p. 480)
Deste modo, as táticas para perpetuar o acesso permanente à informação e aos
conteúdos dos periódicos eletrônicos não devem ser só discutidas no âmbito acadêmico, mas,
também, no âmbito internacional para que possam combater o controle e monopólio por parte
de grandes corporações editoriais. Além disso, os repositórios digitais continuariam a
preservar os periódicos eletrônicos sem “ [...] abdicar das funcionalidades conferidas pelo
formato digital de conteúdos e da sua conectividade, ou seja, da sua qualidade de estar em
rede e vinculados por hiperlinks a outros documentos” (SAYÃO, 2010, p. 78).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa científica contribui para o desenvolvimento e melhoramento de tudo que
nos cerca - desde uma tecnologia simples como um bloco de anotações com uma cola suave;
até algo mais complexo, como o descobrimento de um medicamento para uma patologia

4447

�grave. Diante de tudo que foi exposto, é evidente a importância desse meio de comunicação
científica, que são os periódicos eletrônicos e suas variações.
A preservação digital representa um dos grandes desafios enfrentados pela educação
superior. Instituições Acadêmicas, bibliotecas e editoras estão cada vez mais dependente dos
artigos eletrônicos e outras ferramentas fundamentas no computador.
No entanto, ao mesmo passo em que a utilização de informação digital aumenta, a
responsabilidade pela preservação é prolixa, e os responsáveis - bibliotecas, Instituições de
Ensino e os editores - têm sido lentos para identificar e investir na infraestrutura necessária
para garantir que os registros acadêmicos publicado em formatos eletrônicos continuem
permanentes. A ociosidade coloca a parte digital do registro acadêmico, e a capacidade de
usá-lo em conjunto com outra informação, o que é necessário para o avanço do conhecimento,
cada vez mais em risco, e as soluções requerem acordos únicos dentro da academia para a
partilha de responsabilidade de preservação.
Sendo assim, reflexões como estas objetivam provocar indagações, reações, e por que
não mudanças nos sistemas de comunicação científica para que os mesmos sejam mais
acessíveis e desta forma, possam cumprir com suas funções que é de registrar e preservar o
conhecimento científico para contribuir hoje e sempre com o desenvolvimento e a
continuidade de novos e incansáveis estudos?

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bibliotecas universitárias. Ci. Inf., Brasília, v. 32, n. 2, p. 47-53, maio/ago. 2003. Disponível
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4450

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Preservação digital de periódicos eletrônicos: projeto portico</text>
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                <text>Silva, Maria Helena Ferreira Xavier da, Silva, Roberta Jerônimo da, Matias, Thaíssa Lage</text>
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                <text>Os avanços tecnológicos impuseram um grande desafio para a preservação do patrimônio digital. As bibliotecas de hoje se vêem, cada vez mais, dependentes de artigos eletrônicos (periódicos acadêmicos), e a preservação, em longo prazo, destes recursos tornou-se uma necessidade crescente e cada vez mais urgente. O Sistema Portico é um serviço de arquivo eletrônico criado para atender as necessidades críticas da comunidade acadêmica para um meio confiável para preservar os periódicos eletrônicos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USANDO O BLOG PARA PROMOVER SERVIÇOS NA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA

Patrícia Silva
Alex Salustino Silva

RESUMO
As ferramentas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), principalmente o blog,
trouxeram melhorias e continuam a transformar a maneira de como as pessoas podem utilizar
a informação, quer seja na sua disseminação, quer seja no seu compartilhamento. Trazendo
para o contexto das bibliotecas universitárias, é importante pensar no que essa ferramenta da
Web 2.0 tem auxiliado ao longo do tempo, e pode auxiliar cada vez mais, visto que tantos os
profissionais bibliotecários e as bibliotecas se utilizam do blog para manter a comunidade
informada sobre os seus serviços, trazendo consigo a interação e a colaboração entre os
profissionais e os usuários. Nessa perspectiva, observamos que a Biblioteca Setorial do
Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foco de nosso
trabalho, não possuía nenhuma ferramenta tecnológica para a interação e o compartilhamento
de informações com os seus usuários. Assim, nosso objetivo de pesquisa foi compreender o
blog como uma ferramenta que promove serviços, e ao mesmo tempo propor a criação e
implantação do mesmo na biblioteca pesquisada, verificando o grau de conhecimento dos
usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da
Paraíba acerca das ferramentas da Web 2.0. Utilizamos na pesquisa a abordagem exploratória
e descritiva, de natureza qualitativa, como método: a pesquisa-ação, pois essa consiste no
entendimento da pesquisa inserida na ação, porque os atores envolvidos participaram em
conjunto com o pesquisador, a fim de elucidar a realidade em que estavam inseridos.
Observamos que com a implantação do blog na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da
Saúde da Universidade Federal da Paraíba será possível envolver a comunidade acadêmica na
interação e colaboração por meio da troca de informações.
Palavras-chaves: Blog. Biblioteca Universitária. Serviços.

ABSTRACT
The tools of Technology of Information and Communication (TIC), especially the blog,
brought improvements and continue to transform the way how people can use the
information, whether in its dissemination, either in your sharing. Bringing the context of
university libraries, it is important to think about what this Web 2.0 tool has helped over time,
and can aid increasingly seen so many professional librarians and libraries are using the blog
to keep the community informed about their services, bringing the interaction and
collaboration between professionals and users. In this perspective, we observe that the
Sectoral Library Sciences Center Health, Federal University of Paraíba (UFPB), the focus of
our work, had no technological tool for interaction and information sharing to it is users .
Thus, our research goal was to understand the blog as a tool to promote services, while

4621

�proposing the creation and implementation of the same in the screened library, checking the
degree of knowledge of users of Sector Center Sciences Health Library in the Federal
University of Paraíba about Web 2.0 tools. Used in the exploratory and descriptive research
approach was qualitative, as a method: action research, because this is the understanding of
the research included in the action, because the actors involved participated together with the
researcher in order to elucidate the reality they were inserted. We note that with the
implementation of the Sectoral Library Sciences Center Health, will be possible to involve the
academic community in interaction and collaboration through exchange of information.
Keywords: Blog. University Library. Services.

1 Introdução
O surgimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) melhorou a forma
de trabalhar com a informação, disso ninguém tem dúvida. Atualmente, todos nós
dependemos dos serviços oferecidos pelas TIC, que podem envolver a comunicação por meio
de redes de computadores, dispositivos móveis, entre outros. Ao longo dos anos, percebeu-se
também a necessidade de agregar ferramentas que viessem a contribuir como meio de
disseminação de informações para o público, e também pudessem servir como ponte de
interação e colaboração entre os participantes.
Os blogs são umas dessas ferramentas, pois contribuem para que a informação seja
disseminada de maneira rápida e sempre atualizada para um maior público possível. Trazendo
para o contexto da Biblioteconomia é importante pensar no que essa ferramenta da Web 2.0
tem auxiliado ao longo do tempo e pode auxiliar cada vez mais, visto que tantos os
profissionais bibliotecários e as Bibliotecas se utilizam do blog para manter a comunidade
informada sobre os seus serviços, trazendo consigo a interação e a colaboração entre os
profissionais e os usuários.
O blog junto com as bibliotecas consegue atender a dois pontos de uma vez
só, pelo lado das bibliotecas levam as informações de instituição aos
usuários e por parte dos usuários ajuda tanto na relação com as novas
tecnologias, com a biblioteca e auxilia também no próprio crescimento
pessoal, minimizando a larga fenda que existe entre os que têm acesso a
informação e os que têm menos acesso, ou até mesmo os excluídos
(COSTA, 2011, p. 10).

Com tantos recursos tecnológicos para promover uma rápida disseminação da
informação, é de fundamental importância que as Bibliotecas agreguem em si esses recursos.
Observamos que a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade
Federal da Paraíba (UFPB), foco de nosso trabalho, não possuía nenhuma ferramenta

4622

�tecnológica para a interação e o compartilhamento de informações com os seus usuários.
Assim, nosso objetivo de pesquisa foi compreender o blog como uma ferramenta que
promove serviços, e ao mesmo tempo propor a criação e implantação do mesmo na biblioteca
pesquisada, verificando o grau de conhecimento dos usuários da Biblioteca Setorial do Centro
de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba acerca das ferramentas da Web 2.0.

2 Web 2.0
Com os avanços e o surgimento dessa nova Web, a qual se conhece como Web 2.0, a
possibilidade de interação no acesso as informações se tornou algo real. O espaço da Web 2.0
atualmente propicia novas maneiras de acessar as informações, contribuindo também na sua
disseminação. “Assim, esse termo foi cunhado em referência à proliferação de aplicativos
Web altamente interativos, incluindo as redes sociais, blogs, streaming media, agregadores de
conteúdo, wikis, e outros” (BRITO; SILVA, 2010, p. 2-3).
Na Web 2.0 contemplamos um espaço que agrega em si a interatividade e a
colaboração no que diz respeito à participação da disseminação de informações.
Deparamos atualmente, com inúmeras ferramentas na Web, que nos chamam
a atenção, e que servem para criar e gerir conteúdos. Quase todos nós, que
necessitamos de informações atualizadas já utilizamos diversas ferramentas
e softwares denominados “sociais”, blogs, folksonomias, wikis, RSS, entre
outros que povoam a Web 2.0. As tecnologias da informação e comunicação
e mais recentemente o surgimento da Web 2.0 possibilitaram aos usuários da
Internet maior liberdade para a produção de conteúdo. Qualquer usuário
pode criar, publicar, comentar ou editar certos conteúdos disponíveis na
Internet. Essa flexibilidade possibilita a colaboração e difusão rápida de
informações e idéias de cada indivíduo (SANTOS; ROCHA; AZEVEDO,
2011, p.3).

Com o seu surgimento (da Web 2.0), esta possibilitou aos profissionais e usuários a
oportunidade de desempenharem papel significativo no contexto da Internet por meio das
diversas ferramentas que estão incorporadas em sua estrutura, tornando o ambiente mais
dinâmico e participativo.
Nas ultimas décadas, com as profundas transformações decorrentes da
evolução das tecnologias, e a velocidade da Internet tem levado as pessoas a
repensar as formas de comunicação. Então podemos dizer que a Internet é
um desses modelos de comunicação que estimula o seu uso na difusão
social. Na qual à tecnologia, em particular a Web 2.0 possui redes que ligam
os indivíduos com muita velocidade numa interação social. A web é um
espaço interativo que possibilita os usuários modificarem os conteúdos. Eles
podem ser construídos e atualizados em qualquer computador a todo o
momento. Suas primeiras versões eram apenas para registrar as leituras que
os usuários faziam em suas navegações pela rede. Hoje servem como diário
pessoal, onde a linguagem usada é informal, comportam fotos, músicas e

4623

�outros materiais, têm estrutura leve, textos em geral breves, descritivos e
opinativos, além de possuir uma abertura para receber comentários, porque
são comunicativos e participativos (MACIEL et. al., 2010, p.2).

O que antes se restringia ao físico, agora também se encontra no digital, pois há um
espaço onde todos podem estar unidos (profissionais bibliotecários, usuários, bibliotecas).
Os usuários atualmente, por meio da Web 2.0, tem a oportunidade de serem os
próprios colaboradores. Eles podem sugerir mudanças nos espaços que lidam com a
informação, podem aplicar os seus pontos de vista em relação a diversos assuntos aguardando
objetivando melhorias para os mesmos.
Levando em questão estas características e anexando-as às atividades
desenvolvidas nas bibliotecas, em especial nas bibliotecas universitárias,
pode-se afirmar que a Web 2.0 vem a ser uma verdadeira aliada no processo
de interação entre bibliotecários e os usuários que já fazem uso deste
mecanismo em outros ambientes virtuais, que não seja só o da biblioteca
(BRITO; SILVA, 2010, p. 2).

Por meio dessa relação com a Web 2.0, a biblioteca, o bibliotecário e o usuário estarão
caminhando rumo a um maior desenvolvimento na disseminação da informação. Isso ocorre
porque a Web 2.0 traz em si algo útil e importante: a interatividade. Essa é uma forma de
manter o espaço informacional sempre em desenvolvimento. Se forem encontrados problemas
ou se o momento sugerir o reconhecimento da biblioteca e sua estrutura como um todo, seu
atendimento, serviços, dentre outros, tudo isso se torna possível na Web 2.0. Sendo assim, os
resultados serão satisfatórios para ambos.
Os recursos que compõem a Web 2.0, em conjunto com suas características
como a interatividade e o dinamismo podem ser utilizados no Serviço de
Referência das bibliotecas, ampliando as possibilidades de interação e
estreitando o relacionamento entre o bibliotecário e o usuário, permitindo o
compartilhamento de informações, esclarecimento de dúvidas, a troca de
idéias e facilitando o processo de disseminação da informação sem que,
necessariamente, o usuário precise estar no espaço físico da biblioteca para
que isto ocorra (PEREIRA; CARVALHO, 2012, p. 103).

É importante pensar no usuário estando satisfeito com os serviços oferecidos pela
biblioteca. Se existem as ferramentas da Web 2.0 no ambiente, então é importante utilizá-las
com o objetivo de que o usuário esteja vinculado à biblioteca.
Essa interatividade cria maneiras mais desenvolvidas de fazer com que as bibliotecas
sejam conhecidas e reconhecidas, a partir da agregação das ferramentas da Web 2.0, estas
passam a se destacar, pois os usuários que constantemente estão se envolvendo com a Web
por meio das redes sociais, como por exemplo, também querem encontrar informações acerca
das bibliotecas de forma rápida e simples. Esse espaço surge como um ambiente onde é

4624

�possível tanto a biblioteca, o bibliotecário quanto os usuários manterem vínculo
informacional.
Dentro da Web 2.0 encontramos diversas ferramentas que auxiliam na disseminação
das informações e proporcionam a interatividade e a colaboração. Como exemplo podemos
falar em: Microblogs, Wikis, Redes Sociais, Instant Messenger, Bookmarking Social,
Streaming Media e os Blogs, foco de nosso trabalho.

3 Blogs em Bibliotecas
Os blogs mudaram o modo de como as pessoas podem expressar opiniões, fazer
comentários acerca de determinados assuntos e manter um grande público atualizado sobre
estes assuntos. No caso das empresas, seu foco está direcionado as vendas, logo, estas
publicam informações sobre seus produtos com o objetivo de desenvolverem o seu mercado.
O termo blog foi criado por Jorn Barger em 1997, considerado o primeiro
blogueiro da história. Na época ele criou um site pessoal onde publicava
diversos links que achava interessante organizado em categorias como arte,
diversão, ciências e história. Hoje, sua estrutura permite a atualização rápida
a partir de acréscimos de tamanho variável, chamados "posts". Estes são, em
geral, organizados de forma cronológica inversa, costumam abordar a
temática do blog e podem ser escritos por um número variável de pessoas.
Pouco tempo depois surgiram empresas que lançaram softwares
desenvolvidos para automatizar a publicação em blogs (COSTA, 2011, p. 4).

Possuir um blog na atualidade é uma tarefa simples, mas apesar da facilidade, nem todas as
pessoas tem realmente o interesse nessa ferramenta de disseminação de informações. Mantêlo em funcionamento é tarefa para poucos.
Desde 1997, data em que o termo weblog foi apresentado pela primeira vez,
e posteriormente em 1999 quando passou a ser conhecido apenas como blog,
essa ferramenta se faz presente no dia-a-dia de internautas do mundo todo e
vem sendo aperfeiçoada e usada de forma dinâmica. Os blogs podem ser
assim classificados: pessoais (em forma de diários); filtro (o autor seleciona
informações do seu interesse e disponibiliza os links); temáticos (tratam de
assuntos específicos); corporativos (utilizados para a colaboração dentro de
organizações), entre outros (ARAÚJO, 2010, p. 203 - 204).

O blog possibilita ao seu administrador oportunidades de se inserir em determinados
ambientes digitais, abordando temas de seu interesse, expondo suas opiniões, contribuindo
para a existência de um vínculo informacional entre ele e outros usuários.
O blog pode ser dinâmico, agregando um bom conteúdo, com uma interface atrativa,
com cores que o destaquem e com recursos que lhe tornem um veículo de interação e
expansão de informações.

4625

�Ressaltando uma de suas principais funcionalidades, aborda-se aqui a
facilidade com que esses blogs são criados, fazendo uso apenas de um e ­
mail, e a partir daí pode-se criar uma conta, fornecendo uma senha e depois é
só postar as informações, dentre elas em imagens, vídeos, links slides etc.,
que serão compartilhadas á aqueles que a procuram. Surge também como um
meio de pesquisa entre os mesmos, destaca-se a capacidade que o blog
possui de armazenamento de comentários feitos entre os usuários, tendo em
vista o objetivo de contribuição para uma melhor interação entre autor/ leitor
(OLIVEIRA; SANTOS, 2011, p. 2).

A partir do momento que as bibliotecas passaram a incorporar o blog aos seus
serviços, houve uma contribuição para que estas atendessem as necessidades de informação
por parte da comunidade. O profissional bibliotecário deve estar inteirado sobre as inovações
disponíveis na ferramenta blog, e ainda que ele não conte com uma grande equipe de apoio,
deverá estudá-la a fim de atrair um público assíduo à biblioteca.
O uso das tecnologias de comunicação e informação (TICs) em ambientes
das bibliotecas universitárias (BUs) é uma evolução natural destes espaços
de conhecimento acadêmico. Bibliotecas passaram do manejo de catálogos
manuais para sistemas bibliográficos automatizados; dos conteúdos
impressos divulgados nos murais das instituições para as home-pages
estáticas, e agora usufruem da oportunidade de, novamente, oferecerem, por
meio das plataformas tecnológicas presentes na geração Web 2.0, formas
novas de tratamento, organização, disseminação e recuperação de
informações; de interação com o usuário (AGUIAR; SILVA, 2010, p. 1 - 2).

A seguir, nas figuras 1, 2, 3, 4 e 5, exemplos de blogs em Bibliotecas.

Figura 1 - Página inicial do Blog da Biblioteca da FAUUSP.

Fonte: http://bibfauusp.wordpress.com /

4626

�Figura 2 - Página inicial do Blog da Rede Sirius.

Fonte: http://redesirius. blogspot. com. br/

Figura 3 - Página inicial do Blog da Biblioteca Central de Ribeirão Preto/USP.

Blog da Biblioteca Central de
Ribeirão Preto/USP

Fonte: http://blogbcrp. blogspot. com. br/

Figura 4 - Página inicial do Blog da Biblioteca ICE - UFJF.

Fonte: http://bibliotecaice.w ordpress.com /

4627

�Figura 5 - Página inicial do Blog da Biblioteca da FEAAC/UFC.

+ DE 60 DOCUMENTÁRIOS SOBRE
A MÚSICA BRASILEIRA PARA
•ASSISTIR DF. GRAÇA

mmm

Fonte: http://bibliotecadafeaacs.wordpress.com /

4 Metodologia
O objeto de pesquisa de nosso trabalho foi a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências
da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, fundada no ano de 2008. Esta biblioteca
setorial originou-se de uma biblioteca de Odontologia. A Biblioteca recebe cerca de 250 a 300
pessoas diariamente. Não existe uma estatística que forneça o número de usuários cadastrados
por biblioteca, pois não se cadastra o usuário em biblioteca especifica, e sim no Sistema de
Biblioteca da UFPB.
O seu acervo é composto de 147 títulos de livros, 4536 exemplares, 494 títulos de
periódicos e 7126 fascículos de periódicos. Os periódicos são em sua grande maioria de
Odontologia, até porque esta biblioteca setorial originou-se de uma biblioteca de Odontologia.
Os cursos que fazem parte desse acervo são: Nutrição, Odontologia, Enfermagem, Terapia
Ocupacional, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Farmácia e Educação Física, mas a grande
maioria é de 80% referente à área de Odontologia525.
Conduzimos esta pesquisa de acordo com uma abordagem exploratória e descritiva, de
natureza qualitativa, na qual o que se pretendia inserir o blog como ferramenta que
proporcionasse a interação entre os usuários e a Biblioteca.
Utilizamos como método a pesquisa-ação, pois segundo Thiollent (1997, p. 36), a
pesquisa-ação implica em uma percepção de ação, que “requer, no mínimo, a definição de
vários elementos: um agente (ou ator), um objeto sobre o qual se aplica a ação, um evento ou
ato, um objetivo, um ou vários meios, um campo ou domínio delimitado”. Consiste no
entendimento da pesquisa inserida na ação, pois os atores envolvidos participam em conjunto
525 Informações cedidas pelo coordenador da Biblioteca.

4628

�com os pesquisadores, a fim de elucidar a realidade em que estão inseridos (THIOLLENT,
1997).
A pesquisa-ação teve como objetivos centrais a prática dos participantes, a
compreensão e a produção dessa prática, assegurando a participação ativa dos integrantes no
processo e a garantia democrática da ação, a fim de proporcionar o compromisso dos
participantes.
Thiollent (1997, p. 44) considera a existência de fases na pesquisa-ação:
fase exploratória (diagnóstico para identificar um problema); fase principal
(planejamento da ação, considerando as ações como alternativas para
resolver o problema); fase de ação (execução das ações, com seleção de um
roteiro de ações); fase de avaliação (avaliação das consequências da ação).

As atividades foram divididas em três momentos específicos: inicial, médio e final,
conforme descrito abaixo:
Quadro1 - Momentos da pesquisa
INICIAL

MÉDIO
FINAL

Realização de estudos que permitirão o detalhamento/refinamento das etapas e
dos procedimentos metodológicos; Elaboração dos instrumentos de coleta de
dados e a organização da estrutura geral para o desenvolvimento da pesquisa.
Analise dos dados coletados por meio das entrevistas referentes ao conhecimento
dos usuários e da equipe acerca das ferramentas da Web 2.0.
Implantar o blog na Biblioteca visando torná-lo um meio de interação com os
usuários.

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Para a participação nas situações concretas do contexto da pesquisa foi necessário
elaborar desde instrumentos de coleta de dados referentes à caracterização dos participantes
desta investigação até construir os próprios formulários de identificação do campo. Nesse
sentido, utilizamos formulários com dados de identificação.

5 Análise e Discussão
Primeiramente foi de grande importância conhecer o espaço no qual se pretendia
trabalhar. Nesse caso, o lugar escolhido foi a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da
Saúde da Universidade Federal da Paraíba.
Para tal, foram realizadas visitas a Biblioteca com o objetivo de conhecê-la, saber o
fluxo de usuários, saber os cursos da área de saúde com os quais a ela trabalha. Em seguida
houve a proposta de um questionário que também envolveria entrevistas. Este seria
direcionado tanto aos usuários quanto aos funcionários visando abordar o seu nível de

4629

�conhecimento acerca das ferramentas da Web 2.0 e que também iria contribuir na construção
do blog.
Para a construção de um blog é importante saber o(s) conteúdo(s) que ele irá
disseminar. O foco do blog da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da
Universidade Federal da Paraíba é disseminar as informações sobre a própria Biblioteca para
os seus usuários e para isso foi necessário saber a opinião destes, que seria um ponto
fundamental para iniciar a sua construção.
Durante três dias, os usuários puderam responder um questionário composto de apenas
4 perguntas que tratavam acerca das ferramentas da Web 2.0, onde eles eram questionados se
as conheciam.
Os questionários foram aplicados em dias alternados no mês de julho de 2013 no
horário da manhã na própria Biblioteca. É importante observar que embora a Biblioteca tenha
uma estatística de 250 a 300 usuários dia, apenas 59 se propuseram a participar da pesquisa.
Estes 59 usuários, estavam divididos, principalmente, nas seguintes graduações: Odontologia,
Terapia Ocupacional, Nutrição e Fisioterapia. A seguir os dados.
Gráfico 1 - Q uestões feitas para o s usuários

**

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

O gráfico 1 mostra as perguntas que foram feitas as usuários. Ao todo foram
entrevistados 59 usuários. A primeira pergunta os questionava sobre seu conhecimento acerca
das ferramentas da Web 2.0 e os 59 usuários responderam que as conhecem. A grande maioria
deles quando questionados sem nenhuma explicação já informavam que não conheciam, mas
logo que ouviam uma explicação mais detalhada, respondiam com maior facilidade. Sobre a
segunda pergunta que fala sobre as ferramentas que os usuários conhecem, o gráfico 2 a
seguir, retrata melhor as respostas. Para a quarta pergunta, o gráfico 3 a seguir, mostrará os
resultados mediante algumas opções de proposta.

4630

�A segunda pergunta referia-se as ferramentas ue eles conheciam (Blogs, Wikis,
Streaming Media, Bookmarking Social, Redes Sociais, Instant Messenger e os Microblogs).
Alguns desses usuários respondiam que as conheciam, mas não as utilizam. A ferramenta que
a maioria não conhece é o flickr que está inserido no Bookmarking Social.
Na terceira pergunta 52 usuários sentem falta das ferramentas da Web 2.0 na
Biblioteca.
Na quarta pergunta os usuários poderiam sugerir as informações que deveriam constar
no blog (livros que fossem adquiridos para o acervo, horário de funcionamento, histórico da
biblioteca, visita guiada, contatos, redes sociais). O histórico da biblioteca e a visita guiada
foram opções menos sugeridas por eles.

Acerca da visita guiada, alguns deles disseram qu seria necessária apenas no caso de
uma biblioteca com um espaço mais amplo. Pelo menos sete usuários sugeriram outros
serviços como, por exemplo, a inserção de ebooks no blog, porém eles foram informados de
que estes recursos requerem permissão dos autores responsáveis pelas obras e devem passar
por uma série de outros critérios que não cabem a esse projeto.

4631

�Esse mesmo questionário foi aplicado aos 7 funcionários da biblioteca, mas apenas
três deles responderam. No caso dos funcionários, o questionário foi encaminhado por e-mail
ao coordenador da biblioteca, e também no formato impresso, contendo opções marcadas
referentes às suas sugestões.
Com os dados em mãos o próximo passo foi escolher a plataforma que o blog seria
construído. Assim, a plataforma utilizada para a construção do blog foi o WordPress. O
WordPress é uma plataforma semântica de vanguarda para publicação pessoal, com foco na
estética, nos padrões web e na usabilidade. O WordPress é ao mesmo tempo um software
livre e gratuito.
É importante salientar que existem várias plataformas para desenvolvimento de blogs.
Essas plataformas são gratuitas e nelas é possível elaborar um blog de qualidade, envolvendo
o layout, gadgets526 e outros recursos.

6 Construção do Blog
Inicialmente foi apresentada ao coordenador da Biblioteca Setorial do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba a proposta de criação do blog,
relatando que esta ferramenta serviria como meio de disseminação das informações da
biblioteca para a comunidade acadêmica. Feita a proposta, e esta, acatada pelo coordenador,
deu-se início a construção.
O blog dispõe de um cabeçalho que envolve três imagens referentes à própria
biblioteca. O título é BIBLIOTECA CCS UFPB. Nele também existe um menu com seis
guias que são opções onde o usuário pode clicar e em seguida será redirecionado a informação
que aquela guia abordará. As guias do menu são as seguintes: início, por dentro da biblioteca,
serviços, acervo, equipe e política de privacidade.
Figura 6 - Cabeçalho do blog da Biblioteca do CCS.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com
526 Pequeno módulo, ferramenta ou serviço que pode ser agregado a um ambiente (tecnológico) maior, como por
exemplo, um blog.

4632

�Ao clicar no botão início, o usuário sempre será redirecionado ao conteúdo inicial do
blog. Clicando em por dentro da biblioteca, ele conhecerá um pouco da biblioteca, sua
história, o ano da sua fundação e irá visualizar algumas imagens.

Figura 7 - Guia Por dentro da Biblioteca.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com/sobr/

Na opção serviços, o usuário confere os serviços que a biblioteca oferece.
Figura 8 - Guia serviços.
Serviços
Pesquisas as bases de dados;
Pesquisas ao acervo;
Empréstimo de materiais;
Solicitação de fichas catalográficas.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com/servicos/

Na guia equipe, estão todos os funcionários que nela trabalham. Na guia acervo, estão
às informações referentes aos números de títulos de livros, exemplares e etc. Na política de
privacidade o usuário observará o padrão de toda e qualquer página de publicação eletrônica
onde proíbe a reprodução de toda e qualquer informação do blog sem citar ao menos o link do
mesmo.

4633

�Na lateral direita do blog, existem as seguintes opções: Pesquise, Postagens recentes,
Blogs importantes, Sites importantes, Postagens por tópicos, Outros arquivos e Visualizações.
São opções que possibilitam a interação no próprio blog. A partir dos links disponíveis
nos Blogs e Sites importantes, o usuário, ao clicar sobre eles, imediatamente será
redirecionado para os sites e blogs neles referidos.
Figura 9 - Gadgets na lateral direita do blog.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com

Figura 10 - Página inicial do blog da Biblioteca CCS UFPB.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com

4634

�O

endereço

eletrônico

do

blog

da

Biblioteca

é

bibliotecaccsufpb.wordpress.com.

7 Considerações Parciais
Observamos que com a implantação do blog na Biblioteca Setorial do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba é possível possibilitar o envolvimento
da comunidade acadêmica na interação e colaboração na troca de informações. Contudo é de
suma importância que haja um treinamento com todo o pessoal, explicando como se dá o
passo a passo do desenvolvimento do blog, desde a criação de uma conta para acessá-lo até a
plataforma para a sua construção, explicando também sobre a sua interface, como elaborar as
postagens e etc. Isso será realizado durante determinado período, até que os funcionários
aprendam a utilizar a ferramenta, mas eles serão os responsáveis pelo blog e pelas suas
atualizações posteriormente.
Blogs em bibliotecas permitem valorizar recursos, disseminar eventos e
valorizar coleções, envolvendo a comunidade e dando-lhe espaço para se
expressar, sublinhando-se a necessidade de novas atitudes e comportamentos
por parte dos profissionais envolvidos. (MACIEL et. al., 2010).

É possível perceber que muitos usuários e profissionais da informação ainda não têm
noção da importância da ferramenta de blog como meio de disseminação da informação. É
importante comunicar aos outros as experiências pessoais da profissão e isso resultará na
agregação de uma comunidade de usuários, seja ela composta por estudantes ou profissionais,
que queiram compartilhar conteúdos e tirar dúvidas sobre questões relacionadas à área.
Através do blog o bibliotecário manterá contato e a interatividade com os
usuários de forma que poderá publicar informações que poderão ser
verificadas constantemente bem como percorrer seus arquivos, de acordo
com a sua vontade. Ao publicar um blog o bibliotecário tem a oportunidade
de mostrar a capacidade que tem o profissional da informação, mudando a
visão que muitos ainda têm da profissão (MACIEL et. al., 2010).

É importante refletir que nem todas as Bibliotecas dispõem dos serviços da Web 2.0,
pois em algumas delas não possuem sequer recursos tecnológicos. Muitas dessas Bibliotecas
não dispõem de computadores e nem de equipe que tenha conhecimento na área da
informática e a dedicação pela mesma para que assim a Biblioteca também esteja trabalhando
em busca da interação, colaboração envolvendo a comunidade.

4635

�6 Referências
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orkut, myspace e ning. In: Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, 16. Seminário
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Encontro Regional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação
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bibliotecas das universidades federais do nordeste brasileiro. Inf. Inf., Londrina, v.17, n.3, p.
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como uma ferramenta de comunicação e fonte de informação para seus usuários. In: Encontro
Regional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e Gestão
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4636

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As ferramentas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), principalmente o blog, trouxeram melhorias e continuam a transformar a maneira de como as pessoas podem utilizar a informação, quer seja na sua disseminação, quer seja no seu compartilhamento. Trazendo para o contexto das bibliotecas universitárias, é importante pensar no que essa ferramenta da Web 2.0 tem auxiliado ao longo do tempo, e pode auxiliar cada vez mais, visto que tantos os profissionais bibliotecários e as bibliotecas se utilizam do blog para manter a comunidade informada sobre os seus serviços, trazendo consigo a interação e a colaboração entre os profissionais e os usuários. Nessa perspectiva, observamos que a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foco de nosso trabalho, não possuía nenhuma ferramenta tecnológica para a interação e o compartilhamento de informações com os seus usuários. Assim, nosso objetivo de pesquisa foi compreender o blog como uma ferramenta que promove serviços, e ao mesmo tempo propor a criação e implantação do mesmo na biblioteca pesquisada, verificando o grau de conhecimento dos usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba acerca das ferramentas da Web 2.0. Utilizamos na pesquisa a abordagem exploratória e descritiva, de natureza qualitativa, como método: a pesquisa-ação, pois essa consiste no entendimento da pesquisa inserida na ação, porque os atores envolvidos participaram em conjunto com o pesquisador, a fim de elucidar a realidade em que estavam inseridos. Observamos que com a implantação do blog na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba será possível envolver a comunidade acadêmica na interação e colaboração por meio da troca de informações.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A IMPORTÂNCIA DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL PARA O
PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO ATUANTE EM BIBLIOTECA DA
MODALIDADE DE ENSINO A DISTÂNCIA
Paula Sanhudo da Silva
Angela Schmidt
Lidiana Sagaz Silva

RESUMO
O presente artigo é a versão preliminar da dissertação de mestrado de uma das autoras e tem
por objetivo realizar uma breve revisão a acerca dos temas “Competência Inform adonal” e
sobre a “Educação a Distância” (EaD), o último focado no cenário nacional. Também se faz
necessário conhecer o Profissional da Informação atuante em uma Instituição do Ensino
Superior (IES) com o intuito de levantar quais são as suas competências informacionais
necessárias para atuar neste ambiente em crescente ascensão. Por fim, traz-se algumas
reflexões do quão importante e necessário são os desafios de um profissional da informação
que atua em uma IES e que atenda a comunidade acadêmica na modalidade de EaD.

Palavras-Chave: Competência Informacional. Educação a Distância. Profissional da
Informação. Bibliotecário.
ABSTRACT
This article is the preliminary version of the dissertation of one of the authors and aims to
make a brief review on the topics "Information Literacy" and the "Distance Learning", the
latter focused on the national scene. It is also necessary to know the Information Professional
acting in an Higher Education Institutions in order to get what their informational skills
required to work in this environment in ascending ascension. Finally, brings up some thoughts
on how important and necessary are the challenges of an information professional who works
in an Higher Education Institutions and meets the academic community in the form of
distance learning.

Keywords: Information Literacy. Distance Learning. Information Professional. Librarian.

1 INTRODUÇÃO
Falar sobre a Competência Informacional de um Profissional da Informação em um
primeiro momento nos parece desnecessária, mas não é. Primeiramente, se faz necessário
saber o que é Competência Informacional e como ela surgiu, para em um segundo momento a
imprescindível importância de um Profissional da Informação, neste processo.

1929

�No Brasil, o termo “profissional da informação”, “ [...] vem sendo, frequentemente,
empregado na literatura da área, nos últimos dez anos sendo, na maioria das vezes
denominado ‘bibliotecário’ o ‘profissional da informação’” (CUNHA; CRIVELLARI, 2004,
p.48).
Cabe ressaltar que não se pretende criar uma nova teoria e/ou propor um novo modelo
para os temas abordados, mas sim uma reflexão dos agentes envolvidos, enfatizando o que
cabe conhecer e as dificuldades em transpor um paradigma de teóricos e estudiosos, tanto para
a Competência Informacional como para o Profissional da Informação. Já que estes temas
serão aprofundados na dissertação de mestrado de Paula Sanhudo da Silva, junto ao Programa
de Pós-Graduação em Gestão da Informação na Universidade do Estado de Santa Catarina
(UDESC).
Mas por que trabalhar um tema tão “complexo” em uma área (EaD) dita nova,
nacionalmente? Acredita-se que já esteja respondida a pergunta, tanto a Competência
Informacional quanto a EaD são considerados temas “novos” na literatura brasileira, mas
juntas trazem bom embasamentos para novos estudos, principalmente a cerca do que
pretende-se tratar neste primeiro estudo.
Objetiva-se com este estudo instigar novas pesquisas que possam propor uma
estratégia, modelo ou até mesmo uma teoria de qual forma um Profissional da Informação
pode tornar-se um Competente Informacional. Quem sabe?!
Assim,

será

abordado

a

seguir: uma

breve

retrospectiva

da

Competência

Informacional; a contextualização da EaD no Brasil; o Profissional da Informação um
profissional competente informacional; e, finda-se com uma proposta de reflexão dos assuntos
tratados.

2 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL: BREVE RETROSPECTIVA
A Competência Informacional ou Information Literacy embora não seja um termo
“novo”, poucos são os estudos desenvolvidos no cenário brasileiro. Evidentemente, que não
podemos comparar a publicação nacional com a estrangeira, mas acredita-se que tem-se muito
a explorar.
O conceito de Information Literacy foi introduzido pela primeira vez na literatura em
1974, por Paul Zurkowski presidente da Associação Americana da Indústria da Informação,
em uma proposta apresentada à Comissão Nacional de Bibliotecas e Ciência da Informação
(NCLIS).

1930

�A partir desta primeira “aparição”, vários autores e grupos de estudos internacionais
iniciaram suas pesquisas sobre o tema e suas implicações na comunidade científica, aplicadas
a determinadas áreas do conhecimento.
Brevemente, no Quadro 1 descreve-se alguns conceitos segundo alguns autores
nacionais e segundo a American Library Association (ALA), levantados em 2011, pelas
autoras Reis, Carvalho e Muniz:

Quadro 1 - Quadro Conceituai
AUTORES
ALA (2000)

CONCEITOS
Um conjunto de habilidades indispensáveis ao indivíduo para reconhecer
quando uma informação é necessária e ter habilidades para localizá-la, avaliála e usá-la eficazmente.
Hatschbach (2002)
Área de estudos e de práticas que trata das habilidades acerca do uso da
informação em relação à sua busca, localização, avaliação, e divulgação,
integrando a utilização de novas tecnologias e a capacidade de resolução de
problemas de informação.
Dudziak (2003)
Processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e
de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o
universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um
aprendizado ao longo da vida.
Belluzzo (2005)
Processo contínuo de interação e internalização de fundamentos conceituais,
atitudinais e de habilidades específicas como referenciais à compreensão da
informação e de suas abrangências, em busca de fluências e das capacidades
necessárias à geração do conhecimento novo e sua aplicabilidade ao cotidiano
das pessoas e das comunidades ao longo da vida.
Fonte: Adaptado de R eis, Carvalho e Muniz (2011, p. 5).

Já para Coelho (2010, p. 4) a Information Literacy:

[...] é relacionada à formação de pessoas capazes de, com espírito crítico,
utilizar técnicas e aplicá-las nas suas necessidades de informação em
qualquer ambiente. Inclui aprendizado ao longo da vida e habilidade para
atuar efetivamente na sociedade da informação.
Com isso, a Competência Informacional mostra os caminhos que devem ser trilhados
por um indivíduo no processo de busca, recuperação, avaliação e apropriação de informações,
uma vez que trabalha habilidades, atitudes, conhecimentos e valores que devem ser
incorporados nesse processo. (CONEGLIAN; SANTOS; CASARIN, 2010, p. 261).
Neste sentido, busca-se com este embasamento teórico subsídios para um estudo sobre
Competência Informacional aplicada ao ambiente de trabalho do Profissional da Informação.
Ramo este que Coelho (2010) trouxe a discussão quando enfatiza que os estudos são
recentes sobre a temática, mas “ [...] o mundo do trabalho já [tem] constatado que faltam aos

1931

�empregados as habilidades necessárias para o uso eficaz da informação, não tem sido fácil
promover Competência Informacional nesse cenário” .
Mesmo

constatando

este

déficit

de

“habilidades”

em

seus

funcionários/empregados/colaboradores, a empresa deve proporcionar a este uma formação
continuada para que não fique estagnado diante das novas tecnologias, alta produção de
informações e recursos para armazenamento e, recuperação destas informações.
Para tanto, o Profissional da Informação para atuar no segmento da Educação a
Distância (EaD), deve estar preparado para lidar, principalmente, com os mais variados leques
de tecnologias, pois de acordo com Marchiori (1996, p. 28) “ [...] as tecnologias tornaram os
processos mais rápidos e fáceis de ser

controlados, o que significa que as demandas de

informação, em função da mudança do conceito de informação, são cada vez mais
diferenciadas” .
Se tratando da EaD fica evidente a importância,

a facilidade e agilidade

proporcionadas pelas tecnologias para atender os estudantes que estão distantes fisicamente,
pois para a informação não existem barreiras. Além das tecnologias é importante conhecer
buscadores, fontes de informação, preocupar-se com um constante aprendizado e, se possível,
criar uma rede multidisciplinar de contatos (outros profissionais) para que esteja inserido nos
mais variados níveis de produção, armazenamento e busca das informações. Seja para atender
as suas necessidades de informação ou para atender um usuário/cliente.
Corroborando com essa ideia, Spudeit, Viapiani e Vitorino (2010, p. 60) lembram o
quão necessário para a EaD é a

[...] inserção do bibliotecário nesta equipe buscando a melhoria da qualidade
do processo educativo e para o efetivo acesso à informação. O bibliotecário
deve atuar como mediador de conhecimentos mantendo-se atualizado sobre a
área de conhecimento do curso e fontes de informação relacionadas (os
instrumentos do conhecimento) para manter os padrões de qualidade do
curso e promovendo o diferencial na equipe interdisciplinar.
Assim, acredita-se que as competências apreendidas pelos bibliotecários em sua
formação, também dão conta desse “novo” ambiente de trabalho, no qual não existem
barreiras físicas para a troca e compartilhamento de informação.

3 A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL
Por meio do processo de Globalização, a sociedade atual está vivenciando grandes
transformações no âmbito econômico, político, cultural e educacional. A este último atribui-

1932

�se a diversidade de instituições de ensino (privado), criadas em algumas vezes de forma
desordenada e sem atender a sua função principal, fornecer ensino de qualidade.
Nesta perspectiva, as Instituições de Ensino Superior (IES) estão se utilizando de uma
modalidade denominada de Educação a Distância (EaD) para ofertar ao “mundo” seus cursos.
Mundo porque nesta modalidade a IES consegue atender a um público mais amplo, embora se
exija acesso a tecnologia e a Internet, algo que ainda restringe e exclui uma camada da
população.
Em um levantamento realizado, viu-se que muitos são os conceitos para a EaD, mas
neste momento utiliza-se do conceito de Educação a Distância no Brasil definido oficialmente
no Decreto n° 5.622, de 19 de dezembro de 2005 (BRASIL, 2005):

Art. 1° Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a Educação a Distância
como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos
processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e
tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos.
O fato de se optar por uma educação na modalidade EaD exige do seu estudante uma
autonomia em sua aprendizagem e disciplina para cumprir com as atividades propostas, pois
não haverá um encontro presencial diário com professores e colegas, tampouco atividades e
avaliações presenciais. Haverá sim, o seu acompanhamento a distância e on-line, onde o
estudante está amparado pelo atendimento de um professor e também de um tutor, fora os
demais setores de apoio, como por exemplo, Serviço de atenção integral ao acadêmico
(SAIAC), Call Center, Secretaria, entre outros.
Toda esta infraestrutura, mesmo pertencendo a uma modalidade EaD, possui um
espaço físico (sede) em que estes setores estão estruturados para atender o seu estudante e,
que recentemente (dos anos de 2009 a 2012) a muitas IES foram solicitados os chamados
Polos de Apoio Presencial, para dar suporte a um número significativo de estudantes
matriculados em determinada região (exigências do MEC).
Diante disto, a EaD segundo Alves (2011), está baseada historicamente em nosso país
nos seguintes acontecimentos:

1933

�Quadro 2 - A história da EaD no Brasil
A HISTORIA DA EaD NO BRASIL
ANO
ACONTECIMENTO
1904
O Jomal do Brasil registra, na primeira edição da seção de classificados, anúncio
que oferece profissionalização por correspondência para datilógrafo.
1939
Surgimento, em São Paulo, do Instituto Monitor, o primeiro instituto brasileiro a
oferecer sistematicamente cursos profissionalizantes a distância por
correspondência, na época ainda com o nome Instituto Rádio Técnico Monitor.
1941
Surge o Instituto Universal Brasileiro, segundo instituto brasileiro a oferecer
também cursos profissionalizantes. Fundado por um ex-sócio do Instituto Monitor,
formou mais de 4 milhões de pessoas e hoje possui cerca de 200 mil estudantes;
juntaram-se ao Instituto Monitor e ao Instituto Universal Brasileiro outras
organizações similares, que foram responsáveis pelo atendimento de milhões de
estudantes em cursos abertos de iniciação profissionalizante a distância. Algumas
dessas instituições atuam até hoje. Ainda no ano de 1941, surge a primeira
Universidade do Ar, que durou até 1944.
1970
Surge o Projeto Minerva, um convênio entre o Ministério da Educação, a Fundação
Padre Landell de Moura e Fundação Padre Anchieta, cuja meta era a utilização do
rádio para a educação e a inclusão social de adultos. O projeto foi mantido até o
início de 1980.
1976
É criado o Sistema Nacional de Teleducação, com cursos através de material
instrucional.
1979
a Universidade de Brasília, pioneira no uso da Educação a Distância, no ensino
superior no Brasil, cria cursos veiculados por jornais e revistas, que em 1989 é
transformado no Centro de Educação Aberta, Continuada, a Distância (CEAD) e
lançado o Brasil EAD.
1981
É fundado o Centro Internacional de Estudos Regulares (CIER) do Colégio AngloAmericano que oferecia Ensino Fundamental e Médio a distância. O objetivo do
CIER é permitir que crianças, cujas famílias mudem-se temporariamente para o
exterior, continuem a estudar pelo sistema educacional brasileiro.
1991
Teve início o programa “Jomal da Educação - Edição do Professor”. Em 1995 com
o nome “Um salto para o Futuro” foi incorporado à TV Escola (canal educativo da
Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação) tornando-se um
marco na Educação a Distância nacional. É um programa para a formação
continuada e aperfeiçoamento de professores, principalmente do Ensino
Fundamental e alunos dos cursos de magistério. Atinge por ano mais de 250 mil do­
centes em todo o país.
1992
É criada a Universidade Aberta de Brasília, acontecimento bastante importante na
Educação a Distância do nosso país.
1996
É criada a Secretaria de Educação a Distância (SEED), pelo Ministério da Educação,
dentro de uma política que privilegia a democratização e a qualidade da educação
brasileira. É neste ano também que a Educação a Distância surge oficialmente no
Brasil, sendo as bases legais para essa modalidade de educação, estabelecidas pela
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n° 9.394, de 20 de dezembro de
1996, embora somente regulamentada em 20 de dezembro de 2005 pelo Decreto n°
5.622 que revogou os Decretos n° 2.494 de 10/02/98, e n° 2.561 de 27/04/98, com
normatização definida na Portaria Ministerial n° 4.361 de 2004.
2004
Vários programas para a formação inicial e continuada de professores da rede
pública, por meio da EaD, foram implantados pelo MEC. Estas ações conflagraram
na criação do Sistema Universidade Aberta do Brasil.
2005
É criada a Universidade Aberta do Brasil, uma parceria entre o MEC, estados e
municípios; integrando cursos, pesquisas e programas de educação superior a
distância.
2006
Entra em vigor o Decreto n° 5.773, de 09 de maio de 2006, que dispõe sobre o

1934

�2007

2009

2011
Fonte:

exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de
educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal
de ensino, incluindo os da modalidade a distância.
Entra em vigor o Decreto n° 6.303, de 12 de dezembro de 2007, que altera
dispositivos do Decreto n° 5.622 que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação
Nacional.
Entra em vigor a Portaria n° 10, de 02 julho de 2009, que fixa critérios para a
dispensa de avaliação in loco e deu outras providências para a Educação a Distância
no Ensino Superior no Brasil.
A Secretaria de Educação a Distância é extinta.
Elaborado pelas autoras, baseado no levantamento de Alves (2011, p. 87-90).

Tais acontecimentos serviram para fortalecer esta modalidade de ensino, bem como
proporcionar a uma camada significativa da população acesso ao ensino superior. Cabe
ressaltar que o usuário/cliente que estiver em busca desta modalidade deve antes de tudo,
consultar os órgãos credenciadores nacionais (MEC) e regionais para averiguar a situação da
IES junto aos mesmos.
No Censo da Educação Superior realizado pelo Inep em 2010, tem-se as informações
abaixo, importantíssimas para conhecimento, são elas:

Figura 1 - Perfil da EaD no Brasil
A distância

Não

Fonte: BRASIL, 2011, p.10.

Percebe-se que quase 50% dos estudantes da EaD no Brasil estavam cursando
licenciaturas e em segundo lugar o bacharelado, com 28,8% dos estudantes.
Atualmente o sistema de ensino a distância computa um sem número de instituições
particulares ofertando os mais diversos cursos superiores nessa modalidade. O que se espera é
que a qualidade do produto ofertado (cursos) seja uma preocupação constante das IES, de
modo a “dispor” no mercado de trabalho uma imensa população que necessita de constante
ampliação de conhecimentos para ser absorvida pelo mercado de trabalho.

1935

�E, é neste momento de interação entre a IES e cliente que o Profissional da Informação
poderá e deverá se inserir, por tratar-se de um profissional de “ligação” nos processos de
ensino e aprendizado dos usuários, indiferente do nível que este esteja cursando, “ao longo de
sua vida” .
Fica claro, que a “engrenagem” da educação continuada só funcionará se o indivíduo
em aperfeiçoamento seja amparado por uma IES comprometida com a qualidade de ensino
prestado, profissionais devidamente habilitados e em constante capacitação, materiais
didáticos de qualidade, tecnologia de acesso a IES desmistificado (de interface acessível e
intuitiva), isto tudo com o intuito de proporcionar ao cliente o melhor ensino EaD do curso
escolhido.
Todos estes pontos “positivos” servirão para que o cliente sinta a necessidade e o
interesse em permanecer na IES, não somente para uma graduação, mas sim para uma pós
e/ou outros cursos que o manterão atualizados para o mercado de trabalho ou para a vida.

4 PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO: UM COMPETENTE INFORMACIONAL?
No ano de 2002 o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) disponibilizou à
sociedade a nova Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), neste documento constam as
seguintes informações sobre as ocupações do mercado de trabalho brasileiro: nome, código,
títulos e descrição das características das ocupações.
Na CBO, os Profissionais da Informação estão codificados sob o número 2612,
formando uma “família” que compõe:
2612-05 - Bibliotecário, Bibliógrafo, Biblioteconomista, Cientista da
informação, Consultor de informação, Especialista de informação, Gerente
de informação, Gestor de informação; 2612-10 - Documentalista - Analista
de documentação, Especialista de documentação, Gerente de documentação,
Supervisor de controle de processos documentais, Supervisor de controle
documental, Técnico de documentação, Técnico em suporte de
documentação; e 2612-15 - Analista de informações - Pesquisador de
informações de rede. (FARIA et al., 2005).
Conforme pontuado anteriormente, neste estudo, utilizaremos o Bibliotecário como
um dos Profissionais da Informação, buscando refletir suas competências informacionais para
atender uma biblioteca voltada aos estudantes da EaD.
Antigamente, nos transcorrer de nossa história, tínhamos o Bibliotecário como sendo o
“principal” profissional da informação por trabalhar em bibliotecas. Tal associação, ainda era
mais retrógada quando a imagem deste profissional era, e ainda é, associada a uma senhora de

1936

�coque, óculos, que exige silencio e que não quer que seus usuários retirem os livros das
estantes.
Felizmente, aos poucos se tem conseguido mudar este estereótipo, já que o
profissional da informação não é somente o Bibliotecário, mas “ [...] parece haver um
consenso que entre os profissionais incluídos estão os bibliotecários, os arquivistas e os
mestres e doutores formados nos programas de pós-graduação em Ciência da Informação.”
(MUELLER, 2004, p. 24).
Ultrapassar este paradigma é importantíssimo para que o profissional da informação
consiga alcançar e alçar novas colocações na Sociedade da Informação e mercado de trabalho
atual.
Para tanto, ilustra-se através da Tabela 1,
[...] as competências pessoais do profissional da informação descritas na
Classificação Brasileira de Ocupações e as competências correspondentes ou
correlatas que fazem parte do rol das competências requeridas pelas
organizações. (FARIA et al., 2005).

Tabela 1 - Competências do profissional da informação e suas correspondências de
competências exigidas pelas organizações
C O M P E T Ê N C IA S D O

C O M P E T Ê N C IA S

P R O F IS S IO N A L D A 1N F O R M A Ç A O

R E Q U E R ID A S

N A C L A S S IF IC A Ç Ã O H R A S IL E 1 R A

PELAS

D E O C U FAÇÕES

O R G A N IZ A Ç Õ E S

Oi

M a n tc r-s e a tu a liz a d o

D is p o s iç ã o p a r a m u d a n ç a s

02

L id e ra r e q u ip e s

L id e ra n ç a

03

T r a b a lh a r e m e q u ip e e em rede

A fe to -id a d e + so c ia b ilid a d e

04

D e m o n s tr a r c a p a c id a d e d c a n a lise c
sinte&amp;e

A n á lis e e s ín te s e / o u av aliaç ão

05

D e m o n s tr a r

c o n h e c i m e n t o tie o Litros

C o m u n ic a ç ã o

id io m a *

D e m o n s tr a r c a p a c id a d e d e
c o m u n ic a ç ã o

C o m u n ic a ç ã o

07

D e m o n s tr a r c a p a c id a d e d e n e g o c ia ç ã o

N e g o c ia ç ã o

08

Aj&gt;ir c o m é tic a

É tic a o u L iderança

09

D e m o n s tr a r s e n s o d c o rg a n iz aç ã o

O rg a n iz a ç ã o c p la n e ja m e n to

10

Demonstrar c a p a c id a d e
e m p re en d e d o ra

R e aliza çã o

11

D e m o r u s t r a r r a c i o c í n i o ló g ic o

C ria tiv id a d e + o u tra s c a p a c id a d e s
c o g n itiv a s

12

D e m o n s tr a r c a p a c i d a d e d c
c o n c e n tr a ç ã o

A te n ç ã o / p rio ri zaçãn

13

D e m o n s t r a r proaiivL da.de

A n te c ip a r a m e a ç a s

14

D e m o n s tr a r c ria tiv id a d e

F le x ib ilid a d e / c ria tiv id a d e

06

Fonte: FARIA et al. (2005).

1937

�Fica evidenciado que as competências humanas são necessárias para a atuação do
profissional da informação em centros de informação/organizações/empresas, mas e a sua
Competência Informacional? Não é relevante e/ou importante?
Sim, é imprescindível, por garantir ao profissional da informação a atuação
[...] em múltiplos papéis, que vão desde os operacionais até os estratégicos.
São eles: administrador de unidades e sistemas de informação - é o
administrador gestor responsável pela administração geral, [...] devendo
atuar no sentido de respaldar as decisões estratégicas empresariais;
administrador da informação e da coleção - é um filtrador, formador,
desenvolvedor, organizador, tratador, processador da informação e da
coleção, e preservador da informação. Suas atividades vão desde a seleção e
aquisição, passando pela catalogação, indexação (a descrição física e
temática) e classificação [...]; administrador dos clientes informacionais - é o
circulador, dinamizador, mediador, pesquisador, disponibilizador,
divulgador, disseminador da informação e participante do fluxo do
conhecimento, bem como o responsável pelo treinamento dos clientes e da
confecção de novos produtos e serviços informacionais. Suas atividades vão
desde o empréstimo, passando pela disseminação, referência, orientação e
extensão [...]; e, administrador da transformação e mudança - é tido como o
agente social e político, objetivando a transformação e a mudança [...].
(CANÇADO; MEDEIROS; JEUNON, 2008, p. 205-206).
A maestria do profissional da informação para ser um competente informacional está
na essência da Competência Informacional, que é o de [...] desenvolver habilidades e
competências que permitam o uso consciente, criativo e benéfico da informação tornou-se
essencial para a atuação do indivíduo no contexto social contemporâneo. (VITORINO;
PIANTOLA, 2009).
Assim, o Profissional da Informação para ser um competente informacional precisa
desencadear em si a necessidade de aperfeiçoar-se constantemente, ao longo de sua vida, para
ser e proporcionar ao outro a vivência da Competência Informacional tão necessária nos dias
de hoje.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Educação a Distância é considerada a modalidade de ensino mais democrática, por
utilizar-se de tecnologias de informação e comunicação transpondo as barreiras à conquista do
conhecimento.
Esta modalidade amplia o acesso e a aquisição dos mais variados conhecimentos,
principalmente por esta se constituir em um instrumento capaz de atender inúmeras pessoas
simultaneamente, chegar a indivíduos que estão distantes geograficamente e/ou que não
podem estudar em horários pré-estabelecidos.

1938

�Com este aprendizado, em grande magnitude de oferta, a Competência Informacional
está aportada para “convidar” os indivíduos a aperfeiçoarem-se constantemente, indiferente de
sua idade, credo, raça ou condição social.
Hoje os únicos obstáculos para quem desejam ser um Competente Informacional são
as tecnologias (necessárias e sempre serão) e o acesso a Internet, quem em alguns casos algo
excludente.
Com estas premissas, cabe ao Profissional da Informação, pessoa/profissional
multifacetado estar convergindo para este mesmo foco, a aprendizagem constante,
significativa e crítica. Pois, é ele quem também auxiliará e instigará outros indivíduos a
procurarem sua educação continuada.
Crescer profissionalmente não significa sucesso, mas sim subir mais um degrau na
vida e, se neste degrau você auxiliar o outro a também crescer um pouco, você estará
desenvolvendo sua competência humana e informacional.
Por fim, deixa-se a reflexão de que não sabemos tudo, mas poderemos conhecer um
pouco de tudo, basta querer!

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A importância da competência informacional para o profissional da informação atuante em Biblioteca da modalidade de ensino a distância.</text>
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                <text>Silva, Paula Sanhudo da, Schmidt, Angela, Silva, Lidiana Sagaz</text>
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                <text>O presente artigo é a versão preliminar da dissertação de mestrado de uma das autoras e tem por objetivo realizar uma breve revisão a acerca dos temas ―Competência Informacional‖ e sobre a ―Educação a Distância‖ (EaD), o último focado no cenário nacional. Também se faz necessário conhecer o Profissional da Informação atuante em uma Instituição do Ensino Superior (IES) com o intuito de levantar quais são as suas competências informacionais necessárias para atuar neste ambiente em crescente ascensão. Por fim, traz-se algumas reflexões do quão importante e necessário são os desafios de um profissional da informação que atua em uma IES e que atenda a comunidade acadêmica na modalidade de EaD.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

“CARTA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO”: APLICABILIDADE EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS

Paulo Fernando Silva
Eliane Pawlowski Oliveira Araujo

RESUMO
Visando dotar a sociedade de mecanismos que possam conferir a ela o direito de obter do
Estado uma prestação de serviço de qualidade, diversas normas infraconstitucionais têm sido
editadas por sucessivos governos, principalmente nos últimos 10 anos, modificando
sobremaneira a forma de gerir o Estado em benefício do cidadão. Nesse contexto destacam-se
a Lei de Acesso à Informação - Lei n° 12.527, de 2011 - que confere ao cidadão o direito de
obter do Estado as informações necessárias ao pleno exercício da liberdade e da cidadania, e o
Decreto n° 6.932, de 2009, que dispõe sobre a simplificação do atendimento público prestado
ao cidadão e institui a “Carta de Serviços ao Cidadão”. Essa Carta, obrigatória a sua
elaboração e divulgação por todos os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal que
prestam serviços diretamente à sociedade, é um documento que tem por objetivo informar ao
cidadão os serviços prestados, as formas de acesso e os respectivos compromissos e padrões
de qualidade de atendimento ao público. Sob essa perspectiva foi realizada pesquisa junto ao
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (SB/UFMG) com intuito de
identificar como está configurada a informação sobre os serviços disponibilizados pelas
Bibliotecas integrantes do Sistema, como esses serviços podem ser acessados pelos usuárioscidadãos e por quais mecanismos. Tabulados os dados foi elaborada a “Carta” do SB/UFMG
composta de breve apresentação e informações relativas à Identidade Organizacional,
Estrutura e Canais de atendimento e Serviços oferecidos que passou a constar na página
principal
da
UFMG
na
web
disponível
no
endereço
https://www2.ufmg.br/proplan/proplan/home/Servicos/Gestao-da-Informacao/Carta-deServicos-ao-Cidadao. A pesquisa realizada proporcionou ao SB/UFMG a oportunidade de se
apresentar à sociedade como um sistema organizado cujas normas estabelecidas guardam
similaridade em todas as bibliotecas do Sistema e, mais importante, cumpriu seu dever de
informar bem de acordo com as normas reguladoras da matéria.
Palavras-Chave: Bibliotecas Universitárias; Usuários; Carta de Serviços ao Cidadão; Lei de
Acesso a Informação.
ABSTRACT
Aiming to provide the society of mechanisms that can give her the right to get state the
provision of quality service, various constitutional law infra have been edited by successive
governments, especially in the last 10 years, greatly changing the way of managing the State
in favor of the citizen. In this context distingui oneself the Law on Access to Information -

1662

�Law No. 12.527, of 2011 - which gives citizens the right to get state information necessary for
the full exercise of freedom and citizenship, and Decree No. 6.932, of 2009 that provides for
the simplification of public service rendered to citizens and establishing the "Citizen Service
Letter". This Letter, mandatory its preparation and dissemination by all organs and agencies
of the Federal Government who provide services directly to the society, is a document that
aims to inform for the citizen services provided, the means of access and the commitments
and standards quality customer service. From this perspective a survey was conducted by the
Library System of the Federal University of Minas Gerais (SB/UFMG) in order to identify
how the information is configured and on the services provided by member libraries of the
system, how these services can be accessed by users-citizens and by what mechanisms.
Tabulated data, was drafted the "Charter" SB/UFMG composed of brief presentation and
information regarding Organizational Identity and Channels Treatment and services offered
which was included on the main page of the web UFMG available at
https://www2.ufmg.br/proplan/proplan/home/Servicos/Gestao-da-Informacao/Carta-deServicos-ao-Cidadao. The survey provided the SB/UFMG the opportunity to present to
society as an organized system whose standards established guard similarity in all the libraries
of the System and, more importantly, fulfill his duty to inform and according to its rules on
the matter.
Keywords: University Libraries; users; Citizen Service Letter; Law on Access to
Information.

1 INTRODUÇÃO
O Estado democrático de direito brasileiro foi incumbido pelo legislador constituinte
originário, conforme estabelece o art. 175 da Constituição da República Federativa do Brasil
de 1988, a prestar serviços de adequada qualidade aos cidadãos. Nesse sentido, e visando
dotar a sociedade de mecanismos que possam conferir a ela o direito de obter do Estado uma
prestação de serviço de qualidade, diversas normas infraconstitucionais que regulamentam a
matéria têm sido editadas por sucessivos governos, principalmente, nos últimos 10 anos,
modificando sobremaneira a forma de gerir o estado em benefício do cidadão.
Não foi por outra causa que a denominada Lei de Acesso à Informação - Lei n°
12.527, de 2011, foi publicada recentemente, conferindo ao cidadão o direito de obter do
Estado as informações necessárias ao pleno exercício da liberdade e da cidadania na era do
conhecimento. Contudo,

antes da publicação dessa importante lei, outras normas de

semelhante teor foram editadas, objetivando inverter o polo da relação Estado-Cidadão em
favor desse último, como foi o caso Decreto n° 6.932, de 2009,

que dispõe sobre a

simplificação do atendimento público prestado ao cidadão e institui a “Carta de Serviços ao
Cidadão”.
Essa Carta de serviços, obrigatória a sua elaboração e divulgação por todos os órgãos e
entidades do Poder Executivo Federal que prestam serviços diretamente à sociedade, é um

1663

�documento que tem por objetivo informar ao cidadão dos serviços prestados, as formas de
acesso e os respectivos compromissos e padrões de qualidade de atendimento ao público. Vai
mais além, na medida em que provoca a necessidade de fixação de padrões sistematizados do
trato da informação para a sociedade, incentiva o acesso a serviços por meio da rede mundial
de computadores, fixa padrões adequados de acessibilidade e apregoa a realização periódica
de pesquisa de satisfação junto aos usuários relativa à qualidade da prestação dos serviços
ofertados, dentre outros procedimentos correlatos.
No que concerne às bibliotecas públicas federais, a gama de serviços disponibilizados
para a comunidade em geral é patente, enquadrando-se, portanto, no que preconiza as normas
condutoras de proteção aos usuários do serviço público.
Sob esse enfoque, e com base no arcabouço legal retro mencionado, foi realizada
pesquisa junto às Bibliotecas do Sistema UFMG - SB/UFMG com intuito de identificar como
está configurada a informação sobre os serviços disponibilizados pelas Bibliotecas integrantes
do Sistema, como esses serviços podem ser acessados pelos usuários-cidadãos e por quais
mecanismos, visando à elaboração da “Carta de Serviços ao Cidadão” das Bibliotecas da
Universidade.
Espera-se, dessa maneira, poder contribuir para o aprimoramento organizacional do
SB/UFMG no tocante à gestão da informação para fins de atendimento às demandas intra e
extra institucional, de acordo com as normas editadas que reclamam imediato atendimento.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Em decorrência da publicação de legislação específica, como a Lei n° 12.527, de 2011,
e o Decreto n° 6.932, de 2009, tem-se verificado, nos últimos anos, uma revolução no direito
ao acesso à informação mantida por órgãos públicos. De acordo com Mendel (2009), apesar
desse direito ser mais rotineiramente associado à possibilidade de pedir e receber informações
de órgãos estatais, essa não é a única modalidade de acesso, pois:

A maioria das leis sobre direito a informação atribui uma obrigação aos órgãos
públicos de publicar informações de forma proativa ou rotineira,
independentemente de requisições específicas. A abrangência disso varia, mas
geralmente se estende a informações essenciais sobre seu funcionamento, suas
políticas, oportunidades de participação pública em seu trabalho e o modo de
pedir informações.
(MENDEL, 2009, p.5)

Segundo o autor, essa modalidade de “extração” de informação tem se configurado
como um dos meios mais eficazes de melhorar o acesso à informação que, vista anteriormente

1664

�como uma “medida administrativa”, está sendo considerada cada vez mais como um direito
humano fundamental.
Castello Branco e Cruz (2013) destacam que são necessários mecanismos de
governança que possibilitem à administração pública atender aos interesses dos cidadãos
nesse quesito. O sistema de governança estatal é norteado por alguns princípios dentre os
quais se destaca a Transparência, que implica em dotar o cidadão de informações
possibilitando-lhe uma capacidade ampliada de influenciar positivamente e ativamente a
administração pública. Nesse sentido, os autores apontam alguns mecanismos previstos na
legislação brasileira que possibilitam que esse princípio seja implementado, como: a
implantação de serviços de atendimento ao cidadão e ouvidorias, a garantia de acesso fácil,
rápido e estruturado às informações públicas por meio da aplicação da Lei de Acesso a
Informação e a divulgação da Carta de Serviços ao Cidadão e realização de pesquisa de
satisfação com os serviços ofertados.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para se obter de forma sistematizada as informações sobre os serviços ofertados pelo
SB/UFMG foi adotada, inicialmente, a metodologia de extrair das páginas das Bibliotecas
alojadas na WEB os tipos de serviços colocados à disposição da comunidade. Essa primeira
etapa consistiu, portanto, de pesquisa documental na rede mundial de computadores, nos
sítios do SB/UFMG, para verificar se havia compatibilidade de conteúdo entre as informações
ali contidas e as normas internas que regem esse tipo de prestação de serviços e garantem o
acesso adequado à informação por parte dos usuários.
Em seguida, a título de complementação e confirmação dos dados obtidos, foi
realizada pesquisa junto aos Bibliotecários titulares de suas unidades e a metodologia adotada
foi a pesquisa descritiva que, de acordo com Gil (1991), visa descrever as características de
determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Essa
etapa constituiu-se, portanto, de complementação das informações por meio de consulta aos
Bibliotecários, utilizando-se, para tanto, os recursos da comunicação eletrônica e de voz.
O universo amostral foi composto por todas as páginas do SB/UFMG alojadas na
WEB, como também, de todos os agentes públicos titulares de funções de direção dessas
Bibliotecas, número esse da ordem de 25 bibliotecários.

1665

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Tabulado os dados, foi elaborada a “Carta de Serviços ao Cidadão” do Sistema de
Bibliotecas da UFMG composta de uma breve apresentação, Identidade Organizacional,
Estrutura e canais de atendimento e Serviços oferecidos. Essa Carta passou a constar na
página principal

da UFMG na WEB,

disponível,

para consulta,

no endereço:

&lt;https://www2.ufmg.br/proplan/proplan/home/Servicos/Gestao-da-Informacao/Carta-deServicos-ao-Cidadao&gt;
No tocante a Identidade Organizacional foi apresentada a missão, visão e valores do
SB/UFMG. No que pertine à Estrutura e aos Canais de atendimento foram identificadas e
publicadas a lista de todas as Bibliotecas do Sistema UFMG contendo endereço, telefone, e­
mail, site e horário de atendimento. Quanto aos serviços ofertados optou-se por apresentar,
inicialmente, um resumo dessas atividades para, na sequência, detalhar, por item, os serviços
tendo sido elencados os serviços ofertados tanto à comunidade interna quanto aos cidadãos
em geral. Os serviços constantes da “Carta de Serviços ao Cidadão” são:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)
i)
j)
k)
l)
m)
n)
o)
p)
q)
r)
s)
t)
u)
v)
w)
x)
y)

Carteira de Biblioteca.
Consulta ao Acervo por meio do Catálogo Online.
Acesso e Consulta ao Acervo de Livros e Demais Materiais Bibliográficos.
Acesso e Consulta ao Acervo Digital: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações.
Acesso e Consulta ao Acervo Digital: Portal de Periódicos Capes.
Acesso e Consulta ao Acervo Digital: Periódicos Digitais e Bases de Dados.
Acesso e Consulta às Coleções Especiais e Acervos Raros.
Espaço de Leitura.
Carro-Biblioteca.
Ambiente de Estudo.
Biblioteca 24 Horas.
Empréstimo de Materiais Bibliográficos - Usuários com Vínculo com a UFMG.
Empréstimo de Materiais Bibliográficos - Usuários sem Vínculo com a UFMG.
Empréstimo de Materiais Bibliográficos - Empréstimo entre Bibliotecas.
Comutação Bibliográfica (COMUT).
Pesquisa Bibliográfica.
Apoio às Bibliotecas dos Polos de Educação a Distância.
Inclusão do Deficiente Visual.
Disseminação da Informação: Canais de Comunicação com o Usuário.
Atividades Culturais.
Intercâmbio de Publicações e Doações de Material Bibliográfico.
Cursos de Extensão.
Visitas Orientadas.
Rede Wireless.
Tutoriais.

1666

�Para

cada

serviço

oferecido

foram

discriminados

itens

relevantes

como:

Descrição/finalidade; Documentos necessários; Meios de acesso ao serviço; Prazo máximo de
atendimento; Biblioteca ofertante do serviço; Horário de atendimento e equipe; Observações.
Também constou do texto da Carta informação sobre o serviço de referência das bibliotecas,
canal prioritário para recepcionar o usuário auxiliando-o no atendimento das demandas e no
fornecimento de informação.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A pesquisa realizada proporcionou ao SB/UFMG a oportunidade de se apresentar à
sociedade como um sistema organizado cujas normas estabelecidas guardam similaridade em
todas as bibliotecas do Sistema e, mais importante, cumpriu seu dever de informar bem de
acordo com as normas reguladoras da matéria.
Destaca-se também que tal iniciativa pode ser considerada um primeiro passo para que
outras medidas de semelhante natureza sejam implementadas visando ao aperfeiçoamento do
atendimento ao cidadão e a elevação do grau de excelência da Universidade.
Pesquisa de satisfação dos usuários, qualificação dos servidores, melhoria do
atendimento, adoção de tecnologia vetor da agilidade de acesso à informação, divulgação
ampla, dentre outros mecanismos similares, irão, paulatinamente, compondo o universo de
atendimento reclamado pela sociedade e o documento resultado desta pesquisa inaugura essa
nova realidade vivenciada pelas bibliotecas da UFMG.
O compartilhamento de experiências e informações entre outras bibliotecas
universitárias e tecnológicas tende a enriquecer o debate e propiciar melhores alternativas
para evolução do processo em tela.

6 REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. Diário
Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 1988. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm&gt;. Acesso em: 18 Mar.
2014.
BRASIL. Decreto n° 6.932, de 11 de agosto de 2009. Diário Oficial da União, DF, 2009.
Disponível
em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2009/decreto/d6932.htm&gt;. Acesso em: 18 Mar. 2014.
BRASIL. Lei 12.527, de 18 de novembro de 2011. Diário Oficial da União, DF, 2011.
Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm&gt;.
Acesso em: 18 Mar. 2014.

1667

�CASTELLO BRANCO, Cláudio S.; CRUZ, Claudio S. A prática de governança corporativa
no setor público federal. Revista do Tribunal de Contas da União, ano 45, n.127, maio/ago
2013. Disponível em &lt; http://portal2.tcu.gov.br/portal/pls/portal/docs/2591385.PDF &gt;. Acesso
em: 19 Mar. 2014.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1991
MENDEL, Toby. Liberdade de informação: um estudo de direito comparado. 2.ed.
Brasilia: UNESCO, 2009. Disponível em https://www.ufmg.br/proex/cpinfo/cidadania/wpcontent/uploads/2014/04/Liberdade-de-informa%C3%A7%C3%A3o um-estudo-de-direitocomparado.pdf. Acesso em 20 Abr 2014.

1668

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Visando dotar a sociedade de mecanismos que possam conferir a ela o direito de obter do Estado uma prestação de serviço de qualidade, diversas normas infraconstitucionais têm sido editadas por sucessivos governos, principalmente nos últimos 10 anos, modificando sobremaneira a forma de gerir o Estado em benefício do cidadão. Nesse contexto destacam-se a Lei de Acesso à Informação – Lei nº 12.527, de 2011 – que confere ao cidadão o direito de obter do Estado as informações necessárias ao pleno exercício da liberdade e da cidadania, e o Decreto nº 6.932, de 2009, que dispõe sobre a simplificação do atendimento público prestado ao cidadão e institui a ―Carta de Serviços ao Cidadão‖. Essa Carta, obrigatória a sua elaboração e divulgação por todos os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal que prestam serviços diretamente à sociedade, é um documento que tem por objetivo informar ao cidadão os serviços prestados, as formas de acesso e os respectivos compromissos e padrões de qualidade de atendimento ao público. Sob essa perspectiva foi realizada pesquisa junto ao Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (SB/UFMG) com intuito de identificar como está configurada a informação sobre os serviços disponibilizados pelas Bibliotecas integrantes do Sistema, como esses serviços podem ser acessados pelos usuárioscidadãos e por quais mecanismos. Tabulados os dados foi elaborada a ―Carta‖ do SB/UFMG composta de breve apresentação e informações relativas à Identidade Organizacional, Estrutura e Canais de atendimento e Serviços oferecidos que passou a constar na página principal da UFMG na web disponível no endereço https://www2.ufmg.br/proplan/proplan/home/Servicos/Gestao-da-Informacao/Carta-deServicos-ao-cidadao. A pesquisa realizada proporcionou ao SB/UFMG a oportunidade de se apresentar à sociedade como um sistema organizado cujas normas estabelecidas guardam similaridade em todas as bibliotecas do Sistema e, mais importante, cumpriu seu dever de informar bem de acordo com as normas reguladoras da matéria. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

COMUNICAÇÃO NA BIBLIOTECA: UMA REFLEXÃO SOBRE O MODELO DE
COMUNICAÇÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFG

Rose Mendes da Silva
Maria Francisca Magalhães Nogueira

RESUMO
Relato acerca da pesquisa que está em curso no mestrado em Comunicação na Universidade
Federal de Goiás (UFG). O objeto teórico da pesquisa é a análise da comunicação emitida
pelo Sistema de Bibliotecas (Sibi) da UFG a partir de três setores como parâmetro e
representação: a Seção de Referência, a Gerência de Circulação e o Setor de Comunicação,
todos instalados na Biblioteca Central - que se constitui no objeto empírico da pesquisa.
Nesta pesquisa a biblioteca e a comunicação emitida por ela estão sendo vistas de forma
multidimensional, partilhando do pensamento sobre complexidade de Edgar Morin, um dos
autores-base para este estudo. Além da análise em si da comunicação emitida pela
organização Sibi/UFG, são objetivos: verificar se a cultura (filosofia, valores, política,
objetivos) da instituição está realmente sendo expressa através da comunicação que ela emite;
levantar meios, fluxos e redes de comunicação nos setores selecionados; verificar quais
meios, dentre os utilizados, são mais eficazes no quesito alcance dos públicos do Sibi/UFG;
identificar se a linguagem e as estratégias utilizadas para emitir a comunicação estão
adequadas a estes públicos, tendo como parâmetros os setores selecionados. O método que
está sendo utilizado é o estudo de caso, fazendo-se uso do diário de campo, das pesquisas
documental e institucional e de entrevistas. Pretende-se, como resultados, projetar ângulos e
facetas da comunicação do Sibi/UFG com seus públicos se valendo da dimensão institucional
da comunicação administrativa, interna e institucional.
Palavras-chave: Comunicação organizacional. Biblioteca. Biblioteca universitária.

ABSTRACT
Report about the research that is currently underway in the masters in communication at
Universidade Federal de Goiás (UFG). The theoretical object of the research is the analysis of
the communication issued by the library system (Sibi) of UFG from three sectors as parameter
and representation: the reference section, circulation management and the communications
sector, all installed in the Central Library - which constitutes the object of empirical research.
In this research the library and the communication issued for her are being multidimensional
form views, sharing thoughts on complexity of Edgar Morin, one of the authors-the basis for
this study. In addition to the analysis itself of the communication issued by the Sibi/UFG
organization, are objectives: verify if the culture (philosophy, values, politics, objectives) of
the institution is really being expressed through the communication which it emits; lift,
streams media and communication networks in selected sectors; check which means, one of
those used, are more effective in terms of achievement of the public Sibi/UFG; identify

2403

�whether the language and the strategies used to issue the communication are suitable to these
audiences, having as parameters the selected sectors. The method that is being used is the case
study, making use of the field journal, documentary research and institutional and interviews.
It is intended, as a result, design angles and facets of Sibi/UFG communication with its
stakeholders if worth of institutional dimension of administrative communication, internally
and institutional.
Keywords: Organizational communication. Library. University library.

1 INTRODUÇÃO
A introdução de ações sistematizadas de comunicação nas bibliotecas no Brasil, de
modo geral, é recente. No caso específico do objeto desta pesquisa esta realidade não é
diferente, pois somente após 19 anos de criação do órgão ‘biblioteca’ na Universidade Federal
de Goiás (UFG) ela teve seu primeiro trabalho sistematizado de comunicação. A importância
de implementar novos processos e políticas de comunicação cada vez mais integrado nas
organizações, em especial, na biblioteca, motivou a realização deste trabalho.
O objeto empírico deste estudo é a Biblioteca Central, que, neste caso, representa o
todo do Sistema de Bibliotecas da UFG (Sibi/UFG) e me permite apontar indicadores para o
sistema como um todo. E, no âmbito da Biblioteca Central, a pesquisa empírica está focada
em três grandes setores: a Seção de Referência, a Gerência de Circulação e o próprio Setor de
Comunicação. A escolha da Biblioteca Central como representação se justifica no fato de que
esta é a unidade mais antiga do Sibi/UFG e é onde estão instaladas as gerências dos setores de
interesse nesta pesquisa. Também não se tem a intenção de captar todo o universo das oito
bibliotecas que compõem o Sibi/UFG hoje - são quatro unidades na capital do Estado e
quatro em cidades do interior, com a perspectiva de criação, em médio prazo, de outras duas.
Vale ressaltar que, apesar de fisicamente instalado na Biblioteca Central, a atuação do Setor
de Comunicação compreende as oito unidades do Sibi/UFG com o apoio das gestões locais.
As atividades básicas das bibliotecas - tais como aquisição, processamento e
atendimento aos usuários - objetivam, em última instância, comunicar o conhecimento. Logo,
impõe-se a elas a imprescindibilidade de manter efetivos programas de comunicação, pois a
comunicação, por facilitar o estabelecimento e a manutenção do diálogo entre as partes
interessadas em qualquer tipo de organização300 - e as bibliotecas são um tipo de organização,
possibilita o ajustamento e a coordenação de todos os tipos de relações. Razão pela qual
nenhuma organização pode depreciá-la ou ignorá-la.
300 Considerando-se que ‘organização’, como sinônimo de empresa/instituição/empresa/corporação, é “[...] um
sistema social e histórico, formal, que obrigatoriamente se comunica e se relaciona, de forma endógena, com os
seus integrantes, de forma exógena, com outros sistemas sociais e com a sociedade.” (NASSAR, 2009, p. 62).

2404

�Outro aspecto a se considerar é que a informação se efetiva somente a partir do
momento em que é comunicada. Ela, em si mesma, nada significa, nada tem de real se não for
captada, se não for compreendida por quem a recebe. A informação, para ter valor, precisa,
portanto, ser comunicada e fazer sentido para quem a recebe ou dela necessite. Neste sentido,
é preciso haver um trabalho de comunicação constante e planejado da biblioteca e de seus
produtos e serviços. O descuido com a comunicação pode levar, entre outras coisas, à
subutilização dos produtos e serviços colocados à disposição dos usuários pelo simples
desconhecimento dos principais interessados, por exemplo.

2 COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL
Considera-se, nesta pesquisa, o pensamento de Nassar (2009), que diz que a
comunicação é o componente mais importante para estabelecer relações nas organizações com
os mais diversos públicos, além de facilitar o diálogo acerca de suas políticas, ações e
pretensões. Diz ele: “É por meio da comunicação que ela [a organização] [...] informa,
organiza e reconhece os seus públicos de interesse, entre os quais seus colaboradores; legitima
a sua existência; e trabalha pela melhoria do ambiente de trabalho, entre outros objetivos.”
(NASSAR, 2009, p. 64).
Se no meio empresarial, “[...] o papel estratégico da Comunicação é auxiliar
internamente, motivando os empregados a uma ação produtiva e, externamente, ajudando a
posicionar a empresa junto aos seus públicos externos.” (CORRADO, 1994, p. 35), também o
é nas bibliotecas. Neste sentido, o papel do profissional de comunicação atuando em uma
biblioteca é o de desenvolver, mediar e avaliar os processos de comunicação internos e
externos da organização, possibilitando não só a criação de uma imagem positiva da mesma,
bem como a livre circulação das informações, a promoção do conhecimento e,
consequentemente, a produção de efetiva comunicação.
Nos modelos integrados de comunicação organizacional - também chamada de
comunicação empresarial ou institucional, a área abrange o espectro das atividades de
imprensa, relações públicas, propaganda, editoração, identidade visual e ainda programas
relacionados à captação, armazenamento, manipulação e disseminação de informações. A
comunicação organizacional objetiva criar sentimento de pertencimento nos colaboradores,
propiciar o intercâmbio de ideias, promover a integração, influenciar atitudes e preferências e,
ainda, colaborar para que as estratégias e ações estejam em sinergia com os objetivos
programados pela organização. Na sua face voltada para o público externo à organização
objetiva também promovê-la, visando obter uma atitude favorável deste público para com ela.

2405

�Em resumo, pretende “[...] assegurar fluxos regulares de informação entre a organização e
seus públicos, de forma a manter o equilíbrio do sistema.” (REGO, 1986, p. 67).
As organizações modernas possuem diversas formas de se comunicar com a sociedade
e estabelecer sua imagem e conceito. Manter um Setor de Comunicação - que pode ter outros
nomes, como Assessoria, Departamento ou Divisão de Comunicação - é uma delas. Seu
funcionamento deve ser como o de um termômetro, medindo a temperatura da organização.
Características como capacidade de detectar previamente situações, de mapear angulações e
pontos de vista, de planejar, enfim, são bem vindas.
O planejamento, aliás, é um dos pontos que diferenciam um simples trabalho de
divulgação de um trabalho coordenado de comunicação organizacional. E um dos maiores
desafios da comunicação é compatibilizar a imagem da organização com a sua identidade.
Enquanto a identidade corresponde à personalidade da organização - que pode ser
decomposta na sua linha de produtos, na cultura organizacional, tradição e história, entre
outros aspectos -, a imagem advém dos públicos. A imagem é formada a partir do material
que o público possui sobre a organização. E não raro acontece um desajuste entre a identidade
e a imagem da corporação, podendo prejudicar o desenvolvimento da mesma, gerando uma
crise de imagem (REGO, 1986).
Wolton (2004) observa ainda que não se pode esquecer um item bastante relevante no
processo de comunicação com os públicos: a padronização da comunicação emitida. Não no
sentido de pasteurizar o processo, mas sim no sentido de que a padronização facilita a
previsibilidade, um dos facilitadores do processo de comunicação. E o planejamento de
comunicação permite certa previsibilidade a partir das rotas e caminhos a tomar, previamente
analisados e desenvolvidos, inclusive, para as crises. Estas podem ser de diversos tipos, como,
por exemplo, uma pane no sistema de gerenciamento dos serviços de empréstimo e devolução
de material.

3 OS OBJETIVOS, O MÉTODO E AS TÉCNICAS
Na pesquisa em questão, inicialmente foi feita uma incursão na história a partir do
surgimento do Sibi com o objetivo de melhor situá-lo no contexto da UFG. Além disto, tevese o cuidado de conhecer sua estrutura para, a partir daí, analisar a comunicação emitida pela
biblioteca a seus públicos. Os objetivos empreendidos estão indo no sentido de verificar se a
filosofia, os valores, a política, os objetivos inerentes à instituição estão realmente sendo
expressos através da comunicação que ela emite. Além disto, estão sendo levantados os meios
e verificados quais, dentre os utilizados, são mais eficazes no quesito alcance dos públicos do

2406

�Sibi/UFG e, ainda, verificadas se a linguagem e as estratégias utilizadas para emitir a
comunicação estão adequadas a seus públicos, tendo como parâmetros os setores
selecionados.
Quanto à metodologia, escolheu-se um caminho que se faz enquanto se caminha, no
processo de produção do conhecimento que se deseja. As técnicas de pesquisa selecionadas
são instrumentos de coleta de dados em consonância com o método, a metodologia, o
problema em foco e os resultados que se deseja alcançar. Tendo em vista esta concepção, a
escolha do método se deu pelo estudo de caso, que “[...] enquadra-se em uma abordagem
qualitativa e é frequentemente utilizada para a coleta de dados na área de estudos
organizacionais [...].” (CESAR, 2005, p. 3). Neste método os dados são coletados a partir de
múltiplas fontes e o foco temporal é bastante amplo, pois se pode estudar o fenômeno com
base em situações contemporâneas ou passadas, mas que sejam importantes para a
compreensão das questões colocadas.
Assim, o que se propôs realizar nesta pesquisa, que é de natureza qualitativa, envolve
grande variedade de materiais empíricos que, de certa forma, descrevem a rotina e os
significados da comunicação dentro do Sibi/UFG. A caminhada está estruturada em partes
que só se separam por uma questão metodológica. São elas: a) revisão bibliográfica; b) diário
de campo; c) pesquisa documental; d) pesquisa institucional ou administrativa; e) entrevista.
O diário de campo é uma ferramenta útil para não se perder de vista o que acontece no
dia-a-dia do órgão - a Biblioteca Central, no caso, que é o objeto empírico deste trabalho e
onde atuo, pois sou servidora da instituição. Este tem permitido fazer anotações, observações
e levantar questões no cotidiano da pesquisa, ou seja, na vivência da instituição. Não se está
aqui propondo nenhuma pesquisa etnográfica - com informantes previamente selecionados,
como propõe DaMatta (1987); são anotações informais, porém valiosas percepções de valores
e ideias da realidade do Sibi/UFG que estão sendo utilizadas na redação da dissertação.
A pesquisa institucional ou administrativa é a “[...] compilação de dados resultantes de
atos administrativos ou opiniões de diretores, chefes e funcionários, bem assim a sua
interpretação e apresentação inteligente [...].” (ANDRADE, 1988, p. 52 apud FORTES, 1990,
p. 20). Esta tem permitido conhecer mais sobre o Sistema de Bibliotecas: sua história,
estrutura física, estrutura de funcionamento, relacionamento entre as pessoas, produtos e
serviços oferecidos, bem como informações acerca dos setores selecionados especificamente
para esta pesquisa.
Já a pesquisa documental está permitindo estudar documentos que fazem parte da
comunicação administrativa de modo geral e, em particular, dos setores selecionados. Bem

2407

�como documentos que fazem parte da comunicação institucional (interna) dividida em mídias
do tipo tecnológicas, escrita dirigida, visuais e outras. Nas mídias escritas se está buscando
materiais tais como: folders, panfletos, memorandos e outros pertinentes. Tendo claro que a
comunicação do Sibi/UFG está sendo observada do ponto de vista do emissor.
A próxima etapa dentro da pesquisa documental é a análise do site do Sibi e também o
da UFG, este é gerenciado pela Ascom/UFG. Para a análise de ambos os sites, em particular,
buscar-se-á autores que versam sobre a temática ‘avaliação de fontes de informação na
internet’, tais como Tomaél et al (2004), que propõem critérios de avaliação para este tipo de
fonte por entenderem que os sites devem permitir que a recuperação das informações seja de
qualidade.
A última etapa metodológica prevista são as entrevistas, as quais serão realizadas com
dois grupos. O primeiro é composto pelos colaboradores que atuam nos setores selecionados,
entre servidores efetivos e terceirizados. O segundo é composto por alguns dos usuários dos
mesmos setores, são estudantes e servidores da UFG que têm por hábito utilizar a Biblioteca
Central e que serão selecionados através do software gerenciador que o Sibi/UFG utiliza.
Pretende-se levantar o que os dois grupos pensam sobre os referidos setores a partir da
comunicação que é emitida pela Biblioteca Central - que, como dito, constitui-se no objeto
empírico deste estudo. Esta pesquisa já passou pelo Comitê de Ética da UFG, tendo sido
aprovada. Bem como também já foram realizados os pré-testes com os questionários para a
pesquisa empírica e sua execução está prevista para a segunda semana do mês de agosto.
Ressalta-se que esta é uma pesquisa que prescinde de autores das áreas de Ciência da
Informação/Biblioteconomia e da área de Comunicação, pois há uma convergência das
mesmas no trabalho realizado no Setor de Comunicação do Sibi/UFG. E, no dia-a-dia do
trabalho em si, em determinados momentos, existe até mesmo a exigência de que o
profissional que ali atua conheça mais a fundo sobre aspectos específicos da área de
Biblioteconomia para que o trabalho flua.

4

PESQUISANDO

O

PROCESSO

DE

COMUNICAÇÃO

NO

SIBI/UFG:

RESULTADOS INICIAIS
A partir da pesquisa documental levantou-se a história não só do Sibi/UFG como
também do Setor de Comunicação, que é o ponto de partida do projeto que deu origem à
pesquisa em curso. As duas narrativas estão entrelaçadas no primeiro capítulo da dissertação,
concluído e apresentado na qualificação desta pesquisadora em março deste ano.

2408

�Criado em 1992 a partir de um projeto experimental de alunos do curso de Relações
Públicas da UFG, o Setor de Comunicação é hoje um departamento consolidado na estrutura
do Sibi/UFG. O setor funcionou, durante seus primeiros anos, como parte da Seção de
Referência e sob a coordenação de uma bibliotecária. A partir de 1997 uma profissional de
jornalismo, lotada na Biblioteca Central, assumiu a função de gerir o processo de
comunicação nas bibliotecas e o setor foi desmembrado, tomando corpo próprio.
No entanto, isto não significa que o setor atue de forma independente - uma das
constatações já possíveis na pesquisa. Pelo contrário, a maior parte de suas atividades é
interligada à Seção de Referência e à Gerência de Circulação, por estes serem os dois setores
que oferecem a maioria dos produtos e serviços da biblioteca - e é tudo corroborado, é claro,
pela direção do Sibi/UFG. É perceptível também que há um modelo de comunicação do
Sibi/UFG e que este está impregnado do modelo de gestão da biblioteca, o qual é baseado na
participação, nas decisões colegiadas e na corresponsabilidade. De modo que as decisões
inerentes ao Setor de Comunicação, e ao processo de comunicação em si, também são
tomadas de forma colegiada, com participação e corresponsabilidade da direção do Sibi.
Mesmo porque, não faria sentido algum o planejamento de comunicação não estar alinhado às
propostas, ideias e visões da gestão da biblioteca.
Também entre os dados inicialmente levantados na pesquisa em curso, tem-se que o
Setor de Comunicação do Sibi/UFG - cuja implantação completa 22 anos em 2014,
atualmente reúne e executa 38 atividades, entre permanentes e esporádicas. Tais atividades
são previamente definidas em um plano anual de comunicação que é construído em conjunto
com a direção do sistema e as gerências das seções. Este plano reúne desde as atividades mais
simples - como elaborar a lista de aniversariantes e o envio de agradecimentos por doações
recebidas, até as mais complexas - como a produção do vídeo institucional da biblioteca (do
roteiro à finalização), a manutenção do site do Sibi/UFG, incluindo aí o contato com os
usuários pelo Fale Conosco, entre outros.
Está claro que a responsabilidade principal do Setor de Comunicação do Sibi/UFG é a
de gerir a comunicação das bibliotecas com seus públicos, facilitando o diálogo entre um lado
e outro. Para tanto, utilizando-se das ferramentas disponíveis, tais como as mídias tradicionais
- boletim informativo, cartaz, panfleto e folder; bem como as mídias mais recentes: website,
intranet, rede social e e-mail.
No caso do Sibi/UFG, os públicos com os quais o Setor de Comunicação trabalha está
separado em três categorias bem definidas: a) público interno - composto pelos colaboradores
das bibliotecas (que inclui servidores do quadro permanente, terceirizados, bolsistas,

2409

�estagiários, pessoal da limpeza e da segurança); b) público misto - composto pelos
funcionários da UFG do quadro permanente, terceirizados e visitantes, e pelos estudantes da
instituição de todos os níveis - da creche até a pós-graduação, passando pelos intercambistas
e oriundos de projetos; e c) público externo - todo aquele que não tem vínculo algum com a
UFG, denominado ‘comunidade em geral’.
A partir do levantamento já realizado para a pesquisa em questão - utilizando-se da
pesquisa institucional, compreendida em entrevistas com ex-diretores e servidores mais
antigos de casa que atuam na Biblioteca Central - foi possível inferir que a inserção do
trabalho de comunicação, desde o princípio foi bem aceita pelo grupo de colaboradores. Ou
seja, havia uma lacuna a ser preenchida. E, talvez por isso, conseguiu-se firmar sua
necessidade na estrutura da biblioteca, de forma que as equipes já não veem a organização
sem o Setor de Comunicação. Também foi possível concluir que, apesar de o setor não existir
oficialmente no organograma do Sibi/UFG, cujo desenho utilizado ainda é baseado no
primeiro regimento, que é de 1980, não há conflitos acerca de sua necessidade e de sua
atuação, seja dentro do Sistema de Bibliotecas, seja na instituição maior, a UFG.
Pelo contrário, o Setor de Comunicação do Sibi é reconhecido institucionalmente e,
inclusive, atua em parceria com a Assessoria de Comunicação da universidade - a
Ascom/UFG. Assim, não é demais afirmar que a comunicação na biblioteca se constitui em
um processo no qual todo o Sibi/UFG participa, de forma direta ou indireta, e que foi sendo
constituído e consolidado ao longo destes anos na cultura

da organização como um setor

que é imprescindível para o bom desenvolvimento de suas atividades.
Outro aspecto já identificado - a partir da pesquisa documental, utilizando-se de
relatórios gerais e das seções, quanto das entrevistas, é que a implantação de um novo
software gerenciador nas bibliotecas do Sibi/UFG em 2004 contribuiu para o fortalecimento
do Setor de Comunicação em sua estrutura, de forma direta e indireta. Conforme os relatos
coletados entre os servidores, a partir daquele ano o setor passou a atuar de forma mais
integrada às demais seções da biblioteca, em particular no que diz respeito à divulgação de
produtos e serviços novos propiciados pelo software recentemente implantado. Percebe-se
que, por um lado, tal integração aumentou significativamente o montante de serviço do setor;
por outro, acabou por reforçar sua importância na estrutura da biblioteca.

301 Está-se usando a definição de Morin (2002) para a cultura, o qual diz que esta “ [...] caracteriza as sociedades
humanas é organizada/organizadora via o veículo cognitivo da linguagem, a partir do capital cognitivo coletivo
dos conhecimentos adquiridos, das competências aprendidas, das experiências vividas, da memória histórica, das
crenças míticas de uma sociedade. [...] E, dispondo de seu capital cognitivo, a cultura institui as regras/normas
que organizam a sociedade e governam os comportamentos individuais.” (MORIN, 2002, p. 19, grifo do autor).

2410

�Daí se pode inferir que o setor foi fortalecido com a mudança de software, pois teve
sua importância ampliada, alcançando todas as instâncias do órgão ‘biblioteca’, ao ponto de
algumas das outras unidades do Sibi/UFG terem a preocupação de ter um Setor de
Comunicação presente em suas estruturas para assessorá-las. Como já dito, atualmente o setor
está fisicamente instalado na Biblioteca Central e realiza suas atividades com o apoio das
gestões locais de cada biblioteca.
O que, aliás, é um dado encontrado e que pode ser considerado um ponto fraco - a
ausência de um setor, ou de uma pessoa dedicada, para gerenciar o processo de comunicação
em cada uma das bibliotecas de acordo com suas necessidades locais, visto que a quantidade
de serviço tem aumentado e que as bibliotecas setoriais têm sentido a necessidade de ter um
apoio mais próximo para suas atividades de comunicação. Até 2005 o Sibi/UFG era composto
por três bibliotecas, todas em Goiânia, hoje já são oito, com previsão de mais duas serem
construídas em curto prazo. O novo software gerenciador permitiu a incorporação das
unidades setoriais ao sistema, o que levou ao aumento do raio de atuação tanto do Sibi/UFG
quando do próprio Setor de Comunicação, alcançando também o interior do Estado.
Outro aspecto já detectado do fortalecimento do Setor de Comunicação na estrutura do
Sibi/UFG é que o setor integra a proposta de novo regimento do órgão, que está em fase de
aprovação na instituição, a UFG. O documento traz uma proposta de organograma que inclui,
de forma definitiva, o Setor de Comunicação como uma instância de assessoria para todo o
sistema, vinculado à direção do Sistema - institucionalizando uma prática já existente, na
verdade. A aprovação institucional deste documento, com o novo desenho de organograma
proposto, trará a possibilidade de a biblioteca pleitear, para seu quadro de pessoal efetivo,
profissionais da área de comunicação, bem como também de vagas para estagiários da área.
Possibilidades que hoje não existem.
Na pesquisa até agora empreendida se pode considerar que o fato de a comunicação,
como processo de mediação, interação e integração para melhor servir o usuário, ser bem
aceita pelos colaboradores e gestores das bibliotecas da UFG em muito facilita qualquer
atividade de comunicação. No entanto, isto não é o suficiente. Quanto mais a biblioteca como
emissora de comunicação tiver consciência das causas que pesam sobre um ato seu, ou,
sobretudo, sobre a identificação de seus públicos com sua filosofia, políticas e objetivos, mais
adequado será o processo de comunicação às necessidades de seus usuários. E é este o sentido
de comunicação proposto por Wolton (2010), que considera que a comunicação só acontece
na relação com o outro, ou seja, implica dizer que sempre há um emissor e pelo menos um

2411

�receptor - que no caso da biblioteca são seus usuários, e um receptor que está cada vez menos
passivo mediante as novas tecnologias de informação e comunicação.

5 AS PERSPECTIVAS DA PESQUISA SOB O OLHAR DO PARADIGMA DA
COMPLEXIDADE
Nesta pesquisa a biblioteca está sendo compreendida no quadro formalizado, ou, como
diz Castoriadis (1986), no imaginário instituído. Isto quer dizer: no ambiente onde ela está
inserida, que é a UFG, e ela própria em sua cultura, onde se manifestam e presentificam um
conjunto de elementos e de fenômenos passíveis de descrição e de investigação - nos fatos da
vida cotidiana da instituição, nas formas de organização do sistema e da própria biblioteca,
nas rotinas de trabalho, na maneira de os funcionários se vestirem, comportar-se e se produzir,
nas mídias utilizadas. O que significa que a biblioteca e a comunicação emitida por ela estão
sendo vistas de forma multidimensional, partilhando da ideia de paradigma da complexidade
de Edgar Morin - um dos autores-guia deste estudo.
O paradigma da complexidade, de Morin (2005a), tem permitido perceber a
importância de reassociar o que está dissociado, comunicar o que está incomunicável, bem
como religar o que está separado. O que significa, então, que acontecimentos, fatos e
organizações devem ser estudados a partir do intercâmbio dos fenômenos, fugindo da
simplificação de entendê-los em separado e sem neles se aprofundar. Ou seja, ao se estudar o
Sibi se deve fugir do paradigma oposto, que é o da simplificação, pois o Sibi se desenvolve
mediante interações complexas, tanto endógenas (dentro delas mesmas) quanto exógenas
(com o meio ambiente). Todo o conhecimento gerado e adquirido nestas interações é
incorporado pela cultura da instituição, um processo através do qual o conhecimento
individual se converte em conhecimento de toda a organização.
Neste estudo se está partindo da ideia de que a biblioteca é uma organização
complexa. Considera-se ela complexa em si mesma, como organização, pois reúne e realiza
todas as funções administrativas - de planejamento, organização, direção, coordenação e
controle. E também mantém relações de complexidade quando se observa o ambiente do qual
faz parte, que, no caso, é a UFG.
Neste paradigma o Sibi está sendo visto como sistema vivo, que interage com o meioambiente, estabelecendo relações de causalidade linear, circular e retroativa. As organizações,
ao serem vistas a partir da lente deste paradigma, estão em constante processo de ordem e
desordem, de junção e disjunção, de certeza e incerteza, provocando e estimulando
movimentos simultâneos de auto-organização e autoprodução. É o caso, por exemplo, das

2412

�bibliotecas, que estão em contínuo processo de organizar e reorganizar acervos; de unir e
separar atividades conforme as necessidades; de produzir de acordo com as demandas ou
previamente a elas, entre outras ações diárias.
A compreensão destes movimentos simultâneos requer uma visão complexa,
multidimensional, pois há, entre os componentes de um sistema complexo, uma
interdependência. O que reforça o que diz o princípio hologramático

, que diz que o todo

está gravado na parte que está incluída no todo. “[...] assim, a complexidade organizacional do
todo necessita da complexidade das partes, a qual necessita retroativamente da complexidade
organizacional do todo.” (MORIN, 2005b, p. 114). Este princípio considera que a parte está
no todo e o todo está na parte, mas não significa que a soma das partes seja igual ao todo.
Trazendo para a pesquisa, observa-se que a biblioteca tem uma cultura própria, que afeta e é
afetada pelo meio em que ela está inserida, ou seja, pela cultura da UFG; e, se ampliarmos o
olhar, a biblioteca também é afetada pela cultura da sociedade goiana enfim.
A cultura da biblioteca diz muito sobre o modelo de comunicação vigente considerando-se aqui que a cultura produz a comunicação, que também é produtora de
cultura, também conforme orienta Morin (2002). Ao focar no sistema de significações que já
estão formalizadas se acredita que será possível responder questões acerca do modelo de
comunicação da biblioteca, ou seja, sobre as formas de conceber, construir, estabelecer
objetivos e estratégias, selecionar seus públicos e suas mídias.
Refletir sobre a comunicação do Sibi/UFG permite observar, entre outras coisas, se a
filosofia da instituição está realmente sendo expressa através da comunicação que ela emite e
se está atendendo aos diversos públicos ou, quem sabe, se não está - em particular ao público
interno, que está sendo privilegiado nesta pesquisa. E ainda, se a cultura da biblioteca
efetivamente se reflete no processo de comunicação, olhando a partir da emissão.
Ao final, como resultados, pretende-se projetar ângulos e facetas da comunicação do
Sibi/UFG com seus públicos, valendo-se da dimensão institucional da comunicação
302 Segundo Morin (2005a), três princípios servem de base para o paradigma da complexidade: hologramático,
dialógico e de recursão organizacional. O princípio dialógico “[...] nos permite manter a dualidade no seio da
unidade. Ele associa dois termos ao mesmo tempo complementares e antagônicos.” (MORIN, 2005a, p. 74). Ou,
ainda, “A dialógica permite assumir racionalmente a inseparabilidade de noções contraditórias para conceber um
mesmo fenômeno complexo.” (MORIN, 2000, p. 96). O princípio da recursão organizacional é um processo
onde “[...] os produtos e os efeitos são ao mesmo tempo causas e produtores do que os produz. [...] a sociedade é
produzida pelas interações entre os indivíduos, mas a sociedade, uma vez produzida, retroage sobre os
indivíduos e os produz.” (MORIN, 2005a, p. 74). E continua: “A idéia recursiva é, pois, uma idéia em ruptura
com a idéia linear de causa/efeito, de produto/produtor, estrutura/superestrutura, já que tudo o que é produzido
volta-se sobre o que o produz, num ciclo ele mesmo autoconstitutivo, auto-organizador e autoprodutor.” (Idem,
ibidem).

2413

�administrativa, interna e institucional. E, quem sabe, apontar para uma política de
comunicação mais voltada para o espírito do tempo - dinâmico, técnico, tecnológico e
antropológico, não meramente tecnicista, que exprima um homem ao mesmo tempo lúdico,
imaginário, afetivo, econômico, consumidor, entre várias outras de suas facetas. Não se
esquecendo de que tudo isto necessita estar em consonância com o perfil e o estado das coisas
no Sistema de Bibliotecas da UFG.

REFERÊNCIAS
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Terra, 1986. (Rumos da Cultura Moderna, v. 52).
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2005. Disponível
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em:
Acesso

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WOLTON, Dominique. Informar não é comunicar. Porto Alegre: Sulina, 2010.
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2415

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                <text>Relato acerca da pesquisa que está em curso no mestrado em Comunicação na Universidade Federal de Goiás (UFG). O objeto teórico da pesquisa é a análise da comunicação emitida pelo Sistema de Bibliotecas (Sibi) da UFG a partir de três setores como parâmetro e representação: a Seção de Referência, a Gerência de Circulação e o Setor de Comunicação, todos instalados na Biblioteca Central – que se constitui no objeto empírico da pesquisa. Nesta pesquisa a biblioteca e a comunicação emitida por ela estão sendo vistas de forma multidimensional, partilhando do pensamento sobre complexidade de Edgar Morin, um dos autores-base para este estudo. Além da análise em si da comunicação emitida pela organização Sibi/UFG, são objetivos: verificar se a cultura (filosofia, valores, política, objetivos) da instituição está realmente sendo expressa através da comunicação que ela emite, levantar meios, fluxos e redes de comunicação nos setores selecionados, verificar quais meios, dentre os utilizados, são mais eficazes no quesito alcance dos públicos do Sibi/UFG, identificar se a linguagem e as estratégias utilizadas para emitir a comunicação estão adequadas a estes públicos, tendo como parâmetros os setores selecionados. O método que está sendo utilizado é o estudo de caso, fazendo-se uso do diário de campo, das pesquisas documental e institucional e de entrevistas. Pretende-se, como resultados, projetar ângulos e facetas da comunicação do Sibi/UFG com seus públicos se valendo da dimensão institucional da comunicação administrativa, interna e institucional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AUTOMAÇÃO DA COLEÇÃO DE PERIÓDICOS DA BS-CCS/UFPB ORGANIZANDO, REPRESENTANDO E DISPONIBILIZANDO INFORMAÇÃO:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Tahis Virgínia Gomes da Silva
Fernando Augusto Alves Vieira

RESUMO
Apresenta um relato de experiência sobre o processo de automação da coleção de periódicos
que compõe o acervo da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade
Federal da Paraíba (BS-CCS/UFPB). Traz um breve histórico da Biblioteca, ressaltando os
serviços informacionais oferecidos, o sistema de automação utilizado e os encaminhamentos
metodológicos desenvolvidos para as ações sistemáticas da automação de sua coleção de
periódicos. Com um processo iniciado em 2010 pode-se perceber êxitos atingidos, tais como:
inclusão de toda coleção de periódicos da BS-CCS/UFPB no SIGAA; início da indexação dos
artigos de periódicos de acesso antes exclusivamente impresso (ficha analítica) processo ainda
em andamento. Consciente da necessidade na melhoria da qualidade de seus serviços e na
adequação desses as necessidades informacionais de seus usuários após o período de quatro
anos (2010 a 2014) a BS-CCS/UFPB disponibiliza a consulta on-line sua coleção de
periódicos possibilitando a recuperação da mesma através das ferramentas de busca do
SIGAA, contribuindo para a democratização do acesso a informação.
Palavras-Chave: Automação de bibliotecas; Biblioteca Setorial do CCS/UFPB; Automação
- Coleção de periódicos.

ABSTRACT
Presents an experience report on the process of automating the collection of journals that
make up the collection of the Sectoral Library of the Center for Health Sciences of the Federal
University of Paraíba (BS-CCS/UFPB). Presents a brief history of the library, emphasizing
the informational services, automation system used and methodology developed for the
systematic referrals actions automating its serials collection. In a process begun in 2010 can
be seen successes achieved, such as: automation of the entire collection of journals BSCCS/UFPB through SIGAA; started indexing of journal articles exclusively printed before
access (analytical record) process still underway. Aware of the need in improving the quality
of their services and adequacy of the information needs of its members after the period of four
years (2010-2014) to the query BS-CCS/UFPB offers on-line its serials collection enabling
the recovery the same through the search SIGAA tools, contributing to the democratization of
access to information.
Keywords: Library automation; Sectoral Library of CCS / UFPB; Automation - Collection of
journals.

2196

�1 INTRODUÇÃO
O Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (CCS/UFPB)
compreende atualmente os cursos de Educação Física (Licenciatura e Bacharelado),
Enfermagem (Licenciatura e Bacharelado), Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição,
Odontologia e Terapia Ocupacional.

Atendendo a tal demanda, a Biblioteca Setorial do

CCS/UFPB (BS-CCS/UFPB) disponibiliza serviços informacionais na área de saúde,
abrangendo a comunidade acadêmica dos oito cursos, no campus I da UFPB, localizado em
João Pessoa - PB, bem como a comunidade externa de pesquisadores e profissionais da saúde.
Consciente da urgência na melhoria da qualidade de seus serviços informacionais e da
democratização do acesso à informação, a BS-CCS/UFPB iniciou, a partir de 2010, o
processo de automação de sua coleção de periódicos, com vistas à disponibilização de
consulta ao acervo de forma on-line. Nas páginas que se seguem fazemos uma breve
contextualização histórica da Biblioteca e dos pressupostos teóricos que fundamentam essa
iniciativa, bem como as etapas de execução do processo de automação de sua coleção de
periódicos.

2 REVISÃO DE LITERATURA
As instituições que lidam com o tratamento e a disponibilização de informação, tais
como as bibliotecas, os arquivos e os museus, entre outras, recebem grande influência das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) nas rotinas de suas atividades diárias,
tornando-se necessária à adequação dos seus serviços informacionais para que possam atender
suas demandas (SILVA; DIAS, 2010). Para tanto, são utilizadas as Tecnologias da
Informação (TI), as quais conforme Laurindo (2002) abrangem as características técnicas
eletrônicas e os encaminhamentos envolvidos nos fluxos das rotinas e relações pessoais numa
atividade profissional.
Uma vez que as TIC’s romperam as barreiras físicas e espaciais, possibilitando o
acesso e transferência de informação, pode-se afirmar que os sistemas de automação da
informação vêm ganhando espaço, desde as últimas décadas do século XX (ROBREDO,
2003), tornando-se cada vez mais urgente à atualização permanente dos profissionais de
informação, em destaque os bibliotecários, para aplicação dos benefícios tecnológicos nas
rotinas de sua atividade profissional.
Portanto, é eminente estabelecer ações que - através do uso das TIC’s - viabilizem o
processo de automação dos acervos e serviços informacionais pelas bibliotecas. Segundo
Novellino, (1996, p. 38): “a automação tem como principal objetivo colocar ao alcance do

2197

�usuário uma base de dados com informações [...] de documentos e materiais bibliográficos
[...] de forma a facilitar seu acesso”. Em vista disso, ou seja, com a ação de garantir o acesso,
entendemos que o objetivo primordial da automação de acervos e serviços de uma biblioteca é
o de democratizar a informação.
Dutra e Ohira, conforme dados do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia - IBICT - (199?), percebem a automação de bibliotecas como a utilização de
instrumentos e mecanismos para o processamento de dados por meio eletrônico, sendo
empregados nas atividades administrativas e de ofertas de serviços. Tais atividades
compreendem a seleção, a aquisição, a representação temática e descritiva, a recuperação da
informação, a disseminação e disponibilização de material informacional. Diante disto, podese definir que automação de biblioteca é a “utilização de tecnologias da informação
(informática) nas rotinas e serviços de uma biblioteca” (DUTRA; OHIRA, 2004, não
paginado).
No intuito de atingir um dos objetivos propostos quando da reestruturação da BSCCS/UFPB, a saber: “promover a otimização dos serviços de disseminação e recuperação da
informação do acervo da biblioteca, a partir do processo de automatização do sistema de
indexação e recuperação de informação [...]” (LIMA; SILVA; ALVES, 2010), tornou-se
urgente estabelecer ações inerentes à automação do acervo e serviços da BS-CCS/UFPB, no
caso específico o da coleção de periódicos, processo relatado adiante.

2.1 A BS-CCS/UFPB: breve histórico
Criada a partir da Biblioteca de Pós-Graduação em Odontologia, atuando como Centro
de Apoio à Pesquisa da Sub-rede Nacional de Informação na área de Ciências da Saúde Oral,
numa cooperação técnica junto ao Serviço de Documentação Odontológica da Faculdade de
Odontologia da USP (SDO/FOUSP), trabalhando em conjunto com a Biblioteca Regional de
Medicina (BIREME) para o estabelecimento do Centro de Apoio à Pesquisa da “Rede
Brasileira de Informação em Ciências da Saúde para a área de Odontologia” (LIMA; SILVA;
ALVES, 2010).
Após período de três anos dedicados à construção de suas instalações físicas, foi
possível reunir diversos acervos até então dispersos em diferentes setores do CCS/UFPB.
Enfim, em outubro de 2008 é, pois, fundada a BS-CCS/UFPB, passando a atender seus
usuários a partir de fevereiro de 2009, disponibilizando inicialmente apenas seu espaço para
estudo e pesquisa - enquanto a automação de seu acervo era processada - ano em que
ingressou no Sistema de Bibliotecas da UFPB.

2198

�Seu acervo é composto por livros, monografias, CD-ROM, e periódicos. A aquisição e
a seleção do material informacional se dão por doação ou permuta (com outras unidades de
informação) e por compra a partir da Biblioteca Central da UFPB e por solicitação dos
departamentos do CCS/UFPB.
Desde então, a BS-CCS/UFPB foi uma das primeiras Bibliotecas Setoriais do campus
I a implementar três dos principais serviços informacionais do Sistema: circulação; serviços
de referências e acesso aos Portais de pesquisa; automação do acervo (livros e periódicos),
compreendendo a organização, a representação temática e descritiva, o registro e
disponibilização, possibilitando desta forma a recuperação da informação desses materiais on­
line.

3

ORGANIZAÇÃO E AUTOMAÇÃO DA COLEÇÃO DE PERIÓDICOS DA BS-

CCS/UFPB: PROCEDIMENTOS DESENVOLVIDOS
O processamento técnico do acervo da BS-CCS/UFPB foi iniciado em outubro de
2008, através do programa de automatização de bibliotecas utilizado pelo Sistema de
Bibliotecas da UFPB, o OrtoDocs , software de automação de bibliotecas . Conforme Lima e
Alvares (2012, p.35) “o principal objetivo da organização da informação é recuperar objetos
informacionais [...]”. Sendo assim, no ano de 2009 iniciaram-se as ações para organização da
coleção de periódicos da BS-CCS/UFPB, através do arquivamento e classificação do acervo
por subárea do conhecimento; em ordenação alfabética de título, cronológica crescente (do
mais antigo ao mais atual) e numérica, em ordem crescente de volume e número. Após essa
etapa, foram registrados os títulos em fichas Kardex.
Em 2010, compreendendo a urgência de adequar os serviços informacionais da
unidade à demanda de seus usuários, e o direito desses ao acesso à informação, foi
implementada a automação da coleção de periódicos, através do Módulo - Periódicos do
OrtoDocs. Para tal ação foram realizadas duas visitas para treinamento no MóduloPeriódicos do OrtoDocs junto à coordenação da Seção de Periódicos da Biblioteca Central da
UFPB.
Já em 2012, com a implantação do SIGAA (Sistema Integrado de Gestão de
Atividades Acadêmicas) - módulo biblioteca, substituindo definitivamente o OrtoDocs,
sistema de gerenciamento de propriedade da Empresa Potiron Informática, a BS-CCS/UFPB
foi escolhida como unidade piloto para implantação do “Módulo Biblioteca” do SIGAA,
tendo como referência a composição e processamento técnico do seu acervo, que permitia

2199

�melhor eficiência na migração de dados do sistema, promovendo maior rapidez e
confiabilidade na disponibilização de serviços informacionais. (VIEIRA; MACHADO, 2013).

4 RESULTADOS: ÊXITOS E OBSTÁCULOS
Conforme Rodrigues e Prudêncio (2009, não paginado) “O processo de automação
começa a partir de quando há o entendimento de que existem problemas e que a informática
pode ser a solução”. Percebendo que a aplicação das TIC’s na recuperação da informação de
sua coleção de periódicos possibilitariam um melhor uso dessa coleção e com isso a satisfação
do usuário, a equipe da BS-CCS/UFPB empenhou-se no processo de automatização dessa
coleção.
Após esses quatro anos, iniciados em 2010, foi possível perceber êxitos atingidos e
ainda a atingir com a automatização. Entre os êxitos podem-se destacar: em primeiro lugar a
disponibilização de consulta ao acervo de forma on-line de toda coleção de periódicos da BSCCS/UFPB, com acesso pelo SIGAA. Em seguida, o início da indexação dos artigos (ficha
analítica) de periódicos impressos que não constam on-line, processo ainda em andamento.
No entanto, há ainda obstáculos a ultrapassar, como por exemplo, quando da migração
dos dados armazenados no OrtoDocs para o SIGAA, informações foram perdidas ou
alteradas, havendo a necessidade de rever ou editar campos do Marc21, os quais ou eram mal
representados no antigo sistema adotado ou mal preenchidos pelos catalogadores. Outra
barreira a ser dirimida é o número reduzido de recursos humanos para executar a indexação,
edição e registro de materiais na base, o que ocasiona atraso no processamento técnico e na
disponibilização da consulta desses materiais on-line.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do atual contexto de usos da tecnologia da informação que facilitam e
oportunizando melhorias nas rotinas profissionais, as bibliotecas não poderiam ficar de fora
desse cenário de “sociedade informacional”, fazendo-se urgente a adequação a essa realidade
para melhor atender a demanda de seus usuários.
Consciente da necessidade na melhoria da qualidade de seus serviços e na adequação
desses as necessidades informacionais de seus usuários após o período de quatro anos (2010 a
2014) a BS-CCS/UFPB disponibiliza a consulta on-line sua coleção de periódicos,
possibilitando a recuperação da informação da mesma através das ferramentas de busca do
SIGAA, contribuindo para a democratização do acesso a informação.

2200

�REFERÊNCIAS
DUTRA, A. K. F.; OHIRA, M. L. B. Informatização e automação de bibliotecas: análise das
comunicações apresentadas nos seminários nacionais de bibliotecas universitárias (2000, 2002
e 2004). I n f . I n f. , L o d r i n a, v . 9 , n . 1 /2, jan. / dez. 2004. Não paginado. Disponível
em: &lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/1725/1476&gt;. Acesso
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LAURINDO, F. J. B. Tecnologia da Informação: eficácia nas organizações. Editora Futura,
São Paulo, 2002.
LIMA, I. F. de ; SILVA, T. V. G. da ; ALVES, F. A. Relato do Processo de Reestruturação
da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da UFPB. In: XVI Seminário
Nacional de Bibliotecas Universitárias - SNBU, 2010, Rio de Janeiro/RJ. Anais do XVI
SNBU.
Rio
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Janeiro/RJ:
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2010.
p.
01-16.
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em:
&lt;http://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0070/trabalhos/final 216.pdf&gt;. Acesso em: 25
mar. 2014.
LIMA, J. L. O.; ALVARES, L. Organização da informação e do conhecimento. In.:
ALVARES, L. (org). Organização da informação e do conhecimento: conceitos, subsídios
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NOVELLINO, M. S. F. Instrumentos e metodologias de representação da informação.
Informação e Informação. Londrina, v. 1, n.2, p. 37- 45, jul./dez. 1996. Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/1603/1358&gt;. Acesso em:
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ROBREDO, J. Da Ciência da Informação revisitada aos sistemas humanos de
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&lt;http://www.ies.ufpb.br/oi s/index.php/biblio/article/view/3944/3109&gt;.

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Disponível
em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/oi s/index.php/biblio/article/view/4903/3708&gt;.
Acesso: 28 mar. 2014.
VIEIRA, M. das G.; MACHADO, F. F. Sistema integrado de gestão de atividades acadêmicas
SIGAA - módulo biblioteca: uma oportunidade de retomar a credibilidade da comunidade
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Paraíba . Rev. Digit. Bibliotecon. Cienc. Inf. Campinas, SP v.11 n.2 p. 159-175 maio/ago.
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&lt;http://polaris.bc.unicamp.br/seer/ois/index.php/rbci/article/view/596/pdf&gt;.

em:
Acesso em: 28

mar. 2014.

2201

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                <text>Automação da Coleção de Periódicos da BS-CCS/UFPB- organizando, representando e disponibilizando informação: relato de experiência.</text>
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                <text>Silva, Tahis Virgínia Gomes da, Vieira, Fernando Augusto Alves</text>
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                <text>Apresenta um relato de experiência sobre o processo de automação da coleção de periódicos que compõe o acervo da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (BS-CCS/UFPB). Traz um breve histórico da Biblioteca, ressaltando os serviços informacionais oferecidos, o sistema de automação utilizado e os encaminhamentos metodológicos desenvolvidos para as ações sistemáticas da automação de sua coleção de periódicos. Com um processo iniciado em 2010 pode-se perceber êxitos atingidos, tais como: inclusão de toda coleção de periódicos da BS-CCS/UFPB no SIGAA, início da indexação dos artigos de periódicos de acesso antes exclusivamente impresso (ficha analítica) processo ainda em andamento. Consciente da necessidade na melhoria da qualidade de seus serviços e na adequação desses as necessidades informacionais de seus usuários após o período de quatro anos (2010 a 2014) a BS CCS/UFPB disponibiliza a consulta on-line sua coleção de periódicos possibilitando a recuperação da mesma através das ferramentas de busca do SIGAA, contribuindo para a democratização do acesso a informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MULTA SOLIDÁRIA DA UFRPE: DIALOGANDO COM A SOLIDARIEDADE E A
EDUCAÇÃO
Vania Ferreira da Silva
Williana Carla Silva Alves
Elisabeth da Silva Araújo
Edson Cordeiro do Nascimento
Maria Wellita Bezerra dos Santos Bastos

RESUMO
Ao identificar problemas para o pagamento de multas nas Bibliotecas da Universidade
Federal Rural de Pernambuco, surgiu a ideia de uma mudança na forma de educar os usuários
quanto à inadimplência. Nesse contexto, surge na Biblioteca Central da UFRPE o projeto
Multa Solidária. Através desse trabalho, relataremos a história desse projeto, sua metodologia,
seus desafios, contribuições para comunidade acadêmica e a sociedade pernambucana,
apresentando considerações sobre a implantação do respectivo projeto em universidades
públicas.

Palavras-Chave:
Universitárias.

Multa

solidária;

Compromisso

Social;

Solidariedade;

Bibliotecas

ABSTRACT
By identifying problems with the payment of fines in the Libraries of the Universidade
Federal Rural de Pernambuco, the idea of changing the way of educating users about the
default came about. In this way, the Solidary Fine project at the UFRPE Central Library
started. Through this work, we report the history of the project, its methodology, its
challenges, contributions to the academic community and Pernambuco’s society.
Keywords: Solidary Fine; Social Commitment; Solidarity; University Libraries.

1 INTRODUÇÃO
Em 2012 deparamo-nos com uma situação que solicitava medidas de mudança na
Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Os alunos dos
cursos noturnos encontravam grande dificuldade para realizar o pagamento de suas multas nas
Bibliotecas da UFRPE, pois a única forma de quitação era através da geração de GRU para

2985

�pagamento no Banco Bradesco. No Campus Recife há apenas uma agência localizada na
instituição, mas que funciona apenas até às 15 horas.
A frequência das reclamações só aumentava a cada dia, pois nem todos os usuários
tinham como realizar o pagamento de suas multas e, portanto, ficavam impedidos de realizar
novos empréstimos na Biblioteca. O mesmo ocorria nas Unidades Acadêmicas de Garanhuns
e Serra Talhada, onde a problemática era ainda maior, pois não há agência bancária nas
proximidades das Unidades, por estarem localizadas distante do centro das cidades.
Essas dificuldades para pagamento de multas levou a equipe de Bibliotecários de
Referência a refletir e planejar novos meios para cobrança dessas multas.
Todo ano a Biblioteca Central da UFRPE participa do Projeto Natal Solidário, que tem
como objetivo a arrecadação de alimentos para doação a instituições sociais e uma festa
natalina para Comunidade acadêmica e os bairros circunvizinhos da Instituição, trabalhando a
solidariedade e o momento de confraternização. Da participação da Biblioteca Central no
projeto Natal Solidário, surge o Projeto Multa Solidária.
A multa solidária é destinada a fomentar a solidariedade e a responsabilidade social
tendo como finalidade dar uma nova perspectiva a cobrança das multas das Bibliotecas da
UFRPE, através da troca das multas que seriam pagas em dinheiro pela doação do valor
equivalente em alimentos não perecíveis.
Este trabalho relata a experiência da implantação do Projeto Multa Solidária nas
Bibliotecas da UFRPE, refletir sobre o tema inadimplência e multas dos usuários em
bibliotecas, tão escasso na literatura da área da Biblioteconomia, levantando a discussão sobre
as vantagens da implantação do projeto.

2

REFLETINDO

SOBRE

O

TEMA

MULTAS

NA

LITERATURA

DA

BIBLIOTECONOMIA
A literatura sobre o tema é bastante escassa em Biblioteconomia. Na prática
biblioteconômica, cada instituição adota um sistema próprio de cobrança de multa, ou
educação do usuário. Partimos aqui do conceito de multa que nos oferece o dicionário
Houaiss (2004) “Multa: quantia em dinheiro que se paga por uma infração; documento que
comprova essa punição” .
Diante desse conceito, as bibliotecas utilizam a multa como medida educativa, para
não acumularem pendências e não deixarem de oferecer serviços de empréstimos aos
usuários, uma vez que o usuário em atraso tira a oportunidade de outro usuário que necessita
da mesma obra.

2986

�As Bibliotecas no Brasil, em geral, utilizam como medidas para inadimplência de seus
usuários, a suspensão dos alunos com pendências ou a cobrança de multas através do sistema
financeiro. Neste último, algumas optam por pagamento através da GRU (Guia de
Recolhimento da União) no banco e outras por pagamento no balcão. Muitas vezes esse valor
arrecadado com multas direto na Biblioteca é utilizado para aquisição de novos itens de
consumo ou material bibliográfico.
A multa ou sistema educativo para inadimplentes é uma medida adotada pela maioria
das Bibliotecas com o objetivo preservar o patrimônio público, uma vez que o livro é um bem
de uso permanente. Contudo, espera-se que a aplicação da multa funcione não apenas como
uma medida punitiva, mas que permita ao bibliotecário de referência desenvolver
competências na mediação da informação, com uma visão humanística e social para atender
melhor seus usuários.
Segundo Macedo e Modesto (1999, p.46): “Considerar-se um mediador da
informação, é tomar posições de forma ética, educacional e social para que melhor se
compreenda seu projeto profissional, é firmar obrigações de cidadão e de ser humanitário com
o público que atende” . Nessa perspectiva, entendemos que a multa deve ser uma medida
educativa que proporcione benefícios a toda comunidade acadêmica.
Em Instituições de Ensino Superior existe um consenso quanto à prática de tal medida
educativa, tanto de dirigentes, como da comunidade científica, principalmente para materiais
informacionais com grande demanda de uso.
Se a unidade de informação fosse utilizada como recurso para transpor os
limites de sua comunidade usuária, não hesitaria em dizer que a biblioteca
desenvolveria um papel importante na construção dos saberes e do
desenvolvimento socio-interacionista. E por outro lado não arrastaria como
obrigação sem propósito alguns limites disciplinadores como as multas e as
suspensões, mas que ao mesmo tempo são tão importantes para a existência
da biblioteca como: a devolução dos materiais, a conservação dos mesmos e
do espaço e o respeito aos outros usuários e aos funcionários. (TORRES,
2010).
Embora a aplicação de multas não seja o foco dos serviços de uma biblioteca, é
necessário mais estudos sobre o tema para a adoção de outros métodos, a fim de transformar
penalidade em educação e cidadania.

3 PROJETO MULTA SOLIDÁRIA: DE PROJETO PARA MEDIDA EFETIVA
No ano de 2012, planejamos a implementação da multa solidária e resolvemos lançá-la
juntamente com participação no Projeto Natal Solidário da UFRPE, evento que acontece

2987

�anualmente na Instituição e que tem como objetivo fortalecer a solidariedade, através do
arrecadamento de doações de alimentos para instituições filantrópicas.
A finalidade do Projeto Multa Solidária era diminuir as reclamações sobre pagamento
de multas e direcionar a multa para uma medida disciplinar que efetivamente resultasse numa
ação voltada para educação, cidadania e solidariedade.
3.1 Metodologia do Projeto M ulta Solidária
O Projeto Multa Solidária seguiu algumas diretrizes na sua metodologia, primeiro
criamos os objetivos, nossos guias para implantação de tal projeto:
■ Criar um novo sistema de cobrança de multas, que seja educativo e promova o bem
estar social da comunidade no qual estamos inseridos;
■ Gerar reflexão sobre o papel social da Biblioteca Central diante da realidade das
comunidades que cercam a UFRPE;
■ Transformar o valor da moeda em equivalentes a alimentos não perecíveis;
■ Selecionar Instituições filantrópicas, dentre as cadastradas no serviço social da
Prefeitura para recebimento dos alimentos arrecadados.

Após definição das diretrizes, criamos a primeira tabela, convertendo o valor da
moeda em valor aproximado de alimentos não perecíveis, permitindo um desconto real no
valor final da multa (tabela abaixo):

Tabela 1 - Multa Solidária 2012
V a lo r em R $

1a 3
4a8
9 a 18
19 a 27
28 a 38
39 a 48
49 a 68
69 a 79
80 a 90
91 a 100
Acima de 100

E q u iv a len te em alim en to s n ão-p erecíveis*

1 Kg de Alimento
1 Kg de feijão
2 Kg de alimentos, sendo 1 kg de Feijão
3 Kg de alimentos, sendo 1 kg de Feijão
4 Kg de alimentos, sendo 1 kg de Feijão
5 Kg de alimentos, sendo 2 kg de Feijão
6 Kg de alimentos, sendo 2 kg de Feijão
7 Kg de alimentos, sendo 2 kg de Feijão
8 Kg de alimentos, sendo 2 kg de Feijão
13 Kg de alimentos, sendo 3 kg de Feijão
30 kg de alimentos
*Exceto fubá e sal

Fonte: Os autores.

2988

�A etapa seguinte foi a divulgação do projeto, através do site da UFRPE, do Facebook
da Biblioteca e de todos os grupos desta rede social com alguma relação com a Instituição.
Nessa nova etapa, alguns procedimentos foram adotados:
• Instrução dos Assistentes do Balcão de Empréstimo para recebimento dos
alimentos, buscando verificar a data de validade dos alimentos, e evitando aceitar
itens que não estavam na tabela;
•

A prestação de contas desses alimentos com contagem e descrição dos itens, e

memorando informando e registrando a doação às Instituições, feita pela
Coordenação de Atendimento ao Usuário.

Após a implementação do projeto, identificamos um alto índice de usuários com
dívidas acima de 500 reais, e percebemos a necessidade de atualização da tabela de multa
(Tabela 2), que ainda estava em análise pelo Conselho Universitário. Em 08 de abril de 2013,
o Conselho Universitário aprova o Projeto Multa Solidária, tornando o projeto definitivo.

Tabela 2 - Projeto Multa Solidária 2013
V A L O R E S E M R E A IS
1 ,5 0 a 3 rea is
4 a 8
reais
9 a 18 reais
19 a 2 7 reais
2 8 a 3 8 reais
3 9 a 4 8 reais
4 9 a 68 reais
69 a 79 reais
8 0 a 90 reais
91 a 1 0 0 rea is
101 a 2 0 0 reais
201 a 3 0 0 rea is
301 a 5 0 0 rea is
A c im a d e 5 0 0 rea is

E Q U IV A L E N T E E M a lim e n t o s N Ã O P E R E C ÍV E IS *
1 P a c o te d e le ite e m p ó o u m a c a rrã o
1 Kg d e Feijão
2 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 d e fe ijã o
3 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 d e fe ijã o
4 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 d e fe ijã o
5 Kg d e a lim e n to s, se n d o 2 d e fe ijã o
6 Kg d e a lim e n to s, se n d o 2 d e fe ijã o
7 Kg d e a lim e n to s, se n d o 2 d e fe ijã o
8 Kg d e a lim e n to s, se n d o 2 d e fe ijã o
1 3 Kg d e a lim e n to s, se n d o 3 d e fe ijã o
2 0 Kg d e a lim e n to s, se n d o 5 d e fe ijã o
3 0 Kg d e a lim e n to s, se n d o 5 d e fe ijã o
4 0 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 0 d e fe ijã o
5 0 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 5 d e fe ijã o

Exceto: Fubá e Sal
Fone: Os autores.

O Projeto Multa Solidária foi bem recebida pelos usuários das Bibliotecas da UFRPE.
Hoje, além da opção de pagar através do GRU, o usuário pode pagar sua multa em alimentos
não perecíveis. Antes, a impressão de guias para gerar o GRU era em torno de 30 boletos de
100 páginas por mês, ou seja, 3000 folhas de boletos sendo impressas por mês. Atualmente,
um boleto com 100 páginas dura em torno de um mês e meio.

2989

�Em abril de 2013 adotamos outros procedimentos, além dos acima anteriormente.
Criamos um recibo para uso exclusivo do pagamento da multa através do Projeto Multa
Solidária, além de um Termo de Doação dos Alimentos, com a finalidade registrar todos os
passos da doação, e assim ter respaldo diante de qualquer auditoria. Adotamos também o
procedimento de ampla divulgação e transparência das doações, utilizando as redes sociais
para divulgação do que foi arrecadado e doado, disponibilizando os documentos e fotos.

Para acondicionamento dos alimentos utilizamos uma sala da Biblioteca destinada
exclusivamente para esse fim. Os alimentos recebidos no setor de empréstimo são
devidamente embalados e encaixotados diariamente, para evitar que sejam contaminados por
insetos e pragas. Para melhor aproveitamento dos alimentos e prevenção de perdas, doamos
os alimentos a cada 15 dias, esse período representa doações em torno de 300 a 500 quilos de
alimentos.

4 RESULTADOS ALCANÇADOS
Hoje podemos afirmar que o principal objetivo do Projeto Multa Solidária foi
alcançado, disponibilizando uma alternativa que facilitasse o pagamento das multas e, além
disso, possibilitamos aos nossos usuários uma reflexão sobre o Papel da Biblioteca como
agente social. Outro ponto positivo do Projeto foi o retorno de alguns livros que não eram
localizados há mais de dois anos em nosso inventário.
Através da divulgação do Projeto entre a comunidade acadêmica, muitos ex-alunos
vieram devolver os livros, algo que não era esperado quando implantamos o projeto. Isso
representou um retorno de cerca de 50 livros ao nosso acervo.
Em 2013, no 25° Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência
da Informação, apresentamos nosso primeiro trabalho sobre a experiência e percebemos que o
mesmo despertou o interesse em muitos bibliotecários presentes. Porém, nos relataram que a
maioria trabalha em instituições que usa a verba da multa para compra de materiais para a
biblioteca, o que acabava dificultando a adesão à iniciativa.
Nos primeiros meses do projeto foram doados cerca de quatro toneladas de alimentos,
referentes a primeira tabela lançada em 2012 (Tabela abaixo).

2990

�Tabela 3 - Doações (Instituições/quantidades)
INSTITUIÇÃO/PROJETO
Natal Solidário UFRPE
Ação Emergencial Anual

QUANTIDADE
3 toneladas de alimentos
1 tonelada de alimentos

Depois do período de adaptação e avaliação do Projeto e com o lançamento da nova
tabela, doamos mais sete toneladas de alimentos (tabela abaixo):

Tabela 4 - Doações (Instituições/quantidades)
INSTITUIÇÃO/PROJETO
QUANTIDADE
Associação Filantrópica Nossa Senhora de 502 quilos de alimentos
Lourdes, Peixinhos-Olinda.
Núcleo Espírita Missionários da Luz, Pina- 352 quilos de alimentos não perecíveis + 56
Recife.
pacotes de (Macarrão, leite e fubá) + 1 cesta
básica
Grupo de Ajuda à Criança Carente com 300 quilos de alimentos
Câncer - PE
Centro de Reabilitação e Valorização da 580 quilos de alimentos não perecíveis + 25
Criança (CERVAC), Morro da Conceição
pacotes de macarrão e leite
Cômite Ação da Cidadania Pernambuco 1262 quilos de alimentos + 4 pacotes de leite
Solidário, Cordeiro-Recife
Hospital do Câncer de Pernambuco
1 tonelada e 712 quilos de alimentos
Projeto Natal Solidário
4 toneladas e 359 quilos de alimentos
Ao todo foram doados 9 toneladas e 67 quilos de alimentos não perecíveis, durante os
dois primeiros anos do Projeto (dados referentes a Biblioteca Central da UFRPE localizada
em Recife).
A experiência nas Bibliotecas Setoriais das Unidades Acadêmicas de Serra Talhada
(BS-UAST) e Garanhuns (BS-UAG) foi bastante similar a ocorrida na Biblioteca Central em
Recife. A Biblioteca Setorial da UAST (BS-UAST) sempre encontrou muita dificuldade na
cobrança da multa, tendo como principais razões: a localização da Biblioteca em uma zona
rural do município, a inexistência de agências bancárias próximas e um grande percentual de
alunos que residem em outras cidades da região.
A multa solidária estabeleceu novos parâmetros para cobrança da multa, a partir de
novembro de 2012, a BS-UAST adotou duas formas para pagamento de multas: a tabela da
multa solidária e a GRU que pode ser pago no Banco do Brasil. Diante das mudanças a
biblioteca elaborou uma lista com as instituições a serão contempladas a cada mês,
observando alguns critérios: ser uma instituição sem fins lucrativos, ter Cadastro Nacional da
Pessoa Jurídica (CNPJ) e acima de tudo ser uma instituição idônea.
De janeiro a dezembro de 2013, foram doadas quase cinco toneladas de alimentos:

2991

�Tabela 5 - Doações BS-UAST (Instituições/quantidades)
INSTITUIÇÃO/PROJETO
Associação dos Moradores do Bairro Mutirão
Centro Espírita Esperança e Renovação
APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
Centro Espírita Cícero
Paróquia Nossa Senhora da Penha
Centro de Recuperação para dependentes químicos dom
Francisco de Mesquita
Igreja Batista Emanuel
Abrigo para Idosos Ana Ribeiro
Centro Espírita Esperança
Associação comunitária Rural e Urbana da CAGEPE
Lar dos Idosos Maria de Nazaré

QUANTIDADE
774,8 Kg
798,35 kg
618,85 kg
296 kg
299 kg
253,8 kg
276,9 kg
476,6 kg
471,8 kg
302 kg
311kg

Pensando na transparência a partir da sanção da Lei 12.527, de 18 de novembro de
2011, que trata do acesso às informações públicas, a UFRPE instituiu a Comissão de
Implantação, a fim de garantir a transparência e o acesso exigidos pela legislação. A BSUAST decide então, que toda doação deve ser registra. O registro se dá de duas formas:
assinatura do Termo de doação - onde doador e donatário assinam o documento e fotografias.
No entanto, mais importante que registrar é disseminar, é essencial disponibilizar as
informações, essa disseminação é feita no site da UAST e no facebook da biblioteca.
As doações da BS-UAST têm sido tão exitosas que a Biblioteca hoje recebe doações
de alimentos arrecadados de atividades realizadas em outros setores da unidade, como a
campanha realizada pelo Projeto PET-CS - Linguística, Letras e Artes e a realizada pelo
Núcleo de Serviço Social da UAST.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Falar sobre multas ou medidas educativas é sempre um dilema na vida dos
bibliotecários. Nas Bibliotecas da UFRPE, além dos alunos terem 15 dias como prazo para
empréstimo, eles podem realizar 5 renovações, se o livro não estiver na reserva. Buscamos ter
nas estantes sempre em torno de 25 a 40 exemplares das obras de maior demanda, mesmo
assim, a multa acontece com frequência.
Buscar uma medida educativa adequada que favoreça os usuários de uma biblioteca,
não é uma missão fácil. Pensar em como educar sem, ao invés disso, castigar, requer muito
planejamento.
Comprendo que es espinoso el tema de los castigos y que siempre se da el
caso en que justos pagan por pecadores, porque hay más rezones para un
retraso que la falta de voluntad y la pereza en general. Desde que ella me
contó cómo no pudo llevarse el resto de libros que necesitaba para terminar

2992

�su trabajo, después de que llegó un día tarde a renovar su préstamo, me
ronda por la cabeza la seria duda de si esa sanción ha hecho que los usuarios
de esa biblioteca sean más responsables con la devolución de los materiales
o si sólo están logrando que sus usuarios habituales, aquellos a los que si les
aflige no poder sacar libros, busquen alternativas fuera de la biblioteca para
obtener los materiales que necesitan. (BIBLIOTECA LUDWIG VON
MISES, 2010).
Entendemos que o Projeto Multa Solidária da UFRPE recebeu o apoio da comunidade,
mas para, além disso, despertou em nossa equipe o papel social da Biblioteca, “Exercitar a
função social é uma virtude, pois envolve questão de suficiência e plenitude profissional e
pessoal” . (BARROS, 2005, p.81).

6 Referências
BIBLIOTECA LUDWIG VAN MISES. Sobre las Multas y otros incentivos. 2010.
Disponível

em:

&lt;http://librolibertate.wordpress.com/2010/08/23/sobre-las-multas-y-otros-

incentivos/&gt; . Acesso em : 04 mar. 2014.
BARROS, F. R. dos Santos de. Bibliotecário e o compromisso social: quais as possibilidades
para a realização desse encontro. In: SOUTO, L. F. de (org). O profissional da informação

em tempo de mudanças. Campinas, SP: Ed. Alínea, 2005. p. 69-82.
DICIONÁRIO Houaiss. São Paulo: Objetiva, 2004.
MACEDO, N. D. de; MODESTO, F. Equivalências: do serviço de referência convencional a
novos ambientes de redes digitais em bibliotecas. Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, São Paulo, v.1, n.1, p. 38-72, 1999.
TORRES, R. Limite na biblioteca: Prática inatíngivel além da cobrança de multas e sanções
temporárias?. 2010. Disponível em: &lt;http://bibliosimples.blogspot.com.br/2010/11/limite-nabiblioteca-pratica.html&gt;. Acesso em: 04 mar. 2014.

2993

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                <text>Ao identificar problemas para o pagamento de multas nas Bibliotecas da Universidade Federal Rural de Pernambuco, surgiu a ideia de uma mudança na forma de educar os usuários quanto à inadimplência. Nesse contexto, surge na Biblioteca Central da UFRPE o projeto Multa Solidária. Através desse trabalho, relataremos a história desse projeto, sua metodologia, seus desafios, contribuições para comunidade acadêmica e a sociedade pernambucana, apresentando considerações sobre a implantação do respectivo projeto em universidades públicas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DIVERSOS OLHARES: PROJETO DE SINALIZAÇÃO PARA USUÁRIOS COM
DEFICIÊNCIA VISUAL PARA BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Gracineide Santos Silva
Elisabeth Silva Araujo

RESUMO
A sociedade contemporânea passou por profundas mudanças causadas pelos avanços das
telecomunicações, da telemática, da explosão tecnológica, etc. uma era nova surge a partir da
convergência desses avanços, que, inter-relacionados, formam, as “infovias de informação”,
neste contexto, trazemos o acesso de pessoas com deficiência visual às Bibliotecas
Universitárias. A implantação das políticas inclusivas em nosso país se deu a mais de dez
anos, e percebe-se a necessidade de avaliação de sua aplicabilidade no contexto das
universidades, mas precisamente, ao acesso a informação. Este trabalho tem como objetivo
apresentar um Projeto de sinalização para usuários com deficiência visual em bibliotecas
universitárias, que tem como foco o acesso e o uso aos serviços e acervos, por parte dos
usuários real e potencial com deficiência visual.
Palavras-Chaves: Acessibilidade; Biblioteca Universitária; Deficiência Visual; Serviços de
Informação; Serviço de Referência
ABSTRACT
Contemporary society has undergone profound changes caused by advances in
telecommunications, telematics, the technological explosion, etc. A new era arises from the
convergence of these advances, once interrelated, form the "infovias de informaçao". In this
context, we bring the access of the visually impaired people to University Libraries. The
deployment of the inclusive policies in our country took over ten years and it was realized the
need to evaluate their applicability in the context of universities, specifically to the access to
information. This work aims to present the proposed signage for visually impaired users of
university libraries, which focuses on access and use of the services and collections by the
real and potential users with visual impairments.
Keywords: Accessibility; University Library; Visual Impairment; Information Services;
Reference Service

2562

�1 INTRODUÇÃO
A Constituição Brasileira de 1988 garante o direito de igualdade a todos os cidadãos
sem nenhuma forma de discriminação. Esse direito inclui o acesso à moradia, ao trabalho e a
serviços essenciais como educação e saúde para todas as pessoas, independentemente do sexo,
idade, cor, credo, condição social ou deficiência. Para permitir a inclusão, são necessárias
mudanças culturais e de atitude, além de ações políticas e legislativas, sendo obrigação do
Estado garantir esse direito por meio de sua implementação. Entre as ações necessárias, é
fundamental promover mudanças no ambiente físico para atingir melhores condições de
acessibilidade espacial e permitir a todas as pessoas a realização de atividades desejadas.
O conceito de inclusão se refere à possibilidade de participação social em condições
de igualdade e sem discriminação. No caso de pessoas com deficiência, reconhecer sua
diversidade é fundamental para promover as modificações necessárias para equiparar suas
oportunidades. Por se tratar de um problema complexo, que envolve desde a capacitação do
indivíduo com deficiência até a garantia de seus direitos sociais de acesso a atividades e
serviços de educação, saúde, trabalho, cultura e lazer, vários aspectos inter-relacionados são
necessários para a obtenção efetiva da inclusão (DISCHINGER; ELY; PIARDI, 2012).
Ao longo dos tempos a cegueira, termo substituído hoje pela literatura por Deficiência
Visual, foi tema de discussão e debates, os quais foram evoluindo à medida que a
modernidade foi avançando, dando brechas para que os grupos sociais se organizassem em
prol de discussão mais consistentes, no sentido de proporcionar a essa parcela da sociedade
uma vida mais participativa e atuante. A deficiência visual é uma categoria que inclui pessoas
cegas e pessoas com visão reduzida.

Na definição pedagógica a pessoa é cega mesmo

possuindo resíduos visuais quando necessita de instrução em Braille; a pessoa com baixa
visão ou visão reduzida pode ler tipos impressos ampliados ou com o auxílio de potentes
recursos ópticos - a lupa, por exemplo (INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT, 2014).
É importante ressaltar que não se pode negar a deficiência e muito menos minimizar a
marginalização social que sofrem as pessoas que estão fora dos padrões aceitos socialmente.
Considerando que o objetivo do presente trabalho é apresentar o Diversos Olhares: projeto de
sinalização voltado para bibliotecas universitárias, que tem como prioridades e objetivos
identificar e analisar as dificuldades, necessidades e aspirações dos usuários real e potencial
com deficiência visual, sobretudo no que se refere ao processo de busca por informações
dentro do ambiente das bibliotecas que compõem o sistema, além de apresentar o a
Sinalização através do sistema braille e o mapa tátil como instrumentos de acesso e o uso da
informação por parte de usuários com deficiência visual.

2563

�Na atualidade, a compreensão científica da deficiência visual está bastante ampliada e
as possibilidades de interação dos sujeitos com deficiência visual na sociedade bastante
facilitada devido, principalmente, as novas tecnologias; no entanto, o acesso a todo esse
desenvolvimento tecnológico ainda é restrito e em muitos casos, incorreto ou ineficaz.
Em nosso país a desigualdade persiste, pois a má distribuição de renda decorrente de
um processo histórico. Por meio deste perpassa o fortalecimento da desigualdade que implica
na exclusão. Facion (2005) chama atenção para o aspecto da invisibilidade, conceito
diretamente relacionado ao de exclusão, afirmando que o maior obstáculo para que exista uma
política social eficiente é o fato de os pobres que compõem um terço da base da pirâmide
serem invisíveis tanto politicamente por falta de representação, quanto economicamente, por
estarem na faixa mais baixa de renda, e socialmente, porque sequer são reconhecidos pelo
Estado (FACION, 2005, p. 05).
Não adianta planejar leis e políticas inclusivas voltadas para o ambiente universitário
se não se promover no âmbito social e acadêmico a equidade das condições de acesso ao
ensino, a pesquisa e a extensão. Não basta garantir o acesso ao ensino superior, é preciso
garantir sua permanência produtiva e sua saída qualificada. Para viabilizar a inclusão de
alunos com deficiência visual na Biblioteca Universitária, por exemplo, é indispensável
contar com infraestrutura (salas bem equipadas, sinalização de acervos, serviços e predial),
acervos e profissionais especializados.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O termo deficiência visual refere-se a uma situação irreversível de diminuição da
resposta visual, em virtude de causas congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento
clínico e, ou cirúrgico e uso de óculos convencionais. A diminuição da resposta visual pode
ser leve, moderada, severa, profunda (que compõem o grupo de visão subnormal ou baixa
visão) e ausência total da resposta visual (cegueira) (ZANUNCIO; VILELA; MAFRA, 2011).

2.1 Sistemas de classificação: “onde encontro aquele livro”?
Classificar o conhecimento é tão antigo quanto o surgimento da humanidade, significa
ação ou efeito de classificar e como método foi empregado no início de seu surgimento de
diversas formas na proporção em que o conhecimento se desenvolvia. No estudo, o
entendemos como um conjunto temático que torna possível a representação documental cujo
objetivo é a recuperação da informação de forma mais eficaz para o usuário.

2564

�De modo geral, os sistemas de classificações são conjuntos artificiais de signos
uniformes que permitem a comunicação entre a linguagem natural dos usuários e a unidade de
informação, eles são utilizados para figurar o conteúdo dos documentos, por isso alguns
autores os definem como sistemas simbólicos instituídos com intuito de facilitar a
comunicação.

2.1.1 Classificação Decimal de Dewey
A classificação Decimal de Dewey foi desenvolvida em 1876 por Melvil Dewey,
atualmente é o sistema de classificação bibliográfica mais utilizada em todo o mundo, desde
sua criação ate os dias atuais passou por várias edições, sendo a de 2004 a mais atual, que
corresponde a 22° edição. Sua primeira edição foi publicada anonimamente e era denominada
Classification and Subject Index for Cataloguing and Arranging the Books and Pamphlets of a
Library, a 2° edição foi publicada em 1885, com o nome Decimal Classification and Relative
Index, desta vez com indicação de responsabilidade, mas somente na sua 16° edição a obra
passa a ser denominada de Dewey Decimal Classification (DDC), conhecida em português
como Classificação Decimal de Dewey (CDD) (ANDRADE, BRUNA; SALES, 2011).
Dewey dividiu o conhecimento humano em 9 classes, e reservou uma classe para
reunir obras relacionadas a assuntos gerais para isso usou uma notação com números
decimais.

As classes principais são: 000 Generalidades; 100 Filosofia e disciplinas

relacionadas; 200 Religião; 300 Ciências Sociais; 400 Línguas; 500 Ciências Puras; 600
Tecnologia (Ciências Aplicadas); 700 Artes, Recreação e Artes Cênicas; 800 Literatura (Belas
Letras); 900 Geografia. Biografia. História.

2.1.2 A Classificação Decimal Universal - (CDU),
A Classificação Decimal Universal - (CDU), é um mecanismo pré - estabelecido
como instruções, com a finalidade de ser utilizada pelo profissional da informação no auxílio
na identificação do assunto no documento independente do suporte nas quais as informações
estão inseridas e conseguintes, classificar o documento utilizando as regras descritas na
mesma. Conforme Souza (2010), “a CDU é compreendida como uma linguagem de indexação
e de recuperação de todo o conhecimento registrado e na qual cada assunto é simbolizado por
um código baseado nos números arábicos”. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de meios
de padronização e direcionamento na recuperação da informação universal sob todo o
conhecimento científico.

2565

�Os belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine, após várias pesquisas no intuito de criar um
meio de controle e identificação bibliográfica, criaram o Manual Du Repertoire
Bibliographique Universal, desenvolvida a partir da 19° edição da CDD e fora publicada em
1904 a 1907, conhecida como Classificação de Bruxelas. Somente em 1927, a segunda edição
fora publicada com o título Classification Decimale Universelle em edição francesa, e em
1933 publicaram a Edição - Padrão Internacional descrita como Máster Reference File. Em
1934 a 1948, foi publicada a 3° edição em alemão. A CDU encontra- se na língua inglesa que
é a oficial, na francesa, italiana, portuguesa e alemã. A primeira edição média na língua
portuguesa foi publicada em 1976, pelo Instituto Brasileiro de Informação e TecnologiaIBICT, no entanto a segunda parte, já fora publicada em 2005.
A notação da CDU é mista, pois contém sinais, símbolos, números decimais, sinais
gráficos e letras, visto que, quando estabelecido o código e ordenação é determinável a
classificação do documento. A CDU é composta pelas tabelas principais ou sistemáticas, essa
tabela comporta todo o conhecimento científico, sendo dividida em 10 classes principais de 0
a 9, e a classe 4 se encontra vaga, pois fora transferida para classe 8 em 1964. Cada classe é
subdividida em 10 seções, e as mesmas são novamente desdobradas em 10 subclasses. Veja,
por conseguinte como são apresentadas as 10 classes: 0 Generalidades; 1 Filosofia; 2
Religião; 3 Ciências Sociais; 4 Vaga; 5 Ciências Puras; 6 Ciências Aplicadas; 7 Artes.
Recreação. Diversão. Esportes; 8 Linguística.Literatura; 9 História, Geografia. Biografias
Não estamos aqui para defender um sistema ou outro, este breve comentário sobre
estes dois sistemas e para evidenciar a importância e a presença quase que indiscutível em
toda e qualquer biblioteca universitária. Prateleiras e corredores das bibliotecas são
“decorados” com seus números e símbolos. Cada bibliotecário de referência procura a melhor
técnica de informar a seus usuários “onde” encontrar o material (livro, periódico, DVD, etc).
Mas aqueles usuários que não enxergam ou enxergam pouco como irão chegar à informação
desejada? Como tornar acessíveis estas prateleiras, estantes e corredores para os usuários
com deficiência visual?

2.2 Sistema Braille: breve histórico e questões iniciais
O braille é um sistema de leitura e escrita tátil para pessoas cegas que contém seis
pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três no sentido vertical na mesma janela,
formando sessenta e quatro combinações. Surgiu há, aproximadamente, 178 anos para dar um
sentido à vida das pessoas cegas. O braille torna-se uma possibilidade real das pessoas com

2566

�deficiência visual ingressarem na chamada “cultura letrada” (PARREÃO; RODRIGUES,
2009).
Uma primeira versão do sistema braille foi apresentada à França por seu inventor, Luís
Braille, em 1829, sendo a sua versão definitiva divulgada em 1837. Por algum tempo, a
reglete e o punção se constituíam nos únicos meios para a produção do livro ou de qualquer
texto Braile. Não poderia precisar a época em que se imprimiu pela primeira vez um livro em
Braille, pela via de uma máquina de impressão, mas é certo que a mecanização da produção
do texto Braille se deu de forma bastante lenta, afetando sobretudo os países mais ricos e os
grandes centros economicamente mais fortes (BELARMINO, 2001).
No Brasil, por exemplo, até os anos oitenta do século XX, somente os estados do Rio
de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais dispunham de máquinas de impressão em braille,
ficando a política de produção do livro didático e de outros livros em Braille centrada no Rio
e em São Paulo.
A partir da década de noventa, surgiu o softwares de voz, permitindo o acesso das
pessoas cegas ao mundo informático, e consequentemente, a automação dos processos de
impressão braille, assim como o incremento e aperfeiçoamento dos softwares de
reconhecimento de textos através do processo de digitalização, todas essas descobertas
permitiram-nos pensar que estamos vivendo um período de transição, uma época onde
assistimos a uma espécie de alargamento das possibilidades de ação no âmbito dos processos
de ensino/aprendizagem das pessoas cegas e deficientes visuais (BELARMINO, 2001).
É assim que do ponto de vista das estruturas materiais, a era tecnológica que também
penetrou o acesso à informação e toda a vida cotidiana das pessoas cegas evidencia um
prognóstico bastante favorável à valorização do sistema Braille, à ampliação dos acervos
Braille nas bibliotecas e serviços especializados, do seu reconhecimento para além das
fronteiras desses serviços especializados, nos outros serviços da sociedade civil como um
todo.
Segundo Belarmino (2001), para uma satisfatória assimilação de informações,
experiências significativas e compreensão do mundo, usufruindo integralmente da língua, ler
e escrever constituem aquisição intelectual de valor inestimável.

Por sua simplicidade,

facilidade de utilização, sistematização, coerência lógica, equilíbrio e polivalência o Braille
constitui-se num instrumento sociocultural insubstituível na vida pessoal, familiar, social e
profissional das pessoas com deficiência visual.
O braille, de acordo com Belarmino (2001) é reconhecidamente o único meio natural,
universal e indispensável de leitura e escrita para pessoas com deficiência visual e confere

2567

�àqueles que o utilizam como sistema original de leitura e escrita, e o utilizam intensivamente
e sem restrição, maior capacidade para desenvolver hábitos de leitura estável, ascensão aos
estudos superiores e obter maior sucesso profissional. Saliente-se ainda a importância
fundamental do Braille no reforço da identidade pessoal, auto-estima, autonomia, inclusão
social dos indivíduos com deficiência visual, considerando o livre exercício desse sistema,
direito que deve proteger-se e tornar-se acessível a todos.

2.3 Os usuários com deficiência visual: precisamos enxergar suas questões
Na classificação das deficiências, ou seja, na tipificação das alterações das estruturas
ou funções corpóreas, provocadas por doenças ou anomalias, a cegueira ou deficiência visual
é deficiência sensorial, entende-se como aquela em que há perdas significativas nas
capacidades dos sistemas de percepção do indivíduo, gerando dificuldades em perceber
diferentes tipos de informações ambientais.
As Restrições espaciais para percepção sensorial referem-se às dificuldades para a
percepção das informações do meio ambiente devido à presença de barreiras ou ausência de
fontes informativas adequadas às quais impedem ou dificultam a obtenção de estímulos por
meio dos distintos sistemas sensoriais (DISCHINGER; ELY; PIARDI, 2012).
As condições de orientação espacial são determinadas pelas características ambientais
que permitem aos indivíduos reconhecer a identidade e as funções dos espaços e definir
estratégias para seu deslocamento e uso. Para se orientar espacialmente, vários processos
interligados ocorrem. Em primeiro lugar, é necessário obter informações ambientais por meio
dos sistemas perceptivos. Essas informações, em um segundo momento, devem ser
processadas cognitivamente para permitir a elaboração de representações mentais e a
definição de ações. Assim, as condições de orientação dependem tanto das configurações
arquitetônicas e dos suportes informativos adicionais existentes (placas, sinais, letreiros etc.)
como das condições dos indivíduos de perceber, processar as informações espaciais, tomar
decisões e agir. Neste sentido, acreditamos ser de extrema importância à adoção de
Sinalização também em braille e o uso de mapa tátil e piso tátil direcional nas bibliotecas
universitárias.
As bibliotecas universitárias devem garantir o efetivo uso de seus espaços, serviços e
equipamentos por todos. Para o uso efetivo, muitas vezes, é necessária a inclusão de
equipamentos ou dispositivos de tecnologia assistiva, tais como pisos táteis e sistemas de voz
em computadores, e sinalização adequada para pessoas com deficiência visual.

2568

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Tendo como ponto de partida a acessibilidade comunicacional ou informacional, que
se refere à facilitação do acesso a um local tendo por base a divulgação de informações a
respeito do mesmo, é imprescindível que as bibliotecas universitárias desenvolvam projetos
de sinalização em suas unidades, através de um sistema de comunicação visual, que inclui
placas também no sistema braille, mapa tátil e piso tátil direcional.
O presente projeto esta sendo desenvolvido nas bibliotecas que compõem o sistema
integrado de bibliotecas de uma universidade nordestina. Para alcance dos objetivos propostos
no Projeto em andamento, considerando o perfil do sistema, o mesmo possui unidades na
Capital, Agreste e Sertão do estado, foram realizadas reuniões do Grupo de referência,
objetivando levantar nuances que precisavam ser melhor estudadas e avaliadas pelo sistema.
Depois de apontada a acessibilidade de usuários com deficiência visual como ponto de
relevante importância, o iniciou o processo de levantamento de dados sobre o assunto, tendo
como eixos de estudo a legislação, arquitetura e instrumentos de acessibilidade. Em momento
posterior, o Grupo de referência se reuniu para discussões da literatura levantada e lida e deu
inicio a redação do projeto. A etapa seguinte tratou da submissão do projeto aos diretores do
sistema, que prontamente referendaram o documento. A etapa atual e a de obtenção de
orçamento para a execução do mesmo.
Os instrumentos de sinalização propostos pelo projeto são: as Placas de sinalização
com o sistema braile, o mapa tátil e piso tátil direcional.

3.1 Placas de sinalização
Com relação às placas de sinalização, o projeto baseou-se nas diretrizes da NBR
9050/2004. As informações em braille não dispensam a sinalização visual com caracteres ou
figuras em relevo, exceto quando se tratar de folheto informativo. As informações em Braille
devem estar posicionadas abaixo dos caracteres ou figuras em relevo.
3.1.1 Letras e números - Dimensionamento
A dimensão das letras e números deve ser proporcional à distância de leitura,
obedecendo à relação 1/200. Recomenda-se que textos e números obedeçam às seguintes
proporções, conforme Figura 1.
a) largura da letra = 2/3 da altura;
b) espessura do traço = 1/6 da altura (caractere escuro sobre fundo claro) ou 1/7 da altura
(caractere claro sobre fundo escuro);
c) distância entre letras = 1/5 da altura;

2569

�d) distância entre palavras = 2/3 da altura;
e) intervalo entre linhas = 1/5 da altura (a parte inferior dos caracteres da linha superior deve
ter uma espessura de traço distante da parte superior do caractere mais alto da linha de baixo);
f) altura da letra minúscula = 2/3 da altura da letra maiúscula.
Figura 1 dimensões das letras

3.1.2 Arranjo
O arranjo de seis pontos e o espaçamento entre as celas Braille, conforme figura 2,
devem atender às seguintes condições:
a) diâmetro do ponto na base: 2 mm;
b) espaçamento vertical e horizontal entre pontos - medido a partir do centro de um ponto até
o centro do próximo ponto: 2,7 mm;
c) largura da cela Braille: 4,7 mm;
d) altura da cela Braille:7,4 mm;
e) separação horizontal entre as celas Braille: 6,6 mm;
f) separação vertical entre as celas Braille: 10,8 mm;
g) altura do ponto: 0,65 mm.
Figura 2: Cela Braile

Fonte: ABNT/2004

2570

�Os textos, figuras e pictogramas em relevo são dirigidos às pessoas com baixa visão,
para pessoas que ficaram cegas recentemente ou que ainda estão sendo alfabetizadas em
Braille. Devem estar associados ao texto em Braille.
As figuras em relevo devem atender às seguintes condições:
a) contornos fortes e bem definidos;
b) simplicidade nas formas e poucos detalhes;
c) figura fechada, completa, com continuidade;
d) estabilidade da forma;
e) simetria.
Os caracteres em relevo devem atender às seguintes condições, conforme
exemplificado na figura 3:
a) tipos de fonte, conforme 5.5.4 da NBR 9050, já citadas;
b) caracteres grafados em maiúsculas;
c) altura do relevo: 0,8 mm a 1,0 mm;
d) altura dos símbolos: mínimo 150 mm;
e) altura dos caracteres: 16 mm a 51 mm ;
f) distância entre caracteres: 5 mm;
g) distância entre linhas: 45 mm.
Figura 3 Sinalização tátil
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Fonte: ANBT/2004

Percebemos a importância de sinalizar também o acervo utilizando o sistema braille.
Esta será feita através da transcrição, processo que utiliza impressora, existe ainda a
impressão por clichê, máquina Perkins e, claro, os processos manuais, este processo consiste
na conversão dos caracteres comuns para seus correspondentes no alfabeto braille. Para fazer
a transcrição deve-se ter pleno domínio do sistema braille, pois além da correspondência de
caracteres há também a formatação do texto.
Todo tipo de texto possui uma formatação própria, e é esta formatação que dá a ele
sentido. Visualmente ela pode ser representada por parágrafos, grifos, textos em caixas, etc.,

2571

�no Braille também, por isso existem técnicas e caracteres auxiliares que ajudam no
entendimento do deficiente. É importante lembrar que existem normas para a padronização
dos impressos em braille, criadas pela Comissão Brasileira de Braile. O braille pode ser
impresso em papel de gramatura entre 120g/m2 e 180g/m2, que atenda a dimensão mínima
Postal (15 x 10 cm) e máx. A3 (29,7 x 42 cm). As bases para impressão são o papel, etiqueta
adesiva e outros.
A sinalização utilizando também o sistema braille será aplicada nos seguintes locais:
a)
b)
c)
d)

Portas;
Corredores;
Estantes;
Prateleiras.
A seguir, temos alguns exemplos da sinalização a ser implantada na identificação do

Acervo.

Figura 4 Exemplo de sinalização

Fonte: SILVA, 2014
Obs: O texto em Braille é meramente ilustrativo, não corresponde à informação
apresentada.

Além do acervo, outras placas serão implantadas utilizando o sistema braille. As
placas de sinalização são responsáveis pelo deslocamento dos usuários no âmbito das
bibliotecas, tornando possível a tomada de decisão precisa no que diz respeito aonde e para
onde ir, ou seja, qual setor procurar? Qual o material de interesse? Além do acesso às
informações sobre a segurança (extintores, saídas de emergência), mobilidade (escadas,

2572

�elevadores, rampas). As placas de sinalização servem para promover uma maior
independência dos usuários, lhe garantindo o acesso descomplicado às instalações e serviços.
Exemplos de sinalização utilizando o sistema braille:

Figura 5 Indicação de banheiros e acesso para portadores de deficiência

Fonte: (www.arcomudular.com.br)

Figura 6 Saída de emergência e final de escada

Fonte: (www.acessoirestrito.org)

Figura 7 Portas

Fonte: www.gefokal.com.br

2573

�3.2 Mapa tátil
O mapa tátil, bem definido por Zanuncio,Vilela e Mafra (2011) é um dispositivo que
permite que pessoas cegas ou de baixa-visão possam por via tátil, adquirir uma informação
relevante de ambientes, processos e organogramas entre outras aplicações. Quando uma
pessoa explora um mapa tátil, conexões cerebrais são ativadas, formando uma informação
concreta na memória.
Estes ainda devem ter informações acessíveis. Devem combinar textos em braille e
alto-relevo, e ainda, identificação das trilhas táteis no espaço mapeado. As trilhas e legendas,
sempre em alto-relevo, devem ser construídas com cores (baixa visão) e texturas diferentes.
Por exemplo, em uma trilha composta de piso tátil direcional é importante que se possa
apresentar a representação deste trecho, com textura o mais semelhante à do piso direcional.
Plásticos de uma forma geral, em especial os acrílicos, tem texturas e cores que “imitam” as
dos pisos, trazendo facilidade de projeto e fabricação (ZANUNCIO; VILELA; MAFRA,
2011).
Os mapas devem, ainda, ser acessíveis a pessoas de baixa-visão, ou seja, devem conter
informações que embora não táteis sejam de fácil leitura. Pessoas nesta condição têm pouca
acuidade visual, em especial na terceira e quarta idade sofrem com problemas relacionados à
visão advindos do desgaste natural gerado pela idade. Novamente o contraste de cores e
luminâncias é uma variável importante para os mapas, bem como a tipologia utilizada. O
mesmo se pode extrapolar para as figuras e símbolos.
Mapas táteis são representações gráficas em textura e relevo que servem para
orientação e localização de lugares e objetos para portadores de deficiência visual, portanto
são valiosos instrumentos de inclusão social, oferecendo igualdade e oportunidade de
autonomia ao deficiente visual. Igualdade de oportunidades é definida como sendo o processo
pelo qual os diversos sistemas da sociedade - ambiente físico, de serviços, de atividades, de
informação e de documentação - são colocados à disposição de todos, inclusive das pessoas
com deficiência.

2574

�Figura 8 Exemplo de Mapa Tátil

Fonte: www.arcomudular.com.br

O mapa tátil é considerado um instrumento componente do sistema de informação
ambiental com pretensões de humanizar o ambiente construído. Apesar da relação física que
ainda existe entre a pessoa cega e o mapa tátil, a relação é sobretudo cognitiva, já que, o que
mais está em atuação são os fatores relacionados aos processos cognitivos tais como atenção,
memória, processamento da informação e tomadas de decisão (ALMEIDA; MARTINS;
LIMA, 2007).
Considerando o aspecto custo, preocupação que permeia todo gestor público, acreditase que os mapas táteis podem ser considerados de fácil acesso e implantação, e um importante
mecanismo para reduzir a exclusão dos deficientes visuais no cotidiano das universidades,
considerando os espaços da biblioteca.

3.3 Piso tátil direcional
De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em sua NBR
9050/2004 os pisos devem ter superfície regular, firme, estável e antiderrapante sob qualquer
condição, que não provoque trepidação em dispositivos com rodas (cadeiras de rodas ou
carrinhos de bebê). Admite-se inclinação transversal da superfície até 2% para pisos internos
e 3% para pisos externos e inclinação longitudinal máxima de 5%. Inclinações superiores a
5% são consideradas rampas e, portanto, devem atender a 6.4. Recomenda-se evitar a
utilização de padronização na superfície do piso que possa causar sensação de insegurança
(por exemplo, estampas que pelo contraste de cores possam causar a impressão de
tridimensionalidade).

2575

�Figura 9 Exemplo de Piso Tátil Direcional

Fonte: www.extingoias.com.br

Com relação ao piso tátil direcional, a NBR 9050/2004, este piso deve ser utilizado
quando da ausência ou descontinuidade de linha-guia identificável, como guia de
caminhamento em ambientes internos ou externos, ou quando houver caminhos preferenciais
de circulação. Além do piso será necessária também a sinalização em escadas, indicando o
inicio e o fim das mesmas também em texto em braille.

4 RESULTADOS PARCIAIS
O princípio da igualdade de direitos significa que as necessidades de cada pessoa têm
igual importância, devendo constituir a base do planejamento social, e todos os recursos
devem ser empregados para garantir que as pessoas tenham as mesmas oportunidades de
participação.
Pretende-se com o projeto garantir a acessibilidade dos usuários com deficiência
visual aos acervos e serviços do sistema integrado de bibliotecas da universidade em questão,
garantido maior mobilidade e independência.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Nos dias atuais, a compreensão científica da cegueira está bastante evoluída, com isso,
os sujeitos com deficiência visual estão mais integrados à sociedade e essa interação está
bastante facilitada por meio do advento tecnológico; todavia, a acessibilidade aos aparatos
tecnológicos que venha a facilitar suas vidas ainda é bastante restrita nas Instituições Federais
de Ensino Superior.
A inclusão do indivíduo com deficiência visual por meio da educação superior é uma
necessidade contemporânea, mas revela seu oposto, a exclusão, visto que, apesar de todo o
desenvolvimento tecnológico a pessoa com deficiência visual, em quase sua totalidade, vê-se

2576

�excluído desse processo tanto pela inadequação às suas condições de sujeito sem visão quanto
pela dificuldade financeira de aquisição de equipamentos, infraestrutura e profissionais
especializados para atendê-lo.
A legislação que trata da inclusão já deu grande avanço, mas ainda se fazem
necessárias ações concretas que possam garantir o atendimento preferencial de alunos com
necessidades educacionais especiais desde o ensino regular até o universitário. A pessoa com
deficiência visual necessita de suporte para a ampliação de suas leituras e acesso aos vários
suportes e meios de informação.
Tendo como premissa a acessibilidade, o projeto Diversos Olhares busca ampliar as
possibilidades de acesso e o uso da informação aos serviços no ambiente das bibliotecas que
compõem o sistema integrado de bibliotecas, em estudo. Com a implantação de Sinalização
dos acervos, setores e serviços através do Sistema Braille, bem como o uso de Mapas Táteis e
Piso Tátil Direcional, o projeto visa dar mais mobilidade e independência ao usuário com
deficiência visual.

6 REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. D. F. X. D. M.; MARTINS, L. B.; LIMA, F. J. D. Mapa tátil: um enfoque
ergonômico.

In: ENCONTRO NACIONAL

DE ERGONOMIA DO

AMBIENTE

CONSTRUÍDO E II SEMINÁRIO BRASILEIRO DE ACESSIBILIDADE INTEGRAL.
Pernambuco/CE. Recife. Anais... Recife: UFPE, 2007.
ANDRADE, L.V.; BRUNA, D.; SALES, W. Classificação: uma análise comparativa entre a
classificação decimal universal - CDU e a classificação decimal de Dewey - CDD. Biblos:
Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, v. 25, n.2, p.31-42, jul./dez. 2011.
ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 9050: acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2004.
BELARMINO, J. As novas tecnologias e a "desbrailização": mito ou realidade? 2001.
Disponível em: &lt;http://intervox.nce.ufrj.br/~joana/textos/tecni08.html&gt;. Acesso em: 22 abr.
2014.
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língua portuguesa. Aprovada pela portaria n° 2.678 de 24/09/2002. Brasília, 2003.
DISCHINGER, M.; ELY, V. H. M. B; PIARDI, S. M. D. G. Promovendo acessibilidade
espacial nos edifícios públicos: programa de acessibilidade às pessoas com deficiência ou
mobilidade reduzida nas edificações de uso público. Santa Catarina: MPSC, 2012.
FACION, J. R. Inclusão escolar e suas implicações. Curitiba-PR: Ibpex, 2005.

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�INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT. Disponível em: &lt;www.ibc.gov.br&gt;. Acesso em: 18
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MANGEL, A. Uma história da leitura. Lisboa: Presença, 1998.
PARREÃO, I. M.; RODRIGUES, A. M. S. O desafio da palavra escrita: um estudo sobre as
formas e condições de acesso á leitura de pessoas cegas. 2009. Disponível em: &lt;
http://www.ufpi.br/subsiteFiles/ppged/arquivos/files/eventos/evento2009/GT.

20/05

_Iraci%20Matos%20Parre%C3%A3o.pdf &gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
ZANUNCIO, S. V.; VILELA, J. S.; MAFRA, S. C. T. In: WORKSHOP DE ANÁLISE
ERGONÔMICA DO TRABALHO, 5., Viçosa. Anais... Viçosa: UFV, 2011.

2578

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                <text>A sociedade contemporânea passou por profundas mudanças causadas pelos avanços das telecomunicações, da telemática, da explosão tecnológica, etc. uma era nova surge a partir da convergência desses avanços, que, inter-relacionados, formam, as ―infovias de informação‖, neste contexto, trazemos o acesso de pessoas com deficiência visual às Bibliotecas Universitárias. A implantação das políticas inclusivas em nosso país se deu a mais de dez anos, e percebe-se a necessidade de avaliação de sua aplicabilidade no contexto das universidades, mas precisamente, ao acesso a informação. Este trabalho tem como objetivo apresentar um Projeto de sinalização para usuários com deficiência visual em bibliotecas universitárias, que tem como foco o acesso e o uso aos serviços e acervos, por parte dos usuários real e potencial com deficiência visual.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MAPEANDO COMPETÊNCIAS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
construindo um inventário de competências para auxiliar na gestão de pessoas
Luhilda Ribeiro Silveira
Cássio Araújo Corrêa

RESUMO
A gestão de pessoas é um importante aspecto a ser considerado nas organizações na chamada
era da informação e do conhecimento, e nesse âmbito, a gestão por competência se destaca
enquanto um modelo de gerenciamento nas organizações. Não fugindo à regra, as bibliotecas
universitárias também integram esse contexto e abrem espaço para pensarmos e construirmos
estratégias que subsidiem sua execução. Nessa perspectiva propomos neste trabalho a
construção de um inventário de competências para auxiliar na gestão de pessoas no âmbito
das bibliotecas universitárias. O inventário é composto por 86 itens que visam mapear
competências técnicas, interpessoais e conceituais dos profissionais bibliotecários e a partir
disso apontar prováveis adequações nas áreas de trabalho para esses profissionais dentro de
uma biblioteca universitária.

Palavras-Chave: Gestão de pessoas; Gestão por competência; Inventário de competências;
Biblioteca universitária.

ABSTRACT
People management is an important aspect to be considered in the organizations named in the
information age and knowledge, and in this context, management by competence stands out
as a model for managing organizations. Not fleeing to the rule, university libraries also
integrate this context and open space to think and build strategies that support its
implementation. In this perspective we propose in this paper the construction of a competence
inventory to assist in the management of people within the university libraries. The inventory
consists of items 86 that aims to map technical, interpersonal and conceptual competence of
librarians and from that point likely adjustments in work areas for these professionals within a
university library.
Keywords: People management; Management by competence; Competence inventory;
University library.

1 INTRODUÇÃO
A gestão por competência tem sido um tema de grande repercussão no âmbito das
organizações. A chamada era da informação e do conhecimento redesenhou alguns contornos

1256

�e perspectivas no que diz respeito à forma como as organizações se estruturam e desenvolvem
suas atividades.
As bibliotecas universitárias se inserem nesse contexto, uma vez que tem como
força motriz a informação para gerar conhecimento, num cenário onde informação e
conhecimento são os principais fatores de competitividade. Sabemos que a gestão por
competência se delineia como um processo complexo e abrangente, que envolve mudanças
culturais, interpessoais, comportamentais, dentre outras, e que deve envolver da base ao topo
da organização. No entanto, não podemos nos furtar da tentativa de imprimir possibilidades
diante de tal desafio.
Nesse sentido reconhecemos que nosso empreendimento na construção de um
inventário de competência não esgota, nem muito menos dá conta da complexa e exaustiva
jornada que é necessária ser empreendida na implementação de uma gestão por competência,
mas pode se colocar como uma possibilidade, ainda que inicial, de explorar esse caminho a
partir de uma ferramenta que pode auxiliar nesse todo mais complexo.
Vale ressaltar que o inventário de competências ora proposto tem como intuito
abarcar apenas as competências dos bibliotecários, excluindo-se aqui os demais profissionais
que compõe o quadro de pessoal das bibliotecas universitárias. O foco com exclusividade nas
competências dos bibliotecários deve-se ao fato de que supormos que os demais profissionais
(analistas de sistemas; administradores; técnicos de tecnologia da informação e de
informática, dentre outros) terão suas atribuições e setores demarcados em função de suas
especificidades de formação. No entanto, os bibliotecários, embora comunguem da mesma
formação, poderão atuar em distintos setores de acordo com o grupo de tarefas, sendo esses os
profissionais de principal e mais abrangente atuação dentro da biblioteca.

2 A GESTÃO DE PESSOAS E O FOCO NA COMPETÊNCIA NAS ORGANIZAÇÕES
O foco no humano trouxe para o cenário organizacional a necessidade de se olhar
para as pessoas que fazem a organização de um outro modo, para além de uma cultura
produtivista ou mecanicista.
O olhar sobre o humano nas organizações se ampliou para abarcar aspectos
produtivos e criativos dos que agora são vistos como colaboradores no mundo do trabalho. De
fato, observa-se que a forma como as instituições efetuam a gestão de pessoas passa por
grandes transformações em todo o mundo. Essas transformações vêm sendo motivadas devido
à inadequação dos modelos tradicionais de gestão de pessoas no atendimento às necessidades
e expectativas da empresa e das pessoas que ali estão implicadas. Os processos de

1257

�globalização, a turbulência crescente, a complexidade organizacional conduziram a busca de
mais flexibilidade, maior velocidade de resposta e enfrentamento de situações inusitadas.
Frente ao contexto de constantes transformações, são comuns as tentativas
de identificar modelos de gestão mais eficazes, fontes de vantagem
competitiva e mecanismos para promover, de forma sustentada, o
desenvolvimento organizacional (CARBONE, 2009, p.41).
A partir daí, as organizações passam a necessitar de pessoas mais autônomas e
com maior iniciativa, com perfil bem diferente do exigido até então, de obediência e
submissão. Isso nos permite pensar que, quanto mais as organizações buscam flexibilidade e
velocidade decisória, mais dependem de pessoas, em decorrência disso, tornam-se mais
dispostas a atender as necessidades e expectativas que elas manifestam.
O grande desafio da gestão de pessoas é gerar e sustentar o comprometimento dos
colaboradores com os objetivos organizacionais, o que só é possível se as pessoas perceberem
que sua relação com as organizações lhes agrega valor.
A gestão por competências figura como alternativa aos modelos gerenciais
tradicionalmente utilizados pelas organizações [...] essa abordagem busca
desenvolver competências fundamentais à consecução dos objetivos
organizacionais (CARBONE, 2009, p. 42).
O conceito de competência vem sendo definido de diversas formas, de modo que
são várias as dimensões conceituais propostas pelos autores. Por essa razão, a discussão sobre
o emprego da noção de competência nas organizações é extensa, e vem sendo utilizado para a
construção de um modelo alternativo às metodologias tradicionais, isto é, o modelo de gestão
por competências.
A ideia de competência pode assumir uma multiplicidade em termos de
significação, mesmo na área organizacional. O foco de alguns autores nessa perspectiva é
despertar a consciência para a existência de duas grandes correntes que abarcam tais
definições. Assim observam-se duas correntes:
A primeira representada, sobretudo, por autores norte-americanos, [...] que
entendo a competência como um estoque de qualificações (conhecimentos,
habilidades e atitudes) que credencia a pessoa a exercer determinado
trabalho. A segunda representada principalmente por autores franceses [...]
associa competência não a um conjunto de qualificações do indivíduo, mas
às relações da pessoa em determinado contexto, ou seja, àquilo que ela
produz ou realiza no trabalho. (CARBONE, 2009, p.43)

1258

�Nessa perspectiva competência aqui será entendida não apenas como o conjunto
de conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para exercer determinada atividade, mas
também como o desempenho expresso pela pessoa em um dado contexto, em termos de
comportamentos e realizações decorrentes da mobilização e aplicação de conhecimentos,
habilidades e atitudes no trabalho.

[...] entendem-se competências humanas como combinações sinérgicas de
conhecimentos, habilidades e atitudes, expressas pelo desempenho
profissional dentro de determinado contexto organizacional, que agregam
valor a pessoas e organizações. (CARBONE, 2009, p.43).
O desempenho, como pontuado, se constitui como elemento fundamental, uma
vez que está relacionado à “comunicação de resultados” . Para comunicarmos os resultados de
nosso trabalho, devemos ter aprendido uma série de conhecimentos e habilidades que nos
permitam a sua execução. Por fim, o exercício da competência depende ainda de certas
capacidades entendidas como atitudes, que estão ligadas ao nosso envolvimento efetivo com
as tarefas demandadas. A combinação dessas capacidades (conhecimentos, habilidades e
atitudes) para cumprir com uma dada demanda viabiliza o exercício da competência e efetua a
“comunicação dos resultados” .

[...] a aplicação sinérgica de conhecimentos, habilidades e atitudes no
trabalho - além de evidenciar a interdependência e a complementaridade
entre esses três elementos - gera um desempenho profissional. Esse
desempenho, por sua vez, é expresso pelos comportamentos que a pessoa
manifesta no trabalho e pelas suas consequências, em termos de realizações
e resultados. (CARBONE, 2009, p.45).
Assim pode-se dizer que uma competência não é somente um conjunto de
capacidades potencialmente mobilizadas, mas sim que estas capacidades assumem a condição
de competência somente no momento em que são mobilizadas para a realização de uma ação
específica.

2.1 Mapeando competências no âmbito das bibliotecas universitárias
O foco na competência é um aspecto de uma tendência mais abrangente no
âmbito da gestão de pessoas - a gestão por competência. Essa sem dúvida é uma perspectiva
inovadora no campo das organizações, pois visa a identificação das competências que uma
função precisa e a identificação das pessoas que possuem tais competências para, a partir de
então, fazer um entrecruzamento visando o melhor desempenho da organização.

1259

�Nas bibliotecas universitárias existe uma gama de atividades que compõem o
fazer bibliotecário, existindo competências que são mais pertinentes em determinados locais
que em outros. Nessa perspectiva, acreditamos que maior é a probabilidade de alcance de
bons resultados organizacionais quando os recursos humanos estão alinhados às tarefas que
desempenham.
Vale ressaltar que a adoção da gestão de pessoas pautada em suas competências
requer que a instituição inicialmente identifique as lacunas ou deficiências em seu quadro
funcional que devem ser sanadas para que assim possam selecionar pessoas já tendo em vista
esses parâmetros. No entanto, devemos nesse ponto observar que uma considerável parcela
das bibliotecas universitárias situa-se no âmbito das instituições públicas, cuja entrada dos
recursos humanos se dá, via de regra, por concurso público, cabendo assim refletirmos sobre
as adequações possíveis na implementação de uma política pautada em competências nesse
segmento. Nessa perspectiva, encontramos no Art. 1° do Decreto 5.707 de 2006 da
Presidência da República algumas determinações no que tange à politica de desenvolvimento
de pessoal a ser implementada nos órgãos públicos, que dentre outras finalidades aponta:

[...] a adequação das competências requeridas dos servidores aos objetivos
das instituições. [...] [ e situa a gestão por competência como:] [...] gestão da
capacitação orientada para o desenvolvimento do conjunto de
conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao desempenho das
funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição.
(BRASIL, 2006, p.1).
Visando apoiar a implementação de uma gestão por competência, o mapeamento
das competências necessárias, a partir da identificação de atividades desenvolvidas por cada
segmento de trabalho, é uma necessidade para que se tenha um panorama do que temos e o do
que precisamos para um melhor desempenho organizacional.
A Tabela 1 descreve as principais atividades desenvolvidas por cada um dos
grupos de trabalho das bibliotecas universitárias. As atividades nela descritas buscam
sistematizar de forma simples, porém abrangente o rol das atividades de cada um dos grupos
aqui sistematizados. É possível que tarefas que aqui apareçam em um grupo, possam ser
desenvolvidas por outro grupo em determinadas instituições, isso irá depender da sua
dinâmica de funcionamento.

1260

�Tabela 1 - Descrição das principais atividades desenvolvidas por grupo de trabalho

GRUPO

PRINCIPAIS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
• Estabelece e executa prazos para ciclos de aquisição de materiais
Grupo 1 informacionais;
Formação e
• Contata fornecedores de materiais informacionais;
desenvolvimento do
• Controla o desenvolvimento do acervo com base nas orientações do
acervo
MEC;
• Controla a chegada de materiais informacionais adquiridos por compra;
• Controla o intercâmbio de publicações da instituição;
• Controla o recebimento das doações de materiais informacionais à
instituição;
• Organiza e mantém atualizada lista de instituições que mantém
intercâmbio com a biblioteca;
• Executa a Política de Coleções da instituição.
• Representação descritiva de materiais informacionais de acordo com
padrões de catalogação;
Grupo 2 • Análise temática de conteúdo de materiais informacionais;
Processamento Técnico
• Representação temática de materiais informacionais de acordo com
sistemas padrão de Classificação;
• Alimentação de sistemas de automação.
• Orienta usuários para consulta ao acervo;
Grupo 3 • Orienta usuários para o acesso e recuperação de informações em bases
Referência
de dados nacionais e internacionais e demais fontes de pesquisa;
• Realiza empréstimo do acervo;
• Realiza programas de capacitação de usuários;
• Orienta a normalização de trabalhos acadêmicos.
• Elabora planos e projetos e documentos referentes à instituição;
Grupo 4 • Elabora, atualiza e aprova regulamentos, manuais de serviços, normas,
Administrativo/Gestão
resoluções e documentos congêneres;
• Analisa, planeja e viabiliza o atendimento das demandas da biblioteca
juntos às instâncias superiores da instituição;
• Elabora/acompanha projetos para melhoria da biblioteca;
• Participa das reuniões e decisões das instâncias superiores da instituição;
• Gerencia os recursos humanos da biblioteca.
Fonte: Elaborado pelos autores

A partir da descrição acima das atividades é possível pensar em condutas
eficientes dentro de cada um desses contextos de trabalho, e partir daí é possível também
estabelecer um ponto de partida para a construção da ponte entre as tarefas e as competências
necessárias à sua execução. “As competências humanas são reveladas quando as pessoas
agem ante as situações profissionais com as quais se deparam e servem como ligação entre os
atributos individuais e as estratégias da organização” . (CARBONE, 2009, p.44).
Nessa perspectiva, a descrição de competências deve ser estabelecida sob a forma
de referenciais de desempenho sob a forma de ações. São as ações que devem servir de

1261

�parâmetros para marcar os referenciais de desempenho que abrangem as competências. De
fato, a gestão por competências é um referencial que busca integrar o conceito de competência
individual ao conceito de competência organizacional. Pode-se pensar o conceito de
competência organizacional a partir da articulação de recursos organizacionais, um
aprendizado da organização, um “saber fazer” coletivo e complexo no que diz respeito à
coordenação de diversas habilidades de produção. Assim, a competência de uma empresa não
equivale à soma das competências individuais de seus membros, mas à qualidade da
articulação ou da combinação de seus elementos.
Nordhaug (1998 apud MIRANDA, 2004) categoriza as competências em três
tipos: técnicas, interpessoais e conceituais. As competências técnicas se relacionam a
métodos, processos, utilização de ferramentas dentre outras. As competências interpessoais
estão relacionadas aos processos de interação. Já as competências conceituais são a
capacidade analítica, que se relaciona com a aplicabilidade a partir do enfrentamento de
problemas concretos. A Tabela 2 apresenta uma categoria de competências técnicas,
interpessoais e conceituais que consideramos importante para o trabalho em bibliotecas
universitárias.

Tabela 2 - Exemplos de competências técnicas, interpessoais e conceituais necessárias
aos bibliotecários no desempenho das tarefas em bibliotecas universitárias

COMPETÊNCIAS
TÉCNICAS
Conhecimento de informática
Operar equipamentos sistema
de automação
Comunicação escrita (produção
textual)
Raciocínio lógico/matemático

COMPETÊNCIAS
INTERPESSOAIS
Empatia

COMPETÊNCIAS
CONCEITUAIS (analítica)
Autonomia/ Capacidade de
tomar decisões
Comunicação verbal
Flexibilidade/
Multifuncionalidade
Tolerância à frustração e ao Trabalho sob pressão
stress
Uso
de
autoridade
com Planejamento e Organização
responsabilidade
Cooperação/
Trabalho
em Adaptabilidade
equipe
Liderança
Concentração

Domínio de língua estrangeira
(Inglês/Espanhol)
Domínio de instrumentos de
Classificação
Domínio do AACR2
Tolerância
Conhecimento
do
formato Equilíbrio emocional
MARC
Normalização (ABNT)
Habilidade negocial

Empreendedorismo
Persistência
Capacidade de análise e síntese
Pontualidade

Fonte: Elaborado pelos autores

1262

�A descrição das competências de acordo com Carbone (2009) pode ser
sistematizada a partir de pautas ou referenciais de desempenho - os indicadores de
desempenho identificam a forma como o profissional demonstra ser ele detentor de
determinada competência através da especificação de comportamentos.
Le Coadic (2004, p. 112-113) nos apresenta questões salutares acerca das
habilidades necessárias no contexto da ciência da informação e evidencia que uma das
maiores habilidades necessárias nesse cenário é a competência informacional, que em sua
definição - aqui tomada como referencial de desempenho - destaca que é preciso saber se
informar e informar, aprender a pesquisar e a usar a informação e a construi-la e comunicá-la.
Destarte é evidente que esta é uma competência imprescindível ao profissional da informação.
A Tabela 3 apresenta alguns indicadores de algumas das competências, com seus
respectivos referenciais de desempenho, consideradas importantes para o trabalho em
bibliotecas universitárias.

Tabela 3 - Exemplos de competências com seus respectivos indicadores
Competência
Comunicação escrita
Empatia
Comunicação verbal

Cooperação/ Trabalho em equipe

Equilíbrio emocional

Pontualidade

Indicadores de competência
• Produzir um texto claro e conciso;
• Ter facilidade para produzir um texto.
• Demonstrar interesse pelas colocações dos outros;
• Ter sensibilidade às necessidades dos outros.
• Expressar suas ideias com clareza e objetividade;
• Organizar ideias de forma a manter um discurso com
início, meio e fim;
• Adaptar sua linguagem de acordo com os ouvintes;
• Saber ouvir de modo a entender e interpretar outras
pessoas.
• Incentivar os colegas de trabalho;
• Elogiar os colegas de trabalho;
• Fazer críticas sem ofender ou magoar os colegas;
• Partilhar saberes com outros profissionais;
• Adaptar-se sincronizar-se com os interesses do grupo.
• Não levar problemas pessoais para o trabalho;
• Tratar com atenção mesmo quando está estressado;
• Não se exaltar diante de situações tensas;
• Saber ouvir críticas com calma.
• Cumprir horários marcados;
• Cumprir prazos estabelecidos.

Fonte: Elaborado pelos autores

A Tabela 4 apresenta uma categoria de competências consideradas importantes
para o desenvolvimento das atividades no âmbito das bibliotecas universitárias. A

1263

�categorização das competências por grupo de trabalho, aqui apresentadas numa escala que
varia de (+ a +++++) visa categorizar ilustrativamente a importância de cada uma das
competências destacadas para cada um dos grupos de trabalho.

Tabela 4 - Categorização de algumas competências por grupo de trabalho
Grau de importância para o grupo de trabalho
COMPETÊNCIA

GRUPO 1 GRUPO 2

GRUPO 3 GRUPO

Form. Col.

Proc. Téc.

Referência

+

+

+

+

+

4

Gestão/Adm

Domínio de recursos de informática
Adaptação às inovações tecnológica
Comunicação escrita (produção textual)
Raciocínio lógico/matemático

+

Língua estrangeira (Inglês/Espanhol)

+

+

Domínio classificação (CDU/CDD)

+

+

+

Domínio AACR2

+

+

+

Conhecimento formato MARC

+

+

+

Normalização (ABNT)

+

++

Empatia

+

+

Comunicação verbal

+

+

Tolerância à frustração

+

+

Cooperação/ Trabalho em equipe

++
++

Liderança

+

+

Tolerância ao stress

+

+

Equilíbrio emocional

+

Habilidade negocial

+

Autonomia/ Capacidade de tomar decisões

+

+

Flexibilidade

++

+

Trabalho sob pressão

+

+

Planejamento e Organização
Empreendedorismo

+

Capacidade de análise e síntese

+

Pontualidade

+

+

++

++

+

++

+
+

+
+

+

++

+
+

+

+

Fonte: Elaborado pelos autores

1264

�A categorização acima representada não visa estabelecer padrões rígidos de
imprescindibilidade da competência dentro de cada grupo de trabalho, tampouco fixar os
aspectos prescindíveis, uma vez que a presença de todas essas competências seria o ideal para
qualquer profissional

bibliotecário. Buscamos

assim

estabelecer

didaticamente

uma

categorização para ilustrar onde tais competências estariam em maior evidência a partir de
uma rotina de trabalho.

3 INVENTÁRIO DE COMPETÊNCIAS PARA ATUAÇÃO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS (ICABU)
A construção dos itens que compõem este inventário foi realizada a partir das
definições das competências e dos seus indicadores. Para cada uma das competências foram
sendo formulados itens que expressassem o comportamento mais adequado.
Para auxiliar na escrita e sistematização de tais itens foram feitas pesquisas na
internet de artigos e testes relacionados a competências, alguns itens foram elaborados a partir
de informações ou questões pertinentes encontradas, sendo reescritos de modo a melhor se
adequar ao contexto que buscamos trabalhar, e muitos outros surgiram a partir das análises e
discussões pautadas na realidade observada no cotidiano de trabalho. Embora o uso de fontes
para auxiliar na construção dos itens deste inventário tenha se dado como ponto de partida, já
que em grande medida os itens foram adaptados, alterados e até mesmo criados conforme as
categorias estabelecidas, ainda assim vale destacar nesse bojo a utilização de fontes como:
Caetano, 2007; Matos, 1997; Dias, 2002; e Del Prette; Del Prette; Barreto, 1998.
Ainda sobre a construção dos itens, vale ressaltar que na sua escrita consideramos
as orientações de Pasquali (2010, p.176) que apresenta algumas regras para a construção de
itens, tais como: devem expressar comportamentos e não abstrações; devem ser redigidos de
forma simples e sem ambiguidades; cada item deve avaliar apenas uma ideia; não utilizar
expressões extremadas como advérbios de intensidade dentre outros; preferência por frases
afirmativas.
O inventário (Apêndice - A) ficou composto por 86 itens que se correlacionam
com os grupos de trabalhos que sistematizamos. O instrumento tem seus itens elaborados para
serem respondidos pautados numa escala Likert de 4 pontos.

1265

�3.1 Aplicação e apuração dos resultados
A aplicação do instrumento deve ser realizada dando-se as instruções contidas na
primeira folha (Apêndice A), enfatizando que não há respostas certas ou erradas. Deve-se
realizar a aplicação num local tranquilo e sem um limite de tempo para sua finalização.
Os resultados devem ser sistematizados por grupo de trabalho com as seguintes
siglas: Formação e Desenvolvimento do Acervo (FDA); Processos Técnicos (PRT);
Referência (RFC) e Gestão (GST), considerando as seguintes instruções:
Some o número de pontos obtidos nos itens de cada agrupamento apresentado
(itens que equivalem de 0 a 3 pontos, conforme o valor respondido no inventário). O total de
pontos poderá variar de 0 a 90, já que cada grupo de trabalho possui 30 itens.

Quadro 1 - Sistematização para apuração dos itens por grupo de trabalho
GRUPO

ITENS

(FDA)

3; 4; 5; 6; 29; 39; 40; 41; 42; 43; 44; 49; 52; 54; 59; 60; 61;
62; 65; 68; 69; 70; 71; 72; 73; 74; 75; 78; 84; 85.
(PRT)
3; 7; 9; 11; 12; 13; 14; 15; 16; 17; 18; 19; 21; 39; 40; 41; 42;
43; 44; 50; 62; 75; 76; 77; 78; 79; 80; 81; 82; 83.
(REF)
8; 10; 19; 20; 21; 22; 23; 24; 25; 26; 27; 28; 29; 30; 31; 32;
33; 34; 35; 36; 37; 38; 52; 53; 56; 57; 58; 66; 67; 86.
(GST)
1; 2; 23; 29; 30; 32; 33; 34; 35; 36; 39; 45; 46; 47; 48; 51; 52;
54; 55; 56; 57; 58; 59; 61; 63; 64; 65; 68; 69; 74.
Fonte: E aborado pelos autores.

TOTAL DE
PONTOS
X
X
X
X

Construa o gráfico em forma de barras a partir do total de pontos obtidos
conforme cada grupo, para melhor visualização.

Gráfico 1 - Modelo base para construção do gráfico de apuração dos resultados

Fonte: Elaborado pelos autores.

1266

�Os scores obtidos em cada um dos grupos evidenciará maior ou menor afinidade
com o conjunto de tarefas desempenhadas em cada um desses segmentos. Cabe mencionar
que tais indicativos buscam apontar uma tendência para o melhor desempenho do conjunto de
tarefas do grupo, não constitui, portanto, uma garantia.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No mundo organizacional, constitui-se em vantagem competitiva para a
instituição, o conhecimento das características pessoais, do potencial e das limitações dos seus
colaboradores, pois são as competências humanas que estão em jogo no processo de
funcionamento e produtividade.
O Inventário de Competência para Atuação em Bibliotecas Universitárias
(ICABU) se constitui num primeiro empreendimento de esforço no sentido de construir um
instrumento que auxilie no processo de tomada de decisão quanto a alocação de recursos
humanos, pautado em modelos de gestão por competência, embora saibamos que para tornálo efetivamente um instrumento certificado nesse âmbito, ainda há um longo caminho a ser
percorrido que envolve validação semântica, análise fatorial e testes, no intuito de ajustar o
inventário à realidade das bibliotecas universitárias.
Acreditamos ainda que o inventário por si só não é o suficiente para garantir o
sucesso do colaborador no cargo em que lhe foi indicado, pois um instrumento dessa
envergadura não é capaz de capturar a totalidade das peculiaridades de cada subjetividade e
situação, além disso, não está imune da possibilidade dos respondentes forjarem suas
respostas. Contudo, o ICABU pode se mostrar útil para a organização no sentido de buscar
promover a adequação dos trabalhadores a seus cargos, através do cruzamento de dados
considerados importantes para o cargo e que podem ser melhor desempenhados por aqueles
que possuem competências que correspondam a eles.
Nesse sentido, o que buscamos aqui é empreender uma iniciativa no campo da
gestão de pessoas indo além do mero modismo de um discurso de valorização da gestão por
competência; construindo um instrumento que materializa a possibilidade de uma efetiva
implementação no âmbito das bibliotecas universitárias.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Decreto n° 5.707, de 23 de fevereiro de 2006 . Institui a política e as diretrizes para
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1267

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1268

�APÊNDICE A - Inventário de Competências para Atuação em Bibliotecas Universitárias
INVENTÁRIO

DE

COMPETÊNCIAS

PARA

ATUAÇÃO

EM

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Este inventário pretende coletar alguns dados em relação a aspectos tópicos
básicos de questões interpessoais e do trabalho.
Não existe resposta certa ou errada.
A resposta mais adequada será a que melhor representar a sua maneira de ser.

INSTRUÇÕES:
Em cada item, assinale com um “X” o grau correspondente ao seu modo de ser,
de acordo com a especificação abaixo. Não deixe nenhuma questão sem resposta.
(0)( 1)(2)(3)-

Nunca sou desse modo.
Às vezes sou desse modo.
Na maioria das vezes sou desse modo.
Sempre sou desse modo.

EXEMPLO:
1. Trabalho o máximo que posso, afinal não devo perder tempo.

( 0 ) ( 1) (2 ) ( 3 )

2. Revolto-me por ter que cumprir um horário fixo de trabalho.

( 0 ) ( 1) (2 ) ( 3 )

3. Agrada-me controlar gastos.

( 0 ) ( 1) ( 2 ) ( 3 )

OBS: Assinale com um “X” o grau correspondente ao seu
modo de ser. Não deixe nenhuma questão sem resposta.

N unc

Ás

Na

Sem p

a sou

vezes

m aioria

re sou

desse

sou

das

desse

m odo

desse

vezes

m odo

m odo

sou
desse
m odo

1

Tenho facilidade para sistematizar ideias num texto.

(0)

(1)

(2)

(3)

2

Sinto-me à vontade em produzir um trabalho escrito.

(0)

(1)

(2)

(3)

3

Agrada-me trabalhar utilizando computador como principal ferramenta.

(0)

(1)

(2)

(3)

1269

�4

Agrada-me trabalhar com dados numéricos.

(0)

(1)

(2)

(3)

5

Agrada-me controlar gastos.

(0)

(1)

(2)

(3)

6

Agrada-me interpretar/ trabalhar com tabelas e representações gráficas.

(0)

(1)

(2)

(3)

7

Leio em inglês.

(0)

(1)

(2)

(3)

8

Consigo me comunicar em inglês (falar e compreender o que me dizem).

(0)

(1)

(2)

(3)

9

Leio em espanhol.

(0)

(1)

(2)

(3)

10

Consigo me comunicar em espanhol (falar e compreender o que me dizem).

(0)

(1)

(2)

(3)

11

Tenho habilidade para utilizar tabelas e códigos de classificação.

(0)

(1)

(2)

(3)

12

Agrada-me fazer uso de tabelas e códigos de classificação.

(0)

(1)

(2)

(3)

13

Agrada-me fazer leitura de um documento para determinar seu assunto.

(0)

(1)

(2)

(3)

14

Agrada-me trabalhar segundo as regras do AACR2.

(0)

(1)

(2)

(3)

15

Compreendo a estrutura e regras do AACR2.

(0)

(1)

(2)

(3)

16

Agrada-me trabalhar com formato MARC.

(0)

(1)

(2)

(3)

17

Compreendo a estrutura do formato MARC.

(0)

(1)

(2)

(3)

18

Agrada-me verificar os detalhes de um material.

19

Tenho conhecimento das normas da ABNT

(0)

(1)

(2)

(3)

20

Agrada-me normalizar um trabalho segundo as normas da ABNT.

(0)

(1)

(2)

(3)

21

Busco estar informado sobre atualizações/modificações das normas da ABNT.

(0)

(1)

(2)

(3)

22

Acho importante que um trabalho acadêmico siga as normas da ABNT.

(0)

(1)

(2)

(3)

23

Escuto com atenção as pessoas.

(0)

(1)

(2)

(3)

24

Tenho sensibilidade para perceber problemas das pessoas que me cercam.

(0)

(1)

(2)

(3)

25

Importo-me com o sentimento dos outros.

(0)

(1)

(2)

(3)

26

Consigo colocar-me no lugar de outra pessoa.

(0)

(1)

(2)

(3)

27

Procuro lidar com as pessoas de acordo com as suas necessidades.

(0)

(1)

(2)

(3)

28

Quando chego a lugares novos cumprimento desconhecidos.

(0)

(1)

(2)

(3)

29

Gosto de interagir com pessoas.

(0)

(1)

(2)

(3)

30

Sinto-me à vontade para falar com desconhecidos.

(0)

(1)

(2)

(3)

31

Quando falo olho nos olhos das pessoas.

(0)

(1)

(2)

(3)

32

As pessoas costumam entender o que eu falo.

(0)

(1)

(2)

(3)

33

Quando estou em um grupo, se não concordo com a maioria exponho meu ponto

(0)

(1)

(2)

(3)

de vista.
34

Consigo despertar o interesse das pessoas pelo que eu falo.

(0)

(1)

(2)

(3)

35

Mantenho-me tranquilo quando as coisas não acontecem conforme planejei.

(0)

(1)

(2)

(3)

36

Insisto em realizar uma tarefa mesmo quando não estou conseguindo.

37

Tenho paciência para explicar uma coisa várias vezes.

(0)

(1)

(2)

(3)

1270

�38

Mantenho-me calmo quando as pessoas não compreendem minhas explicações.

(0)

(1)

(2)

(3)

39

Estimulo as outras pessoas a participarem de discussões e decisões em grupo.

(0)

(1)

(2)

(3)

40

Compartilho meus conhecimentos e ideias com as pessoas que trabalho.

(0)

(1)

(2)

(3)

41

Sinto-me bem ao auxiliar um colega de grupo.

(0)

(1)

(2)

(3)

42

Quando vejo um trabalho errado, mesmo não sendo minha responsabilidade, ajudo

(0)

(1)

(2)

(3)

a fazer o certo.
43

Assumo tarefas de outras pessoas para que um trabalho seja finalizado.

(0)

(1)

(2)

(3)

44

Consigo trabalhar com pessoas que se comportam ou pensam de maneira diferente

(0)

(1)

(2)

(3)

da minha.
45

As pessoas costumam pedir minha opinião em assuntos importantes.

(0)

(1)

(2)

(3)

46

Quando estou em um grupo, as pessoas me escolhem como representante.

(0)

(1)

(2)

(3)

47

Tenho facilidade em delegar tarefas.

(0)

(1)

(2)

(3)

48

Gosto de assumir posição de liderança em grupos.

(0)

(1)

(2)

(3)

49

Gosto de ter regras que direcionem a execução do meu trabalho

(0)

(1)

(2)

(3)

50

Costumo ser detalhista nas minhas observações.

(0)

(1)

(2)

(3)

51

Quando identifico conflitos em um grupo busco conversar com as partes

(0)

(1)

(2)

(3)

envolvidas.
52

Mantenho-me calmo em situações estressantes.

(0)

(1)

(2)

(3)

53

Em uma discussão, espero que o outro termine de falar para que eu fale.

(0)

(1)

(2)

(3)

54

Costumo alcançar bons resultados no trabalho mesmo sobre pressão.

(0)

(1)

(2)

(3)

55

Mantenho-me calmo em situações emotivas.

(0)

(1)

(2)

(3)

56

Admito ser criticado em minhas opiniões.

(0)

(1)

(2)

(3)

57

Em uma discussão respondo perguntas provocativas sem me irritar.

(0)

(1)

(2)

(3)

58

Mesmo chateado trato as pessoas com cordialidade.

(0)

(1)

(2)

(3)

59

Sinto-me à vontade em defender uma ideia quando confrontada.

(0)

(1)

(2)

(3)

60

Quando compro algo costumo conseguir desconto.

(0)

(1)

(2)

(3)

61

Tenho facilidade em convencer as pessoas.

(0)

(1)

(2)

(3)

62

Quando vejo que uma coisa pode ser melhorada eu busco fazê-la para demonstrar

(0)

(1)

(2)

(3)

como.
63

Quando tenho uma ideia procuro colocá-la em prática.

64

Quando percebo que falta algo tomo alguma providencia.

(0)

(1)

(2)

(3)

65

Consigo dizer não às pessoas quando acho necessário.

(0)

(1)

(2)

(3)

66

Consigo me adequar com facilidade às mudanças.

(0)

(1)

(2)

(3)

67

Agrada-me experimentar coisas novas.

(0)

(1)

(2)

(3)

68

Estabeleço prioridades nas tarefas que irei realizar.

(0)

(1)

(2)

(3)

69

Planejo as atividades que realizo.

(0)

(1)

(2)

(3)

1271

�70

Executo tudo o que planejo.

(0)

(1)

(2)

(3)

71

Cumpro prazo estabelecido para as minhas atividades.

(0)

(1)

(2)

(3)

72

Encontro com facilidade o que guardo.

(0)

(1)

(2)

(3)

73

Mesmo quando há trabalho atrasado, consigo me organizar.

(0)

(1)

(2)

(3)

74

Antes de executar um trabalho, levo em consideração os recursos existentes

(0)

(1)

(2)

(3)

(humanos, financeiros, materiais).
75

Agrade-me que cada coisa tenha seu lugar definido.

(0)

(1)

(2)

(3)

76

Consigo continuar minhas atividades, mantendo minha concentração, mesmo

(0)

(1)

(2)

(3)

quando sou interrompido.
77

Agrada-me ler sobre os mais diversos assuntos.

(0)

(1)

(2)

(3)

78

Agrada-me realizar tarefas a longo prazo.

(0)

(1)

(2)

(3)

79

Agrada-me ter uma rotina.

(0)

(1)

(2)

(3)

80

Agrada-me ter que estudar sobre o que faço para executar uma tarefa.

(0)

(1)

(2)

(3)

81

Tenho facilidade em combinar ideias.

(0)

(1)

(2)

(3)

82

Tenho facilidade em compreender conceitos teóricos/abstratos.

(0)

(1)

(2)

(3)

83

Tenho facilidade em resumir um texto.

(0)

(1)

(2)

(3)

84

Consigo cumprir com qualidade as tarefas que têm prazo determinado.

(0)

(1)

(2)

(3)

85

Costumo pagar minhas contas em dia.

(0)

(1)

(2)

(3)

86

Chego no horário determinado quando marcam um compromisso comigo.

(0)

(1)

(2)

(3)

1272

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71368">
                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71369">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <elementText elementTextId="71372">
                  <text>UFMG</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Silveira, Luhilda Ribeiro, Corrêa, Cássio Araújo </text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>A gestão de pessoas é um importante aspecto a ser considerado nas organizações na chamada era da informação e do conhecimento, e nesse âmbito, a gestão por competência se destaca enquanto um modelo de gerenciamento nas organizações. Não fugindo à regra, as bibliotecas universitárias também integram esse contexto e abrem espaço para pensarmos e construirmos estratégias que subsidiem sua execução. Nessa perspectiva propomos neste trabalho a construção de um inventário de competências para auxiliar na gestão de pessoas no âmbito das bibliotecas universitárias. O inventário é composto por 86 itens que visam mapear competências técnicas, interpessoais e conceituais dos profissionais bibliotecários e a partir disso apontar prováveis adequações nas áreas de trabalho para esses profissionais dentro de uma biblioteca universitária. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PERCEPÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS SOBRE A QUALIDADE DE SERVIÇOS:
ESTUDO DE CASO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS E INFORMAÇÃO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
Luciana Matias Felício Soares
Caissa Veloso e Sousa

RESUMO
O objetivo deste estudo foi descrever como se configuram as percepções dos bibliotecários,
do Sistema de Bibliotecas e Informação da Universidade Federal de Ouro Preto/MG(Sisbin),
sobre o que é uma prestação de serviços de qualidade nas bibliotecas setoriais dessa
instituição. O estudo trouxe reflexões sobre satisfação e qualidade nos serviços e sobre a
importância do endomarketing para a avaliação da qualidade dos serviços. Adaptou-se a
escala Servqual, desenvolvida por Parasuraman, Zeithaml, e Berry (2006), para aplicação a
partir de entrevistas semiestruturadas. A pesquisa realizada foi de abordagem qualitativa e
qualifica-se como descritiva e um estudo de caso. Foram entrevistados seis bibliotecários
sendo que os dados das entrevistas foram submetidos à análise de conteúdo. Entre os
resultados encontrados foi possível identificar similaridades e contradições entreaspercepções
dos bibliotecários das unidades analisadas sobre a qualidade dos serviços oferecidos pelas
bibliotecas do Sisbin.Os aspectos positivos apontados foram: qualidade no serviço de
empréstimo, a pesquisa, o atendimento, disponibilidade de informação, rapidez no serviço
prestado, o serviço do bibliotecário, confiança no atendimento aos usuários.Entre os aspectos
negativos e que podem ser melhoradosencontram-se: oferecer uma maior quantidade de livros
impressos e e-books, mudar a cultura organizacional da Universidade Federal de Ouro preto
(Ufop), boa vontade dos profissionais que atendem ao usuário, treinamentos para os
funcionários, aumentar o quadro de auxiliares de biblioteca e bibliotecários, ampliação do
acervo e melhorarias na infraestrutura das bibliotecas. Diante dos achados e das limitações do
estudo, traçou-se uma agenda para pesquisas futuras.
Palavras-Chave:Qualidade de serviços; Endomarketing; Bibliotecas
universitárias;Servqual.Satisfação em serviços;
ABSTRACT
The objective of this study was to describe how to configure the perceptions of librarians
Sisbin about what is the provision of quality services in the industry Ufop libraries. The study
brought reflections on satisfaction and quality of services and the importance of internal
marketing to assess the quality of services. Adapted the Servqual, developed by Parasuraman,
Zeithaml and Berry (2006), for application from semi-structured interviews. The research
approach was qualitative and descriptive and qualifies as a case study. Six librarians were
interviewed and the data from the interviews were subjected to content analysis. Among the
findings it was possible to identify similarities and contradictions between perceptions of
librarians units analyzed on the quality of services offered by the libraries Sisbin. The positive
aspects mentioned were: quality loan service, research, service, availability of information,

1498

�speed of service provided, the service librarian, reliability of service to customers. Among the
negative aspects and capable of improvement are: to provide a greater amount of printed and
digitized collections, change organizational culture Ufop, goodwill of professionals who serve
the user, training, increase the box library assistants and librarians, acquire more assets and
improve the infrastructure of libraries. Given the findings and limitations of the study,
outlined an agenda for future research.
Keywords:Quality of services; Endomarketing; University libraries; Servqual; Satisfaction
with services.

1 INTRODUÇÃO
A preocupação com a qualidade de serviços é um tema que instiga atenção de
especialistas e professores na área de Administração, desde a década de 1980
(PARASURAMAN; ZEIITHAML; BERRY, 2006). Especificamente na área de Ciência da
Informação, Vergueiro (2002) salienta que a preocupação com a qualidade em serviços de
informação advém do interesse de estudos anteriores de diferentes enfoques de avaliação
como os padrões de desempenho, estudos de uso e usuários da informação, avaliação de
coleções etc.Sendo assim, os profissionais viram na temática qualidade de serviços uma
complementação para avaliar e aprimorar os serviços aos usuários.
Visando aprimorar os serviços, as organizações podem realizar pesquisas avaliativas
sobre a qualidade de serviços junto aos funcionários, visto que conforme salientam, Hoffman
et al. (2009) a satisfação do cliente está relacionada

à satisfação do funcionário e

estrategicamente possibilita a diferenciação de produto e serviços na organização. Neste
contexto, o Marketing desempenha um papel importante na gestão das organizações, pois
conforme destaca Amaral (2001, p.75), este “pode ser entendido como a combinação de
técnicas, cuja aplicação visa ao perfeito processo de troca, beneficiando todos os elementos
que nela interagem”. Sendo assim, é possível que setores de informação, como as bibliotecas,
se beneficiem com os estudos e técnicas do Marketing, entre os quais os estudos sobre a
qualidade de serviços em Marketing de serviços, de modo a atender melhor tanto o cliente
interno quanto o cliente externo da organização.
Assim sendo, devido à relevância do tema qualidade de serviços na área de Ciência da
Informação, definiu-se a seguinte questão central que norteou este trabalho “como se
configura, na percepção dos bibliotecários, uma prestação de serviços de qualidade nas
bibliotecas setoriais do Sistema de Bibliotecas e Informação (Sisbin)?”.
A justificativa deste trabalho advém da importância do tema qualidade de serviços
como forma de melhor atender o usuário e aprimorar os serviços, neste sentido, Brito e

1499

�Vergueiro (2011) sugerem que sejam realizados estudos de autoavaliação das bibliotecas, pois
perceberam ausência de pesquisas na área. Além disso, apoiou-se nas recomendações de
Freitas, Bolsanello e Viana (2008), que destacam que, além da pesquisa com os usuários da
biblioteca é necessário realizar pesquisa com o cliente interno, os funcionários.
Este artigo é parte do resultado de pesquisa de uma dissertação de mestrado cujo
objetivo foidescrever como se configuram as percepções dos bibliotecários do Sisbinsobre o
que é uma prestação de serviços de qualidade nas bibliotecas setoriais da Ufop.Espera-se que
ao identificar estes fatores o Sisbin possa promover ações direcionadas para estes quesitos de
forma a atender as necessidades dos clientes internos, os funcionários, e consequentemente
melhorar o atendimento promovendo maior satisfação aos usuários.

2

REVISÃO DE LITERATURA

Nesta seção são apresentados os conceitos pertinentes sobre satisfação e qualidade nos
serviços e na sequência sobre a importância do endomarketing para a avaliação da qualidade
dos serviços.

2.1Satisfação e qualidade nos serviços
Os estudos de satisfação do cliente iniciaram em 1970 devido ao aumento do consumo
e o declínio dos serviços que ocasionou o movimento dos consumidores em busca de maior
qualidade nos serviços. O declínio dos serviços tem como base o aumento da inflação que
obrigou as empresas ao corte de custos relacionados aos serviços ao cliente, a falta de mão de
obra qualificada e motivada para trabalhar no setor de serviços e a substituição do homem
pela máquina que distanciou o cliente da empresa (HOFFMAN et al. , 2009).
Para Zeithaml, Bitner e Gremler (2011), a satisfação é “a avaliação do cliente para um
produto ou serviços em termos de ele atender as expectativas e necessidades deste cliente”
(ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011, p. 142).
Las Casas (2011, p. 27) relaciona seis aspectos envolvidos na satisfação dos clientes
que são: 1)Satisfação dos clientes é subjetiva: pessoas ficam satisfeitas com diferentes
estímulos; 2) A satisfação do cliente não é facilmente mudada: os clientes somente irão mudar
de ideia depois de determinado tempo ao receber serviços de melhor qualidade de forma
permanente; 3) Os clientes não se satisfazem apenas com a relação qualidade/preço: devem-se
procurar desenvolver serviços que tenham maior valor agregado para tornar as ofertas mais
aceitáveis e vendáveis; 4) Deve-se segmentar o mercado o máximo possível para atingir os
consumidores: no marketing de serviços é possível adaptar as ofertas a clientes

1500

�individualizados; e 6) A satisfação dos clientes não é exclusivamente determinada por fatores
humanos: para o cliente, não importam os recursos que são usados, mas sim o resultado de
sua utilização.
Percebe-se que a satisfação dos serviços envolvem vários aspectos particulares e
experienciais dos indivíduos, mas também da melhoria constantes dos serviços prestados que
influenciam o resultado do mesmo para o cliente. Zeithaml e Bitner (2003) complementam
que as emoções dos clientes também podem afetar suas percepções de satisfação com relação
a produtos e serviços.
Las Casas (2011) ressalta ainda que o ambiente físico também pode influenciar a
prestação do serviço e a avaliação dos clientes, além disso, a forma de interação entre os
funcionários e os clientes e a vestimenta dos atendentes. Na mesma linha de pensamento
Berry e Parasuraman (1995) acrescentam que os fornecedores também afetam a avaliação dos
clientes, os resultados dos serviços são afetados pelo fornecedor e, também, por tudo que dá
suporte ao processo de produção, ampliando os aspectos subjetivos da avaliação.
Hoffman et al. (2009) apontam distinção entre a satisfação do cliente e a qualidade do
serviço, o primeiro é uma avaliação de curto prazo enquanto a qualidade de serviço é uma
avaliação de longo prazo e ligada a execução geral do serviço. Para Rodrigues (2000) a
qualidade de serviço e a satisfação de serviço são construtos diferentes, mas que se
relacionam. Nessa mesma linha de pensamento, Zeithaml, Bitner e Gremler (2011) relatam
sobre a relação entre a satisfação e qualidade de serviços, a satisfação é um conceito amplo e
a qualidade de serviço é um componente da satisfação do cliente.
Em revisão da literatura sobre qualidade de serviços, Parasuraman, Zeithaml e Berry
(2006) identificaram três temas centrais: primeiro, a avaliação da qualidade de serviços é mais
difícil do que a avaliação da qualidade dos bens, segundo, a qualidade do serviço consiste na
comparação entre as expectativas e percepção da prestação do serviço, e terceira, além das
avaliações do resultado do serviço a avaliação de qualidade envolve avaliações do processo de
prestação do serviço. Como os autores identificaram poucos estudos sobre a qualidade de
serviços eles resolveram realizar um estudo exploratório de cunho qualitativo para investigar
o conceito de qualidade de serviços. Com o resultado deste estudo realizado na década de
1980, Parasuraman, Zeithaml e Berry (2006) desenvolveram um modelo que foi chamado de
Servqual, que compreende a avaliação de dez fatores como acesso, comunicação,
competência, cortesia, credibilidade, confiabilidade, sensibilidade, segurança, tangíveis e
compreensão/conhecimento do cliente. Porém,em estudo mais recente os autores reduziram

1501

�de dez para cinco dimensões: segurança, empatia, confiabilidade, responsividade e
tangibilidade(PARASURAMAN; ZEITHAML; BERRY,1991).
A dimensão da segurança está relacionada à baixa percepção de risco pelo cliente,
sendo que estes aspectos são transmitidos pelos funcionários por meio do conhecimento e
cortesia, juntamente com a competência da empresa e a segurança das operações. A dimensão
da empatia envolve a atenção personalizada e cuidados individuais, no qual o cliente tem a
sensação de que são especiais para empresa, possibilitando o fornecimento de informações
adequadas às demandas do cliente e maior comunicação. A dimensão da confiabilidade
consiste na capacidade de realizar o que é prometido ao cliente e padronização no
fornecimento de serviço.A dimensão da responsividade envolve a disposição da empresa, a
pontualidade e a agilidade no atendimento, envolve o tempo de espera pelo serviço. A
dimensão da tangibilidade consiste na aparência, asrepresentações físicas, ou seja, elementos
físicos como equipamentos, instalações, pessoal e material de comunicação (HOFFMAN et
al., 2009; ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011).

2.2Endomarketing
Outra vertente importante para entender os aspectos envolvidos na qualidade de
serviços consiste em verificar a percepção dos funcionários. Sobre esse assunto, Zeithaml,
Bitner e Gremler (2011) afirmam a importância do papel dos funcionários, sendo que estes
estão na linha de frente, ou seja, atendem diretamente o cliente, e auxiliam nas estratégias
organizacionais, por isso a necessidade de realizar pesquisas para entender suas percepções
acerca do contato com o cliente e sobre os serviços prestados. No mesmo sentido, Hoffman et
al. (2009) salientam que a satisfação do cliente está relacionada à satisfação do funcionário e
estrategicamente possibilita a diferenciação de produto e serviços na organização.
O endomarketing tem como preceito que os funcionários constituem o mercado
interno, ocupando um lugar elementar no negócio da empresa que, segundo Gronroos (2003),
seria o primeiro mercado. Ainda segundo o autor, o endomarketing agregou novos
conhecimentos ao gerenciamento de recursos humanos, já que, além de considerar os
funcionários como primeiros mercados, estes devem ser vistos e tratados como clientes da
organização.
No endomarketing, deve-se levar em consideração que o

1502

�Mercado interno de empregados é melhor motivado para mentalidade de
serviço e preparado para desempenho orientado para cliente por uma
abordagem ativa, orientada para metas, na qual uma variedade de atividades
e processos são usados internamente de um modo ativo, coordenado e
semelhante ao marketing (GRONROOS, 2003, p.409).
Para Bekin (1995, p.34), o endomarketing compreende “realizar ações de Marketing
voltadas para o público interno da empresa, com o fim de promover entre seus funcionários e
departamentos aqueles valores destinados a servir o cliente”.
Nesse contexto, o endomarketing engloba dois tipos de gerenciamento, o
gerenciamento de atitude e o gerenciamento de comunicação. O primeiro consiste em
gerenciar as atitudes, as motivações e a mentalidade de serviços dos funcionários, e o segundo
compreende informações estratégicas para desenvolver tarefas de gerenciamento como as
rotinas de trabalho, as características dos bens e serviços oferecidos pela empresa, as
informações veiculadas em campanhas publicitárias, além de envolver comunicação com
superiores sobre como melhorar o desempenho dos serviços de acordo com as necessidades
dos clientes. Esse dois processos promovem maior integração e interação entre as promessas
oferecidas aos clientes e o cumprimento das mesmas pelos funcionários que entram em
contato direto com os clientes (GRONROOS, 2003).
Sendo assim, os esforços de endormarketing convergem para retenção de funcionários
e melhoria na qualidade da prestação de serviço, com orientação voltada para cultura de
serviços. A cultura de serviços envolve aspectos como a cultura corporativa, que consiste em
valores, atitudes e comportamentos que podem ser desenvolvidos para que os serviços sejam
prestados com melhor qualidade (GRONROOS, 2003). Além disso, cita algumas atividades
que podem ser desenvolvidas no endomarketing como: treinamento, suporte da administração
e diálogo interno, comunicação interna de massa e suporte de informação, gerenciamento de
recursos humanos, comunicação externa de massa, desenvolvimento de sistemas e suporte
tecnológico, recuperação interna de serviço e pesquisa de mercado e segmentação de
mercado.
Complementando as ideias de Gronroos (2003), Lovelock e Wirtz (2006) ressaltam
que trabalhar na linha de frente da organização é difícil, estressante e conflitante, o que requer
treinamento específico para enfrentar situações complicadas no dia-a-dia com o cliente. Os
funcionários de atendimento ao cliente devem manter o sorriso constante, ser simpáticos,
cordiais, sendo que, muitas vezes, essas podem não ser características próprias da
personalidade da pessoa, o que pode causar conflito interno. Esses funcionários também

1503

�enfrentam problemas para decidir entre atender as demandas do cliente ou cumprir as regras
da empresa.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa realizada foi de abordagem qualitativa definida como um método subjetivo
que capta a percepção dos indivíduos e que ajuda a entender o comportamento das atividades
sociais e humanas,sendo assim, possibilita ainda uma análise mais profunda do fenômeno
estudado(VERGARA, 2003; COLLIS; HUSSEY, 2005) e qualifica-se como descritiva,
segundo Vergara (2003) esta detalha ascaracterísticas de um fenômeno.Corroborando essa
ideia, Trivinos (1987) afirma que a pesquisa descritiva tem comofoco conhecer e descrever as
características de determinada comunidade, além disso, esta pesquisa classifica-se como um
estudo de casono qual possibilita uma análise profunda e contextualizada do objeto
(TRIVINOS,1987; GIL, 2002; VERGARA, 2003).
Este estudo foi realizado na Ufop, mais especificamente no Sistema de Bibliotecas e
Informação e os sujeitos da pesquisa foram seis bibliotecários, selecionados com base nos
seguintes aspectos: primeiro por campi, garantindo pelo menos uma biblioteca representante
de cada campus, segundo, pela oferta de serviços diferenciados e, por último, pelo maior
número de empréstimos em 2012. Sendo assim, a biblioteca de João Monlevade foi escolhida
por ser a única representante do Campus João Monlevade. No campus Mariana, foram
selecionadas as duas bibliotecas existentes Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa) e
Instituto de Ciências Humanas e Sociais (Ichs). No centro de Ouro Preto, foram selecionadas
a biblioteca do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura (Ifac), por apresentar maior número de
empréstimos 6.286 no ano de 2012, e a biblioteca de Obras Raras, por possuir acervo e
público diferenciados. As duas últimas, isto é a do Instituto de Ciências Exatas e Biológicas
(Iceb) e a Biblioteca de Medicina, foram escolhidas, pois apresentaram maior número de
empréstimos em 2012, respectivamente 60.103 e 22.578, em relação às outras bibliotecas do
Campus Morro do Cruzeiro.
Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada, que, segundo
Trivinos (1987), consiste no recolhimento de dados com base em questionamentos básicos
apoiados em teorias e hipóteses que ajudam a identificar opiniões e percepções. As temáticas
abordadas nas perguntas do roteiro de entrevista foram elaboradas a partir da escala Servqual,
sendo que a escala original, composta por 22 questões fechadas, foi transformada e reduzida
para sete questões abertas contemplando as cinco dimensões como a confiabilidade,
responsividade,

segurança, empatia e tangíveis.

Além disso, foram acrescentados

1504

�questionamentos sobre o que seria um serviço de qualidade e qualidade do acervo, de acordo
com os autores Zeithaml e Bitner (2003); Zeithaml, Bitner e Gremler (2011); Hoffman et
al.(2009); Lovelock e Wirtz (2006); Gronroos (2003); e Brito e Vergueiro (2012).
As entrevistas foram gravadas e transcritas, em seguida organizadas por perguntase
analisadas a partir da técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 2009).

4 RESULTADOS FINAIS
Foram realizadas seis entrevistas com os bibliotecários do Sisbin, entre os dias 7 e 23
de outubro de 2013. Ressalta-se que uma das entrevistas inicialmente prevista não foi
realizada, uma vez que o funcionário estava em licença médica.
No quadro 1, apresentam-se as características dos bibliotecários entrevistados, como
idade, cargo, formação acadêmica e tempo na função.

QUADRO 1 - Características dos bibliotecários entrevistados
Entrevistado Idade

Cargo

Formação acadêmica

Tempo

na

função
1

33

Bibliotecário

Superior em Biblioteconomia 5 anos
e mestrado incompleto

2

54

Bibliotecário

Superior em Biblioteconomia

28 anos

3

40

Bibliotecário

Superior em Biblioteconomia

18 anos

e pós-graduação em serviços
de gestão e indexação
4

32

Bibliotecário

Superior em Biblioteconomia,

5 anos

mestrado incompleto
5*
6

30

Bibliotecário

Superior em Biblioteconomia

5 anos

7

58

Bibliotecário

Superior em Biblioteconomia

24 anos

Fonte: Dados ca pesquisa
* O bibliotecário referente à biblioteca prevista para entrevista estava em licença médica

Em relação à idade, quatro entrevistados possuem até 40 anos e dois possuem mais de
40 anos. Em relação ao cargo, os seis entrevistados são bibliotecários. Três dos funcionários
estão na função há cinco anos e três funcionários estão na função há mais de cinco anos.

1505

�Quanto à formação acadêmica, três funcionários possuem o ensino superior completo,
um possui especialização lato sensu e dois possuem mestrado incompleto.
Na análise de conteúdo, foram utilizadas sete categorias:
•

Serviço de qualidade, criada com base nos autores Zeithaml e Bitner (2003),
Zeithaml, Bitner e Gremler (2011), Hoffman et al. (2009), Lovelock e Wirtz
(2006) e Gronroos (2003)

•

Confiabilidade, tendo como base a ferramenta Servqual

•

Responsividade, tendo como base a ferramenta Servqual

•

Segurança, tendo como base a ferramenta Servqual

•

Empatia, tendo como base a ferramenta Servqual

•

Tangíveis, tendo como base a ferramenta Servqual

•

Qualidade do acervo, criada com base nos autores Zeithaml e Bitner (2003),
Zeithaml, Bitner e Gremler (2011), Hoffman et al. (2009), Lovelock e Wirtz
(2006), Gronroos (2003) e Brito e Vergueiro (2012).

A primeira categoria, denominada serviço de qualidade, contempla quatro questões.
Na primeira perguntou-se o que é um serviço de qualidade nas bibliotecas setoriais. A maioria
dos bibliotecários respondeu que um serviço de qualidade é aquele atende as necessidades dos
usuários, a agilidade no atendimento e qualidades como eficiência e eficácia, conforme relato
do entrevistado 2.
Um serviço que vai atender ao usuário adequadamente, né, que é a nossa
finalidade em todos os sentidos, fazer todos os esforços, para que os serviços
que as biblioteca prestam atendam realmente a demanda do usuário e não
parcialmente (ENTREVISTADO 2).
No entanto, o entrevistado 1 apresentou resposta diferenciada ao destacar o que
poderia ser melhorado para oferecer um serviço com maior qualidade, sendo assim, pode-se
inferir que ainda faltam alguns aspectos para que o serviço seja de qualidade, conforme relato
abaixo:
Depende da biblioteca, é mais tem muito para melhorar ainda, seria um
serviço de qualidade, seria a gente poder oferecer um atendimento online,
tem muita demanda sobre isso, já ter uma parcela do acervo já digitalizado
[...] e poder ter um canal de diálogo mais aberto, mais concreto dentro da
universidade para que as pessoas soubessem quais são os serviços que a
gente oferece o que tem dentro desse acervo para aumentar mais a pesquisa
aqui dentro (ENTREVISTADO 1).
Percebe-se no discurso do entrevistado 1 que os serviços oferecidos pelas bibliotecas
são mal divulgados na Universidade, o que acarreta em pouca utilização dos mesmos.

1506

�Na segunda questão, questionou-se sobre a qualidade dos serviços das bibliotecas
setoriais, a maioria dos bibliotecários respondeu que o serviço é de qualidade, conforme
aponta o entrevistado 2.
Na medida do possível, a gente faz tudo para que o serviço tenha qualidade,
então manter um bom relacionamento, procurar às vezes antecipar a
demanda do usuário, atender direito, quando ele chega na biblioteca ser bem
atendido, né, isso é muito importante no balcão de atendimento, se a pessoa
se sente à vontade em uma biblioteca, sente confiança nas pessoas que
atendem ele vai ficar mas à vontade e vai colocar com mais clareza o que
ele está procurando (ENTREVISTADO 2).
O entrevistado 6 apresentou argumentos positivos sobre a qualidade do serviços
prestados pela biblioteca com possibilidade de criação de novos serviços “Sim, devido às
demandas que já foram observadas dos alunos nós podemos criar serviços para eles”.
Na terceira questão, quando se solicitou aos entrevistados que descrevessem as
características que acreditavam ser de qualidade nas bibliotecas, as respostas foram variadas.
Entre os aspectos descritos estão o serviço de empréstimo, a pesquisa, o atendimento, a
disponibilidade de informação, a rapidez no serviço prestado e o serviço do bibliotecário,
conforme descreveram os entrevistados 1 e 2 .
O atendimento a pesquisa, a preocupação que a gente tem em catalogar todo
o acervo deixar todos os dados disponíveis no catálogo online do Sisbin, e
também a migração de dados para base externas que são o CCN, catálogo
coletivo de publicações seriadas e o catálogo, como é, eu sempre esqueço,
CPBN, catálogo do patrimônio bibliográfico nacional (ENTREVISTADO
1).
Eu acho que o empréstimo, eu tento com os funcionários que trabalham com
o atendimento de sempre ter muita atenção voltada para o usuário, ouvi-lo
perguntar mais coisas [...]eu acho que esse serviço é de qualidade, agora os
demais que exigem um ambiente propício, salas especiais, tudo isso que a
gente não tem, aí não tem condições, precário, a pessoa que vêm para cá
estudar, ele tem a internet , mas não tem conforto nenhum né, ele estuda em
uma sala fria de cimento, ali em baixo com o mobiliário todo velho
aproveitados de outras bibliotecas, o prédio não é adequado, tem barulho,
tem goteira, tem tudo isso, tem cupim, então o que se justifica
(ENTREVISTADO 2).
O entrevistado 2 relatou que solicita aos funcionários uma atenção no atendimento e
que os serviços sejam voltados para o usuário, esse quesito foi observado por Bekin (1995)
que ressalta as ações de marketing voltadas para os funcionários para promover os valores de
servir o cliente. Além disso, de um modo geral, percebe-se que, em alguns momentos, os
bibliotecários confundiram os tipos de serviços oferecidos com as características
propriamente ditas do que seria um serviço de qualidade.

1507

�A última pergunta da categoria serviço de qualidade se refere a melhorias no ambiente
de trabalho para que o serviço possa ser de maior qualidade. As respostas foram variadas,
incluindo sugestões como: mudar a cultura organizacional da Ufop, melhorar a boa vontade
dos profissionais que atendem ao usuário, treinamento, aumentar o quadro de auxiliares de
biblioteca e bibliotecários, adquirir mais material para compor o acervo e melhorar a infra
estrutura.
A cultura organizacional da Ufop, eu gasto tempo demais, tendo que sempre
falar as mesmas coisas para os mesmos setores da Ufop [...], a gente tem
muita dificuldade, por exemplo, na manutenção do setor, tipo troca de
lâmpada, a gente deve falar com a equipe da elétrica pelo menos cinco vezes
da necessidade de vir aqui para trocar as lâmpadas (ENTREVISTADO 1)
Eu acho assim, a primeira coisa é a consciência e a boa vontade de todo
mundo que trabalha no setor, por mais precárias que as condições sejam, se a
pessoa se empenha, ela faz um bom trabalho de atendimento, eu acho é isso,
a primeira coisa ter foco no usuário e na necessidade dele, então você vai ter
uma boa qualidade, se você está pouco se lixando você pode ter uma
tecnologia que você não vai atender direito, agora em segundo são as
condições que a gente precisa, de acervo atualizado, de compras regulares
para atender a graduação, livro mesmo, essa novas tecnologias,
equipamentos em boas condições de uso, rede [...] (ENTREVISTADO 2).
A seguir, apresenta-se o quadro 2, que mostra a comparação entre as opiniões mais
frequentes dos funcionários e destacando a diferença de percepção entre eles.

Quadro2- Temas/categorias e comentários dos bibliotecários
TEMAS
CATEGORIAS
Informação sobre
horário
de
funcionamentoResponsividade

COMENTÁRIOS

Entrevistado 4 - A gente sempre procura divulgar, já tem logo na entrada da
biblioteca o horário de funcionamento dela, a gente procura também todas
mudanças, alterações divulgar na página, facebook da biblioteca, e daqui alguns
dias no site oficial da biblioteca e no balcão também, eles têm mania de entrar às
vezes, se eles não veem a informação lá na frente, eles têm a possibilidade de
ver lá no balcão, só não vê a pessoa que não quer ver.
Serviços prestados Entrevistado 1 - Depende, depende da fase, do humor, entendeu? Tem época que
prontamente
- eu acho que os funcionários estão extremamente insatisfeitos e ficam
insatisfeitos com a gente também, e aí não quer mais ajudar, não se prontifica
Responsividade
mais, então, para prontificar tal funcionário só se você abrir sua vida particular
[...], eu acho que a Ufop tem muito desse problema, as pessoas não conseguem
se ver como profissionais, elas conseguem te ver como pessoa [...]
Entrevistado 2 - Prestam, mas podem ser melhores, né, acho que pode melhorar,
agora, né, agora, a universidade prepara bem concurso com tudo mais com
atendimento público e tudo isso é para ter um atendimento melhor a gente tem
condições de ter.
Número
de Entrevistado 1 - Não, não é, eu tenho aqui hoje uma equipe de três funcionários,
funcionárioseu e mais dois e não dá, não tem como, eu precisaria de ter pelo menos mais
uma bibliotecária comigo para ajudar a catalogar, a gente tem uma média de
Responsividade

1508

�7.000 volumes para catalogar e pelo menos mais um funcionário para que a
gente pudesse fazer outras coisas pensar outros serviços [...]

Interesse
funcionários
resolver
problemas
usuários
Confiabilidade

Confiança
atendimento
Segurança

dos
em
os
dos
-

Entrevistado 2 - No momento sim, já tivemos situações muito ruins, mas no
momento sim, para os serviços que a gente presta hoje, qualquer outro serviço
que for implantar no sistema inteiro precisa de mais pessoas, dentro desse que a
gente presta então é suficiente, de bibliotecário precisa, mas auxiliar o número é
suficiente.
Entrevistado 1 - Depende se o usuário for gente conhecida, eu acho que de um
modo geral não, o funcionário espera que a gente esteja presente na biblioteca
para que a gente resolva, tanto os serviços administrativos quanto o serviço com
o usuário, eu não acho não, eu não acho que as pessoas têm motivação para
trabalhar nas bibliotecas elas querem trabalhar um serviço extremamente
mecânico para receber um salário no final do mês, eu não acho que as pessoas
aqui tenham essa proatividade toda não, pelo menos nas bibliotecas que eu
passei.

Entrevistado 6 - Sim, a grande maioria demostra interesse em auxiliar, sempre
que um aluno tem dificuldade de localizar um livro devido ao sistema de
classificação os funcionários se propõem a ensiná-los como deve ser feita a
procura pelo livro e ajudam eles a localizar.
no Entrevistado 2 - São, são gentis. Assim eu foco muito nisso, entendeu? Porque
- eu acho que isso é a principal coisa de uma biblioteca, a simpatia, essa interação,
quem atende e é atendido, tudo tem o seu jeito, a gente não tem tudo que o
usuário quer, mas ele sai satisfeito, ele sai orientado a procurar outras cosias,
então isso é muito importante [...] qualquer trauma que você tenha com o
usuário ele vai se afastando da biblioteca, né, então você tem que conquistar isso
todos os dias quando você atende, né.

Atenção
Entrevistado 3 - Sim, o atendimento, é né, acaba sendo personalizado porque
individualizada aos atende um por um.
usuários - Empatia
Entrevistado 4 - Não, acho que não, porque eles estão acostumados a lidar com
aquele usuário normal, então tem uns que você precisa falar com mais jeito,
atender com mais cuidado, eu não vejo isso neles, acho que eles precisam de
treinamento nessa parte mesmo, porque tem usuários difíceis de lidar às vezes
também, nós não estamos falando de deficiência às vezes física e mental, mas
sim no psicológico mesmo né, para atender esses usuários que tem esse
psicológico meio difícil assim eles não têm não.
Equipamentos
mobiliários
funcionais
Tangíveis

e Entrevistado 1 - Não, por exemplo, a gente não conseguiu trazer para aqui ainda
a internet Wi-fi e é uma coisa que o pesquisador sempre pede, a gente precisa,
- por que hoje o pesquisador vem com laptop, ele não vem só com a máquina
fotográfica [...] Então é uma questão de prioridade, eu vejo que a Ufop não acha
que é necessário dar um upgrade nas bibliotecas, entendeu? [...].
Entrevistado 3 - Não, tem pouco, né, poderia ter tablet, poderia emprestar e­
book, que já existem muitos aí a gente ainda não tem, por exemplo, é isso, ainda
não oferece.

1509

�Qualidade
acervo

do Entrevistado 1 - Essa biblioteca é de excelente qualidade [...] são livros bons,
são livros clássicos sim, são livros e periódicos raros, tem muita coisa
importante, aquisição nós não temos é como se disséssemos que o fundo aqui é
acervo fechado a gente não vai receber mais acervo aqui foi a literatura daquela
época a literatura disponível com a matéria de determinado período.
Entrevistado 4 - Atualização sim, mas a quantidade ainda não, porque lá tem
várias disciplinas que utilizam o mesmo livro, então por conta disso, a
quantidade de livros deveria ser bem maior, mas ainda não.

Entrevistado 6 - Sim, e mesmo porque o acervo é constituído das sugestões de
compra dos professores e as compras são anuais e em relação ao número de
exemplares a gente consegue contar com livros de outas unidades através do
________________ empréstimo entre bibliotecas [...].___________________________________
Fonte: Adaptado deSoares e Sousa (2014, p.231-232).

Na categoria responsividade, indagou-se aos respondentes se a biblioteca informa os
usuários sobre o horário de funcionamento das bibliotecas. Todos responderam que
disponibilizam esse tipo de informação, como por exemplo, na porta da biblioteca, nos
corredores, na página da Ufop e do Sisbin e no Facebook, conforme relato do entrevistado 4
apresentado no quadro2.
Quando questionados se os serviços são prestados prontamente, a maioria dos
entrevistados apresentou resposta positiva, porém dois entrevistados apresentaram respostas
diferentes, o entrevistado 2 indicou que esse aspecto pode ser melhorado e o entrevistado 1
ponderou que depende da fase do funcionário.
À última pergunta da categoria responsividade sobre o número de funcionários, se é
suficiente para oferecer um serviço de qualidade, a maioria dos entrevistados respondeu que
não, conforme relato do entrevistado 1.Porém dois bibliotecários responderam que o número
de funcionários é suficiente, conforme relato do entrevistado 2.
Sobre a categoria que trata da confiabilidade dos serviços, quando se indagou aos
respondentes se os funcionários demonstram interesse em resolver os problemas dos usuários,
se demonstram desejo de auxiliar os usuários, as respostas podem ser dividias em dois grupos;
o primeiro grupo respondeu que sim, como o relato do entrevistado 6, o segundo grupo
respondeu que às vezes os funcionários têm interesse em resolver os problemas dos usuários,
conforme relato do entrevistado 1.
Na categoria segurança, indagou-se sobre a confiança nos funcionários, se os mesmos
inspiram confiança no atendimento ao usuário. Todos os entrevistados responderam que sim,
pode-se destacar a resposta do entrevistado 2, que salientou que, mesmo que não tenha tudo
que o usuário quer, ele fica satisfeito por ter sido orientado a buscar outras fontes.

1510

�Em relação àcategoriaempatia, questionou-se sobre a atenção individualizada aos
usuários, o atendimento às necessidades especiais. As respostas foram variadas, alguns
responderam que sim, como o entrevistado 3, entretanto outros responderam que não. O relato
do entrevistado 4 destacou-se, já que evidenciou que os funcionários não sabem lidar com
todos os tipos de usuários como, por exemplo, os considerados difíceis.O depoimento do
entrevistado 4 sinaliza para os dizeres de Lovelock e Wirtz (2006) discutidos no referencial
teórico, que identifica a necessidade de realizar treinamentos específicos para os funcionários
com o objetivo de prepará-los para situações complicadas com os clientes.
Sobre a categoria que trata dos aspectos tangíveis nos serviços, indagou-se aos
bibliotecários se a biblioteca possui equipamentos e mobiliários funcionais. Este quesito
apresentou muitas repostas negativas, sendo relatado que os equipamentos não são adequados,
falta acesso a internet para os usuários e que poderiam ser adquiridos equipamentos
modernos, como tablet, conforme o relato dos entrevistados 1 e 3.
Quanto à última categoria, que trata sobre a qualidade do acervo, quando indagados
sobre a qualidade do acervo, as respostas foram variadas. O entrevistado 1 salientou a
qualidade do acervo e o entrevistado 4 respondeu que o acervo é atualizado, porém ambos
indicam que o número de exemplares de alguns títulos não atende ao número de alunos. E
somente o entrevistado 6 informou que o acervo é atualizado e o número de exemplares é
suficiente, devido à possibilidade de empréstimo de outras bibliotecas da Ufop.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados levantados nesta pesquisa apontam similaridade e diferençasentre as
percepções dos bibliotecários das unidades analisadassobre a qualidade dos serviços
oferecidos pelas bibliotecas do Sisbin.
A maioria dos bibliotecários respondeu que um serviço de qualidade é aquele atende
as necessidades dos usuários tendo em vista a agilidade no atendimento e qualidades como
eficiência e eficácia. Ainda foi identificada a importância de se melhorar a qualidade do
acervo, o que implica em oferecer uma maior quantidade de livrosimpressos e e-books.
A maior parte dos bibliotecários percebe que os serviços oferecidos nas bibliotecas são
de qualidade, destacando-se que novos serviços podem ser criados para atender aos usuários.
Em relação às características dos serviços que eles identificam como de qualidade, as
respostas foram variadas, como o serviço de empréstimo, a pesquisa, o atendimento,
disponibilidade de informação, rapidez no serviço prestado e o serviço do bibliotecário.

1511

�Em se tratando das melhorias no ambiente de trabalho, as respostas também foram
variadas como: mudar a cultura organizacional da Ufop, boa vontade dos profissionais que
atendem ao usuário, treinamento para os funcionários, aumentar o quadro de auxiliares de
biblioteca e bibliotecários, adquirir mais acervo e melhorar a infraestrutura das bibliotecas.
Todos os bibliotecários apontaram que os funcionários inspiram confiança no
atendimento. Sobre a atenção individualizada aos usuários e o atendimento às necessidades
especiais as respostas foram variadas, alguns responderam que sim, entretanto outros
responderam que não. Destacou-se o comentário que sinaliza que os funcionários não sabem
lidar com todos os tipos de usuários como, por exemplo, os considerados difíceis, sendo
assim, identificou-se a necessidade de realizar treinamentos específicos para os funcionários
com o objetivo de prepará-los para situações complicadas com os clientes. Em relação aos
equipamentos e mobiliários funcionais, a maioria dos entrevistados relata que os
equipamentos não são adequados, falta acesso a internet para os usuários e que poderiam ser
adquiridos equipamentos modernos como tablet.
Considera-se a limitação da pesquisa em termos da impossibilidade de realizar
generalizações, o qual abordou a percepção dos bibliotecários sobre a qualidade de serviços
prestada em uma instituição pública, o Sisbin.Diante disso, sugere-se a realização de estudos
longitudinais para identificar a percepção dos bibliotecários de outras instituições de ensino,
tanto públicas quanto privadas, com vistas a comparações e generalizações dos estudos.

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1514

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O objetivo deste estudo foi descrever como se configuram as percepções dos bibliotecários, do Sistema de Bibliotecas e Informação da Universidade Federal de Ouro Preto/MG(Sisbin), sobre o que é uma prestação de serviços de qualidade nas bibliotecas setoriais dessa instituição. O estudo trouxe reflexões sobre satisfação e qualidade nos serviços e sobre a importância do endomarketing para a avaliação da qualidade dos serviços. Adaptou-se a escala Servqual, desenvolvida por Parasuraman, Zeithaml, e Berry (2006), para aplicação a partir de entrevistas semiestruturadas. A pesquisa realizada foi de abordagem qualitativa e qualifica-se como descritiva e um estudo de caso. Foram entrevistados seis bibliotecários sendo que os dados das entrevistas foram submetidos à análise de conteúdo. Entre os resultados encontrados foi possível identificar similaridades e contradições entreaspercepções dos bibliotecários das unidades analisadas sobre a qualidade dos serviços oferecidos pelas bibliotecas do Sisbin.Os aspectos positivos apontados foram: qualidade no serviço de empréstimo, a pesquisa, o atendimento, disponibilidade de informação, rapidez no serviço prestado, o serviço do bibliotecário, confiança no atendimento aos usuários.Entre os aspectos negativos e que podem ser melhoradosencontram-se: oferecer uma maior quantidade de livros impressos e e-books, mudar a cultura organizacional da Universidade Federal de Ouro preto (Ufop), boa vontade dos profissionais que atendem ao usuário, treinamentos para os funcionários, aumentar o quadro de auxiliares de biblioteca e bibliotecários, ampliação do acervo e melhorarias na infraestrutura das bibliotecas. Diante dos achados e das limitações do estudo, traçou-se uma agenda para pesquisas futura.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O MODELO CONCEITUAL FRBR: ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA NO SNBU
(2006-2012)
Viviane de Oliveira Solano
Vinicius de Souza Tolentino

RESUMO
Os eventos científicos são considerados ambientes propícios de divulgação de estudos e
práticas que são desenvolvidas por uma área do conhecimento. O modelo conceituai FRBR
apresenta-se como um novo entendimento do processo de representação dos documentos,
implicando mudanças na atuação do bibliotecário frente às novas demandas e debates que
emanam da prática catalográfica. Diante dessa evidência, buscou-se mapear a produção dos
artigos referentes ao modelo conceitual FRBR, apresentados no Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU), período de 2006 a 2012. As análises foram realizadas com
as seguintes categorias: produtividade sobre a temática, conteúdo e referências utilizadas.
Foram encontrados apenas três artigos dentre os 1.129 trabalhos orais e pôsteres analisados.
Ressalta-se que a temática modelo conceitual FRBR tem sido pouco utilizada nos eventos do
SNBU.
Palavras-Chave: FRBR; Modelo conceitual; Seminário
Universitárias (SNBU); Bibliometria; Análise de citações.

Nacional

de

Bibliotecas

ABSTRACT
The scientific events are considered enabling environments of disseminating and studies and
practices that are developed over an area of knowledge. The FRBR conceptual model is
presented as a new understanding of the representation of documents process, involving
changes in the role of librarian forward to new demands and discussions emanating from
cataloging practice. Given this evidence, this research has a goal to map the production of
articles concerning the FRBR conceptual model, presented at the Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU), period 2006-2012. Analyses were performed with the
following categories: productivity on the theme, content and references. Only three articles
were found among the 1,129 oral papers and posters analyzed. It is emphasized that the theme
FRBR conceptual model has been rarely used in the event SNBU.
Keywords: FRBR; Conceptual model; Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
(SNBU); Bibliometrics; Citation Analysis.

3200

�1 INTRODUÇÃO
Todo conhecimento seja ele científico, tecnológico ou prático é originado de
pesquisas, tendo como processo principal a comunicação científica, formando o delineamento
da literatura científica. Essas publicações vêm no formato de relatórios, trabalhos
apresentados em congressos, palestras, artigos de periódicos, livros em seus variados suportes
e outros (MUELLER, 2000). Sendo essa produção técnico-científica algo tangível e
mensurável, é passível de ser submetida à análise de suas publicações em diversificados
segmentos.
As técnicas bibliométricas usadas para fornecer indicadores a partir da análise da
produção técnico-científica contribuem para avaliar a produtividade de pesquisadores,
identificar instituições e centros de pesquisas mais desenvolvidos em determinada área,
reconhecer e entender como certo assunto se apresenta num dado domínio de conhecimento.
A catalogação descritiva no cenário da Organização da Informação vem se
fortalecendo, aperfeiçoando e se comprometendo com estudos mais aprofundados sobre a
representação da informação nos últimos anos.
Nesse panorama apresentam-se os estudos do modelo conceitual Requisitos
Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR) que oferece uma diferente perspectiva da
estruturação de registros bibliográficos para todos os tipos de materiais e tarefas de usuários
associadas com os recursos descritos em catálogos, bibliografias e outras ferramentas
bibliográficas. De acordo com Silva e Santos (2012) os FRBR, elaborados para serem livres
de implementações, são vistos de maneira positiva pela comunidade científica, todavia, são
poucas unidades de informação que tornaram seus conceitos úteis na prática em seus
catálogos, mesmo muitos anos depois de sua primeira publicação no ano de 1998.
Sabe-se que os eventos científicos e profissionais consolidaram-se no âmbito da
biblioteconomia brasileira, como espaços para a reflexão sobre as práticas profissionais e
divulgação das pesquisas científicas da área, configurando-se como uma excelente
oportunidade para a promoção do diálogo entre a teoria e a prática.
O Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) centra-se nas
necessidades dos bibliotecários e usuários de unidades de informação voltadas para
instituições de ensino superior no país, constituindo um fórum de debates e intercâmbio de
ideias, onde profissionais vinculados à Biblioteconomia e Ciência da Informação fazem
reflexões e análises dos problemas e das preocupações do setor num determinado momento
histórico. Vem sendo realizado desde 1978 quando ocorreu a primeira edição na Universidade

3201

�Federal Fluminense (UFF) com o tema ‘A biblioteca como suporte do ensino e da pesquisa no
desenvolvimento nacional’ (CUNHA et al, 2000).
Diante do exposto, o estudo ora apresentado deseja mapear o desenvolvimento de
pesquisas referentes à temática FRBR, por parte dos profissionais de Biblioteconomia, no
âmbito do SNBU, no período de 2006 a 2012. Deste modo, surgiu a indagação geral: como se
delineia a produção de trabalhos referente ao modelo conceitual FRBR, no âmbito do SNBU
nos últimos anos (2006-2012)? Para responder a este questionamento, derivaram-se os
demais: qual a representatividade dessa temática, do ponto de vista quantitativo de sua
produção? Qual a abordagem dos estudos apresentados e quais as fontes utilizadas pelos
autores para a elaboração dos mesmos?
Este artigo é motivado pela inquietação, enquanto profissionais da área, de perceber
que o modelo conceitual FRBR apresenta-se como um ‘novo olhar’ sobre o entendimento do
processo de representação dos documentos. Isto implica mudanças na atuação do bibliotecário
frente às novas demandas e debates que emanam da prática catalográfica.
O trabalho segue a estrutura: na primeira seção apresenta-se uma breve caracterização
do modelo conceitual FRBR, posteriormente, o aporte teórico dos estudos métricos, seguido
dos materiais e métodos, dos resultados e, por fim, são apresentadas as considerações finais.

2 REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS - FRBR
A principal proposta dos FRBR é fornecer uma estrutura clara para relacionar dados
de registros bibliográficos às necessidades dos usuários e mais, recomendar um nível básico
de funcionalidade dos registros criados por agências bibliográficas nacionais. Os FRBR foram
elaborados segundo o modelo conceitual do tipo entidade-relacionamento. Este modelo foi
desenvolvido por Peter Chen362, na década de 70, e provém de conceitos acerca da
modelagem de banco de dados. Desse modo, modelos conceituais do tipo entidaderelacionamento (ou E-R) são criados para melhorar o design das bases de dados e para tornálas úteis em suas buscas.
O modelo conceitual FRBR é constituído por três elementos: entidades, atributos e
relacionamentos. Entidade pode ser compreendida como “algo que possui um caráter unitário
e auto-contido; algo que tem existência independente ou separada; uma abstração, conceito
ideal, objeto de pensamento ou transcendental” (DECLARAÇÃO..., 2009, p. 10). Os
atributos são um conjunto de características das entidades; abrangem geralmente a uma
362 CHEN, P. O método entidade-relacionamento p a ra projeto lógico de banco de dados. São Paulo: Makron
Books, 1990.

3202

�entidade incluindo não só as características físicas, mas também aspectos que podem ser
caracterizados como informação identificadora (por exemplo, informações que aparecem na
folha de rosto ou capa do documento). E, por último, os relacionamentos como qualquer
classe de associações entre os atributos das entidades (IFLA, 2008).
Os FRBR são compostos por dez entidades363 que se dividem em três grupos. São eles:
GRUPO 1 - reúne as entidades que compreendem o produto do trabalho intelectual e
ou artístico. Esse grupo traz o grande diferencial na forma como o profissional deve perceber
o objeto de informação no momento da sua descrição: obra, expressão, manifestação e item.
Dentre as entidades do grupo 1, apenas as duas últimas refletem a forma física, uma vez que
se referem aos elementos concretos do documento, diferentes das duas primeiras que se
definem pelo conteúdo intelectual ou artístico do documento.
GRUPO 2 - reúne as entidades responsáveis pelo conteúdo intelectual e ou artístico
ou, ainda, responsáveis pela produção física, pela disseminação ou pela guarda das entidades
do primeiro grupo, sendo elas: pessoa e entidade coletiva.
GRUPO 3 - reúne as entidades consideradas como assuntos das obras: conceito,
objeto, evento e lugar.
Apresenta a seguir breve descrição teórica sobre os estudos métricos no intuito de
fundamentar as análises realizadas.

3 ESTUDOS MÉTRICOS
O processo de produção da ciência envolve basicamente dois segmentos: o produtor
científico (pesquisador) e seu produto (publicações). As outras variáveis presentes são do
contexto em que ambos se inserem, onde relacionam-se o produto, o seu público consumidor,
a preocupação com o impacto que causa e quais razões determinam seu curso, caracterizando
um contexto específico, uma comunidade.
As técnicas de visualização e mapeamento da atividade científica e tecnológica em
apoio aos métodos e técnicas de tratamento e análise de informação passaram a ser utilizadas
de forma vigorosa e recorrente desde a década de 70. De acordo com Santos e Kobashi (2009)
a análise estatística da informação bibliográfica e a elaboração de modelos de mensuração da
informação não são esforços recentes, mas práticas consolidadas na Biblioteconomia e

363 Não é objetivo do presente trabalho, aprofundar e discutir as definições das entidades, atributos e
relacionamentos. Para maior compreensão consultar o documento: IFLA Study Group on the Functional
Requirements for Bibliographic Records. Functional requirements for bibliographic records: final report.
Munich: Saur, 1998. (IFLA UBCIM publications new series; vol.
19). Disponível em:
&lt;www.ifla.org/V n/s13/frbr&gt; Acesso em: 10 fev. 2014.

3203

�Ciência da Informação. Embora as primeiras iniciativas tenham surgido no século XIX, é em
meados do século XX que os estudos métricos da informação ganham força e legitimidade.
A bibliometria surgiu como “sintoma de necessidade do estudo e da avaliação das
atividades de produção e comunicação científica” (ARAÚJO, 2006, p. 12). Nesse sentido, as
técnicas bibliométricas têm como objetos de análise a produção, a circulação e o consumo da
produção científica, sendo compostas por estudos descritivos, compilações de dados e
estatísticas. Assim, quanto mais solidificada estiver uma ciência, maior probabilidade dos
autores produzirem múltiplos artigos em um dado período de tempo (GUEDES;
BORSCHIVER, 2005, p. 5).
Encontra-se nos estudos bibliométricos a análise de citações de documentos,
compreendendo que o conjunto de referências (citações) utilizadas na elaboração de um
documento evidencia “elos entre indivíduos, instituições e áreas de pesquisa” (RODRIGUES,
1982, p. 36). A partir dos dados bibliográficos pode-se descobrir, por exemplo: autores mais
citados, mais produtivos, impacto de autores, procedência geográfica e/ou institucional dos
autores mais influentes em determinado campo de pesquisa, tipo de documento mais
utilizado, idade média da literatura e obsolescência da literatura, dentre outros (ARAÚJO,
2006). Logo, a “análise de citações é considerada a mais relevante devido à contribuição que
pode prestar ao identificar e descrever os padrões na produção do conhecimento científico”
(ARAÚJO, 2006, p.18).
Neste sentido, as citações podem dar autoridade e credibilidade para os fatos citados
no texto; fornecer ao leitor referências importantes sobre o campo de estudo em questão e a
contribuição de autores predecessores para o trabalho atual. Em síntese, a análise de citações
de um trabalho contribui para avaliar a informação coletada pelo tipo de literatura utilizada,
direciona o leitor para outras fontes de informação sobre o assunto, e ainda favorece o
reconhecimento de um autor em particular, entre os pares.
Na próxima seção serão apresentados os procedimentos metodológicos que nortearam
o desenvolvimento do trabalho.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa e de natureza descritiva em que
houve manipulação de documentos cuja análise de seus dados é apresentada no resultado da
pesquisa (MICHEL, 2009). Para tanto, realizou-se a análise documental dos trabalhos
apresentados nos SNBUs. O recorte cronológico compreendeu as publicações que abordam
questões referentes ao modelo conceitual FRBR no período entre 2006 e 2012. Tal escolha

3204

�justifica-se pelo fato da temática ganhar visibilidade nas discussões, no âmbito cientifico e
profissional brasileiro a partir de 2005, segundo levantamentos e leituras anteriores.
Para a coleta dos dados foram utilizadas as plataformas disponíveis na web e/ou CDROMs dos anais, conforme a disponibilidade.
Para seleção dos trabalhos, foram utilizados os descritores: Requisitos Funcionais para
Registros Bibliográficos, FRBR, Functional Requirements for Bibliographic Description,
Modelo Conceitual, identificados nos campos títulos, resumos e palavras-chave dos artigos.
Na compilação dos resultados foram criadas três categorias quanto à:
1. Produtividade sobre a temática: quantitativo dos trabalhos referentes à temática FRBR
nas quatro edições do SNBU;
2. Conteúdo: foram realizadas leituras e fichamentos na intenção de identificar
brevemente o conteúdo dos artigos recuperados;
3. Referências utilizadas na elaboração dos trabalhos selecionados: análise de citações,
segundo as subcategorias:
a) Número de referências utilizadas na elaboração dos trabalhos selecionados;
b) Idioma das referências - classificadas em português, inglês, espanhol e
francês;
c) Tipologia dos documentos citados - classificados em artigo de periódico,
livro, artigo em anais de congresso, artigo de divulgação na mídia364,
manual/código, monografia (tese, dissertação e trabalho de conclusão de
curso), relatório, cartilha e material didático.
d) Temporalidade dos documentos - de acordo com o ano de publicação;
e) Autores mais citados e suas respectivas obras.
5 RESULTADOS
A seguir são apresentados os resultados das análises conforme sequência proposta nos
procedimentos metodológicos da seção anterior.

5.1 Quanto à produtividade sobre a temática
Identificou-se 1.129 trabalhos apresentados, no período de 2006 a 2012, incluindo
trabalhos orais e pôsteres.
Na primeira edição analisada, do ano de 2006, foram apresentados 339 trabalhos, no
entanto, nenhum artigo enquadrou-se nos critérios da pesquisa.

364 São textos analíticos para a imprensa que transmitem a opinião do autor sobre determinado tema (ARAÚJO;
MIRANDA, 2009, p. 3).

3205

�No SNBU de 2008 verificou-se o total 231 trabalhos. Desses, quatro artigos foram
selecionados. Entretanto, foram realizadas descrições de três, pois na utilização do descritor
‘modelo conceituai’, foi encontrado o título “Modelo conceituai de mapoteca digital aplicado
à saúde pública” dos autores Silva e Ribeiro365. Após leitura do artigo percebeu-se que tal
estudo não possuía aderência com a proposta da pesquisa.
No evento de 2010 foram encontrados 269 trabalhos, todavia nenhum artigo foi
identificado com os descritores definidos para a pesquisa. Semelhantemente, no último evento
pesquisado, ocorrido em 2012, foram 290 trabalhos no total e nenhum atendeu os critérios da
pesquisa.

5.2 Quanto ao conteúdo
Tendo em vista que nos de 2006, 2010 e 2012 não foram encontrados trabalhos que
atendessem aos critérios da pesquisa, a presente sessão apresentará brevemente o conteúdo
dos três artigos identificados no ano de 2008.
Pacheco e Alvarenga (2008) estudaram o ponto de acesso título uniforme de registros
bibliográficos, em seus aspectos teóricos e empíricos, abordando seu conceito, funções,
formação e o uso na recuperação de documentos em sistemas de informação. Enfatizaram a
construção de títulos uniformes para documentos musicais, considerando os níveis de
manifestação e expressão de acordo com o modelo conceitual FRBR. Concluíram em linhas
gerais: a) o título uniforme é sempre aquele que foi atribuído pelo autor/compositor, na língua
original, ainda que a obra seja conhecida por outros títulos ou pelo mesmo título, mas em
outra língua; b) o título uniforme é sempre o da obra, mesmo se tratando de uma tradução, ou
em obras musicais, transcrição, arranjo ou redução. Assim, o mesmo título uniforme é o
cabeçalho que agrupa todas as expressões de uma mesma obra. Salientaram ainda, que o título
uniforme não descreve ou explica qualquer aspecto de uma obra, mas apenas e somente a
identificam de forma unívoca.
Knorich et al (2008) apresentaram um estudo investigativo dos aspectos teórico e
prático sobre o modelo FRBR. O método contemplou a pesquisa documental e o
levantamento de experiências. Consideraram a hipótese de que o modelo FRBR venha a ser a
nova filosofia no campo da representação descritiva. Assim, o estudo objetivou fornecer ao
Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo

365 SILVA, L. O. M.; RIBEIRO, A. M. Modelo conceitual de mapoteca digital aplicado à saúde pública. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 15., São Paulo, 2008. Anais... São Paulo:
CRUESP, 2008. SNBU. Disponível em: &lt; http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/&gt;. Acesso em: 2 maio 2014

3206

�(SIBi USP) um estudo preliminar. Além disso, tentaram colaborar para que o modelo seja
mais conhecido entre os bibliotecários deste departamento, o que vem ao encontro da filosofia
do Sistema sobre a inovação e atualização permanente da equipe de profissionais atuantes. Os
resultados indicaram que a literatura em português ainda é incipiente, sendo a compreensão
do tema dependente da literatura inglesa. Como vantagens da implementação prática do
modelo FRBR, ressaltaram a forma de exibição das informações ao usuário e a facilidade na
catalogação dos registros. Concluíram, na época, que não havia relato da prática, visto que
não encontraram efetiva aplicação no Brasil e, como consequência, não identificaram
pesquisas relatando a satisfação do usuário com relação ao modelo. Por último, colocaram
que em nível internacional os estudos também estão em andamento.
Macambyra e Estorniolo Filho (2008) focalizaram no estudo de questões específicas
ao tratamento da informação no âmbito das coleções de imagens fotográficas da área de artes.
Apontaram

que

coleções

de

grandes bibliotecas universitárias

permanecem

sem

processamento ou tratadas de forma inadequada e, que as técnicas desenvolvidas para
tratamento de textos não têm bons resultados quando aplicadas a imagens, o que leva as
instituições a criarem normas locais. Citaram os FRBR e o conjunto de normas Cataloging
Cultural Objects (CCO)366 como propostas que tentam resolver os principais problemas do
tratamento de imagens fotográficas. Sintetizaram ao final que existe um campo de reflexão a
ser explorado, do qual poderá surgir uma alternativa ao antigo problema de adequar sistemas
locais muito especializados a um ambiente de padrões rígidos que raramente compreende as
necessidades do pesquisador em arte.
Os estudos analisados anteriormente podem ser visualizados a seguir no quadro 1
segundo ano, autores e síntese do conteúdo da publicação.
Quadro 1: Síntese dos trabalhos apresentados no SNBU sobre a temática modelo
conceituai FRBR
SÍNTESE
ANO AUTORES
Enfatizaram a construção de títulos uniformes para documentos
e
2008 PACHECO
musicais, considerando os níveis de manifestação e expressão de
ALVARENGA
acordo com o modelo conceituai FRBR.
Apresentaram um estudo investigativo dos aspectos teórico e
2008 KNORICH et al
prático sobre o modelo conceituai FRBR para a atualização da
equipe dos profissionais do SIBi USP.
MACAMBYRA e Propuseram os FRBR como uma das propostas que tentam resolver
2008 ESTORNIOLO
os principais problemas do tratamento da informação no âmbito das
FILHO
coleções de imagens fotográficas da área de artes.
Fonte: EElaborado pelos autores (2014).
366 No site da Visual Resources Association há um resumo das normas e outras informações sobre o CCO.
Disponível em: &lt;http://www.vraweb.org/ccoweb/&gt;.

3207

�Diante do exposto, constatou-se que a temática do FRBR concentrou-se na edição do
SNBU de 2008 com apenas três trabalhos, correspondendo a 1,29% do total de 231 trabalhos
apresentados no ano de 2008, e, 0,26% do total 1.129 trabalhos no período analisado (2006­
2012).
A título de conhecimento, apesar de não apresentar os descritores nos campos títulos,
resumos e palavras-chave, pode ser mencionado o artigo de Lehmkuhl et al (2012) na última
edição do SNBU que apresentou uma análise dos testes realizados pela Library o f Congress
utilizando a norma Resource Description and Access (RDA) no Format for Bibliografic Data
(MARC 21) a fim de comparar tais registros com registros existentes elaborados de acordo
com as normas do Código de Catalogação Anglo-Americano, 2a edição (AACR2).
Concluíram que serão necessárias diversas alterações e mesmo uma mudança de mentalidade
dos profissionais da informação para que os conceitos dos FRBR e FRAD367 sejam adotados
em sua total dimensão, na aplicação da RDA.

5.3. Quanto às referências utilizadas na elaboração dos trabalhos selecionados: análise de
citações
Os resultados encontrados a partir da tabulação dos dados que compõem as referências
utilizadas na elaboração dos trabalhos analisados são apresentados segundo as subcategorias:
a) Número de referências utilizadas: 47 total.
b) Idioma das referências: conforme demonstra a tabela 1, verifica-se em primeiro lugar a
influência da literatura no idioma inglês (61,7%), em seguida o português (36,2%) e
apenas uma ocorrência no idioma francês (2,1%). Tal fato atesta o domínio dos
autores em um idioma diferente do que foi gerada a publicação.
Tabela 1- Número de artigos e porcentagem por idioma
IDIOMA
PORTUGUÊS
INGLÊS
FRANCÊS
TOTAL

QUANTIDADE
18
28
1
47

%
38,30
59,57
2,13
100,00

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

c) Tipologia dos ocumentos citados: a tabela 2 apresenta a relação das diferentes
tipologias documentais citadas nas comunicações. Do total de 47 citações, 38,30% são

Functional
Requirements
for
Authority
Data.
Disponível
&lt;http://www.ifla.org/files/assets/cataloguing/frad /frad_2009-es.pdf&gt;. Acesso em: 4 maio 2014.

em:

3208

�de ‘Artigos de Periódico’, obtendo maior representatividade, em seguida ‘Livro’ com
21,28%. O percentual de citações ‘Artigo em Anais de Congresso’, ‘Artigo de
divulgação na mídia’, ‘Manual/código’, ‘Monografia’ (tese, dissertação, trabalho de
conclusão de curso) e ‘Relatório’, apresentam equilíbrio de citações com 6,38% cada.
Por último, ‘Cartilha’ e ‘Material didático’, correspondem a 4,26% do total das
citações. Fazendo uma correlação entre idioma e tipologia observou-se que 67,85%
do somatório quantitativo ‘Artigo de Periódico’ e ‘Livro’, de maior representatividade
no quadro 2, estão no idioma inglês.

Tabela 2- Tipologia dos documentos citados
TIPOLOGIA
Artigo de Periódico
Livro
Artigo em Anais de Congresso
Artigo de divulgação na mídia
Manual/código
Monografia (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso)
Relatório
Cartilha
Material didático
TOTAL
Fonte: Elaborado pelos autores (2014).

QUANTIDADE
18
10
3
3
3
3
3
2
2
47

%
38,30
21,28
6,38
6,38
6,38
6,38
6,38
4,26
4,26
100

d) Temporalidde dos documentos: a análise foi realizada tendo como referência o SNBU
do ano de 2008. De acordo com os intervalos (6 em 6 anos) apresentados na tabela 3,
nota-se maior concentração entre os anos 1999-2004 (34,04%) e acima de 2004
(36,17%), somando 70,21% correspondente ao total de referências. Percebe-se a
utilização de uma bibliografia de certo modo recente e atualizada na elaboração dos
artigos apresentados na referida edição.
Tabela 3- Temporalidade dos documentos citados
Ano de publicação

Quantidade

%

A cim a 2004

17

36,17

1999-2004

16

34,04

1993-1998

8

17,02

1988-1993

5

10,64

Sem data368

1

2,13

47
100
Total
Fonte: Elaborado pelos autores (2014).
368

Não foi identificada na referência a data de publicação da mesma.

3209

�e) Autores mais citados e suas respectivas obras: foi utilizada a autoria absoluta (não
considerando a posição dos coautores), identificando um total de 68 autores citados
(incluindo autores corporativos- entidades e instituições). Destes, apenas quatro
autores receberam mais de uma citação. O mais citado foi SMIRAGLIA, R. P. que
obteve quatro citações (5,88%) cuja literatura se refere à obras musicais; seguido da
International Federation o f Library Associations And Institutions (IFLA) e
MORENO, F. P. com três citações cada (4,41%), por último, MARDERO
ARELLANO, M (2,94%) que juntos abordaram especificamente o modelo conceitual
FRBR. No que se refere às obras, a mais citada, com três citações, corresponde ao
título

“Functional

Requirements

for

Bibliographic

Records:

final

report”,

posteriormente, a obra “Requisitos funcionais para registros bibliográficos-FRBR:
uma apresentação” com duas citações. O quadro 2 demonstra que na presente análise,
não houve concentração significativa no âmbito de um autor e/ou obra.

Quadro 2: Produtividade de autores e obras mais citadas
N°
CITAÇÕES/ TÍTULOS CITADOS
AUTOR
1. Works as entities for information retrieval.
2. Describing music materials: a manual for descriptive
cataloging of printed and recorded music, music videos and
archival music collections: for use with AACR2 and APPM.
SMIRAGLIA, R. P. 4
3. Shelflisting music guidelines for use with the Library of
Congress classification.
4. Uniform titles for music: an exercise in collocating works.

AUTORES

IFLA

3

MORENO, F. P.

3

MÁRDERO
ARELLANO, M.

2

1. Functional requirements for bibliographic records: final
report.
1. Requisitos funcionais para registros bibliográficos-FRBR:
uma apresentação.
2. Requisitos funcionais para registros bibliográficos FRBR:
um estudo no catálogo da Rede Bibliodata.
1. Requisitos funcionais para registros bibliográficos-FRBR:
uma apresentação.

Fonte: Elaborado pe os autores (2014).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ressalta-se que houve grande dificuldade na coleta de dados a partir dos anais do
evento, pois alguns não foram encontrados nos sites das instituições organizadoras. Foram
presenciadas duas situações: o XIV SNBU ocorrido em 2006 em Salvador não se encontra

3210

�disponível online; e o XVI SNBU, realizado em 2010 no Rio de Janeiro, não está disponível
no próprio site do evento, sendo encontrado em outro site369 Tendo em vista o exposto,
recomenda-se a criação de uma base de dados que inclua toda a produção técnico-científica
dos eventos anteriores, facilitando o acesso e recuperação de informações, constituindo assim
a própria memória do evento.
Afirma-se que os objetivos incialmente propostos foram atingidos. Mostraram-se
evidentes as contribuições dos estudos bibliométricos aliados às análises do conteúdo das
comunicações, possibilitando o delineamento do real panorama do tema FRBR no âmbito das
discussões das edições do SNBU. E ainda, contribuíram para entender melhor a amplitude e a
natureza das atividades de pesquisa em relação à referida temática.
Salienta-se que esta pesquisa constitui uma investigação exploratória inicial, sem uma
avaliação mais detalhada. Não obstante, espera-se contribuir para que seja estimulada a
discussão da temática FRBR no âmbito das bibliotecas universitárias, considerando que o
SNBU é um local propício para tal realização, uma vez que este evento congrega pessoas com
interesses comuns, estimulam a troca e compartilhamento do conhecimento, e a criação de
novas parcerias ou grupos.
É oportuno destacar iniciativas da inserção da temática FRBR no evento. Em 2006,
aconteceu o minicurso intitulado ‘FRBR Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos’
(carga horária 6 horas) ministrado por Fernanda Passini Moreno; após 6 anos, na edição de
2012, também houve um curso (carga horária 4 horas) ministrado por Eliane Serrão Alves
Mey intitulado ‘Bases atuais da catalogação com FRBR e RDA’. Atesta-se que a temática foi
debatida no evento, porém não se refletiu significativamente na elaboração de trabalhos.
Há indícios não averiguados que os trabalhos referentes ao FRBR tenham sido
direcionados para outros eventos comuns da área de Biblioteconomia. Nesse entendimento,
enseja-se a continuidade de estudos sobre o viés ora apresentado, no âmbito de outros
eventos, tanto científicos quanto profissionais, por exemplo, Encontro Nacional de
Catalogadores (ENACAT), Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e
Ciência da Informação (CBBD) dentre outros, pois contribuem para reforço teórico ou prático
da catalogação.

369 Endereço eletrônico onde foi encontrado os anais do SNBU do ano de 2010. Disponível em:
&lt;http://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0070/trabalhos_pesquisa.asp7pagM&gt;.

3211

�REFERÊNCIAS
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3213

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Solano, Viviane de Oliveira, Tolentino, Vinicius de Souza</text>
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                <text>Os eventos científicos são considerados ambientes propícios de divulgação de estudos e práticas que são desenvolvidas por uma área do conhecimento. O modelo conceitual FRBR apresenta-se como um novo entendimento do processo de representação dos documentos, implicando mudanças na atuação do bibliotecário frente às novas demandas e debates que emanam da prática catalográfica. Diante dessa evidência, buscou-se mapear a produção dos artigos referentes ao modelo conceitual FRBR, apresentados no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), período de 2006 a 2012. As análises foram realizadas com as seguintes categorias: produtividade sobre a temática, conteúdo e referências utilizadas. Foram encontrados apenas três artigos dentre os 1.129 trabalhos orais e pôsteres analisados. Ressalta-se que a temática modelo conceitual FRBR tem sido pouco utilizada nos eventos do SNBU.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MEMÓRIA INSTITUCIONAL: RECUPERAÇÃO DO ACERVO DE MÚSICA NO
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA
PARAÍBA (IFPB), CAMPUS JOÃO PESSOA.
Beatriz Alves Sousa

RESUMO
Apresenta resultado de uma pesquisa que teve como objetivo recuperar a memória musical do
IFPB. Foi feito um levantamento da documentação, sobre atividades relacionadas à música
(Banda Marcial, Banda Sinfônica, Orquestra de Câmara, Corais, entre outros), que se
encontrava nos setores: Biblioteca Nilo Peçanha e no Núcleo de Artes, Cultura e Eventos. Foi
feito a descrição da condição física dos suportes de registro, bem como o arranjo e a
organização dessa documentação. Com essa iniciativa esperamos aproximar a comunidade
ifetiana da sua história, a fim de sensibilizá-la a recuperar, organizar e preservar a memória
institucional como fonte de conhecimento.
Palavras-chave: Memória institucional. Música na escola. Organização documental.

ABSTRACT
This research presents results which aimed to rescue the IFPB musical memory. It had an
exploratory character with quantitative and qualitative approach. A survey in the documents
of both the Nilo Peçanha Library - BNP and the Nucleus of Arts, Culture and Events - NACE,
about the activities related to music ( Martial Band, Symphonic Band, Chamber Orchestra,
choirs), was accomplished. The physical condition of the places where the register was kept
as well as the organization of such documents were described. Such initiative intends to
disseminate information in order to draw near the IFPB community of its history aiming to
make it sensitive to rescue, organize and preserve the institutional memory as knowledge
source.
Keywords: Institutional Memory. Music in School. Organization Documents.

1 INTRODUÇÃO
Ao percorrer os mais de 100 anos de história do atual Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), evidencia-se uma Instituição pioneira, no campo da
ciência e da tecnologia, que muito tem contribuído para o desenvolvimento do Estado e da
Região. Trata-se de uma Instituição que desenha seu perfil em sintonia com as diferentes

2942

�demandas da sociedade, sempre à frente das constantes transformações tecnológicas e das
relações econômicas e sociais do mundo atual; fato esse referenciado na sua missão:
Formar profissionais competentes, polivalentes e capacitados para o exercício
pleno da cidadania, em sintonia com o mundo do trabalho, atuando como um
centro de referência em ensino, pesquisa e extensão na área tecnológica
(CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLOGICA DA PARAÍBA,
2005, online).

Como uma das mais completas instituições educacionais do país, o IFPB oferece uma
variedade de cursos, incluindo opções que vão da formação básica à pós-graduação. Além
dessa formação focada para o trabalho dentro do contexto de educação profissional, tem se
preocupado também com a formação integral dos seus educandos, investindo na promoção
artístico-cultural, quer como parte do currículo, quer como atividades extras, desenvolvendo
as potencialidades artísticas do seu alunado. Na verdade, sua atuação se confunde com a
própria história do desenvolvimento do país, contudo, suas memórias se encontram
esquecidas, negligenciadas e pouco valorizadas pelos seus gestores.
A história documentada do IFPB, produzida ao longo de sua história da literatura
branca à literatura cinzenta, passa por laudos técnicos, projetos, relatórios, editais, programas,
pareceres técnicos, dentre outros, ademais do que tem sido publicado pela imprensa local,
oficial e pela mídia eletrônica, com muita expressividade. Mesmo assim, essa documentação
se encontra dispersa em setores diversos da Instituição e fora dela.
Como toda organização, o IFPB foi se estruturando e constituindo seus núcleos e suas
áreas de conhecimentos que, no decorrer dos tempos, foram se modificando, se ampliando,
mudando de nomenclatura, mas, sem dúvidas, fica um registro, uma história, que no nosso
entendimento precisa ser organizada, preservada e disseminada. Pensando nisso realizamos
essa pesquisa com objetivo de recuperar a memória musical do IFPB através de um
levantamento de informação nos setores Biblioteca Nilo Peçanha (BNP) e no Núcleo de
Artes, Cultura e Eventos (NACE). Foram levantadas informações sobre experiências, práticas,
atividades e produção relacionadas à música, quer como disciplina autônoma, quer como
atividades artísticas e culturais desenvolvidas na Instituição.
A pesquisa foi de caráter exploratório, utilizando-se como objeto de investigação a
documentação impressa relacionada à temática música no IFPB. Segundo Santos (2000, p.
163), “A pesquisa exploratória se caracteriza pela existência de poucos dados registrados
sobre o assunto”. Seu objetivo é levantar informações, aperfeiçoar ideias, aprofundar o

2943

�assunto, procurar ter uma nova compreensão do objeto estudado e identificar alternativas de
ação.
A pesquisa foi executada em duas etapas: na primeira, foi realizado o levantamento de
informações dos documentos registrados na BNP, identificando os registros cujo conteúdo
abordasse a música ou assuntos correlates. Foram referenciados todos os documentos
encontrados, identificando tipologia, condição física, o arranjo e a organização dessa
documentação. Na segunda etapa, foi trabalhado o acervo documental pertencente ao NACE,
nesse caso devido o descaso que se encontrava essa documentação. O primeiro passo foi
higienizar por unidade de documento já fazendo uma seleção por assunto. Após ter os
documentos referentes às atividades musicais separados (nosso objeto de estudo),
prosseguimos com o processamento técnico dessa coleção, descrevendo os eventos e as
condições físicas, o arranjo e a sua organização.
A contribuição desta pesquisa se justifica pela carência de estudos sistemáticos
enfocando essa temática, no âmbito da instituição em questão. Assim sendo, nosso proposito
foi não apenas conhecer a história para preservá-la, mas, principalmente, disseminar essas
experiências, ampliar o conhecimento sobre a Educação Musical e incentivar a sensibilidade
artística na Instituição como formação profissional.
Pretendeu-se, ainda, promover uma reflexão da comunidade do IFPB; no sentido de
estimular a produção de estudos acerca das experiências históricas e educacionais da música e
de todas as experiências desenvolvidas por essa Instituição, durante o percurso dos seus anos
de existência. Na tentativa de aproximar a produção acadêmica das atividades realizadas na
Instituição; produzir e disseminar informações para auxiliar a comunidade escolar e
pesquisadora a reconhecer a história e a memória institucional, sensibilizá-la para organizar,
preservar e manter a documentação produzida na Instituição.

2 MEMORIA E CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

“A memória recupera o vivido” (ZUMTHOR, 1997, p. 15). É a ela que a sociedade, ou
mesmo o indivíduo, recorre para manter o passado próximo ao presente pelo ato de relembrar
e, assim, ter a base para construir o futuro. “Recuperar percursos transpõe tempo e espaço e se
integra às tradições, o que cria um elo entre duas categorias distintas: experiência e
expectativa” (CALVACANTE, 2004, p. 2).
Para Halbwachs (1990), a memória é o sinônimo de "lembrança viva", mas no
momento que ela é transformada em escritura, passa a fazer parte da história. Le Goff (1996,

2944

�p. 37) enfatiza a importância da organização dos registros da memória quando diz que “[...] os
fenômenos da memória são resultados de sistemas dinâmicos de organização e somente
existem na medida em que a organização os mantém ou os reconstitui”.
Nesse contexto, pode-se afirmar que a memória preservada de forma organizada faz
parte de uma história e poderá servir como experiência válida ou informação importante para
decisões futuras. Consequentemente, destaca-se a importância de se recuperar a história
através de testemunhos, experiências e registros documentais para compor a base do
conhecimento, criar condições para uma avaliação do passado, captar experiências,
compreender o presente e ajudar a construir o futuro.
Quando se pretende construir a Memória Institucional, o conceito parece mais
complexo em razão da sua amplitude. Porém, Fortes (2008, p. 11) entende que a Memória
Institucional é constituída “[...] da recuperação da massa documental produzida em diferentes
momentos e suportes representativos da trajetória da instituição em seus diversos segmentos.”
Bellotto (2004, p. 274) assevera que a memória institucional integra “[...] os fatos e as
reflexões que podem envolver um ato administrativo ou a vida e atuação de um órgão público,
assim como as manifestações a respeito transcendem a própria natureza.” O presente estudo
se insere nesse contexto, na medida em que propõe o mapeamento dos registros impressos nos
mais diferentes suportes documentais, bem como nos relatos das personalidades que, através
das lembranças e das vivências, irão recontar a história da educação musical na Instituição.
Esta pesquisa pretende relacionar a micro-história (atividades musicais) à macrohistória da Instituição, tentando compreender como a escola, atual Instituto, construiu uma
cultura que lhe é genuinamente própria, e também contribuir para uma melhor atenção sobre
os aspectos da educação musical no ensino da Instituição.
Em um país como o Brasil, dito por muitos como “desmemoriado”, a história muito
pouco conta para situar as identidades e os parâmetros do presente (ABREU et al, 2008).
Consideramos pois, de grande valia a preocupação com a recuperação da Memória
Institucional, assim, esperamos que esta pesquisa seja um marco para outras dessa natureza.

3 A MÚSICA E SUA CONTRIBUIÇÃO NA ESCOLA
Como Gomes (2000), nós também acreditamos na escola que se transforma por
experiênciar alternativas de aprendizagem, incluindo diferentes saberes para oportunizar a
produção de novos conhecimentos. Assim, a inserção da música na escola tem se
caracterizado como um vetor de aprendizagem, haja vista que possibilita o contato com
diferentes tipos de textos, contextos e culturas diversificadas, o que ajuda na sensibilidade das

2945

�pessoas,

aumentando,

consequentemente,

a

sua

capacidade

de

concentração,

o

desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático e a memória, além de ser um forte
desencadeador de emoções (SIMÕES; SANTOS; GERLIN; 2000). Estimula, ainda, outras
áreas do saber, da criatividade, da sociabilidade. Portanto, “[...] os benefícios de uma boa
Iniciação Musical se estenderão para todas as áreas da aprendizagem" (SALLES; PRADO,
1999, p. 17).
O tempo da escola só se transforma em tempo pedagógico quando seu transcurso cria
um espaço e um clima organizativo propício às experiências de aprendizagem (ASSMANN,
1998). O estudo musical, no âmbito geral, viabiliza relevantes desenvolvimentos nos aspectos
de conteúdo, cognição e interação, favorecendo momentos prazerosos, além de ser uma das
alternativas de se trabalhar as insatisfações do aluno expressadas através da indisciplina.
Portanto, é uma atividade cada vez mais presente no cotidiano escolar para a construção dos
valores, das normas, do prazer, de valorização dos interesses e das experiências dos jovens,
proporcionando novas formas de ensinar e aprender.
A prática educativa, associada à aprendizagem da linguagem musical, possibilita não
apenas a compreensão do código musical e da percepção melódica, mas também permite ao
estudante melhoria na comunicação oral e na linguagem. Em termos gerais, promove melhora
nas funções intelectuais cerebrais, na organização do pensamento, na retenção das imagens,
nas experiências, na concentração, no aumento da autoestima e, consequentemente, na
socialização, no respeito por si mesmo e pelo grupo, já que parte do princípio de união entre
os opostos: o som e o silêncio.
A música no IFPB aconteceu de forma extradisciplinar. Porém, no decorrer dos anos,
ela se inseriu no enfoque pedagógico da educação artística da Instituição e, somente em final
de 2008, foi criado um curso técnico em instrumento musical para atender o dispositivo da
Lei n.° 11.769, de 18 de agosto de 2008. Esta dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de
música na educação básica e vem ocorrendo de forma gradativa, na grade curricular do IFPB,
sendo implantada no contexto educacional dos primeiros anos do ensino integrado, na
expectativa de que, até 2011, a disciplina faça parte do currículo normal regular da Instituição
(BRASIL, 2008).

4 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
A pesquisa foi realizada no período julho de 2009 a julho de 2010. Logo no início nos
deparamos com a primeira necessidade de alteração na logística do nosso projeto, pois ele
tinha como objetivo identificar e referenciar a documentação sobre atividade musical que se

2946

�encontrava nos setores de documentação da Instituição, ou seja, biblioteca, arquivo,
audiovisual. Porém, deu-se por conta de uma documentação valiosa posta no NACE, em total
estado de abandono. Tendo em vista a importância desse acervo para a memória institucional,
decidiu-se trabalhar essa documentação como meio de preservá-la.

4.1 Resultados da pesquisa
4.1.1 Primeira etapa: documentação da Biblioteca
Foram pesquisados 184 documentos referentes ao IFPB, dos quais 40 constavam
informações sobre atividades de música na instituição. Esses documentos foram referenciados
e classificados nas seguintes tipologias:
•
•
•
•
•
•
•
•

Livro: 7
Agenda: 1
Jornal informativo interno: 19
Jornal externo: 3
Relatórios: 6
Propostas pedagógicas: 2
Folders: 1
Monografia: 1
Trata-se de documentos impressos na língua portuguesa e estão em perfeito estado

de conservação. Na sua maioria, encontram-se organizados em caixas bibliográficas na seção
de Coleção Especial da Biblioteca Nilo Peçanha. Seu acondicionamento pode ser considerado
adequado, porém eles não estão disponíveis para o uso em razão da falta de divulgação.

4.1.2 Segunda etapa: documentação do NACE
Foram pesquisados 2.546 documentos do acervo textual do NACE, com a finalidade de
separar a documentação que tratasse da temática música. Foram selecionados e identificados
1.491 documentos, classificados nas seguintes tipologias:
•
•
•
•
•

Livros - 33
Reportagens, notícias e notas publicadas em jornais - 46
Partituras -1055
Letras para coral - 314
Exercícios rítmicos, melódicos e escritos - 43
Esses documentos foram higienizados, classificados e acondicionados em caixas

bibliográficas.

2947

�1 Diagnóstico (como se encontravam acondicionados os documentos)

2 Prognóstico (como os documentos ficara orgnizados.)

2948

�5 CONCLUSÕES
A partir desses resultados, enenemos a importância de um trabalho de recuperação e
preservação da memória institucional e que este deveria ser parte das atividades
desenvolvidas por qualquer instituição na sua globalidade. Sabemos que a produção
documental é produzida para atender a um determinado objetivo. No entanto, é impossível
prever quanto tempo vai perdurar a sua utilidade. Por isso, se faz necessário ser guardada e
preservada visto que um lugar de memória é um lugar de pesquisa em perspectiva histórica.
O acervo identificado, processado sistematicamente, constitui vasto referencial teórico
para pesquisadores, visto que a área de música passou por grandes transformações
tecnológicas e parte de suas produções impressas ficou, por um bom tempo, relegada a um
segundo plano. É sabido que poucas instituições se preocuparam em preservar essa literatura.
Dessa forma, entendemos que esse material, enquanto patrimônio cultural, desempenha papel
de extrema relevância não só para os alunos do IFPB, mas para alunos e pesquisadores de
outras instituições.
Nesse sentido, cabe ao IFPB salvaguardar esse acervo, buscando medidas que incluam
tanto a preservação e a integridade física dessa documentação, quanto a criação de
alternativas para seu uso como forma de disseminar e democratizar as informações,
objetivando formar novos conhecimentos.

2949

�REFERÊNCIAS
ABREU, Sônia Maria Ribeiro de et al. A Seção Memória da Biblioteca Central Reitor
Macedo Costa e seu papel na preservação da produção técnico-científica e cultural da UFBA.
In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16., 2008, São
Paulo. Anais... São Paulo: Associação dos Bibliotecários de São Paulo, 2008. 1 pen drive.
ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis:
Vozes, 1998. 251 p.
BELLOTTO, Heloísa L. Reflexões sobre o conceito de memória no campo da documentação
administrativa. In: BELLOTTO, Heloísa L. Arquivos permanentes: tratamento documental.
2. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: FGV, 2004. p. 271-278.
BRASIL. Lei n° 11.769 18 de agosto de 2008. Altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB) - 9.394/96 -, e dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica.
Diário

Oficial

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União.

Brasília,

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Disponível

em:

&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato 2007-2010/2008/Lei/L11769.htm&gt;. Acesso em:
08 maio 2009.
CAVALCANTE, Lidia Eugenia. Memórias de leitores: centros populares de comunicação e
informação

na

construção

da

historicidade

In:

SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal: Associação dos
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FORTES, Janny Linhares. Memória UERJ: imagens em movimento. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16., 2008, São Paulo. Anais... São
Paulo: Associação dos Bibliotecários de São Paulo, 2008. 1 pen drive.
GOMES, Maria Regina Lopes. Intervenção no espaço tempo/ escolar:práticas realizadas no
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HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Rio de Janeiro: Vértice, 1990.
LE GOFF, Jacques. Memória In: História e Memória. 4. ed. Campinas, SP: UNICAMP,
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SALLES, Juliana da M.; PRADO, Ricardo. Música, maestros! Nova Escola, v. 14, n. 122, p.
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SANTOS, Izequias Estevam dos. Textos selecionados de métodos e técnicas de pesquisa
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2950

�SIMÕES, Edlene; SANTOS, Marcelo Nair dos; GERLIN, Meri Nadia Marques. A música
favorecendo encontros. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO, 19., 2000, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: Associação dos
Bibliotecários do Rio Grande do Sul, 2000. 1 CD-ROM.
ZUMTHOR, Paul. Tradição e esquecimento. São Paulo: Hucitec, 1997.

2951

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Memória institucional: recuperação do acervo de música no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Campus João Pessoa</text>
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                <text>Apresenta resultado de uma pesquisa que teve como objetivo recuperar a memória musical do IFPB. Foi feito um levantamento da documentação, sobre atividades relacionadas à música (Banda Marcial, Banda Sinfônica, Orquestra de Câmara, Corais, entre outros), que se encontrava nos setores: Biblioteca Nilo Peçanha e no Núcleo de Artes, Cultura e Eventos. Foi feito a descrição da condição física dos suportes de registro, bem como o arranjo e a organização dessa documentação. Com essa iniciativa esperamos aproximar a comunidade ifetiana da sua história, a fim de sensibilizá-la a recuperar, organizar e preservar a memória institucional como fonte de conhecimento.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTRUTURAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS COM FOCO NA
NORMALIZAÇÃO DOCUMENTÁRIA: ANÁLISE DE AMBIGUIDADES NA NBR
14724/2011
Brisa Pozzi de Sousa
Naira Christofoletti Silveira

RESUMO
Analisa a Norma Brasileira de Estruturação de Trabalhos Acadêmicos, NBR 14724, com o
intuito de identificar ambiguidades e, assim, sugerir padronização. Por meio da análise
documental almeja contribuir com discussões a favor da atualização da norma em curto
espaço de tempo, pois seu emprego ocasiona o fortalecimento e a realimentação do campo
acadêmico, e no contexto do artigo esse caminho é traçado pela comunicação científica, que
possui como resultado a estruturação do produto denominado trabalho acadêmico. Para
dinamizar a estruturação e a divulgação da comunicação científica entre os pares, a
Associação Brasileira de Normas Técnicas elabora várias normas destinadas à padronização
documentária, entretanto, alguns pontos que deveriam ser coincidentes entre elas geram
ambiguidades na aplicação. Os resultados apontam várias divergências entre a NBR 14724 e
outros cinco documentos, do total de nove, que compõem a seção intitulada Referências
Normativas. É possível concluir que somente a atualização poderá diminuir as ambiguidades
facilitando assim, a padronização na estruturação dos trabalhos acadêmicos, e por
consequência, a comunicação científica entre os pares.
Palavras-Chave: Comunicação científica - Padronização. Normalização Documentária.
Estruturação de trabalhos acadêmicos. NBR 14724/2011.

ABSTRACT
Analyzes the Brazilian Standard for Structuring Academic Papers, NBR 14724, in order to
identify ambiguities and thus suggest standardization. Through documentary analysis aims to
contribute to discussions in favor of standard update in short time because his job causes
strengthening and feedback from the academic field, and in the context of the article that path
is traced by the scientific communication, which has as result of the structuring of the product
named academic work. To streamline the organization and dissemination of scientific
communication among peers, the Brazilian Association of Technical Standards elaborates
several documentary standards to standardization, however, some points that should be
matched between them generate ambiguities in the application. The results indicate several
differences between the NBR 14724 and five other documents, the total of nine that make up
the section entitled Normative References. You can only conclude that the update may
decrease the ambiguities thus facilitating standardization in the structuring of academic
papers, and consequently the scientific communication between peers.
Keywords: Science communication - Standardization. Documentary Standards. Structuring
academic papers. NBR 14724/2011.

291

�1 INTRODUÇÃO
A normalização documentária relaciona-se com a comunicação científica no meio
acadêmico, constituindo as Bibliotecas Universitárias ambientes favoráveis de pesquisa e
disseminação da informação. Nesse entendimento, a normalização assume sua importância e
lidera o papel de facilitadora e propulsora de transferência da informação registrada em
documentos, tais como, artigos, relatórios, monografias, teses e dissertações.
O emprego das normas documentárias ocasiona o fortalecimento e a realimentação da
comunicação acadêmica entre os pesquisadores, e no contexto deste artigo, o trabalho
acadêmico é um, dentro os vários produtos, que podem ser gerados. Sendo assim, a
padronização se torna fundamental para a recuperação da informação, pois resulta na precisão
e relevância das informações registradas. Se não houver padrão na estruturação, os
documentos serão elaborados de qualquer forma e por consequência, acarretará dificuldades
no acesso.
Em busca de estruturar, padronizar e dinamizar o acesso aos documentos resultantes
do contexto acadêmico/científico, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
estabelece várias normas destinadas à normalização documentária, e dentre elas encontra-se
uma específica para apresentação de trabalhos acadêmicos, a qual utilizaremos para análise:
Norma Brasileira (NBR) 14724 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
2011).
Considerando que a padronização pelo viés da normalização é um valioso instrumento
para indicar qualidade,

sua divulgação é comumente realizada pelas Bibliotecas

Universitárias, e assim faz-se necessário o uso e a aplicação das normas da ABNT no
ambiente acadêmico/científico brasileiro. O bibliotecário, especialmente o que atua no serviço
de referência e treinamento de usuário é um importante agente disseminador das normas
documentárias e pode exercer papel fundamental, tanto no ensino e na aplicação das diversas
NBRs, quanto na elaboração e até na revisão e atualização junto a ABNT.
Por essa necessidade e importância, quem se aporta corriqueiramente às normas já
deve ter deparado com partes que geram dúvidas, e até algumas que se contradizem. É comum
encontrar guias e livros com interpretações diferentes de normas idênticas, escritos tanto por
bibliotecários como por outros profissionais e docentes relacionados às temáticas de
metodologia de pesquisa e comunicação científica.
Em consequência das várias interpretações que a leitura e aplicação das normas podem
resultar, levantamos como problema a necessidade de analise e indicação das partes da NBR
14724/2011 que podem gerar dúvidas de interpretação e aplicação. Justifica-se essa

292

�investigação, pois as normas não são instrumentos estanques e necessitam em curto espaço de
tempo passar por atualizações.
O objetivo do trabalho é contribuir com a fundamentação da área de Normalização
Documentária, pois são nítidos os benefícios de empregabilidade das NBRs no campo
acadêmico/científico, e, também se almeja estreitar a importância assumida pela área no
cenário da comunicação científica.
Sendo assim, o trabalho segue estruturado em cinco seções. Além dessa primeira
introdutória, a segunda abarca o referencial teórico, a terceira enfoca a metodologia, na quarta
é realizada a análise da NBR 14724/2011, e na quinta e última seção delineiam-se as
considerações finais.

2 A NORMALIZAÇÃO DOCUMENTÁRIA NO CONTEXTO DA COMUNICAÇÃO
CIENTÍFICA
Os trabalhos acadêmicos, independente do nível de investigação, se monografia,
dissertação ou tese, constituem resultados de pesquisas que são embasadas em leituras,
observações, reflexões e críticas. Demanda muita atenção e tempo, tanto em relação à parte
escrita, quanto à estruturação, e como produto de pesquisa constituem importantes fontes de
informações, requerendo excelente grau de elaboração e normalização, para assim serem
amplamente divulgadas e analisadas pelos pares no meio acadêmico/científico.
Nesse entendimento e de acordo com Crespo e Rodrigues (2011, p. 37) “destaca-se
que as normas técnicas possuem ampla aplicação no meio acadêmico, entendido aqui como o
local propício para a pesquisa, assimilação e acomodação do conhecimento.” Na ABNT, o
Comitê Brasileiro de Informação e Documentação 14 (CB-14) é o responsável pela criação e
atualização das normas do escopo acadêmico/científico, e das “[...] práticas relativas a
bibliotecas, centro de documentação e informação, serviços de indexação, resumos, arquivos,
ciência da informação e publicação” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, [201?], on-line).
Sobre as discussões teóricas que concernem à normalização, Santos (1982) aborda
sobre seu espaço, estrutura, recuperação e informações contidas, expondo sua finalidade como
fonte de informação para países em desenvolvimento. Blattmann (1994) em pesquisa de
mestrado enfocou a análise e caracterização da recuperação e utilização de normas técnicas,
por usuários das áreas de engenharia elétrica, química e mecânica.
Rodrigues, Lima e Garcia (1998) apontam como os estudos nos vários campos do
conhecimento indicaram a qualidade formal, ou seja, a normalização, como fator

293

�determinante para aceitação ou rejeição de trabalho para publicação, fato que destaca o valor
das normas na comunicação científica. Em contrapartida, Anjos, Calixto e Martins (2012)
sinalizam o fato do bibliotecário de referência promover e atuar em programas de treinamento
que ensinem a normalização de trabalhos acadêmicos e científicos nas bibliotecas
universitárias. Por isso, acreditamos que:
A produção e divulgação da ciência se valem de padrões, normas que
definem a estrutura de apresentação das informações, garantindo a qualidade
formal dos documentos. Ressalta-se, ainda, que a normalização da produção
científica é essencial por dinamizar a divulgação do que é gerado pela
ciência. (CRESPO; RODRIGUES, 2011, p. 38).
Por conta da necessidade da padronização dos documentos oriundos do contexto
acadêmico/científico, a ABNT, por meio do CB14 estabelece 24 normas, sendo possível
recuperar os respectivos títulos no site da instituição20 utilizando o catálogo on-line. Nesse
universo, destacamos a NBR 14724 que está na terceira edição e se tornou válida em 17 de
março de 2011, vigorando sua aplicação a partir de 17 de abril de 2011 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011). A referida norma aborda especificamente a
apresentação de trabalhos acadêmicos e define três tipos, a saber:
trabalho de conclusão de curso de graduação, trabalho de graduação
interdisciplinar, trabalho de conclusão de curso de especialização e/ou
aperfeiçoamento
documento que apresenta o resultado de estudo, devendo expressar
conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente emanado
da disciplina, módulo, estudo independente, curso, programa, e outros
ministrados. Deve ser feito sob a coordenação de um orientador
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011, p. 4,
grifo do autor).
dissertação
documento que apresenta o resultado de um trabalho experimental ou
exposição de um estudo científico retrospectivo, de tema único e bem
delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar
informações. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o
assunto e a capacidade de sistematização do candidato. É feito sob a
coordenação de um orientador (doutor), visando a obtenção do título de
mestre (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011, p.
2, grifo do autor).
tese
documento que apresenta o resultado de um trabalho experimental ou
exposição de um estudo científico de tema único e bem delimitado. Deve ser
elaborado com base em investigação original, constituindo-se em real
contribuição para a especialidade em questão. É feito sob a coordenação de
um orientador (doutor) e visa a obtenção do título de doutor, ou similar
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011, p. 4,
grifo do autor).
20 Foram recuperas 24 normas em vigor, sob a responsabilidade do CB-14 da ABNT (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013) .

294

�A Normalização Documentária no Brasil se constitui em disciplina obrigatória, e às
vezes, optativa no bacharelado em Biblioteconomia. Todavia, para a grande maioria dos
cursos, sejam de graduação ou pós-graduação, entre as diversas áreas do conhecimento,
quando o ensino é realizado geralmente ocorre em concomitância com as disciplinas de
metodologia científica. Portanto, a Normalização Documentária faz parte do cenário de ensino
e investigação da área de Biblioteconomia, sendo também salutar seu estudo no contexto das
Bibliotecas Universitárias.
Nesse ambiente, o bibliotecário de referência pode e deve instruir a comunidade
acadêmica com programa de treinamento que ensine a normalizar trabalhos. Muitas vezes,
esses profissionais são convidados a proferir palestras sobre Normalização Documentária em
disciplinas regulares da graduação e pós-graduação, ou oferecem cursos específicos em
treinamento de usuário, atendendo assim, as solicitações da comunidade acadêmica.
Nesse direcionamento, Correa (et al., 2008) avalia o alcance das normas da ABNT
relacionadas a estudos de documentação no meio acadêmico e direciona a preocupação das
universidades com a padronização de documentos técnicos e científicos. A autora supracitada
constata a alta representatividade das normas no meio acadêmico e como elas podem
contribuir com a qualidade na produção científica brasileira. Portanto, constata-se que seu uso
é bastante positivo no atual mercado competitivo e globalizado.
Além disso, Santos e Sampaio (2014) chamam atenção de como ser possível combater
o plágio e respeitar a lei de direito autoral com o uso efetivo da normalização e também
expõem a opinião de alguns alunos sobre a normalização e respectivas dificuldades. O artigo
foi baseado na experiência do grupo Normalizadores que desenvolve atividade ligada
exclusivamente à normalização de trabalhos acadêmicos e a divulgação da importância da
padronização no ambiente acadêmico.
O levantamento da literatura nessa seção demostra a relevância de discutirmos a
Normalização Documentária e sua aplicação, e compreendendo esse mérito será realizada
análise da NBR 14724/2011.
Objetivando contribuir com a atualização da referida norma, segue na próxima seção o
procedimento metodológico utilizado, e em seguida é apresentado o levantamento das partes
da NBR 14724/2011 que causam dubiedade na interpretação e aplicação.3*

3 METODOLOGIA
Foi aplicada a técnica de pesquisa documental na análise da NBR 14724
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011), comparando-a com cinco

295

�documentos, do total de nove, que formam suas Referências Normativas 21, a saber: NBR 6023
(ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA DE

NORMAS

TÉCNICAS,

2002),

NBR

6024

(ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA DE

NORMAS

TÉCNICAS,

2012a), NBR

6027

(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2012b), Código de Catalogação
Anglo-Americano (CÓDIGO DE CATALOGAÇÃO ANGLO-AMERICANO, 2004) e
Normas de Apresentação Tabular do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 1993).
A escolha para análise dos cinco documentos decorre das ambiguidades constatadas
entre esses e a NBR 14724/2011. Para os outros quatro, que também compõem as Referências
Normativas, não foram constatadas ambiguidades, ou seja, os direcionamentos são
concomitantes no que tange tanto a NBR 14724/2011, quanto os quatro documentos, e por
isso não constituíram o universo da analise.
Portanto, a opção pela pesquisa documental decorreu do fato de proporcionar
compreensão por meio da análise do documento escolhido, exigindo capacidade reflexiva
sobre os resultados (MARCONI; LAKATOS, 2003). Pela análise documental foi realizada a
interpretação e a identificação das lacunas existentes na NBR 14724/2011, em relação aos
cinco documentos já citados que compõem a seção denominada Referências Normativas.

4 RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS
Vários tópicos abordados na NBR 14724/2011 remetem a diferentes tipos de dúvidas,
e assim optou-se em indicar sugestões que venham contribuir com a diminuição das
incertezas na sua interpretação e aplicação. Como o intuito é padronizar, a fim de manter a
qualidade estrutural, se houver possibilidades para diferentes interpretações não será possível
alcançar a qualidade no resultado.
Portanto, os direcionamentos que geram ambiguidades foram estruturados no quadro 1
da seguinte forma: parte analisada da NBR 14724/2011, situação encontrada, dúvidas que a
situação encontrada ocasiona e sugestões para atualização. Na coluna intitulada Dúvidas,
perguntas foram dispostas com recurso tipográfico em itálico, a fim de destacar as incertezas
geradas pela norma, e a coluna denominada Parte Analisada está estruturada em ordem
crescente das indicações das seções da referida NBR.21

21 Referências Normativas é o termo utilizado para designar os documentos relacionados e indispensáveis à
aplicação da própria NBR 14724 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011).

296

�Quadro 1 - Análise da NBR 14724/2011
Parte
Analisada
NBR 14724
Verso
Folha
Rosto
Seção
4.2.1.1.2
norma

Situação
encontrada
Conter os dados
da de Catalogaçãode na-Publicação, ou
seja, a Ficha
Catalográfica do
trabalho
acadêmico.
da

Dúvidas

Sugestões
atualização

para

Mesmo se for adotado somente
o anverso para digitação, a Ficha
Catalográfica é designada para
estar no verso da Folha de
Rosto. No item 5.3, na parte que
refere a Paginação, constata-se
que se adotado somente o
anverso, “[...] todas as folhas, a
partir da folha de rosto, devem
ser contadas sequencialmente,
considerando
somente
o
anverso.”
(ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2011, p. 10).

É necessário explicitar se
a folha que a Ficha
Catalográfica
estará
localizada, ou seja, de
acordo com a norma tem
que estar disposta no
verso da Folha de Rosto,
deverá ou não ter a
paginação contada.

S e n d o assim , n ã o se deve co n ta r
n e m co n ta b iliza r a p a g in a ç ã o
d a fic h a cata lo g rá fica ?

A NBR 14724 (ASSOCIAÇÃO
Redigida
de BRASILEIRA DE NORMAS
Lista
de acordo com a TÉCNICAS, 2011, p. 8,
Ilustrações
ordem
destaque nosso) aponta que:
necessário,
apresentada no “Quando
recomenda-se a elaboração de
texto.
Seção 4.2.1.9
lista própria para cada tipo de
da norma
ilustração.”

A norma não aponta o
quantitativo mínimo de
ilustrações para confecção
da(s)
Lista(s)
em
separado.
Portanto,
sugere-se
que
a
informação
seja
explicada.

D eve u tiliza r u m a ú n ica lista,
in d ep en d en te
do
tipo
de
ilu stra çã o ? A p a r tir de q u a l
q u a n tita tivo
de
ilustrações
to rn a -se n ecessá rio fa z e r listas
p ró p r ia s?

Exemplo que
consta
na
parte Lista de
Ilustrações
Seção 4.2.1.9
da norma

Caso o título da
Figura ultrapasse
uma linha, o
exemplo indica
que a segunda
linha deve iniciar
abaixo da 3a letra,
da
primeira
palavra do título.

No item 5.2.2 da NBR 14724
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS,
2011, p. 10) constata-se: “[...]
títulos que ocupem mais de uma
linha devem ser, a partir da
segunda linha, alinhados abaixo
da primeira letra da primeira
palavra do título.” Essa
informação é condizente com
alínea i da NBR 6024
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS,
2012a, p. 3): “títulos com
indicação numérica que ocupem
mais de uma linha, devem ser, a

O exemplo é confuso e
como já está estipulada a
forma de alinhamento de
título extenso na NBR
14724 e NBR 6024,
acredita
ser
ideal
empregar
o
mesmo
padrão estabelecido no
exemplo da referida Lista
de Ilustrações.

297

�partir da segunda linha,
alinhados abaixo da primeira
letra da primeira palavra do
título.”
C o m o deve ser o a lin h a m en to
d o s títulos das ilu stra çõ es com
m a is de u m a linha, ou seja,
títu lo s extensos?

Indica que as
palavras
Apêndice
e designativas da
Anexo
seção, ou seja,
Apêndice
e
Anexo, bem como
Seção 4.2.3.3 as letras para
e 4.2.3.4 da ordenação devem
ser apresentadas
norma
em
letras
maiúsculas (caixa
alta).

No exemplo da NBR 6027
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS,
2012b) que tange o Sumário,
para a designação do título do
Apêndice e do Anexo as letras
estão maiúsculas (caixa alta), ou
seja,
acompanham
a
hierarquização
das
seções
primárias.
A NBR 14724 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2011, p. 10) indica
que títulos sem indicativo
numérico, como Apêndice e
Anexo devem ser dispostos de
forma centralizada.
A alínea h da NBR 6024
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS,
2012a) também aponta que
títulos sem indicativo numérico,
dentre eles Apêndice e Anexo
devem ser alinhados de forma
centralizada na folha, porém
devem ter o mesmo recurso
tipográfico das seções primárias.

Deve haver padronização
nos
exemplos
empregados. É possível
constatar que a NBR
14724, por ser de 2011,
está desatualizada em
relação a NBR 6024, que
é de 2012.

Se a N B R 6024 e a N B R 14724
se
contradizem ,
qual
p a d ro n iza çã o a d otar?

Não direciona o
emprego
do
Formato
Formato
justificado
no
corpo do texto e
qual
procedimento
Seção 5.1 da adotar
para
norma
identificar
os
parágrafos, se de
forma indentada22

Mesmo sem estar explícito,
intuitivamente já se emprega o
formato justificado para o corpo
do texto. Para a identificação
dos parágrafos não existe
direcionamento do padrão a ser
adotado. Na NBR 14724
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS,
2011, p. 10), observamos no
item 5.2.2 que “[...] da mesma

Direcionar como deve ser
o formato do alinhamento
para o texto e qual
método deve ser adotado
para identificação dos
parágrafos.

22 “Inserir determinado espaço entre a margem da página e o início do texto de um parágrafo”. (IDENTAR,
2008).

298

�ou
com um forma, os títulos das subseções
espaçamento
devem ser separados do texto
entre linhas em que os precede e que os sucede
branco.
por um espaço entre as linhas de
1,5.”
Entretanto, não direciona que o
mesmo padrão deve ser adotado
para os parágrafos, porém é
possível encontrar trabalhos
acadêmicos que utilizam um
espaço
em
branco
na
identificação e separação, e por
outro lado, também é possível
verificar o emprego de recuo,
geralmente 1,25cm, no início de
cada parágrafo.
Q ual padrão
a d o ta r p a r a
id en tifica çã o d o s p a rá g ra fo s?

Em relação aos
elementos
prétextuais, a NBR
Formato
14724 indica que
todos
devem
iniciar no anverso
Seção 5.1 da da folha, e aponta
exceção para os
norma
Dados
Internacionais de
Catalogação-naPublicação,
ou
seja, a Ficha
Catalográfica.

A NBR 6027 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2012b, p. 2), sobre
a construção do Sumário, em
monografias, aponta na alínea b
do item 4.1: “deve iniciar no
anverso de uma folha, concluído
no verso, se necessário.”
Na seção 3, Termos e
Definições, da NBR 6027,
constata-se a definição de
monografia como material não
seriado, que possui a finalidade
de se completar em número préestabelecido de partes separadas.
Então, podemos considerar que
além da Ficha Catalográfica, o
Sumário
em
trabalhos
acadêmicos, se for extenso,
poderá ser concluído no verso da
folha.

Na NBR 14724, o
Sumário, se extenso for,
também deve constar
como possível de ser
concluído no verso, pois a
NBR 6027 sinaliza a
apresentação. A NBR
14724 indica que somente
os Dados Internacionais
de
Catalogação-naPublicação podem ser
disponibilizada no verso.
Sugere-se clareza na
indicação para haver
padrão na numeração das
folhas
do
trabalho
acadêmico.

N e sse caso, a p a g in a ç ã o do
ve rso
do
S u m á rio
será
co n ta b iliza d a ou não?

Direciona que o
espaçamento
entre
as
Referências deve
ser um espaço
em
Seção 5.2 da simples
norma
branco.
Espaçamento
Referências

A NBR 6023 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2002, p. 3)
descreve nas Regras Gerais de
Apresentação, que as referências
são “[...] separadas entre si por
espaço duplo.”

Padronizar tanto na NBR
6023, como na NBR
14724 uma única forma
de espaçamento entre as
Referências.

Q u a l esp a ça m en to a d o ta r entre
a s R eferên cia s? U m espaço
sim p le s em b ranco conform e

299

�d ire c io n a a N B R 14724, ou
esp a ço d u p lo de a co rd o com a
N B R 6023?

Fonte: Elaboração das autoras, com base na NBR 14724 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2011), NBR 6023 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002),
NBR 6024 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2012a) e NBR 6027
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2012b).
Seguindo a análise, ao comparar a forma de apresentação de tabelas presente na NBR
14724/2011 em relação as Normas de Apresentação Tabular do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) (FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA
E ESTATÍSTICA, 1993) não foram encontrados grandes conflitos. Todavia, se percebe uma
situação que pode gerar dúvida ao leitor, conforme descrito no quadro 2. A primeira coluna
apresenta trechos da NBR 14724/2011 e a segunda coluna se refere às Normas de
Apresentação Tabular do IBGE.

Quadro 2 - Análise da NBR 14724/2011 com as Normas de Apresentação Tabular do IBGE
NBR 14724

Normas de Apresentação Tabular do IBGE

Na seção Formato, item 5.1:
“Recomenda-se, quando digitado, a fonte
tamanho 12 para todo o trabalho, inclusive
capa, excetuando-se as [...] legendas e fontes
das ilustrações e das tabelas, que devem ser
em tamanho menor e uniforme [...]” “Recomenda-se que as tabelas de uma publicação
(ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA
DE apresentem uniformidade gráfica como, por
NORMAS TÉCNICAS, 2011, p. 10).
exemplo, nos corpos e tipos de letras e números,
no uso de maiúsculas e minúsculas e nos sinais
gráficos utilizados.” (FUNDAÇÃO INSTITUTO
Na seção Espaçamento, item 5.2:
DE
GEOGRAFIA
E
“Todo texto deve ser digitado ou datilografado BRASILEIRO
com espaçamento 1,5 entre as linhas, ESTATÍSTICA, 1993, p. 30).
excetuando-se as [...] legendas das ilustrações
e das tabelas [...]” (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
2011, p. 10).
Fonte: Elaboração das autoras com base na NBR 14724 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2011) e nas Normas de Apresentação Tabular do IBGE (FUNDAÇÃO INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 1993).
De acordo com a NBR 14724/2011, tabela é definida como “forma não discursiva de
apresentar informações das quais o dado numérico se destaca como informação central”
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011, p. 4) e “devem ser citadas

300

�no texto, inseridas o mais próximo possível do trecho a que se referem e padronizadas
conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).” (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011, p. 11).
Acredita-se que o leitor poderá ter dúvidas quanto ao tamanho da fonte da letra e qual
espaçamento entre linhas deverá empregar para padronizar a tabela. Neste sentido, se observa
que devem ser seguidas as especificações da NBR 14724/2011, por serem estas mais recentes,
e por orientarem claramente o tamanho da letra e o espaçamento para as legendas e fontes,
porém, o corpo da tabela deveria seguir o espaçamento e o tamanho da letra do texto como
um todo, ou seja, tamanho 12 e espaçamento 1,5 entre linhas. Neste caso, as duas normas
seriam atendidas, com base no critério interpretativo de suas orientações normativas.
No que refere à comparação entre a NBR 14724/2011 e o Código de Catalogação
Anglo-Americano (AACR) (CÓDIGO DE CATALOGAÇÃO ANGLO-AMERICANO, 2004)
não foram encontrados conflitos, uma vez que o próprio código não especifica o espaçamento
e o tamanho da fonte a serem empregadas na ficha catalográfica do trabalho acadêmico.
Entretanto, cabe ressaltar que os dados internacionais de catalogação-na-publicação (ficha
catalográfica) devem ser confeccionados por um bibliotecário catalogador, pois só assim será
possível garantir a padronização e a qualidade da ficha catalográfica.
Nesse contexto da catalogação do trabalho acadêmico, uma lacuna encontrada na NBR
14724/2011 está no fato da norma indicar que para a elaboração da catalogação-na-publicação
é empregado o Código de Catalogação vigente, entretanto, o AACR, não abarca os aspectos
temáticos do registro bibliográfico, que também devem constar na catalogação-na-publicação,
como por exemplo, os pontos de acesso secundários de assuntos e o número de classificação.
Portanto, sugere-se que a NBR 14724/2011 aponte tais informações, sendo importante a
participação do bibliotecário indexador neste processo.
De modo geral, constata-se que as normas são parte do ambiente acadêmico/científico
e assim necessitam ser constantemente monitoradas para atender às demandas, e, portanto, as
atualizações também se tornam primordiais. O bibliotecário que labuta na Biblioteca
Universitária deve interagir com esse contexto, acompanhar e garantir que a Normalização
Documentária se efetive, corroborando com a qualidade da estruturação e da comunicação
científica.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É possível observar que algumas modificações precisam ser realizadas imediatamente
na NBR 14724/2011. Mesmo relativamente nova, pois a última atualização foi em 2011, o

301

�fato de duas outras normas que fazem parte do seu Referencial Normativo (NBR 6024 e
6027) terem sofrido atualizações no ano de 2012 contribui para a obsolescência de parte dos
seus direcionamentos.
Além desse motivo, observa-se ambiguidade em relação a outras normas que também
necessitam de ajustes, como por exemplo, a NBR 6023. Os trabalhos acadêmicos como são
constituídos de vários elementos pré e pós-textuais apoiam-se no referencial de outras
normas, e por isso a necessidade da concomitância na atualização.
Mudanças se fazem necessárias, pois ao instruir um pesquisador, independente do seu
nível de investigação, se houver ambiguidades na norma tornar-se-á complicado alcançar os
objetivos da padronização. Havendo mais de uma forma de interpretação, cada um poderá
realizar a estruturação da maneira que lhe convier.
Não menos importante também é a participação de bibliotecários nas Comissões de
Estudos da ABNT, pois assim será possível ganhos de ambos os lados: dos profissionais que
terão instrumentos atualizados, e da ABNT, pois com colaboração os estudos e as
atualizações poderão alcançar da melhor forma possível os interessados, e, portanto,
contribuir para o desenvolvimento acadêmico/científico. Torna-se inconcebível que cada
universidade crie seu próprio padrão de normalização, pois tal atitude dificulta a comunicação
entre as áreas e respectivos pares.
Se no Brasil já existe a ABNT e nela centra-se a responsabilidade da criação,
divulgação, atualização e coordenação das Comissões de Estudo para a Normalização
Documentária, criar formas próprias de padrão para trabalhos acadêmicos torna-se um ato
descabido para o mundo científico. Ao invés de reinventar as normas que já existem, as
universidades por meio das Bibliotecas Universitárias poderiam unir forças em apoio a
ABNT.
Por isso torna-se importante que essas discussões façam parte das agendas de pesquisa
dos bibliotecários que labutam no ambiente universitário, assim como o envolvimento de
bibliotecários de referência, catalogadores e indexadores, a fim de fornecerem em conjunto
uma visão global sobre a padronização da Normalização Documentária.

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�</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Estruturação de trabalhos acadêmicos com foco na normalização documentária: análise de ambiguidades na NBR14724/2011.</text>
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                <text>Analisa a Norma Brasileira de Estruturação de Trabalhos Acadêmicos, NBR 14724, com o intuito de identificar ambiguidades e, assim, sugerir padronização. Por meio da análise documental almeja contribuir com discussões a favor da atualização da norma em curto espaço de tempo, pois seu emprego ocasiona o fortalecimento e a realimentação do campo acadêmico, e no contexto do artigo esse caminho é traçado pela comunicação científica, que possui como resultado a estruturação do produto denominado trabalho acadêmico. Para dinamizar a estruturação e a divulgação da comunicação científica entre os pares, a Associação Brasileira de Normas Técnicas elabora várias normas destinadas à padronizaçãdocumentária, entretanto, alguns pontos que deveriam ser coincidentes entre elas geram ambiguidades na aplicação. Os resultados apontam várias divergências entre a NBR 14724 e outros cinco documentos, do total de nove, que compõem a seção intitulada Referências Normativas. É possível concluir que somente a atualização poderá diminuir as ambiguidades facilitando assim, a padronização na estruturação dos trabalhos acadêmicos, e por consequência, a comunicação científica entre os pares</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE A INFORMAÇÃO CIENTÍFICA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR:
CAMINHOS TRILHADOS PELO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Clemilda dos Santos Sousa
Neiliane Alves Bezerra
Wagner Bandeira Andriola
Geovanice Maria Anselmo da Silva

RESUMO
A concepção de uma sociedade inclusiva emerge a partir de meados do século XX,
acompanhada dos calorosos debates, voltados para eliminar a exclusão territorial, étnico
racial, de género, dentre outros. No ambiente educacional, floresceu o paradigma da inclusão
escolar, em um debate de amplitude internacional, liderado por organismos como a UNESCO
que, fundamentando-se no respeito aos direitos humanos fundamentais, vem exigindo o
compromisso dos governos e instituições com a construção de sistemas educacionais
inclusivos. Dentre a diversidade de estudantes a serem contempladas com as políticas
educativas de inclusão, encontra-se a pessoa com deficiência cuja inserção no sistema
educacional passa a ser percebida na sua dimensão histórica, como processo de reflexão e
prática, que possibilita efetivar mudanças conceituais, político e pedagógicas, coerentes com o
propósito de tornar efetivo o direito de todos à educação. Focando especificamente o tema da
inclusão da pessoa com deficiência na educação superior, esse artigo descreve as ações de
acessibilidade que o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, no âmbito da
sua missão, vem providenciando para apoiar o processo de aprendizagem de estudantes com
deficiência. Embora não se pode considerar que a Universidade Federal do Ceará e o seu
subsistema biblioteca não apresentem, na integra, todos os requisitos de acessibilidade, no
momento, esse é o caminho que o SB/UFC vem trilhando na tentativa de garantir a
permanência de qualidade da pessoa com deficiência na educação superior.
Palavras-Chave: Acessibilidade; Organização da informação; Pessoa com deficiência.

ABSTRACT
The design of an inclusive society emerges from the mid-twentieth century , accompanied by
heated debates , aimed to eliminate territorial exclusion , racial, ethnic, gender , among others
. In the educational environment, the paradigm flourished school inclusion in a widespread
international debate , led by organizations such as UNESCO , basing on respect for
fundamental human rights , has been demanding the commitment of governments and
institutions with the construction of educational systems inclusive . Among the diversity of
students to be awarded with the educational policies of inclusion, is a person with disabilities
whose inclusion in the educational system will be seen in its historical dimension , as a

2062

�reflection and practical process that enables effecting conceptual change , political and
teaching , consistent with the purpose of making effective the right of everyone to education .
Specifically focusing on the inclusion of people with disabilities in higher education , this
article describes the actions that the accessibility Library System of the Federal University of
Ceará , in its mission , it has provided to support the learning process of students with
disabilities . Although it can not be that the Federal University of Ceará and its library
subsystem do not, in full, all accessibility requirements , at the time , this is the way that the
SB / UFC has been moving in an attempt to ensure continuous quality person with disabilities
in higher education .
Keywords: Acessibility; Organizing information; People with disabilities.

1 INTRODUÇÃO
Educação inclusiva é um termo que comporta diferentes interpretações e apreciações,
porém a essência da sua justificativa social de caráter humanista está fundamentada na
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sendo assim, constitui um paradigma
educacional que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em
relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstancias históricas da produção
da exclusão dentro e fora da escola.
A nova ordem mundial, regida pela lógica da globalização, teve como característica
um crescimento econômico dissociado do bem estar do conjunto da sociedade, acentuando as
desigualdades sociais entre continentes, nações, no interior dos próprios países e também das
cidades, engendrando a exclusão econômica e, consequentemente, a “desumanização do ser”
conforme (FREIRE, 2005).
A presença histórica da desumanização, na visão de Freire (2005, p.32), não é
vocação dos homens, pelo contrário, a vocação do ser humano é a busca da sua própria
humanização, a busca do “ser mais” que é a sua vocação ontológica e a desumanização como
distorção dessa vocação.
A educação inclusiva pode ser entendida como uma tentativa de resgatar a
“humanização do ser” e também como um gesto de cuidado. O cuidado diz Boff (2008, p.42),
“é gesto amoroso para com a realidade, gesto que protege e traz e paz. Sem cuidado, nada que
é vivo sobrevive. Cuidado é aquela preocupação sadia por tudo que efetivamente nos envolve
por nos sentirmos co-responsáveis”.
A educação inclusiva sob a ótica do cuidado e da humanização do ser obriga,
particularmente, aos encarregados de desenhar e executar políticas públicas, a criarem
propostas para transformar o sistema, a organização e a cultura escolar, o currículo, a

2063

�formação e o trabalho dos profissionais da educação, com o firme e claro objetivo de torná-los
equitativos e assim “desnaturalizar” a exclusão. (BERSANELLI, 2008, p.59).
Na reflexão de Echeita (2008), a educação inclusiva é um conceito e uma prática que
vai ao encontro a uma aspiração em comum de igual valor e importância para todos os alunos
e alunas, em todo o mundo, que é o desejo de sentir-se incluído, reconhecido e valorizado em
seus grupos de referencia como família, escola, amizade, trabalho.
Porém, a inclusão educativa vai mais além do que reforçar esse o sentimento de
pertença, bem-estar emocional e relacional que se possa alcançar com a ação educativa.
Tende mais para a preocupação com uma aprendizagem e um rendimento escolar de qualidade
que tem por atributos

cinco dimensões relacionadas entre si: equidade, relevância,

pertinência, eficiência e eficácia (OREALC/UNESCO, 2007, p.12).
E a melhor contribuição da escola à inclusão, segundo Echeita (2008) é fazer com
que os alunos e as alunas alcancem níveis elevados de desempenho e qualificação. E neste
sentido, trabalhar a favor da inclusão educativa é pensar em termos de condições e processos
que favoreçam uma aprendizagem carregada de sentido para a vida de todos e todas, isto é,
um processo educativo que favoreça a transformação no plano individual e coletivo, bem
como a elevação do nível da qualidade de vida.
A educação inclusiva, nos seus primórdios, esteve focada em alunos com
“Necessidades Educativas Especiais”. Em seguida, deu um passo adiante, com o debate sobre
a integração desses s alunos em salas de aula do ensino regular. Na atualidade, a educação
inclusiva ampliou a sua visão e ganhou terreno como movimento que desafia e rechaça as
políticas, culturas e práticas educativas que promovem qualquer tipo de exclusão. A meta da
educação inclusiva é eliminar a exclusão social que se deriva de atitudes e respostas à
diversidade de raças, classe social, etnia, religião, gênero e pessoa com deficiência
(GONZALEZ, 2008).
Considerar a diversidade e a inclusão como uma questão relacionada às instituições
educacionais nos situa frente à necessidade de verificar os valores e princípios que orientam
as ações, as práticas e rotinas às quais se assentam as normas, as decisões tomadas, bem como
todas as condições organizativas. Gonzalez (2008, p.84) afirma que “Todos e cada um destes
aspectos podem estar facilitando a inclusão ou, pelo contrário, representar barreiras para a
mesma”.
As experiências de cada instituição, rumo à inclusão educativa vem mostrando que
não tem muito sentido definir um conceito de educação inclusiva, com a pretensão de impor
um modelo padronizado a ser seguido por todos, sem levar em conta as peculiaridades de

2064

�cada contexto educacional.
No processo de educação inclusiva, cada instituição é responsável pela definição e
concretização de metodologias e práticas de inclusão, em função do seu contexto, de sua
história, de sua cultura organizacional e de seus múltiplos condicionantes econômicos,
políticos, culturais. “A inclusão educativa é resultado de um genuíno processo de deliberação
democrática, por meio do diálogo igualitário entre todos os atores comprometidos com o
alcance das metas cuja pretensão é construir um sistema educacional de qualidade para
todos”. (ECHEITA, 2008, p.12).
A inclusão da pessoa com deficiência no sistema educacional situa-se nessa
perspectiva e se concretiza por meio de estratégias que atendem ao princípio de igualdade de
oportunidade para todos e todas. Esse processo deve ser construído, gradativamente, de
acordo com a diversidade das necessidades dos estudantes.
Para consolidar a perspectiva global da inclusão educativa, em que a equidade e a
qualidade caminham em paralelo, é interessante conhecer as ações em andamento no
cotidiano das instituições. “Começar por mudar esse contexto pesquisando é a melhor
estratégia para avançar em direção a mudanças mais globais e sistêmicas”, afirma Echeita
(2008, p.11).
O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SB/UFC), desde 2010,
vem sendo desenvolvidas ações para atender, adequadamente (a) aluno (a) com deficiência
que ingressam nos cursos de graduação, em consonância com as estratégias globais da
universidade para alcançar a inclusão educativa.
A relevância da biblioteca no âmbito da universidade é atender às demandas por
serviços necessários para apoiar as atividades acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão. O
atendimento adequado ao (à) aluno (a) com deficiência exige modificações que eliminem ou
minimizem todas as barreiras que interferem na aprendizagem dessa parcela de estudantes.
Nesse artigo, descrevem-se os produtos e serviços que o SB/UFC vem ofertando aos
estudantes com deficiência, como parte das ações institucionais de promoção da
acessibilidade, de forma que proporcione igualdade de condições e de qualidade, aos
estudantes que necessitam de apoio especial para uma aprendizagem satisfatória. Os objetivos
específicos definidos são os seguintes: a) descrever as características do público atendido; b)
identificar os serviços; c) situar as ações nas dimensões e indicadores conforme os
referenciais de acessibilidade na educação superior e a avaliação in loco do Sistema Nacional
de Avaliação da Educação Superior (SINAES) (BRASIL, 2013).

2065

�2 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO CENÁRIO MUNDIAL E NO BRASIL
Nos anos da década de 1970, os países desenvolvidos começaram o movimento para
a integração de crianças com deficiência no sistema regular de ensino. Essa tendência foi
seguida por muitos países latino americanos. No entanto, a preocupação com a inclusão
escolar não foi acompanhada de uma reflexão por esse tema na educação superior o que se
manifesta, por exemplo, na falta de mecanismos específicos para o ingresso de estudantes
com deficiência nas universidades.
Somente no início de 1990 surge na América Latina e no Caribe a preocupação pelo
tema “deficiência e universidade”, quanto ao acesso, permanência e egresso a educação
superior de estudantes com deficiência. Porém, Moreno (2005) apud Lissi (2009) observa
que, dentro de da realidade educativa, a universidade seria una das instituições mais
excludentes para o ingresso e permanência destes estudantes. Essa exclusão está expressa em
forma de barreiras tangíveis, identificadas na infraestrutura, nas práticas pedagógicas, nas
comunicações e nas atitudes que perpassam todos os outros aspectos.
Na Europa, a preocupação com a inclusão da pessoa com deficiência emerge em
cumprimento ao princípio de inclusão que impera na legislação educativa em vigor,
respaldada pela Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência de 2006. A
construção do Espaço Europeu de Educação Superior (EEES) pretende ser um modelo de
universidade que dê respostas satisfatórias às demandas da sociedade no século XXI. De uma
maneira geral, Ferreira (2012, p.414) afirma que “o EEES deve garantir a continuidade no
desenvolvimento e formação plena e integral do alunado, tanto do ponto de vista acadêmico
quanto pessoal. No caso de estudantes com deficiência, este desenvolvimento se pode garantir
por meio de mecanismos de compensação e adaptação”.
Na Espanha, por exemplo, a legislação obriga as universidades a elaborar e a
implementar um plano de atenção ao alunado com deficiência. O Comité Espanol de
Representantes de Personas con Discapacidad (CERMI) publicou, em 2010, um guia para a
elaboração do dito plano que chama a atenção para a necessidade de dispor de indicadores
para o acompanhamento e avaliação do mesmo.
No Reino Unido e nos Estados Unidos, conforme Ferreira (2012), o significativo
desenvolvimento legislativo no que se refere a pessoas com deficiência vez impulsionou a
elaboração de guias e indicadores para avaliar as boas práticas no âmbito universitário. Um
exemplo desses instrumentos é a Acta de Necesidades Educativas Especiales y Discapacidad
de 2001 (Special Educational Needs and Disability Act, SENDA) do Reino Unido, cujo
objetivo é que as instituições de educação superior alcance a plena participação de estudantes

2066

�com deficiência, realizando os ajustes necessários.
Nos Estados Unidos, para garantir a igualdade de acesso à educação aos estudantes
com deficiência a Association on Higher Education and Disability (AHEAD) elaborou
padrões para as Oficinas de Estudantes com Deficiência nos seguintes âmbitos de atuação:
consulta/colaboração, divulgação de informação, conscientização de docentes e de técnicos,
adaptações acadêmicas, intervenções educativas, gestão e avaliação do programa, políticas e
procedimentos, formação e desenvolvimento profissional (DUKES Y SHAW, 2008 apud
FERREIRA, 2012).
A educação da pessoa com deficiência experimentou, ao logo de sua trajetória,
práticas escolares de categorização e segregação de estudantes encaminhados para ambientes
especiais, que conduziram também, ao questionamento dos modelos homogeneizadores de
ensino e de aprendizagem, geradores de exclusão nos espaços educativos (BRASIL, 2013).
Alguns eventos, de amplitude internacional, foram decisivos na construção da
inclusão educativa em todos os níveis, tais como a Conferência Mundial de Educação para
Todos, Jomtien/1990 e a Conferência Mundial de Necessidades Educativas Especiais: Acesso
e Qualidade, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO) em 1994 que aprofundou a discussão, problematizando os aspectos acerca
da escola não acessível a todos os estudantes. Não se pode deixar de mencionar o documento
Declaração de Salamanca e Linha de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais que
proclama que as escolas comuns representam o meio mais eficaz para combater as atitudes
discriminatórias.
No Brasil, o direito da pessoa com deficiência à educação está em consonância com a
atual política de educação especial e com os referenciais pedagógicos da educação inclusiva,
expressos nos marcos legais, políticos e pedagógicos, bem como seu impacto na organização
e oferta da educação em todos os níveis e etapas.
No paradigma da inclusão educativa, os projetos de mudanças nas políticas públicas
se apoiam na tese de que todos se beneficiam quando as escolas promovem respostas às
diferenças individuais de estudantes. Essa proposta de inclusão escolar começa a ser gestada
nos diversos movimentos que buscam repensar o espaço escolar como acolhedor da
diversidade do seu alunado.
Essa perspectiva, conforme (BRASIL, 2013), conduz os debates sobre os rumos da
educação especial, remetendo para as discussões acerca dos aspectos que interferem na
eficiência, eficácia e efetividade da dessa proposta. Tais aspectos dizem respeito às políticas
de formação docente, financiamento e gestão, a fim de assegurar as condições de acesso,

2067

�participação e aprendizagem de todos os estudantes.
No âmbito da educação superior, para apoiar a consolidação de políticas
institucionais de acessibilidade nas Instituições Federais de Educação Superior (IFES) foi
instituído, em 2005, o Programa INCLUIR, do Ministério da Educação(MEC) e a sua
unidade, a Secretaria de Educação Superior (SESu). O referido programa foi implementado
até 2011, por meio de chamadas públicas, realizadas pela Secretaria de Educação Especial
(SEESP) e SESu, por meio das quais, as IFES apresentaram projetos de criação e
consolidação dos Núcleos de Acessibilidade, visando eliminar barreiras físicas, pedagógicas,
nas comunicações e informações, nos ambientes, instalações, equipamentos e materiais
didáticos.
A partir de 2012, MEC, por intermédio da Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) e da SESu, passa a apoiar projetos das
IFES, com aporte de recurso financeiro, diretamente, previsto na matriz orçamentária das
instituições, com a finalidade de institucionalizar ações de política de acessibilidade na
educação superior, com a criação dos Núcleos de Acessibilidade.
Nesse sentido, o Ministério da Educação envida esforços para que os espaços
educacionais estejam abertos a todos os estudantes que necessitam de apoio especializado.
Embora essa proposição, expressa na política governamental, demande um olhar criterioso
sobre os condicionantes de ordem diversa que irão garantir a tão desejada qualidade da
educação em um sistema educacional inclusivo, o primeiro indicador de qualidade a ser
perseguido será sempre o “acesso”, efetivado por meio da matrícula.
Além do acesso é preciso garantir a qualidade da permanência por meio de processos
avaliativos sistemáticos, utilizando indicadores que expressem a realidade e sirvam para o
aprendizado e a melhoria institucional. Um passo significativo nessa direção foi a elaboração
do documento orientador das comissões para avalições in loco, intitulado “Referenciais de
acessibilidade na educação superior e a avaliação in loco do Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Superior (SINAES)” que fornece os subsídios para a ação dos avaliadores acerca
de questões pertinentes à acessibilidade em seus diferentes níveis, de estudantes com
necessidades de atendimento diferenciado.

3

A

ACESSIBILIDADE

E

INCLUSÃO

EDUCATIVA

NA

BIBLIOTECA

UNIVERSITÁRIA: DO DISCURSO À PRÁTICA
Este é um estudo teórico, bibliográfico que explora o tema da inclusão educativa da
pessoa com deficiência na educação superior e trata especificamente das ações desenvolvidas

2068

�pelo SB/UFC voltadas para a acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência.
É um estudo que tem por finalidade dar visibilidade às ações de inclusão e
sistematizar informações sobre práticas e experiências acerca do tema da inclusão educativa.
O registro dessa experiência reflete a aplicabilidade da legislação vigente que estabelece as
condições de funcionamento das Instituições de Ensino Superior (IES), considerando a
importância do atendimento especializado aos estudantes que se enquadram na classificação
de pessoa com deficiência. Além, disso é uma tentativa da Comissão de Acessibilidade do
SB/UFC unir teoria e prática, refletindo sobre o seu próprio fazer e trazendo a luz do
conhecimento para a realidade sobre a qual atua.
Portanto, é um estudo descritivo, exploratório, que segundo Lakatos e Marconi(2003)
são estudos que têm por objetivo descrever completamente determinados fenômenos, como,
por exemplo, o estudo de um caso para o qual são realizadas análises empíricas e teóricas.
Podem ser encontradas tanto descrições quantitativas e/ou qualitativas quanto acumulação de
informações detalhadas como as obtidas por intermédio da observação participante.
Os tópicos seguintes seguem conforme o que foi definido nos objetivos específicos:
descrição das características do público atendido e identificação dos serviços, produtos e
serviços existentes (Adaptados), produtos e serviços especializados.

3.1 Descrições das características do público atendido e identificação dos serviços:
Produtos e serviços existentes (Adaptados)
O público-alvo desses serviços são os estudantes com deficiência, matriculados nos
cursos de graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC). Atualmente, são atendidos seis
alunos, dos seguintes cursos: biblioteconomia, letras espanhol, letras italiano, mestrado em
psicologia, computação e filosofia. Quanto ao tipo de deficiência, no momento são atendidos
alunos cegos e com baixa visão. No que se refere à descrição dos produtos e serviços, adotouse duas categorias: produtos e serviços existentes (adaptados) e produtos e serviços
especializados.
Nessa categoria consideram-se todos os produtos que o SB/UFC oferta à
comunidade acadêmica em geral, sendo que o usuário com deficiência visual necessita do
apoio das tecnologias assistivas para realizar buscas no catálogo on line ter acesso aos acervos
de livros eletrônicos, à Biblioteca de Teses e Dissertações (BDTD), ao portal de periódicos da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (CAPES), repositório
institucional, acesso ao catálogo online (busca, renovação, reserva).

2069

�3.1.1 Produtos e serviços especializados
Na segunda categoria temos os serviços e produtos que demandam um processo de
elaboração mais específica para eliminar as barreiras de acesso à informação. Nesse caso, a
biblioteca conta com o suporte do laboratório de edição e conversão de materiais
bibliográficos para o atendimento de pessoas com deficiência visual, o serviço de
levantamento bibliográfico e as ações voltadas para o atendimento às pessoas surdas.

3.1.1.1 Laboratório de edição e conversão de materiais bibliográficos para pessoas com
deficiência visual
O laboratório de edição e conversão de materiais foi criado há quatro anos na
biblioteca de ciências humanas da UFC. Os serviços oferecidos pelo laboratório são resultado
de uma parceria entre SB/UFC e a Secretaria de Acessibilidade UFC Inclui. A referida
secretaria é um órgão administrativo ligado à reitoria responsável pela elaboração das
políticas de inclusão na universidade, se constitui como uma grande conquista no processo de
institucionalização da política de inclusão de pessoas com deficiência na educação superior.
No laboratório trabalha-se com quatro possibilidades de conversão do material
impresso. Esse processo corresponde a quatro tipos de produtos diferentes, conforme ilustra a
figura 1. Incluindo a digitalização de livros, artigos científicos da bibliografia dos discentes
cegos.
Figura 1 - Processo de conversão de material impresso

Fonte: Autores (2013)

Ness processo de digitalização, os livros recebem nova formatação, o que facilita a
leitura por pessoas cegas. As figuras, gráficos e tabelas são descritas, com o uso da técnica da
audiodescrição.

2070

�A audiodescrição segundo Vieira e Lima (2010) seria:
uma técnica de representação dos elementos-chave presentes numa dada
imagem que, ao dialogar com os elementos de um texto verbal, pode ser
descrita também de forma verbal para formar uma unidade completa de
significação. A áudio-descrição pode ser de uma imagem estática como uma
pintura no museu, de uma escultura em três dimensões, da gravura
bidimensional presente nos livros didáticos; ou de imagens dinâmicas que
nada mais são do que um conjunto de imagens estáticas que juntas criam a
ilusão de movimento como o que se processa nos filmes de cinema,
televisão, peças de teatro, ou vídeos de computador.
Outra possibilidade de conversão é a gravação dos conteúdos em áudio. A ampliação
é também é um recurso importante para os usuários com baixa visão. Tem-se também a opção
da impressão em Braille, dependendo da necessidade de cada usuário. O conjunto desses
serviços amplia as possibilidades de acesso à informação cientifica.

3.1.1.1.1 Levantamento bibliográfico
Outro serviço importante oferecido pelo laboratório às pessoas com deficiência
visual é o levantamento bibliográfico. Sua relevância é essencial, visto que elimina as
barreiras no acesso ao acervo eletrônico, em virtude da maioria das páginas da internet não
obedecerem aos critérios de acessibilidade na web para pessoas com deficiência.
Pode-se citar como exemplo os arquivos em pdf imagem ou sites dos periódicos e
bases de dados que não são acessíveis para navegação, com o uso de programas leitores de
tela, usados pelos cegos para navegar na internet.
Para ter acesso ao serviço, os discentes fazem seus pedidos, informado os assuntos de
interesses e a equipe responsável busca o material, no acervo eletrônico do SB/UFC e demais
fontes cientificas.
Também é ofertado aos usuários com deficiência visual, o acesso a arquivos de texto
completo do material digitalizado no laboratório, por meio do catálogo online da Biblioteca
Universitária que utiliza o software Pergamum, Módulo Acessibilidade conforme ilustrado na
figura 2. O acesso ao texto integral é permitido por meio do uso de senha, em respeito à Lei
9.610 de Direitos Autorais.

2071

�Figura 2 - Pesquisa acessibilidade no Catálogo on Line - Pergamum/UFC

Fonte: Página do catalogo atálogo on line da Biblioteca Universitária (2013)

Figura 3 - Login para acesso as obras digitalizadas no catálogo on line

Fonte: Página do catalogo ctálogo on line da Biblioteca Universitária (2013)

3.2 Ações voltadas às pessoas surdas: comunidade surda na UFC à conquista de um
espaço
As ações para a inclusão das pessoas surdas também é uma preocupação para o
Sistema de Bibliotecas da UFC. Em 2010, houve o inicio da criação de uma ferramenta que
disponibilizasse informações, em Libras, para pessoas surdas, conforme trabalho apresentado
no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) de 2010 com o titulo
“Biblioteca Universitária e Comunidade Surda: uma proposta de acessibilidade à Informação”
(SOUSA et al., 2010).

2072

�Figura 4 - Página do ProjetoBU em LIBRAS

Fonte: site do projeto na internet (2013)

A ideia foi aprimorada e ganhou uma nova versão como pode ser visualizada na
figura 4, com o projeto Biblioteca Universitária (BU) em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Desta forma as informações principais sobre os serviços oferecidos pela biblioteca são
traduzidas em Libras, às referidas informações integram as ações do projeto “Descobrindo a
Biblioteca” de autoria da Comissão de Educação de Usuários do SB/UFC.

Figura 5 - Serviços da Biblioteca Universitária com Tradução em Libras

Fonte: site do projeto na inernet (2013)

4 A ACESSIBILIDADE NA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AVALIAÇÃO IN LOCO DO
SINAES (BRASIL, 2013)
Os referenciais de acessibilidade na educação superior e a avaliação in loco do
SINAES” tem o propósito de servir de subsídio para a ação dos avaliadores acerca de

2073

�questões pertinentes à acessibilidade em seus diferentes níveis, de estudantes com
necessidades de atendimento diferenciado” (BRASIL, 2013).
A acessibilidade é considerada um requisito legal no SINAES e as IES devem
explicitá-la no seu projeto pedagógico que é o instrumento onde estão contidas todas as
questões do curso, referentes à acessibilidade é verificada de forma ampla, e não apenas
restrita a questões físicas e arquitetônicas, haja vista o significado do vocábulo expressar um
conjunto de dimensões diversas, complementares e indispensáveis para a efetivação da
inclusão educativa da pessoa com deficiência.
A acessibilidade nas IES, conforme (BRASIL, 2013) considera os seis tipos de
acessibilidade

ou

aspectos:

atitudinal,

arquitetônica,

comunicacional,

instrumental,

metodológica e programática. A existência desses requisitos é avaliada nas dimensões
didático-pedagógica e Infraestrutura.
Tomando por base os aspectos de acessibilidade, as ações inclusivas do SB/UFC
situam-se na dimensão didático-pedagógica nos seguintes indicadores a saber (Brasil, 2013,
p.40):
a) material didático institucional - Ressalta-se a importância das IES promoverem a
acessibilidade em relação ao acervo bibliográfico indicado para cada curso, para que os
estudantes que necessitam de apoio possam se beneficiar do currículo em condições de
igualdade aos demais estudantes;
b) tecnologias de informação e comunicação (TICs) - no processo ensino-aprendizagem
- O uso das TICs, por parte dos estudantes favorece não só o aprendizado, mas a participação,
com autonomia, na vida acadêmica.

5 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Os serviços descritos fazem parte das ações conduzidas pelo SB/UFC, em parceria
com a Secretária UFC Inclui, desde 2010. São ações que velam por um acesso igualitário às
informações e aos serviços que a biblioteca presta à comunidade acadêmica, em consonância
com as políticas internas da instituição. O tema da inclusão educativa é desafiador, este se
constitui em um processo complexo que exige, em primeiro lugar, a quebra das barreiras
atitudinais.
No que diz respeito à pessoa com deficiência, a resistência à adesão ou barreiras
atitudinais ao processo de educação inclusiva se manifesta em alguns comportamentos, tais
como:

2074

�Tendência a exigir que as instituições ponham mais ajudas e especialistas
para se responsabilizarem pelos “diferentes” ou os “não normais”.
Consideram que os problemas e dificuldades para aprender são do aluno e do
entorno, porém não da instituição. Não se avaliam nem se questionam as
atuações pedagógicas e organizativas. Exigem medidas terapêuticas que
consideram “imprescindíveis” (RIERA, 2011, p.136).
Adotando comportamento favorável à inclusão educativa da pessoa com deficiência,
a Comissão de Acessibilidade vem insistindo no objetivo pelo qual foi criada que é dotar o
SB/UFC com requisitos de acessibilidade, para atender adequadamente pessoas com
deficiência (BEZERRA et al, 2011).
Alguns serviços para essa categoria de usuário dependem de um processo de trabalho
diferenciado, com o suporte tecnológico de um núcleo de acessibilidade que não significa
atendimento segregado, pois segue o que está disposto em (Brasil, 2011) no Decreto n°
7.611/2011 sobre o atendimento educacional especializado, previsto no §2° do art. 5o:
VII-estruturação de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de educação
superior.
§ 5a Os núcleos de acessibilidade nas instituições federais de educação superior
visam eliminar barreiras físicas, de comunicação e de informação que restringem a
participação e o desenvolvimento acadêmico e social de estudantes com deficiência.
No caso do SB/UFC, o atendimento especializado para pessoa com deficiência visual
é realizado no laboratório de edição e conversão de materiais bibliográficos, portanto um
núcleo de acessibilidade da instituição o qual é equipado com as tecnologias assistivas para
dar apoio ao (a) aluno (a) com deficiência quanto à obtenção da bibliografia básica, em
formato eletrônico ou impresso.
Os acervos eletrônicos abrangem os livros eletrônicos, com acesso para quase 8.352
títulos, em texto completo, em língua portuguesa e estrangeira que podem ser acessados via
internet. Conta-se também com as dissertações e teses que se encontram na BDTD, o portal
de periódicos da CAPES que disponibiliza para todas as universidades públicas o acesso a
várias bases de dados e periódicos científicos, em texto completo.
Esses acervos digitais ou eletrônicos são acessados por toda a comunidade
acadêmica. No caso de alunos com deficiência visual é necessário o apoio das tecnologias
assistivas, como programas leitores de tela, por exemplo, bastando apenas instalar nos
computadores de pesquisa da biblioteca, pois alguns são programas livres, além de
equipamentos como fone de ouvidos, teclados ampliados ou em Braille. Nesse caso, o aluno
com deficiência tem a oportunidade de frequentar o mesmo espaço e interagir com outros

2075

�alunos.
Os serviços disponibilizados às pessoas surdas estão sendo realizados com o auxílio
de bibliotecários e demais pessoas ligadas ao atendimento. O projeto BU em Libras, já
mencionado, buscar dar visibilidade à comunidade surda na universidade. Trata-se de uma
parceria entre a Comissão de Educação de Usuários, Comissão de Acessibilidade e a
Secretaria de Acessibilidade.
A contribuição da referida Secretaria foi fundamental, disponibilizando intérprete de
LIBRAS e um técnico em mídias digitais que desenvolveu o ambiente virtual, respeitando as
normas de acessibilidade do World Wide Web (W3C) que é uma comunidade internacional
que orienta sobre diretrizes de acessibilidade na web para pessoas com deficiência. Essa
experiência do BU em Libras resultou em premiação dessa ferramenta no “Premio Nacional
de Acessibilidade na WEB” de 2013.
Segundo o documento sobre as Diretrizes para Serviços de Biblioteca para Surdos da
IFLA (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias). As bibliotecas
devem estar atentas para:
Com o surgimento da World Wide Web (www), muitas bibliotecas
criaram bases de dados online de referência e de informações
comunitárias, de maneira a prover um ponto central de referência para a
informação sobre a comunidade local. Como a comunicação eletrônica e
a www tem sido, comprovadamente, uma mídia extraordinariamente
efetiva para surdos, é importante que as bibliotecas utilizem esses meios
para prover informações locais de interesse particular para sua clientela
surda. (DAY, 2000, p.16).
O projeto BU em LIBRAS busca adotar essas recomendações, removendo as
barreiras de comunicação para efetivar a inclusão das pessoas surdas na universidade.
A acessibilidade à informação para a inclusão da pessoa com deficiência se insere na
dimensão didático-pedagógica e nos indicadores material didático institucional e tecnologias
da informação e comunicação, conforme os referenciais de acessibilidade na educação
superior (BRASIL, 2013).
Essa identificação da acessibilidade nos serviços da Biblioteca Universitária com as
dimensões do SINAES não tem a pretensão de impor indicadores padronizados para todos os
contextos, mas ressaltar a relevância desses serviços na construção de uma cultura inclusiva
nas IFES. Os indicadores devem expressar a realidade e por isso são elaborados de acordo
com as peculiaridades de cada instituição.

2076

�6 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Não se pode afirmar que a Universidade Federal do Ceará e o seu subsistema
biblioteca já apresentem, na integra, todos os requisitos de acessibilidade para atender
adequadamente pessoa com deficiência. Com certeza não. No entanto, se pode afirmar que se
está gestando a proposta e a cada dia se detectam novas demandas que ajudam a regular ações
e procedimentos que se traduzem em políticas em prol da inclusão na educação superior.
Antes de tudo, deve-se ressaltar que a inclusão na educação superior é ampla e
remete para a questão do alcance das metas de expansão da oferta de vagas na educação,
compatíveis com as estratégias de ampliar a participação proporcional de grupos
historicamente desfavorecidos na educação superior, inclusive mediante a adoção de políticas
afirmativas, conforme o texto do Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar de 2011 a
2020.
A análise da experiência do SB/UFC revela, com clareza, que a inclusão educativa da
pessoa com deficiência é possível e que vem ocorrendo, mesmo que seja um processo lento.
Revela-se também como um aprendizado e uma oportunidade para todos os profissionais, ligados
aos vários departamentos e áreas do conhecimento da própria instituição, contribuírem com
ideias e projetos inovadores em acessibilidade.
Sem dúvida, a principal barreira, para se conseguir que as instituições educacionais
estejam atentas e preparadas para acolherem a diversidade, está nas ideias, nas normas, nas
crenças e atitudes vigentes na instituição, nos padrões de funcionamento e nas práticas de todos
os agentes envolvidos com o ato de educar.
O discurso teórico da inclusão é aceito por todos, no entanto existe uma distancia
significativa entre a teoria e prática. Para alguns, vale a pena tentar e, para além do discurso,
começam a enveredar por esse caminho; outros permanecem apenas com o peso da dúvida, dos
temores e das dificuldades.
No momento, esse é o caminho que o SB/UFC vem trilhando na tentativa de garantir a
permanência de qualidade da pessoa com deficiência na educação superior. A barreira atitudinal é
a que mais emperra essa caminhada em direção à implantação de medidas contra a discriminação,
assim como estabelecer programas de apoio, proporcionar recursos e realizar adaptações e
procedimentos com o objetivo de garantir os princípios de igualdade e de oportunidades e
condições de não discriminação, de acessibilidade e de desenho de ambientes para todos.

2077

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Acesso em 10/03/2014.

2079

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A concepção de uma sociedade inclusiva emerge a partir de meados do século XX, acompanhada dos calorosos debates, voltados para eliminar a exclusão territorial, étnico racial, de género, dentre outros. No ambiente educacional, floresceu o paradigma da inclusão escolar, em um debate de amplitude internacional, liderado por organismos como a UNESCO que, fundamentando-se no respeito aos direitos humanos fundamentais, vem exigindo o compromisso dos governos e instituições com a construção de sistemas educacionais inclusivos. Dentre a diversidade de estudantes a serem contempladas com as políticas educativas de inclusão, encontra-se a pessoa com deficiência cuja inserção no sistema educacional passa a ser percebida na sua dimensão histórica, como processo de reflexão e prática, que possibilita efetivar mudanças conceituais, político e pedagógicas, coerentes com o propósito de tornar efetivo o direito de todos à educação. Focando especificamente o tema da inclusão da pessoa com deficiência na educação superior, esse artigo descreve as ações de acessibilidade que o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, no âmbito da sua missão, vem providenciando para apoiar o processo de aprendizagem de estudantes com deficiência. Embora não se pode considerar que a Universidade Federal do Ceará e o seu subsistema biblioteca não apresentem, na integra, todos os requisitos de acessibilidade, no momento, esse é o caminho que o SB/UFC vem trilhando na tentativa de garantir a permanência de qualidade da pessoa com deficiência na educação superior. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS: CASO DA BVS BIOÉTICA E DIPLOMACIA
EM SAÚDE

Juliana Lourenço Sousa
Neilia Barros Ferreira de Almeida
José Paranaguá de Santana
RESUMO
Apresenta os principais aspectos que motivaram a adoção do sistema Dspace pela BVS
Bioética e Diplomacia em Saúde (BVS BDS). O texto tem como objetivo expor os processos
utilizados e desenvolvidos pela BIREME/OPAS/OMS para permitir a interoperabilidade entre
a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e o sistema
DSpace. Compartilha a experiência do Nethis na adoção do Dspace para a criação do
repositório institucional e da base de dados científica e técnica da BVS BDS. Explica a
metodologia utilizada pela BIREME/OPAS/OMS no processo de compatibilização e
interoperabilidade entre o Dspace, a Metodologia LILACS e seu aplicativo para descrição
bibliográfica LILDBI-Web. Aborda aspectos da transferência dos aplicativos da BVS BDS da
BIREME/OPS/OMS para o Icict/Fiocruz. Descreve a “Oficina de Compartilhamento de
Experiências no uso do Dspace” e o diagnóstico de uso do sistema. Identifica que a equipe do
Nethis considera o Dspace de uso fácil e acredita que esta ferramenta permitirá que todo o
conhecimento produzido pelo núcleo de estudosbem como os itens do acervo da BVS BDS
estejam armazenados em um só local favorecendo a recuperação da informação, além de
informaro resultado de submissão de itens à base de dados LILACS. Conclui-se que este
estudo apresenta uma importante iniciativa no uso do Dspace como um sistema que permite a
interoperabilidade com a metodologia LILACS em benefício da promoção e recuperação da
informação científica e técnica na área da Bioética e Diplomacia em Saúde.
Palavras-Chave:Repositório Institucional; Interoperabilidade; LILACS; BVS Bioética e
Diplomacia em Saúde; DSpace.
ABSTRACT
The main aspects that prompted the adoption of DSpace system for Bioethics and Diplomacy
in Health VHL (VHL BDH) are presented. The text aims to expose the processes used and
developed by BIREME/PAHO/WHO to enable interoperability between the Latin American
and Caribbean Literature on Health Sciences (LILACS) and the DSpace system. Nethis
experience in the adoption of the Dspace platform for the creation of the institutional
repository and the scientific and technical database of VHL BDH is shared. The methodology
used by the BIREME/PAHO/WHO in the process of compatibility and interoperability
between the Dspace, the LILACS methodology and its application to LILDBI-Web
bibliographic description is explained. Aspects of the transfer of the applications of the VHL
BDH applications from BIREME/PAHO/WHO to Icict/Fiocruz are discussed. Describes the

4541

�"Sharing Experiences in using the Dspace workshop" and the diagnosis of use of the system.
It identifies that the Nethis team considers the Dspace of easy use and believes this tool will
allow all the knowledge produced by the Center of Studies, as well as that the items in the
collection of the VHL BDH are stored in one place favoring the recovery of information,
besides it reports of result the submission of items the LILACS database. It is concluded that
this study presents a major initiative in using Dspace as system that enables interoperability
with the LILACS methodology for the benefit of the promotion and recovery of scientific and
technical information in the field of Bioethics and Health Diplomacy.
Keywords: Institutional Repository;
Diplomacy VHL; DSpace.

Interoperability;LILACS;

Bioethics

and

Health

1 Introdução

A Biblioteca Virtual em Saúde Bioética e Diplomacia em Saúde (BVS BDS) foi
inaugurada em julho de 2011 pelo Núcleo de Estudos Sobre Bioética e Diplomacia em Saúde
(Nethis) e adota desde então a metodologia BVS desenvolvida pelo Centro Latino-Americano
e do Caribe em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS).
Com a finalidade de se tornar um espaço virtual que reúne fontes de informações
especializadas em Bioética, Relações Internacionais e Saúde Pública, a BVS tem como
objetivos:
•

Disponibilizar informação que atende aos requisitos de qualidade e de confiabilidade;

•

Melhorar a disponibilidade de informação;

•

Personalizar o fornecimento de informação;

•

Compartilhar o conhecimento científico;

•

Ampliar o debate sobre os temas relacionados à Bioética, Relações Internacionais e
Saúde Pública.
Esta biblioteca foi desenvolvida sob o marco do acesso equitativo e universal à

informação como direito humano fundamental, garantido pela Declaração Universal dos
Direitos Humanos - 1948 (UNESCO, 1998), desta forma, a BVS BDS está disponível on line,
por meio do endereço eletrônico http://bvsbioeticaediplomacia.fiocruz.br/.
A BVS BDS apresenta-se como um importante instrumento para o campo
interdisciplinar da intersecção temática da Bioética, Relações Internacionais e Saúde Pública,
contribuindo para o desenvolvimento de pesquisas, tomada de decisão, elaboração de projetos
e estabelecimento de programas nesta temática.
Os documentos disponíveis em sua base de dados (acervo) passam por um rigoroso
processo de seleção, realizado por uma comissão de seleção científica formada por

4542

�pesquisadores, cientistas e profissionais da informação do Nethis e de instituições de
referência, com o objetivo de oferecer aos usuários, por meio do acesso abertoà informação e
da cooperação técnica em informação científica, documentos confiáveis e de qualidade.
Segundo Almeida, Carrillo Roa e Santana (2014), esta BVS se destacapor sua
temática, pelo desenvolvimento de uma metodologia própria para o processo de seleção
bibliográfica do acervo, bem como, pela iniciativa pioneira do uso do sistema DSpace para
desenvolver seu repositório institucional, assim, como para registro de documentos
científicos.
O objetivo deste artigo é apresentar os processos utilizados e desenvolvidos pela
BIREME/OPAS/OMS para permitir a interoperabilidade entre a Literatura Latino-Americana
e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e o sistemaDSpace, bem como compartilhar a
experiência do Nethis na adoção do Dspace para a criação do repositório institucional e da
base de dados científica e técnica da BVS BDS.
O texto aborda os principais aspectos e a metodologia utilizada no processo de
compatibilização e interoperabilidade entre o Dspace, a Metodologia LILACS e seu aplicativo
para descrição bibliográfica LILDBI-Web;a parceria com o Instituto de Comunicação e
Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), bem como a transferência dos
aplicativos da BVS BDS da BIREME/OPS/OMS para o Icict/Fiocruz; os destaques da Oficina
de Compartilhamento no uso do Dspace;o diagnóstico de utilização do sistema Dspace no
âmbito da BVS BDS e as considerações finais.

2 Revisão de Literatura
A revisão de literatura utilizada neste trabalho aborda algumas definições de
Repositório Institucional que serviram para consolidar o conhecimento e entendimento do
termo e a reafirmação de que os repositórios podem ser utilizados para fins não apenas
acadêmicos e os benefícios de utilizar o sistema Dspace.
Apresenta também o modelo de cooperação técnica seguindo o modelo da BVS e a
metodologia LILACS.

2.1 A criação das bases de dados da BVS BDS e repositório institucional do Nethis

A LILACS é o mais importante e abrangente índice da literatura científica e técnica da
América Latina e Caribe. Criada há 28 anos, os principais objetivos da LILACS são o

4543

�controle bibliográfico e a disseminação da literatura científico-técnica latino-americana e do
Caribe na área da Saúde, ausente nas bases de dados internacionais, além de contribuir para o
aumento da visibilidade, acesso e qualidade da informação em saúde na região.
No modelo BVS de cooperação técnica, estabelecido pelaBIREME/OPAS/OMS, os
países que integram o Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da
Saúde, contribuem com o controle bibliográfico e a disseminação da literatura científicatécnica da região, por meio do desenvolvimento de bases de dados locais, nacionais e a
cooperação na alimentação da base de dados LILACS. Desta maneira, para a indexação e a
descrição bibliográfica de documentos, o modelo da BVS utiliza a metodologia LILACS e o
aplicativo LILDBI-Web respectivamente (BIREME/OPAS/OMS, 2008).
A BVS BDS com a motivação de criar um repositório institucional e realizar o
tratamento da literatura científica-técnica na área de Bioética e Diplomacia em Saúde, com
vistas a contribuir com a LILACS, adotou o sistema Dspace. Esta iniciativa resultou em um
grande desafio para esta BVS, quando optou por utilizar um novo aplicativo para realizar a
indexação e a descrição de seus itens,bem como, servir para a criação do repositório
institucional do Nethis.
Repositórios Institucionais são sistemas disponíveis na web que oferecem facilidades
de depósito e acesso aos objetos digitais, além de gerenciar os documentos digitais, os
repositórios possuem facilidades relacionadas à preservação dos documentos e são sistemas
flexíveis que podem se adequar a várias finalidades. (SHINTAKU; MEIRELLES, 2010).
Shintaku e Meirelles (2010, p.18) ainda consideram que “apesar dos repositórios terem
origem acadêmica, com finalidade de disseminação da literatura científica, estão cada vez
mais sendo utilizados para outros fins”. Apontam como exemplo de uso do Dspace para fins
jurídicos a Biblioteca Digital Jurídica (BDJUR), de bancos de objetos educacionais o Banco
Internacional de Objetos Educacionais (BIOE) e de banco de dados de acervos, o Acervo Tom
Jobin.
O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT, 2012)
considera que:
O DSpace foi desenvolvido para possibilitar a criação de repositórios digitais com
funções de armazenamento, gerenciamento, preservação e visibilidade da produção
intelectual, permitindo sua adoção por outras instituições em forma consorciada
federada. O sistema foi criado de forma a ser facilmente adaptado [...]. O DSpace
permite o gerenciamento da produção científica em qualquer tipo de material digital,
dando-lhe maior visibilidade e garantindo a sua acessibilidade ao longo do tempo.

4544

�Para o Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal -RCAAP (2014) os
principais benefícios do Dspace são: publicar rapidamente a produção científica da sua
instituição; expor os conteúdos aos motores de pesquisa mais comuns, aumentando a
visibilidade; armazenar num único local a produção científica; saber quais documentos
publicar, que versões e quantos downloads foram efetuados para cada um, além de ter um
identificador único para cada documento.
Considerando os benefícios e a flexibilidade dos repositórios institucionais, em
novembro de 2011, o DSpace foi instalado para a BVS BDS, inicialmente composto por duas
comunidades: Literatura Científica e Técnica e Repositório Institucional -NETHIS.
A comunidade Literatura Científica e Técnica como seu próprio nome já diz, possui
documentos de caráter científico e técnico da área de Bioética, Relações Internacionais e
Saúde Pública, por meio desta comunidade também é possível realizar a contribuição à base
de dados LILACS. Atualmente, possui as seguintes coleções: Artigos; Livros e Monografias,
dissertações e teses, conforme Figura 1.

Figura 1- Coleções da Comunidade Literatura Científica e Técnica

Bioética e Diplomacia em Saúde
Página Inicial ^ Literatura Científica e Técnica

_ . _
...
Todo o R e p o s ito rio

Literatura Científica e Técnica
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Consentindo nscos na esperança de cura O processo de consentimento em sujeitos de pesquisa crianças,
adolescentes e suas famílias
Teixeira. Vânia Maria Fernandes (2005)

Bioética, proteção e o fim da vida o paciente como vitima e vetor de patógenos muitirresistentes em UTls
Albuquerque. Isabella Comes Cavalcanti de (2007)

O paradigma da complexidade no século XXI: da filosofia e ética da biologia a uma evolução antropológica e
psicoafetiva em curso
Aleksandrowtcz. Ana Maria Coutinho (2007)

Pesquisas envolvendo seres humanos fundamentos éticos e juridicos da resolução 196/96 do Conselho

Fonte: Print Screen da página inicial do Dspace BV Bioética e Diplomacia em Saúde.
http://repo.bioeticaediplomacia.icict.fiocruz.br:8080/xmlui/handle/123456789/22

A comunidade Repositório Institucional - NETHIS que contém diferentes coleções
tem como objetivo armazenar a memória institucional do Nethis por meio da preservação
digital de todo conteúdo produzido.

4545

�3 Materiais e Métodos
O texto apresenta os estudos e os resultados da interoperabilidade entre o sistema
Dspace e a base de dados LILACS, utilizando como universo de pesquisa a BVS Bioética e
Diplomacia em Saúde.
3.1 Interoperabilidade: como contribuir com a LILACS utilizando o DSpace?
O repositório institucional do Nethis foi desenvolvido no âmbito do projeto de
cooperação técnica entre a BIREME/OPAS/OMS e o Nethis, para o desenvolvimento da BVS
BDS. A BIREME/OPAS/OMS instalou o sistemaDspace para ser utilizado como repositório
institucional, bem como, realizou estudos de interoperabilidade para que mesmo utilizando
outro sistema para descrição bibliográfica, diferente do LILDBI-Web que é um software
utilizado pelas demais Bibliotecas Virtuais em Saúde, a BVS BDS pudesse contribuir com a
base de dados LILACS.
Para

manter

a

interoperabilidade

com

a

metodologia

LILACS,

a

BIREME/OPAS/OMS realizou um estudo dos níveis do padrão Dublin Core Simples e
Qualificado (WIKIPÉDIA, 2014)identificando seus metadados e o padrão de metadados da
LILACS. Após este estudo, foi identificado que a interoperabilidade com a LILACS poderia
ocorrer de duas maneiras: em nível de interface e em nível de dado, como apresentado a
seguir de forma sucinta(BIREME/OPAS/OMS, 2013).

Nível interface:
•

Busca integrada via iAHx516;

•

Metabusca via iAH

c i

n

;

Nível dado:
•

Importação e exportação de dados via arquivo ISO;

•

Exportação de dados via formato MARC;

•

Coleta (harvesting) de dados via OAI-PMH (Open Archives Initiative Protocol for
Metadata Harvesting) com o Index Medicus for South-East Asia Region (IMSEAR)
(SEARO);

•

Interface OAI-PMH para coleta de metadados via repositórios institucionais, tendo
como primeiro case o DSpace;

516Interface de Acesso à Informação em Saúdeintegrada.
511Interfacefor Access on Health Information ou Interface de Acesso à Informação em Saúde

4546

�•

Previsão de coleta de dados via sistemas Open Journal Systems/Sistema Eletrônico de
Editoração de Revistas (OJS/SEER).

Conforme BIREME/OPAS/OMS, 2013, a interoperabilidade pode ser realizada
considerando a adoção de padrões internacionais para descrição de metadados adotados pela
Metodologia LILACS fato que proporcionou até o momento as possibilidades de
interoperabilidade apresentadas acima.
Considerando os níveis de interoperabilidade, a primeira etapa da compatibilização é
técnica, na qual os campos da base de dados LILACS foram compatibilizados com o Dublin
Core Qualificado, adotando-se as seguintes etapas:

1. Redução dos campos LILACS destinados à descrição do tipo de literatura em análise
(artigo de periódico, documento não convencional, teses e monográficos) ao mínimo
possível de modo a possibilitar sua descrição;
2. Classificação dos campos em obrigatórios e essenciais conforme a Metodologia;
3. Compatibilização (De/Para com o Dublin Core Qualified e com Dublin Core existente
no DSpace - DC Library Application Profile).

Abaixo, o Quadro 1 apresenta os novos campos incluídos no DSpace da BVS BDS, são
denominados Dublin Core Estendido, para possibilitar a submissão e a interoperabilidade de
itens à base de dados LILACS, uma vez que uma instância DSpace não possui todos os
campos mínimos exigidos para manter a compatibilidade e por sua vez, a colaboração com a
metodologia LILACS. Os campos definidos como “novos” foram criados, pois não foi
possível realizar uma associação com algum campo existente do DSpace.

4547

�Quadro 1 - Metadados mínimos utilizados no Dspace da BVS Bioética e Diplomacia em
Saúde para uma interoperabilidade com a Metodologia LILACS
Campo
Novo

N° Metodologia LILACS

DC Estendido

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23

[3] - Localização do documento
[4] - Base de dados
[8] - Endereço Eletrônico
[10] - Autor Pessoal (nível analítico)
[11] - Autor Institucional (nível analítico)
[12] - Título (nível analítico)
[14] - Páginas (nível analítico)
[16] - Autor Pessoal (nível monográfico)
[17] - Autor Institucional (nível monográfico)
[18] - Título (nível monográfico)
[20] - Páginas (nível monográfico)
[30] - Título (nível série)
[31] - Volume (nível série)
[32] - Número do Fascículo (nível série)
[35] - ISSN
[40] - Idioma
[49] - Orientador
[50] - Instituição a qual se apresenta
[51] - Título acadêmico
[62] - Editora
[64] - Data de Publicação
[65] - Data Normalizada
[66] - Cidade de Publicação

dc.subj ect.callnumber
dc.source.database
dc.identifier.fullText
dc.contributor.author
dc.contributor.institutional
dc.title
dc.description.analyticalPage
dc.contributor.monographicAuthor
dc.contributor.monographicInstitutional
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dc.identifier.issn
dc.language.iso
dc.contributor.advisor
dc.degree.grantor
dc.degree.level
dc.publisher
dc.date.publication
dc.date.iso
dc.publisher.city

x
x
x

24
25
26
27
28
29
30
31

[67] - País de Publicação
[71] - Tipo de Publicação
[76] - Descritor Pré-codificado
[83] - Resumo
[87] - Descritor Primário
[88] - Descritor Secundário
[653] - Descritor Local
[870] - Área Temática da BVS

dc.publisher.country
dc.subj ect.decsTypePublication
dc.subj ect.decsPreCoded
dc.description.abstract
dc.subj ect.decsPrimary
dc.subj ect.decsSecondary
dc.subj ect.localdescriptor
dc.subject.theme

x
x
x

x
x
x
x
x
x
x
x
x

x
x
x
x
x

x
x
x
x

Fonte: BIREME/OPAS/OMS, 2013
http://wiki.bireme.org/pt/index.php/Metadados m%C3%ADnimos utilizados no projeto Bio%C3%A9tica e
Diplomacia em Sa%C3%BAde.

A partir do trabalho desenvolvido pela BIREME/OPAS/OMS, a BVS BDS passou a
ser a primeira BVS a utilizar o DSpace como um sistema para a indexação e descrição
bibliográfica e um repositório institucional.

4548

�Em resumo, considerando os níveis de interoperabilidade e as etapas de
compatibilização, o fluxo de publicação de conteúdos da BVS BDS definido, conforme figura
2, é que apenas os documentos pertencentes à comunidade Literatura Científica e Técnica que
atenderem aos critérios de seleção da LILACS serão ingressados na base LILACS (com um
outo statuspara diferenciá-los dos documentos que são ingressados no aplicativo LILDBIWeb já que os mesmos não possuem todos os campos do LILDBI).
Os itens LILACS serão disponibilizados para pesquisa por meio das interfaces de
busca integrada (iAHx) e metabusca (iAH) no portal da LILACS, já os documentos
dacomunidadeLiteratura Científica e Técnica que não atendem os critérios de seleção da
LILACS e também não forem produção do núcleo de estudos referentes a comunidade
Repositório Institucional - NETHIS, serão disponibilizados diretamente na interface de busca
integrada (iAHx) da BVS BDS.
Figura 2- fluxo de publicação de conteúdos

http://pt.slideshare.net/ComunidadRedDes/oficina-compartilhamentoexperienciadspacebireme20130430

Considerando que o contexto institucional de fundação do Nethisinclui a Fiocruz, por
intermédio do Centro de Relações Internacionais (Cris/Fiocruz), após o período de instalação,
testes e desenvolvimento das customizações feitas no DSpace para interoperar com a

4549

�LILACS, o portal da BVS BDS e suas fontes de informação que inicialmente foram
hospedados nos servidores da BIREME/OPAS/OMS, foram transferidos para o Instituto de
Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), em junho de
2011 e o DSpace em março de 2013, passando assim, a BVS BDS a fazer parte da rede de
bibliotecas virtuais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Esta transferência dos aplicativos da BVS BDS para a Fiocruz ocorreu em duas fases,
na primeira foram transferidos os aplicativos BVS eLocalizador de Informação em
Saúde(LIS), desta forma, todas as URL’s foram alteradas seguindo o padrão da Fiocruz tendo
como raiz do domínio http://bvsbioeticaediplomacia.fiocruz.br/. Na segunda foi transferido
apenas

o

DSpace

tendo

como

URL

http://repo.bioeticaediplomacia.icict.fiocruz.br:

8080/xmlui/.

4 Resultados Finais
Para consolidar o uso do sistema e com o intuito de compartilhar experiências com
instituições nacionais e internacionais sobre o uso do Dspace na implementação de
repositórios institucionais, a BIREME/OPAS/OMS em parceria com o Nethis realizou a
“Oficina online de compartilhamento de experiências no uso do DSpace” que ocorreu em 30
de abril de 2013.
Os participantes da reunião foram convidados a relatarem suas experiências na criação
e uso do repositório institucionalutilizando o sistema Dspace, de acordo com quatro eixos
temáticos: Política de criação de Repositórios Institucionais; Interoperabilidade; Metadados e
Customizações do DSpace. Na ocasião, cada instituição apresentou seu repositório
institucional, destacando aspectos importantes de seu desenvolvimento e suas experiências.
A Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS) relatou os avanços
com o Repositório ARES, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apresentou os
destaques do repositório Institucional da OPAS, o Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia (IBICT) falou sobre suas diferenciadas experiências no uso Dspace, a
Fiocruz

expôs

suas

experiências

com

o

repositório

institucional

ARCA

e

a

BIREME/OPAS/OMS apresentou o seu relato na implementação do DSpace da BVS BDS.
Esta atividade foi muito importante e também serviu como base de consulta para
aprimorar o desenvolvimento do DSpace no contexto da BVS BDS. A gravação completa da
oficina

está

disponível

por

meio

do endereço

eletrônico:

http://www.youtube.com/watch?v=mxzDOePgzao&amp;feature=youtu.be.

4550

�A partir de julho de 2013, a equipe de bibliotecários do Nethis começou a utilizar
efetivamente o DSpace para realizar a indexação e descrição bibliográfica de seus itens. No
entanto, como a utilização do Dspace no âmbito das BVS é algo inédito, tanto para a equipe
da BIREME/OPAS/OMS que realizou as customizações e os desenvolvimentos necessários,
quanto para a equipe do Nethis que encontra-se em processo de adaptação do novo sistema,
para manter o controle de qualidade dos itens, foi necessário realizar revisões dos itens
descritos e indexados pelo Nethis, uma vez que o DSpace não realiza automaticamente o
controle de erros.
Sendo assim, em setembro de 2013 a BIREME/OPAS/OMS realizou uma reunião com
a equipe do Nethis, que constituiu basicamente na orientação de preenchimento de campos do
DSpace para viabilizar a submissão à LILACS.
Após as orientações e dicas referentes à descrição e indexação, foi necessário realizar
a revisão item por item ingressado no Dspace, desde então a equipe do Nethis segue
melhorando a qualidade da descrição e indexação dos atuais 90 itens.
O processo de revisão e uso do novo sistema, possibilitou a equipe de trabalho do
Nethis gerar feedbacks à BIREME/OPAS/OMS quanto às customizações realizadas no
DSpace, e assim, visando atender as necessidades do Nethis e os requisitos metodológicos da
LILACS, novos campos foram criados ou melhorados, como por exemplo a inclusão de textos
de ajuda em todos os campos para auxiliar o trabalho de descrição bibliográfica.
Para a equipe de bibliotecários do Nethis o Dspace é uma ferramenta de fácil uso que
permite a inclusão de informação em diferentes suportes, no entanto, os metadados permitem
a inclusão de qualquer informação sem controle de erro. Por isso, é necessário ter muita
atenção no preenchimento dos campos, pois se eles não estiverem preenchidos conforme o
padrão LILACS por causa da compatibilidade não será possível incluí-los nesta base de
dados.
Acredita-se que a adoção desta ferramenta tornará (e já vem tornando) o trabalho com
o tratamento da informação mais rápido e permitirá que todo o conhecimento produzido pelo
núcleo de estudos, bem como os itens do acervo da BVS BDS estejam armazenados em um só
local.
O sistema Dspace do Nethis foi adaptado para que a comunidade Literatura Científica
e Técnica pudesse oferecer os campos mínimos necessários para uma recuperação precisa da
informação científica.
Os testes para a inclusão dos registros do Dspace na LILACS iniciaram-se em
novembro de 2013, ocasião em que foi realizada a coleta de 25 registros da coleção

4551

�"monografia, teses e dissertações" e em julho de 2014, após vários ajustes realizados pela
equipe do Nethis nos registros do Dspace sob a orientação da equipe BIREME/OPAS/OMS
foram certificados os 25 registros, baseados nos critérios dequalidade de conteúdo e de
descrição bibliográficada metodologia LILACS.
Estesregistros podem ser consultados por meio das interfaces de pesquisa iAH
(conforme figura 3) e iAHx do Portal da LILACS (http://lilacs.bvsalud.org/)e do Portal de
Pesquisa da BVS (http://bvsalud.org/)que já possui um filtro para a base de dados LILACS,
conforme figura 4.
Figura 3 - Resultado via iAHdo Portal da LILACS

Fonte: Print Screendo resultado de pesquisa de intrface iAH - http://bases.bireme.br/cgibin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;base=LILACS&amp;lang=p&amp;form=A

Figura 4 - Resultado de pesquisa via iAHx Portal de Pesquisa da BVS

Fonte: Print Screendo resultado de pesquisa da intrface iAHx -http://bvsalud.org/

4552

�Com o emprego deste sistema ainda que incipiente é possível observar a importância
desta iniciativa no âmbito das Bibliotecas Virtuais em Saúde, bem como a facilidade de
manuseio do Dspace na inclusão dos mais diversos suportes informacionais.

5 Considerações Finais
Observa-se no texto a importância da utilização de mecanismos que permitam a
interoperabilidade entre aplicativos em prol do registro, promoção e recuperação da
informação científica e técnica.
Foi possível identificar que a temática da biblioteca, bem como o tratamento da
informação são aspectos que tornam a BVS BDS uma biblioteca inovadora, além de permitira
recuperação precisa de documentos sobre uma nova área do conhecimento.
Verifica-se a importância do uso do Dspace para o fortalecimento e compromisso da
BVS BDS com o acesso equitativo e universal à informação, bem como demonstra o interesse
no armazenamento, gerenciamento, preservação e visibilidade da produção intelectual do
Nethis, além da promoção da difusão da informação em Bioética e Diplomacia em Saúde.
Ao organizar uma oficina para o compartilhamento de experiências no uso do DSpace,
percebe-se o compromisso das instituições envolvidas com o intercâmbio de informação e
conhecimento, com a cooperação técnica e colaborativa que são instrumentos fundamentais
para o trabalho em rede e com a otimização dos processos, produtos e serviços prestados aos
usuários.
O texto destaca-se por sua iniciativa na busca da interoperabilidade com a
metodologia LILACS e a realização de estudos com o padrão de metadados Dublin Core
estendido em prol do trabalho colaborativo em rede. Além de apresentar o resultado do
processo de submissão e contribuição de itens à LILACS que cominou na inclusão de 25
registros entre monografias, dissertações e teses.
Desta forma, o trabalho apresenta uma importante iniciativa no uso do sistema Dspace
para a criação do repositório institucional como aplicativo que permite a interoperabilidade
com a metodologia LILACS em benefício da promoção e recuperação da informação
científica e técnica na área da Bioética e Diplomacia em Saúde.

6 Referências
ALMEIDA, N.B.F.; CARRILLO ROA, A; SANTANA, J.P. BVS Bioética e Diplomacia em
Saúde: uma biblioteca inovadora. In: Jornadas APDIS, 11, 2014, Lisboa. Anais... Lisboa:

4553

�APDIS,

2014.

Disponível

em:&lt;http://apdis.pt/publicacoes/index.php/iornadas/article/view/65/74&gt;. Acesso em: 16 maio
de 2014.
BIREME/OPAS/OMS. Interoperabilidade entre LILACS e Dublin Core Qualified.
2013. Disponível
em:&lt;http://wiki.bireme.org/pt/index.php/Interoperabilidade entre LILACS e Dublin Core
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BIREME/OPAS/OMS.

Manual de Procedimentos

BIREME/OPAS/OMS.

jul.

do LILBDI-Web. São Paulo:

2008.

98p.

Disponível

em:&lt;http://metodologia.lilacs.bvsalud.org/download/P/LILACS-3-ManualProcedimentospt.pdf&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
DSPACE.

BVS

Bioética

e

Diplomacia

em

Saúde.

Disponível

em:

&lt;http://repo.bioeticaediplomacia.icict.fiocruz.br:8080/xmlui/handle/123456789/22&gt;. Acesso
em: 25 abr. 2014.
IBICT. Sistema para Construção de Repositórios Institucionais Digitais (DSpace).
Brasília: IBICT, 2012. Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/pesquisa-desenvolvimentotecnologi co-e-inovacao/Sistema-para-Construcao-de-Repositorios-Institucionais-Digitais

&gt;.

Acesso em: 14 maio 2014.
REPOSITÓRIO CIENTÍFICO DE ACESSO ABERTO DE PORTUGAL - RCAAP.Módulo
1 - Introdução ao Open Access e ao DSPACE. Disponível em:
&lt;http://proieto.rcaap.pt/formar/mod1/contents/o sistema dspace.html&gt;. Acesso em: 16 maio
2014.
SHINTAKU, M.; MEIRELLES, R. Manual do Dspace: administração de repositórios.
Salvador: UFBA, 2010. 83 p.
SOUSA, Juliana L. Repositórios Institucionais :case BVS Bioética e Diplomacia em Saúde.
São

Paulo,

2013.

Disponível

em:&lt;http://pt.slideshare.net/ComunidadRedDes/oficina-

compartilhamento-experienciadspacebireme20130430&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
UNESCO. Declaração Universal dos Direitos Humanos(1948).Brasília, 1998. Disponível
em: &lt;http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/ 139423por.pdf&gt;. Acesso em: 15 abr.
2014.
WIKIPEDIA. Dublin Core. Disponível em:&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Dublin Core&gt;.
Acesso em: 20 abr. 2014.

4554

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Sousa, Juliana Lourenço, Almeida, Neilia Barros Ferreira de, Santana, José Paranaguá de</text>
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                <text>Apresenta os principais aspectos que motivaram a adoção do sistema Dspace pela BVS Bioética e Diplomacia em Saúde (BVS BDS). O texto tem como objetivo expor os processos utilizados e desenvolvidos pela BIREME/OPAS/OMS para permitir a interoperabilidade entre a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e o sistema DSpace. Compartilha a experiência do Nethis na adoção do Dspace para a criação do repositório institucional e da base de dados científica e técnica da BVS BDS. Explica a metodologia utilizada pela BIREME/OPAS/OMS no processo de compatibilização e interoperabilidade entre o Dspace, a Metodologia LILACS e seu aplicativo para descrição bibliográfica LILDBI Web. Aborda aspectos da transferência dos aplicativos da BVS BDS da BIREME/OPS/OMS para o Icict/Fiocruz. Descreve a ―Oficina de Compartilhamento de Experiências no uso do Dspace‖ e o diagnóstico de uso do sistema. Identifica que a equipe do Nethis considera o Dspace de uso fácil e acredita que esta ferramenta permitirá que todo o conhecimento produzido pelo núcleo de estudosbem como os itens do acervo da BVS BDS estejam armazenados em um só local favorecendo a recuperação da informação, além de informaro resultado de submissão de itens à base de dados LILACS. Conclui-se que este estudo apresenta uma importante iniciativa no uso do Dspace como um sistema que permite a interoperabilidade com a metodologia LILACS em benefício da promoção e recuperação da informação científica e técnica na área da Bioética e Diplomacia em Saúde.</text>
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                    <text>XVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
SNBU 2014

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: dificuldades e desafios em uma biblioteca
universitária da Amazônia Setentrional

CLIVEA FARIAS SOUTO

RESUMO
O Planejamento Estratégico é uma importante ferramenta de gestão que proporciona maior
segurança e assertividade nas tomadas de decisões dos gestores. Sua aplicação em Bibliotecas
Universitárias pode favorecer à execução de tarefas de forma prática melhorando o
desempenho dessas unidades de informação. Partindo dessa premissa, este trabalho tem o
objetivo de analisar a percepção sobre a execução do Planejamento Estratégico dos
idealizadores na Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima, tencionado para o
período de 2010 - 2014. A pesquisa realizada deu-se por meio de Estudo de caso, com
abordagem qualitativa, empregando as técnicas de coleta: pesquisa documental, entrevista
estruturada, com a equipe gestora do Planejamento Estratégico na Biblioteca e observação
participante; isso possibilitou realizar a triangulação dos dados. Evidenciou-se que os
membros da Comissão do Planejamento Estratégico, os bibliotecários, em sua maioria,
detinham apenas conceitos teóricos sobre o Planejamento Estratégico. Percebeu-se que o
Planejamento Estratégico possibilitou a orquestração de ações, de objetivos a serem atendidos
visando à eficiência e eficácia, no serviço público, os quais obtiveram êxito como o aumento
do número dos bibliotecários, treinamento aos servidores, e aumento do número de
exemplares na Biblioteca e desencadeou a inovação em ações que não tinham sido
programadas oficialmente no plano, como é o caso do Projeto Cinema ao meio-dia na
Biblioteca. Por outro lado verificou-se também, que uma das maiores dificuldades que os
bibliotecários enfrentam para a execução plena do Planejamento Estratégico, concentra-se na
falta de acompanhamento das ações propostas pelo planejamento para o atendimento dos
objetivos do planejamento, somado à falta de recursos financeiros e burocracia. Tudo isso
gerou novos desafios na gestão da Biblioteca no estudo em questão.
Palavras-chave: Planejamento Estratégico. Bibliotecas Universitárias. Bibliotecários.

ABSTRACT
The Strategic Planning is an important management tool that provides greater certainty and
assertiveness in decision making of managers. It is application in University Libraries can
facilitate the implementation of tasks in a practical way to improve the performance of these
units of information. From this premise, this paper aims to analyze the perception on the
implementation of the Strategic Planning creators of the Central Library of the Federal
University of Roraima, tensioned for the period 2010 - 2014. The survey was made by
through case study with a qualitative approach, employing the technues of collection: desk
research, structured interviews with the management team of Strategic Planning in Library
and participant observation; it possible to perform data triangulation. It was evident that the
members of the Committee of the Strategic Planning, librarians, mostly held only theoretical

1522

�concepts about strategic planning. It was noticed that the Strategic Planning has enabled
orchestration actions, the objectives to be reached aiming at efficiency and effectiveness in
public service, which succeeded as the increase in the number of librarians, training for
servers, and increasing the number of copies in library and triggered innovation in actions that
had not been officially scheduled in the plan, such as the Cinema Project at noon in the
Library. On the other hand it was also found that one of the biggest difficulties that librarians
face in the full implementation of the Strategic Planning focuses on the lack of monitoring of
the actions proposed by the planning to meet the goals of planning coupled with the lack of
resources financial and bureaucracy. All this has created new challenges in the management
of the library in the current study.
Keywords: Strategic Planning. University Libraries. Librarians.

1 INTRODUÇÃO
Partindo da ideia de que as organizações não devem apenas trabalhar na base da
improvisação e que o planejamento é um processo, um conjunto de ações, nas quais há
concentração de esforços para analisar o ambiente como um todo (CHIAVENATO, 1999),
faz-se necessário entender os interesses e resultados na adoção do planejamento estratégico,
tanto no setor público quanto no setor privado. Nesse sentido, o planejamento estratégico
tornou-se dentre as técnicas gerenciais mais utilizadas, como uma das opções que melhor se
adapta às novas exigências do ambiente. Isto é explicada pela precisão de se adotar uma
gestão estratégica que enfatize uma constante avaliação das mudanças que estão acontecendo
no ramo de atividade a qual está inserido.
No âmbito da Universidade Federal de Roraima - UFRR, desde 2004, a Biblioteca
Central implantou o Planejamento Estratégico - PE para auxiliar seu processo de gestão. O
processo de planejamento estratégico é uma experiência pioneira nesse setor em relação aos
demais. O objetivo geral deste estudo é analisar a percepção sobre a execução do
Planejamento Estratégico-PE dos idealizadores na Biblioteca Central da Universidade Federal
de Roraima - UFRR, tencionado para o período de 2010 - 2014.
Esta pesquisa é a continuação do trabalho de especialização que abordou o tema
Planejamento Estratégico, o Estudo de caso das Bibliotecas da UFRR, e tem também a
intenção de identificar as dificuldades e, também, os benefícios provindos da implementação
dessa ferramenta relevante à Instituição. A relevância social do estudo se justifica pelo fato de
que as organizações tanto privadas quanto públicas, para a sua sobrevivência, devem lançar
mão de ferramentas que favoreçam seu desempenho, levando em consideração as
necessidades de seus usuários/clientes, com a preocupação de oferecer serviços de qualidade
para essa população (REZENDE, 2011).

1523

�A relevância acadêmica é evidenciada em refletir os afazeres cotidianos dos
Bibliotecários das Universidades Federais no desenvolvimento de suas tarefas, tendo como
suporte ferramentas de gestão, analisando se ocorrem contribuições com essa prática e se elas
são utilizadas em sua plenitude.
Para tanto, esse trabalho está estruturado em cinco sessões, sendo a primeira,
Introdução, a qual apresenta a temática de estudo e o objetivo; a segunda sessão, o Referencial
teórico, explicitando os pilares teóricos acerca da Estratégia, Planejamento Estratégico e
Bibliotecas Universitárias. A terceira sessão apresenta a metodologia, a qual abarca
classificação da pesquisa, técnicas de coleta e análise de dados. Já na quarta sessão, tem-se a
apresentação e análise dos dados, por fim, as Considerações finais seguida das Referências.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Conceitos de planejamento
Compreender os conceitos de planejamento é importante para o seu entendimento e
aplicabilidades nas organizações; pode-se aqui observá-lo como um processo que pode ser
desenvolvido em diversas áreas, podendo ser aplicado tanto na vida pessoal quanto focado na
gestão de empresas. Segundo Oliveira, (2004, p. 35) “o planejamento pode ser conceituado
como um processo, desenvolvido para alcançar uma situação desejada de maneira mais
eficiente, eficaz e efetiva”. Para o autor, esse processo que estabelece um delineamento para
um estado futuro desejado por meios efetivos para torná-lo realidade, justifica que ele
anteceda à decisão e à ação. Nesse sentido, Barros (2005, p.3) reforça o conceito de
planejamento como um processo quando afirma que: “Planejar é um processo. Um processo
que se inicia por uma etapa de questionamento existencial. É quando a empresa pensa seu
destino, revê suas entranhas e olha em volta. Exatamente como deve fazer cada ser humano de
vez em quando”. Verifica-se então que o processo de planejar deva, antes de tudo, levar a
refletir sobre a existência da empresa, seu contexto e seus objetivos futuros.
Para Leitão (1995, p.8) “planejamento é um processo intuitivo ou estruturado que
visa especular sobre o futuro, de forma a possibilitar a tomada de decisões”. O autor indica
observar aspectos da natureza do processo de planejamento, quais sejam: a) a antecipação dos
acontecimentos; b) a preocupação com o futuro da organização; c) a tomada de decisões de
uma forma organizada; d) a preocupação com a eficácia; e) a preocupação com as mudanças
do ambiente externo; f) a correta utilização dos recursos internos; g) o fato de ser o
planejamento um processo técnico, político e social; h) a preocupação com a cultura
organizacional; i) a caracterização de um processo interno de mudanças; j) a identificação da

1524

�necessidade de mudança de mentalidades; e k) a caracterização do processo de aprendizado
institucional.
De acordo com Fernandes (2004, p.2) “o planejamento é caracterizado por decisões
presentes tendo em vista um estado futuro desejável e os caminhos para atingi-lo”.
Corroborando o autor acima, acrescenta ainda que o planejamento gera sinergia com o
controle e, permite a avaliação de desempenho de áreas específicas e das empresas como um
todo.
Conquanto, o planejamento leva a um pensar e repensar no futuro, baseados na
flexibilidade e dinamismo. Isso porque se está envolto de variáveis, internas e externas,
mutáveis (Sociais, Políticas, Econômicas, Legais, Tecnológicas, dentre outras). O
planejamento antevê, prepara à realização de adaptações adversas. Mas, é fundamental se ter
em mente o significado de estratégia, pois esta é que guiará as organizações no alcance aos
seus objetivos.

2.2 Conceitos de estratégia
O termo estratégia tem origem na literatura militar europeia e quer dizer arte do
general. No mundo empresarial a palavra estratégia foi introduzida por Von Neumann e
Mongenstern no livro “ Theory o f games and economic behavior”, um livro sobre teoria dos
jogos, onde se conceituou como estratégia medidas de médio e longo prazo para o
desenvolvimento de produtos e mercados definidos e formas possíveis de alcançá-los
(FERNANDES, 2004).
Contudo, somente na década de 1970 que o uso dos conceitos estratégicos pelas
empresas obteve maior importância, com o surgimento do conceito de segmentação de
empresas em negócios e com a criação das Unidades Estratégicas de Negócio (LEITÃO
1995). O autor ainda afirma que, a palavra estratégia tem amplo uso, não só na área militar,
como também na gestão de empresas e, até mesmo, no dia a dia do cidadão comum. Dessa
forma, não é de se admirar o grande número de significados diferentes para essa expressão.
Já para Almeida (2010, p.21), “estratégia é o caminho que a entidade deverá seguir,
sendo que se pode considerar uma decisão mais estratégica à medida que seja mais difícil
voltar atrás e tenha uma interferência maior em toda a entidade”. Segundo Leitão (1995, p.60)
“estratégias são caminhos alternativos escolhidos para se alcançar os objetivos”. Para o autor
outro significado da palavra, em seu uso comum, é o de comportamento, utilizado por uma
pessoa ou uma organização para alcançar seus objetivos. A estratégia se apresenta como um

1525

�caminho, uma forma de pensar no futuro, para que dessa forma se alcance os objetivos
estipulados pela organização (HUNGER; WHEELEN, 2002; OLIVEIRA, 2004; REZENDE,
2011). Ansoff e McDonnell (2009, p. 75) apresentam a estratégia como “[...] uma ferramenta
que oferece importante ajuda para lidar com a turbulência enfrentada pelas empresas, a perda
de relevância sentida pelas universidades, a deterioração de organismos de cumprimento da
lei, [...] merece atenção como uma ferramenta de gestão [...]”

Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2009, p. 23) “[...] a formulação de estratégias
não tem a ver apenas com valores e visão, competências e capacidades”, eles afirmam que a
palavra estratégia é muito fluente e geralmente é definida de uma forma e usada de outra. Ela
é um padrão, isto é, coerência em comportamento ao longo do tempo. Percebe-se que os
autores coadunam o aspecto que transfigura a simples realização da estratégia; ela pode e
deve ser incorporada aos procedimentos, à forma de ser das empresas, e com o passar do
tempo, reajustada, mesmo padronizando-se.

2.3 O Planejamento Estratégico
O planejamento estratégico é uma ferramenta de trabalho que facilita às organizações
lidar com situações de mudanças, constituindo-se num excelente instrumento de gestão. Ele é
fundamental para a sobrevivência das organizações privadas ou públicas e, deve ser
elaborado, implantado e avaliado a partir de estudos e pesquisas que relatam sua definição,
importância, benefícios e resultados, os quais devem ser discutidos, adaptados, sedimentados
e aceitos por todos na organização, por meio de uma metodologia adequada (REZENDE,
2008b apud REZENDE, 2011). O autor ressalta que para as organizações privadas, essas
definições devem levar em conta o negócio e o sucesso de seus produtos ou serviços; já para
as organizações públicas esses conceitos devem levar em conta a sua atividade e o êxito de
seus serviços, considerando as legislações importantes, as questões sociais e a qualidade de
vida dos cidadãos.
Encontra-se na literatura diversas definições de planejamento estratégico. De acordo
com Oliveira (2004) o planejamento estratégico é o processo administrativo que proporciona
sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pela empresa e
que o conhecimento detalhado de uma metodologia de elaboração e implementação do
planejamento estratégico nas empresas propicia ao executivo, embasamento teórico
necessário para otimizar sua aplicação.

1526

�Observando-se a alocação do planejamento estratégico em uma empresa, Fischimann
e Almeida (2009) afirmam que a administração das organizações é dividida em três níveis
distintos: a) o estratégico: que dá a direção à organização adaptando-a ao meio ambiente; b) o
administrativo: que cuida do relacionamento e integração interna da organização; e c) o
operacional: que cuida das operações da organização. Entende-se então, o planejamento
estratégico como uma técnica administrativa que, por meio da análise do ambiente interno e
externo de uma organização, toma a consciência de suas oportunidades e ameaças, forças e
fraquezas para o cumprimento da sua missão.
Para Rezende (2011, p.7) “o planejamento estratégico organizacional é um processo
dinâmico, sistêmico, coletivo, participativo e contínuo para determinação dos objetivos,
estratégias e ações da organização [...]”. Este planejamento é uma forma participativa e
contínua de pensar a organização no presente e no futuro. É um recurso indispensável para a
tomada de decisão na organização, estando relacionado com o sucesso para as organizações
privadas e com o êxito para as organizações públicas (REZENDE, 2011). Ansoff e
McDonnell (2009, p. 38) acrescentam que “no Planejamento Estratégico não se espera
necessariamente que o futuro represente um progresso em relação ao passado e tão pouco se
acredita que seja extrapolável”.
De forma a organizar a realização e implementação da ferramenta de planejamento
estratégico, tem-se algumas metodologias, as quais apresentam as etapas do planejamento. É
importante ressaltar que para a formulação desse tipo de planejamento é relevante observar o
negócio ou atividade da organização, sendo que a palavra negócio está mais direcionada para
as organizações privadas, enquanto que, a palavra atividade está ligada às organizações
públicas (REZENDE, 2011). O autor ressalta que para as organizações privadas o negócio é a
atuação principal e diferenciada da mesma, é o entendimento do principal benefício esperado
pelo cliente da organização, já para a organização pública a atividade é a sua atuação principal
e diferenciada, definindo, validando ou revisando os serviços dessa organização, devendo
resultar em ganhos sociais. Deve ser observado, também, o mercado-alvo da organização, o
qual para a empresa privada diz respeito a quem quer vender seus produtos, e para as
organizações públicas refere-se a quem quer prestar seus serviços.
A metodologia e as etapas de um planejamento estratégico não é algo rígido,
variando tanto entre autores como entre organizações. Apresentar-se-á aqui, para um melhor
entendimento e verificação da sua aplicação em bibliotecas universitárias, a metodologia de
Bryson, (1989) apud Barbalho (1997). Esta metodologia e suas etapas estão divididas em: a)
Mandato; b) Missão; c) Análise do ambiente externo e interno; d) Questões estratégicas; e)

1527

�Obstáculos; e, f) Propostas estratégicas (BARBALHO; BERAQUET, 1995; MACIEL;
MENDONÇA, 2006).
O Mandato, diz respeito à descrição do que a unidade de informação deveria fazer
em conformidade com as obrigações institucionais estabelecidas nos documentos que a
formalizam como, exemplo, regimentos e estatutos, devendo ser redigido de forma clara. Já a
Missão, focando a questão das Bibliotecas Universitárias, como estas pertencem a uma
organização maior, o estabelecimento de sua missão necessariamente deverá estar
intimamente sintonizado com a missão dessa organização. A redação de um documento que
estabeleça a missão sumarizando os valores-chave dos serviços prestados ajudará a clarear a
posição da biblioteca em seu ambiente e servirá de base para a comissão encarregada do
Planejamento Estratégico refletir sobre as possíveis estratégias para o alcance de seus
objetivos (BARBALHO; BERAQUET, 1995; MACIEL; MENDONÇA, 2006).
A Análise do ambiente externo ou macroambiente implica no conhecimento e
monitoramento das potencialidades, tendências e forças do mercado no qual a biblioteca está
inserida, identificando as oportunidades e ameaças com as quais ela poderá vir a se defrontar.
Outrossim, a Análise do ambiente interno está relacionada aos pontos fortes e pontos fracos
da organização; essa ação consiste em uma avaliação minuciosa do desempenho da própria
biblioteca, observando os fatores que contribuem positivamente para o alcance da sua eficácia
e as dificuldades que a impedem.
Já nas Questões estratégicas, estas representam um elo entre as análises realizadas
anteriormente e os objetivos almejados pela biblioteca, o papel que ela irá representar no
futuro (BARBALHO; BERAQUET, 1995; MACIEL; MENDONÇA, 2006). No que diz
respeito aos Obstáculos, é necessária a identificação de tudo o que possa contestar as questões
estratégicas, para isso, é preciso que o profissional que atua nas bibliotecas, seja criativo e
inovador, permitindo o surgimento de soluções autênticas no lugar das adaptações
inadequadas.
Porquanto, as Propostas estratégicas devem estar de acordo com a filosofia e as
políticas adotadas pela biblioteca devendo seguir os seguintes passos: a) definir alternativas
de ação; b) identificar as ações necessárias para a sua implementação; e c) determinar prazos e
responsáveis pelas ações a serem executadas. Os passos da Proposta estratégica levam ao
estabelecimento de ações que serão implementadas por meio dos planos de ações, que
traduzem as ações a serem implementadas, os responsáveis, os prazos, o custo da ação, assim
como, os indicadores de controle.

1528

�Após a identificação das etapas do planejamento estratégico, é relevante saber que
nesse documento, devem estar contidas as estratégias da organização, que estão relacionadas
com a escolha do seu futuro e com o atendimento dos seus objetivos. A execução das
estratégias da organização será realizada por meio de planos de ações, que são atividades para
atender ou detalhar as estratégias formalizadas da organização (REZENDE, 2011). O autor
ainda afirma que para alguns administradores, os planos de ações são chamados de planos de
trabalho; esses devem ser formalizados com atividades para toda equipe multidisciplinar
envolvida, definindo as ações, atividades ou tarefas a serem elaboradas, responsáveis pelas
ações; período ou tempo para realizá-las e recursos necessários para a sua realização.

2.4 O Planejamento Estratégico em bibliotecas universitárias
As bibliotecas universitárias possuem a missão de prover a infraestrutura bibliográfica,
documentária e informacional para apoiar as atividades da universidade, centrando seus
objetivos nas necessidades de informação do indivíduo, membro da comunidade universitária
(TARAPANOFF, 1981 apud RUSSO, 2003). Compreende-se, portanto que esta infraestrutura
deve estar organizada adequadamente, para satisfazer as necessidades dos usuários. Com
relação a isso, Milanese (1988, p. 72) afirma que “uma medida da qualidade de uma
instituição de ensino superior é a excelência de sua biblioteca”.
Dessa forma, organizar, preservar e disseminar a informação nas bibliotecas
universitárias deve levar em consideração as necessidades de cada usuário em que produtos e
serviços específicos devem ser disponibilizados de acordo com suas características, além da
adequação do espaço físico, de forma a atrair usuários potenciais e manter condições ideais à
motivação do seu uso (MATTOS; PINHEIRO, 2006). Por conta disso, organizar e gerenciar
essa nova biblioteca universitária consiste em um desafio para o profissional bibliotecário,
que deve buscar se qualificar de acordo com as necessidades desse novo ambiente
informacional, de modo a tornar cada vez mais efetivo o desempenho das unidades de
informação, ampliando e melhorando a imagem dessas organizações (RUSSO, 2003).
A função do planejamento é de determinar a direção a seguir, medindo os recursos
disponíveis e os necessários, implicando na compreensão das mudanças provenientes do
mercado, bem como, da sensibilidade para identificação e canalização dessas mudanças de
forma positiva para as unidades de informação (BARBALHO; BERAQUET, 1995). As
autoras ainda afirmam que essas funções devem apoiar o processo decisório, trazendo maior
racionalidade às decisões na organização, orientando suas ações, implicando, no entanto, que

1529

�a unidade conheça sua área de eficiência e eficácia. Maciel e Mendonça (2006, p. 60) afirmam
que “as bibliotecas contemporâneas têm que ser gerenciadas de acordo com as práticas
modernas, considerando as forças do mercado e o atual ambiente econômico”. As autoras
ainda afirmam que, se esses profissionais levarem a sério o futuro dos seus serviços e o
planejarem estarão permitindo que novas tendências se estabeleçam, novos serviços sejam
criados e novas oportunidades surjam, pois o ambiente da biblioteca muda e é melhor lidar
com algo que já havia sido planejado do que com uma situação súbita e inesperada.
Maciel e Mendonça (2006, p.61) ainda acrescentam “o Planejamento Estratégico,
enquanto metodologia de pensamento participativo, inicia-se com o envolvimento da alta
administração e gerentes de setores, estendendo-se posteriormente a todas as áreas da
organização”. Hayes (1994 apud RAMOS, 1999) ressalta que o planejamento oferece
contribuições valiosas em aspectos como: análise das funções de gerência nos diversos níveis
da biblioteca; visualização do futuro por meio da introdução de técnicas de previsão
qualitativas e quantitativas; custos operacionais; serviços na biblioteca com a introdução de
normas e medidas de avaliação das atividades da biblioteca.
Acredita-se, que o Planejamento Estratégico utilizado em Bibliotecas universitárias
oferece subsídios que facilitarão a adequação desses setores às novas mudanças do mercado,
com a melhoria dos seus serviços.

3 METODOLOGIA
3.1 Caracterização da Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima (UFRR)
A UFRR possui duas bibliotecas universitárias, a Biblioteca Central e a Biblioteca
Setorial do Centro de Ciências Agrárias - CCA. A Biblioteca Central foi criada em 10 de
Janeiro de 1992, através da Resolução 038/92 CUNI, e possui uma área total construída de
2.042 m2, com vistas à expansão, funciona no Campus do Paricarana, e conta com um acervo
de 34.000 títulos e cerca de 100.000 exemplares de materiais bibliográficos (UFRR, 2003,
2011). Por conta do crescimento da Instituição houve a necessidade de criação de uma
biblioteca setorial junto aos cursos desenvolvidos em um dos campus do interior, seguindo as
exigências do Ministério da Educação e Cultura - MEC, a Instituição cria em 2001, a
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias- CCA, que encontra-se localizada no
Campus do Cauamé - Monte Cristo - Boa Vista-RR, dispõe de uma estrutura semelhante a da
Biblioteca Central e comporta todo o acervo na área de Ciências Agrárias, visando atender
especificamente a comunidade acadêmica dos Cursos de Agronomia e Zootecnia.
A estrutura organizacional da Biblioteca Central é composta pela Direção da

1530

�Biblioteca e bibliotecários responsáveis por setores. Fazem parte dela ao todo 14 servidores,
dos quais sete ocupam cargos de gestão.
Em análise documental, identificou-se que o diagnóstico apresentado no primeiro
Planejamento Estratégico da Biblioteca Central afirma que, até 2001, a biblioteca possuía
apenas uma bibliotecária, o que gerou impactos negativos para toda a comunidade da
universidade, visto que seus serviços se resumiam a: empréstimo domiciliar e consulta local,
sendo que seu acervo não era catalogado, estava desatualizado e deteriorado, e a clientela
estava excluída das mídias digitais de informação (UFRR, 2010).
Depois de alguns êxitos, foi elaborado um novo PE (2010-2014) no sentido de
alcançar maior eficiência e eficácia nos serviços prestados à comunidade acadêmica. No
Planejamento Estratégico que iniciou-se no ano de 2010, fizeram parte da Comissão oito
bibliotecários dos setores: Direção da Biblioteca Central, Processamento técnico,
Desenvolvimento de Coleções, Setor de Referência, Setor de Periódicos e Biblioteca Setorial
do Centro de Ciências Agrárias.

3.2 Dos procedimentos metodológicos
Tendo o objetivo geral de analisar a percepção sobre a execução do Planejamento
Estratégico-PE dos idealizadores na Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima UFRR, tencionado para o período de 2010 - 2014, realizou-se um estudo de caso, que para
Gil (2010, p. 57) “é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos
objetos [...]”. Quanto à abordagem de pesquisa, esta se classifica como qualitativa,
configurando-se também, como pesquisa exploratória a qual segundo Gil (2010, p. 27) “tem
como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias [...]”. Esta
investigação se ajusta como um estudo descritivo que em algumas vezes vão além da simples
identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo determinar a natureza
dessa relação (GIL, 2010).
No que diz respeito à técnica de coleta de dados fora realizada análise documental,
observação participante e entrevista estruturada aos bibliotecários da Biblioteca Central da
UFRR. Os documentos que foram analisados constituíram-se de: Planejamento Estratégico
2010-2014 e Relatórios Anuais da Biblioteca Central. Já as entrevistas, estas foram guiadas
por roteiros de perguntas abertas, que tem relação fixa de perguntas cuja ordem e redação
permanece invariável para todos os entrevistados (GIL, 2010). O total da população-alvo de
bibliotecários da UFRR, participantes do Planejamento Estratégico é sete, em função de

1531

�serem os elaboradores do documento. Mediante a utilização de três fontes de dados, fez-se a
Triangulação dos mesmos (COLLIS; HUSSEY, 2005).
Já no que se refere à técnica de análise de dados, por tratar-se de pesquisa qualitativa,
utilizou-se da análise de conteúdo, a qual segundo Vieira e Zouain (2005, p. 102) indicam que
“[...] a análise de conteúdo visa o conhecimento de variáveis de ordem psicológica,
sociológica, histórica etc., por meio de um processo de dedução com base em indicadores
reconstruídos a partir de uma amostra de mensagens específicas”. Nesse estudo utilizou-se
(BARDIN, 2011): a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados: a
inferência e a interpretação, partindo de categorias de análise, a saber: Percepção e
Perspectivas dos Bibliotecários acerca do Planejamento Estratégico e Resultados, Benefícios,
dificuldades e Sugestões ao Planejamento Estratégico da UFRR. Os entrevistados, membros
(bibliotecários) da Comissão de Elaboração do PE, foram identificados como Entrevistados
A, B, C, D, E, F e G.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
4.1 Planejamento Estratégico da Biblioteca Central da UFRR: alguns apontamentos
O cenário da elaboração do Planejamento Estratégico do ano de 2004 era bastante
promissor, pois o Governo, a época, preparara ações específicas para as Universidades
federais, o que proporcionava e estimulava a estruturação de Planejamento por meio de ações
que visassem à qualidade na oferta dos serviços públicos. Pode-se observar a realidade em
que se encontravam as bibliotecas no trecho a seguir:

Os desafios eram enormes, apesar do esforço diário, a grande demanda dos
usuários por atendimento e o volume de atividades a serem efetivadas eram
significativamente comprometidas, pois as duas Bibliotecas possuíam apenas
duas bibliotecárias, sendo ambas contratadas (UFRR, 2010, p.6)

É natural que as dificuldades se apresentem no início de grandes empreendimentos,
mas a determinação e a organização levam ao sucesso paulatinamente. Após a implementação
do Planejamento Estratégico de 2004, com a elaboração de planos anuais, foram obtidos
alguns resultados. De acordo com plano estratégico (UFRR, 2010), são eles:

20. a Biblioteca Central possui seus setores divididos, conforme o padrão nacional de
de bibliotecas universitárias; cada setor com seus profissionais específicos,
perfazendo o número de 12 (doze) bibliotecários assim distribuídos: Direção,
Referência (atendimento ao usuário), Processamento técnico, Desenvolvimento de

1532

�Coleções, Setor de periódicos, Biblioteca digital e Multimeios, além da Biblioteca
Setorial do CCA. Todos esses bibliotecários são concursados;
21. de acordo com as estatísticas de 2009, percebe-se que as duas bibliotecas quase
dobraram o número de exemplares de livros de 29.000 em 2004 para mais de
50.000 atuais, além de também dobrarem o número de empréstimos de materiais
de 300 unidades diárias em 2004 para 600 atuais;
22. em 2005, a Biblioteca Central recebeu seu novo prédio, quatro vezes maior que o
antigo. Os recursos para construção foram captados pelo Reitor (à época) junto ao
MEC;
23. a Biblioteca Central aumentou o número de treinamentos de usuários, o que levou
a UFRR a atingir a marca de terceiro lugar na Amazônia em acessos ao Portal da
CAPES, além de criar estreitos vínculos entre a Biblioteca e a comunidade
universitária;
24. houve adesão a novos convênios para disseminação de informações geradas pela
UFRR, como a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) e o Catálogo
Coletivo Nacional de Publicações Periódicas (CCN);
25. a Biblioteca Central lançou o livro Normas para Apresentação de Trabalhos
Técnico-científicos da UFRR, que facilitou as atividades de orientação dos
trabalhos dos alunos e, ainda, cultivou o respeito da comunidade para com as
bibliotecas; e
26. realizaram atividades de relações públicas com a participação em eventos em
Roraima e no Brasil, bem como a realização de eventos no Estado.

Tais ações fizeram com que a Biblioteca Central e a Setorial conquistassem o
reconhecimento regional e nacional, enquanto biblioteca universitária ativa e eficiente.
Avaliando-se o proposto pelo PE planejado em 2004 frente aos resultados alcançados em sua
vigência, percebe-se êxito nas ações empreendidas. Isso demonstra a importância dos
Planejamentos Estratégicos como instrumento de gestão, também na administração de
bibliotecas.
Todas as atividades realizadas nos últimos quatro anos fizeram com que as
bibliotecas se envolvessem totalmente com o cotidiano acadêmico dos usuários, difundindo a
noção de que, não é só a comunidade que vai à biblioteca, ela também ultrapassa seu espaço
de atuação e vai à comunidade (UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA, 2010). Isso
ressoa nas palavras de Milanese (1988), o qual já pontuara que a qualidade das Instituições de

1533

�Ensino Superior repousa, também, na excelência de sua biblioteca.
Por esse histórico pode-se observar os avanços que as bibliotecas da UFRR
conquistaram por meio de uma gestão planejada e organizada, fazendo uso do Planejamento
Estratégico. Partindo dessa realidade, deu-se a continuidade na elaboração do Planejamento
Estratégico para os anos 2010 a 2014, objeto deste estudo.
A Biblioteca Central da UFRR já vinha adotando metodologias de planejamento
desde 2004, visando traçar caminhos que pudessem garantir a qualidade de prestação dos seus
serviços à comunidade. Na segunda versão do planejamento que fora pensado para os anos
2010-2014, as estratégias se diversificaram, mas as intenções são as mesmas da primeira
versão: orientar as tomadas de decisão da Biblioteca, prover de forma antecipada a
determinação dos objetivos e fornecer uma visão de futuro (UFRR, 2010).
Vale destacar que apesar dos serviços das bibliotecas da UFRR serem abertos à toda
comunidade roraimense, o planejamento e o direcionamento dos recursos dessas bibliotecas
são voltados totalmente para atender às necessidades da clientela primária composta por
alunos, professores e funcionários da UFRR. Ao contrário do primeiro planejamento
estratégico, este foi feito com a colaboração de todos os bibliotecários da Instituição e, por
esse motivo, a missão e a visão das bibliotecas foram reconfiguradas. Juntos, os profissionais
vislumbraram o que as bibliotecas da UFRR queriam ser, onde elas queriam chegar e o que
elas deveriam fazer para chegar onde desejavam.
Na construção desse novo ciclo de realizações, ressalta-se a importância da
Administração Superior que, durante os últimos dez anos, vem apoiando de forma irrestrita os
planos e projetos das Bibliotecas da Instituição (UFRR, 2010).
Dentre as estratégias a serem alcançadas pode-se citar:
Contribuir para a obtenção e difusão do conhecimento entre os usuários, bem
como promover a educação permanente acerca da utilização eficiente dos
recursos informacionais, contribuindo assim para sua formação profissional
e cidadã; promover serviços que disponibilizem informações científicas e
tecnológicas atualizadas e retrospectivas, de forma ágil, processada
tecnicamente, pertinente e segmentada de acordo com as especificidades da
clientela; disponibilizar um espaço físico e virtual que promova a utilização
efetiva dos serviços da Biblioteca, com mobiliário e equipamentos
funcionais, esteticamente agradáveis e que sigam as normas e padrões
nacionais; manter um quadro de pessoal necessário à manutenção dos
serviços, com alto nível de eficiência e de comprometimento com os
trabalhos [...] (UFRR, 2010, p.13).

1534

�Desta forma, o Planejamento foi orquestrado, está sendo executado e a Comunidade
acadêmica, a Instituição e a Sociedade como um todo, está colhendo os frutos de sua
implantação de maneira satisfatória, pois a maioria das suas ações já foram implementadas.

4.2 Percepção e Perspectivas dos Bibliotecários acerca do Planejamento Estratégico
Para a consecução da pesquisa foram entrevistados sete bibliotecários identificados
como entrevistados A, B, C, D, E, F e G. Pode-se observar que os entrevistados em sua
maioria são do gênero feminino, estão na faixa etária entre 28 a 43 anos, trabalham no serviço
público, em média de 3 a 14 anos e na Biblioteca Central, em média de 4 a 14 anos. No que se
refere à escolaridade, todos são pós-graduados. Esses dados refletem que os membros da
Comissão conheciam a realidade da Biblioteca e fizeram parte desse processo de transição
antes e depois da implementação do Planejamento Estratégico.
O roteiro que guiou as entrevistas fora composto de seis questões, dentre as quais,
duas fizeram menção à percepção e as perspectivas dos bibliotecários acerca do Planejamento
Estratégico. Como já mencionado na seção 3, esta pesquisa possui abordagem qualitativa,
mas decidiu-se por compilar gráficos para uma melhor apresentação do conteúdo das
entrevistas. Apresenta-se em gráficos, a porcentagem de cada resposta dada pelo público
estudado. Na primeira questão procurou-se saber se os entrevistados tinham noção e
experiência do que fosse o Planejamento estratégico quando participaram da elaboração desse
documento na Biblioteca Central da UFRR. Verificou-se que seis dos entrevistados tinham a
noção do que fosse um Planejamento Estratégico em função de suas graduações. Apenas uma
entrevistada já trabalhara com o planejamento, conforme pode ser verificado no Gráfico 1:

Gráfico 1: Percepção do Planejamento Estratégico

1535

�Tais resultados comprovam-se nas falas dos entrevistados: Entrevistado A, “noção
sim, não sabia de sua efetividade”; entrevistada B, “antes de trabalhar na UFRR, eu sempre
trabalhei com planejamento”. A entrevistada G, “sim, eu vi numa disciplina na faculdade, mas
só a parte teórica”. Nota-se que nem todos possuíam experiência na elaboração de um PE,
mas uma noção do que seria essa estratégia; isso não inviabiliza a operacionalização do
mesmo, mas indica à organização que tenha um cuidado maior na formatação da equipe que
elabora o Planejamento. Isso vem ao encontro do exposto na literatura, a qual indica que a
ferramenta de Planejamento Estratégico pode e deve ser utilizada em qualquer empresa, seja
pública ou privada, mas deve primar pelo conhecimento profundo de sua metodologia
(MACIEL; MENDONÇA, 2006; OLIVEIRA, 2004; REZENDE, 2011).
No que tange às perspectivas ao Planejamento Estratégico, procurou-se saber quais
perspectivas os bibliotecários possuíam, quando participaram da formulação do Planejamento
estratégico 2010-2014. Viu-se que dos sete entrevistados, seis deles sinalizaram que tinham
uma perspectiva de futuro quanto à utilização da ferramenta (Entrevistados B; C; D; E; F e
G). Apenas o entrevistado A respondera que não vislumbrava perspectivas, em um primeiro
momento; até se deparar com os resultados proporcionados pela ferramenta. Observe Gráfico
2 a seguir.

Gráfico 2: Perspectivas ao Planejamento Estratégico

No tocante aos resultados e benefícios da aplicação do Planejamento Estratégico na
Biblioteca Central, conforme mencionado por todos os entrevistados tem-se: a contratação de
novos profissionais para atuarem nos setores previstos no planejamento, como o Setor de
Multimeios, Setor de Desenvolvimento de Coleções, Biblioteca Digital, Setor de Referência e
a ampliação do prédio e do acervo. Isso se soma, por exemplo, ao projeto Cinema ao meio

1536

�dia, o qual fora estruturado no Plano de ação, mesmo não constando no Planejamento
Estratégico.
Os benefícios são claros quando se observa não só a criação dos setores, mas a
criação, consequentemente, de novos serviços que passaram a ser oferecidos à comunidade
acadêmica. A previsão que se tem quando se cria um Planejamento Estratégico é a de
resultados satisfatórios; ele é um recurso indispensável para a tomada de decisão na
organização, estando relacionado com o sucesso das mesmas, independente se privadas ou
públicas (REZENDE, 2011). Nesse ínterim, vê-se que o PE é uma ferramenta de gestão que
não apenas executa o previsto, mas estimula a iniciativa à reflexão da criação de novas ações.
Antes de tudo, o PE é uma ferramenta que possui caráter dinâmico, se assim seus gestores a
tomarem, por meio de uma postura de reflexividade e criticidade; isso encontra amparo nas
palavras de Hayes (1994 apud RAMOS, 1999) o qual pontua que o PE oferece contribuições
de grande valia ao proporcionar uma análise das várias funções de gerência nos diversos
níveis da biblioteca, assim como a visualização do futuro por meio de técnicas de previsão
qualitativa e quantitativa.
No que tange às dificuldades, foi destacado por todos os entrevistados a falta de
avaliação e controle, como posto na fala da entrevistada B “[...] nós não podemos criar o
planejamento, virar um documento e a gente não olhar mais [...]”. Outra questão tratada é a
necessidade de uma boa articulação por parte dos gestores com a administração superior para
se conseguir verbas para o alcance do que é previsto no Planejamento conforme destacado
pela entrevistada F “de nada adianta fazer o Planejamento Estratégico se não tiver né (sic) o
apoio financeiro”. O controle, a avaliação é parte essencial de todo Planejamento estratégico
(HAYES, 1994 apud RAMOS, 1999), assim como o suporte para sua implementação, o que
para isso é fundamental a participação da Alta administração (MACIEL; MENDONÇA,
2006).
Foi destacado também a necessidade de recursos humanos e materiais, necessários
para o desenvolvimento das ações e cumprimento das metas. Aquisição de equipamentos de
trabalho que possam auxiliar na eficácia dos serviços, como software de qualidade conforme a
realidade e a necessidade da biblioteca e de seus usuários.
Como sugestões os entrevistados apontaram, resgatar o acompanhamento e controle
participativo; que os planos de ações e relatórios anuais sejam executados e apresentados
regularmente para que a análise final do Planejamento Estratégico possa ser realizada sem
maiores problemas relativo à falta de informações, desejo este ressaltado na fala da

1537

�entrevistada F “quero a continuidade dele, porque de nada adianta você começar um
Planejamento e abandonar”.
Destaca-se na questão das sugestões, a necessidade de se criar o planejamento,
cumprir suas etapas e avaliá-lo regularmente. Sua execução se dará por meio dos planos
contidos nas propostas estratégicas, as quais os passos dessas propostas levam ao
estabelecimento de ações que serão implementadas por meio dos planos de ações, que
traduzem as ações a serem implementadas, os responsáveis, os prazos, o custo da ação, assim
como,

os indicadores de controle (BARBALHO; BERAQUET,

1995; MACIEL;

MENDONÇA, 2006).
Percebe-se que mesmo uma empresa pública precisa estar ciente de que a captação
de recursos nem sempre atende satisfatoriamente o que está previsto no PE, em função da
burocracia e a limitação desses recursos. Mas, mesmo assim, as organizações públicas podem
implementar ferramentas de gestão de forma à alcançar eficiência e eficácia na prestação de
serviços à sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A aplicação desse estudo realizou-se com o intuito de analisar a execução do
Planejamento Estratégico na Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima - UFRR
no período de 2010-2014, acerca das perspectivas, dificuldades e sugestões na percepção dos
idealizadores, e resultados alcançados pelo PE.
A compreensão acerca do Planejamento Estratégico para a maioria dos entrevistados
era apenas teórica, após a construção do documento e sua aplicação é que se percebeu sua
importância; observou-se, também, a grande satisfação dos profissionais com o uso dessa
ferramenta, na qual se constataram excelentes resultados. Como resultado atingido,
identificou-se que o PE, permite que o direcionamento das atividades sejam conduzidas por
um plano e não decididas de maneira aleatória; no entanto, a falta de acompanhamento e
avaliação foi colocado como a grande dificuldade encontrada.
Concluiu-se que, embora se tenha dificuldades para executar de maneira plena o
Planejamento Estratégico, pois se deparam com problemas como: o excesso de burocracia, a
falta de recursos humanos e a disponibilidade de verbas, o planejamento traz benefícios a
longo prazo, e se bem executado pode atingir seu objetivo de forma completa e satisfatória.

1538

�Por isso, a importância dos bibliotecários conhecerem esse tipo de ferramenta de gestão, sua
aplicabilidade e formas de avaliação.
Em suma, ficou evidente que as formas e os instrumentos de gerenciamento atuais
como o PE exigem controles e investimentos em novas tecnologias, e que sua consecução em
bibliotecas universitárias requer mudanças. No que se refere à importância da aplicação dessa
pesquisa particularizada sobre o tema ficou notório que o uso do PE vem dando suporte para a
tomada de decisão aos gestores dentro das unidades e seu uso apresentou resultados
satisfatórios, embora nem sempre em sua totalidade.

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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>Planejamento estratégico: dificuldades e desafios em uma biblioteca universitária da Amazônia Setentrional.</text>
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                <text>Souto, Clivea Farias</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFMG</text>
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                <text>O Planejamento Estratégico é uma importante ferramenta de gestão que proporciona maior segurança e assertividade nas tomadas de decisões dos gestores. Sua aplicação em Bibliotecas Universitárias pode favorecer à execução de tarefas de forma prática melhorando o desempenho dessas unidades de informação. Partindo dessa premissa, este trabalho tem o objetivo de analisar a percepção sobre a execução do Planejamento Estratégico dos idealizadores na Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima, tencionado para o período de 2010 – 2014. A pesquisa realizada deu-se por meio de Estudo de caso, com abordagem qualitativa, empregando as técnicas de coleta: pesquisa documental, entrevista estruturada, com a equipe gestora do Planejamento Estratégico na Biblioteca e observação participante, isso possibilitou realizar a triangulação dos dados. Evidenciou-se que os membros da Comissão do Planejamento Estratégico, os bibliotecários, em sua maioria, detinham apenas conceitos teóricos sobre o Planejamento Estratégico. Percebeu-se que o Planejamento Estratégico possibilitou a orquestração de ações, de objetivos a serem atendidos visando à eficiência e eficácia, no serviço público, os quais obtiveram êxito como o aumento do número dos bibliotecários, treinamento aos servidores, e aumento do número de exemplares na Biblioteca e desencadeou a inovação em ações que não tinham sido programadas oficialmente no plano, como é o caso do Projeto Cinema ao meio-dia na Biblioteca. Por outro lado verificou-se também, que uma das maiores dificuldades que os bibliotecários enfrentam para a execução plena do Planejamento Estratégico, concentra-se na falta de acompanhamento das ações propostas pelo planejamento para o atendimento dos objetivos do planejamento, somado à falta de recursos financeiros e burocracia. Tudo isso gerou novos desafios na gestão da Biblioteca no estudo em questão.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO ESPECIALISTA EM PESQUISA BIBLIOGRÁFICA NA ÁREA
DA SAÚDE E SUA ATUAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA
INFORMACIONAL DOS USUÁRIOS
Amanda Damasceno de Souza
Mariana Ribeiro Fernandes
Mariza Cristina Torres Talim
RESUMO
Este trabalho aborda a complexidade da informação em saúde e a atuação do bibliotecário na
promoção da competência informacional dos usuários por causa da necessidade cada vez
maior da biblioteca assumir essa função. A competência informacional objetiva formar
indivíduos capazes de determinar quais são as suas necessidades informacionais, e que sejam
capazes de elaborar estratégias de busca da informação com a finalidade de suportar uma
tomada de decisão. Neste contexto, o bibliotecário da área de saúde precisa ter conhecimento
de temas tais como Medicina baseada em evidências e ontologias biomédicas para
desenvolver as habilidades necessárias que os tornem capazes de promover a competência
informacional de seus usuários.O objetivo desta pesquisa foi apontar quais são as
competências necessárias ao bibliotecário que atua em bibliotecas universitárias da área de
Saúde. O problema de pesquisa aborda o que é necessário ao bibliotecário para que ele atue na
promoção da competência infomacional. Como metodologia foi realizada uma pesquisa
bibliográfica sobre: competência informacional, informação em saúde e bibliotecário clinico.
Apresentam-se, como resultados preliminares, uma lista com as competências do bibliotecário
que atua em unidades de informação de organizações de saúde, bem como o reconhecimento
de que o bibliotecário precisar conhecer e ser capaz de contribuir para o desenvolvimento de
ontologias que é objeto de estudo da Ciência da Informação. Conclui-se que o bibliotecário da
área de saúde precisa desenvolver as habilidades necessárias para ter competência
informacional e para poder ajudar aos usuários de bibliotecas universitárias.
Palavras-Chave: Competência informacional. Informação em saúde. Bibliotecário clínico.
Ontologia biomédica.
ABSTRACT
Addresses the complexity of information on health and the role of the librarian in promoting
information literacy from library’s users. The Information literacy goal is enable individuals
to find what their information needs are, and to be able on doing a search about information
for support a decision. In this context, the librarian that works on healthcare organizations
need to have knowledge of topics such as evidence-based medicine and biomedical
ontologies, to develop the necessary skills that will enable them to promote information
literacy of their users. The goal of this study was to point out what are the skills required from
the librarian who works in university libraries in the Health field. The research problem deals
with what are the important skills for the librarian that works in promotion of information

3100

�literacy. The methodology was a literature review about: Information literacy, health
information and clinical librarian. As preliminary results, were presented a list of skills
necessary to works in information units of healthcare organizations, as well as the recognition
that librarians need to know to be able to contribute to the development of ontologies that,
nowadays is one of the main study of Information Science. In conclusion, the clinical librarian
needs to develop skills to work with information literacy and to help university library’s users
on developing their own information literacy ability.
Keywords: Information literacy. Information on health. Clinical librarian.Biomedical
ontology.

1 INTRODUÇÃO
O diagnóstico de uma doença leva à procura de informações sobre esta. Nos dias de
hoje, a Internet é cada vez mais utilizada como fonte para todos os tipos de informação,
incluindo doenças.

Neste contexto segundo Biermann et al. (1999 citado por SOUZA;

SANTOS, 2013, p.):
[...] nós estamos vivendo na era da expansão exponencial do acesso a
informação médica. Informações que antes requeriam horas de pesquisas nas
bibliotecas, agora podem ser encontradas facilmente por qualquer pessoa que
tenha acesso a internet.

Porem toda a facilidade em acessar informações médicas pela internet, tem gerado
discussões sobre a sua qualidade. Isto se deve ao fato de a internet permiter que qualquer
pessoa que possua habilidade com as ferramentas do computador disponibilize informações,
que na maioria das vezes não são corretas. Devido a esta grande quantidade de informações
médicas de fontes duvidosas, torna necessário uma avaliação crítica do usuario da informação
em saúde ao buscar um estudo para uma questão clínica. A busca pela melhor evidência em
saúde na literatura é uma tarefa difícil, que exige tempo, habilidades específicas, estratégias
de busca e ferramentas adequadas que utilizem filtros de qualidade para a pesquisa
bibliográfica (FELBER, 2000). Neste contexto as biblitecas universitarias da área da saúde
apresentam um papel fundamental na capacitação e treinamento do usuário na busca pela
melhor evidencia, onde o bibliotecario terá um papel fuindamental na promoção da
competencia informacional de seus usuários. Assim coloca-se a questão: quais as
competencias necessária ao bibliotecario para a promoção da competência informacional de
usuarios de bibliotecas universitárias da área da saúde?
Como problema de pesquisa coloca-se como um questionamento de quais são as
competências necessárias ao bibliotecário para que ele atue na capacitação de usuários de
bibliotecas universitárias da área da saúde, buscando desenvolver nesses usuários a

3101

�competência informacional necessária para a sua busca por informação em meio a
complexidade da informação em saúde. O trabalho de justifica pela necessidade cada vez
maior da biblioteca assumir uma função no desenvolvimento de competências informacionais
de seus usuários. Objetivo do estudo é apontar na literatura as competências necessárias ao
bibliotecário que atua em bibliotecas universitárias da área da saúde.

2 REVISÃO DE LITERATURA
No Brasil o termo competência informacional segundo Campello (2003) ainda está em
construção e foi mencionado pela primeira vez por Caregnato em 2000 que o traduziu como
“alfabetização informacional”. A “information literacy”, termo utilizado no cenário
internacional, apresenta outras expressões sinônimas como: alfabetização informacional,
letramento, literacia, fluência informacional, competência em informação e competência
informacional, este último é o mais adotado no Brasil atualmente. Dudziak (2003, p. 28),
define competência informacional como:
processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais
e de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o
universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um
aprendizado ao longo da vida.

A competência informacional objetiva formar indivíduos capazes de determinar as
suas necessidades informacionais para suportar uma tomada de decisão. Tornando-os aptos
para manusear de forma efetiva as fontes eficazes de informação e possibilitando maior
familiarização com mídias variadas como jornais, revistas, bases de dados e Internet.
Outras habilidades destacadas por Dudziak (2003) são:

capacidade de avaliar

informações criticamente transformando-a em valores e conhecimento,

utilização e

comunicação da informação, gerando novas informações e criando novas necessidades.
Na atual sociedade da informação e do conhecimento, a biblioteca universitária passa
a assumir importante função no desenvolvimento de competências informacionais de seus
usuários. A crescente quantidade e complexidade de fontes de informação na WEB e o
desenvolvimento das novas tecnologias obriga todos os profissionais a adquirir novas
habilidades para o uso da informação e a conseqüente geração do conhecimento.
Para formar essas competências nos usuários, o bibliotecário tem papel relevante. Ele
deve agir como educador para desenvolver nos usuários o conjunto de capacidades que
tornam possível a aquisição da competência informacional. Porém, isso exige que o
bibliotecário desenvolva nele mesmo um conjunto de competências específicas.

3102

�Se essa é a realidade em qualquer área do conhecimento, nas Ciências da Saúde esta é
ainda mais forte, pois seus recursos documentários estão em constante atualização e
renovação científica. Dessa forma os profissionais da área de saúde para terem êxito, precisam
estar em uma contínua aprendizagem. Esses profissionais necessitam desenvolver habilidades
e competências para atuar de forma efetiva com a informação, aproveitando com êxito as
possibilidades que as novas tecnologias da informação e da comunicação oferecem,
dominando o processo de conversão de informação e conhecimento.
Cabe ao profissional bibliotecário especializado em informação em saúde
desempenhar um importante papel visando o desenvolvimento de habilidades e
conhecimentos específicos para assim contribuir para o desenvolvimento de competências
informacionais junto aos profissionais da área da saúde.
Outro fator importante que o bibliotecário da área da saúde precisa ter conhecimento é
a Medicina Baseada em Evidencia (MBE). A MBE adota técnicas oriundas da ciência,
engenharia e estatística tais como: meta-revisões da literatura existente (também conhecidas
como meta-análises), Análise de risco-benefício, Experimentos clínicos aleatorizados e
controlados, Estudos naturalísticos populacionais, dentre outras (ATALLAH, 1997).
A MBE luta para que todos os médicos façam segundo Atallah (1997) "uso
consciencioso, explícito e judicioso da melhor evidência atual" quando fazem decisões em seu
trabalho de cuidado individual dos pacientes. É válido ressaltar que esta prática consiste em
um mecanismo de busca, avaliação e uso de novos métodos em medicina como base para a
prática médica. Tal prática é de extrema importância para o trabalho médico, pois além de
agregar muito valor ao atendimento médico, pode ser a solução final para o diagnóstico e
análises clínicas difíceis de serem diagnosticadas (SANTOS; PIMNTA; NOBRE, 2007).
A MBE não é considerada uma especialidade, mas um mecanismo que através do
bibliotecário, torna-se um conjunto de instrumentos para auxiliar a equipe médica quando da
existência de dúvida em um diagnostico, prognostico ou no tratamento de doença em qualquer
área que ele atue. A MBE se apóia em três áreas básicas: epidemiologia clínica, bioestatística
e informática médica (WOLF, 2002). Com o conhecimento da MBE o bibliotecário poderá
estabelecer critérios de estratégia de busca que facilitarão ao usuário o processo de tomada de
decisão em uma situação clínica ou no seu processo de pesquisa docente/discente.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo descreveu uma pesquisa em andamento no âmbito do mestrado da
Escola de Ciência da informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),

3103

�assim como procedimentos metodológicos realizou-se uma pesquisa Bibliográfica sobre as
temáticas: Competência informacional e bibliotecário clinico. Segundo Gil (1994), a pesquisa
foi classificada como: pesquisa qualitativa; do ponto de vista dos objetivos: pesquisa
exploratória;do ponto de vista dos procedimentos técnicos: pesquisa bibliográfica por ser
elaborada a partir de material já publicado, como livros,artigos, periódicos, Internet, etc A
pesquisa bibliográfica foi realizadas entre agosto de 2013 e março de 2014. Para a busca por
literatura para suporte a fundamentação teórica em base de dados, foi utilizado descritores nos
idiomas inglês e português, nas seguintes fontes de informação: Portal de Pesquisa da BVS Biblioteca Virtual em Saúde, Medline via PUBMED, Portal Capes, CiteseerX, Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações da UFMG.

4 RESULTADOS PARCIAIS
O profissional bibliotecário da área da saúde deve aplicar suas habilidades e
competências na busca de informações oriundas de diversas origens e fontes a fim de atender
as demandas não apenas oferecendo respostas às perguntas dos usuários em qualquer lugar
onde haja um computador com acesso a recursos eletrônicos, porém, participando segundo
Martínez-Silveira (2005, p. 23):
[...] de equipes médicas em clínicas e hospitais, ou atuar como professor,
treinando e desenvolvendo as habilidades dos estudantes e dos médicos [e da
equipe médica]em sua atividade profissional (MARTÍNEZ-SILVEIRA,
2005, p. 23).

É nesse contexto que a IFLA (2004) lista as seguintes competências do bibliotecário
que atua em unidades de informação de organizações de saúde, quais sejam:
a) um completo conhecimento sobre biblioteconomia, incluindo uma formação em
administração e gestão;
b) habilidades de organização;
c) habilidades em leitura e biblioterapia;
d) conhecimentos clínicos, sobre doenças e necessidades dos enfermos;
e) conhecimentos sobre a terminologia da área da saúde;
f) habilidade de falar e escrever claramente, incluindo a habilidade para definir a contribuição
da biblioteca aos pacientes;
g) bom juízo e certa flexibilidade;
h) habilidade com as novas tecnologias, especialmente em softwares relacionados aos
serviços bibliotecários;

3104

�i) devem ser pacientes, afáveis, compreensivos e com forte empatia e capacidade de escutar.
Além das competências citadas acima, atualmente faz-se necessário que o
bibliotecário que atua na área de saúde possa lidar com Sistemas de Organização do
Conhecimento (SOC) como as ontologias, devido a sua grande aplicabilidade no campo
biomédico. Campo este que demanda cada vez mais por instrumentos com maior capacidade
semântica para melhor representar a enorme quantidade de termos médicos. O maior desafio
em facilitar a recuperação de dados é a necessidade de uma linguagem comum para descrever
os termos científicos, para que o computador possa vasculhar a Internet e assim descobrir
automaticamente as informações relevantes, além disso, ser capaz de comparar essas
informações com dados similares de outras fontes, assim as ontologias surgem um recurso
para essa necessidade (WASHINGTON; LEWIS, 2008).
Schulz e Jansen (2013, p.132) relatam que os sistemas de apoio à decisão médica
auxiliam a busca pela evidência clínica nos domínios do conhecimento médico e os autores
ressaltam que “por um longo tempo o suporte a decisão médica tem sido apoiado por sistema
baseados em conhecimento”. Com o crescente número de publicações e a diversidade
terminológica médica, torna-se necessário o desenvolvimento de SOC que melhor represente
esta informação. Assim as ontologias por sua forte aplicabilidade na área de biomédica, se
apresentam como uma alternativa para este problema. O bibliotecário precisar conhecer e ser
capaz de contribuir para o desenvolvimento de ontologias que é objeto de estudo da Ciência
da Informação (CI).

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Para realizar uma busca por informação em saúde de forma satisfatória é necessário
passar por cada etapa do levantamento bibliográfico: a escolha do assunto, do termo, da fonte
de informação e a avaliação desta fonte, a disponibilidade dos estudos e avaliação deste. Este
processo muitas vezes é demorado, caro e complexo. Assim a ajuda de um bibliotecário que
possua as habilidade da competência informacional torna-se muito importante para propiciar
acesso à informações relevantes e metodologicamente adequadas aos usuários de informações
em saúde. Este profissional possui habilidades em selecionar estudos a partir de fontes
adequadas de informação. É válido ressaltar que este profissional é um especialista na área e
seu conhecimento é adquirido ao longo de sua experiência profissional o que mostra a
carência de cursos de capacitação e especialização na área. O bibliotecário da área de saúde
precisa desenvolver as habilidades necessárias para sua formação na

competência

informacional e dos usuários de bibliotecas universitárias.

3105

�6 REFERÊNCIAS
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saúde.São Paulo: Bib. Cochrane, 1997. 140p.
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DUDZIAK, E.A. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ci. Inf., Brasília , v.
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3106

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este trabalho aborda a complexidade da informação em saúde e a atuação do bibliotecário na promoção da competência informacional dos usuários por causa da necessidade cada vez maior da biblioteca assumir essa função. A competência informacional objetiva formar indivíduos capazes de determinar quais são as suas necessidades informacionais, e que sejam capazes de elaborar estratégias de busca da informação com a finalidade de suportar uma tomada de decisão. Neste contexto, o bibliotecário da área de saúde precisa ter conhecimento de temas tais como Medicina baseada em evidências e ontologias biomédicas para desenvolver as habilidades necessárias que os tornem capazes de promover a competência informacional de seus usuários.O objetivo desta pesquisa foi apontar quais são as competências necessárias ao bibliotecário que atua em bibliotecas universitárias da área de Saúde. O problema de pesquisa aborda o que é necessário ao bibliotecário para que ele atue na promoção da competência infomacional. Como metodologia foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre: competência informacional, informação em saúde e bibliotecário clinico. Apresentam-se, como resultados preliminares, uma lista com as competências do bibliotecário que atua em unidades de informação de organizações de saúde, bem como o reconhecimento que o bibliotecário precisar conhecer e ser capaz de contribuir para o desenvolvimento de ontologias que é objeto de estudo da Ciência da Informação. Conclui-se que o bibliotecário da área de saúde precisa desenvolver as habilidades necessárias para ter competência informacional e para poder ajudar aos usuários de bibliotecas universitárias.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

APLICAÇÃO DO MODELO CONCEITUAL FRAD NA ESTRUTURA DESCRITIVA
DO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE (RI-UFF)
Elisabete Gonçalves de Souza
Wellington Freire Cunha Costa
Darlene Alves Bezerra
RESUMO
Destaca o papel dos repositórios institucionais no âmbito das universidades como ferramentas
de grande importância na organização, preservação e disseminação da informação acadêmica,
uma nova alternativa para a comunicação da ciência livre de barreiras de acesso. Objetiva
simular o uso do modelo FRAD na estruturação descritiva de registros de autoridade em
repositórios institucionais que custodiam a produção bibliográfica de comunidades
universitárias e assim relatar os resultados obtidos através dessa experiência. Em termos
teóricos e metodológicos, discute como a criação de modelos conceituais como o FRAD
amplia as possibilidades de se adicionar atributos as autoridades (pessoas e entidades
coletivas) a fim de introduzir maior detalhamento acerca dos criadores dos recursos. Conclui
que a aplicação de atributos na estrutura descritiva do Repositório Institucional da
Universidade Federal Fluminense enriquece sua arquitetura, pois os metadados adicionados
individualizam e contextualizam os criadores dos recursos, ampliando as possibilidades de
relacionamentos entre as diferentes entidades que compõem o registro bibliográfico.
Palavras-Chave: Repositório institucional; Modelo conceitual FRAD; Universidade Federal
Fluminense; Acesso livre.
ABSTRACT
Highlights institutional repositories within the universities as an important tool in the
organization, preservation and dissemination of scholarly information, a new alternative for
science communication barrier free access. Aims to simulate the use of the FRAD model in
the descriptive structure of authority records in institutional repositories that are guarding the
bibliographic production of university communities and thus report the results obtained
through this experience. In theoretical and methodological terms, discusses the creation of
conceptual models as FRAD expands the possibilities of adding attributes to authority
(persons and entities) in order to introduce more detail about the creators of the resources.
Concludes that the application of descriptive attributes in the structure of the Institutional
Repository of the Federal Fluminense University enriches its architecture, because the
metadata added individualize and contextualize the creators of resources, expanding the
possibilities of relationships between the various entities that make up the bibliographic
record.
Keywords: Institutional repository; FRAD conceptual model; Universidade Federal
Fluminense; Open access.

161

�01 INTRODUÇÃO
Repositórios representam um novo modelo de comunicação científica: são bases de
dados multidisciplinares que armazenam coleções de documentos digitais disponíveis em
linha por meio da internet. Os repositórios dão visibilidade às produções dos pesquisadores
permitindo a troca de informações e o compartilhamento de suas coleções com outras
instituições sem que haja custos. Sua função principal é preservar e disponibilizar a produção
intelectual da instituição representando-a, documentando-a e compartilhando-a em formato
digital (CAFÉ, et al. 2003).
O presente trabalho se propõe a relatar resultados obtidos com a simulação da
aplicação dos Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade (FRAD) na estruturação
descritiva de registros de autoridade em repositórios institucionais que custodiam a produção
bibliográfica de comunidades universitárias.
De acordo com o IFLA (2009) os Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos
(FRBR) são extensíveis a qualquer sistema de informação. Daí a necessidade de testá-lo em
repositórios, ferramenta bibliográfica cuja arquitetura muito se aproxima dos fundamentos do
novo modelo: estrutura simples, com sintaxe extensível e próxima da linguagem do usuário.
O objeto empírico escolhido para a aplicação do modelo FRAD foi o Repositório
Institucional da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ferramenta bibliográfica recém
desenvolvida para acolher a produção científica da comunidade universitária e disseminá-la
através da filosofia do acesso aberto.
O modelo FRAD é uma extensão do modelo conceitual FRBR, representa os
responsáveis pelo conteúdo intelectual ou artístico; pela produção física e disseminação, ou
pela guarda das entidades do primeiro grupo, são descritos como pessoa ou entidade coletiva.
São definidos como entidade pessoa: autores, compositores, artistas, editores, tradutores,
diretores, intérpretes. Entidade coletiva: organizações ou grupos de indivíduos, inclusive
grupos temporários (encontros, conferências, reuniões, festivais, etc.) e autoridades territoriais
como uma federação, um estado, uma região, uma municipalidade (MORENO, 2006).
Nessa direção, o trabalho de simulação da aplicação do FRAD se fez necessário para
identificarmos as contribuições desse modelo conceitual na ampliação das informações de
autoridade já que permite a adição de novos atributos aos dados de identificação das
autoridades.

162

�2 REVISÃO DE LITERATURA
O presente trabalho está pautado nas discussões teóricas sobre o modelo conceituai
FRAD. Envolve a leitura dos documentos base publicados pela IFLA além da interlocução
com autores que discutem a temática tais como, Moreno (2006), Patton (2007), Mey e
Silveira (2007) e Oliver (2011).
Os FRAD e depois os FRASAD foram desenvolvidos por recomendação da IFLA
(1998) para que o modelo FRBR fosse estendido a fim de cobrir os dados adicionais
normalmente arrolados nos registros de autoridade e conteúdo (assunto), ficando esta
responsabilidade atribuída ao grupo de trabalho Functional Requirements and Numbering o f
Authority Records (FRANAR), criado em 1999.
Da mesma maneira como o modelo conceitual FRBR alterou o modo como nós
pensamos os dados bibliográficos, o FRANAR deseja que o modelo FRAD traga um
entendimento claro dos dados de autoridade e do relacionamento destes com as obras,
contribuindo para aprimorar a semântica do FRBR de modo a torná-lo um modelo específico
para ser usado na descrição de recursos não apenas em catálogos em linha, mas em todo
ambiente digital, como nos repositórios (PATTON, 2007).
O principal objetivo do FRAD é prover um quadro analítico para a identificação dos
requisitos funcionais para cada tipo de dado de autoridade, de modo a garantir o controle
terminológico dos nomes e o compartilhamento internacional dessas informações. Já a
questão que envolve o desenvolvimento do FRSAD é a identificação das entidades e dos
atributos relacionados aos conteúdos (assuntos) das obras, de modo a viabilizar, a integração
da informação contida nos vocabulários controlados com o sistema de recuperação da
informação, ajudando os usuários a realizar buscas por assunto de forma mais efetiva. (IFLA,
2007, 2010).
Em vista do exposto, pode-se afirmar que a IFLA ao estender e expandir o modelo
conceitual FRBR a fim de cobrir os dados de autoridade (pessoa, entidade e assunto)
manifestou expressa preocupação com a clareza e consistência dos dados que comporão os
registros bilbiográficos, assim como, com a compatibilidade desses face às necessidades dos
usuários.
Destaca-se ainda, a busca pela padronização internacional dos dados de autoridade de
modo que os pontos de acesso dos criadores dos recursos disponíveis em catálogos e
repositórios sejam uniformizados pelas agências catalogadoras nacionais e identificados
através de URI formando uma rede de dados abertos e interligados (linking open data),

163

�ampliando-se assim as possibilidades de busca pelos usuários no sentido de

recuperar

diferentes expressões e manifestações de umamesma obra.
Conforme destaca Silveira (2007, p. 47) “a identificação de um autor atribui crédito à
informação, personaliza o conhecimento, permite a identificação e a escolha aos usuários”. O
que torna um registro único e portador de informação confiável, seja num catálogo ou
repositório.
No modelo FRAD, as entidades bibliográficas são conhecidas por nomes ou recebem
identificadores, a saber: Família: duas ou mais pessoas relacionadas por nascimento,
matrimônio, adoção, união civil ou situação legal semelhante. Nome: um caractere ou grupo
de caracteres ou palavras pelas quais uma entidade é conhecida no mundo real. Identificador:
um número, código, palavra, frase, logotipo, entre outros, associados a uma única entidade,
que serve para diferenciar uma entidade de outra. Ponto de acesso controlado: um nome,
termo, código, etc., utilizado para encontrar um registro de autoridade ou bibliográfico.
Regras: um conjunto de instruções relativas à formulação e/ou registro dos pontos de acesso
controlados. Inclui regras de catalogação e interpretações de outras normas. Agência: uma
organização responsável pela criação ou modificação dos pontos de acesso controlados. A
agência é responsável pela aplicação e interpretação das regras que cria e/ou usa (IFLA,
2009).
O FRAD estabeleceu quatro atividades genéricas a favor do usuário, sendo as duas
primeiras iguais ao FRBR: encontrar, identificar, situar e justificar. Significa que o usuário
pode: a) encontrar uma entidade ou conjunto de entidades ou examinar e explorar o universo
das entidades bibliográficas fazendo uso dos seus atributos e relações; b) Identificar uma
entidade ou autenticar a forma do nome que será utilizada como ponto de acesso controlado.
c) Situar uma pessoa, entidade coletiva, obra, etc. em algum contexto e um nome pelo qual a
pessoa, entidade coletiva, obra, etc. são conhecidas. d) Justificar documentando a fonte que se
originou o ponto de acesso, explicando a razão da escolha do nome feita pelo criador do dado
de autoridade (OLIVER, 2011).
Segundo Mey e Silveira (2009) as relações FRAD são ordenadas em quatro categorias:
a) relações entre as entidades dos grupos 1 e 2 e relações gerais entre as entidades do modelo
FRBR; b) relações específicas entre pessoas físicas, pessoas jurídicas, famílias, entidades
coletivas e obras. Esses relacionamentos geram a estrutura de remissivas ver também. c)
relações entre instâncias específicas e nomes específicos pelos quais uma entidade pode ser
conhecida (forma autorizada do nome). Esses relacionamentos geram a estrutura de

164

�remissivas ver; d) relações entre dois ou mais pontos de acesso controlados para a mesma
entidade.
Em linhas gerais, as relações se expressam nos dados de autoridade através das
remissivas ver e ver também. Segundo Oliver (2011), enquanto os FRBR procuraram relações
entre uma obra e suas expressões (traduções, adaptações) os FRAD buscam relações entre os
autores das obras, a original e a adaptada.

A ssim , em um a adaptação [os FR BR ], identificam -na com o o tipo de relação
que pode haver entre duas obras, entre um a obra e um a expressão e entre as
expressões. Os FR A D identificam com o [essa] relação é expressa na
estrutura de rem issivas ver também, em notas inform ativas que façam parte
de um registro de autoridade e nos pontos de acesso controlado no registro
bibliográfico (O LIVER, 2011, p. 33).

Em síntese, o modelo conceitual FRAD amplia os relacionamentos entre os dados de
autoridade (pessoas, entidades coletivas), o que nos permite encontrar autores nos catálogos
além de descobrir outras formas de ponto de acesso para os recursos e estender os
relacionamentos, levando-nos a identificar outras entidades bibliográficas relacionadas às
obras de um determinado autor.
Dentre as diversas iniciativas visando resolver os problemas causados pelo
“crescimento acelerado e caótico da Web” (MARCONDES, 2006, p. 95-96) está o
desenvolvimento do Padrão de Metadados Dublin Core (DC) considerado portador de uma
semântica para descrever recursos disponibilizados na Internet.
Segundo Pereira (2005, p. 15) o DC tem sua origem na “2aConferência Internacional
sobre WWW em outubro de 1994, quando Yuri Rubinsky, Stuart Weibel e Eric Miller
integrantes da Online Computer Library Center (OCLC) e Joe Hardin da National Center for
Supercomputing Applications (NCSA), iniciaram uma discussão em semântica e Web”. A
partir destes questionamentos surge um novo evento, em 1995, onde a NCSA, a OCLC e 52
pesquisadores e profissionais de biblioteconomia, museologia, computação, codificação de
textos e outras áreas correlatas se reúnem para discutir “um conjunto semântico para recursos
baseados na Web, com o propósito de agilizar a pesquisa e recuperação de recursos
informacionais na Web” (PEREIRA, 2005, p. 15). Esse evento foi denominado OCLC/NCSA
Metadata Workshop, cujo “objetivo principal desse workshop era definir um conjunto mínimo
de elementos de descrição para recursos da Web” (Ibid.), tal evento ocorre na cidade de
Dublin, Ohio (EUA) devido a isto, o nome Dublin Core; “core significa básico, isto é, um

165

�elenco básico, porém extensível de elementos para a descrição”, conforme declaram Mey e
Silveira (2009, p. 134).
Como todos os esquemas de metadados a proposta do DC é também simplificar ao
máximo a descrição dos recursos na rede, tornando a catalogação destes simples e ágil, como
também, a adequação aos padrões já existentes a fim de não apenas complementá-los, mas
aprimorá-los. Corrobora com esta proposta Desai11 (1997 apud PEREIRA, 2005, p. 15) ao
mencionar: “pretendia-se tratar o problema da catalogação de recursos da rede, com a adoção,
a extensão ou a modificação de padrões existentes e de protocolos para facilitar a recuperação
e o acesso à informação, utilizando os elementos de metadados.”
Por isso, a busca pela síntese e simplicidade do conjunto de metadados que
representam a informação no DC foi algo primordial em seu desenvolvimento, levando-se em
consideração a proposta de uma descrição possível de ser feita sem a presença de especialistas
no assunto. Favorecendo, então, o papel do criador do documento no sentido de que este
catalogue sua própria obra.
Os elementos que compõem o padrão DC são: assunto (subject), título (title), criador
(creator), descrição (description), editor (publisher), outro agente (contributor), data (date),
tipo de objeto (type), formato (format), identificador (identifier), relacionamento (relation),
fonte (source), linguagem (language), cobertura (coverage) e direitos (rights) (BREITMAN,
2010).Esse conjunto de quinze elementos padronizados propostos pelo DC primam pela
descrição dos recursos, “incluindo páginas HTML12, na Web” (CAMPOS, 2006, p. 64). Cada
elemento é opcional e pode ser repetido, como também, não há ordem em sua apresentação.
Outra questão importante é que aos elementos DC podem ser acrescentados qualificadores, os
quais possibilitam maior precisão no processo de recuperação de informações. Assim, é
indiscutível que o DC adquiriu notoriedade por ser um padrão de metadados simples para a
descrição de recursos na Web.
A seguir apresentamos maiores esclarecimentos acerca do Repositório Institucional da
Universidade Federal Fluminense, nosso objeto empírico.

11 DESAI, B. C. Supporting Discovery in virtual libraries. Journal o f the American Society fo r Information

Science, v. 48, n. 3, p. 190-204, 1997.
12 Segundo Le Coadic (2004, p. 59) a Hypertext Markup Language (HTML) é o hipertexto na tela da internet.
Esta linguagem se mostrou bem adaptada à transmissão de dados na Rede, porém é pouco estruturada e pouco
extensível e não pode descrever todos os documentos.

166

�3 REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UFF: ANÁLISE E METODOLOGIA
O Repositório Institucional tem como objetivo coletar, registrar, organizar, manter,
preservar e prover acesso aberto de forma on-line, à produção acadêmica, científica e cultural
da Universidade Federal Fluminense.
De acordo com Ley (2013, p. 150-51) o desenvolvimento do Repositório Institucional
da UFF tem sua origem no convênio firmado em 2009 entre a Fundação de Ciência,
Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE) e a Financiadora de Estudos e Projetos
(FINEP), tendo como órgão executor o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT), com vistas a apoiar a implantação de repositórios institucionais (RI) nas
instituições públicas de ensino e pesquisa brasileiras.
Para compor o RI-UFF, por exigência do convênio, foram incluídos somente
documentos avaliados pelos pares, sendo priorizado como tipologia documental a
comunicação científica formal (artigos de periódicos, livros, capítulo de livros e trabalhos
apresentados em evento). Contudo, nesses últimos quatro anos sua política foi revista vindo o
sistema a incorporar outros tipos às comunicações, estendendo o seu acervo às dissertações e
teses e a outros documentos não formais, como manuais, relatórios, etc.
O conteúdo do Repositório Institucional UFF está organizado em torno de
comunidades. Suas coleções incluem artigos de periódicos, teses, dissertações, livros,
capítulos de livros e trabalhos apresentados em eventos. As coleções estão divididas em cinco
comunidades: Ciências Humanas, Linguísticas, Letras e Artes; GHT-História; ISC- Instituto
de Saúde da Comunidade; MSG- Mestrado Profissional em Sistemas de Gestão e; SDC Superintendência de Documentação.
Além de navegar pelas comunidades e coleções, o usuário pode pesquisar através das
seguintes chaves de busca: data do documento, autor, título, assunto ou data do depósito. Pode
escolher entre fazer uma busca simples, utilizando quaisquer chaves citadas ou uma busca
avançada com o auxílio dos operadores booleanos (E, OU, NÃO).
A presente pesquisa defina-se como uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo,
que, segundo Gil (2011, p. 28), “têm como objetivo primordial a descrição das características
de determinados fenômenos ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. Nossa
proposta é demonstrar o quanto o acréscimo de novas variáveis - metadados referentes à
entidade pessoa presentes no modelo FRAD - podem melhorar a recuperação da informação e
o acesso aos documentos em repositórios digitais à medida que sua estrutura é acrescida
atributos fundamentais para identificação dos produtores dos recursos (os pesquisadores) e
suas linhas de pesquisa. Por exemplo, atributos as informações sobre os grupos de pesquisa

167

�quando associados à forma do nome e forma autorizada do nome aperfeiçoam as buscas pelos
autores. Isso é possível porque os repositórios são desenvolvidos no formato DC e seus
metadados descritos em RDF

o que permite que os robôs de busca recuperem essas

informações dando maior visibilidade às atividades cientificas realizadas na universidade
A escolha do RI-UFF se deu em função desta ferramenta se encontrar em fase de
testes e sua implantação ainda recente. Nem todas as suas coleções receberam documentos,
sendo a do Departamento e História a que reúne maior quantidade, por isso escolhemos um de
seus registros (uma dissertação de mestrado) para realizar a aplicação.

3.1 APLICAÇÃO DO MODELO FRAD NO RI-UFF

O RI-UFF é um repositório de fácil manuseio que contribui para a disseminação das
pesquisas acadêmicas da Instituição. Além disso, sabe-se da importância que um repositório
representa para os pesquisadores, cujo desejo é o de serem reconhecidos pelos seus trabalhos
acadêmicos.
Figura 1 - tela principal do RI-UFF.

Fonte: (UFF, 2013).
13 Segundo Breitman (2010, p. 20) o Resource Description Framework (RDF) é uma linguagem declarativa que
fornece uma maneira padronizada de utilizar o XML para representar metadados no formato de sentenças sobre
propriedade e relacionamentos entre itens na Web. Esses itens, chamados de recursos, podem ser virtualmente
qualquer objeto (texto, figura, vídeo e outros), desde que possuam um endereço Web.

168

�Analisando a estrutura do repositório percebemos que há campos do DC relacionados
aos dados de autoridade que poderiam ser identificados de forma mais detalhada com a
aplicação do modelo FRAD. A extensão do modelo à estrutura DC nos permite acrescentar
atributos que completem as informações sobre a entidade pessoa (autor, orientador,
contribuidores, etc.) ampliando os relacionamentos entre o criador da obra e seus pares,
mapeando vínculos que nos abrem a outras informações o que nos permite conhecer o
contexto de criação e produção do documento. Por esse motivo consideramos importante
simularmos a aplicação do novo modelo conceitual em diferentes ferramentas bibliográficas
como os repositórios institucionais.
A aplicação do modelo FRAD na estrutura do RI-UFF aconteceu em duas etapas:
primeiro mostramos como os metadados estão dispostos no repositório institucional da UFF e
depois mostramos os resultados da aplicação do modelo FRAD, modelando sua estrutura com
a inserção de novos metadados de autoridade (atributos) relacionados às entidades (pessoas).
Pelo fato da comunidade de História, como dissemos anteriormente, se destacar com
maior número de recursos em sua coleção, selecionamos apenas um exemplo (uma
dissertação) para efetuarmos a simulação.
As figuras abaixo mostram como os metadados estão ordenados no RI-UFF. Percebese que todas as entidades do modelo FRBR estão presentes na estrutura, no entanto, dada a
complexidade de uma simulação integral, nos atemos às entidades presentes no modelo
FRAD agregando-lhe atributos que melhor auxiliem sua identificação e que ampliem os
relacionamentos entre si e entre o contexto bibliográfico (obra, tema, etc.).
Figura 2 - estrutura dos metadados no RI-UFF (Parte 1).

169

�Figura 3 - estrutura dos metadados RI-UFF (parte 2).

Fonte: (UFF, 2013).

4 RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO FRAD NO RI-UFF
A simulação abaixo demonstra que a adição de atributos do modelo FRAD aos
elementos DC, que representam pontos de acesso, pode aprimorar o processo de busca e
recuperação da informação no sentido que permite aos usuários dos repositórios novas
possibilidades de relacionamentos durante sua pesquisa. Com isso, o usuário terá mais
informações sobre o criador do documento/recurso e os diferentes relacionamentos que este
mantém com outras entidades, no caso de nosso exemplo, seu orientador, o programa no qual
está filiado, grupos de pesquisa, etc.
Nessa direção, podemos dizer que o acréscimo de novos atributos (currículo lattes,
filiações institucionais, etc.) aos metadados de autoridade identificados no registro DC (autor,
orientador, membros da banca) amplia os processos de busca e recuperação de informação;
levam o pesquisador a navegar para além do conteúdo da obra à medida que a contextualizava
em relação aos seus pares.
Para recursos como as dissertações e teses, tais relacionamentos são fundamentais para
a interlocução entre pesquisadores o que faz dos repositórios uma nova e poderosa ferramenta
à otimizar as comunicações cientificas.

170

�No quadro abaixo simulamos uma nova arquitetura para a informação disponível no
RI-UFF referente aos dados de autoridade (entidade pessoa) com o acréscimo de atributos que
as identificam de formar singular e contextualizada.

Figura 4 - Aplicação do FRAD no RI-UFF.
D A D O S D E A U T O R ID A D E

C A M P O S D C A C R E S C ID O S
D E A T R IB U T O S F R A D

d c .c o n tr ib u to r .a d v is o r
F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e
G r u p o d e p e s q u is a :

M a r ia F e r n a n d a B a p tis ta B ic a l h o
B i c a l h o , M a ria F e r n a n d a B a p tis ta
N ú c le o

de

P e s q u is a

e

E stu d o s

em

H is tó r ia

C u ltu r a l
ATRIBUTOS
FRAD

F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e

U n iv e r s i d a d e F e d e r a l F lu m in e n s e . N ú c l e o

de

P e s q u is a e E s t u d o s e m H is tó r ia C u ltu r a l
L in k p a r a o g r u p o :

h ttp ://w w w .h i s t o r ia .u f f .b r / n u p e h c /

C u r r íc u lo la tte s:

h ttp j / b u s c a t e x tu al.cn p q .b r. b u s c a t e x t u a l v is u a liz a
c v .d o ', id = T 8 1 2 9 4

d c .c o n ti i b u to r .a u t h o r

ATRIBUTOS
FRAD

&lt;

L e o n a r d o A le x a n d r e d e S iq u e ir a O liv e ir a

F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e

O liv e ir a , L e o n a r d o A le x a n d r e d e S iq u e ir a

V í n c u l o c o m a in s t it u iç ã o :

A lu n o d e M estra d o

L in k p r o g r a m a

h t t p : // w w w .h i s t o r ia .u ff .b r . stri c t o /

C u r r íc u lo la tte s

h ttp : p ls q ll .c n p q .b r b u s c a o p e r a c io n a l d e ta lh e e s tj
sp ? e st= 5 1 8 5 4 5 0 7 2 3 3 5 55 84

f

d c .c o n tr ib u to r .m e m b e r s
F o r m a n o r m a l iz a d a d o n o m e

R o b e r t o G u e d e s F e r r e ir a
F e r r e ir a , R o b e r t o G u e d e s

G r u p o d e p e s q u is a :

C e n tr o d e E s t u d o s so b r e a D i n â m i c a I m p e r ia l n o

F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e :

U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d o R io d e J a n e ir o . C e n tr o

M u n d o P o r tu g u ê s, s é c s . X V I -X V I I
d e E s t u d o s so b r e a D in â m ic a Im p e r ia l n o M u n d o
P o r tu g u ê s

ATRIBUTOS
FRAD

L in k p a r a o g r u p o

h ttp : w w w .a r t .h is t o r ia .u f r j .b r

C u r r íc u lo la tte s:

h ttp ://b u s c a te x tu a l .cn p q . br b u s c a te x tu a l v i s u a li z a

J

c v .d o 7 id = B 0 7 2 ( 5 7 4

\

d c .c o n tr ib u to r .m e m b e r s

"

M a r ília N o g u e ir a d o s S a n t o s

F o r m a n o r m a l iz a d a d o n o m e

S a n t o s , M a r ília N o g u e ir a d o s

G r u p o d e p e s q u is a :

N ú c l e o d e P e s q u is a e E s t u d o s e m H istó r ia
C u ltu r a l

F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e

U n iv e r s id a d e F e d e r a l F lu m in e n s e . N ú c le o d e
P e s q u is a e E s t u d o s e m H is t ó r ia C u ltu r a l

L in k p a r a o g r u p o d e p e s q u i s a

h tt p ://w w w .h is to r ia .u ff.b r /n u p e h c '

C u r r íc u lo la tte s:

h t t p : //b u s c a te x t u a l.c n p q .b r /b u s c a te x tu a T v is u a liz a

l

c v .d o ? id = C 8 6 2 3 1 5

Fonte: Elaboração própria.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Um repositório institucional tem o objetivo de preservar o conhecimento acumulado
nas instituições apresentando como principais vantagens o armazenamento de grande

171

�quantidade de informações, facilidade de busca e recuperação e autonomia para o produtor
fazer a descrição e o autoarquivamento de seus documentos.
Além dessas vantagens, os repositórios promovem a instituição, aumentam a
visibilidade

de

suas

pesquisas

por

utilizar

padrões

de

metadados

conhecidos

internacionalmente, inspirando seus membros a criarem novas produções e compartilharem
suas coleções com outros usuários devido aos recursos de interoperabilidade.
O processo de simulação da aplicação dos atributos do FRAD na estruturação
descritiva (dados de autoridade/pessoa), demonstrou que tal implementação melhorará
consideravelmente o processo de busca e recuperação da informação, qualificando os
registros com o acréscimo de atributos individuais como o currículo lattes e de
contextualização acadêmica, como a vinculação aos grupos de pesquisa, o que permitirá ao
usuário uma visão mais abrangente sobre as comunidades científicas nas quais se inserem os
autores e seus pares (contribuidores, orientadores).
No que diz respeito à recuperação da informação dois aspectos merecem destaques: a)
o detalhamento de um registro com acréscimos de atributos amplia as possibilidades de
relacionamentos entre as entidades pessoas e as demais entidades bibliográficas que compõem
o registro DC; b) a incorporação das URI (uniform resource identifier) dos grupos e do
currículo lattes inaugura a possibilidade de associar as ferramentas bibliográficas aos dados
abertos (Linking open data) disponíveis na Web, levando os usuários do sistema, como os
profissionais da informação, não só a encontrar informações sobre os criadores dos recursos
mas poder compartilhá-las com segurança.

6 REFERÊNCIAS

BREITMAN, Karin Koogan. Web semântica: a internet do future. Rio de Janeiro: LTC, 2010.
CAFÉ, Ligia; Bianca Amaro de Melo; Elza Maria Ferreira Barboza; Eny Marcelino Nunes;
Miguel Angel Mardero Arellano. Repositório Institucionais: nova estratégia para publicação
científica na Rede. In: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), 16.,
2003, Belo Horizonte. Mídia, Ética e Sociedade, 2003.
CAMPOS, Maria Luiza Machado; CAMPOS, Maria Luiza de Almeida; CAMPOS, Linair
Maria. Web semântica e a gestão de conteúdos informacionais. In: MARCONDES, Carlos
Henrique. (Org.). Bibliotecas digitais: saberes e práticas. 2. ed. Salvador, BA: IBICT, 2006. p.
55-74.

172

�GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Ed. Atlas,
2011.
IFLA Working Group on Functional Requirements and Numbering of Authority Records
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LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. 2. ed. Brasília, DF: Briquet de
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LEY, Maria Dulce Lagoeiro de Magalhães Gaudie. Diretrizes para a proposição da política
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MEY, Eliane Serrão Alves; SILVEIRA, Naira Christofoletti. Catalogação no plural. Brasília,
DF: Briquet de Lemos/Livros, 2009.
MORENO, Fernanda Pasini. Requisitos funcionais para registros bibliográficos - FRBR: um
estudo no catálogo da Rede Bibliodata. 2006. 199f. Dissertação (Mestrado em Ciência da
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OLIVER, Chris. Introdução à RDA: um guia básico. Tradução de Antonio Agenor Briquet de
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Buenos

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Disponível

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http://www.columbia.edu/~rib57/patton.pdf &gt;. Acesso em: 11 mar. 2012.
PEREIRA, Ana Maria; RIBEIRO JUNIOR, Divino Ignácio; NEVES, Guilherme Luiz Cintra.
Metadados para a descrição de recursos da internet: as novas tecnologias desenvolvidas para o
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173

�SILVEIRA, Naira Christofoletti. Análise do impacto dos requisitos funcionais para registros
bibliográficos (FRBR) nos pontos de acesso de responsabilidade pessoal. 2007. 108f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)-Pontifícia Universidade Católica de
Campinas, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, São Paulo, 2007.
UNIVERSIDADE

FEDERAL

FLUMINENSE.

Superintendência

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Documentação.

Repositório Institucional UFF. Disponível em: &lt;https://sistemas.uff.br/jspui/&gt;. Acesso em: 16
maio 2014.

174

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>UFMG</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2014</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="73744">
                <text>Destaca o papel dos repositórios institucionais no âmbito das universidades como ferramentas de grande importância na organização, preservação e disseminação da informação acadêmica, uma nova alternativa para a comunicação da ciência livre de barreiras de acesso. Objetiva simular o uso do modelo FRAD na estruturação descritiva de registros de autoridade em repositórios institucionais que custodiam a produção bibliográfica de comunidades universitárias e assim relatar os resultados obtidos através dessa experiência. Em termos teóricos e metodológicos, discute como a criação de modelos conceituais como o FRAD amplia as possibilidades de se adicionar atributos as autoridades (pessoas e entidades coletivas) a fim de introduzir maior detalhamento acerca dos criadores dos recursos. Conclui que a aplicação de atributos na estrutura descritiva do Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense enriquece sua arquitetura, pois os metadados adicionados individualizam e contextualizam os criadores dos recursos, ampliando as possibilidades de relacionamentos entre as diferentes entidades que compõem o registro bibliográfico. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PORTAL DE PERIÓDICOS DA UERJ NA PERSPECTIVA DO ACESSO LIVRE:
UMA PROPOSTA.

Ester Aparecida Lima Souza

RESUMO
Analisa o sítio de Revistas Online da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) onde
são disponibilizados periódicos eletrônicos com o objetivo de propor um Portal em
consonância com o movimento de acesso livre à informação. Traz uma reflexão a respeito do
processo de comunicação científica estabelecido atualmente na Universidade. Lista os
periódicos disponibilizados, suas formas de acesso e softwares utilizados. Descreve a
importância de se implantar plataformas de acordo com Open Archives Initiative para a
preservação da memória, ampliação do acesso, entre outras. Sugere que sejam verificados
aspectos como acessibilidade, disponibilidade, interoperabilidade, padronização e preservação
digital, adotando uma metodologia de levantamento bibliográfico sobre o assunto revistas
eletrônicas, descrição dos periódicos eletrônicos disponibilizados pela Universidade e de suas
plataformas tecnológicas com a finalidade de construir um ambiente digital que possa
contemplar todos esses recursos de acesso aberto de forma centralizada. Espera-se contribuir
efetivamente com a possibilidade de se ter um portal de periódicos na perspectiva do acesso
livre com a capacidade de reunir, trocar informações científicas, facilitar as buscas de
assuntos, aumentar a visibilidade das pesquisas e ampliar o acesso a esta produção.
Palavras-Chave: Periódicos eletrônicos. Acesso livre à informação. Portal de periódicos
eletrônicos.
ABSTRACT
Analyzes the Journals Online Web site of the State University of Rio de Janeiro (UERJ)
where electronic journals are available in order to propose a Portal in line with the movement
of free access to information. Brings a reflection on the scholarly communication process
currently established at the University. List electronic journals available, their forms of access
and software used. Describes the importance of deploying platforms according to the Open
Archives Initiative, to preserve the memory, expanding access, among others. Suggests that
aspects are verified as accessibility, availability, interoperability, standardization and digital
preservation, adopting a methodology of bibliographic electronic journals on the subject,
description of electronic journals available from the University, and description of its
technology platforms, with the aim of building a digital environment able to address all these
open access resources centrally. Expected to contribute effectively to the possibility of having
a journal portal from the perspective of free access with the ability to gather, exchange
scientific information, facilitate search subject, increase the visibility of research and expand
access to this production.
Keywords: Electronic journals. Open Access. Scientific information

4425

�1 Introdução
Ao longo do desenvolvimento da humanidade podem-se eleger várias descobertas que
funcionaram como marcos transformadores das relações sociais. Os principais foram sem
dúvida: a imprensa, o rádio, o cinema, a televisão e a internet. A imprensa possibilitou ao
homem maior divulgação do pensamento perpetuou conceitos e estimulou revoluções. As
ideias que até então eram difundidas através da oralidade, teve no livro, jornais, revistas e
folhetos suportes para disseminação da informação. A internet surgiu basicamente de uma
grande rede de computadores militares no período da Guerra Fria

e ninguém poderia

imaginar que essa rede inicialmente criada com objetivos de controlar informações sigilosas,
resultaria na web, um mundo conectado trocando informações com várias finalidades,
inclusive a de entretenimento. A comunicação científica realizada através dos periódicos em
formato papel, o modelo tradicional de divulgação de resultados de pesquisas, foi alterado e
impactado quando passou a ter possibilidade de transmissão desses resultados online.
O movimento de acesso livre à informação científica foi resultante das transformações
impulsionadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), vêm afetando o
processo de disseminação da informação entre os pesquisadores. Iniciado na década de 90
preconiza o acesso de forma mais abrangente na web.
As universidades desfrutam de um papel estratégico nesse cenário, em constante
transformação, representado pela inserção de novas tecnologias de informação. Mais do que
apresentar soluções eletrônicas e digitais para resolução de problemas no âmbito da
comunicação é necessário pensar muito sobre elas, avaliando todas as possibilidades e ofertas
disponíveis para evitar duplicação de esforços e desperdício do dinheiro público.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) originou-se da Universidade do
Distrito Federal (UDF) com a união de quatro (4) Faculdades. São elas: Faculdade de
Ciências Jurídicas, Faculdade de Ciências Econômicas, de Filosofia, e Faculdade de Ciências
e Letras. Quando a Capital mudou-se para Brasília passando a ser chamada de Universidade
do Estado da Guanabara (UEG). Em 1975 com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de
Janeiro passou a ser conhecida como Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Atualmente oferece cursos de graduação nas áreas de Administração, Ciências Biológicas,
Ciência da Computação, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Ciências Sociais,

507Guerra Fria segundo a Wikipédia é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e
conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final
da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991), um conflito de
ordem política, militar.tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de
influência. Fonte: Disponível em: &lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra Fria&gt; . Acesso em: 10 dez. 2013

4426

�Comunicação Social, Direito, Educação, Enfermagem, Engenharia, Filosofia, Física,
Geografia, Geologia, História, Letras, Matemática, Medicina, Nutrição, Oceanografia,
Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Turismo, com habilitações em licenciaturas e
bacharelados, e cursos de pós-graduação: especialização, mestrado e doutorado. São
oferecidos em 30 unidades acadêmicas na cidade do Rio de Janeiro, nos campi do Maracanã,
Duque de Caxias, Nova Friburgo, Resende, São Gonçalo e Teresópolis.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tem sessenta anos de história e ao
longo desse tempo vem prestando inúmeros serviços à população, desenvolvendo vários
projetos de extensão, promovendo cultura e pesquisas, e sempre procurando investir em ações
de divulgação de sua produção científica. Um exemplo dessas ações é a página eletrônica
intitulada Revistas Online, http://www.ueri.br/revistas/, na qual a Instituição divulga 52 links
de periódicos eletrônicos e segundo a própria descrição do sítio são adaptados à internet,
disponíveis na web bastando um clique para que se possa acessá-los. Os periódicos são
produzidos pelos Institutos que fazem parte da Universidade, a avaliação dos artigos é
realizada por membros da comunidade científica de diversas instituições nacionais e
internacionais.
O objetivo deste trabalho é propor uma reflexão sobre o processo de disponibilização
de Revistas Online frente ao movimento de acesso livre à informação.
Os periódicos eletrônicos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro sem dúvida
têm facilitado o acesso à produção científica, porém cabe salientar que existem vários
critérios como os de acessibilidade, disponibilidade, interoperabilidade, padronização dos
assuntos presentes nesse universo de informações, autoarquivamento, modelos de
comunicação científica, direitos autorais e tantos outros que poderiam ser analisados no
intuito de promover discussões sobre a forma atual de divulgação dessas informações.
O periódico eletrônico, além de possibilitar a ampliação do acesso, é uma maneira de
se adequar a dura realidade orçamentária das universidades púbicas no que se refere à
manutenção de assinaturas de revistas nos acervos em suas bibliotecas. A coexistência do
formato de revistas em papel e em meio eletrônico, tem sido muito discutida, porém deve-se
atentar para os problemas tecnológicos envolvidos, que precisam também de análises em suas
políticas de divulgação:

4427

�A convivência das publicações impressas com as eletrônicas ainda ocorrerá
por algum tempo, mas para que ambas sejam aceitas no meio científico os
problemas de qualidade científica e os problemas tecnológicos - sejam de
impressão, sejam de informática - precisam ser objeto de estudos, de
políticas e de decisões, que incluam as revistas brasileiras como parte
indispensável no processo de produção da ciência nacional. (STUMPF,
1998, p. 9 )

Com a criação de Revistas Online a Universidade do Estado do Rio Janeiro, demonstra
a preocupação de buscar soluções em se beneficiar das facilidades da internet contribuindo
com a divulgação da informação, melhorando o acesso e a visibilidade desses artigos. Porém
torna-se necessário a avaliação criteriosa desses links, pois o fato de estarem simplesmente
disponibilizados na web, não significa que os mesmos estão acessíveis. O conceito de
acessibilidade transcende o da disponibilidade, depende inclusive de todo conhecimento
prévio que o usuário da informação deva ter para lidar com ela no meio tecnológico.
Muitos

fatores

fundamentam

a utilização

da

comunicação

eletrônica nas

universidades, dentre eles: a pressão das agências de fomento, da própria instituição, o
determinismo tecnológico e a necessidade de dar destaque às pesquisas desenvolvidas,
aumentando dessa forma o acesso à informação, de acordo com Lawrence:
A disponibilidade online de um artigo pode não aumentar significativamente
acesso e impacto, caso não haja serviços de busca eficientes e abrangentes,
visto que um percentual substancial da literatura precisa ser indexado por
esses serviços antes que os cientistas o considerem útil. (2001 apud COSTA,
2005 p.170)

Várias perguntas podem ser feitas como: todas essas revistas e seus artigos podem ser
acessados e baixados em arquivos pdf ou foram digitalizadas no todo? Estão sendo
produzidas exclusivamente em formato eletrônico, ou formato eletrônico e papel? Para se ter
acesso ao seu conteúdo, é necessário em alguns casos a realização de cadastro? Outra questão
a ser verificada é a da preservação digital, que deve ser vista com muito cuidado por uma
instituição, principalmente de pesquisa e ensino que necessita preservar a memória.
Quanto à preservação, porém, o assunto é mais preocupante [...] a natureza
descentralizada do provimento das revistas por redes não assegura que sua
disponibilidade seja duradoura, e perguntam: onde estarão os textos das
revistas eletrônicas daqui a 5, 10, 50 ou 100 anos? A preservação será uma
tarefa apenas das bibliotecas nacionais? Quem organizará o arquivo das
revistas eletrônicas? (STUMPF, 1996, p. 4)

4428

�Estudar criteriosamente o sítio Revistas Online, como estão sendo disponibilizadas,
divulgadas e acessadas por sua comunidade acadêmica, é um campo rico em pesquisas e
debates a respeito do movimento de acesso livre às publicações científicas brasileiras.
Poderão surgir dessas análises questões como: políticas institucionais de informação,
preservação da memória, acesso livre, interoperabilidade, direitos autorais, atuação de novos
atores nesse processo como as editoras e agências de fomento à pesquisa.
Em países como Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, embora tenha predominância
de editoras de periódicos científicos, os debates a respeito das políticas e diretrizes no que diz
respeito ao acesso livre ao conhecimento científico estão mais avançados do que no Brasil
aonde vem sendo amplamente utilizado, por isso devemos ficar muito atentos, principalmente
nas posições que estão sendo assumidas nesse tema por universidades, sociedades científicas
e órgãos que financiam pesquisas. (BAPTISTA; COSTA; KURAMOTO; RODRIGUES,
2007).
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tem a possibilidade de
potencializar o desenvolvimento de suas pesquisas. Sendo assim é pertinente propor a criação
de uma plataforma na qual seja possível centralizar, organizar, trocar informações e preservar
sua coleção digital. Para o desenvolvimento de um portal com a perspectiva do acesso livre,
será necessário, primeiramente, um estudo da real situação desses periódicos levando em
conta alguns aspectos principais relacionados às categorias propostas por esse movimento
como: filosofia aberta; acesso aberto (interoperabilidade); autoarquivamento; gestão de
editoração, áreas de cobertura; revisores (comitês editoriais). Realizou-se um levantamento
inicial com todos os títulos de periódicos disponibilizados em Revistas Online, a política de
acesso e a plataforma utilizada por cada periódico como é demonstrado nos gráficos abaixo:

Gráfico 1- Revistas Online - tipos de Acesso
Periodicos online da UERJ Tipos de Acesso

■ Acesso Aberto
■ Acesso Fechado

Fonte: http://www.uerj.br/revistas/ (gráfico elaboado pela autora)

4429

�Gráfico 2 - Revistas Online da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) -

Fonte: http://www.uerj.br/revistas/ (gráfico elaboado pela autora)

Dos 52 links listados na página da UERJ, apenas 44 foram observados, pois 7 estavam
com links inválidos. Dos 44 analisados, contatou-se que 42 periódicos (96 %) têm como
política o acesso aberto e somente 2 o acesso fechado. A plataforma utilizada por 23
periódicos é o OJS (Open Journal System), um software desenvolvido pela Universidade
British Columbia que foi customizado e introduzido no Brasil pelo Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) como Sistema Eletrônico de Editoração de
Revistas (SEER) para gestão de publicações eletrônicas, projetado para facilitar o acesso
aberto, com facilidades de apresentação de artigos online. Sua principal vantagem é ser
interoperável com o Dspace, um programa que vem sendo amplamente utilizado por
universidades e instituições de pesquisa na criação de repositórios temáticos e institucionais.
Os outros 21 periódicos não tinham a especificação da plataforma utilizada, necessitando de
uma pesquisa mais profunda para obter a informação.
Esse levantamento inicial mostra que os periódicos na Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (UERJ) em sua maioria utiliza o SEER, um software que coopera para a criação de
um portal de periódicos na perspectiva do acesso livre.
Um portal de acesso único, centralizado para os periódicos eletrônicos pode se tornar
um meio mais confiável no momento das buscas de informações, pois o usuário terá uma
visão global de todos os artigos produzidos. Atualmente esta tarefa é feita de forma árdua,
tendo que percorrer link por link ao tentar fazer a busca em cada endereço eletrônico em
separado, quando este poderá disponibilizar a ferramenta de busca. As buscas por autor,
assunto, título e palavras-chave ampliam as possibilidades do usuário encontrar a informação
demandada.

4430

�A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tem uma Rede de Bibliotecas, a
Rede Sírius e a sua missão principal é a de promover o acesso à informação seguida do
oferecimento de suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para os
desenvolvimentos cultural, econômico e social do estado do Rio de Janeiro. Ela deve gerar
debates, e consequentes avaliações do seu processo de comunicação científica, contribuindo
com propostas de inserção no movimento de acesso livre. Sendo assim, este trabalho busca
desenvolver um estudo minucioso da disponibilização e acesso dos periódicos eletrônicos na
Universidade. Espera-se obter informações que sirvam de subsídios para a criação de um
portal que permita o acesso de forma integrada, a toda literatura atualmente disponibilizada
em Revistas Online.

1.1 Objetivos: geral e específico
Propor a criação de um portal de periódicos científicos na Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (UERJ) na perspectiva do acesso livre e:
a) Realizar levantamento bibliográfico relacionado a portais de periódicos
eletrônicos, e repositórios institucionais, especificamente quanto a integração de
periódicos;
b) Listar os periódicos eletrônicos disponibilizados pela Universidade, quanto a
periodicidade, idade, políticas de acesso e plataforma tecnológica utilizada por
cada periódico;
c) Descrever e analisar os recursos de cada plataforma tecnológica;
d) Propor um modelo que contemple a disponibilização destes recursos através de um
único acesso.

2 Revisão de Literatura
A comunicação científica tem sido objeto de estudo da Ciência da Informação há pelo
menos três décadas e nessas pesquisas, há predominância do enfoque quantitativo para
explicar questões relacionadas com sua produção e o uso da literatura, representadas pelo
estudo da citação. O trabalho científico é resultado de esforços mútuos, toda hipótese lançada,
e até mesmo os resultados e suas comprovações, precisam ser avaliados por seus pares, é uma
construção coletiva com olhares corporativos e cooperativos:

4431

�Os pesquisadores jamais percorrem sozinhos todos os degraus da
cadeia lógico-indutiva, ao contrário, os percorrem em grupos e,
enquanto dividem os frutos de seus esforços, estão também constantes,
e invejosamente verificando, cada um, a contribuição do outro. E
aqueles, para quem as publicações científicas são destinadas, não
formam uma plateia passiva. (MUELLER, 2000, p.14)

Segundo Leite (2009) os periódicos científicos eletrônicos são considerados, um dos
maiores avanços no processo de comunicação científica, porém a sua estruturação lógica,
sofreu poucas alterações desde o seu aparecimento como modelo que se conhece hoje. O que
realmente ocorreu, a modernização no seu formato de publicação, e o maior benefício nessa
inovação sem dúvida é o aumento das possibilidades de acesso aos seus conteúdos.
Foi na Grécia Antiga, berço da Civilização Ocidental que nasceu a troca de
conhecimentos entre seus filósofos, os primeiros colégios invisíveis. Mas somente no século
XVII que a Ciência consolidou seus saberes nos primeiros periódicos científicos que até os
dias atuais tem nesse formato sua aceitação, aprovação e difusão entre seus pares.
Segundo Kuramoto (2006) o americano Eugene Garfield criou o SCI (Science Citation
Index) uma base de referência mundial com citações bibliográficas presentes em artigos de
revistas, definidas segundo a classificação do seu impacto. Em consequência da alta
valorização dos artigos indexados pela SCI e o reconhecimento de suas publicações, os
editores promoveram a alta nos valores do preço de assinaturas de suas revistas, causando
dificuldades em manter atualizados títulos de periódicos nas bibliotecas e instituições de
pesquisas, iniciando assim a crise dos periódicos.
É nesse contexto que surge o movimento de acesso livre à literatura científica mundial,
uma resposta dos pesquisadores com várias manifestações, iniciada na década de 90 e
chegando ao seu apogeu na Convenção de Santa Fé, evento importante por ter lançado como
principal proposta o modelo Open Archives Initiative, e também por ter discutido e
consolidado uma linha de ação voltada para a definição de aspectos técnicos e organizacionais
com a finalidade de possibilitar uma estrutura de publicação científica aberta, garantindo a
interoperabilidade entre as informações disponibilizadas em meio eletrônico. Estabeleceramse os seguintes requisitos para arquivos de e-prints: mecanismos de submissão; sistema de
armazenamento em longo prazo; uma política de gestão para a preservação e submissão dos
documentos; interface aberta que permita terceiros coletar os metadados dos respectivos
arquivos; provedores de dados e de serviços.

4432

�As pesquisas científicas, aquelas que são realizadas nas universidades e financiadas
com recursos públicos deveriam a princípio ser de acesso livre, não sendo isso o que ocorre
realmente no sistema de comunicação científica tradicional, tendo o pesquisador ou qualquer
outra pessoa interessada que pagar por aquilo que foi produzido com apoio do Estado, uma
situação paradoxal segundo Kuramoto (2006).

3 Materiais e Métodos
Nessa seção serão descritos as etapas anteriormente citadas nos objetivos específicos e
os instrumentos necessários para realização das atividades propostas em cada fase do processo
para se chegar a principal meta que é a criação de um Portal de Periódicos Eletrônicos da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), na perspectiva do acesso livre.
Primeira etapa: Realização de um levantamento bibliográfico sobre portais e repositórios
institucionais que tiveram a experiência de integrar à sua coleção digital, periódicos
eletrônicos. Nessa etapa deverá ser utilizado a rede de computadores, base de dados, catálogos
e fontes de informação, com a finalidade de se obter uma relação de Repositórios
Institucionais e Portais que possam servir de base para a criação de um modelo centralizado
de disponibilização dos periódicos.
Segunda etapa: Descrever os periódicos eletrônicos da UERJ, título a título, elaborando uma
tabela com os seguintes itens a serem analisados segundo critérios como:
a) Periodicidades - anual, semestral, quinzenal, bimestral, quadrimestral, enfim em
que período de tempo que os periódicos são divulgados na instituição.
b) Políticas de acesso - esses periódicos estão com seus artigos disponibilizados em
arquivos abertos e podem ser facilmente recuperados e baixados por qualquer
computador; ou fechado, os artigos não estão disponíveis.
c) Idade do periódico - em que ano cada título começou a ser disponibilizado.
d) Plataforma tecnológica utilizada por cada periódico internet no processo de
editoração eletrônica dessas Revistas.
Terceira etapa - Essa etapa utiliza critérios sugeridos segundo Kuramoto (2005) e pretende
analisar e descrever os recursos de cada plataforma tecnológica, baseando-se nos requisitos
desejáveis para um software de biblioteca digital:
a) Portabilidade-É a capacidade de um pacote de software ser executado em
diferentes ambientes operacionais;

4433

�a) Flexibilidade quanto a definição do padrão de metadados - Possibilidade de oferecer
ao usuário outros padrões de metadados;
b) Uso de padrões de interoperabilidade - Facilidade de integração a outras iniciativas
análogas, criação de redes. Uso de linguagem de marcação XML - Para facilitar a
interoperabilidade entre os sistemas de bibliotecas digitais;
c) Capacidade de tratamento de múltiplos formatos de documentos - Possibilidade de
armazenar vários tipos de formatos como texto, imagem e som;
d) Possuir interfaces ergonômicas e adaptativas - Para facilitar o seu uso por usuários
menos especializados;
e) Facilidade para estruturação dos documentos - poder considerar dois tipos de
estruturação: no todo ou em partes (revista e artigo);
f) Configuração dos procedimentos de indexação - Capacidade de definição dos
metadados em campos de busca ou pontos de acesso, aos registros de uma biblioteca
digital;
g) Possuir módulos de formatação de relatórios - Capacidade de gerar relatórios ou
configurar-se a apresentação de documentos.
Tipologia de pacotes de software para administração de bibliotecas digitais:
•

Caráter genérico - Com capacidade de tratar, organizar, registrar e disseminar
qualquer tipo de documento, por utilizar um padrão de metadados que tem
compatibilidade com o padrão Dublin Core e podem ser utilizados na criação de
qualquer tipo de bibliotecas digitais, como por exemplo: CDSware, E-prints, NouRau, Phronesis, Fedora e Dspace.

•

Caráter específico - Atende somente a determinados tipos de aplicações como
exemplo o OJS, Open Journal Systems, construído pela Universidade Briths
Columbia para administrar periódicos científicos eletrônicos e adaptado pelo IBICT
como SEER, Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas.
Quarta etapa - Deverá ser elaborada e proposta um modelo que consiga reunir
em uma única plataforma os periódicos eletrônicos disponibilizados pela UERJ.

4 Resultados Parciais/Finais
A criação de um portal de acesso único dos periódicos eletrônicos na perspectiva do
acesso livre poderá ser um meio de reúso das informações disponibilizadas tornando-se uma
referência para a comunidade acadêmica e científica, principalmente se os arquivos forem
interoperáveis com outros sistemas informacionais, maximizar o prestígio da instituição,

4434

�valorizar a missão da universidade que se propõe a divulgar à população os resultados de suas
pesquisas, tornando esse processo transparente. Pode vir a ser também, um instrumento eficaz
para reduzir os custos de gestão da informação científica e uma ferramenta potente para
auxiliar nas tomadas de decisões e também pode contribuir para melhorar na gestão dos
direitos intelectuais e de propriedade da Instituição.
Um dos beneficiados com essa proposta será a própria comunidade científica que terá
o fortalecimento do trabalho cooperativo em equipe e um reconhecimento tanto nacional,
quanto internacional e o maior beneficiado será a população em geral tendo um amplo e
irrestrito acesso à informação científica e tecnológica.

5 Considerações Parciais/Finais
A Constituição Federal brasileira, em seu artigo V, inciso XIV, assegura a todos o
acesso à informação, portanto a sua democratização não pode ficar no plano das ideias, é um
dever a ser cumprido e essa tarefa no âmbito do processo de comunicação científica, precisa
ser avaliada e amplamente discutida por toda a sociedade. Com as novas tecnologias de
informação, o que não faltam atualmente são instrumentos e meios para disponibilizá-las, mas
efetivamente isso não tem demonstrado ser suficiente. As universidades estão no centro desse
debate cada vez mais necessário sobre o trabalho cooperativo em rede e da difusão e geração
do conhecimento.
Devemos ter o cuidado de não reproduzir nas ofertas de serviços online, o mesmo caos
informacional que a própria web retrata na fragmentação da informação.
Espera-se que esse projeto possa contribuir efetivamente com a ampliação da
visibilidade dos periódicos eletrônicos disponibilizados pela Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (UERJ), pois de acordo com o levantamento realizado são 52 títulos, todos
oriundos da comunicação em artigos resultantes de pesquisas científicas e devido a sua
descentralização, dificulta o tratamento e organização dessas informações de forma
padronizada, tornando difícil uma análise dos dados quantitativos de produção por parte
dessas áreas de pesquisa e até mesmo saber quem produz o que na instituição. A centralização
dessas coleções em um único acesso possibilitará um mapeamento e monitoramento dessas
informações, obtendo indicadores mais precisos dessa produção científica. A facilidade de se
ter uma plataforma que consiga organizar esses periódicos por áreas do conhecimento, pode
servir como uma fonte segura de informação para as agências de fomento interessadas em
investir em desenvolvimento de pesquisas em ciência e tecnologia. A disponibilização das

4435

�descobertas dos pesquisadores em ferramenta de acesso livre pode significar maior
entrosamento e diálogo mais rápido entre seus pares.
O movimento de acesso livre à informação científica propõe estratégias claras e
objetivas de ações como a implantação de repositórios institucionais e temáticos nas
instituições de pesquisas e universidades. A criação deste portal pode ser o início para o
desenvolvimento de um repositório institucional capaz de reunir a produção da UERJ,
incluindo posteriormente outras tipologias como teses, dissertações e trabalhos publicados em
eventos.
A preservação da memória deve ser vista como um dos fatores de suma importância
dentro de uma instituição de pesquisa e ensino, e a criação de um portal de periódicos
eletrônicos na perspectiva do acesso livre deve se preocupar em assegurar que os materiais
digitais continuem acessíveis e disponíveis ao longo do tempo.

Referências
ARAYA, Elizabeth Roxana Mass; VIDOTTI, Silvana Aparecida BorsettiGregorio. Direito
autoral e tecnologia de informação e comunicação no contexto da produção, uso e
disseminação da informação: um olhar para as licenças creative commons. Informação &amp;
Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 19, n.3, p.39-51, set./dez. 2009. Disponível em:
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&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewArticle/1746.&gt; Acesso em:
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a ciência da informação. In: MUELLER, Suzana P. M.; PASSOS, Edilenice J. L. (Org.).
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livre ao conhecimento, Ciência da informação, Brasília, v. 35, n.2, p.27-38, maio/ago., 2006.
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em:

&lt;http://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/viewFile/3369/3953&gt;. Acesso em: 26 set. 2013.

4438

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                <text>Analisa o sítio de Revistas Online da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) onde são disponibilizados periódicos eletrônicos com o objetivo de propor um Portal em consonância com o movimento de acesso livre à informação. Traz uma reflexão a respeito do processo de comunicação científica estabelecido atualmente na Universidade. Lista os periódicos disponibilizados, suas formas de acesso e softwares utilizados. Descreve a importância de se implantar plataformas de acordo com Open Archives Initiative para a preservação da memória, ampliação do acesso, entre outras. Sugere que sejam verificados aspectos como acessibilidade,  disponibilidade, interoperabilidade, padronização e preservação digital, adotando uma metodologia de levantamento bibliográfico sobre o assunto revistas eletrônicas, descrição dos periódicos eletrônicos disponibilizados pela Universidade e de suas plataformas tecnológicas com a finalidade de construir um ambiente digital que possa contemplar todos esses recursos de acesso aberto de forma centralizada. Espera-se contribuir efetivamente com a possibilidade de se ter um portal de periódicos na perspectiva do acesso livre com a capacidade de reunir, trocar informações científicas, facilitar as buscas de assuntos, aumentar a visibilidade das pesquisas e ampliar o acesso a esta produção.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NÚCLEO DE EXTENSÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO: UMA PROPOSTA PARA A
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Jaqueline Silva de Souza
José Carlos Sales dos Santos
Ana Paula Lopes da Silva
Lucidio Lopes de Alencar
RESUMO
Objetivo apresentar uma proposta de implantação do Núcleo de Extensão do Sistema
Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/Univasf).
O SIBI é o responsável por orientar o acesso às fontes de informação eletrônicas, a adequação
de publicações ao estilo acadêmico (normalização) e métodos de pesquisas que apoiam as
atividades de ensino e pesquisa da comunidade acadêmica da Univasf. Visualizando o cenário
da Educação a Distância e a disponibilização da ferramenta Modular Object-Oriented
Dynamic Learning Environment, (Moodlej, um software livre, já utilizado pela Secretaria de
Educação a Distância (SEAD) da Univasf. O Núcleo de Extensão do SIBI irá disponibilizar,
através desta plataforma, cursos sobre a utilização de fontes de informações eletrônicas e
normalização de trabalhos científicos. A proposta será desenvolvida em quatro etapas:
diagnóstico das necessidades de informação dos usuários do SIBI, elaboração dos programas
de treinamento à distância, execução através da ferramenta Moodle e avaliação do projeto.
Como conclusão parcial destaca-se a relevância da plataforma de ensino a distância para o
treinamento de servidores do SIBI.
Palavras-Chave: Educação a Distância; Moodle; Biblioteca; Treinamento.

ABSTRACT
Present a proposal for a core deployment of extension of the integrated system for libraries of
Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/Univasf). The SIBI is responsible for
direct access to electronic sources of information, the appropriateness of academic-style
publications (normalization) and research methods that support the teaching and research
activities of the academic community of Univasf. Viewing the scenery of distance education
and the provision of Modular Object-Oriented Dynamic tool Learning Environment
(Moodle), a free software, already used by the Secretariat for distance education (SEAD) of
Univasf. The core of SIBI extension will provide, through this platform, courses on the use of
electronic information sources and standardisation of scientific papers. The proposal will be
developed in four stages: diagnosis of the information needs of users of SIBI, elaboration of
training programs from a distance, running through the Moodle tool and evaluation of the
project. As partial conclusion highlights the relevance of distance learning platform for the
training of servers of SIBI.
Keywords : Distance Education ; Moodle ; library ; Training.

4345

�1 INTRODUÇÃO
A inserção das tecnologias da informação e comunicação nas diversas atividades
humanas (saúde, política, economia, outros) proporcionou transformações substantivas no

modus operandi da sociedade contemporânea. Na educação, por exemplo, assiste-se a
mudanças na prática do ensino e aprendizagem, reconfigurando as tradicionais relações entre
docentes e discentes. A Educação a Distância (EAD) constitui uma modalidade educativa que
dispensa, na estrutura, o espaço-temporal na relação entre os docentes e discentes envolvidos
no processo de aprendizagem.
O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco
- SIBI/Univasf, vinculado a Reitoria, foi criado com o objetivo de integralizar e padronizar
os serviços de todas as bibliotecas desta Universidade.

Ele é composto por 6 (seis)

bibliotecas, sendo 1 (uma) central localizada no campus Petrolina -PE e 5 (cinco) setoriais,
localizadas nos campi de Ciências Agrárias também em Petrolina -PE, Senhor do Bonfim,
Paulo Afonso e Juazeiro na Bahia e São Raimundo Nonato no Piauí. Alinhado com a
Secretária de Educação a Distância (SEAD), o SIBI visa à promoção e disseminação de
informações diversas para a comunidade acadêmica, sendo responsável pelo treinamento para
acesso às fontes de informações eletrônicas, normalização de trabalhos acadêmicos e métodos
de pesquisa, assim como apoiar as atividades de ensino e pesquisa da comunidade
universitária da Univasf.
O projeto de criação e implantação do Núcleo de Extensão do SIBI subdivide-se em
quatro etapas: diagnóstico situacional das unidades de informação e necessidades dos
usuários, elaboração dos programas de treinamento à distância, execução das etapas através
da Plataforma Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment, o Moodle e
avaliação do projeto. Assim serão realizados os cursos à distância.
A concepção e implementação do projeto estarão engendradas no documento

Referencias de Qualidade para Educação Superior a Distância , elaborado pelo Ministério de
Educação - Secretaria de Educação à Distância.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O Moodle é um software livre com o propósito de gerenciar cursos à distância e/ou
presencial, constitui uma aplicação internet/intranet vinculado a um servidor que facilita o
acesso de conteúdos diversos, superando as limitações relacionadas ao tempo e espaço.
Segundo Delgado (2009, p.42):

4346

�O Moodle foi criado com base no conceito das teorias construtivistas, que
possuem a interação e a colaboração como premissa para o processo de
construção do conhecimento. Com base nesse conceito, o próprio software
surge com a ideia de colaboração, ou seja, os usuários do sistema mantém
um portal na internet para colaboração e aprimoramento da ferramenta. Esse
portal facilita a troca de informação e, consequentemente, o aperfeiçoamento
constante do Moodle enquanto ferramenta de educação. Isso significa dizer
que qualquer instituição que utilize o Moodle está colaborando com o seu
desenvolvimento, apenas o divulgando ou mesmo identificando e
solucionando problemas e ainda propondo novas ferramentas e
possibilidades para a atuação dos professores ou tutores (mediadores da
aprendizagem).
A proposta deste projeto visa treinar os profissionais do SIBI, assim como os alunos de
graduação e pós-graduação regularmente matriculados na Univasf, nas atividades/cursos
previstas na plataforma. Importante ressaltar o registro do SIBI no ambiente de ensino à
distância desta Universidade, facilitando a criação de cursos destinados a treinamentos,
disponibilização de vídeos institucionais, documentos e outros.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
&gt; PRIMEIRA ETAPA - DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
Esta etapa, relacionada ao diagnóstico, propõe a identificar nas bibliotecas do sistema
as atividades desenvolvidas e direcionadas aos docentes e discentes e técnicos da Instituição,
bem como suas necessidades e elencar as políticas de treinamentos existentes nessas
bibliotecas para a sistematização no ambiente EAD. Desta forma, pretende-se ampliar a
inserção de alunos de graduação e pós-graduação, assim como servidores da universidade, nos
cursos oferecidos pelo SIBI.
A parte inicial da primeira etapa, já foi concluída. No período de 20 a 28/02/2014,
realizamos uma pesquisa com nossos usuários, onde utilizamos o método qualitativo e
quantitativo, e um questionário como instrumento. Assim, avaliamos os nossos serviços, a
estrutura física, o acervo e pessoal (recursos humanos) das nossas bibliotecas. O item 9
(nove), desse questionário, referiu-se aos nossos serviços disponíveis e o resultado da
pesquisa, nesse item, diagnosticamos que 40% dos nossos usuários não conhecem alguns dos
nossos serviços prestados, como: Portal da Capes e bases de dados; Orientação para
normalização de trabalhos acadêmicos; Serviços de Referência; Facebook e pagina do SIBI.
Outro aspecto composto ainda nessa primeira etapa, que ainda não concluímos, consiste
em identificar, entre os servidores do sistema, as competências e habilidades que eles
gostariam de desenvolver a partir do ambiente do ensino à distância. Estas propostas serão

4347

�apresentadas e agrupadas de acordando com as redundâncias das sugestões e afinidades dos
temas escolhidos em uma reunião que está agendada para o mês de agosto de 2014 para assim
identificarmos esses servidores.
&gt;

SEGUNDA ETAPA - DESENVOLVIMENTOS DOS CURSOS
Essa etapa está relacionada à intervenção organizacional.

503

A- Curso: identificação do curso; título; natureza do curso departamento ofertante; prérequisitos exigidos; clientela; carga horária; duração do curso; resumo da proposta;
principais características pedagógicas e de suporte tecnológico; resumo orçamentário
dos custos diretos para seu desenvolvimento.
B- Apresentação do Curso504: histórico e contexto (apresentar os motivos e a importância
do curso dentro do panorama da realidade social e educacional); objetivos gerais;
descrição do conteúdo; apresentação (indicar as disciplinas e temas a serem
contemplados em relação à abordagem ou orientação teórica); plano de curso;
(apresentar a estrutura curricular e as ementas de cada uma das disciplinas do curso);
percurso ensino-aprendizagem (indicar a natureza da aprendizagem visada e os meios
que se pretende utilizar); perfil dos tutores ou de quem irá prestar este apoio e suas
tarefas (perfil: nível de formação, área de formação, experiência profissional, tarefas
particulares, lugar de trabalho, exigências ou aptidões particulares, tarefas: número de
horas de trabalho, correção ou não das avaliações, animação (de que tipo: oficina, por
telefone, seminário, grupos de trabalho, etc.), avaliação do estudante (indicar a
natureza dos instrumentos e critérios de avaliação; avaliação do material do curso
(especificar quais os procedimentos a serem seguidos para avaliar o material antes de
ser utilizado no curso e durante o mesmo); plano de execução; recursos humanos
internos (identificar estes recursos, suas tarefas, o tempo exigido); calendário de
execução; orçamento.
&gt; TERCEIRA ETAPA: EXECUÇÃO DAS ATIVIDADES ATRAVÉS DO MOODLE
Cadastro de alunos e tutores no ambiente virtual de aprendizagem e início dos cursos.
&gt; QUARTA ETAPA: AVALIAÇÃO DO PROJETO
Criação e disponibilização de questionários avaliativos para mensurar a satisfação ou
não de alunos e professores e técnicos quanto ao Núcleo de Extensão e sua metodologia de

2 Propostas elaboradas a partir das proposições de Preti (1996)
3 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DOS CURSOS EAD - Adaptação de: Guide d ’elaboration d ’un dossier de
presentation de cours. Télé-université du Quebec, fev. 1991

4348

�aprendizagem, bem como os impactos do projeto no processo de acesso à informação na
comunidade.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Os cursos que serão ofertados pelo Núcleo de Extensão do SIBI/Univasf foram
levantados através de questionário respondido pelos alunos de graduação e pós-graduação e
professores e técnicos da Univasf.
Iremos realizar uma reunião no SIBI para que os servidores através das suas
competências e habilidades apontem seus interesses nos cursos que iremos desenvolver no
ambiente do ensino à distância.

Quadro 1: Cronograma do projeto
Atividades
Primeira
Etapa :

2014.1

Diagnostico X
situacional e Apresentação do projeto e
Identificação dos servidores suas
competências e habilidades.
Segunda Etapa: Desenvolvimento dos
cursos / projetos / Apresentação.
Terceira
Etapa:
Atividades na
plataforma moodle.
Inscrição para os cursos.

2014.2
X

2015.1

X

X

2015.2

X
X

Inicio dos cursos.
Quarta Etapa: Avaliação do projeto.

X
X

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A Educação a Distância é uma poderosa ferramenta para as bibliotecas no atendimento
das necessidades de seus usuários e uma importante prestação de serviço à comunidade.
Identificou-se que o SIBI/Univasf possui estrutura disponível para a execução do projeto
devido à parceria com a SEAD e apoio da universidade. A meta agora é levantar recursos
humanos e financeiros junto à instituição e executar o planejamento dos cursos para logo
disponibilizá-los à comunidade da Univasf e apresentar futuramente resultados e avaliações
identificadas na implantação do Núcleo de Extensão.

6 REFERÊNCIAS
ESTRUTURA E

ORGANIZAÇÃO DOS

CURSOS EAD

- Adaptação

de:

Guide

d’elaboration d’un dossier de presentation de cours. Télé-université du Quebec, fev. 1991.

4349

�BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distancia. MINISTÉRIO DA
EDUCAÇÃO. Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância. Brasília:
[MEC],

2007,

Disponível

em:

&lt;http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/legislacao/refead1.pdf&gt;. Acesso em: 04 jan. 2014.
DELGADO, Laura Maria Miranda, HAGUENAUER, Cristina Jasbinschek. Uso da

plataforma Moodle como apoio ao ensino presencial: um estudo de caso. Rio de Janeiro,
2009.
PRETI, Oreste. Educação a distância: uma prática educativa mediadora e mediatizada. In:
________ . (Org.). Educação a Distância : início e indícios de um percurso. Cuiabá: UFMT,
1996.
PRIMO, Alex. Quão interativo é o hipertexto? Da interface potencial à escrita coletiva.

Fronteiras: Estudos Midiáticos, São Leopoldo, v. 5, n. 2, p. 125-142, 2003.

4350

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Núcleo de extensão do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco: uma proposta para a educação a distância</text>
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                <text>Souza, Jaqueline Silva de, Santos, José Carlos Sales dos, Silva, Ana Paula Lopes da, Alencar, Lucidio Lopes de</text>
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                <text>Objetivo apresentar uma proposta de implantação do Núcleo de Extensão do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/Univasf). O SIBI é o responsável por orientar o acesso às fontes de informação eletrônicas, a adequação de publicações ao estilo acadêmico (normalização) e métodos de pesquisas que apoiam as atividades de ensino e pesquisa da comunidade acadêmica da Univasf. Visualizando o cenário da Educação a Distância e a disponibilização da ferramenta Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment, (Moodle), um software livre, já utilizado pela Secretaria de Educação a Distância (SEAD) da Univasf. O Núcleo de Extensão do SIBI irá disponibilizar, através desta plataforma, cursos sobre a utilização de fontes de informações eletrônicas e normalização de trabalhos científicos. A proposta será desenvolvida em quatro etapas: diagnóstico das necessidades de informação dos usuários do SIBI, elaboração dos programas de treinamento à distância, execução através da ferramenta Moodle e avaliação do projeto. Como conclusão parcial destaca-se a relevância da plataforma de ensino a distância para o treinamento de servidores do SIBI.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
OS SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO NA BIBLIOTECA DE CIÊNCIAS DA SÁUDE DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC): REFLEXÕES SOBRE A
AVALIAÇÃO DA DISPONIBILIZAÇÃO E USO.
Maria Naires Alves de Souza
Rosane Maria Costa
Denyse Maria Borges Paes
RESUMO
A atual sociedade da informação e do conhecimento com a explosão na geração da
informação e no processo de comunicação traz consigo a preocupação na capacidade das
organizações ao implantar serviços de informação. Serviços de informação é um conjunto de
serviços ofertados pelas Unidades de Informações, tais como: pesquisa, empréstimo de
documentos, levantamento bibliográfico, disseminação seletiva da informação, dentre outros.
Objetiva-se investigar os serviços de informação da Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS)
da Universidade Federal do Ceará (UFC). Trata-se de uma pesquisa do tipo bibliográfica e
documental cujos dados foram obtidos nos relatórios de gestão da instituição de 2006 a 2013.
A BCS oferece uma série de serviços informacionais dos quais se destacam: educação de
usuários que alcançou 3.796 alunos; o apoio à elaboração de trabalhos científicos com um
total de 87.030 procedimentos realizados e nos 4.686 atendimentos referentes à solicitação e
fornecimento de documentos via comutação bibliográfica. A BCS vem continuamente
empenhando-se em oferecer serviços de informação que venham a suprir as necessidades de
pesquisa de sua comunidade acadêmica.
Palavras-Chave: Serviços de Informação; Bibliotecas Universitárias; Bibliotecários;
Biblioteca de Ciências da Saúde; Universidade Federal do Ceará.
ABSTRACT
The present information and knowledge society with the explosion in the generation of
information and communication’s process brings the worry on the ability of organizations to
implement information services. Information Services is a collection of services offered by
the Information Units, such as: research, loan documents, bibliographic, selective
dissemination of information, among others. Objective is to investigate the information
services of the Library of the Health Sciences (BCS) of the Universidade Federal do Ceará
(UFC). This is a research of bibliographic and documental whose data were obtained in the
management reports of the institution. BCS offers a number of informational services among
which are: user’s education that reached 3.796 students, supporting the preparation of
scientific papers with a total of 87.030 procedures performed and 4.686 attendances relating
to the request and document delivery via bibliographic exchange. The BCS has been
continuously endeavoring to provide information services that will meet the needs of their
academic research community.
Keywords: Information Services; University Libraries; Librarians; Health’ Sciences Library;
Universidade Federal do Ceará.

1470

�1 INTRODUÇÃO
A explosão informacional e consequentemente, a dificuldade em se organizar,
acessar e tornar disponível a vasta massa documental existente é um problema antigo,
ensejou-se, após a segunda guerra mundial, e vem atingindo todas as camadas da sociedade
atual que, se depara com uma grande explosão na geração da informação e no processo de
comunicação.
Essa realidade vem despertando uma maior preocupação por parte dos
profissionais responsáveis por colocar a disposição dos usuários as informações solicitadas.
No entanto, com a emergente situação que vivemos atualmente, em que as
informações são produzidas em maior quantidade e com maior rapidez, torna-se evidente a
importância de um profissional que saiba lidar com essa explosão documental e, portanto,
além de desenvolver atividades técnicas, deverá lidar também com as questões sociais, na
medida em que souber tratar as informações e colocá-las à disposição para que qualquer
indivíduo delas possa se utilizar, quando for necessário. Barros (2005, p. 70) postula que,
O bibliotecário é um dos profissionais da informação que pode assegurar o
tratamento e acesso da informação produzida nos meios acadêmicos e
intelectuais. Esse profissional é capacitado para planejar, organizar,
gerenciar museus, arquivos, editoras, bibliotecas (escolares, universitárias,
especializadas, públicas), bancos, ONGs inseridas em projetos pedagógicos e
outras instituições.
O bibliotecário deverá ampliar suas atividades para toda a comunidade em que
atua, procurando desenvolver ações educativas que despertem nas pessoas o interesse e o
gosto pela leitura e pesquisa. Por isso é importante que o “profissional bibliotecário”
proporcione meios para que seus usuários supram suas necessidades informacionais.
Percebe-se que parte dos bibliotecários têm direcionado suas atividades voltadas
mais para o serviço de processamento técnico. Esses profissionais, muitas vezes, pouco se
importam com a comunidade a que servem, esquecendo que sua atuação é significativa para a
formação de leitores, levando em consideração, ainda, que os mesmos possam mediar à
informação para a comunidade, contribuindo, assim, para “a prática da cidadania e a
provocação de transformação social, uma vez que o acesso à informação, possivelmente
produzirá conhecimento e atingirá a dimensão social e educacional nas várias camadas
sociais” (CYSNE, 1993).
Acredita-se que essa realidade poderá ser modificada quando os bibliotecários
passarem a desenvolver práticas visando à difusão do saber e garantia do acesso à informação

1471

�para a população, contribuindo para elevar seu nível educacional e também utilizá-la para
solucionar os problemas do seu dia-a-dia.
Todo o fazer bibliotecário é voltado para o objeto informação, e é através do
mesmo que se desenvolvem suas funções e atividades, Cysne (1993, p. 41) argumenta que:
[...] o trabalho do bibliotecário consiste [...] em fazer-se do profissional a
ponte entre a informação registrada nos mais diversos suportes físicos e seu
usuário potencial, cujas necessidades os bibliotecários buscariam
teoricamente, atender da melhor forma possível.
O bibliotecário necessita agir como catalisador e difusor da informação na
comunidade onde atua, tentando desenvolver uma prática social, assegurando a participação
ativa e crítica do cidadão, à medida que o mesmo tenha acesso à informação, e possa
transformar a sua realidade, promovendo a democratização social. É nesse cenário que os
serviços de informação devem desempenhar o papel fundamental na disposição e uso das
informações.
Entende-se por serviços de informação o conjunto de serviços ofertados pela
Unidade de Informações, tais como: pesquisa, empréstimo de documentos, levantamento
bibliográfico, disseminação seletiva da informação, dentre outros. Tais serviços devem se
adequar às necessidades dos usuários.
Corroborando Garcez e Rados (2002) diz que não é suficiente que a biblioteca
satisfaça a demanda de seus usuários, é necessário, que o faça em tempo útil. O usuário
deverá ter suas respostas respondias em tempo hábil a fim de que suas necessidades
informacionais sejam respondidas e se estabeleça a possível construção do conhecimento e
assim, o mesmo possa desenvolver suas atividades, tomar decisões, se posicionar de forma
crítica mediante os desafios que lhe forem impostos.
Na atual sociedade da informação e do conhecimento com a explosão na geração
da informação e no processo de comunicação, concentra-se a preocupação na capacidade que
as organizações devem ter de posicionar-se diante das demandas ao implantar serviços de
informação que estabeleçam um eficaz canal de comunicação entre os profissionais da
informação e o usuário.
Esse contexto chama atenção para a importância da adoção de medidas que
viabilizem a disponibilização e o uso dos serviços de informação nas unidades
informacionais. Partindo dessa observação e do interesse em verificar quais serviços de
informação a Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) da Universidade Federal do Ceará

1472

�(UFC) está oferecendo a comunidade acadêmica a que está inserida, bem como identificar a
frequência de utilização por parte dos mesmos.
Objetiva-se assim investigar os serviços de informação da Biblioteca de Ciências
da Saúde (BCS) da Universidade Federal do Ceará (UFC), de forma a permitir maior reflexão
sobre a avaliação da disponibilização e uso de tais serviços.

2 OS SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
O grande volume de informações é um problema que ora percebe-se no mundo e
no Brasil, em particular, observa-se casos ligados à disposição exacerbada de informações na
web e a rapidez com que as mesmas são atualizadas, tal questão tem afetado a sociedade no
todo, independentemente de área de conhecimento, classe social ou atuação profissional.
Segundo a Wikipédia (online), a definição de serviço de informação encontra-se
similar a serviço de inteligência e “é considerado geralmente como um departamento
governamental cuja função é a coleta ou recolha de informações, ditas “inteligência” [...]” É
possível perceber, que o serviço de informação traz benefícios às vidas das pessoas que dele
se utilizam, na maioria dos casos os usuários tem acesso a informações de seu interesse antes
mesmo de buscarem e solicitarem as unidades informacionais, atendendo desta forma, de
maneira espontânea suas necessidades.
No Dicionário Caldas Aulete (2004, p. 729) serviço é definido como: “1 Trabalho,
tarefa. 2 Ofício, ocupação, emprego. 3 Atividade cujo produto não assume a forma de
mercadoria, mas satisfaz uma necessidade.”
Informação é definida pelo citado dicionário como: “1 Ação ou resultado de
informar (-se). 2 Conjunto de dados sobre algo ou alguém. 3 Relato de acontecimentos ou
fatos, transmitido ou recebido” (CALDAS AULETE, 2004, p.450). Com a união de ambas as
definições obtém-se a mesma ideia exposta anteriormente.
Os serviços de informações estão agregados aos diferentes procedimentos
realizados nas unidades informacionais e com os objetivos da mesma. Estes estabelecem desta
maneira, o convívio dos usuários com uma crescente gama de atividades realizadas pela
equipe das unidades de informação. As referidas equipes intencionam atender/solucionar
problemas/dúvidas apresentadas pelos consulentes. Nesse cenário a forma como estes
serviços são dispostos e disponibilizados acarreta o seu conhecimento e uso pelos usuários.
Azevedo (2001 apud ROZADOS, 2006, p. 54) apresenta outro conceito para
serviços de informação, que seria identificado como ”[...] uma atividade destinada à

1473

�identificação, aquisição, processamento e transmissão de informação ou dados e ao seu
fornecimento num produto de informação”.
Já Talavera Ibarra (1998 apud MANGAS, 2007, p. 2) diz que o serviço de
informação seria um serviço de referência que:
[...] facilita o acesso à informação, e que especialmente ajuda o utilizador a
localizar a informação procurada é o serviço de referência. Este serviço,
tradicionalmente definido como aquele que relaciona o utilizador que tem
uma necessidade de informação com os recursos ou fontes que vão satisfazer
as suas necessidades.
Vale ressaltar que os serviços de informação diversificam-se conforme a
especificidade a que se destina a unidade de informação bem como ao público que atende.
Expõem-se os serviços de informações tradicionalmente conhecidos seguidos das alternativas
utilizadas através do uso das TIC, as quais oferecem instrumentos capazes de desenvolver ou
adaptar os serviços no ambiente da web. Segue:
a) Visita orientada: orientações para um grupo de usuários sobre a utilização do
acervo, produtos e serviços;
b) Consulta local: disponibilidade do acervo para consulta local a fim de que o
usuário possa desenvolver pesquisas, realizar atividades, responder seus questionamentos,
entre outros;
c) Orientação ao usuário: auxilia e direciona o usuário na busca de informações e
documentos nas estantes, nas bases de dados e na utilização de catálogos;
d) Levantamento bibliográfico: é a pesquisa sobre determinado assunto no acervo
da própria unidade ou em outras unidades, em diferentes bases de dados e nas fontes de
informações a que se tenha acesso;
e) Treinamento: sistematização e aplicação de métodos que orientam usuários no
acesso e uso de diferentes bases de dados, assim como manuseio de acervo e recuperação da
informação;
f) Comut: serviço de solicitação de cópia de artigos de periódicos entre outros
materiais que não exista no acervo local;
g) Disseminação Seletiva da Informação (DSI): fornecimento de informações
técnico, científicos, especializadas e atualizadas aos usuários, dentre outros.
Advindos da evolução tecnológica foram surgindo novos serviços de informação
cujo intuito é possibilitar melhor acesso e disponibilização das informações, bem como

1474

�adaptar e buscar, através das renovações de seus serviços, crescer e evoluir em suas técnicas
de atendimento. Como exemplo destes serviços inclui-se:
a) Pesquisa online do acervo: permite que o usuário conectado a internet tenha
acesso ao acervo da biblioteca;
b) Comutação bibliográfica online: permite que o usuário conectado a internet,
através de formulário online solicite seus pedidos de materiais bibliográficos;
c) Fornecimento de cópias online: permite que os usuários conectados a internet,
através de links de anais, teses e dissertações e periódicos eletrônicos, tenha disponibilidade
dos seus originais impressos;
d) Localização de materiais online: permite que o usuário conectado a internet
tenha possibilidade de receber através de e-mail indicações ou referências de publicações
eletrônicas do material solicitado;
e) Serviços de alerta eletrônico: permite ao usuário conectado à internet ter
informações de novos serviços oferecidos pela biblioteca, bem como o envio de informações
por e-mail, dentre outros.
Destaca-se que para cumprir suas funções, o serviço de informação deve contar
com pessoal especializado na busca da informação, com fontes relevantes e com políticas que
facilitem ao usuário, o acesso à informação.

3 O BIBLIOTECÁRIO GESTOR
O bibliotecário é agente primordial como intermediário na disponibilização das
informações, e isto se concretiza através dos serviços informacionais.
Corroborando Viana (1996, p. 4) afirma que “o bibliotecário será um dos
responsáveis por unir as pessoas e colocar à disposição delas recursos de comunicação,
informação e produção de conhecimento”.
O bibliotecário em seu ambiente de atuação como aquele que deve intermediar a
pergunta e a resposta, servindo como intérprete e tradutor da linguagem acompanhando o
usuário no processo de busca, seleção e recuperação da informação. Sendo assim, o
profissional da informação precisa estar em sintonia com esta realidade e procurar qualificarse para se adaptar às mudanças.
Nesse panorama, revela-se a necessidade do bibliotecário mostrar-se apto a
exercer o papel de gestor, contribuindo não apenas com a organização e armazenamento da
informação, mas, buscando também, desempenhar uma prática voltada para a articulação de
oportunidades, visando obter resultados através das pessoas.

1475

�Nesses moldes, remete-se a importância dos serviços de informação, mediante a
atuação do bibliotecário gestor, considerando-o um referencial no atendimento as
necessidades informacionais dos usuários/clientes, através do qual se terá acesso e obter-se-á
a informação desejada.
Conforme Amaral (1995, p. 35-36), o perfil do bibliotecário deve ser
caracterizado pelos atributos específicos de um agente de mudanças, capaz de gerenciar os
recursos informacionais com a habilidade exigida pelo mercado. Dentro desse contexto, o
bibliotecário tem a tarefa e o desafio de gerenciar as informações existentes e que se
encontram disponíveis em diferentes formatos, colocá-las a disposição da comunidade a qual
serve e que são desejosas de tais informações.
Partido desse pressuposto, Barros (2005, p. 70) diz que “este profissional bibliotecário - possui competências, valores e capacidade técnica, para gerenciar, planejar,
organizar centros de informações, assegurando o tratamento e a disseminação da informação,
para o público alvo da instituição onde atua”.
Verifica-se assim, a importância deste profissional no desenvolvimento eficaz da
prestação de serviços de informação, será ele o responsável pela tomada de decisão acertada
acerca dos serviços de informação essenciais na unidade de informação.

4 A BIBLIOTECA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DA UFC
A Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) é parte integrante do Sistema de
Bibliotecas da UFC. É uma evolução da Biblioteca da Faculdade de Medicina, instalada em
1948. Ao transferir-se, em 1970, para suas atuais instalações, credenciou-se, mediante
convênio, para atuar como Sub-Centro do BIREME - Centro Latino-Americano e do Caribe
de Informações em Ciências da Saúde OPAS/OMS. Em 1982 passa a ser Biblioteca Base do
COMUT.
Em julho de 1988, passou a fazer Comutação "On Line" via RENPAC e iniciou,
em outubro do mesmo ano, a alimentação da Base de Dados LILACS - Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (editada em CD-ROM), além de realizar
também levantamentos bibliográficos automatizados.
A partir de novembro de 1997, torna-se Centro Cooperante da Sub-Rede
Brasileira de Informações em Enfermagem, com o objetivo de coletar e processar o material
gerado em enfermagem nos estados do Ceará, Maranhão e Piauí.
Única biblioteca de saúde da UFC, em Fortaleza, a BCS atende aos cursos de
graduação em: enfermagem, farmácia, fisioterapia, medicina e odontologia. Atende também

1476

�aos cursos de pós-graduação, agregados a essas graduações, pós-graduação em ciências
farmacêuticas, odontologia e enfermagem, pós-graduação em cirurgia, ciências médicas,
farmacologia, patologia e saúde coletiva; também atende ao complexo hospitalar da
universidade, ou seja, a maternidade escola Assis Chateaubriand e o hospital universitário
Walter Cantídio.
Para atender as demandas por informação em saúde a biblioteca mantém um
acervo físico de 8.822 títulos e 21.963 exemplares entre livros, folhetos, teses, dissertações,
monografias, fitas de vídeo, CDs e DVDs. Destes, 5.246 títulos e 17.477 exemplares são de
livros impressos. Esses dados são oriundos do relatório anual de atividades da BCS coletados
em 2013.
O acervo da biblioteca ainda é complementado com uma coleção de livros
eletrônicos no total de 8.352 títulos em texto completo, em língua portuguesa e estrangeira.
A BCS faz uso do sistema integrado de bibliotecas pergamum, adquirido da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná em 2003, para gerenciar eletronicamente todos os
seus serviços e atividades possibilitando, ainda, a emissão de relatórios e estatísticas de
acordo com os dados armazenados pelo sistema.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
Esta é uma pesquisa do tipo bibliográfica e documental, que segundo Polit, Beck e
Hungler (2008), desenvolve-se a partir de materiais já elaborados, pelos quais o pesquisador
pode fazer uma cobertura mais ampla dos fenômenos investigados. A finalidade do estudo é
colocar o investigador em contato direto com publicações produzidas e debatidas acerca de
um determinado conteúdo, ressaltando que estas não se tratam de uma repetição do que já foi
dito ou escrito sobre certo assunto, mas do exame de um tema com um novo enfoque
(MARCONI; LAKATOS, 2010).
Para obtenção dos dados e informações, realizou-se um levantamento
bibliográfico e documental em livros e portais eletrônicos como o Portal de Periódicos da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES). Os dados foram
obtidos dos relatórios de gestão anual da BCS/UFC de 2006 a 2013.

6 RESULTADOS PARCIAIS
As unidades de informação são as principais responsáveis pela disponibilização de
informações. A Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) oferece uma parcela significativa de
serviços informacionais dos quais se destacam: os treinamentos de usuários; a orientação e

1477

�normalização técnica de monografias, dissertações e teses produzidas na universidade bem
como a obtenção/fornecimento de fotocópias de trabalhos científicos através da comutação
bibliográfica.
Para evidenciar o alcance desses serviços na BCS, os quadros e gráficos a seguir
descrevem a situação dos mesmos no período de 2006 a 2013. Justifica-se esse período por
ser no mesmo em que se dão as iniciativas da BDTD (Banco de Dissertações e Teses
Eletrônicas), RI-UFC (Repositório Institucional) e crescimento do Portal de Periódicos da
Capes, no que diz respeito as suas coleções. Ressalta-se também o incremento do catálogo
online das bibliotecas da UFC, com melhoria nos dispositivos de pesquisa para o usuário.
a) Educação de usuários

Quadro 1 - Quantidade de usuários da BCS que foram capacitados no período 20062013 por tipo de treinamento. UFC/Fortaleza, CE.
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
Treinamentos 2006
Total
116
225
348
24
15
Portal
de
728
Periódicos da
Capes
198
122
96
198
110
95
95
Normalização
914
de
trabalho
técnico
científico
19
Catálogo
19
online
Pergamum
177
132
86
130
153
67
89
Visitas
834
orientadas
295
14
62
10
50
234
311
325
Outros
1.301
treinamentos*
295
389
316
327
603
845
497
524
3.796
Total
Fonte: Relatório anual de atividades da BCS 2006-2013.
*treinamentos mistos realizados: bases de dados, normalização e pergamum.
Gráfico 1 - Usuários da BCS capacitados por tipos de treinamento, no período 2006-2013
r ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------\
■ P o rtal de P eriódicos da
C apes

V

1 1

■

■ . 1M

i

■ N o rm alização c
trabalho técnic&lt;
científico
C atálogo onlint
P ergam um

J

Fonte: Relatório anual de atividades da BCS, 2006-2013.
*treinamentos mistos realizados: bases de dados, normalização e pergamum.

1478

�No quesito educação de usuários a BCS, em 2011, atingiu o maior número de usuários
treinados, cerca de 845, todos ligados aos cursos de ciências da saúde da UFC. Destaca-se
ainda o total de treinamentos mistos (outros treinamentos), com 1.301 usuários capacitados,
sendo que estes abrangem os conteúdos sobre o portal de periódicos da Capes, a biblioteca
eletrônica SciELO, a BVS/BIREME e o sistema eletrônico de gerenciamento de bibliotecas
Pergamum. Observa-se que esses treinamentos são ministrados nas salas de aula dos cursos de
graduação e pós-graduação em ciências da saúde da UFC, especificamente nas disciplinas que
preparam os estudantes para a pesquisa e elaboração de trabalhos acadêmicos.
No período pesquisado, ou melhor, de 2006 a 2013, a BCS/UFC totalizou a
capacitação de 3.796 usuários.

b) Apoio à elaboração de trabalhos acadêmicos
Quadro 2 - Normalização técnica na BCS no período 2006-2013. UFC/Fortaleza, CE.
2006
Atividades
Orientação à 40
normalização
6.758
Referências
corrigidas
Fonte: Relatório anual

2007
72

2008
74

2009
89

2010
90

2011
88

2012
208

2013
129

Total
790

7.079

8.334

12.454

12.595

10.445

15.470

13.105

86.240

de atividades da BCS, 2006-2013.

Gráfico 2 - Quantidade de Orientações à normalização - BCS/UFC - 2006-2013

Fonte: Relatório anual de atividades da BCS, 2006-2013.

Gráfico 3 - Quantidade de Referências corrigidas - BCS/UFC - 2006-2013

Fonte: Reatório anual de atividades da BCS, 2006-2013.

1479

�Referente ao apoio à elaboração de trabalhos acadêmicos evidencia-se que esse
serviço teve seu ápice em 2012 com um total de 15.678 procedimentos realizados, sendo que,
os mesmos podem ser solicitados via e-mail institucional ou em contato pessoal da própria
comunidade acadêmica na biblioteca. Ao longo do período 2006-2013 a BCS executou
87.030 procedimentos de normalização (orientação e correção de referências).

c) Fornecimento/Solicitação de documentos (Biblioteca base e solicitante do
Comut)
Quadro 3 - Fornecimento e solicitação de fotocópias através da Comutação
Bibliográfica no período 2006-2013 na I CS. UFC/Fortaleza, CE.
Anos
Fornecimento Solicitação
2006
218
1144
2007

138

902

2008

160

509

2009

154

240

2010

178

274

2011

113

244

2012

60

166

2013

61

125

Total

1.082

3.604

Gráfico 4 - Quantidade de fornecimentos/solicitações de comutação bibliográfica
na

BCS/UFC - 2006 a 2013.

Fonte: Relatório anual de atividades da BCS, 2006-2013.

A BCS é biblioteca-base do Comut atendendo também pelo SCAD/Bireme
(serviço cooperativo de acesso a documentos).

1480

�No ano de 2006 a BCS forneceu e solicitou o maior número de documentos via
comutação bibliográfica.
Observa-se que ano após ano a procura por este serviço apresenta queda em
decorrência do uso dos portais eletrônicos (Capes, SciELO, Pubmed Central, BDTD, RI).
Enfatiza-se, nesse aspecto, o empenho de instituições como Capes, BVS/BIREME, IBICT
dentre outros, em promover universalmente o acesso à informação cientifica de forma mais
rápida e vantajosa para a comunidade acadêmica. A BCS beneficia-se dos vínculos com as
universidades e centros de pesquisas e obtém os documentos necessários ao desenvolvimento
de pesquisas sem ônus ou abaixo custo para seus usuários.
Mediante esse panorama, a BCS procura orientar/ensinar seus usuários sobre as
ferramentas disponíveis de acesso a informação a fim de viabilizar a pesquisa, busca e
recuperação da informação. E com isso, ampliar o uso das bases de dados, periódicos e livros
eletrônicos.
Tanto a implantação de estratégias para divulgação quanto para o uso das
informações são indissociáveis da obtenção da melhoria nas práticas informacionais.
Entretanto, a compreensão e planejamento para a efetivação das estratégias tornam-se vital
por parte dos gestores ligados aos centros de estudos.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O referencial teórico trabalhado nesta pesquisa mostrou que os serviços de
informação são meios capazes de garantir acesso a informação desejada, acentuando assim à
capacidade de agir e reagir às dificuldades relacionadas à vasta produção e circulação de
informações.
Entretanto, para que os serviços de informação sejam bem sucedidos é preciso
investir em capacitação para a busca de informações, promovendo assim a autonomia dos
usuários que produzirão conhecimento transpondo os limites da biblioteca tradicional com
seus impressos em que,
uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando a informação é necessária
e ter a habilidade para localizar, avaliar e usar efetivamente a informação.
[...] pessoas competentes informacionais são aquelas que aprenderam a
aprender. (AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989 apud
CAMPELLO; ABREU, 2005, p. 179)
Portanto, treinar usuários é função essencial da biblioteca, visando desenvolver
competências para o uso consciente de fontes de informação de qualidade em qualquer
suporte. É imprescindível auxiliá-los no desenvolvimento de suas habilidades como

1481

�pesquisadores, onde “as bibliotecas universitárias possuem papel de excelência na formação
acadêmica para a competência no uso da informação em que, o universo do conhecimento e
dos processos de pesquisa passa, necessariamente, pelo mundo da documentação.”
(CAVALCANTE, 2006, p. 56).
A biblioteca universitária, hoje, é vista como ambiente de aprendizagem continua,
e ao mesmo tempo “mantém e gerencia recursos bibliográficos, tecnológicos e humanos sem
perder de vista seu principal foco: o usuário.” (SOUSA, 2009).
Por isso a BCS vem continuamente empenhando-se em oferecer serviços de
informação que venham a suprir as necessidades de pesquisa da comunidade acadêmica na
qual está inserida.
Destaca-se os serviços de treinamentos de usuários em bases de dados de saúde e
orientação a elaboração dos trabalhos acadêmicos no que se refere ao levantamento
bibliográfico de suas pesquisas bem como à normalização dos mesmos segundo as normas da
ABNT e Vancouver. O serviço de comutação bibliográfica agrega-se aos demais serviços
como provedor da documentação necessária a produção literária e acadêmica da universidade.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
                </elementText>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71371">
                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="45">
              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="71372">
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                <text>Os serviços de informação na Bibliotecade Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará (UFC): reflexões sobre a avaliação da disponibilização e uso.</text>
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                <text>A atual sociedade da informação e do conhecimento com a explosão na geração da informação e no processo de comunicação traz consigo a preocupação na capacidade das organizações ao implantar serviços de informação. Serviços de informação é um conjunto de serviços ofertados pelas Unidades de Informações, tais como: pesquisa, empréstimo de documentos, levantamento bibliográfico, disseminação seletiva da informação, dentre outros. Objetiva-se investigar os serviços de informação da Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Trata-se de uma pesquisa do tipo bibliográfica e documental cujos dados foram obtidos nos relatórios de gestão da instituição de 2006 a 2013. A BCS oferece uma série de serviços informacionais dos quais se destacam: educação de usuários que alcançou 3.796 alunos, o apoio à elaboração de trabalhos científicos com um total de 87.030 procedimentos realizados e nos 4.686 atendimentos referentes à solicitação e fornecimento de documentos via comutação bibliográfica. A BCS vem continuamente empenhando-se em oferecer serviços de informação que venham a suprir as necessidades de pesquisa de sua comunidade acadêmica.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇO DE REFERENCIA VIRTUAL DA HEMEROTECA DA REDE DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO: RELATO DE CASO
Fernanda Spíndola
Laíde Muhl
Schirlei Teresinha da Silva Vaz

RESUMO
Relata a experiência do setor de periódicos da Universidade de Passo Fundo com seu serviço
de referência virtual via correio eletrônico, oferecido aos seus usuários dos sete campi
espalhados em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Utiliza métodos quantitativos e
qualitativos para analisar as mensagens enviadas entre os meses de fevereiro e março de 2014,
analisando de forma mais aprofundada as questões com mais procura, Conclui destacando a
importância do serviço e a necessidade da implantação de novos recursos, como aplicativos e
redes sociais para atender melhor as demandas, expandindo para todos os setores de
atendimento da Rede de Bibliotecas.
Palavras-Chave: Serviço de referência; Serviço de referência virtual; Tecnologias da
informação; Bibliotecário de referência; Biblioteca universitária.

ABSTRACT
Reports the experience of the periodic sector of the University of Passo Fundo with your
virtual reference service via email, offered its users the seven campuses in different cities of
Rio Grande do Sul uses quantitative and qualitative methods to analyze the messages sent
between the months of February and March 2014, analyzing in more depth the issues in more
demand, concludes emphasizing the importance of service and the need to implement new
features like apps and social networks to better meet the demands, expanding to all sectors
service of the Library.
Keywords: Reference service; Virtual reference service; Information technologies; Reference
librarian; University library.

1 INTRODUÇÃO
Há muito o serviço de referência em bibliotecas universitárias vem sendo repensado e
readequado ao ritmo de sua nova comunidade acadêmica, comunidade esta que se encontra
cada vez mais inserida no meio virtual e consequentemente exige um serviço mais dinâmico,

3698

�com diferentes interfaces de atendimento. O serviço de referência virtual vem de encontro a
estas novas necessidades e está presente na grande maioria das bibliotecas universitárias,
sejam públicas e privadas. Seus serviços são dos mais variados, abrangendo bases de dados,
periódicos eletrônicos, tutoriais online, etc.
Para delimitação deste relato de caso, procuramos descrever a experiência do setor de
periódicos da Rede de Bibliotecas da Universidade de Passo Fundo (UPF), chamado
Hemeroteca, com seu serviço de referência virtual oferecido através de e-mail aos usuários
localizados nos sete campi da UPF, nas seguintes cidades do Rio Grande do Sul: Passo
Fundo, Carazinho, Casca, Lagoa Vermelha, Palmeira das Missões, Sarandi e Soledade. O
serviço oferecido através do e-mail do setor (hemeroteca@upf.br) busca atender somente
questões referentes a acesso às bases de dados, senhas de assinaturas eletrônicas de periódicos
e auxílio a levantamentos bibliográficos de artigos de periódicos. Para outras demandas de
referencia, a Rede de Bibliotecas oferece canais específicos, como os e-mails do Setor de
Referência e o Setor de Direção. Desta forma buscou-se identificar as principais demandas
dos usuários através da análise de dados e identificar necessidades de melhorias no serviço
prestado.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Analisando a linha do tempo das bibliotecas, podemos considerar o serviço de
referência uma atividade relativamente recente em sua história, conforme Grogan (2001) a
gênese dessa prática se deu somente ao final do século XIX, embora exista desde os
primórdios das unidades de informação, somente a partir deste período a comunidade
bibliotecária passou a aprimorar técnicas e desenvolver teorias a respeito. No decorrer das
últimas décadas, o surgimento das novas tecnologias da informação forçaram o
desenvolvimento de novas teorias e práticas acerca deste serviço, e mudanças consideráveis se
deram nos setores de referência, segundo Almeida Junior, (2003, p.56) “o serviço de
referência e informação deixa de ser um pequeno espaço isolado, caracterizado por uma mesa
onde se instalava um bibliotecário e uma estante com obras de referência”.
Dentro desta perspectiva, aliados ao avanço vertiginoso das tecnologias da
informação, surgiram os serviços de referência virtuais, o surgimento destas tecnologias
conforme Figueiredo (1996, p.38) permitiu que as unidades de informação oferecessem um
serviço de maior qualidade e com um custo aceitável. Outras vantagens determinantes como
aponta Moyo (2004, p. 223), é a determinação de um ponto de auxílio os usuários, aumento
da acessibilidade do profissional bibliotecário pela comunidade acadêmica e o acesso remoto

3699

�de usuários, fator determinante para bibliotecas universitárias com unidades distribuídas em
grandes áreas geográficas, como no caso da Rede de Bibliotecas da UPF.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a elaboração do presente relato de caso, foram utilizados métodos quantitativos,
sendo selecionados e-mails enviados entre o os meses de fevereiro de 2014 e de março de
2014 para o endereço eletrônico do setor de periódicos: hemeroteca@upf.br. Para a análise
documental (análise dos e-mails recebidos), foi utilizado o método qualitativo, verificando o
conteúdo de cada mensagem.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Conforme os dados analisados foram obtidos os seguintes dados parciais, apresentados
no gráfico a seguir:

Gráfico 1 - Resultados dos e-mails analisados.
□ Bases de Dados
(Acesso)
■ Cadastro Rede Cafe

13%

□ Senhas Periodicos
E letrô n ico s

□ Pesquisa Bibliográfica

Outros

Fonte: Gráfico elaborado pelas autoras

Ao total foram analisados 226 e-mails recebidos entre os dois meses selecionados.
Através dos dados parciais expostos no gráfico podemos observar a grande procura por
senhas dos periódicos eletrônicos assinados pela instituição, que oferece estas senhas aos seus
usuários para acesso fora da biblioteca, ao contrário da maioria das bibliotecas universitárias,
que permite somente acesso local no setor de referência. A grande procura por estes acessos
remotos demonstra a aceitação da comunidade a estas novas ferramentas, que permitem o
acesso de periódicos assinados pela universidade em dispositivos como tablets e smartphones.

3700

�Outra demanda considerável são as bases de dados, sendo a maioria dos
questionamentos acerca das bases de dados disponíveis, acesso e cadastro na Rede Acadêmica
Confederada (Rede Acadêmica Confederada), a procura por informações referentes a estes
acessos se justifica pelo trabalho de divulgação e capacitação junto aos cursos de graduação e
pós-graduação.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Considerando os dados analisados, podemos concluir que o serviço de referência
virtual se tornou tão vital quanto o serviço presencial, sendo um braço de longo alcance dos
profissionais bibliotecários.
Com o surgimento das novas tecnologias da informação, o serviço de referencia
virtual tornou-se uma importante ferramenta para os usuários, pois permite que as mais
variadas informações sejam acessadas facilmente, sem a necessidade de deslocamento físico
aos centros de informações. A rapidez com que as informações são obtidas, pelo usuário,
além da qualidade desta informação, torna o serviço de referência virtual um recurso
indispensável na construção do conhecimento.
Destaca-se também que o serviço de referencia virtual tornou-se uma importante ferramenta
de comunicação e marketing, colaborando de forma efetiva na divulgação de recursos
informacionais disponibilizados pela instituição.
Como estudo preliminar, consideramos o serviço de grande relevância para a
comunidade de usuários da Universidade de Passo Fundo, com bases nos dados coletados e
analisados, serão estudados novos recursos a serem implantados, como o desenvolvimento de
aplicativos para smartphones e tablets, bem como o uso de redes sociais no serviço de
referência virtual, não só no setor de periódicos mas em todos os setores de atendimentos ao
usuário.

6 REFERÊNCIAS
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Brasilia, DF:
Briquet de Lemos, 2012.
ALMEIDA JUNIOR, Oswaldo Francisco de. Biblioteca pública: avaliação de serviços.
Londrina: Eduel, 2003. Disponível em:&lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=18694
&gt;. Acesso em: 07 maio 2014.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Textos avançados em referência e informação. São
Paulo: Associação Paulista de Bibliotecários, 1996. 167p.

3701

�GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos, 2001.
196p.
MOYO, L. M. Electronic libraries and the emergence of new service paradigms. The
Electronic

Library,

v.

22,

n.3,

p.

220-230,

2004.

Disponível

em:

&lt;

http://www.emeraldinsight.com/iournals.htm?articleid=862056&gt;. Acesso em: 08 maio 2014.
OLIVEIRA, Nirlei Maria; BERTHOLINO, Maria Luzia Fernandes. Usuários remotos e
serviços de referência (SR(s)) disponíveis nas home pages das bibliotecas universitárias. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 2000. Disponível
em: http://snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t013.doc. Acesso em: 08 maio 2014.

3702

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                <text>Relata a experiência do setor de periódicos da Universidade de Passo Fundo com seu serviço de referência virtual via correio eletrônico, oferecido aos seus usuários dos sete campi espalhados em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Utiliza métodos quantitativos e qualitativos para analisar as mensagens enviadas entre os meses de fevereiro e março de 2014, analisando de forma mais aprofundada as questões com mais procura, Conclui destacando a importância do serviço e a necessidade da implantação de novos recursos, como aplicativos e redes sociais para atender melhor as demandas, expandindo para todos os setores de atendimento da Rede de Bibliotecas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DA QUALIDADE EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS

Daniela Spudeit, Delsi Fries Davok
Priscila Gonçalves Soares
Luiza Coutinho Arias
Thais Mendonça de Brito Cardoso Cima
RESUMO
Com o objetivo de verificar as metodologias adotadas e os resultados obtidos com a
implantação de ferramentas para a melhoria e o controle da qualidade em serviços prestados
por bibliotecas universitárias brasileiras, realizou-se uma pesquisa bibliográfica descritiva a
partir de artigos publicados em periódicos científicos da área de Ciência da Informação no
período de 2000 a 2013, e outros apresentados e publicados nos anais eletrônicos do
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) e do Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e Documentação (CBBD). Considerada a delimitação da pesquisa,
constatou-se que a preocupação com a gestão da qualidade em bibliotecas universitárias
brasileiras ainda é pouco desenvolvida, merecendo maior atenção de pesquisadores e dos
gestores dessas unidades de informação. Reflete a importância dada ao usuário e à qualidade
dos serviços prestados pelas unidades de informação, demonstrando a necessidade do
aprimoramento de técnicas de gestão que melhor atendam as expectativas dos que buscam
acesso à informação, sendo importante o uso e adequação de ferramentas e metodologias de
controle de qualidade.
Palavras-Chave: Gestão da qualidade. Controle de qualidade. Biblioteca universitária. Brasil.

ABSTRACT
With the objective of verifying the methodologies adopted and the results obtained with the
implantation of tools to improve and control the quality in services provided by Brazilian
university libraries, a bibliographic descriptive research was conducted from published
articles in scientific periodicals on the area of Information Science from 2000 to 2013, and
others presented and published in the electronic annals of the National Seminar of University
Libraries (SNBU) and the Brazilian Congress of Librarianship and Documentation (CBBD).
Considered the delimitation of the research, it was found that the concern for quality
management in Brazilian university libraries is still incipient, deserving more attention from
researchers and managers of these units of information. It reflects the importance given to the
user and to the quality of the services provided by the information units, demonstrating the
need of enhancement of management techniques that best meet the expectations of those who
seek access to information, making the use and appropriateness of tools and methodologies of
quality control important.
Keywords: Quality management. Quality control. University library. Brasil.

1050

�1 INTRODUÇÃO
A partir da segunda metade do século XX, no período pós-guerra, ocorreram fatos na
história que motivaram o crescimento econômico e a melhoria da qualidade dos serviços
prestados por todos os tipos de organizações. O acesso à informação, o aumento da oferta de
produtos, a concorrência na indústria e a informatização dos processos são algumas das
mudanças oriundas desse período.
Na década de 1980, com a abertura dos mercados, a competitividade e a globalização
marcaram novas formas de produção e a informação passou a ser um ativo organizacional
para inovar e agregar valor aos produtos em um mercado que se apresentava cada vez mais
acirrado. Essa necessidade constante de inovação deu espaço a uma nova lógica de produção,
agora baseada na flexibilidade e na criatividade. Nesse contexto foram desenvolvidas e
aplicadas diversas metodologias de controle da qualidade para tornar os processos mais
eficazes em nível internacional, inicialmente na indústria, e depois em outras esferas
organizacionais.
No Brasil, a discussão de modelos e metodologias de gestão da qualidade foi
introduzida pela Fundação Christiano Ottoni, da Escola de Engenharia da Universidade
Federal de Minas Gerais, ainda na década de 1980. Na década de 1990 o governo federal
instituiu o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade (PBQP), difundindo o conceito
de qualidade como estratégia empresarial e gerencial para as empresas brasileiras se
modernizarem e se ajustarem à abertura econômica e à concorrência estrangeira.
Essas mudanças no contexto econômico mundial também afetaram as bibliotecas,
principalmente ao que se referia à modernizar os serviços, padronizar processos, estreitar a
relação com usuários, aperfeiçoar a automação dos serviços e acervos, com a finalidade de
proporcionar a satisfação contínua do usuário. Pode-se dizer também que esse período foi
responsável por uma mudança de paradigma na gestão das unidades de informação, que antes
tinha como foco principal a formação e a organização do acervo e, a partir de então, passou a
se preocupar essencialmente com o usuário da informação.
Alentejo e Baptista (2012) discorrem sobre a busca pela qualidade em bibliotecas
brasileiras por meio da gestão orientada à qualidade, apontando para a preocupação com a
qualidade dos serviços e com a melhoria das práticas bibliotecárias. Apesar da problemática
da qualidade nos serviços bibliotecários ter merecido atenção desde 1966, quando a American
Library Association (ALA) estabeleceu os padrões mínimos para sistemas de bibliotecas
públicas, somente na década de 1990 aparecem os primeiros estudos voltados para a
qualidade em bibliotecas no Brasil, quando Valls e Vergueiro (1998) publicam um artigo de

1051

�revisão de literatura e, posteriormente, Vergueiro (2002) publica em livro o resultado de sua
tese que abordou o tema.
Com base nesses estudos e devido a necessidade de se verificar as metodologias de
gestão de qualidade usadas pelas bibliotecas brasileiras desde então, surgiu esta pesquisa de
revisão, que está em andamento. Este artigo apresenta, portanto, resultados parciais de um
projeto de pesquisa sobre a gestão da qualidade em unidades de informação, que está sendo
desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Gestão da Informação, vinculado ao Programa de
Pós-Graduação em Gestão da Informação (PPGInfo), da Universidade do Estado de Santa
Catarina (UDESC), em parceria com o Grupo de Pesquisa Espaços e Práticas
Biblioteconômicas, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
O referido projeto de pesquisa visa construir um modelo teórico-empírico de gestão da
qualidade em unidades de informação focado nos processos e no cliente. Fez-se, no entanto,
um recorte em relação à tipologia das bibliotecas e inicialmente delimitou-se o estudo em
bibliotecas universitárias brasileiras, com o objetivo de verificar as metodologias adotadas e
os resultados obtidos com a implementação de ferramentas para o controle da qualidade em
serviços prestados por essas bibliotecas.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Com base em Vergueiro (2002), Valls e Vergueiro (1998; 2006), Alentejo e Baptista
(2012), percebe-se que desde a década de 1990, as bibliotecas brasileiras têm preocupação
com a qualidade dos serviços oferecidos e, principalmente, em oferecer produtos de
informação de acordo com a demanda e o perfil do seu público. Entretanto, a literatura
brasileira da área apresenta poucos relatos de experiências exitosas de gestão da qualidade em
unidades de informação.
Vergueiro (2002) explica que várias denominações para as teorias da qualidade
encontradas na literatura consideram o ambiente no qual as tomadas de decisão devem ocorrer
e assim visam adequar o processo de gestão às características de seus clientes.
A gestão da qualidade consiste em uma estratégia de administração orientada a criar a
consciência da qualidade em todos os processos organizacionais. Assim, para compreender as
teorias que envolvem o processo de gestão da qualidade em uma organização, busca-se
referências nas ideias dos principais precursores clássicos do tema acerca da definição de
qualidade: William Edwards Deming (1900-1993), Philip Crosby (1926-2001), Armand
Feigenbaum (1922-1994), Joseph Juran (1904-1997) e Kaoru Ishikawa (1915-1968).

1052

�Cada um desses idealizadores de metodologias de gestão da qualidade percebe o
ambiente organizacional de forma particular e defende a adoção de estratégias próprias para
garantir que os benefícios se tornem os mais permanentes possíveis. O Quadro 1 apresenta um
breve resumo das definições de qualidade desses autores.

Quadro 1 - Definições Clássicas de Qualidade
Autor

Definição

Deming
Crosby

A qualidade deve ter como objetivo as necessidades do usuário,
presentes e futuras.
Conformidade com as exigências.
O total de características de um produto e de um serviço referentes a

Feigenbaum

marketing, engenharia, manufatura e manutenção, pelas quais o
produto ou serviço, quando em uso, atenderá às exigências do cliente.

Juran

Adequação à finalidade ou uso.
Revolução da filosofia administrativa, exigindo a mudança de

Ishikawa

mentalidade de todos os integrantes da organização, principalmente da
alta cúpula.

Fonte: adaptado de Oakland (1994, p. 15).

Acrescenta-se a este quadro a definição de qualidade expressa na ISO 9001:2008, na
qual a qualidade é entendida como o grau que um conjunto de características inerentes a um
produto satisfaz a requisitos.
Deming (1990) destaca a importância do planejamento para o controle e a melhoria
contínua de processos e produtos. Definiu catorze princípios a serem observados na gestão da
qualidade em todos os tipos de organizações de serviços e de transformação, bem como em
qualquer divisão dessas organizações. Para o controle da qualidade dos processos recomenda
o método interativo de gestão de quatro etapas, conhecido por Ciclo de Qualidade de Deming
e Ciclo PDCA, que envolve planejamento, desenvolvimento, controle e avaliação dos
processos, sendo um ciclo contínuo que possibilita o estabelecimento de estratégias de
melhoria contínua, uma vez que todas as etapas são, obrigatoriamente, revisitadas.
Juran (1992) percebe a qualidade como um pré-requisito para o sucesso, que se inicia
com o planejamento alinhado a processos multifuncionais visando à melhoria na participação
no mercado, aumento das vendas de produtos e serviços e melhores resultados. Concebeu a

1053

�Trilogia Juran, que envolve três processos gerenciais: planejamento, controle e melhoramento
da qualidade, semelhante ao Ciclo PDCA de Deming.
Crosby (1993), outro importante teórico da área de Qualidade, não defende
metodologias e técnicas, pois acredita que a qualidade é uma questão de filosofia, e não de
técnicas. Nessa linha, argumenta que "A qualidade tem que ser o caráter essencial da
organização. Qualidade significa conformidade com requisitos cuidadosamente estabelecidos,
e não uma virtude" (CROSBY, 1993, p. XII).
Feigenbaum (1994) desenvolveu o conceito de Controle da Qualidade Total (CQT),
percebendo-o como uma estratégica que requer o envolvimento de todos dentro da
organização na direção ao atendimento das expectativas do cliente. Dessa forma, o controle da
qualidade total, para Feigenbaun (1994, p. 6), “é um sistema eficiente que visa integrar
esforços para desenvolvimento, manutenção e aperfeiçoamento da qualidade de forma a
possibilitar satisfação integral do consumidor”.
Para Ishikawa (1993) a melhoria da qualidade é um processo contínuo que sempre
pode ser aperfeiçoado e, para tal, apresenta sete ferramentas: Diagrama de Pareto,
Histograma, Folhas de verificação, Gráficos de Dispersão, Fluxograma, Cartas de Controle e
o Diagrama de Causa e Efeito, que podem ser aplicadas em diferentes tipos de organizações.
Outra metodologia que pode ser usada nas organizações é a adoção das normas da
série ISO 9000. Trata-se de um conjunto de diretrizes internacionais que norteiam os sistemas
de gestão da qualidade, fornecendo às organizações um modelo a seguir, independente do
porte, foco ou ramo de negócio. Desde que foram criadas, na década de 1980, essas normas
estão sendo adaptadas ao contexto social e organizacional para fornecer as ferramentas
necessárias para a certificação das instituições.
Embora as metodologias acima citadas sejam adotadas, principalmente, por
organizações industriais e comerciais e empresas de serviços com fins lucrativos, verificou-se
em estudos da área de Biblioteconomia que também existe preocupação com a qualidade na
prestação de serviços em unidades de informação.
Com base em Vergueiro (2002), Valls e Vergueiro (1998; 2006), Amboni (2004),
Rozados (2005), Alentejo e Baptista (2012) percebe-se que, desde a década de 1990, as
bibliotecas brasileiras têm a preocupação em desenvolver serviços com foco na qualidade e,
principalmente, oferecer produtos de informação de acordo com a demanda e o perfil do seu
público.
No trabalho de Valls e Vergueiro (1998) foi concluído que nas unidades de
informação existe uma forte tendência de aplicação isolada das metodologias de gestão da

1054

�qualidade nos serviços, sem uma relação direta com projetos de melhoria da qualidade nas
instituições mantenedoras dessas unidades de informação.
Outro aspecto apontado é que o conceito de qualidade é apresentado de forma pontual,
relacionando-se muito mais com fazer bem feito do que com o conceito amplo e sistemático
proposto pela gestão da qualidade total visto na literatura. Além disso, Valls e Vergueiro
(1998) concluem que a pouca literatura disponível está mais centrada em relatos de
experiências, muitas vezes sem suporte teórico, apesar de existirem várias metodologias e
princípios que poderiam ser adotados também pelas unidades de informação.
Esses resultados referem-se à primeira fase de estudos sobre gestão da qualidade,
ocorrida na década de 1990. A partir dos anos 2000 percebe-se que outros pesquisadores e
dirigentes de serviços de informação passaram a estudar o tema, ampliando sua base teórica e,
principalmente, analisando e criticando sua aplicabilidade à prestação de serviços de
informação. Valls e Vergueiro (2006, p. 129) declaram que “a partir de 2000 podemos
identificar uma nova linha de pesquisa nos estudos publicados, relacionada à análise da teoria
de processos e sua aplicação em serviços de informação”.
Entre as diversas ferramentas para a gestão da qualidade que podem ser usadas pelos
serviços de informação, Vergueiro (2002) destaca os fluxogramas, checklist, brainstorming,
diagrama de causa e efeito, gráfico de Pareto, tabela de controle, histograma, entre outros. O
autor explica que o uso de ferramentas da qualidade busca a melhoria contínua, possibilitando
a solução de problemas, a visualização de causas de possíveis problemas, o planejamento e a
tomada de decisão do gestor, para evitar desvios de rotas e erros.
Todavia, críticas e resistências à mudança podem dificultar a implantação prática das
teorias da qualidade. De acordo com Vergueiro (2002), nem sempre o processo ocorre de
forma tranquila e vários fatores podem dificultar a implantação de programas de qualidade e
interferir no alcance dos objetivos, como o comprometimento e entusiasmo da equipe, o
investimento financeiro e o tempo despendido no processo. Logo, o êxito na implantação de
programas de melhoria contínua da qualidade nos serviços de informação tem relação direta
com a cultura organizacional.
Valls e Vergueiro (2006), a partir de revisão de literatura nacional, descrevem a
implantação da gestão da qualidade em serviços de informação no Brasil, com o objetivo de
complementar a revisão de literatura sobre o tema publicada em 1998. Os autores apresentam
um novo panorama da temática, baseado em trabalhos publicados e divulgados a partir de
1997, com o objetivo de contribuir para o avanço das discussões a respeito da implantação da
gestão da qualidade em serviços de informação no Brasil.

1055

�A literatura mostra que as unidades de informação também participam de iniciativas
relacionadas à gestão da qualidade, muitas vezes, por influência das instituições mantenedoras
que, cada vez mais, vêm adotando metodologias para o controle da qualidade de produtos e
serviços para se submeter à certificação da ISO 9001 e concorrer a premiações do Programa
Nacional da Qualidade (PNQ), por exemplo. De acordo com o INMETRO, até 2013 foram
certificadas 898 empresas que atendem as normas da ISO 900190.
Amboni (2004) apresenta os motivos que podem contribuir para esse interesse dos
próprios líderes em descobrir novas oportunidades, como a busca de dados para uma tomada
de decisão mais efetiva e consolidada com o meio e o estabelecimento de estratégias de
serviços que possibilitam o acompanhamento e a avaliação da gestão, além da estrutura
tecnológica e de pessoal e que proporciona e exige um controle da qualidade dos serviços
prestados.
Por isso, os gestores tendem a rever o papel das unidades de informação frente as suas
mantenedoras para alinhar as ações gerenciais aos objetivos institucionais estratégicos e
justificar a existência e manutenção dos serviços prestados pelas unidades de informação
nesse novo cenário.
Conforme estudos citados por Andrade (2004) e Rozados (2005), os gestores das
unidades de informação já perceberam a necessidade de estabelecer padrões para a avaliação
dos serviços e indicadores da qualidade, principalmente no que diz respeito aos resultados
alcançados ligados à satisfação do cliente. Em relação a esse novo cenário, Valls e Vergueiro
(2006, p. 125) explicam que

Esta tendência está alinhada ao princípio da gestão da qualidade relacionado
à tomada de decisões baseada em fatos, que coloca a administração de
serviços de informação em um patamar contemporâneo, em que fatos
concretos auxiliam o gerenciamento do serviço e o realinhamento de metas e
atividades de acordo com os resultados efetivamente alcançados.

Os bibliotecários gestores das unidades de informação, ao acompanharem as
mudanças que ocorrem a partir da implantação de medidas de controle da qualidade, estão
buscando parâmetros para a melhoria dos serviços prestados. Porém, para obter êxito na
implantação de programas de controle de qualidade, é preciso definir padrões, medidas e
indicadores de desempenho adequados ao contexto das unidades de informação, alinhados

90 Conforme disponível em:
&lt;http://www.inmetro.gov.br/gestao9000/Rel Certificados Emitidos Mes Ano.asp?Chamador=INMETROCB2
5&amp;tipo=INMETROEXT&gt;. Acesso em: 07 maio 2014.

1056

�com as necessidades dos usuários, com os objetivos e metas da instituição mantenedora e
principalmente com a realidade da unidade de informação. Portanto, é recomendável que se
evite estabelecer padrões associados a medidas de desempenho europeias ou americanas que
muitas vezes não condizem com o cotidiano das bibliotecas brasileiras.
Alentejo e Baptista (2012) traçam um panorama sobre a qualidade nas bibliotecas
brasileiras ao longo das últimas décadas e as mudanças de paradigmas presentes nesse
contexto, que mostram que a preocupação em implantar melhorias tem sido sistematizada ao
longo do tempo nas bibliotecas, porém, não existem muitas informações sobre a formalização
de programas de qualidade nessas instituições. Os autores citam que “o assunto qualidade
ainda é carente de fundamentos capazes de eliminar determinadas barreiras e sua aplicação
ainda dependente das organizações mantenedoras” (ALENTEJO, BAPTISTA, 2012, p. 160).
Valls e Vergueiro (2006, p. 132) afirmam que “os estudos referentes à aplicação da
gestão da qualidade em serviços de informação no Brasil têm se mostrado em crescente
evolução”.
No entanto, a literatura revela que nos últimos anos os bibliotecários se preocupam no
sentido de executar melhorias do desempenho de bibliotecas de todos os tipos. Trata-se de um
movimento tímido que precisa ser ampliado e aprofundado com base em metodologias
contextualizadas com a realidade do Brasil.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa realizada e que deu origem a este artigo caracteriza-se, de acordo com os
objetivos e meios utilizados, como pesquisa bibliográfica, exploratória e descritiva,
apresentando uma abordagem qualitativa no tratamento dos dados. Os resultados da pesquisa
oportunizaram um conjunto de reflexões de interesse dos profissionais envolvidos com a
gestão de organizações que lidam com a informação, em especial bibliotecas universitárias,
apontando os caminhos percorridos pelos bibliotecários dessas instituições.
As fontes de informação para a formação do corpus de texto submetido à análise
foram a Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação
(BRAPCI), abrangendo artigos publicados de 2000 a 2013, os anais, disponíveis online, do
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), de 2008 e 2012, e os anais do
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD), de 2011 e 2013.
A BRAPCI é um repositório mantido pelo Departamento de Ciência e Gestão da
Informação da Universidade Federal do Paraná com o propósito de coletar os títulos de
periódicos da área de Ciência da Informação (CI) e indexar os artigos, constituindo-se uma

1057

�base de dados referenciais para a área. Segundo o site, atualmente a BRAPCI disponibiliza
referências e resumos de 8.303 textos publicados em 37 periódicos nacionais impressos e
eletrônicos da área de CI (2014).
O SNBU existe desde 1978 quando foi realizada a primeira edição pela Universidade
Federal Fluminense. Atualmente é o principal evento realizado por bibliotecas universitárias,
focando nas necessidades dos bibliotecários e usuários de unidades de informação de
instituições de ensino superior no país. Intercalando dois ou três anos, em 2014 o evento
chega à décima oitava edição a ser realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais.
O CBBD é um dos mais antigos e consagrados eventos da área no país, cuja primeira
edição ocorreu em 1954, na cidade de Recife, e a última edição foi realizada em 2013, em
Florianópolis. A realização da vigésima sexta edição do evento, que ocorre a cada dois anos,
organizado pelas associações profissionais de bibliotecários em parceria com a FEBAB, está
prevista para 2015.
Para a coleta de dados utilizou-se os seguintes termos de busca, em língua portuguesa:
gestão da qualidade, qualidade em unidades de informação, qualidade em bibliotecas, sistema
de qualidade, controle de qualidade. Foram recuperados 40 (quarenta) trabalhos publicados no
período delimitado, sendo 34 (trinta e quatro) artigos de revistas e 6 (seis) trabalhos
publicados em anais de eventos. Para atender ao objetivo dessa pesquisa, os trabalhos foram
filtrados pelo tipo de biblioteca, selecionando-se somente aqueles relacionados às bibliotecas
universitárias. Assim, obteve-se um corpus de texto de 14 (catorze) trabalhos (10 (dez)
publicados em revistas e 4 (quatro) em anais de eventos), que foram analisados a seguir.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
De acordo com o objetivo da pesquisa que deu origem a este artigo, a coleta de dados
teve como foco as bibliotecas universitárias brasileiras. Nesse contexto, foram identificados
trabalhos que relatam o uso de metodologias e instrumentos visando promover a qualidade
dos serviços, bem como resultados obtidos com a implementação dessas ferramentas para o
controle da qualidade dos serviços prestados pelas unidades de informação.
A pesquisa “Avaliação da qualidade de serviços de uma biblioteca universitária: um
estudo de caso utilizando o modelo Servqual”, de autoria de Freitas, Bolsanello e Viana
(2008), teve como objetivo avaliar os serviços prestados pela biblioteca do Centro de Ciência
e Tecnologia (CCT), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), segundo o
ponto de vista de seus usuários. A avaliação dos serviços com a definição de indicadores
contribui para a compreensão da problemática, sendo resultante das relações entre as

1058

�características de cada temática com a dimensão da qualidade no contexto de sua gestão,
conforme explicam Alentejo e Baptista (2012).
A metodologia adotada na biblioteca da UENF foi o SERVQUAL, que é baseado em
indicadores. No caso dessa biblioteca, o método foi aplicado em duas etapas: na primeira
etapa foram mensuradas as expectativas dos clientes com relação ao serviço; na segunda
etapa, foram medidas as percepções dos clientes com relação ao desempenho do serviço
prestado. A coleta de dados se deu por meio de questionário e a análise e discussão dos
resultados orientou-se pela identificação de itens críticos e a classificação de prioridades, a
análise das prioridades dos itens e sugestões de melhorias. A pesquisa destacou uma carência
no Modelo ao que se refere à ausência de itens para a avaliação da qualidade do acervo, que
foi identificada pelo administrador da biblioteca e por parte dos usuários que participaram da
pesquisa.
A mesma metodologia SERVQUAL foi utilizada por Sampaio et al. (2004), conforme
relato de experiência intitulado “PAQ - Programa de avaliação da qualidade de produtos e
serviços de informação: uma experiência no SIBi/USP”. Os autores descrevem a implantação
do Programa de Avaliação da Qualidade dos Produtos e Serviços (PAQ), do Sistema
Integrado de Biblioteca da Universidade de São Paulo (SIBi/USP).
Nessa rede de bibliotecas foram aplicados cinco diferentes questionários, enfocando as
dimensões receptividade, empatia, confiabilidade, garantia e tangibilidade, e utilizando-se
escalas para a indicação do grau de importância e de satisfação do usuário em cada um dos
itens apontados. Também foram realizadas entrevistas com um número acidental de usuários,
durante uma semana. A análise dos questionários e das entrevistas apontou doze indicadores
comuns nos dois métodos de abordagem, quais sejam: atendimento, postura do funcionário,
acervo atualizado, aquisição de material, horário de funcionamento, organização da
biblioteca, serviço de cópias, sistema de empréstimo, sistema de empréstimo entre bibliotecas,
ambiente de modo geral, computadores para acesso às bases de dados, e comunicação visual.
O artigo apresenta também recomendações para o aperfeiçoamento da metodologia
empregada no estudo, bem como alguns indicadores que poderiam ser incluídos em próximas
etapas do Programa. O relatório final da pesquisa foi encaminhado a Diretoria Técnica do
SIBi/USP.
Outro estudo voltado para o estabelecimento de indicadores foi apresentado por Silva,
Schons e Rados (2006). O estudo “A gestão de serviços em bibliotecas universitárias:
proposta de modelo” trata de indicadores específicos a gestão de bibliotecas universitárias,
permitindo o entendimento de como essas unidades de informação podem vir a garantir a

1059

�eficácia e a eficiência organizacional, de acordo com os principais conceitos presentes na
literatura de administração sobre produtividade e qualidade. Trata-se de um artigo teórico,
cujos resultados revelaram ser preciso monitorar e aprimorar constantemente as políticas de
gestão das bibliotecas, uma vez que fatores como satisfação dos usuários, qualidade em
serviços e gerenciamento eficiente da produção são fundamentais para o sucesso e a
sobrevivência em longo prazo.
Na mesma linha, no estudo “Gestão de serviços em bibliotecas: melhoria com foco no
cliente”, realizado por Silva e Rados (2002), na Biblioteca da Universidade Federal de Santa
Catarina, o objetivo foi identificar características de serviços relevantes em uma biblioteca,
com base nos impactos decorrentes da implantação de novas tecnologias e mapear a melhoria
da qualidade dos serviços. O método utilizado foi questionário aplicado a cem usuários da
Biblioteca, para identificar a qualidade desejada e a qualidade observada nos serviços. O
instrumento de coleta de dados compunha-se de treze perguntas para identificar os serviços
prestados pela biblioteca e estabelecer indicadores de qualidade. Os dados foram organizados
nas seguintes categorias: conhecimento técnico, atendimento, cortesia, flexibilidade e
tangibilidade. A pesquisa identificou indicadores para melhorar os serviços em bibliotecas,
dando ênfase ao cliente, e possibilitou uma reflexão sobre o avanço tecnológico e as
mudanças que este ocasionou nos serviços e no comportamento dos usuários das bibliotecas.
Rozados (2005) focalizou a importância de indicadores e do uso de instrumentos de
mediação para a avaliação de unidades e serviços de informação. A autora cita documentos
que tratam de indicadores de desempenho voltados para bibliotecas tradicionais e digitais,
como as normas internacionais ISO 11620, ISO 20983 e Projeto Equinox, enfatizando a
importância do uso dos mesmos para criar, formar e selecionar de indicadores.
Experiência relatada por Nascimento, Trompieri Filho e Barros (2005), intitulada
“Avaliação da qualidade dos serviços prestados nas unidades de informação universitárias”,
cujo projeto foi desenvolvido nas bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC), da
Faculdade Integrada do Ceará (FIC), da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e da
Universidade de Fortaleza (UNIFOR), teve o objetivo de avaliar a qualidade dos serviços
encontrados e compará-la com o grau de importância dos serviços desejados nas unidades de
informação universitárias de Fortaleza.
Constituindo-se uma amostra tomada ao acaso nessas bibliotecas, foi aplicado um
questionário a 564 usuários (alunos, professores e funcionários), durante o primeiro e o
segundo semestres letivos de 2003. Os resultados revelaram que os usuários da FIC e da
UNIFOR estavam mais satisfeitos do que os usuários da UFC e da UECE com o horário de

1060

�funcionamento, o serviço de empréstimos e o ambiente. Com relação aos serviços desejados,
os usuários manifestaram ser necessário melhorar a qualidade destes.
Nessa pesquisa, portanto, os dados coletados por meio de um questionário embasaram
um estudo de usuários e serviram para traçar estratégias de melhorias nos serviços prestados
pelas bibliotecas. Sobre isso, Valls e Vergueiro (2006, p. 127) enfatizam que:

Torna-se importante registrar que o estudo de usuários é uma linha de
pesquisa clássica na área da ciência da informação, porém, o que pode ser
ressaltado nos trabalhos citados é a premissa de que ninguém melhor do que
o próprio cliente para definir suas necessidades e o nível de qualidade do
serviço recebido.

Nesse cenário, Vergueiro (2002) explica que padrões de desempenho, estudos de
usuários, avaliação da coleção, avaliação da recuperação da informação em bases de dados,
entre outros como aqueles citados no estudo das Bibliotecas da USP, da UFSC e por
Nascimento, Trompieri Filho e Barros (2005), constituem diferentes enfoques para avaliar
tanto a qualidade dos serviços como o cumprimento dos objetivos institucionalmente
estabelecidos para eles. Esse fato, segundo Vergueiro (2002, p. 45) “explica a atração que a
gestão da qualidade despertou nos bibliotecários no mundo inteiro no momento em que
passou a ser vista como mais uma possibilidade para avaliação e aprimoramento de seus
serviços”.
O artigo “Qualidade nas bibliotecas universitárias: influência dos objetivos”,
resultante de um estudo teórico de autoria de Silva (2002), revela que os objetivos operativos
podem influenciar a percepção de qualidade, pois representam a ação concreta dos grupos de
interesse sobre áreas estratégicas como planejamento, administração, recursos humanos,
infraestrutura e serviços.
Silva (2002) detectou que as bibliotecas universitárias, como organizações
dependentes, estão sujeitas à ação dos indivíduos e grupos que com elas se relacionam,
disputando com outras unidades organizacionais a distribuição de recursos, construindo
assim, um conceito de qualidade em serviços que retrata o desejo e os interesses dos grupos.
Em conclusão, o estudo sugere que os objetivos organizacionais, especificamente os
objetivos operativos, podem influenciar a percepção de qualidade, pois representam a ação
concreta dos grupos de interesse sobre áreas estratégicas. Nesse sentido, Deming (1990)
destaca a importância do planejamento para o controle e a melhoria contínua de processos e
produtos, sugerindo a implementação do PDCA (ou Ciclo de Deming) para controle desses

1061

�processos, alinhando os objetivos estratégicos e organizacionais da unidade de informação
com a instituição mantenedora.
O artigo “Gerenciando processos de serviços em bibliotecas”, de Santos, Fachin e
Varvakis (2003), apresenta uma técnica de gestão de processos aplicado na Biblioteca da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) chamada Sevpro. Teve como objetivo dar
suporte à melhoria da qualidade dos serviços, em especial dos serviços de bibliotecas, uma
vez que estas são, essencialmente, organizações voltadas à prestação de serviços.
A técnica Sevpro incorpora a filosofia de "foco no usuário" e permite que
administradores de bibliotecas visualizem os serviços na perspectiva do usuário. Essa filosofia
vai ao encontro à definição de qualidade de Feigenbaun (1994), para quem a qualidade está
relacionada com a experiência do cliente para com o produto ou serviço, suas exigências e
expectativas atendidas, isto é, a qualidade tem orientação voltada à satisfação do consumidor.
Nessa pesquisa foi concluído que a técnica do Servpro também poderia ser aplicada nos
processos de serviços de outras bibliotecas para melhorar os processos e dar mais qualidade
aos serviços prestados.
Também com foco no cliente, Santos (2000) realizou o estudo “Gerenciamento da
rotina diária aplicada na biblioteca setorial do campus II da UFPB: análise na perspectiva do
cliente interno”, cujo objetivo foi avaliar os resultados obtidos do ponto de vista do cliente
interno com a implantação do GRD na Biblioteca Setorial do Campus II da Universidade
Federal da Paraíba -UFPB. A pesquisa identificou o grau de satisfação do cliente interno, a
melhoria na comunicação interfuncional das Seções e investigou as melhorias obtidas nos
processos das Seções de Circulação (SCI), Seção de Referência (SRF), Seção de Periódicos
(SPE) e Seção de Catalogação e Classificação da referida biblioteca. A metodologia usada foi
o 5S, cuja implantação, com a aplicação de quatro das cinco ações da ferramenta, Seiri (senso
de limpeza), Seiton (senso de organização), Seiton (senso de arrumação) e Seiketsu (senso de
padronização de processos), provocou melhorias nas seções pesquisadas. Dentre essas
melhorias destacam-se como mais importantes a adoção de planejamento, o estabelecimento
de metas, a padronização de processos e a melhoria de meio-ambiente. Os resultados
mostraram também que a gestão da qualidade é um processo que exige acompanhamento e
verificação das ferramentas utilizadas para que ocorram melhorias contínuas, conforme
defende Ishikawa (1993) ao afirmar que a melhoria da qualidade é um processo contínuo que
sempre pode ser aperfeiçoado.
Outro estudo focado em bibliotecas universitárias, intitulado “A biblioteca das
instituições de ensino superior e os padrões de qualidades do MEC: uma análise preliminar”

1062

�foi desenvolvido por Oliveira (2002). Com o objetivo de provocar reflexões e levantar
questões sobre os padrões de qualidade estabelecidos pelas comissões de especialistas do
Ministério da Educação e Cultura (MEC) e suas implicações nas bibliotecas das instituições
de ensino superior, foram analisados 47 padrões de qualidade, a partir dos itens de avaliação
para bibliotecas de cada curso. Foi notada uma heterogeneidade entre os instrumentos de
avaliação, além de ter sido possível identificar equívocos e exigências que causam impactos
na gestão da coleção e nos serviços prestados.
Além dos artigos de periódicos acima relatados, fazem parte do corpus de texto deste
artigo quatro trabalhos publicados nos anais do CBBD e SNBU, dos quais um enfoca estudo
realizado na biblioteca da UESP, outro nas bibliotecas da UNIPAMPA, da UFFS e da UNILA
e os dois últimos são artigos de revisão, porém, voltados para bibliotecas universitárias.
Pinheiro, Sukeyosi e Medeiros (2008) apresentaram o trabalho “Qualidade em
serviços: análise da percepção dos clientes da Biblioteca Central da FAIESP - UESP”, que
teve o objetivo de analisar a percepção dos clientes a fim de verificar a qualidade dos serviços
prestados referentes ao atendimento no espaço físico e acervo bibliográfico da Biblioteca. A
metodologia adotada constitui-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, realizada com uma
amostra aleatória representativa do quadro de discentes dos cursos de graduação, pósgraduação e de funcionários da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Sobral Pinto,
Rondonópolis, Mato Grosso. Os resultados mostram que a percepção do cliente exerce
influência positiva no gerenciamento da qualidade dos serviços bibliotecários, e que seria
necessário realizar um estudo anual dos usuários para conhecer os níveis de percepção dos
mesmos e saber o que realmente os clientes pensam sobre o papel da biblioteca.
Os autores Cardoso, Moreira e Rosa (2013), com trabalho intitulado “Gestão da
qualidade em serviços de informação”, objetivaram apresentar a importância de a Biblioteca
utilizar técnicas de Gestão da Qualidade em serviços de informação em conjunto com as
ferramentas tecnológicas. A metodologia usada foi uma pesquisa bibliográfica, cujos
resultados mostram que os maiores benefícios proporcionados por um programa de gestão da
qualidade em unidades de informação englobam o melhor relacionamento no ambiente de
trabalho, a mudança de comportamento e o comprometimento dos recursos humanos, a
melhoria dos processos, a satisfação dos usuários, entre outros. Assim, os resultados apontam
a importância de as unidades de informação também utilizarem técnicas de gestão utilizadas
por outros tipos de organizações para garantir a satisfação de seus clientes em relação aos
serviços oferecidos.

1063

�Silva (2013) apresentou o trabalho “Qualidade na prestação de serviços em bibliotecas
universitárias brasileiras recém-criadas na região sul”, que teve o objetivo de demonstrar os
primeiros passos das bibliotecas da UNIPAMPA, UFFS e UNILA referente à qualidade na
prestação de serviços e na contribuição para uma futura comparação das Instituições. A
metodologia para coleta de dados foi um questionário eletrônico, com vinte e nove questões,
abordando catorze indicadores de qualidade a serem considerados pelas bibliotecas, segundo
Vergueiro e Carvalho (2001). Os resultados são apresentados por meio de gráficos,
demonstrando os pontos fortes e fracos dos serviços prestados por essas instituições. Como
pontos fracos são apontados a falta de acesso para deficientes físicos, a localização próxima à
praça de alimentação e a utilização de máquinas de autoatendimento. Os pontos fortes
identificados estão relacionados à aquisição, à sinalização, aos horários de atendimento e de
reposição dos materiais, à disponibilização da internet, ao atendimento à sociedade em geral,
à disponibilização das informações em sites próprios, ao treinamento ofertado aos usuários e à
disponibilidade de acesso para estudos individuais ou em grupo.
Por fim, o trabalho “Qualidade percebida em serviços de bibliotecas: uma avaliação
sob a ótica do cliente”, de autoria de Gama e Mattos (2013) teve o objetivo de avaliar a
qualidade dos serviços de uma biblioteca universitária, na perspectiva de seus clientes, com
base numa análise de suas expectativas em relação ao serviço, anterior à experiência de
consumo, e a sua reação após a prestação do serviço.
Ao tratar de expectativas, Valls e Vergueiro (1998, p. 49) explicam que

[...] pode ser muito mais difícil para o prestador de serviços estar à altura das
expectativas dos clientes, pois ele terá apenas uma chance para fazê-lo.
Muitas vezes, um cliente que recebeu um serviço insatisfatório jamais
retorna uma segunda vez, frustrando-se qualquer tentativa de reverter os
efeitos deletérios da primeira atuação.

Gama e Mattos (2013) explicam que foi usado um questionário respondido por 198
clientes da biblioteca para verificar a qualidade percebida por seus clientes. Por meio da
investigação de suas expectativas, anterior à experiência com o serviço, e a satisfação dos
mesmos após a utilização do serviço, foi detectado que a qualidade percebida pelos clientes
em relação aos aspectos intangíveis da biblioteca é superior à percebida nos aspectos
tangíveis.
Os trabalhos analisados apresentam a implantação de metodologias para promover a
qualidade na prestação de serviços. Embora nem todos sejam relatos de experiências, são
focados no ambiente e nas características que envolvem bibliotecas universitárias,

1064

�apresentando reflexões pertinentes para a gestão da qualidade nesse tipo de unidades de
informação.
Percebeu-se o uso recorrente de estabelecimento de indicadores para acompanhamento
e avaliação das ações desenvolvidas pelas unidades de informação e o uso de questionários
para coletar dados em relação aos processos e serviços ofertados. Além disso, nos trabalhos
analisados, o método SERVQUAL foi utilizado para avaliar a qualidade dos serviços e o
Programa 5S foi uma das técnicas utilizadas para melhorar os serviços prestados e o
estabelecimento de uma mudança na cultura da organização mais voltada para a satisfação das
necessidades dos clientes.
Tendo em vista o contexto no qual as bibliotecas universitárias estão inseridas e a
missão que elas têm frente ao desenvolvimento de serviços que dêem suporte às atividades de
ensino, pesquisa e extensão nas universidades, percebe-se a importância de os gestores
conhecerem diferentes metodologias para promover a gestão da qualidade nesses ambientes, a
fim de satisfazer e atender as expectativas e necessidades dos clientes a partir dos produtos e
serviços de informação oferecidos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observa-se que a maior quantidade de artigos identificados e analisados foram
publicados em revistas da área embora a expectativa, no início da pesquisa, fosse de que a
maioria do artigos estivesse publicado em anais de eventos, visto que muitos bibliotecários
que atuam em universidades, principalmente públicas, são incentivados a participar de
eventos profissionais, como o CBBD e SNBU, para atualização profissional.
Com base nas pesquisas realizadas percebe-se que a qualidade em unidades de
informação vem ganhando um espaço cada vez mais relevante no meio biblioteconômico,
ainda que no Brasil seu desenvolvimento ainda seja lento.
A importância dada ao usuário e à qualidade dos serviços prestados pelas unidades de
informação demonstra a necessidade do aprimoramento de técnicas de gestão, que melhor
atendam as expectativas dos que buscam acesso à informação. Essa preocupação surge da
necessidade de se melhorar o atendimento ao usuário tendo em vista os acervos e serviços que
aumentam de maneira exponencial devido à variedade de mídias em que a informação
atualmente pode ser disponibilizada e a competitividade entre elas.
Nos trabalhos analisados, foi possível notar a forte influência do usuário na busca por
qualidade em unidades de informação e no melhoramento dos serviços, pois o objetivo do

1065

�bibliotecário é conseguir a satisfação quanto aos resultados obtidos nas buscas realizadas
pelos usuários, ao utilizarem os serviços de uma unidade de informação.
Entende-se que a gestão da qualidade tem um papel fundamental na estrutura de uma
biblioteca, fazendo-a funcionar da melhor maneira e garantindo que seu papel seja
devidamente cumprido. O presente artigo se mostra esclarecedor em diversos aspectos, em
especial ao que se refere à importância de a gestão ser baseada em métodos que auxiliem os
bibliotecários a ampliar suas perspectivas quanto à própria biblioteca.
Em relação às metodologias de gestão da qualidade adotadas pelas bibliotecas
universitárias, não houve nenhuma que se destacasse em relação às demais, o que pode
indicar que ainda não é usual que as bibliotecas e os gestores de unidades de informação
busquem metodologias para melhorar a gestão e a qualidade na prestação de serviços no
contexto das bibliotecas universitárias na literatura de outras áreas, ou mesmo em cases
empresariais.
Ainda em relação às metodologias, identificou-se que nem todos foram relatos de
práticas vivenciadas, mas todos eram focados no ambiente e nas características que envolvem
bibliotecas universitárias, apresentando reflexões pertinentes para a gestão da qualidade nesse
tipo de unidade de informação. Em todos os trabalhos analisados foi possível perceber que o
ponto de vista e a opinião do usuário são primordiais para a avaliação da qualidade de
serviços.
Apesar de existirem várias metodologias usadas em empresas, como SERVQUAL,
PDCA, TQM, 5S, ISO 9000, que poderiam ser implantadas ou adaptadas para a melhoria da
qualidade em unidades de informação, percebeu-se poucos estudos relatando a aplicação das
mesmas em bibliotecas universitárias.
O instrumento de coleta de dados mais utilizado nos estudos analisados foi o
questionário, visando verificar a opinião dos usuários sobre a qualidade dos serviços,
infraestrutura, acervo, atendimento, entre outros aspectos da unidade de informação, cujos
resultados serviriam para avaliar a qualidade dos serviços prestados e também para traçar
estratégias de melhorias.
Dado o contexto apresentado, é plausível afirmar que a gestão da qualidade, a cada dia
que passa, torna-se mais importante por trazer vantagens à gestão da unidade de informação
no que concerne ao planejamento, direção, infraestrutura, organização e serviços.
Infelizmente, a preocupação com a gestão da qualidade em unidades de informação no
Brasil ainda é pouco desenvolvida, fato comprovado pelos poucos trabalhos localizados sobre
a temática, considerando-se a delimitação desta pesquisa. Contudo, os resultados revelam ser

1066

�necessário o refinamento das políticas de gestão da qualidade nas bibliotecas universitárias
lbrasileiras visando o estabelecimento de metas, a implantação de planejamentos eficazes e a
padronização dos processos biblioteconômicos. São iniciativas dessa natureza que irão
melhorar os serviços prestados pelas bibliotecas universitárias brasileiras, tornando-as mais
eficazes no atendimento aos seus usuários.
Observa-se ainda que as unidades de informação precisem se desenvolver no que se
refere à gestão da qualidade. Os artigos analisados explicitam que há deficiências nas
bibliotecas brasileiras quanto à qualidade e que os aspectos que precisam ser melhorados
normalmente só são conhecidos quando são realizadas pesquisas de satisfação com os
usuários, porém, infelizmente são poucas as unidades de informação que fazem estudos de
usuários periodicamente.
Ao final, pode-se constatar que um serviço mal realizado ou um serviço que não
atende aos seus objetivos pode afastar os clientes e gerar uma reputação ruim à unidade de
informação. Em vista disso, espera-se que o presente artigo venha a contribuir para instigar o
debate, provocando novas pesquisas sobre o assunto em questão, que ajudem às bibliotecas
universitárias a melhor se estruturar para dar mais atenção aos usuários reais e potenciais, que
são e que poderão vir a ser, respectivamente, seus principais clientes.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Spudeit, Daniela, Davok, Delsi Fries, Soares, Priscila Gonçalves, Arias, Luiza Coutinho, Cima, Thais Mendonça de Brito Cardoso </text>
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                <text>Com o objetivo de verificar as metodologias adotadas e os resultados obtidos com a implantação de ferramentas para a melhoria e o controle da qualidade em serviços prestados por bibliotecas universitárias brasileiras, realizou-se uma pesquisa bibliográfica descritiva a partir de artigos publicados em periódicos científicos da área de Ciência da Informação no período de 2000 a 2013, e outros apresentados e publicados nos anais eletrônicos do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) e do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD). Considerada a delimitação da pesquisa, constatou-se que a preocupação com a gestão da qualidade em bibliotecas universitárias brasileiras ainda é pouco desenvolvida, merecendo maior atenção de pesquisadores e dos gestores dessas unidades de informação. Reflete a importância dada ao usuário e à qualidade dos serviços prestados pelas unidades de informação, demonstrando a necessidade do aprimoramento de técnicas de gestão que melhor atendam as expectativas dos que buscam acesso à informação, sendo importante o uso e adequação de ferramentas e metodologias de controle de qualidade. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PARTICIPAÇÃO DOS DOCENTES NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE LIVROS
DA BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP CAMPUS DE RIO CLARO)

Vivian Rosa Storti
Regina Maria Seneda
Ana Paula Santulo Custódio de Medeiros
Márcia Correa Bueno Degasperi
Adriana Aparecida Puerta

RESUMO
As atividades de seleção e aquisição de materiais bibliográficos são de vital importância para
a qualidade do acervo e para melhor atendimento às necessidades da comunidade usuária da
biblioteca universitária que atua como suporte aos três pilares da universidade: ensino,
pesquisa e extensão. Perante a disponibilidade de recursos financeiros para o desenvolvimento
do acervo e para sua melhor alocação, faz-se necessária a rigorosa seleção de livros a serem
adquiridos. A Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro realiza essa seleção a partir das
indicações dos docentes e busca aprimorar esta etapa do processo ao propor e manter um
canal de comunicação, por correio eletrônico, entre biblioteca e docentes. Este artigo visa
discorrer sobre o fluxo do serviço de aquisição de obras para compor o acervo da biblioteca e
descrever o resultado deste processo para indicação e seleção dos materiais bibliográficos.
Foram apresentados, por meio de gráficos e comentários, os resultados desta comunicação
biblioteca/docentes para aperfeiçoar a lista de pedido de compras e a importância da melhoria
e continuidade deste trabalho.
Palavras-Chave: Aquisição de materiais. Seleção
biblioteca/docente. Unesp. Biblioteca universitária.

bibliográfica.

Comunicação

ABSTRACT
The activities of selection and acquisition of library material are of vital importance to the
quality of the collection and to better meet the needs of the user community of the university
library, which acts as a support to the three pillars of the university: teaching, research and
extension. In face of the availability of financial resources to the collection development and
for a better distribution, it's need a rigorous selection of the books to be bought. The Library
of Unesp - campus Rio Claro makes this selection according to the indications and search for
improve this stage of the process by proposing and keeping a channel of communication, by
electronic mail, between library and professors. This article aims to discuss the service of
acquisition of books to compose the library collection and to describe the results of this

3434

�process stage of indication and selection. Results of the communication between
library/professors to improve the list of buying requests were presented through charts and
comments and has showed the importance of improving and continuing this work.
Keywords: Acquisition of materials. Bibliographic selection. Communication library/
professors. Unesp. University library.

1 Introdução
Em Rio Claro (SP), a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
(Unesp), teve sua origem como instituto isolado na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras
(FCL), criada pelo Governo do Estado em 1957. A partir do ano de 1976, a FCL passa a
integrar a Unesp, compreendendo hoje: o Instituto de Biociências (IB), o Instituto de
Geociências e Ciências Exatas (IGCE) e o Centro de Estudos Ambientais (CEA) e oferece 10
cursos de graduação e 16 programas de pós-graduação.
A Unesp é uma das três maiores universidades do Estado de São Paulo, tamanha
proporção ocasiona cada vez mais a busca pela qualidade e melhoria do ensino ofertado e de
sua infraestrutura. Um dos requisitos avaliados quando do reconhecimento de cursos pelo
Ministério da Educação (MEC) é o acervo da biblioteca, que deve ser atual e possuir obras em
quantidade suficiente para os alunos do câmpus.
Visando esses aspectos, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB), responsável
tecnicamente pela Rede de Bibliotecas da Unesp, participa junto à Reitoria por meio do Plano
de Desenvolvimento Institucional (PDI) da ação 33 “Estabelecer políticas de desenvolvimento
de coleções e de obras raras para a Rede de Bibliotecas da Unesp” (UNIVERSIDADE ...,
2009), ação que assegura o direcionamento de verba anual para a aquisição de materiais
bibliográficos.
Em contrapartida à disponibilidade de verba, há a dificuldade em selecionar quais
materiais, dentre toda a gama disponível, serão adquiridos para compor o acervo da rede de
bibliotecas e assim proporcionar aos usuários um maior e melhor suporte para o estudo, a
pesquisa e a extensão.
Para resolver essa lacuna, a Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro desenvolveu
um programa para pedido de aquisição de livros, no qual o docente acessa o sistema e informa
os dados do material bibliográfico que julga ser importante haver no acervo de acordo com as
aulas por eles ministradas. O sistema, então, gera uma lista automática com as informações
dos materiais solicitados, contudo, faz-se necessário o contato com os docentes a fim de

3435

�resolver dúvidas existentes sobre os pedidos, além de fornecer um retorno sobre a situação do
pedido efetuado. Essa proposta tem funcionado de forma positiva no processo de seleção e
aquisição e também qualificado a compra de livros didáticos.
Com o exposto, este trabalho visa discorrer sobre o fluxo de serviço da elaboração da
lista de obras a serem adquiridas, selecionando os pedidos dos docentes, as quantidades
solicitadas e o valor da verba recebida pela Reitoria para a aquisição de obras para compor o
acervo da Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro.

2 A Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro
A Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro iniciou suas atividades em 1958, sendo
hoje subordinada administrativamente ao Instituto de Biociências e tecnicamente à
Coordenadoria Geral de Bibliotecas (UNIVERSIDADE..., 2013). Integra a Rede de
Bibliotecas da Unesp, em um total de 34 bibliotecas que utilizam o software Aleph (versão
20) formando o catálogo bibliográfico Athena. Seu acervo é composto por 93.836 itens de
materiais bibliográficos (livros, teses, TCCs, CDs, mapas, dentre outros) e 184.702 fascículos
de periódicos. A maior parte dos serviços está informatizada e pode ser acessado através do
endereço http://www.rc.unesp.br/biblioteca (consulta ao acervo, renovação, reservas, EEB,
Comut, ficha catalográfica, pedido de compra de livro, inscrição em treinamentos e oficinas).
Possui

acesso

a

C@thedra

(http://www.unesp.br/portal#!/cgb/bibliotecas-

digitais/cthedra-biblioteca-digital-teses/), banco

de teses

e dissertações,

e C@pelo

(http://www.unesp.br/portal#!/cgb/bibliotecas-digitais/cpelo-biblioteca-digital-tcc/), banco de
trabalhos de conclusão de curso produzidos na Universidade. Possui acesso também ao
Parthenon (http://www.parthenon.biblioteca.unesp.br), sistema de busca integrada aos
diferentes conteúdos, suportes e mídias dos recursos disponíveis. Em 2013, foram
disponibilizados mais de 3.000 e-books sendo mil de pesquisa e 2.000 didáticos e foram
inaugurados o Repositório CRUESP (http://cruesp.sibi.usp.br) que oferece acesso à produção
científica

e

acadêmica

da

Usp,

Unesp

e

Unicamp

e

o

Repositório

Unesp

(http://unesp.br/repositorio) que oferece acesso à produção científica, acadêmica, artística,
técnica e administrativa da Unesp.
Possui 15 netbooks para serem emprestados aos usuários dentro da biblioteca por 4
horas renováveis e ainda a tecnologia RFID (radiofrequência) para segurança do acervo e
modernização das rotinas de atendimento com o autoempréstimo e a autodevolução sendo
esta última por 24 horas.

3436

�3 Revisão de Literatura
O desenvolvimento de coleções é um trabalho de planejamento.

A formação do

acervo é um processo abordado sob uma perspectiva sistêmica e as atividades ligadas à
construção da coleção não podem ser encaradas isoladamente (VERGUEIRO, 1989).
A aquisição de material bibliográfico é uma tarefa de responsabilidade para as
bibliotecas universitárias, uma vez que a maioria conta com poucos recursos financeiros. A
seleção de obras é um processo de decisões constantes que influenciam em aspectos
financeiros e qualitativos da biblioteca. Esta etapa da aquisição é fundamental para que ocorra
maior aproveitamento dos recursos disponíveis para a realização da compra.
A aquisição, para Dias e Pires (2003, p. 42), “é o processo de agregar materiais a
coleção, seja por compra, doação ou intercâmbio, segundo um fluxo administrativo linear e
controlado”. Este processo é a execução das decisões tomadas na seleção, ou seja, é o
procedimento destinado à obtenção dos documentos, cabendo a identificação, localização dos
itens para compra, escolha de fornecedores, cotação de valores e sua posterior obtenção para o
acervo. “O papel da aquisição no processo é localizar e assegurar a posse, para a biblioteca,
daqueles materiais que foram definidos pela seleção” (PUERTA, AMARAL, GRACIOSO,
2010, p. 8).
A aquisição envolve dois itens básicos: orçamento e alocação de recursos. Segundo
Miranda (2007, p. 13), “antes da compra devem ser previamente definidos os recursos
financeiros, para permitir uma visão concreta do que se pode contar”. Andrade e Vergueiro
(1996, p. 19) salientam que, na prática, o orçamento previsto para aquisição de materiais nem
sempre corresponde aos recursos liberados, ocasionando que nem todas as necessidades
consideradas prioritárias serão atendidas.
Na Unesp, desde 2000, a aquisição de material bibliográfico é norteada pela Portaria
Unesp n° 486, de 18 de outubro de 2000 que determina “Diretrizes para o Desenvolvimento
dos Acervos da Rede de Bibliotecas da UNESP” onde, em seu artigo 3° diz:

A Reitoria no orçamento de cada ano deverá encaminhar para aprovação do
Conselho de Administração e Desenvolvimento da Unesp (CADE) proposta
de 1,5 a 2,0% do orçamento anual global da Universidade destinados à
aquisição de material bibliográfico.

Desta forma, há verba anual para a aquisição de livros para a graduação (livros
didáticos) de acordo com os cursos e áreas de cada Campi. A CGB, após análise do valor do
livro por área do conhecimento (exatas, humanas, biológicas e tecnológicas), pelos cursos

3437

�existentes nas Unidades Administrativas da Unesp e quantidade de alunos por curso,
determina a verba para cada biblioteca da Rede e a Reitoria a repassa na forma de
compromisso para as Unidades.
O gerenciamento desse compromisso recebido pela Biblioteca da Unesp - Câmpus de
Rio Claro é realizado pelo Módulo de Aquisição do Aleph (MEDEIROS, PUERTA,
DEGASPERI, 2012). Com essa ferramenta há o controle do uso da verba por livraria
inclusive com relação a títulos esgotados e as respectivas substituições de forma eficaz.
Porém, a fase intermediária do processo, ou seja, o contato com os docentes sobre as dúvidas
dos pedidos ainda não estava sistematizado, o que acarretava possíveis falhas e
descontentamentos ao final da seleção, sendo necessário adotar um procedimento para
minimizar essa questão.

4 Materiais e Métodos
Ao receber o compromisso anual para aquisição de livros didáticos, as bibliotecas da
Unesp são responsáveis por organizar a lista de pedidos de compra conforme artigo 6° da
Portaria Unesp 486 de 2000 (UNIVERSIDADE ..., 2000, p. 2)
Para a utilização dos recursos repassados pela Reitoria, do Programa de
Aquisição de Livros e Outros Materiais não Periódicos caberá às Bibliotecas
da Rede: elaborar as listagens e adquirir as obras nacionais e estrangeiras,
em conformidade com os procedimentos estabelecidos pela Runesp, de
acordo com a legislação vigente.
Em Rio Claro, o compromisso recebido para o ano de 2014 deve ser empenhado até o
dia 05 de agosto de 2014. Neste ano, foram trabalhados, aproximadamente, 1500 pedidos.
Visando atender melhor às necessidades dos usuários da biblioteca, os livros são
adquiridos respeitando as indicações dos docentes que realizam seus pedidos através do
formulário disponível na página da biblioteca (http://www2.rc.unesp.br/biblioteca/novo3sstati/faplivros/usuario/). Desta maneira, apenas materiais de interesse da comunidade do
Câmpus são incluídos na aquisição.
Para melhor administrar os pedidos dos docentes, que podem realizar a solicitação sem
limite de pedidos, a biblioteca utiliza um programa desenvolvido na própria unidade que
concentra os serviços de: Comut, Empréstimo entre bibliotecas (EEB), pedido de livros para
compra, ficha catalográfica, agendamento de treinamento e palestras, entre outros.
O formulário de aquisição de livros (Figura 1) possui os campos a serem preenchidos:
dados do solicitante (nome, e-mail, categoria, departamento e disciplinas ministradas) e dados

3438

�do livro (científico ou didático, autores, título, ISBN, idioma, série, editora, ano, edição,
volumes, exemplares, moeda, preço unitário e um campo aberto para observações).

Figura 1 - Formulário de preenchimento para aquisição de livros

Fonte: Sistema 3S
O sistema permite aos docentes, além do cadastro dos pedidos de livros para
aquisição, a visualização destes pedidos em forma de relatório (Figura 2).

3439

�Figura 2 - Visualização dos pedidos realizados

Fonte: Sistema 3S
O programa é utilizado para gerar a lista de livros didáticos a ser adquirida com a
verba da Reitoria e também projetos específicos como o Faplivros da FAPESP.
No ano de 2013, o sistema foi aprimorado, possibilitando o envio de correio eletrônico
aos docentes. Este contato eletrônico passou a ser utilizado para o esclarecimento de dúvidas
com relação aos pedidos, seja quanto ao número de exemplares, manutenção do título na lista
e aviso ao docente quando a obra não foi localizada, está esgotada ou já possui exemplares na
biblioteca (Figura 3).
Figura 3 - Formulário de envio de e-mail

Fonte: Sistema 3S

3440

�Perante um contato mais eficaz com o docente responsável pelo pedido da obra, o
tempo de espera pela resposta sobre dúvidas acerca do material solicitado passou a ser mais
curto, agilizando o processo de seleção e aquisição e favorecendo a qualidade dos pedidos da
lista.
Esta forma de comunicação visa à objetividade e o esclarecimento de incertezas.
Abaixo seguem descritos alguns exemplos:
•

Realização de pedido de compra de obras já assinadas na forma de e-books pela
Unesp;

•

Solicitação de livros os quais a biblioteca já possui no acervo, sendo informado ao
docente o número de exemplares, a quantidade de empréstimos e reservas no último
ano, questionando a real necessidade de aquisição de novos exemplares;

•

Divergência entre dados informados no pedido e dados localizados nos catálogos das
editoras e livrarias;

•

Confirmação da necessidade de maior quantidade de exemplares quando mais de um
docente faz pedido da mesma obra;

•

Esclarecimentos sobre obras não localizadas na busca em livrarias e editoras,
solicitando ao docente dados para confirmação e sugestão de locais onde a obra poderá
ser localizada;

•

Informação de que a obra encontra-se esgotada, solicitando a confirmação que o
pedido seja mantido ou cancelado.

5 Resultados Finais
Em 2014, de fevereiro a abril, foram realizados 584 contatos por correio eletrônico
enviados pelo próprio sistema aos docentes, obtendo 291 retornos com as especificações a
seguir:
•

138 títulos indicados puderam ser retirados da lista e 153 títulos foram mantidos,
ambos com a concordância do solicitante, como descrevemos abaixo:

•

91 títulos existentes na biblioteca, sendo: 16 pedidos mantidos e 75 pedidos
cancelados, considerando não haver necessidade de compra de mais exemplares;

•

137 títulos esgotados, sendo: 80 pedidos mantidos para compra futura e 57 pedidos
cancelados;

•

81 títulos que não foram localizados em livrarias e editoras, sendo: 59 pedidos
mantidos e 22 pedidos cancelados.

•

Totalizando 309 pedidos, haja vista que, 18 pedidos a biblioteca já possuía o título e

3441

�estava esgotado na editora ou a biblioteca já possuía e não foi localizado, por isso a
quantidade acima de 291.

Conforme mostra o Gráfico 1, a biblioteca recebeu um retorno de 49,83% dos correios
eletrônicos enviados. Considerando-se que é o primeiro ano que se realiza este trabalho, tevese um bom percentual de respostas, sendo necessário intensificar a participação dos docentes
neste processo.
Gráfico 1 - Quantidade e percentual dos retornos aos contatos enviados

Fonte: Elaborado pelos autores
Este trabalho também mostrou que muitos docentes desconhecem as obras que
compõem o acervo, pois solicitam títulos que a biblioteca possui em quantidades de
exemplares suficientes para atender a comunidade acadêmica. De acordo com o Gráfico 2,
destes pedidos, apenas 17,58% solicitaram que a biblioteca aumentasse o número de
exemplares.
Gráfico 2 - Percentual de pedidos mantidos ou cancelados de obras que a
biblioteca já possui

Fonte: Elaborado pelos autores

3442

�No entanto, apesar de várias obras solicitadas estarem esgotadas ou não terem sido
localizadas nas livrarias e editoras, os docentes preferem, em sua maioria, manter o pedido
para que sejam adquiridas em uma próxima reimpressão ou edição, conforme mostram os
Gráficos 3 e 4.

Gráfico 3 - Percentual de pedidos mantidos ou cancelados das obras esgotadas

Fonte: Elaborado pelos autores
Gráfico 4 - Percentual de pedidos mantidos ou cancelados das obras não
localizadas

Fonte: Elaborado pelos autores
Pode-se ainda ressaltar que alguns docentes utilizaram o contato para enviar sugestões,
justificativas e observações, tais como:
•

Possibilidade de doação da obra pelo próprio autor, não havendo necessidade de
compra;

3443

�•

Solicitação de levantamento de quantidade de empréstimos e reservas de títulos
utilizados em disciplinas;

•

Informação de pedidos que poderiam ser cancelados por haver obras correlatas;

•

Solicitação de que o pedido fosse mantido para aquisição de nova edição;

•

Solicitação de maior quantidade de exemplares;

•

Questionamento quanto à necessidade de manter pedidos de obras esgotadas e como
proceder nesses casos;

•

Justificativa da utilização das obras utilizadas tanto na graduação quanto na pós
graduação;

•

Solicitação de dados da obra para conferência do pedido;

•

Percepção da pouca procura dos alunos a respeito do material bibliográfico indicado;

•

Compreensão da falta de familiaridade com a biblioteca ao solicitar obras que já
constituem o acervo;

•

Sugestão de mudança de classificação de obras do acervo com assuntos mais
pertinentes e agrupamento de assuntos diversos em uma mesma seção;

•

Elogios ao trabalho minucioso da biblioteca.

6 Considerações Finais
Por meio da sistematização deste processo, foi possível estabelecer um canal de
contato com os docentes, fazendo com que eles participassem mais ativamente da seleção,
possibilitando assim uma melhor otimização do dinheiro público, consequentemente, a
melhoria qualitativa e quantitativa do acervo. Ao analisar a quantidade de títulos com a
quantidade de exemplares pode-se observar que há uma melhora considerável para os alunos
da graduação com relação à bibliografia básica (521 títulos x 1162 exemplares), em uma
primeira aquisição. Considera-se também que a constatação de aproximadamente 50% de
retorno dos docentes aos questionamentos sugere confiabilidade no trabalho exercido pelos
bibliotecários. Importante ressaltar que em Rio Claro, desde o início do recebimento do
compromisso para aquisição de livros didáticos, não há distribuição da verba por curso, sendo
que todos os docentes do Câmpus devem enviar as suas solicitações. Este foi um acordo feito
desde o início e que já demonstrou a confiança neste serviço.
Sem o apoio dos docentes seria muito difícil o cancelamento dos pedidos, pois eles são
os responsáveis pela indicação da bibliografia. Com o cancelamento de vários pedidos pela
indicação do próprio solicitante, baseado nas informações enviadas por correio eletrônico
através do próprio sistema, foi possível um melhor aproveitamento do recurso aumentando a

3444

�quantidade de exemplares das obras mais emprestadas.
Concluí-se que, este canal de comunicação estabelecido foi muito produtivo para
ambos, docentes e biblioteca, pois o objetivo final é dotar o acervo de acordo com a demanda
dos nossos usuários.

7 Referências
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Briquet de Lemos, 1996.
DIAS, M. M. K.; PIRES, D. Formação e desenvolvimento de coleções de serviços de
informação. São Carlos: EdUFSCar, 2003.
MEDEIROS, A. P. S. C.; PUERTA, A. A.; DEGASPERI, M. C. B. A utilização dos
orçamentos hierárquicos do sistema Aleph no processo de aquisição de material bibliográfico
pela biblioteca da Unesp Câmpus de Rio Claro. In.: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012.
Disponível em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QTF.pdf&gt;. Acesso em: 07 abr.
2014.
MIRANDA, A. C. C. de. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas universitárias. Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 4, n. 2, p. 01-19,
jan./jun. 2007. p. 13
PUERTA, A. A.; AMARAL, R. M.; GRACIOSO, L. S. Uso de tecnologias da informação e
comunicação para participação de usuário na formação e no desenvolvimento de coleções. In.:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16., Rio de Janeiro.
Anais... Rio de Janeiro: UFRJ, 2010. p. 1-14. Disponível em:
&lt;http://www.siglinux.nce.ufrj.br/~gtbib/site/wp-content/uploads/2010/10/desenvolvimentocolecoes.pdf&gt;. Acesso em: 07 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP). Biblioteca: histórico. 2013.
Disponível em: &lt;http://ib.rc.unesp.br/#!/biblioteca/biblioteca/institucional/historico/&gt;. Acesso
em: 20 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP). Plano de Desenvolvimento
Institucional. 2009. Disponível em: &lt;https://ape.unesp.br/pdi/execucao/PDI_Unesp.pdf&gt;.
Acesso em: 22 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP). Portaria 486 de 18 de outubro de
2000. Estabelece as Diretrizes para o Desenvolvimento de Acervos da Rede de Bibliotecas da
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Disponível em:
&lt;http://www.biblioteca.unesp.br/portal/intranet/arquivos/pdf/Portaria%20Unesp%204862000%20-%201.pdf&gt;. Acesso em: 19 abr. 2014.
VERGUEIRO, W. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis, 1989.

3445

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Participação dos docentes no processo de aquisição de livros da Biblioteca da Universidade Estadual Paulista (UNESP- Campus de Rio Claro)</text>
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                <text>As atividades de seleção e aquisição de materiais bibliográficos são de vital importância para a qualidade do acervo e para melhor atendimento às necessidades da comunidade usuária da biblioteca universitária que atua como suporte aos três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão. Perante a disponibilidade de recursos financeiros para o desenvolvimento do acervo e para sua melhor alocação, faz-se necessária a rigorosa seleção de livros a serem adquiridos. A Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro realiza essa seleção a partir das indicações dos docentes e busca aprimorar esta etapa do processo ao propor e manter um canal de comunicação, por correio eletrônico, entre biblioteca e docentes. Este artigo visa discorrer sobre o fluxo do serviço de aquisição de obras para compor o acervo da biblioteca e descrever o resultado deste processo para indicação e seleção dos materiais bibliográficos. Foram apresentados, por meio de gráficos e comentários, os resultados desta comunicação biblioteca/docentes para aperfeiçoar a lista de pedido de compras e a importância da melhoria e continuidade deste trabalho.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SIBI) DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ (UFPR) E A INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA

Eliane Maria Stropar

RESUMO
O artigo traz um recorte da dissertação de mestrado defendida no curso de Pós-Graduação em
Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e se propõe a identificar as condições
de acessibilidade e políticas públicas de inclusão implementadas no Sistema de Bibliotecas
(SiBi) da UFPR, para garantir a inclusão de pessoas com deficiência. Os dados da pesquisa
foram coletados por meio de observações em 10 bibliotecas, entrevistas semiestruturadas com
os respectivos gestores de bibliotecas e com 17 alunos com deficiência matriculados na
UFPR. Foram analisados, contextualizados e interpretados com base em fundamentos da
análise de conteúdo, resultando nas categorias: acessibilidade física, informacional, atitudinal
e de serviços, destacando-se a importância e urgência na implantação de política institucional
inclusiva para todo SiBi/UFPR focado na garantia da informação e educação para todos. A
biblioteca universitária é apresentada como um caminho para que a democratização da
informação se efetive.

Palavras-chave: Políticas inclusivas. Biblioteca universitária. Acessibilidade.

ABSTRACT
The article brings a snippet of the master dissertation which was defended in the post­
graduation course of the Universidade Federal do Paraná and it proposes to identify the
accessibility’s conditions and public policies of inclusion implemented in the Sistema de
Bibliotecas (SiBi) of UFPR, in order to guarantee the inclusion of people with disabilities.
The data of the research were collected by way of observations in 10 libraries, semistructured
interviews with the libraries managers and with 17 students which have disabilities and which
are registered at UFPR. The data were analyzed, contextualized and interpreted based in
basics of content’s analysis, resulting on these categories: physical accessibility, informational
accessibility, attitudinal accessibility and accessibility of services, highlighting the importance
and urgency of the inclusive institutional policy’s implantation for all SiBi/UFPR focused on
the guarantee of the information and education for all. The university library is presented as a
path so that democratization of the information becomes effective.
Keywords: Inclusive policies. College library. Acessibility.

743

�1 INTRODUÇÃO
Este artigo apresenta recortes da dissertação “Políticas inclusivas e acessibilidade em
bibliotecas universitárias: uma análise do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade
Federal do Paraná (UFPR) concluída em março de 2014 e desenvolvida no curso de PósGraduação em Educação na UFPR.
O trabalho analisa ações de acessibilidade e a prática da inclusão como um dos
maiores desafios da educação, não perdendo de vista que o direito à educação é para todos os
cidadãos, e que garantir o cumprimento desse direito implica no reconhecimento de que as
diferenças dos alunos exigem atendimentos específicos.
O aumento do número de matrículas de alunos com deficiência no ensino superior nos
últimos anos, evidenciados nos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa
Educacionais Anísio Teixeira (INEP) (2001), mostra que embora em 9 anos esse número
tenha aumentado aproximadamente 458%, a entrada desse segmento de população ainda é
pequena, visto que em 2003 representavam 0,13% do total de alunos com acesso à educação
no ensino superior em nosso país, e em 2011 passaram a representar 0,34% do total de
matriculados. Mesmo sendo irrisórios esses números já demonstram uma mudança no ensino
superior, esse crescimento evidencia a implementação e efetivação de políticas públicas de
inclusão e programas de ações afirmativas que tentam erradicar dificuldades visando garantir
o direito à igualdade não somente de acesso, mas de sucesso no ensino superior e o respeito às
diferenças. Contudo o grande desafio é o alcance de dados qualitativos, pois são poucos os
registros e as pesquisas que reflitam como esse processo de inclusão ocorre dentro das
Instituições de Ensino Superior.
Alunos com deficiência física, deficiência visual, surdez e deficiência múltipla são
delimitados nessa pesquisa de acordo com a Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva. (BRASIL, 2008).
Para o acesso e a permanência desses alunos no ensino superior é fundamental os
esforços das

universidades no desenvolvimento de condições facilitadoras: instalação de

bancas especiais nos concursos vestibulares, sistema de cotas, núcleo de apoio e o provimento
de

adequações de bibliotecas, pois estas desempenham papel fundamental no processo

educativo do aluno. As bibliotecas universitárias são chamadas a novos serviços para atender
as exigências da universidade, a discussão de ações e encaminhamentos para a remoção de
barreiras a fim de que todos os alunos inclusive os alunos com deficiência possam ser
atendidos e possam usufruir do conhecimento. Essas mudanças apresentam a necessidade de

744

�acessibilidade não apenas arquitetônica, mas sobretudo atitudinais e informacionais
facilitando o acesso a informação a todos os alunos.
Nesse contexto a definição de acessibilidade esta contida no Decreto n. 5296, de 2 de
dezembro de 2004:

Como sendo a condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou
assistida, aos espaços mobiliários e equipamentos urbanos, às edificações,
aos serviços de transporte, aos sistemas e meio de comunicação e
informação, por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. (BRASIL,
2004).
E no seu artigo 10°., determina que:

A concepção e implantação dos projetos arquitetônicos e urbanísticos devem
atender aos princípios do desenho universal, tendo como referências básicas
as normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a legislação específica e as
regras contidas neste decreto. (BRASIL, 2004).
Com o advento da inclusão, entende-se que a acessibilidade não é apenas
arquitetônica, pois existem barreiras em outros contextos, de acordo com Pupo, Melo e Ferres
(2008, p. 36)

É bastante comum associá-la primeiramente ao compromisso de melhorar a
qualidade de vida dos idosos e de pessoas com deficiência como ex.
(perceptual, cognitiva, motora e múltipla), uma vez que essas pessoas são as
mais sofrem impacto da existência de barreiras nos vários ambientes,
produtos e serviços que utilizam. No entanto, acessibilidade ou
simplesmente a possibilidade de alcance aos espaços físicos, à informação,
aos instrumentos de trabalho, estudo, aos produtos e serviços diz respeito a
qualidade de vida de todas as pessoas.
Mediante a constatação de carência de estudos a respeito das condições de
acessibilidade física, informacional, atitudinal e serviços para com os alunos com deficiência,
pretende-se nesse estudo focar a análise na acessibilidade e inclusão no SiBi/UFPR. Desta
forma, este estudo visa identificar, descrever e verificar as condições de acessibilidade, ações,
programas e políticas de inclusão implementadas no SiBi/UFPR, para a

garantia de

acessibilidade e inclusão dos alunos com deficiência.
No período em que foram efetivadas as observações in loco no SiBI/UFPR a
composição era de quinze biblioteca: uma sede administrativa (Biblioteca Central), treze
bibliotecas universitárias e uma de ensino profissionalizante. Atualmente o SiBI/UFPR é

745

�formado por dezoito bibliotecas distribuídas em diferentes áreas geográficas no estado do
Paraná:

Biblioteca Central (BC)
Biblioteca de Ciências e Tecnologias (CT)
Biblioteca de Ciências Agrárias (AG)
Biblioteca de Ciências Biológicas (BL)
Biblioteca de Ciências da Saúde - Sede (SD)
Biblioteca de Ciências da Saúde - Sede Botânico (SB)
Biblioteca de Ciências Florestais e da Madeira (CF)
Biblioteca de Ciências Humanas e da Educação (HE)
Biblioteca de Ciências Jurídicas (JU)
Biblioteca de Ciências Sociais e Aplicadas (SA)
Biblioteca de Educação Física (EF)
Biblioteca de Educação Profissional e Tecnológica (SEPT)
Biblioteca do Campus Cabral (CA)
Biblioteca do Campus Rebouças (RB)
Biblioteca do Campus Jandaia do Sul (JS)
Biblioteca do Campus de Palotina (PA)
Biblioteca do Centro de Estudos do M ar (CEM)
Biblioteca da UFPR Litoral (LIT)

O SiBi/UFPR, visa oferecer à comunidade universitária controle e acesso adequados à
informações em ciência e tecnologia essenciais para as atividades universitárias de cunho
acadêmico e administrativo e para o pleno exercício da cidadania, mediante o fortalecimento
do compromisso dos servidores com o SiBi/UFPR e os usuários. (UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ, 2012).
O papel da universidade está associado à produção e à disseminação do conhecimento,
sendo a informação a matéria-prima para a construção desse conhecimento, e à biblioteca
universitária compete disponibilizá-la, desempenhando uma influência decisiva no processo
educacional no ensino superior possibilitando o acesso à informação, garantindo a
acessibilidade, por meio da oferta de produtos e serviços compatíveis com as diferentes
necessidades. (PELA, 2006).

746

�Às universidades são estendidas as transformações que a sociedade enfrenta, visto que
a universidade é constituída do social, e o social é constituído da universidade. (CHAUÍ,
2001). A universidade é vista como agência social para atender a sociedade em geral,
considerando as diferentes necessidades, em prol do desenvolvimento da educação, da ciência
e da cultura.
Na sociedade da informação, a acessibilidade ao conhecimento representa para as
pessoas com deficiência um suporte para a melhoria na sua independência servindo como
instrumento de inclusão social (TORRES, 2002). Para a aplicabilidade da acessibilidade e
inclusão na sociedade do conhecimento são necessárias mudanças, sobretudo a partir do
respeito às diferenças, garantindo o direito e a igualdade, os quais deverão ultrapassar os
discursos e se efetivar nas bibliotecas universitárias. A efetividade das legislações e políticas
públicas direcionadas não somente ao ingresso, mas também a permanência e à conclusão do
ensino superior destacam o papel da biblioteca universitária inserida nesse contexto.

2 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de natureza mista, qualitativa/quantitativa e exploratória
com enfoque descritivo e documental.
Fazem parte da pesquisa os alunos com deficiência matriculados na UFPR, as
bibliotecas do SiBi/ UFPR e os gestores das respectivas bibliotecas.
A técnica de amostragem foi utilizada para efeito de cálculo na escolha dos
participantes: dos 79 alunos com deficiência matriculados na UFPR foram recrutados 51
alunos com deficiência física, visual, surdez e múltipla, calculando-se o tamanho da amostra
em 17 alunos de graduação com deficiência que representam 33% da população. Para as
bibliotecas a serem visitadas para a observação in loco e para os respectivos chefes,
denominados nessa pesquisa de gestores, a serem entrevistados o número de amostra foi
fixado em 10.
As etapas da pesquisa para a coleta e análise de dados apresentam-se na seguinte
ordem: inicialmente foi efetuada a pesquisa documental através de resoluções, leis, decretos e
programas institucionais relacionados a inclusão de alunos com deficiência no ensino
superior, utilizados como apoio para análise de acessibilidade e inclusão no SiBi/UFPR .
A elaboração de roteiro para observação in loco nas bibliotecas, foi elaborado visando
compreender a realidade prática das bibliotecas. O roteiro para entrevistas semi estruturadas
com

gestores

das bibliotecas,

foi

elaborado visando identificar políticas

e ações

implementadas e com alunos com deficiência visando identificar barreiras e facilitadores.

747

�O passo seguinte foi o envio do projeto de dissertação ao Comitê de Ética e Pesquisa
do Hospital do Trabalhador da UFPR, para análise e parecer atendendo a resolução da CNS n.
466/2012. (BRASIL, 2012). O recebimento do Parecer n. 386.428 de 06/09/2013, emitido por
este Comitê, mostrou-se favorável ao desenvolvimento da pesquisa.
Em seguida houve o agendamento das visitas às bibliotecas para observação in loco, e
das entrevistas semiestruturadas com os participantes, as quais foram efetivadas na sequência.
A organização e análise de dados ocorreu de acordo com as categorias tomadas na elaboração
do roteiro para observação, visto que não foi evidenciado (por meio da fala dos entrevistados)
novas

categorias

de

análise,

ou

seja:

acessibilidade

física,

acessibilidade

informacional,acessibilidade atitudinal, nos serviços oferecidos e política institucional
inclusiva.

3 DESENVOLVIMENTO
Apresentam-se os dados mapeados na análise e a discussão da realidade.
A primeira categoria a ser analisada, foi a “caracterização dos participantes”a qual foi
identificada por meio de sites, documentos, observação in loco nas bibliotecas e entrevistas
com os participantes. Evidenciando-se que as entrevistas foram transcritas na íntegra com
alguns ajustes da língua portuguesa. Em observância ao compromisso firmado com o Comitê
de Ética e Pesquisa foram resguardados os nomes dos participantes. Para a identificação nesta
pesquisa, usou-se de letras, assim os alunos foram referenciados pela letra A, as bibliotecas
pela letra B, e os bibliotecários pelas letras Bib, acompanhadas de números sequenciais
aleatórios, não obedecendo a nenhuma ordem de identificação.
A análise da segunda categoria “acessibilidade física” baseou-se em parâmetros
estabelecidos pela NBR 9050 (ABNT, 2004). Os elementos componentes desta categoria:
acesso as dependências, mobiliário, mobilidade e sinalização receberam valores de zero a
quatro, sendo que zero não se aplica, um não existe, dois não atende, três atende parcialmente
e quatro atende totalmente. Foram também analisadas as 10 bibliotecas, as quais receberam
valores, sendo que acima de 90% são consideradas adequadas, de 89 a 60% parcialmente
adequadas e abaixo de 60% inadequadas.
Na categoria “acessibilidade informacional” foram analisados os acervos em
diferentes formatos; braile, áudio e outros, presentes e/ou ausentes no SiBi/UFPR assim como
as tecnologias de informação e comunicação (TIC): computadores com sintetizadores de voz,
leitor automático, leitores de tela, linha braile, fones de ouvido, lupas entre outros.

748

�Na categoria “acessibilidade atitudinal”, evidencia-se o elemento invisibilidade do
aluno com deficiência, que embora não tenha sido contemplado no roteiro de entrevistas,
destaca-se nos depoimentos dos gestores com uma postura de reconhecimento ou não.
Também nessa categoria foram analisados os atendimentos prestados pelos servidores, a
capacitação profissional e as mudanças de atitudes.
Na

categoria

“acessibilidade

de

serviços”

foram

estudados

os

serviços

tradicionalmente oferecidos como: empréstimo, renovação, reserva on-line, utilização de
livros digitais, solicitação de cópia de artigos e partes de livros entre outros, e também
serviços exclusivos ofertados para atender as diferentes necessidades, presentes e/ou ausentes
no SiBi/UFPR.
Na categoria “política institucional” inclusiva foram considerados fatores a serem
definidos para o desenvolvimento de política institucional inclusiva, destacando-se a oferta de
serviços exclusivos para atender as diferentes necessidades, a obtenção de recursos
financeiros específicos para adequação das bibliotecas às normas de acessibilidade e a
capacitação profissional.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Destaca-se que as legislações relativas à temática são relevantes e esclarecedoras para
efetivação

da

inclusão

no

ensino

superior,

contudo

permanecem

dificuldades

na

implementação das leis no SiBi/UFPR.
Apresentam-se os valores escalonados na pesquisa.
Acessibilidade física: apenas uma biblioteca mostra-se adequada, cuja preocupação
com a temática ocorre desde 2007; quatro bibliotecas apresentam-se parcialmente adequadas,
observando-se a necessidade de redimensionamento de layout, balcão de empréstimo
incompatível com as medidas estabelecidas pelas normativas, inexistência de banheiros
adequados e bebedouros acessíveis; cinco bibliotecas mostram-se inadequadas, merecendo
atenção a remoção de catraca, escadas, instalação de elevador ou rampa de acesso para as
bibliotecas com mais de um pavimento. Elemento também evidenciado nessa categoria pelos
participantes é a sinalização, considerada precária, exceção apenas em uma biblioteca, que
viabilizou projeto de comunicação visual, o qual será estendido às demais unidades, com
necessidade de adaptações de acessibilidade. Devendo-se atender: para os alunos cadeirantes,
a observância na altura das guias sinalizadoras; para os alunos com surdez, a utilização de
imagens; para os alunos com baixa visão, a utilização de tipos e fontes de tamanhos maiores;
para os alunos cegos, o uso de sinalização em braile, tátil e sonora.

749

�Acessibilidade informational: evidencia-se o predomínio de serviços relacionados ao
acesso a informações impressas, disponíveis fisicamente nas bibliotecas e também por meio
do Portal da Informação , não há duplicação do acervo em formato braile e áudio. Os
serviços são ofertados conforme a demanda. Supre-se a carência de acervo em outros
formatos, disponibilizando equipamentos e recursos tecnológicos capazes de transformar o
conteúdo impresso em falado, presente em uma biblioteca que atua como unidade piloto em
todo SiBi/UFPR.
Acessibilidade atitudinal: destaca-se nos depoimentos dos alunos com deficiência o
atendimento dos servidores marcados pela boa vontade, atenção e prontidão

Me sinto no mínimo igualitário, quando não com atendimento privilegiado,
os atendentes sempre se pronunciam para me ajudar. O atendimento prestado
me surpreende. (A6, entrevistado pela pesquisadora em 25/10/2013).
Nos depoimentos dos gestores constata-se o não saber lidar com a diferença.
Muitas vezes não se fazem coisas determinadas porque se desconhece. Uma
das coisas que falta para as pessoas com relação a acessibilidade é o
conhecimento.Temos ainda muito que aprender, para fazer, para conhecer.
Eu acho que o grande ponto é a falta de conhecimento de como ajudar.
(Bib8, entrevistado pela pesquisadora em 17/09/2013).
Observa-se a necessidade de capacitação para atender as diferentes necessidades, e o
uso de recursos específicos e mudanças de atitudes que são fundamentais para o término da
exclusão.
Acessibilidade de serviços: evidencia-se o reconhecimento dos serviços tradicionais
como satisfatórios para as atividades acadêmicas dos alunos com deficiência, a inexistência de
recursos informacionais específicos em nove bibliotecas, apenas uma biblioteca, oferece esses
recursos porém são desconhecidos pelos alunos com deficiência.

A biblioteca auxilia sim, pois posso completar meus conhecimentos, meus
trabalhos. Isso é positivo, no entanto algumas palavras não conheço, vou
precisar ler muito para realizar meu TCC, então seria interessante uma
pessoa para auxiliar. Traduzir o que está escrito é importantíssimo. (A16,
entrevistado pela pesquisadora em 31/10/2013).
Salientando-se que para os alunos com deficiência física há necessidade de ambientes
físicos acessíveis; para os alunos cegos, computadores com programas específicos para suas
70www.portal.ufpr.br

750

�leituras e profissionais capacitados para orientar o uso desses recursos; para os alunos surdos,
os que mais apresentam dificuldades e os que menos freqüentam as bibliotecas, a presença de
intérprete de libras é fundamental.

Insisto que é imprescindível um servidor de prontidão para ajudar e que seja
familiarizado com a linguagem de sinais. Uma pessoa logo na entrada da
biblioteca perguntando se precisamos de ajuda iria deixar o espaço mais
acessível. (A16, entrevistado pela pesquisadora em 31/10/2013).
Política institucional inclusiva: destaca-se que das normas, regulamentos que regem
ações voltadas à adequação das bibliotecas foram analisadas: a alteração no regulamento de
empréstimo, ampliando o prazo de entrega dos livros para os alunos com deficiência;
presença da Comissão de Acessibilidade que visa discutir ações sobre a temática em todas as
unidades do SiBi/UFPR; inexistência de recursos financeiros exclusivos para as bibliotecas
adequarem-se às normas de acessibilidade; importância e urgência do estabelecimento de
política institucional inclusiva para fazer cumprir o direito aos alunos com deficiência,
transformar as condições adversas e favorecer a permanência dos alunos com deficiência no
ensino superior.

5 CONCLUSÃO
As bibliotecas universitárias ainda são frágeis em relação à regulamentação, faltam
políticas institucionais inclusivas efetivas, investimentos político-educacionais para aquisição
de tecnologias adequadas, acervo especial e programas mais efetivos para instalações e
adaptações em condições de acessibilidade.
Evidencia-se também a necessidade de capacitação dos profissionais, para melhorar o
desenvolvimento de produtos e serviços demandados pelos alunos com deficiência. É dever
do profissional promover a legitimação de mudanças de postura, atitudes, mediante políticas
de não exclusão e implementação de legislações.
Como desafio é colocado às bibliotecas universitárias fazer com que os direitos sejam
efetivados, responder às necessidades dos alunos, ampliar o debate sobre políticas públicas de
atendimento aos alunos com deficiência e posicionar a biblioteca no plano de implantação de
políticas de educação inclusiva na universidade.
Cabe a biblioteca universitária apresentar-se como um caminho para que a
democratização da informação, da cidadania e do direito à educação para todos se efetivem,
garantindo integralmente a inclusão dos alunos com deficiência por meio da ampliação do

751

�espaço informational com o uso de tecnologias de informação e comunicação adequadas,
presença de interpretes em libras, promovendo acesso aos conteúdos com qualidade.
A biblioteca universitária deve repensar, entender e criar um espaço acessível aos
alunos com deficiência onde a inclusão esteja pautada na efetivação de seus direitos e no
respeito a sua dignidade.

6 REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050 : acessibilidade e
edificações, equipamento e mobiliário urbano à pessoa portadora de deficiência. Rio Janeiro,
2004.
BRASIL. Decreto n. 5.296, de 22 de dezembro de 2004. Regulamenta as leis n. 10.048, de 8
de novembro de 2000, que da prioridade de atendimento as pessoas que especifica, e 10.098,
de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção
da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e da
outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Braslia, DF, 3 dez.
2004. Disponível em: &lt;http://www.mj.gov.br/sedh/ct/CORDE/dpdh/sicorde/dec5296.asp&gt;.
Acesso em: 10/01/2013.
BRASIL. Ministério da Educação. SEESP. Política Nacional de Educação Especial na

Perspectiva

de

Educação

Inclusiva .

Brasília,

2008.

Disponível

em:

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CHAUÍ, M. Escritos sobre a universidade. São Paulo: Unesp, 2001.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
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PELA, M. A. P. A biblioteca universitária, espaços formativos e inclusão : a perspectiva de
graduandos com deficiência visual. 2006. Dissertação (Mestrado) - Universidade Cidade de
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PUPO, D. T.; MELO, A. M.; FERRES,S. P. Acessibilidade: discurso e prática no cotidiano
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�258f. Dissertação(Mestrado em Educação)-Setor de Educação, Universidade Federal do
Paraná, 2014
TORRES, E. F. As apresentações de acesso ao ensino superior de jovens e adultos na

educação especial. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de
Santa Catarina, Florianópolis, 2002.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. SIBI. Relatório de atividades SiBi. Curitiba,
2012.

753

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>O artigo traz um recorte da dissertação de mestrado defendida no curso de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e se propõe a identificar as condições de acessibilidade e políticas públicas de inclusão implementadas no Sistema de Bibliotecas (SiBi) da UFPR, para garantir a inclusão de pessoas com deficiência. Os dados da pesquisa foram coletados por meio de observações em 10 bibliotecas, entrevistas semiestruturadas com os respectivos gestores de bibliotecas e com 17 alunos com deficiência matriculados na UFPR. Foram analisados, contextualizados e interpretados com base em fundamentos da análise de conteúdo, resultando nas categorias: acessibilidade física, informacional, atitudinal e de serviços, destacando-se a importância e urgência na implantação de política institucional inclusiva para todo SiBi/UFPR focado na garantia da informação e educação para todos. A biblioteca universitária é apresentada como um caminho para que a democratização da informação se efetive.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AS NECESSIDADES INFORMACIONAIS DOS DOUTORANDOS DO CURSO DE
PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA DA UFMG E O ACERVO DA
BIBLIOTECA J. BAETA VIANNA: UM ESTUDO BIBLIOMÉTRICO
Mariza Talim
Fabian Rodrigo Santos

RESUMO
Neste trabalho utilizamos a bibliometria como ferramenta para comparar a demanda
provocada pela necessidade informacional dos alunos do curso de pós-graduação em Saúde
Pública, da Faculdade de Medicina da UFMG, com o acervo da Biblioteca J. Baeta Vianna,
utilizada por esses usuários. Como acervo consideramos tanto o impresso quanto o
disponibilizado em meio eletrônico. A necessidade informacional dos doutorandos é inferida
a partir das referências das teses, defendidas pelos alunos, entre os anos 2005 e 2008, baseada
no modelo de busca informacional de Wilson. A questão de pesquisa é: quais são as
necessidades informacionais desses alunos e se a Biblioteca J. Baeta Vianna satisfaz a essas
necessidades. Os objetivos específicos são os seguintes: (i) verificar quais são os autores mais
citados nas referências das teses, apresentadas no curso de Pós-Graduação em Saúde Pública,
da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os anos de 2005 e 2008; (ii) verificar quais são as
fontes de informação mais utilizadas entre livros, periódicos impressos, periódicos eletrônicos
e bases de dados nas referências das teses, apresentadas no curso de Pós-Graduação em Saúde
Pública, da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os anos 2005 e 2008; (iii) comparar as
necessidades de informação dos doutorandos desse curso, no período citado, com o acervo da
Biblioteca J. Baeta Vianna. Verificamos que os doutorandos do curso de Pós-Graduação em
Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os anos de 2005 e 2008,
demandaram informações que foram, em sua maioria, publicadas no Brasil e nos Estados
Unidos, entre os anos 2000 e 2008. Os autores mais pesquisados foram o Ministério da Saúde
e Brasil, ou seja, publicações oficiais da área de saúde. O tipo principal de suporte para
publicação foi o periódico impresso/eletrônico. Comparando os dados quantificados com a
análise das referências verificamos que 41% dos livros estão disponíveis no acervo. 91,5%
dos periódicos podem ser acessados fisicamente na biblioteca ou por meio digital. Quando
somamos o resultado de livros e periódicos, observamos que a biblioteca disponibiliza acesso
a mais de 74% dos títulos citados, o que nos leva a concluir que a biblioteca atende,
razoavelmente bem, às necessidades informacionais do curso de pós-graduação em Saúde
Pública da UFMG.
Palavras-chave: Necessidades informacionais, Bibliometria. Acervo.

ABSTRACT
In this paper, we use bibliometrics as a tool to compare the demand caused by the
informational needs of students of post -graduate in Public Health, in Faculty of Medicine of
UFMG , with the library collection J. Baeta Vianna which is used by those users . As

2153

�collection we consider both the available printed and electronic media. The informational
needs of doctoral students were inferred from the references of the thesis presented by
students between 2005 and 2008, based on the information seeking model of Wilson. The
research question is: what are the information needs of these students and if the collection of
library J. Baeta Vianna satisfies these need. The specific objectives are: ( i ) determine which
authors are most cited in the references of the thesis presented in the course of Postgraduate
Public Health, in Faculty of Medicine of UFMG, between 2005 and 2008 ; ( ii) determine
which are the most used sources of information including books, print journals , electronic
journals and databases in the references of the thesis presented in the course of Postgraduate
Public Health, in Faculty of Medicine of UFMG, between 2005 and 2008; ( iii ) compare the
information needs of doctoral students in this course during the period mentioned above with
in the collection of the Library J. Baeta Vianna. We verified that the doctoral course in Public
Health, in Faculty of Medicine of UFMG, between 2005 and 2008 , required information that
were mostly published in Brazil and the United States , between 2000 and 2008 . The authors
most cited were over the Ministry of Health and Brazil , which are official healthcare
publications. The main type of support for publication was printed / electronic journal.
Comparing the quantified data of analysis of the references, we find that 41% of books are
available in the collection. 91.5% of the journals can be accessed in the library physically or
by digital means, we observed that the library provides access to more than 74 % of the titles
mentioned, which leads us to conclude that the library serves reasonably well to the
informational needs of the post -graduate students in Public Health at UFMG .
Keywords: Informational needs, Bibliometrics. Collection.

1 INTRODUÇÃO
Toda biblioteca, para alcançar seu principal objetivo, que é atender a demanda
informacional de seus usuários, deve disponibilizar serviços e produtos, garantindo que os
mesmos sejam prestados de forma eficiente e eficaz. Para isso, é necessário conhecer as
necessidades de informação de seus usuários e verificar se o acervo da biblioteca satisfaz a
essas necesidades.
Neste estudo utilizaremos a bibliometria como ferramenta que possibilitará comparar
a demanda, provocada pela necessidade informacional dos alunos, do curso de pós-graduação
em Saúde Publica, da Faculdade de Medicina da UFMG, com o acervo da Biblioteca J. Baeta
Vianna, que é utilizada por esses usuários. O acervo será aqui considerado tanto o impresso
quanto o disponibilizado em meio eletrônico.
A Biblioteca J. Baeta Vianna teve sua origem juntamente com a fundação da
Faculdade de Medicina da UFMG, em 1912. Ocupando inicialmente uma pequena área com
capacidade para poucos leitores e usuários, acompanhou o desenvolvimento da Faculdade de
Medicina, à qual está administrativamente subordinada, sendo hoje a Biblioteca do Campus
Saúde da Universidade Federal de Minas Gerais, na categoria de biblioteca setorial do
Sistema de bibliotecas da UFMG, coordenado pela Biblioteca Universitária à qual esta

2154

�tecnicamente subordinada. A biblioteca atende às necessidades informacionais dos usuários
das unidades situadas neste campus: Faculdade de Medicina, Escola de Enfermagem e
Hospital das Clinicas e aos cursos de Terapia Ocupacional e Fisioterapia da Escola de
Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Hoje está instalada em prédio próprio,
com área de 3.182 m2 distribuídos em quatro andares, contando com 550 assentos. Possui um
acervo de 57.023 monografias entre livros, teses e folhetos e 2.155 títulos de periódicos
(correntes e não correntes). Atende a um total estimado de 13.768 usuários inscritos, além de
toda a comunidade local e regional da área da saúde, sendo considerada biblioteca de
referência no estado de Minas Gerais.
A escolha do curso de pós-graduação em Saúde Pública foi motivada por ser um
curso que visa formar profissionais que atuarão, diretamente, na sociedade como um todo, e
não de forma parcial. Uma das definições para Saúde Pública mais citada é a feita por
(WINSLOW, 1920 apud SOUZA et. al., 2006) assim apresentada:
"É a ciência e a arte de prevenir a doença, prolongar a vida e
promover a saúde e a eficiência física e metal, através de esforços
organizados da comunidade para o saneamento do meio, o controle
das doenças transmissíveis, a educação do indivíduo em princípios de
higiene pessoal, a organização de serviços médicos e de enfermagem
para o diagnóstico precoce e tratamento preventivo da doença e o
desenvolvimento da maquinaria social de modo a assegurar a cada
indivíduo na comunidade um padrão de vida adequado à manutenção
da saúde.".

Além disso, na última avaliação dos cursos de pós-graduação no Brasil, realizada
pela Capes, em relação ao triênio 2007-2009, o Programa de Pós-graduação em Saúde Pública
da UFMG obteve conceito 6 (seis), qualificando-se entre os melhores programas de Pósgraduação em Saúde Coletiva no país, uma área em franca expansão e crescente qualificação.
As necessidades informacionais dos profissionais da Saúde Pública tem sido tema de
vários trabalhos por causa da variedade de grupos nos quais esses profissionais se dividem,
cada um deles com necessidades informacioanis específicas e diferenciadas (FORD e
KORJONEN, 2012). Por isso ainda é necessária a realização de pesquisas relativas a grupos
específicos como, por exemplo, doutorandos de um curso de pós-graduação.
Propomos para este trabalho a seguinte questão: as necessidades informacionais dos
doutorandos do curso de pós-graduação em Saúde Pública da UFMG, estão sendo satisfeitas
pela Biblioteca J. Baeta Vianna?
Desta questão derivamos como objetivo geral verificar, a partir das referências das
teses defendidas pelos alunos do curso de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de

2155

�Medicina da UFMG, entre os anos 2005 e 2008, quais são as necessidades informacionais
desses alunos e se a Biblioteca J. Baeta Vianna satisfaz a essas necessidades.
Os objetivos específicos são os seguintes: (i) verificar quais são os autores mais
citados, nas referências das teses, apresentadas no curso de Pós-Graduação em Saúde Pública
da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os anos 2005 e 2008; (ii) verificar quais são as
fontes de informação mais utilizadas entre livros, periódicos impressos, periódicos eletrônicos
e bases de dados nas referências das teses apresentadas no curso de Pós-Graduação em Saúde
Pública da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os anos 2005 e 2008; (iii) comparar as
necessidades de informação dos doutorandos desse curso, no período citado, com o acervo da
Biblioteca J. Baeta Vianna.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O conceito de necessidade informacional se insere no campo de estudos de usuário
definido como proposto por Wilson (1981; 1997; 1999; 2000; 2006). Nesses trabalhos Wilson
propõe um modelo de comportamento informacional onde a busca por informação começa
com a percepção de uma necessidade pelo usuário. Essa necessidade é uma experiência
subjetiva que ocorre apenas na mente de cada indivíduo, não sendo, portanto, diretamente
acessível ao observador. A necessidade só pode ser descoberta por dedução, através do
comportamento de busca, ou por uma declaração explícita da pessoa que a detém. Além disso,
essas necessidades estão associadas qualitativamente às necessidades humanas básicas ou
primárias, que são fisiológicas (de comer, dormir, etc.), afetivas ou emocionais (de dominar,
conquistar, etc.) e cognitivas (de planejar, tomar decisão, etc.). Na tentativa de satisfação de
necessidades primárias, sejam elas cognitivas ou afetivas, um indivíduo desenvolve uma
necessidade secundária ou derivada por informação que pode iniciar um processo de busca
informacional, mas não necessariamente de imediato, pois vários fatores pessoais,
interpessoais e contextuais podem funcionar como barreiras a essa busca (LECKIE;
PETTIGREW; SYLVAIN, 1996).
A busca informacional iniciada pela necessidade é realizada de maneira formal ou
informal, utilizando sistemas de informação ou outras pessoas. Pode levar ao sucesso ou
fracasso na obtenção da informação desejada e o uso dessa informação leva à satisfação ou
não satisfação das necessidades originais (CHOO, 2003).
No nosso estudo, partimos da convicção de que as necessidades informacionais dos
doutorandos do curso de pós-graduação em saúde pública da UFMG foram satisfeitas, pois as
informações foram efetivamente usadas na construção de suas teses, sendo registradas nas

2156

�suas citações e referências. Usaremos, então, as referências das teses para inferir as
necessidades de informação apresentadas por esses estudantes. Isso está de acordo como o
que é preconizado no modelo de Wilson apresentado acima, que apresenta a necessidade
informacional como subjetiva e não observável diretamente, mas apenas inferida a partir do
processo de busca e uso da informação.
A análise das referências, para a determinação das necessidades informacionais, usa
as ferramentas da bibliometria. De acordo com Macias-Chapua (1998), a bibliometria é um
estudo que visa quantificar a produção, a disseminação e o uso da informação registrada. Com
o uso da bibliometria os centros de informação são capazes de desenvolver padrões e modelos
matemáticos que possibilitem a medição desses processos, usando os resultados como apoio
para o desenvolvimento de políticas e tomadas de decisão. Segundo Araújo (2006) o mais
importante para a bibliometria é a análise de citações. Sendo a citação “[...] conjunto de uma
ou mais referências bibliográficas que, incluídas em uma publicação, evidenciam elos entre
indivíduos, instituições e áreas de pesquisa, visto que mostram o relacionamento de uma
publicação com outra”. A análise de citação pode ser definida como “[...] a parte da
bibliometria que investiga as relações entre os documentos citantes e os documentos citados,
considerados como unidades de análise, no todo ou em suas diversas partes: autor, título,
origem geográfica, ano e idioma de publicação, etc”. (FORESTI, 1989, p. 3 apud ARAÚJO,
2006). Enfim, as citações “[...] contribuem para o desenvolvimento da ciência, provêem o
necessário reconhecimento de um cientista por seus colegas, estabelecem os direitos de
propriedade e prioridade da contribuição científica de um autor, constituem importantes
fontes de informação, ajudam a julgar os hábitos de uso da informação e mostram a literatura
que é indispensável para o trabalho dos cientistas”. (FORESTI, 1989, p. 2 apud ARAÚJO,
2006). A bibliometria utiliza como material de estudo a análise de citações e referências,
fontes importante para a medição do impacto e a visibilidade de trabalhos em determinadas
áreas da comunidade cientifica.
Usaremos então, a bibliometria, para analisar, estatisticamente, as referências das
teses dos alunos, para inferir as necessidades informacionais desses alunos. A próxima seção
irá detalhar o método utilizado para realizar esse estudo.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para alcançar os objetivos pretendidos neste trabalho utilizamos as teses de
doutorado defendidas no período de 2005 a 2008, pelos alunos do curso de Pós-Graduação em
Saúde Pública, da Faculdade de Medicina da UFMG. Utilizamos as teses disponíveis em meio

2157

�eletrônico, obtidas através da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFMG
(http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/) e os trabalhos disponíveis no catálogo do próprio site
do

curso

de

Pós-Graduação

em

Saúde

Pública

(http://saudepublica.medicina.ufmg.br/teses.htm). Através desse processo obtivemos 24 teses
das quais utilizamos somente a bibliografia ou referências.
Dessas teses obtivemos um total de 1159 referências que foram lançadas numa
planilha eletrônica onde cada linha estava relacionada com uma publicação e nas colunas
estavam as informações dessas publicações. Através de uma leitura minuciosa de todas as
referências identificamos as seguintes informações que foram lançadas, cada uma delas, numa
coluna diferente: Autor1, Autor2, Autor3, Autor4, Autor5, Título, Local de publicação, Data,
Tipologia. A tipologia identificava o tipo de publicação entre as seguintes opções: Anais,
Boletim, Cartilha, Cartilha com acesso eletrônico, Dissertação de mestrado, Folheto, Lei,
Livro, Manual, Normas e diretrizes, Periódico eletrônico, Periódico impresso, Periódico
impresso/eletrônico, Publicação online, Relatório, Relatório com acesso eletrônico, Relatório
de congresso, Relatório de pesquisa, Site, Software, Tese de doutorado,
Identificamos os autores mais citados, o tipo de publicação, os periódicos mais
freqüentes. Após esta quantificação fizemos a comparação das necessidades inferidas pelas
referências com o acervo da Biblioteca J. Baeta Vianna, verificando se a mesma disponibiliza
esse material.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Utilizando as ferramentas da bibliometria fizemos algumas estatísticas das
referências de todas as teses defendidas, no período de 2005 a 2008, pelos alunos do curso de
Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG. Apresentamos abaixo
os resultados obtidos para o local e ano da publicação, os autores das referências, tipos de
publicação e, a seguir, verificamos como o acervo da biblioteca J. Baeta Vianna satisfaz a
essas demandas por informação.
Os dados sobre o local de publicação das referências estão mostrados no Gráfico 1. A
maioria das referências, 41,4%, foi publicada no Brasil, seguido dos Estados Unidos, com
31%, Inglaterra, 16,8%, Suíça, 1,8% e Holanda, 1,2%. Os outros locais respondem por menos
de 1% das citações cada um, e em conjunto respondem por 7,8% dessas citações.

2158

�Gráfico 1: Distribuição de referências por local de publicação, em porcentagem

Brasil

EUA

Inglaterra

Suiça

Holanda

Outros

Fonte: Autoria própria
O an de publicação das referências se estende de 1884 a 2008, sendo que antes de
1960 há apenas uma publicação 1884, uma em 1934 e uma em 1956. A tabela 1 abaixo
mostra a distribuição de publicações por intervalo de uma década.
Tabela 1 - Ano de publicação
Intervalo
1960 -1969
1970 - 1979
1980 - 1989
1990 - 1999
2000 - 2008
Fonte: Autoria própria

Porcentagem
0,2%
1,1%
7,8%
30,2%
60,4%

Identificamos, como mencionado antes, um total de 1159 referências que citam 3171
autores. Esses autores foram citados entre 1 e 46 vezes e, como mostrado na Tabela 2, a
maioria, 98,1%, foi citada de 1 a 5 vezes somente. Apenas 0,5% dos autores foram citados
mais de 10 vezes. Esses resultados indicam que não há uma concentração de citações em
poucos autores da área de saúde pública, mas que a pesquisa nessa área é um assunto
amplamente pesquisado e divulgado por vários autores.

Tabela 2 - Quantidade de citações de autores por intervalos
Porcentagem
Intervalo
Freqüência
2160
98,1%
1a 5
6 a 10
31
1,4%
11 a 46
10
0,5%
Fonte: Autoria própria

2159

�No gráfico 2 podemos observar que entre os 3171 autores citados, o mais frequente
com 46 citações é o Ministério da Saúde. Em seguida vem o Brasil com 32 citações, mas uma
análise dessas autorias nas referências mostra que a maioria das vezes a autoria Brasil também
estava relacionada com o Ministério da Saúde. Outros oito (8) autores foram citados de 10 a
20 vezes e todos os outros 3161 autores foram citados entre 1 e 10 vezes. É justificável termos
o Ministério da Saúde como autor mais citado, pois é o Ministério da Saúde a instituição que
mais investe em estudos sobre saúde pública, obtendo dados que serão utilizados como
respaldo para as estratégias de investimento e prevenção.

Gráfico 2: Frequências dos autores mais citados
50

Fonte: Autoria própria

Quato ao suporte utilizado, os documentos foram categorizados em periódicos
(impresso e eletrônico); livros; Relatórios (impresso e eletrônico); manuscritos (dissertações e
teses); artigos apresentados em eventos (congressos, conferências); normas, diretrizes;
legislação; folhetos e cartilhas. Em um universo de 1.159 referências bibliográficas, somente
em uma não foi possível identificar o suporte utilizado. Como demonstrado no Gráfico 3,
64,4% foram de periódicos com acesso impresso e eletrônico, 12,1% são de livros, 7,7%
periódicos com acesso somente por meio impresso e 15,8% é a soma de suportes que foram
citados menos de 3%. A área da saúde é um campo de estudos que apresenta constantemente
novas informações e, por essa razão, o periódico científico é o meio mais fácil e rápido para
manter os profissionais da saúde atualizados. Por isso, não é surpresa vermos o periódico
cientifico como suporte informacional mais utilizado.

2160

�Gráfico 3: Tipos de suporte em porcentagem

Fonte: Autoria própria

Ente os livros o título mais citado foi “Usuários de substâncias psicoativas:
abordagem, diagnóstico e tratamento”, com 4,3% do número total de citações, em seguida
temos o título “Applied logistic regression” com 3,6%, em terceiro temos os títulos “Does
health care save lives? Avoidable mortality revisited”; “Drogas e AIDS: estratégias de
redução de danos”; “Sexualidade pelo avesso: direitos, identidades e poder” e “Troca de
Seringas: Drogas e AIDS” com 2,1% cada. Os outros livros, cerca de 83,6%, tiveram menos
de 3 citações.
O baixo número de livros citados, apenas 115, em relação ao número total de
referências analisadas, que é igual a 1159, nos mostra que o livro não é o suporte
informacional ideal para se manter atualizado na área da saúde. Isso acontece porque do
momento em que um pesquisador termina um estudo até a publicação de um livro pode-se
levar alguns anos e, nesse meio tempo, o estudo que está sendo publicado já pode não ser uma
novidade. Para evitar esta “perda” de importância o pesquisador prefere publicar um resumo
de seu trabalho na forma de artigo científico.
Os periódicos foram divididos em três categorias: periódico disponibilizado somente
em meio impresso, periódico disponibilizado somente em meio eletrônico e periódico
disponibilizado em meio impresso e eletrônico. Em um total de 299 títulos de periódicos
citados, 79,6% foram de periódicos disponibilizados em meio impresso/eletrônico, 17,4% de
periódicos disponibilizados somente em meio impresso e 3,0% de periódicos disponibilizados
somente em meio eletrônico.

2161

�Entre os periódicos disponibilizados somente em meio impresso o mais citado, com
9% das citações, foi a “Revista ABP-APAL / Associação Brasileira de Psiquiatria and
Asociación Psiquiátrica de América Latina”, seguido da revista “Social science &amp; medicine”
com 8%, e em terceiro “Journal of public health” com 6%. Por outro lado, 42% dos
periódicos foram citados somente uma vez.
Apenas 12 periódicos citados têm disponibilidade somente eletrônica, sendo que o
mais citado, em 25% das vezes, foi “AIDS research and therapy”, seguido da revista “BMC
public health” com 17%. Entre os outros periódicos desse grupo, 58,33% foram citados
somente uma vez.
Os periódicos mais citados foram aqueles com disponibilidade tanto eletrônica
quanto impressa. Entre esses, o mais citado foi o “Cadernos de saúde pública” com 10%,
seguido pela “Revista de saúde pública” com 9% e em terceiro ficou o periódico “AIDS
(London, England)” com 4%. Nesse grupo, 46% dos periódicos foram citados de 1 a 5 vezes e
17% citados de 6 a 10 vezes.
Sintetizando as informações apresentadas acima, verificamos que os doutorandos do
curso de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os
anos 2005 e 2008, demandaram informações que foram, em sua maioria, publicadas no Brasil
e nos Estados Unidos, entre os anos 2000 e 2008. Os autores mais pesquisados foram o
Ministério da Saúde e Brasil, ou seja, publicações oficiais da área de saúde. O tipo principal
de suporte para publicação foi o periódico impresso/eletrônico. Esse perfil de demanda
caracteriza uma necessidade informacional específica desse grupo de usuários, necessidade
essa que deve ser atendida pela biblioteca que serve a esses alunos.
Um dos objetivos deste trabalho, além de identificar as necessidades informacionais
dos doutorandos o curso já citado, é verificar se a Biblioteca J. Baeta Vianna disponibiliza
acesso aos principais títulos citados pelos alunos do curso de pós-graduação em Saúde
Pública da UFMG. Apresentamos a seguir os dados relativos a essa disponibilidade.
Comparando os dados quantificados com a análise das referências verificamos que
dos 115 títulos de livros demandados, 41% estão disponíveis no acervo.
Com relação aos periódicos os números são bem melhores, dos 299 títulos de
periódicos citados, 91,54% podem ser acessados pela biblioteca, diretamente de
computadores disponibilizados nas dependências da biblioteca ou através de login e senha se
o acesso for feito fora da biblioteca. Quando somamos o total de livros com o total de
periódicos obtivemos 414 títulos, sendo que 74% desses estão disponíveis ou podem ser
acessados pela biblioteca.

2162

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste estudo, utilizamos a bibliometria como ferramenta para identificar as
necessidades informacionais dos alunos do curso de pós-graduação em Saúde Pública da
Faculdade de Medicina da UFMG. Essas necessidades foram inferidas a partir das referências
citadas nas teses apresentadas nesse curso de Pós-Graduação, entre os anos 2005 e 2008.
Também comparamos a demanda provocada por essa necessidade de informação com o
acervo da Biblioteca J. Baeta Vianna, que é utilizado por esses alunos.
Os alunos demandaram informações que foram publicadas preferencialmente em
periódico impresso/eletrônico no Brasil e, em seguida, nos Estados Unidos. Na sua maioria as
informações eram datadas nos anos entre 2000 e 2008 e eram, em grande parte, publicações
do Ministério da Saúde.
Quando comparamos os livros mais citados com o acervo da biblioteca a resposta
que obtivemos não é satisfatória, apenas 41% dos livros estão disponíveis. Algumas razões
para esta situação podem ser cogitadas, como por exemplo, os livros não disponíveis não
terem sido inclusos nas bibliografias básicas de cada disciplina, ou não constarem como
títulos de relevância. Uma solução que podemos apontar para mudar esse quadro é ser feito
um levantamento dos livros contidos nesta lista de “não disponíveis no acervo”, que
realmente podem ser de interesse para os usuários da biblioteca e, incluí-los nas listas de
novas aquisições.
Quando falamos de periódicos a situação muda completamente, já que 91,54% dos
títulos citados podem ser acessados pelos usuários da biblioteca, seja por meio impresso ou
eletrônico. Paralelamente ao que acontece com o acervo de livros, o acervo de periódicos
precisa lidar constantemente com a questão de espaço. A criação do Portal de Periódicos da
CAPES no ano 2000 veio substituir a aquisição de periódicos impressos. O Portal de
Periódicos da CAPES (http://www.periodicos.capes.gov.br) disponibiliza hoje um total
34.243 publicações periódicas nacionais e internacionais. Através desse portal os usuários têm
acesso à maioria dos títulos de periódicos citados nas referências apresentadas pelos
doutorandos.
Quando somamos o resultado de livros e periódicos, observamos que a biblioteca
disponibiliza acesso a mais de 74% dos títulos citados, o que nos leva a concluir que a
biblioteca atende, razoavelmente bem, às necessidades informacionais do curso de pósgraduação em Saúde Pública da UFMG.

2163

�Este trabalho tem uma limitação relacionada com o período em que coletamos os
dados, que foi de 2005 a 2008. A nossa intenção é realizar estudo com objetivos semelhantes
abrangendo o periodo de 2009 a 2013.

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2164

�</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As necessidades informacionais dos doutorandos do Curso de Pós- Graduação em Saúde Pública da UFMG e o acervo da Biblioteca J. Baeta Vianna: um estudo bibliométrico.</text>
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                <text>Neste trabalho utilizamos a bibliometria como ferramenta para comparar a demanda provocada pela necessidade informacional dos alunos do curso de pós-graduação em Saúde Pública, da Faculdade de Medicina da UFMG, com o acervo da Biblioteca J. Baeta Vianna, utilizada por esses usuários. Como acervo consideramos tanto o impresso quanto o disponibilizado em meio eletrônico. A necessidade informacional dos doutorandos é inferida a partir das referências das teses, defendidas pelos alunos, entre os anos 2005 e 2008, baseada no modelo de busca informacional de Wilson. A questão de pesquisa é: quais são as necessidades informacionais desses alunos e se a Biblioteca J. Baeta Vianna satisfaz a essas necessidades. Os objetivos específicos são os seguintes: (i) verificar quais são os autores mais citados nas referências das teses, apresentadas no curso de Pós-Graduação em Saúde Pública, da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os anos de 2005 e 2008, (ii) verificar quais são as fontes de informação mais utilizadas entre livros, periódicos impressos, periódicos eletrônicos e bases de dados nas referências das teses, apresentadas no curso de Pós-Graduação em Saúde Pública, da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os anos 2005 e 2008, (iii) comparar as necessidades de informação dos doutorandos desse curso, no período citado, com o acervo da Biblioteca J. Baeta Vianna. Verificamos que os doutorandos do curso de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG, entre os anos de 2005 e 2008, demandaram informações que foram, em sua maioria, publicadas no Brasil e nos Estados Unidos, entre os anos 2000 e 2008. Os autores mais pesquisados foram o Ministério da Saúde e Brasil, ou seja, publicações oficiais da área de saúde. O tipo principal de suporte para publicação foi o periódico impresso/eletrônico. Comparando os dados quantificados com a análise das referências verificamos que 41% dos livros estão disponíveis no acervo. 91,5% dos periódicos podem ser acessados fisicamente na biblioteca ou por meio digital. Quando somamos o resultado de livros e periódicos, observamos que a biblioteca disponibiliza acesso a mais de 74% dos títulos citados, o que nos leva a concluir que a biblioteca atende, razoavelmente bem, às necessidades informacionais do curso de pós-graduação em Saúde Pública da UFMG.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACERVO DE ESCRITORES MINEIROS: A BIBLIOTECA DE WANDER
PIROLI
Gabrielle Francinne de Souza Carvalho Tanus
Antônio Afonso Pereira Júnior
Gustavo Tanus

RESUMO
O Acervo de Escritores Mineiros (AEM), localizado no terceiro andar da Biblioteca Central,
da Universidade Federal de Minas Gerais, abriga diversas coleções de importantes escritores,
sobretudo, da cultura mineira, e de renome no cenário nacional e internacional. Dentre esses
escritores, está o acervo do Wander Piroli, um belo-horizontino do bairro da Lagoinha,
reconhecido como grande contista, por sua literatura infantojuvenil e adulta. Seu acervo,
doado em 2006, é composto por inúmeros documentos, entre objetos pessoais,
correspondências, fotos, discos, manuscritos/datiloscritos e livros, os quais ainda não
constituíram objetos de estudos. Assim, este trabalho tem como objetivo apresentar e analisar
a sua biblioteca representada por 1776 itens bibliográficos, a fim de identificar as obras e
autores que compõe esse acervo, suas especificidades, como os exemplares com dedicatórias,
que individualizam seu acervo e possibilitam reafirmar seu estreito contato com outros
escritores e seu amor aos livros.
Palavras-chave: Wander Piroli; Acervo de Escritores Mineiros; Biblioteca do escritor.

ABSTRACT
The Minas Gerais Archive of Writers, located on the third floor of the Central Library, the
University Federal of Minas Gerais, houses several collections of important writers,
especially the mining culture and reputation in the national and international scene. Among
these writers, is the collection of Wander Piroli, belo-horizontino of the neighborhood called
Lagoinha, recognized as a great storyteller, in infant-juvenile and adult literature. Its
collection, donated in 2006, is composed of numerous documents, including personal items,
correspondence, photographs, records, manuscripts/ datiloscritos and books, which have not
yet formed objects of investigation. This work aims to present and analyze your library
bibliographic, represented by 1776 items, in order to identify the authors and works that make
up this collection, their specificities, the copies with dedications, which individualize their
collections and enable reaffirm its narrow contact with other writers and his love of books.
Keywords: Wander Piroli; Minas Gerais Archive of Writers; Library of writer.

2025

�1.

INTRODUÇÃO

“A biblioteca é a carteira de identidade do intelectual”
(Abraham Moles)

O fascínio pelas bibliotecas e pelos livros é tão antigo quanto à preocupação do
homem em reter nos registros materiais e em sua memória os acontecimentos de sua época.
Desde a Antiguidade pode-se falar em arquivos, bibliotecas e museus, que ainda não eram tais
como se conhece hoje, pois seus “fazeres” estavam imbricados com as necessidades da época,
bem como não havia uma rígida separação institucional entre elas. O controle das obras, por
meio dos catálogos advém da Antiguidade, sendo Calímaco o “bibliotecário” responsável pela
classificação alfabética dos inúmeros rolos de papiro da biblioteca de Alexandria, a mais
notável daquele momento. Como lembra Manguel (2006, p. 35), “Os ptolemaicos e seus
bibliotecários certamente sabiam que memória era poder", e que “Se toda biblioteca é um
espelho do universo, então todo catálogo será um espelho de um espelho”. (MANGUEL,
2006, p. 52).
Durante séculos, atravessando períodos como a Idade Média, as coleções formavam
um desiderato comum, sendo apenas com os desdobramentos

da Idade Moderna que essas

coleções e instituições começaram a tomar contornos mais específicos (SILVA; RIBEIRO,
1999). Outras mudanças operaram sobre essas instituições como o conceito de nacional e o de
público. Tais conceitos vinculam-se com as conquistas das revoluções burguesas na Europa
do século XVIII, entre elas a Revolução Francesa, que marca o início da Idade
Contemporânea. Contudo, não é objetivo deste texto recontar a trajetória histórica
pormenorizada dos arquivos, bibliotecas e museus, o que constituiria outra pesquisa.
Desse modo, realiza-se um salto na história, a fim de destacar outros dois
acontecimentos significativos, no século XX, que reverberaram nessas instituições, como a
explosão informacional e a especialização do conhecimento, que demandam cada vez mais
conhecimentos específicos em cada área do conhecimento. As mudanças na forma e no
conteúdo dos documentos e nas informações suscitaram a criação de instituições cada vez
mais especializadas, com seus acervos também especializados. Assim, arquivos, biblioteca,

229 Dentre alguns dos acontecimentos desse momento estão: o aperfeiçoamento da imprensa por Gutenberg, que
facilitou e multiplicou a impressão; a expansão marítima, que impulsionou a atividade colecionista de objetos
trazidos de outras terras, os quais refletiam nos gabinetes de curiosidades; e, o aumento das atividades dos
Estados Nacionais, que impulsionou a criação de documentos administrativos, considerados arquivísticos,
indispensáveis para a manutenção das cidades.

2026

�museus e centros de documentação encontram-se, sobretudo, institucionalmente separadas,
cada qual com suas funções e temáticas específicas, e em áreas de atuação e do conhecimento
distintas.
Um retorno dessas coleções reunidas em um único espaço encontra-se potencializada
na constituição dos Arquivos Literários, que são compostos por uma grande diversidade de
suportes e formatos informacionais, devido ao encontro entre os acervos arquivísticos,
bibliográficos e museológicos. No Brasil, os Arquivos Literários assumem contornos tardios,
datados da segunda metade do século XX, como atividades mais sistemáticas e vinculadas à
produção de conhecimentos, sendo de interesse e responsabilidade, sobretudo, das
universidades públicas e privadas. (MARQUES, 2008). Dentre um dos exemplos de Arquivos
Literários, ressalta-se neste trabalho, o papel do Acervo de Escritores Mineiros (AEM),
vinculado à Faculdade de Letras, da Universidade Federal de Minas Gerais, que integra em
seu ambiente: museu, arquivo e biblioteca, constituindo em um espaço multifacetado, capaz
de refletir a vida e as obras dos escritores.
Sendo esse um grande diferencial do Acervo de Escritores Mineiros: guardar a coleção
bibliográfica, cartas, cartões, fotos, móveis de escritório, objetos pessoais, coleção de quadros,
obras de arte, placas, entre outros objetos que fizeram parte da vida do escritor. Tais
documentos, que fazem parte da história literária e cultural de Minas Gerais e do Brasil, foram
generosamente doados por familiares, amigos ou mesmo pelo escritor ainda em vida, e
constituem muitas vezes em fontes únicas e primárias de pesquisas. Sobre a importância
desses acervos literários ou não-literários, Bordini (2008) afirma que essa documentação
constitui em vestígios da subjetividade histórica, os quais formam um mosaico extremamente
complexo, possibilitando a construção histórico-social, e os entrecruzamentos da história, da
sociedade, das subjetividades.
Conforme destaca Marques (2013), a passagem do “acervo do escritor”, que antes
era de domínio exclusivo de seu mantenedor e localizado em sua morada, com essa mudança
topográfica da coleção, o acervo pessoal entra no âmbito do espaço público, passando a ser
nomeado de “arquivos literários”. Constituem-se,

então, em um espaço para o

desenvolvimento de diversas pesquisas, como crítica textual, crítica genética e crítica
biográfica, e em diversos níveis, da graduação a pós-graduação. Assim, este trabalho busca
diminuir a carência de estudos que visam os Arquivos Literários, em contrapartida com os
arquivos administrativos (HEYMANN, 2012), ou como afirma Moles (1978, p. 39), “A
biblioteca pessoal ou particular praticamente nunca foi analisada na literatura científica ou nos
estudos documentários”.

2027

�Portanto, o objetivo geral consiste em realizar uma análise dos itens bibliográficos da
biblioteca do escritor Wander Piroli, na qual se localiza no Acervo de Escritores Mineiros,
que se situa no terceiro andar da Biblioteca Central, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Assim, os objetivos específicos envolvem a identificação de traços importantes em sua
coleção de livros, predominância das temáticas, obras e autores, e suas especificidades, mais
especificamente as dedicatórias de exemplar

, que individualizam a obra e seu acervo

.

Desse modo, foram realizadas visitas ao próprio Acervo de Escritores Mineiros, em especial,
ao acervo de Wander Piroli, o que permitiu a pesquisa in loco e as análises dos livros, os quais
também estão descritos nos inventários que integram seu acervo. Busca-se ainda, por fim,
defender a figura desse escritor como bibliófilo, dado a extensão de seu acervo bibliográfico
composto por 1766 livros e tantos outros documentos que integram o fundo Wander Piroli.

2. O ACERVO DE ESCRITORES MINEIROS

O Acervo de Escritores Mineiros (AEM) é um espaço de preservação da memória da
literatura mineira. Um centro de pesquisa que cuida de preservar a literatura mineira, além de
constituir-se no maior projeto do Centro de Estudos Literários e Culturais (CELC). O CELC é
um núcleo de pesquisa da Faculdade de Letras (FALE) Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), criado em agosto de 1989, pela Congregação da FALE. Tem como objetivos:
promover pesquisas de Literatura Brasileira e de outras literaturas, segundo perspectivas de
ordem cultural e interdisciplinar, tendo em vista a constituição de um pensamento intelectual
no Brasil; desenvolver e divulgar técnicas de investigação para o aprimoramento de estudos
no campo literário, artístico e teórico; criar condições para a recepção e a análise de acervos e
bibliotecas de escritores de reconhecido valor, com vistas a incentivar não só a criação de
grupos integrados de pesquisa, mas também a abertura para a consulta da comunidade.
O Acervo de Escritores Mineiros, atualmente, abriga a coleção de 23 escritores,
reunindo documentos, objetos pessoais, livros, móveis, fotografias, medalhas e os mais
230 Examinam-se as dedicatórias de exemplar, as quais se diferenciam das dedicatórias das obras, embora ambas
consistam prestar uma homenagem numa obra a uma pessoa, a um grupo real ou ideal, ou a alguma entidade de
outro tipo. Segundo Genette (2009, p. 109) “as primeiras dizem respeito à realidade material de um exemplar
singular, a quem consagra em princípio a doação ou a venda efetiva; a outra diz respeito à realidade ideal da
própria obra, cuja posse (e, portanto a cessão, gratuita ou não) só pode ser simbólica”. Por exemplo, “uma obra
de exemplares múltiplos, digamos generosamente três mil, pode ser, enquanto obra, dedicada a uma pessoa, e
cada um de seus exemplares dedicado a três mil outras, ou pelo menos a dois mil e novecentos e noventa e
nove” (GENETTE, 2009, p. 125).
231 As origens da dedicatória de obra remontam, pelo menos, a Roma Antiga. As dedicatórias de exemplar
expandiram-se após a invenção da imprensa, justamente como maneira de conferir uma singularidade aos
exemplares impressos, ou seja, uma forma de compensar essa uniformização do livro (GENETTE, 2009).

2028

�diversos tipos de suportes informacionais que preservam a história e a memória do escritor. O
primeiro acervo doado foi o fundo documental de Henriqueta Lisboa, em 1989. A ele se
juntaram os acervos de Abgar Renault, Carlos Herculano Lopes, Cyro dos Anjos, Fernando
Sabino, Lúcia Almeida de Machado, Murilo Rubião, Octávio Dias Leite, Oswaldo França
Júnior e Wander Piroli. Graças ao apreço pelo interesse público, novos acervos e coleções são
paulatinamente incorporados ao conjunto inicial, hoje ampliado para 10 acervos de escritores
e 12 coleções especiais, a saber: coleção Adão Ventura; Alexandre Eulalio; Ana Hatherly;
Aníbal Machado; Achilles Vivacqua; Eugênio Rubião; Genevive Naylor; Graciliano Ramos;
José Maria Cançado; José Oswaldo de Araújo; Leopoldo Pereira e Valmiki Vilela Guimarães.
Salienta-se ainda que, em 2014, o Acervo de Escritores Mineiros recebeu o espólio do belohorizontino Affonso Ávila (pesquisador, ensaísta e poeta), falecido em setembro de 2012.
Para garantir a estética dos cenários museográficos, o ambiente de cada escritor é
elevado por tablados para separá-lo do tempo atual e proporcionar um encantamento ao
visitante. Os espaços dos escritores foram concebidos como exposições permanentes, que
foram batizadas de “Laboratório do Escritor”, com o objetivo de reproduzir o seu escritório,
onde esses artistas criavam suas obras. Os documentos que são expostos nesses laboratórios,
protegidos por vitrines, impedem que as pessoas toquem nos documentos, cartas, fotos e
objetos pessoais. Atrás desses cenários é armazenado o restante da coleção pessoal de cada
escritor, constituindo-se na reserva técnica de cada escritor. A visibilidade de todo o acervo
seria impossível em termos de espaço, tendo em vista a existência dos milhares de
documentos dos escritores, documentos estes heterogêneos, compostos por acervos
arquivísticos, bibliográficos e museográficos.
Em 2003, foi inaugurado o espaço no terceiro andar da Biblioteca Central da UFMG,
que teve sua expansão concluída em 2011, com uma área útil de 700 metros quadros, os quais
já se tornaram insuficientes para abrigar novas coleções, pois o espaço encontra-se totalmente
ocupado. Assim, para que o setor possa continuar cumprindo sua função e recebendo novos
acervos e coleções é necessária a ampliação do espaço. Desse modo, o espaço museográfico
das coleções que vierem a ser adquiridas certamente terá um tamanho restrito. Quanto a
entrada da coleção de documentos do escritor no Acervo de Escritores Mineiros, o principal
critério diz respeito à naturalidade do escritor. Além desse, leva-se em consideração a
relevância literária e cultural da possível doação, com base no valor cultural da documentação
conservada, da obra do titular do acervo em questão e na importância de sua atuação no
cenário literário, artístico, cultural, social e político.

2029

�Naturalmente, o foco é, prioritariamente, o recebimento de acervos e coleções de
escritores mineiros ou ligados a Minas Gerais, embora não se descarte o recebimento de
material de pessoas de outros lugares. Para abrigar um acervo de escritor, consideram-se
alguns critérios, a saber: a) a relevância literária do escritor e sua obra; b) o valor histórico e
cultural dos fundos documentais do escritor; c) as condições de preservação do arquivo; d) e
as formas de seu repasse à Universidade. Para o recebimento de um acervo, é necessário que a
proposta seja aprovada pelo Conselho Diretor do Centro de Estudos Literários e Culturais, a
partir de uma discussão sobre o interesse do acervo ou da coleção.
O Acervo conta ainda com uma sala de obras raras, separadas de acordo com os
critérios definidos pela Biblioteca Nacional, quais sejam: impressões dos séculos XVII e
XVIII; Brasil - séc. XIX; edições clandestinas; edições de tiragens reduzidas; edições
especiais (de luxo para bibliófilos); exemplares de coleções especiais (regra geral com belas
encadernações e ex-líbris); exemplares com anotações manuscritas de importância (incluindo
dedicatórias) e obras esgotadas. O Acervo de Escritores Mineiros dispõe também de um site
que disponibiliza as informações necessárias para que os pesquisadores e interessados em
geral tenham um primeiro contato com o setor. Na segunda versão do site, além das
atualizações das informações, foram incluídos os novos acervos e coleções recebidos
recentemente pela Instituição, inclusive imagens de alguns documentos e fotos dos escritores.
A mudança da designação do órgão da Faculdade de Letras que abriga o Acervo dos
Escritores Mineiros, de “Centro de Estudos Literários” para “Centro de Estudos Literários e
Culturais”, ocorrida em 2011, teve como objetivo descrever de forma mais adequada à
natureza dos documentos abrigados no AEM e das pesquisas nele desenvolvidas. Assim, a
nova designação contempla melhor a diversidade de documentos e a heterogeneidade de
pesquisas realizadas no acervo. A mudança de nome reflete uma transformação das discussões
sobre a literatura e a cultura, considerando-se especialmente o lugar ocupado pela literatura na
contemporaneidade e suas interações com a cultura, a história e a sociedade. A mudança,
então, reflete uma ampliação dos interesses e sinaliza para a possibilidade de que sejam
recebidos acervos cujos titulares não sejam apenas escritores, mas também outros
personagens de destaque na vida cultural mineira e brasileira. Por fim, salienta-se que o
Acervo não recebe apenas visitantes de nível universitários e pesquisadores, mas estabelece
um contato com a comunidade por meio da ação cultural, o que possibilita uma interação
destes Acervos Literários com a sociedade em geral.

2030

�3. O ESCRITOR MINEIRO DO BAIRRO LAGOINHA

Wander Piroli, como ele mesmo dizia, é o seu nome todo. Filho do operário Aurélio
Piroli e da dona-de-casa Elvira Piroli, nasceu em Belo Horizonte, em 30 de março de 1931.
Quando tinha um ano sua mãe faleceu, sendo criado juntamente com a sua única irmã, Edda,
pela avó italiana Joana, a quem ele chamara de mãe. Fez o curso primário no Silviano
Brandão, estudou nos colégios Arnaldo, Marconi e Mineiro e na Escola Técnica de Comércio
Tito Novais. Como a maioria de escritores de sua geração, estudou Direito, na Universidade
Federal de Minas Gerais, segundo ele “para agradar meu pessoal”, exerceu a profissão durante
poucos anos. Foi funcionário público durante sete anos na Secretaria da Agricultura, e
trabalhou em inúmeros jornais como repórter, entre eles: Binômio (importante jornal de
oposição ao governo JK, que se caracterizava pela crítica política pelo humor, investigação e
denúncias, no qual trabalharam outros importantes escritores, como Carlos Drummond de
Andrade, Roberto Drummond, Ziraldo etc.), O Diário, Última hora, O Sol, Diário de Minas,
Diário de Belo Horizonte, Estado de Minas, Jornal do Shopping, Rádio Guarani, Jornal do
Domingo, Rádio Inconfidência e Hoje em dia. Foi também secretário do Suplemento Literário
Minas Gerais, onde deixou uma dezena de artigos sobre a cultura mineira (DUARTE, 2010).
Wander Piroli, pai de quatro filhos, passou sua infância no bairro Lagoinha, onde
começou a sua incursão no mundo das letras. Segundo Piroli era “um bairro safado, de
características muito especiais, que começava na Praça Vaz de Melo (que chamamos de Praça
da Lagoinha, uma praça incrível) e terminava na Pedreira Prado Lopes”.

Complementa

ainda que “pessoas de boa família evitavam tanto a Praça quando a Pedreira, que, como já
disse, abasteciam com sobre o noticiário policial dos jornais. Um reduto de marginais,
bêbados, vagabundos, criminosos - como diziam”. Contudo, “nós sentiamos muito a vontade
na Pedreira e amávamos a Praça, que sempre teve a mania de ficar acordada dia e noite”. No
projeto intitulado “BH: a cidade de cada um” onde cada ilustre morador dessa cidade escreveu
sobre um espaço, rua ou bairro, Wander Piroli eternizou o seu bairro em livro de mesmo título
“Lagoinha”, publicado em 2004.
Wander Piroli foi vencedor do concurso literário, em 1951, promovido pela Prefeitura
de Belo Horizonte, com o conto de estréia “O troco”. Publicou seu primeiro livro de contos,
em 1966, pela Imprensa Oficial, com o título de “A mãe e o filho da mãe”. Em 1975, O
menino e o pinto do menino foi lançado, pela Editora Comunicação, cujo editor responsável,

232 Texto escrito por Wander Piroli e publicado no Blog da Milu, 23/12/2008.

2031

�André Carvalho, percebeu a novidade do texto que fora antes publicado no Suplemento
Literário; diferente dos textos da época, uma literatura que não era simplesmente contos da
carochinha, não possuía final feliz, mas demonstrava as dificuldades e obstáculos da vida de
uma criança. Este livro deu nome à coleção, pela mesma editora, “Coleção do Pinto”. Em
1977, venceu o 19° prêmio Jabuti com o livro Os rios morrem de sede, livro que causou
polêmica provocada pelo uso da linguagem coloquial e a presença de um “palavrão” e, por
isso, inaugurou uma nova fase da literatura infantojuvenil nacional, nomeada por críticos de
realismo para crianças, por ser uma literatura não moralista, que tratasse, de forma realista,
questões e problemas concernentes ao dia a dia das crianças.
Ao lado dessa obra, Wander publicou mais de uma dezena de livros em vida e deixou
mais uma dezena de inéditos. Entre os livros publicados estão: Macacos me mordam (1978);
As máquinas de fazer amor (1980); Os dois irmãos (1980); Minha bela putana (1985); Os
melhores contos de Wander Piroli (1996); Nem filho educa pai (1998); Para pegar bagre de
dia é preciso sujar a água (2007); É proibido comer a grama (2006); Eles estão aí fora
(2006); e, Matador (2008).
Entre os livros ainda não publicados estão: Três menos um é igual a sete (infantil); se
não tem pra nós, não tem pra ninguém (infantil); Poemas imorais e canções indecentes
(poesia); Se é puro não presta (contos); Canto mortal das cigarras (teatro); Um atrás da
outra (crônicas/contos); Como se faz um bandido (infantil); Segundo Elza (Romance); Os
peixes saem andando (infantil); Para jovens em idade escolar (crônicas/contos - juvenil);
Sem tirar nem por (memória); A vida é o melhor negócio (crônica); e, Todo grande amor é
marginal (entrevista).
Em edição especial, de novembro de 2011, ano em que Piroli completaria 80 anos de
idade, o Suplemento Literário dedicou seu volume a Wander Piroli, abrindo-o com as
seguintes palavras sobre ele, “considerado um dos vigorosos representantes do conto
brasileiro, marcou seus textos com uma lucidez cortante, realista, cruel, mas sempre lastreada
por uma ternura íntima, as páginas carregadas com a herança do velho e boêmio bairro da
Lagoinha de sua juventude, fazendo de seus textos uma lamina afiada que desvela com amor e
precisão os miseráveis que acolheu em seus livros”.

4. O ACERVO DO MINEIRO WANDER PIROLI

Seu espólio foi doado pela família, em 2006, mesmo ano de seu falecimento aos 75
anos de idade. Esse acervo formado ao longo de sua vida é composto por livros, periódicos,

2032

�jornais, correspondências, objetos pessoais, discos, quadros e estantes, os quais formam as
séries e as subséries. Assim, após vários meses de organização técnica, que se iniciou com a
atividade de higienização dos documentos, seguida pela identificação do material, catalogação
da coleção e análise de seu acervo, o fundo Wander Piroli (WP) encontra-se organizado em
dois volumes, que formam o inventário de seu acervo. A intenção de condensar as
informações sobre o acervo do escritor para além de seu papel de organização do registro
material tem como objetivo contribuir para presentes e futuras pesquisas sobre a vida e a obra
do autor. O acervo WP pode ser também pesquisado in loco, no Acervo de Escritores
Mineiros, localizado no terceiro andar da Biblioteca Central, no campus Pampulha, da
Universidade Federal de Minas Gerais.

FIGURA 1: Espaço museográfico destinado a Wander Piroli no Acervo de Escritores
Mineiros

Fonte: Foto tirada pelos auores.

O fundo WP é constituído pelas seguintes séries e subséries: série bibliográfica
(subsérie livros - 1776 livros e subsérie periódicos - 19 títulos); série iconografia - 36 itens;
série anexos - 51 itens; série autógrafos - 32 itens; série conjuntos (contendo 14 pastas sento
178 itens referentes ás subséries: felicitações e convites, envelopes e anotações e elementos
iconográficos, 1195 folhas referentes às subséries: recortes de jornais diversos, recados
domésticos, documentos de terceiros, correspondência de terceiros, documentos profissionais,
manuscritos/datiloscritos e cópias de produção intelectual de terceiros, envelopes e anotações
contendo

remetentes

diversos,

recados

diversos,

documentos

pessoais,

manuscritos/datiloscritos de WP e correspondência ativa e passiva de WP e 1 pasta azul

2033

�referente à subsérie documentos pessoais); série objetos pessoais do titular - 61 objetos; série
mobiliário - 1 item; série jornais (subsérie jornais - 35 itens, subsérie recortes de jornais 484 itens); série fonográfica (discos) - 4 itens; série comunicações - 25 itens e série
correspondências - 2126 cartas.
Esse arquivo de médio porte, formado por milhares de documentos, possibilita uma
miríade de pesquisas sobre o mesmo, ao conferir ao pesquisador uma proximidade com os
objetos do escritor, de seu mundo, como também pelos bastidores da criação literária,
marcadas por anotações dispersas, marginálias às obras. Contudo, este trabalho não se
localiza dentro da área da crítica genética, em que se busca analisar a gênese da obra, os
bastidores da criação literária, mas em um espaço mais reflexivo de análise da biblioteca de
um escritor, sem buscar relação de seu acervo com as suas obras ou o processo criativo.
Assumindo a direção apontada por Moles (1978), de que a biblioteca reflete muito do espírito
e da cultura de seu mantenedor, isto é:
Todo intelectual possui um a biblioteca, cujo arranjo e extensão são testem unhas
dele m esm o, e é bem sabido que um a olhada na biblioteca de um intelectual diz
m uito sobre o que ele é, o que pensa, o que faz, sobre suas orientações políticas,
seus gostos artísticos ou seus projetos m ais recentes, pois ela é um a testem unha
de sua atividade m ais específica. (M O LES, 1978, p. 40).

Assim, este trabalho constitui em um primeiro ensaio sobre a análise bibliográfica do
acervo de Wander Piroli, na qual busca compreender sua biblioteca e os seus livros. O foco
dessa análise concentra-se nas temáticas das obras, nos autores e suas especificidades, bem
como identificar os exemplares com dedicatórias, traços íntimos de constituição de uma
coleção, de uma biblioteca. Conforme Lopez (2007, p.33) “as dedicatórias, em geral,
oferecem-nos elementos relevantes da biografia daqueles a quem estas se endereçam, bem
como informações na vida literária, o campo cultural da época a que pertecem”. Desse modo,
acredita-se que perscrutar a biblioteca de um escritor é também adentrar em sua vida, em seus
gostos, em sua cultura, em suas relações sociais marcadas num tempo e espaço definidos.

5. A BIBLIOTECA DE WANDER PIROLI
Livros
Minha biblioteca são as pessoas que encontro na rua
(Wander Piroli)

Este poema de Wander Piroli publicado no Suplemento Literário, em setembro de
1990, revela a simplicidade deste escritor, da valorização dos sujeitos e não dos livros como

2034

�único caminho para o conhecimento. Contudo, sabe-se que sua biblioteca era composta por
um número considerável de livros, exatamente, 1776 exemplares. Assim, o objetivo geral
deste trabalho consiste em realizar um passeio por entre os livros da Biblioteca de Wander
Piroli, localizada no Acervo de Escritores Mineiros. Com este passeio almeja-se responder as
seguintes perguntas: Quais são obras que integram a biblioteca? Quais as especificidades de
seu acervo? Quem são os escritores? Pensando na figura de Wander Piroli como um homem
que valorizava o cotidiano, a vida entre amigos, acredita-se que seu acervo é composto por
muitas obras autografadas, o que possibilita inferir o seu contato próximo com outros
escritores. Assim, objetiva-se responder também: Quais são essas obras autografadas, e por
quem?
Esse difícil exercício de seleção, de mostrar o que mais se sobressai de sua biblioteca,
é necessário devido à quantidade de obras, o que impossibilitam dar visibilidade a todas elas,
assim, tentou-se ressaltar aqui algumas delas, as mais recorrentes e aquelas obras com
características distintas. Por isso, este trabalho consiste em uma amostra de sua biblioteca, não
dispensando, portanto, a ida ao seu acervo, a sua biblioteca. Começando com ele próprio,
Wander Piroli guardou em sua biblioteca 28 exemplares de sua produção, incluindo uma
Edição em búlgaro, de 1982, para ser transliterada, do livro Os rios morrem de sede. Os
gêneros textuais de sua biblioteca são diversos, podendo dizer que era um leitor de poesia,
contos, críticas, antologias, obras de arte, cartas, crônicas, novelas.

FIGURA 2: Imagens dos livros de Wander Piroli integrantes ao seu acervo

Fonte: Foto tirada pelos auores.

2035

�Dentre os variados escritores destacam-se, aqui, os que apareceram com maior
frequência, como as obras de Dostoiesvski, escritor russo, com os seguintes títulos: Diário
de um escritor; Os irmãos Karamazov (2 exemplares); Noites Brancas, Os possessos (2
exemplares); Stepantchikovo e A voz subterrânea. Do autor Máximo Gorki, também escritor
russo estão as obras: Os Artamonov; A mãe; Certo dia de outono e outros contos (sem datas
identificadas); e Los rebeldes y los vagabundos, de 1941.

O escritor norte-americano

William Faulkner, aparece com as obras Os desgarrados, de 1963; O mundo não perdoa, de
1954; Na minha morte, de [19--]; Sartoris, de 1958; e O som e a fúria, de [19--]; sendo estes
três últimos livros publicados em Lisboa. O norte-americano Ernest Hemingwat também se
faz presente com as obras A capital do mundo; As neves de Kilimanjaro; As torrentes da
primavera; Paris é uma festa, esses quatro obras sem data identificada; e Contos, de 1969. E,
outro norte-americano, Sidney Sheldon, com as obras Nada dura para sempre, de 1994; O
reverso da medalha (2 exemplares), de 1982 e 1985; Se houver amanhã, de 1985.
A literatura francesa também se faz presente por meio do escritor francês Guy de
Maupassant, com as obras O abandono e outros contos, de 1997; Bola de sebo e outros
contos, de 1987; e Caprichos do coração, de [19--]. As obras do escritor inglês Frederik
Forsyth também marcam presença com as obras O dia do Chacal (2 exemplares), ambos de
1980, O dossiê Odessa, de 1972; O quarto sem protocolo, de 1984; e Sem perdão, de 1985.
Graham Greene, também inglês, está presente com as obras Manual do espião, de 1957;
Viagens com minha tia, de 1969; O poder e a glória, de 1946; e O americano tranquilo, de
1981.
O escritor espanhol Federico García Lorca, com as obras Poema del cante jondo, de
1948; e Romanceiro gitano e outros poemas, de 1975. O escritor colombiano Nobel de
literatura, Gabriel García Márquez, com as obras A incrível e triste história da Cândida
Frêndira, de 1972; Cem anos de solidão, de [19--]; Crônica de uma morte anunciada, de
1981; Cuando era feliz e indocumentado, de 1973; e Os funerais da mamãe grande, de 1975.
Do poeta chileno Pablo Neruda, há as obras A barcarola, de 1983; Canto general, de 1952;
Cien sonetos de amor, de [19--]; Incitações ao nixonicídio e louvor da revolução chilena, de
1980; e Últimos poemas: (o mar e os sinos), de 1997.
O escritor theco Franz Kafka também marca sua presença no acervo com as obras A
muralha da China, de 1968; e Contos escolhidos, sem data identificada. Também encontramse obras de filósofos, como Sartre, Schopenhauer, Giambatista Vico; do médico criador da
psicanálise, Freud; dos escritores Aldous Huxley, Rimbaud, Oscar Wilde, do linguista e
filósofo Ferdinand de Saussure etc. Entre outras tantas obras, de diversos pensadores,

2036

�encontram-se Claude Lévi-Strauss, com os títulos Lévi-Strauss, de 1980; e Totemismo hoje,
de 1975. De Nicolau Maquiavel, há dois exemplares da obra O príncipe, uma da editora Paz e
Terra e outra da L&amp;PM, de 1996 e 1998. Karl Marx faz parte do acervo, com A origem do
capital, de 1977; O capital, de [19--]; e Cartas filosóficas e outros escritos, de 1977. Do
filósofo alemão Friedrich Nietzsche há as obras Assim falava Zaratustra; Ecce hommo: (como
cheguei a ser o que sou); Mas alla del bien y del mal, obras sem datas identificadas;
Nietzsche, de 1978; e, El viajero y su sobra, de 1942.
Dentre os escritores brasileiros com mais de três livros

estão: Darcy Ribeiro, com

as obras As Américas e a civilização, de 1977, (com dedicatória do autor); Cartas, falas,
reflexões, memórias (3 exemplares; n° 1, 1 exemplar n° 2 e 1 exemplar n° 5, de 1991);
Gentidades, de 1997; A lei da educação, de 1992; Maíra, de 1978; Nossa escola é uma
calamidade, de 1984; O processo civilizatório (2 exemplares), de 1978 e 2000; 2afala do
Senado, de [19--]; e Tiradentes, estadista. De Rubens Fonseca, as obras LuciaMcCartney (2
exemplares), de 1978 e o outro sem data identificada; O caso morel, de 1973; e, O homem de
fevereiro ou março, de 1973. Do poeta João Cabral de Melo Neto, há as obras Entre o sertão
e Sevilha, de 1997; A escola das facas, de 1980; e o Museu de tudo, de 1975. Do escritor
Marcos Rey encontra-se as obras juvenis O rapto do garoto de ouro, de 1982; Um cadáver
ouve rádio, de 1983; e Escrevendo na contramão, de 1996; da sua literatura adulta há as obras
O pêndulo da noite, de 1977 e Memórias de um gigolô, de 1986; e a antologia Os melhores
contos de Marcos Rey, de 1999. Além desses escritores, são encontrados livros de: Fernando
Sabino, João Guimarães Rosa, Erico Veríssimo, Luiz Fernando Veríssimo etc.
Dentre os escritores brasileiros com maior quantidade de títulos estão Monteiro
Lobato e Machado de Assis, 17 e 11 respectivamente. As obras de Lobato são: Negrinha;
Caçadas de Pedrinho e Hans Staden; A chave do tamanho; D. Quixote das crianças; de 1965;
Os doze trabalhos de Hércules; Emília no país da gramática; Aritmética da Emília; Fábulas e
histórias diversas; Geografia da Dona Benta; História do mundo para crianças; Histórias de
Tia Anastácia; Memórias da Emília e Peter Pan; O minotauro; O picapau amarelo e reforma
da natureza; O poço do visconde; Reinações de Narizinho; Serões da Dona Benta e histórias
das invenções; Viagens ao céu e o saci, a primeira obra foi publicada em 1963 e, todas as
outras, em 1965.
As obras de Machado de Assis são Iaiá Garcia, de [19--], da Editora Saraiva; O
alienista e outras histórias, de [19--]; e uma edição de Memorial de Aires, de [19--], sendo
233 Devido à diversidade de obras de escritores brasileiros, com um ou dois títulos, optou-se por ilustrar os
escritores com mais de três títulos.

2037

�estes editados pela Editora Ediouro. As obras A mão e a luva, de 1953; Ressureição, de 1954;
e Contos fluminenses, de 1959, Histórias sem data, de 1962; Memorial de Aires, edição de
1979, são todas editadas pelo Clube do Livro. Pela W. M. Jackson Inc. há as edições de
Quincas Borba e Correspondência, ambas de 1944. E, por último, a obra Uns braços conto de
escola, de 1986, publicada pela Editora Itatiaia.
Quanto aos exemplares dedicados, essa marca de individualidade, chama a atenção em
seu acervo, sendo representados por mais de 450 obras com dedicatórias manuscritas, sendo, a
maioria delas, dedicatórias do autor da obra. Algumas dedicatórias inclusive transparecem o
grau de intimidade e amizade entre o escritor da obra, ou aquele que dedica, com o
dedicatário, Wander Piroli. Dedicatórias estas acompanhadas de elogios, agradecimentos,
admiração, mensagens afetuosas ou mesmo de um simples abraço. Conforme Genette (2009,
p. 126) o lugar das dedicatórias de exemplar configuram-se nas “páginas de rosto, ou, melhor,
na página de anterrosto, o que permite às vezes integrar o título, com ou sem floreios, à
fórmula da dedicatória”, o que se perfaz também no acervo de Wander Piroli. E, como
ressalta Genette (2009, p. 128) “dedicatória de exemplar não é apenas um ato simbólico, mas
também um ato efetivo, acompanhado em princípio, de uma doação efetiva, ou pelo menos de
uma venda presente ou anterior”.

FIGURA 3: Dedicatórias de exemplares nas folhas de rosto dos livros pertencentes ao
acervo Wander Piroli

Fonte: Foto tirada pelos auores.

2038

�Desse modo, pode ser localizado nos exemplares do acervo de Wander Piroli
dedicatórias destinadas a ele advindas de diferentes maneiras, como por exemplo,
dedicatórias de membros da família, no livro A marcha do amanhecer de Juscelino
Kubitscheck, dedicado a WP pelo irmão e pela cunhada, assim como O círio perfeito, de
Pedro Nava, com a dedicatória da filha Silvana ao pai. Além dessa obra, Piroli tinha as
seguintes obras desse memorialista: Balão Cativo: memórias 2, Chão de Ferro: memórias 3
(com dedicatórias de Nava), e, Beira-mar: memórias 4. Há também dedicatórias de autores
internacionais como: Giuliano Macchi, na obra L'occhio daWaltra parte: ventiquattro
racconti brasiliani d'oggi, de 1978; e Edmundo Valadés, na obra La muerte tiene permiso,
com data não identificada. Das obras com dedicatórias de escritores brasileiros ressaltam-se
apenas aqueles aparecem com mais recorrência, devido à quantidade de dedicatórias em
outros exemplares, a saber:
Adão Ventura, com as obras As musculaturas do arco do triunfo, de 1972; A cor da
pele, de 1980; e Jequitinhonha: poemas do vale, de 1980.
Ary Quintella, com as obras Amor às vezes, de 1987; Um certo senhor tranquilo (2
exemplares dedicados), de 1971 e 1987; Combati o combate, de 1973; e Retrospectiva, de
1972.
Brasil Borges, com as obras A Herança, de [19--]; O laço na gravata, de 1997, Seu
horizontino e Belô, de 2000; A volta de seu horizontino, de 2002; e Nós, os Borges: (e os
nossos nós), de 2003.
Caio Porfírio Carneiro, com as obras O casarão, de 1974; Chuvas: (os dez cavaleiros),
de 1977; O sal da terra, de 1978; O contra-espelho, de 1981; Viagem sem volta, de 1985; e A
partida e a chegada, de 1995.
Fábio Lucas, com as obras Crítica sem dogma, de 1983 e Luzes e trevas: Minas Gerais
no século XVIII, de 1998. Além dessas obras desse autor, Wander Piroli tinha também as
obras A remuneração do trabalhador, de 1959; Temas literários e juizos críticos, de 1963; O
caráter social da literatura brasileira, de 1970; Mineiranças, de 1991; e a obra organizada
por esse autor, Fábio Lucas, Cartas a Carlos Drummond Andrade, de 1993.
Flávio Moreira da Costa também se faz presente com as obras Os espectadores, de
1976; As margens plácidas, de 1978; O mais belo país é o teu sonho, de 1995; Viver de rir, de
1995; e O equilíbrio do arame farpado, de 1996.
Garcia de Paiva, com as obras Ah, os pangolins, de [19--]; Luana, de [19--]; Um suor
cujo nome é doçura, de 1963; Dois cavalos num fusca azul, de 1976; Os agricultores
arrancam paralelepípedos, de 1977; O suor no rosto, de 1978; O pintassilgo azul, de 1988; O

2039

�Santuário da guerra, de 2002; O Homem que vai comigo, de 2003; Esse menino, Francisco (2
exemplares), de 1971 e 1980; e Notícias sobre o homem (2 exemplares), de 1979 e 2003.
Herculano Farias, com as obras Sagrada Família, de 1985; O tambor, de 1992; Notas
de inverno: fragmentos, de 2001. João Antonio, nas obras Malagueta, perus e bacanaço, de
1963; Leões-de-Chácara, Malhação do Judas Carioca, e Livro de cabeira do homem, as três
editadas em 1975; Casa de loucos, de 1976; Calvário e porres do pingente Afonso Henrique e
Lambões de caçarola, ambas de 1977; e Abraçado ao meu rancor, de 1986.
Do seu contemporâneo no curso de direito da UFMG, Libério Neves, há, com
dedicatória, as obras Pequena memória de terra funda, de 1971; Mil quilometros redondos, de
1974; e Que tal nosso quintal?, de 1980. De Maza de Palermo encontram-se as obras Cala
calabria, de 1985 (2 exemplares com dedicatória), Cavalla, de 1993; e Porca miséria, de
1997.
Luiz Vilela apresenta-se no acervo com as obras O choro no travesseiro; O inferno é
aqui mesmo; Lindas pernas, todas de 1979. Além desses, há o livro Tarde da noite, que
pertenceu à Andréa Piroli, sua filha, e dois exemplares de Tremor de terra, ambos de 1977.
Manoel Lobato, com as obras Mentira dos limpos, de 1967; Os outros são diferentes,
de 1971; A verdadeira vida do irmão leovegildo, de 1976; Somos todos algarismos, de 1979;
O segredo do bilhete, de 1983; e Cartas na mesa: memórias, de 2001.
Oswaldo França Júnior, com as obras O viúvo: romance, nas edições de 1965 e 1975,
sendo esta publicada, sem consentimento dele, pela Editora do autor;

O homem de

macacão, de 1972; A volta de Marilda: romance, de 1974; Jorge um brasileiro, edição de
1976; As lembranças de Eliana, de 1978; Aqui e em outros lugares, de 1980; Um dia no rio:
romance, de 1981; A procura dos motivos, de 1982; O passo-bandeira: uma historia de
aviadores, de 1984; As laranjas iguais, de 1985; Recordações de amar em Cuba, de 1986; No
fundo das águas, de 1987; De ouro e de Amazônia, de 1989.
Ronald Claver, com as obras A olho nu, de 1972; As margens do corpo, de 1977;
Escrever sem doer: oficina de redação, de 1993, Além dessas obras, é possível encontrar na
biblioteca outras obras desse autor, porém, sem dedicatória, são elas: Nas águas do
Jequitinhonha, de 1980; e, Senhoras do mundo, de [19--].
Roberto Drummond, com as obras A morte de D.J em Paris, de 1975; O dia em que
Ernest Hemingway morreu crucificado, de 1978; Sangue de Coca-Cola, de 1980; Hitler
234 Editora fundada em 1960 pelo editor Walter Acosta em sociedade com o escritor mineiro Fernando Sabino e
o escritor Rubem Braga. Publicaram escritores Clarice Lispector e Manuel Bandeira, amigos dos escritores.
Após um desentendimento, Sabino e Braga saíram da empreitada e fundaram a Editora Sabiá, que seria, mais
tarde, vendida à Livraria José Olympio Editora.

2040

�manda Lembranças, de 1984; e Crônicas, 1997. Rui Mourão, com as obras Cidade
calabouço, de 1978 e Boca de chafariz, de 1991.
Murilo Rubião, com as obras O convidado (2 exemplares), um de 1974 e outro de
1983; e o O pirotécnico Zacarias, de 1974.
Pode-se verificar ainda que na biblioteca de Wander Piroli, existem algumas
duplicatas, isto é, um mesmo título, mais de uma vez, porém publicados em editoras
diferentes, como a obra Abunã, de David de Carvalho, sendo uma editada pela editora
Comunicação, em 1976 e outro pela Imprensa Oficial, em 1974, ambas com a dedicatória do
autor. Assim como nas obras de André Carvalho: Cuba-libre, publicada no Rio de Janeiro
pela Nova Fronteira, em 1985 e em Belo Horizonte, pela editora Armazém de ideias, em
1997.
Interessante perceber ainda as anotações nas primeiras páginas de alguns de seus
livros, como: na obra Rita está acessa, de Terezinha Alvarenga, de 1986; e, na obra Contos de
aprendiz, de 1951, do poeta Carlos Drummond de Andrade. As assinaturas também se
fazem presentes, como as assinaturas de vários autores, no livro Flor de vidro: antologia de
autores mineiros, publicado, em Belo Horizonte, pela editora Arte Quinta, em 1991. Ou
mesmo, assinaturas não reconhecidas, como nas obras: A ciência de viver, de Alfred Adler;
Lavrado 98, de Stefan Baciu; e, Três novelistas espanhóis, de Carlos Barroso.

6. RESULTADOS FINAIS
A biblioteca de Wander Piroli destaca-se pela diversidade de obras literárias ou não
literárias dos quatros cantos do mundo, bem como pela quantidade significativa de
exemplares com dedicatórias. Estas obras com as dedicatórias dos próprios autores das obras,
que ultrapassam 450 obras, datam, sobretudo, das décadas de 1970 e 1980. Estas duas décadas
revelam um momento de intensa relação de Wander Piroli com outros autores, ressalta-se que
o escritor é, sobretudo, um leitor, o que é bastante salutar para a produção literária. E, que, em
1975, Wander Piroli estava na direção do importante Suplemento Literário de Minas Gerais, o
que certamente deve ter contribuído para o aumento de seu círculo de amizades com
escritores de todo o país e para o recebimento de livros, preferencialmente, dedicados.
Há também em sua biblioteca muitas primeiras edições, mas não se exclui também
outras edições e duplicatas de um mesmo título. Enfim, constata-se por meio de seu acervo,
que Piroli foi um homem muito bem relacionado, tamanha a quantidade de obras com
dedicatórias de escritores internacionais e nacionais, e com grande visibilidade no cenário das

2041

�letras, entre eles: Nélida Pinon, Paulo Mendes Campos, Caio Fernando Abreu, Stella Carr,
Oswaldo França Junior, Marina Colasanti, entre outros.
Pode-se dizer ainda que sua biblioteca predominam obras em português, além de obras
editadas nas cidades de Minas Gerais, o que revela uma “mineiridade”, que nos dizeres de
Fábio Lucas, em Mineiranças, obra presente em sua biblioteca, Minas é mais profunda do que
se julga, “Aqui estão muitos atores, [...] escritores, personagens, poemas, frases, exclamações
que formam o pátio reservado chamado Minas.” (LUCAS, 1991, p. 9), e Wander Piroli, este
escritor mineiro, tão profundo como sua terra, dedicou sua vida à família, aos amigos, à
literatura e aos livros.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os arquivos pessoais do Acervo de Escritores Mineiros são frutos de coleções de
escritores, que contribuem para a manutenção da memória artística e do patrimônio cultural
de uma sociedade. Não obstante, este trabalho só foi possível graças ao desejo colecionador
de Wander Piroli, pois como bem ressaltou Bordini (2011) para a constituição e manutenção
de um acervo literário é necessário a figura-chave semelhante a de um colecionador
Benjaminiano: “alguém impelido pela paixão da busca e da conservação, mas com a
consciência da necessidade de democratizar seus achados e compartilhar com os outros o
prazer da descoberta”. (BORDINI, 2011, p. 17).
Após esse passeio por entre as estantes da biblioteca do escritor Wander Piroli, fica
claro a figura de um bibliófilo, e seu amor aos diversos livros, os quais certamente trazem
lembranças de um espaço e tempo, de uma viagem, de um amigo. Não se questiona se ele leu
esses milhares de livros de sua biblioteca, pois tal qual Benjamim o colecionador não precisa
ter lido todos eles, assim como não se utiliza todas as porcelanas todos os dias. Em suma,
“uma biblioteca, seja qual for seu tamanho, não tem necessidade, para ser útil, de ter sido lida
inteiramente; cada leitor se aproveita de um justo equilíbrio entre saber e a ignorância,
lembrança e esquecimento”. (BONNET, 2013, p. 60).

REFERÊNCIAS
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Acervo De Escritores Mineiros.
Disponível em: &lt;http://www.letras.ufmg.br/aem/index.html&gt;. Acesso em: 01 mar. 2014.
BENJAMIN, Walter. Desempacotando minha biblioteca. In:___. Obras escolhidas. São
Paulo: Brasiliense, 1985. p.227-235. v. II.

2042

�BONNET, Jacques. Fantasmas na biblioteca: a arte de viver entre livros. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2013.
BORDINI, Maria da Glória. Acervos de escritores e o descentramento da história da
literatura. O Eixo e a Roda, Belo Horizonte, v. 11, p.15-23, 2011.
GENETTE, Gérard. Paratextos editoriais. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2009. (Arte do livro, 7).
HEYMANN, Luciana Quillet. O lugar do arquivo: a construção do legado de Darcy Ribeiro.
Rio de Janeiro: Contra Capa, FAPERJ, 2012.
LUCAS, Fábio. Mineiranças. Belo Horizonte: Oficina do Livro, 1991.
MANGUEL, Alberto. A biblioteca à noite. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
MOLES, Abraham A. Biblioteca pessoal, biblioteca universal. Revista de Biblioteconomia,
Brasília, v.6, n.1, jan./jun. 1978.
LOPEZ, Telê Ancona. A criação literária na biblioteca do escritor. Ciência e Cultura (SBPC),
v. ano 59, p. 33-37, 2007.
MARQUES, Reinaldo. Memória literária arquivada. Aletria - Revista de Estudos de
Literatura, Belo Horizonte, FALE/UFMG, n. 18, p.105-120, jul./dez. 2008.
SILVA, Armando B. Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Arquivística: teoria e prática de uma
ciência da informação. Porto: Afrontamento, 1999.

2043

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                <text>O Acervo de Escritores Mineiros (AEM), localizado no terceiro andar da Biblioteca Central, da Universidade Federal de Minas Gerais, abriga diversas coleções de importantes escritores, sobretudo, da cultura mineira, e de renome no cenário nacional e internacional. Dentre esses escritores, está o acervo do Wander Piroli, um belo-horizontino do bairro da Lagoinha, reconhecido como grande contista, por sua literatura infantojuvenil e adulta. Seu acervo, doado em 2006, é composto por inúmeros documentos, entre objetos pessoais, correspondências, fotos, discos, manuscritos/datiloscritos e livros, os quais ainda não constituíram objetos de estudos. Assim, este trabalho tem como objetivo apresentar e analisar a sua biblioteca representada por 1776 itens bibliográficos, a fim de identificar as obras e autores que compõe esse acervo, suas especificidades, como os exemplares com dedicatórias, que individualizam seu acervo e possibilitam reafirmar seu estreito contato com outros escritores e seu amor aos livros.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE FÍSICA EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: UM ESTUDO
DE CASO EM TRÊS BIBLIOTECAS DA UFRGS
Maria do Rocio Fontoura Teixeira
Aline Sanders Silva
Eliane L. Silva Moro

RESUMO
A acessibilidade física é fundamental para garantir a inclusão social de pessoas com
deficiência. É necessário proporcionar condições igualitárias de acesso aos espaços
universitários para que todos possam usufruir de seus direitos. Este trabalho apresenta um
estudo de caso realizado em três bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS - com os objetivos de verificar as condições de acessibilidade física a pessoas com
deficiência física no acesso aos prédios públicos das bibliotecas universitárias, identificar as
possíveis barreiras internas e externas enfrentadas por cadeirantes, bem como averiguar se as
bibliotecas seguem os padrões de acessibilidade em suas edificações, espaços e mobiliário.
No referencial teórico foram abordados assuntos fundamentais para o estudo como
deficiência, acessibilidade, desenho universal, bibliotecas universitárias e inclusão social. O
estudo configura-se como um estudo de caso, de caráter exploratório, com abordagem
qualitativa. Foram utilizados como instrumentos de coleta de dados o Checklist de Avaliação
das Condições de Acessibilidade em Bibliotecas e entrevistas semiestruturadas com os
bibliotecários-chefe das três bibliotecas selecionadas. Nas considerações finais destacou-se a
importância da acessibilidade para a inclusão de deficientes físicos, bem como se sugeriram
melhorias na infraestrutura dos prédios públicos das bibliotecas universitárias que visem à
adequação aos padrões de acessibilidade.
Palavras-Chave: Acessibilidade física; Biblioteca Universitária.

ABSTRACT
Physical accessibility is critical to ensure the social inclusion of people with disabilities. It is
necessary to provide equal conditions of access to university spaces for everyone to enjoy
their rights. This paper is a case study conducted in three libraries located in the UFRGS. This
study aims to determine the conditions of accessibility to people with disabilities to access
university libraries located in public buildings, identify potential internal and external barriers
faced by wheelchair users, as well as determine if the libraries follow accessibility standards
in their buildings spaces and furniture. In the theoretical framework are addressed
fundamental issues for the study as disability, accessibility, universal design, university
libraries and social inclusion. This study was based on a case study, in an exploratory manner,
utilizing a qualitative approach. Were used as instruments of data collection a Checklist for
Evaluating Libraries accessibility conditions and semi-structured interviews with chief

724

�librarians of the three selected libraries. In the final considerations it is highlighted the
importance of accessibility for the inclusion of disabled people. It is also suggested
improvements in the infrastructure of the aforementioned libraries aimed at adapt them to the
accessibility standards.
Keywords: Physical accessibility; University libraries.

1 INTRODUÇÃO
O acesso à informação é um direito de todos. A Federação Internacional de
Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA) declara que “a liberdade de acesso à
informação, independente de meios e fronteiras, é uma das responsabilidades primordiais da
biblioteca e dos profissionais da informação”. (IFLA, 2002, p.3).
O acesso universal e igualitário da informação é essencial para o bem estar social,
educacional, cultural, democrático e econômico dos indivíduos, comunidades e organizações.
O bibliotecário como profissional da informação deve proporcionar a todos, com suas
diferenças e limitações, o direito ao acesso e ao uso da informação, ou seja, que todos
possuam condições igualitárias de acesso às bibliotecas e possam acessá-la de forma
autônoma e independente.
A Portaria N° 3.284 (BRASIL, 2003) do Ministério da Educação (MEC), de 7 de
novembro de 2003, garante o direito ao acesso à educação em todos os níveis a pessoas com
deficiência, em instituições públicas ou privadas, sendo assegurado o atendimento das
necessidades do aluno até a conclusão do curso. O art. 1° da Portaria N° 3.284 do MEC,
determina que sejam incluídos nos instrumentos destinados a avaliar as condições de oferta de
cursos superiores, para fins de autorização e reconhecimento e de credenciamento de
instituições de ensino superior, bem como para renovação, conforme as normas em vigor,
requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais.
O acesso ao ensino superior é assegurado a todos, sem distinção. No entanto, na
prática, pode-se observar que existem muitas barreiras que impedem a continuidade dos
alunos no ensino superior, dentre elas a falta de acessibilidade. Pupo e Vicentini (1998, p.3)
afirmam que muitos alunos “iniciam uma atividade de pesquisa na universidade e são
barrados pela inexistência de uma infraestrutura adequada”. Dessa forma, para que a
acessibilidade seja assegurada, é preciso remover toda e qualquer barreira que impeça a plena
utilização por pessoas com deficiência, sejam elas barreiras arquitetônicas ou atitudinais.
O acesso à informação deve ser garantido a todos, por isso a conscientização dos
bibliotecários quanto ao papel social de sua profissão é primordial. Promover a integração e

725

�inclusão de Pessoas com Necessidades Especiais (PNEs), através do acesso à informação, é
fundamental para que elas possam ter as mesmas oportunidades que qualquer outro indivíduo,
exercendo seus direitos e sua cidadania.
A fim de se conhecer as condições de acessibilidade física a pessoas com deficiência
física, como cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida em bibliotecas universitárias,
foram selecionadas três bibliotecas localizadas no Campus Central da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS), frequentadas por alunos dos mais diversos cursos de
graduação e pós-graduação, bem como por pesquisadores, professores e pela comunidade em
geral. Foi desenvolvido um estudo de caso, com aplicação de um Checklist de Avaliação das
Condições de Acessibilidade em Bibliotecas (NICOLETTI, 2010) e a realização de
entrevistas semiestruturadas com os bibliotecários-chefe de cada Unidade.
Este trabalho apresenta os resultados levantados a partir das entrevistas, incluindo nas
considerações finais os dados do Checklist. Visando aprofundar o conhecimento sobre o tema
do estudo aborda-se, a seguir, alguns conceitos de extrema importância , como a deficiência,
as leis sobre acessibilidade, a acessibilidade em prédios públicos, os programas desenvolvidos
pelo Governo Federal para promoção da acessibilidade de pessoas com deficiência à
Educação Superior, Bibliotecas Universitárias e a importância do bibliotecário e da biblioteca
na inclusão de PNEs.
Como problema de pesquisa partiu-se da seguinte questão: quais são as condições de
acessibilidade física que as bibliotecas selecionadas da Universidade Federal do Rio Grande
do SUL (UFRGS) oferecem às pessoas com deficiência física?
O estudo apresentou como objetivo geral verificar as condições de acessibilidade
física a pessoas com deficiência física no acesso as prédios públicos das bibliotecas
universitárias selecionadas da UFRGS e, como objetivos específicos, identificar as possíveis
barreiras arquitetônicas internas e externas enfrentadas pelos cadeirantes e por pessoas com
mobilidade reduzida no acesso às bibliotecas selecionadas do Campus Central da UFRGS;
averiguar se as bibliotecas seguem os padrões de acessibilidade em suas edificações,
mobiliário, espaços e equipamentos urbanos; avaliar, através dos instrumentos de pesquisa, as
condições de acesso de pessoas com deficiência física aos espaços das bibliotecas
universitárias selecionadas para o estudo e sugerir revisão e adequação, se necessários, às
normas de acessibilidade para prédios públicos.

726

�2 REVISÃO DE LITERATURA
2. 1 Deficiência
Segundo a norma de Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos
urbanos o termo deficiência pode ser entendido “como redução, limitação ou inexistência das
condições de percepção das características do ambiente ou de mobilidade e de utilização de
edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos,em caráter temporário ou
permanente”.(NBR 9050, 2004, p.3).
De acordo com a definição da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, que hoje integra a Constituição Federal de 1988, pessoas com deficiência são:
aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou
sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação
plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. (Decreto N°
6.949/09, art.1°). O termo deficiência deve ser distinguido do termo incapacidade, visto que
são diferentes. O termo deficiência significa uma limitação física, sensorial ou mental, que
não se confunde com incapacidade, uma vez que a incapacidade para determinada tarefa
como andar, ver, ouvir é consequência da deficiência, não implicando incapacidade para
outras tarefas.
Existem diversos tipos de deficiência entre as quais estão as deficiências física,
auditiva, visual, mental ou intelectual, ou múltipla. Deficiência física está explicitada nos
termos do Decreto N° 5.296/04, art. 5°, §1°, I, “a”, c/c Decreto N° 3.298/99, art. 4°, I).
Deficiência auditiva pode ser entendida como sendo a perda bilateral, parcial ou total, de 41
decibéis (Db) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e
3.000Hz (Decreto N° 5.296/04, art. 5°, §1°, I, “b”, c/c Decreto N° 5.298/99, art. 4°, II).
Deficiência visual, segundo o Decreto N° 3.298/99 e o Decreto N° 5.296/04, conceitua-se
como: a) Cegueira - na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com
a melhor correção óptica; b) Baixa Visão - significa acuidade visual entre 0, 3 e 0,05 no
melhor olho, com a melhor correção óptica. São aquelas que, mesmo usando óculos comuns,
lentes de contato, ou implantes de lentes intraoculares, não conseguem ter uma visão nítida.
As pessoas com baixa visão podem ter sensibilidade ao contraste, percepção das cores e
intolerância à luminosidade, dependendo da patologia causadora da perda visual; c) Os casos
nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que
60°; d) Ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores. Deficiência mental, de
acordo com o Decreto N° 3.298/99, alterado pelo Decreto n° 5.296/04, conceitua-se como:
funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos 18

727

�anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como
comunicação;

cuidado

pessoal;

habilidades

sociais;utilização

dos

recursos

da

comunidade;saúde e segurança;habilidades acadêmicas;lazer; trabalho. (Decreto N° 5.296/04,
art. 5°, §1°, I, “d”; e Decreto N° 3.298/99, art. 4°, I). A deficiência múltipla é conceituada
como associação de duas ou mais deficiências, conforme o Decreto N° 3.298/99.
Segundo dados do censo populacional de 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil existem cerca de 24,6 milhões de pessoas com
alguma deficiência, o que significa 14,5% da população. Sendo que desse total, 48% de
pessoas com deficiência visual, 23% com deficiência motora, 17% com deficiência auditiva,
8% com deficiência intelectual e 4% com deficiência física. Ainda de acordo com o Censo de
2000 (BRASIL, 2000), os brasileiros que possuem alguma deficiência podem ser distribuídos
em seis tipos. Em 2010, foi realizado novo Censo Demográfico, revelando que 23,9% da
população possui algum tipo de deficiência, o que significa, aproximadamente, 45,6 milhões
de pessoas. Dentre esse total, a maior parte possui deficiência visual em diferentes graus de
severidade, em torno de 7% dos brasileiros possui deficiência motora em algum grau, o que
equivale a aproximadamente, 13,2 milhões de brasileiros, ficando em segundo lugar nos
relatos da população. Já a deficiência auditiva apareceu em terceiro lugar acometendo cerca
de 5,1% da população. Por último a deficiência mental ou intelectual foi declarada por 2,6
milhões de brasileiros, aproximadamente.
A deficiência física é também denominada de deficiência mecânica ou motora.
Deficiência motora pode ser entendida como qualquer déficit ou anomalia que tenha como
consequência a dificuldade ou a impossibilidade de mexer, controlar ou coordenar algum tipo
de movimento motor. A incapacitante pode ser transitória ou permanente, congênita ou
adquirida em virtude de acidente ou doença.
Entre as pessoas com deficiência física encontram-se as pessoas usuárias de cadeiras
de rodas, popularmente chamadas de cadeirantes, que são pessoas que possuem alguma
dificuldade de locomoção, necessitando do auxílio de cadeiras de rodas para seu
deslocamento. Existem pessoas que enfrentam problemas com o ambiente, mas que não
possuem deficiência, por exemplo, pessoas com mobilidade reduzida que enfrentam
problemas no acesso e na utilização de ambientes construídos. Dessa forma, essa expressão
inclui tanto pessoas com deficiência como também idosos, obesos, gestantes, pessoas
carregando pacotes, empurrando carrinhos de bebê, carrinhos de compras, bem como pessoas
que estão com alguma lesão temporária. (CAMBIAGHI, 2007).

728

�Segundo a NBR 9050 de 2004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
pessoa com mobilidade reduzida é aquela que, temporária ou permanentemente, tem limitada
sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. Entende-se por pessoa com
mobilidade reduzida, pessoa com deficiência, idosa, obesa, gestante, entre outros. (NBR
9050/2004, p.4). Pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida encontram diversos
obstáculos que dificultam ou mesmo impedem sua locomoção e seu acesso a espaços urbanos.
Esses entraves ao deslocamento constituem-se em barreiras físicas (arquitetônicas), que são as
mais comuns encontradas nas edificações. Alguns exemplos de barreiras físicas
(arquitetônicas) encontradas nas edificações são: escadas como único acesso a locais com
grandes desníveis ou com dois ou mais pavimentos, inexistência de rampas de acesso, rampas
com inclinação muito acima das recomendadas, portas e circulações estreitas que não
permitem passagens e manobras; inexistência de banheiros acessíveis; balcões de atendimento
com altura inadequada - muito altos para o acesso de pessoas com baixa estatura ou
utilizando cadeira de rodas, pavimentação inadequada (deslizante, irregular ou danificada)
que causam trepidação e perigo para usuário de cadeira de rodas.

2.2 Acessibilidade
De acordo com o Art.8° do Decreto Federal N°5.296 (BRASIL, 2004), acessibilidade
pode ser entendida como condição para utilização com segurança e autonomia, total ou
assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de
transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa
portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Segundo a ABNT (2004, p.2), acessibilidade é a “possibilidade e condição de alcance,
percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações,
espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos”. Um espaço acessível é aquele que
permite o acesso de qualquer indivíduo, de forma segura e autônoma.
Conforme Sarraf (2012, p. 62), a acessibilidade é uma forma de concepção de
ambientes que considera o uso de todos os indivíduos independente de suas limitações físicas
e sensoriais, desenvolvida a partir dos conceitos de Inclusão Social. Os benefícios da
acessibilidade possibilitam a melhoria da qualidade de vida da população com e sem
deficiência, proporcionando liberdade de escolhas e abertura de horizontes pessoais,
profissionais e acadêmicos.
De acordo com a NBR 9050/2004 promover acessibilidade significa remover barreiras
arquitetônicas, urbanísticas ou ambientais que impeçam a aproximação, transferência ou

729

�circulação. Ainda segundo a Norma, espaço acessível é aquele que pode ser percebido e
utilizado por qualquer pessoa, inclusive por aquelas com mobilidade reduzida.
Os espaços projetados para atender a maior diversidade de pessoas, com suas
diferentes características são aqueles construídos sob os moldes do Desenho Universal, que
tem por objetivo promover à inclusão. Um espaço que sofre adaptações para proporcionar a
integração é diferente de um espaço acessível, enquanto o primeiro foi construído sem levar
em conta às necessidades da diversidade humana; o último é pensado para proporcionar o
acesso de todo indivíduo, com suas diferentes características.
Conforme o Decreto-lei N° 5296, de 02 de dezembro de 2004, Desenho Universal
significa a concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente
todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma
autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a
acessibilidade. Os sete princípios do Desenho Universal são: uso equitativo, flexibilidade no
uso, simples e intuitivo, informação perceptível, tolerância ao erro, baixo esforço físico,
tamanho e espaço para aproximação e uso.
Uma biblioteca construída sob os moldes do Desenho Universal é uma biblioteca
verdadeiramente acessível, ela não exclui ninguém, mas inclui a maior gama de usuários
possíveis, levando em conta suas diferenças antropométricas e sensoriais. Uma biblioteca
acessível não é aquela que permite o acesso somente de deficientes, mas sim um espaço
pensado e projetado para atender a todos, independentemente de qualquer característica que
possuam. No desenho universal não são criados produtos e serviços somente para deficientes,
o que seria uma forma de discriminação, mas sim, são desenvolvidos produtos e serviços para
a coletividade, de forma mais abrangente possível.

Ainda, em bibliotecas, é comum a

adaptação do edifício cuja construção já foi finalizada, a chamada pós-ocupação. Segundo
Ferrés (2008) a pós-ocupação causa limitações para transformar e identificar a instalação
como acessível. A acessibilidade liga-se intimamente a configuração original do prédio onde
a biblioteca está localizada.

2.3 Acessibilidade em Prédios Públicos
A acessibilidade física e a espacial estão interligadas. Acessibilidade física pode ser
entendida como possibilidade e condição da pessoa com deficiência ter acesso seguro e com
autonomia aos espaços, transporte e meios de comunicação. De acordo com Bins Ely et al
(2001) a acessibilidade espacial é a possibilidade de compreensão da função, da organização e
das relações espaciais que o ambiente estabelece, e a participação das atividades que ali

730

�ocorrem, fazendo uso dos equipamentos disponíveis com segurança e autonomia. Possui
ligação ao conceito de cidadania e participação, uma vez que para exercer seus direitos como
cidadão, é preciso que o espaço esteja adequado para utilização por diferentes pessoas, com
ou sem deficiência, de forma autônoma e independente.
A fim de se assegurar que as necessidades das pessoas com deficiência física ou
mobilidade reduzida sejam atendidas, torna-se necessário o planejamento dos espaços
urbanos, seguindo os princípios do Desenho Universal, proporcionando o livre acesso às
edificações, principalmente, as de uso público. A norma NBR9050/2004, bem como as Leis
Federais N° 10.098/2000 e seu Decreto Regulamentador N° 5.296/2004, tornam obrigatório o
atendimento das adequações em edificações públicas e de uso coletivo, edifícios comerciais e
de serviços, bem como nas vias e transportes coletivos.
A Lei Federal N° 10.098/ 2000 - Promoção de Acessibilidade aos Portadores de
Deficiência, em seu 4° capítulo - Acessibilidade nos Edifícios Públicos ou de Uso Coletivo,
nos Artigos de N°11 e N°12, apresenta requisitos para a construção, ampliação ou reforma de
edifícios públicos ou privados destinados ao uso coletivo, assim como para os locais de
espetáculos, conferências, aulas e outros de natureza similar. Além das leis federais
mencionadas, a NBR9050/2004 Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e
equipamentos, elaborada no Comitê Brasileiro de Acessibilidade (ABNT/CB-40) e pela
Comissão de Edificações e Meio (CE-40:001.01), também serve de parâmetro para
construção (ou reforma) de espaços acessíveis. Com o intuito de identificar se existe
acessibilidade na edificação, mobiliário, espaço ou equipamento urbano, faz-se necessário a
utilização do Símbolo Internacional de Acesso (SIA). Este símbolo consiste em um
pictograma branco sobre um fundo azul, ou também, pode ser representado em preto e branco,
sempre representado para o alto do para o lado direito.
A falta de acessibilidade atinge também os prédios das Instituições de Ensino (IES).
De acordo com dados do censo da Educação, 45,7% dos cursos realizados em Instituições
Federais não apresenta condições e infraestrutura adequada para atendimento de Pessoas com
Necessidades Especiais (PNEs). Sem as condições de acesso, essas pessoas ficam
impossibilitadas de frequentar a Universidade, exercer seus direitos, causando prejuízos em
diversos setores de suas vidas, tanto pessoal como profissionalmente. Dessa forma, o Governo
Federal visando incluir os deficientes na sociedade, elaborou programas para garantia de
acessibilidade em diversos âmbitos como saúde, educação, moradia.

731

�2.4 Programas do Governo Federal para a Acessibilidade nas IFES
O governo federal lançou o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência Viver sem Limite, através do Decreto N° 7.612, em 17 de novembro de 2011. Esse Plano
demonstra a preocupação com a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade, para que a
deficiência não seja impedimento para o exercício da cidadania, da realização de projetos e
sonhos. O Plano Viver Sem Limites destaca o compromisso do Brasil com as prerrogativas da
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, que foi ratificado pelo
Brasil com equivalência de emenda constitucional. O Plano Viver sem Limite está organizado
em 4 eixos: Acesso à Educação, Inclusão Social, Saúde e Acessibilidade.
O tema Acessibilidade é abordado tanto em políticas públicas desenvolvidas para
escolas como para Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Um exemplo de programa
que visa a Acessibilidade na educação é o INCLUIR - Programa de Acessibilidade na
Educação Superior. O INCLUIR apoia projetos de criação e/ou reestruturação de Núcleos de
Acessibilidade das IFES, que são os responsáveis pelo desenvolvimento de ações
institucionais que tenham como meta acabar com os diferentes tipos de barreiras
(arquitetônicas, atitudinais, pedagógicas e comunicacionais) que impedem ou dificultam o
acesso de estudantes com deficiência aos espaços universitários, além do apoio e atendimento
aos acadêmicos nas Universidades.
A Universidade abrange o Ensino, a Pesquisa e a Extensão e a Biblioteca
Universitária, através dos serviços prestados sob a gestão do profissional bibliotecário, deve
atender aos padrões de acessibilidade para o atendimento dos usuários (pesquisadores,
professores e acadêmicos além da comunidade universitária).

2.5

A

BIBLIOTECA

UNIVERSITÁRIA,

O

BIBLIOTECÁRIO

E

A

ACESSIBILIDADE
A biblioteca universitária deve ser um local de inclusão, voltada a todas as pessoas, de
modo democrático, a fim de que possa cumprir sua missão que é a de prover à informação a
toda comunidade acadêmica, facilitando o desenvolvimento de conhecimento no meio
acadêmico e contribuindo com a sociedade como um todo. Os deficientes possuem direito à
informação, educação continuada e à cultura. Por isso, os serviços em bibliotecas devem ser
adequados aos diferentes usuários que a biblioteca atende com o intuito que haja democracia
no acesso e uso da informação.
O acesso à informação é um direito de todos, sem distinção de qualquer espécie. As
bibliotecas universitárias devem adquirir, preservar e disponibilizar uma ampla gama de

732

�materiais, a fim de abranger a pluralidade e diversidade humana. É preciso que haja a
preocupação em oferecer materiais acessíveis a todos, sem distinção alguma, ou seja, a
acessibilidade deve fazer parte dos sistemas de informação, objetivando que todos usufruam
de direitos igualitários no acesso e uso da informação, independentemente de suas
características.
O bibliotecário como mediador entre a informação e o usuário possui papel essencial
na promoção da Acessibilidade em Bibliotecas. Não basta possuir a técnica da profissão, é
preciso ir mais além, desenvolvendo ações que visem à inclusão social de pessoas com
deficiência nas bibliotecas. Para isso, é fundamental que o bibliotecário perceba a necessidade
de atualização constante, visando atender da melhor forma possível as necessidades de PNEs,
buscando capacitação em cursos, eliminando as barreiras físicas e atitudinais na unidade em
que atua.
Uma biblioteca para ser considerada acessível precisa ser livre de barreiras de
qualquer tipo, que impeçam seu acesso. O conceito de biblioteca acessível inclui a questão da
acessibilidade física e virtual, bem como o oferecimento de serviço de referência adequado a
orientar os usuários no uso da informação. (GONZALEZ, 2002). Biblioteca acessível difere
de biblioteca adaptável. Enquanto a primeira apenas realiza adaptação de ambientes como
banheiros, rampas, entre outros, seguindo os preceitos do desenho adaptável, a biblioteca
acessível permite o acesso a todos, sem distinção, seguindo os preceitos do desenho universal.
A NBR9050/2004 determina que as bibliotecas e centros de leitura sigam parâmetros técnicos
com intuito de tornar esses locais acessíveis. Os locais de pesquisa, fichários, salas para
estudo e leitura, bem como os terminais de consulta, balcões de atendimento e áreas de
convivência devem ser acessíveis, pelo menos 5%, com no mínimo uma das mesas acessível.
Também, a norma recomenda que, além disso, pelo menos outros 10% sejam adaptáveis para
tornarem-se acessíveis.
Outro ponto abordado pela norma, diz respeito à distância entre estantes, que deve ser
de, no mínimo, 0,90m de largura, a fim de que pessoas usuárias de cadeiras de rodas
(cadeirantes) ou que façam uso de outros recursos de mobilidade como muletas e andadores,
possam deslocar-se na biblioteca e acessar seu acervo. Deve ser disponibilizado um espaço
nos corredores entre as estantes, a cada 15 metros, que permita ao cadeirante realizar
manobras de rotação, sendo recomendado que o espaço permita a rotação de 180°, ou seja,
que haja um espaço de 1,50m por 1,20, no mínimo. (NBR 9050/2004). A altura dos fichários
deve atender às faixas de alcance manual e parâmetros visuais. A norma recomenda também

733

�que sejam disponibilizados recursos audiovisuais e publicações em Braille, para tender
pessoas com deficiência visual e baixa visão.
Em relação aos terminais de consulta por meio de computadores, bem como terminais
de acesso à internet, estes devem possibilitar a utilização a pessoas em cadeiras de rodas e a
pessoas com mobilidade reduzida. A NBR 9050/2004 também recomenda que 10% dos
terminais, pelo menos, sejam adaptáveis à acessibilidade. Então, seguir as normas de
acessibilidade é proporcionar a todos indivíduos oportunidades de crescimento por meio da
educação. Dessa forma, o papel da biblioteca universitária e do bibliotecário são fundamentais
na inclusão de pessoas com deficiência. Remover barreiras internas e externas é proporcionar
que todos os cidadãos possam desfrutar com igualdade de seus direitos.

3 METODOLOGIA
Para a realização deste estudo foi utilizada a metodologia qualitativa caracterizando-se
a pesquisa como exploratória, num estudo de caso. Para realização do estudo foram utilizados
como instrumentos de coleta de dados o Checklist de Avaliação das Condições de
Acessibilidade em Bibliotecas (NICOLETTI, 2010) e entrevistas semiestruturadas com os
bibliotecários-chefe das três bibliotecas selecionadas, a fim de que o tema fosse aprofundado.
A obtenção dos dados ocorreu através da aplicação do Checklist Avaliação das
Condições de Acessibilidade, bem como através das entrevistas semiestruturadas aos
bibliotecários-chefe de cada uma das três bibliotecas pesquisadas. Após a obtenção dos dados
na etapa anterior, tornou-se possível realizar a análise dos mesmos tendo como base a
literatura da área como as leis e normas específicas, realizando-se, dessa forma a comparação
entre a teoria e a prática observada nas bibliotecas.
A acessibilidade arquitetônica avaliou os aspectos relacionados ao entorno da
biblioteca (transporte público, calçadas) e a seu interior (espaços internos). Enquanto a
acessibilidade a mobiliários e equipamentos avaliou itens como o balcão de atendimento, as
mesas e estantes. Também foi realizada a análise do conteúdo das respostas dos
bibliotecários-chefe das bibliotecas sobre as questões referentes à acessibilidade, verificandose a compreensão que possuem acerca do tema, as medidas adotadas pelos mesmos para
promoção da acessibilidade e da acessibilidade na Unidade de Informação que atuam.

4 RESULTADOS
Com o objetivo de verificar o a compreensão dos bibliotecários sobre questões
relativas à Acessibilidade em bibliotecas e na Unidade em que atuam, algumas questões

734

�fundamentais foram elaboradas e aplicadas aos bibliotecários-chefe das três bibliotecas
selecionadas. Foi estruturada uma entrevista contendo dez questões, divididas em três
abordagens distintas: acessibilidade de forma geral, acessibilidade na biblioteca em questão e,
por fim, formação e capacitação do bibliotecário para atendimento de pessoas com
deficiência. Os sujeitos foram nomeados como Sujeito A, Sujeito B e Sujeito C.
Perguntados sobre o que entendiam por acessibilidade, constatou-se que os sujeitos
entendem o significado da acessibilidade. O Sujeito A mencionou tanto a acessibilidade física
e arquitetônica, quando mencionou ’’adequação dos espaços’’como, também, acessibilidade a
serviços. Os Sujeitos A e B mencionaram “recursos’’ em suas respostas. Para o Sujeito B, a
acessibilidade é proporcionar condições de acesso a determinados recursos (construções
prediais e recursos informacionais, ou seja, acessibilidade física/arquitetônica e acessibilidade
comunicacional). Para o Sujeito C, a acessibilidade seria uma forma de criação de recursos
que possibilitaria o acesso de pessoas com limitações físicas ao maior número de recursos que
já são disponibilizados aos demais cidadãos. O conceito de acessibilidade foi abordado pelos
três Sujeitos do estudo. A compreensão sobre a acessibilidade por parte dos bibliotecários e
de toda a sociedade é fundamental para que ocorra a inclusão social de pessoas com
deficiência.
A segunda questão perguntava sobre a importância da acessibilidade em uma
biblioteca universitária. A função primordial da Biblioteca Universitária, que é a de suporte
informacional informação a toda comunidade acadêmica, foi mencionada nas respostas dos
Sujeitos. Tanto o Sujeito A como o Sujeito C mencionaram que a importância da
acessibilidade é o fornecimento de acesso à informação/ recursos informacionais a todos. O
Sujeito B falou do fornecimento de acesso a toda comunidade acadêmica. A BU deve
propiciar que todos os indivíduos tenham acesso a informação, sejam eles deficientes ou não,
promovendo a equiparação de oportunidades.
A próxima questão perguntava sobre a percepção da relação entre a biblioteca
universitária, a acessibilidade e a inclusão social para pessoas com deficiência física. Nas
respostas dos Sujeitos fica clara a importância da acessibilidade na biblioteca universitária
como meio para promoção da inclusão social, através da possibilidade de acesso à informação
a todos os indivíduos, tornando o espaço universitário um local democrático. A acessibilidade
deve abranger os espaços, os serviços informacionais e cabe aos profissionais que trabalham
nas bibliotecas, possibilitar o alcance e utilização da BU a qualquer pessoa, respeitando suas
peculiaridades.

735

�A questão seguinte indagava se os sujeitos conheciam a norma NBR9050/2004 Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos e, se a biblioteca
em que você atua aplica a NBR9050/2004. Foi possível identificar que os Sujeitos tinham
conhecimento sobre a existência da respectiva norma, entretanto dois deles (B e C)
reconheceram que as unidades em que atuam não aplicam a norma integralmente, uma vez
que existem alguns espaços, mobiliários. O Sujeito B, mencionou o fato do prédio e da sua
biblioteca não seguirem a NBR9050 de forma plena, apesar de existir alguns espaços
adaptados para permitir a circulação de cadeirantes e comentou sobre a existência de um
projeto que tem como objetivo a ampliação e adequação dos espaços do prédio às normas de
acessibilidade, bem como aplicação de um plano de incêndio adequado ao prédio. O Sujeito C
comentou o fato de sua biblioteca ter sido reformada em junho de 2012, com projeto
elaborado visando seguir a norma de acessibilidade NBR9050/2004. No entanto, existiam
problemas relativos a espaço físico, que não possibilitou a construção de uma rampa ou
elevador para permitir o acesso de pessoas com deficiência física ao mezanino da biblioteca.
Dessa forma, o Sujeito C acredita que houve uma grande adequação aos padrões estabelecidos
para acessibilidade no térreo, uma vez que os espaços para livre circulação de cadeirantes e
pessoas com dificuldades de locomoção foram adaptados.
A quinta questão investigava se a biblioteca era acessível às pessoas com deficiência
física como, por exemplo, cadeirantes e às pessoas com mobilidade reduzida como idosos,
gestantes e obesos. O Sujeito A não especificou o porquê de considerar a biblioteca acessível,
respondendo superficialmente a questão. O Sujeito C comentou sobre o avanço que houve no
atendimento das necessidades dos usuários da sua biblioteca, com a reforma ocorrida em
junho de 2012, que tornou acessível à circulação entre estantes, a consulta ao catálogo e a
utilização da área de leitura. No entanto, o Sujeito C não comentou a questão referente à falta
de acessibilidade ao mezanino da biblioteca, detendo-se somente nos aspectos positivos
proporcionados pela reforma. O único dos três Sujeitos do estudo que considerou a biblioteca
não acessível a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida foi o Sujeito B. Em sua
resposta, citou o fato do prédio ser antigo, não possuindo grande parte dos recursos de
acessibilidade necessários. Também, relatou a falta de espaço nos corredores e entre as
estantes da biblioteca, que constituem impedimento ao acesso de cadeirantes. Já em relação ao
acesso de pessoas com mobilidade reduzida, o Sujeito C acredita que, embora o acesso seja
possibilitado, existe desconforto na utilização dos ambientes por essas pessoas.
A próxima questão indagava se a biblioteca era utilizada por pessoas com deficiência
física, como cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida e com que frequência. Os

736

�Sujeitos A e C afirmaram que não tem deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida
entre seus usuários. O Sujeito B relatou que raramente a biblioteca é frequentada por
deficientes físicos ou por pessoas com mobilidade reduzida, de forma que não foi possível
responder com exatidão.
O bibliotecário pode e deve tomar medidas que visem à acessibilidade aos ambientes.
Atualmente, existem programas do Governo Federal que incentivam a Acessibilidade em
todos os âmbitos, com programas específicos de promoção de acessibilidade em Instituições
Federais de Ensino Superior (IFES), como é o caso do Programa Incluir, que realiza ações
para acessibilidade e faz o acompanhamento de Pessoas com Necessidades Especiais (PNEs)
durante sua vida acadêmica, visando garantir que possam seguir seus estudos, com os
recursos de que necessitam.
A sétima questão perguntava quais as principais barreiras que cadeirantes e pessoas
com mobilidade reduzida enfrentam em relação ao acesso à biblioteca. Conscientizar-se dos
problemas que a biblioteca apresenta é fundamental para que sejam encontradas soluções para
os mesmos. Os três Sujeitos citaram as principais barreiras observadas. O Sujeito A somente
relatou a barreira arquitetônica existente no acesso ao prédio de sua biblioteca, não
especificando qual seria essa barreira (no caso, são escadas no acesso, sem rampas) e também
não revelou outras barreiras existentes no acesso interno à biblioteca. O Sujeito B citou três
barreiras encontradas no prédio e na biblioteca, especificamente, barreiras arquitetônicas
(elevadores antigos) e barreiras no mobiliário e equipamentos (espaço entre estantes e balcão
de atendimento). Já o Sujeito C comentou da falta de acessibilidade ao mezanino da
biblioteca. Dessa forma, existe a consciência por parte dos bibliotecários de que existem
barreiras que devem ser eliminadas para garantir que pessoas com deficiência possam usufruir
dos espaços com igualdade.
Quais as modificações você sugere para que a biblioteca torne-se acessível foi à
questão oito. Após a questão relativa aos problemas que a biblioteca apresenta no acesso a
pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, buscou-se verificar quais são as modificações
que os bibliotecários de cada biblioteca sugerem para que o espaço torne-se acessível a todos.
O Sujeito A afirmou que todas as modificações já haviam sido realizadas na sua biblioteca. O
Sujeito B afirmou que apenas com a mudança de local a biblioteca se tornaria acessível a
todos, que o que poderia ser feito, no momento, são ajustes e adaptações. Já o Sujeito C
especificou quais seriam as modificações necessárias para tornar a biblioteca acessível, como
um elevador que proporcionasse o acesso ao mezanino da biblioteca, além da adequação do
balcão de atendimento aos padrões de acessibilidade. Analisando-se as respostas dos Sujeitos,

737

�percebe-se que, muitas vezes, a falta de conhecimento sobre os padrões de acessibilidade,
torna os locais inacessíveis a deficientes físicos ou de difícil acesso a pessoas com mobilidade
reduzida.
A questão nove perguntava se existem recursos financeiros assegurados à biblioteca
para que a mesma possa atender as leis de acessibilidade. O Sujeito A respondeu que existem
recursos, mas não especificou quais seriam esses recursos e nem sua proveniência. O Sujeito
B diz desconhecer a existência de recursos destinados à acessibilidade. O Sujeito C disse que
os recursos obtidos para acessibilidade são obtidos em uma instância superior da
Universidade, a partir de apresentação de projetos das unidades, para posterior distribuição de
recursos para unidade. Dessa forma, recursos existem, no entanto, são escassos, e geralmente
utilizados para projetos para um orçamento reduzido, de forma que os recursos acabam sendo
utilizados para prioridade da biblioteca naquele momento.
Na última questão da entrevista, foi perguntado se os Sujeitos consideravam
importante a formação e capacitação do bibliotecário para atendimento de pessoas com
deficiência física nas bibliotecas, todos responderam afirmativamente. O Sujeito B lembrou
da necessidade da capacitação para atendimento de deficientes a todos profissionais que lidam
com o público, também comentou sobre a possibilidade de realização de cursos de
capacitação dentro da UFRGS. Comentou sobre a formação durante a graduação, que deve
oferecer pelo menos uma noção sobre o tema acessibilidade. O Sujeito C também afirmou que
considera relevante o envolvimento e atualização do bibliotecário sobre o tema acessibilidade,
uma vez que o bibliotecário possui a responsabilidade de contribuir como agente de
transformação junto às instituições.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com esse estudo foi possível identificar as condições de acessibilidade física que as
três bibliotecas universitárias do Sistema de Bibliotecas da UFRGS oferecem às pessoas com
deficiência física e mobilidade reduzida. Os deficientes físicos enfrentam diversas barreiras ao
acessarem as três bibliotecas localizadas na UFRGS, tanto barreiras externas como internas.
O primeiro obstáculo enfrentado por uma pessoa com deficiência física diz respeito ao
deslocamento até o Campus. Se utilizar o transporte coletivo ou o seletivo precisará aguardar
um tempo mais longo para “pegar” um ônibus acessível ou uma lotação acessível, uma vez
que esses possuem intervalos maiores de tempo entre viagens comparado aos ônibus não
acessíveis. Outro obstáculo externo a ser vencido são as vias com calçamentos irregulares,
que dificultam o deslocamento de cadeirantes.

738

�O deficiente físico que utiliza carro como meio de transporte se depara com um
obstáculo em relação ao estacionamento do Campus, o qual somente disponibiliza duas vagas
exclusivas para pessoas com deficiência física, o que obriga o cadeirante a realizar um
caminho mais longo para chegar aos demais prédios da Universidade.
Já em relação ao acesso aos prédios das bibliotecas, as pessoas com deficiência física
enfrentam barreiras arquitetônicas que impedem ou dificultam o acesso, como a escada de
acesso ao prédio da Reitoria, onde se localiza uma das bibliotecas analisadas. Essa barreira é o
fator responsável pela exclusão de cadeirantes, uma vez que não existem rampas de acesso ao
prédio. Embora haja uma entrada alternativa, ela permanece fechada, sendo aberta somente
em dias de evento na Universidade.
É preciso que essas barreiras arquitetônicas sejam eliminadas, permitindo que todos
utilizem os espaços universitários. A construção de uma rampa de acesso ao prédio é
fundamental, uma vez que a lei exige que prédios públicos sejam acessíveis. No prédio onde
se localiza outra das bibliotecas analisadas existe uma escada para acesso ao prédio, mas há
uma rampa. Entretanto, essa rampa não atende aos padrões de acessibilidade, dado que
apresenta largura inferior a recomendada pela norma de acessibilidade.
No interior dos prédios existem problemas como a falta de sanitários acessíveis
próximos às bibliotecas. No que tange o interior de cada biblioteca do estudo, todas
apresentaram entraves à acessibilidade, os quais deverão ser eliminados, tais como a falta de
espaçamento adequado à circulação de cadeirantes entre as estantes, bem como a altura
elevada das estantes, que impede a visualização dos livros das últimas prateleiras por
cadeirantes e pessoas com baixa estatura. Também apresenta um balcão que não segue às
normas de acessibilidade, não existindo módulo de referência que permita a aproximação de
cadeirantes, item essencial para acessibilidade, uma vez que o balcão de atendimento é o local
onde ocorre a interação usuário-bibliotecário.
Outra das bibliotecas possui problemas relativos à organização dos espaços. Na
entrada da biblioteca existem elementos que dificultam a circulação de cadeirantes, como
jarros de plantas e cones contendo avisos para os usuários, os quais não são necessários e
devem ser removidos visando à acessibilidade. Outro problema se refere às salas de estudo
que possuem mesas muito próximas umas das outras impedindo que cadeirantes possam
locomover-se entre elas. Já na parte do acesso ao acervo da biblioteca existe o problema do
espaçamento entre estantes, que é variável o que torna impossível a circulação de uma pessoa
em cadeira de rodas em alguns dos corredores, por não disponibilizar do espaçamento mínimo
necessário ao deslocamento, recomendados pela norma de acessibilidade. Também existe o

739

�problema da altura elevada das estantes de livros que inviabiliza a retirada de materiais por
cadeirantes e pessoas com baixa estatura, visto que as estantes possuem altura superior à
recomendada para visualização e retirada de materiais.
Uma das bibliotecas foi reformada no ano de 2012, de forma que a maioria dos
padrões de acessibilidade foi seguida. No entanto, ainda existe um grande problema em um
dos ambientes da biblioteca: o mezanino. Esse espaço possui acesso somente por escadas, de
forma que cadeirantes não podem utilizá-lo. Com as entrevistas foi possível identificar que a
falta de acessibilidade a esse local ocorreu em virtude da inexistência de espaço físico para
construção de uma rampa ou elevador que proporcionasse o acesso ao mezanino. Nesta
mesma biblioteca existem, também, problemas relativos aos corredores entre estantes.
Embora a maior parte dos corredores possua espaçamento adequado para deslocamento de
cadeirantes entre estantes de livros, existe um corredor inacessível, localizado no fundo da
biblioteca, cujo espaço não permite o acesso de uma pessoa em cadeira de rodas, nem de
pessoas que façam uso de algum dispositivo de auxílio à mobilidade como bengalas, muletas
e andadores, um a vez que esse corredor possui apenas 0,71m de largura, quando o mínimo
recomendado é de 0,90m. A altura das estantes de livros também não é a ideal, visto que são
muito elevadas para cadeirantes e pessoas com baixa estatura retirarem livros, estando fora do
ângulo de visão e do alcance manual confortável.
Dessa forma, existem barreiras tanto físicas como dos mobiliários e equipamentos das
bibliotecas que deverão ser removidas a fim de que os espaços tornem-se acessíveis a todos.
O TCU, com o intuito de tornar acessíveis todas as edificações públicas, passou a
condicionar, a partir do ano de 2012, a aprovação das contas de órgãos públicos à adaptação
dos prédios públicos às normas da ABNT. Como forma de sanar as carências relativas à
acessibilidade, o TCU determinou que a Secretaria da Presidência da República
desenvolvesse um plano com abrangência nacional, dotando entidades públicas federais de
acessibilidade plena tanto em suas dependências como aos serviços por elas ofertados. Além
disso, serão definidas metas de acessibilidade a serem cumpridas, bem como será instituído o
Selo Nacional de Acessibilidade. Desse modo, o TCU vem tomando diversas medidas de
apoio à acessibilidade como a Campanha pela Acessibilidade Total, que prevê a efetiva
implementação das políticas públicas para a acessibilidade no Brasil. São grandes os avanços.
No entanto, apesar da legislação existente, tanto em âmbito federal como estadual e
municipal, ser abrangente, existe a necessidade de que a lei saia do papel para ser colocada
em prática. Para tanto, é necessário que haja uma maior conscientização por parte de toda a
sociedade em relação à importância da promoção da acessibilidade em todos os ambientes,

740

�eliminando-se barreiras urbanas, arquitetônicas e, principalmente, removendo barreiras
comportamentais, como preconceitos e sentimentos de inferiorização de deficientes.
O respeito à diversidade é fundamental para promoção da igualdade e da inclusão
social. A Biblioteca Universitária possui um papel muito importante nesse sentido, ela é
responsável por disponibilizar a informação, que, por sua vez, é grande responsável pelas
modificações no homem. A acessibilidade precisa deixar de ser exceção para tornar-se regra
definitivamente.

REFERÊNCIAS

FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS E
BIBLIOTECAS.

Manifesto

a internet, 2002. Disponível

da IFLA sobre

em:

&lt;http://www.ifla.org/files/assets/faife/publications/policy-documents/internet-manifestopt.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2013
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria n° 3284, de 7 de novembro de 2003. Dispõe
sobre requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir
processos de autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições.
Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 11 nov.
2003.

Seção

1.

p.

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NBR

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Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro:
ABNT, 2004.
BRASIL. Decreto n° 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis 10.048, de 8 de
dezembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de
19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da
acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras
providências.

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em:&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-

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atitudinais. 2012. In: CUTY, Jeniffer A.(Org.); CARDOSO, Eduardo(Org.). Acessibilidade
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BINS ELY, Vera H. M et AL. Desenho Universal: por uma arquitetura inclusiva,
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742

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                <text>A acessibilidade física é fundamental para garantir a inclusão social de pessoas com deficiência. É necessário proporcionar condições igualitárias de acesso aos espaços universitários para que todos possam usufruir de seus direitos. Este trabalho apresenta um estudo de caso realizado em três bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS – com os objetivos de verificar as condições de acessibilidade física a pessoas com deficiência física no acesso aos prédios públicos das bibliotecas universitárias, identificar as possíveis barreiras internas e externas enfrentadas por cadeirantes, bem como averiguar se as bibliotecas seguem os padrões de acessibilidade em suas edificações, espaços e mobiliário. No referencial teórico foram abordados assuntos fundamentais para o estudo como deficiência, acessibilidade, desenho universal, bibliotecas universitárias e inclusão social. O estudo configura-se como um estudo de caso, de caráter exploratório, com abordagem qualitativa. Foram utilizados como instrumentos de coleta de dados o Checklist de Avaliação das Condições de Acessibilidade em Bibliotecas e entrevistas semiestruturadas com os bibliotecários-chefe das três bibliotecas selecionadas. Nas considerações finais destacou-se a importância da acessibilidade para a inclusão de deficientes físicos, bem como se sugeriram melhorias na infraestrutura dos prédios públicos das bibliotecas universitárias que visem à adequação aos padrões de acessibilidade.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                <name>Text</name>
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                  <elementText elementTextId="74653">
                    <text>XV III Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PR O JETO INDICADORES DA PRODUÇÃO IN TELEC TU A L DOS PROFISSIONAIS
DO SISTEMA DE BIBLIO TECAS DA UNICAMP

M ariana Pedroso Teixeira
Heloísa M aria Ceccotti,
Joana D’A rc da Silva Pereira
Luíz Atílio Vicentin
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo apresentar o Projeto para desenvolvimento do
repositório para gerenciamento da produção intelectual e currículos dos membros das equipes
das Bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU). O registro dos currículos e seus
certificados, assim como o repositório da produção intelectual trata-se da ampliação do
programa de “Cadastro de Bibliotecas” (CadBib), que atualmente dispõe de informações
atualizadas sobre as Bibliotecas do SBU. O sistema facilitará o planejamento, elaboração de
relatórios, tomada de decisão e obtenção de indicadores. Com a implantação da segunda etapa
do CadBib será possível atuar com a gestão do conhecimento, permitindo coleta, organização,
disponibilização e acesso à informação existente, disseminando o conhecimento necessário à
aprendizagem organizacional e a melhoria do SBU.
Palavras-Chave: Bibliotecas Universitárias; Repositório institucional; Capital Intelectual;
Tecnologias de Informação e Comunicação.

ABSTRACT
This paper aims to present the project to develop the repository for management of
intellectual production and resumes o f the members of the staff of the Library System of
Unicamp (SBU ) libraries. The record of their curricula and certificates, as well as the
repository o f intellectual production comes from the expansion of the "Register of Libraries"
(CadBib), which currently has about updated Libraries SBU information system. The system
will facilitate the planning, reporting, decision making and collecting indicators. With the
implementation of the second stage of CadBib you can act with knowledge management,
allowing the collection, organization, delivery and access to existing information,
disseminating the knowledge in organizational learning and improvement of the SBU.
Keywords: University library; Institutional repository; Intellectual capital; Information and
communications technology.

1573

�1 INTRODUÇÃO
A informação assumiu um novo status a partir de 1990 com o surgimento da internet e
sua interface gráfica, a World Wide Web (WWW), modificando a relação de tempo e espaço
entre o emissor, estoques de informação e seus receptores.
Com as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs), observam-se
mudanças substanciais na forma como a informação passou a ser gerada, armazenada e
disseminada, de maneira mais rápida, oferecendo maior dinamismo e autonomia para seus
usuários.
Para se adequar a estas mudanças, o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU )
implantou, em 2012, o sistema de “Cadastro de Biblioteca” (CadBib), idealizado para dispor
de informações atualizadas sobre as bibliotecas do SBU, oferecendo informações e
documentos importantes em um só lugar e acessível de qualquer máquina ou lugar. Este
sistema permite que as informações referentes à identificação e atendimento das Bibliotecas
sejam atualizadas instantaneamente no Portal do SBU, no preenchimento/atualização. Os
dados são agrupados em módulos: Identificação da Biblioteca, Comissão de Biblioteca,
Membros da Equipe, Infraestrutura e Atendimento ao público. O sistema “foi desenvolvido
com o objetivo de preencher uma lacuna observada quanto a dados não consolidados e não
atualizados das informações relacionadas à estrutura das Bibliotecas” (CECCOTTI et. al.,
2013).
No início de 2014 ocorreram novas implementações no sistema para atender a
informações solicitadas no Censo do Ensino Superior, do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais

do Ministério da Educação (INEP/MEC).

São referentes à

disponibilidade de atendimento on-line e redes sociais e questões relativas à acessibilidade
tecnológica, arquitetônica ou física, de conteúdo e atendimento em Libras.
Para atuar com a gestão do conhecimento, verificou-se a necessidade de ampliar as
aplicações do CadBib, para que esse programa também possa gerenciar um repositório da
produção intelectual de todos os membros das equipes das Bibliotecas, tendo como objetivo
mapear, conhecer e ampliar as competências informacionais dos colaboradores do SBU.
A segunda fase do Projeto CadBib deverá ser implantada no segundo semestre deste
ano, para abarcar informações relativas aos recursos humanos do SBU, registrando currículo e
produção intelectual de todos os membros das equipes do SBU.
Torna-se relevante salientar a importância da troca de informações entre profissionais,
a fim de construírem o conhecimento organizacional de maneira colaborativa. A construção

1574

�do conhecimento deve ser estimulada e valorizada, permitindo, assim, o aperfeiçoamento do
aprendizado individual e coletivo nas bibliotecas.

2 REVISÃO DE LITERA TURA
O conhecimento tornou-se o fator econômico mais importante no ambiente
competitivo das organizações, oriundo de experiência, análise, pesquisa, estudo, inovação e
criatividade. As pessoas obtêm e geram conhecimento de diversas formas: por comparação,
por meio de outras pessoas, experiências, entre outras. Nesse sentido, o interesse pelo capital
intelectual tende a proporcionar e agregar valor à própria organização.
Dois são os tipos de conhecimento: o tácito (implícito), altamente pessoal e difícil de
formalizar, e o explícito, transmissível, convertido em palavras e números.
Nonaka e Takeuchi (1997) abordaram a existência de quatro formas de interação e
conversão do conhecimento tácito e o explícito: por meio da socialização, externalização,
combinação e internalização (figura 1).

Figura 1 - Espiral do Conhecimento

E m conhecim ento...
...tácito

ü
c

0

'0

J

. . -exp licito

S o c ia liz a ç ã o

E x t e r n a liz a ç ã o

(...cria c o n h e c im e n to
c o m p a rtilh a d o )

(...c ria o m h e c im e n l! s
co n c e itu a ])

*p

_C

d
Lj

l
0

In tc m a liz a ç ã o

!■

( rriü c o n h e c im e n to
o p e ra cio n a l)

u

C o m b in a ç ã o

V

(...cria c o n h e c im e n to
sistÊ m ico )

Fonte: Nnaka e Takeuchi, 1997.

Segundo os autores, a socialização consiste na geração de conhecimento tácito por
meio da troca de experiências entre os membros da organização. Chama-se de externalização
quando o conhecimento é divulgado por meio de conceitos, comparações, ilustrações. A
combinação é feita quando são utilizados diferentes conjuntos organizados de conhecimentos
explícitos. A internalização consiste em incorporar ao conhecimento tácito já existente novos
conhecimentos advindos de outras fontes.

1575

�Para Nonaka e Takeuchi (1997), as atividades da gestão do conhecimento têm por base
as passagens do conhecimento do tácito para o explícito e vice-versa. E que o conhecimento
organizacional também é gerado com as trocas de informações; com os processos sociais das
equipes é realizada a conversão de conhecimento tácito em explícito e, também, no
conhecimento estratégico.
Davenport e Prusak (1999, p. 6) abordam o conceito de conhecimento, afirmando que:
Conhecim ento é um a m istura fluída de experiência condensada,
valores, inform ação contextual e insight experim entado, a qual
proporciona um a estrutura para a avaliação e incorporação de novas
experiências e inform ações. E le tem origem e é aplicado na mente dos
conhecedores. Nas organizações, ele costum a estar embutido não só
em docum entos ou repositórios, m as tam bém em rotinas, processos,
práticas e normas organizacionais.

Segundo Teixeira Filho (2000, p. 22) “A gestão do conhecimento pode ser vista como
uma coleção de processos que governa a criação, disseminação e utilização do conhecimento
para atingir plenamente os objetivos da organização”.
O autor enfatizou que “as empresas se voltaram para a gestão do conhecimento no
intuito de entender, organizar, controlar e lucrar com esse valor intangível (o conhecimento)”
(TEIXEIRA FILHO, 2000, p. 23).
Para Fleury e Fleury (2001), o desempenho da equipe está fundamentado na
inteligência e personalidade das pessoas e que a competência deve ser analisada por meio do
conjunto de conhecimento, habilidades e atitudes pessoais. Destacaram que a competência é
ter um agir responsável e reconhecido, efetuar a transferência de conhecimentos, recursos e
habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo.
Rezende (2002, p.122) afirmou que o capital intelectual é o diferencial nas
organizações:
O diferencial entre as empresas não são m ais as máquinas utilização
no processo produtivo, mas sim o som atório do conhecim ento coletivo
gerado e adquirido, as habilidades criativas e inventivas, os valores,
atitudes e m otivação das pessoas que as integram e o grau de
satisfação dos clientes.

Esta informação demonstra que a geração do conhecimento só será possível se o
capital intelectual existente for valorizado. O autor ainda destaca a importância do
gerenciamento do capital intelectual:
U m a v ez reconhecido o capital intelectual com o um dos principais
geradores de riqueza das empresas, atenção especial passa a ser dada a
sua gestão, pois, um a vez form alizado, capturado e alavancado, pode
produzir ativos de ainda m aior valor. (R E Z E N D E , 2 0 0 2 , p .1 2 5 )

1576

�Para Rezende (2002), a adoção da gestão do conhecimento pelas bibliotecas
universitárias acarretará na melhoria dos processos organizacionais e na tomada de decisão.
Nesse sentido, as bibliotecas universitárias devem estar preparadas para captar, armazenar e
disponibilizar o conhecimento produzido pela equipe de trabalho.
As organizações são orientadas para a criação de conhecimentos, por ser sua fonte de
vantagem competitiva. Rezende (2002) destacou que as bibliotecas universitárias assumiram
um papel muito importante na gestão do conhecimento, pois atuam na seleção, organização,
armazenamento e disseminação de informações.
Para Brandão e Babry (2005), deve-se estimular o uso do conhecimento, habilidade e
atitudes no trabalho; quando isso ocorre, o desempenho na realização de resultados aumenta.
Para tanto, as organizações devem ter uma visão global das qualificações de seu recurso
humano, visando elaborar programas de ação e planejamento de seu recurso.
De acordo com Torino, Paiva e Torino (2008), para conseguir atuar com a gestão do
conhecimento torna-se necessário ter nas bibliotecas profissionais qualificados; e isso só será
possível por meio da capacitação contínua.
Nesse sentido, os autores afirmaram que quando acontece a valorização do recurso
humano presente nas organizações e se conhece

seu capital intelectual,

ocorre a

materialização dos recursos intangíveis em produtos e serviços, tornando-os recursos
tangíveis.
A valorização do capital humano e intelectual tem se mostrado um diferencial das
organizações na disponibilização de produtos e serviços de qualidade aos seus clientes.
(ARAÚJO, PEREIRA e OLIVEIRA 2010).
Quando a organização tem como foco o capital intelectual é possível mensurar as
melhorias advindas desse processo.
Diante desse contexto, Faiad et al. (2012, p. 390) afirmaram que:
P or m eio do capital humano, as empresas são capazes de lidar com
frequentes mudanças e inovações, bem com o de agregar valores aos
clientes, m antendo-se, com isso, eficazes e com petitivas no atual
mundo globalizado e fortemente com petitivo.

Nesse sentido é necessário conhecer o perfil do recurso humano existente, visto que,
por meio dele, será possível alcançar a missão e os objetivos da organização (FAIAD et al.,
2012).

1577

�Nascimento Neto (2011, p.1) afirmou que o “conhecimento pode e deve ser criado,
assim como gerido, obtendo-se uma arma poderosa para o sucesso da organização, fator
distintivo em um mercado no qual, a maioria das vezes tudo parece já ser conhecido”. Então,
é possível dizer que saber administrar o conhecimento é crucial para o êxito e sobrevivência
da organização. As organizações devem utilizar a gestão do conhecimento com a finalidade
de maximizar seu desempenho e, consequentemente, os resultados provenientes deste capital.
3 MATERIAIS E MÉTODOS
Atualmente o CadBib está operando para a gestão dos dados e informações referente
às bibliotecas do SBU. A aplicação para cadastro de currículos e gerenciamento da produção
intelectual encontra-se em desenvolvimento.
Esta etapa do CadBib teve início com pesquisas exploratórias na plataforma do
Currículo Lattes e a do Sipex

da Unicamp, pela Assessoria de Relações Institucionais

(ARI), com a finalidade de identificar quais informações seriam necessárias para o registro
dos currículos e informações intelectuais para formar um repositório. No momento encontrase em fase de adequações/alterações para passar à fase de validação e, após, implantação.
A estruturação do sistema foi realizada pela ARI em parceria com a Diretoria de
Tecnologia da Informação (DTI), que trabalha na programação e construção do repositório.
Em reuniões foram discutidos o design do repositório, os tipos de relatórios e os indicadores
de produção para efetuar a gestão da informação.
O desenvolvimento está ocorrendo com as características técnicas do CadBib já em
produção, em plataforma Web, devido a sua facilidade de utilização de qualquer ponto de
rede, não necessitando de instalação de aplicação em equipamentos clientes. A linguagem é a
PHP 5.3.3, por se tratar de software livre, em combinação com banco de dados MySQL
5.1.61, em um servidor Linux CentOS, rodando Apache 2.2.15 (figura2).
O acesso ao sistema ocorre via Web por meio de usuário senha; atualmente são três
níveis de senha: Desenvolvimento (DTI), Administração (ARI e Coordenação do SBU) e
Bibliotecas do Sistema (para diretores e supervisores/líderes). Com a implementação da
segunda etapa o acesso passará a contar com mais uma opção: Profissionais (para todos os
membros das equipes das bibliotecas).

170 Sistema de informação de Pesquisa e Extensão - responsável por gerir os dados referentes à pesquisa, ensino e
extensão da Unicamp, por meio da captação e disponibilização de informações relativas a pesquisadores,
produção intelectual, pesquisas e atividades de extensão da Universidade.

1578

�Figura 2 -Banco de Dados

O nível de acesso do Desenvolvimento é utilizado pelos profissionais de TI para
implementação, alteração e adequação do programa; o de Administração permite efetuar toda
a gestão do programa, como preenchimentos centralizados (com dados de origem sistêmica e
os que são extraídos do software corporativo), consultas, extração de relatórios e consolidação
dos dados; o acesso das bibliotecas permite para preenchimentos/alterações e geração de
relatórios individualizados e gerais.
O nível de acesso dos profissioanis permitirá preenchimentos, alterações e uploads
(depósito de documentos referente a certificados de currículo e produção técnica-científicacultural), com amplo acesso aos metadados, consultas, relatórios e acesso aos documentos ali
depositados.
A estrutura projetada - tópicos e campos de cadastro das informações -

são

apresentadas a seguir. Ao efetuar o acesso, o programa apresentará informações básicas já
cadastradas no CadBib, como: nome; matrícula; tipo de vínculo com a Universidade; nível,
função e data de contratação; lotação; e-mail; telefone(s); redes sociais; idioma(s) - Lê,
escreve (bem, razoável, pouco).

a) Formação
■ Opções: Fundamental incompleto, Fundamental completo, Ensino médio
incompleto, Ensino médio completo, Técnico, Superior incompleto, Superior
completo, Especialização/MBA; Mestrado, Doutorado; Pós-Doutorado;
■ Técnico-curso;
■ Graduação-curso;

1579

�■ Especialização/MBA-curso;
■ Mestrado-área;
■ Doutorado-área;
■ Pós-Doutorado-área;
b) Conclusão de cursos e Obtenção de títulos
■ Conclusão de curso: Nome do curso, Instituição, Período;
■ Obtenção de título: Título obtido, Título do trabalho, Orientador, Instituição,
Período;
c) Atualização profissional/Formação Complementar
■ Capacitação profissional/treinamento: Título, Instituição organizadora, Local,
Período, Carga horária, Status (concluído, em andamento, interrompido);
■ Curso: Título, Instituição organizadora, Local, Período, Carga horária, Status
(concluído, em andamento, interrompido);
d) Participação em Eventos, Congressos, Exposições, Feiras
■ Participação: Nome do Evento, Tipo de Participação (convidado, participante,
apresentação de trabalho - Tipo de apresentação: oral, poster), Classificação
(internacional,

nacional,

regional

ou

local),

Instituição

promotora,

Cidade/Estado/País, Data/Período, Carga horária;
e) Organização de Eventos, Congressos, Exposições, Feiras
■ Tipo

(Congresso,

Exposição,

Feira

e

Outro),

Natureza,

Classificação

(internacional, nacional, regional ou local), Nome do Evento, Instituição
promotora, Cidade/Estado/País, Data/Período, Carga horária;
f) Participação em Bancas e Orientações
■ Concurso: Tipo/natureza do concurso, Classificação (internacional, nacional,
regional ou local), Instituição, Cidade/Estado/País, Data/Período,

Carga

horária;
■ Banca examinadora: Nível (Graduação, Especialização/MBA, Dissertação,
Tese);

Autor;

Título

do trabalho;

Orientador(es)

e

Co-orientador(es);

Instituição; Cidade/Estado/País, Data;
■ Orientação: Nível (Graduação, Especialização/MBA), Dissertação, Tese; Autor;
Título do trabalho; Tipo de orientação (principal ou co-orientação); Instituição;
Cidade/Estado/País, Status (concluída, em andamento);
g) Cursos, Palestras ministrados e/ou organizados/elaborados
■ Tipo/natureza

(Curso,

Palestra),

Participação

(ministrado,

organização,

1580

�elaboração),
Instituição,

Classificação
Título,

(internacional,

Instituição,

nacional,

regional

Cidade/Estado/País,

ou

local),

Data/Período,

Duração/Carga horária;
h) Projetos
■ Tipo

(de

Pesquisa,

infraestrutura,

de

outros),

desenvolvimento
Tipo

de

atuação

tecnológico,

de

(organização,

extensão,

de

participação

na

organização), Título, Descrição, Local, Instituição, Período, Status (concluído,
em andamento, em análise), Órgão de fomento/Fonte de financiamento, Link
(se disponível eletronicamente e de acesso aberto);
i)

Grupos de Trabalhos
■ Nome do GT, Tipo de participação (membro, coordenador), Descrição, Local,
Instituição, Período, Status;

j)

Produção Técnica e Científica
■ Livro: Autor(es), Título, Edição, Local, Editora, Ano, Número de páginas, Link
(se disponível eletronicamente e de acesso aberto), DOI;
■ Capítulo de livro: Autor(es) do capítulo, Título do capítulo, Autor(es) do livro,
Título do livro, Edição, Local, Editora, Ano, Páginas do capítulo, Link (se
disponível eletronicamente e de acesso aberto), DOI;
■ Trabalho completo publicado em Anais de Evento: Autor(es), Título do
trabalho, Nome do Evento, Classificação (internacional, nacional, regional ou
local), Instituição promotora, Cidade/Estado/País, Data/Período; Forma de
apresentação do trabalho, Link (se disponível eletronicamente e de acesso
aberto), DOI;
■ Resumo publicado em Anais de Evento: Autor(es), Título do trabalho, Nome do
Evento, Classificação (internacional, nacional, regional ou local), Instituição
promotora, Cidade/Estado/País, Data/Período; Forma de apresentação do
trabalho, Link (se disponível eletronicamente e de acesso aberto), DOI;
■ Artigo de periódico: Autor(es), Título do artigo, Título do periódico (revista,
jornal, informativo), Local, Ano, Volume, Fascículo, Mês, Páginas, Status (em
produção, enviado para publicação, em análise, aceito, publicado), Link (se
disponível eletronicamente e de acesso aberto), DOI;
■ Produção de materiais:
institucional,

Tipo

Programa

de produção (Manual,
de

computador),

Tutorial,

Título,

Material

Instituição,

Cidade/Estado/País, Status (concluído, em produção); Link (se disponível

1581

�eletronicamente e de acesso aberto), DOI;
■ Produção

técnica:

Tipo

(Entrevista,

Mesa

redonda),

Tema,

Título,

Instituição/Organização, Cidade/Estado/País, Duração, Link (se disponível
eletronicamente e de acesso aberto), DOI.
Para todosos registros,

seja de currículo ou de produção intelectual, haverá

disponibilizada opção para o arquivamento, em pdf, ou cadastro de link no sistema (figura 3).
Em caso de publicação de acesso que não é aberto, o arquivo do documento terá acesso
restrito.

Figura 3 - Tela de upload de certificados e produção intelectual.

O armazenamento no sistema é feito baseado em servidores de rede (que garante
integridade, disponibilidade e confidencialidade), permitindo ao usuário inserir, alterar ou
excluir seus dados, informações ou arquivos via web, a qualquer momento ou lugar.

4 RESULTADOS PARCIAIS
O SBU vem gerenciando seus dados e informações, assim como seu aporte técnicoadministrativo, por meio do Relatório Gerencial Estatístico. Este relatório é um instrumento
para medir, por meio da coleta e compilação de dados, as atividades realizadas nas
bibliotecas, refletindo, assim, o desempenho dos sistemas de informação.
Dentre os propósitos do SBU está o de estabelecer seus padrões/indicadores de
qualidade de desempenho, já que, de acordo com a Deliberação CONSU A-15/13, compete ao
SBU promover o aperfeiçoamento de seus profissionais. (UNIVERSIDADE, 2013). Dentre as
questões sistêmicas, o Planejamento Estratégico SBU tem como meta criar condições de
melhoria no aperfeiçoamento/capacitação e na educação continuada das equipes, bem como

1582

�formar núcleos de competência nas diversas áreas que envolvem o trabalho do bibliotecário.
(UNIVERSIDADE, 2006).
Para

alcançar

estas

metas,

torna-se necessário

conhecer

suas

características

administrativas, estruturais, de serviços e de qualificação de seus recursos humanos. O
repositório vem sanar a questão do SBU não conhecer com exatidão a produção intelectual de
seus profissionais, aproximadamente 250 servidores, distribuídos nas 29 Bibliotecas.
A capacitação continua das pessoas pode ser feita com o conhecimento já existente na
organização, por meio de seus próprios profissionais. Para tanto, o SBU deve atuar na seleção,
organização, armazenamento e disseminação de informações relevantes para promover a
construção deste conhecimento.
Implantar e manter um repositório da produção intelectual das pessoas que compõem
suas equipes, assim como o currículo destas, vem corroborar a aplicação efetiva da gestão da
informação e conhecimento para o atendimento de suas necessidades organizacionais,
planejamento e gestão. Com o repositório será possível, tanto para os profissionais quanto
para a Coordenação do SBU, coletar, organizar, disponibilizar e acessar as informações,
disseminando o conhecimento necessário à aprendizagem organizacional e melhoria do
Sistema.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Com a implantação do CadBib em 2012 o SBU passou a contar com uma ferramenta
dinâmica para obtenção rápida de informações. A implantação da segunda etapa do Projeto
estenderá as funcionalidades do sistema, possibilitando acesso a informações e documentos
importantes, em um só lugar e sempre que necessário, para elaboração de relatórios,
planejamento, gerenciamento e tomada de decisões.
Contanto com o acesso via web e armazenamento em servidor de rede, o programa
permite melhores políticas de segurança, facilidade de gerenciamento e backups regulares.
Manter os dados em servidores bem gerenciados garante integridade, disponibilidade e
confidencialidade das informações, eliminando duplicações e retrabalho, além de reduzir
custos operacionais.
O repositório de informações e produção intelectual dos colaboradores do SBU
possibilitará o gerenciamento, a recuperação, o uso e a disseminação das informações e
documentos nele depositados por todos os membros das equipes, pelas Bibliotecas e
Coordenação, que deverá influenciar no investimento adequado para o aprendizado,

1583

�propiciando a troca de informações entre colaboradores e a geração de novos capitais
intelectuais.
Para os gestores das Bibliotecas e para a Coordenação do Sistema o repositório
fornecerá

informações

para reestruturação

organizacional,

elaboração

de programas

educativos e capacitações específicas.
Sabe-se que gerenciar o capital intelectual não é fácil; trata-se de uma nova atividade
para o SBU, demandando tempo e planejamento, exigindo habilidade para aproveitar aptidões
existentes entre seus profissionais.
Levando em consideração que o SBU tem como meta reconhecer e investir no capital
intelectual de seus colaboradores, a gestão do conhecimento influenciará diretamente na
organização e estabelecimento de novas metodologias, no êxito e na qualidade de seus
produtos e serviços, além de criar e renovar o conhecimento no Sistema.

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atualizadas

instantaneamente,

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1585

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Teixeira, Mariana Pedroso, Ceccotti, Heloísa Maria, Pereira, Joana D'Arc da Silva, Vicentin, Luíz Atílio</text>
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                <text>O presente trabalho tem como objetivo apresentar o Projeto para desenvolvimento do repositório para gerenciamento da produção intelectual e currículos dos membros das equipes das Bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU). O registro dos currículos e seus certificados, assim como o repositório da produção intelectual trata-se da ampliação do programa de ―Cadastro de Bibliotecas‖ (CadBib), que atualmente dispõe de informações atualizadas sobre as Bibliotecas do SBU. O sistema facilitará o planejamento, elaboração de relatórios, tomada de decisão e obtenção de indicadores. Com a implantação da segunda etapa do CadBib será possível atuar com a gestão do conhecimento, permitindo coleta, organização, disponibilização e acesso à informação existente, disseminando o conhecimento necessário à aprendizagem organizacional e a melhoria do SBU.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CURSO DE NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS A
DISTÂNCIA: AVALIAÇÃO DA METODOLOGIA APLICADA

Teresinha Teterycz
Sandra Helena Schiavon

RESUMO
Este artigo originou-se da análise da avaliação de reação aplicada aos participantes do Curso
de Normalização de Trabalhos Técnicos Científicos de acordo com as normas da ABNT, na
modalidade a distância, elaborado pelo Sistema Integrado de Bibliotecas, que foi
desenvolvido no Ambiente Virtual de Aprendizagem Eureka, de propriedade da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná. Esta avaliação contém questões sobre a proposta
metodológica utilizada no curso, e tem por finalidade avaliar a qualidade e a viabilidade da
metodologia e recursos tecnológicos utilizados. O curso foi estruturado em sete unidades,
tendo como objetivo, capacitar os participantes na compreensão e aplicação das normas
técnicas para elaboração de trabalhos técnicos científicos. Em um universo de 185 avaliações,
foram respondidas 136. Para a análise do presente estudo foram selecionadas oito questões
que abordam os itens que se referem a metodologia e material didático. Conclui-se que a
proposta do curso tem atingido seu objetivo que é oferecer um ensino à distância de
qualidade, porém, faz-se necessário concentrar mais atenção para a solução das dificuldades
observadas.
Palavras-Chave: Ensino a distância. Publicações científicas. Normalização. Biblioteca
Universitária.
ABSTRACT
This article originated from the analysis of evaluation of applied reaction course participants
of Scientific Technical Works Normalization according to the ABNT, in distance mode,
prepared by the Library Integrated System, wich was developed in the Virtual Learning
Environment Eureka, owned by Pontifícia Universidade Católica do Paraná. This assessment
contains questions about the methodological approach used in the course, and aims to
evaluate the quality and feasibility of the methodology and technological resources used. The
course was structured into seven units, aiming, empower participants in the understanding and
application of the technical standards for preparation of technical scientific works. In a
universe of 185 reviews, 136 were answered. For the analysis of this study we have selected
eight questions that address the items that refer to methodology and didactic material. It is
concluded, however, it is necessary to focus more attention to the solution of the difficulties
observed.
Keywords: Distance education. Scientific publications. Normalização. University Library.

4181

�1 INTRODUÇÃO

As transformações constantes na sociedade impactam diretamente na percepção das
pessoas no mundo e nas configurações de educação. O uso das tecnologias digitais de
informação e comunicação que aceleram essa transformação, alteram também, a maneira de
ensinar e de aprender, quando estes novos recursos somam-se aos recursos tradicionais no
processo de ensino-aprendizagem.
Segundo Kenski apud Mendonça e Mendonça (2011, p. 109), “o homem transita
culturalmente mediado pelas tecnologias que lhe são contemporâneas. Elas transformam suas
maneiras de pensar, sentir e agir, mudam também suas formas de se comunicar e de adquirir
conhecimento.”
Para Romeiro (2011, p. 69), “a educação é mecanismo de manutenção da sociedade
[...] e tem contribuído na consolidação de uma nova forma de ensinar e de aprender mais
atualizada com as tendências do tempo presente.”
Atento a essa nova era tecnológica, o Sistema Integrado de Bibliotecas da PUCPR,
tem oferecido serviços, utilizando-se dessa nova modalidade de educação.
Na Era Digital, as Tecnologias de Informações e Comunicação estão cada vez mais
inseridas na educação “as redes sociais, a interatividade, as mídias de um modo geral estão
presentes no dia a dia dos estudantes e numa velocidade assombrosa.” (ALMEIDA; MOURA,
2013, p. 54).
O presente estudo não tem como prioridade aprofundar a discussão referente a EaD e
as variadas metodologias aplicadas para a referida modalidade de educação, e sim avaliar a
metodologia adotada para o curso de Normalização de Trabalhos Técnicos Científicos de
acordo com as normas da ABNT ministrado pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E METODOLOGIA DE ENSINO

A oficialização dos cursos a distância no Brasil consta na Lei 9.394 de 1996, que
estabelece no artigo 80 a validade e incentivo a essa modalidade de ensino.

4182

�Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de
programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de
ensino, e de educação continuada.
1° A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será
oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.
§ 2° A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e
registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.
§ 3° As normas para produção, controle e avaliação de programas de
educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos
respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre
os diferentes sistemas. (BRASIL, 1996).

A origem e evolução da educação a distância divide-se em três fases distintas,
classificadas de acordo com a metodologia e recursos tecnológicos utilizados. A primeira fase
foi o ensino por correspondência seguida com a tele-educação, e atualmente, com os variados
recursos da tecnologia de comunicação e informação, a fase da internet.
Os recursos de informação e comunicação facilitam o processo de ensinoaprendizagem

e estimulam

a colaboração

entre

os participantes

(MENDONÇA;

MENDONÇA, 2011.). “As tecnologias interativas, sobretudo, vêm evidenciando, na
educação a distância, o que deveria ser o cerne de qualquer processo de educação: a interação
e a interlocução entre todos os que estão envolvidos nesse processo.” (MORAN, 2003, apud
MENDONÇA; MENDONÇA, 2011, p. 113).
Moraes (2002, p. 203) afirma que “em qualquer situação de aprendizagem, a interação
entre participantes é de extrema importância. É por meio das interações que se torna possível
a troca de experiências, o estabelecimento de parcerias e cooperação”.
No que se refere ao sistema de gestão do curso a distância, de acordo com Oliveira
(2010) é necessário estar fundamentada nos princípios da democracia e participação. Estão
integrados ao processo da referida gestão, os sistemas de avaliação, de acompanhamento, de
apoio ao estudante, da produção de material didático e da comunicação.
Ainda segundo o autor (2010, p. 18), na gestão democrática e participativa “todos os
sujeitos envolvidos no processo educacional são considerados partes importantes, pois são
coparticipantes, colaboradores no pensar, no fazer, nas responsabilidades, nas avaliações, nas
tomadas de decisão.”
Para Aires e Lopes (2010, p. 241)
os requisitos da EaD focados em processos interativos e participativos, na
dialogicidade, na construção coletiva do conhecimento e a aprendizagem
colaborativa em comunidades de trabalho em rede, têm se refletido, também,
na definição de opções de organização e gestão de sistemas de EaD ajustadas
a essas perspectivas pedagógicas na oferta educacional.

4183

�Para Haguenauer (2005, p. 1),“pedagogia por projetos, trabalho colaborativo,
inteligências múltiplas, resoluções de problemas, desenvolvimento de competências,
autonomia, pró-atividade, aprender a aprender, são métodos, técnicas, estratégias e posturas”
eficientes tanto no ensino presencial como a distância.
Moore e Kearsley (2004), afirmam que a principal característica de Educação a
Distância é a separação física e atemporal entre alunos e professores, e que a provisão e
relacionamento se dá por recursos artificiais de comunicação.
No que se refere à avaliação os mesmos autores destacam a importância da análise da
EaD numa perspectiva sistêmica, considerando o conteúdo, formato de comunicação,
interação, ambiente de aprendizagem e gestão do curso.

2.1 METODOLOGIA UTILIZADA NO CURSO DE NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS
TÉCNICOS CIENTÍFICOS DO SIBI/PUCPR

O Curso de Normalização de Trabalhos Técnicos Científicos do SIBI/PUCPR sob a
modalidade à distância, foi desenvolvido no Ambiente Virtual de Aprendizagem Eureka de
propriedade da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, para cursos à distância e
presenciais.
O Eureka é um ambiente virtual de aprendizagem colaborativa que oferece diferentes
possibilidades de interação e integração de alunos-professor e vice-versa, “favorecendo a
construção coletiva do conhecimento na medida que viabiliza a organização do processo e
permite a crítica como método. A tese, a antítese e a síntese podem ser livremente exercidas.”
(FERREIRA, 2003, p. 95).
A Plataforma Eureka com funcionalidades síncronas e assíncronas propicia a
comunicação entre todos os participantes. Oferece ainda, funções administrativas para apoiar
o professor no processo de gerenciamento de salas. Características, que dispensam
habilidades extras por parte dos usuários.
Na comunicação síncrona aluno e professor estão em tempo real na sala de estudos via
chat, teleconferências e outros recursos tecnológicos. Já na assíncrona, aluno e professor não
se encontram na sala ao mesmo tempo, o diálogo é por meio de fórum e e-mail. No curso em
questão o sistema de comunicação utilizado é o assíncrono.
O conteúdo do curso tem como base as normas da Associação Brasileira de Normas

4184

�Técnicas para documentação e informação. A estrutura contempla sete unidades, cujo
objetivo, é fazer com que os participantes compreendam a aplicação das normas técnicas para
elaboração de trabalhos técnicos científicos, visando habilidades em:
a) reconhecer diferentes tipos de trabalhos acadêmicos e sua estrutura;
b) compreender os elementos que compõem a estrutura dos diferentes tipos de
trabalhos acadêmicos;
c) padronizar a redação do texto;
d) compreender os diferentes tipos de citações em documentos e regras para
elaboração de referências;
e) formatar trabalho acadêmico.
O curso foi elaborado a partir de um Plano de Trabalho que contempla o conteúdo
ministrado, com base em uma metodologia colaborativa, utilizando-se de recursos
tecnológicos interativos.
Silva et al. (2011, p. 13), afirmam que “na educação a distância, o material didático
destaca-se como artefato basilar que alicerça o contexto e o cenário do processo de ensino e
de aprendizagem.”
Entendendo que nessa modalidade o aluno não deve ficar isolado no processo de
estudo, o curso em questão tem sua base em material didático interativo fazendo uso de
diversos recursos tecnológicos para que o mesmo tenha participação ativa e colaborativa na
construção do ensino-aprendizagem, juntamente com os professores e demais colegas.
Para dinâmica e interação entre os alunos e professores na construção do ensinoaprendizagem e do conhecimento, foram criados fóruns de discussão onde são apresentados
vídeos e textos referentes ao tema estudado. Nos fóruns, os alunos postam comentários sobre
o que compreenderam do conteúdo dos vídeos e textos, trocando experiências com os
professores e colegas.
O curso disponibiliza fóruns de dúvidas referente ao conteúdo do curso em cada
unidade. Ao final de cada unidade o aluno encontra uma auto avaliação, possibilitando assim
uma análise do conhecimento adquirido. A avaliação da aprendizagem se dá pela participação
nos fóruns de discussão, provas online e na última unidade do curso, o aluno deve elaborar a
formatação de um trabalho acadêmico, para desenvolver na prática o conteúdo trabalhado no
decorrer do curso, atividade esta que conta em 50% (cinquenta por cento) da avaliação final,
cuja média é 7.0 (sete).

4185

�3 MATERIAIS E MÉTODOS

O modelo teórico-metodológico que se adotou nesta pesquisa foi de natureza
quantitativa para avaliar as questões mensuráveis do questionário, mais adequada para apurar
opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos pesquisados. Já para a análise dos conteúdos
dos fóruns de dúvidas, fez-se uso da pesquisa qualitativa, pois permite a interpretação e
comparação de eventuais contradições com as respostas das questões analisadas
quantitativamente.
A pesquisa quantitativa permite a mensuração de variáveis pré-estabelecidas
verificando e explicando a influência sobre as variáveis estudadas mediante análise de
frequência de incidências e correlações estatísticas. (MINAYO, 2010).
Segundo Minayo (2010), a pesquisa qualitativa responde a questões particulares de
uma realidade não quantificável, que é o universo de significados, crenças, motivos,
aspirações, valores e atitudes.
O estudo qualitativo permite revelar detalhes de dados que facilitam a exploração
maior de eventuais contradições e paradoxos, entre as quais estão as diferenças entre o
discurso e o comportamento. (BARROS; LEHFELD, 2003).
Para Flick (2009), a construção da pesquisa qualitativa não se dá a partir de uma teoria
ou abordagem metodológica única, pois adota várias posturas e métodos, entre eles a
observação, entrevistas, questionários e análise do conteúdo de documentos.
Chizzotti (1998), afirma que várias técnicas são privilegiadas na pesquisa qualitativa,
entre elas a utilizada neste estudo que é a análise de conteúdo.
Análise de conteúdo é um método de tratamento da informação, cuja técnica se aplica
à análise de textos escritos ou de qualquer comunicação. O “objetivo da análise é
compreender criticamente o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as
significações explícitas ou ocultas.” (CHIZZOTTI, 1998, p. 98).
Para finalizar o curso o aluno tem como última atividade a “avaliação de reação” que
contém questões sobre a proposta metodológica utilizada. O questionário de avaliação contém
14 questões que abordam a metodologia, recursos tecnológicos e a atuação da coordenação e
tutores. A finalidade é avaliar a qualidade e a viabilidade da metodologia utilizada.
Em um universo de 185 avaliações foram respondidas 136, portanto, os resultados
apresentados referem-se ao total de 136 avaliações. Para a análise do presente estudo, foram
selecionadas oito questões que abordam os itens que se referem a metodologia e recursos
didáticos e tecnológicos.

4186

�Após a tabulação dos dados das questões apresentadas em formato de gráfico, no
próximo item, fez-se uma análise de conteúdo dos fóruns de dúvidas, com uma visão
comparativa, avaliando os pontos negativos da avaliação com os comentários registrados nos
fóruns.

4 RESULTADOS

No presente item apresentam-se, os resultados da pesquisa em formato de gráficos
acompanhados da análise comparativa com o conteúdo dos fóruns de dúvidas.
Os dados apresentados nos gráficos 1 ao 4 referem-se às atividades propostas no curso.
Segundo Almeida (2003) Para ensinar em ambientes virtuais de aprendizagem é necessário
organizar situações de aprendizagem, planejar e propor atividades, disponibilizar materiais de
apoio, ter um mediador e orientador do aluno que possa identificar suas representações de
pensamento; fornecer informações relevantes, incentivar a busca de distintas fontes de
informações e propiciar a inter-aprendizagem e a aprendizagem significativa do aluno.

Gráfico 1: Clareza das atividades
Questão 1 -Clareza das atividades

Sem opinião
Concordo totalm ente
Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
Discordo totalm ente

Fonte: as autoras, 2014.

Do total, 71% dos aluns concordam totalmente com a clareza das atividades, 27%
concordam parcialmente e 2% discordam totalmente. Quando comparada com as dúvidas
postadas nos fóruns, observou-se que os participantes que discordaram tiveram dificuldades
nesse quesito devido a uma leitura pouco minuciosa do Plano de Trabalho e demais
orientações, conforme relatórios de acesso ao material didático.

4187

�Gráfico 2:
distância?

As atividades foram condizentes com a carga horária prevista para estudo à

Questão 2 - As atividades foram condizentes com a carga horária
prevista para estudo à distância?

■ Sem opinião
■ Concordo totalmente
■ Concordo parcialmente
■ Discordo parcialmente
■ Discordo totalmente

Fonte: as autoras, 2014.

Com relação as atividade, 69% dos alunos concordam totalmente que as atividades
foram condizentes com a carga horária prevista para o estudo a distância.

Concordam

parcialmente 26%, para as opções discordam parcialmente, discordam totalmente e sem
opinião os alunos responderam 3%, 1%, 1% respectivamente.
Comparando com as solicitações de prazos extras, observou-se que independente da
carga horária muitos participantes tiveram dificuldades na organização e planejamento dos
estudos.

Gráfico 3: As atividades foram pertinentes à proposta do curso?
Questão 3 - As atividades foram pertinentes à proposta do curso?

■ Sem opinião
■ Concordo totalmente
■ Concordo parcialmente
■ Discordo parcialmente
■ Discordo totalmente

Fonte: as autoras, 2014.

A grande maioria, ou sej, 88% dos alunos concordam totalmente que as atividades
foram pertinentes à proposta do curso, 10% concordam parcialmente e apenas 2% discordam
parcialmente.

4188

�Gráfico 4: O grau de profundidade e abrangência dos conteúdos estiveram de acordo com as
suas expectativas?
Questão 4 - O grau de profundidade e abrangência dos conteúdos
estiveram de acordo com as suas expectativas?

■ Sem opinião
■ Concordo totalm ente
■ Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
■ Discordo totalm ente

Fonte: as autoras, 2014.

Quanto ao grau de profunidade e abrangência dos conteúdos, 69% dos alunos
concordam totalmente que estiveram de acordo com suas expectativas. Os participantes 27

%

concordam parcialmente e 4% discordam parcialmente e/ou não omitiram opinião.
As questões 5, 6 e 7 abordam questões relativas ao material de apoio/didático. A
concepção do material didático deve partir “de uma proposta multidisciplinar que vai de
encontro à comunicação, à tecnologia e aos meios de articulação pedagógica”, construídos
para serem dinâmicos, atraentes e diversificados. O material didático deve ser elaborado com
articulação a um ambiente virtual de aprendizagem, organizado, flexível, com interface de
fácil acesso e interação, proporcionando ao estudante segurança na realização das atividades e
auxiliando no desenvolvimento da capacidade reflexiva. (LOBATO, 2009).

Gráfico 5: O material de apoio era pertinente e atualizado?
Questão 5 - 0 material de apoio era pertinente e atualizado?

S e m o p in iã o
C o n c o r d o t o t a lm e n t e
C o n c o r d o p a r c ia lm e n te
D is c o rd o p a r c ia lm e n te
D is c o rd o to t a m e n te

Fonte: as autoras, 2014.

4189

�A opção concordo totalmnte se o material de apoio era pertinente e atualizado foi de
86% dos alunos, seguido de 12% para concordo parcialmente e 2% discordo parcialmente.
Como o material didático tem como base a última edição das normas da ABNT, entende-se
que a discordância refere-se a pertinência do material disponibilizado.

Gráfico 6: O material de apoio disponibilizado foi adequado à realização das atividades?
Questão 6 - O material de apoio disponibilizado foi adequado à realização
das atividades?

■ Sem opinião
■ Concordo totalm ente
■ Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
■ Discordo totalm ente

Fonte: as autoras, 2014.

Três quartos ou 75% dos lunos concordam totalmente que o material de apoio
disponibilizado foi adequado para a realização das atividades, concordam parcialmente 21% e
discordam parcialmente 4%.

Gráfico 7: O material de apoio recomendado pôde ser facilmente obtido?
Questão 7 - O material de apoio recomendado pôde ser facilmente
obtido?

■ Sem opinião
■ Concordo totalm ente
■ Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
■ Discordo totalm ente

Fonte: as autoras, 2014.

4190

�Quanto a facilidade de bter o material de apoio recomendado, os percentuais estão
mais distribuídos: concordam totalmente 59%, concordam parcialmente 32%, discordam
parcialmente 5%, discordam totalmente e sem opinião 2% cada.
Observou-se, que alguns dos participantes tiveram dificuldades em acessar o material
que estava disponível na plataforma do curso, mesmo com as orientações e facilidade da
interface de acesso, dificuldades estas, relacionadas ao uso de tecnologias de informação e
comunicação.
Quanto aos critérios de avaliação tratados no gráfico 8, sob a ótica dos autores Bassani
e Behar (2006) e Hoffmann (2001), um sistema de avaliação deve levar em conta aspectos
qualitativos e quantitativos, com testes on-line e correção automática pelo sistema, produção
individual envolvendo pesquisas e elaboração de textos, e análise de interações dos alunos
com tutores e colegas por meio de fóruns, chats, etc. Aspectos estes aplicados no curso em
questão.

Gráfico 8: Os critérios de avaliação estabelecidos estavam claros e bem definidos?
Questão 8 - Os critérios de avaliação estabelecidos estavam claros e bem
definidos?

■ Sem opinião
■ Concordo totalmente
■ Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
■ Discordo totalmente

Fonte: as autoras, 2014.

Concordam totalmente se s critérios de avaliação estabelecidos estavam claros e bem
definidos foi a opção escolhida por 69% dos alunos. Concordam parcialmente 24%, 5%
discordam parcialmente. Para as opções discordo parcialmente e sem opinião 1% cada.
Assim como na primeira questão, quando comparada com as dúvidas postadas nos
fóruns, observou-se que os participantes que discordaram tiveram alguma dificuldade nesse
quesito devido a uma leitura pouco minuciosa do Plano de Trabalho e demais orientações.

4191

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O resultado das avaliações nos mostra que a metodologia e recursos utilizados no
curso tem tido resultados positivos. Das avaliações analisadas verificou-se que 71% dos
alunos concordaram totalmente que as atividades estavam claras, 69% concordaram
totalmente que as atividades estavam condizentes com a carga horária, 88% concordaram
totalmente que as atividades foram pertinentes à proposta do curso, 69% concordam
totalmente que a abrangência do curso estava de acordo com suas expectativas, 86 %
concordam totalmente que o material de apoio era pertinente e atualizado e 75% que o
material foi adequado, quanto a facilidade de obter o material recomendado 59% concordam
totalmente e 69% concordam totalmente que os critérios da avaliação estabelecidos estavam
claros e bem definidos. O resultado das avaliações, nos mostra que a metodologia e recursos
utilizados no curso tem tido resultados positivos.
Para a conclusão final do estudo, fez-se a análise comparativa das dúvidas publicadas
nos fóruns pelos participantes e percebeu-se que os pontos avaliados como negativos nas
questões aqui estudadas, estão ligados a dificuldades de uso das tecnologias de informação e
comunicação, leitura pouco atenciosa das orientações e do Plano de Trabalho.
Diante disto, conclui-se que a proposta do curso tem atingido seu objetivo, que é
oferecer um ensino a distância de qualidade, porém, faz-se necessário concentrar mais atenção
para a solução das dificuldades observadas.

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4194

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Curso de normalização de trabalhos técnico-científico a distância: avaliação da metodologia apliacada</text>
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            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Teterycz, Teresinha, Schiavon, Sandra Helena</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="76614">
                <text>Este artigo originou-se da análise da avaliação de reação aplicada aos participantes do Curso de Normalização de Trabalhos Técnicos Científicos de acordo com as normas da ABNT, na modalidade a distância, elaborado pelo Sistema Integrado de Bibliotecas, que foi desenvolvido no Ambiente Virtual de Aprendizagem Eureka, de propriedade da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Esta avaliação contém questões sobre a proposta metodológica utilizada no curso, e tem por finalidade avaliar a qualidade e a viabilidade da metodologia e recursos tecnológicos utilizados. O curso foi estruturado em sete unidades, tendo como objetivo, capacitar os participantes na compreensão e aplicação das normas técnicas para elaboração de trabalhos técnicos científicos. Em um universo de 185 avaliações, foram respondidas 136. Para a análise do presente estudo foram selecionadas oito questões que abordam os itens que se referem a metodologia e material didático. Conclui-se que a proposta do curso tem atingido seu objetivo que é oferecer um ensino à distância de qualidade, porém, faz-se necessário concentrar mais atenção para a solução das dificuldades observadas.</text>
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/62/6653/SNBU2014_139.pdf</src>
        <authentication>4136c9d7d90140f8d326257abd7d709f</authentication>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS SISTEMATIZADA E INSTITUCIONALIZADA: O
CASO DO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA DE USUÁRIO DO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
(UFPR)
Denis Uezu
Paula Carina Araújo
Janete Saldanha Bach Estevão
RESUMO
Apresenta a evolução do papel educacional da Biblioteca Universitária, partindo de ações
isoladas de treinamento das bibliotecas que integram o Sistema de Bibliotecas (SiBi) da
Universidade Federal do Paraná (UFPR), até a transformação em uma iniciativa unificada
denominada Programa de Educação Continuada de Usuários SiBi/UFPR. Este programa
institucionaliza e padroniza o apoio à pesquisa para a comunidade acadêmica da UFPR. Este
artigo é baseado em um modelo de pesquisa exploratório-descritivo, precedido de uma
revisão bibliográfica sobre o tema. Relata os resultados obtidos a partir desta mudança e
indica as oportunidades de melhorias para o avanço e aderência contínuos do programa em
relação às necessidades de seu público-alvo.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Serviço de referência; Educação de Usuários;
Competência informacional.
ABSTRACT
This paper presents the educational role evolution of the academic library, starting from
isolated training activities by librarians of the Sistema de Bibliotecas (SiBi) from
Universidade Federal do Paraná (UFPR) until its OU the transformation into a unified
initiative called the Continuing Educational Program of SiBi/UFPR users. This program
institutionalizes and standardizes the research support for the academic community of UFPR.
This paper is based on an exploratory-descriptive research model, preceded by a literature
review on the subject. It reports the results obtained from this change and indicates
improvement opportunities for advancement and continuous adherence of this Educational
Program to meet the needs of its target audience.
Keywords: University Library; Reference Services; Patrons Education; Information Literacy.

1 INTRODUÇÃO
Este trabalho aborda o papel educacional do Sistema de Bibliotecas (SiBi) com ênfase
na capacitação contínua da comunidade acadêmica da Universidade Federal do Paraná
(UFPR) em recursos informacionais de pesquisa científica. Nas últimas décadas, as formas de

1871

�acesso, busca e recuperação da informação foram profundamente transformadas pelas
Tecnologias de Informação e da Comunicação (TICs). Esta mudança exigiu uma nova
competência que habilite estes usuários à prática da pesquisa, que é um dos três princípios
indissociáveis do tripé que permite a UFPR existir enquanto Instituição Federal de Ensino
Superior: o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Este conjunto visa desenvolver a comunidade em
conhecimento, tecnologia e cultura, sendo os três interdependentes.
Desenvolver esta competência em busca de informação, o que a literatura refere-se
pelo termo “competência informational”, demanda um trabalho sistematizado, contínuo,
planejado e executado de forma aderente às necessidades desta comunidade. Sendo assim,
criou-se o Programa de Educação Continuada de Usuários, partindo de iniciativas isoladas das
bibliotecas do SiBi/UFPR para um Programa integrado que padronizasse as ações e
institucionalizasse a contribuição do SiBi na formação do corpo discente da UFPR.
O Sibi/UFPR é formado, atualmente, por 18 bibliotecas sendo uma delas a sede
administrativa. Cada uma dessas bibliotecas atende áreas específicas do conhecimento, por
isso, as demandas por capacitações são diferentes em cada biblioteca. Segundo o Relatório de
Atividades da UFPR de 2012, último disponível para consulta, o SiBi/UFPR possui 22.148
usuários cadastrados. Esses usuários são alunos de nível médio, graduação, especialização,
mestrado e doutorado, professores e técnico- administrativos (UFPR, 2012).
Nesse contexto, o objetivo geral desta pesquisa é descrever o Programa de Educação
Continuada de Usuários do SiBi/UFPR. De forma específica, este trabalho visa: - apresentar o
histórico, objetivos e estrutura do Programa de Educação Continuada de Usuários do
SiBi/UFPR; - relatar os resultados obtidos em número de capacitações e usuários atendidos
pelo Programa; - indicar ações futuras para continuidade e aprimoramento do Programa.
A proliferação da informação científica teve um crescimento exponencial,
principalmente, após a Segunda Guerra, duplicando a cada dez ou quinze anos (PRICE,
1976). Surge neste contexto o termo Big Science utilizado para denominar o grande volume
de informação cientifica produzido. A soma deste universo digital com a falta de orientação
em estratégias de busca, filtros de pesquisa, entre outros, pode ocasionar ao aluno dificuldades
na busca e recuperação da informação, como, por exemplo, o grande retorno de respostas de
baixa relevância dos sistemas de busca, quando operados inadequadamente.
A pertinência da instituição deste Programa de Educação Continuada de Usuário é
justificada principalmente pelos aspectos de melhor utilização ou potencialização de uso dos
recursos informacionais, visando apoio à investigação e a produção científica.
Segundo a natureza, este trabalho é caracterizado como pesquisa aplicada. Lakatos e

1872

�Marconi (2006, p. 20) destacam a característica prática da pesquisa aplicada, com intuito de
“solucionar problemas que ocorrem na realidade”.
Quanto ao seu propósito, esta pesquisa é de caráter exploratório e descritivo. O caráter
exploratório identifica fatores determinantes e contribuintes com a ocorrência dos fenômenos
(GIL, 2010, p. 28). A pesquisa descritiva “têm como objetivo primordial a descrição das
características de determinada população, fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações
entre variáveis”. (GIL, 1996, p.45). Essa pesquisa é, portanto, considerada descritiva porque
verifica empiricamente as ocorrências do ambiente estudado.
O objeto deste estudo foi descrito a partir do relato de uma experiência institucional,
precedido de uma revisão bibliográfica sobre o tema. Para o levantamento dessas informações,
foi necessário o agrupamento de dados quantitativos de relatórios institucionais e análise de
dados qualitativos de documentos produzidos pela Comissão que instituiu o Programa de
Educação Continuada de Usuários do SiBi/UFPR, objeto deste estudo.
Entender o contexto em que a educação de usuários é necessária, as dificuldades da
comunidade acadêmica em pesquisa e os desafios em elevar a qualificação em competência
informacional são requisitos essenciais para que se compreenda a missão deste Programa.
Esses requisitos são apresentados a seguir.

2 EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS
A evolução e a dinâmica das tecnologias da informação exigem mudanças nas atitudes
dos profissionais, incluindo o desempenho das bibliotecas em relação à prestação de seus
serviços. Klaes (1996) afirma que os investimentos em treinamento de pessoas qualificadas
demandam o uso destas tecnologias, o que requer grandes investimentos em infraestrutura
eletrônica (hardware e software). É necessário que a tecnologia da informação seja
aproveitada plenamente em benefício dos usuários, colocando em foco a capacitação para a
utilização dos recursos disponíveis para contribuir com a formação global deste aluno na
universidade.
Coadunando com Amândo (2009), é importante analisar os impactos das mudanças
ocasionadas pelas tecnologias de informação e comunicação no comportamento dos usuários
das bibliotecas, o que demanda novas necessidades de informação e de aprendizagem,
continuamente. Sob essa ótica, as bibliotecas precisam proporcionar programas de formação
que promovam as condições de acesso e uso dos serviços de informação na era digital.
No Brasil, a preocupação com o uso de bibliotecas e seus recursos, iniciou em 1955.
Os primeiros estudantes beneficiados foram os da Biblioteca Universitária da Faculdade de

1873

�Odontologia da Universidade São Paulo. A maioria dos artigos naquele momento foram
descrições de experiências individuais e/ou estudos de caso (BELLUZO, 1989, p. 14). Ainda
de acordo Belluzo (1989), o desenvolvimento de tecnologias e a produtividade acadêmica
lançaram os programas de formação para os usuários em um contexto específico, a pesquisa
orientada em catálogos eletrônicos, em bases de dados e a normalização de artigos científicos.
Mais tarde vieram as discussões sobre o papel educacional das bibliotecas universitárias e dos
bibliotecários, bem como programas de educação de usuários.
As bibliotecas universitárias também são responsáveis pelo aprendizado da
comunidade acadêmica. Essa afirmação é comprovada a partir da colocação de Campello
(2003, p. 2) quando afirma que “a função educativa da biblioteca torna-se visível com o
aparecimento do serviço de referência (reference service) e se amplia com a introdução da
educação de usuários”.
A educação de usuários começou nos Estados Unidos com a proposta dos
bibliotecários americanos em expandir o papel das bibliotecas em instituições de ensino
superior daquele país. Neste sentido, os trabalhos foram desenvolvidos com base em três
áreas distintas: a sociedade da informação, a perspectiva construtivista de educação e as
tecnologias de informação e bibliotecário (CAMPELLO, 2003).
Segundo Caregnato (2000), desde a década de 70 o termo educação de usuários é
empregado para designar as iniciativas desenvolvidas pelas bibliotecas com o intuito de
instruir, educar e capacitar os usuários para o uso dos recursos informacionais ofertados pelas
bibliotecas.
A educação do usuário engloba o reconhecimento das fontes de informação
necessárias ao preenchimento das suas necessidades informacionais, representa a habilidade
para utilizar com eficiência o potencial de informação de uma unidade de informação e ainda
a capacidade de redigir documentos científicos ou técnicos (CUNHA, 1986). Prestar esse tipo
de orientação e contribuir para o aprendizado da comunidade acadêmica é muito importante,
tendo em vista que a informação permeia todas as atividades profissionais ou pessoais,
atualmente.
Mais do que identificar e acessar fontes de informação, busca-se orientar os alunos a
aprenderem a avaliar e usar a informação. Por isso, outro conceito mais abrangente começou
também a ser muito frequente na década de 70. A expressão information literacy, traduzida
para o português como competência informacional, surgiu pela primeira vez na literatura em
1974 no relatório The information service environment relationships andprioritieseu, escrito
pelo bibliotecário americano Paul Zurkowski (DUDZIAK, 2003).

1874

�Entre os precursores da competência informacional, no Brasil, estão os bibliotecários
que desenvolveram estudos relativos à educação de usuários. É preciso haver trabalho
colaborativo com a comunidade acadêmica com relação aos processos de ensinoaprendizagem para que o desenvolvimento dessa habilidade tenha progresso e apresente
resultados na prática (DUDZIAK, 2003). Nesse contexto, Vitorino e Piantola (2009) afirmam
que o Brasil ainda está focado nas pesquisas sobre o tema competência informacional e
“caminha a passos curtos, mas sólidos, para a fase experimental, ainda bastante modesta no
cenário brasileiro”.
Um importante documento foi publicado em 1989 pela American Library Association
onde a competência informacional foi apontada como uma habilidade essencial na Era da
Informação. Afirma-se ainda que essa habilidade torna as pessoas aptas a saberem encontrar,
avaliar e utilizar a informação de forma eficaz para resolver um problema ou tomar uma
decisão, independentemente se a informação foi retirada de um livro, filme, internet etc
(AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989).
Diferentes visões que são complementares foram apresentadas por pesquisadores
brasileiros da área de competência informacional. Dudziak (2003, p. 28) diz que é um
“processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades
necessário à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua
dinâmica de modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida”.
Para desenvolver a competência informacional, o indivíduo precisa ser “o responsável
pela construção do seu próprio significado e da auto-organização do conhecimento pela
investigação da realidade e sob a ênfase da necessidade de um aprendizado ao longo da vida”.
(BELLUZO, 2005, p.37)
Competência informacional ainda pode ser definida como uma “série de habilidades e
conhecimentos que nos permitem encontrar, avaliar e usar a informação de que precisamos,
assim como filtrar a informação de que não necessitamos”. (EISENBERG, 2008, p.40,
tradução nossa). Seguindo esse pensamento, Bem e Alves (2013) defendem que a habilidade
de selecionar fontes é mais importante do que ter acesso a conteúdos excessivos, tendo em
vista a explosão da informação vivida na era da informação e do conhecimento.
Destaca-se o objetivo da competência informacional apontado por Vitorino (2009, p.
64-65) que é o de “formar sujeitos que usem e comuniquem a informação com um propósito
específico, gerando novas informações e criando novas necessidades informacionais, e, além
disso, que considerem as implicações de suas ações e dos conhecimentos gerados”.
Ao reconhecer que a educação de usuários é essencial nas bibliotecas universitárias e

1875

�ao elucidar o conceito de competência informacional, pode-se afirmar que o desenvolvimento
de ações voltadas para a educação de usuários auxilia o desenvolvimento da competência
informacional da comunidade acadêmica. Este auxílio é importante na formação de
profissionais e/ou pesquisadores aptos a buscar, selecionar, avaliar e usar a informação de que
necessitarão no seu dia a dia. O desenvolvimento dessa competência será um diferencial
pessoal e profissional, tornando-os aptos e interessados em aprender e desenvolver-se
continuamente. Por reconhecer todas essas questões, o SiBi/UFPR desenvolveu um Programa
de Educação Continuada de Usuários que será apresentado no próximo capítulo.

3 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA DE USUÁRIOS DOS SISTEMA DE
BIBLIOTECAS (SIBI) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
O bom atendimento aos usuários e oferta dos melhores recursos informacionais para a
comunidade acadêmica é uma das prioridades do SiBi/UFPR, tendo em vista que a biblioteca
tem papel essencial no apoio ao ensino, pesquisa e extensão na universidade. Isso fica claro
na missão do SiBi/UFPR:
Ofertar à comunidade universitária, e também para a comunidade em geral,
controle e acesso adequados a informações em Ciência e Tecnologia,
reconhecidos como essenciais para as atividades universitárias, de cunho
acadêmico e administrativo, e para o pleno exercício da cidadania, mediante
o fortalecimento do compromisso dos servidores com o SIBI, a UFPR e os
usuários. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2010a).
Para cumprir parte dessa missão, foi criado o Programa de Educação Continuada de
Usuários que tem como objetivo “potencializar o uso dos recursos informacionais, produtos e
serviços ofertados pelo SiBi/UFPR para a comunidade acadêmica, inclusive usuários
deficientes”. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2013a).
Nas seções a seguir serão apresentados o histórico e estrutura do programa, ações
realizadas para a sua concretização, análise dos resultados obtidos até o momento e a proposta
de ações futuras para aprimorar o programa e a educação de usuários no SiBi/UFPR.

3.1 Histórico e Estrutura
O SiBi/UFPR desenvolve boa parte de suas ações a partir do trabalho realizado pelos
servidores nas Comissões de Trabalho que, atualmente, totalizam 21 comissões ativas. Entre
elas, pode-se citar a Comissão de Educação Continuada de Usuários, que deu início aos seus
trabalhos em 2008, após a contratação de novos servidores por meio do Plano de

1876

�Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), o que possibilitou ao SiBi
buscar o desenvolvimento de novos projetos.
A Comissão de Educação Continuada de Usuários é formada por pelo menos um
bibliotecário de cada biblioteca, tendo em vista que a educação de usuários é vinculada ao
Setor de Referência e Informação. A Comissão conta, atualmente, com 24 membros (18
efetivos e 5 suplentes) e um deles o coordenador da equipe, sendo que a pessoa que ocupa
esta função é alterada, periodicamente.
Antes da criação da Comissão, os setores de referência e informação das bibliotecas já
ofereciam capacitações para o uso de fontes de informação. Entretanto, as ações eram isoladas
e realizadas, principalmente, nas Bibliotecas de Ciência e Tecnologia, Ciências Biológicas e
Ciências da Saúde. As bibliotecas de outras áreas focalizavam as ações apenas no início de
cada semestre para os calouros e para os alunos da pós-graduação.
A partir da criação da Comissão surgiu a ideia de ampliar a oferta de treinamentos e
cursos de capacitação para toda a comunidade acadêmica nos diferentes níveis conforme suas
necessidades de informação, além de padronizar a oferta desse serviço pelas bibliotecas.
Portanto, elaborou-se um projeto onde foram previstas algumas ações com o objetivo de
divulgar os produtos e serviços oferecidos pelo SiBi/UFPR e capacitar a comunidade
acadêmica para o seu uso.
Nesse primeiro momento, foram previstas as seguintes etapas para a consolidação do
projeto: - levantamento dos produtos e serviços ofertados pelo SiBi; - discussão dos dados a
serem apresentados; - elaboração das apresentações e recomendações; - aprovação das
apresentações em Plenária de Chefias do SiBi; - divulgação dos resultados da Comissão para
toda Comunidade Acadêmica; - agendamento das apresentações junto aos setores. Esse
projeto foi apresentado para a direção do SiBi/UFPR e para o Reitor e ambos aprovaram a
proposta e demonstraram grande interesse em auxiliar a sua efetivação.
Após a aprovação do projeto, a Comissão passou a ter a função de acompanhar, avaliar
e atualizar sistematicamente as apresentações, palestras e atividades que envolvessem a
divulgação de produtos, serviços e capacitação para o uso das fontes de informação ofertadas
pelo SiBi/UFPR. Portanto, até junho de 2012, as etapas descritas foram colocadas em prática.
Pode-se afirmar que esse projeto foi o embrião para o desenvolvimento do Programa de
Educação Continuada de Usuários do SiBi/UFPR.
Cabe ainda destacar como ação realizada, nesse período, a proposta de uma disciplina
opcional para os cursos de graduação em enfermagem da UFPR baseado em um projeto
desenvolvido na Bibliothèque Marie Curie du SCD Doc'Insa de l’insa de Lyon, o qual foi

1877

�colocado em prática em 2011 como ação da Biblioteca de Ciências da Saúde Botânico do
SiBi/UFPR, como foi relatada por Bach e Estevão (2012).
Em agosto de 2012, a Comissão iniciou a proposição de um documento que dirigiria
as atividades, denominado Programa de Educação Continuada de Usuários, o que representou
o primeiro passo para consolidar de forma institucionalizada a educação de usuários na
UFPR. Para alcançar seu objetivo geral, indicado no início do capitulo três, foram propostos
os seguintes objetivos específicos:
- Capacitar a equipe de servidores envolvidos com o programa para ministrar
cursos e orientações sobre as fontes de informação disponibilizadas pelo
SiBi/UFPR e outras orientações de natureza informacional; - preparar a
equipe do SiBi/UFPR para ministrar cursos, orientações e preparar material
de apoio para os usuários deficientes; - Atualizar a equipe sobre novas fontes
de informação que possam apoiar a comunidade acadêmica no âmbito do
ensino, pesquisa e extensão; - Desenvolver e disponibilizar no Portal da
Informação: programas dos cursos, planos de aula, tutorials e vídeo aulas dos
cursos de capacitação ofertados; - Oferecer capacitação para o uso de fontes
de informação e normalização de documentos para toda a comunidade
acadêmica, periodicamente ou sob demanda; -Buscar parcerias com editoras,
programas de pós-graduação, graduação e professores para o oferecimento
dos cursos de capacitação; - Divulgar, amplamente, os cursos de capacitação
oferecidos (por meio de ações de marketing no Portal da Informação, Site da
UFPR, mídias sociais, e-mails, cartazes, folders, etc.); - Avaliar o Programa
de Educação Continuada de Usuários quanto ao conteúdo, metodologia e
ministrante do curso feita pelos participantes dos cursos; - Fortalecer o papel
de educador do bibliotecário e da biblioteca universitária.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2013a).
Tendo em vista que a educação de usuários é um dos serviços oferecidos pelo Setor de
Referência e Informação, e, hoje, tem papel crucial na formação da comunidade acadêmica, a
oferta de cursos de capacitação, produção de material de apoio e orientações individuais para
o uso das fontes de informação disponibilizadas pelo SiBi é essencial. Portanto, o Programa é
fundamental para formalizar essas atividades, as quais devem ser fundamentadas na parceria
entre bibliotecários, professores e acadêmicos. Sendo assim, os objetivos apresentados serão
concretizados a partir das ações que serão apresentadas nas seções seguintes.

3.2 Ações realizadas
As ações desenvolvidas pela Comissão de Educação Continuada de Usuários
seguiram, inicialmente, do projeto apresentado em 2010, estabelecido quando da formalização
da Comissão, com o objetivo de ampliar a oferta de treinamentos e cursos de capacitação.
Entretanto, com a criação do Programa de Educação Continuada do Usuário, consolidado em
2013, novas ações foram propostas.

1878

�Portanto, nesta seção serão apresentados os cursos e treinamentos oferecidos pelo
SiBi/UFPR desde 2009 e outras ações propostas a partir de 2012. A escolha desses cursos é
feita pela equipe de referência de cada biblioteca conforme a demanda dos usuários ou
quando o bibliotecário percebe a necessidade de oferecimento de determinado curso..

3.2.1 Capacitações
O quadro seguinte apresenta os principais treinamentos realizados no SiBi/UFPR em
2009, quando os dados começaram a ser coletados em relatórios mensais elaborados por todas
as bibliotecas setoriais.

Quadro 1: Capacitações ofertadas pelo SiBi/UFPR - 2009
Total de Capacitações Total
Usuários
100
2521

de Capacitações oferecidas 2009

Uso da Biblioteca, Bases de dados (diversas), Portal da
Informação, Normalização, Visita orientada, Consulta ao
acervo, Como realizar levantamentos bibliográficos
Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2010b.

Em 2010, já com os trabalhos da Comissão em andamento, além dos treinamentos
gerais de cada biblioteca, começaram a ser oferecidos treinamentos específicos, conforme
quadro a seguir.
Quadro 2: Capacitações ofertadas pelo SiBi/UFPR - 2010
Total de Capacitações
58

Total
Usuários
1534211

Capacitações oferecidas 2010

Gerais (bibliotecas setoriais)212
Específicos:
1. Educação de Usuários no uso do Portal da Informação (em
duas datas, na Biblioteca de Ciências da Saúde -subsede
Botânico)
2. Elsevier, abrangendo as bases Science Direct, Scopus,
Engineering Village - Compedex e Embase (Biblioteca de
Ciências da Saúde, subsede Botânico)
Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2011.
Em 2011, o número de treinamentos específicos oferecidos pelo programa foi
expandido para mais bibliotecas, conforme quadro a seguir.

211 No relatório anual divulgado pela Pró-Reitoria de Planejamento (1319 usuários) conta somente os usuários de
treinamentos gerais. No quadro foram incluídos os usuários atendidos nos treinamentos específicos.
212 Treinamentos gerais incluem capacitações direcionadas à comunidade acadêmica, especialmente alunos de
graduação e pós-graduação. O conteúdo desses treinamentos inclui a apresentação dos produtos e serviços
oferecidos pelo SiBi/UFPR, apresentação do Portal da Informação e divulgação e uso de bases de dados públicas
e restritas.

1879

�Quadro 3: Capacitações ofertadas pelo SiBi-UFPR - 2011

Total de Capacitações
36

Total
Usuários
800

Capacitações oferecidas 2011
Gerais (bibliotecas setoriais)213
Específicos:
1. Treinamento da Editora Elsevier, com a apresentação das
seguintes bases de dados: Science Direct, Scopus,
Engineering Village - Compendex e Reaxy; 2. Educação de
Usuários no Uso do Portal da Informação e no Portal da
Capes; 3. BVS e Endnoteweb; 4.. Portal da Informação e
Portal da Capes;
5. Treinamento para utilização da Biblioteca Digital de Teses
e Dissertações da UFPR, Scielo, Web of Science, Business
Full, Text Wilson, Brapis e Prosiga.

Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANA, 2012.

Entre 2009 e 2011, conforme quadros anteriores, o número total de treinamentos e o
número total de usuários decresceram. O fato, no entanto, não reflete necessariamente o
encolhimento do alcance do programa, e sim à reformulação dos relatórios mensais de cada
biblioteca, sendo que, no início, o preenchimento dos itens referentes aos treinamentos não
estava totalmente padronizado.
A partir de 2012, capacitações específicas para bibliotecários começaram a ser
oferecidos e contabilizados em relatórios, além da continuidade de capacitações para usuários,
conforme o quadro seguinte:

Quadro 4: Capacitações ofertadas pelo SiBi-UFPR - 2012
Total
de Total Usuários
Capacitações

Capacitações oferecidas (comunidade acadêmica) 2012

110

Portal da Informação e produtos e serviços, Portal da
Capes, Biological Abstracts, EndNote Web, Web of
Science, Zoological Records, Reaxys, Scielo, Brapci,
Prossiga, Portal da BVS, Pub Med, Lilacs, Medline,
Scopus, Uptodate, Uso de Fontes, Treinamento Lousa
Digital/Interativa sala multimídia,
Como fazer
Levantamentos Bibliográficos, Normalização, orientações
para elaboração de TCC

3715

213 Treinamentos gerais incluem capacitações direcionadas à comunidade acadêmica, especialmente alunos de
graduação e pós-graduação. O conteúdo desses treinamentos inclui a apresentação dos produtos e serviços
oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas, apresentação do Portal da Informação e divulgação e uso de bases de
dados públicas e restritas.

1880

�Total
de Total Usuários
Capacitações
7
202

Capacitações oferecidas214 (bibliotecários) 2012

1. Web of Knowledge/Web of Science/Endnote Web. 2.
JStor
3. Oxford/Cambridge Journals. 4. Ebsco Discovery
Service. 5. Proquest Ebrary
Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANA, 2013b.

Em 2013, foi elaborado e aprovado o Programa de Educação Continuada de Usuários,
formalizando as ações que já ocorriam dentro do Sistema de Bibliotecas. O documento
procurou sumarizar as ações e objetivos, permitindo readequá-los, além de sistematizar e
padronizar as práticas educativas e capacitações das equipes das bibliotecas.
Neste ano também se efetivou uma parceria com a Coordenação de Integração de
Políticas de Educação à Distância (CIPEAD/UFPR). Essa parceria resultou em uma
capacitação oferecida pela Comissão de Educação Continuada de Usuários direcionada aos
coordenadores de polos de EaD de todo o estado.

O quadro a seguir resume as capacitações oferecidas pela Comissão em 2013:
Quadro 5: Capacitações ofertadas pelo SiBi-UFPR - 2013
Total
de Quantidade
treinamentos de Usuários
5216
128

Treinamentos oferecidos 2013215

1. Emerald; 2. Elsevier; 3. Web of Knowledge; 4. JStor
5. SiBi: produtos e serviços (direcionado aos coordenadores de polos
EaD)
170
2860
Gerais217
Específicos: EBSCO Business, SpaceNet, Derwent Innovations
Index, EBSCO Discovery Science, Business Source Premier,
EndNote Web, Portal CAPES, SBRT, Bireme, JCR, Primal Pictures,
Science Direct, Web of Knowledge, DeCS, Reaxys, BVS, PubMed,
Normalização, Revisão Bibliográfica, Citações, Referências, Visitas
Orientadas.
Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2014.

O Gráfico abaixo apresenta a evolução das capacitações e a quantidade de usuários
alcançados de 2009 a 2013, consolidando os dados dos quadros 1 ao 5.
214 Os treinamentos da Ebsco Discovery Science e da Proquest Ebrary foram abertos somente a bibliotecários. Os
demais foram abertos ao público.
215 Dados oficiais, constantes do Relatório Parcial de Atividades 2013. O relatório final, com dados de janeiro a
dezembro, não havia sido publicado até a data de elaboração deste relato.
216 Treinamentos organizados pela Comissão de Educação Continuada de Usuários.
217 Treinamentos gerais incluem capacitações direcionadas à comunidade acadêmica, especialmente alunos de
graduação e pós-graduação. O conteúdo desses treinamentos inclui a apresentação dos produtos e serviços
oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas, apresentação do Portal da Informação e divulgação e uso de bases de
dados públicas e restritas.

1881

�Gráfico 1: Evolução da quantidade de capacitações do SiBi/UFPR - 2009-2013

Fonte: Os autores, 2014.

3.2.2 Diagnósticos
No ano de 2012 verificou-se a necessidade de se fazer um diagnóstico sobre o
conhecimento dos bibliotecários do setor de referência dentro de cada biblioteca setorial
acerca das bases de dados multidisciplinares e específicas de cada área. Esse diagnóstico
objetivou identificar o conhecimento dos bibliotecários com relação às fontes de informação
sobre as quais seriam ministrados cursos de capacitação para a comunidade acadêmica e
forneceu importante ferramenta para formalização e sistematização de ações oferecidos pelo
Programa de Educação de Usuários.
A partir deste diagnóstico foi possível elaborar programas e planos de aula das mais
diversas bases de dados e, também, de serviços oferecidos pelo SiBi/UFPR, como elaboração
de referências bibliográficas conforme a ABNT, entre outros. Estes documentos passaram,
então, a nortear as ações dentro de cada biblioteca do SiBi/UFPR.
Concomitantemente à elaboração do programa, foi realizado levantamento de todas as
capacitações que cada biblioteca setorial oferece permitindo a visão geral de todo o
SiBi/UFPR. Com esse levantamento foi possível discutir parcerias entre bibliotecas, de modo
a oferecer treinamentos conjuntos entre duas ou mais bibliotecas, de acordo com a demanda
da comunidade acadêmica.

3.2.3 Cursos de extensão
As bibliotecas do SiBi/UFPR ofereciam até meados de 2013 apenas cursos de
capacitação sob demanda e ainda não havia uma institucionalização. Entretanto, há muito
tempo, é a Comissão tem por objetivo oferecer essas capacitações como cursos de extensão. O
primeiro passo nessa direção foi dado a partir da proposta do vice-coordenador do Curso de

1882

�Medicina para a realização de um curso voltado para os alunos do primeiro ano do curso, o
qual deveria orientar o uso das fontes de informação oferecidas pelo SiBi/UFPR.
O trabalho colaborativo permitiu que esse curso de extensão fosse oferecido de forma
institucionalizada junto à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) da UFPR. A partir
dessa parceria, a Comissão tomou conhecimento que, por meio da Resolução n. 72/11-CEPE,
os servidores técnico-administrativo, como os bibliotecários, poderiam coordenar cursos de
extensão. Por isso, o curso “Capacitação para utilização de fontes e recursos informacionais
do SiBi/UFPR para alunos do ciclo básico de Medicina da UFPR” foi coordenado pela
bibliotecária de referência da Biblioteca de Ciências Biológicas, que atende aos alunos do
primeiro ano do Curso de Medicina, e o vice-coordenador foi o professor que propôs o curso.
A partir de então, capacitações enquanto cursos de extensão podem ser oferecidas por
quaisquer bibliotecas do SiBi/UFPR, sendo necessário apenas abrir novas turmas para o curso
citado acima.
Outros dois cursos de extensão estão em fase de criação, a saber: Normalização de
Trabalhos Acadêmicos e Portal da Informação. O primeiro, de Normalização de Trabalhos
Acadêmicos, será oferecido inicialmente como projeto piloto para o Curso de Graduação em
Direito. Posteriormente, há a intenção de disponibilizá-lo no Portal do SiBi/UFPR para que
qualquer pessoa tenha acesso. O segundo, sobre o Portal da Informação, é destinado aos
tutores de cursos de educação a distância e tem como objetivo tornar todos os produtos e
serviços oferecidos pelo SiBi/UFPR conhecidos por esse público para que também sejam
multiplicadores junto aos alunos de educação a distância.

3.2.4 Criação de vídeos
A partir da parceria entre o SiBi/UFPR e a CIPEAD também surgiu outra ação: a
criação de tutoriais em forma de vídeos. Ficou sob responsabilidade da Comissão de
Educação Continuada de Usuários elaborar os roteiros dos vídeos e fazer a captura de telas
junto com a equipe de produção de material didático da CIPEAD/UFPR, quem ficou
responsável pela edição e gravação de áudio dos vídeos. Esses tutoriais serão disponibilizados
no Portal do SiBi/UFPR para alunos e professores dos cursos de Educação à Distância e,
também, para a comunidade acadêmica.

3.2.5 Ações de divulgação
A Comissão propôs a criação de um página dentro do Portal da Informação para o
Programa de Educação Continuada de Usuários do SiBi/UFPR. Ainda em 2013 foi iniciado o

1883

�trabalho de seleção das informações que seriam disponibilizadas e a reestruturação do Portal
da Informação. No início de 2014 foi colocada no ar a nova versão do Portal da Informação,
sendo que o Programa de Educação Continuada do Usuário ganhou espaço para a
apresentação de produtos e serviços ofertados, cumprindo com o objetivo de divulgação de
cursos e capacitações.
Outra forma de divulgação dos produtos criados pela equipe da Comissão, foi a
criação de uma coleção no Repositório Digital Institucional do SiBi/UFPR no final de 2013.
A coleção recebeu o nome de “Cursos de Capacitação” e ali têm sido disponibilizadas as
apresentações em slides produzidas para apoiar os cursos oferecidos especificamente pela
Comissão ou por cada biblioteca segundo as demandas dos seus usuários.

3.2.6 Projeto de compra de notebooks
O espaço físico hoje destinado para as bibliotecas ainda não permite a criação de
laboratórios onde possam ser realizados os cursos de capacitação. Alguns setores dispõem de
laboratórios que podem ser emprestados ao SiBi/UFPR, entretanto, nem sempre estão
disponíveis e oferecem a infraestrutura necessária. Por isso, a Comissão solicitou auxílio à
Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) para a compra de vinte notebooks que ficariam
armazenados no Núcleo de Automação Documentária (NAD) na Biblioteca Central. Esses
notebooks poderiam ser emprestados pelas bibliotecas para uso durante os cursos de
capacitação, o que permitiria maior mobilidade e uso de qualquer sala disponível com acesso
à rede sem fio. O projeto foi enviado a essa pró-reitoria porque a mesma vem apoiando
projetos dessa natureza nos últimos anos.
As ações apresentadas nesta seção foram essenciais para a consolidação e
institucionalização do Programa, bem como para o reconhecimento da comunidade acadêmica
que tem participado ativamente das capacitações oferecidas. Esse é um trabalho que só tende
a crescer nas bibliotecas que se preocupam com a educação de usuários, por isso, o
SiBi/UFPR tem em vista novas ações que serão apresentadas a seguir.

3.3 Ações futuras
A continuidade e aprimoramento das ações que já estão em andamento, e foram
apresentadas no item 3.2, é essencial para o desenvolvimento e continuidade do Programa de
Educação Continuada de Usuários do SiBi/UFPR. Portanto, novas ações devem ser propostas
para cumprir os objetivos do Programa. As ações futuras a serem desenvolvidas pela
Comissão e vinculadas ao Programa são:

1884

�a) Cursos de capacitação para os docentes e discentes de cursos a distância e
disponibilização de material: a UFPR conta com a CIPEAD para coordenar os curso de
graduação e pós-graduação a distância e a parceria dessa coordenação com o SiBi/UFPR é
essencial para o desenvolvimento de ações voltadas para o acesso e uso da informação.
Portanto, a Comissão pretende desenvolver cursos de capacitação, especificamente, para o
público da educação à distância, pois, a universidade tem muitos polos em cidades fora do
estado e nem sempre bibliotecas bem estruturadas. Também será criado um espaço para
disponibilizar informações, divulgar produtos e serviços, materiais e receber sugestões desse
público por meio do ambiente virtual de aprendizagem dos cursos de educação à distância.
b) Curso para criação e atualização de Currículo Lattes: o Currículo Lattes, desenvolvido
pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é o formato
oficial de currículo acadêmico no Brasil. Portanto, serão estruturados e oferecidos cursos de
capacitação para a criação e atualização de Currículos Lattes, tendo em vista que a
comunidade acadêmica está envolvida com pesquisa e precisa desse tipo de currículo. Alguns
bibliotecários já relataram a necessidade desse curso tendo em vista que a comunidade busca
esse tipo de informação no Setor de Referência e Informação das bibliotecas. Institucionalizar
esse curso como Curso de Extensão junto à PROEC é desejável, dada a sua importância.
c) Avaliação do Programa: será realizada por meio da aplicação de um questionário ao final
de cada curso de capacitação ou quando receberem algum tipo de orientação acadêmica

na

biblioteca. Posteriormente, sugere-se a realização de um estudo de usuário para identificar
pontos fortes e fracos dos cursos e do Programa como um todo, bem como receber sugestões
de novos cursos. Os membros da Comissão também avaliarão o Programa, periodicamente,
visando adequá-lo às necessidades dos usuários e aos novos recursos de informação que
forem disponibilizados pelo SiBi/UFPR ao longo do tempo.
d) Critérios para meta anual de capacitação: os alunos que obtêm a capacitação ao
ingressarem na universidade têm dificuldades de utilização das interfaces de busca das bases
de dados quando sua necessidade de pesquisa é intensificada. A proposta é que seja
estabelecida uma meta de número de alunos a serem capacitados, em cada nível do seu curso,
especialmente, para aqueles que estejam cursando os últimos períodos da graduação e da pósgraduação, fase em que utilizarão com mais frequência os recursos informacionais da
pesquisa cientifica. Sendo assim, propõe-se: - mapear a quantidade de alunos dentro do perfil
alvo para as capacitações; - estabelecer uma meta percentual de alunos do perfil alvo a serem
218 Orientação para normalização, orientação para uso de bases de dados, orientação para uso de gerenciador
bibliográfico, etc.

1885

�capacitados por ano; - elaborar a agenda de capacitações e ações de comunicação.
e) Padronização da comunicação: esta ação visa uniformizar a comunicação visual e a
documentação utilizada no Programa Educação Continuada de Usuários do SiBi/UFPRe
inclui:
- grar uma identidade visual que represente o Programa. Esta marca será utilizada em todas as
peças de comunicação; - elaborar um conjunto de arquivos digitais a serem utilizados nas
divulgações, capacitações e eventos que envolvam o Programa, como por exemplo: slides
mestres para arquivo de apresentação eletrônica, modelo de ofício; modelo de chamada e
relatório de capacitações em planilha eletrônica; entre outros; - Redigir agenda anual de
reuniões da Comissão, assim como capacitações gerais aos usuários.
f) Ações de divulgação: pretende-se intensificar a divulgação do Programa de Educação
Continuada de Usuários do SiBi/UFPR por meio de folders, cartazes e banners voltados para
a comunidade acadêmica em geral, mas, especialmente, para as pessoas com deficiência.
Também será criada uma estratégia de divulgação mais precisa por meio das mídias sociais
para que atinja o público alvo do Programa.
g) Escrever uma lista de perguntas frequentes, conhecida como FAQ (Frequent Asked
Questions), indicando as principais regras e procedimentos do Programa Educação
Continuada de Usuários do SIBI/UFPR, como, por exemplo: como fazer inscrição para um
curso; como indicar ou solicitar um curso; como requerer um certificado de conclusão de
curso; como acessar os treinamentos online de um recurso; como acessar de casa os recursos
informacionais de acesso restrito, entre outros.
O Programa está aberto para receber sugestões da comunidade acadêmica e dos
membros da Comissão. Tudo o que foi construído até o momento e as ações que estão por vir
são frutos do trabalho de profissionais de diversas bibliotecas empenhados por uma mesma
causa: fortalecer a educação de usuários e desenvolver a competência informacional na
comunidade acadêmica do SiBi/UFPR para que sejam formados profissionais aptos a buscar,
selecionar, avaliar e usar a informação de forma eficiente e eficaz, tornando-se agentes de
mudança na sociedade.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estabelecimento de ações específicas para a educação de usuários é essencial para
auxiliar o desenvolvimento da competência informacional da comunidade acadêmica e
potencializar o uso das fontes de informação disponibilizadas na universidade. O Programa de
Educação Continuada de Usuários do SiBi/UFPR representa a institucionalização da parceria

1886

�entre biblioteca e professores para a formação informacional, especialmente, dos discentes.
O Programa se mostra muito importante tendo em vista a evolução da quantidade de
capacitações de 2009 a 2013, o que demonstra que mais usuários têm tomado conhecimento
sobre as fontes de informação e estão desenvolvendo sua competência informacional.
Também possibilita avaliar possíveis melhorias, especialmente quanto ao público alvo a ser
atendido. Sugere-se que sejam estabelecidas metas, para cada biblioteca, relacionadas à
quantidade de treinamentos a serem oferecidos e quantidade de usuários que devem ser
capacitados. Para isso, deve-se levar em conta a quantidade de alunos matriculados por nível,
curso, e período, bem como procurar adequar-se às necessidades dos públicos específicos.
Outro ponto essencial é a necessidade de reestruturação dos relatórios dos cursos de
capacitação. Relatórios bem estruturados e padronizados mostraram-se importantes para uma
análise mais precisa das ações e do alcance do programa. Para a avaliação de uma série
histórica, por exemplo, é preciso que os dados sejam consistentes, referindo-se ao mesmo
objeto. Sem esse cuidado, análises podem ser distorcidas, não refletindo a realidade. Cabe
destacar que os relatórios são elaborados pelo Departamento de Bibliotecas e Documentação
(DBD) e, no ano de 2013, a equipe desse departamento reestruturou alguns dos seus relatórios
com o apoio das equipes de cada biblioteca. Entretanto, no que diz respeito aos cursos de
capacitação e outras ações do Programa, são necessários alguns ajustes.
Percebe-se que o bibliotecário desempenha papel fundamental no Programa de
Educação Continuada de Usuários do SiBi/UFPR. Destaca-se o papel de educador do
bibliotecário, pois a biblioteca é uma extensão da sala de aula onde o bibliotecário assume o
papel de instruir os acadêmicos quanto à busca, seleção, avaliação e uso da informação de
forma competente. Os bibliotecários de referência que atuam com a capacitação de usuários
no SiBi/UFPR, atualmente, passam muito tempo em sala de aula e por isso, precisam também
buscar seu desenvolvimento como educadores.
A biblioteca precisa oferecer o maior número de serviços de informação que auxiliem
no atendimento das necessidades informacionais da comunidade acadêmica e que propiciem a
atuação do bibliotecário como educador. O Programa de Educação Continuada de Usuários
do SiBi/UFPR é uma iniciativa que tem sido bem sucedida e pode ser replicada em outros
sistemas de biblioteca.

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                <text>Uezu, Denis, Araújo, Paula Carina, Estevão, Janete Saldanha Bach</text>
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                <text>Apresenta a evolução do papel educacional da Biblioteca Universitária, partindo de ações isoladas de treinamento das bibliotecas que integram o Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), até a transformação em uma iniciativa unificada denominada Programa de Educação Continuada de Usuários SiBi/UFPR. Este programa institucionaliza e padroniza o apoio à pesquisa para a comunidade acadêmica da UFPR. Este artigo é baseado em um modelo de pesquisa exploratório-descritivo, precedido de uma revisão bibliográfica sobre o tema. Relata os resultados obtidos a partir desta mudança e indica as oportunidades de melhorias para o avanço e aderência contínuos do programa em relação às necessidades de seu público-alvo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO INOVADOR

Valéria Martin Vails

RESUMO
Apresenta uma breve análise sobre a inovação em bibliotecas e discute oportunidades para
que o bibliotecário possa assumir uma nova postura pessoal e profissional frente às novas
demandas, discutindo inclusive caminhos para intensificar o potencial inovador do
bibliotecário. Realizou-se no âmbito teórico, com base em revisão de literatura realizada a
partir da consulta às principais fontes de informação da área de Ciência da Informação e
considerou também a experiência da autora como docente de graduação e pós-graduação em
temas diretamente ligados ao objeto deste trabalho. Como resultados parciais apresentou uma
coletânea de questões consideradas contemporâneas para ajudar o bibliotecário a repensar os
produtos e serviços de informação, podendo servir de impulso para a inovação na biblioteca e
concluiu que a inovação é perfeitamente aplicável à realidade das bibliotecas e merece
atenção por parte de seus gestores.
.Palavras-Chave: Inovação; Bibliotecário inovador.

ABSTRACT
Presents a brief analysis of innovation in libraries and discusses opportunities for librarians to
take on a new personal and professional attitude in the face of new demands, including
discussing ways to strengthen the innovative potential of the librarian. Was held in the
theoretical framework, based on the literature review from the query to the main sources of
the area of information science information and also considered the author's experience as a
teacher of undergraduate and graduate students on topics directly related to the object this
work. As partial results showed a collection of contemporary issues considered to help
librarians to rethink the information products and services, and can serve as impetus for
innovation in library and concluded that innovation is very applicable to the reality of libraries
and deserves attention from their managers.

Keywords: Innovation; Innovative librarian.

1 INTRODUÇÃO
O conceito de inovação normalmente está relacionado a ideias criativas, com alto
poder de transformação, sustentado por equipes altamente motivadas a olhar a realidade sob
novos prismas. Nesse sentido, inovar parece estar sempre ligado a fazer algo novo e

3107

�renovado... O que é perfeitamente aplicável a qualquer realidade, inclusive na prática
profissional do bibliotecário.
O presente trabalho pretende realizar uma breve análise sobre essa questão e discutir
oportunidades para que o bibliotecário possa assumir uma nova postura pessoal e profissional
frente às novas demandas, especialmente às relacionadas à inovação, discutindo inclusive
caminhos para intensificar o potencial inovador do bibliotecário.

2 REV ISÃ O DE LITER A TU R A
Analisando a literatura sobre o tema, descobrimos que a palavra “inovar” deriva do
latim in+novare, que significa “fazer novo”, renovar ou alterar (SAKAR, 2007, p. 29). Dessa
forma, a inovação pode compreender algo completamente novo ou algo remodelado, a partir
de algo já existente. Sob o enfoque administrativo, se relaciona a ter um conceito original, ou
muitas vezes, aplicar as ideias de outras pessoas em novidades ou de uma forma nova. Nesse
sentido, a inovação pode ser de vários tipos, desde o lançamento de novos produtos ou
serviços, melhoria de algo que já existe ou inovação organizacional, que otimiza a eficiência
da Organização. Embora seja algo certamente complexo, a inovação também pode ser
considerada uma habilidade de estabelecer relações, buscar oportunidades e tirar o máximo de
proveito destas (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008).
Inovação, portanto, envolve criatividade e ideias novas, mas, além disso, é necessário
que estas sejam implementadas e que tenham o seu impacto dimensionado. Um serviço
inovador na biblioteca, por exemplo, pode ser excelente, mas financeiramente inviável e
dependente de um só funcionário, o que torna essa inovação impraticável. Desta forma:
independente do tipo de inovação, se de pequena melhoria ou radical, se de
processo ou de produto, há uma sequência lógica, iniciada pelo surgimento
da ideia até sua implementação [...] Algumas ideias surgem e são
implementadas quase instantaneamente pelo próprio funcionário ou por seu
superior funcional imediato. Outras requerem anos de pesquisa,
monitoramento do ambiente, subcontratação de outras empresas e pesquisas
intensas com consumidores (TERRA, 2007, p. 23).
Os conceitos apresentados são interessantes para percebermos que, além da nova ideia
isoladamente, precisamos com certeza de um ambiente inovador, ou seja, processos, pessoas e
estruturas que apoiem a efetiva implantação da inovação e que garantam sua longevidade.
Também é primordial que o ambiente favoreça a colaboração e que de fato reconheça e
premie aqueles que têm ideias inovadoras e também aqueles que viabilizem a sua
implantação. Os colaboradores, certamente, devem estar preparados para a inovação,

3108

�predispostos a repensar a realidade e a evoluir suas atividades de acordo com as necessidades
dos clientes ou do ambiente organizacional.
Nesse contexto, considerando que a sociedade está em acelerada transformação, os
bibliotecários precisam com certeza estar antenados às transformações da comunidade a qual
atendem, identificando e gerenciando de maneira efetiva as novas necessidades e
expectativas. Não é incorreto afirmar que a inovação sempre esteve presente na biblioteca, já
que com a evolução dos suportes e das técnicas de tratamento e organização da informação e
do próprio usuário, a biblioteca (como qualquer outro sistema aberto), sofreu e continua
sofrendo impactos diretos e indiretos de vários elementos. Porém, de alguma forma, a
inovação nas bibliotecas foi impulsionada pelo uso das Tecnologias da Informação e
Comunicação (T IC s):

Com o uso das TICs as bibliotecas inovaram produtos e serviços, a noção de
valor agregado a informação ganha corpo, as bibliografias foram substituídas
por bases de dados, os levantamentos bibliográficos feitos através da cópia
xerográfica das fichas catalograficas são realizadas em pouco s minutos em
catálogos digitais, os boletins ou listas de novas a aquisições agora são
elaborados com ferramentas do software (sistema) de gerenciamento da
biblioteca e disponibilizados pelo próprio sistema, a consulta ao catálogo,
livros e periódicos eletrônicos podem ser feitos de qualquer lugar que tenha
acesso a internet, suprimindo assim a distância entre a informação e seu
usuário (RIBEIRO, 2012, p. 44).

A tecnologia certamente atua como um grande facilitador dos processos de inovação
na biblioteca e ganha cada vez mais importância, principalmente diante das mudanças sociais
que alteraram o estilo de vida da sociedade, cada vez mais antenada às questões tecnológicas.
Mas será que além da implantação de novos produtos e serviços utilizando as T I C s o
bibliotecário não pode ampliar a inovação em seu ambiente profissional, quebrando velhos
padrões e reinventando sua forma de atuação, inclusive para garantir seu bom posicionamento
profissional?
Com certeza a resposta a esse questionamento é sim, a inovação pode e deve ser uma
aliada às práticas gerenciais do bibliotecário, considerando a “inovação como um fator
estratégico para aprimorar os serviços já existentes, bem como para garantir sua
sustentabilidade” (GUILEM; TORINO; TAVARES, 2013, p.8). Reforçando essa afirmação:

3109

�Com o desenvolvimento tecnológico e as mudanças que ocorrem quase que
diariamente na sociedade os usuários buscam nas bibliotecas informação
fornecida de maneira mais rápida e atualizada, com isso os bibliotecários
tem que se adaptar a esta nova demanda, é preciso traçar um novo perfil
deste profissional da informação, alem de necessitar dos requisitos já
conhecidos como atenção, criatividade, paciência, conhecimento técnico
etc., ele deve desenvolver seu lado empreendedor (RIBEIRO, 2013, p. 1).
Cabe ao bibliotecário, portanto, buscar caminhos para ampliar a inovação na
biblioteca, o que certamente passa por um entendimento maior das oportunidades e desafios
relacionados a essa prática.

3 M A TER IA IS E M ÉTO D O S
A presente pesquisa realizou-se no âmbito teórico, com base em revisão de literatura
realizada a partir da consulta às principais fontes de informação da área de Ciência da
Informação, especialmente em comunicações de eventos. Além disso, considerou também a
experiência da autora como docente de graduação e pós-graduação em temas diretamente
ligados ao objeto deste trabalho.

4 RESULTADOS PA RCIA IS/FIN A IS
O bibliotecário deve estar em constante adaptação ao seu ambiente profissional, em
especial acompanhando as necessidades e expectativas dos usuários:
Neste contexto, infere-se que os profissionais que trabalham em Bibliotecas
e que tem como matéria-prima a informação, tenham a capacidade de lidar
de forma criativa com a disseminação do conhecimento. O bibliotecário,
além de ser um dinamizador, precisa ser um facilitador de informação
(GUILEM; TORINO; TAVARES, 2013, p. 9).

Apoiando a citada disseminação do conhecimento e com o objetivo de gerar ideias e
novos olhares em relação às práticas profissionais o Quadro 1 apresenta uma coletânea de
questões consideradas contemporâneas para ajudar o bibliotecário a repensar os produtos e
serviços de informação, podendo servir de impulso para a inovação na biblioteca:

3110

�Quadro 1 - Oportunidades de inovação na Biblioteca
A sp ecto

D e sc riçã o

C an ais d e co m u n ica çã o
m a is á g eis e efica zes

Considerando a comunicação em todos os seus aspectos: gestorEntidade
mantenedora,
gestor-colaboradores,
bibliotecausuários/comunidade, etc.
Já são realidade em diversas sistemas de bibliotecas os consórcios e
práticas colaborativas, como forma de otimizar os recursos
disponíveis.
A biblioteca acolhedora, com espaços disponíveis para seus diferentes
públicos e necessidades.
Cada vez mais a biblioteca atuará como um link entre as fontes de
informação e seus usuários.

C o la b o ra çã o n as p rá tica s
p ro fissio n a is
E sp a ço s físico s a co lh ed o res
e a cessív eis
Im p u lsio n a r o a ce sso , não
n ece ssa ria m en te
a
fo rm a çã o de acervo
In clu sã o cu ltu ra l, social e
d igital

In ter a çã o
do
físico
(p resen cia l) ao v irtu a l
M o d er n iza ç ã o das p rá tica s
g eren cia is
P ro d u to s
e
serviços
cen tra d o s no u su á rio /
clien te
N o v o s p ro d u to s e serviços
d e in fo rm a çã o

Ampliar as funções da biblioteca, não se restringindo apenas a
disponibilização da informação, mas também como centro de inclusão
e de aprendizagem, tendo como pano de fundo a responsabilidade
social.
As mídias sociais estão cada vez mais ganhando espaço nas
bibliotecas e o planejamento das bibliotecas híbridas já é uma
realidade.
Alguns temas estão ganhando cada vez mais espaço, como
empreendedorismo, sustentabilidade e colaboração.
Qualificar os estudos de usuário e implantar mecanismos eficazes para
o gerenciamento das manifestações dos usuários.

Principalmente com o apoio das ferramentas tecnológicas alguns
produtos e serviços clássicos podem ser repensados como o serviço de
referência, os catálogos, os empréstimos, etc.
Fonte: Elaborado pela autora com base em DUDZIAK (2009), GUILEM; TORINO;
TAVARES (2013) e MAMMO (2010).

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Diante desse cenário, é recomendável que os bibliotecários estruturem processos de
inovação e implantem ferramentas apropriadas à coleta de informações de seus usuários, para
garantir que suas manifestações sejam recebidas, analisadas e, sempre que possível, atendidas.
Para garantir a eficácia dos processos de gestão, a equipe deve ser qualificada e estar sempre
informada, para que seja possível a identificação do seu grau de satisfação, do seu
comprometimento, motivação e entusiasmo!
A inovação é perfeitamente aplicável à realidade das bibliotecas e merece atenção por
parte de seus gestores, para que os produtos e serviços oferecidos aos usuários dessas
bibliotecas de fato agreguem valor, contribuindo para o seu o avanço pessoal, social e
profissional.

3111

�6 REFERÊNCIAS
DUDZIAK,

E.

Portais de Bibliotecas Universitárias e os novos contextos de

aprendizagem . In: ENCONTRO DE BIBLIOTEC@RIOS DA UNEB-EBU, 3. Salvador,
2009.

Disponível

em:

&lt;http://pt.slideshare.net/elisabeth.dudziak/portais-de-bibliotecas-

universitarias-e-os-novos-contextos-de-aprendizagem-uneb-2009&gt;. Acesso em 14 maio 2014.
GUILHEM, C. B.; TORINO, L. P. e TAVARES, H. Um olhar sobre inovação em bibliotecas
universitárias:

desafios

e

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CONGRESSO

BRASILEIRO

DE

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&lt;

http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1645 &gt;. Acesso em 14 maio 2014.
MAMMO, Y. Haramaya University Library and Information Services: Looking Back and
Look Forward. The International Information &amp; Library Review , v. 42, p. 14-26, 2010.
RIBEIRO, R. M. A tecnologia da informação e comunicação (TIC): fator condicionante da
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RIBEIRO, R.M.R. Inovando o Serviço de Referência através das novas tecnologias de
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SAKAR, S. Inovação: metamorfoses, empreendedorismo e resultados. In: TERRA, J.C.C.
(Org.). Inovação: quebrando paradgimas para vencer. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 27-31.
TERRA, J.C.C. Processos de inovação. In: TERRA, J.C.C. (O rg). Inovação: quebrando

paradigmas para vencer. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 23-25.
TIDD, J.; BESSANT, J., PAVITT, K. Gestão da inovação. 3.ed. Porto Alegre : Bookman,
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agosto de 2013. Disponível em: &lt; http://www.humus.com.br/news/inovacao22.htm&gt;.

3112

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                <text>Apresenta uma breve análise sobre a inovação em bibliotecas e discute oportunidades para que o bibliotecário possa assumir uma nova postura pessoal e profissional frente às novas demandas, discutindo inclusive caminhos para intensificar o potencial inovador do bibliotecário. Realizou-se no âmbito teórico, com base em revisão de literatura realizada a partir da consulta às principais fontes de informação da área de Ciência da Informação e considerou também a experiência da autora como docente de graduação e pós-graduação em temas diretamente ligados ao objeto deste trabalho. Como resultados parciais apresentou uma coletânea de questões consideradas contemporâneas para ajudar o bibliotecário a repensar os produtos e serviços de informação, podendo servir de impulso para a inovação na biblioteca e concluiu que a inovação é perfeitamente aplicável à realidade das bibliotecas e merece atenção por parte de seus gestores.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O AMBIENTE DA BIBLIOTECA NA E-EVOLUÇÃO: COM A VOZ OS USUÁRIOS

Viviane Santos de Oliveira Veiga
Luis Guilherme Macena

RESUMO
As incertezas sobre o futuro da biblioteca, encontradas na literatura, aponta a
necessidade de traçar novos caminhos para a biblioteca continuar a contribuir no processo de
aprendizagem e aquisição de conhecimento. A e-evolução da biblioteca passa por desafios em
sua estrutura física e seus serviços. A biblioteca da e-evolução precisa ser confortável,
flexível, inspiradora e facilitar/motivar/inspirar a produção de conhecimento e a inovação.
Dado o planejamento de construção do Complexo dos Institutos Nacionais da Fiocruz,
atendendo duas Unidades de assistência, pesquisa e ensino, a Biblioteca começou a se
perguntar: como deveria ser este novo espaço? Que proposta de biblioteca levaríamos à
Direção do Instituto? Para responder estas perguntas optou-se dar voz aos usuários atuais e
potenciais da biblioteca, com um estudo de usuários. Foi realizada uma pesquisa cujo objetivo
foi identificar o ambiente ideal para a biblioteca na perspectiva dos profissionais,
pesquisadores e alunos deste Instituto. O questionário foi disponibilizado na versão impressa
e eletrônica. Foi retornado 91 questionários respondidos. Na análise dos dados percebe-se que
o usuário local tem a demanda relatada na literatura. O mais importante, na perspectiva deles,
foi a necessidade de disponibilizar materiais eletrônicos na biblioteca. O espaço de estudo
silencioso, acesso à internet sem fio e computadores com acesso à base de dados também
foram indicados como fatores fundamentais. A necessidade de tomadas elétricas para
notebooks, tablets e afins foram consideradas importantes na estrutura física da biblioteca.
Um espaço confortável para leitura é mais importante do que a assistência à pesquisa, na
visão dos usuários. A e-evolução na biblioteca precisa do apoio da direção da instituição onde
está inserida, mas só vai acontecer se houver a liderança do bibliotecário e da biblioteca para
demonstrar que esta é uma necessidade do seu usuário.
Palavras-Chave: Estudo de usuários; E-evolução; Biblioteca na era digital.

ABSTRACT
Uncertainties about the future of the library, in the literature, indicates the need to chart new
paths for the library to continue to contribute to the learning and knowledge acquisition
process. The library of e-evolution goes through challenges in their physical structure and
their services. The library of e- evolution needs to be comfortable, flexible, inspiring and
facilitate / motivate / inspire the production of knowledge and innovation. Given the
construction planning of the Complex of the National Institutes of Fiocruz, given two units of
care, research and teaching, the Library began to wonder, as it should be this new space?
What proposed the library should show the direction of the Institute? To answer these

3069

�questions we chose to give voice to current and potential library users, a study of users. A
survey aimed to identify the ideal physical structure for the library from the perspective of
practitioners, researchers and students of this Institute was held environment. The
questionnaire was available in printed and electronic version. 91 questionnaires were
returned. In analyzing the data, it is noticed that the local user has the demand reported in the
literature. The most important, in their view, was the need to provide electronic materials in
the library. The quiet study space, wireless Internet access and computers with access to the
database were also indicated as key factors. The need for electrical outlets for laptops, tablets
were considered important in the physical structure of the library. A comfortable space for
reading is more important than research assistance, in the view of users. The e- evolution in
the library needs the support of the leadership of the institution, but it will only happen if the
leadership of the librarian and the library to demonstrate that this is a necessity of its user.
Keywords: User Studies; E-evolution; Library in the digital age

1 INTRODUÇÃO
Avaliar e melhorar o espaço da biblioteca para o usuário é fundamental para sua
adesão e efetivo uso. As novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) têm
impulsionado mudanças no processo de produção, organização e disseminação do
conhecimento sentidos no ambiente das Bibliotecas. Em um momento que o diagnóstico das
bibliotecas públicas brasileiras tem nos mostrado um cenário de esvaziamento e fechamento
das bibliotecas (FERREIRA, 2006) e autores afirmam a morte da biblioteca, incluindo até o
relatório de autópsia da mesma (SULLIVAN, 2011), cabe aos bibliotecários repensar o seu
papel e seu ambiente frente às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s).
Muitos estudos partindo da premissa de que os fluxos de informação a médio prazo
serão transmitidos exclusivamente por formatos eletrônicos ameaçando o futuro dos livros em
sua estrutura atual, apresentam incertezas sobre a sobrevivência das bibliotecas nos novos
sistemas de informação. O acesso imediato às fontes de informação e as redes de colaboração
estão se tornando padrão. A estrutura física das bibliotecas e seus serviços precisam se
adaptar a este momento, porém, as maiorias das bibliotecas brasileiras continuam utilizando
um formato tradicional em seu ambiente, ou por falta de recursos ou por falta de estudos. O
bibliotecário, apenas movido de um pensamento inovador, pode conduzir a e-evolução das
bibliotecas. Vicente-de-Billion e Oyarce-Gatica (2010) nos ensina que este objetivo apenas é
alcançado quando se faz um estudo de um ponto de vista centrado no ser humano.
Motivados pelo projeto de construção do Complexo dos Institutos Nacionais da
Fiocruz, atendendo duas Unidades de assistência, pesquisa e ensino da Fiocruz, (Instituto de
Pesquisa Evandro Chagas - IPEC e Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do
Adolescente Fernandes Figueira - IFF), a Biblioteca da Saúde da Mulher e da Criança, situada

3070

�no IFF, começou a se perguntar como deveria ser este novo espaço? Que proposta de
biblioteca levaríamos à direção do Instituto? Para responder estas perguntas optou-se dar voz
aos usuários atuais e potenciais da biblioteca. Foi realizada uma pesquisa cujo objetivo foi
identificar o ambiente ideal para a biblioteca na perspectiva dos profissionais, pesquisadores e
alunos do IFF, na primeira etapa. Na segunda etapa será realizado um estudo com os
profissionais do IPEC. Este trabalho relata a experiência desta primeira etapa.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A biblioteca tem como missão atender satisfatoriamente o seu usuário a fim de que ele
obtenha o uso efetivo da informação disponibilizada, seja em meio impresso, com o acervo no
ambiente físico, como também no espaço virtual, onde a variedade de informação é vasta e
com suportes variados, por exemplo, artigos em bases de dados, e-book’s, materiais
audiovisuais, multimídia, entre outros. Essa mudança ocorreu em virtude do desenvolvimento
das TIC’s. Sendo assim, é possível atender tanto o usuário com acervo local, como também
com acervo em meio eletrônico.
Nesta perspectiva foi realizado um levantamento bibliográfico para se conhecer o
novo perfil das bibliotecas de modo a oferecer aos usuários serviços mais eficientes e que
impactem nos resultados das pesquisas geradas pelos pesquisadores destas instituições.
Percebemos que com o auxílio das TIC’s, a biblioteca pode continuar a cumprir sua missão,
não de depósito, mas de “estação de triagem” (LATOUR, 2000, p. 37) e ambiente de
aprendizagem (SINCLAIR, 2007).
De acordo com Sinclair o modelo de ambientes de aprendizado é “aberto, livre,
confortável, inspirador e prático” (2007, p. 5). Um projeto flexível, mobília móvel e
ferramentas tecnológicas introduzidas e prontas para uso promovem não apenas aprendizado
individual, mas em grupo, o que se traduz na “co-construção” de conhecimento (VAN NOTE
CHISM, 2006, p. 27). Percebemos este foco, em um ambiente que promova o aprendizado em
algumas iniciativas como a da Chattanooga Public Library354, cuja missão é “ser o catalisador
da comunidade para a aprendizagem ao longo da vida” (THE CHATTANOOGA, 2014).
Percebe-se que os autores acima mencionados nos mostram a necessidade da eevolução das bibliotecas, em seu ambiente. Segundo Vicente-de-Billion e Oyarce-Gatica
(2010) estudos centrados no ser humano, nos usuários reais e potenciais precisam realizados.

354 Disponível em:&lt;http://chattlibrary.org/&gt;.

3071

�A graduação dessa e-evolução precisa acompanhar a evolução eletrônica dos usuários daquela
comunidade.
Na área da ciência da informação, o estudo de usuário é desenvolvido há de 40 anos
(BATISTA; CUNHA, 2007). A finalidade é coletar dados para avaliação dos serviços
prestados e do uso da informação e análise dos dados é considerada “útil para a avaliação de
acervos e serviços existentes ou para definição de novas linhas de ação de bibliotecas”
(SILVA, 1989). São utilizados vários métodos: questionário, entrevista, observação, análise
de conteúdo, entre outros. Optou-se nesta pesquisa pelo uso do questionário.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo de usuário é definido por Figueiredo (1994, p.65) como “uma investigação
de primeira mão, uma análise e coordenação dos aspectos econômicos, sociais e de outros
aspectos interrelacionados de um grupo selecionado”, desse modo representa uma pesquisa
junto à comunidade. Os profissionais da Informação objetivando o conhecimento sobre a
necessidade do usuário em obter informação e o uso da biblioteca/centro de informação,
utiliza como um dos instrumentos o questionário, para identificar a visão do usuário quanto ao
ambiente, que por ele é utilizado.
O questionário consiste em uma relação de perguntas elaboradas e pensadas pelo
pesquisador a serem respondidas pelo público-alvo. Como vantagens da utilização desse
instrumento têm: baixo custo; possibilita atingir o público-alvo disperso; permite maior
liberdade e tempo ao respondente; menor distorção dos dados e dados com mais detalhes são
obtidos através de questões abertas; (CUNHA, 1982). A internet é o local que amplia o
alcance dos demais usuários e o uso de questionário nos dias atuais é cada vez mais constante
no ambiente virtual.
Foi utilizada uma abordagem qualiquantitativa, utilizando como instrumento de coleta
de dados um questionário semiestruturado (Figura 1). Para a construção do questionário
buscou-se, em levantamento bibliográfico, pesquisas que refletissem sobre o novo papel da
biblioteca, incluindo ou não estudos de usuários. Um trabalho inspirador para a construção
deste questionário foi o de Pierard e Lee (2010) que fez um estudo com seus usuários,
buscando um espaço confortável, flexível e que facilite/motive/inspire o aprendizado, a
produção de conhecimento e a inovação.
O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do adolescente Fernandes
Figueira é um Instituto que atua no ensino, na pesquisa e na assistência. Sua missão é
melhorar a qualidade de vida da mulher, da criança e do adolescente por meio de ações

3072

�articuladas de pesquisa, ensino, atenção integral à saúde, cooperação técnica nacional e
internacional e desenvolvimento e avaliação de tecnologias, como subsídio para formulação
de políticas públicas nacionais. Ele é constituído atualmente por dois prédios que abrigam um
hospital, laboratórios de pesquisa e um Programa de Pós-graduação todos na temática da
saúde da mulher, da criança e do adolescente. Para alcançar um maior número de
respondentes o questionário foi disponibilizado em duas versões, impresso e eletrônico. A
versão impressa (figura 1) foi disponibilizada e distribuída na recepção da biblioteca, na
recepção do Instituto, na entrada do Restaurante nos horários de almoço, na secretaria
acadêmica, nos ambulatórios do hospital e nos laboratórios de pesquisa. A versão eletrônica,
desenvolvida utilizando a ferramenta Google forms, foi enviada pela lista de e-mails do
Instituto. Independentemente da versão, apenas os profissionais, pesquisadores e alunos do
Instituto poderiam respondê-lo. A seguir descrevemos os resultados desta avaliação.
Figura 1 - Questionário de Avaliação

4 RESULTADOS FINAIS
A pesquisa junto aos usuários da biblioteca possibilitou identificar as preferencias
deles quanto no ambiente da Biblioteca, afim desta responder suas demandas de pesquisa. A
seguir descreve-se os resultados obtidos até o momento, com apoio dos gráficos que ajudam a
visualizar estes resultados. Os profissionais da assistência, pesquisadores e alunos do IFF
consideram extremamente importante a disponibilização de material online na biblioteca

3073

�(gráfico 1). Esta reação corrobora com os achados na literatura sobre as tendências dos e­
books e acesso as bases de dados científicas que disponibilizem o texto completo dos
documentos e urgente necessidade da e-evolução das bibliotecas
Em consonância com o desenvolvimento de novos ambientes de disseminação e
recuperação da informação, a biblioteca ampliou seus horizontes, e desse modo foi atribuída à
característica de “biblioteca sem paredes” (BENÍCIO; SILVA, 2005). A partir do uso da
internet como espaço facilitador para acesso a informação, a biblioteca pode disponibilizar
materiais online, sejam através de bases de dados, e-books, conteúdos multimídias, dentre
outros. Oportuniza aos seus usuários reais e potenciais maior aceitação da biblioteca como o
local de construção do conhecimento tanto em seu espaço físico, como também on-line.

Gráfico 1 - Materiais on-line da biblioteca
M ateriais on-line

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1 ■2

3 ■4

ms

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Outra questão importante para os usuários do IFF é o acesso à internet, considerado
por eles extremamente importante este acesso garantido via w if (gráfico 2). O usuário busca
no ambiente a possibilidade de, utilizando seus tablet’s, notebook e afins, ter garantido o
acesso à Internet.
Na era da mobilidade e conectividade os aparelhos móveis de acesso remoto à internet
são, para muitos, itens indispensáveis para acesso e uso da informação. Esses itens necessitam
de um ambiente em que o uso da internet não se limite ao computador disponibilizado no
ambiente da biblioteca. Pensando nessa demanda tecnológica, a biblioteca sendo o espaço
colaborador de construção e troca do conhecimento, não perde suas características essências,
mas ganha em qualidades informacionais (LEMOS, 2009; CARTTIER, 2006).

3074

�Gráfico 2 - Acesso à internet sem fio
A cesso à internet sem fio

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1 ■2

3 m u BS

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Tanto quanto ter acesso à internet sem fio, a possibilidade de impressão dos materiais
bibliográficos na biblioteca é extremamente importante na avaliação dos respondentes
(gráfico 3). Apesar de todo aparato tecnológico preparado para leituras online, a preferência
pela impressão do material para leitura e análise em papel ainda continua.

Gráfico 3 - Impressão de materiais bibliográficos

Impressão de materiais

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ ! B2

3 B4

5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Corroborando os dados do acesso à rede sem fio com o uso, cada vez maior, de
equipamentos pessoais, foi considerado muito importante a disponibilização de tomadas
elétricas para este fim (gráfico 4).

3075

�Gráfico 4 - Tomadas elétricas para notebooks, tablets e afins
T om adas elétricas para
notebooks, tablets e afins

2°M

10%
22%

65%

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
11

Fonte; Elaborado pelos autores, 2014

Os usuários da biblioteca também consideram extremamente importante a biblioteca
contar com uma infraestrutura de computadores com acesso às bases de dados científicas
(gráfico 5). Mais uma vez, vemos o papel da biblioteca como “estação de triagem”
(LATOUR, 2000, p. 37).

A garantia do acesso às bases de dados científicas é o fator

primordial para os usuários, com a maior pontuação. Isto mostra como o usuário percebe este
novo papel da biblioteca que dá acesso, não apenas ao seu acervo local, mas há outros acervos
especializados no Brasil e no mundo.
Gráfico 5 - Computadores com acesso às bases de dados
Computadores com acesso às bases
de dados
■ 2K

~% 5 %

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1 m2
3 m 4 ■5

Fonte; Elaboado pelos autores, 2014

A mediação do bibliotecário na assistência à pesquisa é justificada pela expertise no
uso de bases de dados. As especialidades do bibliotecário em construir estratégias de busca a

3076

�partir de vocabulário controlado utilizado pelas fontes de informação resultam em eficiência e
eficácia no levantamento bibliográfico junto ao especialista da área. A confiança no
bibliotecário para realização da busca bibliográfica é considerada um fator importante por
Cuenca (1999). Percebemos isto no resultado de nossa pesquisa (gráfico 6). É de suma
importância o auxílio do bibliotecário na assistência à pesquisa.
Gráfico 6 - Assistência à pesquisa
Assistência à pesquisa

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante =
■ 1 B2

3 «4 «5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Quanto a utilização de computadores em grupo, a maioria dos usuários consideram de
importante a muito importante (gráfico 7). Cabe ressaltar que na biblioteca do Instituto não
existe este espaço para grupos.

Gráfico 7 - Computadores para utilização em grupo
Computadores para utilização em
grupo
u 3 % m 4%

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1

■2

3

■ 4

■ 5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014
Em um ambiente inspirador para produção do conhecimento os usuários consideram
importante a garantia de salas de estudo coletivo com recurso multimídia (gráfico 8).

3077

�Gráfico 8 - Sala de estudo coletivo com recurso mulimídia
Sala de estudo coletivo com recurso
multimídia
■ 4%

Escala de avaliação
(Não Im portante = 1 / M uito Im p ortante = 5)

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

No ambiente da biblioteca, o mobiliário, além de atender aos padrões normativos,
deve proporcionar ao usuário o conforto necessário para o momento de uso do espaço para
estudos e leituras. A escolha do mobiliário adequado é um fator importantíssimo, pois está
relacionado à saúde do usuário, e sua escolhe deve procurar impedir prejuízos à saúde do
usuário. Costa (2011, p. 9) aborda alguns critérios para implantação do mobiliário no espaço
confortável:
A escolha do mobiliário deve ser pautada pelos seguintes critérios: qualidade (da
matéria prima e do acabamento), funcionalidade (adequado ao uso), estética e flexibilidade e
modularidade (que possam ser juntados e separados), ergonomia, praticidade de manutenção e
durabilidade.
Gráfico 9 - Espaço de leitura
Um dos pontos pouco considerado

confortável

em bibliotecas tradicionais e apontado

Espaço de leitura confortável

como fundamental pelos usuários é o fato

■ 2%■ 10{°a 3%

da biblioteca ter um espaço de leitura
22%

confortável (gráfico 9). Não basta para a
biblioteca contemporânea ter cadeiras e
mesas como tradicionalmente posto, mas

72%

precisa ter, como vimos na literatura,
Escala de avaliação
(Não Im p ortante = 1 / M uito Im p ortante = 5)
■1 B2
3 ■4 « 5

poltronas

e

outros

mobiliários

que

possibilitem o conforto do usuário.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3078

�Ao planejar o espaço para leitura e

Gráfico 10 - Espaço de estudo silencioso

estudo na biblioteca, é necessário medir os
Espaço de estudo silencioso

níveis sonoros (dB) e os níveis de ruídos
- 2K ",

" 1%

(NC). No ambiente da biblioteca o nível
sonoro recomendado são de 35-45dB e o
nível

de

ruído

(ASSOCIAÇÃO
NORMAS

são

de

30-40NC

BRASILEIRA

TÉCNICAS,

DE

1987).

É

Escala de avaliação
(Não Im p ortante = 1 / M uito Im p ortante = 5)

■1 B 2 ■3 ■ 4 ■5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

importante

ressaltar

que

os

valores

apresentados são padrões para manter o
conforto no ambiente, caso ocorra aumento

Apesar da mudança do formato e
estrutura

física

da

dos níveis pode ocasionar desconforto ao

biblioteca

usuário, porém não implica de danos à

silencioso

saúde.

contemporânea, o ambiente

permanece como algo muito importante
para a Comunidade do IFF (gráfico 10).

Gráfico 11 - Espaço de estudo coletivo

Gráfico 12 - Espaço de estudo individual

para quatro pessoas
Espaço de estu d o coletivo para 4
pessoas
■ 4%m 3%

Escala de avaliação
(Não Im p ortante = 1 / M uito Im p ortante = 5)

■ 1 ■ 2 H3 ■ 4 ■ 5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Escala de avaliação
(Não Im p ortante = 1 / M uito Im p ortante = 5)

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3079

�De acordo com Bertolucci apud Both (2004) a biblioteca deixou de ser um
“repositório de conhecimento” para se tornar num espaço de “encontro, comunicação e
investigação”. No ambiente da biblioteca ter um espaço para o estudo coletivo para até 4
pessoas é considerado de médio a muito importante (gráfico 11). O espaço para estudo
individual foi avaliado como muito importante (gráfico 12), mais do que o espaço em grupo.
Isto tem relação com a literatura que nos mostra que muito pesquisadores, apesar do trabalho
em rede, este é feito pelo uso da Internet.
Comparando com os resultados do espaço de uso de computadores em grupo
(gráfico 7), este último foi considerado ainda mais importante, do que o espaço de estudo
individual. No IFF ter um espaço para o estudo coletivo para até 10 pessoas dividiu a opinião
dos usuários do IFF, sendo considerado de sem importância a muito importante (gráfico 13).
Gráfico 13 - Espaço de estudo coletivo para até dez pessoas
Espaço de estudo coletivo para até 10

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■1 «2
3 « 4 ■5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

A intenção de pensar o “espaço café” como espaço
integrado à biblioteca é caracterizada pelo

Gráfico 14 - Espaço café
E s p a ç o C a fé

ambiente que proporciona ao usuário maior
interação/relacionamento de modo livre, sem a
necessidade de se preocupar com o incômodo ao
usuário do espaço destinado a leitura e estudo.
Contribui para o desenvolvimento de ideias,
através do colégio invisível, conversas informais,
maior interatividade

com

a comunidade de

28%
Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)

usuários. Além de propor uso do espaço para
alimentação, para pequenas pausas nos estudos,

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3080

�oferecendo um ambiente aconchegante sem a necessidade de sair do espaço da biblioteca
(FRANCISCO, 2006). O espaço café também dividiu a opinião dos usuários (gráfico 13),
apesar de predominar a consideração de ser importante no espaço da biblioteca.

Gráfico 15 - Espaço para socialização com os amigos
Espaço para socialização com os
amigos

O espaço para socialização com os amigos
dividiu a opinião dos usuários (gráfico 15),
mas a maioria demonstra o interesse em
reservar um espaço destinado às conversas,
troca de informações e diálogos que não
venham atrapalhar outros ambientes, como

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1 B 2 B B B 4

por exemplo o espaço de estudo e leitura,

5

visto que estes ambientes necessitam
silêncio.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Gráfico 16 - Obras de arte
A existência de obras de arte na biblioteca foi
considerada pouco importante para a maioria dos
usuários (gráfico 16).
A leitura se caracteriza como uma das principais
atividades desenvolvidas no ambiente da biblioteca, e a
presença de luz natural se torna inevitável. É necessário
proporcionar ao usuário conforto no desenvolvimento
das suas atividades no espaço da biblioteca.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3081

�Gráfico 17 - Janelas e luz natural
Segundo Pinto (2008) a luz natural proporciona

Janelas/ luz natural

■3% . 1%

um ambiente confortável e agradável a partir do ponto de
vista térmico e visual, desde que sejam utilizadas de
modo estratégico. A literatura nos aponta a importância
da iluminação natural nas bibliotecas e isto foi

■ 39%

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante

dentificado pelos respondentes da pesquisa que em sua
maioria declaram ser muito importante (gráfico 17).

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Um espaço para crianças na biblioteca foi considerado sem importância para os
respondentes da pesquisa no IFF (gráfico 18). Este dado pode ter relação com uma creche que
funciona para os servidores que atuam no Instituto. Mas este fator, também não foi
encontrado na literatura como um aspecto importante para a biblioteca na e-evolução.

Gráfico 18 - Área para crianças
Á re a p a ra c ria n ç a s

■ 20%

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

A tabela abaixo faz um resumo dos dados detalhados acima. A tabela demonstra a
média ponderada das notas de cada item do questionário. Dos 18 itens 11 ficaram com média
acima de 4. Podemos perceber que o mais importante, do ponto de vista do usuário, está no
fato da biblioteca disponibilizar materiais eletrônicos, seguido do espaço de estudo silencioso,
acesso à internet sem fio e computadores com acesso à base de dados.
A pesquisa realizada com os usuários do IFF nos demonstrou a importância da
transição da biblioteca para a evolução eletrônica. Os pesquisadores, alunos e profissionais de

3082

�saúde do IFF elegeram como o item mais importante o acesso a materiais on-line na
biblioteca como e-books e artigos. A garantia de acesso à bases de dados especializada,
também é considerado de grande importância para os usuários Isto nos aponta a importância
dos bibliotecários buscarem a transição na aquisição de periódicos e livros para o formato
eletrônico, não esquecendo das questões de acesso perpétuo. Além de garantir a assinatura de
bases de dados especializadas.
Apesar de toda a inovação que as bibliotecas precisam alcançar o silêncio,
tradicionalmente solicitado pelos bibliotecários ainda é considerado de muita importância
para o usuário. Hoje em dia, como muitos são os ruídos frequentes (a biblioteca atualmente
fica de frente para uma rua principal de grande movimento), o espaço da biblioteca precisa ter
uma estrutura com isolamento de ruído, principalmente nas cabines que garanta o silencio
esperado. Estas cabines para estudo individual também foram consideradas importantes para
os usuários, recurso este ausente atualmente na biblioteca do IFF. A biblioteca com espaço de
estudo silencioso contribui para que se torne um ambiente propício a aprendizagem.
O acesso à internet sem fio, o terceiro colocado no ranking, e as tomadas elétricas para
notebooks, tablet e afins, oitavo colocado no ranking, os dois com médias acima de 4, nos
mostram como a biblioteca precisa ter uma estrutura física preparada para receber os
equipamentos eletrônicos dos usuários.
Uma surpresa para a equipe da biblioteca foi o item “espaço de leitura confortável”
receber a quinta colocação no ranking das médias das respostas. O usuário da biblioteca
considera este ponto muito importante, mas até da tradicional assistência a pesquisa realizada
pelo bibliotecário. Isto realça o que encontramos na literatura sobre a importância do
ambiente da biblioteca substituir as cadeiras “quadradas”, por poltronas confortáveis, investir
em um ambiente dinâmico e inspirador.
A possibilidade de impressão dos materiais bibliográficos foi considerado muito
importante estando em sétimo lugar entre os dezesseis itens questionados, e ainda assumindo
um média acima de 4, lembrando que a nota máxima era 5. A sala de estudo em grupo e a sala
de estudo coletivo com recurso multimídia também receberam uma média acima de 4. Estas
demandas precisam ser respondidas para que possamos garantir realmente um ambiente
propício a pesquisa, ensino e inovação, além de responder as iniquidades em saúde, na
assistência.

3083

�Tabela 1 - Média ponderada de cada pergunta
C aracterísticas classificadas por nota m édia (Escala de gosto de
1 a 5, Não im portante = 1; M uito im portante = 5)
M édias das respostas

Materiais on-line da biblioteca (e-books e artigos)

4,77

Espaço de estudo silencioso

4,68

Acesso à internet sem fio

4,64

Computadores com acesso à base de dados

4,64

Espaço de leitura confortável

4,59

Assistência à pesquisa

4,54

Impressão de materiais bibliográficos

4,53

Tomadas elétricas para notebooks, tablet e afins

4,46

Espaço de estudo individual

4,32

Computadores para utilização em grupo

4,19

Sala de estudo coletivo com recurso multimídia

4,19

Janelas/luz natural

3,99

Espaço de estudo coletivo para até 4 pessoas

3,86

Espaço para socialização com os amigos

3,33

Espaço de estudo coletivo para até 10 pessoas

3,11

Espaço café

3,03

Obras de arte

2,81

Área para crianças

2,20

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3084

�Gráfico 19 - Média das notas por item
MÉDIAS DAS NOTAS POR ITEM

Médias
■ M atérias on-line dabb lbteca(e-bo oks e artigos)
■ Acesso à internet sem fio
■ Espaço de leitura confortável
■ Im presso de materiais b biográficos
■ Espaço de estudo individual
■ Saia de estudo coletivo com recurso multimídia
■ Espaço de estudo coletivo para até 4 p e s o a s
■ Espaço de estudo coletivo para até 10 pessoas
■ Obras de arte

■ Espaço de estudo silencioso
Computadores com acesso à base de dados
■ Assistência à pesquisa
■ Tom adas elétricas para notebooks tablet e afins
■ Computadores para utiização em grupo
■ Janelas/luz natural
Espaço para socialização com osam gos
■ Espaço café
■ Área para cr enças

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

5 CONSIDERAÇÕS FINAIS
A Biblioteca da Saúde da Mulher, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da
Criança e do Adolescente Fernandes Figueira está atenta as necessidades de reinventar/rever
seus processos e espaços para contribuir no ambiente de aprendizagem necessário para seu
público.
O IFF que está prestes a construção de um novo espaço para o Instituto e para a
biblioteca, precisa levar em conta estas demandas. Este questionário também será aplicado no
IPEC, pois a biblioteca atenderá a esses dois públicos com a construção do Complexo dos
Institutos Nacionais da Fiocruz. Aproveitar este momento para junto a Direção, pensar esta
obra de modo a contribuir para a adesão de mais usuários à biblioteca, e mais conforto e
praticidade para os já usuários é papel da biblioteca.
A e-evolução na biblioteca precisa do apoio da direção da instituição onde está
inserida, mas só vai acontecer se houver a liderança do bibliotecário e da biblioteca para
demonstrar que esta é uma necessidade do seu usuário.
O bibliotecário, e a instituição devem, como Latour (2000, p.22), não considerar a
biblioteca como uma fortaleza isolada ou como um tigre de papel, mas pretender “pintá-la
como o nó de uma vasta rede onde circulam não signos, não matérias, e sim matérias
tornando-se signos”. Pensando desta forma a biblioteca poderá se tornar um ambiente de
aprendizagem, uma estação de triagem, um catalisador de aprendizagem ao longo da vida. A

3085

�Biblioteca da Saúde da Mulher e da Criança disponibiliza informação para tomada de decisão
clínica e de pesquisa e ensino em saúde. Ela com um ambiente incentivador da inovação
contribuirá para a produção de conhecimento em um contexto onde a informação pode salvar
vidas.

6 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152: níveis de ruído para
conforto

acústico.

Rio

de

Janeiro:

ABNT,

1987.

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BATISTA, Sofia Galvão; CUNHA, Murilo Bastos. Estudo de usuários: visão global dos
métodos e coletas de dados. Perspectiva em Ciência da Informação, v. 12, n. 2, p. 168-184,
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BENÍCIO, Christine Dantas; SILVA, Alzira Karla Araújo da. Do livro impresso ao e-book: o
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COSTA, Klytia de Souza Brasil Dias da. Organização de bibliotecas: espaço físicos. Rio de
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CUENCA, Angela Maria Belloni. O usuário final da busca informatizada: avaliação da
capacitação no acesso a bases de dados em biblioteca acadêmica. Ci. Inf., Brasilia , v. 28, n.
3, dez.
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&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019651999000300007&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 21 abr. 2014.
CUNHA, Murilo Bastos. Metodologias para estudo de usuários de sistema de informação
científica e tecnológica. Revista de biblioteconomia de Brasília, Brasília, DF, v. 10, n. 2, p. 5­
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FERREIRA, Maria Mary. Políticas públicas de informação e políticas culturais: e as
bibliotecas públicas para onde vão?. Transinformação, Campinas, v. 18, n. 2, p. 113-122,
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�FIGUEIREDO, Nice Menezes. Estudo de uso e usuários. Brasília, DF: IBICT, 1994.
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3087

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                <text>Veiga, Viviane Santos de Oliveira, Macena, Luis Guilherme</text>
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                <text>As incertezas sobre o futuro da biblioteca, encontradas na literatura, aponta a necessidade de traçar novos caminhos para a biblioteca continuar a contribuir no processo de aprendizagem e aquisição de conhecimento. A e-evolução da biblioteca passa por desafios em sua estrutura física e seus serviços. A biblioteca da e-evolução precisa ser confortável, flexível, inspiradora e facilitar/motivar/inspirar a produção de conhecimento e a inovação. Dado o planejamento de construção do Complexo dos Institutos Nacionais da Fiocruz, atendendo duas Unidades de assistência, pesquisa e ensino, a Biblioteca começou a se perguntar: como deveria ser este novo espaço? Que proposta de biblioteca levaríamos à Direção do Instituto? Para responder estas perguntas optou-se dar voz aos usuários atuais e potenciais da biblioteca, com um estudo de usuários. Foi realizada uma pesquisa cujo objetivo foi identificar o ambiente ideal para a biblioteca na perspectiva dos profissionais, pesquisadores e alunos deste Instituto. O questionário foi disponibilizado na versão impressa e eletrônica. Foi retornado 91 questionários respondidos. Na análise dos dados percebe-se que o usuário local tem a demanda relatada na literatura. O mais importante, na perspectiva deles, foi a necessidade de disponibilizar materiais eletrônicos na biblioteca. O espaço de estudo silencioso, acesso à internet sem fio e computadores com acesso à base de dados também foram indicados como fatores fundamentais. A necessidade de tomadas elétricas para notebooks, tablets e afins foram consideradas importantes na estrutura física da biblioteca.Um espaço confortável para leitura é mais importante do que a assistência à pesquisa, na visão dos usuários. A e-evolução na biblioteca precisa do apoio da direção da instituição onde está inserida, mas só vai acontecer se houver a liderança do bibliotecário e da biblioteca para demonstrar que esta é uma necessidade do seu usuário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ANÁLISE DO FLUXO INTERNO DA INFORMAÇÃONO CENTRO DE CIÊNCIAS
HUMANAS DA UFMA

Maria Stela Martins Veloso

RESUMO
A universidade como instituição pública, tem como uma das responsabilidades sociais, a
transmissão de informações. No gerenciamento do fluxo internode um centro acadêmico,
analisou-sea satisfação, a percepção e o comportamento informacional dos usuários. Para
tanto, procedeu-se o desenvolvimento de umestudo de caso descritivo do tipo qualiquantitativo, que teve como instrumentos de coleta de dados: documentos oficiais,
questionário e entrevistas.Identificou-se que existem falhas na informação, sendo eminente a
fragmentação da informação. A informação mais buscada é a oferta de disciplinas. O fluxo da
informação interna tramitaem várias instâncias.Após o gerenciamento da informação, estassão
ofertadas aos usuários segundodemandas e necessidades. O fluxo informacional é vertical e
hierarquizado.A instituição carece de uma política formal no trato com a informação.
Palavras-chave: Gerenciamento da informação. Fluxo interno da informação. Usuário da
informação.
ABSTRACT
Research about internal flow management in academic center at public university identifies
satisfaction, perception and information behavior of users. Therefore, approach descriptive
case study of the quantitative and qualitative type, with the instruments for data collection
questionnaire and interviews. It's identified gaps in the information and failure most often
mentioned is the fragmentation of information. Information more supply it's about
disciplines. Research identifies that most common failure is information fragmentation.
Internal flow information in several instances where after the management is now offered to
users based on demands and needs. Flow information is vertical and hierarchical, and the
institution lacks a formal policy in dealing with information.
Keywords: Management information. Internal flow information. Userinformation.

1 INTRODUÇÃO
O tema gerenciamento da informação é bastante relevante no universo institucional
onde ainformação, enquanto conceito carrega uma diversidade de significados, estando
presente no cotidiano individual e no organizacional / institucional. Segundo Araújo (2001), o
conceito de informação está ligado às noções de comunicação, controle, dados, forma e

2087

�representação de conhecimentoAraújo (2001) considera que a atribuição de sentido, seja
como um processo de representação para a comunicação. Sendo assim, a informação
comporta um elemento de sentido, onde o objetivo do ato de informar é o envio e a apreensão
de sentido, logo, considera-se que se não ocorre atribuição de sentido (recepção) e processo
de representação (geração e transferência) do fenômeno informacional não se desenvolve.
A compreensão do valor da informação passa, necessariamente, pelo uso que se faz
dela e pelo entendimento que se tem do seu conceito. É desta forma, que Araújo (2001)
considera um processo aberto, no sentido em que ela não garante a transformação dos
conhecimentos (individuais ou sociais), apenas oferece ao sujeito do conhecimento a
possibilidade de operar a transformação ou não.
O objetivo geral desta pesquisa consistiu em analisar o gerenciamento da informação
no CCH/UFMA, considerando o fluxo interno da informação. Para tanto, o levantamento das
necessidades de informação e a utilização foi avaliado pelos alunos na parte quantitativa, e a
obtenção e distribuição foi contemplada na análise dos funcionários, em abordagem
qualitativa, conforme observado no modelo de Davenport e Prusak (1998) e Choo (2006).
Procurou-se identificar o nível de satisfação dos alunos de graduação do CCH/UFMA, frente
às suas necessidades de informações, considerando o fluxo da informação. Especificamente
visa-se saber como o fluxo informacional interno interfere na disponibilização da informação
externa ou divulgada.

3 FONTES E CANAIS DE COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES
No gerenciamento do fluxo da informação existem diversos instrumentos que
favorecem o êxito da circulação da informação dentro de uma instituição. As fontes formais
de informação tipo publicações impressas (jornais, revistas e boletins), mural, intranet e
newsletters são alguns exemplos, bem como as fontes informais como, reuniões, palestras,
contatos telefônicos, dentre outras que aliadas a um bom planejamento, são verdadeiras
ferramentas que auxiliam na otimização do tempo, referente à divulgação de informações.
Davenport (2001, p. 52) considera as fontes de informação verbais ou informais,
extremamente importantes no processo de transmissão ou transferência da informação.
“Pessoas ainda são os melhores ‘meios’ para identificar, categorizar filtrar, interpretar e
integrar a informação. Não me refiro ao pessoal de tecnologias da informação, que lida com
computadores e redes mas, às pessoas que fornecem e interpretam as informações”.
No campo da Ciência da informação, Araújo (2001) afirma que vários estudos tem
sido desenvolvidos sobre os canais ou fontes de comunicação e informação formais e

2088

�informais, e sobre as barreiras existentes no processo de disseminação da informação e,
consequentemente, na prática informacional. Os computadores podem ajudar a agregar
valores e transformar dados em informação, porém quase nunca ajudam na parte de contexto,
e os seres humanos geralmente precisam agir nas partes de categorização (DAVENPORT;
PRUSAK, 1998).
Da mesma forma, Figueiredo (1983, p. 46), também considera as fontes informais até
mais importantes do que os canais formais quando defende que os canais informais de
comunicação são considerados mais importantes do que os canais formais para satisfazerem
muitos tipos de necessidades de informação. Para Figueiredo (1983) e Zivianiet al. (2008), as
características das fontes formais e informais, podem influenciar na ocorrência e tipo de
necessidade, afetando a percepção das barreiras à informação e as maneiras pelas quais as
necessidades podem ser atendidas.Zivianiet al (2008, p. 1) enfatiza essa questão onde trata o
assunto sob o termo “práticas ou estratégias formais de compartilhamento de informações”
que são os meios disponíveis para que se estimule, se divulgue e compartilhe informações no
ambiente organizacional. Como fontes formais, destacamos: os periódicos científicos, paper,
livros, documentos, jornais internos, quadros de avisos, relatórios e correio eletrônico (que de
forma estruturada tramitam dentro da empresa). Como fontes informais temos:reuniões,
palestras, feiras, contatos pessoais, redes sociais, telefone, dentre outras, que não possuem
caráter oficial e podem ter origem interna ou externa.
O compartilhamento tanto formal como informal deve ser incentivado pela instituição.
Onde há práticas direcionadas a um ambiente favorável, as chances de o conhecimento ser
compartilhado de forma espontânea são muito maiores do que em casos onde há imposição da
gerência para que isso ocorra. No entanto, existem fatores que inibem a transferência de
conhecimento, entre eles a barreira cultural. À medida que esses fatores possam ser
eliminados, o compartilhamento do conhecimento fluirá de maneira mais consistente na
organização. Uma desvantagem do compartilhamento informal é que, como este não é
documentado, pode não atingir a todos (ZIVIANI et al., 2008).

4METODOLOGIA
A pesquisa consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem quantiqualitativa, noCentro Acadêmico de Ciências Humanas da Universidade Federal do
Maranhão. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado aplicado a alunos;
e entrevistas semiestruturadas realizadas com funcionários; e a observação participante, uma
vez que a pesquisadora atua na organização. A análise de dados iniciou-se com a abordagem

2089

�quantitativa, a qual caracterizou o nível de satisfação dos alunos de graduação frente às suas
necessidades de informações. Os dados qualitativospermitiram identificar o fluxo da
informação interna que circula na instituição onde as informações internas após o
gerenciamento, passam a ser ofertadas aos usuários/alunos de acordo com as necessidades e
demandas.
A fase quantitativa objetivou obter dados estatísticos, referente à satisfação de usuários
sobre o gerenciamento do fluxo da informação. Nesta fase aplicaram-se questionários com
parte da amostra selecionada para estudo. A amostra real foi de 381 alunos, equivalente a 15%
do total do Centro. As variáveis utilizadas para representar o perfil dos alunos foram: quanto
ao curso, ano de conclusão, faixa etária, sexo, frequência e ocupação. A amostra selecionada
foi probabilística aleatória simples. Os questionários constituíram-se de dezenovequestões,
aplicados aos alunos de graduação sendo dividido em três partes. De acordo com a abordagem
descrita por Araújo (2001), identificou-se o perfil, o comportamento informacional e o nível
de satisfação com os serviços de informação.Procurou-se identificar nas perguntas do
questionário, os critérios de qualidade da informação descritos por Félix (2003) no intuito de
colher as demandas e necessidades dos entrevistados.
A fase qualitativa considerou o contexto onde a informação circula e a percepção das
pessoas que trabalham diariamente com a mesma, bem como os canais de distribuição da
informação. Nesta fase utilizou-se entrevista do tipo semiestruturada com parte da amostra
selecionada, através de um roteiro pré-definido de perguntas. O total de funcionários do
Centro é o seguinte: funcionários efetivos do quadro da instituição, 30; funcionários
terceirizados, 45, formando um total de 75. Foram entrevistados 15% dos funcionários, num
total de 75, sendo assim, entrevistaram-se 15 pessoas. Procurou-se identificar o acesso às
informações, de uso interno e externo. Tratou-se dos meios de divulgação e compartilhamento
e obstáculos que podem causar problemas a fluidez da informação. Utilizou-se a técnica de
observação e conversas informais com pessoas direta e indiretamente envolvidas com as
atividades de gerência da informação.

5 RESULTADOS
Na primeira fase da pesquisa, a quantitativa, identificaram-se os seguintes dados
quanto ao perfil dos respondentes: a maioria (40%) tem entre 18 e 22 anos; quanto ao sexo,
houve uma equivalência de gênero; a frequência semanal às atividades do centro da maioria
(73%) é de 5 vezes na semana; quanto á ocupação, a maioria (47%) não trabalha; quanto à
conclusão de curso, a maioria (94%) ainda permanece em atividade nos próximos três anos.

2090

�As variáveis apontaram que a amostra destas categorias foi bastante significativa para os
resultados da pesquisa.Apresentam-se em seguida os principais resultados em forma de
gráficos numerados em sequência. O quantitativo dos que responderam ao questionário
aparece representado em números na parte de baixo das colunas de cada percentual. Quanto
ao gerenciamento do fluxo interno da informação, que considerou demandas e necessidades,
mostra que a informação mais procurada no centro é a oferta de disciplinas, com 76% de
procura; seguida de informações relativas a eventos com 54%, conforme demonstra o Gráfico
1
76%

Cursos de
extensão

Estágios e bolsas

Eventos

Ofertas de
disciplinas

O Gráfico 2 demonstra as rincipais fontes de busca por informações disponibilizadas
aos usuários do Centro acadêmico. Observa-se que a principal fonte de busca por informações
é a Coordenação de curso, com 67% de procura; seguida dos Murais ou Quadros de avisos,
com um percentual considerável de 49%. As demais fontes de informação aparecem com
percentuais equiparados de interesse.
67%

Balcão de
atendimento

Outdoore
Cartazes

Panfletos e
Folders

Murais

Coordenação
de Curso

Quanto à clareza e objetiidade da informação divulgada, o Gráfico 3 demonstra que
63% concordam parcialmente com este atributo e 15% concordam totalmente.Sendo assim,
somando-se os percentuais de concordância, que é de 78%, a maioria considera as

2091

�informações recebidas e disponibilizadas relevantes para uso. Considera-se este resultado
bastante relevante, visto que é de extrema importância que a informação chegue até os
usuários de forma clara e objetiva para uso.

O Gráfico 4 representa a tualização da informação divulgada, onde, somando-se os
percentuais dos que afirmam, 68% consideram que as informações divulgadas estão
atualizadas; poucos sãos os que discordam da atualização da informação. Como foi visto no
gráfico anterior, o percentual de aprovação para este questionamento foi bastante
considerável.

Quanto a existência das alhas na informação, os entrevistados afirmaram, num total de
77% que existe algum tipo de falha na informação e a falta mais identificada foi a
fragmentação da informação com (73%); como demonstra o Gráfico 5. Observa-se que a
informação mesmo com as qualidades apontadas pela maioria dos respondentes,apresenta
falhas. Este resultado confirma o que está descrito no Gráfico 2 onde, os usuários procuram a

2092

�mediação dos funcionários na busca por informação, no momento que a mesma apresenta as
falhas citadas.

Quanto ao nível de satisfção quando encontram a informação, 59% declaram-se
parcialmente satisfeitos; observa-se que esse percentual dos insatisfeitos, deriva das falhas já
apontadas. No Gráfico 6, está representado o percentual dos que afirmam ser prejudicados
quando não encontram a informação que procuram que são 77%, somando-se os percentuais
dos que concordam de alguma forma.

36%

Concordo
totalmente

31%

Concordo
Não concordo
Discordo
parcialmente nem discordo parcialmente

Discordo
totalmente

O Gráfico 7 demonstra o nvel de satisfação com os funcionários que fornecem
informações aos usuários. Observa-se que, somando-se os percentuais, 63% afirmam que
estão satisfeitos com os funcionários que gerenciam e divulgam informações. No entanto,
existe um percentual ainda de 25% que não estão satisfeitos. O ideal seria um percentual mais
elevado quanto a essa afirmativa.

2093

�Na fase qualitativa, o prfil dos entrevistados foi o seguinte: entrevistaram-se
funcionários das coordenações de curso, do balcão de atendimento e do gabinete do Diretor
do Centro. A quantidade de funcionários em cada setor é a seguinte: coordenações de curso,
entre 3 e 4 funcionários, sendo 2 por cada turno de funcionamento.Tempo de atividade no
setor é entre 2 a 5 anos. Quanto ao nível de escolaridade, 3 pós-graduados, 5 de nível superior
completo, 5 de nível superior incompleto e 2 com ensino médio completo. Cargos que
ocupam: coordenadores de curso, secretário(a)s de coordenação efetivos e terceirizados
(menor parcela). Setor que trabalham: Coordenações de curso (8 pessoas), 4 no balcão de
atendimento e 3 no gabinete do Diretor do Centro. Perfazendo um total15 entrevistados com
carga de trabalho de 8h diárias. A seguir apresentam-se trechos das falas de alguns
entrevistados referentes às principais questões levantadas no trato com a informação. Os
entrevistados estão identificados da seguinte forma: E1, E2. E3, ou cita-se o cargo que o
mesmo ocupa.Quanto ao gerenciamento da informação, identificou-se o seguinte: a fonte
menos utilizada e com menor eficiência é balcão de atendimento; a fonte mais procurada é a
Coordenação de cursos, conforme afirmaram dois entrevistados:

Os alunos buscam mais informações mesmo é na Coordenação de Curso,
eles vem aqui direto. Mesmo a gente colocando a informação no mural, eles
sempre confirmam vindo aqui ou então telefonando. (Secretária de
Coordenação)
[...] Mesmo estando as informações nos meios que você citou agora, os
alunos ou as pessoas de fora, sempre procuram a informação na
Coordenação. A gente põe quase tudo nos Murais que estão aí fora mas, eles
vem sempre aqui ou então telefonam. (Funcionário terceirizado).

2094

�Os murais ou quadros de avisos também são bastante procurados, como foi
demonstrado no Gráfico 2. O tipo de informação mais procurada é a oferta de disciplinas,
conforme um dosentrevistados:
As informações que os alunos mais procuram são referentes às disciplinas
que irão ser ofertadas no período seguinte ou em período de férias.(E1)

O tempo considerado hábil da Informação chegar até o usuário, é o que o satisfaça de
forma imediata; mas, depende do tipo de informação procurada, conforme afirmam alguns
entrevistados:
O tempo que a informação fica disponível independe do tempo de resposta.
Muitas vezes a informação fica disponível um mês e não há resposta, às
vezes ela fica disponível apenas um dia e todos procuram. (E5)
As pessoas ainda tem a mania de procurar a informação para resolver
alguma problema urgente, tipo inscrição em alguma disciplina ou curso, na
última hora ou último dia. (E6).
Nós achamos que a informação deve ser repassada a quem precisa de forma
imediata, assim, no mesmo dia, seria o Ideal [...]. (E7).

Quanto à forma de divulgação da Informação, alguns afirmam ser parcialmente
divulgadas, ocorrendo retenção de algumas informações por um período de tempo, conforme
afirmam dois entrevistados:
A gente sempre procura priorizar as informações que consideramos mais de
interesse dos alunos, como oferta de disciplinas, estágios e bolsas, cursos,
etc. Se um aluno precisa se informar sobre determinada disciplina que irá
cursar no períodoseguinte, sabendo da informação que precisa, ele irá se
organizar de forma a não se inscrever em outra que não cursou e que
também precisa recuperar, de forma que está não coincida o horário com a
atual.(E1).
Principalmente relativas a eventos como congressos, encontros, etc. aqui no
Maranhão e fora do estado.(E2).

Há necessidade das informações estarem impressas ou visíveis, mesmo estando no
site institucional;a disponibilidade da Informação divulgada: depende do setor ou de quem
divulga; a maioria dos funcionários tem interesse em divulgar as informações que os alunos
necessitam.
Informações oficiais e extraoficiais precisam ser impressas, repassadas e,
principalmente lidas. O maior problema aqui é a falta de leitura e
interpretação... (grifo nosso). (E9).

2095

�Quando fala-se que as informações “precisam ser impressas”, observa-se que isto
também foi dito por outros entrevistados e também comentado por alguns alunos no momento
em que respondiam o questionário, que mesmo a informação estando “no site” algumas
pessoas querem “ver” a informação ali impressa ou documentada de um jeito mais formal,
isso demonstra uma cultura informacional que prima o documento físico, conforme disse uma
entrevistada, entende-se que seja para tirar dúvidas.
Hoje em dia as pessoas dão muita importância aos canais de fontes
eletrônicas, claro que eles vieram ampliar as opções de fontes de
informação. Não acho que esses canais sejam assim tão eficientes. Os
canais tradicionais são extremamente úteis, sempre queremos ver a cara
das pessoas para tirar alguma dúvida e o trabalho que fazem. (E10).

Identificou-se o compartilhamento de informações e entraves no gerenciamento do
fluxo informacional, as informações de uso interno.Primeiramente, foi perguntado sobre a
distribuição ou divulgação da informação referente às questões de rotina do trabalho interno
ou de trâmite dos processos.Nessa questão, as respostas foram meio confusas. Foi perguntado
se eram centralizadas, descentralizadas, de fácil acesso ou de difícil acesso. A metade acha
que são descentralizadas e de fácil acesso, a outra metade disse o contrário. Um entrevistado
falou o seguinte:
Com relação à Diretoria, procuramos sempre atender com precisão a quem
procura informação, quando não temos conhecimento, procuramos orientar
onde podem encontrar tais informações. (E1).

Observou-se que depende do setor e da chefia imediata. Sobre a posição dos gestores,
Zivianiet al (2008) fala que a intensificação do processo de produção de conhecimentos a
partir de informações, passa a exigir novos comportamentos principalmente dos ocupantes de
cargos em nível gerencial ou institucional. De uma forma geral, foi falado o seguinte: que
todas as informações são bem analisadas antes da divulgação, passando por várias instâncias;
que, no entanto, existem informações que são divulgadas sem precisar passar por alguma
instância; mas, que já ocorreu de alguma informação ser divulgada com dados incorretos,
devido não ter sido bem analisada antes. Que às vezes, existe demora na divulgação da
informação devido o atraso em passar por algumas instâncias; que algumas vezes é preciso
cobrar o retorno de algo, devido o setor que está com o processo demorar muito para devolver
o mesmo, que às vezes ocorre de apenas uma pessoa ter uma informação e não estar no
momento para atender a quem procura, isto ocorre quando um funcionário entra de férias e
quem fica no seu lugar “não sabe dar informações”.

2096

�Diante do exposto, se observou pelas respostas, que além de depender do setor, da
chefia imediata, depende também da boa vontade das pessoas em fornecer informações, ou
seja, da cultura organizacional. Não existe uma política institucional consolidada para tal
prática. No entanto foi possível observar o esforço de algumas pessoas no sentido de
compartilhar informações.
Um entrevistado falou algo interessante:
Às vezes isso depende do setor que você vai e da “sorte”. Se você tiver o
azar de perguntar para a pessoa “errada” aí você fica sem a informação. Por
isso que eu tenho sempre o hábito de perguntar para mais de uma pessoa no
mesmo setor. (E2).

O ideal seria que nas instituições, principalmente as que trabalham intensamente com
informações, não tivessem essas pessoas ditas “erradas” no trato com a informação. Foi
possível identificar que predomina uma cultura informacional de forma vertical ou
hierarquizada, onde os gestores ou gerentes que estão no topo controlam o fluxo de
informações e delimitam permissões, criando dessa forma, barreiras que impedem o bom
fluxo das informações. Entende-se que as informações existem, precisam apenas ser mais bem
divulgadas.
Sobre o compartilhamento de informações e ideias entre as pessoas e os setores, tanto
formal como informalmente, antes ou durante a divulgação da informação. As respostas
foram bem distintas, alguns afirmam que existe esse compartilhamento, uns dizem que só
algumas vezes e outros dizem que não existe. De uma forma geral, ficou um meio termo nas
respostas. Entende-se que o compartilhamento só ocorre quando a informação é de interesse
mais geral e também da boa vontade de alguns.
Já que existem outras pessoas que trabalham em um mesmo setor, além do
chefe e das secretárias, que as informações ou documentos seriam
compartilhadas entre todos que trabalham no mesmo setor. (Secretária de
Coordenação).

Davenport e Prusak (1998) falam que compartilhamento é um ato voluntário de
colocar o conhecimento à disposição dos outros. Eles afirmam que o compartilhar não deve
ser confundido com relatar, que é a troca involuntária de informações e conhecimentos de
maneira rotineira e estruturada, embora alguns chefes ou gestores achem que essa troca de
ideias seja perda de tempo.
Sobre isso, Zivianiet al (2008) fala que uma das desvantagens do compartilhamento
informal é que nem sempre atinge todas as pessoas que dele necessitam e que não se pode

2097

�depender somente de conversas casuais e de encontros locais quando necessitarem obter e
transmitir conhecimento.
Sobre a frequência do setor em trabalhos que impliquem na divulgação de
informações. Aqui as respostas ficaram entre diariamente e mensalmente. Somente uma
pessoa falou que raramente o setor divulga informações. Sendo assim, verificou-se que a
divulgação de informações é considerada boa.
Praticamente toda semana estamos divulgando qualquer tipo de informação
que seja de interesse dos alunos. (Coordenador de Curso).

Sobre os tipos de documentos utilizados na rotina de trabalho diário, os documentos
citados foram: Memorando, Ofício, Ata, Declaração, Histórico Escolar, Resolução, Parecer,
Ordem de Serviço, Processos, Editais e Portaria. Os documentos citados são comuns a
maioria dos setores ou coordenações de curso.
Foi perguntado sobre quais informações geradas em outros departamentos ou setores
que o funcionário gostaria de obter e não está obtendo, as mais citadas foram:Ofertas de
Disciplinas, e sobre Eventos Acadêmicos.
Algumas coisas, deveríamos saber como dados relativos a professores tipo:
titulação, projetos de pesquisa e extensão que estão sendo desenvolvidos.
(Assistente Administrativo).

Sobre o nível de confidencialidade das informações de trabalho interno. A maioria
respondeu que não tem dificuldade em acessar os documentos que precisam, somente uma
pessoa falou o seguinte:
No setor em que trabalho alguns documentos ficam trancados, tipo
confidenciais, assim, como tem mais de uma pessoa trabalhando aqui, acho
que deveria ser mais acessível, ou então esses documentos que estão
guardados só interessam a chefia. (Secretária de Coordenação).

Indagou-se se nos últimos dois anos, participaram de cursos de aperfeiçoamento ou
treinamentos na área em que atuam. A maioria respondeu que não participou, então, foi
perguntado por que não fizeram os cursos, visto que semestralmente são ofertados cursos
desse tipo pela Pró-reitora de Recursos Humanos (PRH). Alguns disseram que não são
liberados do setor pela chefia imediata para fazer os cursos que geralmente são de dois, três
meses ou mais.
A maioria do que é ofertado pela PRH eu não fiz, todos me interessam, não
fiz por falta de tempo mesmo, porque estudo pela manhã e tarde estou aqui
trabalhando na Coordenação e como tem poucos funcionários, é difícil a
gente conseguir liberação para fazer os cursos, que sempre são pela manhã
ou tarde. (E7).

2098

�As chefias nem sempre tem interesse que a gente faça os cursos ou
treinamentos, que duram às vezes mais de dois meses, quando ficamos
sabendo, já até passou os prazos de inscrição. Existem alguns treinamentos
que somos obrigados a fazer, tipo, quando muda o sistema. (E6)
Nem sempre podemos liberar todos os funcionários para fazer determinado
curso ou treinamento, o problema é que aqui na UFMA existem poucos
funcionários nos setores e aí fica complicado liberar este ou aquele, mas, o
interessante seria que todos fizessem algum curso de interesse às suas
atividades. (Coordenador de Curso).
Diante das respostas acima, observou-se que a maioria dos funcionários participou de
poucos cursos de aperfeiçoamento na área em que atuam nos últimos dois anos, sendo que
gostariam de participar, mas, não participa devido falta de tempo ou de liberação da chefia
imediata. No entanto, alguns disseram que não tem interesse algum em participar de curso de
atualização ou treinamento. Observou-se que esta afirmação partiu de pessoas que estão já em
via de aposentadoria, no entanto, são pessoas ainda jovens.
Foi perguntado aos funcionários se eles costumam ler os Murais existentes nos
corredores: (aqui, foi escolhido apenas um dos canais ou fontes de divulgação de
informações). Uns responderam que raramente leem, outros que só leem quando vão afixar
algum aviso ou estão procurando alguma notícia. Um entrevistado falou o seguinte:
A gente observa que as pessoas dizem que leem, mas, na verdade poucas são
as que realmente leem com atenção os avisos, já aconteceu de o aviso estar
na porta da sala, mas mesmo assim a pessoa entra para perguntar [...]
(Funcionário terceirizado).
A resposta dos funcionários é diferente das respostas dos alunos que, segundo a
maioria, leem com frequência os quadros de avisos ou murais existentes em cada corredor.
Indagou-se se a atividade atual está de acordo com o cargo ocupado e quais
informações são necessárias para a realização do seu trabalho.A metade respondeu que sim e
a outra metade respondeu que não. Observa-se então desvio de função em alguns setores. Pelo
que foi dito, um dos fatores seria as poucas vagas disponíveis em concurso público para os
cargos de técnico-administrativo e também foi citado por algumas pessoas, a má distribuição
nos setores, dos funcionários existentes.
Existem setores que há má distribuição de funcionários, aqui temos poucas
pessoas, mas na Coordenação X tem muito mais gente trabalhando e também
alguns setores conseguem mais bolsistas de apoio do que aqui. (Funcionário
terceirizado).

2099

�Constatou-se que a maioria sabe sobre suas atividades e que tipo de informações
precisa no dia a dia, embora nem sempre tenham a disposição tais informações. Foi possível
constatar que a maioria sabe quais são suas atividades e de que informações precisam para
executar suas atividades, mas algumas não sabem se o trabalho que estão executando
encontra-se alinhado aos objetivos institucionais e se a forma como executam tais atividades
está em conformidade com normas e padrões específicos, o que torna o trabalho mais
eficiente. Essa falta de feedback tem causado dúvidas e em alguns casos, desmotivação para o
trabalho.
Sobre a relação com os companheiros de trabalho (incluindo a chefia imediata). A
maioria afirmou que a relação é ótima ou boa, apenas uma pessoa falou que seria péssima. Em
relação aos docentes, já não consideram assim tão boa, conforme falaram dois entrevistados.
A relação entre os funcionários é boa, mas, quanto aos professores não se
pode dizer o mesmo, pois eles se acham os chefes de todo mundo aqui. Uns
dizem: “meus funcionários”, como se fossemos empregados deles. Eu vejo
que os professores se acham mais importantes do que os servidores. (E5)
Eu vejo que os professores sempre tem mais prioridades aqui do que os
servidores, pois eles sempre conseguem as coisas com mais facilidades.
(E6).

Pelo que foi falado e observado, nota-se um distanciamento na relação entre servidores
e docentes comum à maioria das coordenações do centro.
Sobre os obstáculos e dificuldades experimentados na busca de informações, tanto de
trato acadêmico como de uma forma geral, pelos funcionários e pelas pessoas de fora da
UFMA. Segundo as respostas e opiniões dos entrevistados, a maioria acha que o fluxo se dá
de forma hierarquizada, que, segundo Barreto (1998) os funcionários encontram-se em um
nível abaixo da chefia para obter as informações e estes por sua vez dependem dos gestores.
Sobre isso, Starec (2006, p. 62) fala o seguinte: “Todos deveriam depender de todos para a
obtenção da informação, pois o fluxo da informação deve ser encarado não de forma
hierarquizada, mas como um processo de mão dupla que tem começo, meio mas não pode ter
fim”. Um entrevistado falou:

A maior dificuldade, na minha opinião é a ausência de funcionários, muitas
vezes ligamos para um setor e o funcionário que atende, não tem a
informação e o funcionário que tem a informaçãonunca está... (E4).

A distribuição ou divulgação da informação ocorre no momento em que ela passa por
algumas instâncias, aos usuários de uma forma geral, que pode ser um indivíduo ou um setor

2100

�da universidade. A universidade, como um todo, possui um grande número de informações,
mas, de acordo com o resultado da pesquisa, poucas pessoas sabem onde encontrar ou como
conseguir, a informação que precisam, o que reflete a cultura organizacional. O
comportamento está relacionado aos atos individuais e a cultura abrange os grupos. Esse
comportamento organizacional é a maneira como as pessoas lidam com a informação, e inclui
a busca, o uso, a alteração, a troca, o acúmulo, e também o ato de ignorar os informes. O
fluxo da informação interna estabelece relações entre os setores, chefias e colaboradores.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa contemplou uma investigação das práticas de gerenciamento da
informação no fluxo interno de um centro acadêmico de uma Universidade Federal. Os
resultados apontam aspectos da cultura organizacional e sinalizam as intensidades dos canais
de comunicação, bem como a intensidade e confiabilidade dos mesmos. Percebeu-se que
algumas informações geradas não são transmitidas de forma eficaz, gerando impacto na vida
das pessoas que precisam da informação, tanto alunos como funcionários. O fluxo de
informações registrou grande importância para o bom andamento do trabalho nos diversos
setores, tanto na forma vertical, da chefia para os empregados como na forma horizontal, entre
funcionários do mesmo nível de subordinação. Quanto mais informados estiverem os
funcionários mais eles estarão envolvidos com a missão da instituição.
Para que haja um fluxo de informações satisfatório em todos os sentidos é preciso a
colaboração de todos os atores envolvidos e uma interdependência mútua. Todos dependem
de todos para a obtenção da informação e para a tomada de decisão na Universidade. Isto só
será viável se for modificada a própria cultura local. A cultura organizacional precisa
respaldar o fluxo informacional, e esta é um dos paradigmas organizacionais mais difíceis de
transpor. Recomenda-se a implantação de um processo básico de gestão da informação que
atenda a esses aspectos irá possibilitar caminho para um efetivo conhecimento organizacional.
O

desenvolvimento

de

competências

específicas

relacionadas

ao

trabalho

informacional pode fazer parte de um esforço para proporcionar ao usuário os recursos
necessários para lidar com a informação que lhe faz falta e para resolver problemas
informacionais. Uma boa organização do fluxo de informação ajuda a construir uma forte e
produtiva cultura institucional de compartilhar e de discutir a informação disponível e
otimizar a efetividade do processo de busca, utilização e comunicação da informação. O
objetivo maior de melhoria no fluxo de informação é contar com a informação correta, no
tempo certo para a pessoa certa e por um custo justo. Sendo assim, a instituição deve

2101

�incentivar os funcionários para o reforço de uma cultura própria de informação. Para tanto,
precisa criar ocasiões que facilitam o intercâmbio da socialização das necessidades de
informação e seus métodos de busca e uso. As pessoas precisam sentir-se confiantes e,
principalmente, motivadas para discutirem, trocarem experiências e entenderem que o
compartilhamento e a socialização também fazem parte do trabalho de cada um e de que a
troca de informações e conhecimentos agrega valor não só pessoal, mas, sobretudo à
organização.

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2104

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Análise do fluxo interno da informação no Centro de Ciências Humanas da UFMA.</text>
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                <text>Veloso, Maria Stela Martins</text>
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                <text>A universidade como instituição pública, tem como uma das responsabilidades sociais, a transmissão de informações. No gerenciamento do fluxo interno de um centro acadêmico, analisou-se a satisfação, a percepção e o comportamento informacional dos usuários. Para tanto, procedeu-se o desenvolvimento de um estudo de caso descritivo do tipo qualiquantitativo, que teve como instrumentos de coleta de dados: documentos oficiais, questionário e entrevistas.Identificou-se que existem falhas na informação, sendo eminente a fragmentação da informação. A informação mais buscada é a oferta de disciplinas. O fluxo da informação interna tramita em várias instâncias. Após o gerenciamento da informação, estas são ofertadas aos usuários segundo demandas e necessidades. O fluxo informacional é vertical e hierarquizado. A instituição carece de uma política formal no trato com a informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DESAFIOS DO LIVRO ACESSÍVEL: INFORMAÇÃO PARA AS PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA

Ricardo Quintão Vieira
Izete Malaquias da Silva

RESUMO
O presente relato de caso tem o objetivo de descrever a experiência de dez anos de dois
bibliotecários com livros acessíveis em um sistema integrado de 55 bibliotecas paulistanas.
As mudanças dos paradigmas das bibliotecas tem se refletido na recepção de pessoas com
deficiências pelas bibliotecas, refletindo nas proposições públicas do Ensino Superior. A
experiência dos autores indicou que a medida principal é estimular o empoderamento do
usuário, abrindo o leque de aquisição ou produção de livros físicos ou digitais, que sejam
mais compatíveis com as necessidades de pessoas com mobilidade reduzida, surdos,
deficientes intelectuais e visuais. Eles consideram que os livros estão migrando para formas
híbridas (visão, audição, tato e olfato), além de virtuais (computadores, tablets e
smartphones). Há muito que ser estudado e desenvolvido na área de livros híbridos para
atender diversos usuários, possibilitando melhor atendimento em bibliotecas.
Palavras-Chave: Acessibilidade; Desenvolvimento de Coleções; Livros Híbridos; Relato de
Caso.

ABSTRACT
This case report aims to describe the experience of ten years of two librarians with accessible
books in an 55 libraries’ integrated library system. Changes in the library paradigm has been
reflected in the reception of persons with disabilities, reflecting on the propositions in public
higher education. The experience of the authors indicated that the main measure is to
encourage the empowerment of the user opening the range of acquisition or production of
physical or digital books, which are more compatible with the needs of the handicapped, deaf
, visually and intellectual impaired persons. They consider that books are switching to hybrid
forms (combining vision, hearing, touch and smell), and virtual (computers, tablets and
smartphones). There is much to be studied and developed in the area of hybrid books to suit
different users, enabling better service in libraries.
Keywords: Accessibility; Collection Development; Hybrid books; Case Report.

946

�1 INTRODUÇÃO
As mudanças de paradigma das bibliotecas e do objeto de trabalho de seus
profissionais fizeram com que as necessidades dos usuários fossem colocadas como
prioridade em relação ao acervo (LE COADIC, 2004), possibilitando que mais pessoas
pudessem ser acolhidas e atendidas nessa estrutura social, incluindo as pessoas com
deficiência.
O objetivo desse trabalho é compartilhar um relato de caso de experiência de dois
bibliotecários de um sistema de 55 bibliotecas do Estado de São Paulo, que trabalham há dez
anos com o livro acessível, fruto da convivência diária e direta com as necessidades trazidas e
relatadas pelos próprios usuários com deficiência.
Essa experiência demonstrou que o livro tradicional impresso em tinta e papel é um
formato popular que atende diversos públicos, mas que pode excluir usuários com deficiência,
principalmente aqueles com dificuldade de manipulação manual, surdos, deficientes
intelectuais e visuais.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Como base nessa discussão, a acessibilidade pode ser interpretada como facilitadora
do acesso, diminuindo barreiras sensoriais como “incapacidade de ver, ouvir” ou “dificuldade
visual para ler ou compreender textos” (ACESSIBILIDADE BRASIL, 2014). Esse problema
está no cerne dos serviços bibliotecários e tem movimentado discussões importantes no
cenário nacional.
Esse reflexo pode ser sentido inclusive nas bibliotecas universitárias, por meio do
“Programa Incluir - Acessibilidade à Educação Superior” (BRASIL, 2010), que define a
acessibilidade de ambientes, equipamentos e recursos humanos do cenário universitário,
incluindo a disponibilização de material didático e pedagógico acessíveis, além de tecnologias
de acessibilidade como computador com interface acessível, impressora de escrita braille,
linha braille, lupa eletrônica, teclado com colméia, acionadores acessíveis etc.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Os autores listaram os livros híbridos que tiveram contato ou que já trabalharam,
ordenando-os conforme o atendimento das necessidades dos usuários com restrição de
manipulação de livros e tecnologias de acessibilidade, surdos, deficientes intelectuais e
deficientes visuais.

947

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A experiência dos autores ao longo dos anos apontou que a atitude mais importante no
atendimento ao usuário com deficiência é não fazer conclusões apressadas sobre as
necessidades de formato dos livros, e sim abordar o próprio usuário com deficiência visual,
auditiva por meio de indagações da seguinte natureza:
Como posso te ajudar?
Como você lê?
O que você precisa?
Você tem preferência?
Você pode me ensinar a adaptar o livro da melhor maneira?
Essa atitude possibilitou a redução de potenciais ruídos de comunicação e
preconceitos, aumentando a confiança e empoderamento do usuário no serviço prestado.
Para usuários com restrição de manipulação física do livro, aprendeu-se que há hastes
bucais para mudança de página e rolagem de página digital (smartphone e tablets), capacetes
com hastes e até dispositivos mecânicos que mudam a página do livro (paginador
automático).
Para os usuários com deficiência intelectual, aprendeu-se a não investir apenas
recursos em livros infantis, mas em livros compatíveis com a idade do usuário e que
apresentem muitas imagens ilustradas, principalmente de fotografias mais fidedignas com a
realidade e que possam mostrar detalhes naturais dos alimentos, animais, objetos do dia a dia,
entre outros.
Em relação aos usuários surdos, os livros com Libras no formato de DVD são opções
mais atrativas, pois apresentam movimentos, que são mais efetivos se comparados aos livros
com imagens estáticas e desenhadas. No entanto, as opções desse tipo de livro no mercado
editorial são ainda restritas. É interessante apontar que a transformação de livros escritos em
vídeos em Libras não possui liberação legal de direitos autorais da mesma forma que já ocorre
com o braille e outros subprodutos para deficientes visuais.
Por sua vez, os livros voltados para os deficientes visuais são os mais desafiadores,
pois requerem mudança radical da estrutura original, seja na conversão para o formato
ampliado de letras, quanto na produção tátil (braille e imagens) e sonora (livro falado), sejam
associados como ocorre com o formato daisy (DAYSY CONSORTIUM, 2014).
É interessante apontar que os avanços tecnológicos das editoras estão proporcionando
a criação de livros híbridos que estão associando a experiência visual do livro com outros
sentidos humanos tais como:

948

�•

Audição: desenvolvido por meio da narração humana - feita em estúdio, ou de

forma mecânica - por programas específicos. Esses livros são produzidos por instituições
especializadas e distribuídas gratuitamente para deficientes visuais ou comercializados por
editoras para o público geral. Recentemente, a Fundação Dorina Nowill lançou um livro
híbrido e infantil chamado de “Braille Tagarela” que apresenta uma caneta especial,
reconhece a página do livro e faz a audiodescrição das páginas de modo criativo. Ele pode
representar a alternativa futura para conversão de imagens de livros técnicos de diversas áreas
do conhecimento.
•

Tato: desenvolvido com relevos e texturas com foco no aprendizado da criança

cega e também o jovem com deficiência intelectual não alfabetizado. Podem vir com relevos
de ilustrações com texturas especiais e / ou escrita braille.
•

Olfato: desenvolvido com relevos especiais que liberam fragrâncias de objetos,

frutas e outros alimentos.
Por sua vez, os ledores de texto e intérpretes de libras são pessoas que lêem ou fazem
tradução do conteúdo informacional, sendo excelentes mediadores dos livros e dos usuários,
pois dispensam o uso de tecnologias, proporcionam atendimento humanizado e personalizado,
além de se engajarem como trabalho voluntário.
Outro ponto importante é a conversão do formato tradicional para o formato digital,
por meio de escâner, voltado para o deficiente visual, amparados pela Constituição Brasileira,
sem ferir o direito autoral (BRASIL, 1998).
Os e-books apresentam novos desafios para os bibliotecários—pela incompatibilidade
no triângulo: formato, equipamento e leitor de telas.
Os formatos referem-se à representação digital dos dados, que podem estar em
extensões diferentes tais como, .pdf, .txt., .doc e .html. Por sua vez, os equipamentos são os
dispositivos onde os formatos estão locados ou serão processados para leitura sonora tais
como computadores de mesa (desktop) e notebooks. Ainda há os programas leitores de telas,
que captam o texto escrito e transformam a informação para o formato sonoro (por placa de
som compatível) e tato (pelo dispositivo “linha braille”), como o Dosvox, Jaws, Virtual
Vision e NVDA.
Ao mudar a versão de apenas um dos componentes do triângulo formato, equipamento
e leitor de telas, compromete-se o aprendizado do usuário no uso dos e-books, pois uma
mudança no código fonte ou estrutura de interface, a leitura contínua se modifica,
confundindo o usuário com deficiência visual.

949

�Por último, os smartphones e tablets são equipamentos e repositórios de arquivos que
podem apresentar leitores de telas próprios como o Android, IOS, Windows Phone, entre
outros. Nesse caso, o usuário com deficiência visual precisa de ajuda para inserir os arquivos
na memória, acionar o leitor de telas.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Os livros textuais e impressos estão migrando para o ambiente virtual, quando não
associados a outras tecnologias industriais que permitem a mistura de outras sensações (tátil,
auditivo e olfativo) capazes de transformá-los em formas híbridas, cuja diversidade permite a
inclusão de novas pessoas ao mundo da leitura e da informação.
Esses livros híbridos devem estar nas pautas de discussões de bibliotecários e
profissionais da informação que desejem mais conhecimentos sobre a acessibilidade e
atendimentos mais inclusivos em seus espaços de atuação.

REFERÊNCIAS

ACESSIBILIDADE

BRASIL.

O

que

é

acessibilidade.

Disponível

em:

&lt;http://www.acessibilidadebrasil.org.br/versao_anterior/index.php?itemid=45&gt;. Acesso em:
09 mar. 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Incluir: Acessibilidade à Educação Superior,
2010.

Disponível

em:

&lt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;id=17433&amp;Itemid=817&gt;.

Acesso

em: 09 mar. 2014.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n.
9.610, de 19 de fevereiro de 1998: altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos
autorais

e

dá

outras

providências.

Disponível

em:

&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm&gt;. Acesso em: 4 abr. 2014.
DAISY CONSORTIUM. About us. Disponível em: &lt;http://www.daisy.org/about_us&gt;. Acesso
em: 4 abr. 2014.
LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos, 2004.

950

�</text>
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Ciência da Informação&#13;
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                <text>O presente relato de caso tem o objetivo de descrever a experiência de dez anos de dois bibliotecários com livros acessíveis em um sistema integrado de 55 bibliotecas paulistanas. As mudanças dos paradigmas das bibliotecas tem se refletido na recepção de pessoas com deficiências pelas bibliotecas, refletindo nas proposições públicas do Ensino Superior. A experiência dos autores indicou que a medida principal é estimular o empoderamento do usuário, abrindo o leque de aquisição ou produção de livros físicos ou digitais, que sejam mais compatíveis com as necessidades de pessoas com mobilidade reduzida, surdos, deficientes intelectuais e visuais. Eles consideram que os livros estão migrando para formas híbridas (visão, audição, tato e olfato), além de virtuais (computadores, tablets e smartphones). Há muito que ser estudado e desenvolvido na área de livros híbridos para atender diversos usuários, possibilitando melhor atendimento em bibliotecas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: IMPACTOS NA CIRCULAÇÃO EM UMA REDE
DE BIBLIOTECAS

Ricardo Quintão Vieira
Jeane dos Santos Silva

RESUMO
O foco do presente estudo são as histórias em quadrinhos, analisando o seu potencial de
circulação e possibilidades de incentivo a leitura em uma rede de bibliotecas. A pesquisa tem
caráter descritivo, retrospectivo e quantitativo, tendo como fonte de dados o programa de
gerenciamento de acervo da instituição educacional com 55 bibliotecas interligadas em rede
no estado de São Paulo. A pesquisa confirma a hipótese de que a história em quadrinho é um
recurso muito eficiente como incentivo à leitura, embora a sua circulação esteja distante do
empréstimo corrente dos demais itens de acervo. Em contrapartida, em aspectos relativos, os
quadrinhos apresentam números melhores no empréstimo.
Palavras-Chave: Histórias em quadrinhos; Rede de bibliotecas; Potencial de Empréstimo.

ABSTRACT
The focus of this study are the comics books, analyzing their potential and possibilities of
movement to encourage reading in a library network. The research is descriptive,
retrospective and quantitative character, taking as the source data management program
library of educational institution with 55 networked libraries in the state of São Paulo. The
research confirms the hypothesis that the comic book is a very powerful feature as an
incentive to reading, although its circulation is far from the current from other library
documents. In contrast, in aspects, the comics have better numbers on loan.
Keywords: Comic books; Library network; Circulation Potential.

1. INTRODUÇÃO
Os comic books ou histórias em quadrinhos (HQs) surgiram nos Estados Unidos na
década de 1930, fenômeno que se espalhou posteriormente pelo mundo. Na década de 1940,
tornou-se um fenômeno na cultura popular norte-americana, lidos por pessoas de todas as
idades (LAVIN, 1999). Até a década seguinte, os quadrinhos atingiram seu apogeu de
crescimento na chamada de fase de ouro dos comic books (LAVIN, 1998a). A era de ouro
dos quadrinhos culmina com a sua popularização em massa pelo resto do mundo,
identificando heróis, vilões, universos ricos e extraordinários, mas principalmente,

2810

�introduzem uma nova forma de expressão e comunicação artistico-cultural, fonte futuro de
interesse de pesquisadores, entusiastas, profissionais da informação e leitores.

2. REVISÃO DE LITERATURA
Sob o aspecto técnico, os quadrinhos são similares às revistas, periódicos e jornais,
mas também podem ser direcionados a acervos comuns de livros ou de obras especiais.
Devido à sua natureza editorial diferenciada, esses formatos documentais podem ser
classificados em diferentes categorias, conforme o editor, formato e frequência

.

Por apresentar características bibliográficas e colecionáveis, os formatos de
quadrinhos são perfeitamente compatíveis com o ambiente de bibliotecas públicas, escolares e
acadêmicas. No entanto, sua inserção em coleções bibliotecárias ainda é tímida. Mesmo no
seu país de origem, as bibliotecas americanas tendem a ignorar os comic books. Como
produto de manifestação cultural artístico, os quadrinhos são mais apreciados na Europa e
Japão. Como suporte literário, são geralmente associados à pior forma de escapismo, além de
suporte de leitura exclusivamente juvenil (LAVIN, 1998b).
Diversos autores tentam desmitificar esses mitos. Will Eisner, por exemplo, afirma
que as histórias em quadrinhos podem ser denominadas tecnicamente de "arte sequencial",
que significa o arranjo de figuras e imagens para narrar uma história ou dramatizar uma ideia.
Esse autor defende que a arte sequencial é a forma artística mais antiga do mundo, datada
desde as primeiras pinturas das cavernas pré-históricas. Além disso, Eisner e McCloud
sugerem que a percepção da arte sequencial requer mais habilidades cognitivas complexas
que a leitura do texto puro (LAVIN, 1998a).
Muitos professores, bibliotecários e profissionais de quadrinhos comentam a
relevância dos comic books e graphic novels para geração atual de jovens e adultos, que
foram criados junto com a televisão, videogames, clipes de música e outras mídias visuais
(LAVIN, 1998a), inclusive em ambientes de bibliotecas universitárias (ENGLISH, 2006).
Nos Estados Unidos, as bibliotecas públicas e escolares que investiram em coleções de
quadrinhos tiveram o intuito inicial de atrair usuários jovens. Há diversas pesquisas de campo
que evidenciam os resultados positivos para a circulação de itens, além de desmitificar
supostas reações negativas por parte dos pais, professores ou contribuintes sobre as histórias
em quadrinhos (LAVIN, 1998a).

339 Conforme Serchay (1998), as categorias compreendem volumes periódicos, séries limitadas (mini ou
maxisséries), anuários, especiais (quartelis, volumes únicos e graphic novels), adaptações, reimpressões, trade
paperbacks e digests.

2811

�O principal argumento para inserção dos quadrinhos em bibliotecas deve-se ao fato do
estímulo de usuários não leitores no desenvolvimento dos hábitos de leitura. Os comic books
fazem leitores lerem mais palavras do que seriam capazes ou que conscientemente leriam, se
esses utilizassem apenas os livros tradicionais (LAVIN, 1998a). Além disso, os quadrinhos
possibilitam a associação entre o prazer de leitura e a educação, quando voltados para a
formação do estudante da academia (ENGLISH, 2006).

3. MATERIAIS E MÉTODOS
Propôs-se uma pesquisa descritiva, retrospectiva e quantitativa. Como fonte de dados,
foi utilizado o programa de gerenciamento de acervo de uma instituição educacional com 55
bibliotecas interligadas em rede, espalhadas pelo Estado de São Paulo.
O recorte temporal foi determinado inicialmente em primeiro agosto de 2013, período
de inserção simultânea do kit de 33 títulos de graphic novels em cada uma das bibliotecas de
estudo. Estabeleceu-se como recorte final a data de 31 de dezembro de 2013. Os dados foram
coletados no mês de janeiro de 2014 pelo pesquisador. Para isso, foram extraídos os seguintes
quantitativos do programa gerenciador:
•

Dados de empréstimo dos códigos dos 33 títulos de graphic novel, pertencente à classe
CDD 741.5, somando 1.815 exemplares potenciais.

•

Dados de empréstimos dos códigos dos títulos de literatura da classe 800, somando
31.530 exemplares potenciais.

•

Dados de usuários cadastrados (docentes, discentes e funcionários): quantidade e tipo
de curso (livre, técnico, graduação, extensão, pós-graduação latu-sensu).
Após a coleta de dados em planilha eletrônica, foram realizadas as seguintes análises

estatísticas de frequência absoluta e relativa:
(1) Empréstimo de literatura x categorias de usuários
(2) Empréstimo de quadrinhos x categorias de usuários
(3) Comparação entre (1) e (2)

Os resultados foram descritos na forma de textos e gráficos ilustrativos. Não foi
necessário submeter a presente pesquisa em nenhum Comitê de Ética em Pesquisa, pois
nenhum dado pessoal de identificação de usuário foi acessado, utilizado ou transcrito.

2812

�4. RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
No período de primeiro de agosto a 31 de dezembro de 2013, havia 312.063 usuários
ativados nas bibliotecas da instituição, entre docentes, discentes (curso livre, técnico,
graduação, pós-graduação, extensão) e funcionários. No geral, o empréstimo de livros de
literatura foi seis vezes maior que o empréstimo de quadrinhos. O gráfico abaixo indica o
quociente entre duas variáveis: (1) número de empréstimos realizados e (2) números de
usuários potenciais cadastrados.

Gráfico 1 - Número de empréstimos e categorias de usuários, segundo suporte
bibliográfico (literatura ou quadrinho), no período de agosto a dezembro de 2013.
■ Literatura

Docentes

DiscentesCurso Livre

DiscentesCurso Técnico

■ Q uadrin ho

DiscentesCurso
Graduação

DiscentesCurso PósGraduação

DiscentesExtensão

Funcionários

Total

Fonte: autoria nossa.

Nota-se que as tendências d utilização de livros de literatura e quadrinhos mantêm o
mesmo comportamento entre os grupos de usuários, destacando que os funcionários da
instituição formam o grupo de maior empréstimo, seguido pelos docentes e alunos.
Por sua vez, quando se compara o número de empréstimos entre literatura e gibis,
nota-se o mesmo comportamento de queda ao longo dos meses, indicando pouca influência na
busca por esses dois materiais bibliográficos.

Gráfico 2 - Número de empréstimos e meses, segundo suporte bibliográfico (literatura
ou quadrinho), no período de agosto a dezembro de 2013.

2813

�Por sua vez, quando se comprou o número de exemplares disponíveis e os
empréstimos realizados, ocorreu um fenômeno diferente, conforme a Tabela 1.

Tabela 1 - Número de empréstimos e exemplares, segundo suporte bibliográfico
(literatura ou quadrinho), no período de agosto a dezembro de 2013.
Formato

Empréstimos (Em)

Exemplares (Ex)

Relação Em/Ex

Literatura

21.004

31.530

0,67

1.815

1,41

33.345

0,71

Quadrinhos 2.553
Total

23.557

Fonte: autoria nossa.

Do ponto de vista administrativo bibliotecário, os livros de literatura apresentaram o
maior potencial de empréstimo, pois há mais títulos e exemplares, aumentando as chances de
empréstimos. No entanto, ao se comparar com o limitado número de exemplares de
quadrinhos, notou-se que esses foram relativamente mais emprestados - quase o dobro da
média geral e dos próprios livros de literatura.
Isso demonstrou que os exemplares de quadrinhos circularam relativamente mais que
os livros de literatura, representando que o investimento realizado nesse acervo foi bem
empregado, sendo um potencial de crescimento.
Isso pode ser exemplificado também pelo alto número de empréstimos de obras
adaptadas da literatura clássica, como pode ser visto no gráfico abaixo.Gráfico 3 - Número de
empréstimos e títulos de quadrinhos, no período de agosto a dezembro de 2013.

Fonte: autoria nossa.

2814

�5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os daos apresentados permitem interessantes reflexões no panorama dos quadrinhos
nas bibliotecas. Atesta diretamente para a sua circulação que em perspectiva ainda se vê
distante do empréstimo corrente dos demais itens de acervo, embora em uma perspectiva
relativa, os quadrinhos apresentam números melhores. Indiretamente condiciona, de forma
absoluta, a necessidade de se reforçar as ações orientadas para atividades de ação cultural que
identifiquem nos quadrinhos importantes ferramentas de manifestação cultural e educacional.
De forma geral entende-se que os quadrinhos devem ser considerados com mais
atenção por bibliotecas, centros culturais e educacionais, inclusive em no cenário
universitário. Para isso, deve ser incentivada a aquisição de títulos, a especialização dos
profissionais para que se tornem aptos a mediar esta forma de manifestação cultural com os
usuários e o incremento de forma geral do papel do usuário, identificando questões que os
aproximem do universo da leitura sequencial através não só da leitura em si, mas também por
oficinas de desenho, roteiro, palestras com profissionais, análise e estudo das HQs entre
outras possibilidades.

REFERÊNCIAS
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from Maus to Manga and Beyond. The Journal o f Academic Librarianship. Indiana, v. 32, n.
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LAVIN, M.R. Comic books and libraries: introduction. Serial Reviews, Tuscaloosa, v.24, n.1,
p.35-36, Spring 1998a.
LAVIN, M.R. Comic books and graphic novels for libraries: what to buy. Serial Reviews,
Tuscaloosa, v.24, n.2, p.31-45, Summer 1998b.
LAVIN, M.R. Comic books and libraries: part four. Serial Reviews, Tuscaloosa, v.25, n.1,
p.27-28, 1999.
SERCHAY, D.S. Comic book collectors: the serial librarians of the home. Serial Reviews,
Tuscaloosa, v.24, n.1, p.57-70, Spring 1998.

2815

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Histórias em quadrinhos: impactos na circulação em uma rede de bibliotecas</text>
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                <text>O foco do presente estudo são as histórias em quadrinhos, analisando o seu potencial de circulação e possibilidades de incentivo a leitura em uma rede de bibliotecas. A pesquisa tem caráter descritivo, retrospectivo e quantitativo, tendo como fonte de dados o programa de gerenciamento de acervo da instituição educacional com 55 bibliotecas interligadas em rede no estado de São Paulo. A pesquisa confirma a hipótese de que a história em quadrinho é um recurso muito eficiente como incentivo à leitura, embora a sua circulação esteja distante do empréstimo corrente dos demais itens de acervo. Em contrapartida, em aspectos relativos, os quadrinhos apresentam números melhores no empréstimo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RESTAURAÇÃO DO ACERVO DE OBRAS RARAS E ESPECIAIS DA DIVISÃO DE
BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO DO CONJUNTO DAS QUÍMICAS/USP
Edna Tiemi Yokoti Watanabe
Marina Mayumi Yamashita
José Francisco Silva
Maria Tereza Magalhães Santos
Marlene Aparecida Vieira
RESUMO
Este trabalho descreve as ações desenvolvidas no projeto de restauração de obras raras e
especiais, da Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas da USP,
contemplado pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP - PRCEU. Por se
tratar de obras de grande valor científico e cultural adotaram-se medidas criteriosas na seleção
e na restauração dessas obras, inclusive na contratação de profissionais qualificados,
eliminando o risco de tratamento incorreto e perdas irreparáveis. O projeto permitiu reduzir o
processo de deterioração, prolongar o tempo de vida do acervo bibliográfico e proporcionar
aos usuários, de hoje e de gerações futuras, condições de pesquisa em obras de valor
inestimável e, principalmente, garantir o acesso à informação.
Palavras-Chave: Obras raras; Preservação de acervos; Conservação de acervos; Restauração
de coleções.
ABSTRACT
This paper describes the actions developed and taken in the restoration of rare and special
books stored at Document and Library Division in the Chemical Department of USP
contemplated by the Pro-Rectorship for Culture and Extension of USP - PRCEU. Due to the
high scientific and cultural value of special measures were taken selected criteria the selection
and restoration the works stored. This involves also hiring highly qualified professionals
eliminating the risk of mistreatment and irreparable losses. The project has hampered the
process of deterioration and has extended the life of bibliographic collection, in order to
provide research conditions of invaluable works as well as access to information for the
current users and future generations.
Keywords: Preservation of collections; Conservation of collections; Restoration collections.

1 INTRODUÇÃO
A Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas da Universidade
de São Paulo (DBDCQ/USP) reúne os acervos bibliográficos da Faculdade de Ciências

3642

�Farmacêuticas e do Instituto de Química da USP, contando com uma coleção de 636 volumes
de obras raras e especiais do século XVIII e XIX, sendo muitas delas exemplares únicos.
Devemos de uma maneira simplificada, dizer que livro raro é aquele livro antigo, de
autor célebre, com conteúdo polêmico, papel de trapo com muitas ilustrações, escritos com
tinta ferrogálica, exemplares manuscritos ou “ainda ter pertencido a uma personalidade de
reconhecida projeção e influência no país e mesmo fora dele (por exemplo: imperadores, reis,
presidentes), ou reconhecidamente importantes para determinada área do conhecimento
(física, biologia, matemática e outras)” (RODRIGUES, 2006, p.115).
Por estar em local inadequado alguns exemplares foram infestados por brocas
(Anobiideos) e no ano de 2011, realizou-se a desinfestação em grande escala por atmosfera de
anóxia com controle e monitoramento contínuo, não tóxico e junto a esse tratamento essas
obras foram higienizadas superficialmente (YAMASHITA et al., 2013).
Paralelamente ao serviço de higienização, realizou-se uma análise das condições
dessas obras e, juntamente com o responsável do Setor de Obras Raras e Especiais,
diagnosticou-se que devido principalmente à fragilidade das encadernações e problemas de
armazenamento, muitas destas obras apresentavam danos de diferentes origens e com
características variadas quanto ao tipo de encadernação, revestimento, dimensões e estavam
com a longevidade reduzida. Os principais danos encontrados foram: lombada danificada,
costura fragilizada, acidez e, em alguns casos, o livro como um todo.
As obras que se encontravam mais fragilizadas, isto é, com a lombada e capas soltas
foram amarradas com cadarço de algodão, pois havia um sério risco de perdê-la sendo que
muitas delas já tinham perdido a sua lombada (Foto 1).

Foto 1 - Acervo de obras raras e especiais

Fonte: Marina M. Yamashita

Considerando o grande valor científico e cultural desse acervo, não só para a USP
como para toda comunidade acadêmica e científica, a DBDCQ aproveitou a oportunidade da
Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP (PRCEU) com o Programa de

3643

�Editais 2012 que instituía apoio financeiro a projetos nas áreas de “Preservação de acervos e
patrimônio cultural na USP, memória USP e intercâmbio das atividades de cultura e extensão
na USP” e submeteu dois projetos: “Restauração do Acervo de Obras Raras e Especiais” e
“Readequação de Espaço Físico para Implantação dos Centros de Memória da Faculdade de
Ciências Farmacêuticas e do Instituto de Química da USP”, onde será abrigado, de forma
adequada, esse acervo de Obras Raras e Especiais. Ambos os projetos foram contemplados.
O objetivo deste trabalho é descrever as ações realizadas no projeto de restauração de
obras raras e especiais, o tratamento, as intervenções que foram executadas nesse acervo e as
dificuldades encontradas durante a sua execução. Acreditamos que, ao expor esta experiência,
há o compartilhamento de informações e troca de conhecimentos entre os profissionais da
área, pois a restauração incorreta acarreta danos irreparáveis podendo até descaracterizar a
obra como rara.
Ressaltando o valor destas obras o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade
de São Paulo (SIBi/USP), digitalizou e disponibilizou algumas delas, como por exemplo:
“Oeuvre de Lavoisier” e “Oeuvres completes de Buffon” na Biblioteca Digital de Obras Raras
e Especiais, que podem ser pesquisadas no site http://www.obrasraras.usp.br.

2 METODOLOGIA
Para a contratação da empresa e execução do serviço foi realizada a modalidade
licitação - pregão e coube à DBDCQ a elaboração do memorial descritivo, onde se procurou
detalhar pormenorizadamente as especificações técnicas incluindo a exigência de
comprovação de formação (experiência mínima de 2 anos na área) como também
apresentação de fotos de trabalhos já realizados, comparando o antes e o depois da
intervenção. Além disso, foi exigido conservar, ao máximo, a integridade e a originalidade da
obra e que os diferentes danos também fossem tratados de maneira criteriosa.
Do total de 636 obras deste acervo foram selecionadas 100 (cem) para serem
restauradas de acordo com os seguintes critérios: lombada solta e/ou faltante, encadernação
fragilizada e obras das áreas de Química e Farmácia.
Por se tratar de material valioso procurou eliminar o risco de tratamento incorreto no
processo de restauração que poderia causar danos irreparáveis. Com este intuito foi contratada
uma empresa especializada em restauro de papel e obras raras que executou o serviço,
conforme descrição no Edital:
a) Preparo do couro de substituição ou tratamento do couro da lombada a ser recuperado.

3644

�b) Higienização mecânica folha por folha, utilizando pó de borracha, bisturi e trincha para
remoção da sujidade da superfície das folhas eliminando excrementos de insetos e quando
necessárias intervenções anteriores.
c) Para os exemplares que necessitem de nova costura, a mesma seria feita com cadarço e
linha 100% algodão, respeitando a cor do livro.
d) Serviços de restauro como velaturas, enxertos, remendos seriam confeccionados com
materiais próprios para restauro, papel japonês de diversas gramaturas, texturas e tonalidades,
adesivos de metil celulose todos com características de reversibilidade.
e) Nenhum exemplar seria guilhotinado.
f) Utilização de couro atanado para encadernação e papel marmorizado artesanalmente.
g) Novas guardas ou restauro das guardas com papel de pH neutro.
h) Ao final do trabalho será entregue um relatório com documentação técnica e fotográfica.

3 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O processo de restauração exigiu a utilização de materiais de boa qualidade,
resistência física, durabilidade, compatibilidade com o original sempre respeitando o princípio
da reversibilidade, incluindo papel japonês e materiais importados.
As obras foram separadas em três lotes, e antes de serem entregues à empresa
contratada, foi preenchida uma ficha de diagnóstico do estado de conservação de cada obra.
No ateliê todos os exemplares foram fotografados e cada obra recebeu um envelope
com nome do autor e número de tombo onde foram guardadas lombadas soltas, Ex libris,
etiquetas e pedaços de folhas que se encontravam dentro dos livros. Após o processo de
registro fotográfico, os livros que necessitavam de novas costuras foram desmontados e
higienizados (Foto 2).
A higienização foi mecânica, folha por folha para remoção da sujidade da superfície
das folhas eliminando excrementos de insetos (Foto 3).

Foto 2 - Idtificação da obra

Foto 3 - Higienização

Fonte: Nilza Sakai

Fonte: Nilza Sakai

3645

�Foram executados serviços de restauros como velaturas, enxertos, remendos com
materiais próprios para restauro (papel japonês de diversas gramaturas, texturas e
tonalidades), utilização de Book Keeper para desacidificação das folhas que se encontravam
muito ácidas, Álcool P.A a 50% ou 70% e cola metil celulose dependendo da necessidade do
uso (Foto 4).
Para a costura foi utilizado cadarço e linha de algodão seguindo a encadernação
original. Nas guardas utilizou-se papel de pH neutro e papel marmorizado artesanalmente e,
quando possível, as guardas originais foram mantidas (Foto 5).

Foto 4 - Restauração da folha

Fonte: Nilza Sakai

Foto 5 - Restauração da capa

Fonte: Nilza Sakai

Obras que possuíam papel de seda acidificado entre as gravuras, foram substituídas
por papel japonês. A hidratação da lombada, quando reaproveitada, foi realizada com mistura
de óleo mineral, vegetal e animal (Foto 6).
Para o revestimento da capa, quando da impossibilidade de reaproveitá-la, foi utilizado
couro atanado pintado artesanalmente de acordo com a capa original e, quando possível foi
mantida a original (Foto 7).

Foto 6 - Recuperação da lombada

Fonte: Nilza Sakai

Foto 7 - Recuperação da capa

Fonte: Nilza Sakai

Quando não foi possível utilizar a mesma lombada às obras receberam douração a
ouro ou etiqueta em couro.

3646

�Finalizando o processo de restauração das obras, todos os exemplares receberam
impermeabilização do couro para maior durabilidade e também foram recolocados os Ex
libris e as etiquetas dos exemplares quando possuíam (Foto 8).

Foto 8 - Obras restauradas

Fonte: Nilza Saai

Após o recebimento das obras, realizou-se a conferência com as respectivas fichas de
diagnóstico observando as especificações exigidas e a qualidade do serviço, e as obras que
não atenderam as exigências foram devolvidas para correções. A empresa cumpriu o prazo
estabelecido para a realização dos serviços.

4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A maior dificuldade encontrada para execução do projeto foi na contratação de pessoal
qualificado que por ser na modalidade licitação - pregão, vence quem apresentar o menor
preço. A DBDCQ, na elaboração do edital, detalhou a descrição do objeto, exigindo
experiência comprovada dos restauradores e uso de material adequado e de qualidade visando
o sucesso da licitação.
A responsabilidade em tratar uma obra rara é tão grande que se encontra em
tramitação, na Câmara dos Deputados, uma proposta que
prevê a hipótese de dispensa do processo licitatório para compra ou
restauração de obras de arte e de objetos históricos, desde que tenham
autenticidade certificada e sejam compatíveis com as finalidades do órgão ou
entidade. A medida está prevista no Projeto de Lei 4672/12, do deputado
Stepan Nercessian - PPS-RJ (SOUZA, 2013).

O projeto permitiu reduzir o processo de deterioração e prolongar o tempo de vida do
acervo bibliográfico que se encontra sob a guarda da DBDCQ/USP e proporcionar aos
usuários de hoje e de gerações futuras condições de pesquisa em obras de valor inestimável e,
principalmente, garantir o acesso à informação.

3647

�Salientamos a importância de iniciativas de Programas que visem à preservação de
acervos, do patrimônio cultural, da memória e atividades de cultura e extensão, como o
PRCEU que foi uma iniciativa pioneira na Universidade e que veio atender as necessidades de
vários setores.

5 REFERÊNCIAS
RODRIGUES, M. C. Como definir e identificar obras raras? Critérios adotados pela
Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul.

Ci. Inf., v. 35, n. 1, p. 115-121,

jan./abr. 2006. Disponivel em: &lt;http://eprints.rclis.org/8336/1/v35n1a12.pdf&gt;. Acesso em: 7
abr. 2014.
SOUZA, M. Projeto prevê dispensa de licitação para compra e restauração de livros raros.
Disponivel

em:

&lt;http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/educacao-e-

cultura/434808-proieto-preve-dispensa-de-licitacao-para-compra-e-restauracao-de-livrosraros.html&gt;. Acesso em: 15 abr. 2014.
YAMASHITA, Marina Mayumi et al. Desinfestação por atmosfera anóxia: método utilizado
pela Biblioteca do Conjunto das Químicas/USP.

Rev. Digit. Bibliotecon. Cienc. Inf., v.11,

n.1, p.155-163, 2013. Disponível em: &lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php&gt;.
Acesso em: 11 abr. 2014.

3648

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Restauração do acervo de obras raras e especiais da Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas/USP</text>
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                <text>Watanabe, Edna Tiemi Yokoti, et al.</text>
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                <text>Este trabalho descreve as ações desenvolvidas no projeto de restauração de obras raras e especiais, da Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas da USP, contemplado pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP – PRCEU. Por se tratar de obras de grande valor científico e cultural adotaram-se medidas criteriosas na seleção e na restauração dessas obras, inclusive na contratação de profissionais qualificados, eliminando o risco de tratamento incorreto e perdas irreparáveis. O projeto permitiu reduzir o processo de deterioração, prolongar o tempo de vida do acervo bibliográfico e proporcionar aos usuários, de hoje e de gerações futuras, condições de pesquisa em obras de valor inestimável e, principalmente, garantir o acesso à informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A GESTÃO DA QUALIDADE NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
ORIENTADA PARA A AVALIAÇÃO DO MEC

Gesner Francisco Xavier Junior
Rainner Finelli Gomes

RESUMO
Discute e analisa a importância de padrões de qualidade na gestão das bibliotecas
universitárias e, notadamente, nos processos de preparação para a visita de auditoria do MEC.
Para tanto, apresenta o papel da biblioteca universitária como elemento catalisador do
processo de qualidade Institucional e busca compreender, no âmbito dos processos
regulatórios do MEC, como se enquadra a biblioteca e quais são as dimensões avaliadas.
Além do mais, indica os caminhos para a implantação de uma política de qualidade que
contemple a gestão técnico-administrava da biblioteca, a partir dos indicadores e dimensões
avaliadas pelo MEC. No que se refere à fundamentação teórica, a pesquisa tem sustentação
nos aportes da Biblioteconomia, Educação e da Administração. A partir dos elementos
discutidos neste texto, tornou-se evidente que há uma intrínseca relação entre a qualidade da
biblioteca universitária e a qualidade da Instituição na qual ela está inserida.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Visita MEC; Gestão da qualidade; Padrões de
qualidade.
ABSTRACT
Discusses and analyzes the importance of quality standards in the management of university
libraries and, notably, in the process of preparation for the audit visit MEC. It presents the
role of the university library as a catalyst of the institutional quality process and seeks to
understand in the context of the regulatory processes of MEC, as fits the library and what are
the dimensions assessed. Moreover, indicates the paths to the implementation of a quality
policy that addresses the technical and management ran the library, from the indicators and
dimensions assessed by the MEC. With regard to the theoretical background, the research has
contributions in support of Library, Education and Administration. From the elements
discussed in this paper, it became apparent that there is an intrinsic relationship between the
quality of university library institution and the quality in which it is embedded.
Keywords: University library; Visit MEC; Quality management; Quality standards.

O conhecimento só avança quando são colocadas sob suspeita,
conclusões já assumidas como verdadeiras.
Neidson Rodrigues

590

�1 INTRODUÇÃO
Há uma crença generalizada, sobretudo no âmbito do senso comum, de que as
Bibliotecas Universitárias, por serem espaços de produção, organização e disseminação de
conhecimentos, possuem processos administrativos extremamente organizados e facilmente
gerenciáveis. Ressalva-se, porém, que a prática profissional tem evidenciado que a função
gerencial nesse contexto é uma tarefa extremamente complexa.
Nas duas últimas décadas, o ensino superior brasileiro, notadamente de iniciativa
privada, experimentou um enorme crescimento. Nesse cenário de expansão quantitativa, a
qualidade do produto ofertado passou a ser questionada, fiscalizada e avaliada pelo Governo
Federal através do Ministério da Educação (MEC), com mais rigor e efetividade. Esse
processo fez com que as bibliotecas dessas Instituições, mais do que nunca, tivessem a
obrigatoriedade institucional, além da moral, de primar pela qualidade dos acervos, produtos,
serviços, recursos humanos, instalações físicas, entre outros aspectos.
Conforme destaca Oliveira (2002, p. 207), a questão da qualidade e avaliação do
ensino encontram-se referenciadas, especialmente, na Constituição Federal de 1988, e na Lei
de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n° 9.394/1996), que estabelecem que o ensino será
ministrado com base no princípio de garantia do padrão da qualidade; e no Decreto
2.026/1996, que estabelece procedimentos para avaliação dos cursos e Instituições de Ensino
Superior (IES).
Em razão destes elementos tornou-se possível indagar e buscar compreender a
relevância e o papel das bibliotecas no contexto das IES de caráter privado, destacando-se os
seguintes questionamentos: no âmbito dos processos regulatórios do MEC, como se enquadra
a biblioteca e quais são as dimensões avaliadas? Qual a importância da gestão da qualidade no
gerenciamento das rotinas administrativas das bibliotecas? Como implantar o conceito de
gestão da qualidade nos processos de preparação para a visita MEC?
Considerando as indagações que norteiam a presente pesquisa, sua efetividade requer
que se tenha como fundamentação teórica, a interlocução entre as áreas da Biblioteconomia,
da Administração e da Educação. Acredita-se, portanto, que a realização deste trabalho se faz
necessário para, no campo teórico, preencher uma lacuna sobre o tema proposto; e, no campo
prático, assinalar caminhos para melhoria na gestão das Bibliotecas Universitárias.

591

�2 EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL: HISTORICIDADE, ORGANIZAÇÃO E
LEGISLAÇÃO
Analisando a história da educação brasileira fica claro que entre o direito a educação,
proclamada em termos legais, e sua viabilidade concreta, em todos os níveis de ensino, há
uma grande defasagem. Dessa forma, os níveis mais elevados da pirâmide educacional são
ocupados, historicamente, e em sua maioria, por sujeitos pertencentes às classes sociais que
possuem - supostamente - mais capital econômico, cultural e social.
Porém, como informado anteriormente, a explosão de IES de caráter privado nas duas
últimas décadas vem alterando de forma significativa e paulatina esse cenário. O aumento da
quantidade de Instituições é resultado da necessidade brasileira de acompanhar o processo
mundial de desenvolvimento científico, tecnológico e social. Com isso, as bibliotecas dessas
instituições além de se preocuparem com a qualidade intrínseca de seus serviços
informacionais, tiveram de se reorganizar para atender esse novo público que possui perfis
bastante heterogêneos.
Logo, quanto maior for a demanda para a educação superior e o interesse natural das
instituições de se expandirem, mais vezes haverá processos de auditoria do MEC. Assim, as
IES estão pressionadas, por um lado,

Mediante as exigências impostas pelas normas legais, a realizar e garantir
qualidade com a incorporação de processos modernos de gestão e de uma
infraestrutura adequada. Por outro lado, estão pressionadas, pelos
concorrentes, a buscar profissionalização da gestão e a incorporar processos
de tomada de decisão ágeis e prospectivos. Finalmente, são questionados
pela sociedade em geral que, cada vez mais organizada e consciente de seus
direitos, exige o reexame de muitos valores, especialmente daqueles que
sustentam a elaboração de um ensino compatível com essa realidade
(OLIVEIRA, 2002, p. 207-208).
A aprovação e regulamentação dos cursos de nível superior é realizado pelo MEC,
após visita de fiscalização na faculdade para avaliar sua capacidade e estrutura de ofertar os
cursos. Dentre os tópicos avaliados, destacam-se: corpo docente, instalações física e
organização didático-pedagógica. Esse processo de fiscalização é realizado através do Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), tendo como referência Diretrizes da
Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior. (CONAES).

592

�2.1 O processo de avaliação do MEC nas bibliotecas universitárias
As dimensões avaliadas pelo MEC são: a) Organização didático-pedagógica; b) Corpo
docente e estrutural; c) Infraestrutura. Cada dimensão possui diversos parâmetros avaliativos
e a nota é conferida numa escala de 1 a 5. A avaliação da biblioteca está concentrada na
dimensão de infraestrutura por ser um órgão relacionado à estrutura da faculdade. São
conceituados a disponibilidade de títulos indicados na bibliografa básica e complementar das
disciplinas do curso (que está passando por processo de autorização, reconhecimento ou
recredenciamento), além dos periódicos especializados para relativos à área de concentração
do curso. Ou seja, o MEC visa avaliar a adequação da biblioteca à proposta do curso.
Porém, no momento da visita de auditoria, regra geral, o MEC solicita informações
sobre outros aspectos da biblioteca, como por exemplo: espaço físico (espaço para estudo
individual e em grupo, área de atendimento ao aluno, área da administração da biblioteca e
processos técnicos, área dos acervos, conforto térmico, luminosidade, segurança e
acessibilidade); acervo (política de desenvolvimento de coleções, tombamento das obras,
acervo virtual e multimeios, manual de elaboração de trabalhos acadêmicos e orientações para
normalização de trabalhos técnico-científicos); regulamento da biblioteca; informatização do
acervo (qualidade do sistema de pesquisa controle de circulação de materiais, disponibilidade
de acesso via internet); organização administrativa da biblioteca (forma de gestão, recursos
humanos, disponibilidade de recursos); produtos e serviços ofertados à comunidade
acadêmica.

3 A GESTÃO DA QUALIDADE NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Em face das discussões realizadas no tópico anterior, faz-se oportuno indagar: será que
as bibliotecas das IES brasileiras, sobretudo, as de caráter privado, tendo em vista suas
potencialidades e limitações, têm tido a devida preocupação com a gestão da qualidade nos
serviços de informação? No âmbito da preparação para as visitas de auditoria do MEC, há
mecanismos, indicadores e instrumentos de avaliação para gerenciar a qualidade? Ou será que
a organização dos processos administrativos, dos produtos e serviços são feitos por pressão
dos processos avaliativos ou por políticas institucionais? A experiência nas atividades tem
mostrado que muitas bibliotecas realizam as atividades em função do processo avaliativo e os
bibliotecários estão despreparados para desempenhar a função gerencial de modo satisfatório.
A gestão da qualidade é uma ferramenta gerencial que tem por objetivo orientar e criar
a consciência da qualidade em todos os processos organizacionais. De acordo com Falconi
(2004, p. 2) para se obter um produto ou serviço de qualidade temos que “atender de forma

593

�confiável, acessível, segura e no tempo certo às necessidades dos clientes”. Os trabalhos de
Las Casas (2008), Vieira Filho (2012) e Marshall Junior et al (2006) são fontes que deverão
ser consultadas para melhor apreensão dos conceitos relacionados à qualidade.
No âmbito das bibliotecas, numa perspectiva geral, a questão da qualidade deve ser
avaliada desde os processos administrativos, passando pelos serviços técnicos até chegar nos
produtos e serviços prestados aos clientes. Para tanto, o bibliotecário deverá implantar uma
política de qualidade que contemple os aspectos anteriores. Além do conhecimento da
realidade da biblioteca, a implantação de uma política de qualidade requer dos profissionais
envolvidos (bibliotecário e staff) diversas competências, tais como: dinamismo, criatividade,
foco no resultado, pensamento sistêmico; planejamento estratégico; gestão de/por processos e
projetos; além da aplicação das diretrizes clássicas da administração, isto é, planejamento,
organização, direção e controle.
Por fim, vale destacar que há uma intrínseca relação entre gestão da qualidade e
controle interno dos processos. Para tanto, um manual de procedimentos é o passo inicial para
a implantação de um modelo de gestão pautado da qualidade. Concomitantemente, outras
ferramentas gerenciais, como fluxogramas e folhas de verificação, também deverão ser
utilizadas. A discussão sobre esse tópico é amplamente abordada nos trabalhos de Sampaio
(2004), Vergueiro (2010), Vital e Floriani (2009), Beluzzo e Macedo (1993) e Andrade
(2004).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir dos elementos discutidos neste texto, tornou-se evidente a importância da
incorporação do conceito de gestão da qualidade nas bibliotecas das IES, e, notadamente, na
preparação para os processos de auditoria do MEC. Fica claro, portanto, que a gestão da
qualidade precisa estar permanentemente na pauta, não só nos processos técnicos, mas
também nos de ordem administrativa.
Em termos sintéticos é oportuno destacar que em função dos questionamentos que
orientam este trabalho e do trabalho que vem sendo desenvolvido, acredita-se que os
resultados finais da pesquisa permitirão, no campo teórico, não só indicar a importância da
gestão da qualidade nas Bibliotecas Universitárias, mas, concretamente, obter os elementos
fundamentais para a criação de uma política de qualidade orientada para a visita MEC; e, no
campo prático, assinalar caminhos para intervenção na realidade gerencial das bibliotecas.
Assim, será possível discutir com mais profundidade e extensão os assuntos aqui propostos.

594

�REFERÊNCIAS
ANDRADE, M. V. M Gestão da qualidade em bibliotecas universitárias: indicadores de
desempenho e padrões de qualidade. 2004. 115 f. Dissertação (Mestrado em Sistemas de
Gestão) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2004.
BELUZZO, R. C. B.; MACEDO, N. D. A gestão da qualidade em sérvios de informação:
contribuição para uma base teórica. Ciência da Informação, v. 22, n. 2, p. 124-132, maio/ago.
1993.
CAMPOS, Vicente Falconi. TQC - Controle da Qualidade Total (no estilo japonês). Nova
Lima, MG: INDG Tecnologia e Serviços, 2004.
LAS CASAS, A. L. Qualidade total em serviços: conceitos, exercícios e casos práticos. 6. ed.
São Paulo: Atlas, 2008.
MARSHALL JUNIOR, I. et al. Gestão da qualidade. 8. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006.
(Série Gestão Empresarial)
OLIVEIRA, N. M. A biblioteca das instituições de ensino superior os padrões de qualidade
do MEC: uma análise preliminar. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.
7, n. 2, p. 207-221, jul./dez. 2002.
SAMPAIO, M. I. C. et a l. PAQ - Programa de avaliação da qualidade de produtos e serviços
de informação: uma experiência no SIBi-USP. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 1, p.
142-148, jan./abr. 2004.
VERGUEIRO, W. Qualidade em serviços de informação. São Paulo: Arte &amp;Ciência, 2002.
VIEIRA FILHO, G. Gestão da qualidade total: uma abordagem prática. 4. ed. Campinas,
Alínea, 2012. (Coleção administração &amp; sociedade)
VITAL, L. P.; FLORIANI, V. M. Metodologia para planejamento estratégico e gestão de
serviços em unidades de informação. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, Campinas, v. 6, n. 2, p. 24-44, jan./jun. 2009.

595

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Discute e analisa a importância de padrões de qualidade na gestão das bibliotecas universitárias e, notadamente, nos processos de preparação para a visita de auditoria do MEC. Para tanto, apresenta o papel da biblioteca universitária como elemento catalisador do processo de qualidade Institucional e busca compreender, no âmbito dos processos regulatórios do MEC, como se enquadra a biblioteca e quais são as dimensões avaliadas. Além do mais, indica os caminhos para a implantação de uma política de qualidade que contemple a gestão técnico-administrava da biblioteca, a partir dos indicadores e dimensões avaliadas pelo MEC. No que se refere à fundamentação teórica, a pesquisa tem sustentação nos aportes da Biblioteconomia, Educação e da Administração. A partir dos elementos discutidos neste texto, tornou-se evidente que há uma intrínseca relação entre a qualidade da biblioteca universitária e a qualidade da Instituição na qual ela está inserida.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O ABC DA CONSERVAÇÃO

Marina Mayumi Yamashita
Edna Tiemi Yokoti Watanabe
Debora Ferrazolli Penilha
Edina Rosa Lima Gagini
Aguinaldo Ramos da Silva
RESUMO
A quantidade de obras danificadas do acervo da Biblioteca do Conjunto das Químicas da
Universidade de São Paulo cresce anualmente. Como forma de alertar a comunidade
acadêmica sobre este problema, foi realizada uma campanha intitulada “O ABC da
Conservação”, com o intuito de conscientizar e sensibilizar os alunos para que repensem suas
ações enquanto usuários. Foram criados diversos personagens que caracterizam o
comportamento dos agentes humanos que, voluntária ou involuntariamente, causam
transtornos na biblioteca. As ações desenvolvidas pela campanha envolvem exposições de
livros danificados, painéis educativos, cartazes com dicas de conservação, distribuição de
blocos de anotações, cápsula do tempo. A Educação Preventiva é uma ferramenta
fundamental e de extrema importância para contribuir para a preservação dos materiais nas
bibliotecas.

Palavras-Chave: Conservação de acervos; Campanha educativa; Preservação de acervos.

ABSTRACT
The amount of damaged works at Document and Library Division in the Chemical
Department of USP grows annually. A campaign entitled “The ABC of Conservation” was
carried out in order to alert the academic community to this issue and to raise awareness and
sensitize the students making them rethink their actions while users. Several images
representing human behavior that voluntarily or involuntarily cause disorder in the library
were created. The actions developed by the campaign involve exhibitions of damaged books,
educational panels, posters with conservation tips, distribution of notepads, time capsule. The
Preventive Education is a fundamental tool of highest importance to contribute to the
preservation of materials in libraries.

Keywords: Conservation of collections; Educational campaign; Preservation of collections.

1 INTRODUÇÃO
Os livros das Bibliotecas são patrimônios públicos valiosos e muitas vezes
insubstituíveis; contudo é um bem que se danifica facilmente. “Culturalmente, seu valor é

3051

�incalculável e, economicamente pode estar diretamente ligado a seu estado de conservação”
(FUNDAÇÃO EDUCAR DPASCHOAL, 2014).
Os acervos disponíveis nas bibliotecas representam um bem cultural coletivo,
portanto, mantê-los preservados e proporcionar o acesso aos usuários de hoje e de gerações
futuras é responsabilidade de todos (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO
BAHIANO, 2014). A preocupação com a preservação é mais relevante ao se considerar que a
maior parte dos materiais informacionais presentes nas bibliotecas apresentam uma vida útil
limitada, podendo, ainda, ser abreviados pela ação de vários agentes de degradações
existentes no meio ambiente: agentes físicos (temperatura, umidade e luz), químicos
(poluição), biológicos (insetos e fungos), físico-mecânicos (ação do homem). Outro fator
determinante é o uso indevido.
A biblioteca, no cumprimento de suas atribuições, deve assegurar o acesso, bem como
preservar o seu acervo. Contudo, ela não é a única responsável pela preservação e
conservação do material bibliográfico sob sua guarda. Um dos principais responsáveis pela
deterioração dos livros é o próprio usuário. É necessário que haja pequenos cuidados ao
manusear um livro, para que sua vida útil seja prolongada.
Com o objetivo de orientar e educar seus usuários, a Divisão de Biblioteca e
Documentação do Conjunto das Químicas da Universidade de São Paulo (DBDCQ/USP)
realizou uma Campanha de Conservação do Acervo, intitulada “O A B C da conservação”,
com enfoque divertido e descontraído de modo a induzir seus usuários às boas práticas de
conservação das obras e ao exercício da cidadania.

2 INSTITUIÇÃO
A DBDCQ, localizada no campus Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira” São Paulo, é integrada pelos acervos bibliográficos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e
do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).
A crescente preocupação com a conservação e preservação dos acervos bibliográficos,
documentais e bens culturais, artísticos e históricos da Universidade de São Paulo é um dos
desafios para os profissionais que atuam nessas instituições que são responsáveis pela sua
guarda (YAMASHITA et al, 2013).
Ações de conservação do acervo físico das bibliotecas foram iniciadas no
Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP)
como Grupo de Metas, dando origem ao Grupo de Apoio à Preservação e
Conservação dos Acervos Bibliográficos do SIBi/USP (FERREIRA, 2014,
p. 90).

3052

�Uma das principais incumbências desse grupo foi redigir um documento que
regulamentasse as diretrizes para a preservação dos acervos das Bibliotecas da USP.
Como resultado, em 23 de julho de 1997 foi publicada a Portaria GR 3075 e assinada
pelo Magnífico Reitor Prof. Dr. Flavio Fava de Moraes regulamentando as Diretrizes para
Preservação e Conservação Preventiva dos Acervos Bibliográficos e Bibliotecas do
SIBi/USP. Em seguida, foi estabelecido o “Programa de Preservação e Conservação de
Materiais Bibliográficos”, passando as bibliotecas a receberem recursos para aplicação na
conservação de seus acervos.
A Biblioteca recebe anualmente recursos do SIBi/USP para aplicação na conservação
do acervo, porém esta verba é insuficiente para a higienização do mesmo, restauração e
encadernação de livros, compra de materiais e equipamentos de conservação, entre outros.
Ressalta-se que o volume de obras danificadas aumenta ano a ano. As danificações
mais comuns encontradas nos livros são: folhas e lombadas soltas, capas rasgadas, sujas,
páginas rasgadas ou capítulos inteiros extraídos, textos grifados com lápis, caneta ou marcatexto. A depredação das obras é prejudicial a todos os usuários.
Como cada usuário também é responsável pela conservação do acervo, foi efetuada
uma campanha visando propiciar um momento de conscientização e mudança de
comportamento

a partir da identificação

de

agentes

humanos

que voluntária

ou

involuntariamente causam transtornos na Biblioteca.
O objetivo deste trabalho é descrever a maneira como foi realizada esta campanha,
suas etapas e resultados esperados.

3 METODOLOGIA
O acervo da Biblioteca é constituído pelas áreas de Química, Farmácia e assuntos
correlatos. A idéia foi de apresentar de forma descontraída alguns tipos de usuários que
frequentam a Biblioteca na qual denominamos de Pharmachemicus. A genealogia mapeada
nesta família é representada pelos: Net, Cupidus, Sujum, Stragus, Cansadus, Ocultum,
Gentilis, Desequilibrium, Desorientadus, Trasmutus, Celularium e Apetitum.
A campanha foi realizada no inicio do ano letivo de 2014, com o intuito de
conscientizar e sensibilizar os novos alunos e, também, aos que já frequentam a biblioteca
para que repensassem suas ações enquanto usuários.
No hall da entrada do acervo de livros, foram expostos painéis educativos, quadro
(ABC da Conservação) com dicas de conservação e realizada a distribuição de blocos de
anotações, cápsula do tempo e exposição com amostras de livros danificados.

3053

�4 MATERIAIS E MÉTODOS
Representamos cada um dos Pharmachemicus, baseado na bula de um medicamento.
O quadro 1 apresenta um comparativo com as principais características de cada um.

PERSONAGENS

CARACTERISTICAS
Ação:

Suja

o

IDENTIFICAÇÃO

chão,

mesa

e

micro.

PHARMACHEMICUS

Consequência: Atrai insetos potencialmente

SUJUM

perniciosos para os livros. Profilaxia: Limpar as
mãos e sapatos. Jogar lixo no cesto.
Ação: Empresta o lvro em bom estado e

PHARMACHEMICUS
STRAGUS

devolve danificado, sem capa ou folhas soltas.
Consequência: Indisponibiliza o livro para
outros usuários. Profilaxia: Conscientizar-se do
valor da obra.
Ação: Esconde o lvro. Consequência: Não

PHARMACHEMICUS
OCULTUM

localização do livro na estante. Profilaxia:
Consultar o livro e não escondê-lo. Deixar a
guarda do mesmo para os funcionários.
Ação:a

PHARMACHEMICUS
GENTILIS

de

polidez.

Consequência:

Não

reconhecimento dos serviços recebidos. Ignorar
as regras da Biblioteca. Profilaxia: Ser amável e
respeitar o próximo. Respeitar os regulamentos.
Ação:

Atitugressivas

com

funcionários

e

PHARMACHEMICUS

colegas. Consequência: Anticlimax. Mal-estar

DESEQUILIBRIUM

geral. Profilaxia: Usar as regras de civilidade.

PHARMACHEMICUS

Ação: Apoia os cotovelossobre os livros.

CANSADUS

Consequência:

Danifica

a

encadernação.

Profilaxia: Sentar de forma correta.
Ação:Faz anotações, rabisca os livros. Arranca
PHARMACHEMICUS

e recorta as páginas. Consequência: A tinta é

TRASMUTUS

antiestética e desfiguradora. A informação
contida poderá
Profilaxia:

ser utilizada por

Não

usar

objetos

outros.
que

descaracterizem a obra.

3054

�PERSONAGENS

CARACTERISTICAS

IDENTIFICAÇÃO

Ação: Ri e conversa em voz alta. Usa o celular.
PHARMACHEMICUS

Consequência: Distrai a concentração de quem

CELULARIUM

está pesquisando e/ou estudando. Profilaxia:
Conscientizar-se da importância do silêncio.
Ação: Consulta dezenas de livros, deixando-os

PHARMCHEMICUS

esparramados sobre a mesa. Consequência:

DESORIENTADUS

Busca inútil de informação sem a devida
orientação. Profilaxia: Consultar o profissional
responsável para obtenção da informação.
Ação:

Faz

refeções

perto

do

livro.

PHARMACHEMICUS

Consequência: Os alimentos sujam, mancham e

APETITUM

atraem insetos. Profilaxia: Alimentar-se em
áreas adequadas.
Ação:

Navea

em

sites

que

não

estão

PHARMACHEMICUS

relacionados aos assuntos pertinentes às áreas

N ET

da Biblioteca. Consequência: Sobrecarga nos
computadores

com

assuntos

diversos.

Profilaxia: Acessar sites e usar os computadores
somente para pesquisa.
Ação: Atos libidnosos em local de estudo.
PHARMACHEMICUS

Consequência: Constrangimento e desvio da

CUPIDUS

atenção de outros usuários. Profilaxia: Namorar
em locais apropriados.

Quadro 1- Comparativo das principacas dos Pharmachemicus

Foram elaborados cartazes com os personagens Pharmachemicus com dicas de como
cuidar dos livros:
S Não A poie os cotovelos sobre os livros. Isto pode acarretar o rompimento da lombada;
S

Não B eba ou coma na Biblioteca. Essa prática atrai os insetos;

S

Não C oloque clipes ou outros materiais similares nos livros.

S Não D escanse sobre os livros. Isto pode danificar a estrutura da encadernação;
S Não Exponha o livro à luz solar ou à chuva;
S Não F aça qualquer tipo de reparo (fitas adesivas) no livro;
S Não Grife ou escreva no livro;

3055

�S Não M anuseie o livro sem lavar as mãos previamente.
S Não P egue os livros das estantes pela borda superior da lombada. Empurre os volumes
laterais e retire o exemplar desejado pela lombada;

S Não R asgue ou corte as páginas do livro. Respeite a integridade da obra;
S Não U medeça os dedos com saliva ou qualquer outro tipo de líquido para virar as
páginas do livro.

S Z ele pelo seu saber, ele é determinante para a sua vida.
Aproveitando as dicas acima confeccionamos blocos de anotações contendo os dizeres
que foram distribuídos aos novos usuários ao realizarem suas inscrições na Biblioteca.
Para saber a opinião dos usuários a respeito do futuro do livro foi confeccionado um
boneco Pharmachemicus feminino, representando a Cápsula do tempo no período de 2014 a
2018. Posteriormente poderemos realizar um estudo e análise dos diversos comentários que
foram depositados na cápsula.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A Campanha permitiu aos usuários analisarem as situações abordadas dos diversos
Pharmachemicus

e

suas

principais

características.

Suas

ações

inadequadas

geram

consequências danosas ao acervo. Portanto, devemos adotar medidas profiláticas que auxiliem
na conservação do acervo e sejam, também, favoráveis à criação de um ambiente agradável de
estudo.
Pretendemos realizar no decorrer dos anos mais campanhas e exposições no sentido de
diminuir o estado de deterioração do acervo pela má utilização. Acreditamos que a Educação
Preventiva é a ferramenta fundamental e de extrema importância para contribuir na
preservação dos materiais nas bibliotecas.
“Preservar o livro é permitir a todos o direito de terem acesso a informação ”.

7 REFERÊNCIAS
FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto. Relatório de gestão : exercício 2010-2013. São Paulo:
SIBiUSP, 2014. 220p.
FUNDAÇÃO

EDUCAR

DPASCHOAL.

Conservação

de

livros . Disponível

em:

&lt;http://www.educardpaschoal.org.br/web/leia-dicas-tecnicas-conservacao.asp&gt;. Acesso em:
26 fev. 2014.

3056

�UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO BAHIANO. Preservação do acervo.
Disponível em: &lt;http://www.ufrb.edu.br/bibliotecacahl/preservacao-do-acervo&gt;. Acesso em:
20 fev.2014.
YAMASHITA, Marina Mayumi et al. Desinfestação por atmosfera anóxia: método utilizado
pela Biblioteca do Conjunto da Químicas/USP.
Campinas,

SP,

v.11,

n.1,

p.155-163,

Rev. Digit. Bibliotecon. Cienc. Inf.,
jan./abr.

2013.

Disponível

em:

&lt;http://www.sbu.unicamp.br/ seer/ojs/índex.php&gt;. Acesso em: 17 fev. 2014.

3057

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A quantidade de obras danificadas do acervo da Biblioteca do Conjunto das Químicas da Universidade de São Paulo cresce anualmente. Como forma de alertar a comunidade acadêmica sobre este problema, foi realizada uma campanha intitulada ―O ABC da Conservação‖, com o intuito de conscientizar e sensibilizar os alunos para que repensem suas ações enquanto usuários. Foram criados diversos personagens que caracterizam o comportamento dos agentes humanos que, voluntária ou involuntariamente, causam transtornos na biblioteca. As ações desenvolvidas pela campanha envolvem exposições de livros danificados, painéis educativos, cartazes com dicas de conservação, distribuição de blocos de anotações, cápsula do tempo. A Educação Preventiva é uma ferramenta fundamental e de extrema importância para contribuir para a preservação dos materiais nas bibliotecas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

INTELIGÊNCIA ORGANIZACIONAL NO CONTEXTO DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Angela Emi Yanai
Cláudia Daniele Souza
Célia Regina Simonetti Barbalho
Amanda Luiza de Souza Barbosa

RESUMO
Inteligência Organizacional e Competitiva caracterizam-se como a capacidade de uma
corporação reunir informação, inovar, criar conhecimento e atuar efetivamente baseada no
conhecimento que foi gerado. O objetivo deste estudo é verificar o contexto da produção
científica atrelada à inteligência organizacional aplicada às bibliotecas, assim como, avaliar a
inteligência organizacional no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas
(SISTEBIB-UFAM). Por meio de uma pesquisa exploratória e descritiva, aplicando-se
técnicas métricas de bibliometria, os 714 registros bibliográficos recuperados na base de
dados Scopus foram tratados com o software VantagePoint e representados graficamente com
o Microsoft Excel. Aplicou-se, ainda, um questionário com os principais gestores SISTEBIB
a fim de verificar o uso da inteligência organizacional no Sistema. Dentre os resultados,
destaca-se o exponencial crescimento ao longo dos últimos anos, a notória quantidade de
documentos publicados como artigos científicos e a contribuição do Brasil no levantamento
dos dez principais países que publicam sobre o tema. Contudo, a inteligência organizacional é
pouco conhecida e usada nas bibliotecas brasileiras, 67% dos gestores do SISTEBIB
conhecem superficialmente a inteligência organizacional, todavia, 89% consideram que ela é
importante para o Sistema. Assim, o estudo contribui para orientar as tomadas de decisões
para implantação efetiva da inteligência organizacional no SISTEBIB, uma vez que acreditase que venha a colaborar significativamente para os serviços e produtos que antecipem e
satisfaçam as necessidades locais.
Palavras-Chave: Inteligência organizacional; Bibliometria; Bibliotecas universitárias

ABSTRACT
Organizational and Competitive Intelligence is characterized as the ability of a corporation
collect information, innovate, create knowledge and to act effectively based on knowledge
that has been generated. The objective of this study is to investigate the context of scientific
production linked to organizational intelligence applied to libraries as well as evaluate the
organizational intelligence in the Library System of the Federal University of Amazonas
(SISTEBIB-UFAM). Through an exploratory and descriptive research, applying metrics
techniques bibliometrics, the 714 bibliographic records retrieved in the Scopus database were
treated with VantagePoint software and graphically represented with Microsoft Excel.
Furthermore, a questionnaire was applied in the SISTEBIB principal managers to check the

1226

�use of intelligence in the organizational system. Among the results, there is exponential
growth over the past few years, the notorious amount of documents published as scientific
articles and the Brazil's contribution in the survey of the top ten countries that publish on the
subject. However, the organizational intelligence is little known and used in Brazilian
libraries, 67% of SISTEBIB managers superficially know the organizational intelligence,
however, 89% consider that it is important for the system. The study contributes to guide
decision making for effective implementation of organizational intelligence in SISTEBIB,
since it is believed that it will collaborate significantly to the services and products that
anticipate and satisfy local needs.
Keywords: Organizational intelligence; Bibliometrics; University libraries.

1 INTRODUÇÃO
A informação é um recurso estratégico para qualquer organização que tenha a
preocupação com o acompanhamento e a avaliação de seu negócio, não sendo diferente para
uma biblioteca inserida em uma instituição de ensino superior, pois o pressuposto básico é de
que ela é necessária para a solução dos seus problemas decisórios. Um sistema
adequadamente estruturado de informação deve estar obrigatoriamente interligado com o
ambiente organizacional (BARBALHO; MARQUEZ, 2008).
As organizações estão cada vez mais preocupadas com as ferramentas que permitam
recuperar, selecionar, analisar, avaliar as informações vinculadas aos seus ambientes internos
e externos, pois compreendem que a informação e o conhecimento gerado podem lhes trazer
vantagens competitivas.
A capacidade das organizações em processar informação sobre o ambiente, gerando
conhecimento que possibilite sua adaptação eficaz às mudanças externas, é uma característica
das empresas inteligentes que atuam proativamente no contexto globalizado (CHOO, 1995).
Isso significa que elas necessitam gerir processos de informação de modo a transformá-la em
conhecimento visando apreender com o meio ambiente e a ele se adaptar.
Neste contexto as bibliotecas ou unidades de informações, precisam se tornar
instituições inteligentes com o intuito de tirar o melhor proveito do uso de seus recursos
(materiais, financeiros, informacionais e humanos), acarretando no aperfeiçoamento dos
produtos e serviços oferecidos para melhor atender seus clientes e/ou usuários, uma vez que
sua atuação engloba processos concebidos com a missão de favorecer o acesso a informação e
ao conhecimento.
Diante o exposto e, considerando que o processo de inteligência organizacional se
configura como uma realidade para aplicação em qualquer ambiente e para qualquer tipo de
instituição, esta pesquisa visa verificar o contexto da produção científica atrelada à

1227

�inteligência organizacional aplicada as bibliotecas, estabelecendo um marco teórico sobre o
tema, assim como, avaliar a inteligência organizacional no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB - UFAM). Acredita-se que a análise
quantitativa da produção científica de uma determinada área pode revelar tendências e formas
de como a pesquisa e a inovação teriam condições de serem desenvolvidas. Quanto mais
conhecida for à produção científica, maior a probabilidade de serem realizadas inferências
significativas para o entendimento do futuro desenvolvimento das áreas de pesquisa
(ARAÚJO JÚNIOR; PERUCCHI; LOPES, 2013).
Ademais o estudo pode auxiliar as bibliotecas na projeção e implementação de
políticas e estratégias para a gestão competitiva, nos fluxos internos e externos de informação
e, assim, enfrentar os desafios impostos pelo tecnologização mundial (LÓPEZ ISAZA;
CORREA VALLEJO, 2011).

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Inteligência organizacional aplicada as bibliotecas
A inteligência organizacional é conceituada por Rezende (2002 apud REZENDE,
2003) como a adição de vários conceitos como: inovação, criatividade, qualidade,
produtividade, efetividade, inteligência competitiva, gestão do conhecimento, etc. Para
Albrecht (2004, p. 3) como a “[...] capacidade da empresa de mobilizar todo seu potencial
intelectual disponível e concentrar tal capacidade na realização de sua missão”.
Cabe destacar que assume diversas denominações em função dos diferentes contextos
onde foi desenvolvida, entretanto o princípio de tratar a informação para oferecer subsídios à
tomada de decisão é o mesmo, mudando apenas a nomenclatura (BARBALHO, MARQUEZ;
2008).
Além da inteligência organizacional, há difundido na literatura a inteligência
competitiva que, por vezes, é tratada como sinônimo ou como um conceito distinto da
primeira. Amaral et al (2005, p. 2) afirma que a inteligência competitiva é um processo
baseado em informações “[...] em que a coleta e análise de dados são realizadas visando à
produção de informações de alto valor agregado, apropriada à tomada de decisão a cerca dos
processos competitivos”. Neste sentido, pode-se entender que a inteligência competitiva está
vinculada a inteligência organizacional e, cada vez mais, são complementares (CARVALHO,
2001).

1228

�Neste contexto, torna-se necessário que as organizações desenvolvam e incorporem
sistemas de inteligência organizacional para garantir a sua sobrevivência (LÓPEZ ISAZA,
CORREA VALLEJO; 2011). Desta forma, as unidades de informação assim como as
empresas, cientes do valor da inteligência organizacional ou competitiva estão discutindo e
articulando sua implantação. Neste sentido, há iniciativas como as apresentadas nos trabalhos
de Fonseca e Fonseca (s. d.), que discorre sobre a possibilidade de aplicar ferramentas de
inteligência no serviço de referência; e de Davok e Conti (2013, p. 1) que trata do papel das
unidades de informação como fatores facilitadores para o desenvolvimento da inteligência
organizacional, no qual, conclui que
[...] dependendo do contexto, os principais fatores que facilitam o processo
de consolidação de um sistema de inteligência organizacional são: a cultura
organizacional, redes sociais, gestão do conhecimento, gestão da
informação, tecnologias da informação e comunicação, inovação
tecnológica, estrutura organizacional, e prospecção e monitoramento da
informação.
Para as organizações é fundamental que as informações do ambiente interno e externo
sejam monitoradas, gerenciadas e disseminadas a fim contribuir para a inteligência
organizacional. Assim, as bibliotecas e/ou unidades de informação podem desempenhar um
papel importante neste processo nas instituições em que estão inseridas e em seu próprio
ambiente, a fim captar e otimizar recursos, desenvolver e/ou aprimorar seus produtos e
serviços para melhor atender seus usuários.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para entender a produção de conhecimento resultante do desenvolvimento de
pesquisas, foram utilizados estudos métricos no intuito de estabelecer ou fortalecer
indicadores e melhor conhecer a comunidade em estudo. A Bibliometria é uma técnica que
permite, através da contagem de termos e expressões recorrentes em textos pré-estabelecidos,
a extração de informações objetivas e quantificáveis que, organizadas em listas de frequência
ou rankings, fornecem as bases para gerar indicadores sobre determinado tema, área, região
ou situação em estudo. Descrita como uma técnica de análise quantitativa e interdisciplinar,
gera indicadores que subsidiam o direcionamento estratégico, medem a disseminação da
informação, auxiliam nas tomada de decisão bem como na formulação de políticas
(PENTEADO FILHO et al., 2002; FARIA et al., 2011).

1229

�Utilizando os critérios abrangência (cobertura de áreas e períodos), qualidade e
confiabilidade das informações, optou-se por utilizar a base de dados Scopus, da empresa
Elsevier. Esta possui resumos e referências bibliográficas da literatura científica e é
considerada a maior base nesse segmento, com mais de 21 mil títulos. Para recuperar os dados
a serem analisados, planejou-se uma expressão de busca que contemplasse todas as possíveis
formas de se referir ao tema na base, resultando na seguinte:

ALL=("competitive intelligence" OR "information intelligence" OR
"organizational intelligence" OR "competitive technical intelligence")
AND librar*

Utilizando-se a opção busca avançada e compreendendo todo o período da base, foram
recuperados 714 registros bibliográficos. Para o tratamento bibliométrico, utilizou-se o
software VantagePoint versão 5.0, desenvolvido pelo grupo de pesquisa Technology Policy
and Assessment Center do Georgia Institute o f Technology, nos Estados Unidos. Uma
ferramenta analítica-flexível de mineração de textos, usada para transformar informação em
conhecimento extraído de bases de dados e que pode ser configurada em qualquer tipo de base
de dados estruturada em texto (VANTAGE POINT, 2014).
Finalmente, para representar os resultados, utilizou-se o Microsoft Excel na elaboração
de gráficos e listas. Com isso, a pesquisa caracteriza-se como sendo exploratória e descritiva
(COLLINS; HUSSEY, 2005).
Para verificar o uso da inteligência organizacional no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Amazonas - UFAM (SISTEBIB - UFAM) foi aplicado um
questionário perguntas abertas e fechadas durante a reunião mensal dos diretores das Divisões
que fazem parte da Biblioteca Central, sendo estes, os principais tomadores de decisão do
Sistema. Subsequente, realizou-se a tabulação, análise e a representação gráfica.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A evolução da produção científica pode ser verificada na Figura 1. Nota-se que a
quantidade de documentos aumentou exponencialmente com o passar do tempo, saltando de
10 artigos entre os anos 1985-1993 para 65 entre 1999-2003 e 358 no último período 2009­
2013.
Conforme Martinet e Marti (1995 apud MENEZES, 2005) a inteligência competitiva
começou a ser aplicada por volta das décadas de 70-80, obtendo maturidade no início do

1230

�século XXI. No Brasil, as atividades iniciam apenas durante a década de 1990, sendo que a
Associação Brasileira de Analistas de Inteligência Competitiva (ABRAIC) criada em 2000,
adota como marco inicial o Curso de Especialização em Inteligência Competitiva (CEIC) em
1997 no Rio de Janeiro (MENDES; MARCIAL; FERNANDES, 2010 apud ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE ANALISTAS DE INTELIGÊNCIA COMPETITIVA, 2014).

Figura 1: Evolução da produção científica

Fonte: Pequisa dos autores

Desta forma, as atividades de IC iniciam por volta das décadas de 70 e 80, o que
justifica as primeiras produções cientificas a partir de 1985, com a disseminação da área no
mundo e a formação dos primeiros profissionais, nota-se o aumento da produção a partir do
século XXI. Araújo Júnior, Perucchi e Lopes (2013, p. 57) afirmam que
o crescimento da pesquisa científica no âmbito da análise organizacional tem
rompido com o paradigma proposto pelas teorias clássicas e remodelado a
visão de executivos e pesquisadores. Com isso, os temas relacionados à
inteligência competitiva e gestão do conhecimento trazem um aumento
significativo das publicações científicas, fenômeno que alimenta o conceito
de explosão da informação.
Conforme está apresentado na Tabela 1, aproximadamente metade das publicações são
artigos, 36% são documentos oriundos de conferências e 9% são revisões.

1231

�Tabela 1 - Tipologia dos documentos
Tipo de publicação
Artigos
Conferência
Revisões
Livros
Capítulos de livros
Editoriais
Fonte: Pesquisa dos autores

Qtde.
355
260
63
21
9
3

%
49,72
36,41
8,82
2,94
1,26
0,42

O levantamento sobre a contribuição dos países para as publicações científicas
relacionadas à inteligência organizacional aplicada às bibliotecas apontou 82 países com ao
menos uma publicação no tema. Por intermédio da Figura 2 é possível verificar o ranking dos
dez primeiros.

Figura 2: Principais países

Fonte: Pequisa dos autores

Quem lidera o ranking mundial é os Estados Unidos, responsável por quase 30% dos
documentos publicados. Tradicionalmente, os periódicos desse país dominam as bases de
dados internacionais e por esse motivo, vale levar em consideração o mecanismo de
indexação, ou seja, por ser uma base norte-americana, natural que priorize as revistas norteamericanas.
A língua da produção e disseminação das pesquisas, resultante na produção científica,
é indicador relevante entre os cientistas e seu público. Quase a totalidade dos documentos

1232

�(96%) está redigida em inglês e, portanto, vale ressaltar que a base Scopus representa
essencialmente a ciência do primeiro mundo, publicada em idioma inglês e em periódicos de
alta reputação (SAYÃO, 1996). Na Tabela 2 apresenta-se o ranking dos dez principais
periódicos utilizados para publicação. Esse indicador é útil para se ter uma visão dos
principais periódicos científicos da área, sendo estas as fontes de disseminação de
conhecimento mais utilizadas pelos pesquisadores, consolidando-se cada vez mais como um
canal de comunicação científica.

Tabela 2 - Título das principais revistas
Título da revista
Lecture Notes in Computer Science Including Subseries Lecture Notes in
Artificial Intelligence and Lecture Notes in Bioinformatics
Journal of the American Society for Information Science and Technology
Decision Support Systems
Annual Review of Information Science and Technology
Journal of Information Science
ACM International Conference Proceeding Series
Expert Systems with Applications
Scientometrics
Applied Mechanics and Materials
Proceedings of the European Conference on Knowledge Management Eckm
Fonte: Pesquisa dos autores

Qtde. de documentos
22
13
13
10
9
8
8
8
7
7

Baseado na análise de co-ocorrência das palavras chave utilizadas na indexação das
publicações, a Figura 3 apresenta os principais termos que descrevem o conteúdo dos
documentos. Este indicador oferece novas oportunidades para a validação dos estudos
quantitativos sobre a estrutura e o desenvolvimento do tema (CALLON, LAW, RIP; 1985).
Percebe-se que os temas coligidos apontam para uma forte interdisciplinaridade,
característica recorrente da ciência da informação (ARAÚJO JÚNIOR, PERUCCHI, LOPES;
2013).

1233

�Figura 3 : Principais palavras chave

Fonte: Pequisa dos autores

O uso da inteligência organizacional em bibliotecas começa a crescer a partir do
século XXI (Figura 1), difundido principalmente nos Estados Unidos (Figura 3), o Brasil
ainda apresenta poucas produções científicas relacionadas ao tema, uma vez que a inteligência
organizacional é pouco aplicada nas unidades de informação no país. Fator que pode estar
relacionado ao desconhecimento ou conhecimento superficial da área, como pode ser
observado na Figura 4, na qual 67% dos gestores do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Amazonas (SISTEBIB - UFAM) conhecem superficialmente a inteligência
organizacional. Ademais, 67% dos profissionais obtiveram conhecimento sobre o tema por
meio da internet e 33% a partir da participação em evento.
Figura 4: Bibliotecários do SISTEBIB - UFAM que conhecem a inteligência
organizacional

Apesar de 67% dos gestores do SISTEBIB conhecerem superficialmente a inteligência
organizacional, 89% consideram que ela é importante para o Sistema (Figura 5). Para as
organizações, assim como para as bibliotecas é de suma importância que as informações do

1234

�ambiente interno e externo sejam monitoradas, gerenciadas e disseminadas com o intuito de
subsidiar as decisões dos gestores.

Figura 5 : Necessidade da inteligência organizacional para o SITEBIB - UFAM

■ Não
■ Sim
■ Sem resposta

Fonte: Pequisa dos autores

Hoffmann (2011) afirma que as organizações possuem muitos e múltiplos desafios
relacionados ao seu ambiente de atuação, na qual, destaca o ambiente externo caracterizado
pelo mercado, tendo que lidar com concorrentes, fornecedores, consumidores, usuários, entre
outros; há o macro ambiente vinculado à economia, questões sociais, políticas, meio
ambiente, regulatórias e tecnológicas. Desta forma, a fim de superar esses desafios, tem-se
utilizado o monitoramento de informação e a inteligência competitiva
[...] que possibilita compreender as atividades da concorrência, as tendências
setoriais, o mercado em geral e a macroeconomia, etc. Também, possibilita
de forma adequada, planejar, organizar, alocar recursos (humanos,
informacionais, financeiros, tecnológicos, naturais), controlar, dirigir, liderar
e motivar as pessoas, ou seja, investir esforços para atingir seus objetivos
(HOFFMANN, 2011, p.131)
Assim, para qualquer organização, ter as informações do ambiente interno e externo
monitoradas contribui para captação e otimização de recursos, desenvolvimento e/ou
aprimoramento de produtos e serviços para seus usuários.
O SITEBIB - UFAM não possui um setor exclusivo para coletar, organizar e
disseminar as informações internas e externas. Conforme a pesquisa realizada, normalmente,
cada setor é responsável por buscar as informações que necessita, por conseguinte, pode
ocorrer de informações importantes para tomada de decisão dos gestores não serem
compartilhadas ou cada divisão buscar a mesma informação, gerando retrabalho.

1235

�Conforme Rodrigues e Ricardi (2007 apud ZUQUETTO; BELTRAME, 2012, p. 8-9)
a inteligência competitiva (IC) pode apresentar o estágio de maturidade nas organizações em
cinco fases, sendo estas:

Quadro 1 - Estágio de maturidade em Inteligência Competitiva
Definição

Fases

“Sem norma ou estrutura definida. Nenhuma experiência em IC.
Existência de infra-estrutura de TI, mas não orientada para IC.”
“Pouca experiência em IC. Os elementos constituintes estão criados
Fase 2 - Formal
e os processos de funcionamento estão definidos. Elementos não
funcionam integrados.”
“Incorporado e praticado. Experiência moderada de IC. Equipes
Fase 3 - Disciplinado
observam procedimentos e padrões definidos. Elementos
constitutivos funcionam de forma integrada. Empreendedorismo e
informação são incipientes.
“Avaliado para desempenho. Experiência em IC consolidada.
Fase 4 - Contralado
Parâmetros e indicadores de desempenho definidos. Auditoria e
avaliação do retorno da IC. Inovação é sistematizada.”
“Ampliado e aperfeiçoado. Forte experiência em IC. IC suporta os
Fase 5 - Otimizado
processos decisórios e de inovação estratégica. Forte
empreendedorismo corporativo.”
Fonte: Rodrigues e Ricardi (2007 apud ZUQUETTO; BELTRAME, 2012, p. 8-9)
Fase 1 - Informal

Verifica-se, desta forma, que o SISTEBIB - UFAM encontra-se na primeira fase no
estágio de maturidade em IC, onde não há normas e estrutura definida e experiência. Desta
maneira, é necessário trabalhar a cultura organizacional, estrutura, envolver a alta direção,
funcionários, entre outros, com o intuito de chegar até o estágio 5 de maturidade em IC, onde
há forte experiência em IC e esta realmente contribua para os processos decisórios do
Sistema.
Ademais, as atividades de inteligência organizacional nas bibliotecas universitárias
tem a função de (BARBALHO; MARQUEZ, 2008, p. 12-13):
- Determinar o que o gestor da biblioteca universitária necessita e mais
concretamente, o que ele valoriza;
- Monitorar o ambiente que cerca a universidade e, em especial, o da
biblioteca universitária;
- Monitorar e prospectar ambientes de ação para a biblioteca universitária;
- Analisar os fatores que podem ser considerados concorrentes aos serviços e
produtos oferecidos pela biblioteca universitária;
- Identificar fornecedores e distribuidores;
- Determinar o que os usuários desejam;
- Identificar onde os conhecimentos ou a tecnologia podem ser obtidos para
satisfazer as necessidades e os desejos dos usuários.

1236

�Neste sentido, a inteligência organizacional aplicada às bibliotecas universitárias
contribuirá para a melhoria continua de seus produtos e serviços, captação de recursos,
identificação de novas oportunidades, aprender sobre as novas tecnologias, produtos e
processos que podem afetar suas atividades, assim como, as mudanças políticas, legislativas e
regulatórias que impactam na biblioteca universitária.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
À medida que se vivencia o século XXI, a gestão do conhecimento e inteligência
organizacional tornam-se, cada vez mais, parte integrante de qualquer negócio. O
monitoramento contínuo do ambiente externo (concorrentes, clientes, fornecedores, novas
tecnologias, novos produtos, etc.) deve tornar-se parte do processo de gestão estratégica das
bibliotecas. É dessa forma que elas conseguirão manter um aprimoramento contínuo que
permitirá que se mantenham competitivas em um ambiente que exige respostas cada vez mais
rápidas às constantes mudanças ambientais (BARBALHO, MARQUEZ; 2008).
A pesquisa realizada mostrou que a literatura relacionada à inteligência organizacional
aplicada às bibliotecas universitárias ainda é pequena no Brasil. Desta maneira, são poucas as
iniciativas neste sentido, apesar da inteligência competitiva ser bastante difundida nas
empresas.
No SISTEB-UFAM o monitoramento de informações estratégicas para tomada de
decisão é realizado de maneira isolada, apesar de seus gestores compreenderem a importância
da inteligência organizacional, mostrando a necessidade de sistematizar a inteligência
organizacional para o Sistema, a fim de dar suporte para os principais tomadores de decisão,
minimizando as incertezas e surpresas.
Neste estudo, não há pretensão de esgotar a análise do tema, mas, sim, de demonstrar a
importância do tema. Investigações posteriores podem trazer mais subsídios para a
compreensão do desenvolvimento dessa área.

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da

IC

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Brasil.

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1239

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Inteligência Organizacional e Competitiva caracterizam-se como a capacidade de uma corporação reunir informação, inovar, criar conhecimento e atuar efetivamente baseada no conhecimento que foi gerado. O objetivo deste estudo é verificar o contexto da produção científica atrelada à inteligência organizacional aplicada às bibliotecas, assim como, avaliar a inteligência organizacional no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB-UFAM). Por meio de uma pesquisa exploratória e descritiva, aplicando-se técnicas métricas de bibliometria, os 714 registros bibliográficos recuperados na base de dados Scopus foram tratados com o software VantagePoint e representados graficamente com o Microsoft Excel. Aplicou-se, ainda, um questionário com os principais gestores SISTEBIB a fim de verificar o uso da inteligência organizacional no Sistema. Dentre os resultados, destaca-se o exponencial crescimento ao longo dos últimos anos, a notória quantidade de documentos publicados como artigos científicos e a contribuição do Brasil no levantamento dos dez principais países que publicam sobre o tema. Contudo, a inteligência organizacional é pouco conhecida e usada nas bibliotecas brasileiras, 67% dos gestores do SISTEBIB conhecem superficialmente a inteligência organizacional, todavia, 89% consideram que ela é importante para o Sistema. Assim, o estudo contribui para orientar as tomadas de decisões para implantação efetiva da inteligência organizacional no SISTEBIB, uma vez que acreditase que venha a colaborar significativamente para os serviços e produtos que antecipem e satisfaçam as necessidades locais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

VIVÊNCIAS EM SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO DE BIBLIOTECAS: BIBLIVRE E
SOPHIA

Adriana Isidório da Silva Zamite
Antonio Luis Mattos de Souza Cardoso

RESUMO
Este artigo apresenta vivências profissionais na utilização dos sistemas BIBLIVRE, um
software livre, e o Sophia, um software proprietário, no cotidiano das práticas bibliotecárias.
Com objetivo de identificar vantagens e desvantagens dos softwares e avaliar suas
ferramentas para melhor atender a instituição e o usuário. Para tanto, são apresentados
manuais e programas para que fossem avaliados igualmente. Foram analisadas as interfaces,
nos módulos de Catalogação, Busca e Circulação; serviços essenciais de uma unidade de
informação. E também, foi avaliada a linguagem dos manuais impressos e online. O objetivo
é descobrir se os fabricantes estão realmente corretos nas descrições dos softwares, e qual a
ferramenta mais completa e de fácil utilização para o profissional bibliotecário e o usuário.

Palavras-Chave: Biblivre; Sophia; Automação de Bibliotecas; Software livre; Software
proprietário.

ABSTRACT
This article presents professional experiences in the employment of the use of BIBLIVRE, a
free software, and Sophia, a proprietary software, systems in everyday librarian practice. The
objective is to identify advantages and disadvantages of these softwares and to evaluate their
tools to better serve the institution and the user. For both, manuals and programs were
evaluated and also presented. Interfaces were analyzed for Cataloguing, Searching and
Circulation modules; essential services for an information unit. The printed and online
manuals were also evaluated. The intention is to find out if the manufacturers are really
accurate descriptions of the software, and what the most complete and easy to use tool for the
professional librarian and the user.

Keywords: Biblivre; Sophia; Library Automation; Free software; Proprietary software.

4660

�1 Introdução
Com os avanços tecnológicos, as unidades de informação, em sua maioria inserida em
organizações, exigem uma compreensão melhor por parte dos profissionais, mas também das
plataformas tecnológicas existentes. A agilidade e eficiência de soluções digitais trazem para
uma instituição melhoras significativas para o trabalho do bibliotecário em suas atividades.
Assim, esse artigo realiza uma análise comparativa entre os programas Biblivre, um

software livre, e o Sophia, um software proprietário. Identificar as vantagens e desvantagens
entre eles, mesmo havendo diferenças estruturais e comerciais, avaliando suas ferramentas e
funcionalidades para melhor atender a instituição e o usuário.

2 Revisão de Literatura
Nesta revisão, são apresentados os conceitos dos recursos da Tecnologia da
Informação discutidos neste trabalho. Iniciaremos com Sistema de Informação definido
segundo Laudon e Laudon (1999, p. 4), “ [...] como um conjunto de componentes interrelacionados trabalhando juntos para coletar, recuperar, processar, armazenar e distribuir
informação [...]” . Sendo este, um produto composto por três componentes essenciais:
tecnologia, organização e pessoas (Figura 1). Elementos primordiais no processamento e
execução de tarefas em ambientes organizacionais.

Figura 1 - Componentes de um Sistema de Informaçã

Fonte - Laudon e Laudon (1999, p. 5)

No entanto, se faz necessário para a coordenação desses componentes à implantação
de softwares que, segundo Laudon e Laudon (2010, p. 16), “consiste em instruções detalhadas
e pré-programadas que controlam e coordenam os componentes do hardware de um sistema
de informação”. Um item imprescindível na recuperação da informação com o objetivo de
automatizar e dinamizar as atividades realizadas em centros de informação. No mercado,

4661

�atualmente existem vários tipos de softwares sendo estes livres, gratuitos, comerciais ou
proprietários.
Assim, começaremos a pesquisa com o software livre que é definido como, segundo
Silveira e outros (2003, p. 50), “ [...] um programa de computador com o código-fonte aberto,
possibilitando que qualquer técnico possa estudá-lo, alterá-lo, adequá-lo assuas próprias
necessidades e redistribuí-lo, sem restrições” . Além disso, para ser considerado livre o

software precisa ter quatro liberdades básicas definidas pela Free Software Foundation

:

•
Liberdade 0: A liberdade de executar o programa, para qualquer
propósito;
•
Liberdade 1: A liberdade de estudar como o programa funciona, e
adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte é um prérequisito para esta liberdade;
•
Liberdade 2: A liberdade de redistribuir cópias de modo que você
possa ajudar ao seu próximo;
•
Liberdade 3: A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus
aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao
código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
Logo, o software gratuito, segundo Lourenço (2008, p. 81), “não se tem acesso ao
código-fonte, portanto não se pode alterá-lo ou simplesmente estudá-lo, pode-se apenas usálo, da forma como foi disponibilizado” . É importante destacar que software livre e software
gratuito não são iguais, quanto ao seu desenvolvimento, comercialização e distribuição. Para
Dziekaniak (2004, p. 39-40), é relevante lembrar que,
[...] enquanto do software gratuito apenas pode ser utilizado sem custos na
aquisição, o software livre possui uma filosofia de cooperação e liberdade de
atualização e criação de novos módulos nestes sistemas, uma vez que é open
source, ou seja, seu código fonte é disponibilizado para manipulação dos
usuários com conhecimento em programação.
Mas, o software comercial foi desenvolvido para o mercado com o objetivo de almejar
lucro que, segundo Rodrigues e Prudêncio (2009, p.83),

[...] é aquele desenvolvido por uma empresa com vistas a obter lucro através
do uso do software. “Comercial” e “Proprietário” não é a mesma coisa. A
maior parte dos softwares comerciais é proprietária, mas existem softwares
livres comerciais e softwares não comerciais proprietários.

527 Free Software Foundation é a principal organização que patrocina o Sistema Operacional GNU. Tendo a
missão de preservar, proteger e prom over a liberdade de usar, estudar, copiar, m odificar e redistribuir
software, e defender os
direitos
dos usuários
de Software Livre. Disponível em:
&lt;http://www.gnu.org/philosophy/philosophy.pt-br.html&gt;. Acesso em: 24 nov. 2013.

4662

�Entretanto, o software proprietário tem seu uso atrelado ao pagamento de licença.
Saleh (2004, p. 10) afirma que “é um programa de computador que possui o seu código fonte
fechado, é negado às pessoas melhorar sua funcionalidade de forma a atender as necessidades
específicas” . Essa configuração de propriedade e o caráter pago de sua licença conferem-lhe
um caráter comercial esse intuito aproxima-se de certa resistência social quando se constata
que poucas corporações dominam a comercialização de tais produtos em escala mundial.
Com o auxilio desses programas, a biblioteca apresenta mais eficiência em seus
serviços para melhor atender os usuários. A automação vem para auxiliar e suprir as
necessidades tecnológicas dos gerenciadores dos centros de informação. Para Cunha e
Cavalcanti (2008, p. 39), “a automação de bibliotecas utiliza a informática visando
modernizar e aperfeiçoar as rotinas, produtos e serviços de uma biblioteca” . O bibliotecário
necessita dessa ferramenta para dinamizar suas atividades. Para Côrte (2002, p.11), “a atuação
eficaz do profissional da informação depende, e muito, de ferramentas tecnológicas que
possibilitam o desenvolvimento das diversas atividades informacionais” . Por isso, o
profissional bibliotecário necessita conhecer e habituar-se às ferramentas tecnológicas para
assim aplicá-la em sua instituição.
A seleção de um software não é uma tarefa simples. Além da instituição, existem
outros fatores que precisam ser avaliados, segundo Côrte (2002, p. 35), “A escolha de um

software exige, fundamentalmente, a análise da ferramenta, seus recursos, potencialidades
[...]” . Esse processo de informatização da biblioteca não pode ser desordenado, necessita de
uma pesquisa mais intensa sobre os programas. Sendo de grande importância a realização de
um diagnóstico das atividades e necessidades da unidade de informação.
Segundo Café, Santos e Macedo (2001, p. 71), para escolher um software é preciso,
“tomar cuidado com decisões baseadas em ideologias, modismos e expectativas pessoais ou
ainda em argumentos feitos de acordo com situações específicas, sem observar a unidade de
informação como um todo” . É importante que a biblioteca determine e solicite as operações
desejáveis para as funções básicas e necessárias que a atenda.

3 Materiais e Métodos
Uma análise comparativa foi realizada entre os programas, Biblivre e Sophia, com o
objetivo de identificar e caracterizar as interfaces nos módulos de catalogação, busca e
circulação, além de seus manuais online e impressos. Para tanto, foram utilizados métodos de
observação e relatos de experiências sobre os softwares através do manuseio das ferramentas
na prática bibliotecária.

4663

�Foram observados os recursos do Biblivre através de um acervo pessoal e das aulas do
Projeto de Iniciação a Docência, apresentadas aos alunos do 6° período de Biblioteconomia no
período letivo de 2013/1 e 2013/2 na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). E, o
Sophia, na utilização do software na Biblioteca Senador João Calmon da Assembleia
Legislativa do Estado do Espírito Santo (ALES). As análises foram realizadas, entre o período
de janeiro a dezembro de 2013, com o intuito de identificar as vantagens e desvantagens dos
programas em aspectos de uso e ferramentas, para melhor atender o bibliotecário e o usuário.

4 Biblivre 3.0
O Biblivre é um software de gestão da informação com o aplicativo que permite a
inclusão digital do cidadão na sociedade da informação (BIBLIVRE, 2013). Ele contribuiu,
assim, para a difusão de acervos de bibliotecas de varados portes. Além disso, qualquer
usuário pode compartilhar no sistema seus próprios textos, músicas, imagens e filmes.
Segundo o Manual do Biblivre (2010?, p. 4),
o programa começou a ser elaborado em 2001 pelo Ministério da Cultura (Minc), através
da Lei Rouanet 8.313/91 para o incentivo ao desenvolvimento sociocultural” . Em 2004,
firmou convênio com a SABIN (Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional). E a
Universidade Federal do Rio de Janeiro contribuiu com o apoio ao desenvolvimento do
projeto, nas versões, 1.0 e 2.0.
O Instituto Itaú Cultural tornou-se patrocinador exclusivo do projeto em 2007. Em
2008, a Biblioteca livre obteve o apoio da Fundação Biblioteca Nacional. E em 2010 foi
lançada a versão internacional, também conhecido como versão 3.0 em Português, Inglês e
Espanhol

. Sendo este composto por seis módulos: Busca, Circulação, Catalogação,

Aquisição, Administração e Ajuda. Para acessar os módulos, é muito simples, bastando clicar
na tela inicial (Figura 2) o serviço desejado.
Figura 2 - Interface do Biblivre.

Fonte - Biblivre.

528 Manual Biblivre. Versão 3.0. [S.l.: s.n., 2010?].

4664

�4.1 Busca
Analisando alguns desss módulos, a começar pelo módulo de Busca, item
indispensável na recuperação da informação, verifica-se que há quatro modos de tornar mais
ágeis e eficientes as pesquisas: Bibliográfica, Autoridades, Vocabulário e Distribuída (Figura
3).
Figura 3 - Módulo de Busca

Fonte - Biblivre.

A recuperação dos registros tamém pode ser realizada através do tipo de material e/ou
atributos sendo este por autor, título, assunto, ISBN, ano de publicação, serial da obra, código
de barras ou tombo patrimonial. Contém os operadores booleanos (AND, OR, NOT), que
auxiliam o usuário a localizar as informações com mais precisão e menos ruídos.
O usuário tem acesso livre a esse serviço, conseguindo recuperar e visualizar os
registros das obras catalogadas no sistema das bibliotecas que utilizam o programa Biblivre,
sendo esta, a única interface disponível para o usuário (Figura 4). No serviço de Busca e
Ajuda são encontrados o manual, informações sobre o programa e serviços prestados por
fóruns para sanar dúvidas do software. O login e a senha apresentados na interface nesse
módulo, são campos restritos aos usuários, estando apenas disponíveis para gestores de
instituições ou a usuários que utilizam o sistema na sua residência.
Figura 4 - Página inicial do Biblivre

Fonte - Biblivre.

4665

�4.2 Circulação
O segundo módulo a Circulação, onde são realizados os serviços de cadastros (Figura
5) empréstimos, reservas e emissão das carteirinhas

529

dos usuários que utilizam os serviços

da biblioteca. É possível também anexar fotos e classificar o tipo de usuário

, facilitando o

reconhecimento do mesmo na hora do empréstimo. O Biblivre possui também dispositivos
que emitem etiquetas de identificação do usuário, para ser anexada nas carteirinhas
disponibilizadas pela instituição, uma maneira inteligente de fidelizar seus leitores e divulgar
a Biblioteca.
Figura 5 - Cadastro de usuários

Fonte - Biblivre

Além disso, é possível bloquear usuário que descumpre o regulamento da instituição,
deixando-o impossibilitado de retirar qualquer obra da biblioteca. Logo, não havendo
restrições, o usuário pode retirar a obra, renovar e até mesmo reservá-la. E, para o
bibliotecário, permite-se visualizar todos os cadastros e empréstimos realizados, identificando
atrasos, multas e reservas.

4.3 Catalogação
O próximo módulo é Catalogação, serviço de extrema importância na biblioteca, pois
a obra é tratada e organizada pelo bibliotecário e em seguida, disponibilizada para o usuário.
Além disso, é possível importar/exportar registros de outras instituições pelo modo MARC21

e também remover registros já cadastrados.

529 Termo utilizado pelo Programa Biblivre.
530Essa classificação é realizada pelo bibliotecário na hora do cadastro. Cada biblioteca possui diferentes tipos de
usuários, sendo estes, alunos, professores, entre outros. Esta classificação é dada de acordo com o público que
frequenta cada unidade de informação.
531 Os formatos MARC 21 são padrões amplamente usados para representação e exportação de dados
bibliográficos, de autoridade, classificação, informação de comunidade e dados de coleção, em formato legível
por máquina (2005, p. 15).
Fonte: MARC-21.

4666

�Este módulo também possui divisões em suas bases de dados são elas: bibliográfico,
autoridades e vocabulário (Figura 6).

Figura 6 - Apresentação do módulo de Catalogação

Fonte - Biblivre

O formulário para cadastro de obas apresenta muita informação dispensável, sendo
exaustivo para o profissional bibliotecário. Mas isso, iremos visualizar mais a frente na
analise dos dois softwares. Porém, ele oferece a opção de anexar arquivos em seu cadastro,
utilizando arquivos armazenados no computador, pen drive, CD, DVD, etc.

4.4 Ajuda
A Ajuda, onde está localizado o manual. O manual é possível de ser visualizado no
formato PDF por todos que utilizam esse serviço. Encontra-se também as perguntas
frequentes de todos os serviços prestados pelo Biblivre, respondidas em fóruns, por
profissionais que conhecem a ferramenta (Figura 7). Além disso, esse módulo possui
informações sobre os direitos autorais reservados ao software.

Figura 7 - Módulo de ajuda

Fonte - Biblivre.

4667

�5 Sophia Biblioteca 8.0
O Sophi Biblioteca versão 8.0 foi desenvolvido pela Empresa Prima, fundada em
1993. Entretanto, só a partir de 1997 a Prima começou a atuar no desenvolvimento de

softwares para gestão de bibliotecas. Com uma equipe formada por bibliotecários, analistas de
sistemas e de suporte trabalhando exclusivamente no desenvolvimento do Sophia Acervo, que
segundo a Prima (2013),
é um software desenvolvido com o objetivo de facilitar, de uma forma
surpreendente, a gestão de suas coleções. O produto permite que você crie
todas as fichas de catalogação de acordo com seu interesse e oferece, por
meio de telas de fácil utilização, um poderoso mecanismo de busca,
recuperação e apresentação de informações.
Além de apresentar uma linguagem simples e de fácil manuseio, o programa Sophia
segundo Côrte e outros (2002, p. 194), é "desenvolvido em linguagem Delphi, contempla
todos os requisitos necessários para o processo de automação de uma biblioteca, destacandose a manipulação completa do registro MARC-21". Este software também oferece, uma
interface moderna e seus serviços Web contam com a possibilidade de customização,
permitindo à biblioteca adequar seu terminal ao padrão visual do site da instituição. O sistema
permite também, a criação de perfil e senha para cada operador (Figura 8), indicando quais
ações ele poderá realizar na biblioteca. Para Prima (2013),
Assim, é possível acompanhar as ações de cada um por meio de filtros e
relatórios gerenciais e ainda definir políticas de empréstimos, fazer reservas
e renovações de acordo com a realidade da sua instituição, combinando
dezenas de opções, como quiser (multas, atrasos, dentre outros).
Figura 8 - Apresentação do Sophia

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo.

Entretanto, depois de preencher os campos de identificação e senha o programa abrirá
uma tela (Figura 9), com informações sobre todo o funcionamento da ferramenta.

4668

�Figura 9 - Interface do Sophia.

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo.

Na sua interface, são visualizados todos os serviços disponíveis, sendo este, possível
de acessar com um simples clique. N a própria página são divididas as funções e, na parte
superior, os ícones administrativos e um pouco mais a baixo, os serviços de catalogação de
obras e periódicos, usuário e circulação. No site, não é mencionado à causa dessa divisão,
entretanto, é prático e facilita a localização dos mesmos.

5.1 Busca
A pesquisa solicitada nesse setor é realizada em dois momentos diferentes. O primeiro
é realizado pelo bibliotecário na base de dados do programa, sendo este, restrito para usuários.
Na Figura 10, é possível visualizar os registros realizados no sistema com a foto da capa do
livro532.

Figura 10 - Tela de busca realizada pelo Bibliotecário.

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

532 Como exemplo, uma busca realiza por ASSIS, tudo o que tiver relacionado com este nome aparecerá na tela.
Lógico, esse é um modo simples de busca, existem muitas outras complexas e mais eficientes.

4669

�O outro modo é realizado pelo usuário, sendo este o único vinculo com o sistema
Sophia (Figura 11) pelo portal da instituição.
Figura 11 - Tela de busca do usuário

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

A busca é realizada mediante a digitação da palavra e qual informação quer recuperar.
Caso queira detalhar a busca, selecione o campo da palavra-chave e clique no atributo pelo
qual desejar recuperar, assim como descrito na tela.

5.2 Obras
Neste módulo, são catalogadas obras baseadas na descrição da AACR2

. O

formulário de cadastro do Sophia possui linguagem simples e fácil manuseio (Figura 12).
Assim, é possível inserir, alterar e até mesmo excluir uma obra53534. O Sophia conta com um
auxilio na base de dados de mídias, de uma escâner para escanear a capa do livro e expor no
sistema, assim como mostrado anteriormente na Figura 10.
Figura 12 - Formulário de cadastro de Obras

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

533 AACR2 - Anglo-American Cataloguing Rules, cujas regras de catalogação descritiva basearam-se na ISBD Internacional StandardBibliografic Description, tem como objetivo facilitar o intercâmbio internacional da
informação bibliográfica, por meio da forma escrita convencional, ou por meio eletrônico.
Fonte - RIBEIRO, Antônia Motta de Castro Memória. AACR2: Anglo-American Cataloguing Rules, 2nd
edition: descrição e pontos de acesso. 2. ed. Brasília: Ed. do autor, 2001.
534 Na Biblioteca Senador João Calmon, no cadastro de obras, é inserido apenas livros.

4670

�5.3 Periódicos
No formulário de periódicos (Figura 13), assim como em Obras, é baseada na
descrição do AACR2.

Figura 13 - Cadastro de Periódicos

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

O formato do formulário é o mesmo e apresenta ícone de mídia, porém, tem alguns
dados relacionados a cada material, exemplo, ISBN para livros e ISSN para periódicos.

5.4 Usuários
Para cadastrar um novo usuário no Sophia, é preciso clicar no módulo Usuário. Na
tela, aparece uma ficha (Figura 14), onde são inseridos os seus dados. A ficha de cadastro
contém informações sobre identificação pessoal e logradouro do usuário. Esse cadastro é
muito importante, sendo de extrema importância a veracidade das informações coletadas.

Figura 14 - Cadastro de Usuários

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

O Sophia Biblioteca permite que o usuário cadastre uma foto no programa. Mas para
isso, é preciso incluir à fotografia em uma pasta no servidor do computador e depois anexa-la
ao programa.

4671

�5.5 Circulação
No módulo Circulação é onde acontece os empréstimos, reservas e devoluções dos
materiais disponíveis pela unidade de informação. O programa apresenta na interface os
ícones de Empréstimo / Devolução. Basta clicar sobre o ícone e aparecerão na tela (Figura
15), os dados para realização do empréstimo rápido e simples.

Figura 15 - Tela de empréstimo de materiais

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

Além disso, pode visualizar e emitir relatórios da quantidade e situação de usuários
cadastrados no sistema, obras emprestadas ou em atraso.

5.6 Ajuda
No módulo Ajuda, são encontradas informações sobre o Sophia Biblioteca e seu
fabricante (Figura 16). Além do seu manual e informações técnicas sobre software. Assim,
são as apresentadas às bases de dados de cadastros de Obras e Periódicos e sobre os módulos
de Busca, Usuários e Circulação.
Figura 16 - Módulo de Ajuda

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito
Santo

4672

�6 Resultados Parciais/Finais
Nesse capítulo, é abordada a vivência e a análise da prática dos softwares na visão do
pesquisador bibliotecário. E, na prática da docência da utilização do programa Biblivre em
sala de aula para alunos do 6° período do Curso de Biblioteconomia da UFES durante os
períodos letivos de 2013/1 e 2013/2. Esta análise é realizada de acordo com a utilização das
interfaces dos programas nos seguintes aspectos: na Catalogação das obras, a Busca e a
Circulação. As escolhas desses módulos basearam-se na frequente utilização dos serviços
prestados pelas unidades de informação. Segundo Cardoso Filho e Santos (2012, p. 185),
o processamento técnico de livros, por exemplo, que envolve catalogação,
classificação e indexação, poupa o tempo do usuário na busca do que
necessita. Apenas com o título ou com o autor de uma obra, o usuário
identifica o documento procurado, e a boa indexação permite localizar
documentos com maior agilidade.
Por isso, importância de uma eficiente catalogação, para que o usuário possa recuperar
a informação de forma mais precisa. Ao analisar a interface do programa Biblivre, como
“admin”

, deparei com algumas características aleatórias. O Biblivre possui uma interface

simples e de fácil utilização. Todas as informações sobre o software aparecem na interface.
Para visualizar, ao clicar no módulo desejado assim visualizado na (Figura 2), o bibliotecário
não tem dificuldade alguma em acessar a sua base.
A Prima (2013) afirma que “a preocupação com a ergonomia tornou o Sophia
biblioteca muito simples de ser utilizado, com uma interface amigável e intuitiva” . Todavia, a
interface, apesar de possuir uma linguagem simples como descrita pelo fabricante, possui
muitos ícones que não são utilizados frequentemente (Figura 9), poluindo visualmente o
programa. A unidade de informação necessita de programas mais objetivos para que o
bibliotecário possa realizar as atividades seguramente.
O formulário de catalogação do Sophia é o mais completo e prático. As bases, onde
são inseridos os dados, têm uma linguagem clara e de fácil compreensão, baseadas nas
normas da ABNT535536. O programa, segundo Dantas e Gottschalg-Duque (2010, p.2), “é um

software de fácil utilização que não exige do bibliotecário conhecimento profundo em
informática ou do padrão MARC-21” . O Biblivre também utiliza o formato MARC-21,
entretanto, possui um formulário extenso e exaustivo, assim como apresentado, somente a
primeira parte do formulário (Figura 17) para obras bibliográficas. A base é inteira e, se
535 O Biblivre utiliza o termo “admin” ou administrador para o responsável do programa.
536 Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

4673

�desejar inserir ou alterar algum dado, é preciso rolar a página do programa com o auxilio do
mouse para a direção pretendida até o ponto da inserção.

Figura 17 - Formulário de catalogação bibliográfica do Biblivre

Fonte - Biblivre

Ele também possui formulários paa autoridades e vocabulários separadamente, porém,
são bases que o catalogador quase não trabalha, por utilizar mais os dados bibliográficos. Este
formulário poderia ser dividido em partes, para auxiliar o catalogador. Assim como no
Sophia, que possui formulários condensados para cada tipo de material, obras (Figura 12) e
periódicos (Figura 13). A intenção é facilitar a catalogação, mas sempre observando os
critérios do bibliotecário e principalmente do usuário. As informações precisam ser
corretamente indexadas e inseridas nas bases, para que o usuário possa recuperá-la
perfeitamente. O ponto em questão não é quantidade, e sim a qualidade do serviço oferecido.
A busca pela recuperação da informação pelo Biblivre (Figura 3-4) e o Sophia (10-11)
é simples e de fácil entendimento, a praticidade desses campos são vantagens para ambos os
programas. Apesar dos softwares utilizarem palavras, pouco conhencidas pelos usuários que
não são da área da biblioteconomia. Segundo Figueiredo (1996, p. 43), “o usuário deve
executar a sua própria busca com o mínimo de auxilio, contudo, devido a isso, a busca é feita
de maneira simplista [...]” . Para que ele tenha autonomia e pesquisar o que realmente
necessita.
Na Circulação, é onde ocorre os empréstimos, renovações e devoluções de materiais.
Os dois softwares possuem excelentes serviços de empréstimos. O Biblivre, por exemplo,
possui no módulo de circulação ícones apresentados anteriormente (Figura 5), numa
sequência lógica, o bibliotecário cadastra o usuário, depois realiza o emprestimo e por fim,
quando solicitado faz a reserva da obra. Após o empréstimo, são emitidos comprovantes do
serviço prestado, com o título da obra, nome do autor e do usuário para quem foi emprestado.

4674

�Além disso, o programa pode restringir o acesso do usuário a determinadas áreas, isso
depende muito da política da biblioteca.
Outro serviço importante é o processo de emissão de carteirinha para o usuário. Esse
procedimento é um fator relevante para o Biblivre, pois fideliza o usuário, permitindo que o
administrador, juntamente com um auxílio de uma câmera, fotografe e vincule uma foto ao
cadastro do usuário;é um serviço rápido e eficiente, poupando o tempo do seu leitor
(RANGANATHAN, 2009, p. 211).
O Sophia também possui um serviço eficiente de empréstimo, quando conectamos o
programa, na tela inicial apresenta o ícone de Empréstimo/Devolução (Figura 9). Para efetuar
um empréstimo, o usuário precisa estar cadastrado no sistema pelo gestor como mostrado
anteriormente (Figura 14). Como no Biblivre, o Sophia também possui dispositivos para
anexar fotografia do usuário. Após cadastrar o usuário, o gestor pode efetuar o empréstimo da
obra, basta clicar no serviço desejado e digitar a matricula do usuário e o número de tombo do
livro e assim, finalizar o empréstimo. O mesmo ocorre no ato da devolução quando são
emitidos dois comprovantes de Empréstimo/Devolução, para o usuário e gestor. Esse
comprovante é de extrema relevância, pois é uma prova da realização do serviço e segurança
para a instituição, caso aconteça algo com a obra.
Os manuais são instrumentos importantíssimos para o bibliotecário e usuário, pois para
trabalhar com o programa é preciso conhecê-lo. O desenvolvedor do Sophia realiza
treinamentos nas unidades de informação e possui assistência técnica. Porém, este serviço
é utilizado somente quando a instituição renova o contrato de manutenção. Caso contrário,
a biblioteca conta com a ajuda dos manuais impressos e on-line.
Quando o software é livre, ele não possui técnicos para auxiliá-lo, apenas contam com
a ajuda dos Fóruns on-line. as dúvidas são sanadas por bibliotecários que trabalham na prática
com o software. Esse processo é demorado, pois se necessita de profissionais dispostos a
responder.
Porém, ambos possuem manuais que são apresentados como de fácil entendimento e
linguagem simples e que foram realizados por uma equipe técnica com bibliotecários. Os
manuais não estão aptos para serem utilizados pelos usuários ou até mesmo por profissionais
da área, pois eles possuem uma linguagem técnica baseada em engenharia de software,
diferente das utilizadas pelos bibliotecários.
A análise realizada em relação aos manuais não é para excluí-los e sim melhorá-los
para aprimorar a qualidade. Devem-se utilizar os manuais para aprender a manusear as
ferramentas e auxiliar os usuários corretamente. Pois, segundo Grogan (2001, p. 8), “os

4675

�usuários das bibliotecas, auxiliados pelo bibliotecário de referência, têm melhores condições
de mais bem aproveitarem o acervo de uma biblioteca do que fariam sem essa assistência” .

7 Considerações Parciais/Finais

Com este trabalho, foi possível entender a importância de conhecer uma ferramenta
tecnologica e a vivência de manuseá-la corretamente. E, como os softwares Biblivre e Sophia
apesar de possuirem estruturas tecnologias diferentes, eles possuem as mesmas capacidades
básicas de um programa de gestão da informação. Foram encontrados aspectos diferentes e
outros que supriam ou diferenciavam os programas. O Sophia, por exemplo, tem mais
recursos por ser um software proprietário, possui uma equipe de assistência técnica para
qualquer enventualizade que aconteça com o software e seu formulário é uma ferramenta de
qualidade.
O Biblivre também é um programa de qualidade apesar de ser um software livre. Ele
possui serviços diferenciados, como a emissão de carteirinha, um procedimento simples, mas
que fideliza o usuário. Seu manual é exposto para todos que acessam o programa, sendo estes,
usuários ou bibliotecários. Ele possui ainda, uma interface simples e de fácil utilização.
Entretanto, ambos possuem excelentes serviços de referência e busca. Contudo, eles
possuem deficiencias em seus manuais. A intenção desde o inicio da analise não era detectar
qual o melhor software, e sim, mostrar como os dois programas podem ser úteis e necessários
em qualquer instituição, pública ou privada. O Sophia biblioteca é um software muito
eficiente e prático, se a instituição tiver boas condições financeiras, é recomendável. Mas,
caso não haja recursos, o Biblivre é uma boa alternativa.
Existem vários outros softwares livres, que possuem as mesmas qualidades ou serviços
diferenciados dos softwares proprietários. Uma análise criteriosa é fundamental para uma boa
escolha. Este trabalho buscou contribuir para o conhecimento e apresentação dos programas
Biblivre e Sophia. E, de alguma forma compartilhar a experiência vivida com o manuseio das
ferramentas. Pois, segundo Côrte e outros (2002, p.11-12), “as experiências profissionais
podem e devem ser compartilhadas, uma vez que possibilitam a compreensão de um fato,
mesmo sem ter sido vivenciado” .

4676

�8. Referências
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                <text>Este artigo apresenta vivências profissionais na utilização dos sistemas BIBLIVRE, um software livre, e o Sophia, um software proprietário, no cotidiano das práticas bibliotecárias. Com objetivo de identificar vantagens e desvantagens dos softwares e avaliar suas ferramentas para melhor atender a instituição e o usuário. Para tanto, são apresentados manuais e programas para que fossem avaliados igualmente. Foram analisadas as interfaces, nos módulos de Catalogação, Busca e Circulação, serviços essenciais de uma unidade de informação. E também, foi avaliada a linguagem dos manuais impressos e online. O objetivo é descobrir se os fabricantes estão realmente corretos nas descrições dos softwares, e qual a ferramenta mais completa e de fácil utilização para o profissional bibliotecário e o usuário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

IMPLANTAÇÃO DO CATÁLOGO DE AQUISIÇÃO DE LIVROS, CATALIVROS,
NA BIBLIOTECA DA UNESP DO CÂMPUS DE BAURU
Maria Marlene Zaniboni
Célia Silva Cruz Morales
Leonardo de Conti Dias Aguiar
Minrevina Teixeira Lopes

RESUMO
Considerando a quantidade de cursos de graduação atendidos pela Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação da UNESP - Câmpus de Bauru, profissionais pertencentes à
mesma desenvolveram um sistema para inserção dos livros a serem adquiridos para os cursos
de graduação do Câmpus, denominado de Catalivros (Catálogo de Aquisição de Livros). O
sistema possibilitou melhorias nos procedimentos de aquisição de livros através da
modalidade compra, pois os procedimentos tornaram-se mais ágeis e mais transparentes, já
que os usuários podem acompanhar o processo desde a solicitação até a chegada dos livros.
Palavras chave: Sistema de informação; Aquisição de livros; Catalivros; Biblioteca; UNESP.

ABSTRACT
Considering the amount of undergraduate courses attended by the Library and Documentation
Technical Division of UNESP - campus of Bauru, its professionals developed a system for
inserting books to be purchased for the undergraduate courses on campus, the Catalivros
(Book Acquisition Catalog). The system enabled improvements in the acquisition of books
through the purchase modality as procedures become more agile and more transparent, since
users can follow the process from the request to the arrival of the books.
Key-words: Information system; Acquisition of books; Catalivros; Library; UNESP

1 INTRODUÇÃO
A Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Câmpus de Bauru, atende cerca de 6.000 usuários
pertencentes às três faculdades do Câmpus: Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação
(FAAC), Faculdade de Ciências (FC) e Faculdade de Engenharia (FE), totalizando 21 cursos

2834

�de graduação, 17 de pós-graduação stricto sensu além dos cursos de pós-graduação lato
sensu.
A Biblioteca da UNESP do Câmpus de Bauru é uma das 32 Bibliotecas da Rede
UNESP, presentes em 23 cidades do Estado de São Paulo, sendo a única a atender três
Faculdades simultaneamente. Responde administrativamente ao Grupo Administrativo do
Câmpus (GAC) e, tecnicamente, à Coordenadora Geral de Bibliotecas (CGB).
A Biblioteca tem como missão “Disponibilizar a informação em diversas mídias,
oferecendo suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão da comunidade acadêmica,
colaborando com a geração de conhecimento para o desenvolvimento da universidade e da
qualidade de vida do cidadão” e a visão de “Tornar-se uma biblioteca de excelência no que
tange à promoção, acesso e divulgação de produtos e serviços informacionais, sendo
reconhecida pela comunidade acadêmica do Câmpus de Bauru e pela Rede de Bibliotecas da
UNESP, como referência no segmento”. (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
“JULIO DE MESQUITA FILHO”, 2014).
O desenvolvimento da coleção do acervo da Biblioteca tem como principal fonte a
aquisição de livros através da modalidade compra, sendo que as indicações para aquisição são
realizadas pelos docentes norteados pelas bibliografias básicas e complementares e das
necessidades estabelecidas nas grades curriculares. As sugestões de discentes, pesquisadores e
demais membros da comunidade usuária, são direcionadas aos docentes, que verificam se a
obra indicada é pertinente à sua disciplina para que possa ser incluída no sistema.
Segundo Strehl et al. (2010, p. 105):
O desenvolvimento de coleções em bibliotecas de grandes universidades
enfrenta uma parte significativa dos maiores desafios do processo,
considerando o tamanho dos acervos, a heterogeneidade da comunidade
atendida e o dinamismo do campo científico.
Neste contexto, a Biblioteca preocupada em manter o seu acervo compatível com a
bibliografia das disciplinas dos cursos de graduação das faculdades e com o número de
exemplares que atenda a demanda de uso e as especificações estabelecidas pelo Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), do Ministério da Educação (MEC),
para o reconhecimento e avaliação dos cursos e também pelo Grupo de Avaliação Local
(GRAL), propôs a implantação de um sistema de informação para facilitar o gerenciamento
das solicitações feitas pelos docentes.
Sanches (1997) citando Polloni e outros (1992, p.32), diz que:

2835

�Sistema de informação é "todo e qualquer sistema [conjunto de partes
coordenadas com vistas à realização de um propósito] que processe dados
em informações e que produza resultados para um fim específico". Logo,
que propicie informações úteis.
Porém, para que a informação seja útil, ela deve propiciar uma realista
descrição da realidade para o que deverá preencher uma série de atributos:
estar disponível quando for demandada, possuir custo limitado e ser
formatada segundo as preferências e necessidades dos usuários do sistema.
Ainda, neste sentido, Laudon e Laudon (2007, p. 9) definem sistema de
informação “como um conjunto de componentes inter-relacionados que coletam (ou
recuperam), processam, armazenam e distribuem informações destinadas a apoiar a tomada de
decisões, a coordenação e o controle de uma organização”. Portanto, além de dar apoio à
tomada de decisões, a organização das informações e ao controle, o sistema proporcionará
agilidade no desenvolvimento do trabalho e visibilidade da real situação do material
solicitado.
Anualmente, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) estabelece, por meio do
Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), a verba para aquisição de livros didáticos para
os cursos de graduação. Essa verba é encaminhada às Faculdades, que realizam a compra dos
livros com base nas solicitações feitas pelos docentes à Biblioteca.
A aquisição [de materiais bibliográficos] é, mais exatamente, um meio para a
concretização das decisões da seleção, meio este que deve buscar a
maximização dos resultados, para isso estabelecendo um fluxo
administrativo suficientemente linear e controlado, de modo a evitar
estrangulamentos ou duplicações; isto vai exigir não somente um trabalho de
registro e controle, tanto dos pedidos como dos materiais adquiridos, mas,
também, a utilização de formulários que permitam identificar claramente os
materiais selecionados [...]. A atividade de aquisição é, por falar nisso, a
candidata ideal pela qual iniciar a informatização da biblioteca [...].
(VERGUEIRO, 1989, p. 63-64).
Antes da implantação do sistema Catalivros (Catálogo de Aquisição de Livros) os
docentes preenchiam as informações sobre os livros a serem adquiridos numa planilha
eletrônica de formato Microsoft Excel fornecida pela Biblioteca e encaminhavam aos
Coordenadores de curso que adequavam as solicitações ao valor disponível para o curso e a
devolviam à Biblioteca para conferência e complemento das informações. As planilhas
enviadas pelos Coordenadores eram compiladas e encaminhadas à Seção Técnica de Materiais
(STM) das faculdades para a realização do processo de compra.
Após o recebimento dos livros, a Seção Técnica de Materiais os encaminhava para a
Biblioteca para conferência e controle de chegada feito manualmente. A planilha era
disponibilizada no site da Biblioteca para que os docentes e outros interessados pudessem

2836

�verificar quais livros haviam sido adquiridos e, a cada remessa de livros recebida pela
Biblioteca, a planilha precisava ser atualizada.
Com o objetivo de contribuir para melhoria nos procedimentos de aquisição de livros,
colaborando com a Seção Técnica de Materiais das faculdades e, também, apoiando os
docentes nas solicitações de livros para aquisição, alguns profissionais bibliotecários
pertencentes à Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação (STATI), em parceria
com o técnico de informática, elaboraram um sistema de informação, identificado como
Catalivros, onde os livros a serem adquiridos por compra passaram a ser inseridos no sistema
pelos usuários (docentes e pessoas habilitadas) e podendo ser visualizados em tempo real
pelos coordenadores de curso, docentes, equipe da biblioteca e demais interessados.
Atualmente, todo o processo de indicação de títulos de livros para aquisição, o
fechamento do Catálogo, a elaboração da lista final enviada para a Seção Técnica de Materiais
e o recebimento do material são realizados diretamente no Catalivros. Dessa maneira, todos
os interessados podem acompanhar as solicitações feitas para cada disciplina, bem como a
chegada dos materiais ao mesmo tempo em que ela acontece.

2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
1. Desenvolver e implantar um sistema de informação com a finalidade de armazenar,
organizar e disponibilizar as solicitações de livros feitas pelos usuários, para
aquisição.

2.2.1 Objetivos Específicos
2.

Manter o acervo bibliográfico atualizado e com número de exemplares

suficientes para atender a demanda;
3.

Organizar, em um único ambiente, todas as solicitações feitas pelos docentes;

4.

Proporcionar aos usuários a visibilidade de todas as solicitações feitas no

sistema;
5.

Facilitar a elaboração de listas para aquisição;

6.

Controlar a conferência e o recebimento dos livros adquirido;

7.

Emitir relatórios de valores gastos e materiais adquiridos, por faculdade e por

curso.

2837

�3 IMPLANTAÇÃO DO CATALIVROS
A implantação do sistema Catalivros para aquisição de livros na Biblioteca da UNESP
do Câmpus de Bauru foi necessária já que a Biblioteca possui uma grande demanda de
solicitações para aquisição de livros didáticos oriundas dos 21 cursos de graduação,
dificultando, desta forma, o processo de elaboração e gerenciamento das listas para aquisição
dos livros.
Além disso, o fluxo crescente de publicações lançadas pelo mercado editorial dificulta
a aquisição de toda a literatura editada em uma área e/ou especialidade, ainda que os recursos
financeiros destinados às faculdades sejam suficientes. Diante dessa dificuldade, é necessário
estabelecer critérios para manter um acervo atualizado, sem duplicação de títulos e ao mesmo
tempo com números de exemplares suficientes para atender a demanda.
A duplicação de títulos era outro problema recorrente, pois um mesmo livro era
solicitado por mais de um docente, já que não era possível saber o que os outros docentes
haviam solicitado.
Com a implantação do Catalivros, uma vez inserido o título no sistema o docente
visualiza todas as solicitações já feitas para aquele livro, à quantidade de exemplares
solicitada, bem como a quantidade disponível no acervo, podendo, assim, avaliar se há
necessidade de solicitar mais exemplares ou se o número é suficiente. Caso ele queira solicitar
mais exemplares basta clicar em “Adicionar ao catálogo de aquisição” do ano vigente e
indicar a quantidade desejada.
É responsabilidade da Biblioteca a realização do serviço de aquisição de livros, que
corresponde à coleta e organização das solicitações feitas pelos docentes de cada disciplina, o
encaminhamento da lista final para a Seção Técnica de Materiais das faculdades, o
recebimento e controle de todo o material adquirido e a disponibilização das informações aos
interessados.
A aquisição de livros didáticos na Rede UNESP é iniciada no primeiro semestre de
cada ano e há prazos para que as etapas do processo sejam cumpridas e a verba utilizada. Para
que este serviço seja realizado de forma efetiva é imprescindível que se tenha um controle de
tudo que é solicitado, quais as prioridades, quais títulos a Biblioteca já possui e o número de
exemplares.
Com a criação do sistema Catalivros, todas as solicitações para aquisição de livros
ficam armazenadas em um único ambiente, proporcionando aos usuários informações
completas e de fácil acesso. O Catalivros permite, ainda, a possibilidade de inserção do
material a qualquer momento, independente do período de aquisição e permitindo a

2838

�visibilidade da real situação do material solicitado. O sistema facilita a organização das listas
para aquisição, o controle e conferência do material adquirido e possibilita a emissão de
vários tipos de relatórios, como por exemplo, de valores gastos e materiais adquiridos por
faculdade, por curso e por solicitante e proporciona à Biblioteca agilidade e eficiência na
realização desse serviço.
O sistema permite que as informações sejam visualizadas por qualquer usuário,
entretanto, apenas os docentes e pessoas habilitadas podem inserir as solicitações. Essa
decisão foi tomada para melhor controle do sistema.
No ato de elaboração das listas para aquisição dos livros, os bibliotecários
responsáveis pelo Catalivros, fazem a verificação, a correção e o complemento das
informações de cada um dos itens inseridos no sistema de acordo com os padrões
estabelecidos e também uma prévia verificação da disponibilidade do material no mercado
editorial. Além disso, solicita ao Coordenador de Curso que faça as adequações necessárias,
considerando o valor disponível para cada curso e as prioridades de aquisição e finalize a lista
para que a Biblioteca gere a relação final que é encaminhada à Seção Técnica de Materiais
para o processo de compra.

3.1 Catalivros
O Catalivros foi desenvolvido entre 2010 e 2011 pelo técnico de informática da
Biblioteca com a colaboração de algumas bibliotecárias da Seção Técnica de Aquisição e
Tratamento da Informação. A ideia do desenvolvimento do Catalivros surgiu da então
Diretora da Biblioteca que, em conversas com um dos docentes da Faculdade de Engenharia
do Câmpus de Bauru, ficou ciente que o mesmo havia criado um sistema local na linguagem
ASP com banco de dados Microsoft Access a fim de centralizar o preenchimento das listas de
solicitações dos cursos de sua Faculdade. Com base nesse sistema e na pesquisa realizada
com os docentes das demais faculdades, verificou-se a importância de padronização dos
procedimentos de solicitação para aquisição de livros e da necessidade da Biblioteca ter um
sistema que organizasse e disponibilizasse as informações de maneira mais eficiente, tendo
em vista que a demanda de solicitações da Biblioteca é muito grande, o que motivou o
desenvolvimento do sistema Catalivros.
Em 2011 iniciou-se o uso do sistema, ainda em fase de teste, e várias melhorias foram
implementadas devido a sugestões dos usuários. Desde o princípio pensou-se numa interface
amigável e que atendesse as necessidades dos usuários e da equipe da Biblioteca. O sistema é
constantemente aperfeiçoado e cada sugestão de melhoria é analisada pela equipe.

2839

�Para realizar consultas no sistema o usuário não precisa se autenticar, a visualização é
aberta a todos interessados, no entanto é necessário realizar o login (identificação através de
usuário e senha) para cadastrar as solicitações.
Após realizar o login, o usuário tem acesso a outras funcionalidades como o cadastro
de livros e de solicitações. Usuários com permissões especiais, como Coordenadores de curso
e os bibliotecários responsáveis pelo gerenciamento do sistema podem, também, editar as
solicitações cadastradas para o curso (Figura 1).
Figura 1: Visualização da tela inicial do Catalivro

O cadastro do livro é feito uma única vez, podendo ser adicionado aos Catálogos dos
Cursos, independente do usuário que o cadastrou e da data em que foi cadastrado. Caso o
usuário faça a busca e não localize o livro que precisa, há a opção de fazer o cadastro
conforme Figura 2.
Figura 2: Visualização da tela de cadastramento de ivros no Catalivros

2840

�As solicitações feitas no sistema são agrupadas por ano e por curso. A cada ano há um
prazo para inserção de materiais no Catalivros e o Coordenador de Curso é responsável pela
revisão e conclusão do Catálogo do seu Curso para que a Biblioteca saiba quais são as
prioridades de aquisição do curso para o ano vigente (Figura 3). No caso de outras
solicitações serem inseridas após o fechamento do Catálogo, o sistema disponibiliza a opção
de inserção no Catálogo do Curso para o próximo período aquisitivo (próximo ano).
Figura 3: Lista de catálogos que estão sendo alimenados

Após a chegada dos livros na Biblioteca, o controle de recebimento é realizado
diretamente no Catalivros e a solicitação passa a constar como recebida. Caso algum material
esteja indisponível na editora, a solicitação é marcada como cancelada e os detalhes do
cancelamento ficam disponíveis no ícone “Detalhes da solicitação” representada pela lupa
(Figura 4).
Figura 4: Catálogo de Aquisição do Curso de Sistemade Informação com os dados dos
valores, prioridades, usuários que solicitaram e datas de recebimento

2841

�Outra funcionalidade do Catalivros são os relatórios que podem ser gerados pelos
bibliotecários responsáveis pelo gerenciamento do sistema, seja de livros solicitados e/ou
recebidos. Os relatórios podem ser filtrados por faculdade, curso, período de aquisição e data
da solicitação ou recebimento (Figura 5).
Desta maneira o Catalivros permite que a Biblioteca e os demais usuários
acompanhem as solicitações em todas as etapas do processo.

Figura 5: Visualização da tela para solicitação de Relatórios para os usuários do
processamento técnico da Biblioteca

unesp

' W

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"

Minervina Teixeira Lopes (Sair] | Faleconosc

Câmpus de Bauru

Catalivros - Catálogo de Aquisição de Livros
Página Inicial

Relatórios

R e l a t ó r i o d e s o lic it a ç õ e s
| Palavra Chave

Período(s) de Aquisição

Curso

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Catalivros foi implantao há três anos e vem sendo melhorado constantemente com
as sugestões dos docentes e demais usuários do sistema.
A elaboração e implementação do sistema Catalivros permitiu a otimização dos
procedimentos referentes à aquisição de livros didáticos para os cursos de graduação
pertencentes às faculdades do Câmpus da Unesp de Bauru.
Percebe-se que as atividades estão sendo desenvolvidas de uma forma mais ágil, que
os usuários adaptaram-se aos novos procedimentos e tem demonstrado satisfação com os
resultados alcançados com Catalivros.
A ferramenta permitiu não só melhoria nos procedimentos para aquisição de livros,
mas uma melhor gestão, pois o sistema fica disponível durante o ano todo, permitindo que os

2842

�usuários insiram as solicitações dos livros que gostariam que fossem adquiridos, independente
de ser ou não período de aquisição. Desta forma, quando a verba é disponibilizada, os livros
já estão no sistema, diminuindo o prazo para elaboração da lista final e seu rápido
encaminhamento para a Seção Técnica de Materiais das faculdades para o início do processo
de compra, já que uma das reclamações dos profissionais das seções era o curto prazo para os
procedimentos licitatórios e aquisição dos materiais.
O Catalivros ainda está sendo aperfeiçoado, mas, em decorrência de seus inúmeros
pontos positivos, já demonstrou ser uma ferramenta de grande utilidade para a Biblioteca e
seus usuários.

REFERÊNCIAS
LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane P. Sistemas de informação gerenciais. 7. ed. São
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 452 p.
SANCHES, Osvaldo Maldomado. Estratégias para a implantação e gerência de sistemas de
informação de apoio à tomada de decisões. Rev. Administração Pública, Rio de Janeiro, v.
31,

n.

4,

1997.

Disponível

em:

&lt;http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/viewArticle/7881&gt;. Acesso em: 23
abr. 2014.
STREHL, Letícia et al. O método Bibliograd para avaliação de acervos de livros de
graduação: instrumento para gestão de recursos para aquisição em um sistema de bibliotecas
universitárias. Ciência da Informação, Brasília, v. 39, n. 3, 2010. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&amp;pid=S010019652010000300009&amp;lng=pt&amp;nrm=isso&gt;. Acesso em 24 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO” (Câmpus de
Bauru). Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação: estrutura física, histórico, missão,
valores e visão. Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.bauru.unesp.br/#!/sobre/estruturafisica-historico-missao-valores-e-visao/&gt;. Acesso em: 21 abr. 2014.
VERGUEIRO, Waldomiro. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis, 1989. 95 p.

2843

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Considerando a quantidade de cursos de graduação atendidos pela Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da UNESP – Câmpus de Bauru, profissionais pertencentes à mesma desenvolveram um sistema para inserção dos livros a serem adquiridos para os cursos de graduação do Câmpus, denominado de Catalivros (Catálogo de Aquisição de Livros). O sistema possibilitou melhorias nos procedimentos de aquisição de livros através da modalidade compra, pois os procedimentos tornaram-se mais ágeis e mais transparentes, já que os usuários podem acompanhar o processo desde a solicitação até a chegada dos livros.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES ELETRÔNICAS: QUESTÕES DE
AQUISIÇÃO
Marianna Zattar
Stella Dourado

RESUMO
Os parâmetros de aquisição utilizados em bibliotecas universitárias devem ser revistos
periodicamente, já que a aquisição é um processo em constante atualização. Nesse contexto
objetiva-se no presente trabalho a apresentação de uma abordagem complementar aos
parâmetros já utilizados. No intuito de demonstrar essa abordagem mostrou-se importante,
primeiramente, apresentar o processo de aquisição na Administração Pública e, em seguida,
utilizar como abordagem um relato de experiência da indicação de diferentes formas de
aquisição, para a formação, e no desenvolvimento de coleções. Para finalizar, observa-se
especificamente a aquisição de coleções eletrônicas e indica-se a necessidade de estudos sobre
o assunto.
Palavras-chave: Desenvolvimento de coleções; Livro eletrônico; Livro digital. Aquisição.

ABSTRACT
The acquisition parameters used in university libraries should be reviewed periodically, as the
acquisition is a process in constant update. In this context we aim of this work was to present
a complementary approach to the parameters already used. In order to demonstrate this
approach proved to be important, first, to present the acquisition process in the Public
Administration and then use approach as an experience report of the indication of different
forms of acquisition, for the training and development of collections . Finally, it is noted
specifically the acquisition of electronic collections and indicates the need for studies on the
subject.
Keywords: Collection development; Electronic book; Digital book; Acquisition.

1 INTRODUÇÃO
No contexto das bibliotecas universitárias brasileiras é notável a modificação da
chamada natureza do objeto nas áreas de formação e desenvolvimento de coleções. Isso
porque os chamados objetos dos processos de aquisição, dos elementos que compõe os
acervos universitários, são cada vez mais denominados serviços (contratação, assinatura etc.),
em contraposição ao que anteriormente possuía maior incidência, ou seja, a compra de
produtos.

2490

�Além disso, o que parece uma mudança terminológica ou conceituai pode ser, na
verdade, uma alteração que impacta e impactará na origem e do desenvolvimento de coleções,
especialmente, no que tange às bibliotecas universitárias brasileiras. Se as bibliotecas
universitárias passam a mobilizar esforços e verbas para a contratação de serviço elas podem,
no que diz respeito a sua coleção, passar da perspectiva de gerenciadoras/provedoras de
produtos para serem prioritariamente gerenciadoras/provedoras de serviços.
Dessa forma, a elaboração desse trabalho parte das necessidades constatadas na
aquisição de coleções eletrônicas em bibliotecas universitárias

, especificamente na

descrição dos critérios utilizados para aquisição por compra desses formatos. Espera-se, com
essa contribuição, uma maior discussão em torno dos diferentes parâmetros utilizados na
composição/elaboração dos termos de referência.

2 DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES
A evolução da formação e do desenvolvimento de coleções é situada, na literatura
especializada, em dois diferentes modelos e épocas. O primeiro modelo baseado na
armazenagem (até a idade moderna) e o segundo modelo baseado no acesso (desde a idade
moderna até a atualidade) (WEITZEL, 2012). Estes modelos diferem, entre outras coisas, no
enfoque estratégico de produção e disseminação da informação.
Sabendo que biblioteca é uma interface entre os recursos de informação disponíveis e
a comunidade de usuários a ser servida (LANCASTER 2004), acredita-se que o
desenvolvimento de coleções pode ser observado como a “ação” biblioteconômica que
possibilita a disponibilização de um acervo a uma comunidade específica.
Deve-se considerar que o desenvolvimento de coleções não pode ser discutido de
maneira estática e semelhante em todas as instituições bibliotecárias. (VERGUEIRO, 1993).
Isso porque, levando em consideração os princípios da formação e desenvolvimento de
coleções, deve-se ressaltar a influência da tipologia da biblioteca, do seu público-alvo,
(também chamado de usuários potenciais) e o planejamento estratégico da organização.
Destaca-se assim que mesmo que uma biblioteca tenha similaridades com outra, ela é formada
essencialmente por pessoas e expectativas próprias e isso lhe trará terá diferenciais e
identidade.

310 Já que é cada vez mais evidente o número de bases de dados que possuem o mesmo foco/área do
conhecimento/público.

2491

�O processo de desenvolvimento de coleções em uma unidade de informação deve estar
em consonância com o planejamento estratégico da organização. Isso porque é necessário que
a coleção e os recursos ofertados nas bibliotecas/unidades de informação contemplem, como
item primário, as necessidades dos usuários/clientes.
Nesse contexto, o desenvolvimento de coleções é um processo de identificação das
forças e das fraquezas das coleções de uma biblioteca, em relação às necessidades dos
usuários e dos recursos da comunidade, na tentativa de tentar corrigir as fraquezas e manter as
forças (EVANS, 2000).
Para Maciel e Mendonça (2006) o processo de formação, desenvolvimento e
organização de coleções são encaradas e equacionadas como uma atividade de planejamento.
Dessa forma, pode-se visualizar que o trabalho em torno da formação e do desenvolvimento
de coleções está diretamente relacionado à tomada de decisão, principalmente se pautadas nas
políticas.
No caso específico das bibliotecas universitárias, o desenvolvimento de coleções deve
ter como objetivo central o atendimento à comunidade da universidade. E se a universidade
está baseada no tripé ensino, pesquisa e extensão, o desenvolvimento da coleção desta
biblioteca deve ser organizado para suportar todas as atividades relacionadas.

3 COLEÇÕES ELETRÔNICAS
O livro digital está alicerçado nas tecnologias da informação e na internet, como uma
das formas de registro de informações que possibilita a transmissão do conhecimento de
forma mais rápida e dinâmica ao, por exemplo, fazê-lo circular nas redes e sistemas de
informação. Sendo assim, o livro digital promove mudanças quanto ao acesso e uso dos
suportes informacionais.
Por ser um artefato cultural relativamente novo, ainda existem diversas controvérsias
em relação ao conceito de livro digital e de livro eletrônico. Segundo o Conselho Nacional de
Arquivos (Conarq) há diferença entre os termos “eletrônico” e “digital” sob o ponto de vista
tecnológico:
Um documento eletrônico é acessível e interpretável por meio de um
equipamento eletrônico (aparelho de videocassete, filmadora, computador),
podendo ser registrado e codificado em forma analógica ou em dígitos
binários. Já um documento digital é um documento eletrônico caracterizado
pela codificação em dígitos binários e acessado por meio de sistema
computacional. Assim, todo documento digital é eletrônico, mas nem todo
documento eletrônico é digital (CONARQ, 2012)

2492

�Uma das definições para livro digital é que este pode ser uma versão do livro impresso
por meio da digitalização. Earp e Kornis (2005, p. 146) abordam esse conceito quando dizem
que:
[...] livros digitais cobrem um amplo espectro de material, indo de uma
conversão literal de livros impressos, por meio de escaneamento de páginas
ou da criação de arquivos PDF311, a complexos trabalhos digitais que não
podem ser convertidos em forma impressa. De modo geral, eles existem
independentemente dos aparelhos que podem ser usados para acessá-los.

O livro eletrônico pode ser entendido como aquele que é acessado somente em
aparelhos de leitura específicos ou dedicados, como por exemplo, o Kindle, Sony E-Reader,
entre outros. O aparelho de leitura “funciona como um hardware, que tem como finalidade a
leitura do livro digital, em local remoto ao computador, no qual possui recursos específicos
para a exibição do arquivo digital” (SILVA; BUFREM, 2001. p. 7).
Percebe-se uma tendência, sobretudo em outros países, de usar a denominação “livro
eletrônico” como padrão terminológico, apesar do termo “livro digital” ser mais abrangente,
como comprovou-se com as definições acima. “Livro eletrônico” é usado comumente para
designar conteúdo, formato, software de leitura e devices ou e-readers. Com isso, o termo é
mais utilizado por editores e fornecedores nacionais e internacionais de bases de dados para
vender seus produtos digitais.
Rao (2005) afirma que há diferentes tipos de definições encontradas na literatura:
mídia (um tipo de objeto), formato (diferentes formas de livros que vão desde representação
até distribuição, a exemplo de textbooks, picture books, talking books, multimedia books,
cyberbooks etc, além de device ou e-reader (equipamento com software de leitura portátil) e
delivery (livro que pode ser publicado numa página da web).
Cabe aqui ressaltar que recentemente, foi criado o Projeto de Lei 4534/2012 que altera
o artigo 2.° da lei n° 10.753, de 30 de outubro de 2003, que institui a Política Nacional do
Livro, que ainda está em tramitação no governo. Neste projeto de lei o livro é considerado
para efeito de lei como
[...] publicação de textos escritos em fichas ou folhas, não periódica,
grampeada, colada ou costurada, em volume cartonado, encadernado ou em
brochura, em capas avulsas, em qualquer forma ou acabamento, assim como
a publicação desses textos convertidos em formato digital, magnético ou
ótico, ou impressos no sistema Braille (BRASIL, 2012).
311 O formato PDF é um formato de padrão aberto. Foi criado pela Adobe em 1993 como formato proprietário,
mas em 2008 se tornou oficialmente um formato aberto e sua especificação está disponível na ISO 32000­
1:2008 Document management -- Portable document format -- Part 1: PDF 1.7. (INTERNATIONAL
ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 2008).

2493

�De acordo com essa definição do projeto de lei, só é considerado “livro” os livros
eletrônicos originados do processo de digitalização, sendo desconsiderados os livros digitais
e/ou eletrônicos que são chamados de “nascidos digitais”, ou seja, que não possuem uma
versão impressa. Por ser uma discussão muito nova em nosso país, escolhe-se aqui o não
aprofundamento dessas questões em torno das particularidades sobre a futura lei. Como
recurso metodológico será considerado coleção eletrônica aquela que é formada por livros
eletrônicos.

4 DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES ELETRÔNICAS
A grande quantidade de tipos de livros digitais e eletrônicos é resultado do processo
contínuo de inovação tecnológica na sociedade. Vive-se um momento de mudanças de
paradigmas e de comportamentos viabilizadas pelo meio eletrônico. Cada vez mais os livros
digitais e eletrônicos estão mais acessíveis online e com isso há uma maior produção e
circulação desse novo artefato cultural.
A variabilidade de formatos disponíveis em termos de recursos informacionais sempre
foi uma realidade. Como exemplo, as bibliotecas que possuem em seu acervo periódicos e
livros etc. Neste contexto enquadram-se também diferentes acessos, como é o caso das
coleções eletrônicas e digitais. De tal forma que nota-se que o desenvolvimento de coleções
em uma biblioteca universitária deve incorporar em suas atividades diferentes formatos e
acessos que atendam sua comunidade.
No Brasil o desenvolvimento de coleções eletrônicas foi iniciado a partir da
identificação de um aumento das formas de acesso e uso das coleções disponíveis no mercado
editorial. Esperava-se que diferentes formatos em uma coleção pudessem atender às “novas”
necessidades de acesso da comunidade ao acervo do sistema de bibliotecas.
Por ser a alta produção uma natureza da área do conhecimento, pode-se notar que as
primeiras coleções adquiridas em bibliotecas universitárias tinham como objetivo específico o
atendimento aos usuários dos cursos das áreas de saúde. Esta escolha se deu em função das
demandas da própria comunidade que, entre outras coisas, precisava de um acesso mais
rápido à publicação científica da área.
Quando novos formatos chegaram às bibliotecas brasileiras, especialmente no início
dos anos 2000, o modelo de negócio dos fornecedores e representantes focava na venda de
coleções exclusivas de editoras, sem qualquer análise/seleção particular e específica dos
solicitantes. Era o tempo do chamado “pacote”.

2494

�Nesse início dos anos 2000, na administração pública brasileira, quando se dava a
aquisição deste formato, em vistas do modelo disponível, os processos eram formados com
vistas à inexigibilidade de licitação. Isto porque o fornecedor possuía a exclusividade na
disponibilização das coleções. Quanto ao modo, tratava-se de compra, pois os livros
eletrônicos aqui eram adquiridos como produtos, visto que naquele momento comprava-se a
coleção e não o seu acesso.
Já em meados da primeira década dos anos 2000 presenciou-se um aumento das
demandas de uma maior variabilidade de formatos por parte das comunidades das bibliotecas.
Deixava-se de ser uma alternativa a coleção em formato eletrônico para ser, em muitos casos,
o formato único em determinadas unidades de informações. Essa mudança provocou a
necessidade de novos modelos de negócios oferecidos por fornecedores/representantes das
questões ligadas a essa prática. Em especial nas bibliotecas universitárias que priorizam o
atendimento ao usuário com a provisão de informações correntes

.

Esse aumento de interesse nos diferentes formatos da comunidade bibliotecária e a
disponibilização de novas formas de aquisição promoveu novas formas de compra e modelos
de negócios.

5 DESENVOLVIMENTO

DE

COLEÇÕES

ELETRÔNICAS:

FORMAS

DE

AQUISIÇÃO
Após pesquisa com diferentes fornecedores que atendem ao mercado brasileiro e
prática profissional, chegou-se à identificação de quatro diferentes formas de aquisição compra, assinatura, acesso perpétuo e compra com assinatura - das coleções eletrônicas com
maior incidência nas bibliotecas universitárias da administração pública. Dessa forma, segue
abaixo a apresentação ilustrativa das identificações feitas.

Quadro 1 - Formatos de aquisição
A quisição

Tipo

D espesa

P o s s e (backup)

Compra
Assinatura
Acesso perpétuo
Compra com assinatura

Produto
Serviço
Serviço
Produto e Serviço

Despesa de capital
Despesa corrente
Despesa corrente
Despesa de capital e corrente

Sim
Não
Às vezes
Às vezes

Fontes: As autoras.

312 Há que se considerar que muitas bibliotecas universitárias possuem um acervo histórico e de memória
primoroso. Contudo, destaca-se aqui que o objetivo deste trabalho é tratar de coleções correntes, novas e
atuais.

2495

�Na forma de aquisição por compra, o produto é adquirido permanentemente pela
instituição, isto é, a aquisição é perpétua e a posse dos materiais é da requerente. A escolha
dos títulos pode ser feita por pacote (coleção fechada) ou por título e não são feitas
atualizações automáticas das edições.
A aquisição por assinatura consiste na contratação do serviço para o acesso é realizada
por um período de tempo e que pode ser renovado. A escolha dos títulos pode ser feita por
pacote ou por título e as atualizações das edições são automáticas. Contudo, a posse do
material é do fornecedor, salvo em alguns casos, após o fim do contrato e caso não haja
renovação, onde o fornecedor pode ou não disponibilizar os títulos ou o acesso aos títulos
assinados no período da assinatura vigente, interrompendo a atualização das edições.
No formato de acesso perpétuo é feita a contratação do serviço para o acesso. É
considerada como aquisição perpétua, mas o que se adquire perpetuamente é a licença de uso,
pois a posse dos materiais continua sendo do fornecedor. A escolha pode ser feita por pacote
ou por título e não há atualizações automáticas das edições.
A última forma de aquisição é a compra com assinatura, onde o serviço para o acesso
é contratado e há a aquisição permanente do produto. Isto quer dizer que a instituição compra
o produto e ao mesmo tempo contrata o serviço para ter acesso aos livros na plataforma do
fornecedor. A posse dos materiais é da requerente, mas esta não administra as obras
adquiridas, que são acessadas diretamente na plataforma do fornecedor. A escolha das obras
pode ser por título ou por pacote e a atualização das edições pode ser automática ou não.
As diferenças entre os principais de formatos de aquisição estão, entre outras coisas,
no tipo, na despesa e na posse do item.
Com relação ao tipo, se produto ou serviço está atrelado essencialmente à questão da
necessidade de utilização de software para acesso ao conteúdo. Em geral, quando se utiliza o
modelo de serviço, prioriza-se a intermediação entre o conteúdo e o usuário, sendo
frequentemente associado ao software, plataforma etc. Já o produto estaria associado ao título
propriamente dito. Quanto à variação dos “tipos”, a diferença, com relação ao conteúdo de
determinado título, está na possibilidade de atualização contínua dos títulos. A coleção será
impactada, caso tenha essa previsão, podendo ser mais atual e corrente.
Com relação à despesa pode-se visualizar a questão da ordenação/classificação das
despesas. Despesas de capital são “despesas relacionadas com aquisição de máquinas
equipamentos, realização de obras, aquisição de participações acionárias de empresas,
aquisição de imóveis, concessão de empréstimos para investimento. Normalmente, uma
despesa de capital concorre para a formação de um bem de capital, assim como para a

2496

�expansão das atividades do órgão.” (BRASIL, 2014b). E despesas correntes são “despesas de
custeio de manutenção das atividades dos órgãos da administração pública [...]. Estão nesta
categoria as despesas que não concorrem para ampliação dos serviços prestados pelo órgão,
nem para a expansão das suas atividades.” (BRASIL, 2014a). No que tange a ordenação de
despesa, os itens adquiridos por compra/acesso perpétuo são classificados em "despesa de
capital". Essa diferenciação influencia diretamente o tipo de acordo firmado entre a instituição
que adquire os itens e a instituição fornecedora. Como por exemplo, se é adquirido por
contratação de serviço ou compra de produto.
Com relação à posse a diferença está em quem detém os direitos do conteúdo do
material e do acesso. Por exemplo, quando a aquisição se dá por compra, as obras são
entregues às instituições em forma de back-up e são por elas administradas, porém quando
são adquiridas por qualquer uma das três outras formas, embora tenha a posse, a instituição
deve pagar um preço para ter acesso ao conteúdo.
A compreensão das formas de aquisição de formatos eletrônicos, bem como das
terminologias - despesa de capital e despesa corrente - possibilita a elaboração de parâmetros
a serem utilizados na composição/elaboração dos termos de referência, de forma mais precisa
e contundente.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Procurou-se aqui apresentar um panorama do desenvolvimento de coleções eletrônicas
dentro o recorte proposto. No âmbito das transformações sociais e culturais acarretadas pela
inserção do livro no formato digital/eletrônico na sociedade, tornou-se imprescindível uma
mudança nos processos de formação e desenvolvimento de coleções, sobretudo em bibliotecas
universitárias.
Buscou-se elucidar a questão terminológica ou conceitual sobre livros digitais e
eletrônicos, mostrando que este último é mais comumente usado. Essa elucidação evidencia o
conhecimento dessas terminologias é de fundamental importância para o desenvolvimento de
coleções eletrônicas para que, entre outras coisas, se saiba que há diferença entre um arquivo
em pdf (livro digital) ou um arquivo em epub (livro eletrônico).
Com isso, percebeu-se a necessidade de se ter maiores discussões a respeito da
conceituação de livros digitais/eletrônicos e até mesmo uma reformulação do PL 4.534/2012,
para que os livros nascidos digitais sejam contemplados. Outra discussão importante seria a
diferenciação dos livros digitais/eletrônicos do objeto livro, pois se tratam de objetos com
naturezas e suportes distintos.

2497

�Observou-se que com o tempo e com as demandas, novos modelos de negócios
(serviços) foram surgindo e se adequando às necessidades dos compradores, neste caso,
bibliotecas universitárias. Esses novos modelos de negócio possibilitam o acesso perpétuo às
obras adquiridas, em alguns casos com back-up, e representam um grande avanço para o
desenvolvimento de coleções eletrônicas em bibliotecas, pois demonstram que os
fornecedores devem estar em constante atualização e transformação para atender às
necessidades dos compradores - gerenciadores/provedores de serviços, e não o contrário como
era feito no início, quando a compra era feita por uma coleção pré-determinada.
Pretendeu-se com este trabalho, atenuar algumas dificuldades na aquisição de coleções
eletrônicas em bibliotecas universitárias, apresentando esses novos modelos de negócios e as
suas implicações no processo de desenvolvimento de coleções eletrônicas. Ressalta-se que um
maior entendimento desses modelos de negócios e das terminologias relacionadas à
ordenação/classificação das despesas, pode auxiliar o desenvolvimento de critérios e
parâmetros para a aquisição de coleções eletrônicas. Acredita-se que ainda há muito a ser
feito, e, por isso, se faz necessário o desenvolvimento de estudos que tragam cada vez mais
critérios de aquisição de coleções eletrônicas, para a obtenção de parâmetros a serem
utilizados na composição/elaboração dos termos de referência.

7 REFERÊNCIAS
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&lt;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=3AD515E3F65
D6B6BD7808AE3BECE19D8.node1?codteor=1033873&amp;filename=Avulso+PL+4534/2012&gt;. Acesso em: 7 abr. 2014.
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capital.

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DF,

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2500

�</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Os parâmetros de aquisição utilizados em bibliotecas universitárias devem ser revistos periodicamente, já que a aquisição é um processo em constante atualização. Nesse contexto objetiva-se no presente trabalho a apresentação de uma abordagem complementar aos parâmetros já utilizados. No intuito de demonstrar essa abordagem mostrou-se importante, primeiramente, apresentar o processo de aquisição na Administração Pública e, em seguida, utilizar como abordagem um relato de experiência da indicação de diferentes formas de aquisição, para a formação, e no desenvolvimento de coleções. Para finalizar, observa-se especificamente a aquisição de coleções eletrônicas e indica-se a necessidade de estudos sobre o assunto.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DISPONIBILIZAÇÃO DE DISSERTAÇÕES E TESES NA BIBLIOTECA DIGITAL
DE TESES E DISSERTAÇÕES DA USP APÓS PARECER DA PROCURADORIA
GERAL DA USP PG.P2809/2013 QUE ISENTA A UNIVERSIDADE DA
AUTORIZAÇÃO DOS AUTORES: RELATO DA EXPERIÊNCIA DO SBI/IFSC/USP
Natalina Ribeiro Ziemath
Célia Maria Diegues
Ana Mara Prado
Tania Ortin Almeida
RESUMO:
O presente trabalho relata a experiência do Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de
Física de São Carlos da Universidade de São Paulo - SBI/IFSC/USP, em parceria com o
Serviço de Pós-Graduação do IFSC, para viabilizar o cumprimento do parecer PG.P
2809/2013 de 19.08.2013. Este parecer isenta a USP da autorização dos autores para inserir as
teses e dissertações defendidas antes da Portaria COPGr n° 5401 de 17.04.2007 de outubro de
2007, na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo - BDTDUSP. A submissão está sendo possível, entre outras ações, com a colaboração dos
orientadores em preencher formulários com informações faltantes e imprescindíveis para a
submissão e visibilidade do documento. O objetivo é preservar, disponibilizar e divulgar o
conhecimento gerado através dos trabalhos das defesas. Espera-se contribuir para que as
comunidades brasileira e internacional tenham acesso integral aos textos digitais das teses e
dissertações defendidas no IFSC/USP.
Palavras-chave: Repositórios digitais; Bibliotecas digitais; Teses e dissertações; Preservação
da informação digital; Divulgação da informação digital.
ABSTRACT:
This paper reports the experience of Library and Information Service of the Institute of
Physics of São Carlos, University of São Paulo - SBI / IFSC / USP, in partnership with the
Office of Graduate Studies of the IFSC, to enable the fulfillment of the legal opinion PG. P
2809/2013 of 08.19.2013. This legal opinion exempts the USP of the authors permission to
insert theses and dissertations defended before CoPGr Ordinance 5401 of 17.04.2007 October
2007 in the Digital Library of Theses and Dissertations, University of São Paulo - USP BDTD . The submission is being made possible, among other things, with the cooperation of
supervisors to fill out forms with missing and essential for the submission and visibility of
document information. The goal is to preserve, promote and make available the knowledge
generated through the work of the defenses. It is expected to contribute to the brazilian and
international communities have full access to the digital text of theses and dissertations in
IFSC / USP.
Keywords: Digital repositories; Digital libraries; Theses anddissertations; Preservation of
digital information; Dissemination of digital information.

4222

�1 Introdução
O Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Física de São Carlos da
Universidade de São Paulo (SBI/IFSC/USP) tem por missão promover o acesso e incentivar o
uso e a geração da informação, contribuindo para a qualidade do ensino, pesquisa e extensão,
em Física e áreas afins, com a utilização eficaz dos recursos públicos. Desta forma, sua equipe
sempre buscou oferecer serviços e produtos de qualidade aos seus usuários.
A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo (BDTDUSP) oferece para a comunidade científica muitas oportunidades, das quais destacamos:
visibilidade dos resultados provenientes das defesas de teses e dissertações das unidades da
USP; possibilidade de coibir possíveis plágios; facilidade na identificação dos temas já
publicados pelos alunos ingressantes nos Programas de Pós-Graduação.
Diante dessas possibilidades, o SBI digitalizou todo o seu acervo de teses e
dissertações, que estava em papel, referente ao Programa de Pós-Graduação em Física do
IFSC e também ao Programa Interunidades em Ciências e Engenharia de Materiais Materiais,
sendo que, a coordenação deste último, foi de responsabilidade do IFSC até 06.12.2010.
O objetivo principal deste processo foi a disponibilização na BDTD após obtenção de
autorização do autor e também assegurar a preservação deste material.
Em um primeiro momento não foi possível a disponibilização de todas as teses e
dissertações na BDTD/USP, pois, se fazia necessário obter as autorizações dos autores para
aquelas defendidas até 17.04.2007. Com a publicação da Portaria COPGr 5401 de 17.04.2007,
ficou regulamentado a obrigatoriedade da disponibilização das teses e dissertações na
Biblioteca Digital, salvo pedido de retenção devidamente justificado através de requerimento
pelo prazo de dois anos (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2001).
As dificuldades na obtenção dessas autorizações foram muitas, apesar das várias
tentativas. Em consequência disto, aproximadamente 45% das teses e dissertações não
puderam ser disponibilizadas na BDTD. A equipe da Biblioteca pesquisou soluções que
outras instituições adotaram para que a inserção das teses e dissertações fosse possível em
suas Bibliotecas Digitais. Teve conhecimento da solução encontrada pela Biblioteca da
Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ), que foi avalizada pela Consultoria Jurídica daquela
instituição.
A biblioteca FGV primeiramente enviou aos diretores das Escolas um documento
mostrando a importância da digitalização do acervo retrospectivo e solicitando autorização
para disponibilização desse material, mediante dificuldade em localizar e contactar os autores.
Depois de autorizado, o material foi disponibilizado e inserido em cada registro uma nota

4223

�solicitando que caso esse trabalho fosse protegido por direitos autorais externos a instituição,
os autores deveriam entrar em contato para que fossem tomadas as devidas providências.
(informação pessoal)

. Com base nesta informação, a equipe do SBI, com o apoio do

presidente da Comissão de Pós-Graduação/IFSC, elaborou uma consulta a Procuradoria Geral
da USP sobre a possibilidade de fazer uso da mesma política adotada pela FGV. A
Procuradoria Geral da Universidade, após análise da solicitação, emitiu o parecer
PG.P.2809/2013, favoravelmente a disponibilização de todas as teses e dissertações
defendidas na Universidade anteriormente a 17.04.2007 na BDTD, proferindo o seguinte
deferimento:
[...] entendemos pela possibilidade de a Unidade interessada inserir na
BDTD os trabalhos científicos cujos autores não foram localizados para,
expressamente, autorizarem a pretendida divulgação, providência essa que se
mostra perfeitamente razoável, na medida em que propicia a difusão do
conhecimento científico e consequentemente, o pleno desenvolvimento das
atividades institucionais da Universidade (UNIVERSIDADE DE SÃO
PAULO, 2013).
De posse do parecer favorável, foram definidas as etapas necessárias para o depósito
na BDTD, que estão relatadas no item 3.

2 Revisão teórica
Biblioteca digital no conceito de Cunha (2001) e Moreira (1998) é uma coleção de
documentos eminentemente digitais, independentemente se foram criados na forma digital ou
digitalizados a partir de documentos impressos, e que permite, por meio do uso de redes de
computadores, compartilhar a informação instantânea e facilmente.
A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo foi criada
para disponibilizar na internet o conhecimento produzido pelos trabalhos defendidos na USP,
permitindo que as comunidades brasileira e internacional possam ter em mãos a versão digital
completa das teses e dissertações. A Biblioteca Digital foi inaugurada em 2001 juntamente
com o portal do conhecimento (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2001).
De acordo com Kuramoto (2006), a construção da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD) pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT) é reconhecida como primeiro passo para a inserção do Brasil ao movimento mundial
do acesso aberto as informações científicas.

487BACHA, Marcia Nunes. Biblioteca digital FGV. Mensagem recebida por marcia.bacha@fgv.br em
03.10.2012.

4224

�No que se refere ao Movimento do Acesso Aberto ou Acesso Livre, Freitas, Maia e
Leite(2011), afirmam que os repositórios institucionais surgiram como uma alternativa ao
modelo tradicional de comunicação científica, visando à criação de condições para que esta
informação esteja disponível gratuitamente na internet, possibilitando o acesso a toda
comunidade e proporcionando visibilidade e rapidez na troca de informações. Neste sentido,
os repositórios digitais contribuem para o movimento de acesso livre, promovendo a
divulgação dos resultados das pesquisas na web.
E é nesse contexto que surge a iniciativa do SBI/IFSC de disponibilizar na
BDTD/USP as teses e dissertações defendidas no IFSC e viabilizar o cumprimento do parecer
PG.P 2809/2013, uma vez que a digitalização das teses e dissertações já havia sido realizada.

3 Materiais e métodos
As principais etapas para realização do trabalho foram:
3.1) Obtenção de dados faltantes e imprescindíveis para a disponibilização do trabalho na
BDTD:
a) Definição do modelo de formulário a ser enviado para os orientadores, contendo as
informações sobre a dissertação ou tese a ser depositada na BDTD, conforme apresentado
abaixo:

Figura 1 - Formulário para preenchimentode dados pelos orientadores

Fonte: Elaborado pela equipe do SBI/IFSC.

4225

�b) Envio dos formulários para os orientadores por e-mail, para o preenchimento dos dados
faltantes, exemplo: título e palavras-chave em inglês/português e abstract e oficio
esclarecendo quanto ao seu objetivo;
c) Cobrança dos formulários via e-mail, telefone e quando necessário, através de contato
pessoal;
d) Elaboração de relatório como total de formulários enviados, de respostas obtidas,
apontando as possíveis causas donão sucesso na obtenção das respostas.

3.2) Disponibilização na BDTD:
a) Solicitação ao Serviço de Pós-Graduação do IFSC de um login e senha para a submissão da
tese ou dissertação na BDTD;
b) Acesso ao sistema de geração do conteúdo digital (sitehttp://pandora.cisc.usp.br/), para
realizar a submissão, preenchendo todos os campos solicitados referentes ao trabalho;
c) Revisão e aprovação do documento submetido pela biblioteca por parte do Serviço de Pósgraduação do IFSC.
d) Após recebimento da aprovação, fazer a catalogação da tese ou dissertação na BDTD e
inserção do link de acesso ao documento no Banco Bibliográfico da USP/ DEDALUS.

4 Resultados parciais
Estão sendo realizadas as submissões das teses e dissertações do programa de pósgraduação do IFSC, das quais houve o retorno dos formulários preenchidos pelos orientadores
na BDTD. Será feita a tradução para o idioma inglês do título e palavras-chave, com apoio de
professores da área, para os trabalhos que não tiveram essas informações pelos formulários
enviados. Entende-se que estes dados são muito importantes para a visibilidade e recuperação
do documento. Finalizada esta etapa, serão realizadas discussões para a futura submissão das
teses e dissertações referentes ao Programa de Pós-graduação Interunidades em Ciência e
Engenharia de Materiais que foi de responsabilidade do IFSC até 06.12.2010.

5 Considerações Finais
O foco principal deste trabalho foi a disponibilização das teses e dissertações na
BDTD, propiciando o acesso e a recuperação com a maior completude possível de dados. A
submissão das teses e dissertações poderia ter sido realizada de forma mais simplista, ou seja,
apenas com o preenchimento de alguns campos com a informação “dado não constante do
documento original”, mas isso não permitiria a recuperação do documento de forma plena.

4226

�A questão do idioma foi uma das preocupações existentes e, por esta razão, insistiu-se
na obtenção destes dados com auxílio dos orientadores ou com a colaboração de profissionais
qualificados. Desta forma, a recuperação terá maior abrangência, aumentando, assim, a
visibilidade da produção intelectual da USP.
Com esta ação, acredita-se ter colaborado de forma significativa para ampliar a
visibilidade da produção gerada pelo IFSC. Isto possibilitou,também, a geração de
indicadores e análises bibliométricas da produção científica e suas derivações, uma vez que a
BDTD-USP é uma fonte de informação consolidada, considerada uma biblioteca digital de
grande representatividade para a pesquisa acadêmica. Em 2013 a BDTD-USP contava com
43.752 títulos, entre dissertações de mestrado e teses de doutorado. Registrou 13.113.110
downloads no mesmo ano (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2014).
Espera-se também que a iniciativa e experiência relatadascontribuam para que as
demais bibliotecas da USP e de outras Instituições utilizem mecanismos semelhantes para
preservar e disponibilizar seus acervos em Bibliotecas Digitais.

6 Referências

BACHA, Márcia Nunes; ALMEIDA, Maria do Socorro G. de. Construindo a Biblioteca
Digital da FGV. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
SNBU, 17. 2012, Gramado. Anais eletrônicos... Porto Alegre: UFRG, 2012.11p. Disponível
em:&lt;http://snbu2012.com.br/anais/index.php&gt;. Acesso em: 23 abr. 2014.
CUNHA, Murilo Bastos. Para saber mais: fontes de informação em ciência e tecnologia.
Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 2001.
FREITAS, Marilia Augusta; MAIA, Luanna Cezar; LEITE, Fernando César Lima. Acesso
aberto como estratégia de disseminação e preservação da produção científica discente: a
Biblioteca Digital de Monografias da Universidade de Brasília. Biblioteca Universitária,
Belo Horizonte, v.1, n.1, p. 71-80, jan./jun. 2011.
KURAMOTO, Hélio. Informação científica: proposta de um novo modelo para o Brasil.
Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 35, n. 2, p. 91-102, maio/ago. 2006.
MOREIRA, Walter. Biblioteca tradicional x biblioteca virtual: modelos de recuperação
da informação. 1998. 90p. Dissertação (Mestrado em Biblioteconomia) - Pontifícia
Universidade Católica de Campinas, Campinas, 1998.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. Disponível
em: &lt;http://www.teses.usp.br&gt;. Acesso em: 16 abr.2014 e 22 abr. 2014.

4227

�UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Procuradoria Geral - Escritório Regional de São
Carlos.Parecer n° 2809 de 19 ago. 2013. Autoriza a inserção dos trabalhos científicos na
BDTD, cujos autores não foram localizados para autorizarem a pretendida divulgação. São
Carlos: 2013. 5p.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Resolução n° 5401 de 17 de abril de 2007.Regulamenta
a disponibilização de dissertações e teses no Portal da Universidade de São Paulo. Diário
Oficial

do

Estado

de

São

Paulo,

SP,

18

abr.2007.

Disponível

em:

&lt;http://citrus.uspnet.usp.br/sibi/Portaria-Resolucao/res 5401.htm&gt;. Acesso em: abr.2014.

4228

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Disponibilização de dissertações e teses na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP após parecer da Procuradoria Geral da USP PG.P2809/2013 que isenta a universidade da autorização dos autores: relato da experiência do SBI/IFSC/USP</text>
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                <text>Ziemath, Natalina Ribeiro, Diegues,Célia Maria, Prado, Ana Maria, Almeida, Tania Ortin</text>
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                <text>O presente trabalho relata a experiência do Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo – SBI/IFSC/USP, em parceria com o Serviço de Pós-Graduação do IFSC, para viabilizar o cumprimento do parecer PG.P2809/2013 de 19.08.2013. Este parecer isenta a USP da autorização dos autores para inserir as teses e dissertações defendidas antes da Portaria COPGr nº 5401 de 17.04.2007 de outubro de 2007, na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo – BDTDUSP. A submissão está sendo possível, entre outras ações, com a colaboração dos orientadores em preencher formulários com informações faltantes e imprescindíveis para a submissão e visibilidade do documento. O objetivo é preservar, disponibilizar e divulgar o conhecimento gerado através dos trabalhos das defesas. Espera-se contribuir para que as comunidades brasileira e internacional tenham acesso integral aos textos digitais das teses e dissertações defendidas no IFSC/USP.</text>
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                    <text>SNBU 2 0 1 4
\S
s \

\ / 1I I
V I I I

Seminário Nacional d©
Bibliotecas Universitárias

B e l o H o r i z o n t e - A/\G

�1

�i \M

\\A

IIVÉI

SNBU 2 0 1 4
Belo Horizonte - M G
y \ /| 11 Seminório Nacional de

/ \ V III

Bibliotecas Universitários

16 a 21 de novembro

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E O ACESSO PÚBLICO À
INFORMAÇÃO: ARTICULANDO LEIS, TECNOLOGIAS,
PRÁTICAS E GESTÃO

ANAIS

BELO HORIZONTE/MG
2014

2

�Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (18.: 2014 : Belo Horizonte, MG)
Anais das sessões temáticas/ XVIII SNBU. Belo Horizonte: Universidade Federal de
Minas Gerais, 2014.
4681 p.
Evento organizado pela Biblioteca Universitária / Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal de Minas Gerais.
Tema: Bibliotecas universitárias e o acesso público à informação: articulando leis,
tecnologia, práticas e gestão.
ISBN: 2359-6058
1. Ciência da informação. 2. Biblioteconomia. 3. Biblioteca universitária I.
Universidade Federal de Minas Gerais. II. Título.
CDU 027.7
Elaborada pela Diretoria da Biblioteca Universitária / Sistema de Bibliotecas da UFMG

3

�Universidade Federal de Minas Gerais
Reitor
Jaime Arturo Ramírez
Vice-reitora
Sandra Regina Goulart Almeida

Pró-reitora de Extensão - Proex
Benigna Maria de Oliveira
Claudia Andrea Mayorga Borges (Adjunta)

XVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Presidente
Wellington Marçal de Carvalho - UFMG

Vice-presidente
Anália das Graças Gandini Pontelo - UFMG

Comissão Executiva
•

Iris da Silva - Coordenadora - UFMG

•

Eliane Pawlowski Oliveira Araújo - UFMG

•

Fabiene Letízia Alves Furtado - UFMG

•

Caroline Serapião Ferreira - UFMG

•

Paulo Fernando da Silva - UFMG

Comissão de Imprensa
•

Carla Gomes Pedrosa - Coordenadora - UFMG

•

Dafne Braga Ramos Monteiro Corgosinho - UFMG

•

Marcella Ximenes de Mello Boehler - UFMG

4

�Projeto Gráfico
•

Marcelo de Carvalho Borges - Coordenador - UFMG

•

Anna Luisa Cunha de Almeida Pinheiro - UFMG

•

Bárbara Peret Almeida de Oliveira - UFMG

•

Sarah Fergus Fonseca - UFMG

Comissão Técnico-Científica
•

Maria Aparecida Moura - Coordenadora - UFMG

•

Kátia Lúcia Pacheco - Vice-coordenadora - UFMG

•

Jacqueline Pawlowski Oliveira - Suporte Técnico - UFMG

•

Leonardo Vasconcelos Renault - UFMG

•

Letícia Alves Vieira - UFMG

•

Raquel Miranda Vilela Paiva - UFMG

•

Sindier Antônia Alves - UFMG

•

Carla Cristina Vieira de Oliveira - UFMG

Pareceristas
•

Adriana Aparecida Puerta - Unesp

•

Alessandra Rodrigues - UFMG

•

Alexander William Azevedo - UFP

•

Alexandre Ribas Semeler - UFRGS

•

Ana Amélia Lage Martins - Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte

•

Ana Célia Rodrigues - UFF

•

Ana Cristina Azevedo Ursulino Melo - UFCE

•

Ana Cristina de Freitas Griebler - UFRGS

•

Ana Gabriela Clipes Ferreira - UFRGS

•

Ana Maria Mattos - UFRGS

•

Anália das Graças Gandini Pontelo - UFMG

•

Andréa Figueiredo Leão Grants - UFSC

•

Andréa Paula Brandão Martins - UFMG

•

Angélica Conceição Dias Miranda - Furg

•

Anna Elizabeth Galvão Coutinho Correia - UFPE

•

Barbara Coelho Neves - UFS

5

�•

Benildes Coura Moreira dos Santos Maculan - UFMG

•

Brígida Maria Nogueira Cervantes - UEL

•

Carla Cristina Vieira de Oliveira - UFMG

•

Cássio José de Paula - PUC-MG

•

Caterina Groposo Pavão - UFRGS

•

Célia Consolação Dias - UFMG

•

Célia Regina Simonetti Barbalho - Ufam

•

César Augusto Castro - UFMA

•

Clarice Vanderlei Ferraz - Ufal

•

Cláudio Marcondes de Castro Filho - USP

•

Cleusa Pavan - UFRGS

•

Daisy Pires Noronha - USP

•

Dalgiza Andrade Oliveira - UFMG

•

Dulce Amélia de Brito Neves - UFP

•

Edivânio Duarte de Souza

•

Eliana Carlan - Ministério da Saúde

•

Eliane Lourdes da Silva Moro - UFRGS

•

Eliane Pawlowski Oliveira Araújo - UFMG

•

Eliany Alvarenga de Araújo - UFG

•

Elizabeth Almeida Rolim - UFMG

•

Emília Pecktor Olliveira - UFPR

•

Enilze de Souza Nogueira Volpato - Unesp

•

Ester Laodicéia Santos - ALMG

•

Fabiano Ferreira de Castro - UFSCar

•

Fábio Assis Pinho - UFPE

•

Fabíola Mara Pereira Bezerra - UFC

•

Fabrício José Nascimento da Silveira - Unirio

•

Fernando Cavalcanti Moreira - UFPR

•

Francisco Carlos Paletta - USP

•

Gláucia Maria Saia Cristianini - USP

•

Helen Beatriz Rozados - UFRGS

•

Helena Maria Tarchi Crivellari - UFMG

•

Heloísa Helena Costa - UFRJ

•

Henriette Ferreira Gomes - UFBA

- UFA

6

�•

Ieda Martins - USP

•

Igor Resente Quintal - Faculdade Batista / MG

•

Iole Costa Terso - UFBA

•

Ivone Job - UFRGS

•

Izabel França de Lima - UFPB

•

Jacira Gil Bernardes - UFRGS

•

Jacqueline Pawlowski Oliveira - UFMG

•

Janete Estevão - UFPR

•

Jorge Prado - Senac - SC

•

Júlia Gonçalves da Silveira - UFMG

•

Juliana Horta de Assis Pinto - UFRJ

•

Juliana Moreira Pinto - UFMG

•

June Magda Rosa Scharnberg - UFRGS

•

Kátia Lúcia Pacheco - UFMG

•

Kátia de Oliveira Rodrigues - UFBA

•

Leila Aparecida Anastácio - Cetec-MG

•

Leonardo Vasconcelos Renault - UFMG

•

Leonília Maria Brasileiro Lessa - Unifor-CE

•

Letícia Alves Vieira - UFMG

•

Letícia Strehl - UFRGS

•

Lígia Eliana Setenareski - UFPR

•

Lígia Maria Moreira Dumont - UFMG

•

Liliane Vieira Pinheiro - UFSC

•

Lívia Aparecida Ferreira Lenzi - UFA

•

Lizandra Brasil Estabel - UFGRS

•

Luciana de Souza Gracioso - UFSCar

•

Luciana Pizzani - UFPA

•

Luiz Otávio Maciel da Silva - UFPA

•

Marcelo Nair dos Santos - Ufes

•

Márcia Feijão de Figueiredo - Pedro II / RJ

•

Marcos Aurélio Gomes - Ufal

•

Marcos Luiz Cavalcanti Miranda - Unirio

•

Marcos Vinícius Andrade -

•

Maria Aparecida Moura - UFMG

7

�•

Maria Cristina Guimarães de Oliveira - UFPE

•

Maria de Fátima Almeida Braga - UFM

•

Maria de Fátima Gonçalves Moreira Tálamo - USP

•

Maria de Fátima Pinto Coelho - UFMG

•

Maria de Lourdes Lima - UFA

•

Maria do Rocio Fontoura Teixeira - UFRS

•

Maria Helena Machado de Moraes - UFMG

•

Maria Helena Santos - UFMG

•

Maria Josineide Silva Góis - UFC

•

Maria Luiza de Almeida Campos - UFF

•

Maria Naires Alves de Souza - UFC

•

Mariângela Spotti Lopes Fujita - Unesp

•

Marilia Abreu Martins Paiva - UFMG

•

Marlene Oliveira Teixeira de Melo - UFMG

•

Milene Miguel do Vale - Ufam

•

Miriam Figueiredo Vieira da Cunha - UFSC

•

Nadi Helena Presser - UFP

•

Nadsa Maria Araújo Cid - UFCE

•

Nair Yumiko Kobashi - USP

•

Nelma Camelo Araújo - UFA

•

Nivaldo Oliveira - Ufla

•

Paula Carina de Araújo - UFP

•

Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa Santos - Unesp

•

Raimundo Martins de Lima - Ufam

•

Raquel Alexandre de Lira - Ufam

•

Raquel Miranda Vilela Paiva - UFMG

•

Regina Dantas - UFRJ

•

Renata Eleutério da Silva - Unesp

•

Renato Rocha Souza - Fundação Getúlio Vargas

•

Ricardo José Miranda - UFMG

•

Roger de Miranda Guedes - Fundação João Pinheiro / MG

•

Ronaldo Ferreira De Araujo - Ufal

•

Rosa Maria Apel Mesquita - UFRGS

•

Rosali Fernandez de Souza - Ibict

8

�•

Rosemary Cristina da Silva - Unesp

•

Rubem Borges Teixeira Ramos - UFG

•

Sely Maria de Souza Costa - UnB

•

Sheila Cristina S. G. Barreto - UFMG

•

Sheila Margareth Texeira Adão - UFMG

•

Silvana Drumond Monteiro - UEL

•

Sindier Antônia Alves - UFMG

•

Solange Madalena Souza Macedo - UFMG

•

Sueli Angélica do Amaral - UnB

•

Tatiana Rossi - UFSC

•

Tatiane Krempser Gandra - UFMG

•

Valéria Valéria Martin Valls - Fundação Escola de Sociologia e Política / SP

•

Vildeane da Rocha Borba - UFPE

•

Vilma Carvalho Souza - UFMG

•

Viviane Solano - Embrapa Pantanal

•

Wellington Marçal de Carvalho - UFMG

•

Wesley Rodrigo Fernandes - UFMG

•

Zuleika de Souza Branco - UFRGS

Brasil

Instituições apoiadoras
DAC
DIRETORIA DE

biblioteca
vatual « n viude

CAPES

AÇÃO CULTURAL

Ed
ESCOLA OC
CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO

m

PROEX
PRÔ-REITORIA
DE EXTENSÃO

9

�Apresentação

Belo Horizonte terá o orgulho de receber pela primeira vez, em novembro de 2014,
o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU). O evento, que envolve
pesquisadores e participantes de várias partes do país, está na 18a edição e será promovido
pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (SB/UFMG).
Com o tema “Bibliotecas universitárias e o acesso público à informação:
articulando leis, tecnologias, práticas e gestão”, o Seminário pretende trazer reflexões
sobre o novo papel das bibliotecas e dos profissionais da informação diante da produção
contemporânea do conhecimento e do olhar da sociedade civil, que destaca a importância
da informação no contexto social em função da edição de vários dispositivos legais, dentre
os quais a Lei de Acesso a Informação.
Refletir sobre as práticas bibliotecárias, divulgar novas tecnologias e propiciar a
troca de experiências, tendo como contexto o acesso a informação e a disseminação do
conhecimento, são os objetivos do SNBU 2014.
Contamos com a expertise e competência dos profissionais e estudantes da área
para manter o evento como um dos mais ricos espaços de reflexão e debate na área da
Biblioteconomia

Wellington Marçal de Carvalho
Coordenador da Comissão Organizadora do XVIII SNBU
Presidente do XVIII SNBU

Anália das Graças Gandini Pontelo
Vice-coordenadora da Comissão Organizadora do XVIII SNBU
Vice-presidente do XVIII SNBU

10

�11

�O papel social das Bibliotecas Universitárias
Ética, compromisso social, inovação e acesso ao conhecimento

As recentes mudanças sociotécnicas, o aumento e a diversificação das tecnologias
digitais adotadas no cotidiano das bibliotecas universitárias, a paulatina redução no caráter
custodial e o apelo ao acesso e ao uso de informações everywhere tem provocado debates
intensos e ensejado novas abordagens e serviços. Tais medidas requerem mudanças nos perfis
dos bibliotecários acadêmicos e exigem a atualização de culturas e práticas informacionais
que revelem a pertinência e o caráter estratégico das bibliotecas universitárias, em contextos
de formação humana e dedicados à cultura, ciência, tecnologia e inovação.
No âmbito das bibliotecas universitárias, o ACRL Research Planning and Review
Committee (2012, 2014) identificou uma série de tendências em curso que estão alterando
significativamente a ação bibliotecária desenvolvida nesse contexto. As principais tendências
são: a centralidade da comunicação em geral e da científica em particular; a curadoria de
dados; a preservação digital; a pertinência dos ambientes informacionais móveis; a adoção do
Patron Driven Acquisition (PDA) como modelo de desenvolvimento de coleções em
bibliotecas; a necessidade de ampliação da formação acadêmica especializada das equipes das
bibliotecas; a urgência do planejamento de serviços baseados no comportamento e nas
expectativas dos usuários; o trabalho cooperativo voltado à descoberta, análise, reuso e ao
compartilhamento de dados; as ações colaborativas com repositórios digitais e revistas
científicas; a implementação de serviços e dispositivos digitais; a promoção do acesso aberto
à informação; a participação em processos de pesquisa e formação humana; o conhecimento
de novas métricas propostas para a avaliação de publicações científicas; a compreensão das
dimensões informacionais das metodologias de pesquisa em ambientes digitais e seus
impactos.
Nessa perspectiva, assinala-se o papel central do Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias (SNBU) que, há mais de três décadas, se consolidou como um evento de
referência para profissionais da informação e pesquisadores especializados em Ciência da
Informação, documentação, arquivos e museus no Brasil.
A edição do SNBU 2014 tem, entre os principais desafios, o de refletir sobre as
repercussões das tendências apontadas pela ACRL Research Planning and Review Committee
na ação das bibliotecas universitárias brasileiras. Além disso, é preciso também compreender
as repercussões da Lei de Acesso à Informação (12.527/2011) e seus impactos no
compartilhamento da informação científica e tecnológica, assim como as recentes medidas

12

�governamentais referentes ao tratamento, à disponibilização e à difusão dos dados abertos
produzidos em diferentes instituições públicas em contexto nacional.
Em síntese, os desafios e as tendências nacionais e internacionais apontadas indicam a
necessidade de mudanças socioculturais e a incorporação de medidas disruptivas que
potencializem a reinvenção de nossa profissão.
Conforme é possível constatar, trata-se de mudanças fundamentais nas ações que se
realizam no âmbito das bibliotecas universitárias,

quiçá nas demais instituições

informacionais em uma perspectiva mais ampla.
O tema central do SNBU 2014 “Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à
Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão” objetiva responder, do ponto de
vista da formação humana e do debate coletivo, aos desafios que se nos apresentam.
Com esse propósito, o evento está organizados nos seguintes eixos temáticos: Gestão
da Informação e Conhecimento; Leis de Acesso Público à Informação; Gestão de Bibliotecas
Universitárias; Comunicação Científica; Tecnologia.
Na oportunidade, a Comissão Organizadora do SNBU 2014, sediado em Belo
Horizonte, sob a coordenação do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas
Gerais (SB/UFMG) e apoiado por diversificada rede de colaboradores nacionais e
internacionais, deseja boas vindas e êxito a todos os participantes do evento.
Esperamos que os novos conhecimentos, a ampliação dos horizontes profissionais e as
parcerias ensejadas pelo SNBU 2014, realizado por entre os mares de morros mineiros,
fortaleçam o caráter inovador da ação biblioteconômica, a atuação ética dos profissionais da
informação e a afirmação de nossos compromissos sociais em contextos acadêmicos cada vez
mais complexos e dinâmicos.

Maria Aparecida Moura - UFMG
Coordenadora - Comissão Científica

Kátia Lúcia Pacheco - UFMG
Vice-Coordenadora - Comissão Científica

13

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                    <text>Discurso de abertura do XVIII SNBU - 16/11/2014
Wellington Marçal de Carvalho

Excelentíssima Vice-Reitora da UFMG, Professora Sandra Regina Goulart Almeida;
Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, Professor
Clélio Campolina Diniz; Ilma. Vice-Diretora da Biblioteca Universitária - SB/UFMG,
Bibliotecária Anália das Graças Gandini Pontelo, Ilma. Presidente do Conselho Federal de
Biblioteconomia, Bibliotecária Regina Céli de Souza; Ilmo. Presidente da Comissão
Brasileira de Bibliotecas Universitárias, Bibliotecário Luiz Atilio Vicentini; Ilmo. Diretor
da Escola de Ciência da Informação, Professor Carlos Alberto Ávila Araújo.
Ilmo. Chefe de Gabinete do Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação,
Professor Roberto do Nascimento Rodrigues; Ilma. Sra. Cristina del Papa, Coordenadora
Geral do SINDIFES; demais autoridades, familiares, convidados e colegas de trabalho,
diretores e chefes de bibliotecas, bibliotecários, assistentes e auxiliares em biblioteca e
congressistas, boa noite!
Eu sou mineiro, de Sabará. Hoje me farei acompanhar do meu amigo Guima, de
Cordisburgo - Minas Gerais. Para nós, “o grande movimento é a volta”. Em 21 de
novembro de 2013, Anália e eu assumíamos, oficialmente, e muitos de vocês estavam
presentes, (inclusive Jaime, Sandra, Campolina, Prof. Roberto) a desafiadora tarefa de
administrar, por dois anos, a Diretoria da Biblioteca Universitária - Sistema de Bibliotecas
da UFMG, eleitos que fomos pelos colegas lotados nas bibliotecas do Sistema. Consultando
o meu Discurso de posse, daquela ocasião, compartilhei alguns grandes desafios que já
assomavam às portas do Sistema. Alguém arriscaria um palpite quanto ao primeiro desafio?
Anália e eu prometemos: “Envidar todos os esforços para, com a participação de todos,
realizar um grande e memorável SNBU, que será sediado na BU/SB, em 2014.” Hoje, um
pouco menos inocente, acrescentaria:

e fazê-lo, com primor, em 11 meses e 24 dias.” E

foi preciso, por não saber às vezes como fazer, agir mineiramente, “sempre pegando com
Deus”, sobretudo porque atravessamos muitas situações “inveremes”, como diria minha avó
Maria.
Este nosso momento é a coroação do labor do Sistema de Bibliotecas da UFMG.
Convém, então, apresentar brevemente essa instituição bibliotecária. O Sistema de
Bibliotecas da UFMG é formado por 25 bibliotecas setoriais, conta com uma equipe de
aproximadamente 500 trabalhadores e possui acervo com mais de 1 milhão de exemplares.
O nosso Sistema tem a idade da UFMG. Estamos no limiar dos 90 anos.

14

�Talvez fosse interessante refletirmos sobre as formas como a vida do Sistema de
Bibliotecas, necessariamente, veicula mensagens de um período da história do mundo. De
que forma?
Encaminhar alguma resposta a essa inquietação pode se dar ao revisitar fragmento
do discurso proferido pelo professor e crítico literário brasileiro Antônio Candido, na
cerimônia de inauguração das novas instalações da Biblioteca Central da Universidade
Estadual de Campinas (UNICAMP), posteriormente publicado na coletânea Recortes,
lançada em 1993. Sua breve fala é dividida em duas partes. Na primeira o professor enxerga
na ocasião inaugural o terreno propício para alertar sobre a necessidade, no Brasil de então,
de investimentos em âmbito universitário, em bibliotecas, notadamente em bons acervos e
qualificado corpo de pessoal, mais exatamente, de profissionais bibliotecários.
Na segunda e última parte do discurso, Candido faz a apresentação da vultosa, em
número de itens e em riqueza conteudística, biblioteca pertencente à seu pai, Aristides
Candido de Mello e Souza, recebida em doação pela UNICAMP naquela data. A cerimônia
de doação da biblioteca serviu de mote para que Candido, o filho, fizesse a seguinte
sugestão aos presentes: Que se estude a formação de uma cultura pessoal por meio da
biblioteca, vista como estratificação de sucessivas camadas sedimentadas ao longo do
tempo de uma vida que pode servir de índice para o conhecimento da época” (CANDIDO,
1993, p. 218).
Ele segue ilustrando, com os livros que compunham a biblioteca paterna, a sugestão
feita ao reconstituir a evolução mental de Aristides no terreno das ciências humanas,
concomitante à incorporação de novos títulos ao acervo em crescimento.
Defendia Candido (1993, p. 217), que “o estudo de tais coleções vem a ser um instrumento
útil para investigar a formação das mentalidades num dado momento histórico” e, por
conseguinte, conclui que “a formação de uma biblioteca equivale geralmente à superposição
progressiva de camadas de interesse, que refletem a época através da pessoa” (CANDIDO,
1993, p. 217).
Logo, ao observar a história de nossas bibliotecas, com mais vagar, nos
defrontaremos com indícios de conhecimento de uma época, em um determinado, e não
sejamos inocentes, instante da “formação de mentalidades”, fruto de gesto arbitrado,
decorrente de um jogo de poder, de disputa, de administração de usufruto de espacialidades.
A constituição de nossos acervos, de nossas bibliote cas é, também, um “conjunto de
virtualidades de valor essencialmente desigual”, como alertara o geógrafo brasileiro Milton
Santos.

15

�Posicionamentos ideológicos também delinearam, obviamente, a constelação
temática discutida em cada edição do SNBU e cristalizam, por assim dizer, a oficialização
de formação de mentalidades da área.
E, por oportuno, mineiros que somos, tenho a grata satisfação de anunciar que
digitalizamos os Anais das edições anteriores e as disponibilizamos no site do Seminário.
Como diziam os antigos (eu sou bem antigo): “Casa de ferreiro, espeto...” !!! Lembram-se
de 1978, na Universidade Federal Fluminense, quando discutíamos “A biblioteca como
suporte do ensino e da pesquisa no desenvolvimento nacional”? E o “Plano nacional de
bibliotecas universitárias”, que abordamos em 1987, na 5a edição, na UFRGS? Já em 2004,
na UFRN, no 13° Seminário, refletimos acerca do redimensionamento das bibliotecas
universitárias; a gestão estratégica e a inclusão social.
Hoje, a nos reunir, temos todos a preocupação de discutir a relação entre as
“Bibliotecas universitárias e o acesso público à informação” e a respectiva articulação de
leis, tecnologias, práticas e gestão. Desenhamos nossas linhas discursivas em torno a
grandes eixos: organização e serviços de informação; leis de acesso público à informação;
gestão de Bus; tecnologia e comunicação científica.
Permitam-me, já encaminhando estas minhas palavras para o final, conclamar a
todos, uma vez que neste ano de 2014, com a 18a edição, o SNBU alcança a sua maioridade,
a relembrar o papel de cada um de nós, a partir do nosso campo de atuação em bibliotecas e
áreas afins, no sentido de deslocar a realidade do nosso país em direção à prevalência de
uma urdidura social mais justa, mais igualitária, em que, em primeiro lugar, esteja a defesa
da dignidade da pessoa humana.
O que tomo a ousadia de dizer, mais veementemente, é que nos lembremos da letra
do nosso juramento, do cunho social e humanista do nosso fazer, para que, ao fim,
instalações artísticas como a de Lúcia Gomes, intitulada “Santuário ou sanitário” (que
articula-se no lixão de Aurá, em Belém, na qual não se divisa o que é lixo e o que é gente)
configure-se, em um futuro breve, apenas como um lugar de memória, a nos alertar para as
ciladas que permeiam a “formação das mentalidades”, em nossas bibliotecas. Em nosso
horizonte de atuação temos a obrigação de contribuir para um processo de natureza outra,
que mitigue a regência da batuta condutora da existência do ser humano feito coisa, dejeto,
lixo.
Agradeço a cada um pela vida dedicada em prol deste momento presente,
principalmente a Administração Central da UFMG e, também, aos nossos patrocinadores e
expositores.

16

�Devemos, como aconselha Guimarães Rosa, congressistas e convidados, “sempre
fugirmos das formas estáticas, cediças, inertes, estereotipadas, lugares comuns, etc. O nosso
fazer deve se dar à base de uma dinâmica ousada, que se não for atendida, o resultado será
pobre e ineficaz. Temos de apreender novas maneiras de sentir e pensar. E, quando preciso,
sermos indisciplinados. Aproximando-nos da poesia, da obscuridade do mistério, que é o
mundo. É e nos detalhes, no trato com dignidade com o outro, que estes efeitos se
obtêm.Em meu nome e em nome da Anália, muito obrigado e um brilhante 18° SNBU para
todos nós! E que toda positividade nos guie! Amém!

17

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                    <text>SUMÁRIO

EIXO: COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA........................................................................... 40
A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA NA REVISTA ELETRÔNICA DE ADMINISTRAÇÃO:
MAPEAMENTO E ANÁLISE................................................................................................ 42
A CONTRIBUIÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO PARA A PUBLICAÇÃO EM ACESSO
ABERTO: O CASO DA BIBLIOTECA DA UNESP DE BAURU.......................................60
A GESTÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL DE PERIÓDICOS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ: RELATO DE EXPERIÊNCIA.................................................... 67
A PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ENANCIB: um estudo de caso.......................................86
A REPRESENTAÇÃO DO CONCEITO DE “UNIDADES DE INFORMAÇÃO” EM TESES
E DISSERTAÇÕES................................................................................................................100
ACESSO ABERTO E DIREITOS AUTORAIS: DESAFIOS PARA OS PROFISSIONAIS
DA INFORMAÇÃO...............................................................................................................104
ACESSO LIVRE A INFORMAÇÃO CIENTÍFICA: a importância da disseminação e a
necessidade de capacitação dos bibliotecários........................................................................123
ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA REVISTA CRB 8 DIGITAL: AVALIAÇÃO DO
PERÍODO 2008 - 2012........................................................................................................ 142
APLICAÇÃO DO MODELO CONCEITUAL FRAD NA ESTRUTURA DESCRITIVA DO
REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (RIUFF)........................................................................................................................................161
ARQUITETURA E URBANISMO: ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DO NÚCLEO DE
PERIÓDICOS DA ÁREA......................................................................................................175
BIBLIOTECAS DIGITAIS E OS DIREITOS AUTORAIS: A QUESTÃO DOS DIRETOS
CONEXOS..............................................................................................................................193
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E FOTOGRAFIA: A RECORRÊNCIA DO TERMO PARA
A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA BASE DE DADOS LISA........................ 211
CORREDOR DA MEMÓRIA DA FACULDADE DE MEDICINA: TECNOLOGIA E
PASSADO A SERVIÇO DO FUTURO................................................................................ 226
DESAFIOS NA IMPLANTAÇÃO DO MODELO DE ACESSO ABERTO....................... 241
DEZ ANOS DA BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES DA
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE: HISTÓRICO, AVANÇOS E
PERSPECTIVAS................................................................................................................... 248
DIREITO AUTORAL E EDITORAÇÃO: ANÁLISE DE DADOS CATALOGRÁFICOS
EDITADOS EM LIVROS À LUZ DA LEI N° 9.610/98...................................................... 264
ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS PARA NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS
ACADÊMICOS: TRAJETÓRIA DO SIBI/UFPR................................................................ 285

18

�ESTRUTURAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS COM FOCO NA
NORMALIZAÇÃO DOCUMENTÁRIA: ANÁLISE DE AMBIGUIDADES NA NBR
14724/2011............................................................................................................................291
GESTÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO IFGW-UNICAMP: O USO DO ENDNOTE
WEB COMO FERRAMENTA FACILITADORA NA PESQUISA E ARMAZENAMENTO
DOS DADOS......................................................................................................................... 305
IMPLANTAÇÃO DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA UNIRIO: DESAFIOS E
PERSPECTIVAS................................................................................................................... 319
INICIATIVAS DE ACESSO ABERTO À INFORMAÇÃO CIENTÍFICA: UMA
ABORDAGEM SOBRE O PORTAL BRASILEIRO DE ACESSO ABERTO À
INFORMAÇÃO CIENTÍFICA - OASISBR......................................................................... 331
LEITURA NO ENSINO SUPERIOR: O OLHAR DO BIBLIOTECÁRIO PARA A
COMPREENSÃO DE TEXTOS CIENTÍFICOS DOS DISCENTES NO CURSO DE
NUTRIÇÃO DO IFCE - CAMPUS FORTALEZA.............................................................. 347
MAPEAMENTO TEMÁTICO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM HEBIATRIA DA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO: ESTUDO
CIENTOMÉTRICO E PROSPECTIVO................................................................................ 364
MEMÓRIA TÉCNICO-CIENTÍFICA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DO PODER
EXECUTIVO DE MINAS GERAIS: NOTAS DE PESQUISA........................................... 370
NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS: UM ESTUDO JUNTO AOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSUDA UFPE.............................. 382
NOVAS POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO PARA O BIBLIOTECÁRIO
UNIVERSITÁRIO NO SÉCULO X X I................................................................................. 403
PERSPECTIVAS PARA A UTILIZAÇÃO DO VANTAGEPOINT NA ÁREA DE
MEDICINA A PARTIR DA EXPERIÊNCIA VIVIDA EM CAPACITAÇÃO PARA O USO
DO SOFTWARE..................................................................................................................... 414
POR QUE MANTER OS LIVROS IMPRESSOS EM TEMPOS DE LIVROS
ELETRÔNICOS?................................................................................................................... 420
PROTEÇÃO DO CONHECIMENTO E INOVAÇÃO: MOTIVAÇÕES E TENDÊNCIAS
NO UNIVERSO ACADÊMICO........................................................................................... 432
REDES DE COAUTORIA EM EDUCAÇÃO: UMA ANÁLISE A PARTIR DE ARTIGOS
CIENTÍFICOS PRODUZIDOS NOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO................ 450
RETRATO PRELIMINAR DAS POLÍTICAS DAS REVISTAS CIENTÍFICAS
BRASILEIRAS SOBRE O ACESSO ABERTO................................................................... 459
REVISTA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE &amp; FACULDADE DE
MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL: PERFIL DA
VERSÃO ONLINE................................................................................................................ 472
SERVIÇO DE ACESSO REMOTO À REDE DA UFRJ E PORTAL CAPES:
EQUIVALÊNCIAS E DIFERENÇAS DE USO ENTRE PESQUISADORES.................... 479

19

�USO DE SOFTWARE BIBLIOMÉTRICO PARA ANÁLISE DA PRODUÇÃO
CIENTÍFICA DO IFSC-USP................................................................................................. 496
EIXO: GESTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS.......................................... 512
A BIBLIOGRAFIA BÁSICA DO CURSO DE DIREITO E A COBERTURA DA
COLEÇÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
LONDRINA - SB/UEL......................................................................................................... 514
A BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO:
reflexões acerca das condições de trabalho dos bibliotecários.............................................529
A BIBLIOTECA QUE QUEREMOS! .................................................................................. 535
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A COMUNIDADE EXTERNA: Acessibilidade à
Bibliografia indicada para o Vestibular da UNICAMP........................................................ 542
A CONTRIBUIÇÃO DO SISTEMA PERGAMUM NA GESTÃO DA POLÍTICA DE
DESENVOLVIMENTO DOS ACERVOS DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ.......................................................................... 558
A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS AUXILIARES DE BIBLIOTECA: UM RELATO DE
EXPERIÊNCIA NAS BIBLIOTECAS DO IF SERTÃO-PE................................................ 577
A GESTÃO DA QUALIDADE NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS ORIENTADA
PARA A AVALIAÇÃO DO MEC........................................................................................ 590
A GESTÃO DO CONHECIMENTO POTENCIALIZADA PELA GESTÃO
PARTICIPATIVA................................................................................................................. 596
A GESTÃO DOS SERVIÇOS INFORMACIONAIS NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS: ACESSIBILIDADE PARA PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA FÍSICA, VISUAL E AUDITIVA................................................................ 613
A PESQUISA DE CLIMA ORGANIZACIONAL COMO FERRAMENTA DE GESTÃO
EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: ESTUDO SOBRE A MOTIVAÇÃO NA
BIBLIOTECA DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS "A" DA UERJ........................................ 632
A VISIBILIDADE DAS POLÍTICAS DE GESTÃO DE ESTOQUES DE INFORMAÇÃO
EM PÁGINAS WEB DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS EM SANTA CATARINA 646
ABORDAGEM CONTEMPORÂNEA PARA A GESTÃO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS.................................................................................... 656
ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: um
estudo de caso........................................................................................................................ 678
ACESSIBILIDADE COM FOCO NA AUTONOMIA - A participação da Biblioteca
Universitária e da tecnologia assistiva na formação da pessoa com deficiência.................. 691
ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR: diferentes olhares de um
mesmo problema.................................................................................................................... 705
ACESSIBILIDADE FÍSICA EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: UM ESTUDO DE
CASO EM TRÊS BIBLIOTECAS DA UFRGS.................................................................... 724

20

�ACESSIBILIDADE NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SIBI) DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ (UFPR) E A INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA 743
ACESSIBILIDADE NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL
DA BAHIA - SIBI/UFBA: UMA ANÁLISE DO ATENDIMENTO AO USUÁRIO PESSOA
COM DEFICIÊNCIA - PCD Derlita Machado Silva........................................................... 754
ADAPTAÇÃO DO SERVQUAL PARA AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA DE UMA IFES
................................................................................................................................................ 775
ANÁLISE DA FORMAÇÃO DO BILIOTECÁRIO DA BIBLIOTECA CENTRAL DA
UFAL NO ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS COM DEFICIENCIA AUDITIVA........797
AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS FRENTE AO DILEMA DAS
AVALIAÇÕES GOVERNAMENTAIS................................................................................ 816
AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COMO ORGANIZAÇÕES APRENDENTES: O
CASO DA BIBLIOTECA DO IFPB CAMPUS SOUSA...................................................... 829
AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA REGIONAL DO CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DE RONDONÓPOLIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO
GROSSO................................................................................................................................ 848
CAPACITAÇÃO DE SERVIDORES DE BIBLIOTECA UTILIZANDO O AMBIENTE
VIRTUAL MOODLE: RELATO DAS EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS PELO SISTEMA
DE BIBLIOTECAS DE UMA INSTITUIÇÃO MULTICAMPI.......................................... 860
CAPTAÇÃO DE RECURSOS POR PROJETO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS - UFPR:
Relato de experiência............................................................................................................. 873
CLIMA ORGANIZACIONAL E SATISFAÇÃO NO TRABALHO: ESTUDO DA
BIBLIOTECA DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
CEARÁ.................................................................................................................................. 879
COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS NECESSÁRIAS À ATUAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS
GESTORES DE PESSOAS NAS BIBLIOTECAS DA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA........................................................... 897
CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍTICA DE AQUISIÇÃO, EXPANSÃO E ATUALIZAÇÃO
DO ACERVO DA BIBLIOTECA SETORIAL DA UNIDADE ACADÊMICA DE SERRA
TALHADA............................................................................................................................ 911
CONTRIBUIÇÃO DA BIBLIOTECA SETORIAL DA FACULDADE DE DIREITO-UFAM
PARA A FORMAÇÃO DE SEUS USUÁRIOS................................................................... 918
CONFLITOS NO AMBIENTE DE TRABALHO DE UMA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA: RELATO DE CASO............................................................................. 933
CRIAÇÃO DE UM FORMULÁRIO ELETRÔNICO PARA BUSCA AUTOMÁTICA NO
CATÁLOGO COLETIVO NACIONAL (CCN)................................................................... 940
DESAFIOS DO LIVRO ACESSÍVEL: INFORMAÇÃO PARA AS PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA....................................................................................................................... 946

21

�DESAFIOS ENVOLVIDOS NO GERENCIAMENTO DE REDE DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO E SUA INSERÇÃO NO
PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL (PDI).........................................951
DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL DOS ÓRGÃOS COORDENADORES DE
SISTEMAS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NAS IFES: CONTEXTO DA
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL................................................................................... 963
DIRETRIZES DE SEGURANÇA PARA O SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP): EXPERIÊNCIA NA
CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS INSTITUCIONAIS........................................................ 983
ESTUDO DA AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO ESPAÇO DA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA: O CASO DA BIBLIOTECA DA UFRB............................................991
FINANCIAMENTO COM RECURSOS EXTERNOS: ELEMENTOS PARA UMA
DISCUSSÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS FEDERAIS................................999
FORMAÇÃO CONTINUADA DE BIBLIOTECÁRIOS BRASILEIROS E PORTUGUESES:
UM OLHAR SOBRE A PÓS-GRADUAÇÃO..................................................................1014
GESTÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ANÁLISE COM BASE NOS
INDICADORES DE AVALIAÇÃO DO MEC....................................................................1030
GESTÃO DA QUALIDADE EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS 1050
GESTÃO DAS BIBLIOTECAS DO INSTITUTO FEDERAL GOIANO: IMPLANTAÇÃO
DO SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS - SIBI.................................................1071
GESTÃO DE BIBLIOTECAS DOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA
E TECNOLOGIA: A ABORDAGEM SOCIOCOGNITIVA................................................1091
GESTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E A RESPONSABILIDADE SOCIAL
...............................................................................................................................................1105
GESTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS NAS
UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS................................................................1118
GESTÃO DE PESSOAS NAS BIBLIOTECAS DO IFES: CONHECER PARA
VALORIZAR........................................................................................................................1139
GESTÃO DO CONHECIMENTO EM BIBLIOTECAS NO BRASIL: um mapeamento
temático com base na literatura técnico-científica................................................................1157
GESTÃO ORIENTADA POR RESULTADOS: O CASO DA BIBLIOTECA DA UFU .. 1170
GESTÃO PARTICIPATIVA: O CASO DAS COMISSÕES ESPECIALIZADAS DE
ESTUDO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
CEARÁ - UFC......................................................................................................................1188
GESTÃO POR COMPETÊNCIAS EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: O papel do
bibliotecário-gestor nas universidades federais....................................................................1208
INTELIGÊNCIA ORGANIZACIONAL NO CONTEXTO DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS..............................1226

22

�INVENTÁRIO DO PERFIL TIPOLÓGICO, POR MEIO DO TESTE QUATI, DE
FUNCIONÁRIOS QUE TRABALHAM EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO.............1240
MAPEANDO COMPETÊNCIAS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: construindo um
inventário de competências para auxiliar na gestão de pessoas..........................................1256
METODOLOGIAS PARA O MAPEAMENTO DE PROCESSOS EM BIBLIOTECAS . 1273
MODELAGEM NO PROCESSAMENTO TÉCNICO: O CASO DA BIBLIOTECA DO
CFCH/UFRJ..........................................................................................................................1292
MODELO DE INDICADORES PARA A BIBLIOTECA FCA/UNICAMP......................1298
MODERNIZAÇÃO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O REUNI COMO
FORTALECIMENTO DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO NA UFPE........................1303
A MOTIVAÇÃO NA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA
BAHIA: POSSIBILIDADES PARA A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA........................1317
MUDANÇA DE CULTURA PARA O AUTOARQUIVAMENTO - PLANEJAMENTO
PARA IMPLANTAÇÃO......................................................................................................1323
O BALANCEAD SCORECARD E SUA APLICAÇÃO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS: O CASO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA
UFLA .................................................................................................................................. 1334
O BIBLIOTECÁRIO ATUANTE EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NO SÉCULO
XXI: A NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO AO MODERNO PROFISSIONAL DA
INFORMAÇÃO (MIP)......................................................................................................... 1354
O BIBLIOTECARIO FRENTE AOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NA GESTÃO DO
CONHECIMENTO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS...........................................1375
O CENTRO DE RECURSOS PARA A APRENDIZAGEM E INVESTIGAÇÃO (CRAI):
UM NOVO MODELO DE BIBLIOTECA UNIVERSITARIA...........................................1393
O GRAU DE SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFES
EM RELAÇÃO AOS SERVIÇOS E INFRAESTRUTURA OFERECIDOS......................1411
O HISTÓRICO DA BIBLIOTECA COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO E
SALVAGUARDA DAS COLEÇÕES DE LIVROS RAROS E ESPECIAIS NA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA BRASILEIRA..............................................................1419
O IMPACTO DA IMPLANTAÇÃO DO REUNI NO CONTEXTO ORGANIZACIONAL
DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO
SUPERIOR (IFES)...............................................................................................................1431
O PLANEJAMENTO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: REVISANDO
CONCEITOS PARA MUDAR CONCEPÇÕES E PRÁTICAS..........................................1440
O PROCESSO DE AVALIAÇÃO EXTERNA DE CURSOS E A BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA................................................................................................................ 1457

23

�OS SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO NA BIBLIOTECA DE CIÊNCIAS DA SÁUDE DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC): REFLEXÕES SOBRE A AVALIAÇÃO
DA DISPONIBILIZAÇÃO E USO...................................................................................... 1470
PADRÕES DE RECURSOS HUMANOS PARA O SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS...............................................................1484
PERCEPÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS SOBRE A QUALIDADE DE SERVIÇOS:
ESTUDO DE CASO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS E INFORMAÇÃO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO..............................................................1498
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA....................................................................................................................1515
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: dificuldades e desafios em uma biblioteca universitária
da Amazônia Setentrional.....................................................................................................1522
POLÍTICAS INSTITUCIONAIS DE INCENTIVO À LEITURA EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: ESTUDOS DE CASO NO BRASIL, ESPANHA E MOÇAMBIQUE
.............................................................................................................................................1541
PROJETO ACESSIBILIZANDO: UMA PROPOSTA DE ACESSIBILIDADE PARA O
SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS DA UNIVASF...........................................1559
PROJETO ÁGUAS: INFORMAÇÃO QUE SE TRANSFORMA EM CONHECIMENTO, O
PODER DAS PALAVRAS: ÁGUA QUE VAI... ÁGUA QUE VEM................................1566
PROJETO INDICADORES DA PRODUÇÃO INTELECTUAL DOS PROFISSIONAIS DO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNICAMP..................................................................1573
PROPOSTA PARA O ESTABELECIMENTO DOS FUNDAMENTOS
ORGANIZACIONAIS DA BIBLIOTECA DA FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E
COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
(FABICO/UFRGS): RELATO DE EXPERIÊNCIA............................................................1586
SUBSTITUIÇÃO DE SOFTWARES EM BIBLIOTECAS: MORTE PROGRAMADA OU
SUICÍDIO COLETIVO........................................................................................................1602
TECNOLOGIAS ASSISTIVAS PARA DEFICIENTES VISUAIS: UMA NOVA
REALIDADE NA BIBLIOTECA CENTRAL DO GRAGOATÁ DA UNIVERSIDADE
FEDERAL FLUMINENSE..................................................................................................1615
UMA PROPOSTA DE UNIVERSIDADE CORPORATIVA PARA A UNIVERSIDADE
FEDERAL DA BAHIA: POSSIBILIDADES PARA A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
...............................................................................................................................................1623
UNIDADES DE INFORMAÇÃO COMO SISTEMAS ABERTOS: EXEMPLO DE UMA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA.......................................................................................1629
USO DA NOTAÇÃO BPMN PARA MODELAGEM DE PROCESSOS EM BIBLIOTECAS
...............................................................................................................................................1636
EIXO: LEIS DE ACESSO PÚBLICO À INFORMAÇÃO.............................................1642
A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO (LAI) E O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO 1644

24

�BV-FAPESP: UM MODELO DE BIBLIOTECA VIRTUAL PARA DEMOCRATIZAÇÃO
DO ACESSO À INFORMAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL.................................................1656
“CARTA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO”: APLICABILIDADE EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS..............................................................................................................1662
MEDIAÇÃO E TECNOLOGIA NOS DOCUMENTOS DO MEC, DA ABECIN E NA LAI
...............................................................................................................................................1669
O PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO NOS SERVIÇOS DE INFORMAÇÕES AO CIDADÃO SICs.......................................................................................................................................1689
RANGANATHAN E A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO: QUANDO A
BIBLIOTECONOMIA E O DIREITO SE ENCONTRAM.................................................1695
REPOSITÓRIOS DIGITAIS INSTITUCIONAIS: UM VIÉS PELA LEI DE ACESSO À
INFORMAÇÃO....................................................................................................................1709
EIXO: ORGANIZAÇÃO E SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO.....................................1719
ACERVOS ELETRÔNICOS: ESTUDO SOBRE O DESENVOLVIMENTO DO ACERVO
DE PERIÓDICOS DA BIBLIOTECA SETORIAL DE EDU CAÇÃO/UFPE....................1721
A ADOÇÃO DE PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS COMO CAMINHO PARA O DESCARTE
DE MATERIAIS BIBLIOGRÁFICOS................................................................................1735
A AQUISIÇÃO DE MATERIAL BIBLIOGRÁFICO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: A EXPERIÊNCIA DA UFSC NA DEFINIÇÃO DE NOVOS
TRÂMITES PARA A REQUISIÇÃO DE COMPRAS.......................................................1741
A ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO COMO GESTOR DE AMBIENTES VIRTUAIS DE
INFORMAÇÃO....................................................................................................................1747
A BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE MICROBIOLOGIA PAULO DE GÓES/UFRJ
COMO ESPAÇO DA EXPOSIÇÃO “UM OLHAR MEMORIALISTA SOBRE A
CIÊNCIA”: UM RELATO SOBRE BENS CULTURAIS................................................... 1770
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A CRIAÇÃO DE NOVOS PRODUTOS: RELATO
DE EXPERIÊNCIA DA CRIAÇÃO DA REVISTA UNI/VERSOS...................................1782
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E AS REDES SOCIAIS: O CASO DO MURAL
INTERATIVO DO BIBLIOTECÁRIO................................................................................1800
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E O INCENTIVO A LEITURA: PRATICAS E
EXPERIENCIAS DA BIBLIOTECA DA ÁREA DE ENGENHARIA E ARQUITETURA
DA UNICAMP.....................................................................................................................1818
A BIBLIOTECA VAI À SBPC: uma experiência com projeto de extensão...................... 1830
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO ESPAÇO SOCIAL: INFORMAÇÃO,
CULTURA, LAZER E CONVIVÊNCIA REUNIDOS........................................................1845
A CATALOGAÇÃO E SUAS NECESSIDADES DE ADAPTAÇÕES.............................1852

25

�A DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO A PARTIR DA OBRA “CHOVE NOS CAMPOS
DE CACHOEIRA” DE DALCÍDIO JURANDIR: um estudo etimológico dos termos
culturais................................................................................................................................. 1864
A EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS SISTEMATIZADA E INSTITUCIONALIZADA: O CASO
DO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA DE USUÁRIO DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS (SiBi) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)...........1871
A EMPATIA NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA: CONTRIBUIÇÕES DA LEITURA
LITERÁRIA PARA O APERFEIÇOAMENTO DO BIBLIOTECÁRIO............................1891
A ENTREVISTA DE REFERÊNCIA COMO ATIVIDADE HUMANA, TÉCNICA E
TECNOLOGIA.....................................................................................................................1897
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, CULTURAL E EDUCADORA COMO INCLUSÃO
SOCIOCULTURAL NA BIBLIOTECA JOSÉ DE ALENCAR FL/UFRJ: ADESÃO AO
PROGRAMA FORMAÇÃO DE PLATEIA........................................................................1909
A IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DE NOVOS USUÁRIOS NA
MODALIDADE VIRTUAL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA: RELATO
DE EXPERIÊNCIA..............................................................................................................1916
A IMPORTÂNCIA DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL PARA O PROFISSIONAL
DA INFORMAÇÃO ATUANTE EM BIBLIOTECA DA MODALIDADE DE ENSINO A
DISTÂNCIA.........................................................................................................................1929
A IMPORTÂNCIA DE NOVAS TECNOLOGIAS PARA A PRESERVAÇÃO DO
ACERVO DOCUMENTAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
...............................................................................................................................................1942
A INFORMAÇÃO E A BIBLIOTECONOMIA: O PERFIL PROFISSIONAL NA ERA DA
WEB......................................................................................................................................1948
A LEITURA DO INDEXADOR EM SISTEMAS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
SOB A ÓTICA DA PSICOLOGIA COGNITIVA...............................................................1960
A PESQUISA CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA GRADUAÇÃO:A CONTRIBUIÇÃO DA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA PARA FOMENTAR ESSA PRÁTICA.......................1966
A POLÍTICA DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO DO ARQUIVO DA COORDENAÇÃO
GERAL DE ESTÁGIOS DA UFMA: um estudo de caso....................................................1978
A PRÁTICA DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO ATRAVÉS DE UMA REDE DE
COLABORAÇÃO ENTRE BIBLIOTECAS PARA PROMOÇÃO DA INOVAÇÃO NA
UFRJ: O CASO DOS WORKSHOPS DE FONTES DE INFORMAÇÃO.........................1987
A UTILIZAÇÃO DO SOFTWARE ABCD LIBRARY NO PROCESSO DE INDEXAÇÃO
DA EDUBASE: CRIAÇÃO DO SERVIÇO DE INDEXAÇÃO COMPARTILHADO EM
EDUCAÇÃO........................................................................................................................1999
AÇÃO CULTURAL E COMUNITÁRIA NA BIBLIOTECA UFPR LITORAL DO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
(UFPR)................................................................................................................................. 2013

26

�AÇÃO CULTURAL EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: UM SERVIÇO DA SEÇÃO
DE REFERÊNCIA COMO INSTRUMENTO DE INTERAÇÃO SOCIAL NO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA (SISBIUEFS)................................................................................................................................... 2019
ACERVO DE ESCRITORES MINEIROS: A BIBLIOTECA DE WANDER PIROLI....2025
ACERVO FOTOGRÁFICO DO CENTRO DE COMUNICAÇÃO DA UFMG (CEDECOM)
.............................................................................................................................................. 2044
ACERVOS DE IMAGENS FOTOGRÁFICAS DE OBRAS DE ARTE: DESAFIOS PARA
SUA CRIAÇÃO E MANUTENÇÃO.................................................................................. 2048
ACESSIBILIDADE A INFORMAÇÃO CIENTÍFICA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR:
CAMINHOS TRILHADOS PELO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO CEARÁ..................................................................................................... 2062
AÇÕES DE EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFC:
RUMO Á COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO............................................................ 2080
ANÁLISE DO FLUXO INTERNO DA INFORMAÇÃONO CENTRO DE CIÊNCIAS
HUMANAS DA UFMA..................................................................................................... 2087
ANÁLISE DOS CANAIS DE COMUNICAÇÃO DAS BIBLIOTECAS PARA USO DO
PERIÓDICO CIENTÍFICO ELETRÔNICO: ELABORAÇÃO E PLANEJAMENTO DE UM
PROJETO............................................................................................................................. 2105
AS BULAS DE MEDICAMENTOS COMO FONTES DE INFORMAÇÃO PARA
PACIENTES........................................................................................................................ 2119
AS FERRAMENTAS DA WEB 2.0 EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DO DISTRITO
FEDERAL............................................................................................................................ 2138
AS NECESSIDADES INFORMACIONAIS DOS DOUTORANDOS DO CURSO DE PÓSGRADUAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA DA UFMG E O ACERVO DA BIBLIOTECA J.
BAETA VIANNA: UM ESTUDO BIBLIOMÉTRICO...................................................... 2153
AS REDES SOCIAIS DE LEITURA COMO INSTRUMENTOS AUXILIARES DE
SELEÇÃO DE MATERIAIS: UMA EXPERIÊNCIA COM A REDE SOCIAL SKOOB . 2165
ATUAÇÃO DA BIBLIOTECA DO ICBS NO PROGRAMA JOVENS TALENTOS PARA
A CIÊNCIA: EXPERIÊNCIA NO CURSO DE BIOMEDICINA DA UFRGS................. 2179
AUTOMAÇÃO DA COLEÇÃO DE PERIÓDICOS DA BS-CCS/UFPB - ORGANIZANDO,
REPRESENTANDO E DISPONIBILIZANDO INFORMAÇÃO: RELATO DE
EXPERIÊNCIA................................................................................................................... 2196
AVALIAÇÃO DA CONSISTÊNCIA DA INDEXAÇÃO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC...................................................................... 2202
AVALIAÇÃO DA USABILIDADE DOS WEBSITES DOS CENTROS CULTURAIS DO
BANCO DO BRASIL, DA JUSTIÇA FEDERAL E DOS CORREIOS............................. 2218
BIBLIOTECA DO COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UFRJ: CONSTRUINDO OBJETOS
DE AFETO PARA ALÉM DOS MUROS......................................................................... 2237

27

�BIBLIOTECÁRIAS EM SALA DE AULA: GRANDES PARCERIAS........................... 2251
BIBLIOTECA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA PARAÍBA: PROPOSTA
DE UM PLANO DE MARKETING PARA OS USUÁRIOS............................................2261
BIBLIOTECA ITINERANTE: PLANTANDO O FUTURO - LEITURA E FORMAÇÃO
CIDADÃ EM MOVIMENTO, POR MEIO DO ÔNIBUS UFLA.....................................2277
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E MÍDIAS SOCIAIS: análise sobre o uso do Twitter
pelas Bibliotecas das Universidades Públicas do Rio de Janeiro........................................2296
BOOKCROSSING: A EXPERIÊNCIA DA FUNDAÇÃO SÃO FRANCISCO XAVIER EM
IPATINGA (MG) DE 2012 A 2014: APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS..............2314
CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DA
BIBLIOTECA DE NUTRIÇÃO E ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE................................................................................................................... 2320
CASA DA LEITURA E CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: INCENTIVO AO ATO DE LER
NA ATUAÇÃO BIBLIOTECÁRIA PEDAGÓGICA E SOCIAL, O CASO DO INSTITUTO
FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ (IFPI) - CAMPUS
FLORIANO......................................................................................................................... 2326
CATALOGAÇÃO DE PARTITURAS NA BIBLIOTECA DA ECA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA.................................................................................................................. 2336
CATALOGAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS FOTOGRÁFICOS DO LABORATÓRIO DO
NÚCLEO INTEGRADO DE COMUNICAÇÃO DA UVV............................................. 2351
CIRANDA DO LIVRO: A EXPERIÊNCIA DA BC/CCMN NO ACESSO PÚBLICO À
LITERATURA.................................................................................................................... 2356
COLEÇÃO LIVRO DE ARTISTA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS:
PROCESSOS BIBLIOTECONÔMICOS EM UM ACERVO ESPECIAL....................... 2363
COMPETÊNCIA INFORMACIONAL EM SAÚDE: UM ESTUDO COM GRADUANDOS
DO OITAVO PERÍODO EM ODONTOLOGIA DA UFRN............................................ 2379
COMPORTAMENTO INFORMACIONAL NAS PESQUISAS JURÍDICAS: O USO DA
INTERNET......................................................................................................................... 2395
COMUNICAÇÃO NA BIBLIOTECA: UMA REFLEXÃO SOBRE O MODELO DE
COMUNICAÇÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA U FG ..................................... 2403
CONTRIBUIÇÃO À ORGANIZAÇÃO DOCUMENTÁRIA DE INSTRUMENTOS
MUSICAIS: ESTUDO NO ACERVO DO MUSEU INSTRUMENTAL DELGADO DE
CARVALHO DA ESCOLA DE MÚSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE
JANEIRO..............................................................................................................................2416
CONTROLE DE QUALIDADE EM CATALOGAÇÃO COOPERATIVA..................... 2434
CORDEL DA PRESERVAÇÃO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A CAMPANHA DE
PRESERVAÇÃO DE ACERVO NAS BIBLIOTECAS DA PUC-RIO............................ 2453

28

�CRITÉRIOS PARA A QUALIFICAÇÃO DE OBRAS RARAS DA BIBLIOTECA DE
DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS - R S .................................. 2459
CRITÉRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE OBRAS RARAS: UM ESTUDO A PARTIR DO
ACERVO DA BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE QUÍMICA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO..................................................................................... 2473
CURSO DE EXTENSÃO PARA UTILIZAÇÃO DE RECURSOS INFORMACIONAIS
DISPONIBILIZADOS PELO SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANA (UFPR)...................................................................................... 2479
DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES ELETRÔNICAS: QUESTÕES DE AQUISIÇÃO
.............................................................................................................................................. 2490
DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES NO SISTEMA DE BIBLIOTECA DA UFES:
COMPARATIVO ENTRE OS MODELOS TEÓRICOS DE EVANS E BAUGHMAN E
PROPOSTA DE ADEQUAÇÃO AO MODELO DE EVANS.......................................... 2501
DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ATRAVÉS DA FORMAÇÃO CONTINUADA:
EXPERIÊNCIA NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
FEIRA DE SANTANA....................................................................................................... 2521
DIAGNÓSTICO DE PRESERVAÇÃO DA BIBLIOTECA DE OBRAS RARAS DA
ESCOLA DE BELAS ARTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
(EBAOR/UFRJ): UM ESTUDO BASEADO NOS 5 AGENTES DE DETERIORAÇÃO 2527
DIGITALIZAÇÃO DE OBRAS RARAS DA BIBLIOTECA CENTRAL CESAR
LATTES/UNICAMP: RELATO DE EXPERIÊNCIA....................................................... 2546
DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA INFORMAÇÃO: AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO DO
USUÁRIO EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DE MINAS GERAIS............ 2556
DIVERSOS OLHARES: PROJETO DE SINALIZAÇÃO PARA USUÁRIOS COM
DEFICIÊNCIA VISUAL PARA BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS........................... 2562
EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA E FORMAÇÃO DE TÉCNICO EM BIBLIOTECONOMIA:
UMA PROPOSTA PARA O INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ............................. 2579
EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS EM BIBLIOTECAS ACADÊMICAS VISANDO A
PRESERVAÇÃO DE ACERVOS...................................................................................... 2584
ELABORAÇÃO DE TUTORIAIS COMO INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO
DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL DOS DISCENTES...................................... 2593
ENTRA EM CENA O INTERAGENTE: A CONCEPÇÃO DE INTERATIVIDADE NA
BIBLIOTECA DA FACULDADE SENAC FLORIANÓPOLIS...................................... 2598
ESTATÍSTICAS DE USO DOS RECURSOS 2.0 DISPONÍVEIS NA BIBLIOTECA DA
UNESP - CAMPUS DE RIO CLARO............................................................................... 2604
ESTRATÉGIAS DE UMA CATALOG@ÇÃO A DISTÂNCIA: DESAFIOS
ENFRENTADOS PELA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA UNISULVIRTUAL...........2617
ESTUDO DE FREQUÊNCIA E CONSISTÊNCIA EM INDEXAÇÃO........................... 2635

29

�ESTUDO DE NECESSIDADES DE INFORMAÇÃO SOB O PARADIGMA SOCIAL:
APONTAMENTOS TEÓRICOS E POSSIBILIDADES DE APLICAÇÃO.....................2644
ESTUDO DE USO DA COLEÇÃO DE LIVROS ELETRÔNICOS COMO BASE
ESTRATÉGICA DE MARKETING.................................................................................. 2656
ESTUDO DE USO DE DESCRITORES NAS DISSERTAÇÕES DE ENFERMAGEM
(1984-2013)......................................................................................................................... 2662
ESTUDO DE USUÁRIOS: ANÁLISE DO MÉTODO DOS ARTIGOS INDEXADOS NA
BASE DE DADOS LISA ................................................................................................... 2668
ESTUDO DO PROCESSO DE BUSCA DE INFORMAÇÃO DE USUÁRIOS DA
BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE................................................................................................................... 2683
ESTUDO DE USUÁRIO DA BIBLIOTECA DO INSTITUTO FEDERAL DO
TRIÂNGULO MINEIRO - CAMPUS PATROCÍNIO: RELATO DE CASO.................. 2694
ETIQUETDO MOVIL: UNA EXPERIENCIA EN EL AREA ACADEMIA Y DE
EXTENSIÓN UNIVERSIT ARIA...................................................................................... 2709
EXTENSÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DO PROJETO
LITERACIA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ..........................................2721
FERRAMENTAS DE ATENDIMENTO ONLINE-CHAT: O DESAFIO DE INOVAR .. 2734
FORMAÇÃO DE USUÁRIOS PARA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL EM
AMBIENTES VIRTUAIS..................................................................................................2746
FORMULÁRIO ELETRÔNICO DE AQUISIÇÃO DE LIVROS PARA O SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UECE................................................................................................ 2754
FUNGOS NO ARMAZENAMENTO E ACONDICIONAMENTO DE COLEÇÕES
ESPECIAIS E RARAS: Um problema de gestão para as Bibliotecas Universitárias....... 2760
GERENCIAMENTO DE ACERVO ATRAVÉS DA TECNOLOGIA RFID: A
EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA................................. 2773
GESTÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS.............................. 2787
GRUPO DE BIBLIOTECÁRIOS EM CIÊNCIAS DA SAÚDE: CRIAÇÃO E AÇÕES
DESENVOLVIDAS ........................................................................................................... 2798
HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: IMPACTOS NA CIRCULAÇÃO EM UMA REDE DE
BIBLIOTECAS...................................................................................................................2810
IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA DE GESTÃO DE PROJETOS NA DIVISÃO DE
BIBLIOTECA (DIBD) DA ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA “LUIZ DE
QUEIROZ” (ESALQ).........................................................................................................2816
IMPLANTAÇÃO DO CATÁLOGO DE AQUISIÇÃO DE LIVROS, CATALIVROS, NA
BIBLIOTECA DA UNESP DO CÂMPUS DE BAURU................................................... 2834

30

�IMPLANTAÇÃO DO SERVIÇO DE DIGITALIZAÇÃO DE DOCUMENTOS NO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
(UFPR)................................................................................................................................ 2844
INOVAÇÃO E DISPONIBILIZAÇÃO DE SERVIÇOS NAS BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA.......................................................... 2849
INVENTÁRIO DO ACERVO: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA BIBLIOTECA
AGROPECUÁRIA............................................................................................................. 2859
JUVENTUDE UNIVERSITÁRIA DA UFG: TRAJETÓRIAS SOCIOESPACIAIS E
PRÁTICAS DE LEITURA................................................................................................. 2865
LEITURA NO CAMPUS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
DE JUIZ DE FORA............................................................................................................ 2885
LITERATURA NA BIBLIOTECA: A IMPORTÂNCIA DO INCENTIVO À LEITURA NO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL-RS......... 2891
MAPEAMENTO DE PROCESSOS EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: O CASO
DA BIBLIOTECA DO ATERRADO................................................................................. 2907
MEDIAÇÃO DOCUMENTÁRIA NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ESTUDO
COMPARATIVO BRASIL/FRANÇA................................................................................ 2925
MEMÓRIA INSTITUCIONAL: RECUPERAÇÃO DO ACERVO DE MÚSICA NO
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA
PARAÍBA (IFPB), CAMPUS JOÃO PESSOA........................................................... 2942
MEMORIAL DENIS BERNARDES PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO......................................................... 2952
MODELOS DE COMPORTAMENTO DE BUSCA DA INFORMAÇÃO: SEU USO EM
PESQUISAS DE ESTUDOS DE USUÁRIOS................................................................... 2967
MUDANÇAS E DESAFIOS NA BIBLIOTECA DO SEBRAE RJ: UM ESTUDO DE CASO
............................................................................................................................................. 2980
MULTA SOLIDÁRIA DA UFRPE: DIALOGANDO COM A SOLIDARIEDADE E A
EDUCAÇÃO...................................................................................................................... 2985
MULTIPLICAÇÃO DO CONHECIMENTO NAS BIBLIOTECAS: UMA EXPERIÊNCIA
NAS BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE....................... 2994
MULTIPLICADORES DA INFORMAÇÃO: UMA INTRODUÇÃO PARA O
LETRAMENTO INFORMACIONAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA............................ 3009
NECESSIDADES E DEMANDAS DE EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS NO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UFC: UNIVERSIDADE RUMO À COMPETÊNCIA EM
INFORMAÇÃO................................................................................................................... 3015
NETWORKING EM BIBLIOTECAS: O CASO DAS BIBLIOTECAS DO SUL DE SANTA
CATARINA........................................................................................................................ 3030

31

�NOVAS OPORTUNIDADES EM ESTUDOS DO USO DA INFORMAÇÃO E DA
INTERAÇÃO COM AS TECNOLOGIAS DIGITAIS...................................................... 3041
O ABC DA CONSERVAÇÃO........................................................................................... 3051
O ACERVO HISTÓRICO DA ACADEMIA REAL DE GUARDAS-MARINHAS DA
BIBLIOTECA DA MARINHA.......................................................................................... 3058
O AMBIENTE DA BIBLIOTECA NA E-EVOLUÇÃO: COM A VOZ OS USUÁRIOS. 3069
O BIBLIOTECÁRIO E A PRÁTICA DA NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS........ 3088
O BIBLIOTECÁRIO ESPECIALISTA EM PESQUISA BIBLIOGRÁFICA NA ÁREA DA
SAÚDE E SUA ATUAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA
INFORMACIONAL DOS USUÁRIOS.............................................................................. 3100
O BIBLIOTECÁRIO INOVADOR..................................................................................... 3107
O BOLETIM INFORMATIVO DAS BIBLIOTECAS DO COLÉGIO SÃO FRANCISCO
XAVIER NO MUNICÍPIO DE IPATINGA (MG) COMO FERRAMENTA DE
CONTRIBUIÇÃO NA DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA INFORMAÇÃO................... 3113
O CRM NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS: PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO NA
BIBLIOTECA CENTRAL DO CEFET/RJ......................................................................... 3128
O FACEBOOK COMO CANAL DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO NAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DA UFRGS............................................ 3141
O INCENTIVO À LEITURA DE TIRINHAS NAS “REFEIÇÕES COM MAFAUDA” .. 3158
O LIVRO RARO NA BIBLIOTECA CENTRAL ZILA MAMEDE.................................3163
O MARKETING DIGITAL NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COMO
ESTRATÉGIA DE APROXIMAÇÃO COM O USUÁRIO............................................. 3180
O MODELO CONCEITUAL FRBR: ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA NO SNBU (2006­
2012).................................................................................................................................. 3200
O PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO UNIVERSITÁRIO: UMA PESQUISA NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS (UFT) E NA UNIVERSIDADE FEDERAL
DE GOIÁS (UFG)............................................................................................................. 3214
O PERFIL DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO E A SUPERVISÃO TÉCNICA DE
SEÇÃO: UM ESTUDO DE CASO DA UNESP............................................................... 3225
O PLANO ESTRATÉGICO DE MARKETING DA BIBLIOTECA OCTÁVIO BARBOSA,
DO SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL..................................................................... 3232
O PODER DAS REDES SOCIAIS NA PRÁTICA DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA EM
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS................................................................................ 3244
O RETRATO DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO NO NORTE DE MINAS: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA DO DIA DO BIBLIOTECÁRIO, NO ICA/ UFMG........ 3256
PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO DOCUMENTAL: FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DO
BIBLIOTECÁRIO .............................................................................................................. 3266

32

�O SERVIÇO DE PESQUISA BIBLIOGRÁFICA OFERECIDO PELA BIBLIOTECA DE
CIÊNCIAS JURÍDICAS DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)..................................................................................... 3283
PANORAMA HISTÓRICO DA ATIVIDADE REALIZADA PELA BIBLIOTECA DA
UNESP - CAMPUS DE BOTUCATU-RUBIÃO JUNIOR............................................... 3302
O SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DA PARAÍBA: ESTUDO SOBRE O NÍVEL DE SATISFAÇÃO DOS SEUS
USUÁRIOS.......................................................................................................................... 3315
O SERVIÇO DE REFERÊNCIA E A EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS FRENTE ÀS NOVAS
TECNOLOGIAS DA INFORMAÇAO E DA COMUNICAÇÃO: um estudo na Biblioteca
Central da UFMA................................................................................................................ 3335
O TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO EM PARTITURAS MUSICAIS: UM ESTUDO DE
CASO DA BIBLIOTECA JOAQUIM CARDOZO DO CENTRO DE ARTES E
COMUNICAÇÃO DA UFPE............................................................................................. 3350
O UNIVERSO DA LEITURA E DO LEITOR E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO DO
INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - IFRJ - CAMPUS NILÓPOLIS........ 3360
O USO DAS REDES SOCIAIS COMO FERRAMENTA PARA O MARKETING DIGITAL
EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: o caso do SISTEMOTECA da UFCG................. 3366
O USO DO FACEBOOK COMO FERRAMENTA DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA .. 3373
O USO DOS RECURSOS DE INTERATIVIDADE PELO SERVIÇO DE REFERÊNCIA,
EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA.................................................................... 3379
ORGANIZAÇÃO DA BIBLIOTECA DO ACERVO HISTÓRICO DO CENTRO DE
MEMÓRIA DA MEDICINA - CEMEMOR..................................................................... 3385
ORIENTAÇÃO CONTINUADA DE USUÁRIOS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
RELATO DE EXPERIÊNCIA........................................................................................... 3398
OS IMPACTOS DAS MUDANÇAS NA LEI DE DIREITOS AUTORAIS BRASILEIRA
NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA..................................................................................... 3405
PANORAMA DOS PROGRAMAS DE CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS DAS
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO.................... 3411
POLÍTICA DE INDEXAÇÃO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL........................................................................... 3423
PARTICIPAÇÃO DOS DOCENTES NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE LIVROS DA
BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP - CAMPUS DE
RIO CLARO)...................................................................................................................... 3434
POLITICAS DE DESENVOLVIMENTO DE ACERVO ELETRÔNICO E DIGITAL NAS
UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO NORDESTE............................................................ 3446
POR UMA ATUAÇÃO EMPÁTICA DO BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA NA
CONTEMPORANEIDADE ............................................................................................... 3458

33

�PRÁTICA PROFISSIONAL CURRICULAR DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DA
FURG: A EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA SETORIAL DA PÓS-GRADUAÇÃO EM
EDUCAÇÃO AMBIENTAL - SALA VERDE JUDITH CORTESÃO............................. 3475
PRÁTICAS DE LEITURA LITERÁRIA DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECADO IFES
CAMPUS SÃO MATEUS: UM OLHAR SOBRE OS REGISTROS DE EMPRÉSTIMOS
............................................................................................................................................. 3489
PRÁTICAS DE TREINAMENTO E PORTAL DE PERIÓDICOS: UM ESTUDO SOBRE A
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO............................................................ 3505
PRÁTICAS DE USUÁRIOS POTENCIAIS DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: USO DE
FONTES DE INFORMAÇÃO EM ARQUIVOLOGIA.................................................... 3510
PRESERVANDO A MEMÓRIA DO CENTRO DE MEMÓRIA DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL MINAS GERAIS: UMA EXPOSIÇÃO
PARA FICAR NA HISTÓRIA........................................................................................... 3527
PROCESSAMENTO DA LINGUAGEM NATURAL NA ÁREA DE MÚSICA: técnicas e
tecnologias.......................................................................................................................... 3532
PRODUÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA O GERENCIAMENTO DE OBRAS
ESGOTADAS EM ACERVOS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS....................... 3551
PROGRAMA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE PRESERVAÇÃO DE ACERVOS: a
experiência da Biblioteca Central Cesar Lattes - UNICAMP............................................ 3563
PROPOSTA DE MIGRAÇÃO DE SOFTWARE DE GERENCIAMENTO NO SETOR DE
PERIÓDICOS DA FACULDADE SANTA TEREZINHA (CEST).................................. 3574
PUBLICAR ARTIGOS EM REVISTAS BRASILEIRAS EM CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO: UMA ANÁLISE ENTRE O TEMPO DE SUBMISSÃO E ACEITAÇÃO
DOS MANUSCRISTOS..................................................................................................... 3584
QUALIDADE NO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: O CASO DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA
CENTRAL DA UECE........................................................................................................ 3601
RECURSO, DESCRIÇÃO E ACESSO - RDA: BREVE DESCRIÇÃO.......................... 3607
REDE SOCIAL: DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO E SERVIÇO DE REFERÊNCIA
NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE...................................................................... 3626
REDEFINIÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DA BIBLIOTECA SETORIAL DO CENTRO
TÉCNICO-CIENTÍFICO DA PUC-RIO............................................................................ 3631
RESTAURAÇÃO DO ACERVO DE OBRAS RARAS E ESPECIAIS DA DIVISÃO DE
BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO DO CONJUNTO DAS QUÍMICAS/USP........... 3642
REVISITANDO AS ORIGENS DA BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL: história, ensino e
perfil do profissional da informação.................................................................................... 3649
SALÃO DE LEITURA DA BIBLIOTECA NILO PEÇANHA DO IFPB CAMPUS JOÃO
PESSOA: uma questão de leitura, formatos e suportes...................................................... 3670

34

�SANÇÃO NA DEVOLUÇÃO: UMA PRÁTICA DE CARÁTER SOCIAL E EDUCATIVO
............................................................................................................................................. 3686
SERVIÇO DE REFERENCIA VIRTUAL DA HEMEROTECA DA REDE DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO: RELATO DE CASO....... 3698
SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL: PROPOSTA PARA AVALIAÇÃO.............. 3703
SETOR DE MEMÓRIA DA FACE/UFMG: questões práticas e implicações epistemológicas
............................................................................................................................................. 3724
SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO EM BIBLIOTECAS DE ARTE: O USO NA
REDARTE/RJ..................................................................................................................... 3736
SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA E A RECUPERAÇÃO DA
INFORMAÇÃO: QUAL O NÍVEL DE SATISFAÇÃO DO USUÁRIO NESTE PROCESSO?
............................................................................................................................................. 3754
TECNÓLOGO EM BIBLIOTECONOMIA: reflexões acerca da realidade brasileira....... 3769
TEMPLATE DE NORMALIZAÇÃO EM LATEX: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA UFJF
............................................................................................................................................. 3781
TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO E AS ATIVIDADES DE EXTENSÃO NA
FORMAÇÃO DO ALUNO DE BIBLIOTECONOMIA.................................................... 3786
TRATAMENTO TÉCNICO INFORMACIONAL DE DISCOS SONOROS: UMA
ABORDAGEM VOLTADA PARA A ANÁLISE, REPRESENTAÇÃO E ORGANIZAÇÃO
DE ACERVOS MUSICAIS................................................................................................ 3796
UM OLHAR PARA OS ACERVOS RAROS E ESPECIAIS NO COLÉGIO PEDRO II:
CONFIGURAÇÃO ATUAL E DIAGNÓSTICO DE SUAS COLEÇÕES........................ 3815
TRÊS ANOS DE REDES SOCIAIS NA BIBLIOTECA DA UNESPE DE ILHA SOLTEIRA:
AVALIAÇÃO NA PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS........................................................ 3834
UM OLHAR SOBRE O ACERVO DE OBRAS RARAS DO MUSEU DE ARTE DE SÃO
PAULO ASSIS CHATEAUBRIAND - MASP.................................................................. 3849
UMA NOVA REALIDADE: sistema eletrônico de gerenciamento de informações no
SISTEMOTECA da UFPB................................................................................................. 3860
USABILIDADE E ACESSIBILIDADE NOS ESPAÇOS VIRTUAIS DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS FEDERAIS BRASILEIRAS PARA USUÁRIOS SURDOS........... 3874
VALORAÇÃO DE ACERVO COM BASE NO GERENCIAMENTO DE RISCOS: UM
EXERCÍCIO NO ACERVO DA BIBLIOTECA DA FACULDADE DE
BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
GRANDE DO SUL (FABICO/UFRGS)............................................................................ 3887
VIII SEMANA DO LIVRO E DA BIBLIOTECA DA UFLA: 100 ANOS DE VINÍCIUS
DE MORAES - RELATO DO EVENTO........................................................................... 3902
VOCABULÁRIOS CONTROLADOS ESPECIALIZADOS: uma proposta para a sua
construção............................................................................................................................ 3918

35

�WEBMARKETING APLICADO À BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: O WEBSITE COMO
FERRAMENTA DE PROMOÇÃO................................................................................... 3934
EIXO: TECNOLOGIA.................................................................................................... 3941
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E O COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES:
UM BREVE ESTUDO EM PORTUGAL E NO NORDESTE DO BRASIL.................... 3943
A BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE DA SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE
SÃO PAULO COMO UMA FERRAMENTA PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO
............................................................................................................................................. 3959
A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA SOB O IMPACTO DA MÍDIA DIGITAL: O CASO DO
PORTAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
GRANDE DO NORTE....................................................................................................... 3965
A CONVERSÃO DE REGISTROS NA IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIOS
INSTITUCIONAIS: O CASO DO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL UNESP............. 3971
A GESTÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL PAULO FREIRE NOS MÚLTIPLOS
CAMINHOS DA CONVERGÊNCIA................................................................................ 3985
A IMPORTÂNCIA DA BIBLIOTECA PARA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: EM FOCO
A EAD NA UFMG............................................................................................................. 4000
A INSERÇÃO DA BIBLIOTECA VIRTUAL DE LIVROS ELETRÔNICOS NA
COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFRPE..................................................................... 4019
A INSERÇÃO DE LIVROS ELETRÔNICOS EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA:
O RELATO DE EXPERIENCIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
.............................................................................................................................................. 4024
A INSERÇÃO DO LIVRO ELETRÔNICO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA........................................................................................... 4035
ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO APLICADA A BIBLIOTECAS DIGITAIS DE
TESES E DISSERTAÇÕES: análise da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações
do IBICT.............................................................................................................................. 4047
AUMENTANDO O ALCANCE E A VISIBILIDADE DE CATÁLOGOS ONLINE E
REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS COM A AJUDA DO GOOGLE............................ 4053
AVALIAÇÃO DO USO DOS LIVROS ELETRÔNICOS DO ACERVO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ PELOS ESTUDANTES DOS PROGRAMAS
DE PÓS-GRADUAÇÃO.................................................................................................... 4068
BIBLIOTECA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOQUÍMICA: blog como ferramenta de
difusão de informações....................................................................................................... 4088
BIBLIOTECA DIGITAL DE MONOGRAFIAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
FEIRA DE SANTANA: acertando na recuperação e democratização da produção acadêmica
............................................................................................................................................. 4094

36

�BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES DA FURG: O
AUTOARQUIVAMENTO COMO UMA PROPOSTA DE CONSOLIDAÇÃO ENQUANTO
FONTE DE PRESERVAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DA PESQUISA CIENTÍFICA
4100
BIBLIOTECAS E REPOSITÓRIOS DIGITAIS: REFLEXÕES, TECNOLOGIAS E
APLICAÇÕES................................................................................................................... 4119
BIBLIOTECAS FÍSICAS EM EDUCAÇÃO VIRTUAL: UMA VERDADE
INCONVENIENTE, UMA OBSERVAÇÃO PERTINENTE............................................4138
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UM ESTUDO DE
USUÁRIOS.......................................................................................................................... 4154
CRIAÇÃO DE UM CURSO A DISTANCIA PARA CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS
QUANTO A ESTRUTURAÇÃO E NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS:
RELATO DE EXPERIÊNCIA DO SBI/IFSC-USP............................................................ 4168
CURSO DE NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS A
DISTÂNCIA: AVALIAÇÃO DA METODOLOGIA APLICADA.................................... 4181
DA EPISTEMOLOGIA DE PRESERVAÇÃO À QUESTÃO EMERGENT DA
PRESERVAÇÃO DE ACERVOS DIGITAIS: UM OLHAR APLICADO ÀS BIBLIOTECAS
DE PÓS-GRADUAÇÃO DA FIOCRUZ............................................................................ 4195
DIGITALIZAÇÃO RETROSPECTIVA DA PRODUÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA DA
EMBRAPA MILHO E SORGO RELATO DE EXPERIÊNCIA........................................ 4210
DISPONIBILIZAÇÃO DE DISSERTAÇÕES E TESES NA BIBLIOTECA DIGITAL DE
TESES E DISSERTAÇÕES DA USP APÓS PARECER DA PROCURADORIA GERAL
DA USP PG.P2809/2013 QUE ISENTA A UNIVERSIDADE DA AUTORIZAÇÃO DOS
AUTORES: RELATO DA EXPERIÊNCIA DO SBI/IFSC/USP....................................... 4222
DISPOSITIVOS MÓVEIS NO CONTEXTO EDUCACIONAL....................................... 4229
ESTILOS DE APRENDIZAGEM DOS BIBLIOTECÁRIOS CONCURSEIROS: ESTUDO
COM OS INSCRITOS NA PLATAFORMA BIBLIOTECONOMIA PARA CONCURSOS
............................................................................................................................................. 4240
EU CURTO: REDE SOCIAL CORPORATIVA COMO FERRAMENTA DE APOIO A
COMUNICAÇÃO INTERNA NA BIBLIOTECA FEAUSP............................................ 4251
IMPLANTAÇÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL DA PRODUÇÃO INTELECTUAL E
CIENTÍFICA DA UNICAMP: UM NOVO FORMATO DE DIVULGAÇÃO DA
PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE........................................................... 4266
IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL: O CASO DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE LAVRAS................................................................................................... 4281
INCENTIVO À LEITURA DE OBRAS LITERÁRIAS POR MEIO DO QR CODE

4300

LICENCIAMENTO DE LIVROS ELETRÔNICOS E O MODELO DE NEGÓCIOS PDA
(PATRON DRIVEN ACQUISITION)................................................................................... 4311

37

�MAPOTECA DIGITAL PARA A PESQUISA GEOGRÁFICA: o caso das linhas de pesquisa
do Programa de Pós-Graduação em Geografia - Tratamento da Informação Espacial da PUC
Minas................................................................................................................................... 4326
NÚCLEO DE EXTENSÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO: UMA PROPOSTA PARA A EDUCAÇÃO
A DISTÂNCIA................................................................................................................... 4345
O LIVRO DIGITAL COMO FORMA DE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO
CONHECIMENTO E A CULTURA................................................................................. 4351
O LIVRO DIGITAL E A TRÍADE BIBLIOTECAS, MERCADO EDITORIAL E
GOVERNO......................................................................................................................... 4364
OS DEZ TÍTULOS DE PERIÓDICOS CIENTÍFICOS INTERNACIONAIS MAIS
CITADOS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECONOMIA NO PERÍODO DE
1981-2009 SEGUNDO O FATOR DE IMPACTO............................................................ 4382
OS CIBORGUES INTERPRETATIVOS E SUAS RELAÇÕES COM A INCLUSÃO
SOCIODIGITAL: estudo sociométrico em uma biblioteca universitária............................ 4405
PANORAMA DE AQUISIÇÃO DAS BASES DE DADOS VIRTUAIS DAS
UNIVERSIDADES FEDERAIS DO BRASIL.................................................................... 4411
PORTAL DE PERIÓDICOS DA UERJ NA PERSPECTIVA DO ACESSO LIVRE: UMA
PROPOSTA..........................................................................................................................4425
PRESERVAÇÃO DIGITAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS: PROJETO PORTICO 4439
REDES SOCIAIS E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: estudo exploratório em bibliotecas
de instituições públicas de ensino superior de Fortaleza.................................................... 4451
RELATO DE EXPERIÊNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO REPOSITÓRIO
INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA................................. 4469
RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PORTAL DA CAPES COMO FERRAMENTA DE
PESQUISA........................................................................................................................... 4475
REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS . 4482
REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
............................................................................................................................................. 4496
REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL UFPA MULTIMÍDIA: O SEU DESENVOLVIMENTO
SOB A ÓTICA DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO................................................. 4511
REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL: UMA INOVAÇÃO TECNOLOGICA PARA O
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFRB........................................................................ 4524
REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS: CASO DA BVS BIOÉTICA E DIPLOMACIA EM
SAÚDE............................................................................................................................... 4541
ROTEIRO DE IMPLEMENTAÇÃO DE REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS EM
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR....................................................................... 4555

38

�RUMO À BIBLIOTECA INTERATIVA: USO DAS FERRAMENTAS DA WEB 2.0 NO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFRGS - SBUFRGS................................................ 4569
SERVIÇO DE DESCOBERTA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A IMPLANTAÇÃO NA
REDE DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO UERJ................................................................................................................................... 4586
SERVIÇOS DE DESCOBERTA........................................................................................ 4601
USABILIDADE DO BLOG DA BIBLIOTECA LEOPOLDO NACHBIN DO INSTITUTO
DE MATEMÁTICA DA UFRJ: ESTUDO DE CASO....................................................... 4615
USANDO O BLOG PARA PROMOVER SERVIÇOS NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
.............................................................................................................................................. 4621
USO DE FERRAMENTAS COLABORATIVAS EM TRABALHO COLETIVO.......... 4637
USO DE UM APLICATIVO COMO FERRAMENTA DE REGISTRO E SOLUÇÃO DE
PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES DAS BIBLIOTECAS
UNISUL.............................................................................................................................. 4653
VIVÊNCIAS EM SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO DE BIBLIOTECAS: BIBLIVRE E
SOPHIA.............................................................................................................................. 4660

39

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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